UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS FACULDADE DE EDUCAÇÃO CURSO DE PEDAGOGIA

“no Rio tem mulata e futebol, cerveja chopp gelado muita praia e muito sol, tem muito samba fla-flu no maracanã, mas tambem tem muito funk rolando até de manhã:” FUNK CULTURA POPULAR CARIOCA NA ESCOLA: os dois lados da linha abissal

Autor: Alan Pimenta Orientadora: Profª Drª Maria Luiza Süssekind

RIO DE JANEIRO 2011

Alan Pimenta

“no Rio tem mulata e futebol, cerveja chopp gelado muita praia e muito sol, tem muito samba fla-flu no maracanã, mas tambem tem muito funk rolando até de manhã:” FUNK CULTURA POPULAR CARIOCA NA ESCOLA: os dois lados da linha abissal

Monografia apresentada como exigência final da disciplina Monografia II do Curso de Pedagogia da UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO Orientadora: Profª Drª Maria Luiza Süssekind Rio de Janeiro 2011

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS FACULDADE DE EDUCAÇÃO CURSO DE PEDAGOGIA

FUNK CULTURA POPULAR CARIOCA NA ESCOLA: os dois lados da linha abissal

Alan Pimenta Aprovada em ______/______/______

BANCA EXAMINADORA

_______________________________________________________ Profª Drª Maria Luiza Sussekind Orientadora – UNIRIO

_________________________________________________________ Profª Drª Cláudia Miranda

Rio de Janeiro 2011

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DEDICATÓRIA

À minha família, especialmente minha mãe que sempre me incentivou e me apoiou em todas as minhas decisões. A meu pai por travar calorosas discussões defendendo seus pontos de vista. Minha irmã por ser sincera e amiga. A minha companheira, Lorraine que com seus projetos e experiências me permitiu escrever boa parte de minha monografia e mesmo nas madrugadas frias de trabalho nas mais diversas boates, ousou discutir educação, filosofia, epistemologia e outros assuntos que me ajudaram a escrever essa monografia.

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A n n a A ns e l m o . q u e ge n e r os a m e n t e a s s u m i u o gr up o d e p e s q u i s a P I B I D – E ns i n o M é d i o . e a o gr up o d e p e s q u i s a P I B I D – E ns i n o m é d i o : A n g é l i c a B a r b os a . Le o n a r d o M or e i r a e V i c t or Junger . e a o M C T i gr ã o p or a c e i t a r p a r t i c i p a r da o f i c i n a r e a l i z a d a e m u m d o s c o l é g i os p e s q u i s a d os 5 . A t o d os d o C o l é g i o E s t a d u a l J ú l i a K ub i t s c h e k e t o d os d os d e m a i s c o l é g i os q ue p a s s e i p or t o d o s e s s e s a n os . D e b or a h Lu n a .AGRADECIMENTOS A m i n h a or i e n t a d or a . C a m i l a . A o m e u gr a n d e a m i g o Le o n a r d o O l i v e i r a p e l o i n c e n t i v o e p e l a s d i s c us s õ e s q ue t r a v a m os n os c or r e d or e s da f a c u l d a d e . A o D J T i a g o D i a s . C a r o l i n a S a n t os . A t o d os os m e us c o l e ga s d e f a c u l d a d e . e n t e n d e u m i n h a s e s p e c i f i c i d a d e s e m e or i e n t o u d e f or m a m a g n í f i c a . e ge n t i l m e n t e a c e i t o u s e r a s e g u n d a l e i t or a de m i n h a m o n o g r a f i a . u m d os m e l h o r e s D J s de F u n k d o R i o de J a n e i r o . D é b o r a G he r m a n . I s i s C o u t o . A p r o f e s s or a C l a u d i a M i r a n d a . J os é R i c a r d o C a r va l h o . C a r o l i n a S i l v a . q ue c o m s e us p u xõ e s d e or e l h a e s ua e n or m e ge n t i l e z a .

m a s q ue t a m b é m é o a m b i e n t e da s t r a q u i n a g e ns . E n c a r o a e s c o l a c o m o u m a m b i e n t e d i s c i p l i n a d or e d o c i l i z a d or . n o p á t i o . p r á t i c a s e c u l t u r a s s ã o i n v i s i b i l i z a d os p e l a e s c o l a . e d u c a ç ã o . O F u n k s e m dú v i d a nenhuma é uma dessas culturas.RESUMO E s t e t r a b a l h o b us c a d i s c u t i r c o m o c e r t os s a b e r e s . nã o a c e i t a q ue c u l t ur a s m a r g i n a i s c o m o o F u n k e n t r e m n a e s c o l a e a t r a v é s d e u m p r oc e s s o de i n v i s i b i l i z a ç ã o n e g ã o a e x i s t ê nc i a de a l g u ns s a b e r e s . n a s f e s t a s . n ã o f or m a l m e n t e . E a t r a v é s d e e xp e r i ê nc i a s de n t r o e f o r a da e s c o l a d e s c r e v o m i n h a b us c a p or p r á t i c a s e m a n c i p a t ó r i a s e i nc l us i v a s q u e p e r m i t a m des inviz ib ilizar c ulturas e sab eres mar gina is . O p aradigma cientifico e a escola. c o t i d i a n o . c u r r í c u l o . P a l a vr a s c ha v e : F u n k . 6 . l o c a l o n d e s e a p r e n d e a s ve r d a d e s c i e n t i f i c a s . d o b u r l a r a s r e g r a s . m a s e s s a s a t i v i d a de s a i n d a n ã o c o ns t a m n o c ur r í c u l o d a s d i s c i p l i n a s . M a s o F u n k e n t r a n a e s c o l a . n os c or r e d o r e s . p o i s o F u n k e o u t r a s c u l t ur a s i n v i s i b i l i z a da s e s t ã o p r e s e n t e s a t o d o o m o m e n t o n a e s c o l a .

I s e e t h e s c h o o l e n v i r o n m e n t a s a d i s c i p l i n a r i a n a n d d o c i l e . c u r r i c u l u m . a t p a r t i e s . d o e s n o t a c c e p t t h a t m a r g i n a l c u l t ur e s a s F u n k a n d e n t e r t h e s c h o o l t h r o u g h a p r oc e s s o f i n v i s i b i l i t y d e n i e s t he e x i s t e n c e o f s o m e k n ow l e d g e . T he F u n k i s u n d o ub t e d l y o n e of thes e c ultur es.ABSTRACT T h i s a r t i c l e d i s c us s e s h o w c e r t a i n k n ow l e d g e s . b u t t he s e a c t i v i t i e s h a ve n o t ye t i n c l u d e d i n t h e c ur r i c u l u m . B u t F u n k e n t e r s s c h o o l . p r a c t i c e s a n d c u l t ur e s a r e ob s c ur e d b y t h e s c h o o l . b u t a l s o t he e n v i r o n m e n t o f t h e p r a n ks o f c i r c u m v e n t i n g t he r u l e s . A n d t h r o u g h e xp e r i e n c e s i ns i d e a n d o u t s i d e t he s c h o o l d e s c r i b e m y q ue s t f o r e m a n c i p a t or y p r a c t i c e s i n or de r t o c o n f i r m m a r g i n a l c u l t u r e s a n d knowledge. P o s t s c ri p t u m : F u n k . 7 . e d u c a t i o n . T he s c ie nti fic p ara digm a nd the sc hool w here t h e y l e a r n t h e s c i e n t i f i c t r u t hs . n o t f o r m a l l y. b e c a us e i n v i s i b i l i z e d F u n k a n d o t h e r c r op s a r e p r e s e n t a t a l l t i m e s i n s c h o o l ha l l w a ys .

..............................................Currículo escolar divide o lado A e o lado B do conhecimento ........................ 35 4............................................................................ 24 3............... 13 1.................... isso eu tenho que falar.2 O Funk dentro do Funk ............. Atenção lado A...................................................................................................................1 O Funk no Rio de Janeiro .... Tio pode ser Flamengo e Vasco? .. Uh aceita .. 24 2.......................1.... 36 Considerações finais .................................................... 27 4......................................................................................... Diferentes saberes e fazeres para um novo olhar ........................................................................................................................................................ 31 4............................................................................................3......1...................Alinha abissal ............................................................2.2..........Na escola só vale o que é “verdade” ................................................................. 11 1............ 18 2...........SUMÁRIO INTRODUÇÃO Um pouco de mim ................. Sou história do funk........................................................................................................... 22 2...........Táticas e estratégias .............................................. 30 4.............................. Pede a paz........................ vem também para animar ............ O que é cientifico e o que não é cientifico ................. tem conceito............................................... 27 3.......................... 9 1....1........................ 40 Referências ... atenção lado B ...... 43 8 .........

a n t r op o l o g i a . E n t e n de r o q u e e r a e d u c a ç ã o e c o m o e l a a c o n t e c i a n os d i f e r e n t e s e s p a ç os s e m p r e m e i n t e r e s s o u . O c ur s o d e p e da g o g i a p a r e c i a s e r o c a m i n h o m a i s c o m p l e t o p a r a c o m p r e e n d e r o q ue e r a e d u c a ç ã o . t o d a ve z q ue m e r e f e r i r a o F u n k c a r i o c a a l e t r a “ F ” s e r á m a i ú s c u l a .INTRODUÇÃO E s t a m o n o g r a f i a é r e s u l t a d o de m ú l t i p l a s r e f l e xõ e s s ob r e e xp e r i ê n c i a s p e s s oa i s q ue v ê m a c o n t e c e n d o de s d e m i n h a e n t r a d a n a f a c u l d a d e de p e d a g o g i a . 9 . C o m e ç o e s s a m o n o g r a f i a c o n t a n d o u m p o u c o d e m i n h a h i s t or i a e c o m o u m p r o c e s s o c a ó t i c o e r i c o e m e xp e r i ê nc i a s d i v e r s a s m e t r o u x e a e s s e p r o j e t o f i n a l d e c ur s o. E l o g o q u e e n t r e i n o c ur s o i d e n t i f i q ue i ne l e u m a c a r a c t e r í s t i c a p e s s oa l m i n h a . p o i s e nte ndo c omo um p ró p rio Funk or igina l e b rasile ir o. C o m p os t o p or d i f e r e n t e s á r e a s c o m o : s oc i o l o g i a . p s i c o l o g i a e f i l o s o f i a t i v e a s e ns a ç ã o de t e r a c ha d o o c ur s o q u e m e p os s i b i l i t a r i a e x e r c e r p r a t i c a s e d u c a t i v a s e m d i f e r e n t e s c o n t e x t os e e n t e n d e r u m p o uc o o q ue é e d u c a ç ã o . G os t a r i a d e a d v e r t i r a os l e i t or e s q ue e m m e u t e x t o . s e r m u l t i f a c e t a d o .

Segun d o in for mações r etir adas do site da Capes. bi bli otecas etc. e m e s e n t i e s t i m u l a d o a a m p l i a r m e u c a m p o de a ç ã o . pr omover a ar ticulação in tegr ada da educa çã o sup er ior do sist ema fed er al com a educaçã o básica d o si stema públi co. . pr omover a melh or ia da qualidade da educaçã o bási ca. Q ua n d o e n t r e i na f a c u l d a d e d e p e d a g o g i a j á t r a b a l h a v a c o m e s s a o f i c i n a . N essa ofic in a p ude c omp ar tilhar minhas e xp e r i ê n c i a s c o m j o v e ns de c o m u n i d a de s c a r i o c a s . ar ticuladas com a r ealidad e local da escola . t ea tr os . Lá f u i m u i t o b e m r e c e b i d o e d u r a n t e t r ê s a n os p u d e r e a l i z a r oficinas p ara for mação de DJs. Pr op or ci on ar aos futur os pr ofess or es par ticipaçã o em ações. cen t r os d e a r t e. em n oss o su bpr ojet o.E ns i n o m é d i o .Um pou co de mi m. val or izar o magistér io. e v e n t os e m d i f e r e n t e s l o c a i s d o R i o de J a n e i r o e a t é o u t r os e s t a d os l e v a n d o u m p o u c o d o m e u s o m . i n g r e s s e i n o P r o j e t o d e I n i c i a ç ã o a D oc ê nc i a P I B I D 2. o pr ojet o vi sa in cen tivar a for mação d e pr ofes s or es par a a educaçã o bási ca. Le v e i e n t ã o u m p r o j e t o de o f i c i n a d e D J s p a r a o C i r c o V o a d or n a La p a .. f i n a n c i a d o p e l a 1 E q u i p a m en t os cu l t u r a i s s er i a m . Lá t r a b a l h e i c o m o p r o d u t or e e d u c a d or a r t í s t i c o e p e l a p r i m e i r a v e z t i v e a op or t u n i d a d e de s e r o p r o f e s s or d e u m a o f i c i n a d e f o r m a ç ã o p a r a D js. ci n em a s . D e p o i s d e a l g u n s a n os d e e xp e r i ê n c i a c o m o D J . 2 PIBID – Pr ojet o in stitucion al de bol sas p ar a in iciação a d ocên cia. j á p a s s e i p o r i nú m e r a s c a s a s n o t ur n a s . esp ecialmen te par a o en sin o médi o.. val or izar o espa ço da es cola públi ca como camp o de exp er iên cia . r e c e b i o c o n v i t e p a r a t r a b a l h a r c o m o p r o d u t o r e m u m a l o n a c u l t u r a l . p r o j e t o da p r e f e i t ur a d o R i o d e J a n e i r o q ue v i s a d i f u n d i r a r t e e c u l t u r a e m b a i r r os c o m p o u c os e q u i p a m e n t os c u l t u r a i s 1. Já trab alhando com oficinas há q ua t r o a n os f u i s ur p r e e n d i d o c o m o c o n v i t e d e u m a O N G c a r i o c a . o q ue c r i o u a p r e n d i z a ge ns i n é d i t a s e m m i m . 10 . D e s de m e us 1 8 a n os t r a b a l h o n a n o i t e c o m o D J . em pr oveito d e uma s ólida for mação d ocen te in icial. exp er iên cias metod ol ógi cas e pr áticas d ocen tes in ovad or as. P a r a l e l a m e n t e a s o f i c i n a s d e s e n v o l v i m i n h a s a t i v i d a d e s a c a dê m i c a s . G os t a r i a m q ue e u f o s s e o p r o f e s s or d a o f i c i n a d e D J s d o p r o j e t o PRO JOV EN-CID AD Ã O . E levar a qualidade das ações a cadêmica s voltadas à for mação in icial de pr ofes s or es n os cur s os de li cen ciatur as das in stituições fed er a is de edu caçã o super ior fom en tar exper iên cias metod ol ógi cas e pr áticas d ocen tes d e car áter in ovad or .

