Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Prof.: Marcelo Novelino novelino.constitucional@yahoo.com.

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Dicas de estudo: 1. Programa de estudo mensal (fazer proporção entre as matérias de acordo com a extensão); 2. Estudar matéria da aula 3. Estudar matéria mais importante (Constitucional: controle de constitucionalidade, direitos fundamentais, direitos individuais – art. 5°, CR). 4. O ideal é também estudar a matéria antes da aula. 5. Não fazer resumos. Grifar. Fazer esquemas. Estudar a mesma matéria várias vezes para memorizar.

ÍNDICE Objeto:.....................................................................................................................................................4 Constitucionalismo:.................................................................................................................................4 Evolução do Constitucionalismo:............................................................................................................5 Constitucionalismo e Soberania Popular:................................................................................................8 CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES:...................................................................8 Concepções de Constituição:...................................................................................................................9 Aspectos conclusivos:............................................................................................................................10 Classificações das Constituições:..........................................................................................................11 HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.........................................................................14 Supremacia da Constituição:..................................................................................................................14 Hierarquia dos Tratados Internacionais:................................................................................................14 Lei Ordinária X Lei Complementar:......................................................................................................15 Hierarquia entre Lei Federal, Lei Estadual e Lei Municipal:................................................................16 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE:......................................................................................17 Conceito:................................................................................................................................................17 Parâmetro (normas de referência):.........................................................................................................17 Formas de Inconstitucionalidade:..........................................................................................................18 Formas de Controle de Constitucionalidade:.........................................................................................20 4.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido:...................................................................20 a) Preventivo:.....................................................................................................................................20 b) Repressivo:....................................................................................................................................21 4.2) Quanto à natureza do órgão:.......................................................................................................22 4.3) Quanto à competência:...............................................................................................................23 a) Difuso:...........................................................................................................................................23 b) Concentrado:..................................................................................................................................23 4.4) Quanto à finalidade:....................................................................................................................24 a) Concreto:........................................................................................................................................24 b) Abstrato:........................................................................................................................................24 Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: .................................................................................26 5.1) Quanto ao aspecto objetivo:.......................................................................................................26 5.2) Quanto ao aspecto subjetivo:......................................................................................................27 5.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão:.....................................................................................28 5.4) Quanto à extensão da declaração:...............................................................................................30 Exercício do Controle Jurisdicional:......................................................................................................32 6.1) Controle difuso-concreto:...........................................................................................................32 1

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) ADI no STF e ADI no TJ: ............................................................................................................38 6.2) Controle concentrado-abstrato:...................................................................................................39 → Legitimidade ativa:.......................................................................................................................39 → Parâmetro para o controle:............................................................................................................40 → Objeto das ações:..........................................................................................................................41 Atuação do PGR:...................................................................................................................................42 Atuação do AGU:..................................................................................................................................42 Amicus Curiae:......................................................................................................................................43 Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato:...................................................44 Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais:....................................................................47 Efeitos da decisão de mérito no MI:......................................................................................................48 Controle Concentrado-Concreto:...........................................................................................................49 → ADI Interventiva ou Representação interventiva:.........................................................................49 RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato:.....................................................................50 PODER CONSTITUINTE:.......................................................................................................................51 Conceito e finalidade:............................................................................................................................51 Natureza:................................................................................................................................................51 Titularidade do Poder Constituinte:.......................................................................................................51 Poder Constituinte Supranacional:.........................................................................................................52 Espécies Tradicionais:...........................................................................................................................52 A) Poder Constituinte (Originário): ..................................................................................................52 B) Poder Constituinte Decorrente:.....................................................................................................54 C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador):......................................................56 Direito Adquirido:..................................................................................................................................59 Reforma x Revisão:................................................................................................................................60 HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:...............................................................................................64 Introdução:.............................................................................................................................................64 Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição:..................................64 Métodos de Interpretação da Constituição:............................................................................................65 I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff):...................................................65 II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend):.............................................................................65 III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg):....................................................................66 IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse):..............................................................67 V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): ...................................................................67 VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle):.....................................................68 Interpretativismo e não interpretativismo:.............................................................................................69 Elementos do Sistema Normativo Constitucional:................................................................................69 Postulados Normativos de Interpretação:..............................................................................................71 Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita:............................................................73 Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade:................................................................................77 PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO:....................................................................................................79 Natureza Jurídica:..................................................................................................................................79 Preâmbulo como diretriz hermenêutica:................................................................................................80 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.................................................................81 Classificação das Normas Constitucionais - JAS:.................................................................................81 Classificação de outros autores:.............................................................................................................83 NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO:.......................................................................................84 Revogação:.............................................................................................................................................84 Teoria da Desconstitucionalização:.......................................................................................................84 Teoria da Recepção:...............................................................................................................................85 Constitucionalização Superveniente:.....................................................................................................85 Repristinação:........................................................................................................................................86 Mutação Constitucional:........................................................................................................................87 2

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Graus de retroatividade da norma constitucional:.................................................................................87 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS:........................................................................................................89 Funções dos Princípios Constitucionais:...............................................................................................89 Princípios Estruturantes:........................................................................................................................90 Princípio Republicano:..........................................................................................................................90 Princípio Federativo:..............................................................................................................................90 Princípio do Estado Democrático de Direito:........................................................................................90 FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO:....................................................................................92 Soberania:..............................................................................................................................................92 Cidadania:..............................................................................................................................................92 Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa:...................................................................................92 Pluralismo Político:................................................................................................................................93 Dignidade da pessoa humana:................................................................................................................93 DIREITOS FUNDAMENTAIS:................................................................................................................95 Direitos Humanos X Direitos Fundamentais:........................................................................................95 Classificação dos Direitos Fundamentais:.............................................................................................95 Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais:..............................................................................95 Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais:..............................................................................97 Natureza dos Direitos Fundamentais:....................................................................................................98 Características dos Direitos Fundamentais:...........................................................................................98 Eficácia e Aplicabilidade:......................................................................................................................99 Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais:...................................................................99 Limite dos limites:...............................................................................................................................101 Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais:......................................................................101 DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE:............................................................................................104 Direito à vida:......................................................................................................................................104 - Direito à privacidade:........................................................................................................................105 Princípio da Igualdade:........................................................................................................................111 Direitos ligados à liberdade:................................................................................................................114 Direito de propriedade:........................................................................................................................118 Direito de segurança jurídica:..............................................................................................................120 Direitos Sociais:...................................................................................................................................123 Direitos da Nacionalidade:...................................................................................................................127 Direitos Políticos:................................................................................................................................130

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dando origem à distinção doutrinária entre normas materialmente e formalmente constitucionais. os fins socioeconômicos do Estado. então. Um fenômeno constatado no tocante a este aspecto é a ampliação gradativa do conteúdo das constituições. o constitucionalismo moderno representará uma técnica específica de limitação do poder com fins garantísticos. vislumbra tanto uma perspectiva jurídica. A Constituição brasileira de 1988 tem como conteúdo básico os direitos e garantias fundamentais. E para isso. e. é identificado com a imposição de que haja cartas constitucionais escritas. muitas vezes é necessário ir contra a democracia. avança-se no sentido de que os textos constitucionais contêm regras de limitação ao poder autoritário e de prevalência dos direitos fundamentais. Numa vertente mais restrita. o americano e o francês. 4 . assim. É. inviabilizando que os governantes possam fazer prevalecer seus interesses e regras na condução do Estado”. Constitucionalismo: Canotilho identifica vários constitucionalismos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CONSTITUIÇÃO: A Constituição pode ser definida. Kildare Gonçalves Carvalho. o constitucionalismo é reduzido à evolução históricoconstitucional de um determinado Estado. em sentido jurídico. no fundo. que passaram a tratar não apenas das normas constitutivas do Estado. uma teoria normativa da política. A principal preocupação aqui não é assegurar a vontade da maioria. André Ramos Tavares identifica 4 sentidos para o constitucionalismo: numa primeira acepção. Finalidade do constitucionalismo: proteger direitos. reporta-se a um sistema normativo. da idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição. numa terceira acepção possível. por seu turno. Tem-se utilizado. a estrutura e organização do Estado e de seus órgãos. mas proteger direitos. como sociológica: “em termos jurídicos. Partindo. tal como a teoria da democracia ou a teoria do liberalismo. em especial limitar o poder arbitrário. O conceito de constitucionalismo transporta. o modo de aquisição e a forma de exercício do poder. a defesa da Constituição. Neste sentido. preferindo falar em “movimentos constitucionais”. enfeixado na Constituição. afastando-se da visão autoritária do antigo regime. e que se encontra acima dos detentores do poder. representa um movimento social que dá sustentação à limitação do poder. razão pela qual estas só serão válidas se estiverem em conformidade com as normas constitucionais. A Constituição é a lei suprema do Estado brasileiro e fundamento de validade de todas as demais normas jurídicas. sociologicamente. como o conjunto sistematizado de normas originárias e estruturantes do Estado que têm por objeto nuclear os direitos fundamentais. para indicar os propósitos mais latentes e atuais da função e posição das constituições nas diversas sociedades. Ele define o constitucionalismo como uma teoria (ou ideologia) que ergue o princípio do governo limitado indispensável à garantia dos direitos em dimensão estruturante da organização político-social de uma comunidade. um claro juízo de valor. Numa segunda acepção. o local e a época. emprega-se a referência ao movimento político-social com origens históricas bastante remotas que pretende. a estruturação do Estado e a organização dos poderes. do estado e das instituições democráticas. Objeto: O objeto das constituições pode variar conforme a sociedade. como o inglês. mas também de outros assuntos.

Constitucionalismo clássico ou constitucionalismo liberal Surgiu a partir do final do século XVIII. ii. França – onde surgiu a 1ª constituição escrita da Europa (1791). Idéia de supremacia da constituição: vem da idéia de regras do jogo. Grécia antiga: democracia constitucional. Sem esquecer os textos da época colonial (antes de mais. EUA (1776) – Declaração de direitos do bom povo da Virgínia (1ª constituição escrita). • Separação dos poderes. ii. Garantia jurisdicional. Até então todas as constituições eram consuetudinárias. Foi a 1ª experiência constitucional. As pessoas participavam diretamente das decisões políticas do estado (cidade estado de Atenas). 2. A época foi marcada pelas revoluções liberais (revolução francesa e norte-americana). a. Foi a mais avançada forma de governo. Governo limitado. Para que as regras do jogo sejam respeitadas deve estar acima dos que dele participam. Hoje. c. o constitucionalismo é associado a três idéias: • Garantia de direitos. a partir da Revolução Francesa. Inglaterra: rule of law – governo das leis . e da França. O governo era limitado através de dogmas consagrados na bíblia. desde logo. apresentando dois traços marcantes: organização do Estado e limitação do poder estatal. b. em 1791. O constitucionalismo é a busca contra o arbítrio do poder. Para os norte-americanos a constituição é suprema porque ela é que determina as regras do jogo. porém. Nessa época houve o surgimento das 1ªs constituições escritas. Para Rudolf Von Jhering nenhum outro direito teve a idéia de liberdade tão correta. Constitucionalismo antigo (observa-se 4 importantes experiências): a. (Livro do Alexandre de Morais). A origem formal do constitucionalismo está ligada às Constituições escritas e rígidas dos EUA. A constituição norte-americana surgiu em 1787 e vigora até hoje. d. se contrapõe ao absolutismo. integram-no. Foi uma retrospectiva do direito Grego. O judiciário é o poder mais indicado para garantir a supremacia da constituição. Roma: idéia de liberdade. mas é também a garantia de direitos e respeito às regras do jogo. a Declaração de Virgínia e outras Declarações de Direitos dos primeiros Estados”. Como ressaltado por Jorge Miranda.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Evolução do Constitucionalismo: História das constituições. • Princípio do governo limitado. no nível de princípios e valores ou de símbolos da Declaração de Independência. A declaração universal dos direitos do homem e do cidadão (1789) serviu de preâmbulo para a constituição 5 . por meio da previsão de direitos e garantias fundamentais. 1. Por isso. “o Direito Constitucional norte-americano não começa apenas nesse ano. As principais idéias com as quais os norte-americanos contribuíram para o constitucionalismo foram: i. quem. porque é o poder que possui a maior neutralidade política. como e até onde pode mandar. Estabelece as regras do jogo político. Influenciaram o direito francês e americano. fases pelas quais passou a constituição. Contribuiu com 2 idéias fundamentais: i. b. Estado Hebreu: estado teocrático. em 1787. Igualdade (dos cidadãos perante a lei). O que se buscava com tais revoluções era a liberdade. A democracia é a representação da vontade da maioria. Todas as experiências constitucionais estão ligadas a pelo menos uma das idéias acima. Essas idéias floresceram durante a idade média e permanecem até hoje. as Fundamental orders of Connecticut de 1639).surgiu em substituição ao governo dos homens. após a Independência das 13 Colônias. Atribui competências aos três poderes.

Esgotamento do aspecto fático da idéia liberal. O Estado é um meio para atingir determinados fins. A dignidade da pessoa humana é protegida a partir das garantias dos direitos fundamentais. PE e PJ). algumas teorias foram alteradas: • Teoria da norma: a 1ª modificação foi com relação aos princípios. ou seja.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I francesa. sem força vinculante. Eram apenas uma diretriz. ligada à idéia de liberdade. Todos os poderes constituídos (PL. A supremacia da Constituição está ligada à supremacia do Poder Constituinte. Começou a se falar em um direito moral. Rematerialização constitucional: consagração de opções políticas. b. Biscaretti de Ruffia – fala dos ciclos constitucionais (grupo de constituições que surgiram em determinada época). c. XIX. Rússia. Os fatores que contribuíram para o surgimento do constitucionalismo contemporâneo foram: a. c. O ser humano é um fim em si mesmo. É a nação que dá aos poderes constituintes legitimidade para atuar. Constituições de países subdesenvolvidos. Durante a 2ª Guerra várias atrocidades foram cometidas pelos nazistas e tudo com base na constituição. as quais são denominadas por pós-positivismo. Novas idéias foram surgindo. Na teoria clássica os princípios não eram considerados normas jurídicas. mas essas não eram aplicadas a todos os seres humanos. as constituições tinham caráter mais político. estabelecendo diretrizes. No direito alemão havia diferença entre os seres humanos. os costumes 6 . Hoje. estarão subordinados a ela. estabelecidos pela Constituição. diretrizes. A partir dessas novas idéias. Surgiu logo após o fim da 2ª Grande Guerra Mundial. Impossibilidade de atender as demandas sociais que abalaram o séc. aplica-se a analogia. Separação de poderes. foi o Abade Sieyès. Força normativa da constituição: antes. ao contrário do que ocorre com a norte-americana. na época das Revoluções Liberais. 4. 3. havia regras. a. O principal formulador da Teoria do Poder Constituinte. Ainda existe uma influência do positivismo na lei de introdução ao código civil: se não houver previsão na lei. As constituições cresceram demasiadamente (tornaram mais prolixas) após a 2ª guerra mundial. Constitucionalismo moderno ou social Surgiu com o fim da 1ª Grande Guerra Mundial (início do séc. Konrad Hesse (1959) – fez uma palestra que se transformou em um livro que é um marco do direito constitucional. A segunda geração está ligada à idéia de igualdade material e surgiu no constitucionalismo moderno. Constituições da democracia racionalizada. a Constituição não se contenta apenas em estabelecer as regras do jogo. Idéias principais: i. Garantia de direitos. b. Dignidade da pessoa humana: passou a ser consagrada de forma expressa e passou a ser considerada um valor constitucional supremo. direitos fundamentais. a norma é o gênero e as espécies são os princípios e as regras. Segundo a tradição francesa. que dizia que o poder constituinte tinha como titular a nação. ii. d. Ex. Dentro do constitucionalismo moderno há 4 ciclos constitucionais. Constituições da democracia social. A primeira geração de direitos fundamentais surgiu na 2ª experiência. Constituições da democracia marxista ou socialista. Uma constituição que não consagra direitos e não garante a separação de poderes não é uma constituição verdadeira. XX). Constitucionalismo contemporâneo ou neoconstitucionalismo (essa última denominação não é unânime). a maioria da nação. Todo ser humano tem dignidade e isso significa que o Estado existe para o cidadão. Não há diferença de dignidade entre as pessoas. ela é um projeto político de transformação política e social que pretende participar diretamente do jogo.

Hoje.. Eles são importantes. Passou-se a se falar em métodos de interpretação constitucional a partir da 2ª guerra mundial. Entre uma regra específica e um princípio geral. o Direito Internacional: atenção maior a esse direito. Hoje. é o judiciário. Participação. etc. os princípios. 7 . Continuidade. Solidariedade. pois esta é a concretização de um princípio geral. Na jurisprudência do STF. o judiciário aumenta sua força. Aponta 7 valores fundamentais que as constituições do futuro devem consagrar: a. Mas essa é uma posição muito radical. há uma euforia dos princípios. c. aborto no caso da acrania. de uma forma geral. mas quem dirá o que ela é. d. Quando o legislativo é fraco. A aplicação da norma se dá pela subsunção. aplica-se a regra específica.  Aplicação indireta negativa: Antes de aplicar uma lei analisa-se se essa lei é compatível com seu fundamento de validade (CR). tratado internacional tinha status de lei ordinária. José Roberto Dromi escreveu um artigo dizendo que no futuro haverá um equilíbrio entre os valores marcantes do constitucionalismo moderno e os excessos praticados pelo constitucionalismo contemporâneo. é o juiz. Essa análise de compatibilidade é uma interpretação. espuma do chopp. e.  Aplicação direta da constituição. Decisão de 2008 – tratado internacional de direitos humanos tem status supralegal (controle de convencionalidade ou de supralegalidade). Vinícius – Gilmar Mendes – Abstrativização do controle concreto de constitucionalidade. Teoria Concretista Geral. Os princípios. Para Barroso. são aplicados através de ponderação entre os princípios. fala-se muito a respeito do ativismo judicial. união homoafetiva. Não se fala mais que o STF atua como legislador negativo. fidelidade partidária.  Aplicação finalística: a outra hipótese é quando se interpreta a lei conforme a constituição: filtragem constitucional (passar a lei no filtro da constituição para extrair dela o seu sentido mais puro). mas dão uma margem de subjetividade muito grande aos juízes. Universalização. o Postulados ou princípios interpretativos (Humberto Ávila). Constitucionalismo do futuro. O problema é que nem sempre o judiciário tem conhecimento técnico para decidir certas questões. etc. Teoria da interpretação: o Métodos: durante mais de 150 anos as constituições eram interpretadas por métodos desenvolvidos por Savigny no âmbito privado. sociais: pesquisa com células tronco embrionárias. Ele atua como legislador negativo e positivo. o Judicialização das relações políticas e sociais: o direito está cada vez mais presente em questões políticas e cotidianas. toda interpretação jurídica é uma interpretação constitucional. As questões estão deixando de ser decididas no âmbito privado para serem decididas pelo judiciário. Na Itália. que é aplicada mais às regras.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I e por último. EUA: nós estamos submetidos à constituição. Para Paulo Bonavides. g. os princípios gerais do direito tornaram-se os princípios constitucionais. Verdade. Integração. 80% da legislação tem influência direta do direito internacional. • • 5. f. Teoria das fontes: o Durante o positivismo jurídico o principal protagonista era o legislador. cotas em universidades. Alguns neoconstitucionalistas afirmam que hoje. verticalização. EC 45/2004 – tratados humanos poderiam ter status de EC. b. demarcação de reservas indígenas. Não se aplica diretamente a constituição. políticas: o STF vem decidindo sobre problemas da CPI. Consenso. Ex.

de acordo com o art. por intermédio de seus representantes. nos termos deste lei e das normas constitucionais. 46. conforme o quadro a seguir: Democracia Representativa Democracia Direta CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES: Democracia Semidireta Ou Participativa “Sistema Híbrido” 8 . Podemos falar. com valor igual para todos. Petition of Rights de 1628. o P. Declaration of Rights do Estado da Virgínia (1776). CR). 1º da Lei 9. Os senadores da República Federativa do Brasil representam os Estadosmembros e o DF. a verdade. dá-se através dos representantes do povo. 14. Constitucionalismo do futuro Constitucionalismo e Soberania Popular: A idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição e que esta deve conter limitações ao poder autoritário e regras de prevalência dos direitos fundamentais desenvolve-se no sentido de consagração de um Estado Democrático de Direito (☺art. que a CR/88 consagra a idéia de democracia semidireta ou participativa. a integração e a universalidade são perspectivas para o constitucionalismo do futuro. Compact (1620). que o exerce por meio de seus representantes eleitos ou diretamente. segundo o art. referendo e iniciativa popular”. pertinentes. de forma expressa. que são os deputados federais (âmbito federal). nos termos desta Constituição”. mencionado artigo distingue titularidade de exercício do poder. I. CR) e. cujo titular é o povo. os deputados estaduais (âmbito estadual) e os vereadores (âmbito municipal). 1º da Constituição concretiza que “todo poder emana do povo. a continuidade. verdadeiro sistema híbrido. então. Além de desempenhar o poder de maneira indireta (democracia representativa). a solidariedade. a participação. caput. portanto. II e III. Assim. Carta outorgada por Carlos II (1662). Contratos de colonização.U. CR. Fundamental Orders of Connecticut (1662). Vale dizer. mediante: plebiscito. o exercício deste poder. o povo também o realiza diretamente (democracia direta). Habeas Corpus Act de 1679.709/98 (que regulamentou o art. que. 1º. Act of Settlement de 1701. concretizando a soberania popular. do art. Constituição norte-americada de 1787 Constituição francesa de 1791 Totalitarismo constitucional Dirigismo comunitário Constitucionalismo globalizado Direitos de segunda dimensão Direitos de terceira dimensão (fraternidade e solidariedade) Consolidação dos direitos de 3ª dimensão Segundo Dromi.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Esquematização do constitucionalismo (livro do Pedro Lenza): Momento histórico Antiguidade Idade Média Idade Moderna Constitucionalismo norte-americano Constitucionalismo moderno Constitucionalismo contemporâneo Documentos e Características marcantes “lei do Senhor” – hebreus – limites bíblicos Democracia direta – Cidades-Estados gregas Magna Carta de 1215 Pactos e forais ou cartas de franquia. O titular do poder é o povo. “é exercida por sufrágio universal e pelo voto direto e secreto. Bill of Rights de 1689. Constituição da Confederação dos Estados Americanos (1781). de soberania popular. Como regra.

na política ou na filosofia). na qual ele falou pela primeira vez sobre esta concepção. Esta é a concepção que hoje prevalece. que surgiram com as constituições mais prolixas. O art. Segundo ele. pela forma como a Constituição encontra o seu fundamento na visão de cada autor. que adota o conceito decisionista de constituição. → Segundo Hans Kelsen. portanto. mas materialmente distintas. A Constituição Escrita só terá valor e efetividade se corresponder à Real. quando não corresponde à Real. conforme o prisma de análise. PL. Toda a Constituição. com exceção do Preâmbulo. ela encontra o seu fundamento no próprio direito (e não na sociologia. a Constituição Real sempre irá prevalecer sobre a Constituição Escrita.: art. Para entender tal concepção. formalmente iguais (fazem parte de um mesmo documento. As normas que estabelecem os fins do Estado são apenas formalmente constitucionais. a que Carl Schmitt chama de Constituição. na sociologia. Ela tem dois grandes expoentes: o austríaco Hans Kelsen e o alemão Konrad Hesse (que têm idéias diversas. As questões acerca das concepções passam pelo fundamento. Esta concepção atualmente é inadmissível. não passaria de uma simples “folha de papel”. As leis constitucionais são todo o restante. quando passou a ser mais presente a “normatividade da Constituição”. Objetivos fundamentais também são normas programáticas. 1) Sociológica: seu principal expoente é Ferdinand Lassale. a Constituição é norma pura. para ele. §2º. Tudo que está no texto da constituição é formalmente constitucional. como por ex. pois são constitucionais pela forma e não pela matéria de que tratam. ou seja. a Constituição Real ou Efetiva é a soma dos fatores reais de poder que regem uma determinada nação. é vinculante e obrigatória. mas ambos têm como fundamento a concepção jurídica de Constituição). caso contrário.. o restante. A Constituição Escrita.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Concepções de Constituição: As diferentes formas de se compreender o Direito acabam por produzir diferentes concepções de Constituição. CF/88 é matéria constitucional e é formalmente constitucional – organização do Estado brasileiro. o caráter normativo e vinculante da Constituição. a Constituição Real de um Estado não é a que está escrita num papel. e eventualmente o Poder Moderador) – são as chamadas “matérias constitucionais”. (13/02/09) 3) Jurídica: surgiu após a 2ª GM. a Constituição é um conjunto de normas como as demais leis. Os fins do Estado são diferentes de estrutura. os direitos fundamentais. é importante fazer uma distinção entre Constituição propriamente dita e Leis Constitucionais: Constituição é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental (o fundamento da Constituição é a decisão política que a antecede). 2) Política: defendida por Carl Schmitt (1929). Constituição e leis constitucionais são. PJ. as normas referentes à estrutura do Estado e a organização dos Poderes (PE. que está dentro da Constituição não seria Constituição propriamente dita. Essas normas são programáticas. É importante relacionar o nome da concepção ao seu principal expoente ou defensor (isso é muito cobrado nas provas objetivas). Aqui é importante fazer uma distinção entre a Constituição em sentido lógico-jurídico e Constituição em sentido jurídico-positivo: 9 . 1°. foi realizada em 1862 (por isso já é ultrapassada). CR – que fala sobre o Colégio Pedro II) – as leis constitucionais estão relacionadas ao conceito formal de Constituição. O fundamento da constituição está nos fatores sociais. mas a feita por aqueles que detêm os fatores reais de poder na sociedade (somatória dos fatores reais do poder dentro de uma sociedade). mas apenas leis constitucionais. ou seja. Ele faz uma diferenciação entre a Constituição Real (ou efetiva) e a Constituição Escrita. é puro dever-ser (não pertence ao mundo do ser como quer Ferdinand Lassale). tudo que não decorre de uma decisão política fundamental (ex. 242. têm a mesma forma de elaboração). A conferência realizada por ele.

Soberania. modificando-a. é a Constituição escrita (CR/88). mas que trata de todos os aspectos. segundo esta concepção.Território. → Já Konrad Hesse (1959) desenvolve a concepção de “força normativa” da Constituição (nome do livro traduzido para o português pelo Min. Ou seja. por isso não tem nenhum expoente específico. condicionante desta mesma cultura. define tais elementos estruturais. O papel do direito constitucional é dizer aquilo que deve ser (e não o que é). Sociológica (Ferdinand Lassale) Política (Carl Schimitt) Concepções Jurídica (Konrad Hesse e Hans Kelsen) Culturalista Aspectos conclusivos: A Constituição deve trazer em si os elementos integrantes (componentes ou constitutivos) do Estado. seja em razão do trabalho do Poder Constituinte Originário. é um elemento conformador. A CR/88.a Constituição em sentido jurídico-positivo é o documento constitucional que conhecemos. neste sentido. . 10 . . Gilmar Mendes). Seu único comando. portanto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . é uma norma pressuposta. 4) Culturalista: remete ao conceito de “Constituição Total”. a Constituição tem sim fundamento sociológico. tem aspecto político (tem conteúdo eminentemente político – conforme afirma Canotilho. qual seja. Chama-se concepção “culturalista” porque a Constituição é condicionada por uma determinada cultura e. os fundamentos são complementares e não antagônicos entre si (um complementa o outro). Basta que para isso exista “vontade de Constituição” e não apenas “vontade de poder”. que é aquela que não se contenta apenas em estabelecer as relações de poder. não está escrita. .Finalidade. e a Constituição tem uma força normativa capaz de conformar a realidade. seja pela introdução de novos elementos através de emendas. Apesar de muitas vezes sucumbir à realidade. é: todos devem obedecer a Constituição. todos os setores da vida social. .a Constituição em sentido lógico-jurídico é a “norma fundamental hipotética”: é fundamental porque é o fundamento da Constituição em sentido jurídico-positivo (está acima do topo da pirâmide. é apenas uma pressuposição. quais sejam: . só é constitucional o que estiver inserido na Carta Maior. posta pelo Estado). a Constituição é um estatuto jurídico e um fenômeno político). não introduz nenhuma novidade.Povo. devendo ser lembrado que o Brasil adotou o sentido formal. a Constituição possui uma força normativa capaz de conformar esta mesma realidade. desde que observadas as regras colocadas pelo Originário. e também jurídico. Esta concepção na verdade reúne todas as demais concepções anteriormente estudadas. ao mesmo tempo. É preciso pressupor uma norma fundamental para que haja o cumprimento da própria Constituição (já que para todas as outras normas haverá a Constituição que obrigará o seu cumprimento). ela não existe na realidade.

É uma aprovação simbólica). de maneira unilateral. Nesse caso. como o é a nossa CRFB/88 (que se divide sistematicamente de forma codificada). Por isso mesmo. intimamente associada à idéia de unidade do poder constituinte. votada. como é o caso da CR/88 (que surgiu em 05/10/88). promulgada. trata-se de modalidade anacrônica. Constituição Cezarista é uma constituição outorgada. . por ex. O que caracteriza um código é a sistematização de suas normas. Alguns autores afirmam que a nossa Constituição não seria democrática porque na Assembléia Constituinte alguns parlamentares não foram eleitos para este fim específico de promulgar a Constituição. pois toda constituição é escrita e não-escrita.histórica: a Constituição que vai se formando lentamente.. Mesmo submetida a plebiscito ou referendo. as constituições outorgadas foram as de 1824. dificilmente ajustando-se à noção moderna de Constituição. 4) *Quanto ao modo de elaboração: .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Classificações das Constituições: Uma classificação deve ser lógica e ter utilidade. toda Constituição histórica é costumeira. há pouco espaço para se ter costumes como regras. Constituição Espanhola/1930. mas afirmar isso seria um rigorismo excessivo.escrita: a Constituição brasileira se apresenta basicamente de forma escrita. A CR/88 é democrática porque foi elaborada por representantes eleitos especificamente para este fim (Assembléia Nacional Constituinte).não escrita/consuetudinária/costumeira: a Constituição Inglesa. 1967. a constituição não se torna democrática. são aquelas em que o poder constituinte originário se concentra nas mãos de mais de um titular.codificadas (ou reduzidas): a Constituição se apresenta como um código. a Constituição Inglesa. que para tentar dar legitimidade a essa constituição imposta é submetida a um plebiscito (consulta prévia) ou referendo (consulta posterior). .pactuada: surge através de um pacto entre o rei e a assembléia. Constituição da Alemanha Nazista/1934 (existiam várias leis esparsas tratando da matéria constitucional).democrática. 3) Quanto à origem: .dogmática: sempre escrita. que não recebeu do povo a legitimidade para em nome dele atuar. No Brasil. por alguns estudiosos. Ex de costume constitucional no Brasil é o voto de liderança (Determinadas matérias sobre as quais há consenso. surge em um só momento. é fruto das idéias. consuetudinária (não é escrita). 1937. Obs. podendo ser: . 1) Quanto a forma: essa classificação é bastante criticada.: as constituições outorgadas recebem. o apelido de “Cartas Constitucionais”.outorgada: é a constituição imposta. como por ex. de uma só vez. . Ex. 2) Quanto à sistemática: as Constituições Escritas se sub-classificam quanto à sistemática. tem também vários documentos escritos.. quem vota a matéria são as lideranças. ou variadas): ex. . popular: é feita por representantes do povo (titular do Poder Constituinte) e estes representantes têm que ser eleitos para o fim específico de elaborar a Constituição. pelo agente revolucionário (grupo ou governante). a classificação irá ajudar a compreender a constituição. . e como é bastante prolixa. dos dogmas predominantes naquele momento histórico. 11 . . não surge de uma só vez em um só momento.não codificadas (ou legais.

fixas: não poderiam ser modificadas. Atenção: não é o fato de possuir cláusulas pétreas que caracterizam a rigidez. Ex. 1º.rígidas: CR/88 – só podem ser alteradas por um procedimento de alteração mais dificultoso do que aquele apropriado para a alteração das leis. Constituição de 1824: dividia a constituição em duas partes. Ex. . sucintas. reformas tributária e política estão sendo discutidas há muito tempo. sendo assim. como é o caso da CR/88. 8) Quanto à função ou estrutura: 12 . 6) Quanto à extensão (quanto ao tamanho): . uma parte deve ser alterada por um processo mais dificultoso e outra parte pode ser alterada assim como as leis.concisa/sintética/sucinta/sumária/breve/clássica: são breves. ou seja. porque as primeiras constituições criadas só tratavam desses temas (ex. Constituição Inglesa. (Obs. sem se preocupar com os detalhes. tratam apenas dos princípios gerais das matérias constitucionais. Comparação entre grau de dificuldade na modificação de leis constitucionais e infraconstitucionais.constituição em sentido material: que se identifica pelo seu conteúdo. . mas sim o processo mais dificultoso.imutáveis: Constituição que não poderia ser modificada sob pena de punição pelos deuses. É uma constituição em sentido formal.: a Constituição dos EUA). por isso não é correto afirmar que a CR/88 é tanto Constituição em sentido formal como em sentido material. Ex.flexíveis: processo legislativo idêntico ao processo legislativo ordinário. Como se submete a esse tratado internacional. É uma classificação típica das constituições costumeiras.) .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 5) **Quanto à estabilidade ou plasticidade: (faz-se uma comparação entre a Constituição e as leis de um determinado país e não entre uma Constituição de um país e a de outro – está relacionada ao grau de dificuldade de modificação da Constituição. O parlamento desempenha uma função constituinte permanente (não existe poder reformador).semi-rígidas ou semi-flexíveis: possui uma parte rígida e outra parte que é flexível. Alexandre de Morais faz a seguinte classificação: a Constituição rígida que possui cláusulas pétreas (como a CR/88) seria denominada de super-rígida. bem como de matérias materialmente constitucionais (ex.prolixas/analíticas/regulamentares: é a tendência das constituições atuais. Constituição no Brasil é aquilo que foi feito pelo Poder Constituinte de 1988. É uma constituição em sentido material. Por este motivo. Em 2000. O que é correto afirmar é que a CR/88 trata de matérias formalmente constitucionais. independentemente do assunto de que trata (se está na CR é norma formalmente constitucional). Atenção: a Constituição em sentido formal abrange as matérias típicas das Constituições em sentido material. O objetivo de aumentar as constituições é conferir mais estabilidade a certos assuntos. inclusive a CR/88).: essas duas primeiras classificações não são mais utilizadas) .: art. Não existe controle de constitucionalidade das leis. 7) Quanto ao conteúdo ou quanto à identificação das normas: . Não existe hierarquia da constituição em relação às leis. mas não são realizadas porque são matérias formalmente constitucionais. . Estrutura do Estado e Organização dos poderes – DEO).constituição em sentido formal: que se identifica pela forma de sua elaboração (e não pelo seu conteúdo). a Inglaterra aderiu ao Tratado “Human Rights Act”. passou a haver hierarquia entre as normas. . . O são todas as constituições criadas após o fim do período das ditaduras militares e após a 2ª Guerra Mundial (todas as da América Latina. CR). pela sua matéria (o conteúdo típico de uma Constituição é: Direitos fundamentais. deixou de ser considerada flexível. portanto muito difícil de serem modificadas. Dão maior proteção e estabilidade às matérias por elas consagradas. E por isso surgiram as classificações: constituição em sentido formal e material. São chamadas também de clássicas.

a atual Constituição brasileira pode ser classificada como: escrita. o Municípios. pois valem a todos os entes federados. Históricas. porque é fruto de várias ideologias. (processo legislativo). As normas que estabelecem os meios geralmente são NE Plena ou NE Contida. Democráticas (populares. • Federal: dentro da Constituição há normas que são apenas da União. Não-escritas (inorgânicas. democrática. rígida (ou super-rígida). QUANTO AO MODO DE ELABORAÇÃO: Dogmáticas.garantia (quadro): tem por finalidade apenas proteger direitos. que na verdade é uma tradução equivocada de um termo inglês). Semi-rígidas (ou semiflexíveis). sumárias. QUANTO À ESTABILIDADE (mutabilidade ou plasticidade): Imutáveis. Trata-se daquela Constituição que dirige os rumos do Estado (ela própria – não atribui essa direção aos poderes).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . o Estados. prolixa. dogmática. QUANTO À EXTENSÃO: Concisas (breves. o DF. União. Constituição em sentido formal. A Constituição seria uma moldura dentro da qual os poderes públicos poderiam agir (por isso se usa o termo “quadro”. → Considerando algumas das espécies supramencionadas. Rígidas.: art. QUANTO À DOGMÁTICA: Ortodoxas. costumeiras ou consuetudinárias). formal. Ex. o de proteger e garantir as liberdades individuais em face do Estado. e não de apenas uma ideologia. como por ex. Flexíveis (ou plásticas). Característica das constituições clássicas. QUANTO À IDENTIFICAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS (ou conteúdo): Constituição em sentido material. QUANTO À SISTEMÁTICA (ou quanto à unidade documental): Codificadas (orgânicas ou unitextuais). É a CR/88. Fixas. ☺Quadro – Classificação das Constituições: QUANTO À FORMA: Escritas. 59 e segs. mas sim uma obrigatoriedade!). QUANTO À ORIGEM: Outorgadas (ou impostas). OBS. QUANTO À FUNÇÃO (ou estrutura): Constituição-garantia (ou Constituição-quadro). que surgiram com um objetivo pré-definido. As normas programáticas estabelecem uma obrigação de resultado e não de meio (diz que tipo de resultado o Estado deve buscar e não o meio pelo qual o fará. CR. É também chamada de programática porque os rumos do Estado são dados por normas programáticas (mas atenção: o programa de ação traçado por uma norma não é uma diretriz que o poder público segue ou não ao seu bel prazer. Constituição programática (ou dirigente). básicas ou clássicas). . votadas ou promulgadas). codificada. 13 . 3º. que traça os objetivos da República Federativa do Brasil). dirigente e eclética e compromissória (surgiu de vários compromissos).: a CR/88 é ainda Eclética. Pactuadas (ou pactuais). sucintas. dogmáticas. Canotilho. Ecléticas.dirigente (programática): expressão trazida pelo prof. Nãocodificadas (inorgânicas pluritextuais ou legais). Prolixas (analíticas ou regulamentares) Constituição: • Nacional: normas de caráter nacional.: art. o União.

para fins de controle de constitucionalidade. CR). O Princípio que afasta a tese de hierarquia entre as normas da CR/88 é o Princípio da Unicidade. 59. → CR/88 → ANP → ANS ANP = retiram seu fundamento de validade diretamente da CR/88 – estão ligados diretamente à CR (são: LO. 59. Importa dizer. cujo fundamento de validade são as leis e. estaduais. uma Constituição só possui relevância sociológica. que a CR/88. que têm a Constituição como fundamento imediato de validade. O sistema jurídico pátrio pode ser representado por uma pirâmide imaginária composta. Localizados na base da pirâmide estão os decretos e regulamentos. No escalão intermediário situam-se os atos normativos primários. MP. aprovados pelo quorum de 3/5 e em 2 turnos de votação (☺art. II a VII). que existem como complementação dos ANP). porque os princípios têm maior amplitude. Não existe hierarquia entre as normas de uma constituição. encontram-se as normas constitucionais originárias. o indireto. eles se referem ao seu conteúdo axiológico e não ao jurídico. DL e Resoluções – ☺art. No entanto. direitos fundamentais ou não. as medidas provisórias. sejam elas originárias ou derivadas. No topo. basicamente. tem de ser. a Constituição. cláusulas pétreas ou demais dispositivos. obrigatoriamente escrita.: decretos e regulamentos. por ser rígida. os decretos legislativos e as resoluções da Câmara. I) e os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos. se tiver também supremacia formal. LC. as derivadas (art. Possuem tripla hierarquia no direito brasileiro: 14 . do Senado e do Congresso Nacional (☺art. ordinárias e complementares). Leis Delegadas. §3º).343/SP. princípios ou regras. Quando alguns autores dizem que os princípios são superiores às regras. Hierarquia dos Tratados Internacionais: A questão foi resolvida no RE 466. 59.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Supremacia da Constituição: A supremacia material da constituição é um atributo de toda Constituição. ANS = retiram seu fundamento de validade direto dos ANP e de forma indireta da CR/88 (ex. 5º. Dentre eles estão as leis em sentido estrito (leis federais. distritais e municipais. a Constituição tem que ser rígida. enquanto as regras são mais específicas. Para que exista supremacia formal. as leis delegadas. por 3 níveis hierárquicos.

Não há hierarquia porque uma não é fundamento de validade da outra (LC não determina a forma e nem o conteúdo de LO). esta lei formalmente complementar será materialmente uma lei ordinária. que regula a LC. 47 Quorum de aprovação: (n° de parlamentares que têm de votar para aprovar a matéria) Matéria: Lei complementar Art. 69. só ficando afastado quando houver previsão legal especifica como no caso do art. MPs. Anotar como complemento posteriormente. Cabe controle de legalidade (discussão incidental).  Diferença Formal = quórum de aprovação  Diferença Material = Matéria Pergunta: Uma LC pode tratar de matéria de LO? Resposta: A LC pode tratar de matéria residual (LO) sem ser invalidada. Leis delegadas.☺Art. Não varia. STF e STJ já são pacíficos em afirmar que não há hierarquia entre LC e LO.☺Art. ☺Quadro: Iniciativa: Quorum de votação (de instalação): (n° de parlamentares que têm de estar presentes para instaurar a seção) . Lei ordinária Art. Por ser uma matéria reservada. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros) Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros). ela não pode ser tratada por leis ordinárias. O tratado serve como parâmetro para o controle de constitucionalidade. 47 é a regra geral. Lei Ordinária X Lei Complementar: Na doutrina ainda existe conflito se há ou não hierarquia entre essas espécies normativas. Essa aprovação não é obrigatória. ii) TI de Direitos Humanos aprovados por maioria relativa: status supralegal. 69. OBS: O art.status constitucional. 47.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I i) TI de Direitos Humanos aprovados por 3/5 e 2 turnos: equivalentes a EC . mas somente uma recomendação. Obs 2: LFG ressalta 2 possibilidades de supra-constitucionalidade. é sempre o mesmo número ☺Art. Vinícius – Obs 1: Na prática inviabiliza a Constituição. ambas possuem campos materiais distintos estabelecidos pela Constituição. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50 % dos membros) Maioria Relativa (+ de 50% dos presentes). Pergunta: Pode uma LO tratar de matéria de LC? 15 . o que o TI inviabiliza é a aplicação da lei e não da Constituição. iii) TI de outros assuntos (aprovados por maioria relativa): status de LO. Cabe controle de convencionalidade ou de supralegalidade (discussão incidental). por isso não entendo como pode tamanho formalismo. por uma questão de economia legislativa. o que significa que ela poderá ser revogada por outra lei ordinária. Quando não exigir LC. Ambas retiram seu fundamento de validade da Constituição. No entanto. Reservada pela CR/88. É variável porque depende do n° de parlamentares presentes . Portanto. a previsão constitucional exige complementação. Residual. No caso da prisão civil por dívida.

Parei aqui. se uma lei estadual trata de uma matéria de forma contrária à norma geral (União). A União estabelece normas gerais e os Estados exercem competência suplementar. deve-se verificar para quem a CR/88 estabeleceu a competência. 21. não cabe ADIN. conforme previsto no art. A relação aqui é de competência vertical e representa uma exceção à não hierarquia! CR/88 ↓ União – edita normas gerais (§1º) ↓ Estados e DF – têm competência suplementar (§2º) Neste caso. § 1° (matéria residual) • Município – ☺Art. ☺Art. CR. não há hierarquia (trata-se de competência horizontal). Vinícius – Por isso que norma municipal é objeto de ADPF? Olhar isso depois. Estado tem que respeitar o conteúdo da norma estabelecida pela União. 30 (assunto de interesse local). pois não está ligada diretamente à Constituição. E. como a CR/88 é o fundamento de validade de todas elas. 16 . a competência para resolução é do STF. assim. d. Assim. • Estado – ☺Art. 102. pois aqui o fundamento de validade é diretamente a CR. há hierarquia. Para resolver esse conflito é necessário interpor RE ao STF (não é mais competência do STJ). III.: lei estadual trata de matéria de competência da União). 25. 22 e 48  Lei Federal Para resolver o conflito de competência (repartição horizontal) entre essas leis. DF). Havendo conflito (ex. • União – ☺Arts. Lei Estadual e Lei Municipal: A CR/88 estabelece campos materiais distintos para cada uma destas leis. no caso de repartição vertical. 24 CR/88 = Matérias de competência legislativa concorrente não cumulativa (U. Conclusão: um ato só pode ser objeto de ADIN se estiver ligado diretamente à Constituição. nenhum outro ato normativo pode tratar de matéria de LC (nem mesmo medida provisória ou tratado internacional). Hierarquia entre Lei Federal.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Resposta: Não. a lei federal determina o conteúdo da lei estadual. Assim. como o controle exercido será de constitucionalidade.

visando assegurar a supremacia da constituição. é diretriz hermenêutica.Objeto → ato do poder público que vai sofrer o controle (é aquilo que pode ser questionado através do controle). mas também aquelas que tratem de matéria constitucional mesmo que fora da constituição. os TI de direitos humanos.Parâmetro → é a norma constitucional que serve de referência para o controle de constitucionalidade (normas constitucionais que podem gerar a inconstitucionalidade). OBS: Não existe inconstitucionalidade de atos dos particulares. deve estar inserida no texto da CR. etc. proporcionalidade) já que todas são formalmente constitucionais. normas foram acrescentadas ao ADCT para transição entre as normas antigas e as novas. tem que ser uma norma formalmente constitucional (seu conteúdo a princípio não tem relevância). . A constituição só fala em inconstitucionalidade de atos dos poderes públicos. todas as demais normas servem como parâmetro (e não só as normas expressas. desde que aprovados por 2/3 e em 02 turnos. a todas as normas do Ordenamento Jurídico brasileiro que tenham status constitucional. para alguns é amplo e para outro é mais restrito. A supremacia que o controle de constitucionalidade visa assegurar é a constitucionalidade FORMAL. Para que uma norma sirva de parâmetro para o controle. tem função interpretativa). não serve de parâmetro para controle de constitucionalidade (não tem caráter normativo. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE: Conceito: Consiste na fiscalização da compatibilidade entre condutas (comissivas ou omissivas) dos poderes públicos e os comandos constitucionais. este parâmetro foi ampliado também para os TIDH. 17 . ou seja. b) Parte permanente = normas gerais – arts. BLOCO DE CONSTITUCIONALIDADE (Louis Fraudred): É uma expressão que fazia referência às normas do ordenamento jurídico francês que tivessem status constitucional. Refere-se. que se refere a ele como sinônimo das normas para parâmetro. Tirando o preâmbulo. o CDC. seja uma norma de referência para ele. consenso doutrinário no Brasil sobre o conteúdo desde bloco. Com a EC/45.Amplo: engloba não apenas normas formalmente constitucionais. . A CR/88 pode ser divida em: a) Preâmbulo = consagra os valores supremos da sociedade. Abrangeria não somente a constituição. quando são equivalentes às EC. inclusive os princípios implícitos também podem – ex. Assim. c) ADCT = normas de transição entre a constituição antiga e a nova. portanto. como para Canotilho. 1° a 250 (para perder eficácia tem que ser retirados por EC). Não existe. o controle de constitucionalidade pode ser conceituado como o conjunto de mecanismos (instrumentos) criados para assegurar a supremacia formal da Constituição. mas também o preâmbulo. contudo. Também para os casos de grande mudança constitucional Ex: quando da reforma administrativa. Parâmetro (normas de referência): O controle de constitucionalidade tem dois elementos fundamentais: parâmetro e objeto. Como não tem caráter normativo.

art.2) Quanto a norma constitucional ofendida: (parâmetro constitucional violado) a) Formal: é aquela que atinge uma norma que se refere à forma. b) Parcial: atinge apenas uma parte da lei ou do ato normativo. Ex.: as normas de princípio institutivo podem ser: facultativas (não geram omissão inconstitucional) ou impositivas (geram omissão inconstitucional). Pois o poder público também agiu de forma inconstitucional ao legislar de forma incompleta. aliás. a) Total: atinge toda a lei ou ato normativo. atinge uma norma constitucional que cria algum direito ou dever (ex. Dependem do prisma de observação. A inconstitucionalidade por omissão só ocorre quando houver descumprimento a: Norma de eficácia Limitada. STF foram abandonadas após a entrada em vigor da CR/88. 3. Ex. Não Auto-executável. Aqui. MI. Formas de Inconstitucionalidade: 3. 69 – desrespeito a quorum de aprovação.Inconstitucionalidade Formal Subjetiva: Se refere ao sujeito competente para elaboração da norma. há uma divergência na doutrina. o Min. AIO. b) Material: Se relaciona a uma norma de fundo da constituição e não a uma norma de procedimento. 61. se considerar um artigo em relação a uma lei é parcial. Assim. 5. .: nem toda norma de princípio programático gera um direito subjetivo. Pode ser: .3) Quanto a extensão da inconstitucionalidade: Servem tanto para inconstitucionalidade por ação como por omissão. quando não é respeitada uma norma de competência. mas o prof. 154. Obs. CR).de princípio institutivo (Obs. as normas constitucionais que podem gerar uma omissão constitucional são somente as NEL: . Os Estados podem criar a ação de inconstitucionalidade por omissão.1) Quanto ao tipo de conduta dos poderes públicos: a) Inconstitucionalidade por ação: quando o poder público pratica uma conduta incompatível com a constituição. Ou seja. . 18 . Ex. ou seja. A omissão parcial nada mais é que uma ação. as Súm. pois.: direitos fundamentais estabelecidos nos arts. e Não Bastante em Si. Não Auto-aplicável. Em regra decorre de vício material (viola direito fundamental).: competência privativa do PR (☺art. Em regra a inconstitucionalidade formal gera inconstitucionalidade total. diz que essas normas geram omissão inconstitucional sim. mas caberá ADIN por omissão). 5° a 17). ocorre. ocorre quando não é respeitada uma norma que diz respeito a alguma formalidade do procedimento em si (☺ art. STF não é mais aplicada. se considerar em relação a uma expressão é total.: a Súm. (Obs. não foi recepcionada pela CR/88 (o vício de iniciativa é insanável. ou seja. No STF. 3. ADI. não será cabível mandado de injunção.Inconstitucionalidade Formal Objetiva: Relacionada ao processo em si de elaboração do ato.Restrito: o bloco é utilizado como parâmetro do controle de constitucionalidade. §1º. I – que exige LC para instituir impostos residuais). não pode ser suprido pela sua sanção). A parcial se confunde com a inconstitucionalidade por ação. 3.de princípio programático. Celso de Melo utiliza esta expressão como sendo sinônimo de parâmetro (normas formalmente constitucionais). Assim. às vezes.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . 4 e 5. ADC e ADPF. b) Inconstitucionalidade por omissão: quando o poder público se omite e não pratica um dever imposto pela constituição. ao procedimento de elaboração de uma norma (aspecto de elaboração do ato).

ou seja. no controle concentrado abstrato. Não se pode confundir a declaração de inconstitucionalidade com o Veto Parcial.: poderá ocorrer a inconstitucionalidade direta de um decreto ou de uma portaria. § 2°). de ofício ou a requerimento da parte. pode ser questionado. No caso da lei. o STF poderá utilizar a técnica judicial da inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração. 3. a inconstitucionalidade será direta. desde que estes estejam diretamente ligados à CR. Quando se fala em inconstitucionalidade. Pode ser: b. não se trata de revogação.1) Indireta Conseqüente: aqui existe uma lei inconstitucional e um decreto regulamentando essa lei. Relaciona-se. mas que se tornam incompatíveis com o novo parâmetro (ex.: Lei de 1990 que é incompatível com a CR/88). Para o prof. Pergunta: Pode o STF declarar a inconstitucionalidade de apenas uma palavra ou expressão da norma? Resposta: Sim. que são atos ligados diretamente a constituição (cabe ADI). reflexamente (ou de maneira 19 . A inconstitucionalidade poderá então ser: a) Inconstitucionalidade Originária: lei posterior à CR/88 e que nasce incompatível com ela. atos previstos no art. aos Atos Normativos Primários. Em conseqüência da inconstitucionalidade da lei.4) Quanto ao Momento: Para se saber o momento em que ocorre a inconstitucionalidade. Ex. a inconstitucionalidade formal gera a inconstitucionalidade total e a inconstitucionalidade material gera a inconstitucionalidade parcial. todo parágrafo. decretos regulamentares. pois.5) Quanto ao Prisma de Apuração: a) Direta/Antecedente: ocorre quando o ato está diretamente ligado à CR. Desde que a frase permaneça com o mesmo sentido. CR. OBS: No Brasil não se adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente. b) Indireta: refere-se a Ato Normativo Secundário. o que houve foi um desrespeito à Constituição. já sendo inconstitucional desde a sua origem. Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: quando a inconstitucionalidade de um decreto é conseqüente da inconstitucionalidade de uma lei. o decreto se torna inconstitucional. Não é o que ocorre quando o ato se torna incompatível com a constituição. como altera sentido do texto. ato originariamente constitucional. não podendo incidir sobre parte do dispositivo. Obs. que se ligam indiretamente à constituição. mas não por ADI ajuizada para declarar a inconstitucionalidade da lei. ou seja. 66. 59. Inconstitucionalidade direta ou antecedente – ligada ao um ANP. pois a atos posteriores ao parâmetro (ex. a inconstitucionalidade será indireta. mas sim de não recepção! (18/02/09) 3.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Geralmente. não pode ser retirada). desde que a declaração de inconstitucionalidade dessa palavra ou expressão não altere o sentido da frase (ex.: existência de uma Lei de 2005 que é compatível com a Constituição. e grande parte da doutrina. Segundo STF. deve-se analisar quando o parâmetro foi elaborado. toda alínea ou todo inciso (☺art. Se o decreto é ilegal. No caso do decreto. b) Inconstitucionalidade Superveniente: lei anterior à CR/88. mesmo sem ter sido provocado para declarar a inconstitucionalidade do decreto. Ex. que só pode atingir todo artigo.2) Indireta Reflexa/oblíqua: aqui existe uma lei compatível com a constitucional (lei não inconstitucional) e um decreto ilegal. os atos originariamente constitucionais que se tornam incompatíveis com a CR são por ela revogados. refere-se.: a palavra “não”. o decreto não pode ser objeto de ADI sozinho. b. posteriormente vem uma EC superveniente que torna a lei de 2005 incompatível com a CR/88). Assim.

