Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Prof.: Marcelo Novelino novelino.constitucional@yahoo.com.

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Dicas de estudo: 1. Programa de estudo mensal (fazer proporção entre as matérias de acordo com a extensão); 2. Estudar matéria da aula 3. Estudar matéria mais importante (Constitucional: controle de constitucionalidade, direitos fundamentais, direitos individuais – art. 5°, CR). 4. O ideal é também estudar a matéria antes da aula. 5. Não fazer resumos. Grifar. Fazer esquemas. Estudar a mesma matéria várias vezes para memorizar.

ÍNDICE Objeto:.....................................................................................................................................................4 Constitucionalismo:.................................................................................................................................4 Evolução do Constitucionalismo:............................................................................................................5 Constitucionalismo e Soberania Popular:................................................................................................8 CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES:...................................................................8 Concepções de Constituição:...................................................................................................................9 Aspectos conclusivos:............................................................................................................................10 Classificações das Constituições:..........................................................................................................11 HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.........................................................................14 Supremacia da Constituição:..................................................................................................................14 Hierarquia dos Tratados Internacionais:................................................................................................14 Lei Ordinária X Lei Complementar:......................................................................................................15 Hierarquia entre Lei Federal, Lei Estadual e Lei Municipal:................................................................16 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE:......................................................................................17 Conceito:................................................................................................................................................17 Parâmetro (normas de referência):.........................................................................................................17 Formas de Inconstitucionalidade:..........................................................................................................18 Formas de Controle de Constitucionalidade:.........................................................................................20 4.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido:...................................................................20 a) Preventivo:.....................................................................................................................................20 b) Repressivo:....................................................................................................................................21 4.2) Quanto à natureza do órgão:.......................................................................................................22 4.3) Quanto à competência:...............................................................................................................23 a) Difuso:...........................................................................................................................................23 b) Concentrado:..................................................................................................................................23 4.4) Quanto à finalidade:....................................................................................................................24 a) Concreto:........................................................................................................................................24 b) Abstrato:........................................................................................................................................24 Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: .................................................................................26 5.1) Quanto ao aspecto objetivo:.......................................................................................................26 5.2) Quanto ao aspecto subjetivo:......................................................................................................27 5.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão:.....................................................................................28 5.4) Quanto à extensão da declaração:...............................................................................................30 Exercício do Controle Jurisdicional:......................................................................................................32 6.1) Controle difuso-concreto:...........................................................................................................32 1

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) ADI no STF e ADI no TJ: ............................................................................................................38 6.2) Controle concentrado-abstrato:...................................................................................................39 → Legitimidade ativa:.......................................................................................................................39 → Parâmetro para o controle:............................................................................................................40 → Objeto das ações:..........................................................................................................................41 Atuação do PGR:...................................................................................................................................42 Atuação do AGU:..................................................................................................................................42 Amicus Curiae:......................................................................................................................................43 Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato:...................................................44 Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais:....................................................................47 Efeitos da decisão de mérito no MI:......................................................................................................48 Controle Concentrado-Concreto:...........................................................................................................49 → ADI Interventiva ou Representação interventiva:.........................................................................49 RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato:.....................................................................50 PODER CONSTITUINTE:.......................................................................................................................51 Conceito e finalidade:............................................................................................................................51 Natureza:................................................................................................................................................51 Titularidade do Poder Constituinte:.......................................................................................................51 Poder Constituinte Supranacional:.........................................................................................................52 Espécies Tradicionais:...........................................................................................................................52 A) Poder Constituinte (Originário): ..................................................................................................52 B) Poder Constituinte Decorrente:.....................................................................................................54 C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador):......................................................56 Direito Adquirido:..................................................................................................................................59 Reforma x Revisão:................................................................................................................................60 HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:...............................................................................................64 Introdução:.............................................................................................................................................64 Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição:..................................64 Métodos de Interpretação da Constituição:............................................................................................65 I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff):...................................................65 II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend):.............................................................................65 III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg):....................................................................66 IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse):..............................................................67 V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): ...................................................................67 VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle):.....................................................68 Interpretativismo e não interpretativismo:.............................................................................................69 Elementos do Sistema Normativo Constitucional:................................................................................69 Postulados Normativos de Interpretação:..............................................................................................71 Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita:............................................................73 Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade:................................................................................77 PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO:....................................................................................................79 Natureza Jurídica:..................................................................................................................................79 Preâmbulo como diretriz hermenêutica:................................................................................................80 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS:.................................................................81 Classificação das Normas Constitucionais - JAS:.................................................................................81 Classificação de outros autores:.............................................................................................................83 NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO:.......................................................................................84 Revogação:.............................................................................................................................................84 Teoria da Desconstitucionalização:.......................................................................................................84 Teoria da Recepção:...............................................................................................................................85 Constitucionalização Superveniente:.....................................................................................................85 Repristinação:........................................................................................................................................86 Mutação Constitucional:........................................................................................................................87 2

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Graus de retroatividade da norma constitucional:.................................................................................87 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS:........................................................................................................89 Funções dos Princípios Constitucionais:...............................................................................................89 Princípios Estruturantes:........................................................................................................................90 Princípio Republicano:..........................................................................................................................90 Princípio Federativo:..............................................................................................................................90 Princípio do Estado Democrático de Direito:........................................................................................90 FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO:....................................................................................92 Soberania:..............................................................................................................................................92 Cidadania:..............................................................................................................................................92 Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa:...................................................................................92 Pluralismo Político:................................................................................................................................93 Dignidade da pessoa humana:................................................................................................................93 DIREITOS FUNDAMENTAIS:................................................................................................................95 Direitos Humanos X Direitos Fundamentais:........................................................................................95 Classificação dos Direitos Fundamentais:.............................................................................................95 Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais:..............................................................................95 Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais:..............................................................................97 Natureza dos Direitos Fundamentais:....................................................................................................98 Características dos Direitos Fundamentais:...........................................................................................98 Eficácia e Aplicabilidade:......................................................................................................................99 Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais:...................................................................99 Limite dos limites:...............................................................................................................................101 Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais:......................................................................101 DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE:............................................................................................104 Direito à vida:......................................................................................................................................104 - Direito à privacidade:........................................................................................................................105 Princípio da Igualdade:........................................................................................................................111 Direitos ligados à liberdade:................................................................................................................114 Direito de propriedade:........................................................................................................................118 Direito de segurança jurídica:..............................................................................................................120 Direitos Sociais:...................................................................................................................................123 Direitos da Nacionalidade:...................................................................................................................127 Direitos Políticos:................................................................................................................................130

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Numa segunda acepção. mas também de outros assuntos. 4 . Neste sentido. a defesa da Constituição. A Constituição brasileira de 1988 tem como conteúdo básico os direitos e garantias fundamentais. e que se encontra acima dos detentores do poder. em sentido jurídico. um claro juízo de valor. a estruturação do Estado e a organização dos poderes. emprega-se a referência ao movimento político-social com origens históricas bastante remotas que pretende. no fundo. o constitucionalismo moderno representará uma técnica específica de limitação do poder com fins garantísticos. em especial limitar o poder arbitrário. o local e a época. razão pela qual estas só serão válidas se estiverem em conformidade com as normas constitucionais. o americano e o francês. como o conjunto sistematizado de normas originárias e estruturantes do Estado que têm por objeto nuclear os direitos fundamentais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CONSTITUIÇÃO: A Constituição pode ser definida. É. assim. do estado e das instituições democráticas. Kildare Gonçalves Carvalho. André Ramos Tavares identifica 4 sentidos para o constitucionalismo: numa primeira acepção. mas proteger direitos. representa um movimento social que dá sustentação à limitação do poder. avança-se no sentido de que os textos constitucionais contêm regras de limitação ao poder autoritário e de prevalência dos direitos fundamentais. E para isso. Numa vertente mais restrita. é identificado com a imposição de que haja cartas constitucionais escritas. então. A principal preocupação aqui não é assegurar a vontade da maioria. a estrutura e organização do Estado e de seus órgãos. A Constituição é a lei suprema do Estado brasileiro e fundamento de validade de todas as demais normas jurídicas. dando origem à distinção doutrinária entre normas materialmente e formalmente constitucionais. o constitucionalismo é reduzido à evolução históricoconstitucional de um determinado Estado. numa terceira acepção possível. uma teoria normativa da política. Constitucionalismo: Canotilho identifica vários constitucionalismos. muitas vezes é necessário ir contra a democracia. Tem-se utilizado. tal como a teoria da democracia ou a teoria do liberalismo. para indicar os propósitos mais latentes e atuais da função e posição das constituições nas diversas sociedades. Objeto: O objeto das constituições pode variar conforme a sociedade. o modo de aquisição e a forma de exercício do poder. como o inglês. enfeixado na Constituição. Finalidade do constitucionalismo: proteger direitos. reporta-se a um sistema normativo. Ele define o constitucionalismo como uma teoria (ou ideologia) que ergue o princípio do governo limitado indispensável à garantia dos direitos em dimensão estruturante da organização político-social de uma comunidade. preferindo falar em “movimentos constitucionais”. e. os fins socioeconômicos do Estado. inviabilizando que os governantes possam fazer prevalecer seus interesses e regras na condução do Estado”. Partindo. afastando-se da visão autoritária do antigo regime. como sociológica: “em termos jurídicos. Um fenômeno constatado no tocante a este aspecto é a ampliação gradativa do conteúdo das constituições. O conceito de constitucionalismo transporta. por seu turno. que passaram a tratar não apenas das normas constitutivas do Estado. sociologicamente. da idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição. vislumbra tanto uma perspectiva jurídica.

França – onde surgiu a 1ª constituição escrita da Europa (1791). integram-no. porém. • Princípio do governo limitado. Até então todas as constituições eram consuetudinárias. “o Direito Constitucional norte-americano não começa apenas nesse ano.surgiu em substituição ao governo dos homens. Estabelece as regras do jogo político. Para os norte-americanos a constituição é suprema porque ela é que determina as regras do jogo. Hoje. a partir da Revolução Francesa. c. 2. O governo era limitado através de dogmas consagrados na bíblia. Roma: idéia de liberdade. (Livro do Alexandre de Morais). A declaração universal dos direitos do homem e do cidadão (1789) serviu de preâmbulo para a constituição 5 . e da França. em 1787. b. Essas idéias floresceram durante a idade média e permanecem até hoje. Influenciaram o direito francês e americano. d. mas é também a garantia de direitos e respeito às regras do jogo. Para Rudolf Von Jhering nenhum outro direito teve a idéia de liberdade tão correta. Governo limitado. A época foi marcada pelas revoluções liberais (revolução francesa e norte-americana). apresentando dois traços marcantes: organização do Estado e limitação do poder estatal. A origem formal do constitucionalismo está ligada às Constituições escritas e rígidas dos EUA. Inglaterra: rule of law – governo das leis . por meio da previsão de direitos e garantias fundamentais. Atribui competências aos três poderes. após a Independência das 13 Colônias. O judiciário é o poder mais indicado para garantir a supremacia da constituição. em 1791. a Declaração de Virgínia e outras Declarações de Direitos dos primeiros Estados”. Para que as regras do jogo sejam respeitadas deve estar acima dos que dele participam. quem. Foi a 1ª experiência constitucional. a. Foi uma retrospectiva do direito Grego. As pessoas participavam diretamente das decisões políticas do estado (cidade estado de Atenas). Igualdade (dos cidadãos perante a lei). Sem esquecer os textos da época colonial (antes de mais. Idéia de supremacia da constituição: vem da idéia de regras do jogo. Garantia jurisdicional. As principais idéias com as quais os norte-americanos contribuíram para o constitucionalismo foram: i. O que se buscava com tais revoluções era a liberdade. Como ressaltado por Jorge Miranda. Grécia antiga: democracia constitucional. Estado Hebreu: estado teocrático. porque é o poder que possui a maior neutralidade política. ii. EUA (1776) – Declaração de direitos do bom povo da Virgínia (1ª constituição escrita). A democracia é a representação da vontade da maioria. como e até onde pode mandar. ii.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Evolução do Constitucionalismo: História das constituições. Foi a mais avançada forma de governo. A constituição norte-americana surgiu em 1787 e vigora até hoje. 1. b. se contrapõe ao absolutismo. Constitucionalismo antigo (observa-se 4 importantes experiências): a. • Separação dos poderes. as Fundamental orders of Connecticut de 1639). O constitucionalismo é a busca contra o arbítrio do poder. o constitucionalismo é associado a três idéias: • Garantia de direitos. Nessa época houve o surgimento das 1ªs constituições escritas. desde logo. Todas as experiências constitucionais estão ligadas a pelo menos uma das idéias acima. Contribuiu com 2 idéias fundamentais: i. no nível de princípios e valores ou de símbolos da Declaração de Independência. Por isso. Constitucionalismo clássico ou constitucionalismo liberal Surgiu a partir do final do século XVIII. fases pelas quais passou a constituição.

Ainda existe uma influência do positivismo na lei de introdução ao código civil: se não houver previsão na lei. Constituições da democracia racionalizada. que dizia que o poder constituinte tinha como titular a nação. A segunda geração está ligada à idéia de igualdade material e surgiu no constitucionalismo moderno. Os fatores que contribuíram para o surgimento do constitucionalismo contemporâneo foram: a. 4. Surgiu logo após o fim da 2ª Grande Guerra Mundial. a norma é o gênero e as espécies são os princípios e as regras. na época das Revoluções Liberais. A partir dessas novas idéias. sem força vinculante. Garantia de direitos. estabelecidos pela Constituição. No direito alemão havia diferença entre os seres humanos. foi o Abade Sieyès. Constituições de países subdesenvolvidos. Novas idéias foram surgindo. O principal formulador da Teoria do Poder Constituinte. Durante a 2ª Guerra várias atrocidades foram cometidas pelos nazistas e tudo com base na constituição. aplica-se a analogia. direitos fundamentais. havia regras. c. a Constituição não se contenta apenas em estabelecer as regras do jogo. d. algumas teorias foram alteradas: • Teoria da norma: a 1ª modificação foi com relação aos princípios. estabelecendo diretrizes. Rússia. Força normativa da constituição: antes. A primeira geração de direitos fundamentais surgiu na 2ª experiência. ela é um projeto político de transformação política e social que pretende participar diretamente do jogo. Dignidade da pessoa humana: passou a ser consagrada de forma expressa e passou a ser considerada um valor constitucional supremo. b. Idéias principais: i. Ex. É a nação que dá aos poderes constituintes legitimidade para atuar. ligada à idéia de liberdade. os costumes 6 . Konrad Hesse (1959) – fez uma palestra que se transformou em um livro que é um marco do direito constitucional. 3. PE e PJ). estarão subordinados a ela. Eram apenas uma diretriz. ii.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I francesa. diretrizes. c. Rematerialização constitucional: consagração de opções políticas. Constituições da democracia marxista ou socialista. Biscaretti de Ruffia – fala dos ciclos constitucionais (grupo de constituições que surgiram em determinada época). as constituições tinham caráter mais político. Uma constituição que não consagra direitos e não garante a separação de poderes não é uma constituição verdadeira. a. XX). Segundo a tradição francesa. ou seja. Não há diferença de dignidade entre as pessoas. mas essas não eram aplicadas a todos os seres humanos. Constitucionalismo moderno ou social Surgiu com o fim da 1ª Grande Guerra Mundial (início do séc. Dentro do constitucionalismo moderno há 4 ciclos constitucionais. Constitucionalismo contemporâneo ou neoconstitucionalismo (essa última denominação não é unânime). O ser humano é um fim em si mesmo. Todo ser humano tem dignidade e isso significa que o Estado existe para o cidadão. Esgotamento do aspecto fático da idéia liberal. A supremacia da Constituição está ligada à supremacia do Poder Constituinte. b. as quais são denominadas por pós-positivismo. Todos os poderes constituídos (PL. Hoje. Impossibilidade de atender as demandas sociais que abalaram o séc. a maioria da nação. A dignidade da pessoa humana é protegida a partir das garantias dos direitos fundamentais. As constituições cresceram demasiadamente (tornaram mais prolixas) após a 2ª guerra mundial. Separação de poderes. Constituições da democracia social. Começou a se falar em um direito moral. O Estado é um meio para atingir determinados fins. XIX. Na teoria clássica os princípios não eram considerados normas jurídicas. ao contrário do que ocorre com a norte-americana.

Eles são importantes. c. fala-se muito a respeito do ativismo judicial. Solidariedade. 7 . Aponta 7 valores fundamentais que as constituições do futuro devem consagrar: a. Decisão de 2008 – tratado internacional de direitos humanos tem status supralegal (controle de convencionalidade ou de supralegalidade). toda interpretação jurídica é uma interpretação constitucional. Na jurisprudência do STF. políticas: o STF vem decidindo sobre problemas da CPI.  Aplicação indireta negativa: Antes de aplicar uma lei analisa-se se essa lei é compatível com seu fundamento de validade (CR). pois esta é a concretização de um princípio geral. o judiciário aumenta sua força. que é aplicada mais às regras. José Roberto Dromi escreveu um artigo dizendo que no futuro haverá um equilíbrio entre os valores marcantes do constitucionalismo moderno e os excessos praticados pelo constitucionalismo contemporâneo. demarcação de reservas indígenas. Passou-se a se falar em métodos de interpretação constitucional a partir da 2ª guerra mundial. mas quem dirá o que ela é. d. verticalização. sociais: pesquisa com células tronco embrionárias. EUA: nós estamos submetidos à constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I e por último. tratado internacional tinha status de lei ordinária. Verdade. Para Barroso. espuma do chopp. f. • • 5. Vinícius – Gilmar Mendes – Abstrativização do controle concreto de constitucionalidade. de uma forma geral. etc. fidelidade partidária. As questões estão deixando de ser decididas no âmbito privado para serem decididas pelo judiciário. os princípios. Os princípios. b. etc. aborto no caso da acrania. Entre uma regra específica e um princípio geral. Alguns neoconstitucionalistas afirmam que hoje. Hoje. Ex. Consenso.  Aplicação direta da constituição. há uma euforia dos princípios. união homoafetiva. Quando o legislativo é fraco. Integração. Constitucionalismo do futuro. é o juiz. Para Paulo Bonavides. é o judiciário. O problema é que nem sempre o judiciário tem conhecimento técnico para decidir certas questões. Na Itália. g. Participação. Mas essa é uma posição muito radical. Universalização. e. o Judicialização das relações políticas e sociais: o direito está cada vez mais presente em questões políticas e cotidianas. os princípios gerais do direito tornaram-se os princípios constitucionais. 80% da legislação tem influência direta do direito internacional. aplica-se a regra específica.  Aplicação finalística: a outra hipótese é quando se interpreta a lei conforme a constituição: filtragem constitucional (passar a lei no filtro da constituição para extrair dela o seu sentido mais puro). Essa análise de compatibilidade é uma interpretação. Hoje. A aplicação da norma se dá pela subsunção. o Direito Internacional: atenção maior a esse direito. EC 45/2004 – tratados humanos poderiam ter status de EC. Ele atua como legislador negativo e positivo. mas dão uma margem de subjetividade muito grande aos juízes. Continuidade. Não se aplica diretamente a constituição. Teoria da interpretação: o Métodos: durante mais de 150 anos as constituições eram interpretadas por métodos desenvolvidos por Savigny no âmbito privado. Teoria das fontes: o Durante o positivismo jurídico o principal protagonista era o legislador. Teoria Concretista Geral. o Postulados ou princípios interpretativos (Humberto Ávila). são aplicados através de ponderação entre os princípios. Não se fala mais que o STF atua como legislador negativo. cotas em universidades..

por intermédio de seus representantes. CR. conforme o quadro a seguir: Democracia Representativa Democracia Direta CONSTITUIÇÃO – CONCEPÇÕES E CLASSIFICAÇÕES: Democracia Semidireta Ou Participativa “Sistema Híbrido” 8 . de acordo com o art. Podemos falar. do art. O titular do poder é o povo. a verdade.U. “é exercida por sufrágio universal e pelo voto direto e secreto. Act of Settlement de 1701. de forma expressa. 46. CR). Vale dizer. Habeas Corpus Act de 1679. o P. dá-se através dos representantes do povo. os deputados estaduais (âmbito estadual) e os vereadores (âmbito municipal). Contratos de colonização. Bill of Rights de 1689.709/98 (que regulamentou o art. a integração e a universalidade são perspectivas para o constitucionalismo do futuro. 1º da Lei 9. Constituição da Confederação dos Estados Americanos (1781). Constitucionalismo do futuro Constitucionalismo e Soberania Popular: A idéia de que todo Estado deva possuir uma Constituição e que esta deve conter limitações ao poder autoritário e regras de prevalência dos direitos fundamentais desenvolve-se no sentido de consagração de um Estado Democrático de Direito (☺art. a continuidade. II e III. Compact (1620). nos termos deste lei e das normas constitucionais. verdadeiro sistema híbrido. Declaration of Rights do Estado da Virgínia (1776). nos termos desta Constituição”. Como regra. 1º. o exercício deste poder. mencionado artigo distingue titularidade de exercício do poder. caput. concretizando a soberania popular. a solidariedade. Além de desempenhar o poder de maneira indireta (democracia representativa). que a CR/88 consagra a idéia de democracia semidireta ou participativa. CR) e. que o exerce por meio de seus representantes eleitos ou diretamente. 1º da Constituição concretiza que “todo poder emana do povo. 14. Carta outorgada por Carlos II (1662). segundo o art. a participação. referendo e iniciativa popular”. mediante: plebiscito. I. Assim. que.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Esquematização do constitucionalismo (livro do Pedro Lenza): Momento histórico Antiguidade Idade Média Idade Moderna Constitucionalismo norte-americano Constitucionalismo moderno Constitucionalismo contemporâneo Documentos e Características marcantes “lei do Senhor” – hebreus – limites bíblicos Democracia direta – Cidades-Estados gregas Magna Carta de 1215 Pactos e forais ou cartas de franquia. Constituição norte-americada de 1787 Constituição francesa de 1791 Totalitarismo constitucional Dirigismo comunitário Constitucionalismo globalizado Direitos de segunda dimensão Direitos de terceira dimensão (fraternidade e solidariedade) Consolidação dos direitos de 3ª dimensão Segundo Dromi. com valor igual para todos. que são os deputados federais (âmbito federal). portanto. Os senadores da República Federativa do Brasil representam os Estadosmembros e o DF. Fundamental Orders of Connecticut (1662). pertinentes. então. Petition of Rights de 1628. o povo também o realiza diretamente (democracia direta). de soberania popular. cujo titular é o povo.

A Constituição Escrita. os direitos fundamentais. como por ex. → Segundo Hans Kelsen. quando não corresponde à Real. portanto. que está dentro da Constituição não seria Constituição propriamente dita. a Constituição Real ou Efetiva é a soma dos fatores reais de poder que regem uma determinada nação. ou seja. formalmente iguais (fazem parte de um mesmo documento. na qual ele falou pela primeira vez sobre esta concepção. ela encontra o seu fundamento no próprio direito (e não na sociologia. Ela tem dois grandes expoentes: o austríaco Hans Kelsen e o alemão Konrad Hesse (que têm idéias diversas. Ele faz uma diferenciação entre a Constituição Real (ou efetiva) e a Constituição Escrita. para ele. Para entender tal concepção. quando passou a ser mais presente a “normatividade da Constituição”. PL.. é puro dever-ser (não pertence ao mundo do ser como quer Ferdinand Lassale). a Constituição é norma pura. tudo que não decorre de uma decisão política fundamental (ex. e eventualmente o Poder Moderador) – são as chamadas “matérias constitucionais”. 2) Política: defendida por Carl Schmitt (1929). A Constituição Escrita só terá valor e efetividade se corresponder à Real. a Constituição Real sempre irá prevalecer sobre a Constituição Escrita. As leis constitucionais são todo o restante. pois são constitucionais pela forma e não pela matéria de que tratam. Esta é a concepção que hoje prevalece. É importante relacionar o nome da concepção ao seu principal expoente ou defensor (isso é muito cobrado nas provas objetivas). Segundo ele. na política ou na filosofia). que surgiram com as constituições mais prolixas. 1°. CF/88 é matéria constitucional e é formalmente constitucional – organização do Estado brasileiro. Constituição e leis constitucionais são. CR – que fala sobre o Colégio Pedro II) – as leis constitucionais estão relacionadas ao conceito formal de Constituição. Os fins do Estado são diferentes de estrutura. §2º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Concepções de Constituição: As diferentes formas de se compreender o Direito acabam por produzir diferentes concepções de Constituição. que adota o conceito decisionista de constituição. Esta concepção atualmente é inadmissível. caso contrário. é importante fazer uma distinção entre Constituição propriamente dita e Leis Constitucionais: Constituição é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental (o fundamento da Constituição é a decisão política que a antecede). as normas referentes à estrutura do Estado e a organização dos Poderes (PE. não passaria de uma simples “folha de papel”. pela forma como a Constituição encontra o seu fundamento na visão de cada autor. têm a mesma forma de elaboração). Aqui é importante fazer uma distinção entre a Constituição em sentido lógico-jurídico e Constituição em sentido jurídico-positivo: 9 . O fundamento da constituição está nos fatores sociais. Essas normas são programáticas. Objetivos fundamentais também são normas programáticas. ou seja. o restante. Toda a Constituição. mas materialmente distintas. foi realizada em 1862 (por isso já é ultrapassada). a que Carl Schmitt chama de Constituição. 1) Sociológica: seu principal expoente é Ferdinand Lassale. As questões acerca das concepções passam pelo fundamento. na sociologia. a Constituição é um conjunto de normas como as demais leis. (13/02/09) 3) Jurídica: surgiu após a 2ª GM. As normas que estabelecem os fins do Estado são apenas formalmente constitucionais. a Constituição Real de um Estado não é a que está escrita num papel. mas apenas leis constitucionais. o caráter normativo e vinculante da Constituição. O art.: art. mas ambos têm como fundamento a concepção jurídica de Constituição). Tudo que está no texto da constituição é formalmente constitucional. conforme o prisma de análise. A conferência realizada por ele. mas a feita por aqueles que detêm os fatores reais de poder na sociedade (somatória dos fatores reais do poder dentro de uma sociedade). é vinculante e obrigatória. com exceção do Preâmbulo. 242. PJ.

a Constituição em sentido lógico-jurídico é a “norma fundamental hipotética”: é fundamental porque é o fundamento da Constituição em sentido jurídico-positivo (está acima do topo da pirâmide. e também jurídico. portanto.a Constituição em sentido jurídico-positivo é o documento constitucional que conhecemos. tem aspecto político (tem conteúdo eminentemente político – conforme afirma Canotilho. seja pela introdução de novos elementos através de emendas. ela não existe na realidade. quais sejam: . A CR/88. é um elemento conformador. é: todos devem obedecer a Constituição. condicionante desta mesma cultura.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . modificando-a. segundo esta concepção. O papel do direito constitucional é dizer aquilo que deve ser (e não o que é). 4) Culturalista: remete ao conceito de “Constituição Total”. todos os setores da vida social. seja em razão do trabalho do Poder Constituinte Originário. é a Constituição escrita (CR/88). só é constitucional o que estiver inserido na Carta Maior.Soberania. . que é aquela que não se contenta apenas em estabelecer as relações de poder. devendo ser lembrado que o Brasil adotou o sentido formal. Apesar de muitas vezes sucumbir à realidade. desde que observadas as regras colocadas pelo Originário. Basta que para isso exista “vontade de Constituição” e não apenas “vontade de poder”. não está escrita. Esta concepção na verdade reúne todas as demais concepções anteriormente estudadas. . 10 . a Constituição é um estatuto jurídico e um fenômeno político). É preciso pressupor uma norma fundamental para que haja o cumprimento da própria Constituição (já que para todas as outras normas haverá a Constituição que obrigará o seu cumprimento).Território. posta pelo Estado). por isso não tem nenhum expoente específico. . Gilmar Mendes). e a Constituição tem uma força normativa capaz de conformar a realidade. ao mesmo tempo.Povo. . define tais elementos estruturais. mas que trata de todos os aspectos. Seu único comando. → Já Konrad Hesse (1959) desenvolve a concepção de “força normativa” da Constituição (nome do livro traduzido para o português pelo Min. Ou seja. não introduz nenhuma novidade. qual seja. é uma norma pressuposta. a Constituição tem sim fundamento sociológico. Chama-se concepção “culturalista” porque a Constituição é condicionada por uma determinada cultura e. é apenas uma pressuposição. a Constituição possui uma força normativa capaz de conformar esta mesma realidade. Sociológica (Ferdinand Lassale) Política (Carl Schimitt) Concepções Jurídica (Konrad Hesse e Hans Kelsen) Culturalista Aspectos conclusivos: A Constituição deve trazer em si os elementos integrantes (componentes ou constitutivos) do Estado. neste sentido.Finalidade. os fundamentos são complementares e não antagônicos entre si (um complementa o outro).

