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Delloite-Guia Demonstracoes Financeiras2010

Delloite-Guia Demonstracoes Financeiras2010

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Demonstrações financeiras Exercício de 2010 As novas etapas da grande jornada contábil

2011

Índice

2011, o clímax da mudança O início de uma cultura de transformação na jornada pelas IFRSs ......................4 Os desafios dos próximos fechamentos .............................................................6 As novas etapas da jornada ...............................................................................9 Regulamentação contábil ......................................................................................11 Regulamentações específicas por setor Instituições financeiras e outras ...................................................................... 44 Assuntos tributários ...............................................................................................50 Normas Internacionais de Relatórios Financeiros (IFRSs) .........................................65 Princípios contábeis norte-americanos ...................................................................73 Índices de mercado .............................................................................................. 83

Acesse a publicação “Normas Internacionais de Relatório Financeiro – Modelo de demonstrações financeiras para 2010”, o checklist “Apresentação e Divulgação IFRS 2010” e outros conteúdos relevantes sobre normas contábeis em nosso site (www.deloitte.com.br).

Bem-vindo à nova edição do nosso Guia de DFs
A sofisticação crescente do ambiente de negócios e a adoção das melhores práticas corporativas são metas que o Brasil, como um dos grandes emergentes a despontar no cenário global do século 21, precisa continuar perseguindo. Parte significativa desse processo em curso está ligada aos esforços dos mais diversos agentes de mercado – de empresas a órgãos reguladores – em acelerar a integração da linguagem contábil brasileira aos padrões internacionais. O avanço do País rumo às Normas Internacionais de Relatório Financeiro (International Financial Reporting Standards – IFRSs) se mantém em passos cada vez mais firmes, sob a liderança de organizações que desejam estar sempre sintonizadas aos parâmetros aceitos pela comunidade de investidores internacionais. Apesar dos progressos, porém, ainda há muito caminho a se percorrer. Às empresas, cabe estudar as novas normas, implementá-las e, sobretudo, vivenciá-las, levando-as efetivamente a compor uma cultura de transformação contínua da corporação. É com esse propósito, de apoiar as empresas na difusão dessa cultura de mudança que hoje permeia a realidade contábil brasileira, que a Deloitte apresenta a nova edição deste tradicional guia “Demonstrações financeiras – Exercício de 2010”. Nas páginas a seguir, estão contidas uma exposição panorâmica das principais mudanças contábeis em desenvolvimento e, na sequência, as seções técnicas que servem de consulta geral. Com esta publicação, a Deloitte, que em 2011 está completando 100 anos de atuação no Brasil, reitera seu apoio a empresas e profissionais que contribuem para o fortalecimento do mercado de capitais e de todo o ambiente de negócios no País.

Demonstrações financeiras – Exercício de 2010 • 3

2011, o clímax da mudança O início de uma cultura de transformação
São Paulo (Bovespa), que requereu que companhias listadas no Nível II e no Novo Mercado apresentassem suas demonstrações financeiras de acordo com as IFRSs ou com os Princípios Contábeis Geralmente Aceitos nos EUA (US GAAP, na sigla em inglês), em versão completa ou com nota explicativa contendo a reconciliação para um desses princípios. O processo de convergência remonta também a outros episódios dos últimos anos, caso da exigência do Banco Central do Brasil (BC), por meio do Comunicado nº 14.259, de 2006, para que as demonstrações financeiras consolidadas de instituições financeiras passassem a ser preparadas com base nas IFRSs a partir de 2010, bem como da instrução nº 457, de 2007, emitida pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que determinou que as companhias abertas apresentassem suas demonstrações financeiras consolidadas adotando o padrão contábil internacional, a partir do exercício findo em 2010. Ainda em 2007, outro marco importante se deu na jornada de modernização da contabilidade brasileira, com o advento da Lei nº 11.638, que assentou novas diretrizes contábeis no País, estabelecendo como critérios para identificar as organizações consideradas de grande porte a posse de ativos superiores a R$ 240 milhões e/ou com receitas brutas anuais acima de R$ 300 milhões, mesmo que de capital fechado e limitadas. Aquela legislação submeteu as organizações que se encaixam nesses parâmetros aos mesmos padrões contábeis exigidos pela Lei nº 6.404, de 1976 – também com nova normatização estabelecida pela mesma Lei. Já em 2008, seria apresentado o primeiro novo conjunto de normas aplicáveis no Brasil para apresentação dos resultados financeiros, sendo sucedido, no ano seguinte, por mais um grupo de normatizações. Agora, em 2010/2011, chegamos ao grande momento em que o País aplica integralmente as IFRSs, exigindo que praticamente todo o conjunto empresarial brasileiro reporte suas informações contábeis dentro desse novo parâmetro, mais moderno, preciso e transparente. Ao convergir os padrões contábeis, o País absorve e passa a seguir as determinações

A contabilidade brasileira vive um momento marcante no processo de convergência aos padrões internacionais e desafia as empresas a se manterem sempre atualizadas quanto às novas normas, desenvolvendo uma cultura de antecipação frente às profundas mudanças em curso
Esta temporada de fechamentos de 2010/2011 representa o clímax de um longo processo de intensos e profundos esforços, por parte dos mais diversos agentes de mercado, no sentido de permitir que a contabilidade brasileira possa agora ingressar definitivamente no século 21, convergindo, em sua plenitude, às Normas Internacionais de Relatório Financeiro conhecidas como “IFRSs” (sigla em inglês para “International Financial Reporting Standards”). É graças ao trabalho perseverante, empreendido ao longo de anos por empresas, órgãos reguladores e todos os públicos que se dedicam ao aprimoramento das práticas contábeis no Brasil, que hoje podemos acompanhar o movimento de companhias de capital aberto, organizações de grande porte (mesmo as limitadas e as sociedades anônimas de capital fechado), instituições financeiras, seguradoras, subsidiárias de conglomerados estrangeiros e pequenas e médias empresas (PMEs) para cumprir a obrigatoriedade de apresentarem suas demonstrações financeiras referentes ao ano 2010 de acordo com o novo padrão contábil em vigor no Brasil. A trajetória que permitiu que o País chegasse a esse ponto foi longa e teve diversos momentos relevantes. Dentre eles, pode-se destacar, ainda do início da década passada, a regulamentação de governança corporativa criada pela então Bolsa de Valores de
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na jornada pelas IFRSs
do Conselho Internacional de Normas Contábeis (IASB, sigla em inglês para “International Accounting Standards Board”), entidade responsável por redigir, validar, promulgar e disseminar as IFRSs no mundo. O processo de convergência para as IFRSs é conduzido, no Brasil, pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), responsável local pela emissão de pronunciamentos contábeis correlacionados às IFRSs, sendo posteriormente sua adoção requerida pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC) e por órgãos reguladores, como a CVM, o BC e a Superintendência de Seguros Privados (Susep), entre outros. A adoção plena das IFRSs coloca o Brasil, de uma vez por todas, na linguagem das transações corporativas e financeiras globais. Na prática, esse avanço beneficia muito o ambiente de negócios como um todo, ao oferecer aos agentes financiadores brasileiros e estrangeiros uma melhor compreensão dos resultados das empresas, que podem obter crédito em condições menos onerosas e abrir espaço ao seu crescimento. Também passa a ser fortalecida a capacidade de mensuração do desempenho individual de cada organização, ao poder analisar sua performance frente à de seus concorrentes domésticos e internacionais. Momento de inflexão Se 2010/2011 representa o momento da grande virada da contabilidade brasileira, também significa um momento de inflexão na curva de desenvolvimento das organizações rumo à adoção do modelo contábil global. É certo que ninguém chegou ainda ao final da trajetória. Muito ao contrário, estamos todos nos estruturando para começar a trilhar efetivamente a fase mais consistente de nossa caminhada. Avançar nesses trilhos da convergência contábil implica uma mudança substancial na própria cultura das empresas que hoje se esforçam para cumprir as novas normas, com a qualidade necessária e dentro dos prazos estabelecidos. É preciso incorporar a cultura das IFRSs, a partir da plena absorção dos novos padrões, facilitando a sua aplicação nos processos internos, com maior agilidade e precisão na contabilidade. Este é, sem dúvida, um momento de clara transição que precisa se concretizar no dia-a-dia das empresas, no caminho entre a teoria e a prática da elaboração das demonstrações financeiras deste ano. Todos os envolvidos diretamente no tratamento dessas informações notarão que, em alguns casos, as novas demonstrações financeiras que serão apresentadas são acentuadamente diferentes daquelas desenvolvidas em anos anteriores. O volume de informações é bem maior e demanda maior grau de julgamento, além de prover mais transparência na exposição dos dados. Por outro lado, é fundamental ter clareza de que esse dinâmico processo de modernização da estrutura contábil brasileira não se restringe às demonstrações financeiras. Para incorporar efetivamente essa cultura de transformação que a nova fase de adoção das IFRSs traz para o Brasil, uma nova realidade se impõe à vida das empresas. É nesse contexto que os membros que integram os conselhos fiscais, de administração e de auditoria, bem como os executivos de Relações com Investidores (RIs), precisam conhecer mais profundamente as mudanças. Quando os responsáveis pela área de RI, por exemplo, se familiarizam com os procedimentos e critérios aplicados para a elaboração das demonstrações financeiras conforme as IFRSs, eles passam a adquirir o conhecimento essencial para prestar esclarecimentos aos analistas de mercado. O mesmo vale para os integrantes de conselhos de administração e fiscal, que, ao dominarem o tema, passam a ter os elementos vitais para questionar os critérios usados pela direção da empresa na elaboração das demonstrações financeiras. Isso ocorre, entre outros casos, na análise da seleção e aplicação de novas práticas contábeis até a política empregada para a distribuição de dividendos aos acionistas. Adicionalmente, os responsáveis por todas as áreas e competências da empresa – da tecnologia da informação à gestão do capital humano –, precisam ser envolvidos nesse processo. Todos esses atores da cena empresarial estão sendo convidados a ocupar seus espaços no palco desse clímax que o ambiente empresarial brasileiro atingiu, dentro de sua trajetória de adoção das IFRSs no Brasil.
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Os desafios dos próximos fechamentos

Embora a convergência com as IFRSs, por si só representará uma mudança profunda de relatórios financeiros existentes em 2010 e 2011, quando tomados em conjunto com as outras iniciativas de elaboração de relatórios regulamentares e fiscais pode-se começar a ver as mudanças ainda mais profundas e desafios para o fornecimento de informação financeira de muitas empresas. Mais do que nunca, há de se elevar a eficiência e eficácia dos processos e reduzir os prazos de fechamento das informações financeiras, para superar as expectativas cada vez mais exigente dos reguladores e usuários de informação financeira. Isto, sem dúvida, irá requerer uma atenção redobrada das empresas para não perderem o prazo e cumprirem adequadamente as exigências regulatórias. Na agenda de obrigações regulatórias que se apresenta às organizações de capital aberto no caminho às IFRSs, é importante considerar a exigência da reapresentação dos resultados trimestrais (ITRs) do ano de 2010 e as demonstrações referentes a 2009 também em conformidade com a nova normatização. permitindo a comparação dos desempenhos registrados em 2010 com os períodos anteriores. O Formulário de Referência anual, introduzido pela Instrução CVM n º 480 de 2009 e agora em seu segundo ano, (leia box na página 7), provavelmente vai ser significativamente afetado pela nova linguagem contábil trazida pela convergência com as IFRSs. Enquanto o Formulário de Referência tem sua base em informações financeiras preparadas de acordo com as novas normas de contabilidade, muitas das suas seções, incluindo dados financeiros históricos, terão de ser adaptadas este ano. Finalmente, para as empresas de capital aberto, há a determinação da CVM (através da Instrução nº 480) de que, a partir de abril de 2012, o prazo para publicação dos ITRs passará a ser de 30 dias (e não mais de 45 dias) após o encerramento do trimestre, impondo às organizações ainda mais a necessidade de se adaptarem e empregarem agilidade em seus processos.
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As empresas brasileiras listadas na Bolsa de Nova York (NYSE) têm pela frente um foco adicional de atenção. Desde 2007, o United States Securities and Exchange Commission (SEC, sigla em inglês para Órgão Regulador do Mercado de Capitais Local), tem aceito demonstrações financeiras preparadas de acordo com as IFRSs emitidas pelo IASB de empresas estrangeiras sem reconciliação para práticas contábeis norte-americanas (US GAAP). Com a convergência com as IFRSs no Brasil, as empresas brasileiras registradas no SEC têm uma opção de arquivar suas demonstrações financeiras de acordo com as IFRSs emitidas pelo IASB, com a SEC, aliviando para muitas os trabalhos adicionais de reconciliação. A eficiência proporcionada por isto é mais importante porque, a partir de 2012, dentro de uma série de melhorias e aprimoramentos promovidos pela SEC, o prazo de apresentação do relatório anual 20-F será reduzido de 6 para 4 meses. Portanto, já em abril de 2012, as companhias presentes no mercado norte-americano devem arquivar o 20-F, e não mais em junho, como era permitido nos anos anteriores. Para todas as empresas, a nova contabilidade convergente com as IFRSs se tornará a demonstração financeira oficial. Isso significa que, para efeitos legais e fiscais, demonstrações financeiras de acordo com as novas normas com base nas IFRSs servirão como base para operações de capital e dividendos. Tais informações também devem ser obrigatoriamente arquivadas na Receita Federal como parte da obrigação da empresa de apresentar as informações contábeis no âmbito do SPED. Estas iniciativas demonstram o valor que está sendo colocado na alta qualidade e nas informações financeiras por seus usuários dentro e fora do Brasil. As empresas devem concentrar-se além da simples contabilidade da presente temporada de resultados, para continuar os esforços na melhoria do processo de informação financeira global, à luz destas iniciativas adicionais e mudanças no horizonte.

A CVM 480 e o avanço da governança

O Formulário de Referência não representa uma cópia ou a simples atualização do que foi apresentado no passado, via IAN, mas um passo importante rumo às boas práticas de governança.
A instrução nº 480 da CVM, de 2009, que instituiu o “Formulário de Referência”, documento que aposentou o antigo Formulário de Informações Anuais (IAN), é mais uma prova de como toda a linguagem financeira está mudando. Mais de 400 companhias listadas na BM&F Bovespa são diretamente atingidas pela nova regra para o registro dos emissores de valores, ao determinar quais dados devem ser apresentados via Formulário de Referência, indicando tendências e bases maduras de informações sobre as organizações, como as que se referem a processos judiciais e contingências, por exemplo. O Formulário de Referência não representa uma cópia ou a simples atualização do que foi apresentado no passado, via IAN, mas um passo importante rumo às boas práticas de governança. Um de seus benefícios é que ele serve como uma espécie de prospecto permanente. Em teoria, as empresas reduzirão custos na elaboração de prospectos para promover eventuais ofertas ao mercado e terão maior agilidade para aproveitar as janelas de liquidez que abrem e fecham muito rapidamente. A CVM se inspirou no modelo que a Organização Internacional das Comissões de Valores (Iosco, sigla em inglês) denomina como “Shelf Registration System”, ou seja, todas as informações referentes ao emissor de valores mobiliários devem ser reunidas em um único documento (“Shelf Document”) e arquivadas no órgão regulador, devendo ser atualizadas constantemente – recomenda-se, no mínimo, uma vez por ano. Pretende-se, assim, padronizar os dados oferecidos aos investidores e atualizá-los tempestivamente. O novo sistema facilita a análise das informações pelos investidores e permite comparações entre empresas similares, colaborando para a tomada de decisões de investimento no mercado secundário. Para atenderem a essa necessidade, as empresas devem prover maior consistência às informações, aperfeiçoando processos internos para melhorar a captura e análise dos dados, o que contribui para o fornecimento das informações com maior qualidade e segurança. De seu lado, a CVM manifestou entender que o novo documento dá passos importantes na quantidade e qualidade das informações que serão colocadas à disposição dos investidores e do mercado periodicamente. Especialistas enfatizam que, assim como acontece com o mercado norte-americano, pela nova regra, as organizações brasileiras passam a estar mais preparadas para aproveitar as oportunidades do mercado. Na prática, isso significa que a documentação pode ser previamente preparada e atualizada pela companhia antes de decidir quando fará a emissão, viabilizando um registro mais ágil da operação pelo órgão regulador no momento em que a organização decidir ir ao mercado. No modelo anterior, era preciso preparar um prospecto completo, enviar à CVM e aguardar 30 dias para a análise, o que poderia resultar em eventuais pedidos de correções e, só depois, ter a operação aprovada. Uma das novas exigências do Formulário de Referência refere-se à necessidade de esclarecimentos caso as companhias publiquem medições não contábeis, sendo que a mais regularmente usada é o Lucro Antes dos Juros, Imposto de Renda, Depreciação e Amortização (“Lajida”, também conhecida pela sigla em inglês “Ebitda”). A minuta de instrução que dispôs especificamente sobre a divulgação dessas informações não contábeis, por parte das companhias abertas, foi submetida à audiência pública, por decisão da CVM, entre 18 de outubro e 3 de dezembro de 2010. A instrução define que “caso o emissor tenha divulgado, no decorrer do último exercício social, ou deseje divulgar no formulário de referência medições não contábeis, como o Lajida, deve: informar o valor das medições não contábeis; fazer as conciliações entre os valores divulgados e os valores das demonstrações financeiras auditadas; e explicar o motivo pelo qual entende que tal medição é mais apropriada para a correta compreensão da sua condição financeira e do resultado de suas operações.” Outros dos 22 itens inseridos no Formulário de Referência também mudam significativamente a forma como as empresas passam a reportar suas informações e obrigam os gestores a criar processos de divulgação mais sólidos, qualificados e precisos. Afinal, a responsabilidade pelas informações prestadas recairá sobre o presidente e o diretor de Relações com os Investidores (RI), conforme estabelece o primeiro campo do formulário. O desafio das companhias, de forma mais ampla, envolve, portanto, a captura e a consolidação rigorosa das informações por todas as áreas da empresa, além da definição de critérios de divulgação, o que requer o desenvolvimento de controles internos e a gestão de riscos, com avaliações permanentes sobre a estrutura operacional e o funcionamento desse organismo e, principalmente, a capacidade de checagem dos dados antes de serem apresentados. A empresa está mais exposta e isso faz parte do jogo. Transparência tende a gerar mais valor para a companhia, além de ganhos de liquidez, porque a percepção de risco pelo investidor melhora. Os conteúdos apresentados devem ser verdadeiros, completos e consistentes, nunca induzindo o investidor ao erro. Linguagem simples, clara, objetiva e concisa é a forma a ser adotada, buscando-se uma divulgação de maneira abrangente, equitativa e simultânea para todo o mercado. É também necessário que as informações sejam úteis à avaliação dos valores mobiliários emitidos. Um dos pontos de atenção relacionados às informações demandadas pelo formulário toca em um tema sensível: os critérios de remuneração. As regras da CVM determinam que as companhias informem quais são os maiores valores pagos aos executivos, a média e os menores. Historicamente, as organizações não eram obrigadas a explicar aos acionistas quais critérios utilizavam para remunerar seus executivos. Depois, passaram a ter de informar os valores e se havia coerência nos critérios adotados, e desenvolveram indicadores e metas para definir essa remuneração. Informar com clareza a política remuneratória é condição essencial para o pleno atendimento ao padrão exigido pelo formulário.

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A alternativa do CPC-PME

As empresas devem avaliar, com base em seu perfil e nas suas perspectivas de crescimento, qual a melhor regra contábil a ser aplicada ao seu caso.
Da mesma forma que as companhias abertas e as organizações de grande porte em geral, as pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras também estão desafiadas a ingressar na nova era da contabilidade. O CFC homologou, em dezembro de 2009, um conjunto de regras simplificadas, chamado “CPC-PME”. Como a regra completa (full) das IFRSs pelo IASB abrange 37 normas e 27 interpretações, ou cerca de 2.600 páginas, e foram convertidas em outras 56 normas e interpretações do CPC, a simplificação da norma, ou CPC-PME, se resumiu em 230 páginas, tornando-se uma opção mais fácil, para muitas PMEs, de ser aplicada. E quais são os critérios para caracterizar uma empresa sujeita às regras do CPC-PME? O pronunciamento CPC-PME indica que empresas que são reguladas pelo governo (concessionárias de serviços públicos, instituições financeiras, seguradoras e companhias abertas), bem como as demais organizações enquadradas na Lei nº 11.638/07 e as empresas de grande porte não podem ser enquadradas no conceito de PME. Todas as demais, sim. Essas organizações devem ser proativas e atentas à nova agenda a que estão submetidas. As empresas devem avaliar, com base em seu perfil e nas suas perspectivas de crescimento, qual a melhor regra contábil a ser aplicada ao seu caso. A versão completa deve ser uma opção a ser considerada, principalmente pelas empresas que estão em um movimento de expansão, podendo, em pouco tempo, ser enquadradas como de grande porte. Neste caso, toda a contabilidade feita com base no CPC-PME terá de ser ajustada. O mesmo vale para quem pretende abrir capital. O padrão CPC-PME não é aplicável para quem vai entrar na bolsa. A remoção de opções complexas e de tópicos não relevantes da versão completa, levando em consideração a relação entre custo e benefício, representa uma facilitação significativa para o atendimento às empresas de menor porte. A simplificação não significa, entretanto, que a mudança do padrão contábil seja tarefa fácil para as organizações. Como a estrutura conceitual do CPCPME é nova, mesmo sua versão internacional, apesar de já estar em discussão desde 2001 pelo IASB, só foi emitida em julho de 2009. Portanto, há o desafio empresarial de entender como aplicar o CPC-PME no Brasil, sem parâmetros e experiências anteriores de outros países, bem como tornar os usuários dessas demonstrações financeiras familiarizados com a nova estrutura. Isso implica, no futuro, que uma PME poderá enfrentar dificuldades numa operação de fusão e aquisição ou para obter crédito, pois investidores, parceiros ou financiadores não aceitarão a contabilidade em desacordo com a normatização aplicável às demais empresas. Por outro lado – muito mais relevante – ao seguirem o padrão internacional de contabilidade, as PMEs passam a ter seus resultados melhor compreendidos por agentes financiadores brasileiros e estrangeiros, obtendo crédito e condições menos onerosas e abrindo espaço para o crescimento. Podem, ainda, seguir caminho para planos mais audaciosos de acesso ao mercado de capitais, realizando, eventualmente, o lançamento de ações em bolsa de valores.

Os efeitos fiscais das IFRSs

Cada organização deve analisar isoladamente, conforme as suas características e do mercado em que atua, quais são os efeitos gerados pela aplicação da nova norma contábil.
Embora a implementação das IFRSs implique mudanças significativas nos processos internos das empresas, independentemente do porte, atingindo praticamente todas as áreas que passam a fornecer informações para a contabilidade, suportando o resultado final, para os efeitos fiscais, a mudança pode não ter impactos, embora existam algumas diferenças entre apresentar os resultados com base no CPC-PME ou com base nas IFRSs na sua versão completa. Já que, a partir dos resultados de 2010, é obrigatória a adoção do Regime Tributário de Transição (RTT), as empresas devem produzir a contabilidade com base no novo padrão e compará-la à regulamentação contábil vigente em 31/12/2007, considerando os efeitos sobre ativo, passivo e resultado. Depois, para recolhimento do Imposto de Renda e Contribuição Social, devem entregar a FCont e reportar na DIPJ os resultados ajustados decorrentes da aplicação do Regime Tributário Transitório (RTT). Os efeitos no PIS e na COFINS também devem ser analisados. Na prática, devem-se neutralizar os efeitos fiscais provocados pela adoção das IFRSs, tanto no caso do padrão completo (full) para companhias abertas e empresas de grande porte, como no caso do CPC-PME. Cada organização deve analisar isoladamente, conforme as suas características e do mercado em que atua, quais são os efeitos gerados pela aplicação da nova norma contábil. É importante observar que, embora tente neutralizar os impactos das mudanças sobre os cálculos tributários, o RTT não é de aplicação tão fácil. Alguns dos impactos mais significativos são notados, geralmente, na mensuração de alguns ativos fixos, que passam a ser avaliados com base nos seus valores justos, por exemplo, ativos biológicos e instrumentos financeiros. Adicionalmente, os componentes importantes que apresentem padrões significativamente diferentes de benefícios econômicos são depreciados de forma separada. Outro exemplo está no caso de aquisições de outras empresas. Por exemplo, o CPC-PME, após ditar os requerimentos para a alocação do preço de compra aos valores justos dos ativos adquiridos e passivos assumidos, admite a amortização do ágio pago pela outra empresa, enquanto a versão completa das IFRSs não permite essa possibilidade. Também são notadas dificuldades para apurar o efeito de juros sobre capitais e a amortização de ativos intangíveis, entre outros. Todavia, qualquer que seja a mensuração requerida para as demonstrações financeiras atuais, o lucro ou prejuízo de partida para a apuração do IRPJ da CSLL, em 2010, deve ser aquele que seria obtido com a utilização das regras contábeis em vigor em 31/12/2007. Mais um ponto importante e complexo se relaciona ao fato de que, embora a contabilidade societária tenha mudado, a aplicação do RTT exige que as empresas mantenham também a apuração contábil pelo antigo padrão BR GAAP. Só assim é possível entender os resultados com base nos novos padrões, comparálos aos apurados com base no padrão anterior e, assim, aplicar o RTT para fins fiscais. Nesse processo, a participação e o envolvimento das áreas responsáveis por gestão de tributos, em especial, do seu gestor e de sua equipe, são peças-chave para garantir a execução desse processo sem sobressaltos.

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As novas etapas da jornada

Atualmente mais de 50 normas, interpretações e orientações já estão em vigor no País e algumas delas sofreram revisões e ajustes ao longo de 2010. Entre elas, está todo um arcabouço de pronunciamentos contábeis (CPCs), baseados nos parâmetros das IFRSs, que agora, finalmente, torna-se um organismo vivo na paisagem empresarial brasileira. Trabalhar sob essas novas regras representa efetivamente uma nova etapa da jornada pela plena adequação aos padrões contábeis globais. Mais do que estudar e compreender as normas, toda organização precisa participar ativamente das etapas de construção dessa estrutura regulamentar que está moldando a nova contabilidade brasileira. Para

isso, precisam se antecipar, entender e acompanhar as fases de discussão pública dos pronunciamentos contábeis, tanto no Brasil (via CPC), como no exterior (via IASB). Ao se envolverem ativamente nos debates públicos das normas, com comentários e críticas, as empresas atuam no momento correto para influenciar a contabilidade futura. Ao mesmo tempo, essa interação estimula a absorção, pela cultura da empresa, dos novos padrões, facilitando substancialmente a aplicação nos processos internos, o que impacta em maior agilidade e precisão na contabilidade. Postergar a realização dessas tarefas, além de dificultar todas as etapas de mudança, pode torná-las mais penosas e dispendiosas.

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A aplicação das IFRSs em segmentos específicos

Veja, a seguir, como o padrão contábil internacional vem sendo estabelecido para alguns grupos do ambiente empresarial, que demandam regras ou procedimentos customizados à sua especificidade – caso das instituições financeiras, das seguradoras e das subsidiárias de empresas estrangeiras.
Instituições financeiras Conforme a Resolução 3.786, do Conselho Monetário Nacional, de 24 de setembro de 2009, as instituições financeiras de capital aberto e aquelas que são obrigadas a constituir comitê de auditoria pela legislação em vigor estão obrigadas a produzir demonstrações financeiras consolidadas em IFRS em 31 de dezembro de 2010. Em tese, esse grupo de instituições seria exigido a seguir o padrão internacional de contabilidade para os resultados consolidados de 2010, comparativamente aos de 2009. Todavia, o Banco Central do Brasil (BC) conferiu a essas instituições financeiras a opção de apresentarem as demonstrações financeiras consolidadas de 2010 comparativamente às de 2009. (1) A Carta-Circular 3.435 do BC, emitida em 19 de março de 2010, esclareceu alguns pontos sobre a elaboração do balanço de abertura das demonstrações financeiras consolidadas seguindo o padrão IFRS. Ficaram definidas as seguintes opções a serem adotadas como balanço de abertura das demonstrações financeiras consolidadas: I – 1º de janeiro de 2010, para as instituições que não apresentarem demonstrações financeiras consolidadas de forma comparativa; (1) II – 1º de janeiro de 2009, para as instituições que optarem por fazer a apresentação comparativa das demonstrações financeiras consolidadas dos anos de 2010 e 2009; ou III – 1º de janeiro de 2008, para as instituições que optarem por fazer a apresentação comparativa das demonstrações financeiras consolidadas dos anos de 2010, 2009 e 2008. Convém também lembrar a esse segmento empresarial que, embora o BC não tenha, até o momento, homologado grande parte dos CPCs, espera-se que essas pendências regulatórias sejam resolvidas e é importante que as organizações se mantenham informadas e acompanhem os debates dos pronunciamentos contábeis, além de se familiarizarem com as normas ainda não homologadas pelo BC, para não serem surpreendidas e enfrentarem dificuldades para a aplicação desses CPCs no futuro.

(1) A adoção da opção de não apresentar as demonstrações financeiras consolidadas contendo informações comparativas, elaboradas de acordo com a mesma base contábil, não permite à instituição financeira e à seguradora declarar que foram elaboradas de acordo com as IFRSs. Essa opção deve ser considerada para a preparação de demonstrações financeiras para propósitos específicos. Com essa opção, um conjunto completo de demonstrações consolidadas de acordo com as práticas contábeis em vigor deve ser preparado.

Subsidiárias de empresas estrangeiras As organizações estrangeiras e subsidiárias de conglomerados internacionais enquadradas na Lei 11.638, da mesma forma que as empresas nacionais, devem apresentar suas demonstrações financeiras de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil, que são convergentes às IFRSs. Embora as demais subsidiárias, sobretudo de capital fechado, que não se enquadram nessa normatização não contem ainda com um arcabouço regulatório claramente definido sobre a obrigatoriedade de apresentação de suas demonstrações financeiras baseadas nas IFRSs, esse grupo de organizações tem pela frente o desafio de se adaptar à norma contábil global e tornar-se mais eficiente na elaboração de suas demonstrações financeiras remetidas aos controladores.

Primeiro, porque mais de 150 países aplicam hoje as IFRSs como norma contábil, o que viabiliza a unificação das informações para um mesmo conglomerado, independentemente da localidade de cada operação. Sem ter de reconciliar as demonstrações para remetêlas às matrizes, as operações subsidiárias obtêm aporte de eficiência, agilidade e precisão. O uso de uma única linguagem contábil eleva, portanto, a produtividade e reduz custos. Outro fator relevante para a aplicação das IFRSs na contabilidade local das subsidiárias tem a ver com o cumprimento das obrigações fiscais do Brasil. As informações lançadas nos livros contábeis e apresentadas à Receita Federal, no âmbito do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), devem seguir a normatização brasileira, baseada nas IFRSs. A conversão para as IFRSs

poderá impactar o cálculo da base da controladora em suas subsidiárias estrangeiras e, com isso, influenciar os planos de repatriamento de capital e dividendos. As organizações cujas matrizes estão listadas na Bolsa de Nova York também devem estar atentas ao calendário em curso de convergência do padrão contábil norte-americano (US GAAP) às IFRSs. Vários dos temas que estão em discussão alteram a normatização nos Estados Unidos, gerando impactos na contabilidade das subsidiárias, caso de instrumentos financeiros, consolidação e seguros, entre outros. Dominando as regras mundiais de contabilidade, essas empresas estarão mais seguras e respaldadas tecnicamente para ofertar as soluções mais adequadas para a apresentação de suas demonstrações financeiras aos controladores.

Seguradoras Assim como as instituições financeiras, as seguradoras também contam, neste momento, com uma condição especial para o início da apresentação das demonstrações financeiras consolidadas referentes ao ano de 2010. A Superintendência de Seguros Privados (Susep) emitiu, em 23 de agosto de 2010, a Circular 408, que estabelece, entre outros dispositivos, que as sociedades e entidades por ela supervisionadas deverão apresentar, a partir do exercício findado em 31 de dezembro de 2010, as demonstrações financeiras consolidadas seguindo os pronunciamentos emitidos pelo IASB na forma homologada pelo CPC. O mesmo documento da Susep faculta a elaboração das demonstrações financeiras consolidadas, preparadas de acordo com

os CPCs, para a data-base de 31 de dezembro de 2010, sem as informações comparativas relativas ao exercício anterior. Ou seja, as seguradoras devem produzir seus resultados de 2010 seguindo o padrão internacional, mas, assim como as instituições financeiras, para efeito de divulgação e comparabilidade, não precisam apresentar as demonstrações de anos anteriores pelo padrão internacional. (1) Por fim, a Circular da Susep determina que as demonstrações financeiras individuais serão elaboradas de acordo com as práticas contábeis que estavam em vigor e que foram utilizadas para a elaboração das demonstrações financeiras do exercício findo em 31 de dezembro de 2009, que incorporavam apenas os pronunciamentos emitidos pelo CPC no ano de 2008.

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Regulamentação contábil Práticas contábeis brasileiras
Principais mudanças trazidas pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC nas demonstrações financeiras1 no Brasil Como parte do processo de harmonização com as Normas Internacionais de Relatório Financeiro (IFRSs) iniciado em 2008 e regulamentação das práticas contábeis alteradas a partir da edição das Leis no 11.638/07 e nº 11.941/09 (conversão em lei da Medida Provisória nº 449/08), (i) em 2008, 14 pronunciamentos, 1 norma sobre a estrutura conceitual básica e 1 orientação técnica foram editados pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC e aprovados por deliberações da Comissão de Valores Mobiliários – CVM e resoluções do Conselho Federal de Contabilidade – CFC; (ii) em 2009, o CPC editou mais 26 pronunciamentos, 2 orientações técnicas e 12 interpretações técnicas, que foram aprovados por deliberações da CVM e resoluções do CFC; (iii) em 2010, foi editado mais um pronunciamento e 3 interpretações técnicas, também aprovados por deliberações da CVM e resoluções do CFC, além de serem realizadas revisões de alguns dos pronunciamentos técnicos (CPCs), conforme demonstrado no quadro abaixo; (iv) foi editado também, em 2009, o CPC PME, contendo as práticas contábeis que podem ser adotadas por entidades consideradas de pequeno e médio portes, desde que não sejam companhias abertas, emitentes de títulos de dívida negociados no mercado nem sociedades de grande porte de acordo com a definição contida na Lei nº 11.638/07, aprovado por resolução do CFC. Para as instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil – Bacen, com exceção dos CPCs 01, 03, 05 e 25, que foram aprovados através de resoluções do Conselho Monetário Nacional, os demais CPCs ainda não foram aprovados e, portanto, ainda não são aplicáveis para essas instituições. É apresentado a seguir quadro contendo os pronunciamentos, as orientações técnicas e as interpretações técnicas editados pelo CPC e as respectivas deliberações da CVM e resoluções do CFC que os aprovaram. Deve ser observado que as deliberações da CVM devem ser seguidas pelas companhias abertas e as resoluções do CFC devem ser seguidas por todas as outras entidades, exceto aquelas sujeitas a regulamentação específica, como aquelas regulamentadas pelo Bacen e pela SUSEP.

1) Os normativos emitidos pelo CPC, citados neste material, usam a expressão “demonstrações contábeis”, enquanto nos normativos da CVM é utilizada a expressão “demonstrações financeiras”. Essas duas expressões têm o mesmo significado.