O veto pode ser total ou parcial (desde que incida sobre todo o art. o projeto 20 . O controle preventivo pode ser exercido tanto pelo PL.: no período da vacatio legis não caberá nenhum tipo de controle (se a lei não está vigente ainda. porque ele é o único que participa do processo legislativo. viola o art. Formas de Controle de Constitucionalidade: 4. assim. Art. Cada órgão do PL tem uma CCJ para exercer esse controle de constitucionalidade. §2º. mas todo projeto de lei passa pelo controle do PE. 84. parágrafo. embora participe do processo legislativo. Caso contrário. a única hipótese é o MS que só pode ser impetrado por parlamentar. CR) – o veto se dará em duas hipóteses: se o projeto de lei for inconstitucional (veto jurídico) ou se for contrário ao interesse público (veto político – aqui não há um controle de constitucionalidade. através da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). IV. 84. por isso ocorre antes da promulgação da lei. O único legitimado para impetrar esse MS. 66.ou concreto. não pode impetrar o MS. por isso aqui não há que se falar em controle). segundo o STF. 60 parag 4. mas uma mera análise política.sancionar. Obs.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido: a) Preventivo: É o controle feito para prevenir uma lesão à CR. tem fundamento de validade indireto. já que de maneira indireta. A CR é o fundamento de validade de todos os atos jurídicos. Quando um decreto feito pelo presidente estiver regulamentado diretamente a Constituição e a violar. O chefe do PE. IV . já está na fase de sancionar ou vetar o projeto. a inconstitucionalidade será direta. a inconstitucionalidade é indireta. Trata se de um controle incidental. CR. ele deve apenas vetar o projeto de lei por inconstitucionalidade (e se o veto dele for derrubado. que se exerce através do veto (☺art. quando não for observado o devido processo legislativo constitucional (a observância do devido processo legislativo configura um direito público subjetivo). portanto. OBS: não adianta decorar o nome do ato. bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução.Poder Legislativo: o PL sempre vai exercer esse controle quando se tratar de projeto de lei ou proposta de emenda.Poder Judiciário: o controle pelo PJ é raríssimo. ela não está violando o direito de ninguém).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I oblíqua) será inconstitucional. . mas sim analisar cada caso concreto.Poder Executivo: o PE não exerce controle quando se tratar de proposta de emenda (a PEC não tem nem sanção nem veto do chefe do executivo). pois pode ser derrubado (☺art. No 1° caso. 66. porque o ato não fere diretamente a CR). Todo decreto ilegal não cumpre a fiel execução. é o parlamentar (que é legitimado ativo exclusivo). prevenir que a CR seja violada.. O veto é relativo. ele não precisaria impetrar o MS. quando ele participa do processo legislativo. é fundamento de validade direto e no 2° caso. porque o chefe do PE. não existe veto tácito (a sanção é que poderá ser tácita – prazo de 15 dias). inciso ou alínea). . para ver se a ligação do ato é direta ou indireta com a Constituição. EX:art. promulgar e fazer publicar as leis. CR). se ele entender que o projeto é inconstitucional. CR/88 (não cabe ADI em hipótese alguma. O veto tem que ser expresso. é excepcional. como pelo PE e PJ: .

68. Essa é a finalidade do controle feito pelo PJ.Poder Legislativo: pode exercer esse controle repressivo em 3 hipóteses: I) art. ou seja. Esse controle também pode ser exercido pelos 3 Poderes: . que. e as normas do RI são questões interna corporis). o voto direto. a violação constitucional pode advir da violação dessas outras normas. Caso da Lei Delegada: o CN faz uma Resolução na qual define quais são os limites da delegação. quais as matérias que o PR poderá tratar na delegação.sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa. um Deputado poderá impetrar um MS no STF para que se observe o processo legislativo constitucional. esse entendimento começa a sofrer uma revisão pelo STF. 21 . CR – comporta duas possibilidades: lei delegada e decreto regulamentar. porque ele é um tipo de controle exercido para assegurar um direito subjetivo do parlamentar (e não para assegurar a supremacia da CR). ☺art. No entanto. contudo. pois não se trata de ato normativo. constituindo-se normas constitucionais interpostas. muito embora não sejam formalmente constitucionais. tendo como objeto esse Dec. que vai sustar a parte do ato que exorbitou os limites da delegação – o CN estará fazendo um controle de constitucionalidade com base no art. na qual o projeto esteja tramitando. mas somente o parlamentar da respectiva Casa. que é o chamado Decreto Legislativo. Na verdade. se na Assembléia Legislativa. em um primeiro momento. as cláusulas pétreas. mormente. o Senador.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de lei deixa de ser projeto e vira lei. indignado com o Decreto Legislativo que sustou os atos que exorbitaram a delegação do CN. Se nessa elaboração o PR exorbitar os limites da delegação que lhe foi dada pelo CN. secreto. vedando-se.. o direito líquido e certo à observância do processo legislativo constitucional. somente o Deputado Estadual. Esse controle preventivo não impede um posterior controle repressivo. Esse controle feito pelo PJ é um controle concreto (e não abstrato). a fim de repará-la. Atenção: só cabe impetração de MS se o dispositivo violado for norma da CR (não cabe MS se se tratar de norma do Regimento Interno – não é um processo legislativo apenas. o órgão jurisdicional competente deve examinar a regularidade do processo legislativo. e ai então o controle passaria a ser repressivo e não mais preventivo). CR. Legislativo? Sim. Se o projeto tramita na CD. que entende que “. se houver uma proposta de emenda consagrando pena de morte para crimes hediondos. Leitura do livro do Lenza (pág. aos direitos fundamentais”. o CN poderá editar um outro ato normativo primário. desta feita. 60. os direitos e garantias individuais” – ou seja. 168): o STF. decidiu que o controle de constitucionalidade a ser exercido pelo PJ durante o processo legislativo abrange somente a garantia de um procedimento em total conformidade com a CR. §4º. se está no Senado. Questão: o PR. não é qualquer parlamentar que pode impetrar o MS. ADC ou ADPF. etc. interpretações regimentais. pode ajuizar uma ADI. Assim. universal e periódico. não lhe cabendo.. mas um processo legislativo constitucional. vinculam os atos e procedimentos legislativos. Ademais. na linha do voto de Gilmar Mendes.se as normas constitucionais fizerem referência expressa a outras disposições normativas. o PR elaborará então a LD. V. quem tem legitimidade é apenas o Deputado. CR: “não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: a forma federativa de Estado. b) Repressivo: É o controle feito quando a lesão à CR já ocorreu. por maioria de votos. V . Uma proposta de emenda não pode ser objeto de ADI. sempre tendo em vista a constatação de eventual afronta à Constituição. 49. a separação dos poderes. a extensão do controle sobre aspectos discricionários concernentes às questões políticas e aos atos interna corporis. já que trata-se de um ato normativo.

pode apreciar a constitucionalidade de leis e atos do poder público. pelo 1°) Executivo e pelo 2°) Legislativo. por ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Caso de Decreto Regulamentar: se o PR. devendo cada um deles obediência apenas à Constituição. há 2 requisitos: o PE tem que motivar o seu ato e tem que dar publicidade a esta negativa de cumprimento (por ex. clara e evidente – ou seja. STF: o Tribunal de Contas. é necessário fazer-se um controle repressivo). ajuizar uma ADI. Após a CR/88. Como compatibilizar o crime de responsabilidade. entende-se que o chefe do PE pode e deve negar cumprimento a lei que entenda ser inconstitucional). Não se analisa o mérito da MP). no tocante aos pressupostos constitucionais (relevância e urgência). a possibilidade de intervenção e o não cumprimento da lei? Para que não caiba intervenção federal ou estadual e para que o chefe do PE não pratique crime de responsabilidade.Poder Judiciário: é o que tem a função principal de exercer o controle repressivo.Poder Executivo: não há hierarquia entre os 3 poderes.084). Prefeito) pode negar cumprimento a uma lei (em sentido amplo) que entenda ser inconstitucional. ou seja. não cabe ao PJ analisar os pressupostos constitucionais da MP. estudado de forma detalhada a seguir. Ele só poderá fazê-lo até que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. o controle se dará sobre os seguintes aspectos: formal (se foram preenchidos os requisitos de relevância e urgência). . CR – trata das Medidas Provisórias (ato editado pelo PR. No entanto. 71. nesse caso. Há autores que afirmam que após a CR/88 o chefe do PE não poderia mais negar cumprimento à lei. simultaneamente. mas tão somente aos prefeitos. esse rol foi ampliado. Chegou-se então à seguinte conclusão: tanto no STJ quanto o STF não há impedimento para que o chefe do PE negue cumprimento (No STF. pode o PJ analisar tais pressupostos. 62. O TC é órgão auxiliar do PL (art.. 4. Apenas excepcionalmente. Existem 3 sistemas adotados no direito comparado: 22 . quando. só havia um legitimado para propor ADI (PGR). os prefeitos não poderiam ter poderes mais amplos que os governadores. Obs. CR). . exorbita os limites do Poder Regulamentar. não se justificaria o não cumprimento de lei pelo PE. estendendo-se inclusive ao PR e Gov. O chefe do PE (e só ele – PR. não é um entendimento consolidado. CR). Legislativo para sustar. Ele será. tampouco que o PR. mas segundo o Min. nesse caso o CN pode editar um Dec. suspender a parte do Decreto Regulamentar do PR que exorbitou os limites a ele concedidos (☺art. e material (se o conteúdo da MP for incompatível com a CR.. ela deve ser objeto de controle. dizendo que a lei é constitucional (ai eles já não poderão mais negar cumprimento à lei – a presunção tornar-se-á absoluta). O PL pode analisar os pressupostos constitucionais de relevância e urgência. Gilmar Mendes.: quanto ao controle da MP pelo PJ – Questão: o PJ pode exercer o controle de constitucionalidade com relação aos aspectos da relevância e urgência. que tem eficácia desde a sua edição – por isso se for inconstitucional.O STF e o STJ mesmo após a CF de 88 continua aceitando a negativa de cumprimento. não havia relevância alguma). GE. II) art. Assim. segundo o STF? Resposta: em regra. ao negar cumprimento à lei. o PJ só pode exercer o controle repressivo após o término do período da “vacatio legis” (☺RE 346. Será exercido pelo controle difuso ou concentrado. ao fazer um Decreto Regulamentar. expondo os motivos pelos quais ele não irá cumprir a referida lei).2) Quanto à natureza do órgão: As classificações são geralmente chamadas de Sistemas de controle. somente depois que a lei passa a ter vigência (que é a inserção da norma no mundo jurídico). III) Súmula 347. porém. já no STJ não há qualquer ressalva. quando a inconstitucionalidade for flagrante e objetiva (inconstitucionalidade “chapada”. no exercício de suas atribuições. o chefe do PE teria que. IV. Desde já. devemos atentar para o momento em que deve ocorrer o controle pelo PJ: a partir de que momento o PJ pode exercer o controle repressivo? Segundo o entendimento do STF. 84. através da edição de um Decreto. pois. Antes da CR/88. Mas isso não pode ocorrer indefinidamente..

b) Concentrado: É aquele que se concentra em apenas 1 órgão do PJ: no STF (quando o parâmetro é a CR/88). É também chamado de reservado (a apenas um órgão do PJ). se adotam os dois sistemas acima vistos – o político e o jurisdicional. O que é Binding effect?E o efeito vinculante da decisão. órgão específico para exercer o controle de constitucionalidade). quando o famoso juiz Marshall julgou o igualmente famoso caso Marbury x Madison. com 19 anos de Constituição. interessante: em 1965. ou no TJ (se o parâmetro for a Constituição Estadual). É conhecido como Sistema norte-americano de controle. o controle é feito pelo PL. Essa classificação só se aplica ao controle feito pelo poder judiciário. c) Sistema Misto ou combinado: é adotado pelos países nos quais. há quem chame o controle adotado no Brasil de controle combinado ou misto (não em razão da natureza do órgão. Adotamos o sistema jurisdicional (sistema misto é ≠ de sistema jurisdicional de controle misto). ao mesmo tempo. 4. em se tratando de lei nacional. no qual o controle é feito pelo PJ (é o adotado nos EUA e no Brasil). porque pode ser tanto difuso quanto concentrado. a) Difuso: É aquele que pode ser exercido por qualquer órgão do PJ. No Brasil. que completa este ano 20. dependendo da lei se adota um sistema diferente do outro. 1792 Hayburn s case.S. O que ocorre é que o sistema jurisdicional adotado no Brasil é do tipo misto. Obs. porque surgiu na Áustria. É o adotado nos países em que o controle é feito pelo PL (e não pelo PJ). ou seja. de 1965 (na Constituição de 1946) – obs. porque significam coisas diferentes!).: França – que tem o Conselho Constitucional. mas das espécies de controle.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Sistema Político: é exercido por um órgão sem natureza jurisdicional. já foram feitas 56 EC! 23 . em 1920 (bem depois do controle difuso).A. Primeiro caso. O controle difuso foi introduzido pela primeira vez no Brasil na Constituição Brasileira de 1891 (que foi a 1ª Constituição Republicana). se se tratar de lei local. b) Sistema Jurisdicional: é o sistema mais conhecido. porque surgiu nos EUA. haviam sido feitas apenas 16 EC.3) Quanto à competência: Quais os órgãos do PJ têm competência para exercer o controle de constitucionalidade? Temos duas espécies: difuso e concentrado (atenção: não utilizar os outros nomes (concreto e abstrato) nessa classificação. Por isso. Esse foi o 1º controle difuso exercido no mundo. ou então por um órgão específico que tenha sido criado para exercer esta função (ex. apesar de muitos afirmarem que adotamos o sistema misto. O poder judiciário é o principal órgão responsável pelo controle. Por isso. É também chamado de controle aberto. isso não é verdade. em 1803.Hilton x U. O controle concentrado é conhecido como Sistema Europeu ou Austríaco. e é adotado pela maioria dos países europeus. dentro de sua competência. esse tipo de controle ficou sendo conhecido assim. Seu criador foi o grande Hans Kelsen.: O controle concentrado surgiu através da EC 16. Segundo caso. já na CR/88. para não gerar essa confusão. Ex. difuso e concentrado). sem exceção (qualquer juiz ou tribunal. quem exerce o controle é o PJ.: na Suíça. inclusive o STF).

Eu posso ter um controle concentrado abstrato e concreto. Aqui ocorre o contrário do que se verifica no controle concreto. Interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da CR. O efeito horizontal seria a vinculação do precedente em relação ao próprio tribunal (órgãos e juízes daquele tribunal).4) Quanto à finalidade: Todo controle é feito de forma abstrata. 102. (O STF é o guardião da CR – art. porque enquanto estava vigente pode ter violado direitos subjetivos. 97. pois a finalidade principal do controle abstrato é proteger a ordem constitucional objetiva. Ele sustenta que nos países cujo sistema é o da “Commom law” existe uma Teoria chamada “Stare Decisis”. mas esta lei já revogada não pode ser objeto de controle abstrato. O controle será feito a partir de um caso concreto levado à apreciação do judiciário. Este efeito é típico do controle abstrato. mas não temos o instituto do “Stare Decisis”. A finalidade principal do controle concreto é assegurar direitos subjetivos (a supremacia da Constituição fica em 2º plano). corresponde no Brasil ao Efeito Vinculante. e a partir desse antecedente. não havendo aplicação dessa decisão ao caso concreto. bem como qualquer outra norma que já tenha produzido todos os seus efeitos. Influência dos efeitos do controle abstrato no controle concreto. No direito brasileiro. se fala em efeito vertical. O controle pode ser concreto ou abstrato: a) Concreto: A pretensão é deduzida em juízo através do chamado “processo constitucional subjetivo”. Atenção: uma lei revogada pode ser objeto de controle concreto. é proteger as normas da CR. ou tendência de verticalização. Aqui no Brasil nós adotamos o efeito vinculante. sendo o controle 24 . as decisões do STF devem sempre ter efeitos erga omnes. segundo a qual deve ser dado o devido peso ao precedente judicial.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4. No Brasil. as decisões produzem dois tipos de efeitos: o efeito horizontal e o efeito vertical. mas deve ser estendido ao controle concreto). uma MP revogada ou uma lei temporária que já perdeu sua vigência. por ser uma relação vertical. Da mesma forma. já quando o precedente é um precedente de tribunais superiores que vincula tribunais inferiores. também não podem ser objeto de controle abstrato. Gilmar Mendes diz que o sistema difuso não é apropriado no Brasil. porque em estando revogada. → “Tendência de abstrativização do controle concreto”: (Tendência atual de influência do controle abstrato no controle concreto). ou seja. Primeiro decide-se se a lei é inconstitucional. Com base nesse argumento. Gilmar Mendes. O controle abstrato fica apenas na análise em tese da lei. o juiz irá decidir o conseqüente (caso concreto). A análise da lei sempre será feita em tese. CR: Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público). Pode ser chamada também de tendência de objetivação no processo subjetivo. b) Abstrato: A pretensão é deduzida em juízo através de um “processo constitucional objetivo”. mas tão somente de controle concreto. o principal defensor dessa tendência é o Min. O efeito vertical. A finalidade não se confunde com a competência. a “Stare Decisis” se assemelha à chamada Cláusula da Reserva de Plenário (☺art. nos EUA chamado de “Binding Effect”. Por isso o Min. Segundo este instituto. é assegurar a supremacia constitucional (a proteção dos direitos subjetivos fica em 2º plano). já não ameaça mais a supremacia da constituição.

do PL. Gilmar Mendes (e também o Min. A Defensoria Pública do Acre então ajuizou uma Reclamação diretamente no STF dizendo que o juiz do Rio Branco estaria desrespeitando a decisão do STF (☺Rcl. e nesse HC passou a entender que a vedação é inconstitucional. a interpretação da suspensão da execução seria igual a dar publicidade à decisão do STF. então não sabemos a posição dos demais ministros. os MIs tinham efeitos não concretistas (comunicava-se ao legislativo que determinava lei precisava ser regulamentada). Assim. sem que ocorra modificação no seu texto. surpreendentemente disseram que a decisão do STF realmente só teve efeito inter partes. Ocorre que os outros dois ministros que votaram depois. Para que isso pudesse ocorrer seria preciso uma EC. Gilmar Mendes. Na decisão do STF. O problema é que a nossa CR não trata o assunto dessa maneira. como fica o papel do Senado Federal? ☺art. Nesse HC alguns ministros disseram que o STF não estava julgando o caso concreto. E. Trata-se de uma mutação não comportada pelo programa normativo (o texto da norma não comporta. segundo ele. 52. CR. ainda. haveria uma violação do princípio da separação dos poderes. O MI é instrumento de controle difusoconcreto. A suspensão pelo SF ocorre quando a decisão é inter partes. se assim fosse. Ocorre que dar publicidade e suspender a execução de uma lei não são definitivamente a mesma coisa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I abstrato o mais indicado para a nossa realidade. tendo efeito apenas inter partes. X. Na época houve uma certa dúvida se era uma decisão concretista inter partes ou erga omnes. Mutação constitucional são processos informais de alteração da Constituição. o Min. um efeito típico de controle abstrato num controle concreto).917/SP. não permite essa mutação). Eros Grau. em que se analisou a vedação à progressão de regime na lei de crimes hediondos. até hoje não se sabe qual é a decisão do STF. que deu provimento à reclamação. o direito de greve dos servidores públicos. Por fim. sendo acompanhado pelo Min. o STF conferiu efeito erga omnes à decisão. mas se referiria a todos os municípios da federação brasileira. mas sim analisando se a lei de crimes hediondos era ou não constitucional (com efeito erga omnes. no qual um município de SP (Mira Estrela) questionava a resolução do TSE que limitava o número de vereadores. Gilmar Mendes. disse que apesar de ser um controle difuso concreto. mas prevaleceu o entendimento de que foi erga omnes. No Legislativo: Mas. No Acre. dizendo que sua decisão não era apenas para aquele município. Joaquim Barbosa e Sepúlveda Pertence. em ocorrendo isso. 4. Pois no controle difuso. Por fim. um juiz disse que a decisão do STF foi num HC. Por isso há tantas decisões do STF com essa tendência de abstrativização. houve decisões proferidas em 3 MI (712. esta posição esvaziaria a Súmula Vinculante (que perderia sua finalidade. Não houve reclamação quanto a essa decisão. só que nos julgamentos desses MI´s o efeito conferido à decisão pelo STF foi um efeito concretista geral. não uma simples mutação. o STF estaria usurpando uma função que é do SF. há essa tendência de abstrativização do controle concreto. já que a própria decisão do STF já teria efeito erga omnes e vinculante). regulamentando o direito de greve para todos os servidores públicos civis (e não só para aqueles que impetraram o MI). A maioria dos tribunais passou a adotar esse entendimento. viola o princípio da igualdade. e não erga omnes. Antes. estava conferindo efeito transcendente ao seu voto.959/SP.335/AC). em seu voto. O Relator da Reclamação foi o Min. ou seja. O julgamento não foi concluído ainda (e a ação não perdeu o objeto). ou seja. pois violaria o Princípio da Individualização da Pena. ou seja. Então. ou seja. O STF adotava o entendimento de que a vedação era constitucional. não há necessidade da suspensão pelo Senado. como a decisão tem efeitos inter partes. Se a decisão do STF no controle concreto já tiver efeito erga omnes. Assim. No judiciário: A 1ª decisão na qual se pode dizer que houve essa tendência foi a proferida no HC 82. 708 e 670) que analisaram a mesma questão. Outra situação interessante foi o RE 197. pelo menos por parte de alguns ministros. Então o Min. 25 . Eros Grau) entende que haveria uma mutação constitucional em relação ao papel do SF.

1) Quanto ao aspecto objetivo: Analisam-se aqui as partes da decisão que produzem os efeitos erga omnes e vinculante. Segundo Eduardo Appio. que quando são sedimentadas tornam-se súmulas vinculantes. é uma questão incidental. julgando-o procedente ou improcedente. O RE. social.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A mesma tendência pode-se verificar no caso da Súmula Vinculante e da exigência da repercussão geral para o RE. Caso contrário o STF não vai admitir o RE. ela surge a partir de decisões proferidas no controle concreto. 102. mas apenas a causa de pedir (antecedente). por sua vez. Os juízes de 1° grau têm mais sensibilidade. (☺ Lei 11. o que se dá no “plenário virtual”. CR) significa que tem que ser demonstrada a existência de um interesse econômico. fundamentação e dispositivo. a) Controle Concreto (Controle incidental ou por via de defesa ou por via de exceção): num primeiro momento (antecedente) o juiz vai analisar a relação CR x lei. A decisão do dispositivo terá efeito apenas inter partes. por existir uma tendência dos tribunais superiores a se acomodarem com as políticas de governo. a rigor. é um instrumento de controle concreto e há. Este tipo de litígio pode muito bem ser resolvido pelo juiz de 1º grau e pelo Tribunal. não é o objeto principal do pedido. Se a questão não tem repercussão geral (para toda a sociedade). analisado no dispositivo (conseqüente). O pedido refere-se à proteção de um direito subjetivo. somando-se os votos de todos eles. o juiz ou tribunal vai analisar a inconstitucionalidade na fundamentação. 26 . Uma decisão judicial tem que ter 3 partes: relatório. atualmente.418/06). político ou jurídico. § 3°. O papel do STF não é julgar litígios individuais. concorda com isso). eles não se reúnem fisicamente. não precisam chegar até o STF. já a causa de pedir é a inconstitucionalidade da lei. Num segundo momento (conseqüente).art. O principal argumento deles é o seguinte: o controle difuso é o mais adequado para proteção dos direitos fundamentais. Decisão no controle concentrado: Relatório Fundamentação – antecedente Dispositivo – conseqüente Efeito inter partes. Contrários a essa tendência de abstrativização. A súmula vinculante tem natureza constitucional.417/0 e Lei 11. estão os procedimentalistas. todo controle de uma lei em face da Constituição é sempre abstrato (se analisa abstratamente se aquela lei está de acordo com a Constituição – e o prof. O pedido (objeto da ação) vai ser a proteção do direito subjetivo. cada um analisa a repercussão sozinho e apresenta aos demais sua decisão. uma tendência de que ele passe a ter uma função pra toda a sociedade e não apenas para aquela pessoa que o ajuizou. pois tem o papel de guardião da Constituição. por estarem mais próximos dos indivíduos. a partir da conclusão que se chegar no antecedente (se a lei é ou não constitucional) é que se vai decidir o pedido. Para que o STF possa recusar o RE é preciso o voto de 2/3 dos ministros. não cabe ao STF analisar. não tem natureza processual como as súmulas comuns. Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: (Efeitos da declaração de inconstitucionalidade) 5. 103-A). No controle concreto. ou seja. No caso da súmula vinculante (EC 45/04 . A repercussão geral (art.

10. P. o efeito vinculante atinge as normas paralelas.I. Bastaria uma reclamação para que a decisão fosse aplicada também nesse outro Estado. 102. os motivos determinantes da decisão) – é a chamada “transcendência dos motivos”.Lei 9. 102.EC 45/04: art. Decisão no controle abstrato: Relatório Fundamentação . → Por que os motivos determinantes da decisão vinculam também (e não só o dispositivo)? O STF é o guardião da CR.Motivos determinantes (ratio decidendi): efeito vinculante . CR – estende o efeito erga omnes e vinculante tanto para a ADI quanto para a ADC (ou seja. Dispositivo L. as normas paralelas têm motivos determinantes iguais.CR/88: ADI com efeito erga omnes (não se falava em efeito vinculante). a chamada eficácia vinculante. A Constituição é interpretada na fundamentação (e não no dispositivo ou no relatório) e é por isso que o fundamento da decisão tem efeito vinculante.17/03/93 – EC 03: o efeito vinculante foi introduzido no Brasil – com o advento do efeito vinculante. ADC e ADPF): no controle abstrato o efeito da decisão será erga omnes e não inter partes. secundárias do julgado. questões ditas de passagem. Interpretações divergentes enfraqueceriam o princípio da força normativa da CR. .Obter Dicta: não tem efeito vinculante. Esta é a primeira diferença entre eficácia vinculante e efeito erga omnes (a eficácia vinculante se refere tanto ao dispositivo quanto à fundamentação da decisão. 5. mas também à fundamentação.868/99 – Lei da ADI e da ADC. art.U.erga omnes . Para se entender isso é preciso fazer um histórico do controle abstrato no Brasil: . e ele se encontra no Dispositivo. . sejam particulares.vinculante. mas tão somente a ratio decidendi. Ademais. . 27 . §2º.Lei 9. Só que a eficácia vinculante não se refere só ao dispositivo da decisão. a razão determinante da decisão.efeito erga omnes: atinge todas as pessoas. Mas não é tudo da fundamentação que vincula. . O próprio STF já proferiu decisões divergentes.efeito vinculante: refere-se apenas aos poderes públicos. mas as questões “obter dicta” (questões assessórias. A transcendência dos motivos significa que os motivos que determinaram a decisão transcendem para outros casos. ou seja. 28. ou “efeito transcendente dos motivos determinantes”. eles também são vinculantes. sejam poderes públicos. não seria mais necessário que o outro Estado que tem uma lei idêntica ajuizasse nova ADI para tal lei. se uma lei de um Estado foi declarada inconstitucional. Sendo assim. . conforme está previsto no caput do art.2) Quanto ao aspecto subjetivo: Quem são as pessoas atingidas pela decisão: . O efeito vinculante da fundamentação da decisão não é uma questão totalmente pacífica. cabe ao STF dar a última palavra sobre como a CR deve ser interpretada.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Controle Abstrato (ADI. O STF tem dito que a ratio decidendi tem efeito vinculante. pois é no dispositivo que o juiz dirá se a lei é ou não constitucional.: consagrou para ambas as leis o efeito vinculante e o efeito erga omnes. art. não determinantes para a decisão) não vinculam.: . Ocorre que o dispositivo tem também um outro efeito. há previsão não só na lei como também na CR). §3º: conferiu à ADPF os mesmos efeitos (vinculante e erga omnes).882/99 – ADPF.

a Administração Pública Direta e Indireta de todas as esferas (federal. inclusive os chefes do PE. inclusive o Tribunal de Contas. outros dizem ser nulo. estes estarão sim vinculados).Ato anulável: é adotado pelo Hans Kelsen (é o mais correto. (20/03/09) 5. Quadro comparativo: Efeito Erga omnes Dispositivo Aspecto subjetivo: poderes públicos e particulares. .o PL (na verdade. a função legislativa). o STF não pode dizer ao PL que ele não pode mais legislar sobre esse assunto. que se quiser. é possível que uma EC produza uma constitucionalização superveniente de uma lei inconstitucional (convalidação da lei) – se o ato for nulo isso não será possível. impedida de evoluir). como a coisa julgada. não fica vinculado pela decisão do STF (o que não fica vinculada é a função típica de legislar – o legislador não fica impedido de elaborar outra lei idêntica. mas sim fiscalizatória. o chefe do executivo não fica vinculado se estiver exercendo uma função legislativa. O que impede que a questão seja discutida novamente não é o efeito erga omnes. . 28 . pode modificar seu entendimento. por sua vez. . suas turmas e seus ministros. a decisão atinge normas paralelas de outros entes federados. É um entendimento que vem desde 1. mesmo que não tenham sido impugnadas. O PL e o STF (apenas o plenário) não são vinculados para que não ocorra a “Fossilização da Constituição” (a Constituição não pode ficar petrificada. mas os sistemas de preclusão processual.o PJ (menos o próprio STF – em relação ao Plenário. Respeitando o efeito vinculante. e outros dizem ser um ato anulável. No entanto. estadual e municipal). .3) Quanto ao aspecto temporal da decisão: Para analisar esta questão é preciso primeiro analisar a questão da natureza do ato inconstitucional: alguns entendem que a lei inconstitucional seria um ato inexistente. Atinge a norma impugnada + normas paralelas. mas com relação às outras atividades do PL ele estará vinculado. O argumento utilizado por Kelsen é que uma lei continua produzindo seus efeitos. cuja função não é legislativa. Por este entendimento. para eles a lei inconstitucional teria um vício de origem que seria insanável. Obs. a lei inconstitucional seria apenas um ato anulável (em razão do Princípio da presunção de constitucionalidade das leis). Só atinge a norma impugnada.: os efeitos da súmula vinculante são esses mesmos. . já os órgãos fracionários do STF.Ato inexistente: é o entendimento que goza de menor prestígio.Ato nulo: entendimento que predomina nos EUA. como se pode dizer que uma lei que obrigou alguma coisa simplesmente não existe? Esta corrente é adotada por Seabra Fagundes. se existe uma presunção de constitucionalidade das leis. Efeito vinculante Dispositivo + motivos determinantes Somente poderes públicos. até que o PJ a declare inconstitucional. pois atinge apenas o dispositivo. se as leis devem ser cumpridas. segundo o prof. com o mesmo conteúdo – porque num Estado de Democrático de Direito.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os poderes públicos que ficam vinculados pela decisão do STF são: . também fica vinculado).803 (1ª vez em que o PJ exerceu o controle de constitucionalidade – juiz John Marshall.) – como existe uma presunção de constitucionalidade das leis. no caso Marbury x Madison).

917 – fala do número de vereadores proporcional ao número de habitantes do município (Miraestrela) – decisão com efeito pro futuro – os vereadores que excediam o número devido teriam que deixar seus cargos. É admitida a modulação aos efeitos da decisão: 1) por razões de segurança jurídica.112/90. Mas da publicação de que? A partir da publicação da ata de julgamento (não precisa ser da publicação da decisão integral. decidiu que somente a partir da legislatura de 2004 essa decisão produziria efeitos (observância ao número de vereadores) – “situação excepcional em que a declaração de nulidade. não admite a “constitucionalização superveniente”. decidiu que. como os servidores agiram de boa-fé. passando a ser a ascensão proibida apenas para os novos servidores (a partir daquele momento). porque o ato é nulo desde a sua origem. o STF. Isso pode ocorrer tanto no controle concreto. portanto. restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser determinado. ou 2) excepcional interesse social. não haveria incompatibilidade entre o reconhecimento do ato como sendo nulo e a modulação dos efeitos da decisão. exigem o quorum de 2/3 dos Ministros. e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. 27). quanto à hipótese de ascensão por concurso interno – o STF declarou inconstitucional essa forma de provimento público (que violaria a regra do concurso) – nessa decisão. uma coisa é a classificação da inconstitucionalidade. por maioria de 2/3 (quorum exigido para o controle concentrado abstrato) de seus membros. . portanto. etc. como a Lei 9. 11).. vamos à classificação quanto ao aspecto temporal: Se a lei inconstitucional é um ato nulo (com vício de origem). mas os efeitos da declaração de inconstitucionalidade. como regra é retroativo: ex tunc. o Min. O STF. Mas o STF pode fazer a chamada modulação temporal dos efeitos da decisão: há quem entenda que não. no caso do controle abstrato. Celso de Melo entendeu que não seria possível a modulação neste caso (só nos casos de inconstitucionalidade.882/92 (art. o efeito que produzirá. os efeitos são erga omnes). Gilmar Mendes entendeu que seria possível sim fazer essa modulação com 29 . e não no de não-recepção). . que revogou a Lei A. porque não houve uma Lei C que revogou a Lei B). com seus normais efeitos ex tunc. como no controle abstrato (não se restringe ao abstrato). e por isso não há como modificar esse seu efeito retroativo – mas a modulação não modula a inconstitucionalidade da lei.” . A modulação pode conferir à decisão efeitos ex nunc ou também o efeito pro futuro. assim. por considerar que a lei inconstitucional é um ato nulo. 27. Assim. um efeito retroativo causaria vários problemas (os servidores deveriam perder seus cargos e devolver os salários. é declarada inconstitucional (por isso é mais correto falar em efeito repristinatório e não em repristinação.868/92 (art.868: “ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. com inteiro teor). resultaria em grave ameaça a todo o sistema legislativo vigente (. incompatíveis com a mesma: o STF adotou a tese da revogação (que atua no mesmo sentido da não recepção). poderia haver a modulação dos efeitos de norma anterior à CR? Dois Ministros se manifestaram quanto a este tema: o Min. Visto a natureza do ato inconstitucional.683 – análise da constitucionalidade da Lei 8. Mas.. autor e réu. por questão de segurança jurídica. Exs.)”.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O STF. Lei 9. outra coisa é a classificação dos efeitos da declaração. não precisariam deixar os cargos. as leis exigem um quorum especial para que essa modulação seja feita – tanto a Lei 9. Neste caso. ☺art.).Normas anteriores à CR. ☺RE 197.A partir de que momento a decisão do controle abstrato começa a ter que ser observada (independentemente se houve ou não modulação dos efeitos): no controle abstrato a decisão se torna obrigatória sempre a partir da publicação no Diário da Justiça (analogia com a lei – não há partes formais. poderá o STF.Efeito repristinatório tácito: (ou repristinação tácita) uma Lei B. Ou seja. de decisões onde houve modulação de efeitos: ☺RE 442.

mas sua interpretação). pelo MP – a competência é da DP e não do MP. desde que interpretada da maneira A (o resultado aqui seria mesmo idêntico). a declaração de nulidade sem redução de texto é equivalente à interpretação conforme à CR. portanto. A lei será constitucional se interpretar que a cobrança poderá ocorrer a partir de 2010.O Tribunal não precisaria 30 . Segundo o STF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I normas anteriores à CR (este não era o objeto principal do julgado.Podem ser utilizadas tanto no inconstitucionalidade. é mais adequada falar em inconstitucionalidade progressiva). não concorda com essa nomenclatura porque a questão da recepção já foi resolvida. . em que a norma encontra-se numa situação intermediária entre a constitucionalidade plena e a inconstitucionalidade absoluta. Isso pode ocorrer tanto na inconstitucionalidade progressiva como na inconstitucionalidade por omissão (para que o legislador supra a omissão ou corrija a situação imperfeita). 134. nas quais as circunstâncias fáticas vigentes naquele momento justificam a manutenção da norma no ordenamento jurídico. prático: lei que institui um imposto é criada em 2009. o resultado será o mesmo. depois de ter sido recepcionada. mas. esta norma será inconstitucional – e neste caso a norma é anterior à CR/88.1: prazo em dobro para os Defensores Públicos – quando a situação da DP for estabilizada em todos os Estados. 68. Ex. constitucionalidade. (A norma já passou pelo crivo da constituição.Corresponde a um juízo de . de fato. ai já não será mais necessário o prazo em dobro e a norma passará a ser inconstitucional. à medida que a situação fática for alterada. 5. mais de um significado – é o oposto de norma unívoca.4) Quanto à extensão da declaração: Quanto à extensão.2: art. Significa que hoje o dispositivo ainda é constitucional. e a norma já foi recepcionada pela CR e. quando todos os Estados tiverem DP. Ainda dentro da inconstitucionalidade progressiva. Aqui no Brasil não existe fixação de prazo para que o legislador corrija a situação imperfeita ou supra a omissão (como ocorre em outros países).O Tribunal precisaria observar . quanto .Inconstitucionalidade progressiva ou norma ainda constitucional: são “situações constitucionais imperfeitas” (expressão de Lênio Luiz Streck. portanto. assim. com um só sentido). portanto foi recepcionada. ex. chamada “Apelo ao Legislador”. com condições de trabalho iguais às do MP. a norma progressivamente irá migrar para a inconstitucionalidade (ex. evitando a inconstitucionalidade progressiva.Corresponde a um juízo de . mas a doutrina traz semelhanças e diferenças entre os dois institutos: Semelhanças: Diferenças: . Em alguns casos. CR x art. desde que interpretada de uma determinada maneira (não é a norma que é inconstitucional. um significado A e um B. há uma técnica muito utilizada pelo Direito alemão. devendo o Poder Judiciário (STF) fazer um “apelo” ao legislador (Poder Legislativo). a declaração de inconstitucionalidade/nulidade pode ser: a) Sem redução de texto: o primeiro pressuposto que tem que haver para que ela seja utilizada é que a norma seja polissêmica ou plurissignificativa (deve ter mais de um sentido. o prof. e mesmo assim o STF decidiu utilizando a mesma denominação de “norma ainda constitucional” – Eugênio Pacelli chama de hipótese de “nãorecepção progressiva e não de inconstitucionalidade progressiva. Assim. era uma questão “obter dictum”. CPP. mas nem sempre. que trata da ação de reparação ex delicto. para que este corrija a norma. sendo que o A é compatível com a CR/88 e o B é incompatível. o STF firma qual é a interpretação a ser dada a determinada norma.: a norma x tem dois significados possíveis. que ocorre naqueles casos em que existem as situações constitucionais imperfeitas. reproduzida pelo STF). . Ex. Na interpretação conforme o STF diria: declaro constitucional a norma x. ela progressivamente se tornará inconstitucional). controle difuso-concreto. não foram todos os ministros que se manifestaram).Só podem ser utilizadas Declaração de Nulidade Sem Princípio da Interpretação quando a norma for polissêmica Redução de Texto: Conforme: ou plurissignificativa. entende-se que a norma (B) é inconstitucional.

1º e 3º.É uma técnica de decisão judicial. Assim. por arrastamento. em princípio. não podendo. observar a cláusula da reserva de plenário (*). se for um dispositivo autônomo. o dispositivo poderá ser arrastado (ou atraído) para a inconstitucionalidade (ao contrário. ou seja. esta só se faz necessária quando se afasta. b) Com redução de texto: b.Não há qualquer modificação no texto da norma. 2º. o juiz pode. Ele não pediu a inconstitucionalidade do art. analisar a inconstitucionalidade da norma (já que ela não é o pedido e sim a causa de pedir. Na declaração com redução de texto. . o juiz não pode. no controle concreto. se manifestar de ofício sobre o art. a inconstitucionalidade é analisada na fundamentação (ela não é objeto do pedido. Trata-se de controle abstrato. 3º. . b) O PGR ajuíza uma ADI questionando uma determinada lei. .: o STF pode declarar apenas uma palavra ou expressão (no veto presidencial é que não pode). e são permitidas as demais. a cláusula de reserva de plenário. Para lembrar: Controle Concreto Relatório Fundamentação: Inconstitucionalidade (causa de pedir / incidental) Dispositivo (Pedido: direito subjetivo) Controle Abstrato Relatório Fundamentação Dispositivo (Pedido: declaração da inconstitucionalidade) Exs. . Ocorre que. Há um Decreto que está regulamentando esta lei. . que será julgado no dispositivo) – para proteger um direito subjetivo será necessário que se julgue incidentalmente a inconstitucionalidade (esta é a causa de pedir). da Lei x. 1º ou do art. se o art. b. é apenas uma questão incidental) – já no controle abstrato. não é necessário observar a cláusula de reserva de plenário (art. 2º. O STF. portanto. 2º. nem sobre os demais. se houver uma relação de interdependência entre os dispositivos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no controle concentrado abstrato. não poderá. em razão do Princípio da inércia. no controle abstrato. ser objeto de ADI. 2º for dependente do art.É excluída uma determinada interpretação. em regra. de ofício. mesmo que não tenha sido questionado. (*) Para o STF. Esta lei possui uma inconstitucionalidade formal (não há nada de inconstitucional quanto ao conteúdo). do art. . diz-se que o STF atua como uma espécie de “legislador negativo”: a declaração de inconstitucionalidade tem o mesmo efeito de revogação realizada pelo legislativo. desde que não altere o sentido do restante da norma. ou todo o artigo. total ou parcialmente. como ambas são equivalentes.2) com redução parcial: apenas uma parte da lei é declarada inconstitucional. Este decreto não está ligado diretamente à CR (há uma lei intermediando-os). declarar a inconstitucionalidade. portanto. o texto da norma. O decreto está de acordo com a lei e de acordo com o conteúdo 31 . de ofício. .1) com redução total: o STF declara que toda a lei é inconstitucional.É permitida uma interpretação e. no controle concreto. são excluídas as demais. de inconstitucionalidade por arrastamento: a) Um Governador de Estado propõe uma ADI pedindo que fosse declarada a inconstitucionalidade dos arts. não poderá o STF se manifestar sobre ele) – o juiz dirá: declaro a inconstitucionalidade dos arts. Este é o arrastamento ou atração horizontal (porque são dispositivos de uma mesma hierarquia. 1º e 3º e. dentro de uma mesma lei). Obs. 97).É um princípio instrumental (ou postulado normativo) de interpretação.Há uma redução no âmbito de aplicação da norma.Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: lembramos que.

o STF pode declarar a inconstitucionalidade da lei (julgando procedente a ADI). de ofício. ACP para fechamento dos bingos. Neste caso. A inconstitucionalidade não será objeto do pedido. Qualquer órgão pode exercer o controle difuso. Exercício do Controle Jurisdicional: Aqui faremos uma classificação pouco comum nos manuais: 6. Obs. Ex. Esta hipótese é chamada de inconstitucionalidade por arrastamento vertical. O dispositivo. Sobre o tema: 32 . O STF declarará a inconstitucionalidade da lei e o decreto permanecerá no mundo jurídico (o STF não fala nada sobre ele). pois neste caso haveria uma usurpação da competência do STF. ADCe ADPF). portanto. o pedido foi o fechamento dos bingos e não a declaração de inconstitucionalidade. porque seu conteúdo é incompatível com a CR. nem todo controle concentrado é abstrato: é possível se ter um controle concentrado abstrato (ADI. Mas nem todo controle concreto é difuso. já que o STF pode. pois isto permitiria que um juiz de 1° grau proferisse uma decisão com a mesma extensão de uma decisão do STF. Contudo. O pedido será a proteção de direitos. pois será uma questão discutida incidentalmente. Não existe controle difuso e abstrato ao mesmo tempo (o controle abstrato é sempre concentrado). mas é que esta não é necessária. neste caso. julgará procedente ou improcedente o pedido. Assim.1) Controle difuso-concreto: Essa expressão só é utilizada para o poder judiciário. entre normas de diferentes hierarquias (porque a declaração da inconstitucionalidade da norma superior acaba arrastando a norma inferior também para essa declaração).: No controle concreto não é que o STF não possa reconhecer a inconstitucionalidade por arrastamento. apesar de sozinho não ter aplicação. A finalidade principal do processo constitucional subjetivo é proteger direitos subjetivos. o STF entendeu que não houve usurpação da competência. a inconstitucionalidade será tratada apenas na fundamentação da decisão. ou um controle concentrado concreto (Representação Interventiva ou ADI Interventiva). mas o entendimento do STJ e STF é pacífico: as ações coletivas. analisar a constitucionalidade de qualquer dispositivo. bem como do decreto (em razão da inconstitucionalidade da lei) – é a chamada “inconstitucionalidade conseqüente” – se o STF declara a lei inconstitucional. mas apenas a causa de pedir. dentre elas a ACP. portanto. todo controle difuso é concreto. poderá vir uma nova lei posteriormente e ele será aproveitado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I da CR. a ACP e as ações coletivas de uma forma geral. caberia uma reclamação ao STF (esta Reclamação não é utilizada só quando a decisão do STF não é respeitada. julga também inconstitucional o decreto. No Brasil. podem ser utilizadas como instrumento de controle difuso concreto de constitucionalidade. se o caso for de inconstitucionalidade material da lei. o decreto ficará no mundo jurídico sem qualquer finalidade. mas também quando há usurpação da competência do STF). o pedido será de efeitos concretos e a inconstitucionalidade será apenas a causa de pedir. e por arrastamento. O pedido não pode ser exclusivamente a declaração da inconstitucionalidade. Ou seja. Aspectos interessantes a serem estudados neste tema: a) ACP / Ações Coletivas: Podem ser utilizadas como instrumento de controle de constitucionalidade? Há divergência na doutrina. Caso a ACP fosse utilizada como espécie de ADI. porque. podem ser utilizadas como instrumento de controle concreto. A ACP não pode ser utilizada como um sucedâneo da ADI.

de Hugo Nigro Mazzilli (pg. nada obsta a que qualquer juiz singular afaste os efeitos de uma lei entre as partes de um processo. teremos uma lei material. que é mais de 50% dos presentes). Assim. assim. uma lei inconstitucional que crie um cargo pode ser atacada em todos os seus efeitos por uma ACP: esta é um lei forma.. porém. 557. b) Cláusula da Reserva de Plenário: *☺art. pois. por exemplo. que é função legislativa. 97. STF → Citação do livro “Tutela dos interesses difusos e coletivos”. ☺art. Em outras palavras. CR (matéria muito cobrada em provas!) Art. XI – órgão especial: para que seja criado. a declaração de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos só poderá ser proferida pela maioria absoluta dos membros do Pleno ou do Órgão Especial. não se admite que o pedido numa ação da LACP equivalha. conseqüentemente. no caso. elaboração de Regimento Interno. por entendê-la inconstitucional (inter partes). No tocante. porém. a uma lei inconstitucional que aumente um tributo. desde que.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Resp. é função possível de ser delegada. Assim. É uma cláusula que reserva ao plenário determinadas competências. pois esse fim só pode ser obtido por meio de ADI.44/45): “A ACP não pode ser usada para substituir a ADI. na prática. não pode ser delegada. Assim. seja ajuizada ACP para retirar a eficácia erga omnes de uma lei tributária. 294. e no mínimo 11 membros. Nada impede. de efeitos concretos. 93. desde que o façam por meio do controle concentrado de constitucionalidade (ADI). os Tribunais não têm admitido que. também não pode ser delegada). por ex. porém. A proibição de usar a ACP para atacar leis não alcança.: eleição do Presidente do tribunal. que em ACP se reconheça uma inconstitucionalidade incidentemente.022. que é função política.159. No âmbito dos Tribunais: turma recursal dos Jesp´s não precisa observar a cláusula (porque turma recursal não é Tribunal). Segundo esta cláusula. 33 .646. à supressão de todos os efeitos pretéritos e futuros de uma lei. STJ ☺ Resp. o Tribunal deve ter mais de 25 membros ou julgadores. em defesa de contribuintes. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. Maioria absoluta: é mais de 50% dos membros (≠ de maioria relativa. O Pleno pode delegar ao órgão especial algumas atribuições (apenas funções administrativas e funções jurisdicionais – ex. não subtraiam toda a sociedade dos efeitos dessa mesma lei. expressão em inglês que designa a cláusula de plenário (e é utilizada pelo STF). não se admite que se dê à sentença proferida em ACP o condão de retirar a eficácia de uma Lei com caráter de imutabilidade erga omnes. os efeitos erga omnes dessa lei só podem ser elididos por meio de ADI. Esse órgão especial poderá ter no máximo 25. mas só os Tribunais podem subtrair todas as pessoas dos efeitos de uma lei por entendê-la inconstitucional (erga omnes). no âmbito dos Tribunais. o que só se pode obter por meio de ADI. por meio da ACP. da mesma forma que o juiz singular também não precisa (pode sozinho reconhecer a inconstitucionalidade). STJ ☺ RE 227. Os juízes singulares podem. as chamadas leis de efeitos concretos. Como a declaração de inconstitucionalidade é função jurisdicional. Regra da “full bench”. dotada de caráter de universalidade e abstração”. reconhecer a inconstitucionalidade de uma lei como causa de pedir.

