Varal do Brasil

LITERÁRIO, SEM FRESCURAS!

ANO 2 - EDIÇÃO NO. 5

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Literário, sem frescuras
Genebra, outono de 2010
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Varal do Brasil

EXPEDIENTE
Revista Literária VARAL DO BRASIL No. 5 — Genebra — CH Copyright © Vários autores O Varal do Brasil é promovido, organizado e divulgado pelo site: www.coracional.com Site do Varal: www.varadobrasil.ch Textos: Vários Autores Ilustrações: Vários Autores Revisão parcial de cada autor. Colaboradores: Marcelo Moraes Caetano Paula Barrozo Rui Martins Tereza Dalva Rödel Thiago Maerki
"Não tenho nenhuma religião instituída, mas tenho uma profunda visão religiosa, sagrada, da natureza, das pessoas, do outro."
Infidelidade é como apanhar o seu sócio roubando dinheiro do caixa. (Fernando Sabino)

Revisão Geral: Varal do Brasil Composição e diagramação: Jacqueline Aisenman

Maria Teresa Horta Lya Luft Ana Maria Magalhães João Guimarães Rosa Fernando Sabino Luís Fernando Veríssimo

A distribuição ecológica, por email, é gratuita. Se você deseja participar do Varal do Brasil no. 06, envie seus textos até 25 de OUTUBRO de 2010 para varaldobrasil@bluewin.ch

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A participação é gratuita. Participe!

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Nós escrevemos contos, crônicas e poemas. Somos escritores poetas. Poetas escritores. Somos brasileiros de muitos estados, somos latino-americanos, europeus, somos cidadãos do mundo levando a você a arte de viver e o viver da arte. Falamos de amor, de dores, paixões, amizade, medos, contamos coisas da vida. Trazemos nosso modo de pensar e opinamos sobre o que acontece. Os emigrantes, a literatura, a voz de um tenor, nossa história… tudo é assunto para que aqui no VARAL possamos abrir nosso coração e soltar nossa pena. Somos unidos na vontade de fazer crescer a arte. E, juntos, colorimos um mundo que, infelizmente, tantas vezes resta apenas cinza. A revista VARAL DO BRASIL chega a você no seu sexto número e conta atualmente com participantes escritores e com colaboradores, que escrevem artigos para a revista além de suas participações. Bem-vindos Marcelo Moraes Caetano, Rui Martins, Tereza Dalva, Thiago Maerkii! Bem-vindos a todos os participantes! Continuem escrevendo para nosso deleite! Boa leitura, amigos! A equipe do VARAL

Mes Chers Invités de cette édition !!!!
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Marcio Freitas

Dr. Francisco Gregori Junior
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Janete A. Gutierrez Thiago Arancan

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ALESSANDRA NEVES ALMA LUSITANA ANA ANAISSI ANA BACK

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ANTONIO VENDRAMINI CLAUDIO COSTA CRISTIANE STANCOVIK EURICO DE ANDRADE FABIO RAMOS DOS SANTOS FABRICIO COUTO MARTINS GILBERTO NOGUEIRA OLIVEIRA

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HUGO PONTES

ICLÉIA INÊS R. SCHWARZER IGOR MEDEIROS OLIVEIRA

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JACI SANTANA

JACQUELINE AISENMAN JOSÉ ALBERTO DE SOUZA JOSÉ VALDIR OLIVEIRA

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JU PETEK LARIEL FROTA

LUIZ CARLOS AMORIM LUIZ EDUARDO GUNTHER MARCELO DE OLIVEIRA SOUZA MARCELO MORAES CAETANO

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OSWALDO ANTÔNIO BAGIATO PAULA BARROZO e SEUS CONVIDADOS RAIMUNDO CANDIDO TEIXEIRA FILHO

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RENATA FARIAS RENATA IACOVINO

RODRIGO FERNANDES PEREIRA RUI MARTINS TEREZA RODEL THIAGO MAERKI TINO PORTES VALDEK ALMEIDA

VALQUÍRIA GESQUI MALAGOLI VARENKA DE FÁTIMA

VICTOR MANUEL GUZMÁN VILLENA

VÓ FIA

WALNÉLIA CORRÊA PEDERNEIRAS

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Por Alessandra Neves
Agora um silêncio morno se fez em meu coração Um torpor seco e aconchegante Uma esplendorosa escuridão Pálpebras Mais pálpebras pesadas caindo no sono eterno No rosto, uma tranqüilidade... Uma morbidez... Silêncio, completo silêncio Ele toma tudo e o todo Depois breves entoares e louvores E no rosto, O mesmo frescor A mesma tranquilidade A mesma morbidez Lágrimas Elas nunca faltam! Principalmente quando não se conhece o destino Cochichos ... era uma boa pessoa Não importa o que fizeram Mas, já notou que sempre eram bons? Com raiar do dia Curiosidade Sinal da santa cruz E o rosto tranqüilo continua ali Fresco Mórbido Agora até parecer sorrir!
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dizem Lamúrias Prantos E mesmo quando trancado Segundos antes do torpor, O rosto ainda continua maciamente petrificado Gélido Mórbido Parecendo sorrir Passam-se longos minutos Arrastam-se horas Contam-se sete dias Um mês Anos Resta a memória A saudade...

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Alessandra Pacheco das Neves, nascida em 29 de abril de 1982 na cidade de Tubarão, Santa Catarina, é estudante do curso de letras na Universidade do Sul de Santa Catarina. Escreve desde os 9 anos de idade e somente agora foi incentivada por sua amiga Nelci Cristiane Stancovik, a dividir, inclusive com ela, seus escritos. Alessandra também participa de uma instituição de Bioenergia de onde tira inspiração.

No próximo número a revista VARAL DO BRASIL estará completando seu primeiro ano de existência.

Foto de Jacqueline Aisenman

Envie seus textos, faça parte da edição de aniversário do VARAL!

Sua presença é o nosso presente! Venha!

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SEM ABRIGO

Quem era O que sou De onde venho Para onde vou.

Perdido no tempo Sozinho, esquecido A alma doente Sou um sem-abrigo.

Não tenho nada Durmo no chão Vivo com mágoa Na escuridão.

Sinto tristeza Não tenho saída Vivo na pobreza Que raio de vida.

Perdi a vergonha De assim viver Não tendo escolha Assim vou morrer.

Foi pela sorte Abandonado Aguardo a morte Estou cansado
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Por Alma Lusitana

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Alma Lusitana, pseudônimo de Joaquim Fernando Cardoso de Almeida, nascido a 13 de Julho de 1969 em Cucujães, concelho de Oliveira de Azeméis. Poeta amador, atualmente residente em São João da Madeira, iniciou o seu interesse e paixão pela poesia no ano de 1998, continuando desde então, a escrever e a promover a divulgação dos seus trabalhos, não só com o intuito de aumentar a sua obra literária, mas também contribuir para o enriquecimento e valorização da poesia em Portugal. E-mail: j_cardosoalmeida@hotmail.com Sítio: www.almalusitana.net

7o CONCURSO ROGÉRIO SALGADO DE POESIA
Devido ao sucesso obtido com as edições anteriores, a Promotora Cultural Virgilene Araújo institui o 7o Concurso Rogério Salgado de Poesia, com o objetivo de incentivar a cultura, a poesia e a leitura de modo geral, além de homenagear este poeta que comemora este ano, 35 anos de poesia. Poderão participar poetas de todos os estados do país. Cada autor poderá inscrever até três poemas, que deverão estar digitados ou datilografados, de no máximo uma lauda (30 linhas, incluindo espaços de uma linha para outra), e enviados em 03 vias cada um. Os poemas não poderão ter identificação de sua autoria, sendo que no rodapé da página deverá constar apenas o pseudônimo do autor. Anexar à parte, envelope lacrado contendo em seu interior o nome, endereço e telefone e e-mail para contato (se tiver). Por fora do envelope, constar o(s) título(s) do(s) poema(s) e pseudônimo do autor. No ato da inscrição será cobrada uma taxa de R$ 5,00 (cinco reais) para despesas de manutenção do concurso, enviada em forma de cheque nominal a Virgilene Ferreira de Araújo. Caso ache mais prático enviar o valor em espécie, será enviado recibo para o poeta inscrito. As inscrições deverão ser enviadas para a Caixa Postal 836 – Belo Horizonte/MG – Cep: 30.161-970, até o dia 30 de novembro de 2010, fazendo valer a data da postagem. Serão selecionados por um júri composto de dois poetas, convidados pela organização do concurso, além do poeta homenageado, três primeiros lugares, que receberão, além de certificados, um pacote literário composto de excelentes livros e Cds, como incentivo a uma maior incidência de leitura. Caso os jurados achem necessário, serão conferidas menções honrosas. Maiores informações pelo telefone: (31) 3464.8213, 8421.6827 e 8416.8175. Obs: as inscrições enviadas que não obedecerem o regulamento, serão automaticamente desclassificadas.

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Por Ana Anaissi
-Estômago, você viu, Esse troço que caiu? -Baço, eu até senti medo Quando Vicente engoliu. -Garganta você aí em cima, Que que é esse troço estranho? -Só sei que é verde abacate, Mas eu notei foi o tamanho; Quase me deixa entalada, Eu passei o maior sufoco... A sorte foi que jogou Um gole de água de coco. -Olhos, só mesmo vocês Vão poder nos ajudar; Que porcaria é essa aí Que está vindo devagar? -Na verdade não sabemos, Vicente está viajando, Tá vendo comida nova E ica experimentando. Se vocês vissem essa mesa, Esperariam o pior; Esse verdão foi a entrada, Dos males vai ser o menor Não sei que país é esse Mas formei minha opinião; É dessa mesa que saem Alguns ilmes de iccão. Spilberg já veio aqui, Não sei se provou a comida Mas sei que fotografou Pra depois ser exibida. Só pra vocês terem idéia Dessa mesa de salgados, Imaginem como estamos Totalmente arregalados! Tem uma coisa assim, redonda, Que é repartida no meio, Que já vimos, de pertinho, Tem um bicho de recheio! Não queremos nem olhar Mas vicente está teimando, O doido está tão curioso Que vai terminar provando. Tá fazendo a gente olhar Para um creme engordurado Que se come sobre um troço Que está vivo e congelado.

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-Ai, socorro, mas que nojo! -Meu Deus, o que foi agora? -Aqui no canto da mesa; -Então não deixem ele olhar! Virgem Minha Nossa Senhora! -Minha gente, aí vai mais, -Mas ele controla a gente! Pois ele viu um canapé. -Pensem em alguma manobra, O gosto ainda não sabemos -Mas nós não podemos ver! Olhem uma coisa atraente! -Mas o cheiro é de chulé. Fala pra gente o que é. -Meus amigos, se preparem, Ou que seja mais normal, Nós vamos ter que ter fé! -Nariz, faça alguma coisa! Que se conheça a matéria, -Desde quando que eu Nós não temos anticorpos comando? Dá pra fazer brincadeira; Contra essas novas bactérias! E é tarde demais, já entrou... O que é o que é que é bem Peraí que eu tô coçando... rosa, Só esse verdão que tá vindo Tem perninhas, tem três olhos, Vai gastar nossas defesas. Dois ferrões e uma ventosa? Atchim! Vixe, o canapé, Olhos, nos façam um favor, Não entrou todo, mas que Não olhem mais pra essa sorte, -É claro que não sabemos! mesa! Metade saiu voando, Diz logo que trem é esse! Menor o risco de morte. -Só que eu também nunca vi Não tem uma moça bonita? Nadinha que parecesse. Ou, quem sabe, alguém -Gostamos desse negócio, famoso... Espirrar pra defender! -E pretende comer isso? Por favor, saiam de perto -E ele vai cheirar de novo Não tem medo de morrer? Desse banquete asqueroso! Se cismou que quer comer? Se ele morre a gente morre, Ô pernas, vamos correr! -Mas não é mais fácil vocês? -Gente, um pouco de silêncio Reajam a esse verdão! Porque o canapé que entrou -Também queremos correr Deem uma embrulhada no Merece acompanhamento Mas não tem alternativa, estômago, Pelo gosto que deixou. Vicente está no comando... Pum, azia, indigestão... -Então estamos à deriva! -Caramba, segura aí! -Não vai dar tempo pra isso, Que gosto ardido, socorro! -Mas por que é que Deus dá O verdão vai demorar, Esôfago, te prepara, um corpo A barriga está vazia
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É meio contraditório, Mas só que é a pura verdade, Se juntar com esse verdão, Vai virar calamidade...

E a gente tem que esperar...

Pra esse homem irresponsável? Nos deixa à mercê de um cara Com esse gosto lamentável!

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Vai fazer mal pra cachorro! Ave Maria, que azia! E vai explodir no inal! Estômago e intestinos, Isso não vai ser legal... E isso que entrou metade, Que o espirro foi salvador. Se o canapé entra inteiro, Só com ressuscitador! O troço não entrou inteiro Mas se encontrou com o verdão, Bateu e deu uma empurrada, Tão vindo pra digestão. -Vicente deu uma parada, Tá esperando o resultado. Que tal se vocês reagissem Pra ele icar assustado? Dá, barriga, uma pontada Que é seguida de suor, Aí vocês, intestinos, Ameaçam com o pior. -Tá certo, vamos tentar, Vou dar aquela roncada E os intestinos completam Dando aquela antecipada. -Ele já deu uma chegada

Mais pra perto do banheiro, Tá preparado pra entrar Mas tá esperando primeiro. Dá outro ronco e outra mexida, Joga a coisa pro intestino, Simulem um problema grave, Tanto faz o grosso ou o ino. -Tá surtindo algum efeito, Ele entrou, fechou a porta, Mas não tá ligando muito Pro cheiro de coisa morta. -Nosso esforço foi inútil, Quase não deu resultado, Ele pôs a culpa toda No almoço reforçado. -Mas isso foi meio-dia! -Mas ele quer se iludir! Tá se sentindo mais leve E acaba de se vestir. Agora estamos saindo, Já pegou uma bebida, Não tem uma cor muito boa, Parece até que é tingida. -Olhos, distraiam esse homem, Dependemos de vocês. Não tem nada chamativo?

-Só se forem esses glacês! Alguém veio conversar... -Ótimo, uma distração! -Parece que é o embaixador. -Ih, não sei se isso é bom não... Sabe como é embaixador; “-Prova aqui essa iguaria, Ela é típica do país...” -E aí toma porcaria! -Boca, pra quê foi falar? Sabe que acaba atraindo... Vocês não fazem nem idéia Onde Vicente está indo! Se ele tinha algum escrúpulo, Agora ele vai perder; Pra agradar o embaixador Vai comer o que aparecer! Chegamos nas sobremesas! Meus caros, é um caso sério... O doce mais normalzinho Parece envolto em mistério. -E agora, o que nós faremos? -Sofreremos muitos danos! -Tô me sentindo na guerra Comendo doces troianos!

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Com esses dois brigando tanto, A gente se desconcentra, Perde o controle das coisas -Não deixa passar garganta! E não acompanha o que entra. -Mas, e aí? Fico entalada? Vomitaremos em jatos, Mato o homem mais depressa! Simulando uma virose! -Então dá uma segurada! -Perdem o controle das coisas? E controlaram algum dia? -Melhor icarmos no enjôo Barriga, ilha, não sonha, Sem exagerar a dose. Precisamos de um tempinho Onde é que você vivia? Que a dupla ainda vai chegar -Então dá pra ser agora? O canapé icou verde Está pertinho de um troço, E acaba de despontar! Nós nunca tivemos voz! Eu queria descrevê-lo, Vicente come o que quer. Sinceramente, não posso... E eu tô sendo generoso, Mas consigo ver daqui Ele come o que puder! Que eles dois não combinaram -É só um olho que está vendo? Estão disputando espaço -O da direita fechou, E já até se engal inharam. O homem não tem limites É mais sensível que eu, Quer “aproveitar a vida”. Coitado, não suportou... E ele acha que aproveita Laringe, esôfago, lutem! Se a barriga tá entupida! Não deixem o troço descer. -Por que não fecha também? A guerra aqui está tremenda -Não acho uma boa idéia, Vamos ter que interceder. -Deixa de ilosofar, Alguém tem que descrever Tira o canapé daqui, Por exemplo, essa geléia... Fígado vem dar uma força Alguém carrega o verdão Que a geléia vem aí. Você tá muito parado! A base é de um verde oliva Tá correndo um sério risco, Com uma película preta Nem parece interessado. -Barriga, está tudo limpo. E dentro tem um troço -Esôfago, manda brasa, grande, Seria o caos espelhado, Pega aqui esse canapé Parece uma borboleta. Se essa gosma não atrasa! Pra separar do verdão, Tá pra chegar uma coisa Que exige concentração. Já vamos saber o gosto, Vicente passou num pão... Que vão chegar na barriga Liberando seus guerreiros! -Faremos um contra-ataque Enviando uns mensageiros! Agora engoliu a bomba, Mais uma pra coleção!
Continua na página 45
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O SACI-PERERÊ, O TONELLA, E O TUNEL DO TEMPO
Por Amtonio Vendramini Neto A tarde estava fria, nuvens cinzentas e carregadas pairavam no ar, trazendo rapidamente sobre a minha moradia, uma garoa intermitente, aumentando o clima frio que perdurava por vários dias, molhando suavemente a triste vegetação que ornamentava as calçadas das ruas, por falta do precioso liquido, que deu origem a vida em nosso planeta. Olhei pela vidraça e enxerguei a rua deserta, nenhuma porta aberta, as janelas das casas vizinhas, completamente fechadas, indicando que as pessoas permaneciam reclusas, naquela manhã de domingo. Não saí para comprar o tradicional jornal, apanhei o da semana anterior e comecei a esmiuçar as noticias que ainda não tinha focado, para um melhor reparo. Passei pela folha do obituário e li o nome de uma pessoa conhecida, um homem que contou para uma platéia em que me encontrava, uma lenda muito bonita, sobre o pássaro Uirapuru, onde é considerado um amuleto, destinado a proporcionar a felicidade nos negócios e no amor. Com aquele pensamento, coloquei uma carga de lenha na lareira, acendi o fogo e sentei-me no sofá da sala de estar. Fiquei vendo as labaredas, que soltava estalos emocionantes, despertando a imaginação sobre as lendas, transformando o ambiente convidativo, próprio daquele dia frio, lembrando os mitos das florestas, que meu avô Tonella também contava para a meninada. Um pequeno rolo de fumaça, por algum defeito no respiro, começou a se concentrar no alto da viga mestre, hipnotizando o local e desenhando uma espécie de um arco em terceira dimensão. Comecei a ver lá de dentro, um vulto que foi ganhando corpo, era uma espécie de figura humana. Para o meu espanto, percebi que era o querido Tonella, veio das entranhas do mundo, carregando seus inseparáveis apetrechos, para fazer aquele cigarro de palha, que muitas pessoas chamam de “picadão”, enquanto narrava às histórias.
Desenho de Maurício Pereira, SP, desenhista. http://mauriciopereira.blogspot.com/

Saltou daquele arco, fincou os pés na sala, e foi acomodar-se na velha cadeira de balanço, onde nós, meninos na época, sentávamos no tapete e ficávamos ali compenetrados, ouvindo as suas belas historias. Tinha dia que um primo aqui outro acolá, não ia embora, com medo dos personagens das historias, ficavam lá em casa, no quarto que eu e meu avô dormíamos.
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Com a mente em transe, e com a presença de sua figura virtual muito pertinho, lembrei do dia que contou uma historia, envolvendo uma lenda do folclore brasileiro, tendo como personagem o famoso Saci-Pererê. Aprumou-se na cadeira e com suaves balanços, apanhou o saquinho de fumo que trazia preso a cintura, tirou uma porção, enrolou em uma palha de milho seca, acendeu o “maldito” que o matou de asma, e soltava enormes baforadas que entravam em nossos olhos e cabelos. Começou a narrativa: - Olha molecada, eu vou contar, mas não quero ninguém com medo e mijando nas calças. - Não avô, pode contar que não temos medo, já somos moleques grandes. Ele começou a enfeitar bastante, até que no momento o som produzido por outro estalo da lenha na lareira, ensejou a oportunidade de outro alguém sair daquele arco enfumaçado; foi à figura do Saci, veio pulando com uma só perna e foi sentar no colo do Tonella. - Tonella disse: - Seu moleque do inferno, de onde você saiu? - “Vosmicê falô di eu, entâ vim qui, pra mór doce num fala mintira”. Então, Tonella sabendo que o moleque falava muito palavrão, pediu só para ficar ouvindo. - Ô Saci! Falou Tonella, você anda assustando os cavaleiros aqui da comarca, que viajam à noite? - “““ Quá nada, véio lazarento, gosto mermo é de ficá oiando eles perdê o rumo, pra eu sortá mia gargaiada”, agora mi dá um fumo aqui pru mio cachimbo, pra sortá fumaça iguá o sinhô” - Não, já tem muita fumaça aqui, me dê aqui o seu cachimbo, se quiser pode abrandar o fogo da lareira

- “U qui é isso, um fazedô di churrasco?” E olhando para o fogo, soltou uma cusparada, meio de longe, igual aquelas cagadas de pato. Tonella já meio sem paciência deu um puxão de orelha no neguinho, tirou seu capuz vermelho, amarrou suas mãos e mandou ficar no canto da sala, olhando o fogo. - Então meus meninos, disse Tonella, eu vou contar mais coisas desse moleque: - Ele adora fazer travessuras, como esconder brinquedos, soltar animais nos currais, derramar sal nas cozinhas, fazer tranças nas crinas dos cavalos. Não atravessa córregos e nem riachos. Tem poderes mágicos como o de aparecer e desaparecer onde quiser.

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-Transforma também numa ave chamada “matitaperê”, ou “sem-fim”, como é conhecido no Nordeste, cujo canto melancólico, ecoa em todas as direções, não permitindo a localização. Se estiver ainda, dentro de um redemoinho, num rosário de mato bento ou uma peneira, pode ser capturado, e caso consiga pegar sua carapuça, pode realizar um desejo. Se alguém for perseguido por ele, deve jogar em seu caminho, cordas ou barbantes com nós, para que ele os desate, o que da tempo da pessoa fugir. - E para terminar, digo que essa lenda é do século Dezoito, e durante a escravidão, as amas-secas e os caboclos assustavam as crianças com as travessuras desse moleque. Seu nome é de origem Tupi-Guarani. É considerado um brincalhão, enquanto que em outros lugares é visto como uma pessoa má. Com o final do relato do velho Tonella, olhei para aquele arco que ainda estava envolto por uma fumaça, e enxerguei o meu pai Vico, chamar de lá dentro o meu avô, que o pegou pelo braço e foram embora pelo túnel do tempo. O Saci correu e passou na frente dos dois, para pegar o cachimbo que tinha ficado no bolso do Tonella, e sumiu der repente. Nesse momento, escutei a campainha tocar dentro de casa, olhei pela janela e notei que meu filho Alexandre e seu filho, o meu netinho Augusto, vinham até a mim, brincar de pai, filho e neto, no tapete da sala. Olhei na lateral da parede e percebi que a cadeira agonizava em um vai-vem, deixado por Tonella. Tomei o assento rapidamente e comecei a narrar uma história, esperando que ainda eu possa viver mais algum tempo, para continuar balançando a velha cadeira e contar historias, e não tenha que vir do passado, falar das coisas presentes, que ainda posso contar.

