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ESTE
TEMA
ENVOLVE
CONCEITOS DE
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2 I revi s ta época I 1 1 de j unho de 2 007
O
crescimento do Brasil se dá em espasmos. Após alguns anos de
estagnação, segue-se um surto de expansão com intensidade e
duração variáveis. Até certo ponto, trata-se de um padrão típico do
capitalismo, em que o mercado, e não o planejamento das antigas socieda-
des comunistas, é responsável pela dinâmica da economia. No caso brasi-
leiro, porém, essa natureza incerta é potencializada pela dependência de
fatores que escapam ao controle do governo, como a disponibilidade
de recursos externos.
Hoje, com a abundância de dólares no mundo, sobretudo antes da tur-
bulência dos mercados, o país está em meio a um desses soluços. Depois
de um período de alta medíocre do Produto Interno Bruto (PIB), é provável
que até dezembro a média de crescimento dos últimos quatro anos fique
acima dos 4%. É um resultado que está aquém da necessidade e do poten-
cial do Brasil, mas que não é desprezível, chegando até a causar efeitos
negativos, como a formação de gargalos de infra-estrutura.
A crise aeroportuária é um trágico lembrete de que as condições para
o país continuar crescendo estão muito próximas do limite. Congonhas,
o aeroporto da cidade de São Paulo, é apenas a ponta do iceberg.
Abaixo do nível da água estão a oferta inadequada de energia, o precário
transporte rodoviário, a malha ferroviária insuficiente, a já saturada
capacidade dos portos, enfim, para onde quer que se olhe há uma carência
a ser resolvida.
O anúncio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em janeiro
deste ano, é um reconhecimento por parte do governo
da necessidade de desobstrução desses e de outros gar-
galos. O PAC prevê investimentos de mais de meio tri-
lhão de reais ao longo do segundo mandato do presiden-
te Lula, embora, a julgar pela morosidade dos primeiros
passos, dificilmente chegue lá.
O programa divide as opiniões. Os críticos falam em
volta da interferência do Estado, os simpatizantes vêem
aí um desenvolvimentismo “light”. O fato é que um país
periférico como o Brasil, que vive a reboque dos grandes
centros de poder e riqueza do mundo, dificilmente teria
condição de dispensar a presença do Estado em sua expansão, seja como
investidor, seja como regulador da atividade econômica.
Essa é, em resumo, a história da industrialização brasileira, uma história
que começa meio por acaso com a Revolução de 30. Por acaso, sim, pois
o movimento que pôs fim à República Velha não tinha um plano para
2 | R E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O I

> Período que vai da Proclama-
ção da República, em 1889, à
Revolução de 1930. Foi caracte-
rizado pelo domínio da oligar-
quia agrícola. Revezavam-se no
poder central representantes
dos Estados onde essa burgue-
sia tinha mais expressão, São
Paulo e Minas Gerais.
REPÚBLICA VELHA
> Estima-se que três quartos
das rodovias do país estejam
em estado regular, ruim ou pés-
simo. As estradas brasileiras
são responsáveis por 60% do
transporte de cargas no país.
TRANSPORTE RODOVIÁRIO
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O PAC é um
reconhecimento
da necessidade
de desobstruir
gargalos
da infra-
estrutura
Deodoro, o primeiro presidente
Em cima da base deixada por Getúlio Vargas, a política para o setor começa
com Juscelino e tem continuidade sob os militares POR OSCAR PILAGALLO
Guia ÉPOCA
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industrializar o
Brasil. Apenas rea-
giu à Depressão de
1929, que atingiu
em cheio o consu-
mo de café, motor
da economia bra-
sileira. O primeiro
apoio consistente
à indústria viria
só com o Estado
Novo, entre 1937 e
1945, período mar-
cado pela aliança
entre a burocracia civil e militar e a nascente burguesia industrial.
Até o início da Segunda Guerra Mundial, a indústria
nacional só engatinhava. O conflito militar proporcionou
a primeira oportunidade para o setor ficar em pé. Ela
foi decorrente da atitude do ditador Getúlio Vargas, que
condicionou o apoio do Brasil aos Aliados ao financia-
mento pelos Estados Unidos da Companhia Siderúrgica
Nacional, em Volta Redonda, no Rio de Janeiro. A cria-
ção do BNDES, banco de fomento à indústria, e a da
Petrobras, no segundo governo Vargas, seriam passos na
mesma direção.
Embora Vargas tenha lançado as bases, o grande salto
da indústria só seria dado por seu herdeiro político, Juscelino Kubitschek.
Ao tomar posse, JK anunciou o Plano de Metas, cujo objetivo era crescer
“50 anos em 5”. Por trás do slogan havia uma iniciativa consistente de
planejamento – a primeira do gênero no Brasil. O plano consistia em apro-
fundar o processo de substituição de importações. Os setores de energia e
transporte, que consumiram quase três quartos dos investimentos previs-
tos, foram privilegiados.
A meta mais visível foi a criação da indústria automobilística. Até então,
circulavam no país apenas carros importados, o que acentuava o desequi-
líbrio das contas externas. JK trouxe empresas estrangeiras, inaugurando
o modelo nacional-desenvolvimentista (em oposição ao nacio-
nalista, avesso ao capital de fora). Ao fim de seu mandato, o
presidente chegou próximo da marca dos 100 mil veículos
fabricados que anunciara no início.
O Plano de Metas exigiu um grande esforço de coordena-
ção entre áreas distintas. Para evitar gargalos, era preciso
que não faltassem aço e borracha nas montadoras, nem
material de construção civil para as estradas – e
para Brasília, a cereja do bolo de JK, que custou
o equivalente a pouco mais de 2% do PIB. Uma
expansão de tal magnitude teve um preço ele-
vado: a conta foi apresentada na forma de

Após os ciclos de expansão
da indústria por indução estatal, o
Brasil, em sintonia com a onda
liberal liderada pela Grã-Bretanha de
Margaret Thatcher (1979-1990) e os
Estados Unidos de Ronald Reagan
(1981-1989), deu início em 1990 a um
programa de desestatização. Entre
as primeiras privatizações, ainda no
governo de Fernando Collor (1990-
1992), estavam siderúrgicas, o que, até
no nível simbólico, fechou um ciclo.
O programa ganharia impulso
nos dois mandatos de Fernando
Henrique Cardoso (1995-2002),
quando as vendas geraram
US$ 93 bilhões, dos quais 5% em
“moedas podres” (títulos de dívida
do governo aceitos como parte do
pagamento). No período anterior
(Collor e Itamar Franco), a receita
fora de quase US$ 12 bilhões
(80% em “moeda podre”).
Em A Arte da Política, seu livro de
memórias, FHC defende o progra-
ma como uma “inovação na busca
do interesse público”. O ex-presi-
dente cita a criação das agências
reguladoras, que têm o objetivo
de imunizar áreas importantes de
ingerências políticas, como um
complemento das privatizações.
Para tanto, seus integrantes não
podem ser demitidos, como na
tradição anglo-saxã que serviu de
molde para as agências.
O papel lamentável que a Agência
Nacional de Aviação Civil (Anac)
desempenhou no caos aeroportuário,
porém, mostra que esses órgãos
ainda precisam ser aperfeiçoados.
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Geisel, que investiu
na indústria de base
O PAPEL DAS
PRIVATIZAÇÕES
Getúlio
(ao centro),
responsável
pela primeira
siderúrgica
Até o início
da Segunda
Guerra Mundial,
a indústria
nacional
apenas
engatinhava
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4 I revi s ta época I 1 1 de j unho de 2 007

inflação, que dobrou
para 40% ao ano
durante o mandato.
Depois de patinar
com os dois suces-
sores civis de JK
(Jânio Quadros e João
Goulart), a indústria
teria um novo espas-
mo de crescimento
sob a ditadura militar.
No primeiro momen-
to, houve o que ficou
conhecido como
“milagre brasileiro”.
Entre 1968 e 1973, o
Brasil teve um cresci-
mento “chinês”: a expansão anual foi superior a 10%. A receita mostrou-se
eficiente, mas nada tinha de original: tratava-se apenas de captar os dóla-
res que estavam sobrando no mercado internacional.
O milagre acabou com o choque do petróleo. Em 1973, a Organização
dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) triplicou o preço do barril em
represália aos governos ocidentais que haviam apoiado Israel contra os ára-
bes na guerra do Yom Kippur. Seria o momento de o Brasil desacelerar, como
fez a maioria. Mas os militares decidiram continuar apostando no crescimento.
Assim, em 1974, Ernesto Geisel lançou o Segundo Plano Nacional de
Desenvolvimento. Se o plano de JK visava à indústria de consumo, o de
Geisel visava à indústria de base (fertilizantes, produtos petroquímicos) e
à geração de energia. Mais uma vez, o país passaria por um ciclo de subs-
tituição de importações, desta vez de maior enverga-
dura. Entre 1974 e 1978, o Brasil cresceria a um ritmo
médio anual de 7%. Até os críticos de Geisel não
deixam de reconhecer a importância do investimento
em infra-estrutura. O problema foi o elevadíssimo
custo da tentativa de tornar o país auto-suficiente
em áreas estratégicas. O descontrole da inflação e o
crescimento exponencial da dívida externa – heran-
ças do regime militar – só seriam equacionados duas
décadas mais tarde.
Diante dos planos de JK e dos militares, o PAC
é um programa modesto, mesmo que venha a ser
cumprido à risca, o que é improvável. Uma diferença
objetiva é a limitação de seu financiamento. Hoje em
dia, o consenso em torno dos valores da estabiliza-
ção da moeda não mais permite pagar o crescimento
presente com a inflação futura.
> Nos anos 70, a Opep impôs
dois choques do petróleo. O
segundo foi em 1979, quando
o preço do barril dobrou. A alta
provocou a mais grave recessão
mundial desde 1929. No Brasil,
a inflação disparou e houve de-
terioração das contas externas.
CHOQUE DO PETRÓLEO
Plataforma
de petróleo
no Brasil
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Guerra do Yom Kippur,
que elevaria os preços
do petróleo em 1973
Os militares
lançaram um
plano de
desenvolvimento
num momento
em que o
mundo,
depois do
primeiro
choque do
petróleo,
caminhava
para a recessão
econômica
OSCAR PILAGALLO, jornalista, é autor
de A História do Brasil no Século 20
(em cinco volumes, pela Publifolha)
Guia ÉPOCA
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Leia o texto:
Depois da necessária e proveitosa discus-
são no Congresso Nacional, foi sancionada
a Lei n
o
11.079, que institui normas para a
contratação das Parcerias Público-Privadas
no Brasil. Os obstáculos a vencer com as
PPPs são muitos e complexos. Para que
se obtenha aceitação e confiança públicas,
é preciso, antes de mais nada, grande
determinação e apoio governamental,
além de plena transparência nas ações.
Fonte: CNI in:www.cni.org.br/empauta/src/INFRA-ESTRUTURA.pdf
Sobre as PPPs é correto afirmar:
A) são uma alternativa que o governo
encontrou para atrair investimentos
privados para as obras de infra-estrutura
necessárias ao país.
B) são um meio de atrair investimentos
para obras públicas; elas gozam do mais
absoluto apoio de todas as forças
políticas do país.
C) os empresários não aceitam
as PPPs, pois entendem que os
investimentos em infra-estrutura
são de responsabilidade exclusiva
do governo.
D) o atual governo nega-se a imple-
mentar as PPPs, pois faltam meios
para fiscalizar a correta aplicação dos
recursos, o que implicaria muita cor-
rupção nas obras públicas.
E) são um contrato entre o setor público
e o privado, no qual as empresas tornam-
se donas de um serviço público, como
uma estrada, em troca da tarifa cobrada
dos usuários.
1ª questão
A ampliação e diversificação da matriz ener-
gética brasileira é uma necessidade frente
às possibilidades de retomada do cres-
cimento econômico e industrial do país. O
mapa ilustra o gasoduto Bolívia–Brasil.
Sobre o gás natural e seu uso como
fonte energética no Brasil, é correto
afirmar que:
A) o gás natural é um recurso mineral
renovável, encontrado em bacias sedi-
mentares e formado pela decomposi-
ção de matéria orgânica em ambientes
periglaciais.
B) a substituição do petróleo e do carvão
mineral e vegetal por gás natural, apesar
de reduzir custos, não é recomendável,
pois o gás é mais poluente que os demais.
C) o gasoduto, que no Brasil passa
somente por Estados do Centro-Sul, é res-
ponsável pelo fornecimento de gás natural
a importantes atividades industriais.
D) a construção do gasoduto pode
representar o esgotamento rápido do gás
natural boliviano, pois, além do Brasil, a
Bolívia abastece ainda a Argentina, que
não possui reservas deste recurso.
E) após a construção do gasoduto, o gás
natural passou a ser a fonte de
energia mais consumida no país,
pelo baixo custo de sua obten-
ção e facilidade de distribuição.
UFSCar, 2005 (questão 25 da prova de Geografia)
COMENTÁRIO
A presença do mapa constitui
boa dica para o acerto da
alternativa, mas só ajudará os
que conhecem o valor do gás
natural como fonte energéti-
ca. O gasoduto Brasil–Bolívia
possui 3.150 km, dos quais
2.593 km em território brasileiro.
Parte de Santa Cruz de La Sierra, na
Bolívia, e termina em Porto Alegre,
passando por Mato Grosso do Sul,
São Paulo, Paraná, Santa Catarina e
Rio Grande do Sul. Seu traçado corta
uma área responsável por boa parte
do PIB brasileiro.
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QUESTÕES RESPONDIDAS
Concreto e bossa nova
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6 I revi s ta época I 1 1 de j unho de 2 007

3ª questão
O desempenho atual da indústria
brasileira sofre interferência negativa de
fatores de ordem interna ou externa.
Considerando-se essa informação,
é INCORRETO afirmar que, no Brasil,
a indústria é afetada
A) internamente, pelo custo das tarifas
públicas e pela carga tributária, que
penalizam o setor produtivo brasileiro.
B) externamente, pelas oscilações no
valor da moeda do país, que interferem
na competitividade do produto nacional.
C) externamente, pelos acordos
bilaterais que, assinados pelo país, res-
tringem o número de parceiros e itens
comercializados.
D) internamente, pelo baixo poder
aquisitivo de grande parte do mercado
consumidor, conseqüência da má dis-
tribuição de renda no país.
UFMG, 2006 (questão 40 da prova de Geografia)
COMENTÁRIO
Enunciados que pedem a indicação
da informação incorreta exigem cuidado
extra, uma vez que devem ser interpre-
tados no sentido inverso ao normalmen-
te solicitado. E atenção: há instituições
que não destacam a palavra “incorreta”,
uma armadilha aos desatentos.
Nesta questão, veja que os acordos
bilaterais ampliam – e não restrin-
gem – parceiros e itens comercializa-
dos pelo país. Tais acordos obedecem
às normas da Organização Mundial do
Comércio. Observe que a questão é
datada. No início deste ano, com a modi-
ficação na fórmula de calcular o PIB, o
montante da carga tributária recuou. Da
mesma forma, o consumo das classes
menos favorecidas vem crescendo nos
últimos dois anos, o que poderia levar a
um questionamento da alternativa D.
2ª questão
O setor ferroviário ultrapassou o rodo-
viário na corrida por investimentos. Um
levantamento concluído nesta semana
pela Agência Nacional de Transportes
Terrestres (ANTT) mostra que as conces-
sionárias privadas de estradas de ferro
já garantiram R$ 2,5 bilhões de recursos
para 2003 e 2004. Do outro lado, dados
do Ministério dos Transportes mostram
que as rodovias federais devem receber
neste ano R$ 1,2 bilhão. No ano que vem
não devem receber muito mais que isso.
(O Estado de S. Paulo, 12/10/2003)
Apesar das perspectivas promissoras
apontadas na reportagem, o setor ferro-
viário brasileiro, privatizado nos anos 90,
tem apresentado modestos indicadores
de crescimento do transporte de cargas.
Entre os fatores que têm contri-
buído para esse baixo desempenho,
podemos citar:
A) diferenças de bitolas entre as linhas
férreas e traçados desiguais nas diferen-
tes regiões do país.
B) reduzida demanda para o transporte
de cargas no setor e fracasso do modelo
de gestão privada.
C) inexistência de fábricas de material
ferroviário e preferência das transporta-
doras pela navegação de cabotagem.
D) custos mais baixos do transporte rodo-
viário para grandes distâncias e reduzida
conexão ferroviária entre interior e litoral.
Uerj, 2004 (questão 14 da prova de Geografia)
COMENTÁRIO
Quanto ao enunciado, observe que
começa com a locução prepositiva “ape-
sar de”, que indica concessão em relação
ao afirmado anteriormente. Sendo assim,
o texto, em destaque, não altera o que o
enunciado solicita.
Quanto ao conteúdo, no Brasil, é
comum o uso de duas bitolas diferentes,
a métrica e a larga. Alguns traçados têm
bitolas mistas, adaptadas para o uso
das duas. Apesar dessa dificuldade, o
transporte de carga por via férrea, princi-
palmente de produtos como o minério de
ferro, vem avançando no país. Quanto ao
transporte de passageiros, restringe-se
às regiões metropolitanas.
G A B A R I T O 2 ( A ) 3 ( C )
Estrada de Ferro Vitória
a Minas, responsável por
um terço do transporte da
carga ferroviária no Brasil
Guia ÉPOCA
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1 1 de j unho de 2 007 I revi s ta época I 7

4ª questão
O poema ao lado faz referência ao
desenvolvimento urbano, muito pre-
sente na década de 1950 no Brasil.
Sobre esse período, é CORRETO
afirmar que:
01. no final da década de 1950, o
Brasil teve como presidente Juscelino
Kubitschek (JK), conhecido por
seu slogan de governo “50 anos
em 5”.
02. durante o governo de JK, o país
teve grande crescimento da indústria
de bens de consumo duráveis, a
maioria pertencente a empresas
multinacionais. As propagandas
de automóveis e aparelhos
eletrodomésticos da época revelam
essa tendência.
04. esse período é conhecido pelo
decréscimo da dívida externa
brasileira, que pôde ser paga
gradativamente graças ao aumento
das exportações.
08. a construção de Brasília foi
idealizada por Getúlio Vargas e
concluída por JK. O objetivo era
desenvolver o litoral brasileiro,
construindo a capital do país na região.
16. o desenvolvimento industrial
atingiu, principalmente, o Nordeste
brasileiro. Isso provocou grande afluxo
migratório do Sul e Sudeste para
a região, provocando o inchaço de
cidades como Salvador e João Pessoa.
32. também como reflexo da
industrialização, pôde-se observar
um grande crescimento na população
rural brasileira.
64. no plano cultural, o período do
governo JK presenciou a difusão do
cinema brasileiro e da bossa nova,
na qual Vinicius de Moraes teve
presença marcante.
Indique a soma das
respostas corretas: ______
UFSC, 2007 (questão 17 da prova de História)
COMENTÁRIO
Sobre o enunciado, repare que o
poema, embora guarde relação com
o contexto solicitado, só ilustra a
questão. Ou seja, o entendimento
do poema é irrelevante para você
dar a resposta certa. Fique esperto:
nem sempre a presença de poemas,
trechos de reportagens e gráficos
guardam relação determinante com
o que será solicitado. E atenção
redobrada para não errar a soma
e morrer na praia.
Sobre o conteúdo: o governo JK
(1956-1961) possibilitou a entra-
da das multinacionais de bens
de consumo duráveis, tendo à
frente a indústria automobilís-
tica. No período, o Brasil viveu
grande efervescência cultural,
com o surgimento da bossa
nova – representada por
João Gilberto, Tom
Jobim e Vinicius
de Moraes, entre
outros – e grande
atividade no cinema,
no teatro, na
literatura e na
arquitetura.
G A B A R I T O 4 ( 6 7 = 1 + 2 + 6 4 )
A CIDADE EM PROGRESSO
“A cidade mudou. Partiu para o futuro
Entre semoventes abstratos
Transpondo da manhã o imarcescível muro
Da manhã na asa dos DC-4s
Comeu colinas, comeu templos, comeu mar
Fez-se empreiteira de pombais
De onde se vêem partir e para onde se vêem voltar
Pombas paraestatais. [...]
E com uma indagação quem sabe prematura
Fez erigir do chão
Os ritmos da superestrutura
De Lúcio, Niemeyer e Leão. [...]
MORAES, Vinicius de. Nova Antologia Poética. São Paulo: Cia. de Bolso, 2005, p. 237.
Vinicius,
poeta que
aderiu à
bossa nova
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Guia ÉPOCA Vestibular 2008 – Atualidades circulará encartado
em sua revista em dez fascículos. Além dos temas abordados (veja
o calendário abaixo), haverá outro assunto a ser escolhido pelos
leitores e que será tratado num 11
o
fascículo disponível apenas no site da
revista. Para votar num dos assuntos propostos, basta acessar www.epoca.com.br
e clicar na seção “especiais”.
O guia ajudará o candidato a melhorar seu desempenho na prova de
atualidades. O tema de cada fascículo será exposto num texto didático. Para
avaliar o grau de conhecimento dos estudantes, os professores vão propor
uma questão inédita e comentarão outras quatro formuladas para exames em
universidades espalhadas pelo Brasil.
O comentário será dividido em duas partes. Na primeira, foca-se o enun-
ciado, com destaque para as diversas maneiras de formular uma questão. Na
segunda, analisa-se o conteúdo. O ideal é o candidato responder à questão
antes de ler o comentário. O gabarito encontra-se no pé da página em que
está a questão. As quatro questões são transcritas sem modificações, para
que você possa treinar em casa a partir de uma situação real. I
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Como aproveitar este guia
Calendário
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FASCÍCULO TEMA
9
10
Infra-Estrutura no Brasil
Democracia Brasileira
A Explosão Urbana no Mundo
Os Desafios da Geração de Energia
O Meio Ambiente no Século XXI
A Ameaça do Aquecimento Global
O Terrorismo e o Ataque aos Direitos do Cidadão
China – Crescimento e Repressão
Conflitos no Oriente Médio
América do Sul – Geopolítica e Energia
> E NÃO SE ESQUEÇA: vote no site o tema do 11
o
fascículo
DIRETORDEREDAÇÃO Helio Gurovitz epocadir@edglobo.com.br
REDATOR-CHEFE David Cohen
DIRETOR DE CRIAÇÃO Saulo Ribas
EDITORES-EXECUTIVOS André Fontenelle, David Friedlander
DIRETOR DE ARTE Marcos Marques
O Guia ÉPOCA Vestibular 2008 – Atualidades é um projeto
editorial de 11 fascículos desenvolvido pelo UNO Sistema de
Ensino da Editora Moderna para a Editora Globo. © 2007 Editora
Moderna e Editora Globo. Todos os direitos reservados.
Nenhuma parte desta coleção pode ser reproduzida sem
autorização prévia da Editora Moderna e da Editora Globo.
COORDENAÇÃO GERAL DO PROJETO Ana Luisa Astiz
COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA Carlos Piatto (UNO)
COORDENAÇÃO DE TEXTOS Antonio Carlos da Silva
e Venerando Santiago de Oliveira
COMENTÁRIOS AOS ENUNCIADOS Jô Fortarel
EDIÇÃO DE TEXTO Oscar Pilagallo
EDIÇÃO DE ARTE Leonardo Nery Protti
ILUSTRAÇÕES AKE Astbury
REVISÃO Bel Ribeiro
SUPERVISORA DE INTERNET Adriana Isidio (UNO)
DIRETOR EXECUTIVO Juan Ocerin
DIRETOR EDITORIAL Paulo Nogueira
DIRETOR DE MERCADO ANUNCIANTE Gilberto Corazza
DIRETOR DE FINANÇAS Frederic Zoghaib Kachar
DIRETOR DE ASSINATURAS Stavros Frangoulidis Neto
Antes de
começar
a responder às
perguntas, leia
todas as questões
para sentir a
dimensão da
prova e o grau
de dificuldade
dos enunciados.
E fique
atento:
é comum
aparecer algum
dado que pode
ser utilizado em
outras questões.
Guia ÉPOCA
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A
América do Sul, que era
conhecida por ter governos
de direita, assistiu nos últi-
mos anos à ascensão da esquer-
da. Partidos identificados com o
socialismo de diferentes matizes
estão no poder. Para alguns, são
governos populares; para outros,
neopopulistas. A guinada nem
sempre significou rompimento
com o liberalismo, como no Brasil
e no Chile. Os EUA se mostram
mais preocupados com Hugo
Chávez (Venezuela), Evo Morales
(Bolívia) e Rafael Correa (Equa-
dor), que lideram governos hostis
à superpotência. Um fato comum
a esses países é ter gás natural ou
petróleo. São as grandes reservas
da Venezuela que permitem a
Chávez uma política externa mais
ousada. A ação conjunta de paí-
ses da região, no entanto, ainda
esbarra em obstáculos, como se
verá neste fascículo.

NESTA EDIÇÃO
Chávez, trajetória
entre golpes PÁG. 3
Conheça a gênese
do Mercosul PÁG. 4
Veja o tema vencedor
do 11
o
fascículo PÁG. 8
> História
> Geografia
Populares ou
populistas, eis
a questão
A esquerda chegou ao poder na América
do Sul, mas essa uniformidade ainda
não se traduziu na conclusão de projetos
energéticos comuns
Lula, ladeado por Hugo
Chávez, da Venezuela (à esq.),
e Evo Morales, da Bolívia
©

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2 I revi s ta época I 1 1 de j unho de 2 007
T
radicionalmente governada
por regimes associados à ide-
ologia de direita, a América do
Sul assistiu nos últimos anos à ascensão
da esquerda. Após a onda neoliberal dos
anos 1990, partidos identificados com o
socialismo de diferentes matizes alcançaram
o poder. Para alguns, são governos popula-
res; para outros, neopopulistas.
Em muitos casos, a referida ascensão não
significou rompimento absoluto com práticas liberais,
como demonstram os casos chileno e brasileiro. Assim,
tanto ao estudante como ao professor, faz-se necessário um
filtro ideológico para uma avaliação ponderada do quadro
político sul-americano e de sua conjuntura geopolítica.
Excetuando-se o claro exemplo da Colômbia, de Álvaro
Uribe, a grande maioria dos países sul-americanos encontra-se,
hoje, governada por partidos e/ou políticos com origem na esquerda.
Aguardemos a definição no Paraguai (por enquanto, o líder das pesquisas
para as eleições de 2008 é o ex-bispo Fernando Lugo,
candidato de esquerda).
O atraso social e econômico da América Latina (onde se insere a América
do Sul) é um produto histórico e, independentemente do viés ideológico dos
atuais e próximos governantes, é difícil que o quadro se reverta no curto prazo.
A reparação da desigualdade construída em bases tão sólidas e incrustada há
séculos na região não será tarefa fácil para liberais ou socialistas.
Já a geopolítica regional é redesenhada, circunstancialmente, de acordo com
ENTENDA O ASSUNTO
Conservadora e oligárquica,
a América do Sul
volve à esquerda

2 | R E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O X
Com petróleo e gás, a região
poderia ter peso maior nas
negociações com as potências
consumidoras, mas projetos
regionais enfrentam obstáculos
POR EDILSON ADÃO
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A ONDA VERMELHA
SUL-AMERICANA
Eleições em abril de 2008
Governos de esquerda
Governo de direita
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3 | R E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O X

> Duas frustradas tentativas
de golpe de Estado mar-
cam a trajetória política de
Hugo Chávez, presidente da
Venezuela. A primeira, que
ele protagonizou, data de
fevereiro de 1992. Na épo-
ca, o então tenente-coronel
Chávez tentou derrubar o
presidente Carlos Andrés
Pérez, identificado com um
programa econômico liberal.
Preso, foi anistiado dois anos
mais tarde. Com projeção
nacional, venceu a eleição de
1998 e, em abril de 2002, seria
vítima de um golpe de direita,
que o afastou do cargo por
apenas algumas horas.
UMA LIDERANÇA, DOIS GOLPES
A Venezuela
possui enormes
reservas de
petróleo, o que
determina
sua política
externa
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o tom partidário daqueles que chegam ao poder. Como líder das Américas,
os Estados Unidos vêem com muita reticência os passos de Hugo Chávez
(Venezuela), Evo Morales (Bolívia) e Rafael Correa (Equador), que lideram
regimes hostis à superpotência. Um fato comum a esses países é terem gás
natural ou petróleo. Outros líderes preocupam menos. É o caso de Lula, de
Michelle Bachelet (Chile) e de Tabaré Vásquez (Uruguai), assim como Néstor
Kirchner (Argentina), no início do mandato.
A América do Sul tem papel importante na estratégica questão da
energia no século XXI, particularmente a Venezuela. O país possui reservas
petrolíferas no Orenoco, uma das maiores do mundo. Essas reservas
poderão colocar o país no primeiro lugar mundial, se confirmada a
certificação internacional em 316 bilhões de barris (atualmente, as reservas
são de 77 bilhões de barris, a sexta maior concentração do mundo). As
reservas da Arábia Saudita, hoje as maiores do mundo, são de 218 bilhões
de barris. Quanto ao petróleo extrapesado, de menor
qualidade, a Venezuela detém a maior reserva mundial.
A política externa de Chávez põe seu prumo nessa
realidade. Estreitando os laços com Irã, Rússia e China,
suas ações são mais que uma simples provocação
aos Estados Unidos. Há interesses econômicos e
geopolíticos. Por sua vez, a China já está em busca das
principais zonas petrolíferas do mundo; o Sudão é um
exemplo. A Venezuela seria muito bem-vinda ao papel de
fornecedor ao dragão asiático.
No âmbito regional, Hugo Chávez lançou, em 2004,
uma ousada proposta: a criação da Petrosur, uma empresa multinacional
sul-americana do setor petrolífero, idéia que foi aceita de pronto pelo Brasil.
A intenção é aproveitar as estruturas da Petrobras e da PDVSA. Com a
Bolívia, Chávez fundou a Petroandina, empresa binacional, 60% boliviana e
40% venezuelana.
Outro grande projeto energético de porte é o Grande Gasoduto do Sul
(GGS), iniciativa venezuelana, brasileira e argentina, cujo projeto original
prevê um gasoduto de 8.000 quilômetros. O primeiro trecho ligaria Güiria,
na Venezuela, ao Recife. Nas fases seguintes, incorporaria Argentina, Bolívia,
Michelle Bachelet,
presidente do Chile
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4 I revi s ta época I 1 1 de j unho de 2 007
Uruguai, Paraguai, além de outros
países que desejassem.
Para alguns, tais empreendimentos
energéticos fazem parte de um plano
expansionista de Chávez. Para outros,
representam uma possibilidade de
independência plena da porção austral
da América. Esses projetos, no entanto,
sofrem críticas sobre a viabilidade
econômica, técnica e ambiental (o
ramal do gás atravessará a Floresta
Amazônica).
A consolidação da Petrosur e do GGS
seria interessante ao menos em duas
vertentes. Megaempresas regionais
teriam robustez para negociar em
melhores condições com as potências
consumidoras de gás e petróleo e, de
certa forma, garantiriam o abastecimento sul-americano
(ainda mais se considerarmos o esgotamento das
reservas mundiais e a decorrente escassez a que,
com certeza, assistiremos nos anos vindouros;
problemas de abastecimento energético na região
estão previstos para 2010).
Após a empolgação nos últimos três anos, no entanto,
neste ano a alternativa do gasoduto ficou mais distante
e o ânimo brasileiro com os projetos de integração
energética diminuiu sensivelmente. Hugo Chávez
acusou o golpe e passou a fazer cobranças. O arrefecimento brasileiro
está diretamente ligado à nova preferência energética do presidente Lula:
o biocombustível. Chávez juntou-se a Fidel Castro e ambos criticaram a
alternativa brasileira, vinculando a questão do biocombustível a uma imediata
falta de alimentos, alegando que a cana-de-açúcar substituiria os cultivos de
alimentos básicos.
Outra possível celeuma energética (dessa feita, na fonte hidráulica) está
prevista em caso de vitória de Fernando Lugo no Paraguai, em abril de 2008.
Sua chegada ao poder, por si só, já seria algo extraordinário, pois poria fim
à hegemonia de seis décadas do Partido Colorado, o mais antigo partido no
poder do mundo. Igualmente, seria
motivo de preocupação ao governo
brasileiro, pois uma das plataformas
eleitorais do candidato é a revisão
dos acordos da usina hidrelétrica
binacional de Itaipu, que ele considera
danosos aos paraguaios. ◆
EDILSON ADÃO, mestre em Geografia
Humana pela USP e especialista em
geopolítica, é autor de Oriente Médio: a
Gênese das Fronteiras (Editora Zouk)