Aplicação prática da cláusula da reserva de plenário no âmbito dos Tribunais: Quando o processo chega ao âmbito do Tribunal. chama de não-recepção): também não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário (norma anterior à Constituição não é inconstitucional – o STF não adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente – mas sim revogada ou recepcionada). podendo decidir o caso concreto. 481. porque para o STF ambas são equivalentes. sob o argumento de que o dispositivo (art. para o STF não é necessária a observância da cláusula de reserva de plenário. a argüição de inconstitucionalidade (. CR é uma NEP (norma de eficácia plena). Quanto à 2ª exceção. ele não poderá declarar a inconstitucionalidade. como se fosse uma verdadeira ADIN (um controle de constitucionalidade feito em abstrato). pela maioria dos seus membros. o órgão fracionário está tão somente seguindo o entendimento do STF. Ministro Moreira Alves: na declaração de nulidade sem redução de texto o que é inconstitucional não é a norma e sim a interpretação. O pleno ou órgão especial não farão o julgamento do caso concreto. a Câmara não precisa remeter os autos ao pleno do TJ.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A declaração da constitucionalidade (e não de inconstitucionalidade) não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário. apesar de não vincular outros tribunais e nem juízes de 1º grau. Exceções: P. Há quem critique tais exceções. e a essa sua decisão dá-se o nome de “conseqüente”. 481. se entender que a lei é inconstitucional. b) quando o pleno do STF houver apreciado a inconstitucionalidade.U. Há uma repartição funcional de competências. deverá lavrar um acórdão e submeter a questão ao Pleno (ou. esta 2ª exceção está plenamente de acordo com o Princípio da força normativa da Constituição. por isso o STF entende que a cláusula não é necessária. se for acolhida. a fim de ser submetida a questão ao Tribunal Pleno”. O professor não concorda. se existir no Tribunal. O pleno ou órgão especial fará a análise em abstrato da constitucionalidade da lei ou ato normativo. será lavrado o acórdão. 97. CPC: “se a alegação (de inconstitucionalidade) for rejeitada. 34 . como guardião da CR.: “os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário ou ao órgão especial.. assim. Assim. são os órgãos fracionários (turmas ou câmaras) que analisarão a questão da constitucionalidade. o pleno ou órgão especial devolverá os autos para o órgão fracionário que irá julgar o caso concreto. A decisão do pleno é vinculante para todos os órgãos fracionários daquele Tribunal (não apenas para aquele órgão fracionário que a ele remeteu a questão).. cabendo a ele dar a última palavra sobre a interpretação da Constituição.. apenas apreciarão a constitucionalidade da lei em tese. ☺art. Ela só é válida para a declaração de inconstitucionalidade. de acordo com o posicionamento do STF. Se tratar-se de norma anterior à CR (caso que o STF chama de revogação e que o prof. ao órgão especial). que é aquele a quem compete a guarda da CR – o STF. pois decisões divergentes enfraquecem a força normativa da CR/1988. P.)” → a) quando o pleno ou órgão especial do próprio Tribunal já houver analisado a questão anteriormente. prosseguirá o julgamento. dá a última palavra sobre como a norma deve ser interpretada.U. analisando se a lei é ou não compatível com a CR. no entanto. Interpretações diferentes enfraquecem o Princípio da força normativa da Constituição. ele próprio pode assim declará-la (porque para a declaração de constitucionalidade não é necessária a observância à cláusula da reserva de plenário). abstratamente. Esta decisão recebe o nome de “antecedente”. acha que a 1ª exceção está de acordo com o princípio da razoabilidade (não justificaria o pleno se manifestar sobre o mesmo assunto inúmeras vezes). Decidido o antecedente. Princípio da interpretação conforme: se for para declarar a inconstitucionalidade (nulidade) sem redução de texto. não admitindo exceções ou restrições (não poderia o legislador infraconstitucional estabelecer ressalvas a este dispositivo). sabe-se que o STF é o guardião da CR. CPC) seria inconstitucional: o art. ou em caso de interpretação conforme. . O órgão fracionário tem 2 opções: se ele entender que a lei é constitucional.

A súmula vinculante n° 10 trata dessa reserva de plenário: ☺Súmula Vinculante nº 10: “viola a cláusula da reserva de plenário a decisão de órgão fracionário de Tribunal que. entendem que se trata de um ato discricionário. Esta suspensão só ocorre no controle difuso. Efeitos. Ademais. Isso porque pode ocorrer do STF declarar a inconstitucionalidade de uma lei apenas quanto a alguns artigos e. CR – compete privativamente ao SF suspender. ela se refere à decisão do STF. de uma decisão proferida no controle difuso-concreto: a decisão terá efeito inter partes e ex tunc. Ou seja. Os debates que deram motivo à súmula é que o óbvio nela estampado não é respeitado nos tribunais. se assim o fosse ela já seria vinculante). A suspensão se dá através de uma Resolução. afasta a sua incidência no todo ou em parte”. a lei deixa de ser aplicada. Na verdade. portanto. O SF apenas suspende a lei. A cláusula vale também para o controle concentrado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O que é vinculante para o órgão fracionário é a decisão do pleno e não a decisão do STF no controle difuso concreto. cujos direitos estão abrangidos antes da decisão deveriam recorrer ao judiciário para fazer valer seus direitos. passa a ter efeito erga omnes. X. Natureza do ato do SF: é vinculado ou discricionário? Na doutrina existem os dois posicionamentos: 1) Zeno Veloso defende que a suspensão da execução da lei pelo SF se trata de um ato vinculado (o SF não pode deixar de suspender a lei quando o STF a declara inconstitucional). RISTF. Os efeitos da suspensão pelo SF são o oposto dos da decisão pelo STF (erga omnes e ex nunc)???. trata-se de uma competência exclusiva. ao contrário do que se poderia imaginar (que seria no controle concentrado-abstrato. que não comporta delegação. para que a igualdade seja estabelecida (aqueles. O CPC só previu exceções já consagradas pela jurisprudência do STF. pode fazê-lo se quiser e quando quiser. A diferença é que o controle difuso tem lei específica. isto resulta em ofensa ao princípio da igualdade). embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. o SF não pode suspender toda a lei. Não interessa se o Tribunal declara expressamente a inconstitucionalidade ou se afasta a aplicação da norma. sustentam que o efeito é ex tunc. que pode declarar a inconstitucionalidade da lei total ou parcialmente (e não à suspensão da lei pelo SF). como se tratasse de uma revogação. 35 . O SF não é obrigado a suspender. que não pode ser retroativa. não estando vinculado à decisão do STF. O posicionamento mais adotado (que é inclusive o adotado pelo SF e pelo STF) é o de que se trata mesmo de um ato discricionário. por isso o faz dali em diante. c) Suspensão da Execução de Lei pelo Senado Federal: ☺art. a execução de lei declarada inconstitucional em decisão definitiva proferida pelo STF. Quando a CR fala “no todo ou em parte”. bem como ou STF. O objetivo da suspensão pelo SF é o de que a declaração com efeitos inter partes passe a valer para todos. 2) Outros autores. A CR errou ao dizer que é uma competência privativa. 178. art. como Manoel Gonçalves Ferreira Filho. A inobservância da cláusula da reserva de plenário gera a nulidade absoluta da decisão. Quando o SF suspende a lei. no todo ou em parte. O STF já admitia essas duas exceções. esta decisão deve ser submetida ao plenário. Outros autores. É o entendimento mais correto. 52. a decisão do STF. A análise feita pelo STF é no controle difuso concreto. a maioria sustenta que a suspensão pelo SF tem efeito temporal ex nunc. já era um entendimento consagrado pelo STF antes mesmo do surgimento da regra legal. quando isso ocorre. ou seja. em regra.

trata-se da decisão definitiva proferida no controle difuso-concreto. a resposta é negativa. 52. 178. Normas de reprodução ou de repetição obrigatória: são normas da CR. sendo norma de observância obrigatória. Art. §4°: trata da eleição para as mesas do CN – é vedada a recondução para o mesmo cargo de dirigentes da mesa. 66. Quando se fala em decisão definitiva do STF. a suspensão da execução da lei pelo SF tem que se ater aos exatos limites da decisão do STF. Somente decisões proferidas no controle difuso-concreto é que permitem ao SF fazer a suspensão da lei (isto está previsto no art. o SF só poderá suspender a lei por inteiro. der à decisão efeitos erga omnes? Neste caso o papel do SF seria o de apenas dar publicidade à decisão do STF. Por isso. ele não estará fazendo um controle de constitucionalidade. CR: prevê o escrutínio secreto. A mutação só ocorre quando o texto da CR permite a alteração da interpretação. ou seja. Questão de prova: uma CE pode prever a derrubada do veto do Governador através de escrutínio em aberto? Art. Ressalta que a letra da norma (art. pela simetria deve ser atribuída ao governador. CR) não comporta este entendimento. um RE para o STF. já que no controle abstratoconcentrado o efeito da declaração é erga omnes e vinculante. se for apenas uma parte. O STF entende que são normas de observância obrigatória: princípios básicos do processo legislativo – art. Esta é uma hipótese de controle concentrado abstrato. O SF não é obrigado a suspender a execução da lei. Na ADPF este fenômeno também é possível. já o SF não. cujo modelo. em sede de ADI a inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo. ou também pelos PL estaduais e municipais? Se pudesse. em razão do princípio da simetria. §4°. CR. esse entendimento é desejável. segundo o Min. desta decisão proferida pelo TJ. Art. mas. está fazendo uma análise. ele não poderá nem ir além e nem ficar aquém da decisão do STF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Ou seja. o que. mas sim uma análise política sobre a lei (se é ou não viável a suspensão da lei). o STF irá analisar a lei municipal com base na CR e não na CE. a partir do momento que resolve fazê-lo. RISTF) – e isso é óbvio. 59 e segs. 61: iniciativa do presidente. por ser um órgão do PL Federal. O SF. Mas. devem ser observados pelas constituições estaduais e leis orgânicas municipais. e se o STF. a suspensão só poderá ocorrer em relação a esta parte. Segundo o STF. deve-se recorrer ao entendimento do STF. 57. É uma construção da jurisprudência do STF. cujo parâmetro é a Constituição Estadual ou a Lei orgânica: se o parâmetro violado da Constituição Estadual for uma “norma de observância obrigatória”. não havendo a necessidade de suspensão da lei. O que não é desejado é a pura e simples mudança da CR. sobretudo jurídica daquela lei (apesar de também fazer uma análise política). no controle difuso-concreto. LC. só pode suspender leis feitas pelo PL Federal. já que o SF não atua de forma correta. Esse assunto está sendo discutido pelo STF. esta norma não é de observância obrigatória. LO. normas referentes ao TCU. A suspensão pelo SF é de lei entendida em sentido amplo (lei ou atos normativos) – pode ser uma lei delegada. haveria uma violação do Princípio Federativo? Para responder a esta questão é bom relembrar alguns conceitos sobre a classificação das leis: 36 . etc. Exceção à regra geral: RE utilizado no controle concentrado abstrato. requisitos para a criação de CPI. Nas situações em que o TJ julga. já que o texto permaneceria o mesmo e só a sua interpretação seria modificada (☺tópico: “Tendência de abstrativização do controle concreto”). Segundo o professor. obrigatoriamente. se toda a lei foi declarada inconstitucional. Não há um critério muito objetivo para determinar quais são as normas de observância obrigatória. cabe. Gilmar Mendes. configuraria uma mutação constitucional. Quando o STF diz que a lei é inconstitucional. não se referem ao âmbito estadual e municipal. para que isso fosse possível seria necessária uma alteração legislativa (EC). Neste caso. Todos estes dispositivos referem-se apenas à União. A CR não tem nenhum dispositivo que determina quais são as normas de observância obrigatória.

§3º. portanto. de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF (☺art.: Lei 8. mas mesmo assim o SF pode suspender suas leis. está defendendo interesses apenas da União. 58.” Análise do enunciado pelo prof. os que tratam do TCU.: arts.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É uma lei emanada do CN. a própria decisão proferida pelo STF já é dotada de eficácia contra todos (erga omnes). O município não tem represente no SF porque só no Brasil o município é enquadrado como ente federativo (em nenhum outro lugar ocorre isso – apesar de que para a realidade do Brasil é necessário que isso ocorra). no controle abstrato (ADI. mas também ao estadual e ao municipal (aplica-se a todas as esferas da Federação Brasileira). Normas anteriores à Constituição não estão sujeitas à suspensão pelo SF. Sabe-se. porém. art.). do DF e até municipais. Em relação aos efeitos da suspensão de execução pelo SF. e por isso pode ter esta atribuição de órgão nacional. sentido falar-se em posterior suspensão de eficácia de uma norma que não mais consta do ordenamento. Ex. que dispõem sobre o processo legislativo (arts. Questão: Por que o SF tem essa legitimidade para atuar como órgão de caráter nacional e a CD não? O SF é composto por representantes dos Estados e do DF. se aplicando ao âmbito federal. Lei Federal: Lei Nacional: Constituição Federal: Constituição Nacional: O SF atua como um órgão ora de caráter federal. Ex. como aos Estados. que deve ser observado no âmbito federal. → Questão de prova: “No âmbito da Administração Pública Federal. 37. ele está atuando como órgão de caráter nacional e não como órgão apenas federal. da execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal tem efeitos ex tunc. outros 37 . mas que trata apenas de interesses exclusivos da União. estadual e municipal. São os dispositivos que se referem tanto à União. a suspensão. X. que essa atuação do SF só ocorre no âmbito do controle concreto (difuso).: CTN. só se aplicando ao âmbito federal). estadual. 52. no todo ou em parte. não há consenso doutrinário: alguns doutrinadores entendem que a decisão do SF produz efeitos retroativos (ex tunc). mas não trata apenas dos interesses da União.112/90 (que não se aplica no âmbito dos servidores públicos estaduais ou municipais. eles não têm representantes no SF (até porque se o tivesse. 59. por não existir uma federação de municípios. ADC ou ADPF). Ex. quando o SF atua. é como se os Estados e DF também estivessem atuando. Mello Seria a parte da CR que trata apenas da União. sendo específica para os servidores públicos civis da União. Quando o SF suspende os efeitos da lei. Vicente Paulo: Sabe-se que o SF dispõe de competência para suspender a execução. Assim. por isso pode suspender lei estadual e municipal. Quando o SF atua como órgão federal. distrital e municipal). CR). visto que. ao DF e aos Municípios (se aplicam ao âmbito federal. Classificação de Osvaldo Aranha B. não havendo. 19. Ex. por isso pode suspender leis também dos Estados. pelo Senado Federal. retirando a lei do ordenamento jurídico. também. da organização da União. quando atua como órgão de caráter nacional está defendendo os interesses de todos os entes da Federação Brasileira. ele está atuando como órgão de caráter nacional. ora de caráter nacional (exerce essa dupla atribuição). o SF teria um número enorme de representantes). A atuação do SF não fere o Princípio Federativo porque quando o SF atua suspendendo leis estaduais e municipais.: art. etc. É também uma lei emanada do CN. assim. É semelhante à “Constituição Total” de Kelsen.

estabelecendo os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. RN. por opção do Chefe do Poder Executivo Federal. a ADI no TJ ficará suspensa até o julgamento da ADI no STF. adotou-se. visto que. 2º grupo: . mas sim a Constituição Estadual (são dois parâmetros diferentes).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I defendem que a suspensão da execução pelo SF é dotada de efeitos somente daí por diante. de 10/10/1997 (anote-se que o examinador foi preciso. no tocante à suspensão da execução de lei declarada definitivamente inconstitucional pelo STF. pró-ativos (ex nunc). o enunciado acima transcrito está corretíssimo. Neste caso o TJ ainda assim pode dizer que a lei é inconstitucional. Embora não haja consenso.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual ou de lei municipal. De relevo salientar que esse ato normativo – decreto do Presidente da República – só dispõe de força obrigatória em relação aos seus órgãos e entidades. em decisão definitiva. porque o seu parâmetro não é a CR. declarando uma lei inconstitucional. ao restringir os efeitos ex tunc ao “âmbito da AP Federal”). quando o TJ dá sua decisão (controle difuso). Segundo o STF. Com efeito. no âmbito da AP Federal. Esta última é a solução adotada pelos seguintes Estados da Federação: RS. 2ª hipótese: o STF julga improcedente a ADI (entendendo que a lei é constitucional). na sua esfera de competência. de 10/10/1997. visto que. O STF disse apenas que a lei é constitucional em face da CR/88. então. os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. uma no âmbito estadual (TJ) e outra no âmbito federal (STF). . de fato. SE e AM. d) ADI no STF e ADI no TJ: No caso de serem propostas duas ADIs. Entretanto. os efeitos da manifestação do SF são ex tunc (retroativos). Neste caso a ADI estadual ficará prejudicada (a lei já foi declarada inconstitucional e o TJ não poderá dizer que a lei é constitucional).346. TO. MS. a quem deverá o TJ comunicar sua decisão? Há dois grupos de constituições que se diferenciam sobre a suspensão da lei no âmbito estadual: 1º grupo: . de observância obrigatória pela AP Federal direta e indireta. essa posição doutrinária dominante não tem aplicação no âmbito da AP Federal direta e indireta. Esta opção (pelo 1º ou 2º modelo) faz parte da capacidade de auto-organização dos Estados-membros (eles têm autonomia para decidir que modelo adotar). é a AL que suspende a lei. os dois tipos são constitucionais. ocorrer duas hipóteses: 1ª hipótese: o STF julga procedente a ADI. por força do referido Decreto nº 2. Todos os demais seguem o primeiro entendimento (inclusive MG). Portanto.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei municipal. → Controle no âmbito do Estado: No âmbito estadual. o Poder Executivo Federal baixou o Decreto nº 2. o entendimento doutrinário dominante caminha no sentido de se outorgar a tal decisão de suspensão de execução pelo SF efeitos ex nunc (daí por diante. 38 . não retroativos).346. é a Câmara Municipal. é sempre a AL que suspende a lei. Poderá. da AP Federal direta e indireta.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual.

Para que as pessoas tenham conhecimento essa decisão deve ser publicada. a ele não se aplicam alguns princípios processuais como o contraditório. de acordo com essas leis. 3) Intervenção de terceiros (amicus curiae seria uma exceção?). que são a União e os Estados).868/99 (regula a ADI e a ADC) ☺Lei 9. obviamente. 103. → Legitimidade ativa: Até a CR/88 o único legitimado era o PGR.ADC. em seu art. A Constituição. traz a legitimidade para todas as ações (que atualmente é a mesma). e . ☺Lei 9. Obs. isso vale tanto da cautelar quanto da decisão de mérito. 39 . a competência é do TJ). tendo partes – autor e réu. não cabe. . São 4 as ações de controle concentrado-abstrato: . 4) Recurso da decisão de mérito. O que diferencia um legitimado universal do especial é que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de pertinência temática. onde não existem partes formais (autor e réu).882/99 (regula a ADPF) → Segundo o STF. (23/03/09) → Competência para julgamento: Se o controle é concentrado. nas ações de controle concentrado-abstrato: 1) Desistência: a pessoa não está defendendo interesse próprio. e não do trânsito em julgado.: aqui falamos apenas da esfera federal (na esfera estadual.ADPF. deve haver a previsão da legitimidade. 2) Assistência (apesar da lei falar apenas em intervenção de terceiros.AIO (Ação de inconstitucionalidade por omissão). o duplo grau de jurisdição. A jurisprudência do STF diferencia os Legitimados Universais dos Legitimados Especiais (atenção: a CR e a lei não fazem esta distinção. o RISTF veda expressamente a assistência – para aqueles que entendem que esta não é espécie daquela).2) Controle concentrado-abstrato: Resumo dos pontos comuns das ações deste controle: O controle concentrado-abstrato é um processo de índole objetiva – Processo Constitucional Objetivo. mas sim legitimados. se concentra em apenas um Tribunal – o STF.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 6.ADI genérica (já que a ADI Interventiva é de controle concentrado-concreto. salvo embargos declaratórios (da decisão que indefere a inicial cabe agravo). . A decisão torna-se obrigatória a partir da publicação da ata da sessão de julgamento no DJU. 5) Ação rescisória. Por se tratar de um processo de índole objetiva. a ampla defesa. ela é meramente jurisprudencial). Como são ações de controle abstrato. ou na CR ou na lei.

A norma do art. e admite-se a legitimidade de “associações de associações” (associação composta por pessoas jurídicas). mas não é legitimada para ajuizar as ações (normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente).Os únicos legitimados que precisam de advogados para propor a ação (não têm capacidade postulatória) são: PP c/ CN. ou seja.A Mesa do CN (MCN) é composta por membros da MCD e por membros da MSF.Os GE. .O PGJ não tem legitimidade de propor ADI perante o STF. mas neste caso eles o fariam como legitimados e não como vices). A MSF nunca ajuizou e a MCD só ajuizou uma ação até hoje! → Parâmetro para o controle: ADI/ADC AIO ADPF 40 . PP e Entidades de Classe foram os que mais ajuizaram ações até hoje. tem que ser representativa de alguma categoria profissional ou social. . Judiciário - MP PGR - Outros PP c/ CN – CFOAB CS – ECAN Aspectos específicos de alguns deles. é fácil recordar que os VicePresidente e Vice-Governador não podem ajuizar tais ações (salvo se estiverem no exercício da função dos legitimados. passaram a ser no seguinte sentido: a legitimidade do Partido Político com representação no CN deve ser analisada no momento da propositura da ação (não importa que o PP perca seu representante após a propositura da ação). Quadro de legitimados com a sua especificação: 1) 2) 3) 4) 5) 6) Quadro do prof. Executivo PR GE – GDF P. 103 é uma norma excepcional (trata sobre quem pode propor as ações) e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A pertinência temática significa que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de um nexo de causalidade entre o interesse que ele defende ou representa e aquele objeto que ele está questionando. segundo a jurisprudência do STF: . Assim..A entidade de classe. a entidade de classe deve estar presente em pelo menos 1/3 dos estados-membros (9 estados). confederação local: sindicato. Os demais podem fazê-lo sem advogado.A partir de ago/04 o STF modificou o seu entendimento sobre algumas questões que. .S. para ter legitimidade. Legislativo MCD – MSF MAL – MCL P. o objeto questionado viola o interesse da categoria ou pessoas que representa.: Universais: Especiais: PR → U GE → E GDF → E PGR → U MSF → U MCD → U 7) MAL → E 8) MCL → E 9) ECAN → E 10) CS → E 11) CFOAB → U 12) PP c/ CN → U P. . .Confederação sindical significa de âmbito federal. a partir de então.Nenhuma autoridade do poder Judiciário é legitimada devido ao princípio da inércia. . Para ter âmbito nacional. Obs. CS e ECAN. Mesa da Câmara Legislativa: DF (tem competência da Câmara municipal e Assembléia Legislativa).: a ação prossegue se o vice ajuizar a ação no momento em que estava em exercício e depois deixar o exercício. mas a tem perante o TJ (âmbito estadual). . . confederação regional: F.

TIDH (3/5 e 2T) . Obs. é o ato que está sendo impugnado (Atenção: objeto não se confunde com parâmetro!).atos tipicamente regulamentares (ele regulamenta um ANP. ou seja. CR) Ato posterior a 05/10/88 (ou à EC que sirva de parâmetro) Lei ou ato normativo federal ou estadual ADPF Qualquer ato dos Poderes Púbicos (☺art. nas normas que tratam de outra matéria). geral e abstrato. 1º. ☺ADI 4048 → trata-se de uma revisão de jurisprudência – o conteúdo do objeto (geral ou específico e abstrato ou concreto) não tem mais relevância. Critérios 1) Natureza do objeto: 2) Limite temporal: 3) Limite espacial: ADC ANP (☺art.preceito fundamental da CR (princípios fundamentais. . precisava ser AN Primário (ligação direta à constituição). estadual ou municipal Observações sobre o quadro acima: 1) Natureza do objeto: já saiu a Resolução que determina a mudança quanto ao objeto das ações: O STF dizia que o ato. 102. ele poderá ser objeto. I. (o STF já admite como objeto de ADC e ADI leis de efeitos concretos.Norma formalmente constitucional . por isso não é ANP). caso o decreto emane diretamente da CR. 5º. Não serão objeto de ADI e ADC. direitos e garantias fundamentais. → O STF não admite como objeto de ADI e ADC: . a.normas formalmente constitucionais e eficácia limitada (NEL) → Objeto das ações: Saber o objeto é saber que tipo de ato pode ser objeto dessas ações.: leis orçamentárias – cuidado ao estudar por material antigo!). OBS. como por ex. a. todas estão no mesmo nível. . CR) Atos posteriores a 17/03/93 (EC 3/93) – STF admite objeto anterior à EC 3/93. decreto regulamentar. Lei 9. questões que devem ser resolvidas internamente por aquele poder. Lei ou ato normativo federal ADI ANP (☺art. pois geralmente está abaixo do decreto. são questões próprias de RI. Princípios constitucionais sensíveis e cláusulas pétreas).: decreto regulamentar do PR. .questões interna corporis: são questões internas ao corpo de um determinado poder. §3º . já que não existem normas superiores ou inferiores na CR. 41 . admite-se o seu controle. mas caso a portaria regulamente diretamente a CR. para ser objeto de ADC e ADI. as originárias e as não originárias – não se admite o controle dessas normas originárias em razão do Princípio da Unidade). sem interferência do PJ. o importante é que a controvérsia constitucional seja suscitada em abstrato. I.☺art.: nem tudo o que está dentro do RI de um Tribunal é questão interna corporis (o que não pode ser objeto são as questões interna corporis. em geral portaria de um ministro não pode ser objeto de controle. 102.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . salvo se envolver violação a direitos fundamentais. ainda que tenha exorbitado os limites da regulamentação legal não podem ser objeto de ADI ou ADC. Ex. o RI pode.normas constitucionais originárias (feitas pelo poder constituinte originário – que foi quem criou as outras normas da CR e também o próprio STF) – ☺ tese defendida por Otto Bachof (hoje não mais aceita.882/99) Atos anteriores ou posteriores à CR/88 Lei ou ato normativo federal.

Atuação do PGR: ☺art. rejeitadas ou havidas por prejudicadas. A função do art. e. A lei do DF tem natureza híbrida (trata de matéria de competência estadual e municipal). § 3° é uma função especial. Se a lei do DF tiver conteúdo de lei estadual poderá ser objeto de ADI (súmula 642. . STF). tendo a função de defender a constitucionalidade da lei ou ato impugnado. medidas provisórias revogadas. 42 . Atuação do AGU: ☺art. da mesma forma na ADPF.Súmula. mas não entrou no mérito (a ação foi extinta sem julgamento do mérito por perda do objeto). → No caso da ADPF não se exige que seja ANP. CR. No caso de emenda. por analogia. devendo ser de todos eles intimado. pode ser que essa jurisprudência do STF também caia por terra. também poderá dar parecer em sentido contrário. não ameaça mais a supremacia constitucional. Lembrar que não cabe assistência. ainda que ele proponha a ação – ou seja. intervenção de terceiros e recursos. O PGR atua como “custus constitutionis”. 103. 2) Limite temporal: o objeto tem que ser sempre posterior ao parâmetro invocado. 3) Limite espacial: a ADC só pode ter como objeto lei ou AN emanados da esfera federal. não pode ser objeto de ADPF: . na outra. Mas ele pode dar parecer em sentido contrário à ação que ele mesmo ajuizou se mudar seu entendimento acerca do tema ou. leis suspensas pelo SF. §1º. Função geral do AGU (art. Nenhum desses atos ameaçam mais a supremacia da constituição. poder-se-ia admitir o veto jurídico. Aqui é preciso usar o mesmo raciocínio que fizemos quanto ao veto como controle do PJ – é o entendimento do Min. salvo embargos de declaração.Veto: já houve 2 decisões no STF sobre veto na ADPF – em uma ele não admitiu o veto como objeto. O importante é que tenha conhecimento da tese jurídica que está sendo discutida. o STF admitiu. CR. Tem status de ministro de estado.: se o PGR ajuizou ADI ele não poderá desistir da ação. ainda. ou seja. Mas. só podendo ser objeto de controle difuso. se seu entendimento for diverso.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Obs. PEC 29/00: equipara o objeto da ADI e ADC (ainda pendente). O STF diz que ele não precisa participar formalmente de cada um dos processos. 131): chefe da AGU – representa o poder executivo. ele vai atuar como fiscal da Constituição. como está havendo uma influência de um controle no outro.PEC (porque não é ato do poder público perfeito e acabado. Assim.leis revogadas. . 103. pois não produzem mais efeitos. Vai participar de todos os processos que estejam em tramitação no STF. §3º. portanto está subordinado ao PR. sem exceção. pode ser qualquer ato do poder público. de defensor legis. leis temporárias: se a lei já foi revogada ou a MP já foi rejeitada. posteriores a 5/10/88. chamado Gustavo Binenboim: quando o veto é jurídico (o político não) pode ser objeto de MS (caso contrário o presidente poderia burlar o processo legislativo). é preciso primeiro ser transformado em EC). Participação do PGR: ele vai participar de todas as ações. Lei do DF não pode objeto de ADC. ADI: pode ter como objeto lei ou ato normativo federal ou estadual. o objeto deve ser posterior ao parâmetro invocado. 103. se um novo PGR o substituir. segundo o STF. Gilmar Mendes e de um prof. Hoje.

20. o AGU não será obrigado a defender a lei. Importante: ainda que como Advogado da União.868. em especial no direito norte-americano. Foi introduzida pela Lei 6. a Lei 8. quando uma ação é ajuizada não há objeto questionado e sim uma ausência de objeto. Ele só poderá deixar de fazê-lo em uma única hipótese: quando o próprio STF já disse que a tese jurídica é inconstitucional. sendo feita por toda a sociedade.385/73 (☺ art.868. A previsão expressamente contida no art. O AGU está obrigado a defender a constitucionalidade da lei. Quando ajuíza ADI para o PR ele estará exercendo sua função geral. mas ainda assim estará obrigado a defender a constitucionalidade da lei (defensor legis). Mas atenção: existe um outro instituto.868/99 -☺art.868. Nesse caso. ele não está desempenhando sua função geral (de chefe da Advocacia Geral da União). §2º da Lei 9. O amicus curiae está ligado à ampliação da interpretação constitucional. Na ADI por omissão. 31). não há o que se defender. A exposição dos motivos da Lei 9. portanto. A audiência pública está prevista na Lei 9. 9.884/94 (CADE). Amicus Curiae: Em uma tradução. É como se a sociedade estivesse indo ao STF para debater a lei. art. “amigo da corte”. não precisará do AGU para defendê-la. . Se a pessoa que ajuizou a ADC já está defendendo a constitucionalidade da lei. Está desempenhando uma função especial. 89. Tem natureza de auxiliar do juízo. de “defensor legis” e. ☺ art. que trata da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Não há previsão para a ADC e ADPF. o AGU está obrigado a defender eventual lei estadual que esteja sendo questionada. mesmo que contrariamente ao entendimento do PR. § 2°): a) Objetivo: relevância da matéria (que justifique a participação da sociedade). §3º. seria “amigo do tribunal”. Mesmo sem previsão legal. Quando o AGU desempenha essa função.Requisitos para Admissibilidade do Amicus Curiae (lei 9. Na ADC a lei já é presumidamente constitucional. estará obrigado a defender tanto as leis estaduais como as leis federais. Mas o amicus curiae ficou realmente conhecido com a Lei 9. Ela já existia antes. mas de acordo com a lei da ADPF quem defende a lei é a própria autoridade que praticou o ato. A figura do amicus curiae não foi introduzida pela Lei 9. §1º. disciplinou a figura. art. Portanto. Na ADPF. por analogia. em seu art. mas não têm nada haver com amicus curiae. §1º. estando relacionado apenas à sociedade aberta de intérpretes. §1º e art. o STF tem admitido a participação do amicus curiae na ADC e na ADPF (analogia legis. 7°. É muito comum nos tribunais internacionais.868/99 vale só para a ADI. o AGU até poderia participar. Finalidade: Pluralizar o debate constitucional e conferir maior legitimidade democrática às decisões do STF. nos estados que adotam a commum low. Cabe também na ADPF. 7º. 43 . o das audiências públicas. §2º e art. por fim. Pode fazer uma associação à chamada “Sociedade Aberta de Intérpretes – de Peter Haberle” – a interpretação constitucional não se restringe ao Judiciário.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O AGU só participa na ação direta de inconstitucionalidade – ADI (controle concentradoabstrato). Ele não é alguém interessado na causa. na analogia iuris utiliza-se os princípios gerais de direito). só vai contribuir para a decisão do tribunal. que também representam uma abertura à interpretação da constituição. Posteriormente.868 inclusive diz que esta figura foi inspirada no direito norte americano. CPC (no CPC a previsão é para o controle difuso e não o controle concentrado). 482. *Quase sempre o AGU deverá defender a constitucionalidade da lei. 6º. 7º.

pois tem entendido que seria uma intervenção de terceiros. O juiz de primeiro grau. Parece ser o entendimento mais aceito pelo STF. Foi uma exceção. Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato: → ADC: ☺ Art. 2) CNBB: se ofereceu como amicus curiae na ADI 3510 – o Min. O STF considerou que o preconceito contra judeus é racismo. O STF ainda não tem admitido que sejam pessoas físicas (a lei fala outros órgãos ou entidades). Lewandowski. pois o amicus curiae não é um terceiro interessado. porque iria envolver matéria em relação à vida. “a”. ou seja. Os processualistas diziam que a ADC era inconstitucional por afronta ao contraditório e ampla defesa e que violava o princípio da presunção de constitucionalidade. a CNBB não iria contribuir com o Judiciário e sim ia defender o ponto religioso. Lei 9. Marco Aurélio não admitiu. Obs. elas teriam um caráter dúplice ou ambivalente). É aquele que vai contribuir para a decisão do STF. Não se aplica o contraditório e a ampla defesa à ADC. não tendo partes.Casos específicos: 1) HC: crime de racismo contra judeus – O STF convidou Celso Lafer (renomado autor de direito humanos).868/99. portanto. R. Somente diz que ele não é intervenção de terceiros. cabe amicus curiae.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Subjetivo: representatividade do postulante na sociedade. poderia afastar esta presunção. Para o prof. Surgiu com a EC/03. 2º) Celso de Melo: tem duas decisões: na mais antiga antes de haver previsão na lei. admitindo prova em contrário. I. Argumentos usados (na ADI nº1) para debater e afastar essa alegação de que ela seria inconstitucional: .Natureza Jurídica: há 4 correntes: 1º) Edgar Bueno: entende que é espécie de assistência qualificada (espécie de intervenção de terceiros. Aurélio. autor e réu. . J. Já na ADPF 54 (aborto em caso de acrania) o Min. ressalta-se que esta é apenas relativa. a mais correta. Mello. M. pois admitiu pessoa física em controle concreto. admitindo ser intervenção de terceiros (C. seria uma exceção). Pergunta: Cabe sustentação oral pelo amicus curiae? Apesar de não haver previsão específica. ele diz embora não possível intervenção de terceiros. Mas depois que a lei foi feita.102. O STF ainda tem exigido pertinência temática. mas dizia que havia contradição no posicionamento daqueles que defendiam a inconstitucionalidade da ADC em face dela e da ADI possuírem a mesma natureza – seria uma ADC com sinal trocado.: Gilmar Mendes não era ministro do STF ainda. Carlos Aires entendeu que estavam presentes os requisitos. É. é um equívoco. segundo o professor.Com relação à presunção de constitucionalidade. (Obs.não há que se falar em violação aos princípios constitucionais porque se trata de um processo de índole objetiva. o STF tem admitido sustentação oral pelo amicus curiae. Quando 44 . Quem vai analisar se os requisitos estão presentes é o Relator. em despacho irrecorrível.: o amicus curiae pode se oferecer ou ser convidado. 3º) Gilmar Mendes: ele não fala. . 4º) Fredie Didier: seria um auxiliar de juízo. por ex. Apesar de que era relevante. tinha entendimento que não era intervenção de terceiros. . Gracie). (O STF admite que um objeto anterior à EC/03 possa ser objeto de ADC).. ou seja. Barbosa e E.

24 – a ADC nada mais é do que uma ADI com sinais trocados. que se comprove a existência de uma controvérsia judicial relevante (se não há questionamento no judiciário.Principais aspectos da ADC: 1) É necessária “controvérsia judicial relevante” para ajuizar ADC. 4) Cabe concessão de Medida Cautelar em ADC? Sim. exige como requisito para o ajuizamento da ADC.21.868/99. 2) O objetivo da ADC: abreviar o tempo de pronúncia pelo STF. III). inclusive o Poder Executivo.882/99. CR e Lei 9.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I o STF dá a decisão na ADC. nas outras ações ela também poderá ocorrer). na ADPF 33: . pode ocorrer que um mesmo objeto seja questionado em ADI e ADC. O STF admitiu ☺Informativo 518. §1º. Portanto. mas sim em várias dezenas de ações para que se demonstre a controvérsia). mas sim uma Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental. o parâmetro é o preceito fundamental e não qualquer norma formalmente constitucional.). o requisito de admissibilidade está relacionado à presunção de constitucionalidade (☺Lei 9.102. por 180 dias isso só existe expressamente na ADC (na ADI e na ADPF não há esta previsão. Conceito de Preceito Fundamental segundo o Min.14.Normas de Estrutura do Estado Brasileiro. . não há que se declarar uma lei constitucional). . é mais restrito: somente a violação. e . portanto. esta presunção passa de relativa para “quase absoluta”. para demonstrar a controvérsia judicial (não se fala em uma dezena. A procedência da ADI e a improcedência da ADC dizem que a lei é inconstitucional. o descumprimento de preceito fundamental da CR que dará ensejo à propositura de uma ADPF.Título I: Princípios Fundamentais. neste caso as ações são reunidas e julgadas conjuntamente. 14. .Direitos Fundamentais (que são cláusulas pétreas).Princípios Constitucionais.Cláusulas Pétreas. a Lei 9.Princípios Sensíveis (que são princípios constitucionais – art. no entanto.Cláusulas Pétreas. O AGU juntou 6 ou 7 ações dizendo que a lei estava sendo discutida no Judiciário. b) se for concedida terá efeito vinculante para o Poder Judiciário e para a Administração Pública. Segundo a doutrina. Cabe prorrogação. II. art. Gilmar Mendes. P. O STF não concordou e mandou juntar mais ações.Princípios Constitucionais Sensíveis. e . Através do AGU.U. Como visto. Não é uma ação de inconstitucionalidade. VII). . . para que o STF não se torne um órgão de consulta dos Poderes Públicos. 3) Caráter Dúplice ou Ambivalente: Lei 9.868/99. . mas o STF tem utilizado o mesmo entendimento – se na ADC ocorre a suspensão (☺art. O parâmetro. que é ainda mais ampla do que a ação de inconstitucionalidade (já que a inconstitucionalidade é um tipo de descumprimento – descumprimento da CR). em seu art. nos quais a lei esteja sendo discutida. 34. Ex: FHC fez medida do apagão por meio de MP. 45 . ADPF: ☺ Art.Título II: Direitos e Garantias Fundamentais. os preceitos fundamentais são: . Muitas ações foram ajuizadas questionando a MP. art. o FHC ajuizou ADC. Ela vincula todos menos o próprio STF e o Poder Legislativo (sob pena de se ter o engessamento ou fossilização da Constituição). Os efeitos serão: a) a suspensão dos processos.869/99. Mas.

Cisão entre as questões: o caso concreto continua sendo julgado pelo juiz de 1° grau. Quando o STF decidir a ADPF 54 ela terá 2 tipos de efeitos: (ambos estão previstos na Lei 9. O ato pode ser anterior ou posterior à CR. P. Incluindo-se. Hipóteses de Cabimento: 1) ADPF Autônoma: art. estadual e municipal. e a inconstitucionalidade será analisada pelo STF (assemelha-se ao que ocorre com a cláusula de reserva de plenário.: a norma que exige concurso público para preenchimento de cargos da AP. Caberá da decisão desse juiz recurso para o tribunal.: foi ajuizada uma ADI sobre esta espécie. 196 e ao meio ambiente. neste rol. Art.: gestante com feto com acrania. na ADPF. leva a questão ao STF através de ADPF. deve dizer o que deve ser considerado preceito fundamental. como para a ADPF incidental o objeto é o mesmo. Ela vai ao juiz de primeiro grau. 46 . O STF entende que tanto para a ADPF autônoma. ao tomarem conhecimento da questão que está sendo discutida no caso concreto. ou seja. podendo ser um meio de controle difuso. a vinculação é vertical. Mas se algum dos legitimados souber da ação.: ADPF 54 (questão do anencéfalo). 1º. § 1° da lei 9. “Fundamental”: quer significar os preceitos imprescindíveis à identidade constitucional e ao regime adotado pela constituição. embora lá há uma vinculação horizontal. 1º. b) Extraprocessual: efeito erga omnes e vinculante. Características: . 2) ADPF Incidental ou por Equiparação: art. as normas que dão densidade normativa a esses 5 pontos. para que se declare sua inconstitucionalidade pelo fato de ter sido prevista pelo legislador infraconstitucional. mas apenas a questão constitucional que está sendo discutida para o STF julgar a questão (e não o caso específico). controvérsia constitucional e relevante fundamento – questionamento da controvérsia do próprio ato. Objeto da ADPF: Qualquer ato do poder público pode ser objeto de ADPF e não somente lei ou ato normativo. dentro do mesmo tribunal. os legitimados podem levar não todo o processo. como guardião da CR. a mesma imediatidade e a mesma amplitude da ADPF. 4°. Proposta diretamente no STF. Um dos legitimados.882/99). Ex. caput: evitar (preventiva) ou reparar (repressiva) lesão a preceito fundamental causado por ato do Poder Público – questionamento do próprio ato. art.U. que é norma que dá conteúdo ao Princípio da Impessoalidade). embora seja bastante difícil existir esse meio).882/99. Processamento: Uma questão é levada a juízo – ex. Segundo Neri da Silveira.: surge a partir de um caso concreto. Obs. a) Endoprocessual: seria em relação ao caso específico que está sendo discutido.Tem caráter subsidiário: significa dizer que só cabe ADPF quando não existir outro meio eficaz para sanar a lesividade (outro meio que tenha a mesma efetividade. Aqui. dentro do órgão judiciário). ainda. que preenchem de conteúdo esses 5 pontos (ex. apenas o STF. O objeto pode ser da esfera federal. A decisão do STF iria servir como precedente para o tribunal ou o juiz analisar.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A ministra Ellen Gracie entendeu que os princípios fundamentais abrangem o direito à saúde.

O MP teria legitimidade nos casos de direitos difusos. em se tratando de órgão administrativo. Obs. I. o STF faz uma interpretação ampla desse parâmetro. 47 . LXXI .Lei Federal: quando existir poderá estabelecer outros órgãos competentes (por Controle concentrado no STF e nos TJ´s enquanto utiliza-se a lei do MS para (âmbito estadual) processar e julgar o MI). q).Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional. LXXI (dos norma for de eficácia limitada (NEL) direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. É a mesma da ADI.: a maioria da doutrina entende que a NEL tem que ser uma norma que consagre direitos fundamentais Só há omissão inconstitucional quando a – literalidade do art. É controle abstrato. governador do Maranhão ajuizou ADPF questionando uma portaria. O STF admitiu a ADPF. Processo Constitucional Subjetivo Finalidade: Pretensão deduzida em juízo: Competência: Parâmetro: Legitimidade ativa: Controle difuso limitado: . 102.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . ADC e ADPF (art. No entanto. 5°. à soberania e à cidadania”. 5°. V). h). Tornar viável o exercício dos direitos (direitos subjetivos). § 2º .CE: pode atribuir competências a juízes estaduais ou ao TJ. . É controle concreto. à soberania e à cidadania). 121.MI Individual: qualquer pessoa que tenha 103) o seu direito inviabilizado por ausência de norma regulamentadora. . Ex. (O órgão tem que ter competência determinada na CR. nas CE ou em lei federal). Assegurar a efetividade de suas normas. Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais: ADI por omissão “Art.Admite-se a fungibilidade. § 4°.. . em alguns casos: se alguém entra com uma ADPF e era caso de ADI.conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. coletivos e individuais indisponíveis (art. I. TSE/TER (art. 105. o STF transforma a ADPF em ADI.CR: STF (art. STJ (art. será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e. Norma constitucional de eficácia limitada (NEL). . para fazê-lo em trinta dias”. 129. Processo Constitucional Objetivo Mandado de Injunção “Art. mas a converteu em ADI. por ex. 103. O STF constatou que a portaria tratava diretamente de assunto previsto na CR (ANP). II e III).

A autoridade responsável pela elaboração da norma regulamentadora. é b) Concretista: concretiza a norma. elaboração da norma não pode ajuizar AIO. exatamente o mesmo da ADI por Omissão: o PJ só dá ciência ao poder competente de sua omissão. LXX: PP c/ CN. o PJ iria concretizar a norma com efeitos erga omnes. O efeito da decisão proferida pelo PJ seria. recentemente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Obs. fundamentais em face do Estado. abrangendo todos os que se encontrassem na 48 . mais especificamente no caso do direito de greve do servidor público. no entanto. Órgão ou entidade encarregados da elaboração da norma regulamentadora. mas não apenas para aqueles que impetraram o MI e sim para todos aqueles que se encontrassem na mesma situação. Em 95% das decisões do STF ele adotou esta corrente. autores que admitem. em se tratando de órgão da AP.1) geral: efeitos erga omnes suprir a omissão. apenas razoável e não peremptório. Recentemente. portanto não podem impetrar MI.MI Coletivo: o STF o tem admitido. (☺item seguinte) Legitimidade Passiva Provimento: (decisão de mérito) Efeitos da decisão de mérito no MI: 1) Corrente não-concretista: Recebe este nome porque entende que o PJ não pode suprir a omissão do outro poder. público: MI protege dir. O STF. . ou seja. Há. não pode concretizar a norma.2) individual: efeitos inter partes (criação de município) o prazo para o b. ou seja. não pode fazer a norma para o caso concreto. em decisões em relação ao servidor público foi que ele mudou de entendimento.: na ADI 3682 b. mas esse prazo era direito. organização sindical. ECAN e associação c/ 1 ano). Se o PL) e. usando-se como referência a legitimação do MS Coletivo (☺art. 5º. 2) Corrente concretista: Se subdivide em 3 outras correntes e em todas elas se admite que o PJ supra a omissão do poder competente. concretize a norma (faça a norma concreta). portanto. mudou seu posicionamento. Havia uma crítica muito forte quanto a esta corrente. competente de sua omissão (em regra. mas que representa uma minoria (Dirley da Cunha Jr).3) intermediária: ciência + prazo PL seria de 18 meses em função de a lei para suprir. mesmo que não seja uma legitimidade exclusiva.Órgãos públicos. já que por meio dela o STF esvaziava o conteúdo do MI. isso não quer dizer que o STF passará definitivamente a adotar outra corrente para todos os casos. Há 4 possíveis provimentos: É apenas dar ciência ao poder a) Não concretista: = AIO (só ciência). entes federativos e PJ dir. divide em: a CF fala no prazo de 30 dias para se b. O STF não admite sequer litisconsórcio Órgão ou entidade encarregados da passivo. segundo ela o efeito da decisão seria a produção da norma (o PJ poderia concretizar a norma). São elas: a) Geral: é defendida por pouquíssimos autores. Mas atenção. sob pena de exercício do vigorar por 2 anos.

