DIREITO CIVIL V – 1º TRIMESTRE

Profº Eduardo Gesse 5º ano C - 2007 / Deminis S.Salvucci o-0-o-0-o-0-o-0-o
Caderno + Apostila+ Doutrina (DINIZ, Maria Helena. Direito civil brasileiro –Vol 5, Direito de Família) o-0-o-0-o-0-o-0-o-0-o

Direito de Família
Conceito: “É o complexo de normas que regulam a celebração do casamento, sua validade e os efeitos que dele resultam, as relações pessoais e econômicas da sociedade conjugal, a dissolução desta, a relação entre pais e filhos, o vínculo do parentesco, os institutos complementares da tutela, curatela e da ausência” (Clóvis Beviláqua) – devendo acrescentaras normas que regem a união estável e a família monoparental. Princípios “o fundamento básico do casamento, da vida conjugal e do companheirismo é a ‘afeição’ entre os cônjuges ou conviventes e a necessidade de que perdure completa comunhão de vida, sendo a ruptrura da união estável, separação judicial e o divórcio uma decorrência da extinção da affectio”. (MHD). Antigamente o princípio que regia o matrimônio era da autoridade do pater família. Hoje é a afeição que deve existir entre os membros da família. Hoje não há mais hierarquia entre os membros de uma mesma família – todos são sujeitos de direito. Veja-se que antigamento a mulher não tinha direito ao voto, não tinha direito à herança. Em 1916 com o Código Civil a mulher já tinha direitos sucessórios, mas ainda era relativamente capaz – a administração dos bens competia ao marido, para trabalhar fora de casa era necessário autorização do marido, etc. Na década de 60 adveio o Estatuto da Mulher Casada que a colocou como colaboradora, auxiliadora do marido (já podia trabalhar sem autorização) mas prevalecia, ainda, a vontade do cônjuge varão.
1) Princípio da razão do matrimônio e da união estável: 2) Princípio da igualdade jurídica dos cônjuges e companheiros – art. 226 §5º, CF-88:

Com a Constituição de 1988 não só se estabeleceu a isonomia como também restou estabelecido no art. 2261 a absoluta paridade entre os cônjuges e os conviventes. Agora, não há mais a subordinação da mulher e dos filhos ao varão. Na atualidade ambos os cônjuges, em havendo divergência, podem provocar o Estado-juiz a fim de solucionar o conflito de interesses. Ambos os cônjuges tem que prover a casa, pois, isso decorre da igualdade, de forma que ambos devem contribuir para a manutenção da família (princípio da igualdade). “Com esse princípio (o da igualdade jurídica dos cônjuges e dos companheiros) desaparece o poder marital, e a autocracia do chefe de família é substituída por um sistema em que as decisões devem ser tomadas de comum acordo entre conviventes ou entre marido e mulher” (MHD).

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§5º Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela mulher.

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3) Princípio da consagração do poder familiar: “o poder familiar é considerado como um poderdever” (MHD). O poder familiar é exercido por ambos os cônjuges, ainda que não convivam. Ele deriva não do casamento ou da união estável, mas sim da relação de parentesco materno e filial (ex: a menina “ficou” uma noite com o rapaz e engravidou, daí decorre o poder familiar, embora não estejam casados ou em união estável).

Foi estabelecido na Constituição por influência da Igreja. A Igreja, por receio de que o poder constituinte inserisse na Carta o controle de natalidade, promoveu um lobby para colocar o princípio da liberdade. Mas, a liberdade é bem mais ampla do que isso, abrange por exemplo: a liberdade religiosa dos membros da família. “Fundado, como observa Paulo Luiz Netto Lobo, no livre poder de constituir uma comunhão de vida familiar por meio de casamento ou união estável, sem qualquer imposição ou restrição de pessoa jurídica de direito público ou privado (CC. Art. 1513); na decisão livre do casal no planejamento familiar (CC, art. 1565) (...) na livre aquisição e administração do patrimônio familiar (CC, arts. 1642 e 1643) e opção pelo regime matrimonial mais conveniente (CC, art. 1639); na liberdade de escolha pelo modelo de formação educacional, cultural e religiosa da prole (CC, art. 1634); e na livre conduta, respeitando-se a integridade físico-psíquica e moral dos componentes da família”. (MHD).
4) Princípio da liberdade: 5) Princípio da pluralidade familiar:

A CF-88 assegura o princípio da pluralidade familiar. Antes da Constituição de 88, família era aquela derivada do matrimônio. Hoje, todavia, existem várias modalidades de família (ex: união estável). De se observar que hodiernamente pode-se optar por uma família não-matrimonial. A pessoa pode viver com a pessoa em união estável e não mais casado, em razão do princípio da liberdade e pluralidade familiar. Somente após a Carta Magna de 1988 a família fora do casamento foi juridicamente reconhecida. Antes da CF-88, ressalte-se, família era tão-somente derivada do matrimônio. No entanto, sempre existiu o concubinato. Por conta do princípio da pluralidade familiar temos uma discussão jurídica muito grande. Consigne-se que família é decorrente do casamento, união estável, mãe solteira e filhos ou pai solteiro e filhos (as duas últimas são monoparental). No entanto, a questão que se impõe é: As uniões homoafetivas são família?: 1ª corrente: O rol da CF-88 é taxativo – família é aquela derivada do casamento, união estável e aquela convivência de pais e filhos, mães e filhos (monoparental). As uniões homoafetivas quando muito pode configurar uma sociedade de fato e não uma família. Todavia, para as uniões homoafetivas serem consideradas família seria necessário uma Emenda Constitucional; 2ª corrente: O rol da CF-88 é exemplificativo – existem outras famílias que a Constituição não especificou, mas são famílias. Seria família monoparental aquela formada entre tutor e tutelado, curador e curatelado. Assim, a união homoafetiva é família e, enquanto não houver uma regulamentação, aplica-se as regras da união estável; 3ª corrente: Deve-se observar o fato de que o princípio da dignidade da pessoa humana plasma todo o ordenamento jurídico. Tudo que contrariar o aludido princípio é inconstitucional. Logo, a disposição do art. 226, CF-88, que exige a diversidade de sexo para união estável é inconstitucional. Dessa forma, não há necessidade de lei infraconstitucional, pois a união estável já está regulamentada na lei civil.

6) Princípio da igualdade entre os filhos (art. 227, §6º) 2 :Antigamente

tínhamos os filhos legítimos (aqueles concebidos na constância do casamento); legitimados (na concepção dos pais que
2 Art. 227, §6º: Os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por adoção, terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação.

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casavam-se depois); Espúrios: que podiam ser adulterinos (filho ilegítimo, eis que concebido de forma extraconjugal, ou seja o pai era adúltero – a patre; ou se fosse a mãe adúltera – a matre; ou ambos adúlteros – a matre e a patre); que podiam ser incestuosos (o pai manteve relação sexual com a filha e a engravidou); Naturais (das pessoas que viviam em concubinato). Observe-se que o filho incestuoso não podia pleitear alimentos. O filho adulterino só podia promover reconhecimento de paternidade só com o fim do casamento. O filho adotivo, por sua vez, era um “meio-filho” – de forma que só tinha direito à herança completa se o casal não tivesse filho. O adotivo não receberia nada se houvesse filho anterior à adoção e 50% do que cabia ao filho superveniente. Com o advento da Constituição da República e, em razão do principio da absoluta igualdade entre os filhos, não mais interessa aquela adjetivação. Filho é filho. Para fins didáticos pode-se falar em filho matrimonial e não-matrimonial. No entanto, lei alguma pode dizer que o filho nãomatrimonial tem menos direitos que o filho matrimonial, sob pena de afrontar a Lei Maior. OBS: herdeiros necessários são os ascendentes, descendentes e cônjuge. 50% do patrimônio é parte disponível, o outro 50% é a legítima dos herdeiros onde o princípio da igualdade dos filhos é plena. Contudo, em união estável não há falar-se em herdeiro necessário do convivente (só o cônjuge foi erigido a categoria de herdeiro necessário). Família – significado da expressão. “o termo abrange todos os indivíduos que estiverem ligados pelo vínculo de consangüinidade ou da afinidade, chegando a incluir estranhos, como no caso do art. 1412,§2, do CC/02, em que as necessidades da família do usuário compreendem também as das pessoas de seu serviço doméstico”. (MHD). Assim abrange filhos, cônjuge, os serviçais...
- Sentido amplíssimo: - Sentido lato:

além dos cônjuges e de seus filhos, abrange os parentes da linha reta ou colateral, bem como os afins (os parentes do outro cônjuge)- MHD. Segundo o Profº, o sentido lato abarca os membros da família nuclear (filhos, cônjuge, convivente) e primos, tios, avós, bisavós. Para fins sucessórios e alimentos vai até o infinito (ad infinitum) na linha reta ascendente e descendente. Na colateral, para fins sucessórios, vai até o 4º grau (irmão, sobrinho e sobrinho neto ou, tio e primo). Para fins de alimentos, na colateral, até o 2º grau (só o irmão).

- Sentido estrito:

é a chamada família nuclear: pais e filhos/ mães e filhos/ convivente e filhos/ cônjuge e filhos. Quanto aos membros que a compõem:

+Família monoparental:

Aquela constituída por um dos pais e filhos ou, em caráter excepcional, os órfãos e o tutor. Pode ocasionar a família monoparental a viuvez, o divórcio, a dissolução da união estável, etc.

+ Família biparental:

Aquela constituída pelos pais e filhos. Ex: união estável, casamento. Uma família biparental pode-se transformar em monoparental (ex: morte do cônjuge). Duas famílias monoparentais podem transformar-se em uma família biparental. O inverso também pode ocorrer. *OBS: Não temos uma regulamentação própria da família monoparental como se tem para união estável e para o casamento. Não há legislação estabelecendo proteção específica, mas no direito previdenciário se extende, pode abater imposto de renda do dependente, pode haver usucapião pro-labore (pai e filho morando juntos); há impenhorabilidade do bem de família. Ou 3

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seja, consegue-se pinçar um direito aqui e ali, mas não há lei específica estabelecendo uma proteção.

DO CASAMENTO Natureza Jurídica:
+Teoria Contratualista:

“Para essa corrente, o matrimônio é um contrato civil, regido pelas normas comuns a todos os contratos, ultimando-se e aperfeiçoando-se apenas pelo simples consentimento dos nubentes” (MHD). Assim, para essa corrente o casamento é um contrato, pois, o elemento mais importante do casamento é a vontade dos nubentes. Subdivide-se em: 1) Contratulista pura: equipara o casamento a um contrato, como se fosse compra e venda. O importante é a vontade dos nubentes e acabou; 2) Contrato de família: o casamento é um contrato sui generis pois, há uma série de obrigações próprias de família. Há várias coisas de que não se pode dispor.

“O casamento é tido como uma grande instituição social, refletindo uma situação jurídica que surge da vontade dos contraentes, mas cujas normas, efeitos e forma encontram-se preestabelecidos pela lei”(MHD). Veja-se que no casamento os interesses são convergentes no sentido de estabelecer uma comunhão de vida. Num contrato de compra e venda não há efeitos para terceiros (ex: João vende um carro para Maria). Agora, o casamento gera reflexo para terceiros (João casa-se com Maria. Logo, ninguém mais poderá com ela se casar). A maioria entende que o casamento é uma instituição, uma vez que a maioria das normas que regem o casamento, são normas de ordem pública. Observe que, ao se casar, estabelece-se parentesco de afinidade com os parentes do cônjuge Destarte, a teoria institucional diz que o casamento é muito mais que um contrato, é regido por normas de ordem pública na qual os nubentes aderem ao se casar.
+ Teoria Institucional: + Teoria Eclética:

Diz-se que o casamento, nos atos que o precedem, predomina a vontade dos nubentes (é um contrato). A partir do momento em que se ultima a realização do matrimônio, o casamento torna-se instituição regida por normas de ordem pública, as quais os nubentes não podem alterar. OBS: Tais teorias estão se alargando para abarcar a união estável. Características do casamento:

Antigamente era comum os pais escolherem um nubente para o filho. No nosso ordenamento vige a regra da liberdade de escolha. Se isso não for preservado o casamento é anulável (ex: coação para a filha casar com determinada pessoa).
a) Liberdade de escolha dos nubentes: b) Solenidade do ato nupcial:

O casamento é solene. Só se realiza quando se emprega as palavras sacramentais. Se não houver solenidade o casamento será nulo. A solenidade é da essência do ato (enquanto não for concluída toda a solenidade ele é inexistente outras vezes nulo). As normas que regem o casamento são normas de ordem pública que as partes não podem alterar. Ex: não pode convencionar que o dever de fidelidade é só do homem; só a mulher ficaria responsável para cuidar dos filhos, etc. 4

c) Normas de ordem pública:

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os casamentos subseqüentes serão nulos (só o 1º é válido). pois o ato é inexistente e não gera efeitos. Sem consentimento o casamento é inexistente. a mulher tem expectativas de ter filhos gerados pelo marido (agora se ocultou que era cachumbento. sem celebração ou sem consentimento. visto ter o matrimônio por objetivo criar uma plena comunhão de vida entre os cônjuges.511) – MHD. De se observar que para desfazer o casamento é necessário a interferência do Estado (mas nem em todos os casos). Se ocorrer isso. Fundado nesse dispositivo legal. que devem ser capazes para manifestá-lo. Direito Civil V – Profº Eduardo Gesse. criaram para o casamento a teoria do ato inexistente. O Professor diz que tal característica deve ser riscada pois.d) União permanente: É arraigado no nosso ordenamento jurídico que o casamento é indissolúvel. moral. Logo. quer dizer 1 homem e 1 mulher.defeito físico irremediável. intelectual e. 5 .Monogamia: uma vez que não se admite a poligamia. Fins do matrimônio: que é. regra geral. ou seja. III – Consentimento: (Quem cala não diz coisa alguma). É permanente a união na medida em que a simples vontade das partes não desfaz o casamento. art. Já o casamento inexistente na gera qualquer efeito – não precisa fazer desfazimento. constituição da família matrimonial: 2. A comunhão indivisa significa que a comunhão é plena no aspecto emocional. econômica. estério) terá a mulher direito de anular o casamento – impotência ingenerandi. alguns doutrinadores dizem que sem afeição seria uma causa peremptória para o desfazimento do matrimônio. OBS: O casamento nulo ou anulável reclama ação de procedimento ordinário para ser desfeito. considera-se um ato inexistente). pode ou não haver o fim de procriação de filhos: a impotência coeundi (ex: joelho/amendoim – infantilismo) pode ser causa para anular o casamento. Só a partir de 1967 ingressou ao ordenamento o divórcio (ante. uma unidade originada pelo casamento e pelas interrelações existentes entre marido e mulher e entre pais e filhos. é a comunhão da vida em todos os segmentos. que também é defeito físico irremediável. 1. . 1. atualmente. quando muito as pessoas se desquitavam – o vínculo permanecia indissolúvel). A poligamia não é permitida no nosso sistema jurídico. OBS: Poligamia Poligenia: 1 homem com várias mulheres.Livre união dos futuros cônjuges: pois o casamento advém do consentimento dos próprios nubentes. De igual sorte. que o vínculo é indissolúvel. II – Celebração.Comunhão indivisa: que valoriza o aspecto moral da união sexual de dois seres. é possível fazer o desfazimento por uma mera escritura pública (em certos casos). 1º Trimestre. . mas em nenhum momento o legislador estabeleceu que seria nulo o casamento sem diversidade de sexo. f) União exclusiva: Casamento inexistente se houver ausência de: I – Diversidade de sexo (Se João e João se casarem. que pretendem passar juntos as alegrias e os dissabores da existência (CC. Princípios do matrimônio: . muitas vezes. O casamento nulo gera efeitos enquanto não for desfeito – até o seu desfazimento ele é tido como válido para o cônjuge de boa-fé e para os filhos. Poliandria: 1 mulher com vários homens. Consigne-se que o rol de nulidades é taxativo.