4 | R E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O X
A eleição de
um político de
esquerda no
Paraguai pode
causar um
problema para
o Brasil
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As bases políticas para a criação do
Mercado Comum do Sul surgiram em
1985, com os acordos de cooperação
técnica e econômica firmados entre
a Argentina e o Brasil. Em 1991, com
a inclusão do Paraguai e do Uruguai,
foi assinado o Tratado de Assunção,
que criou o Mercosul. Porém, foi o
Protocolo de Ouro Preto, de 1995,
que definiu sua estrutura institucional
e permitiu a celebração de acordos
reconhecidos internacionalmente.
Entre 1996 e 2004, outros países
sul-americanos ingressaram no bloco
como países associados, inicialmen-
te Bolívia e Chile, e, mais recente-
mente, Peru, Colômbia e Equador. A
Venezuela assinou um protocolo de
adesão plena com o Mercosul, que
ainda não foi ratificado.
Desde sua criação, o Mercosul pro-
porcionou a ampliação das relações
comerciais entre os países da região,
apesar da instabilidade nas relações
entre seus membros, sobretudo Brasil
e Argentina, e das condições nem sem-
pre favoráveis da economia mundial.
No âmbito institucional e econô-
mico, as maiores dificuldades estão
na adoção de medidas protecionistas
entre os membros, como sobretaxas
e cotas, a fim de atender a interesses
de determinados setores das econo-
mias nacionais, criando obstáculos
para a livre circulação de mercadorias.
Além disso, a Tarifa Externa Comum
(TEC), que deveria padronizar as tari-
fas de importações de fora do bloco,
ainda não foi efetivada. Tais desa-
justes comprometem a integração
proposta em Assunção.
André Guibur é professor de Geografia da
rede privada e em cursos pré-vestibulares
O MERCOSUL E A
INTEGRAÇÃO REGIONAL
Por André Guibur
Fernando Lugo,
candidato à
Presidência
do Paraguai
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Fidel
Castro, a quem
Chávez se aliou
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Qual o sentido da ascensão da
esquerda na América do Sul?
Avalie o que de fato mudou após partidos de esquerda
terem sido eleitos; a resposta e o comentário
estarão no fascículo eletrônico da próxima semana
Sobre o cenário geopolítico sul-
americano, podemos afirmar que:
A) a ascensão de regimes de esquerda
levou vários países da região a adotar
o sistema de economia planificada,
como o Brasil e o Chile.
B) os recentes desentendimentos
entre Lula e Chávez promoveram
uma retomada da corrida armamen-
tista sul-americana.
C) o ingresso da Venezuela no
Mercosul foi vetado por conta da ins-
piração marxista de Hugo Chávez.
D) apesar de muitos partidos de
esquerda terem chegado ao poder
na América do Sul, o sistema de
economia de mercado foi mantido
em todos eles.
E) o Paraguai saiu do Mercosul devi-
do a uma aproximação estratégica
com os Estados Unidos.
Um dos motivos para a ocupação
das colinas de Golã (letra A no mapa)
foi o fato de essa região ser a mais
importante área de nascentes da
Bacia do Jordão, o que a valoriza
geopoliticamente, pois a região é
muito pobre em recursos hídricos.
A Cisjordânia (letra B no mapa) é a
mais importante área agrícola; a Faixa
de Gaza (letra C no mapa) pertencia
originalmente ao Egito; a Península do
Sinai (letra D no mapa) foi devolvida
em 1979 ao Egito; as colinas de Golã e
Cisjordânia permanecem sob domínio
israelense.
Gabarito: alternativa A. (Um dos
motivos que levaram à ocupação da
região A, no território sírio, é o fato
de tratar-se de importante área de
manancial em uma região marcada
pela aridez.)
RESPOSTA DA QUESTÃO INÉDITA DO FASCÍCULO IX
Razão geopolítica explica a ocupação
das colinas de Golã

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Colinas de Golã. Pertencia à Síria, é a mais
importante área de manancial da região.
Cisjordânia. Pertencia à Jordânia, importante
zonafértil, gurda grande valor religioso
para o Judaísmo, Cristianismo e Islamismo.
Faixa de Gaza. pertencia ao Egito, zona árida,
área de intensa atuação da guerrilha
palestina contra alvos israelenses.
Península do Sinai. ocupada junto ao Egito
foi desenvolvida posteriormente
aos Acordos de Camp David, em 1979.
Elaboração: Edilson Adão
Jordânia
Líbano
Síria
Arábia
Saudita
Egito
Golfo de Suez
Golfo de Ácaba
Mar Mediterrâneo
Rio Jordão
Mar Morto
Mar Vermelho
Israel
Jordânia
Líbano
Síria
Arábia
Saudita
Egito
Golfo de Suez
Golfo de Ácaba
Mar Mediterrâneo
Rio Jordão
Mar Morto
Mar Vermelho
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6 I revi s ta época I 1 1 de j unho de 2 007 6 | R E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O X
2ª questão
O presidente da Venezuela, Hugo
Chávez, voltou ontem a concentrar
a atenção internacional ao tornar-se
o primeiro chefe de Estado a fazer
uma visita oficial ao Iraque desde o
fim da Guerra do Golfo, em 1991. A
viagem faz parte de seu tour pelos
países-membros da Opep (...)
“O Estado de São Paulo” – 11/8/2000
A visita do presidente venezuelano
justifica-se:
A) pela necessidade de obter apoio
interno, uma vez que sua eleição
é contestada por vários grupos de
oposição venezuelanos.
B) pelo fato da Venezuela ser membro
da Opep e o terceiro maior exportador
mundial de petróleo e temer um
aumento da produção e conseqüente
queda de preços do produto.
C) pela necessidade de conseguir impor-
tar petróleo a preços subsidiados, alivian-
do a pressão inflacionária na Venezuela.
D) para tentar reduzir os preços inter-
nacionais do petróleo, favorecendo as
exportações venezuelanas do produto,
principalmente para os EUA.
E) para se antepor ao isolamento da
Venezuela junto à comunidade inter-
nacional, que questiona a lisura da
eleição de Chávez.
Mackenzie, 2001
COMENTÁRIO
A leitura atenta do enunciado auxilia
na escolha da alternativa correta, uma
vez que, ao final, refere-se à Opep e
lembra ao candidato a relação entre os
países citados. Apesar de a alternativa
correta apontar o fato de a Venezuela
fazer parte da Opep como o principal
motivo da visita de Chávez ao Iraque, a
questão vai além. A visita a Saddam tam-
bém demonstrou um tom desafiador de
Chávez à comunidade internacional, uma
vez que o Iraque estava sob embargo da
ONU desde 1991 e, até então, nenhum
chefe de Estado havia adotado tal pos-
tura. Na mesma viagem, Hugo Chávez
visitou o dirigente líbio, Muammar
Kadafi, e o cubano Fidel Castro.
1ª questão
Observe o mapa ao lado. Note a linha
cheia e a linha pontilhada, quase sempre
paralelas.
Em relação às obras de infra-estru-
tura destacadas, assinale a alternativa
INCORRETA:
A) podem permitir a abertura de canal
de escoamento de produtos da Zona
Franca de Manaus para outros mercados
e a consolidação da ligação Brasil–
Venezuela, via Manaus e Boa Vista.
B) podem contribuir para agilizar e
intensificar fluxos econômicos, baratear
a exportação de produtos brasileiros e
articular zonas da Amazônia setentrional,
numa região fronteiriça.
C) inscrevem-se no contexto de melhoria
da infra-estrutura de integração física e
circulação terrestre do subcontinente,
conforme proposta firmada recentemente
pelos chefes de Estado da América do Sul.
D) podem contribuir para consolidar a
posição estratégica de Manaus, como
sede da Zona Franca e nó de confluência
de fluxos e meios de transporte e energia.
E) podem reforçar os conflitos existentes
com os países da Comunidade Andina
(CAN), em face da perspectiva de
expansão dos interesses brasileiros na
região. FGV, 2001
COMENTÁRIO
Tanto a presença do mapa como a
solicitação da alternativa incorreta (menos
comum nos exames) podem confundir o
candidato. Mas a alternativa incorreta é tão
óbvia que deve compensar o susto. As obras
de infra-estrutura apontadas no mapa atuam
muito mais num sentido de integração que
de confrontação, como aponta a alternativa
incorreta. Os países da Comunidade Andina
até são vistos como potenciais candidatos a
ingressarem no Mercosul, como já anunciou
o governo brasileiro. Portanto, o espírito de
conflitos é totalmente improcedente.
QUESTÕES RESPONDIDAS
Petróleo e geopolítica
Nas questões a seguir, veja o que já foi perguntado em vestibulares a
respeito de temas energéticos e ideológicos sobre a América do Sul

BPASlL
8
?
\ENEZuELA
<@OF9I8J@C&M<E<QL<C8
I005 km
570 km
Pio 0rinoco
0ceano ALlànLico
Caracas
PuerLo
La Cruz
Boa \isLa
PP
FonLe. "0 EsLado de São Paulo", I0/0O/?000, þ. A·8.
Hanaus
AH
PA
Pio Amazonas
I
Linha de Lransmissão
Curi·Hanaus
EsLrada de roda¤em
Hanaus a PuerLo La cruz
hidreléLrica Curi·Haca¤ua
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1 1 de j unho de 2 007 I revi s ta época I
4ª questão
O cenário geopolítico sul-ameri-
cano anda turbulento. Assinale a
alternativa que indica corretamente
alguma característica geopolítica
sul-americana recente, o país e a
respectiva indicação:
A) as Farc continuam realizando
seqüestros em nome de uma ban-
deira política = Venezuela.
B) o presidente Lúcio Gutierrez não
resistiu à crise política e renunciou
= Colômbia.
C) a revolução bolivariana levada
adiante por Hugo Chávez tem con-
quistado simpatia junto à popula-
ção de mais baixa renda = Bolívia.
D) o líder da oposição Evo Morales
desponta como principal nome nas
eleições de dezembro = Equador.
E) a concessão de seu território
para uma suposta base militar
norte-americana foi malvista pelos
vizinhos = Paraguai.
ESPM, 2006
COMENTÁRIO
Enunciado vago (“alguma
característica geopolítica”) sempre
gera insegurança no candidato.
Para aqueles mal informados
sobre cartografia, a ausência dos
nomes dos países
envolvidos na questão
representa mais um
complicador. Em 2006,
uma proposta norte-
americana de conceder
vantagens comerciais
e alfandegárias ao
Paraguai em troca da
utilização de seu território
para uma suposta
instalação de base norte-
americana causou mal-
estar entre os
vizinhos, inclusive
com a possibilidade
de expulsão do país
do Mercosul. As mais
calorosas reações foram
do representante das relações
exteriores do governo argentino,
mas também se manifestou
o Ministério das Relações
Exteriores do Brasil. As regras
do Mercosul proíbem que um
membro do bloco faça acordos
alfandegários em separado com
outros países, daí a ameaça de
expulsão. Igualmente, preocupou
os governos argentino e brasileiro
a possibilidade dessa suposta base
norte-americana, próxima às suas
fronteiras.
3ª questão
Em relação às vias marinhas de
circulação destacadas abaixo, assinale
a alternativa correta:
A) Ilhas Lennox, Picton e Nueva, situa-
das no Canal de Beagle, extremo sul da
América, foram objeto de disputa entre
Argentina e Chile.
B) Canal do Panamá, na América
Central, que une os oceanos Atlântico
e Pacífico, passará ao controle dos
Estados Unidos em 2000.
C) Estreito de Ormuz, localizado no
Golfo Pérsico, foi o principal motivo da
invasão do Iraque pelo Kwait.
D) Canal de Suez, no Egito, está com
sua navegação impedida por determi-
nações israelenses.
E) Estreito de Gibraltar é reivindica-
do por Portugal junto à Inglaterra,
tendo em vista o controle da navega-
ção comercial entre o Atlântico e o
Mediterrâneo.
UFRS, 2000
COMENTÁRIO
Enunciado curto, objetivo e direto,
mas que não fornece dica para o can-
didato. Argentina e Chile travaram
intensa disputa pelo controle da rota
do Canal de Beagle, no extremo sul da
América, e essa é uma questão ainda
mal resolvida. Ligação entre os ocea-
nos Atlântico e Pacífico, o canal tem
importância estratégica. Também é
importante saber: o Canal do Panamá
foi devolvido em 1999 ao Panamá, e
não aos Estados Unidos; o Estreito de
Ormuz, na entrada do Golfo Pérsico,
é disputado pelo Irã e pela Arábia
Saudita; e a intervenção israelense em
Suez se deu nos anos 1950.
G A B A R I T O : 1 ( E ) , 2 ( B ) , 3 ( A ) , 4 ( E )

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BRASIL
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Chile
Oceano
Pacífico
Oceano
Atlântico
Argentina
Ilhas Falkland (Malvinas)
Arquipélago
Fernando
de Noronha
Uruguai
Peru
Guiana
Suriname
Guiana Francesa
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8 I revi s ta época I 1 1 de j unho de 2 007
N
o próximo fascículo do Guia ÉPOCA Vestibular 2008 - Atualidades,
o tema abordado será biotecnologia e células-tronco. Esse foi o
assunto mais votado na enquete realizada no site de ÉPOCA (www.
epoca.com.br). Mais de 40% dos internautas escolheram esse tema, entre
os quatro disponíveis. Os outros três foram: Globalização e Organizações
Multilaterais, União Européia e Crime Organizado.
Biotecnologia é um conceito associado à modernidade. Mas é tão antigo
quanto a própria civilização. Existe há milênios, desde os primeiros tempos
da fabricação de pão e vinho.
A biotecnologia moderna começa com a descoberta e manipulação do
DNA. Seqüenciamento de DNA, manipulação de genes, transgenia, clona-
gem, pesquisas com células-tronco e terapias decorrentes são assuntos a
serem tratados no fascículo. As questões éticas envolvidas também serão
abordadas. O 11
o
fascículo, que terá a mesma estrutura dos outros dez,
com questões comentadas pelos professores, estará disponível apenas
em versão eletrônica.
Biotecnologia encerra série
O próximo fascículo, que terá apenas versão
eletrônica, focará a questão das células-tronco

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TOME CUIDADO
com o uso indiscriminado das
generalizações: “maioria” é
diferente de “todos”, do mesmo
modo que “muitas vezes” é
diferente de “sempre”. O uso
inadequado ou a interpretação
imprecisa desses termos podem
significar a resposta errada
a uma questão.
DIRETORDEREDAÇÃO Helio Gurovitz epocadir@edglobo.com.br
REDATOR-CHEFE David Cohen
DIRETOR DE CRIAÇÃO Saulo Ribas
EDITORES-EXECUTIVOS André Fontenelle, David Friedlander
DIRETOR DE ARTE Marcos Marques
O Guia ÉPOCA Vestibular 2008 - Atualidades é um projeto
editorial de 11 fascículos desenvolvido pelo UNO Sistema
de Ensino da Editora Moderna para a Editora Globo. © 2007
Editora Moderna e Editora Globo. Todos os direitos reserva-
dos. Nenhuma parte desta coleção pode ser reproduzida sem
autorização prévia da Editora Moderna e da Editora Globo.
COORDENAÇÃO GERAL DO PROJETO Ana Luisa Astiz
COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA Carlos Piatto (UNO)
COORDENAÇÃO DE TEXTOS Antonio Carlos da Silva (Prof.
Toni) e Venerando Santiago de Oliveira (Prof. Venê)
COMENTÁRIOS AOS ENUNCIADOS E DICAS Jô Fortarel
EDIÇÃO DE TEXTO Oscar Pilagallo
EDIÇÃO DE ARTE Leonardo Nery Protti
ILUSTRAÇÕES AKE Astbury
REVISÃO Bel Ribeiro
SUPERVISORA DE INTERNET Adriana Isidio (UNO)
DIRETOR GERAL Juan Ocerin
DIRETOR EDITORIAL Paulo Nogueira
DIRETOR DE MERCADO ANUNCIANTE Gilberto Corazza
DIRETOR DE FINANÇAS Frederic Zoghaib Kachar
DIRETOR DE ASSINATURAS Stavros Frangoulidis Neto
DIRETORA DE MARKETING yara Grottera
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B
iotecnologia é um termo que
nos remete ao estado da
arte da ciência da vida. Está
associado ao genoma, ao DNA, a
clones, enfim, a um extenso leque de
descobertas dos tempos modernos.
Mas a biotecnolgia é tão antiga quan-
to a própria civilização. O primeiro
homem que, 12 mil anos atrás, numa
remota Mesopotâmia, usou fermento
para fazer o pão estava pondo em
curso um processo biotecnológico.
Hoje a biotecnologia continua a fazer
o pão, com a diferença de que o
ingrediente pode ser transgênico.
Biotecnologia é um termo que tam-
bém nos remete à polêmica. Am-
bientalistas e agricultores debatem
o plantio de alimentos transgênicos,
entre eles a soja. Correntes religio-
sas, em nome do direito da vida do
embrião, se opõem a pesquisadores
que defendem o uso de células-tron-
co em tratamentos de doenças. O de-
bate envolve questões éticas e legais.
Há mais perguntas que respostas.
O importante é ter os argumentos
afiados, tarefa que este fascículo o
ajudará a levar a cabo.

> Física
> Biologia
> Química
Culturas transgênicas e uso
de células-tronco estão no
centro de um debate que
envolve questões éticas,
legais e religiosas
Biotecnologia,
promessas
e polêmicas
NESTA EDIÇÃO
Em que pé está a Lei
da Biossegurança PÁG. 3
Cinco dicas para você
estudar melhor PÁG. 8
Representação
do DNA
2 I revi s ta época I 1 1 de j unho de 2 007
H
oje em dia podemos tomar vinhos de ótima qualidade, de várias partes
do mundo e a preços acessíveis. Foi longo o caminho para chegar a esse
estágio. Começou a ser percorrido há 5 mil anos no Egito, onde encontra-
mos os registros mais antigos do processo de vinificação. Naquela época, o uso
de fermentos já não era novidade – afinal, a produção do pão na Mesopotâmia
remonta há 12 mil anos.
Os antigos não tinham um nome para o processo, mas, ao produzir o pão e o
vinho, estavam usando a biotecnologia. O termo se refere à utilização de seres
vivos para a obtenção de serviços ou produtos. É o que a biotecnologia moderna
ainda faz, agora com a ajuda da informação genética, que multiplicou sua utili-
dade. Atualmente, por exemplo, a biotecnologia está na base da realização de
testes de paternidade ou do desenvolvimento de medicamentos.
O passo mais importante, que abriu as portas para a biotecnologia moderna,
foi dado em 7 de março de 1953 por Francis Crick e James Watson. Trabalhando
no laboratório Cavendish, na Inglaterra, eles foram os primeiros a apresentar
um modelo da molécula de DNA, com o formato de dupla hélice (parecida com
uma escada em espiral). Essa descoberta causou uma revolução na biotecnolo-
gia, possibilitando pesquisas com transgênicos, clonagem, genomas e células-
tronco. Tais avanços defrontaram o homem e a sociedade com dilemas e confli-
tos éticos, religiosos e legais, ainda passíveis de discussão e solução.
Em 1970, a descoberta das enzimas de restrição (que cortam o DNA em
pontos específicos) tornou possível transferir trechos de DNA de uma espécie
para outra e, portanto, o desenvolvimento de organismos transgênicos. O pri-
ENTENDA O ASSUNTO
Biotecnologia, entre
o milagre e o pecado

2 | R E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O X I
> O biólogo James Watson
surpreendeu o mundo duas
vezes. A primeira foi em
1953, quando, com Fran-
cis Crick, físico britânico,
anunciou o modelo de dupla
hélice para o DNA, propondo
como se daria sua replica-
ção. A segunda foi em outu-
bro passado, ao declarar seu
“pessimismo em relação ao
futuro da África pelo fato de
os negros terem menos inte-
ligência que os ocidentais”.
Watson se desculpou publi-
camente, mas foi suspenso
do Laboratório Cold Spring
Harbor, onde trabalhou por
40 anos. Acabou por se apo-
sentar. A declaração mancha
a biografia do cientista,
mas não tira o valor de sua
descoberta, que lhe valeu o
Prêmio Nobel de Medicina
em 1962.
UM BIÓLOGO, DUAS SURPRESAS
James
Watson
CÉLULAS PLURIPOTENTES
(Células de blastocisto de 5-14 dias)
ÓVULO FERTILIZADO
EMBRIÃO DE 8 DIAS
BLASTOCISTO
NEURÔNIO
MÚSCULO
CÉLULAS DO SANGUE
PLURIPOTENTES
A ciência abre novas perspectivas para o tratamento de doenças, mas
seu avanço provoca polêmicas e debates sobre a própria noção de vida
POR FÁBIO L. OLIVEIRA
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meiro deles, uma bactéria produtora de insulina humana,
foi apresentado em 1982, pela pioneira Genentech, da
Califórnia, Estados Unidos. Atualmente existe uma série
de organismos geneticamente modificados, desde animais
de laboratório (com genes implantados ou suprimidos),
usados em pesquisas, até vegetais resistentes a pragas,
inseticidas, secas ou enriquecidos nutricionalmente.
Culturas transgênicas podem trazer inúmeros bene-
fícios, como é o caso do arroz “dourado”, desenvolvido
para combater, em populações subnutridas de países
pobres, a deficiência de vitamina A, responsável por 500
mil casos anuais de cegueira infantil. Culturas resisten-
tes a secas ou altas salinidades estão sendo desenvolvidas em países como
a África do Sul, podendo aumentar a produção de alimentos nos países
africanos. O plantio de culturas resistentes a inseticidas ou pragas permite
menor uso de inseticidas, o que reduz o impacto ambiental e o preço dos
alimentos e pode contribuir para a diminuição da fome no mundo. Pequenos
agricultores, contudo, devem ter acesso a essas sementes, caso se queira
que o panorama da fome seja realmente modificado.
Não há só aspectos positivos. Algumas dessas culturas contêm genes que as
fazem gerar sementes infecundas, o que obriga os agricultores a comprar as
sementes a cada safra. Uma vez plantados, os vegetais transgênicos podem sele-
cionar pragas mais resistentes ou os transgenes podem se dispersar por meio do
pólen e ser incorporados por outras plantas, com conseqüências imprevisíveis.
Atualmente vários países estão desenvolvendo e cultivando safras transgêni-
cas, inclusive o Brasil. Até agora não foi detectado nenhum problema ambiental,
mas isso não é conclusivo. A segurança ambiental e alimentar de cada transgê-
nico precisa de confirmação anterior a sua liberação para o mercado.
O desenvolvimento de técnicas que possibilitaram a identificação da se-
qüência de nucleotídeos dos DNAs e a revelação dos genomas das espécies
também têm importantes aplicações. Conhecer o conjunto de genes de espécies
patogênicas de plantas ou animais torna possível identificar os genes responsá-
veis pela doença e direcionar as pesquisas na busca de cura ou tratamento. Um
exemplo bem-sucedido foi o projeto do genoma da bactéria Xilella fastidiosa, cau-
sadora do amarelinho, praga que gera enormes prejuízos à citricultura. Financiado
pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o projeto
foi concluído em 1999. Na área de saúde, o Instituto Ludwig de Pesquisas sobre
o Câncer em São Paulo coordena o projeto Genoma Humano do Câncer, que visa
identificar genes ativos nessa doença, ampliando a possibilidade de tratamento.
Em 1953, foi
apresentado
o modelo da
molécula de
DNA com
formato de
dupla hélice
Sancionada em 24 de março
de 2005, a Lei de Biossegurança
cria o Conselho Nacional de
Biossegurança (CNBS) e reestru-
tura a Comissão Técnica Nacional
de Biossegurança (CTNBio),
ligada ao Ministério de Ciência e
Tecnologia.
A aprovação da lei foi acelerada
pela necessidade de regulamentar
dois assuntos polêmicos e em
estágios já bastante adiantados:
as células-tronco e os organis-
mos geneticamente modificados
(OGMs).
Pesquisas com células-tronco
mostram resultados promissores
no tratamento de câncer e doen-
ças degenerativas, como o mal de
Alzheimer. Por utilizar embriões
de onde são retiradas as células,
essas pesquisas sofrem a opo-
sição de setores religiosos e de
grupos antiaborto.
Quanto aos alimentos transgêni-
cos, a soja, plantada principalmen-
te no sul do país, está no centro da
polêmica dos OGMs. Introduzida
no Brasil nos anos 90, ela é resis-
tente a pragas e pesticidas, o que
aumenta a produtividade e reduz
os custos. Os ambientalistas são
seus mais ferrenhos críticos.
A polêmica está longe de aca-
bar, e a desinformação da socie-
dade alimenta e prolonga esse
processo. Embora sancionada
há mais de dois anos, a Lei de
Biossegurança continua no papel.
Venerando S. Oliveira, físico formado pela
Unicamp, é educador, autor de material
didático, professor e coordenador do ensino
médio e de cursos pré-vestibulares
BIOSSEGURANÇA,
LEI AINDA NO PAPEL
Por Venerando S. Oliveira
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Xilella
fastidiosa
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4 I revi s ta época I 1 1 de j unho de 2 007
Outra faceta da biotecnologia é a geração
de indivíduos geneticamente iguais – os
clones. O principal marco nesse campo
foi o nascimento da ovelha Dolly, anun-
ciado por Ian Wilmut em 1997. Como
isso foi possível? Uma célula mamária
de uma ovelha foi fundida com um
óvulo de outra ovelha (cujo núcleo foi
previamente removido) e o embrião
resultante implantado no útero de uma
terceira, gerando uma ovelha genetica-
mente idêntica à doadora do óvulo. O
sucesso dessa técnica permite imaginar
a clonagem reprodutiva de animais de
estimação mortos, espécies em extinção
ou extintas e até do homem. A clonagem
de seres humanos, além das questões éticas, é bastante combatida pela
ciência devido ao risco de haver problemas no clone, como aconteceu
com a própria Dolly, vítima de envelhecimento precoce.
A clonagem terapêutica pode dar origem às chamadas células-tronco
embrionárias. Tais células, por meio de divisões sucessivas, podem gerar
qualquer um dos mais de 200 tipos celulares de nosso corpo, represen-
tando esperança para o tratamento ou cura para muitas enfermidades.
Células-tronco adultas, como as da medula óssea, podem gerar muitos
tecidos, mas não todos. Isso justifica tamanho interesse pelas células-
tronco embrionárias. Para obter tais células, é preciso retirá-las de um
embrião com cerca de 5 dias de idade, interrompendo
seu desenvolvimento. Isso gera muita resistência,
sobretudo de correntes religiosas, que alegam que
essa interrupção provoca a morte do embrião. Para a
ciência, no entanto, ainda não existe vida no embrião.
Biologicamente, considera-se o início da vida quando
surge o sistema nervoso, o que acontece somente no
final do primeiro mês de gestação.
Há então um grande impasse, pois clínicas de repro-
dução humana eliminam os embriões não-utilizados.
A mesma sociedade que aceita tal eliminação não
permite que esses embriões sejam utilizados para for-
necer as células-tronco para as pesquisas.
Em tais pesquisas, a clonagem terapêutica gera células-tronco do
paciente que são injetadas no órgão doente, esperando-se que se trans-
formem nesse tecido. Tal técnica não apresenta rejeição, além de ser
menos traumática que transplantar um órgão inteiro. A partir disso, abre-
se caminho para o tratamento de doenças cardíacas, degenerativas, para-
lisia de membros por danos na medula espinhal, entre outros casos.
Todo esse repertório de novos conhecimentos traz promessas de
melhoria da qualidade de vida, mas levanta também conflitos éticos e
religiosos. A legislação está sendo criada, e tanto legisladores quanto
sociedade devem conhecer tais assuntos, pois serão chamados a decidir
sobre o futuro da biotecnologia e suas implicações para todos nós.
FÁBIO L. OLIVEIRA, biólogo formado pela
Unicamp, é autor de materiais didáticos,
professor do ensino médio e de cursos
pré-vestibulares

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O principal
marco da
clonagem foi
o nascimento
da ovelha
Dolly, anunciado
em 1997
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Três filmes, embora de ficção,
abordam questões genéticas
de forma que podem ajudar no
aprendizado. São eles:
O SEXTO DIA O tema desse filme
é a clonagem de seres humanos.
Espécie de ficção científica em que
o protagonista é substituído por seu
clone e foge para não ser assassina-
do enquanto tenta decobrir a trama
por detrás desse mistério.
GATTACA, A EXPERIÊNCIA
GENÉTICA Enfoca a eugenia.
Numa época futura, seres humanos
são criados em laboratório e melho-
rados geneticamente. Aqueles con-
cebidos biologicamente são coloca-
dos à margem dessa nova sociedade
geneticamente selecionada. Um ser
humano concebido biologicamente
vai reverter o status.
PARQUE DOS DINOSSAUROS
O homem domina as técnicas de
engenharia genética em estado de
arte a ponto de recriar os dinos-
sauros, confinando-os em um par-
que temático. As coisas escapam
do controle quando os animais
revividos não se comportam den-
tro dos padrões esperados.
Os seguintes sites também
são recomendados:
http://www.ctnbio.gov.br
– Comissão Técnica Nacional de
Biossegurança
http://www.comciencia.
br/reportagens/clonagem/
clone02.htm – Clonagem ainda
é técnica em desenvolvimento
Dinossauro
recriado pela
ficção
O QUE VER E O QUE LER
Ian Wilmut,
que anunciou
o primeiro
clone animal
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Seqüenciamento do DNA
Com esta questão, que aborda projetos genomas, você
pode avaliar seus conhecimentos sobre síntese protéica
Projetos genomas visam identi-
ficar os genes de um organismo.
Para isso, é necessário descobrir a
seqüência de nucleotídeos do DNA
desse organismo para identificar os
genes e as proteínas codificados por
eles. Geram-se, a partir de uma única
molécula de DNA, vários segmentos
com tamanhos diferentes. Estes
são colocados em cima de um bloco
de gel e o atravessam. Os menores
pedaços o fazem mais rapidamente e
os maiores, mais lentamente.
A figura aqui reproduzida repre-
senta um gel no qual foram colocados
vários segmentos com tamanhos
diferentes de uma mesma molécula de
DNA. A técnica usada permite saber
que o último nucleotídeo de cada
segmento da coluna A é a Adenina, da
coluna T, é a Timina, e assim por diante.
Após a migração e separação desses
segmentos, é estabelecida a seqüência
da molécula original, colocando-se os
nucleotídeos conhecidos de cada colu-
na, separados no gel, na ordem, do mais
leve para o mais pesado. A partir disso,
é possível estabelecer a seqüência de
aminoácidos da proteína codificada por
esse segmento. Seqüenciando tal
segmento e analisando a tabela
acima, é possível dizer que a pro-
teína codificada por ele é a:
A) Alfa B) Z C) Y D) Beta E) W.
COMENTÁRIO
Essa questão aborda de maneira sucin-
ta como se realiza um projeto genoma.
A leitura do enunciado é essencial para
quem não sabe como se faz a leitura
dos trechos de DNA no gel para se achar
a ordem dos nucleotídeos do trecho
de DNA seqüenciado. Após o estabe-
lecimento da ordem dos nucleotídeos
do DNA, é necessário que se lembre a
ordem de pareamento do DNA com o
RNA mensageiro em formação (A com U,
T com A, C com G e G com C) para anali-
sar a tabela e verificar a proteína codifica-
da pelo trecho de DNA seqüenciado.
A questão da semana passada era sobre
o cenário geopolítico da América do Sul. A
chegada de muitos partidos de esquerda
ao poder na região mudou o panorama,
mas não implicou a adoção do socialismo
como modelo político e econômico, nem o
rompimento com a economia de mercado
e dogmas liberais. Ao que tudo indica, essa
nova tendência está mais vinculada a uma
refreada ao neoliberalismo, interpretado
como uma espécie de radicalismo de
mercado, do que a uma confrontação
ideológica com o capitalismo.
Gabarito: alternativa D (Apesar de
muitos partidos de esquerda terem
chegado ao poder na América do Sul,
o sistema de economia de mercado foi
mantido em todos eles).
RESPOSTA DA QUESTÃO INÉDITA DO FASCÍCULO X
Na América do Sul, a esquerda
convive com a economia de mercado

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RNA mensageiro Proteína
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G A B A R I T O : ( B )
RNA mensageiro Proteína
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RNA mensageiro Proteína
6 I revi s ta época I 1 1 de j unho de 2 007 6 | R E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O X I
2ª questão
Organismos são ditos trans-
gênicos quando, por técnica de
engenharia genética, recebem e
incorporam genes de outra espécie,
os quais podem ser transmitidos
aos seus descendentes. Exemplos
desses organismos são as plantas
transgênicas, receptoras de um
gene de outro organismo
(doador) que lhes confere resistên-
cia a certos herbicidas. Para que
ocorra a síntese da proteína
codificada pelo gene
inserido no genoma da espécie
receptora, diversas condições
devem ser observadas. Entretanto,
fundamentalmente, essa técnica
é possível porque:
A) cada organismo apresenta seu
próprio código genético.
B) o código genético é comum
a todos os seres vivos.
C) o código genético é degenerado.
D) a técnica permite trocar o código
genético do organismo doador do gene.
E) a técnica permite trocar o
código genético do organismo
receptor do gene.
PUC-SP, 2004
COMENTÁRIO
O enunciado facilita a compreensão
ao fornecer informações introdutó-
rias sobre o assunto que ajudam o
candidato a se lembrar dos princi-
pais conceitos. Mas também exige
atenção redobrada devido à relação
entre genoma e código genético. Com
relação ao código genético, é bom
lembrar que, salvo algumas diferenças
em algumas trincas de bases do DNA
em algumas poucas espécies, o códi-
go genético é universal, ou seja, é o
mesmo em todas as espécies, sendo,
portanto, usado como uma das evi-
dências do processo evolutivo.
1ª questão
Em abril de 2003, a finalização do
Projeto Genoma Humano foi noticia-
da por vários meios de comunicação
como sendo a “decifração do código
genético humano”. A informação, da
maneira como foi veiculada, está:
A) correta, porque agora se sabe
toda a seqüência de nucleotídeos
dos cromossomos humanos.
B) correta, porque agora se sabe
toda a seqüência de genes dos cro-
mossomos humanos.
C) errada, porque o código genético diz
respeito à correspondência entre os
códons do DNA e os aminoácidos nas
proteínas.
D) errada, porque o projeto decifrou
os genes dos cromossomos humanos,
não as proteínas que eles codificam.
E) errada, porque não é possível
decifrar todo o código genético,
existem regiões cromossômicas
com alta taxa de mutação.
Unifesp, 2004
COMENTÁRIO
Esse é o típico enunciado “pega-
distraído”, pois reafirma uma
confusão já comum nos meios de
comunicação, que não diferencia
corretamente os conceitos de geno-
ma e código genético. Portanto,
cuidado. O vestibulando que não faz
uma análise crítica das informações
veiculadas na mídia pode apreender
conceitos errados. Vale lembrar que
o genoma é o conjunto de genes de
uma espécie e o código genético é a
relação entre a trinca de bases
do DNA (ou RNA mensageiro) e o
aminoácido colocado pelo ribosso-
mo na proteína.
QUESTÕES RESPONDIDAS
Projeto Genoma, transgênicos, DNA
Teste seus conhecimentos com questões que já caíram em vestibulares
recentes e confira os comentários dos professores