Esta corrente nunca foi adotada pela doutrina. 708 e 712). É induzida através de um processo constitucional subjetivo (tem partes formais). poderia ser admitida a concessão de MC (ADI 336. 34. como regra. a representação interventiva torna-se um pressuposto para que a União decrete a intervenção no Estado ou no DF – ☺art. se supriria a omissão apenas para aqueles que impetraram o MI. 34. c) Intermediária: conjuga a corrente não-concretista com a concretista. o STF está atuando como legislador positivo. Quem pode decretar uma intervenção federal: somente o PR (chefe do Poder Executivo). A regra é o principio da não-intervenção. a União poderá decretar a intervenção nesse município (mas somente na hipótese de intervenção em municípios presentes em território federal – é uma situação excepcional) – a regra é a de que a União não pode decretar intervenção em municípios. e 2) recusa à execução de lei federal (art. mas foi a corrente utilizada pelo STF quanto à questão do direito de greve. 36. Quem pode decretar a intervenção em município é somente o Estado do qual o município fizer parte. A União só pode decretar a intervenção nos Estados ou no DF. o STF adotou essa corrente (MI 721 e 758): impetrantes que pediram a regulamentação em relação à aposentadoria especial. Todos os MI neste sentido foram julgados adotando-se esta corrente concretista geral – a decisão valeria para todos os servidores públicos e não apenas para aqueles que impetraram os MI (☺MI 670. Se for criado Território Federal e ele tiver municípios. De acordo com esta concepção. CR (provimento. ou seja. ou seja. iria dar ciência ao poder competente de sua omissão e. Controle Concentrado-Concreto: → ADI Interventiva ou Representação interventiva: Foi a 1ª ação que tivemos de controle concentrado no Brasil. 2. O efeito seria apenas inter partes. Recentemente. criando uma norma geral e abstrata. iria fixar o prazo para que a omissão fosse suprida. a intervenção é uma exceção (a União não pode. Mesmo adotando a corrente concretista. se dentro desse prazo a omissão não fosse suprida. em um primeiro momento. VII). ao mesmo tempo. A omissão total não cabe MC. pelo STF. ademais. A inconstitucionalidade por omissão parcial também pode ser vista como uma inconstitucionalidade por ação. Não pode haver intervenção federal em município de Estado. não cabe liminar (antes. de representação do PGR) – As hipóteses de Intervenção Indireta são: 1) violação aos princípios constitucionais sensíveis (art. III. ou seja. Há duas hipóteses em que a União só poderá decretar a intervenção em um Estado se primeiro houver representação interventiva. Essa corrente é bastante criticada. Portanto. intervir nos Estados). O STF tem entendido que no caso da AIO não se admite concessão de medida cautelar. Surge a partir do caso concreto. No MI. nestes casos de omissão parcial.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I mesma situação. o PJ. porque adotava a corrente não concretista). 652. porque nem a AIO tem esse poder. 49 . surgiu em 1984 e deu origem a todas as demais ações.040). As 4 correntes são adotadas pelo STF de acordo com o caso concreto. na própria decisão já constaria qual seria a norma a ser aplicada naquela hipótese. VI). Ela se subdivide em – geral e individual. b) Individual: é a corrente majoritária na doutrina. continua o entendimento de que não cabe liminar em MI (não há fundamento para esse entendimento). O STF adotou essa corrente no MI 232. 680. Essa corrente era seguida pelo ex-ministro do STF: Néri da Silveira. a norma que supriria a omissão para que a pessoa pudesse exercer o direito.

não cabe a hipótese de RE (cabe tão somente o controle de constitucionalidade). da ADPF). §2º. Atenção: quem pode ajuizar a representação interventiva é apenas um legitimado – o PGR. 127. o PR então poderá decretar a intervenção. A pretensão é deduzida em juízo através de um processo constitucional subjetivo (União x Estado). O único Tribunal que terá competência para processar e julgar esta representação interventiva estadual será o TJ. CR. O STF é o guardião da CR. O PGR não é obrigado a ajuizar ADI em razão do princípio da independência funcional (art. A hipótese excepcional de utilização do RE é exatamente a seguinte: se a norma da CE violada (o parâmetro violado) for alguma das normas de observância obrigatória da CR (☺aula de Poder Constituinte). que é o pressuposto para a representação interventiva. Esta forma não foi prevista na CR. ADI interventiva é uma ação de controle concentrado. O parâmetro de uma ADI no âmbito do TJ é a CE. Nem o CN e nem a AL precisam se manifestar. e sim em face da CR. 36. Atenção: se a norma da CE violada for uma norma de mera imitação ou uma norma de remissão. da decisão do TJ caberá um RE para o STF. 35. As partes aqui são o Estado e o Município. Isto está previsto no art. já que o TJ não estará julgando um caso concreto. STF). Não há esta necessidade porque já houve uma manifestação do PJ. mas que surge a partir de um caso concreto. O RE. A decretação da intervenção pelo PR não é um ato discricionário. Representação interventiva estadual: A representação interventiva estadual só pode ser proposta pelo PGJ (☺Súm. É necessária a apreciação pelo PL (Assembléia Legislativa)? Não. 3º) recusa à execução de ordem ou decisão judicial: esta hipótese não é simétrica à representação interventiva federal (é própria da intervenção estadual). será utilizado como instrumento de controle concentrado e abstrato. 125. CR. no âmbito federal). O PGR atua como substituo processual (defende interesse da coletividade). mas sim. RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato: Em regra ele é utilizado como instrumento de controle difuso. nem no RISTF. OBS. § 1°. 2º) recusa à execução de lei federal ou estadual (hipótese simétrica à hipótese de recusa à execução de lei federal. §3º. É dispensada a apreciação política pelo PL. 50 . Trata-se de um controle concentrado e abstrato. vinculado (embora haja divergência doutrinária quanto a esse ponto). se o STF der provimento à representação do PGR. portanto. 614. Em 3 hipóteses o GE poderá decretar a representação interventiva estadual – Parâmetros: 1º) princípios previstos na constituição estadual: a CE estabelecerá quais são os princípios que. É um controle concentrado-abstrato de lei municipal em face da CR (é o único caso. Ele irá analisar a lei ou ato normativo não em face da CE. O parâmetro aqui é mais amplo. é claro.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Nessas duas hipóteses. Ocorre na hipótese de ADI proposta no TJ. se violados. CR). no âmbito do TJ. além. ele é o único que tem legitimidade ativa para ajuizar essa ação. poderão dar margem à intervenção (princípios sensíveis no âmbito estadual). ☺art. A decisão do STF tem natureza político-administrativa. foi uma criação da jurisprudência do STF. ☺art. ???Para que o presidente decrete a intervenção federal nos estados devem ser respeitados alguns requisitos: PGR deve propor uma ADI ou representação interventiva. CR. em face de lei ou ato normativo estadual ou municipal. mas em uma hipótese será utilizada como instrumento de controle concentrado-abstrato. somente no caso do STF dar provimento à essa ADI é que haverá intervenção. IV.

expressa por meio de seus representantes. que. Algumas teorias confundem a titularidade com o exercício. mas jamais é quem o exerce. ou seja. pois a titularidade do Poder liga-se à idéia de soberania do estado. Modernamente. sendo o titular o povo e o exequente aquele que. que formulou esta teoria no fim do Séc. segundo o Abade Sieyès. uma vez que mediante o exercício do poder constituinte originário se estabelecerá sua organização fundamental pela Constituição. Natureza: Há duas correntes a respeito da natureza do poder constituinte: 1) O poder constituinte é um poder de fato ou político (P. Assim. visando à limitação do poder estatal e à preservação dos direitos e garantias individuais. analisa-se se o poder é legítimo ou não. Schmitt). cria o Estado. Titularidade do Poder Constituinte: O titular do Poder Constituinte. em nome do povo. a vontade do constituinte é a vontade do povo. A doutrina entende que o titular do Poder Constituinte é sempre um só: a maioria do povo (ou a maioria da Nação. porém.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PODER CONSTITUINTE: (16/04/09) Conceito e finalidade: O Poder Constituinte é a manifestação soberana da suprema vontade política de um povo. Celso de Mello. segundo o abade Emmanuel Sieyès. deve-se adotar o posicionamento da 1ª corrente. que deve observar o direito natural. pois o Estado decorre da soberania popular. Obs. em alguns casos. Assim. Segundo Manoel Gonçalves Ferreira Filho. é a nação. o exercício dessa magna prerrogativa. editando a nova Constituição. é predominante que a titularidade do poder constituinte pertence ao povo. XVIII). Um dos aspectos para se saber se é legítimo ou não é justamente 51 . Bonavides. Está acima do direito positivo. É um poder que não retira sua força do Direito e sim da energia social. ao qual se imputa uma vontade constituinte sempre manifestada por uma elite. corroborando essa perspectiva. São apenas órgãos aos quais se atribui. Para os jusnaturalistas. É ele um titular passivo. Na 1ª etapa. 2) O poder constituinte é um poder de direito ou jurídico. social e juridicamente organizado. C. retira sua força do direito natural. pode usurpar do povo a titularidade do poder. A importância dessa distinção (titular e exequente) está ligada à legitimidade. cujo conceito é mais abrangente do que o de nação. A doutrina aponta a contemporaneidade da idéia de Poder Constituinte com a do surgimento de Constituições escritas. um dos precursores dessa doutrina. O exercício do Poder Constituinte na maioria das vezes é exercido por uma minoria. que é sempre superior aos poderes constituídos. A análise desse poder é feita no âmbito da legitimidade. a natureza do poder constituinte é um poder de direito ou jurídico (Manuel Gonçalves Ferreira Filho). por delegação popular. de maneira que toda manifestação dos poderes constituídos somente alcança plena validade se sujeitar à Carta Magna. Portanto. Titularidade é diferente de exercício e nem sempre o exercício vai corresponder à titularidade. distingue-se a titularidade e o exercício do Poder Constituinte. o povo pode ser reconhecido como o titular do Poder Constituinte. ensina que as Assembléias Constituintes não titularizam o poder constituinte.

é possível analisar a legitimidade do poder constituinte em dois aspectos: subjetivo e objetivo. que é seu verdadeiro titular. ADCT. Espécies Tradicionais: . CR) A) Poder Constituinte (Originário): É aquele que vai fazer uma nova Constituição dentro de um Estado. 11.Histórico . 60.Revisor (art. mas a doutrina utiliza esta nomenclatura para diferenciá-lo dos demais poderes.Material . há legitimidade objetiva. que busca sua “fundamentação” menos na vontade do povo-nação do que na vontade do povo-cidadão universal. apta a vincular os Estados ajustados sob o seu comando. se esta correspondência existir o poder será legítimo. ADCT) . CR) . já que o poder constituinte já é originário. Um poder preocupado com a formação de uma Constituição supranacional elaborada legitimamente e. Assim. para ser considerado legítimo. pelo qual o poder constituinte (do ponto de vista objetivo). Obs.Reformador (art. entende que a expressão “originário” seria uma redundância. Portanto.Revolucionário .Transicional A) Poder Constituinte (Originário) Espécies de Poder Constituinte B) Poderes Constituídos (Poder Constituinte Derivado) . Trata-se de um aspecto subjetivo (diz respeito ao sujeito do poder constituinte).Decorrente (art. Poder Constituinte Supranacional: A ruptura das tradicionais premissas de organização dos Estados suscitou a idéia da existência de um poder constituinte pautado na cidadania universal. a legitimidade subjetiva está ligada ao sujeito que detém o poder. no pluralismo de ordenamentos jurídicos e em uma visão remodelada de soberania.Formal . Dessa forma. quando o sujeito observa os limites impostos ao PC. 25. 3º. tem que fazer normas cujo conteúdo seja considerado justo pela sociedade. Ele pode ser classificado em três espécies: 52 . Há alguns autores (como Canotilho) que falam também em uma legitimidade no sentido objetivo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I saber se há uma correspondência entre a titularidade e o exercício do poder. por conseguinte.: o prof. Maurício Andreioulo Rodrigues defende a existência de um tertium genus de poder constituinte. correspondendo aos anseios daquela sociedade. art.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Poder Constituinte Originário Histórico: é o que faz a 1ª Constituição dentro de um Estado.Dimensão tridimensional do direito (Miguel Reali): valor. através da Constituição. e quem vai formalizar o conteúdo escolhido pelo povo será a Assembléia Nacional Constituinte (composta por representantes do povo). independente e soberano. Há ainda uma outra classificação: a) Poder Constituinte Originário Material: é o que escolhe o conteúdo que será consagrado pela Constituição. 1946. Quem irá formalizar a escolha feita pelo PCOM será o PCOF. b) é um poder inalienável. mas deve observar os princípios do direito natural (para limitar o poder do Estado. é a Constituição que vai dar origem ao Estado. ex. c) Poder Constituinte Transicional: “transição constitucional”. ou seja.: esses dois poderes (a e b) não são antagônicos. principal teórico responsável pela teoria do poder constituinte (era jusnaturalista). entende que há outras 3 características: a) trata-se de um poder permanente: não esgota no seu exercício. b) é um poder autônomo: tem autonomia para escolher qual é a idéia de direito que irá prevalecer dentro do Estado (ele escolhe o conteúdo da Constituição). não existe nenhum outro poder antes ou acima dele. O povo é o titular do PCOM. pode-se dizer também que é um poder ilimitado juridicamente. 53 . a 1ª Constituição foi a Constituição Imperial de 1824. há alguns valores que são morais.: este poder tem este nome porque para o Direito. Ex. através de normas constitucionais. b) Poder Constituinte Originário Revolucionário: ele também cria uma nova Constituição. os quais já faziam parte do poder legislativo anterior. No caso do Brasil. O Abade Sieyes. Apesar de ser um poder incondicionado. No plano axiológico. Obs. 1937. Obs. O poder constituinte originário (material) é responsável por escolher quais são os valores que serão consagrados pela constituição. ela nunca deixa de ser do povo. Pode surgir de dois tipos de revolução: através de um golpe de Estado (governante usurpa o exercício do poder constituinte e faz a constituição. 1988. norma e fato (aplicação da norma abstrata ao caso concreto). porque a titularidade desse poder não pode ser transferida. → Características Essenciais do Poder Constituinte Originário (que o diferencia dos demais poderes): a) é um poder inicial: está acima de todo ordenamento jurídico. é ele que dá início ao ordenamento jurídico.: se é um poder autônomo e incondicionado. Obs. c) é um poder incondicionado: não está submetido a qualquer tipo de condição formal ou material. esta escolha não está subordinada a nenhum direito preexistente. b) Poder Constituinte Originário Formal: é o que formaliza o conteúdo. . CR/1988: a própria constituição anterior já trazia uma emenda prevendo a criação de uma nova constituição. foi criado um direito natural). todas as demais Constituições (depois da de 1824) foram obras desse poder: 1891. que substituirá a anterior. 1967/69. ou insurreição (grupo externo faz uma revolução e elabora a nova constituição). não perde a titularidade do poder constituinte. Foram eleitos membros para compor a comissão constituinte. a nenhum pré-requisito jurídico. é apenas uma classificação quanto ao momento. a doutrina impõe algumas limitações a esse poder (esse posicionamento deve ser suscitado apenas em provas discursivas e não objetivas). revolução é toda ruptura com o ordenamento jurídico anterior. mas não a primeira e sim uma nova. GV). 1934. Escolhe a idéia de direito que irá prevalecer. No caso do Brasil. c) é um poder incondicionado pelo direito positivo. coloca em normas constitucionais o conteúdo escolhido. A qualquer momento o povo pode elaborar uma nova constituição.

Ex. deveria observar os princípios estabelecidos na CR/88. mas continua a existir como característica essencial deste poder. Dentro desse limite. conferiu poder constituinte às Assembléias Legislativas dos Estados. a federação norte-americana: é característica do estado norte-americano a autonomia dos entes federativos. 25. Na verdade não houve uma Assembléia específica para esse fim de elaborar as CE (foram as AL dos Estados que elaboraram suas CE). 54 . B) Poder Constituinte Decorrente: É o responsável por elaborar as Constituições Estaduais. ela não consagrou especificamente um poder para elaborar as Constituições Estaduais. Fábio Konder Comparato fala. 3) Limites heterônomos: são provenientes da conjugação com outros ordenamentos jurídicos. mas o modelo federal e os paradigmas da CR têm que ser observados pela CE. 25. mas meta jurídico (fora do direito). refere-se ao núcleo essencial dos direitos. afirmando que uma nova Constituição não poderia prever novas hipóteses de aceitação da pena de morte. na verdade. mais utilizado em relação à vedação do retrocesso social (em outro sentido completamente diferente). por isso o prazo de 1 ano para serem criadas. na pena de morte. as constituições estaduais não são recepcionadas. No entanto. CR: diz que os Estados se organizam pelas constituições que adotarem. Não se trata de um limite jurídico. Quando a CR consagra o art. encontra-se o “Princípio da Proibição de Retrocesso” (efeito cliquet): esse princípio é. um princípio conhecido como “Princípio da Simetria Constitucional” – este princípio significa que a CE tem que ser simétrica à CR. de valores éticos ou da consciência jurídica coletiva. uma nova constituição não poderia criar um estado unitário. Tais direitos não poderiam ser violados nem mesmo por uma nova Constituição. observados os princípios estabelecidos na CR. contudo. Ainda que o estado seja soberano. ☺art. 2) Limites imanentes: são impostos ao PCO formal e relacionados à configuração do estado à luz do PCO material ou da própria identidade do estado. 11 do ADCT. Obs. A partir do momento que a CR surge. por se tratar de uma conquista da sociedade. Não se trata de um poder inicial autônomo e incondicionado. Uma nova Constituição não poderia permitir a violação a direitos adquiridos. estado não pode pretender se isolar do resto do mundo em face à globalização. no prazo de 1 ano após a elaboração da CR. Esta AL. De acordo esse limite. A lei orgânica municipal tem que ser simétrica à constituição do estado e à constituição da república. Significa o poder do Estado de elaborar a sua própria Constituição. aqueles sobre os quais há um consenso profundo. deve respeitar normas de direito internacional (relativização do conceito de soberania do estado). no art. a doutrina deduz deste art. além da prevista na CR/88 (caso de guerra declarada). Ex.. ficando um pouco relativizada. neste caso significa um impedimento para que uma nova Constituição retroceda em relação aos direitos fundamentais conquistados por uma determinada sociedade. não tinha autonomia para colocar nas CE o que bem entendesse. por ex. não concorda muito com isso. Não há necessidade de que a CE seja uma cópia da CR. No caso da CR/88. O que de fato ocorre é que a autonomia do Poder Constituinte foi. com os avanços da sociedade. ele encontra limites no texto da CR.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Limitações materiais: 1) Limites transcendentes: são impostos ao PCO material advindos de imperativos do direito natural. A CR/88. O prof.

Se subdividem em: 55 . este dispositivo não é norma de observância obrigatória (o Presidente da AL do RJ já estava no cargo há 6 anos. fiscalização do TCU devem ser obrigatoriamente observadas no âmbito dos Estados ☺art. composição. V ???) I) Expressos na constituição: art. II) Implícitos: CPI (art. CR. 57.Normas relativas ao Tribunal de Contas da União: as normas referentes à organização. Obs.: ☺art. 59 e segs. ou seja. § 3°). b) Princípios constitucionais extensíveis: foram praticamente eliminados da CR/88. que decidiu uma questão suscitada pela Assembléia do RJ. mas os Estados não poderiam adotar um modelo diverso do adotado pelo âmbito federal (ex. CR. 61. 58. c) Princípios constitucionais estabelecidos (a matéria é tratada na constituição já se estendendo aos estados. §4º.: presidencialismo x parlamentarismo).: os poderes da CPI do estado são os mesmos da CPI no âmbito federal? A CPI pode quebrar sigilo bancário? A ACO 730 decidiu que a CPI estadual poderia sim quebrar sigilo bancário. 57. são essas as normas de repetição obrigatória. . 28 (que trata da eleição de GE) e 75 (que trata do TCU). 58. 34. que dispõe sobre a composição das mesas do CN – mandato de 2 anos.Princípio da Separação dos Poderes: segundo o STF. § 1°.traz matéria de iniciativa exclusiva do PR. que se estendem aos Estados. Mas. diferente dos extensíveis. 27.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há uma expressão (que vem desde o Raul Machado Horta) que deriva do Princípio da Simetria: são as “normas de observância obrigatória”. processo legislativo (art. não existe um modelo a priori de separação dos poderes. para apuração de fato determinado e prazo certo de duração. → Princípios que devem ser observados pelo Poder Constituinte Decorrente (normas de observância obrigatória): A classificação de JAS divide as limitações do Poder Constituinte Decorrente em 3 tipos de princípios: a) Princípios constitucionais sensíveis: se violados gerarão algum tipo de reação.).Princípios básicos do processo legislativo: ☺art. §4º não é norma de observância obrigatória). A próxima norma foi uma novidade da CR/88: .Requisitos para a criação de CPI: ☺art. Estão presentes no art. porque o art. §1º . Segundo o STF. por enquanto. → Normas de observância obrigatória consideradas pela jurisprudência do STF (também chamadas de regras de repetição obrigatória): . . A Constituição anterior já entendia que essas 3 normas acima dispostas fossem de observância obrigatória. Obs. que não mencionam os estados): eles se subdividem em: I) normas expressas: são as normas que estão textualmente colocadas na Constituição. CR (aqueles que se violados podem gerar uma representação interventiva ou até uma intervenção federal). Pode ser que futuramente o STF venha a entender que outras normas da CR sejam de observância obrigatória pelos Estados. são as normas de auto-organização da União. mas foi uma decisão super apertada (6x5). e o STF decidiu que não havia problema. vedada a recondução. no âmbito estadual tem que ser de competência do GE. §3º – requerimento de pelo menos 1/3. 75. 93. normas que obrigatoriamente devem ser observadas pelas CE. VII. aquilo que é de competência do PR no âmbito federal. Há dois grupos: (art.

normas vedatórias: ex. se pode deduzir de forma implícita que os Estados não podem exercê-las. . se for decretado o estado de defesa (art. DF e M. CR. 2) Limitações Circunstanciais: impedem a alteração da Constituição em momentos de extrema gravidade. II) normas implícitas: são aquelas que não estão textualmente consagradas..Estado de calamidade pública não impede que a constituição seja emendada. uma limitação temporal para o poder revisor – art.não é inicial. Ex. §1º. 34). portanto. → Limitações impostas ao Poder Reformador: 1) Limitações Temporais: são as que se referem a um determinado período de tempo durante o qual a CR não pode ser reformada. CR (é vedado à U.não é autônomo. . que é hipótese ainda mais grave do que o estado de defesa.. 21 e 22 estabelecem competências exclusivas da União e. Essas limitações circunstanciais estão dispostas no art. 137).: os arts.exercício: é pelo CN. C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador): Características: . CR (princípios que regem a AP: os Estados “obedecerão” os seguintes princípios. é conseqüente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . ou seja. Na CR/88 não há nenhuma limitação temporal (existia. CR. ADCT). A finalidade é dar maior estabilidade à constituição antes de sofrer qualquer alteração.).: art. 3°..normas mandatórias: ex. 19.A intervenção federal em municípios não impede que a constituição seja emendada. A Constituição de 1824 foi a única constituição brasileira na qual existia uma limitação temporal: ela tinha um dispositivo que dizia que durante um período de 4 anos (de 1824 a 1828) não poderia haver nenhuma modificação na Constituição. no entanto.. Ex.é condicionado. nas quais a livre manifestação do poder reformador possa estar ameaçada. Este poder é o responsável por fazer a chamada Reforma Constitucional. mas é possível deduzi-las.é um poder jurídico (e não de fato). . de um poder que se sujeita às limitações impostas pela própria CR.é limitado. portanto.) – contém uma vedação expressa.: a CR consagra o Princípio Federativo e dele decorre uma exigência de respeito recíproco entre os Estados. decorre da lei e não da força.O estado de defesa e o estado de sítio são também denominados “estados de legalidade extraordinária”. a mesma coisa ocorre com as normas expressamente consagradas como de competência dos municípios. uma vez que tem a mesma natureza da intervenção estadual no município. . 136). III) normas decorrentes: são aquelas que defluem do sistema constitucional adotado. . 60. . 56 . As 3 circunstâncias excepcionais nas quais a CR não pode ser emendada são: em caso de intervenção federal. 37. em qualquer estado da Federação (art. cujo procedimento está previsto no art. Trata-se de um poder previsto na CR e. E. .titularidade: é do povo. e se for decretado o estado de sítio (art. . 60. .: art. .

trata da regra geral para a iniciativa de leis (vale tanto para a LO como para a LC – a iniciativa é a mesma). b) o entendimento majoritário da doutrina. Estão relacionadas ao procedimento de alteração (reforma) da CR. 60. §2º (o procedimento de iniciativa popular no caso de leis. Esses dois períodos semestrais são conhecidos como períodos legislativos (o do 1º semestre e o do 2º semestre). . sendo o art. no âmbito do PJ. pela maioria relativa (+ de 50% dos presentes) de seus membros – e este processo é o processo para que o projeto possa ser encaminhado ao CN e este então possa aprovar o projeto. no âmbito do PE. §10). 60. se a matéria for rejeitada.Além do PR. do SF ou do CN. não veta. no entanto. após a iniciativa. segundo o qual se a matéria for rejeitada (ou havida por prejudicada) numa sessão legislativa. não pode haver emenda de emenda. que é diferente de analogia iuris – utiliza os princípios do direito). . 61. e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. . assim. A CD pode aprovar a emenda realizada pelo SF ou rejeitá-la. II e III) uma exceção à regra geral. o PGR. no âmbito do MP. . poderá ser reapresentada na mesma sessão legislativa por maioria absoluta dos membros da CD e do SF (art. P. 60. não pode ser pela mesa do CN! (lembrar ainda que não há sanção ou veto do PR). No caso de projeto de lei. apenas o PR.A última limitação formal objetiva está prevista no art. por analogia (é o caso de analogia legis – analogia propriamente dita. *O PR só pode participar do processo de elaboração de EC através da iniciativa. A Sessão legislativa (art. §2º). O único legitimado para propor leis e para propor EC no Brasil é o PR. Obs. O quorum de aprovação da PEC é 3/5 em 2 turnos de votação (☺art. . Existe um outro ato legislativo que tem essa mesma limitação formal: a Medida Provisória (art. §5º. possamos usar o procedimento previsto no art.U. por fim. Este art. também podem propor a EC pelo menos 1/3 dos membros da CD ou do SF e. no qual há 4 sessões legislativas. apesar dela estar prevista há mais de 100 anos).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Limitações Formais: são limitações processuais ou procedimentais. 61. Os 2 turnos acontecem simultaneamente (não são alternados). para que. 67. a PEC vai para a promulgação. há que se fazer uma interpretação sistemática da CR. não promulga. a PEC será discutida em cada casa do CN. Isso é muito difícil de ocorrer (nunca houve na história desse país uma iniciativa como esta. Se houver alguma sessão legislativa durante o período de recesso. ☺art. 44. CR). 62. primeiro em uma casa e depois na segunda casa. §2º). CR! b) Objetivas: se relacionam ao procedimento de elaboração de EC. . há ainda um 3º legitimado: mais de 50% das AL das unidades da Federação. Ex. 61 é a regra geral de iniciativa. CR.Atenção: não há previsão expressa de iniciativa popular de EC! Mas existe a possibilidade de haver iniciativa popular para a propositura de EC? Há divergência doutrinária: a) segundo JAS. 57 . Essas limitações podem ser de duas espécies: a) Subjetivas: são limitações relacionadas ao sujeito competente para propor a EC. ela será chamada de extraordinária. §3º. Atenção: a sessão legislativa não se confunde com o ano civil. ☺art.A nossa Constituição é rígida. que é o período de 4 anos do mandato do PR. ATENÇÃO: MEMORIZAR O ART. através da iniciativa popular (art. o que significa que o processo de elaboração de EC é mais dificultoso do que o processo para a propositura de leis. . 60 (incisos I. pode ser reapresentada no mesmo ano a partir do dia 02/02 (data em que se inicia a nova sessão legislativa).Discutido e aprovado. ademais. proposta rejeitada no dia 15/01. não poderá ser reapresentada novamente na mesma sessão legislativa. que será feita pelas mesas da CD e do SF – as duas em conjunto. GE. Quem pode propor LO e LC: no âmbito do PL é qualquer Deputado Federal. 57) não pode ser confundida com a legislatura (art. qualquer Senador ou qualquer comissão da CD. não seria possível que houvesse iniciativa popular para a propositura de EC. 60. vejamos alguns aspectos sobre o Projeto de Lei.Feita a iniciativa. é o de que o art. também podem propor projeto de lei o povo.Antes de nos aprofundar-nos na questão da PEC. não manda publicar – a única coisa que ele pode fazer é tomar a iniciativa). A sessão legislativa é um período anual que não coincide com o calendário civil – a sessão legislativa vai do dia 02/02 a 17/07 e do dia 01/08 a 22/12.). DF e DE. apesar de não existir previsão expressa. o STF e Tribunais Superiores. ele não participa de qualquer outra etapa de elaboração de EC (não sanciona. 61. também chamadas de implícitas.

São as chamadas cláusulas pétreas. Entendimento do STF: As cláusulas pétreas não significam a intangibilidade literal do dispositivo. que pressupõe alguma certeza quanto ao seu conteúdo. o voto não é universal. b) Separação dos Poderes: não existe um modelo ideal. A cláusula pétrea protege o núcleo essencial de determinados direitos. Há 2 tipos de cláusulas pétreas (expressas e implícitas): 1. segundo o STF. A decisão em que o STF tomou esta posição foi a primeira vez na história em que o STF disse que uma EC era inconstitucional por violar cláusula pétrea (ocorreu em 1993 – e demorou tanto para ocorrer justamente porque as EC são aprovadas através de um processo mais dificultoso. São 4 as cláusulas pétreas expressas: a) Forma federativa de Estado: é um princípio intangível da nossa Constituição. exigindo mais cautela por parte do STF quando da declaração de inconstitucionalidade). universal e periódico. Esse entendimento foi retirado de um voto do Min. As cláusulas pétreas podem ser modificadas ou são intangíveis? As cláusulas pétreas não são intangíveis. Universal e Periódico: . Expressas: ☺art. a existência de cláusula pétrea não significa que aquela parte da Constituição é intangível. . secreto. Pode haver uma EC que acabe com a obrigatoriedade do voto. c) Assegurar o processo democrático. b) Preservar a identidade material da Constituição. na verdade. 58 . Sepúlveda Pertence – a forma federativa do Estado é princípio intangível. A finalidade da cláusula pétrea é proteger a própria sociedade de suas “miopias”. VI. . CR. o direito de participar das eleições. a maioria sempre iria querer maximizar os seus interesses. é uma forma de assegurar a autonomia dos entes federativos. cláusulas que exteriorizam limitações materiais. Se elas não existissem. o que é secreto é o escrutínio. pois. ao estabelecer limitações à vontade da maioria. a). conforme já foi considerado em alguns concursos (especialmente CESPE). o que é universal é o direito de sufrágio. não podem haver alterações tendentes a aboli-las. votando e sendo votado (o voto é em um determinado candidato). 60. c) Voto Direto. não é secreto. cada constituição é que vai determinar essa relação entre os poderes. Esse parágrafo não diz que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas.O voto obrigatório não é cláusula pétrea. que é o modo como se realiza o exercício do voto. Ou seja. não podendo ser violado nem mesmo por meio de emenda constitucional. mas apenas a proteção ao seu núcleo essencial. §4º. As cláusulas pétreas são. Finalidades das cláusulas pétreas: a) Assegurar metas a longo prazo.Há um outro princípio decorrente da forma federativa que o STF também considera como cláusula pétrea: Princípio da imunidade tributária recíproca (☺art.A CR especificou as características do voto que o tornam cláusula pétrea.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4) Limitações Materiais ou Substanciais: limites impostos pela soberania popular. ademais. 150. Curiosamente. A constituição não menciona que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. O que é cláusula pétrea é apenas o voto direto. Secreto. a Constituição rígida acaba funcionando como mecanismo para assegurar a própria democracia. mas cometeu duas imperfeições terminológicas: o voto. Este princípio assegura a imunidade tributária entre os entes da Federação e. mas sim.

é o art. . uma outra parte da doutrina entende que se esses assuntos foram objeto de plebiscito. 16 (Princípio da anterioridade eleitoral) é CP. pois. não podendo ser violado por EC (apesar dos direitos políticos. CR. O art. Mas o STF já considerou que o art. mas que é aceito como exemplo por uma boa parte dela. Já os direitos e garantias individuais são somente os previstos no art. Mas seriam eles CP implícitas? Há divergência na doutrina: parte da doutrina (Ivo Dantas) entende que como o sistema presidencialista e a forma republicana foram submetidos a um plebiscito (☺art. Implícitas: São aquelas que não estão elencadas diretamente no art. Chama-se dupla revisão. §4º.: primeiro. sendo uma garantia individual. com a dignidade da pessoa humana. como um todo. (23/04/09) 2. não tem nada a ver com CP). uma emenda constitucional que alterasse o quorum de 3/5 para maioria absoluta. que proíbe a pena de morte. Os demais direitos e garantias fundamentais. Ex. sistematicamente. 2º. 60. III. pois foi o entendimento dado pela soberania popular.Outra garantia individual é o Princípio tributário da anterioridade. ou. que não é unânime na doutrina. todo o art. Dentre os que defendem a possibilidade de uma dupla revisão está o autor português Jorge Miranda. O prof. é CP. posteriormente. 5º. e sim por ser uma garantia individual do cidadão eleitor e. é porque não se desejou que eles fossem petrificados. e não em direitos e garantias fundamentais. Elas têm que ser deduzidas do sistema constitucional como um todo. por isso. No Brasil a dupla revisão não é admitida pela maioria da doutrina. Trata-se de uma limitação implícita porque o próprio poder não pode modificar as suas limitações que lhe foram impostas por um poder superior a ele. após este plebiscito eles teriam se tornado CP. CR). o entendimento majoritário é o de que pode haver alteração. em princípio. 150. são CP. Parte da doutrina (minoritária aqui no Brasil) defende um entendimento diferente – é a doutrina conhecida como “Dupla revisão”. 60 seria CP. pois seria uma forma da fraudar a constituição. Direito Adquirido: Direito Adquirido x Nova Constituição: Pode uma constituição violar direitos adquiridos? 59 . comportam diferentes interpretações. CP). segundo a qual o art. que os direitos sociais seriam também CP (Ingo Sarlet e Paulo Bonavides).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) Direitos e garantias individuais: eles envolvem ideologias distintas e.Há quem defenda. Assim. dispostos do art. Lá estão as limitações ao poder reformador. para posterior alteração do conteúdo. inclusive. não alterando-o). encontram-se espalhados por todo o texto constitucional.: FGTS. mas os demais não (ex. Os direito fundamentais se encontram. Obs. que diz que os direitos e garantias individuais sejam CP para posterior revogação do art. por serem pré-requisitos para o exercício dos direitos individuais. não concorda. A dupla revisão constitui na retirada de uma limitação formal. os direitos sociais que tenham relação com o mínimo existencial. far-se-ia uma EC revogando o art. . não seriam cláusulas pétreas. A CR fala em direitos e garantias individuais.: O sistema presidencialista e a forma republicana de governo não são CP expressas na CR. 5º. que é garantia individual do cidadão contribuinte (art. e por conseqüência. por uma questão lógica. Ocorre que o STF decidiu isso não porque este princípio é um direito político. b. 5º ao 17 (mas existem outros espalhados pela CR). Um exemplo. mas refere-se a uma reforma. não o serem). Assim. 60. 60 poderia ser modificado. ADCT). CR. Entendimento do STF quanto às garantias individuais: os direitos e garantias individuais não se restringem ao art. Para ele. desde que ocorra uma nova consulta popular (não são. seria feita uma nova EC alterando o conteúdo da Constituição por maioria absoluta. 60 é considerado CP implícita (ao estabelecer que o legislador deve observá-lo.

Revisão é a via extraordinária. 5°. Essa interpretação mais ampla visa garantir a segurança jurídica. 3º. O dispositivo já teve sua eficácia exaurida. a constituição atinge prestações já vencidas e pagas. Antes da CR/88.A maioria da doutrina brasileira entende que esse dispositivo deve ser interpretado em sentido amplo. O ato ocorreu antes. não abrange EC. Ex. em sessão unicameral. c) Máxima: a retroatividade não é automática. contados da promulgação da Constituição. portanto. Mas essa relativização só pode ser adotada em casos excepcionais. → Diferenças entre a EC (comum) e a EC de revisão: Quorum: EC de Revisão Maioria absoluta EC (simples) 3/5 60 . Todos os atos de um contrato celebrado antes da nova constituição produzirão efeitos imediatamente. A limitação imposta no art. XXXVI. Trata-se de modalidade de alteração da CR com menor rigor do que a EC. art. Com relação ao assunto acima. o STF tem entendimento unânime. não sendo um princípio absoluto. excepcional e transitória de alteração da Constituição. Reforma x Revisão: Reforma é uma via ordinária. a) Mínima: a constituição atinge efeitos futuros de um ato praticado no passado. Adotam esse entendimento: Daniel Sarmento e Paulo Modesto. não se pode alegar direito adquirido em face de nova constituição. comum e permanente de alteração da Constituição (☺art. CR (a lei não prejudicará o direito adquirido. 3º. pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional. b) Média: a retroatividade não é automática. CR). .Parte da doutrina entende que este artigo refere-se a lei em sentido estrito. O poder constituinte originário não está limitado por direitos anteriores. A retroatividade mínima é automática. mas ainda não pagas. ADCT: A revisão constitucional será realizada após 5 anos. Direito Adquirido x Emenda Constitucional: A proteção do art. não abrangendo apenas leis em sentido formal. A Revisão ocorreu no Brasil em 93 e 94. A divergência surge em relação ao direito adquirido e emenda constitucional. mas seus efeitos surgem após a constituição. 60. Ex. Essa garantia consagra o princípio da segurança jurídica (além do princípio da não retroatividade). tem que haver previsão expressa na constituição. esse era o entendimento do STF. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada) refere-se apenas ao legislador ordinário ou também ao poder constituinte derivado? Há duas linhas de raciocínio: . ADCT é uma limitação temporal (5 anos). a constituição atinge prestações vencidas. O direito adquirido pode ser relativizado. de forma que não pode mais haver outra revisão no Brasil. O STF faz distinção entre três espécies de retroatividade: (considerar o seguinte exemplo: um contrato celebrado em 1980). em sentido formal. tem que haver previsão expressa na constituição. ☺art. A atuação do poder derivado revisor está disciplinada no ADCT. Ex. 3º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Segundo a jurisprudência do STF. mas também emendas à constituição.

Importante: Revisão constitucional é diferente de Reforma constitucional: a revisão constitucional ocorreu em oportunidade única.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de votação: Limites materiais. 60. 3º. e de forma geralmente mais extensa. a reforma constitucional pode ocorrer sempre que uma EC comum trate sobre um único tema. circunstanciais. Mas trata-se de um prazo para que fosse feita a revisão prevista no art. Há apenas 6 EC de revisão e várias EC comuns. §§1º e 4º). já que mesmo neste período a Constituição pôde ser emendada. (**) Na verdade não é bem um limite temporal ao surgimento de EC. Além disso. (*) No tocante às limitações materiais e circunstanciais. ADCT. especificamente. 61 . as EC de Revisão têm numeração diferenciada em relação às EC comuns. como ocorreu com a EC 45 (Reforma do Judiciário) e com a EC 19 (Reforma Administrativa). procedimentais e implícitos: Limite temporal: Sessão unicameral Sim* Sim (5 anos)** Sessão bicameral (Câmara + Senado) Sim* Não. o entendimento predominante na doutrina é o de que a revisão possui os mesmos limites previstos para a reforma (☺art.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Quadro – Poder Constituinte:
Poder Constituinte Supranacional - inicial - autônomo - incondicionado - soberano - limitado juridicamente

Poder Constituinte Originário

Características essenciais

Princ 韕 ios Const. Sens 韛 eis (art. 34, VII) Poder Derivado Decorrente Limita 珲 es Princ 韕 ios Const. Estabelecidos Limita 珲 es Expressas Limita 珲 es Impl 韈 itas Limita 珲 es Decorrentes Princ. Const. Extens 韛 eis (art. 34, VII)

Temporais (n 鉶 h� Poder Derivado Reformador Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais Subjetivas (art. 60, I a III) Objetivas (art. 60, Ё2� 3�e 5� Materiais (art. 60, �� Temporais (ADCT, art. 3� Poder Derivado Revisor Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais (ADCT, art. 3� Materiais (art. 60, ��

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:

Introdução: Hermenêutica e interpretação são sinônimos? Não. São coisas distintas. Interpretar é revelar o sentido e fixar o alcance da norma jurídica. Hermenêutica é a ciência ou a arte que fornece os critérios e elementos para a interpretação. No momento em que se pretende revelar o sentido de uma norma, é necessário utilizar determinados elementos, que serão fornecidos pela hermenêutica constitucional. Caso contrário, a interpretação seria muito subjetiva. Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição: A Constituição, apesar de ser uma espécie de lei, possui uma série de peculiaridades, o que tornou imprescindível o desenvolvimento de uma teoria própria para sua interpretação. Estudaremos, pois, aqui, os critérios que devemos utilizar na hora de interpretar a Constituição (hermenêutica constitucional). Mas afinal, por que a Constituição da República tem métodos próprios de interpretação? As primeiras constituições escritas surgiram no final do séc. XVIII, com as revoluções liberais. Até o final do século XVIII, as constituições eram consuetudinárias. Desde o surgimento das primeiras constituições escritas até meados do século XX, as constituições eram interpretadas pelos mesmos métodos de interpretação das leis. Posteriormente, surgiram métodos específicos. E as razões para o surgimento desses métodos próprios são: a) Ideologia ou pré-compreensão do intérprete: na interpretação, a ideologia de quem está interpretando, a visão de mundo, acaba influenciando nessa interpretação. Só que no direito constitucional, isso fica muito mais presente, porque as normas das constituições são mais abertas. Ex: questão do aborto: alguns o consideram inconstitucional, outros consideram que o aborto não poderia ser considerado crime. Quem propôs a ação foi Cláudio Fonteles, que é extremamente religioso e, para ele, o direito à vida começa a partir da concepção. Se ele fosse ateu, provavelmente ele não teria proposto a ação. O intérprete deveria tentar ser o mais imparcial possível, mas isso nem sempre é possível. b) Os direitos fundamentais: eles se exteriorizam, sobretudo, através de princípios. As leis, geralmente, são propostas por regras. As constituições não. Isso aumenta a dificuldade de interpretação. Ex: matar alguém – pena de 20 anos. Isso é uma regra, fácil de ser interpretada. Já quando se fala em dignidade da pessoa humana, qual será o conteúdo da norma? São normas que não têm definição exata, que precisam se densificadas. São normas abertas, que comportam a inclusão de determinados conteúdos. c) Variedade tanto do objeto da Constituição como da eficácia de suas normas: o direito, em geral, tem objetos específicos. A constituição não. Ela trata de conteúdo de quase todos os ramos do direito. Então, o intérprete tem de pegar esse conjunto de normas e dar um sentido harmônico a todas elas. A mesma coisa acontece com a eficácia das normas constitucionais. Em razão desses fatores, foram criados métodos de interpretação da constituição. Existe algum método mais justo? Canotilho diz que todos os métodos, apesar de partirem de premissas diversas, são complementares entre si, que não existe o método mais justo. Ainda que se reconheça que a utilização de vários métodos pode causar problemas. O subjetivismo acaba sendo maior. Para o professor, no Brasil não se adota métodos de interpretação. 64

Ele é extremamente crítico em relação aos métodos positivistas. d) Sistemático: talvez seja um dos mais importantes. II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend): Esse método parte da premissa fundamental de que a Constituição deve ser interpretada como um todo. para o direito privado. e os valores fossem o seu espírito. Ex: princípio da não contradição. só tem alma. → Crítica: Quando Savigny desenvolveu esses elementos. Constituição da República. Esse método não é apenas sistemático. O que diz esse elemento? Ele parte da seguinte premissa – se a norma faz parte de um sistema. mas apenas valores: o preâmbulo. É necessário interpretar o dispositivo dentro do sistema ao qual ele pertence. portanto. Por isso. Ela não tem normas jurídicas. Além disso. Ele leva em consideração também fatores extraconstitucionais (fatores que estão fora da constituição). ela deve ser interpretada pelos mesmos métodos clássicos de interpretação das leis. com algumas peculiaridades. incapaz de afastar a utilização das regras clássicas de interpretação. X. bem como o sentido que ela possui como elemento do processo de integração comunitária (integrativo). para o direito público. b) Histórico: no seu desdobramento. O grande problema é que. Quais são os elementos tradicionais desenvolvidos por Savigny? a) Gramatical ou literal: é importante. ele o fez pensando exclusivamente no direito privado. 52. é também o limite para a interpretação. Na busca pelo “Espírito da Constituição”. Buscam os valores subjacentes à constituição. são levados em consideração “fatores extraconstitucionais”. esse método também é conhecido como método valorativo. ela deve ser interpretada de acordo com as demais normas ou em conjunto com as demais normas que compõem o sistema. Toda norma está dentro de um sistema. Um desses fatores são os valores subjacentes à constituição. e não isoladamente. Não existe uma norma jurídica sozinha. devido à complexidade da interpretação constitucional. segundo a qual a constituição nada mais é do que uma lei. critica-se o entendimento do STF quanto ao art. É o início de uma interpretação. Imagine a Constituição norte-americana. sendo suas inegáveis particularidades apenas um elemento adicional. entra o elemento histórico evolutivo. como todas as demais. aqueles desenvolvidos por Savigny. A interpretação dessa constituição não é hoje da mesma forma como se fazia há 200 anos. Esse elemento estará presente em vários métodos e em vários princípios interpretativos. É como se a norma fosse o corpo da constituição. esses elementos são insuficientes. Se a constituição é uma lei (tese da identidade). Nele estão os valores supremos da sociedade. como o sistema de valores subjacentes à Constituição (Método Valorativo). como início e limite para a interpretação. O texto da norma funciona. Tem uma parte da Constituição que não tem corpo. eles são suficientes.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Passemos ao estudo de cada um deles: Métodos de Interpretação da Constituição: São 6 métodos. Por isso. O espírito da Constituição está nos valores que ela consagra. 65 . partindo da idéia de sistema. a partir da captação da “realidade social” reinante naquele momento (sociológico). c) Lógico: Os princípios da lógica formal também devem orientar a interpretação. com seus principais defensores: I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff): Esse autor parte da idéia de “tese da identidade”.

pontos de vista ou lugares comuns. mas sim diante de problemas. da jurisprudência dominante. que é apenas mais um topos. cujo plural é “topoi”. Assim. da doutrina. pois comporta mais de uma solução possível). formas de raciocínio são extraídos de vários lugares. 2. → Crítica: feita por Canotilho.: normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Ele leva em consideração a realidade social de cada momento histórico. Vence o argumento que conseguir convencer o maior número de pessoas. formas de raciocínio. ou a de que um é mais correto do que o outro). que contraria o positivismo jurídico. Se se permite interpretações divergentes. 2) este primeiro problema pode conduzir a um casuísmo ilimitado (cada caso vai ser resolvido de uma maneira diferente. dos princípios gerais do direito. esses métodos são utilizados não nos casos em que a resposta é dada facilmente pelo ordenamento jurídico. do senso comum. porque trabalham não com a idéia de sistema. Violação de correspondência de presos. enfraquece-se a força normativa da constituição. Há um processo aberto de argumentação entre vários intérpretes na busca da adequação da norma ao problema concreto. de casos que comportam mais de uma solução possível. Está relacionado ao “princípio do efeito integrador” (que será estudado adiante).: na questão do aborto em caso de anencefalia (que é um problema. Os topoi são esquemas de pensamento. Ambos os métodos acima são métodos sistemáticos. mas sim com a idéia de problema a ser resolvido. certa insegurança jurídica. como. Esses pontos de vista. mais um 66 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Outro fator é a realidade social. que pode ser solucionada de mais de uma maneira diferente. Por isso. a fim de se descobrir qual a interpretação mais conveniente. Por levar em consideração a realidade social de cada momento histórico. O objetivo dos métodos é exatamente ter certa estabilidade. Todo método tópico-problemático trabalha entorno de um problema. 3) pouca importância dada à jurisprudência (investigação superficial da jurisprudência. vencerá a tese que conseguir convencer o maior número de pessoas. vence o argumento que for mais convincente. podendo haver riscos de problemas iguais terem soluções diferentes. → Críticas: 1) a interpretação deve partir da norma para a solução do problema e não do problema para a norma. o que geraria uma grande insegurança jurídica). como ocorre neste método. os operadores do direito servem-se de topoi. ou seja. Ex. Vence não o argumento que for considerado correto (o método não parte da idéia de que só um argumento é o correto. de argumentação. Isso gera certa instabilidade. a favor e contra. ele também é conhecido como método sociológico. Ex. Assim. Um quarto nome que se dá a esse método é método integrativo: porque considera a constituição o principal elemento de integração da comunidade. os quais são submetidos a várias opiniões.. Problema é a questão difícil. Ex. lugares comuns. Por ter uma feição mais política do que jurídica. O STF utilizou o seguinte argumento (topoi): os direitos fundamentais não devem servir como escudo protetivo para salvaguardar práticas ilícitas. por ex. esse método pode conduzir à indeterminação e mutabilidade dos resultados. III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg): Este método é um método totalmente anti-positivista. o que significa que diante de casos difíceis primeiro forma-se a convicção e depois busca-se a fundamentação no ordenamento (é o caminho inverso do normal). acaba fazendo com que a interpretação seja variável. Os métodos que veremos de agora em diante partem de um raciocínio aporético (e não sistemático). e corre-se o risco de eles serem resolvidos de acordo com os valores que aquela determinada pessoa que a está proferindo tem. É uma teoria de argumentação jurídica entorno do problema. Este problema será solucionado pela argumentação. A tópica deve ser entendida como uma “técnica do pensamento problemático”. Tópico (ou tópica) vem da palavra “topos”. Quando se fala em argumentação são levados em consideração vários argumentos: os favoráveis a uma determinada decisão e os contrários a ela.

(15/05/09) V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): É também um método concretista (no qual se fala não na interpretação da norma. pois. não se deve falar em interpretação constitucional. sua aplicação a casos complexos. de única solução possível. 2) a norma a ser concretizada (interpretada e aplicada) – se não existir uma norma. são 3 os elementos básicos deste método: 1) o problema a ser resolvido (como se trata de um método aporético. 67 .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento como todos os outros. e concretizador à aplicação. é bom lembrar. Assim. Para este método. A principal diferença. se assim o for pode se fazer uso de outros métodos). Por não haver interpretação constitucional independente de problemas concretos. é aquele utilizado para a aplicação da norma ao caso concreto. como já vimos. diferentemente dos dois primeiros. interpretação e aplicação constituem um processo unitário. assim como a própria norma – ou seja a norma jurídica não é o critério principal. Não se pode separar as duas coisas. Os métodos III e IV. e esta compreensão prévia tem que ser tanto do problema como da norma a ser concretizada e é a Teoria Geral da Constituição que vai fornecer essa compreensão prévia “círculo fechado de intérpretes”: não é qualquer um que pode interpretar a constituição. Utilidade deste método: complementação de lacunas e comprovação dos resultados obtidos através de outros métodos. e sim na sua concretização. resultam no enfraquecimento da força normativa e quebra da unidade da constituição. se for caso de lacuna. Elaborou um catálogo de princípios para a interpretação da constituição (postulados normativos). ainda que dos mais importantes. a interpretação e a aplicação consistem em um processo unitário. assim como os dois anteriores – por ser a interpretação apenas um dos elementos. para guardarmos o conteúdo deste método é bom associar hermenêutico à interpretação. É importante lembrar que a jurisprudência está ligada à segurança jurídica. Além de serem métodos aporéticos. São métodos indissociáveis. a compreensão prévia do intérprete. em relação ao método anterior (III) é a existência de uma primazia da norma sobre o problema. segundo a qual não é necessária essa compreensão prévia porque qualquer um que viva a Constituição seria o seu legítimo intérprete). e não é possível aplicar a norma a um caso concreto sem primeiro interpretá-la. quando se fala em hermenêutica. do pressuposto de que a interpretação constitucional é concretização. devendo-se fazer uso de outro método. que a questão não seja simples. este método não poderá ser aplicado. Hermenêutica e interpretação não se confundem. por serem métodos concretistas. é preciso que haja um problema. Assim. são coisas diversas. Ocorre que. IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse): Konrad Hesse é o defensor da concepção jurídica de Constituição. a primeira coisa que vem à cabeça é interpretação. é apenas mais um topos – por isso se fala que este método é anti-positivista ao extremo). Crítica aos métodos concretistas: como levam em consideração fatores do caso concreto. Ambos (III e IV) são concretistas porque partem desta idéia. e o problema concreto a resolver. não podem ser utilizados de forma abstrata. Não se pode interpretar se não for para aplicar a norma a um caso concreto. mas em concretização). na sociedade aberta de intérpretes. 3) a compreensão prévia do intérprete (idéia de um círculo fechado de intérpretes – idéia oposta a do Peter Harbele. são também métodos concretistas. ou seja. porém. razão pela qual são necessários 3 elementos básicos: a norma que se vai concretizar. Ele parte. ao lado de Hans Kelsen. Eles só podem ser utilizados se existir um caso concreto ao qual se poderá aplicar uma norma abstrata. Método concretista.

a interpretação constitucional tem que ser democratizada. Paulo Bonavides o tratar como um método. a norma só surgiria após a interpretação do texto. faz uma distinção importante entre: programa normativo e domínio normativo.Elementos do âmbito da norma . por sua vez. relacionadas à sociedade aberta dos intérpretes. → Críticas: o alargamento excessivo do círculo de intérpretes da Constituição pode causar um enfraquecimento de sua força normativa e uma quebra de sua unidade. Não diz respeito aos critérios de interpretação. limita a interpretação. Segundo o autor. ao mesmo tempo. O texto é apenas a forma de exteriorização da norma jurídica. A norma é o mandamento. ele diz que este procedimento democrático tem que ocorrer não só no momento em que a Constituição é criada. Ainda que a Corte seja o intérprete final. que têm legitimidade para a interpretação. é a realidade social tratada pelo texto da norma. O texto tem duas funções muito relevantes. a interpretação constitucional não deve se restringir apenas a um círculo fechado de intérpretes. Quando ele fala em democratização. esse comando (a norma) só surge depois da interpretação.Elementos metodológicos: métodos de interpretação e os princípios interpretativos (postulados normativos interpretativos).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Este método tem este nome porque o Friedrich Müller estabelece uma estrutura de concretização da norma constitucional. todos aqueles que vivem a constituição são intérpretes legítimos (já que para viver a constituição é necessário interpretá-la). a utilização de métodos de interpretação é bastante criticada pela doutrina. VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle): Apesar do prof.Elementos dogmáticos: jurisprudência e doutrina . principalmente nas decisões do STF (que ao dar uma decisão deve pensar nas conseqüências políticas dessa sua decisão). Segundo ele.Elementos político-jurídicos: utilizados em decisões do P. mas a toda a sociedade. Segundo Peter Häberle (que escreveu o livro: “A Sociedade aberta dos intérpretes”. aberta a toda a sociedade. Judiciário. o programa normativo compreende tanto o texto da norma quanto a norma propriamente dita. A concretização da norma constitucional é estruturada através de vários elementos. O texto não tem o comando. mas refere-se àqueles que podem interpretar. mas também para a interpretação da Constituição. Para ele. todo indivíduo pode interpretar a constituição ao seu modo. em regra. regulada pela norma. Todo aquele que vive uma realidade constitucional deve ser considerado um legítimo intérprete (ou pelo menos um pré-intérprete). pois. traduzido pelo Min. Assim. O que ele chama de domínio normativo. → Crítica: é a mesma feita a todos os métodos concretistas – a utilização desses métodos pode causar um enfraquecimento da força normativa da Constituição. ele dirige e. mas não deixa de ser uma abertura da Constituição para a sociedade em geral). é o comando que se extrai da norma interpretativa. na concretização da norma o intérprete deve levar em consideração tanto os elementos do programa normativo como os elementos do domínio normativo. Na prática. Friedrich M. mas também na sua interpretação. Se a constituição se dirige não só aos poderes públicos. 68 . Dentre os elementos utilizados na concretização da norma estão: . ele na verdade não o é.Elementos teóricos: elementos da Teoria da Constituição . Essas duas figuras podem ser. Fala-se que são utilizados. A tese de Peter Härberle é oposta a de Konrad Hesse. A democracia deve servir não apenas para a criação. para a racionalização da aplicação da constituição após já ter sido feita a sua interpretação. . bem como a quebra da unidade constitucional. Gilmar Mendes). Aqui se recorda duas figuras práticas já estudadas que são formas de abertura da interpretação da Constituição: o amicus curiae e a realização de audiências públicas (nessas audiências não é discutida a interpretação constitucional propriamente dita.

