PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL FACULDADE DE EDUCAÇÃO FÍSICA E CIÊNCIAS DO DESPORTO

IURI CORDEIRO SCHROEDER

BIOMECÂNICA DO CICLISMO

Porto Alegre 2005

IURI CORDEIRO SCHROEDER

BIOMECÂNICA DO CICLISMO

Trabalho de Conclusão de Curso, como requisito parcial à obtenção do grau de Licenciado Pleno, pela Faculdade de Educação Física e Ciências do Desporto da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Orientador: Prof. Me. Jonas Lírio Gurgel

Porto Alegre 2005

(Folha de aprovação)

AGRADECIMENTOS

Aos meus Pais e aos meus Irmãos.

A minha Namorada.

Ao Prof. Me. Jonas Lírio Gurgel pela oportunidade, ajuda e por todo conhecimento ensinado.

A Prof. Esp. Flávia Porto pela oportunidade, ajuda e por todo conhecimento ensinado.

A Prof. Dr. Thais Russomano pela oportunidade.

A Todos os colegas do Núcleo de Pesquisa em Biomecânica Aeroespacial pela ajuda.

A todos os colegas do Laboratório de Microgravidade pela ajuda.

Ao colega do Laboratório de Microgravidade Rodrigo Cambraia pela imensa ajuda.

Aos Colegas Fabiano Gonçalves e Hellen Hertz pela ajuda e pelo companheirismo.

foi utilizada a técnica de “Scanning” (GOODMAN. Biomecânica . dividindo assim o trabalho em 4 estudos.RESUMO O presente estudo tem como objetivo verificar se há um número significativo de estudos relacionados à biomecânica do ciclismo na produção nacional. Foram analisadas as seguintes temáticas relacionadas ao ciclismo: EMEC. Como universo de análise foram escolhidos os anais do Congresso Brasileiro de Biomecânica (CBB) assim como todas as edições das Revistas Brasileiras de Biomecânica (RBB). foi possível verificar que as pesquisas relacionadas à biomecânica no Brasil ainda são muito escassas. Foram analisados 1042 artigos. A partir da analise de conteúdo. Foram analisados 31 artigos. o conteúdo dos artigos selecionados foi submetido a uma análise de conteúdo. posteriormente. Em um segundo momento. pois estes representam a produção nacional dos últimos 12 anos relacionada à biomecânica. acarretando assim uma grande dificuldade para o número de pesquisas relacionadas a análise da biomecânica do ciclismo cresçam significativamente. Palavras-Chave: Ciclismo. 1989) para que assim fosse feita uma seleção dos artigos úteis ao desenvolvimento deste estudo. análise do padrão de ativação muscular e variáveis cinemáticas. Outro fato a se considerar é o fato de existirem poucos instrumentos que proporcionem a investigação da eficiência mecânica no ciclismo. 1976 apud KLEIMAN. mostra que não há uma aproximação entre o meio acadêmico e os praticantes e atletas de ciclismo. mas em contra partida possui uma baixa produção cientifica relacionada ao ciclismo. instrumentação e construção de equipamentos. O fato de o Brasil ser um país que possui um enorme número de ciclistas.

Based in the content analysis. analysis of the muscular activation model and kinematics variations. 1042 articles were analyzed. . Cycling. was possible verify that Brazilian researches related to biomechanics still are very poor. was chosen the annals of Brazilian Congress of Biomechanics (CBB) as well many others editions of Brazilian Journal of Biomechanics (RBB) from the last 12 years. Subsequently.ABSTRACT The present study intends to verify if exists a relevant number of researches related with the biomechanics of cycling in a national scope. At all. Key-words: Biomechanics. the work was divided in 4 parts. After the examination of 31 articles. The content of those articles were submitted to a minucious analysis. instrumentation and construction of equipment. 1989) was used as a method to select the articles which could be useful to the development of this study. the Scanning technique (GOODMAN. resulting in a great difficulty for the growth of works and their quality. Another fact to consider is that there are a few instruments and machines which may provide a complete research. showing that there is not a close relation between the academic circle and professional or amateur athletes. 1976 apud KLEIMAN. related to the biomechanics of cycling. Brazil is a country which has many cyclists. in other hand has a few publications. The thematics analyzed related to cycling were: mechanic efficiency. As an universe of analysis.

.43 Equação 10 –Impulso efetivo .................................................................41 Equação 5 – Fórmula para cálculo do trabalho mecânico................42 Equação 8 – Impulso de força resultante ...... HULL...................................................................................................................44 ................................LISTA DE EQUAÇÕES Equação 1 ............. 1981) ...41 Equação 4 – Fórmula para cálculo da eficiência mecânica da pedalada ............................42 Equação 6 – Fórmula para o cálculo do trabalho final gerado pelo pedal na pedalada .....................Fórmula para cálculo da potência média da pedalada........................................41 Equação 3 ........................................................................................................................Fórmula para cálculo de torque (DAVIS.....................................................................................................................Fórmula para cálculo de torque articular produzido durante a pedalada ...........................43 Equação 9 – Impulso de força efetiva ..........................................40 Equação 2 ..............................42 Equação 7 – Fórmula para o cálculo de força efetiva gerada no pedal durante a pedalada ....................................

... em graus.................................LISTA DE FIGURAS Figura 1 – Componentes de uma bicicleta ...................Forças aplicadas no pedal e no pé-de-vela durante a pedalada...47 ................33 Figura 5 – Eixos do pedal...........................18 Figura 3 – Instantes.................................................................................... DAVIS............................32 Figura 4 – Quatro quadrantes..........................................44 Figura 8 – Orientação das forças ao longo do ciclo da pedalada..................................40 Figura 7 ..............17 Figura 2 – Desenho esquemático dos eixos do pedal........... fase de propulsão e fase de recuperação do ciclo da pedalada .... Adaptada de Burke (1996)..................................... 1981)...................................................................... Adaptado de Hull e Davis (1981) ......................39 Figura 6 – Comportamento das forças e dos momentos aplicados ao pedal nos três eixos (HULL................................................................. do ciclo da pedalada ............................

....................53 Gráfico 3 – Total de estudos relacionados à biomecânica do ciclismo versus total de artigos publicados nos anais dos CBBs .............................................74 ........................Evolução das publicações de artigos sobre a construção e instrumentação de materiais relacionados ao ciclismo ...........................LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 ...............................Percentual de artigos relacionados a biomecânica do ciclismo versus o percentual de artigos relacionados a análise eletromiográfica no ciclismo nos anais do XI CBB....................................................64 Gráfico 9 – Percentual de artigos relacionados a construção e instrumentação relacionados a biomecânica do ciclismo versus o percentual de artigos relacionados ao ciclismo......73 Gráfico 10 ...................................................54 Gráfico 4 – Números de artigos relacionados a biomecânica do ciclismo versus o número de artigos relacionados a outras temáticas .... 1997)............Curva de força efetiva de referência (NABINGER................................Percentual de artigos relacionados EMEC versus o total de artigos relacionados a biomecânica nos anais do XI CBB ..........................................................................................................56 Gráfico 6 .......43 Gráfico 2 – Percentual de artigos relacionados a biomecânica do ciclismo em relação ao total de artigos publicados na RBB.....................................64 Gráfico 8 .........................................................................56 Gráfico 7 – Percentual de artigos relacionados a biomecânica do ciclismo versus o percentual de artigos relacionados a análise eletromiográfica no ciclismo nos anais do X CBB....................................................................................................................................................55 Gráfico 5 – Percentual de artigos relacionados EMEC versus o total de artigos relacionados a biomecânica nos anais do X CBB .......................

.................................................80 ..74 Gráfico 12 – Percentual de artigos relacionados à biomecânica do ciclismo versus o total de artigos publicados sobre as variáveis cinemáticas ......Gráfico 11 – Percentual de publicações sobre a construção e instrumentação relacionados ao ciclismo publicados nos anais dos CBBs .......................

..LISTA DE TABELAS Tabela 1 .Artigos sobre pedais a construção de pedais instrumentados ............66 Tabela 8 ..................................57 Tabela 4 – Algoritmos para cálculo de EMEC ....57 Tabela 5 .................Temáticas relacionadas ao ciclismo publicados nas RBBs.......................53 Tabela 2 – Temáticas relacionadas ao ciclismo publicadas nos anais dos CBBs...............................................................................................Número de artigos analisados e o protocolo de colocação de eletrodos utilizados ...............................65 Tabela 6 – Musculaturas analisadas .......................................65 Tabela 7 – Membro inferior analisado .....................................................................54 Tabela 3 – Sistemas de referências utilizados nos artigos analisados......72 ......................................................

LISTA DE SIGLAS CBB – Congresso Brasileiro de Biomecânica CBBs – Congressos Brasileiros de Biomecânica EMG .Eletromiografia de Superfície RBB – Revista Brasileira de Biomecânica RBBs – Revistas Brasileiras de Biomecânica .Eletromiografia EMG-S .

– antes de Cristo cm – centímetro dt – Distância multiplicado pelo tempo EMEC – Eficiência mecânica Fx – Força aplicada no eixo x Fy – Força aplicada no eixo y Fz – Força aplicada no eixo z IE – Índice de efetividade mecânica iFE – Índice de força efetiva iFR – Índice de força resultante IFE – Impulso da força efetiva IFR – Impulso da força resultante Lca – Comprimento do pé-de-vela ms – milissegundo P – Potência PA – Potência muscular RMS – “Root Mean Square” rpm – Rotações por minuto T – Torque WA – Trabalho mecânico muscular WP – Trabalho final gerado no pedal .LISTA DE ABREVIATURAS a.C.

Integral .Newton % .Somatório Θ – Teta .Por cento ∑ .LISTA DE SÍMBOLOS ° .Módulo * .Grau ∫ .Multiplicação N .

..............................30 Cinética do ciclismo .................................................................................61 9................60 ANÁLISE DE CONTEÚDO RELACIONADA AO PADRÃO DE ATIVAÇÃO MUSCULAR NO GESTO MOTOR DA PEDALADA .........................................................1 9.................................................................................................3 9........................2 8.........................................................................................................62 Discussão .52 Discussão ...................................68 ...........................................................................................37 8 ANÁLISE DE CONTEÚDO RELACIONADA A EFICIÊNCIA MECÂNICA NO GESTO MOTOR DA PEDALADA ................................23 OBJETIVOS ..........................................1 8.......28 BIOMECÂNICA DO CICLISMO ....................2 Objetivo geral...............................27 RELEVÂNCIA ..............2 Cinemática do ciclismo ........................................24 3........................50 8................1 3..........................................................................................1 7.........................................16 PROBLEMA ...............................4 9 Corpus de análise .................................4 Corpus de análise .............................................................................................................................................................................51 Resultados .............................24 4 5 6 7 JUSTIFICATIVA ...............................................................................................................................................................................................................................3 8..66 Conclusão ........62 Resultados .................................29 7.........................................................................................................................26 HIPÓTESES.................SUMÁRIO 1 2 3 INTRODUÇÃO ...................................................................58 Conclusão ........................................................................................................................................2 9......24 Objetivos específicos ......................................................................................................................................................

..............................70 10...............................................................................71 Resultados .........................................................4 Corpus de análise .72 Discussão ..................................................79 Discussão ...............78 11..78 Resultados .............................3 11.............................................3 10..........................................................................................................................................................................80 Conclusão .....2 10.......................77 ANÁLISE DE CONTEÚDO RELACIONADA AS VARIÁVEIS CINEMÁTICAS RELACIONADAS AO CICLISMO.............75 Conclusão ...................83 ................................................................................................................10 ANÁLISE DE CONTEÚDO RELACIONADA À CONSTRUÇÃO E INSTRUMENTAÇÃO DE EQUIPAMENTOS RELACIONADOS AO CICLISMO .........1 10......1 11....................................................................................................................................................82 REFERÊNCIAS.........................................2 11..............................4 11 Corpus de análise .................................................................................

