Escola Secundária de Pinheiro e Rosa

Ano lectivo: 2010/2011

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS Subdepartamento Curricular de Filosofia, Psicologia e Sociologia

CURSO: Científico-humanísticos

Filosofia – 11º Ano

Maio de 2011

5º Teste de avaliação

Duração: 90 minutos

GRUPO I
1.

O senso comum é um conhecimento superficial e acrítico. Explique porquê, a partir de dois exemplos. Indique se as afirmações seguintes são verdadeiras (V) ou falsas (F). Justifique, de forma breve.
A. Muitas das crenças do senso comum são mais duradouras do

2.

que as teorias científicas.
B. O

senso práticos.

comum

é

constituído

apenas

por

conhecimentos

3.

Muitos astrólogos consideram que a data de nascimento e o signo do Zodíaco determinam a vida das pessoas e supõem que esta ideia é confirmada por observações. Segundo Popper, estas observações fazem com que as suposições da astrologia sejam científicas? Justifique.

4.

Formule, por outras palavras e sob a forma de uma questão, o problema da demarcação.

GRUPO II

1. Enuncie, de acordo com o falsificacionismo, o critério de cientificidade.

2. Indique quais são, de acordo com Popper, as características de uma boa teoria

científica.

3. Esclareça, por palavras suas, o critério de cientificidade defendido pelos indutivistas

e a principal objecção que lhe pode ser colocada.

4. Explique a perspectiva de Popper relativamente ao progresso da ciência e à verdade.

1

GRUPO III
1. Considere o seguinte texto:

“Estás realmente feliz com a tua vida? O teu companheiro compreende realmente as tuas necessidades? Criar os teus filhos dá-te realmente um sentido de realização? Não há nada de mal em analisarmos a nossa vida. A vida é tudo o que temos e não há nada mais importante do que viver uma vida boa. Mas típico dos humanos é a interpretação perversa da forma como a devemos analisar: pensamos que analisar a nossa vida é a mesma coisa que analisar os nossos sentimentos, quando olhamos para dentro e vemos o que cá está e o que não está, a conclusão a que chegamos é muitas vezes negativa. Não nos sentimos da maneira que queríamos ou da maneira que pensamos que nos devíamos sentir. Então o que é que fazemos? Como bons viciados na felicidade que somos, vamos atrás da próxima dose: um ou uma jovem amante, um carro novo, uma casa nova, uma vida nova – qualquer coisa desde que nova. Para os viciados, a felicidade provém sempre de qualquer coisa, desde que nova (…) e se isto não resultar – o que acontece muitas vezes -, há um exército de profissionais muito bem remunerados à nossa espera, que terão o maior prazer em nos dizer onde e como arranjamos a próxima dose.”
Mark Rowlands, O filósofo e o lobo, tradução de Rosário Nunes, Lisboa, 2009, Edições Lua de papel, págs. 146-147.

1.1. Identifique o problema filosófico abordado. 1.2. A perspectiva apresentada é subjectivista ou objectivista? Porquê? 1.3. Explique em que consiste o paradoxo do hedonismo. 2. Concorda com a ideia, referida no texto seguinte, de que só o “compromisso

religioso” pode dar sentido à vida? Justifique, esclarecendo posição defendida pelo do autor do texto e a sua. «Por vezes, as pessoas supõem que afirmações como “Sem Deus a vida não tem sentido” são verdadeiras, mas ignoram a possibilidade de existirem outros tipos de compromisso que podem dar sentido à vida. Podemos escolher a vida de estudioso, de atleta, de mestre de xadrez, de músico ou de homem de negócios. Como John Stuart Mill, podemos ter como objectivo “ser um reformador do mundo”. Nesse caso, tal como o sentido da vida do crente religioso está ligado aos valores que ele adopta, a nossa vida ganhará sentido com os valores associados a essas actividades. No entanto, a religião tem uma grande vantagem sobre as outras formas de encontrar sentido na vida: resolve o problema do universo indiferente. Se, como Mill, escolhermos o objectivo de ser um reformador do mundo, teremos ainda de enfrentar o facto de isso ser insignificante segundo o ponto de vista do universo. É por esta razão que é tentador dizer que sem Deus a vida é absurda. No entanto, o compromisso religioso tem simultaneamente uma desvantagem em relação aos outros compromissos: assume que a história religiosa é verdadeira. Não devemos querer basear a nossa vida numa fantasia; se a história religiosa não for verdadeira, estaremos a fazer precisamente isso.»
James Rachels, Problemas da Filosofia, tradução de Pedro Galvão, Lisboa, 2009, Edições Gradiva, pág. 294.

2

GRUPO IV
«Entrei numa livraria. Pus-me a contar os livros que há para ler e os anos que terei de vida. Não chegam, não duro nem para metade da livraria. (…) Comprei um livro de filosofia. Filosofia é a “ciência” que trata da vida; era justamente do que eu necessitava – pôr ciência na minha vida. Li o livro de filosofia, não ganhei nada, Mãe! Não ganhei nada. (…) Imaginava eu que havia tratados da vida das pessoas, como há tratados da vida das plantas, com tudo tão bem explicado, assim parecidos com o tratamento que há para os animais domésticos, não é? (…) Um livro que dissesse tudo, claro e depressa, como um cartaz, com a morada e o dia. Não achas Mãe? Por exemplo: há um cão vadio, sujo e com fome; cuida-se deste cão e ele deixa de ser vadio, deixa de estar sujo e deixa de ter fome. Até as crianças lhe fazem festas. Cuidaram do cão porque o cão não sabe cuidar de si – não saber cuidar de si é ser cão. Ora eu não queria que cuidassem de mim, mas gostava que me ajudassem, para eu não estar assim, para que fosse eu o dono de mim (…). Mas eu andei a procurar por todas as vidas uma para copiar e nenhuma era para copiar.»
Almada Negreiros, Obras Completas, Vol. I, Lisboa, Imprensa Nacional, 1990, pp. 153-4.

1. Considerando que somos seres finitos, pensar sobre o sentido da vida (ou mesmo

estudar Filosofia) não será uma perda de tempo desnecessária? Porquê? Esclareça o sentido do texto de Almada Negreiros e argumente a favor da sua opinião.

Cotações:
Grupo I: 1. 20 Pontos; 2. 20 Pontos; 3. 15 Pontos; 4. 5 Pontos Grupo II: 1. 5 Pontos; 2. 10 Pontos; 3. 20 Pontos; 4. 20 Pontos Grupo III: 1.1 5 Pontos; 1.2. 15 Pontos; 1.3. 10 Pontos; 2. 30 Pontos Grupo IV: 1. 25 Pontos; Total: 200 Pontos

Bom trabalho!
A professora: Sara Raposo.

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