A CELEBRAÇÃO DOS CICLOS NATURAIS por Jan Duarte Existem inúmeros ritos relacionados com o paganismo, de uma forma

geral, e particularmente com a bruxaria. Muitos deles são bastante pessoais, ou relacionados a tradições específicas mas, de maneira geral, pode-se dizer que toda a ritualística acaba centrando-se na idéia de comemoração dos ciclos naturais. A celebração dos ciclos naturais é certamente uma das formas mais antigas de rito humano. O caráter cíclico da natureza foi reconhecido pela espécie humana há muitos milênios, e a própria sobrevivência da espécie foi relacionada a esses ciclos. Quando dependíamos da caça e da colheita, era vital acompanhar as manadas em seus deslocamentos sazonais, conhecer os momentos propícios para colher os frutos ou armazenar alimento. Depois, com o desenvolvimento da agricultura, o conhecimento desses ciclos passou a ser ainda mais essencial. A idéia de celebrar, de comemorar a passagem dos ciclos naturais, era encarada pelos nossos antepassados como uma verdadeira forma de preservá-los. Na filosofia pagã, o Homem e a Natureza são indissociáveis e, portanto, mutuamente responsáveis pela sua preservação. Celebrar os ciclos, ou os seus vários momentos, era um modo de mostrar à Natureza (e às divindades naturais) a gratidão, de expressar a alegria pelos dons recebidos e, em vários momentos, de devolver à Terra aquilo que por ela era proporcionado. Magicamente, a celebração dos ciclos naturais possuía o caráter retributivo, ou seja: ofertava-se à Natureza o fruto do trabalho, para garantir que este fruto seria sempre colhido. Que o equilíbrio natural se preservaria e o suceder das fases seria contínuo. Cerimônias que reverenciam os ciclos naturais são diversas, e presentes em todas as culturas. Surgem na forma de festivais de plantio e colheita, de festividades de Lua Cheia e de ritos de passagem, que marcam momentos da vida da comunidade e dos seus membros. Mas, seja qual for o caráter específico, a idéia de integração é constante. O indivíduo deve se integrar à comunidade através do rito de passagem, o que garantirá que a última terá sua sobrevivência assegurada pela preservação de seus costumes. E a comunidade se integra à Terra pelo festival sazonal, o que garante a sobrevivência da espécie e da própria Terra. A celebração dos ciclos encerra em si um ciclo. O adulto passa o conhecimento para o jovem, o ancião para o adulto e, no rito final do sepultamento, o conhecimento passa a fazer parte da memória coletiva da tribo, por meio da figura do ancestral. Dentro do neopaganismo, uma das tradições que melhor expressa a idéia do ciclo, mitologicamente, nos foi transmitida pelos povos que habitavam a Europa Ocidental pré-cristã, e está sintetizada na Roda do Ano. Como veremos adiante, embora a Roda do Ano tenha os seus similares em praticamente todo o mundo, foi esse mito em particular que acabou por influenciar toda a ritualística ocidental, ao ser absorvido e sincretizado pela cristandade. A Roda do Ano é basicamente formada por oito celebrações, ou festivais sazonais. Modernamente, esses festivais são chamados de sabás, por influência do trabalho de Gardner e outros, os quais por sua vez se embasaram, na década de 1950, no trabalho de Margaret Murray. Essa, no seu "The Witche's Cult in Western Europe" propôs que os sabás das bruxas, conforme descritos pela Inquisição, eram na realidade os resquícios de uma antiga religião da bruxaria, existente na Europa pré-cristã. Hoje em dia essa teoria é considerada incompleta ou simplesmente errônea, por ter se baseado principalmente em documentos da Inquisição, e assim tomar como verdade fatual confissões obtidas sob tortura. Muitos outros estudos foram feitos, igualmente, que revelaram por Jan Duarte.o real caráter das festividades que constituíam a Roda do Ano, mas o nome "sabá" acabou ganhando notoriedade pra designá-las, por isso continuarei a utilizá-lo, aqui.