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4ª questão
Neste ano de 2003, são
comemorados os 50 anos da
“descoberta” da estrutura
tridimensional do DNA.
Com relação às características
dessa molécula, ao papel que ela
desempenha nos seres vivos e aos
processos em que se encontra
envolvida, é CORRETO afirmar que:
01) é formada por duas fileiras de
nucleotídeos torcidas juntas em
forma de hélice.
02) em sua composição é possível
encontrar quatro bases nitrogenadas
diferentes: a adenina, a citosina,
o aminoácido e a proteína.
04) ela tem a capacidade de se
autoduplicar.
08) nela está contida a informação
genética necessária para a
formação de um organismo.
16) a mensagem nela contida pode
ser transcrita para uma outra
molécula denominada RNA.
32) nos organismos procariontes,
ela fica estocada dentro do núcleo
das células.
64) em alguns organismos
primitivos, ela apresenta apenas
uma fileira de nucleotídeos.
UFSC, 2003 (questão 1 da prova branca)
COMENTÁRIO
Neste caso, a tirinha não agrega
informação que facilite a escolha
das alternativas corretas. Outra
dificuldade é o excesso de asserti-
vas a serem avaliadas e a solicita-
ção final do somatório dos valores.
Com relação à afirmativa 64, vale
lembrar que existem alguns vírus
cujo material genético é DNA de
fita simples e outros com RNA de
fita dupla. Então, o conceito de que
moléculas de DNA têm fita dupla
e de RNA têm fita simples não se
aplica a todos os organismos.
3ª questão
A tira de quadrinhos ao lado faz
referência à manipulação de genes
em laboratório. Se esse tipo de expe-
rimento realmente fosse concreti-
zado, seria possível afirmar que:
A) o elefante e o vaga-lume são orga-
nismos transgênicos.
B) apenas o vaga-lume é um organis-
mo transgênico.
C) uma seqüência de RNA do vaga-
lume foi transferida para células do
elefante.
D) o gene do vaga-lume controlou a
produção de RNA e de proteína no
interior das células do elefante.
E) uma seqüência de DNA do elefante
sofreu mutação devido à introdução
do gene do vaga-lume em células
daquele mamífero.
PUC-SP, julho 2005
COMENTÁRIO
É uma daquelas questões conside-
radas fáceis. Uma rápida análise da
tirinha já encaminha para a resposta
correta. Mesmo que o candidato não
perceba a palavra “flash”, o próprio
desenho remete à luz excessiva e
instantânea. De qualquer maneira, a
análise do quadrinho é essencial na
resolução. A partir dela verifica-se que
o elefante brilhou como vaga-lume, o
que permite responder que um gene
do vaga-lume foi transferido ao ele-
fante, que pode produzir biolumines-
cência como o vaga-lume.
G A B A R I T O : 1 ( C ) , 2 ( B ) , 3 ( D ) , 4 ( s o m a d a s a l t e r n a t i v a s c o r r e t a s : 9 3 )

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N
os dez primeiros fascículos, demos dicas
sobre como fazer melhor a prova. Agora,
neste último fascículo, ficam sugestões de
como estudar melhor, algo fundamental nesta reta
final até a realização dos exames.
1
SEU CANTO
Tenha sempre um local para seus estudos. Seja em
casa, no cursinho, ou em sua escola, esse seu “canto”
deve ser bem iluminado e sem ruídos que possam
atrapalhar sua concentração.
2
SEU LIMITE
Jamais estude por horas a fio. Especialistas recomen-
dam que a moderação (cerca de três a quatro horas por
dia) é mais salutar, além de preservar na memória os
conteúdos já apreendidos.
3
SEU RITMO
Nunca se apresse em seus estudos. Cada assunto
não deve ser apenas lido, mas sim compreendido e
enfocado em seus pontos principais. Para render mais,
faça sempre anotações.
4
SUA ATITUDE
Não permaneça com dúvidas, tente solucioná-las
com amigos e/ou professores. Buscando ajuda, além
de solucionar a dúvida, sempre se pode acrescentar
algo ao que já se sabe.
5
SEU BOM SENSO
Não realize seus estudos se suas condições físicas e/ou
emocionais não estiverem normais. Esse tipo de situação é
negativa para o rendimento estudantil. Nesses casos, procu-
re alguém de sua confiança e peça orientação.
Cinco sugestões para
você se preparar melhor
Seguindo essas orientações, o vestibulando terá
maiores chances de se sair bem nos exames

DIRETOR DE REDAÇÃO Helio Gurovitz epocadir@edglobo.com.br
REDATOR-CHEFE David Cohen
DIRETOR DE CRIAÇÃO Saulo Ribas
EDITORES-EXECUTIVOS André Fontenelle, David Friedlander
DIRETOR DE ARTE Marcos Marques
O Guia ÉPOCA Vestibular 2008 - Atualidades é um projeto
editorial de 11 fascículos desenvolvido pelo UNO Sistema de
Ensino da Editora Moderna para a Editora Globo. © 2007 Edi-
tora Moderna e Editora Globo. Todos os direitos reservados.
Nenhuma parte desta coleção pode ser reproduzida sem
autorização prévia da Editora Moderna e da Editora Globo.
COORDENAÇÃO GERAL DO PROJETO Ana Luisa Astiz
COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA Carlos Piatto (UNO)
COORDENAÇÃO DE TEXTOS Antonio Carlos da Silva (Prof.
Toni) e Venerando Santiago de Oliveira (Prof. Venê)
COMENTÁRIOS AOS ENUNCIADOS E DICAS Jô Fortarel
EDIÇÃO DE TEXTO Oscar Pilagallo
EDIÇÃO DE ARTE Leonardo Nery Protti
ILUSTRAÇÕES AKE Astbury
REVISÃO Bel Ribeiro
SUPERVISORA DE INTERNET Adriana Isidio (UNO)
DIRETOR GERAL Juan Ocerin
DIRETOR EDITORIAL Paulo Nogueira
DIRETOR DE MERCADO ANUNCIANTE Gilberto Corazza
DIRETOR DE FINANÇAS Frederic Zoghaib Kachar
DIRETOR DE ASSINATURAS Stavros Frangoulidis Neto
DIRETORA DE MARKETING Yara Grottera
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o candidato
Dicas para
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os tempos do regime
militar se pichava
nos muros: “Abaixo a
ditadura”. Por que não há con-
tradição entre a frase dos anos
60 e 70 e o título desta página?
Alternativa A: porque nos dois
casos se exalta a democracia.
B: por causa da vírgula. C: am-
bas as anteriores estão certas.
Quem marcou C está afiado em
História e Português. O Brasil é
uma democracia plena desde
1990, com a posse do primeiro
presidente eleito diretamente
após a ditadura militar. E, quan-
to à vírgula do título, inverte o
sentido da frase, que passa a
significar: abaixo do título, na
foto, um flagrante de democra-
cia. Este é o objetivo desta série
de fascículos: inter-relacionar
disciplinas para que você se
prepare bem para o vestibular.

NESTA EDIÇÃO
A política, da
República Velha
a Lula PÁGs. 2 a 4
Os filmes que
reconstruíram
a ditadura PÁG. 5

5 questões para
você treinar PÁGs. 5 a 7
Abaixo, a democracia
Apesar de consolidada, a democracia no Brasil ainda
é tão jovem quanto os caras-pintadas em 1992
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Estudantes
testam a
democracia
ao pedir o
impeachment
de Collor
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2 I revi s ta época I 1 1 de j unho de 2 007
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ma tradição só está perfeitamente enraizada na sociedade quando sua própria
existência deixa de ser assunto. Ninguém discute, por exemplo, a divisão do
poder entre Executivo, Legislativo e Judiciário. Não há hipótese de ser de outro
modo. O peso da tradição mata o assunto. Não é o que acontece, no entanto, com a
democracia no Brasil – apesar de devidamente consolidada, ela ainda dá o que falar.
A questão da democracia voltou à baila recentemente por conta da reação do
presidente Lula às vaias que tem levado, a maior delas em julho, durante a abertura
dos Jogos Pan-Americanos, no Maracanã. Ele também é vaiado, simbolicamente,
pelo Cansei, movimento que reúne empresários, a seção paulista da Ordem dos
Advogados do Brasil, parentes de vítimas de acidentes aéreos, socialites, artistas e
críticos do governo em geral.
Lula comentou, a propósito das vaias: “Se alguns quiseram brincar com a demo-
cracia, eles sabem que neste país ninguém sabe colocar mais gente na rua do que
eu”. Na imprensa e em círculos próximos do governo, ouviram-se vozes que identifi-
caram uma intenção golpista na iniciativa da elite “cansada”.
Há um inegável exagero nessa percepção. É claro que não há perigo à vista. Não
é menos evidente que a democracia não está ameaçada. A menção a golpe parece
produto de uma interpretação paranóica do processo histórico. E, no entanto, o
assunto insinua uma volta à agenda política, com o próprio presidente vindo a
público para defender a democracia.
Países com forte tradição democrática não precisam vir em
socorro da democracia a qualquer tropeço dos protagonistas
do espetáculo da política. O que aconteceu nos Estados Unidos
na eleição de George W. Bush, em 2000, é exemplar. A eleição
do republicano esteve cercada de controvérsia. Para começar,
o candidato democrata, Al Gore, teve mais votos populares
que Bush, ou seja, o resultado da eleição (votação indireta)
não refletiu a vontade da maioria (votação direta). Esse é
um desdobramento previsto na legislação, mas que ocorre
raramente (apenas dois casos iguais haviam sido registrados
ENTENDA O ASSUNTO
Os percalços da jovem
democracia brasileira
A história da república do país mostra que o regime representativo vigorou
plenamente em poucos anos, e quase sempre acompanhado de sobressaltos
POR OSCAR PILAGALLO
Vaiado, Lula
recoloca
a defesa da
democracia
em pauta,
mas não há
ameaça à vista
1946-1964
Hiato democrático
1889-1930
República Velha
Washington Luís
JK
ao
centro
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O
1930-1937
Governo
Getúlio Vargas
Getúlio Getúlio
1937-1945
Ditadura do
Estado Novo

A luta armada e a repressão do
final dos anos 60 e início dos 70 ge-
raram farta literatura baseada em
depoimentos dos protagonistas.
Um dos melhores ainda é O Que É
Isso, Companheiro? (Companhia
das Letras), de Fernando Gabeira,
um dos seqüestradores do embai-
xador americano em 1969. O livro,
que também traça um panorama
dos grupos de esquerda da época,
deu origem ao filme homônimo que
se encontra em locadoras de DVD.
Floriano
Peixoto
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3 | R E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O I
antes). Naquela eleição, no
entanto, houve um agravante.
Com a disputa muito apertada,
houve necessidade de recon-
tagem de votos na Flórida, que
afinal acabou sendo suspensa por decisão da Suprema Corte, o que definiu o pleito.
Derrotado duas vezes (pela minoria republicana e pela Justiça), Al Gore nunca aven-
tou a possibilidade de risco para a democracia americana. No máximo, ao entregar
os pontos, disse que aceitava a decisão em nome do fortalecimento do regime.
No Brasil, em comparação, a história da democracia teve bem mais sobressaltos,
o que talvez explique a tentação de incluir as vaias entre eles.
Em primeiro lugar, é importante lembrar que se trata de uma história relativa-
mente curta. Considerando-se o período republicano, o Brasil teve poucos anos
consecutivos de uma democracia livre da sombra da ruptura política. É só fazer as
contas. De saída, eliminem-se as quatro décadas da República Velha. Entre 1889
e 1930, quem detinha o poder eram as oligarquias agrícolas,
que se revezavam por meio de eleições nas quais votava uma
pequena fração da sociedade. A legalidade não vinha acompa-
nhada da legitimidade.
Entre 1930 e 1937, o Brasil viveu numa zona cinzenta. Não
era uma democracia, pois o principal mandatário, Getúlio
Vargas, não fora eleito. Mas também não era uma ditadura
– pelo menos não havia, formalmente, um ditador. A ditadura
nasceria só em 1937, com o Estado Novo, que duraria até 1945.
Os quase 20 anos seguintes foram de democracia. Ou talvez
seja melhor dizer: de ameaça à democracia. O primeiro presi-
dente, o general Eurico Dutra, foi ungido pelo ex-ditador. Ficou no poder até 1950.
Na seqüência, seria a vez de o próprio ex-ditador voltar como presidente eleito.
Getúlio, conhecido como “o pai dos pobres”, enfrentou cerrada oposição conserva-
dora que, com Carlos Lacerda à frente, era conspiradora em tempo integral. Vargas
se matou em 1954, e seu mandato foi completado por Café Filho – um hiato de
pouca expressão entre Vargas e seu herdeiro político, Juscelino Kubitschek.
JK é hoje um paradigma de presidente. Mas na época era execrado pelos conser-
vadores golpistas. Tanto que por pouco ele não foi impedido de tomar posse. Foi
preciso um contragolpe preventivo para garantir o respeito à Constituição.
Com seu sucessor, Jânio Quadros, os conservadores acharam que tinham final-
mente chegado ao poder. Estavam enganados. Jânio renunciaria em menos de oito
Entre 1946 e
1964, a
democracia foi
fragilizada pelo
movimento
golpista que
teria êxito com
os militares
Jango
discursa dias
antes de ser
deposto
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> Uma das hipóteses para a
nunca explicada renúncia de
Jânio Quadros, em agosto de
1961, é que ele preparava um
golpe de Estado. Para tanto,
teria mandado seu vice, João
Goulart, à China comunista.
A ausência do sucessor legal,
que era combatido pelos con-
servadores, criaria um vácuo
que ele tinha esperança de
ocupar. Renunciou para voltar
nos braços do povo, com apoio
dos generais e sem o Congres-
so. Em outras palavras, com
mais poder. Mas a reação po-
pular não veio e o veto militar à
posse de Jango ficou concen-
trado nos ministros militares.
A RENÚNCIA DE JÂNIO
Jânio, quando ainda desfrutava
de grande popularidade
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1985-1989
Transição
democrática
1946-1964
Hiato democrático
1990-2007
Democracia
1964-1985
Ditadura militar
JK
ao
centro
Figueiredo
Sarney
FHC e Lula

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4 I revi s ta época I 1 1 de j unho de 2 007
meses, em agosto de 1961, acreditando, provavelmente, que seria chamado de volta,
com mais poderes. Também estava enganado.
O episódio da posse de João Goulart, vice de Jânio, representou séria ameaça à
continuidade democrática. Os ministros militares não o aceitavam, e a crise só foi
contornada com um remendo parlamentarista que tolhia os movimentos de Jango.
Um plebiscito em 1963 restabeleceu o presidencialismo, mas àquela altura o golpe de
1964 já estava praticamente em curso.
Os militares ficaram pouco mais de 20 anos no poder, até 1985, quando, após a
derrota do movimento Diretas Já, o Colégio Eleitoral elegeu Tancredo Neves, civil
e de oposição. Tecnicamente, a ditadura militar ficara para trás. Tancredo morreu
antes da posse e quem acabou assumindo foi seu vice, José Sarney, um político
que fizera carreira no partido governista durante a ditadura. De qualquer maneira,
Sarney levou a transição política até o fim.
A primeira eleição direta depois dos militares se deu em 1989, com a vitória de
Fernando Collor. É a partir daí que a democracia medra de verdade. O primeiro gran-
de teste veio com o processo de impeachment em 1992. Estudantes caras-pintadas
saíram às ruas para protestar. O presidente foi afastado, e a democracia saiu ilesa,
com a posse do vice, Itamar Franco, como manda a Constituição.
Tudo somado, noves fora os intervalos em que esteve sob perigo iminente, a
democracia brasileira tem a idade de muitos candidatos ao vestibular deste ano.
Não é pouco. Mas não é muito também. É por ser tão jovem que ela ainda não tem
regras estáveis. Veja-se, a propósito, a duração do mandato presidencial. Sarney
assumiu com quatro anos e acabou ficando cinco. Fernando Henrique Cardoso
conseguiu mudar a regra no meio do jogo e arrancou do Congresso a possibilida-
de de reeleição. Agora, fala-se novamente em cinco anos, sem reeleição. Fala-se
também em terceiro mandato, mas sobre isso Lula disse que é “uma provocação
à democracia”. Convém anotar a frase – just in case, como dizem os ingleses, um
povo acostumado às práticas democráticas.
O “fora, Lula” não é antidemocrático. Da mesma maneira que não o era o “fora, FHC”. É
apenas o exercício do direito de espernear. Como diria o poeta concretista: “Viva a vaia”.
OSCAR PILAGALLO, jornalista, é autor
de A História do Brasil no Século 20
(em cinco volumes, pela Publifolha)
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Passeata nos
anos 70, quando
segmentos
da sociedade
começaram
a se manifestar
contra a ditadura
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FHC,
em cujo
mandato se
permitiu a
reeleição
Depois da redemocratização,
a partir de 1985, o regime sofreu
uma grande ameaça em 1992,
com o Collorgate – o processo
que culminou com o afastamento
do presidente, assim chamado
em referência ao Watergate, que
levou à renúncia do presidente
Richard Nixon, dos EUA, em 1974.
O Collorgate não teve a drama-
ticidade do suicídio de Getúlio,
em 1954. Nem a ação cinema-
tográfica do golpe preventivo
de 1955, que incluiu a fuga dos
protagonistas num navio que
zarpou do Rio. Tampouco o des-
dobramento da crise da posse de
Jango, em 1961. Mas, no Brasil
contemporâneo, foi o grande
teste da democracia.
Itamar Franco, vice de Collor,
enfrentava alguma resistência de
setores identificados com o então
PFL do senador Antônio Carlos
Magalhães. Dizia-se que ele não
tinha representatividade, uma
vez que não fora eleito. Tratava-
se de um raciocínio golpista, que
não levava em conta a própria
Constituição. Desde meados de
1992, à medida que o afastamen-
to de Collor se tornava uma pro-
babilidade cada vez maior, Itamar
trabalhou para neutralizar tal
resistência. Chegou a defender
uma “união nacional em torno da
legalidade” e senadores armaram
um “cinturão do Itamar” para
garantir a transição. Com sua
posse, venceu a democracia.
O TESTE DO
COLLORGATE

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Política na tela
A história do Brasil não se encontra apenas nos livros; a resposta
e o comentário da questão inédita estão no próximo fascículo
Batismo de Sangue e O Ano em Que
Meus Pais Saíram de Férias, filmes
recentes, retratam um tema que a his-
tória oficial parece querer esquecer.
Enquanto na Argentina o Estado se
encarrega de fazer o país reencon-
trar-se, por meio de investigações
e punições àqueles que cometeram
atrocidades, aqui o cinema é que
cumpre esse papel.
Os filmes citados tratam:
A) das ditaduras sul-americanas,
como as da Argentina, do Brasil e do
Uruguai, e da violenta repressão polí-
tica praticada por elas, inclusive com
ações conjuntas.
B) do Estado Novo (1937 a 1945) e abor-
dam a violenta perseguição ao Partido
Comunista Brasileiro e a seus membros.
C) da ditadura militar no Brasil (1964
a 1985 ou, para alguns autores, 1989)
e enfocam questões como repressão,
tortura e resistência armada.
D) da grande crise econômica vivida
pelos países latino-americanos na
década de 80 do século passado,
conhecida como a “década perdida”.
E) dos problemas da juventude brasi-
leira no século XXI, sem perspectivas,
sem sonhos ou utopias para buscar.
A pergunta inédita do primeiro fas-
cículo foi sobre as Parcerias Público-
Privadas. As PPPs são uma alternativa
para o governo aumentar os investimen-
tos em infra-estrutura sem aumentar os
gastos orçamentários. Elas podem ocor-
rer nas várias esferas de governo.
O governo oferece uma concessão
ou solicita a execução de uma obra
ao setor privado. Uma estrada, por
exemplo. A empresa que apresentar
a melhor proposta ganha o direito de
construí-la, investindo seu próprio capi-
tal, e, depois de pronta, passará a rece-
ber as tarifas dos usuários ou um valor
estabelecido pelo governo.
Alguns partidos políticos questionam
essas parcerias, mostrando algumas
distorções, tais como o financiamento
público, via BNDES, para a execução da
obra. Assim, o espírito da idéia seria viola-
do, pois o capitalista não injetaria capital
próprio. Outros defendem a construção de
um sistema de fiscalização para evitar que
tentativas de redução de custos coloquem
em risco a obra. Esse modelo já foi usado
em países como Inglaterra, Espanha,
Portugal, Irlanda e África do Sul.
Gabarito: alternativa A. (Sobre as
PPPs é correto afirmar que são uma alter-
nativa que o governo encontrou para atrair
investimentos privados para as obras de
infra-estrutura necessárias ao país.)
Cena de O Ano em
Que Meus Pais
Saíram de Férias,
ambientado durante
a repressão
RESPOSTA DA QUESTÃO INÉDITA DO FASCÍCULO I
PPPs, investimentos
sem gasto orçamentário
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2ª questão
A palavra cidadania assumiu vários
significados através da História. Na Grécia
Antiga, a palavra designava o direito de os
homens livres decidirem os destinos da
cidade. Atualmente, esse direito foi esten-
dido a todos os homens e mulheres e,
ainda mais, tornou-se uma condição para
a democracia. Analise as afirmações
abaixo sobre o conceito de cidadania:
0 0 – no Brasil, a cidadania é, ainda, um
projeto jurídico e uma luta política, porque
os direitos sociais e políticos não foram
garantidos na Constituição promulgada
em 1988. A lei apresenta-se ainda omis-
sa em relação aos direitos humanos,
das crianças e das mulheres.
1 1 – cidadão é aquele que tem consciên-
cia de seus direitos e deveres e participa
de todas as questões colocadas pela
sociedade. É um indivíduo que se orienta
segundo valores universais e, conseqüen-
temente, defende os direitos humanos,
sociais e políticos para todos.
2 2 – nos países democráticos, pelo seu
caráter liberal, o Estado não é respon-
sável por realizar políticas públicas de
direitos humanos e sociais. Essas ações
ficam a cargo da iniciativa privada e dos
movimentos sociais.
3 3 – em países pobres e emergentes, a
política de promoção da igualdade tem
se mostrado muito frágil. Os recursos
para saúde, educação, moradia, emprego,
meio ambiente saudável não são sufi-
cientes para eliminar as desigualdades.
Nesses países, portanto, é importante a
atuação das ONGs (Organizações Não-
Governamentais).
4 4 – o movimento pela cidadania no
Brasil desenvolveu-se durante os anos de
1980, com os processos de abertura polí-
tica e reivindicações de direitos humanos.
Um dos principais articuladores dessa luta
foi o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho.
Ufal – 2002 (questão 27 da prova de Estudos Sociais)
COMENTÁRIO
Esse tipo de enunciado apresenta uma
visão histórica sobre determinado assunto.
Na maioria desses casos, as alternativas
podem reafirmar, ampliar ou mesmo negar
o enunciado. É a partir dessas relações
que você saberá se a assertiva é falsa ou
verdadeira. Uma leitura atenta acaba por
indicar a resposta correta. Repare, por
exemplo, que as alternativas 0 0 e 2 2
negam o que é dito no enunciado.
1ª questão
Embora a tendência a um contínuo
fechamento político já estivesse pre-
sente nas ações governamentais desde
o golpe militar de 1964, que aconte-
cimento foi usado como argumento
legitimador para a adoção do Ato
Institucional Nº 5, em 1968:
A) o discurso do deputado Márcio
Moreira Alves no Congresso Nacional,
criticando o Regime Militar.
B) a marcha da “Família com Deus
Pela Liberdade”, que reuniu milhares
de pessoas em São Paulo.
C) a realização, na clandestinidade,
do Congresso da União Nacional dos
Estudantes (UNE) em Ibiúna.
D) o discurso a favor das ligas campo-
nesas e da reforma agrária feito por
Francisco Julião na Central do Brasil,
no Rio de Janeiro.
E) o seqüestro do embaixador norte-
americano por grupos de militantes que
participavam da esquerda armada.
Ufam – 2006 (questão 45 da prova de História)
COMENTÁRIO
Observe que o enunciado inicia-se com
a conjunção subordinativa “embora”.
Atenção: isso é apenas um comentário,
que não interferirá decisivamente no que
lhe é perguntado na oração principal.
Quanto ao conteúdo da questão, ajuda
muito localizar no tempo os eventos
mencionados nas alternativas. A mar-
cha e o discurso de Julião ocorreram
em 1964. O seqüestro data de 1969.
Sabendo isso, você já elimina três alter-
nativas. Para descobrir qual das duas
restantes é a correta seria necessário
ter conhecimento de que o AI-5, símbolo
dos “anos de chumbo” da ditadura, teve
um pretexto: a negativa da Câmara dos
Deputados em conceder autorização
para que o governo processasse um
deputado oposicionista por um discurso
considerado ofensivo pelos militares.
QUESTÕES RESPONDIDAS
Ditadura, cidadania e tropicalismo
Perguntas feitas em quatro vestibulares cobrem vários aspectos da história
contemporânea do Brasil a partir do governo civil derrubado pelo golpe militar de 1964

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1 1 de j unho de 2 007 I revi s ta época I 7
3ª questão
As reformas de base eram um con-
junto de medidas que previam grandes
mudanças nas áreas administrativa, fiscal,
eleitoral, tributária, educacional e agrária.
Entre as medidas defendidas pelo presi-
dente estavam a reforma agrária, o direito
de voto aos analfabetos e aos militares
de baixa patente, a nacionalização das
empresas concessionárias de serviços
públicos e o imposto progressivo. Tratava-
se de um instrumento com o qual o gover-
no buscava unir todas as forças paulistas
mobilizadas e fazer crer à opinião pública
a necessidade de mudanças institucionais
na ordem política, social e econômica,
como condição ao desenvolvimento nacio-
nal. Este texto está relacionado com o
período conhecido como:
A) programa de reformas de João Goulart.
B) reforma constitucionalista.
C) milagre brasileiro.
D) Plano Salte.
E) Plano de Metas.
Cesama(AL)–2007/2(questão47daprovadeConhecimentosGerais)
COMENTÁRIO
Enunciados como esse fornecem muitas
informações, o que facilita a recuperação
do que você sabe sobre o assunto. Quanto
ao conteúdo, as reformas de base come-
çaram a ser discutidas ainda no governo
JK, mas viraram plataforma política
apenas no governo de Jango. As reformas
agrária e urbana eram as principais metas,
mas encontravam resistências dos con-
servadores. O impasse em torno das refor-
mas levou a uma radicalização política,
que desembocou no golpe militar de 1964.
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4ª questão
Com base na letra da canção
e nos conhecimentos sobre o
tropicalismo, é correto afirmar:
A) ao criticar a sociedade por meio da
construção poética, a canção questiona
determinada concepção de esquerda dos
anos 1960.
B) a letra da canção mostra que os tropi-
calistas usavam a arte como instrumento
para a tomada do poder.
C) ao valorizar a aproximação com a
mídia os tropicalistas colocaram num
plano secundário a qualidade estética
de suas canções.
D) para o tropicalismo as transforma-
ções sociais precedem as mudanças
ocorridas no plano subjetivo.
E) a letra da canção enfatiza temas
sociais e revela o engajamento do autor
na resistência política armada.
UEL – 2004 (questão 38 da prova de
História)
COMENTÁRIO
Diferentemente das
questões que apresentam
letras de músicas ou poe-
mas que pouco interferem
na resposta, esse trecho dá
várias dicas sobre a alter-
nativa correta. Repare nas
metáforas “contra o vento”,
“sem lenço sem documen-
to”, “sem livro e sem fuzil”.
A tropicália significou uma
ruptura estética e também
político-ideológica com o
nacionalismo da esquerda
ortodoxa de então. Desafiou
o moralismo vigente, à esquerda e à direi-
ta, com os experimentalismos radicais em
relação a drogas, sexualidade e estética. A
música, com Caetano, Gilberto Gil e Tom
Zé, foi a maior vitrine, mas não podemos
esquecer do teatro, com o Grupo Oficina,
o cinema, com Gláuber Rocha, e as artes
plásticas, com Hélio Oiticica.
Jango sorve
o chimarrão;
ele tentou
implementar
as reformas
de base
“Caminhando contra o vento / Sem
lenço sem documento / No sol de
quase dezembro / Eu vou / [...] Por
entre fotos e nomes / Sem livro e
sem fuzil / Sem fome sem telefone
/ No coração do Brasil / Ela nem
sabe até pensei / Em cantar na
televisão / O sol é tão bonito / Eu
vou / Sem lenço sem documento
/ Nada no bolso ou nas mãos / Eu
quero seguir vivendo amor.”
(Caetano Veloso, música “Alegria Alegria”)
G A B A R I T O 1 ( A ) ; 2 ( F a l s o , V e r d a d e i r o , F a l s o , V e r d a d e i r o , V e r d a d e i r o ) ; 3 ( A ) ; 4 ( A )
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DIRETOR DE REDAÇÃO Helio Gurovitz epocadir@edglobo.com.br
REDATOR-CHEFE David Cohen
DIRETOR DE CRIAÇÃO Saulo Ribas
EDITORES-EXECUTIVOS André Fontenelle, David Friedlander
DIRETOR DE ARTE Marcos Marques
O Guia ÉPOCA Vestibular 2008 - Atualidades é um projeto
editorial de 11 fascículos desenvolvido pelo UNO Sistema
de Ensino da Editora Moderna para a Editora Globo. © 2007
Editora Moderna e Editora Globo. Todos os direitos reserva-
dos. Nenhuma parte desta coleção pode ser reproduzida sem
autorização prévia da Editora Moderna e da Editora Globo.
COORDENAÇÃO GERAL DO PROJETO Ana Luisa Astiz
COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA Carlos Piatto (UNO)
COORDENAÇÃO DE TEXTOS Antonio Carlos da Silva (Prof.
Toni) e Venerando Santiago de Oliveira
COMENTÁRIOS AOS ENUNCIADOS E DICAS Jô Fortarel
EDIÇÃO DE TEXTO Oscar Pilagallo
EDIÇÃO DE ARTE Leonardo Nery Protti
ILUSTRAÇÕES AKE Astbury
REVISÃO Bel Ribeiro
SUPERVISORA DE INTERNET Adriana Isidio (UNO)
DIRETOR EXECUTIVO Juan Ocerin
DIRETOR EDITORIAL Paulo Nogueira
DIRETOR DE MERCADO ANUNCIANTE Gilberto Corazza
DIRETOR DE FINANÇAS Frederic Zoghaib Kachar
DIRETOR DE ASSINATURAS Stavros Frangoulidis Neto
DIRETORA DE MARKETING Yara Grottera
O
11º fascículo do Guia ÉPOCA Vestibular 2008 - Atualidades é uma
espécie de faixa-bônus. Mas, ao contrário do que ocorre com os CDs,
no fascículo a escolha do conteúdo ficará a critério dos estudantes que vota-
rem no site www.epoca.com.br. Esse fascículo extra terá a estrutura dos dez primeiros
que estão sendo encartados gratuitamente na revista semanal. Ou seja, haverá questões
comentadas, pinçadas de vestibulares já realizados.
Haverá também uma questão inédita. O assunto prin-
cipal será escolhido pelos estudantes, que poderão vo-
tar em um dos quatro temas propostos.
São eles: 1) Globalização e Organizações
Multilaterais, 2) União Européia, 3) Biotecnologia e
Células-Tronco e 4) Crime Organizado. O fascículo
terá a mesma apresentação da edição impressa.
Assim, aqueles que o desejarem, poderão fazer
cópias da versão eletrônica.
Vote no tema do 11º
fascículo deste guia
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Inicie a prova
pelas questões
que considerar mais
fáceis. Dessa forma,
você garante melhor
aproveitamento
do tempo e os
primeiros acertos,
o que reforçará sua
disposição para
o prosseguimento
do exame.
Basta entrar no site da revista e escolher um
dos quatro temas propostos pelos professores

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A
partir do ano que
vem, mais da meta-
de dos 6,7 bilhões de
habitantes do planeta
viverá nas cidades. A urba-
nização, porém, é fenôme-
no recente: até meados do
século XIX, menos de 2%
viviam em cidades. Foi só
no século passado que
surgiram as megacidades.
A urbanização desordena-
da multiplica as favelas,
onde vive 1 bilhão de pes-
soas. O desafio é fazer com
que a pujança econômica
diminua, e não aumente, o
problema. Como mostra-
mos neste fascículo, isso
só será possível com a ado-
ção de políticas que dêem
prioridade a serviços públicos
nas áreas necessitadas.