Antonio Vendramini Neto é aposentado, tem dois filhos e dois netos. Nasceu em Jaú e reside em Jundiaí, ambas em São Paulo. Trabalhou intensamente nas áreas de Recursos Humanos e Gestão da Qualidade (Normas ISO 9001), como Auditor para a Certificação do Sistema. Começou a escrever de forma despretensiosa, não tem formação literária, é um autodidata, que escreve com emoção. Procura colocar nos textos, temas variados, descrevendo situações do cotidiano e experiências vividas de inúmeras viagens realizadas. Recebeu do portal literário www.cantodoescritor.com.br, o reconhecimento como Escritor destaque do ano (2009), pelos trabalhos publicados, do Grupo Arte em Ação, evento Praça Viva, certificado de participação, e do portal www.favascontadas.com.br, o agradecimento por ter sido o Escritor a publicar o milésimo post. Participou da Antologia Literária Cidade – Volume V.
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OCASO

Por Lelo Néspoli

“Você está aqui” – Carl Sagan

Na Praça do Pôr do Sol, o homem e o seu cão observavam fixamente o horizonte. Quando foram notados pela primeira vez, eles causaram certa estranheza pelo jeito curioso como se postavam na praça. Ninguém os via chegando nem deixando o local. Porém essa imagem de estranhamento que os frequentadores tinham dos dois foi esmaecendo até passar despercebida. Com o tempo, parecia que homem e cão faziam parte do cenário junto aos bancos, arbustos e pinheiros. O cachorro não era de raça, mas também não se podia dizer que era um vira-latas; era astuto e tinha certa aparência que lembrava os coiotes. Porte médio, sua pelagem era lisa e acinzentada, nele se destacando as orelhas, as patas e o focinho que eram negros. Postado ao lado direito do homem, com a cabeça entre as patas mantinha os olhos bem abertos, quieto, sempre olhando para onde o homem olhava.

O que os frequentadores da praça mal sabiam eram as reflexões de que se ocupava o homem.
O homem tinha cabelos grisalhos, os olhos fundos, castanhos e circunspectos, encravados na face vincada. Suas rugas eram como linhas de tempo, todas remetendo a algum lugar do seu passado. O que os frequentadores da praça mal sabiam eram as reflexões de que se ocupava o homem. Uma dizia respeito à dualidade entre a circularidade e a linearidade do tempo. Porque – pensava -, se por um lado existiam inúmeros fatos e fenômenos que se repetiam – afinal, não estava o Sol a se pôr sempre ao final de todo dia? -, por outro, se contrapunha um tempo que atuava como uma seta encaminhando tudo em uma só direção até o ponto de não retorno, irreversível. A segunda dizia respeito ao tempo cosmológico e biológico. O tempo cosmológico, resultado da evolução cósmica iniciada a bilhões de anos, é infinito. As estrelas morrem, outras nascem e o universo se renova constantemente. Nesse turbilhão, nosso destino foi habitar um planeta que é um grão de areia na imensidão do Universo. A existência da vida terrestre também seria fruto da aleatoriedade e da evolução, mas finita, dependente de hipóteses diversas, como por exemplo, enquanto durasse o combustível solar. Buscar outros planetas onde a vida seria aprazível conspirava contra o tempo da existência humana. Assim - pensava o homem - não há ponto de fuga, somos eternos prisioneiros em nosso pálido ponto azul.
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Todo fim de tarde, via-se o homem imerso em suas reflexões ser seguido pelo cão. Nesse período observavam um ponto brilhante que parecia ir sendo puxado pelo Sol em seu mergulho no horizonte. Muitos na praça exaltavam - “Que bela estrela”! - se referindo ao planeta Vênus, a estrela vespertina, como os antigos o chamavam. Quando caia a noite, eclipsada pela poluição e pela intensa luminosidade da metrópole paulistana, a visão noturna não era mais a mesma. Mesmo assim, homem e cão não se importavam e ficavam esquadrinhando o firmamento apinhado de estrelas. Longe de conhecerem o passado do homem e do seu cachorro, aqueles que de início os observaram com visível interesse faziam especulações acerca daquele excêntrico personagem: “um astrônomo”, “um místico”, mas para muitos ele era apenas um “ser errante”. Que sentimentos poderiam provocar no homem essas opiniões tão contraditórias? E o que se podia dizer do seu fiel cão?

Talvez pressentissem e esperassem algo acontecer.
Alheios às diferentes opiniões, homem e cão seguiam acompanhando o ciclo das estações. A partir do outono a frequência à praça diminuía. Vênus já não era mais visto à tarde, aparecendo antes do nascer do Sol como ‘estrela d´alva’. Com o início da primavera a praça florescia e as pessoas iam retornando e tomando conta do lugar novamente. Num sábado já em pleno verão quem chegava à praça experimentava uma estranha sensação, como se algo estivesse fora do lugar. Tudo parecia estar como antes: os fotógrafos clicavam, os desenhistas preparavam seus esboços, alguns liam, enquanto outros simplesmente aproveitavam o dia ensolarado. Sem que pudessem explicar, nesse entardecer ninguém deixava a praça. Talvez pressentissem e esperassem algo acontecer. Quando o Sol desceu no horizonte e a noite foi chegando, ouviu-se um som agudo, longo e estridente. Instantaneamente, os olhares se voltaram para local de onde vinha aquele lamento e puderam observar o cão em pé sobre o banco, cabeça levantada, as orelhas eriçadas, uivando como um velho lobo e com os olhos bem abertos olhava para onde o homem sempre olhava. Somente então todos perceberam que o homem já não se encontrava mais ao lado do cão.

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Aurélio W. Néspoli, residente em São Paulo, Brasil, professor de Física, aposentado, e um aficionado pelas as artes e pela ciência. Escrevo contos sobre o cotidiano e sobre temas científicos, que são assinados com o nome Lelo Néspoli. O interesse por escrever contos nasceu do gosto pela leitura e também como uma tentativa de veicular temas científicos de um jeito agradável aos leitores. Influenciado pelas lembranças das fotos feitas na infância, tornei-me também um entusiasta da fotografia pinhole, que é o de fotografar cenas do cotidiano utilizando simplesmente latinhas. Essa retomada foi feita ao ministrar um curso sobre os princípios da fotografia a um grupo de professores das escolas do ensino fundamental. Assim como eu, milhares de pessoas no mundo praticam esse "modo de fotografar". Mantenho uma página que procura elucidar o que é arte fotográfica, um fotoblog com fotos das diversas regiões de São Paulo e transformei um blog em uma página onde procuro postar alguns dos principais contos: Site: http://www.aurelionespoli.com.br/page1001.aspx Fotoblog http://pinhole.nafoto.net/ Blog http://contos-causos.zip.net/

AMOR AO PRÓXIMO NÃO É ALGO QUE APENAS SE SINTA , MAS UM SENTIMENTO QUE SE DEMONSTRA E COMPARTILHA! AJUDE O HOSPITAL DE LAGUNA! http://www.hospitallaguna.com.br/
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DAS MERCÊS Uma para cada parte do corpo. Mais uma vez ela está atrasada. Eu tenho horário para trabalhar. Sou um cara compreensível, sei valorizar as pessoas, mas não MARIA os atrasos, e esta semana já é a terceira vez. Das Mercês é a minha empregada. Casada, dois Nasce o dia. Roupa, café, marido, filhos, casa, almoço, compras, tarefa, jantar. Marido chega. filhos, marido desempregado, dá um durão para nos fazer felizes. A desculpa de hoje é que o Com os olhos cansados, de penoir azul e íntimo branco, ela aprece na penumbra do quarto e diz: mais novo tava com febre. Ali mesmo na sala dei uma rapidinha. Antes de sair deixei o -Eis aqui, a serva do senhor... dinheiro para a farmácia e avisei: - Não se atrase amanhã. LILITH Depois do trabalho. Linda, ingênua, seduz e DOS PRAZERES brinca. Cavalga. Depois do transe e sem nada Assim ela era conhecida lá no bairro. O entender, o garanhão procura vestígios do vento movimento naquela casa, lá no fundo com um que o derrubou. Sobre a cama a conta paga. Ela grande jardim atiçava minha curiosidade. caminha… sarcástica pela rua. Mulher de ancas largas, seios fartos, mas com o olhar triste. Vivia assim, não dos prazeres próprios, mas dando prazeres aos outros. Ainda CALVÁRIO moleque, naquela terra de ninguém, fui à busca Todos os dias ele chegava bêbado. Todos os do prazer. Então, naquela noite, descolei uma dias eu apanhava. Depois vinha com chamego, grana. Ela me deu banho, fez janta, assistimos me chamando de minha negrinha. Acostumei e TV e depois me colocou para dormir. No outro nem chorava mais... Certa noite, a bêbada era dia estava prontinho para a escola . Ela me deu eu. Então, martelei aquele desgraçado. No um beijo na testa e com um lindo sorriso ficou velório, com muito estilo, chorava ao lado do me olhando, parada no portão. meu cunhado, aos pés da minha cruz.
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FÊNIX Fez três fogueiras.

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DA PIEDADE Trabalha, batalha De joelhos, sofrendo Piedade pede…

Quando pequeno, com os pés descalço e as mãos atreladas, saía de anjinho nas procissões. Hoje as procissões continuam passando. O anjo… o tempo se encarregou.

DO SOCORRO Com as sacolas nas mãos, ela caminha desengonçada para casa. Ao abrir o portão todos sorriem. ...chegou.

VIDA COMO ELA É. Após pedir uma garrafa de Blue Label e dois copos, ele acende os cigarros. Enquanto os gelos dançam embalados pelo anular, fantasia o encontro com um monólogo Rodriguiano.

DIVÃ Nua atende os pacientes. Em segundos, eles desabafam.

hECAtombe Parado em frente ao templo com o corpo surrado, com fome e sede, ele abre os braços e solta um sorriso jocoso, diante uma assembleia movida obliquamente pelo Espírito Santo.

KAFKAFÓBICO Gregor acorda sem pinto. Depois nascem as asas coloridas. Antes do pai o chamar...ele voa pela janela.

CAMINHÃO DE MUDANÇA Sob a lona o passado pesa. Arcado o carrega alçando o olhar

O MOÇO TECELÃO Primeiro aumentou o pênis. Depois teceu carros, dinheiro, casas e mulheres. Cansado de tudo isto, teceu mais cinco centímetros… AMORteceDOR Descobriu cedo os buracos da vida. Agora viaja sozinho REDENÇÃO -Meu marido morreu. O coitado sofreu tanto. -Mas, me diga amiga, como você está? -Atrasada, vou ao cabeleireiro.

DOLORES Não está sorrindo. Uma das feridas cicatrizou.

INDIOCÍDIO MEMÓRIAS
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A oca está ôca.

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José Cláudio Mota da Costa, 40 anos, Professor de Língua Portuguesa, Literatura e Filosofia. Mora em Guaratinguetá - São Paulo www.micro-pilulas.blogspot.com

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Por Rui Martins
Berna (Suiça) - Era junho 2006 e recebi um e-mail do Eliakim, que não conhecia, só de ter visto na tevê Manchete quando ia ao Brasil, me convidando para integrar o grupo de jornalistas do Direto da Redação. Até hoje não sei como lhe veio essa idéia, pois vivo numa espécie de periferia das grandes capitais européias e já fazia quatro anos que recebera meu bilhete azul da CBN, certamente, como disse o paraibano, escritor e colega, Carlos Aranha, por ter incomodado o pessoal com minhas provas de processo penal contra o então candidato a governador Paulo Maluf. Coincidentemente, minha entrada na CBN como correspondente tinha o título de Direto da Europa. Cria do Estadão da Major Quedinho, já não era mais seu correspondente, sabe-se lá porquê, mesmo se o jornal, na minha época, convivia com gente de esquerda e mesmo comunista, pois lá fui contemporâneo de Vladinir Herzog e Miguel Urbano Rodrigues e foi lá que Arrudão me levou à Fulgor, editora do PC, para publicar meu livro A Rebelião Romântica da Jovem Guarda, explicando sociologicamente o surgimento do ídolo Roberto Carlos, pelo vazio criado no Brasil gerado pela ditadura militar.

Foi com certa surpresa que, numa livraria de São Paulo, constatei não haver nenhum de meus textos, de 69/70, na antologia do Pasquim.
Sem CBN e Estadão, sentia que logo seria esquecido pelos ex-leitores e ouvintes. Nossa profissão é tão efêmera quanto os jornais, que envelhecem em um dia, e quanto os boletins de rádio, lançados ao vento. De minha passagem pelo Pasquim, logo no começo de meu exílio, nada restou. Foi com certa surpresa que, numa livraria de São Paulo, constatei não haver nenhum de meus textos, de 69/70, na antologia do Pasquim. Despedido do Estadão, em 68, depois de ter organizado o Encontro com a Liberdade, com antigos companheiros como Narciso Kalili, David de Moraes, Ivan de Barros Bela, Audálio Dantas, no Teatro Paramount, em São Paulo, tinha ao meu lado na mesa, Mario Martins, pai do atual ministro Franklin (não somos parentes, descendemos todos de portugueses e galegos). Nada também restou da Última Hora – Rio, de Samuel Wainer, cuja sucursal dirigi, dois anos, na avenida São Luiz, ao lado da sucursal do JB. A UH-Rio, jornal popular de esquerda, que hoje nos faz tanta falta, morreu há décadas e, ironia do destino, seu vizinho em Sâo Paulo, também acaba de morrer.
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Ressuscitei para o Estadão, graças ao Luiz Fernando Emediato, em 86, numa viagem que fiz ao Brasil para ficar com meu pai, que pouco vira durante o exílio, já doente, e que morreu à minha frente. De Santos, onde estava, telefonei ao Emediato, e passei a escrever cartas de Genebra, para depois fazer parte da equipe do Caderno 2, cobrir festivais de cinema e de dança, falar de livros e fazer entrevistas. Com a saída do Evaldo Mocarzel, sucessor de Emediato, me foi encerrado esse capítulo. Como dizia, recebi o convite do colega Eliakim, quando só escrevia para o Expresso, depois de alguns anos no Público, ambos de Lisboa. E estava nas livrarias, com certo sucesso, o livro sobre segredo bancário suíço, as contas do Maluf e minha demissão da CBN – O Dinheiro Sujo da Corrupção, pela Geração Editorial, criada e dirigida pelo Emediato. Teria sido o livro, a causa do convite ? Não sei, nunca perguntei e nem vou perguntar ao Eliakim. Mas, minha entrada no Direto coincidiu com uma atividade benévola que iria se desenvolver e me levar a assumir uma bandeira antes nunca imaginada – a de dar visibilidade na mídia aos emigrantes, praticamente ignorados no Brasil. Minhas duas primeiras colunas, em junho e julho 2006, neste Direto da Redação foram sobre a injustiça criada pela reforma da Constituição de 88, num parágrafo aprovado pela Constituinte em 1994 – tinham retirado a nacionalidade brasileira nata dos filhos dos brasileiros nascidos no Exterior. Com isso, cerca de 300 mil crianças filhas de brasileiros se tornariam apátridas em 2012 (cerca 18 a 20 mil por ano) em países como Alemanha, Suíça e Japão, enquanto as nascidas nos EUA perderiam os laços com o Brasil pois seriam só americanas. Da denúncia na mídia, a campanha pelos brasileirinhos apátridas virou movimento social de cidadania com lideranças em diversos países de emigração e graças ao ex-senador cearense, Lúcio Alcântara, ao ex-deputado Carlito Merss, hoje prefeito de Joinvile, e Rita Camata, ex-deputada e provável futura senadora, surgiu a proposta de emenda constitucional 272/00, vitoriosa e hoje Emenda 54/07, que restituiu à nacionalidade brasileira aos filhos dos nosso emigrantes. O Direto teve ação de ponta-de-lança nessa fase final da campanha, da qual participaram colegas jornalistas de tendências diversas e de diversos órgãos de imprensa, porque a causa era consensual. De um lado Cláudio Humberto assustava o MRE em suas colunas, por sua vez Caros Amigos denunciava a falha que iria favorecer advogados e despachants. E a vitória dos brasileirinhos acabou por nos levar a outra trincheira – em favor dos pais dos brasileirinhos. Foi o surgimento do projeto pelo que poderia ser um Estado dos Emigrantes, pois 4 milhões de emigrantes brasileiros dispersos pelo mundo, já constituíam um verdadeiro Estado. Seria preciso, porém, parlamentares emigrantes em Brasília, possibilidade que nos deu o senador Cristovam Buarque, com sua proposta de emenda constitucional criando deputados emigrantes.

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O projeto, hoje amadurecido com o formato de uma Secretaria de Estado da Emigração ou dentro de um super-Ministério das Migrações, incluindo migração, imigração e emigração, não é consensual como foi a causa dos Brasileirinhos. Houve um primeiro choque quando se exigiu laicidade do parte do governo, na I Conferência de Emigrantes no Itamaraty, para se evitar o controle religioso sobre a emigração. A seguir, as associações e grupos formados em torno dos emigrantes, muitas das quais disso vivem, assim como doleiros, despachantes, advogados e recém-chegados em busca de prestígio, rejeitam um órgão institucional emigrante autônomo e independente do Itamaraty. Por sua vez, o MRE, criou uma alternativa híbrida para o órgão institucional e não abre mão da tutela sobre os emigrantes, frustrando os que esperavam, nesse setor do governo Lula, o advento de alguma coisa concreta, como as Secretarias da Mulher, da Igualdade Racial, dos Direitos Humanos. Em lugar de um Conselho de transição para um órgão institucional, surgiu um conselho consultivo, inútil mas com função de vitrina, destinado a dar assessoria ao Itamaraty em matéria de emigração, e uma Conferência anual de emigrantes, que, por vergonha de usar a palavra emigrantes, o Itamaraty chama pomposamente de Brasileiros no Mundo, destinada a coletar um rosário de reivindicações sem o compromisso de serem atendidas. Além de sua função de mídia livre, o Direto populariza, assim, para os brasileiros do continente, a questão emigrante, enquanto nem Comunique-se e nem o Observatório da Imprensa encontraram uma fórmula para divulgar o que vai pela mídia emigrante, engatinhando em alguns países mas viva e atuante nos EUA. Quando aceitei o convite de Eliakim, lá se vão quatro anos, longe estaria de imaginar que o Direto teria tanta influência na transformação do jornalista observador em militante pela causa da emigração. E isso vem a calhar, pois o Direto da Redação, editado em Miami, é também um emigrante. E a grande vantagem desta tribuna eletrônica é que me sinto livre o suficiente para denunciar, provocar e desferir socos diretos no queixo, sem compromisso religioso ou partidário.
Leia este e outros textos do jornalista em http://www.diretodaredacao.com/

RUI MARTINS Jornalista, criou o movimento Estado do Emigrante www.estadodoemigrante.org sequência do movimento de cidadania Brasileirinhos Apátridas, que devolveu a nacionalidade brasileira aos filhos de emigrantes. Ex-membro do conselho de emigrantes do MRE.

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Por Cristiane Stancovik

"Que saudades que tenho da aurora da minha vida, da minha infância querida que os anos não trazem mais!" Que saudades da minha infância, daqueles tempos em que a preocupação era programar ou inventar uma brincadeira para o dia seguinte, e a responsabilidade... Que responsabilidade? Nem sabia direito o que isto significava! Talvez o medo de a mãe brigar porque chegava tarde em casa, quem sabe?! Mesmo assim chegava tarde! O bom mesmo era jogar taco na rua até as dezoito horas no verão, porque o sol ainda não tinha ido dormir. E os medos? Ai meu Deus, que medo daquele mostro que morava embaixo da cama e da lenda da mula sem cabeça. Tinha medo até da "Maricota", aquela boneca grandona que girava sem parar. A turma reunida significava brincadeiras até o sol ficar com sono. Sempre tinha um mais levado e quando a gente se juntava, não tinha para mais ninguém, era arte na certa. Bem, eu posso dizer que sou uma artista desde criança, amava a arte, pois fazia muitas! Tocava a campainha do padre e corria, subia nas goiabeiras, laranjeiras, tudo que estivesse bem no alto, estava valendo! E assim iam surgindo as nossas brincadeiras. Toda semana eu mudava de profissão e quando eu queria ser cabeleireira, cortava os cabelos das bonecas, quando não cortava o meu e ficava com a franja bem curtinha parecendo uma índia! Amava o chocolate Lolo, bala Banda, bala Soft, Mini Chiclets, Moranguete, bala quebra-queixo, entre outos que hoje dificilmente encontro para comprar.
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E por falar em guloseimas, cozinhar era a minha especialidade, um pouco de sabão em pó com água, folhas de pitangueira, areia e outros ingredientes que ali por perto encontrava e como num passe de mágica, bum, estava pronto o bolo mais delicioso do planeta! É, mas também tinha hora de estudar e irmos para a escola e sem os cabelos presos por laços enormes era quase impossível. Eram duas xuquinhas nas laterais, como a apresentadora do show da Xuxa. Os desenhos favoritos eram She-Ra, Caverna do Dragão, Thundercats, He-Man, a Liga da Justiça, Smurfs... Mas também sempre havia tempo para assistir MacGyver, os Trapalhões, TV Pirata, Armação Ilimitada, A Gata e o Rato, Jiraya, Chaves, Alf e escutar músicas do Trem da Alegria e Xuxa, era quase lei entre mim e meus amigos. As brincadeiras sempre corriam bem, quando todo mundo estava de bem, e de vez em quando alguém mostrava a língua e falava, belém belém belém, nunca mais estou de bem até o ano que vem. E como "este ano" passava rápido, às vezes era questão de alguns minutos somente e aí então voltávamos a brincar de cabaninha, mamãe e filhinha, escritório, taco, passa anel, elástico, vôlei, amarelinha, pogoball, pirocóptero, nos pendurávamos nos cipós das árvores brincando de Tarzan e até shows fazíamos... É verdade! O ensaio era o dia todo para apresentarmos no final da tarde, quando dava tempo! E se não desse tempo, deixava tudo combinado para o dia seguinte. Que dia era mesmo? Nem sei, até perdia a noção das horas, dia, mês e ano... Como o tempo não volta mais, e eu sei que dias, meses e anos se passaram, hoje faço de conta que cuido das crianças, entro na brincadeira delas para disfarçar, pois na verdade... A verdade é que brinco de verdade e sou personagem principal do faz de conta nas brincadeiras, e fazendo de conta, percebo que ainda não deixei de ser criança!

Nelci Cristiane Stancovik nasceu em Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul no ano de 1980, mas vive em Capivari de Baixo, Santa Catarina desde os dois anos de idade. É filha de Nelson Stancovik (artista circense) e Clair Salete Pandolfi (descendente de imigrantes italianos). Estudante de letras na Universidade do Sul de Santa Catarina, lugar o qual foi incentivada por sua professora de literatura "Jussara Bittencout de Sá" (escritora) a escrever e inscrever-se para um concurso nacional literário no ano de 2008, conquistando o primeiro lugar na categoria crônica.

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Por Eurico de Andrade
Gapito vivia no sertão de Tabuí. Roceiro mesmo. Escola passou longe dele. Mal conseguia juntar as letrinhas para formar algumas palavras. Trabalhador e teimoso com carestia da vida. Para quem perguntava se era da roça, vinha logo a resposta: - "Sô não, a roça é que é minha!" ou - "moro na roça não, moro ritirado dela umas vinte braça!". E Gapito ia teimando, zunhando daqui e zunhando dali. Mãos calejadas, pele escurecida pelo sol, pés grossos e rachados facilitando a entrada de bicho de pé. Gapito adorava a coceirinha provocada pelo intrometido e deixava-o lá no pé se enchendo e coçando, e coçando... Mas um dia Gapito desanima. Dava mais conta de viver da roça não. Era sofrimento demais trabalhar de sol a sol para ganhar uns minguados trocados enquanto lá no Tabuí os poucos que trabalhavam o faziam na sombra e sem muito esforço. Juntou a muquiça que tinha, a mulher, os três filhos, uns porquinhos magros e umas galinhas cambetas, uma cabra pra dar leite pros moleques, um cavalinho manqüeba, um punhado de milho, um saco de arroz, meio de feijão, uma dúzia de rapaduras e um litro de pinga. E se mandou pra Tabuí.