tanto a Deusa quanto o Deus são pueris. no dia médio entre os equinócios e solstícios. Estes representam os princípios fundamentais da natureza. A terra concede aos homens seus últimos frutos. distinguir exatamente um início ou um fim. um mito que passaremos a narrar. esses últimos são considerados os Grandes Sabás. segundo o mito. o guerreiro. com a proximidade do verão. aproximadamente. da estação infrutífera. e o casamento entre os dois consumou-se. realmente. e os outros quatro. ao passo que o sol. ao passo que os outros quatro constituem os Sabás Menores. que remontam aos tempos em que a humanidade começou a sistematizar suas observações astronômicas. enquanto a Deusa é a futura mãe. devemos escolher um ponto de partida. crescendo em sabedoria conforme sua força física diminui.Os oito sabás têm duas origens distintas. Estando instalado o outono e aproximando-se o inverno. Paradoxalmente. ao passo que. quando. portanto.nos tempos de bonança. justamente aqueles que possibilitarão a sobrevivência durante a longa noite que se avizinha. A terra começa a livrar-se do peso da longa noite invernal. como o próprio nome diz. frágeis como o próprio equilíbrio natural. a mãe dos frutos e das dádivas naturais. ou deuses com muitos nomes. a sucessão dos oito sabás e as tradições a eles associadas constituem. que gestam no ventre da terra. na terra. brilhando timidamente no céu. a história seja cíclica. e está profundamente ligado às variações sazonais daquele continente (o que discutiremos depois). No ápice do verão temos o sol pleno em sua força. mas o motivo para isso ficará claro mais adiante. as sementes estão plantadas. apesar de mutável. Quatro deles são celebrações antiquíssimas. e eram realizadas. no início de um novo ciclo. Esse mito tem origem européia. No . O tempo passa e agora. De qualquer forma. Nesse momento. diferentes características particulares. O Deus é o sábio e contido Rei do Azevinho. ao aproximar-se o outono. À plenitude somente pode seguir-se o ocaso e. No próximo momento. e seu calor nutre e guarda seus filhos. As primeiras colheitas acontecem. aquelas que trarão do ventre da Deusa os frutos de consumo imediato. e seu calor diminui. o princípio do qual a vida depende para desenvolver-se. mal consegue aquecê-la. e Ele é antes mutável do que perene. Ela é perene. O sol brilha. as flores abrem-se. quando a bela Rainha da Primavera e o fogoso Gamo-Rei se conhecem e se apaixonam. Os quatro Sabás Menores são. Mas. de uma forma geral. se não se pode atribuir a eles a mesma antiguidade. a primavera instaura-se. o provedor e o protetor. Os quatro Grandes Sabás são festas que marcavam a passagem do ano celta. no decorrer da narrativa. enquanto Ele é o Sol. os dias tornam-se progressivamente mais curtos. estão diretamente relacionados a antigos ritos celebrados pelos celtas. assumindo. Que este seja. mas. jovens prontos a se conhecerem e cheios do impulso sexual que os atrai e garante a perpetuação da natureza. em seu conjunto. Embora. portanto. O sol começa a ganhar força e calor. é o seu simbolismo. menos tempo no céu. Nesse momento o Deus é o homem maduro. nesse ponto. o final do inverno. o que nos interessa. celebrações dos equinócios (os dias do ano em que o dia e a noite têm a mesma duração) e dos solstícios (o dia mais longo e a noite mais longa do ano). aptas à fecundação e prometendo os frutos que virão. a cada dia. tanto a Deusa quanto o Deus são crianças. A terra está prenhe dos filhos do sol. e este é aplicável a qualquer lugar do planeta. apesar de aparentemente remontarem ainda a seus antepassados. permanecendo por mais tempo no céu. aqueles que alimentarão os homens. É a estação juvenil e o tempo de fertilidade. não se podendo. Ela é a própria Terra. sendo portanto deuses sem nome. O Mito da Roda do Ano O mito da Roda do Ano está centrado nas figuras do Deus e da Deusa. onde o Deus e a Deusa são adolescentes. portanto. os dias encurtam-se cada vez mais. Tempo de paixões.

na Irlanda. Estou frisando esse ponto agora. ao longo da sua vida. recolhida ao seu leito puerperal. que conforme perde a sua força à vista dos homens. agora considerando os horários de nascer e pôr do sol para Brasília: Antes de mais nada. o grande mistério revela-se aqui. em basicamente todas as sociedades agrícolas primitivas. Essa latitude. envelhecimento e decrepitude de um deus solar está convenientemente mostrado. levando em conta o tempo decorrido do nascer ao pôr do sol. com a morte do Deus e. situados em latitudes mais baixas. a Deusa recolhe-se às profundezas.entanto. assegurando o eterno ciclo de morte e renascimento. assim como também não há uma diferenciação profunda entre as estações do ano. Portanto. no solstício de verão. vê-se que a história da Deusa e do Deus está aí claramente espelhada. lá é inverno. é o fato da inversão das estações no hemisfério sul. E o auge do inverno chega. Enquanto no solstício de inverno. dá à luz aquele que virá a ser seu consorte. com seus megalitos e sua mitologia. cresce no ventre da Mãe. O Paralelo Entre o Mito e a Natureza O simbolismo da Roda do Ano. enfraquecida pela longa gestação. mas na realidade encontrável. o paralelo entre o nascimento. é claro. ou seja. Debilitada. e o Deus renasce como criação por ele mesmo engendrada. Um novo ciclo começará. possibilita marcantes diferenças no tempo de duração dos dias e na passagem das estações. sendo que as datas dos equinócios e solstícios. é importante reparar que. na região tropical. ápice de sua força e majestade. preparando-se para parir seu filho divino. em horas. Assim. pois isso será fundamental mais tarde. ocasião do renascimento do Deus. foram consideradas para o ano 2001. O motivo disso. No gráfico a