NESTA EDIÇÃO
O crescimento
demográfico
vertical PÁG. 4
Teste: o que são redes
da globalização PÁG. 5

4 questões sobre
aspectos das
metrópoles PÁGs. 6 e 7
Urbanização, sim;
favelização, não
Só políticas públicas evitarão que, com a expansão
das megacidades, mais pessoas vivam precariamente
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3 DE 10
> História
> Geografia
Vila Brasilândia, na zona
norte de São Paulo; as favelas
resultam do crescimento
desordenado das cidades
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Pedestres em
São Paulo;
a metrópole
caminha para
se tornar uma
hipercidade
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o que tudo indica, a urbanização é um processo irreversível na trajetória
da humanidade. Entenda-se por urbanização o crescimento da população
urbana em ritmo mais acelerado que o da população rural. A partir de
2008, mais da metade dos atuais 6,7 bilhões de habitantes do planeta viverá
nas cidades. Além disso, a expectativa é que, ao longo dos próximos 30 anos,
a população urbana africana e asiática dobre, acrescentando 1,7 bilhão de pes-
soas ao meio urbano — mais que as populações da China e dos Estados Unidos
juntas. Essas são projeções do relatório Situação da População Mundial 2007:
Desencadeando o Potencial do Crescimento Urbano, publicado pelo Fundo de
População das Nações Unidas (UNFPA).
Cada vez mais os espaços urbanos vêm representando o lugar das principais
realizações e frustrações da humanidade. Porém, a urbanização é um fenômeno
relativamente recente – até meados do século XIX, menos de 2% da população
mundial vivia em cidades. Trata-se também de um processo que ocorre de
forma bastante desigual, tanto no tempo quanto no espaço terrestre.
Na Europa e nos Estados Unidos, por exemplo, a última meta-
de do século XIX representou o período de acelerada urbaniza-
ção, enquanto nos países subdesenvolvidos o fenômeno só se
intensificou após a Segunda Guerra Mundial. A principal causa
desse processo foi a transferência para a cidade de populações
rurais, induzidas pelas precárias condições no campo e pelas
oportunidades oferecidas pelos empregos na indústria, no
comércio e nos serviços. Contudo, o relatório do UNFPA ressalta
que, atualmente, a maior parte do crescimento da população
urbana resulta do crescimento vegetativo, e não da migração.
entenda o assunto
a urbanização pode ser
irreversível, não a favelização
Megacidades
continuarão crescendo
no mundo todo; só
o planejamento do
Estado evitará que
mais pessoas vivam em
condições precárias
POR SINVAL NEVES SANTOS
A urbanização
é fenômeno
recente: no
século XIX, 2%
da população
vivia em
cidades
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Alguns sites são recomendá-
veis para aqueles que quiserem
se aprofundar em temas ligados
à urbanização. A seguir, três
deles que podem ser consulta-
dos: http://www.unfpa.org.br/
(Fundo de População das Nações
Unidas); http://www.unhabitat.
org/ (Programa das Nações
Unidas para os Estabelecimentos
Humanos); e http://www.ibge.
gov.br (Instituto brasileiro de
Geografia e Estatística).
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Para as próximas décadas, a urbanização nos países
desenvolvidos e na América Latina – regiões que possuem
atualmente taxas de população urbana superior a 75%
– apresentará ritmos de crescimento bastante modestos,
enquanto o crescimento vertiginoso ocorrerá na Ásia e na
África. Essas são as estimativas do Programa das Nações
Unidas para os Estabelecimentos Humanos (UN-Habitat),
divulgadas no Relatório sobre o Estado das Cidades do
Mundo 2006/2007. Ao longo do século XX, sobretudo em
sua segunda metade, o processo de urbanização foi acom-
panhado do surgimento de imensas aglomerações urbanas, as megacidades,
metrópoles densamente povoadas, com mais de 10 milhões de habitantes. Hoje,
pelo menos 10% da população mundial vive nesses espaços. Atualmente, já se
utiliza o conceito de metacidades ou hipercidades para centros urbanos com mais
de 20 milhões de habitantes; em meados dos anos 1960, Tóquio se converteu na
primeira delas. Para 2020, prevê-se que Mumbai, Délhi, Daca e Jacarta (Ásia),
Cidade do México, Nova York e São Paulo (América) e Lagos (África) também
atinjam o status de metacidade.
Assim, considerar os processos de urbanização e de multiplicação das cidades
tornou-se imprescindível para a compreensão da humanidade e de seu espaço.
Para analisarmos o funcionamento do meio geográfico atual, marcado pelo
processo de globalização, precisamos atentar para o papel das cidades globais,
aquelas que possuem instrumentos de comando da economia e da sociedade em
escala global. Nova York, Los Angeles, Londres e Paris são bons exemplos de cida-
des que exercem um papel de comando e regulação sobre as outras cidades e o
resto do mundo; enquanto São Paulo, Cidade do México e Johannesburgo podem
ilustrar um segundo nível de cidades globais, por influenciarem áreas menores
e mais delimitadas do planeta.
É nas cidades globais que encontramos as maiores concentrações de objetos
e sistemas técnicos (edificações, redes de hotelaria, sistemas de transporte,
redes de telecomunicações etc.). Isso permite que elas centralizem informações
e serviços globais. A instalação de tais objetos nos territórios dessas cidades
atrai sedes de grandes empresas, importantes centros financeiros, centrais de
grupos de mídia e outros núcleos de decisão que possuem a capacidade de con-

3 | r e v i s t a é p o c a | f a s c í c u l o i i i
São Paulo
deverá se
tornar uma
hipercidade em
2020, com mais
de 20 milhões
de habitantes
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CresCimento da população urbana nas maiores Cidades do mundo – 1950-2020
7,58
bilhões
6,60
bilhões
5,28
bilhões
População
mundial
total
Gráfico 3
Projeção
1990 1995 2000 2005 2015 2020
Fontes: ONU, in National Geographic, maio 2007
Rural
Urbana
Favelas
2010
2008
Previsão de que
a população urbana
superará a rural
população
mundial
total
2005
2015
2020
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4 i revi s ta época i 1 1 de j unho de 2 007
trolar a dinâmica e a intensidade dos fluxos (financeiros, culturais, de informa-
ção, de pessoas etc.); estes, por sua vez, promovem uma crescente integração entre
incontáveis lugares do globo.
Por outro lado, a aceleração da urbanização, sobretudo nos países periféricos, veio
acompanhada de crescimento urbano desordenado, ocasio-
nando inúmeros problemas socioambientais, como a multi-
plicação de bairros com infra-estrutura deficiente, habitações
situadas em áreas de risco e alterações nos sistemas naturais.
Claro que essas áreas menos valorizadas são ocupadas pelas
populações de baixa renda, por isso se afirma que esse tipo
de expansão urbana reflete uma organização do espaço que
produz e acentua desigualdades econômicas e sociais. O fenô-
meno da favelização é uma das principais evidências territoriais
desse processo.
Favela, na definição usada pela ONU, são áreas urbanas em
que a maioria dos residentes vive aglomerada em habitações ilegais desprovidas de
água tratada e saneamento. Atualmente, a Terra conta com perto de 1 bilhão de seres
humanos amontoados em favelas, encontradas em todos os quadrantes do globo. E
o ritmo se acelera! A previsão é que esse tipo de submoradia terá 1,4 bilhão de habi-
tantes em 2020, já que as populações das favelas vêm aumentando em 2,2% ao ano;
a situação é pior na África negra, onde a taxa de crescimento anual supera os 4,5%,
segundo as projeções do Relatório sobre o Estado das Cidades do Mundo.
Especialistas que elaboraram esse estudo ressaltam que “o crescimento econômico
não leva automaticamente à assimilação das favelas”. Assim, podemos concluir que
um dos principais desafios de nosso tempo é criar formas para que a intensificação da
globalização não acentue as diferenças socioterritoriais, que já são assustadoras. Ou,
de forma mais otimista, o desafio está em fazer com que a pujança dos crescentes flu-
xos econômicos se reverta na diminuição dessas diferenças. Tarefa que só se tornará
possível a partir de uma efetiva participação do Estado no planejamento urbano. Para
tal, o poder público deve adotar políticas territoriais adequadas, priorizando a instala-
ção de equipamentos urbanos públicos (como redes de abastecimento e saneamen-
to, redes de transporte, redes de eletrificação e telefonia, postos de saúde e
hospitais, escolas e universidades) nas áreas mais necessitadas das cidades.
SINVAL NEVES SANTOS, mestre
em Geografia Humana pela USP,
é professor da rede privada de ensino
e de cursos pré-vestibulares
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O crescimento vegetativo ou
natural da população, também cha-
mado de movimento demográfico
vertical, corresponde à diferença
entre a taxa de natalidade e a taxa
de mortalidade num certo período.
Pode ser positivo, quando o número
de nascimentos é maior, ou negati-
vo, se a mortalidade for maior. Esse
número varia muito de um país para
outro em função das desigualdades
socioeconômicas e também oscilou
bastante ao longo da História.
Desde as últimas décadas do
século XX, o ritmo de crescimento
da população mundial vem dimi-
nuindo. Entre 1970 e 2000, a taxa
de crescimento populacional caiu de
2,1% para 1,6% ao ano. No entanto,
há uma grande diferença entre as
taxas dos países desenvolvidos, abai-
xo de 1%, e as taxas observadas em
algumas regiões subdesenvolvidas,
superiores a 2% ao ano. Enquanto
alguns países europeus, como Itália
e Alemanha, implantam campa-
nhas de estímulo à natalidade, a
fim de evitar a redução populacio-
nal, o governo indiano tenta dimi-
nuir o rápido crescimento de sua
população, acima dos 2,5% ao ano.
Na maioria dos países africanos,
as taxas de crescimento vegetativo
são elevadas, sobretudo na chama-
da África negra, ou África subsaa-
riana, que inclui os países africanos
situados ao sul do Deserto do Saara.
Essa região, cada vez mais populo-
sa, apresenta as piores condições
de vida do planeta.
André Guibur é professor de Geografia na
rede privada e em cursos pré-vestibulares
o CresCimento
VeGetatiVo por andré Guibur

4 | r e v i s t a é p o c a | f a s c í c u l o i i i
Planejamento
é necessário
para que o
crescimento
das cidades
não leve à
favelização
taXa mÉdia
anual de
CresCimento
da população
(%) – 2002
menos de 0
de 0 a 1
de 1 a 2
de 2 a 3
mais de 3
sem dados
Fontes: World Population 2002. World Population
prospects: the 2002 revision (wall chart). New York:
United Nations. Population Division. Department of
Economy and Social Affairs, 2003. Disponível em:
<http://www.un.org/esa/population/publications/
wpp2002/POP-R2002-DATA_Web.xls>.
Acesso em: fev. 2004.
180º 180º
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Escala 1:200.000.000
1000 2000 km 0
PROJEÇÃODE ROBINSON
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60º 60º
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redes da globalização
O teste abaixo é baseado numa obra de Milton Santos; a resposta
e os comentários podem ser checados no próximo capítulo
O fragmento acima faz referências a
redes formadas por sistemas técnicos
que permitem a interligação entre
inúmeros pontos do globo. A respeito
da distribuição geográfica de tais
redes, podemos afirmar que:
A) encontram-se distribuídas de
forma homogênea, sendo que as
cidades globais representam seus
principais pólos de comando, devi-
do à sofisticação de seus sistemas
financeiros e dos serviços de
telecomunicações.
b) apesar de não se encontrarem
perfeitamente distribuídas no espa-
ço geográfico, permitem a todas as
pessoas residentes em uma megaci-
dade se beneficiar com o fenômeno
da globalização.
C) possuem uma distribuição hete-
rogênea, sendo que as megacidades
representam os principais nós des-
sas redes, devido à concentração
de fluxos financeiros, culturais
e de pessoas.
D) possuem densidade desigual,
sendo que as cidades globais repre-
sentam os principais nós dessas
redes, devido à concentração de
objetos e sistemas técnicos implan-
tados em seus territórios.
E) Apresentam uma distribuição
equilibrada, sendo que as cidades
globais representam os principais
centros de comando, devido ao
contingente populacional superar
os 10 milhões de habitantes.
O primeiro filme (batismo de
Sangue) toma por base o belo livro
de mesmo nome, de autoria de Frei
betto, que retrata o envolvimento de
frades dominicanos na luta contra
a ditadura militar e a perseguição,
com prisões, torturas e mortes, que
se abateu sobre o grupo.
Já o segundo filme (O Ano em Que
Meus Pais Saíram de Férias) toma
por base a história de uma criança,
em belo Horizonte, no início dos
anos 70, que é obrigada a viver com
o avô para que os pais possam sair
de férias, na verdade um eufemismo
para esconder a necessidade de
fuga da repressão. O avô do garoto
morre, e este passa a viver com um
vizinho, aguardando ansiosamente a
volta dos pais.
Gabarito: alternativa C. [Da
ditadura militar no brasil – 1964 a
1985 (para alguns autores, 1989) e
enfocam questões como repressão,
tortura e resistência armada.]
resposta da questÃo inédita do fascículo ii
sangue e férias sob a ditadura militar

5 | r e v i s t a é p o c a | f a s c í c u l o i i i
“As redes são a condição da glo-
balização (...). Sua qualidade e
quantidade distinguem as regiões e
lugares, assegurando aos mais bem
dotados uma posição relevante e
deixando aos demais uma condição
subordinada. São os nós das redes
que presidem e vigiam as atividades
mais características deste nosso
mundo globalizado.”
Milton Santos, O País Distorcido: o Brasil, a Globalização
e a Cidadania (Publifolha: São Paulo, 2002)
Milton
Santos,
autor de
O País
Distorcido
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Caio
Blat em
Batismo de
Sangue
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i revi s ta época i 1 1 de j unho de 2 007 6 | r e v i s t a é p o c a | f a s c í c u l o i i i
2ª questão
Os cenários metropolitanos em
todo o Globo têm muitos aspectos
em comum: grande concentração
de pessoas, um ou mais centros
de negócios onde a vida econômi-
ca pulsa com intensidade, variada
atividade cultural, etc. No entanto,
observe as figuras e leia as afirma-
ções a seguir.
(Demétrio Magnoli e Regina Araújo. Projeto de Ensino de
Geografia. São Paulo: Moderna, 2000, p. 154-5)
I. embora, atualmente, com ritmos
diferentes de crescimento, muitas
das metrópoles dos países capitalis-
tas ricos e pobres apresentam pro-
blemas ligados à pobreza e margina-
lização de parte de seus habitantes.
II. as questões ligadas à violência
e ao desemprego fazem parte do
cotidiano das megacidades subde-
senvolvidas, mas não existem nos
países ricos.
III. as subabitações representam a
mais antiga solução para o problema
de moradia e, de modo geral, estão
situadas em áreas decadentes, nas
proximidades do centro das cidades.
Está correto SOMENTE o que
se afirma em:
A) I b) II C) III
D) I e II E) I e III
Puccamp, 2005 (questão 45)
COMENTÁRIO
A questão apresenta a resposta
na apreciação atenta das imagens.
Observe que o enunciado se inicia
com uma afirmação positiva sobre
o assunto, mas a expressão “no
entanto” indica que tais aspectos
positivos não eliminam os negativos,
que estão denunciados nas imagens.
Nas fotos, fica enfatizado que nos
grandes centros urbanos encontra-
mos graves problemas sociais – tais
como submoradias e desemprego
– coexistindo com o dinamismo eco-
nômico citado no enunciado.
A observação da foto número 2
– tirada em Nova York – evidencia
que tais problemas não são uma
exclusividade dos países
subdesenvolvidos.
1ª questão
A urbanização dos países subdesenvol-
vidos constitui um fenômeno marcante da
segunda metade do século XX. As carac-
terísticas desse fenômeno, na América
Latina, expressas na paisagem urbana
das metrópoles, são decorrentes da:
A) instalação de indústrias de bens de pro-
dução nos arredores das pequenas cidades
e próximas às fontes de matéria-prima.
b) industrialização tardia e da modernização
das atividades agrícolas, conjugadas à con-
centração de pessoas nas grandes cidades.
C) aglomeração humana e do aumento
do poder aquisitivo da população, favore-
cidos pela expansão do capital financeiro
na economia.
D) inovação tecnológica e do aumento da
produtividade das indústrias de bens de
consumo, para suprirem as necessidades
da vida urbana.
E) implementação de parque industrial e
da regulação, por meio do planejamento
governamental, de deslocamentos popu-
lacionais para as cidades.
UFG, 2006 (questão 56)
COMENTÁRIO
Enunciado clássico: objetivo, direto.
Nada para confundir, mas nada para ajudar
também: não há nenhuma espécie de dica.
Essa questão exige do candidato a
identificação dos motivos que levaram à
urbanização dos países latino-america-
nos. A urbanização teve como principal
causa o êxodo rural, que, por sua vez,
está ligado ao excedente de mão-de-obra
do campo. Esses são reflexos da diminui-
ção dos empregos devido à mecanização
agrícola, além de problemas estruturais
do espaço rural em países subdesenvol-
vidos, como concentração e subapro-
veitamento de terras. Por outro lado, o
desenvolvimento da indústria, sobretudo
nas cidades mais populosas, representou
um fator de atração urbana para os cam-
poneses emigrantes.
questões respondidas
aspectos das metrópoles
Os grandes aglomerados humanos, independentemente de estarem
em países ricos ou pobres, apresentam alguns problemas comuns

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Marlman Point, em
Mumbai (Índia)
Sem-teto em
Nova York (EUA)
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1 1 de j unho de 2 007 i revi s ta época i
Favela de Vila
Brasilândia, em
São Paulo
4ª questão
Considere as seguintes afirmações
sobre o processo de urbanização
mundial no século XX:
I. o fenômeno ainda se encontra
localizado nos países do Norte e na
América Latina.
II. o ritmo de crescimento é cada vez
mais acelerado, sobretudo a partir
das décadas de 60/70.
III. o processo foi responsável pelo
desenvolvimento de várias metrópo-
les modernas no mundo.
IV. a expansão do processo criou
condições para que se desenvol-
vesse um modo de vida urbano
para além dos limites territoriais da
cidade.
V. de modo geral, o processo em
vigor nos países subdesenvolvidos
possibilita à população pobre consu-
mir os benefícios da urbanização.
Dentre essas afirmações estão
corretas apenas:
A) III, IV e V. b) II, III e IV.
C) I, IV e V. D) I, II e V.
E) I, II e III.
Fatec, 1999
COMENTÁRIO
Mais uma questão que não oferece
dica no enunciado. Para resolvê-la,
é necessário conhecer a dinâmica
atual do processo de urbanização.
Sabemos que o fenômeno, inten-
sificado após a Segunda Guerra
Mundial, já se disseminou pelo pla-
neta, sendo que, atualmente, África
e Ásia são os continentes onde o
processo ocorre de forma mais
acelerada. Além disso, as redes e os
sistemas técnicos atuais, junto com
a grande interdependência econô-
mica campo-cidade, permitem que
influências do estilo de vida urbana
incidam cada vez mais no espaço
rural.
3ª questão
No Brasil, as favelas, embora loca-
lizadas em sítios diferenciados, apre-
sentam como característica comum:
A) o seu caráter periférico, ocupando
sempre os limites da mancha urbana.
b) o fato de serem uma ocorrência
essencialmente ligada às grandes
áreas metropolitanas do Sudeste
e do Nordeste.
C) as habitações de baixo custo, cons-
truídas em terrenos de posse definitiva,
localizados em loteamentos organi-
zados e destinados às populações de
baixa renda.
D) a ausência de preocupação com o
meio ambiente urbano em razão da
natureza desordenada da ocupação,
realizada em terrenos públicos ou de
terceiros.
E) o fato de estarem estruturalmen-
te associadas a bairros tradicionais
degradados, com reutilização intensi-
va de velhos casarões mantidos pela
especulação imobiliária.
Fuvest, 1995 (questão 71)
COMENTÁRIO
Essa questão pode pegar muitos
candidatos, pois associa um enunciado
enxuto com alternativas parcialmente
incorretas. A prova limitou-se a cobrar
uma definição coerente para favela. Essa
forma de submoradia é um dos reflexos
mais visíveis do crescimento desorde-
nado das cidades, muito comum em
países subdesenvolvidos. As favelas se
caracterizam por áreas urbanas em que
os residentes vivem apinhados em habi-
tações ilegais – construídas em terrenos
de outros – e desprovidas de condições
mínimas de saneamento e qualidade
G A b A R I T O : 1 ( b ) , 2 ( E ) , 3 ( D ) , 4 ( b )

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8 i revi s ta época i 1 1 de j unho de 2 007
O
fascículo da semana que vem vai tratar da questão da geração de
energia no mundo. Com o esgotamento dos combustíveis a partir de
material fóssil, como o petróleo, o brasil credencia-se a assumir um
papel de destaque com a produção de energia a partir de fontes renováveis,
como o álcool da cana-de-açúcar.
Quanto ao tema do 11º fascículo do Guia ÉPOCA Vestibular 2008 - Atualidades,
continua aberta a votação. Você ainda pode votar acessando
o site da revista, www.epoca.com.br.
Os assuntos em que os estudantes poderão votar são os seguintes:
1) Globalização e Organizações Multilaterais, 2) União Européia,
3) Biotecnologia e Células-Tronco e 4) Crime Organizado.
O fascículo terá a mesma apresentação da edição impressa, inclusive com
questões comentadas de vestibulares já realizados e uma questão inédita.
Quem quiser poderá fazer cópias da versão eletrônica.
o próximo fascículo tratará
da geração de energia
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Não se assuste
com o tamanho dos
textos que precedem
algumas questões. Leia
primeiro o enunciado
que vem depois deles
e procure identificar se
há relação entre o que
é solicitado e os textos
apresentados.
O assunto do 11º número será escolhido pelos leitores,
que podem votar no site da revista

DIRETOR DE REDAÇÃO Helio Gurovitz epocadir@edglobo.com.br
REDATOR-CHEFE David Cohen
DIRETOR DE CRIAÇÃO Saulo Ribas
EDITORES-EXECUTIVOS André Fontenelle, David Friedlander
DIRETOR DE ARTE Marcos Marques
O Guia ÉPOCA Vestibular 2008 - Atualidades é um projeto
editorial de 11 fascículos desenvolvido pelo UNO Sistema
de Ensino da Editora Moderna para a Editora Globo. © 2007
Editora Moderna e Editora Globo. Todos os direitos reserva-
dos. Nenhuma parte desta coleção pode ser reproduzida sem
autorização prévia da Editora Moderna e da Editora Globo.
COORDENAÇÃO GERAL DO PROJETO Ana Luisa Astiz
COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA Carlos Piatto (UNO)
COORDENAÇÃO DE TEXTOS Antonio Carlos da Silva (Prof.
Toni) e Venerando Santiago de Oliveira
COMENTÁRIOS AOS ENUNCIADOS E DICAS Jô Fortarel
EDIÇÃO DE TEXTO Oscar Pilagallo
EDIÇÃO DE ARTE Leonardo Nery Protti
ILUSTRAÇÕES AKE Astbury
REVISÃO bel Ribeiro
SUPERVISORA DE INTERNET Adriana Isidio (UNO)
DIRETOR EXECUTIVO Juan Ocerin
DIRETOR EDITORIAL Paulo Nogueira
DIRETOR DE MERCADO ANUNCIANTE Gilberto Corazza
DIRETOR DE FINANÇAS Frederic Zoghaib Kachar
DIRETOR DE ASSINATURAS Stavros Frangoulidis Neto
DIRETORA DE MARKETING Yara Grottera
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1 | R E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O I I
O
crescimento de um
país está associado
a uma maior deman-
da por energia. Petróleo,
gás natural e carvão ainda
são as principais fontes
de energia. Mas a ameaça
de mudanças climáticas,
como o aquecimento
global, força a busca por
alternativas com menor
impacto ambiental. O xisto
da questão não é apenas
um trocadilho – pode ser
também uma solução.
Como o dendê. Ou a ener-
gia dos ventos e do sol. É
fundamental o uso de fontes
que emitam menos gases
de efeito estufa. Nesta
edição, abordamos a onda
dos biocombustíveis e a
retomada do projeto nuclear
brasileiro.

NESTA EDIÇÃO
O Brasil na liderança
dos biocombustíveis
PÁGs. 2 a 4
O hesitante projeto
nuclear PÁG.3

Uma questão
inédita sobre
o xisto PÁG. 5
Dendê contra o
aquecimento global
Clima e território dão vantagem comparativa ao Brasil
na corrida por fontes energéticas renováveis e menos
poluentes, como o fruto baiano
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Frutos do dendê,
cujo óleo é fonte
de energia
4 DE 10
> Biologia
> Química
> Geografia
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2 I revi s ta época I 1 1 de j unho de 2 007
A
demanda por energia teve expansão súbita a partir da Revolução
Industrial iniciada no século XVIII. Primeiramente, utilizou-se o carvão
mineral para aquecer a água que movimentava as máquinas a vapor. No
fim do século XIX, teve início a produção de motores de combustão interna. Em
vez de aquecer água numa caldeira e canalizar o vapor para dentro do motor,
um combustível líquido é vaporizado e lançado dentro do motor, onde então
explode, liberando energia. Esse combustível é um derivado do petróleo. Tanto
o carvão quanto o petróleo originam-se da decomposição
de material orgânico que se processa por milhões de anos,
em ambientes aquáticos anaeróbicos. São os chamados
combustíveis fósseis.
Os dois principais tipos de motores, hoje, são os que uti-
lizam a gasolina − semelhantes aos motores a álcool − e os
movidos a diesel. Tanto a gasolina quanto o diesel têm como
principais componentes compostos orgânicos que possuem
apenas carbono e hidrogênio − os hidrocarbonetos.
Ambos possuem compostos com nitrogênio e enxofre que,
ENTENDA O ASSUNTO
Os biocombustíveis e
a liderança brasileira
O biocombustível
tem origem
em material
orgânico
recente;
é a chamada
biomassa
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2 | R E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O I V
> Rudolf Diesel (1858-1913),
engenheiro mecânico alemão,
inventou um motor a partir da
explosão de óleos, inclusive
vegetal, quando misturados
com o oxigênio purificado.
Em 23 de fevereiro de 1897
registrou patente de seu
invento, batizado posterior-
mente de motor diesel.
DIESEL
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Maior produtor mundial de etanol e prestes a assumir a liderança no biodiesel,
o Brasil pode se tornar protagonista entre os fornecedores de energia
POR EMÍLIO GALHARDO FILHO
Técnicos trabalham
em plataforma na
Bacia de Campos, no
Rio; o petróleo ainda
é uma das principais
fontes de energia
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na combustão, produzem substâncias ácidas. Lançadas na
atmosfera, elas se precipitam como chuva ácida, uma forma
de poluição que causa grande preocupação. A combustão
dentro dos motores nunca é completa, isto é, sempre falta
um pouco de oxigênio, o que produz o monóxido de carbono
(CO), substância tóxica que impede que nosso sangue
transporte oxigênio. Finalmente, toda combustão de material
orgânico produz gás carbônico − o principal responsável pelo
aquecimento global.
Já os biocombustíveis têm origem em material orgâni-
co produzido recentemente: a denominada biomassa. Para entender a dife-
rença entre um biocombustível e outro de origem fóssil, devemos lembrar
do processo denominado fotossíntese.
Todo alimento de nosso planeta é formado pelo processo (desencadeado
nas plantas, algas e certas bactérias) que transforma gás carbônico e água
em glicose e oxigênio. Como a fotossíntese retira gás carbônico do ar, cada
molécula de gás carbônico que introduzimos na atmosfera queimando bio-
diesel já foi retirada no processo fotossintético, o que o torna interessante
do ponto de vista ecológico. Além disso, as fontes dos biocombustíveis são
os vegetais, que podem ser replantados indefinidamente, ao contrário dos
combustíveis fósseis. Como não se acumulam no ambiente, pois são degra-
dados por bactérias, dizemos que são biodegradáveis.
O desenvolvimento da indústria automobilística mundial − grande consu-
midora de petróleo − tem início no século XX a partir dos Estados Unidos. Por
isso, são estadunidenses cinco das sete empresas que controlaram a produção,
o refino e a distribuição do petróleo mundial nesse século. Agindo juntas para
defender seus interesses, foram apelidadas de “As Sete Irmãs”. Não causa
espanto, portanto, que combustíveis alternativos tenham sido esquecidos.
O panorama muda drasticamente a partir de 1973, após o desfecho da
guerra do Yom Kippur, quando a Opep decide aumentar o preço do barril de
petróleo substancialmente. Inicia-se então um período de grandes elevações
de preço, o que levou à busca de alternativas. Um dos desdobramentos
disso é que, em 1975, lança-se no Brasil o Programa Nacional do Álcool