A lingüiça do Gapito ficou famosa em Tabuí
E não é que a vida ficou mais apertada? Negócio foi vender as galinhas. Escreveu uma plaquinha que pregou na porta do seu barraco: "VENDEM-SE GALINHAS". Povo entendeu o aviso. As galinhas foram todas passadas nos cobres. No aperto seguinte foi a vez dos porcos: "VENDO LINGISSA". A lingüiça do Gapito ficou famosa em Tabuí e foi através dela que ele começou a se tornar popular na cidade, ainda mais porque tinha a conversa solta. Falava mais do que o homem da cobra. Mas os porquinhos foram acabando e, logicamente, começou a faltar matéria-prima para fazer as suas famosas "lingissas". Negócio foi vender a cabra, juntar mais uns trocados e comprar uma charrete velha. Gapito era homem jeitoso. Logo logo arrumou a charrete que ficou como nova. Atrás dela escreveu: "CAROSSA DE ALUGEL". Daí pra frente não tinha quem não conhecesse o Gapito na cidade. Serviço pra sua "carossa de alugel" não faltava e ele sempre defendia um dinheirinho no final de cada dia. Todo mundo via o esforço dele e ele, embora pobre, passou a ser bem visto até pelos menos pobres. Ninguém olhava pra ele com o ar desconfiado e superioso mais não. Mas o nosso herói logo descobriu que o negócio de aluguel de carroça não era lá essas coisas não. Dia dava, dia não dava. E resolveu juntar a esse negócio um outro. Montou barbearia. Comprou tesoura, cadeira, um espelhinho e uma navalha e foi aprender na cabeça alheia cobrando barato. Mas o nosso herói logo descobriu que o negócio de aluguel de carroça não era lá essas coisas não. Dia dava, dia não dava. E resolveu juntar a esse negócio um outro. Montou barbearia.
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Comprou tesoura, cadeira, um espelhinho e uma navalha e foi aprender na cabeça alheia cobrando barato. Pregado na parede da sua sala que funcionava como barbearia, uma frase toda colorida e enfeitada que ele encontrou num almanaque de capivarol: "Cana na roça dá pinga e pinga na cidade dá cana!" Isso era sempre um lembrete para ele e pra freguesia nunca exagerarem na hora de tirar a poeira da goela. Um dia Gapito resolveu que ia melhorar mais ainda de vida. Já que era tão conhecido na cidade, tão popular, porque não tentar outra coisa? Decidiu ser vereador. Conversou uns amigos, uns conhecidos, aconselhou-se com padre Anacleto, pediu apoio do prefeito, fez uns discursos caprichados nalguns botecos, dobrou a língua fazendo outros nuns comícios e virou vereador. Um dos mais votados da cidade. Gapito tava cada vez mais vivo. Todo mundo gostava de conversar com ele, até para ouvir as pataquadas que falava e que ele, como vereador, nem se preocupava em corrigir. Falava como sempre falou na roça, sem nenhum ligamento para as regras da gramática. Gapito descobriu que, estando na política, podia até largar um pouco sua "carossa de alugel" e sua barbearia. Ganhava o salariozinho de vereador e já tava bom demais. Melhorou mais ainda quando foi escolhido pela edilidade o presidente da Câmara Municipal. Era o máximo. Vendeu sua "carossa" e os "trens" da barbearia e deixou o poder subir à cabeça. Começou a descobrir maneiras de fazer tramóias e sempre entrava um dinheirinho a mais no bolso por meios reversos. Empregou na prefeitura a mulher, uns parentes e uns cabos eleitorais. Ele e o prefeito passaram a ser unha e carne. Deu um jeito de comprar, através da Câmara, um carro novinho, novinho e mandou fazer placa especial de cor preta: "PODER LESGISLATIVO MUNICIPAL PRESIDENTE - Nº 1". E povinho de Tabuí, bom pagador de impostos, começou a falar mal de Gapito. Colegas edis também. E ele, como vingança, passou a deixar de fazer as reuniões semanais dos vereadores.

- Bobage, gente! Quarqué coisa eu resorvo! Riunião é perda de tempo! É mais mió a gente vê novela! Apareceu um cabo eleitoral lá da roça. Queria emprego para a filha. Moça prendada, bonitinha, educada, mas muito vergonhosa. - Dexa cumigo que eu resorvo. Pode ir embora, mas dexa a moça aqui. Gapito levou a moça para casa. Passou a dar-lhe do bom e do melhor e a andar pra baixo e pra cima com ela no seu carrão novinho. Povinho passou a desconfiar daquela história. Todo mundo de butuca, esperando os acontecimentos. Mulher do Gapito não tirava a pulga de trás da orelha, mas não dava nenhum palpite. Só que passou a refugar o seu homem na cama. E o negócio passou a pegar mal mesmo foi quando ele quis empregar a moça no seu gabinete. - Mas, nobre vereador, todo mundo tá falano mal, dizeno que tem treta aí, a moça não sabe fazê serviço de escritório...
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- Antão tá bão! Bota ela como professora na escola da prefeitura! - Mas, nobre vereador, a moça num sabe lê e nem escrevê! Cumé que faiz? - Tá bão! Tá bão! Intão... Faz seguinte: aposenta a moça, dexa ela por minha conta e aí a gente resorve de um vez dois pobrema! Foi por essa época que aconteceu outro fato curioso na vida do Gapito. Ele, depois de tanto ganhar um dinheirinho extra, resolveu melhorar sua casa. Virou um luxo a casa do homem. Na hora de pagar a conta, o seu secretário da Câmara foi fazer o cheque, já que Gapito não era muito chegado em escrever nesses documentos e em nenhum outro. Sessenta mil. - Nobre vereador, sessenta é com esse ou com cê cedilha? - E eu sei? Faz seguinte, pra num cumpricá as coisa, faz dois de trinta e tamo resorvido! Nessa época também ele resolveu comprar um touro para dar de presente prum seu compadre fazendeiro. Touro do melhor, raçudo e metedor. Mandou o secretário dar jeito de pagar o bicho com verba da câmara ou da prefeitura. - Mas, nobre vereador senhor Agapito em que rubrica devo colocar essa despesa? Não tem jeito não! - Tem. Cê se vira! Eu te pago pra isso! O secretário passa uns dias tentando descobrir onde esconder essa falcatrua e não consegue. Touro era muito difícil pagar com dinheiro do povo. Volta no chefe. - Ó sô Gapito, tem jeito memo não, viu! O negócio do touro num tá dano pra iscondê. Até o prefeito tá assustado! Gapito pensou, pensou... Craniou, craniou... E descobriu na hora uma solução: - Já sei! E tá resorvido! Num quero sim e nem não! Bota o touro na conta da Secretaria do Tourismo e pronto! Tamo cunversado! E a Câmara Municipal passava meses sem reunião. Foi aí que, depois de cinco meses e em meio a tantas maracutaias, o povo e os do outro lado pressionaram tanto que Gapito teve que marcar uma reunião. No dia certo tava todo mundo da vereança lá. Salão lotado de povo. Gapito doido para arrumar desculpa e acabar com a festa. Todo mundo tinha coisas de que acusar Gapito e o senhor prefeito mas ninguém queria ser o primeiro a falar. Silêncio sepulcral. Um vereador olhando pras paredes, outro pro teto, outros cochilando com um olho só, como se aquilo não fosse com eles. Aí Gapito aproveitou a deixa. Como se estivesse puto da vida, deu um murro na mesa, quase desmontando a coitada, e gritou do alto de sua autoridade: - Óia aqui ô cambada de fedaputa! Riuni nóis riunói, parpitá qui é bão ceis num parpiteia, eu pego e sungo a sessão! E sungou mesmo. Tabuí ia passar mais uma boa temporada sem reunião da edilidade.

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Foto de Jacqueline Aisenman

COMO VOCÊ VÊ A VIDA?
Todos as pessoas possuem uma maneira diferente de ver a vida e de expressar esta visão. Algumas escrevem, outras pintam, fotografam, desenham, cantam, tocam um instrumento, esculpem, fazem artesanato… Dentro de cada um de nós existe um artista. Algumas vezes escondemos tanto que nem mesmo os familiares sabem que temos aquele jeitinho especial! Que tal mostrar pra gente? Que tal enviar para o site do VARAL DO BRASIL o que você faz e dar uma chance para que possamos conhecer melhor você? Leia as instruções nas seções « ELES » no www.varaldobrasil.ch E-mail: varaldobrasil@bluewin.ch E mãos à obra: a vida é agora!

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Por Fábio Ramos dos Santos
Histórias..... Toda história, é uma história de amor Quisera eu, ter uma linda história à contar Quisera eu, ter uma história Louca procura..... Porque, loucos são, os que não se cansam de procurar Louca vida, louco vivo.... Procuro...... Histórias..... O anseio de histórias, me fez te imaginar Me fez te desejar, te compreender, te precisar Criei.... Criei muitas histórias, fiz a minha história Mas, não pude viver nenhuma delas como eu quis Mas como procurar? Se há algo trancado no peito Se vivo trancado neste quarto Sozinho, sem motivos...... Como aqui encontrar? Se já não me encontro na imensidão deste Mundo aberto Não...... Não há porque esclausurar, esquecer Porque nas minhas histórias de romance, Eu já amei Não sei se às vivi, ou se apenas sonhei Porque, sempre tento lembrar de mim Mas, me lembro só Não que eu estive solitário por todo o tempo É porque, eu nunca encontrei ninguém Para dizer comigo um só Histórias...... Somente páginas que folheiam, Que envelhecem Páginas, que ficam no peito, e na memória São páginas de amor, luta, dor e alegria São, somente minhas histórias.....

Histórias.... Enquanto eu as tentei viver, Caíram as lágrimas de meu rosto Doeu, doeu muito em meu peito E, até hoje dói muito Vivo..... Vivo em mundo que não entendo Quero viver, para tentar entendê-lo Não peço a morte, pois... Não sei se vou amá-la como amo a vida Então, eu vivo uma vida, procuro... Uma vida de procura
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Fabio Ramos dos Santos é escritor poeta, músico, empresário do ramo financeiro. Nasceu em Lages, na Serra de Santa Catarina, em 04 de novembro de 1980, residente hoje na cidade de Chapecó, no oeste do estado desde 2007. Filho de Carlino dos Santos e Solineti Ramos dos Santos iniciou sua carreira artística aos oito anos na música na cidade de Rio dos Cedros, no Vale Europeu de Santa Catarina. Fabio esteve sempre em contato com a arte e a cultura européia, sempre presente em movimentos sociais, esporte, cultura e lazer na cidade em que cresceu, Fabio passando por diversas situações, usou papel e caneta para fazer um verdadeiro amigo, um refúgio para suas lamentações, medos, sonhos, desejos. Bastante contraditório por estudar e trabalhar no setor das exatas, Fabio fez da música e da poesia algo muito forte em sua vida. A princípio seus textos eram apenas rascunhos de papel escondidos, até que amigos e amigas começaram a ler e gostar dos textos, e então começaram a transmitir os mesmos, tornando Fabio conhecido por belos poemas. Em 1996 Fabio conheceu o escritor Pomerano Cícero Pedro de Mello, que incentivou e mostrou os primeiros caminhos para tornar-se um bom escritor. Neste tempo a mídia local do Vale, começou a apoiar seu trabalho e depois de muito tempo utilizando diversos meios para divulgar suas obras, Fabio então é reconhecido e tem textos espalhados por todo o Brasil, por diversos meios. Em 2007 participou da Antologia, Coletânea de Poemas, Crônicas e Contos, “ELDORADO” , Volume IV, pelo Celeiro dos Escritores, e logo em seguida participou da Antologia de Poesia e Prosa de Escritores Contemporâneos “Amor & Paixão”, Volume I, também pelo Celeiro dos Escritores e neste ano sente-se honrado e realizado por participar da Antologia “Poesia do Brasil”, e principalmente deste Congresso de Poesia, que se faz como um marco na carreira e na História de sua vida.

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Não mais
Por Fabrício Couto Martins

Já não faz diferença A sua sentença (Já)Não faz Não mais interessa O que você pensa (não mais) O que você diz Tudo já foi consumado Estou pregado aqui Você pode até sorrir.

Moro em Fronteira Minas Gerais Onde sempre vivi, escrevo desde adolescente,e já publiquei alguns poemas numa antologia da editora Scortecci que foi lançada na XVIII Bienal Internacional do Livro de São Paulo, porém minha obra é bem vasta e diversificada e inclui poesias,crônicas ,contos, textos e até letras para canções, a maioria de minha obra ainda não foi publicada. Mantenho alguns endereços na internet onde coloco quase que diariamente obras de minha autoria,a saber os dois mais acessados são: http://blogdosblogs.spaceblog.com.br http://artespontaneaart.blogspot.com E-mail:facouto2005@hotmail.com
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Como prometido no numero anterior, eis mais algumas poesias de Mon Cher Ami Dr. Francisco Gregori Junior, cirurgião cardíaco, retiradas de seu livro “Reflexões e realidades de um cirurgião”.
A BELEZA DA MULHER

Quem ama o feio, bonito lhe parece. Se você pensa assim, Dispense o analista e Procure um neurologista.

A mulher tem que ser bela. Bela no físico, corpo escultural, Traços suaves, feminina, rosto angelical? Pode ser. Não é essencial!

Mulher maravilhosa ao se deitar, ao acordar, Sedutora ao sorrir e se expressar, Sensual num simples ato de falar, Felina ao se movimentar.

Ao cruzar as pernas, apertar as mãos, No modo gracioso de andar, Ao mexer os cabelos, jogá-los para trás. Quando observada, corar ou desferir fatal olhar.
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Mulher com charme, personalidade forte, Consciente de sua beleza, De sua importância, seu valor, Físico e também interior.

Sagaz, inteligente, Fútil, levemente, Culta, perspicaz, atual, Indispensável no trabalho, independente.

Quem no entanto teve a sorte Ou a benção de encontrá-la assim completa? Trata-se de uma deusa, como descrita, Oferenda ao homem afortunado.

Sim, a mulher foi feita para o homem. No passado, uma amada serviçal, No passado recente, uma amada companheira, No presente, uma amada mulher.... nada mal.

O homem, também foi feito para a mulher; Tem tanto a oferecer? Por que tão exigente? Descubra nela a beleza do interior, de seus movimentos, Encontrará boa mulher, tendo isto em mente.

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CIRURGIÃO
Caminha o cirurgião Adentrando o Centro Cirúrgico. Já estava operando o paciente, Há dias, virtualmente.

Por isso erram, pior, sabem quando erram . Isto deixa-os frágeis, Por vezes, empurra-os adiante.

preservar a vida.

É muito cômodo atribuir insucessos A fatalidades ou desejo divino, Quando atitudes não são tomadas, Ou mesmo, prejudicialmente retardadas.

Cirurgiões deprimem-se, Sentem-se impotentes, Caminham sós pela estrada, sem destino, Retomando o norte, quase sempre.

Preocupado, armando estratégias, Um caso difícil apresentava-se, Temeroso com as possíveis falhas A que, cuidadoso poderia evitar.

Críticas sempre surgirão, já que, não raro, No entanto, cirurgiões são parceiros de atitudes; Graças a elas é que vidas são salvas. Sabem que não tomá-las já é uma decisão, Pela conveniência,geralmente. Como todos, cirurgiões tem um lar a recebê-los, Atitudes com critérios, ortodoxas, Não ortodoxas, também, como última alternativa, Seguindo o mandamento maior hipocrático: Todos os meios para Abrigo maior a apoiá-los, serenamente, A levantá-los e lembrá-los, fortemente, Que agiriam com seus entes, igualmente. Há oportunistas de plantão. Passarão como nuvens, mesmo densas, Com o vento, o sopro forte da razão.

Longe de pecar por negligência, Imperícia ou imprudência, Já errei, mais de uma vez, certamente. Faço parte dos que erram, não dos que mentem.

Humanos, cirurgiões não são deuses,

Existem dois tipos de cirurgiões: os que erram e os que mentem. Francisco Gregori Junior

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MÃE, NÃO SE VÁ...

Mãe não se vá,fique mais tempo. Ainda sinto suas mãos em mim, Saudade de sua voz, do seu amor. Como esquecer tão nobres momentos ?

Mãe, do seu ventre saí, ao seu lado cresci. Desgarrei-me, vivi. A distância não me fez esquecê-la, Passaram–se anos, não quero perdê-la.

Mãe, posso estar perdendo a fé, Olhe-me atenta, não sei disfarçar. Triste e só, já sinto sua ausência, Vejo meu mundo desmoronar.

Surpreendi-me vendo minha mãe programando seu curto futuro com rara felicidade. Arguida respondeume que aos 94 anos, seus dias têm sido mais longos , já que na velhice as horas tem bem mais de 60 minutos !

Chegue mais perto, abrace-me forte. De independente, tornei-me frágil agora. Fale comigo. Mãe não se vá. Percebo, no entanto já ser a hora.

Francisco Gregori Junior

“Saber viver é uma arte, é o que sempre se diz Com firme alicerce, mais fácil será. Celebrando sucessos, ou consolando fracassos, lembre-se Uma mãe, lá sempre estará”.

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Reprodução de texto da Revista Brasil Escola

A independência do Brasil, enquanto processo histórico, desenhou-se muito tempo antes do príncipe regente Dom Pedro I proclamar o fim dos nossos laços coloniais às margens do rio Ipiranga. De fato, para entendermos como o Brasil se tornou uma nação independente, devemos perceber como as transformações políticas, econômicas e sociais inauguradas com a chegada da família da Corte Lusitana ao país abriram espaço para a possibilidade da independência. A chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil foi episódio de grande importância para que possamos iniciar as justificativas da nossa independência. Ao pisar em solo brasileiro, Dom João VI tratou de cumprir os acordos firmados com a Inglaterra, que se comprometera em defender Portugal das tropas de Napoleão e escoltar a Corte Portuguesa ao litoral brasileiro. Por isso, mesmo antes de chegar à capital da colônia, o rei português realizou a abertura dos portos brasileiros às demais nações do mundo. Do ponto de vista econômico, essa medida pode ser vista como um primeiro “grito de independência”, onde a colônia brasileira não mais estaria atrelada ao monopólio comercial imposto pelo antigo pacto colonial. Com tal medida, os grandes produtores agrícolas e comerciantes nacionais puderam avolumar os seus negócios e viver um tempo de prosperidade material nunca antes experimentado em toda história colonial. A liberdade já era sentida no bolso de nossas elites. Para fora do campo da economia, podemos salientar como a reforma urbanística feita por Dom João VI promoveu um embelezamento do Rio de Janeiro até então nunca antes vivida na capital da colônia, que deixou de ser uma simples zona de exploração para ser elevada à categoria de Reino Unido de Portugal e Algarves. Se a medida prestigiou os novos súditos tupiniquins, logo despertou a insatisfação dos portugueses que foram deixados à mercê da administração de Lorde Protetor do exército inglês. Essas medidas, tomadas até o ano de 1815, alimentaram um movimento de mudanças por parte das elites lusitanas, que se viam abandonadas por sua antiga autoridade política. Foi nesse contexto que uma revolução constitucionalista tomou conta dos quadros políticos portugueses em agosto de 1820. A Revolução Liberal do Porto tinha como objetivo reestruturar a soberania política portuguesa por meio de uma reforma liberal que limitaria os poderes do rei e reconduziria o Brasil à condição de colônia. Os revolucionários lusitanos formaram uma espécie de Assembleia Nacional que ganhou o nome de “Cortes”. Nas Cortes, as principais figuras políticas lusitanas exigiam que o rei Dom João VI retornasse à terra natal para que legitimasse as transformações políticas em andamento. Temendo perder sua autoridade real, D. João saiu do Brasil em 1821 e nomeou seu filho, Dom Pedro I, como príncipe regente do Brasil.
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A medida ainda foi acompanhada pelo rombo dos cofres brasileiros, o que deixou a nação em péssimas condições financeiras. Em meio às conturbações políticas que se viam contrárias às intenções políticas dos lusitanos, Dom Pedro I tratou de tomar medidas em favor da população tupiniquim. Entre suas primeiras medidas, o príncipe regente baixou os impostos e equiparou as autoridades militares nacionais às lusitanas Naturalmente, tais ações desagradaram bastante as Cortes de Portugal. Mediante as claras intenções de Dom Pedro, as Cortes exigiram que o príncipe retornasse para Portugal e entregasse o Brasil ao controle de uma junta administrativa formada pelas Cortes. A ameaça vinda de Portugal despertou a elite econômica brasileira para o risco que as benesses econômicas conquistadas ao longo do período joanino corriam. Dessa maneira, grandes fazendeiros e comerciantes passaram a defender a ascensão política de Dom Pedro I à líder da independência brasileira. No final de 1821, quando as pressões das Cortes atingiram sua força máxima, os defensores da independência organizaram um grande abaixo-assinado requerendo a permanência e Dom Pedro no Brasil. A demonstração de apoio dada foi retribuída quando, em 9 de janeiro de 1822, Dom Pedro I reafirmou sua permanência no conhecido Dia do Fico. A partir desse ato público, o príncipe regente assinalou qual era seu posicionamento político. Logo em seguida, Dom Pedro I incorporou figuras políticas pró-independência aos quadros administrativos de seu governo. Entre eles estavam José Bonifácio, grande conselheiro político de Dom Pedro e defensor de um processo de independência conservador guiado pelas mãos de um regime monárquico. Além disso, Dom Pedro I firmou uma resolução onde dizia que nenhuma ordem vinda de Portugal poderia ser adotada sem sua autorização prévia. Essa última medida de Dom Pedro I tornou sua relação política com as Cortes praticamente insustentável. Em setembro de 1822, a assembleia lusitana enviou um novo documento para o Brasil exigindo o retorno do príncipe para Portugal sob a ameaça de invasão militar, caso a exigência não fosse imediatamente cumprida. Ao tomar conhecimento do documento, Dom Pedro I (que estava em viagem) declarou a independência do país no dia 7 de setembro de 1822, às margens do rio Ipiranga. Por Rainer Sousa Graduado em História Equipe Brasil Escola

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PARTICIPAÇÃO NO VARAL NO. 6 Envie seus textos para o e-mail varaldobrasil@bluewin.ch em formato Word (não serão aceitos textos colados aos emails) . Envie uma biografia breve acompanhada de uma ou duas fotos e dados para contato (email, blog, site, etc.). Se usar pseudônimo e não desejar que seu nome verdadeiro seja colocado no Varal ou no site, envie uma biografia do seu pseudônimo. Não serão aceitas biografias e fotos Incorporadas aos emails, apenas em anexo. Será escolhido apenas um texto de cada autor sendo: - poemas de no máximo duas páginas contendo 20 linhas;

FAÇA SUA ESTA CAUSA!

- contos e crônicas com um máximo de três páginas de 25 linhas; - os envios deverão ser feitos até o dia 25 de OUTUBRO (todo texto que chegar após esta data será observado automaticamente para o Varal no. 7). - será dada a prioridade aos que enviarem com maior antecedência.

ADOTAR É ANIMAL AJUDANIMAL, GRUPO DE AJUDA E AMPARO AOS ANIMAIS DO ABC www.ajudanimal.org.br
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AS PORTAS DE UM CORAÇÃO, DE APENAS UM CORAÇÃO
Por Gilberto Nogueira Oliveira Vou abrindo as portas Uma a uma, mas em todas elas Eu só encontro a tristeza

Encontro em cada sala Um grupo de pessoas Em cada rosto, uma aflição Um congestionamento geral nos olhos Lágrimas de tristeza e desesperança.

Nunca encontro quem eu quero É a alegria total Alegria de encontrar Uma palavra amiga

Já transpus montanhas Já removi rochedos Mares e oceanos Abrindo sempre as portas Do meu pobre coração Que está despedaçado De angustia e de tristeza Pobre coração...