. o apelido de “Cartas Constitucionais”. mas afirmar isso seria um rigorismo excessivo. pelo agente revolucionário (grupo ou governante). No Brasil. 1967.histórica: a Constituição que vai se formando lentamente. .não codificadas (ou legais. Constituição Espanhola/1930. popular: é feita por representantes do povo (titular do Poder Constituinte) e estes representantes têm que ser eleitos para o fim específico de elaborar a Constituição. Mesmo submetida a plebiscito ou referendo.. Constituição Cezarista é uma constituição outorgada. 3) Quanto à origem: . ou variadas): ex. Alguns autores afirmam que a nossa Constituição não seria democrática porque na Assembléia Constituinte alguns parlamentares não foram eleitos para este fim específico de promulgar a Constituição.pactuada: surge através de um pacto entre o rei e a assembléia. .não escrita/consuetudinária/costumeira: a Constituição Inglesa. como é o caso da CR/88 (que surgiu em 05/10/88). Constituição da Alemanha Nazista/1934 (existiam várias leis esparsas tratando da matéria constitucional). 11 . Por isso mesmo. como por ex. de maneira unilateral. 4) *Quanto ao modo de elaboração: . 2) Quanto à sistemática: as Constituições Escritas se sub-classificam quanto à sistemática. consuetudinária (não é escrita). por alguns estudiosos.codificadas (ou reduzidas): a Constituição se apresenta como um código. O que caracteriza um código é a sistematização de suas normas. Ex.democrática. surge em um só momento. . são aquelas em que o poder constituinte originário se concentra nas mãos de mais de um titular. dificilmente ajustando-se à noção moderna de Constituição. 1937. as constituições outorgadas foram as de 1824. é fruto das idéias. 1) Quanto a forma: essa classificação é bastante criticada. É uma aprovação simbólica).escrita: a Constituição brasileira se apresenta basicamente de forma escrita. de uma só vez. . não surge de uma só vez em um só momento. a classificação irá ajudar a compreender a constituição. Nesse caso. intimamente associada à idéia de unidade do poder constituinte. promulgada. que para tentar dar legitimidade a essa constituição imposta é submetida a um plebiscito (consulta prévia) ou referendo (consulta posterior). trata-se de modalidade anacrônica. pois toda constituição é escrita e não-escrita. votada.dogmática: sempre escrita. a constituição não se torna democrática.outorgada: é a constituição imposta. dos dogmas predominantes naquele momento histórico. por ex. a Constituição Inglesa. . . A CR/88 é democrática porque foi elaborada por representantes eleitos especificamente para este fim (Assembléia Nacional Constituinte). há pouco espaço para se ter costumes como regras. podendo ser: . e como é bastante prolixa. tem também vários documentos escritos. Obs.: as constituições outorgadas recebem. como o é a nossa CRFB/88 (que se divide sistematicamente de forma codificada). Ex de costume constitucional no Brasil é o voto de liderança (Determinadas matérias sobre as quais há consenso.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Classificações das Constituições: Uma classificação deve ser lógica e ter utilidade. toda Constituição histórica é costumeira. que não recebeu do povo a legitimidade para em nome dele atuar. quem vota a matéria são as lideranças.

reformas tributária e política estão sendo discutidas há muito tempo. 8) Quanto à função ou estrutura: 12 .concisa/sintética/sucinta/sumária/breve/clássica: são breves. mas não são realizadas porque são matérias formalmente constitucionais. Alexandre de Morais faz a seguinte classificação: a Constituição rígida que possui cláusulas pétreas (como a CR/88) seria denominada de super-rígida. O parlamento desempenha uma função constituinte permanente (não existe poder reformador).rígidas: CR/88 – só podem ser alteradas por um procedimento de alteração mais dificultoso do que aquele apropriado para a alteração das leis. É uma classificação típica das constituições costumeiras. Como se submete a esse tratado internacional. sendo assim. Não existe controle de constitucionalidade das leis.constituição em sentido material: que se identifica pelo seu conteúdo. Não existe hierarquia da constituição em relação às leis. .: a Constituição dos EUA). porque as primeiras constituições criadas só tratavam desses temas (ex. . (Obs. Ex.semi-rígidas ou semi-flexíveis: possui uma parte rígida e outra parte que é flexível. mas sim o processo mais dificultoso. .: art. bem como de matérias materialmente constitucionais (ex.) . São chamadas também de clássicas. É uma constituição em sentido material. Atenção: a Constituição em sentido formal abrange as matérias típicas das Constituições em sentido material. O objetivo de aumentar as constituições é conferir mais estabilidade a certos assuntos.prolixas/analíticas/regulamentares: é a tendência das constituições atuais. Constituição Inglesa.imutáveis: Constituição que não poderia ser modificada sob pena de punição pelos deuses. 7) Quanto ao conteúdo ou quanto à identificação das normas: .constituição em sentido formal: que se identifica pela forma de sua elaboração (e não pelo seu conteúdo). Dão maior proteção e estabilidade às matérias por elas consagradas. E por isso surgiram as classificações: constituição em sentido formal e material. inclusive a CR/88).fixas: não poderiam ser modificadas. 1º. tratam apenas dos princípios gerais das matérias constitucionais. . . Estrutura do Estado e Organização dos poderes – DEO). Por este motivo. sucintas. uma parte deve ser alterada por um processo mais dificultoso e outra parte pode ser alterada assim como as leis. como é o caso da CR/88. deixou de ser considerada flexível. por isso não é correto afirmar que a CR/88 é tanto Constituição em sentido formal como em sentido material. a Inglaterra aderiu ao Tratado “Human Rights Act”. O que é correto afirmar é que a CR/88 trata de matérias formalmente constitucionais. Ex. 6) Quanto à extensão (quanto ao tamanho): . sem se preocupar com os detalhes. pela sua matéria (o conteúdo típico de uma Constituição é: Direitos fundamentais. CR).: essas duas primeiras classificações não são mais utilizadas) . Comparação entre grau de dificuldade na modificação de leis constitucionais e infraconstitucionais. Constituição de 1824: dividia a constituição em duas partes. Ex. passou a haver hierarquia entre as normas. É uma constituição em sentido formal. Em 2000. independentemente do assunto de que trata (se está na CR é norma formalmente constitucional). O são todas as constituições criadas após o fim do período das ditaduras militares e após a 2ª Guerra Mundial (todas as da América Latina. Atenção: não é o fato de possuir cláusulas pétreas que caracterizam a rigidez.flexíveis: processo legislativo idêntico ao processo legislativo ordinário. ou seja. portanto muito difícil de serem modificadas. Constituição no Brasil é aquilo que foi feito pelo Poder Constituinte de 1988.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 5) **Quanto à estabilidade ou plasticidade: (faz-se uma comparação entre a Constituição e as leis de um determinado país e não entre uma Constituição de um país e a de outro – está relacionada ao grau de dificuldade de modificação da Constituição.

o DF. Ecléticas. Rígidas. Trata-se daquela Constituição que dirige os rumos do Estado (ela própria – não atribui essa direção aos poderes). Constituição programática (ou dirigente). QUANTO À ORIGEM: Outorgadas (ou impostas). 59 e segs. QUANTO AO MODO DE ELABORAÇÃO: Dogmáticas.dirigente (programática): expressão trazida pelo prof.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . pois valem a todos os entes federados. QUANTO À DOGMÁTICA: Ortodoxas. dogmáticas. prolixa. dirigente e eclética e compromissória (surgiu de vários compromissos). CR.: a CR/88 é ainda Eclética. que na verdade é uma tradução equivocada de um termo inglês). QUANTO À SISTEMÁTICA (ou quanto à unidade documental): Codificadas (orgânicas ou unitextuais). 13 . básicas ou clássicas). o de proteger e garantir as liberdades individuais em face do Estado. e não de apenas uma ideologia.: art. OBS. Flexíveis (ou plásticas). 3º. Característica das constituições clássicas.: art. que surgiram com um objetivo pré-definido. Prolixas (analíticas ou regulamentares) Constituição: • Nacional: normas de caráter nacional. ☺Quadro – Classificação das Constituições: QUANTO À FORMA: Escritas. Ex. a atual Constituição brasileira pode ser classificada como: escrita. (processo legislativo). o Estados. Semi-rígidas (ou semiflexíveis). A Constituição seria uma moldura dentro da qual os poderes públicos poderiam agir (por isso se usa o termo “quadro”. rígida (ou super-rígida). → Considerando algumas das espécies supramencionadas. o Municípios. • Federal: dentro da Constituição há normas que são apenas da União. QUANTO À FUNÇÃO (ou estrutura): Constituição-garantia (ou Constituição-quadro). votadas ou promulgadas). É também chamada de programática porque os rumos do Estado são dados por normas programáticas (mas atenção: o programa de ação traçado por uma norma não é uma diretriz que o poder público segue ou não ao seu bel prazer. Constituição em sentido formal. As normas que estabelecem os meios geralmente são NE Plena ou NE Contida. porque é fruto de várias ideologias. União.garantia (quadro): tem por finalidade apenas proteger direitos. democrática. Não-escritas (inorgânicas. que traça os objetivos da República Federativa do Brasil). Históricas. É a CR/88. sucintas. formal. Nãocodificadas (inorgânicas pluritextuais ou legais). dogmática. Democráticas (populares. mas sim uma obrigatoriedade!). QUANTO À EXTENSÃO: Concisas (breves. Pactuadas (ou pactuais). sumárias. QUANTO À IDENTIFICAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS (ou conteúdo): Constituição em sentido material. codificada. costumeiras ou consuetudinárias). o União. QUANTO À ESTABILIDADE (mutabilidade ou plasticidade): Imutáveis. As normas programáticas estabelecem uma obrigação de resultado e não de meio (diz que tipo de resultado o Estado deve buscar e não o meio pelo qual o fará. como por ex. Fixas. . Canotilho.

§3º). as medidas provisórias. basicamente. I) e os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos. Quando alguns autores dizem que os princípios são superiores às regras. enquanto as regras são mais específicas. O Princípio que afasta a tese de hierarquia entre as normas da CR/88 é o Princípio da Unicidade. o indireto. → CR/88 → ANP → ANS ANP = retiram seu fundamento de validade diretamente da CR/88 – estão ligados diretamente à CR (são: LO. as leis delegadas. princípios ou regras. cláusulas pétreas ou demais dispositivos. encontram-se as normas constitucionais originárias. DL e Resoluções – ☺art. distritais e municipais. obrigatoriamente escrita. uma Constituição só possui relevância sociológica. a Constituição. se tiver também supremacia formal.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HIERARQUIA DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Supremacia da Constituição: A supremacia material da constituição é um atributo de toda Constituição. Dentre eles estão as leis em sentido estrito (leis federais. O sistema jurídico pátrio pode ser representado por uma pirâmide imaginária composta. cujo fundamento de validade são as leis e. 5º.343/SP. eles se referem ao seu conteúdo axiológico e não ao jurídico. Hierarquia dos Tratados Internacionais: A questão foi resolvida no RE 466. 59. No escalão intermediário situam-se os atos normativos primários. aprovados pelo quorum de 3/5 e em 2 turnos de votação (☺art.: decretos e regulamentos. por 3 níveis hierárquicos. direitos fundamentais ou não. a Constituição tem que ser rígida. que existem como complementação dos ANP). Possuem tripla hierarquia no direito brasileiro: 14 . No topo. Localizados na base da pirâmide estão os decretos e regulamentos. que têm a Constituição como fundamento imediato de validade. ordinárias e complementares). do Senado e do Congresso Nacional (☺art. tem de ser. as derivadas (art. porque os princípios têm maior amplitude. Importa dizer. 59. por ser rígida. LC. ANS = retiram seu fundamento de validade direto dos ANP e de forma indireta da CR/88 (ex. II a VII). MP. estaduais. CR). Leis Delegadas. Não existe hierarquia entre as normas de uma constituição. sejam elas originárias ou derivadas. os decretos legislativos e as resoluções da Câmara. No entanto. que a CR/88. Para que exista supremacia formal. para fins de controle de constitucionalidade. 59.

Quando não exigir LC.☺Art. Vinícius – Obs 1: Na prática inviabiliza a Constituição. Obs 2: LFG ressalta 2 possibilidades de supra-constitucionalidade. Não varia. Cabe controle de legalidade (discussão incidental). o que significa que ela poderá ser revogada por outra lei ordinária. ambas possuem campos materiais distintos estabelecidos pela Constituição. Ambas retiram seu fundamento de validade da Constituição. o que o TI inviabiliza é a aplicação da lei e não da Constituição. iii) TI de outros assuntos (aprovados por maioria relativa): status de LO. 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros) Maioria Absoluta (+ de 50% dos membros). Residual. OBS: O art. Lei Ordinária X Lei Complementar: Na doutrina ainda existe conflito se há ou não hierarquia entre essas espécies normativas. 47 é a regra geral. Leis delegadas. 69.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I i) TI de Direitos Humanos aprovados por 3/5 e 2 turnos: equivalentes a EC . é sempre o mesmo número ☺Art.status constitucional. Anotar como complemento posteriormente. mas somente uma recomendação. ii) TI de Direitos Humanos aprovados por maioria relativa: status supralegal. Por ser uma matéria reservada. por isso não entendo como pode tamanho formalismo. O tratado serve como parâmetro para o controle de constitucionalidade. só ficando afastado quando houver previsão legal especifica como no caso do art. esta lei formalmente complementar será materialmente uma lei ordinária. que regula a LC. Cabe controle de convencionalidade ou de supralegalidade (discussão incidental). 47. Não há hierarquia porque uma não é fundamento de validade da outra (LC não determina a forma e nem o conteúdo de LO). ☺Quadro: Iniciativa: Quorum de votação (de instalação): (n° de parlamentares que têm de estar presentes para instaurar a seção) . por uma questão de economia legislativa.☺Art. MPs. 69. ela não pode ser tratada por leis ordinárias. STF e STJ já são pacíficos em afirmar que não há hierarquia entre LC e LO. a previsão constitucional exige complementação.  Diferença Formal = quórum de aprovação  Diferença Material = Matéria Pergunta: Uma LC pode tratar de matéria de LO? Resposta: A LC pode tratar de matéria residual (LO) sem ser invalidada. No caso da prisão civil por dívida. No entanto. 47 Quorum de aprovação: (n° de parlamentares que têm de votar para aprovar a matéria) Matéria: Lei complementar Art. Essa aprovação não é obrigatória. É variável porque depende do n° de parlamentares presentes . 61 CR/88 Maioria Absoluta (+ de 50 % dos membros) Maioria Relativa (+ de 50% dos presentes). Portanto. Pergunta: Pode uma LO tratar de matéria de LC? 15 . Reservada pela CR/88. Lei ordinária Art.

16 . • Estado – ☺Art. • União – ☺Arts. 22 e 48  Lei Federal Para resolver o conflito de competência (repartição horizontal) entre essas leis. Assim. como a CR/88 é o fundamento de validade de todas elas. d. A União estabelece normas gerais e os Estados exercem competência suplementar. E. Lei Estadual e Lei Municipal: A CR/88 estabelece campos materiais distintos para cada uma destas leis. Conclusão: um ato só pode ser objeto de ADIN se estiver ligado diretamente à Constituição. assim. Parei aqui. 21. há hierarquia. 25. III. pois não está ligada diretamente à Constituição. § 1° (matéria residual) • Município – ☺Art. não cabe ADIN. a competência para resolução é do STF. A relação aqui é de competência vertical e representa uma exceção à não hierarquia! CR/88 ↓ União – edita normas gerais (§1º) ↓ Estados e DF – têm competência suplementar (§2º) Neste caso. nenhum outro ato normativo pode tratar de matéria de LC (nem mesmo medida provisória ou tratado internacional). se uma lei estadual trata de uma matéria de forma contrária à norma geral (União). CR. Vinícius – Por isso que norma municipal é objeto de ADPF? Olhar isso depois. ☺Art. Estado tem que respeitar o conteúdo da norma estabelecida pela União. conforme previsto no art. 102. pois aqui o fundamento de validade é diretamente a CR.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Resposta: Não. Para resolver esse conflito é necessário interpor RE ao STF (não é mais competência do STJ). Assim. 24 CR/88 = Matérias de competência legislativa concorrente não cumulativa (U.: lei estadual trata de matéria de competência da União). 30 (assunto de interesse local). deve-se verificar para quem a CR/88 estabeleceu a competência. Hierarquia entre Lei Federal. no caso de repartição vertical. Havendo conflito (ex. não há hierarquia (trata-se de competência horizontal). como o controle exercido será de constitucionalidade. a lei federal determina o conteúdo da lei estadual. DF).

portanto.Objeto → ato do poder público que vai sofrer o controle (é aquilo que pode ser questionado através do controle). Não existe. Com a EC/45. A constituição só fala em inconstitucionalidade de atos dos poderes públicos. tem que ser uma norma formalmente constitucional (seu conteúdo a princípio não tem relevância). Parâmetro (normas de referência): O controle de constitucionalidade tem dois elementos fundamentais: parâmetro e objeto. que se refere a ele como sinônimo das normas para parâmetro. quando são equivalentes às EC. BLOCO DE CONSTITUCIONALIDADE (Louis Fraudred): É uma expressão que fazia referência às normas do ordenamento jurídico francês que tivessem status constitucional. . A CR/88 pode ser divida em: a) Preâmbulo = consagra os valores supremos da sociedade. etc. Assim. Para que uma norma sirva de parâmetro para o controle. para alguns é amplo e para outro é mais restrito. . Como não tem caráter normativo. normas foram acrescentadas ao ADCT para transição entre as normas antigas e as novas. mas também aquelas que tratem de matéria constitucional mesmo que fora da constituição. . Abrangeria não somente a constituição. os TI de direitos humanos. não serve de parâmetro para controle de constitucionalidade (não tem caráter normativo. mas também o preâmbulo. visando assegurar a supremacia da constituição.Parâmetro → é a norma constitucional que serve de referência para o controle de constitucionalidade (normas constitucionais que podem gerar a inconstitucionalidade).Amplo: engloba não apenas normas formalmente constitucionais. inclusive os princípios implícitos também podem – ex. tem função interpretativa). a todas as normas do Ordenamento Jurídico brasileiro que tenham status constitucional. b) Parte permanente = normas gerais – arts. Também para os casos de grande mudança constitucional Ex: quando da reforma administrativa. Refere-se. como para Canotilho. todas as demais normas servem como parâmetro (e não só as normas expressas. desde que aprovados por 2/3 e em 02 turnos. é diretriz hermenêutica. ou seja. este parâmetro foi ampliado também para os TIDH. A supremacia que o controle de constitucionalidade visa assegurar é a constitucionalidade FORMAL. deve estar inserida no texto da CR. 17 . o controle de constitucionalidade pode ser conceituado como o conjunto de mecanismos (instrumentos) criados para assegurar a supremacia formal da Constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE: Conceito: Consiste na fiscalização da compatibilidade entre condutas (comissivas ou omissivas) dos poderes públicos e os comandos constitucionais. OBS: Não existe inconstitucionalidade de atos dos particulares. proporcionalidade) já que todas são formalmente constitucionais. consenso doutrinário no Brasil sobre o conteúdo desde bloco. c) ADCT = normas de transição entre a constituição antiga e a nova. 1° a 250 (para perder eficácia tem que ser retirados por EC). contudo. o CDC. Tirando o preâmbulo. seja uma norma de referência para ele.

61. art. Formas de Inconstitucionalidade: 3.: as normas de princípio institutivo podem ser: facultativas (não geram omissão inconstitucional) ou impositivas (geram omissão inconstitucional).: nem toda norma de princípio programático gera um direito subjetivo. não será cabível mandado de injunção. 5. Obs. Celso de Melo utiliza esta expressão como sendo sinônimo de parâmetro (normas formalmente constitucionais).Restrito: o bloco é utilizado como parâmetro do controle de constitucionalidade. Dependem do prisma de observação.de princípio institutivo (Obs. 4 e 5. as normas constitucionais que podem gerar uma omissão constitucional são somente as NEL: . aliás. as Súm. AIO.Inconstitucionalidade Formal Objetiva: Relacionada ao processo em si de elaboração do ato. ocorre quando não é respeitada uma norma que diz respeito a alguma formalidade do procedimento em si (☺ art.3) Quanto a extensão da inconstitucionalidade: Servem tanto para inconstitucionalidade por ação como por omissão. CR). ou seja. se considerar um artigo em relação a uma lei é parcial. Pois o poder público também agiu de forma inconstitucional ao legislar de forma incompleta. b) Parcial: atinge apenas uma parte da lei ou do ato normativo. e Não Bastante em Si.: a Súm. Assim. 3. STF foram abandonadas após a entrada em vigor da CR/88. quando não é respeitada uma norma de competência. se considerar em relação a uma expressão é total. . mas caberá ADIN por omissão).1) Quanto ao tipo de conduta dos poderes públicos: a) Inconstitucionalidade por ação: quando o poder público pratica uma conduta incompatível com a constituição. A omissão parcial nada mais é que uma ação. STF não é mais aplicada. mas o prof. Ex.de princípio programático. Ou seja. 18 .Inconstitucionalidade Formal Subjetiva: Se refere ao sujeito competente para elaboração da norma. não foi recepcionada pela CR/88 (o vício de iniciativa é insanável. ADI. MI. Aqui. ou seja. b) Inconstitucionalidade por omissão: quando o poder público se omite e não pratica um dever imposto pela constituição. atinge uma norma constitucional que cria algum direito ou dever (ex. 3. 69 – desrespeito a quorum de aprovação. não pode ser suprido pela sua sanção). I – que exige LC para instituir impostos residuais). Pode ser: . No STF. Assim. 154. Os Estados podem criar a ação de inconstitucionalidade por omissão. às vezes. . Não Auto-aplicável. ao procedimento de elaboração de uma norma (aspecto de elaboração do ato). pois. há uma divergência na doutrina. 3. diz que essas normas geram omissão inconstitucional sim. 5° a 17). §1º.: competência privativa do PR (☺art. o Min.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . a) Total: atinge toda a lei ou ato normativo. A parcial se confunde com a inconstitucionalidade por ação. Ex. b) Material: Se relaciona a uma norma de fundo da constituição e não a uma norma de procedimento. ADC e ADPF.: direitos fundamentais estabelecidos nos arts. A inconstitucionalidade por omissão só ocorre quando houver descumprimento a: Norma de eficácia Limitada. Em regra decorre de vício material (viola direito fundamental). Não Auto-executável. (Obs. Ex. ocorre.2) Quanto a norma constitucional ofendida: (parâmetro constitucional violado) a) Formal: é aquela que atinge uma norma que se refere à forma. Em regra a inconstitucionalidade formal gera inconstitucionalidade total.

mas que se tornam incompatíveis com o novo parâmetro (ex. decretos regulamentares. OBS: No Brasil não se adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente. Não é o que ocorre quando o ato se torna incompatível com a constituição. mas sim de não recepção! (18/02/09) 3. 59. a inconstitucionalidade será indireta. pois a atos posteriores ao parâmetro (ex. desde que estes estejam diretamente ligados à CR. Quando se fala em inconstitucionalidade. pode ser questionado. o STF poderá utilizar a técnica judicial da inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração. ou seja. o que houve foi um desrespeito à Constituição. pois. refere-se.: Lei de 1990 que é incompatível com a CR/88). que são atos ligados diretamente a constituição (cabe ADI). b) Indireta: refere-se a Ato Normativo Secundário. e grande parte da doutrina. toda alínea ou todo inciso (☺art. reflexamente (ou de maneira 19 . CR. Não se pode confundir a declaração de inconstitucionalidade com o Veto Parcial. já sendo inconstitucional desde a sua origem. Inconstitucionalidade direta ou antecedente – ligada ao um ANP. mas não por ADI ajuizada para declarar a inconstitucionalidade da lei. Desde que a frase permaneça com o mesmo sentido. de ofício ou a requerimento da parte. deve-se analisar quando o parâmetro foi elaborado. No caso do decreto.: poderá ocorrer a inconstitucionalidade direta de um decreto ou de uma portaria. atos previstos no art. A inconstitucionalidade poderá então ser: a) Inconstitucionalidade Originária: lei posterior à CR/88 e que nasce incompatível com ela. Ex.: existência de uma Lei de 2005 que é compatível com a Constituição. os atos originariamente constitucionais que se tornam incompatíveis com a CR são por ela revogados. o decreto não pode ser objeto de ADI sozinho. aos Atos Normativos Primários. a inconstitucionalidade formal gera a inconstitucionalidade total e a inconstitucionalidade material gera a inconstitucionalidade parcial. que só pode atingir todo artigo. Relaciona-se. não podendo incidir sobre parte do dispositivo.5) Quanto ao Prisma de Apuração: a) Direta/Antecedente: ocorre quando o ato está diretamente ligado à CR. Para o prof. b. não pode ser retirada). o decreto se torna inconstitucional. mesmo sem ter sido provocado para declarar a inconstitucionalidade do decreto. não se trata de revogação. como altera sentido do texto. Ex. a inconstitucionalidade será direta.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Geralmente. Segundo STF. § 2°). Pode ser: b. 3. Em conseqüência da inconstitucionalidade da lei. No caso da lei. Se o decreto é ilegal. Assim.2) Indireta Reflexa/oblíqua: aqui existe uma lei compatível com a constitucional (lei não inconstitucional) e um decreto ilegal. desde que a declaração de inconstitucionalidade dessa palavra ou expressão não altere o sentido da frase (ex. b) Inconstitucionalidade Superveniente: lei anterior à CR/88. Pergunta: Pode o STF declarar a inconstitucionalidade de apenas uma palavra ou expressão da norma? Resposta: Sim. Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: quando a inconstitucionalidade de um decreto é conseqüente da inconstitucionalidade de uma lei. posteriormente vem uma EC superveniente que torna a lei de 2005 incompatível com a CR/88). todo parágrafo.4) Quanto ao Momento: Para se saber o momento em que ocorre a inconstitucionalidade. que se ligam indiretamente à constituição. ato originariamente constitucional. no controle concentrado abstrato. Obs.: a palavra “não”. ou seja. 66.1) Indireta Conseqüente: aqui existe uma lei inconstitucional e um decreto regulamentando essa lei.

Todo decreto ilegal não cumpre a fiel execução. 84. Quando um decreto feito pelo presidente estiver regulamentado diretamente a Constituição e a violar. 66. pois pode ser derrubado (☺art. CR). ele não precisaria impetrar o MS. prevenir que a CR seja violada. No 1° caso. OBS: não adianta decorar o nome do ato. bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução. a única hipótese é o MS que só pode ser impetrado por parlamentar. mas uma mera análise política. Cada órgão do PL tem uma CCJ para exercer esse controle de constitucionalidade. assim. embora participe do processo legislativo. ela não está violando o direito de ninguém).sancionar. 84.. O veto é relativo. §2º. mas sim analisar cada caso concreto. ele deve apenas vetar o projeto de lei por inconstitucionalidade (e se o veto dele for derrubado. é o parlamentar (que é legitimado ativo exclusivo). é fundamento de validade direto e no 2° caso. CR/88 (não cabe ADI em hipótese alguma. O único legitimado para impetrar esse MS. quando não for observado o devido processo legislativo constitucional (a observância do devido processo legislativo configura um direito público subjetivo). O chefe do PE. Art. portanto. não existe veto tácito (a sanção é que poderá ser tácita – prazo de 15 dias). O controle preventivo pode ser exercido tanto pelo PL. o projeto 20 . mas todo projeto de lei passa pelo controle do PE. para ver se a ligação do ato é direta ou indireta com a Constituição. CR.: no período da vacatio legis não caberá nenhum tipo de controle (se a lei não está vigente ainda. se ele entender que o projeto é inconstitucional. 60 parag 4. por isso ocorre antes da promulgação da lei. tem fundamento de validade indireto. IV . porque o chefe do PE. A CR é o fundamento de validade de todos os atos jurídicos. através da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). Obs. 66. já está na fase de sancionar ou vetar o projeto.Poder Legislativo: o PL sempre vai exercer esse controle quando se tratar de projeto de lei ou proposta de emenda. . porque ele é o único que participa do processo legislativo. por isso aqui não há que se falar em controle).Poder Judiciário: o controle pelo PJ é raríssimo. Formas de Controle de Constitucionalidade: 4.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I oblíqua) será inconstitucional. é excepcional.1) Quanto ao momento em que o controle é exercido: a) Preventivo: É o controle feito para prevenir uma lesão à CR. O veto tem que ser expresso. IV. Caso contrário. que se exerce através do veto (☺art. porque o ato não fere diretamente a CR). Trata se de um controle incidental. O veto pode ser total ou parcial (desde que incida sobre todo o art. segundo o STF. a inconstitucionalidade será direta. quando ele participa do processo legislativo.Poder Executivo: o PE não exerce controle quando se tratar de proposta de emenda (a PEC não tem nem sanção nem veto do chefe do executivo). a inconstitucionalidade é indireta. EX:art. inciso ou alínea). não pode impetrar o MS. viola o art. parágrafo. .ou concreto. já que de maneira indireta. promulgar e fazer publicar as leis. como pelo PE e PJ: . CR) – o veto se dará em duas hipóteses: se o projeto de lei for inconstitucional (veto jurídico) ou se for contrário ao interesse público (veto político – aqui não há um controle de constitucionalidade.

se as normas constitucionais fizerem referência expressa a outras disposições normativas. universal e periódico. 21 . pois não se trata de ato normativo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de lei deixa de ser projeto e vira lei. a extensão do controle sobre aspectos discricionários concernentes às questões políticas e aos atos interna corporis. e as normas do RI são questões interna corporis). contudo. tendo como objeto esse Dec. que é o chamado Decreto Legislativo. que. aos direitos fundamentais”. não lhe cabendo. e ai então o controle passaria a ser repressivo e não mais preventivo). V . o voto direto. Esse controle feito pelo PJ é um controle concreto (e não abstrato). ☺art. Atenção: só cabe impetração de MS se o dispositivo violado for norma da CR (não cabe MS se se tratar de norma do Regimento Interno – não é um processo legislativo apenas. §4º. 60. CR: “não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: a forma federativa de Estado. que entende que “. porque ele é um tipo de controle exercido para assegurar um direito subjetivo do parlamentar (e não para assegurar a supremacia da CR). as cláusulas pétreas. ou seja. b) Repressivo: É o controle feito quando a lesão à CR já ocorreu. Questão: o PR. indignado com o Decreto Legislativo que sustou os atos que exorbitaram a delegação do CN. Esse controle também pode ser exercido pelos 3 Poderes: . somente o Deputado Estadual. Caso da Lei Delegada: o CN faz uma Resolução na qual define quais são os limites da delegação. esse entendimento começa a sofrer uma revisão pelo STF. que vai sustar a parte do ato que exorbitou os limites da delegação – o CN estará fazendo um controle de constitucionalidade com base no art. os direitos e garantias individuais” – ou seja. se houver uma proposta de emenda consagrando pena de morte para crimes hediondos. sempre tendo em vista a constatação de eventual afronta à Constituição. quais as matérias que o PR poderá tratar na delegação. quem tem legitimidade é apenas o Deputado. se na Assembléia Legislativa. já que trata-se de um ato normativo.sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa. 68. a separação dos poderes. Legislativo? Sim. Uma proposta de emenda não pode ser objeto de ADI.. Leitura do livro do Lenza (pág. V. mas um processo legislativo constitucional. No entanto. etc.Poder Legislativo: pode exercer esse controle repressivo em 3 hipóteses: I) art. Na verdade. ADC ou ADPF. 49. mormente. Esse controle preventivo não impede um posterior controle repressivo. o órgão jurisdicional competente deve examinar a regularidade do processo legislativo. decidiu que o controle de constitucionalidade a ser exercido pelo PJ durante o processo legislativo abrange somente a garantia de um procedimento em total conformidade com a CR. CR – comporta duas possibilidades: lei delegada e decreto regulamentar. desta feita. se está no Senado. mas somente o parlamentar da respectiva Casa. na qual o projeto esteja tramitando. secreto. o CN poderá editar um outro ato normativo primário. Essa é a finalidade do controle feito pelo PJ. em um primeiro momento. CR. o PR elaborará então a LD. vinculam os atos e procedimentos legislativos. vedando-se. Se nessa elaboração o PR exorbitar os limites da delegação que lhe foi dada pelo CN. pode ajuizar uma ADI. interpretações regimentais. constituindo-se normas constitucionais interpostas. a violação constitucional pode advir da violação dessas outras normas. um Deputado poderá impetrar um MS no STF para que se observe o processo legislativo constitucional. a fim de repará-la. 168): o STF. Ademais. o direito líquido e certo à observância do processo legislativo constitucional. muito embora não sejam formalmente constitucionais. Assim. não é qualquer parlamentar que pode impetrar o MS. por maioria de votos. na linha do voto de Gilmar Mendes. o Senador. Se o projeto tramita na CD..