3 | R E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O I V
A geração de energia elétrica
mundial a partir de plantas nuclea-
res cresceu muito, aproximando-se
da obtida por hidrelétricas. Por
terem tamanho reduzido e não emi-
tirem gases de efeito estufa, elas têm
ganho destaque como alternativa
energética aos combustíveis fósseis,
apesar da questão do lixo radioativo.
Três países sozinhos – França,
Japão e Estados Unidos – respondem
por 60% da energia obtida dessa
forma. A França obtém quase 80%
de sua energia elétrica de 56 plantas
nucleares espalhadas pelo país.
No Brasil, país com alto potencial
hídrico, a implantação de usinas
nucleares constitui alternativa ener-
gética questionável. Nosso programa
nuclear remonta à década de 50,
quando os primeiros maquinários
para enriquecer urânio começaram
a ser importados da Alemanha. Sem
projeto definido, não podíamos ficar
fora do seleto clube atômico que se
formava. No início da década de 70,
em pleno governo militar, o progra-
ma ganhou impulso. Um submarino
nuclear, armas atômicas e usinas
eram o sonho de consumo do topo
da cadeia de comando, frustrado
posteriormente. As usinas de Angra
começaram a sair do papel (e ainda
não saíram totalmente).
Com participação de 1,6% na
matriz energética, custo astronômi-
co, tecnologia ultrapassada e sem
plano de evacuação adequado para
a usina e a população, usinas nuclea-
res no Brasil para quê?
Venerando S. de Oliveira é físico, educador
e autor de material didático
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As moléculas que formam a ¤asolina e o diesel þossuem al¤o em comum.
ambas são formadas þor áLomos de carbono e hidro¤ènio.
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O Proálcool
foi lançado em
1975 visando
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O PROJETO NUCLEAR. QUE
PROJETO?! por Venerando S. de Oliveira
UM COMPONENTE DA GASOLINA
UM COMPONENTE DO DIESEL
As moléculas que
formam a gasolina e o
diesel possuem algo
em comum: ambas
são formadas por
átomos de carbono
e hidrogênio
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4 I revi s ta época I 1 1 de j unho de 2 007
(Proálcool), visando diminuir a dependência de petróleo importado. O proces-
so para obter o etanol (ou álcool etílico) a partir da cana-de-açúcar tem início
com a moagem, que produz caldo e bagaço. Após filtração, o caldo é evaporado
para conseguir um material viscoso − o melaço. Nesse ponto temos a colabora-
ção das leveduras, um fungo que transforma açúcar em álcool e gás carbônico.
A mistura fermentada, chamada mosto, é então destilada, obtendo-se o álcool
hidratado e um material pastoso denominado vinhoto. No início da produção de álcool
combustível, o vinhoto era lançado nos rios, com graves conseqüências ambientais.
Hoje é utilizado como fertilizante e agregado à ração animal, já que é rico em minerais. O
bagaço também tem utilidade, como combustível e em rações para o gado.
Além de ser queimado puro, o etanol pode ser misturado à gasolina comum
com dois efeitos muito benéficos. Como possui um átomo de oxigênio na
molécula, a combustão é mais completa, o que reduz a produção de monóxido
de carbono. Como o etanol aumenta a eficiência da gasolina, substitui aditivos
que são muito poluentes.
Quanto ao biodiesel, uma nova forma de produzi-lo foi patenteada no Brasil em
1977, embora com pouca atenção governamental nas décadas seguintes. Com um
projeto lançado pelo governo em janeiro de 2005, porém, a produção de biodiesel
passa a ser incentivada. Já neste ano teremos a adição de 2% de biodiesel ao diesel
comum, e essa proporção deverá aumentar. Pode-se utilizar nessa produção óleo
de mamona, amendoim, buriti, pinhão-manso, coco, dendê ou gordura animal.
Para produzir o biodiesel, reage-se óleo ou gordura com
álcool etílico ou metílico. Ao final do processo, obtêm-se
biodiesel e glicerol. Esses componentes se separam em duas
fases. Como o biodiesel é menos denso, flutua, e as fases
são facilmente separadas.
Possuindo átomos de oxigênio em sua estrutura, o
biodiesel acrescenta o mesmo efeito benéfico do álcool
quando adicionado à gasolina − torna a combustão mais
completa, diminuindo a emissão de monóxido de carbono.
Em 2006, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma
Rousseff, anunciou o início da produção do Hbio, o novo
companheiro do álcool e do biodiesel no time dos combustíveis derivados de
biomassa e, portanto, renovável. O processo de produção parte da adição de
hidrogênio ao óleo vegetal dissolvido em diesel comum. O óleo transforma-se
então em diesel, isto é, em moléculas com apenas átomos de carbono e hidro-
gênio. Também se obtém o propano, utilizado como gás de cozinha.
O enxofre que contamina normalmente o diesel é retirado e pode ser usado
por diversas indústrias. Com isso, parte do diesel terá origem renovável, dimi-
nui-se a concentração de poluentes que produzem chuva ácida e obtém-se
enxofre como subproduto. A patente é “brasuca” e está nas mãos da Petrobras.
O Brasil detém hoje a dianteira na produção e utilização dos biocombustíveis.
Mais uma janela de oportunidade que, aproveitada de forma competente,
colocará o país em posição de destaque no cenário mundial. Seremos
competentes ou deixaremos escapá-la pelas mãos, como fizemos com a
borracha no início do século XX?
EMÍLIO GALHARDO FILHO, formado
pela USP, é professor e autor nas
áreas de química, ciência ambiental
e experimental
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4 | R E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O I V
> O etanol brasileiro provém
da fermentação da cana-de-
açúcar, enquanto o estadu-
nidense provém do milho. O
rendimento do etanol, por hec-
tare, a partir do milho é cerca
de 20% daquele obtido da
cana. Usinas de açúcar e álcool
já utilizam o bagaço da cana,
antes dispensado, para gerar
calor e eletricidade suprindo
suas necessidades e gerando
excedente, que é vendido.
ETANOL
A produção
de biodiesel
passou a
ser incentivada
pelo governo
brasileiro a
partir de 2005
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Leia sobre a história do projeto
nuclear brasileiro na revista ele-
trônica ComCiência http://www.
comciencia.br/reportagens/
nuclear/nuclear09.htm.
Sobre o mais grave acidente
com uma usina nuclear, nos
anos 80, o vídeo mostra a cidade
fantasma de Chernobyl, Ucrânia
http://www.youtube.com/
watch?v=yisFP1z3tgA.
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Lixo e xisto, energia
em dose dupla
Vantagens e desvantagens de duas fontes alternativas;
a resposta e o comentário estão no fascículo V
Leia com atenção os textos a seguir:
A) na década de 1950, a Petrobras
desenvolveu o processo Petrosix, que
permite obter óleos combustíveis a
partir do xisto betuminoso, um tipo
de rocha que guarda material orgâ-
nico formado há milhões de anos.
Refinado, o xisto produz derivados
semelhantes ao do petróleo, como
gasolina, diesel, óleo combustível
e gás de botijão. O Brasil possui a
segunda maior reserva do mundo
dessa rocha, porém o processo ainda
é mais caro que as obtenções a partir
do petróleo.
B) dejetos orgânicos tão variados
como restos de comida, partes de
vegetais desprezados nas colheitas,
resíduos de indústrias processadoras
de alimentos ou mesmo excremen-
to podem ser aproveitados quando
acumulados em fossas fechadas −
chamadas biodigestores. Esses deje-
tos sofrem um processo anaeróbico
(carência de oxigênio) de fermentação
que produz gás de lixo ou biogás.
Esse gás pode ser utilizado como
combustível e seu principal consti-
tuinte é o metano (CH4). O resíduo
sólido da fossa é um excelente adubo
e possui volume bem menor que o
dos resíduos originais.
Agora julgue cada afirmativa
quanto à correção:
I. o xisto betuminoso é uma fonte
renovável de energia.
II. o biogás é um combustível
renovável.
III. os biodigestores podem auxiliar no
problema de armazenamento do lixo.
IV. a combustão do biogás não
produz poluentes.
Estão corretas as afirmativas:
A) I e II B) I e III
C) II e III D) II e IV
E) I e IV
A questão, baseada num trecho
do livro de Milton Santos sobre a
globalização, referia-se às redes que
viabilizam a interligação no mundo
globalizado. Essas redes são, sobre-
tudo, sistemas de telecomunicações
e sistemas de transportes modernos.
Os principais terminais (ou nós des-
sas redes) encontram-se nas cidades
globais, que concentram os objetos e
sistemas técnicos necessários para a
integração. Sabemos que as cidades
globais se localizam em maior quantida-
de nos países desenvolvidos (Estados
Unidos, Inglaterra, França, Japão) e em
menor densidade nas regiões menos
desenvolvidas, com poucos casos na
América Latina e na África.
Gabarito: alternativa D. (Possuem
densidade desigual, sendo que as cida-
des globais representam os principais
nós dessas redes, devido à concen-
tração de objetos e sistemas técnicos
implantados em seus territórios.)
RESPOSTA DA QUESTÃO INÉDITA DO FASCÍCULO III
As redes do mundo globalizado
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Cilindro de gás
automotivo
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2ª questão
Mais de duas décadas se passa-
ram após a construção da Usina
Termonuclear de Angra dos Reis,
porém ainda pairam no ar preocupa-
ções, sobretudo para as principais
capitais brasileiras, São Paulo e Rio de
Janeiro. Dentre as razões listadas,
indique aquela(s) que corretamente
justifica(m) tais preocupações:
01) o risco de acidente, que provo-
caria a contaminação radioativa de
extensas áreas circunvizinhas.
02) o obscuro destino dado ao lixo
radioativo produzido por Angra.
04) o elevado consumo de carvão
mineral utilizado como co-processador
na geração de energia elétrica.
08) o risco de extravio de plutônio, que
poderia ser usado para fins não-pacíficos.
16) o uso de grande quantidade de
lenha, para beneficiamento de plutô-
nio, e a conseqüente devastação da
mata atlântica.
UFMS, 2005 (prova de Geografia)
COMENTÁRIO
Este tipo de questão pode se mostrar
mais complicado por dois fatores: 1)
não tem introdução, de onde poderiam
ser inferidas algumas respostas; e 2) a
soma da pontuação, embora simples,
pode levar ao erro. Quanto ao conteúdo,
é importante ter em vista que uma usina
termonuclear, como indica o nome,
produz energia térmica a partir de
reações nucleares, e não da queima de
combustíveis como o carvão ou a lenha.
Por localizar-se perto das duas maiores
cidades do Brasil, as conseqüências de
um vazamento de material radioativo
seriam catastróficas. A Usina de Angra
dos Reis utiliza urânio enriquecido, e não
plutônio, como fonte de energia nuclear.
Os produtos da reação do urânio (o lixo)
são também radioativos e costumam
ser armazenados em depósitos sub-
terrâneos, onde levam até centenas de
milhares de anos para desaparecer.
1ª questão
O biodiesel é um combustível
derivado de fontes renováveis,
que pode ser obtido por
diferentes processos, tais como o
craqueamento, a esterificação ou
pela transesterificação. Ele sofre a
ação de bactérias decompositoras.
Há dezenas de espécies vegetais no
Brasil das quais se pode produzir o
biodiesel, tais como mamona, dendê
(palma), girassol, babaçu, amendoim,
soja, dentre outras. Esse combustível
renovável permite a economia de
divisas com importação de petróleo e
óleo diesel e também reduz a poluição
ambiental, além de gerar alternativas
para outras atividades econômicas e,
assim, promover a inclusão social.
De acordo com o texto, pode-se
afirmar que o biodiesel é considera-
do um combustível:
A) inorgânico.
B) biodegradável.
C) formado por glicerina e éter.
D) formado por éter e aldeídos.
E) que utiliza matéria-prima mineral.
UFABC, 2006 (prova de Conhecimentos Gerais)
COMENTÁRIO
Diferentemente de introduções que,
apesar de longas, não interferem na
resposta, esta, se lida com aten-
ção, indica a alternativa correta.
O perigo de questões com esse
formato é a demora da análise, mas
é um perigo que pode compensar.
O biodiesel é um derivado orgâ-
nico obtido de matérias-primas
vegetais. Por isso, é considerado
renovável (os vegetais podem ser
indefinidamente replantados). Caso
haja vazamentos e o ambiente seja
contaminado, bactérias podem
decompô-lo. Isso significa que é
biodegradável e não se acumula no
ambiente.
QUESTÕES RESPONDIDAS
O biodiesel pode promover inclusão social
As questões nestas duas páginas, retiradas de vestibulares de quatro universidades,
ajudam na avaliação sobre o conhecimento do uso de fontes de energia

A Usina de Angra dos
Reis, que fica entre São
Paulo e Rio de Janeiro
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1 1 de j unho de 2 007 I revi s ta época I 7
Fabricação
de carvão
em Marabá,
no Pará
3ª questão
O documento “Planeta Vivo”, emitido
pela World Wide Fund for Nature (WWF)
e pelo Programa das Nações Unidas para
o Meio Ambiente (Pnuma), em fevereiro
de 2001, alerta que vivemos numa
situação insustentável, considerando
que já foram consumidos 42,5% dos
recursos naturais do planeta e que esse
consumo aumenta, em média, 2,5%
ao ano nos países desenvolvidos. Com
base nesta colocação, assinale a(s)
proposição(ões) CORRETA(S):
01. se pensarmos nas potenciais matrizes
energéticas substitutas do petróleo no
século XXI, podemos dizer que o Brasil
pode dispor de praticamente todas.
02. as características físico-climáticas e
socioeconômicas do Brasil assinalam um
grande potencial para o desenvolvimento
de fontes alternativas de energia, como a
biomassa, o biodiesel e a energia eólica.
04. o Brasil é um país agraciado com
extensas massas de água, gerando um
grande potencial para a hidroeletricidade.
08. o Brasil possui reservas de petróleo
já descobertas que o colocam entre os
principais exportadores da atualidade.
16. o Brasil é o maior país tropical do
mundo, o que possibilita o aproveita-
mento privilegiado da energia solar.
32. após a década de 50, intensificou-
se em todo o mundo uma atitude de
preocupação em relação à preservação
dos recursos naturais.
UFSC, 2007 (prova de Geografia)
COMENTÁRIO
Em questões como esta, em que cada
alternativa apresenta períodos longos,
parte das proposições pode estar correta
e parte pode estar incorreta; cuidado,
portanto, com a precipitação.
Em relação ao conteúdo:
devido a sua dimensão territorial,
o Brasil possui regiões com
ventos constantes (onde se pode
aproveitar a energia eólica),
extensa costa litorânea (onde se
pode utilizar energia das marés)
e grandes bacias hidrográficas
(para o desenvolvimento da
energia hidrelétrica). A posição
geográfica privilegiada do Brasil
oferece radiação solar abundante,
que, somada à extensão de terras
agricultáveis, dá ao país vantagem
na área dos biocombustíveis. Quanto
ao petróleo, o que exploramos é
canalizado para o consumo interno.
4ª questão
O biodiesel é um combustível obtido
através da reação de triglicerídeos e
álcool na presença de um catalisador.
Uma fonte natural de glicerídeos
a partir da qual se pode obter
o biodiesel é:
A) o petróleo.
B) o alcatrão da hulha.
C) a cana-de-açúcar.
D) o xisto betuminoso.
E) a gordura animal.
UFRS, 2005 (prova de Química)
COMENTÁRIO
Questão curta, objetiva e direta.
Excelente para quem sabe a resposta,
pois não demanda tempo de leitura. Para
quem não sabe, o jeito é chutar. Mas
elimine, pelo menos, as alternativas
obviamente erradas (como a que
menciona petróleo, por exemplo).
O biodiesel pode ser obtido
a partir de qualquer fonte
natural que possua grande
quantidade de óleo ou
gordura, o que inclui fontes
animais, vegetais ou
mesmo algas.
G A B A R I T O : 1 ( B ) , 2 ( s o m a d a s c o r r e t a s : 0 1 + 0 2 = 0 3 ) , 3 ( s o m a d a s c o r r e t a s : 0 1 + 0 2 + 0 4 + 1 6 + 3 2 = 5 5 ) , 4 ( E )

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8 I revi s ta época I 1 1 de j unho de 2 007
jornais e revistas, pois temas
da atualidade estão cada vez
mais presentes nos exames
vestibulares. Converse com
seus amigos sobre esses
assuntos. Assim, você
exercita sua capacidade de
argumentação e consolida
seus conhecimentos.
A
partir do próximo fascículo, esta série chega ao meio do caminho. A esta
altura, com o material que tem em mãos, você provavelmente já criou o
próprio método de estudo. Não custa, no entanto, enfatizar que a melhor
maneira de responder às questões apresentadas a cada número é tentar repro-
duzir as condições que terá de enfrentar na hora da prova. Por isso, é recomen-
dável que você tente anotar a alternativa correta antes de ler o comentário do
professor que vem a seguir.
Na semana que vem, o assunto é o meio ambiente no século XXI. Quanto ao
tema do 11º fascículo do Guia ÉPOCA Vestibular 2008 - Atualidades, continua
indefinido, à espera de seu voto, que pode ser dado no site www.epoca.com.
br. É possível votar num dos seguintes temas: 1) Globalização e Organi-
zações Multilaterais, 2) União Européia, 3) Biotecnologia e Células-
Tronco e 4) Crime Organizado. Esse fascículo extra, em versão apenas
eletrônica, terá a mesma estrutura dos impressos.
Ao estudar, reproduza
as condições da prova
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O ideal é tentar responder às questões propostas
como se você estivesse na hora do exame

DIRETOR DE REDAÇÃO Helio Gurovitz epocadir@edglobo.com.br
REDATOR-CHEFE David Cohen
DIRETOR DE CRIAÇÃO Saulo Ribas
EDITORES-EXECUTIVOS André Fontenelle, David Friedlander
DIRETOR DE ARTE Marcos Marques
O Guia ÉPOCA Vestibular 2008 - Atualidades é um projeto
editorial de 11 fascículos desenvolvido pelo UNO Sistema
de Ensino da Editora Moderna para a Editora Globo. © 2007
Editora Moderna e Editora Globo. Todos os direitos reserva-
dos. Nenhuma parte desta coleção pode ser reproduzida sem
autorização prévia da Editora Moderna e da Editora Globo.
COORDENAÇÃO GERAL DO PROJETO Ana Luisa Astiz
COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA Carlos Piatto (UNO)
COORDENAÇÃO DE TEXTOS Antonio Carlos da Silva (Prof.
Toni) e Venerando Santiago de Oliveira
COMENTÁRIOS AOS ENUNCIADOS E DICAS Jô Fortarel
EDIÇÃO DE TEXTO Oscar Pilagallo
EDIÇÃO DE ARTE Leonardo Nery Protti
ILUSTRAÇÕES AKE Astbury
REVISÃO Bel Ribeiro
SUPERVISORA DE INTERNET Adriana Isidio (UNO)
DIRETOR GERAL Juan Ocerin
DIRETOR EDITORIAL Paulo Nogueira
DIRETOR DE MERCADO ANUNCIANTE Gilberto Corazza
DIRETOR DE FINANÇAS Frederic Zoghaib Kachar
DIRETOR DE ASSINATURAS Stavros Frangoulidis Neto
DIRETORA DE MARKETING Yara Grottera
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A
expressão “ecossis-
tema” remete para
ambientes naturais, em
geral carentes de preservação.
A Amazônia é um ecossistema,
assim como a Serra do Mar
e o Pantanal. Essa associação
coloca em segundo plano o
ecossistema urbano. Pois, neste
início do século XXI, o ecos-
sistema urbano pode ser tão
ou mais frágil que os naturais.
Os problemas são muitos e
demandam soluções urgentes,
como veremos neste fascículo.
Tratamento inadequado do lixo,
poluição sonora e visual, con-
taminação da água, trânsito...
A lista é grande e, infelizmente,
os habitantes das metrópoles
a sabem de cor. Reverter esse
quadro não é impossível, mas
exige a participação de toda a
sociedade.

NESTA EDIÇÃO
São Paulo reduz a
poluição visual PÁG. 4
O destino das
toneladas diárias
de lixo PÁG. 5
4 questões
sobre ambientes
urbanos PÁGs. 6 e 7
Cidade: preserve
esta área
Neste início do século
XXI, os ecossistemas
urbanos exigem
cuidado, a fim de que
se evite a degradação
da qualidade de vida
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Centro de
São Paulo
5 DE 10
> Química
> Biologia
> Geografia
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2 I revi s ta época I 1 1 de j unho de 2 007
A
população brasileira cresceu, em menos de um século e meio,
quase 20 vezes, passando de 10 milhões em 1872, segundo o
recenseamento da População do império do brasil, para 190
milhões, segundo estimativa on-line do instituto brasileiro de Geografia
e estatística (ibGe). cerca de 85% dessa população vive em cidades,
de acordo com o censo de 2000. Hoje, são 15 as cidades com mais de
1 milhão de habitantes, entre as quais se destacam grandes centros
como São Paulo e rio de Janeiro.
as metrópoles sofrem com os problemas típicos da expansão mal planejada:
produção acelerada de lixo, poluição sonoro-visual, contaminação dos
mananciais, deterioração das redes de saneamento básico e energia elétrica,
chuva ácida e agravamento da inversão térmica (um fenômeno natural) e
do efeito estufa. a lista é grande, e inclui o estresse característico de quem
enfrenta o caos urbano e a insegurança da vida em grandes cidades.
esses problemas não estão restritos a grandes centros, e muito menos
são “privilégio” brasileiro. eles decorrem do inchaço urbano observado nos
entenda o assunto
O ecossistema urbano está à
beira de um ataque de nervos
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2 | r e v i s t a é p o c a | f a s c í c u l o v
as megacidades
continuarão crescendo
no mundo todo;
os problemas
decorrem do inchaço
urbano dos últimos
dois séculos
POr daNiLO SerGiO POLicaSTrO
Multidão na Rua
25 de Março,
em São Paulo
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últimos dois séculos em todo o mundo. Segundo o biólogo edward
O. Wilson, da Universidade Harvard, a humanidade está prestes a
passar por um “gargalo” – um período de pressão máxima sobre os
recursos naturais e a engenhosidade do homem.
São Paulo é um exemplo do “gargalo” a que se refere o biólogo de Harvard.
com cerca de 11 milhões de habitantes, a cidade observou, sobretudo na
segunda metade do século XX, o agravamento de problemas relacionados à
habitação, ao desemprego, à má distribuição de renda e ao ambiente.
dados recentes da Prefeitura apontam para a assustadora média de mais
de 1 quilo de lixo gerado por habitante a cada dia, ou seja, um total de 15.000
toneladas diárias, das quais somente cerca de 1% é reciclado. as práticas
adotadas para a destinação do lixo vão do enterramento à queima, passando
pelo despejo a céu aberto ou em rios ou córregos. a destinação inadequada
do lixo provoca contaminação de lençóis freáticos e mananciais, tornando
freqüentes as epidemias. as doenças são transmitidas por pragas urbanas,
como ratos e insetos, e pela contaminação da água. O lixo que contamina
mananciais é originado do descarte feito pela população que habita de forma
irregular essas áreas, ou do lançamento de resíduos nos córregos.
a qualidade do ar em São Paulo também preocupa. Segundo dados da
companhia de engenharia de Tráfego (ceT), a frota paulistana é de cerca de 5
milhões de carros de passeio, além de ônibus e caminhões, que são os grandes
emissores de gases poluentes. entre os maiores problemas
estão a inversão térmica, sobretudo nos períodos de
estiagem, a chuva ácida, causada pela liberação de
óxidos de enxofre, e o agravamento do efeito estufa,
devido à emissão do dióxido de carbono. além disso,
fenômenos como o “smog” e a própria poluição causada
pelo material particulado – a fuligem – têm se tornado cada
vez mais freqüentes. Historicamente, as administrações
públicas optaram por privilegiar obras que incentivam o
uso de veículos particulares em detrimento do transporte
coletivo. basta observarmos a extensão do metrô da
cidade, que, com seus 60 quilômetros de linhas, fica muito atrás de outros,
como o de Londres, com 410 quilômetros, ou o de Paris, com 215 quilômetros.
O processo de industrialização, intensificado na segunda metade do século
XX, também é responsável por problemas ambientais em centros como
São Paulo. as indústrias despejam todos os dias centenas de toneladas
de resíduos no ar e na água. esses resíduos elevam o custo do tratamento
hídrico, restringindo o abastecimento à parte da população que tem
condições de pagar pelo serviço. além disso, os resíduos comprometem
ainda mais a já inadequada qualidade do ar da cidade.
O crescimento acelerado e desordenado da cidade também gerou,
nas últimas décadas, formas de poluição menos convencionais, mas tão
nocivas quanto a poluição do ar ou das águas: a poluição sonora e a visual.
decorrente principalmente do elevado número de veículos circulantes pela
cidade, a poluição sonora causa efeitos que vão de problemas auditivos
e insônia a estresse e distúrbios físicos e mentais. Pesquisas recentes
divulgadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que a
exposição freqüente a ruídos acima da faixa de tolerância pode causar
aumentos médios de 25% no colesterol e 68% numa das substâncias
provocadoras de estresse: o cortisol.
Outra questão parcialmente resolvida na capital paulista, mas não em
outros centros, é a poluição visual. associada ao grande número de outdoors,

3 | r e v i s t a é p o c a | f a s c í c u l o v
Chuva ácida,
contaminação
de mananciais,
lixo acumulado
e inversão
térmica afetam
metrópoles
O curta-metragem ilha das Flo-
res, de Jorge Furtado, é um ácido
e divertido retrato da mecânica da
sociedade de consumo. acompa-
nhando a trajetória de um simples
tomate, desde a plantação até
ser jogado fora, o filme de 1989
escancara o processo de geração
de riqueza e as desigualdades que
surgem no meio do caminho.
> Smog é uma palavra de
origem inglesa formada pela
junção de “smoke” (fumaça)
com “fog” (neblina). Original-
mente, nos tempos em que o
aquecimento das casas em
Londres ainda era feito com
a queima de carvão ou lenha
nas lareiras, descrevia uma
realidade local. Hoje em dia, é
um fenômeno típico de gran-
des metrópoles com sérios
problemas de poluição.
SMOG
Detalhe de fotograma
de Ilha das Flores
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4 I revi s ta época I 1 1 de j unho de 2 007
letreiros de lojas, propagandas em postes, muros e veículos
de transporte coletivo, essa degradação do ambie nte provoca
incômodo. a poluição visual é também responsável por acidentes
de trânsito. Uma pesquisa realizada pelo departamento de
Medicina Preventiva e Social da Faculdade de ciências Médicas
da Unicamp revela que 22,4% dos acidentes de trânsito
ocorrem devido à distração dos motoristas, ocupados com a
leitura das propagandas dos letreiros e outdoors,
em particular os luminosos.
durante as décadas de 60 e 70, surgiram os primeiros
movimentos ambientalistas como forma de protesto e de alerta a toda a sociedade
para os perigos do crescimento descontrolado. com o passar dos anos, esses
movimentos foram ganhando adeptos e força, mas ainda estão aquém de
despertar a consciência e atenção da maioria das pessoas.
Vivemos em tempos de observar as conseqüências da exploração não-racional dos
recursos naturais, que geram cada vez mais resíduos não-degradáveis. cientistas e
ambientalistas acreditam que progresso e conservação de recursos não precisam ser
excludentes, ou seja, é possível atingirmos metas de crescimento capazes de suprir
as necessidades da geração atual sem comprometer a capacidade de atender às
necessidades das futuras gerações. esse é o princípio do desenvolvimento sustentável
defendido pela comissão Mundial sobre Meio ambiente e desenvolvimento, órgão da
ONU. Portanto, o ser humano começa a entender as variáveis que afetam a vida no
planeta. cabe agora à sociedade mudar sua relação com a natureza, conscientizando-
se de que é parte de um ecossistema e, portanto, dependente dele.
DANILO SERGIO POLICASTRO, graduado
em Química pela USP, é professor do
ensino médio e de cursos pré-vestibulares
Poluição silenciosa, mas que
também causa seus males, a polui-
ção visual ironicamente escapa à
observação. a quantidade de placas,
faixas, outdoors e painéis luminosos
que tomam conta da paisagem urba-
na é estarrecedora. além de escon-
derem a arquitetura e a paisagem
original da cidade, podem obstruir a
visualização de placas indicativas e
de sinalização, desorientando quem
delas necessita. Podem também
tirar a atenção dos motoristas,
levando a acidentes de trânsito.
em vigor desde janeiro deste
ano, a Lei n
o
14.223, batizada de
Lei cidade Limpa, já fez uma verda-
deira transformação na paisagem
urbana de São Paulo. com multas
rigorosas e fiscalização severa, a lei
foi um duro golpe no setor de mídia
exterior, que até pouco tempo atrás
empregava 20 mil pessoas, com
um movimento de mais de r$ 200
milhões por ano.
Primeira iniciativa do gênero no
brasil, essa lei já está sendo anali-
sada por outras cidades da região
metropolitana. Outras ações
do poder público poderiam trazer
o mesmo benefício à questão do
lixo, da emissão de poluentes etc.
Falta consciência, mas principal-
mente vontade política.
Venerando S. de Oliveira, físico formado
pela Unicamp, é educador e autor de mate-
rial didático, professor e coordenador do
ensino médio e de cursos pré-vestibulares
LEI “LIMPA” SÃO PAULO
por Venerando S. de Oliveira

4 | r e v i s t a é p o c a | f a s c í c u l o v
A frota
paulistana é de
5 milhões de
carros, além
dos caminhões,
os grandes
poluidores
Engarrafamento
em São Paulo
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O destino do lixo
Nos centros urbanos, há depósitos e aterros; veja o comentário
e a resposta no fascículo da semana que vem
Localizado na altura do km 26 da
rodovia dos bandeirantes, em Perus,
o aterro bandeirantes é considerado um
dos maiores do mundo, recebendo cerca
de 7.000 toneladas diárias de lixo gerado
em São Paulo. O aterro começou a operar
há quase 30 anos, e calcula-se que, até
2006, tenha armazenado um total de 30
milhões de toneladas de resíduos sólidos.
Em grandes centros urbanos, os
aterros sanitários são apenas uma
das formas de destinação do lixo.
Sobre os aterros são apresentadas
algumas afirmações:
i. há possibilidade de geração de
energia devido à coleta de gases
produzidos pela decomposição de
matéria orgânica.
ii. devem ser controlados devido
à possibilidade de vazamento de cho-
rume, que pode contaminar o solo e
lençóis freáticos.
iii. correspondem à principal forma de
destinação (aproximadamente 80%)
do lixo em São Paulo.
iV. apresentam uma forma de destina-
ção mais racional quando comparados
aos lixões a céu aberto.
V. podem apresentar impactos ambien-
tais, principalmente quando o despejo
de materiais perigosos como ácidos
e metais pesados não é controlado.
São corretas:
a) i, ii e iii b) ii, iii e iV
c) ii, iii, iV e V d) i, ii, iV e V
e) iii, iV e V
O xisto betuminoso não é renová-
vel, pois as rochas são formadas ao
longo de milhões de anos. Já o biogás
é um combustível renovável, pois
o lixo é reacumulado rapidamente.
como é formado por material orgâ-
nico recente, sua combustão libera
o gás carbônico já absorvido pela
fotossíntese em sua formação. Um
dos grandes problemas ambientais é
o enorme volume de lixo acumulado
no ambiente. como os biodigestores
reduzem esse volume e os resíduos
têm utilidade, contribuem para
diminuir esse acúmulo.
Gabarito: alternativas II e III. (Há
duas alternativas corretas. ii. O bio-
gás é um combustível renovável.
iii. Os biodigestores podem auxiliar no
problema de armazenamento do lixo.)
resposta da questÃo inédita do fascículo iv
A importância do biogás
e dos biodigestores

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Xisto, que
libera óleo
semelhante
ao petróleo,
quando
aquecido
Lixão a céu
aberto em
Itapeva,
São Paulo
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I revi s ta época I 1 1 de j unho de 2 007 6 | r e v i s t a é p o c a | f a s c í c u l o v
2ª questão
O desenvolvimento “limpo” e de baixos
custos para o meio ambiente é o que se
convencionou chamar, há alguns anos,
de desenvolvimento sustentável.
Porém, para os países periféricos,
as perspectivas não são muito
favoráveis em virtude:
a) da dependência da exportação de
matérias-primas, o que quase sempre leva
a um aumento da exploração ambiental.
b) da pressão ambientalista exercida
pelos países ricos, que transferiram e
cobram um novo padrão de desenvolvi-
mento por parte dos países periféricos.
c) da auto-organização das populações
dos países periféricos, que lutam contra
a degradação do meio ambiente.
d) dos movimentos ambientalistas ou
ecológicos, que vêm crescendo bastante,
exclusivamente nos países desenvolvidos.
e) da sustentabilidade ser apenas uma
política momentânea, criada pelos países
centrais, que no fundo só serve para
aumentar a dependência dos
países periféricos.
Mackenzie, 2005 (questão 40 da prova de Geografia)
COMENTÁRIO
diferentemente de outros enunciados
desse tipo, que ao utilizarem a conjun-
ção “porém” invalidam o que foi dito
anteriormente, a explicação sobre o
conceito a que se refere, no caso “desen-
volvimento sustentável”, pode auxiliar
no acerto da questão. Sobre o conteúdo,
leve em conta que os países periféricos
possuem pouca tecnologia e dependem,
em grande parte, da exploração dos
próprios recursos naturais, além de ser
predominantemente exportadores de
matérias-primas.
1ª questão
O espaço urbano é resultado de
intensiva interferência social no meio.
Modificam-se o solo, as formas do relevo,
o padrão de drenagem e a qualidade
das águas fluviais e, ainda, há mudanças
significativas no clima. Nas metrópoles
e nos pólos industriais essas mudanças
no clima são ainda mais perceptíveis.
Relacione as colunas abaixo, associan-
do os fenômenos climáticos urbanos
com as suas devidas explicações:
1) chuva ácida.
2) ilha de calor.
3) inversão térmica.
4) smog fotoquímico.
( ) comum no inverno, quando uma camada
de ar frio se situa muito embaixo na atmosfera,
bem próximo à superfície, retendo e concen-
trando os poluentes sobre a área urbana,
agravando a poluição atmosférica.
( ) redoma climática sobre a cidade, fazen-
do com que as temperaturas nas áreas
centrais e de maior circulação de veículos,
além das áreas industriais, sejam maiores
do que nas áreas mais arborizadas e de
menor concentração demográfica.
( ) paira como um nevoeiro constante
sobre as cidades, especialmente quan-
do estas estão cercadas por áreas de
relevo mais elevadas, como Los angeles,
Santiago e São Paulo, causando irritação
na vista e intensificando os problemas
respiratórios de suas populações.
( ) ocorre com mais freqüência em áreas
de extração e industrialização de carvão e
outros combustíveis fósseis, cujo processo
libera enxofre para a atmosfera, concen-
trando-a com compostos sulfurosos, modi-
ficando a qualidade da precipitação pluvial.
( ) esse fenômeno se dá de forma mais
intensa porque a cidade, sobretudo sua
área central, é uma verdadeira fonte
de calor, devido ao grande consumo de
combustíveis fósseis em aquecedores,
automóveis e indústrias, de modo que as
isotermas apresentam valores maiores na
medida em que se aproximam das áreas
mais centrais. A relação correta é:
a) 3-2-4-1-2.
b) 2-4-3-1-3.
c) 2-3-4-3-1.
d) 1-2-3-3-4.
e) 4-3-2-2-1.
PUC-PR, 2007 (questão 3 da prova de Geografia)
COMENTÁRIO
O exercício cobra do aluno conceitos
relativos aos principais problemas atmos-
féricos dos grandes centros urbanos.
Na formulação da questão não há dicas.
Num caso como esse, não se esqueça de
que o bom senso pode ajudá-lo. Mesmo
quem não tem grandes conhecimentos
sobre clima sabe, até por ouvir no rádio,
em qual estação do ano se dá a inversão
térmica, certo? assim, mapeando as
alternativas, você pode encontrar o
caminho da resposta correta.
questões respondidas
Dinâmicas do clima
a seguir, perguntas para você testar seu conhecimento sobre
as mudanças atmosféricas decorrentes da atividade humana

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1 1 de j unho de 2 007 I revi s ta época I
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4ª questão
a longo prazo, a Terra deve irradiar
energia para o espaço, na mesma
proporção em que absorve do Sol. (...)
Os cientistas ressaltam que estamos
alternando o “motor” energético que
mantém o sistema climático.
(Fonte: Entendendo a Mudança do Clima. Cetesb)
Assinale a alternativa que identifi-
ca o fenômeno e apresenta correta-
mente uma de suas conseqüências:
a) chuva ácida: ocorre somente nas
regiões polares, devido à concentra-
ção de gases clorofluorcarbonados
que aumentam a quantidade de áci-
dos nos vapores de água em
suspensão.
b) efeito estufa: responsável pela ele-
vação da temperatura média do pla-
neta, o que provocará mudanças no
regime de chuvas e derretimento de
geleiras, ocasionando uma elevação
do nível do mar na Terra.
c) buraco da camada de ozônio: além
de ocasionar ilhas de calor nos gran-
des centros urbanos e industriais,
gera problemas de saúde e desequilí-
brio dos ecossistemas equatoriais.
d) diminuição do nível médio dos
oceanos: a longo prazo, causará o
afastamento para o interior dos cen-
tros industriais e econômicos localiza-
dos ao longo das linhas de costa.
e) aquecimento das águas: está cau-
sando a diminuição das superfícies
aquosas disponíveis para o abasteci-
mento e o saneamento da população
mundial.
Fatec, 2005 (questão 33 da prova de Geografia)
COMENTÁRIO
O processo a que se refere o texto
está relacionado à emissão de gases
decorrentes da queima de combus-
tíveis fósseis. Nos grandes centros
urbanos, boa parte desses gases
é emitida pelos veículos ou por
indústrias. Tais emissões
acarretam o agravamento
do efeito estufa.
3ª questão
O estresse é considerado um dos
maiores males do mundo moderno.
dentre outras conseqüências, a ansie-
dade provoca uma aceleração do ritmo
respiratório, aumentando as trocas
gasosas no nível pulmonar.
Os dois gráficos de barras represen-
tam a percentagem de saturação de
hemoglobina pelo oxigênio (% de HbO
2
)
e a concentração de ácido carbônico
([H
2
cO
3
]), ambas no sangue arterial
humano. as barras brancas mostram os
valores normais desses parâmetros:
As barras que indicam os valo-
res que podem ser encontrados
em pessoas submetidas a grande
estresse estão identificadas pelos
números:
a) 1 e 5. b) 1 e 6.
c) 2 e 4. d) 3 e 4.
e) 3 e 6.
Universidade Federal Fluminense, 2005
(questão 41 da prova de Biologia)
COMENTÁRIO
Um indivíduo submetido a estresse
apresenta um fenômeno denomina-
do hiperventilação, que, segundo o
enunciado, consiste no aumento da
freqüência respiratória. É importante
que o aluno observe que, durante
esse fenômeno, a concentração de
oxigênio associado à hemoglobina
deve ser maior que em um indivíduo
em condições normais. como no
enunciado o texto não deixa claro
quais são as conseqüências do estres-
se, o aluno deve ter algum conheci-
mento prévio da fisiologia cardior-
respiratória. Pessoas que vivem em
grandes centros são mais suscetíveis
a ter estresse devido à vida agitada e
à exposição a congestionamentos e
poluição sonora ou visual.
G a b a r i T O : 1 ( a ) , 2 ( a ) , 3 ( d ) , 4 ( b )

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8 I revi s ta época I 1 1 de j unho de 2 007
N
o fascículo da semana que vem, o assunto do Guia ÉPOca
Vestibular 2008 será a ameaça do aquecimento global. Os
sinais do aquecimento já são perceptíveis: aumento médio
da temperatura anual, degelo antecipado, mudança no padrão de
hibernação de animais polares, floradas fora de hora. a questão é
saber qual o peso da atividade humana nessa mudança e, sobretudo,
o que pode e deve ser feito para reverter a situação. O fascículo trará
também dicas de filmes, documentários, além de sites sobre o tema.
e não se esqueça de que você ainda pode votar no assunto do 11
o

fascículo, que terá apenas versão eletrônica. O voto pode ser dado
no site www.epoca.com.br.
É possível escolher um dos seguintes temas: 1) Globalização e
Organizações Multilaterais, 2) União Européia, 3) Biotecnologia
e Células-Tronco e 4) Crime Organizado.
esse fascículo extra terá a mesma estrutura dos impressos.
Aquecimento global é o
tema do próximo fascículo
No site da revista você pode
votar no tema do 11
o
fascículo

DIRETOR DE REDAÇÃO Helio Gurovitz epocadir@edglobo.com.br
REDATOR-CHEFE david cohen
DIRETOR DE CRIAÇÃO Saulo ribas
EDITORES-EXECUTIVOS andré Fontenelle, david Friedlander
DIRETOR DE ARTE Marcos Marques
O Guia ÉPOca Vestibular 2008 - atualidades é um projeto
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ensino da editora Moderna para a editora Globo. © 2007 edi-
tora Moderna e editora Globo. Todos os direitos reservados.
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autorização prévia da editora Moderna e da editora Globo.
COORDENAÇÃO GERAL DO PROJETO ana Luisa astiz
COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA carlos Piatto (UNO)
COORDENAÇÃO DE TEXTOS antonio carlos da Silva (Prof.
Toni) e Venerando Santiago de Oliveira (Prof. Venê)
COMENTÁRIOS AOS ENUNCIADOS E DICAS Jô Fortarel
EDIÇÃO DE TEXTO Oscar Pilagallo
EDIÇÃO DE ARTE Leonardo Nery Protti
ILUSTRAÇÕES aKe astbury
REVISÃO bel ribeiro
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DIRETOR DE MERCADO ANUNCIANTE Gilberto corazza
DIRETOR DE FINANÇAS Frederic Zoghaib Kachar
DIRETOR DE ASSINATURAS Stavros Frangoulidis Neto
DIRETORA DE MARKETING yara Grottera
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NÃO DESISTA
se, ao ler uma questão, aparecer
o nome de alguma personalidade
que você desconheça. Respire
fundo e prossiga. Muitas vezes
a pessoa citada aparecerá
relacionada a algum contexto
ou a outras personagens que
você deve ter estudado.
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A
s temperaturas mé-
dias do planeta estão
subindo. As evidên-
cias estão por toda parte:
antecipação de floradas,
alterações nos períodos de
hibernação, aceleração do
degelo nas regiões polares,
tormentas mais fortes. Cada
vez menos se discute se
o aquecimento global está
acontecendo. A pergunta é:
qual é o grau de influência do
homem nesse processo? A
resposta está relacionada ao
efeito estufa provocado pelo
acúmulo de gases decor-
rente da atividade humana.
Todos os países os emitem,
mas os ricos os emitem
mais. Todas as sociedades
sofrem, mas as sociedades
pobres sofrem mais. É o que
se verá neste fascículo.

