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Revista de Estudos da Religião ISSN 1677-1222

Nº 3 / 2003 / pp. 108-131

O mosteiro da Ressurreição na representação de um monge: a história de um mosteiro beneditino na leitura um de seus fundadores
Andréa Mazurok Schactae* [aschactae@hotmail.com]

Resumo
Nas três últimas décadas do século XX um maior número de historiadores se voltaram para o estudo de práticas culturais. Entre esses historiadores está R. Chartier, com seus estudos sobre as “representações sociais”. A partir dos conceitos de representação e de apropriação, ele realizou estudos sobre como os grupos representam seus comportamentos e constróem diferentes formas de vida e realidades. Este artigo é uma leitura de uma representação da história do mosteiro da Ressurreição, pertencente a Congregação Beneditina do Brasil. Tal leitura foi realizada a partir de um texto escrito por um dos monges fundadores do mosteiro. A análise do texto que conta uma história do Mosteiro da Ressurreição é uma forma de se identificar uma representação que o grupo construiu de si mesmo. Essa representação é pensada como uma construção coletiva do grupo, que dá sentido a uma realidade, identifica os membros do grupo e é expressa na leitura de um de seus membros.

O mosteiro da Ressurreição, atualmente abadia1, foi fundado em 1981 na região de Ponta Grossa (cidade localizada aproximadamente 100 km de Curitiba, capital do Estado do Paraná) por um grupo de jovens vindos da abadia de Nossa Senhora da Assunção, na

* Mestre em História pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) em 2003. 1 Abadia: “Mosteiro de homens e mulheres. Casa religiosa de monges ou monjas, dirigida por um abade ou abadessa. As abadias beneditinas, criadas em toda a Europa a partir do séc. VI, são organismos autônomos. Na reforma cluniacense (séc. X), a abadia geral de Cluny agrupou sob sua autoridade os mosteiros afiliados, mas a reforma cisterciense de São Bernardo (séc. XII) adotou o princípio de federação. A partir do séc. XIII, com o desenvolvimento das cidades, a importância dos mosteiros decresceu em favor das ordens mendicantes e das universidades. (...) A forma clássica de vida nas abadias alterna oração e trabalho, obedecendo a um ritmo regular. (...)”. SCHLESINGER, Hugo; PORTO, Humberto. Dicionário Enciclopédico das Religiões. Petrópolis, RJ: Vozes, vol. I, 1995. www.pucsp.br/rever/rv3_2003/p_schactae.pdf 108

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cidade de São Paulo. Esses jovens, então iniciantes na vida monástica2, pertenciam à Congregação Beneditina do Brasil, cujos primeiros monges chegaram ao Brasil no final do século XVI vindos de Portugal.3 A Ordem Beneditina surgiu no século VI com a fundação de um mosteiro, na região de Roma, por Bento de Núrsia. A fim de ordenar seus monges, ele produziu uma regra, a Regra de São Bento, que no final do século XX ainda servia como base para a espiritualidade da ordem beneditina.4 Nos mais de 1.500 anos de existência da Ordem, as práticas descritas na Regra foram lidas e vividas em diferentes contextos, possibilitando múltiplos significados à condição de monge beneditino. Esses significados resultam das diferentes leituras expressas no cotidiano dentro dos mosteiros beneditinos, que tradicionalmente têm como fundamentos a oração e o trabalho (o estudo, que também faz parte da vida dos monges, pode ser entendido como um trabalho intelectual ou como oração). Inicialmente, o mosteiro da Ressurreição foi instalado junto ao santuário da “Mãe da Divina Graça”, localizado ao lado do Parque Estadual de Vila Velha. Os monges permaneceram nesse local até 1985, quando se mudaram para o local onde atualmente está o mosteiro, cujo terreno havia sido adquirido em 1983. Em 1984 foi iniciada a construção do edifício nessa área; a comunidade, então, se dividiu – alguns foram para o terreno, para acompanhar as obras, enquanto os demais permaneceram na área de Vila Velha até agosto de 1985, quando a comunidade voltou a se reunir. a) O mosteiro da Ressurreição não teve um processo de fundação “normal”, segundo as Constituições da Congregação Beneditina do Brasil: “A fundação de um novo mosteiro depende do critério de cada comunidade [...]. Tratando-se de um assunto de suma importância, o plano completo da fundação deve ser amplamente discutido pela
2 A vida monástica, na Igreja Católica, é identificada pela primazia da oração sobre a ação. Os monges não têm como função a vida apostólica e clerical, mas a contemplação. Eles fazem votos de pobreza, castidade e obediência. PENIDO, D. Basilio. Considerações sobre o problema atual do monaquismo. Revista Eclesiástica Brasileira, vol. 21, fasc. 2, 2 de Junho de 1961, p. 293-302. 3 Para saber mais: LUNA, D. Joaquim G. de. Os monges Beneditinos no Brasil. Rio de Janeiro: Lumen Christi, 1947. 4 VAUCHEZ, André. S. Bento e a revolução dos mosteiros. In: BERLIOZ, Jacques. Monges e Religiosos na Idade Média. Lisboa - Portugal: Terramar, 1994, p.17 - 20. www.pucsp.br/rever/rv3_2003/p_schactae.pdf 109

o consentimento do Capítulo (dois terços). consultando o Conselho.Revista de Estudos da Religião ISSN 1677-1222 Nº 3 / 2003 / pp.) [as seguintes características]: [. [. portanto. isto é. os mosteiros ficam sob a jurisdição da abadia de onde saíram os fundadores. 5 . uma parte da Abadia.pucsp. Assim está escrito nas Constituições: ”O Mosteiro dependente constitui. até alcançar a condição de mosteiro autônomo com condições de fundar outros mosteiros. Para se realizar a fundação. em seu governo.] 1. de outro Mosteiro. vindo em seguida a profissão perpétua.ter seu próprio Capítulo. 4 . ad experimentun. do mosteiro da Ressurreição por três anos.. 7 CONGREGAÇÃO BENEDITINA DO BRASIL. concessão especial. não possuindo. Em novembro de 1981 a Santa Sé deu a permissão para a fundação.”5 O mosteiro da Ressurreição foi fundado por homens que estavam em processo de formação monástica. por escrito.] Resolvida a fundação. de acordo com este Superior e ouvindo o Conselho. 2 . do Ordinário em cuja diocese venha a localizar-se a fundação.ter noviciado próprio. Além disso. 1976.] Os monges da fundação conservam os direitos capitulares no mosteiro de sua profissão até a transferência da própria estabilidade para o novo mosteiro.ser canonicamente ereto como tal pela Sé Apostólica. constituído por monges com estabilidade firmada para ele. Constituições. cabe ao Abade. 6 Professo solene é o monge que fez a profissão perpétua... escolher o Prior da nova comunidade. Constituições. a seguir faz a profissão monástica temporária. Esse grupo discutiu a fundação do novo mosteiro sem o consentimento do abade do Mosteiro de São Paulo. escolherá os monges que lhe parecerem aptos e interessados em prestar essa ajuda. salvo.não depender. com uma única exceção: um professo solene6.. requerem-se preliminarmente: a) .ser capaz de possuir um patrimônio próprio.”7.. 3 . www. o monge se torna um postulante. depois de um certo tempo torna-se noviço. Ao entrar no mosteiro. 1976.br/rever/rv3_2003/p_schactae. 108-131 comunidade.. depois de fundado. Nesse período a instituição ficou sob a jurisdição do abade presidente da Congregação do Brasil.. Em geral. D. um mosteiro passa por etapas até poder se transformar em abadia. cuja duração mínima é de três anos (são monges chamados professos trienais). b) a autorização do Capítulo Geral ou do Abade Presidente com o seu Conselho. c) o consentimento. A fundação é um processo complexo e..pdf 110 . 5 CONGREGAÇÃO BENEDITINA DO BRASIL. (. Basílio Penido. [.