Legalização das relações sexuais: originário 4. a jurisprudência tem permitido que aquele que esteja na guarda pode dar o consentimento sozinho. podendo acarretar dano moral e material para o nubente rejeitado e para terceiros (ex: distribuiu convites. bem como aos pais do nubente. A atribuição do nome ao cônjuge e aos filhos: Hoje tanto o homem quanto a mulher podem adota o patronímico (é uma faculdade). Para os que nasceram antes da Lei de Registros Públicos. Se o nubente rejeitado foi colocado numa posição vexatória ensejará dano mora e/ou material. O matrimônio é uma união entre marido e mulher para enfrentar a realidade e as expectativas da vida em constante mutação. Pó fim.3. de sexos diferentes. urge consignar que o responsável pela indenização não é necessariamente quem teve a iniciativa no rompimento mas quem deu causa a ele. qualquer pessoa que tiver interesse moral ou econômico ou o Ministério Público poderá manejar ação de anulação de casamento. 6 . Entende-se que os esponsais são pré-contrato. Formalidades preliminares do casamento: Controle preventivo: é a habilitação. com o objetivo de. impondo aos pais a obrigação de lhes dar assistência.autorização dos responsáveis pelos nubentes (pessoas entre 16 a 18 anos). não mais subsiste. Responsabilidade pelo rompimento (art. pois no matrimônio não existe apenas o dever de gerar filhos. . contratou buffet e o nubente não comparece). após se conhecerem melhor e aquilatarem suas afinidades e gostos. 5.para aqueles que entendem que entendem que o casamento é um contrato. permitia nosso Código Civil de 1916 que se provasse a idade pela certidão batismal. Natureza jurídica: . Prestação de auxílio mútuo: do Direito canônico. Veja-se que as vezes quem dá causa ao rompimento do noivado não é nenhum dos nubentes mas seus responsáveis.Para outros os esponsais são um compromisso de Direito de Família. 186 CC): Desfeito o noivado a 1ª conseqüência é a devolução dos presentes. é corolário do convívio entre os cônjuges. Hoje. Processo de habilitação: . Pode ocorrer que o nubente largou seu emprego por causa dos esponsais (pode haver condenação em lucros cessantes). não tem e Direito Civil V – Profº Eduardo Gesse. mas também de criá-los e educá-los para a vida. em caráter excepcional (ex: o pai que sumiu no mundo. 1º Trimestre. Os pais podem dar o consentimento. Educação e criação da prole: 6. Os conviventes após 5 anos. . se casarem”. extraída de livros eclesiásticos. Controle repressivo: se for realizado um casamento nulo.necessária certidão de nascimento. ESPONSAIS ou PROMESSA DE CASAMENTO Conceito: “É o compromisso levado a efeito por duas pessoas desimpedidas.

Permanece. 42). +Certificado do exame pré-nupcial – se se tratar de casamento de colaterais do 3º grau. Nós adotamos a doutrina da proteção integral da criança e do adolescente que vai nortear a decisão do juiz. os nubentes receberão a Certidão de habilitação matrimonial. Todavia. Todavia. Vide art. a permissão no caso de gravidez se outros fatores circundantes apontarem que isso atenderá os interesses daquela criança (quasemulher). do que deixar viver às margens da lei. então. mediante edital que será afixado. poderá socorrer-se do Poder Judiciário e o juiz pode suprir o consentimento. 1531 e 1532 CC). Num e noutro caso deverá demonstrar o formal de partilha (a pessoa tem que fazer um inventário dos bens que tinha no outro casamento) caso isso não seja feito é causa suspensiva do casamento. (1ª exceção). V). parentes ou não. ainda. nesta etapa deve mostrar certidão de óbito do cônjuge falecido. que se autoriza o casamento. pelo procedimento cautelar incidental cujo processo principal é o de habilitação.015/73. mas a jurisprudência tem entendido que a pessoa que tem 15 anos e já está vivendo junto. O Código diz “para evitar imposição ou cumprimento de pena. -Suprimento de idade e Suprimento de consentimento: Quem não atingiu a idade núbil (ou seja 16 anos) excepcionalmente pode se casar. Se mentir sobre a partilha a pena é o regime de separação absoluta de bens. se se comprovar a urgência (grave enfermidade. desde que se apresentem os documentos exigidos pelo art. 1525. o juiz poderá. Essa exceção está calcada muito mais na honra do que no interesse do menor (é uma visão ultrapassada afirmar isso).) para celebração do casamento. Em 15 dias se não forem argüidas suspeições ou impedimentos. Todavia. cf. parto iminente. se partimos do pressuposto de que o processo deve ser útil tramitaria. 1525. isentos de suspeição. Note-se que enquanto menor impúbere os pais praticam todos os atos civis em nome dos filhos. declarando que os pretendentes estão habilitados para casar dentro de noventa dias imediatos (art. art. ou seja. a nomeação de dois médicos. +Superada essa fase Declaração de duas testemunhas maiores.200/41).106/2005). da anulação de casamento anterior ou do registro da sentença de divórcio (CC. dispensar a Direito Civil V – Profº Eduardo Gesse. do tio com sobrinha e de tia com sobrinho (Dec-lei 3. 1525 do CC. se forem conhecidos: (ex: se for viúvo tem que juntar a certidão de óbito do exconjuge). o óbice a essa posição é que a habilitação consiste em atos administrativos que não pode ser submetido na jurisdição contenciosa. quem vai decidir é o juiz. Se ambos não quiserem dar o consentimento. etc. para examiná-los e atestar-lhes a sanidade. No entanto.não exerceu o poder parental). art. se aplica no procedimento de suprimento de idade. visto alhures. 1520 CC. viagem inadiável. III e Lei 6. Feito isso. art. que atestem conhecer os nubentes e afirmem não existir impedimento que os iniba de casar (CC. o casamento não é mais extinção da punibilidade (CP alterado pela Lei 11. sob pena de nulidade do casamento. O processo de consentimento seria regido pelo rito comum ordinário (pelo critério residual). o oficial lavra os proclamas do casamento . (2ª exceção) Não está na lei. do domicílio e da residência atual dos contraentes e de seus pais. OBS: O procedimento de suprimento de consentimento. 1º Trimestre. após ouvir o parquet. afirmando que a realização do ato nupcial não será prejudicial aos nubentes e à eventual prole. durante 15 dias em local público e na imprensa local. deverão requerer ao juiz competente para a habilitação. +Em seguida declaração de estado civil. É valido o consentimento de quem efetivamente detém a guarda em caso excepcional (poderia o avô por exemplo) Se houver divergência entre os pais. 7 .

1521/CC são estabelecidos no interesse público e no interesse social.c art.015/73. envolvem causas atinentes à instituição da família e à estabilidade social. Único. Assim. e demais colaterais até o 3º grau inclusive: 3 Vide artigo 1595 e §§ do Código Civil de 2002. Os antigos impedimentos proibitivos agora são denominados de causas de suspensão e estão previstos no art. IX c. Assim. Washington de Barros Monteiro e outros diziam que o parentesco de afinidade só era estabelecido pelo casamento pois trata-se de uma exceção à regra. não podem contrair matrimonio pai com filha. Art. 1. Significa que a pessoa torna-se parente dos parentes de seu consorte.523 do CC. trata dos ‘impedimentos dirimentes públicos ou absolutos’ (incs I a VII). Frisa-se a desnecessidade do aludido inciso. incs. arts. o louco desvairado). de forma que a pessoa torna-se parente dos parentes de sua companheira. 1521.MHD. logo o cônjuge do adotado torna-se parente de seus parentes. de forma que o adotante (pai) não poderia se casar com sua nora (cônjuge do adotado). 183. Lei 6. é diferente = a pessoa não pode se casar com determinada pessoa ou com determinado grupo de pessoas. parágrafo único do antigo CPC).218. o Código Civil atual adotou a tese de Pontes de Miranda. +Por fim. par. IMPEDIMENTOS MATRIMONIAIS OBS Os impedimentos do art. Outra corrente encabeçada por Silvio Rodrigues. e 1549). urge observar que no processo de habilitação o Ministério Público tem que intervir. avô e neta. que. baseadas no interesse público. sogro e nora. Os antigos impedimentos dirimentes privados ou relativos do Código Civil de 1916. 1548. uma vez que essa vedação se encontra no inciso II. art. Consigne-se que antes havia uma discussão: Pontes de Miranda advogava que a afinidade também era estabelecida no concubinato. não podem convolar núpcias sogra e genro. 744. no art. CPC. ou união estável. o legislador se refere à adoção. IV – Os irmãos. art. e os parentes do outro. 1.). Cumpre observar que a incapacidade é diferente de impedimento a incapacidade é a inaptidão para se casar com quem quer que seja (ex: criança de 6 anos. 1521. padrasto e enteada. II. bisavô e bisneta. por sua vez. Hoje vige o princípio da igualdade entre os filhos. 1527. por razões éticas. Veja que esse inciso é desnecessário. art.publicação do edital (CC. 1550 e ss. madrasta e enteado ou qualquer outro descendente do marido. teoricamente. 8 . acarretando a nulidade do matrimônio realizado com a inobservância da proibição (CC. 70. Direito Civil V – Profº Eduardo Gesse. entre um dos cônjuges. Nosso Código Civil. art.3 III – O adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado com quem o foi do adotante. 1º Trimestre. Destarte. seja o parentesco natural ou civil. O impedimento. Parentesco por afinidade é aquele que se estabelece em virtude de casamento. IX a XII. podendo ser levantados por qualquer interessado e pelo Ministério Público. ou companheiros. uma vez que a linha reta o impedimento vai. Não podem casar: I – Os ascendentes com os descendentes. agora são causas de anulabilidade do casamento (art. unilaterais ou bilaterais. denota-se que os impedimentos são episódicos e relacionados com uma ou um grupo de pessoas. Ao dizer parentesco civil. No entanto. até o infinito. a teor do que dispõe o inciso II. estatuídos no interesse dos nubentes. na qualidade de representante da sociedade. para se alinhar à CF-88. II – Os afins em linha reta.

com muita mais razão. obstando a que as novas afeições e criação da nova prole influenciem o bínubo no sentido de prejudicar os filhos do antigo casal. 9 . também designadas impedimentos impedientes suspensivos ou proibitivos não desfaz o matrimônio. OBS: demais colaterais o Dec-lei 3. apenas acarreta a aplicação de sanções previstas em lei. apura-se o que pertence à prole do casamento anterior . De forma que.MHD. para proteger a prole do 1º casamento. deverá apresentar ao oficial do registro incumbido de processar as formalidades preliminares: a) a certidão de óbito do cônjuge falecido. O TJSP decidiu até que é viável a ação objetivando a anulação do segundo casamento contraído por bígamo. perda do direito de administrar os bens dos filhos menores do casamento anterior. visto que não é nulo. não convalida o segundo.Proíbe-se matrimônio de irmãos unilaterais (ex: por parte de pai) e bilaterais. Irmão é irmão. (inclusive os separados judicialmente). Deveras. o divórcio não convalida seu casamento porque a nulidade se verifica na época do casamento. b) o registro da sentença de divórcio (. se alguém estiver unido a outra pessoa por laço matrimonial e quiser contrair outro casamento. o fato de vir o primeiro a ser dissolvido.. posteriormente. VII – O cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou tentativa de homicídio contra o seu consorte. Se o processo criminal estiver em andamento deve ser suspenso o processo de habilitação. não obstante já falecido este”.. porque sua realização operou-se quando havia o impedimento matrimonial. I). Vige o princípio da igualdade entre os filhos. Não devem casar: I – o viúvo ou a viúva que tiver filho do cônjuge falecido. logo filho é tudo igual e não se admite adjetivação.. inc. O homicídio ou tentativa de homicídio cometido contra um dos cônjuges constitui impedimento à união matrimonial entre o criminoso e o outro cônjuge.o adotado com o filho do adotante. Assim. Direito Civil V – Profº Eduardo Gesse. Art. evitar a mistura de sangue. eivado de nulidade estará o segundo casamento se o precedente não estiver dissolvido por qualquer um dos meios acima mencionados. A nulidade se verifica na época do casamento. haverá somente sanção aos cônjuges: o que normalmente acarretará imposição de separação obrigatória de bens (Vide art. Causa suspensiva do casamento é uma impropriedade. “Subsistindo o primeiro casamento válido. não se pode contrair um segundo. 1641. V. Bastaria o inciso anterior. é permitido casamento entre primos (colaterais de 4ºgrau). Por desrespeitar qualquer delas não haverá nulidade e nem anulação do casamento. Segundo MHD: A violação das causas suspensivas da celebração do casamento. Se o separado judicialmente se casou posteriormente e. VI – as pessoas casadas. se confunda com o da nova sociedade conjugal. em que são interessados os filhos do primeiro leito. veio a divorciar com o cônjuge antigo. por razão de ordem moral MHD. 2º) evitar a confusão do patrimônio.) Portanto. Visa preservar a monogamia. Essas causas de suspensão almejam dois objetivos: 1º) evitar a turbatio sangri ou confusio sanguinis – ou seja. mesmo que haja decretação posterior de sua nulidade. O objetivo do legislador ao fazer tal proibição foi impedir que o acervo patrimonial.MHD. enquanto não fizer inventário dos bens do casal e de partilha aos herdeiros. com a exigência do inventário e partilha dos bens do primeiro casal. 1º Trimestre. Esse dispositivo também é desnecessário. CAUSAS DE SUSPENSÃO DO CASAMENTO São os antigos impedimentos meramente proibitivos. deveria falar em causa suspensiva do processo de habilitação. nem anulável. 1523.200/41 permite que tio-sobrinha casem-se e. ou a certidão de nulidade ou anulação de casamento anterior.

também merece proteção o filho daquele que tem 16 anos. A anulação o matrimônio por falta de autorização dos pais ou dos representantes legais ou por inexistência Direito Civil V – Profº Eduardo Gesse. Art. poderá convolar núpcias antes do termo legal. 1551 CC. 1550. se antes dele der à luz algum filho ou se por processos científicos irrecusáveis se provar que não se encontra grávida – MHD. bastando uma perícia. o legislador objetivou proteger os filhos daquele casal e se o filho da mulher de 14 anos merece proteção. enquanto não cessar a tutela ou curatela. I. Para impedir a confusão de sangue. O casamento do menor impúbere é anulável. tutela ou curatela. pois é estabelecida no interesse público e pode ser argüida por qualquer um. Mas o legislador resolveu deixar o dispositivo. que se casou sem consentimento dos pais? 2 correntes: 1º)corrente= O casamento é anulável quando realizado seja por vício de idade ou vício de consentimento. Essa proibição se estende aos ascendentes e descendentes do tutor ou curador. ascendentes. logo não é qualquer pessoas que pode argüir esse vício para desfazer o matrimônio. até dez meses depois do começo da viuvez ou da dissolução da sociedade conjugal. ou de seus representantes legais. No entanto. Esse inciso veio do século passado. irmãos. tutor ou curador. cunhados ou sobrinhos com a pessoa tutelada ou curatelada. A 2ª exceção é a gravidez. exceto se houve suprimento de idade (1ª exceção). Logo. tem que prestar contas e saldar as dívidas. ou a mulher cujo casamento se desfez por ser nulo ou ter sido anulado. 1º Trimestre. 1553 do CC). II – do menor em idade núbil. 1641. evitar a confusão do patrimônio. e não estiverem saldadas as respectivas contas. enquanto não atingida a maioridade civil (CC. E a menina de 16 anos. Para os herdeiros a partir da morte do cônjuge. CAUSAS DE ANULAÇÃO DO CASAMENTO Essas causas são estabelecidas no interesse privado. não se estendendo ao vício de consentimento. enquanto não obtiveram ou lhes não for suprido pelo juiz o consentimento do pai. A 3ª exceção é a ratificação posterior de forma que após atingir a idade núbil o cônjuge ratifica o matrimônio (art. sem sofrer a sanção do art. Se o viúvo não ficou com bens. É uma exceção que deve ser interpretada restritivamente. 1517). A idade mínima é de 16 anos. enquanto não houver sido homologada ou decidida a partilha dos bens do casal. III – o divorciado. Não podem convolar núpcias os sujeitos ao poder familiar. quando não autorizado por seu representante legal. É anulável o casamento: I – de quem não completou a idade mínima para se casar. 1560 CC). Homem e mulher com 16 anos de idade podem casar. grávida. Quando o se estabeleceu aquela exceção.II – a viúva. quando atingir 16 anos (vide §1º do art. não precisa esperar 10 meses. 10 . art. A nulidade é diferente. Destarte. basta fazer um inventário negativo e instruir com ele o processo de habilitação. desde que haja autorização dos pais. Começando a correr o prazo para os representantes legais da data do casamento e. excepcionalmente o legislador permitiu o casamento realizado com vício de idade e gravidez superveniente. do CC. 2º)corrente= Não é bem assim. para o cônjuge menor. IV – o tutor ou o curador e os seus descendentes. Com evidente propósito de proteger o patrimônio. consoante determinado no art. qual seja. veja que poderia ter dito que a mulher se submeteria a um exame pericial. que degeneraria no conflito de paternidade é que surge esse dispositivo. OBS: para se anular o casamento por vício de idade o prazo é de 180 dias. Aqui vigora o mesmo objetivo do inciso I.