A norma representa os valores escolhidos pelo legislador (é o conteúdo das normas jurídicas). Assim. dando origem ao Jusnaturalismo como forma de limitar o direito do Estado Absolutista. que se subdivide em princípios e regras. Dworkin afirma que os princípios já vinham sendo utilizados como regras. maior força ele ganha dentro dessa separação dos poderes. Por isso o judiciário tem ganhado força. Outra característica trazida por esta nova dogmática foi a diferenciação entre princípios e regras. É uma tentativa de encontrar um equilíbrio entre a justiça e a segurança jurídica. Esta questão está ligada à separação dos poderes. do povo. no Brasil. O ativismo judicial é necessário quando os poderes públicos se omitem. Os valores são importantíssimos e têm seu núcleo na dignidade da pessoa humana (“Virada Kantiana”). Essa idéia está diretamente ligada ao ativismo judicial. A norma. O ativismo judicial significa uma postura mais ativa do poder judiciário na implementação de direitos. surge o Positivismo Jurídico. Na verdade. Após. que corresponde à vontade do constituinte originário. os direitos têm que ser iguais para todos. bastante discutido nos dias atuais. Segundo Conrado Hubner. mas de forma concreta. 3) Existe uma única resposta correta. No pós-positivismo. vinculante e obrigatória. como a constituição é feita por representantes do povo. A segunda corrente. Elementos do Sistema Normativo Constitucional: A teoria do direito evoluiu. A idéia de discricionariedade é combatida pelos interpretativistas. a distinção tradicional aos poucos vai sendo abandonada para dar lugar ao entendimento de que a norma é um gênero do qual são espécies os princípios e as regras. Atualmente tem surgido uma nova dogmática denominada Pós-positivismo. Entende que. Assim. Também denominado de originalismo. Quem faz essa adaptação à realidade é o poder judiciário. não interpretativismo é uma corrente progressista (de esquerda no direito norte-americano). O ativismo ou contenção do judiciário está diretamente ligado à opinião pública. Hoje. sem modificá-la. textualismo e preservacionismo. que tem o dever de evoluir o texto constitucional. os poderes que possuem respostas mais legítimas e morais devem ter um espaço maior nesse jogo de poderes. Esse jogo da separação dos poderes não pode ser analisado apenas abstratamente. Em virtude do caráter normativo dos princípios. Parte do seguinte pressuposto: cada geração tem o direito de viver a constituição ao seu modo. 2) Limitação ao conteúdo da constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Interpretativismo e não interpretativismo: O Interpretativismo tem uma postura mais conservadora. surge a idéia de norma (gênero). preocupado com a segurança jurídica. devido aos escândalos de corrupção e à omissão em fazer leis. norma e fato. 69 . Parte das seguintes premissas: 1) Respeito absoluto ao texto da Constituição e à vontade do constituinte originário. Uma determinada geração não pode impor às gerações futuras o seu entendimento. A primeira etapa da concretização dos valores são os princípios gerais. o poder legislativo é claramente fraco. Na medida em que o poder se aproxima daquilo que a sociedade aprova. O juiz tem a função apenas de aplicar a constituição. quando interpretada. essa diferenciação tem dado lugar ao entendimento de que os princípios possuem uma força normativa. deixando a justiça em segundo plano (o que está na lei deve ser cumprido. Para Miguel Reale as três dimensões do direito envolvem valor. superado o valor da norma). quando o juiz vai aplicá-la deve tentar descobrir a vontade original daquele que a elaborou e consequentemente. deve sempre buscar os fins para os quais foi criada. a distinção feita tradicionalmente por jusnaturalistas e positivistas era entre princípios e normas.

Alexy afirma haver exceções.dimensão que eles ocupam (Alexy) . de acordo com as possibilidades fáticas e jurídicas existentes. → Princípios X Regras: .Postulados. Dworkin entende regra como mandamento definitivo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Temos então. será invalidada. Referem-se à abstração (a norma é abstrata. que envolvem a aplicação deste princípio. . → Regras: são “mandamentos de definição”. A norma é um gênero e. normas que ordenam que algo seja cumprido na maior medida possível. bilateral). a ponderação pode conduzir a um subjetivismo e a um decisionismo judicial. que apontam para o sentido contrário. o caso concreto – não há como se aplicar um princípio sem ter conhecimento das circunstâncias fáticas do caso concreto. O grau de abstração é a diferença. Os princípios obedecem a “lógica do mais ou menos”. Segundo Robert Alexy. ou seja. Quando o ordenamento vai ser estruturado os princípios são colocados primeiro. .: aposentadoria compulsória. princípios são “mandamentos de otimização”. e . Elas se aplicam de acordo com a subsunção. Segundo Ronald Dworkin as regras obedecem à “lógica do tudo ou nada”.Regras. isto é. 70 . genérica. impessoal. Ambos são normas. → Princípios: os direitos fundamentais se expressam por princípios. ou seja. peso ou valor. se obedece a lógica do mais ou menos e não a do tudo ou nada (segundo a qual ou se aplica ou não se aplica). dentro do gênero norma jurídica. é preciso saber quais são as normas opostas. ao passo que as regras prevêem hipóteses homogêneas. quando se vai aplicar um princípio.generalidade . o que ocorre por meio da ponderação. ??? Trazemos aqui definições de Ronald Dworkin e Robert Alexy. Tanto os princípios quanto as regras serão analisados na validade e. uma das duas normas será excluída do ordenamento jurídico. As regras possuem aplicação automática. mas a medida do possível. Os princípios possuem um pressuposto fático heterogêneo. em havendo um conflito no âmbito da validade. apenas os princípios possuem a dimensão da importância. É a aplicação do IED (Premissa maior + Premissa menor = conclusão). Eles não definem a medida exata. A regra aplica-se na medida exata de suas prescrições. . há uma subsunção lógica. nós trabalhamos com duas espécies: os princípios e as regras. Ex. A medida possível de cumprimento de um princípio é determinada por dois fatores: 1) as possibilidades fáticas. normas que ordenam que algo seja cumprido na medida exata de suas prescrições. e que podem ter um peso maior do que o direito analisado). Assim. como elementos do sistema normativo constitucional: . Princípios são muito mais abstratos do que as regras.proximidade da idéia de justiça (Dworkin) . e 2) as possibilidades jurídicas – é preciso saber qual é a medida de aplicação de determinado direito (ou seja. caso a resolução seja feita com base na hierarquia. imperativa.Princípios. Para Habermas.Dimensão que eles ocupam (Alexy): enquanto princípios e regras possuem a dimensão da validade.Proximidade da idéia de justiça (Dworkin): os princípios estão mais próximos da idéia de justiça. impõem resultados.Generalidade: princípios são considerados normas generalíssimas.

Esta consiste em uma “leitura” da ordem jurídica sob a lente da Constituição. Quanto maior for o grau de afetação de um princípio. Segundo a LICC. é preciso analisar se o princípio é igual e a regra é específica. 71 . Eles não apontam um fim. cronológico e da especialidade. os princípios estabelecem fins a serem alcançados (correspondem aos princípios materiais). Nesse aspecto.: proporcionalidade. embasados na supremacia da Constituição. → Antinomia Jurídica Imprópria: Conflito no campo da importância. são utilizados na interpretação e aplicação de normas infraconstitucionais. consistente em estabelecer a estrutura de aplicação de outras normas. Postulados Normativos de Interpretação: O reconhecimento de força normativa à Constituição. São normas de 2º grau ou metanormas que estabelecem a estrutura de aplicação de outras normas. nem estabelecem competência ou conduta. interpretação conforme a Constituição. maiores hão de ser os motivos justificadores desta intervenção. São utilizados para se interpretar princípios e regras constitucionais (normas de primeiro grau). Também chamados de princípios instrumentais ou postulados normativos. por isso não são aplicados diretamente. → Antinomia Jurídica Própria (Norberto Bobbio): Conflito no âmbito da validade (conflito no campo abstrato): -RxR . Os postulados são denominados. Com base nessas premissas. como princípios. mas não têm a mesma função dos princípios. pela maioria da doutrina.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Essas definições de princípios e regras são muito importantes para o estudo dos Direitos Fundamentais. a expansão da jurisdição constitucional e o desenvolvimento de uma nova dogmática pós-positivista de interpretação constitucional são alguns dos fatores apontados para a ascensão institucional e teórica do direito constitucional. de modo a realizar os valores nela consagrados. Eles estabelecem como as outras normas devem ser interpretadas e aplicadas. e atribuição do peso a cada grupo de princípios e relação de precedência. Ex. mas também com a releitura de seus institutos à luz da Constituição. análise do caso concreto e suas circunstâncias e conseqüências. A ponderação pode ser dividida em 3 etapas: identificação das normas e seu agrupamento. tendo em vista que toda interpretação jurídica é também interpretação constitucional. os postulados são normas que estabelecem um dever de segundo grau. Essas etapas diminuem um pouco o subjetivismo. Não estão na constituição. dando origem a um fenômeno que vem sendo denominado de filtragem constitucional. existem critérios para verificar a antinomia no campo da validade: hierárquico.P x P (muito raro) -PxR Havendo P x R. A técnica utilizada para resolver a colisão é a chamada ponderação. Mas e os postulados? Segundo esse autor. também conhecido como antinomia de princípios. O deslocamento da Constituição para o centro do sistema jurídico fez com que ela passasse a ter um papel imprescindível na interpretação de todos os demais ramos do direito. Os postulados normativos de interpretação têm uma função diferenciada. será feita a análise de alguns postulados que. a constitucionalização do direito não se identifica apenas com a inclusão de normas próprias de outros domínios no texto constitucional. É um conflito sempre no caso concreto. Havendo esse conflito ele é chamado de colisão. Humberto Ávila diz que as regras estabelecem determinadas condutas imediatas.

Qualquer pessoa poderia alegar a inconstitucionalidade de uma lei. porque o STF pode mudar esse entendimento se for novamente provocado. na dúvida. deve-se optar pelo significado conforme a constituição. É necessário interpretar a lei com o único significado que ela possui. na dúvida. II) Princípio da Interpretação Conforme a Constituição: Se a Constituição é uma norma suprema. Ele pode negar a aplicação da lei. pode deixar de aplicar a norma de ofício. o Poder Judiciário. A lei é constitucional se for interpretada de forma compatível com a constituição. presume-se que agiram de acordo com ela. por ser presunção relativa. significa que as demais leis devem obediência a ela. Esse Princípio decorre do anterior (da presunção de constitucionalidade). Da mesma forma. assim. Passa pela comissão da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Ou seja. como no âmbito do Poder Executivo e. O que importa realmente é a supremacia formal da Constituição. No Poder Legislativo. para ter essa supremacia. pois existe uma presunção de constitucionalidade. excepcionalmente. Essa presunção é reforçada pelo controle preventivo de constitucionalidade. quem exerce esse controle são as Comissões de Constituição e Justiça. Para que esta interpretação seja utilizada é necessário que a norma seja polissêmica ou plurisignificativa (não é qualquer norma que pode ser interpretada de acordo com a Constituição). parece que o princípio é o da presunção de inconstitucionalidade. Esses dois controles supramencionados são obrigatórios. tanto o Poder Judiciário (com exceção do STF) quanto o Poder Executivo. Essa presunção é relativa (iuris tantum). o Chefe do Poder Executivo. presume-se que os poderes agiram de acordo com ela. a lei deve ser declarada constitucional. mas essa supremacia material não tem relevância para o direito. A partir do momento em que há uma decisão do STF com efeito vinculante. Qual é a conseqüência desse postulado? Se tiver dúvida se uma lei é constitucional ou não. Tanto no âmbito do Poder Legislativo. pode ser exercido através do veto jurídico. é necessário que a Constituição seja rígida. Até que momento eles podem negar cumprimento a uma lei? Até o momento em que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. no controle difuso. devemos optar pela interpretação que seja conforme a Constituição. Se os poderes retiram suas competências da Constituição. Só não dirá que a presunção passará a ser absoluta. no Poder Judiciário. e. Isso ocorre porque confiamos muito mais no Poder Judiciário (cujos membros são eleitos por meio de concurso público) do que no Poder Legislativo (cujos membros são eleitos pelo povo). Se a constituição é a norma suprema. Todo projeto de lei passa por um controle. ficam vinculados àquela decisão. não tem como fazer interpretação conforme. se entendê-la inconstitucional. A clareza do texto dispensa a interpretação? Não. quando entender que uma norma é inconstitucional. Aqui não há nenhum procedimento de interpretação. Imagine se não houvesse presunção de constitucionalidade. No Brasil. Esse controle preventivo reforça ainda mais essa presunção de constitucionalidade. A 72 . Tudo isso reforça a presunção de que as leis são constitucionais. Excepcionalmente. Interpretação conforme é equivalente à declaração de nulidade sem redução de texto. Se há mais de um significado. Toda Constituição tem supremacia material. E. Não se retira a lei do ordenamento. Limites da interpretação conforme: a) Clareza do texto legal: Se o texto da lei é claro. A finalidade do princípio é manter a imperatividade da norma. um parlamentar pode impetrar um Mandado de Segurança quando não for observado o devido processo legislativo. Se o texto tem apenas um significado. o Princípio da Supremacia da Constituição. No Poder Executivo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I São os seguintes os postulados de interpretação das leis: I) Princípio da Presunção de Constitucionalidade: É um princípio que parte de outro princípio. significa que ele é unívoco. deve optar pela constitucionalidade.

num estado democrático. . a Constituição é fruto de vários pequenos consensos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I interpretação é indispensável mesmo que a lei seja clara. Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita: Desenvolvidos por Konrade Hesse e Friedrich Muller. defendida por um autor alemão – Kruger/Otto Bachof. Só terá certeza de que o dispositivo é claro depois de interpretar outros dispositivos. Busca a vontade do objeto interpretado. • Filtragem constitucional: O princípio da interpretação conforme é o responsável pela chamada filtragem constitucional. a norma inferior.: A CR consagra o princípio da livre iniciativa. de direito previdenciário. §1º. é conhecida como mens legis. normas superiores e normas inferiores. 81. Como aqui se busca a vontade do sujeito que elaborou a lei. há várias tensões entre as normas constitucionais. passando ela pela constituição. Este princípio tem uma função muito importante no ordenamento jurídico. Hoje em dia. existem. para se fazer uma interpretação correta dessa lei. qual é a vontade do legislador? A maioria das leis são votadas sem os parlamentares saberem o conteúdo. o Juiz deve declarar a inconstitucionalidade da lei. Ex: A constituição garante o direito de propriedade e logo em seguida ela traz a função social da propriedade. essa corrente é chamada de “subjetivista”. isso não ocorre. Ele afasta a tese de que existiria uma hierarquia entre normas constitucionais. A segunda corrente. Portanto. Se a lei foi feita para o fim inconstitucional.: Oscar Vilhena tem um posicionamento de que as cláusulas pétreas seriam superiores às demais normas constitucionais. que busca a vontade da lei. a saber: • Consagração de normas de outros ramos do direito na constituição: A Constituição da República de 1988 traz inúmeras normas de direito civil. Na verdade. É como se filtrasse a lei. logo é conhecida como corrente “objetivista”. poderia declarar o art. mesmo que tivesse sido feita pelo Poder Constituinte Originário. Toda vez que houvesse um conflito entre as duas.Pelo legislador: O Juiz não pode substituir o fim da lei pela sua própria vontade. só aplicavam os direitos fundamentais nas relações entre Estado e os particulares. ela consagra o monopólio de determinadas atividades. O professor não acha que é apenas um jogo de palavra. Obs. é necessário observar os valores consagrados na constituição.Pela lei: Existe uma corrente que fala que o intérprete deve buscar o fim pretendido pelo legislador – mens legislatoris. b) Fim pretendido: . etc. Antes de interpretá-la não tem como saber se é clara ou não. sendo. Hoje. • Eficácia horizontal dos direitos fundamentais: Será visto posteriormente. na constituição. defender uma corrente subjetivista é muito difícil. A eficácia horizontal significa a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. Em uma sociedade democrática e pluralista. como inconstitucional (eleição pelo Congresso Nacional). Ex: Brasília é a capital federal. necessário harmonizar esses dois princípios. prevalece a vontade da lei. estudamos que a Constituição é fruto de um consenso. mas. devendo o intérprete harmonizar esses princípios. Outro ex. Temos o voto direto como cláusula pétrea. I) Princípio da Unidade da Constituição: É uma especificação da interpretação sistemática. Isso é impossível. Antes. → Constitucionalização do Direito: possui 3 aspectos. Segundo Kruger. 73 . Cada sujeito tenta impor a sua ideologia. Impõe ao intérprete a harmonização das tensões e conflitos entre normas constitucionais. poderia ser declarada inconstitucional em relação à norma superior. pois. Geralmente. Ao se admitir que essa norma é superior. ao mesmo tempo. A idéia é basicamente a seguinte: se a lei retira o fundamento de validade na constituição. Logo.

45. II) Princípio do Efeito Integrador: Deve ser associado ao Princípio da Unidade. Abstratamente. A ponderação é sopesar os grupos de princípios. nas resoluções dos problemas jurídico-constitucionais deve ser dada primazia aos critérios que favoreçam a integração política e social. o intérprete não deve sacrificar totalmente um bem para que o outro prevaleça. qual dos dois grupos tem um peso maior. aplica-se o princípio da Concordância Prática. produzindo um efeito criador e conservador desta unidade. Ex: direito de propriedade e função social da propriedade. O Juiz irá ver. tem-se uma colisão (é um conflito no caso concreto. b) Critério Cronológico: Quando as duas são de mesma hierarquia. III) Princípio da Concordância Prática ou Harmonização: Nos casos de colisões entre princípios. alegando a impossibilidade jurídica do pedido. ou seja. ele se basearia no princípio da unidade. O STF analisou 02 casos: a) Art. §1º. na hora de se interpretar a Constituição. b) O partido PSC pediu para declarar a inconstitucionalidade da norma constitucional que não permite que os analfabetos sejam eleitos. Ex: Drogaria deve ter técnico responsável para atender cliente. nas resoluções de problemas jurídico-constitucionais. Nesse caso. A concordância prática não é utilizada apenas pelo Juiz e pelo aplicador do direito. deve-se buscar essa concordância prática. O princípio da Unidade e o princípio da Concordância prática são muito semelhantes. bens ou interesses. no caso concreto. que é anterior à Constituição da República. O intérprete deve fazer uma redução proporcional. Quando se tem uma colisão entre bens. c) Critério da Especialidade: Normas gerais especiais não se revogam. é necessário ver qual das duas normas foi feita posteriormente. a integração política e social. Pode ser usada. é necessário utilizar a ponderação. O que tiver o peso maior irá prevalecer. 74 . pelo legislador.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O princípio que não admite que normas originárias não sejam declaradas inconstitucionais é o Princípio da Unidade da Constituição. Se ele entrasse no mérito da questão. Ex: Rede de televisão que exibe vídeo de pessoas na praia de nudismo. O relator indeferiu a petição inicial. Sempre que possível. se ambos estão consagrados na Constituição da República. Sendo a constituição o principal elemento de integração comunitária. Essa lei. O que é isso? É semelhante a uma balança. as duas normas têm conflito entre si. deve-se evitar o sacrifício total de um para a preservação do outro. Segundo este princípio. reduzindo-se proporcionalmente o âmbito de incidência de cada um deles. deve-se buscar critérios que favoreçam a unidade. Uma existe ao lado da outra. Quando se tem um conflito em abstrato de normas. CR: não tem competência para analisar norma feita pelo Poder Constituinte Originário. Assim. criando um efeito conservador da unidade. O critério utilizado nessa ponderação é o princípio da proporcionalidade. princípios ou valores. Eles são muito parecidos. Qual é a diferença principal? O Princípio da Unidade é utilizado mais nas hipóteses em que se tem um conflito em abstrato entre 02 normas. e não em abstrato). e voto pelo CN é a exceção. violava a liberdade de exercício de comércio. fazendo uma concordância prática entre a liberdade e o direito de quem usa os medicamentos. inclusive. o ordenamento jurídico te fornece alguns critérios para solucioná-lo: a) Critério Hierárquico: Norma superior revoga a norma inferior. interesses. Quando se tem uma colisão de direitos no caso concreto. Ex: voto direto é a norma geral. valores. O STF declarou constitucional.

dizendo que a ponderação é muito subjetiva. 343. mas só se aplica nos casos de divergência quanto à interpretação de lei infraconstitucional. por mais importantes que sejam. Ela recorreu à Corte Européia dos Direitos Humanos. Este princípio costuma gerar uma grande polêmica e. Aqueles que entendem que o aborto não é permitido entendem que viola-se a dignidade do feto. Ex. do trabalho escravo são regras. não. é necessário que essas liberdades encontrem restrições – “só há liberdade onde existe restrição à liberdade”. Os direitos que se expressam por princípios podem ter seu âmbito de atuação restrito. Caso contrário. Nos casos em que as decisões transitadas em julgado são contrárias às decisões proferidas posteriormente pelo STF. a ele cabe dar a última palavra sobre a interpretação. 75 . STF não foi abandonada. Ex: Caroline de Mônaco ajuizou uma ação na Alemanha. IV) Princípio da Relatividade ou da Convivência das Liberdades Públicas: Não existem princípios absolutos. 3) Objetivação: extensão dos efeitos do controle concentrado ao controle difuso.: a proibição da pena de morte. ou seja.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há varias críticas. Eles alegaram que existe um direito ao entretenimento. VI) Princípio da Máxima Efetividade: Alguns doutrinadores trazem este princípio juntamente com o anterior. Atenção: não confundir princípios com regras – ex. há autores que entendem que o princípio da dignidade da pessoa humana tem caráter absoluto. pois todos encontram limites em outros princípios também consagrados na Constituição. até uma compreensão equivocada. A única diferença entre eles é que o Princípio da Força Normativa se aplica a todas as normas da Constituição.lembrar que as interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da Constituição. para que outros direitos sejam assegurados. do contrário. cabe ação rescisória (obs. da tortura. 2) relativização da coisa julgada: o STF. Dois juízes da Corte disseram que se a pessoa tiver expectativa de privacidade. o STF tem afastado a súmula com base na força normativa da Constituição). Ex: Se tiver na praia. devem ser considerados como relativos e isso ocorre em nome da convivência das liberdades públicas. As soluções dadas à Constituição devem atingir a finalidade para a qual ela foi criada. O critério vencedor foi de que o direito à liberdade de informação só deve prevalecer se tiver informação de interesse público. proporcionando-lhes uma força otimizadora. poderia fotografar. que contribua para o debate de interesse geral. O importante é saber que todos os princípios. Exs. já que a Constituição deve cumprir a função para a qual foi criada. É através da fundamentação que o STF faz a interpretação da constituição . não. a Corte Européia disse que ela tem direito à privacidade. proibindo a divulgação de imagens do seu dia-a-dia. e não princípios. O professor acha que isso é incompatível com a dignidade da pessoa humana. a privacidade deve ser preservada. eis que ambos se relacionam. mas também a ratio decidenti. não se aplicando para a interpretação constitucional. Deve haver uma cedência recíproca.: a Súm. enquanto este se aplica aos direitos fundamentais. na academia. de aplicação deste Princípio na jurisprudência do STF: 1) efeito transcendente dos motivos determinantes: não apenas o dispositivo da decisão é vinculante. mesmo que a pessoa seja pública e em local público. O aborto no caso da acrania preserva a dignidade da mãe. às vezes. sendo o guardião da constituição. A relatividade tem o fim de possibilitar a ascendência recíproca entre os princípios. V) Princípio da Força Normativa da Constituição: Na concretização da Constituição deve ser dada primazia aos critérios que densifiquem suas normas tornando-as mais eficazes e permanentes.

Conformidade funcional significa que os órgãos encarregados da função constitucional devem agir exatamente dentro daquela função que lhe foi atribuída.Validade: uma norma é válida quando produzido de acordo com a forma e conteúdos estabelecidos por uma norma superior.Existência: existente é a norma produzida por uma autoridade aparentemente competente para a sua criação. eis que impõe que na interpretação das normas constitucionais se atribua o sentido que lhes empreste a maior efetividade possível. É também conhecido como Princípio da eficiência ou Princípio da interpretação efetiva. da Exatidão ou Justeza: É mais uma regra de competência. é também conhecida como eficácia social. Este princípio. tem um destinatário específico: a corte constitucional – o STF. Este princípio se aplica exclusivamente aos direitos fundamentais (e não a toda e qualquer norma da Constituição). . Ver no Site Editora Método. . a qual significa a realização do direito. É preciso aqui diferenciar alguns conceitos: .com. cheguem a um resultado que subverta ou perturbe o esquema organizatório-funcional estabelecido pela Constituição. 76 . Exs. a eficácia negativa é a aptidão da norma para invalidar outras normas incompatíveis com ela. Na interpretação dos direitos fundamentais deve se dar preferência àquela na qual ele tenha maior efetividade possível para que as normas da Constituição cumpram sua função social. Este princípio tem por finalidade impedir que os órgãos encarregados da interpretação constitucional. . o desempenho concreto de sua função social. Cada órgão pode/deve agir conforme a função que lhe foi constitucionalmente atribuída. 5º. pois.Efetividade: ocorre quando a norma cumpre a finalidade. 4. no Brasil. a compatibilidade de forma e de conteúdo da norma inferior com a norma superior. 2) Direito de greve. a função social para a qual foi criada. (22/05/09) VII) Princípio da Conformidade Funcional.Vigência: é a inserção da norma no mundo jurídico.Eficácia: é a aptidão da norma para produzir os efeitos que lhes são próprios – a eficácia positiva é a aptidão da norma para ser aplicada aos casos concretos. Parte da doutrina sustenta que este princípio estaria consagrado no art. CR/88 (aplicação imediata). . de violação ao princípio: 1) caso discutido na Rcl. validade é.335/AC. é também conhecida como eficácia jurídica.br: download de questões – Hot site do professor Novelino.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Conceito: na interpretação constitucional dos direitos fundamentais deve ser dada preferência às soluções densificadoras de suas normas que as tornem mais eficazes e permanentes. §1º. sobretudo o Tribunal Constitucional.

A diferença que se percebe é quanto à origem do termo. b) Ele seria abstraído do Princípio do Estado de Direito (☺art. Atribuiu-se um conteúdo a esse princípio. 1º. será também desproporcional. Ex. Nos sistemas da commum Law. deve-se optar por aquele que seja o menos gravoso possível. c) Ele seria abstraído da Cláusula do Devido Processo Legal em seu caráter Substantivo. ou seja. Ele está ligado. A doutrina alemã divide o Princípio da Proporcionalidade (em sentido amplo) em 3 regras ou máximas parciais – é o que se chama de densificação do princípio (dar ao princípio uma feição mais concreta. A medida só será justificável se trouxer um custo menor do que o benefício a ser auferido por meio dela. utiliza-se o termo razoabilidade. à garantia do devido processo legal. mas é possível abstraí-lo de outros princípios contidos na Constituição. Na Alemanha. Nós até podemos encontrar na CR/88 as palavras proporcionalidade e razoabilidade. e este não confere a nenhum poder público competência para atuar de forma desarrazoada. Assim. não se costuma distinguir proporcionalidade e razoabilidade. uma densidade semântica que ele não tinha antes. por isso sua importância. mas apenas como menções. Não é o entendimento mais cobrado em provas. O meio utilizado pelos poderes públicos deve ser. CR): não se admite que os poderes atuem se não for com base no ordenamento jurídico.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade: Segundo Alexy. No Brasil. uma restrição à liberdade só será possível se. desproporcional. É um princípio implícito. CR. É uma influência do direito alemão. apto para atingir o fim almejado. Ex. É um postulado que sempre estará presente na ponderação. em sua origem. Diante de medidas igualmente legítimas não deve o judiciário intervir na questão. LIV. O Princípio da Proporcionalidade não está expresso na Constituição. São elas: 1) Adequação: relação entre meio e fim. deveria conceder uma autonomia maior. não está textualmente consagrado. Este postulado atua como uma máxima informadora da aplicação dos princípios e serve de critério para a aferição da legitimidade material de todo e qualquer ato praticado pelos poderes públicos. do Prof. pois. É uma influência do direito norte-americano. ADI 4103: questiona a constitucionalidade da lei seca. 5º. Para que um ato seja considerado proporcional. for utilizado o meio menos gravoso possível (de acordo com o Princípio da Reserva Legal Proporcional). Já a proibição de venda de bebidas alcoólicas em estádios é adequada para se reduzir a violência. para que o Estado não atue de forma arbitrária. Para Jellinek. cujo conteúdo é o seguinte: quanto maior for a intervenção em um determinado direito. Segundo Alexy (preocupado com a subjetividade da ponderação). não se deve abater pardais com canhões. trata-se de uma máxima que informa a aplicação de todos os demais princípios da Constituição. maiores hão 77 . Se o ato for desnecessário. permitindo que se identifique se um ato é proporcional ou não). ele tem que ser adequado. Existem 3 entendimentos acerca de onde podemos abstrair tal princípio: a) Ele seria abstraído do sistema de Direitos Fundamentais: a Constituição impõe aos órgãos públicos uma atuação dentro dos limites impostos pelos direitos fundamentais. 2) Necessidade ou Exigibilidade ou Princípio da menor ingerência possível: dentre os vários meios existentes. Alegam que a restrição seria desproporcional. utiliza-se o termo proporcionalidade. dentre os meios existentes. Barroso: proibição de venda de bebidas alcoólicas no carnaval para evitar contaminação do vírus HIV: não é uma medida adequada. 3) Proporcionalidade em Sentido Estrito: é uma relação entre o custo da medida e os benefícios trazidos por ela. a proporcionalidade em sentido estrito corresponde a uma lei de ponderação. ☺art.

78 . pode ser chamada de proibição do excesso. Uma medida só será constitucionalmente adequada se for suficiente para proteger o direito. A face acima exposta do princípio. que é chamada de proibição de insuficiência. Esta lei de ponderação deve ser utilizada ao se ponderar diversos princípios constitucionais. O princípio da proporcionalidade proíbe que os poderes públicos hajam de forma excessiva. Nesse caso. sua medida não é suficiente para proteger aquele direito.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de ser os motivos que justifiquem esta intervenção. Há uma outra face desse princípio. ou proibição por defeito. o poder público age aquém do que deveria.

proclamação ou exortação de alguns princípios inscritos na Carta Constitucional. portanto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO: Natureza Jurídica: O preâmbulo é tema recorrente em questões de concursos. Existem 3 teorias a respeito da natureza jurídica do Preâmbulo da Constituição (segundo Jorge Miranda): 5) Tese da Relevância Idêntica a dos demais preceitos (tese da plena eficácia): o Preâmbulo é uma norma como todas as demais. Não tem. proclamação mais ou menos solene. além de estabelecer e declarar a irrelevância jurídica do preâmbulo. No Brasil. Situa-se no domínio da história ou da política. anteposta ao articulado constitucional. 79 . Ocorre que todas as constituições brasileiras. Esses princípios sim. dado que. por não possuir força normativa cogente nem caráter normativo. com exceção das de 1891 e 1937. Celso de Mello concluiu que o preâmbulo não se situa no âmbito do direito. portanto. não tem relevância jurídica. mas tão-somente um elemento natural de Constituições feitas em momentos de ruptura histórica ou de grande transformação político social”. o STF adota a Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo. 6) Tese da Relevância Jurídica Específica ou Indireta: o Preâmbulo não se confunde com os demais preceitos constitucionais (articulados).. Jorge Miranda ensina que o Preâmbulo “. qualquer religião oficial da RFB. relevância jurídica. nem servir de parâmetro para a declaração de inconstitucionalidade. a Constituição do Estado do AC é a única que não menciona a proteção de Deus em seu preâmbulo. reproduzidos ou não na Constituição estadual. invocaram a proteção de Deus quando promulgadas. não existindo. O nome não é o mais apropriado. o preâmbulo. ele tem a mesma eficácia jurídica das normas constitucionais. Foi ajuizada uma ADI e o STF decidiu que o preâmbulo não serve como parâmetro de controle. Assim. 7) Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo: o Preâmbulo não se situa no domínio do direito. apesar de fazer parte das características jurídicas da Constituição. refletindo posição ideológica do constituinte. o STF assinalou que a invocação da proteção de Deus não é norma de repetição obrigatória na Constituição estadual. ou que não pode a Constituição do Estado-membro dispor de forma contrária. O min. sendo. mais ou menos significante. não é componente necessário de qualquer Constituição. não é norma de repetição obrigatória. Em âmbito estadual. constituem normas centrais de reprodução obrigatória. inscritos na Constituição. não pode prevalecer contra o texto da Constituição.. laico ou não-confessional. apresentado de forma não articulada. O preâmbulo não constitui norma central da Constituição. mas é a tese por nós adotada. mas no domínio da política. Como se sabe. de reprodução obrigatória pelas Constituições dos Estados. de regra. já que o preâmbulo tem sim alguma relevância. pois. não tendo força normativa. porém. Para o STF. Referida omissão foi objeto de questionamento no STF pelo Partido Social Liberal. incidirão na ordem local. o Brasil é um país leigo. O que acontece é que o preâmbulo contém. Não contém. pois. caráter normativo e. É uma corrente intermediária em relação às demais. não havendo diferenças entre o seu caráter normativo e o das demais normas.

pluralista e sem preconceitos. Os valores supremos a serem assegurados são: “o exercício dos direitos sociais e individuais. Serve como norte interpretativo das normas constitucionais. os princípios são o início do ordenamento jurídico (posteriormente os princípios são concretizados através de regras). Ele auxilia na interpretação das normas constitucionais. Esta é a sua natureza. enquanto os valores são os fins que o ordenamento jurídico pretende alcançar. o bem-estar. O método que dá muita importância ao espírito da constituição é o método científico espiritual. Ao estabelecer os valores supremos. a segurança.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Preâmbulo como diretriz hermenêutica: O preâmbulo é uma diretriz hermenêutica. Há um autor espanhol que faz uma distinção entre os princípios e os valores: segundo ele. o desenvolvimento. a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna. na ordem interna e internacional. 80 . fundada na harmonia social e comprometida. a liberdade. Ao preâmbulo é atribuído esse caráter de diretriz hermenêutica justamente porque ele elenca os valores supremos da sociedade brasileira. o preâmbulo está estabelecendo os fins supremos que se pretende alcançar ao interpretar as normas constitucionais. com a solução pacífica das controvérsias”.

Características: aplicabilidade direta (não depende de outra vontade para ser aplicada). O que as difere é o grau desta eficácia. mas a admite → Normas de Eficácia Plena: Têm aplicabilidade direta. imediata e integral.U. possivelmente restringível ou redutível. significa que ela não depende de nenhuma condição para ser aplicada. §5º). A Constituição “chama a responsabilidade para si” em relação àquele assunto. que “contenha” o seu conteúdo. imediata (não depende de qualquer condição para ser aplicada ao caso concreto). aplicabilidade possivelmente não integral (poderá sofrer restrição). Quando se fala em aplicabilidade imediata. → Normas de Eficácia Contida: O prof. (É a mais cobrada em provas). por sua vez. apenas 81 . A integralidade. mas admite lei. JAS não foi muito feliz ao escolher este nome. é uma NEP? Não.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Todas as normas constitucionais são dotadas de eficácia jurídica. Não são a mesma coisa.JAS: JAS classifica as normas constitucionais em: 8) Normas Constitucionais de Eficácia Plena (NEP) 9) Normas Constitucionais de Eficácia Contida (NEC) 10) Normas Constitucionais de Eficácia Limitada (NEL) Norma de Eficácia Plena (NEP) Limitada (NEL) Contida (NEC) Aplicabilidade Direta Indireta Direta Imediata Mediata / diferida Imediata Integral – não admite lei Reduzida – exige lei (não só admite) Possivelmente não integral – não exige lei. enquanto não for restringida. Não depende de regulamentação. Vejamos: Classificação das Normas Constitucionais . A NEP não depende de lei e não admite lei que lhe reduza o conteúdo. dentre as quais. 184. Exs. P. enquanto não for restringida por lei. destaca-se a de José Afonso da Silva.: normas que estabelecem imunidades (art. Ela não depende de lei.) e aquelas cujo enunciado já esteja suficientemente explicitado. como se poderia imaginar). se refere à impossibilidade de sofrer restrição. 95. prerrogativas (art. Essa diversidade tem levado a doutrina a elaborar diversas classificações. 128. A norma direta não depende de uma outra vontade para ser aplicada ao caso concreto. A NEC. isenções (art. Têm naturezas diferentes (igual MP não é igual a lei). vedações (art. Ela é semelhante à NEP (e não a NEL. que poderá variar conforme o seu enunciado. A sua aplicabilidade na verdade não é contida e sim possivelmente contida. Permite que uma lei lhe reduza o conteúdo e mais. §5º). no Brasil. Uma NEC. Alguns outros autores (Michel Temer e Maria Helena Diniz) a denominam mais adequadamente de norma de eficácia redutível ou norma de eficácia restringível. 53).

. PU: União poderá delegar aos estados. VII (direito de greve dos servidores públicos). O JAS divide as NEL em duas espécies: a) NEL de Princípio Institutivo: é aquela que depende de outra vontade para dar forma ou estrutura a determinadas instituições criadas pela constituição. Elas estabelecem uma obrigação de meio ou de resultado? De resultado. mas hoje já se entende que não existe na CR uma norma sequer que não tenha normatividade (com exceção do Preâmbulo. etc. 102. Indireta porque depende de uma outra vontade. 136 e 137). ☺art. mas dizer como esse direito será exercido.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I produz os mesmos efeitos de uma NEP.U.: art. que não é norma). VII. não há omissão inconstitucional.: trata de vedações que são impostas aos juízes. 95). – ex. 9º. A NEL programática é uma norma e tem caráter vinculante. 5º. XXII. CR. ela não confere essa prerrogativa aos poderes públicos. e mediata porque depende de alguma condição. Ex. e não quais são os meios para se atingir o fim. art. Essa vontade pode ser uma lei integradora da norma constitucional (não precisa ser necessariamente uma lei. 5º. Exs. . As NEL de princípio institutivo se subdividem em: . As vedações. 5º. A constituição é que estabelece os fins e os poderes públicos estabelecem os meios.Facultativas: ex. Ela estabelece qual a diretriz que o Estado deve seguir. §1º (ADPF – a CR/88 criou a ADPF e disse que ela seria processada e julgada pelo STF na forma da lei. Se ela fosse uma NEP. conforme a lei. VII. art. XIII. ☺art. de forma que antes da Lei 9. são NEP (como são as normas dos incisos I. 37. quais são os efeitos. art. 37. 95.). etc.por conceitos de direito público (ex. segurança nacional.por lei (ex. e art.: art. etc.: art. ela nunca poderia ser restringida. A norma constitucional tinha eficácia. Geralmente as NEC mencionam a lei trazendo as expressões: nos termos da lei. 82 .882/99 ser criada não havia como uma ADPF ser ajuizada porque ninguém nem sequer sabia o que era exatamente este instituto. caracterizadas justamente por este tipo de norma). A NEC pode ser restringida: . Não é apenas um conselho. interesse social. O caput do art. mas pode ser). poderá criar impostos residuais. CR: é livre o exercício de qualquer trabalho. 37. 154: a União. enquanto o direito de greve dos servidores públicos é outro. art. A aplicabilidade dessas normas é totalmente diferente das demais. precisando de uma norma infraconstitucional que lhe preencha o conteúdo. CF/88: o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica. ofício ou profissão. Assim. que a regulamente. XII c/c arts. em regra. P.por outra norma constitucional (ex. se quiser. II e III deste mesmo art. esclarece que trata-se de uma NEC. mas não é uma NEP. que faz parte da mesma norma.Impositivas: ex. é obrigatória. . CF/88: objetivos fundamentais são fins buscados pela constituição. é a própria norma programática que o faz (lembrar a idéia de Constituição Dirigente. XXIII e XXIV). mas tinha uma eficácia negativa (invalidar normas que lhe fossem contrários).: ordem pública. eis que estabelecem o fim a ser atingido. . b) NEL de Princípio Programático: são aquelas que estabelecem diretrizes ou programas de ação a serem implementados pelos poderes públicos. art.: art. mas o seu §1º. Antes esta norma era vista como uma norma sem normatividade. a CR não tem conselhos e sim mandamentos. que dirige os rumos do Estado. mas não disse quem pode propor. 9º dá a entender tratar-se de NEP. Estabelecem um programa de ação que os poderes públicos deverão implementar. atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer). → Normas de Eficácia Limitada: São as normas que ainda não estão aptas a produzir a integralidade de seus efeitos característicos. Ex. E só passou a ter eficácia positiva depois que foi regulamentada por lei). Neste caso. a NEL pode depender ou de uma vontade ou de uma condição. A lei não irá restringir o direito. 22. mas. que fala do direito de greve: o direito de greve na iniciativa privada é um tipo de norma. É indireta ou mediata. 3°. necessidade ou utilidade pública. neste caso específico trata-se de uma NEC (inciso IV e P.U.

a NEL produz efeitos: ela exige lei. Diz que o direito se auto produz. Segundo MHD a NEP não poderia ser restringida por lei. OBS. não depende de outros sistemas. cumprida a sua finalidade. Traduz um sistema fechado. Uma última classificação. 2º. ela serve como vetor interpretativo (paralisa a interpretação incompatível). mas poderia ser restringida por uma emenda a Constituição. Há normas programáticas que são feitas com o intuito de adiar determinada decisão. Para ela. ela diz qual o sentido a lei tem que percorrer. as Cláusulas Pétreas. ADCT. Nikolas Luman: o sistema autopoiético é um sistema que se auto produz. traz as normas constitucionais de eficácia exaurida ou esvaída. ela revoga a legislação incompatível e impede legislação posterior incompatível (efeito paralisante). porque ela não tem eficácia positiva). por isso esta classificação da MHD é criticada por JAS. São as normas do ADCT. a aplicabilidade desta norma será idêntica a da NEP (direta. deixando a cargo do legislador a criação da norma mais específica. uma eficácia negativa (e apenas esta. Marcelo Neves critica essa concepção. ademais.: art. Assim. A diferença entre elas é em relação à mutabilidade da norma. que diz que no dia 07/09/93 será realizado um plebiscito para escolher o sistema e a forma de governo – a norma já exauriu sua eficácia. pois. também conhecidas como normas super-eficazes. Por isso não dependem de outra vontade. NEC e as normas de eficácia absoluta são normas auto-aplicáveis. e não pode mais acontecer novo plebiscito com base na mesma norma.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A NEL. já a norma de eficácia absoluta não poderia ser restringida nem por lei e nem por EC – são. Ex. mas apenas com a finalidade de demonstrar a adesão do legislador constituinte a determinados valores sociais – essas normas servem como álibi ao legislador constituinte. Obs. Marcelo Neves desenvolveu o estudo sobre constitucionalização simbólica. exaurem sua eficácia. De acordo com constitucionalização simbólica fala-se em constitucionalização álibi: determinadas matérias são consagradas na constituição não com o objetivo de serem efetivadas na prática. Elabora-se uma norma genérica. imediata e integral). Classificação de outros autores: Maria Helena Diniz fez uma classificação própria das normas constitucionais que praticamente coincide com a de JAS.: As NEP. que têm a função de fazer uma transição entre o modelo anterior e o posterior. 83 . tem eficácia. apesar de ser limitada e de depender de regulamentação. Norma programática não se confunde com constitucionalização simbólica. mencionada por alguns autores. Elas são criadas para uma determinada finalidade e. Seriam as normas que já produziram seus efeitos e não possuem mais eficácia. apenas mudando os nomes e acrescentando um outro tipo. antes da lei ser feita. ao qual ela dá o nome de norma de eficácia absoluta. auto-executáveis ou bastantes em si (esta última denominação foi dada por Pontes de Miranda). dizendo que há um outro sistema (o sistema político) que influencia na criação do direito – alopoiese.

apenas a Constituição anterior propriamente dita fica revogada. ela não precisa dizer que está revogando a constituição anterior e nem ser incompatível com ela. com status de lei (elas tinham status constitucional e passaram a ter status infraconstitucional). por esta teoria. sempre que nasce uma nova Constituição.N. serem recepcionadas pela nova Constituição. caso compatíveis com a nova Constituição. As leis constitucionais materialmente compatíveis com a nova Constituição são recepcionadas com status infraconstitucional. 2°. que se baseia na concepção política de Constituição de Carl Schmitt. e sim como normas ordinárias. art. § 1°.S → Nova CR A revogação pode ser: • Expressa • Tácita o Quando ocorre incompatibilidade – norma posterior revoga norma anterior. porém. → CR → A. Quando uma nova constituição é criada. 242. podendo. mas não como norma constitucional e sim como lei ordinária. 84 .P → A. Assim. De acordo com a Teoria da Desconstitucionalização. ou seja. São eles: Revogação: Relação que se dá entre uma Constituição nova e uma antiga. mas as chamadas leis constitucionais não seriam revogadas. §2º (que fala do Colégio Pedro II. Ocorre uma revogação por normação geral da constituição anterior (LICC. quando do surgimento de uma nova Constituição. Faremos o estudo de alguns institutos. Nesta concepção política faz-se uma distinção entre a Constituição propriamente dita e as leis constitucionais. parte final). a Constituição propriamente dita fica revogada pela nova Constituição. Isso porque a doutrina da desconstitucionalização afirma a possibilidade de sobrevivência de certos dispositivos da Constituição que perde a validade. como normas infraconstitucionais. esta norma seria recepcionada pela nova Constituição. com o caráter de normas constitucionais. o Por normação geral: quando a lei nova trata de toda a matéria de norma anterior.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO: O que se estuda neste item é a relação entre as normas constitucionais e também entre as normas infraconstitucionais no tempo.N.: ☺art. não. A Constituição propriamente dita é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental. Ex. localizado na cidade do Rio de Janeiro) – segundo esta teoria. Teoria da Desconstitucionalização: Foi uma tese explorada por um autor chamado Esmein.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta teoria, de forma geral não é admitida no Brasil. Tem como adeptos Pontes de Miranda e Ferreira Filho. O entendimento predominante no Brasil é o visto acima, de que a nova Constituição revoga a Constituição antiga. Não obstante, é preciso destacar que esta tese pode vir a ser aceita no Brasil se uma nova Constituição expressamente assim o requerer, tendo em vista ser o poder constituinte originário ilimitado e autônomo, podendo tudo, inclusive prever o aludido fenômeno, desde que o faça de maneira inequívoca e expressa. Teoria da Recepção: Segundo o STF, quando do surgimento de uma nova Constituição, as normas infraconstitucionais anteriores que forem materialmente incompatíveis com a nova Constituição, serão revogadas ou não recepcionadas. As materialmente compatíveis serão recepcionadas. A inconstitucionalidade formal superveniente não impede a recepção, mas faz com que a norma adquira uma nova roupagem, um novo status. Ex.: CTN, que foi originariamente criado como LO, mas foi recepcionado com status de LC e, por isso, só pode ser modificado por LC. Assim, todas as normas que forem incompatíveis com a nova Constituição serão revogadas, por ausência de recepção. Vale dizer, a contrario sensu, a norma infraconstitucional que não contrariar a nova ordem será recepcionada, podendo, inclusive, adquirir uma nova roupagem. Como exemplo lembramos do CTN, que, embora tenha sido elaborado com quorum de lei ordinária, foi recepcionado pela nova ordem como lei complementar, sendo que os ditames que tratam sobre matérias previstas no art. 146, I, II e III, CR só poderão ser alterados por LC. Pode se afirmar, então, que, nos casos de normas infraconstitucionais produzidas antes da nova Constituição, incompatíveis com as novas regras, não se observará qualquer situação de inconstitucionalidade, mas, apenas, como vimos, de revogação da lei anterior pela nova Constituição, pro falta de recepção. Nessa situação, acrescente-se, inadmite-se a realização de controle de constitucionalidade através da ação direta de inconstitucionalidade genérica, por falta de previsão no art. 102, I, a, CR, permitindose, apenas, a possibilidade de se alegar que a norma não foi recepcionada. Deve-se destacar, desde já, contudo, que apesar de não ser cabível o aludido controle de constitucionalidade concentrado pela via da ADI, será perfeitamente cabível a ADPF. Não pode haver recepção quando a norma foi elaborada por um determinado ente federativo e a nova constituição atribui a competência a outro. Isso seria incompatível do ponto de vista prático (analisar todas as leis municipais para ver se compatíveis com uma nova lei federal, por exemplo). Ver livro do Lenza, em que há um entendimento diferente ???. Constitucionalização Superveniente: É uma hipótese em que se tem uma lei anterior inconstitucional. Antes de ela ser declarada inconstitucional, há uma mudança de constituição. Vem uma nova Constituição ou uma EC, e a lei inconstitucional passa a ser constitucional. A constitucionalidade superveniente tem lugar quando uma norma inconstitucional ao tempo de sua edição, torna-se compatível com a Lei Maior devido à mudança do parâmetro constitucional. A (in)admissibilidade da tese depende do entendimento acerca da natureza da norma inconstitucional: ato nulo ou ato anulável. Considerando-se a lei inconstitucional um ato anulável, a constitucionalidade superveniente deve ser admitida, desde que não tenha ocorrido qualquer declaração de inconstitucionalidade com efeito erga omnes. A análise da inconstitucionalidade em abstrato tem como parâmetro as normas constitucionais do presente, não do passado. Se a Constituição evoluiu por meio de mudanças formais (emendas) ou informais (interpretação e costumes), a lei supostamente incompatível, mas que não foi 85

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I objeto de qualquer declaração nesse sentido, por possuir uma presunção de constitucionalidade, continua a ter validade e acaba por ser “constitucionalizada”. Portanto, alterado o parâmetro constitucional, deixa de existir uma ameaça à supremacia da Constituição vigente, afastando-se a possibilidade de exercício do controle abstrato de constitucionalidade. Nesse prisma, somente as violações a direitos subjetivos, ocorridas entre o surgimento da lei originariamente inconstitucional e o advento do novo parâmetro, poderiam ser questionadas por meio de controle concreto. No sentido oposto, adotando-se o tradicional entendimento da jurisprudência norte-americana – cujo precedente foi o famoso caso “Marbury vs. Madison”, decidido em 1803 – de que a lei inconstitucional, por ser um ato nulo, já nasceria morta, o vício originário será insanável. Vale dizer, a modificação do parâmetro constitucional não teria o condão de convalidar a lei originariamente inconstitucional. Nesse sentido, Humberto Ávila sustenta que “a invalidade é um fenômeno que não se altera no tempo: a alteração da norma superior não tem o condão de tornar válida uma norma originalmente inválida”. Esse também é o entendimento adotado pelo STF. *Assim, o STF não admite essa constitucionalização superveniente. Uma lei inconstitucional é um ato nulo, tem um vício de origem, que é insanável. Logo, ela não pode ser convalidada, não pode ser constitucionalizada. (23/05/09) Repristinação: Existe uma Lei A que é revogada por uma Lei B e esta, posteriormente, é revogada por uma Lei C. Pela repristinação, com a revogação da Lei C, a Lei A voltaria a ter seus efeitos. Como regra geral, o Brasil adotou a impossibilidade do fenômeno da repristinaçao, salvo se a nova ordem jurídica expressamente assim se pronunciar. Ou seja, no Brasil admite-se a repristinação apenas caso ela seja expressa. ☺art. 2º, §3º, LICC: “salvo disposição em contrário (repristinação expressa) a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a sua vigência”. Isso vale para o direito infraconstitucional. No direito Constitucional, a repristinação expressa é admitida, já a tácita não, conforme o art. 2°, § 3°, LICC. A proibição da repristinação tácita é garantida pelos princípios da segurança jurídica e da estabilidade das relações sociais. → Efeito repristinatório tácito: 1ª hipótese: ☺Lei 9.868/99, art. 11, §2º - é a hipótese em que uma Lei A é revogada pela Lei B e esta Lei B é suspensa por uma medida cautelar concedida pelo STF numa ADI. A medida cautelar suspende tanto a eficácia como a vigência da norma. Quando a medida cautelar suspende os efeitos da Lei B que revogou a Lei A, se o STF não disser nada, esta Lei A voltará a produzir efeitos automaticamente (se ele não quiser que a Lei A volte a ter efeitos, ele terá que determinar de forma diversa). Por isso é um efeito repristinatório tácito. O efeito da medida cautelar, em regra, tem efeito ex nunc (se não houver modulação dos efeitos). Quanto ao aspecto subjetivo, o efeito é erga omnes e vinculante. Para o professor, não se trata de repristinação, pois não houve revogação da lei B. 2ª hipótese: a lei A foi revogada pela lei B. A lei B foi declarada inconstitucional em uma ADI na decisão de mérito. O efeito é, em regra, ex tunc. Isso significa que a lei é inconstitucional desde o momento em que foi criada, por isso não poderia revogar uma lei constitucional. Neste caso, a lei A volta a ter vigência automaticamente. 3ª hipótese: MP suspende eficácia de lei. Se a MP for revogada, a lei que estava suspensa volta a produzir efeitos novamente. 86

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão AGU/2009: A declaração de inconstitucionalidade de uma norma pelo STF acarreta a repristinação da norma anterior que por ela havia sido revogada, efeito que pode ser afastado, total ou parcialmente, por decisão da maioria de 2/3 dos membros desse tribunal, em decorrência de razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. Mutação Constitucional: Criada em contraposição aos meios formais de alteração da Constituição (emendas de reforma ou emenda de revisão), a mutação constitucional consiste em um processo informal de modificação do conteúdo, sem que ocorra qualquer alteração em seu texto. É o que ocorre com o surgimento de um novo costume constitucional, procedimento muito adotado nos países que adotam commum Law. Ocorre, ainda, quando o Tribunal Constitucional altera o sentido de uma norma da Constituição por meio da interpretação (lembrar do método normativo estruturante). O STF vem defendendo que o art. 52, X, CF/88, deve ser interpretado da seguinte forma: o papel do Senado é de apenas dar publicidade ao que o STF decidiu. Houve uma mutação constitucional na interpretação do dispositivo. Para o professor, essa interpretação pretendida fere o texto da constituição e os princípios estruturantes (Princípio da Separação dos Poderes), conforme será visto a seguir. Na verdade, o que ocorre é que o legislativo não age como deveria, ensejando a atuação do poder judiciário. Limites para que uma mutação constitucional seja considerada legítima: a mutação não deve ser um procedimento comum, corriqueiro; ela deve ocorrer apenas excepcionalmente (não é um princípio geral e sim uma exceção. Segundo Canotilho, deve-se considerar 2 limites: - a mutação só será legítima quando comportada pelo texto da norma: a interpretação deve ser feita dentro da moldura do texto da norma; se a interpretação pelo STF sair fora da moldura do texto da norma, a interpretação será inconstitucional; - a interpretação deve estar em conformidade com os Princípios Estruturantes (princípios que estruturam o estado e a Constituição, art. 1° e 2°, CF/88 – ex.: Princípio do Estado Democrático de Direito, Princípio Federativo, Princípio da Separação dos Poderes, etc.): se a mutação viola algum princípio estruturante, haverá uma ilegitimidade na mutação pretendida. Graus de retroatividade da norma constitucional: ☺ADI 493 11) Retroatividade máxima ou restitutória: a lei ataca fatos consumados. Verifica-se quando a lei nova prejudica a coisa julgada (sentença irrecorrível) ou os fatos jurídicos já consumados. Como ex., lembramos o art. 96, P.U., da Carta de 1937 que permitia o Parlamento rever a decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de uma lei; 12) Retroatividade média: a lei nova atinge os efeitos pendentes de atos jurídicos verificados antes dela. Ou seja, a lei nova atinge as prestações vencidas mas ainda não adimplidas. Como ex., fala-se em uma lei que diminuísse a taxa de juros e se aplicasse aos já vencidos mas não pagos (prestação vencida mas ainda não adimplida); 13) Retroatividade mínima, temperada ou mitigada: a lei nova atinge apenas os efeitos dos fatos anteriores, verificados após a data em que ela entra em vigor. Trata-se de prestações futuras de negócios firmados antes do advento da nova lei. O STF vem se posicionando no sentido de que as normas constitucionais, fruto da manifestação do poder constituinte originário, têm, por regra geral, retroatividade mínma, ou seja, se aplicam a fatos que venham a acontecer após a sua promulgação, referentes a negócio passados. 87

podemos esquematizar: a) as normas constitucionais.: art. Este tema será ainda mais aprofundado no item “Direito a segurança jurídica”. por regra. o STF entendeu que. Contudo. com pequenas exceções. nada impede que a norma constitucional. diante da aplicação imediata. estão sujeitos À observância do princípio constitucional da irretroatividade da lei (art. tenha retroatividade média ou máxima. Como outro exemplo de retroatividade mínima. para tanto. CR. as Constituições estaduais (poder constituinte derivado decorrente – limitado juridicamente) e demais dispositivos legais. 7º. Ex. desde que haja expressa previsão. já que manifestação do poder constituinte originário ilimitado e incondicionado juridicamente. dentre outras. dentro do estudo dos direitos individuais em espécie. IV. XXXVI – “lei” em sentido amplo). c) por outro lado. 88 . também limitado juridicamente). como a regra da lei penal nova que beneficia o réu. significou que a nova regra deverá valer para fatos e prestações futuras de negócios celebrados antes de sua vigência (prestações periódicas). ao vedar a vinculação do salário mínimo para qualquer fim. Assim. sendo regra a retroatividade mínima. 51 do ADCT. vale dizer. IV. que. bem como as emendas à Constituição (fruto do poder constituinte derivado reformador. mesmo que relacionados a negócios celebrados no passado. Como se percebe. podendo ser aplicada pra todos os casos que aguardavam manifestação das Casas. como é o caso do art. b) é possível a retroatividade média ou máxima da norma introduzida pelo Constituinte originário. referentes a fatos ocorridos antes do advento da nova EC. têm retroatividade mínima. as leis infraconstitucionais. acabou com a necessidade de prévia licença da Casa para o processamento de parlamentares. 7º. vale dizer. a nova regra que dispensa a prévia autorização tem aplicação imediata. deve existir expresso pedido na Constituição. 5º. lembramos as novas regras trazidas pela EC 35/02 que.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Podemos lembrar o art. Assim. aplicando-se a fatos ocorridos a partir de seu advento.