1. O ESTADO DO PARANÁ. dispostos a firmar a sua estabilidade para o novo mosteiro. se contar pelo menos com seis monges professos solenes. p. O repertório de todos os CDs foi composto por peças clássicas do Canto Gregoriano.havia sido aquele de onde saíram os fundadores do mosteiro da Ressurreição.cit. e por composições dos próprios monges do mosteiro da Ressurreição.pdf 111 . pela gravadora Sony. Jornal da Manhã. em vigência pós Vaticano II. Em 1987 alcançou o número de monges exigidos pelas Constituições Beneditinas do Brasil e foi erigido Priorado Conventual. 108-131 Em outubro de 1984 terminou o período ad experimentun e o mosteiro da Ressurreição passou à condição de Priorado Simples. Almanaque. Os monges gravaram um videoclipe e participaram de especiais produzidos pelas redes televisivas Globo e Cultura10. O mosteiro de Ponta Grossa ficou conhecido nacionalmente em 1994 com o lançamento. quer como abadia. Mosteiro da Ressurreição de PG é destaque em todo país.1. 8 LUNA. A-6.pucsp. Em 1997 foi elevado ao status de abadia – naquele momento. sem a mesma penetração na mídia. a mais recente das abadias da Congregação (o mosteiro de Nossa Senhora da Assunção. a primeira incursão dos monges na área de lançamentos musicais: eles haviam lançado dois CDs pela Paulinas. O monge é pop mas não é profano.135.8 Segundo as Constituições Beneditinas. o Abade fundador dirigirá à Santa Sé petição para a ereção canônica da fundação como mosteiro autônomo quer como priorado. o último mosteiro da Congregação Beneditina do Brasil a ser elevado ao status de abadia – dentre as quatro abadias existentes no país . porém. www. tornado abadia em 1635) contava com mais de três séculos de existência. cad. O Estado do Paraná.p. Curitiba 17 de Julho de 1994. 9 Idem. p. em latim. sobretudo se há consenso sobre o futuro Superior. dos CDs “Magnificat I”. “quando houver razoável segurança de que a fundação esteja em condições de independência.Revista de Estudos da Religião ISSN 1677-1222 Nº 3 / 2003 / pp. Essa não foi. Por coincidência. Ponta Grossa. cad. 24 de dezembro de 1994. 10 JORNAL DA MANHÃ. Op. “Magnificat II” e “Lux Mundi”. se o número for no mínimo de doze”9.br/rever/rv3_2003/p_schactae. com adaptação da melodia gregoriana às letras. em 1992 e 1993.

O autor viveu na Abadia de São Paulo de 1976 até 1981 e sua obra pode ser entendida como uma leitura do processo de fundação do mosteiro que expressa o sentido de uma realidade: a história de um mosteiro que pertence a uma das mais antigas ordens religiosas dentro da Igreja Católica Romana. Mesmo sendo a leitura uma ação individual. Contudo esse monge se constituiu. isto é.173-191. 2a.pucsp. foi lida por um dos fundadores. 1994. Denise. 1998). pp.a última parte diz respeito ao projeto monástico vivido naquele momento pelos monges. Esse texto serviu como base para a construção do presente artigo. na vivência com o grupo. Paris: PUF. Trata-se de um processo complexo. ao mesmo tempo. de certa forma. 13 SPINK. RJ. Tal representação. 1991. 31-38. e expressa em sua obra12.Revista de Estudos da Religião ISSN 1677-1222 Nº 3 / 2003 / pp. RJ Vozes. Représentations sociales: un domaine en expansion. p. JODELET. construído e construtor da representação do grupo. 1991. que focaliza o único mosteiro da Congregação Beneditina do Brasil elevado à condição de abadia no século XX. que foi lido na Comissão de Intercâmbio Monástico no Brasil (CIMBRA. Ler: uma operação de caça. O texto. O mundo como Representação. Mary Jane. In: JODELET. O Mosteiro da Ressurreição e Unidade e Pluralismo . D. Sendo ela uma construção coletiva. é realizada a partir de referências constituídas na relação entre o indivíduo e o grupo social a que pertence – assim ele é. pp. Nossa intenção é fazer uma análise da representação construída pelo grupo fundador em torno do processo histórico do mosteiro onde o mesmo vive. 264-265. Esse processo foi “lido” por um dos monges fundadores do mosteiro – D. Desvendando as teorias implícitas: uma metodologia de análise das representações www. Mateus de Salles Penteado . D. Petrópolis. ed.pdf 112 . enquanto tal. Estudos Avançados. 11(5). O referido texto é dividido em três momentos: Origens.e expresso em um texto.br/rever/rv3_2003/p_schactae. Mateus. tem como título ”Mosteiro da Ressurreição: Síntese Histórica e Projeto Monástico”. Roger.13 11 CHARTIER. expressa o que é ser monge no mosteiro da Ressurreição. Michel. (org. In: A invenção do Cotidiano: a arte de fazer. 108-131 Os monges do mosteiro da Ressurreição fizeram uma leitura da Regra que está expressa na representação. em uma forma de busca do sentido da realidade11 construída no processo de vivência do grupo fundador. com conflitos e contradições. 12 CERTEAU.) Les représentations sociales.