E m m i n h a m o n o g r a f i a j u n t o e m u m m os a i c o t u d o o q u e v i v i . P r e t e n d o d i s c u t i r c o m o a l g u m a s p r á t i c a s ob s e r v a da s e m e s c o l a s p ú b l i c a s d o R i o d e J a n e i r o i n v i s i b i l i z a m o u p r o d u z e m c o m o i n e x i s t e n t e s t r a ç os da s c u l t u r a s e s a b e r e s c o t i d i a n o s . o u v i r i t m os q u e nã o g os t a v a o u n ã o c o n h e c i a e a m p l i e i m e u h or i z o n t e m us i c a l . E t r a z e n d o a s n o ç õ e s de t á t i c a e e s t r a t é g i a de C e r t e a u i n t e r p r e t o os f e nô m e n os e m q u e ob s e r v e i c o m o os p r a t i c a n t e s d o c o t i d i a n o b ur l a m r e gr a s e f a z e m d o d i a a d i a u m c a m p o d e e s t u d os f é r t i l e i n t e r e s s a n t e .C A P E S e c o or d e n a d o p e l a p r o f e s s or a M a r i a L u i z a S ü s s e k i n d p a r t i c i p e i d e c o n g r e s s os e m e e n v o l v i c o m o m o v i m e n t o e s t u d a n t i l . P or m a i s f o r t e q ue f o s s e o de s e j o de u m c o n t r a t a n t e d e q u e “ nã o r o l a F u n k n a m i n h a f e s t a ” s e m p r e a p a r e c i a u m a m i g o u m a a m i g a q ue n o f i n a l d a f e s t a c o n v e nc i a o c o n t r a t a n t e a a b r i r m ã o d e s s a e s t r a t é g i a e t o d o s d a n ç a v a m a o s o m d o t a m b or z ã o . E m m i n h a s o f i c i n a s a s d i s c us s õ e s s ob r e c o m o m o n t a r os r e p e r t ó r i os a d e q ua d o s p a r a c a d a a m b i e n t e s e m p r e ge r a va p o l ê m i c a . p u d e r a m m e p r op or c i o n a r . P or ê m e m n o s s a s d i s c us s õ e s u m a c o i s a m e p a r e c e u s e r u na n i m i d a d e . e x i s t e m c e r t os e s t i l os m us i c a i s q ue s ã o d e s c r i m i n a d o s o u v i s t os c o m o i n a p r o p r i a d os . p o i s m e p e r m i t i u a t ua r c o m o p e s q ui s a d o r n o C o l é g i o E s t a d u a l J u l i a Kub i t s c h e k .2007.p. Semp re e mb asa do e m tod o c a b e da l t e r o r i c o m e t o d o l ó g i c o e p i s t e m o l o g i c o q u e o c u r s o de gr a d u a ç ã o e m p e da g o g i a d a U N I R I O e o gr up o de p e s q u i s a P I B I D E ns i n o m é d i o . 11 . pois aglutinadas tomam um sentido diferente de usadas em conjunto e com o conectivo . Como alternativa. C o m o D J t a m b e m a p r e n d i q u e c e r t os e s t i l o s m us i c a i s . m a s q ue i n c r i ve l m e n t e s e m p r e e s t e ve p r e s e n t e e m q ua s e t o d a s a s f e s t a s e e v e n t o s q ue f i z a o l o n g o d os a n os . podemos usar as palavras escritas juntas e em itálico. C o m o D J e p r o f e s s or de o f i c i n a s a p r e n d i m u i t o s ob r e e s t i l os m ú s i c a s . D a s m i n h a s a t i v i d a de s a c a d ê m i c a s e n t r a r n o p r o j e t o P I B I D t a l ve z t e n h a s i d o a m a i s i m p or t a n t e .134). 3 Aplico o princípio de juntabilidade (SGARBI apud SUSSEKIND. r i t m o m u i t a s v e z e s de p r e c i a d o e e xc l u í d o d e f e s t a s e e ve n t o s . E u m b o m e xe m p l o s e m p r e f o i o F u n k . r e f l e t i n d o s ob r e m i n h a s p r á t i c a s e v i v ê n c i a s c o m o D J p r o f i s s i o n a l e aq ui ma is q ue tudo c omo e duca dor . Que tem o objetivo de enfatizar que nem sempre uma palavra da conta dos fenômenos sociais que queremos descrever em nossos estudos. e t i v e a op or t u n i d a d e de v i v e n c i a r e x p e r i m e n t a r 3 t u d o q ue s ó u m c o l é g i o p ú b l i c o d a m o d a l i d a d e n o r m a l p o de r i a m e e ns i n a r . c e r t a s m ú s i c a s n ã o “ e n t r a v a m ” e m a l g u n s l u g a r e s o u s ó e n t r a va m ga z e t e i r a m e n t e .

t e m c o n c e i t o . Esse disco.articulado na parte fraca do tempo ou do compasso .a m e r i c a na . seu maior sucesso. o funk também sofre um processo de comercialização. tornando-o mais “fácil”. que se sucedem. a r t i s t a s e s s e s q ue a p a r t i r d e u m a m i s t u r a d e s o u l m us i c .prolonga-se para a parte forte do tempo seguinte. Em 75. F u n k a d e l i c e E a r t h . N os a n os 7 0 a r t i s t a s c o m o G e or g e C l i n t o n . uma banda chamada Earth. 12 . r o c k p s i c o dé l i c o e R i t h i m & B l u e s c r i a r a m u m r i t m o m a i s d a nç a n t e e s e n s ua l . W i n d a n d F i r e t r a z e m u m f u n k v e n d á ve l e s ua s mú sicas ass ume m as p ara das nor te a me ric a nas. apesar de serem produzidos por e para uma minoria étnica. (VIANNA 1997) 4 Sincopado é um adjetivo usado quando o ritmo da música é mais quebrado. c o m o M a c e o P a r ke r e M e l v i n P a r ke r . Isso torna o ritmo mais dançante e bem marcado.CAPÍTULO I “ S o u h i s t ó r i a d o f u n k . Wind and Fire lançou o LP “That's the way of the word”. N a s c e u p or v o l t a d o s 6 0 e t e m c o m o s í m b o l o s a r t i s t a s c o m o J a m e s B r o w n e m ú s i c os . f r a s e s m us i c a i s 5 r e p t i d a s e v o c a l i n t e ns o o f u n k r a d i c a l i z a va s ua s or i g e ns a p r e s e n t a n d o a r r a n j o s m a i s p e s a d os q u e os da S o u l M us i c . Como todos os estilos musicais que. acontecem desvios no padrão rítmico em que o som . i s s o e u t e n h o q u e f a l a r. Tem o seu próprio e especial tipo de gramática e sintaxe. o f u n k . s o u l j a z z . P e d e a p a z. ” ( M c G a l o ) H i s t or i c a m e n t e n o B r a s i l o f u n k é u m r i t m o d i s c r i m i n a d o . . O ritmo das músicas é dividido em tempos fortes e tempos fracos. que vai tomar conta da “black music” norte-americana e das pistas de dança de todo o mundo por volta de 77/78. primeiro lugar na parada norte-americana. acabam conquistando o sucesso de massa. No ritmo sincopado. abre espaço para explosão “disco”. 5 A música também é uma combinação de elementos que tem funções diferenciadas. pronto para o consumo imediato. Ko o l & T he G a n g e b a n d a s c o m o o P a r l i a m e n t . cuja receita vai ser seguida por inúmeros outros músicos (inclusive alguns dos nomes mais conhecidos da MPB). v e m t a m b é m p a r a a n i m a r. além de sintetizar um funk extremamente vendável. . Isso permite que sons sucessivos possam ser agrupados para formar uma frase musical contendo um senso de completude. Q ue or igina lme nte é u m e s t i l o m us i c a l típ ic o da cultura n e gr a n or t e . KC a n d t h e S u ns h i n e B a n d . C o m u m r i t m o s i n c op a d o 4.

mon tan do uma r epr oduçã o s ol o ou mesm o uma equi valen te a uma ban da completa. e a b a n d a de m ú s i c a e l e t r ô n i c a Kr a f w e r k q u e c o m s ua s b a t i d a s e l e t r ô n i c a s e o us o d e . um disk-jockey chamado Kool Herc trouxe da Jamaica para o Bronx a técnica dos famosos “sound systems” de Kingston. organizando festas nas praças do bairro. que é a abreviação de “masters of cerimony”. 13 . mas usava o aparelho de mixagem para construir novas músicas. já estava sendo arquitetada a próxima reação da “autenticidade” black. talvez o mais talentoso dos discípulos do DJ jamaicano. N o B r a s i l e nq ua n t o os b a i l e s “ b o m b a va m ” a o s o m d a s b a n d a s n o r t e a m e r i c a n a s e nq u a n t o n os e s t a d os u n i d o s o s o u l i n f l u e n c i a d o p or D J s c o m o o j a m a i c a n o Ko o l H e r c i n i c i a v a m u m novo movimento. N o f i n a l d os a n os 7 0 a s i n f l u ê n c i a s d o s d j s Ko o l E r c e A f r i k a b o m b a a t a a . s a m p l e r s 6 r e v o l u c i o n a m e f u n k e a S o u l M us i c . os s uc e s s os d e b a n da s c o m o E a r t h W i n d a n d F i r e e r a m ga r a n t i a de p i s t a c he i a e m u i t a a l e gr i a n a s b oa t e s d e t o d o o m u n d o e na s f e s t i n h a s e c l ub e s . fora da ilha de Manhattan). q ue p os t e r i or m e n t e d e u or i ge m a s b a s e s de h i p . a utilização da agulha do toca-discos.uma espécie de repente-elétrico que ficou conhecido como rap – os “repentistas” são chamados de rappers ou MCs. Flash entregava um microfone para que os dançarinos pudessem improvisar discursos acompanhando o ritmo da música. criou o “scratch”.A influê nc ia do fu nk nor te a mer ica no cresce u no mundo todo . “ . nã o t i n h a e r r o a p i s t a v o l t a va a f e r ve r ” ( Lu i z S a l a b e r t D j ) .l os post er ior men te um a um ou de for ma con jun ta se for em gr upos. Enquanto acontecia a febre das discotecas. como instrumento musical. . ou seja. No final dos anos 60.h op . e r epr oduz i . nas ruas do Bronx (o gueto negro/caribenho localizado ao norte da cidade de Nova York. t r a z e n d o s o ns p e s a d os e v o c a i s d i s t or c i d o s . Grandmaster Flash. p r i n c i p a l m e n t e c o m a m ú s i c a P l a n e t r oc k . Além disso. arranhando o vinil em sentido anti-horário. t o d a v e z q ue a c h a va a p i s t a f r a c a t o c a va a l g u m h i t d o E a r t h . Herc não se limitava a tocar os discos. Alguns jovens admiradores de Kool Herc desenvolveram as técnicas do mestre. N e s s a a m a l ga m a c u l t ur a l D j s 6 Sa m p l er é u m eq u i p a m en t o q u e c on s eg u e a r m a z en ar s on s ( s a m p l es ) d e a r qui vos wa v ( os m esm os d e um CD) n um a mem ór i a di gi t a l .

14 . e nunca de classe média. O m o v i m e n t o H i p .H op . s o u l m a ns n a c i o n a i s c o m o T i m M a i a e G e r s o n k i n g Ko m b o t a m b é m f a z i a m s u c e s s o n os b a i l e s c a r i o c a s . . uma atividade suburbana. em tamanho e em empolgação. É i m p or t a n t e d e s t a c a r r a p i d a m e n t e a or i g e m d o h i p .c o m o G r a n d N a s t e r F l a s h e s e us s c r a t c h e s 7 i n i c i a m u m m o v i m e n t o c u l t ur a l q ue p os t e r i or m e n t e d e u or i g e m a o H i p . geralmente localizados perto das favelas. com os bailes dos subúrbios. Clube Renascença e Clube Mackenzie. e d os M C q u e de c l a m a v a s ua s i d e i a s n o s m i c r o f o n e s . q ue e r a m f e i t os c o m b a s e s de m us i c a s f u n k . e freqüentados por uma juventude proveniente das camadas de baixa renda.O Funk no Ri o de Jan ei ro N o R i o d e J a ne i r o e n t r e a s d é c a da s d e 7 0 e 8 0 n os b a i l e s c a r i o c a s os r i t m os f u n k ( a m e r i c a n o ) e s o u l e r a m p r e d o m i n a n t e s .i or q u i n os . 1. no Rocha. Os bailes da Zona Sul não se comparam. 7 Movimen to d e arr atar o disco d e vin il n o sen tido con tr ar io ao h or ár io. O baile funk é.H op s ur g e n os gr a n d e s b a i l e s d os g ue t o s n o v a . O s b a i l e s e r a m o d i v e r t i m e n t o d e m i l hõ e s de j o v e ns d a p e r i f e r i a c a r i o c a e a c o n t e c i a m e m d i f e r e n t e s c l ub e s d a c i d a d e . O s D J s t oc a va m os m a i or e s s uc e s s os i n t e r na c i o n a i s d e a r t i s t a s c o m o J a m e s B r ow e M i c h a e l J a c ks o n .1. o gr a f i t e n o s m ur os e n os t r e n s e u m e s t i l o d e r o up a o n d e m a r c a s c o m o A d i d a s e N i k e e r a m a s m a i s us a d a s . a da n ç a b r e a k . H e r m a n o V i a n n a e m s u a t e s e d e m e s t r a d o de s c r e v e b e m c o m o e r a o c e n á r i o d os b a i l e s f u n k n a d é c a da d e 8 0 . o u t r os e l e m e n t o s c u l t u r a i s f o r a m s ur g i n d o . Cassino Bangu. Para citar alguns dos maiores: Clube Magnatas. o n d e a l é m d os s c r a t c he s . em grande parte negra (exatamente como nos bailes suburbanos). O que pr oduz um som s eco que é usad o par a criar n ovas múscias. no Méier. Existem alguns bailes realizados na Zona sul. principalmente. m a s os a r t i s t a s i n t e r na c i o n a i s a i n d a e r a m os gr a n d e s des taq ues.h op p a r a m os t r a c o m o o f u n k foi um es tilo mus ic a l fér til.