seguir. Vejamos novamente o gráfico. As datas consignadas no gráfico são as datas tradicionais de realização dos Sabás. adotado como o mito central da Wicca. embora as datas de realização dos sabás tenham se mantido como pontos fixos no gráfico. e vice-versa. embora tanto um como outro fator sejam ainda sensíveis. elas agora representam o inverso do que representavam no gráfico anterior. na latitude média dessa cidade. bastante setentrional. observando-se o suceder das estações. O nosso dia mais longo do ano (solstício de verão) corresponde ao dia mais curto do ano no hemisfério norte (solstício de inverno). na forma como o descrevemos. A longa noite invernal instaura-se. a linha representa a variação da duração do dia. ao ocaso só pode sobrevir um novo início. a Grande Mãe. poderíamos igualmente dizer que ela representa o desenvolvimento da força física e da capacidade de trabalho (falamos aqui em trabalho físico) de um homem. temos 17 horas! Essa diferença marcante no tempo de duração dos dias ao longo do ano explica sem maiores comentários o motivo do mito ter se desenvolvido naquela região. em relação ao hemisfério norte. ao longo de um ano. Observando o gráfico. . quando os dias são os mais curtos do ano. com variações. Já em países como o Brasil. espelha exatamente o que se verifica no decorrer de um ano. Utilizei os dados dessa cidade por dois motivos principais: o mito da Roda do Ano. A criança que gesta no útero da Deusa é o próprio Deus. foi desenvolvido pelos povos que habitavam o noroeste da Europa. esta diferença na duração do dia não é tão marcante. Quando aqui é verão. temos apenas 7 horas e meia de luz solar durante o dia. que são variam ligeiramente de ano para ano. O outro motivo é que a Irlanda e a Inglaterra. se olharmos a curva do gráfico. estão profundamente ligadas ao desenvolvimento e sistematização da bruxaria moderna. na cidade de Dublin. no hemisfério norte. amadurecimento. Na realidade.

seu auge é justamente quando os dias e noites têm igual duração. A partir de 31 de outubro o esfriamento passa a ser cada vez maior. apesar do costume ter estabelecido os solstícios e equinócios como o início de cada uma das estações do ano. no equinócio. o outono. Na realidade. o período mais quente do ano e com os dias mais longos. em especial na forma de datas sincretizadas ou absorvidas pelas festividades cristãs. por volta de 21 de dezembro. Nessa figura. atingimos os dias mais frios do ano (teoricamente) e os mais curtos. Yule. morte e renascimento da natureza. A verdade é que a associação do renascimento à noite mais longa do ano é bastante natural. está associada ao nascimento de seu Deus. os dias começarão a alongarse e a natureza progressivamente se revitalizará. Beltane. mas o processo de resfriamento e encurtamento dos dias já se iniciou antes. Mais adiante. marcam os momentos iniciais de cada estação. o Solstício de Inverno O sabá comemorado na noite mais longa do ano é o sabá do renascimento. independente da localização geográfica. que os quatro Grandes Sabás (Imbolc. É interessante reparar que essa época do ano. teríamos o seguinte: observando o primeiro gráfico. Eis o motivo pelo qual aquelas festividades que não se baseiam nas datas dos equinócios e solstícios (o que parece incoerente segundo o nosso próprio calendário). que representam. as setas partindo do centro representam a duração dos dias. para inúmeras religiões. até que os dias e noites tenham a mesma duração. Por ser um período temperado. No hemisfério norte. no hemisfério norte. situadas nos equinócios e solstícios. farei agora uma breve descrição da simbologia dos oito sabás. Essa data. crescimento. agora. contavam o ano de forma diversa da atual. na realidade. A tendência. Os povos do norte.No entanto. portanto. o que será o ápice da próxima estação. O que acabei de explicar está demonstrado na figura a seguir. por volta de 20 de setembro. o ano novo era comemorado justamente no 31 de outubro (Samhaim). para os celtas. ou seja. é o crescimento da duração dos dias e o progressivo aquecimento. marcam justamente os momentos de ápice de cada estação do ano. a primavera. decadência. são consideradas os sabás principais. Vê-se. o ápice de cada uma das estações. o que se vê nos gráficos acima é que. o solstício de verão. de alguma forma. a partir daí. Colocando datas no que acabei de dizer. posto que ela é o ápice da estação fria e. em especial. Esses momentos são na realidade o ponto alto de cada estação. para uma compreensão melhor. estende-se de 1º de maio até 1º de agosto. O período temperado a seguir. que é considerado o início dessa estação no calendário usual. podendo mesmo ser afirmado que a "data de nascimento" de Jesus foi convencionada para se . tendo o seu auge no ponto médio desses dias. que desenvolveram esse simbolismo. da sua relação com a história da Roda do Ano e de sua associação com o calendário civil. Digo isso pois. foi uma das mais sincretizadas pela cristandade. ao passo que as datas dos Grandes Sabás. repetindo-se a cada ano. dali por diante. quando chegamos ao solstício de inverno. de forma bem mais precisa do que os equinócios e solstícios (Pequenos Sabás). o solstício de inverno ocorre próximo ao Natal cristão. vai de 1º de agosto até 31 de outubro. Mas. estendendo-se o período frio (inverno) até o início de fevereiro e tendo seu auge novamente no solstício. por exemplo. As datas dos Pequenos Sabás. o que se verifica na prática é diverso. veremos que. segue o mesmo padrão. Assim. Lammas e Samhain) marcam exatamente o início de cada período do ano. voltaremos a tocar nesse aspecto astronômico-sazonal das celebrações. por volta de 20 de junho. está apenas se completando. o ciclo de nascimento.