. por ex. GE. O PL pode analisar os pressupostos constitucionais de relevância e urgência. é necessário fazer-se um controle repressivo). O TC é órgão auxiliar do PL (art.Poder Executivo: não há hierarquia entre os 3 poderes. IV. só havia um legitimado para propor ADI (PGR).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Caso de Decreto Regulamentar: se o PR. somente depois que a lei passa a ter vigência (que é a inserção da norma no mundo jurídico).O STF e o STJ mesmo após a CF de 88 continua aceitando a negativa de cumprimento. Prefeito) pode negar cumprimento a uma lei (em sentido amplo) que entenda ser inconstitucional. ela deve ser objeto de controle.2) Quanto à natureza do órgão: As classificações são geralmente chamadas de Sistemas de controle. entende-se que o chefe do PE pode e deve negar cumprimento a lei que entenda ser inconstitucional). pois.084). Apenas excepcionalmente. não havia relevância alguma). 71. pelo 1°) Executivo e pelo 2°) Legislativo. já no STJ não há qualquer ressalva. no exercício de suas atribuições. ao negar cumprimento à lei. Desde já. CR). . STF: o Tribunal de Contas. Ele só poderá fazê-lo até que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. não cabe ao PJ analisar os pressupostos constitucionais da MP. o controle se dará sobre os seguintes aspectos: formal (se foram preenchidos os requisitos de relevância e urgência). Obs. há 2 requisitos: o PE tem que motivar o seu ato e tem que dar publicidade a esta negativa de cumprimento (por ex. clara e evidente – ou seja. CR). Após a CR/88. No entanto. que tem eficácia desde a sua edição – por isso se for inconstitucional.. Há autores que afirmam que após a CR/88 o chefe do PE não poderia mais negar cumprimento à lei. não se justificaria o não cumprimento de lei pelo PE. Chegou-se então à seguinte conclusão: tanto no STJ quanto o STF não há impedimento para que o chefe do PE negue cumprimento (No STF.. nesse caso o CN pode editar um Dec. esse rol foi ampliado. Assim. dizendo que a lei é constitucional (ai eles já não poderão mais negar cumprimento à lei – a presunção tornar-se-á absoluta). II) art. quando. o PJ só pode exercer o controle repressivo após o término do período da “vacatio legis” (☺RE 346. III) Súmula 347. pode apreciar a constitucionalidade de leis e atos do poder público. nesse caso. no tocante aos pressupostos constitucionais (relevância e urgência).Poder Judiciário: é o que tem a função principal de exercer o controle repressivo. tampouco que o PR. suspender a parte do Decreto Regulamentar do PR que exorbitou os limites a ele concedidos (☺art. ajuizar uma ADI. 4. os prefeitos não poderiam ter poderes mais amplos que os governadores. 84. Não se analisa o mérito da MP). Ele será. Mas isso não pode ocorrer indefinidamente. mas segundo o Min. quando a inconstitucionalidade for flagrante e objetiva (inconstitucionalidade “chapada”. pode o PJ analisar tais pressupostos. devemos atentar para o momento em que deve ocorrer o controle pelo PJ: a partir de que momento o PJ pode exercer o controle repressivo? Segundo o entendimento do STF. o chefe do PE teria que. . Gilmar Mendes. Será exercido pelo controle difuso ou concentrado.: quanto ao controle da MP pelo PJ – Questão: o PJ pode exercer o controle de constitucionalidade com relação aos aspectos da relevância e urgência. ao fazer um Decreto Regulamentar. Como compatibilizar o crime de responsabilidade. mas tão somente aos prefeitos. estudado de forma detalhada a seguir. O chefe do PE (e só ele – PR. Legislativo para sustar. CR – trata das Medidas Provisórias (ato editado pelo PR. Existem 3 sistemas adotados no direito comparado: 22 . expondo os motivos pelos quais ele não irá cumprir a referida lei). estendendo-se inclusive ao PR e Gov. ou seja. Antes da CR/88. a possibilidade de intervenção e o não cumprimento da lei? Para que não caiba intervenção federal ou estadual e para que o chefe do PE não pratique crime de responsabilidade. porém. devendo cada um deles obediência apenas à Constituição. 62. exorbita os limites do Poder Regulamentar. segundo o STF? Resposta: em regra. através da edição de um Decreto. e material (se o conteúdo da MP for incompatível com a CR. simultaneamente. não é um entendimento consolidado.

já na CR/88. 4. Segundo caso.3) Quanto à competência: Quais os órgãos do PJ têm competência para exercer o controle de constitucionalidade? Temos duas espécies: difuso e concentrado (atenção: não utilizar os outros nomes (concreto e abstrato) nessa classificação. 1792 Hayburn s case. Ex. Por isso. dependendo da lei se adota um sistema diferente do outro. porque surgiu nos EUA. órgão específico para exercer o controle de constitucionalidade).Hilton x U. em se tratando de lei nacional. para não gerar essa confusão. esse tipo de controle ficou sendo conhecido assim. isso não é verdade. de 1965 (na Constituição de 1946) – obs. É o adotado nos países em que o controle é feito pelo PL (e não pelo PJ). se adotam os dois sistemas acima vistos – o político e o jurisdicional. interessante: em 1965. O poder judiciário é o principal órgão responsável pelo controle.: na Suíça. apesar de muitos afirmarem que adotamos o sistema misto. b) Concentrado: É aquele que se concentra em apenas 1 órgão do PJ: no STF (quando o parâmetro é a CR/88).: O controle concentrado surgiu através da EC 16. há quem chame o controle adotado no Brasil de controle combinado ou misto (não em razão da natureza do órgão. com 19 anos de Constituição. em 1920 (bem depois do controle difuso). inclusive o STF). ao mesmo tempo. sem exceção (qualquer juiz ou tribunal. que completa este ano 20. O que ocorre é que o sistema jurisdicional adotado no Brasil é do tipo misto. É também chamado de reservado (a apenas um órgão do PJ). ou então por um órgão específico que tenha sido criado para exercer esta função (ex. no qual o controle é feito pelo PJ (é o adotado nos EUA e no Brasil). se se tratar de lei local. porque surgiu na Áustria.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Sistema Político: é exercido por um órgão sem natureza jurisdicional. difuso e concentrado). No Brasil. mas das espécies de controle. ou no TJ (se o parâmetro for a Constituição Estadual). O controle difuso foi introduzido pela primeira vez no Brasil na Constituição Brasileira de 1891 (que foi a 1ª Constituição Republicana). e é adotado pela maioria dos países europeus. Seu criador foi o grande Hans Kelsen. b) Sistema Jurisdicional: é o sistema mais conhecido. É também chamado de controle aberto. Obs. c) Sistema Misto ou combinado: é adotado pelos países nos quais. O controle concentrado é conhecido como Sistema Europeu ou Austríaco.A. É conhecido como Sistema norte-americano de controle. quem exerce o controle é o PJ. haviam sido feitas apenas 16 EC. em 1803. porque significam coisas diferentes!).: França – que tem o Conselho Constitucional.S. porque pode ser tanto difuso quanto concentrado. Essa classificação só se aplica ao controle feito pelo poder judiciário. Esse foi o 1º controle difuso exercido no mundo. a) Difuso: É aquele que pode ser exercido por qualquer órgão do PJ. Primeiro caso. Por isso. dentro de sua competência. quando o famoso juiz Marshall julgou o igualmente famoso caso Marbury x Madison. Adotamos o sistema jurisdicional (sistema misto é ≠ de sistema jurisdicional de controle misto). O que é Binding effect?E o efeito vinculante da decisão. ou seja. já foram feitas 56 EC! 23 . o controle é feito pelo PL.

e a partir desse antecedente. O controle pode ser concreto ou abstrato: a) Concreto: A pretensão é deduzida em juízo através do chamado “processo constitucional subjetivo”. a “Stare Decisis” se assemelha à chamada Cláusula da Reserva de Plenário (☺art. se fala em efeito vertical. pois a finalidade principal do controle abstrato é proteger a ordem constitucional objetiva. (O STF é o guardião da CR – art. 102. porque enquanto estava vigente pode ter violado direitos subjetivos. No Brasil. A finalidade principal do controle concreto é assegurar direitos subjetivos (a supremacia da Constituição fica em 2º plano). mas esta lei já revogada não pode ser objeto de controle abstrato. sendo o controle 24 . O controle abstrato fica apenas na análise em tese da lei. o principal defensor dessa tendência é o Min. já não ameaça mais a supremacia da constituição. mas deve ser estendido ao controle concreto). Segundo este instituto. Atenção: uma lei revogada pode ser objeto de controle concreto. Eu posso ter um controle concentrado abstrato e concreto. Primeiro decide-se se a lei é inconstitucional. já quando o precedente é um precedente de tribunais superiores que vincula tribunais inferiores. mas tão somente de controle concreto. Este efeito é típico do controle abstrato. b) Abstrato: A pretensão é deduzida em juízo através de um “processo constitucional objetivo”. Aqui ocorre o contrário do que se verifica no controle concreto. A finalidade não se confunde com a competência. não havendo aplicação dessa decisão ao caso concreto. nos EUA chamado de “Binding Effect”. Pode ser chamada também de tendência de objetivação no processo subjetivo. também não podem ser objeto de controle abstrato. o juiz irá decidir o conseqüente (caso concreto). O efeito horizontal seria a vinculação do precedente em relação ao próprio tribunal (órgãos e juízes daquele tribunal). bem como qualquer outra norma que já tenha produzido todos os seus efeitos.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4. Interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da CR. ou seja. Influência dos efeitos do controle abstrato no controle concreto. mas não temos o instituto do “Stare Decisis”. O controle será feito a partir de um caso concreto levado à apreciação do judiciário. No direito brasileiro. Ele sustenta que nos países cujo sistema é o da “Commom law” existe uma Teoria chamada “Stare Decisis”. Da mesma forma. uma MP revogada ou uma lei temporária que já perdeu sua vigência. A análise da lei sempre será feita em tese. O efeito vertical. ou tendência de verticalização. é proteger as normas da CR. as decisões do STF devem sempre ter efeitos erga omnes. 97. → “Tendência de abstrativização do controle concreto”: (Tendência atual de influência do controle abstrato no controle concreto). Gilmar Mendes diz que o sistema difuso não é apropriado no Brasil. porque em estando revogada. Com base nesse argumento. as decisões produzem dois tipos de efeitos: o efeito horizontal e o efeito vertical. por ser uma relação vertical. corresponde no Brasil ao Efeito Vinculante. Gilmar Mendes. Aqui no Brasil nós adotamos o efeito vinculante. segundo a qual deve ser dado o devido peso ao precedente judicial. CR: Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público). Por isso o Min. é assegurar a supremacia constitucional (a proteção dos direitos subjetivos fica em 2º plano).4) Quanto à finalidade: Todo controle é feito de forma abstrata.

Pois no controle difuso. sem que ocorra modificação no seu texto. ou seja. Por fim. Trata-se de uma mutação não comportada pelo programa normativo (o texto da norma não comporta. no qual um município de SP (Mira Estrela) questionava a resolução do TSE que limitava o número de vereadores.335/AC). dizendo que sua decisão não era apenas para aquele município. Então o Min. pelo menos por parte de alguns ministros. Gilmar Mendes (e também o Min. Assim. Para que isso pudesse ocorrer seria preciso uma EC. A suspensão pelo SF ocorre quando a decisão é inter partes. o direito de greve dos servidores públicos. Por fim. há essa tendência de abstrativização do controle concreto. CR. Gilmar Mendes. segundo ele. não há necessidade da suspensão pelo Senado. Joaquim Barbosa e Sepúlveda Pertence. Eros Grau) entende que haveria uma mutação constitucional em relação ao papel do SF. Outra situação interessante foi o RE 197. então não sabemos a posição dos demais ministros. A Defensoria Pública do Acre então ajuizou uma Reclamação diretamente no STF dizendo que o juiz do Rio Branco estaria desrespeitando a decisão do STF (☺Rcl. O STF adotava o entendimento de que a vedação era constitucional. Nesse HC alguns ministros disseram que o STF não estava julgando o caso concreto. e nesse HC passou a entender que a vedação é inconstitucional. Não houve reclamação quanto a essa decisão. ou seja. em ocorrendo isso. um juiz disse que a decisão do STF foi num HC. Na época houve uma certa dúvida se era uma decisão concretista inter partes ou erga omnes. viola o princípio da igualdade. como a decisão tem efeitos inter partes. Mutação constitucional são processos informais de alteração da Constituição. ainda. Ocorre que dar publicidade e suspender a execução de uma lei não são definitivamente a mesma coisa. houve decisões proferidas em 3 MI (712. se assim fosse. mas prevaleceu o entendimento de que foi erga omnes. O julgamento não foi concluído ainda (e a ação não perdeu o objeto). como fica o papel do Senado Federal? ☺art. O Relator da Reclamação foi o Min. não uma simples mutação. do PL. o Min. O MI é instrumento de controle difusoconcreto. um efeito típico de controle abstrato num controle concreto). No judiciário: A 1ª decisão na qual se pode dizer que houve essa tendência foi a proferida no HC 82. já que a própria decisão do STF já teria efeito erga omnes e vinculante). Na decisão do STF. não permite essa mutação). a interpretação da suspensão da execução seria igual a dar publicidade à decisão do STF. regulamentando o direito de greve para todos os servidores públicos civis (e não só para aqueles que impetraram o MI). 52. disse que apesar de ser um controle difuso concreto. ou seja. 4. tendo efeito apenas inter partes. ou seja. O problema é que a nossa CR não trata o assunto dessa maneira. haveria uma violação do princípio da separação dos poderes. o STF conferiu efeito erga omnes à decisão. estava conferindo efeito transcendente ao seu voto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I abstrato o mais indicado para a nossa realidade. Eros Grau. pois violaria o Princípio da Individualização da Pena. mas se referiria a todos os municípios da federação brasileira. em que se analisou a vedação à progressão de regime na lei de crimes hediondos. até hoje não se sabe qual é a decisão do STF. Gilmar Mendes. 25 . surpreendentemente disseram que a decisão do STF realmente só teve efeito inter partes. só que nos julgamentos desses MI´s o efeito conferido à decisão pelo STF foi um efeito concretista geral. os MIs tinham efeitos não concretistas (comunicava-se ao legislativo que determinava lei precisava ser regulamentada). mas sim analisando se a lei de crimes hediondos era ou não constitucional (com efeito erga omnes. No Acre. esta posição esvaziaria a Súmula Vinculante (que perderia sua finalidade. Se a decisão do STF no controle concreto já tiver efeito erga omnes. No Legislativo: Mas. em seu voto. que deu provimento à reclamação. 708 e 670) que analisaram a mesma questão.917/SP. Assim. e não erga omnes. Então. A maioria dos tribunais passou a adotar esse entendimento. sendo acompanhado pelo Min. E. Ocorre que os outros dois ministros que votaram depois.959/SP. Por isso há tantas decisões do STF com essa tendência de abstrativização. o STF estaria usurpando uma função que é do SF. Antes. X.

a) Controle Concreto (Controle incidental ou por via de defesa ou por via de exceção): num primeiro momento (antecedente) o juiz vai analisar a relação CR x lei. é um instrumento de controle concreto e há. político ou jurídico. A súmula vinculante tem natureza constitucional. No caso da súmula vinculante (EC 45/04 . estão os procedimentalistas. não cabe ao STF analisar. Decisão no controle concentrado: Relatório Fundamentação – antecedente Dispositivo – conseqüente Efeito inter partes. Se a questão não tem repercussão geral (para toda a sociedade). Caso contrário o STF não vai admitir o RE. A repercussão geral (art.418/06). por existir uma tendência dos tribunais superiores a se acomodarem com as políticas de governo. por sua vez. julgando-o procedente ou improcedente. O pedido (objeto da ação) vai ser a proteção do direito subjetivo. é uma questão incidental. analisado no dispositivo (conseqüente). O RE. Formas de Declaração da Inconstitucionalidade: (Efeitos da declaração de inconstitucionalidade) 5. não tem natureza processual como as súmulas comuns. fundamentação e dispositivo.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A mesma tendência pode-se verificar no caso da Súmula Vinculante e da exigência da repercussão geral para o RE. No controle concreto. que quando são sedimentadas tornam-se súmulas vinculantes. 26 . atualmente. ou seja. social. Segundo Eduardo Appio. Contrários a essa tendência de abstrativização. (☺ Lei 11. Este tipo de litígio pode muito bem ser resolvido pelo juiz de 1º grau e pelo Tribunal. eles não se reúnem fisicamente. O papel do STF não é julgar litígios individuais. 103-A).1) Quanto ao aspecto objetivo: Analisam-se aqui as partes da decisão que produzem os efeitos erga omnes e vinculante.417/0 e Lei 11. a rigor. o que se dá no “plenário virtual”. a partir da conclusão que se chegar no antecedente (se a lei é ou não constitucional) é que se vai decidir o pedido. já a causa de pedir é a inconstitucionalidade da lei. não precisam chegar até o STF. por estarem mais próximos dos indivíduos. concorda com isso). todo controle de uma lei em face da Constituição é sempre abstrato (se analisa abstratamente se aquela lei está de acordo com a Constituição – e o prof. somando-se os votos de todos eles. CR) significa que tem que ser demonstrada a existência de um interesse econômico. uma tendência de que ele passe a ter uma função pra toda a sociedade e não apenas para aquela pessoa que o ajuizou. § 3°. o juiz ou tribunal vai analisar a inconstitucionalidade na fundamentação. O pedido refere-se à proteção de um direito subjetivo. não é o objeto principal do pedido. A decisão do dispositivo terá efeito apenas inter partes. Num segundo momento (conseqüente). Para que o STF possa recusar o RE é preciso o voto de 2/3 dos ministros. pois tem o papel de guardião da Constituição. 102. mas apenas a causa de pedir (antecedente). Os juízes de 1° grau têm mais sensibilidade.art. cada um analisa a repercussão sozinho e apresenta aos demais sua decisão. O principal argumento deles é o seguinte: o controle difuso é o mais adequado para proteção dos direitos fundamentais. ela surge a partir de decisões proferidas no controle concreto. Uma decisão judicial tem que ter 3 partes: relatório.

não determinantes para a decisão) não vinculam. O STF tem dito que a ratio decidendi tem efeito vinculante. eles também são vinculantes. não seria mais necessário que o outro Estado que tem uma lei idêntica ajuizasse nova ADI para tal lei. o efeito vinculante atinge as normas paralelas.: consagrou para ambas as leis o efeito vinculante e o efeito erga omnes. cabe ao STF dar a última palavra sobre como a CR deve ser interpretada. O próprio STF já proferiu decisões divergentes. 10. os motivos determinantes da decisão) – é a chamada “transcendência dos motivos”. A transcendência dos motivos significa que os motivos que determinaram a decisão transcendem para outros casos. Esta é a primeira diferença entre eficácia vinculante e efeito erga omnes (a eficácia vinculante se refere tanto ao dispositivo quanto à fundamentação da decisão.CR/88: ADI com efeito erga omnes (não se falava em efeito vinculante). 102. O efeito vinculante da fundamentação da decisão não é uma questão totalmente pacífica. mas também à fundamentação.868/99 – Lei da ADI e da ADC.17/03/93 – EC 03: o efeito vinculante foi introduzido no Brasil – com o advento do efeito vinculante. as normas paralelas têm motivos determinantes iguais. e ele se encontra no Dispositivo. .Obter Dicta: não tem efeito vinculante. Dispositivo L.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Controle Abstrato (ADI. CR – estende o efeito erga omnes e vinculante tanto para a ADI quanto para a ADC (ou seja. sejam poderes públicos. Para se entender isso é preciso fazer um histórico do controle abstrato no Brasil: . Ocorre que o dispositivo tem também um outro efeito. questões ditas de passagem. art. ou “efeito transcendente dos motivos determinantes”. a chamada eficácia vinculante. Interpretações divergentes enfraqueceriam o princípio da força normativa da CR. sejam particulares. §3º: conferiu à ADPF os mesmos efeitos (vinculante e erga omnes). Decisão no controle abstrato: Relatório Fundamentação .vinculante.efeito erga omnes: atinge todas as pessoas. §2º. → Por que os motivos determinantes da decisão vinculam também (e não só o dispositivo)? O STF é o guardião da CR.: .I. mas tão somente a ratio decidendi. pois é no dispositivo que o juiz dirá se a lei é ou não constitucional. se uma lei de um Estado foi declarada inconstitucional. A Constituição é interpretada na fundamentação (e não no dispositivo ou no relatório) e é por isso que o fundamento da decisão tem efeito vinculante. Ademais. . . art.882/99 – ADPF. P. 102. 5. 27 .2) Quanto ao aspecto subjetivo: Quem são as pessoas atingidas pela decisão: . Mas não é tudo da fundamentação que vincula. ou seja.Lei 9. secundárias do julgado. ADC e ADPF): no controle abstrato o efeito da decisão será erga omnes e não inter partes. a razão determinante da decisão. Bastaria uma reclamação para que a decisão fosse aplicada também nesse outro Estado.efeito vinculante: refere-se apenas aos poderes públicos. há previsão não só na lei como também na CR). 28.Motivos determinantes (ratio decidendi): efeito vinculante . .U. Só que a eficácia vinculante não se refere só ao dispositivo da decisão.Lei 9. Sendo assim. .EC 45/04: art. conforme está previsto no caput do art. mas as questões “obter dicta” (questões assessórias.erga omnes .

a decisão atinge normas paralelas de outros entes federados. pois atinge apenas o dispositivo. segundo o prof. já os órgãos fracionários do STF. O PL e o STF (apenas o plenário) não são vinculados para que não ocorra a “Fossilização da Constituição” (a Constituição não pode ficar petrificada. mas os sistemas de preclusão processual. O que impede que a questão seja discutida novamente não é o efeito erga omnes. O argumento utilizado por Kelsen é que uma lei continua produzindo seus efeitos. cuja função não é legislativa. .803 (1ª vez em que o PJ exerceu o controle de constitucionalidade – juiz John Marshall. não fica vinculado pela decisão do STF (o que não fica vinculada é a função típica de legislar – o legislador não fica impedido de elaborar outra lei idêntica.o PL (na verdade. Efeito vinculante Dispositivo + motivos determinantes Somente poderes públicos. mas com relação às outras atividades do PL ele estará vinculado. É um entendimento que vem desde 1. o chefe do executivo não fica vinculado se estiver exercendo uma função legislativa. Obs. se as leis devem ser cumpridas. Respeitando o efeito vinculante. no caso Marbury x Madison).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os poderes públicos que ficam vinculados pela decisão do STF são: . a função legislativa). estadual e municipal). Quadro comparativo: Efeito Erga omnes Dispositivo Aspecto subjetivo: poderes públicos e particulares. impedida de evoluir). Por este entendimento.: os efeitos da súmula vinculante são esses mesmos. o STF não pode dizer ao PL que ele não pode mais legislar sobre esse assunto. é possível que uma EC produza uma constitucionalização superveniente de uma lei inconstitucional (convalidação da lei) – se o ato for nulo isso não será possível.a Administração Pública Direta e Indireta de todas as esferas (federal. Atinge a norma impugnada + normas paralelas.Ato inexistente: é o entendimento que goza de menor prestígio.Ato anulável: é adotado pelo Hans Kelsen (é o mais correto. . que se quiser. (20/03/09) 5. suas turmas e seus ministros. mesmo que não tenham sido impugnadas. No entanto. com o mesmo conteúdo – porque num Estado de Democrático de Direito. . mas sim fiscalizatória.3) Quanto ao aspecto temporal da decisão: Para analisar esta questão é preciso primeiro analisar a questão da natureza do ato inconstitucional: alguns entendem que a lei inconstitucional seria um ato inexistente. pode modificar seu entendimento. para eles a lei inconstitucional teria um vício de origem que seria insanável.o PJ (menos o próprio STF – em relação ao Plenário. outros dizem ser nulo. a lei inconstitucional seria apenas um ato anulável (em razão do Princípio da presunção de constitucionalidade das leis). como a coisa julgada. até que o PJ a declare inconstitucional. inclusive o Tribunal de Contas. . inclusive os chefes do PE.) – como existe uma presunção de constitucionalidade das leis. e outros dizem ser um ato anulável. por sua vez. como se pode dizer que uma lei que obrigou alguma coisa simplesmente não existe? Esta corrente é adotada por Seabra Fagundes. 28 . . Só atinge a norma impugnada.Ato nulo: entendimento que predomina nos EUA. também fica vinculado). estes estarão sim vinculados). se existe uma presunção de constitucionalidade das leis.