Blues. pedras e armas de fogo. a o t r á f i c o e a o c o ns u m o de dr o g a s . a n t r op o f a g i c a m e n t e houve uma o n da de n a c i o n a l i z a ç ã o d o F u n k . a galera toda começou a reclamar. eu queria um fogão. O mundo funk agasalha em seu espaço paus. Centenas ficaram feridos. Só por milagre a 8 Miami bass (também conhecido como som de Miami) é um tipo Funk que se tornou popular nos EUA nos anos 80 e 90. nome em inglês que significa estilo livre. pelo conteúdo sexualmente explícito das letras. os b a i l e s q u e a n t e s e r a m r e a l i z a d os e m c l ub e s n os b a i r r o s d o s ub ú r b i o c a r i o c a f or a m “ e m p ur r a d os ” p a r a a f a v e l a . House Music. no Centro de Niterói. algumas vezes. A o l o n g o d e s s a na c i o n a l i z a ç ã o d o f u n k .Grêmio Recreativo de Rocha Miranda. Nos últimos três anos. Grupos de jovens. A l i c o m e ç a v a o m o v i m e n t o F u n k n a c i o n a l q ue de u or i g e m a o q ue h o j e j á s e t or n o u u m a da s p r i n c i p a i s m a r c a s d a c u l t ur a p op u l a r c a r i o c a . e i n f l u e n c i a d a p or r i t m o s m us i c a s c o m o M i a m i B a s s 8. espalham muito mais terror do que alegria. Paratodos. em Caxias. e fiquei sem solução.” Feira de Acari: “Numa loja na cidade eu fui comprar um fogão. batida de dança acelerada e. é um gênero musical nascido nos Estados Unidos nos anos 1980. na Pavuna.os à c r i m i n a l i d a de e m g e r a l . mas me assustei com o preço. O m o v i m e n t o F u n k f o i l i g a d o a a c o n t e c i m e n t os c o m o os a r r a s t õ e s q ue a c o n t e c e r a m na s p r a i a s d a z o na s u l c a r i o c a n o a n o d e 1 9 9 2 e o e d i t o r i a l d o J or na l d o B r a s i l d e 5 d e j u l h o d e 1 9 9 5 m os t r a c o m o p a r t e de u m a e l i t e e c o nô m i c a c a r i o c a v i a o m o v i m e n t o f u n k . Transformou-se num ritual de vida ou morte. F r e e s t yl e 9. 10 Melô da Mulher Feia: “Mulher feia cheira mal como urubu. entre outros. (VIANNA 1987) Em 1989. Ele é conhecido por usar a batida continuada da caixa de ritmos Roland TR808. Farolito. Dance Music. Quando ia desistir. N o c o m e ç o d os a n os 9 0 u m a gr a n d e r e p r e s s ã o p o l í t i c a e p o l i c i a l d i f i c u l t o u a r e a l i z a ç ã o d os e v e n t os a s s o c i a n d o . É derivado do Electro e foi a base do chamado funk carioca. Por que? Mulher feia cheira mal como urubu. Canto do Rio e Fonseca. 9 O Freestyle. A principal característica desse tipo de música é a mistura de outros estilos como Club. em busca de divertimento. em Nova Iguaçu. um amigo me indicou a Feira de Acari ” 15 . mais de 50 jovens morreram em combates entre funkeiros. M c s c o m o B a t a t a e C i d i n h o C a m b a l h o t a c r i a m p a r ó d i a s de m ú s i c a s f a m os a s c o m o o r o c k da s a r a n h a s d e R a u l S e i xa s e m e l ô s c o m o a d a “ f e i r a d e a c a r i ” e “ m e l ô d a m u l h e r f e i a ” 10. Li d e r a d a p or D J s c o m o M a l b or o e a p o i a da p or í c o n e s d a s gr a n d e s g a r va d o r a s c o m o N e l s o n M o t t a . Signus.

t e n h o c o m o ob j e t i v o p r ob l e m a t i z a r e d e s n a t ur a l i z a r a i d e i a de q ue o F u n k e a c r i m i n a l i d a d e e r a m d u a s f a c e s da m e s m a m o e d a . para dançar e brigar ao som do funk (. É v i s í ve l o p r e c o n c e i t o e o m e n o s p r e z o p e l o F u n k ... e vê como heróis os lideres do crime organizado. uma espécie de reprise tupiniquim da „juventude transviada‟ dos anos 50 que tinha James Dean como ícone (.s e f r us t a d os . Sentindo-se frustrados. ‟ O p e q ue n o t r e c h o r e t i r a d o d o e d i t o r i a l d o J or na l d o B r a s i l . „ s e n t i n d o .) não há distinçao ente funk. F i c a c l a r o q ue a e l i t e c a r i oc a a f i r m a v a q ue o s a r r a s t õ e s r e a l i z a d os p or n e gr os p ob r e s e fa v e l a d os s ó p o de r i a m s e r “ c o i s a d e f u n k e i r o ” . O t r e c h o de s t a c a d o f a l a d os a n t i g os b a i l e s d e c or r e d o r e d o s a r r a s t õ e s da d é c a da d e 9 0 q ue a c o n t e c e r a m na s p r a i a s da z o n a s u l . t a l ve z q u e i s s o f o s s e u m a f o r m a d e p r o t e s t o .tragédia não tem sido maior entre um milhão de jovens que se espremem nos fins de semana em clubes. N ã o s ó o Fun k mas . e n fr e n t a m . quadras. e nq u a n t o a p o l í c i a e o j u i z a d o d e m e n o r e s l a va m a s m ã os ‟ f i c a c l a r o o p r e c o nc e i t o e c o m o o F u n k e r a v i s t o c omo cas o de p olíc ia .s e p a r a e x t r a va z a r a r a i va . N o t r e c h o q ue d i z „ a s oc i e d a de p a ga o p a t o . enquanto a polícia e o juizado de menores lavam as mãos. A sociedade paga o pato. p ob r e s e nã o t e r e m a c e s s o a os l o c a i s de l a z e r e r a m a c us a d os de us a r e m a s b r i g a s c o m o “ v á l v u l a de e s c a p e ” . a p e n a s . É p os s í ve l p e ns a r . N ã o s e p r e t e n d e n e ga r a q u i a ob v i e d a d e de c e r t a s a s s o c i a ç õ e s e n t r e u m e o u t r o l a d o d o de b a t e .) Os arrastões que levaram pânico as praias da zona sul são desta luta sem quartel. q u e a c r e d i t a v a n a i de i a de q ue f u n k e i r os .. galpões e ruas de terra do Rio e da baixada fluminense. q u e de m o ns t r a v a a i ns a t i s f a ç ã o c o m s u a s c o n d i ç õ e s s oc i o e c o nô m i c a s m a s i s s o s e r i a u m a b s ur d o ge n e r a l i s t a e p r e c o n c e i t u os o . q u e m a i s m o v i m e n t o c u l t u r a l d o q ue m a n i f e s t a ç ã o m a r g i n a l g e r a v a r e a ç õ e s p r e c o n c e i t u o s a s de p a r t e da p op u l a ç ã o .. m os t r a a o m e s m o t e m p o q ue a m a i o r i a d os f u n k e i r os e r a m r e c o n h e c i d a m e n t e d a s c l a s s e s p op u l a r e s e q u e a c l a s s e m é d i a c a r i o c a i n d i r e t a m e n t e os c ha m a m d e b á r b a r os . P or s e r e m f u n k e i r os . enfrentamse para extravasar a raiva. mas se divide „filosoficamente‟ entre Comando Vermelho e Terceiro Comando. nesse movime nto de 16 . Um sociólogo definiu-os como „juventude sem perspectivas‟. A maioria dos funkeiros não é vinculada ao trafico. favela e trafico de drogas no Rio.

s o c i a l e à s p r á t i c a s de i l e ga l i d a d e . U ma linha no me io de marca va essa divis ã o . O s b a i l e s de c or r e d or e r a m l o c a i s d e b r i ga s e a t é d e m or t e s . i n c i v i l i d a d e e a n t i c i d a d a n i a . O s a l ã o s e d i v i d i a e m l a d o A e o l a d o B . Le t r a s c o m o a d o R a p da A r m a s e R a p da F e l i c i d a de e r a m “ h i n os ” c a n t a d os a p l e n os p u l m õ e s . s e x u a l i da d e e e s p e r a nç a s d os s ub ú r b i os c a r i o c a s .s e o r i t m o da f a v e l a . i ns p i r a d a s n os S o u n d s ys t e m j a m a i c a n os . e m p ur r a d os e g u e t i f i c a d o s d e n t r o d a s f a ve l a s . O s b a i l e s f o r a m e n t ã o i s o l a d os . D i z i a m . C o m o o F u n k c a r i o c a ga n h o u g r a n d e a p e l o e n t r e m or a d or e s d e c o m u n i d a d e s c a r e n t e s e t or n o u . E na f a v e l a e l e s g a n h a r a m a s r u a s . de e s c o l a s d e s a m b a e d e e s p or t e s o n d e e q u i p e s d e s o m . s e e n f r e n t a m d i s p u t a n d o q u e m t e m a a p a r e l ha g e m m a i s p o t e n t e o gr up o m a i s f i e l e o m e l h or D J . 17 . P or é m o ob j e t i v o e r a m e s m o a b r i g a . J o v e ns t r o c a v a m s o c os e p o n t a p é s na l i n h a d i v i s ó r i a d i s p u t a n d o q ue g a l e r a t i n h a m a s f o r ç a . O b je tivo era me dir f o r ç a s . p ob r e z a . s e g u r a n ç a s m u i t a s v e z e s c o m c a c e t e t e s e c o r r e n t e s de i x a v a m “ a p or r a da e s t a n c a r ” e c o n t i n h a m a l g u ns f r e q ü e n t a d o r e s e gr up os m a i s e x a l t a d o s . q ua dr a s de c o l é g i o s . v i o l ê nc i a . L i g a d o s à m a r g i n a l i d a d e e a o t r á f i c o de dr o g a s o F u n k f o i t a xa d o p e l a m í d i a c o m o m ú s i c a de b a n d i d o .g u e t i f i c a ç ã o t o d a u m a p op u l a ç ã o “ f a ve l a da ” e “ s ub ur b a n a ” f o i i d e n t i f i c a d a e t r a t a da c o m o b a n d i d o . l i g a d a a u m a p e r i f e r i a q ue s e m v o z e r a c o n s i de r a da c l a s s e i n f e r i o r . N o m e i o .s e g u e r r e i r os d o c or r e d o r . a s m ú s i c a s q u e s ur g i a m r e t r a t a v a m o c o t i d i a n o d os m or a d or e s a b or d a n d o t e m a s c o m o . C o m t u d o i s s o f i c a v a c a d a ve z m a i s d i f í c i l e c o m p l i c a d o c o ns e g u i r a u t or i z a ç õ e s p a r a a r e a l i z a ç ã o d os e v e n t os e m c l ub e s e c a s a s d e s h o w s j á q ue os p r ó p r i os p a r t i c i p a n t e s d o m o v i m e n t o F u n k v i n c u l a v a m s u a i m a g e m à v i o l ê n c i a f í s i c a . O s b a i l e s de c or r e d or t a m b é m c o n t r i b u í r a m p a r a a c r i a ç ã o d a i m a ge m n e ga t i v a d o F u n k . b r i g a r e de s c ob r i r q ue m t i n h a a “ ga l e r a ” m a i s f or t e .

p o t ê n c i a e q ua l i d a d e p a s s a n d o a s e r a gr a n d e a t r a ç ã o d os b a i l e s ..1 5 e m u i t o o i t ã o A E n t r a t e k c o m d i s p os i ç ã o V e m a s up e r 1 2 de r e p e t i ç ã o 4 5 q ue u m p i s t o l ã o F M K6 . 7 6 2 .Rap Da s Arma s .1 6 A p is to U ZI.s e a gr a n d e op ç ã o de d i v e r s ã o d e n t r o d a s f a v e l a s c a r i o c a s . a t e r r a d o c a r na v a l M a s o m e u R i o d e J a n e i r o é u m c a r t ã o p os t a l M a s e u v o u f a l a r d e u m p r ob l e m a n a c i o n a l . e o f u z i l d a d e 2 e m 2 Rap da Fe lic idade – M c s Cidinho e D oca E u s ó q ue r o é s e r f e l i z A n da r t r a nq ü i l a m e n t e N a fa ve la onde e u nasc i É. E p o d e r m e or g u l h a r E t e r a c o n s c i ê nc i a Q ue o p ob r e t e m s e u l u g a r F é e m D e us D J P or s e r b a r a t o i nc l u s i v o e p l ur a l o b a i l e F u n k t or n o u . . A F ur a c ã o 2 0 0 0 t a l v e z s e j a a e q u i p e m m a i s c o n h e c i d a e r e p r e s e n t a t i v a d o t r a ns b or da m e n t o d e s s a l i n h a d e m a r g i n a l i z a ç ã o d o F u n k . F or m a d a p e l a f us ã o d e d u a s 18 .Mc Júnio r & Mc O m e u B r a s i l é u m p a í s t r op i c a l A t e r r a d o f u n k . E q u i p e s q ue c o m o p a s s a r d os a n os f o r a m c r e s c e n d o e m t a m a n h o . E m p r a t i c a m e n t e t o d a s a s c o m u n i d a d e s d o R i o d e J a n e i r o e q u i p e s de s o m l o t a v a m q u a dr a s e s p or t i v a s e r u a s . m . . e u vou diz er p ara voc ês Q ue t e m 7 6 5 . p a r a p a p a p ap a p a p ap a p a r a p a p a p ap a p a p ap a p a p a r a p a p a r a p ap a r a c l a c k b u m m p a r a p a p a p ap a p a p ap a M e t r a l ha d o r a A R ..

Le m b r o d os c a r r e g a d or e s d e c a i x a s de s o m q ue d ur a n t e a s e m a n a t r a b a l h a va m c o m p e dr e i r os o u e s t i v a d or e s .folha. O c r e s c i m e n t o d a s e q u i p e s e a s uc e s s o d o s F u n ks c r i o u u m merca do lucra tivo q ue se gundo p esq uisa da Funda çã o Ge tuli o V a r ga s m o v i m e n t a e m m é d i a 1 0 m i l hõ e s de r e a i s p or m ê s n o e s t a d o d o R i o d e J a ne i r o . V e r q ua dr o a b a i x o : R e t i r a d o d o s i t e : http://www1. 19 . e c o m “ b i c os ” f e i t os n o f i m d e s e m a na c o m p l e t a v a m s ua s r e n d a s e a p r o v e i t a v a m p a r a d a n ç a r e “ a z a r a r a s ga t i n h a s n o s a l ã o ” . “ z u a m ” e d a nç a m na p or t a d o b a i l e v e n d e n d o b a l a o u d e n t r o d o b a r s e r v i n d o os c l i e n t e s . M C s . e q u i p e s d e s o m .uol.gr a n d e s e q u i p e s . P r o f i s s i o n a i s e i n f o r m a i s q ue a l é m d e t r a b a l h a r n os b a i l e s . t é c n i c os e a t é c a m e l ô s . a tua lme nte é uma d as eq uip es ma is c onhec idas e u m a da s p r i n c i p a i s r e s p o ns á v e i s p e l a d i v u l g a ç ã o d o F u n k n o B r a s i l . c ur t e m .br/folha/ilustrada/ult90u492067. a S o m 2 0 0 0 de R ô m u l o C os t a e a G u a r a n i 2 0 0 0 de Gilb er to G uara ni.shtml E s s e m e r c a d o é m o v i m e n t a d o p or D J s .com.