Pronunciamentos Técnicos
CPC no – Assunto Pronunciamento Conceitual Básico Redução ao Valor Recuperável de Ativos Efeitos das Mudanças nas Taxas de Câmbio e Conversão de Demonstrações Financeiras Demonstração dos Fluxos de Caixa Ativo Intangível Divulgação sobre Partes Relacionadas Operações de Arrendamento Mercantil Subvenção e Assistência Governamentais Custos de Transação e Prêmios na Emissão de Títulos e Valores Mobiliários Demonstração do Valor Adicionado (DVA) Pagamento Baseado em Ações Contratos de Seguro (a) Ajuste a Valor Presente Adoção Inicial da Lei no 11.638/07 e da Medida Provisória no 449/08 Instrumentos Financeiros: Reconhecimento, Mensuração e Evidenciação (Fase I) Deliberação CVM no 539/08 639/10 640/10 641/10 644/10 642/10 645/10 646/10 649/10 557/08 650/10 563/08 564/08 565/08 (b) Resolução CFC no 1.121/08 1.292/10 1.295/10 1.296/10 1.303/10 1.297/10 1.304/10 1.305/10 1.313/10 1.138/08 1.314/10 1.150/09 1.151/09 1.152/08 Editados em 2008:

01 (R1) 02 (R2) 03 (R2)
04 (R1)

05 (R1) 06 (R1) 07 (R1)
08 (R1)

09 10 (R1) 11
12

13 14

(b)

Demonstrações financeiras – Exercício de 2010 • 11

CPC no 15 16 (R1)

Assunto Combinação de Negócios Estoques Contratos de Construção Investimento em Coligada e em Controlada Investimento em Empreendimento Controlado em Conjunto (Joint Venture) Custos de Empréstimos Demonstração Intermediária Informações por Segmento Políticas Contábeis, Mudanças de Estimativa e Retificação de Erro Evento Subsequente Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes Apresentação das Demonstrações Financeiras Ativo Imobilizado Propriedade para Investimento Ativo Biológico e Produto Agrícola Receitas Ativo Não Circulante Mantido para Venda e Operação Descontinuada Tributos sobre o Lucro Benefícios a Empregados Demonstrações Separadas Demonstrações Consolidadas Adoção Inicial das Normas Internacionais de Contabilidade Instrumentos Financeiros: Reconhecimento e Mensuração Instrumentos Financeiros: Apresentação Instrumentos Financeiros: Evidenciação Adoção Inicial dos Pronunciamentos Técnicos CPC 15 a 40 Contabilidade para Pequenas e Médias Empresas Resultado por Ação Exploração e Avaliação de Recursos Minerais Contabilidade e Evidenciação em Economia Altamente Inflacionária

Deliberação CVM no 580/09 575/09 576/09 605/09 606/09 577/09 581/09 582/09 592/09 593/09 594/09 595/09 583/09 584/09 596/09 597/09 598/09 599/09 600/09 607/09 608/09 647/10 604/09 604/09 604/09 651/10 Não aplicável 636/10 -

Resolução CFC no 1.175/09 1.170/09 1.171/09 1.241/09 1.242/09 1.172/09 1.174/09 1.176/09 1.179/09 1.184/09 1.180/09 1.185/09 1.177/09 1.178/09 1.186/09 1.187/09 1.188/09 1.189/09 1.193/09 1.239/09 1.240/09 1.306/10 1.196/09 1.197/09 1.198/09 1.315/10

Editados em 2009:

17 18 19 20
21

22 23 24 25
26 (R1)

27 28 29 30
31

32
33 35 36 (R1) 37 (R1) 38 39 40 43 (R1) PME 41 34

1.255/09
1.287/10 -

Editado em 2010: Ainda não editados: (c)

42

-

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Orientações Técnicas
OCPC nº 01 (R1) 02 Assunto Entidades de Incorporação Imobiliária Esclarecimentos sobre as Demonstrações Financeiras de 2008 Instrumentos Financeiros: Reconhecimento, Mensuração e Evidenciação (b) Aplicação da Interpretação Técnica ICPC 02 às Entidades de Incorporação Imobiliária Brasileiras Deliberação CVM nº 561/08 Ofício-Circular 01/09 Ofício-Circular 03/09 653/10 Resolução CFC nº Editada em 2008:

1.154/09
1.157/09

Editadas em 2009:

03
03

1.199/09
1.317/10

Editada em 2010:

Interpretações Técnicas
ICPC no 01 Assunto Contratos de Concessão Contrato de Construção do Setor Imobiliário Aspectos Complementares das Operações de Arrendamento Mercantil Alcance do Pronunciamento Técnico CPC 10 – Pagamento Baseado em Ações Pronunciamento Técnico CPC 10 – Pagamento Baseado em Ações – Transações de Ações do Grupo e em Tesouraria Hedge de Investimento Líquido em Operações no Exterior Distribuição de Lucros in Natura Contabilização da Proposta de Pagamento de Dividendos Demonstrações Financeiras Individuais, Demonstrações Separadas, Demonstrações Consolidadas e Aplicação do Método de Equivalência Patrimonial Interpretação sobre a Aplicação Inicial ao Ativo Imobilizado e à Propriedade para Investimento dos Pronunciamentos Técnicos CPCs 27, 28, 37 e 43 Recebimento em Transferência de Ativos de Clientes Mudanças em Passivos por Desativação, Restauração e Outros Passivos Similares Direitos a Participações Decorrentes de Fundos de Desativação, Restauração e Reabilitação Ambiental Passivo Decorrente de Participação em um Mercado Específico – Resíduos de Equipamentos Eletroeletrônicos Extinção de passivos financeiros com instrumentos patrimoniais Cotas de Cooperados em Entidades Cooperativas e Instrumentos Similares Deliberação CVM no 611/09 612/09 613/09 614/09 615/09 616/09 617/09 601/09 618/09 619/09 620/09 621/09 637/10 638/10 652/10 – Resolução CFC no 1.261/09 1.266/09 1.256/09 1.257/09 1.258/09 1.259/09 1.260/09 1.195/09 1.262/09 1.263/09 1.264/09 Editadas em 2009:

02 03 04 05 06 07 08 09 10
11

12
13 15

1.265/09
1.288/10 1.289/10

Editadas em 2010:

16
14

1.316/10 –

Ainda não editada:

(a) O Pronunciamento Técnico tem aplicação obrigatória em 2010 apenas nas demonstrações financeiras consolidadas da Seguradoras, sendo aplicado para as demonstrações financeiras individuais apenas a partir de 1/1/2011. (b) O CPC 14 foi aprovado pela Deliberação CVM no 566/08 e pela Resolução CFC no 1.153/09. Em 2009, o CPC 14 (revisado) foi submetido a processo de audiência pública. Em decorrência desse processo de audiência pública em conjunto com os CPCs 38, 39 e 40, foi decidido não emitir o CPC 14 (revisado), revogar o CPC 14 (mantendo sua aplicação somente para 2008 e 2009) e transformá-lo em orientação técnica, OCPC 03 – Instrumentos Financeiros: Reconhecimento, Mensuração e Evidenciação. (c) Pronunciamento ainda não emitido pelo CPC, pois a norma equivalente do IASB – International Accounting Standards Board está em processo de revisão.

Demonstrações financeiras – Exercício de 2010 • 13

São esperadas modificações significativas nas demonstrações financeiras para o exercício findo em 31 de dezembro de 2010 com adoção obrigatória dos pronunciamentos, interpretações técnicas e orientações técnicas editados pelo CPC. Cada uma dessas normas apresenta determinados aspectos que refletem essas modificações, visando harmonizar as práticas contábeis adotadas no Brasil com as IFRSs. O CPC divulgou em 2010 um documento denominado “Documentos do CPC – Destaques”, com um sumário do conteúdo de cada pronunciamento contendo alguns itens que poderão impactar de maneira mais significativa as demonstrações financeiras das entidades. Com base nesse documento, apresentamos abaixo algumas considerações sobre cada um dos pronunciamentos, orientações técnicas e interpretações técnicas editados pelo CPC. Essas considerações não substituem a leitura integral das normas editadas nem tratam de outros aspectos contidos nelas, que embora não relacionados aqui podem impactar, de maneira relevante, as demonstrações financeiras.

CPC “00” – Estrutura Conceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Financeiras Fornece diretrizes para a preparação e apresentação das demonstrações financeiras, em linha com o Framework for the Preparation and Presentation of Financial Statements emitido pelo International Accounting Standards Board - IASB. Os principais impactos com relação à estrutura conceitual contábil brasileira até então vigente são a prevalência da essência econômica sobre a forma jurídica na interpretação dos fatos passíveis de registro contábil e o direcionamento das normas para serem baseadas em princípios e não em regras. CPC 01 (R1) – Redução ao Valor Recuperável de Ativos (Impairment) Um ativo está desvalorizado quando seu valor contábil excede seu valor recuperável. A entidade deve avaliar no mínimo a cada exercício social, através de documentação formal, se há alguma indicação de que um ativo possa ter sofrido desvalorização. Se houver alguma indicação, a entidade deve apurar o valor recuperável do ativo e, se necessário, uma provisão para ajuste ao valor de recuperação dos

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ativos deverá ser reconhecida em contrapartida no resultado do exercício. Para o goodwill (ágio por expectativa de rentabilidade futura) e outros ativos intangíveis com vida útil indefinida deve ser apurado o valor recuperável no mínimo a cada exercício social, independentemente de indicação de desvalorização. O valor recuperável é geralmente apurado como segue: Ativos cuja realização seja por recebimento ou venda: o valor recuperável é o valor que a entidade estima que provavelmente receberá, líquido das despesas com vendas se for o caso, o que implicará constituição de provisão para créditos de liquidação duvidosa, aplicação da regra do “custo ou mercado, dos dois o menor” e outros procedimentos e/ou critérios semelhantes. Ativo classificado como um ativo financeiro: o valor recuperável deve ser definido conforme o CPC 38. Ativos destinados ao uso: o maior entre o valor líquido de venda ou o valor em uso (valor em uso é o valor presente dos fluxos de caixa esperados a serem gerados por esse ativo). Quando não é possível determinar o valor recuperável de um determinado ativo, a entidade deve determinar o valor recuperável da unidade geradora de caixa que contém o ativo, já que pode ser que um único ativo não tenha, sozinho, capacidade de produzir fluxos de caixa. As perdas por desvalorização, com exceção do goodwill, podem ser revertidas em certos casos. CPC 02 (R2) – Efeitos das Mudanças nas Taxas de Câmbio e Conversão de Demonstrações Financeiras Esclarece o registro de transações em moeda estrangeira e de operações no exterior nas demonstrações financeiras de uma entidade no Brasil, assim como o registro das variações cambiais dos ativos e passivos em moeda estrangeira. Também aborda a questão de conversão das demonstrações financeiras de uma entidade de uma moeda para outra. Entre as revisões realizadas sobre o CPC 02, podem ser destacadas:

Controladas de uma entidade consideradas dependentes no exterior (cuja moeda funcional seja a mesma da controladora): a) Foi eliminada a obrigatoriedade de ter seus ativos, passivos e resultado integrados às demonstrações financeiras individuais da matriz; e b) As variações cambiais do investimento líquido em controladas dependentes no exterior deverão ser reportadas como receita ou despesa financeira do período. Controladas de uma entidade consideradas independentes no exterior: as variações cambiais de investimento líquido em controlada independente no exterior, cuja moeda funcional seja diferente da controladora, devem ser registradas em conta específica do patrimônio líquido na investidora e nas demonstrações financeiras consolidadas, sendo reconhecidas no resultado apenas quando da venda ou baixa do investimento líquido. Quando é feita a conversão das demonstrações financeiras para uma moeda de apresentação que não é a moeda funcional, as diferenças cambiais sobre o patrimônio líquido e o resultado são reconhecidas em “outros resultados abrangentes” no patrimônio líquido para transferência ao resultado apenas quando da baixa do investimento. Há divulgações específicas a serem feitas sobre qual a moeda funcional utilizada e sobre os ativos e passivos mantidos em outra moeda. CPC 03 (R2) – Demonstração dos Fluxos de Caixa Alguns aspectos dessa demonstração são: Definição de equivalentes de caixa: (i) tem conversibilidade imediata (por exemplo, três meses ou menos, a contar da data da aquisição) em montante conhecido de caixa; (ii) estão sujeitos a um insignificante risco de mudança de valor; (iii) são mantidos com a finalidade de atender a compromissos de caixa de curto prazo e não para investimento ou outros propósitos; (iv) instrumentos patrimoniais que sejam substancialmente equivalentes de caixa, como, por exemplo, certificados de depósito bancários que tenham prazo definido de resgate e cujo prazo atenda à definição de curto prazo; e (iv) saldos bancários a
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descoberto são incluídos como componente de caixa e equivalentes de caixa se compõem parte integral da gestão de caixa da entidade. Alteração da participação em controlada e em outros negócios envolvendo caixa: a) Se decorrente da obtenção ou da perda de controle, deve ser apresentada separadamente e classificada como atividades de investimento. b) A entidade deve divulgar a obtenção ou a perda do controle de controladas ou outros negócios durante o período considerando: (a) o montante total pago ou recebido na obtenção ou perda do controle; (b) a parcela total de compra paga ou de venda recebida em caixa e em equivalentes de caixa; (c) o montante de caixa e equivalentes de caixa de controladas sobre o qual o controle foi obtido ou perdido; e (d) o montante dos ativos e passivos, exceto caixa e equivalentes de caixa, das controladas sobre o qual o controle foi obtido ou perdido. c) Os fluxos de caixa advindos de mudanças no percentual de participação em controlada que não resultem na perda do controle devem ser classificados como fluxos de caixa das atividades de financiamento. Apresentação: a) Fluxos de caixa subdivididos em atividades operacionais, atividades de investimento e atividades de financiamento. b) Total de juros e imposto de renda/contribuição social pagos: tratamento-padrão é classificar juros pagos e recebidos e imposto de renda/contribuição social pagos como fluxo de caixa das atividades operacionais. c) Transações de investimento e financiamento que não envolvem o uso de caixa ou equivalentes de caixa devem ser excluídas da demonstração dos fluxos de caixa. Tais transações devem ser divulgadas nas notas explicativas.

d) Ganhos e perdas não realizados resultantes de mudanças nas taxas de câmbio de moedas estrangeiras não são fluxos de caixa. Todavia, o efeito das mudanças nas taxas de câmbio sobre caixa e equivalentes de caixa, mantidos ou devidos em moeda estrangeira, é apresentado na demonstração dos fluxos de caixa, a fim de conciliar o caixa e equivalentes de caixa no começo e no fim do período. Esse valor é apresentado separadamente dos fluxos de caixa das atividades operacionais, de investimento e de financiamento e inclui as diferenças, se existirem, caso tais fluxos de caixa tivessem sido divulgados às taxas de câmbio do fim do período. e) Divulgação de informações adicionais: (a) linhas de crédito obtidas, mas não utilizadas; (b) valor dos fluxos de caixa das atividades operacionais, de investimento e de financiamento para cada segmento de negócio ou geográfico; e (c) montante total de juros, dividendos e juros sobre o capital próprio, pagos e recebidos, bem como o montante total do imposto de renda e da contribuição social pagos. CPC 04 (R1) – Ativos Intangíveis Um ativo intangível é um ativo não monetário identificável sem substância física, que deverá ser reconhecido somente quando for provável que os benefícios econômicos futuros esperados atribuíveis ao ativo serão gerados em favor da entidade e o custo do ativo puder ser mensurado com segurança. Ativos intangíveis gerados internamente em geral não são passíveis de reconhecimento, especialmente o ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill), cujo reconhecimento, quando gerado internamente, é vedado. Os ativos intangíveis são inicialmente reconhecidos ao custo e podem ter vida útil definida ou indefinida. O CPC 04 (R1) requer, ainda, que os conceitos do CPC 01 (impairment) sejam aplicados aos ativos intangíveis para avaliação de eventual necessidade de provisão para ajuste ao seu valor recuperável.

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Para os ativos intangíveis gerados internamente, gastos com pesquisas de produto, processo, mercado, por exemplo, não podem ser registrados como parte do custo do ativo. Os gastos com desenvolvimento podem ser registrados como parte do custo do ativo em algumas circunstâncias. As despesas préoperacionais não se enquadram na definição de ativo intangível e portanto não podem mais ser ativadas. Adicionalmente, não existe mais a figura do ativo diferido. Entretanto, foi adotada uma regra de transição que permite manutenção dos ativos registrados anteriormente, de tal forma que o saldo existente em 31 de dezembro de 2008 no ativo diferido que, pela sua natureza, não puder ser alocado a outro grupo de contas, poderá permanecer no ativo sob essa classificação até sua completa amortização, sujeito à análise de recuperação (impairment). O ativo intangível de vida útil indefinida não é mais amortizado (como no caso do goodwill), sendo somente sujeito ao teste de impairment. Divulgação: (i) segregar ativos intangíveis gerados internamente dos demais; (ii) divulgar a vida útil definida (informar prazos, métodos e taxas de amortização) e indefinida; (iii) valor bruto, amortização acumulada, movimentação (adições, baixas, provisões, reversões, etc.); (iv) segregar as classes de ativos conforme natureza e utilização; e (v) informações sobre a origem desse ativo (combinações de negócios, etc.). CPC 05 (R1) – Divulgação sobre Partes Relacionadas Deve ser observada a relação com controle e com a gestão da entidade para ser considerada parte relacionada. São partes relacionadas as vinculadas por controle (direto, indireto, em conjunto ou controle comum), influência significativa, parentesco ou relacionamento com pessoal-chave da entidade ou de sua controladora. Os relacionamentos entre controladora e controladas, ou investidor e coligadas, devem ser divulgados independentemente de ter havido transações entre essas partes relacionadas. Se a entidade controladora direta e a parte controladora final não prepararam demonstrações financeiras

disponíveis para uso público, o nome da controladora do nível seguinte, se houver, deve ser divulgado. A entidade deve divulgar a remuneração do pessoalchave da Administração no total, bem como para cada uma das possíveis categorias (quer como benefícios, quer como outro tipo de remuneração). Divulgação: se tiver havido transações entre partes relacionadas, a entidade deve divulgar a natureza do relacionamento, as informações sobre as transações e os saldos existentes, bem como as condições de sua realização. Também deve ser avaliado se membros próximos à família (filhos, cônjuge e seus filhos, companheiro e seus filhos e dependentes) podem ou não exercer influência ou ser influenciados com relação aos negócios da entidade. CPC 06 (R1) – Operações de Arrendamento Mercantil Arrendamento operacional: a) Não transfere substancialmente todos os riscos e benefícios inerentes à propriedade. b) Devem ser reconhecidos como despesa na base da linha reta durante o prazo do arrendamento mercantil, exceto se outra base sistemática for mais representativa do padrão temporal do benefício do usuário. Arrendamento mercantil financeiro: a) Transfere substancialmente todos os riscos e benefícios inerentes à propriedade do ativo arrendado. b) Os arrendatários devem reconhecer, em contas específicas, os arrendamentos mercantis financeiros como ativos e passivos nos seus balanços por quantias iguais ao valor justo da propriedade arrendada ou, se inferior, ao valor presente dos pagamentos mínimos do arrendamento mercantil, determinados no início do arrendamento mercantil. c) Transfere a propriedade do ativo para o arrendatário no fim do prazo do arrendamento mercantil. d) O arrendatário tem a opção de comprar o ativo por um preço que se espera ser suficientemente mais baixo que o valor justo na data em que a opção se torne exercível, de forma que, no início do arrendamento mercantil, seja razoavelmente certo que a opção será exercida.
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e) O prazo do arrendamento mercantil refere-se à maior parte da vida econômica do ativo mesmo que a propriedade não seja transferida. f) No início do arrendamento mercantil, o valor presente dos pagamentos mínimos do arrendamento mercantil totaliza pelo menos substancialmente todo o valor justo do ativo arrendado. g) Os ativos arrendados são de natureza especializada de tal forma que apenas o arrendatário pode usálos sem grandes modificações. h) Se o arrendatário puder cancelar o arrendamento mercantil, as perdas do arrendador associadas ao cancelamento são suportadas pelo arrendatário. i) Os ganhos ou as perdas da flutuação no valor justo do valor residual são atribuídos ao arrendatário. j) O arrendatário tem a capacidade de continuar o arrendamento mercantil por um período adicional com pagamentos que sejam substancialmente inferiores ao valor de mercado. Deve-se atentar para transações específicas quando do tratamento do arrendamento mercantil como terrenos, edifícios, leaseback, operação descontinuada, ativos mantidos para a venda, etc. Divulgação: (i) para cada categoria de ativo, valor contábil líquido no fim do período; (ii) conciliação entre o total dos futuros pagamentos mínimos do arrendamento mercantil no fim do período e o seu valor presente para os saldos até um ano, mais de um ano e até cinco anos e mais de cinco anos; (iii) pagamentos contingentes reconhecidos como despesa durante o período; e (iv) descrição geral dos acordos materiais de arrendamento mercantil do arrendatário (condições de pagamento, renovação, reajustes, restrições, etc.). CPC 07 (R1) – Subvenção e Assistência Governamentais A subvenção governamental, inclusive subvenção não monetária a valor justo, não deve ser reconhecida até que exista segurança de que: (i) a entidade cumprirá todas as condições estabelecidas; e (ii) a subvenção será recebida.

Subsídio em empréstimo é reconhecido como subvenção governamental quando há segurança de que a entidade cumprirá os compromissos assumidos. A subvenção governamental deve ser reconhecida como receita, ao longo do período, confrontada com as despesas que se pretende compensar, em base sistemática, desde que atendidas as condições do Pronunciamento. A subvenção governamental não pode ser registrada diretamente no patrimônio líquido, como era a prática contábil adotada anteriormente no Brasil. Não mais existe essa reserva de capital, a não ser nos casos de saldos remanescentes, conforme autorização normativa da CVM. Isenções ou reduções de tributos que tenham a característica ou a tipificação legal de incentivos fiscais (como o caso das aplicações em áreas incentivadas) são reconhecidas como subvenções governamentais no resultado das entidades, atendidos os requisitos estabelecidos, e não mais no patrimônio líquido. Portanto, devem ser registradas pelo valor bruto do tributo como se devido fosse, em contrapartida à receita de subvenção equivalente. Impacto especial existe no caso das subvenções, via financiamentos, de pagamento de tributos com taxas não de mercado. Nessa situação, o ajuste a valor presente do benefício deve ser considerado uma subvenção. Divulgação: (i) a política contábil adotada para as subvenções governamentais, incluindo os métodos de apresentação adotados nas demonstrações financeiras; (ii) a natureza e a extensão das subvenções governamentais ou assistências governamentais reconhecidas e uma indicação de outras formas de assistência governamental de que a entidade tenha diretamente se beneficiado; e (iii) condições a serem regularmente satisfeitas e outras contingências ligadas à assistência governamental que tenha sido reconhecida.

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CPC 08 (R1) – Custos de Transação e Prêmios na Emissão de Títulos e Valores Mobiliários Os gastos com emissão de ações e outros instrumentos patrimoniais não são mais registrados como despesas, e sim como redução do valor captado, em conta específica (conta redutora) do patrimônio líquido; São encargos financeiros, a serem apropriados ao longo do tempo, não só as despesas de juros e variação monetária, mas também todos os gastos incrementais vinculados à operação da captação dos recursos, como os com viagens, consultores, advogados, intermediadores, prospectos, etc. Os gastos incorridos são reconhecidos como conta redutora do passivo, de modo que o passivo original corresponda ao valor líquido recebido, e a apropriação pelo tempo do contrato ocorrerá pelo método da taxa efetiva de juros. Não mais existe o reconhecimento direto no patrimônio líquido dos prêmios nas emissões de debêntures. Estes passam a ser registrados como redutores dos encargos financeiros ao longo do prazo das debêntures. Não mais existe essa reserva de capital, a não ser nos casos de saldos remanescentes, conforme autorização normativa da CVM. Divulgação: (i) a identificação de cada processo de captação de recursos, agrupando-os conforme sua natureza; (ii) o montante dos custos de transação incorridos em cada processo de captação; (iii) o montante de quaisquer prêmios obtidos no processo de captação de recursos por intermédio da emissão de títulos de dívida ou de valores mobiliários; (iv) a taxa efetiva de juros (TIR) de cada operação; e (v) o montante dos custos de transação e prêmios (se for o caso) a serem apropriados ao resultado em cada período subsequente. CPC 09 – Demonstração do Valor Adicionado – DVA A DVA transformou-se em demonstração obrigatória para as companhias abertas no Brasil, sendo opcional para as demais entidades (a menos que haja exigência específica de órgão regulador). A DVA não está prevista nas normas internacionais de relatório financeiro (IFRSs).

CPC 10 (R1) – Pagamento Baseado em Ações Os efeitos das transações de pagamento baseado em ações deverão estar refletidos nas demonstrações financeiras. A entidade deve reconhecer os produtos, ou os serviços, recebidos ou adquiridos em transação de pagamento baseado em ações quando obtiver os produtos ou à medida que receber os serviços. Em contrapartida, a entidade deve reconhecer o correspondente aumento do patrimônio líquido em conta de instrumentos patrimoniais por pagamento baseado em ações se os produtos ou serviços forem recebidos em transação de pagamento baseado em ações que será liquidada em ações (ou com outros instrumentos patrimoniais). No entanto, a entidade deve reconhecer um passivo se a transação for liquidada em dinheiro (ou com outros ativos). Essa norma também é aplicável nas transações com pagamento baseado em ações entre entidades do mesmo Grupo. Nessa situação, nas suas demonstrações contábeis separadas ou individuais, a entidade beneficiária dos produtos ou serviços deve mensurar os produtos ou serviços recebidos como transação com pagamento baseado em ações liquidada em instrumentos patrimoniais ou como transação com pagamento baseado em ações liquidada em caixa. O valor da despesa é definido pelo valor justo (valor estimado de mercado) da opção no dia do início do contrato e é apropriado como despesa ao resultado pelo prazo do contrato (custo de oportunidade no início do contrato). A contrapartida da despesa nesses casos de stock options deve ser registrada diretamente em conta do patrimônio líquido. No caso de o benefício do contrato ser pago em dinheiro, a contrapartida deverá ser no passivo e o valor total da despesa corresponderá à diferença entre o valor de mercado da ação no dia do exercício da opção e o valor que seria o da sua integralização, caso não houvesse o pagamento em dinheiro.

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O Pronunciamento se aplica também à aquisição de bens e serviços, mediante pagamento com emissão de ações ou cotas, com ou sem o uso de opções; aquisição essa a ser reconhecida conforme sua natureza e regras contábeis específicas. Divulgação: (i) a descrição de cada tipo de acordo com pagamento baseado em ações que vigorou em algum momento do período, incluindo, para cada acordo, os termos e as condições gerais (requisitos de aquisição de direito, prazo máximo das opções outorgadas e método de liquidação); (ii) a quantidade e o preço médio ponderado de exercício das opções de ações para cada um dos grupos de opções (em circulação no início do período, outorgadas durante o período, com direito prescrito durante o período, exercidas durante o período, expiradas durante o período, em circulação no fim do período e exercíveis no fim do período); (iii) para as opções de ações em circulação no fim do período, a faixa de preços de exercício e a média ponderada da vida contratual remanescente; (iv) avaliar as divulgações previstas no CPC 10 (R1) quando a entidade tiver mensurado o valor justo dos produtos ou serviços recebidos indiretamente, para outros instrumentos patrimoniais outorgados durante o período, para os acordos com pagamento baseado em ações que tenham sido modificados durante o período e para a entidade que tiver mensurado diretamente o valor justo dos produtos ou serviços recebidos durante o período. CPC 11 – Contratos de Seguro Aplicado no Brasil às companhias seguradoras (aplicação obrigatória em 2010 apenas nas demonstrações financeiras consolidadas da Seguradoras, sendo aplicado para as demonstrações financeiras individuais apenas a partir de 1º de janeiro de 2011 por determinação da Superintendência de Seguros Privados – SUSEP). Mas deve-se atentar para o fato de que pode haver contratos que se configurem, na essência, como contratos de seguro, mesmo entre entidades não seguradoras.

Entre outras exigências, o Pronunciamento requer que os produtos comercializados sejam avaliados e classificados como produtos de investimentos e produtos de seguros. No caso de produtos de investimentos, o pronunciamento a ser adotado é o CPC 38. O Pronunciamento isenta temporariamente a seguradora de algumas implicações dos critérios da norma contábil vigente sobre “Práticas Contábeis, Mudanças nas Estimativas Contábeis e Correção de Erros”. Divulgação: (i) os valores em suas demonstrações financeiras resultantes de contratos de seguro; e (ii) a natureza e a extensão dos riscos originados por contratos de seguro (riscos, políticas, processos de gestão, exposição, etc.). CPC 12 – Ajuste a Valor Presente – AVP Não existe uma norma equivalente emitida pelo IASB pois o conceito de registro das transações pelo seu valor presente é tratado em outras normas, que também foram editadas no Brasil. Ativos não monetários, receitas e despesas são normalmente afetados por esses ajustes, com efeitos de redução deles (compra de imóveis a prazo, venda de ativos a médio e a longo prazo, etc.), algumas vezes com efeitos relevantes, não só no caso de certas transações na atividade imobiliária, mas em outras também. A aplicação do conceito de ajuste a valor presente resulta no reconhecimento de receitas e despesas financeiras no decorrer do tempo, até a realização final do recebível ou liquidação do exigível. Impostos diferidos ativos e passivos não podem ser ajustados a valor presente. Divulgações específicas sobre os elementos patrimoniais afetados, as taxas utilizadas, as premissas tomadas para a definição dessas taxas e outras informações são exigidas.

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Principais considerações para o calculo do AVP: a) Deve ser calculado no momento inicial da operação. b) Deve ser utilizada taxa de desconto que reflita a natureza, os prazos e os riscos relacionados à transação. c) A aplicação do AVP deve ser realizada inclusive para saldos que não estejam mais em aberto, mas que afetaram o resultado. d) Saldos de tributos (estaduais e federais) apresentam características específicas que devem ser avaliadas conforme o CPC 12 (R1). e) Tributos federais atualizados pela taxa SELIC são equivalentes ao valor presente e, portanto, não requerem ajuste adicional. f) Não se aplica o valor presente ao Programa de Recuperação Fiscal – REFIS e a outros parcelamentos devido às incertezas no cumprimento de todas as condições (Instrução CVM nº 346/00); apenas divulgar em nota explicativa. g) Empréstimos, financiamentos e mútuos com encargos diferentes das atuais taxas de mercado não estão sujeitos ao AVP. Divulgação: (i) descrição pormenorizada do item objeto da mensuração a valor presente, natureza de seus fluxos de caixa (contratuais ou não) e, se aplicável, o seu valor de entrada cotado a mercado; (ii) premissas utilizadas pela administração, taxas de juros decompostas por prêmios incorporados e por fatores de risco (risk free, risco de crédito, etc.), montantes dos fluxos de caixa estimados ou séries de montantes dos fluxos de caixa estimados, horizonte temporal estimado ou esperado, expectativas em termos de montante e temporalidade dos fluxos (probabilidades associadas); (iii) modelos utilizados para cálculo de riscos e inputs dos modelos; (iv) breve descrição do método de alocação dos descontos e do procedimento adotado para acomodar mudanças de premissas da Administração; (v) propósito da mensuração a valor presente, se para reconhecimento inicial ou nova medição e motivação da Administração para levar a efeito tal procedimento; e (vi) outras informações consideradas relevantes.

CPC 13 – Adoção Inicial da Lei nº 11.638/07 e da Medida Provisória nº 449/08 Não comentado por ter seus efeitos cessados. CPC 14 – Instrumentos Financeiros: Reconhecimento, Mensuração e Evidenciação (revogado a partir de 2010) Esse documento foi substituído, a partir de 2010, pelos CPCs 38, 39 e 40. Portanto, está em vigência apenas até o final de 2009. Por outro lado, visando atender às entidades com operações financeiras não complexas, foi emitida a OCPC 03, que praticamente repete seu teor e que entra em vigor a partir da cessação da vigência deste CPC 14. CPC 15 – Combinação de Negócios Pronunciamento aplicável para transações que envolvam combinação de negócios, definida como uma operação, ou outro evento, por meio do qual um adquirente obtém o controle de um ou mais negócios, independentemente da forma jurídica da operação. Diversas definições e conceitos novos trazidos implicam grande modificação nas práticas contábeis brasileiras: • Sempre haverá um adquirente, ou seja, tem de existir uma entidade que obtenha o controle da adquirida ou que mais se assemelhe a isso. • Tem de haver alocação do preço de compra, na data da aquisição, do valor justo aos ativos e passivos identificáveis, inclusive intangíveis. • Para incorporação ou fusão de sociedades, em que haja a efetiva mudança de controle, e que a transação não seja entre entidades sob controle comum, a entidade adquirente deve ajustar a posição patrimonial da adquirida na data de aquisição para refletir seus ativos e passivos tais como reconhecidos e mensurados em conformidade com o CPC 15. A contrapartida desse ajuste é na conta “Ajustes de avaliação patrimonial”. • Preço de compra: além de eventual valor pago em caixa ou equivalente de caixa, também inclui contraprestação contingente avaliada a valor justo e exclui custos da transação, ativos de indenização e direitos readquiridos, mensurados separadamente. • Ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill): é a parcela residual após a alocação do preço de compra referida no item anterior.
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• Mais-valia: é a diferença entre o valor justo e o valor contábil dos ativos e passivos do negócio adquirido e é reconhecida em conta própria a ser baixada conforme a baixa desses ativos e passivos. Esses valores passam a compor o valor contábil do negócio adquirido e não se denominam mais como ágio. • Deságio: se houver e for comprovado, deve ser reconhecido no resultado da entidade adquirente. Aqueles saldos que não puderem ser classificados como redução do saldo de algum ativo ou como passivo relacionado à entidade adquirida devem ser baixados e registrados a crédito de lucros (prejuízos) acumulados, por mudança de prática contábil (consultar a ICPC 09 sobre regras de transição para os deságios em aberto na data de adoção inicial do CPC 15). • Participação dos não controladores: opcionalmente para cada aquisição pode ser avaliada ao valor justo ou pelo valor proporcional de participação nos ativos líquidos na data da combinação de negócios, deve ser demonstrada como componente do patrimônio. As transações societárias entre acionistas, após a combinação de negócios, e que não alteram a situação de controle da adquirida são registradas diretamente no patrimônio líquido sem efeitos no resultado. • Em aquisição feita em etapas: a combinação ocorre na etapa em que se dá a aquisição do controle. O adquirente reavalia sua participação anterior na adquirida pelo valor justo na data de aquisição do controle e reconhece no resultado do período o ganho ou a perda resultante. Aquisições posteriores são consideradas transações entre sócios, com eventuais diferenças entre os valores pagos e valores de livros, impactando diretamente o saldo de conta específica no patrimônio líquido, de maneira semelhante a “ações em tesouraria”, não gerando mais goodwill ou ganho por compra vantajosa. • Aquisição reversa: ocorre quando a entidade que emite os títulos é identificada como a adquirida para fins contábeis. O valor justo, na data de aquisição, da contraprestação transferida pelo adquirente contábil pela sua participação na adquirida deve ser baseado no número de instrumentos de participação societária (quantidade de ações, por exemplo) que a controlada legal deveria ter emitido
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para conferir aos proprietários da controladora legal o mesmo percentual de participação societária da entidade combinada que resulta da aquisição reversa. O valor justo calculado dessa forma pode ser usado como o valor justo da contraprestação transferida em troca do controle da adquirida contábil. As demonstrações financeiras consolidadas preparadas após uma aquisição reversa são emitidas em nome da controladora legal (adquirida contábil), porém descritas em notas explicativas como sendo uma continuação das demonstrações financeiras da controlada legal (adquirente contábil), com um ajuste – deve-se ajustar retroativamente o capital legal do adquirente contábil para refletir o capital legal da adquirida contábil. Divulgação: (i) dados da empresa adquirida; (ii) data da aquisição; (iii) percentual votante adquirido; (iv) descrição de como se compõe o ágio; (v) apresentação do valor justo; e (vi) outras informações relevantes que forem necessárias. CPC 16 (R1) – Estoques Este pronunciamento determina a obrigação do uso do conceito de volume normal de produção na alocação dos custos fixos na atividade de produção de bens ou de serviços, que é aquele que se espera atingir, em média, ao longo de vários períodos, ou de períodos sazonais, e, em circunstâncias normais, levando-se em consideração a não-utilização da capacidade total instalada resultante da manutenção planejada, das férias coletivas programadas, etc. Os custos fixos relativos à capacidade não utilizada, em virtude de volume de produção inferior ao normal, devem ser registrados como despesas no período em que são incorridos, não podendo ser alocados aos estoques. O uso do critério “último a entrar, primeiro a sair – UEPS” (ou “LIFO” em inglês) para avaliação de estoques não é permitido. Não se pode utilizar margem de lucro estimada para cálculo do valor líquido de realização, e não é permitido redução ao valor realizável líquido de matérias-primas e materiais de consumo quando for previsível que os produtos acabados, em que eles serão

utilizados, serão vendidos pelo custo ou acima do custo. Exigência da aplicação dos mesmos princípios aos estoques de serviços em andamento. Divulgação: (i) políticas contábeis, incluindo formas e critérios de valoração utilizados; (ii) classificação dos estoques em grupos (almoxarifado, matériaprima, produto em processo e produto acabado); (iii) estoques em que a expectativa de realização seja maior do que um ano da data do balanço; (iv) valores reconhecidos no resultado do exercício em razão de provisão da não-realização dos estoques, ou pela reversão de uma provisão constituída; e (v) valores dos estoques penhorados que foram dados como garantia de uma obrigação. CPC 17 – Contratos de Construção Quando a conclusão do contrato de construção puder ser confiavelmente estimada, a receita, e a despesa associada ao contrato de construção, devem ser reconhecidas tomando como base a proporção do trabalho executado até a data do balanço, ou seja, o lucro deve ser reconhecido proporcionalmente à execução do trabalho. Mas, se houver expectativa de prejuízo, ele deve ser reconhecido na sua totalidade estimada imediatamente no resultado, antes mesmo da execução completa do trabalho. Quando o encerramento de contrato de construção não puder ser confiavelmente estimado, a receita é reconhecida até o ponto em que for provável que os custos incorridos do contrato serão recuperados, e os custos do contrato devem ser reconhecidos como despesa no período em que são incorridos, ou seja, não há reconhecimento do lucro até que essa incerteza seja retirada. Divulgação: (i) o montante do contrato reconhecido como receita do período; (ii) os métodos usados para determinar a receita do contrato reconhecida no período; (iii) os métodos usados para determinar a fase de execução dos contratos em curso; e (iv) para contratos em curso, divulgar a quantia agregada de custos incorridos e lucros reconhecidos (menos perdas reconhecidas) até a data e a quantia de adiantamentos recebidos e a quantia de retenções.