2003). na China. na segurança e na habilidade para regular a carga e acomodar uma ampla escala de exigências individuais (GREGOR.16 1 INTRODUÇÃO O ciclismo é uma forma popular de exercício usada para condicionamento aeróbio. Quando a bicicleta é utilizada como exercício aeróbio o enfoque primário é o conforto. seja o uso recreacional. o maior enfoque está no rendimento. que os engenheiros franceses Michauc e Lallemente acrescentaram pedais à bicicleta (CANDOTTI.C. utilizando a bicicleta em diferentes formas. . Na competição. A bicicleta foi criada em 2300 a. Desde sua criação. não possuía sistema de transmissão de forças como pedais. A Figura 1 ilustra os componentes de uma bicicleta. ou o uso como meio de transporte. 2003). em 1855. tanto na sua forma estrutural quanto na tecnologia de materiais empregados (CARMO et al. Estas inovações impulsionam cada vez mais indivíduos a praticar ciclismo. Naquele primeiro momento. Foi. ou o uso competitivo. corrente. inúmeras foram as inovações neste veículo. 2002). para esporte competitivo e uma modalidade de reabilitação a terapia física. no qual o atleta adota uma postura aerodinâmica para minimizar a resistência do ar e potencializar a produção de energia no pé-de-vela. coroas e catracas. Sua utilização restringia-se ao deslocamento em declives.. somente..

Trevisan. o movimento da pedalada do ciclista é um movimento cíclico e repetitivo identificado pela pedalada. para a reabilitação cardíaca. uma grande utilização de cicloergômetros ou bicicletas estacionárias em academias de ginástica por uma gama de indivíduos com biótipos e objetivos completamente diferentes.17 Figura 1 – Componentes de uma bicicleta Seria possível observar. ainda. que consiste na rotação completa do eixo do pedal em torno do eixo central da bicicleta. 2003). Sanderson e Umberger (2004). também. movimentos cíclicos são caracterizados pela repetição contínua de um padrão fundamental de movimento. Iturrioz. Para Martin. Trevisan (2003). . podendo ser utilizada como uma forma de teste de esforço (GREGOR. Segundo Nabinger. Tendo-se em vista que um dos fatores que afeta o desempenho do individuo que pedala é o aspecto mecânico tem-se que a técnica da pedalada é um componente a ser estudado e treinado. A bicicleta estacional ergométrica é comumente utilizada como uma forma de exercício aeróbio para a perda de peso. (2003). Segundo Nabinger. Iturrioz.

2003). A maioria dos estudos relacionados à EMEC é feita em pedais biaxiais. y. essa simplificação pode levar a inferências erradas na análise do movimento tridimensional. mais eficiente é o atleta (SOARES et al. A Figura 2 ilustra os eixos ortogonais do pedal. pelo menos.18 foram desenvolvidos vários instrumentos para a mensuração de forças em pedais de bicicletas e em cicloergômetros com o intuito de mensurar a eficiência mecânica (EMEC) e de analisar se o indivíduo está praticando a técnica correta da pedalada.. utilizando como sistemas de referência os eixos x e y. EMEC pode ser conceituada como um índice que relaciona a potência gerada nas articulações com a potência liberada para o pedal. De acordo com Carmo et al. existem apenas 17 laboratórios de pesquisa em nível mundial que possuem sistema para mensuração de forças em pedais. z). desses a Universidade da Califórnia (University of California) é responsável por. capazes de medir o gesto motor da pedalada bidimenssionalmente. (2002). o que não possibilita uma análise completa da distribuição das componentes de força tampouco dos momentos existentes nos três eixos (x. . Figura 2 – Desenho esquemático dos eixos do pedal Segundo Winter (1990). 50% do total dos estudos. Quanto mais aproveitada a potência gerada.

O conhecimento e o domínio de variáveis biomecânicas e fisiológicas são importantes para otimizar o desempenho dos ciclistas. as bicicletas e os equipamentos de ciclismo vêm sofrendo mudanças. (2003).). incluindo o meio-ambiente e fatores mecânicos e biológicos (TOO. permitiram o desenvolvimento de sistemas mais precisos para a mensuração da EMEC do gesto motor da pedalada. A carga de trabalho e a cadência da pedalada. somente após 1980 uma análise tridimensional do gesto motor da pedalada foi possível. Segundo Cram. também. o pedal desenvolvido por Sharp continha molas montadas entre duas placas. 1990). os avanços tecnológicos constatados a partir de 1970. trata-se da representação gráfica da atividade elétrica do músculo. Entretanto. Já para Araújo . (2005). em 1899. A atividade muscular no gesto motor da pedalada pode ser mensurada através da eletromiografia de superfície (EMG-S). (2002) afirma que Scoth. Ao longo do tempo. Segundo Diefenthaeler et al. Para Soares et al. visto que o ciclismo é afetado pela interação de um grande número de variáveis. Kasman e Hotz (1998). tamanho do pé-de-vela. a qualidade da pedalada depende dos diferentes ajustes da bicicleta (altura do selim. da mesma forma que a metodologia aplicada no treinamento de ciclistas de alto rendimento. Gregor (2003) afirma que os primeiros estudos a avaliarem as forças foram desenvolvidos por Sharp (1896). utilizou um sistema de molas e polígrafos para avaliar a biomecânica da pedalada. tamanho do quadro. a eletromiografia (EMG) é o método que estuda a atividade neuromuscular.19 Seguindo uma perspectiva histórica. etc. da relação de marchas e da técnica da pedalada. Segundo o mesmo autor. da posição adotada pelo ciclista. Carmo et al. as quais se deformavam quando submetidas às cargas presentes no gesto motor da pedalada. exercerão influência direta na atividade muscular.

determinando com objetividade os diferentes potenciais de ação dos músculos empenhados em movimentos específicos (TSCHARNER. Hall (2000) define torque (T) ou momento de força como a ação de uma força aplicada a um corpo em relação a um ponto distante da linha de ação desta força. Para Davis e Hull (1981).20 (2002). (2005a) demonstram que as diferenças no comportamento do músculo tibial anterior. A EMG-S tem sido um efetivo e aprimorado método para se estudar a ação muscular. realmente. É obtido pelo produto da força aplicada pela distância desta aplicação em relação ao eixo de movimento. durante as fases de propulsão e recuperação (GREGOR. Esse estudo da função muscular. também chamada de força transmitida. na fase de recuperação. permite fazer interpretações em condições normais e patológicas de um determinado gesto motor. gerando movimentos de rotação. parece. mostrando . Ciclistas de elite têm como características principais a magnitude da componente da força efetiva. 2002). 2003). depende da orientação da força aplicada pelo ciclista no pedal. evidenciam que a ‘puxada no pedal’. a EMG pode ser definida como o estudo da função muscular através da análise do sinal elétrico emanado durante a contração muscular. A técnica tem sido estudada utilizando-se pedais instrumentados com o objetivo de mensurar as forças aplicadas ao longo do ciclo bem como sua magnitude e sua direção. pelo menos nas condições laboratoriais impostas nesse estudo. entre ciclistas e triatletas. ocorrer. Estudos como os feitos por Candotti et al. o desempenho de ciclistas de alto nível está intimamente relacionado ao nível de treinamento e à técnica da pedalada do ciclista. através da EMG. que é a componente da força aplicada perpendicularmente ao pé-de-vela e que produz torque propulsor.

21 que os ciclistas apresentaram melhor técnica de pedalada do que triatletas. GREGOR. Esta deficiência pode ocorrer pelo fato de os treinadores e atletas não se preocuparem também com o treino ‘técnico’ da aplicação da força no pedal. . muitas vezes. ao invés de privilegiarem o treino das variáveis físicas. posteriormente. em seu estudo. existe ausência de uma força de puxada durante a fase de recuperação do ciclo da pedalado . 1993). A diferenciada estratégia de utilização do Tibial Anterior pode ser uma possível explicação para esta melhor técnica. na fase da propulsão. que para alguns triatletas. o controle do atleta sobre sua técnica de pedalada se mostrou mais eficiente. realizar uma análise de conteúdo acerca da produção nacional relacionada à biomecânica do ciclismo. CAVANAGH. 1990). 90 e 105 rpm. recentemente pode ser percebida uma ênfase no estudo da técnica da pedalada no ciclismo. Candotti et al. mais especificamente nas estratégias de como melhorar a mesma. SCHMIDT. (2005b) demonstram. Já em cadência mais baixa (60 rpm). pois já existem evidências de que é possível modificar padrões de aplicação de força durante a pedalada (SANDERSON. Isso se deve ao fato de ser o ciclismo um esporte altamente competitivo e extremamente técnico (BROKER. O presente estudo terá como objetivo realizar uma revisão bibliográfica sobre a biomecânica do ciclismo e. onde os triatletas não apresentaram habilidade de puxar o pedal durante a fase de recuperação do ciclo da pedalada.fato que foi observado nas cadências 75. O ciclismo tem sido um grande foco de estudo no esporte nos últimos anos. uma vez que se acredita na importância de puxar o pedal na fase de recuperação. que estaria desenvolvendo potência. evitando influenciar no rendimento da outra perna.

. os objetivos gerais e os específicos. são divididos em capítulos sobre a biomecânica do ciclismo e análises de conteúdo acerca da produção nacional relacionada à biomecânica do ciclismo. a justificativa.22 O presente trabalho está dividido em tópicos. a hipóteses e a relevância. Posteriormente. nos quais constam o problema.

23

2 PROBLEMA

Existe uma relação significativa entre a produção nacional relacionada à biomecânica com os estudos relacionados à biomecânica do ciclismo?

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3 OBJETIVOS

3.1

Objetivo geral

Verificar se há um número significativo de estudos relacionados à biomecânica do ciclismo na produção nacional relacionada à biomecânica.

3.2

Objetivos específicos

Realizar revisão de literatura acerca da temática EMEC do gesto motor da pedalada em toda a produção dos anais do Congresso Brasileiro de Biomecânica (CBB) e na Revista Brasileira de Biomecânica (RBB), utilizando a técnica proposta por Bardin (2000). Determinar as fórmulas existentes para cálculo da EMEC do gesto motor da pedalada. Realizar revisão de literatura acerca da temática do padrão ativação muscular no gesto motor da pedalada em toda a produção dos anais do CBB e na RBB, utilizando a técnica proposta por Bardin (2000). Verificar os métodos para normalização do sinal eletromiográfico no estudo do gesto motor da pedalada.

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Realizar revisão de literatura acerca dos instrumentos que estão sendo construídos para analisar o gesto motor da pedalada em toda a produção dos anais do CBB e na RBB, utilizando a técnica proposta por Bardin (2000). Realizar revisão de literatura acerca dos estudos que investiguem as variáveis cinemáticas no gesto motor da pedalada em toda a produção dos anais do CBB e na RBB, utilizando a técnica proposta por Bardin (2000).

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4 JUSTIFICATIVA

A justificativa da pesquisa encontra-se no fato de haver uma lacuna a ser preenchida nas tecnologias de pesquisa que englobam diversas modalidades desportivas, dentre elas o ciclismo. O fato de o Brasil ser um paÍs enorme com um grande número de praticantes do ciclismo, nos faz avaliar como estão sendo realizadas as pesquisas que estão relacionadas à análise biomecânica do gesto motor da pedalada.