E é n e s s e c e n á r i o .”(LOPES E FACINA 2010) 20 . c o ns u m i d a p o r t o d o s os gr up os e c l a s s e s s oc i a i s e f o i a m p l i a n d o a d i s c us s ã o s ob r e a v i d a n a s “ f a v e l a s ” . f a v e l a d o e b a n d i d o . subvertendo. d a nç a m a s m e s m a s e m f e s t a s e p or m a i s q u e v oc ê nã o q u e i r a ! Algué m do se u la do p rova ve lme nte estar á esc uta ndo a lgum F unk o u c a n t a r o l a n d o o t r e c h o d e a l g u m e nq ua n t o v oc ê e s p e r a o s i na l f e c h a r p a r a a t r a ve s s a r a r u a . É s o m d e p r e t o d e f a ve l a d o m a s q u a n d o t o c a n o a s fa l t o o u n a f a v e l a n i n g u é m f i c a p a r a d o . “ c o i s a d e p ob r e . e r i t m o d e b a i x o n í v e l ” e os b a i l e s f u n k s s ã o o q ue d e n t r o d a s f a v e l a s a s s u m e p a p e l d e p r i nc i p a l d i v e r s ã o . a gue ti fic açã o s e t or n o u u m a m a r c a . s e d u ç ã o e m os t r a q u e o F u n k evidência como a juventude negra e favelada reiventa-se criativamente com os escassos recursos disponíveis. muitas vezes as representações que insistem em situá-la como baixa e perigosa. ma s quando toca nin gué m fic a p a ra d o ” ( A m i l k a e C h o c o l a t e ) C omo a le tr a de A milka e C hoc ola te já dec lara . p r e t o . Alem disso. a critica ao Funk que escancara a maneira pela qual a sociedade brasileira renova seu racismo e preconceito de classe camuflados pela retórica ocidental do “bom gosto estético. E s s e r i t m o q ue j á f a z p a r t e de c u l t ur a p op u l a r c a r i oc a . “é som d e p reto. de fav e lado. c i d a d e m a r a v i l h a . O b a i l e F u n k é u m a gr a n d e m i s t ur a c o m b a t i d a s fr e né t i c a s p r o c ur a d o p or j o v e ns h a v i d os p or d i v e r s ã o . s ob r e os p r o c e s s os d e m a r g i n a l i z a ç ã o e s ob r e a s c o ns t r uç õ e s de r ó t u l os s oc i a i s . O r a c r i a n ç a s e a d u l t os c o n h e c e m a s m ú s i c a s . q ue f i c a d i f í c i l p e ns a r q ue d e a l g u m a f o r m a o F u n k n ã o “ e n t r e ” n a e s c o l a . Q ue e l e nã o e s t e j a p r e s e n t e n o c o t i d i a n o d e j o v e ns e a l u n o s d e e s c o l a s c a r i o c a s . d o m e l h or é d o p i o r d o B r a s i l ” ( F e r n a n d a A b r e u ) b e r ç o d e t o d a c u l t ur a F u n k n a c i o n a l . s e ns u a l i d a de . n o R i o d e J a ne i r o “ c a p i t a l d o s a n g u e q ue n t e d o B r a s i l . m u i t a s v e z e s t a c h a d o c o m o .

2 . e l a s e d e s c o n t ro l a e n ã o q u e r m a i s p a ra r. S e m p r e 21 . o c o n t e ú d o s i m b ó l i c o q ue e x i s t e n a s l e t r a s é a l v o d e m u i t a s c r i t i c a s . D o i s de s s e s s ub . s e us c o n t e ú d os s ã o a r e p r e s e n t a ç ã o e a l e i t ur a d o c o t i d i a n o de u m a p a r t e d a p op u l a ç ã o c a r i oc a . C o m l e t r a s c he i a s d e p a l a vr õ e s . é n a t ur a l q ue e m s e us F u n k s M c s d e c l a r e m a p o i o a t r a f i c a n t e s o u a o s e x o c o m m e n o r e s de i d a de . E o F u n k M e l o d y. os p r o i b i dõ e s e o F u n k M e l o d y t a l v e z s e j a m os m a i s c o n h e c i d os . E m e p e r g u n t o . O F u n k d e n t ro d o F u n k O F u n k c o m o o u t r os e s t i l os m us i c a i s s e r a m i f i c a . N ã o é d i f í c i l d e i m a g i n a r p or q u e e s s e s t e m a s s ã o c a n t a d os . f r e q ü e n t a d or d e b a i l e s F u n k e p r o f e s s o r de o f i c i n a s de D J s .1 .e s t i l o s . a p o l o g i a a o t r á f i c o d e dr o g a s . A s l e t r a s . E v i v e n d o e m u m t e r r i t ó r i o m u i t a s v e z e s d o m i n a d o p e l o t r a f i c o de dr o g a s . d e s c e q u e d e s c e . E n t e n d e n d o q u e e s s a é a r e a l i d a d e e a c u l t u r a d a fa v e l a . p r i n c i p a l m e n t e os p r o i b i dõ e s . beb i da regada. é p e r f e i t a m e n t e c o m p r e e ns í ve l q ue j o v e ns f a v e l a d os s e i n d e n t i f i c a m c o m a s l e t r a s e c o n t e ú d os . p or s e r e m m a i s c o m e r c i a i s . o u q ue M c s c a n t e m s ua s e xp e r i ê n c i a s e m os t r e m s ua s l e i t ur a s d o m u n d o . a v i o l ê n c i a e a o us o de e n t or p e c e n t e s os p r o i b i dõ e s s ã o os m a i s t oc a d a s na s f a v e l a s c a r i oc a s . hoj e eu vou ch apa r Q u a n d o e l a o u v e o t a m b o r. r e b o l a g o s t o s a e k i k a n o c a l c a n h a r ” ( M C KORINGA) C omo D J. Q ue e s t á a m a r g e m d a s oc i e d a de c a r i o c a . P a r t e q ue e s t á e s q ue c i da p e l o e s t a d o . trab a lhe i e m diversas c a sas notur nas e fes tas . e m m i n h a s p r á t i c a s e d u c a t i v a s s e r á q ue p os s o i g n or a r e s s e f a t o ? Q ua n d o u m a l u n o e n t r a n a e s c o l a p a r t e d a s ua r e a l i d a d e t e m q u e f i c a r d o l a d o d e f or a ? “Hoje é dia d e bai l e na co mu nidade p ro povo d ança r Cheio de mu lher bonit a. C o m u m e n t e a s l e t r a s d o F u n k . s ã o os q ue “ b o m b ã o ” n a s b o a t e s d a z o n a s u l . m a s s u t i l c o m l e t r a s g e r a l m e n t e q ue f a l a m d e a m o r . o n d e a s e x u a l i z a ç ã o de j o v e ns é c a d a v e z m a i s p r e c o c e e a p ob r e z a u m a d ur a r e a l i d a de . e r o t i s m o .

E p r oc ur a r e n t e n d e r o p or q uê a l g u ns a s s u n t o s e c u l t u r a s c o m o o F u n k s ã o i n v i s i b i l i z a d o s . onde é contada a história de um pai de família que gostava de bailes funks e foi assassinado em um assalto.c u l t ur a ? P a r a e n t e n d e r m os m e l h o r p or q ue c e r t os s a b e r e s e f a z e r e s s ã o p r o d uz i d o s c o m o i n v i s í v e i s na e s c o l a .ob s e r ve i n a m a i or i a d os b a i l e s m u i t a a l e gr i a . S i l v a s 11 p a i s de f a m í l i a e g a t i n h a s n o s a l ã o 12. s ob r e o p ara digma c ie nti fic o moder no e de c omo a esc ola c omo i ns t i t u i ç ã o s oc i a l l i d a c o m a s r e a l i da d e s e x i s t e n t e s . d i s c u t o n o p r ó x i m o c a p í t u l o u m p o u c o s ob r e p r o d u ç ã o d e c o n h e c i m e n t o . 22 . C o m o a l u n o d e gr a d u a ç ã o . f u t u r o p e d a g o g o e p r o f e s s or t r a g o m i n h a e xp e r i ê n c i a d e v i d a . n e ga d o s e s e gr e ga d os n a e s c o l a e n os s e us c u r r í c u l os . 11 Referência a Música Rap do silva. 12 Referência a uma gíria carioca com sentido de festa ou baile com muitas mulheres bonitas. o m e u m u n d o e s e us s i g n i f i c a d os p a r a o c o n t e x t o e s c o l a r e p e r g u n t o : é p os s í v e l ne g a r m os a i n f l u ê n c i a d o F u n k de n t r o da s e s c o l a s ? A i n d a é p os s í v e l q u e a l g u m a s p r á t i c a s n a s e s c o l a s c o n t i n u e m ne g a n d o a e x i s t ê n c i a d os s a b e r e s n ã o c ur r i c u l a r e s o u t r a t a d os c o m o n ã o .

Conhecer significa dividir e classificar para depois poder determinar relações sistemáticas entre o que se separou. c o m o t a m b é m a l ó g i c a da i n v e s t i g a ç ã o” ( S A N T O S 2 0 0 1 ) .Galileu Galilei) E a m a t e m á t i c a f o r n e c e u “ à c i ê nc i a m o d e r na .CAPÍTULO II O que é cienti fi co e o qu e não é ci ent ifi co U m a d a s é g i d e s d a s oc i e da d e o c i d e n t a l é a c r e d i t a m os n a s v e r da d e s u n i v e r s a i s d a c i ê n c i a e n a c o n f i a b i l i d a d e d o m é t o d o c ie ntific o . o círculo e outras figuras geométricas. (Idem) A m a t e m á t i c a o f e r e c e a s f e r r a m e n t a s p e r fe i t a s p a r a u m a c i ê n c i a q ue e n t e n d e o m u n d o c o m o “ c o m p l i c a d o e a m e n t e h u m a n a n ã o o p o de c o m p r e e n d e r c o m p l e t a m e n t e . (1626 . c o m v i s t a a p r e ve r o c o m p or t a m e n t o f u t ur o d o s f e nô m e n os . E e s s a c i ê nc i a q ue d i v i d e e c l a s s i f i c a . O mundo é complicado e a mente humana não o pode compreender completamente. q ua n t i f i c a d o o u r e d u z i d o .) não pode ser compreendido a menos que primeiro aprendamos a linguagem no qual ele está escrito. nã o s ó o i ns t r u m e n t o p r i v i l e g i a d o d e a n a l i s e .. d e s c o n f i a d o q u e n ã o p o de s e r m e d i d o . Para digma esse q ue te m c omo b ase de s u s te ntaç ã o a ma te má tic a e a cre dita q ue O universo (. ficamos às escuras. p o i s “ é u m c o n h e c i m e n t o c a us a l q ue a s p i r a à f o r m u l a ç ã o de l e i s . Ele está escrito na linguagem matemática e os seus caracteres são o triângulo. sem as quais é impossível compreender uma palavra que seja dele: sem estes.. ” ( S A N T O S 2 0 0 1 ) 23 . ” E p or i s s o “ c o n h e c e r s i g n i f i c a d i v i d i r e c l a s s i f i c a r p a r a de p o i s p o de r d e t e r m i n a r r e l a ç õ e s s i s t e m á t i c a s e n t r e o q ue s e s e p a r o u ” ( I b i d e m ) e a m a t e m á t i c a é o s a b e r q u e o f e r e c e a s fe r r a m e n t a s i de a i s p a r a c o m p r e e n d e r de f o r m a l ó g i c a a s r e l a ç õ e s s i s t e m á t i c a s e n t r e o q ue foi sep arado. à l u z de r e g u l a r i d a d e s ob s e r v a d a s . num labirinto escuro.

Q u e e m r e l a ç ã o c o m t u d o q u e o m é t o d o c i e n t i f i c o nã o c o ns i g a e s t u d a r .s e de u m m o d e l o g l ob a l ( i s t o é oc i d e n t a l ) d e r a c i o n a l i d a d e c i e n t í f i c a q ue a d m i t e v a r i e d a d e i n t e r n a . na me dida e m q ue n e ga o c a r á c t e r r a c i o n a l a t o d a s a s f or m a s d e c o n h e c i m e n t o q ue n ã o s e p a u t a r e m p e l os s e u s 24 . A i n d a s ob r e o a s s u n t o .s e a p a r t i r da r e v o l u ç ã o c i e n t í f i c a do século XVI e foi desenvolvid o nos século s seguintes b as ic a me nte no domín io das c iê c nias n a t ur a i s . m a s q ue s e defende os t e ns i v a m e n t e de s ua s for mas de conhecimento não c ie ntí fic o (e.A t r a v é s d o d i s c ur s o l ó g i c o . t a n t o n a s c i ê n c i a s n a t ur a i s c o m o n a s c i ê n c i a s s oc i a i s e c o m o p a r a d i g m a é s e gr e g a d or . m e d i r o u r a c i o n a l i z a r n ã o é v á l i d o n ã o é v e r da d e .m a t e m á t i c o o m é t o d o d e inves tigação c ie nti fic a c o ns e g u i u passar uma pátina de n e u t r a l i d a d e e m s ua s ve r d a d e s . a n o v a r a c i o n a l i d a d e c ie ntífica é ta mb é m um mode lo tota litário. S a n t o s n os t r á s u m p a n o r a m a m a i s gera l do dese nvolv ime nto his tó r ic o desse p ara digma domina nte . A i d é i a d o q ue é ve r d a d e ne s s e p a r a d i g m a p r e s s up õ e a c o ns t r uç ã o de u m s a b e r s up e r i or . f i l o s ó f i c os e t e o l ó g i c os ) . C o m r e gr a s t ã o r i g or os a s s u a s i n v e s t i g a ç õ e s s e r i a m s up os t a m e n t e ne u t r a s e v e r da d e i r a s . A p a r t i r de e n t ã o p o d e f a l a r . E continua S e n d o u m m o d e l o g l ob a l . O m o d e l o d e r a c i o n a l i d a d e q ue p r e s i d e à c i ê n c i a m o d e r n a c o ns t i t u i u . p or t a n t o . p o t e n c i a l m e n t e p e r t ub a d or a s ) : o s e ns o c o m u m e a s c ha m a da s h u m a n i d a d e s o u e s t u d os h u m a n í s t i c os ( e m q ue s e i nc l u i r i a m e n t r e o u t r os os e s t u d os h i s t ó r i c os . A i n d a q ue c o m a l g u n s p r e nú n c i os n o s é c u l o X V I I I . é s ó n o s é c u l o X I X q ue e s t e m o d e l o d e r a c i o n a l i d a de se estende às c i ê nc i a s soc ia is e m e r g e n t e s .