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Continuação da página 15

Voando pro aeroporto, Pra voar para o Brasil; -Ah, é? Vai levar com ele Esta imensa fauna hostil? -E põe bastante hostil nisso. Está aqui dentro, contida, Mas não sei, nesse avião, Se for muito sacudida...

Até o verdão ressurgiu! Aqui dentro está um inferno, Não há controle nenhum! “-Mas que diabo é isso aqui?” Essa é a frase mais comum.

Esse homem comeu tanto.. E coisas desconhecidas... Vai dar vida a uma bactéria Que é super desenvolvida Já pensaram? Num avião? Tô icando muito a lita, A geléia fermentou, Tô me sentindo esquisita! -Agora é tarde demais E faltou organização, Tinham que ter protestado Antes de entrar no avião! -Não teve organização Porque o ataque foi maciço. Não é fácil raciocinar E digerir um ouriço! -Vamos rezar pra dar certo, O avião tá decolando! -Olhos, procurem o banheiro, O vulcão está despertando. -Mas já? E sem aviso prévio? A viagem ainda demora! -Pelo que acabo de ver, Vão ser longas quatro horas...

As comidas pulam etapas, Nós estamos nos perdendo, O pâncreas já desistiu -Está num país estranho, E não está mais combatendo. Comeu tudo e mais um pouco, Vai se en iar num avião... Fígado, sabe como é, Ô gente, esse homem é louco! Normalmente é preguiçoso, Já disse que vai parar -Mas já está indo pro carro. Pois pegou um trem -E esse carro está correndo... venenoso... -Olhos, vocês não imaginam O que as curvas tão fazendo! Tá lá, meio esverdeado, Eu nem tiro a razão dele, Tentamos organizar Mas, com toda essa ameaça, Pra adiar a apoteose O que eu vou fazer sem ele? Mas, pros bichos se acalmarem, -Chegamos no aeroporto! Só mesmo usando a hipnose! -Ele não pode embarcar! Quatro horas no avião... Vocês lembram do verdão, Sem socorro hospitalar! O primeiro que engoliu? Pois é, depois dessas curvas,
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-E Vicente já sentiu, Começou a se agitar... -E daqui a dois minutos Vai começar a suar... -Que isso, gente, “manera”, Avisa o cara primeiro; Desse jeito não dá tempo Dele chegar no banheiro! -A culpa então vai ser nossa Se ele que não maneirou? Acabaram-se os recursos, Vicente nos esgotou! A comida tá aqui dentro Querendo uma solução, Inclusive nós, os órgãos, Estamos sem proteção.

Vicente saiu correndo Sentindo uma dor aguda. A aeromoça o parou: -O senhor quer uma ajuda? Vicente nem respondeu, Jogou a moça pro lado, Pois, para o que ia fazer, Já estava bem atrasado. Ela correu pra cabine Pra avisar o comandante: -Tem um passageiro suspeito, Nós temos tranquilizantes? -O que que ele está fazendo? -Sei lá, me deu um empurrão, Tinha os olhos e as bochechas Com estranha coloração...

Estou vivendo momentos Extremamente dramáticos, Com sensações pavorosas E barulhos enigmáticos Que será que eu iz de errado? Será que foi da comida? Nem tinha nada demais, Só era um pouco...sortida. -Alguém bate nesse homem! Foi “sortida” que ele disse? Como será que é pra ele “Festival de esquisitice”! Então vamos caprichar Pra ele cair na real, Já vai saber o que é Infecção intestinal!

Vocês, olhos, viram bem -Chame alguém pra te ajudar Agora eu iquei zangada, O que o Vicente comeu, Mas tudo discretamente, Ele comeu feito louco, Tem coisas se transformando, E me avise se o sujeito As comidas mais nojentas Tem bicho que não morreu! Agir agressivamente. E ainda diz que comeu pouco? Tão aqui fazendo força Pois querem expulsar a gente! Se quiser, podemos ir, Pergunta aí pro Vicente... -Então tá, vocês tão certos Pelo menos é o que eu espero... -Olhos, então mirem a porta E pernas pra que te quero! Enquanto isso Vicente Estava vivendo horrores, Febre, enjôo, calafrios, Isso sem falar das dores. -Não devia ter adiado O meu check-up anual, Nem se tivesse morrendo Me sentiria tão mal!
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Está rolando de dor, Vomitando sem parar? Mas nós que estamos lutando Pra ele não desencarnar! Só que agora não sei não... A comida está vencendo, Vicente não vai gostar Do que estamos resolvendo.

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Vamos usar nossas armas, Defender o território, Não queremos ir pra vidro De nenhum laboratório. Então, arranjem um cantinho Pro Vicente se encolher. Olhos, a partir de agora Tudo pode acontecer! E começou uma batalha Na barriga de Vicente Que o coitado se dobrou Então gemeu estranhamente. E foi logo nessa hora Que a aeromoça bateu, Mas foi pega de surpresa E, no susto, ela correu. -Comandante avise a torre! Tem um doido no banheiro! Eu tranco a porta por fora? Faço dele um prisioneiro? -Eu vou lá pra ver de perto, Não vou me precipitar; E também não tem mais jeito, Já vamos aterrizar. E na porta do banheiro, Chegou perto pra escutar; -Tem algo extraordinário... Nós vamos ter que arrombar!

Pra não aumentar a Vicente escutou a conversa lambança. Mas nem pôde reagir. -Não estou bem pra ser olhado, Deus, não deixa a porta abrir... -Ei, olhos, o que está havendo? -Vicente está semimorto Mas foi posto na poltrona, E com um cinto todo torto. Como é fácil de notar, Vicente estava sem sorte E a tal porta desabou Estamos quase pousando No primeiro tranco forte. E aí dentro, terminou? -Tem um fungo resistente Mas o pior já passou... -Oh, meu Deus, misericórdia! Mas isso é o quadro do horror! Que que esse homem comeu? -Tem uma ambulância lá fora, Que troço amedrontador! Só pode ser pro Vicente. -O transporte tem que ser Feito delicadamente. Vicente estava sem forças E nem pôde protestar. -Pessoal, aguenta irme, Esse fungo está en iado Nós vamos ter que arrastar! E di icultando o acesso Mas se ele volta e se espalha, -Mas comandante, que nojo, Lá se foi nosso progresso! O homem tá empesteado, Ele tem que ser Ele tem que ser banido -Vicente está derrubado Não vai conseguir falar... E o banheiro interditado! -Boca, agora é só contigo, Faz ele balbuciar! -Sinto muito aeromoça, Nem discordo de você, Mas só dá pra fazer isso Quando esse avião descer. Precisamos pôr o cinto E descer em segurança, Amarrar bem o sujeito

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Qualquer coisa parecida Com: “Não me balança não!” Ou, quem sabe: “Vai com calma!”, Completa com um palavrão! -Barriga, ele tá de um jeito Que o máximo que eu consigo É um: “Bada...bida...badá... ...Bida badabá...comigo... -Tá bom, então vai assim mesmo, Deixa que a gente se vira. Nós vamos fazer um cerco, Que o fungo já tá na mira.

Mas espero que Vicente Tenha sofrido bastante! Agora iremos pra casa Mas, olhos, prestem atenção, Se esse homem tiver fome, Não tem argumentação! Juntaremos nossas forças, Vamos fazê-lo dormir, Se precisar, por um ano, Pois tem que se corrigir!

Se Vicente passar mal Vai desistir da viagem, E, sejamos bem criativos, Vale até uma sabotagem! E mais tarde, no jantar, Vamos ver o que ele come... -Pessoal, o que faremos? Vicente não está com fome! Parece que vai deitar, Só vai tomar um chazinho... -Não vamos nos iludir, Vicente é muito espertinho!

-Já passaram três semanas, Vicente está comportado... -Tem comido...normalmente... Está guardando a barriga -Como sempre...engordurado. Pra comer no tal país, Mas dessa vez não nos pega, -Mas Vicente deixou um cheiro Não aguentaremos um bis... Dentro daquele avião... -Mas, o que é bom dura pouco, Os passageiros desceram Descobrimos de manhã; Culpando a tripulação. Ele está com as malas prontas Mesmo que seja um chazinho -O que importa é que já E vai embarcar amanhã! Nós lhe daremos um susto, estamos Estamos recuperados A caminho do hospital, Mas depois de muito custo! Quem sabe botamos ordem Mas eu já estou apavorada, Nessa “fauna” intestinal. Pra onde ele vai viajar? -Deixa eu ler nessa passagem... E ele bebeu, sossegado, Gente, eu nunca ouvi falar! O seu chá de erva cidreira -Vixe Maria, barriga, Mas, coitado, não viajou, Tá sentindo a calmaria? -Pessoal, corremos risco Se coçou a noite inteira! -Bom, ígado, tudo indica E reagiremos agora! Que chegou a cavalaria! Qualquer coisa que ele coma Nós vamos botar pra fora! -É o soro! Graças a Deus! -Não quero ser implicante

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Ana Anaissi, carioca, vivendo em Brasília desde 1970, é artista plástica, compositora, ilustradora e escritora. Tem um site chamado Alma Totem histórias a granel, que foi inaugurado recentemente, onde divulga seus trabalhos.

VOCÊ SABIA?

A revista VARAL DO BRASIL circula no Brasil do Amazonas ao Rio Grande do Sul... Também leva seus autores até a América Latina, América do Norte e, claro, pela Europa. Quer divulgação melhor? Venha fazer parte do VARAL! E-mail: varaldobrasil@bluewin.ch Site: www.varaldobrasil.ch

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Hugo Pontes é natural de Três Corações-MG onde nasceu a 22 de julho de 1945. Reside em Poços de Caldas. É formado em Letras, com especialização em Literatura Brasileira. Com relação a suas atividades literárias e de pesquisa histórica apresenta em seu currículo uma extensa lista de atividades relacionadas com a poesia, o poema visual, o ensaio e a história. Tem 25 obras publicadas entre livrossolo e antologias. Sua obra de criação literária está voltada para o Poema Visual. Em 1997 publicou pela Editora Plurart’s "Defesa de Tese: Poemas sem Fronteiras; Em 2002 publicou Poemas Visuais e Poesias, pela editora Annablume e, em 2007, fez a reedição do mesmo livro. tém o sítio www.poemavisual.com.br para divulgação de poemas visuais de poetas brasileiros e do exterior.

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Por Icléia Inês R. Schwarzer Quando a chuva cai é como sentir as lagrima rolar na minha face Quando o frio chega, meu corpo sente a falta do seu Quando amanhece o dia percebo que você não esta Quando a tarde se vai, vejo que você não vem Mais uma noite se aproxima, Mais uma vez estarei sem você Meu pensamento voa tentando encontrar o seu Não há conexão Não como nos encontrar Tu não sentes o mesmo que eu Tu não desejas a mesma forma que eu Nem mesmo que eu queira Nem mesmo que eu peça a ajuda divina Não te poderei encontrar Por que você não esta Porque você não me quer E não haverá como se encontrar Onde só uma alma quer Onde só uma alma sonha Onde só uma alma deseja Onde só uma alma ama.

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Cotidiano cruel

Por Igor Medeiros Oliveira

Ele acorda. Lava-lhe a face. Esconde o colarinho de baixo da gola do terno. Nos tempos antigos, mostrava-se o colarinho com orgulho, batendo no peito. Era o ídolo da garotada.Comprava bala, pirulito, entre várias guloseimas para eles. Agora, se mostrasse o colarinho, era vaiado. Atiravam-lhe tomates podres e fétidos em sua idosa face. Mira-se no espelho.Um típico e respeitável cidadão. Trajava um terno escuro, com botões de detalhes dourados. Uma camisa de linho egípcio, alvíssima, e uma charmosa gravata vermelha.Os bigodes, já lhe arrancavam a juventude do rosto." Se eu tirar, fica pior" sempre dizia à esposa.Os cabelos outrora eram um emaranhado amazônico, agora mais pareciam pasto de gado velho. Vai no seu respeitável escritório e abre seu e-mail.Recebe um proposta: R$ 100 000,00 para alterar o plano-diretor. Se ele cedesse, ninguém descobriria. Ele estava acima da lei.Ele era a lei. Mas ele nunca aceitara nenhuma proposta corrupta.Mas R$ 100 000,00? Sai pra tomar um café, de colarinho escondido.Encontra mendigos moribundos, fundindose às calçadas de sua cidade.Uma criança lhe pede esmola, e ele tira da carteira cinquenta reais. O "mini-deliquente" lhe mostra a arma, e lhe alvejando, sai em disparada. Seu cadáver tomba ao chão, ferido pelo povo que nunca feriu. Aparado pelo chão que sempre protegeu. E vislumbrando a tão ignorada sombra da morte sobre seus olhos, esclaresce-lhe a mente. Não aceitaria a proposta. E com o sangue vertendo-lhe a vida, morre, o último "homem" da Terra.

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Ingredientes 100 gramas de queijo Gruyére ralado (ou outro se precisar adaptar) 1 pitada de noz-moscada ½ lata de creme de leite 2 dentes de alho ½ quilo de batatas 250 ml de leite pimenta sal Preparando: Aquecer previamente o forno. Esmagar o alho e colocar numa panela juntamente com o leite e aquecer até ferver em fogo brando. Juntar o creme de leite. Descascar as batatas, lavar e enxugar. Cortar em fatias redondas finas e colocar na panela, temperando com o sal, a pimenta e a noz-moscada. Deixar cozinhar por 15 minutos, com a panela tapada e vá virando as batatas algumas vezes. Untar um prato de ir ao forno com manteiga e colocar as batatas cozidas. Cobrir com o queijo ralado e levar ao forno. Deixar cozinhar até ficar dourado.

(Há variações que intercalam nas camadas presunto, endivas e outros)

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HOSPITAL DE LAGUNA Faça do Hospital de Laguna a sua causa, colabore! http://www.hospitallaguna.com.br/ PROJETO LUZ

TORNE-SE UM ASSOCIADO Para tornar-se um associado do hospital, basta preencher o formulário que se encontra no site e encaminhá-lo à direção do hospital. O valor da mensalidade e de apenas R$ 10,00.

Ilumine esta idéia! Como você deseja que o Hospital de Laguna seja? Bom? Muito bom? Ótimo? Qual o seu desejo? Com quanto você pode contribuir, na sua conta de luz, para o Hospital ser assim, Todo associado poderá usufruir das vantagens do cartão de benefícios sem do jeito que você quer? Você pode! O prêmio maior é a vida. Com certeza o seu maior desejo! CARTÃO DE BENEFÍCIOS O Cartão de Benefícios proporciona a usuários e dependentes descontos nos serviços de internação e de urgência/emergência oferecidos pelo Hospital de Laguna e pela rede de estabelecimentos e profissionais credenciados (visite no site o link do Cartão de Benefícios). Os descontos variam de 10 a 50%, podendo chegar a 90% nas farmácias. procure o representante do hospital no horário comercial.

pagamento adicional.

... acho que a vida é um processo... É como subir uma montanha. Mesmo que no fim não se esteja tão forte fisicamente, a paisagem visualizada é melhor.

Não escrevo porque “valha a pena”, mas porque me faz feliz, simplesmente.

A vida é feita de perdas e ganhos e depende muito da gente sair da postura de vítima

Seja como for, não sou saudosista. Acho esquisito falar 'no meu tempo', porque nosso deve ser o hoje. Somos tão fixados no mito da eterna juventude que, depois dos 30 anos, nem o tempo é mais nosso, somos exilados da própria vida.
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Por Jaci Santana
Imagino tal ironia do desassossego vibrando em meu corpo. Não havia se quer mais vida. Só nostalgia. Era a morte em vida... Falsas esperanças imbuídas. Sofrimentos retraídos. .Uma dor sempre contida. E o paraíso adormecido... Meu corpo... Um eterno vazio, Abstinha-se de sonhar... Amuando-se... Ocultando-se mais uma vez. Mas, um olhar dos céus, cobriu-me com o seu manto, E a ti levou-me como a um presente dos Deuses. Difícil dizer das vibrações que me tomaram naquele encontro. Surpreendida com o seu olhar... Submissa... Sentei-me sem retrucar. Seus olhos... Penetrantes! Envolventes! Olhavam-me profundamente. Estranhamente, envolta em sua fronte, emergia o que parecia ser uma serpente. Paralisando-me magicamente, enquanto olhava-me, arqueando cílios, sobrancelhas e mente. Saí Dalí, completamente transmutada, envolvida e apaixonada. E minha vida sorrindo em cores, ressurgiu à luz do dia nebuloso, Ao ver o sol alvorecendo nas ruas, esquinas e estradas vazias. Este calor... Este ardor... Esta emoção,.. Trouxe-me paz no coração. O sol, com seus raios, iluminando meus poros, Lançou-me a semente do seu amor, Apagando as marcas de minhas dores já existentes.

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Jaci Santana- Nasceu em Aracaju. Mora no Rio de Janeiro. Cursou Direito e ,atualmente, dedica-se a poesia. Participa de Concursos Literários. Recebeu vários convites para participar de Antologias. Recebeu Menção Honrosa no I Concurso de Poemas Delfos com o 5º lugar, e a divulgação do mesmo no Jornal Le Ville com a poesia “Oásis Tropical”. Em 2007 teve seu primeiro Livro de Poesia “Amor, Sexo e Poesia” editado pela Litteris Editora e participação no Diário do Escritor de 2006 a 2010, também pela Litteris Editora. Em 2009, participou da Antologia “Canta Brasil” com a letra de música “Canto de Dor, lançada na Bienal do livro”-RJ. Ainda em 2009, teve Menção Honrosa no II Jogos Florais do Século XXI com a poesia "Cura", além, da participação no Caderno Literário nº 8, sob a coordenação da jornalista e escritora Sandra Veronese, com a poesia “Mistura de Vinho", Em 2010, teve algumas poesias publicadas no Caderno-Revista 7Faces sob a direção e coordenação do escritor e poeta Pedro Fernandes. Tem suas poesias hospedadas em sites literários, tais como: Garganta da Serpente, Blocos Online, Site de Poesias, O Melhor da Poesia na Web, Lusos-Poemas, Poesias Sem Fronteiras, Sociedade dos Poetas Advogados, Borbollettah, Portal Literal, Artigonal, Favas Contadas, Poetas em Desassossego, Liter'Art, Poetas Del Mundo, Recanto das Letras, Site de Poetas&Escritores. E-mail: grendaphinochio@yahoo.com.br E-mail: jacilealsantana@yahoo.com.br

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FEMININOS INSTINTOS
Por Jacqueline Aisenman Ela se insinua lenta e lânguida, vem bem lá de dentro dela, de algum lugar que ela nem lembra muito bem haver já encarcerado. Ouve seus pés começando a se mover de um lado para outro. Quase consegue sentir suas mãos, recobrando o calor antigo. Abre bem os olhos, evita os pensamentos. Tenta pensar em outra coisa. Impossível. Ela está viva. Murmura apenas, mas pode sentir de sua respiração ofegante o desejo de voltar. Seus olhos ainda estão fechados, ela ainda não percebeu que seu corpo está retomando formas e que em breve poderá enxergar novamente. Ai... O que fazer neste instante se ela nem tem mais as chaves? Se as tivesse retornava lá, aproveitava seu instante de fraqueza, matava-a. Fria e conscientemente. Mas ela estava tão certa de que a outra apodreceria lá... A outra... continua a mover-se pouco a pouco. Aguça os sentidos e sente a proximidade de uma energia que ronda por ali. Forte. Vigorosa, intensa. E tímida. Abre os olhos e lembra então que está trancada ali naquele espaço há muito tempo... da última vez em que tentara sair fora jogada como um verme. Negligenciada, esquecida, largada. Agora pensava numa maneira de sair dali. Fechou novamente os olhos e ligou-se mentalmente àquela que tudo fazia para ser o seu algoz. Sentiu a resistência, sentiu o medo, mas continuou. Viva. Em vida. Tentando contactar. Pedindo para sair. Querendo a liberdade. Ela começara. E agora não haveria mais fim. Enquanto não tirá-la de lá jamais voltará a viver só. Jamais. Nem todos os instantes que passasse a fingir esquecimento serviriam a fazê-la desaparecer. Ela era forte demais, sensual e traiçoieira. Entre um pensamento e outro, cruzaram-se os pensamentos das duas e, como num espelho, viram-se perdidas num mesmo desejo. O desejo forte, anseio acima de qualquer emoção comum, era a chave. Abriu todas as portas. E a fusão se fez entre a criatura temerosa e a mullher ávida. (Um pouco de músicas bem "om de fundo"como Carmen Cuesta-Loeb cantando Dreams) s Imagem: Balcony at Buenos Aires de Fabian Perez

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Jacqueline é quem edita o VARAL. E quem tem o coração povoado de letras que vivem saindo pela caneta ou pelas teclas do computador. Palavras escritas, muitas vezes nem ditas. Tem em seu site Coracional e em seu Blog Certas Linhas um meio de expressão constante. E-mail: coracional@bluewin.ch

Consulat Général du Brésil 54, rue de Lausanne 1202 Genève Horário de atendimento ao público: de segunda a sexta-feira das 09:00 às 14:00 (de 02.07.2010 a 12.07.2010, o ingresso no Consulado será até 13:00)
Telefones

Tel. : 022 906 94 20 Fax : 022 906 94 35 Horário de atendimento telefônico: de segunda a sexta-feira das 13:00 às 16:00
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Janete A. Gutierres, nasceu em 25/11/1964, em Alto Paraná-PR.. Filha de Francisco Gutierres e Eugênia Garcia Gutierres. Viveu sua infância e adolescência na cidade de Diamante do Norte -

Noroeste do Paraná. Filha caçula, tem dois irmãos e uma irmã, com a qual sempre foi muito ligada, pelo fascínio que tinha por sua força de caráter e honestidade.Desde pequena adorava literatura e poesia e sempre gostou muito de ouvir música e cantar.Toca instrumento de cordas. Na escola teve um grande incentivo de seus professores, dentre eles sua grande amiga Maria de Fátima Longhi e Claudice Maria dos Santos, que lecionavam português e que estiveram presentes em sua vida. Entrou para o Convento das Irmãs Pobres Filhas de São Caetano Tiene, onde se tornou religiosa por alguns anos. Para ela, ser religiosa foi o maior Dom de Deus. Sua vida não é muito diferente de quando era religiosa, sempre procurou ver o outro com o olhar de Jesus e sempre afirmou que o outro é o reflexo de Deus em sua vida. Mesmo diante de tantas dificuldades pelas quais passou, com Deus caminhou de mãos dadas, porque tudo foi feito com amor incondicional, e vale a pena fazer de tudo para ver o outro feliz, vale a pena amar as pessoas como a si mesmo.
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Algumas das belas poesias dessa Minha Querida e Talentosa Amiga Jane, retiradas de seu novo Livro “LUZ dos MEUS OLHOS”.

EU SÓ QUERIA UM AMIGO Eu só queria ter um bom amigo, Que pudesse me ouvir. Que pudesse olhar em meus olhos E sentir a dor que consome meu coração. Que pudesse ser fiel e doce, que estivesse Comigo nos momentos que mais precisasse. Que me defendesse e me amasse. Que lutasse por mim nos momentos difíceis. Que pudesse pegar as minhas mãos entre as Suas e me consolar. Eu só queria ter um amigo que pudesse Caminhar ao meu lado, Que eu pudesse ter a certeza que ele Estaria lá, e não me deixaria só. Um amigo verdadeiro. Eu só queria um amigo.