A maioria das fórmulas existentes apenas considera dois eixos para cálculo de EMEC devido ao fato da maioria das instituições que realizam pesquisas nestas áreas possuírem pedais instrumentados biaxiais. Há poucas publicações de construção e instrumentação de pedais instrumentados triaxiais.27 5 HIPÓTESES 1. Existe uma produção pequena na área de EMEC do gesto motor da pedalada. As fórmulas existentes para cálculo de EMEC são satisfatórias. 6. 3. a partir do “root mean square” (valor RMS). Para a normalização do sinal a maioria dos estudos utiliza o valor máximo atingido entre as curvas analisadas (valor de pico). 4. com relação aos objetivos a que se propõem. . A maioria dos estudos sobre o padrão de ativação muscular analisa o sinal eletromiográfico através do domínio tempo. 2. 5.

contribuindo. . para demonstrar como estão sendo feitas as pesquisas relacionadas à biomecânica do ciclismo. assim.28 6 RELEVÂNCIA Acredita-se que os resultados destes estudos possam contribuir sobremaneira como ferramenta na atuação de profissionais da saúde que lidam com ciclismo.

conseqüentemente.29 7 BIOMECÂNICA DO CICLISMO Compreender a biomecânica do ciclismo é importante por diversas razões. JORGE. precisamos. o conhecimento sobre a biomecânica do ciclismo poderia ser utilizado como uma ferramenta para a melhoria da técnica de indivíduos que praticam ciclismo de uma forma recreativa ou de indivíduos que utilizam cicloergômetros estacionários para promoção da saúde e/ou para reabilitação de lesões. finalmente. a biomecânica do ciclismo pode melhorar significativamente a técnica e. esta compreensão poderia conduzir à diminuição ou à melhora de lesões causadas em ciclistas de auto-rendimento. em virtude do esforço repetitivo no gesto motor da pedalada. dividir a biomecânica em cinemática e cinética: a cinemática do ciclismo é responsável pela descrição dos parâmetros temporais. . 2002). Hoje em dia. 1985).. a performance dos atletas de elite (HULL. Em segundo. já a cinética irá estudar o movimento a partir das forças que se aplicam sobre o mesmo. espaciais e espaço-temporais do gesto motor da pedalada sem levar em consideração as forças que se aplicam sobre a mesma. os ciclistas procuram maximizar ao máximo o desempenho durante as provas e a EM é um fator importante que afeta o desempenho. Para compreender melhor a biomecânica do ciclismo. primeiramente. Primeiramente. quando praticado em um alto volume e em uma alta intensidade. E. Uma EM elevada resulta em uma taxa baixa de gasto de energia sendo vantajosa durante um ciclo longo de duração (HANSEN et al.

Pois tarefa do ciclismo foi considerada historicamente um movimento . mostrando resultados que indicavam que o joelho pode se mover 6cm no plano frontal durante o ciclo da pedalada. CAVANAGH. o gesto motor da pedalada é um movimento tridimensional complexo que. A maioria dos estudos sobre a cinemática do ciclismo se dá apenas no plano sagital: Flexão e Extensão de joelho e quadril. 2000). (1989). apresenta abdução e adução da articulação do quadril. o movimento do joelho no plano frontal foi investigado por Boutin et al. do padrão ou da forma de movimento em relação ao tempo. sem qualquer referência em particular a força ou as forças que causam ou que resultam esse movimento (HALL. dorsoflexão e flexão plantar de tornozelo. Segundo Hull e Ruby (1996). do padrão e da seqüência do movimento linear através do tempo. da forma. De acordo com Gregor (2003).1 Cinemática do ciclismo A cinemática é o estudo da geometria. . que conseqüentemente provoca a rotação da tíbia. nos últimos anos informações significativas foram apresentadas com relação à natureza tridimensional da tarefa do ciclismo. planar (FARIA. 2004). 1978 pud DIEFENTHAELER. (1992). a translação do joelho no plano frontal e a translação da tíbia em relação aos côndilos femorais no plano sagital. do joelho e do quadril.30 7. A cinemática linear ou angular envolve estudo do aspecto. Mc Coy (1989) e Ruby et al. Foram reportadas informações referentes à rotação interna e externa da tíbia sobre o eixo longitudinal. além das flexões e extensões das articulações do tornozelo.

1992). bem como na amplitude da adução e abdução da articulação do quadril durante a pedalada (Hull. da perna e do pé parecem ser mais afetados pela cadência da bicicleta e pela geometria da bicicleta (altura de . 1996). A análise da movimentação da articulação do joelho no plano frontal tem sido avaliada e os resultados apresentam um desvio medial da articulação do joelho entre 2 e 4cm em relação ao eixo do pedal. a velocidade e a aceleração da coxa. indicando alterações importantes nos membros inferiores dependendo da carga de trabalho imposta (RUBY. o comprimento dos segmentos corporais (coxa. e (3) a cadência de pedalada. que também envolve movimentos rítmicos e alternados das pernas. HAWKINS. o deslocamento. A discussão dos modelos cinemáticos dos membros inferiores durante o ciclismo geralmente enfocam movimentos cíclicos e ritmados. Em alguns casos. Por exemplo. Ruby. ocorrem as maiores oscilações dos membros inferiores. torna-se importante mapear de forma mais pontual esta fase do ciclo da pedalada (RUBY. As variáveis supracitadas estão intimamente relacionadas podendo gerar influência entre si. Entre as variáveis mecânicas mais importantes estão: (1) a antropometria corporal. 2004). podendo ser influenciada pela intensidade do esforço. CARPES et al. Diferentes métodos para mapear a movimentação dos membros inferiores vêm sendo utilizados e correlacionados com diferentes demandas de cargas impostas.. Nessa configuração. perna e pé) e os alinhamentos articulares dos membros inferiores influenciam diretamente na regulagem da altura do selim. HULL. (2) a configuração do complexo ciclista-bicicleta. devido a maior produção de força. 1992. HULL. os indivíduos consideram o ciclismo uma tarefa muito similar à corrida.31 A técnica da pedalada do ciclista é uma característica pessoal e depende de fatores fisiológicos e biomecânicos. visto que na fase de propulsão (0 a 180º).

ou seja. Figura 3 – Instantes. de um ciclo de pedalada. devemos dividir o ciclo da pedalada em graus. em graus. quando o pedal esquerdo está na fase propulsiva. conforme citados por Holderbaum et al. já de 180° a 360° se dá a fase de recuperação da rotação do pé-de-vela. . CONCONI. se dá 0° de 180°.32 banco. Para entender melhor a cinemática do ciclismo. A Figura 3 ilustra cinco instantes. o pedal direito está na fase de recuperação. do ciclo da pedalada Para Gregor e Conconi (2000). 2000). a fase propulsiva onde o ciclista aplica a maior força no pedal. comprimento do pé-de-vela e posição do pé sobre o pedal) (GREGGOR. A Figura 4 ilustra os quatro quadrantes e a fase de propulsão e recuperação. (2005). em graus.

Soares et al. estudos (MARSH. Ao contrário do que acontece em situações de caminhada onde os seres humanos utilizam para caminhar uma combinação de comprimento/freqüência de passada que minimiza o gasto energético. Iturrioz. fase de propulsão e fase de recuperação do ciclo da pedalada A cadência ou freqüência de pedalada é um fator que influencia diretamente na cinemática do ciclismo e. Para Martin. Sanderson e Umberger (2004).33 Figura 4 – Quatro quadrantes. Já para Nabinger. Trevisan (2003). 2000) já demonstraram que a cadência de pedalada preferida pelos atletas é sempre superior à cadência que minimiza o consumo de oxigênio. SANDERSON. cadência seria um movimento cíclico e repetitivo identificado pela pedalada. no rendimento do atleta. conseqüentemente. que consiste na manutenção de um ritmo ao executar mais de uma rotação completa do eixo do pedal em torno do eixo central da bicicleta. MARTIN. Isto é . cadência ou freqüência média é o número de vezes que um ciclo de pedalada se repete. (2005) definem cadência como o ritmo de pedalada.

Martin e Sanderson (2000) que analisaram a cadência preferida por ciclistas em provas. BRISSWALTER et al. . Acredita-se que a cadência de movimento preferida pelos atletas é sempre superior à cadência mais adequada que minimizaria o consumo energético. MARTIN. eles foram capazes de empregar mais força no pedal e obtiveram uma maior efetividade. MORITANI. podendo selecionar uma cadência adequada de pedalada para minimizar o estresse muscular e o gasto energético. Hoyos e Chicarro (2001). 2000. 2005). YASUDA. acreditando-se assim que a escolha de uma determinada cadência está mais associada com a capacidade de transformar o esforço muscular em EMEC do que ao consumo de oxigênio em uma determinada cadência (TAKAISHI.34 constatado independente do indivíduo ter ou não experiência com ciclismo.. MARSH. (1999) demonstraram que em ambiente laboratorial a cadência de treinamento preferida por atletas de alto nível vária entre 90rpm e 100rpm. Segundo Lucía. Estudos como o de Padilla et al. 2000). 1994. (2003). estes estudos também demonstraram que a cadência onde o ciclista teria maior eficiência de movimento não é a cadência preferida pelos ciclistas. e também em ambiente laboratorial.. Estes ciclistas conseguiram. por estes motivos a cadência de pedalada vem sendo discutida em inúmeros estudos (SOARES et al. Esta cadência também foi percebida em estudos de Marsh. SANDERSON. verificou-se que quando os ciclistas pedalaram em uma cadência de 60rpm. Em um estudo feito por Candotti et al. ciclistas de elite experientes apresentam uma EMEC muito perto do padrão mecânico ideal.

. em velocidades maiores ocorre uma diminuição da força (PATTERSON. existe um maior desperdício da força aplicada. SANDERSON. ou seja. por tanto mais eficiência na pedalada. E existem ainda os que consideram que a cadência preferida para pedalar é a mesma na qual a soma dos momentos absolutos sobre as articulações do tornozelo. joelho e quadril estão minimizados (MARSH. Nestas freqüências mais altas. MORENO. 2003). segundo depoimento dos próprios ciclistas..35 de certa forma controlar a orientação da aplicação de força da aplicação de força. No entanto. as evidências mostram que a vantagem em escolher uma cadência mais alta está associada primordialmente a fatores relacionados à força e fadiga muscular mais do que ao consumo de oxigênio em uma determinada cadência (SOARES et al. 1990). MARTIN. o que empobrece a compreensão dos fenômenos relacionados ao ciclismo. Na tentativa de entender o motivo pelo qual os ciclistas escolhem uma determinada cadência que não coincide com a mais econômica tem sido alvo de estudo de diferentes pesquisadores. e um menor índice de efetividade (CANDOTTI et al. Ao contrário. pedalar a 60rpm não é uma freqüência que agrade os ciclistas. tendo.. todos eles preferem pedalar em cadências mais altas (entre 90 e 105rpm). 2000). 2005). Algumas justificativas para a escolha da cadência são: através da relação força x velocidade. Dificilmente os trabalhos sobre cadência preferida por ciclistas avaliam os aspectos fisiológicos e biomecânicos simultaneamente. Apesar de não existir um consenso sobre este fenômeno. porém essa hipótese foi rejeitada por outros estudos como o de Neptune e Herzog (1999).

outros fatores irão influenciar significativamente na cinemática do ciclismo. pé-de-vela e pedal. (2003) chegou à conclusão que as maiores velocidades foram observadas sempre no inicio dos quadrantes.. e tornozelo. Em uma analise do plano sagital. joelho.36 Além da cadência. Já Carpes et al... enquanto o valor mais próximo da média foi observado numa posição intermediaria em cada quadrante. no plano de analise. assim como a relação entre a variação angular do pé-de-vela e do pedal. enquanto a contribuição da variação angular do quadril parece diminuir a medida em que a velocidade de pedalada aumente. porem estas variações ocorreram em um eixo longitudinal. onde as articulações quadril. reportou uma variação angular da articulação do quadril de 45º. tendo sua queda acentuada a partir de 75 rpm (SOARES et al. 1978 apud DIEFENTHAELER. onde a articulação do quadril. o pé e pedal podem ser considerados um único segmento. 2003). joelho e tornozelos estariam em flexão. joelho e tornozelo estariam perto da extensão máxima. 75º para a articulação do joelho e 20º do tornozelo (FARIA. A variação angular no plano sagital da articulação do joelho é que apresenta a maior contribuição para o gesto motor da pedalada. apresentando um modelo bidimensional do gesto motor da pedalada. . 2003). Pequenas variações angulares podem ocorrer dependendo do tipo de equipamento utilizado para engatar a sapatilha ao pedal. CAVANAGH. e serão desprezíveis em uma analise no plano sagital (VELLADO et al. nos permite dividir o modelo em quatro segmentos: coxa. já a contribuição da variação angular tornozelo parece permanecer a mesma nas diferentes cadências. perna. uma vez que não existe movimento relativo entre as partes. Em um estudo limitando-se a analisar a cinemática no plano sagital. A variação angular do quadril. 2004).

massa. O pico de extensão de joelho aumenta de acordo com o aumento da altura do selim. pressão. Em contra partida os picos de extensão e flexão do joelho acontecem entre 350º e 170º da pedalada respectivamente. sendo que os picos de flexão e extensão do quadril.2 Cinética do ciclismo Quando se analisa a cinética de um gesto motor especifico. densidade. 7. O controle das variáveis cinemáticas do ciclismo é uma ferramenta excelente para o aperfeiçoamento da técnica do gesto motor da pedalada de ciclistas ou triatletas profissionais. 2002) vêm demonstrando que ciclistas e triatletas apresentam um padrão cinemático diferenciado principalmente no primeiro quadrante (0º a 90º) e no quarto quadrante (270º a 360º). irão proporcionar um alicerce útil para entender os efeitos que essas forças geram sobre o movimento (HALL. respectivamente. A inércia. é necessário levar em conta que o corpo humano gera forças e resiste a elas durante a realização das atividades. acreditando assim que há uma diferença significativa na técnica principalmente no que se diz respeito à fase de recuperação. mudanças no padrão do ângulo do quadril e joelho estão diretamente relacionadas à altura do selim. peso.37 Para Ericson e Nisell (1988). Dados apontados na literatura (GREGOR. torque e impulso. sendo também extremamente útil para ensino de indivíduos iniciantes no ciclismo. acontecem entre 10º e 180º da pedalada (Fase de propulsão). volume. . 2000).