NESTA EDIÇÃO
Saiba o que diz
o Protocolo de
Kyoto PÁG. 3
Onde navegar
e o que ler sobre
o clima PÁG. 4
Questão inédita sobre
o efeito estufa PÁG. 5
A era do degelo?
As conseqüências do aquecimento global não
são as mesmas para todas as sociedades
D
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V
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Ç
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O
6 DE 10
> Química
> Biologia
> Geografia
Cena de
O Dia Depois
de Amanhã,
ficção sobre
desastre
climático
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2 I revi s ta época I 1 1 de j unho de 2 007
ono non ono
o ononoon
non oon o
A
revolução Industrial, a partir do século XVIII, causou enormes
mudanças nos processos produtivos, com desdobramentos
socioeconômicos e culturais, além de outros efeitos que alcançam
nossos dias. Uma das conseqüências foi o aumento da emissão de subs-
tâncias poluentes no ambiente, causando alterações bastante significati-
vas em vários processos naturais.
A partir de 1850, por exemplo, foi observada a substituição gradual das popu-
lações de mariposas claras por linhagens mais escuras em regiões industrializa-
das dos Estados Unidos e da Europa. A emissão de poluentes e a deposição
de fuligem levaram ao escurecimento da paisagem, facilitando a camuflagem
das mariposas escuras. Elas passaram a se multiplicar, em detrimento das
linhagens claras, que se tornaram presas mais fáceis de ser identificadas. A
partir daí, as intervenções humanas na natureza e seus processos se intensi-
ficaram cada vez mais. Mais de um século depois, discutimos outra possível
conseqüência dessas intervenções humanas, com desdobramentos muito
mais sérios – o aquecimento global.
As temperaturas médias do planeta estão subindo e evidên-
cias disso são observadas por toda parte. Plantas que flores-
cem antes do tempo; alterações nos períodos de hibernação,
migração e reprodução de animais; aceleração do degelo
nas regiões polares e no cume de grandes montanhas. Sinais
claros da diminuição do período de inverno e antecipação da
primavera. redução das áreas cobertas por gelo; aumento
do número de tormentas atmosféricas, que surgem cada
vez mais fortes; ondas de calor ou frio intenso cada vez mais
O melanismo
industrial
e a sauna
planetária
A concentração
de gases que
provocam o
efeito estufa
é maior no
Hemisfério
norte

2 | r e v i s t a é p o c a | f a s c í c u l o v i
A presença de melanina é que
dá coloração às mariposas es-
curas. Com a paisagem escu-
recida pela fuligem, as maripo-
sas escuras ficam camufladas.
Melanismo industrial é o nome
que se dá a esse fenômeno
MARIPOSA ESCURA
A industrialização e
o desenvolvimento,
necessários para
a melhoria da
qualidade de vida,
estão colocando em
risco a humanidade
POr FÁBIO L. OLIVEIrA
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freqüentes. Essas são apenas algumas alterações já observadas. Mesmo assim há
quem negue que o aquecimento global seja realidade.
Existem muitas variáveis na dinâmica dos processos climáticos. Algumas delas
são bem compreendidas, como a influência das correntes marinhas e atmosféricas.
Mas há também incertezas que abrem espaço para os críticos. No entanto, cada vez
menos se discute se o aquecimento global está ou não acontecendo, e a discussão
apresenta um novo foco: qual o grau de influência humana nesse processo?
A questão do aquecimento global está relacionada a um efeito natural denominado
efeito estufa. A radiação vinda do Sol atravessa a atmosfera terrestre chegando à
superfície onde parte é absorvida e parte se reflete. Gases presentes na atmosfera,
como o dióxido de carbono, metano e vapor d’água, absorvem parte dessa radiação,
na forma de raios infravermelhos, refletida pela terra, mantendo sua temperatura
média dentro de uma faixa favorável a todas as formas de vida. Com mais desses
gases na atmosfera, a retenção de calor também aumenta, agravando o efeito estufa
e elevando ainda mais as temperaturas médias do planeta. Eis o aquecimento global!
O crescimento econômico mundial e a demanda cada vez maior por energia
têm levado a um consumo intenso de combustíveis fósseis (petróleo, carvão e gás
natural), grandes emissores de gases de efeito estufa, entre eles o CO
2
. Indícios
sugerem aumento nos níveis desse gás, desde o início da agricultura, há cerca de
11 mil anos. Contudo, um aumento significativo dessas emissões ocorre desde a
revolução Industrial, agravan-
do-se nos últimos 50 anos.
Isso coincide com a expansão
industrial e a difusão da cul-
tura de consumo, principal-
mente após a Segunda Guerra
Mundial. Na era pré-industrial
os níveis de CO
2
eram de 270
partes por milhão (ppm), atual-
mente estão em 400 ppm.
Indícios apontam para a
influência humana como a
grande responsável nesse
processo. A concentração de
CO
2
e de outros gases relacio-
nados ao efeito estufa é maior em áreas densamente povoadas, principalmente
no Hemisfério Norte. Outros gases não têm fonte natural, como os CFCs. Além
disso, análises comprovam que a maior parte do aumento do dióxido de carbo-
no observado está relacionada à queima de combustíveis fósseis. Essas
análises e evidências levaram o iPCC a apontar, em seu mais atual relatório, a
ação humana com um grau de 90% de certeza.
As conseqüências reais do aquecimento global ainda são incertas e dividem os pes-
quisadores, mas há projeções e previsões. Uma coisa é certa: elas se refletem de forma
desigual pelo planeta. Alterações climáticas diferenciadas devem causar mudanças
drásticas nas temperaturas e no regime de chuvas e secas em certas áreas e isso terá
desdobramentos, como o aumento da freqüência e da força de eventos atmosféricos
como furacões. Essas e outras mudanças devem causar ampliação da ocorrência de
doenças como malária e dengue, entre outras; aumento da incidência de doenças res-
piratórias; deslocamento de populações, principalmente litorâneas, devido ao aumen-
to no nível dos oceanos; morte de corais e outros organismos marinhos, devido ao
aumento de acidez e temperatura das águas; alterações das atividades pesqueiras,
de culturas agrícolas e das criações de animais; entre outras conseqüências.
Países com dimensões continentais, como o Brasil, deverão sofrer uma gama varia-

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Em 1992, aconteceu no rio de
Janeiro a II Conferência das Nações
Unidas sobre Meio Ambiente e
Desenvolvimento Humano, batiza-
da de ECO-92. representantes de
cerca de 170 países assinaram, entre
outros, um documento que propu-
nha maneiras de atingir o chamado
desenvolvimento sustentável – for-
mas de manter o crescimento e o
desenvolvimento em harmonia com
a natureza e seus valiosos recur-
sos. tal documento foi batizado de
Agenda 21, em alusão ao século que
se aproximava. A partir daí, “agendas
21” nacionais, regionais e locais pas-
saram a ser estruturadas.
A preocupação crescente com a
influência humana sobre o aqueci-
mento global fez com que em 1997,
na cidade japonesa de Kyoto, um
documento mais contundente fosse
elaborado e assinado – o Protocolo de
Kyoto. O grande avanço desse docu-
mento é apontar a responsabilidade
de alguns países do Hemisfério Norte
como principais emissores de gases
estufa. Os signatários assumiram o
compromisso de reduzir suas emis-
sões a padrões considerados aceitáveis.
Os Estados Unidos, país que na época
era o maior emissor de gases de efeito
estufa, assinam, mas não ratificam
o tratado, alegando prejuízos a sua
economia. A atitude americana gerou
grande impasse, que ainda perdura.
Venerando S. de oliveira, físico formado

pela Unicamp, é educador e autor de mate-
rial didático, professor e coordenador do
ensino médio e de cursos pré-vestibulares
A AGENDA 21 E O
PROTOCOLO DE KYOTO
por Venerando S. de Oliveira
trata-se do Painel Intergo-
vernamental para Mudanças
Climáticas, órgão ligado ao
Programa das Nações Unidas
para o Meio Ambiente (Pnuma)
O QUE É O IPCC
Agentes do
Greenpeace
em ação
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4 I revi s ta época I 1 1 de j unho de 2 007
da de efeitos. Savanização da Floresta Amazônica e desertificação na região de caatinga
aparecem nessas projeções, além da redução da produção das hidrelétricas, maior fonte da
matriz energética brasileira. Estudos mostram que os efeitos podem ser revertidos. Mas
isso significa diminuir as emissões de gases de efeito estufa, além de criar mecanismos
que possibilitem retirar parte deles da atmosfera. Um conjunto de ações, chamado de
“mitigação do aquecimento global”, já está sendo amplamente debatido e difundido:
políticas de controle efetivo do desmatamento e de queimadas; incentivo ao reflores-
tamento; substituição dos combustíveis fósseis por fontes menos poluentes, como os
biocombustíveis; controle das emissões de poluentes dos veículos; ampliação e melho-
ria dos serviços de transporte público; desenvolvimento de aparelhos e equipamentos
com maior eficiência energética; mudança nos hábitos, padrões de consumo e educa-
ção das novas gerações. É preciso combater o individualismo excessivo, pois medidas
ecologicamente efetivas surtem mais efeito quando se considera o coletivo.
Numa economia global, onde petróleo e carvão desempenham papel de destaque, a redu-
ção de emissões significa transformações profundas que alguns países relutam em aceitar,
em particular os Estados Unidos e a China. Porém, se a economia continuar crescendo
no ritmo atual, principalmente em países superpopulosos como China e Índia, e nenhuma
medida efetiva for tomada, podemos esperar um agravamento do quadro das mudanças
climáticas, com conseqüências desastrosas, principalmente para os países pobres.
FáBio L. oLiVEirA, biólogo formado pela
Unicamp, é autor de materiais didáticos,
professor do ensino médio e de
cursos pré-vestibulares
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4 | r e v i s t a é p o c a | f a s c í c u l o v i
Dois documentários são recomen-
dados: Uma Verdade Inconveniente, do
ex-vice-presidente americano Al Gore, e
o produzido pelo Greenpeace sobre as
conseqüências do aquecimento global
(http://www.greenpeace. org.
br/clima/filme/home/). Há ainda
a ficção apocalíptica O Dia Depois de
Amanhã, sobre desastres climáticos.
Além dos filmes, há três bons sites
sobre o assunto: http://www.
comciencia. org.br; http://www.
conpet.gov.br/; e http://www.mma.
gov.br/estruturas/imprensa/_
arquivos/ livro%20completo.pdf
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Oceano
Pacífico
Oceano Ártico
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Atlântico
Oceano
Índico
Oceano Antártico
calor
liberado
para o ar
calor
liberado
para o ar
corrente profunda,
fria e salina
calor
liberado
para o ar
Al Gore
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O vilão do efeito estufa
Nomeie os gases mais perigosos para o aquecimento global; o
comentário e a resposta desta questão estarão no fascículo VII
Os gases de efeito estufa absorvem a radiação infravermelha,
aumentando sua temperatura e, conseqüentemente, a do planeta.
O petróleo e o gás natural são os maiores responsáveis pela emissão
desses gases. Assumindo que a maior parte dos derivados de petró-
leo utilizados no mundo seja gasolina e que a gasolina é composta de
isoctano, observe a reação e a figura ao lado.
Os aterros sanitários são apenas uma
das alternativas viáveis para a destinação
do lixo produzido nas cidades. Sua implan-
tação deve ser feita com fiscalização quan-
to ao tipo de resíduo descartado, pois os
impactos ambientais resultantes do mane-
jo inadequado podem ser desastrosos. Em
São Paulo, a maior parte do lixo produzido é
destinada aos famosos lixões a céu aberto,
que favorecem o alastramento de doenças
e a contaminação de áreas circunvizinhas.
Quanto aos gases resultantes da decom-
posição da matéria orgânica, entre eles o
metano, podem ser canalizados e utilizados
como fonte de energia, o que tem aconteci-
do no Aterro Bandeirantes.
Gabarito: alternativa D. (Estão corretas
as seguintes assertivas: I. Há possibilidade
de geração de energia devido à coleta de
gases produzidos pela decomposição e
matéria orgânica; II. Devem ser controlados
devido à possibilidade de vazamento de
chorume, que pode contaminar o solo e
os lençóis freáticos; IV. Apresentam uma
forma de destinação mais racional quando
comparados aos lixões a céu aberto; V.
Podem apresentar impactos ambientais,
principalmente quando o despejo de
materiais perigosos como ácidos e metais
pesados não é controlado.)
resposta da questÃo inédita do fascículo v
Aterros e depósitos a céu
aberto, o destino do lixo

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Balanceando a reação e levan-
do-se em conta os ciclos biogeo-
químicos da água e do carbono,
pode-se afirmar que, dos dois
gases liberados na reação, o mais
perigoso no contexto do aqueci-
mento global é:
A) o CO
2
, que é liberado em maior quan-
tidade na reação, absorve maior quan-
tidade de infravermelho e é retirado da
atmosfera por um processo físico lento,
a condensação.
B) a água, que é produzida em maior
quantidade na reação, absorve mais
radiação infravermelha e é retirada da
atmosfera por um processo físico mais
rápido, a condensação.
C) o CO
2
, que, embora seja produzido
em menor quantidade na reação e
absorva menos radiação infraverme-
lha, é retirado da atmosfera por um
processo bioquímico mais lento,
a fotossíntese.
D) a água, que, embora seja emitida em
menor quantidade na reação, absorve
maior quantidade de ultravioleta, é
retirada da atmosfera por um processo
físico mais rápido, a precipitação.
E) o CO
2
, que, embora seja produzi-
do em menor quantidade na reação
e absorva menos radiação infraver-
melha, é retirado da atmosfera por
um processo bioquímico mais lento,
a respiração.
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I revi s ta época I 1 1 de j unho de 2 007
1ª questão
A análise dos gráficos e os conheci-
mentos sobre o consumo de energia no
mundo e no Brasil permitem concluir:
01) a maior parte da energia utilizada no
planeta origina-se de fontes não-renová-
veis e poluentes, sendo que grande parte
das reservas conhecidas de petróleo
está concentrada em alguns países do
Oriente Médio.
02) o petróleo responde por 43% da
matriz energética mundial, e a demanda
global tende a aumentar nos próximos
anos, induzindo que tecnologias mais
modernas precisarão atingir as áreas de
difícil acesso na Sibéria e nas profundi-
dades oceânicas.
04) os Estados Unidos são responsáveis
pela maior parte do consumo mundial de
petróleo, graças a suas imensas reser-
vas, capazes de abastecer o país nas
próximas décadas.
08) o Brasil, ao atingir a auto-suficiên-
cia em petróleo e em gás natural, não
importa mais combustíveis, estando
com capacidade para produzir sua
própria energia.
16) o expressivo consumo de energia
solar e eólica no mundo e no Brasil,
demonstrado no gráfico, traduz a
eficácia dos programas implemen-
tados a partir da assinatura do
Protocolo de Kyoto.
UFBA, 2007 (questão 25 da prova de Matemática, Ciências
Humanas e Língua Estrangeira)
CoMEntário
Em algumas questões, o gráfico é
apenas ilustrativo. Não é esse o caso.
Para indicar as alternativas corretas, o
candidato deverá analisá-lo cuidadosa-
mente. Uma dica que pode ser útil: após
a leitura do enunciado e das alternativas,
volte ao gráfico. Você perceberá que fica-
rá mais fácil retirar dele as informações
necessárias para obter a resposta. Essas
informações são necessárias, mas não
suficientes. A questão pressupõe que o
estudante esteja atualizado. Daí a impor-
tância de estar atento às informações
dos jornais, revistas e televisão.
2ª questão
O gás natural e o óleo diesel são uti-
lizados como combustíveis em trans-
portes urbanos. Nesta tabela abaixo,
cada um desses combustíveis está
relacionado a sua fórmula molecular
e ao calor liberado em sua combustão
completa. A queima desses combus-
tíveis libera gás carbônico, que, por
sua vez, contribui para o efeito estufa.
Considere que uma mesma quantidade
de energia é produzida na combustão
completa desses dois combustíveis.
nesse caso, é CorrEto afirmar
que a contribuição do óleo diesel
para o efeito estufa é maior que a
do gás natural cerca de:
A) 10%. B) 40%.
C) 100%. D) 140%.
UFt, 2006 (questão 20 da prova de Química)
CoMEntário
Essa questão envolve o conceito
de proporcionalidade. Para resolvê-
la, basta aplicar a regra de três. O
aluno deveria saber que a combustão
completa de hidrocarbonetos produz
somente água e gás carbônico.
questões respondidas
Energia, gases, fotossíntese e clima
Algumas perguntas a seguir indicam a resposta, outras a escondem;
cabe a você decidir em que tipo cada uma delas se encaixa

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1 1 de j unho de 2 007 I revi s ta época I 7
3ª questão
Analise este gráfico, em que
está representada a variação da
concentração de CO
2
na atmosfera,
ao longo dos anos:
As informações deste gráfico,
bem como outros conhecimentos
sobre o assunto, permitem con-
cluir que o aumento de Co
2
no
inverno se explica, possivelmente,
porque, nesse período, ocorre:
A) maior abertura dos estômatos.
B) maior desmatamento de áreas.
C) menor queima de combustíveis
fósseis.
D) menor taxa de fotossíntese.
UFt, 2006 (questão 8 da
prova de Biologia)
CoMEntário
Ao contrário do gráfico da 1
a

questão, este gráfico só serve como
ilustração. Ou seja, as informações
nele contidas não são determinan-
tes para o acerto da questão.
Observe que o que você
deveria analisar no gráfico
já está indicado no enunciado:
o aumento do CO
2
no inverno.
A propósito, no filme Uma Verdade
Inconveniente, apresentado por
Al Gore, há a explicação para
esse comportamento. O fato é
que grande parte das florestas
perde folhas no inverno, reduzindo
a fotossíntese e a incorporação
de CO
2
. E, como os processos
de decomposição continuam
ocorrendo e os seres vivos não
deixam de respirar, as concentra-
ções de dióxido de carbono
aumentam nessa estação.
4ª questão
Esse aquecimento global é
conseqüência do desequilíbrio
em um processo natural. Com base
em seus conhecimentos e nas
informações ao lado, é correto
afirmar que o processo que sofre
o desequilíbrio responsável pelo
aquecimento global se refere:
A) a ilhas de calor, resultantes da
elevação das temperaturas médias
nas áreas urbanizadas das grandes
cidades, em comparação com as
zonas rurais.
B) à inversão térmica, resultante da
concentração do ar frio nas cama-
das mais baixas, impedindo sua
dispersão.
C) a chuvas ácidas, resultantes da
elevação exagerada dos níveis de
acidez da atmosfera em conseqü-
ência do lançamento de poluentes
produzidos pela atividade humana.
D) ao efeito estufa, que consiste
na retenção do calor irradiado pela
superfície terrestre e pelas partícu-
las de gases e água existentes na
atmosfera.
E) aos ciclones extratropicais que
são provocados pela interação
entre ventos, pressão atmosférica
e altas temperaturas, comuns em
zonas tropicais.
UFPel, 2007 (prova de Geografia)
CoMEntário
Embora o enunciado estabeleça
relações com o texto apresentado,
nem um nem outro indicam
a alternativa correta. Assim, o
acerto dependerá só de seus conhe-
cimentos. É importante saber que
o gás que aprisiona a maior quan-
tidade de calor na atmosfera é
o vapor d’água. No entanto, um
aumento da concentração desse
gás leva ao processo de condensa-
ção e precipitação, ou seja, à rápida
retirada da água da atmosfera.
Dessa forma, o CO
2
, que é retirado
mais lentamente, acaba surgindo
como o grande vilão.
G A B A r I t O : 1 ( 0 1 e 0 2 ) , 2 ( B ) 3 ( D ) , 4 ( D )

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(alLa)
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\erão (baixa)
APoCALiPSE Já...
Já começou a catástrofe que se esperava para daqui a 30 ou 40 anos.
A ciência não sabe como reverter seus efeitos. O derretimento do Ártico,
a elevação do nível do mar, o avanço das áreas desérticas, o aumento da
intensidade dos furacões, entre outras, são algumas das mudanças de
grandes proporções causadas pelos altos níveis do aquecimento global.
Veja, 21/6/06 [adapt.]
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8 I revi s ta época I 1 1 de j unho de 2 007
o
século XXI começou com um trágico espetáculo: os atentados
de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos. Com o
ataque, o terrorismo – assunto do próximo fascículo Guia
ÉPOCA Vestibular 2008 – foi colocado no centro do debate atual.
O que se verificou após o episódio foi uma verdadeira reconfiguração
da ordem mundial. Ao contrário dos tempos da Guerra Fria, o
inimigo agora era invisível. Em nome da guerra contra o terror,
os EUA adotaram posições unilaterais, sem o endosso da
comunidade internacional. Em alguns casos, os direitos dos cidadãos
estiveram ameaçados no decorrer da guerra aos terroristas.
O tema do 11º fascículo, que só terá versão eletrônica, quem
escolhe é você. Seu voto pode ser dado no site www.epoca.com.br.
É possível votar num dos seguintes assuntos: 1) Globalização e
Organizações Multilaterais, 2) União Européia, 3) Biotecnologia
e Células-tronco e 4) Crime Organizado.
Na semana que vem,
leia sobre o terrorismo
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Entre no site da revista e vote no
assunto do fascículo virtual

DirEtorDErEDAÇÃo Helio Gurovitz epocadir@edglobo.com.br
rEDAtor-CHEFE David Cohen
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DirEtor DE ArtE Marcos Marques
O Guia ÉPOCA Vestibular 2008 - Atualidades é um projeto
editorial de 11 fascículos desenvolvido pelo UNO Sistema de
Ensino da Editora Moderna para a Editora Globo. © 2007 Edi-
tora Moderna e Editora Globo. todos os direitos reservados.
Nenhuma parte desta coleção pode ser reproduzida sem
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CoorDEnAÇÃo PEDAGÓGiCA Carlos Piatto (UNO)
CoorDEnAÇÃo DE tEXtoS Antonio Carlos da Silva (Prof.
toni) e Venerando Santiago de Oliveira (Prof. Venê)
CoMEntárioS AoS EnUnCiADoS E DiCAS Jô Fortarel
EDiÇÃo DE tEXto Oscar Pilagallo
EDiÇÃo DE ArtE Leonardo Nery Protti
iLUStrAÇÕES AKE Astbury
rEViSÃo Bel ribeiro
SUPErViSorA DE intErnEt Adriana Isidio (UNO)
DirEtor GErAL Juan Ocerin
DirEtor EDitoriAL Paulo Nogueira
DirEtor DE MErCADo AnUnCiAntE Gilberto Corazza
DirEtor DE FinAnÇAS Frederic Zoghaib Kachar
DirEtor DE ASSinAtUrAS Stavros Frangoulidis Neto
DirEtorA DE MArKEtinG yara Grottera
nas alternativas
aparentemente
iguais. Só uma delas
é a correta. Às vezes,
a diferença entre
o certo e o errado
pode estar escondida
numa expressão,
geralmente um
advérbio de modo.
Fique esperto, portanto,
em relação a palavras
como “respectivamente”,
“cronologicamente”,
“simultaneamente” e
outras tantas terminadas
em “mente”.
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O
mundo mudou desde o
11 de setembro, quan-
do o terrorismo atingiu
os Estados Unidos. A reação
foi imediata e fulminante:
o Afeganistão, que abrigava
terroristas, foi invadido. Na
seqüência, foi a vez do Iraque,
embora as suspeitas iniciais,
de que Saddam Hussein tivesse
armas de destruição em mas-
sa, não tenham sido compro-
vadas. O resultado dessa inicia-
tiva é motivo de debate. Afinal,
além de o terrorismo não ter
sido derrotado, o Iraque trans-
formou-se num atoleiro para
as forças americanas, os EUA se
isolaram no cenário mundial e
os direitos civis foram colocados
em segundo plano pela guerra
ao terror. Sim, o mundo mudou
desde 2001, mas sua cara
nova, como se verá neste fas-
cículo, ainda é irreconhecível.

NESTA EDIÇÃO
O terror, desde a
Revolução Francesa
PÁG. 4
O mapa dos ataques
recentes PÁG. 5
Confira mais uma
dica para a prova PÁG. 8
Depois daquele dia
Como a ameaça do terrorismo afeta as relações
internacionais e o cotidiano dos cidadãos
(
C
)

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Ataque ao
World Trade
Center em 11
de setembro
de 2001
7 DE 10
> História
> Geografia
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2 I revi s ta época I 1 1 de j unho de 2 007
A
configuração do sistema internacional no século XXI iniciou-se com um
trágico espetáculo: os atentados de 11 de setembro de 2001. Quem quer
que tenha idealizado a ação foi o primeiro a atingir os Estados Unidos no
continente (a base militar de Pearl Harbor, atacada durante a Segunda Guerra
Mundial, fica fora do território contínuo americano). Os ataques ao World Trade
Center e ao Pentágono, símbolos financeiro e militar, colocaram o terrorismo no
centro do debate global. O que se verificou após esse episódio foi uma reconfi-
guração da ordem internacional, iniciada em 1991, decorrente de uma série de
transformações que puseram fim à ordem bipolar da Guerra Fria.
Na ausência de um inimigo à altura, os Estados Unidos passaram a se ver
diante de um inimigo invisível: o terrorismo. A superpotência ganhou assim um
adversário que substituiu o comunismo, regime que combatera por décadas.
A partir de setembro de 2001, o terrorismo passaria a
justificar a política externa dos Estados Unidos.
Em nome da guerra ao terror, os Estados Unidos
adotaram uma posição unilateral, comportando-se como
se o mundo fosse um sistema unipolar. A cartilha geopolítica
de Bush e seus falcões explicita as ações. Em documento
enviado ao Congresso americano em 17 de setembro de
2002, intitulado “A Estratégia de Segurança Nacional
dos Estados Unidos da América”, George W. Bush avisou:
“Os Estados Unidos estão lutando uma guerra contra
ENTENDA O ASSUNTO
O terrorismo intervém, mais
uma vez, na ordem mundial
(
C
)