2º). a divisão de seus poderes (art. b) Função Interpretativa: os princípios atuam como importantes instrumentos de interpretação. deve-se interpretá-la da maneira mais coerente com os princípios. como também ao exercício abusivo de certos direitos. uma função conectiva na dinâmica do ordenamento jurídico. Dentre as funções desempenhadas pelos princípios. 1º). sobretudo naqueles casos considerados duvidosos. que resulte certa uma vontade legislativa em contrário. devido à função negativa que desempenham em alguns casos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS: (livro do prof. conferindo-lhe unidade e transformando um inextricável conjunto de normas aparentemente desprovidas de um sentido comum. deverá respeitar os limites e pautar-se pelos critérios estabelecidos por eles. De uma forma geral. por conseqüência. ainda não regulamentadas de forma mais específica. deverão ter sua interpretação e aplicação condicionadas por aqueles princípios dos quais se originam. Essa supremacia é essencialmente material e decorre.) Funções dos Princípios Constitucionais: O Titulo I da Constituição de 1988 consagra os princípios fundamentais do Estado brasileiro. 3º) e as diretrizes a serem adotadas nas suas relações internacionais (art. pois servem de critério para o legislador que. 4º). No âmbito do Legislativo impedem a criação de normas jurídicas que venham a ferir os valores neles consagrados – além. d) Função Sistêmica: os princípios interligam e harmonizam o ordenamento jurídico. Desse modo. Executam. pode ser suprido pelo conteúdo integrador dos princípios. estrutura e fundamento (art. é claro. os quais estabelecem a sua forma. por representarem o seu desenvolvimento e sua especificação. Havendo dúvidas sobre o sentido de uma norma. não só das ações dos poderes estatais. diverso e opostos. assim. é obvio. ao elaborar as leis. seja como orientação para progresso da legislação. a menos. é por si só suficiente para justificar uma eficácia de interpretação de dita norma pelo princípio. os objetivos primordiais a serem perseguidos (art. em um todo sistemático. Sob o ponto de vista dogmático. pois a simples presunção de que as normas mais particulares são subordinadas aos princípios. da função positiva que 89 . os princípios possuem uma “supremacia funcional” em relação às regras jurídicas. A eficácia interpretativa dos princípios é conseqüência direta de sua função construtiva. Já sob o aspecto dinâmico devem estar sempre presentes. como no caso de normas excepcionais ou de normas incompatíveis que impliquem a adoção de novos princípios. da proximidade existente entre os princípios e os valores que o Direito visa realizar. Em situações novas. e) Função Limitativa: os princípios possuem uma eficácia limitativa. Outro fator determinante para essa preeminência está no fato de que eles servem como fundamento e são responsáveis pela gênese de grande parte das regras que. c) Função Integrativa: em razão de sua virtual inexauribilidade os princípios oferecem a regulmaentação daqueles casos concretos aos quais não correspondem normas específicas. Dessa forma. o que os coloca numa posição de superioridade. seja como diretiva na solução de casos concretos. os princípios desempenham uma função construtiva ou normogenética em relação às regras jurídicas que os têm como fundamento. atuando como um limite. podemos destacar: a) Função Construtiva: os princípios constitucionais são fonte material de um grande número de normas jurídicas. o vazio decorrente de uma omissão ou da falta de reconhecimento de um direito essencial. sobretudo. os princípios atuam como critério que está na base de soluções legislativas na medida em que informa o direito positivo. É nos princípios que se encontram as diretrizes valorativas válidas aplicáveis à interpretação constitucional. pode ser de grande importância o papel desempenhado por eles na solução de casos concretos. permitindo que normas implícitas no sistema sejam reveladas e possibilitando aos aplicadores do direito sua integração e complementação.

do que propriamente do fato de ser eleito pelo voto popular. dentre os quais destacam-se: a necessidade de alternância no poder e o caráter representativo do Chefe de Estado. Enquanto esta tinha como principais características a hereditariedade na transferência do poder e a vitaliciedade do governante. I). que reinava de forma absoluta e irresponsável. sendo criados novos critérios distintivos da República. formando-se assim um sistema interno decorrente de um processo de “esclarecimento recíproco”. esses conceitos foram se esvaziando. CR). A baixa densidade semântica. a república tinha como finalidade retirar o poder das mãos do rei e passá-lo à nação. é permitida a intervenção federal com o objetivo de manter a integridade nacional (☺art. Ao estabelecer que a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos Estados. O Princípio Federativo deverá servir de diretriz hermenêutica tanto para os operadores do Direito na interpretação e aplicação das normas constitucionais. A representabilidade decorre mais da contínua ligação que se faz valer até o término do mandato entre ele e a comunidade social (especialmente no sistema presidencialista). redefinindo-se o Estado democrático e o Estado de Direito. Princípio Federativo: A federação é uma forma de Estado na qual há mais de uma esfera de poder dentro de um mesmo território. sendo que o poder de cada um deles é atribuído pela Constituição. e necessária a superação dos paradigmas tradicionais. Consagrado no Brasil desde a primeira Constituição Republicana (1981). Princípios Estruturantes: São considerados estruturantes os princípios constitutivos das diretrizes fundamentais de toda a ordem constitucional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I impõe a criação de normas para sua concretização. impõem a concretização destes princípios através de outras normas de maior densidade. quanto para o legislador na elaboração das leis. No Estado federativo os entes políticos que o compõem possuem autonomia. os princípios vedam quaisquer ações ou atos normativos contrários ao seu conteúdo. o direito de secessão. Princípio do Estado Democrático de Direito: Para uma correta compreensão do conceito de Estado democrático de direito. o que confere à Constituição uma unidade de conteúdo. Caso ocorra qualquer tentativa de separação tendente a romper com a unidade da federação brasileira. o Princípio da Indissolubilidade do pacto federativo tem por finalidade conciliar a descentralização do poder com a preservação da unidade nacional. 1º. Princípio Republicano: A República surgiu como uma forma de governo oponível à monarquia. DF e Município. 34. No tocante ao Poder Executivo. Com o passar do tempo. aos entes que compõem a federação. A seguir serão analisados alguns princípios estruturantes que expressam as decisões políticas fundamentais do legislador constituinte em relação à estrutura e organização do Estado brasileiro (☺art. 90 . o caráter aberto e pouco determinado de seu conteúdo. a Constituição veda.

seja diretamente. seja através de representantes.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A concepção clássica do Estado de direito tem como características formais a divisão dos poderes. primeiramente devemos lembrar que democracia significa “governo do povo”. sob as circunstancias transitórias. o amplo acesso à tutela jurisdicional do Estado frente a qualquer intervenção administrativa e a expectativa de indenização em casos de intervenção na propriedade privada. permitindo-se a cidadãos ligados a associações e partidos diversos que participem da vida do estado e concorram a cargos políticos. No que se refere ao princípio democrático. a legalidade da Administração. No Estado material de direito. o ordenamento jurídico consagra uma série de institutos que introduzem o povo no governo do Estado. sendo que o poder estatal se encontra vinculado a determinados princípios superiores previstos na Constituição. mas apenas em conformidade com determinadas normas preestabelecidas. a vontade popular representada pelo parlamento. Em um Estado democrático. é inconcebível se falar em um Estado de direito no qual exista ou possa legalmente existir a injustiça. ou. Em um Estado de direito. Aqui. Do Princípio democrático resultam a tarefa e a competência da representação popular de buscar uma resposta adequada. não apenas os indivíduos. 91 . ainda. Sob o aspecto material. não se admite a solução de conflitos de forma arbitrária. à questão perene da Justiça. não é absoluta e ilimitada. mas também o próprio Estado está submetido ao direito. Há democracia quando o povo participa do governo do Estado. uma vez que encontra subordinada a um direito de grau superior: o direito constitucional. a independência dos juízes.

São eles: (SO-CI-DI-VA-PLU) Soberania: A soberania. Supremo. o indivíduo acaba tendo sua dignidade violada. A evolução do Estado de direito formal para os atuais Estados democráticos de direito fez com que. em nenhum momento podem ser colocados de lado. a soberania é um instituto dinâmico que não possui hoje o mesmo conteúdo de outras épocas. cujo surgimento foi um reflexo da paz de Westfalia (1648). independente. A partir do momento em que contribui para o progresso da sociedade a qual pertence.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO: (livro do prof. A soberania externa se refere à representação dos Estados. uma vez que apenas o trabalho é capaz de promover a dignidade da pessoa humana. Todavia. 6º). Por essa razão. 92 . na ordem internacional. regras que não sejam voluntariamente aceitas e por estar em pé de igualdade com os poderes supremos dos outros povos. a soberania migrasse do soberano para o povo. na ordem internacional.) Os fundamentos da República Federativa do Brasil devem ser compreendidos como os valores primordiais componentes da estrutura do Estado brasileiro e que. uns para com os outros. a Constituição consagra o trabalho como um direito social fundamental (☺art. por não estar limitado por nenhum outro na ordem interna. No plano externo. o indivíduo se sente útil e respeitado. conferindo-lhe proteção em diversos de seus dispositivos. Sem ter qualquer perspectiva de obter um trabalho com uma justa remuneração e com razoáveis condições para exercê-lo. Cidadania: É um conceito decorrente do Princípio do Estado democrático de direito e consiste na participação política do indivíduo nos negócios do Estado e até mesmo em outras áreas de interesse público. no plano interno. através da reformulação dos princípios da autodeterminação e do reconhecimento do Estado pela comunidade internacional. por essa razão. ao passo que a soberania interna é responsável pela delimitação da supremacia estatal perante seus cidadãos na ordem interna. Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa: O reconhecimento dos valores sociais do trabalho como um dos fundamentos do Estado brasileiro significa que este não deve conferir ou reconhecer privilégios econômicos condenáveis. a rigidez dos contornos deste conceito foi flexibilizada. A soberania pode ser definida como um poder político supremo e independente. por não ter de acatar. exigindo-se uma legitimidade formal e material das Constituições. O conceito foi se flexibilizando cada vez mais e o que se observa atualmente é uma crise em sua delimitação. é um atributo caracterizador do Estado enquanto ente independente.

os antagonismos irredutíveis que levariam a uma destruição do próprio princípio pluralista. o que não ocorrerá se estiver voltada simplesmente para o lucro ou para a realização pessoa do empresário. 206. político (art. Dignidade da pessoa humana: Dentre os fundamentos do Estado brasileiro merece um estudo mais aprofundado a dignidade da pessoa humana. sendo constitucionalmente assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica. sobretudo o sistema de direitos fundamentais. Pluralismo Político: O pluralismo político decorre do princípio democrático. principal elemento de integração comunitária (princípio do efeito integrador). salvo nos casos previstos em lei. o solidarismo busca a superação desses conflitos através da integração social evitando. partidário (art. 3º. independentemente de autorização de órgãos públicos. cultural (arts. ainda. Por isso. dentre elas. a liberdade de iniciativa só será considerada legítima se exercida com este fim. justa e solidária (art. a de informação. vez que o Estado existe para o homem e não o homem para o Estado. Uma das conseqüências da sua consagração é um reconhecimento de que a pessoa não é simplesmente um reflexo da ordem jurídica. diversos países do leste europeu também passaram a consagrar a dignidade da pessoa humana em seu texto constitucional. estabeleceu como um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil a construção de uma sociedade livre. as terríveis experiências com seres humanos feitas pelos nazistas fizeram despertar a consciência sobre a necessidade de proteção da pessoa com o intuito de evitar sua redução à condição de mero objeto. A positivação da dignidade da pessoa humana na Constituição faz com que ela deixe de ser apenas um valor moral para se converter em um valor tipicamente jurídico. a livre iniciativa está consagrada como princípio informativo e fundante da ordem econômica (art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A liberdade de iniciativa. derradeiramente. I). a tortura. científica. 220). núcleo axiológico do constitucionalismo contemporâneo. assim. deve constituir o seu objetivo supremo. de interesses contraditórios e antinômicos. é um princípio básico do liberalismo econômico. O caráter pluralista da sociedade se traduz no pluralismo social. que impõe a opção por uma sociedade plural na qual a diversidade e as liberdades devem ser amplamente respeitadas. que envolve a liberdade de empresa (indústria e comércio) e a liberdade de contrato. o que pode levar a divisões irredutíveis. como forma de reação às práticas ocorridas durante o nazismo e o fascismo e contra o aviltamento desta dignidade praticado pelas ditaduras ao redor do mundo. Fruto da concepção liberal. de reunião e de associação. a Constituição. e. A consagração do pluralismo político como fundamento da República é um passo fundamental em direção a uma democracia pluralista. sendo que na relação entre o indivíduo e o Estado deve haver sempre uma presunção a favor do ser humano e de sua personalidade. Este fundamento é concretizado. passando a se revestir de normatividade. a de opinião. através do reconhecimento e proteção das diversas liberdades. a intelectual. 170). com a queda do comunismo. por natureza. conforme os ditames da justiça social. a sociedade pluralista é. 170). de comunicação. artística. Mais tarde. a profissional. uma sociedade conflitiva. mas. a sexual. III). de idéias e de instituições de ensino (art. Além do fundamento da República Federativa do Brasil. interpretação e aplicação de toda a ordem normativa constitucional. 93 . econômico (livre iniciativa e livre concorrência – art. a partir do início da década de 90. 215 e 216) e dos meios de informação (art. ao contrário. É ela o valor supremo que irá informar a criação. Por essa razão. A escravidão. a filosófico-religiosa. 1º). O reconhecimento e a proteção da dignidade da pessoa humana pelas constituições em diversos países ocidentais teve um vertiginoso aumento após a 2ª Guerra Mundial. A ordem econômica tem por finalidade assegurar a todos existência digna. 17).

a reflexão de que a “dignidade impõe a proibição de fazer do homem um objeto da ação estatal”. dentro dos direitos sociais. na medida em que procura representar um subconjunto. idade. impedindo que exerçam um direito com violação à dignidade essencial de outro ser humano. 94 . cada vez mais. não como um fim em si mesmo. privando aquele que atua dessa forma de qualquer apoio constitucional. surge uma determinação para o Estado envidar todos os esforços necessários e possíveis a fim de promover meios que proporcionem. sendo este tratamento fruto de uma “expressão de desprezo” por sua condição (aspecto subjetivo). Por isso. Esse conjunto de bens e utilidades (saúde. por outro. ligada ao valor igualdade. da consagração constitucional da dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos da RFB decorrem dois mandamentos distintos: por um lado.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta consagração impõe não só o reconhecimento de que o indivíduo deve servir de “limite e fundamento do domínio político da República”. educação fundamental. mas também a necessidade da observância desse valor como elemento informador do conteúdo da Constituição e de todo o ordenamento jurídico. a obrigação do estado de proteger a dignidade humana engloba não apenas a expectativa do indivíduo de não ser tratado de forma arbitrária. em alguns casos. atuando como importante diretriz hermenêutica cujos efeitos se estendem por todo o ordenamento. o indivíduo não poderá ter uma vida digna. a todo e qualquer cidadão. mas também dos particulares. mas. ou para com a pessoa. a imposição de observância e proteção no sentido de impedir qualquer tipo de violação. mais importante. A dignidade da pessoa humana impõe-se como referência para os demais valores proclamados pela Lei Maior. tampouco desenvolver plenamente sua personalidade. sem ter acesso a alguns bens e utilidades básicos. Portanto. possui um caráter positivo. o acesso aos valores. Por outro prisma. por ser a pessoa individual freqüentemente objeto de medidas por parte do Estado. condição social ou qualquer outro requisito. Portanto. seja pelo próprio Estado. Assim. por existir prestações materiais e jurídicas por parte do estado. em um primeiro momento. mas como um meio para se atingir determinado objetivo (“fórmula do objeto”). haverá a violação da dignidade de uma pessoa quando esta for tratada como um meio para se atingir um determinado fim (aspecto objetivo). Qualquer ofensa à dignidade pessoa produzida em virtude do exercício de um direito acaba por transformá-lo em abusivo. Todavia. por exigir uma abstenção. A idéia do mínimo existencial (ou de núcleo da dignidade humana) tem sido proposta como forma de superação de várias dificuldades inerentes à dignidade humana. menor (minimizando o problema dos custos). mas um atributo que todo ser humano possui. bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. mas também a de que o Estado garanta. sexo. econômicos e culturais. Ao reconhecer a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos de nossa República. o poder constituinte impôs aos poderes públicos o dever não só de observar e proteger esse valor. uma atuação positiva no sentido de fornecer bens indispensáveis para que os indivíduos menos favorecidos possam viver dignamente. a proteção à dignidade exige não apenas uma abstenção do Estado. ligada ao valor liberdade. que a dignidade de uma pessoa é violada toda vez que ela for tratada. mas tem a função de protegê-la contra qualquer tipo de violação. o que significa dizer que na criação. vem sendo denominado de “mínimo existencial”. independentemente de usa origem. à dignidade da pessoa humana. mais preciso (procurando superar a imprecisão dos princípios). Esta acepção.) imprescindíveis para uma vida digna. A dignidade da pessoa humana não é um direito. seja por terceiros. Esta acepção. e. moradia. interpretação e aplicação das normas deve-se buscar sempre a promoção das condições e a remoção dos obstáculos para que a dignidade seja respeitada. foi matizada pelo Tribunal Constitucional Federal através do entendimento de que só se produz uma violação da dignidade da pessoa quando ao tratamento como objeto se soma uma finalidade subjetiva: só quando o tratamento constitui “expressão do desprezo” da pessoa. Poder-se-ia dizer. etc. possui um caráter negativo. que seja efetivamente exigível do Estado. ainda assim deve-se levá-lo em conta como parâmetro valorativo. Mesmo quando desnecessário o desenvolvimento deste princípio por ser possível recorrer a um direito fundamental específico. O ordenamento jurídico não confere dignidade a ninguém. não apenas por parte do Estado. mas também de promover os meios necessários ao alcance das condições mínimas indispensáveis a uma vida digna e ao pleno desenvolvimento da personalidade. sua existência material.

Mas o aspecto principal é a abstenção do Estado. têm por finalidade proteger a dignidade da pessoa humana. devido ao custo de serem prestados. mas também no art. Direitos fundamentais são os direitos humanos consagrados no plano interno. 14 e seguintes). .direitos à nacionalidade (art. Têm um caráter negativo. Enfim. deve realizar eleições e se abster de impedir que esse cidadão participe dessas eleições. a diferença básica se refere ao plano de consagração. .direitos individuais. pois surgiram em uma única época. 95 . devido à escassez de recursos. São os direitos de nacionalidade e os direitos políticos (a nacionalidade é um pressuposto para o exercício dos direitos políticos). tendo como conteúdos a liberdade e a igualdade. os direitos humanos são estudados em direito internacional e os direitos fundamentais são estudados em direito constitucional. ligados à liberdade. basicamente. Em sua maioria. A teoria dos direitos humanos não é idêntica à teoria dos direitos fundamentais. estão consagrados em normas de eficácia limitada.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS FUNDAMENTAIS: Direitos Humanos X Direitos Fundamentais: A Constituição costuma se referir a ambos os temas. Já os direitos humanos não possuem essa divisão. . portanto.direitos sociais (art. Em termos materiais. são os direitos individuais consagrados no art. consagrados no plano internacional. .direitos coletivos (vários deles estão não apenas no art. igualdade e dignidade. estão consagrados em normas de eficácia plena ou contida. à participação política. . Assim. CR/88).direitos políticos (art. Têm caráter positivo e negativo. exigem prestações materiais ou jurisdicionais. São direitos ligados à cidadania. Os direitos prestacionais têm uma carga de eficácia menor e menor efetividade que os direitos de defesa. 5°. pois exigem do Estado uma abstenção e não uma atuação positiva. Classificação dos Direitos Fundamentais: São 2 as classificações importantes. 5°. Em sua maioria. Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais: Este tema surgiu com a consagração dos direitos fundamentais nas diversas constituições. do qual são espécies: . Exigem uma atuação positiva do Estado. Essa classificação é legislativa. 6° e 7°). O Título II da CR/88 fala em direitos e garantias fundamentais como um gênero. 12 e seguintes). que divide os direitos fundamentais em: . A outra classificação (doutrinária) feita por Jellinek. 6º ao 11.direitos de participação: permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. os direitos sociais (arts. Os direitos humanos são direitos ligados à liberdade. CF/88. Visam proteger o valor igualdade. . 6° e seguintes).direitos de defesa: indivíduo utiliza-se desses direitos para se defender do arbítrio do estado.direitos prestacionais: são. Diz respeito às épocas de surgimento de certos direitos. O Estado deve fazer escolhas trágicas. consagradas ao longo das constituições. A teoria dos direitos fundamentais é formada por gerações. uma constitucional e uma doutrinária. Para que o cidadão participe da vida política do Estado.

A 3ª geração. → Fraternidade: Direito ao desenvolvimento. então. por exigirem uma abstenção. São considerados basicamente como direitos coletivos. pois. 96 . Paulo Bonavides (já que os autores fazem classificações diferenciadas. que direitos consagram: → Liberdade: Direitos Civis e Políticos – 1ª Geração: Seu marco histórico foi a eclosão das revoluções liberais do Séc. diretamente à igualdade material. igualdade e fraternidade (nesta ordem). A burguesia queria restringir o poder absolutista do Estado. os direitos prestacionais. XX. movimento encabeçado pelo proletariado. à autodeterminação dos povos. reduzir as desigualdades fáticas com a implantação de direitos sociais. Cada uma das gerações teve um fator histórico que originou a consagração de seus direitos. normalmente são consagrados em NEP ou NEC. Alguns autores fazem referencia à “reserva do possível” em relação às prestações. e estas gerações coexistem atualmente. Têm caráter negativo. da solidariedade entre países ricos e países pobres. Econômicos e Culturais – 2ª Geração: Surgem com a Revolução Industrial. enfim. portanto. Estes direitos se fortaleceram e foram implantados na Constituição durante o Séc. Como vimos. diante da necessidade de cooperação. e geralmente em normas auto-aplicáveis. têm uma eficácia e efetividade menor do que os de 1ª geração (os direitos de 1ª geração têm maior facilidade de serem implementados. Têm como objetivo. exigindo uma abstenção. → Igualdade: Direitos Sociais. Essa dicotomia – países ricos e países pobres – é que teria sido a responsável pelo surgimento desses direitos. Estão ligados. Esta é a sua preocupação principal. Esta geração teve origem a partir da nítida separação do mundo entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos. A classe operária lutava por uma redução das desigualdades existentes. de 1789: liberdade. a imprensa livre e o funcionalismo público. por exigirem uma prestação do Estado. XVIII. queria que ele respeitasse suas liberdades. era também importante proteger instituições relevantes para a sociedade. alguns autores preferem falar em dimensões de direitos e não em gerações. é a que traz os direitos mais importantes para a atualidade. econômicos e culturais. direito à propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade – 3ª Geração: A partir desta geração a classificação mais utilizada é a do prof.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não foram todos consagrados ao mesmo tempo. Ou seja. ao lado da 4ª. os fatores históricos que deram origem aos direitos por elas consagrados e. a autodeterminação dos povos (art. Jellinek chama os direitos civis de direitos de defesa. sobretudo de princípio programático). são direitos de caráter negativo. Vejamos quais foram as gerações. As dimensões remetem ao lema da Revolução Francesa. Exs: direito ao meio ambiente. Tais direitos têm caráter positivo. Não houve substituição de uma geração por outra. Por isso. 4º. Por isso tais direitos são direitos oponíveis principalmente ao Estado. exigem do Estado tanto prestações materiais como jurídicas (são. Obs. como a família. CR/88). a sua eficácia depende das condições econômicas do Estado.: a eficácia e efetividade dos direitos de 2ª geração. Os direitos de defesa. São basicamente os direitos individuais. Aqui começou a se perceber que tão importante como proteger o indivíduo. eles muitas vezes se consubstanciam em NEL. já os de 2ª geração não. segundo Jellinek). Exigem uma ação do Estado. das gerações. Importante olhar qual autor as bancas dos concursos adotam. Já os direitos políticos são os direitos de participação no Estado. e a dele é a mais cobrada em concursos). Este foi o fator histórico que deu origem a estes direitos. direito de comunicação. Eles foram surgindo com o passar do tempo. Ela traz os direitos de fraternidade e solidariedade. As garantias institucionais surgiram com os direitos de 2ª geração. de propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade. tendo em vista que as limitações orçamentárias do Estado restringem esses direitos. ao desenvolvimento ou progresso. São chamados direitos civis e políticos.

O pluralismo político é um dos fundamentos da CF/88. entende-se que democracia é a proteção de direitos fundamentais. mas há divergências na doutrina quanto a isso. um pluralismo cultural. A democracia hoje não deve ser vista mais apenas sobre o seu aspecto formal. e isso acaba por prejudicar as minorias. as disposições assecuratórias. que são as que. → Alguns autores falam ainda em uma 5ª geração. São também direitos transindividuais (em sua maioria. quiçá quanto a 5ª. Quem tem o papel contra-majoritário. os direitos de família. Paulo Bonavides. são direitos difusos). as demais características são tratadas pelo prof. Paulo Bonavides colocou em seu livro este direito como direito de 3ª geração. ☺ADPF 132. 1º. não se deve pensar apenas no pluralismo partidário. ela foi a responsável por introduzir estes direitos no ordenamento jurídico. na mesma disposição constitucional ou legal. que são as que imprimem existência legal aos direitos reconhecidos e. hoje ela deve ter também um aspecto material (substancial.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I direito à paz (obs. ocorrendo não raro juntar-se. O Legislativo e o Executivo geralmente não toma medidas impopulares. caso violados. 97 . à informação e ao pluralismo – 4ª Geração: Esta geração. Costuma-se citar como exemplos desses direitos os direitos à democracia.: quanto ao direito à paz. A sociedade atual tem uma diversidade que deve ser respeitada. São direitos transindividuais (alguns são direitos coletivos. nem sempre a vontade da maioria deve ser admitida no plano político. o prof. CR/88). de orientações sexuais. ao analisar a Constituição de 1891.: reconhecimento da união homoafetiva para fins de obtenção de alguns direitos. que alguns dizem trazer os direitos à internet. ele tem uma importância muito grande. Ele abrange um pluralismo religioso. Ele preserva. outros são difusos). O Estado Constitucional Democrático não pode admitir exclusões.P. etc. Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais: Ruy Barbosa foi o primeiro a tratar deste tema. com a declaração do direito”. Ex. enquanto as garantias são os instrumentos através dos quais se assegura o exercício dos aludidos direitos (preventivamente) ou prontamente os repara. defendendo os interesses das minorias é o Poder Judiciário. o direito a adoção. este direito teria um peso mais elevado do que os demais. os direitos são bens e vantagens prescritos na norma constitucional. → Globalização: direito à democracia. Os argumentos contrários a esta união. Porém. apesar de ser pouco comentado pela doutrina e jurisprudência. Na nossa Constituição o pluralismo é considerado como fundamento da República Federativa do Brasil (☺art. inclusive das minorias. distinguindo: “as disposições meramente declaratórias. econômico.). à informação e ao pluralismo (D. Afora esta peculiaridade. de ideologias políticas e partidárias. em geral são preconceituosos ou religiosos (não devendo ser admitidos na esfera pública). esta alteração não foi feita em seu livro. Por isso o direito à democracia é tão importante.I. conserva nossas identidades. por isso é melhor guardar este direito como direito de 3ª geração para as provas). Ao lado da vontade da maioria. como os previdenciários. Em uma ponderação. Esta geração de direitos advém da globalização política. mas ele fez uma palestra cujo título era exatamente “A paz como direito de 5ª geração”. a fixação da garantia. artístico. mas se desde a 3ª geração já não há mais consenso entre os autores. Além desse aspecto. limitam o poder. traz direitos ligados à pluralidade. que seria a vontade da maioria. um pluralismo ideológico. V. Assim. em defesa dos direitos. estas as garantias. as diferenças têm que ser consideradas e respeitadas. Quando se fala em pluralismo político. de conteúdo). Ou seja. Ou seja. Aquelas instituem os direitos. segundo alguns autores (mas Paulo Bonavides não está entre eles).

ainda que não individualistas. veda a instituição de juízo ou tribunal de exceção (garantia). não se pode aliená-los por não terem conteúdo econômico-patrimonial. no caso concreto.: Abrangência dos direitos e garantias fundamentais: Trata-se de um rol meramente exemplificativo.Imprescritibilidade: prescrição é um instituto jurídico que somente atinge. a todos os seres humanos. havendo. ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. de modo indiscriminado. Contudo. Isso porque. VI (direito) – garantindo-se na forma da lei a proteção aos locais de culto e suas garantias (garantia). . muitas vezes.: HC. . Natureza dos Direitos Fundamentais: São considerados direitos positivos constitucionais. se o direito garantido não possui alguma especificidade. uma vez consagrado o direito. no caso concreto. Deve-se observar. 5º. como é o caso da ação popular. ou magistrado. impetrasse HC para proteger o seu direito de ir e vir. Características dos Direitos Fundamentais: Os direitos fundamentais possuem as seguintes características: . ilegalmente preso. . que um estrangeiro de passagem pelo território nacional.Limitabilidade: os direitos fundamentais não são absolutos (relatividade). como é o caso. não a exigibilidade dos direitos personalíssimos. que só pode ser proposta pelo cidadão.Concorrência: podem ser exercidos cumulativamente. por ex. . emite uma opinião (direito de opinar). . levando em consideração a regra da máxima observância dos direitos fundamentais envolvidos. 5º faz referência expressa somente a brasileiros (natos ou naturalizados. na medida em que os direitos e garantias expressos na Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. 5º. conflito de interesses. etc. portanto. nascendo com o Cristianismo. de se diferenciar ainda as garantias fundamentais dos remédios constitucionais: estes últimos são espécies do gênero garantia. são indisponíveis. XXXVII. Nada impediria. os apátridas e as pessoas jurídicas.Inalienabilidade: como são conferidos a todos.Historicidade: possuem caráter histórico.). ou caberá ao intérprete.é inviolável a liberdade de consciência e de crença. passando pelas diversas revoluções e chegando aos dias atuais. Exemplos: . é claro. o jornalista transmite uma notícia (direito de informação) e. confronto. 98 .: direito de propriedade versus desapropriação).Universalidade: destinam-se. Obs. coarctando.direito ao juízo natural (direito) – o art. mas nunca a sua renunciabilidade. os estrangeiros não residentes. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Por fim. já que não os diferencia) e estrangeiros residentes no País. Em determinadas situações a garantia poderá estar na própria norma que assegura o direito. decidir qual direito deverá prevalecer. a sua garantia nem sempre estará nas regras definidas constitucionalmente como remédios constitucionais (ex. A solução ou vem descriminada na própria Constituição (ex. sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos – art. a estes destinatários expressos a doutrina e o STF vêm acrescentando. Se são sempre exercíveis e exercidos.. Normas positivas. HD. através da interpretação sistemática. juntamente. conjugando-a com a sua mínima restrição. a exigibilidade dos direitos de caráter patrimonial. não há intercorrência temporal de não exercício que fundamente a perda da exigibilidade pela prescrição. O caput do art. .Irrenunciabilidade: o que pode ocorrer é o seu não-exercício. quando.

99 . que é a eficácia clássica dos direitos fundamentais. ordem pública.). É uma teoria que entende que os DF não se aplicam às relações entre particulares. etc. Alguns autores concluem que todos eles teriam auto-aplicabilidade. e esta seria aniquilada se os DF fossem aplicados diretamente a essas relações. como a relação entre o Estado e o particular é de subordinação. de uma época em que ainda não existiam os direitos de 3ª geração. O principal motivo para isso é a preservação da autonomia da vontade – a relação entre particulares tem como princípio basilar a autonomia da vontade. Há 3 teorias principais sobre essa eficácia horizontal dos direitos fundamentais: → Teoria da Ineficácia Horizontal: É a de menor prestígio. sendo oponíveis ao Estado – proteção do indivíduo em face do Estado. Um dos poucos países que ainda adota esta teoria é os EUA. No entanto. não dependendo de legislação. falavase apenas em eficácia vertical dos direitos fundamentais. Nos EUA foi criada a “Doutrina da State Action” (doutrina da ação estatal) para tentar afastar esta proibição. 5º. alguns dispositivos não podem ser aplicados de imediato. A finalidade dessa doutrina é tentar afastar a impossibilidade de aplicação e definir em que situações os DF poderiam ser aplicados. eles tinham uma função bem definida: visavam a defesa dos indivíduos. Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais: Quando os direitos fundamentais de 1ª geração surgiram. fala-se. Assim. e essa porta de entrada seriam as cláusulas gerais (bons costumes. CR/88 deve ser interpretado como princípios – mandamentos de otimização – devendo ser aplicados na maior medida possível. Tem uma razão para isso: a Constituição norte-americana é mais antiga (1787). §1º. para isso. Não se admitiria. §1º. De acordo com essa concepção clássica de direitos fundamentais. Grande parte da violação dos direitos fundamentais era feita pelos próprios particulares. os DF podem ser aplicados às relações entre particulares. causando uma desfiguração no direito privado. Posteriormente. O artifício que a doutrina utiliza para tentar contornar essa proibição (para que os DF sejam aplicados às relações entre particulares) é a equiparação dos atos privados aos atos estatais (em determinados casos ela diz que um ato particular é equiparado a uma ação estatal – por isso o nome da teoria). 5º. os DF não entram no direito privado como direitos subjetivos. analisando caso a caso. só trazendo relações entre o Estado e o particular. fática e juridicamente. seria preciso que existisse uma porta de entrada dos DF nessas relações. verificou-se que a opressão aos direitos dos indivíduos não vinham apenas do Estado. Como a relação entre particulares é de coordenação (e não de verticalidade). a aplicação direta de DF às relações entre particulares. → Teoria da Eficácia Horizontal Indireta: Segundo essa teoria. em eficácia horizontal ou privada dos direitos fundamentais. tendo apenas eficácia vertical e não horizontal. mas. O pressuposto desta doutrina é justamente o de que os DF não se aplicam às relações entre particulares (isso não é o que a doutrina defende. Essa eficácia horizontal ou privada nada mais é. então. o que fez com que surgisse também uma proteção dos direitos fundamentais em fase desse tipo de opressão. pois. mas o pressuposto do qual ela parte). e não de igualdade (já que eles não estão no mesmo plano jurídico). então. do que a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Eficácia e Aplicabilidade: O art. CR/88 afirma que essas normas definidoras de direitos e garantias fundamentais possuem aplicação imediata. Ingo Sarlet afirma que o art.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não se aplicariam diretamente.819: exclusão de membro de sociedade sem a possibilidade de sua defesa – violação do devido 100 .☺RE 161. aplica diretamente os DF às relações entre particulares. mas ainda não há decisão quanto a isso. em razão dessas cláusulas gerais que teriam que fazer uma intermediação.RE 160. a aplicação será indireta. em geral. então. devendo sobre eles prevalecer. e. Se. Segundo Virgilio da Silva. mas sem se preocupar em definir argumentos que possibilitem firmar que se trata da adoção desta teoria. . Se não houver uma previsão expressa na lei. os DF poderiam ser aplicados diretamente as relações entre particulares. não se pode deixar de aplicar os DF nas relações entre particulares. Isso é chamado de “Efeito Irradiador” dos DF: os DF irradiam os seus efeitos nas relações entre particulares através de mediação legislativa. Nestas seria necessário fazer uma ponderação para saber qual é o grau de aplicação desses direitos.215-4: entendeu-se como violado o princípio do devido processo legal e ampla defesa na hipótese de exclusão de associado de cooperativa sem direito à defesa.243/DF. ai sim a autonomia de vontade terá um peso maior. E como os princípios são muito vagos.RE 158. como a segunda. → Teoria da Eficácia Horizontal Direta: Podemos citar 3 países cujo sistema é muito parecido com o nosso que adotam esta teoria: Itália. isso poderia causar uma série de problemas. não sendo necessária uma intermediação legislativa. como ficaria a autonomia da vontade com essa aplicação direta dos DF a essas relações? Aqueles que defendem esta teoria não dizem que os DF se aplicariam com a mesma intensidade nas relações entre o Estado e o particular e nas relações entre particulares.858. se for permitido ao juiz utilizar qualquer princípio para fundamentar sua decisão. ainda que esta regulamentação não exista. tão somente pela falta de previsão. houver uma desigualdade fática.*RE 161. quando se tratar de uma relação em que não haja uma igualdade fática entre os particulares (ex. .RE 201. . Violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. Os DF são expressados.RE 175. de uma forma geral. 249. quando se tratar de uma relação em que haja igualdade fática entre os particulares nela envolvidos.24. contrato de adesão. Ainda se trata de uma questão muito nova. Se houver lei determinando a aplicação dos DF. Assim. muito abertos.161-4: contrato de consórcio que prevê devolução nominal de valor já pago em caso de desistência – violação ao Princípio da razoabilidade e proporcionalidade (devido processo legal substantivo). É adotada pela Alemanha (exceto Alexym. O ideal é que haja a regulamentação quanto a aplicação dos DF nas relações entre particulares. Não se pode ainda falar em nenhuma teoria que tenha sido aplicada ou não aqui. O juiz.243-6: discriminação de empregado brasileiro em relação ao francês na empresa “Air France”. se exteriorizam. Em contrapartida. Por isso deveria haver essa intermediação legislativa. é possível a sua aplicação com base na Constituição. no entanto. mas.Resp. através de princípios. . . Os DF seriam utilizados na interpretação dessas cláusulas gerais.222-8: entendeu-se como constrangimento ilegal a revista íntima em mulheres em fábrica de lingerie. a partir dessas cláusulas os DF entrariam nas relações entre particulares. quando há uma relação de igualdade real na relação. esta teoria seria a mais adequada. todos os países que estudam esta questão de forma séria adotam esta teoria. com base em um DF poderia decidir um caso concreto entre dois particulares. etc. Determinação de observância do Princípio da isonomia.00 para R$ 86. que não adota essa teoria). devendo prevalecer os DF sobre a autonomia da vontade. Para a realidade brasileira.) . para que os princípios pudessem ser concretizados. Espanha e Portugal. A autonomia da vontade requer tal ponderação. a proteção tem que ser maior. Mas.: empregado e empregador.700. mesmo realizando atividades idênticas.547/STJ: prisão civil em contrato de alienação fiduciária em razão de aumento absurdo do valor contratado de R$ 18. Deve-se aplicar tanto esta teoria. .321: cláusula de indenização tarifada em caso de responsabilidade civil do transportador aéreo – violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana.HC 12. a autonomia da vontade deve ter um peso maior do que os DF. A jurisprudência. Segundo esta teoria. Pedro Lenza cita em seu livro alguns precedentes em relação aos quais o Judiciário entendeu como razoável a aplicação dos direitos fundamentais às relações privadas: .

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I
processo legal, contraditório e ampla defesa (voto do Min. Gilmar Mendes). Este último caso nos parece ser o início de forte tendência que surge no âmbito do STF para a aplicação da Teoria da eficácia direta dos direitos fundamentais às relações privadas. Em seu voto, o min. Gilmar Mendes (que divergiu da Relatora Min. Ellen Gracie), afirmou que “esse caráter público ou geral da atividade parece decisivo aqui para legitimar a aplicação direta dos direitos fundamentais concernentes ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (art. 5º, LIV e LV, CR) ao processo de exclusão de sócio de entidade”.

→ Conclusão: Cresce a Teoria da aplicação direta dos direitos fundamentais às relações privadas (eficácia horizontal), especialmente diante de atividades privadas que tenham um certo “caráter público”, como, por ex., em escolas (matrículas), clubes associativos, relações de trabalho, etc. Nessa linha, poderá o magistrado se deparar com inevitável colisão de direitos fundamentais, quais sejam o princípio da autonomia da vontade privada e da livre iniciativa de um lado, e o da dignidade da pessoa humana e da máxima efetividade dos direitos fundamentais de outro. Diante dessa colisão, indispensável será a ponderação de interesses à luz da razoabilidade e da concordância prática ou harmonização. Não sendo possível a harmonização, o Judiciário terá que avaliar qual dos interesses deverá prevalecer. Limite dos limites: Os direitos fundamentais são limitações à atuação dos poderes públicos. Mas existem alguns direitos fundamentais que precisam de regulamentação. Essa regulamentação será feita pelos poderes públicos. Os DF servem como limite aos poderes públicos e ao mesmo tempo, esses poderes públicos poderão fazer leis que servem como limites a esses DF. Quais são os limites que esta limitação aos DF deverá observar? No Brasil, essa limitação não está prevista expressamente. Os princípios dos quais podemos extrair essa teoria são os seguintes: - Princípio do Estado de Direito (art. 1°, CF/88); - Princípio da Legalidade (art. 5°, II, CF/88); - Princípio da Segurança Jurídica (art. 5°, caput e XXXVI). - Princípio da Proporcionalidade (art. 5°, LIV: devido processo legal substantivo). Os requisitos que essa lei restritiva deve observar para que a restrição seja legítima são: - Requisitos formais: • Princípio da reserva legal. Somente lei pode estabelecer direitos e deveres. Essa lei pode ser LO, LC, MP (desde que seja no caso de direitos individuais e direitos sociais – art. 62, § 1°, I), LD (desde que seja no caso de direitos sociais – art. 68, § 1°, II). • Princípio da não retroatividade (art. 5°, XXXVI): qualquer restrição a um direito fundamental só pode ser estabelecida daquele momento em diante; - Requisitos materiais: • Princípio da proporcionalidade • Generalidade e abstração: a norma não pode ser uma restrição imposta a apenas uma determinada pessoa, referente a apenas um caso concreto. Essa característica é extraída do princípio da igualdade. • Princípio da salvaguarda do núcleo essencial. O núcleo do direito não pode ser atingido. Uma restrição ao direito não pode inviabilizar o exercício daquele direito. Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais: 101

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O primeiro aspecto importante aqui é saber qual a relação entre a dignidade da pessoa humana e os DF. Ela é um direito? Ela está prevista no art. 1º, III, CR/88, sendo considerada como um fundamento. Ocorre que ela não é considerada apenas como um fundamento e sim como um valor constitucional supremo, tendo penso maior na ponderação com os demais valores (mas atenção: ela não é a norma suprema, mas o valor supremo). A dignidade não é considerada como um DF, e nem mesmo como um direito. Ela é considerada como um valor por uns, e, por outros, como um atributo que todo ser humano possui, independentemente de qualquer condição (cor, raça, religião, etc.). a dignidade é o que diferencia o ser humano de todas as demais coisas, como já afirmava Kant (já que todas as coisas têm preço, e o ser humano tem dignidade). A dignidade da pessoa humana é o núcleo entorno do qual giram os DF. A função dos DF é justamente proteger a dignidade das pessoas. Alguns DF são mais diretamente ligados à dignidade (como a liberdade),e outros que são derivações indiretas e não diretas (como o direito a férias, por ex.). Mas, de qualquer forma, todos os DF existem para proteger a dignidade da pessoa humana. Por isso alguns autores falam em sistema de DF, cujo caráter é unitário, já que todos os DF derivam de um ponto comum, tem um mesmo núcleo: a dignidade. A dignidade é um postulado normativo de interpretação, é um princípio ou uma regra? A dignidade da pessoa humana tem essa tripla dimensão: pode ser vista como um postulado, como um princípio e como uma regra: - Postulado normativo interpretativo: por ser a dignidade da pessoa humana o valor supremo, ela vai auxiliar na interpretação das demais normas constitucionais. Ex.: art. 5º, caput, CR/88 – um dos aspectos abordados ali são os destinatários dos direitos individuais (brasileiros e estrangeiros residentes no país) – o STF e a grande maioria da doutrina interpreta esse dispositivo da seguinte forma: se a dignidade da pessoa humana é um atributo que todo ser humano possui, independentemente da sua origem, da sua nacionalidade, enfim, de qualquer condição, e se os direitos individuais (que são os direitos ligados à liberdade, à igualdade) estão diretamente ligados à dignidade do ser humano, decorrendo diretamente desse atributo, todos que entrem em contato com o nosso ordenamento jurídico poderiam invocar o art. 5º, CR (o ordenamento jurídico não pode diferenciar os nacionais dos estrangeiros ou os estrangeiros residentes e não residentes – não se pode, pois, discriminar o estrangeiro não residente no país). Neste caso, pois, a dignidade atuou não como princípio ou regra, mas como postulado normativo de interpretação. - Princípio: o princípio da dignidade da pessoa humana impõe, principalmente ao Estado, dois deveres: o dever de proteção e o dever de promoção da dignidade. Esta proteção e promoção é feita, sobretudo, através dos DF. O Estado tem o dever de garantir o “Mínimo existencial”: é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida humana digna; direitos mais específicos e diretamente ligados à dignidade (saúde, moradia, etc.). Este princípio tem um caráter positivo, impõe uma atuação do Estado, exige que o Estado atue positivamente. Para Ana Paula de Barcelos, o mínimo existencial é composto por: ensino fundamental, saúde, assistência social (não se confunde com previdência social, pois não depende de contribuição), acesso ao judiciário. - Regra: a dignidade também atua como uma regra, aplicável na medida exata de suas prescrições. Significa o dever de respeito por esse valor, esse atributo. Tem, pois, um caráter negativo, impondo uma abstenção (as pessoas e o Estado têm que se abster de violar a dignidade da pessoa humana). Podemos associar esta regra a uma concepção muito estudada por Kant. Segundo ele, a dignidade é violada toda vez que o ser humano é tratado não como um fim em si mesmo, mas como um meio, um objeto para se atingir determinados fins. Esta concepção do Kant ficou conhecida na Europa como “Fórmula do Objeto”. Mas em muitos casos o ser humano é tratado como um meio e isso não significa necessariamente uma violação à dignidade (ex.: pessoas que voluntariamente se ofereceram para testes de uma vacina para o tratamento da AIDS – isso não é violação à dignidade, o seria se o Estado obrigasse determinadas pessoas, como os presos, a este tipo de teste). O tribunal Alemão, portanto, analisando esses casos, acrescentou ao aspecto objetivo (tratamento como objeto) o aspecto subjetivo (tratamento como objeto fruto de uma expressão de desprezo pelo ser humano), para que só então se pudesse falar em violação à dignidade da pessoa humana. Caso muito conhecido na França: 102

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I algumas casas noturnas tinham como principal atrativo o arremesso de anões, e isso causou indignação em algumas parcelas da população, que alegavam que este tratamento era ofensivo à dignidade em seus dois aspectos (objetivo e subjetivo), o que ocasionou o fechamento dessas casas. Ocorre que os anões, em litisconsórcios com as casas noturnas recorreram da decisão, afirmando que o que violava a sua dignidade não era ser o fato de serem utilizados como objetos por essas casas, e sim ficar em casa desempregados, ainda que recebessem uma aposentadoria do governo, mas sem o convívio social. Assim, começou-se a discutir se o Estado pode realmente dizer o que fere ou não a dignidade da pessoa humana, já que é preciso analisar cada caso separadamente.