Essa força . Essa integração envolve a produção músculos partindo do ciclista e um completo entendimento das forças externas e das forças interativas partindo da bicicleta que agem sobre o ciclista (GREGOR. A magnitude da componente da força efetiva.. o objetivo principal é o máximo desempenho do atleta. 2005). bem como sua magnitude e sua direção (BROKER. 2003). GURGEL et al. A técnica tem sido estudada utilizando-se pedais instrumentados com o objetivo de mensurar as forças aplicadas ao longo do ciclo. portanto. pesquisas envolvendo ciclistas de elite têm objetivado. presente principalmente em ciclistas de elite (CANDOTTI. que é a componente da força aplicada perpendicularmente ao péde-vela e que produz torque propulsor.38 Em uma analise completa da cinética do ciclismo. Quando o pé do ciclista aplica uma força sobre o pedal. e aos efeitos da posição do corpo no ajuste da bicicleta (GREGOR. também chamado de força transmitida. Segundo Broker e Gregor (1990). Em competições. 2003). principalmente. 1990. durante as fases de propulsão e recuperação (SANDERSON. Em virtude disso. 2003). fatores relacionados às respostas fisiológicas e mecânicas nas mudanças da carga de trabalho e/ou na força produzida. podemos nos tornar interessados em uma ótima integração entre o ciclista e a bicicleta. GREGGOR. Essa orientação é uma característica da técnica de pedalada de cada indivíduo. que o ciclista esteja em uma posição mais aerodinâmica possível para minimizar o efeito da resistência do ar e maximizar a energia despendida. sendo importante. BLACK. o desempenho está intimamente relacionado ao nível de treinamento e à técnica da pedalada do ciclista. 2003). o pedal também aplicará uma força com a mesma magnitude porem em sentido contrario. depende da orientação da força aplicada pelo ciclista no pedal.

HULL. (DAVIS. que realizam o movimento no eixo longitudinal são chamadas F(x). Greggor e Conconi (2000) definem que os componentes de forças no eixo perpendicular ao pedal são chamados de F(z). já as forças paralelas ao pedal. e já as que ocorrem no eixo Antero posterior de F(y). Figura 5 – Eixos do pedal. A Figura 5 ilustra os eixos do pedal. e ela atua nos membros inferiores do ciclista durante a pedalada (GREGGOR. 2000). 1981) . CONCONI.39 é chamada de força de reação. Adaptado de Davis e Hull (1981) A Figura 6 ilustra o comportamento das forças e momentos aplicados ao pedal nos três eixos.

1981) Os gráficos apresentados pelos pedais instrumentados são utilizados para a melhora da efetividade mecânica. HULL. 1981) T (θ 1) = ( Fx cos θ 2 − Fg sin θ 2) ∗ Lca Equação 1 .40 Figura 6 – Comportamento das forças e dos momentos aplicados ao pedal nos três eixos (DAVIS . Ângulo do pé de vela. Força gerada no pedal.Fórmula para cálculo de torque (DAVIS. Torque articular. HULL. obtido por meio de analise de dinâmica inversa (Equação 1) e eficiência motriz (Equação 2). HULL. 1981) . A EMEC é calculada com base nas variáveis: Ângulo do pedal. (DAVIS.

conforme proposta de Davis e Hull (1981) (Equação 3). onde 100% indica a efetividade máxima. T é o torque. Emec = WA ∗100 WP Equação 4 – Fórmula para cálculo da eficiência mecânica da pedalada A potencia mecânica muscular é a taxa de realização de trabalho (WINTER. 1 ⎛ 360 &⎞ ⎜ ∑ T (θ1 )θ1 ⎟ P= ⎟ 360 ⎜ θ1 =1 ⎠ ⎝ Equação 3 .Fórmula para cálculo de torque articular produzido durante a pedalada Nas quais. θ 2 é o ângulo do pedal. Desta forma o trabalho mecânico muscular (WA). T é o torque. realizado em um dado intervalo de tempo. θ1 é o ângulo do pé-de-vela (que varia de 0° a 360°). ∑ é o somatório da variação angular. A efetividade mecânica é um índice que relaciona o trabalho mecânico muscular (WA) com o trabalho final gerado no pedal (WP).41 N (θ 1) = [Fx T (θ 1) Lca 2 + Fz 1 2 2 ] Equação 2 . Fx é a força aplicada no eixo x. Lca é o comprimento do pé de vela e η é a eficiência motriz. θ1 é o ângulo do péde-vela (que varia de 0° a 360°).Fórmula para cálculo da potência média da pedalada Na qual. é obtido através da integral (∫) do módulo (| |) da potencia . Fx e Fz são funções de θ1 . 1990). P= Potência (em Watts). Potência média da pedalada. e é dada pela Equação 4.

1997). r r ( FP) com a cadência em (VP) WA = ∫ u FP ∗ VP dt Equação 6 – Fórmula para o cálculo do trabalho final gerado pelo pedal na pedalada Na qual. para o cálculo da força efetiva consideraram-se apenas as componentes radiais (perpendiculares ao pé de vela) (NABINGER. 1997). Equação 7 – Fórmula para o cálculo de força efetiva gerada no pedal durante a pedalada Onde FE é a força efetiva aplicada ao pedal e Fy é a força aplicada ao eixo y e Fx é a força aplicada ao eixo x.42 muscular (PA). . WA = ∫ PA dt Equação 5 – Fórmula para cálculo do trabalho mecânico O WP é calculado pelo modulo da integral da potencia gerada no pedal. O Gráfico 1 mostra a curva de força efetiva de referência (NABINGER. WA é o trabalho mecânico muscular realizado em um dado intervalo de tempo. Já para calculo de força efetiva. e dt é a multiplicação da distância pelo tempo. conforme demonstra a Equação 7. porém. que é obtida pelo produto escalar da força perpendicular ao pé-de-vela (Equação 6). FP a força perpendicular aplicada ao pé de vela. VP a cadência e dt a distância vezes tempo. como mostra a Equação 5. as componentes das forças normal e tangencial são decompostas em componentes axiais e radiais ao eixo do pé-de-vela.

Equação 8 – Impulso de força resultante Onde IFR é o impulso da força resultante que é dado pela integral da distância multiplicada pelo tempo (dt) e pela força resultante (FR). 1997) O impulso da força resultante (IFR) e o impulso angular e da força efetiva (IFE). SANDERSON. as componentes das forças normal e tangencial são decompostas em componentes axiais e radiais ao eixo do pé-de-vela. foram obtidos mediante o cálculo da integral (CAVANAGH. Gráfico 1 . porém. conforme ilustram as Equações 8 e 9. Equação 9 – Impulso de força efetiva . em função do tempo. nas posições avaliadas. 1986 apud DIEFENTHAELER.43 Para cálculo da força efetiva. 2004) e normalizados pela posição de referência de cada ciclista. para o cálculo da força efetiva consideraram-se apenas as componentes radiais perpendiculares ao pé de vela.Curva de força efetiva de referência (NABINGER.

44 Onde IFE é o impulso da força efetiva que é dado pela integral da distância multiplicada pelo tempo (dt) e pela força efetiva (FE) E ainda em alguns estudos. 2003) de acordo com a Equação 10. a técnica de pedalada do ciclista. (2005) .Forças aplicadas no pedal e no pé-de-vela durante a pedalada. pode-se calcular o índice de efetividade mecânica (IE). ou seja. Figura 7 . pode-se utilizar a relação entre o Índice de força efetiva (iFE) e o Índice de força resultante (iFR) (SANDERSON e BLACK. Equação 10 –Impulso efetivo Onde IE é o impulso efetivo é igual o impulso da força resultante que é dado IFR pela integral da distância multiplicada pelo tempo (dt) e pela força resultante (FR) dividido por o impulso da efetiva (IFE) que é dado pela integral da distância multiplicada pelo tempo (dt) e pela força efetiva (FE) A Figura 7 mostra as forças aplicadas ao pedal e no pé-de-vela durante a pedalada. que representa o quanto da força aplicada no pedal é aproveitada. Adaptada de Burke (1996) apud Holderbaum et al.

(2005a). à utilização de diferentes estratégias de ativação neuromuscular. confrontam os dados relatados por Gregor (2003). (2005). Essas forças raramente irão exceder o peso do corpo a não ser que o ciclista se apóie no guidom. (2005). Puxar o pedal não é essencial para uma técnica eficiente no ciclismo (GREGOR. embora os ciclistas freqüentemente sintam que puxam o pedal durante a fase de recuperação. 2003). Essa porcentagem é aproximadamente a mesma para todos os ciclistas sentados sobre as condições de estado estável e irão aumentar apenas se o ciclista tentar acelerar a bicicleta por um período consistente. pois os ciclistas possivelmente ‘puxam’ o pedal na fase de recuperação. a partir do comportamento distinto dos músculos tibial anterior e bíceps femoral.45 O pico de força perpendicular à superfície do pedal é aproximadamente 350 N ou 60% do peso corporal do individuo. (2005b) realizaram um estudo no qual foram verificadas as forças de reação aplicada a pedais instrumentados por triatletas. na fase de recuperação. para ciclistas e triatletas. Candotti et al. (2005a) relatam que há um padrão característico e distinto de pedalada. Assume-se que ciclistas detêm uma melhor técnica de pedalada que triatletas. devido. Além disso. isso é raro. conclui-se que inúmeros fatores irão influenciar significativamente nas forças aplicadas aos pedais. investigou a influência da adução e abdução de joelhos e com os joelhos em . Candotti et al. concluindo que com o aumento da cadência os triatletas demonstram uma menor habilidade na orientação das forças durante a pedalada. Dados apresentados por Candotti et al. demonstrando que os valores de força efetiva encontrados diminuem significativamente com o aumento da cadência. possivelmente. Em um estudo realizado por Bini et al. Bini et al.

buscando a tanto a melhora técnica quanto à de performance. pode-se perceber que a posição dos joelhos em relação ao quadro da bicicleta possui repercussões diferenciadas entre os ciclistas. (2003). mas também para monitorar o treinamento dos atletas.46 posições ditas ideal. este estudou utilizou os pedais como uma ferramenta de feedback visual. Holderbaum et al. podem ser uma ótima ferramenta didático-pedagógica para ciclistas iniciantes. onde os gráficos de EMEC. (2005) desenvolveu uma técnica na qual foi possível utilizar pedais instrumentados como uma ótima ferramenta didática pedagógica para ensinar a técnica correta do gesto motor da pedalada. A Figura 8 mostra a orientação das forças ao longo do ciclo da pedalada apresentada ao indivíduo nos intervalos da série de aprendizagem durante a interação do avaliador com o avaliado durante o estudo feitor por Holderbaum et al. onde havia um professor junto ao aluno o auxiliando a executar a técnica correta do ciclismo. Outra aplicabilidade dos pedais instrumentados é no processo de ensino aprendizagem. Segundo Alvarez e Vinyolas (1996) apud Candotti et al. os pedais instrumentados podem ser utilizados não somente para avaliar a técnica da pedalada e fornecer informações sobre a EMEC dos atletas. . (2005). apresentados em tempo real.