Abertura: a nova História . www. Chartier. da Antropologia e da Lingüistica. Ora. p. Petrópolis. p. Burke a Nova História pode ser identificada com a reação. e JODELET. JOVCHELOBVITCH. mesmo tendo uma história individual o monge se constitui. sobre os vestígios deixados pelos seres humanos do passado. estão relacionados a essa diferente construção da História. cit.1994. em 1929. Entre os historiadores surgiu uma maior preocupação com o estudo das culturas14.(orgs). enquanto tal. sendo as representações construções coletivas15 a partir das quais se fundam as identidades dos grupos que as construíram. que deve ser entendido como uma leitura da representação do processo de fundação e que expressa o que é ser monge no mosteiro da Ressurreição.pucsp. seu passado e seu futuro.pdf 113 .] pelas quais os indivíduos e os grupos dão sentido ao mundo que é deles”16. eles recorreram ao auxilio da Sociologia.S. essas mudanças na escrita da história são parte de uma tendência. associada a Lucien Febvre e a Marc Bloch. In: _____. 120-121. cit. RJ: Vozes. 16 CHARTIER.P. Sendo assim. algumas das prática existentes no mosteiro da Ressurreição (oração.177. trabalho. 108-131 Uma leitura de uma representação A crise dos paradigmas tradicionais nas Ciências Sociais. que envolveu historiadores de vários lugares do mundo. Peter. estudo e silêncio) são significadas pela representação que o grupo constrói de si e de sua história. Para abordar esse tema. ou melhor. nas décadas de 1970 e 1980.7-62. 15 Para saber mais: CHARTIER. 14 Para P. A partir delas surge uma identidade coletiva que passa a identificar o grupo fundador e os indivíduos que fazem parte deste mosteiro. herdada da escola dos annales. A escrita da história: novas perspectivas.. sociais. ed. contra o paradigma tradicional. É dentro dessa perspectiva que realizamos uma análise do texto de D. Ver: BURKE. São Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista. Porém. por exemplo. vamos dizer.Revista de Estudos da Religião ISSN 1677-1222 Nº 3 / 2003 / pp. In: GUARESCH. mas diferentes olhares sobre o passado.Textos em representações sociais. 1992. cit. a representação de um indivíduo é compartilhada pelo grupo no qual ela foi forjada e pode ser entendida como uma “representação coletiva”. op. Os estudos de R. Desta forma. 2a.. op. Para R. op. Chartier “não há práticas ou estruturas que não sejam produzidas pelas representações [. permitiu aos pesquisadores lançarem “novos olhares” sobre suas fontes. dentro das relações com o grupo.br/rever/rv3_2003/p_schactae. Mateus. e da geração seguinte com Fernand Braudel. p. ocorrida nos anos 70 e 80. Os historiadores da Nova História não buscam verdades..

. noa. a leitura e o oração. 19 CHARTIER. No Mosteiro da Ressurreição 17 ALBUQUERQUE. a partir da qual cada indivíduo passa a ser reconhecido.”19 . 108-131 Os indivíduos que não fizeram parte do grupo fundador. LUCKMANN. terça. A construção social da realidade: tratado de sociologia do conhecimento.Revista de Estudos da Religião ISSN 1677-1222 Nº 3 / 2003 / pp. o trabalho e o estudo. Suas práticas deverão expressar a forma de vida a que ele se propõe. esteve presente nas práticas beneditinas até o Vaticano II. prima. os oito momentos de orações diários (vigílias. Para se tornar um monge do mosteiro da Ressurreição o noviço deve construir uma imagem que represente o ser monge neste mosteiro. mais o Ofício de Leitura (lectio divina). J A Guilhon.as que resultam da representação que o grupo constrói de si conferem uma identidade coletiva.cit. p. A oração. pois é no conjunto das mesmas que eles se identificam como monges beneditinos do mosteiro da Ressurreição. em um local onde o silêncio é tido como um dos elementos centrais da vida monástica. também chamados Liturgia das Horas. A sociedade é composta por uma multiplicidade de realidades18 resultante de diferentes formas de representação. realizados pelos monges.. a exibir uma maneira própria de ser no mundo. Instituição e Poder: a análise concreta das relações de poder nas instituições. são algumas das práticas que identificam os monges beneditinos do mosteiro da Ressurreição. suprimiu a hora prima. quanto o Scrosanctum Concilium. entendendo-se “realidade” como um processo de construção social que se dá dentro de cada grupo. Peter. Petrópolis. 20 O costume dos oito momentos de oração. de forma a reproduzir a imagem da coletividade à qual pertence. sexta.17 Representação é a construção de um sentido para uma realidade. As práticas de cada grupo “visam a fazer reconhecer uma identidade social. p. citados no capítulo 16 da Regra de São Bento20. RJ: Vozes.pdf 114 . precisaram se adaptar às práticas existentes. Aceitar as normas e a forma de vida desta comunidade é tornar-se outro. vésperas e completas). 111-115.pucsp. Thomas. matinas. Rio de Janeiro: Graal. op. 1986. ed. Elas estão presentes na Regra de São Bento. no seu artigo 89. Entenda-se por oração os Ofícios Divinos. O capítulo 48 da Regra de São Bento aborda o trabalho manual. nas Constituições Beneditinas do Brasil e no Costumeiro do Mosteiro da Ressurreição. 2a. isto é. ao ingressarem na vida monástica.br/rever/rv3_2003/p_schactae. www. 18 BERGER. 183. 1985.

Os “lugares regulares” (Capela. o Abade ordenar alguma coisa a alguém. [.].” 24 BENTO. 1976. ENOUT. há várias referências sobre o silêncio. [. é dividido em dois perídos: pela manhã.]”. por causa da gravidade do silêncio. [. limpeza de celas. que é classificado como “o grande silêncio e o silêncio usual no Mosteiro”.(.].br/rever/rv3_2003/p_schactae.23 O trabalho manual é reconhecido por São Bento como um elemento que identifica os verdadeiros monges.. não haja mais licença para ninguém falar o que quer que seja. não se cante alto. Claustro. por acaso. não se assobie. Costumeiro.. 22 MOSTEIRO DA RESSURREIÇÃO.. ao discípulos convém calar e ouvir”. 2ª ed. deve-se sempre conservar o ambiente silencioso no Mosteiro.. 48. é necessário que se fale baixo. Sobre o tema. um livro de regras específico do Mosteiro da Ressurreição. O horário do grande silêncio deve ser observado também no sentido de se evitar quaisquer ruídos que perturbem o ambiente de oração. Capítulo. Mosteiro da Ressurreição. No “Costumeiro”.21 Com relação ao silêncio. como também os nossos Pais e os Apóstolos..pucsp. Constituições. não se bata as portas.) Quanto ao silêncio usual durante o dia. como bater portas. mais adiante no capítulo 42: “os monges devem.Revista de Estudos da Religião ISSN 1677-1222 Nº 3 / 2003 / pp. [. cap. São Bento escreveu no capítulo 6: “raramente seja concedida aos discípulos perfeita licença de falar. etc. Refeitório.pdf 115 . esforçar-se por guardar silêncio. Sacristia. mantenha-se o volume baixo de aparelhos de som. 2 de fevereiro de 1996... que vai de Completas até Tércia. Ponta Grossa. Biblioteca. leitura e meditação comunitária. art.. ande-se sem ruído. em todo tempo. Rio de Janeiro: Lumen Christi.”24 No mosteiro da Ressurreição.. Regra de São Bento: Latim-português. www. segundo o Costumeiro. das 15:00hs às 17:00hs”. 1980. 155. Corredores das Celas) “são os lugares comuns onde se mantêm mais rigorosamente o silêncio”. o modo de andar. saindo das Completas.] falar e ensinar compete ao mestre.. mais a lectio divina. incluído o tempo da Lectio. etc. da Bíblia. Para isso. exceto se sobrevier alguma necessidade da parte dos hóspedes ou se. As práticas que expressam a representação construída pelo grupo de monges do Mosteiro da Ressurreição são uma leitura das práticas presentes na Regra de São Bento e das 21 CONGREGAÇÃO BENEDITINA DO BRASIL. ele escreveu: “são verdadeiros monges se vivem do trabalho de suas mãos. das 9:00hs à 12:00hs e à tarde. o “trabalho comum. 108-131 são realizados sete momentos de oração.22 No mesmo documento são dedicadas duas páginas (8 e 9) às explicações sobre o silêncio. 23 “Durante o grande silêncio. os irmãos devem falar apenas se houver real necessidade. João Evangelista (tradução e notas). mas principalmente nas horas da noite.