Todavia. etc. que a identifica na sociedade. estando autorizada a propor ação de anulação se descobrir o fato. VI – por incompetência da autoridade celebrante. que toma. para ficar caracterizado o erro (no erro sobre a pessoa. I.. Art. (**fora de ordem.555. se une a Clara.. Ex: se o noivo querendo casar com Joana. 180 dias a partir do momento que cessar a incapacidade (art. 1. pois se fosse conhecido não teria havido matrimônio. P.o cônjuge que quer anular não poderia conhecer o defeito antes de se casar. Agora. ser-lhe-á intolerável o matrimonio com um padre. O casamento por procuração é anulável mesmo que a revogação não chegue a tempo. art. de modo inequívoco. leigo quando sacerdote. divorciado que tem filhos. de nacionalidade(. §§1º e 2º e (c) pelo herdeiro necessário dentro de 180 dias da morte do incapaz ( CC. inc. não terão legitimidade para tal anulação (presume-se que concordou – autorização tácita). bem como no caso de defeito físico irremediável e moléstia grave e transmissível). contado da data que atingir 18 anos (CC.) Não se considera erro essencial sobre a identidade civil se versar sobre condições de fortuna. a competência para celebrar é o juiz de paz.. porém se assistiram à cerimônia nupcial sem se oporem. 1560. III – Por vício da vontade. art. 1554 CC). “Logo. surdo-mudo. o lugar daquela sem que ele o perceba. é mister lembrar que esta se apresenta sob dois aspectos: a identidade física. ou transcorrido o prazo de 180 dias do conhecimento do casamento (§2º do art. 1560. são necessários 3 requisitos: I . ex: se a contraente é católica praticante. sem que ele ou o outro contraente soubesse da revogação do mandato. acesso de loucura passageira.o defeito tem que ser anterior ao casamento. Ex: hipnotizado. II CC..de suprimento judicial do consentimento: (a) pelas pessoas que tinham o direito de consentir e não assistiram ao ato (CC. embriagado. esta é mais corriqueira= é a profissão. trata-se aqui de incompetência ratione loci. religião. durante o ato nupcial. desde que preenchido os requisitos adrede expostos. Logicamente. pois tem que proteger o consentimento. tudo isso pode conduzir à anulação. por exemplo. 1560 CC). MHD: Para que o erro essencial quanto à pessoa do outro consorte seja causa de anulabilidade do casamento. 1555. 1º Trimestre. II e III) dentro de 180 dias contados da data do casamento. se fizer uma “boquinha” ele se convalida. art. Trata-se daquelas situações episódicas. o que não lhe será permitido se indiferente à religião (. II.. O prazo para convalidar é de 2 anos – art. e seria anulável por exemplo. OBS: Veja-se que se costumeiramente a pessoa (ex: o ‘coroné’) vem celebrando casamentos e foi registrado. 1557. seria erro essencial sobre a identidade civil do outro cônjuge supô-lo solteiro quando divorciado ou viúvo.)” Direito Civil V – Profº Eduardo Gesse. que individualiza a pessoa dentro da espécie. 1552. §1º. se celebrado por juiz de paz fora da circunscrição ou que não está em exercício. III-tornar a vida em comum insuportável. (b) pelo próprio cônjuge menor dentro do prazo decadencial de 180 dias. ele pode ser convalidado (art. com quem estava comprometido. é inexistente um casamento celebrado por um Delegado de Polícia ou por um Promotor de Justiça. V – realizado por mandatário. I: sobre o erro concernente à identidade do outro cônjuge. inc. o consentimento. e a civil. --Em relação ao erro sobre a identidade física é quase impossível sua ocorrência. IV – do incapaz de consentir ou manifestar. nos termos dos artigos 1556 a 1558. --Em relação ao erro sobre a identidade civil. in fine). 11 . CC). porém na ordem do Profº) Segundo MHD. e não sobrevindo coabitação entre os cônjuges. é preciso que ele tenha sido o motivo determinante do ato nupcial.

descobrir o marido. a sua família ou a seus bens. Aí tem que dizer sim ou não. Observações: Qualquer pessoa pode argüir os impedimentos. na via ordinária. o interessado pode socorrer-se de ação de anulação ou de nulidade de casamento. que se trata de atividade correicional e não faz coisa julgada) +Se o impedimento for afastado. O procedimento é sumário (Especial). exerce pressão injusta se se tratar de moça sem experiência. 1535 do CC. descobrir a mulher que seu marido é bissexual. antes do ato nupcial. por analogia. ou indicar onde as provas podem ser indicadas. FORMAS ESPECIAIS DE CELEBRAÇÃO Casamento de co-nacionais podem ser celebrados no consulado e registrado no Livro de Registro Civil. tendo em vista que o legislador não permite “brincadeiras”. pelo menos ao receável do ato extorquido. 1º Trimestre. Direito Civil V – Profº Eduardo Gesse. para o juiz prolatar a sentença. a ameaça paterna será inócua. O cônsul é a autoridade competente ou quem fizer as vezes dele. que a mulher.015/73).Erro sobre sua honra ou boa fama: Honra é a dignidade da pessoa que vive honestamente. incapaz de se sustentar. colateral até o 2ºgrau). A celebração pode ser feita na “casa de casamentos” aberta ao público. ou em outro lugar (fora da casa de casamentos) o nº de testemunhas será de 4. Como opor os impedimentos? Por escrito com as provas (como no mandado de segurança). por viciar ato nupcial. Coação: (inciso III) A coação. enquanto no rapto consensual entende-se que não da para anular por coação. visto conduzir-se segundo os bons costumes – WBM. que pauta seu proceder pelos ditames da moral. pois para ela o sacrifício de se casar com o pretendente indesejado é bem maior do que ganhar. inclusive o juiz e a autoridade celebrante (art. ao final dessas fases. §5º da Lei de Registros Públicos (Lei 6. Dessa sentença não cabe recurso. O juiz deverá verificar cada caso: O pai que impõe à sua filha um noivo. Entretanto. 67. todavia. (na apostila do Professor consta. o próprio sustento. deve incutir no nubente temor de dano a sua pessoa. o casamento não se realizou). conforme art. mal de Parkinson) o nº de testemunhas também será de 4. se for independente e capaz de prover sua própria subsistência. +Se o impedimento for acolhido o nubente pode manejar Ação declaratória. 1522 CC). 1522 CC/02). Produzidas as provas. OBS: No rapto violento a doutrina entende que a raptada é tratada como coacta. Se eventualmente for realizado na casa do nubente. Causas de anulação não tem disposição expressa. as partes terão 5 dias para as alegações finais (o MP também falará) e. 12 . A autoridade tem que dizer aquilo que está previsto no art. Assim por exemplo. bastam 2 testemunhas (padrinhos). é o conjunto dos atributos morais e cívicos que torna a pessoa apreciada pelos concidadãos. Regra geral. Interposta a ação. Se um dos nubentes não puder assinar (ex: analfabeto. em igual prazo. Vide arts 7º e 18 da LICC. ameaçando-a de não mais mantê-la se o recusar. o prazo para responder é de 3 dias. Causas de suspensão somente os parentes (linha reta. qualquer pessoa pode argüir (por analogia ao art. Impende afirmar que a celebração é da substância do ato (se a autoridade celebrante morrer no meio da celebração. Boa fama é a estima social de que a pessoa goza. iminente e igual. OBS: não confundir com mero temor referencial. era prostituta. etc. afinidade. por si só. descendente. ascendente.

Caso de moléstia grave: pode pedir a celebração em casa. se tirar uma “casquinha” o casamento se consuma. OBS: Se a pessoa convalescer deverá então confirmar o casamento. Vide arts. para pedir que se lhes tomem por termo as declarações. o que foi mantido pelas demais Constituições supervenientes. Inglaterra).Casamento religioso precedido de habilitação: a) habilitação normal perante o oficial de registro civil. Colhidas as declarações. A procuração outorgada ao mandatário deve dar fim específico para representar o casamento com a pessoa qualificada. Fica dispensado o processo de habilitação. Os próprios nubentes podem celebrar com a presença de 6 testemunhas (que não podem ser parentes). gerando os mesmos efeitos (Estados Unidos. Se houver revogação. No Brasil.º 6015/73 (LRP) e o artigo 1516 do Código Civil. em caráter excepcional pode ser atribuído efeitos civis ao casamento religioso. pedir que a autoridade celebrante vá ao seu encontro (em qualquer dia da semana) ou alguém “ad hoc”. Há 2 formas a saber: I . Direito Civil V – Profº Eduardo Gesse. ou in articulo mortis é uma forma especial de celebração de casamento em que. mesmo que não chegue a tempo não importa. basicamente.º 181. Casamento nuncupativo (casamento in extremis ou in articulo mortis): O casamento nuncupativo ou in extremis vitae momentis. §2º). o mandante deverá responder por perdas e danos (art. A Constituição de 1934 possibilitou atribuir efeitos civis ao casamento religioso. países latinos). a falta de confirmação não invalidará o casamento. inclusive pela vigente Carta Magna (artigo 226. Os artigos 71 a 75 da Lei n. em quatro grupos quanto a sua forma de realização e quanto a autoridade com competência para realizá-la. a qual foi adotada no Brasil desde o Decreto n. de 24 de janeiro de 1890. como instituição universal. ante a urgência do caso e por falta de tempo. A secularização do casamento é a regra que predomina. art 1542. Pode desde que não seja o mesmo representante para ambos os nubentes. 1. se a recuperação do enfermo se deu após o registro. Desde 1934 pode ser atribuído efeitos civis ao casamento religioso. 13 . O Casamento religioso com efeitos civis: O casamento. O juiz manda registrar o casamento que terá efeito retroativo à data da celebração. c) 3º grupo: tanto o casamento civil como o religioso é válido. divide-se. o casamento é o civil. sendo permitido o casamento civil apenas ás pessoas que rejeitam a religião oficial (Espanha. Grécia). mas se o casamento for celebrado sem que o procurador ou o outro contraente tenha ciência da revogação. dispensar os proclamas. de forma que se não ratificar não terá mais validade o casamento in extremis. Os arts. Casamento por procuração: é permitido cf. Porém. permite-se a celebração do casamento religioso e.542. MHD: “A revogação do mandato não precisará chegar ao conhecimento do mandatário. o que importa é a intenção. Escandinava). As testemunhas nos 10 dias subseqüentes vão à autoridade judiciária mais próxima. cumprida as exigências legais. atribui-lhe os efeitos do casamento civil (Brasil. § 1º CC)”. b) 2ºgrupo: o casamento religioso é a regra. não se cumprem todas as formalidades exigidas. a saber: a) 1º grupo: admite somente o casamento religioso (Líbano. 1º Trimestre. d) 4º grupo: o casamento válido é o civil. estabelecem os requisitos e a forma para conferir efeito civis ao matrimônio religioso. dispensa-se autoridade celebrante. 1540 a 1542 do CC/02. No entanto. Agora. dispensa-se os editais de proclamas. manifesta-se o MP.

A lei não diz “qualquer interessado”. desde a celebração. fará o registro do casamento religioso. processa-se a habilitação. os efeitos retroagem a data da celebração. O registro pode ser feito depois. casa-se no religioso e depois habilita-se. b) 14 . eventual falta de requisitos no termo da celebração religiosa. juntamente com o requerimento de registro. pois está manifestado o propósito de contrair matrimônio. que a arquivará. Provas diretas específicas: Direito Civil V – Profº Eduardo Gesse. nela mencionando o prazo legal de validade da habilitação. a extrai-se uma certidão expedida pela autoridade eclesiástica que poderá ser registrada no Cartório por qualquer interessado. Agora se veio a falecer. 1525 do CC.b) manifestação dos nubentes de que pretendem que o casamento seja realizado pela autoridade eclesiástica. o desejo de contrair núpcias. Portanto. mediante recibo que ficará nos autos da habilitação. que passa a gerar efeitos civis.. inclusive com a publicação de editais e. MHD:”O casamento religioso não precedido de habilitação civil perante o oficial do Registro Civil poderá ser registrado a qualquer tempo. 1526. então.. registra-se o casamento religioso. §1º). art. Processada a habilitação com a publicação dos editais. Natureza do ato: constitutiva. ou seja. e supram. dela fazendo constar seu fim específico e a entregará a um dos contraentes. desde que os nubentes. Dentro do prazo decadencial de 90 dias o ministro religioso ou qualquer interessado deverá requerer sua inscrição no Registro Civil (CC. Feito o registro. o de 90 dias (CC. e ninguém ainda foi registrar (2 correntes): 1º) O registro é da essência do ato e constitui o casamento. II – Casamento Religioso – Habilitação posterior: a) apresentação da prova do casamento religioso para o oficial do registro civil. Essa certidão será entregue à autoridade eclesiástica. c) não havendo impedimentos. g) registro do casamento no prazo decadencial de 90 (noventa) dias. Não há necessidade de registro para atribuir os efeitos.” Da Prova do Casamento: Há 3 espécies de prova: • Provas diretas específicas. 1532). • Provas diretas supletórias. c) expedição da certidão. MHD: Caso em que os nubentes processam a habilitação matrimonial perante o oficial do Registro Civil. observando os arts 1525 e ss do CC. inclusive depois da morte de um dos nubentes. Registra-se depois e não tem prazo estabelecido. uma vez que os nubentes já manifestaram de antemão. o registro vale. f) expedição de certidão do casamento religioso. para se casarem perante ministro religioso. certificando-se o oficial da ausência de impedimentos matrimoniais e de causas suspensivas. 1º Trimestre. ou seja. tem que ser os dois. realizando. no prazo de 90 dias. o ato nupcial. • Provas indiretas. e) registro nos assentos eclesiásticos (a falta de registro não impede que se estenda os aludidos efeitos). apresentem a prova do ato religioso e os documentos exigidos pelo art. 2º) Não há necessidade de registro. não estão casados. O oficial expedirá certidão. pedindo-lhe que lhe forneça a respectiva certidão. d) realização do matrimônio. Nessa segunda forma. à requisição do oficial. a qual tem validade por três meses. art. Cumpre analisar que se a certidão foi protocolada mais um dos nubentes veio a falecer.

b) havendo provas pró e contra o casamento e demonstrada a posse do estado de casado. Direito Civil V – Profº Eduardo Gesse. Tractatus: ambos devem se tratar ostensivamente como marido e mulher.Exemplos: certidão de óbito constatando o viúvo como declarante ou seu nome como cônjuge supérstite. quais sejam: a) provar o casamento de pessoas falecidas ou que se tornaram insanas em benefício da prole (art. por si só e normalmente. Esses direitos e deveres constituem os efeitos do matrimônio por vincularem os esposos nas sua mútuas relações. passaporte. c) O casamento realizado no estrangeiro prova-se pelas normas do local da realização (locus regit actum). a 1ª corrente é mais usada por ser mais benéfica ao cônjuge traído. o jornal com o edital dos proclamas. entretanto. demonstrando que o casamento não significa simples convivência conjugal. dando origem a direitos e deveres que são disciplinados por normas jurídicas. escrituras públicas de bens imóveis. aplica-se a regra “in dubio pro matrimônio”. O casamento não se presume. Posse do estado de casado é a situação que se encontram aquelas pessoas de sexos diversos que vivem ou que viveram notória ou publicamente como marido e mulher. prova-se com a certidão do assento de casamento no consulado. 1ª parte). as testemunhas do casamento. Todavia. --EFEITOS SOCIAIS: a) Após o casamento. 1545. b) Se o casamento foi realizado no consulado. etc. Efeitos do Casamento: O casamento produz várias conseqüências que se projetam no ambiente social. admite-se a posse do estado de casado como prova do casamento. Outros dizem que não. está constituída a família matrimonial (biparental). se convalida em 2 anos. mas uma plena comunhão de vida ou uma união de índole física e espiritual – MHD. Para uns. pois para viabilizar a anulação é necessário aqueles três requisitos (fato anterior. não se constitui dado suficiente para atestar a existência do matrimônio. c) para sanar vício formal (autoridade incompetente em razão do local) não é mais necessário pois. é necessário alguns requisitos: Nomem: o cônjuge deve usar o nome do seu consorte. deverá o documento ser reconhecido pelo nosso Ministério das Relações Exteriores. somente quando for impossível a prova específica direta (ex:não tem a certidão e não tem o registro porque pegou fogo no Cartório). Fama: Devem apresentar-se socialmente como casal. Em algumas hipóteses excepcionais. Para configura o estado de casado. * Se o cônjuge abandona o outro logo após a celebração do casamento e sai com outro – tal denomina-se “adultério precoce”. admite-se as provas supletórias. nas relações pessoais e econômicas dos cônjuges e nas relações pessoais e patrimoniais entre pais e filhos. Provas diretas supletórias: Em caráter excepcional. logo não poderia anular. Prova indireta: É a “posse do estado de casado”. é causa de anulação do casamento por erro ou boa fama do cônjuge adúltero. de sorte que a prova do estado de casado.a) Prova-se por excelência o casamento mediante a certidão de casamento. 15 . conhecimento posterior e insuportabilidade da vida em comum). 1º Trimestre. como visto em tópico supra. salvo adultério precoce*. Porém.