É interessante também notar que aproximadamente nesta data os Astecas celebravam o seu anonovo. É portanto. poderia-se dizer que em Ostara anula-se de vez a imagem da Deusa como mãe e do Deus como filho. e as frutas secas. comemorava-se a Deusa Brigid. simbolizado pela fogueira. está preste a retornar e. visto que pode ser tida como o próprio equilíbrio da natureza se restabelecendo. e é justamente isso que se saúda. Temos ainda as noites mais longas que os dias. simbolizando que as reminiscências negativas do ciclo anterior deviam ser apagadas. representando o Deus que começa a crescer e. com procissões onde os participantes portavam tochas. onde vemos mais uma alusão a um período de reinícios.de Jesus no Templo . e ser a alegre celebração do nascimento do Deus.a idéia da limpeza ritual . Em relação a este sabá. e uma grande torre de chamas teria se elevado aos céus do topo de sua cabeça. pronta a assumir seus atributos sexuais. é substituída pela face da donzela. na primavera vindoura. é mais uma noção a ser levada em conta. as calóricos e de fácil conservação. Assim. o Equinócio de Primavera O sabá do equinócio de primavera tem o seu nome derivado da Deusa Eostre. que se conserva nozes e outros alimentos bastante todos os símbolos associados ao Natal têm aqueles elementos naturais que permanecem mantém os homens durante esse período. Eis aqui claras alusões ao retorno do sol. essa data ficou marcada para a cristandade como a purificação de Maria .a idéia do Deus que deixa a infância . Pela tradição da Roda do Ano. a idéia é que o sol venha fertilizar a terra. apesar de serem atualmente considerados como o início destas. já começou. que prevalecia até aqui. o sabá Imbolc comemora a chegada da primavera e o final do inverno. Assim. A celebração do Yule pode parecer dúbia. como a própria terra a ser semeada.divindade do fogo. Basicamente origem pagã e refletem justamente vivos ao longo do inverno. mas o ciclo de aquecimento. após o inverno. Um antigo costume reza que as cinzas da fogueira acesa na noite do Yule devem ser espalhadas pelos campos. o que nos traz justamente o espírito desse sabá. A face de mãe ou de anciã da Deusa. Ostara. deve-se ter em mente que ela é o início de uma fase de recuperação e crescimento.em mais uma tradução cristã dos ritos pagãos. os solstícios e equinócios marcam o auge das estações. prepara a fertilidade da terra. onde se pediam as bênçãos para a germinação das sementes recém-plantadas. verde durante o inverno. para que um novo ciclo de vida instale-se. Tradicionalmente. A partir daqui o .ajustar ao solstício. A alegria pelo final do inverno também transparecia nas Lupercalia romanas.e como a apresentação. ao espalhar as cinzas dessa fogueira. Entre os Celtas. O calor. O Imbolc é o festival do fogo. que vieram depois dar origem ao Carnaval. Imbolc Como vimos. encontra-se aqui na figura do jovem vigoroso. O Deus por sua vez. um festival de fertilidade. com o seu calor. Comemorado no hemisfério norte a 2 de fevereiro. alcançada neste sabá. apesar de ainda não apresentar a plena força e maturidade. ou que temos o pinheiro. No entanto. deusa saxônica da fertilidade. principalmente nos lugares de clima mais frio. Da deusa Brigid diz-se que teria nascido exatamente ao nascer do sol. cujos símbolos eram o ovo e o coelho. a metade clara do ano. também. A duração igual de dias e noites. por se situar numa época do ano que incita ao recolhimento. fazia-se (e faz-se) a limpeza ritual dos locais de culto. várias considerações interessantes podem ser feitas. um festival de plantio. Diz-se também que sua respiração traria nova vida para os mortos.