868/92 (art. mas os efeitos da declaração de inconstitucionalidade.A partir de que momento a decisão do controle abstrato começa a ter que ser observada (independentemente se houve ou não modulação dos efeitos): no controle abstrato a decisão se torna obrigatória sempre a partir da publicação no Diário da Justiça (analogia com a lei – não há partes formais. autor e réu. com seus normais efeitos ex tunc. outra coisa é a classificação dos efeitos da declaração.868: “ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. decidiu que somente a partir da legislatura de 2004 essa decisão produziria efeitos (observância ao número de vereadores) – “situação excepcional em que a declaração de nulidade. por maioria de 2/3 (quorum exigido para o controle concentrado abstrato) de seus membros.)”. como no controle abstrato (não se restringe ao abstrato). 11). Visto a natureza do ato inconstitucional. Celso de Melo entendeu que não seria possível a modulação neste caso (só nos casos de inconstitucionalidade. passando a ser a ascensão proibida apenas para os novos servidores (a partir daquele momento). não precisariam deixar os cargos. como a Lei 9. Ou seja. . Assim. porque não houve uma Lei C que revogou a Lei B). incompatíveis com a mesma: o STF adotou a tese da revogação (que atua no mesmo sentido da não recepção). A modulação pode conferir à decisão efeitos ex nunc ou também o efeito pro futuro.917 – fala do número de vereadores proporcional ao número de habitantes do município (Miraestrela) – decisão com efeito pro futuro – os vereadores que excediam o número devido teriam que deixar seus cargos. e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. Mas o STF pode fazer a chamada modulação temporal dos efeitos da decisão: há quem entenda que não. e não no de não-recepção). que revogou a Lei A.. quanto à hipótese de ascensão por concurso interno – o STF declarou inconstitucional essa forma de provimento público (que violaria a regra do concurso) – nessa decisão.” .882/92 (art. Lei 9. 27). não admite a “constitucionalização superveniente”. Neste caso. Isso pode ocorrer tanto no controle concreto. ou 2) excepcional interesse social. decidiu que. com inteiro teor). uma coisa é a classificação da inconstitucionalidade. restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser determinado. é declarada inconstitucional (por isso é mais correto falar em efeito repristinatório e não em repristinação. ☺art.. por considerar que a lei inconstitucional é um ato nulo. como os servidores agiram de boa-fé. assim. ☺RE 197. 27. as leis exigem um quorum especial para que essa modulação seja feita – tanto a Lei 9. poderá o STF.). não haveria incompatibilidade entre o reconhecimento do ato como sendo nulo e a modulação dos efeitos da decisão.112/90. portanto.Normas anteriores à CR. vamos à classificação quanto ao aspecto temporal: Se a lei inconstitucional é um ato nulo (com vício de origem). etc. os efeitos são erga omnes). O STF. como regra é retroativo: ex tunc. porque o ato é nulo desde a sua origem. Mas.Efeito repristinatório tácito: (ou repristinação tácita) uma Lei B. portanto. . de decisões onde houve modulação de efeitos: ☺RE 442. Exs. o Min. o STF. É admitida a modulação aos efeitos da decisão: 1) por razões de segurança jurídica. resultaria em grave ameaça a todo o sistema legislativo vigente (.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O STF.683 – análise da constitucionalidade da Lei 8. Mas da publicação de que? A partir da publicação da ata de julgamento (não precisa ser da publicação da decisão integral. no caso do controle abstrato. exigem o quorum de 2/3 dos Ministros. um efeito retroativo causaria vários problemas (os servidores deveriam perder seus cargos e devolver os salários. Gilmar Mendes entendeu que seria possível sim fazer essa modulação com 29 . poderia haver a modulação dos efeitos de norma anterior à CR? Dois Ministros se manifestaram quanto a este tema: o Min. por questão de segurança jurídica. o efeito que produzirá. e por isso não há como modificar esse seu efeito retroativo – mas a modulação não modula a inconstitucionalidade da lei.

portanto. não foram todos os ministros que se manifestaram). ai já não será mais necessário o prazo em dobro e a norma passará a ser inconstitucional. o prof. a declaração de nulidade sem redução de texto é equivalente à interpretação conforme à CR. depois de ter sido recepcionada. quando todos os Estados tiverem DP. Ainda dentro da inconstitucionalidade progressiva. um significado A e um B. que ocorre naqueles casos em que existem as situações constitucionais imperfeitas. A lei será constitucional se interpretar que a cobrança poderá ocorrer a partir de 2010. 134. reproduzida pelo STF).O Tribunal não precisaria 30 .Só podem ser utilizadas Declaração de Nulidade Sem Princípio da Interpretação quando a norma for polissêmica Redução de Texto: Conforme: ou plurissignificativa.2: art. desde que interpretada de uma determinada maneira (não é a norma que é inconstitucional. Ex. não concorda com essa nomenclatura porque a questão da recepção já foi resolvida. Ex.Corresponde a um juízo de . há uma técnica muito utilizada pelo Direito alemão. com um só sentido). era uma questão “obter dictum”.4) Quanto à extensão da declaração: Quanto à extensão. 5. Na interpretação conforme o STF diria: declaro constitucional a norma x. desde que interpretada da maneira A (o resultado aqui seria mesmo idêntico). a declaração de inconstitucionalidade/nulidade pode ser: a) Sem redução de texto: o primeiro pressuposto que tem que haver para que ela seja utilizada é que a norma seja polissêmica ou plurissignificativa (deve ter mais de um sentido. portanto. chamada “Apelo ao Legislador”. à medida que a situação fática for alterada.Inconstitucionalidade progressiva ou norma ainda constitucional: são “situações constitucionais imperfeitas” (expressão de Lênio Luiz Streck. Isso pode ocorrer tanto na inconstitucionalidade progressiva como na inconstitucionalidade por omissão (para que o legislador supra a omissão ou corrija a situação imperfeita). que trata da ação de reparação ex delicto. controle difuso-concreto. . portanto foi recepcionada. Significa que hoje o dispositivo ainda é constitucional. quanto .Podem ser utilizadas tanto no inconstitucionalidade. devendo o Poder Judiciário (STF) fazer um “apelo” ao legislador (Poder Legislativo). prático: lei que institui um imposto é criada em 2009. de fato. com condições de trabalho iguais às do MP. nas quais as circunstâncias fáticas vigentes naquele momento justificam a manutenção da norma no ordenamento jurídico. mas sua interpretação). mas nem sempre. Aqui no Brasil não existe fixação de prazo para que o legislador corrija a situação imperfeita ou supra a omissão (como ocorre em outros países). ela progressivamente se tornará inconstitucional). (A norma já passou pelo crivo da constituição. CPP. e mesmo assim o STF decidiu utilizando a mesma denominação de “norma ainda constitucional” – Eugênio Pacelli chama de hipótese de “nãorecepção progressiva e não de inconstitucionalidade progressiva.Corresponde a um juízo de . constitucionalidade. sendo que o A é compatível com a CR/88 e o B é incompatível. Segundo o STF. mas. ex. mais de um significado – é o oposto de norma unívoca. é mais adequada falar em inconstitucionalidade progressiva). Em alguns casos. evitando a inconstitucionalidade progressiva. . o STF firma qual é a interpretação a ser dada a determinada norma. mas a doutrina traz semelhanças e diferenças entre os dois institutos: Semelhanças: Diferenças: . e a norma já foi recepcionada pela CR e.O Tribunal precisaria observar . para que este corrija a norma. pelo MP – a competência é da DP e não do MP.: a norma x tem dois significados possíveis. Assim. CR x art. o resultado será o mesmo. em que a norma encontra-se numa situação intermediária entre a constitucionalidade plena e a inconstitucionalidade absoluta.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I normas anteriores à CR (este não era o objeto principal do julgado. 68. esta norma será inconstitucional – e neste caso a norma é anterior à CR/88.1: prazo em dobro para os Defensores Públicos – quando a situação da DP for estabilizada em todos os Estados. a norma progressivamente irá migrar para a inconstitucionalidade (ex. entende-se que a norma (B) é inconstitucional. assim.

2º for dependente do art. Para lembrar: Controle Concreto Relatório Fundamentação: Inconstitucionalidade (causa de pedir / incidental) Dispositivo (Pedido: direito subjetivo) Controle Abstrato Relatório Fundamentação Dispositivo (Pedido: declaração da inconstitucionalidade) Exs. o texto da norma. a cláusula de reserva de plenário. nem sobre os demais. do art. dentro de uma mesma lei). por arrastamento. Obs. portanto. b.2) com redução parcial: apenas uma parte da lei é declarada inconstitucional. Na declaração com redução de texto. como ambas são equivalentes.É excluída uma determinada interpretação. o juiz não pode. declarar a inconstitucionalidade. analisar a inconstitucionalidade da norma (já que ela não é o pedido e sim a causa de pedir. esta só se faz necessária quando se afasta. portanto. de ofício. não poderá o STF se manifestar sobre ele) – o juiz dirá: declaro a inconstitucionalidade dos arts. total ou parcialmente. .: o STF pode declarar apenas uma palavra ou expressão (no veto presidencial é que não pode). (*) Para o STF. Ele não pediu a inconstitucionalidade do art. não podendo. no controle concreto.1) com redução total: o STF declara que toda a lei é inconstitucional. são excluídas as demais. se o art. Esta lei possui uma inconstitucionalidade formal (não há nada de inconstitucional quanto ao conteúdo). que será julgado no dispositivo) – para proteger um direito subjetivo será necessário que se julgue incidentalmente a inconstitucionalidade (esta é a causa de pedir). se houver uma relação de interdependência entre os dispositivos.É permitida uma interpretação e. O STF. observar a cláusula da reserva de plenário (*). em princípio.É um princípio instrumental (ou postulado normativo) de interpretação. 3º. b) Com redução de texto: b. se for um dispositivo autônomo. .Inconstitucionalidade por arrastamento ou por atração: lembramos que.Há uma redução no âmbito de aplicação da norma. Este é o arrastamento ou atração horizontal (porque são dispositivos de uma mesma hierarquia. Este decreto não está ligado diretamente à CR (há uma lei intermediando-os). e são permitidas as demais. 2º. o juiz pode. ser objeto de ADI. 2º. . . da Lei x. desde que não altere o sentido do restante da norma. no controle concreto. . 1º e 3º. em razão do Princípio da inércia. O decreto está de acordo com a lei e de acordo com o conteúdo 31 . . em regra. o dispositivo poderá ser arrastado (ou atraído) para a inconstitucionalidade (ao contrário. diz-se que o STF atua como uma espécie de “legislador negativo”: a declaração de inconstitucionalidade tem o mesmo efeito de revogação realizada pelo legislativo. é apenas uma questão incidental) – já no controle abstrato. Assim. no controle abstrato. não poderá. de ofício.Não há qualquer modificação no texto da norma. b) O PGR ajuíza uma ADI questionando uma determinada lei. 2º. 1º ou do art. mesmo que não tenha sido questionado.É uma técnica de decisão judicial. a inconstitucionalidade é analisada na fundamentação (ela não é objeto do pedido. 1º e 3º e. ou todo o artigo. . se manifestar de ofício sobre o art. de inconstitucionalidade por arrastamento: a) Um Governador de Estado propõe uma ADI pedindo que fosse declarada a inconstitucionalidade dos arts. não é necessário observar a cláusula de reserva de plenário (art. Ocorre que. 97). Há um Decreto que está regulamentando esta lei.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no controle concentrado abstrato. ou seja. Trata-se de controle abstrato.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I da CR. O pedido não pode ser exclusivamente a declaração da inconstitucionalidade. analisar a constitucionalidade de qualquer dispositivo. Não existe controle difuso e abstrato ao mesmo tempo (o controle abstrato é sempre concentrado). se o caso for de inconstitucionalidade material da lei. Assim. pois neste caso haveria uma usurpação da competência do STF. O STF declarará a inconstitucionalidade da lei e o decreto permanecerá no mundo jurídico (o STF não fala nada sobre ele). caberia uma reclamação ao STF (esta Reclamação não é utilizada só quando a decisão do STF não é respeitada. O dispositivo. nem todo controle concentrado é abstrato: é possível se ter um controle concentrado abstrato (ADI. ou um controle concentrado concreto (Representação Interventiva ou ADI Interventiva). pois será uma questão discutida incidentalmente. O pedido será a proteção de direitos. entre normas de diferentes hierarquias (porque a declaração da inconstitucionalidade da norma superior acaba arrastando a norma inferior também para essa declaração). Ex. julga também inconstitucional o decreto. o pedido foi o fechamento dos bingos e não a declaração de inconstitucionalidade. já que o STF pode. mas apenas a causa de pedir. neste caso. Exercício do Controle Jurisdicional: Aqui faremos uma classificação pouco comum nos manuais: 6. porque seu conteúdo é incompatível com a CR. ACP para fechamento dos bingos. mas é que esta não é necessária. A finalidade principal do processo constitucional subjetivo é proteger direitos subjetivos. Aspectos interessantes a serem estudados neste tema: a) ACP / Ações Coletivas: Podem ser utilizadas como instrumento de controle de constitucionalidade? Há divergência na doutrina. e por arrastamento. o pedido será de efeitos concretos e a inconstitucionalidade será apenas a causa de pedir. apesar de sozinho não ter aplicação. podem ser utilizadas como instrumento de controle difuso concreto de constitucionalidade. de ofício. mas também quando há usurpação da competência do STF). o STF entendeu que não houve usurpação da competência. portanto. poderá vir uma nova lei posteriormente e ele será aproveitado.: No controle concreto não é que o STF não possa reconhecer a inconstitucionalidade por arrastamento. Mas nem todo controle concreto é difuso. Qualquer órgão pode exercer o controle difuso. todo controle difuso é concreto. No Brasil. o decreto ficará no mundo jurídico sem qualquer finalidade. Caso a ACP fosse utilizada como espécie de ADI. dentre elas a ACP.1) Controle difuso-concreto: Essa expressão só é utilizada para o poder judiciário. julgará procedente ou improcedente o pedido. bem como do decreto (em razão da inconstitucionalidade da lei) – é a chamada “inconstitucionalidade conseqüente” – se o STF declara a lei inconstitucional. podem ser utilizadas como instrumento de controle concreto. A ACP não pode ser utilizada como um sucedâneo da ADI. porque. a inconstitucionalidade será tratada apenas na fundamentação da decisão. portanto. Sobre o tema: 32 . Esta hipótese é chamada de inconstitucionalidade por arrastamento vertical. a ACP e as ações coletivas de uma forma geral. A inconstitucionalidade não será objeto do pedido. o STF pode declarar a inconstitucionalidade da lei (julgando procedente a ADI). pois isto permitiria que um juiz de 1° grau proferisse uma decisão com a mesma extensão de uma decisão do STF. mas o entendimento do STJ e STF é pacífico: as ações coletivas. ADCe ADPF). Ou seja. Contudo. Neste caso. Obs.

em defesa de contribuintes. Assim..44/45): “A ACP não pode ser usada para substituir a ADI. ☺art. seja ajuizada ACP para retirar a eficácia erga omnes de uma lei tributária. da mesma forma que o juiz singular também não precisa (pode sozinho reconhecer a inconstitucionalidade). STJ ☺ RE 227. que é função política. por exemplo. 93. porém. teremos uma lei material. conseqüentemente. Esse órgão especial poderá ter no máximo 25. não pode ser delegada. Assim. pois esse fim só pode ser obtido por meio de ADI. na prática. e no mínimo 11 membros.646. é função possível de ser delegada.159. Como a declaração de inconstitucionalidade é função jurisdicional. não se admite que se dê à sentença proferida em ACP o condão de retirar a eficácia de uma Lei com caráter de imutabilidade erga omnes. por entendê-la inconstitucional (inter partes). à supressão de todos os efeitos pretéritos e futuros de uma lei. O Pleno pode delegar ao órgão especial algumas atribuições (apenas funções administrativas e funções jurisdicionais – ex.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Resp. 557. de efeitos concretos.: eleição do Presidente do tribunal. Regra da “full bench”. as chamadas leis de efeitos concretos. o que só se pode obter por meio de ADI. STJ ☺ Resp. expressão em inglês que designa a cláusula de plenário (e é utilizada pelo STF). mas só os Tribunais podem subtrair todas as pessoas dos efeitos de uma lei por entendê-la inconstitucional (erga omnes). que é mais de 50% dos presentes).022. No âmbito dos Tribunais: turma recursal dos Jesp´s não precisa observar a cláusula (porque turma recursal não é Tribunal). os efeitos erga omnes dessa lei só podem ser elididos por meio de ADI. Segundo esta cláusula. assim. o Tribunal deve ter mais de 25 membros ou julgadores. no caso. STF → Citação do livro “Tutela dos interesses difusos e coletivos”. Maioria absoluta: é mais de 50% dos membros (≠ de maioria relativa. de Hugo Nigro Mazzilli (pg. nada obsta a que qualquer juiz singular afaste os efeitos de uma lei entre as partes de um processo. Os juízes singulares podem. 33 . No tocante. no âmbito dos Tribunais. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. É uma cláusula que reserva ao plenário determinadas competências. também não pode ser delegada). que em ACP se reconheça uma inconstitucionalidade incidentemente. dotada de caráter de universalidade e abstração”. desde que o façam por meio do controle concentrado de constitucionalidade (ADI). porém. a uma lei inconstitucional que aumente um tributo. por meio da ACP. 97. 97. desde que. b) Cláusula da Reserva de Plenário: *☺art. elaboração de Regimento Interno. Nada impede. Em outras palavras. XI – órgão especial: para que seja criado. não se admite que o pedido numa ação da LACP equivalha. que é função legislativa. CR (matéria muito cobrada em provas!) Art. Assim. A proibição de usar a ACP para atacar leis não alcança. reconhecer a inconstitucionalidade de uma lei como causa de pedir. pois. a declaração de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos só poderá ser proferida pela maioria absoluta dos membros do Pleno ou do Órgão Especial. porém. por ex. os Tribunais não têm admitido que. uma lei inconstitucional que crie um cargo pode ser atacada em todos os seus efeitos por uma ACP: esta é um lei forma. não subtraiam toda a sociedade dos efeitos dessa mesma lei. 294.

U. assim. sob o argumento de que o dispositivo (art. ☺art. 481. b) quando o pleno do STF houver apreciado a inconstitucionalidade. como se fosse uma verdadeira ADIN (um controle de constitucionalidade feito em abstrato). P. o pleno ou órgão especial devolverá os autos para o órgão fracionário que irá julgar o caso concreto. Decidido o antecedente. como guardião da CR. se for acolhida.: “os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário ou ao órgão especial. cabendo a ele dar a última palavra sobre a interpretação da Constituição.. sabe-se que o STF é o guardião da CR.)” → a) quando o pleno ou órgão especial do próprio Tribunal já houver analisado a questão anteriormente. e a essa sua decisão dá-se o nome de “conseqüente”. Princípio da interpretação conforme: se for para declarar a inconstitucionalidade (nulidade) sem redução de texto. de acordo com o posicionamento do STF. pois decisões divergentes enfraquecem a força normativa da CR/1988. Ministro Moreira Alves: na declaração de nulidade sem redução de texto o que é inconstitucional não é a norma e sim a interpretação. são os órgãos fracionários (turmas ou câmaras) que analisarão a questão da constitucionalidade. Se tratar-se de norma anterior à CR (caso que o STF chama de revogação e que o prof. 97. pela maioria dos seus membros. ele não poderá declarar a inconstitucionalidade. se existir no Tribunal. no entanto. abstratamente. será lavrado o acórdão. CPC) seria inconstitucional: o art. 481. Há quem critique tais exceções. por isso o STF entende que a cláusula não é necessária. podendo decidir o caso concreto. O órgão fracionário tem 2 opções: se ele entender que a lei é constitucional. CPC: “se a alegação (de inconstitucionalidade) for rejeitada. O pleno ou órgão especial não farão o julgamento do caso concreto. não admitindo exceções ou restrições (não poderia o legislador infraconstitucional estabelecer ressalvas a este dispositivo). apesar de não vincular outros tribunais e nem juízes de 1º grau. Ela só é válida para a declaração de inconstitucionalidade. a Câmara não precisa remeter os autos ao pleno do TJ. chama de não-recepção): também não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário (norma anterior à Constituição não é inconstitucional – o STF não adotou a tese da inconstitucionalidade superveniente – mas sim revogada ou recepcionada). ao órgão especial). . esta 2ª exceção está plenamente de acordo com o Princípio da força normativa da Constituição.. Exceções: P.U. Há uma repartição funcional de competências. dá a última palavra sobre como a norma deve ser interpretada. 34 . deverá lavrar um acórdão e submeter a questão ao Pleno (ou. Interpretações diferentes enfraquecem o Princípio da força normativa da Constituição. prosseguirá o julgamento. A decisão do pleno é vinculante para todos os órgãos fracionários daquele Tribunal (não apenas para aquele órgão fracionário que a ele remeteu a questão).. analisando se a lei é ou não compatível com a CR. para o STF não é necessária a observância da cláusula de reserva de plenário. se entender que a lei é inconstitucional. apenas apreciarão a constitucionalidade da lei em tese. O professor não concorda. o órgão fracionário está tão somente seguindo o entendimento do STF. acha que a 1ª exceção está de acordo com o princípio da razoabilidade (não justificaria o pleno se manifestar sobre o mesmo assunto inúmeras vezes). porque para o STF ambas são equivalentes.Aplicação prática da cláusula da reserva de plenário no âmbito dos Tribunais: Quando o processo chega ao âmbito do Tribunal. ou em caso de interpretação conforme. Assim. CR é uma NEP (norma de eficácia plena). O pleno ou órgão especial fará a análise em abstrato da constitucionalidade da lei ou ato normativo. a argüição de inconstitucionalidade (. Quanto à 2ª exceção.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A declaração da constitucionalidade (e não de inconstitucionalidade) não precisa respeitar a cláusula da reserva de plenário. que é aquele a quem compete a guarda da CR – o STF. ele próprio pode assim declará-la (porque para a declaração de constitucionalidade não é necessária a observância à cláusula da reserva de plenário). a fim de ser submetida a questão ao Tribunal Pleno”. Esta decisão recebe o nome de “antecedente”.

ou seja. que não comporta delegação. Efeitos. A CR errou ao dizer que é uma competência privativa. A análise feita pelo STF é no controle difuso concreto. para que a igualdade seja estabelecida (aqueles. esta decisão deve ser submetida ao plenário. 52. quando isso ocorre. Ademais. embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. como se tratasse de uma revogação. bem como ou STF. A inobservância da cláusula da reserva de plenário gera a nulidade absoluta da decisão. Ou seja. CR – compete privativamente ao SF suspender. a decisão do STF. que pode declarar a inconstitucionalidade da lei total ou parcialmente (e não à suspensão da lei pelo SF). Isso porque pode ocorrer do STF declarar a inconstitucionalidade de uma lei apenas quanto a alguns artigos e. o SF não pode suspender toda a lei. entendem que se trata de um ato discricionário. de uma decisão proferida no controle difuso-concreto: a decisão terá efeito inter partes e ex tunc. A súmula vinculante n° 10 trata dessa reserva de plenário: ☺Súmula Vinculante nº 10: “viola a cláusula da reserva de plenário a decisão de órgão fracionário de Tribunal que. a execução de lei declarada inconstitucional em decisão definitiva proferida pelo STF. Quando a CR fala “no todo ou em parte”. cujos direitos estão abrangidos antes da decisão deveriam recorrer ao judiciário para fazer valer seus direitos. A cláusula vale também para o controle concentrado. que não pode ser retroativa. O STF já admitia essas duas exceções. passa a ter efeito erga omnes. O CPC só previu exceções já consagradas pela jurisprudência do STF. como Manoel Gonçalves Ferreira Filho. O SF não é obrigado a suspender. Natureza do ato do SF: é vinculado ou discricionário? Na doutrina existem os dois posicionamentos: 1) Zeno Veloso defende que a suspensão da execução da lei pelo SF se trata de um ato vinculado (o SF não pode deixar de suspender a lei quando o STF a declara inconstitucional). 178. afasta a sua incidência no todo ou em parte”. Os efeitos da suspensão pelo SF são o oposto dos da decisão pelo STF (erga omnes e ex nunc)???. portanto. Não interessa se o Tribunal declara expressamente a inconstitucionalidade ou se afasta a aplicação da norma. pode fazê-lo se quiser e quando quiser. c) Suspensão da Execução de Lei pelo Senado Federal: ☺art. Outros autores. isto resulta em ofensa ao princípio da igualdade). a lei deixa de ser aplicada. É o entendimento mais correto. O objetivo da suspensão pelo SF é o de que a declaração com efeitos inter partes passe a valer para todos. não estando vinculado à decisão do STF. por isso o faz dali em diante. Os debates que deram motivo à súmula é que o óbvio nela estampado não é respeitado nos tribunais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O que é vinculante para o órgão fracionário é a decisão do pleno e não a decisão do STF no controle difuso concreto. art. 2) Outros autores. Esta suspensão só ocorre no controle difuso. sustentam que o efeito é ex tunc. RISTF. Na verdade. a maioria sustenta que a suspensão pelo SF tem efeito temporal ex nunc. em regra. A diferença é que o controle difuso tem lei específica. X. no todo ou em parte. trata-se de uma competência exclusiva. O posicionamento mais adotado (que é inclusive o adotado pelo SF e pelo STF) é o de que se trata mesmo de um ato discricionário. se assim o fosse ela já seria vinculante). A suspensão se dá através de uma Resolução. ao contrário do que se poderia imaginar (que seria no controle concentrado-abstrato. O SF apenas suspende a lei. Quando o SF suspende a lei. ela se refere à decisão do STF. já era um entendimento consagrado pelo STF antes mesmo do surgimento da regra legal. 35 .

esta norma não é de observância obrigatória. se for apenas uma parte. Art. §4°. o STF irá analisar a lei municipal com base na CR e não na CE. trata-se da decisão definitiva proferida no controle difuso-concreto. O que não é desejado é a pura e simples mudança da CR. em razão do princípio da simetria. cabe. Todos estes dispositivos referem-se apenas à União. O SF. desta decisão proferida pelo TJ. esse entendimento é desejável. não se referem ao âmbito estadual e municipal. obrigatoriamente. Mas. o SF só poderá suspender a lei por inteiro. 61: iniciativa do presidente. mas. Esta é uma hipótese de controle concentrado abstrato. Ressalta que a letra da norma (art. Normas de reprodução ou de repetição obrigatória: são normas da CR. já que no controle abstratoconcentrado o efeito da declaração é erga omnes e vinculante. está fazendo uma análise. a suspensão só poderá ocorrer em relação a esta parte. Somente decisões proferidas no controle difuso-concreto é que permitem ao SF fazer a suspensão da lei (isto está previsto no art. A CR não tem nenhum dispositivo que determina quais são as normas de observância obrigatória. ele não estará fazendo um controle de constitucionalidade. já que o SF não atua de forma correta. mas sim uma análise política sobre a lei (se é ou não viável a suspensão da lei). Segundo o STF. sendo norma de observância obrigatória. A mutação só ocorre quando o texto da CR permite a alteração da interpretação. ou seja. já o SF não. configuraria uma mutação constitucional. Esse assunto está sendo discutido pelo STF. cujo modelo. Questão de prova: uma CE pode prever a derrubada do veto do Governador através de escrutínio em aberto? Art. etc. cujo parâmetro é a Constituição Estadual ou a Lei orgânica: se o parâmetro violado da Constituição Estadual for uma “norma de observância obrigatória”. sobretudo jurídica daquela lei (apesar de também fazer uma análise política). a resposta é negativa. por ser um órgão do PL Federal. Nas situações em que o TJ julga. só pode suspender leis feitas pelo PL Federal. haveria uma violação do Princípio Federativo? Para responder a esta questão é bom relembrar alguns conceitos sobre a classificação das leis: 36 . já que o texto permaneceria o mesmo e só a sua interpretação seria modificada (☺tópico: “Tendência de abstrativização do controle concreto”). Segundo o professor. se toda a lei foi declarada inconstitucional. Por isso. RISTF) – e isso é óbvio. normas referentes ao TCU. LO. §4°: trata da eleição para as mesas do CN – é vedada a recondução para o mesmo cargo de dirigentes da mesa. É uma construção da jurisprudência do STF. Gilmar Mendes.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Ou seja. Quando se fala em decisão definitiva do STF. um RE para o STF. 178. ele não poderá nem ir além e nem ficar aquém da decisão do STF. CR: prevê o escrutínio secreto. Exceção à regra geral: RE utilizado no controle concentrado abstrato. a partir do momento que resolve fazê-lo. O SF não é obrigado a suspender a execução da lei. CR. CR) não comporta este entendimento. ou também pelos PL estaduais e municipais? Se pudesse. no controle difuso-concreto. LC. der à decisão efeitos erga omnes? Neste caso o papel do SF seria o de apenas dar publicidade à decisão do STF. o que. Quando o STF diz que a lei é inconstitucional. deve-se recorrer ao entendimento do STF. A suspensão pelo SF é de lei entendida em sentido amplo (lei ou atos normativos) – pode ser uma lei delegada. 57. Na ADPF este fenômeno também é possível. Não há um critério muito objetivo para determinar quais são as normas de observância obrigatória. para que isso fosse possível seria necessária uma alteração legislativa (EC). 52. segundo o Min. em sede de ADI a inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo. não havendo a necessidade de suspensão da lei. Neste caso. Art. e se o STF. pela simetria deve ser atribuída ao governador. O STF entende que são normas de observância obrigatória: princípios básicos do processo legislativo – art. requisitos para a criação de CPI. devem ser observados pelas constituições estaduais e leis orgânicas municipais. 59 e segs. a suspensão da execução da lei pelo SF tem que se ater aos exatos limites da decisão do STF. 66.

Lei Federal: Lei Nacional: Constituição Federal: Constituição Nacional: O SF atua como um órgão ora de caráter federal. que essa atuação do SF só ocorre no âmbito do controle concreto (difuso). eles não têm representantes no SF (até porque se o tivesse. por isso pode suspender leis também dos Estados. ele está atuando como órgão de caráter nacional e não como órgão apenas federal. mas não trata apenas dos interesses da União. Normas anteriores à Constituição não estão sujeitas à suspensão pelo SF.” Análise do enunciado pelo prof. Questão: Por que o SF tem essa legitimidade para atuar como órgão de caráter nacional e a CD não? O SF é composto por representantes dos Estados e do DF. ora de caráter nacional (exerce essa dupla atribuição). Sabe-se. Ex. Quando o SF atua como órgão federal. sentido falar-se em posterior suspensão de eficácia de uma norma que não mais consta do ordenamento. 37. no todo ou em parte.112/90 (que não se aplica no âmbito dos servidores públicos estaduais ou municipais. É semelhante à “Constituição Total” de Kelsen.: arts.). da execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal tem efeitos ex tunc. estadual. art. Ex. da organização da União. outros 37 . ao DF e aos Municípios (se aplicam ao âmbito federal. etc. não havendo. distrital e municipal). 19. ele está atuando como órgão de caráter nacional. Quando o SF suspende os efeitos da lei. também. só se aplicando ao âmbito federal). São os dispositivos que se referem tanto à União. por isso pode suspender lei estadual e municipal. → Questão de prova: “No âmbito da Administração Pública Federal. A atuação do SF não fere o Princípio Federativo porque quando o SF atua suspendendo leis estaduais e municipais. Mello Seria a parte da CR que trata apenas da União.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É uma lei emanada do CN. Classificação de Osvaldo Aranha B. pelo Senado Federal. É também uma lei emanada do CN. a própria decisão proferida pelo STF já é dotada de eficácia contra todos (erga omnes). 58.: CTN. ADC ou ADPF). está defendendo interesses apenas da União. portanto. mas mesmo assim o SF pode suspender suas leis. Em relação aos efeitos da suspensão de execução pelo SF. de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF (☺art. que deve ser observado no âmbito federal. os que tratam do TCU. 52. mas que trata apenas de interesses exclusivos da União. Ex. no controle abstrato (ADI. quando atua como órgão de caráter nacional está defendendo os interesses de todos os entes da Federação Brasileira. sendo específica para os servidores públicos civis da União. Assim. Ex.: art. mas também ao estadual e ao municipal (aplica-se a todas as esferas da Federação Brasileira). porém. que dispõem sobre o processo legislativo (arts. Vicente Paulo: Sabe-se que o SF dispõe de competência para suspender a execução. se aplicando ao âmbito federal. do DF e até municipais. O município não tem represente no SF porque só no Brasil o município é enquadrado como ente federativo (em nenhum outro lugar ocorre isso – apesar de que para a realidade do Brasil é necessário que isso ocorra). X. não há consenso doutrinário: alguns doutrinadores entendem que a decisão do SF produz efeitos retroativos (ex tunc). como aos Estados. e por isso pode ter esta atribuição de órgão nacional. é como se os Estados e DF também estivessem atuando. 59. CR). retirando a lei do ordenamento jurídico. o SF teria um número enorme de representantes). §3º. quando o SF atua. a suspensão. por não existir uma federação de municípios. visto que.: Lei 8. estadual e municipal. assim.