O dever de mútua assistência circunscreve-se aos cuidados pessoais nas moléstias. b) Presunção de paternidade dos filhos concebidos na constância do casamento.Aqui cabe outra observação: O adultério se caracteriza com relações sexuais normais. 1566. beijo de língua. --EFEITOS PATRIMONIAIS DO CASAMENTO: Direito Civil V – Profº Eduardo Gesse. entretanto. 5º do CC). exercício de profissão em outro local. g) Direito-dever de respeito e consideração (art. que não há a compensação entre adultérios (“chumbo trocado”). ligações suspeitas. defender a impenhorabilidade do bem de família em Juízo. 1º Trimestre. Outras relações (coito anal. f) Representação legal da família. portanto. e) Direito-dever de mútua assistência (proteger o outro. O dever de coabitação não é absoluto. mas há casos em que ela pode ser defendida: por ex. O dever moral e jurídico de fidelidade mútua decorre do caráter monogâmico do casamento. (Arts 1597 e 1598 do CC). etc) caracterizam um “quaseadultério”. A família não tem personalidade jurídica. Ex: grave enfermidade de um dos cônjuges. b) Dever de fidelidade. se quiser. 1595 CC). Há o imperativo de viverem juntos os consortes e o de prestarem. V. d) Direito-dever de dirigir em co-gestão a sociedade conjugal. sevícias. Não obstante. pois casos existem que impedem a coabitação física. entendido este como o direito-dever do marido e de sua mulher de realizarem entre si o ato sexual. mutuamente. ao socorro nas desventuras. interfemoral. etc. 16 . Passa-se a ser parentes dos parentes do consorte. d) Constituição do estado de casado. Não se admite. etc. cunnilingus. c) Direito e dever de coabitação que também implica no débito conjugal. flertes. pode desfazer o parentesco pela Ação adequada. que se recolhe a um hospital. Esse dever de fidelidade nem sempre é cumprido. --EFEITOS PESSOAIS: a) Emancipação do consorte menor de idade (art. aplica-se aqui o princípio da fungibilidade e tanto um quanto o outro constituem injuria grave e ensejam separação. do CC). namoros na Internet. impropérios. ao apoio na adversidade e ao auxílio constante em todas as vicissitudes da vida. O suposto pais. c) Estabelecimento do vínculo de afinidade entre os cônjuges e os parentes de seus respectivos consortes (art. o débito conjugal. Veja-se. inclusive a integridade física).

reflexos esses que são um corolário lógico da união de vida dos consortes. Antes não era possível alterar o regime de bens (antes de 2003 o regime era imutável). ou seja. No entanto. por uma razão ou outra. as regras têm de ser as mesmas para ambos os nubentes (princípio da indivisibilidade). O pacto nupcial é um ato solene que para sua validade exige agente capaz. formar um regime diferenciado. pelo qual os nubentes escolhem ou criam o regime que regerá as relações pecuniárias que entre eles existiram ao longo do casamento e até o fim deste. todavia. poderão sem a concorrência daqueles firmarem a convenção pré-marital (Caio Mário e outros). Princípios: Há uma gama de regimes previsto na lei que possibilita. o legislador escolhe para elas. Impende observar que até o advento da Lei 6015/73. as pessoas podem escolher o regime de bens que quiserem ou montar um regime diferenciado. implicitamente já autorizou a realização do pacto antenupcial. para regulamentar os interesses econômicos decorrentes do ato nupcial” (MHD). Conceito: “Regime de bens é o conjunto de regras jurídicas que disciplinam as relações econômicas entre marido e mulher. de forma inevitável. Significa afirmar que se as pessoas não O legal pode ser supletório ou subsidiário escolherem o regime. se é possível mudar o regime de bens no curso do casamento. Princípios da variedade do regime de bens: Princípio da liberdade dos pactos nupciais: “Permite-se aos nubentes a livre escolha do regime que lhes convier. O regime legal supletório é o da comunhão parcial de bens. Ora. Assim. destarte. o regime legal supletório era o da comunhão universal de bens. o casamento de pessoas com 60 anos ou mais). durante e após o matrimônio. Se não for respeitado o pacto nesse ponto será nulo. desde que assistido por seus representantes legais. toda vez que sair de um regime legal para outro é necessário um pacto nupcial (pode existir. antes. Assim as pessoas podem escolher um regime diferenciado. Conceito de pacto nupcial: É o negócio jurídico integrante do direito patrimonial de família. e com terceiros” (Zeno Veloso). forma prescrita em lei (forma escrita e por escritura pública – não servindo o instrumento particular) e objeto lícito. acaba gerando reflexos patrimoniais. 17 . 1º Trimestre. regulando os interesses pecuniários dos esposos entre si. embora não deva ter como principal objetivo relações de ordem patrimonial. pacto antenupcial e pós-nupcial).O casamento. além daqueles previstos. Direito Civil V – Profº Eduardo Gesse. Agora vigora o princípio da mutabilidade justificada. Representa o estatuto patrimonial do matrimônio. O regime pode ser o legal ou por convenção entre os nubentes (convencional). O legal obrigatório é o imposto àquelas pessoas que. alcançando o cônjuge e até terceiros. Menores púberes (16 anos e menos de 18): se os pais (ou outro representante legal) autorizou o filho de 16 anos – menor de 18 a se casar. O menor impúbere. que já obtiverem o consentimento dos representantes legais para se casarem. os nubentes menores. não podem escolher o regime (ex: casamento realizado com suprimento de idade ou de consentimento. Capacidade para pactuar: Todas as pessoas que podem se casar tem capacidade para pactuar. Se o pai já deu autorização para o casamento. precisaria o pai participar também do pacto nupcial? 2 correntes: 1º) O casamento é o negócio principal.

não é necessariamente o memso. O representante legal pode autorizar o casamento mas não significa que autorizou a celebração do pacto nupcial para escolha do regime de bens. rompimento do noivado. Agora se. sem necessidade de qualquer pronunciamento judicial. 18 . conduz. Até 2003 (antes do Novo Código Civil) o regime de bens era imutável. Eficácia perante terceiros: para ter eficácia perante terceiros o pacto deverá ser registrado no Registro Imobiliário do cartório do domicílio dos nubentes. o casamento nulo. salvo putativo. 1º Trimestre. salvo na hipótese de casamento putativo. se o pacto for nulo e tiver clausulas que criam direitos para terceiros. Nesse ponto o pacto é igual ao contrato de convivência. Reclama-se sim a presença dos representantes legais na realização do pacto e a falta deles implica nulidade desse convenção (ao menos anulabilidade). para manejar uma Ação de alimentos. tal pacto será nulo. todavia. Direito Civil V – Profº Eduardo Gesse. Ex: Estabelece-se que após o matrimônio.O revés. O caminho inverso. Assim. Poderá ser revivificado se reatarem o noivado? A resposta é negativa. o regime será o legal supletório (comunhão parcial de bens). Ex: estão sob o regime da separação absoluta e querem alterar para o regime de comunhão parcial de bens – aqui não precisa de pacto (eis que trata-se do regime legal supletório). Nesse período surgiram algumas exceções à imutabilidade. ---------------------------------Se o casamento for nulo o pacto será nulo. Ou seja. não é verdadeiro: o pacto pode ser nulo e isso não afeta o casamento. também. só ganha eficácia após o casamento e não tem prazo de validade. os bens de João são só dele.: a morte de um dos nubentes. Ex. Nulo o pacto. Também. casamento com outra pessoa. OBS: Toda vez que os nubentes deixarem um regime legal para outro regime ou para regime diferenciado precisará de pacto nupcial. bem como reconhece a paternidade de Zézinho. uma vez caduco – eternamente caduco. nessa parte será válido. p. a não ser no que tange o regime de bens. por exemplo. ressalte-se. e os bens de Maria de ambos. É que sobrevindo o fato originador da caducidade não se poderá mais dar validade àquele pacto caduco. O pacto. a) As pessoas que se casassem sob um regime legal em seu País e viesse a morar no Brasil permitia-se a alteração para o regime parcial de bens. A eficácia do pacto antenupcial subordina-se à ocorrência das núpcias. porventura. O fato de existir uma cláusula nula na afeta o pacto. um dos nubentes vier a falecer ou casar com outra pessoa” (MHD). de forma que o regime que estará em vigor será o da separação absoluta de bens (para aqueles que entendem ser constitucional). No que concerne ao primeiro ponto é nulo (eis que fere o princípio da indivisibilidade). A 2ª parte do pacto pode ser usada. ex.2º) Nada obstante essa interdependência o pacto é um negócio ou ato jurídico distinto do matrimônio. à nulidade do pacto desde a sua origem e respeitado os direitos dos terceiros de boa-fé. os sexagenários celebraram pacto e escolheram o regime da comunhão universal de bens. entretanto. se. Caducidade do pacto: “O pacto caducará.

providenciou o inventário e a partilha. por via de regra. Não há modificação por intermédio de contrato. §2º do NCC. Patrimônios Na comunhão parcial de bens. **Existe a afirmação de que na hipótese do casamento realizado sob o regime legal obrigatório não pode haver modificação (ex. Pode mudar porque cessou a causa que impôs a separação obrigatória. Por isso é razoável instruir a inicial com certidão negativa de débito.01. Além da convergência de interesses tem que motivo justo (princípio da mutabilidade justificada). suprimento de consentimento. casamento com causa de suspensão. • Suponha o exemplo de Maria Ligeira o juiz supriu a idade e impôs o casamento de separação obrigatório. Agora ela é maior e capaz e quer alterar adotando o regime de comunhão parcial de bens.) Nesses casos poderá no futuro ser alterado o regime de bens? Depende.b) A jurisprudência começou a entender que a pessoa separada de fato não tinha direito aos bens que seu consorte adquiriu trata-se. de uma extinção de regime de bens. Art. tanto pode ser alterado o regime de bens daqueles que se casaram antes de Jan/2003. 19 . haveria a incontornável ofensa ao princípio da isonomia (majoritário). É permitido. Os bens próprios de João (que tinha antes do casamento. Agora. cessando a causa que determinava a separação total. Assim a Maria que comprou sua casa não poderia dar metade ao marido que sumira no mundo a mais de uma década. João não muda unilateral. pois somente mediante regular processo é possível tal alteração. 2035 os casamentos realizados antes do dia 11. Direito Civil V – Profº Eduardo Gesse. Ambos devem manifestar o propósito para alterar. agora. desde que presentes os requisitos. Para sair do regime legal supletório é necessário o pacto (que deverá ser levado a registro no Cartório Imobiliário). assim sendo.2003 não podem ter o regime de bens alterado (minoritário). • No caso de casamento com causa de suspensão (ex. etc. Nesse caso não poderá alterar o aludido regime uma vez que a causa nunca cessará. Para alterar o regime é necessário convergência de interesses. 1º Trimestre. ex. • O sexagenário: foi imposto o regime de separação absoluta. Os bens próprios de Maria (bens anteriores. herança). se comunica mesmo que tenha comprado o bilhete antes do casamento. herança). João viúvo não fez a partilha). 1639. Não fosse assim. E aquele durante o casamento (patrimônio comum). no caso de suprimento de idade. ** É possível a alteração de regime de bens dos casamentos ocorridos antes do atual Código em vigor ? (1º) Tem gente que diz que com base no art. sendo que por isso se divorciam aquelas pessoas que se casaram antes a Lei do Divórcio (em 1977). que escolha o regime de bens. o casamento do sexagenário. ou após. etc. então. nesse contexto veja-se que o prêmio da mega-sena/loto. (2º) De se observar que o casamento é um negócio ou ato jurídico em sentido estrito que produz efeitos que se prolongam ao longo do tempo. As leis que dispõem sobre o estado da pessoa são de ordem pública e não estão sujeitas ao princípio da irretroatividade. Alteração de regime de bens só é possível se não prejudicar terceiros e aquilo que prejudicar para o terceiro é como se não houvesse tido alteração do regime. na verdade. existem 3 patrimônios. Logo. p.

V – os frutos dos bens comuns. Segundo o Profº esse inciso é uma bobagem – dispositivo desnecessário. ou dos particulares de cada cônjuge. e os sub-rogados em seu lugar. II – os bens adquiridos por fato eventual. percebidos na constância do casamento. Observe que as benfeitorias realizadas nos bens próprios de cada um se comunicam. e os sub-rogados em seu lugar. herança ou legado. independentemente do casamento em regime de bens. Por sentença só é possível estabelecer indenização de ½ das benfeitorias e acessões. Art. vendendo-o posteriormente. Ex: recebeu doação de uma casa. Aqui entra os prêmios lotéricos e a indenização securitária. Ex: alugueres são frutos e se comunicam. Mesma coisa para herança – a parte disponível pode ser dividida entre duas pessoas não por conta de regime de bens. mas não terá direito ao imóvel. 1662) Art. Existe uma presunção relativa de que os bens móveis foram adquiridos na constância do casamento (que integram o patrimônio comum) e se comunicam. 1º Trimestre. a Prefeitura desapropriou para fazer um museu o valor da indenização não se comunica (obs: juros do dinheiro se comunica porque é fruto). por doação ou sucessão. quaisquer que sejam. em subrogação do bens particulares. III – As obrigações anteriores ao casamento. III – Os bens adquiridos por doação. Assim. mas a um a indenização de ½ das benfeitorias e acessões. Os frutos se comunicam. O bem doado para duas pessoas serão dessas duas pessoas. com ou sem o concurso de trabalho ou despesa anterior. o que sobrevier por doação ou sucessão (e herança não guarda relação alguma com o casamento). basta quedar silente. As benefeitorias e acessões incorporam o imóvel. na constância do casamento. mas da última vontade do testador. Trata-se de uma presunção absoluta. ou pendentes ao tempo de cessar a comunhão. 1659 do CC/02 Excluem-se da comunhão: I – os bens que cada cônjuge possuir ao casar e os que lhe sobrevierem. e adquirindo uma casa com o produto dessa venda. ressalte-se. Tem-se uma sub-rogação real. (art. IV – as benfeitorias em bens particulares de cada cônjuge. Se os bens possuídos por ocasião do ato nupcial não se comunicam. 1660 do CC/02 Entram na comunhão: I – os bens adquiridos na constância do casamento por título oneroso. 20 . em favor de ambos os cônjuges. que não dá direito a ficar com o imóvel. isso só é possível por acordo. Direito Civil V – Profº Eduardo Gesse. Quem diz que não é comum tem que provar. ainda que só em nome de um dos cônjuges. Se o nubente ao convolar núpcias tinha um terreno.No regime legal supletório não é necessário pacto. teria feito a doação ou legado em favor do casal. Claro está que se o doador ou testador quisesse que a liberalidade beneficiasse o casal e não apenas um dos consortes. Portanto. o imóvel comprado continua a lhe pertencer com exclusividade. é óbvio que também não devem comunicar-se os adquiridos com o produto da venda dos primeiros. II – os adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos cônjuges.

calcinha. devendo o quantum indenizatório recair sobre bens comuns do casal. os bens comuns.Observe que se for da festa de casamento (apestros). Aqui deve-se interpretar os proventos enquanto não recebidos não se comunicam. Os instrumentos da profissão Não pode extrapolar os limites da razoabilidade. meias. Os bens de uso pessoasl (ex. bem como as dívidas – presentes e futuras – se comunicam. 1667 a 1671 do CC/02 Conceito: É o regime pelo qual todos os bens e obrigações de natureza patrimonial – presentes e futuros – pertencentes aos cônjuges. depois os bens próprios. V – Os bens de uso pessoal. Administração dos bens: Dívidas: . montepios. podendo se comunicar. deverão ser comunicáveis. O cônjuge faltoso será responsável pelo ato eivado de ilicitude que praticar (é o patrimônio próprio que vai responder).) MHD: os livros. mas se se comprovar que ambos tiraram proveito. sua meação. 1º Trimestre. salvo reversão em proveito do casal. de modo que cada um dos consortes é dono de parte ideal correspondente à metade dessa universalidade patrimonial indivisível. Se o cônjuge destrói os bens comuns. etc. os livros e instrumentos de profissão. Os aprestos se comunicam. O que não se comunica é os proventos não recebidos (ex: Agora que João é Juiz de Direito eu quero ½ dos seus proventos ao longo da vida – isso não é possível). VI – Os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge. levando em consideração a condição social da pessoa. Se contraída antes do casamento não se comunica. 21 . Salvo se reversão em proveito do casal (ex. Mesma regra se aplica à pensão.Do regime da Comunhão Universal de bens ou da comunhão total Arts. Se for durante o casamento depende de como e porque. convém lembrar que se forem destinados a negócios ou se constituírem. etc. etc). lícito será responsabilizar um e outro pelas obrigações oriundas de ato ilícito. IV – As obrigações provenientes de atos ilícitos. Instaura-se uma indivisão. Os livros (os livros de pequeno valor. supermercado) aí pega os bens comuns. os romances. em co-gestão. Ao cair na conta se comunica. Se fosse dar uma interpretação literal a esse dispositivo se esvaziaria o regime da comunhão parcial. cheque sem fundo no mercado que comprou um banquete usufruído por Maria). Em suma. escova de dente. pode pedir ao juiz que o afaste da administração dos bens comuns (dos bens próprios não – somente se ocorrer interdição). se a dívida decorrente de ato ilícito não se comunica (é o patrimônio próprio que vai responder). por sua grande quantidade. bem como os bens adquiridos com esse salário. Em benefício único e exclusivamente de um cônjuge pega o patrimônio próprio dele e. Cada um administra os bens próprios e. parcela apreciável do ativo. Regra geral tudo o que entra para o acervo dos bens do casal fica subordinado à lei da comunhão. cueca. se insuficiente. formando um só patrimônio. Se a dívida for comum (ex. que embora seja anterior se comunica. Exceções Direito Civil V – Profº Eduardo Gesse.