Beltane Beltane representa a transição entre a primavera e o verão e simboliza a consumação da união sexual entre a Deusa e o Deus. O simbolismo do ovo e do coelho. o Deus atinge a maturidade e prenuncia o seu declínio. comemorações independentes das datas estabelecidas no hemisfério norte. no hemisfério sul. Este sabá e o próximo são dos poucos que preservaram.casamento divino ficou indelevelmente marcado. nada mais natural que o mês seguinte fosse dedicado aos casamentos e. Aqui. o período não é o repouso forçado pelo inverno. o intervalo entre o plantio e a colheita. Embora diversos costumes da celebração de Beltane tenham subsistido e sido assimilados pelo ocidente cristão. Poderia-se mesmo dizer que o verão. Lembrando-se que o Beltane era um festival de plantio. estação da frutificação. acontece em setembro. representando que o calor do sol penetrou na terra para nela engendrar seus frutos (plantio). o Solstício de Verão O dia mais longo do ano marca o auge do poderio do sol. posteriormente. perdendo parte do seu significado original. e existem inúmeras comemorações no Brasil nessa época que. estranhamente as celebrações típicas de Beltane. aos santos casamenteiros. Enquanto em Ostara a fertilidade era apenas palpável e desejada. As fogueiras de Beltane subsistiram nessas festas. como o próprio costume de eleger-se nas escolas uma Rainha da Primavera. ao passo que a Deusa. foi assimilado pelos cristãos na festa da Páscoa. que costumava ser praticada nesse festival. O equinócio de primavera. teremos férias justamente nesses dois . Litha. a associação entre agricultura e trabalho é bastante notável. Mesmo a adivinhação. hoje. um cunho sexual. aqui ela se transforma em ato. Como no solstício de inverno. um momento de repouso entre as duas metades da Roda do Ano. inegavelmente. Os Maypoles. tornaram-se os mastros dos santos católicos. e o mês dedicado a Maria (a esposa-divina). citado. Por outro lado. foram empurradas pela cristandade para o mês seguinte.o que tem um inegável paralelo com a situação descrita para o Deus pagão. diz-se que Jesus morreu como Filho. e que a lebre é um antigo símbolo de ressurreição. se considerarmos os calendários escolares. por ser este consagrado unicamente ao casamento da Deusa e do Deus. poderão visionar seus "futuros maridos". comemorado internacionalmente como o Dia do Trabalho. começa a manifestar-se aqui. pois é comum acreditar-se que as moças solteiras. como casal divino. pois paradoxalmente hoje maio é considerado o Mês das Noivas pelos cristãos. Da mesma forma. fora do meio pagão. que nesta época deixa de ser o filho divino da Deusa e torna-se seu futuro deus-consorte. que os cristãos celebram nesta época a ressurreição de Jesus. bem como o costume de pulá-las. Talvez esse deslocamento da data para o mês seguinte tenha origem na tradição celta que proibia casamentos no mês de maio. a celebração do. nas noites de festa dos santos "casamenteiros". no entanto. Em Litha. para atingir o seu ápice no próximo solstício. remetem a antigos ritos pagãos. manteve-se na tradição popular. Toda a simbologia do Beltane tem. Convém lembrar. dando origem às festas juninas. que ocorrem em 1º de maio no hemisfério norte.Sol e a Terra caminharão juntos. É de se notar que até hoje. de uma forma ou de outra. aqui. visto ter sido esta atividade um dos primeiros trabalhos organizados do homem. em torno dos quais dançava-se. o solstício de verão marca uma pausa. tendo ressuscitado como Deus . Dessa forma. grávida. assume a face da futura mãe. mas sim o repouso prazeroso do verão. Outro aspecto interessante a ser lembrado é que o 1º de maio é.

bem como a transição do Deus-Sol para o papel de protetor e provedor. Este festival era dedicado ao deus Lugh. que teria tido importância decisiva na vitória dos Thuatha De Dannan sobre os Fomorianos (duas tribos míticas que haveriam povoado a Irlanda). Ocorrendo sempre em torno de 20 de junho. talvez o mais importante . apesar da aproximação do tempo de privação. juntamente com o outono. a celebração do Mabon resulta num agradecimento pelas dádivas proporcionadas pela Deusa e pelo Deus no decorrer do ano. ou ainda do encerramento da colheita iniciada em Lammas. Na Grécia. o Equinócio de Outono O Mabon é o festival da segunda colheita. aspecto do Deus que reinou durante a primeira metade do ano (a fase de crescimento. Há aqui um interessante sincretismo. mesmo em sua forma mais ancestral. no hemisfério norte. O Deus encaminha-se para a morte próxima. o Mabon seria o momento de maior fartura de todo o ano. ou seja. No Mabon. mantendo-se vivo entre a cristandade na forma de inúmeros festivais de colheita. Lammas O Lammas é o sabá que comemora a chegada das primeiras colheitas. o sábio e manso Jesus. assimilada pelos cristãos a derrota do impetuoso Rei do Carvalho pelo sábio Rei do Azevinho. em todo o mundo ocidental. eram celebrados os Ritos de Elêusis. Dessa forma. Marca. uma referência direta à agricultura neste festival. temos novamente o equilíbrio entre o dia e a noite. João Batista. esse seria o momento em que o Rei do Carvalho. portanto. Na antiguidade pré-cristã. a data deste sabá praticamente coincide com o Dia de São João Batista. nessa época. motivo pelo qual eu diria que ele foi antes absorvido do que anulado. portanto. porém.períodos (auge do inverno e auge do verão). Eis aqui. enquanto a Deusa assume seu aspecto de anciã. deus guerreiro associado ao sol. É interessante notar que. segundo a