em um estudo desenvolvido por Soares et al. em um primeiro momento. o joelho é o principal gerador de potência de pedalada. (2003).47 Figura 8 – Orientação das forças ao longo do ciclo da pedalada Outro aspecto importante da cinética do ciclismo a potencia gerada por cada articulação no ciclismo. e que o quadril apresenta maiores valores de potência negativa. Segundo Broker e Gregor (1994). os valores de potencia muscular são somados em modulo. Essa potência negativa. um percentual da energia gasta na contração excêntrica volta ao sistema armazenada sob a forma de energia elástica. Desta forma para o calculo de trabalho mecânico gerado. com objetivo de avaliar diferentes alturas de selim e influência gerada nos padrões de ativação . que representa uma contração excêntrica. Em um estudo realizado por Diefenthaeler et al. (2005). já que seria contrária ao sentido do movimento. parece ‘atrapalhar’ a propulsão no pedal.

o período de ativação variou com a mudança da posição do selim. os ciclistas apresentaram aumento na ativação do Reto Femoral na posição com o selim 1cm abaixo da posição habitual que eles praticavam o ciclismo. ciente das condições mecânicas do músculo em termos de comprimento e velocidade. e o contrário em uma situação favorável. verificou que ocorreram modificações na direção e na magnitude das forças aplicadas no pedal quando a posição do selim foi alterada. pois estes conseguiram direcionar a força produzida pelo Vasto Lateral no sentido de gerar torque propulsor nesse quadrante. O Reto Femoral e o Tibial Anterior apresentaram ativação entre 270 e 360° do pé-de-vela. Sendo este um músculo monoarticular e um potente extensor do joelho. a posição de referência foi a mais efetiva entre as testadas. parece enviar maior estímulo ao músculo quando este se encontra em uma situação desfavorável. Já em relação ao Vasto Lateral os ciclistas apresentaram maior ativação entre 300 . enquanto que o Vasto Lateral ativou somente a partir da segunda metade desse quadrante. Neste estudo foi registrada no quarto quadrante a ativação dos músculos Reto Femoral. o estudo conclui que esses atletas detêm melhor técnica que se aproxima do ideal. (2005). Vasto Lateral e Tibial Anterior para os três ciclistas. acredita-se que esteja contribuindo para direcionar a força nesse quadrante. Já em relação às forças aplicadas ao pedal em diferentes alturas de selim Diefenthaeler et al. Esta variação pode ser explicada por meio de um mecanismo de regulação do sistema nervoso central.360° do ciclo. atuando como flexor do quadril e flexor dorsal. Entretanto. .48 muscular em ciclistas de elite. Assim. que. respectivamente. Nesse quadrante. A ativação do Tibial Anterior no quarto quadrante representa a técnica do ciclista em direcionar a força no pedal para que esta possa contribuir com o membro contralateral.

Acredita-se que a reduzida ênfase no ensino da técnica da pedalada decorra especialmente da falta de conhecimento dos técnicos e praticantes sobre este tema. necessita ser ensinado. tanto estudo da cinemática quanto o estudo da cinética do gesto motor da pedalada é importantíssimo para melhorar os resultados tanto dos ciclistas e triatletas de alto nível. portanto. Isso se deve ao fato de ser o ciclismo um esporte altamente competitivo e extremamente técnico. . assim como de indivíduos que praticam ciclismo de forma recreacional.49 O estudo da técnica do ciclismo.

apud KLEIMAN. Como universo de análise foram escolhidos os anais do CBB assim como as RBBs.y. Foram adotadas como características de analise: a) Os objetivos pretendidos para as investigações. na qual utilizou-se a técnica proposta por Bardin (2000).z). Em um segundo momento o conteúdo dos artigos selecionados foi submetido a uma analise de conteúdo. b) Os sistemas de referencias utilizados (x. para que assim fosse feita uma seleção dos artigos úteis ao desenvolvimento deste estudo. e) Os testes de esforços empregados. Pois estes representam a produção nacional dos últimos 12 anos relacionada à temática da EMEC no ciclismo. 1989). c) Os algoritmos para cálculos de EMEC. Posteriormente. foi utilizada a técnica de “Scanning” (GOODMAN. Essa técnica consiste em uma leitura superficial dos artigos de que a seleção do material seja mais fidedigna ao que se pretende nesta investigação. d) As amostras utilizadas. . 1976.50 8 ANÁLISE DE CONTEÚDO RELACIONADA A EFICIÊNCIA MECÂNICA NO GESTO MOTOR DA PEDALADA A revisão bibliográfica sobre a temática EMEC da pedalada e a determinação de fórmulas existentes para cálculo da EMEC do gesto motor da pedalada foi realizada por meio de seleção e analise de artigos científicos existentes na área.

João Pessoa. 7. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIOMECÂNICA. D. 2003.. 2003. 2005. SOARES. v.. 1. 10. C. 2003.. F. Analise da técnica da pedalada de ciclistas de elite.. 2.. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIOMECÂNICA. 10... G. CANDOTTI. Comparação entre eficiência mecânica e economia de movimento no ciclismo. 1. 10. et al. 2 v. 6.. 1. 4. Local do pico de força sobre o pedal em diferentes cadências para no cálculo de defasagem eletromecânica.1 Corpus de análise 1. Potência muscular e eficiência mecânica em diferentes cadências no ciclismo. et al. 2005. 1 CD-ROM. G. Ouro Preto. CARPES. Anais. A. Belo Horizonte: Sociedade Brasileira de Biomecânica. Belo Horizonte: Sociedade Brasileira de Biomecânica. ROCHA. 11. F. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIOMECÂNICA. João Pessoa: Sociedade Brasileira de Biomecânica. NASCIMENTO.. Anais. 2 v. Ouro Preto. 3. p. 1 CD-ROM.. Anais.. P. 10. et al. et al. 2005. 2 v.. Metodologia de ensino da técnica da pedalada no ciclismo através de um sistema de feedback visual aumentado.. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIOMECÂNICA.. A influência da posição do selim na aplicação da força durante a pedalada: estudo de casos. Anais. 2005. Experimento com sinais biomecânicos de força aplicados sobre pedais instrumentados para o ciclismo. 2 v. 2005. T. F. v. 228-32. João Pessoa. 11. João Pessoa. 1.. In: CONGRESSO . Ouro Preto. 224-7. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIOMECÂNICA. DIEFENTHAELER. 2003. Anais.. v. O.. p. SOARES.. HOLDERBAUM. 1 CD-ROM. v. 2003. Belo Horizonte: Sociedade Brasileira de Biomecânica. E. et al.. 152-5.. p. 2003. João Pessoa: Sociedade Brasileira de Biomecânica. 372-5. p. et al. Anais. Anais. 1. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIOMECÂNICA. 8. João Pessoa: Sociedade Brasileira de Biomecânica.51 8. Belo Horizonte: Sociedade Brasileira de Biomecânica. 5. 2003. D. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIOMECÂNICA. 2005. 2003. et al. Ouro Preto. v.. Aplicação de força no pedal em prova de ciclismo 40km contra-relógio simulada: estudo preliminar. 11.

... 9. joelho e tornozelo. 11.. 11. 8. Anais.2 Resultados Foram analisadas todas as edições da RBB. Análise da simetria na produção de torque em 40km de ciclismo simulado. Implicações da pedalada em posição aerodinâmica sobre o impulso da força efetiva de ciclistas: estudo de caso. 2005. 11. P. C. Relação entre técnica de pedalada e os momentos musculares do quadril.. 11. 1 CD-ROM. R. Anais. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIOMECÂNICA. João Pessoa. et al. João Pessoa. Anais. 2005. 2005. João Pessoa: Sociedade Brasileira de Biomecânica. João Pessoa: Sociedade Brasileira de Biomecânica. que estão divididas do numero 1 ao 9. João Pessoa: Sociedade Brasileira de Biomecânica. João Pessoa. 2005.. 2005. et al. 2005. João Pessoa. João Pessoa. Estudos das forças aplicadas nos pedais por triatletas. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIOMECÂNICA.. 11. 12. totalizando um total de 72 artigos... . 2005. 2005.52 BRASILEIRO DE BIOMECÂNICA. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIOMECÂNICA. 1 CD-ROM. R.. Destes artigos os dois tratavam da instrumentação para a mensuração de forças no ciclismo. ROCHA. João Pessoa: Sociedade Brasileira de Biomecânica. T. 1 CD-ROM. BINI.. F. O Gráfico 2 mostra o percentual de artigos relacionados à Biomecânica do Ciclismo em relação ao total de artigos publicados na RBB. João Pessoa: Sociedade Brasileira de Biomecânica. 11. 1 CD-ROM. Anais.. CANDOTTI.. E. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIOMECÂNICA. desses 72 apenas dois foram selecionados na edição de numero 2. CARPES. Anais. 1 CD-ROM.. 10. 2005.. 2005. et al.

Temáticas relacionadas ao ciclismo publicados nas RBBs Revista Brasileira de Biomecânica Temática Relacionada ao Ciclismo Eficiência Mecânica Instrumentação e Construção de equipamentos Analise do Padrão de Ativação Muscular Variáveis Cinemáticas N° de Artigos 0 2 0 0 Já nos anais do CBB foram analisados os anais do V ao XI CBB. os quais os objetivos dos estudos eram analise da EMEC com o uso de pedais instrumentados. pois apenas a partir do V CBB os trabalhos passaram a ser publicados em anais. Tabela 1 . . e analisados apenas 12 artigos. O total de artigos analisados foi 970.53 Revista Brasileira de Biomecânica 3% Total de Artigos Artigos Relacionados a Biomecânica do Ciclismo 97% Gráfico 2 – Percentual de artigos relacionados a biomecânica do ciclismo em relação ao total de artigos publicados na RBB A Tabela 1 mostra as temáticas relacionadas ao ciclismo que foram publicados nas RBBs. e um resumo de mesa redonda na qual foi abordada a biomecânica ao ciclismo. sendo selecionados 29 artigos.

A Tabela 2 mostra as temáticas relacionadas ao ciclismo que foram publicados nos Anais do CBB. Tabela 2 – Temáticas relacionadas ao ciclismo publicadas nos anais dos CBBs Temática Relacionada ao Ciclismo Eficiência Mecânica Instrumentação e Construção de equipamentos Analise do Padrão de Ativação Muscular Variáveis Cinemáticas N° de Artigos 12 8 5 4 Apenas a partir do VIII CBB foi publicado um artigo relacionado à biomecânica do ciclismo. já no X CBB foram publicados 9 e no XI foram publicados 19. Anais Congressos Brasileiro de Biomecânica 3% Total de Artigos Artigos Relacionados a Biomecânica do Ciclismo 97% Gráfico 3 – Total de estudos relacionados à biomecânica do ciclismo versus total de artigos publicados nos anais dos CBBs Dos artigos restantes. e outros 5 analise do padrão de ativação muscular no ciclismo e 4 das variáveis cinemáticas.54 O Gráfico 3 mostra o percentual de artigos relacionados à Biomecânica do Ciclismo em relação ao total de artigos publicados nos Anais dos CBBs. 8 tratavam da instrumentação e construção de instrumentos que realizassem a analise da biomecânica do ciclismo. .