científica ou literária. enquanto não se der a condição. de um direito eventual. Montepio é a pensão que o Estado paga aos herdeiros de funcionário falecido. 1º Trimestre. 6º) Proventos de cada consorte: se cair na conta se comunica. Agora se foi para pagar as festa do casamento (aprestos) ou em benefício da família. A propriedade resolúvel que ela tem não se comunica. por ex: se renunciado pelo Lucas ou afastado da herança por indignidade a propriedade deixa de ser resolúvel e incorpora em caráter definitivo para o fiduciário (Renata) e aí se comunica. em sendo insuficiente. Os bens doados com claúsula de reversão (CC. por sua morte ou a certo tempo. que. transmitir o bem ao fideicomissário. com a morte do donatário. meio-soldos a mesma regra. 1958). 5º)Não se comunicam bens de uso pessoal. 7º) Não se comunicam também a obra artística. o bem doado retorna ao patrimônio do doador que lhe sobrevive. pode pegar a meação que ele tem no patrimônio comum. 2º) o patrimônio daquele que contraiu a dívida. enquanto não passada aquela condição suspensiva. Claro está que essa propriedade tem de ser incomunicável para que o fiduciário possa cumprir a fidúcia. Ex. obs: comunicabilidade é espécie do gênero alienação. Ex: deixa um apartamento para a Renata até que conclua o mestrado. Só tem razão de ser a doação feita com cláusula de incomunicabilidade. Direito Civil V – Profº Eduardo Gesse. art. aí se comunica. Em se comunicando dever ser 1º) atingido o patrimônio comum e. não se transmite ao seu cônjuge. sob pena de esvaziar o regime de bens. Todavia. em atividade ou não). mas o cônjuge não terá direito à obra artística. Finda a condição suspensiva a propriedade incorpora no patrimônio do fideicomissário. O direito do fideicomissário não se comunica enquanto não se realizar a condição suspensiva.1º)os bens doados ou herdados com a cláusula de incomunicabilidade e os sub-rogados em seu lugar. por último 3º) o patrimônio de quem não contraiu a dívida. Percebe-se que o fiduciário é o titular de um domínio resolúvel e o fideicomissário. a obrigação de transmitir a coisa. é o fideicomissário. Se ele se casar. 1911 CC/02. Assim. instrumentos de trabalho (depende do valor. ou seja. navio mercante. pois se o fideicomissário falecer antes do fiduciário caduca o fideicomisso. 4º) Doações: é possível um cônjuge doar para o outro antes do casamento desde que não fraude o regime. portanto. (Nota: meio-soldo é a aposentadoria do militar. pois tem apenas um direito eventual. só adquire o domínio de advier a condição”. O Lucas. científica ou literária. Concluído o curso o apto pertencerá ao Lucas. 22 . art. MHD: “O fideicomisso é. mas nunca a meação da mulher e o patrimônio próprio dela. que casado na comunhão universal. ou seja. 3º) As dívidas anteriores ao casamento: as dívidas contraídas em benefício do cônjuge não se comunicam. os rendimentos obtidos se comunicam. 2º) Os bens gravados de fideicomisso: O fideicomitente é o testador. helicóptero. uma situação em que o testador (fideicomitente) determina que o fiduciário deve. se comunicará. 547). (inclui herança testamentária e o legado). dívida contraída pelo marido antes do casamento em benefício dele responde primeiro o patrimônio próprio dele e. Montepios. ou condição. depois. não se comunica. no exemplo. Em sendo gravada com essa cláusula passa a integrar o patrimônio próprio pois não se comunica – art. consolidando-se a propriedade nas mãos do fiduciário (CC. biblioteca Pinheiro Darce deve-se ter em vista a razoabilidade). não se comunicando ao cônjuge do falecido. Os livros. agora.

as pessoas que se casam ao arrepio das causas de suspensão e os sexagenários. Administração dos bens: O patrimônio comum é administrados em co-gestão pelos cônjuges.FACULTATIVOS: convivente. -A limitada ou relativa: pode-se estabelecer a comunicabilidade de algum bem. Agora não tem dispositivo semelhante: basta escolher com o pacto nupcial que está escolhendo o regime de separação absoluta.NECESSÁRIOS: Ascendentes. Obs: A herança se comunica no regime de comunhão universal de bens.suponha que João viúvo tem uma herança de 100 e quer deixar a parte disponível para o filho “B” com cláusula de inalienabilidade. Sexagenários – separação legal – constitucionalidade: Direito Civil V – Profº Eduardo Gesse. No que concerne à legítima. 1687/1688 do CC/02 Conceito: é aquele que cada consorte conserva. A outra (da parte disponível) não cessa. o domínio. 23 . (1/2 dos bens constitui a legítima dos herdeiros necessários). Os legatários: recebem certo e determinado. -A separação pura ou absoluta: nada se comunica. dizer que está instituindo a cláusula porque ele é imaturo). . Se o motivo cessar. bem como a responsabilidade pelos débitos anteriores e posteriores ao matrimônio. a posse e a administração dos seus bens presentes e futuros. cônjuge.Do regime da Separação Total de bens Arts. 1º Trimestre. • • Voltando naquele exemplo. Pode e não precisa fundamentar. 1848 do CC. para gravar com cláusula de inalienabilidade a legítima do herdeiro tem que fundamentar (ex. uma parte da universabilidade. cessa também a restrição incidente sobre a legítima. Regime de Separação Obrigatória: Aqueles que se casam e para tanto obtém suprimento de idade ou suprimento de consentimento. 259 do CC/16 iludia-se as pessoas que achavam que estavam casando sob o regime de separação total.art. . com exclusividade. descendentes. Logo. Herdeiros testamentários ou instituídos: estes recebem por testamento. A outra metade é a legítima dos herdeiros necessários. JV deixou para o filho “B” a parte disponível do monte-mor com cláusula de inalienabilidade: não há nenhuma ilegalidade. Obs: Sucessores “Causa Mortis”: • Herdeiros legítimos: . Obs: por conta do art. a restrição ao direito de propriedade deve ser fundamentada. colaterais e ente público. mas no silencio do pacto os aquestos se comunicavam.

de Barros.. pode haver comunicabilidade de bens havidos na constância do matrimônio.. para evitar enriquecimento indevido desde que sejam produto do esforço comum do trabalho e da economia de ambos. não poderia atribuir mais direitos ao convivente do que ao cônjuge. I. Finlândia. 1º) Ofende o princípio da isonomia: ora.) Com a dissolução da sociedade conjugal. foi adotado desde 13 de julho de 1. Todavia. . muito mais experiente. Segundo MHD. II e III). Na França.M. Orlando Gomes e outros) MHD: “Parece-nos que a razão está com os que admitem a comunicabilidade dos bens futuros. protegendo o cônjuge e a família dele. 1672 a 1686 do CC/02 Direito Costumeiro Húngaro. no seu artigo 1411 dispõe: “En el regimen de participacíon cada uno de los cónjuges adquiere derecho a participar en las ganancias abtenidas por su consorte durante el tiempo em que dicho regimén haya estado vigente”. 2º) Questão controvertida: é a de saber se no regime de separação de bens.957. ante o princípio de que entre os consortes se constitui uma sociedade de fato por haver comunhão de interesses. Ademais. mas que se tornam comuns no momento da dissolução do matrimônio (.Em razão da idade. o STF na Súmula 377. 2º posicionamento: Se comunicam porque entre eles tinha uma sociedade de fato. Na Alemanha. desde 1. no regime de separação obrigatória. Outro argumento: Se na união estável vige o regime de comunhão parcial.965. por mútuo esforço dos cônjuges: No regime de separação de bens obrigatória. os bens adquiridos na constância do casamento se comunicam? 1º posicionamento: A separação é absoluta. comunicam-se os adquiridos na constância do casamento’”. Destarte. art. 1674. neste novo regime de bens há formação de massas de bens particulares incomunicáveis durante o casamento. apurar-se-á o montante dos aqüestos. não há necessidade de se comprovar o concurso de esforços dos cônjuges para a aquisição daqueles bens. 24 . Deveras. Dinamarca e Noruega. etc). legado ou doação. Direito Civil V – Profº Eduardo Gesse. 1º Trimestre. oriundo de imperativo legal. Carvalho Santos. se um jovem de 18 anos pode escolher o regime. Maria Helena Diniz.Do regime da Participação Final de Aqüestos Arts. após reformas de 1. O Código Espanhol. posteriormente foi adotado pela Suécia. não poderia. para alguém ter direito restringido só é possível mediante regular processo. Caio Mário. por isso também fere o devido processo legal. eles têm uma certa carência afetiva que acaba por torná-los vulneráveis economicamente. porque o sexagenário. assim decidiu: ‘No regime de separação legal de bens.981. os obtidos por cada cônjuge por herança. é o regime legal supletivo. para evitar que sejam vítimas do “golpe do baú” impõe-se o regime de separação total de bens. pois se o legislador quisesse teria feito o regime de separação parcial (Pontes de Miranda. excluindo-se da soma dos patrimônios próprios: os bens anteriores ao casamento e os sub-rogados em seu lugar. e os débitos relativos a esses bens vencidos e a vencer (CC. presumindose de maneira absoluta que contribuiu para a aquisição de bens (W.

Considerando que no exemplo à esquerda João havia pagado uma dívida de 10 para Maria.Na verdade. Nesse regime temos quatro patrimônios: A) o patrimônio próprio do marido não partilhável. Na tabela ao lado. 1º Trimestre. é fácil notar que ela nada Maria 0 -1 0 receberá na ocasião da partilha. aí sim. Todavia. que transforma um cônjuge no fiscal do outro (dizem alguns). partilhável 120 – (o não partilhável) + 110 – (o não partilhável) 20 + 10 = 30. Direito Civil V – Profº Eduardo Gesse. legado ou doação. Nesse caso. D) o patrimônio próprio da mulher partilhável. dividido por 2. Nessa situação. **Obs: Ao final. Outro caso: João 100 Adquiriu 20 Total 120 20 As dívidas pessoais que um cônjuge paga para o outro. No caso em tela João doou o carro de 30 para a secretária. = 40+30. Serão deduzidos ou excluídos os bens que cada cônjuge já era proprietário antes do casamento e o saldo positivo remanescente será dividido em igual porção entre os excônjuges ou entre o cônjuge supérstite e os herdeiros daquele que faleceu. Outra situação: João Maria Já tinha 100 não partilhável Já tinha 100 não partilhável Herança 20 (não partilhável) Adquiriu 10 durante (part) Doação 40 (não partilhável) Total 160 110 10 será partilhado Outra situação: João Maria Já tinha 100 Já tinha 100 Adquiriu 40 Adquiriu 30 (fez doação p/ terceiro) 140 Monte part. B) o patrimônio próprio do marido partilhável. 25 . C) o patrimônio próprio da mulher não partilhável. poderão ser compensadas por ocasião da partilha. cada um receberá a quantia de 5. 1678 CC. trata-se de um regime “contábil”. no caso de não haver patrimônio partilhável nem próprio. salvo se foi em benefício da família – art. uma vez que exclui-se do monte partível os bens obtidos por cada cônjuge por herança. Se não tem patrimônio partilhável para compensar tira do próprio. admitir-se-á a reivindicação do bem doado. se não tiver dinheiro. o valor do bem doado integrará o monte partilhado. excepcionalmente pode reivindicar o bem das mãos do donatário. Doações feitas sem a autorização do outro serão computados do monte partível. divide-se 30 por 2. apurar-se-á o patrimônio total de cada cônjuge. Maria já tinha 100 Ganhou 10 Total 110 cujo resultado é 15 para cada. Maria não ganhará nada de João. Ex: João já tinha 100 Ganhou 20 Total 120 não-partilhável. com a dissolução da sociedade conjugal.

presume-se que os bens móveis integram o patrimônio comum. Os bens móveis presumem-se (presunção relativa) que integram o patrimônio partilhável. a fim de que este retire dos frutos e rendimentos desse patrimônio o que for necessário para fazer rente aos encargos da vida conjugal. parte de sua meação ao agiota. 50 ficará com o cônjuge supérstite e o outros 50 serão dos herdeiros de Maria. Ex.Obs: Para adotar esse regime é necessário pacto nupcial. porém transmissível causa mortis. No que trata de imóveis. quadro do Picasso): a solução óbvia é vender o bem. Só é possível depois ou simultaneamente ao desfazimento do casamento.) Com o termo do casamento. livremente. A meação também é irrenunciável porque se fosse contrário feriria o princípio da indivisibilidade do regime de bens. Agora. Observa-se. prometendolhe que pagaria quando da separação). É intransmissível por ato “inter vivos” (é inalienável). 1º Trimestre. É lícito afirmar. Dizem que a meação é intransmissível. aí pode renunciar (é direito patrimonial). uma pintura”. de forma que se não for provado integrará o monte partilhável. presume-se que os bens móveis são da propriedade do cônjuge devedor. pois durante a vigência do matrimônio aplicam-se-lhe as normas da separação de bens. ser alienados por cada um dos seus cônjuges. Nos outros regimes. para proteção de terceiros. é impenhorável enquanto não partilhado. salvo dívida contraída em benefício da família.. cada cônjuge tem ampla liberdade de administração do seu patrimônio. a título oneroso. ou alguém que a represente. Por “causa mortis” é trasmissível. Além de inalienável. que a meação é transmissível causa mortis. destarte. 26 . para o marido. Apostila : “Partilha – inviável a divisão – promover-se-á a alienação judicial de tantos bens quantos forem necessários para pagamento da meação do outro consorte. Maria não poderia vender. que a meação é inalienável. e dividir com o cônjuge. Segundo o art. . Direito Civil V – Profº Eduardo Gesse. para vender tem que contar com autorização do consorte. ressalte-se. Causa estranheza. Não é permitido alienar a meação por ato inter vivos (ex. suponha que o monte partilhável seja de 100 e que Maria morreu deixando herdeiros.. de antemão.Do regime Dotal CC/1916 Conceito: É aquele em que um conjunto de bens. Pela natureza do bem que impede a divisão (ex. 1680 do CC. uma vez que irão para os sucessores. então. não prejudicando terceiros. denominado dote. salvo se foi consignado o contrário no pacto. Depois de desfeita sociedade conjugal. Não é verdade. sob a condição de devolvê-lo com o término do contrato. efetuar-se-á a partilha conferindo-se a cada consorte a metade dos bens amealhados pelo casal. pelas quais cada cônjuge possui seu próprio patrimônio (. Os bens móveis podem. bem como estaria alterando o regime de bens sem o devido processo legal. MHD: Trata-se de um regime misto. Como regra. Trata-se de uma presunção juris tantum. uma jóia.: conjunto de ações. pois se João adquiriu uma dívida presume-se que os bens móveis que estão na casa são dele. O que não pode é renunciar no pacto nupcial ou durante o casamento. como ocorre no regime de comunhão parcial”. é transferido pela mulher.

desde 11. o dote tem que ser levado à colação. Dote feito por terceiro (ex: o padrinho. b) Dote com cláusula de reversão: os bens devem ser restituídos ao dotador com a dissolução da sociedade conjugal ou do casamento. “Pelos pais da mulher – dote profectício – vale como adiantamento da legítima e têm de ser trazidos à colação por ocasião da morte do dotador”. Em razão disso. metade para cada. se comunicam e vão formar o patrimônio comum. 27 . 2. Classe dos bens que compõem o patrimônio das pessoas sob o regime dotal: a) Os bens dotais: que para serem vendidos é necessária autorização judicial (se vender sem autorização judiciária. 1º Trimestre. Desfazendo-se o casamento os bens ficam com a mulher. e os alugueres são frutos e se comunicam (metade para cada). se não houve convenção diversa. todavia. Direito Civil V – Profº Eduardo Gesse. Quem pode constituir o dote??? Os pais da mulher podem constituir o dote. b) Bens próprios do marido: aqueles que o cônjuge varão trouxe para o casamento e que não se comunicam. por força do art. Ex: Zeca tem duas filhas: Terezinha e Raimunda. Por isso o dote é tido como adiantamento da legítima e. b) Restituir o dote quando houver a dissolução da sociedade conjugal ou do casamento.01. Prazo para restituição é de 6 meses.039 do CC/02. Era necessário pacto nupcial para selecioná-lo. Ex: Raimunda tinha 10 casas (bens dotais). com o patrimônio de 100 destaca 80 e entrega como dote à Raimunda. d) Bens comuns: aqueles que o casal adquiriu de maneira onerosa ou eventual na constância do casamento. os bens próprios da mulher. com o falecimento do dotador. Os bens que constituem o dote são incomunicáveis.2003. Terezinha tem 50 e Raimunda 50. Apenas faz-se necessário seu estudo. Sobrevindo a separação os bens dotais voltam para a mulher. Ele. a) Dote feito sem cláusula de reversão: os bens vão para o marido (encerrando uma verdadeira doação).Atualmente não pode mais ser adotado. Esses bens tem uma destinação específica que é o sustento da família e terão que ser restituídos à mulher no desfazimento do casamento. Se ela falecer o bens vão para os sucessores. (apostila). Os frutos. Com o divórcio ou anulação do casamento os bens ficam com ela. O marido administra os bens dotais. O dote também pode ser feito pela própria mulher. os bens dotais nunca integrarão o bem próprio do marido (ele só administra). o patrão) é possível. a venda é nula). Resolvida a questão dos bens dotais pelas regras adrede expostas. c) Bens parafernais: ou seja. Direitos e deveres do marido em relação ao dote: a) cabe ao marido administrar e perceber os frutos civis e naturais produzidos pelos bens dotais. Zeca morreu deixou 20 e tem que levar o dote à colação. o bem próprio é de cada um e os bens comuns serão divididos no meio.