A e s c o l a é a c a s a d o s a b e r . e pelas s ua s r e gr a s O m é t o d o c i e n t í f i c o e a s ve r d a de s d a c i ê n c i a m o d e r na s ã o p i l a r e s da s ve r d a de s e m n os s a s oc i e da d e . E s s e o l ha r q ue va i c o n t r a o p a r a d i g m a c a r t e s i a n o q ue “ n os e ns i n o u a p e ns a r n o m u n d o c o m o u m c os m os m e c â n i c o . N a e s c o l a s ó v a l e o q u e é “ v e rd a d e ” A e s c o l a é a i ns t i t u i ç ã o s oc i a l q u e t e m c o m o p a p e l f o r m a r o s c i da d ã o s d e n os s a s oc i e da d e . E e s t a n d o e l a i ns e r i d a n o m e i o s o c i a l o n d e i n f l u e n c i a e é i n f l u e n c i a d a n ã o p o de m os p e ns á . c o m o q ua l a p r e n d e m os a t r a b a l h a r . c o m p e ç a s f i x a s e m o v i m e n t os p r e v i s í v e i s . onde a p r e n d e m os q u e s ó v a l e o q ue é c i e n t i f i c o . is ola da me nte . n u m te mp o/esp aç o ab soluto” ( FE RRA ÇO 2 0 08 ) 25 .p r i nc í p i os e p i s t e m o l ó g i c os me todoló gicas . p a r a i r m u i t o a l é m d o o l h a r q ue v ê . c i ê nc i a s . d a e d u c a ç ã o . 2 . ” ( A LV E S 2 0 0 8 ) p od e r í a m os e n t e n d e r u m a p a r t e d a c o m p l e x i d a de d o a t o e d u c a c i o n a l e d o c o t i d i a n o de u m a e s c o l a . p or t u g u ê s . O l u g a r q ue e m n os s a s o c i e d a d e é t i d o c o m o o p r i v i l e g i a d o p a r a o a p r e n d i z a d o f o r m a l . u m u n i v e r s o r e l ó g i o . 1 . É n a e s c o l a q u e a p r e n d e m os a rep roduz ir as idé ias do p ara digma c ie nti fi c o domina nte . A l i a p r e n de m o s m a t e m á t i c a . E o s m é t o d os s ã o d e t e r m i n a n t e s p a r a d i s t i n g u i r o q u e é c i ê nc i a o q u e é ve r d a de e o q ue nã o é c i ê nc i a e o q u e n ã o é v e r d a d e .l a c o m o u m a ilha . O n d e o p r o c e s s o de e n s i n o a p r e n d i z a g e m é i n t e n c i o n a l . D i f e re n t e s s a b e r e s e f a z e r e s p a r a u m n o v o o l h a r A p a r t i r de u m o l h a r q u e e x i g e u m “ s e n t i m e n t o d o m u n d o . E o n d e o q ue n os e ns i n a m s ã o os s a b e r e s a c u m u l a d os p e l a h u m a n i d a d e a o l o n g o d o s a n o s . 2 . h i s t or i a e t c . 2 .

os múltiplos caminhos. a c a d e m i a o u l a b or a t ó r i o . enigmas e revelações da vida cotidiana dos sujeitos. pensar "ao contrário".. Desta maneira. entendido como um nível menor de uma "realidade" maior. q ue os m o d os c o m o s e c r i a c o n h e c i m e n t os n os c o t i d i a n os nã o t ê m i m p or t â n c i a o u e s t ã o e r r a d os e . Naturalmente. que deu voz ao homem ordinário e a cultura desse homem. por muitos de nossos colegas. m a s o c up a s i m t o d o e s s e c a m p o d e v i v e n c i a s c o t i d i a n a s q ue c o m p a r t i l ha d a s e n t r e a s p e s s oa s e m s e u d i a a d i a é e d uc a ç ã o é e n s i n a r a p r e n d e r . D e fe n d o “ q ue h á m o d os d e f a z e r e d e c r i a r c o n h e c i m e n t os n os c o t i d i a n o s . levou à grande dificuldade em se aceitar o múltiplo: os múltiplos sentidos. A c r e d i t o a s s i m c o m o m u i t os p e s q u i s a d or e s d os e s t u d o s d o c o t i d i a n o q ue é p os s í v e l p r o d u z i r c o n h e c i m e n t o v á l i d o a t r a v é s d a s e xp e r i ê n c i a s d o c o t i d i a n o . que exige "ver para crer". os múltiplos aspectos. 26 . fazeres e noções que compõem redes de conhecimentos. P a r t o a s s i m da i d é i a de q ue p r o d u z i r c o n h e c i m e n t o s ob r e a e s c o l a . e s p e c i a l m e n t e . é possível com o emprego das mesmas 13 Cotidianistas acreditam que existe um conjunto de saberes. em ciência. e nã o s ó c o m a c i ê n c i a . da sociedade e de suas instituições. d ur a n t e o s ú l t i m os q ua t r o s é c u l os . Inspirados nos estudos do cotidiano de Certeau. Q ue r o c h e g a r à s e g u i n t e c o n c l us ã o : f u n k é conhecimento.P e ns a n d o d e s s a f o r m a . as múltiplas regras. d i f e r e n t e s da q ue l e a p r e n d i d o . ” ( I d e m ) . tem exigido uma discussão sobre o que pode ser aceito como fonte de conhecimento. as múltiplas fontes. n a m o d e r n i d a d e . p o r i s t o m e s m o p r e c i s a m s e r s up e r a d os . Os estudos do Cotidiano têm como centralidade os fenômenos. B us c o v a l or i z a r r e c o n h e c e r e de s i n v i z i b i l i z a r t o d o e s s e c a b e da l d e c o n h e c i m e n t os q ue a c i ê n c i a m o d e r na d e s p r e z a e nã o c o ns i de r a c o m o v á l i d o p or q u e a formação do pensamento ocidental dominante. s ob r e a p e d a g o g i a e s ob r e os p r oc e s s os de e ns i n o a p r e n d i z a ge m n ã o s e r e s t r i n g e m à e s c o l a .. o "exame" do cotidiano. ” ( A LV E S 2 0 0 8 ) N a c o n t r a m ã o d o q ue “ a p r e n d e m os c o m t o d o s os s e t or e s d o m i n a n t e s . mostrando como os movimentos que acontecem no cotidiano são tão importantes e campo de grandes disputas. nó s c o t i d i a n i s t a s 13 p e ns a m os q u e os e s p a ç os d e p r o d u ç ã o de c o n h e c i m e n t o e o p r ó p r i o c o n h e c i m e n t o n ã o s e r e s t r i n g e m a os m é t o d o s e l a b or a t ó r i os e o p a r a d i g m a c i e n t í f i c o m o d e r n o n ã o d á c o n t a d e t o d a s a s á r e a s p r o d u t or a s d e c o n h e c i m e n t o .

para além de mero reflexo ou redução de uma outra realidade. Quando. na tessitura de novos saberes necessários. começa-se a entender que as fontes usadas para "ver" a totalidade do social não são nem suficientes. e é a t r a v é s d e u m “ ó c u l os ” . mantendo múltiplas e complexas relações com o mais amplo. no entanto. P o i s é a t r a vé s d e t o d a e s s a v i v ê n c i a q ue n o s s os a l u n os i n t e r p r e t a m . todas as fontes. portanto. q ue a t r i b u í m os s e n t i d o e s i g n i f i c a d o a o m u n d o e à r e a l i d a d e e m q ue v i v e m os . r e i n t e r p r e t a m . se entende que. o cotidiano. f e i t o p o r e s s a s e xp e r i ê n c i a s . s i g n i f i c a m e r e s s i g n i f i c a m o m u n d o e c l a r o os c o n t e ú d os c ur r i c u l a r e s . é tecido por caminhos próprios trançados com outros caminhos. d e v e t e r c o ns c i ê nc i a d i s s o . p os s u i d or d e c o n h e c i m e n t os q u e s e u c o t i d i a n o o s e ns i n o E n t e n d o t a m b é m q ue nó s n os t or n a m os e n os p r o d u z i m os h o m e ns e m u l h e r e s a t r a vé s d e n os s a s v i v e n c i a s e e xp e r i ê n c i a s . (ALVES 2008) E p or i s s o a c r e d i t o q ue o a l u n o d e v e s e r v i s t o c o m o u m s u j e i t o q ue a o c h e ga r a e s c o l a é f r u t o de u m nú m e r o e n o r m e de v i v e n c i a s .regras usadas para estudar este mundo maior. ir além dos modos de produzir conhecimento do pensamento herdado. me dedicando a buscar outras fontes. P or i s s o s ó p os s o a c r e d i t a r q ue u m p r oc e s s o e d uc a c i o n a l q ue v i s e s e r e m a n c i p a t ó r i o e q u e p r o c ur e r e s p e i t e a d i v e r s i d a de d o a l u n o . nem apropriadas. 27 . Ao lidar com o cotidiano preciso.

q ue q u e m t i v e r i n ve j a d e s e u s u c e s s o n ã o l á . a c e i t a r e va l i d a r os c o n h e c i m e n t os e e xp e r i ê n c i a s de n os s o s a l u n os .CAPÍTULO III UH aceita! D e q u e a d i a n t a t u b a t e r d e f r e n t e s e t u v a i t e r q u e m e a t u ra r. A s u ge s t ã o f o i m u i t o b e m r e c e b i d a p or nó s . Já citado no início. 3. A m i n h a p re s e n ç a t e p e rt u rb a . or i g i n a l m e n t e e s s e F u n k é u m a e a f i r m a ç ã o d e u m a j o v e m f a v e l a da d o R i o d e l i b e r d a de e e xa l t a ç ã o a a u t o . . P a r a p e ns a r m e l h or e s s e a r g u m e n t o . de s i n v i s i b i l i z á l a e e s t a b e l e c e r t r o c a s é a m e l h o r “ r e c e i t a ” . e v o u t e m a n d a r u m a receita Uh aceita! O trec ho a c ima Uh aceita da MC m e ns a g e m de r e v o l t a J a n e i r o . n os s u ge r i u a c o m p a n h a r u m p r o j e t o q ue t r a b a l h a va c o m t e a t r o e l i t e r a t ur a i n f a n t i l . A s s i m v o c ê n ã o v a i m e d e r r u b a r . 28 . . Le o n a r d o é a t or .e s t i m a f e m i n i n a . . O r e fr ã o u h a c e i t a é o gr i t o de f i n i t i v o q ue s e r ve c o m o d e s a b a f o . M a r i a Lu i z a S ü s s e k i n d . . s e n ã o g o s t a e u s ó l a m e n t o . . . U m gr i t o d e onde a MC declara c o ns e g u i r á de r r ub a – e le va a a uto -es tima e é u m a b r i c o l a ge m d e a l g u m a s p a r t e s d o F u n k M a r c e l l y. 14 PIBID – Projeto de iniciação a docência da CAPES. . Lá u m a e xp e r i ê n c i a e m p a r t i c u l a r m e m os t r o u c o m o é i m p or t a n t e d e s i n v i z i b i l i z a r ( S A N T O S ) . N os s a or i e n t a d o r a . r e l a t o u m e p i s o d i o o c or r i d o c o m i g o n o gr up o d e p e s q ui s a d o P I B I D 14. do qual participei durante os anos de 2010 e 2011.1 Tio pode ser Fla meng o e Va sco? D e n t r o d o P I D I B t r a b a l h a v a e m d up l a c o m u m c o l e g a d e f a c u l d a d e c h a m a d o Le o n a r d o . T r a g o e s s e F u n k p a r a m os t r a r e d i s c u t i r q ue n ã o a d i a n t a b a t e r d e fr e n t e c o m a c h a m a da c u l t ur a p op u l a r n a e s c o l a . . e a m i n h a e xp e r i ê nc i a c o m p r o j e t os s o c i a i s e c omo D J p oder ia m a judar no dese nvolv ime nto do p r oje to.

s e c o m e ç a r a m a e ns a i a r os t oq u e s . C o m b i n a m os a l g u ns t oq ue s de b o l a . mas p erceb endo q ue ha via d e s p e r t a d o o i n t e r e s s e d os m e n i n o s p e l a a t i v i d a d e c o n c or d e i . q u a n d o n ã o c o ns e g u i e xp l i c a r c or r e t a m e n t e o q u e de v e r í a m os f a z e r r e s p o n d i : “ C l a r o q ue p o de ! ” . dr i b l e s . E p r o n t a m e n t e e xp l i q ue i q u e de v e r í a m os i n t e r p r e t a r a e s t ó r i a de u m c l á s s i c o . E n t r a m os na s a l a os m e n i n os s ub i r a m n o p e q ue n o p a l c o d a s a l a d e l e i t ur a . P a r a c o m e m o r a r o g o l d o c a m p e o n a t o d e c i d i r a m d a nç a r o “ r e b o l e i t i o n ” . p e q u e n a s fa l a s e u m c h u t e a g o l c o m u m a b e l a c o m e m or a ç ã o . o c o n c e i t o d o q ue é c l á s s i c o p a r a e l e s e r a o d e u m a p a r t i d a de d o i s gr a n de s t i m e s d e futeb ol c ar ioca . S e m r e s p os t a e e n t e n d e n d o q ue e r r e i . r e s p e i t a r e a c e i t a r c o m o c o n h e c i m e n t os e x i s t e n t e s o q u e a q u e l e s a l u n os t r o u x e r a m d a r e a l i d a de d e c a d a u m e m e u t i l i z a r d i s s o c o m o t á t i c a p a r a c o ns e g u i r q ue e l e s 29 . E e u de ver ia resp eitar essa idé ia . f i z e r a m t u d o c o m o h a v i a m e ns a i a d o d o l a d o de f o r a e t e r m i na r a m c o m a d a nç a d o “ r e b o l e i t i o n ” o q u e a r r a n c o u gr i t os e a p l a us os de s e us c o l e g a s d e s a l a . C o m o e u p o d e r i a d i z e r n ã o . q ue p r o va v e l m e n t e v e m de f r a s e s c o m o a q ue l e m os n a s p á g i n a s de e s p or t e s d os j or n a i s : “ h o j e t e m c l á s s i c o” o u “ c l á s s i c o d os c l á s s i c os ” . ac ha ndo um p ouc o e xcê ntr ic o . S e gundo c omb ina do na ú ltima a ula a lguns a l u n os d e ve r i a m l e r u m d os l i vr os e s c o l h i d o s p or nó s e a p r e s e n t a r a h i s t or i a d o l i vr o c o m u m a p e q ue n a p e ç a t e a t r a l o u e s q ue t e p e ns a da p or e l e s . c o m b i n a r a m d ua s j o g a d a s e u ns dr i b l e s . A p e r g u n t a de u m d os m e n i n os f o i : “ t i o p o d e s e r F l a m e n g o e V a s c o ? ” . E s s e s m e s m os d o i s m e n i n o s d e p o i s d e p a r t i c i p a r e m d a a t i v i d a d e s e m os t r a r a m m u i t o s a t i s f e i t o s e p er guntaram: “T io q uando a gente p ode fazer outra vez?” D e s i n v i z i b i l i z a r . os a l u n o s de c i d i r a m e n c e n a r o g o l q ue d e u o t í t u l o d o c a m p e o n a t o e s t a d u a l d e 2 0 0 5 a o F l a m e n g o . V e n d o a q u e l a c o n f us ã o c h a m e i os d o i s p a r a c o n v e r s a r f or a da s a l a e s a b e r s e h a v i a m c o m b i n a d o a l g o p ara a tar e fa do dia.E m u m a a t i v i d a d e p r op os t a p e l a p r o f e s s or a . J á f o r a d e s a l a p e g u e i a b o l a e p e r g u n t e i v oc ê s s a b e m o q ue t e m os q ue f a z e r h o j e ? R e s p o n d e r a m q ue n ã o . d o i s a l u n o s m u i t o a g i t a d o s d i s c u t i a m q ue m f i c a r i a s e g ur a n d o a b o l a d e f u t e b o l . O s d o i s a l u n o s e m p o l g a r a m . P or s u ge s t ã o de u m d os a l u n os r e s o l v e m os s i m u l a r u m a p a r t i d a de f u t e b o l . t r a z i d a p or u m t e r c e i r o a l u n o .

l os c o m o f e r r a m e n t a p a r a q ue d o i s m e n i n os . 30 . R esp eitar e tra zer p ara a a tivida de a d i v e r s i da d e d os a l u n os e r e s p e i t á .l a f o i u m a s o l uç ã o q ue e n c o n t r e i . A c e i t a r e s s a d i v e r s i da d e d e c o n h e c i m e n t os e v a l i d a .p a r t i c i p a s s e m d e u m a p r op os t a . q u e p r o va v e l m e n t e n ã o p a r t i c i p a r i a m d a a t i v i d a de e j á ha v i a m s i d o t a x a d os p or u m a e s t a g i á r i a d o c o l é g i o o n d e a p e s q u i s a e r a r e a l i z a da c o m o . A e xp e r i ê n c i a d os g a r o t os e n c e n a n d o u m a p a r t i d a d e f u t e b o l .l os m e p e r m i t i u u t i l i z a r u t i l i z á . n ã o m e l e v o u a r e f l e t i r s o m e n t e s ob r e a i m p or t â n c i a d os c o n h e c i m e n t os t r a z i d os p e l os a l u n os . esse é o te ma do q ua r t o c a p í t u l o . P e ns a r e m c o m o v a l or i z a r e i nc l u i r e s s e s s a b e r e s n a e s c o l a é tare fa ár dua e c omp le xa. R e s p e i t o a d i v e r s i d a de q u e é c o n d i ç ã o p a r a q ua l q ue r p r o j e t o v e r da d e i r a m e n t e e m a n c i p a t ó r i o . q u e d e i n í c i o f o i r e j e i t a da . m a s t a m b é m s ob r e c o m o a esc ola vis ib iliz a ou invis ib iliza esse s sab eres . m e f e z p e r c e b e r o q ua n t o e u c o m o p r o f e s s or d e v o q u e r e s p e i t a r e r e c o n h e c e r e s s e s s a b e r e s d e m e us a l u n os e q ue p os s o u t i l i z a r i s s o p a r a c o ns t r u i r p r op os t a s e na m i n h a p r á t i c a d o c e n t e . f o s s e m os q ue s a í r a m d o p e q ue n o p a l c o d a s a l a de l e i t ur a c o m o os m a i s a p l a u d i d o s e d e s p e r t a s s e m o i n t e r e s s e d os m e n i n o s a t a l p o n t o q ue g os t a r i a m de v o l t a r a f a z e r a m e s m a a t i v i d a d e . P o i s q ua l q ue r p r op os t a q ue n e g u e a d i v e r s i d a de n ã o p o d e s e r u m a p r op os t a e m a n c i p a t ó r i a . “ os p i or e s a l u n os d a t u r m a ” e os q u e nã o t i n h a m s a l v a ç ã o .