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um outro direito fundamental. O problema maior existe quando conflitam de um lado o direito a vida e de outro. Vejamos: Direito à vida: A Constituição consagra a inviolabilidade do direito à vida. Já a inviolabilidade é a proteção do direito à vida contra terceiros. aquele que pode ser realizado quando a má formação do feto colocar em risco a vida da gestante. Porque o direito à vida é irrenunciável. 5º. à igualdade. diante da qual é preciso fazer uma ponderação entre o direito à vida e a autonomia da vontade e liberdade religiosa. a Constituição vai concretizar os valores da inviolabilidade do direito à vida. Muitas vezes não há como prevalecerem o direito de ambos os envolvidos no fato. A renúncia é definitiva. Da mesma forma também se mostra polêmica a questão dos “Testemunhas de Jeová”. III e art. A irrenunciabilidade protege a vida contra o próprio titular do direito. 1º. Nesses casos a pessoa pode se defender violando o direito de outrem. 5º. II. CP) a questão é um pouco mais polêmica. pois. Obs. à segurança e à propriedade. Nos 78 incisos deste art. Este pode ocorrer. Neste caso a mãe pode violar o direito à vida do feto sem que isso seja considerado crime. Há dois entendimentos: 104 . por óbvio. como no caso de estado de necessidade ou no caso de legítima defesa. como DF é pressuposto dos demais direitos. se discute muito se é ou não possível a eutanásia ou a ortotanásia (eutanásia passiva – quando desligam-se os aparelhos que mantêm a pessoa viva). não há uma renúncia definitiva. ☺art. que permite a pena de morte em algumas hipóteses. CR. é. Outro caso é o do aborto terapêutico ou necessário. No caso do big brother. um caso constitucional de violação de direitos. pois a vida é uma direito irrenunciável. A irrenunciabilidade é uma característica que todos os DF possuem. CR/88. As pessoas não podem abrir mão destes direitos. sobre cada direito a ser a seguir estudado haverá várias divergências a cerca de determinadas questões. Por isso. abre-se mão temporariamente à privacidade. não há que se falar em não exercício). → Inviolabilidade do direito à vida: É caso de um mesmo direito titularizado por pessoas diferentes. Mas atenção: a irrenunciabilidade não se confunde com o não exercício do direito. Mas prevalece no Brasil o entendimento de que nenhuma das modalidades de eutanásia é admitida.: esta segurança que o art. XLVII. ☺art. 170. Quanto ao caso do aborto sentimental (art. de forma que não se pode falar em direitos absolutos. O direito a vida.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE: ☺art. Estes direitos são expressos em princípios e os princípios comportam ponderações diferentes. Quanto a esta hipótese não há controvérsias. 128. Esta questão é bastante clara. Não devemos confundir irrenunciabilidade com o não exercício de um direito. A dupla dimensão ou acepção deste direito é: o direito a permanecer vivo e o direito a uma vida digna. 5º. e haverá também posicionamentos já firmados pela doutrina e jurisprudência em relação a outras. caput. à liberdade. traz é a segurança jurídica (a segurança pública é direito social). o não exercício é temporário (no caso do direito à vida. também não pode ser renunciado.

o legislador teria previsto essa hipótese como caso de “não punibilidade”. o Estado não deve impor condutas externas imperativas. . Outro tema muito importante que está sendo discutido no Brasil atualmente é a questão da legalização do aborto (não nos casos já discutidos. mas sim interpretando a CR/88. o feto não tem a menor chance de sobrevida. em razão do risco de morte intra-uterina. deve-se deixar que a pessoa faça sua própria opção. o aborto pode ser realizado até a 24ª semana. sabendo que ela vai morrer. nas quais não se tem uma opinião moral definida. E o direito à vida. 128 (em 1940). deve ser feita uma interpretação evolutiva do CP (art. insuficiente para a proteção do direito. ao considerar o aborto em caso de acrania como hipótese de “não punibilidade”. mas sim da acrania. o STF não estaria legislando. O STF. Para aqueles que defendem a proibição do aborto. Ele poderia sofrer outras sanções de ordem não penal. a vida termina com a morte encefálica. assegurando a autonomia da vontade. já que o CP é anterior à CR. 128). Desacordo moral razoável: refere-se a questões limites. entendeu que. Para o direito brasileiro. ela é a única ação de controle abstrato cabível. Ela poderia ou não existir? A chamada “Proibição por defeito”.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) o direito à vida e a dignidade são absolutos e. Ademais. Nos EUA e na França. portanto. b) a liberdade sexual e a liberdade da pessoa humana da mãe justificariam o afastamento do direito à vida do feto. como todos os outros. analogia à tortura e interpretação conforme a CR/1988: obrigar a gestante a gerar uma criança durante nove meses.Direito à privacidade: 105 . Vejamos os argumentos ali discutidos (posição de Luiz Roberto Barroso): 1) antecipação terapêutica do parto não é aborto: atipicidade da conduta. por 7 votos a 4. Encontra limites em outros direitos consagrados pela CR/1988. 2) interpretação evolutiva do CP: na eventualidade de ser considerado como aborto. 128. Qual deve ser a postura do Estado? Nestes casos. CP não teria sido recepcionado pela CR. (28/05/09) Outra questão: aborto no caso de acrania ou anencefalia. quem diz a partir de quando começa o direito à vida é o legislador. Esta ADPF trata de uma interpretação do CP. o art. não existiam meios técnicos para se detectar a acrania. mas de modo geral). Se há dois argumentos defensáveis. é uma forma de tortura psicologia. não haveria vida. OBS. então. qualquer medida que não fosse a criminalização do aborto seria insuficiente para proteger a inviolabilidade do direito à vida (Proibição de insuficiência). Ocorre quando a medida chamada for inadequada. e. por isso. é um aspecto do Princípio da Proporcionalidade. A questão ainda está sendo discutida no STF. O aborto não precisaria ser necessariamente crime. segundo Canotilho. Ambos os argumentos são moralmente e racionalmente defensáveis. além de colocar em risco a sua própria vida. sem o sistema nervoso central. 3) dignidade da pessoa humana. a morte não decorre do aborto. discutida na ADPF 54. II. Se isso fosse possível. Na ADI 3510: o ministro Carlos Ayres Brito entendeu que a inviolabilidade do direito à vida ocorre após o nascimento quando o indivíduo passa a ser dotado de personalidade. é relativo. já que na época em que foi feito o art.

sobretudo. sendo essa matéria feita dentro de um contexto jornalístico. Há hipóteses em que a jurisprudência admite uma gravação. c) Quando a gravação é feita contra agentes públicos: Não é gravação feita por agente público. no art. Nesses casos é vedada a gravação como prova. Em regra. Será considerada prova lícita. A esfera da publicidade não está prevista na constituição. Ex: matérias de interesse público. O STF costuma fazer uma ponderação entre o direito à privacidade do agente público e os princípios que regem a Administração Pública. pode ser pessoal (ex: i-pod) ou pode ser telefônica. Numa gravação clandestina. contra um chantagista. não se podem divulgar imagens captadas num prédio. contra um estelionatário. O agente público. quebra de sigilo e interceptação telefônica. Ex: pessoa participar de comercial sem o seu consentimento. sobretudo. veremos cada um separadamente. Ex. X. Esses 3 assuntos são objeto de confusão. mesmo tendo sido feita sem o conhecimento do outro interlocutor. câmeras de segurança (quando se diz que as câmeras são legítimas. Esta é excludente de ilicitude. Há decisões judiciais onde muitas vezes. é admitida como prova do processo? Se a gravação for clandestina. os princípios da moralidade e da publicidade. 106 . CR. Ainda que não afete a honra. a imagem pode ser usada num processo. é necessário analisar o tipo de imagem que foi gravada. o STF tem entendido que esses princípios teriam um peso maior e justificariam a utilização dessa gravação. Se uma reportagem de televisão capta a imagem de uma pessoa. Vejamos as hipóteses que já estão sedimentadas no STF: a) Quando a gravação for a favor do réu. pessoal ou telefônica feita por um dos interlocutores sem o conhecimento dos demais. pois há uma excludente de antijuridicidade. É vedada pelo art. 5º. Logo. O prof. são direitos independentes. pois viola a privacidade de quem teve a conversa gravada sem o seu conhecimento. o direito à imagem foi violado. Questão de Concurso: Gravação clandestina. maior a proteção a ser dada. Proteção da honra e da imagem. O direito de liberdade é maior. Se uma pessoa faz uma gravação contra um seqüestrador. Então. vida privada. é feita uma ponderação entre o direito à privacidade e o direito à liberdade do réu. acha que a fundamentação do STF não é a mais adequada. por exemplo. a restrição é legítima. temos a seguinte situação: Uma conversa entre 2 interlocutores. na verdade. Ex: Radares eletrônicos. Ex: policial federal recebendo dinheiro. a pessoa não pode dizer que o seu direito foi violado. há uma restrição legítima ao direito de imagem e ao direito de privacidade. Se tiver gravado um crime. Os atos administrativos são regidos pelo princípio da publicidade. Restrições legítimas ao direito à imagem: há algumas situações em que o direito à imagem pode ser restrito. Não há que se falar em colisão. não tem privacidade. No entanto. o direito à imagem é confundido com o direito à honra. Teoria das esferas: quanto mais próxima ao indivíduo. Ao realizar essa ponderação. a honra e a imagem das pessoas. Não tem sentido o seqüestrador dizer que a sua conversa foi violada. A esfera mais próxima é a esfera da intimidade. CR. quando pratica um ato na condição de agente público. não há violação à privacidade. de uma forma geral. A Constituição proíbe as provas obtidas por meio ilícito.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Decorre do direito à vida. X. 5º. a gravação é considerada lícita. Mas. Neste caso. é a esfera da vida privada. É gênero. Nesses casos. assessor de prefeito pede dinheiro para beneficiar uma empresa. 1. que se subdivide em: intimidade. ela é ilícita. b) Quando a gravação é feita em legítima defesa: A gravação não é clandestina. científico ou cultural. informação que consta em um processo que não trata de segredo de justiça. d) Gravações feitas para documentar conversas e serem utilizadas futuramente como prova (direito de defesa). etc. histórico. uma gravação feita clandestinamente. Gravação clandestina dentro do direito de privacidade: consiste em uma gravação ambiental. Ex: gravação feita contra um seqüestrador. O réu poderá utilizá-la em sua defesa no processo penal. ela está realizando aquela gravação em sua legítima defesa. Há leis impedindo a divulgação dessas imagens). O direito a privacidade está consagrado. A gravação pode ser ambiental (ex: câmera de segurança). Ex: notícia publicada dentro de um contexto jornalístico. em seguida. Se filmar uma passeata.

divulgaram todas as declarações na internet. fiscal e telefônico. 58. Ela não pode determinar uma interceptação telefônica. Quanto às CPIs municipais. 2. por ex. O prof.). d) Sigilo telefônico: Pergunta – pode uma CPI quebrar o sigilo telefônico? Sim. pois ela pode colocar em risco a segurança de uma pessoa. outros dizem ser pelo art. pois a quebra desses sigilos é de competência de autoridade judiciária (e não existe autoridade judiciária municipal). XII. que é uma exceção a essa regra. c) Sigilo de dados (sobretudo de dados informáticos): seriam as informações constantes de um HD. O Min. § 3º. CR a CPI tem poderes de investigação próprios de uma autoridade judicial. Quando se quebra o sigilo telefônico. b) Sigilo fiscal: dizem respeito. não há decisão do STF. será necessário solicitar ao juiz para que este determine a quebra. Essa decisão foi dada porque havia verba pública envolvida. Dentro dela. Quem são as autoridades que podem determinar a quebra do sigilo? Inicialmente. informáticos. com base no princípio da simetria. O STF decidiu que.. CPI estadual também pode determinar a quebra de sigilo? O STF. a saber: a) Sigilo bancário: diz respeito aos dados bancários de uma pessoa. Dentro do próprio STF há divergência. Os sigilos podem ser quebrados por um juiz. falaremos da interceptação telefônica. fiscais. mas na decisão acima houve discussão a respeito. Além do juiz. tem acesso ao registro das ligações telefônicas (quais os números ligados. Se ele quiser. ele não pode requisitar diretamente. Os jornais publicaram essas declarações.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Obs. outros entendem que não há proteção. Um advogado do ES teve os seus dados bancários solicitados por um agente da Receita Federal. Ele alegou a ilegalidade desse ato. De acordo com o art. etc. 5º. O inciso X impede a gravação clandestina. E o Ministério Público? Segundo o STF. ainda que não seja sigilosa. Quebra de Sigilo: há ministros que entendem que esse sigilo estaria protegido pelo art. Essa declaração. pode colocar uma pessoa em situação vexatória. o BB poderia quebrar o sigilo. Quem pode é só o juiz e a CPI. Ainda que se admita a criação de CPI municipal. admitiu que CPI estadual determinasse quebra de sigilo. 107 . em ação cível originária. Há dois posicionamentos sobre esse assunto: 1°) não admite criação de CPI. 2°) admite. Esta LC permite que as autoridades fazendárias tenham acesso a dados bancários de uma determinada pessoa. está em vigor. a CPI também pode determinar a quebra do sigilo bancário. a duração da chamada. às informações constantes na declaração de imposto de renda. Entende-se que a quebra se sigilo engloba basicamente 4 sigilos. de um cd room. 3. Lewandovisk suspendeu a aplicação da LC. Nem TCU nem qualquer tribunal de contas podem. São poderes instrutórios. Tem uma decisão do STF muito comentada. 5º. essa decisão foi para um caso específico. O sigilo telefônico não tem nada a ver com o conteúdo da conversa telefônica. A quebra de sigilo é difícil de ser enquadrada. Essa LC está sendo objeto de várias ADIs perante o STF. E o TCU pode solicitar a quebra do sigilo? Também não pode. A lei. Ainda não houve declaração de inconstitucionalidade dessa lei. já que não existe poder judiciário municipal. 5º. Interceptação telefônica: aqui este assunto será tratado de uma forma mais ampla – interceptação das comunicações.: Podem existir várias outras exceções. alegando que só o juiz poderia ter acesso aos dados. A declaração não é algo que qualquer pessoa pode ter acesso. X. No entanto. não poderá quebrar sigilos. naquele caso específico. XII. Essa exceção só confirma a regra. Isso é uma violação clara do direito de privacidade. A autoridade judicial pode requisitar dados bancários. A quebra do sigilo ocorre depois que a conversa já finalizou. com relação ao sigilo bancário tem uma lei específica – LC 105/01. Quando a CR fala em “poder de investigação”. por enquanto. só disse as situações onde o STF tem jurisprudência a respeito. Na Itália. deve ter uma certa salvaguarda. O MP solicitou informações ao Banco do Brasil sobre o empréstimo feito aos plantadores de cana de açúcar. como havia verba pública envolvida. Ex: extrato de conta corrente. não significa que o juiz tenha poderes investigatórios. A interceptação das comunicações é vedada pelo art. CR.

Pois. A interceptação não pode ser uma regra de investigação. seja pelo art. O art. Ex: diretor de presídio pode violar a correspondência do preso se houver suspeita de que aquela correspondência está sendo utilizada para a prática de ilícitos. durante situações excepcionais – estado de defesa e estado de sítio. Então. Na prática. Não são admitidas para outras finalidades. Em relação à comunicação epistolar. Além dessas duas hipóteses. No entanto. Pode ser que um dos interlocutores saiba ou pode ser que nenhum dos interlocutores saiba. Com relação ao sigilo de dados. Para o STF. 5º. segundo o prof. mas foi feita por um terceiro. será gravação clandestina. vejamos: a) Comunicações telegráficas b) Comunicações epistolares (feitas através da correspondência) c) Comunicações de dados (esses dados seriam apenas dados informáticos. em determinadas hipóteses. O que está protegido é apenas as comunicações dos dados. não estaria protegido por esse dispositivo.. ela também está protegendo o conteúdo desses dados. os dados de informática em si não estão protegidos. Na interceptação. X. Ela deve ser usada para situações excepcionais. a Constituição não estabelece qualquer requisito. protege-se apenas a liberdade de comunicação. a partir do momento em que o e-mail foi aberto. um dos argumentos utilizados pelo STF é de que o sigilo epistolar não pode ser salvaguardado para a prática de ilícitos. 5º. Para o prof. Ela protege 4 formas de comunicações. já que protege-se a liberdade de comunicação. Para o prof. sem o conhecimento de um ou de ambos os interlocutores. 5º. 5º. a liberdade de comunicação. segundo alguns autores) d) Comunicações telefônicas Em que consiste a interceptação dessas comunicações? Observe a diferença entre uma gravação clandestina e uma interceptação telefônica. Ex: correspondência que pode causar risco à saúde pública. uma terceira pessoa se intromete na comunicação. segundo o STF. O STF entende que com base o art. XII. a CR faz uma ressalva quanto às comunicações telefônicas. protege a liberdade de comunicações. a Constituição estabelece 3 requisitos: a) Ordem judicial b) Na forma da lei c) Para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. sobretudo.. também se admite violação ou restrição do sigilo de correspondência. neste caso. Não há necessidade que a privacidade da pessoa seja violada (ou seja. durante o estado de defesa e o estado de sítio. Nessas hipóteses. O professor acha que o certo seria avisar ao preso de que todas as correspondências serão abertas. XII. também protege a privacidade. Outra hipótese em que o sigilo epistolar também pode ser violado é no caso de segurança pública. será interceptação telefônica. o STF (em decisão recente) admitiu que as declarações feitas para fins de 108 . seja pelo art. não é necessário que o conteúdo seja sigiloso). quando a Constituição fala em “sigilo de comunicação de dados”.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CF/88 não protege apenas o conteúdo. A correspondência pode ser violada em alguma hipótese? Não existem direitos absolutos. Consiste na intromissão ou interrupção de uma comunicação. Ex: correspondência utilizada para práticas ilícitas. Ou ela interrompe a comunicação ou ela intercepta. mas. pode haver restrições às comunicações telefônicas. Aliás. XII impede que o e-mail enviado de (A) para (B) seja interceptado. Mas isso não é a posição do STF. o sigilo poderá ser violado. A interceptação de comunicação telefônica talvez seja uma das formas mais graves de violação à privacidade das pessoas. Sigilo das comunicações telefônicas: Só para fins de investigação criminal ou para instrução processual penal. abrem-se todas as correspondências. Seria legítima a violação à privacidade feita pelos correios (passam por um raio-X)? O professor acha que isso justifica em razão da possibilidade de práticas ilícitas. Porém. Se um souber.. Quando se falou do método tópico problemático. é equivocado. o STF tem um entendimento que. Alguns autores dizem que a interceptação só ocorre quando nenhum dos interlocutores não tenha conhecimento. Em relação a essas. fere a privacidade de várias pessoas que não têm nada a ver com o caso. Se um souber. por uma terceira pessoa.

vejamos: a) Art. LXI: possibilidade de prisão. 5º. imagine numa situação normal. Sem consentimento já é diferente. → Inviolabilidade do domicílio: É um desdobramento do direito à privacidade. nenhuma outra autoridade pode determinar a prática dessa conduta. nesses casos. o Min. A Constituição protege a inviolabilidade do domicilio contra o consentimento do morador. se houver o consentimento de um dos moradores. a Constituição da República diz que somente a autoridade judiciária competente pode determinar a prisão de alguém. d) Art. Ex: crime dentro de uma residência. • Prestar socorro 109 . Recentemente. A CPI não pode determinar a violação de domicílio. Somente um juiz pode revogar o segredo de justiça. Ou seja. É necessária a autorização da empregada doméstica para entrar no quarto dela? Naquele compartimento. Nesse artigo. A lei que regulamenta a interceptação telefônica é a Lei 9. Pode ser que com os abusos recentes.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I investigação criminal ou instrução processual penal fossem utilizadas em processo administrativo disciplinar. que tem poderes de investigação próprios de autoridade judicial. É por isso que o STF concedeu vários habeas corpus preventivos nos casos de CPI. por nenhuma outra autoridade. a saber: a) Situações emergenciais: • Flagrante delito. Ela deve ser o último recurso. Com relação à inviolabilidade do domicílio. A CPI não tem o poder de determinar a prisão de ninguém. a CPI não pode determinar a interceptação telefônica. XII: interceptação telefônica b) Art. o STF acabe mudando a sua jurisprudência. Ele entende que a prorrogação não pode durar por tanto tempo. prorrogáveis por mais 15). Vejamos as situações: 1. O STF entendeu que o sigilo imposto a um processo judiciário não pode ser quebrado. e mais ninguém. Na jurisprudência do STF. Além disso. Como é o meio mais fácil. O STF entendeu que a interceptação pode ser prorrogada indefinidamente. a polícia pode entrar.296/96. Reserva de jurisdição significa que determinados atos são reservados apenas ao Poder Judiciário. a lei permite a interceptação somente para crimes punidos com reclusão. LX: sigilo imposto a processo judiciário. ela está nos remetendo à chamada “cláusula da reserva de jurisdição”. XI: violação de domicílio. A Constituição trata de 2 situações distintas. 5º. O professor acha que há certo abuso neste caso. Essa decisão foi recente (☺MS 27. a entrada deve ser permitida pela empregada. seja durante o dia seja durante a noite. Art. Durante o estado de defesa. Nilson Naves utilizou-se de um parâmetro para falar da proporcionalidade e da razoabilidade dessa prorrogação indefinida. O STF admitiu ainda que a interceptação possa ser utilizada contra os mesmos (que fazem parte da investigação criminal) ou contra outros servidores. salvo o flagrante delito. 5°. Nem mesmo CPI.483 – medida cautelar concedida nesse MS). Ela pode determinar a quebra do sigilo telefônico. pode determinar a prática desses atos. O segundo requisito que a CR exige é “na forma da lei”. devemos analisar 2 situações diferentes. CF/88. Quando uma matéria está submetida à reserva de jurisdição. Então. e não pelo dono da casa. A lei diz que só pode haver a interceptação no caso de não existir outro meio de prova. Com o consentimento. 5º. quando a Constituição diz “por ordem judicial”. Se numa situação excepcional. há 04 assuntos submetidos à reserva de jurisdição. 2. nem a CPI. qualquer pessoa pode entrar. essa lógica tem sido invertida. em respeito ao princípio da publicidade e da moralidade dos atos administrativos. A lei exige alguns requisitos além dos exigidos pela Constituição. XII. Somente o juiz. c) Art. A lei estabelece prazo máximo de interceptação (15 dias. O terceiro requisito é que deve ser por ordem judicial. Segundo o STF. não há falar em violação de domicílio. O STF entende que a legislação que estabelece que a CPI pode determinar a prisão de determinadas pessoas não foi recepcionada pela Constituição. a CR permite a interceptação (30 dias + 30 dias). Se houver o consentimento. violado. admite-se uma interceptação de no máximo 60 dias. 5º.

CP. pois se respeitar também o critério cronológico. não encontrou nenhuma decisão a respeito. Se não provar que a entrada foi com o uso da força. Na maioria dos casos. a casa pode ser invadida a qualquer hora. porque a noite é o período de descanso. 150. Quando o sol nascer é dia. não entra no conceito de casa. Ex: anoiteceu 19 horas da tarde. Segundo ele. Ex: parte de trás do caminhão. É uma hipótese muito difícil de ocorrer. Ex: quarto de hotel é casa? Se o quarto estiver habitado. Fisíco-astronômico: é um critério mais justo. que traz uma conceituação bastante extensiva.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I • Desastre Nessas 3 hipóteses. prevista no dispositivo. onde o caminhoneiro dorme. Na CR/88 o conceito também é bastante extenso. E se a pessoa estiver dormindo dentro do carro? Se a pessoa estiver dormindo. compartimentos habitados. mais tradicional. compreende escritórios. pautado por normas legais que admitiam que adentrassem a casa com a requisição de força policial. não é razoável que se considere tais provas como lícitas. quando o sol se põe é noite. as provas devem ser consideradas lícitas nos casos de operações de grande complexidade. Alguns autores. Só o juiz poderá determinar a invasão de domicílio. não poderá mais entrar no domicílio. E o carro? O prof. estabelecimentos comerciais e industriais. O serviço de meteorologia tem como analisar isso com precisão exata. consultórios. a CR não permite o cumprimento desse mandado durante o período noturno. 3. dia é o período compreendido entre 6 horas da manhã e 18 horas da noite. O que se entende como sendo “casa” para fins de proteção constitucional? A casa. ☺Art. até pode considerar como sendo uma casa naquele momento. propõem uma utilização conjunta desses critérios. poderá cumprir o mandado até as 20 horas. pois está sob o crivo da reserva de jurisdição. O argumento utilizado pelo STF foi o seguinte: a auto-executoriedade da Administração Fazendária cedeu lugar à inviolabilidade do domicílio. Só que o STF já proferiu decisões. 110 . Essa auto-executoriedade só perdeu lugar em face da inviolabilidade do domicílio. entra no conceito de casa. Segundo o entendimento do STF. As provas são lícitas? Ultrapassando as 18h. É utilizado por JAS. Na hipótese em que o mandado começa a ser cumprido às 17:30h e se prolonga pela noite. mas dos vizinhos também. só pode cumprir o mandado até as 18 horas. seja do dia seja da noite. Essas interpretações extensivas fazem suscitar a questão a respeito da possibilidade de um fiscal entrar num estabelecimento sem que haja o consentimento do proprietário. Então. Ele acha que não pode ser entendido como uma casa. a prova é lícita. mais adequado. não entra em conceito de casa. na parte em que o público tem livre acesso. Como um mandado pode ser cumprido num horário adequado teoricamente. Estabelecimentos comerciais só entram no conceito de casa em relação à parte reservada. Se entrar com o uso da força. não só dos moradores daquela casa. Cronológico ou temporal: é o critério mais antigo. Não corresponde ao período do processo civil (os atos processuais podem ser cumpridos até 20 horas). dizendo que essa legislação não foi recepcionada neste ponto pela CR/88. entre outros aposentos. Questão AGU: mandado judicial começou a ser cumprido durante o dia e se prolonga durante a noite. b) Determinação judicial: Para cumprimento de um mandado judicial. Tem que haver uma clara oposição do proprietário ou de alguém dentro do estabelecimento. Como se deve interpretar isso então? Se for necessário invadir o domicílio. Se houver o consentimento do morador. Entra no conceito de casa. o STF considera as provas lícitas por causa disso. Escritório entra no conceito de casa em relação à parte fechada. Dia seria o período entre a aurora e o crepúsculo. Será que ele pode entrar? Tem alguns fiscais que fazem isso. O que significa dia? Existem 3 critérios: 1. hoje. por serem situações emergenciais. entre eles Alexandre de Moraes. se estiver vazio. 2. os fiscais não podem entrar no estabelecimento se não houver o consentimento do proprietário. a prova colhida será considerada ilícita. Ele deve dizer “aqui você não entra”.

É necessário analisar o critério em conjugação com o fim constitucionalmente consagrado. É a que está consagrada no caput do art. Questão de Concurso: o edital de concurso público pode estabelecer certos critérios de admissão? ☺art. Se o critério não for objetivo. XXX. mas se o critério que ela utilizou para diferenciar está previsto como um fim constitucional consagrado. quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido. A função da lei é diferenciar pessoas diferentes. Nestes casos. 683: o limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do art. Não irá fazer concurso para homens participarem. 7º. → Igualdade Formal x Igualdade Material: A igualdade formal é conhecida também como igualdade civil ou jurídica ou perante a lei. em situações diferentes. cor e estado civil. Objetivo 2. Esse critério não é nenhuma discriminação. 5º. O STF admite que esse tipo de critério seja previsto em edital. O STF tem uma súmula a este respeito – ☺Súm. Esse artigo é aplicável também aos servidores públicos. razoável e proporcional. Proporcional O critério subjetivo dá margem à discricionariedade. Mas. Ex: critério preconceituoso. discriminatório. 111 . CR.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a restrição é somente em relação à entrada. Quando se fala em princípio da igualdade. A Constituição veda critérios de admissão baseados em sexo. É necessário analisar se o elemento discriminador está a serviço de um fim constitucional. Princípio da Igualdade: É o princípio que está consagrado em vários dispositivos constitucionais. Não se tem de analisar se a lei fez distinções. idade. 2. há decisões do STF onde o mesmo entendimento é utilizado para outros critérios de admissão. não significa que a lei não possa fazer distinções. Esses critérios precisam ser justificados pela natureza das atribuições a serem exercidas. é necessário que ele seja: 1. arbitrário. Para esses casos. Deve ter previsão legal anterior para que sejam admitidos esses critérios. 7º. Ex: Cargo de um agente penitenciário para previsão feminina para fazer revista de mulheres. da constituição. Ex: tem determinados cargos que exigem certo porte físico – agente policial. Ex: critério que leva em consideração a cor de uma pessoa. ele não estará de acordo com o fim consagrado. São três igualdades consagradas seguidamente no texto constitucional. Razoável 3. XXX. mas para tanto deve cumprir 2 requisitos: 1. Esse critério é razoável. Observe que o critério utilizado em si não é determinado em muitos casos. pois viola o princípio da isonomia. Para que o critério seja constitucional. justifica-se a altura. Pode ser considerado um critério válido? O CABM dá o seguinte exemplo: Faculdade pública resolve contratar pessoas da raça negra para verificar porque essas pessoas são mais aptas para o esporte. Esta súmula fala especificamente sobre o limite de idade. Exercício de função pública pode contar como ponto para fins de concurso público? O STF entendeu que não. o proprietário não pode restringir o trabalho da autoridade fiscal. Em que consiste essa igualdade? É um tratamento isonômico a todos os seres de uma mesma categoria essencial. É tratar pessoas que se encontram em uma mesma situação de uma forma igual. CF/88. são critérios que não estão em harmonia com o que a Constituição da República estabelece. Uma vez dentro do estabelecimento.

Dificilmente. Quando se fala em igualdade material. pois estão ligadas diretamente à igualdade material. não haverá uma igualdade real. surge a questão relacionada às ações afirmativas. Porém. e não à igualdade material. Se um concurso público estabelece 60% de vagas para deficiente. Todas as ações afirmativas devem ter um prazo de duração. As ações afirmativas não são somente por parte do Poder Público. O STF está decidindo se as ações afirmativas seriam ou não constitucionais. Segundo JAS. O prof. a idéia que se tem é a redução de desigualdades. Essas ações seriam constitucionais? O professor acha que são constitucionais. esse critério justificava o tratamento de subordinação dos escravos. mas é necessário analisar uma série de fatores. Ex: Cotas para pessoas carentes. O objetivo não é tratar de maneira desigual os desiguais. Tem autores que entendem ser inconstitucional. o critério discriminador seria desproporcional.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão de Concurso .Cespe: o critério de justiça de Aristóteles estaria relacionado à igualdade material ou formal? O entendimento de JAS é de que esse critério de justiça de Aristóteles (tratar os iguais de forma igual. São alíquotas diferenciadas de acordo com a renda. mas discrimina-se positivamente (para reduzir as desigualdades). e prolongaram as que já existiam. por exemplo. O objetivo é corrigir de forma imediata uma situação. O ideal é que as pessoas carentes tivessem o mesmo nível de escolaridade. Para o professor. A cota deve ser proporcional à população. mas reduzir as desigualdades existentes. para tentar reduzir as desigualdades. Essas ações não surgiram nos EUA. Quando estudamos as gerações de direitos fundamentais. Então. essas ações deveriam existir por 10 anos. No caso da Índia. igualdade e fraternidade. pois elas criam uma discriminação reversa. mas na Constituição Indiana em 1947. vimos que cada geração está ligada a um valor – liberdade. pode ter as mesmas condições de outra pessoa. Para outros autores. essas ações são constitucionais. Quando se fala em igualdade material. Se o Estado não proporcionar esses direitos. Não é uma forma de resolver o problema. disse que está ligada à igualdade material. na medida de suas desigualdades) estaria ligado à igualdade formal. pois pode causar uma impressão negativa para sociedade. e os desiguais de forma desigual. A igualdade material impõe ao Estado uma atuação positiva visando a igualização de desiguais por meio da concessão de direitos sociais substanciais. a igualdade material não corresponde a esse tratamento desigual. O que é essa discriminação reversa? A partir do momento que se cria cotas em um determinado grupo de pessoas. É razoável que um deficiente tenha cota em concurso público? O professor acha que isso se justifica para a inclusão dessas pessoas. 112 . Como uma pessoa que não teve acesso à escola. Ações afirmativas e sistemas de cotas não são sinônimos. seria igualdade material. Em princípio. Outros exemplos: algum tipo de vantagem fiscal e programas de treinamento. elas terão uma dificuldade muito maior para entrar numa universidade. O prof. → Ações Afirmativas ou Discriminações Positivas: Definição: consistem em políticas públicas ou programas privados temporários desenvolvidos com a finalidade de reduzir as desigualdades decorrentes de discriminações ou de uma hipossuficiência econômica ou física por meio da concessão de algum tipo de vantagem compensatória de tais condições. o governante vai querer extinguir essas ações afirmativas. aconteceu o contrário. Mas. Isso é igualdade formal. III c/c direitos sociais (estão espalhados por toda a Constituição). Por quê? Porque a finalidade desses direitos é proteger os hipossuficientes para reduzir essas desigualdades existentes. Criaram-se outras ações afirmativas. Trata pessoas diferentes de uma forma diferente. A tendência é que elas aumentem. que eram desiguais em relação aos seus senhores. Essa é uma das críticas que se fazem às ações afirmativas. está discriminando pessoas que não fazem parte desse grupo. utiliza-se das ações. A Constituição consagra a igualdade material também? Essa igualdade é consagrada numa conjugação de vários dispositivos. 3º. 5º c/c art. Visa uma redução das desigualdades fáticas. acha que esse argumento não convence. A igualdade material é conhecida como igualdade real ou fática ou perante os bens da vida. Fala-se em discriminações positivas porque é uma maneira de discriminar. Ex: Alíquotas de imposto de renda. O sistema de cotas é uma das formas de ações afirmativas. ☺art. da desigualdade que as pessoas têm em relação aos bens da vida.

O STF aplicou o princípio da igualdade para uma empresa privada – Air France. Além dessa eficácia. As nossas constituições sempre falaram em igualdade perante a lei. . . Apesar de ser uma relação entre particulares. atinge todos os poderes públicos . Consiste em uma política baseada na retificação de injustiças ou falhas cometidas contra indivíduos no passado. é uma forma de concretizar o princípio da igualdade no seu sentido material. é necessário verificar se as medidas escolhidas pelo Governo são constitucionais ou não. previsto no art. o princípio da igualdade também se aplicaria àquela relação. É uma distinção feita pela doutrina estrangeira que alguns autores brasileiros trouxeram para cá. Eles foram libertados. seja por particulares. sem exceção.Poder Legislativo. . A justificativa parece não ser inconstitucional. mas eles não tiveram oportunidade de escola. Argumentos contrários: . . cientificamente falando. de saúde.Promover a diversidade: a finalidade seria contribuir para o surgimento de uma sociedade mais diversificada.favorece negros de classe média alta. O princípio da igualdade possui dois tipos de eficácia: .Justiça compensatória: busca justiça no presente para compensar um fato do passado. Portanto.Poder Executivo e Poder Judiciário) e igualdade na lei (não é dirigido apenas a quem vai aplicar a lei. Juridicamente falando. No Brasil. Então. O legislador está fora do princípio da igualdade? Ninguém defende isso. A subjetividade desse critério torna inconstitucional esse sistema. visa compensar uma dívida histórica.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de cotas para negros – seria inconstitucional? O professor não entrará no mérito.Eficácia vertical: todos os poderes públicos.fere o mérito. Isso é uma questão de política pública. (18/06/09) Argumentos favoráveis: . → Destinatários dos deveres: São aqueles que devem respeitar o princípio da Igualdade. CF/88. 208.princípio da isonomia (discriminação reversa). O problema é com relação à subjetividade do critério. Poder Executivo e Poder Judiciário). a condição de membro de um grupo específico não pode ser utilizada como um critério de inclusão ou exclusão de benefícios.Justiça distributiva: visa proporcionar às pessoas uma situação de igualdade. não sendo necessária essa distinção. e a doutrina sempre considerou que o legislador estava incluído.medida imediatista e inapropriada. . seja pelo governo. miscigenada e multicultural. alguns autores fazem a distinção entre igualdade perante a lei (dirigido para aqueles que irão aplicar a lei . Consiste na promoção de oportunidades para aqueles que não conseguem se fazer representar de uma maneira igualitária. . pois já faz parte do próprio critério republicano. mas também para quem irá elaborar a lei.fomenta o racismo e o ódio racial . Quem é negro no Brasil? Não existe raça negra e raça branca. aberta.em uma sociedade pluralista. Eles não têm apenas a eficácia vertical. O argumento utilizado na época de FHC é de que havia uma dívida histórica para com os negros. Esse critério não precisaria estar previsto na constituição. . eles possuem uma eficácia horizontal ou privada. Nós vimos a questão de eficácia dos direitos fundamentais. tolerante. quando se fala em destinatários. 113 .Eficácia horizontal: Aplica-se em relação aos particulares. são destinatários do princípio da igualdade. esse princípio é oponível tanto ao Estado quanto aos particulares.

Logo em seguida. segundo o professor.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É necessário lembrar sobre a autonomia da vontade. O homem não é a parte mais frágil da relação. Direitos ligados à liberdade: Liberdade não é sinônimo de arbitrariedade. Serviço de Disque-denúncia: Ligar para fazer denúncia sem se identificar. e violou direitos de terceiros. 5º. Isso pode ser admitido como prova no processo? A denúncia anônima não é admitida no processo. O particular não é obrigado. O princípio da igualdade não se aplica com a mesma intensidade para os poderes públicos e para os particulares. o problema é dele. Não existem direitos absolutos. Basta ser um critério objetivo e para todos. ela pode ser responsabilizada. só a Constituição da República poderia estabelecer distinções entre homens e mulheres. por que existe o serviço de denúncia? Para que a autoridade tome conhecimento daquele fato e faça a averiguação necessária. Mas. Alguns juízes impediram dizendo que é apologia ao crime. não deve ser estendida para os homens. É constitucional? Sim. Caso do STF: O cliente tinha sido condenado a indenizações por danos morais por ter expressado o seu pensamento. É uma denúncia feita anonimamente. → Liberdade de Expressão ou de Manifestação do Pensamento: Essa liberdade está consagrada no art. em regra. em princípio. Para alguns. que é uma das principais vítimas da violência doméstica. sendo vedado o anonimato. Se ele quiser comprar de um amigo que vende mais caro. É livre a manifestação de pensamento. Questão de Concurso – Cespe: No art. A partir do momento em que a pessoa diz o que pensa. mas apenas para as mulheres. ela veda o anonimato? A vedação do anonimato tem por finalidade permitir a responsabilização de quem emite o pensamento. 100. A mulher pode propor a ação no seu próprio domicílio. ele deve licitar. Se ela não pode ser admitida como prova no processo. desde que essas restrições não sejam autoritárias. Pode defender no plano das idéias. Observe que o que está consagrado na Constituição não é a liberdade de pensamento. etc. a lei pode estabelecer distinções. deve ser analisado em conjunto com os demais valores postos na constituição. Esse último entendimento foi o que prevaleceu. IV.000 reais à associação de mulheres em razão da música “um tapinha não dói”. Desde quando defender a descriminalização da maconha é apologia ao crime? São coisas totalmente diferentes. Não é um direito absoluto. a CR/88 fala que homens e mulheres são iguais nos termos desta Constituição. Por que a Constituição. Apologia ao crime é diferente disso. I. O que a Constituição protege é a liberdade de manifestar. Ex: art. Na época em que a Constituição da República entrou em vigor. Ex: Lei Maria da Penha. Ex: Passeata para legalização da maconha. Se a pessoa agiu de forma abusiva. As provas 114 . para outros teria. é outra questão. 5º. ao mesmo tempo em que ela assegura a expressão do pensamento. tem outro dispositivo que é interligado ao artigo supracitado: Se a manifestação de pensamento ocorrer de forma abusiva. desde que seja para atenuar desníveis existentes. Se a finalidade da lei for para atenuar um desnível existente. O TJ/RS condenou a Furacão 2000 a pagar uma indenização de 500. Isso significa que. CPC – ação de alimentos. ela pressupõe responsabilidade. alguns questionaram se esse dispositivo foi recepcionado pela Constituição. tendo em vista que toda liberdade gera responsabilidade. Protege a mulher. cabe direito de resposta proporcional ao agravo. Se o sujeito será responsabilizado ou não. Ex: Quando o Poder Público vai comprar um produtor. não teria sido recepcionado. ela é constitucional. Um clube recreativo pode estabelecer restrições com relação aos sócios. A CR/88 não consagra direitos para serem exercidos de forma arbitrária. discriminatórias. Como pode ter o direito de manifestação de pensamento e ser responsabilizado por isso? A liberdade de expressão de pensamento se exaure no momento em que se realiza. Logo. mas deveria estender aos homens e outros entenderam que deveria ser recepcionada. ela exerceu o seu direito. de expressar o pensamento.

os argumentos devem ser acessíveis de maneira geral. O culto pode ser exercido em qualquer local. tanto que no preâmbulo há menção à palavra “Deus”. salvo se forem traduzidos para um argumento racionalmente justificável. Isso significa que. 19. Os templos recebem uma proteção especial. Para Habermas. Deve usar de meios para saber de onde veio o bilhete. O Estado brasileiro. Garantir a simetria da liberdade religiosa. Ateísmo: o Estado brasileiro não é um estado ateu. Quando o bilhete constitui o próprio corpo de delito do crime. de ter crença. apesar de a maioria da população ser católica. → Alguns temas polêmicos: 115 . pedindo resgate. com o advento da República. A neutralidade do exercício do poder é uma condição necessária para a garantia simétrica da liberdade religiosa. então. a averiguação é autônoma em relação à denúncia. O argumento utilizado na esfera pública só é admissível se for imparcial. o chefe do executivo ou do judiciário decida conforme critérios religiosos. não interessando de que maneira ela teve conhecimento do fato. I. VI. abrangendo a liberdade de crença. → Liberdade Religiosa: Envolve a liberdade de consciência. e. Laicismo: é uma espécie de antirreligião. O estado não pode nem beneficiar e nem prejudicar uma determinada religião. Laicidade (neutralidade religiosa): o exercício do poder deve ser neutro. Para que os critérios religiosos sejam admitidos. ele não pode ser admitido. A neutralidade do Estado fica muito clara no art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I colhidas durante a averiguação serão admitidas. 3. Quando são produzidos pelo próprio acusado. Bilhetes apócrifos (sem assinatura): Um bilhete sem identificação pode ser admitido como prova do processo? Em regra. 5º. 2. 2. se não há qualquer identificação. não podendo prejudicar nem beneficiar religiões. Esta liberdade está consagrada no art. desde que não viole o direito de terceiro. de crença e de culto. A religião desempenha um papel fundamental. Vejamos: 1. não é o caso do Estado brasileiro. há um aspecto interessante: o culto pode ser exercido em templos ou em qualquer lugar. CR. Ex: seqüestrador escreve bilhete. passou a ser um estado não confessional ou estado laico ou estado secular. houve a total separação entre Estado e Igreja. Isso não significa que o Estado não possa desenvolver convênios com determinada religião. há 02 hipóteses em que o STF admite. Como fica a teoria dos frutos da árvore envenenada? Nesse caso. ela deve ser protegida. desde 1989 (advento da República). A liberdade de consciência é a mais ampla. por exemplo. No Brasil não há uma religião oficial. a averiguação não estaria contaminada pela denúncia anônima? Segundo o STF. A neutralidade do Estado tem 2 funções: 1. A liberdade de consciência é a liberdade de ter uma religião. inclusive em lugar aberto ao público. Assegurar a pluralidade religiosa (um dos fundamentos da República Federativa do Brasil). Em relação ao culto. A liberdade de culto nada mais é do que a manifestação da crença. CR. O Estado deve manter-se neutro. ou de não ter crença em nada. o equilíbrio das religiões. O ateísmo não deixa de ser uma concepção contrária à religião. ainda 2. Porém. A neutralidade do Estado é muito importante para desarmar o potencial conflituoso de várias religiões. Pode fazer um exame grafotécnico. O dever funcional da autoridade é investigar. Não se pode admitir que o parlamento. É relevante estabelecermos uma distinção entre os seguintes aspectos: 1. Ex: uma carta no caso de crime contra a honra. deve ocorrer uma “tradução institucional”. o exercício de um poder que não consegue justificar-se de modo imparcial é ilegítimo. Claro que a autoridade deve agir com prudência e parcimônia.

mas não quer que ele aprenda a religião da escola.. Seria preciso haver uma tradução institucional do argumento. no qual ele comenta a questão da liberdade religiosa. Para o prof. Não são apenas os aspectos religiosos que recebem a proteção de escusa de consciência. a escola não deve impor ao menino.Símbolos religiosos em locais públicos (sobretudo o crucifixo): Seria legítima a colocação em locais públicos de símbolos religiosos. os argumentos religiosos não fazem parte da política. Neste caso. e o aluno optou a se matricular nessa escola. imagine uma cidade pequena. São feriados puramente religiosos. 215. 5º. Entretanto. pedindo que fossem retirados os crucifixos das escolas públicas alemãs. não poderia ser confessional. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação não diz como será o ensino religioso. Na Alemanha. Entretanto. b) Interconfessional: Ensina os princípios comuns das várias religiões.. É importante respeitar o ensino de cada um. Os EUA estão se transformando de estado secular tolerante para um estado religioso tolerante. ocorreu um caso muito semelhante. questionando o estabelecimento de feriados religiosos pelos estados. CR – os feriados estão dentro do capítulo relacionado à cultura. estados e municípios (☺art. CR). O pedido foi feito para retirar os crucifixos dos Tribunais. alegar escusa de consciência para não servir o exército? Quando se diz que num estado neutro. Não teria sentido acabar com esses feriados. há algumas ações. §2º. e não à justiça do trabalho – ☺art. Conceito: É a possibilidade que a pessoa tem de alegar uma escusa para se eximir de determinada obrigação. o CNJ disse que os símbolos não violavam a imparcialidade. existem outros feriados que não estão ligados às questões culturais. Isso acaba criando um repúdio da pessoa contra aquela religião. . políticos e religiosos. a competência é em relação à cultura. Será que uma escola privada poderia obrigar os alunos a fazer a matéria da religião? Se a escola é privada. CR. O tribunal. mas não se deve instalar tais símbolos em qualquer lugar público”. Os feriados são de competência do Direito do trabalho. a neutralidade do Poder Judiciário. e quanto às escolas particulares? Existem muitas escolas particulares que são confessionais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Os feriados estão relacionados aos aspectos culturais. Essas escolas não podem ser obrigadas a ensinar princípios de outras religiões. CR). mas apenas dá uma visão expositiva das várias religiões. ela só diz que o ensino religioso deve fazer parte do horário normal de aula e a matrícula deve ser facultativa (☺art. §1º. e cultura é competência comum – da União. o ensino deve ser interconfessional ou não confessional. Mas. → Escusa de consciência: A escusa de consciência está consagrada no art. Pode um ateu. sendo o Estado brasileiro um estado laico? Essa questão foi colocada perante o CNJ. então. A CR não diz qual é o conteúdo a ser adotado em ensino religioso em escolas públicas. Ela diz que a sociedade civil que deve discutir qual o conteúdo mais adequado. Existem 3 formas de ensino religioso: a) Confessional: Ensina os princípios e dogmas de uma determinada religião. a competência é da União. Há um trecho do livro do Dworkin. Essa escusa abrange aspectos filosóficos. são culturais. o argumento supracitado não está correto. logo. O Conselho decidiu que os crucifixos são símbolos da cultura brasileira. 23. c) Não confessional: Não ensina os princípios comuns. . onde se tem poucas escolas boas. O trecho diz o seguinte: “não se deve considerar ilegal símbolos religiosos. que odeia guerra. fazendo uma ponderação entre os princípios. Esses feriados religiosos violam a neutralidade do Estado? Fere a simetria? Será que podemos considerar os feriados religiosos como feriados culturais? Existem feriados que. em que um grupo de mormos (contrário à utilização de símbolos religiosos) ajuizou uma ação.Ensino religioso: Os EUA estão seguindo uma tendência completamente contrária à Europa. ele deve se submeter aos dogmas daquela religião. decidiu que o direito de liberdade religiosa dos mormos deve sopesar em relação à neutralidade do Estado alemão. Segundo o prof. VIII. Essa questão foi suscitada perante o Tribunal. Sendo o Estado brasileiro um estado laico. inegavelmente. Determinada família quer matricular o filho naquela escola. isso não significa que os políticos não possam discutir sobre isso. O que não pode é um argumento puramente religioso entrar no debate da esfera pública. Portanto.Feriados religiosos: Seriam constitucionais? No STF. O principal é que os estados não teriam competência para estabelecer feriados. O 116 . 210.

(não basta que as pessoas se reúnam sem ter um fim pré-determinado). então. A pessoa alega imperativo de consciência. ☺ art. JAS diz que não são direitos coletivos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento puramente religioso teria de ser traduzido para um argumento racionalmente justificado. não é necessária a autorização estatal. 15. 2. Diferença: A reunião tem um caráter episódico ou temporário. Para que a autoridade competente tome as providências necessárias. etc. Ex: reunião de condomínio. mas direitos individuais de expressão coletiva. A República é o governo das razões. XXI. pois coloca em risco a vida de outras pessoas. desviar o trânsito. existem 2 semelhanças e 1 diferença. XVI. Vejamos: 1ª Semelhança: Existe uma pluralidade de participantes. IV). de cooperativas.) 2. Por que a CR exige prévio aviso. A pessoa pode alegar escusa de consciência para utilizar entorpecentes em cultos religiosos? Sim. as pessoas se reúnem e. Há. CR: Não é só a liberdade de se associar. Caso não cumpra com a prestação alternativa. Ex: fazer segurança. CR. Um dos principais aspectos desse inciso é a questão da autorização estatal. 2 aspectos para os quais devemos atentar: 117 . conforme portaria da ANVISA. Isso seria hipótese de substituição processual ou de representação processual? Como se exige autorização expressa. Ex. XVI. 4. A democracia é a vontade da maioria mais a proteção dos direitos fundamentais. Liberdade de reunião. Para que as pessoas possam se reunir. → Liberdade de reunião e de associação: Questão de concurso da Magistratura/MG: Diferencie reunião de associação. Aspectos constitucionais ligados à associação: ☺art. tem o caráter permanente. ☺art. Criação de associações e. O prof. Segundo Jean Rivero. XVII e XXI. Aspectos constitucionais ligados à liberdade de reunião: ☺art. 3. 5º. CR: não frustrar outra reunião anteriormente marcada para o mesmo local. mesmo que em locais abertos ao público. mas os políticos. Não cumprindo com a obrigação. sofrerá a suspensão dos direitos políticos (que é uma sanção pelo descumprimento da lei). Deve haver uma lei fixando essa prestação alternativa. CR. 5º. na forma da lei. as pessoas se associam com o intuito de permanecer associadas. não são os religiosos. Quem fará a tradução não é a Igreja. a pessoa poderá alegar escusa de consciência sem cumprir qualquer obrigação (art. Nem sempre a vontade da maioria deve prevalecer. A pessoa tem liberdade para entrar e para sair. Criação de sindicatos. A associação. o argumento deve ser racionalmente justificado. 5º. (Não pode reunir pessoas armadas. impedindo as pessoas de ir e vir não pode ser considerada legítima. Representação das associações no que se refere aos seus filiados. OBS: Direitos Fundamentais que não dependem de autorização estatal: 1. ainda. 5º. 2ª Semelhança: Fim previamente determinado. Se não houver essa lei. mas a de permanecer associado. por sua vez. essa hipótese é de representação processual. terminada a reunião. deve cumprir uma prestação alternativa fixada em lei (que não tem cunho sancionatório). Fazer a manifestação em plena sexta-feira que feche as 3 pistas de trânsito. Criação de partidos políticos. elas vão embora. alguns autores entendem que a reunião e a associação são direitos coletivos. se não é necessária a autorização estatal? Este prévio aviso tem 2 finalidades: 1.