quando se refere às práticas existentes nos mosteiro do século VI e na Congregação Beneditina do Brasil. R. como os fundadores se apropriaram destas práticas. o sentido.pucsp. As tentativas de autogeração monástica. estão fadadas ao fracasso. op.br/rever/rv3_2003/p_schactae. via de regra. Elas são uma representação construída pelo grupo fundador. 108-131 práticas existentes na Ordem Beneditina. Em uma representação estão presentes diferentes temporalidades.. e o tempo longo. significando que as suas práticas resultam de um processo relacional. a história vivida. Diferentes significados resultam em práticas com diferentes sentidos.o território do habitus. culturais) e inscritas nas práticas especificas que as produzem (. o imaginário social.) interpretações. na qual a longa duração e o vivido se constituem em identidade do grupo. esta preso ao seu tempo histórico. e a necessidade de se construir uma representação.”25 O texto de D. domínio das memórias coletivas onde estão depositados os conteúdos culturais cumulativos de nossa sociedade. é preciso haver geração por parte de outros. Busca-se no passado uma justificativa para o presente. isto é. 122. o tempo vivido que abarca o processo de socialização . que ocorre entre a construção de uma representação e as necessidades do grupo.. Lisboa. A oração. qualquer gênero de vida. uma história “Começo com uma constatação: a experiência mostra que a vida monástica nunca nasce por geração espontânea . CHARTIER. institucionais.pdf 116 .. Portugal: DIFEL. das disposições adquiridas em função da pertença a determinados grupos sociais.. pelo grupo. “(. 26. p. A história Cultural: entre práticas e representações.como aliás. É verdade que uma vida 25 SPINK. segundo Spink: “o tempo curto da interação que tem por foco a funcionalidade das representações. isto é. o trabalho e o estudo são significados pelo contexto.)”. pela forma com que este se representa e pelo momento histórico da fundação do mosteiro. que possibilitam uma transformação no modo de ser monge. da qual os homens que passam a fazer parte do mosteiro se apropriam26 e passam a expressar. Para haver vida. www. o que possibilita a construção de diferentes significados. ou seja.. Uma representação. p. 26 Entenda-se a noção de apropriação segundo CHARTIER. 1990.Revista de Estudos da Religião ISSN 1677-1222 Nº 3 / 2003 / pp. remetidas para as suas determinações fundamentais (que são sociais.cit. porém. isto é. Mateus expressa três temporalidades: a longa duração. que por sua vez também foram gerados.

mas recebemos o batismo pelas mãos de outros. São Pacômio foi gerado para o monaquismo por Palamon. que nunca faltaram . nos leva à formas de 27 PENTEADO. Seguindo o mesmo argumento. É herdeiro e protagonista de uma Tradição viva. Remete. onde nasceram para a vida monástica. assim como só cristãos geram cristãos. É da Igreja que recebemos a fé. uma vez que jamais houve nascimento. Analogamente. . de algum modo. Nenhum cristão chegou sozinho à fé em Jesus Cristo: essa fé. que. No caso da auto-geração a vida nem sequer é produzida. graças a Deus. Cassiano foi feito monge em Belém.RB 7.pdf 117 . então. adoecer e morrer. No monaquismo são essenciais os exempla maiorum (cf. São Bento recebeu o hábito do monge Romano.em São Paulo. que viveu na Roma do século VI. nas gera para a vida monástica . Só monges geram monges. cita nomes de monges que viveram antes de Bento. Os fundadores vieram todos do Mosteiro de São Bento de São Paulo. Antes dele. Santo Antão.não nos vestimos sozinhos em algum recanto solitário. 108-131 autenticamente gerada também pode fracassar. amadurecendo pois sob tantos mestres no Egito. mas é revestido do estado monástico”.Revista de Estudos da Religião ISSN 1677-1222 Nº 3 / 2003 / pp. mas é revestido do estado monástico (notar a voz passiva).numerosos . foi também gerado por um mestre: é histórica e teologicamente falso dizer que Santo Antão “inventou” o monaquismo cristão. assumira a tradição beuronense a partir da Restauração iniciada em 22 de setembro de 1900. O Mosteiro da Ressurreição não nasceu do nada.br/rever/rv3_2003/p_schactae. Mateus S. Não nos batizamos a nós mesmos. Demostrando que o processo coletivo de ser “revestido” monge é de longa duração.55). por sua vez. Mosteiro da Ressurreição: síntese histórica e projeto monástico Mimeog. São Bento. O próprio Pai do monaquismo por antonomásia.pucsp. “nenhum monge se auto-proclama monge. nenhum monge se auto-proclama monge. Não há propriamente morte. ministros da Igreja. 1998.”27 Em um primeiro momento o autor se refere ao surgimento da vida como uma herança: “para haver vida.. Mas para morrer é preciso antes estar vivo. Recebemos o hábito das mãos de um pai. na Igreja. Indo além. é preciso haver geração por parte de outros”. foi anunciada por outros e nós a ela aderimos. www. dada a complexidade da obra restauradora. à memória da Ordem Beneditina. citando o fundador da Ordem Beneditina. O Mosteiro de São Paulo. muito embora dizer isso seja uma pequena simplificação. São Basílio foi discípulo de Eustácio de Sebaste. se refere ao ser monge como algo adquirido por intermédio de alguém.

estão ligadas à história do monaquismo cristão: ”Em todo caso. é difícil de identificar este momento. Beuron valorizava a vida conventual. Estão ligadas ao passado porque foram inventadas em um determinado momento histórico e. Os monges do Mosteiro da Ressurreição constróem uma representação coletiva a partir da qual passam a dar sentido a suas práticas.contemplativa”. p. A invenção das tradições. No entanto. sendo vivido de forma diferente por cada geração. que poderia chamar . Dessa forma. mas dinâmicas. os sete momentos de oração diárias. o autor procura demostrar que as práticas existentes no mosteiro da Ressurreição estão ligadas ao primeiros monges cristãos. ser monge beneditino e viver em um mosteiro rural no Paraná são elementos que contribuem para construir um diferente sentido às práticas descritas na Regra de São Bento e nas Constituições da Congregação Beneditina do Brasil.inclusive o manual. Eric. a celebração da liturgia e o trabalho .Revista de Estudos da Religião ISSN 1677-1222 Nº 3 / 2003 / pp. 29 HOBSBAWN. A continuidade do monaquismo dos tempos de Bento se dá pela permanência de algumas práticas entendidas pelo grupo como tradicionais. Mateus foi estruturado de forma cronologicamente linear: o monaquismo no primeiros séculos do cristianismo. não estáticas. e o mosteiro da Ressurreição.28 A permanência de algumas práticas não significa a manutenção do passado. utiliza a história como legitimadora das ações e como cimento da coerção 28 Idem. a clausura. 108-131 vida monástica antecedentes ao século IV. o trabalho manual. Ele demonstra que as práticas que caracterizam o ser monge beneditino. então. Rio de Janeiro : Paz e Terra. o resultado de toda uma construção coletiva. tradicionalmente identificadas como oração e trabalho (Ora et Labora). Possivelmente por causa dessa tradição. isto é. isto é. “na medida do possível. toda tradição é inventada e. O texto de D.pdf 118 . que são legitimadas por um processo histórico milenar. o mosteiro de São Paulo. algumas vezes. o silêncio. 10.pucsp. O Mosteiro da Ressurreição é. essas temporalidades não se fecham em si: o monaquismo do tempo de São Bento vem sendo transmitido de geração a geração até os dias de hoje.sem falsos escrúpulos . pois o sentido pertence ao contexto em que esta se realiza. com mais de 1. o estudo e outras. Sendo assim. www.br/rever/rv3_2003/p_schactae. As práticas que buscam a manutenção do passado “são reações a situações novas”29. 1997.500 anos de existência.