Luz dos meus olhos Jane Gutierres

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PAI Elevo minha alma para o alto em busca do paraíso eterno, onde moram os anjos e repousam as almas... Voar entre as nuvens em busca do imenso azul do céu de minha fantasia em busca de ver você, de olhar para você e sentir a ternura de seu olhar dentro de meu olhar e dizer-lhe que você vive em meu coração e caminha em meus sonhos. Dizer-lhe que sou a sua cópia mais perfeita. Olhar em seu olhar e dizer que a saudade e as lembranças eu guardo dentro de meu coração como um tesouro mais precioso que alguém já pôde ter. Queria dizer-lhe que sinto a sua presença viva em mim. Você morreu para a vida e agora vive em meu coração e em meus sonhos como um raio de luz que ilumina minha vida a cada amanhecer. Daria tudo na vida para poder uma vez mais olhar dentro de seus olhos e dizer que nunca ninguém foi tão amado por mim como você foi. Sinto, pai, uma lágrima rolar em meu rosto e morrer em minha garganta. Queria ultrapassar as alturas e poder dizer olhando em seus olhos, que nunca o esquecerei. Hoje venho até você, rompendo os limites de minha imaginação, chegando ao paraíso onde mora Deus e dizer em meio a um sussurro, olhando dentro de seus lindos olhos, amo você, meu pai querido, anjo que vive eternamente em meu coração.

Desenho de EL OD I E

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MEU DOCE AMOR

Senhor, hoje estou aqui de joelhos dobrados aos Teus pés, olhando dentro de Teus olhos e sorrindo o Teu sorriso, para agradecer pelo bom Deus e amigo que és. Obrigada, meu Senhor, por tudo que realizaste em minha vida. Tu sabes que não foi fácil chegar até aqui. Obrigada pelas mãos estendidas nas horas incertas, pelo aconchego de Teus braços, pelas lágrimas que me ajudaste a enxugar, pelos momentos sofridos, pelas alegrias vividas. Pelos momentos em que quase desisti, me sentindo sozinha, quando nada mais me restava, achando que tudo havia acabado e Tu estavas ali sorrindo diante das minhas fraquezas. Hoje, meu doce amor, só vim para agradecer, pela Tua infinita bondade e misericórdia, já nos conhecemos há uma eternidade, passamos tantos momentos juntos, temos uma linda história de amor para contar, que só nós sabemos. Tu és a luz da minha vida, a força que rege meus dias a cada amanhecer, é por Ti que vivo Meu Amor. Serei sempre tua doce amada. Obrigada!

Jane Gutierres

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Por José Alberto de Souza

Hoje eu quero sorrir, abrir-me para a vida e repensar o futuro. Não, hoje eu não quero me aborrecer como até agora o vinha fazendo. Neste instante, estou despertando e me esforçando por querer ficar bem disposta o resto do dia. Vou abrir as janelas do meu quarto e olhar o sol radiante ou a chuva copiosa lá fora, sem recriminar o tempo que o Senhor nos reservou. Minha atitude vai ser de reconciliação para que eu possa curtir a Natureza em toda sua plenitude, não obstante as limitações criadas pelo nosso mundo civilizado. Acabei de acordar com o ruído sonoro e espalhafatoso dos bem-te-vis fazendo a sua algazarra matinal na copa frondosa do meu pé de jacarandá. Por que eu iria desejar um silêncio que poderia ser sepulcral? Vou ficar bem feliz e me espreguiçar tranquilamente para experimentar essa sensação maravilhosa de estar renascendo num novo dia. Que me importa de não ter sido esta última noite longa o suficiente para adormecer meus sentidos excitados nos embalos da minha juventude. Agradecerei a Ele por me deixar, ao menos agora, em harmonia com todos e tudo. Logo, logo estarei me levantando faceira e correndo ao banheiro para sentir a água a chover e escorrer, carinhosa e espumante, nas sinuosidades do meu corpo. Então me perceberei inspirada para cantarolar alguma melodia bem ao gosto da minha geração. Mas não me demorarei muito nesse ritual para que os meus também se contagiem e compartilhem dessa minha alegria. O melhor que puder me arrumarei e sairei cheirosa e enfeitada a distribuir beijos e abraços em profusão para que meus pais e meus irmãos sintam o quanto gosto deles. Deslumbrada me extasiarei ante a mesa bem arranjada e comportadinha do café da manhã. Até ficarei indecisa por onde começar a saciar minha gulodice com tantas tentações ao meu paladar. Mas minha vaidade haverá de falar mais alto e eu beliscarei sem desdém um ou outro biscoitinho e sorverei devagar o suco de frutas, colorido e ecológico, tão amorosamente como foram preparados. Trocarei rápidas e atenciosas palavras com meus pares deste banquete frugal antes de me despedir e dirigir à porta da rua, quando então saudarei o mundo exterior, dizendo do mais íntimo da alma: “Olha eu aqui!”.

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JOSÉ ALBERTO DE SOUZA - Nascido em Jaguarão-RS, é formado em Engenharia Mecânica pela UFRGS, aposentando-se como Técnico em Desenvolvimento no BRDE. Participou das antologias Contos de Oficina 5 (Acadêmica, 1989), Mais ao Sul do Que Eu Pensava (AGE, 1993), coletâneas Julinho 100 Anos de História (AGE, 1993) e Olhares sobre Jaguarão (Evangraf, 2010) e tem trabalhos publicados nos jornais A Folha e Nova Manhã (Jaguarão-RS), A Notícia (São Luiz Gonzaga -RS), A Fonte (Santo Antônio da Patrulha-RS), Menino Deus/Assamed, 3ª. Margem, O Continente e revistas Porto e Vírgula e Continente Sul Sur, de Porto Alegre-RS.

Poema sobre a recusa Como é possível perder-te sem nunca te ter achado nem na polpa dos meus dedos se ter formado o afago sem termos sido a cidade nem termos rasgado pedras sem descobrirmos a cor nem o interior da erva. Como é possível perder-te sem nunca te ter achado minha raiva de ternura meu ódio de conhecer-te minha alegria profunda.

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Por José Valdir Oliveira
Na semana em que as areias da praia de Copacabana na cidade do Rio de Janeiro amanheceram cravadas com 700 (setecentas) cruzes pretas, representando 700 vidas ceifadas pela violência urbana somente desde o inicio do ano. Fato repugnante e sinistro que desencadeou no país um misto de espanto e de indignação pelo desvalor da vida. Na Palhoça, no entanto, para contrabalançar o horror da vida e acalantar nosso contentamento, teve lugar, uma singular e distinta declaração de amor de um homem por uma mulher, declarando ao mundo dos vivos que nem tudo está perdido e que a violência não é a única forma possível do relacionamento humano. Para nossa felicidade tal alento de esperança e de dignidade fez-se na noite em que o nosso amigo Té, o peão romântico do tordilho negro, veio lá das bandas do paredão, convidou os parentes e amigos para dizer a todos naquele dia quão grande e verdadeira é sua paixão pela musa, namorada, mulher e agora noiva Regiane.
... acreditar

que ainda há uma esperança de caminhar pela vida acompanhado de uma paixão mulher.
comigo”, fazendo-se assim, acreditar que ainda há uma esperança de caminhar pela vida acompanhado de uma paixão mulher. Nessa
breve cerimônia de anunciação das bodas, o quase noivo Té corria e sorria entre as mesas ora passando a mão na cabeça, ora na barriga, servindo os amigos e calibrando alguns drinques para driblar a emoção sofreada até o ponto alto da noite. A escolhida, rainha da festa e também quase noiva se desdobrava entre a família e os amigos. Tudo já indicava que o pedido de noivado estava preste a acontecer, o Fábio, agora cidadão içarense já havia aprovado o churrasco, o Zé da Marise batia o pé, o Diniz dizia que a cerveja ali na festa estava gelada, o Sérgio nem falava tão alto, o Alaor da Tânia soltava sua risada pouco conhecida, o Odair, para os amigos, o carreirinha, passava a mão sobre sua volumosa cabeleira olhava para a Márcia pro Maneca e pra dona Célia, pensativo indagava, hoje que esse noivado sai. Enquanto isso alheio a toda essa multiatividade, o Adriano Velho dormia sentado numa cadeira debaixo de um bico de calha
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Os convidados aos poucos foram chegando e foram se acomodando nas cadeiras e mesas,cumprimentando os presentes, saudando o noivo, a noiva e familiares. O som do Tom, irmão do Té rolava o sertanejo romântico, indicando que a noite seria de arrebatadoras emoções e de corações rasgados. Uma dupla de loiras, loira Mara e loiras engarrafadas suadas de calor e frio, também enunciavam tudo de bom a confraria do Te e Regiane. As loiras gaseificadas e suadas de tanto gelo eram tragadas entre conversas, piadas e risadas, acompanhadas sobremaneira de alguns cowboys do litro verde. Na verdade, nessa ocasião, o certo era que já estávamos quase todos embriagados conjugadamente pelo teor alcoólico tequilar e pela alegria de aguardar o melhor da festa, numa rara e feliz oportunidade de se testemunhar o amor de um homem por uma mulher. De se dizer ao mundo sem a vergonha “quer, quer, quer!!!! Quer casar

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sem se importar com o aguaceiro que desabava sobre Palhoça. Foi tanta água, após longos dias de poeira que só poderia ser cumplicidade dos anjos para regar e celebrar o noivado. O clima era perfeito, mas ainda tinha gente que chegava, era o Bolão tio do noivo e a Miriam, o Guto, ainda pensando no dominó, com a Soaria, juntamente com o Irminho, que com as mãos para o alto exclamava “obrigado Jesus!” Nada mais havia a protelar o feito! Quando então de forma solene o Tom, irmão do noivo, D J da ocasião, faz soar: Aleluia!, Aleluia!!!! Aleluia!!!!! Proclamando pelos trompetes eletrônicos toda a pompa que a circunstância exigia para esse ato solene. Agora, nesse momento,todas as atenções se voltavam para o palco improvisado. Ato contínuo, lá, estava todo garboso o audacioso Té, de pronto chamou a amada a sua companhia, os pais, os irmãos, e se o espaço fosse maior talvez ainda estivessem chamando alguns. Ele estava decidido, mas a companhia dos amigos e parentes nesses momentos sempre ajuda muito, socializa a coragem e a alegria. Na expectativa, e parafraseando uma música dos anos 70, a platéia toda aplaudia e só desejava ser feliz, ansiosa aguardando ansiosa o pedido de noivado. Doce ilusão esperar que o pedido de noivado viesse logo de pronto, na verdade, após o protocolo inicial, o quase noivo que não fechava a boca sorrindo e que coçava a barriga sobre a camiseta, inclinou a cabeça para o lado da noiva que refreava o contido o choro. E como não havia mais o que protelar, o Té respirou fundo e passou a narrar o breve relacionamento de dez anos com Regiane, dizendo antes de qualquer coisa, vou contar uma história para vocês. Vocês sabem né, eu a Regiane nos conhecemos, estamos juntos e somos companheiros desde o tempo em que eu

estava na 6ª série e ela na 5ª série, no primeiro grau. Eu olhei pra ela, ela olhou pra mim e foi daquele jeito né. Quando chegou o fim do ano perguntei a professora se eu tinha reprovado? A professora me respondeu que sim e eu disse então, é isso que me dá felicidade. Dessa forma quis o destino que eu reprovasse para estudarmos juntos. Daí eu cheguei pra Regiane tal e coisa e tal, ficamos umas duas vezes e pedi com brevidade para namorarmos. Regiane me disse sim, que por ela tudo bem, mas o pai dela somente deixava namorar depois dos quinze anos – eu disse tudo bem, não tem importância, sou mesmo meio fora da lei. Aí quando ela fez quinze anos eu fui à festa na casa do pai dela. E desde essa época, estamos sempre juntos, superamos todos os conflitos e as crises da adolescência, continuamos unidos na experiência de um relacionamento mais maduro e adulto, e, estamos hoje aqui na presença dos parentes e amigos para consagrar, através desse noivado, o nosso desejo de seguirmos enamorados pegados um no outra vida a frente. Ao findar toda essa especial narrativa de vida e sonho, a fala do pai da noiva foi abafada pelos aplausos, diante dessa muito bela e louca palhocense história de amor. O ato heróico, pedido formal de noivado finalmente estava realizado. Finalmente as alianças se enlaçaram nas mãos de Té e Regiane. Somando-se a tudo isso para a coroação do evento, Dna Aparecida, mãe do Té muito emocionada, pegou a todos de surpresa, trazia nas mãos duas tacinhas de cristal conformando a champagne espumante, as mesmas tacinhas que há muitos anos atrás haviam celebrado o casamento dos avos do Té, o Senhor, Evádio e a Dna Edite. E que na casa desses permaneceu como testemunha silenciosa para em algum momento quanto chamada recontasse àquela e, refizesse a historia de outros personagens. Não há quem não diga qual

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linda história de amor nos faz sentir mais humano, quando uma paixão assim acontece para lavar a almas dos amantes, como também dos medrosos e insatisfeitos. Esse brinde a vida deve, pois, ser como uma praga, uma pandemia repetidamente espalhada aos gritos, aos confins da solidão do mundo inútil e estéril do cotidiano que nos tem abreviado os sentidos e o gosto de viver. Ave seja! O peão romântico do tordilho negro com sua inseparável amada, que recitem ao mundo a forma normal e infinita da convivência apaixonada, sinalizando sempre que o júbilo da eternidade temporária não dispensa a coragem de apostar no que lhe parece bom e no entendimento que esse bom é o outro e como tal é o diferente, muito embora, desavisadamente pela vida procuremos o sempre igual...

Jose Waldir de Oliveira por sua esposa Rita: Zé é natural de Palhoça e um dos lagunistas mais ferrenhos que conheço. É Policial Civil aposentado, advogado, escritor, músico, compositor e tudo o mais que lhe interessar fazer, além de amigo, pai e marido dedicado. Escreve poesias, contos, crônicas, letras de música, peças teatrais de maneira ímpar, num misto de seriedade e descontração.

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MEU OLHAR

Por Ju Petek
Meu olhar vaga nessa solidão que me rasga Meu olhar vaga entre toda essa poesia de borboletas que bailam Meu olhar vaga nessa valsa lenta e sensual Meu olhar vaga buscando cada pedacinho teu nessa inesperada dança cadenciada Meu olhar vaga nesse intenso desejo de deixar-me levar nesse vôo E vagar no teu olhar ... cadenciar no teu amor ... entorpecer no teu beijo E juntos planar no infinito do céu azul, numa dança incandescente, incessante, pulsante Meu olhar vaga ..... onde estás ...

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TRINTA ANOS DE LITERATURA
Por Luiz Carlos Amorim O Grupo Literário A ILHA e a sua revista, o Suplemento Literário A ILHA, completaram,em junho de 2010, 30(trinta) anos de atividades. Divulgando a literatura, dando espaço a escritores catarinenses e brasileiros e até estrangeiros, publicando a obra de todos eles em várias mídias, como a revista do grupo, o portal PROSA, POESIA & CIA., na internet, em http:// www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/, através da Editora A ILHA, publicando dezenas de livros solo e antologias de prosa e de poesia, através do Varal da Poesia, que transformou-se no Projeto Poesia no Shopping, da participação em feiras do livro e através de outros projetos como Poesia na Rua, Poesia Carimbada, O Som da Poesia, Pacote de Poesia e outros. São trinta anos de trajetória, sempre adaptando-se às novos mídias, às novas tecnologias de informação para chegar até o leitor. Para comemorar, o Grupo Literário A ILHA idealizou e lançou a coleção “Letra Viva”, composto de livros de crônicas de seus integrantes e a edição comemorativa da revista Suplemento Literário A ILHA, também circulando ininterruptamente por todos esses trinta anos.. Diferente da coleção Poesia Viva, que publicou poetas do Grupo Literário A ILHA que não tinham ainda livro solo publicado, a maioria deles – foram doze volumes – a coleção “Letra Viva” traz a lume os cronistas do grupo, que não são tão numerosos quanto os poetas, mas se destacam, escrevendo em jornais do Estado e pelo Brasil. Nesta primeira remessa, o grupo publica três livros de crônicas: de Célia Biscaia Veiga, que foi cronista do AN Cidade, de Mary Bastian, cronista de A Notícia, de Jurandir Schmidt, que também escreve para jornais e revistas e deste cronista. Crônica talvez não seja o gênero literário mais praticado, atualmente, pois perde para a poesia. Mas é o mais publicado, pois todo jornal tem seus cronistas diários. Então privilegiamos quem pratica esse gênero e entregamos os primeiros livros da coleção “Letra Viva”, na Feira Catarinense do Livro de 2010. Novos volumes da coleção serão publicados, pois o Grupo Literário A ILHA continuará abrindo espaços para a literatura, para a poesia, para o escritor da terra.

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Luiz Carlos Amorim é Coordenador do Grupo Literário A ILHA em SC, com 30 anos de atividades e editor das Edições A ILHA, que publicam as revistas Suplemento LIterário A ILHA e Mirandum (Confraria de Quintana), além de mais de 50 livros. Editor de conteúdo do portal PROSA, POESIA & CIA. e autor de 25 livros de crônicas, contos e poemas, três deles publicados no exterior. Colaborador de revistas e jornais no Brasil e exterior – tem trabalhos publicados na Índia, Rússia, Grécia, Estados Unidos, Portugal, Espanha, Cuba, Argentina, Uruguai, Inglaterra, Espanha, Itália, Cabo Verde e outros, e obras traduzidas para o inglês, espanhol, bengalês, grego, russo, italiano -, além de colaborar com vários portais de informação e cultura na Internet, como Rio Total, Telescópio, Cronópios, Alla de Cuervo, Usina de Letras, etc. O autor assina, também, o Blog CRONICA DO DIA, em Http://luizcarlosamorim.blogspot.com

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Texto da Fundação Guimarães Rosa O texto na íntegra pode ser encontrado no site: http:// www.fgr.org.br/

27 de junho de 1908, nasceu em Cordisburgo, Minas Gerais, João Guimarães Rosa, o primogênito de Dona Francisca Guimarães Rosa (Chiquitinha). Seu pai, Florduardo Pinto Rosa (seu Fulô) era comerciante, juiz-de-paz, caçador de onças e contador de estórias. Antes de completar 7 anos, “Joãozito”, como era chamado, começou a estudar francês por conta própria. Com a chegada do Frei Canísio Zoetmulder, frade franciscano holandês, em março de 1917, pode iniciar-se no holandês e prosseguir os estudos de francês, agora sob a supervisão daquele frade. Cursou o primário no Grupo Escolar Afonso Pena, em Belo Horizonte, para onde se mudou, antes dos 9 anos, para morar com os avós. Em Cordisburgo. Iniciou o curso secundário no Colégio Santo Antônio, em São João Del Rei, onde, em regime de internato, permaneceu pouco tempo por não conseguir adaptar-se, sabe-se que ele não suportava a comida do internato. De volta a Belo Horizonte matriculou-se no Colégio Arnaldo, então dirigido por padres alemães, e, imediatamente, iniciou o estudo do alemão, que aprendeu em pouco tempo. Era um poliglota, conforme um dia disse a uma prima, estudante, que fora entrevistá-lo:

“Falo: português, alemão, francês, inglês, espanhol, italiano, esperanto, um pouco de russo; leio: sueco, holandês, latim e grego (mas com o dicionário agarrado); entendo alguns dialetos alemães; estudei a gramática: do húngaro, do árabe, do sânscrito, do lituânio, do polonês, do tupi, do hebraico, do japonês, do tcheco, do finlandês, do dinamarquês; bisbilhotei um pouco a respeito de outras. Mas tudo mal. E acho que estudar o espírito e o mecanismo de outras línguas ajuda muito à compreensão mais profunda do idioma nacional. Principalmente, porém, estudando-se por divertimento, gosto e distração.”

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Em 1967, João Guimarães Rosa seria indicado para o prêmio Nobel de Literatura. A indicação, iniciativa dos seus editores alemães, franceses e italianos, foi barrada pela morte do escritor. A obra do brasileiro havia alcançado esferas talvez até hoje desconhecidas. Ao ouvir a gravação do discurso de Guimarães Rosa nota-se, claramente, ao final do mesmo, sua voz embargada pela emoção – era como se chorasse por dentro. É possível que o novo acadêmico tivesse plena consciência de que chegara sua HORA e sua VEZ. Em 19 de novembro de 1967, três dias após a posse, Rosa morreu subitamente em seu apartamenato em Copacabana, sozinho. (Sua esposa estava na missa), mal tendo tempo de chamar por socorro. Na segunda-feira, dia 20, o Jornal da Tarde, de São Paulo, estamparia em sua primeira página uma enorme manchete com os dizeres: "MORRE O MAIOR ESCRITOR". Quando morreu tinha 59 anos. Tinha-se dedicado à medicina, à diplomacia, e, fundamentalmente às suas crenças, descritas em sua obra literária. Fenômeno da literatura brasileira, Rosa começou a escrever aos 38 anos. O autor, com seus experimentos lingüísticos, sua técnica, seu mundo ficcional, renovou o romance brasileiro, concedendo-lhe caminhos até então inéditos. Sua obra se impôs não apenas no Brasil, mas alcançou o mundo.

Deus nos dá pessoas e coisas, para aprendermos a alegria... Depois, retoma coisas e pessoas para ver se já somos capazes da alegria sozinhos... Essa... a alegria que ele quer

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O MISTÉRIO DA FOME

Por Luiz Eduardo Gunther

Sabemos que há uma geografia da fome. Também sabemos que há uma geopolítica da fome. Podemos presumir igualmente uma história da fome. Difícil será imaginarmos ou avalizarmos um direito da fome.

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Você está lançando algum projeto que pode interessar os leitores do VARAL? Um concurso? Um livro? Exposição? Luiz Eduardo Gunther
Nasceu em Concórdia – SC em 03.03.54. Reside em Curitiba – Paraná. Graduouse em História e Direito pela Universidade Federal do Paraná, onde também obteve os títulos de Mestre e Doutor. É professor do Centro Universitário Curitiba – UNICURITIBA, desde 1987, onde leciona graduação, especialização e mestrado. Também é Desembargador Federal do Trabalho perante o TRT da 9ª Região. Integra a Academia Nacional de Direito do Trabalho e o Instituto Histórico e Geográfico do Paraná. É autor de diversas obras na área jurídica.

Conte pra gente, os leitores do VARAL são cultos, inteligentes, abertos! Venha até nós!

varaldobrasil@bluewin.ch www.varaldobrasil.ch

Foto de Jacqueline Aisenman

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Por Marcelo de Oliveira Sousa

Glorifiquemos a Independência com orgulho e satisfação Um País gigante, de influência Formador de opinião. Políticos de sapiência Que ama o povo e a educação Exaltando nossa bandeira Símbolo da Nação! A virtude da igualdade Em cada segmento A saúde com recorde de desenvolvimento Curando a ferida aberta sem sofrimento. Respeito mutuo e contentamento Uma grande virada no nível de vida Bloqueando os ressentimentos. O Brasil que é campeão Não só no futebol Que era homenageado e gritado Por desempregados e desdentados.

Celeiro do mundo Exportador de Tecnologia O Brasil potente Cheio de alegria. Acorde ! é só hoje que podemos sonhar Amanhã tudo permanece igual! mmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm mmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm mmmmmm Hoje é uma data importante para refletirmos se realmente somos independentes, com essa miséria assolando, corrupção, roubo, injustiça social e subserviência às grandes potências. Independência ou Morte!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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Marcelo de Oliveira Souza: Pseudônimo SOM, natural do Rio de Janeiro, Professor de Língua Portuguesa, formado na Universidade Católica do Salvador. Pós-graduado pela Faculdade Visconde de Cairu com convênio com a APLB/UNEB; Membro titular do Clube dos Escritores de Piracicaba; participa de vários concursos de poesias, contos, publicações em jornais e revistas estaduais, nacionais e internacionais sempre conseguindo ser evidenciado pelos seus trabalhos louváveis. Organizador do Concurso Literário Anual POESIAS SEM FRONTEIRAS.