mitologia cristã. Segundo uma das tradições ligadas ao solstício de verão. seria derrotado e substituído pelo Rei do Azevinho. Essa prática representava a descida do sol. pode-se dizer que. a chegada dos primeiros frutos da Mãe-Terra que alimentarão os homens. Apesar da origem do nome do sabá ser celta. Eis aqui. preparando-se para a jornada no mundo interior. bem como se sacrificavam aqueles animais domésticos que não resistiriam à próxima estação. do nascimento à maturidade). apontado por Robert Graves. o folclore do Mabon remete à lenda grega de Perséfone. Aqui se colhiam os alimentos que garantiam o sustento durante o inverno. Convém lembrar que o termo Lammas já é um nome um tanto moderno (e mesmo cristianizado) para esse sabá. onde passará o inverno aguardando o nascimento de seu filho. ou seja. Uma das lendas associadas a Lugh conta que ele teria poupado a vida do chefe inimigo Bres. significando aqui que ambos os aspectos entram em sua fase final. A época do equinócio de outono era justamente o início do período do ano em que ela morava no submundo. De uma forma geral. significando que o Deus entrava em sua fase de decadência. o encurtamento progressivo dos dias. o feroz pregador. estando as colheitas completas e o alimento estocado. foi substituído em sua missão por "aquele que veio depois dele". semear e colher. Mabon. que governará a outra metade (da maturidade à morte). conforme citado por Stewart Farrar em A Witches' Bible. era conhecido e celebrado como Lughnasadh. em troca do segredo de arar a terra. que conta que esta deusa passava metade do ano proporcionando a fertilidade dos campos e outra metade do ano no Hades (mundo interior) em companhia de seu marido. portanto. Uma outra tradição ligada ao Lammas era o costume de se atear fogo a uma roda de madeira e fazê-la rolar colina abaixo. consumindo-se ou conservando a sua carne.

muitos povos antigos não comemoravam o início de um novo ano até o próximo Yule. considerado pelos cristãos o vencedor de Lúcifer. Na cristandade. As mesas eram postas com lugares extras para os antepassados. O próprio nome gaélico significa. aguardando o seu retorno. da revelação do mais profundo dos mistérios.refletindo o que seria o momento da morte do Deus solar e do auto-exílio da Deusa no submundo. marcava igualmente o momento de maior comedimento. comida era ofertada. O simbolismo da perpetuação da vida. "fim do verão". Ecos desse festival estão ainda bastante presentes no imaginário popular. em todo o ano. O Espírito dos Sabás . como dissemos acima. marcava o final do ano celta. É interessante notar que uma das lendas celtas associadas ao Mabon contava que. Somos eternos pois aqueles que partiram continuam vivos em sua descendência. possibilitando a comunicação com os antepassados. Essa dualidade do Samhain nos fala justamente do tema central da Roda do Ano. De uma maneira ou de outra. literalmente. o Halloween. Samhain Considerado o sabá mais importante.fantasmas . O momento de maior fartura relativa. considerava-se que o véu entre os mundos estaria em seu momento mais tênue. se expressa aqui tanto no plano divino quanto no plano humano. Pode se ver nas duas celebrações cristãs o culto aos antepassados. a luz) era derrotado por seu irmão gêmeo. mostranos isso na forma de crianças fantasiadas de seres fantásticos .festival religioso grego. mais tarde conhecido como Halloween. A própria celebração do sabá tem a característica de ser um misto de pesar pela morte e alegria pelo renascimento vindouro . Num aspecto puramente prático. os animais domésticos guardados em seus abrigos de inverno. surge aqui a idéia da noite sobrepondo-se ao dia.conhecimento que ele gera a si mesmo. um período de suspensão da vida. essa data é dedicada ao arcanjo Miguel. para guiar os que já partiram até suas antigas casas. o Samhain. Lanternas eram acesas e colocadas nas janelas. com a duração das longas noites invernais. pois é ele a criança que gesta no útero da Deusa e nascerá no Yule. há o costume de dividir-se essas datas em O Tempo do Grande Sol e O . Apesar do Samhain ser celebrado como o final do ano. O momento da morte do Deus é o momento do. repleto de magia e de perigos. O Dia das Bruxas. o deus Lugh (o sol. com o recolhimento exigido nos países de clima frio nessa estação. tão tradicional nos países de língua inglesa. A tradição cristã associou à data tanto o Dia de Todos os Santos (01/10) quanto o Dia de Finados (02/10). No aspecto místico. evocando o final dos dias de calor. esta data é carregada de significações. da cadeia circular que se auto-sustenta. isto significaria que as colheitas estavam encerradas. que perdurou por mais de 2000 anos. e poder-se-ia dizer que o encontro com nossos antepassados é o próprio encontro com nossos filhos. considerando esse período entre os dois sabás como sendo um tempo fora do tempo. o deus da escuridão Tanist. no entanto. no equinócio de outono. da natureza que é inextinguível pois está continuamente gerando a si própria. de representar as crianças como continuadoras da presença dos que se foram. é patente.Uma Visão Agrupadora Independentemente das tradições particulares e das lendas associadas a cada um dos sabás. A relação com os perigos do inverno. tanto na forma de "santos" quanto na forma direta.o que seria uma forma distorcida de se interpretar os antepassados mortos e mesmo. já que os estoques deveriam durar até a próxima primavera. Na noite de Samhain. e as provisões estocadas.