pucsp. www. Mateus. o conjunto de práticas que fazem parte da realidade vivida pelos monges do mosteiro da Ressurreição. herdeiro de uma tradição que remete ao fundador da Ordem e. tanto dos tempos do próprio Bento como do mosteiro de São Paulo. como “vida conventual. O ser monge beneditino é identificado por práticas ancestrais diretamente ligadas a Regra de São Bento. Op. 108-131 grupal. a partir do momento em que ingressam. A Regra. construídos e construtores da representação desse mosteiro. isto é. ao mesmo tempo. A história da fundação do mosteiro é uma construção coletiva provavelmente incorporada pelos novos membros. conseqüentemente. é legitimada pela história da Ordem Beneditina. remete a uma tradição anterior a Bento. A tradição mantida pelos monges do mosteiro da Ressurreição em algumas de suas práticas. passam a ser.cit. a monges de gerações anteriores. 21.pdf 119 . ligada à Regra de São Basílio e à chamada Regra do Mestre. as práticas dos monges do mosteiro da Ressurreição estão relacionadas ao exemplo dos monges que os antecederam. Viver em um mosteiro rural pode ser algo relacionado ao contato com a natureza. contudo. resultam de uma representação construída por um grupo a partir de uma leitura 30 Idem. A representação construída pelos monges do Mosteiro da Ressurreição e expressa no texto de um dos fundadores é estruturada partir da longa duração. da mesma forma. O que está em jogo não é apenas a construção de uma identidade do monge do mosteiro da Ressurreição. a clausura. 31 PENTEADO. Ele remete ao capítulo 7 de Regra de São Bento: “que só faça o monge o que lhe exortam a Regra comum do mosteiro e os exemplos de seus maiores. p.” Dessa forma. mas só é mantida por significar o presente. a vida monástica foi resultado do exemplo. de quem herdou a forma de vida monástica. que. pode estar relacionado com o que significa “ser monge” para os fundadores da instituição.”30 Dessa forma. o silêncio.br/rever/rv3_2003/p_schactae. longe do barulho e da poluição dos grandes centros urbanos. Para D. que a tradição da Ordem Beneditina está ligada a uma cadeia de práticas de longa presença na História do cristianismo. a celebração da liturgia e o trabalho”31.Revista de Estudos da Religião ISSN 1677-1222 Nº 3 / 2003 / pp. com uma vida saudável. então. mas também da condição de monge da Ordem Beneditina. a tradição. Pode-se dizer. cujo autor é desconhecido.

“Sempre houve em parte da comunidade de São Paulo uma insatisfação com a localização do mosteiro em um centro urbano.) ”. Vaticano.[. Agustin. Artigo 25 “ tualidade da A vida especificamente contemplativa. 127. JONGMANS.] A morte de D.. Dimensões contemplativas da vida religiosa. foi emitido pela Sagrada Congregação para os Religiosos e os Institutos Seculares. bem como o socorro financeiro prestado à comunidade do Rio de Janeiro. www. são reconhecidos como um tesouro mais precioso da Igreja. principalmente os do mosteiro de onde saiu o grupo fundador. existia a busca de uma vida contemplativa fora da cidade.br/rever/rv3_2003/p_schactae. RJ: Vozes. o primeiro abade da Restauração. herdeiros e construtores da história do mosteiro onde iniciaram a suas vidas monásticas. Crise e definhamento das tradicionais ordens monásticas brasileiras durante o século XIX.. do silêncio. 1997. Os fundadores do mosteiro da Ressurreição são. fasc. mas uma idéia herdada dos monges restauradores transmitida através do tempo até a década de 80.pdf 120 . Aqueles que são chamados à vida contemplativa. não se realizava de forma concreta devido à localização geográfica. Ao construírem uma representação da sua história. Graça a um carisma especial eles têm escolhido a parte melhor. vol. que havia contraído grandes dívidas.. Revista Ecl. Bras. 108-131 de todo um processo de construção da história do monaquismo. 33 Com relação à vida contemplativa.. Petrópolis.32 Tal tradição estava voltada para a vida contemplativa33. chegou a lançar a lançar a pedra fundamental de um novo mosteiro que seria edificado foram da cidade. p. da contemplação.115-131. Jacques.Revista de Estudos da Religião ISSN 1677-1222 Nº 3 / 2003 / pp. Miguel Kruse. o autor demostra que. n. impediu a 32 Sobre a crise das ordens religiosas no Brasil e o processo restauração da Ordem Beneditina. no caso do mosteiro paulistano. os monges do mosteiro da Ressurreição buscam na longa duração e nas histórias do monaquismo e do mosteiro de São Paulo a legitimação de suas práticas..12/11/ 1980. já naquele momento. Miguel em 1929. do amor exclusivo de Deus e da doação total ao seu serviço(. Fundar um mosteiro em área rural não foi um arroubo de um grupo de jovens iniciantes. Est. O próprio D. Revista Inst.13. A restauração da congregação Beneditina Brasileira. junho de 1981. quando foi posta em execução por um grupo que busca uma volta à tradição beneditina. Ao se referir ao mosteiro de São Paulo. congregação encarregada de “Restaurar” a vida monástica nos mosteiros do Brasil no final do século XIX.pucsp. pois. Tal leitura tem como foco a vivência do grupo e também dos monges beneditinos do Brasil. O papel de Dom Gérard van Caloen ( 1894-1907 ). que. Documentos SEDOC. setembro de 1972. ou seja aquela da oração. o autor cita a tradição ligada a Beuron. Bras. ler: WERNET. um documento que valoriza a Vida Contemplativa. p. 42. SP. Voltando-se para a história do mosteiro de São Paulo no início do século.32. 640-654.