CPC 18 – Investimento em Coligada e em Controlada O conceito de coligada é um investimento em entidade sobre a qual se tenha influência significativa, presumindo-se a existência dessa influência se a participação for de, pelo menos, 20% do capital votante. Todo investimento em coligada e em controlada (nesse caso nas demonstrações financeiras individuais da controladora), é avaliado pelo método de equivalência patrimonial, com base em demonstrações financeiras preparadas sob as mesmas práticas contábeis adotadas pela investidora. É obrigatória a consolidação das demonstrações financeiras quando da existência de controlada, independentemente de a controladora ser companhia aberta ou não, com raríssimas exceções. Nas demonstrações financeiras individuais da controladora, a diferença entre o valor de aquisição de um investimento e o valor contábil conforme o patrimônio líquido da adquirida é segregada em duas parcelas, considerando, para essa divisão, o valor justo dos ativos e passivos proporcionais adquiridos e o valor do goodwill – ágio decorrente de rentabilidade futura. A parte do goodwill não é amortizada e a outra é baixada proporcionalmente aos ativos e passivos que lhe deram origem, mas ambas são apresentadas no balanço patrimonial como parte do investimento, sem que haja qualquer registro nos ativos, inclusive no ativo intangível, nas demonstrações financeiras individuais. O Pronunciamento não permite ao investidor deixar de aplicar o método de equivalência patrimonial quando sua coligada ou controlada estiver operando sob severas restrições, as quais afetam sua capacidade de transferir fundos ao investidor, caso este continue a ter influência significativa sobre tal coligada ou controle sobre a controlada. A aplicação do método de equivalência patrimonial cessa somente após o investidor perder a influência significativa ou o controle.

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O resultado da equivalência patrimonial corresponde à participação da investidora no resultado da coligada e da controlada. A participação sobre as mutações patrimoniais na investida derivadas de outros resultados abrangentes reconhecidos diretamente no patrimônio líquido da investida deve também ser reconhecida diretamente no patrimônio líquido da investidora e, não, no resultado. Os investimentos em coligadas e em controladas contabilizados pelo método de equivalência patrimonial devem ser classificados como ativos não circulantes, no subgrupo Investimentos. A parte do investidor nos resultados do período dessas coligadas e controladas (demonstrações individuais) e o valor contábil desses investimentos devem ser evidenciados separadamente. A parte do investidor nas eventuais operações descontinuadas de tais coligadas e controladas também deve ser divulgada separadamente. Os resultados decorrentes de transações de venda de ativos do controlador (incluindo suas controladas) para uma controlada (transações descendentes) e no sentido inverso (transações ascendentes) devem ser totalmente eliminados. No caso de o patrimônio líquido da coligada tornar-se negativo, o prejuízo só é reconhecido pela investidora na extensão em que a investidora se responsabilize, legalmente ou por obrigação não formalizada, em fazer pagamentos a terceiros por conta da coligada. No caso dessa situação em controlada, a controladora reconhece, em seu balanço individual, provisão por conta desse patrimônio líquido negativo a fim de ter o mesmo resultado líquido e o mesmo patrimônio líquido que forem apresentados pelas demonstrações consolidadas. Divulgação: (i) o valor justo dos investimentos em coligadas e controladas para os quais existam cotações de preço divulgadas; (ii) informações financeiras resumidas das coligadas e controladas; (iii) as razões pelas quais foi desprezada a premissa de não-existência de influência significativa, quando for o caso; (iv) a data de encerramento do exercício social refletido nas demonstrações financeiras da
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coligada e da controlada utilizadas para aplicação do método de equivalência patrimonial, quando divergentes das do investidor, e as razões pelo uso de data ou período diferente; (v) a natureza e a extensão de quaisquer restrições significativas; (vi) a parte não reconhecida nos prejuízos da coligada, quando for o caso; (vii) informações financeiras resumidas das coligadas e controladas cujos investimentos não foram contabilizados pelo método de equivalência patrimonial, individualmente ou em grupo; (viii) a excepcionalíssima situação que possa fazer com que o lucro líquido e/ou o patrimônio líquido do balanço individual da controladora não sejam os respectivos valores de seu balanço consolidado, quando este é elaborado conforme as normas internacionais de contabilidade, como é o caso de alguma determinação ou permissão legal para o balanço individual que não se aplique à demonstração consolidada (por exemplo, o ativo diferido); (ix) a parte do investidor nas alterações dos outros resultados abrangentes contabilizados pela coligada e pela controlada deve ser reconhecida pelo investidor também como outros resultados abrangentes diretamente no patrimônio líquido; e (x) passivos contingentes devem ser divulgados conforme CPC 25 – Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes. Aspectos complementares são tratados na ICPC 09. CPC 19 – Investimento em Empreendimento Controlado em Conjunto (Joint Venture) No Brasil as controladas em conjunto obrigatoriamente devem adotar a consolidação proporcional, não podendo adotar a alternativa de equivalência patrimonial como é permitida na norma internacional (veja projeto de mudança do IASB na página 72). O Pronunciamento descreve diversas modalidades para empreendimentos controlados em conjunto, que não apenas participação no capital social de uma investida. Assim, pode haver empreendimentos controlados em conjunto quando se compartilham apenas determinados ativos ou determinadas operações.

No controle conjunto apenas de operações, os ativos pertencem diretamente aos empreendedores, que reconhecem seus próprios ativos e suas próprias obrigações; cada um reconhece a receita e a despesa que lhe cabem no empreendimento. No caso de ativos controlados em conjunto, cada empreendedor reconhece a parte que lhe cabe nos ativos, nos passivos e nas receitas e despesas do empreendimento controlado em conjunto. Na consolidação proporcional, o empreendedor reconhece como seu ativo, seu passivo, sua receita e sua despesa a parte que lhe cabe nesses elementos na entidade controlada em conjunto, inexistindo a participação dos não controladores. As mutações na forma de outros resultados abrangentes, reconhecidas diretamente no patrimônio líquido da entidade controlada em conjunto, são reconhecidas também, na parte que lhe cabe em cada empreendedor, como seu outro resultado abrangente e, não, no resultado. No caso de alienação de ativos da investidora para a controlada em conjunto, a investidora não reconhece como lucro realizado a parte proporcional que detém de participação na investida até a baixa do ativo nesta; o mesmo se aplica no sentido inverso. Divulgação: Além do método utilizado para reconhecer o investimento nas entidades controladas em conjunto, deve-se divulgar: (i) passivos contingentes; (ii) o valor total dos compromissos relacionados à sua participação em empreendimentos controlados em conjunto, compromissos de aporte de capital do empreendedor em relação à sua participação no empreendimento controlado em conjunto; (iii) lista e a descrição das participações em empreendimentos controlados em conjunto relevantes, e a dimensão da relação de propriedade nas participações mantidas em entidades controladas em conjunto; e (iv) evidenciar a parte que lhe cabe no montante total dos ativos circulantes, ativos não circulantes, passivos circulantes, passivos não circulantes, receitas e despesas do empreendimento controlado em conjunto.

CPC 20 – Custos de Empréstimos Os custos de empréstimos vinculados à aquisição, à construção ou à produção de ativos que demandam um período de tempo substancial para ficarem prontos, para seu uso ou venda, formam parte do custo de tais ativos. Custos de outros empréstimos são reconhecidos como despesa e incluem as variações cambiais decorrentes de empréstimos em moeda estrangeira à medida que elas são consideradas como ajustes, para mais ou para menos, do custo dos juros. Com a aprovação do CPC 20, todas as entidades devem determinar a importância dos encargos financeiros qualificáveis para a capitalização dos custos, aplicando-se uma taxa de capitalização aos gastos com o ativo, na medida em que os recursos de empréstimos são tomados para fins gerais e usados para obter um ativo qualificável. À medida que a entidade toma emprestados recursos especificamente com o propósito de obter um ativo qualificável, deve determinar o montante de custos dos empréstimos elegíveis para capitalização como sendo aquele incorrido sobre esses empréstimos durante o período necessário para completar a aquisição, a construção ou a produção do ativo. À medida que a entidade toma recursos emprestados de maneira genérica e usa-os com o propósito de obter um ativo qualificável, a entidade deve utilizar uma taxa de capitalização com base na média ponderada dos custos de empréstimos aplicáveis aos empréstimos da entidade que estiveram vigentes durante o período. A entidade deve suspender a capitalização dos custos de empréstimos durante períodos extensos nos quais as atividades de desenvolvimento do ativo qualificável são interrompidas e finalizar a capitalização dos custos de empréstimos quando substancialmente todas as atividades necessárias ao preparo do ativo qualificável para seu uso ou venda pretendidos estiverem concluídas.

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Divulgação: (i) o total de custos de empréstimos capitalizados durante o período; e (ii) a taxa de capitalização usada na determinação do montante dos custos de empréstimo elegível à capitalização. CPC 21 – Demonstrações Financeiras Intermediárias Com base no pressuposto de que qualquer usuário que leia as demonstrações financeiras intermediárias também terá acesso às demonstrações financeiras anuais mais recentes, nenhuma das notas explicativas das demonstrações financeiras anuais deve necessariamente ser repetida (mas sim atualizada, se for relevante) nas demonstrações financeiras intermediárias, exceto quando se referem a explicações de eventos e a alterações que são significativas para o entendimento das mudanças da posição financeira e de desempenho da entidade desde o final do último período de reporte. A entidade deve aplicar as mesmas políticas contábeis aplicadas nas demonstrações financeiras anuais, com exceção das mudanças de políticas contábeis feitas depois das últimas demonstrações anuais. A frequência dos relatórios não deve afetar a mensuração dos resultados anuais, com exceção do impairment sobre o goodwill. O conteúdo mínimo de uma demonstração contábil intermediária consiste nas seguintes demonstrações completas ou condensadas: balanço patrimonial, demonstração do resultado, demonstração do resultado abrangente, demonstração das mutações do patrimônio líquido e demonstração dos fluxos de caixa, acompanhados de notas explicativas selecionadas. O balanço patrimonial intermediário deve ser comparado com o do final do exercício social anterior; as demonstrações do resultado e do resultado abrangente devem se referir ao período intermediário corrente e ao acumulado desde o início do exercício e serem comparadas com as de iguais períodos do exercício social anterior; e as demonstrações das mutações do patrimônio líquido e dos fluxos de caixa devem conter pelo menos as informações acumuladas
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do período corrente e do período acumulado do exercício social anterior com o qual se comparam. CPC 22 – Informações por Segmento Aplicável apenas às companhias abertas ou em via de se tornarem abertas. Segmento operacional é um componente da entidade que desenvolve atividades de negócio das quais pode obter receitas, e incorrer em despesas, cujos resultados operacionais são regularmente revistos pelo principal gestor das operações da entidade e para o qual haja informação financeira individualizada disponível. A entidade deve divulgar separadamente as informações sobre receita, lucro e ativos de cada segmento operacional desde que superados os parâmetros mínimos quantitativos determinados: a) A receita do segmento operacional representa 10% ou mais da receita total (receita combinada), incluindo vendas para clientes externos e vendas ou transferências entre os segmentos e/ou entre partes relacionadas. b) O valor absoluto do lucro/prejuízo do segmento operacional é igual ou superior a 10% do maior valor absoluto entre o lucro combinado de todos os segmentos operacionais que reportam lucro ou prejuízo combinado de todos os segmentos operacionais que reportam prejuízo ou ativos identificáveis do segmento operacional são iguais ou superiores a 10% dos ativos combinados de todos os segmentos operacionais. Informações geográficas também devem ser disponibilizadas por país, ou grupo de países, relativamente a receitas e ativos. Se forem relevantes as informações por região geográfica dentro do Brasil, e se essas informações forem utilizadas gerencialmente, as mesmas regras de evidenciação devem ser observadas. Segmentos identificados separadamente devem totalizar pelo menos 75% da receita consolidada. Segmentos adicionais podem ser identificados fora dos critérios quantitativos.

Os segmentos que historicamente têm atendido aos indicadores quantitativos devem ainda ser apresentados separadamente caso a Administração espere que continuem tendo importância significativa. Informações comparativas devem ser reapresentadas quando um novo segmento é adicionado no exercício corrente. Não há número máximo de segmentos; porém, o limite prático é dez. CPC 23 – Políticas Contábeis, Mudança de Estimativa e Retificação de Erro Mudança de políticas contábeis: a entidade deve alterar uma política contábil apenas se a mudança for exigida por Pronunciamento, Interpretação ou Orientação; ou resultar em informação confiável e mais relevante nas demonstrações financeiras sobre os efeitos das transações, outros eventos ou condições acerca da posição patrimonial e financeira, do desempenho ou dos fluxos de caixa da entidade. Aplicação retrospectiva: quando uma mudança na política contábil é aplicada, retrospectivamente, a entidade deve ajustar o saldo de abertura de cada componente do patrimônio líquido afetado para o período anterior mais antigo apresentado e os demais montantes comparativos divulgados para cada período anterior apresentado, como se a nova política contábil tivesse sempre sido aplicada. Mudança de estimativas contábeis: a estimativa envolve julgamentos baseados na última informação disponível e confiável. Por exemplo, podem ser exigidas estimativas de: créditos de liquidação duvidosa; obsolescência de estoque; valor justo de ativos financeiros ou passivos financeiros; vida útil de ativos depreciáveis ou do padrão esperado de consumo dos futuros benefícios econômicos incorporados nesses ativos; e obrigações decorrentes de garantias. Aplicação prospectiva: a mudança em uma estimativa contábil pode afetar apenas os resultados do período corrente ou os resultados tanto do

período corrente como de períodos futuros. Por exemplo, a mudança na estimativa de créditos de liquidação duvidosa afeta apenas os resultados do período corrente e, por isso, é reconhecida no período corrente. Porém, a mudança na estimativa da vida útil de ativo depreciável, ou no padrão esperado de consumo dos futuros benefícios desse tipo de ativo, afeta a depreciação do período corrente e de cada um dos futuros períodos durante a vida útil remanescente do ativo. Retificação de erro: sua retificação implica efeitos retrospectivos, onde as demonstrações comparativas precisam ser reapresentadas (a não ser que seja impraticável). Aplicação impraticável: ocorre quando a entidade não pode aplicar as mudanças depois de ter feito todos os esforços razoáveis nesse sentido. Para um período anterior em particular, é impraticável aplicar retrospectivamente a mudança em política contábil ou fazer a reapresentação retrospectiva para corrigir um erro se: (a) os efeitos da aplicação retrospectiva ou da reapresentação retrospectiva não puderem ser determinados; (b) a aplicação retrospectiva ou a reapresentação retrospectiva exigir premissas baseadas no que teria sido a intenção da Administração naquele momento passado; ou (c) a aplicação retrospectiva ou a reapresentação retrospectiva exigir estimativas significativas de valores e se for impossível identificar objetivamente a informação sobre essas estimativas. CPC 24 – Evento Subsequente Evento subsequente é o que ocorre entre a data final do período contábil a que se referem as demonstrações financeiras e a data na qual é autorizada a emissão das mesmas. A divulgação dessa data nas demonstrações financeiras é obrigatória. O evento subsequente que evidencia condição já existente na data final do período contábil a que se referem as demonstrações financeiras obriga ao reconhecimento de seus efeitos nesse balanço (notícia de falência de devedor, por exemplo).
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O evento que evidencia condição criada após a data final do período contábil a que se referem as demonstrações financeiras não provoca ajuste nesse balanço, a não ser que vinculado à descontinuidade da entidade. Divulgação: (i) divulgar a data em que foi concedida a autorização para emissão das demonstrações financeiras e quem forneceu tal autorização; (ii) atualizar a divulgação de suas demonstrações financeiras de modo que reflitam as informações recebidas após o período contábil a que se referem as demonstrações financeiras, mesmo quando as informações não afetam os valores reconhecidos nessas demonstrações; e (iii) divulgar cada categoria significativa de eventos subsequentes ao período contábil quanto à natureza do evento e à estimativa de seu efeito financeiro ou uma declaração de que tal estimativa não pode ser feita, por exemplo: combinação de negócios importante após o período contábil, a alienação de uma subsidiária importante, anúncio de plano para descontinuar uma operação, compras importantes de ativos, classificação de ativos como mantidos para venda, operação descontinuada, destruição por incêndio de instalação de produção importante após o período contábil, anúncio ou início da implementação de reestruturação importante, transações importantes envolvendo ações ordinárias subsequentes ao período contábil, alterações extraordinariamente grandes nos preços dos ativos ou nas taxas de câmbio após o período contábil, alterações nas alíquotas de impostos ou na legislação tributária, assunção de compromissos ou de contingência passiva significativa e início de litígio importante, entre outros. CPC 25 – Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes A provisão (obrigação de prazo ou valor incerto) é contabilizada quando uma obrigação existente na data do balanço for provável que o pagamento venha ocorrer, e quando é possível sua mensuração; se não for possível a mensuração, deve ser feita apenas a divulgação.

Passivo contingente: (i) obrigação não provável, portanto não é provisionada; (ii) se de probabilidade classificada como possível, a divulgação de nota explicativa a respeito é obrigatória; e (iii) se de probabilidade dada como remota, não há a necessidade de nenhum provisionamento ou mesmo de divulgação em nota explicativa. A obrigação à data do balanço pode ser de ordem legal ou contratual, ou então não formalizada (construtiva). Nesse caso a entidade assume voluntariamente determinada obrigação perante terceiros, divulga essa obrigação e tem, nesses terceiros, criada a expectativa do recebimento do benefício. Ativo contingente não é registrado contabilmente. Apenas divulgado montante quando a probabilidade de êxito for provável. Na maioria dos casos as reformas ou manutenções, mesmo aquelas não anuais, não se constituem provisões para esse fim, já que não existe obrigação legal ou construtiva na data do balanço. Em tais situações, o ativo que sofre a reforma ou a manutenção deve ser depreciado separadamente pelo período dessa reforma ou manutenção, e o gasto da reforma ou manutenção deve ser ativado, para depreciação pelo período subsequente até o próximo gasto. Provisões para programas de desligamento voluntário não podem ser efetuadas enquanto não divulgados tais planos e criada a expectativa válida por parte dos empregados. Não são reconhecíveis como provisões estimativas de gastos por reestruturação societária e semelhantes. Divulgação: (i) a movimentação ocorrida no período contábil corrente, não sendo requeridas informações comparativas; (ii) para cada provisão relevante divulgar breve descrição da natureza da obrigação, cronograma esperado de quaisquer desembolsos, indicação das incertezas sobre o valor ou o cronograma desses desembolsos, e o montante de qualquer reembolso esperado, indicando o valor do ativo que porventura tenha sido reconhecido; e (iii) em casos extremamente raros, uma divulgação pode prejudicar a empresa

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em uma disputa com outras partes. Nesses casos a empresa deve divulgar a natureza geral da disputa juntamente com o fato de que as informações não foram divulgadas, com a devida justificativa. CPC 26 (R1) – Apresentação das Demonstrações Financeiras O conjunto completo de demonstrações financeiras inclui: i) Balanço patrimonial; ii) Demonstração do resultado; iii) Demonstração do resultado abrangente; iv) Demonstração das mutações do patrimônio líquido; v) Demonstração dos fluxos de caixa; vi) Demonstração do valor adicionado (esta quando exigida legalmente); e vii) Notas explicativas. As demonstrações financeiras do exercício devem ser apresentadas de maneira comparativa com as do exercício anterior. É obrigatória a segregação entre circulante e não circulante no caso dos ativos e passivos. Covenants:, quando a entidade não cumprir um compromisso acordado de empréstimo de longo prazo até a data do balanço, com o efeito de o passivo se tornar vencido e pagável à ordem do credor, o passivo é classificado como circulante, mesmo que o credor tenha concordado, após a data do balanço e antes da data da autorização para emissão das demonstrações financeiras, em não exigir pagamento antecipado como consequência do descumprimento do compromisso. Participação dos não-controladores: deve ser apresentada no balanço consolidado como parte do patrimônio líquido após o subtotal do patrimônio líquido dos proprietários da entidade controladora. O mesmo tratamento deve ser dado ao resultado, e o resultado do período e o resultado abrangente do período devem, após sua mensuração, evidenciar a parcela dos proprietários da entidade controladora e a parcela dos não-controladores.

Demonstrações do resultado abrangente: no Brasil é obrigatório que as demonstrações do resultado abrangente e do resultado do período sejam apresentadas separadamente (Lei nº 6.404/76). Devem ser apresentadas partindo do “lucro do exercício”. Os componentes dos outros resultados abrangentes podem ser apresentados líquidos de imposto ou podem ser apresentados brutos, com uma rubrica única para a dedução do imposto. Exemplos que fazem parte dos componentes de outros resultados abrangentes: (i) ganhos e perdas atuariais em planos de pensão com benefício definido; (ii) ganhos e perdas derivados de operações no exterior (CPC 02); (iii) Ajuste de Avaliação Patrimonial – AAP relativo a ganhos e perdas na remensuração de ativos financeiros disponíveis para venda (CPC 38); (iv) AAP relativo à efetiva parcela de ganho e perda de instrumentos de hedge de fluxo de caixa (CPC 38); e outros. Itens não operacionais e itens extraordinários: é vedada a utilização deles. A única segregação permitida é a relativa ao resultado das operações descontinuadas. Balanço patrimonial: apresentação de três balanços patrimoniais, incluindo o balanço de abertura e dois períodos para as demais peças contábeis. Esse requerimento é necessário quando a entidade aplica uma política contábil retroativamente, ou procede à reapresentação de itens das demonstrações financeiras, ou ainda quando procede à reclassificação de itens de suas demonstrações financeiras. Compensações: ativos e passivos e receitas e despesas não devem ser compensados, a não ser que seja requerido ou permitido por algum pronunciamento ou interpretação.

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CPC 27 – Ativo Imobilizado O imobilizado deve ser reconhecido pelo custo de todos os fatores necessários a colocá-lo em condições de utilização, mensurados sem a inclusão dos encargos financeiros inerentes a transações financiadas, com exceção dos encargos financeiros durante a construção (ver CPC 20). Reavaliação: não é mais permitida no Brasil, mas podem ser mantidos os valores reavaliados se efetuados enquanto a reavaliação era permitida. Revisão da vida útil: é obrigatória a revisão, pelo menos anual, dos parâmetros que levaram à definição do valor periódico da depreciação. Componentização: cada ativo com custo relevante precisa ser segregado para depreciação própria. Impairment: avaliar os indicadores de impairment pelo menos uma vez por ano (ver CPC 01). Venda de imobilizados usados: geralmente não faz parte das receitas da entidade, sendo reconhecido no resultado diretamente o ganho ou a perda com essa alienação, a não ser quando essas receitas forem relevantes e forem parte normal do negócio. Nesse caso, a alienação de imobilizados é receita de venda, e o valor contábil líquido baixado é custo do item vendido. Peças de reposição: são geralmente consideradas como estoque e baixadas ao resultado quando consumidas, exceto quando: (i) houver expectativa de uso por mais do que um período; e (ii) associadas diretamente a um item específico do imobilizado, devendo então ser registradas como parte do referido item. Divulgação: (i) dos critérios de mensuração utilizados para determinar o valor contábil bruto; (ii) dos métodos de depreciação utilizados e das vidas úteis ou das taxas de depreciação utilizadas; (iii) do valor contábil bruto e da depreciação acumulada (mais as perdas acumuladas por desvalorização) no início e no fim do exercício; e (iv) de uma reconciliação
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do valor contábil no início e no fim do exercício, demonstrando adições, ativos classificados como mantidos para venda, aquisições por meio de combinações de negócios, aumentos ou reduções decorrentes de reavaliações, provisões para perdas de ativos, reconhecidas no resultado, e reversão de perda por desvalorização de ativos. CPC 28 – Propriedade para Investimento Propriedade para investimento: é o imóvel (terreno ou edifício) mantido para obtenção de rendas ou para valorização do capital, e não para uso na produção ou no fornecimento de bens ou serviços, ou para finalidades administrativas ou para venda no curso ordinário do negócio. Deve ser classificado como investimento, e não como imobilizado, e deve ser inicialmente mensurado pelo custo. Mensuração: a entidade escolhe, daí em diante, o método do valor justo ou o método do custo, de maneira consistente ao longo do tempo. Se utilizado o método de custo, aplicam-se as regras do ativo imobilizado e deve ser divulgado o valor justo em nota explicativa. Se utilizado o método do valor justo, suas variações são reconhecidas diretamente no resultado. Imobilizado usado parte para uso, e parte para renda ou valorização, só pode ser subdividido em imobilizado e investimento se puderem ambas as partes ser vendidas separadamente. Divulgação: (i) é aplicado o método do valor justo ou o método do custo; (ii) caso seja aplicado o método do valor justo, se e em que circunstâncias os interesses em propriedade mantidos em arrendamentos operacionais são classificados e contabilizados como propriedade para investimento; (iii) os métodos e pressupostos significativos aplicados na determinação do valor justo de propriedade para investimento, incluindo declaração afirmando se a determinação do valor justo foi ou não suportada por evidências do mercado ou foi mais ponderada por outros fatores (que a entidade deve divulgar) por força da natureza da propriedade e da falta de dados de mercado comparáveis; e

(iv) as quantias reconhecidas no resultado para lucros de rendas de propriedade para investimento, gastos operacionais diretos (incluindo reparos e manutenção) provenientes de propriedades para investimento que tenham gerado rendas durante o período, a alteração cumulativa no valor justo reconhecido nos resultados e outras. CPC 29 – Ativo Biológico e Produto Agrícola Ativo biológico: é definido como um animal e/ ou planta vivos. Produção agrícola é definida como produtos obtidos dos ativos biológicos.
Exemplos de ativos biológicos, produto agrícola e produtos resultantes do processamento depois da colheta
Ativos biológicos Produto agrícola Produtos resultantes do processamento após a colheita

Divulgação: (i) a entidade deve divulgar o ganho ou a perda do período corrente em relação ao valor inicial do ativo biológico e do produto agrícola e, também, os decorrentes da mudança no valor justo, menos a despesa de venda dos ativos biológicos; e (ii) as demonstrações financeiras devem divulgar a natureza das atividades envolvendo cada grupo de ativos biológicos do período e estimativas não financeiras de quantidades físicas. CPC 30 – Receitas Reconhecimento de receita: A receita deverá ser reconhecida pelo valor justo que se espera ser recebido ou que foi recebido, líquido de descontos comerciais. Trocas de produtos ou serviços similares não geram receita. No entanto, trocas para produtos ou serviços não similares geram receita. Venda de produtos: reconhecimento quando: (i) houver transferência dos riscos e prêmios decorrentes da propriedade das mercadorias; (ii) o vendedor não retiver o envolvimento gerencial contínuo sobre a propriedade nem o controle efetivo das mercadorias vendidas; (iii) o valor da receita puder ser medido com segurança; (iv) for provável que os benefícios econômicos associados a transações serão recebidos pelo vendedor; e (v) os custos incorridos e a incorrer associados a transações puderem ser medidos com segurança. Venda/Prestação de serviço: reconhecimento quando: (i) o valor da receita puder ser medido com segurança; (ii) for provável que os benefícios econômicos associados a transações serão recebidos pelo vendedor; (iii) o estágio de andamento puder ser medido com segurança na data do balanço; e (iv) os custos incorridos e a incorrer associados a transações puderem ser medidos com segurança. Quando o desfecho da operação que envolver a prestação de serviços não puder ser estimado confiavelmente, a receita somente deve ser reconhecida na medida em que sejam recuperáveis os gastos incorridos. Se o recebimento for diferido e o acordo constituir efetivamente uma transação de financiamento, o valor justo da receita é calculado a valor presente. A diferença entre o valor justo e o valor nominal da
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Carneiros Árvore de uma plantação Plantas Gado de leite Porcos

Lã Madeira

Fio, tapete Madeira serrada, celulose

Fio de algodão, roupa Algodão Açúçar, álcool Cana colhida Café limpo em grão, moído, Café torrado Leite Carcaça Queijo Salsicha, presunto

Mensuração: devem ser mensurados pelo seu valor justo, deduzido das despesas com vendas. Os produtos agrícolas colhidos também são mensurados ao valor justo, no momento da colheita, líquido das despesas com vendas, no momento da colheita. Após a colheita, o ativo passa a ser avaliado segundo o CPC 16, ou outro pronunciamento mais adequado. Os ganhos e as perdas decorrentes da variação do valor justo, líquidos das despesas com vendas, são reconhecidos no resultado do exercício. Para os raros casos em que não for possível mensurar o valor justo, deve ser mensurado ao custo, menos qualquer depreciação e perda por irrecuperabilidade acumuladas. Outros gastos com ativos biológicos: manutenção, crescimento, engorda, etc. dos ativos biológicos são despesas do período ou formam parte do custo.

retribuição é reconhecida como receita de juros com o passar do tempo. No momento da transação as contas a receber e a receita de vendas são registradas por seu valor presente.
Produtos Serviços

Implícito

Evidência de contratação

Implícito

Programas de fidelização de clientes: a parcela atribuída como bônus deverá implicar o diferimento da receita relativa a esse bônus. Por exemplo: a cada dez passagens vendidas, uma gratuita adicional será emitida, a receita de dez passagens corresponde à prestação do serviço de transporte de onze viagens, e a receita total das dez deverá ser distribuída pelas onze. Permuta de bens e serviços de mesma natureza e valor: não há reconhecimento de receita; esta só ocorre quando da permuta de bens e serviços de natureza diferente. Divulgação: atentar para: (i) as políticas contábeis adotadas para o reconhecimento das receitas e os métodos utilizados para determinar a fase de conclusão de transações que envolvam a prestação de serviços; e (ii) o montante de cada categoria significativa de receita reconhecida durante o período, incluindo as receitas provenientes de venda de bens, prestação de serviços, juros, royalties e dividendos, e o montante de receitas provenientes de trocas de bens ou serviços incluídos em cada categoria significativa de receita. CPC 31 – Ativo Não Circulante Mantido para Venda e Operação Descontinuada Ativo não circulante mantido para a venda: se realmente for recuperado pela sua venda e não mais pelo seu uso, inclusive tendo iniciado o processo dessa alienação de maneira que seja improvável a mudança dessa decisão, então o ativo deve ser transferido para o ativo circulante, pelo menor valor, entre seu valor líquido contábil e seu valor justo, líquido das despesas com vendas. Ativos a serem abandonados nunca são classificados como “destinados à venda”, pois não haverá transação de venda; portanto, seus valores contábeis somente poderão ser recuperados através do uso contínuo. Poderiam enquadrar-se em operações descontinuadas quando eventualmente abandonados.

Trasferência de riscos e benefícios

Entrega

Percentual de conclusão

Mensuração confiável

Preço

Mensuração confiável

Mensuração confiável

Passível de cobrança

Mensuração confiável

Juros e royalties: reconhecimento quando: (i) for provável que os benefícios econômicos associados a transações serão recebidos pelo vendedor; e (ii) o valor da receita puder ser medido com segurança. Dividendos: reconhecimento quando: (i) for provável que os benefícios econômicos associados a transações serão recebidos pelo vendedor; (ii) o valor da receita puder ser medido com segurança; e (iii) o direito do acionista em receber o dividendo for estabelecido. Componentes identificáveis na transação: havendo mais de um componente identificável de uma única transação, deve ser refletida sua substância. Por outro lado, pode ser necessário tratar dois componentes ou transações como um só, como quando a entidade vende bens e celebra, no mesmo momento, acordo para recomprá-los em data posterior. Nesse caso, a receita de venda e a transação de compra não devem ser registradas.

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Operação descontinuada: um componente da entidade baixado (por venda ou não), ou que está classificado como um ativo não circulante mantido para venda, desde que represente uma importante linha de negócios da entidade destinada a ser descontinuada. Deve ser segregado na demonstração do resultado, dos resultados derivados desse componente durante o período, incluindo o obtido na baixa, líquidos dos tributos, em uma única linha, para segregação dos resultados das operações que continuam. Divulgação: Ativos mantidos para a venda: (i) ativos não circulantes (ou ativos/passivos de grupos para alienação) são demonstrados separadamente dos demais ativos/passivos; (ii) ativos e passivos não devem ser compensados; (iii) dispensa para controladas recém-adquiridas; e (iv) períodos anteriores não são reclassificados. Operação descontinuada: apresentar um valor único na demonstração do resultado abrangendo o total de: (i) lucro ou prejuízo após impostos da operação descontinuada; (ii) ganhos ou perdas após impostos, reconhecidos na mensuração a valor justo menos custos de venda, ou na alienação; (iii) composição em notas explicativas sobre a receita, despesas e lucro ou prejuízo antes de impostos de operações descontinuadas e despesa de imposto de renda correspondente aos ganhos ou às perdas reconhecidos na mensuração a valor justo menos custos de venda, ou alienação dos ativos ou grupos para alienação que constituem a operação descontinuada e a despesa de imposto de renda correspondente; e (iv) reapresentação de divulgações para os períodos anteriores. CPC 32 – Tributos sobre o Lucro Imposto de renda corrente: (i) deve ser calculado às taxas determinadas pela legislação de cada país; (ii) deve ser registrado pelos valores os quais se espera que serão liquidados; e (iii) a provisão deverá ser contabilizada no passivo e as antecipações no ativo.