A
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2 | R E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O V I I
Depois dos atentados
do 11 de setembro,
os Estados Unidos
passaram a combater
um inimigo invisível;
para tanto, adotaram
ações unilaterais
POR EDILSON ADÃO
> Falcões é o nome dado
ao grupo da cúpula ameri-
cana afeito à opção militar
para resolver crises. Eles
se caracterizam por ter
formação conservadora,
pela vinculação ao Partido
Republicano e por estar
associados aos Think Tanks,
os centros de pensamento
estratégico. Entre seus
membros destacam-se o
vice-presidente, Dick Cheney,
e Karl Rover, o principal
conselheiro de Bush. Alguns
falcões foram afastados
após os reveses na Guerra
do Iraque. É o caso de
Donald Rumsfeld, ex-
secretário da Defesa.
QUEM SÃO OS FALCÕES
Nova York,
no instante em
que desabava
a primeira torre
Após 2001,
o terrorismo
passou a
justificar
a política
externa
dos EUA
Dick Cheney,
vice-presidente
dos EUA
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3 | R E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O V I I
terroristas de alcance global. O inimigo não é um regime político ou uma pessoa
ou uma religião ou ideologia específicos. O inimigo é o terrorismo. (...) Os Estados
Unidos vão se empenhar incessantemente para angariar o apoio da comunidade
internacional; no entanto, não hesitaremos em agir sozinhos, se necessário, para
exercer nosso direito de autodefesa, agindo de forma preventiva para evitar que
eles causem danos a nosso povo e a nosso país.”
Enganou-se, portanto, quem acreditou que os ataques terroristas enfraque-
ceriam ou intimidariam a superpotência. Suas ações mostraram exatamente o
contrário. As investidas americanas no Afeganistão, por exemplo, colocaram
os Estados Unidos em privilegiada posição nas imediações do Mar Cáspio, o
segundo maior lençol de hidrocarbonetos do globo. Suas bases, agora fincadas
naquele país e no Usbequistão (que lhes permitira atacar o vizinho), compu-
seram um arco geoestratégico no entorno das montanhas locais e defronte ao
oeste da China, esta, sim, uma ameaça em potencial. Portanto, temos de anali-
sar os passos dos EUA levando-se em conta a questão energética.
Não falta quem aposte na teoria da conspiração, aludindo à idéia de que o 11
de setembro seria resultado de uma ação orquestrada nas
ante-salas do poder americano para justificar as ações de
guerra. Trata-se, no entanto, de uma teoria pouco provável.
O terrorismo é antigo na história das relações interna-
cionais, mas o praticado hoje em dia tem características
peculiares por incorporar o ingrediente tecnológico e a
capacidade logística. O terrorismo está globalizado, o
que ficou evidente nas ações em Madri, em 2004, e em
Londres, no ano seguinte, que fizeram grande número de
vítimas em lugares públicos. A Al Qaeda tornou-se uma
Ataques em
Londres e
Madri
demonstram
que o
terrorismo
está globalizado
Madri, 2004.
O terrorismo foi o
preço cobrado pelo
apoio da Espanha à
invasão do Iraque
A Al Qaeda, que quer dizer “a
base”, foi criada no fim dos anos
80. O grupo é indissociável da
Irmandade Muçulmana, que
deu origem a quase todos os
grupos terroristas da região. O
primeiro parceiro de Bin Laden
foi Abdullah Azzam, fundador
da Irmandade Muçulmana da
Palestina. No início, ser filiado à
Al Qaeda era também um bom
emprego: os novos recrutas
recebiam US$ 1 mil por mês,
muito dinheiro, considerando-se
a época e o lugar.
AL QAEDA
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4 I revi s ta época I 1 1 de j unho de 2 007
espécie de rede de franquia terrorista. Milicianos extremistas, que agem em
nome de uma fé cega em diversos pontos do mundo islâmico, são recrutados
para compor a rede. Talvez apenas sigam fazendo o que sempre fizeram,
mas agora sob o rótulo de “membros da Al Qaeda”.
Mas o que é, de fato, terrorismo? Apesar de o termo ser usado indiscrimina-
damente, não há consenso sobre o que efetivamente seja terrorismo. Muitas
vezes, o emprego da expressão esconde um viés ideoló-
gico. A própria ONU reconhece a subjetividade do termo.
Veja o que diz Kofi Anan, ex-secretário-geral da institui-
ção: “As Nações Unidas precisam chegar a uma definição
consensual do que é terrorismo para combatê-lo de forma
orquestrada”.
Para o cientista político Norberto Bobbio, terrorismo é “a
prática política de quem recorre sistematicamente à violên-
cia contra as pessoas ou coisas provocando o terror”. Eis
o segredo da bem-sucedida operação terrorista: provocar
medo e pânico.
O terrorista utiliza a estratégia da ameaça e, muitas vezes, passa da ameaça à
ação: prédios públicos explodem, civis são mortos, aviões seqüestrados ou der-
rubados, carros voam pelos ares. Nas duas últimas décadas, um novo expedien-
te vem sendo intensamente empregado: o homem-bomba. Trata-se de um típi-
co recurso do movimento islâmico. Simultaneamente, aumentam as denúncias
sobre o terrorismo de Estado, caracterizado quando, em nome de uma política
de segurança nacional, atrocidades são cometidas.
Num mundo abruptamente transformado, resta estarmos alertas, para que
direitos de cidadania há muito consagrados não sucumbam em nome de um
suposto combate ao terrorismo. Nos Estados Unidos, a política de segurança
tem prevalecido com alguma freqüência sobre o direito à informação e à priva-
cidade. No Grã-Bretanha, a vítima não foi apenas a cidadania. Foi também um
cidadão: o brasileiro Jean Charles de Menezes, morto em julho de 2005 ao ser
confundido com um terrorista.
EDILSON ADÃO, mestre em Geografia
Humana pela USP e especialista em
geopolítica, é autor de Oriente Médio:
a Gênese das Fronteiras (Editora Zouk)
O terrorismo de Estado, na História
mais recente, surge com Robespierre,
durante a Revolução Francesa de
1789. Mas Maquiavel já anunciava a
necessidade de, eventualmente, espa-
lhar-se o pânico junto à população
para conservar o poder. A Inquisição,
na Idade Média, igualmente, utilizou-se
de métodos de terror. Durante o impe-
rialismo, grupos nacionalistas, no Egito,
na Síria e no Líbano, valeram-se de
atos terroristas para expulsar as for-
ças britânicas e francesas. E não nos
esqueçamos de que a Primeira Guerra
Mundial teve como estopim um aten-
tado terrorista (um nacionalista sérvio
da Bósnia assassinou o arquiduque
Francisco Ferdinando).
Há várias motivações para a ação
terrorista. Ela pode ser nacional. É
o caso do separatismo basco, que
luta pela independência no noroeste
da Espanha e sudoeste francês. A
motivação pode ainda ser nacio-
nal-religiosa. É o caso do Exército
Republicano Irlandês, que recente-
mente renunciou à luta armada.
E o que dizer da bomba de
Hiroshima, lançada contra a população
civil japonesa em 1945? Havia necessi-
dade de tamanha força contra um país
praticamente derrotado? Se conside-
rarmos as definições que entendem os
ataques contra alvos civis e sem aviso
prévio como terrorismo, qual o nome
que se deve dar a essa ação dos EUA?
A HISTÓRIA DO TERROR

4 | R E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O V I I
Nos EUA,
a política de
segurança tem
prevalecido
sobre alguns
direitos
do cidadão
Osama Bin Laden
(à dir.), líder da Al
Qaeda
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Kofi Anan,
para quem a
ONU precisa
de consenso
sobre o que
é terrorismo
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O mapa dos ataques
Confira no fascículo da próxima semana a interpretação
correta da localização dos atos terroristas
O mapa ao lado representa
a incidência de ataques terroristas
nos últimos anos.
De sua leitura, podemos
concluir que:
A) os atentados estão associados
às áreas de produção de drogas;
B) os atentados ocorrem na peri-
feria do sistema capitalista, área
mais vulnerável às ações;
C) as áreas representadas estão
associadas à presença muçulmana;
D) há uma nítida concentração
de ações na porção setentrional
do globo;
E) os atentados estão ligados
a causas religiosas.
A questão sobre o aquecimento
global relaciona conhecimentos
de três áreas: química, física e
biologia. Portanto, é uma típica
questão interdisciplinar.
É necessário o balanceamento
da reação (o número de átomos
dos dois lados da equação
deverá ser o mesmo) para
entender a questão das quantidades:
2C
8
H
18
+ 25O
2
 16CO
2
+ 18H
2
O
(g)
A partir daí, basta relacionar o enun-
ciado com o gráfico, observando que
este apresenta os porcentuais de absor-
ção das diversas radiações na várias fai-
xas de comprimentos de onda. Note que,
no caso do vapor d’água, a absorção
na faixa do infravermelho é bem mais
expressiva que para os outros gases. Tal
absorção causa o aquecimento do gás, o
que está relacionado a sua importância
para o efeito estufa.
Finalmente, é preciso relacionar essas
observações aos fenômenos presentes
nas alternativas. Uma ótima oportunida-
de para rever uma série de importantes
processos físicos, químicos e biológicos.
Gabarito: alternativa C. (O CO
2
,
que, embora seja produzido em menor
quantidade na reação e absorva menos
radiação infravermelha, é retirado da
atmosfera por um processo bioquími-
co mais lento, a fotossíntese.)
RESPOSTA DA QUESTÃO INÉDITA DO FASCÍCULO VI
Interdisciplinaridade identifica
gases do aquecimento global

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INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS SOCIAIS (IFCS), DA UFRJ
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6 I revi s ta época I 1 1 de j unho de 2 007 6 | R E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O V I I
2ª questão
Após os acontecimentos no World
Trade Center, que fizeram do 11/9/01
um marco na geopolítica contempo-
rânea, os Estados Unidos estão dando
sinais cada vez mais fortes de que o
Iraque, após o Afeganistão, vai ser a
próxima vítima do que Washington
chama de “guerra contra o terrorismo”.
Num famoso discurso, George W. Bush
incluiu, além do Iraque, outros países
integrantes do “eixo do mal”. Um deles
alinhava-se com a URSS, durante o
período da Guerra Fria. Trata-se da:
A) Coréia do Norte, país de regime
fechado que possui capacidade de
produzir e exportar armas nucleares.
B) Colômbia, que possui grande parte de
seu território controlado por narcotrafi-
cantes associados à guerrilha.
C) Índia, por não respeitar acordos inter-
nacionais como os da OMC e violar
as normas da ONU para os direitos
humanos.
D) Arábia Saudita, por seu apoio financei-
ro a organizações terroristas internacio-
nais, como o Hamas e o Al Qaeda.
E) Rússia, que tem graves conflitos sepa-
ratistas internos e é detentora do segun-
do maior arsenal bélico mundial.
FGV, 2002
COMENTÁRIO
Embora o enunciado seja enxuto e
objetivo, ao citar o Iraque, como inte-
grante do “eixo do mal”, pode ativar sua
memória sobre o assunto. Quanto às
alternativas, são bem
escolhidas e podem
confundir o estudante,
pois são países
com os quais os
Estados Unidos
tiveram
ou têm
arestas
não aparadas.
1ª questão
No caso dos EUA, o terrorismo está
relacionado à ação de grupos radicais de
origens externas e internas. Com relação a
estes últimos, é notório o fato de que se
trata de organizações de extrema direita,
que, como objetivo, procuram:
A) implantar uma república
sindicalista no país.
B) suprimir da Constituição as
emendas de inspiração nazifascista.
C) reafirmar o poder da maioria
anglo-saxônica frente às minorias
negra e hispânica.
D) reagir contra o aumento da influência
das Forças Armadas na política nacional.
E) protestar contra o aumento da pobreza
nas áreas rurais norte-americanas.
CESGRANRIO
COMENTÁRIO
O texto introdutório só serve
como ilustração, pois não oferece
dica sobre o que será perguntado.
Quanto ao enunciado, porém,
permite descartar várias alternativas,
aquelas estranhas ao ideário de
direita. Interessante notar, embora
isso não conduza à resposta, que o
texto da questão é bem anterior ao
11 de setembro. A memória de fatos
recentes ajuda o candidato: em 1995,
houve um atentado em Oklahoma
City, idealizado por Timothy McVeigh,
membro de um grupo que prega a
supremacia branca.
QUESTÕES RESPONDIDAS
Terrorismo, antes e depois do 11/9
Tente responder às perguntas como se fosse a hora da prova; leia
os comentários apenas depois de assinalar a alternativa que julga correta

“O terrorismo continua atuando,
não devido a seu poder ideológico
ou físico, mas porque as nações
que dele são vítimas não conse-
guem detê-lo.”
Fonte: A.M. Rosenthal. O Globo, 2/8/96, p. 7
Bush, que
invadiu
o Afeganistão
e o Iraque
após os ataques
aos EUA
Bin Laden cercado
por milicianos
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1 1 de j unho de 2 007 I revi s ta época I 7
4ª questão
Leia o texto:
O texto relaciona o terrorismo à
globalização, prevendo o enfraqueci-
mento desse processo.
A luta antiterror poderá NÃO
ter sucesso a longo prazo, se:
I. os Estados Unidos e os países
aliados a eles continuarem a impor
ao sistema global um único modelo
de civilização;
II. não for considerada a interdepen-
dência do mundo contemporâneo
nem as profundas diferenças étnicas,
religiosas, sociais e políticas;
III. a globalização não contribuir para
uma melhor qualidade de vida dos
participantes do sistema mundial.
Está(ão) correta(s):
A) apenas I; B) apenas II;
C) apenas I e II; D) apenas II e III;
E) I, II e III.
UFSM, 2004
COMENTÁRIO
O comentário inicial situa bem a
questão e serve de aquecimento para a
análise das assertivas. Esta questão faz
uma relação entre o espaço global e o
espaço local, colocando a discussão do
terrorismo globalizado sob esse ângu-
lo. De certa forma, traz implícita uma
crítica à globalização, uma vez que as
três afirmativas enaltecem o respeito à
singularidade do lugar.
3ª questão
Acusado de abrigar grupos
terroristas em seu território, o
Afeganistão tornou-se alvo de reta-
liação dos Estados Unidos por causa
dos atentados ocorridos em 11 de
setembro de 2001 nas cidades de
Nova York e Washington.
Com relação aos países envol-
vidos nesse conflito e às novas
derivações geopolíticas e econô-
micas daí resultantes, são feitas
as seguintes afirmações:
I. a mistura étnica no Afeganistão é
um importante componente da guerra
civil que assola o país desde a partida
dos invasores soviéticos em 1989. Os
patanes compõem a maioria absoluta
do Taleban, enquanto que os tadjiques
formam a maioria das forças que
lutam contra o Taleban;
II. para qualquer tropa invasora,
o território afegão é bastante
inóspito. Contribuem para isso
as variações climáticas regionais,
com invernos extremamente frios
e verões muito quentes;
III. nos últimos anos, os norte-ameri-
canos e os ingleses vinham tentando
uma aproximação comercial com o
governo taleban. O interesse são as
jazidas petrolíferas do Mar Cáspio,
cujas reservas são maiores que as
dos países do Golfo Pérsico;
IV. os Estados Unidos obtive-
ram dois parceiros estratégicos
na sua ofensiva militar contra o
Afeganistão: o Japão e a Rússia. O
primeiro é um importante aliado
devido às suas boas relações com as
ex-repúblicas soviéticas vizinhas ao
Afeganistão; já a Rússia, em apoio
à luta contra o terrorismo, aprovou
uma lei que permite ações militares
pela primeira vez desde a Segunda
Guerra Mundial.
Quais estão corretas?
A) apenas I e II;
B) apenas I e III;
C) apenas II e III;
D) apenas II e IV;
E) apenas III e IV.
UFRGS, 2002
COMENTÁRIO
O enunciado contextualiza a
questão, porém não orienta uma
resposta. O Taleban é considerado
um grupo terrorista pelo Ocidente
e esteve no poder no Afeganistão
até 2001, ano em que a ação das
tropas americanas puseram fim
ao regime. O Taleban, no entanto,
é fruto da própria ação americana
naquele país. Em 1979, a então União
Soviética invadiu o Afeganistão
e milícias islâmicas organizaram
uma resistência ao invasor, o
que interessava aos EUA. Assim,
apoiaram aqueles que viriam a se
converter no Taleban. Entre seus
combatentes estava Osama Bin Laden.
G A B A R I T O : 1 ( C ) , 2 ( A ) , 3 ( A ) , 4 ( E )

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Os ataques terroristas de
11/9/2001 aos Estados Unidos
provocaram a abertura de uma
discussão sobre os efeitos do
terrorismo na globalização (...) O
professor John Gray culpou a glo-
balização pela ofensiva terrorista
e previu o seu definhamento (...)
à semelhança do comunismo (...).
Globalização solidária. O Estado de S.Paulo, 31/10/2001
apud MOREIRA, l. O Espaço Geográfico: Geografia Geral e
Geografia do Brasil. São Paulo: Ática, 2002. p. 61.
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8 I revi s ta época I 1 1 de j unho de 2 007
N
a próxima semana, o assunto do Guia ÉPOCA Vestibular 2008
- Atualidades é a China. Trata-se do país para o qual todas as
atenções estão voltadas atualmente. Não é à toa. A China, com
uma população de quase 1,3 bilhão de pessoas, tem sido o país que
mais cresce no mundo, o que ajuda a expandir a economia global.
O fascículo, no entanto, enfatizará também o lado político. Apesar de
ter adotado práticas capitalistas, o país ainda não abandonou o auto-
ritarismo típico dos regimes comunistas. Quanto ao tema do 11
o
fascí-
culo, que terá versão apenas eletrônica, você tem ainda duas semanas
para votar, o que pode ser feito no site www.epoca.com.br.
O prazo vai até o dia 19. É possível votar num dos seguintes temas:
1) Globalização e Organizações Multilaterais, 2) União Européia,
3) Biotecnologia e Células-Tronco e 4) Crime Organizado.
Esse fascículo extra, que terá a mesma estrutura dos impressos,
estará disponível para download a partir de 3 de novembro.
Na próxima semana,
as duas faces da China
O país que mais cresce no mundo é também aquele em
que o capitalismo não veio acompanhado de democracia

DIRETORDEREDAÇÃO Helio Gurovitz epocadir@edglobo.com.br
REDATOR-CHEFE David Cohen
DIRETOR DE CRIAÇÃO Saulo Ribas
EDITORES-EXECUTIVOS André Fontenelle, David Friedlander
DIRETOR DE ARTE Marcos Marques
O Guia ÉPOCA Vestibular 2008 - Atualidades é um projeto
editorial de 11 fascículos desenvolvido pelo UNO Sistema
de Ensino da Editora Moderna para a Editora Globo. © 2007
Editora Moderna e Editora Globo. Todos os direitos reservados.
Nenhuma parte desta coleção pode ser reproduzida sem
autorização prévia da Editora Moderna e da Editora Globo.
COORDENAÇÃO GERAL DO PROJETO Ana Luisa Astiz
COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA Carlos Piatto (UNO)
COORDENAÇÃO DE TEXTOS Antonio Carlos da Silva
(Prof. Toni) e Venerando Santiago de Oliveira (Prof. Venê)
COMENTÁRIOS AOS ENUNCIADOS E DICAS Jô Fortarel
EDIÇÃO DE TEXTO Oscar Pilagallo
EDIÇÃO DE ARTE Leonardo Nery Protti
ILUSTRAÇÕES AKE Astbury
REVISÃO Bel Ribeiro
SUPERVISORA DE INTERNET Adriana Isidio (UNO)
DIRETOR GERAL Juan Ocerin
DIRETOR EDITORIAL Paulo Nogueira
DIRETOR DE MERCADO ANUNCIANTE Gilberto Corazza
DIRETOR DE FINANÇAS Frederic Zoghaib Kachar
DIRETOR DE ASSINATURAS Stavros Frangoulidis Neto
DIRETORA DE MARKETING Yara Grottera
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dissertativas,
não enrole. Terá
melhor desempenho o
candidato que melhor
estruturar seu texto,
coordenando bem as
idéias, e não fugindo do
assunto proposto. Prefira
sempre respostas claras
e objetivas. Evite períodos
muito longos e divagações
desnecessárias.
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O
s olhos do mundo estão
voltados para a China. O
vigor de sua economia
vem sustentando a expansão
global. A voracidade com
que o país consome matérias-
primas mantém as cotações
elevadas. Para o Brasil, esse
quadro é vantajoso. A China,
porém, também inspira alguma
preocupação. Há uma questão
comercial. As exportações chi-
nesas ameaçam as indústrias
de outros países. E há uma
questão política, enfatizada
neste fascículo. A abertura
econômica não foi acompanha-
da de abertura política. Práticas
capitalistas coexistem com um
autoritarismo típico de países
comunistas. Se esse aspecto
não é muito levado em conta
pelo Ocidente, é porque, por
enquanto, não prejudicou
os negócios.

NESTA EDIÇÃO
O massacre da Praça
da Paz Celestial PÁG. 4
Questão inédita sobre
o “made in China” PÁG. 5
E mais: política,
demografia e
militarismo PÁGs. 6 e 7
Qual é o
negócio da
China?
É a economia, claro.
O país puxa a expansão
global. Tanto que no
Ocidente se faz
vista grossa à falta
de democracia
©

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D
Antiga boneca
de porcelana,
dos tempos em
que os brinquedos
chineses ainda não
haviam invadido
o mundo
8 DE 10
> História
> Geografia
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2 I revi s ta época I 1 1 de j unho de 2 007
T
erceiro país mais extenso do mundo, com mais de 9,5 milhões de quilômetros
quadrados, atrás apenas da rússia e do Canadá, a China apresenta grande con-
traste entre a porção ocidental, com terras mais altas e clima seco, e a oriental,
com terras mais baixas e clima mais úmido. Na parte ocidental, a população é escassa. Na
oriental, há concentração demográfica. No total, o país tem quase 1,3 bilhão de pessoas.
Desde as Grandes Navegações, a China foi alvo do interesse de potências estran-
geiras. No século XIX, houve o período de maior submissão do país a estrangeiros. A
Inglaterra travou as Guerras do Ópio, em 1839 e 1856, assegurando privilégios comer-
ciais. Na última delas, conquistou o importante território portuá-
rio de Hong Kong, devolvido só em 1997.
Na primeira metade do século XX, duas lideranças políticas
dividiram o país: Chiang Kai shek, nacionalista, e Mao Tsé-tung,
comunista. No entanto, eles foram obrigados a aceitar uma
trégua diante da ocupação japonesa da Manchúria, em 1931.
Terminada a segunda Guerra Mundial, em 1945, houve uma
inevitável guerra civil entre nacionalistas e comunistas. Mao Tsé-
tung teve o apoio dos camponeses, então a grande maioria da
população. Em 1949, a China declarou-se socialista e passou a
entenda o assunto
China: a abertura econômica
em regime ainda fechado

2 | r e v i s t a é p o c a | f a s c í c u l o v i i i
O país que tem
sustentado boa parte
do crescimento
mundial adotou práticas
capitalistas sem, no
entanto, abandonar o
autoritarismo típico dos
regimes comunistas
POr sÉrGIO DE MOrAEs PAULO
A imagem
de Mao ainda
é presente
na China,
mas não sua
doutrina
Desde as
Grandes
Navegações
a China atrai
o interesse das
potências
estrangeiras
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3 | r e v i s t a é p o c a | f a s c í c u l o v i i i
se chamar república Popular da China. Chiang Kai shek e seu grupo se estabeleceram
em Formosa – hoje denominada Taiwan –, fundando a república da China, capitalista e
apoiada pelos Estados Unidos. A China considera Taiwan um território rebelde e ainda
hoje não descarta o uso da força para recuperá-la.
As peculiaridades culturais, econômicas e sociais chinesas, combinadas com insu-
cessos como o Grande Salto à Frente de 1958, fizeram com que o país gradativa-
mente desenvolvesse uma forma própria de socialismo. O rompimento com a União
soviética, em 1959, ressaltou sua independência diante dos interesses de Moscou. Mais
tarde, no começo da década de 70, durante o governo Nixon, essa ruptura permitiria
a aproximação com os EUA. Com a morte de Mao Tsé-tung, em 1976, Deng Xiaoping
assumiu a liderança da China. É reconhecido pelas reformas que introduziu na econo-
mia. Inicialmente, o governo fez mudanças na política, afastando lideranças que haviam
se fortalecido entre 1966 e 1976, durante o período de forte repressão política conheci-
do por revolução Cultural. Xiaoping promoveu também a formação de novos quadros
burocráticos, enviando universitários para países ricos, como EUA e Inglaterra.
A partir de 1978, foram adotadas mudanças na política agrícola. Os camponeses pas-
saram a ter metas de produção, comprada parcialmente pelo Estado. Os excedentes
poderiam ser vendidos segundo a lei da oferta e demanda. O
governo passou a acumular estoques reguladores, atuando para
equilibrar os preços. O sucesso dessa iniciativa possibilitou a
elevação da renda dos camponeses e uma relativa estabilidade
no custo de vida.
No início da década de 1980, o governo implantou as Zonas
Econômicas Especiais (ZEEs), onde empresas privadas estran-
geiras poderiam se instalar. As ZEEs se localizam ao longo
do litoral, e as empresas estrangeiras que nelas se instalam
obedecem a determinadas regras, como a permanência por
certo período, a inclusão de um sócio chinês e o compromisso
de exportar 75% da produção. Também houve a implantação de uma infra-estrutura
favorável aos investimentos, com prioridade para hidrovias e ferrovias. Outra vantagem
são os custos com mão-de-obra barata e disciplinada. O socialismo priorizou saúde,
educação e alimentação, tornando o custo de vida relativamente compatível com os
baixos salários, circunstância que pouquíssimos países podem oferecer. Assim, as ZEEs
acentuaram o crescimento econômico, com taxas em torno de 9% ao ano.
Chineses no
início dos anos 90,
quando a prática
capitalista ainda
não era visível
na moda
> O Grande salto à Frente
corresponde à tentativa
de aceleração das mudan-
ças econômicas durante a
implantação do socialismo na
China entre 1958 e 1960. A
coletivização ocorrida nesse
período é apontada como um
grande erro que resultou na
fome de milhões de chineses.
O GRANDE SALTO À FRENTE
As Zonas
Econômicas
Especiais
foram
implantadas
no início da
década de 80
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Os EUA lideram a compra de
produtos chineses, mas não
são os únicos. Na década de
1990, inspirados pelo discurso
da globalização, muitos países
aumentaram suas importações.
Países emergentes como Brasil
e Argentina apresentaram gran-
des déficits comerciais nesse
período, enquanto a China acu-
mulou grandes superavits. Atualmente, o país tem reservas superiores a Us$ 1 trilhão.
O desempenho econômico da China nos últimos anos favoreceu algumas
previsões sobre a formação de uma nova superpotência, dado seu poderio mili-
tar, inclusive nuclear. Essas previsões geralmente projetam para as próximas
décadas as taxas de crescimento do período recente e nem sempre consideram
alguns problemas estruturais do país.
Muitas empresas se instalam na China para não investir em tecnologias menos
poluentes exigidas em seus países de origem. A poluição industrial tem causado pro-
blemas como a chuva ácida e o smog, associação entre neblina e poluição. Também há
preocupação quanto à contaminação dos solos e das águas, pois 75% da produção agro-
pecuária é irrigada. Até o momento, os baixos salários estão associados a uma política
agrícola de acesso à alimentação, também barata, vantagens que
a poluição e o desequilíbrio ambiental poderiam comprometer.
Outro desafio é a manutenção de uma política fechada
numa sociedade com crescimento industrial e urbano. O
desenvolvimento das ZEEs atrai camponeses e acentua o
êxodo rural. Apesar de o desempenho global da economia
ser positivo, não há garantia de empregos a todos nas cida-
des, o que resulta em pobreza e mendicância em alguns
centros. Os trabalhadores das cidades passam a ter maior
contato com uma diversidade de informações, inevitáveis
num país que exporta para todo o mundo, em especial para
os países desenvolvidos. Como ensinou o geógrafo Milton santos, as cidades
são “lugares de aprendizado”, ou seja, as pessoas estão sujeitas a incorporar
valores e comportamentos tipicamente urbanos. Assim, está surgindo uma nova
geração de chineses mais contestadores e menos identificados com os valores
de disciplina, obediência e limites à liberdade de expressão. Um exemplo desse
fenômeno foi a brutal repressão na Praça da Paz Celestial em Pequim, em 1989.
A combinação entre economia aberta e política fechada é arriscada, podendo
não se manter com o sucesso que teve até o presente.
Por fim, a inserção da China no mercado mundial acirra a disposição de outros países
de adotar medidas protecionistas. recentemente, a Argentina impôs restrições às
importações de vários produtos da China, medida também reclamada por empresá-
rios brasileiros. A Inglaterra proibiu a importação de tecidos, alegando a presença de
substância cancerígena utilizada na China. Uma grande empresa dos EUA fez um recall
com brinquedos “made in China”, sob a pressão de consumidores que alegaram razões
de segurança. Enfim, razões comerciais, de qualidade ou segurança, têm servido para
alguma reação perante o avanço do Dragão.
SÉRGIO DE MORAES PAULO, graduado em
Geografia e mestre em Geografia Humana
pela USP, leciona em cursos pré-vestibulares
e no ensino médio da rede privada
Os acontecimentos da noite de
4 de junho de 1989 deixaram muito
claros os limites da abertura chinesa.
A entrada do capital transnacional
com a criação de zonas especiais para
produção nos moldes capitalistas e a
crescente inserção da China na econo-
mia internacional não significavam que
seus líderes admitiriam também uma
glasnost – a abertura política imple-
mentada por Mikhail Gorbatchev na
então cambaleante União soviética.
Desde a morte do líder reformista Hu
yaobang, em 18 de abril, estudantes
ocupavam a Praça Tiananmen – ou da
Paz Celestial – no centro de Pequim.
Exigiam a democratização do Partido
Comunista, o fim da corrupção e a
liberdade de imprensa. Aos milhares de
estudantes foram se juntando profes-
sores, artistas, trabalhadores e donas
de casa. Até mesmo o chefe do partido,
Zhao Ziyang, mostrava-se compreensi-
vo com as reivindicações populares.
O afastamento de Ziyang, pouco
mais de um mês depois, mais que um
racha na cúpula do partido, indicava
que a linha dura, tendo à frente Deng
Xiaoping e o primeiro-ministro, Li
Peng, estava disposta a restabelecer
a ordem social pondo um fim nas
manifestações por democracia. Na
noite do sábado 4 de junho, soldados
e tanques avançaram sobre os mani-
festantes desarmados. O Exército do
Povo massacrou um número até hoje
controverso de pessoas. Estima-se que
algo entre 2 mil e 5 mil chineses foram
mortos a golpes de baioneta, metralha-
dos ou esmagados pelos tanques, além
dos cerca de 60 mil feridos.
A face moderna e dinâmica que
a China exibe em seus indicadores
econômicos das últimas décadas
não esconde o autoritarismo e a
brutalidade com que o governo trata
das questões ligadas à liberdade de
expressão e aos direitos individuais
mais elementares. O desfecho da
Primavera de Pequim, como tam-
bém ficou conhecido o movimento
dos estudantes, e o domínio militar
sobre o Tibet atestam isso.
André Guibur é professor de Geografia da
rede privada e em cursos pré-vestibulares
O MASSACRE DA PRAÇA DA
PAZ CELESTIAL Por André Guibur

4 | r e v i s t a é p o c a | f a s c í c u l o v i i i
A poluição
industrial
na China tem
causado
problemas,
como
a chuva ácida
Jovem enfrenta tanques;
a imagem sintetiza a
repressão chinesa
(
c
)

A
P
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Os efeitos do “made in China”
Produtos baratos são fonte de preocupação; confira na
próxima semana o comentário e a resposta correta
Analise as informações e o texto abaixo.
Com base nessas informações
e em seus conhecimentos sobre
o tema, assinale as alternativas
que contemplam exclusivamente
afirmativas corretas:
I. a China não produz petróleo e seu
grande crescimento econômico
justifica sua posição de quarto maior
consumidor mundial do produto;
II. os déficits comerciais que os EUA
mantêm com a China têm sido motivo
para fortes retaliações, levando
inclusive o governo dos EUA a utilizar
fortes medidas protecionistas contra
a China nos últimos meses;
III. apesar de ter uma grande produção
petrolífera, o grande crescimento
econômico da China tornou o país
carente desse recurso energético,
tornando-se um dos fatores para a
elevação dos preços dos últimos anos;
IV. apesar das preocupações nos EUA,
a economia do país continua aberta à
compra de produtos chineses, assim como
os déficits que mantém com a China.
A) I e II apenas;
B) II e III apenas;
C) III e IV apenas;
D) I e III apenas;
E) II e IV apenas.
A questão da semana passada
apresentava um mapa mostrando a
incidência de ataques terroristas nos
últimos anos. Pedia-se ao aluno apenas
a conclusão da leitura dessa imagem. É
uma daquelas questões que podem ser
respondidas usando-se somente o bom
senso e um mínimo de informação.
O mapa mostrava vários pontos na
Europa e nos Estados Unidos. Bastaria
saber que nessas regiões drogas não são
produzidas (embora sejam consumidas),
e a alternativa A estaria eliminada. A
alternativa B podia ser cortada de cara
– afinal, EUA e Europa estão longe de
ser periferia do mundo. Da mesma
maneira, a alternativa C está obviamen-
te errada, pois não são lugares de con-
centração muçulmana. Quanto à última,
é despropositada, pois o mapa não tem
informações sobre motivações.
Vê-se, portanto, que se poderia chegar
à resposta por exclusão. E para ter
a certeza da resposta correta era só
saber que “setentrional” se refere ao
Hemisfério Norte.
Gabarito: alternativa D. (Há uma
nítida concentração de ações na porção
setentrional do globo.)
resposta da questÃo inédita do fascículo vii
Pergunta sobre terrorismo
exigiu apenas bom senso

5 | r e v i s t a é p o c a | f a s c í c u l o v i i i
(
c
)

A
P
“A China é o terceiro maior
parceiro comercial dos Estados
Unidos, o mercado de exportações
que mais cresce, e também o maior
déficit comercial do país. No ano
passado, o déficit foi de Us$ 202
bilhões. O volume cresceu muito
nos últimos anos e assustou os
americanos, que culpam o que vêem
como uma ‘invasão’ de produtos
chineses pela perda de empregos
industriais no país.”
BBC, 18/4/06
Brinquedos chineses,
como os que invadiram
o mundo
©

C
I
D
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I revi s ta época I 1 1 de j unho de 2 007 6 | r e v i s t a é p o c a | f a s c í c u l o v i i i
2ª questão
A respeito dos aspectos
geográficos da China, assinale
o que for correto:
01) o país é uma potência militar e
detém, inclusive, um arsenal nuclear.
O governo comunista tem uma clara
política de fortalecimento militar e
um projeto de exercício de poder em
escala regional e mundial.
02) o país é um importante receptor
de capitais produtivos. Esses inves-
timentos concentraram-se sobretu-
do nas Zonas Econômicas Especiais
(ZEEs).
04) a diversidade climática do país
é considerável. Na porção oeste,
ocorrem climas frios e desérticos.
Na porção leste, observa-se a ocor-
rência de climas temperados.
08) o processo de abertura eco-
nômica vem sendo acompanhado
de uma ampla abertura política. A
participação popular nas decisões
de governo é cada vez mais fre-
qüente.
16) a agricultura chinesa está volta-
da, predominantemente, para o culti-
vo de produtos de exportação,
com destaque para o arroz, o trigo
e o milho.
32) o relevo é caracterizado pela ocor-
rência de elevados planaltos e dobra-
mentos modernos na porção oriental
do território. A oeste, encontram-se
baixos planaltos e extensas planícies.
UEM, 2005 (Questão 13)
COMENTÁRIO
A questão apresenta uma série
de dificuldades. Em primeiro lugar,
a ausência de informação no enun-
ciado que poderia indicar alguma
assertiva correta. Além disso, há
seis opções, todas relativamente
longas e, o que é pior, algumas com
informações parcialmente corretas.
Uma das poucas que poderiam ser
eliminadas como falsa é a alterna-
tiva que fala em abertura política.
Para completar a dificuldade dessa
questão, a resposta ainda depende
da soma dos números das asserti-
vas corretas, uma fonte adicional de
eventual erro.
1ª questão
A China vem expandindo sua economia
e ampliando suas relações para além
de suas fronteiras. Há poucos anos,
ela ingressou na Organização Mundial
do Comércio (OMC), submetendo-se
às regras do comércio internacional.
Assinale a alternativa correta em rela-
ção a essa temática:
A) a partir do processo de abertura eco-
nômica, a maioria da população chinesa
passou a viver em áreas urbanas e a
possuir renda per capita semelhante à de
vários países desenvolvidos.
B) entre os principais produtos bra-
sileiros exportados para a China,
destacam-se aparelhos de ótica de
precisão e componentes eletrônicos.
C) a parceria sino-brasileira ampliou-se
quando foi acertado um dos mais importan-
tes projetos na área técnico-científica entre
os dois países: o desenvolvimento de satéli-
tes de rastreamento de recursos naturais.
D) o crescimento econômico chinês obti-
do nos últimos anos coincidiu com a aber-
tura política, já que aumentou o número
de partidos políticos e o país se tornou
uma república democrática.
E) apesar de a China ser uma das dez
maiores economias do planeta, seu Produto
Interno Bruto (PIB) depende quase que
exclusivamente do setor primário.
UFRGS (questão 24)
COMENTÁRIO
Como o próprio enunciado afirma, o
texto inicial só apresenta a temática, não dá
dicas para a resolução. Em contrapartida,
quatro das afirmações apresentadas facil-
mente podem ser detectadas como incor-
retas. A despeito do grande crescimento
econômico chinês das últimas décadas, a
população do país ainda possui baixa renda
per capita. Também são significativos os
índices de população rural. O Brasil desta-
ca-se muito mais pelas exportações de pro-
dutos primários ou semi-elaborados para
a China, com destaque para o minério de
ferro e a soja. Por outro lado, o crescimento
econômico baseado na abertura da econo-
mia a práticas de mercado ocorre sem um
processo de abertura política, mantendo-se
o regime de partido único e as restrições
às liberdades individuais. Outro aspecto
importante do crescimento econômico chi-
nês é o ganho de mercados para produtos
manufaturados, destacando-se os EUA
como grandes compradores.
questões respondidas
Demografia e comércio superlativos
Com forte expansão econômica e uma população de quase 1,3 bilhão de pessoas,
a China atrai a atenção do mundo; teste a seguir seus conhecimentos sobre o país