Através desta analise foi possível constatar que todos (100%) artigos que analisavam a técnica da pedalada com o uso de pedais instrumentados. 4 se encontravam nos anais do X CBB e 8 no do XI CBB. . capazes de medir as forças aplicadas pelo ciclista. usando como sistemas de referencia as forças aplicadas verticalmente(x) e horizontalmente (y) sobre a plataforma do pedal.55 O Gráfico 4 mostra a relação de artigos relacionados à Biomecânica do Ciclismo em relação ao total de artigos publicados ao longo das edições do CBB. utilizaram pedais instrumentados biaxiais. 500 400 300 200 100 0 59 V CBB 66 VI CBB 81 VII CBB 101 1 VIII CBB 123 9 19 218 Biomecanica do Ciclismo Outros 480 IX X CBB XI CBB CBB Gráfico 4 – Números de artigos relacionados a biomecânica do ciclismo versus o número de artigos relacionados a outras temáticas Dos no 12 artigos analisados. O Gráfico 5 mostra a relação de artigos relacionados à EMEC em relação ao total de artigos relacionados a biomecânica do ciclismo no X CBB.

Anais do XI Congresso Brasileiro de Biomecânica 39% Biomecânica do Ciclismo 61% Eficiência Mecânica Gráfico 6 .56 Anais X Congresso Brasileiro de Biomecânica 31% Eficiência Mecânica Biomecânica do Ciclismo 69% Gráfico 5 – Percentual de artigos relacionados EMEC versus o total de artigos relacionados a biomecânica nos anais do X CBB O Gráfico 6 mostra a relação de artigos relacionados à EMEC em relação ao total de artigos relacionados à biomecânica do ciclismo no XI CBB. .Percentual de artigos relacionados EMEC versus o total de artigos relacionados a biomecânica nos anais do XI CBB A Tabela 3 demonstra o número de artigos analisados e sistemas de referência utilizado nestes artigos.

em dois artigos não constavam os algoritmos utilizados. que é obtido através da Equação 7. dado pela integral da potencia muscular total) como o trabalho final gerado no pedal (WP). Tabela 4 – Algoritmos para cálculo de EMEC Emec = 6 WA ∗100 WP 3 Não consta 3 . onde 100% indica a efetividade máxima e é dada pela Equação 4.57 Tabela 3 – Sistemas de referências utilizados nos artigos analisados Nº de artigos analisados X CBB XI CBB 4 8 Sistemas de referencia utilizado XeY XeY O n amostral utilizado pelos estudos foi em média 8 com desvio padrão de ±6. Os 3 artigos restantes calcularam EMEC a partir do índice de efetividade mecânica que relaciona o trabalho muscular mecânico muscular (WA. A Tabela 4 demonstra os algoritmos utilizados para cálculo de EMEC. Quanto aos algoritmos para cálculo da EMEC. todos os protocolos utilizados foram definidos pelos próprios pesquisadores.58. já em 6 artigos calcularam a EMEC através da força efetiva aplicada ao pedal. Os testes de esforço empregados em todos os estudos não seguiram protocolos já validados na literatura.

a produção nacional relacionada à biomecânica do ciclismo ainda é muito escassa. profissionais. acredita-se que isso se deve ao fato de existir apenas 2 pedais biaxiais e 2 triaxiais em todo território brasileiro. Pode-se. porém se comparamos a análise da EMEC em outras modalidades. Se compararmos com outras modalidades estudadas pelos laboratórios de biomecânica no Brasil. poderemos afirmar que os estudos relacionados à EMEC do ciclismo são muitos escassos. Quando compararmos a produção relacionada a analise da EMEC no gesto motor da pedalada com as outras temáticas relacionadas com a biomecânica do ciclismo. ainda. O fato de ter aumentado o número de pesquisas publicadas relacionadas ao ciclismo no XI CBB.3 Discussão Verificou-se com analise de conteúdo que mesmo o Brasil sendo um país que possui uma quantidade enorme de ciclistas. isto se deve ao fato que apenas em 2001 foi publicado artigos sobre a construção de instrumentos capazes de verificar as forças aplicas aos pedais pelo ciclista no gesto motor da pedalada. observar que apenas a partir do X CBB que os laboratórios começaram a investigar a EMEC do ciclismo. o que torna difícil realizar . a produção relacionada à EMEC no gesto motor da pedalada ainda é muito pequena. podemos constatar que esta é a temática mais avaliada em estudos que dizem respeito à biomecânica do ciclismo. sejam eles recreacionais. fez com que os estudos relacionados à EMEC do ciclismo através do uso de pedais instrumentados acompanhassem esse crescimento. ou apenas pessoas que utilizam a bicicleta como meio de transporte.58 8.

. e os resultados indicaram a importância de analisar o gesto motor da pedalada como um movimento tridimensional.Coy (1989). este fato ocorre possivelmente por que os estudos apesar de avaliarem a EMEC. isto pode levar a simplificações que podem acarretar erros graves na analise da biomecânica do gesto motor da pedalada (WINTER. foram publicados artigos sobre a construção e instrumentação de pedais instrumentados Triaxiais. Quanto aos protocolos de testes de esforços utilizados. informações referentes à rotação interna e externa da tíbia sobre o eixo longitudinal. realizaram a primeira analise triaxial do gesto motor da pedalada.59 mais pesquisas de analise da EMEC do gesto motor da pedalada. Isto se deve ao fato de que apenas em 2005. Segundo Gregor (2003). O fato de laboratórios brasileiros ainda utilizarem pedais instrumentados biaxiais mostra um atraso no que diz respeito a pesquisas relacionadas à biomecânica da pedalada. o movimento do joelho no plano frontal foi investigado por Mc. Boutin et al. Ruby et al. mostrando resultados que indicavam que o joelho pode se mover 6cm no plano frontal durante o ciclo da pedalada. foi possível verificar que em todos os estudos foram utilizados protocolos diferentes. 1990). (1989). pois há uma escassez muito grande de instrumentos que possibilitem esta análise. (1992). a translação do joelho no plano frontal e a translação da tíbia em relação aos côndilos femorais no plano sagital. pois nos últimos anos informações significativas foram apresentadas com relação à natureza tridimensional da tarefa do ciclismo. possuíam objetivos distintos. Já quanto aos algoritmos utilizados para cálculo podemos ver que os pesquisadores brasileiros dão preferência para calcular a EMEC através do calculo da força efetiva. pois por volta de 1981 quando Davis e Hull (1981). Todos estudos analisados utilizam pedais instrumentados biaxiais.

assim como padronizar os algoritmos utilizados para cálculo de EMEC no gesto motor da pedalada. o que seria um n relativamente baixo para se dizer que os achados dos estudos poderiam ser inferidos a uma determinada população. acarretando assim uma grande dificuldade para o número de pesquisas relacionadas a essa temática cresçam significativamente.4 Conclusão A partir da analise de conteúdo. mas em contra partida possui uma baixa produção cientifica relacionada ao ciclismo. . Espera-se que os resultados deste estudo possam contribuir com a Sociedade Brasileira de Biomecânica (SBB) possa definir protocolos específicos e padronizados. foi possível verificar que as pesquisas relacionadas à biomecânica no Brasil ainda são muito escassas. mostra que não há uma aproximação entre o meio acadêmico e os praticantes e atletas de ciclismo. O fato de o Brasil ser um país que possui um enorme número de ciclistas. 8.60 Já o n amostral tem em média 8 atletas. Outro fato a se considerar é o fato de existirem poucos instrumentos que proporcionem a investigação da EMEC no ciclismo.

1976. Em um segundo momento o conteúdo dos artigos selecionados foi submetido a uma análise de conteúdo. na qual utilizou-se a técnica proposta por Bardin (2000). 1989). Pois estes representam a produção nacional dos últimos 12 anos relacionada à temática da EMEC no ciclismo. . Musculaturas analisadas. para que assim fosse feita uma seleção dos artigos úteis ao desenvolvimento deste estudo.61 9 ANÁLISE DE CONTEÚDO RELACIONADA AO PADRÃO DE ATIVAÇÃO MUSCULAR NO GESTO MOTOR DA PEDALADA A revisão bibliográfica sobre a análise do padrão de ativação muscular da pedalada e a determinação de protocolos de analise eletromiográfica do gesto motor da pedalada foi realizada por meio de seleção e análise de artigos científicos existentes na área. Essa técnica consiste em uma leitura superficial dos artigos de que a seleção do material seja mais fidedigna ao que se pretende nesta investigação. As amostras utilizadas. Como universo de análise foram escolhidos os anais do CBB assim como as RBBs. Os métodos utilizados para normalização do sinal. apud KLEIMAN. foi utilizada a técnica de “Scanning” (GOODMAN. Foram adotadas como características de análise: a) b) c) d) e) Os objetivos pretendidos para as investigações. Posteriormente. Protocolo de colocação de eletrodos.

p. 2005. João Pessoa: Sociedade Brasileira de Biomecânica. C. CARVALHO. 2005. 2 v.. Anais. 2005. totalizando um total de 72 artigos. 3. João Pessoa: Sociedade Brasileira de Biomecânica. 1 CD-ROM. SZMICHROWSKI.... BINI. 319-21. 4. 2005. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIOMECÂNICA.... 1 CD-ROM. O efeito da mudança na posição do selim nos padrões de ativação muscular de ciclistas de elite. Correspondência entre a atividade eletromiográfica e limiar de lactato durante teste máximo progressivo em bicicleta estacionária..1 Corpus de análise 1. P. 2. R. F. Comparação do padrão de ativação muscular de ciclistas e triatletas. CANDOTTI. S. KAROLCZAK. Belo Horizonte: Sociedade Brasileira de Biomecânica. João Pessoa. C. 2003. L. 11. A. desses 72 apenas dois foram selecionados . DIEFENTHAELER. B.... M. 11. O. vastus lateralis e rectus femorais e aplicação deste índice em situação de teste continuo durante o ciclismo estacionário. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIOMECÂNICA. 5. 2005. 2005. T. v. Anais. 1 CD-ROM... João Pessoa. A.. Anais.. João Pessoa: Sociedade Brasileira de Biomecânica.. J. João Pessoa: Sociedade Brasileira de Biomecânica. Anais. 2003. O. R. João Pessoa. A. R. João Pessoa. S.2 Resultados Foram analisadas todas as edições da RBB. et al. P. 2005. que estão divididas do numero 1 ao 9. R.. GUIMARÃES. MELO. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIOMECÂNICA. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIOMECÂNICA. 1. Ativação eletromiográfica durante o exercício de ciclismo em cicloergômetro aquático. 1 CD-ROM.. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIOMECÂNICA. Indentificação dos limiares de fadiga eletromiográficos dos músculos vastus medialis. G. Ouro Preto. 9. M. 10. FAVARO. Anais. 2005.62 9. GONÇALVES.. R.. et al.. 11. 11. CARDOSO.

pois apenas a partir do V CBB os trabalhos passaram a ser publicados em anais. a partir do valor RMS. O total de artigos analisados foi 970.63 na edição de número 2. em relação ao total de artigos relacionados à biomecânica do ciclismo no X CBB. Já nos anais do CBB foram analisados os anais do V ao XI CBB. . 2 se encontravam nos anais do X CBB e 3 no do XI CBB. Para a normalização da amplitude do sinal de EMG foi utilizado como critério o valor máximo (valor de pico). Através desta análise foi possível constatar que todos (100%) artigos que analisavam o padrão de ativação muscular da técnica da pedalada através da eletromiografia de superfície utilizaram para analise do sinal eletromiográfico o domínio do tempo. em intervalos de 40 ms. sendo selecionados 29 artigos. Dos 5 artigos analisados. os quais os objetivos dos estudos eram análise eletromiográfica do padrão de ativação muscular no ciclismo. e um resumo de mesa redonda na qual foi abordada a biomecânica ao ciclismo. sendo assim a produção relacionada ao padrão de ativação muscular no gesto motor da pedalada é nula nas RBBs. e analisados apenas 5 artigos. O Gráfico 7 mostra a relação de artigos relacionados a analise do padrão de ativação muscular através da eletromiografia de superfície. Destes artigos os dois tratavam da instrumentação para a mensuração de forças no ciclismo.