Imposto de renda diferido passivo: deve ser reconhecido para todas as diferenças temporárias tributáveis, com atenção especial para: a) Reconhecimento inicial do ágio, à medida que, em períodos subsequentes, surgir uma diferença temporária entre as bases fiscal e contábil do ágio, por ele ser dedutível para fins fiscais, o imposto de renda diferido passivo deverá ser registrado. b) Transações com investimentos em subsidiárias, em que a controladora possa controlar o momento da reversão da diferença temporária e é provável que essa diferença não será revertida em um futuro próximo. Imposto de renda diferido ativo: deve ser reconhecido para todas as diferenças temporárias dedutíveis e prejuízos fiscais desde que seja provável que haverá lucro tributável futuro contra o qual poderá ser utilizada a diferença temporária dedutível ou compensado o prejuízo fiscal, a menos que o ativo fiscal diferido decorra de reconhecimento inicial de ativos/passivos outros que não de combinações de empresas, os quais no momento da transação não tenham afetado o lucro contábil ou tributável. Anualmente, o imposto de renda diferido ativo deverá ser revisado e reduzido na medida em que for constatado que não é provável que haverá lucro tributável futuro suficiente para sua utilização. Subsequentemente, essa redução poderá ser revertida caso seja concluído que a ocorrência de lucro tributável. Divulgação: (i) a despesa ou receita de imposto de renda corrente e diferido deverá ser reconhecida na demonstração do resultado, exceto nos casos de transação ou evento reconhecido diretamente no patrimônio líquido e combinação de empresas; (ii) o imposto de renda (ativo ou passivo) corrente deverá ser compensado no balanço patrimonial somente se a empresa tiver o direito legal ou a intenção de liquidar pelo líquido; (iii) o imposto de renda diferido (ativo e passivo) sempre deverá estar classificado no grupo de ativos e passivos não correntes.

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CPC 33 – Benefícios a Empregados Benefícios a empregados são todas as formas de remuneração concedidas por uma entidade em troca dos serviços prestados pelos empregados, e precisam ser contabilizados, por competência, tendo como contrapartida, conforme o recebimento, os serviços prestados pelos empregados. Isso inclui os benefícios de curto prazo (férias, 13º salário, etc.), os de longo prazo (licenças remuneradas por quinquênio, gratificações por desempenho, etc.) e os pós-emprego (complementação de aposentadoria, assistência médica na aposentadoria, etc.). Contribuição definida: a obrigação legal ou construtiva está limitada à quantia que a empresa aceita contribuir para o fundo; em consequência, o risco atuarial e o risco de investimento recaem no empregado. Benefício definido: a obrigação da empresa patrocinadora é prover os benefícios acordados com os empregados atuais e antigos; portanto, o risco atuarial e o risco de investimento recaem parcial ou inteiramente na empresa patrocinadora. São utilizadas técnicas atuariais e estimativas acerca de variáveis demográficas e variáveis financeiras que influenciarão o custo do benefício e os valores projetados dos benefícios. Os valores são descontados pelo “Método de Crédito Unitário Projetado” para determinação do valor presente da obrigação de benefício definido. Esse é o passivo atuarial em cada balanço a ser comparado com o valor justo dos ativos do plano nessa mesma data. Essas informações determinam os ganhos e as perdas a serem reconhecidos no período a complementar as despesas com as contraprestações do empregador, eventuais obrigações no seu passivo por descasamento entre aqueles ativos e passivos e, em certas circunstâncias, reconhecimento como ativo do direito de recebimento futuro ou de redução nas contraprestações futuras. Em certas circunstâncias, em virtude da escolha da política contábil, admite-se um “corredor” representado por uma faixa de variação para não obrigar a um excesso de volatilidade no reconhecimento desses descasamentos entre ativos do plano e obrigação atuarial.

Benefícios por desligamento: a entidade reconhece o passivo e a despesa quando, e somente quando, a entidade estiver comprometida a cessar o vínculo empregatício de empregado, ou grupo de empregados, antes da data normal de aposentadoria ou oferecer benefícios por desligamento como resultado de uma oferta para encorajar a saída voluntária e devem ser descontados a valor presente quando o prazo para o pagamento superar 12 meses. Divulgação: o montante registrado no resultado do exercício deve ser o custo do serviço corrente, o custo dos juros, o retorno esperado de quaisquer ativos do plano e sobre direitos de reembolso, os ganhos e as perdas atuariais, o custo do serviço passado, o efeito de quaisquer reduções ou liquidações e qualquer efeito sobre o limite do ativo mencionado anteriormente a não ser que seja reconhecido fora da demonstração do resultado. Deve-se divulgar o número de empregados, benefícios por desligamento (quando relevante), métodos e premissas, entre outros descritos no CPC 33. CPC 34 – Exploração e Avaliação de Recursos Minerais Documento não emitido pelo CPC por não abranger todas as fases da indústria do minério e por não ser de aplicação obrigatória pelo IASB. CPC 35 – Demonstrações Separadas Demonstrações separadas são demonstrações opcionais para situações em que a avaliação em coligadas, em controladas e em controladas em conjunto, feita por equivalência patrimonial nas demonstrações financeiras individuais, bem como quando da elaboração de demonstrações consolidadas, não revela ou evidencia da maneira mais adequada como a Administração visualiza o negócio. Nestes casos, esses investimentos são avaliados pelo valor justo, ou até mesmo pelo custo. Divulgações: informações específicas são exigidas, conforme CPC 35.

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CPC 36 (R1) – Demonstrações Consolidadas Apresentação das demonstrações financeiras consolidadas é obrigatória (as exceções são raríssimas, mesmo para sociedades não abertas e limitadas). A controladora pode deixar de apresentar as demonstrações financeiras consolidadas somente se, além de permitido legalmente: (i) a controladora é ela própria uma controlada (integral ou parcial) de outra entidade, a qual, em conjunto com os demais proprietários, incluindo aqueles sem direito a voto, foram consultados e não fizeram objeção quanto à não-apresentação das demonstrações financeiras consolidadas pela controladora; (ii) os instrumentos de dívida ou patrimoniais da controladora não são negociados em mercado aberto; (iii) a controladora não registrou e não está em processo de registro de suas demonstrações financeiras na Comissão de Valores Mobiliários ou outro órgão regulador, visando à emissão de algum tipo ou classe de instrumento em mercado aberto; e (iv) a controladora final (ou intermediária) da controladora disponibiliza ao público suas demonstrações financeiras consolidadas em conformidade com os Pronunciamentos Técnicos do Comitê de Pronunciamentos Contábeis. Procedimentos de consolidação: (i) saldos e transações entre empresas do mesmo grupo devem ser completamente eliminados; (ii) as datas das demonstrações financeiras das controladas não podem ter mais do que dois meses de diferença em relação à data das demonstrações financeiras da controladora; (iii) todas as empresas dentro do grupo devem usar as mesmas práticas contábeis; e (iv) as receitas e despesas de uma controlada são incluídas nas demonstrações consolidadas da data de aquisição até a data na qual a controladora cessa o controle da controlada. Eliminações: são eliminados todos os saldos de investimentos, de recebíveis e de exigíveis entre elas no balanço, bem como todas as receitas e despesas de operações também entre elas. Participação dos demais investidores nas controladas: deve fazer parte do patrimônio líquido e do resultado líquido consolidado (bem como dos

resultados abrangentes consolidados). É destacada no balanço e nas demonstrações do resultado e do resultado abrangente. Transações sobre participação societária entre as entidades consolidadas: são tratadas como transações de capital entre os sócios (como se fossem “ações em tesouraria”) e não geram ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) nem ganho por compra vantajosa (“deságio”). As contrapartidas afetam as participações dos não-controladores. Perda de controle sobre uma controlada: se após a perda de controle, e considerando que a participação remanescente no investimento não é classificada como uma coligada, o investimento é ajustado a valor justo e tratado como instrumento financeiro em conformidade com o CPC 38. Divulgação: (i) a natureza da relação entre a controladora e a controlada, inclusive sobre o poder de voto em relação à controlada, conforme CPC 36(R1); (ii) a data de encerramento do período abrangido pelas demonstrações financeiras da controlada utilizadas e os motivos quando diferentes; (iii) restrição significativa (resultante de contratos de empréstimos ou exigência de órgãos reguladores, por exemplo); e (iv) qualquer ganho ou perda decorrente da perda do controle da controlada, detalhando a transação. CPC 37 (R1) – Adoção Inicial das Normas Internacionais de Contabilidade (IFRS) Este CPC deve ser aplicado em conjunto com o CPC 43. Deve ser aplicado quando a entidade adota as IFRSs pela primeira vez por meio de uma declaração explícita e sem reserva de cumprimento das IFRSs. Não devem ser aplicadas diferentes versões de IFRSs vigentes. A entidade pode aplicar uma nova IFRS, ainda não obrigatória, somente quando essa IFRS permitir sua aplicação antecipada, porém condicionada à aprovação de Pronunciamento correlacionado pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis e, quando aplicável, condicionada à aprovação prévia pelo órgão regulador a que a entidade esteja subordinada, quando esse órgão requerer a adoção das IFRSs para as entidades reguladas.
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Exceções durante a adoção inicial da IFRS: algumas isenções foram permitidas pelo CPC quanto à adoção inicial da IFRS. As diferentes situações são tratadas nos apêndices e nas guias de implementação anexados ao CPC 37 (R1). Divulgação: o CPC 37 (R1) requer divulgações que expliquem como a transição das políticas contábeis que vinham sendo seguidas para as IFRSs afetou a posição financeira (balanço patrimonial), o desempenho financeiro (resultado e resultado abrangente) e os fluxos de caixa da entidade. CPC 38 – Instrumentos Financeiros: Reconhecimento e Mensuração Instrumentos financeiros mensurados pelo valor justo por meio do resultado: aqueles mantidos para negociação ou assim designados. O valor justo pode ser avaliado pela existência de preços cotados em mercado ativo e, caso o mercado para um instrumento financeiro não estiver ativo, a entidade estabelece o valor justo usando uma técnica de avaliação. O CPC 38 traz orientações específicas a serem seguidas nesses casos. As alterações do valor justo são reconhecidas diretamente no resultado do período. Instrumento financeiro mantido até o vencimento: seus pagamentos ou recebimentos são fixos ou determináveis com vencimentos definidos e a entidade tem intenção positiva e a capacidade de manter até o vencimento . Deve ser registrado pelo custo amortizado (“curva do título”), com os ajustes reconhecidos no resultado, e está sujeito ao teste de impairment. Instrumento financeiro como empréstimos e recebíveis: vinculado a pagamentos ou recebimentos fixos ou determináveis, não cotado em mercado ativo e não destinado a ser vendido imediatamente, ou no curto prazo. Deve ser reconhecido inicialmente a valor presente e subsequentemente avaliado pelo custo amortizado.

Instrumento financeiro disponível para venda: quando não puder ser classificado como: (a) empréstimos e contas a receber (recebíveis), (b) investimentos mantidos até o vencimento, ou (c) ativos financeiros pelo valor justo por meio do resultado. Deve ser mensurável ao valor justo, mas a diferença entre o custo amortizado e o valor justo é reconhecida como outro resultado abrangente diretamente no patrimônio líquido até sua baixa ou reclassificação. Reclassificações entre as categorias acima são permitidas em casos excepcionais. Derivativo: é um instrumento financeiro cujo valor se altera em virtude de mudança em outros parâmetros, como taxa de juros especificada, preço de ação, preço de mercadoria, taxa de câmbio, índice de preços ou outras variáveis, exige baixo investimento inicial e é liquidado em data futura. Todos os derivativos são avaliados a valor justo e suas mutações são reconhecidas no resultado. Derivativo embutido: instrumento híbrido que inclui um contrato principal não derivativo e outro derivativo. Pode ser necessário que ele seja segregado e mensurado à parte conforme sua natureza e característica. Desreconhecimento de ativo financeiro: ocorre quando a entidade vende, desconta ou transfere um ativo financeiro , só podendo baixá-lo se transferir substancialmente todos os riscos e benefícios da propriedade do ativo financeiro e se não mantiver envolvimento continuado com ele. Caso contrário, a entidade deve manter os instrumentos financeiros no ativo e tratar o valor recebido como empréstimo. A essência da transação é que deve ser retratada contabilmente. Renegociações de dívida: caso haja mudanças substanciais nos termos do contrato original, passam a representar, em essência, uma nova dívida. Nesse caso, qualquer ganho ou perda apurado na renegociação deve ser reconhecido tempestivamente no resultado do exercício.

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Contabilização de hedge: conforme mencionado anteriormente, todo instrumento derivativo deve ser registrado ao valor justo por meio do resultado. Em situações específicas a entidade tem opção de adotar a contabilização de hedge, que significa designar um ou mais derivativos como instrumentos de hedge de forma que as mudanças em seu valor justo sejam uma compensação, parcial ou total, das mudanças no valor justo ou fluxos de caixa de um item protegido.Para aplicação deste conceito é requerida documentação detalhada preparada pela entidade antes da data da designação da relação de hedge. Item protegido (hedge): é um ativo, passivo, compromisso firme ou transação futura prevista que expõe a empresa ao risco de mudanças no valor justo ou mudanças nos fluxos de caixa futuros. Instrumentos de hedge: é um derivativo designado cujo valor justo ou fluxo de caixa se espera que compense as mudanças no valor justo ou nos fluxos de caixa de um item protegido. Eficácia do hedge: é a proporção em que mudanças no valor justo ou fluxo de caixa, atribuíveis a um item protegido, são compensadas pelo instrumento de hedge. Deve ser testada e mensurada, conforme critérios definidos neste CPC. As operações de hedge podem ser classificadas em três categorias: a) hedge de valor justo: as variações no valor justo do instrumento de hedge (derivativo), e do item objeto de hedge, devem ser reconhecidas no resultado quando de sua ocorrência e de forma concomitante; b) hedge de fluxo de caixa: as variações no instrumento de hedge devem ser contabilizadas no patrimônio líquido (ajustes de avaliação patrimonial), devendo lá permanecer até o momento da realização do item objeto de hedge (venda projetada, por exemplo); e c) hedge de investimento no exterior: a variação do valor justo do instrumento de hedge também é contabilizada em conta de patrimônio líquido.

CPC 39 – Instrumentos Financeiros: Apresentação A classificação do instrumento financeiro deve ser com base na essência e não na forma do instrumento financeiro, devendo este ser classificado no momento da emissão. Instrumento financeiro passivo: o emissor é obrigado a entregar caixa ou outro ativo financeiro, ou o detentor tem o direito de exigir caixa ou outro ativo financeiro. Um exemplo disso são ações preferenciais obrigatoriamente resgatáveis. Instrumento financeiro patrimonial: não há obrigação da entidade de entregar caixa ou outro ativo financeiro, nem de trocar ativos ou passivos financeiros em condições desfavoráveis. É necessário que o instrumento possa ser liquidado em ações ou cotas da própria empresa (ações preferenciais não resgatáveis, por exemplo). Instrumento financeiro composto: a entidade emissora deve avaliar se o instrumento possui tanto características patrimoniais quanto de dívida. Nesse caso, deve segregar os dois elementos e apresentálos separadamente. Exemplo desse tipo de situação ocorre com debênture conversível em um número fixo de ações. Ativos e passivos financeiros somente podem ser compensados, para serem apresentados pelo seu valor líquido, quando a entidade tiver o direito de compensá-los e possuir a intenção de liquidar pelo valor líquido, ou de liquidar o ativo e passivo simultaneamente. CPC 40 – Instrumentos Financeiros: Evidenciação As principais divulgações requeridas para todos os instrumentos financeiros são: a) Valor justo dos instrumentos financeiros, segregados por níveis segundo o maior ou menor grau de influência da Administração na sua determinação, conforme os níveis: Nível 1: preços negociados (sem ajustes) em mercados ativos para ativos idênticos ou passivos;
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Nível 2: inputs diferentes dos preços negociados em mercados ativos incluídos no Nível 1 que são observáveis para o ativo ou passivo, diretamente (como preços) ou indiretamente (derivados dos preços); e Nível 3: inputs para o ativo ou passivo que não são baseados em variáveis observáveis de mercado (inputs não observáveis). b) Métodos e técnicas utilizados para cálculo do valor justo. c) Ativos financeiros usados como garantia. d) Garantias financeiras. e) Descumprimento de compromissos contratuais. f) Tabela de liquidez. g) Vencimento dos recebíveis. h) Derivativos embutidos em instrumentos financeiros compostos. i) Natureza e extensão dos riscos oriundos dos instrumentos financeiros. j) Elementos componentes do resultado, como receitas, despesas, ganhos e perdas. k) Risco de crédito e moeda de cada classe de instrumento financeiro. l) Divulgações qualitativas e quantitativas sobre os riscos oriundos dos instrumentos financeiros, derivativos ou não (riscos de liquidez, de crédito, de mercado: juros, câmbio, preço de commodities e outros, e uma análise de sensibilidade para todas as empresas são exigidos). m) Evidenciações detalhadas também são necessárias para as operações de hedge para cada categoria de hedge realizada. CPC 41 – Resultado por Ação Aplicável apenas às companhias abertas ou em via de se tornarem abertas. Resultado: o lucro por ação é reportado para o resultado atribuível aos acionistas da entidade controladora, para o resultado de operações continuadas atribuível aos acionistas da controladora e para quaisquer operações descontinuadas. Resultado por ação básico: calculado dividindo-se o resultado do período atribuído aos acionistas da entidade controladora (após a dedução das
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participações não controladoras e dividendos preferenciais) pela média ponderada da quantidade de ações em circulação no período. Resultado por ação diluído: calculado ajustando-se o resultado do período acrescido do valor dos dividendos após impostos e dos juros registrados no período relacionados a potenciais ações ordinárias com efeito de diluição (como opções, bônus de subscrição e títulos conversíveis) e por outras eventuais variações do resultado decorrentes da conversão de potenciais ações ordinárias com efeito de diluição. Esse resultado ajustado é dividido pela média ponderada da quantidade de ações em circulação no período acrescido do número de ações que seriam emitidas na conversão de todas as potenciais ações ordinárias com efeito de diluição. Divulgação: deve ser divulgado, com igual destaque na demonstração do resultado, o resultado por ação básico e diluído. CPC 42 – Contabilidade e Evidenciação em Economia de Alta Inflação Pronunciamento não emitido, no aguardo de aperfeiçoamentos no original do IASB. CPC 43 (R1) – Adoção Inicial dos Pronunciamentos Técnicos CPC 15 a 40 Determina que a entidade deve, primeiramente, fazer a aplicação do CPC 37 às suas demonstrações consolidadas quando adotar tais normas internacionais pela primeira vez e, a seguir, a entidade deve transpor, para suas demonstrações individuais, todos os ajustes que forem necessários, ou pelos quais optar, na aplicação do CPC 37, a fim de obter o mesmo patrimônio líquido em ambos os balanços patrimoniais (consolidado e individual), observadas as exceções descritas no CPC 43 (R1): a) A manutenção pela entidade de saldo no ativo diferido, nos termos do CPC 13, é permitida pela legislação brasileira vigente, mas não permitida em relação às normas internacionais de relatório financeiro (IFRSs). Assim, os referidos saldos deveriam ser eliminados das demonstrações financeiras consolidadas, uma vez

que essa permissão não foi acolhida pelo CPC 36 – Demonstrações Consolidadas, no qual as demonstrações consolidadas brasileiras devem ser consideradas como estando de acordo com as IFRSs conforme emitidas pelo IASB. b) As demonstrações contábeis individuais de entidades com investimento em controlada ou empreendimento controlado em conjunto avaliado pela equivalência patrimonial de acordo com o exigido pela legislação brasileira vigente não são consideradas, com esse método de avaliação, como estando conformes com as normas internacionais de contabilidade. As demonstrações financeiras separadas, eventualmente apresentadas por opção da entidade, devem também ser preparadas a partir das demonstrações individuais, admitidas como ajustes, unicamente, as determinadas pela modificação do método de avaliação dos investimentos em controladas, coligadas e empreendimentos controlados em conjunto. Divulgações específicas são exigidas quando da aplicação do pronunciamento. CPC PME – contabilidade para pequenas e médias empresas Aplicação: demonstrações financeiras para fins gerais de empresas de pequeno e médio portes (PMEs), compostas por sociedades fechadas e sociedades que não sejam requeridas a fazer prestação pública de suas contas, ou seja, não inclui: (i) as companhias abertas, reguladas pela CVM; (ii) as sociedades de grande porte, como definido na Lei nº 11.638/07; e (iii) as sociedades reguladas pelo Banco Central do Brasil e pela Superintendência de Seguros Privados e outras sociedades cuja prática contábil é ditada pelo correspondente órgão regulador com poder legal para tanto. As PMEs muitas vezes produzem demonstrações financeiras apenas para o uso de proprietáriosadministradores ou apenas para o uso de autoridades fiscais ou outras autoridades governamentais. Demonstrações financeiras produzidas apenas para esses propósitos não são, necessariamente, demonstrações financeiras para fins gerais.

A entidade cujas demonstrações financeiras estiverem em conformidade com este Pronunciamento deve fazer uma declaração explícita e sem reservas dessa conformidade nas notas explicativas. As demonstrações financeiras não devem ser descritas como em conformidade com este Pronunciamento a não ser que estejam em conformidade com todos os requerimentos dele. Quando comparado com os CPCs esta norma omite alguns tópicos que são aplicáveis apenas às entidades cuja aplicação deste pronunciamento está proibida (ex:lucro por ação, informação por segmento, seguro) e não permite a opção de algumas políticas contábeis previstas no CPCs com objetivo de reduzir a complexidade na adoção (ex: escolha de política contábil para propriedades para investimentos, certas opções para instrumentos financeiros). Por consequência há redução nos requerimentos de divulgação. ICPC 01 – Contratos de Concessão Possíveis setores afetados por essa interpretação: distribuidoras de energia, empresas de saneamento básico, concessionárias de rodovias e ferrovias, entre outras. Infraestrutura da concessão: deixa de ser ativo imobilizado da concessionária e passa a ser representada por um ativo intangível e/ou ativo financeiro quando os ativos, objetos de concessão, não são ativos imobilizados sob genuíno controle da concessionária. Por serem bens públicos, de fato não são ativos imobilizados da concessionária, mas do poder concedente. Ativos intangíveis versus ativos financeiros: quando os ativos representam o direito de acessar e explorar o ativo, mas não o ativo imobilizado em si, entende-se que a entidade adquire o direito de exploração, que se caracteriza como ativo intangível e é amortizado de acordo com a sua vida útil para a entidade, vida útil essa limitada ao prazo da concessão (concessionária, por exemplo). Em outras circunstâncias, caso haja a garantia legal ou contratual por parte do poder concedente de sua recuperação e de tal forma que lhe dê essa caracterização, esses valores, então, possuem
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característica de ativos financeiros. Quando parte do valor investido for ressarcível pelo poder concedente, ela se destaca do ativo intangível e deve ser registrada como instrumento financeiro, reconhecido conforme o CPC 38. Divulgação: o concessionário deve divulgar ao fim de cada período: (i) descrição do contrato; (ii) termos significativos do contrato que possam afetar o valor, o prazo e a certeza dos fluxos de caixa futuros (por exemplo, período da concessão, datas de reajustes nos preços e bases sobre as quais o reajuste ou a revisão serão determinados); (iii) natureza e extensão; (iv) direitos de uso de ativos especificados; (v) obrigação de prestar serviços, receber serviços, construir itens da infraestrutura da concessão, entregar o direito de receber ativos especificados no final do prazo da concessão e outros direitos e obrigações (por exemplo, grandes manutenções periódicas); (vi) mudanças no contrato ocorridas durante o período; e (vii) como o contrato de concessão foi classificado: ativo financeiro e/ou ativo intangível. Outras divulgações sobre o total da receita, lucros ou prejuízos do período, etc. devem ser consideradas conforme rege este CPC. ICPC 02 – Contrato de Construção do Setor Imobiliário A entidade deve avaliar cada contrato, para determinar o momento em que um contrato de construção de imóvel se enquadra no alcance do CPC 17, que apropria receitas conforme o andamento da obra (ou em conformidade com o CPC 30, que apropria a receita basicamente quando da entrega do bem ou durante a execução do serviço, conforme a circunstância). Enquadramento conforme CPC 17: quando o comprador é capaz de especificar os principais elementos estruturais do projeto do imóvel (quer ou não o comprador exerça essa possibilidade). Nesse caso, a receita e o custo são reconhecidos pelo percentual de evolução da obra (se houver a transferência do controle, dos riscos e dos benefícios da propriedade de imóvel durante a construção).
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Enquadramento conforme CPC 30: o comprador tem apenas possibilidade limitada de influenciar no projeto do imóvel (como, por exemplo, a possibilidade de selecionar um projeto entre um leque de opções especificadas pela entidade ou especificar apenas pequenas variações do projeto básico), é um contrato de venda de bens de acordo com o alcance do CPC 30. Nos exemplos ilustrativos da ICPC 02 pode ser encontrada situação em que a receita é reconhecida na entrega das chaves. Com objetivo de auxiliar a aplicação desta ICPC foi editada a OCPC 04 comentada adiante. ICPC 03 – Aspectos Complementares das Operações de Arrendamento Mercantil Especifica, mais detalhadamente, as condições exigidas para determinação de um contrato ser de arrendamento mercantil, ou de conter dentro dele operação de arrendamento mercantil. Duas análises básicas são efetuadas: (i) uma com relação a ativo específico; e (ii) outra com relação à efetiva transferência da capacidade de utilização do ativo. Essa ICPC trata também da separação contábil, quando o pagamento da contraprestação de arrendamento incorpora outros elementos que não apenas o arrendamento, tais como fornecimento de matérias-primas, manutenção, etc. ICPC 04 – Alcance do Pronunciamento Técnico CPC 10 – Pagamento Baseado em Ações Trata do caso específico de situação em que é difícil, ou impossível, segregar adequadamente os bens, ou serviços recebidos, como pagamento baseado em ações. ICPC 05 – Pronunciamento Técnico CPC 10 – Pagamento Baseado em Ações – Transações de Ações do Grupo e em Tesouraria Quando uma entidade recebe serviços e o pagamento é efetuado com ações de outra empresa do mesmo grupo econômico, o registro da despesa é cabível na entidade que efetivamente recebe os serviços. Se os serviços forem distribuídos a duas ou mais entidades, cada uma reconhece a parte que lhe compete.

ICPC 06 – Hedge de Investimento Líquido em Operação no Exterior Detalha, especificamente, o tratamento das operações em que a entidade efetua investimento líquido no exterior, e parcial ou totalmente contrata operação de hedge com relação à moeda desse investimento. Trata também da contínua verificação da eficácia do hedge. ICPC 07 – Distribuição de Lucros in Natura Dividendos in natura: uma entidade distribui aos seus acionistas ou sócios, ou a detentores de títulos especificados como patrimoniais (ações, cotas, etc.), lucros na forma de ativos que não são o próprio caixa. Quando o lucro é distribuído in natura, a obrigação é reconhecida na data da efetiva aprovação da distribuição, pelo valor justo dos ativos a serem entregues. A diferença entre esse valor e o valor contábil anterior de tais ativos é reconhecida no resultado da entidade, na data da liquidação da obrigação. ICPC 08 – Contabilização da Proposta de Pagamento de Dividendos Reconhecimento dos dividendos: devem ser reconhecidos como passivo somente se atenderem aos critérios de obrigação presente na data das demonstrações financeiras. Sendo assim, os dividendos que forem declarados pela assembleia geral, ou por outro órgão competente, de acordo com as formalidades previstas no estatuto social, ou equivalente, antes da data-base das demonstrações financeiras atendem aos requisitos de obrigação presente e, portanto, se não pagos, devem figurar no passivo da entidade como obrigação. Por outro lado, se não houver deliberação da assembleia geral antes da data-base das demonstrações financeiras, somente o dividendo mínimo obrigatório atenderá à condição de obrigação presente na data das demonstrações financeiras. A parcela da proposta dos órgãos da Administração à assembleia de acionistas, que exceder a esse mínimo obrigatório, deve ser mantida no patrimônio líquido, em conta específica de reserva de lucros, como por exemplo “Dividendo adicional proposto”, até a deliberação definitiva que vier a ser tomada pelos acionistas.

ICPC 09 – Demonstrações Financeiras Individuais, Demonstrações Separadas, Demonstrações Consolidadas e Aplicação do Método de Equivalência Patrimonial Detalha aspectos importantes contidos nos CPCs 15, 18, 19, 35 e 36. Os principais aspectos são: a) Goodwill (ágio por expectativa de rentabilidade futura): este CPC aborda o cálculo e a contabilização do ágio. Aborda a situação rara desse tipo de ativo quando com vida útil definida, ágio em incorporação de entidades com, ou sem, entidade “veículo”, quando eram anteriormente independentes ou não, incorporação reversa e operações semelhantes. b) Ganho por compra vantajosa (“deságio”). c) Combinações de negócios: registro dos ajustes ao valor justo (diferença entre o valor justo e o valor contábil dos ativos e passivos adquiridos, reconhecida como lucro na aquisição). d) Participação de não controladores: podendo ser avaliada com base no valor justo dos ativos e passivos adquiridos na combinação de negócios, ou com base no valor justo dessas mesmas participações, detalhando a forma de contabilização das operações de compra e venda de ações ou cotas, entre as empresas de mesmo grupo econômico (variações na porcentagem de participação), e que são tratadas semelhantemente às operações com instrumentos próprios (ações em tesouraria). e) Lucros não realizados: detalha o tratamento dos lucros não realizados entre investidora e coligada, entre controladora e controlada, e entre investidora e controlada em conjunto, bem como da equivalência patrimonial sobre outros resultados abrangentes (reconhecidos na investidora também diretamente em seu patrimônio líquido) e das situações especiais quando da aplicação inicial dos CPCs. ICPC 10 – Interpretação sobre a Aplicação Inicial ao Ativo Imobilizado e à Propriedade para Investimento dos Pronunciamentos Técnicos CPCs 27, 28, 37 e 43 Detalha sobre a contabilização e divulgação dos Pronunciamentos sobre imobilizado e propriedade para investimento, bem como da adoção inicial dos CPCs e das IFRSs.
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Vida útil: obrigação da revisão periódica determinada pelo CPC 13, item 54, a ser efetuada durante o exercício social iniciado a partir de 1º de janeiro de 2009, cuja aplicação em 2009 foi excepcionalizada; deverá ser efetuada na abertura do exercício social iniciado a partir de 1º de janeiro de 2010. Deemed cost (custo atribuído): quando a entidade identificar bens ou conjuntos de bens de valores relevantes ainda em operação, e que apresentem valor contábil substancialmente inferior ou superior ao seu valor justo essa interpretação incentiva que na adoção do CPC 27 seja adotado, como custo atribuído (deemed cost), esse valor justo. Os efeitos devem ser contabilizados na abertura do primeiro exercício social em que se aplicar o CPC 27, sendo as demonstrações contábeis apresentadas para fins comparativos ajustadas para considerar este novo custo atribuído. A Deliberação CVM nº 619/09 aprova e torna obrigatória adoção da ICPC 10 pelas companhias abertas e exige que quando não for adotado, na avaliação inicial do ativo imobilizado e da propriedade para investimento, o “custo atribuído”, previsto nos itens 20 a 29 da ICPC 10, que esse fato seja divulgado em nota explicativa às suas demonstrações financeiras, indicando as razões que justificaram a não adoção. ICPC 11 – Recebimento em Transferência de Ativos dos Clientes Quando uma entidade recebe ativos para prestar serviços aos clientes (outsorcing para processamento de dados, com entrega de computadores, linha de transmissão que a entidade constrói e entrega à fornecedora de energia, etc.), deve reconhecê-los em seu balanço conforme a transferência substancial dos riscos e benefícios inerentes a tais ativos. A contrapartida é reconhecida diretamente no resultado, ou como passivo para apropriação futura, conforme os serviços a serem prestados tenham, ou não, preços especiais por causa dessa transferência. Se houver preço especial, há o diferimento para complementação da receita no futuro.
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ICPC 12 – Mudanças em Passivos por Desativação, Restauração e Outros Passivos Similares O custo futuro de limpeza de um sítio faz parte do custo do ativo construído caso esse passivo exista e seja mensurável. A provisão, em contrapartida, é constituída pelo seu valor presente dos desembolsos futuros estimados, gerando: (i) o ativo; (ii) um encargo de depreciação periódico; (iii) o passivo; e (iv) os encargos financeiros a serem reconhecidos ao longo da vida útil do bem, com base na taxa efetiva de desconto. A Interpretação estabelece que variações posteriores na provisão, que não pela apropriação dos descontos a valor presente, devem ser ajustadas ao imobilizado, se este for avaliado pelo custo. Se tiver havido reavaliação desse imobilizado no passado, o ajuste é na reavaliação se houver redução do passivo, ou no resultado, se houver incremento. Em certas circunstâncias específicas os ajustes são no resultado. ICPC 13 – Direitos a Participações Decorrentes de Fundos de Desativação, Restauração e Reabilitação Ambiental Essa interpretação trata de duas questões: (i) como a entidade (contribuinte) deve contabilizar a sua participação em um fundo de desativação, restauração e reabilitação ambiental; e (ii) quando a entidade tiver obrigação de fazer contribuições adicionais, como, por exemplo, no caso de falência de outro contribuinte, como essa obrigação deve ser contabilizada. ICPC 15 – Passivo Decorrente de Participação em um Mercado Específico - Resíduos de Equipamentos Eletroeletrônicos A Interpretação IFRIC 6 foi emitida pelo IASB para uma situação específica da União Europeia. Devido ao fato que muitas empresas brasileiras que têm investimentos societários naquela região precisam aplicá-la, e suas investidoras no Brasil precisam reconhecer seus efeitos para fins de equivalência patrimonial e consolidação das demonstrações contábeis, o CPC deliberou emitir a ICPC 15 baseada na referida IFRIC 6. Esta Interpretação fornece orientação sobre o reconhecimento, nas demonstrações contábeis de fabricantes, de passivos por gerenciamento de resíduos previstos na Diretiva da União Europeia sobre Resíduos de

Equipamentos Eletroeletrônicos em relação às vendas de equipamentos residenciais históricos. ICPC 16 – Extinção de passivos financeiros com instrumentos patrimoniais Esta Interpretação trata da contabilização por uma entidade quando as condições de um passivo financeiro são renegociadas e resultam na emissão de instrumentos patrimoniais da entidade ao seu credor para a extinção total ou parcial do passivo financeiro. A entidade deve remover um passivo financeiro (ou parte de passivo financeiro) de seu balanço patrimonial quando, e apenas quando, for extinto, de acordo com o item 39 do CPC 38. Quando instrumentos patrimoniais próprios emitidos para o credor para extinguir a totalidade ou parte de um passivo financeiro são inicialmente reconhecidos, a entidade deve mensurá-los pelo valor justo dos instrumentos patrimoniais emitidos, a menos que o valor justo não possa ser mensurado. Se o valor justo dos instrumentos patrimoniais próprios emitidos não puder ser mensurado, os instrumentos patrimoniais próprios devem ser mensurados pelo valor justo do passivo financeiro extinto. OCPC 01 (R1) – Entidades de Incorporação Imobiliária Detalha tratamentos contábeis relativos a gastos com comissão de vendas, propaganda, estande, apartamento-modelo e comercialização, entre outros gastos específicos e inerentes dessa atividade. Detalha o tratamento dos custos de construção, inclusive encargos financeiros durante essa fase. Aborda o registro das permutas de imóveis (normalmente terreno por uma unidade habitacional), obrigando ao reconhecimento da operação como compra e venda, e consequente ganho ou perda. Tópicos especiais estão discutidos, como ajustes a valor presente de recebíveis, provisão para garantias, baixa de recebíveis por transferência, classificação no resultado e outros. Divulgações específicas são exigidas.