Pan-óptico termo usado pelo filósofo Jeremy Benthamé. e s t á f o r a . f o r a d o p a dr ã o e d o l a d o d e f o r a d e u m a b o a t e . H á p a dr õ e s c o ns i de r a d os n or m a i s o u e s p e r a d os q u e p e r m i t e m o u nã o e s t a r e p a r t i c i p a r d e s t e s e s p a ç os . Lu g a r o n d e v o c ê c o m e d o r m e n os h or á r i os de t e r m i n a d os e s ó s a i c o m a u t or i z a ç ã o . 15 16 Referência aos bailes de corredor da década de 90. C o n t r o l a . E s s a c l a s s i f i c a ç ã o t a m b é m a c o n t e c e n os h os p i t a i s . p r e s í d i os . O conceito usado no desenho permitiria a um vigilante observar todos os prisioneiros sem que estes pudessem saber que estão sendo observados. 31 . a os c o n h e c i m e n t os vá l i d o s o u p r o d u z i d o s c o m o i n e x i s t e n t e s . r e a b i l i t a r . I n d e p e n d e n t e m e n t e de t e r e m a f u n ç ã o d e p u n i r . P a dr õ e s q ue s e r ve m p a r a c l a s s i f i c a r v o c ê .CAPÍTULO IV A t e n ç ã o l a d o A . c l a r o . à l i n g u a g e m . a t e n ç ã o L a d o B 15 O q ue h os p i t a i s . e d i t a m s e v o c ê p o de o u n ã o e s t a r na q ue l e l u g a r . Pan-óptico seria o centro penitenciário ideal. E m a l g u n s o us o d o u n i f o r m e é ob r i g a t ó r i o . e n f e r m e i r os e s e g ur a n ç a s . à s r o up a s . b oa t e s . c o n t r o l a d os e v i g i a d os . V oc ê d e ve e s t a r n o p a dr ã o ! S e nã o e s t á . o n d e v o c ê é u m p r o n t u á r i o c o m u m n o m e é u m nú m e r o . h os p i t a i s e e s c o l a t a m b é m s ã o a m b i e n t e s e d uc a c i o n a i s . b o a t e s e e s c o l a s t ê m e m c o m u m ? T o d os e s s e s a m b i e n t e s s ã o a m b i e n t e s r e g u l a d or e s .s e q ue m e n t r a e q u e m s a i e os h or á r i os s ã o p r é e s t a b e l e c i d os . s ã o a mb ie ntes onde o c ontr ole es tá p rese nte de f o r m a p a nó p t i c a 16. P os s o f a c i l m e n t e us a r e s s a d e s c r i ç ã o p a r a m os t r a r c o m o f u n c i o n a o d i a a d i a de u m p r e s í d i o e p os s o a t é us a r a m e s m a d e s c r i ç ã o p a r a u m a e s c o l a . Posteriormente teóricos como Foucault que usa o termo panoptico para discutir a sociedade dsciplinar e Pierre Lévy usa o mesmo termo para desginar o controle que os novos meios de informação exercem sobre seus usuários. u m de t e r m i n a d o t i p o de r o up a é a “ c or r e t a ” o u a “ e s p e r a d a ” p a r a a q ue l e a m b i e n t e . us a n d o u m “ u n i f o r m e ” h os p i t a l a r e v i g i a d o p or m é d i c os . e s s e s p a dr õ e s s e r e f e r e m a os c or p os . p or e xe m p l o . e . o u d o c i l i z a d or d os c or p o s ( F O U C A U LT 2 0 0 9 ) . E r e f l e t i n d o u m p o uc o m a i s p o de m o s v e r q ue p r e s í d i os . c o l o c a d o n o l u g a r c e r t o p a r a o t r a t a m e n t o c e r t o . a os c ó d i g os d e va l o r e s e c o m p or t a m e n t os . N os a m b i e n t e s q ue nã o é e x i g i d o u n i f o r m e . diver tir ou e ducar .

d i t a n d o o q ue é v á l i d o e o q u e n ã o é . U m d i s p os i t i v o m u i t o e f i c i e n t e é a s e l e ç ã o a de s a u t o r i z a ç ã o e a e x c l us ã o q ue e s s a s e l e ç ã o ge r a . I n e x i s t ê n c i a s i g n i f i c a nã o e x i s t i r s ob q ua l q ue r for ma de ser r e l e va n t e ou c o m p r e e ns í v e l .s e i n e x i s t e n t e . s e n d o q ue a s i n v i s í v e i s f u n d a m e n t a m a s v i s í v e i s . U s o a i de i a d o p e ns a m e n t o a b i s s a l de S a n t os p a r a d i s c u t i r e s s a p a r t i c u l a r i d a d e d o c ur r í c u l o . 4.E n t e n d o q u e p a r a p r oc ur a r c a m i n h os .1 – Cu rríc u lo conheci mento e sco la r divide o Lado A e Lado B do O c ur r í c u l o e s c o l a r c o m o f o n t e d e c o n t e ú d os a s e r e m e ns i na d os é e x c l u d e n t e e s e gr e g a d o r . E e s s e p r oc e s s o g e r a a s e gr e ga ç ã o d e s a b e r e s . A s d i s t i nç õ e s i n v i s í v e i s s ã o e s t a b e l e c i d a s a t r a v é s de l i n h a s r a d i c a i s q ue d i v i d e m a r e a l i d a d e s oc i a l e m d o i s u n i v e r s os dis tintos : o univers o „ des te la do da linha‟ e o u n i v e r s o „ d o o u t r o l a d o da l i n h a ‟ . t or n a . N o c o n t e x t o e s c o l a r o c ur r í c u l o é u m a f e r r a m e n t a p o de r os a n e s s e p r o c e s s o . A d i v i s ã o é t a l q ue o „ o u t r o l a d o d a l i n h a ‟ de s a p a r e c e e nq ua n t o r e a l i d a de . e é m e s m o p r o d u z i d o c o m o i ne x i s t e n t e . e s a b r e s e m a n c i p a t ó r i os é p r e c i s o e n t e n d e r c o m o e o n d e e x i s t e r e g u l a ç ã o e c o n t r o l e . T u d o a q u i l o q u e é p r o d u z i d o c o m o i n e x i s t e n t e é e x c l u í d o d e f or m a r a d i c a l p or q u e p e r m a n e c e e x t e r i or a o u n i v e r s o q ue a p r ó p r i a 32 . e d e v i d o a o e n or m e c o n h e c i m e n t o a c u m u l a d o p e l a c i v i l i z a ç ã o a o l o n g o d os a n os q ue e x i g e u m a s e l e ç ã o d os c o n h e c i m e n t o s a s e r e m a p r e s e n t a d os n os a n os de e s c o l a r i z a ç ã o . E s s a s e l e ç ã o é f e i t a p e ns a n d o e m q ue t i p o d e s u j e i t o s e q u e r f o r m a r . U m a de s u a s f u n ç õ e s é m os t r a r q ue c o n t e ú d os d e v e m s e r e ns i na d o s . E c o m o c e r t os d i s p os i t i v o s e p r á t i c a s s e r ve m de a m a r r a s . O é p or q ue s e l e c i o n a c o n t e ú d os d e n t r o d e u m a c u l t u r a . C o ns i s t e n u m s i s t e m a de d i s t i n ç õ e s v i s í v e i s e i n v i s í v e i s . O PENSAMENTO MODERNO OCIDENTAL é um p e ns a m e n t o a b i s s a l . p r á t i c a s . A s s i m os c ur r í c u l os a c a b a m p r i v i l e g i a n d o a l g u ns s a b e r e s e m d e t r i m e n t o d e o u t r os .

d o l a d o d e d e n t r o d a l i n h a e s c o l a r a l g u n s s a b e r e s nã o s ã o v a l i d os . Q ua n d o s e l e c i o n a o q ue de v e s e r e ns i n a d o t a m b é m s e l e c i o n a o q u e nã o de v e s e r e ns i n a d o e m u i t a s v e z e s s a b e r e s e f a z e r e s q ue n ã o c o ns i d e r a d os vá l i d o s . O c ur r í c u l o e s c o l a r f a z e s s a e x c l us ã o de ter mina ndo o q ue es ta „ do outr o la do da linha‟ . a s b o l s i s t a s b us c a r a m t e m a s q ue f os s e m d e i n t e r e s s e d os c o m u m p a r a a p a r t i r d e l e s d e s e n v o l v e r e m a t i v i d a d e s q ue f u g i s s e m d o e s t e r e o t i p o d e a u l a . r e t r a t a b e m c o m o a l g u ns e d u c a d or e s r e p r o d u z e m e s s a s e x c l us õ e s . E r e c e b e r a m a t a r e f a d e de s e n v o l v e r o f i c i n a s n o c o n t r a t ur n o d e u m a t u r m a d e 4 º a n o de u m a e s c o l a d a z o na s u l c a r i oc a . N o p r i m e i r o c o n t a t o c o m os a l u n o s . S a n t os m os t r a c o m o s ã o p r o d u z i d a s e x c l us õ e s de n t r o d o p e ns a m e n t o o c i d e n t a l . p a r a t e n t a r e s t r e i t a r os v í n c u l os c o m os a l u n o s e c o nq u i s t a r o i n t e r e s s e de todos. p e r g u n t a r a m d o q u e e l e s 33 . E l a s d e m o ns t r a r a m p r e oc up a ç ã o e m f u g i r d a v i s ã o d e a u l a c o m a l u n o s s e n t a d os p r o f e s s or e s e m p é e e s c r e v e n d o n o q u a dr o . p o i s a l i e x i s t e u m c ur r í c u l o d e s a b e r e s q ue f or a m e s c o l h i d o s e i ns t i t u c i o n a l i z a d os c o m o vá l i d o s p e l o c ur r í c u l o e p or u m a v i s ã o d e e s c o l a e d o q ue é c u l t u r a l . E s s a i dé i a de q u e a l g u ns a s s u n t o s nã o s ã o c o n t e ú d os a p r op r i a d os p a r a o c o n t e x t o e s c o l a r é t ã o f o r t e q u e u m e p i s ó d i o o c or r i d o c o m a s a l u n a s d e gr a d ua ç ã o d o c ur s o d e p e d a g o g i a d a U N I R I O . e C . da linha do c ur r í c u l o .e s t i m a d o s a l u n o s e a o m e s m o t e m p o t r a b a l ha s s e os c o n t e ú d os c ur r i c u l a r e s . A s q ua t r o a l u n a s e r a m b o l s i s t a s d o p r o j e t o i ns t i t u c i o n a l P I B I D – E ns i n o F u n d a m e n t a l . A p r op os t a e r a d e s e n v o l v e r a t i v i d a d e s q u e e l e v a s s e m a a u t o . L . P o de m os p r e s e n c i a r e s s e p r oc e s s o d e e x c l us ã o t o d a ve z q u e c r u z a m os a l i n h a de e n t r a d a p a r a e s c o l a . N a t e n t a t i v a c o n s c i e n t e o u nã o de t r a z e r o a l u n o s e us s a b e r e s e s e us i n t e r e s s e s p a r a o f o c o d a a u l a .c o nc e p ç ã o a c e i t e d e i n c l us ã o c o n s i de r a c o m o s e n d o o O utr o.

Rec la mara m da le tra do Funk escr ita no c ar ta z e a fir m ara m q ue isso 17 A gíria fugueta foi “corrigida” para fuguetar. U t i l i z a n d o os F u n ks q ue c o m u m e n t e os a l u n o s c a n t a r o l a v a m e m s a l a de a u l a r e t i r a r a m o s e g u i n t e t r e c h o d e u m a m ú s i c a d o gr up o O s h a va i a n os : “ N ó s f u g u e t a e m e t i o p é ” . n o v e l a s e t c . S e n d o F u g u e t a é u m a g í r i a c a r i o c a p a r a s e x o e m e t e r o p é . f o r a m os q u e m a i s p a r t i c i p a r a m e e s f o r ç a r a m se p ara q ue as atividades fossem b em realizadas. 34 . c o m o a u m e n t o d o i n t e r e s s e d os a l u n o s p e l a s a t i v i d a d e s e p e l os c o n t e ú d os c ur r i c u l a r e s . “ P i o r e s ” a l u n os e s s e s q ue s e g u n d o L. ve r f i g ur a 1 . A t é q ue u m a l u n o s u g e r e o t e m a F u n k . Respeitando a possível concordância do neologismo e o conteúdo simbólico da música. “ F o i u m a l v o r oç o na s a l a . E s s a s o f i c i n a s s e d e s e n v o l v e r a m a o l o n g o d o a n o de 2 0 1 0 e d e n t r e a s a t i v i d a d e s q ue t r a b a l ha r a m c o m o F u n k u m a de l a s c o ns i s t i a e m c or r i g i r os e r r os d e p or t u g u ê s . . O c a r t a z c o m e s s a fr a s e c or r i g i d a 17. i r e m b or a . Q u a n d o i n d a g o u a d i r e t or a o n d e e s t a v a o c a r t a z e p or q ue ha v i a s i d o r e t i r a d o . . O t e m a F u n k f o i u n a n i m i d a d e ” ( L. V á r i os a s s u n t os f o r a m p r op os t os .g os t a va m e s ob r e q ue t e m a e l e s g o s t a r i a m de e s t u d a r . A c r e d i t a r a m q ue t r a b a l h a r c o m t e m a s m a i s p r ó x i m os d o c o t i d i a n o d os a l u n o s e v a l or i z a r os s a b e r e s q ue e l e s t r a z i a m s e r i a a m e l h o r f o r m a d e estimular a p ar tic ip a çã o e o e nvolvime nto de les. g e r a l m e n t e c o nc o r dâ n c i a v e r b a l e n o m i n a l . q ue e s t a v a m m i s t ur a d os n a s a t i v i d a d e s . da s l e t r a s d e a l g u ns F u n ks . e q ua n d o n o f i n a l d o a n o l e t i v o os “ p i or e s ” a l u n o s e m r e n d i m e n t o “ p a s s a r a m de a n o ” c o m n o t a s b e m a c i m a da m é d i a .e s t a b e l e c i d os . f o i a f i x a d o n a e n t r a d a d o c o l é g i o . f u t e b o l . b o l s i s t a ) . f o i i n f o r m a d a q ue a l g u m a s p r o f e s s or a s e a l g u n s p a i s n ã o g os t a r a m d o q u e e s t a v a e s c r i t o . C om essa a titude de p er guntar a os alunos a s b olsis ta s s ub v e r t e r a m o m o d e l o d o m i n a n t e de a u l a q ue t r á s p a r a os a l u n os a u l a s p r o n t a s c o m t e m a s p r é . O r e s u l t a d o de s s a i n i c i a t i v a f o i s e n t i d o a o l o n g o d o a n o . U m a s e m a n a a p ó s os e xe r c í c i os e a f i x a ç ã o do car ta z uma das b olsis tas a o e ntrar no c olé gio p erceb e u q ue seu c a r t a z n ã o e s t a v a m a i s l á .

n ã o e r a c o n t e ú d o e s c o l a r e q ue a p a l a vr a f u g u e t a t i n h a c o n o t a ç ã o s e x u a l m u i t o f o r t e . FUGUETAMOS Figura 1 Figura 2 C o m o c i t e i e s s e é u m ó t i m o e x e m p l o p a r a m os t r a c o m o os c o n t e ú d os „ d o o u t r o l a d o d a l i n h a ‟ s ã o i n v i s i b i l i z a d os p e l a e s c o l a . q ua n d o o a b r i u d e s c ob r i u q u e a l é m d e t e r s i d o r e t i r a d o h a v i a m c o l a d o a p a l a vr a r e q u e b r a m os . n o l u g a r de f u g u e t a . c ur r í c u l os e p r a t i c a s . O s a b e r a c u l t ur a e o c o t i d i a n o d a s c r i a n ç a s q ue e s c o l h e r a m t r a b a l h a r c o m f o r a m i n v a l i d a d os p e l a e s c o l a e s e us 35 . L. q ue t a m b é m é u m a g í r i a c a r i o c a . p e d i u o c a r t a z d e v o l t a e p a r a s ua s ur p r e s a . c o m o p o de m os ob s e r v a r n a f i g u r a 2 .