O STF disse apenas que a lei é constitucional em face da CR/88. Esta opção (pelo 1º ou 2º modelo) faz parte da capacidade de auto-organização dos Estados-membros (eles têm autonomia para decidir que modelo adotar). Neste caso a ADI estadual ficará prejudicada (a lei já foi declarada inconstitucional e o TJ não poderá dizer que a lei é constitucional). não retroativos). Todos os demais seguem o primeiro entendimento (inclusive MG). os dois tipos são constitucionais. é a Câmara Municipal.346. uma no âmbito estadual (TJ) e outra no âmbito federal (STF). De relevo salientar que esse ato normativo – decreto do Presidente da República – só dispõe de força obrigatória em relação aos seus órgãos e entidades. . TO. da AP Federal direta e indireta. a quem deverá o TJ comunicar sua decisão? Há dois grupos de constituições que se diferenciam sobre a suspensão da lei no âmbito estadual: 1º grupo: . na sua esfera de competência. Esta última é a solução adotada pelos seguintes Estados da Federação: RS. Portanto. no tocante à suspensão da execução de lei declarada definitivamente inconstitucional pelo STF. é sempre a AL que suspende a lei. o Poder Executivo Federal baixou o Decreto nº 2. os efeitos da manifestação do SF são ex tunc (retroativos). quando o TJ dá sua decisão (controle difuso). no âmbito da AP Federal. por opção do Chefe do Poder Executivo Federal. d) ADI no STF e ADI no TJ: No caso de serem propostas duas ADIs. declarando uma lei inconstitucional. mas sim a Constituição Estadual (são dois parâmetros diferentes).se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei municipal. 2ª hipótese: o STF julga improcedente a ADI (entendendo que a lei é constitucional). Segundo o STF. Poderá.346. visto que. Embora não haja consenso. RN. em decisão definitiva. 38 . essa posição doutrinária dominante não tem aplicação no âmbito da AP Federal direta e indireta. → Controle no âmbito do Estado: No âmbito estadual. de fato. visto que. MS. estabelecendo os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. o enunciado acima transcrito está corretíssimo. é a AL que suspende a lei. de observância obrigatória pela AP Federal direta e indireta. Entretanto. por força do referido Decreto nº 2. porque o seu parâmetro não é a CR. de 10/10/1997. Neste caso o TJ ainda assim pode dizer que a lei é inconstitucional. os efeitos ex tunc (retroativos) para a manifestação do SF. a ADI no TJ ficará suspensa até o julgamento da ADI no STF. ao restringir os efeitos ex tunc ao “âmbito da AP Federal”). o entendimento doutrinário dominante caminha no sentido de se outorgar a tal decisão de suspensão de execução pelo SF efeitos ex nunc (daí por diante. então. pró-ativos (ex nunc).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I defendem que a suspensão da execução pelo SF é dotada de efeitos somente daí por diante. SE e AM.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual. adotou-se.se o TJ declara a inconstitucionalidade de lei estadual ou de lei municipal. de 10/10/1997 (anote-se que o examinador foi preciso. ocorrer duas hipóteses: 1ª hipótese: o STF julga procedente a ADI. Com efeito. 2º grupo: .

39 . 4) Recurso da decisão de mérito. Como são ações de controle abstrato. . o duplo grau de jurisdição. . A decisão torna-se obrigatória a partir da publicação da ata da sessão de julgamento no DJU. ela é meramente jurisprudencial). ou na CR ou na lei. onde não existem partes formais (autor e réu). salvo embargos declaratórios (da decisão que indefere a inicial cabe agravo).ADI genérica (já que a ADI Interventiva é de controle concentrado-concreto.ADC.2) Controle concentrado-abstrato: Resumo dos pontos comuns das ações deste controle: O controle concentrado-abstrato é um processo de índole objetiva – Processo Constitucional Objetivo. tendo partes – autor e réu. A Constituição. ☺Lei 9.882/99 (regula a ADPF) → Segundo o STF. em seu art. não cabe. O que diferencia um legitimado universal do especial é que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de pertinência temática. isso vale tanto da cautelar quanto da decisão de mérito. 103. São 4 as ações de controle concentrado-abstrato: . de acordo com essas leis.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 6. A jurisprudência do STF diferencia os Legitimados Universais dos Legitimados Especiais (atenção: a CR e a lei não fazem esta distinção.ADPF. Por se tratar de um processo de índole objetiva. a ele não se aplicam alguns princípios processuais como o contraditório. 3) Intervenção de terceiros (amicus curiae seria uma exceção?). 2) Assistência (apesar da lei falar apenas em intervenção de terceiros. (23/03/09) → Competência para julgamento: Se o controle é concentrado. Obs. → Legitimidade ativa: Até a CR/88 o único legitimado era o PGR. se concentra em apenas um Tribunal – o STF. deve haver a previsão da legitimidade. 5) Ação rescisória.: aqui falamos apenas da esfera federal (na esfera estadual. mas sim legitimados. obviamente. e . a competência é do TJ). traz a legitimidade para todas as ações (que atualmente é a mesma). Para que as pessoas tenham conhecimento essa decisão deve ser publicada.AIO (Ação de inconstitucionalidade por omissão).868/99 (regula a ADI e a ADC) ☺Lei 9. a ampla defesa. nas ações de controle concentrado-abstrato: 1) Desistência: a pessoa não está defendendo interesse próprio. o RISTF veda expressamente a assistência – para aqueles que entendem que esta não é espécie daquela). que são a União e os Estados). e não do trânsito em julgado.

Assim.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A pertinência temática significa que o legitimado especial tem que demonstrar a existência de um nexo de causalidade entre o interesse que ele defende ou representa e aquele objeto que ele está questionando. ou seja. e admite-se a legitimidade de “associações de associações” (associação composta por pessoas jurídicas).: a ação prossegue se o vice ajuizar a ação no momento em que estava em exercício e depois deixar o exercício. . Os demais podem fazê-lo sem advogado. passaram a ser no seguinte sentido: a legitimidade do Partido Político com representação no CN deve ser analisada no momento da propositura da ação (não importa que o PP perca seu representante após a propositura da ação). a partir de então. tem que ser representativa de alguma categoria profissional ou social. . segundo a jurisprudência do STF: .Nenhuma autoridade do poder Judiciário é legitimada devido ao princípio da inércia.A Mesa do CN (MCN) é composta por membros da MCD e por membros da MSF. Para ter âmbito nacional. para ter legitimidade.Os únicos legitimados que precisam de advogados para propor a ação (não têm capacidade postulatória) são: PP c/ CN. . mas não é legitimada para ajuizar as ações (normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente).S. Executivo PR GE – GDF P.. A MSF nunca ajuizou e a MCD só ajuizou uma ação até hoje! → Parâmetro para o controle: ADI/ADC AIO ADPF 40 . Mesa da Câmara Legislativa: DF (tem competência da Câmara municipal e Assembléia Legislativa). . . Judiciário - MP PGR - Outros PP c/ CN – CFOAB CS – ECAN Aspectos específicos de alguns deles.A entidade de classe. o objeto questionado viola o interesse da categoria ou pessoas que representa. Legislativo MCD – MSF MAL – MCL P. CS e ECAN. a entidade de classe deve estar presente em pelo menos 1/3 dos estados-membros (9 estados). mas neste caso eles o fariam como legitimados e não como vices). mas a tem perante o TJ (âmbito estadual). Obs.O PGJ não tem legitimidade de propor ADI perante o STF. . é fácil recordar que os VicePresidente e Vice-Governador não podem ajuizar tais ações (salvo se estiverem no exercício da função dos legitimados. Quadro de legitimados com a sua especificação: 1) 2) 3) 4) 5) 6) Quadro do prof. 103 é uma norma excepcional (trata sobre quem pode propor as ações) e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. confederação regional: F.: Universais: Especiais: PR → U GE → E GDF → E PGR → U MSF → U MCD → U 7) MAL → E 8) MCL → E 9) ECAN → E 10) CS → E 11) CFOAB → U 12) PP c/ CN → U P.A partir de ago/04 o STF modificou o seu entendimento sobre algumas questões que.A norma do art.Os GE. PP e Entidades de Classe foram os que mais ajuizaram ações até hoje. . . confederação local: sindicato.Confederação sindical significa de âmbito federal.

admite-se o seu controle. Princípios constitucionais sensíveis e cláusulas pétreas).: leis orçamentárias – cuidado ao estudar por material antigo!).: decreto regulamentar do PR. a. o importante é que a controvérsia constitucional seja suscitada em abstrato. é o ato que está sendo impugnado (Atenção: objeto não se confunde com parâmetro!). ainda que tenha exorbitado os limites da regulamentação legal não podem ser objeto de ADI ou ADC.: nem tudo o que está dentro do RI de um Tribunal é questão interna corporis (o que não pode ser objeto são as questões interna corporis. → O STF não admite como objeto de ADI e ADC: .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . Não serão objeto de ADI e ADC. . estadual ou municipal Observações sobre o quadro acima: 1) Natureza do objeto: já saiu a Resolução que determina a mudança quanto ao objeto das ações: O STF dizia que o ato. decreto regulamentar. CR) Atos posteriores a 17/03/93 (EC 3/93) – STF admite objeto anterior à EC 3/93. todas estão no mesmo nível. Critérios 1) Natureza do objeto: 2) Limite temporal: 3) Limite espacial: ADC ANP (☺art. questões que devem ser resolvidas internamente por aquele poder. 102. por isso não é ANP). para ser objeto de ADC e ADI. Lei 9. Ex. salvo se envolver violação a direitos fundamentais. são questões próprias de RI. sem interferência do PJ. direitos e garantias fundamentais. I. I. precisava ser AN Primário (ligação direta à constituição). ou seja. 102. CR) Ato posterior a 05/10/88 (ou à EC que sirva de parâmetro) Lei ou ato normativo federal ou estadual ADPF Qualquer ato dos Poderes Púbicos (☺art. Obs.preceito fundamental da CR (princípios fundamentais.atos tipicamente regulamentares (ele regulamenta um ANP.☺art. em geral portaria de um ministro não pode ser objeto de controle. .Norma formalmente constitucional . o RI pode. nas normas que tratam de outra matéria).questões interna corporis: são questões internas ao corpo de um determinado poder. já que não existem normas superiores ou inferiores na CR. a. §3º .normas constitucionais originárias (feitas pelo poder constituinte originário – que foi quem criou as outras normas da CR e também o próprio STF) – ☺ tese defendida por Otto Bachof (hoje não mais aceita. geral e abstrato.normas formalmente constitucionais e eficácia limitada (NEL) → Objeto das ações: Saber o objeto é saber que tipo de ato pode ser objeto dessas ações. (o STF já admite como objeto de ADC e ADI leis de efeitos concretos. ☺ADI 4048 → trata-se de uma revisão de jurisprudência – o conteúdo do objeto (geral ou específico e abstrato ou concreto) não tem mais relevância. 5º. as originárias e as não originárias – não se admite o controle dessas normas originárias em razão do Princípio da Unidade). 1º. mas caso a portaria regulamente diretamente a CR. caso o decreto emane diretamente da CR. pois geralmente está abaixo do decreto. ele poderá ser objeto. como por ex. . 41 . OBS.882/99) Atos anteriores ou posteriores à CR/88 Lei ou ato normativo federal. Lei ou ato normativo federal ADI ANP (☺art.TIDH (3/5 e 2T) .

O importante é que tenha conhecimento da tese jurídica que está sendo discutida. se seu entendimento for diverso.: se o PGR ajuizou ADI ele não poderá desistir da ação. Gilmar Mendes e de um prof. também poderá dar parecer em sentido contrário. e. pode ser qualquer ato do poder público. STF). Assim.Veto: já houve 2 decisões no STF sobre veto na ADPF – em uma ele não admitiu o veto como objeto. Atuação do AGU: ☺art. . Lei do DF não pode objeto de ADC. poder-se-ia admitir o veto jurídico.PEC (porque não é ato do poder público perfeito e acabado. Se a lei do DF tiver conteúdo de lei estadual poderá ser objeto de ADI (súmula 642. ADI: pode ter como objeto lei ou ato normativo federal ou estadual. §3º. A função do art. Hoje. 42 . O STF diz que ele não precisa participar formalmente de cada um dos processos. Vai participar de todos os processos que estejam em tramitação no STF. tendo a função de defender a constitucionalidade da lei ou ato impugnado. 2) Limite temporal: o objeto tem que ser sempre posterior ao parâmetro invocado. A lei do DF tem natureza híbrida (trata de matéria de competência estadual e municipal). ainda. CR. intervenção de terceiros e recursos. ou seja. ele vai atuar como fiscal da Constituição. rejeitadas ou havidas por prejudicadas. é preciso primeiro ser transformado em EC). se um novo PGR o substituir. salvo embargos de declaração. o objeto deve ser posterior ao parâmetro invocado. Participação do PGR: ele vai participar de todas as ações. 103. O PGR atua como “custus constitutionis”. chamado Gustavo Binenboim: quando o veto é jurídico (o político não) pode ser objeto de MS (caso contrário o presidente poderia burlar o processo legislativo). o STF admitiu. → No caso da ADPF não se exige que seja ANP. por analogia. da mesma forma na ADPF. pois não produzem mais efeitos. não ameaça mais a supremacia constitucional. 103.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . de defensor legis. devendo ser de todos eles intimado. não pode ser objeto de ADPF: . só podendo ser objeto de controle difuso. Função geral do AGU (art. Nenhum desses atos ameaçam mais a supremacia da constituição. Mas. pode ser que essa jurisprudência do STF também caia por terra. portanto está subordinado ao PR. 3) Limite espacial: a ADC só pode ter como objeto lei ou AN emanados da esfera federal. como está havendo uma influência de um controle no outro. Mas ele pode dar parecer em sentido contrário à ação que ele mesmo ajuizou se mudar seu entendimento acerca do tema ou.leis revogadas. ainda que ele proponha a ação – ou seja. mas não entrou no mérito (a ação foi extinta sem julgamento do mérito por perda do objeto). Atuação do PGR: ☺art. Aqui é preciso usar o mesmo raciocínio que fizemos quanto ao veto como controle do PJ – é o entendimento do Min.Súmula. . No caso de emenda. PEC 29/00: equipara o objeto da ADI e ADC (ainda pendente). na outra. medidas provisórias revogadas. Lembrar que não cabe assistência. § 3° é uma função especial. leis suspensas pelo SF. 131): chefe da AGU – representa o poder executivo. sem exceção. Tem status de ministro de estado. leis temporárias: se a lei já foi revogada ou a MP já foi rejeitada. CR. 103. Obs. segundo o STF. §1º. posteriores a 5/10/88.

868 inclusive diz que esta figura foi inspirada no direito norte americano. 7º. A previsão expressamente contida no art. Foi introduzida pela Lei 6. na analogia iuris utiliza-se os princípios gerais de direito). A exposição dos motivos da Lei 9. não precisará do AGU para defendê-la. A figura do amicus curiae não foi introduzida pela Lei 9. §2º e art. 482. § 2°): a) Objetivo: relevância da matéria (que justifique a participação da sociedade). §3º. que também representam uma abertura à interpretação da constituição. §1º. sendo feita por toda a sociedade. Pode fazer uma associação à chamada “Sociedade Aberta de Intérpretes – de Peter Haberle” – a interpretação constitucional não se restringe ao Judiciário. não há o que se defender. por fim. em seu art. O amicus curiae está ligado à ampliação da interpretação constitucional. art. O AGU está obrigado a defender a constitucionalidade da lei. o AGU está obrigado a defender eventual lei estadual que esteja sendo questionada.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O AGU só participa na ação direta de inconstitucionalidade – ADI (controle concentradoabstrato). em especial no direito norte-americano. Posteriormente. portanto. 31). 9. por analogia. o das audiências públicas. Na ADPF. mas ainda assim estará obrigado a defender a constitucionalidade da lei (defensor legis). *Quase sempre o AGU deverá defender a constitucionalidade da lei. Cabe também na ADPF. o STF tem admitido a participação do amicus curiae na ADC e na ADPF (analogia legis. quando uma ação é ajuizada não há objeto questionado e sim uma ausência de objeto.868/99 vale só para a ADI.385/73 (☺ art. estando relacionado apenas à sociedade aberta de intérpretes.868. Mesmo sem previsão legal. ele não está desempenhando sua função geral (de chefe da Advocacia Geral da União). a Lei 8.868.884/94 (CADE). Se a pessoa que ajuizou a ADC já está defendendo a constitucionalidade da lei. 89.Requisitos para Admissibilidade do Amicus Curiae (lei 9. CPC (no CPC a previsão é para o controle difuso e não o controle concentrado). §2º da Lei 9. §1º e art. ☺ art. 43 . Na ADC a lei já é presumidamente constitucional. §1º.868/99 -☺art. Quando o AGU desempenha essa função. nos estados que adotam a commum low. mas de acordo com a lei da ADPF quem defende a lei é a própria autoridade que praticou o ato. Nesse caso. É como se a sociedade estivesse indo ao STF para debater a lei. de “defensor legis” e. Finalidade: Pluralizar o debate constitucional e conferir maior legitimidade democrática às decisões do STF. seria “amigo do tribunal”.868. Está desempenhando uma função especial. A audiência pública está prevista na Lei 9. art. Mas atenção: existe um outro instituto. Quando ajuíza ADI para o PR ele estará exercendo sua função geral. Ele só poderá deixar de fazê-lo em uma única hipótese: quando o próprio STF já disse que a tese jurídica é inconstitucional. mas não têm nada haver com amicus curiae. Na ADI por omissão. “amigo da corte”. 6º. Importante: ainda que como Advogado da União. mesmo que contrariamente ao entendimento do PR. Não há previsão para a ADC e ADPF. 7°. Amicus Curiae: Em uma tradução. . o AGU até poderia participar. 7º. o AGU não será obrigado a defender a lei. que trata da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Ele não é alguém interessado na causa. Ela já existia antes. Tem natureza de auxiliar do juízo. É muito comum nos tribunais internacionais. 20. só vai contribuir para a decisão do tribunal. disciplinou a figura. estará obrigado a defender tanto as leis estaduais como as leis federais. Mas o amicus curiae ficou realmente conhecido com a Lei 9. Portanto.

: Gilmar Mendes não era ministro do STF ainda. M. não tendo partes.Natureza Jurídica: há 4 correntes: 1º) Edgar Bueno: entende que é espécie de assistência qualificada (espécie de intervenção de terceiros. Surgiu com a EC/03. admitindo ser intervenção de terceiros (C. Gracie). a CNBB não iria contribuir com o Judiciário e sim ia defender o ponto religioso. Aurélio. Lewandowski. elas teriam um caráter dúplice ou ambivalente).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I b) Subjetivo: representatividade do postulante na sociedade. pois o amicus curiae não é um terceiro interessado.Casos específicos: 1) HC: crime de racismo contra judeus – O STF convidou Celso Lafer (renomado autor de direito humanos). porque iria envolver matéria em relação à vida. (Obs. O STF ainda não tem admitido que sejam pessoas físicas (a lei fala outros órgãos ou entidades). Carlos Aires entendeu que estavam presentes os requisitos. pois admitiu pessoa física em controle concreto. R. admitindo prova em contrário. pois tem entendido que seria uma intervenção de terceiros. mas dizia que havia contradição no posicionamento daqueles que defendiam a inconstitucionalidade da ADC em face dela e da ADI possuírem a mesma natureza – seria uma ADC com sinal trocado. Lei 9. Pergunta: Cabe sustentação oral pelo amicus curiae? Apesar de não haver previsão específica. Para o prof.: o amicus curiae pode se oferecer ou ser convidado. Quando 44 .Com relação à presunção de constitucionalidade. É aquele que vai contribuir para a decisão do STF. a mais correta. Mas depois que a lei foi feita. tinha entendimento que não era intervenção de terceiros. Barbosa e E. É. Aspectos Específicos das Ações de Controle Concentrado-Abstrato: → ADC: ☺ Art. O STF considerou que o preconceito contra judeus é racismo. Quem vai analisar se os requisitos estão presentes é o Relator. é um equívoco. (O STF admite que um objeto anterior à EC/03 possa ser objeto de ADC). por ex. . portanto. 2) CNBB: se ofereceu como amicus curiae na ADI 3510 – o Min. ressalta-se que esta é apenas relativa. . em despacho irrecorrível. ou seja. segundo o professor. O STF ainda tem exigido pertinência temática.868/99. seria uma exceção). . autor e réu. Parece ser o entendimento mais aceito pelo STF. Já na ADPF 54 (aborto em caso de acrania) o Min.. Os processualistas diziam que a ADC era inconstitucional por afronta ao contraditório e ampla defesa e que violava o princípio da presunção de constitucionalidade. 3º) Gilmar Mendes: ele não fala. 2º) Celso de Melo: tem duas decisões: na mais antiga antes de haver previsão na lei. “a”. o STF tem admitido sustentação oral pelo amicus curiae. poderia afastar esta presunção. cabe amicus curiae.102. ele diz embora não possível intervenção de terceiros. 4º) Fredie Didier: seria um auxiliar de juízo.não há que se falar em violação aos princípios constitucionais porque se trata de um processo de índole objetiva. Obs. J. Não se aplica o contraditório e a ampla defesa à ADC. Argumentos usados (na ADI nº1) para debater e afastar essa alegação de que ela seria inconstitucional: . Mello. Somente diz que ele não é intervenção de terceiros. Marco Aurélio não admitiu. Apesar de que era relevante. Foi uma exceção. I. ou seja. O juiz de primeiro grau.

Muitas ações foram ajuizadas questionando a MP. Ex: FHC fez medida do apagão por meio de MP. neste caso as ações são reunidas e julgadas conjuntamente. Portanto. art. . O STF não concordou e mandou juntar mais ações.21. Não é uma ação de inconstitucionalidade. ADPF: ☺ Art. b) se for concedida terá efeito vinculante para o Poder Judiciário e para a Administração Pública. art.U. . 45 . Ela vincula todos menos o próprio STF e o Poder Legislativo (sob pena de se ter o engessamento ou fossilização da Constituição). na ADPF 33: . os preceitos fundamentais são: . O AGU juntou 6 ou 7 ações dizendo que a lei estava sendo discutida no Judiciário. o requisito de admissibilidade está relacionado à presunção de constitucionalidade (☺Lei 9. CR e Lei 9. O STF admitiu ☺Informativo 518. P. Através do AGU. no entanto. e . . Como visto. o parâmetro é o preceito fundamental e não qualquer norma formalmente constitucional.). para que o STF não se torne um órgão de consulta dos Poderes Públicos.Título I: Princípios Fundamentais. nas outras ações ela também poderá ocorrer). pode ocorrer que um mesmo objeto seja questionado em ADI e ADC. 3) Caráter Dúplice ou Ambivalente: Lei 9.Principais aspectos da ADC: 1) É necessária “controvérsia judicial relevante” para ajuizar ADC. exige como requisito para o ajuizamento da ADC. . o descumprimento de preceito fundamental da CR que dará ensejo à propositura de uma ADPF. §1º. que é ainda mais ampla do que a ação de inconstitucionalidade (já que a inconstitucionalidade é um tipo de descumprimento – descumprimento da CR). Cabe prorrogação. A procedência da ADI e a improcedência da ADC dizem que a lei é inconstitucional.Princípios Constitucionais.102.Direitos Fundamentais (que são cláusulas pétreas). esta presunção passa de relativa para “quase absoluta”. II. mas sim em várias dezenas de ações para que se demonstre a controvérsia). 2) O objetivo da ADC: abreviar o tempo de pronúncia pelo STF. 24 – a ADC nada mais é do que uma ADI com sinais trocados. Mas. por 180 dias isso só existe expressamente na ADC (na ADI e na ADPF não há esta previsão. inclusive o Poder Executivo. é mais restrito: somente a violação.14. Os efeitos serão: a) a suspensão dos processos. mas o STF tem utilizado o mesmo entendimento – se na ADC ocorre a suspensão (☺art.868/99. o FHC ajuizou ADC. 4) Cabe concessão de Medida Cautelar em ADC? Sim. nos quais a lei esteja sendo discutida. a Lei 9. 14. não há que se declarar uma lei constitucional).Cláusulas Pétreas.882/99. portanto. e . . Conceito de Preceito Fundamental segundo o Min. O parâmetro. Gilmar Mendes.Princípios Sensíveis (que são princípios constitucionais – art. . 34.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I o STF dá a decisão na ADC. que se comprove a existência de uma controvérsia judicial relevante (se não há questionamento no judiciário.Princípios Constitucionais Sensíveis. VII). Segundo a doutrina.Cláusulas Pétreas. mas sim uma Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental.Normas de Estrutura do Estado Brasileiro.Título II: Direitos e Garantias Fundamentais. em seu art. III).869/99.868/99. para demonstrar a controvérsia judicial (não se fala em uma dezena.

: a norma que exige concurso público para preenchimento de cargos da AP. as normas que dão densidade normativa a esses 5 pontos. deve dizer o que deve ser considerado preceito fundamental.Tem caráter subsidiário: significa dizer que só cabe ADPF quando não existir outro meio eficaz para sanar a lesividade (outro meio que tenha a mesma efetividade. 4°. controvérsia constitucional e relevante fundamento – questionamento da controvérsia do próprio ato. podendo ser um meio de controle difuso. Caberá da decisão desse juiz recurso para o tribunal. O STF entende que tanto para a ADPF autônoma. Proposta diretamente no STF. 1º. “Fundamental”: quer significar os preceitos imprescindíveis à identidade constitucional e ao regime adotado pela constituição. 1º. como guardião da CR. que preenchem de conteúdo esses 5 pontos (ex. ou seja. Características: .: foi ajuizada uma ADI sobre esta espécie. O ato pode ser anterior ou posterior à CR. para que se declare sua inconstitucionalidade pelo fato de ter sido prevista pelo legislador infraconstitucional. Ela vai ao juiz de primeiro grau. apenas o STF. P. dentro do órgão judiciário). Processamento: Uma questão é levada a juízo – ex. embora seja bastante difícil existir esse meio). Obs. como para a ADPF incidental o objeto é o mesmo. O objeto pode ser da esfera federal. Art. caput: evitar (preventiva) ou reparar (repressiva) lesão a preceito fundamental causado por ato do Poder Público – questionamento do próprio ato. neste rol.U. art. dentro do mesmo tribunal. Hipóteses de Cabimento: 1) ADPF Autônoma: art. Segundo Neri da Silveira.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A ministra Ellen Gracie entendeu que os princípios fundamentais abrangem o direito à saúde. Aqui. estadual e municipal. os legitimados podem levar não todo o processo. 196 e ao meio ambiente.: gestante com feto com acrania. leva a questão ao STF através de ADPF. Cisão entre as questões: o caso concreto continua sendo julgado pelo juiz de 1° grau. na ADPF. ao tomarem conhecimento da questão que está sendo discutida no caso concreto.882/99.882/99). Quando o STF decidir a ADPF 54 ela terá 2 tipos de efeitos: (ambos estão previstos na Lei 9. § 1° da lei 9. b) Extraprocessual: efeito erga omnes e vinculante. a) Endoprocessual: seria em relação ao caso específico que está sendo discutido. Objeto da ADPF: Qualquer ato do poder público pode ser objeto de ADPF e não somente lei ou ato normativo. Mas se algum dos legitimados souber da ação. que é norma que dá conteúdo ao Princípio da Impessoalidade).: surge a partir de um caso concreto. A decisão do STF iria servir como precedente para o tribunal ou o juiz analisar. mas apenas a questão constitucional que está sendo discutida para o STF julgar a questão (e não o caso específico). Um dos legitimados. e a inconstitucionalidade será analisada pelo STF (assemelha-se ao que ocorre com a cláusula de reserva de plenário. 2) ADPF Incidental ou por Equiparação: art. 46 . a mesma imediatidade e a mesma amplitude da ADPF. embora lá há uma vinculação horizontal. ainda.: ADPF 54 (questão do anencéfalo). Ex. Incluindo-se. a vinculação é vertical.

47 . 5°. I. STJ (art. 129. mas a converteu em ADI. § 2º . (O órgão tem que ter competência determinada na CR. o STF transforma a ADPF em ADI. TSE/TER (art. Ex. ADC e ADPF (art. em alguns casos: se alguém entra com uma ADPF e era caso de ADI. LXXI (dos norma for de eficácia limitada (NEL) direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. à soberania e à cidadania). I.conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade. Assegurar a efetividade de suas normas.O MP teria legitimidade nos casos de direitos difusos. É controle concreto.Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional. II e III). por ex. Obs. V). coletivos e individuais indisponíveis (art.Admite-se a fungibilidade. 102. q). Instrumentos de Controle de Omissões Inconstitucionais: ADI por omissão “Art. 121. o STF faz uma interpretação ampla desse parâmetro. . 5°. É a mesma da ADI. No entanto. nas CE ou em lei federal). É controle abstrato. . Processo Constitucional Objetivo Mandado de Injunção “Art. governador do Maranhão ajuizou ADPF questionando uma portaria. .. 105.: a maioria da doutrina entende que a NEL tem que ser uma norma que consagre direitos fundamentais Só há omissão inconstitucional quando a – literalidade do art.MI Individual: qualquer pessoa que tenha 103) o seu direito inviabilizado por ausência de norma regulamentadora.CE: pode atribuir competências a juízes estaduais ou ao TJ. Processo Constitucional Subjetivo Finalidade: Pretensão deduzida em juízo: Competência: Parâmetro: Legitimidade ativa: Controle difuso limitado: . Norma constitucional de eficácia limitada (NEL). . 103. LXXI . O STF constatou que a portaria tratava diretamente de assunto previsto na CR (ANP).CR: STF (art.Lei Federal: quando existir poderá estabelecer outros órgãos competentes (por Controle concentrado no STF e nos TJ´s enquanto utiliza-se a lei do MS para (âmbito estadual) processar e julgar o MI). à soberania e à cidadania”. O STF admitiu a ADPF. Tornar viável o exercício dos direitos (direitos subjetivos).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . para fazê-lo em trinta dias”. será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e. § 4°. em se tratando de órgão administrativo. h).