Obras Publicadas: * Universos na Esperança de Amor e Paz 1984 - Editora ODEAM - Salvador-BA * Poetas Brasileiros de Hoje 1986 - Editora Shogun Arte - Rio de Janeiro-RJ * Escritores Brasileiros de Hoje 1986 - Crisális Editora - Rio de Janeiro-RJ * CD Literário 2002 Salvador - BA * Agenda Literária Dias de Poesia 2002/2003 - Editora Via 7 - Itapetinina-SP * Agenda literária Dias de Poesia 2003/2004 - Editora Via 7 - Itapetininga-SP * Antologia do II Conc. Grandes Nomes da Nova Literatura Brasileira 2001- Ed. Phoenix - São Paulo-SP * Revista Literária da Sociedade de Cultura Latina do Brasil 2000 - Mogi das Cruzes-SP * Imã Literário 2003 e 2004 Salvador-BA * Incluso no Guia Cultural do Estado da Bahia 2003 Salvador-BA * Verbete do dicionário de autores baianos 2006 Salvador-Ba * Livro A SALA DE AULA 2007 EDC Publicações - Salvador - BA * Apresentação do Livro POIETI CONTEMPORIMAS & VERSOS - Editora Ômnira 2007 Salvador BA * Livro Salvo Conduto 2008 - EDC Publicações - Salvador BA * Imã Literário 2008 Salvador - BA * Agenda Literária 2009 - Editora Celeiro dos Escritores - Santos SP * Livro de Crônicas Selecionadas de Porto Seguro 2009 - Editora Via Literária Porto Seguro BA

Foto de Jacqueline Aisenman

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De tudo, ficaram três coisas: A certeza de que estamos sempre começando... A certeza de que precisamos continuar... A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar.... Portanto devemos: Fazer da interrupção, um caminho novo ... Da queda, um passo de dança... Do medo, uma escada... Do sonho, uma ponte... Da procura, um encontro... Para mim, o ato de escrever é muito difícil e penoso, tenho sempre de corrigir e reescrever várias vezes. Basta dizer, como exemplo, que escrevi 1.100 páginas datilografadas para fazer um romance, no qual aproveitei pouco mais de 300.

No fim tudo dá certo, se não deu certo é porque ainda não chegou ao fim.

A música é o silêncio em movimento.

O otimista erra tanto quanto o pessimista, mas não sofre por antecipação.

Não confio em produto local. Sempre que viajo levo meu uísque e minha mulher.

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BASTA UM SEGUNDO MOMENTO

Por Marcelo Moraes Caetano

Tantos traumas nesta vida Por onde eu começo? Pela despedida Ou pelo avesso? Mas se levarmos isto em conta A vida nos leva a mal Camarada não desaponta Seu amigo, é de igual pra igual Então, o trauma que se vá Joguei fora aquele peso Que era a morte das pessoas insanas Me nasceu um Éden, um Jardim de Alá, Campos Elísios, Aruanda, bem aceso O mais infinito entre os Nirvanas...

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Marcelo e Gisele Joras

Marcelo Moraes Caetano é carioca, tradutor de inglês, francês, alemão e italiano, estudioso de latim e grego e escritor com 16 obras publicadas palas editoras EdUerj, Academia Brasileira de Letras, Academia Brasileira de Filologia, SENAI-FIRJAN, 7 letras, Vivali, Ferreira, Litteris, ONU-UNESCO, Elite-Rio, Paco. Tem prêmios literários no Brasil e no exterior (Prémio Sófocles, Montevideo, 2010, Prêmio ONU-UNESCO, Paris, 2005 e 2006, Prêmio Litteris 2009, Prêmio Guttemberg, Bienal Internacional de Literatura do Rio de Janeiro 2007). É pianista clássico, vencedor de primeiros lugares no Brasil e exterior (RJ, MG, SP, Córdoba etc.) É um dos editores da Revista de Cultura ALIÁS e colunista da Revista da Cultura (Livraria Cultura). É membro da APPERJ (Associação dos Poetas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro), da UBE (União Brasileira de Escritores), dos Poetas Del Mundo, dos Anjos de Prata, da Garganta da Serpente etc.

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Marcio Freitas, jornalista e comunicólogo, poeta e compositor, publicou o livro Opuu 666, em 1994, pela editora Paulista. Tem participação em coletâneas, como aSampoesia, editora Paulista, 1994, Grandes Escritores de São Paulo, 95, pela Editora Litteris, Grande Encontro, editora Physis, em 2001. “Comecei a escrever exercitando minha capacidade de desenhar. Reproduzindo, como se fossem imagens, aquelas letras, palavras, aquelas frases, períodos, aqueles parágrafos, capítulos e livros. Depois eu juntei os sentidos e comecei a esboçar o mundo.” Marcio Freitas

Casa via Consolação
São rápidos olhares Tempo é curto e custa caro Passos apressados Metrô lotado Aqui em cima o calor, o frio... Um carro parado À frente um importado passa lentamente Um negro sujo, contente E um fusca branco dando-lhe a vez Mulheres bem vestidas Homens também Chicletes pela calçada

Bancas de revista sem good news Folhetos diversificados Caiu um do meu lado Mais suja a cidade! A Paulista marcada de ponta a ponta de cigarro Festival de cores e pigarros Consigo ver o ar que respeito e aspiro Nos dois sentidos Sem nenhum sentido Mais um celular na mão pela boca Negócio? Esposa? Mesada das crianças? Amante?
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Bem, não tenho nada com isso Já tenho compromisso Basta um instante E com a mente de um pequeno gigante Vejo café, garoa, Oswald de Andrade Poema pílula É cada uma do Oswald Mês que vem tem feriado Um dia sem sufoco Litoral afogado Quanto avisto a Pamplona, felizmente Mulheres bonitas, elegantes Por baixo da seda seus segredos Ou talvez cigarro na bolsa Uma ponta de sol deixa o MASP mais charmoso E o relógio urbano acusa frio Mas tenho calor na espinha Só para não esquecer Deixei colado em minha porta Que hoje é noite de luar.

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Ode às baratas (ódio às baratas)
Baratas resistem Baratas insistem Sustentam o tal “argh” da nobre nação Nojentas baratas No lixo, ordinárias Se fedem? Não sei, não parei para cheirar Eu piso, eu queimo, esmago e blasfemo

Baratas requintadas De gosto aprumado Consultam o menu enquanto o chef não vem Vasculham o Fasano E sem fazer planos Entram pelos fundos Coçam as pernas Derrubam suas merdas No prato principal

Baratas de Brasília Lá dos Três (podres) Poderes Em pleno recesso Arrombando a nação Seus Atos Secretos Tô mais que esperto Mas sempre vacilo com outros ladrões

Barata online Com blogs de asas

Baratas urbanas Tem as suburbanas

Que voam do Twitter Até a nação Com seu marketing viral Na fachada ou no quintal Operam e espalham Mais um Mal do Século O Fantasma da Ópera Que ensaiava atrás da cortina Danou-se a espirrar e contaminou a platéia Com a tal gripe suína

Reluto e luto para não tê-las aqui Baratas de igreja Nos pés dos fiéis Baratas aventureiras Passeiam nas cachoeiras Invadem o camping e o biscoito de mel aveia Nas praias “maneras” E nas farofeiras Pequenos demônios Do altar rumo à fé cristã Presenciam curas, milagres e juras (e dízimos também) Na graça do vinho e do pão

Estão bem presentes no esgoto e Tropeçam no corpo de Cristo no sundown E se afogam no Cálice Divino E o Padre reclama do sabor da cerimônia

Minha tia, coitada Num jantar de família Subiu na escada Quebrou o meu lustre E caiu do vigésimo andar Tudo isso porque a barata malvada Sem ser convidada Apareceu de surpresa no jantar

Baratas birutas, cadentes e bêbadas Dançam em transe em cima dos corpos dementes da guerra nuclear

Baratas de Veneza Com ratos, que beleza! Em Boston, Paris ou no meu Ceará São globalizadas Imortalizadas Imunes aos ataques de Osama Bin Laden

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Trecho do Livro: O Mundo é Bárbaro | Luis Fernando Verissimo

Como seria se os portugueses tivessem sido postos para correr — ou para nadar, no caso — naquele 22 de abril, e nunca mais se animassem a chegar perto destas praias, nem eles nem quaisquer outros brancos? Como seria o Brasil, hoje, habitado exclusivamente por índios? Imagine uma reunião dos presidentes do Mercosul, todo mundo posando para a fotografia de terno e gravata e o brasileiro nu. Haveria vantagens e desvantagens em viver numa eterna Pindorama. Para começar pelo mais grave, pelo menos para mim: eu não existiria. Aposto que você também não. Devo ter sangue índio, se a cara da minha avó paterna não estava mentindo, mas o resto é um coquetel do que veio depois: português, negro, alemão, italiano. Em compensação, também não existiria o Eurico Miranda. Como seria se os holandeses tivessem derrotado os portugueses e colonizado todo o Brasil? Para começar, nossos padrões de beleza seriam completamente outros. Em vez de morenas, nossas mulheres seriam loiras de cabelo escorrido, e a brasileira mais conhecida no mundo seria alguma longilínea do tipo nórdico, chamada Gisele ou coisa parecida. Nem dá para imaginar. Como seria se os franceses tivessem conseguido consolidar a sua civilização subequatorial por aqui? Sei não, talvez a comida não melhorasse tanto assim — também se come mal na França, e vá encontrar uma boa feijoada com couve e torresmo —, mas quem nos assegura que hoje não teríamos uma Carla Bruni como primeira-dama, congressistas que ficassem sentados em seus lugares em vez de se aglomerarem na frente da mesa, um serviço público muito melhor e pelo menos mais quatro feriados nacionais (Dia da Bastilha, Dia do Armistício de 18, Dia do Armistício de 45, Dia do Queijo Fedorento etc.) por ano? Talvez fôssemos corruptos do mesmo jeito, já que deve ser alguma coisa na água. Mas as conversas grampeadas seriam em francês! Quer dizer, uma coisa de outro nível...

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Por Lariel Frota
Eu acredito, e sou prova disso, que alguns males que nos afligem, nada mais são do que sinalizações do grande CHEFE que norteia nossos destinos. Vou tentar explicar: acredito que DEUS sussurra, os anjos falam bem alto, e o diabo grita. Transportando isso para o nosso dia a dia, vamos refletir sobre o seguinte : Não ouvimos os maravilhosos "sussuros" de DEUS,quando acordamos tão bem, que tomamos um café da manhã muito mais rico em calorias, açucares e gorduras ,do que o necessário. Não ouvimos os "sussuros" de DEUS,quando deixamos de almoçar, e engolimos um lanche rápido pra atender um ou outro compromisso, afinal não podemos perder tempo! Não ouvimos os "sussuros" de DEUS quando nossa tarde está tão produtiva,tão cheia de momentos de realizações profissionais,que não nos detemos em observar aquela nuvem passando ligeira,ou o cantar de um pássaro, ou ainda o preguiçoso passeio de uma joaninha,sobre a folha delicada.

Então sabe o que acontece????Os anjos começam a falar bem alto:
Não ouvimos o "sussurro"de Deus, quando após um dia inteiro de atribulações, nos jogamos no sofá gostoso,em frente a televisão, sem olhar por um segundo, a casa que temos, aqueles a quem amamos e que nos amam também, esperando por um olhar, uma palavra, um sorriso.....as vezes até ao cachorrinho, gato ou outro animal doméstico qualquer, damos muito mais atenção do que AQUELE que passou o dia inteiro nos "sussurrando" suas divinas palavras. Então sabe o que acontece????Os anjos começam a falar bem alto: A digestão começa a ficar difícil, temos azia, gazes....sentimos dores nas costas, nas pernas, a vista fica cansada....e à noite....ah a noite,tudo se complica ainda mais.

É um cansaço muito mais que o justificável.Tudo nos irrita...a cabeça dói...o corpo nos parece uma carga difícil de carregar.....

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não temos vontade nem disponibilidade pra falar, nem muito menos pra ouvir, afinal amanhã temos tanta coisa pra resolver, que não podemos dispersar nenhuma gota de enegia nas coisas tolas do dia a dia,como fazíamos como eramos criança....dá para lembrar??? Da guerra de travesseiro....dormir sem escovar os dentes...soltar "pum" debaixo da coberta....rir,rir muito de tudo,escondendo o riso dos adultos que querem dormir e exigem que durmamos também!!!! Lembra disso???? É quando DEUS lhe sussurrava deliciosamente na inocência da sua criancice que você perdeu por aí.

Preste atenção, se você concordou com tudo isso,é um ótimo sinal: Você teve todos os maravilhosos sinais de que alguém muito especial te ama, presenteando-o com seus maravilhosos SUSSURROS!!!! Você tem todos os maravilhosos sinais de que alguém muito especial te ama, presenteando-o com a sua maravilhosa dor, que nada mais é do que um sinal de que precisa olhar para os lados...(todos os lados, inclusve o mais difícil o de dentro de você mesmo). Você tem todos os maravilhosos sinais de que alguém muito especial te ama, dando-lhe um fantástico "tapa ouvidos" para não ouvir os gritos do « diabo », insistindo para que desista de todos os seus planos!!! Meu querido amigo,não sei porque nem pra que escrevi tudo isso....saiu assim direto, sem correção, nem releitura,nem censura......talvez porque eu também um dia tenha sofrido dessas tais dores (que só quem tem sabe o que é). Dei uma paradinha, fiz uma viagem (a pior e mais difícil de todas) pra dentro de mim mesma e sabe o que aconteceu??? Os anos passaram e estou aqui....razovelmente lúcida,....praticamente inteira...absolutamente louca...tão louca,que paro pra ver a nuvem branquinha passeando no infinito azul....fico queitinha pra ouvir o gorgeio de um pássaro...e olha quem diria.....ouço as estrelas!!!!!
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O CLUBE DOS VIRA-LATAS é uma organização não governamental, sem fins lucrativos, que mantém em seu abrigo hoje mais de 400 animais que são cuidados e alimentados diariamente. Boa parte desses animais chegou ao Clube após atropelamentos, acidentes, maus tratos e abandono. Nosso objetivo é resgatá-los das ruas, tratá-los e conseguir um lar responsável para que eles possam ter uma vida feliz.

Por que ajudar os animais? Você sabia que no Brasil milhões de cães e gatos vivem nas ruas, passando fome, frio e todos os tipos de necessidades? Cerca deles 70% acabam em abrigos e 90% nunca encontrarão um lar. Parte será vítima ainda de atropelamentos, espancamentos e todos os tipo de maus tratos. Infelizmente, não é possível solucionar este problema da noite para o dia. A castração dos animais de rua é uma solução para diminuir as futuras populações mas não resolve o problema do agora. Sendo assim, algumas coisas que você pode fazer para ajudar um animal carente hoje: Adotar um animal de maneira responsável Voluntariar-se em algum abrigo. Doar alimento (ração) e/ou remédios para abrigos. Contribuir financeiramente com ONGs. Nunca abandonar seu animal Como o Clube vive? Somente de doações. Todas as nossas contas são públicas, assim como extratos bancários e notas fiscais.

Como ajudar o Clube? Para manter esses mais de 400 peludos em nosso abrigo, contamos hoje apenas o trabalho dos voluntários e com o dinheiro de doações. Todos podem ajudar, seja divulgando o Clube, seja adotando um animal ou mesmo doando dinheiro, ração ou medicamentos. Qualquer doação, de qualquer valor por menor que seja, é bem-vinda. As contas do Clube bem como o destino de todo o dinheiro estão abertas para quem quiser BRADESCO (banco 237 para DOC) Agência: 0557 CC: 73.760-7 Titular: Clube dos Vira-Latas CNPJ: 05.299.525/0001-93 Ou Banco do Brasil (banco 001 para DOC) Agência: 6857-8 CC: 1624-1 Titular: Clube dos Vira-Latas CNPJ: 05.299.525/0001-93 (Saiba mais sobre o Clube em http://frfr.facebook.com/ClubeDosViraLatas?ref=ts)

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A CircuitoTeca é uma biblioteca circulante – como o próprio nome sugere – idealizada e coordenada pelas escritoras Valquíria Gesqui Malagoli e Renata Iacovino, que conta atualmente com cerca de 700 livros, com variados títulos para públicos de interesses e faixas etárias diversas. Este projeto nasceu em virtude do desejo de ambas de propiciar o acesso à leitura, a difusão da literatura e, por meio destas atitudes, propagar a importância do livro no desenvolvimento humano e intelectual das pessoas, bem como sua função essencial para a educação e cultura de uma comunidade. O acervo da CircuitoTeca é proveniente de doações. Todos os livros doados são catalogados e recebem um selo cujo logotipo foi criado especialmente para este fim, pelo designer gráfico Nilton Prado. A CircuitoTeca acompanha saraus e eventos realizados pela dupla, além de ser levado a escolas e entidades onde é solicitada, sendo que, após um prazo previamente combinado, as autoras retornam ao local para recolherem os livros e fazê-los circular em outra localidade. Não há custo para o solicitante, trata-se de um trabalho voluntário. Uma grata novidade para o público leitor é que agora a CircuitoTeca tem também um ponto fixo. Trata-se do Espaço Cultural VIVA, que fica na Rua Prudente de Moraes, 949, Centro, em Jundiaí/SP. Assim, é possível retirar e devolver títulos, das 13h às 18h, de segunda à sexta-feira, com comodidade, e ainda se informar sobre os vários e interessantes cursos ali oferecidos.

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EMAIL oabegiato@yahoo.com.br

BLOG http://oabegiatopoesias.blogspot.com

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Às vezes, no rústico balcão de velha tábua enegrecida o tempo parava... Às vezes, o vento passava e o papel de embrulho acenava convidando o cliente a absorver o aroma pungente de couro curtido que se irradiava no ar... Só a velha balança parada com os pratos vazios ponderava o que havia de sabor no denso langor de algo invisível a indicar que a tarde se dissipava pesarosa a chorar... E quando vinha freguês antonio, maria ou joão de caderneta na mão fiava o açúcar, a farinha, num embrulho feito com arte com dedos magros da mão de um bodegueiro artesão!

Por Raimundo Candido Teixeira Filho

Professor e poeta, Raimundo Candido Teixeira Filho nasceu em Crateús, estado do Ceará, tem dois livros de poesias publicados, Karatis e Raiz do poema Teorema pra nos tanger e outras esquisitices ao quadrado. Faz parte da Academia de Letras de Crateús. Email: rcandidofilho@ig.com.br Site: www.raimundinho.hpg.com.br
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Por RenataFarias

A folha em branco pediu uma alegria para menina que, deitada, estava ao lado do caderno que acabara de ganhar. Então a pequena pegou sua caneta e lhe uma poesia, palavras com ou sem rima: “Onde moram os sonhos? Nas asas da borboleta? Nos meus olhos fechados? Onde mora a saudade? Em uma casa no meio do nada? Na vida adulta que custará há chegar? Ou em um primeiro beijo roubado?” Insatisfeita, a folha que agora tinha todas as perguntas da garotinha pediu uma ilusão... Então a menina desenhou flores, borboletas, um dia de sol com uma chuva fininha para refrescar. A folha agora era a primeira página de um possível livreto, mas tinha o avesso e pediu... - Quero um amor! A menina desenhou um enorme coração, contudo, a página entristeceu e disse: - Do que me adianta um coração vazio? Tenho que ter um sentimento dentro dele ou vários... Pensativa a autora pensou em várias palavras até amor, porém, para ele chegar e ficar se lembrou que a página precisava ter duas expectativas: E escreveu “futuro e esperança” e depressa foi até seu armário passou um batom rosa e beijou a página. Fechou seu caderno vestiu-se de fada e foi passear voando pela história que estava apenas começando.

Renata Farias, 44 anos, nascida em São Sebastião do Paraíso – Minas Gerais, artista plástica. Sempre amei escrever, moro atualmente em Olinda, estado de Pernambuco. Tenho meu blog e nele coloco minhas opiniões e impressões, sou apenas uma contadora de histórias.
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Por Renata Iacovino
“Estou vendendo um realejo/Quem vai levar/Quem vai levar/Quem comprar leva consigo/Todo encanto que ele traz/Leva o mar, a amada, o amigo/O ouro, a prata, a praça, a paz/E de quebra leva o harpejo/De sua valsa se agradar/Estou vendendo um realejo/Quem vai levar/Quem vai levar...”. A singeleza destes versos retrata um tempo – não muito distante – que não volta mais. Há tempo que volte? Vejo-o passar, seguindo seu rumo. Como dizia um outro poeta, “o tempo não para”. Os versos de “Realejo”, canção de 1967, de Chico Buarque, nos retratam com simplicidade a perda de valores, que vão se tornando quanto mais dispensáveis, mais necessários. A ingenuidade não é motivo para vergonha, mas para se obter mais afetividade e sentimento humano. Dito assim, parece pleonasmo. Seria... no entanto, o que vemos hoje é uma humanidade que caminha para a ausência de sentimentos, então, para a ausência de si mesma, de sua essência precípua. O humanismo foi um movimento intelectual que fomentou, no Renascimento, a valorização do saber crítico, saber este do qual estamos nos distanciando. Quem vai querer comprar um realejo em tempos de aquisições fúteis, de felicidades fabricadas, de desejos autômatos e de ausência de palavras? O encantamento é substituído pela fugacidade, a partilha pelo individualismo, e seguimos como quem obedece a uma cartilha que prega a inversão de valores. Há outros versos de resistência compostos por Chico na mesma fase, que já mostrava uma recusa ao mundo industrializado, contaminado pelo consumismo e pela massificação. “O homem da rua/Fica só por teimosia/Não encontra companhia/ Mas pra casa não vai não/Em casa a roda/Já mudou, que a moda muda/A roda é triste, a roda é muda/Em volta lá da televisão/No céu a lua/Surge grande e muito prosa/Dá uma volta graciosa/Pra chamar as atenções/O homem da rua/Que da lua está distante/Por ser nego bem falante/Fala só com seus botões”. Mesmo que o tempo não regresse, a poesia de Caetano sopra: “Ainda assim acredito/Ser possível reunirmo-nos/Tempo, Tempo, Tempo, Tempo/Num outro nível de vínculo/Tempo, Tempo, Tempo, Tempo”.
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Renata Iacovino
Natural de Jundiaí/SP, escritora, poetisa e cantora. Cinco livros de poesias editados: Ilusões Amanhecidas, 1996; Poemas de Entressafra, 2003; e Missivas, 2006, com Valquíria Gesqui Malagoli, com quem também lançou em 2007 o livro/CD infantil uniVerso enCantado; e Ouvindo o silêncio, 2009; ainda em 2009, com Valquíria, lançou o CD infantil De grão em grão e o livrObjeto OLHAR DIverso (haicais e fotos), e em 2010 o CD inVERSO. Dois CDs solo: 1 Rumo (1999) e Igualdiferente (2001). Participa de Antologias e é jurada de concursos literários. Integra: Academia Jundiaiense de Letras, Academia Feminina de Letras e Artes de Jundiaí, Academia Infantil de Letras e Artes de Jundiaí, Sociedade Jundiaiense de Cultura Artística, Grêmio Cultural Prof. Pedro Fávaro e Grupo Arte em Ação. Autora do Hino da Academia Jundiaiense de Letras. Organizou, a convite, dois livros (2005 e 2009). Articulista do Jornal de Jundiaí Regional. Ministra oficinas lítero-musicais e realiza Saraus para públicos diversos. Premiada em concursos literários. Edita o jornal literário CAJU com duas outras escritoras. reiacovino.blog.uol.com.br reval.nafoto.net caju.valquiriamalagoli.com.br reiacovino@uol.com.br
Renata e Valquíria lançam “inVERSO”, CD autoral Acaba de ser lançado o mais novo trabalho em parceria de Renata Iacovino e Valquíria Gesqui Malagoli: o CD intitulado “inVERSO”. Embora já tenham outros dois CDs gravados – e um terceiro que sairá ainda em 2010 – voltados para o público infantil, este é para o público adulto. O repertório traz doze faixas com letras de Valquíria e músicas de Renata, que também interpreta as canções e fez a direção musical. O CD, que vem sendo aguardado pelo público que acompanha o trabalho de ambas, mostra composições de períodos distintos, e algumas delas já foram apresentadas em saraus e eventos. Para quem conhecia, até então, seus trabalhos como escritoras e poetisas, poderá conferir mais uma faceta que leva a assinatura da dupla. A valorização da palavra, da língua portuguesa, dos versos, da poesia e dos elementos a esta ligados, sempre estiveram presentes nas criações de Valquíria e Renata, que possuem uma vasta obra em prosa e poesia. Aqui não é diferente. O cuidado com a composição das letras é acompanhado de perto pela melodia e pelo ritmo idealizados para cada música. O CD conta com a participação especial do coral “Divino em Canto”, sob regência de Cláudia de Queiroz, na faixa “Trenzinho”. A este projeto somou-se o talento dos músicos participantes, que contribuíram com sua criatividade em arranjos preciosos. O show de lançamento de “inVERSO” está previsto para o ano que vem, mas os interessados em adquiri-lo podem entrar em contato pelo site www.valquiriamalagoli.com.br 92

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Por Rodrigo Fernandes Pereira
Sempre fui um grande devorador de jornais. Houve épocas, ainda adolescente e sem internet, que lia seis diferentes diários. E sempre gostei de política. Tenho sangue Bittencourt, pois neto de Almerinda Bittencourt Fernandes, integrante do clã Bittencourt de Imaruí. Sempre e desde cedo, fiz campanhas políticas, sendo que a mais remota, penso, para Mário José Remor/Joãozinho, que disputaram vitoriosamente o Paço Municipal de Laguna. Sempre fui politizado e participativo, escrevendo cartas e comentários para jornais, revistas e blogs. o assunto. Mas era muito tímida e havia censura, como lembra o jornalista Moacir Pereira no seu livro "O Golpe do Silêncio". No dia 25 daquele mês - mesmo dia e mês em que teve início dez anos antes a Revolução dos Cravos em Portugal - estava prevista a primeira votação na Câmara dos Deputados da "Emenda Dante de Oliveira", que pretendia restabelecer as Eleições Diretas no Brasil para Presidente da República. Eu estava muito interessado no assunto e acompanhei direto de Brasília, durante todo o dia 25, inclusive à noite, aqueles episódios que integram a nossa história. Como eram lacônicas as notícias na televisão, usei um radinho.