A p r o v e i t a “ a s f a l h a s q ue a s c o n j u n t u r a s p a r t i c u l a r e s vã o a b r i n d o n a v i g i l â n c i a d o p o de r p r op r i e t á r i o . a p r i n c í p i o s ub m e t i d o s a e s t e p o de r . de u m i ns t i t u í d o . ( O LI V E I R A 2 0 0 6 ) O p o de r é d o n o d a e s t r a t é g i a . o u v i n d o F u n k e m s e us c e l u l a r e s e M P 3 . D e a c or d o c o m C e r t e a u . n ã o é v i s t o c o m o c u l t u r a l o u c o m o m ú s i c a p e l a escola. 2 . t e m l o c a l e u m p r ó p r i o a e s c o l a .T á t i c a s e e s t ra t é g i a s A n t e s de c o n t i n u a r d i s c u t i n d o c o m o a p l i c o a i d é i a d e B oa v e n t ur a n a e s c o l a e p a r a e n t e n d e r m os m e l h o r c o m o o F u n k m e s m o nã o e n t r a n d o de c l a r a da m e n t e n a e s c o l a e m e s m o s e n d o p r o d uz i d o c o m o i n v i s í v e l p or e l a a i n d a i n f l u ê n c i a e e s t á f o r t e m e n t e p resente no c otidia no esc olar ap rese nta as noçõ es de tá tica e e s t r a t é g i a de C e r t e a u q ue us a r e i d a q u i e m d i a n t e . nã o te m lugar. nã o tê m loc a l. 9 5 ) . O s a l u n os s ã o s e us l e g í t i m o s r e p r e s e n t a n t e s p o i s o F u n k nã o c r u z a a l i n h a d a e s c o l a . . 4 . o u c a n t a r o l a n d o t r e c h os d e F u n k s “ b o m b a d os ” . m a s b a s t a u m a r á p i d a o l h a d a n o p á t i o d e u m c o l é g i o c a r i o c a p a r a ve r m e n i n a s d a nç a n d o F u n k . os s u j e i t os r e a i s . . ” ( p . n os c a n t os da e s c o l a n o p á t i o e os a l u n os s ã o s e us p r a t i c a n t e s . As tá tic as. ac onte ce m a todos e s t a n t e s e m l u g a r e s d i f e r e n t e s .m e m b r os . . 36 . n a g e s t ã o d e s u a s r e l a ç õ e s c o m o s e u “ o u t r o ” . M a s p or q ue de v e r i a a e s c o l a t r a t a r t r a b a l h a r c o m F u n k ? E l e nã o é c i ê n c i a . e s t r a t é g i a s s ã o a s a ç õ e s e c o nc e p ç õ e s p r ó p r i a s d e u m p o d e r . E l a a p r i nc í p i o é d o n a d a e s t r a t é g i a . E t e m c o m o e s t r a t é g i a e xc l u i r e i n v i s i b i l i z a r s a b e r e s q u e s ã o p o t e n c i a l m e n t e p e r t ub a d or e s a or d e m h i e r a r q u i z a n t e d os c o n h e c i m e n t os t i d o s c o m o v á l i d os .

u m a t á t i c a us a da p e l a s b ol s i s t a s . us o . q ue é u m a t a r e f a de r e f l e x ã o . Fa ze ndo iss o a utor iz o a minha fa la e o me u p e ns a m e n t o . a t i t u d e s e p os t ur a s n os m os t r a m a or d e m d o d i s c ur s o ( F O U C A U LT 1 9 9 6 ) e a u t or i z a m o u d e s a u t o r i z a m os d i s c ur s os e os t e m a s a s e r e m a b or d a d os o u c o ns i d e r a d o s v á l i d o s a c a d e m i c a m e n t e .l os . e l e é p e r i f e r i z a d o . s i g n i f i c a ç ã o e r e s s i g n i f i c a ç ã o d o s s a b e r e s .3. m a s p e r t u r b o u u m a h i e r a r q u i z a ç ã o d e s a b e r e s q ue a e s c o l a a c h a n e c e s s á r i a p a r a de s e n v o l v i m e n t o d e s u a s a t i v i d a d e s . e s t a p r e s e n t e e m n os s o c o t i d i a n o e d u c a c i o n a l e a g e e x c l u i n d o os s a b e r e s de v á r i a s f o r m a s .A linha abi ssa l A d i v i s ã o c r i a d a p e l a l i n h a d o p e ns a m e n t o a b i s s a l de S a n t o s . c o m o us e i a c i m a . A e s c o l a p r o c ur a i n v i s i b i l i z a r a s s u n t os c o m o o F u n k e o s e x o .N o r e l a t o d a e xp e r i ê n c i a de m i n h a s c o l e ga s a e s c o l a e xc l u i u a c u l t ur a l e o s a b e r c o t i d i a n o d os a l u n os e d a s b o l s i s t a s . m os t r a c o m o os s u j e i t os s ã o p r o d u t o r e s d o s e u c o t i d i a n o e o f a z e m i n d e p e n d e n t e d o p o de r q u e t e n t e c o n t r o l á . . a s s i s t e m n o v e l a s c o m c e n a s d e s e x o e a d o r a m os r e a l i t y s h ow s q u e p a s s a m à s 2 2 : 0 0 c o m c e na s d e s e x o . Tratar do te ma Funk p ode ser a té vá lido. p o i s p r e c i s o e s t a r d o „ d e s t e l a d o d a l i n h a ‟ p a r a t e r m e u d i s c u r s o a u t o r i z a d o . E m u i t a s v e z e s f i n g e q u e nã o v ê . p e r i f e r i z a r e d e i x a r d o „ o u t r o l a d o d a l i n h a ‟ d o q ue é v á l i d o o u n ã o d e n t r o d o c o l é g i o . M e s m o s a b e n d o q u e os a l u n o s c o n h e c e m o s i g n i f i c a d o da s p a l a vr a s . d e s a u t o r i z a d o . E s s e s i s t e m a . os c ur r í c u l o s . S e e u f o r e s c r e ve r u m t e x t o a c a d ê m i c o . P or é m us a r o F u n k na s a l a de a u l a . s oc i a l e c u l t u r a l . r e f e r ê n c i a s d e a u t o r e s c o m c a p i t a l c u l t ur a l ( B O U R D I E U 2 0 0 3 ) r e c o n h e c i da m e n t e v á l i d o n o m u n d o aca dê mic o . A t e n t a t i v a d e s ub ve r s ã o da n a t ur a l i d a d e d o c o t i d i a n o d a e s c o l a e d os c o n t e ú d os t r a b a l h a d os e m s a l a de a u l a p r o d u z i u r e s u l t a d os . 4. o n d e m o n t a r í a m os u m a 37 . j o g a d o p a r a o l a d o . q u e s e m p r e s ã o e s p e r a d os p e l a e s c o l a . É e s s a a e s t r a t é g i a da e s c o l a . mas es tudar língu a p or t u g u e s a us a n d o o F u n k e s t á d o „ o u t r o l a d o d a l i n h a ‟ d a l i n h a i n t e l e c t u a l . Par tic ip e i c omo voluntá r io e m um p roje to de uma esc ola e s t a d u a l da z o n a o e s t e d o R i o d e J a n e i r o. T r a b a l h a r c o m u m a m ú s i c a q ue t e m l e t r a s c o m c o n o t a ç ã o s e x u a l n ã o é v á l i d o .

c o l oq ue i e m p a u t a a s e g u i n t e q ue s t ã o : o q ue os a l u n os r e s p o ns á v e i s p e l a p r o g r a m a ç ã o p o d e r ã o t o c a r ? V á r i a s s u ge s t õ e s a p a r e c e r a m . F u i o ú n i c o a p r o t e s t a r c o n t r a a p os t ur a d a p r o f e s s or a e a o f i n a l d a r e u n i ã o f i c o u d e c i d i d o q ue o r e p e r t or i o t e r i a q ue p a s s a r p e l a c r i v o d a d i r e t or a d a e s c o l a .s e da c a de i r a e d i s s e s e f o r m os c o m e ç a r e s s a r á d i o p a r a t o c a r e s s a s “ m e r da s ” q u e e l e s c os t u m a m o u v i r e c a n t a r e m s a l a d e a u l a e u p r e f i r o m e r e t i r a r . M e n t i r a a m e s m a p r o f e s s or a n o f i n a l de 2 0 1 0 fa z i a c a m p a n h a de n t r o d o c o l é g i o p a r a q ue s e us a l u n o s v o t a s s e m na s ua c a n d i d a t a a p r e s i dê n c i a . A d i r e t or a a p a z i g u a n d o a s i t u a ç ã o d i s s e q ue e l e s d e ve r i a m e s c o l h e r os r e p e r t ó r i os . Le v a n t e i a h i p ó t e s e d e t o c a r F u n k . m u l t i d i m e ns i o n a l q ue f o r m a c i d a d ã os e p a r a i s s o l i d a c o m a d i v e r s i d a de . m a s c o m a l g u m t i p o de s up e r v i s ã o . e l e f i c a da p or t a p a r a f o r a . P or i s s o a t i t u d e s c o m o a d e s s a p r o f e s s or a n ã o de v e r i a m s e r a c e i t a s o u d i t a s c o m o n or m a l . A e s c o l a é . u m a or g a n i z a ç ã o s o c i a l c o m p l e x a . P a r a m i m os a l u n o s . e m s e us p r i nc í p i os f i l os ó f i c os e c o n s t i t u c i o n a i s . e l a l e va n t o u .h op . I n v i s i b i l i z a r c e r t os a s s u n t o s o u a f i r m a r c a t e g o r i c a m e n t e q ue a l g u ns t e m a s n ã o p o de m s e r t r a d os p or d e n t r o d e l a n ã o é a m e l h o r f o r m a de c o ns t r u i r u m a e d u c a ç ã o q u e v a l or i z e os s u j e i t os . F e r r a ç o d i s c u t i n d o s o b r e c ur r í c u l o e f o r m a ç ã o c o n t i n u a d a a f i r m a q ue q ua l q ue r p r e t e ns ã o d e e n g e s s a r o s e n t i d o o u d e e s t a b e l e c e r t r i l h o s d e p e ns a m e n t os a s e r e m s e g u i d os é sumar ia me nte e todo te mp o. A r e a ç ã o d e u m a da s p r o f e s s or a s f o i m u i t o p e r t ur b a d or a . h e t e r o gê n e a . “ F u n k n ã o e n t r a n a e s c o l a . e a m e s m a p r o f e s s or a t a x o u u m d os a l u n os d o 1 º a n o de “ v i a d i n h o m e t i d o ” q u e n ã o p a s s a r i a n a m a t é r i a q ue e l a l e c i o n a v a . n o m e u e n t e n d i m e n t o .r á d i o i n t e r na . de v e r i a c o n t r i b u i r p a r a a d i s c us s ã o e d e s m i s t i f i c a ç ã o d e a s s u n t os c o m o s e x u a l i d a de e c u l t u r a l p op u l a r . A p r o f e s s or a e m p é c o m p l e t a o a r g u m e n t o d i z e n d o . 38 . e u n ã o t r a g o p a r a s a l a de a u l a m i n h a op i n i õ e s o u p r e c o n c e i t os . A i n d a . d e i x o i s s o f o r a d a e s c o l a ” ( S I C ) . violada p e l os m o v i m e n t o s da s r e de s c o t i d i a n a s d e s a b e r e s fa z e r e s . p a g o d e o u m ú s i c a c l á s s i c a . h i p . s u j e i t os t e c e d or e s d o c o t i d i a n o d a r á d i o d e v e r i a m e s c o l h e r o q u e t oc a r e o q ue o u v i r . E m u m a d a s p r i m e i r a s r e u n i õ e s p a r a c o ns t r uç ã o da r á d i o . m a s e m ne n h u m m o m e n t o o F u n k f o i c i t a d o .