OCPC 02 – Esclarecimentos sobre as Demonstrações Financeiras de 2008 Não comentado por terem cessado seus efeitos. OCPC 03 – Instrumentos Financeiros: Reconhecimento, Mensuração e Evidenciação Esse documento é a reprodução, com pequenos ajustes, do CPC 14, emitido em 2008 e substituído em 2009 pelos CPCs 38, 39 e 40 (com vigência iniciada em 2010 consoante determinação dos órgãos reguladores que os aprovaram). Esta Orientação tem o objetivo de servir como documento de consulta para as entidades que não tenham instrumentos financeiros complexos e que não precisem detalhadamente desses outros Pronunciamentos. OCPC 04 – Aplicação da Interpretação Técnica ICPC 02 às Entidades de Incorporação Imobiliária Brasileiras Esta Orientação diz respeito ao que se depreende e se interpreta a partir da ICPC 02, considerando as principais características e peculiaridades do ambiente econômico e jurídico em que opera o setor imobiliário brasileiro. O objetivo desta Orientação é o de auxiliar na análise de se os contratos de construção se enquadram mais adequadamente no alcance do Pronunciamento Técnico CPC 17 – Contratos de Construção ou do Pronunciamento Técnico CPC 30 – Receitas e assim auxiliar na definição pelos preparadores das demonstrações contábeis do momento do reconhecimento da receita com a incorporação ou construção de imóveis.

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Regulamentações específicas por setor Instituições financeiras e outras
Banco Central do Brasil – BC Resolução n° 3.836, de 25 de fevereiro de 2010 Essa Resolução autorizou a emissão de Letras Financeiras por bancos múltiplos, bancos comerciais, bancos de investimento, sociedades de crédito, financiamento e investimento, caixas econômicas, companhias hipotecárias e sociedades de crédito imobiliário com prazo mínimo de 24 meses para o vencimento e com valor unitário nominal superior a R$ 300 mil. Resolução nº 3.846, de 25 de março de 2010 Altera a Resolução nº 3.792, de 24 de setembro de 2009, que dispõe sobre as diretrizes de aplicação dos recursos garantidores dos planos administrados pelas entidades fechadas de previdência complementar. Resolução n° 3.849, de 25 de março de 2010 Essa Resolução altera as normas anteriormente existentes sobre o componente organizacional de ouvidoria para as instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil que tenham clientes pessoas físicas ou pessoas jurídicas classificadas como microempresas, com a atribuição de atuar como canal de comunicação entre essas instituições e os clientes e usuários de seus produtos e serviços, inclusive na mediação de conflitos, revogando as Resoluções n° 3.477/07 e n° 3.489/07, que tratavam deste assunto. Resolução n° 3.853, de 29 de abril de 2010 Essa Resolução dispõe sobre a elaboração de demonstrações financeiras intermediárias consolidadas para as instituições financeiras constituídas sob a forma de companhia aberta e as obrigadas a constituir comitê de auditoria, que divulgarem essas demonstrações financeiras intermediárias, devem observar os pronunciamentos emitidos pelo International Accounting Standards Board – IASB, traduzidos para a língua portuguesa por entidade brasileira credenciada pela International Accounting Standards Committee Foundation – IASC Foundation, e: (a) faculta sua apresentação comparativa para o exercício de 2010; (b) deve ser observada a efetiva data de vigência dos pronunciamentos emitidos pelo IASB; (c) a adoção antecipada de pronunciamentos está condicionada à previsão normativa específica; e (d) dispensa a divulgação do balanço de abertura. Resolução n° 3.895, de 29 de julho de 2010 Essa Resolução adia para 1º de janeiro de 2012 a adoção, pelas instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, dos procedimentos para classificação, registro contábil e divulgação de operações de venda ou de transferência de ativos financeiros de que trata a Resolução nº 3.533, de 31 de janeiro de 2008, sendo vedada, a partir dessa data, a aplicação antecipada dos mencionados procedimentos. Resolução n° 3.919, de 25 de novembro de 2010 Essa Resolução altera e consolida as normas sobre cobrança de tarifas pela prestação de serviços pelas instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, que deve estar prevista em contrato firmado com o cliente ou usuário ou ter tido o serviço autorizado
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ou solicitado pelo cliente/usuário, padronizando a lista de serviços prioritários e seus fatos geradores, e regulamenta a prestação de serviços e a cobrança de tarifas e anuidades sobre os cartões de crédito emitidos pelas instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil. Essa Resolução entra em vigor a partir de 1° de março de 2011. Resolução n° 3.921, de 25 de novembro de 2010 Essa Resolução dispõe sobre a política de remuneração dos administradores das instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, produzindo efeitos a partir de 1° de janeiro de 2012. Resolução n° 3.933, de 16 de dezembro de 2010 Essa Resolução autorizou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES a emitir Letras Financeiras. Circular nº 3.484, de 2 de fevereiro de 2010 Essa Circular determina que as Administradoras de Consórcios apliquem o Pronunciamento Técnico CPC 25, emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC, em 26 de junho de 2009, no reconhecimento, mensuração e divulgação de provisões, contingências passivas e contingências ativas. Circular nº 3.501, de 16 de julho de 2010 Essa Circular altera as normas anteriormente existentes sobre o componente organizacional de ouvidoria das administradoras de consórcios. Circular nº 3.503, de 26 de julho de 2010 Essa Circular consolida o conteúdo mínimo exigido no relatório semestral do responsável pela ouvidoria e revoga a Circular nº 3.370/07. Carta-circular nº 3.429, de 11 de fevereiro de 2010 Essa Carta-circular determina que as instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil devem reconhecer em seu passivo as obrigações tributárias objeto de discussão judicial sobre a constitucionalidade das leis que as

tiverem instituído, até a efetiva extinção dos créditos tributários correspondentes, em conformidade com o disposto no Pronunciamento Técnico CPC 25, e dá outras providencias. Carta-Circular nº 3.435, de 18 de março de 2010 Essa Carta-Circular esclarece acerca das datas dos balanços de abertura a serem utilizadas quando da elaboração das primeiras demonstrações financeiras consolidadas preparadas de acordo com os pronunciamentos emitidos pelo International Accounting Standards Board – IASB. Carta-circular nº 3.445, de 26 de abril de 2010 Essa Carta-circular dispensa a publicação da coluna de valor acumulado da Demonstração das Variações nas Disponibilidades de Grupos, pelas Administradoras de Consórcio, e dá outras providencias. Conselho de Gestão da Previdência Complementar – CGPC Recomendação CGPC nº 02, de 27 de abril de 2009 Dispõe sobre a adoção da Supervisão Baseada em Risco – SBR no âmbito da Secretaria de Previdência Complementar em relação à supervisão das entidades fechadas de previdência complementar e dos planos de benefícios por elas administrados, e dá outras providências. Esta Recomendação entra em vigor na data de sua publicação. Resolução CGPC nº 29, de 31 de agosto de 2009 Dispõe sobre os critérios e limites para custeio das despesas administrativas pelas entidades fechadas de previdência complementar, e dá outras providências. Esta Resolução entra em vigor em 1º de janeiro de 2010. Revogam-se a partir de 1º de janeiro de 2010 a Resolução CPC nº 01, de 9 de outubro de 1978, e as demais disposições em contrário. Resolução CGPC nº 28, de 26 de janeiro de 2009 Dispõe sobre os procedimentos contábeis das entidades fechadas de previdência complementar e dá outras providências. Esta Resolução entra em vigor em 1º de janeiro de 2010. Revogam-se a partir de 1º de janeiro de 2010 as Resoluções CGPC nº 5, de 30 de janeiro de 2002, nº 10, de 5 de julho de 2002, nº 17,
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de 28 de março de 2006 (“que trata da substituição e da recontratação do auditor independente pelas entidades fechadas de previdência complementar”), nº 25, de 30 de junho de 2008, o artigo 2º da Resolução CGPC nº 22, de 25 de setembro de 2006, e os artigos 12 e 13 da Resolução CGPC nº 23, de 6 de dezembro de 2006. Secretaria de Previdência Complementar ou Superintendência Nacional de Previdência Complementar – PREVIC Instrução PREVIC nº 7, de 9 de novembro de 2010 Instala a Comissão de Mediação, Conciliação e Arbitragem da Superintendência Nacional de Previdência Complementar – CMCA e aprova o seu regulamento. Esta Instrução entra em vigor na data de sua publicação. Instrução PREVIC nº 6, de 8 de setembro de 2010 Disciplina a realização de consultas e audiências públicas pela Superintendência Nacional de Previdência Complementar – PREVIC. Esta Instrução entra em vigor na data da sua publicação. Instrução PREVIC nº 5, de 10 de agosto de 2010 Institui a súmula vinculante administrativa no âmbito da Superintendência Nacional de Previdência Complementar – PREVIC (Súmula PREVIC). Esta Instrução entra em vigor na data de sua publicação. Instrução PREVIC nº 4, de 6 de julho de 2010 Disciplina o encaminhamento de consultas à Superintendência Nacional de Previdência Complementar – PREVIC e dá outras providências. Esta Instrução entra em vigor na data de sua publicação, com aplicação imediata às consultas pendentes de análise, a estas não se aplicando o prazo estabelecido no artigo 13. Fica revogada a Instrução SPC nº 27, de 8 de dezembro de 2008. Instrução PREVIC nº 3, de 29 de junho de 2010 Dispõe sobre o Termo de Ajustamento de Conduta – TAC no âmbito do regime de previdência complementar operado por entidades fechadas de previdência complementar. Esta Instrução entra em vigor na data de sua publicação.
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Instrução PREVIC nº 2, de 18 de maio de 2010 Dispõe sobre os procedimentos de preenchimento e envio de informações dos investimentos dos planos administrados pelas entidades fechadas de previdência complementar e dá outras providências. Esta Instrução não se aplica aos planos de assistência à saúde a que se refere o artigo 76 da Lei Complementar nº 109, de 29 de maio de 2001, registrados na Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS. Instrução PREVIC n° 01, de 13 de abril de 2010 Dispõe sobre procedimentos relativos ao recolhimento da Taxa de Fiscalização e Controle da Previdência Complementar – TAFIC. Esta Instrução entra em vigor na data de sua publicação. Instrução SPC nº 34, de 24 de setembro de 2009 Estabelece normas específicas para os procedimentos contábeis das entidades fechadas de previdência complementar, define a forma, o meio e a periodicidade de envio das demonstrações contábeis e dá outras providências. Esta Instrução entrará em vigor em 1º de janeiro de 2010. Fica revogada, quando da entrada em vigor desta Instrução, a Instrução SPC nº 25, de 21 de julho de 2008. Superintendência de Seguros Privados – SUSEP Circular SUSEP nº 394, de 30 de outubro de 2009 Dispõe sobre o prazo de aceitação da proposta de seguros, contados a partir da data de seu recebimento, para o ramo de seguros rurais com subvenção econômica dos prêmios que será de 45 dias. Circular SUSEP nº 395, de 3 de dezembro de 2009 Estabelece a codificação dos ramos de seguro e dispõe sobre a classificação das coberturas contidas em planos de seguro, para fins de contabilização. Circular SUSEP nº 401, de 25 de fevereiro de 2010 Define o conceito de custo de emissão e dispõe sobre os critérios de cobrança do custo de apólice, fatura e endosso.

Circular SUSEP nº 404, de 25 de março de 2010 Permite que as entidades abertas de previdência complementar e as sociedades seguradoras adotem, na estruturação dos planos com cobertura por sobrevivência, tábua biométrica elaborada por instituição independente, com reconhecida capacidade técnica, cujo critério de elaboração e atualização tenha sido previamente aprovado pela SUSEP. Circular SUSEP nº 406, de 29 de junho de 2010 Estabelece a obrigatoriedade das sociedades seguradoras, resseguradoras locais, sociedades de capitalização e entidades abertas de previdência complementar, relativamente aos fatos contábeis ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2009, do envio de sua escrituração mercantil, em versão digital, ao Sistema Público de Escrituração Digital – SPED. Circular SUSEP nº 408, de 23 de agosto de 2010 Determina que as sociedades e entidades supervisionadas pela SUSEP devem: a) apresentar suas demonstrações financeiras individuais referentes às datas base de 30 de junho e 31 de dezembro de 2010 elaboradas de acordo com as normas contábeis que foram utilizadas para as demonstrações financeiras do exercício findo em 31 de dezembro de 2009; b) publicar, a partir do exercício findo em 31 de dezembro de 2010, inclusive, as demonstrações financeiras consolidadas elaboradas de acordo com os pronunciamentos emitidos pelo International Accounting Standards Board – IASB, na forma homologada pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC, facultando, excepcionalmente para a data base de 31 de dezembro de 2010, a apresentação das demonstrações financeiras comparativas; e c) Aplicar o CPC nº 11 – Contratos de Seguros às demonstrações financeiras consolidadas, a partir da data-base de 31 de dezembro de 2010, inclusive, e às demonstrações financeiras individuais, a partir de 1º de janeiro de 2011.

Carta circular SUSEP/CGSOA nº 1, de 31 de março de 2010 Determina que as sociedades e entidades supervisionadas pela SUSEP devem preparar as demonstrações financeiras adaptadas às novas regras contábeis que serão publicadas ao longo do ano de 2010, somente para a data base de 31 de dezembro de 2010, sem quaisquer efeitos comparativos com o exercício anterior, de 2009. Resolução CNSP nº 205, de 18 de novembro de 2009 Dispõe sobre o propósito e modalidades de seguro habitacional e sobre a adequação das condições contratuais e nota técnica atuarial desse seguro às disposições dessa Resolução. Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS Resolução Normativa nº 203, de 1 de outubro de 2009 Determina que as administradoras de benefícios que atuarem na condição de estipulante de plano coletivo deverão constituir ativos garantidores conforme disposto nesta Resolução, cujo montante será obtido por um percentual de referência incidente sobre as receitas dos contratos coletivos em que a administradora de benefícios atuar como estipulante, de forma a representar em valores monetários o risco de inadimplência assumido. Resolução Normativa nº 206, de 3 de dezembro de 2009 Dispõe sobre a alteração na contabilização das contraprestações e prêmios das operações de planos de assistência à saúde na modalidade de preço préestabelecido, devendo estes serem obrigatoriamente apropriados pelo valor correspondente ao rateio diário – pro rata dia – do período de cobertura individual de cada contrato, a partir do primeiro dia de cobertura. A parcela das contraprestações e prêmios correspondente aos dias do período de cobertura referentes ao mês subsequente deve ser contabilizada como faturamento antecipado. Os saldos registrados no passivo referentes à provisão de riscos ou provisão de prêmios não ganhos – PPNG deverão ser revertidos, e os seus ativos garantidores
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passarão a lastrear a provisão de eventos ocorridos e não avisados – PEONA e a de eventos a liquidar com operações de assistência à saúde. Resolução Normativa nº 207, de 22 de dezembro de 2009 Dispõe sobre a alteração do Plano de Contas Padrão da ANS para as operadoras de planos de assistência à saúde, a partir de 1º de janeiro de 2010. Resolução Normativa nº 208, de 22 de dezembro de 2009 Estabelece que eventual insuficiência de ativos garantidores da Provisão de Risco em 31 de dezembro de 2009 será considerada insuficiência de ativos garantidores da PEONA e da provisão de Eventos a Liquidar com Operações de Assistência à Saúde. Resolução Normativa nº 209, de 22 de dezembro de 2009 Estabelece novos critérios de manutenção de Recursos Próprios Mínimos, Dependência Operacional e constituição de Provisões Técnicas a serem observados pelas operadoras de planos privados de assistência à saúde, a partir de 1º de janeiro de 2010. Resolução Normativa nº 212, de 19 de janeiro de 2010 Dispõe sobre a obrigatoriedade do envio eletrônico, em conjunto com o DIOPS, do Relatório de Revisão Limitada sobre as informações econômico-financeiras, elaboradas por auditor independente registrado na Comissão de Valores Mobiliários, para as datas base estabelecidas nesta Resolução. Resolução Normativa nº 224, de 28 de julho de 2010 Altera o formato de relatório requerido na Resolução Normativa nº 212/10, passando a exigir, juntamente com o DIOPS, o envio de um Relatório de Procedimentos Previamente Acordados sobre as informações econômico-financeiras, elaborado por auditor independente registrado na Comissão de Valores Mobiliários, bem como, altera a data-base do primeiro relatório para o terceiro trimestre de 2010.
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Resolução Normativa nº 227, de 19 de agosto de 2010 Dispõe sobre as novas regras de constituição, vinculação e custódia dos ativos garantidores das Provisões Técnicas, especialmente da Provisão de Eventos /Sinistros a Liquidar. Resolução Normativa nº 238, de 3 de novembro d e 2010 Altera a data-base de envio do Relatório de Procedimentos Previamente Acordados sobre as informações econômico-financeiras do DIOPS, elaborado por auditor independente registrado na Comissão de Valores Mobiliários, para a partir de junho de 2011. Instrução Normativa IN DIOPE nº 35, de 7 de outubro de 2009 Define os ajustes por efeitos econômicos no patrimônio da operadora a ser considerado no critério estabelecido para Margem de Solvência e Patrimônio Mínimo Ajustado – PMA. Instrução Normativa IN DIOPE nº 36, de 23 de dezembro de 2009 Regulamenta a utilização do novo plano de contas padrão da ANS, disposto pela Resolução Normativa – RN n.º 207, de 22 de dezembro de 2009. Instrução Normativa IN DIOPE nº 37, de 23 de dezembro de 2009 Incorpora à legislação de saúde suplementar as diretrizes dos Pronunciamentos Técnicos emitidos pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC e aprovados pelo Conselho Federal de Contabilidade – CFC, e determina sua observância pelas operadoras de planos de assistência à saúde. Os Pronunciamentos Técnicos aprovados pelo CFC no ano de 2008 devem ser observados nas demonstrações contábeis relativas ao exercício social de 2009. Para as demonstrações contábeis relativas ao exercício social de 2010, serão observados, além desses pronunciamentos técnicos, os Pronunciamentos Técnicos aprovados pelo CFC no ano de 2009, exceto o CPC nº 11 – Contratos de Seguro, que será objeto de regulamentação específica da ANS.

Instrução Normativa IN DIOPE nº 38, de 28 de dezembro de 2009 Define os ajustes por efeitos econômicos no patrimônio da operadora a ser considerado para fins de Margem de Solvência e Patrimônio Mínimo Ajustado – PMA. Instrução Normativa IN DIOPE nº 39, de 24 de fevereiro de 2010 As Operadoras de Planos de Assistência à Saúde, classificadas nas modalidades Cooperativas Médicas e Cooperativas Odontológicas, que na Assembleia Geral Ordinária relativa ao exercício social de 2009 deliberarem pela transferência para seus cooperados da responsabilidade de pagamento das Obrigações Legais, e tendo sido contabilizada na época tal obrigação em contra partida de Lucros e Prejuízos Acumulados, poderão, excepcionalmente, transferi-los da conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados para o Ativo Realizável a Longo Prazo. A faculdade que trata o esta instrução poderá ser praticada no exercício social de 2009. Instrução Normativa IN DIOPE nº 40, de 10 de março de 2010 Determina: a) que as Demonstrações Financeiras deverão ser publicadas até 25 de abril do exercício subsequente, isentando as operadoras de pequeno porte de publicação; b) que as Demonstrações Financeiras deverão ser enviadas à ANS até 31 de março do exercício subsequente; c) outras disposições na preparação e apresentação das demonstrações financeiras. Instrução Normativa IN DIOPE nº 41, de 30 de março de 2010 Determina que as operadoras de planos privados de assistência à saúde, classificadas na modalidade de cooperativas odontológicas, devem registrar os montantes constantes dos orçamentos de planos de tratamento apenas quando do encaminhamento para elas do conhecimento do término do referido tratamento. O registro desses montantes devem ser efetuados como Provisão para Eventos/Sinistros a Liquidar em contrapartida à conta Eventos/Sinistros Conhecidos ou Avisados de Assistência Odontológica ou eventos/ Sinistros em Corresponsabilidade Assumida de Assistência Odontológica.

Instrução Normativa IN DIOPE nº 42, de 7 de junho de 2010 Dispõe sobre a contabilização de valores aplicados na aquisição de Ativo Intangível – Marca pelas operadoras de planos privados de assistência à saúde. Instrução Normativa IN DIOPE nº 43, de 5 de julho de 2010 Determina que as operadoras de planos de assistência à saúde classificadas nas modalidades de Cooperativas Médicas e Cooperativas Odontológicas poderão não reconhecer os eventos incorridos e avisados decorrentes de consultas médicas e odontológicas com médicos e dentistas cooperados, desde que em assembléia geral de cooperados delibere que não haverá o pagamento de consultas aos médicos e aos dentistas cooperados. As Cooperativas Médicas e Odontológicas que adotarem essa possibilidade, somente poderão efetuar a distribuição de sobras aos cooperados com base em demonstrações contábeis apuradas semestralmente e devidamente revisadas por auditores independentes registrados na Comissão de Valores Mobiliários. Instrução Normativa IN DIOPE/DIDES nº 3, de 19 de outubro de 2010 Determina que as operadoras de planos de assistência à saúde devem proceder ao registro contábil do montante devido de ressarcimento ao SUS, no momento do recebimento da notificação dos Avisos de Beneficiários Identificados (ABI), pelo montante total cobrado. Relativamente às parcelas devidas de Ressarcimento ao SUS para as quais a operadora tenha apresentado à ANS pedido de impugnação, a operadora deverá contabilizar apenas o montante dos valores impugnados multiplicado pelo percentual histórico de impugnações indeferidas. O percentual histórico de impugnações indeferidas, a ser observado pelas operadoras no exercício de 2010, será disponibilizado pela DIDES na página da ANS na Internet. Os valores contabilizados deverão estar registrados no passivo circulante ou não circulante a débito do resultado do exercício.

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Assuntos tributários Principais temas editados em 2010
Thin Capitalization Com o advento da Medida Provisória nº 472, publicada em 16 de dezembro de 2009, foi introduzida no Brasil a regra conhecida como thin capitalization, já em vigor em vários países, buscando evitar elisão fiscal através do endividamento excessivo em detrimento de capitalizações. Tal regra provocou alterações substanciais no tratamento tributário de juros pagos ao exterior para fins de dedutibilidade da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Em 11 de junho de 2010 foi sancionada a Lei nº 12.249/10, que converteu a referida Medida Provisória em Lei, mantendo a maioria das regras instituídas pela Medida Provisória nº 472/09, mas que também alterou e acrescentou determinadas disposições importantes. Nos termos dos artigos 24 e 25 da referida Lei, os juros pagos ou creditados por fonte situada no Brasil a pessoa física ou jurídica, vinculada residente ou domiciliada no exterior, somente serão dedutíveis, para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, quando se verifique constituírem despesa necessária à atividade, no período de apuração, atendendo aos seguintes requisitos: I – no caso de endividamento com vinculada no exterior, não constituída em país ou dependência com tributação favorecida ou sob regime fiscal privilegiado, que tenha participação societária na pessoa jurídica residente no Brasil, o valor do endividamento com a pessoa vinculada no exterior, verificado por ocasião da apropriação dos juros, não seja superior a duas vezes o valor da participação da vinculada no patrimônio líquido da pessoa jurídica residente no Brasil; II – no caso de endividamento com vinculada no exterior, não constituída em país ou dependência com tributação favorecida ou sob regime fiscal privilegiado, que não tenha participação societária na pessoa jurídica residente no Brasil, o valor do endividamento com a pessoa vinculada no exterior, verificado por ocasião da apropriação dos juros, não seja superior a duas vezes o valor do patrimônio líquido da pessoa jurídica residente no Brasil; III – em qualquer dos casos previstos acima, o valor do somatório dos endividamentos com pessoas vinculadas no exterior, não constituídas em país ou dependência com tributação favorecida ou sob regime fiscal privilegiado, verificado por ocasião da apropriação dos juros, não seja superior a duas vezes o valor do somatório das participações de todas as vinculadas no patrimônio líquido da pessoa jurídica residente no Brasil; e IV – o valor total do somatório dos endividamentos com todas as entidades situadas no exterior, em país ou dependência com tributação favorecida ou sob regime fiscal privilegiado, não seja superior a 30% do valor do patrimônio líquido da pessoa jurídica residente no Brasil.

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Os valores do endividamento e da participação da vinculada no patrimônio líquido, conforme descritos acima, serão apurados pela média ponderada mensal. Verificando-se excesso em relação aos limites fixados, o valor dos juros relativos ao excedente será considerado despesa não necessária à atividade da empresa e não dedutível para fins do IRPJ e da CSLL. Quanto à vigência e eficácia das referidas regras, a Lei nº 12.249/10 estabelece em seu artigo 139, alínea d, que os dispositivos previstos nos artigos 24 e 25 entram em vigor em 16 de dezembro de 2009. Entretanto, cumpre-nos ressaltar que há uma discussão jurídica com relação à aplicabilidade da lei a partir de referida data, à luz dos princípios constitucionais de vigência da Lei Tributária. Além do princípio da anualidade, há outro dispositivo constitucional que limita a aplicação imediata  de Medida Provisória quando esta dispuser sobre impostos, qual seja, o artigo 62, § 2º, que estabelece que uma Medida Provisória que implique instituição ou majoração de impostos só produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte se houver sido convertida em lei até o último dia daquele em que foi editada, o que levaria à interpretação de que referidas regras somente produziriam efeitos em relação ao IRPJ a partir de 1º de janeiro de 2011, já que a Medida Provisória nº 472/09 só foi convertida em Lei em junho de 2010. Já com relação à CSLL, aplica-se o princípio da noventena ou da anterioridade nonagesimal, prevista no artigo 195, § 6º, da Constituição Federal, que determina que as contribuições sociais só poderão ser exigidas depois de decorridos 90 dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou modificado, não se lhes aplicando o disposto no artigo 150, III, b. Como a exigência da conversão em lei (artigo 62, § 2º, da Constituição Federal) não se aplica às contribuições, pela observância do prazo nonagesimal, as novas regras deveriam produzir efeitos em relação à CSLL a partir de 17 de março de 2010.

Paraíso Fiscal e Regime Fiscal Privilegiado Com a introdução da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, verificou-se a existência concomitante dos conceitos de países com tributação favorecida (“paraísos fiscais”) com o de regime fiscal privilegiado. Em essência, a classificação de um país como sujeito à tributação favorecida está vinculada à soberania, ao passo que o conceito de regime fiscal privilegiado pode abranger parcelas territoriais de um país e estruturas ou operações ali usuais, que contemplem regimes tributários diferenciados, sem, no entanto, referir-se ao território como um todo. Posteriormente, a Instrução Normativa nº 188, de 6 de agosto de 2002, trouxe uma relação de 53 jurisdições classificadas pela Receita Federal como regimes com tributação favorecida. E a Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008, introduziu o conceito de regime fiscal privilegiado para fins de aplicação das regras de Preço de Transferência e ampliou o conceito de paraísos fiscais. Em 7 de junho de 2010, a Receita Federal divulgou, através da Instrução Normativa nº 1.037, uma nova lista com as jurisdições consideradas Países com Tributação Favorecida (Black List), revogando a Instrução Normativa nº 188 e introduzindo ainda uma lista de Regimes Fiscais Privilegiados (Gray List). Quanto às implicações fiscais, tanto as entidades da Black List quanto as da Gray List estão sujeitas às regras de Preço de Transferência e ao limite de dedutibilidade de até 30% do patrimônio líquido para fins de subcapitalização (Thin Capitalization). Em 24 de junho de 2010, a Instrução Normativa nº 1.045/10 alterou alguns pontos da redação da Instrução Normativa nº 1.037/10. Para as Holdings estabelecidas na Dinamarca ou nos Países Baixos o regime privilegiado passou a ser aplicável somente àquelas que não exercessem “atividade econômica substantiva”. Entretanto, por meio dos Atos Declaratórios Executivos RFB nº 10, nº 11 e nº 22, as autoridades fiscais brasileiras temporariamente suspenderam o efeito de enquadramento na Gray List para os Países Baixos e a Espanha e na Black List para a Suíça.
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Outros Pagamentos a Paraísos Fiscais ou Regimes Fiscais Privilegiados A Lei nº 12.249/10 (conversão da Medida Provisória nº 472/09) determina como dispêndios indedutíveis as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a qualquer título, direta ou indiretamente, a pessoas físicas ou jurídicas, residentes ou constituídas no exterior e submetidas a um tratamento de país ou dependência com tributação favorecida ou sob regime fiscal privilegiado, salvo se houver: a) a identificação do efetivo beneficiário da entidade no exterior, destinatário dessas importâncias; b) a comprovação da capacidade operacional da pessoa física ou entidade no exterior de realizar a operação; e c) a comprovação documental do pagamento do preço respectivo e do recebimento dos bens e direitos ou da utilização de serviço. Empresa Cidadã – Decreto nº 7.052/10 e Instrução Normativa RFB nº 991/10 O Decreto nº 7.052, de 23 de dezembro de 2009, regulamentou o Programa Empresa Cidadã, instituído pela Lei nº 11.770, de 9 de setembro de 2008, destinado a prorrogar por mais 60 dias a duração da licença-maternidade (inicialmente de 120 dias). A pessoa jurídica tributada com base no lucro real que aderir a esse Programa poderá deduzir do imposto de renda devido a partir de 1º de janeiro de 2010, em cada período de apuração, o total da remuneração da colaboradora pago no período de prorrogação de sua licença-maternidade, vedada a dedução como despesa operacional, conforme disposto na Instrução Normativa nº 991, de 21 de janeiro de 2010. A pessoa jurídica poderá aderir ao Programa Empresa Cidadã mediante Requerimento de Adesão formulado em nome do estabelecimento matriz, pelo responsável perante o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ. A partir de sua adesão, poderão se utilizar desse benefício as trabalhadoras que requeiram a prorrogação do salário-maternidade até o final do primeiro mês após o parto.

Para utilizar-se da dedutibilidade dessas despesas, a empresa fica obrigada a controlar contabilmente os gastos com custeio da prorrogação da licençamaternidade ou da licença à adotante, identificando de forma individualizada os gastos por colaboradora que requeira a prorrogação. O valor total das despesas decorrentes da remuneração da trabalhadora pago no período de prorrogação de sua licença-maternidade registrado na escrituração comercial deverá ser adicionado ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Variação Cambial A Instrução Normativa RFB nº 1.079, de 3 de novembro de 2010, regulamentou as regras para opção do regime de tributação da variação cambial, previsto na Medida Provisória nº 2.158, de 24 de agosto de 2001, incluindo o previsto no artigo 137 da Lei nº 12.249, de 15 de dezembro de 2009. Assim, a partir do ano-calendário 2011, a pessoa jurídica poderá optar pelo regime de caixa ou de competência para a tributação das variações monetárias; contudo, a opção pelo regime de competência deverá ser exercida em janeiro ou no início das atividades e comunicada à Secretaria da Receita Federal do Brasil por intermédio da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, relativa ao mês de adoção do regime, não sendo admitida DCTF retificadora, fora do prazo de sua entrega, para a comunicação da opção pelo regime de competência. Ademais, adotada a opção pelo regime de competência, o direito de sua alteração para o regime de caixa, no decorrer do ano-calendário, é restrito aos casos em que ocorra elevada oscilação da taxa de câmbio comunicada mediante a edição de Portaria do Ministro de Estado da Fazenda e devidamente declarada em DCTF, no mês em que ocorrer a comunicação da Portaria Ministerial.

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e-LALUR Com o advento da Instrução Normativa RFB nº 989, de 22 de dezembro de 2009, tornaram-se obrigatórias a escrituração e entrega do Livro Eletrônico de Escrituração e Apuração do Imposto sobre a Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (e-LALUR) pelas pessoas jurídicas que apuram IRPJ e CSLL através do regime do lucro real. O e-LALUR deve ser apresentado pela matriz, devendo nele estarem refletidas todas as operações que impactam direta ou indiretamente, imediata ou futuramente a composição da base de cálculo dos referidos tributos. O livro eletrônico deve ser entregue até o último dia útil de junho do ano subsequente ao atual calendário, por meio de aplicativo a ser disponibilizado oportunamente pela Receita Federal do Brasil. Nas hipóteses de cisão total ou parcial, incorporação, fusão ou extinção, o e-Lalur deverá ser entregue no último dia útil do mês subsequente ao evento, exceto para os eventos especiais ocorridos no período entre 1º de janeiro de 2010 e 30 de abril de 2011, quando deverá ser entregue até o último dia útil de junho. Ele deve ser assinado digitalmente por meio do Certificado Digital e a sua apresentação dispensa a escrituração do Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR no modelo e normas estabelecidas na Instrução Normativa SRF nº 28/78 e a utilização do Programa Validador e Assinador da Entrada de Dados para o FCont, para os fatos ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2010. A Receita Federal do Brasil divulgará o layout do livro eletrônico. A pessoa jurídica obrigada à sua apresentação que não o fizer no prazo estará sujeita a multa de R$ 5.000,00 por mês-calendário ou fração.

Escrituração Fiscal Digital – PIS/COFINS A Instrução Normativa RFB nº 1.052, de 5 de julho de 2010, instituiu a Escrituração Fiscal Digital da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS (EFD-PIS/COFINS). Este novo modelo contribui para a modernização do acompanhamento fiscal e uniformiza o processo de escrituração, que deverá ser assinado digitalmente pelo representante legal da empresa ou procurador constituído e transmitido, via Internet, ao ambiente SPED até o quinto dia útil do segundo mês subsequente a que se refira a escrituração, inclusive nos casos de extinção, incorporação, fusão e cisão total ou parcial da empresa. Estão obrigadas à entrega da EFD-PIS/COFINS as seguintes empresas: I – em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de abril de 2011, as pessoas jurídicas sujeitas a acompanhamento econômico-tributário diferenciado, nos termos da Portaria RFB nº 2.923, de 16 de dezembro de 2009, e sujeitas à tributação do imposto sobre a renda com base no lucro real; II – em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de julho de 2011, as demais pessoas jurídicas sujeitas à tributação do imposto sobre a renda com base no lucro real; III – em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2012, as demais pessoas jurídicas sujeitas à tributação do imposto sobre a renda com base no lucro presumido ou arbitrado; IV – em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2012, para as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6º, 8º e 9º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, e na Lei nº 7.102/83. Fica facultada, ainda, a entrega da EFD-PIS/COFINS às demais pessoas jurídicas não obrigadas pela Instrução Normativa RFB nº 1.052, em relação aos fatos contábeis ocorridos a partir de 1º de abril de 2011.