: na ADI 3682 b. (☺item seguinte) Legitimidade Passiva Provimento: (decisão de mérito) Efeitos da decisão de mérito no MI: 1) Corrente não-concretista: Recebe este nome porque entende que o PJ não pode suprir a omissão do outro poder. A autoridade responsável pela elaboração da norma regulamentadora. no entanto. mas não apenas para aqueles que impetraram o MI e sim para todos aqueles que se encontrassem na mesma situação. exatamente o mesmo da ADI por Omissão: o PJ só dá ciência ao poder competente de sua omissão. isso não quer dizer que o STF passará definitivamente a adotar outra corrente para todos os casos. Recentemente. Em 95% das decisões do STF ele adotou esta corrente. Obs. Mas atenção. Se o PL) e. é b) Concretista: concretiza a norma. Há 4 possíveis provimentos: É apenas dar ciência ao poder a) Não concretista: = AIO (só ciência).1) geral: efeitos erga omnes suprir a omissão. não pode concretizar a norma. sob pena de exercício do vigorar por 2 anos. ou seja.3) intermediária: ciência + prazo PL seria de 18 meses em função de a lei para suprir.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . 5º. ECAN e associação c/ 1 ano). concretize a norma (faça a norma concreta). divide em: a CF fala no prazo de 30 dias para se b. elaboração da norma não pode ajuizar AIO.Órgãos públicos. O STF. em se tratando de órgão da AP.2) individual: efeitos inter partes (criação de município) o prazo para o b. em decisões em relação ao servidor público foi que ele mudou de entendimento. portanto. segundo ela o efeito da decisão seria a produção da norma (o PJ poderia concretizar a norma). ou seja. O efeito da decisão proferida pelo PJ seria. não pode fazer a norma para o caso concreto. entes federativos e PJ dir. mudou seu posicionamento. público: MI protege dir. o PJ iria concretizar a norma com efeitos erga omnes. recentemente. abrangendo todos os que se encontrassem na 48 . fundamentais em face do Estado. Órgão ou entidade encarregados da elaboração da norma regulamentadora. competente de sua omissão (em regra.MI Coletivo: o STF o tem admitido. mas esse prazo era direito. mas que representa uma minoria (Dirley da Cunha Jr). autores que admitem. São elas: a) Geral: é defendida por pouquíssimos autores. Há. organização sindical. portanto não podem impetrar MI. Havia uma crítica muito forte quanto a esta corrente. mais especificamente no caso do direito de greve do servidor público. LXX: PP c/ CN. apenas razoável e não peremptório. . 2) Corrente concretista: Se subdivide em 3 outras correntes e em todas elas se admite que o PJ supra a omissão do poder competente. já que por meio dela o STF esvaziava o conteúdo do MI. mesmo que não seja uma legitimidade exclusiva. O STF não admite sequer litisconsórcio Órgão ou entidade encarregados da passivo. usando-se como referência a legitimação do MS Coletivo (☺art.

708 e 712). CR (provimento. Todos os MI neste sentido foram julgados adotando-se esta corrente concretista geral – a decisão valeria para todos os servidores públicos e não apenas para aqueles que impetraram os MI (☺MI 670. A regra é o principio da não-intervenção. Quem pode decretar a intervenção em município é somente o Estado do qual o município fizer parte. Surge a partir do caso concreto.040). se dentro desse prazo a omissão não fosse suprida. intervir nos Estados). e 2) recusa à execução de lei federal (art. o STF adotou essa corrente (MI 721 e 758): impetrantes que pediram a regulamentação em relação à aposentadoria especial. poderia ser admitida a concessão de MC (ADI 336. continua o entendimento de que não cabe liminar em MI (não há fundamento para esse entendimento). 2. 34. iria dar ciência ao poder competente de sua omissão e. a representação interventiva torna-se um pressuposto para que a União decrete a intervenção no Estado ou no DF – ☺art. O efeito seria apenas inter partes. 49 . c) Intermediária: conjuga a corrente não-concretista com a concretista. ao mesmo tempo. 680. Controle Concentrado-Concreto: → ADI Interventiva ou Representação interventiva: Foi a 1ª ação que tivemos de controle concentrado no Brasil. pelo STF. porque adotava a corrente não concretista). b) Individual: é a corrente majoritária na doutrina. em um primeiro momento. ademais. III. Há duas hipóteses em que a União só poderá decretar a intervenção em um Estado se primeiro houver representação interventiva. Ela se subdivide em – geral e individual. Essa corrente é bastante criticada. o PJ. Se for criado Território Federal e ele tiver municípios. a norma que supriria a omissão para que a pessoa pudesse exercer o direito. Quem pode decretar uma intervenção federal: somente o PR (chefe do Poder Executivo). A omissão total não cabe MC. Não pode haver intervenção federal em município de Estado. a intervenção é uma exceção (a União não pode. de representação do PGR) – As hipóteses de Intervenção Indireta são: 1) violação aos princípios constitucionais sensíveis (art. surgiu em 1984 e deu origem a todas as demais ações. Essa corrente era seguida pelo ex-ministro do STF: Néri da Silveira. ou seja. Mesmo adotando a corrente concretista. É induzida através de um processo constitucional subjetivo (tem partes formais). criando uma norma geral e abstrata. a União poderá decretar a intervenção nesse município (mas somente na hipótese de intervenção em municípios presentes em território federal – é uma situação excepcional) – a regra é a de que a União não pode decretar intervenção em municípios. se supriria a omissão apenas para aqueles que impetraram o MI. VII). não cabe liminar (antes. 36. As 4 correntes são adotadas pelo STF de acordo com o caso concreto. Recentemente. ou seja. ou seja. na própria decisão já constaria qual seria a norma a ser aplicada naquela hipótese. como regra. Portanto. A inconstitucionalidade por omissão parcial também pode ser vista como uma inconstitucionalidade por ação. Esta corrente nunca foi adotada pela doutrina. 652. iria fixar o prazo para que a omissão fosse suprida. O STF tem entendido que no caso da AIO não se admite concessão de medida cautelar. De acordo com esta concepção. A União só pode decretar a intervenção nos Estados ou no DF. o STF está atuando como legislador positivo. 34. No MI. VI).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I mesma situação. porque nem a AIO tem esse poder. nestes casos de omissão parcial. mas foi a corrente utilizada pelo STF quanto à questão do direito de greve. O STF adotou essa corrente no MI 232.

OBS. Ocorre na hipótese de ADI proposta no TJ. Trata-se de um controle concentrado e abstrato. nem no RISTF. ☺art. vinculado (embora haja divergência doutrinária quanto a esse ponto). As partes aqui são o Estado e o Município. ele é o único que tem legitimidade ativa para ajuizar essa ação. no âmbito do TJ. §2º. Atenção: se a norma da CE violada for uma norma de mera imitação ou uma norma de remissão. se violados. É necessária a apreciação pelo PL (Assembléia Legislativa)? Não. o PR então poderá decretar a intervenção. portanto. Em 3 hipóteses o GE poderá decretar a representação interventiva estadual – Parâmetros: 1º) princípios previstos na constituição estadual: a CE estabelecerá quais são os princípios que. A decretação da intervenção pelo PR não é um ato discricionário. CR. CR. Atenção: quem pode ajuizar a representação interventiva é apenas um legitimado – o PGR.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Nessas duas hipóteses. é claro. Esta forma não foi prevista na CR. O parâmetro aqui é mais amplo. em face de lei ou ato normativo estadual ou municipal. se o STF der provimento à representação do PGR. ADI interventiva é uma ação de controle concentrado. 127. além. que é o pressuposto para a representação interventiva. mas que surge a partir de um caso concreto. no âmbito federal). e sim em face da CR. A decisão do STF tem natureza político-administrativa. O PGR atua como substituo processual (defende interesse da coletividade). Representação interventiva estadual: A representação interventiva estadual só pode ser proposta pelo PGJ (☺Súm. É dispensada a apreciação política pelo PL. O STF é o guardião da CR. O parâmetro de uma ADI no âmbito do TJ é a CE. CR. O RE. foi uma criação da jurisprudência do STF. Isto está previsto no art. 614. 36. 3º) recusa à execução de ordem ou decisão judicial: esta hipótese não é simétrica à representação interventiva federal (é própria da intervenção estadual). ???Para que o presidente decrete a intervenção federal nos estados devem ser respeitados alguns requisitos: PGR deve propor uma ADI ou representação interventiva. 35. § 1°. O único Tribunal que terá competência para processar e julgar esta representação interventiva estadual será o TJ. RE como instrumento de controle Concentrado-abstrato: Em regra ele é utilizado como instrumento de controle difuso. IV. A pretensão é deduzida em juízo através de um processo constitucional subjetivo (União x Estado). 2º) recusa à execução de lei federal ou estadual (hipótese simétrica à hipótese de recusa à execução de lei federal. É um controle concentrado-abstrato de lei municipal em face da CR (é o único caso. somente no caso do STF dar provimento à essa ADI é que haverá intervenção. da ADPF). mas em uma hipótese será utilizada como instrumento de controle concentrado-abstrato. A hipótese excepcional de utilização do RE é exatamente a seguinte: se a norma da CE violada (o parâmetro violado) for alguma das normas de observância obrigatória da CR (☺aula de Poder Constituinte). ☺art. 125. 50 . mas sim. CR). Nem o CN e nem a AL precisam se manifestar. da decisão do TJ caberá um RE para o STF. STF). será utilizado como instrumento de controle concentrado e abstrato. §3º. Não há esta necessidade porque já houve uma manifestação do PJ. já que o TJ não estará julgando um caso concreto. poderão dar margem à intervenção (princípios sensíveis no âmbito estadual). O PGR não é obrigado a ajuizar ADI em razão do princípio da independência funcional (art. Ele irá analisar a lei ou ato normativo não em face da CE. não cabe a hipótese de RE (cabe tão somente o controle de constitucionalidade).

analisa-se se o poder é legítimo ou não. sendo o titular o povo e o exequente aquele que. ensina que as Assembléias Constituintes não titularizam o poder constituinte. Titularidade do Poder Constituinte: O titular do Poder Constituinte. Segundo Manoel Gonçalves Ferreira Filho. pois o Estado decorre da soberania popular. ao qual se imputa uma vontade constituinte sempre manifestada por uma elite. deve-se adotar o posicionamento da 1ª corrente. que formulou esta teoria no fim do Séc. Assim. o povo pode ser reconhecido como o titular do Poder Constituinte. Está acima do direito positivo. 2) O poder constituinte é um poder de direito ou jurídico. C. É ele um titular passivo. segundo o Abade Sieyès. A doutrina entende que o titular do Poder Constituinte é sempre um só: a maioria do povo (ou a maioria da Nação. Celso de Mello. São apenas órgãos aos quais se atribui.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PODER CONSTITUINTE: (16/04/09) Conceito e finalidade: O Poder Constituinte é a manifestação soberana da suprema vontade política de um povo. porém. a natureza do poder constituinte é um poder de direito ou jurídico (Manuel Gonçalves Ferreira Filho). Bonavides. Natureza: Há duas correntes a respeito da natureza do poder constituinte: 1) O poder constituinte é um poder de fato ou político (P. Um dos aspectos para se saber se é legítimo ou não é justamente 51 . A importância dessa distinção (titular e exequente) está ligada à legitimidade. O exercício do Poder Constituinte na maioria das vezes é exercido por uma minoria. expressa por meio de seus representantes. A análise desse poder é feita no âmbito da legitimidade. É um poder que não retira sua força do Direito e sim da energia social. pode usurpar do povo a titularidade do poder. retira sua força do direito natural. um dos precursores dessa doutrina. a vontade do constituinte é a vontade do povo. mas jamais é quem o exerce. que deve observar o direito natural. que é sempre superior aos poderes constituídos. segundo o abade Emmanuel Sieyès. cria o Estado. o exercício dessa magna prerrogativa. visando à limitação do poder estatal e à preservação dos direitos e garantias individuais. distingue-se a titularidade e o exercício do Poder Constituinte. Assim. pois a titularidade do Poder liga-se à idéia de soberania do estado. social e juridicamente organizado. Para os jusnaturalistas. em alguns casos. é a nação. em nome do povo. editando a nova Constituição. Na 1ª etapa. Algumas teorias confundem a titularidade com o exercício. cujo conceito é mais abrangente do que o de nação. ou seja. A doutrina aponta a contemporaneidade da idéia de Poder Constituinte com a do surgimento de Constituições escritas. Portanto. XVIII). que. Schmitt). é predominante que a titularidade do poder constituinte pertence ao povo. de maneira que toda manifestação dos poderes constituídos somente alcança plena validade se sujeitar à Carta Magna. uma vez que mediante o exercício do poder constituinte originário se estabelecerá sua organização fundamental pela Constituição. Obs. Titularidade é diferente de exercício e nem sempre o exercício vai corresponder à titularidade. corroborando essa perspectiva. por delegação popular. Modernamente.

Reformador (art. Dessa forma. Espécies Tradicionais: .Revisor (art.Revolucionário . a legitimidade subjetiva está ligada ao sujeito que detém o poder. CR) A) Poder Constituinte (Originário): É aquele que vai fazer uma nova Constituição dentro de um Estado. tem que fazer normas cujo conteúdo seja considerado justo pela sociedade.Histórico .: o prof. 25. 3º. Um poder preocupado com a formação de uma Constituição supranacional elaborada legitimamente e. Maurício Andreioulo Rodrigues defende a existência de um tertium genus de poder constituinte. art. CR) . Há alguns autores (como Canotilho) que falam também em uma legitimidade no sentido objetivo. há legitimidade objetiva. Ele pode ser classificado em três espécies: 52 . correspondendo aos anseios daquela sociedade.Formal . 11. que é seu verdadeiro titular. pelo qual o poder constituinte (do ponto de vista objetivo). Trata-se de um aspecto subjetivo (diz respeito ao sujeito do poder constituinte). Poder Constituinte Supranacional: A ruptura das tradicionais premissas de organização dos Estados suscitou a idéia da existência de um poder constituinte pautado na cidadania universal. mas a doutrina utiliza esta nomenclatura para diferenciá-lo dos demais poderes.Decorrente (art.Transicional A) Poder Constituinte (Originário) Espécies de Poder Constituinte B) Poderes Constituídos (Poder Constituinte Derivado) . é possível analisar a legitimidade do poder constituinte em dois aspectos: subjetivo e objetivo. ADCT. Obs. Portanto. que busca sua “fundamentação” menos na vontade do povo-nação do que na vontade do povo-cidadão universal. quando o sujeito observa os limites impostos ao PC. Assim. ADCT) . para ser considerado legítimo. no pluralismo de ordenamentos jurídicos e em uma visão remodelada de soberania. entende que a expressão “originário” seria uma redundância. já que o poder constituinte já é originário.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I saber se há uma correspondência entre a titularidade e o exercício do poder. apta a vincular os Estados ajustados sob o seu comando. por conseguinte.Material . se esta correspondência existir o poder será legítimo. 60.

→ Características Essenciais do Poder Constituinte Originário (que o diferencia dos demais poderes): a) é um poder inicial: está acima de todo ordenamento jurídico. Obs. pode-se dizer também que é um poder ilimitado juridicamente. c) Poder Constituinte Transicional: “transição constitucional”. há alguns valores que são morais. Escolhe a idéia de direito que irá prevalecer. Pode surgir de dois tipos de revolução: através de um golpe de Estado (governante usurpa o exercício do poder constituinte e faz a constituição. ex. mas não a primeira e sim uma nova. c) é um poder incondicionado: não está submetido a qualquer tipo de condição formal ou material. a nenhum pré-requisito jurídico. .Dimensão tridimensional do direito (Miguel Reali): valor. entende que há outras 3 características: a) trata-se de um poder permanente: não esgota no seu exercício. 1967/69. O Abade Sieyes. b) é um poder inalienável. 1988. 53 . No caso do Brasil. foi criado um direito natural). que substituirá a anterior. porque a titularidade desse poder não pode ser transferida. 1946. No plano axiológico. Há ainda uma outra classificação: a) Poder Constituinte Originário Material: é o que escolhe o conteúdo que será consagrado pela Constituição. independente e soberano. 1934. Ex. não existe nenhum outro poder antes ou acima dele. através de normas constitucionais. é apenas uma classificação quanto ao momento. todas as demais Constituições (depois da de 1824) foram obras desse poder: 1891. é ele que dá início ao ordenamento jurídico. No caso do Brasil.: este poder tem este nome porque para o Direito. b) Poder Constituinte Originário Formal: é o que formaliza o conteúdo. a 1ª Constituição foi a Constituição Imperial de 1824. 1937. ou insurreição (grupo externo faz uma revolução e elabora a nova constituição). ela nunca deixa de ser do povo. Foram eleitos membros para compor a comissão constituinte. norma e fato (aplicação da norma abstrata ao caso concreto). Quem irá formalizar a escolha feita pelo PCOM será o PCOF. c) é um poder incondicionado pelo direito positivo. Obs. Obs. O poder constituinte originário (material) é responsável por escolher quais são os valores que serão consagrados pela constituição. esta escolha não está subordinada a nenhum direito preexistente. os quais já faziam parte do poder legislativo anterior. b) Poder Constituinte Originário Revolucionário: ele também cria uma nova Constituição. b) é um poder autônomo: tem autonomia para escolher qual é a idéia de direito que irá prevalecer dentro do Estado (ele escolhe o conteúdo da Constituição). é a Constituição que vai dar origem ao Estado. a doutrina impõe algumas limitações a esse poder (esse posicionamento deve ser suscitado apenas em provas discursivas e não objetivas). ou seja. através da Constituição. não perde a titularidade do poder constituinte. revolução é toda ruptura com o ordenamento jurídico anterior. O povo é o titular do PCOM. principal teórico responsável pela teoria do poder constituinte (era jusnaturalista). mas deve observar os princípios do direito natural (para limitar o poder do Estado. e quem vai formalizar o conteúdo escolhido pelo povo será a Assembléia Nacional Constituinte (composta por representantes do povo).: esses dois poderes (a e b) não são antagônicos. CR/1988: a própria constituição anterior já trazia uma emenda prevendo a criação de uma nova constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) Poder Constituinte Originário Histórico: é o que faz a 1ª Constituição dentro de um Estado. GV). A qualquer momento o povo pode elaborar uma nova constituição. coloca em normas constitucionais o conteúdo escolhido.: se é um poder autônomo e incondicionado. Apesar de ser um poder incondicionado.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Limitações materiais: 1) Limites transcendentes: são impostos ao PCO material advindos de imperativos do direito natural. mas o modelo federal e os paradigmas da CR têm que ser observados pela CE. Dentro desse limite. por isso o prazo de 1 ano para serem criadas. Ex. Obs. na verdade. por se tratar de uma conquista da sociedade. deveria observar os princípios estabelecidos na CR/88. um princípio conhecido como “Princípio da Simetria Constitucional” – este princípio significa que a CE tem que ser simétrica à CR. na pena de morte. mas continua a existir como característica essencial deste poder. 25. ficando um pouco relativizada. 11 do ADCT. estado não pode pretender se isolar do resto do mundo em face à globalização. Quando a CR consagra o art. No entanto. por ex. encontra-se o “Princípio da Proibição de Retrocesso” (efeito cliquet): esse princípio é. 54 . O que de fato ocorre é que a autonomia do Poder Constituinte foi. no prazo de 1 ano após a elaboração da CR. B) Poder Constituinte Decorrente: É o responsável por elaborar as Constituições Estaduais. a federação norte-americana: é característica do estado norte-americano a autonomia dos entes federativos. Tais direitos não poderiam ser violados nem mesmo por uma nova Constituição. com os avanços da sociedade. conferiu poder constituinte às Assembléias Legislativas dos Estados. Significa o poder do Estado de elaborar a sua própria Constituição. contudo. ela não consagrou especificamente um poder para elaborar as Constituições Estaduais. não tinha autonomia para colocar nas CE o que bem entendesse. não concorda muito com isso. refere-se ao núcleo essencial dos direitos. as constituições estaduais não são recepcionadas. Na verdade não houve uma Assembléia específica para esse fim de elaborar as CE (foram as AL dos Estados que elaboraram suas CE). uma nova constituição não poderia criar um estado unitário. Fábio Konder Comparato fala. ele encontra limites no texto da CR. Não se trata de um limite jurídico. afirmando que uma nova Constituição não poderia prever novas hipóteses de aceitação da pena de morte. neste caso significa um impedimento para que uma nova Constituição retroceda em relação aos direitos fundamentais conquistados por uma determinada sociedade. observados os princípios estabelecidos na CR. Uma nova Constituição não poderia permitir a violação a direitos adquiridos. Esta AL. A lei orgânica municipal tem que ser simétrica à constituição do estado e à constituição da república. Não há necessidade de que a CE seja uma cópia da CR. No caso da CR/88. aqueles sobre os quais há um consenso profundo. ☺art. além da prevista na CR/88 (caso de guerra declarada). deve respeitar normas de direito internacional (relativização do conceito de soberania do estado). De acordo esse limite. Não se trata de um poder inicial autônomo e incondicionado.. Ex. a doutrina deduz deste art. 2) Limites imanentes: são impostos ao PCO formal e relacionados à configuração do estado à luz do PCO material ou da própria identidade do estado. 25. A partir do momento que a CR surge. O prof. A CR/88. Ainda que o estado seja soberano. mas meta jurídico (fora do direito). no art. CR: diz que os Estados se organizam pelas constituições que adotarem. 3) Limites heterônomos: são provenientes da conjugação com outros ordenamentos jurídicos. mais utilizado em relação à vedação do retrocesso social (em outro sentido completamente diferente). de valores éticos ou da consciência jurídica coletiva.

57. que se estendem aos Estados. são as normas de auto-organização da União.Princípios básicos do processo legislativo: ☺art. 58. Obs. processo legislativo (art. no âmbito estadual tem que ser de competência do GE. Estão presentes no art.). e o STF decidiu que não havia problema. Segundo o STF. A próxima norma foi uma novidade da CR/88: . § 3°). que decidiu uma questão suscitada pela Assembléia do RJ. ou seja. 57.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há uma expressão (que vem desde o Raul Machado Horta) que deriva do Princípio da Simetria: são as “normas de observância obrigatória”. que dispõe sobre a composição das mesas do CN – mandato de 2 anos. CR (aqueles que se violados podem gerar uma representação interventiva ou até uma intervenção federal). § 1°. VII. A Constituição anterior já entendia que essas 3 normas acima dispostas fossem de observância obrigatória. 93. c) Princípios constitucionais estabelecidos (a matéria é tratada na constituição já se estendendo aos estados. Se subdividem em: 55 . não existe um modelo a priori de separação dos poderes. para apuração de fato determinado e prazo certo de duração. normas que obrigatoriamente devem ser observadas pelas CE. por enquanto. II) Implícitos: CPI (art. → Normas de observância obrigatória consideradas pela jurisprudência do STF (também chamadas de regras de repetição obrigatória): . Mas.: presidencialismo x parlamentarismo). porque o art. composição. mas foi uma decisão super apertada (6x5). são essas as normas de repetição obrigatória.Requisitos para a criação de CPI: ☺art. §3º – requerimento de pelo menos 1/3. vedada a recondução. 61.traz matéria de iniciativa exclusiva do PR. . 34. 75. mas os Estados não poderiam adotar um modelo diverso do adotado pelo âmbito federal (ex. 27. 28 (que trata da eleição de GE) e 75 (que trata do TCU). que não mencionam os estados): eles se subdividem em: I) normas expressas: são as normas que estão textualmente colocadas na Constituição. CR. este dispositivo não é norma de observância obrigatória (o Presidente da AL do RJ já estava no cargo há 6 anos.Normas relativas ao Tribunal de Contas da União: as normas referentes à organização.: ☺art. §4º não é norma de observância obrigatória). → Princípios que devem ser observados pelo Poder Constituinte Decorrente (normas de observância obrigatória): A classificação de JAS divide as limitações do Poder Constituinte Decorrente em 3 tipos de princípios: a) Princípios constitucionais sensíveis: se violados gerarão algum tipo de reação. Pode ser que futuramente o STF venha a entender que outras normas da CR sejam de observância obrigatória pelos Estados. 59 e segs.Princípio da Separação dos Poderes: segundo o STF.: os poderes da CPI do estado são os mesmos da CPI no âmbito federal? A CPI pode quebrar sigilo bancário? A ACO 730 decidiu que a CPI estadual poderia sim quebrar sigilo bancário. Há dois grupos: (art. b) Princípios constitucionais extensíveis: foram praticamente eliminados da CR/88. diferente dos extensíveis. Obs. §1º . §4º. 58. aquilo que é de competência do PR no âmbito federal. CR. . fiscalização do TCU devem ser obrigatoriamente observadas no âmbito dos Estados ☺art. V ???) I) Expressos na constituição: art.

Estado de calamidade pública não impede que a constituição seja emendada.: art. Essas limitações circunstanciais estão dispostas no art.. CR.exercício: é pelo CN. Trata-se de um poder previsto na CR e. . portanto. 60. Ex. de um poder que se sujeita às limitações impostas pela própria CR. .. CR (princípios que regem a AP: os Estados “obedecerão” os seguintes princípios. nas quais a livre manifestação do poder reformador possa estar ameaçada. .é condicionado. As 3 circunstâncias excepcionais nas quais a CR não pode ser emendada são: em caso de intervenção federal. . ou seja. Na CR/88 não há nenhuma limitação temporal (existia. 21 e 22 estabelecem competências exclusivas da União e. A finalidade é dar maior estabilidade à constituição antes de sofrer qualquer alteração.). A Constituição de 1824 foi a única constituição brasileira na qual existia uma limitação temporal: ela tinha um dispositivo que dizia que durante um período de 4 anos (de 1824 a 1828) não poderia haver nenhuma modificação na Constituição. 60. E.normas mandatórias: ex. 137).não é autônomo. .é limitado. 19. uma vez que tem a mesma natureza da intervenção estadual no município. se pode deduzir de forma implícita que os Estados não podem exercê-las.titularidade: é do povo.: a CR consagra o Princípio Federativo e dele decorre uma exigência de respeito recíproco entre os Estados. . → Limitações impostas ao Poder Reformador: 1) Limitações Temporais: são as que se referem a um determinado período de tempo durante o qual a CR não pode ser reformada. que é hipótese ainda mais grave do que o estado de defesa. no entanto. mas é possível deduzi-las. em qualquer estado da Federação (art.: art. . 136). DF e M. . C) Poder Constituinte Derivado (Poder Derivado Reformador): Características: . é conseqüente. se for decretado o estado de defesa (art. e se for decretado o estado de sítio (art. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . decorre da lei e não da força.normas vedatórias: ex.A intervenção federal em municípios não impede que a constituição seja emendada. 37. 56 . Ex.. ADCT). a mesma coisa ocorre com as normas expressamente consagradas como de competência dos municípios. 2) Limitações Circunstanciais: impedem a alteração da Constituição em momentos de extrema gravidade. portanto.. Este poder é o responsável por fazer a chamada Reforma Constitucional. §1º.O estado de defesa e o estado de sítio são também denominados “estados de legalidade extraordinária”. cujo procedimento está previsto no art. CR (é vedado à U. III) normas decorrentes: são aquelas que defluem do sistema constitucional adotado.é um poder jurídico (e não de fato). II) normas implícitas: são aquelas que não estão textualmente consagradas. 34). CR. uma limitação temporal para o poder revisor – art. 3°.não é inicial. .: os arts.) – contém uma vedação expressa.