108-131 efetivação do projeto. iniciou reuniões para decidir sobre a fundação de um mosteiro em área rural. www. um grupo de iniciantes. apoiados pelo Mestre de noviços. onde era moda a exaltação de um autodenominado ‘profetismo’ cujo ranço ainda se faz sentir”35. cit. 1998. assim como toda a Igreja Católica Romana. Este 34 PENTEADO. em 1976. Rio de Janeiro: Mauad. ao qual o autor se refere? Provavelmente à teologia da Libertação. ora na realização de uma fundação”. celebração. O Decreto “Unitatis Redintegratio”. 35 Idem. teologia. Liturgia: história. nesse período. propõem um retorno às tradições espirituais do monaquismo oriental e recomenda aos católicos que se aproximem das riquezas espirituais do Oriente.br/rever/rv3_2003/p_schactae. 263. Procurando Deus no Brasil: a Igreja Católica progressista no Brasil na arena das religiões urbanas brasileiras.Revista de Estudos da Religião ISSN 1677-1222 Nº 3 / 2003 / pp. nesse momento. sobretudo no noviciado. silenciado pelo Vaticano em 1984. p. São Paulo: Ave-Maria. Diz o monge: “Era quase inevitável que esse tipo de conversa ocorresse dentro da comunidade. Matias. morreu. feitas com base no Vaticano II e que sofreriam algumas alterações em 1994. em 1976 foram promulgadas as novas Constituições da Congregação Beneditina Brasileira. Que “clima” era esse. 1998.pdf 121 . No final da década de 70.36 Há que se considerar ainda que.. especialmente levando-se em conta o ‘clima’ eclesial no Brasil no final dos anos 70 e início dos 80.em 02 de fevereiro de 1971 foi liberado para publicação o documento “Institutio Generalis de Liturgia Horarum”. estavam se adequando ao Vaticano II .15 do Vaticano II. que seria publicada no Brasil em 1984. espiritualidade. o autor passou a fazer parte da história do mosteiro de São Paulo. e ao longo dos anos voltava-se a falar ora na transferência da Abadia [. John. art.34 Ao entrar para a Ordem Beneditina. que os teólogos da libertação acreditavam ser o início de uma luta para a justiça social na América Latina. 37 AUGÉ. jamais.. Além do mais.pucsp. nas quais se encontra a tradição cristã.]. existiu uma efervescência das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). a Congregação Beneditina do Brasil. que deu origem à reforma na Liturgia das Horas37. Um dos principais representantes do movimento era o teólogo brasileiro Leonardo Boff. 36 BURDICK. Op. pois. A idéia porém.

moldar nos noviços a identidade do grupo – de forma satisfatória. artigo 44 Constituições da Congregação Beneditina do Brasil: “Para Mestre de noviços seja escolhido um monge com as qualidades requeridas pela Regra e pelo Direito (Cf. preservar o silêncio. 38 PENTEADO. D.”38 Segundo as Constituições Beneditinas de 1976 em artigo 186. can. Para ser membro do grupo deve-se assumir determinada representação. 562 e 565). e mesmo contra a sua vontade. As reuniões realizadas pelos noviços e postulantes aconteceram sem o conhecimento do abade do Mosteiro de São Paulo: ”deu início à uma série de reuniões para tratar do que deveria ser a futura fundação. que não cumpriu sua missão . op.. No Mosteiro da Ressurreição.. maduro de caráter. As reuniões levam a uma crise dentro no mosteiro. 108-131 último elemento está presente no projeto monástico do mosteiro da Ressurreição. (. herdada da longa duração e da vivência no mosteiro de São Paulo. são práticas que caracterizam o ser monge... a fundação de um mosteiro deve ser um assunto “amplamente discutido pela comunidade”. expressa nas práticas reconhecidas como pertencentes a um grupo específico. A construção de uma representação da história do mosteiro da Ressurreição foi necessária para significar uma diferente forma de viver a tradição monástica.. 39 Mestre de Noviços.).)” Art. que não existem no mosteiro de São Paulo. paciente. trabalhar na horta. cit. O mestre tem a incumbência de moldar o iniciante segundo a identidade do grupo. Como colaborador qualificado do Abade no exercício da sua paternidade (cf. (. o assunto foi discutido entre os iniciantes e o mestre de noviços39. sendo quebrada a autoridade do abade no processo de fundação. Essa determinação do Vaticano II foi expressa na proposta de fundação e também nas práticas dos monges. realizar o Ofício Divino. 554. Durante o período de formação. É preciso bater no peito e reconhecer que tais reuniões foram realizadas à revelia do abade.pdf 122 . em vista da formação dos noviços para a comunidade.pucsp. o Mestre deve educar os irmãos para uma vida inspirada na fé e no ideal monástico a ser vivido concretamente na própria comunidade (. viver em um mosteiro rural. dotado de boa cultura e de discernimento dos espíritos. o futuro monge assume-se como membro do grupo. 73 : “O noviciado estará sob os cuidados do Mestre de noviços.)” www. Joaquim..Revista de Estudos da Religião ISSN 1677-1222 Nº 3 / 2003 / pp. No caso da fundação do mosteiro da Ressurreição.br/rever/rv3_2003/p_schactae. 73). que deve ser transmitido pelo mestre de noviços do mosteiro.559. que se propuseram a manter a tradição do monaquismo cristão e da Ordem Beneditina. que propõe um “retorno ao Oriente”.

2 no Paraná. em São Paulo. é entre os noviços que se fermenta a idéia de fundação de um mosteiro.CERIS. www. 4 na Bahia.Revista de Estudos da Religião ISSN 1677-1222 Nº 3 / 2003 / pp. 2 em Minas Gerais.pdf 123 . 1985. 1 em Alagoas. 2 em Goiás.”40 . Rio de Janeiro. no contexto em que se discutia o processo de fundação.br/rever/rv3_2003/p_schactae. o único fator – afinal. foi apresentada ao monges que estavam no CIMBRA no final da década de 90. sobre o número de mosteiros masculinos que seguem a Regra de São Bento no Brasil. principalmente. Em se tratando de um grupo de religiosos (monges). A partir de um levantamento de dados do ano de 1985. pois estes ainda não assumiram os seus papéis e estão se amoldando ao grupo. Geraldo 40 PENTEADO. onde a vida monástica era quase desconhecida. Desse total. pois. a concentração maior está em São Paulo e Minas Gerais. Centro de Estatística Religiosa e Investigação Social . Quando o autor se refere ao primeiro bispo a interessar-se pela fundação. em Pernambuco.este assunto será abordado mais à frente. em Minas Gerais e no Paraná. Pellanda. Op. A justificativa de fundar no sul devido o desconhecimento do monaquismo na região não deve ter sido. 108-131 No decorrer do texto são facilmente perceptíveis os conflitos de idéias que existiam na Igreja Católica e.esta é a justificativa para a escolha do local de fundação. seis pertencem à Congregação Beneditina do Brasil e estão localizados na Bahia. 1 em Pernambuco e 1 no Rio de Janeiro. 41 Anuário Católico do Brasil. no Rio de Janeiro. Mesmo com relação a mosteiros femininos. ele poderia ter sido fundado no norte do país. No entanto. Diz o texto: “o primeiro bispo a interessar-se e comprometer-se seriamente foi o passionista D. dentro do mosteiro. é possível perceber que ocorreu contato com outros bispos não citados. construída pelo grupo fundador. Com relação ao local de fundação: “a fundação deveria ser no sul do país. contatou-se que existem 11 mosteiros no Estado de São Paulo.pucsp. Não existe uma homogeneidade dentro do grupo fundador do mosteiro da Ressurreição com relação a como deveriam ser as práticas no futuro mosteiro .cit. essa representação sobre o local de fundação do mosteiro da Ressurreição. D.41 Estes dados nos mostram que no norte do país a vida monástica é tão desconhecida quanto no sul.