Sempre fui bom aluno. Em algumas épocas, excelente. Em matérias como História, Geografia, OSPB (sic!) Educação Sigo, agora, para o tema central desta Moral e Cívica, sempre estive dentre os crônica, provocado em minhas memórias melhores da classe. pela nossa simpática representante em Depois dessa introdução e a propósito Genebra, Jacqueline Aisenman, que do post do dia 22 de julho último, "Uma recentemente contou em seu blog a com a Prova de Fogo" , in http:// aventura estudantil que teve aplicação de uma prova pelo “professor que certaslinhastortass.blogspot.com/, recordei roda a gente porque dá a pior nota de -me da seguinte passagem de minha vida. todas.” Era abril de 1984. Campanha pelas 'Diretas Já'. A imprensa já não podia mais esconder

Era abril de 1984. Campanha pelas 'Diretas Já'. A imprensa já não podia mais esconder o assunto. Mas era muito tímida e havia censura, como lembra o jornalista Moacir Pereira no seu livro "O Golpe do Silêncio".

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Naquele ano eu iniciava os estudos num novo Colégio, o CEAL, cursando o Primeiro Ano do Segundo Grau. No dia 26 de abril eu tinha prova de História com a professora Marta Remor. Acredito que versava sobre ‘Revolução Industrial’ (hoje os dois livros de História por ela indicados ajudam ao meu filho Guilherme, de 11 anos, nos estudos, embora ele prefira o 'santo Google)'. Obviamente que não tive tempo para estudar. Estava cansado, com sono, pois tinha ficado até tarde 'colado' no radinho. Na sala de aula eu sentava na carteira atrás do meu colega Carlos Alberto Tesch. As provas foram entregues e eu imediatamente comecei a tentar colar dele. Lembro-me que sentávamos numa fila de carteiras junto à parede que fazia divisa com o corredor. Como não era versado na estripulia, não conseguia ser discreto. Ao contrário, olhava sem pudores e desastrosamente sobre os ombros do meu colega. Fui advertido uma vez pela gentil professora. Mais adiante fui advertido uma segunda vez. E ainda sem ter escrito nada, não tive dúvidas em me levantar e disse-lhe algo assim: "-D. Marta, não estudei. Fiquei acompanhando pelo rádio os fatos que se sucederam ontem em Brasília por conta da votação da ‘Emenda das Diretas’. Peço-lhe desculpas. Se a senhora puder me ministrar a prova noutro dia, tudo bem. Caso contrário, é justo que eu tire zero." Pelo mês do ano, deve ter sido a primeira prova. Não tinha ainda muita afinidade com os colegas, oriundo que era da Escola Básica Jerônimo Coelho, na qual orgulhosamente cursei todo o Primeiro Grau. Petulância semelhante diante dum professor, com certeza, não era comum. Mas D. Marta, como sempre educada, disse que depois falaria comigo e eu me retirei da sala. Mais tarde conversamos. Pedi novamente desculpas. Ela aceitou e me aplicou noutra ocasião uma prova oral, na qual tirei dez. Voltando à Brasília, a Emenda Dante de Oliveira foi rejeitada por apenas 22 votos. Mas foi uma Vitória de Pirro do Governo. De nada adiantou a violência instalada naqueles dias na Capital Federal pelo General Newton Cruz, Comandante Militar do Planalto, montado em seu cavalo branco. A ditadura estava na iminência de ser sepultada. Na votação ocorrida no Colégio Eleitoral em 1985, ano seguinte, o candidato da situação foi derrotado, com a esmagadora vitória de Tancredo Neves, na nossa última eleição indireta para a Presidência da República. Nascia então, a "Nova República". O ato do jovem de 14 anos, que preferiu escutar no rádio momentos vitais para a redemocratização do Brasil, ao invés de estudar para a prova do dia seguinte, hoje não é recriminado pelo pai de família e advogado de 41 anos. Foi uma escolha calculada, acreditem!

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R " odrigo Fernandes Pereira, nascido em Laguna em 27 de junho de 1969. É casado com Elizabeth e pai de Guilherme e Henrique. Concluiu o Primeiro Grau na Escola Básica Jerônimo Coelho em Laguna e o Segundo Grau no Colégio Catarinense em Florianópolis. Formou-se em Direito pela UFSC em 1992 e desde então é advogado militante em Florianópolis., atuando em Primeiro e Segundo Graus, nas áreas de Direito Civil, Administrativo, Eleitoral, Comercial e do Trabalho. Ex- Professor do Curso Preparatório para Exame de Ordem – Disciplina “Estatuto da Advocacia e da OAB e Código de Ética e Disciplina” – Curso e Colégio Decisão – 2001/2003. Participou de vários congressos, ciclos, palestras, cursos, conferências na área do Direito. Ocupou ou ocupa as seguintes atividade paralelas à advocacia:
Presidente do Tribunal de Justiça Desportiva da Federação Catarinense de Futebol de Salão TJD/FCFS, entre 1998 e 2002. Membro da Comissão de Sociedade de Advogados – OAB/SC - 1998/2001. Membro do Tribunal de Justiça Desportiva da Fundação Catarinense de Desportos – FESPORTE – 2000. Membro do Tribunal de Ética e Disciplina – TED, da Ordem dos Advogados do Brasil – Secional de Santa Catarina – 2001/2003. Presidente da Comissão Disciplinar do Tribunal de Justiça Desportiva da Federação Salão – 2002/2005. Membro do I Tribunal de Ética e Disciplina – TED, da Ordem dos Advogados do Brasil – Secional de Santa Catarina – Desde 2004. Presidente da Segunda Comissão Disciplinar do Tribunal de Justiça Desportiva da Federação Catarinense de Futebol – Desde 2008. Procurador Geral da Irmandade do Senhor Jesus dos Passos e Imperial Hospital de Caridade. Catarinense de Futebol de

Q " uando escrevo, repito o que já vivi antes. E para estas duas vidas, um léxico só não é suficiente. Em outras palavras, gostaria de ser um crocodilo vivendo no rio São Francisco. Gostaria de ser um crocodilo porque amo os grandes rios, pois são profundos como a alma de um homem. Na superfície são muito vivazes e claros, mas nas profundezas são tranqüilos e escuros como o sofrimento dos homens."(João Guimarães Rosa)
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Tal qual toda arte, a literatura possui o condão de expressar, além do sentimento e idiossincrasias do autor de um texto, também um conjunto de ideologias e sentimentos coletivos que perpassam determinada época. Essa espécie de arquétipo cronológico, apropriando-me livremente do termo cunhado pelo suíço Carl Gustav Jung, é o que Goethe, por exemplo, chamou de Zeitgeist, ou “espírito da época”. Trata-se de uma espécie de fidelidade a valores éticos e estéticos presentes num dado momento. É bom lembrar que as artes engajadas em política e revolução foram uma constante da história da humanidade. Delacroix foi um ferrenho defensor da Revolução de 1789, na França. Foi assim que se dividiram as escolas artísticas, cujas nomenclaturas, em muitos casos, são comuns às artes plásticas (quadros e esculturas), à música, à literatura. Podemos, grosso modo, falar, a partir da Idade Moderna (após 1453), em renascimento, em maneirismo, em barroco, em rococó, em neoclassicismo ou arcadismo, em romantismo, em realismo, em naturalismo, em vanguardas como

modernismo,expressionismo, impressionismo, surrealismo, futurismo, dadaísmo, pósmodernismo, concretismo, neoconcretismo e assim por diante. Cada um desses termos guarda, em muitos casos, especificidade com um único tipo de arte, e, em alguns outros casos, refere-se, mais especificamente ainda, a determinado país ou conjunto de países que comungam uma cultura. Esta sempre pareceu tarefa relativamente pacífica aos críticos de arte: classificar, antes, durante ou depois da manifestação artística, esse conjunto de valores éticosestéticos que tornam determinadas obras irmanadas entre si. Victor Hugo dizia, aqui parafraseado, que não há nenhum exército com força bastante para se comparar a uma ideia cujo tempo tenha chegado. Então, como uma nuvem X, Y ou Z que pairava sobre determinados locais, em determinadas épocas, chovia copiosamente um conjunto de ideias que, a despeito das diferenças estilísticas entre os artistas, possuíam algo em comum, um cerne ideológico, artístico,
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verbivocovisual que as atava num feixe discreto (ou nem tanto), repleto de exemplares que corroboravam aquela Ideia maiúscula reinante. Muitos importantes críticos da arte, como Alexandre Baumgartem, com sua obra Aesthetica, ou Schlegel, Cassirer, Eliot propunham, cada um à sua maneira, a criação de um cânone específico diante do qual a obra em questão era, por contraste (prefigurando mesmo a natureza de Saussure e do primeiro Barthes, com seus estruturalismos ortodoxos), cotejada àquele cânone estabelecido, e, só daí, era-lhe atribuído um “valor” (termo bastante estruturalista), que era, em outras palavras, o modo como aquela obra contribuía para a manutenção, em equilíbrio ou desequilíbrio, de um cânone vigente. Adoro a alegoria criada por Eliot. Parafraseado, o grande poeta e crítico dizia que o cânone era como um jardim cheio de estátuas e que cada nova estátua ali colocada, por merecimento, abalava e reorganizava o equilíbrio de todas as estátuas que ali já estavam devidamente implementadas em seus pedestais.

Esse confronto com a pluralidade e essa consciência da multiplicidade e da soberania da diferença é o grande divisor de águas
É uma bela metáfora, em que pese ao fato de Eliot, por estar numa época em que isso era o normal, via a obra de arte com certa estaticidade que, olhada hoje, nos desconcertaria. No entanto, o mundo, após a revolução da comunicação, que a bem dizer começou na década de 40 do século XX (ou até ligeiramente antes), quando se inventaram as tecnologias como o telégrafo, o cinema, o telefone, a televisão, o celular, o computador, a Internet etc., etc., tornou-se, pouco a pouco, ciente das várias ideologias e viu-se numa espécie de entrecruzamento de linhas de ideias e valores com que nem sequer se poderia sonhar antes. Esse confronto com a pluralidade e essa consciência da multiplicidade e da soberania da diferença é o grande divisor de águas da era da informação. Se antes, as ideologias costumavam se estabelecer em blocos dicotômicos – ou se é negro ou se é branco; ou se é monarquista ou se é republicano; ou se é comunista ou se é capitalista; ou se é realista ou se é romântico etc. –, eis que, de repente,

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percebemos que todas as ideologias humanas, ao contrário do que muitos pensavam, mantiveram alguma semente pronta para ser replantada e germinar. Nem vou entrar no mérito de que estamos sempre precisando relembrar, por exemplo, o Shoá, ou holocausto nazista, pelo fato comezinho de que, useira e vezeiramente, há quem reacenda a fogueira inquisitorial do nazismo, com rótulos como “neonazismo”, “skinhead”... Sim houve outros holocaustos na história humana tão graves ou até mais do que o Shoá. Entretanto, lembrá-lo é fundamental por duas razões: tratou-se do primeiro genocídio registrado por meios de comunicação de massa; tratou-se do primeiro genocídio que inventou uma fundamentação “científica” para sua existência (o darwinismo e o biologismo deturpados) e, pior, USOU a ciência para fins de extermínio. Bem, mas estamos falando de arte, e não exclusivamente de ideologias. O que quero suscitar, com este breve artigo, é a seguinte pergunta: como podemos ter um Zeitgeist, hoje, em que a grande ideologia que deve reinar (e reina) é o respeito às infindas ideologias que reinam pelo mundo afora? A literatura, para ficarmos no que mais especificamente interessa a este artigo, hoje, não encontra mais um leitor passivo, que, assim como o próprio papel, aceita sem retrucar tudo o que se lhe escreva por cima. Os cérebros, hoje, já não aceitam (ou não deveriam aceitar...) qualquer escritura que se lhes dê. Há de haver uma refutação natural àquilo que já se provou deletério, pernicioso, inumano, desumano... E vou além: um leitor, hoje, não precisa, sequer, ler o texto do alto da página até embaixo, da esquerda para direita, linha por linha. Ele pode parar, ir à Internet, consultar, criar seus próprios diálogos, buscar links, empreender, enfim, seu próprio hipertexto. Dificilmente temos, nos dias contemporâneos, dois leitores que leiam exatamente da mesma forma o mesmo texto: cada um fez seu próprio hipertexto. E, assim, como acontece com um único leitor, pode-se falar, com muita fluidez, que ocorre fenômeno similar com grupos de leitores, aqueles que compartilhem uma cultura, um conjunto de valores éticos e estéticos. Dois grupos não lerão do mesmo modo a mesma obra de arte, seja ela qual for. Assim, a arte, e a literatura mais especificamente, deixou de ser uma “estátua” num “jardim de estátuas”, e se transformou numa bailarina num imenso balé já formado por orquestra, corpo de baile, maestros, músicos, costureiros, linha do coro, elenco de
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apoio, solistas, partituras, improvisos, recriações... Qual é o papel da literatura neste mosaico, neste caleidoscópio, neste “arcoíris” (como diria Nelson Mandela), nesta fosforescência? Não pretendo, aqui, fazer a bainha na questão. Pretendo, antes, desfiar a trama do tecido e recriar tecidos inusitados. Parece-me que está aí um dos papéis da literatura diante do renovado cenário mundial. Mostrar os muitos fios que o compõem e demonstrar como é possível lidar com todos em harmonia, beleza, ajuste, recomposição e – criatividade. A nova literatura trouxe isto de seus antepassados artísticos: criatividade. E contribui com eles com a seguinte conjuntura – movimento, respeito, conciliação, ideologia das ideias, refutação do que a profecia da história já demonstrou há muito como nocivo. A nova literatura dança na criatividade de novos e antigos arquétipos, tendo como grande farol o afã por se criar um mundo mais ativo e atuante nas ideologias plurais que nos respeitem e nos digam respeito.

Com o lançamento marcado ainda para este ano a antologia POESIA E PROSA NA TERRA DE ANITA do Grupo de Escritores Lagunenses CARROSSEL DAS LETRAS. O livro contará com contos, crônicas e poemas dos membros do Grupo e terá as ilustrações e a capa feitas pelo artista plástico Arthur Cook.
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Thiago Arancam
Vou lhes falar desse Grande Tenor, Mundialmente conhecido, Amigo Querido e que acompanhei o começo da carreira. Filho de Sergio, um Amigo nosso de Londrina, cantava para nós em reuniões feitas na chácara de seu pai e em outras reuniões que organizávamos na casa de Amigos como um Lindo Show que organizamos da casa des Mes Chers Amis Thelma e Chico Gregori que foi uma revelação para os londrinenses !!!! Me lembro ainda quando falava com ele ao telefone e ele com Aquela Voz Divina cantava para mim “Amigos para Sempre...”, só de pensar me arrepio inteira... E eu sempre lhe dizia... “Você será um Grande Sucesso Mundial, tenho certeza disso, Mon Chéri !!!! “ Cada vez que o ouvíamos cantar, me emocionava... Era impossível conter as lágrimas !!!! Agora Voilà Thiago Aracam, aquele menino Querido, Doce e Super Educado virou um Astro Internacional, aclamado pelos Grandes Tenores !!!!

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Um pouquinho do seu curriculum : Começa seus estudos musicais em São Paulo em 1998 na "Escola Municipal de Música" e continua na "Faculdade de Música Carlos Gomes" onde se forma em "Canto Erudito" em 2003. Participa do V Concurso Internacional de Canto Erudito Bidu Sayão em 2004, onde vence o "Prêmio Revelação" e a bolsa de estudo do projeto "VITAE". Logo depois é convidado a freqüentar a conceituada "Accademia de Canto Lírico do Teatro alla Scala" de Milão, sob direção da famosa soprano Leyla Gencer, tornando-se o primeiro Brasileiro a ingressar nesta Accademia. Aqui encontra o atual maestro de técnica vocal, Vincenzo Manno. Estreia em concerto lírico no "Alla Scala" dia 27 de Fevereiro de 2005 e participa depois de diversos concertos e produções de opera. Em 2007 apresenta-se em uma tournée com a "Orchestra Sinfônica do Friuli-Venezia Giulia": quatro concertos de árias de Zarzuela e de canções clássicas Espanholas, e no dia 24 de Junho, diploma-se em "Canto Lírico" no Teatro alla Scala de Milão. Recebe, em Bolzano, Itália, o prestigioso premio pela melhor voz lírica emergente 2007/2008, "Premio Alto Adige – Talento Emergente della Lirica 2007/2008", pela "Associação Amigos da Lirica L’Obiettivo" de Bolzano. Em Dezembro, debuta na opera "Le Villi" de G. Puccini, interpretando Roberto, no Teatro Coccia de Novara e no Teatro Sociale de Mântua. Em 2008 participa de uma tournée nos Emirados Árabes, com a orquestra da Accademia do Teatro alla Scala e de dois

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concertos de grande sucesso com a Orquestra Camerata Brasil de Brasília, sob a regência do maestro Sílvio Barbato. Em ocasião das comemorações do dia da Independência, se apresenta na Embaixada do Brasil em Roma. Participa do conceituado concurso lírico internacional Operalia 2008, organizado pelo tenor Placido Domingo, onde ganha três prêmios: PREMIO ZARZUELA, PREMIO DO PUBLICO e SEGUNDO PREMIO OPERA. Escolhido por Placido Domingo, estréia o papel de Don Josè (Carmen, de Georges Bizet) em Novembro, no Washington National Opera, (EUA), ao lado Alguns de seus prêmios : da mezzosoprano Denyce Graves e regido pelo maestro Julius Rudel. Em 2009 debuta Cavaradossi (Tosca, de Giacomo Puccini) em Frankfurt, Conte Maurizio (Adriana Lecouvreur, de Francesco Cilea) no Teatro Regio di Torino, Radames (Aida, de Giuseppe Verdi) em Sanxay, (França), e se apresenta em Londres em um recital em St. John's (Rosenblatt Recitals). "Prêmio Revelação" do V Concurso Internacional de Canto Bidu Sayão 2004. "Prêmio Alto Adige – Talento Emergente della Lirica 2007/2008", pela "Associação Amigos da Lirica L’Obiettivo" de Bolzano, durante as comemorações da Operetta "La musa leggera". "Operalia 2008" - Primo Prêmio Zarzuela "Don Placido Domingo", Primo Prêmio Audience (do público), e Segundo Prêmio Opera.
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Hoje casado com a Linda Michela e residindo na Itália é nosso Orgulho Nacional !!!!!

Acompanhem os Grandes Sucessos de Thiago pelos sites :

http://www.thiagoarancam.com/ http://www.youtube.com/user/ arancam http://www.twitter.com/arancam

http:// thiagoarancam.blogspot.com/

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Por Tereza Rödel
Neste espaço, Tereza vai colocar poemas que vai aqui e ali, garimpando. Garipando sim, porque muitas poesias esquecidas no tempo se comparam a pepitas de ouro! Palavras da garimpeira: « Comecei a fazer um novo hobby, que é garimpar poesias que acho bonitas, feitas por pessoas simples mas com alma poética. Achei esta em um livro de 1979, de uma amiga minha. Gostei e estou enviando !

CORPOS SUADOS

Tua mão macia tocou minha alma Teus lábios doces roçaram os meus Teus seios nus no meu peito fizeram meu coração Bater mais forte, e esse amor tão puro tal qual, Branda luz no escuro, me fez a mente confundir e nesse momento tão sublime em que nada do corpo é pecado...... Nos abraços de meus braços, No calor do corpo teu. A meiguice do teu tocar, A meninice do teu olhar... A sensação tão doce do teu amor. O perfume sutil da essência da vida no ar. E o tato dos meus dedos Na tua pele macia me fazia cavalgar neste campo farto sob o fascínio da Canção alucinante do prazer. A boca molhada de beijos, falando coisas de aventura Me levou as alturas e me senti em ti na intimidade dos teus segredos. Poesia de Demétrio Nazário Verani – Orleans (SC))

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Despedida
Sinto muito, mas terei que partir Para outras terras distantes não sei o quanto... Não quero que chorem Que caiam em pranto Quando eu partir Não sei para onde irei, mas tenho que partir Fugir do meu próprio eu Para um lugar em que não possa encontrar-me... Sei que ninguém sentirá minha falta Quando eu partir Preciso fugir Sair de mim Ver pores-do-sol Solitário como um corpo jogado aos vermes Quando eu fugir Quando eu partir Distante, para não sei onde Que eu não deixe saudades E leve todas as minhas lembranças Quando eu partir E assim como um vocábulo apagado Há muito tempo não invocado Eu veja o que fui E o que deixei de ser Quando eu parti

Por Thiago Maerki

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Biografia Thiago Maerki é licenciado em Letras e concluiu o curso de Filosofia dos Frades Franciscanos Capuchinhos. Atualmente, é professor de Língua Portuguesa em escolas da rede pública e privada no Brasil. Maerki é poeta, jornalista e membro da Academia Nogueirense de Letras (ANL), cadeira nº 29 e autor do livro de poesias “Reflexos Interiores”, publicado em 2009. Também em 2009, criou o site de literatura Imitatio (www.imitatio.webnode.com), a fim de divulgar seus trabalhos bem como o de outros escritores. Mais sobre o autor em: http://www.imitatio.webnode.com http://recantodasletras.uol.com.br/autores/thiagomaerki http://lattes.cnpq.br/8302766901789307

Ana Maria Magalhães nasceu em Lisboa no dia 14 de Abril de 1946. Licenciada em Filosofia pela Faculdade de Letras de Lisboa. É professora de Português e História no Ensino Preparatório desde 1969. Técnica de Gabinete do FAOJ durante dois anos. Professora destacada no Serviço de Ensino Básico e Secundário de Português no estrangeiro durante dois anos. Formadora de professores de História. Professora destacada no Instituto de Educação Educacional para realizar um estudo sobre os hábitos de leitura das crianças e jovens portugueses. É co-autora de várias colecções e livros didácticos.