não se justifica manter o regime de bens. 1829. 1º Trimestre. 1640. parágrafo único).Com a morte.Separação de fato? (2 correntes): a) A separação de fato por si só não põe fim aos vínculos matrimoniais e. b) A separação de fato quando duradoura (2 anos) permite até a constituição de uma nova família e. III – ao cônjuge sobrevivente. portanto. ou se. b) A separação judicial apenas suspende os efeitos. Ademais. se for ascendente dos herdeiros com que concorrer”. EXTINÇÃO DO REGIME DE BENS . na falta de bens imóveis para a hipoteca. ou no da separação obrigatória de bens (art. 297)”. Direito Civil V – Profº Eduardo Gesse.com a anulação ou a nulidade do casamento. em concorrência com o cônjuge. seria injusto o cônjuge que conquistou diversos bens por esforço próprio ter que dividir com outro que havia sumido a mais de uma década. concedia-se a estipulação de caução ou fiança (CC de 1916.Separação Judicial (2 correntes): a) A separação judicial põe fim ao regime de bens (majoritário). II – aos ascendentes. não põe fim ao regime de bens. no regime da comunhão parcial.o divórcio põe fim ao regime de bens (acabam-se todos os vínculos do matrimônio). a alienação é nula. a eficácia do regime de bens. 827. 1832. restabelece também o regime de bens (minoritário). Em concorrência com os descendentes (art. . dessa forma. porque a qualquer tempo os cônjuges podem estabelecer a sociedade conjugal e. o autor da herança não houver deixado bens particulares.c) Dar bens em hipoteca legal para garantir a restituição do dote. Não obtida. I) e. salvo se casado este com o falecido no regime da comunhão universal. . em concorrência com o cônjuge sobrevivente. . inciso I) caberá ao cônjuge quinhão igual ao dos que sucederem por cabeça. 1. .” “Art. por exemplo. d) Obter autorização judicial para alienação dos bens dotais. restabelecendo. A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte: I – aos descendentes. não podendo a sua quota ser inferior à quarta parte da herança. art. 28 . IV – aos colaterais. art. MHD: “A fim de garantir a restituição a lei outorgava à mulher hipoteca legal sobre os bens particulares do marido (CC de 1916. DIREITOS SUCESSÓRIOS DO CONJUGE SOBREVIVENTE “Art.829.

tios. sobrinhos. independentemente do regime de bens. a avó materna vai ficar com 1/4. Assim. se deixou um dos pais. pois a outra metade já seria dela por força do regime de bens. Concorrência com ascendentes: 1º grau: Suponha que João era casado com Maria sob o regime de separação total de bens. os avós nada recebem. no mesmo exemplo. Os outros ¼ vai ser dividido entre o avô paterno e entre a avó paterna (de sorte que ficará 1/8 para cada). 1/8 da avó materno. Morto o João. A herança vai ser dividia em 3 partes iguais ½ dividido por 3 = 1/6 para o pai. João morreu de deixou uma casa. se tiver só a mãe do João = ½ da herança para a mãe e ½ para o cônjuge supérstite (vide art. Se só tiver um avô paterno – a metade da herança é dele. ½ é da Maria. Isso gere o seguinte efeito: o imposto de transmissão causa mortis no primeiro caso incidirá sobre todo o imóvel. Aqui divide-se em partes iguais a herança. E se só tiver os avós paternos? ½ para o cônjuge supérstite e a outra metade será dividido entre eles. 1837. tios avôs. Deixando ascendentes de 1º grau. 1º Trimestre. 1829 o cônjuge sobrevivente prefere os irmãos. 1/6 para a mãe e 1/6 para o cônjuge supérstite. Suponha: Maria x João casaram sob regime da comunhão parcial – João já tinha uma casa no valor de 50 (bem próprio). sobrinho netos. Vige a regra de que o parente de grau mais próximo excluem os de grau mais remoto. Logo. Logo. A herança é 100= pega 1/3 para o pai. de sorte que a herança vai toda para o cônjuge sobrevivente. Direito Civil V – Profº Eduardo Gesse. Se são todos do mesmo grau ¼ para a linha paterna e ¼ para a linha materna. João morreu. 1/8 será do avô materno. Importante não confundir direito à meação com herança***. Dessa forma. apenas ½ seria herança. 1/3 para a mãe e 1/3 para Maria. a herança é 50. 1/3 para cada. suponha que João morreu deixando herança (e seus pais já tinha morrido). Veja-se que.1829 que na ordem de avocação hereditária o cônjuge figura no 3º grau com exclusividade (se não tiver descendentes nem ascendentes). João morreu deixando uma casa (bem próprio). 29 . O valor da herança é 100 (metade do bem comum + o bem próprio inteiro). 2ª parte). O restante segue a regra “grau – linha – cabeça”. 2º grau: A partir do 2º grau é diferente pois ½ da herança vai para o cônjuge. durante o casamento adquiriram um apartamento no valor de 100. 1/8 para a avó paterno. Logo. enquanto no segundo caso o referido imposto só incidirá sobre metade do imóvel (a outra metade já tinha por força do regime). Observe que no art. independentemente do regime de bens. Assim. Do apartamento ½ é de Maria (meação). E se não tiver avô materno ½ do cônjuge sobrevivente. Se o valor da casa é 100. O pai já era defunto. 1/8 para o avô paterno. é o cônjuge sobrevivente quem vai ficar com a casa. Suponha que João x Maria casaram sob o regime da comunhão universal de bens. mais o pai e a mãe vivos. se estivessem casados sob o regime da comunhão universal. João morreu e deixou uma casa em sua totalidade. e os primos. ½ da herança é do cônjuge supérstite. divide-se por cabeça: Pai + mãe + mulher = 3. Suponha então que João fora casado com Maria sob o regime de separação total de bens. ¼ para a linha materna e ¼ para a linha paterna.Note pelo art.

a situação de iniqüidade que o legislador criou. Caso contrário. João já tinha uma casa. Se aplicar a Súmula 377 – metade do apartamento é de Maria. de forma que ¾ será divido por cabeça entre Direito Civil V – Profº Eduardo Gesse. portanto. . Maria não terá direito à meação. Tiveram 1 filho. ½ é herança e vai tudo para o descendente (pela mesma razão que o legislador entendeu na comunhão universal porque ele já está protegido). assim. se João morreu e deixou 4 filhos – destaca-se ¼ para o cônjuge supérstite. Agora o cônjuge supérstite concorre à herança: . 1829.deixou 3 filhos: ¼ para o cônjuge supérstite e ¼ para cada filho. tiveram o filho Zezinho. 1 casa e 1 chácara. Aquela casa é bem próprio. Concorrência com os descendentes Aqui depende do regime de bens. se adotar o pensamento de Pontes de Miranda. já estaria protegido. Suponha João tinha uma casa de $100. Maria tem ½ desse bem por direito próprio.deixou 1 filho: ½ para Maria e ½ para o filho. No regime de separação obrigatória de bens: João x Maria Ligeira (que tinha 14 anos na época. João já tinha uma casa antes do casamento. No regime de comunhão parcial de bens: Aqui o cônjuge só concorre com os descendentes se o falecido tiver deixado bens próprios. João x Maria (casados pela separação obrigatória). 1º Trimestre. Esse bem é comum. Ele morreu deixando o descendente Zezinho.1832). Durante o casamento comprou apartamento $200. 30 . não. Ex: João x Maria casado sob o regime da comunhão universal de bens. de sorte que a fazenda irá toda para o Zezinho: veja. João x Maria (casaram em 200 e ambos não tinham nada). Em 2005 João recebeu uma fazenda por herança gravada com clausula de inalienabilidade (que envolve impenhorabilidade + incomunicabilidade) Esse bem não se comunica. por herança. No regime de comunhão universal de bens: Vide inciso I do art. Em 2007 João morreu. João morreu reparte a meação de Maria e a outra metade vai tudo para o descendente (Zezinho). porém. Note-se que a cota do cônjuge supérstite não poderá ser inferior à quarta parte da herança quando ele concorrer com descendentes comuns (art. Pessoa casada no regime de comunhão universal não concorre com descendente pois o legislador partiu do pressuposto que o cônjuge já tem direito à meação e. Tiveram o filho Zezinho.OBS: O cônjuge é herdeiro necessário e só pode ser excluído da herança por deserdação ou por indignidade. Aqui vai ter que ponderar se aplica ou não a Súmula 377 do STF. se usar a súmula os aqüestos vão para Maria ($250) e a herança ($250) irá para o Zezinho. Assim. a outra metade + a casa é herança e vai tudo para o descendente. João x Maria (casaram-se sob comunhão parcial). . irá tudo para Zezinho. Agora suponha que João x Maria (casados sob o regime da comunhão universal). João durante o casamento comprou 1 casa. sendo bem próprio de João. João comprou durante o casamento 1 carro (colocou no seu nome). e foi imposto regime de separação obrigatória). Durante o casamento não comprou nada. Morreu deixando um patrimônio de $500. Superada essa questão.deixou 2 filhos: 1/3 para o cônjuge supérstite e 1/3 para cada filho.

00 (bem próprio) e $200. não poderia concorrer na herança do bem comum nesse caso.000. . que nessa corrente. Depreende-se. ficaria assim: $200 bem próprio: ½ para o cônjuge supérstite e ½ para o filho Zezinho.00 e divide por 11. (2º) Aplicar a 2ª regra: como se fossem todos exclusivos do autor da herança 10 descendentes + Maria = 11. Nesse caso. que só concorre no bem próprio.000.000. Morreu deixando 1 filho: • Deixado bem próprio é condição para que o cônjuge concorra com descendentes. Assim no exemplo dado. temos 3 possibilidades: (1º) Aplicar a regra dos descendentes comuns tiraria a ¼ parte para o cônjuge supérstite e o restante dividiria entre os 10 descendentes. Agora deve aferir qual corrente a ser aplicada: .00 por 11. Herança dividida por 11.se aplicar a corrente de Maria Helena Diniz o cônjuge supérstite concorre na outra metade do bem comum e no próprio. João morre e deixa $1. portanto. Os filhos exclusivos vão ficar inconformados. Aqui o cônjuge supérstite fica prejudicado. $200 bem comum: ½ meação da Maria e a outra ½ entrega ao Zezinho. Logo. quando concorre com descendentes exclusivos do autor da herança divide-se por cabeça.000. a metade do bens comuns será dividida entre os descendentes não participando o cônjuge supérstite. 31 . Cumprida esta condição.000. o cônjuge concorrerá sobre todos os bens que compõe a herança (Maria Helena Diniz). • (corrente majoritária): Se no regime da comunhão universal o cônjuge não concorre porque já tem direito à meação. ½ da casa adquirida na constância do casamento é meação de Maria. dividir-se-á $1.00 dividido pelos descendentes. Nos bens próprios o cônjuge concorre. uma vez que não terá direito à ¼ da herança. Assim. Todavia. 1º Trimestre. Assim a outra ½ do bem comum $100.se aplicar a corrente majoritária.00 (bem comum). pois não têm nada com o cônjuge sobrevivente.100. Resta $300 de herança = sendo que $150 é de Maria e $150 para o filho. Só tem que definir se adota o posicionamento de MHD ou dos outros – não existindo aquela regra do 1/4. tem 6 descendentes comuns e 4 descendentes exclusivos. eis que já tem direito à meação. Concorrência com descendentes exclusivos e descendentes comuns do autor da herança: Suponha que João x Maria. Incidindo sobre todo o inventariado eis que a lei não os excluiu. O Bem próprio descendentes + cônjuge supérstite = 11.000. Direito Civil V – Profº Eduardo Gesse. Assim.os descendentes de mesmo grau (3/4 dividido por 4) = 3/16 avos para cada um. João tinha antes do casamento uma casa no valor de $200 (bem próprio) e durante o casamento comprou outra no valor de $200 (bem comum). Concorrência com descendentes exclusivos do autor da herança: Suponha que João x Maria (casados sob o regime da comunhão parcial) e que João tem 10 filhos com Raimunda. Logo. O legislador não pensou nessa hipótese. João x Maria (casaram sob regime de comunhão parcial). constata-se que até 3 descendentes a divisão faz por cabeça. a metade dos bens comuns será dividida entre os descendentes não participando o cônjuge supérstite. pega o valor de $1. Do bem comum pega ½ direito de meação de Maria.000. No entanto.

3ª etapa: Sub-herança dos descendentes exclusivos $100.000.00. não próprio partilhável) participando o cônjuge supérstite.00 – 150.000.2 filhos + cônjuge supérstite = divide a herança por 3. onde trata todos os descendentes como exclusivos do autor da herança (só que “estoura” no cônjuge sobrevivente). Logo.000.00. 0 0 ou seja. de sorte que desse valor será retirado ¼ para o cônjuge supérstite.000. .00 = $400.000. 1º Sub-herança – dos descendentes comuns: São 6 descendentes comuns no exemplo.000. faz-se: 6 x $100. A outra metade . qual seja.000. $50. Se fosse descendente exclusivos a herança seria dividida pelos descendentes + o cônjuge sobrevivente.000.000. as regras são as mesmas. $ 400. segundo o Profº supostamente a lei se ajustará na 2ª regra. Suponha: No exemplo.00 : 5 = $ 80. Se deixou: .00 x 4.00 para o cônjuge supérstite.4 filhos (em diante) reserva-se ¼ para o cônjuge sobrevivente e o restante divide entre os descendentes. . . Então $600. Logo.000.00. 32 . Aqui computa o supérstite no divisor 4 descendentes + o cônjuge supérstite = 5. morrendo João.00 x 6.00 = $600. 2ª Sub-herança – dos descendentes exclusivos: São 4 descendentes exclusivos no exemplo dado.3 filhos + cônjuge supérstite = divide a herança por 4.000. dividir em duas sub-heranças: 1ª etapa. 1º Trimestre. 4ª etapa: atribuir a parte cabente ao cônjuge em cada uma dessas sub-heranças.000. Assim. 2ª etapa: Sub-herança dos descendentes comuns $100. pois não recebem quinhão idêntico aos dos filhos exclusivos. mas não existe a meação. ganhou herança e comprou um carro.00 : 10 = $100.000. pois é a única que trata os filhos com igualdade atendendo princípio constitucional.00 – ¼ do cônjuge sobrevivente (600. Importante observar que nessa regra proposta por Giselda Yonaka os filhos comuns saem prejudicados. Sobra $450.(3º) A solução proposta por Giselda Yonaka. Dividir a herança por nº de descendentes $1.00 para cada um dos descendentes comuns.00 que será dividido pelos descendentes (6) $450.00 : 6= $75. Maria tem direito João Maria à ½ do patrimônio próprio partilhável (meação).000. Direito Civil V – Profº Eduardo Gesse. No regime da participação final de aqüestos: Por analogia tem se aplicado as regras da comunhão parcial de bens. Enfim. No regime de separação total de bens convencional: João x Maria (casaram sob o regime de separação total de bens convencional). João comprou 1 casa.00 para cada descendente exclusivo e $80.000.000. João morreu e não há falar-se em meação.000. Importante lembrar que aqui aplica-se a regra dos filhos comuns.000.$50 – será 100 (patrimônio -1 dividido entre os descendentes. totalizando $500 São todos bens próprios.00).1 filho + cônjuge supérstite = divide a herança por 2. faz-se 4 x $100.

1830 do CC/02: Suponha a seguinte situação: João x Maria (casaram-se em 2000 sob o regime da comunhão parcial de bens). Veja-se que por força do art. 1790 também tem direito à herança Joana. Se for pela corrente majoritária: pega metade do patrimônio próprio partilhável e divide-o entre os descendentes. 1830 do CC Maria tem direito à herança. Em 2007 João morreu. *** Há uma corrente mais radical que advoga a idéia que o direito do cônjuge inocente se sobrepõe ao direito do convivente (minoritário).Suponha: João 100 (patrimônio próprio não partilhável) 100 (patrimônio próprio partilhável) Total = 200 (50 será de Maria – por meação no patrimônio próprio partilhável) • Maria 0 -1 Do total de 200. por exemplo. O apartamento de 2003. 100 -1 O patrimônio próprio não partilhável divide-se 200 entre os descendentes + Maria. 1º Trimestre. João foi tentar a vida em SP. Assim. 33 .100 do patrimônio próprio não partilhável -. em 2003 comprou um apartamento. 4 filhos 100 : 5 = 20 para cada. A outra ½ para os descendentes. Direito Civil V – Profº Eduardo Gesse. 1 carro em 2001 Um apartamento comprado em 2003 Vai para o cônjuge inocente. também à Joana. Maria tem direito à sucessão até antes do início da união estável. E se houver somente descendentes exclusivos do autor da herança? Usando a corrente majoritária: a 1ª etapa é tirar João Maria a meação de Maria (½ do patrimônio 100 0 partilhável). exclui 50 que é a meação do supérstite no patrimônio próprio partilhável sobra 150. Se tiver 4 descendentes ou mais ¼ para o cônjuge sobrevivente e o restante divide-se entre os descendentes. Separação Judicial e Separação de Fato – art. Se for. Se for herdeiros dos dois lados (descendentes comuns e exclusivos) é só usar o mesmo esquema já mencionado no regime de comunhão parcial de bens. Os outro 100 (do patrimônio próprio não partilhável) Tira ¼ para o cônjuge sobrevivente e divide-se o restante pelos 4 descendentes ou mais. a casa comprada em 1999 e o carro em 2001 vão para o cônjuge inocente. ½ por direito próprio à Joana e ½ por herança. Por outro lado. Em 2001.50 do patrimônio próprio partilhável. no art. ½ por direito próprio e ½ por herança. || || V Se abraçar a corrente de Maria Helena Diniz: soma-se os dois (150) e divide pelos descendentes + o cônjuge sobrevivente. João comprou uma casa em 1999. • -. em 2001 comprou 1 carro. 1 casa em 1999. Em 2002 ele “juntou” com a Joana. para o convivente supérstite.