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Caso a EFD–PIS/COFINS não seja apresentada no prazo, a pessoa jurídica obrigada à sua apresentação estará sujeita a multa de R$ 5.000,00 por mêscalendário ou fração. A Receita Federal pronunciou-se, por meio de Ato Declaratório Executivo COFIS nº 31, de 8 de julho de 2010, quanto ao layout da EFD–PIS/COFINS. Escrituração Fiscal Digital – EFD – Bloco G da e-CIAP O Ato COTEPE nº 38, de 19 de setembro de 2009, instituiu na escrituração fiscal digital os registros pertinentes ao Controle de Crédito de ICMS do Ativo Permanente (CIAP), criando o Bloco G. O respectivo bloco será obrigatório a partir de janeiro de 2011 para as empresas que se apropriam do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS relativo às aquisições de ativo imobilizado. Nota Fiscal Eletrônica – NF-e Ao longo de 2010, tivemos a publicação dos Protocolos ICMS nº 82, nº 85 e nº 191, alterando o Protocolo ICMS nº 42/09, estabelecendo novas atividades econômicas obrigadas à utilização da NF-e e prorrogando o prazo de outras, seja em razão de CNAE ou do destinatário da mercadoria ou do produto. A NF-e é um documento de existência apenas digital, emitido e armazenado eletronicamente, com o intuito de documentar, para fins fiscais, operações de circulação de mercadorias ou uma prestação de serviços, ocorrida entre as partes. Sua validade jurídica é garantida pela assinatura digital do remetente (garantia de autoria e de integridade) e pela recepção, pelo Fisco, do documento eletrônico, antes da ocorrência do fato gerador. Os Protocolos nº 82, nº 85 e nº 191 entraram em vigor em 16 de junho de 2010, 14 de julho de 2010 e 1º de dezembro de 2010, respectivamente.

Ademais, é importante mencionar que o layout do arquivo .xml que suporta a NF-e passará a ter nova versão (2.0) obrigatória a partir de abril de 2011, nos termos do Ato COTEPE/ICMS nº 36, de 24 de novembro de 2010. Já o novo prazo para cancelamento da NF-e, de 24 horas, entra em vigor em 1º de janeiro de 2012, nos termos do Ato COTEPE/ICMS nº 35, de 24 de novembro de 2010. Novo Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – RIPI/2010 Em 16 de junho de 2010, foi publicado o Decreto nº 7.212 com o fim de regular o Imposto sobre Produtos Industrializados – RIPI/2010, de que trata a Lei nº 4.502/64. O RIPI/2010 revogou o regulamento anterior (Decreto nº 4.544/02), vigente desde 27 de dezembro de 2002. Crédito Presumido de IPI A Medida Provisória nº 471/09, posteriormente convertida na Lei nº 12.218, de 30 de março de 2010, permitiu às empresas instaladas nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, e que sejam montadoras e fabricantes de veículos automotores (Lei nº 9.440/97, artigo 1º, § 1º) apurar crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, no montante do valor das contribuições devidas, em cada mês, decorrente das vendas no mercado interno, multiplicado por: I – 2 (dois), no período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2011; II – 1,9 (um inteiro e nove décimos), no período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2012; III – 1,8 (um inteiro e oito décimos), no período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2013; IV – 1,7 (um inteiro e sete décimos), no período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2014; e V – 1,5 (um inteiro e cinco décimos), no período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2015.

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O mesmo dispositivo legal ampliou o prazo para o aproveitamento do crédito presumido de IPI, para os empreendimentos industriais instalados nas áreas de atuação da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia – SUDAM e Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste – SUDENE, a ser deduzido na apuração desse imposto, incidente nas saídas de produtos classificados nas posições 8702 a 8704 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI. A apuração do crédito presumido, que estava prevista para se encerrar em 31 de dezembro de 2010, foi prorrogada para 31 de dezembro de 2015, com a alteração do disposto no artigo 1º, § 3º, da Lei nº 9.286/99 pelo artigo 2º, § 1º, da Lei nº 12.218/10. De outro lado, a Medida Provisória nº 512, de 25 de novembro de 2010, também estabeleceu a possibilidade de crédito presumido de IPI para as empresas de que trata o crédito de IPI da Medida Provisória nº 471/09. Segundo a Medida Provisória nº 512/10, o crédito presumido será o equivalente ao resultado da aplicação das alíquotas do artigo 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, sobre o valor das vendas no mercado interno, em cada mês, dos produtos constantes dos projetos de que trata o caput, multiplicado por: I – 2 (dois), até o 12º mês de fruição do benefício; II – 1,9 (um inteiro e nove décimos), do 13º ao 24º mês de fruição do benefício; III – 1,8 (um inteiro e oito décimos), do 25º ao 36º mês de fruição do benefício; IV – 1,7 (um inteiro e sete décimos), do 37º ao 48º mês de fruição do benefício; e V – 1,5 (um inteiro e cinco décimos), do 49º ao 60º mês de fruição do benefício.  Os benefícios, decorrentes da apuração do crédito presumido de IPI, ficam condicionados à realização de investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica na região, inclusive na área de engenharia automotiva, correspondentes a, no mínimo, 10% do valor do crédito presumido apurado. Foi vedado o aproveitamento cumulativo do crédito presumido estabelecido na Medida Provisória nº 512/10 e Medida Provisória nº 471/09.

Manutenção do Crédito de IPI A Lei nº 12.113, de 9 de dezembro de 2009, assegurou a manutenção do crédito de IPI em razão do imposto pago no desembaraço aduaneiro referente a automóvel de passageiros originário e procedente de países integrantes do Mercado Comum do Sul – MERCOSUL, saído do estabelecimento importador de pessoa jurídica fabricante de automóveis da posição 87.03 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI com a isenção de que trata a Lei nº 8.989/95. Ressarcimentos de Créditos de PIS, COFINS e IPI A Receita Federal do Brasil disciplinou, através da Instrução Normativa RFB nº 1.060, de 3 de agosto de 2010, o procedimento especial para o ressarcimento de créditos de PIS, COFINS e IPI apurados sobre bens, mercadorias, insumos e serviços relacionados a receitas de exportação. A Instrução Normativa RFB nº 1.060/10 entrou em vigor na data da sua publicação e estabelece regras a serem seguidas pelas entidades para o ressarcimento dos créditos, inclusive em relação à antecipação de 50% do montante do crédito. Substituição Tributária do IPI A Instrução Normativa RFB nº 1.081, de 4 de novembro de 2010, revogou a Instrução Normativa SRF nº 260/02 e consolidou o disciplinamento sobre o regime especial de substituição tributária do IPI. Legislação Aduaneira Com o intuito de atualizar, sistematizar e consolidar as normas e os procedimentos aplicáveis às operações de comércio exterior, expedidos após a edição do Regulamento Aduaneiro trazido pelo Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009, foi publicada a Portaria SECEX nº 10, que passou a vigorar a partir de 25 de maio de 2010.

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Entre outras inovações trazidas pela Portaria SECEX está a instituição do registro de exportação, somente no SIXCOMEX Exportação, em ambiente WEB. Desde 1º de dezembro de 2010, todos os registros de exportações deverão ser realizados pela página eletrônica do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, conforme publicado na Portaria SECEX nº 26, que alterou a Portaria SECEX nº 10. REPENEC O artigo 1º da Medida Provisória nº 472/09, convertida posteriormente na Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010, instituiu o Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento de Infraestrutura da Indústria Petrolífera nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste (REPENEC). São beneficiárias do REPENEC as pessoas jurídicas, estabelecidas e domiciliadas nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, que tenham projetos aprovados, até 31 de dezembro de 2010, para implantação de obras de infraestrutura nos setores petroquímico, de refino de petróleo e de produção de amônia e ureia a partir do gás natural e não adotem como regime de tributação o lucro presumido, arbitrado ou SIMPLES NACIONAL. Aos beneficiários do REPENEC ficam suspensos, no caso de venda no mercado interno ou de importação de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, e de materiais de construção para utilização ou incorporação, inclusive os serviços, em obras de infraestrutura destinadas ao ativo imobilizado: I – a exigência da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS incidentes sobre a receita da pessoa jurídica vendedora, bem como sobre a prestação de serviços efetuada por pessoa jurídica estabelecida no país, quando a aquisição dos bens ou serviços for efetuada por pessoa jurídica beneficiária quando a aquisição for efetuada por pessoa jurídica beneficiária do REPENEC; II – a exigência da contribuição para o PIS/PASEP– Importação e da COFINS–Importação quando a importação for efetuada por pessoa jurídica beneficiária do REPENEC;
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III – o IPI incidente na saída do estabelecimento industrial ou equiparado quando a aquisição no mercado interno for efetuada por estabelecimento industrial de pessoa jurídica beneficiária do REPENEC; IV – o IPI incidente na importação quando a importação for efetuada por estabelecimento industrial de pessoa jurídica beneficiária do REPENEC; V – o Imposto de Importação – II quando os referidos bens ou materiais de construção forem importados por pessoa jurídica beneficiária do REPENEC.  Os benefícios de que trata o REPENEC poderão ser usufruídos pelo período de cinco anos, a contar da data de habilitação da pessoa jurídica titular do projeto. As suspensões, listadas acima, convertem-se em alíquota zero após a utilização ou incorporação do bem ou material de construção ao estádio. RECOMPE O artigo 7º da Medida Provisória nº 472/09, convertida posteriormente na Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010, instituiu o Regime Especial de Aquisição de Computadores para o Uso Educacional (RECOMPE), com o objetivo de promover a inclusão digital nas escolas das redes públicas de ensino federal, estadual, distrital ou municipal. São beneficiárias do RECOMPE as pessoas jurídicas habilitadas que exerçam atividades de fabricação dos equipamentos de informática e programas de computador neles instalados, bem como a prestação de serviços de assistência técnica e que seja vencedora do processo de licitação.

Aos beneficiários do RECOMPE ficam suspensos: I – o IPI incidente sobre a saída do estabelecimento industrial de matérias-primas e produtos intermediários destinados à industrialização dos equipamentos de informática, quando adquiridos por pessoa jurídica habilitada ao regime; II – a contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita decorrente da: a) venda de matérias-primas e produtos intermediários destinados à industrialização dos equipamentos de informática, quando adquiridos por pessoa jurídica habilitada ao regime; b) prestação de serviços, por pessoa jurídica estabelecida no País, à pessoa jurídica habilitada ao regime, quando destinados aos equipamentos de informática. III – o IPI, a contribuição para o PIS/PASEP– Importação, a COFINS–Importação, o Imposto de Importação e a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, destinada a financiar o Programa de Estímulo à Interação Universidade– Empresa para o Apoio à Inovação incidente sobre: a) matérias-primas e produtos intermediários destinados à industrialização dos equipamentos de informática, quando importados diretamente por pessoa jurídica habilitada ao regime; b) o pagamento de serviços importados diretamente por pessoa jurídica habilitada ao regime, quando destinados aos equipamentos de informática.  IV – o IPI incidente sobre os equipamentos de informática saídos da pessoa jurídica beneficiária do RECOMPE diretamente para as escolas da rede pública de ensino. Após a incorporação ou utilização dos bens ou dos serviços adquiridos ou importados com os benefícios do RECOMPE, a suspensão de que trata o regime converte-se em alíquota zero. Os benefícios de que trata o RECOMPE poderão ser usufruídos até 31 de dezembro de 2011.

RETAERO O artigo 29 da Medida Provisória nº 472/09, convertida posteriormente na Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010, instituiu o Regime Especial para a Indústria Aeronáutica Brasileira (RETAERO). São beneficiárias do RETAERO as pessoas jurídicas habilitadas perante a Receita Federal do Brasil e, preponderantemente, fornecedoras de partes, peças, ferramentais, componentes, equipamentos, sistemas, subsistemas, insumos e matérias-primas, ou que prestem serviços a serem empregados na manutenção, conservação, modernização, reparo, revisão, conversão e industrialização das aeronaves classificadas na posição 88.02 da NCM. Ademais, as pessoas jurídicas não podem adotar como regime de tributação o lucro presumido, arbitrado ou SIMPLES NACIONAL. Aos beneficiários do RETAERO ficam suspensos, no caso de venda no mercado interno ou de importação dos bens e serviços discriminados anteriormente e destinados ao ativo imobilizado, bem como na venda ou importação de serviços de tecnologia industrial básica, desenvolvimento e inovação tecnológica, assistência técnica e transferência de tecnologia: I – a exigência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita da pessoa jurídica vendedora, bem como sobre a prestação de serviços efetuada por pessoa jurídica estabelecida no país, quando a aquisição dos bens ou serviços for efetuada por pessoa jurídica beneficiária do RETAERO; II – a exigência da contribuição para o PIS/PASEP– Importação e da COFINS–Importação quando a importação for efetuada por pessoa jurídica beneficiária do RETAERO; III – o IPI incidente na saída do estabelecimento industrial ou equiparado, quando a aquisição no mercado interno for efetuada por estabelecimento industrial de pessoa jurídica beneficiária do RETAERO; IV – o IPI incidente na importação, quando efetuada por estabelecimento industrial de pessoa jurídica beneficiária do RETAERO.

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A habilitação ao RETAERO pode ser realizada em até cinco anos a contar da data de vigência da Lei e a fruição do benefício depende da comprovação da efetiva prestação do serviço para produção, reparo e manutenção de aeronaves classificadas na posição 88.02 da NCM. Os benefícios poderão ser usufruídos pelo período de cinco anos, a contar da data de habilitação. As suspensões, listadas acima, convertem-se em alíquota zero após o emprego, utilização ou exportação dos bens com tributação suspensa ou dos que resultaram de sua industrialização. RECOM Em 27 de julho de 2010, com o fim de incentivar as obras em estádios de futebol a serem utilizados durante a Copa das Confederações FIFA 2013 e da Copa do Mundo FIFA 2014, foi instituído o Regime Especial de Tributação para Construção, Ampliação, Reforma ou Modernização de Estádios de Futebol (RECOM), por meio da Medida Provisória nº 497. São beneficiárias do RECOM as pessoas jurídicas não tributadas pelo lucro presumido ou arbitrado ou incluídas no SIMPLES NACIONAL, que tenham projetos aprovados para seus estádios de futebol com a utilização prevista nas partidas oficiais dos campeonatos supramencionados. Aos beneficiários do RECOM ficam suspensos, no caso de venda no mercado interno ou de importação de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, e de materiais de construção para utilização ou incorporação no estádio de futebol, bem como de venda ou importação de serviços: I – a exigência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita da pessoa jurídica vendedora, bem como sobre a prestação de serviços efetuada por pessoa jurídica estabelecida no país, quando a aquisição dos bens ou serviços for efetuada por pessoa jurídica beneficiária do RECOM;

II – a exigência da contribuição para o PIS/PASEP– Importação e da contribuição para a Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior – COFINS–Importação, quando a importação for efetuada por pessoa jurídica beneficiária do RECOM; III – o IPI incidente na saída do estabelecimento industrial ou equiparado, quando a aquisição no mercado interno for efetuada por pessoa jurídica beneficiária do RECOM; IV – o IPI incidente na importação, quando a importação for efetuada por pessoa jurídica beneficiária do RECOM; e V – o Imposto de Importação – II, quando os referidos bens ou materiais de construção forem importados por pessoa jurídica beneficiária do RECOM.  As suspensões, listadas acima, convertem-se em alíquota zero após a utilização ou incorporação do bem ou material de construção ao estádio. Os benefícios de que trata o RECOM terão vigência entre a data de publicação da Medida Provisória nº 497/10 e 30 de junho de 2014. Regime Aduaneiro Especial – REPETRO O Decreto nº 7.296, de 10 de setembro de 2010, acrescentou dispositivos ao Decreto nº 6.759/09, dispondo que o REPETRO somente será utilizado por pessoa jurídica habilitada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Ademais, o Decreto também dispõe sobre as hipóteses de pessoas jurídicas passíveis de requerer a habilitação na Receita Federal do Brasil. Ponto Eletrônico A Portaria nº 1.510, de 21 de agosto de 2009, emitida pelo Ministério do Trabalho e Emprego, disciplinou o uso do registro eletrônico de ponto e a utilização do Sistema de Registro Eletrônico de Ponto – SREP, visando ao controle da jornada de trabalho dos empregados. Estarão sujeitos ao registro eletrônico de ponto todos os empregadores já obrigados ao registro manual da jornada de trabalho de seus empregados, em conformidade com o artigo 74, § 2º, da Consolidação das Leis do Trabalho.

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A referida Portaria estabeleceu como prazo para início da utilização do registro eletrônico da jornada de trabalho 12 meses após a publicação dela, devendo, portanto, o sistema ter sido integralmente implantado em 21 de agosto de 2010. Em decorrência da dificuldade de implantação do sistema eletrônico de ponto houve a necessidade de emissão de nova Portaria pelo Ministério do Trabalho e Emprego para alteração do prazo de implantação do sistema. Por meio da Portaria nº 1.987, de 18 de agosto de 2010, alterou-se o prazo para utilização obrigatória do Registrador Eletrônico de Ponto, anteriormente previsto para 21 de agosto de 2010, passando a ser obrigatório a partir de 1º de março de 2011. Risco de Acidente do Trabalho – RAT – Alteração da Tabela O Decreto nº 6.957/09, em seu Anexo V, promoveu a revisão de enquadramento de risco das alíquotas RAT, com aplicabilidade a partir da competência janeiro de 2010. Dessa forma, a partir da competência janeiro de 2010, as empresas tiveram de rever o enquadramento no RAT (1%, 2% ou 3%) em conformidade com sua atividade preponderante, a fim de verificar se a alíquota permaneceria a mesma ou seria reduzida ou majorada. Fator Acidentário de Prevenção – FAP O FAP é o fato acidentário de prevenção, aplicado às alíquotas de 1%, 2% ou 3% da tarifação coletiva por subclasse econômica, incidentes sobre a folha de salários das entidades para custear aposentadorias especiais e benefícios decorrentes de acidentes de trabalho. A Previdência Social, por meio da Resolução CNPS nº 1.316, de 31 de maio de 2010, promoveu alterações na Resolução CNPS nº 1.308/09, que dispõe sobre a nova metodologia do FAP.

A Portaria nº 451, de 23 de setembro de 2010, dispôs sobre a publicação dos índices de frequência, gravidade e custo, por atividade econômica, considerados para o cálculo do RAT, com vigência para o ano 2011. Medida Provisória nº 472/09 – Demais Assuntos Tributários  O governo federal, por meio da Medida Provisória nº 472/09, convertida na Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010, instituiu alterações diversas à legislação tributária. A seguir, listamos as principais alterações impostas pela Medida Provisória nº 472/09, com exceção daquelas já apontadas anteriormente: I – amplia a vigência dos benefícios fiscais para as empresas aprovadas no Programa de Inclusão Digital de 31 de dezembro de 2009 para 31 de dezembro de 2014; II – reduz a zero a alíquota do imposto de renda incidente na fonte e da CIDE, bem como dispõe sobre a não-incidência do PIS–Importação e da COFINS–Importação, sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior a título de remuneração de serviços vinculados aos processos de avaliação da conformidade, metrologia, normalização, inspeção sanitária e fitossanitária, homologação, registros e outros procedimentos exigidos pelo país importador sob o resguardo dos acordos sobre medidas sanitárias e fitossanitárias (SPS)  e sobre barreiras técnicas ao comércio (TBT), ambos do âmbito da Organização Mundial do Comércio – OMC; III – inclui os dispositivos eletrônicos semicondutores, montados e encapsulados diretamente sob placa de circuito impresso (chip on board), classificada nos códigos 8534.00.00 ou 8523.51 da Tabela de Incidência dos Impostos sobre Produtos Industrializados – TIPI, entre os itens sujeitos ao benefício fiscal de que trata o PADIS (Lei nº 11.484/07);

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IV – institui a possibilidade da redução da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras – IOF a zero, nos casos de aquisições de máquinas, aparelhos, instrumentos, equipamentos e ferramentas computacionais (software), para incorporação ao seu ativo imobilizado, e insumos importados por pessoa jurídica beneficiária do PADIS; V – inclui as empresas que explorem a atividade de securitização de créditos imobiliários, financeiros e do agronegócio no rol das entidades obrigadas à tributação pelo lucro real; VI – institui a aplicação de multa de 75% sobre a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituído por infração à legislação tributária, quando comprovado dolo ou má-fé; VII – amplia a base de cálculo do PIS–Importação e da COFINS–Importação de 8% para 15%, sobre o valor pago, creditado, entregue, empregado e remetido a título de prêmios de resseguro cedidos ao exterior; VIII – isenta do imposto de renda na fonte, de 1º de janeiro de 2011 até 31 de dezembro de 2015, os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, destinados à cobertura de gastos pessoais, no exterior, de pessoas físicas residentes no País, em viagens de turismo, negócios, serviço, treinamento ou missões oficiais; IX – possibilita a prorrogação, em um ano, dos atos concessórios de drawback cujos prazos máximos tenham sido prorrogados nos termos do artigo 4º do Decreto–Lei nº 1.722, de 3 de dezembro de 1979, com vencimento em 2010, ou nos termos do artigo 13 da Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009; X – estabelece a multa isolada de 50% sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, bem como sobre o crédito oriundo de declaração não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, quando a multa será de 100% (regulamentado pela Instrução Normativa RFB nº 1.067/10); e
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XI – amplia a possibilidade de liquidação dos débitos parcelados, nos termos da Medida Provisória nº 470/09, com os saldos de prejuízo fiscal e base negativa apurados até 31 de dezembro de 2009. Subvenções para Estímulo à Inovação Tecnológica O artigo 1º da Medida Provisória nº 497/10 desonerou da tributação de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS as subvenções governamentais de que tratam os artigos 19 da Lei nº 10.973/04 e 21 da Lei nº 11.196/06. Portanto, os recursos disponibilizados pela União, pelas agências de fomento de ciências e tecnologia e pelas ICTs para promover e incentivar o desenvolvimento de produtos e processos inovadores, inclusive para o pagamento da remuneração de pesquisadores, titulados como mestres ou doutores, empregados em atividades de inovação tecnológica, não serão base de cálculo para os tributos especificados. Consequentemente, o emprego dos recursos decorrentes das subvenções governamentais não constituirá despesas ou custos para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, nem dará direito à apuração de créditos da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS.  Os valores das despesas ou dos custos já considerados na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, em períodos anteriores ao do recebimento da subvenção, deverão ser adicionados ao lucro líquido no período do recebimento da subvenção, bem como os créditos de PIS/PASEP e da COFINS, deverão ser estornados. Fundo Nacional do Idoso A Lei nº 12.213, de 20 de janeiro de 2010, instituiu o Fundo Nacional do Idoso, destinado a financiar os programas e as ações relativos ao idoso com vistas a assegurar os seus direitos sociais e criar condições para promover sua autonomia, integração e participação efetiva na sociedade.

O novo dispositivo legal alterou o disposto no artigo 12 da Lei nº 9.250/95, no que se refere à dedutibilidade das despesas com doações aos Fundos Municipais, Estaduais e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente nas apurações do lucro real e da base de cálculo da CSLL, bem como quanto à possibilidade de dedução do IRPJ devido. Portanto, nos moldes do que já era estabelecido para as doações aos Fundos Municipais, Estaduais e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto de renda devido, em cada período de apuração, o total das doações feitas aos Fundos Nacional, Estaduais ou Municipais do Idoso devidamente comprovadas, vedada a dedução como despesa operacional.  A dedução deverá ser somada às efetuadas aos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente, em cada período de apuração, para fins de avaliação do limite de 1% do direito de dedução do IRPJ devido. Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior – FIES Em 15 de janeiro de 2010, foi publicada a Lei nº 12.202, que trouxe alterações à legislação do FIES (Lei nºº10.260/01), inclusive em relação à utilização dos créditos de Instituto Nacional do Seguro Social – INSS oriundos dos certificados. Até antes da publicação da nova lei, os créditos de INSS gerados pelo FIES somente podiam ser utilizados para liquidação de débitos da própria Previdência Social, sendo facultada a negociação dos certificados com outras pessoas jurídicas. De acordo com o disposto no artigo 1º da Lei nº 12.202, que alterou o § 3º do artigo 10º da Lei nº 10.260/01, não havendo débitos de caráter previdenciário, os certificados poderão ser utilizados para o pagamento de quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, e respectivos débitos, constituídos ou não, inscritos ou não em dívida ativa, ajuizados ou a ajuizar, exigíveis ou com exigibilidade suspensa, bem como de multas, de juros e de demais encargos

legais incidentes. Ademais, passou a ser vedada a negociação dos certificados. Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social Em 30 de novembro de 2009, publicou-se no Diário Oficial a Lei nº 12.101, regulamentada pelo Decreto nº 7.237, de 2010, para dispor sobre o processo de certificação das entidades beneficentes de assistência social para obtenção da isenção das contribuições para a seguridade social. Medida Provisória nº 497/10 – Demais Assuntos Tributários  O governo federal, por meio da Instrução Normativa nº 497/10, instituiu alterações na legislação tributária. A seguir, listamos as principais alterações instituídas pela Medida Provisória nº 497/10, com exceção das discutidas anteriormente: I – a aquisição no mercado interno ou a importação, de forma combinada ou não, de mercadoria equivalente à empregada ou consumida na industrialização de produto exportado poderá ser realizada com isenção do Imposto de Importação e com redução a zero do IPI, da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, da contribuição para o PIS/ PASEP–Importação e da COFINS–Importação; II – para efeitos de adimplemento do compromisso de exportação nos regimes aduaneiros suspensivos, destinados à industrialização para exportação, os produtos importados ou adquiridos no mercado interno com suspensão do pagamento dos tributos incidentes podem ser substituídos por outros produtos, nacionais ou importados, da mesma espécie, qualidade e quantidade, importados ou adquiridos no mercado interno sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo; III – o Imposto de Importação incidente na importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos fica reduzido em: a) 40% até 31 de julho de 2010; b) 30% até 30 de outubro de 2010; c) 20% até 30 de abril de 2011; e d) 0% a partir de 1º de maio de 2011.
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IV – altera a lista dos códigos NCM sujeitos à suspensão do pagamento de PIS/PASEP e da COFINS incidente sobre a receita bruta da venda no mercado interno; V – altera a lista dos códigos NCM sujeitos à apuração de crédito presumido para desconto da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS; VI – reduz para zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de serviços de transporte ferroviário em sistema de Trens de Alta Velocidade – TAV, assim entendido como a composição utilizada para efetuar a prestação do serviço público de transporte ferroviário que consiga atingir velocidade igual ou superior a 250 km/h; e VI – amplia de 31 de dezembro de 2013 para 31 de dezembro de 2014 a tributação à alíquota de 1% aos projetos de incorporação de imóveis residenciais de interesse social, no âmbito do Programa Minha Casa Minha Vida. Regras para Tributação de Bens de Viajantes O Decreto nº 7.213, de 15 de junho de 2010, trouxe, entre outras, alterações significativas em relação às regras de tributação para os bens trazidos por viajantes provenientes do exterior para ingresso com a bagagem acompanhada e desacompanhada no Brasil. As novas regras estabelecidas pelo Decreto foram, posteriormente, regulamentadas pela Portaria MF nº 440, de 30 de julho de 2010, e Instrução Normativa RFB nº 1.059, de 2 de agosto de 2010. Tributação dos Consórcios Desde 28 de outubro de 2010, estão em vigor as novas regras relativas ao cumprimento de obrigações tributárias por consórcios. De acordo com a Medida Provisória nº 510/10, que estabeleceu as novas regras, os consórcios cumprirão as respectivas obrigações tributárias sempre que realizarem negócios jurídicos em nome próprio, inclusive na contratação de pessoas jurídicas e físicas, com ou sem vínculo empregatício.

Antes da Medida Provisória nº 510/10, as obrigações tributárias dos consórcios eram de responsabilidade das empresas consorciadas, na proporção da participação de cada entidade no consórcio. Adicional sobre a Receita Líquida Operacional De acordo com o previsto na Lei nº 12.111, de 9 de dezembro de 2009, regulamentada pelo Decreto nº 7.204, de 2010, desde 1º de janeiro de 2010, as concessionárias e permissionárias de serviços públicos de distribuição de energia elétrica estão obrigadas ao recolhimento, até 31 de dezembro de 2012, do adicional de 0,30% sobre a receita líquida operacional. Os recursos deverão ser recolhidos ao Tesouro Nacional para ressarcimento de Estados e Municípios que tiverem eventual perda de receita decorrente da arrecadação de ICMS incidente sobre combustíveis fósseis utilizados para geração de energia elétrica, ocorrida nos 24 meses seguintes à interligação dos respectivos Sistemas Isolados ao Sistema Interligado Nacional – SIN. IOF – Operações de Câmbio e Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários Em 5 e 19 de outubro de 2010 foram publicados os Decretos nº 7.323 e nº 7.330, respectivamente, alterando a alíquota do IOF sobre algumas operações de câmbio. Em conjunto, os Decretos introduziram as seguintes alterações ao regulamento do IOF (Decreto nº 6.306/07), em relação às operações de câmbio: a) as liquidações de operações de câmbio para remessa de juros sobre o capital próprio e dividendos recebidos por investidor estrangeiro, referentes às aplicações de que tratam os incisos XXIV, XXV, XXVI e XXVII do regulamento do IOF, serão tributadas à alíquota zero; b) as liquidações de operações de câmbio contratadas a partir de 19 de outubro de 2010 por investidor estrangeiro, para ingresso de recursos no País, inclusive por meio de operações simultâneas, para aplicação no mercado financeiro e de capitais, excetuadas as operações de que tratam as letras “c” e “d”, serão tributadas à alíquota de 6%;

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c) inclusão do inciso XXV no § 1º do artigo 15 do regulamento, prevendo a tributação à alíquota de 2% para as liquidações de operações de câmbio contratadas, a partir de 5 de outubro de 2010, por investidor estrangeiro, relativas a transferências do exterior de recursos para aplicação no País em renda variável realizada em bolsa de valores ou em bolsa de mercadorias e futuros, na forma regulamentada pelo Conselho Monetário Nacional – CMN, excetuadas operações com derivativos que resultem em rendimentos predeterminados; d) inclusão do inciso XXVI no § 1º do artigo 15 do regulamento, prevendo a tributação à alíquota de 2% para as liquidações de operações de câmbio, contratadas a partir de 5 de outubro de 2010, para ingresso de recursos no País para aquisição de ações, por investidor estrangeiro, em oferta pública registrada ou dispensada de registro na Comissão de Valores Mobiliários ou para a subscrição de ações, desde que, nos dois casos, as companhias emissoras tenham registro para negociação das ações em bolsas de valores; e) inclusão da previsão de tributação à alíquota zero nas liquidações de operações de câmbio para fins de retorno de recursos aplicados por investidor estrangeiro no mercado financeiro e de capitais, nas operações de que tratam as letras “b”, “c” e “d”; f) as liquidações de operações de câmbio contratadas a partir de 19 de outubro de 2010 por investidor estrangeiro, para ingresso de recursos no País, inclusive por meio de operações simultâneas, para constituição de margem de garantia, inicial ou adicional, exigida por bolsas de valores, de mercadorias e futuros, serão tributadas à alíquota de 6%. IOF – Operações Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários Em 19 de novembro de 2009, publicou-se no Diário Oficial da União o Decreto nº 7.011, que introduziu o artigo 32A no Decreto nº 6.306/07 (Regulamento do IOF).

O Decreto nº 7.011 dispôs que será cobrado IOF, à alíquota de um inteiro e cinco décimos por cento, na cessão de ações que sejam admitidas à negociação em bolsa de valores localizada no Brasil, com o fim específico de lastrear a emissão de depositary receipts negociados no exterior. O valor da operação a ser considerado para fins de apuração da base de cálculo deverá ser obtido multiplicando-se o número de ações cedidas pela sua cotação de fechamento na data anterior à operação ou, no caso de não ter havido negociação nessa data, pela última cotação de fechamento disponível. Imposto de Renda Incidente sobre os Rendimentos e Ganhos Líquidos Auferidos nos Mercados Financeiro e de Capitais Em 7 de abril de 2010, foi publicada a Instrução Normativa RFB nº 1.022, posteriormente alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.043, consolidando e regulamentando a legislação do imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos e ganhos auferidos nos mercados financeiros e de capitais, por investidores residentes ou domiciliados no País e no exterior. O novo normativo da RFB consolidou a legislação do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, bem como revogou as Instruções Normativas que tratavam do mesmo tema. DIMOF Com o objetivo de manter maior controle sobre as operações do mercado de câmbio, a Receita Federal do Brasil alterou o disposto na Instrução Normativa RFB nº 811, de 28 de janeiro de 2008, ampliando a obrigatoriedade da Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (DIMOF) para as instituições autorizadas a realizar operações no mercado de câmbio. Portanto, as instituições autorizadas a operarem no mercado de câmbio deverão declarar até o último dia de fevereiro de 2011 as aquisições de moeda estrangeira, as conversões de moeda estrangeira em nacional e as transferências de moeda estrangeira e de outros valores para o exterior.
Demonstrações financeiras – Exercício de 2010 • 63

Acompanhamento econômico–tributário A Portaria RFB nº 2.356/10 estendeu o acompanhamento econômico-tributário diferenciado às pessoas físicas. Segundo a Portaria, as pessoas físicas objeto de acompanhamento diferenciado serão indicadas pela Comac, com base em critérios objetivos e parâmetros técnicos. Outra alteração está relacionada às pessoas jurídicas que serão objeto do acompanhamento diferenciado. Estão sujeitas as pessoas jurídicas resultantes de cisão, total ou parcial, incorporação e fusão, para os eventos informados a partir de dois anos-calendário anteriores ao ano de acompanhamento.
A Portaria RFB nº 2.357/10 alterou parâmetros para a indicação das pessoas jurídicas a serem submetidas a acompanhamento econômico-tributário diferenciado

e especial no ano 2011. As principais mudanças estão relacionadas à alteração de alguns limites. O acompanhamento diferenciado de pessoas jurídicas e de pessoas físicas consiste no monitoramento da arrecadação, na análise do comportamento econômicotributário e no tratamento diferenciado às ações, pendências e passivo tributário relacionados aos contribuintes. Já o acompanhamento especial de pessoas jurídicas consiste na execução de todas as ações necessárias para assegurar tratamento prioritário e conclusivo às demandas e pendências relacionadas a determinadas pessoas jurídicas indicadas ao acompanhamento diferenciado. Com relação ao acompanhamento diferenciado, as alterações mais significativas foram:
Portaria nº 2.357/10 Receita bruta anual, no ano-calendário 2009, superior a R$ 90.000.000,00 (noventa milhões de reais); Débitos declarados nas DCTFs, relativos ao ano-calendário 2009, superiores a R$ 9.000.000,00 (nove milhões de reais); Massa salarial informada nas GFIPs, relativas ao ano-calendário 2009, superior a R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais); ou Total anual de débitos declarados nas GFIPs, relativas ao ano-calendário 2009, superior a R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais).

Portaria nº 2.923/09 Receita bruta anual, no ano-calendário 2008, superior a R$ 80.000.000,00 (oitenta milhões de reais); Débitos declarados nas DCTFs, relativos ao ano-calendário 2008, superiores a R$ 8.000.000,00 (oito milhões de reais); Massa salarial informada nas GFIPs, relativas ao ano-calendário 2008, superior a R$ 11.000.000,00 (onze milhões de reais); ou Total anual de débitos declarados nas GFIPs, relativas ao ano-calendário 2008, superior a R$ 3.500.000,00 (três milhões e quinhentos mil reais).