Anais XI Congresso Brasileiro de Biomecânica (CBB) 14% Análise Eletromigráfica Biomecânica do Ciclismo 86% Gráfico 8 .Percentual de artigos relacionados a biomecânica do ciclismo versus o percentual de artigos relacionados a análise eletromiográfica no ciclismo nos anais do XI CBB .64 Anais X Congresso Brasileiro de Biomecânica (CBB) 17% Análise Eletromigráfica Biomecânica do Ciclismo 83% Gráfico 7 – Percentual de artigos relacionados a biomecânica do ciclismo versus o percentual de artigos relacionados a análise eletromiográfica no ciclismo nos anais do X CBB O Gráfico 8 mostra a relação de artigos relacionados à analise eletromiográfica em relação ao total de artigos relacionados à biomecânica do ciclismo no XI CBB.

ouve uma diversidade muito grande de protocolos. VL= Vasto Lateral. BF= Bíceps Femoral. e o vasto lateral. enquanto o gastrocnêmio medial foi analisado em 3 estudos e o gastrocnêmio lateral em nenhum. VM= Vasto Medial. Quanto às musculaturas analisadas. .65 A Tabela 5 demonstra o nº de artigos analisados e protocolo de colocação de eletrodos Tabela 5 .51. porém todos protocolos avaliaram o reto femoral. já o tibial anterior apenas em dois estudos. GM= Gastrocnêmio Medial. Em todos os estudos foram analisadas apenas as musculaturas da perna direita.Número de artigos analisados e o protocolo de colocação de eletrodos utilizados Nº de artigos analisados X CBB 2 Protocolo de Colocação de Eletrodos Eletrodos foram alinhados longitudinalmente as fibras musculares e fixados sobre o ventre dos músculos XI CBB 3 Eletrodos foram alinhados longitudinalmente as fibras musculares e fixados sobre o ventre dos músculos O n amostral utilizado pelos estudos foi em média 7 com desvio padrão de ±6. GMáx= Glúteo Máximo. RF= Reto Femoral. Tabela 6 – Musculaturas analisadas Artigos S GM GL TA VM VL RF BF GMáx 1 2 3 4 5 X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X S= Sóleo. GL = Gastrocnêmio Lateral. A Tabela 6 demonstra as musculaturas utilizadas nos estudos realizados. TA= Tiabial Anterior.

2002).66 A Tabela 7 demonstra o membro inferior analisado. Os dados acima mostram que mesmo havendo um crescimento das publicações envolvendo o estudo das variáveis mecânicas do gesto motor da pedalada. os estudos relacionados ao padrão de ativação muscular durante a prática do ciclismo não acompanharam este crescimento. e no que diz respeito ao estudo do padrão de ativação muscular através da análise da EMG-S são extremamente escassos.3 Discussão Verificou-se com análise de conteúdo que os estudos relacionados ao padrão de ativação muscular ainda são muito escassos no que tange a temática da biomecânica do ciclismo. Determinando com objetividade os diferentes potenciais de ação dos músculos empenhados em movimentos específicos (TSCHARNER. A EMG-S tem sido um efetivo e aprimorado método para se estudar a ação muscular. Tabela 7 – Membro inferior analisado Artigos 1 2 3 4 5 Membro Inferior Analisado Direito Direito Direito Direito Direito 9. . em números percentuais houve uma redução de 3% dos estudos relacionados a EMG-S.

bem como as alterações decorrentes dos diferentes ajustes adotados pelo ciclista (DIEFENTHAELER. pois. desta forma. Segundo Favaro e Gonçalves (2003). cada estudo seguiu um protocolo diferente de acordo com seus objetivos a serem estudados. segundo Gregor (2003). o ciclismo tem sido objeto de estudo de várias pesquisas visando à melhora do desempenho de atletas de elite. podemos observar que analise do padrão de ativação muscular do vasto lateral e do reto femoral foi realizada em todos os estudos. 2004). além do estudo das forças envolvidas na pedalada. assim como o método de colocação dos eletrodos estavam de acordo com as normas da sociedade Internacional de cinesiologia e eletromiografia (ERVILHA. DUARTE. apresentam um comportamento similar durante o gesto motor da pedalada. que os músculos superficiais do quadríceps podem responder com uma unidade. Para a normalização da amplitude do sinal de EMG foi utilizado como critério o valor máximo (valor de pico). 1997). A EMG-S é uma excelente ferramenta para se observar o comportamento das musculaturas envolvidas no gesto motor da pedalada. segundo Melo et al. comprovando assim a importância destas musculaturas no gesto motor da pedalada. em intervalos de 40 ms. Já quanto às musculaturas analisadas. compreender qual a contribuição de cada músculo envolvido no movimento da pedalada. a partir do valor RMS. podem ser analisados os padrões de ativação muscular por meio da EMG-S e. (2005) o reto femoral e o vasto lateral. AMADIO. Como método de normalização todos os estudos utilizaram o envoltório RMS para analise do sinal eletromigráfico. embora exista uma dissociação na .67 A diminuição de estudos relacionados ao padrão de ativação muscular durante o gesto motor da pedalada pode ser um fator limitante.

o tibial anterior é um dos principais responsáveis pelo fato de os ciclistas profissionais deterem uma melhor técnica. pois o estudo eletromiográfico do comportamento muscular . ainda segundo Housh (2000) o reto femoral pode ter um comportamento diferenciado.68 característica de fadiga dos músculos superficiais do quadríceps femoral não concordando com a hipótese de Housh (2000) os quais questionaram se a diferente distribuição de fibras musculares poderia resultar em diferentes padrões de ativação eletromiográfica. já que segundo Candotti et al. isto pode ser considerado uma limitação que se diz respeito a pesquisas relacionadas a biomecânica do ciclismo. (2005b). Candotti et al. pois ao ativarem o tibial anterior na fase de recuperação os ciclistas de elite apresentam uma técnica de pedalada. ainda descreve que o padrão de ativação eletromiográfico do bíceps femoral também é responsável por uma melhor técnica na fase de recuperação dos ciclistas de elite. 9. tendo um padrão de ativação menor em relação aos demais músculos do quadríceps devido sua característica de músculo biarticular Apenas dois estudos realizaram analise do padrão de ativação eletromiográfica do tibial anterior.4 Conclusão O estudo realizado demonstra que há uma queda na produção relacionada análise do padrão de ativação muscular no gesto motor da pedalada. isto pode ser considerado uma limitação no que tange a análise da técnica do gesto motor da pedalada. (2005b).

69 durante a prática do ciclismo pode ser uma excelente ferramenta para aprimoramento da técnica. Acredita-se que os achados desse estudo possam contribuir para que a SBB defina protocolos específicos para analises eletromiográfica do ciclismo que visem padronizar as musculaturas analisadas. .

Posteriormente. 1976. 1989).70 10 ANÁLISE DE CONTEÚDO RELACIONADA À CONSTRUÇÃO E INSTRUMENTAÇÃO DE EQUIPAMENTOS RELACIONADOS AO CICLISMO A revisão bibliográfica sobre a construção e instrumentação de equipamentos relacionados ao ciclismo foi realizada por meio de seleção e análise de artigos científicos existentes na área. Como universo de análise foram escolhidos os anais do CBB assim como as RBBs. para que assim fosse feita uma seleção dos artigos úteis ao desenvolvimento deste estudo. foi utilizada a técnica de “Scaning” (GOODMAN. Em um segundo momento o conteúdo dos artigos selecionados foi submetido a uma analise de conteúdo. Foram adotadas como características de análise: a) b) Os objetivos pretendidos para as investigações. apud KLEIMAN. Essa técnica consiste em uma leitura superficial dos artigos de que a seleção do material seja mais fidedigna ao que se pretende nesta investigação. . na qual utilizou-se a técnica proposta por Bardin (2000). Tipos de matérias construídos. Pois estes representam a produção nacional dos últimos 12 anos relacionada à temática da EMEC no ciclismo.

1 CD-ROM. 11. p. 7. ITURRIOZ. Anais. 31-37. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIOMECÂNICA. NABINGUER.. João Pessoa. João Pessoa.. J. I. 1 CD-ROM. DUARTE. 2005. et al.. 3. CARMO. M. 39-44. Anais. J. 2001. 2 v. Ouro Preto. Construção e instrumentação de um pedal sensor de forças e momentos. Anais. 5. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIOMECÂNICA. 10.. 1. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIOMECÂNICA. SCHROEDER. J. João Pessoa: Sociedade Brasileira de Biomecânica. p. et al. DANTAS. Belo Horizonte: Sociedade Brasileira de Biomecânica. J.. 1999.. n.. 403-406. ROCA. 2. Florianópolis. Nov.. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIOMECÂNICA. 2. .. CARMO. Sistema de telemetria para monitoramento de forças aplicas em pedais instrumentados para o ciclismo. n. T. 2005. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIOMECÂNICA. 2005. Nov. Desenvolvimento de um sistema de medição da variação angular do pedal e pé-de-vela. p. Anais. 11. 8.. 427-432.71 10. 1 CD-ROM. 4. 11. et al. C. 8.. 2005. Anais. 3. 1999. Revista Brasileira de Biomecânica. I. 3. Porto Alegre: Sociedade Brasileira de Biomecânica. 2005.1 Corpus de análise 1. 2003. Anais. João Pessoa.. p. 2. A. GURGEL. João Pessoa. Plataforma de força triaxial a ser utilizada em um pedal de bicicleta. et al. D. v. Sistema para determinação da potência mecânica humana e aferição em cicloergômetros. et al.. 1 CD-ROM. 6. João Pessoa: Sociedade Brasileira de Biomecânica. 2005. 2005. João Pessoa: Sociedade Brasileira de Biomecânica. João Pessoa: Sociedade Brasileira de Biomecânica. GURGEL.. NETO. Revista Brasileira de Biomecânica. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIOMECÂNICA... Desenvolvimento e avaliação de um procedimento de calibração para pedal sensor de forças e momentos. et al. Instrumentação para aquisição e avaliação das forças exercidas nos pedais por ciclistas... 2005.. E. 2003. 11. Desenvolvimento de uma plataforma de força em um pedal de ciclismo. 2001... v. v.

Sendo assim. NABINGUER. D. 2 v. Belo Horizonte: Sociedade Brasileira de Biomecânica.. Ouro Preto.y). v. L. 278-281.72 9. totalizando um total de 72 artigos. 100% dos artigos publicados na RBB relacionados ao ciclismo tratavam da construção e instrumentação de pedais. desses 72 apenas 2 foram selecionados e analisados na edição de número 2.. VELLADO. 10.. et al. Belo Horizonte: Sociedade Brasileira de Biomecânica. E. 2 v. ITURRIOZ. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIOMECÂNICA. Nos dois artigos foram os dois tratavam da construídos pedais instrumentados a partir de extensômetros de resistência variáveis (“strain gauges”). M. p. Adaptação da dinâmica inversa ao ciclismo. 2003.. Destes artigos instrumentação para a mensuração de forças no ciclismo. 10. que estão divididas do numero 1 ao 9. v.. Anais.. Anais. 419-422. Sistema para aquisição e monitoramento das forças aplicadas no pedal de bicicleta ciclismo.. A Tabela 8 mostra o número de artigos sobre a construção de pedais instrumentados que foram publicados nas RBBs. que eram capazes de medir a força reação aplicada ao pedal apenas em dois eixos de referência (x. 1. 10. I. Tabela 8 . Ouro Preto. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIOMECÂNICA. p. TREVISAN. 2003. 10. 2003.Artigos sobre pedais a construção de pedais instrumentados Revista Brasileira de Biomecânica 2 . 1..2 Resultados Foram analisadas todas as edições da RBB. 2003.

no qual tratava de um sistema para determinação da potência mecânica humana e aferição em cicloergometros. já no X CBB foram publicados 9 e no XI CBB foram publicados 19. os quais os objetivos dos estudos eram construção e instrumentação de materiais relacionados ao ciclismo. O Gráfico 9 mostra o percentual de artigos relacionados à Biomecânica do Ciclismo em relação ao total de artigos publicados sobre a construção e instrumentação relacionada ao ciclismo.73 Já nos anais do CBB foram analisados os anais do V ao XI CBB. . sendo selecionados 29 artigos. ANAIS CONGRESSO BRASILEIRO BIOMECÂNICA 21% Total de Artigos Relacionados ao Ciclismo Artigos Relacionados a Construção e Instrumentação 79% Gráfico 9 – Percentual de artigos relacionados a construção e instrumentação relacionados a biomecânica do ciclismo versus o percentual de artigos relacionados ao ciclismo . pois apenas a partir do V CBB os trabalhos passaram a ser publicados em anais. e analisados apenas 8 artigos. e um resumo de mesa redonda na qual foi abordada a biomecânica ao ciclismo. O total de artigos analisados foi 970. Apenas a partir do VIII CBB foi publicado um artigo relacionado à biomecânica do ciclismo.