Comenta D. inclinada a decidir-se pelo fechamento da fundação. mas um Conselho mais amplo de Superiores Maiores. à influência do bispo D. em Olinda. em grande parte.)” www. Um processo em que o grupo fundador construiu o seu reconhecimento de membros pertencente a Congregação Beneditina do Brasil. 45 Artigo 243 das Constituições Beneditinas de 1976 : “Em casos que julgar necessário. Mateus: “Foi providencial a chegada naquele preciso momento.Revista de Estudos da Religião ISSN 1677-1222 Nº 3 / 2003 / pp.br/rever/rv3_2003/p_schactae. (. A convocação de uma “Junta Abacial”45 revela a tensão existente dentro da Congregação com relação à fundação do mosteiro da Ressurreição. ou a exclusão da Congregação Brasileira”. que viviam em um mosteiro reconhecido pela legislação canônica.43 Mosteiro da Ressurreição: tensões e contradições “Em novembro do mesmo ano [1981] reuniu-se uma junta abacial no Rio de Janeiro. Pelas Constituições a Junta é convocada pelo abade presidente. op. Geraldo Pellanda”. segundo o artigo 204 das Constituições Beneditinas..pucsp. de Ponta Grossa.44 A representação construída sobre o processo de fundação do Mosteiro da Ressurreição é composto por tensões e contradições.pdf 124 . 43 Idem. Em 1981 o mosteiro da Ressurreição.cit. do documento da Sagrada Congregação para religiosos (que tinha como Secretário o beneditino Agostinho Mayer). 108-131 Pellanda. poderá o Abade Presidente convocar e consultar não apenas o Conselho dos Assistentes. pois possibilita a instalação do grupo próximo a Vila Velha e intercede a favor da fundação junto à Santa Sé enquanto alguns membros da Congregação Beneditina do Brasil iniciavam uma discussão sobre a possibilidade de fechamento do mosteiro ou a exclusão da ordem. e tendo um superior no mosteiro. que residia em Olinda.. estando sob a autoridade do abade-presidente da Congregação.”42 Esse bispo representa um protetor. 44 Idem. tornou-se um mosteiro dependente. danto permissão para s fundação ad experimentun do mosteiro por três anos. ao qual é dado o nome de Junta Abacial. O monge do mosteiro da Ressurreição não esclarece quem convocou a Junta Abacial. Essa decisão favorável da Santa Sé deveu-se. ao qual o mosteiro estava adstrito em termos 42 PENTEADO.

O momento foi de tensão. “este grupo que abrangia ideais discrepantes e inconciliáveis. fazia-se de tudo. deu início a uma série de reuniões para tratar do que deveria ser a futura fundação.quando foi conseguido um. O pão. Além da pobreza aflitiva. de um documento deu a permissão para uma fundação experimental por três anos. Mateus: “Nos primeiros anos havia total incerteza quanto ao futuro. por que somente nove anos após a fundação é que essa divergência é colocada em questão? Tal divergência levou a renúncia do prior.”47 Surge. a cozinha . Segundo D. tinha de ser previamente amolecido na água e depois reaquecido no forno . havia divergências dentro do próprio grupo quanto ao projeto monástico a ser adotado pelo mosteiro. uma questão que não foi respondida pelo autor: se o grupo tinha divergências quanto ao projeto monástico desde as primeiras reuniões. 47 Idem. a situação canônica era apenas provisória.Revista de Estudos da Religião ISSN 1677-1222 Nº 3 / 2003 / pp. a situação canônica era provisória e as dificuldades financeiras eram muitas. A esse respeito. amavelmente doado por uma padaria da cidade. todos de cultura da cidade grande: a primeira horta fracassou miseravelmente na primeira chuva forte porque os canteiros estendiam-se na mesma direção do declive do terreno. escreveu D. apesar do desconhecimento técnico dos fundadores.pucsp. Os gastos eram mínimos e o dinheiro que entrava provinha quase que exclusivamente do artesanato.inicialmente de chão de terra batida e que nas chuvas as goteiras transformavam num lamaçal .não preparava quase nada além de macarrão para o almoço e sopa à tarde. Realizada em novembro. op. estranhamente a primeira em mais de nove anos de fundação. para o qual houve alivio a partir do envio. Mateus. Quanto ao trabalho. que fazia parte do grupo desde as primeiras reuniões ainda no mosteiro de São Paulo. então. cit. pela Santa Sé. “Em 1990 a comunidade pediu uma visita canônica. 108-131 jurisdicionais.br/rever/rv3_2003/p_schactae. 46 PENTEADO.pdf 125 . www.”46 Além disso. os visitantes decidiram que D. A representação da história do processo de fundação tem como ponto principal as muitas dificuldades encontradas pelo grupo fundador: existiam superiores dentro da Congregação que eram contra a fundação do mosteiro.

o grupo de monges constrói uma identidade. André Martins.”48 O primeiro prior eleito do mosteiro da Ressurreição. no mesmo ano. partindo para Roma. fez sua profissão de votos monásticos em 1978. o que de fato aconteceu em março do ano seguinte. 51 Idem. no Mosteiro de São Bento em São Paulo. em 01 de maio de 1956.pdf 126 . no ano seguinte é ordenado sacerdote. estudo e silêncio. O Prior “tinha em mente um projeto de índole completamente diferente. No dia 17 de abril de 1991 foi eleito D. a partir de um único monge. trabalho. Ao construir uma representação da sua história. 49 Nascido em São Paulo. tornou-se em 1997 o primeiro abade do mosteiro. Em 1984.pucsp. faz sua profissão monástica perpétua. porém indica.49 O monge não responde à questão. op. no mosteiro da Ressurreição. um “projeto de vida contemplativa”. André Martins. Ser monge beneditino do mosteiro da Ressurreição significa constituir-se como parte dessa representação. No entanto não podemos esquecer que essa representação foi construída 16 anos após a fundação. busca-se um retorno a práticas que identificavam o ser monge beneditino . Mateus. deixa transparecer tensões e conflitos. D. Ele também foi um dos fundadores da Ressurreição.uma vida de oração. 50 PENTEADO. uma diferença entre os dois projetos.Revista de Estudos da Religião ISSN 1677-1222 Nº 3 / 2003 / pp. Também relata algumas curiosidades 48 Idem. Na outra parte do texto. Ao retornar para o mosteiro da Ressurreição tornou-se Subprior e Mestre se Noviços. ele se refere ao segundo projeto. na qual a vida contemplativa. André Martins recebeu o hábito de noviço em 1976.51 A relação de conflito ocorre entre diferentes formas de se viver o monaquismo: a partir do contexto em que se encontrava a Ordem Beneditina no final dos anos 70 e a partir de uma leitura da maioria do grupo. sendo eleito Prior Conventual em 1991. capital. www. D. um dia antes de partir para Ponta Grossa. 108-131 Lucas deveria apresentar sua renúncia. em nada ligado à tradição beuronense e ao que ela representava” 50. na qual ainda vive. bastante secularizado. Mosteiro da Ressurreição: um nome e um sentido A representação do processo de fundação do Mosteiro da Ressurreição. quando a história do mosteiro entrou numa nova fase. expressa no texto de D.m na primeira parte do texto. ligada à tradição beneditina é o ponto central. onde permaneceu até 1987 estudando no Instituto Litúrgico do Pontifício Colégio de Santo Anselmo. e renova seus votos em 1981. cit. se especializando em Sagrada Liturgia.br/rever/rv3_2003/p_schactae.