Já com relação ao acompanhamento especial, as principais alterações estão descritas abaixo:
Portaria nº 2.923/09 Receita bruta anual, no ano-calendário 2008, superior a R$ 370.000.000,00 (trezentos e setenta milhões de reais); Débitos declarados nas DCTFs, relativos ao ano-calendário 2008, superiores a R$ 37.000.000,00 (trinta e sete milhões de reais); Massa salarial informada nas GFIPs, relativas ao ano-calendário 2008, superior a R$ 45.000.000,00 (quarenta e cinco milhões de reais); ou Total anual de débitos declarados nas GFIPs, relativas ao ano-calendário 2008, superior a R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais). Portaria nº 2.357/10 Receita bruta anual, no ano-calendário 2009, superior a R$ 400.000.000,00 (quatrocentos milhões de reais); Débitos declarados nas DCTFs, relativos ao ano-calendário 2009, superiores a R$ 40.000.000,00 (quarenta milhões de reais); Massa salarial informada nas GFIPs, relativas ao ano-calendário 2009, superior a R$ 51.000.000,00 (cinquenta e um milhões de reais); ou Total anual de débitos declarados nas GFIPs, relativas ao ano-calendário 2009, superior a R$ 17.000.000,00 (dezessete milhões de reais).

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Normas Internacionais de Relatório Financeiro (IFRSs)
International Financial Reporting Standards – IFRSs IFRS 9 – Instrumentos Financeiros (revisada) Em 28 de outubro de 2010, o IASB emitiu uma versão revisada da IFRS 9 – Financial Instruments, mantendo os requerimentos para classificação e mensuração de ativos financeiros conforme versão publicada em novembro de 2009 e incluindo orientação sobre a classificação e mensuração de passivos financeiros. Como parte da reestruturação da IFRS 9, o IASB também copiou para a norma revisada a orientação sobre baixa de instrumentos financeiros e o respectivo guia de implementação contidos na IAS 39 – Financial Instruments: Recognition and Measurement. A orientação incluída na IFRS 9 sobre a classificação e mensuração de passivos financeiros não apresenta alterações para os critérios de classificação contidos atualmente na IAS 39. Em outras palavras, passivos financeiros continuarão a ser mensurados, no total ou em parte, pelo custo amortizado ou pelo valor justo por meio do resultado (fair value through profit or loss – FVTPL). O conceito de separar derivativos embutidos do contrato principal também permanece inalterado. Passivos financeiros mantidos para negociação continuam a ser mensurados pelo FVTPL, e todos os demais passivos financeiros são mensurados pelo custo amortizado, exceto quando a opção pelo valor justo é aplicada, usando o critério existente na IAS 39. Entretanto, existem duas diferenças se comparada à IAS 39: • A apresentação dos efeitos de mudanças no valor justo atribuíveis ao risco de crédito do passivo; e • A eliminação da isenção de mensurar pelo custo os derivativos passivos a serem liquidados pela entrega de instrumentos de patrimônio não cotados. Essa versão revisada conclui a primeira fase do projeto do IASB de substituir a sua norma sobre instrumentos financeiros (IAS 39). As demais fases (impairment e hedge accounting) ainda precisam ser finalizadas. Apresentação dos efeitos de mudanças no valor justo atribuíveis ao risco de crédito do passivo A orientação revisada sobre o risco de crédito de um passivo não é aplicável para todos os passivos mensurados pelo FVTPL. Passivos financeiros mantidos para negociação, como os derivativos passivos, assim como as obrigações por empréstimos e contratos de garantia financeira que são designados sob a opção de valor justo, continuarão a ser mensurados pelo valor justo com todas as mudanças sendo reconhecidas no resultado. Para todos os demais passivos financeiros designados pelo FVTPL usando a opção de valor justo, essa orientação é aplicável e requer o reconhecimento da parcela das mudanças no valor justo do passivo, atribuíveis às mudanças no risco de crédito, em outros resultados abrangentes (Other Comprehensive Income – OCI), e reconhecimento no resultado da parcela remanescente da mudança no valor justo.
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Entretanto, se o reconhecimento em OCI das parcelas das mudanças no valor justo atribuíveis às mudanças no risco de crédito criar ou aumentar um descasamento contábil, a entidade apresenta toda a mudança no valor justo no resultado. Ao avaliar o descasamento contábil, a entidade deve determinar se espera que os efeitos da mudança no risco de crédito do passivo serão compensados no resultado pela mudança no valor justo de outro instrumento financeiro mensurado pelo FVTPL. Tal expectativa deve ser baseada na relação econômica entre as características do passivo e do outro instrumento financeiro. Essa determinação é feita pela entidade no reconhecimento inicial e não é reavaliada subsequentemente. A entidade deve divulgar em notas explicativas a metodologia utilizada ao fazer tal determinação. A norma inclui orientação adicional para a diferenciação entre risco de crédito e risco de desempenho específico do ativo (por exemplo, o risco de que as condições de um ativo individual ou um grupo de ativos não sejam cumpridas e, dessa forma, o emitente é liberado dos valores da obrigação que é vinculada a esses ativos). A norma fornece exemplos de risco de desempenho específico do ativo. A orientação revisada proíbe que os valores atribuíveis ao risco de crédito reconhecidos em OCI sejam reclassificados para o resultado (ou seja, “reciclados”), mas permite transferências para outros componentes do patrimônio líquido. Isso é relevante se uma entidade baixa um passivo financeiro antes da data de vencimento por um valor diferente do determinado contratualmente. Nessa situação, qualquer valor residual em OCI pode ser transferido para outros componentes do patrimônio líquido (por exemplo, lucros acumulados) com divulgação dos valores transferidos e da razão para a transferência. Diferentemente, se uma entidade efetua o pagamento do débito conforme os termos contratuais na data do vencimento, não existirão valores para serem reciclados, pois não haverá efeito líquido acumulado das mudanças no risco de crédito do passivo.

A IFRS 9 revisada mantém a orientação existente na IFRS 7 – Financial Instruments: Disclosures sobre como separar a mudança no valor justo de um passivo atribuível ao risco de crédito. A IFRS 7 permite duas opções: – A mudança no valor justo não atribuível às mudanças no risco de mercado (tais como as mudanças na taxa referencial de juros, o preço de instrumento financeiro de outra entidade, o preço de uma commodity, uma taxa de câmbio, ou um índice ou taxa de inflação); ou – Um método alternativo que melhor represente o risco de crédito. O método utilizado para mensurar as mudanças no valor justo decorrente de mudanças no risco de crédito deve ser divulgado. Eliminação da isenção de mensurar pelo custo os derivativos passivos A parte da IFRS 9 que trata de ativos financeiros removeu a isenção da IAS 39 de mensurar pelo custo os instrumentos patrimoniais não cotados e os respectivos derivativos ativos quando o valor justo não possa ser mensurado confiavelmente. Quanto essa parte foi publicada, foi mantida a isenção de mensuração pelo custo para derivativos passivos que serão liquidados pela entrega de instrumentos de patrimônio não cotados, quando o seu valor justo não pudesse ser mensurado confiavelmente (por exemplo, uma opção lançada em que, no exercício, a entidade entregaria ações não cotadas ao detentor da opção). Entretanto, a orientação agora revisada também remove essa isenção de mensuração pelo custo de forma que todos os derivativos, sejam ativos ou passivos, sejam mensurados pelo valor justo. Adoção e transição A versão revisada da IFRS 9 tem a mesma data de adoção obrigatória que a sua versão anterior, 1º de janeiro de 2013. O IASB divulgou sua intenção de ter a mesma data de adoção obrigatória para todas as fases da nova norma sobre instrumentos financeiros. A versão revisada permite a adoção antecipada, mas se uma entidade decide aplicar a orientação relativa à classificação e mensuração de passivos

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financeiros antecipadamente, ela deve também aplicar qualquer outro requerimento da IFRS 9 que tenha sido anteriormente finalizado naquele momento. Atualmente, isso iria requerer que uma entidade que deseja adotar antecipadamente a orientação para passivos financeiros da IFRS 9 também adote antecipadamente a orientação para ativos financeiros. A razão para requerer a aplicação das fases anteriores é reduzir a potencial falta de comparabilidade entre entidades. A norma revisada deve ser aplicada retrospectivamente de acordo com a IAS 8. Modificação da IFRS 7 para Melhorias nos Requerimentos de Divulgações sobre Transferências de Ativos Financeiros Em 7 de outubro de 2010, o IASB emitiu a modificação da IFRS 7 – Financial Instruments: Disclosures contendo melhorias que aumentam os requerimentos de divulgações sobre transferências de ativos financeiros. Não foi alterada a orientação para a baixa de ativos financeiros que consta na IAS 39 – Financial Instruments: Recognition and Measurement., que foi copiada para a versão revisada da IFRS 9 – Financial Instruments, conforme mencionado acima. As modificações na IFRS 7 requerem melhorias no atual nível de divulgação quando um ativo é transferido mas não é baixado, e introduz novas divulgações para ativos que são baixados, mas a entidade continua a ter uma exposição contínua ao ativo após a venda. O objetivo das mudanças é permitir melhor entendimento da relação entre os ativos financeiros transferidos e as obrigações financeiras e riscos associados com esses ativos. Essas divulgações incluídas pelas modificações à IFRS 7 são similares às atualmente requeridas pelos princípios de contabilidade geralmente aceitos nos Estados Unidos (US GAAP). As modificações devem ser adotadas obrigatoriamente para exercícios iniciados em ou após 1º de julho de 2011 e a adoção antecipada é permitida. Não são requeridas divulgações para qualquer período apresentado que inicia antes da data de adoção obrigatória das modificações.

Modificação da IAS 12 sobre impostos diferidos: recuperação dos ativos subjacentes Em 20 de dezembro de 2010, o IASB emitiu a modificação da IAS 12 – Income Taxes denominada Deferred Tax: Recovery of Underlying Assets. A IAS 12 requer que uma entidade mensure os impostos diferidos relativos a um ativo dependendo se a entidade espera recuperar o valor contábil do ativo através do uso ou da venda. Quando um ativo é mensurado pelo modelo de valor justo da IAS 40 – Investment Property, pode ser difícil e subjetivo avaliar se a recuperação do ativo será através do uso ou da venda. A modificação apresenta uma solução prática para o problema, introduzindo a presunção de que a recuperação do valor contábil das propriedades para investimentos será, normalmente, através de venda. Como resultado das modificações, a SIC–21 – Income Taxes – Recovery of Revalued Nondepreciable Assets não será mais aplicável para propriedades para investimento mantidas ao valor justo. As modificações devem ser adotadas obrigatoriamente para exercícios iniciados em ou após 1º de janeiro de 2012 e a adoção antecipada é permitida. Modificação da IFRS 1 sobre a eliminação de datas fixas para adotantes pela primeira vez das IFRSs Em 20 de dezembro de 2010, o IASB emitiu a modificação da IFRS 1 – First-time Adoption of International Financial Reporting Standards (IFRSs) que trata da eliminação de datas fixas para adotantes pela primeira vez das IFRSs. As modificações substituem a data fixa de aplicação prospectiva de 1º de janeiro de 2004 para a data de transição para as IFRSs, de forma que os adotantes pela primeira vez das IFRSs não tenham de aplicar os requerimentos de baixa da IAS 39 retrospectivamente. A modificação deve ser adotada obrigatoriamente para exercícios iniciados em ou após 1º de julho de 2011 e a adoção antecipada é permitida.

Demonstrações financeiras – Exercício de 2010 • 67

Melhorias para as IFRSs 2010 Em 6 de maio de 2010, o IASB emitiu documento chamado Melhorias para as IFRSs 2010 (Improvements to IFRSs 2010), incorporando alterações em sete normas. Esse é o terceiro conjunto de alterações
Norma Objeto da modificação Detalhe

emitidas através do processo anual de melhorias, que é designado para efetuar melhorias necessárias, mas não urgentes às IFRSs. A tabela a seguir resume todas as melhorias efetuadas em normas e interpretações existentes:
Adoção e transição Adoção obrigatória para exercícios iniciados em ou após 1º de janeiro de 2011. A adoção antecipada é permitida.

IFRS 1 – Mudanças de políticas contábeis First-time Adoption no ano da adoção of International Financial Reporting Standards

Esclarece que, se uma entidade que adota as IFRSs pela primeira vez mudar suas políticas contábeis ou o uso das isenções na IFRS 1 após a publicação de demonstrações financeiras intermediárias, de acordo com a IAS 34 Interim Financial Reporting, mas antes que suas primeiras demonstrações financeiras anuais de acordo com as IFRS sejam emitidas, ela deve explicar essas mudanças e atualizar as reconciliações entre os princípios de contabilidade anteriores e as IFRSs. Os requerimentos na IAS 8 não se aplicam a essas mudanças. Esclarece que é permitido para uma entidade que adota as IFRSs pela primeira vez utilizar o valor justo decorrente de um evento específico como custo atribuído na data de mensuração, ou seja, na data em que o evento ocorreu, mesmo que o evento tenha ocorrido após a data de transição para as IFRSs, desde que o evento tenha ocorrido durante o período coberto por suas primeiras demonstrações financeiras de acordo com as IFRSs. Qualquer ajuste resultante deve ser reconhecido diretamente no patrimônio na data de mensuração. Esse ajuste não deve ser reconhecido na data de transição para as IFRSs e a entidade continua obrigada a estabelecer uma base de mensuração nessa data que esteja de acordo com as IFRSs. Especifica que uma entidade que adota as IFRSs pela primeira vez pode optar por utilizar o valor contábil de itens do ativo imobilizado ou ativo intangível que são ou foram usados em operações sujeitas a preços regulados. Essa opção pode ser feita para cada item individualmente. Especifica que a opção de mensurar as participações não controladoras, tanto pelo seu valor justo quanto pela parcela proporcional da participação não controladora sobre os ativos líquidos identificáveis da adquirida na data da aquisição, é aplicável somente para as participações não controladoras que são efetivas e garantem aos titulares uma parcela proporcional dos ativos líquidos da adquirida no evento de uma liquidação. Todos os outros componentes das participações não controladoras devem ser mensurados pelo seu valor justo na data da aquisição, a menos que outra base de mensuração seja requerida pelas IFRSs. Especifica que os requerimentos atuais de mensurar os prêmios do adquirente que substituem os pagamentos baseados em ações da adquirida de acordo com a IFRS 2 na data de aquisição (“mensuração baseada em mercado”) são aplicáveis também para as transações de pagamentos baseados em ações da adquirida que não são substituídos. Especifica que os requerimentos atuais de alocar a mensuração baseada em mercado de prêmios substituídos entre a contrapartida transferida na combinação de negócios e a despesa de remuneração do período após a combinação de negócios é aplicável para todos os prêmios substituídos, independentemente se o adquirente é obrigado a substituí-los ou se o faz voluntariamente. Esclarece que a IAS 32 – Financial Instruments: Presentation, a IAS 39 – Financial Instruments: Recognition and Measurement e a IFRS 7 – Financial Instruments: Disclosures não se aplicam para contrapartidas contingentes que surgiram de combinações de negócios cuja data de aquisição seja anterior à aplicação da IFRS 3 (2008).

Reavaliação como custo atribuído

Adoção obrigatória para exercícios iniciados em ou após 1º de janeiro de 2011. A adoção antecipada é permitida.

Uso do custo atribuído para operações sujeitas a preços regulados IFRS 3 – Business Combinations (2008) Mensuração de participações não controladoras

Adoção obrigatória para exercícios iniciados em ou após 1º de janeiro de 2011. A adoção antecipada é permitida. Adoção obrigatória para exercícios iniciados em ou após 1º de julho de 2010. Deve ser aplicada prospectivamente a partir da data em que a entidade adotar a IFRS 3 (2008). A adoção antecipada é permitida. Adoção obrigatória para exercícios iniciados em ou após 1º de julho de 2010. Deve ser aplicada prospectivamente a partir da data em que a entidade adotar a IFRS 3 (2008). A adoção antecipada é permitida.

Pagamento de prêmios baseados em ações não substituídos ou substituídos voluntariamente

Requerimentos de transição para contrapartidas contingentes de uma combinação de negócios que ocorreu antes da data de adoção obrigatória da IFRS 3 (2008)

Adoção obrigatória para exercícios iniciados em ou após 1º de julho de 2010. A adoção antecipada é permitida.

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Norma IFRS 7 – Financial Instruments: Disclosures IAS 1 – Presentation of Financial Statements IAS 27 – Consolidated and Separate Financial Statements (2008) IAS 34 – Interim Financial Reporting

Objeto da modificação Esclarecimentos sobre divulgações

Detalhe Encoraja divulgações qualitativas no contexto das divulgações quantitativas requeridas para auxiliar os usuários a formar uma visão geral da natureza e extensão dos riscos decorrentes dos instrumentos financeiros. Esclarece o nível requerido de divulgações sobre risco de crédito e garantias detidas e fornece isenção para divulgações de empréstimos renegociados. Esclarece que uma entidade pode apresentar a análise dos outros resultados abrangentes por item, tanto na demonstração das mutações do patrimônio líquido quanto nas notas explicativas às demonstrações financeiras.

Adoção e transição Adoção obrigatória para exercícios iniciados em ou após 1º de janeiro de 2011. A adoção antecipada é permitida. Adoção obrigatória para exercícios iniciados em ou após 1º de janeiro de 2011. A adoção antecipada é permitida. Adoção obrigatória para exercícios iniciados em ou após 1º de julho de 2010. A adoção antecipada é permitida. Adoção obrigatória para exercícios iniciados em ou após 1º de janeiro de 2011. A adoção antecipada é permitida. Adoção obrigatória para exercícios iniciados em ou após 1º de janeiro de 2011. A adoção antecipada é permitida.

Esclarecimento sobre a demonstração das mutações do patrimônio líquido

Requerimentos de transição decorrentes das modificações introduzidas pela IAS 27 (2008)

Esclarece que as modificações feitas pela IAS 27 (2008) na IAS 21 – The Effects of Changes in Foreign Rates, IAS 28 – Investments in Associates e IAS 31 – Interests in Joint Ventures devem ser adotadas prospectivamente (com exceção do parágrafo 35 da IAS 28 e do parágrafo 46 da IAS 31, que devem ser adotados retrospectivamente). Dá ênfase ao princípio na IAS 34 de que as divulgações sobre eventos e transações significativos em períodos intermediários devem atualizar as informações relevantes que foram apresentadas nas demonstrações financeiras anuais mais recentes. Esclarece como aplicar esse princípio em relação a instrumentos financeiros e seus valores justos. Esclarece que o valor justo de créditos de prêmio deve considerar: – o valor dos descontos ou incentivos que seriam oferecidos aos clientes em uma transação em que os créditos de prêmio não seriam concedidos em uma venda inicial; e – quaisquer perdas de direito dos clientes esperadas (ex: créditos não resgatados dentro do prazo determinado).

Eventos e transações significativos

IFRIC 13 – Customer Loyalty Programs

Valor justo de créditos de prêmio

Demonstrações financeiras – Exercício de 2010 • 69

IASB Practice Statement Practice Statement sobre os comentários da Administração Em 8 de dezembro de 2010, o IASB emitiu um Practice Statement sobre os comentários da Administração. Esse Practice Statement não é uma IFRS, mas introduz uma estrutura conceitual não obrigatória para a apresentação dos comentários da Administração que acompanham demonstrações financeiras preparadas de acordo com as IFRSs. Embora esse Practice Statement tenha sido desenvolvido para entidades públicas (companhias abertas), também pode ser aplicado para outras entidades que preparam demonstrações financeiras de acordo com as IFRSs que incluem os comentários da Administração. Esse Practice Statement determina princípios, características qualitativas e elementos que são necessários para fornecer aos usuários das demonstrações financeiras informações úteis para a tomada de decisões. Os comentários da Administração devem fornecer a visão da Administração sobre o desempenho, posição e desenvolvimento da entidade de uma forma que suplementa e complementa as informações apresentadas nas demonstrações financeiras. A forma e o conteúdo dos comentários da Administração devem ser claros e diretos, refletindo a natureza do negócio, as estratégias utilizadas e o ambiente legal e regulatório no qual a entidade opera. Eles devem focar as informações mais importantes e devem evitar informações genéricas que não se relacionam com a prática ou circunstâncias da entidade ou que duplicam divulgações efetuadas nas demonstrações financeiras. O Practice Statement pode ser adotado nos comentários da Administração de forma prospectiva a partir de 8 de dezembro de 2010.

IASB Exposure Drafts – ED Exposure Draft sobre a contabilização de arrendamentos (leases) Em 17 de agosto de 2010, o IASB e o FASB publicaram um ED conjunto sobre a contabilização de arrendamentos. As propostas irão afetar significativamente a contabilização dos contratos de arrendamento, tanto para os arrendatários quanto para os arrendadores. Os arrendatários reconheceriam ativos e passivos para todos os arrendamentos – arrendamentos operacionais e as classificações de arrendamento que constam no modelo de contabilização atual da IAS 17 seriam eliminados. Para os arrendamentos que são atualmente classificados como operacionais, seriam registrados pelos arrendatários como um ativo representado pelo direito de uso do item e um passivo financeiro de mesmo valor pela obrigação do pagamento das contra prestações, desta forma a despesa de aluguel seria substituída por despesa de amortização do ativo e despesa de juros pela atualização do passivo financeiro. Estimativas de aluguéis contingentes, de garantia de valor residual e multas para opções de prazo seriam reconhecidas como parte do passivo de arrendamento utilizando uma abordagem do resultado. Aluguéis durante os períodos de renovação seriam incluídos como parte do passivo de arrendamento com base no maior prazo possível que é “mais provável do que não” de ocorrer. A reavaliação das estimativas dos pagamentos de arrendamento e períodos de renovação seria requerida se fatos e circunstâncias indicarem que seriam uma mudança significativa. Os arrendadores aplicariam um entre dois modelos: a abordagem de obrigação de desempenho ou uma abordagem de baixa, dependendo se o controle e todos, exceto um valor trivial, os riscos e benefícios do ativo subjacente são transferidos para o arrendatário. Divulgações mais extensas serão requeridas, tanto para arrendatários quanto para arrendadores. São esperadas também consequências significativas nos impostos diferidos associadas com a adoção das propostas.

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As regras de transição propostas requerem aplicação retrospectiva para arrendamentos existentes e, portanto, ajustes nos períodos comparativamente apresentados. O período de comentários foi encerrado em 15 de dezembro de 2010, sendo esperado que a norma final seja publicada em junho de 2011. O ED não especifica uma data de adoção obrigatória. Arrendatários e arrendadores devem iniciar a avaliação de como as propostas afetariam suas demonstrações financeiras, a estruturação de operações futuras envolvendo contratos de arrendamentos, os índices e as métricas utilizados, cláusulas restritivas em contratos de empréstimos e financiamentos, políticas contábeis e sistemas de informação. Exposure Draft sobre reconhecimento de receita Em 24 de junho de 2010, o IASB e o FASB publicaram um ED conjunto sobre receitas de contratos com clientes. Esse ED é o próximo passo no desenvolvimento de uma norma inteiramente nova sobre reconhecimento de receita. O objetivo é desenvolver uma norma sobre reconhecimento de receita que seja geral, completa e baseada em princípios, que possa ser aplicada consistentemente para transações complexas em uma gama variada de indústrias e atividades. Similar às orientações atuais das IFRSs, o ED propõe um modelo baseado em contratos com clientes, com o reconhecimento da receita quando os produtos e/ ou serviços são transferidos para o cliente (ou seja, quando o cliente obtém o controle dos produtos ou serviços). O ED apresenta os seguintes indicadores para determinação se o controle foi transferido para o cliente, mas enfatiza que nenhum deles é individualmente determinante e que alguns nem sempre serão relevantes: • O cliente tem uma obrigação incondicional de pagar; • O cliente possui a propriedade legal; • O cliente possui a posse física; e • O desenho ou a função do produto ou serviço é específico para o cliente.

É esperada alteração na época do reconhecimento de receita para muitas entidades em diversas indústrias e atividades. Especificamente, algumas entidades que aplicam o método do “estágio de conclusão” (percentage of completion – POC) podem ser requeridas a reconhecer a receita quando o produto é entregue ao cliente. Por outro lado, entidades que atualmente diferem o reconhecimento da receita, pois existem incertezas significativas sobre a capacidade de pagamento do cliente, poderão provavelmente reconhecer a receita antes e por um valor diferente. Outras modificações esperadas são: (a) a forma de alocação do preço da transação aos elementos em acordos de múltiplos elementos; (b) uma perda pode ter de ser reconhecida no início do contrato para elementos específicos, mesmo que no total o contrato seja lucrativo; (c) entidades que oferecem garantia serão requeridas a diferir parte da receita no início do contrato; e (d) divulgações mais extensas serão requeridas. As entidades devem avaliar como as propostas afetariam suas demonstrações financeiras, a estruturação de contratos com os clientes, os índices e métricas utilizados, cláusulas restritivas em contratos de empréstimos e financiamentos, políticas contábeis e sistemas de informação. O período de comentários foi encerrado em 22 de outubro de 2010, sendo esperado que a norma final seja publicada em junho de 2011. O ED não especifica uma data de adoção obrigatória, mas requer aplicação retrospectiva.

Demonstrações financeiras – Exercício de 2010 • 71

Exposure Draft sobre participações em empreendimentos em conjunto (joint ventures) Em 13 de setembro de 2007, o IASB publicou ED propondo a substituição da IAS 31 Interests In Joint Ventures por uma nova norma a ser denominada “Joint Arrangements”. O IASB limitou a abrangência desse projeto para a eliminação da opção de utilizar o método da consolidação proporcional no reconhecimento da participação em entidade controlada em conjunto e para a consideração da definição de um acordo em conjunto ( “joint arrangement”) e das diferenças entre uma entidade sujeita a controle comum (“joint venture entity”) e as participações diretas em ativos e passivos de um acordo em conjunto.

Espera-se que a norma final seja publicada no final de janeiro de 2011. Ao editar o pronunciamento CPC 19 – Investimento em Empreendimento Controlado em Conjunto (Joint Venture), o Comitê de Pronunciamentos Contábeis eliminou a alternativa de apresentação pelo método de equivalência patrimonial dos investimentos em empreendimentos em conjunto. A publicação dessa nova norma pelo IASB poderá exigir modificação no CPC 19. Outros projetos do IASB A tabela a seguir resume alguns dos principais projetos do IASB que estão em discussão. A expectativa é que eles sejam concluídos durante o primeiro semestre de 2011.

Projeto Consolidação

Resumo
O IASB está desenvolvendo um único modelo de consolidação aplicável para todas as entidades que será baseado no conceito de controle e que melhora as divulgações sobre as entidades que são e que não são consolidadas. Espera-se que a norma final seja publicada no final de janeiro de 2011. É esperada também para 2011 a publicação de um ED separado sobre companhias de investimento, como parte do projeto abrangente de consolidação, que deve abordar a se os investimentos mantidos por companhias de investimentos devem ser mensurados pelo seu valor justo ao invés de serem consolidados. O IASB está desenvolvendo um único guia para todas as mensurações pelo valor justo, para clarificar a sua definição, melhorar as divulgações, e aumentar a convergência para os US GAAP. O projeto aborda como mensurar pelo valor justo, mas não quando. Espera-se que a norma final seja publicada no primeiro trimestre de 2011. O projeto do IASB para instrumentos financeiros irá substituir a IAS 39 e está sendo abordado em fases: classificação e mensuração, redução ao valor recuperável (impairment), contabilização de coberturas (hedge accounting), e compensação de ativos e passivos financeiros. Um ED sobre contabilização de coberturas (hedge accounting) foi publicado em dezembro de 2010 e EDs sobre redução ao valor recuperável (impairment) e compensação de ativos e passivos financeiros devem ser publicados em janeiro de 2011. Espera-se que todas as fases sejam concluídas em junho de 2011. Um ED sobre contratos de seguros foi publicado propondo uma única norma que todas as entidades seguradoras, em todas as jurisdições, podem aplicar consistentemente para todos os tipos de contrato. Esse é um dos projetos prioritários do IASB e espera-se que a norma final seja publicada em junho de 2011. O IASB está desenvolvendo uma nova norma para substituir a IAS 37, que aborda os passivos de prazo ou valor incertos que não estão no alcance de outra norma. Um ED deve ser publicado no segundo semestre de 2011. Foi publicado um ED propondo a eliminação da opção de diferir o reconhecimento de determinados ganhos e perdas atuariais (“método do corredor”). Também são propostas modificações na mensuração e desagregação dos diversos componentes das despesas de benefícios. A conclusão dessas modificações é planejada para o primeiro trimestre de 2011.

Mensuração pelo valor justo

Instrumentos financeiros

Contratos de seguro Passivos (IAS 37) Benefícios pós-emprego

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Princípios contábeis norte-americanos

Financial Accounting Standards Board – FASB
Contingências

Comentários na proposta ASU foram recebidos até setembro de 2010. Para companhias abertas, as alterações propostas seriam efetivas para exercícios encerrados após 15 de dezembro de 2010, e períodos intermediários e períodos anuais nos exercícios subsequentes. Para companhias fechadas, a proposta seria efetiva para o primeiro exercício iniciado após 15 de dezembro de 2010, e para períodos intermediários em exercícios após o primeiro exercício anual.

FASB Adia a Data Efetiva para Divulgações sobre Perdas Contingentes Essa norma afeta todas as entidades. Em 27 de outubro de 2010, o FASB esclareceu que a proposta de divulgações para determinadas perdas contingentes não será efetiva para as demonstrações financeiras referentes ao exercício de 2010, conforme originalmente proposto. O Board discutirá e revisará a data efetiva durante as próximas deliberações relacionadas ao projeto. FASB Propõe Orientação para Expansão de Divulgações sobre Determinadas Perdas Contingentes Essa norma afeta todas as entidades. Em 20 de julho de 2010, o FASB emitiu proposta de ASU para: (1) expandir o escopo de perdas contingentes sujeitas a divulgações para incluir determinadas contingências classificadas como perdas remotas; (2) aumentar as divulgações quantitativas e qualitativas sobre a “natureza, magnitude potencial, e momento potencial (se conhecido)” de perdas contingentes; e (3) para companhias abertas, requerer uma reconciliação das movimentações dos valores reconhecidos como perdas contingentes.

Valores a Receber

FASB Emite Proposta de ASU sobre Contabilização de Reestruturações de Dívidas do Tipo Troubled Debt Restructurings pelos Credores Essa norma afeta todas as entidades. O FASB emitiu uma proposta de ASU para esclarecer quando uma modificação de dívida deve ser considerada como troubled debt restructuring. A proposta não é uma resposta direta ao problema que tem dominado a imprensa de negócios nos últimos tempos. No entanto, alterações nas condições dos empréstimos ou reestruturação de dívidas podem ter consequências contábeis relevantes caso sejam consideradas como troubled debt restructurings.

Demonstrações financeiras – Exercício de 2010 • 73

O ASU proposto seria efetivo para períodos intermediários e anuais encerrados após 15 de junho de 2011. A aplicação retrospectiva seria requerida para certas divulgações. Comentários foram recebidos até 13 de dezembro de 2010. FASB Aprimora Divulgações sobre Qualidade de Créditos de Recebíveis e Registro de Perdas com Créditos Essa norma afeta todas as entidades. Em 21 de julho de 2010, o FASB emitiu o ASU 2.010–20, que altera o ASC 310, exigindo divulgações mais robustas e detalhadas sobre a qualidade de crédito de recebíveis e a respectiva provisão para perdas com créditos. O objetivo de reforçar essas divulgações é melhorar a compreensão dos usuários das demonstrações financeiras sobre: (1) a natureza do risco de crédito associado com os recebíveis, e (2) a avaliação da Administração da entidade sobre esses riscos quando da elaboração das estimativas das perdas e as razões para as alterações em tais estimativas. Para as companhias abertas, as divulgações alteradas e adicionadas relacionadas a informações do fechamento de um período de reporte serão efetivas para períodos encerrados em ou após 15 de dezembro de 2010. No entanto, as divulgações que incluem informações para as atividades que ocorrem durante um período de referência serão efetivas para o primeiro período intermediário ou anual com início após 15 de dezembro de 2010. Essas informações incluem: (1) a movimentação da provisão para perdas com créditos para cada período, e (2) as divulgações sobre as modificações dos valores a receber.

715–80, para aumentar significativamente o nível de divulgações quantitativas e qualitativas que um empregador seria requerido a fazer sobre sua participação em planos multipatrocinados, incluindo os efeitos em sua demonstração dos fluxos de caixa. Os requerimentos de divulgação entrariam em vigor nos exercícios encerrados a partir de 15 de dezembro de 2010, exceto para companhias fechadas, cujos requerimentos entrariam em vigor nos exercícios encerrados a partir de 15 de dezembro de 2011. Divulgações comparativas seriam requeridas apenas prospectivamente. Comentários no proposed ASU foram aceitos até 1º de novembro de 2010.

Problemas com Moedas Estrangeiras

EITF Suspende Discussões sobre a Contabilização de Múltiplas Taxas de Câmbio de Moedas Estrangeiras (Issue 10–B) Este tópico afeta entidades com subsidiárias estrangeiras em países que possuem múltiplas taxas de câmbio. Na reunião de setembro de 2010, o Task Force decidiu postergar qualquer deliberação adicional sobre se seria apropriado usar diferentes taxas de câmbio para: (1) remensuração de uma transação em moeda estrangeira, e (2) tradução de uma demonstração financeira de subsidiária estrangeira. No alcance dessa conclusão, o Task Force notou que essa discussão foi iniciada no contexto da Venezuela e antes de a economia da Venezuela ser considerada hiperinflacionária. Considerando que este contexto não é mais atualmente aplicável, as deliberações sobre essa discussão foram suspensas. Implicações sobre a Contabilização de Variação Cambial de Moedas Estrangeiras Decorrentes de Recentes Ações do Governo na Venezuela Este tópico afeta entidades com operações na Venezuela. Ações recentes tomadas pelo governo da Venezuela para centralizar a compra e venda de

Benefícios pós-emprego

FASB Propõe Divulgações sobre a Participação do Empregador em Planos Multipatrocinados Este tópico afeta entidades não governamentais que participam em planos multipatrocinados. Em 1º de setembro de 2010, o FASB emitiu um proposed ASU, com o objetivo de melhorar a transparência através de uma alteração no ASC
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moedas estrangeiras no país poderiam resultar em implicações contábeis. Novos regulamentos podem afetar as taxas que as entidades podem usar para transações de conversão de moedas estrangeiras na Venezuela. Potenciais preocupações contábeis incluem implicações em remensuração, consolidação e desconsolidação, classificação no balanço patrimonial, e a necessidade para as entidades afetadas de fornecer divulgações adicionais. FASB Emite ASU para Problemas com Moedas Estrangeiras Este tópico afeta entidades com operações na Venezuela. Em 11 de maio de 2010, o FASB emitiu ASU 2010–19, que codifica o anúncio feito pelo staff da SEC em 18 de março de 2010, denominado EITF meeting. O ASU fornece a visão do staff da SEC sobre certos problemas de moedas estrangeiras relacionados a investimentos na Venezuela. Esse problema está relacionado à qualificação da Venezuela como economia hiperinflacionária. O ASU entrou em vigor em 18 de março de 2010.

Na reunião do Board em 29 de setembro de 2010, o FASB ratificou a decisão do exposure. A decisão do exposure será publicada para comentários.