O Gráfico 10 mostra a evolução das publicações de artigos sobre a construção e instrumentação de materiais relacionados ao ciclismo. ANAIS CONGRESSO BRASILEIRO DE BIOMECÂNICA 13% VIII 49% 38% X XI Gráfico 11 – Percentual de publicações sobre a construção e instrumentação relacionados ao ciclismo publicados nos anais dos CBBs .Evolução das publicações de artigos sobre a construção e instrumentação de materiais relacionados ao ciclismo O Gráfico 11 mostra os percentuais das publicações nos Anais do CBB sobre a construção e instrumentação de materiais relacionados ao ciclismo. ANAIS CONGRESSOS BRASILEIROS DE BIOMECÂNICA 5 4 ARTIGOS 3 2 1 0 VIII X XI EDIÇÕES DO CONGRESSO Seqüência1 Gráfico 10 . 1 se encontravam nos anais do VIII CBB 3 no do X CBB e 4 XI CBB.74 Dos 8 artigos analisados.

sendo que os dados dos 2 pedais instrumentados biaxiais foram publicados em 2001. e os dos 2 pedais instrumentados triaxiais foram publicados apenas em 2005. e um para o desenvolvimento de um procedimento para calibração de pedais sensores de força e momentos. Nos anais do XI CBB. 10. um tratava-se de um sistema de telemetria para monitoramento de pedais instrumentados. já outro se tratava de um sistema de monitoramento para pedais instrumentados. Os dados nos mostram que em todo território nacional só há o registro de 4 pedais instrumentados. pois apenas a partir de 2001 começou a ser construído materiais que possibilitem a avaliação da técnica do gesto motor da pedalada.75 O Artigo publicado no VIII CBB tratava-se sobre um sistema para determinação da potência mecânica humana e aferição em cicloergometros. isto pode ser considerado um atraso em relação as . dois se tratavam da construção de pedais instrumentados triaxiais. um de um sistema para medição da variação angular do pedal e do pé-de-vela. e o ultimo de uma adaptação da técnica de avaliação da dinâmica inversa para o ciclismo.3 Discussão Os dados apresentados no estudo nos mostram o quanto às pesquisas relacionadas à biomecânica do ciclismo realizadas pelos laboratórios brasileiros estão atrasadas em relação aos laboratórios internacionais que pesquisam biomecânica do ciclismo no mundo. já os três artigos publicados nos anais do X CBB.

serão feitos em igual condições. avaliando assim apenas as forças aplicadas aos pedais de uma forma bidimensional.76 pesquisas que os laboratórios internacionais realizam. com os estudos realizados nos laboratórios internacionais que pesquisam a biomecânica do ciclismo. se da pelo motivo que apenas em 2005 foram publicados artigos sobre a construção de pedais instrumentados triaxais. demonstrando que os laboratórios internacionais estão muito a frente dos nossos laboratórios no que diz respeitos as tecnologias para pesquisa da biomecânica do ciclismo. porém. no que diz respeito aos materiais utilizados. Os resultados demonstram que as pesquisas realizadas sobre a biomecânica do ciclismo no Brasil são recentes. Já quanto ao fato de a maioria das pesquisas que avaliam o gesto motor da pedalada no Brasil serem realizadas com pedais biaxiais. O fato de os artigos sobre a construção e instrumentação de pedais triaxiais terem sido publicados apenas em 2005. pode-se também olhar com bons olhos para este fato. pois na década de oitenta Davis e Hull (1981) já haviam publicado a construção de um pedal triaxial. pode ser considerado um fator limitante. . isto se da pelo fato de apenas em 2001 foram publicados artigos sobre a construção de materiais que possibilitem a avaliação do gesto motor da pedalada. pois agora. acredita-se que os próximos estudos realizados nos laboratórios nacionais que pesquisam a biomecânica do ciclismo e possuem esse material.

Acredita-se que as pesquisas sobre a biomecânica relacionadas ao ciclismo tendem a evoluir muito.4 Conclusão Os dados deste estudo demonstram que os laboratórios nacionais ainda estão muito aquém dos laboratórios internacionais que pesquisam a biomecânica do ciclismo. deixam os laboratórios nacionais. em igual condições com os laboratórios internacionais que pesquisam as forças de reação aplicadas aos pedais. pois agora. que possuem este instrumento.77 10. com as publicações sobre a construção de pedais instrumentados triaxais. .

Posteriormente. Tipos de matérias utilizados. Como universo de análise foram escolhidos os anais do CBB assim como as revistas brasileiras de biomecânica. para que assim fosse feita uma seleção dos artigos úteis ao desenvolvimento deste estudo. 11. Foram adotadas como características de analise: a) b) Os objetivos pretendidos para as investigações. Essa técnica consiste em uma leitura superficial dos artigos de que a seleção do material seja mais fidedigna ao que se pretende nesta investigação. Em um segundo momento o conteúdo dos artigos selecionados foi submetido a uma analise de conteúdo. CARPES. 1976.1 Corpus de análise 1. 1989).78 11 ANÁLISE DE CONTEÚDO RELACIONADA AS VARIÁVEIS CINEMÁTICAS RELACIONADAS AO CICLISMO A revisão bibliográfica sobre análise de conteúdo relacionada as variáveis cinemáticas relacionadas ao ciclismo foi realizada por meio de seleção e analise de artigos científicos existentes na área. et al. Pois estes representam a produção nacional dos últimos 12 anos relacionada à temática da EMEC no ciclismo. P. In: CONGRESSO . Análise da variação da velocidade angular do pé de vela usando métodos de cinemetria e sensores reed switch. F. foi utilizada a técnica de “Scaning” (GOODMAN. na qual utilizou-se a técnica proposta por Bardin (2000). apud KLEIMAN.

Anais. Proposta metodológica para verificar a influência do ciclismo nos aspectos cinemáticos na corrida do triathlon. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIOMECÂNICA. 11. Anais. 11. 2005. 1 CD-ROM. totalizando um total de 72 artigos.. João Pessoa.2 Resultados Foram analisadas todas as edições da RBB. Anais.79 BRASILEIRO DE BIOMECÂNICA.. 2005.. e analisados apenas 4 artigos. et al. sendo selecionados 29 artigos. 2. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIOMECÂNICA. 1 CD-ROM. João Pessoa. 2005. 2005. Destes artigos nenhum tratava-se da avaliação das variáveis cinemáticas do ciclismo.. 11.. NABINGER. Já nos anais do CBB foram analisados os anais do V ao XI CBB. . 2005. E. e um resumo de mesa redonda na qual foi abordada a biomecânica ao ciclismo... João Pessoa: Sociedade Brasileira de Biomecânica. João Pessoa: Sociedade Brasileira de Biomecânica. João Pessoa: Sociedade Brasileira de Biomecânica. os quais os objetivos dos estudos eram avaliar as variáveis cinemáticas. et al. Anais. 4.. 2005. desses 72 apenas 2 foram selecionados e analisados na edição de número 2. C. João Pessoa. João Pessoa. 3. João Pessoa: Sociedade Brasileira de Biomecânica. que estão divididas do numero 1 ao 9.. 11.. D.. et al. 11. FRAGA. pois apenas a partir do V CBB os trabalhos passaram a ser publicados em anais.. 1 CD-ROM. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIOMECÂNICA. H. 2005. SOARES. Metodologia para a descrição do ângulo de inclinação da tíbia no ciclismo. O total de artigos analisados foi 970. Caracterização da escolha da cadência preferida a partir de parâmetros biomecânicos e fisiológicos. 2005. 1 CD-ROM.

outro sobre a variação da velocidade angular do pé-de-vela usando “reed switch”. pois o controle das variáveis .80 O Gráfico 11 mostra o percentual de artigos relacionados à Biomecânica do Ciclismo em relação ao total de artigos publicados sobre as variáveis cinemáticas. isto é fator limitante nas pesquisas que investigam a biomecânica do ciclismo. 11. Gráfico 12 – Percentual de artigos relacionados à biomecânica do ciclismo versus o total de artigos publicados sobre as variáveis cinemáticas Dos 4 artigos publicados.3 Discussão Os resultados apresentados demonstram que ainda há muito poucas investigações sobre os aspectos cinemáticos no ciclismo. um tratava-se de uma proposta metodológica para verificar a influência do ciclismo nos aspectos cinemáticos na corrida. e último artigo sobre uma proposta metodológica para verificar o ângulo de inclinação da tíbia durante a prática do ciclismo. o terceiro sobre a escolha da cadência preferida.

Os dados nos mostram que apenas um artigo tem como objetivo investigar a cadência preferida dos atletas. e (3) a cadência de pedalada. Sendo assim o fato de existir apenas um estudo que tenha como objetivo investigar a cadência preferida pelos atletas é um fator limitante no que tange as pesquisas relacionadas ao ciclismo. a técnica da pedalada do ciclista é uma característica pessoal e depende de fatores fisiológicos e biomecânicos. sendo também extremamente útil para ensino de indivíduos iniciantes no ciclismo. 2003). perna e pé) e os alinhamentos articulares dos membros inferiores influenciam diretamente na regulagem da altura do selim. RUBY. a como já visto anteriormente. o comprimento dos segmentos corporais (coxa. Se for feita uma comparação aos estudos relacionados exclusivamente a cinemática do ciclismo poderemos constar que estes. a cadência. Por exemplo. As variáveis supracitadas estão intimamente relacionadas podendo gerar influência entre si. e se comparar aos estudos que investigam fatores cinemáticos de outras modalidades são absurdamente escassos. Como já foi visto no capitulo sobre a biomecânica do ciclismo.81 cinemáticas do ciclismo é uma ferramenta excelente para o aperfeiçoamento da técnica do gesto motor da pedalada de ciclistas ou triatletas profissionais. bem como na amplitude da adução e abdução da articulação do quadril durante a pedalada (HULL. são extremamente escassos. ou freqüência de pedalada é um fator que influência diretamente na cinemática do ciclismo e conseqüentemente no rendimento do atleta (CANDOTTI. 1996). (2) a configuração do complexo ciclista-bicicleta. Entre as variáveis mecânicas mais importantes estão: (1) a antropometria corporal. .

82 Isto leva a refletir o motivo pelo qual os laboratórios brasileiros produzam poucos estudos com o objetivo principal de investigar a cinemática do ciclismo. este dado nos mostra que há uma necessidade de haver uma maior investigação dos fatores cinemáticos. capazes de realizar a análise cinemática do gesto motor da pedalada. 11. Espera-se que os resultados deste estudo possam ajudar os laboratórios de biomecânica brasileiros a dar mais valor ao estudo da cinemática do ciclismo.4 Conclusão A partir destes estudos pode-se concluir que ainda há poucos estudos relacionados a fatores cinemáticos que envolvem o gesto motor da pedalada. quanto à EMEC e o padrão de ativação muscular. . mas eles não a realizam. como Peak Performance. Outro fato curioso. além de alguns instrumentos serem de fácil construção. é que. muitos laboratórios brasileiros possuem ótimos instrumentos. A cinemática do ciclismo é tão influente na técnica tanto quanto as variáveis fisiológicas. tendo em vista que a cinemática do ciclismo influência diretamente no gesto motor da pedalada. e que. pois estes interferem significativamente no gesto motor da pedalada e conseqüentemente no rendimento dos atletas. os instrumentos que possibilitam a análise cinemática da pedalada têm preços acessíveis.

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