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1 1 de j unho de 2 007 I revi s ta época I
3ª questão
O gráfico representa taxas cres-
centes ou decrescentes da popula-
ção e da produção agrícola de três
países. A partir dos dados, identifi-
que os países I, II e III: Fuvest (Questão 47)
COMENTÁRIO
Questão que exige apenas calma.
Como os três países envolvidos
apresentam desenvolvimento muito
diferente e os gráficos são de fácil
análise, a atenta observação deles
indica diretamente a resposta. Os
gráficos mostram que o país núme-
ro I teve decréscimo na produção
agrícola e acréscimo da população
em torno de 3%. Tal fenômeno é
típico de países muito pobres que
apresentam elevadas taxas de nata-
lidade e mortalidade, realidade mais
próxima a Moçambique, na África.
As condições socioeconômicas
e ambientais nos permitem
associar o país II à Venezuela, cuja
produção agrícola se mostra com
melhor desempenho que o
país I, mas menor que o país III,
China. A China se diferencia dos
demais países tanto por uma polí-
tica agrícola que tem resultado em
ganhos de produção e produtividade
quanto por uma política
demográfica que resultou num
menor crescimento populacional.
G A B A r I T O : 1 ( C ) , 2 ( c o r r e t a s : 1 , 2 e 4 ) , 3 ( A ) , 4 ( D )

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Hoçambique
China
Hoçambique
China
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Hoçambique
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Hoçambique
China
I II III
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Hoçambique
China
Taxa de crescimenLo (%)
Fente: ße Ágest|n|, Z00Z
Peµu|açãe
Preduçãe agríce|a
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II
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·I
III
0 I ? 8 4 G G
4ª questão
Na década de 1990, a China, segun-
do país em extensão territorial e com
cerca de 20% da população do mundo:
A) representou uma parcela importante
do mercado mundial, embora seu mer-
cado interno não tenha incorporado nem
1/3 de sua população, majoritariamente
urbana, na região I, de clima tropical.
B) incrementou o comércio inter-
nacional, atraindo investimentos
estrangeiros, extinguindo o controle
migratório e desenvolvendo produção
de trigo nas terras altas da região II.
C) passou por graves crises de cres-
cimento econômico que afetaram,
sobretudo, as áreas altas e secas,
assinaladas em III, onde se localizam
as minorias nacionais, como tibetanos
e chineses muçulmanos.
D) revelou expressivo crescimento
econômico e taxa baixa de crescimento
demográfico, apresentando clima sub-
tropical com grandes áreas de agricul-
tura irrigada, na região IV.
E) coletivizou as atividades econô-
micas, reafirmando os valores de sua
revolução, desenvolvendo a agricultura
irrigada na região III, de clima continen-
tal e de baixa densidade demográfica.
Fuvest, 2003 (questão 49)
COMENTÁRIO
Questão que apresenta dificul-
dade, pois cada assertiva traz mais
de uma informação, podendo estar
parcialmente correta, o que con-
funde o candidato. A presença do
mapa só auxiliará se você souber as
características climáticas das regiões
assinaladas. Quanto ao conteúdo, é
importante saber que, na década de
1990, a população da China ainda
era majoritariamente rural, apesar
do grande crescimento econômico e
do êxodo rural. A área de número II
tem o predomínio de terras áridas ou
semi-áridas, destacando-se o deserto
de Gobi. Essa área é inviável para os
cultivos de trigo, feitos principalmente
na área III. A área III possui clima tem-
perado e boa regularidade de chuvas,
o que dispensa a necessidade de
irrigação sistemática, necessária em
outras partes do país, como I e II.
Importante observar que a
China é o terceiro país em extensão
territorial, e não o segundo confor-
me diz o enunciado.
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8 I revi s ta época I 1 1 de j unho de 2 007
se um texto apresentar
múltiplos tópicos ou
diferentes pontos
de vista sobre
determinado assunto.
Procure analisar cada
um a fim de detectar
aqueles que realmente
se relacionam com
a questão.
E
sta é a última semana para você escolher o tema do 11
o
fascículo do
Guia ÉPOCA Vestibular 2008 - Atualidades, que terá versão apenas
eletrônica. O prazo para votar, no site www.epoca.com.br, vai até a
sexta-feira 19.
É possível votar num dos seguintes temas: 1) Globalização e Organizações
Multilaterais, 2) União Européia, 3) Biotecnologia e Células-Tronco e
4) Crime Organizado. Esse fascículo extra, que terá a mesma estrutura dos
impressos, estará disponível para download a partir de 3 de novembro.
Quanto ao fascículo da semana que vem, o assunto são os conflitos no
Oriente Médio. A esta altura, já na reta final, você provavelmente já criou
seu método de estudo. Mas não custa enfatizar: a melhor maneira de res-
ponder às questões apresentadas a cada número é tentar reproduzir as
condições que terá de enfrentar na hora da prova. Por isso, é recomendá-
vel que você tente anotar a alternativa correta antes de ler o comentário
do professor que vem a seguir.
Ainda há tempo de votar
no tema do 11º fascículo
A escolha poderá ser feita entre quatro assuntos
propostos até a próxima sexta-feira

DIRETORDEREDAÇÃO Helio Gurovitz epocadir@edglobo.com.br
REDATOR-CHEFE David Cohen
DIRETOR DE CRIAÇÃO saulo ribas
EDITORES-EXECUTIVOS André Fontenelle, David Friedlander
DIRETOR DE ARTE Marcos Marques
O Guia ÉPOCA Vestibular 2008 - Atualidades é um projeto
editorial de 11 fascículos desenvolvido pelo UNO sistema
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dos. Nenhuma parte desta coleção pode ser reproduzida sem
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COORDENAÇÃO GERAL DO PROJETO Ana Luisa Astiz
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Toni) e Venerando santiago de Oliveira (Prof. Venê)
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EDIÇÃO DE TEXTO Oscar Pilagallo
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DIRETOR EDITORIAL Paulo Nogueira
DIRETOR DE MERCADO ANUNCIANTE Gilberto Corazza
DIRETOR DE FINANÇAS Frederic Zoghaib Kachar
DIRETOR DE ASSINATURAS stavros Frangoulidis Neto
DIRETORA DE MARKETING yara Grottera
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A
companhar no varejo do
dia-a-dia os desdobra-
mentos dos vários confli-
tos simultâneos do Oriente Médio
pode ser uma tarefa infrutífera do
ponto de vista do aprendizado.
Grupos se ramificam, interesses
se sobrepõem, fronteiras tornam-
se difusas, mocinhos e bandidos
são papéis intercambiáveis.
Quem está matando quem? E por
que razão? Quem prestar atenção
apenas aos últimos acontecimen-
tos dificilmente terá a percepção
do conjunto. Pelo simples motivo
de que os problemas atuais se
arrastam há décadas, mais preci-
samente desde o final da Primeira
Guerra Mundial, em 1918. Foi
nessa época que uma intervenção
franco-britânica selou o destino
da região. Neste fascículo,
mostramos o que essa gênese
remota tem a ver com a questão
palestina e a guerra no Iraque.

NESTA EDIÇÃO
Conheça a origem
do sionismo PÁG. 2
A atuação no Líbano
do Hezbollah PÁG. 3
Confira mais uma
dica para a prova PÁG. 8
©

A
P
Palestino agita a
bandeira da Jihad,
em Gaza, no topo
de uma mesquita,
durante o funeral de
um correligionário
> História
> Geografia
Situação no Iraque
e a questão palestina
são os principais
conflitos da região
O Oriente
Médio
em pé de
guerra
EPVEST09_CAPA.indd 1 15/10/2007 15:46:20
2 I revi s ta época I 1 1 de j unho de 2 007
O
Oriente Médio é uma das regiões mais conflituosas do globo, aquela que há mais
tempo domina os noticiários internacionais. Qual o motivo de tanto conflito? Uma
das razões da tensão é capital: a intervenção franco-britânica na região após a
Primeira Guerra Mundial, que selou seu destino. É nesse momento da história que devemos
buscar a gênese dos conflitos e, assim, compreender a situação atual. Tentar entender as
turbulências da região a partir exclusivamente dos fatos contemporâneos é tarefa inglória.
Neste espaço, vamos nos ater a um panorama genérico dos dois principais conflitos
da região: a questão palestina e a guerra no Iraque.
Como os demais conflitos que ocorrem no Oriente Médio, a origem do problema
palestino está no início do século XX. Em 1917, enquanto eram escritos os últimos capí-
tulos da Primeira Guerra Mundial, a Inglaterra, já sabedora da herança do espólio oto-
mano e de seu futuro domínio na região, concedeu a Palestina ao movimento sionista,
na famosa Declaração Balfour.
O organizado sionismo, que contava com forte retaguarda financeira de banqueiros
judeus de Londres, tratou de patrocinar a migração de milhares de judeus para a Terra
Prometida, com o claro objetivo de construir ali o seu Estado. Acontece que a Palestina
era habitada; árabes palestinos lá estavam havia séculos. Ou seja, a Inglaterra concedeu
uma terra habitada, e que não era dela, a um povo que vivia na Europa, mas que, por
razões religiosas e históricas, sonhava em construir um Estado nacional na Palestina.
Eis as primeiras sementes da discórdia.
Logo começaram as tensões entre aquele judeu que chegava e a população local. A
situação não tardou a sair do controle dos britânicos, que se desvencilharam do imbró-
glio nos anos 40, quando transferiram a questão para uma recém-criada ONU.
Na ordem que se iniciou após a Segunda Guerra Mundial, com os Estados Unidos
ENTENDA O ASSUNTO
A gênese e as razões dos
conflitos no Oriente Médio

2 | R E V I S T A É P O C A | F A S C Í C U L O I X
A intervenção franco-britânica após a Primeira Guerra ajuda a explicar a situação
atual; a guerra no Iraque e a questão palestina são os principais problemas
POR EDILSON ADÃO
> Sionismo é o movimento,
fundado pelo jornalista aus-
tríaco Theodore Herzel, que
buscava fundar um Estado
judeu em Sion, Palestina.
Nesse momento, havia na
Europa forte discriminação e
perseguição aos judeus.
Quanto à Declaração Balfour,
do secretário de Relações
Exteriores britânico Arthur
James Balfour, concedia a
Palestina para a criação de um
“lar nacional judeu”. Balfour
não falou em “Estado” em seu
documento.
SIONISMO E BALFOUR
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A
P
Reprodução
da Declaração
Balfour
Crianças na Cisjordânia
observam manifestação de
milicianos do movimento
Fatah, em 2001
EPVEST09p002_008.indd 2 15/10/2007 15:47:33

fortalecidos e a Europa enfraquecida, a tentativa de solução
ficou a cargo da ONU, que realizou, em 1947, a Partilha da
Palestina, criando dois Estados: um judeu, com 14 mil km
2
,
e outro árabe, com 11 mil km
2
.
Em maio de 1948, com a retirada das últimas tropas britâni-
cas da Palestina, David Ben Gurion proclamou a independência
de Israel. Os árabes não aceitaram aquilo que denunciavam
como “um corpo estranho no mundo árabe”, e declararam
guerra ao recém-criado país; seria a primeira de muitas derrotas
árabes para Israel. A verdade é que os judeus eram poucos,
mas fortes, enquanto os árabes eram muitos, mas frágeis e desunidos. Outras guerras
viriam, e outras vitórias israelenses. A mais importante delas seria a de 1967, quando
Israel não apenas venceu simultaneamente três países árabes em menos de uma
semana (Egito, Síria e Jordânia), como lhes tomou territórios. Alguns deles se encon-
tram sob seu domínio até hoje. E foi além. Conclamou judeus de todo o mundo a vir
ocupar terras “disponíveis.” Iniciava-se, então, a colonização da Palestina por Israel.
Os palestinos foram sendo expropriados de suas terras: primeiro, em 1948, depois, em
1967. É da indignação palestina que nasceria a violenta revolta que se estende aos dias
atuais. Catalisados pela OLP (Organização pela Libertação da Palestina), surgida em 1964,
nasceram movimentos que buscavam a pátria perdida, sonho ainda não realizado.
Em 1994, os acordos de Oslo (Plano de Paz) viriam criar a Autoridade Palestina
(AP). O primeiro presidente da AP foi o lengendário líder Yasser Arafat. Como a OLP,
a Autoridade Palestina luta pela criação do Estado Palestino. No entanto, o recente
acirramento da disputa entre o Al Fatah e o Hamas ameaça jogar os palestinos numa
guerra civil que pode dificultar ainda mais a criação do seu Estado.
Na outra ponta do Oriente Médio, um cenário não menos desolador se desenvolve no
Em 1947, a
ONU realizou
a partilha da
Palestina,
criando um
Estado judeu
e outro árabe
©

A
P
Em julho de 2006, uma ação do
grupo xiita Hezbollah contra solda-
dos israelenses desencadeou uma
violenta reação de Israel com trági-
cas conseqüências para o Líbano.
Sob pretexto de resgatar dois solda-
dos seqüestrados pelo Hezbollah e
eliminar a sua capacidade de lançar
mísseis contra o norte do país, tropas
de Israel invadiram o Líbano. Durante
pouco mais de um mês aviões e
tanques realizaram incontáveis bom-
bardeios contra supostas posições
militares do Hezbollah e também
contra alvos civis, como o aeroporto
de Beirute, edifícios, estradas, pontes
e até uma base da ONU, onde quatro
de seus observadores morreram.
O Hezbollah atacava lançando
mísseis sobre cidades do norte de
Israel, como Haifa e Nazaré, fazendo
algumas vítimas civis. Nos comba-
tes no sul do Líbano o grupo conse-
guia impor também algumas baixas
militares aos israelenses. No total,
cerca de 120 israelenses morreram
no conflito.
Mas o saldo da guerra refletiu a
superioridade militar e a força com
que Israel atacou o Líbano: mais
de mil libaneses mortos, a maioria
civis, muitas cidades e a infra-
estrutura do país quase totalmente
destruídas.
Em 14 de agosto teve início o
cessar-fogo e os preparativos para
a retirada das tropas israelenses,
que se completaria com a chegada
da missão de paz da ONU (a Força
Interina das Nações Unidas no
Líbano). Enquanto ambos os lados
declaravam-se vitoriosos, grupos de
direitos humanos e observadores
das Nações Unidas denunciavam
possíveis excessos cometidos por
Israel contra a população do Líbano,
certamente o grande perdedor.
André Guibur é professor de Geografia da
rede privada e em cursos pré-vestibulares
NO LÍBANO, HEZBOLLAH
ENFRENTA ISRAEL Por André Guibur
A PARTILHA
DA PALESTINA
(ONU)
Plano de Partilha de 1947
Estado árabe

Estado judeu

Jerusalém

Território anexado após 1948
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Golfo Pérsico: a guerra no Iraque. Vejamos
sua trajetória. Em 1979, no mesmo ano
em que ocorria a Revolução Islâmica no
Irã, Saddam Hussein chegava ao poder no
Iraque. Entendendo aquele movimento no
país vizinho como ameaçador, pois poderia
se alastrar para o Iraque, de maioria xiita,
Saddam tratou logo de produzir uma guerra
para, em sua perspectiva, cortar o mal pela
raiz. Ele acreditava que seria uma guerra
rápida. Ledo engano. Usando o velho litígio
no estuário de Chat el Arab (a foz dos rios
Tigre e Eufrates) como pretexto para o ataque, em 1980 iniciava-se a longa guerra Irã-
Iraque. Aquilo que parecia ser presa fácil na visão iraquiana tornou-se um verdadeiro
tormento. Para equacionar sua inferioridade militar naquele momento, Khomeini, o líder
iraniano, utilizou-se de um ingrediente que Saddam não esperava: a Jihad. A guerra
prolongou-se então por oito anos, arrasando a economia e as estruturas dos dois
países.
Durante a guerra, os países do golfo torciam pelo Iraque, mas não tornavam
isso claro; todos temiam a ameaça xiita. Apenas um deles ousou apoiar explicita-
mente o Iraque: o Kuwait, país contra o qual, em retaliação, o Irã declarou guerra.
O apoio do Kuwait ao Iraque tomou forma concreta com o
financiamento da compra de armas dos Estados Unidos.
Pois bem, após o término da guerra, com a economia des-
truída, endividado e não podendo saldar sua dívida, Saddam
Hussein invade justamente o pequeno vizinho, em agosto de
1990. O argumento era o de que o Kuwait seria uma unidade
inventada pela Inglaterra para atender seus interesses e do
imperialismo. Na visão iraquiana, o Kuwait nada mais seria que
um prolongamento do Iraque, ou seja, uma de suas províncias.
A ONU deu um ultimato ao Iraque, mas Saddam Hussein se
recusou a retirar suas forças do país invadido. E tentou uma
jogada: comprometeu-se a sair do Kuwait tão logo Israel se retirasse dos territórios
ocupados em 1967. E agora, ONU? O Conselho de Segurança ignorou a chantagem de
Saddam e tratou logo de resolver a questão. Assim, lideradas pelos Estados Unidos,
tropas da ONU atacaram as forças iraquianas, libertando o Kuwait. Derrotado, o Iraque
foi colocado sob embargo em 1991. A partir de então, gradativamente sua economia
foi sendo estrangulada. O país debilitou-se com a generalizada queda da qualidade
de vida. A maior vítima do intenso embargo foi a população civil. Já no século XXI,
no mundo pós-11 de Setembro e no contexto da guerra ao terror levada a cabo pelos
Estados Unidos, o regime de Saddam Hussein foi posto na mira. Acusado de apoiar
o terrorismo internacional e de produzir armas de destruição em massa (nunca
encontradas), o país foi atacado pela coalizão anglo-americana em 2003. Convém
lembrar que os Estados Unidos decidiram atacar o Iraque sem a autorização do
Conselho de Segurança da ONU. O regime – e o próprio Estado – foram arrasados:
destruiu-se um Estado, uma nação, fazendo do “novo” Iraque um dos mais instáveis
lugares do mundo. As forças de ocupação permanecem no país até hoje.
EDILSON ADÃO, mestre em geografia
humana pela USP e especialista em
geopolítica, é autor de Oriente Médio: A
Gênese das Fronteiras (Editora Zouk)

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Derrotado após
a invasão do
Kwait, o Iraque
sobreu embargo
em 1991 que
estrangulou
sua economia
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A Revolução Islâmica é o movi-
mento xiita que depôs o regime
secular iraniano e levou ao poder
o Aiatolá Khomeini. O Irã se tor-
naria uma República Islâmica.
Jihad é a resistência santa,
recurso que os fiéis muçulmanos
utilizam em tempos de guerra.
Para convocar uma Jihad, é pre-
ciso ter legitimidade espiritual,
coisa que o Aiatolá Khomeini, de
fato, possuía.
REVOLUÇÃO ISLÂMICA E JIHAD
Saddam Hussein,
que invadiu o
Kwait em 1990
Aiatolá
Khomeini
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A Guerra dos Seis Dias
O conflito está em evidência neste ano, por conta de uma
efeméride; confira a resposta na semana que vem
Em 2007, completam-se 40 anos
da Guerra dos Seis Dias. Essa guerra
teve importância territorial capital
para o destino do Oriente Médio. O
mapa ao lado mostra os territórios
que foram ocupados em 1967.
Sobre ele, está correto afirmar:
A) um dos motivos que levaram à
ocupação da região A, junto à Síria,
é o fato de tratar-se de importante
área de manancial em uma região
marcada pela aridez;
B) a área B é uma estéril região
e de baixo aproveitamento agrícola,
mas importante por guardar
lugares sagrados ao judaísmo,
cristianismo e islamismo.
C) a região C, originariamente
pertencente à Jordânia, era a
principal área de atuação da guerrilha
palestina, daí a ocupação.
D) a região D, devolvida à Síria nos
Acordos de Camp David, era a maior
fatia territorial da ocupação e o
motivo da mesma foi a importância
estratégica junto ao Canal de Suez.
E) das áreas ocupadas, permanecem
ainda sob domínio israelense apenas
as identificadas com as letras C
e B, justamente aquelas em que
os palestinos desejam fundar seu
Estado.
A China tem uma grande produção
petrolífera, tanto na Manchúria
quanto em Xi-Jiang, a oeste do país.
Desde o ano 2000, a China tornou-
se dependente de importações
de petróleo, pois seu grande
crescimento econômico exige
muito mais do que pode produzir.
Atualmente, países como Irã e
Venezuela têm sido alguns de seus
fornecedores.
Quanto às importações de
produtos chineses, têm sido fator
de preocupação para os EUA, pois
já ultrapassaram US$ 200 bilhões
ao ano. Entretanto, o país continua
a importar esses produtos, sem
ter adotado uma prática efetiva de
protecionismo. A continuidade dessa
situação se justifica pelo baixo preço
dos produtos chineses.
Outro fator que dificulta uma ação
mais protecionista dos EUA é o fato de
que muitas das exportações chinesas
são feitas a partir de empresas
americanas instaladas na China,
aproveitando os baixos custos de
produção que o país oferece.
Gabarito: alternativa C (III
e IV apenas). III – Apesar de ter
uma grande produção petrolífera,
o grande crescimento econômico
da China tornou o país carente
desse recurso energético,
constituindo-se em um dos fatores
para a elevação dos preços dos
últimos anos. IV – Apesar das
preocupações nos EUA, a economia
do país continua aberta à compra
de produtos chineses, assim como
os déficits que mantém com a
China.
RESPOSTA DA QUESTÃO INÉDITA DO FASCÍCULO VIII
China importa petróleo e
exporta produtos baratos

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Colinas de Golã. Pertencia à Síria, é a mais
importante área de manancial da região.
Cisjordânia. Pertencia à Jordânia, importante
zonafértil, gurda grande valor religioso
para o Judaísmo, Cristianismo e Islamismo.
Faixa de Gaza. pertencia ao Egito, zona árida,
área de intensa atuação da guerrilha
palestina contra alvos israelenses.
Península do Sinai. ocupada junto ao Egito
foi desenvolvida posteriormente
aos Acordos de Camp David, em 1979.
Elaboração: Edilson Adão
Jordânia
Líbano
Síria
Arábia
Saudita
Egito
Golfo de Suez
Golfo de Ácaba
Mar Mediterrâneo
Rio Jordão
Mar Morto
Mar Vermelho
Israel
Jordânia
Líbano
Síria
Arábia
Saudita
Egito
Golfo de Suez
Golfo de Ácaba
Mar Mediterrâneo
Rio Jordão
Mar Morto
Mar Vermelho
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2ª questão
O aumento do número de mortes
de soldados das forças de ocupação
do Iraque, mesmo após o anúncio
do final da guerra pelo governo dos
Estados Unidos, deve-se à:
A) participação tardia da Rússia, que
procurou salvaguardar seus interesses
geopolíticos na região.
B) reação da população iraquiana,
que não aceita a presença de
estrangeiros no país.
C) redução do efetivo militar norte-
americano para cortar as despesas
com a ocupação.
D) ação da inteligência norte-
americana, que conseguiu isolar os
dirigentes procurados, sem destruir as
cidades.
E) maior vulnerabilidade da população
em função da ausência de governo local.
Fuvest - 2004
COMENTÁRIO
Uma boa interpretação do
enunciado elimina as alternativas D
e E, pois estas contrariam o que nele
está afirmado. Dessa forma, você
terá que optar entre apenas três
alternativas, sendo que a correta
é de amplo conhecimento público
por meio de mídias diversas. As
forças de ocupação têm enfrentado
a insurreição iraquiana e a fúria de
grande parte da população, que não
aceita a presença anglo-britânica
no país. Tal cenário suscitou o
surgimento de vários grupos e facções
que realizam atentados terroristas
contra alvos norte-americanos,
britânicos e da própria população
local.
1ª questão
O Oriente Médio constitui uma
das regiões mais conturbadas do
planeta, o que se deve a uma conjun-
ção de fatores históricos, políticos,
econômicos e geográficos, dentre os
quais merecem destaque, EXCETO:
A) sua posição geográfica na junção
de três massas continentais, que o
transformaram em rota de tráfego de
vários povos, desde a antiguidade.
B) sua riqueza em recursos energé-
ticos, dos quais dependem o abas-
tecimento do Ocidente e, em certa
medida, o modelo de desenvolvimento
capitalista.
C) a sua homogeneidade étnica,
forjada a partir de uma base religiosa e
cultural comuns.
D) o imperialismo internacional, que
criou Estados artificiais de acordo com
os interesses dos países dominantes.
PUC-MG - 2004
COMENTÁRIO
O único complicador do enunciado é
o fato de solicitar, de forma indireta, por
meio da palavra EXCETO, a alternativa
incorreta, o que, às vezes, confunde o
candidato. Como facilitador, temos a
alternativa incorreta bastante evidente,
até para quem pouco conhece sobre
o assunto. Afinal, o Oriente Médio é
marcado pela heterogeneidade étnica
e cultural, apresentando várias etnias,
como árabes, turcos, persas, judeus,
curdos, etc. No plano religioso, destacam-
se as três principais religiões monoteístas:
judaísmo, cristianismo e islamismo.
QUESTÕES RESPONDIDAS
Uma região em conflito incessante
Nestas duas páginas, o candidato pode testar seu conhecimento com
base em questões recentes que integraram quatro exames de vestibular

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4ª questão
Observe o texto que aborda a
recente crise no Líbano:
Como ensina a Geografia Política,
entregar território significa derrota
política; ao vencedor, as terras (e
não as batatas). Acossado interna-
mente e assistindo a uma possível
conexão xiita Irã-Hezbollah, via
Síria, Israel tratou de agir.
Sobre o cenário geopolítico
do Oriente Médio abordado pela
matéria, podemos inferir:
A) o grupo Hezbollah reivindica a
devolução das Colinas de Golan ao
Líbano, ocupadas por Israel desde a
Guerra dos Seis Dias, em 1973.
B) a conexão religiosa mencionada no
texto envolve o Irã, Líbano e a Síria,
três países de maioria xiita.
C) o Hezbollah é produto da ocupação
israelense no sul do Líbano em 1982
e atua na região com freqüentes
ataques à Israel.
D) ao lado do Hammas, o Hezbollah é
um grupo palestino que tem sua base
na Faixa de Gaza.
E) a partir da Cisjordânia, o Hezbollah faz
incursões a Israel e reivindica a devolução
dessa importante e fértil região.
ESPM - 2007

COMENTÁRIO
O enunciado contextualiza bem a
questão, porém não dá margem para
inferir a resposta. Quanto à reda-
ção de algumas alternativas, pode
confundir o candidato. Preste bem
atenção. Você deve se lembrar que o
Hezbollah é um grupo fundamenta-
lista xiita que atua no sul do Líbano.
Surgido após a invasão israelense no
Líbano em 1982, o grupo é uma resis-
tência à ocupação. O enunciado da
questão aborda os ataques israelen-
ses realizados em 2006 e que trouxe-
ram prejuízos políticos ao governo de
Ehud Olmet, premiê de Israel. Esses
ataques mataram centenas de civis
libaneses. Como afirma a alternativa
correta, a justificativa israelense foi
combater as constantes investidas
ao seu território feitas pela milícia,
que na época seqüestrou soldados
israelenses.
3ª questão
Leia as frases seguintes, sobre as
dificuldades para a paz entre Israel
e a Palestina.
I. Destino de 3 milhões de
refugiados palestinos dispersos
pelos países vizinhos.
II. Controle do Rio Jordão a partir
das colinas de Golã, que estão sob
domínio da Síria.
III. Fim da Intifada, movimento de judeus
pela aceitação do acordo de Oslo.
IV. Definição da situação de
Jerusalém, apontada como capital por
judeus e considerada sagrada pelos
palestinos.
V. Presença de colônias judaicas em
áreas destinadas ao estado Palestino.
Está correto o que se afirma em:
A) I, II e IV, apenas.
B) I, III e V, apenas.
C) I, IV e V, apenas.
D) II, III e IV, apenas.
E) II, III e V, apenas.
Unifesp - 2003
COMENTÁRIO
Questão difícil. O enunciado
não oferece dicas e as assertivas
incorretas, além de estarem no
contexto, só não estão corretas por
trocas de representação (israelense
X sírio / palestino X judeu), fato que
pode passar despercebido.
Dentre as dificuldades para a paz
entre Israel e palestinos, assim como
a criação de um Estado Palestino,
podemos citar: a) o retorno de
aproximadamente 3 milhões de
palestinos refugiados nos países
vizinhos (a AP considera um direito
o retorno palestino, mas Israel não
aceita, pois isto reconfiguraria a
balança demográfica na região); b)
os palestinos pretendem Jerusalém
oriental como capital de seu futuro
país, enquanto os judeus consideram
Jerusalém a capital indivisível
israelense; c) as colônias judaicas,
instituídas principalmente após 1967,
são outro fator problemático, pois
muitos judeus que lá nasceram nesse
período não aceitam ser removidos
nem viver sob a administração
palestina.
G A B A R I T O : 1 ( C ) , 2 ( B ) , 3 ( C ) , 4 ( C )

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O
fascículo da próxima semana, que encerra esta série, o tema
abordado será a América Latina. O subcontinente vem passando
por uma grande transformação nos últimos anos. A região, com
uma história marcadamente conservadora, experimentou uma guinada
à esquerda. Em muitos países, há governos encabeçados por políticos
com idéias socialistas de vários matizes. Em alguns, como o Brasil, não
houve abandono de programas liberais. Em outros, como a Venezuela e
a Bolívia, o socialismo tem também as cores do nacionalismo.
Na sexta-feira passada, encerrou-se a votação do assunto do 11º fas-
cículo do Guia ÉPOCA Vestibular 2008 – Atualidades, que terá versão
apenas eletrônica. Foi possível votar em quatro temas: 1) Globalização
e Organizações Multilaterais, 2) União Européia, 3) Biotecnologia e
Células-Tronco, e 4) Crime Organizado. O resultado será anunciado no
próximo fascículo e no site www.epocacom.br.
Na semana que vem,
a guinada latina
Numa região antes conservadora, partidos de
esquerda estão no poder em muitos países

DIRETOR DE REDAÇÃO Helio Gurovitz epocadir@edglobo.com.br
REDATOR-CHEFE David Cohen
DIRETOR DE CRIAÇÃO Saulo Ribas
EDITORES-EXECUTIVOS André Fontenelle, David Friedlander
DIRETOR DE ARTE Marcos Marques
O Guia ÉPOCA Vestibular 2008 - Atualidades é um projeto
editorial de 11 fascículos desenvolvido pelo UNO Sistema de
Ensino da Editora Moderna para a Editora Globo. © 2007
Editora Moderna e Editora Globo. Todos os direitos reservados.
Nenhuma parte desta coleção pode ser reproduzida sem
autorização prévia da Editora Moderna e da Editora Globo.
COORDENAÇÃO GERAL DO PROJETO Ana Luisa Astiz
COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA Carlos Piatto (UNO)
COORDENAÇÃO DE TEXTOS Antonio Carlos da Silva (Prof.
Toni) e Venerando Santiago de Oliveira (Prof. Venê)
COMENTÁRIOS AOS ENUNCIADOS E DICAS Jô Fortarel
EDIÇÃO DE TEXTO Oscar Pilagallo
EDIÇÃO DE ARTE Leonardo Nery Protti
ILUSTRAÇÕES AKE Astbury
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DIRETOR EDITORIAL Paulo Nogueira
DIRETOR DE MERCADO ANUNCIANTE Gilberto Corazza
DIRETOR DE FINANÇAS Frederic Zoghaib Kachar
DIRETOR DE ASSINATURAS Stavros Frangoulidis Neto
DIRETORA DE MARKETING Yara Grottera
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NÃO SE
DESESPERE
se a questão contiver gráficos,
tabelas etc. Verifique se esses
recursos estão ali para agregar
informação ou se apenas ilustram
o assunto, não influindo decisiva-
mente no acerto da questão.
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