é bem vívida em ambos. por serem festas de colheita. retratam o frescor. conforme vão crescendo. os sabás que marcam o início e o ápice da primavera. por extensão.Tempo do Pequeno Sol. os da fase de declínio do sol. têm. mas sim a certeza que ela virá após o momento atual. é o recolhimento. mais do que representarem duas fases apenas. ambos. dessa forma. o sentido de união ao grupo. Anexo: A Celebração dos Sabás -Hemisfério Norte ou Hemisfério Sul? Ao apresentar o simbolismo de cada um dos sabás. Beltane e Litha. Houve uma razão específica para isso. também se aproxima. do casamento. por diversas vezes eu me referi às datas em que estes são celebrados no hemisfério norte. A força da juventude. representada pela morte. que foi demonstrar de que forma estas datas foram assimiladas por nossa cultura e como elas se transformaram ou vieram a dar origem a festividades cristãs. correspondendo às quatro estações do ano. falamos na inversão das estações do ano entre os dois hemisférios da Terra. ao simbolismo do arcano I do Tarô (O Mago). são voltados a sentimentos familiares e coletivos. tais celebrações deixam de ser centradas no indivíduo e passam a ser centradas na família. a semeadura. Ambos tratam da morte e do renascimento e a tônica aqui. pela sua característica de início. e aquelas festas que se encontram no início e no ápice de cada estação possuem características comuns. a união dos opostos. Quando apresentamos os primeiros gráficos. o Yule traduz a coletividade. Outra coisa que se torna patente ao observar o suceder dos sabás sob essa ótica. a fragilidade e a paixão característicos da infância e da adolescência. ao passo que os quatro últimos. se tornam cada vez mais inseridas dentro de relações interpessoais e. Em . os sabás apresentam quatro temáticas dominantes. de perpetuação. Da mesma forma.Lammas e Mabon já têm como temática os aspectos relacionados à maturidade e. o Imbolc. no grupo. progressivamente adquirem a noção do outro. Crianças novas não são naturalmente gregárias mas. são basicamente voltados a sentimentos individuais. aqueles da fase de crescimento do sol. formam a tônica desses rituais. ou no clã. já que a cristandade também se desenvolveu no hemisfério norte. os sabás do verão. é que conforme o ano caminha. A alegria é uma espécie de contraponto nos dois sabás. Fazendo algumas associações místicas. a temática da sexualidade. do ato de fecundar. ao atingir a idade adulta. surge aqui uma polêmica. Os sabás do outono . os sabás do inverno. da junção de múltiplas gotas em um oceano dos signos de Aquário e Peixes. No entanto pode-se reparar que. finalmente. ao impulso do ego e do fogo interior relacionado ao signo de Áries. buscam os relacionamentos de integração que constituem os núcleos familiares. referindo-se justamente aos períodos quentes e frios do ano. ao agradecimento pelos frutos da terra e. os quatro primeiros sabás. Poderíamos aqui traçar um paralelo com o desenvolvimento do ser humano. na perspectiva sazonal que utilizamos e não na convencional (Imbolc e Ostara). No entanto. A idéia de gestação. o simbolismo do arcano XXI (O Mundo). Isso está esquematizado no gráfico a seguir: Dessa forma. A temática do Samhain e do Yule. sendo ritos dirigidos à fertilidade e à esperança de fartura no ano que se inicia. ou mesmo da dissolução da individualidade. Assim. visto que o que aqui se festeja não é a plenitude em si. poderia ser associado ao processo solitário das iniciações. aos resultados obtidos pelo trabalho.