expressa uma realidade presente na Igreja Católica no momento da fundação) e o nome do mosteiro. Gravar CDs e serem protagonistas de videoclipe podem não ser práticas monásticas tradicionais. de certa forma. não explica porque os fundadores dedicaram o mosteiro à Ressurreição do Senhor . mas para recuperar [o grifo é nosso] valores muitas vezes perdidos no Ocidente devido a tantas contingências históricas.pucsp. 108-131 do cotidiano nos primeiros anos. os monges do mosteiro da Ressurreição construíram uma representação do mosteiro como um local de “retorno a tradição monástica”54. em cada lugar”53. No entanto.no decorrer do texto. O Vaticano II expressa uma necessidade de buscar na tradição do Oriente cristão ensinamentos deixados pelos primeiros cristãos. reelaborada por cada geração. os monges do mosteiro da Ressurreição justificam suas práticas: “em conformidade ao sentir da Igreja e ao desejo expresso do Santo Padre.1.br/rever/rv3_2003/p_schactae. é possível identificar uma ligação entre o projeto monástico (que. www..... 52 Idem. 54 Idem.] [no final do texto o autor conclui que] [. tão rico em valores evangélicos.pdf 127 .Revista de Estudos da Religião ISSN 1677-1222 Nº 3 / 2003 / pp.abertura à Tradição monástica em sua totalidade procura em fraternidade servir a Deus e à Igreja”. Partindo dessa proposta. litúrgicos e monásticos. entendida em seu sentido mais antigo . a partir do tempo presente. mas podem ser lidas como uma diferente vivência de práticas tradicionais a partir do entendimento de tradição dado pela maioria do grupo fundador. mas buscar nas regras e nos escritos daqueles que viveram nos primeiros séculos do cristianismo a tradição monástica. porém.53) [Estas referências encontram-se em uma nota de rodapé. [. não texto original] O Mosteiro da Ressurreição tem a proposta de abrir-se ao Oriente cristão. não para copiá-los servilmente.52 Os monges do Mosteiro da Ressurreição propõem um retorno à vida monástica dos primeiros monges e não apenas à Regra de São Bento. (Carta Apostólica Orientale Lumen.] o Mosteiro da Ressurreição é uma comunidade de monges que. 53 Idem. esse retorno não deve ser entendido como viver da mesma forma que aqueles monges. Entendendo tradição como “uma coisa viva. e Encíclica Ut Unum Sint. Porém. militando sob a Regra de São Bento.

O grupo fundador do mosteiro forjou uma identidade coletiva. cujo chão é coberto por grama. estudo e silêncio. Para os monges do mosteiro estudado. árvore-símbolo do Paraná). que tem como base a memória do grupo fundador. mas várias histórias. Mundo esse que São Bento pediu para os monges evitarem. a tradição (práticas que www. pelo toque do sino anunciando mais um momento de oração. em um mosteiro rural).br/rever/rv3_2003/p_schactae. pelas máquinas de cortar grama .pucsp. Afastado do centro urbano de Ponta Grossa. Considerações finais A representação que o grupo fundador construiu do Mosteiro da Ressurreição é expressa na leitura de um monge. de mistérios da Igreja.quando necessárias . A fundação de um mosteiro em uma área rural pode ser identificada como uma tentativa de deixar marcado o afastamento que o monge deve ter do mundo. constroem às múltiplas histórias do mosteiro da Ressurreição.essa representação está relacionada a longa duração. 108-131 Dedicar o mosteiro a Ressurreição do Senhor é referir-se ao maior mistério da Igreja Católica e. expressa nas práticas dos monges (oração. retornar a uma prática medieval segundo a qual os mosteiros não recebiam nomes de santos mas. na razão em que cada monge faz uma leitura própria a partir de suas referências pessoais. estão presentes na Ordem de São Bento . Não existe apenas uma história do mosteiro da Ressurreição. Um local onde o silêncio só é quebrado pelo canto dos pássaros. Construída a partir da leitura da Regra de São Bento e das práticas que os monges identificam como monásticas – que.Revista de Estudos da Religião ISSN 1677-1222 Nº 3 / 2003 / pp. sim. No entanto. isto é. Os monges que não compunham o grupo fundador herdam a representação do grupo e. trabalho. que identifica o ser monge nesse mosteiro. o mosteiro é um local onde existe um bosque com várias árvores (inclusive a araucária. a leitura individual é resultado de uma construção coletiva. a partir dela.pelos carros que chegam e saem ou por pelos que passam na estrada de terra em frente do mosteiro. a São Bento e ao monges do Oriente. de certa forma. Elas são uma representação elaborada por esse grupo.pdf 128 . A presença dos monges na mídia estabelece um diálogo com uma outra realidade e com o “mundo de fora do mosteiro”. possibilitando aos monges e aos visitantes um maior contato com a natureza. ao mesmo tempo.

2a.1998. O mundo como representação. Rio de Janeiro: Mauad. In: _____. semestre.5. CHARTIER. a Ordem Beneditina e a Igreja Católica Romana como um todo se adaptavam ao Vaticano II . A escrita da história: novas perspectivas. 1986. 1992. seu passado e seu futuro. São Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista. 3. AUGÉ. Ler: uma operação de caça. 1991. www. BERGER. CHARTIER. Roger. 108-131 identificam o monge) não estão apenas em São Bento. v. 1998. Liturgia: história. Peter I. BURDICK. 1o. celebração.br/rever/rv3_2003/p_schactae. Representações e imaginário pentecostal. Roger. In: _____. 15a. das práticas beneditinas. 2a.pdf 129 .259-273. RJ: Vozes. Petrópolis.11. Nilceu Jacob. John. Abertura: a nova História . p. espiritualidade. n. São Paulo: AveMaria. 1998.um momento que a Congregação Beneditina do Brasil. DEITOS. Instituição e Poder: a análise das relações de poder nas instituições. SC. RJ: Vozes. BURKE.1996. Thomas.ed. . que é legitimada pela história das práticas monásticas e pela história do grupo que a realizou. n. e vivê-las segundo a leitura realizada.p. A invenção do cotidiano: artes de fazer. Assim. J A Guilhon. ed. Florianópolis. A história cultural: entre práticas e representações.LUCKMANN. Michel de. A construção social da realidade: tratado de Sociologia do Conhecimento.Revista de Estudos da Religião ISSN 1677-1222 Nº 3 / 2003 / pp.p.83-102. ed. Estudos Avançados.173-191. dos quais ele realizou uma leitura expressa na sua Regra. Referências Bibliográficas ALBUQUERQUE. teologia. Lisboa: DIFEL. Rio de Janeiro: Graal. Peter.pucsp. isto é. Petrópolis. CERTEAU. Procurando Deus no Brasil: a Igreja Católica progressista no Brasil na arena das religiões urbanas brasileiras. O contexto em que viveram os monges fundadores do mosteiro da Ressurreição . Matias. mas em tempos anteriores.1994. Esboços. 1990.possibilitou uma leitura das práticas beneditinas expressa na representação história do mosteiro construída a partir da leitura um dos fundadores. cada mosteiro pode ter uma leitura da tradição.

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