A interpretação feita pelo professor JAS é no sentido de que o direito de propriedade só será garantido se atender a sua função social. Função Social da propriedade: A CR. ter um patrimônio mínimo. É o entendimento de Daniel Sarmento. Segundo JAS. em seu art. O Sindicato pode impetrar MS coletivo. Segundo o STF. Segundo ele. CR: existe a possibilidade das associações impetrarem um Mandado de Segurança Coletivo. segundo o qual. XXIII. a função social. não pode existir mais de uma federação por território. CR) quando ajuíza uma ação. a hipótese é de substituição processual (hipótese de legitimação extraordinária). portanto. Esta não precisa ser dada individualmente por cada pessoa. Em seguida. mas as relações civis que decorrem do direito de propriedade. 5º. tendo um menor peso na ponderação. Há um outro entendimento que. O proprietário pode utilizar dos instrumentos de proteção da propriedade? Sim. 118 . Alguns autores fazem essa distinção: o direito de propriedade é o direito de manter a propriedade que já possui. 2. ADC e ADPF. a propriedade terá uma proteção menor. a função social da propriedade não é uma simples limitação do direito de propriedade. Segundo o STF. é mais correto. Se ele tem proteção. a hipótese é de representação ou de substituição processual? Ao sindicato cabe a defesa de direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria. Direito de propriedade: Não se confunde com o direito à propriedade. Segundo o STF. mas sim contrárias ao direito e. segundo o prof. não precisando de autorização expressa. mas faz parte da estrutura desse direito. se não for atendida. segundo o prof..Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 1. Mas o CC também não trata de várias normas relativas à propriedade? Segundo JAS. A associação impetra em nome próprio. Se uma associação resolver impetrar um MS Coletivo. não são legítimas essas invasões. O sindicato (☺art. 5º. LXX. defendendo direito alheio. III. Essa hipótese também é de representação processual? Com relação à organização sindical. Ex: imagine que alguém tenha uma propriedade rural que não cumpra a sua função social e essa propriedade é invadida. não se pode dizer que não se terá propriedade se não cumprir a função social. ilegítimas. mas não pode ajuizar ADI. essa hipótese é de substituição processual (legitimação extraordinária). pode ser dada numa Assembléia Geral. o direito de propriedade pertence ao direito público. Ela só garante o direito de propriedade. como a Constituição garante o direito de propriedade. será necessário interpretar em conjunto o inciso LXX com o inciso XXI? Segundo o STF. O que acontece é que se não cumprir a função social. do próprio regime desse direito. XXII. Em razão do princípio da Unicidade Sindical. por exemplo. O direito à propriedade é o direito de a pessoa ter uma propriedade. a Constituição diz que a propriedade deve atender a sua função social. o entendimento que a CESPE adotou foi o do professor JAS. Só pode representar se houver autorização expressa. Regime jurídico do direito de propriedade: ele pertence a qual regime jurídico? Ao direito público ou ao direito privado? Ainda que autores sustentem que não existe mais essa divisão devido à constitucionalização do direito. ADC e ADPF? Apenas a Confederação Sindical (de âmbito nacional). ninguém pode retirar arbitrariamente essa propriedade se não houver o devido processo legal. A Constituição não fala nada a respeito de autorização expressa. A associação só pode representar os seus filiados (judicial e extrajudicialmente) se for questão relacionada aos fins da própria entidade. 5º. no seu art. A Constituição não garante o direito à propriedade. Ex: Invasões de terra pelo MST. garante o direito de propriedade. não impede que o direito de propriedade seja protegido. 8º. ela tem legitimidade para ajuizar ADI. porque todo o regime jurídico da propriedade tem sede constitucional. ☺art. o que o CC disciplina não é o direito de propriedade.

a saber: por necessidade pública. Há alguns aspectos relacionados à política urbana e à política agrícola que são importantes: 119 . b) ☺ art. Observe que quando o imóvel é desapropriado por necessidade ou utilidade pública. É um aspecto lógico. CF/88: Trata-se de imóvel rural. existe outra característica da propriedade que pode ser limitada. XXV) e as militares (☺art. A Constituição da República prevê 03 hipóteses de desapropriação. 182. a saber: a. que deve ser prévia. A função social. ou por interesse social. Vejamos: a) ☺art. VII). existe transferência de propriedade? Não há transferência de propriedade. ocorrendo apenas o uso temporário da propriedade. Propriedade Rural: ☺art. só haverá indenização se houver dano. restringe o caráter absoluto. Propriedade Urbana: ☺art. Apesar de ela não ser o limite ao direito de propriedade. III: Trata-se da hipótese de desapropriação sanção de imóvel urbano. Não pode haver nenhuma desapropriação que não seja justa e nem prévia.000 habitantes (§1°). O primeiro limite é a possibilidade de Requisição. Para atender a função social. etc. 2. O título deve ser entregue antes da desapropriação. Quais são as exceções à regra da indenização em dinheiro? A Constituição prevê 2 exceções. Sempre haverá indenização. O Poder Público transfere a propriedade de forma compulsória. diante de uma emergência. como um apartamento. A requisição limita o caráter exclusivo do direito de propriedade. Sempre que há requisição. é porque o proprietário não está cumprindo com determinados requisitos. Lá estão os requisitos para a propriedade atender à sua função social. Logo. por ser inerente ao direito de propriedade. justa e. a propriedade deve atender às exigências do Plano Diretor. A propriedade de hoje não tem caráter absoluto. uma escola pública. CR. como decorrência do primeiro. ela acaba restringindo uma característica da propriedade. deve haver indenização? Não. A polícia requisitou determinadas propriedades. Como haverá indenização se houver dano. normalmente. exclusivo ou vitalício? O caráter absoluto. Desapropriação: Diferentemente da requisição. A desapropriação de imóvel rural que não cumpre a sua função social poderá ser desapropriado para fins de reforma agrária. → Limites ao caráter vitalício ou perpétuo da propriedade: 1. → Limites ao Direito de propriedade: Tais limites incidem não sobre os caracteres. 5º. A propriedade é usada temporariamente pelo Poder Público. o proprietário não tem culpa. mas sobre a propriedade em si. Quando o imóvel é desapropriado por interesse social. Esse plano diretor é obrigatório para municípios com mais de 20. Existem 2 espécies de requisições previstas na Constituição: as civis (☺art. há uma transferência compulsória da propriedade. O grau de exigência desses requisitos deve ser regulamentado por lei. Os principais aspectos são 2. 182. No caso de requisição. indenização por títulos da dívida pública). na desapropriação. CR. 184. Pode haver uma sanção progressiva (parcelamento e edificação compulsórios. 139. Na requisição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Função Social: 1. Essa indenização é feita em títulos da dívida agrária. Ela faz parte do regime do direito de propriedade. §2º. Além do caráter absoluto. a indenização será sempre posterior. que são hipóteses que ocorre a desapropriação sanção. Vejamos abaixo. deverá ser em dinheiro. é subutilizado ou não edificado (não cumpre a função social). 186. b. ele não poderá ser prejudicado. por utilidade pública. IPTU progressivo no tempo. Ex: caso de Eloá. em regra. Ocorre quando o imóvel não é utilizado. §4º. Ele pode transferir para si próprio ou para um determinado particular. A função social da propriedade não é um limite ao direito de propriedade. É necessário apurar o valor do dano para depois indenizar.

ele não pode adquirir através dessa espécie de usucapião. pacífica.Requisitos específicos: • Usucapião Urbana: O imóvel deve possuir. no máximo. 250 m2. no máximo. Essa usucapião tem período menor do que o previsto no CC. possuir o imóvel como se fosse seu. Como o confisco é uma sanção. a propriedade não pode estar cumprindo a função social. Elas podem ser desapropriadas por necessidade ou utilidades públicas (☺art. não precária. O confisco de propriedade está previsto no art. 2. Só não podem ser para fins de reforma agrária. 183. 243 da CR. Se ele tiver outro imóvel. A Constituição não permite – ☺art. tem usucapião especial que é a chamada usucapião constitucional. sem oposição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . regra. Só que. 184. Vejamos: . b) Pessoa que adquire bens para tráfico de drogas. é porque ela está cumprindo a sua função social. 191.Pequena e média propriedade rural (se o proprietário não tiver outra propriedade) ou propriedade produtiva podem ser desapropriadas? Sim. Se ela é produtiva. parágrafo único.Operações de desapropriação de imóveis para fins de reforma agrária são imunes a impostos ou a tributos? Já caiu na prova da CESPE. ininterrupta. Tem 02 situações nas quais se admite o confisco de propriedade (confisco: retirar a propriedade do proprietário sem qualquer indenização. São imunes a impostos (☺art. §3° e art. Nesse caso. emergências da sociedade. a Constituição exige alguns requisitos além dos tradicionais (posse mansa. em Indenização posterior se houver dano. a hipótese prevista para usucapião é de 05 anos. §5º.CABM faz algumas distinções entre desapropriação e requisição: Desapropriação Refere-se a bens. . É sempre indenizável (justa. CR). Confisco: No Brasil. admite-se confisco de propriedade? Sim (o que não se confunde com a regra que não pode haver tributo com efeito de confisco). 120 .o morador não pode ter outro imóvel. . . 5º. Para esse fim. . CF/88. os bens serão confiscados – art. Ocorre somente por acordo ou por decisão É auto-executória (a autoridade não judicial (deve-se recorrer ao judiciário). Obs. paga em dinheiro). CR). precisa recorrer ao judiciário). Necessidades permanentes da sociedade. 50 hectares. Requisição Refere-se a bens e serviços. É uma expropriação): a) Gleba de terra utilizada para cultivo de plantas psicotrópicas (a terra será destinada a plantas medicamentosas ou assentamento de colonos). Uso da propriedade (a propriedade permanece com o seu titular). O Princípio do Não Confisco é com relação a tributos. Direito de segurança jurídica: Alguns entendem que o Princípio da Segurança Jurídica está no caput do art. o imóvel deve ter. sejam urbanos ou rurais.: Imóveis públicos. 243. por ter prazo menor. PU. etc. não podem ser adquiridos por usucapião.Deve utilizar o imóvel como se fosse sua moradia (sua ou de sua família). prévia e.). Aquisição da propriedade (transferência compulsória da propriedade). Necessidades transitórias. 3. • Usucapião Rural: Além de ter que tornar a propriedade produtiva. Usucapião: Na Constituição da República. não há pagamento de indenização. 185. Na CR. seja urbano ou rural.

Leis Interpretativas: O legislador fez uma determina lei que não ficou muito clara. etc. XL. a saber: 1. Ocorre somente em caso não definitivamente julgado. média e mínima. Esta hipótese é. Retroatividade da Lei Penal. a regra também é a não retroatividade (art. Existem hipóteses em que a lei pode retroagir. Em regra. começando a valer desde o momento em que a lei interpretada entrou em vigor. No caso de nova Constituição: Há direito adquirido em face de uma nova Constituição? O Poder Constituinte Originário está limitado juridicamente? Segundo o entendimento pacífico do STF (que não adota a tese do retrocesso). 106. Situações: a) Retroatividade mínima: por ela a Constituição se aplica imediatamente aos efeitos futuros desses atos praticados no passado. Alguns a interpretavam de maneira (A). outros a interpretavam de maneira (B). Vejamos: Imagine que um determinado contrato foi celebrado em 1980. a lei interpretativa retroage. só que exclusiva para o direito tributário. na verdade. desde que seja mais benéfica para o réu. Durante a vigência desse contrato.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Garantias individuais: a garantia é o meio criado pela Constituição para proteger determinado direito especial. tenha ocorrido uma decisão judicial transitada em julgada. Para responder a essa questão. As hipóteses mais importantes são: 1. ato jurídico perfeito e coisa julgada. Em resumo. CR). inicial. Este princípio consagra a proteção da clássica trilogia – direito adquirido. mas deve respeitar a coisa julgada. 2. Questão de concurso: Onde estaria consagrada a segurança jurídica na CR/88? No caput do art. não há que se falar em direito adquirido em face de uma nova constituição. a CR/88 entrou em vigor. não era muito democrática). 5º e no art. não. Consagração desse princípio nas Constituições brasileiras: Só teve uma constituição que não consagrou esse princípio – a Constituição Polaca de 1937 (era quase uma cópia da Constituição Polonesa. Essa lei interpretativa pode afetar uma decisão judicial transitada em julgado? Nesse caso. autônomo. XXXVI.) O STF faz uma distinção entre retroatividade máxima. no caso de normas tributárias que fixem infrações ou penalidades. Todas as demais o consagraram. Seria correspondente à primeira hipótese. mas que vale especificamente para o direito tributário. Não adiantaria a Constituição consagrar um direito se não criar mecanismos para proteger esse direito. Em matéria tributária há duas hipóteses de retroatividade (☺art. é uma conjugação das duas anteriores. → Direito Adquirido: A principal questão envolvendo direito adquirido é se existe direito adquirido em face da Constituição da República. No direito penal. CTN): a) Retroatividade interpretativa: é a primeira hipótese. interpretando a lei da maneira (A). O legislador resolve fazer uma nova lei – lei interpretativa. é necessário diferenciar duas situações. a lei não deve atingir os fatos ocorridos anteriormente. 5º. A lei interpretativa retroage. O legislador está apenas esclarecendo o sentido da lei. 3. É mínima porque atinge os efeitos futuros de ato praticado 121 . b) Retroatividade benigna. O poder constituinte originário tem algumas características (originário. → Princípio da não retroatividade das leis: É uma garantia que consagra a segurança jurídica. Esse contrato está produzindo os seus efeitos. A garantia existe para a proteção desse direito. Obs: Imagine que antes de o legislador fazer a lei interpretativa. 5º.

É claro que isso não é desejável. Na retroatividade máxima.2ª Corrente: Sustenta que nem a EC não poderia prejudicar direito adquirido. . acha que o entendimento mais adequado é de que lei deve ser interpretada em sentido amplo. Leis de ordem pública podem violar ato jurídico perfeito? Havia discussão.: a CR entrou em vigor no dia 05 de outubro de 1988. Ex. O prof. ☺Súm.Não há direito adquirido a regime jurídico nem ao estatuto da moeda. Não existe direito adquirido em relação a esse regime. e não o ato exaurido. em regra. haverá uma retroatividade máxima. Ex: Determinada prestação. será necessário que a Constituição da República diga expressamente.1ª Corrente: entende que a lei prevista no dispositivo (☺art. 5º. ela afeta a todos. Havendo mudança de regime jurídico. Antes de a prestação ser paga. É claro que isso não é desejável. no caso de retroatividade mínima. Se a Constituição atingir essa prestação. mas as leis não. o estatuto da moeda se aplica aos contratos vigentes. já que a CR não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. Portanto. Regime jurídico de servidores públicos civis da União – Lei 8112/90. STF. Nenhum ato normativo pode prejudicar direito adquirido.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no passado. XXXVI) é lei em sentido estrito e. portanto. Após a Constituição de 1988. As parcelas podem ser reduzidas e. . automaticamente. É o ato que está apto a produzir os efeitos. coisa julgada e ato jurídico perfeito. já que essa vedação não é dirigida ao Poder Reformador. Somente as parcelas futuras seriam atingidas. → Coisa julgada: 122 . será necessário que a Constituição diga expressamente. O simples fato de a Constituição da República ser promulgada já basta para ela atingir a retroatividade mínima. Entendimento do STF: O ato jurídico perfeito é oponível a todas as espécies de lei. Se mudar o real. nem o legislador ordinário nem o legislador constituinte (que faz a emenda) poderiam violar o direito adquirido. 2. de acordo com a legislação da época. Essa prestação foi vencida e foi paga em 1981. Só que para haver essa retroatividade. e não as parcelas que compõem o vencimento. dirige-se apenas ao legislador ordinário. Nesse caso. interpreta a lei em sentido amplo. A Constituição da República estabelece que os juros serão de 12 % ao ano. e não lei em sentido restrito. haverá uma retroatividade média. através de norma de eficácia plena. c) Retroatividade máxima: pode ocorrer. . Imagine que exista um contrato que foi celebrado com juros de 24% ao ano. 473. Só que para haver essa retroatividade. inclusive as de ordem pública. No caso de Emenda Constitucional: na jurisprudência do STF não há entendimento pacífico. Essa retroatividade mínima é um efeito automático que toda a Constituição produz. Não pode haver a redução. A jurisprudência do STF anterior à CR/88 entendia que a Emenda poderia. 654 e Súm.A irredutibilidade de vencimentos é uma modalidade qualificada de direitos adquiridos. Quando se fala em irredutibilidade de vencimento significa o valor total da remuneração. . não há posição prevalecente. Se a Constituição da República atingir essas prestações vencidas e já pagas. mas isso está superado. A EC poderia prejudicar direito adquirido. a Constituição da República entrou em vigor. até mesmo. porque geraria uma insegurança jurídica. Ex: prestações vencidas e ainda não pagas. → Ato jurídico perfeito: É o ato consumado. b) Retroatividade média: pode ocorrer. extintas. e a prestação venceu no dia 03 de setembro de 1988. já que a Constituição não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. teria direito de receber de volta o que se pagou a mais. porque geraria uma insegurança jurídica.

eles o são porque ainda poderão ser consagrados. Os princípios. Os direitos sociais têm eficácia menor que os demais direitos? Os direitos sociais são prestacionais. §1º como sendo um princípio e não como uma regra (regra é um mandamento de definição. Ou seja. O STF tem admitido a relativização da coisa julgada. o que significa que possuem um caráter positivo. já que interpretações divergentes enfraquecem essa força normativa. do seu enunciado. a serem analisados: a) todos os direitos fundamentais (incluindo-se ai os direitos sociais) devem ter essa aplicação imediata.☺art. . consagrados em NEP ou NEC. Direitos Sociais: 1. No art. para dar decisões concretizando tais direitos. como doutrinador. CR deve ser interpretado como um princípio e não como uma regra. Em razão da natureza e do enunciado de alguns direitos sociais. §1º. Mas isso não é verdade. por ex. independentemente da sua natureza.: salário mínimo). exigem uma atuação positiva do Estado. segundo Robert Alexy. são mandados de otimização.. mas é preciso saber até onde ele teria legitimidade para atuar na prestação dos direitos sociais. de sociedades pluralistas. nós deveríamos interpretar o art. Os direitos ligados à liberdade são direitos de defesa e têm caráter negativo. esses dispositivos já nos mostram a dificuldade de se aplicar imediatamente os direitos e garantias fundamentais. . geralmente consagram seus direitos em textura aberta. 5º. 2. 7º. independentemente de qualquer fator. em regra. Dirley Jr. e não propriamente como ministro). Assim. existem inúmeros dispositivos que ainda precisarão ser concretizados (ex. Já os direitos sociais. Finalidade: os direitos sociais são direitos de 2ª geração e estão relacionados à igualdade material. Há uma grande controvérsia sobre como interpretar esse dispositivo. que ordena que algo seja cumprido na medida exata do 123 . existem dois posicionamentos importantes sobre a matéria da aplicabilidade imediata. mas é apenas a coisa julgada judicial. Em cada época. a maioria decidirá quais os direitos serão concretizados primeiro. Eros Grau. Qual é o princípio que fundamenta a relativização da coisa julgada? O princípio da força normativa. PE ou PJ? Se a concretização deve ser feita de acordo com a vontade da maioria. Muitos direitos sociais são consagrados na Constituição em NEL programáticas. em sua maioria. como teórico do direito (ou seja. 5º. O custo dos direitos sociais é especialmente oneroso. §1º. ambos eleitos pelo povo de forma democrática.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É tanto a coisa julgada formal quanto a material. Por isso. os direitos de defesa têm uma carga de eficácia e efetividade muito maior que os direitos sociais. a prioridade deve ser definida pelo PL e pelo PE. pois são mais facilmente implementados. ela permite a concretização posterior dos direitos sociais de acordo com a vontade da maioria. b) o art. e pelo Min. à medida que a sociedade o determine. Eficácia: todo direito tem um custo. ou seja. A administrativa não tem essa proteção. quais são os direitos fundamentais que devem ser atendidos prioritariamente. Quem deve ser o principal responsável pela concretização dos direitos sociais: PL. são NEL (de princípio programático). CR: Os direitos e garantias fundamentais possuem uma aplicação imediata. Esse posicionamento é adotado por um doutrinador da BA. Isso não quer dizer que o PJ esteja impedido de concretizar tais direitos. 5º. e isso para muitos é um ponto negativo. Os direitos de defesa são. Têm por finalidade proteger os hipossuficientes e mais fragilizados.“Textura aberta”: O primeiro aspecto importante a ser analisado sobre estes direitos é a sua textura aberta – as constituições democráticas.

por ex. Primeiramente.000. que estamos buscando. A visão do juiz é bilateral. pois. doutrinador do RS. mas para que os direitos sociais sejam protegidos é necessário que seja feita uma avaliação multilateral. A partir daí surge uma dúvida: será que o PJ é a instância mais apropriada para proteger os direitos sociais? Não há dúvida de que esses direitos devem ser protegidos e buscados. Como têm apenas eficácia negativa. Em outros lugares. 3ª fase: é a fase desejável. Obs. Quando se fala em direitos sociais. Essa textura aberta tem por finalidade permitir a concretização desses direitos de acordo com a vontade da maioria em cada momento. normatividade. conhecida por “Judicialização das relações políticas e sociais” (☺Caderno do prof. Assim.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I que ele prescreve).Eficácia apenas negativa de alguns direitos sociais. para se ter uma maior clareza sobre o assunto: 1ª fase: impossibilidade de intervenção: ausência de normatividade dos direitos sociais consagrados em normas programáticas. legítimas (saúde. Há dezenas de decisões em que o PJ obriga o Estado a fornecer prestações de direitos sociais (como no caso de medicamentos. 2ª fase: é a que nos encontramos hoje. As pessoas não poderiam exigir do Estado a prestação de uma norma social que estivesse consubstanciada em norma programática. educação. A concretização dos direitos sociais não deve ser feita pelo 124 . ninguém tem direito de exigir do estado uma prestação baseada em uma norma de eficácia limitada. para evitar que os mais excluídos sejam ainda mais excluídos. Portanto. em tese. etc. Esse entendimento já foi superado. . O problema é que intervenção atuante do poder judiciário ainda ocorre sem o estabelecimento de critérios. Norma de direito social não gera direito subjetivo. O que se busca. assim. lazer. atendendo em primeiro lugar as demandas prioritárias. só porque recorreram ao PJ.. uma decisão desalocativa de recursos – o Estado tem um determinado orçamento e neste orçamento ele tem que atender uma série de demandas. para que ela não favoreça apenas algumas pessoas.Possibilidade de intervenção do Poder Judiciário: É bom dividir essa intervenção do PJ em 3 fases. Esses direitos sociais não teriam. é um equilíbrio entre a falta de efetividade dos direitos sociais e atuação exacerbada do PJ. pois.Esta intervenção do judiciário seria uma intervenção antidemocrática e causaria uma violação ao princípio da separação dos poderes. E esse foi o entendimento adotado pelo Cespe. o PJ já decidiu que algumas pessoas poderiam passar na frente de outras na fila de espera de tratamentos. causando uma desigualdade ainda maior do que a já existente. muitas vezes o Estado tem que fazer “escolhas trágicas”. por ex. Nessa fase houve uma intervenção muito grande do PJ. Pedro Taques). implicitamente. O STF tem feito audiências públicas para definir os critérios utilizados para a prestação do judiciário no tocante às questões ligadas à saúde. Esse posicionamento é seguido por Ingo Sarlet. quando foi dado um maior papel ao PJ. Esse entendimento começou a ocorrer depois da CR/88. essa atuação talvez não seja tão justa. o PJ obrigou o Estado a liberar mais de R$ 2. Por isso.000. todas. segurança. rodovias. O que se procurará então é estabelecer quais os critérios racionais para a intervenção do PJ. . mas será que o PJ é o mais adequado para estabelecer essas prioridades (mais do que o PL e o PE)? No RN. Esse posicionamento deu nova dimensão ao orçamento. as normas possuem uma textura aberta. não geram direitos subjetivos.00 só com remédios que não estavam na lista do governo estadual.). Argumentos contrários à intervenção judicial: . Ocorre que no Brasil nem todos têm real acesso ao PJ. previdência. As NEL têm apenas uma eficácia negativa. é importante se ter em mente que toda decisão ampliativa de recursos é também. O PJ passou a ter um papel tão atuante na implementação desses direitos que se passou a falar em uma judicialização das relações políticas e sociais. é importante definir tais critérios. por ser norma programática.). já que o PJ passa a intervir obrigando gastos por parte do Estado. que passaram a ser levadas com grande freqüência ao PJ. trabalho.

É preciso. . e é muito utilizada no Brasil. inclusive a minoria.Déficit democrático das instituições representativas. ao invés de garantir que os direitos sejam fruídos na prática. tendo em vista os recursos do Estado e a existência de outras demandas também consagradas pela Constituição. porque nelas o direito será garantido não apenas a um indivíduo. deve ser analisada a possibilidade de universalização daquela prestação – como solução apontada para essa questão. já que o Estado não tem como fornecer todos os direitos a todos na sua plenitude. . mas também a fruição de direitos fundamentais básicos por todos os indivíduos (o conceito não envolve apenas um aspecto formal. Ademais. deve ser analisada em 3 dimensões: I) possibilidade fática: é a existência de recursos para o atendimento das prestações exigidas do Estado. no que diz respeito aos direitos sociais. O ativismo judicial é fruto da omissão do legislador. Andreas Krell diz que esse conceito não poderia ser transposto ao Brasil. Esse argumento serve para rebater o argumento desfavorável de que a intervenção do judiciário viola o princípio da separação dos poderes. estaria apenas aplicando a constituição (estaria exercendo sua função típica). pois. Assim. em razão das limitações orçamentárias existentes. Ela surgiu por uma decisão do Tribunal Constitucional Federal Alemão. o outro cresce. sufrágio universal. Ninguém é contrário a que os mais necessitados tenham acesso aos direitos. não se encaixaria na realidade brasileira. Quem deve alegar a reserva do possível? É uma matéria de defesa do Estado. deve ter acesso aos direitos fundamentais básicos).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PJ porque ele não foi eleito para isso. Mas. Argumentos favoráveis à intervenção judicial: . O poder judiciário tem sido valorizado pela opinião pública. são os entes federativos que devem invocá-la como matéria de defesa. Não é o entendimento que prevalece. Esses argumentos são os que devem prosperar. não adianta simplesmente dizer que como o direito está na Constituição ele tem que ser implementado. Celso de Mello analisa a razoabilidade de se exigir do Estado o cumprimento de uma determinada prestação. A expressão significa que cabe ao legislador decidir se será ou não possível a efetivação de determinados direitos. porque é um conceito criado para países de primeiro mundo e. II) possibilidade jurídica: é a existência de orçamento (e não de recursos do Estado) para atender aquela demanda (Princípio da legalidade orçamentária). e análise das competências federativas – é preciso analisar a lei da autorização orçamentária e de quem é a competência para atender aquela demanda. ele diz que como aqui nossas dificuldades orçamentárias são maiores do que na Alemanha. III) proporcionalidade da prestação e razoabilidade da exigência: ☺decisão da ADPF 45 – o Min. mas a todos que se encontrem na mesma situação. Quando o poder judiciário aplica diretamente um direito social. Já Daniel Sarmento entende exatamente o contrário. por isso. são o PL e o PE que teriam legitimidade democrática para isso. a democracia tem também um aspecto substancial – todos.Caráter normativo da constituição. A reserva do possível. segundo Ingo Sarlet. entra-se muito nas questões ideológicas. Os direitos sociais estão consagrados em normas. A dinâmica do jogo da separação dos poderes varia conforme as ondas de opinião pública. ou seja. . teríamos a maior utilização das ações coletivas. a reserva do possível teria até maior sentido do que lá. em 1972. saber se a demanda é razoável. eles acabariam sendo inviabilizados.A democracia não é apenas vontade da maioria. 125 . quem deve provar que não tem como atender aquela demanda em razão da reserva do possível é o Estado (o ônus da prova é do Estado). eleições periódicas. Se não se estabelecer os critérios. se o recurso ficará comprometido em relação a outras demandas e se aquela demanda específica tem prioridade sobre as demais. em razão do Princípio da Igualdade. De se ver que quando se fala em direitos sociais.“Reserva do possível”: Essa expressão surgiu na Alemanha. Se um poder se encolhe.

O mínimo existencial pode ser extraído do princípio da dignidade da pessoa humana. precisam ser concretizados.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Aí está um dos maiores problemas: a alegação genérica do Estado não serve para nada. é o entendimento mais adequado. em 1953. É uma expressão que surgiu no Tribunal Federal Administrativo Alemão. Assim. Não basta invocar genericamente a reserva do possível. essa concretização. Existem 02 posicionamentos a respeito do mínimo existencial. por isso o ente tem que especificar em sua prova que o orçamento é x. Outros autores já falam apenas em saúde. o PJ não tem condições de medir se a alegação do Estado é verdadeira ou não. Depois esse mínimo existencial passou a ser utilizado pelo Tribunal Constitucional Federal. em razão de sua textura aberta. 2. A efetividade passa pela sociedade. que passou a incorporá-lo em sua jurisprudência. provar de forma clara qual o valor total a ser gasto nessa demanda e quais são os direitos que ele deixará de atender para atender a este. O mínimo de existência nada mais é do que um subgrupo menor dentro dos direitos sociais. . Não é possível garantir a mesma efetividade a todos os direitos. quando se fala em moradia é o direito que se tem de poder passar a noite pelo menos em um abrigo. é o mínimo existencial. Segundo Ana Paula de Barcellos. essa expressão foi trazida por Ricardo Lobo Torres. mas teria um peso maior na ponderação. e acesso à justiça (instrumento que assegura a proteção aos demais direitos). O mínimo existencial deve ser meta prioritária no orçamento. Ingo Sarlet: o mínimo existencial não se sujeita à reserva do possível. Não existe um conteúdo definido para o mínimo existencial. Segundo Ricardo Lobo Torres. Se não definir o conteúdo. Mas não podemos entender o direito à moradia como o direito de receber uma casa do Estado. o mínimo existencial compreenderia: educação fundamental. Celso de Mello diz que “a reserva do possível só deve ser admitida quando da existência de justo motivo objetivamente aferível”. etc. Vejamos: 1. Segundo o prof. quando se estabelece o mínimo existencial.Vedação do retrocesso social: Os direitos sociais. No Brasil. A reserva do possível não pode ser simplesmente alegada. nem toda demanda que faça parte do mínimo existencial deve ser atendida pelo Estado. Outros autores (como Ana Paula de Barcellos) procuram estabelecer alguns direitos componentes desse mínimo existencial. depende de cada época e de cada sociedade.. saúde. que é a corte suprema na Alemanha. da liberdade material e do princípio do estado social. Por que falamos em “mínimo”. assistência em caso de necessidade. Não é o máximo desejado. II) é o entendimento de Daniel Sarmento: o mínimo existencial não seria absoluto. maior o risco de não ter efetividade. Existem dois entendimentos importantes sobre o mínimo existencial e sua relação com a reserva do possível: I) é o entendimento do prof. por ser necessária para a 126 . Parte da doutrina sustenta que quando o direito social é concretizado. Ou seja. é necessário demonstrar a ocorrência de justo motivo objetivamente aferível. educação e moradia. mas certamente o peso dessas demandas são muito maiores do que os das demais. Quanto mais se amplia a consagração desses direitos.“Mínimo existencial”: Também surgiu na Alemanha. A reserva do possível é uma matéria de direito público. pelo cumprimento voluntário da constituição. que a demanda custa y. . O mínimo existencial é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. e não “máximo”? Existe um paradoxo com relação aos direitos sociais. que existem z pessoas na mesma situação. a questão da efetividade será prejudicada. em relação a esse mínimo o Estado não pode alegar a reserva do possível. mas deve também ser provada.

que significaria que o Estado não poderia voltar atrás no grau de concretização dos direitos sociais – ou seja. um pensamento mais flexível sobre o tema. Destes vários princípios é que se poderia derivar o Princípio da vedação ao retrocesso. A vedação de retrocesso incide apenas sobre direitos sobre os quais haja um consenso profundo. e. Ele tem. fazendo parte do conteúdo do próprio direito. língua. Por isso. (25/06/09) Direitos da Nacionalidade: Conceito: a nacionalidade é um vínculo jurídico-político que liga o indivíduo ao estado fazendo dele um componente do povo. O povo brasileiro são os brasileiros natos e naturalizados. o que não pode haver é essa redução de forma arbitrária ou irrazoável. Essa vedação é abstraída dos princípios da segurança jurídica. O nível de concretização não pode ser atingido pelo retrocesso. consciência coletiva. O retrocesso social não se confunde com retroatividade de direitos. de acordo com a necessidade. A proibição de retrocesso serve como limite ao poder constituinte originário (não pode retroceder nos direitos fundamentais conquistados por uma sociedade). o que prejudicaria a sociedade. estatístico. não pode haver uma redução dessa concretização. passaria a fazer parte do próprio direito social. haveria um engessamento do legislador e do PE. 127 . costumes. não poderia haver qualquer redução no grau de concretização atingido por um direito social. da máxima efetividade (art. A vedação ao retrocesso está relacionada a essa concretização desses direitos sociais. haver uma redução do grau de concretização. Pode.: se a legislação mudar o prazo da licença maternidade para um prazo maior. irão concretizar os direitos sociais. A partir do momento que um direito social é concretizado. Todos que moram no Brasil. pois. segundo ele. entre eles: laços culturais. assim. ao estudar as normas de princípios programáticos. caso mudem as prioridades e não haja aumento do orçamento do Estado. A palavra nacionalidade deriva de “natio”. um mais rígido e outro mais flexível: 1) posicionamento de um autor italiano. em seu livro escrito na década de 60 – a aplicabilidade das normas jurídicas. Há dois posicionamentos quanto ao tema. Gustavo Zagrebelsky: ele tem um posicionamento mais rígido quanto à vedação. Os poderes públicos. O conceito de nação abrange uma série de questões que não estão ligadas ao conceito de povo. esse prazo não pode mais ser reduzido. Segundo ele.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I definição do próprio conteúdo do direito. §1º. a vedação de retrocesso impede a revogação de uma norma concretizadora de um direito social apenas quando for arbitrária ou existir uma irrazoabilidade manifesta. José Carlos Vieira de Andrade: ele entende que se impedirmos a redução do grau de concretização dos direitos. passaria então a ter status de norma materialmente constitucional. que significa nação. históricos. fazem parte da população brasileira. da dignidade da pessoa humana. JAS. e do Estado Democrático e Social de Direito. Mas a nacionalidade está relacionada ao conceito de povo e não de nação. fala-se em vedação do retrocesso social. porque o orçamento não permitiria mais um acréscimo nos demais direitos. o grau de concretização dos direitos sociais não poderia ser objeto de um retrocesso. População está relacionada ao conceito demográfico. Ex. já dizia algo muito semelhante. CR). se houver mudanças deve ser uma mudança para melhor. independentemente da nacionalidade. 5º. só ampliado. 2) posicionamento de um autor português.

I) Naturalização tácita ou grande naturalização: a pessoa não precisa se manifestar expressamente para adquirir a nacionalidade do país. 12. Refere-se aos brasileiros natos. A questão jurisprudencial é a seguinte: o ato de se negar essa nacionalidade é um ato discricionário. o ato é vinculado em razão da expressão “desde que requeiram”. em razão da expressão “salvo os casos previstos nesta Constituição”. §1°) Somente portugueses podem se enquadrar nesse caso. o pai ou a mãe tem que estar a serviço do Brasil (refere-se a qualquer serviço público). 12. que estabelece os requisitos de aquisição da nacionalidade (lei 6. Os direitos atribuídos aos portugueses são os direitos dos brasileiros naturalizados.Diferenças de tratamento 128 . 227. a adoção é um critério de aquisição da nacionalidade pelo critério do jus sanguinis.815/80. que tenham idoneidade moral e residam por um ano ininterrupto no Brasil. Obs. Quando a pessoa é nascida no Brasil. Os requisitos são: 15 anos de residência ininterrupta. b). estrangeiros residentes. I. Os países de imigração costumam adotar esse critério (art. desde que haja reciprocidade. Pelo critério funcional. de acordo com o art. Mesmo não adquirindo a nacionalidade brasileira.Quase nacionalidade (art. Há alguns critérios para se atribuir a nacionalidade: I) Jus Soli: local de nascimento. A maioria das legislações contemporâneas adotam esse critério. III) Sistema misto: os dois critérios são previstos na constituição. II) Jus Sanguinis: ascendência. I. I. Se o casal estiver a serviço de outro país. c. Leva em consideração o critério sanguíneo e o critério funcional. a pessoa terá a nacionalidade do local onde nasceu. Os países de emigração geralmente adotam esse critério (art. o português com residência permanente no Brasil terá os mesmos direitos dos brasileiros. 2) Secundária ou adquirida: está ligada a um ato de vontade (adquire com um ato de vontade).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . considera a nacionalidade dos pais. Neste caso. Exceção: quando ambos os pais estrangeiros estiverem a serviço de seu país (considera a serviço do país mesmo aquele que está acompanhando o cônjuge). As constituições de 1824 e de 1891 previam este tipo de naturalização. por uma questão de soberania nacional. 12. É o caso do Brasil. A EC 54 alterou o art. os pais têm que ser brasileiros. o filho terá nacionalidade brasileira. se não se manifestarem contrariamente. De acordo com o critério sanguíneo. CF/88. §6°. . II) Naturalização expressa (art. É geralmente adotada por países que estão em formação. art. Refere-se aos brasileiros naturalizados.Espécies de nacionalidade A nacionalidade pode ser dividida em: 1) Primária ou originária: está associada ao nascimento do indivíduo (adquire com o nascimento). b) Extraordinária ou quinzenária: hipótese em que a própria CF/88 estabelece os requisitos. que passou a prever a possibilidade de ser feito registro de filho de pai ou mãe brasileira na repartição competente. a). não haver condenação penal e requerimento do interessado. §2°) e para pessoas de países de língua portuguesa. 12. 112 e 115. terá naturalidade brasileira. . não há direito público subjetivo. II): a) Ordinária: adquirida na forma da lei. adquirem a nacionalidade do país onde residem. Mesmo que o estrangeiro cumpra todos os requisitos previstos na lei. há direito público subjetivo do estrangeiro. 12.

Mas. O entendimento majoritário do STF é que não pode haver uma extradição que viole este artigo. só poderá ser extraditado: . CF/88 não se aplica aos tratados internacionais. §2°. no entanto. STF: É vedada a expulsão de estrangeiro casado com brasileira. d) Extradição (art. presidente da CD. b) 6 assentos do Conselho da República (art. CF/88). o brasileiro será julgado por um tribunal do qual o Brasil faz parte (pois assinou o tratado de Roma). dependente da economia paterna. o brasileiro será julgado pelas leis de outro país. todos os ministros do STF (pois há um rodízio entre os ministros para serem presidente). LI): a constituição não admite extradição de brasileiro nato. Deportação: consiste na devolução compulsória do estrangeiro que tenha entrado ou esteja de forma irregular no território nacional.Princípio da dupla punibilidade: o crime praticado deve ser punível tanto no estado requerente quanto no Brasil. a ela aplica-se a súmula 1. do território brasileiro. Extradição: consiste na entrega de uma pessoa a outro estado em razão de um crime nele praticado para que seja julgada segundo as suas leis.815 (ato nocivo ao interesse nacional). VII) c) Propriedade de empresa jornalística ou de radiodifusão sonora e de sons e imagens (art. Princípios relacionados à extradição: . pois refere-se à expulsão e não extradição: Súmula 1.se comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins antes ou depois da naturalização. . Entrega ou surrender: consiste na entrega de um indivíduo a um tribunal penal internacional para que seja julgado por ele. em razão da superioridade da Constituição.Perda da nacionalidade (art. No caso de brasileiro naturalizado. 89. membros de carreiras diplomáticas e ministro de estado da defesa. STF: Não impede a extradição a circunstância de ser o extraditado casado com brasileira ou ter filho brasileiro. Na extradição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A lei não pode estabelecer diferença de tratamento entre o brasileiro nato e o naturalizado (art. vice. em razão da soberania nacional. . XLVII) por uma pena privativa de liberdade de no máximo 30 anos.linha sucessória do presidente da república: PR. §3°). Já na entrega.Princípio da retroatividade dos tratados de extradição: o art. Não se pode. §4°.Princípio da comutação da pena (direitos humanos): para que o STF autorize a extradição tem que haver substituição da pena vedada (art. cria-se um problema de relação internacional. 12. A maioria dos autores entende que essa determinação é compatível com a constituição que veda a extradição de brasileiros natos. o estado requerente pode fazer um pedido de extensão para julgar os demais crimes. . 5°. Os critérios utilizados são: . não se poderá invadir esse estado. portanto. Se o estado desrespeita essa regra.Princípio da especialidade: o estado requerente só poderá julgar o extraditando pelo crime objeto do pedido de extradição. de um estrangeiro que tenha praticado atos tipificados no art. 5°. a) Cargos: determinados cargos são privativos de brasileiros natos (art. confundir a súmula acima com a seguinte. mesmo no caso em que a pessoa tenha dupla nacionalidade. A deportação está mais próxima da expulsão. Mas. Expulsão: consiste na retirada a forca. XL. 5°. . 12. 12.segurança nacional: oficial das forças armadas. . . ou que tenha filho brasileiro. O STF não admite qualquer exceção a essa hipótese. 65 da lei 6. Importante analisar a Súmula 421.se praticar crime comum (que não seja de opinião ou político) antes de sua naturalização. presidente do SF. CF/88): 129 . 222): brasileiros natos ou naturalizados a mais de 10 anos.

. A CR/88 adota o sufrágio universal. Esses requisitos não retiram do sufrágio a universalidade. 130 . salvo se por meio de ação rescisória. §1º).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I I – ação de cancelamento de naturalização em virtude de atividade nociva ao interesse nacional. Atentar que a obrigatoriedade do voto não é cláusula pétrea. Para JAS. e é facultativo para os que tenham entre 16 e 18 anos. . O sufrágio restrito é aquele que restringe a participação em razão de algum critério (muitas vezes arbitrário e preconceituoso).: em razão de uma condição econômica – foi consagrado pela Constituição de 1824).é direto: é a regra. e não requisitos preconceituosos. tanto o alistamento eleitoral como o voto são facultativos (☺art. é uma decorrência do próprio Princípio Republicano. que exige uma alternância de poder.é periódico: essa periodicidade do voto.é personalíssimo: cada um tem que exercer seu direito pessoalmente. 14. Essa naturalização impede que a pessoa venha a pedir a naturalização novamente. Essas expressões representam a igualdade que tem que ter o voto (☺art. readquire a nacionalidade como brasileiro nato (mas é o entendimento minoritário).é livre: uma das finalidades do escrutínio secreto é exatamente viabilizar essa liberdade do voto. inclusive sendo cláusula pétrea. pelo CN. Um brasileiro nato que resolve readquirir a nacionalidade brasileira retornará como brasileiro naturalizado. é o direito político em si.tem valor igual para todos: “one man. 14. o sufrágio censitário (ex. Só se aplica ao brasileiro naturalizado. . Essa regra aplica-se aos brasileiros natos e naturalizados. one vote” – “one person. com uma única exceção: art. 2) Alistabilidade: é a capacidade eleitoral ativa. salvo nos casos das alíneas a e b. a eleição será feita 30 dias depois da última vaga. na forma da lei (que ainda não existe). voto é o exercício desse direito. caput). Ele é obrigatório para aqueles que tenham entre 18 e 70 anos. perderá a nacionalidade brasileira. . e esse país não admite dupla nacionalidade ???. com a realização de eleições periódicas. O direito de sufrágio pode ser de duas espécies. one vote”. é o direito de votar (e não de ser votado). São eles: 1) Direito de sufrágio: sufrágio não pode ser confundido com voto e escrutínio – o sufrágio é a essência do direito político. São espécies de sufrágio restrito o sufrágio capacitário (em razão da capacidade intelectual das pessoas). nacionalidade e alistamento. 81. Servem ao controle do próprio direito.Espécies: a) Direitos políticos positivos: são aqueles que permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. O voto é obrigatório para uns e facultativo para outros. Além dessas características do voto. e escrutínio é o modo como o exercício se realiza (é o escrutínio que é secreto). §1º. No Brasil temos algumas restrições: a pessoa precisa ter idade mínima. ou seja. II – naturalização voluntária: se a pessoa voluntariamente adquire a nacionalidade de outro país. o sufrágio em razão do sexo (a partir de 1932 foi que o direito de voto foi estendido às mulheres ???). Características que o voto possui no Brasil: . há outro aspecto previsto na CR: a obrigatoriedade do voto. Num Estado Democrático deve ser adotado o sufrágio universal. Direitos Políticos: . para os analfabetos e para os que tenham mais de 70 anos – nesses casos. aquele que permite a todos os que estejam numa determinada situação a participação no voto. CR – segundo o qual vagando os cargos de PR e VPR nos dois últimos anos. de acordo com o tipo de Estado: ele pode ser um sufrágio restrito ou universal. São requisitos apenas técnico-formais.

ou seja. b) Direitos políticos negativos: são as normas que importam em uma privação dos direitos políticos. ela é adquirida progressivamente. já que trata de lei complementar quando for caso de inelegibilidade.Inelegibilidade em razão do parentesco: ☺art. mas o STF entendeu que o termo “substituído” do dispositivo foi utilizado de maneira equivocada pelo legislador constituinte. a inelegibilidade em relação aos militares (art. e parentes do prefeito não podem concorrer para cargos dentro da mesma cidade. trata-se de lei ordinária. até que se atinja a plena cidadania. 14. domicílio eleitoral na circunscrição. do art. §4º (os absolutamente inelegíveis são os inalistáveis e os analfabetos). 14. §3º? Segundo o STF. As outras inelegibilidades (fora a prevista no §4º) são apenas relativas. 14. 14. 12. §5º . Além dessas condições relativas à idade mínima. Primeiramente. . a impossibilidade de reeleição se refere a mais de duas eleições consecutivas. §1º). que tipo de lei é necessária para regulamentar as condições previstas no art. e os conscritos durante o serviço militar obrigatório (o conceito de conscritos abrange também médicos. devemos diferenciar a inelegibilidade absoluta da relativa. é necessária mesmo uma regulamentação por lei ordinária (e não por LC). assim. É importante aqui diferenciar os casos em que há apenas substituição do chefe do executivo pelo seu vice (que é temporária). Mas o §9º do art. A inelegibilidade absoluta só pode ser prevista pela própria Constituição e o seu único caso é a prevista no art. então. Quando a Constituição fala apenas em lei. §8º). se houver reciprocidade (art. filiação partidária. 14). no caso do art. mas nos concentraremos aqui apenas nas duas mais importantes: as inelegibilidades em razão do cargo e em razão do parentesco. e os casos em que há a verdadeira sucessão (que é definitiva). o parente é atingido pela inelegibilidade do titular do cargo. a Constituição exige: a nacionalidade brasileira (a nacionalidade é pressuposto para a cidadania). é o direito da pessoa ser votada. 14. §3º. São eles: I) casos de inelegibilidade: existem basicamente 4 hipóteses de inelegibilidade. o que acontece aos 35 anos (esta é a idade que se exige para que uma pessoa possa concorrer a qualquer cargo político . São elas: a LC poderá estabelecer outros casos de inelegibilidade (LC 64/90). A inelegibilidade absoluta está relacionada a alguma característica pessoal e não admite desincompatibilização. 14. Mas a Rosinha Garotinho foi candidata ao cargo de Governadora do RJ. Assim. Ex. a alistabilidade (que é pressuposto da elegibilidade). dentistas. No Brasil a cidadania não é adquirida de uma só vez. ainda que o Antony Garotinho estivesse concorrendo ao cargo de PR. parentes do GE não podem concorrer dentro do mesmo estado. em caso de reeleição. com exceção dos portugueses equiparados. . e desincompatibilizou-se 6 meses 131 . farmacêuticos e veterinários que estejam prestando o serviço militar obrigatório). b) para concorrer a outro cargo: é necessária uma desincompatibilização 6 meses antes da eleição.é conhecida como inelegibilidade reflexa.este dispositivo fala em sucessão e em substituição.Inelegibilidades em razão do cargo: se referem apenas aos cargos do PE – existem então duas hipóteses de inelegibilidades: a) no caso de reeleição: o chefe do Executivo pode concorrer uma vez à reeleição. os inalistáveis são os estrangeiros. no governo de SP). ou seja.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Elegibilidade: é a capacidade eleitoral passiva. salvo se já titular do cargo.: parentes do PR não podem ser candidatos dentro do território brasileiro. 14 traz um questionamento. os casos de inelegibilidade não se confundem com as condições para a elegibilidade.☺§3º. que geralmente admitem desincompatibilização. etc. depois de ter sigo Governador do RJ – entendeu-se que como o titular poderia ter sido candidato à reeleição (mas ele não quis. ☺ar. §7º . No Brasil. e que vale como primeiro mandato mesmo somente o caso de sucessão definitiva (☺caso de Mário Covas e Geraldo Alkimin.

portanto. 15. I. III) Suspensão dos direitos políticos: segundo a doutrina. II) Perda dos direitos políticos: a cassação dos direitos políticos não é admitida pela Constituição. III e V) são hipóteses de suspensão. Com base nessa distinção.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I antes do término do mandato para concorrer à presidência). é algo temporário. Todas as outras hipóteses do art. 15. e quanto a isso não há divergência doutrinária. A perda dos direitos políticos é considerada como algo definitivo pela doutrina. que seria o cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado (☺art. mas o prof. não poderia mais haver a possibilidade de readquiri-la e. seus parentes também poderiam ser candidatos. 15 (incisos II. acha que é suspensão porque a lei eleitoral fala em suspensão para esse caso. não há como readquirir os direitos políticos). A Constituição não fala quais são as hipóteses de perda e de suspensão dos direitos políticos. IV (recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa. nos termos do art. Kildare. Cassação é a retirada arbitrária dos direitos políticos. VIII). adota a posição de que só existe uma única possibilidade de perda (definitiva) dos direitos políticos. 5º. o prof. A doutrina (JAS. 132 . CR) – hipótese relativa ao brasileiro naturalizado (quando a naturalidade é cancelada. Alexandre de Morais e outros) coloca outra hipótese como sendo de perda: a hipótese do art.

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