226. 1719. no que couber. Partilha não se confunde com meação. MHD: “Ter-se-á concubinato impuro ou simplesmente concubinato. A partilha leva em consideração a efetiva participação de cada um dos concubinos (ex: 30%. • Impuro: pode ser incestuoso (ex. com a irmã. nas relações não eventuais em que um dos amantes ou ambos estão comprometidos ou impedidos legalmente de se casar”. Assim. eis que presunção absoluta. Essa regra foi repetida pelo art.§1º) trouxe uma presunção relativa de contribuição. entre homem e mulher livres e desimpedidos. 25%. 2º da Lei 8971/94. inciso III. a presunção de contribuição é absoluta – a regra é objetiva – tem direito à metade na meação. Tal foi mantido pela Lei 9278/96 (art. quando lembrava deles. atualmente. §3º) demonstra que o constituinte reconheceu esse fato social. como regra. 29%.) ou pode ser adulterino (homem casado que mantém concubinato com amante). Para outra turma existe o termo união estável (para denominar a união entre pessoas livres que não querem se casar) e concubinato (para aqueles que estão impedidos de se casar mas vivem juntos).07) Conceito: “Concubinato é a união livre e estável de pessoas de sexo diferente que não estão ligadas entre si pelo casamento”. Espécies de concubinato • Puro: aquele que é possível se converter em casamento. Direito Civil V – Profº Eduardo Gesse. do CC/16 que proibia a nomeação da concubina como herdeira ou legatária. 1º Trimestre. A contribuição tinha que ser direta. 34 . depois passou-se a reconhecer a contribuição indireta também). etc. -O concubinato é um fato social. -O legislador do CC/16 ignorou o concubinato.CONCUBINATO (Aula Sábado – 03. III. + Direitos sucessórios (art. Vide também art. Dizia-se que a doação à concubina era nula (art. conviver com a sogra. +Posteriormente.03. o termo concubinato ficou para àquelas relações não amparadas pela lei. De se observar que não reconheceu essa súmula o direito à meação como muitos autores defendiam. (Primeiro se reconheceu a contribuição direta. Evolução +Começou como indenização por serviços prestados. O legislador não atribuía nenhum direito aos concubinos e. 1801. é cabível a sua dissolução judicial. 7º da Lei 9278/96 e 1790 do NCC). era para repudiar. 5º. MHD: “Será puro se se apresentar como uma união duradoura. isto é. a concubina quando contribuía à formação do patrimônio tinha direito à partilha (Súmula 380 STF4). Requisitos para caracterização da união estável: 4 Súmula 380 STF: “Comprovada a existência de sociedade de fato entre os concubinos. no entanto. começaram a surgir decisões dizendo que quem vive amasiado constitui uma sociedade de fato. Foi o 1º direito reconhecido para as concubinas. não comprometidos por deveres matrimoniais ou por outra ligação concubinária”. etc). de forma que ambos podem ter contribuído para a formação daquele patrimônio – assim. de acordo com o NCC aplica-se à união estável as mesmas regras do regime da comunhão parcial de bens. Hoje. + Sobreveio a CF-88 que reconheceu a união livre e estável de pessoas de sexos diferentes como entidade familiar. Todavia. do CC/02. a CF-88 (art. art. 550 CC/02). +Alimentos – Lei 8971/94 – Há obrigação alimentar entre os conviventes e também estabeleceu a meação. sem casamento civil. com a partilha do patrimônio adquirido pelo esforço comum”. 1177 CC/16 e art. Portanto.

O imprescindível é a comunhão de vida. 3 – Vida em comum sob o mesmo teto. não afastou a necessidade de demonstrar que ambos concorreram para a aquisição dos bens. 35 . 4 – Notoriedade das afeições recíprocas. permitindo a alteração por intermédio do contrato de convivência. o das pessoas de íntima relação de ambos. 3º. Regra que comporta duas exceções: a) os separados judicialmente e b) os separados de fato por mais de um biênio. 5º. em seu art. excepcionalmente. 1º Trimestre. positivou a presunção do concurso de ambos os conviventes na aquisição onerosa dos bens e manteve a igualdade na partilha. porém pode ser discreta. Pode ter UE sem relações sexuais. Não. Afronta o princípio da pluralidade familiar e o princípio da liberdade. 6 – Fidelidade.1 . A relação aberta não caracteriza união estável. Há quem entenda ser desaconselhável a fixação a priori do lapso temporal da convivência. pois o estabelecimento de qualquer prazo afastaria da tutela legal certas situações que a ela fariam jus e daria ensejo a manobras de fraude à lei com interrupção forçada da convivência às vésperas da consumação do lapso temporal para os seu reconhecimento como união estável e para a produção de seus efeitos jurídicos (MHD). o dos vizinhos do companheiro. por si só. que seja um período mais ou menos longo. 7 – Convivência “more uxório”. o dos amigos. Trata-se de uma norma aberta. que não exige tempo mínimo para a configuração da estabilidade. porém. Em caráter excepcional pode ter UE. cada um morando em sua casa. em seu art. Assim. Efeitos Patrimoniais: Jurisprudência e doutrina – antes da constituição – Indenização por serviços prestados. Direito atual – aplicação subsidiária da indenização. não enseja a partilha de bens – RSTF 09/36-1. a meação. b. “Comprovada a existência da sociedade de fato entre os concubinos. estabeleceu meação dos bens adquiridos pelo esforço comum. A lei 9278/96. A “pulação de cerca” unilateral não afasta a união estável. c. Destarte. Para caracterizar união estável tem que haver fidelidade pelo menos unilateral. uma pessoa casada pode formar uma união estável.Diversidade de sexo (obs: relembrar daquelas três correntes acerca da união homoafetiva). não precisa morar na mesma casa. 2 – Inexistência de impedimento matrimonial (é a regra). ora basta viver como conviventes. Esse requisito não é aceitável. não há prazo. Contribuição direta. concubinato. é cabível a sua dissolução judicial com a partilha do patrimônio adquirido pelo esforço comum”. Contribuição indireta. A lei 8971/94. a. ou seja. Partilha – súmula 380 – garantia a partilha. caso em que a divulgação do fato se dá dentro de um círculo mais restrito. Direito Civil V – Profº Eduardo Gesse. A ligação concubinária há de ser notória. 5 – Período de convivência. A convivência more uxória estabelece que os companheiros tem que viver como marido e mulher. aplaudindo o NCC.

descendente ou irmão que possa sustentar. salvo disposição em contrário feita por contrato de convivência. Só há direito à partilha. Maria tinha. (2º) que não tenha ascendente. o irmão com a irmã). Assim.O NCC no art. deixou subtendido o direito de alimentos entre os conviventes. as regras do casamento regido pelo regime de comunhão parcial de bens. de forma que os bens próprios não se comunicam. Se for Adulterino há dois posicionamentos: a) Majoritário: a amante não tem nenhum direito. 36 . b) A amante também contribuiu e também tem direito. Formaram durante a constância da UE o patrimônio (c) uma casa e um Ford Belina (esse patrimônio adquirido na constância da união estável é o patrimônio comum). Os alimentos civis são atribuídos ao cônjuge inocente (req possibilidade+necessidade+culpa). antes de conviver. É patrimônio próprio do convivente. Direito Civil V – Profº Eduardo Gesse. às relações patrimoniais. O direito do cônjuge inocente se sobrepõe. O patrimônio comum. Durante a UE a herança também é só dele (a herança integra patrimônio próprio pois recebeu sem nenhum vínculo com a UE). paga-se 1/4 à amante. II – Após a CF-88: 1) Ao considerar a união estável como entidade familiar. Pode existir sociedade de fato com ou sem mancebia. OBS: A sociedade de fato com contribuição direta sempre é reconhecida. Concubinato e Alimentos Hoje para os cônjuges existem os alimentos civis e os alimentos necessários. aplica-se o regime de comunhão parcial de bens. Os alimentos só derivavam do dever de mútua assistência ou do parentesco. Sempre que não houver contrato de convivência com regra expressa. O cônjuge culpado só tem direito aos alimentos estritamente necessários (inovações trazidas pelo NCC). 1º Trimestre. antes de conviver. que nada tem a ver com a mancebia. desde que (1º) não esteja apto para o trabalho. o patrimônio (a) coleção de figurinhas e uma casa. Esses bens não se comunicam. inclusive aqueles cuja aquisição for decorrente de fato eventual (prêmio de loteria). No concubinato impuro: Se for incestuoso – Súmula 380 STF: sociedade de fato (o genro vivendo com a sogra. Dessa metade do marido. o patrimônio (b) coleção da Barbie + uma caloi + herança (bens próprios dela). pertence à metade para um e metade para outro. ingressa no patrimônio dos conviventes todos os bens cuja aquisição se der nos moldes elencados no art. Desta forma. notadamente se estiver de boa-fé. I – Antes da CF-88 não era admitido. racha-se o patrimônio metade para mulher e metade para o marido. Exemplo: João tinha. Depende da contribuição de cada um. Os alimentos civis são aqueles destinados a manter o status social da pessoa. por sua vez. 1660 do NCC. 1725 determina que à união estável deve ser aplicada. ***Apostila*** --Partilha: é a mesma regra da comunhão parcial de bens.

1º Trimestre. Além disso. em partes iguais. era possível atribuir-se quinhões diferenciados para cada um dos conviventes. Com essa prova préconstituída arbitra-se os alimentos provisórios.03. Portanto. dispõe: “Na união estável. Todavia. Os conviventes têm que procurar a prova pré-constituída. É necessário prova pré-constituída (ex. a Ação de alimentos ostenta um procedimento concentrado e tem que ter a prova préconstituída da União Estável. Se quer pedir alimentos para o ex-cônjuge (ex. não há cogitar-se da culpa.07) Ação de alimentos: -. Tem gente que diz não ser possível. Alimentos são devidos bastando somente a necessidade + possibilidade. em seu artigo 5º. aos conviventes. o que já vinha sendo admitido pela doutrina e jurisprudência.278 de 10 de maio de 1996. de sorte que um não poderia exigir alimentos do outro. Entre a citação e a data da audiência não pode mediar prazo inferior de 10 dias. no silêncio dos interessados. Assim.Aplicabilidade da Lei 5478/68 – prova pré-constituída do concubinato. em seu artigo 1725. o regime da comunhão parcial de bens”. permitindo. certidão de casamento). ou seja. para tentar manejar Ação de alimentos por esse rito célere. Lei 8971/94 A questão da culpa em relação aos alimentos civis na união estável há duas teorias (uma vez que o necessário já foi feito para o culpado): . certidão de nascimento). (Aula Sábado – 10. . em nada alterando em relação entre os concubinos. Na divisão dos bens amealhados com o esforço comum. entretanto. Direito Civil V – Profº Eduardo Gesse.Teoria Restritiva: Não se pode atribuir mais direitos aos conviventes do que se atribuem aos cônjuges. traçou como regra geral o direito a meação dos bens adquiridos de maneira onerosa durante a União Estável. salvo contrato escrito entre os companheiros. tendo como parâmetro a efetiva contribuição de cada um deles na formação desse Patrimônio Ativo. presume-se que os bens amealhados de forma onerosa durante a união estável pertencem. eles podem estabelecer participação diferenciada nesse patrimônio.Teoria Ampliativa: A Constituição de 1988 é a Constituição cidadã e não veio para restringir direitos e já está ultrapassada esta estória de discutir a culpa (fere o princípio da dignidade da pessoa humana). 37 . A Lei n. o elemento culpa está inserido para exigir alimentos + a necessidade/possibilidade. que os conviventes fixassem regras diversas. CONTRATO DE CONVIVÊNCIA A Súmula 380 do STF assegurava aos conviventes o direito à partilha. se não dá nulidade. O Novo CC. aplica-se às relações patrimoniais. o aludido dispositivo constitucional não é auto-aplicável. Se não tiver a prova pré-constituída da União estável que entre pelo rito ordinário e peça tutela antecipada.2) O preceito constitucional se dirige ao Estado. o qual não se confundia e não se confunde com direito à meação. pois em sede de alimentos a medida seria irreversível. no que couber. É que o direito à partilha fundado na aludida súmula não estabelecia a paridade de quinhões.º 9.

Ademais.º 9. porque. por fato eventual. autorizando que no casamento também haja no pacto nupcial em seu curso. Entretanto e repisando o artigo 5º da Lei 9. e ainda sob condição de se efetivar. finca a comunhão dos frutos percebidos ou pendentes de qualquer bem dos cônjuges. v. Daí. 1º Trimestre. o contrato. Sem UE pode até ser válido mas não é eficaz. a qual. no mundo empírico. Abrangência: O contrato de convivência pode abranger total ou parcial em relação ao patrimônio dos conviventes. para a União Estável. Forma: O contrato de convivência reclama forma escrita. pois a União Estável existe independentemente do contrato de convivência . A Lei não estabelece que o contrato de convivência preceda a União Estável. reconhece ou extingue direitos exclusivamente entre seus signatários. Casamento e União Estável são institutos distintos. este não ganha eficácia sem esse fato jurídico. estabelece a comunhão e em igual proporção para ambos os cônjuges. Portanto. A união estável como condição de eficácia do contrato: Nada obstante a União Estável não seja condição suspensiva do contrato de convivência. Nem sequer para atribuir direito sucessórios.Como se vê. basicamente repisou as disposições da Lei n. assim como as benfeitorias levadas a efeito durante o matrimônio e nos bens particulares de cada consorte e. dos bens conquistados na constância do casamento de maneira onerosa. A União Estável se constitui pela duradoura convivência e a intenção de um homem e uma mulher constituir família. entretanto.g. I – Parcial – exclusão de certo bem ou conjunto de bens da comunhão. A recíproca. para que tenha eficácia é necessário a União Estável. das regras pertinentes ao regime de comunhão parcial de bens. de sorte que é indisputável a positivação do contrato de convivência em nosso sistema jurídico. o Novo CC. II – Total – os conviventes fixam sobre todo o patrimônio que vierem a adquirir durante a União Estável atribuindo. 38 . Momento: O contrato de convivência deve ser celebrado antes da União Estável para evitar fraude à lei. quinhão distinto para cada um. a proclamação da União Estável. Se já tinha UE há algum tempo não poderia fazer contrato de convivência. inclusive aqueles derivados dos bens próprios. Conceito de contrato de convivência: Contrato de Convivência é o instrumento pelo qual se cria. isoladamente. pois no casamento a escolha de regimes ocorre com o pacto antenupcial. pode-se elaborar o contrato de convivência mesmo no curso da UE. hoje vige o princípio da mutabilidade justificada que permeia o regime de bens. Assim. 1725 do CC. Não pode ser oral. neste ponto. quando da dissolução da prefalada união. não se constitui em prova bastante para os contratantes manejarem ação de alimentos um em face do outro. por sua vez.278/96. Direito Civil V – Profº Eduardo Gesse.. o que não for regulado pelo contrato de convivência aplicar-se-á o disposto no art. possibilitou aos conviventes regularem de maneira diversa suas relações pecuniárias. ao determinar a aplicação. seja por instrumento público seja por particular. não é verdadeira.278/96. modifica. ainda. Se for parcial.