temos aqueles que defendem a realização de cerimônias mistas. judeus e outros povos não o fazem.. o que fixaria a energia destas datas na forma que elas lá se apresentam. . Dizer que seria estranho. lá o Deus acabou de nascer. na forma de árvores. não concordo com uma posição nem com a outra. O que é mais importante? A compreensão e a sintonia com os elementos da celebração ou a tradição? O simbolismo típico do hemisfério norte. O mundo cristão comemora o ano-novo em dezembro. procuram apenas uma espécie de "acomodação política". como poderemos desprezar o que se passa à nossa volta e nos conectarmos com o que ocorre em outra parte do planeta? O argumento que tais cerimônias teriam se originado na Europa me lembra. Além disso. seguindo o ritmo das estações do hemisfério norte. e isso deve ficar bem claro. se estes se sentem dispostos ao recolhimento em seus lares em pleno verão! Ou se acham interessante comemorar alegremente o calor do verão. Da mesma forma que lá. que o simbolismo utilizado nos sabás refere-se à vegetação e aos animais típicos dos países do norte e. isso significa que enquanto no hemisfério sul temos a fase do ano de crescimento e amadurecimento do Deus (conforme os dias se alongam). apenas me faz pensar num demasiado apego a tradições cristãs. no hemisfério norte. onde ambos os aspectos sejam lembrados. Particularmente. mas chineses. ainda. ocorrendo coisas como dias de sol e calor em pleno inverno. que os sabás vêm sendo comemorados há milhares de anos naqueles lugares. segundo o mito. O Natal é uma festa cristã que. do estado de espírito característico a cada celebração. olhemos à nossa volta para buscá-los e não para milhares de quilômetros de distância..termos rituais. em países como o Brasil. a meu ver. Atrelar as datas dos sabás ao hemisfério norte me parece contradizer o próprio espírito destas comemorações. Enquanto aqui. o Deus está na plenitude de suas forças e a Deusa está grávida. Aqueles que defendem a celebração de sabás híbridos. Seria portanto coerente comemorar o mesmo sabá aqui e lá? As opiniões se dividem. tremendo de frio num Litha numa noite de junho. por exemplo. frutos. por exemplo. Exemplificando: enquanto no hemisfério sul temos o solstício de verão. por ter sido criada a partir de símbolos pagãos (como explicamos) tem basicamente a mesma simbologia. a fertilidade. como se isso fosse uma espécie de Natal fora de época. tradicionalismo inócuo. O Yule não é o Natal. Temos aqueles que pregam a adoção de um calendário único. a diferença entre as estações do ano não é nitidamente marcada como na Europa. Citam ainda o fato que o ano civil e suas comemorações estão historicamente atrelados. poder-se-ia perguntar aos defensores da egrégora. ocorre na mesma época do Yule e. mas significa. mais uma vez. A adoção de uma religião pagã não significa o combate ou o desrespeito aos preceitos do cristianismo. celebrar o nascimento do Deus em junho. e temos aqueles que afirmam que deverá ser adotada a celebração dos sabás de acordo com o ritmo sazonal da região onde se vive.. Logo. basta querer aproveitá-las. misturando elementos do hemisfério norte e do hemisfério sul para cada data. mas sim a própria representação da natureza. de uma forma ou de outra. as missas rezadas em latim. o dia mais longo do ano. como vimos. Estes normalmente argumentam que. Nunca é demais lembrar que o que celebramos é a natureza e que o Deus e a Deusa não são ilustres cidadãos europeus. a necessidade de rompimento com estes. temos aqui inúmeras espécies nativas que bem simbolizam cada época do ano. Os defensores da padronização pelo hemisfério norte alegam que as raízes da bruxaria foram estabelecidas naquele hemisfério. no hemisfério norte o contrário se dá: os dias se encurtam e temos a fase de decadência e morte do Deus. às datas do hemisfério norte. cereais e animais típicos daquela região me parece apenas falta de imaginação e. Se o que buscamos é a sintonia com a natureza. é o solstício de inverno e a noite mais longa do ano.Argumentos baseados no ano civil caem no mesmo vazio. por exemplo. na mesma data. no hemisfério norte.

O próprio fundamento do paganismo é o contato. por menor que seja. Que significado poderia ter um pinheiro. senão estaremos apenas repetindo velhas fórmulas e insistindo em criar dogmas. ainda há o inegável fato que a variação da duração dos dias. para um nativo de uma ilha do pacífico. do que fazê-lo da maneira que ela se apresenta no local onde vivemos. como símbolo da permanência da vida durante o inverno. As bases da crença nos dizem que fazemos parte da Natureza e somos responsáveis pela sua manutenção e pela sua eterna recriação. tem um significado próprio dentro de uma celebração. um grão ou um animal.. ele não terá necessariamente a mesma eficiência em outras regiões. no hemisfério sul. De que forma poderemos nos sentir assim se. não apenas repetir o que nos foi apresentado por uma tradição. É preciso ter em mente que a utilização de um determinado símbolo. justamente aquele que é ligado ao efeito e não à causa. utilizar elementos que estejam presentes no nosso cotidiano. a interação com a natureza. dá-se em junho e não em dezembro.hpg.br . Ou seja: além de tal diferenciação variar grandemente de acordo com a localidade que se leva em conta. que simbolizem o momento da Roda do Ano como ele se apresenta onde vivemos. Por mais eficiente que um símbolo possa ser em sua região de origem. existe e segue o padrão que expusemos. não vejo outra alternativa mais correta. entendo que a celebração dos sabás deverá.Basear-se na pouca diferenciação entre as estações do ano é prender-se a apenas um aspecto da Roda do Ano.. Retirado de: www. Os efeitos são verificáveis no corpo da Deusa (a terra).mitoemagia. logo de princípio. quando se opta por seguir as celebrações da Roda do Ano. seja ele um fruto. Portanto. Cabe a nós representar esse significado de uma forma que seja por nós compreendida. mas são causados pelo Deus (o sol). O dia mais curto do ano.com. nos apartamos do momento atravessado pela natureza que nos cerca. ignorando as estações do ano em nosso próprio local de moradia? Da mesma forma. na medida do possível. que nunca viu um pinheiro?.

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