Fonte:

http://www.wook.pt/

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Por Tino Portes

Grande coisa
O poder que tenho em mãos é um pífio pudor tem-no um qualquer homem

O valor que outros me dão ou que me vêm impor só a mim este consome

Grande coisa tudo em vão Adiante está o sol-pôr lá nada valem nomes
TINO PORTES

Albertino Lineu Portes nasceu em 25 de abril de 1978, em Santa Rosa do Viterbo/SP. Incentivado pelo pai, bibliotecário, e pela mãe, psicopedagoga, dedica-se à poesia – livre – desde que tomou contato com as primeiras letras. Funcionário público, em 2007, por ocasião do convite de uma amiga para participar de um varal literário, começou a divulgar seus escritos. Jovem, leitor assíduo de João Cabral de Melo Neto e Baudelaire, ditam-lhe as musas que vez por outra metrifique, embora não esconda sua predileção pelos versos e inspiração desmedidos. Confesso “poeta de horas de ócio” e avesso aos critérios de avaliação, esquiva-se de concursos, não tendo portanto premiações a divulgar. tinoportes@yahoo.com.br tinoportes@bol.com.br
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Um sonho
Quando se sonha só Nada acontece A não ser sonhos Como disse o poeta

Pra realizar um sonho Várias mãos são necessárias Força, vontade, movimento Construção demanda tempo

Querer e caminhar Pé firme na estrada E aí a coisa anda VALDECK ALMEIDA DE JESUS, 43, Jornalista, funcionário público, editor de livros e palestrante. Membro da Academia de Letras de Jequié, dos Poetas del Mundo e da União Brasileira de Escritores. Embaixador Universal da Paz. Publicou os livros Memorial do Inferno: a saga da família Almeida no Jardim do Éden, Feitiço contra o feiticeiro, Valdeck é Prosa e Vanise é Poesia, 30 Anos de Poesia, Heartache Poems, dentre outros, e participa de mais de 60 antologias. Organiza e patrocina o Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Poesia, desde 2005, o qual já lançou mais de 600 poetas. Site: www.galinhapulando.com e E-mail: valdeck2007@gmail.com

Firmeza, insistência Boa dose de paciência São as bases da existência.

Foto: Ramsart

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O ritmo da estação
Ronca o flamboyant Debaixo do sol do meio-dia Desse agosto – tão sem gosto, No seu sono de outono, À revelia De outra árvore em seu posto: O chapéu-de-sol. E o chapéu, Do arrebol (ao nascer e ao pôr do sol) É o réu! Pois o primeiro, Assim curvado está Sob o intento do momento Que seca o orvalho em cada galho. Não à pá Que do outro recolhe ao vento As folhas vermelhas com a mão. E como bolhas De sabão... voam, sopradas ao chão Sem escolhas!

Por Valquíria Gesqui Malagoli

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Valquíria Gesqui Malagoli

Jundiaiense, Presidente da Academia Feminina de Letras e Artes de Jundiaí (2010-2012) e membro de diversas entidades culturais. Articulista do Jornal de Jundiaí Regional, colabora também com outros veículos. Autora de: Versos versus Versos (2005), Testamento (2008) – poesias; O presente de grego (2009) – romance infanto-juvenil, A menina fala-fala, Sonho ou Pesadelo e Ih... racionais!, que integram a Coleção Oficinas para o público infantil (2010). Em coautoria com Renata Iacovino, lançou Missivas (2006 – parceria poética), OLHAR DIverso – haicaimagético (2009), o CD autoral inVERSO (2010), além dos infantis uniVerso enCantado (2007 – livro/CD) e De grão em grão (2008 – CD). Juntas, realizam oficinas, saraus e atividades afins; desenvolveram e mantêm desde 2009 a CircuitoTeca, biblioteca itinerante sem fins lucrativos. Com Josyanne Rita de Arruda Franco, criaram o jornal literário de distribuição gratuita CAJU.

www.valquiriamalagoli.com.br vmalagoli.blog.uol.com.br reval.nafoto.net vmalagoli@uol.com.br caju.valquiriamalagoli.com.br

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Juazeiro do Padim Pe. Cícero
Juazeiro,Juazeiro do Padim Pe. Cícero Ali estava o Padre Cícero sublime e divino. Boas intenções tinha,doava terra aos pobres O pequeno vilarejo passou para cidade A cidade prosperou com a ajuda de Pe. Cícero, Pelos seus feitos valiosos,o Padim mereceu aquela estátua Juazeiro,Juazeiro do Padim Pe. Cícero Uma jovem Maria de Araújo no ano de l885 Com vinte anos passou a vestir manto e hábito preto Tornara-se a beata Maria de Araújo ao serviço do Senhor Continuava morando em sua casa,mas servia a Deus e aos necessitados A beata tinha visões,comunicava-se com Nossa Senhora e Jesus Cristo Juazeiro,Juazeiro do Padim Pe.Cícero Em visões Jesus Cristo lhe dava direções espirituais Melhorava sua inteligência dando conhecimento aos mistérios divinos. A beata se confessava apenas com Pe. Cícero. Era o dia primeiro de março, Ao amanhecer da primeira sexta quaresma de l889, Padre Cícero confessava. Juazeiro,Juazeiro do Padim Pe. Cícero A beata Maria de Araújo foi a primeira a comungar a hóstia O padre quando ofertou para a beata, a sagrada transformava-se na boca Oh milagre!Imediatamente tornava-se em porção de sangue. Oh! Grande descoberta,sempre que ia comungar o milagre acontecia. A beata Maria de Araújo, sendo sangue do meu sangue,devo divulgar.

Por Varenka de Fátima

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Varenka de Fátima Araújo.
Reside em Salvador-Bahia. Filha de Francisco Chagas de Araújo e Maria Albaniza Araújo. Formada em Direção teatral pela Universidade Federal da Bahia, cursou licenciatura em Desenho na Escola de Belas Artes da UFBA É figurinista da Escola de Teatro da UFBA. Professora de teatro aqui e em 1984 no Panamá. Atriz, maquiadora e figurinista de varias peças de teatro. Participou do livro Ecos Machadianos, 2009; coletânea verso e prosa, teve participação com a poesia Salvador no Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus, 2009; Duas poesias na Antologia Delicatta IV prosa e verso, 2009; Poeta, Mostra Tua Cara e Coletânea EldoradoXVI, 2009; Na antologia Mãos que falam, ficou na nona colocação com a poesia Tempo de Espera, 2009; Teve três poemas no livro GACBA, 2009; Antologia de Contos e Crônicas Fronteiras, 2010; Coletânea em Verso e Prosa Ecos Castroalvinos, 2010; Coletânea de Poemas, Crônicas e Contos El Dorado XVII, 2010; Antologia Contemporânea 14 Poetas. É colaboradora da revista Artpoesia e Minirevista Contando e Poetizando de Marcos Toledo é membro do grupo Poetas Del Mundo, do site Luso Poemas e Varal do Brasil. .Email: venkadefátima@hotmail.com Celeiro dos Escritores: http://galerialiteraria.celeirodeescritores.org/ perfil.asp?at=varenka Poetas Del Mundo: http://www.poetasdelmundo.com/ verInfo_america.asp?ID=6036 Luso Poemas: http://www.luso-poemas.net/modules/yogurt/index.php? uid=9120 Recanto das Letras: http://recantodasletras.uol.com.br/ autor_textos.php?id=69129 Varal do Brasil: http://www.varaldobrasil.ch/23201/49501.html Contato: venkadefatima@hotmail.com

Foto Jacqueline Aisenman

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VIVINHO

Mas dá carinho. Gatinho enrolado, Dengoso, danado,

Por Anna Back. O que espero de ti? Que cresças assim, Criticando, achando, Olhos vivos, bem vivos, Sempre opinando! Sorriso largo, olhar incisivo. Cresças assim... Carinho, pra dar e retribuir, Dando atenção, afago, afeto, Assim é o nosso Vivinho. A todos, a nós, a mim. Gosta de perto estar, Em nossos corações, Mas prefere sair, passear. Sempre por perto! Meu Vivo, tio Vina, o Vini. Trazendo surpresas boas ou más... Tão vivo, traquino... Na tua música e na tua vida, Que xingo, Que o nosso amor te proteja, Que brigo, Onde estejas...E por onde vás! Que cobro! A atenção desdobro, Porque exige, insiste, Na irreverência, Na auto-suficiência. Dá trabalho,

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Vera Lúcia Luz Erthal, natural de Lages, SC, filha de Osvaldo Backes da Luz e Maria dos Prazeres Luz. Nasceu a11 de abril de 1955.É casada com Hélio Adilson Erthal, mãe de três filhos e tem dois netos. Escritora autodidata escreve desde os dezessete anos. Publica suas obras sob o pseudônimo de ANNA BACK. Professora aposentada pelo Estado. Trabalhou 27 anos como professora, secretária e diretora de escola pública. Hoje, atua na Secretaria da Educação de seu município, Otacílio Costa, na serra catarinense. Publicações: ROSTOS E VÉUS (2006) - Concurso Literário do Estado de SC; NINGUÉM SABE (2007) – Medalha de Bronze no Concurso da ABPEL RJ; NATAL SEM NOEL (2008) Revista Literária da ABPEL RJ (Edição Machado de Assis); MEU BEM (2009) – Antologia Scorteci (Enigmas do Amor) – SP; POEMA MATUTINO – (2009) – Antologia Scorteci (Enigmas do Amor) – SP; FAVOS DE MEL – (2009) Revista Literária – Clube dos Escritores de Piracicaba – SP e AMIGO AUSENTE – (2010) Revista Literária – Clube dos Escritores de Piracicaba – SP.

Foto de Jacqueline Aisenman

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Ingredientes

4 ovos 1 lata de leite condensado 1 colher (sopa) de margarina 1 colher (sopa) de fermento em pó Trigo até dar o ponto

Preparando

Bata na batedeira os ovos com o leite condensado por cinco minutos. Junte a margarina e bata até que ela dissolva bem.

Numa vasilha coloque a mistura da batedeira e vá colocando a farinha de trigo aos poucos, até ficar no ponto de enrolar as rosquinhas Amasse bem a massa, enrole, e frite em óleo bem quente Coloque em papel apropriado para absorver a gordura e depois passe no açúcar refinado.

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EL LIBRO DE LOS DESEOS
Eres el libro que contiene mi alma en que cada hoja narrada es mi vida y en cada letra escrita está mi pasión Eres la magia que representa al alquimista de Gutenberg que con tus tipos móviles haces desprender del libro papel de recuerdos y olores de tinta de amor que lo tienes impreso allí en tu corazón Cada punto seguido es tu ausencia cada punto aparte representa mi nostalgia la coma queda suspendida en el deseo y el punto y coma une tu ausencia mi nostalgia y nuestro deseo para que en todo el texto se refleje la expresión de nuestro querer

Víctor Manuel Guzmán Villena. Nacido en Ibarra- Ecuador, un 26 de febrero de 1956. Escritor y comunicador social. Ha publicado varios libros relacionados al mundo espiritual, metafísico y esotérico: Círculos de Vida, Laberintos Internos. Uno de carácter costumbrista: Con amor a mi provincia. Dos poemarios: Idioma del Alma y Laberintos de Amar: Encierro de los sentidos. En Internet la obra ha sido publicada en muchos sitios web y en revistas literarias y especializadas. Su vida se desarrolla incorporando todos estos conocimientos absorbidos por medio del estudio catedrático, la búsqueda del conocimiento y lo aprendido en la escuela de la vida. Toda esta comunión de ideas y sus experiencias lo hacen estar siempre en pos del entendimiento y el libre albedrío. Libre Pensador e Iconoclasta de la vida, ya que siente que los caminos a recorrer en la búsqueda filosófica son infinitos para derribar mitos y figuras desde los pedestales. a poesia refletindo sensualidade que acaricia, com seus versos uma homenagem a mulher recorrendo com luz ardente suas delicias e sua alma. Reveste cada poema com néctar dourado de palavras onde o amor e a paixão se abraçam com a vida.
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Por Vó Fia

Solange era o nome daquela menina linda, ela era o encanto de sua família e também dos amigos, porque era loirinha, pele rosada, dentinhos clarinhos e enormes olhos azuis, mas mesmo em sua infância ela já demonstrava ser uma pessoinha sonhadora, vivia imersa em sonhos e muitas vezes, se esquecia da vida . Seus sonhos cresceram com ela e no colégio era uma aluna inteligente, porém desatenta, parecia estar sempre em outra galáxia, mas como era muito gentil e alegre, os professores não se zangavam, mas não facilitavam e suas notas eram sempre baixas, porque notas não se ganha sem merecimento. Já adulta Solange continuou sonhando acordada, mas agora seu sonho era sempre o mesmo e se concentrava em Paris, que ela conhecia através de leituras, imagens fotográficas e filmes sobre a desejada Cidade Luz; sem condições financeiras ela jamais visitou a cidade e se contentava em sonhar. O tempo todo ela fantasiava viagens e passeios maravilhosos em Paris, fechada em seu quarto ela fechava os olhos e se sentia as margens do Rio Sena, de mãos dadas com um hipotético namorado a luz do luar, ao som de lindas canções cantadas por Edith Piaf, mas na vida real ela não tinha ninguém ao seu lado. Vivendo nesse mundo irreal ela quase não saia de casa e apesar de ser linda, nunca namorou e era motivo de piadas dos conterrâneos pela sua mania por Paris, porque além de sonhar ela falava sobre a cidade, como se conhecesse tudo por lá, citava o Museu do Louvre, a Catedral de Notre Dame e muito mais. A areia do tempo correndo e Solange sonhando com Paris e se esquecendo de viver, com sua obsessão incurável ela só conversava sobre esse assunto e as pessoas passaram a se afastar dela; cada vez mais solitária, ela foi definhando e aos quarenta anos de idade parecia uma velha decrépita, mas não desistia de sonhar Viveu mais dois anos e por fim morreu só em seu quarto e ao ser encontrada pela família, segurava com as duas mãos uma miniatura da Torre Eiffel, como símbolo de uma paixão doentia e anormal por uma cidade nunca vista realmente, mas sempre desejada; Solange tinha tudo para ser feliz, mas viveu e morreu só com seus sonhos.
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Por Thiago Maerki

Origens: À Literatura popular impressa em folhetos e vendida em praças e feiras livres deu-se o nome de Literatura de Cordel. Ao menos, foi dessa maneira que se chamou essa espécie de criação artístico-popular no Brasil, pois para sua venda, eram expostas em barbantes, cordas. Entretanto, ela foi chamada de diferentes maneiras em diversas partes do mundo: corridos (México e Venezuela), hojas ou pliegos sueltos (Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai, Peru...). A Literatura de Cordel, da forma que se encontra atualmente na tradição nordestina do Brasil, teve origem em Portugal, onde era chamada de folhas volantes (folhas soltas) e que geralmente retratavam fatos históricos, poesia, cenas de teatro (Gil Vicente), anedotas ou novelas tradicionais das quais as mais conhecidas são: Imperatriz Porcina, Princesa Magalona e Carlos Magno. Na tradição lusitana, esses textos eram memorizados e depois cantados por cegos em lugares públicos. Apesar de Portugal ter influenciado o desenvolvimento dessa literatura em território brasileiro, não é ele o criador do cordel. Ela remonta à época dos povos conquistadores grecoromanos, fenícios, cartagineses e saxões, chegando à Península Ibérica (Portugal e Espanha) por volta do século XVI. No Brasil, trazida pelos colonizadores lusos, a Literatura de Cordel floresceu, à princípio, no território que vai da Bahia ao Maranhão, estendo-se a todo o nordeste brasileiro. Uma questão intriga desde tempos os pesquisadores: Por que exatamente a região do nordeste? Isso pode ter acontecido pelo fato de Salvador ter sido a primeira capital da nova colônia, permanecendo com

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esse status até 1763, quando a cede do governo foi transferida ao Rio de Janeiro. Além desse, há outros motivos de base sócio-culturais, por exemplo, como salientou Câmara Cascudo, “a organização da sociedade patriarcal, o surgimento das manifestações messiânicas, o aparecimento de bandos de cangaceiros ou bandidos, as secas periódicas provocando desequilíbrios econômicos e sociais, as lutas de família deram oportunidade, entre outros fatores, para que se verificasse o surgimento de grupos de cantadores com instrumentos do pensamento coletivo e das manifestações de memória popular (...)”.

Temas tradicionais da Literatura de Cordel: Por conta da diversidade de assuntos tratados pelo cordel, seus temas são numerosos, o que dificulta sua classificação. Apesar disso, grandes foram os esforços de vários países em promover uma categorização formal com relação aos seus ciclos temáticos. No Brasil, vários pesquisadores se empenharam em construir uma classificação, dentre eles estão: Ariano Suassuna, Cavalcante Proença, Câmara Cascudo, Leonardo Mota, Manuel Diégues Jr., Orígenes Lessa e Roberto Câmara Benjamin. Todos eles deram suas contribuições, entretanto, sem esgotar o assunto. Uma das mais abrangentes e melhores classificações é a de Manuel Diégues Jr, a qual apresenta-se a seguir:

I. Temas tradicionais: a.) romances e novelas; b.) contos maravilhosos; c.) estórias de animais; d.) anti-heróis/peripécias/diabruras; e.) tradição religiosa.

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Pode-se citar, como exemplos desse ciclo: Proezas de Carlos Magno, Histórias dos Doze Pares de França, Cavaleiro Oliveiros, Cavaleiro Roldão, Roberto Diabo, Helena de Tróia, Histórias da Imperatriz Porcina, Donzela Teodora ... e outros de origem bíblica: José do Egito, Sansão e Dalila, Judas e histórias da Virgem Maria, Jesus , São Pedro, São Paulo ... No Catálogo da Casa Rui Barbosa, constam também contos maravilhosos: Ali Babá e os 40 Ladrões, Proezas de Malasartes, O Barba Azul, A Branca de Neve, A Bela Adormecida, O Ladrão de Bagdá e outros. II. Fatos circunstanciais ou acontecidos: a.) de natureza física (enchentes, cheias, secas, terremotos, etc.); b.) de repercussão social (festas, desportes,novelas astronautas, etc.); c.) cidade e vida urbana; d.) crítica e sátira; e.) elemento humano (figuras atuais ou atualizadas, como Getúlio Vargas, ciclo do fanatismo e misticismo, ciclo do cangaceirismo, tipos étnicos ou regionais, etc. III. Cantorias e pelejas: são influenciados pela oralidade, fruto do desafio entre dois ou mais cantadores. Por ser recitados, não houve uma preocupação em escrever esses poemas e registrá-los por escrito, dos quais muitos poucos acabaram em folhetos de cordel.

Apogeu e decadência do cordel no Brasil:
Pode-se afirmar, conforme estudos realizados por Liêdo Maranhão, que o auge da Literatura de Cordel no Brasil deu-se nas décadas de 40 e 50, quando reinava o populismo de Getúlio Vargas. Os dois cordéis que tiveram maior tiragem nessa época é justamente um que trata da morte de Getúlio Vargas e outro da de Agamenon Magalhães, que em apenas três meses venderam mais de 10 mil exemplares de um único folheto. A decadência, por sua vez, começou na década de 80, quando a Tipografia São Francisco, principal meio de divulgação dos cordéis, fundada nos anos 40 pelo poeta alagoano José Bernardo da Silva, foi vendida para o Governo do Estado e doada para a Academia Brasileira de Cordel. As mudanças constantes na política da Secretaria de Cultura do Estado e o sucateamento das máquinas contribuíram para que a “lira nordestina”, forma que era chamada nos anos 80, fosse menos valorizada levando a tipografia a abandonar completamente a impressão do antigo acervo de José Bernardo, restando hoje, saudades de um tempo que se foi.

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Sim, preciso dizer Vida em poesia Rezar versos se possivel, todo dia... Para que se transforme Amor em mantra... Sendo assim, depois somente o eco reticente...

Walnélia Corrêa Pederneiras – catarinense, reside em
Florianópolis/SC. Formada em Letras pela Universidade Federal de Santa Catarina. Professora de Yoga e Meditação. Escreve desde menina. Participou das Antologias: "Poesia do Brasil" Bento Gonçalves RS (volumes 4,6,7,8,9,10), "Poeta mostra a tua cara" (volume 5), Poetas do Café (volume 3), Poemas à Flor da Pele (volumes 1 e 2), Poetas del Mundo em Poesia (volume 1), Antologia Escritores Brasileiros...e autores em Língua Portuguesa -Vitória da Conquista -Bahia (volumes 6 e 7), Poetas En/Cena -Belô Poético (volumes 1, 2 e 3). É Cônsul de "Poetas del Mundo" em Florianópolis-SC. Membro da Academia Poçoense de Letras,ocupante da Cadeira número 43Poções-Bahia-Brasil. Escreve nos sites: Recanto das Letras:http:// recantodasletras.uol.com.br/autor.php?id=28134; Usina de Letras:http://www.usinadeletras.com.br/exibelotextoautor.php? user=walnelia; Apolo – Academia Poçoense de Letras: http:// www.apoloacademiadeletras.com.br/ e Varal do Brasil – Literário, sem frescuras – http://www.varaldobrasil.ch
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MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO SECRETARIA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA, ALFABETIZAÇÃO E DIVERSIDADE

IV CONCURSO LITERATURA PARA TODOS
BOLETIM Nº 1
30 de agosto de 2010 O Ministério da Educação lançou nessa sexta-feira, 27, o 4º Concurso Literatura para Todos, por meio de Edital N.º5/2010/SECAD/MEC, publicado no Diário Oficial da União. A iniciativa é uma das estratégias da Política de Leitura do MEC com o objetivo de democratizar o acesso à leitura, constituir um acervo bibliográfico literário específico para jovens, adultos e idosos recém alfabetizados e criar uma comunidade de leitores - os chamados neoleitores. Nessa quarta edição, os candidatos concorrem nas categorias prosa (conto, novela e crônica), poesia, textos da tradição oral (em prosa ou em verso), perfil biográfico e dramaturgia. Serão selecionadas duas obras das categorias: prosa, poesia e textos da tradição oral e apenas uma das criações inscritas das categorias perfil biográfico e dramaturgia. Também será escolhida uma obra de qualquer uma das modalidades do concurso de autor natural dos países africanos de língua oficial portuguesa: Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. Os vencedores recebem prêmios no valor de R$ 10 mil. (segue)
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Cerca de 300 mil exemplares das obras vencedoras serão publicados. Os títulos serão distribuídos aos estados e municípios participantes do Programa Brasil Alfabetizado, às escolas públicas que ofertam a modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA), às universidades que compõem a Rede de Formação de Alfabetização de Jovens e Adultos, aos núcleos de EJA das instituições de ensino superior e às unidades prisionais que ofertam essa modalidade de ensino. Os interessados em concorrer devem encaminhar as obras literárias até 13 de outubro para o endereço: IV Concurso Literatura para Todos, Ministério da Educação, Esplanada dos Ministérios, Bloco L, Sala 211, CEP 70047–900, Brasília /DF. Já os concorrentes naturais e residentes em países africanos de língua oficial portuguesa devem encaminhar os textos literários para as embaixadas do Brasil nos respectivos países. Mais informações podem ser obtidas por meio do endereço eletrônico: literaturaparatodos@mec.gov.br .

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