A CD pode aprovar a emenda realizada pelo SF ou rejeitá-la.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Limitações Formais: são limitações processuais ou procedimentais. 44. Essas limitações podem ser de duas espécies: a) Subjetivas: são limitações relacionadas ao sujeito competente para propor a EC. §10). §2º). o que significa que o processo de elaboração de EC é mais dificultoso do que o processo para a propositura de leis. A sessão legislativa é um período anual que não coincide com o calendário civil – a sessão legislativa vai do dia 02/02 a 17/07 e do dia 01/08 a 22/12. apesar dela estar prevista há mais de 100 anos). a PEC vai para a promulgação. também podem propor a EC pelo menos 1/3 dos membros da CD ou do SF e. há que se fazer uma interpretação sistemática da CR.Atenção: não há previsão expressa de iniciativa popular de EC! Mas existe a possibilidade de haver iniciativa popular para a propositura de EC? Há divergência doutrinária: a) segundo JAS. §3º. No caso de projeto de lei. *O PR só pode participar do processo de elaboração de EC através da iniciativa. 60 (incisos I. §2º (o procedimento de iniciativa popular no caso de leis. Se houver alguma sessão legislativa durante o período de recesso. que é diferente de analogia iuris – utiliza os princípios do direito). ele não participa de qualquer outra etapa de elaboração de EC (não sanciona. GE. no qual há 4 sessões legislativas.Feita a iniciativa.U. 57) não pode ser confundida com a legislatura (art. não veta. 61.A nossa Constituição é rígida. após a iniciativa. assim. ☺art. Esses dois períodos semestrais são conhecidos como períodos legislativos (o do 1º semestre e o do 2º semestre). Atenção: a sessão legislativa não se confunde com o ano civil. 61 é a regra geral de iniciativa. Existe um outro ato legislativo que tem essa mesma limitação formal: a Medida Provisória (art. poderá ser reapresentada na mesma sessão legislativa por maioria absoluta dos membros da CD e do SF (art. que é o período de 4 anos do mandato do PR. CR! b) Objetivas: se relacionam ao procedimento de elaboração de EC. A Sessão legislativa (art. 60. pode ser reapresentada no mesmo ano a partir do dia 02/02 (data em que se inicia a nova sessão legislativa). Obs. ademais. não manda publicar – a única coisa que ele pode fazer é tomar a iniciativa). também podem propor projeto de lei o povo. 67. Estão relacionadas ao procedimento de alteração (reforma) da CR. por fim. também chamadas de implícitas.Além do PR. proposta rejeitada no dia 15/01. Os 2 turnos acontecem simultaneamente (não são alternados). a PEC será discutida em cada casa do CN. §5º. CR. possamos usar o procedimento previsto no art. II e III) uma exceção à regra geral. que será feita pelas mesas da CD e do SF – as duas em conjunto. b) o entendimento majoritário da doutrina. 62. . sendo o art. 57 . no âmbito do MP. no âmbito do PE. não promulga. por analogia (é o caso de analogia legis – analogia propriamente dita.). no entanto. apenas o PR. o PGR. vejamos alguns aspectos sobre o Projeto de Lei. Ex. não seria possível que houvesse iniciativa popular para a propositura de EC. ☺art. e as normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. através da iniciativa popular (art. O quorum de aprovação da PEC é 3/5 em 2 turnos de votação (☺art. Este art.Antes de nos aprofundar-nos na questão da PEC. se a matéria for rejeitada. DF e DE. . o STF e Tribunais Superiores. Isso é muito difícil de ocorrer (nunca houve na história desse país uma iniciativa como esta. . ela será chamada de extraordinária. não poderá ser reapresentada novamente na mesma sessão legislativa. é o de que o art. 61. segundo o qual se a matéria for rejeitada (ou havida por prejudicada) numa sessão legislativa. 60. . para que. primeiro em uma casa e depois na segunda casa. 60. CR). qualquer Senador ou qualquer comissão da CD. trata da regra geral para a iniciativa de leis (vale tanto para a LO como para a LC – a iniciativa é a mesma). ATENÇÃO: MEMORIZAR O ART.Discutido e aprovado. há ainda um 3º legitimado: mais de 50% das AL das unidades da Federação. Quem pode propor LO e LC: no âmbito do PL é qualquer Deputado Federal. P. . 60. apesar de não existir previsão expressa. não pode haver emenda de emenda. não pode ser pela mesa do CN! (lembrar ainda que não há sanção ou veto do PR). .A última limitação formal objetiva está prevista no art. O único legitimado para propor leis e para propor EC no Brasil é o PR. §2º). pela maioria relativa (+ de 50% dos presentes) de seus membros – e este processo é o processo para que o projeto possa ser encaminhado ao CN e este então possa aprovar o projeto. . no âmbito do PJ. do SF ou do CN. 61.

não é secreto. universal e periódico. Finalidades das cláusulas pétreas: a) Assegurar metas a longo prazo. Sepúlveda Pertence – a forma federativa do Estado é princípio intangível. CR. na verdade. b) Separação dos Poderes: não existe um modelo ideal. VI. o que é universal é o direito de sufrágio. Ou seja. a). o direito de participar das eleições. Esse entendimento foi retirado de um voto do Min. Expressas: ☺art. §4º. exigindo mais cautela por parte do STF quando da declaração de inconstitucionalidade). ao estabelecer limitações à vontade da maioria.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 4) Limitações Materiais ou Substanciais: limites impostos pela soberania popular. São as chamadas cláusulas pétreas. As cláusulas pétreas podem ser modificadas ou são intangíveis? As cláusulas pétreas não são intangíveis. Esse parágrafo não diz que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. Secreto. Entendimento do STF: As cláusulas pétreas não significam a intangibilidade literal do dispositivo. que é o modo como se realiza o exercício do voto. votando e sendo votado (o voto é em um determinado candidato). a Constituição rígida acaba funcionando como mecanismo para assegurar a própria democracia. secreto. a existência de cláusula pétrea não significa que aquela parte da Constituição é intangível. As cláusulas pétreas são. A cláusula pétrea protege o núcleo essencial de determinados direitos. . a maioria sempre iria querer maximizar os seus interesses. 60. São 4 as cláusulas pétreas expressas: a) Forma federativa de Estado: é um princípio intangível da nossa Constituição. conforme já foi considerado em alguns concursos (especialmente CESPE). b) Preservar a identidade material da Constituição. não podem haver alterações tendentes a aboli-las. Universal e Periódico: . mas sim. segundo o STF. O que é cláusula pétrea é apenas o voto direto. cada constituição é que vai determinar essa relação entre os poderes. Curiosamente. o voto não é universal. Se elas não existissem. 58 . . Este princípio assegura a imunidade tributária entre os entes da Federação e. é uma forma de assegurar a autonomia dos entes federativos. ademais. cláusulas que exteriorizam limitações materiais. 150. A constituição não menciona que as cláusulas pétreas não podem ser alteradas. Há 2 tipos de cláusulas pétreas (expressas e implícitas): 1. Pode haver uma EC que acabe com a obrigatoriedade do voto. A decisão em que o STF tomou esta posição foi a primeira vez na história em que o STF disse que uma EC era inconstitucional por violar cláusula pétrea (ocorreu em 1993 – e demorou tanto para ocorrer justamente porque as EC são aprovadas através de um processo mais dificultoso.A CR especificou as características do voto que o tornam cláusula pétrea. c) Voto Direto. mas cometeu duas imperfeições terminológicas: o voto.O voto obrigatório não é cláusula pétrea. pois. mas apenas a proteção ao seu núcleo essencial. o que é secreto é o escrutínio. que pressupõe alguma certeza quanto ao seu conteúdo.Há um outro princípio decorrente da forma federativa que o STF também considera como cláusula pétrea: Princípio da imunidade tributária recíproca (☺art. A finalidade da cláusula pétrea é proteger a própria sociedade de suas “miopias”. não podendo ser violado nem mesmo por meio de emenda constitucional. c) Assegurar o processo democrático.

não seriam cláusulas pétreas. Implícitas: São aquelas que não estão elencadas diretamente no art. não o serem). Entendimento do STF quanto às garantias individuais: os direitos e garantias individuais não se restringem ao art. dispostos do art. . 5º. Parte da doutrina (minoritária aqui no Brasil) defende um entendimento diferente – é a doutrina conhecida como “Dupla revisão”. os direitos sociais que tenham relação com o mínimo existencial. inclusive. 60 seria CP. mas os demais não (ex. Ex. Obs. o entendimento majoritário é o de que pode haver alteração. Os direito fundamentais se encontram. com a dignidade da pessoa humana. Assim. em princípio. não tem nada a ver com CP). uma outra parte da doutrina entende que se esses assuntos foram objeto de plebiscito. não concorda. Ocorre que o STF decidiu isso não porque este princípio é um direito político. III. Para ele.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I d) Direitos e garantias individuais: eles envolvem ideologias distintas e. por isso. como um todo. 2º. que diz que os direitos e garantias individuais sejam CP para posterior revogação do art. 60 poderia ser modificado. desde que ocorra uma nova consulta popular (não são. Lá estão as limitações ao poder reformador. 16 (Princípio da anterioridade eleitoral) é CP. 5º. 5º ao 17 (mas existem outros espalhados pela CR).: primeiro. e sim por ser uma garantia individual do cidadão eleitor e. mas que é aceito como exemplo por uma boa parte dela. (23/04/09) 2. pois foi o entendimento dado pela soberania popular.Outra garantia individual é o Princípio tributário da anterioridade. encontram-se espalhados por todo o texto constitucional. são CP. ou. CR.: FGTS. Mas seriam eles CP implícitas? Há divergência na doutrina: parte da doutrina (Ivo Dantas) entende que como o sistema presidencialista e a forma republicana foram submetidos a um plebiscito (☺art.Há quem defenda. CR). O art. CR. 60 é considerado CP implícita (ao estabelecer que o legislador deve observá-lo. todo o art. CP). que não é unânime na doutrina. por uma questão lógica. mas refere-se a uma reforma. §4º. segundo a qual o art. far-se-ia uma EC revogando o art. Chama-se dupla revisão. 60. é CP. sistematicamente. e não em direitos e garantias fundamentais. Trata-se de uma limitação implícita porque o próprio poder não pode modificar as suas limitações que lhe foram impostas por um poder superior a ele. A dupla revisão constitui na retirada de uma limitação formal. após este plebiscito eles teriam se tornado CP. Já os direitos e garantias individuais são somente os previstos no art. 150. para posterior alteração do conteúdo. Mas o STF já considerou que o art. 60. não podendo ser violado por EC (apesar dos direitos políticos. que proíbe a pena de morte. Direito Adquirido: Direito Adquirido x Nova Constituição: Pode uma constituição violar direitos adquiridos? 59 . posteriormente. Assim. . ADCT). Os demais direitos e garantias fundamentais. pois seria uma forma da fraudar a constituição.: O sistema presidencialista e a forma republicana de governo não são CP expressas na CR. uma emenda constitucional que alterasse o quorum de 3/5 para maioria absoluta. Um exemplo. Dentre os que defendem a possibilidade de uma dupla revisão está o autor português Jorge Miranda. No Brasil a dupla revisão não é admitida pela maioria da doutrina. b. seria feita uma nova EC alterando o conteúdo da Constituição por maioria absoluta. Elas têm que ser deduzidas do sistema constitucional como um todo. sendo uma garantia individual. é o art. A CR fala em direitos e garantias individuais. é porque não se desejou que eles fossem petrificados. O prof. não alterando-o). comportam diferentes interpretações. que os direitos sociais seriam também CP (Ingo Sarlet e Paulo Bonavides). por serem pré-requisitos para o exercício dos direitos individuais. pois. que é garantia individual do cidadão contribuinte (art. e por conseqüência.

não abrangendo apenas leis em sentido formal. Mas essa relativização só pode ser adotada em casos excepcionais. não sendo um princípio absoluto. Ex. . ☺art. não se pode alegar direito adquirido em face de nova constituição. ADCT: A revisão constitucional será realizada após 5 anos. mas também emendas à constituição. Ex. A divergência surge em relação ao direito adquirido e emenda constitucional. esse era o entendimento do STF. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada) refere-se apenas ao legislador ordinário ou também ao poder constituinte derivado? Há duas linhas de raciocínio: . c) Máxima: a retroatividade não é automática. portanto. a) Mínima: a constituição atinge efeitos futuros de um ato praticado no passado. A limitação imposta no art. 3º.A maioria da doutrina brasileira entende que esse dispositivo deve ser interpretado em sentido amplo. mas seus efeitos surgem após a constituição. Todos os atos de um contrato celebrado antes da nova constituição produzirão efeitos imediatamente. 3º. mas ainda não pagas. a constituição atinge prestações vencidas. em sessão unicameral. O dispositivo já teve sua eficácia exaurida. Reforma x Revisão: Reforma é uma via ordinária. Com relação ao assunto acima. Essa garantia consagra o princípio da segurança jurídica (além do princípio da não retroatividade). contados da promulgação da Constituição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Segundo a jurisprudência do STF. A retroatividade mínima é automática. não abrange EC. b) Média: a retroatividade não é automática. O STF faz distinção entre três espécies de retroatividade: (considerar o seguinte exemplo: um contrato celebrado em 1980). pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional. comum e permanente de alteração da Constituição (☺art. art. XXXVI. O direito adquirido pode ser relativizado. Direito Adquirido x Emenda Constitucional: A proteção do art. Antes da CR/88. tem que haver previsão expressa na constituição. → Diferenças entre a EC (comum) e a EC de revisão: Quorum: EC de Revisão Maioria absoluta EC (simples) 3/5 60 . O poder constituinte originário não está limitado por direitos anteriores. o STF tem entendimento unânime. Trata-se de modalidade de alteração da CR com menor rigor do que a EC. CR). 3º. Adotam esse entendimento: Daniel Sarmento e Paulo Modesto. 60. CR (a lei não prejudicará o direito adquirido. A atuação do poder derivado revisor está disciplinada no ADCT. em sentido formal. excepcional e transitória de alteração da Constituição. de forma que não pode mais haver outra revisão no Brasil. ADCT é uma limitação temporal (5 anos). a constituição atinge prestações já vencidas e pagas. Essa interpretação mais ampla visa garantir a segurança jurídica. 5°. Revisão é a via extraordinária. tem que haver previsão expressa na constituição. A Revisão ocorreu no Brasil em 93 e 94. O ato ocorreu antes.Parte da doutrina entende que este artigo refere-se a lei em sentido estrito. Ex.

já que mesmo neste período a Constituição pôde ser emendada. especificamente. como ocorreu com a EC 45 (Reforma do Judiciário) e com a EC 19 (Reforma Administrativa). §§1º e 4º). Mas trata-se de um prazo para que fosse feita a revisão prevista no art. e de forma geralmente mais extensa. 61 . a reforma constitucional pode ocorrer sempre que uma EC comum trate sobre um único tema. (*) No tocante às limitações materiais e circunstanciais.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de votação: Limites materiais. procedimentais e implícitos: Limite temporal: Sessão unicameral Sim* Sim (5 anos)** Sessão bicameral (Câmara + Senado) Sim* Não. ADCT. 3º. (**) Na verdade não é bem um limite temporal ao surgimento de EC. o entendimento predominante na doutrina é o de que a revisão possui os mesmos limites previstos para a reforma (☺art. Além disso. 60. Há apenas 6 EC de revisão e várias EC comuns. as EC de Revisão têm numeração diferenciada em relação às EC comuns. Importante: Revisão constitucional é diferente de Reforma constitucional: a revisão constitucional ocorreu em oportunidade única. circunstanciais.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I ☺Quadro – Poder Constituinte:
Poder Constituinte Supranacional - inicial - autônomo - incondicionado - soberano - limitado juridicamente

Poder Constituinte Originário

Características essenciais

Princ 韕 ios Const. Sens 韛 eis (art. 34, VII) Poder Derivado Decorrente Limita 珲 es Princ 韕 ios Const. Estabelecidos Limita 珲 es Expressas Limita 珲 es Impl 韈 itas Limita 珲 es Decorrentes Princ. Const. Extens 韛 eis (art. 34, VII)

Temporais (n 鉶 h� Poder Derivado Reformador Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais Subjetivas (art. 60, I a III) Objetivas (art. 60, Ё2� 3�e 5� Materiais (art. 60, �� Temporais (ADCT, art. 3� Poder Derivado Revisor Limita 珲 es Circunstanciais (art. 60, �� Formais (ADCT, art. 3� Materiais (art. 60, ��

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I

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Direito Constitucional – LFG – Intensivo I HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL:

Introdução: Hermenêutica e interpretação são sinônimos? Não. São coisas distintas. Interpretar é revelar o sentido e fixar o alcance da norma jurídica. Hermenêutica é a ciência ou a arte que fornece os critérios e elementos para a interpretação. No momento em que se pretende revelar o sentido de uma norma, é necessário utilizar determinados elementos, que serão fornecidos pela hermenêutica constitucional. Caso contrário, a interpretação seria muito subjetiva. Justificativas para o surgimento dos métodos de interpretação da Constituição: A Constituição, apesar de ser uma espécie de lei, possui uma série de peculiaridades, o que tornou imprescindível o desenvolvimento de uma teoria própria para sua interpretação. Estudaremos, pois, aqui, os critérios que devemos utilizar na hora de interpretar a Constituição (hermenêutica constitucional). Mas afinal, por que a Constituição da República tem métodos próprios de interpretação? As primeiras constituições escritas surgiram no final do séc. XVIII, com as revoluções liberais. Até o final do século XVIII, as constituições eram consuetudinárias. Desde o surgimento das primeiras constituições escritas até meados do século XX, as constituições eram interpretadas pelos mesmos métodos de interpretação das leis. Posteriormente, surgiram métodos específicos. E as razões para o surgimento desses métodos próprios são: a) Ideologia ou pré-compreensão do intérprete: na interpretação, a ideologia de quem está interpretando, a visão de mundo, acaba influenciando nessa interpretação. Só que no direito constitucional, isso fica muito mais presente, porque as normas das constituições são mais abertas. Ex: questão do aborto: alguns o consideram inconstitucional, outros consideram que o aborto não poderia ser considerado crime. Quem propôs a ação foi Cláudio Fonteles, que é extremamente religioso e, para ele, o direito à vida começa a partir da concepção. Se ele fosse ateu, provavelmente ele não teria proposto a ação. O intérprete deveria tentar ser o mais imparcial possível, mas isso nem sempre é possível. b) Os direitos fundamentais: eles se exteriorizam, sobretudo, através de princípios. As leis, geralmente, são propostas por regras. As constituições não. Isso aumenta a dificuldade de interpretação. Ex: matar alguém – pena de 20 anos. Isso é uma regra, fácil de ser interpretada. Já quando se fala em dignidade da pessoa humana, qual será o conteúdo da norma? São normas que não têm definição exata, que precisam se densificadas. São normas abertas, que comportam a inclusão de determinados conteúdos. c) Variedade tanto do objeto da Constituição como da eficácia de suas normas: o direito, em geral, tem objetos específicos. A constituição não. Ela trata de conteúdo de quase todos os ramos do direito. Então, o intérprete tem de pegar esse conjunto de normas e dar um sentido harmônico a todas elas. A mesma coisa acontece com a eficácia das normas constitucionais. Em razão desses fatores, foram criados métodos de interpretação da constituição. Existe algum método mais justo? Canotilho diz que todos os métodos, apesar de partirem de premissas diversas, são complementares entre si, que não existe o método mais justo. Ainda que se reconheça que a utilização de vários métodos pode causar problemas. O subjetivismo acaba sendo maior. Para o professor, no Brasil não se adota métodos de interpretação. 64

Se a constituição é uma lei (tese da identidade). com seus principais defensores: I) Método Jurídico ou Hermenêutico Clássico (Ernest Forsthoff): Esse autor parte da idéia de “tese da identidade”. X. 52. Tem uma parte da Constituição que não tem corpo. É como se a norma fosse o corpo da constituição. Por isso. Buscam os valores subjacentes à constituição. como todas as demais. portanto. ela deve ser interpretada de acordo com as demais normas ou em conjunto com as demais normas que compõem o sistema. É necessário interpretar o dispositivo dentro do sistema ao qual ele pertence. mas apenas valores: o preâmbulo. sendo suas inegáveis particularidades apenas um elemento adicional. com algumas peculiaridades. É o início de uma interpretação. Além disso. Imagine a Constituição norte-americana. como o sistema de valores subjacentes à Constituição (Método Valorativo). Por isso. O grande problema é que. partindo da idéia de sistema. Não existe uma norma jurídica sozinha. O espírito da Constituição está nos valores que ela consagra. d) Sistemático: talvez seja um dos mais importantes. só tem alma. ele o fez pensando exclusivamente no direito privado. c) Lógico: Os princípios da lógica formal também devem orientar a interpretação. 65 . são levados em consideração “fatores extraconstitucionais”. → Crítica: Quando Savigny desenvolveu esses elementos. como início e limite para a interpretação. esses elementos são insuficientes. Nele estão os valores supremos da sociedade. aqueles desenvolvidos por Savigny. ela deve ser interpretada pelos mesmos métodos clássicos de interpretação das leis. A interpretação dessa constituição não é hoje da mesma forma como se fazia há 200 anos. segundo a qual a constituição nada mais é do que uma lei. Esse método não é apenas sistemático. Ex: princípio da não contradição. O que diz esse elemento? Ele parte da seguinte premissa – se a norma faz parte de um sistema. eles são suficientes. Na busca pelo “Espírito da Constituição”. bem como o sentido que ela possui como elemento do processo de integração comunitária (integrativo).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Passemos ao estudo de cada um deles: Métodos de Interpretação da Constituição: São 6 métodos. Toda norma está dentro de um sistema. Ela não tem normas jurídicas. e os valores fossem o seu espírito. incapaz de afastar a utilização das regras clássicas de interpretação. esse método também é conhecido como método valorativo. Quais são os elementos tradicionais desenvolvidos por Savigny? a) Gramatical ou literal: é importante. para o direito privado. para o direito público. devido à complexidade da interpretação constitucional. Ele é extremamente crítico em relação aos métodos positivistas. e não isoladamente. é também o limite para a interpretação. b) Histórico: no seu desdobramento. Constituição da República. Um desses fatores são os valores subjacentes à constituição. a partir da captação da “realidade social” reinante naquele momento (sociológico). critica-se o entendimento do STF quanto ao art. O texto da norma funciona. Ele leva em consideração também fatores extraconstitucionais (fatores que estão fora da constituição). Esse elemento estará presente em vários métodos e em vários princípios interpretativos. II) Método Científico Espiritual (Rudolf Smend): Esse método parte da premissa fundamental de que a Constituição deve ser interpretada como um todo. entra o elemento histórico evolutivo.

Há um processo aberto de argumentação entre vários intérpretes na busca da adequação da norma ao problema concreto. enfraquece-se a força normativa da constituição. acaba fazendo com que a interpretação seja variável. Ambos os métodos acima são métodos sistemáticos. ou seja. ou a de que um é mais correto do que o outro). lugares comuns. Está relacionado ao “princípio do efeito integrador” (que será estudado adiante). pois comporta mais de uma solução possível). a fim de se descobrir qual a interpretação mais conveniente. esse método pode conduzir à indeterminação e mutabilidade dos resultados.. formas de raciocínio. Vence o argumento que conseguir convencer o maior número de pessoas. Tópico (ou tópica) vem da palavra “topos”. podendo haver riscos de problemas iguais terem soluções diferentes. os quais são submetidos a várias opiniões. como ocorre neste método. porque trabalham não com a idéia de sistema. Assim. Os topoi são esquemas de pensamento. formas de raciocínio são extraídos de vários lugares. que contraria o positivismo jurídico.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Outro fator é a realidade social. vence o argumento que for mais convincente. o que significa que diante de casos difíceis primeiro forma-se a convicção e depois busca-se a fundamentação no ordenamento (é o caminho inverso do normal). de argumentação. a favor e contra. É uma teoria de argumentação jurídica entorno do problema. Todo método tópico-problemático trabalha entorno de um problema. Ex. o que geraria uma grande insegurança jurídica). como. mas sim diante de problemas. vencerá a tese que conseguir convencer o maior número de pessoas. mas sim com a idéia de problema a ser resolvido. Se se permite interpretações divergentes. pontos de vista ou lugares comuns. 3) pouca importância dada à jurisprudência (investigação superficial da jurisprudência. → Crítica: feita por Canotilho. Problema é a questão difícil.: na questão do aborto em caso de anencefalia (que é um problema. Assim. Ex. dos princípios gerais do direito. Por isso. → Críticas: 1) a interpretação deve partir da norma para a solução do problema e não do problema para a norma. certa insegurança jurídica. e corre-se o risco de eles serem resolvidos de acordo com os valores que aquela determinada pessoa que a está proferindo tem. que é apenas mais um topos. os operadores do direito servem-se de topoi. Isso gera certa instabilidade. 2. mais um 66 . O objetivo dos métodos é exatamente ter certa estabilidade. que pode ser solucionada de mais de uma maneira diferente. A tópica deve ser entendida como uma “técnica do pensamento problemático”. por ex. Ele leva em consideração a realidade social de cada momento histórico. Esses pontos de vista. cujo plural é “topoi”. da jurisprudência dominante. Por levar em consideração a realidade social de cada momento histórico. ele também é conhecido como método sociológico. 2) este primeiro problema pode conduzir a um casuísmo ilimitado (cada caso vai ser resolvido de uma maneira diferente. O STF utilizou o seguinte argumento (topoi): os direitos fundamentais não devem servir como escudo protetivo para salvaguardar práticas ilícitas. Por ter uma feição mais política do que jurídica. Os métodos que veremos de agora em diante partem de um raciocínio aporético (e não sistemático). Um quarto nome que se dá a esse método é método integrativo: porque considera a constituição o principal elemento de integração da comunidade. III) Método Tópico-problemático (Theodor Viehweg): Este método é um método totalmente anti-positivista. Este problema será solucionado pela argumentação.: normas excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Vence não o argumento que for considerado correto (o método não parte da idéia de que só um argumento é o correto. Quando se fala em argumentação são levados em consideração vários argumentos: os favoráveis a uma determinada decisão e os contrários a ela. Violação de correspondência de presos. Ex. esses métodos são utilizados não nos casos em que a resposta é dada facilmente pelo ordenamento jurídico. do senso comum. de casos que comportam mais de uma solução possível. da doutrina.

Os métodos III e IV. Assim. a compreensão prévia do intérprete. e concretizador à aplicação. (15/05/09) V) Método Normativo-estruturante (Friedrich Müller): É também um método concretista (no qual se fala não na interpretação da norma. Elaborou um catálogo de princípios para a interpretação da constituição (postulados normativos). resultam no enfraquecimento da força normativa e quebra da unidade da constituição. diferentemente dos dois primeiros. se assim o for pode se fazer uso de outros métodos). é aquele utilizado para a aplicação da norma ao caso concreto. 67 . Utilidade deste método: complementação de lacunas e comprovação dos resultados obtidos através de outros métodos. e não é possível aplicar a norma a um caso concreto sem primeiro interpretá-la. a interpretação e a aplicação consistem em um processo unitário. quando se fala em hermenêutica. Assim. este método não poderá ser aplicado. Não se pode interpretar se não for para aplicar a norma a um caso concreto. Eles só podem ser utilizados se existir um caso concreto ao qual se poderá aplicar uma norma abstrata. para guardarmos o conteúdo deste método é bom associar hermenêutico à interpretação. sua aplicação a casos complexos. é bom lembrar. não podem ser utilizados de forma abstrata. assim como os dois anteriores – por ser a interpretação apenas um dos elementos. 3) a compreensão prévia do intérprete (idéia de um círculo fechado de intérpretes – idéia oposta a do Peter Harbele. ou seja. Não se pode separar as duas coisas. devendo-se fazer uso de outro método. Ele parte. assim como a própria norma – ou seja a norma jurídica não é o critério principal. São métodos indissociáveis. é apenas mais um topos – por isso se fala que este método é anti-positivista ao extremo).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento como todos os outros. na sociedade aberta de intérpretes. e o problema concreto a resolver. segundo a qual não é necessária essa compreensão prévia porque qualquer um que viva a Constituição seria o seu legítimo intérprete). ao lado de Hans Kelsen. por serem métodos concretistas. se for caso de lacuna. É importante lembrar que a jurisprudência está ligada à segurança jurídica. ainda que dos mais importantes. que a questão não seja simples. a primeira coisa que vem à cabeça é interpretação. em relação ao método anterior (III) é a existência de uma primazia da norma sobre o problema. 2) a norma a ser concretizada (interpretada e aplicada) – se não existir uma norma. de única solução possível. e sim na sua concretização. Ocorre que. são 3 os elementos básicos deste método: 1) o problema a ser resolvido (como se trata de um método aporético. Além de serem métodos aporéticos. razão pela qual são necessários 3 elementos básicos: a norma que se vai concretizar. porém. Para este método. do pressuposto de que a interpretação constitucional é concretização. Ambos (III e IV) são concretistas porque partem desta idéia. A principal diferença. Método concretista. mas em concretização). são também métodos concretistas. Crítica aos métodos concretistas: como levam em consideração fatores do caso concreto. Hermenêutica e interpretação não se confundem. é preciso que haja um problema. interpretação e aplicação constituem um processo unitário. pois. IV) Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse): Konrad Hesse é o defensor da concepção jurídica de Constituição. e esta compreensão prévia tem que ser tanto do problema como da norma a ser concretizada e é a Teoria Geral da Constituição que vai fornecer essa compreensão prévia “círculo fechado de intérpretes”: não é qualquer um que pode interpretar a constituição. são coisas diversas. Por não haver interpretação constitucional independente de problemas concretos. não se deve falar em interpretação constitucional. como já vimos.

ele diz que este procedimento democrático tem que ocorrer não só no momento em que a Constituição é criada. Essas duas figuras podem ser. Se a constituição se dirige não só aos poderes públicos. ele dirige e. a interpretação constitucional tem que ser democratizada. em regra. Paulo Bonavides o tratar como um método. Todo aquele que vive uma realidade constitucional deve ser considerado um legítimo intérprete (ou pelo menos um pré-intérprete). a interpretação constitucional não deve se restringir apenas a um círculo fechado de intérpretes. todos aqueles que vivem a constituição são intérpretes legítimos (já que para viver a constituição é necessário interpretá-la). O que ele chama de domínio normativo. para a racionalização da aplicação da constituição após já ter sido feita a sua interpretação. Judiciário.Elementos do âmbito da norma . Não diz respeito aos critérios de interpretação. Quando ele fala em democratização. pois. A tese de Peter Härberle é oposta a de Konrad Hesse. mas não deixa de ser uma abertura da Constituição para a sociedade em geral).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Este método tem este nome porque o Friedrich Müller estabelece uma estrutura de concretização da norma constitucional. limita a interpretação. VI) Método Concretista da Constituição Aberta (Peter Häberle): Apesar do prof. A norma é o mandamento. Dentre os elementos utilizados na concretização da norma estão: . bem como a quebra da unidade constitucional. O texto tem duas funções muito relevantes. Segundo Peter Häberle (que escreveu o livro: “A Sociedade aberta dos intérpretes”. na concretização da norma o intérprete deve levar em consideração tanto os elementos do programa normativo como os elementos do domínio normativo. → Crítica: é a mesma feita a todos os métodos concretistas – a utilização desses métodos pode causar um enfraquecimento da força normativa da Constituição. Fala-se que são utilizados. o programa normativo compreende tanto o texto da norma quanto a norma propriamente dita. faz uma distinção importante entre: programa normativo e domínio normativo. → Críticas: o alargamento excessivo do círculo de intérpretes da Constituição pode causar um enfraquecimento de sua força normativa e uma quebra de sua unidade.Elementos político-jurídicos: utilizados em decisões do P. Friedrich M.Elementos metodológicos: métodos de interpretação e os princípios interpretativos (postulados normativos interpretativos). Assim.Elementos dogmáticos: jurisprudência e doutrina . por sua vez.Elementos teóricos: elementos da Teoria da Constituição . a norma só surgiria após a interpretação do texto. Ainda que a Corte seja o intérprete final. aberta a toda a sociedade. Para ele. que têm legitimidade para a interpretação. ao mesmo tempo. Gilmar Mendes). Segundo ele. 68 . Na prática. ele na verdade não o é. Aqui se recorda duas figuras práticas já estudadas que são formas de abertura da interpretação da Constituição: o amicus curiae e a realização de audiências públicas (nessas audiências não é discutida a interpretação constitucional propriamente dita. O texto não tem o comando. mas também na sua interpretação. A concretização da norma constitucional é estruturada através de vários elementos. mas a toda a sociedade. A democracia deve servir não apenas para a criação. . relacionadas à sociedade aberta dos intérpretes. esse comando (a norma) só surge depois da interpretação. O texto é apenas a forma de exteriorização da norma jurídica. a utilização de métodos de interpretação é bastante criticada pela doutrina. traduzido pelo Min. todo indivíduo pode interpretar a constituição ao seu modo. Segundo o autor. principalmente nas decisões do STF (que ao dar uma decisão deve pensar nas conseqüências políticas dessa sua decisão). é a realidade social tratada pelo texto da norma. mas refere-se àqueles que podem interpretar. mas também para a interpretação da Constituição. regulada pela norma. é o comando que se extrai da norma interpretativa.