Eis que não poderia reduzir a cota da pessoa que já tem metade (meação).Quem pode firmar o contrato de convivência? Podem firmar contrato de convivência quem tem condições de viver em União Estável. não terá efeito retroativo). Obs da apostila: As disposições genéricas sucumbem diante das específicas. dessa parte de João.000. se não abarcar a mesma matéria é possível. pois.000. Pode contrato de convivência com efeito retro-operante? (2 correntes) 1º) não pode retroagir porque prejudicaria um deles.: A genérica estabelece na comunhão dos bens adquiridos da constância da convivência 1/3 para a companheira e 2/3 para o companheiro. portanto. sobre os bens que vierem a ser adquiridos durante a união estável. (Obs: aquela parte em que não foi abarcada pelo contrato de convivência – a regra aplicável é a do art.00) e ½ de João (200. 2º) Ora. Pode aplicar. Se for menor impúbere é necessária assistência dos responsáveis. Porém.00). 1725 – ½ para cada). em 2006 o contrato dispõe 2/3 para Maria e 1/3 para João. seja esta parcial ou total.000.000.000. não pode fazer um contrato de convivência que prejudique a legítima dos herdeiros (metade do patrimônio é reservada aos herdeiros necessários).000. 39 . Mutabilidade do contrato de convivência: As relações societárias dos parceiros podem ser alteradas a qualquer tempo. ainda. Pluralidade de contratos Pode haver pluralidade de contratos. sob pena de invalidade. Então é possível estabelecer contrato de convivência com efeito retro-operante (lembrando que não pode prejudicar terceiros). a pessoa pode abrir mão do todo. preservou-se a legítima dos herdeiros (eis que ¼ de R$ 400.00 ½ é de Maria (200. Contrato de convivência e pessoas maiores de 60 anos. Além do mais. o efeito retroativo e revogar por completo o contrato anterior. O efeito retroativo tem que ser expresso no contrato (se não constou no contrato. 1º Trimestre. desde que não prejudique terceiros. até o regime de bens no casamento pode ser modificado. os conviventes adquirem uma casa e fixam no título aquisitivo que metade do imóvel pertencerá para a mulher e a outra para seu companheiro. ½ é a legitima dos herdeiros (100. Duas correntes: 1º) O contrato não pode retroagir para atingir os bens próprios dos conviventes conquistados antes do início da união estável. estaria atribuindo mais direitos aos conviventes do que Direito Civil V – Profº Eduardo Gesse. Atualmente.000. essa disposição específica prevalecerá sobre a genérica que versa sobre todos os demais bens.00) ¾ para Maria e ¼ para João. Logo. Diz respeito a direitos disponíveis. Note-se que o contrato em questão visa regular precipuamente as relações pecuniárias entre conviventes ou futuros conviventes.00 é R$ 100. Os frutos da fazenda da Maria não se comunicam (outro contrato).00). Ex: bem de R$ 400. Haveria fraude à lei. Ex.00). Exemplo em 2000 o contrato dizia: 1/3 de Maria e 2/3 de João. Tal fato autoriza a sua alteração a qualquer tempo. caso contrário. desde que não prejudique terceiros. mas tão-só. EX: os frutos da fazenda não se comunicam porque é de João (num contrato). se fez um contrato de convivência com efeito retro-operante que atribuía daquele bem (R$ 400.

uma vez que as normas que regulam essa matéria são de ordem pública e a renúncia prévia implicaria em afastar o dever de mútua assistência que o legislador impõe aos conviventes. Contrato de convivência e relações materno e paterno-filiais. seja decorrente do parentesco. pois está diminuindo a capacidade sem o regular processo. dever de assistência material. até porque as normas restritivas devem ser interpretadas restritivamente”. do poder familiar ou da união estável. a cláusula que estabelecer que a união estável se caracterizará somente após 10 anos de convivência ou aquele que exclua o dever de mútua assistência ou. se casam sob regime de separação obrigatória de bens. Como se vê. 1º Trimestre. O contrato de convivência só pode ser levado a registro no Cartório de Títulos e Documentos e não gera reflexos entre terceiros. v. a herança e/ou os direitos sucessórios não poderão ser objeto dessa espécie de contrato. poder familiar. essas matérias não poderão ser objeto do contrato de convivência. Pelas mesmas razões elencadas no item anterior. os alimentos. Além disso. e também fazer contrato retroativo. Destarte. será nula. Diferente do casamento. inexiste norma infraconstitucional restringindo as pessoas maiores de 60 anos de disporem sobre seus bens patrimoniais antes ou durante a União Estável. Assim. só é possível dispor da herança por testamento e sem prejudicar a denominada legítima dos herdeiros necessários. 40 . tal proibição era prevista no art. pelo fato das normas que regulamentam o parentesco serem de natureza pública e cogentes. Aliás. É proibido o “pacto corvino” – art. o qual proíbe o denominado pacto corvina”. desde que preserve a legítima dos herdeiros. pode ser celebrado o contrato de convivência entre conviventes com maiores de 60 anos com efeito retro-operante. a imposição da lei daquele regime de bens aos maiores de 60 anos é inconstitucional (fere o princípio da isonomia) e não poderia por conta da idade retirar a capacidade da pessoa. por força da idade avançada. atingindo o patrimônio conquistados antes do inicio da união estável. Contrato de convivência e Registro Público. Contrato de convivência e direitos sucessórios. Contrato de convivência e relações pessoais entre os conviventes. Assim. moral e intelectual dos conviventes em relação aos seus filhos. Assim. assim também daqueles adquiridos durante a União Estável. quando não houver disposição de última vontade. Apostila: “A sucessão será legítima. ou seja. As normas que regulamentam as relações pessoais entre os conviventes são de ordem pública e por isso não podem ser objeto do aludido contrato. A renúncia prévia aos alimentos é inadmissível. Obs: deve ser analisado a data em que foi iniciada a União Estável pois se teve inicio em 5 anos anteriores a completar 60 anos. Desta maneira.g. pois se o convivente Direito Civil V – Profº Eduardo Gesse. 426 do CC. Contrato de convivência e renuncia à alimentos. 1089 do CC de 1916 e foi reeditada no artigo 426 do NCC. Ademais. pode escolher o regime que quiser. ainda. o contrato em questão não poderá dispor sobre guarda. 2ª) Apostila: “As normas que impõe o regime de separação obrigatória de bens para as pessoas que venham a se casar com mais de 60 anos é inconstitucional. que estabeleça o dever de lealdade apenas para um dos conviventes e tantas outras. atualmente. fere-se o princípio do devido processo legal.. Ademais. de sorte que o contrato de convivência pode tratar dos bens próprios de cada convivente. Qualquer disposição sobre direito sucessório é nula.aqueles conferidos aos cônjuges que. são irrenunciáveis.

aplicando-se as regras do artigo 219. Apostila: “O contrato não poderá ser registrado no registro imobiliário porque não está elencado entre os atos sujeitos a registro ou averbação (art. Não. porém. Observações preliminares: + Até 2003 a linha de sucessões. 4º) colaterais. independente de outorga. Contrato de convivência e terceiros. +Após 2003. + Após 2003. em princípio. caput.fosse vender o imóvel poderia. 3º) cônjuge. 167 da LRP). por via de regra. o qual estatui: “As declarações constantes de documentos assinados presumem-se verdadeiras em relação aos signatários”. DIREITOS SUCESSÓRIOS DOS CONVIVENTES – ART. cujo objetivo maior é o dê preservar o documento. nada obstante o contrato de convivência estabeleça que parte desse imóvel pertença em parte ao companheiro ou companheira do alienante. 5º) entes públicos. porém. 2º) ascendentes. 2º) demais herdeiros (ascendentes e colaterais até o 4º grau) + convivente. 5º) entes públicos. de maneira que se um dos conviventes alienar um imóvel que estiver registrado em seu nome para terceira pessoa. se a pessoa analisada vivia em união estável: 1º) descendentes + conviventes. 1º Trimestre. reclama prévio reconhecimento judicial de sua existência. mesmo em se tratando de imóveis. dava-se assim: 1º) descendentes. os efeitos do contrato de convivência. para ser oponível em relação a terceiros. Não. quanto aos bens adquiridos onerosamente na vigência da união estável. A companheira ou o companheiro participará da sucessão do outro. É de ser observado que os conviventes não necessitam da autorização de seus respectivos companheiros para alienar os bens que estiver em seu nome. Poderá ser registrado no Cartório de títulos e documentos. a pessoa casada: 1º) descendentes + cônjuge. No casamento seria necessário outorga uxória ou marital. 41 . A união estável tem como origem um conjunto de fatos. o negócio será válido. 4º) colaterais. Assim. 3º) cônjuge ou convivente. Por isso. Caberá ao convivente prejudicado com a alienação buscar o ressarcimento do seu companheiro. 3º) convivente. não alcança terceiros. dar eficácia em relação a terceiros”. do NCC. Art. 4º) entes públicos. sob pena de anulação do negócio. com a morte da pessoa analisada. do terceiro adquirente e nem sequer poderá bater-se pela anulação do negócio. 1790. nas condições seguintes: Direito Civil V – Profº Eduardo Gesse. 1790 do CC/02. salvo se o adquirente estiver de má-fé. 2º) ascendentes + cônjuge.

cada um.00 (cento e vinte mil reais). cujo resultado é R$ 24. terá direito a uma quota equivalente à que por lei for atribuída ao filho. tal prejudicaria os filhos exclusivos.000.00. cada qual com peso 2. 2ª etapa: deve-se atribuir ao convivente supérstite metade do que couber a cada filho exclusivo. passou a viver com Maria em 1990. doações. nem naqueles adquiridos por herança. Existência de filhos comuns com filhos exclusivos? A lei é silente quanto à essa hipótese. que é a meação do convivente supérstite.Apostila: “O convivente supérstite terá direito a herança tão-só em relação aos bens adquiridos de maneira onerosa na constância da união estável. caberá. de sorte que somente a outra ½ será partilhada entre ela e os filhos comuns. No exemplo cada filho tem direito a duas cotas R$ 48.00. de sorte que caberá.000. Resta R$120. no mesmo exemplo. Assim. Com isso a herdeira.00 (cento e vinte mil reais).000.000. não sucede nos bens próprios do autor da herança. divide-se R$ 120. cujo valor.00 (sessenta mil reais) – tendo em vista que ela sempre terá direito à meação dos bens adquiridos onerosamente – ½ do bem é seu. deixou-se de considerar a meação a que o convivente sempre tem direito.00 (dez mil reais).00 : 6 = R$10. tocar-lhe-á a metade do que couber a cada um daqueles. terá o R$ 60. que corresponde à sua meação e.00 (dez mil reais).000 (vinte e quatro mil reais). ou nos adquiridos por fato eventual (prêmio de loteria).000. no valor de R$ 240.000.00 (trinta e quatro mil reais) e a companheira sobrevivente herdará tão-só o quinhão no valor de R$10. bem como para a convivente sobrevivente.000.000. em relação a esses bens e para cada filho. R$ 60.000. neste exemplo é de R$ 60. essa parte da herança será dividida entre ela e os filhos e por cabeça . Durante a convivência adquiriu de maneira onerosa outro patrimônio no valor de R$120. Faleceu em 2003. 5 filhos + 1 = 6 cabeças. quando tinha um patrimônio no valor de R$120. quinhão no valor de R$10.000. autor da herança. na constância da união estável.00 para cada. há quem diga que deve-se aplicar as regras do inciso I – no entanto. 1º Trimestre.00 = esse é o valor de uma cota. 1ª etapa: deve-se excluir a ½ do valor do aludido bem. Todavia. Inciso II – Se concorrer com descendentes do autor da herança. Direito Civil V – Profº Eduardo Gesse.00 por 5. deixando também dois filhos exclusivos (que concebeu em outro relacionamento). quinhão no valor de R$24. Ela herdará uma cota dos bens adquiridos onerosamente pelo falecido. Exemplo da apostila corrigido5: João.000. serão destinados aos herdeiros filhos. 5 42 . Os filhos. Giselda Yonaka propõe a divisão em sub-heranças: Considerando que na apostila. pois. Da quantia partilhável será subtraído os bens adquiridos antes da convivência.00. Exemplo: o convivente morre e deixa um bem. deixando 5 filhos com Maria. conquistado onerosamente na constância da união estável. os quais. e o convivente supérstite com peso 1.” Inciso I – se concorrer com filhos comuns. Soma-se: 2 de cada filho + 1 do convivente supérstite = 5. herdará R$ 10.000. Assim. exclusivamente. Há quem diga que deva ser aplicado as regras do inciso II – mas isso feriria o direito do convivente supérstite.000 do bem.000. Assim.00 (vinte mil reais).000. quinhão no valor de R$34. dois descendentes. e uma cota para o convivente supérstite R$24.000. dessa parte da herança e para cada um dos filhos. que participarão da sucessão de todos os bens deixados pelo “de cujus” herdarão.00. Maria nada herda desses bens.000.000. No caso.

Divide-se o valor de R$ 120. temos dois filhos comuns (30.000. ignorando-se o convivente supérstite.000. 2ª sub-herança: Apostila: “A dos filhos exclusivos do autor da herança – encontrado o valor desta sub – herança. O resultado é R$ 30. Apostila: “Concorrência com outros parentes sucessíveis (abarca toda a herança não só dos bens adquiridos de modo oneroso). A outra metade será dividida entre os filhos mais o convivente supérstite. sem prejuízo da participação que lhe caiba na herança. O convivente terá direito a 1/3 da herança.00 e o supérstite receberá R$12. Com relação aos bens comuns = ½ é direito seu de meação. É fácil notar que os filhos estão sendo tratados de forma desigual.00. (grifei).000.00 dividido por 3 = R$ 20. DIREITO DE HABITAÇÃO Art. Aqui pega-se o valor restante. ou seja.Exemplo: deixou bem de R$240. 1831 do CC/02. divide-se R$ 60.00 + 30. a regra que está ganhando adeptos é tratar todos os filhos como se fossem todos descendentes exclusivos do autor da herança (inciso II). cada qual. Trata-se de 1/3 de todos os bens (não se questionando se são bens comuns ou próprios do autor da herança.000. 1º Trimestre.00. da Lei 9. sobrinho.00). terá direito a 1/3 (um terço) da herança. a quantia de R$ 24. receberá. Críticas – na legislação anterior o convivente preferia os colaterais. Cada filho exclusivo tem peso 2 e o supérstite peso 1. No exemplo citado. o que fere o princípio constitucional da igualdade entre os filhos. desde que seja o único daquela natureza a inventariar”. A regra é deixar 1/3 do montante para o convivente. relativamente ao imóvel destinado à residência da família”. o sobrevivente terá direito real de habitação. será assegurado.000.00 por 5 = R$ 12. ½ do valor do bem é direito de meação do convivente supérstite. incluindo-se o convivente supérstite e dividi-se por cabeça”. enquanto viver ou não constituir nova união ou casamento.” Exemplo: o autor morre sem deixar descendentes mas deixa os pais como herdeiros. com exclusividade. No caso. para preservar a igualdade dos filhos. Inciso IV – não havendo parentes sucessíveis. 43 .000. o direito real de habilitação relativamente ao imóvel destinado à residência da família.00 por quatro (porque são 4 filhos).000. deixando dois filhos comuns e dois filhos exclusivos. p.278/96. R$ 60.herança dos filhos comuns. 1ª sub-herança: Apostila: “A dos filhos comuns – encontrada a sub .000.000. Nos parentes aqui tratado. único. “Ao cônjuge sobrevivente. Assim. R$60. descendentes ou colaterais até o 4º grau. inclui-se o companheiro sobrevivente a quem deverá ser atribuído metade do que couber a cada um dos filhos só do autor da herança”.00 para os filhos comuns e para o supérstite (que por sua vez também participará dessa 2ª-sub-herança). qualquer que seja o regime de bens. terá direito à totalidade da herança.00 que adquiriu onerosamente na constância da união estável. “Dissolvida a união estável por morte de um dos conviventes. Com relação aos bens próprios do autor da herança o convivente supérstite terá direito a 1/3 dos bens. com relação ao bem adquirido onerosamente na vigência da união estável ½ é do supérstite (direito de meação) + 1/3 da outra ½.000. incluem-se os ascendentes até o infinito e os colaterais até o 4º grau (primo. neto). Se cada filho exclusivo tem peso 2.00 e utiliza-se o esquema de cotas.000. Direito Civil V – Profº Eduardo Gesse. Agora inclui-se o convivente supérstite e divide-se por cabeça. mas receberá 1/3 da outra metade e o saldo remanescente será dividido entre os ascendentes. ou seja. Art.000.00 (esse é o valor da cota). 7. já foi distribuído R$ 60.000. Assim. Sucessão exclusiva – o convivente herdará os bens de seu parceiro. Inciso III – se concorrer com outros parentes sucessíveis.00 = 60.00 para cada. quando este não deixar ascendentes.000.

1º Trimestre. 2ª corrente O Código Civil de 2002 regulamentou a União Estável. de modo que interpreta-se de forma ampliada o art. O Código Civil de 2002 regulou toda matéria pertinente a União Estável. parágrafo único da Lei 9. o convivente tem também direito à habitação. bem como o cônjuge sobrevivente (viúvo) independentemente do número de imóveis a inventariar.2787/96. Assim sendo. no entanto não tem nenhuma norma expressa dizendo que revogou expressamente a Lei 9. e toda matéria fora do CC/02 está revogada. se para os cônjuges não pode haver mais de um imóvel a inventariar para ter direito à habitação. aplicando-o tanto ao convivente como ao cônjuge sobreviventes. 44 . 7º. parágrafo único. Direito Civil V – Profº Eduardo Gesse. Logo. ainda. • TEORIA AMPLIATIVA: Tem direito à habitação o convivente supérstite. para os conviventes idem. O art.1ª corrente Não se pode confundir lacuna com silêncio eloqüente. Aqui. considerando. que tal matéria não foi tratada no CC/02 (não há falar-se então em revogação tácita).278/96.278/96 está revogado. uma vez que a CF-88 prefere o matrimônio e não poderia atribuir mais direitos ao convivente do que se atribui ao cônjuge. existem duas teorias: • TEORIA RESTRITIVA: A exigência imposta ao viúvo (cônjuge sobrevivente) também deveria ser imposta ao convivente supérstite. e se não tratou desse assunto é porque não quis fazer. 7º. da Lei 9.