Arrendamentos Mercantis

FASB e IASB Emitem Proposta de Orientação sobre Contabilização de Arrendamentos Este tópico afeta todas as entidades. Em 17 de agosto de 2010, o FASB e o IASB emitiram um exposure draft – ED sobre a contabilização de arrendamentos mercantis. O ED, emitido pelo FASB como uma proposta de ASU, define uma nova forma de registro, tanto para contabilidade dos arrendatários quanto para a dos arrendadores, além de eliminar o conceito de arrendamento operacional. O ASU proposto, se finalizado, permitirá a convergência das normas contábeis do FASB e do IASB, nas áreas mais significativas, referente aos contratos de arrendamento. Não há uma data efetiva para que o ASU proposto entre em vigor. Ambos os Comitês planejam definir a data efetiva de entrada em vigor somente após revisarem os comentários ao ED e após considerar todos os outros projetos conjuntos que deverão ser finalizados no próximo ano. Comentários sobre o ASU proposto devem ser apresentados até 15 de dezembro de 2010.

Intangíveis – Ágio e Outros

FASB Ratifica a Decisão do Exposure em Como o Valor Contábil de Uma Unidade de Reporte Poderia Ser Calculado na Realização do Passo 1 do Teste de Impairment do Ágio (Issue 10–A) Este tópico afeta entidades que avaliam o impairment do ágio através do ASC 350–20. Na reunião de setembro de 2010, o Task Force concluiu no exposure que: (1) uma entidade deveria usar uma premissa de patrimônio quando realizasse o Passo 1 do teste de impairment do ágio, e (2) se uma unidade de reporte tem saldo contábil negativo ou zero, a entidade deve acessar, em bases de fatores qualitativos, tais como aqueles listados no ASC 350–20–35–30 (esses fatores não são exaustivos), se é mais provável que não que um impairment do ágio existe (exemplo: se é mais provável que não que um impairment do ágio existe, o Passo 2 deve ser realizado).

Resultado Abrangente

FASB Emite Proposta de Orientação sobre a Apresentação de Resultados Abrangentes (Comprehensive Income) Este tópico afeta as entidades que reportam itens de resultado abrangente. Em 26 de maio de 2010, o FASB submeteu à audiência pública uma proposta de ASU que irá alterar o ASC 220 (Statement 130), exigindo que todos os componentes do resultado abrangente sejam divulgados em uma demonstração única. O ASU
Demonstrações financeiras – Exercício de 2010 • 75

proposto será aplicável para todas as entidades que elaboram um conjunto completo de demonstrações financeiras, o qual contempla o balanço patrimonial, os resultados operacionais e os fluxos de caixa. Além disso, as companhias de investimento (investment companies), os planos de pensão de benefício definido e outros planos de benefícios aos empregados que estão isentos da obrigatoriedade de elaborar a demonstração dos fluxos de caixa estariam dentro do escopo dessa nova orientação. De acordo com o ASU proposto, a entidade deveria: 1. Informar o resultado abrangente e seus componentes em uma demonstração única (deve ser exibida de forma destacada, assim como os outros conjuntos completos de demonstrações financeiras), dividido em duas sessões: (a) lucro líquido, e (b) outros resultados abrangentes. 2. Mostrar um total para cada sessão do lucro líquido e dos outros resultados abrangentes. 3. Mostrar cada componente do lucro líquido e de outros resultados abrangentes nas demonstrações financeiras. Em 27 de maio de 2010, o IASB também emitiu um ED sobre a apresentação de outros resultados abrangentes que irá alterar a IAS 1. As propostas do ED do IASB são praticamente as mesmas que as disposições do ASU proposto pelo FASB. Comentários sobre o ASU proposto foram apresentados até 30 de setembro de 2010. O Comitê pretende emitir o ASU final no primeiro semestre de 2011. O FASB planeja alinhar a data efetiva desse ASU com o ASU proposto referente a instrumentos financeiros (este também emitido em 26 de maio de 2010).

reconhecimento de receita. O ED, publicado pelo FASB como uma proposta de ASU, fornece às entidades um único modelo abrangente para ser utilizado na divulgação de informações financeiras a respeito de valores e do momento para reconhecimento de receitas provenientes de contratos de fornecimentos de produtos ou serviços a clientes. A essência da proposta do ASU é que uma entidade deve “reconhecer receita que represente a transferência de produtos ou serviços para os clientes em valores que reflitam os montantes que a entidade recebe, ou espera receber, pela troca daqueles produtos e serviços”. No contexto do ASU proposto, uma entidade deveria: • Identificar o(s) contrato(s) com um cliente; • Identificar as diferentes obrigações a serem cumpridas em um contrato; • Determinar o preço da transação; • Alocar o preço da transação para as diferentes obrigações a serem cumpridas; e • Reconhecer receita quando a entidade satisfaz cada obrigação a ser cumprida. Comentários sobre o ED foram recebidos até 22 de outubro de 2010. O objetivo do FASB é emitir o pronunciamento final no segundo trimestre de 2011. Atualmente o ED não tem data efetiva. FASB Emite ASU sobre o Método de Eventos Importantes (Milestone) no Reconhecimento de Receita Este tópico afeta entidades que possuem contratos de pesquisa ou desenvolvimento envolvendo entregáveis (deliverables) ou unidades contábeis (units of accounting) para as quais o vendedor satisfaz suas obrigações ao longo do tempo, e todo ou parte do valor do contrato é contingente a algum evento importante. Em 29 de abril de 2010, o FASB emitiu o ASU 2010–17, o qual estabelece um modelo de reconhecimento de receitas para o valor contingente, o qual é devido apenas quando algum evento futuro incerto, referido como eventos importantes, é completado. O escopo do ASU é limitado a contratos de pesquisa ou desenvolvimento e requer que uma entidade

Reconhecimento de Receitas

FASB Emite Proposta de ASU sobre Reconhecimento de Receitas Este tópico afeta todas as entidades. Em 24 de junho de 2010, o FASB, em conjunto com o IASB, emitiu um exposure draft – ED sobre
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reconheça o pagamento referente ao evento importante, na sua totalidade, no período recebido, se o evento importante atender a todos os critérios necessários para ser considerado substantivo. No entanto, entidades não estariam impedidas de fazer seleção de política contábil para aplicar outra política contábil apropriada que resulte no diferimento de parte do valor de contrato. O ASU é efetivo para exercícios (e para os períodos interinos daqueles exercícios) iniciados em ou depois de 15 de junho de 2010. Aplicação antecipada é permitida. Entidades poderão aplicar essa orientação prospectivamente para eventos importantes completados depois da adoção. No entanto, aplicação retroativa para todos os períodos também é permitida. FASB Sanciona Minuta de Exposição sobre Método de Evento Importante (Milestone) no Reconhecimento de Receita (Issue 08-9) Este tópico afeta entidades que celebram contratos de pesquisa ou desenvolvimento envolvendo entregáveis (deliverables) ou unidades contábeis (units of accounting) para as quais o vendedor satisfaz suas obrigações ao longo do tempo e toda ou uma parte do valor do contrato é contingente a algum evento importante. O objetivo desta edição é estabelecer um modelo de reconhecimento de receitas para o valor contingente, o qual é devido apenas quando algum evento futuro incerto, referido como evento importante, é completado. Mais especificamente, um evento importante é definido como um evento que resulta em consideração adicional, cuja realização no início do contrato é substancialmente incerta, e cuja realização é baseada ou decorre da performance do vendedor. Em algumas situações, o valor total do contrato, o qual é contingente à realização de evento importante, é reconhecido como receita no período em que a incerteza (contingência) é completada. Esse modelo contábil é referido como Método de Evento Importante.

Na reunião de março de 2010 da Emerging Issues Task Force – EITF, o grupo de trabalho chegou ao consenso final para: (1) limitar o escopo dessa orientação a contratos de pesquisa ou desenvolvimento, e (2) requerer que essa orientação seja atendida por uma entidade, para que esta possa aplicar o método de evento importante (reconhecer pagamento referente ao evento importante, na sua totalidade, no período recebido). No entanto, o grupo de trabalho esclareceu que, mesmo se os requerimentos dessa edição sejam atendidos, entidades não estariam impedidas de fazer seleção de política contábil para aplicar outra política contábil apropriada que resulte no diferimento de parte do valor de contrato. O grupo de trabalho também chegou ao consenso de não limitar o escopo dessa orientação a contratos com uma única unidade entregável, como proposto pela minuta de exposição. Consequentemente, essa orientação será aplicável para eventos importantes em contratos com múltiplas unidades entregáveis envolvendo transações de pesquisa ou desenvolvimento. Em reunião de 31 de março de 2010, o FASB ratificou o consenso final do EITF edição 08-9. O consenso final será efetivo para exercícios (e para os períodos interinos daqueles exercícios) iniciados em ou depois de 15 de junho de 2010. Aplicação antecipada é permitida. Entidades poderão aplicar essa orientação prospectivamente para eventos importantes completados depois da adoção. No entanto, aplicação retrospectiva para todos os períodos também é permitida.

Mensuração e Divulgação de Valor Justo

FASB Propõe Guidance sobre Mensuração e Divulgação de Valor Justo Este tópico afeta todas as empresas. Em 29 de junho de 2010, o FASB emitiu uma proposta de ASU sobre mensuração e divulgação de valor justo, resultado do projeto conjunto do FASB e IASB para desenvolver um framework único sobre valor justo. De acordo com a proposta, os requerimentos de
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mensuração e divulgação de valor justo do US GAAP serão praticamente idênticos aos da IFRS. A proposta de ASU traria alterações na forma de aplicação do ASC 820 sobre a mensuração do valor justo. Por exemplo, a referida proposta: 1. Esclarece a aplicação dos conceitos de highest-andbest-use e valuation-premise. 2. Permite o tratamento excepcional da aplicação dos princípios de mensuração de valor justo em transações nas quais o ativo financeiro e o passivo financeiro possuem posições compensatórias (offsetting positions) quanto aos riscos de mercado ou riscos de crédito da contraparte quando eles são gerenciados através da exposição líquida aos riscos mencionados. 3. Inclui orientação sobre a mensuração de valor justo dos instrumentos classificados no patrimônio líquido. 4. Elimina o uso de fatores de bloqueio (blockage factors) em todos os níveis da hierarquia de valor justo. A proposta também requer, para todas as mensurações recorrentes a valor justo de Nível 3, a divulgação de análise de sensibilidade da incerteza relacionada aos inputs não observáveis, a menos que outro pronunciamento (que não o ASC 820) permita a exclusão de tal divulgação. Adicionalmente, em 29 de junho de 2010, o IASB publicou um exposure draft – ED que corresponde a uma reexposição limitada do ED de maio de 2009 sobre mensuração a valor justo. Esse novo ED sobre a proposta de divulgação da mensuração da incerteza é idêntico ao ASU proposto pelo FASB. Comentários à proposta de ASU foram aceitos até 7 de setembro de 2010. O FASB e IASB deliberarão conjuntamente sobre o assunto. O objetivo do FASB é emitir o ASU definitivo no primeiro trimestre de 2011. Considerações sobre Reportes Financeiros Relacionados à Implementação dos Requerimentos de Mensuração e Divulgação de Valor Justo Requeridos pelo ASU 2010-06 Este tópico afeta todas as empresas.
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Recentemente, surgiram diversos questionamentos sobre a implementação do ASU 2010-06, que alterou o ASC 820 (anteriormente denominado Statement 157). O ASU foi emitido em janeiro de 2010 em resposta aos pedidos dos usuários das demonstrações financeiras de informações adicionais sobre as mensurações a valor justo. Algumas determinações do ASU 2010-06 tornaram-se efetivas para os períodos interinos encerrados em 31 de março de 2010, para empresas que possuíam requerimentos de reportes trimestrais. O ASU determina que: • Uma reporting entity está requerida a divulgar separadamente os montantes e as razões das transferências significativas: (1) entre o Nível 1 e Nível 2 da hierarquia de valor justo, e (2) entradas e saídas do Nível 3 da hierarquia de valor justo. • Uma reporting entity não é mais permitida a adotar a prática de registrar as entradas no Nível 3 no início do período de reporte e as saídas do Nível 3 no final do período de reporte. Ao contrário, a reporting entity tem de divulgar, e seguir uma política consistente, para determinação de quando as entradas e saídas devem ser registradas. • O nível de desagregação de divulgação para contratos de derivativos sujeitos ao ASC 820, alterado pelo ASU 2010-06, pode diferir daquelas divulgações determinadas pelo ASC 815 (anteriormente denominado Statement 133). • A reporting entity não é requerida a divulgar informações quantitativas sobre as premissas (inputs). FASB Emitiu ASU para Aprimorar as Divulgações sobre Mensuração de Valor Justo Este tópico afeta todas as empresas. Em 21 de janeiro de 2010, o FASB emitiu ASU 2010-06, que alterou o ASC 820, para adicionar novos requerimentos de divulgação sobre transferências, entradas e saídas dos Níveis 1 e 2 e divulgações em separado sobre compras, vendas, emissões e liquidações relacionadas a mensurações de Nível 3. O ASU também esclareceu questões de divulgação sobre o nível de desagregação e premissas e técnicas de valorização utilizadas na mensuração de valor justo. Adicionalmente, o ASU alterou a

orientação sobre as divulgações de plan assets dos planos de benefícios pós-emprego dos patrocinadores sujeitos ao ASC 715, para requerer que as divulgações fossem realizadas por classes de ativos em vez de principais categorias de ativos. Entretanto, ao contrário do ASU proposto, o ASU final não incluiu o requerimento para a divulgação de análise de sensibilidade. O FASB considerará em conjunto com o IASB a divulgação de análises de sensibilidade como parte do novo projeto de convergência de mensuração e divulgação de valor justo. O ASU é efetivo para o primeiro período de reporte (incluindo os períodos interinos) iniciados após 15 de dezembro de 2009, exceto para o requerimento de divulgar separadamente (on a gross basis) as atividades de compras, vendas, emissões e liquidações do Nível 3, que serão efetivas para exercícios iniciados após 15 de dezembro de 2010, e para períodos interinos incluídos nesses exercícios. A adoção antecipada é permitida.

mensurados ao custo amortizado de acordo com US GAAP, como, por exemplo, instrumentos mantidos até o vencimento (ou HTM), investimentos em instrumentos de dívida e determinados passivos financeiros, seriam mensurados a valor justo no balanço patrimonial. As mensurações a valor justo também seriam aplicáveis a investimentos em instrumentos patrimoniais, como ações ou cotas de empresas que não são negociadas no mercado e que atualmente são objeto de mensuração com base no custo histórico e alguns dos investimentos que atualmente são mensurados de acordo com o método de equivalência patrimonial. Comentários a essa proposta foram recebidos até 30 de setembro de 2010. Ainda não há previsão para a data de entrada em vigor da proposta. O FASB decidirá a data de entrada em conjunto com a avaliação dos comentários recebidos à proposta. FASB Emite Orientação sobre ASC 815 – Exceção ao Escopo para Derivativos Embutidos Relacionados a Crédito Aplicável a todas as entidades. Em 5 de março de 2010, o FASB emitiu a atualização ASU 2010-11, que endereça a aplicação da exceção ao escopo da norma que trata de derivativos embutidos, ASC 815-15-15-8 e 15-9 (anteriormente referida como parágrafo 14B do Statement 133). Essa alteração afeta primordialmente as entidades que possuem ou emitem instrumentos financeiros que contêm derivativos embutidos relacionados a risco de crédito (incluindo entidades que consolidam entidades de interesse variável que emitem instrumentos financeiros que contêm derivativos embutidos relacionados a risco de crédito), mas as alterações podem impactar a contabilização de vários tipos de investimentos. No entanto, outras entidades que não tenham derivativos relacionados a risco de crédito também podem se beneficiar das medidas de transição previstas no ASU. Essas medidas de transição permitem que as entidades apliquem em caráter excepcional a opção de mensurar os investimentos em ativos decorrentes de secutirização de acordo com o valor justo, independentemente se esses ativos contêm derivativos embutidos.
Demonstrações financeiras – Exercício de 2010 • 79

Instrumentos Financeiros

FASB Emite Proposta de ASU sobre a Contabilização de Instrumentos Financeiros Aplicável a todas as entidades que possuem instrumentos financeiros. Em 26 de maio de 2010, o FASB submeteu à audiência pública uma proposta de ASU da contabilização de instrumentos financeiros. Essa alteração propõe um novo modelo para a contabilização de ativos e passivos financeiros e endereça: (1) reconhecimento e mensuração, (2) impairment, e (3) contabilização de hedge. A proposta altera significativamente a contabilização de vários instrumentos financeiros, incluindo investimentos em instrumentos patrimoniais e de dívida, investimentos em ações que não sejam negociadas no mercado, empréstimos, compromissos relacionados a empréstimos, cauções, contas a pagar, contas a receber, derivativos e outras dívidas. Adicionalmente, essa proposta expande o uso das mensurações a valor justo nas demonstrações financeiras. Instrumentos que são atualmente

Essa alteração é efetiva para 1º de julho de 2010. Adoção antecipada é permitida para qualquer trimestre iniciado após 5 de março de 2010.
Pagamentos Baseados em Ações

Consolidações

FASB Emite um ASU Relacionado aos Efeitos Decorrentes de o Preço de Exercício de Um Plano de Remuneração em Ações Ser Determinado na Moeda em que as Ações São Negociadas Afeta todas as entidades que possuem planos de opções em ações com preços de exercício em moedas que são diferentes da moeda funcional da entidade e da moeda utilizada no pagamento dos funcionários. Em 16 de abril de 2010, o FASB emitiu a atualização ASU 2010-13, que modifica o ASC 718. De acordo com a redação atual do ASC 718, se um plano de pagamento baseado em ações for indexado a um fator diferente das ações da entidade, esse fator precisa ser uma condição de aquisição (mercado, desempenho ou serviço); caso contrário, esse instrumento não deve ser classificado como um instrumento patrimonial, mas como um passivo. No entanto, a norma atual provê duas exceções à classificação como passivo, a primeira quando o preço de exercício é denominado na moeda funcional de uma subsidiária e a segunda é quando o preço de exercício é denominado na moeda em que os funcionários são pagos. Essa atualização visa esclarecer que para os planos de remuneração em ações, em que o preço de exercício é determinado na moeda do mercado em que uma parcela substancial dos instrumentos da entidade for negociada, esse fator também representa uma exceção à necessidade de ser uma condição de aquisição. Portanto, uma entidade não deve classificar esse plano como um passivo se esse instrumento se qualifica para ser classificado como um instrumento patrimonial. Essa alteração é efetiva para trimestres ou exercícios iniciados em ou após 15 de dezembro de 2010 e será aplicada prospectivamente.

FASB Emite ASU com o Objetivo de Adiar Statement 167 para Alguns Tipos de Fundo de Investimentos Este tópico afeta investimentos em fundos mútuos, fundos money market, fundos hedge, private equities e fundos venture capital. Em 25 de fevereiro de 2010, o FASB emitiu o ASU 2010-10, que altera certos requerimentos do Statement 167 (codificado como ASC 810-10). O ASU adia a aplicação do Statement 167 para investimentos detidos pela companhia para reportar em determinadas entidades desde que todas as condições abaixo sejam atendidas: • A entidade possui todos os atributos detalhados no ASC 946-10, parágrafos 15-2 (a)-(d), ou faz parte de uma indústria cuja prática é consistente com os princípios de mensuração do ASC 946 (incluindo o reconhecimento de variações de valor justo correntemente na demonstração do resultado) para a elaboração dos relatórios financeiros, • A companhia a reportar não possui uma obrigação explícita ou implícita de financiar perdas da entidade que poderiam ser potencialmente significativas a essa entidade. Essa condição deve ser avaliada considerando a estrutura legal do investimento detido pela companhia, o desenho e o propósito da entidade, e qualquer garantia oferecida por partes relacionadas à companhia, e • A entidade não é uma entidade securitizadora, uma entidade de financiamentos com lastros em ativos, ou uma entidade que foi anteriormente considerada uma qualified special-purpose entity. Em adição, a aplicação do Statement 167 está adiada para investimentos de uma companhia em entidades que são requeridas a cumprir ou a operar de acordo com os requerimentos similares àqueles incluídos na Regra 2a-7 do Investment Company Act de 1940, aplicável a fundos de money market registrados.

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O ASU endereça preocupações de que o modelo de consolidação em desenvolvimento conjunto pelo FASB e IASB possa resultar em uma conclusão diferente em relação a consolidações para gestores de ativos e que gestores de ativos consolidando determinados tipos de fundos não proveriam informações úteis aos investidores. O ASU também edita alguns requerimentos do parágrafo B22 do FIN 46 (R), alterado pelo Statement 167, para alterar como o tomador de decisões ou o provedor de serviços determina se sua taxa (fee) é um interesse variável. O ASU é efetivo na abertura do primeiro exercício que se iniciar após 15 de novembro de 2009, e para períodos intermediários contidos no primeiro período anual. Sua aplicação antecipada não é permitida. FASB Emite ASU sobre Entidades de Interesse Variável Este tópico afeta todas as entidades. Em 23 de dezembro de 2009, o FASB emitiu o ASU 2009-17, que codificou o Statement 167 e revisou o FIN 46 (R). As alterações no ASU 2009-17 substituem o cálculo quantitativo baseado nos riscos e benefícios pela determinação de qual companhia, se alguma, possui um interesse financeiro controlador na entidade de interesse variável, através de uma abordagem focada na identificação de qual companhia possui: (1) o poder de direcionar as atividades da entidade de interesse variável que mais significativamente afetam a performance econômica dessa entidade, e (2) a obrigação de absorver perdas, ou o direito de receber benefícios oriundos dessa entidade. O ASU também requer divulgações adicionais sobre o envolvimento da companhia e a entidade de interesse variável, bem como sobre qualquer modificação significativa na exposição a riscos que venha a resultar desse envolvimento. O ASU 2009-17 é efetivo na abertura do primeiro exercício que se iniciar após 15 de novembro de 2009. Sua aplicação antecipada não é permitida.

Lucro por Ação

FASB Emite Orientação sobre a Contabilização de Distribuição a Acionistas com Componentes em Caixa e Ações Este tópico afeta entidades que efetuam distribuições a seus acionistas na forma de ações e caixa. Em 5 de janeiro de 2010, o FASB emitiu o ASU 2010-01, que codificou o consenso obtido no EITF Issue 09-E. O ASU oferece orientação sobre a contabilização de distribuições aos acionistas com componentes de ações e caixa, esclarecendo que no cálculo do lucro por ação a entidade deve considerar a parcela em ações como uma emissão de ações (stock issuance) e não como dividendos pagos em ações (stock dividends), de acordo com o ASC 505 e com o ASC 260. Em outras palavras, a entidade incluirá as ações emitidas ou emissíveis como parte da distribuição no cálculo do lucro por ação básico, de maneira prospectiva. O ASU é efetivo para períodos intermediários e anuais findos em ou após 15 de dezembro de 2009, e deve ser aplicado retrospectivamente para todos os períodos anteriores.

Eventos Subsequentes

FASB Finaliza ASU sobre Eventos Subsequentes Este tópico afeta todas as entidades. Em 24 de fevereiro de 2010, o FASB emitiu o ASU 2010-09, que modifica o ASC 855 para endereçar certas questões de implementação relacionadas aos requerimentos de divulgação dos procedimentos de eventos subsequentes. O ASU: • Adiciona definição do termo SEC filer ao Glossário Master do ASC. Requer: (1) SEC Filers, e (2) conduit debt obligors para conduit debt securities que são negociados em um mercado aberto a “avaliar os eventos subsequentes até a data em que as demonstrações financeiras forem emitidas”. Todas as outras entidades são requeridas a “avaliar os eventos subsequentes até a data em que as demonstrações financeiras estejam disponíveis para serem emitidas”.
Demonstrações financeiras – Exercício de 2010 • 81

Isenta os SEC filers de divulgação de até que data os eventos subsequentes foram avaliados. • Remove a definição de “entidade pública” do Glossário do ASC 855. • Adiciona definição do termo “demonstrações financeiras revisadas” para o Glossário Master do ASC. Para todas as entidades (com exceção dos conduit debt obligors), o ASU é aplicável imediatamente para as demonstrações financeiras que estão: 1) emitidas ou disponíveis para serem emitidas, ou 2) revisadas. Para conduit debt obligors, o ASU é aplicável para os períodos interinos e anuais encerrados após 15 de junho de 2010. Portanto, entidades (com exceção dos conduit debt obligors) que estão atualmente emitindo ou revisando suas demonstrações financeiras devem levar em consideração essa orientação quando da preparação dessas demonstrações financeiras.

divulgação do ASC 932 apenas como resultado da modificação do ASU sobre a definição de atividades significativas de produção de petróleo e gás. Essas entidades podem adotar o ASU para períodos anuais com início em ou após 31 de dezembro de 2009. A adoção antecipada não é permitida.

Assuntos SEC

Alteração do Manual de Reporte Financeiro da SEC (Financial Reporting Manual – FRM) Este tópico afeta os SEC registrants. Em 1° de outubro de 2010, a divisão de Finanças Corporativas da SEC publicou uma atualização para seu FRM. As atualizações principais ocorreram na orientação sobre o Regulamento S-X, a Regra 03-09 (relacionada aos investimentos avaliados pelo método de equivalência patrimonial), a Regra 3-10 (em relação às considerações do Garantidor) e a Regra 3-16 (relacionada às emissões dos SEC registrants de títulos garantidos por títulos de suas afiliadas). As seções atualizadas são aquelas designadas como (Última atualização: 30 de junho de 2010) e, consequentemente, não refletem a Reforma Dodd Frank Wall Street e o Ato de Proteção ao Consumidor. SEC Aconselha Registrants para Melhorar Divulgação sobre Hipoteca e Atividades Relacionadas à Execução de Hipotecas ou Exposições aos Riscos de Execução Este tópico afeta os SEC registrants. Em 29 de outubro de 2010, a divisão de Finanças Corporativas da SEC publicou em seu site a carta Dear CFO sobre a contabilização e divulgação de questões relacionadas com os riscos potenciais e custos associados a hipotecas e a atividades relacionadas à execução de hipotecas ou exposições aos riscos de execução. O propósito da carta, que foi enviada para várias companhias abertas, é lembrar os registrants de suas obrigações de divulgação relacionadas com: (1) MD&A sob o Item 303 do Regulamento S-K, (2) procedimentos legais sob o Item 103 do Regulamento S-K e instruções para os Formulários 10-Q e 10-K, e (3) a orientação do ASC 450-20 sobre contingências com perda provável ou possível.

FASB Atualiza os Requerimentos de Divulgação e Estimativa de Reservas de Petróleo e Gás

Este tópico afeta entidades do setor de petróleo e gás. Em 6 de janeiro de 2010, o FASB emitiu o ASU 2010-03, que alinha a estimativa atual das reservas e dos requerimentos de divulgação do ASC 932 com os requerimentos da SEC Final Rule 33-8995, que foi emitida em dezembro de 2008. Revisões-chave para o ASC 932 incluem: • Expansão das divulgações requeridas para investimentos pelo método de equivalência patrimonial. • Revisão da definição das atividades de produção de petróleo e gás para incluir recursos não tradicionais em reservas. • Modificação da definição de reservas provadas de petróleo e gás para modificar os preços utilizados no cálculo das reservas estimadas. • Fornecer orientações sobre a “área geográfica” no que diz respeito à divulgação de informações sobre reservas significativas. O ASU 2010-03 é aplicável para entidades com períodos anuais de reporte findos em ou após 31 de dezembro de 2009, exceto para as entidades que passaram a estar sujeitas aos requerimentos de
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Índices de mercado

Taxas de Câmbio Dólar x real
2009 Último dia do mês Compra Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro 2,3154 2,3776 2,3144 2,1775 1,9722 1,9508 1,8718 1,8856 1,7773 1,7432 1,7497 1,7404 Venda 2,3162 2,3784 2,3152 2,1783 1,9730 1,9516 1,8726 1,8864 1,7781 1,7440 1,7505 1,7412 Médio 2,307 2,313 2,314 2,206 2,061 1,957 1,933 1,845 1,820 1,738 1,726 1,750 Compra 1,8740 1,8102 1,7802 1,7298 1,8159 1,8007 1,7564 1,7552 1,6934 1,7006 1,7153 1,6654 2010 Último dia do mês Venda 1,8748 1,8110 1,7810 1,7306 1,8167 1,8015 1,7572 1,7560 1,6942 1,7014 1,7161 1,6662 Médio 1,780 1,841 1,786 1,756 1.813 1.806 1,770 1,759 1,719 1,683 1,713 1,694

Euro x real
2009 Último dia do mês Compra Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro 2,96739 3,01990 3,07653 2,88083 2,78770 2,73833 2,67010 2,67770 2,59960 2,56860 2,62477 2,50582 Venda 2,9691 3,02116 3,07828 2,88254 2,78934 2,73985 2,67145 2,67910 2,60107 2,57030 2,62620 2,50732 Médio 3,05488 2,96283 3,02293 2,91479 2,82088 2,74269 2,72227 2,63262 2,65249 2,57554 2,57584 2,55241 Compra 2,60171 2,46531 2,40611 2,30253 2,23500 2,20315 2,29280 2,22489 2,30912 2,36536 2,23520 2,21182 2010 Último dia do mês Venda 2,60297 2,46694 2,40755 2,30394 2,23653 2,20431 2,29420 2,22608 2,31038 2,36664 2,23642 2,21304 Médio 2,54009 2,52010 2,42419 2,35818 2,27290 2,20591 2,26512 2,27002 2,25371 2,33918 2,3336 2,2313

Fonte: Deloitte (a partir de dados públicos)

Demonstrações financeiras – Exercício de 2010 • 83

Índices de Inflação IGP-M – Índice Geral de Preços – Mercado
2009 Valor Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro 409,782 410,849 407,808 407,181 406,885 406,486 404,718 403,253 404,945 405,129 405,548 404,499 Mês (%) -0,44 0,26 -0,74 -0,15 -0,07 -0,10 -0,43 -0,36 0,42 0,05 0,10 -0,26 Ano (%) -0,44 -0,18 -0,92 -1,07 -1,14 -1,24 -1,67 -2,02 -1,61 -1,57 -1,46 -1,72 Últimos 12 meses (%) 8,15 7,86 6,27 5,38 3,64 1,52 -0,67 -0,71 -0,40 -1,31 -1,59 -1,72 Valor 407,049 411,843 415,734 418,917 423,885 427,489 428,150 431,445 436,423 440,829 447,206 450,301 2010 Mês (%) 0,63 1,18 0,94 0,77 1,19 0,85 0,15 0,77 1,15 1,01 1,45 0,69 Ano (%) 0,63 1,82 2,78 3,56 4,79 5,68 5,85 6,66 7,89 8,98 10,56 11,32 Últimos 12 meses (%) -0,67 0,24 1,94 2,88 4,18 5,17 5,79 6,99 7,77 8,81 10,27 11,32

IGP-DI – Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna
2009 Valor Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro 404,244 403,737 400,353 400,530 401,232 399,966 397,393 397,758 398,738 398,575 398,857 398,407 Mês (%) 0,01 -0,13 -0,84 0,04 0,18 -0,32 -0,64 0,09 0,25 -0,04 0,07 -0,11 Ano (%) 0,01 -0,11 -0,95 -0,90 -0,73 -0,04 -1,68 -1,59 -1,35 -1,39 -1,32 -1,43 Últimos 12 meses (%) 8,05 7,50 5,86 4,74 2,99 0,76 -1,00 -0,53 -0,65 -1,76 -1,76 -1,43 Valor 402,425 406,826 409,399 412,341 418,811 420,241 421,154 425,788 430,453 434,882 441,754 (*) 2010 Mês (%) 1,01 1,09 0,63 0,72 1,57 0,34 0,22 1,10 1,10 1,03 1,58 1,11 Ano (%) 1,01 2,11 2,76 3,50 5,12 5,48 5,71 6,87 8,04 9,16 10,88 (*) Últimos 12 meses (%) -0,45 0,77 2,26 2,95 4,38 5,07 5,98 7,05 7,95 9,11 10,75 (*)

Fonte: Deloitte (a partir de dados públicos) (*) Dados públicos não disponíveis até a data de preparação deste material

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IPC-DI/FGV – Índice Geral de Preços – Mercado
2009 Mês (%) Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro 0,83 0,21 0,61 0,47 0,39 0,12 0,34 0,20 0,18 0,01 0,26 0,83 Ano (%) 0,83 1,05 1,66 2,14 2,53 2,65 3,00 3,22 3,39 3,40 3,67 0,83 12 meses (%) 5,92 6,15 6,32 6,05 5,54 4,87 4,67 4,73 5,00 4,55 4,21 5,92 Mês (%) 1,29 0,68 0,86 0,76 0,21 -0,21 -0,21 -0,08 0,46 0,59 1,00 (*) 2010 Ano (%) 1,2900 1,9788 2,8558 3,6375 3,8551 3,6370 3,4194 3,3367 3,8120 4,4245 5,4687 (*) 12 meses (%) 4,4002 4,8899 5,1505 5,4540 5,2650 4,9180 4,3429 4,0513 4,3421 4,9473 5,7219 (*)

INPC/IBGE – Índice de Preços ao Consumidor
2009 Valor Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro 2994,15 3003,43 3009,44 3025,99 3044,15 3056,93 3063,96 3066,41 3071,32 3078,69 3090,08 2994,15 Mês (%) 0,64 0,31 0,20 0,55 0,60 0,42 0,23 0,08 0,16 0,24 0,37 0,64 Ano (%) 0,64 0,95 1,15 1,71 2,32 2,75 2,99 3,07 3,23 3,48 3,86 0,64 12 meses (%) 6,43 6,25 5,92 5,83 5,45 4,94 4,57 4,44 4,45 4,18 4,17 6,43 Valor 3124,76 3146,63 3168,97 3192,10 3205,83 3202,30 3200,00 3197,82 3215,09 3244,67 3278,09 (*) Mês (%) 0,88 0,70 0,71 0,73 0,43 -0,11 -0,07 -0,07 0,54 0,92 1,03 (*) 2010 Ano (%) 0,88 1,59 2,31 3,05 3,50 3,38 3,31 3,24 3,80 4,75 5,83 (*) 12 meses (%) 4,36 4,77 5,30 5,49 5,31 4,76 4,44 4,29 4,68 5,39 6,08 (*)

Fonte: Deloitte (a partir de dados públicos) (*) Dados públicos não disponíveis até a data de preparação deste material

Demonstrações financeiras – Exercício de 2010 • 85

TJLP – Taxa de Juros de Longo Prazo
2008 Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro 6,25 6,25 6,25 6,25 6,25 6,25 6,25 6,25 6,25 6,25 6,25 6,25 TJLP (% ao ano) 2009 2010 6,25 6,25 6,25 6,25 6,25 6,25 6,00 6,00 6,00 6,00 6,00 6,00 6,00 6,00 6,00 6,00 6,00 6,00 6,00 6,00 6,00 6,00 6,00 6,00

SELIC
SELIC mensal (%) 2008 2009 2010 Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro 0,93 0,80 0,84 0,90 0,88 0,96 1,07 1,02 1,10 1,18 1,02 1,12 1,05 0,86 0,97 0,84 0,77 0,76 0,79 0,69 0,69 0,69 0,66 0,73 0,66 0,59 0,76 0,67 0,75 0,79 0,86 0,89 0,85 0,81 0,81 (*)

Fonte: Deloitte (a partir de dados públicos) (*) Dados públicos não disponíveis até a data de preparação deste material

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“Deloitte” refere-se à sociedade limitada estabelecida no Reino Unido “Deloitte Touche Tohmatsu Limited” e sua rede de firmas-membro, cada qual constituindo uma pessoa jurídica independente. Acesse www.deloitte.com/about para uma descrição detalhada da estrutura jurídica da Deloitte Touche Tohmatsu Limited e de suas firmas-membro. © 2011 Deloitte Touche Tohmatsu. Todos os direitos reservados.

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