T a l v e z a e s c o l a p r e c i s e f a z e r u m p r oc e s s o c o ns t a n t e d e r e p e ns a r s u a s p r á t i c a s e de s n a t ur a l i z a n d o o n a t ur a l i z a d o . O s d e s l i z e s d o c o t i d i a n o e a gr a n d e r e de d e s a b e r e s q ue e s t ã o p r e s e n t e n a e s c o l a f a z e m c o m q ue o c ur r í c u l o nã o s e j a u m a r t e f a t o e s t á ve l . c l a r e z a e l i b e r d a d e p e l a s m ú l t i p l a s r e d e s d e c o n h e c i m e n t os e s ub j e t i v i d a d e s q ue f or m a m a e s c o l a e o s e u cotidiano a p r oc ur a da ma ne ir a ma is democrática de ensinaraprender. e n e m de v e s e r . G os t o . de p e ns a r n o c ur r í c u l o c o m o u m doc ume nto muta nte . O c ur r í c u l o s ó e x i s t e v e r da d e i r a m e n t e e s ó t o m a s ua f o r m a q u a n d o p r a t i c a d o . c o m m a i s ob j e t i v i d a d e . q u e os m o v i m e n t o s d o c o t i d i a n o d e ve m s e r c o n s i de r a d os . o d oc u m e n t o .l o c o m o u m a c e r t o m a s c o m o f i o d a t r a m a ) . A s s u m i n d o c o m o p r á t i c a c o ns c i e n t e . os d e s l i z e s d o c o t i d i a n o e a s t r o c a s e m r e d e s s ã o i ne v i t á v e i s e n a t ur a i s . O s p r o f e s s or e s no p ap el de e duca dores ass umir a m q ue a e duca çã o é uma via de m ã o d up l a e q u e e m n e n h u m m o m e n t o s o m os n e u t r os . s e g ur o e s ó l i d o . a u t o n o m i a . J á q ue a s e l e ç ã o d e s a b e r e s . T a l v e z p os s a m os c a m i n h a r . e i s s o m os t r a r q ue e x i s t e m o c ur r í c u l o p r e s c r i t o . c o m O LI V E I R A . e c u r r í c u l o p r a t i c a d o ( O LI V E I R A 2 0 0 3 ) c o t i d i a na m e n t e . e n ã o c o m o a l g o q u e a c o n t e c e m a s nã o é a s s u m i d o c o m o p r a t i c a e d u c a c i o n a l . l i b e r da d e e i n c l us ã o . P or i s s o é i m p or t a n t e q ue s a i b a m os q u a i s a s p os t ur a s a s s u m i d a s p or nó s d e n t r o d a s a l a d e a u l a . a i n t e n c i o n a l i d a de da e d u c a ç ã o . o s e u c o t i d i a n o c o ns i d e r a d o e a p r o v e i t a d o ( q u e nã o q ue r d i z e r e n t e n d ê .q ue p r o d u z e m d a n ç a s e d e s l i z a m e n t os d e s i g n i f i c a d o s i m p os s í v e i s d e s e r e m p r e v i s t os o u c o n t r o l a d o s . q ue só e xis te v er da de ira me nte q ua ndo p r a t i c a d o . A e d u c a ç ã o é u m a t o p o l í t i c o q ue p o d e s e r d o u t r i n a d or e d o g m á t i c o o u l i b e r t a d o r e e m a n c i p a t ó r i o p or i s s o é i m p or t a n t e t e r m os c o n s c i ê nc i a de n os s a s e s c o l h a s p o l í t i c a s . E q u e e m s ua s p r e s c r i ç õ e s a c e i t e o d e s i n v i s i b i l i z a r d o 39 .l os c o m o e s t r a t é g i a ( C E R T E A U ) p a r a q ue a e d u c a ç ã o p os s a p r op or c i o n a r a o s s u j e i t o s o d e s e n v o l v i m e n t o d e s e u p e ns a m e n t o . O s c ur r í c u l o s c o m o p r e s c r i ç õ e s d e c o n t e ú d os d e v e m s e r f l e x í v e i s . C o m o j á a f i r m e i os p r a t i c a n t e s d o c o t i d i a n o t r a ns f o r m a m o s c ur r í c u l os e p r a t i c a s . p r o f e s s or e s e a l u n o s . U t i l i z á . (FERRA ÇO 2 0 05 ) P or i s s o o s a b e r d o a l u n o de v e s e r a u t o r i z a d o e v a l i d a d o .

40 . p a r t i c u l a r m e n t e a c h o q ue o a p r e n d i z a d o é c a ó t i c o .c onhec ime nto do a luno e p er m ita de ntr o de tod o esse ap are nte c a os . d e i x a r q ue a s r e de s de a l u n o s e p r o f e s s or e s c r e s ç a m e q ue e s s e p r o c e s s o p e r m i t a u m a e d u c a ç ã o e p r a t i c a s p e da gó g i c a s d e m o c r á t i c a s e lib er ta doras .

N o s e g u n d o c a p í t u l o . p o i s e m m a i or o u m e n or n í v e l t o d a s a g e m da m e s m a f o r m a .m e e n t ã o a os p o n t os g e r a i s q ue me ser ia m ú te is p ara disc utir o assunto do terc e ir o cap ítulo . Cap itulo onde faç o uma a na logia e ntr e esc olas . A d o t o u m a p os t ur a q ue e nc a r a a e s c o l a c o m o u m a m b i e n t e d i s c i p l i n a d or e o a m b i e n t e d a s t r a q u i na g e ns . B o a ve n t u r a c o m o s e u a r g u m e n t o s ob r e a c o ns t r u ç ã o de u m a l i n h a q u e s e gr e g a o p e ns a m e n t o n ã o va l i d a d o s o c i a l m e n t e c o m o s e n d o a b i s s a l s e t or n a p e ç a c h a ve n a c o n s t r u ç ã o da m i n h a d e f e s a . A c r e d i t o q ue o p a r a d i g m a c i e n t i f i c o . q ue d i s c us s ã o p o d e s e r c o m p l e t a ? A t i v e . m a s i n f e l i z m e n t e e s s a s a t i v i d a de s a i n d a nã o c o ns t a m n o c ur r í c u l o d a s d i s c i p l i n a s . E l e c o ns e g u e t r a d u z i r e m p a l a vr a s t u d o q ue s i n t o e t u d o q ue a c h o s ob r e a c u l t u r a 41 . p r oc u r e i d i s c u t i r o q ue é c i e n t i f i c o . b oa tes e h os p i t a i s . s e n ã o t e r í a m os t o d o s os a l u n os c o m n o t a s a l t í s s i m a s . E a e s c o l a c o m o l oc a l d o s a b e r e d a “ v e r da d e ” n ã o p o de p e r m i t i r a s u a p r e s e nç a e o p r o d uz c o m o i n v á l i d o . T e n h o n o ç ã o d a i nc o m p l e t u d e de m i n h a d i s c us s ã o m a s .C o ns i de r a ç õ e s f i na is No fin a l quando o DJ t oca o Fun k to do mundo dan ça. é us a d o p a r a e x c l u i r c u l t ur a s c o m o o F u n k . P r e c i s e i “ b e b e r ” de v á r i a s f o n t e s e d i a l o g a r c o m m u i t o s a u t o r e s p a r a q ue c o ns e g u i s s e d i s c u t i r o t e m a . P r e c i s a v a de f e n d e r e s s e e s t i l o m us i c a l m a r g i n a l i z a d o e v i s t o m u i t a s v e z e s c o m o m ú s i c a i n f e r i o r . A e s c o l a t e n t a a q u a l q ue r c us t o i n v i a b i l i z a r e s s a s p r a t i c a s ga z e t e i r a s . D i s c u t i r c u l t u r a s e p r a t i c a s e s c o l a r e s f o i o gr a n de d e s a f i o d e m i n h a gr a d u a ç ã o . p resídio. t a r e f a á r d u a e d e r e f l e xõ e s a g o n i z a n t e s . o q ue b a l i z a n os s a s v e r da d e s . N e s s a d i s c us s ã o t o d a a m i n h a e xp e r i ê n c i a c o m o D J a m i n h a v i v ê n c i a n os b a i l e s F u n ks d o R i o d e J a n e i r o f o i d e c i s i v a p a r a q ue e u a d o t a s s e e s s a p os t ur a . T r a ns f i r o e s s a v i s ã o p a r a t o d a s a s e s c o l a s s e m m e d o . N o q ua r t o c a p í t u l o t r a g o u m a d i s c us s ã o d e c ur r í c u l o e de c o m o e l e é e xc l u d e n t e e s e gr e g a d or . E d e c o m o e l e é c a p a z d e s e r v i r de i ns t r u m e n t o p a r a i n v i s i b i l i z a r s a b e r e s e f a z e r de a l u n o s e a t é d e p r o f e s s or e s . o q ue m e d e u m a i s t r a b a l h o . d o b ur l a r a r e gr a . C o m e c e i m e u t e x t o e m u m a d e f e s a d o F u n k c a r i o c a c o m o c u l t ur a l p op u l a r .

o c i d e n t a l . A c r e d i t o q u e a i n d a n ã o c o ns e g u i a t r a v e s s a r a l i n h a d o p e ns a m e n t o a b i s s a l de B o a v e n t ur a . j á c a m i n h a r í a m os significa tiva me nte p ar a ultrap assar esse p ar a digma ab issa l . O n d e a h i e r a r q u i z a ç ã o d os s a b e r e s n ã o e x i s t i r i a . E é n e l e q u e c o n s i g o i m a g i n a r u m a s o l u ç ã o p a r a os p r ob l e m a s q ue a p r e s e n t o . p ois se b aseia no reconhecimento da p l ur a l i d a de de c o n h e c i m e n t os he t e r o g ê ne os ( s e n d o u m de l e s a c i ê n c i a m o d e r na ) e e m i n t e r a ç õ e s s us t e n t á v e i s e d i n â m i c a s e n t r e e l e s s e m c o m p r o m e t e r s ua a u t o n o m i a . e n t ã o o I n t e r c o n h e c i m e n t o . s e r i a a i d e i a d e q u e os c o n h e c i m e n t os e s t ã o e n t r e s i . A m i n h a b us c a é p or u m p e ns a r d i f e r e n t e d e m e u c o l e ga d e gr a d u a ç ã o . S e r i a m u d a r t o d o o p e ns a m e n t o o c i d e n t a l e a b a n d o n a r o p e ns a m e n t o c i e n t i f i c o c a r t e s i a n o . P r o c ur e i r e c o n h e c e r a a b i s s a l i d a d e d o p e ns a m e n t o c i e n t i f i c o p a r a p o de r r e f l e t i r c o m o s e d ã o a s e x c l us õ e s d e s a b e r e s n a e s c o l a . (SANTOS 2010) I n t e r c o n h e c i m e n t o é u m a p a l a vr a q u e v o c ê p r o va v e l m e n t e nã o e nc o n t r a r á n o s d i c i o n á r i o s . Essa muda nça p ara digmá tica ser ia a lgo muito ma is p rofun do e n ã o a f e t a r i a s ó o m e i o e s c o l a r . m a s a c r e d i t o q ue s ua i d é i a de e c o l o g i a d e s a b e r e s s e r i a o c a m i n h o p a r a p e ns a r e s c o l a e c ur r í c u l o e s c o l a r q ue c a m i n h e m p a r a a c o ns t r uç õ e s d e u m a e d u c a ç ã o e m a n c i p a t or i a e interc ultu ra l. A e c o l o g i a d e s a b e r e s b a s e i a . I n t e r é o s u f i x o q u e dá a i d é i a d e “ e n t r e ” .s e na i d é i a d e q u e o conhecimento é interconhecimento . s e e n t r e l a ç a m e s e m i s t ur a m c o m i n t e r a ç õ e s s us t e n t á ve i s e d e r e s p e i t o . q ue s e r e c o n h e c e c o m o m i l i t a n t e e s t u d a n t i l e d i z t r a v a r 42 . q ue e s s e é o c a m i n h o p a r a u m p e ns a m e n t o e m a n c i p a t ó r i o . R e c o n h e ç o q u e p a r a u m a m u d a nç a c o m o e s s a o c or r e r é ne c e s s á r i o u m p r oc e s s o d e m u i t a s l u t a s e d i s c us s õ e s . P e ns a r de s t a f o r m a n os p e r m i t i r i a a c e i t a r a d i v e r s i da d e e p i s t e m o l ó g i c a e “ o r e c o n h e c i m e n t o d a e x i s t ê n c i a d e u m a p l ur a l i da d e d e f o r m a s d e c o n h e c i m e n t o ” ( I d e m ) . m e s m o q u e de f o r m a va g a r os a e a os p o u c os . m a s s e a e s c o l a r e c o n h e c e s s e .

” T r a b a l ha r c o m l i x o ? A o h i e r a r q u i z a r e c o l o c a r o F u n k c o m o l i x o e l e r e p r o d u z os va l o r e s e t o d o o p r e c o n c e i t o d a c l a s s e e c o nô m i c a q ue e l e d i z s e r c o n t r a . e t e r n a . E u a c r e d i t o q ue os e s t u d a n t e s d os q ua i s e u e m e u c o l e g a f a l á v a m os . d e ve m t e r a c e s s o a o u t r os s a b e r e s e ob v i a m e n t e a os s a b e r e s h e g e m ô n i c os . m a s q ue r o q u e e l e s e n t e n d a m q ue os s a b e r e s nã o s ã o m e l h o r e s o u p i or e s . C u l t u r a q u e o m e s m o r e c o n h e c e c o m o s e n d o da s e l i t e s e c o n ô m i c a s d a q ua l e l e e os q u e e l e d i z d e f e n d e r nã o p e r t e n c e m . P or e m e m u m a d i s c us s ã o o n d e e u a fir ma va q ue ser ia interessa nte tr ab alhar c om o Funk nas es c olas d a p e r i f e r i a . P a r a f r a s e a n d o M i l l or F e r n a n d e s . q u e s e v oc ê p u x a r u m d os f i o s o u t r os v i r ã o a s e g u i r e c o m e s s e p u xã o v o c ê p o de d e s m a n c ha r t o d a u m a r e d e e t r a ns f o r m a r n o q ue v o c ê q u i s e r . p o i s a s c u l t ur a s e os s a b e r e s e s t ã o e n t r e l a ç a d o s c o m o os f i o s de u m a r e de . d e q u e a l g o a i n d a e s t á f a l t a n d o . q ue e n t r e e l e s nã o e x i s t e u m a h i e r a r q u i a . E u g os t a r i a d e u l t r a p a s s a r e s s e p e ns a m e n t o e a r r e b e n t a r c o m a s a m a r r a s e p i s t e m o l ó g i c a s q ue m e p r e n d e m n u m p a r a d i g m a q u e p a r a m i m n ã o c o ns e g u e s e r de m o c r á t i c o e e c o l ó g i c o o s u f i c i e n t e c o m a e n o r m e d i v e r s i da d e d e n o s s a s c u l t ur a s . Sem Fi m 43 . q ue r o l u t a r c o n t r a a c u l t u r a h e ge m ô n i c a s e m q u e a s p e s s oa s c o n f u n d a m a m i n h a l u t a c o m o u m l o u v o r à i g n o r â n c i a . E s s e u m t í p i c o p e ns a m e n t o d a e l i t e q u e e l e d i z l u t a r c o n t r a ! E l e r e p r o d u z e s s e p e ns a m e n t o e m os t r a q ue a i n d a e s t á p r e s o na a b i s s a l i d a d e . o n d e a l u n os de c lasses me nos f a v or e c i d a s f i n a n c e i r a m e n t e p o de r i a m d i s c u t i r os c o n t e ú d os e s c o l a r e s a t r a v é s d a s ua c u l t ur a . N a t e n t a t i v a de e s c a p a r d e t o d a s e s s a s a r m a d i l h a s i n e v i t a ve l m e n t e f u i v í t i m a d e l a s . f u i p or q u e a m i n h a b us c a c o n t i n u a e p or q ue s i n t o q ue e s s e t e x t o n ã o s e r á f i n a l i z a d o n u n c a . e s t e c o l e ga m e d i s s e : “ e u s o u c o n t r a e s s a c o i s a d e s ó t r a b a l ha r c o m l i x o . a c h o q ue e l e t e m q t e r a c e s s o a c o i s a s m e l h or e s .u m a l u t a c o n t r a a c u l t u r a he g e m ô n i c a . Q ue e x i s t e s i m u m a i n t e r c u l t u r a l i d a d e . Ele c ontinua r á mes mo dep ois de e ntre g ue e e u c ontinua re i c om essa s e ns a ç ã o .

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