Também denominado de originalismo. devido aos escândalos de corrupção e à omissão em fazer leis.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Interpretativismo e não interpretativismo: O Interpretativismo tem uma postura mais conservadora. norma e fato. Essa idéia está diretamente ligada ao ativismo judicial. Na verdade. dando origem ao Jusnaturalismo como forma de limitar o direito do Estado Absolutista. No pós-positivismo. 2) Limitação ao conteúdo da constituição. não interpretativismo é uma corrente progressista (de esquerda no direito norte-americano). quando o juiz vai aplicá-la deve tentar descobrir a vontade original daquele que a elaborou e consequentemente. que corresponde à vontade do constituinte originário. O ativismo judicial significa uma postura mais ativa do poder judiciário na implementação de direitos. Esse jogo da separação dos poderes não pode ser analisado apenas abstratamente. maior força ele ganha dentro dessa separação dos poderes. 69 . surge a idéia de norma (gênero). textualismo e preservacionismo. A primeira etapa da concretização dos valores são os princípios gerais. do povo. Dworkin afirma que os princípios já vinham sendo utilizados como regras. Uma determinada geração não pode impor às gerações futuras o seu entendimento. Atualmente tem surgido uma nova dogmática denominada Pós-positivismo. Em virtude do caráter normativo dos princípios. Segundo Conrado Hubner. Por isso o judiciário tem ganhado força. os direitos têm que ser iguais para todos. Os valores são importantíssimos e têm seu núcleo na dignidade da pessoa humana (“Virada Kantiana”). bastante discutido nos dias atuais. preocupado com a segurança jurídica. os poderes que possuem respostas mais legítimas e morais devem ter um espaço maior nesse jogo de poderes. sem modificá-la. como a constituição é feita por representantes do povo. Parte do seguinte pressuposto: cada geração tem o direito de viver a constituição ao seu modo. A norma. Entende que. Outra característica trazida por esta nova dogmática foi a diferenciação entre princípios e regras. Esta questão está ligada à separação dos poderes. Após. O ativismo judicial é necessário quando os poderes públicos se omitem. que se subdivide em princípios e regras. vinculante e obrigatória. O juiz tem a função apenas de aplicar a constituição. A idéia de discricionariedade é combatida pelos interpretativistas. quando interpretada. Hoje. O ativismo ou contenção do judiciário está diretamente ligado à opinião pública. 3) Existe uma única resposta correta. o poder legislativo é claramente fraco. Quem faz essa adaptação à realidade é o poder judiciário. Assim. que tem o dever de evoluir o texto constitucional. mas de forma concreta. A norma representa os valores escolhidos pelo legislador (é o conteúdo das normas jurídicas). no Brasil. Assim. Na medida em que o poder se aproxima daquilo que a sociedade aprova. deve sempre buscar os fins para os quais foi criada. essa diferenciação tem dado lugar ao entendimento de que os princípios possuem uma força normativa. A segunda corrente. Para Miguel Reale as três dimensões do direito envolvem valor. a distinção feita tradicionalmente por jusnaturalistas e positivistas era entre princípios e normas. Elementos do Sistema Normativo Constitucional: A teoria do direito evoluiu. deixando a justiça em segundo plano (o que está na lei deve ser cumprido. surge o Positivismo Jurídico. superado o valor da norma). a distinção tradicional aos poucos vai sendo abandonada para dar lugar ao entendimento de que a norma é um gênero do qual são espécies os princípios e as regras. É uma tentativa de encontrar um equilíbrio entre a justiça e a segurança jurídica. Parte das seguintes premissas: 1) Respeito absoluto ao texto da Constituição e à vontade do constituinte originário.

princípios são “mandamentos de otimização”. Os princípios possuem um pressuposto fático heterogêneo. em havendo um conflito no âmbito da validade. A norma é um gênero e. → Regras: são “mandamentos de definição”. bilateral). Os princípios obedecem a “lógica do mais ou menos”. Quando o ordenamento vai ser estruturado os princípios são colocados primeiro. genérica. o que ocorre por meio da ponderação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Temos então. Elas se aplicam de acordo com a subsunção.Dimensão que eles ocupam (Alexy): enquanto princípios e regras possuem a dimensão da validade.Generalidade: princípios são considerados normas generalíssimas. e . é preciso saber quais são as normas opostas. a ponderação pode conduzir a um subjetivismo e a um decisionismo judicial. como elementos do sistema normativo constitucional: . impõem resultados. Segundo Ronald Dworkin as regras obedecem à “lógica do tudo ou nada”. caso a resolução seja feita com base na hierarquia. mas a medida do possível. Referem-se à abstração (a norma é abstrata. uma das duas normas será excluída do ordenamento jurídico. → Princípios X Regras: . de acordo com as possibilidades fáticas e jurídicas existentes. será invalidada. . há uma subsunção lógica. Para Habermas.Regras. normas que ordenam que algo seja cumprido na maior medida possível. apenas os princípios possuem a dimensão da importância. que envolvem a aplicação deste princípio. ao passo que as regras prevêem hipóteses homogêneas. e que podem ter um peso maior do que o direito analisado). . que apontam para o sentido contrário. Eles não definem a medida exata. nós trabalhamos com duas espécies: os princípios e as regras.: aposentadoria compulsória. imperativa. ou seja. se obedece a lógica do mais ou menos e não a do tudo ou nada (segundo a qual ou se aplica ou não se aplica). ou seja. Tanto os princípios quanto as regras serão analisados na validade e. e 2) as possibilidades jurídicas – é preciso saber qual é a medida de aplicação de determinado direito (ou seja. A regra aplica-se na medida exata de suas prescrições. As regras possuem aplicação automática. A medida possível de cumprimento de um princípio é determinada por dois fatores: 1) as possibilidades fáticas. → Princípios: os direitos fundamentais se expressam por princípios.Proximidade da idéia de justiça (Dworkin): os princípios estão mais próximos da idéia de justiça. o caso concreto – não há como se aplicar um princípio sem ter conhecimento das circunstâncias fáticas do caso concreto. 70 .proximidade da idéia de justiça (Dworkin) . É a aplicação do IED (Premissa maior + Premissa menor = conclusão).Princípios. . O grau de abstração é a diferença.generalidade . Alexy afirma haver exceções. isto é. quando se vai aplicar um princípio. Assim. Ex. peso ou valor. ??? Trazemos aqui definições de Ronald Dworkin e Robert Alexy. Princípios são muito mais abstratos do que as regras. Ambos são normas. dentro do gênero norma jurídica.dimensão que eles ocupam (Alexy) . impessoal.Postulados. Dworkin entende regra como mandamento definitivo. normas que ordenam que algo seja cumprido na medida exata de suas prescrições. Segundo Robert Alexy.

Ex. pela maioria da doutrina. de modo a realizar os valores nela consagrados. Esta consiste em uma “leitura” da ordem jurídica sob a lente da Constituição. interpretação conforme a Constituição. Nesse aspecto. Os postulados são denominados. mas também com a releitura de seus institutos à luz da Constituição.P x P (muito raro) -PxR Havendo P x R. cronológico e da especialidade. A ponderação pode ser dividida em 3 etapas: identificação das normas e seu agrupamento. os postulados são normas que estabelecem um dever de segundo grau. Quanto maior for o grau de afetação de um princípio. os princípios estabelecem fins a serem alcançados (correspondem aos princípios materiais). → Antinomia Jurídica Própria (Norberto Bobbio): Conflito no âmbito da validade (conflito no campo abstrato): -RxR . maiores hão de ser os motivos justificadores desta intervenção. Essas etapas diminuem um pouco o subjetivismo. Eles não apontam um fim. e atribuição do peso a cada grupo de princípios e relação de precedência. O deslocamento da Constituição para o centro do sistema jurídico fez com que ela passasse a ter um papel imprescindível na interpretação de todos os demais ramos do direito. como princípios. análise do caso concreto e suas circunstâncias e conseqüências. existem critérios para verificar a antinomia no campo da validade: hierárquico. Os postulados normativos de interpretação têm uma função diferenciada. → Antinomia Jurídica Imprópria: Conflito no campo da importância.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Essas definições de princípios e regras são muito importantes para o estudo dos Direitos Fundamentais. Eles estabelecem como as outras normas devem ser interpretadas e aplicadas. Segundo a LICC. são utilizados na interpretação e aplicação de normas infraconstitucionais. será feita a análise de alguns postulados que. São normas de 2º grau ou metanormas que estabelecem a estrutura de aplicação de outras normas. nem estabelecem competência ou conduta. Também chamados de princípios instrumentais ou postulados normativos. São utilizados para se interpretar princípios e regras constitucionais (normas de primeiro grau). A técnica utilizada para resolver a colisão é a chamada ponderação. Humberto Ávila diz que as regras estabelecem determinadas condutas imediatas. também conhecido como antinomia de princípios. consistente em estabelecer a estrutura de aplicação de outras normas. dando origem a um fenômeno que vem sendo denominado de filtragem constitucional. Mas e os postulados? Segundo esse autor. por isso não são aplicados diretamente. Postulados Normativos de Interpretação: O reconhecimento de força normativa à Constituição. é preciso analisar se o princípio é igual e a regra é específica. mas não têm a mesma função dos princípios. tendo em vista que toda interpretação jurídica é também interpretação constitucional. a constitucionalização do direito não se identifica apenas com a inclusão de normas próprias de outros domínios no texto constitucional. a expansão da jurisdição constitucional e o desenvolvimento de uma nova dogmática pós-positivista de interpretação constitucional são alguns dos fatores apontados para a ascensão institucional e teórica do direito constitucional. É um conflito sempre no caso concreto. 71 . Havendo esse conflito ele é chamado de colisão. Com base nessas premissas. embasados na supremacia da Constituição.: proporcionalidade. Não estão na constituição.

II) Princípio da Interpretação Conforme a Constituição: Se a Constituição é uma norma suprema. Todo projeto de lei passa por um controle. Esse controle preventivo reforça ainda mais essa presunção de constitucionalidade. tanto o Poder Judiciário (com exceção do STF) quanto o Poder Executivo. Ou seja. Excepcionalmente. excepcionalmente. quem exerce esse controle são as Comissões de Constituição e Justiça. devemos optar pela interpretação que seja conforme a Constituição. como no âmbito do Poder Executivo e. Toda Constituição tem supremacia material. Só não dirá que a presunção passará a ser absoluta. o Chefe do Poder Executivo. presume-se que agiram de acordo com ela. por ser presunção relativa. significa que as demais leis devem obediência a ela.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I São os seguintes os postulados de interpretação das leis: I) Princípio da Presunção de Constitucionalidade: É um princípio que parte de outro princípio. No Poder Executivo. mas essa supremacia material não tem relevância para o direito. deve optar pela constitucionalidade. pode deixar de aplicar a norma de ofício. No Brasil. A partir do momento em que há uma decisão do STF com efeito vinculante. é necessário que a Constituição seja rígida. quando entender que uma norma é inconstitucional. Esses dois controles supramencionados são obrigatórios. na dúvida. Qual é a conseqüência desse postulado? Se tiver dúvida se uma lei é constitucional ou não. deve-se optar pelo significado conforme a constituição. no Poder Judiciário. O que importa realmente é a supremacia formal da Constituição. No Poder Legislativo. o Poder Judiciário. parece que o princípio é o da presunção de inconstitucionalidade. Passa pela comissão da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. o Princípio da Supremacia da Constituição. Se a constituição é a norma suprema. para ter essa supremacia. Até que momento eles podem negar cumprimento a uma lei? Até o momento em que o STF dê uma decisão com efeito vinculante. ficam vinculados àquela decisão. pois existe uma presunção de constitucionalidade. assim. A 72 . Não se retira a lei do ordenamento. Essa presunção é relativa (iuris tantum). não tem como fazer interpretação conforme. Interpretação conforme é equivalente à declaração de nulidade sem redução de texto. Se há mais de um significado. Isso ocorre porque confiamos muito mais no Poder Judiciário (cujos membros são eleitos por meio de concurso público) do que no Poder Legislativo (cujos membros são eleitos pelo povo). pode ser exercido através do veto jurídico. E. A lei é constitucional se for interpretada de forma compatível com a constituição. Imagine se não houvesse presunção de constitucionalidade. Da mesma forma. É necessário interpretar a lei com o único significado que ela possui. Esse Princípio decorre do anterior (da presunção de constitucionalidade). Para que esta interpretação seja utilizada é necessário que a norma seja polissêmica ou plurisignificativa (não é qualquer norma que pode ser interpretada de acordo com a Constituição). Tudo isso reforça a presunção de que as leis são constitucionais. um parlamentar pode impetrar um Mandado de Segurança quando não for observado o devido processo legislativo. A finalidade do princípio é manter a imperatividade da norma. Essa presunção é reforçada pelo controle preventivo de constitucionalidade. Tanto no âmbito do Poder Legislativo. no controle difuso. Qualquer pessoa poderia alegar a inconstitucionalidade de uma lei. Ele pode negar a aplicação da lei. A clareza do texto dispensa a interpretação? Não. Se os poderes retiram suas competências da Constituição. a lei deve ser declarada constitucional. presume-se que os poderes agiram de acordo com ela. se entendê-la inconstitucional. na dúvida. significa que ele é unívoco. porque o STF pode mudar esse entendimento se for novamente provocado. Aqui não há nenhum procedimento de interpretação. Limites da interpretação conforme: a) Clareza do texto legal: Se o texto da lei é claro. Se o texto tem apenas um significado. e.

: A CR consagra o princípio da livre iniciativa. • Eficácia horizontal dos direitos fundamentais: Será visto posteriormente. Cada sujeito tenta impor a sua ideologia. Toda vez que houvesse um conflito entre as duas. há várias tensões entre as normas constitucionais. Ex: A constituição garante o direito de propriedade e logo em seguida ela traz a função social da propriedade. Obs. Princípios de Interpretação da Constituição propriamente dita: Desenvolvidos por Konrade Hesse e Friedrich Muller. pois. necessário harmonizar esses dois princípios. Antes. normas superiores e normas inferiores. é necessário observar os valores consagrados na constituição. A idéia é basicamente a seguinte: se a lei retira o fundamento de validade na constituição. é conhecida como mens legis. o Juiz deve declarar a inconstitucionalidade da lei. Outro ex. defendida por um autor alemão – Kruger/Otto Bachof. mas. sendo. 81. 73 . Ao se admitir que essa norma é superior. Antes de interpretá-la não tem como saber se é clara ou não. etc.: Oscar Vilhena tem um posicionamento de que as cláusulas pétreas seriam superiores às demais normas constitucionais. logo é conhecida como corrente “objetivista”. prevalece a vontade da lei. poderia ser declarada inconstitucional em relação à norma superior. Isso é impossível. a Constituição é fruto de vários pequenos consensos. estudamos que a Constituição é fruto de um consenso. Este princípio tem uma função muito importante no ordenamento jurídico. Busca a vontade do objeto interpretado. Só terá certeza de que o dispositivo é claro depois de interpretar outros dispositivos. na constituição. ao mesmo tempo. que busca a vontade da lei. Geralmente. A eficácia horizontal significa a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. Na verdade. defender uma corrente subjetivista é muito difícil. I) Princípio da Unidade da Constituição: É uma especificação da interpretação sistemática. A segunda corrente. isso não ocorre. b) Fim pretendido: . mesmo que tivesse sido feita pelo Poder Constituinte Originário. Se a lei foi feita para o fim inconstitucional. Em uma sociedade democrática e pluralista. essa corrente é chamada de “subjetivista”. para se fazer uma interpretação correta dessa lei. Logo.Pelo legislador: O Juiz não pode substituir o fim da lei pela sua própria vontade. Ele afasta a tese de que existiria uma hierarquia entre normas constitucionais. Portanto. Temos o voto direto como cláusula pétrea. Ex: Brasília é a capital federal. Como aqui se busca a vontade do sujeito que elaborou a lei. . num estado democrático. a norma inferior. qual é a vontade do legislador? A maioria das leis são votadas sem os parlamentares saberem o conteúdo. a saber: • Consagração de normas de outros ramos do direito na constituição: A Constituição da República de 1988 traz inúmeras normas de direito civil. passando ela pela constituição. • Filtragem constitucional: O princípio da interpretação conforme é o responsável pela chamada filtragem constitucional. Impõe ao intérprete a harmonização das tensões e conflitos entre normas constitucionais. de direito previdenciário.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I interpretação é indispensável mesmo que a lei seja clara. Hoje em dia. §1º. → Constitucionalização do Direito: possui 3 aspectos. O professor não acha que é apenas um jogo de palavra. Segundo Kruger. como inconstitucional (eleição pelo Congresso Nacional).Pela lei: Existe uma corrente que fala que o intérprete deve buscar o fim pretendido pelo legislador – mens legislatoris. ela consagra o monopólio de determinadas atividades. Hoje. existem. devendo o intérprete harmonizar esses princípios. só aplicavam os direitos fundamentais nas relações entre Estado e os particulares. poderia declarar o art. É como se filtrasse a lei.

A concordância prática não é utilizada apenas pelo Juiz e pelo aplicador do direito. as duas normas têm conflito entre si. Ex: voto direto é a norma geral. A ponderação é sopesar os grupos de princípios. no caso concreto. violava a liberdade de exercício de comércio. III) Princípio da Concordância Prática ou Harmonização: Nos casos de colisões entre princípios. interesses. se ambos estão consagrados na Constituição da República. 45. O intérprete deve fazer uma redução proporcional. qual dos dois grupos tem um peso maior. Quando se tem um conflito em abstrato de normas. CR: não tem competência para analisar norma feita pelo Poder Constituinte Originário. o ordenamento jurídico te fornece alguns critérios para solucioná-lo: a) Critério Hierárquico: Norma superior revoga a norma inferior. é necessário utilizar a ponderação. Pode ser usada. o intérprete não deve sacrificar totalmente um bem para que o outro prevaleça. O STF declarou constitucional. Eles são muito parecidos. Uma existe ao lado da outra. criando um efeito conservador da unidade. tem-se uma colisão (é um conflito no caso concreto. Abstratamente. b) Critério Cronológico: Quando as duas são de mesma hierarquia. na hora de se interpretar a Constituição. c) Critério da Especialidade: Normas gerais especiais não se revogam. O princípio da Unidade e o princípio da Concordância prática são muito semelhantes. deve-se buscar critérios que favoreçam a unidade. Quando se tem uma colisão de direitos no caso concreto. fazendo uma concordância prática entre a liberdade e o direito de quem usa os medicamentos. nas resoluções de problemas jurídico-constitucionais. deve-se buscar essa concordância prática. alegando a impossibilidade jurídica do pedido. aplica-se o princípio da Concordância Prática. a integração política e social. 74 . O que tiver o peso maior irá prevalecer. b) O partido PSC pediu para declarar a inconstitucionalidade da norma constitucional que não permite que os analfabetos sejam eleitos. §1º. Essa lei. Segundo este princípio. II) Princípio do Efeito Integrador: Deve ser associado ao Princípio da Unidade. princípios ou valores. Sendo a constituição o principal elemento de integração comunitária. reduzindo-se proporcionalmente o âmbito de incidência de cada um deles. ou seja. e não em abstrato). e voto pelo CN é a exceção. O STF analisou 02 casos: a) Art. Assim. inclusive. ele se basearia no princípio da unidade. que é anterior à Constituição da República. valores. O que é isso? É semelhante a uma balança. pelo legislador. Ex: direito de propriedade e função social da propriedade. produzindo um efeito criador e conservador desta unidade. O Juiz irá ver. Quando se tem uma colisão entre bens.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O princípio que não admite que normas originárias não sejam declaradas inconstitucionais é o Princípio da Unidade da Constituição. Ex: Rede de televisão que exibe vídeo de pessoas na praia de nudismo. Qual é a diferença principal? O Princípio da Unidade é utilizado mais nas hipóteses em que se tem um conflito em abstrato entre 02 normas. é necessário ver qual das duas normas foi feita posteriormente. deve-se evitar o sacrifício total de um para a preservação do outro. Nesse caso. O critério utilizado nessa ponderação é o princípio da proporcionalidade. Sempre que possível. Se ele entrasse no mérito da questão. O relator indeferiu a petição inicial. nas resoluções dos problemas jurídico-constitucionais deve ser dada primazia aos critérios que favoreçam a integração política e social. bens ou interesses. Ex: Drogaria deve ter técnico responsável para atender cliente.

Caso contrário. do contrário. proibindo a divulgação de imagens do seu dia-a-dia. a Corte Européia disse que ela tem direito à privacidade. mas só se aplica nos casos de divergência quanto à interpretação de lei infraconstitucional. STF não foi abandonada. às vezes. mas também a ratio decidenti. Ex: Se tiver na praia. Os direitos que se expressam por princípios podem ter seu âmbito de atuação restrito. Ex: Caroline de Mônaco ajuizou uma ação na Alemanha. mesmo que a pessoa seja pública e em local público. da tortura. e não princípios. é necessário que essas liberdades encontrem restrições – “só há liberdade onde existe restrição à liberdade”.: a Súm. até uma compreensão equivocada. para que outros direitos sejam assegurados. 3) Objetivação: extensão dos efeitos do controle concentrado ao controle difuso. 343. O importante é saber que todos os princípios. pois todos encontram limites em outros princípios também consagrados na Constituição. Dois juízes da Corte disseram que se a pessoa tiver expectativa de privacidade. V) Princípio da Força Normativa da Constituição: Na concretização da Constituição deve ser dada primazia aos critérios que densifiquem suas normas tornando-as mais eficazes e permanentes. que contribua para o debate de interesse geral. poderia fotografar.: a proibição da pena de morte. o STF tem afastado a súmula com base na força normativa da Constituição). Ex. VI) Princípio da Máxima Efetividade: Alguns doutrinadores trazem este princípio juntamente com o anterior. eis que ambos se relacionam. na academia. A relatividade tem o fim de possibilitar a ascendência recíproca entre os princípios.lembrar que as interpretações divergentes enfraquecem a força normativa da Constituição. proporcionando-lhes uma força otimizadora. cabe ação rescisória (obs. O professor acha que isso é incompatível com a dignidade da pessoa humana. devem ser considerados como relativos e isso ocorre em nome da convivência das liberdades públicas. do trabalho escravo são regras. sendo o guardião da constituição. 75 . de aplicação deste Princípio na jurisprudência do STF: 1) efeito transcendente dos motivos determinantes: não apenas o dispositivo da decisão é vinculante. não. há autores que entendem que o princípio da dignidade da pessoa humana tem caráter absoluto. Exs. Ela recorreu à Corte Européia dos Direitos Humanos. Deve haver uma cedência recíproca. É através da fundamentação que o STF faz a interpretação da constituição . por mais importantes que sejam. dizendo que a ponderação é muito subjetiva. já que a Constituição deve cumprir a função para a qual foi criada. Atenção: não confundir princípios com regras – ex. não se aplicando para a interpretação constitucional. Este princípio costuma gerar uma grande polêmica e.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Há varias críticas. a ele cabe dar a última palavra sobre a interpretação. 2) relativização da coisa julgada: o STF. enquanto este se aplica aos direitos fundamentais. não. O aborto no caso da acrania preserva a dignidade da mãe. O critério vencedor foi de que o direito à liberdade de informação só deve prevalecer se tiver informação de interesse público. Eles alegaram que existe um direito ao entretenimento. a privacidade deve ser preservada. ou seja. Nos casos em que as decisões transitadas em julgado são contrárias às decisões proferidas posteriormente pelo STF. Aqueles que entendem que o aborto não é permitido entendem que viola-se a dignidade do feto. A única diferença entre eles é que o Princípio da Força Normativa se aplica a todas as normas da Constituição. IV) Princípio da Relatividade ou da Convivência das Liberdades Públicas: Não existem princípios absolutos. As soluções dadas à Constituição devem atingir a finalidade para a qual ela foi criada.

de violação ao princípio: 1) caso discutido na Rcl. validade é. . .335/AC. a eficácia negativa é a aptidão da norma para invalidar outras normas incompatíveis com ela. Este princípio tem por finalidade impedir que os órgãos encarregados da interpretação constitucional. Parte da doutrina sustenta que este princípio estaria consagrado no art. 4. no Brasil. CR/88 (aplicação imediata). a qual significa a realização do direito. a função social para a qual foi criada. Na interpretação dos direitos fundamentais deve se dar preferência àquela na qual ele tenha maior efetividade possível para que as normas da Constituição cumpram sua função social. Conformidade funcional significa que os órgãos encarregados da função constitucional devem agir exatamente dentro daquela função que lhe foi atribuída. (22/05/09) VII) Princípio da Conformidade Funcional.Vigência: é a inserção da norma no mundo jurídico. da Exatidão ou Justeza: É mais uma regra de competência. cheguem a um resultado que subverta ou perturbe o esquema organizatório-funcional estabelecido pela Constituição. 2) Direito de greve. a compatibilidade de forma e de conteúdo da norma inferior com a norma superior. 76 . é também conhecida como eficácia jurídica. §1º. pois.Existência: existente é a norma produzida por uma autoridade aparentemente competente para a sua criação. 5º. Ver no Site Editora Método. É também conhecido como Princípio da eficiência ou Princípio da interpretação efetiva. É preciso aqui diferenciar alguns conceitos: . eis que impõe que na interpretação das normas constitucionais se atribua o sentido que lhes empreste a maior efetividade possível. tem um destinatário específico: a corte constitucional – o STF. .com. sobretudo o Tribunal Constitucional.Efetividade: ocorre quando a norma cumpre a finalidade. Exs. é também conhecida como eficácia social. Cada órgão pode/deve agir conforme a função que lhe foi constitucionalmente atribuída.Eficácia: é a aptidão da norma para produzir os efeitos que lhes são próprios – a eficácia positiva é a aptidão da norma para ser aplicada aos casos concretos. Este princípio.Validade: uma norma é válida quando produzido de acordo com a forma e conteúdos estabelecidos por uma norma superior.br: download de questões – Hot site do professor Novelino.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Conceito: na interpretação constitucional dos direitos fundamentais deve ser dada preferência às soluções densificadoras de suas normas que as tornem mais eficazes e permanentes. Este princípio se aplica exclusivamente aos direitos fundamentais (e não a toda e qualquer norma da Constituição). . o desempenho concreto de sua função social.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Princípio da Razoabilidade ou Proporcionalidade: Segundo Alexy. Ele está ligado. do Prof. Para que um ato seja considerado proporcional. A diferença que se percebe é quanto à origem do termo. pois. Ex. É um postulado que sempre estará presente na ponderação. A doutrina alemã divide o Princípio da Proporcionalidade (em sentido amplo) em 3 regras ou máximas parciais – é o que se chama de densificação do princípio (dar ao princípio uma feição mais concreta. 2) Necessidade ou Exigibilidade ou Princípio da menor ingerência possível: dentre os vários meios existentes. Para Jellinek. uma restrição à liberdade só será possível se. Alegam que a restrição seria desproporcional. São elas: 1) Adequação: relação entre meio e fim. Diante de medidas igualmente legítimas não deve o judiciário intervir na questão. e este não confere a nenhum poder público competência para atuar de forma desarrazoada. No Brasil. A medida só será justificável se trouxer um custo menor do que o benefício a ser auferido por meio dela. O Princípio da Proporcionalidade não está expresso na Constituição. ele tem que ser adequado. deveria conceder uma autonomia maior. apto para atingir o fim almejado. não se deve abater pardais com canhões. dentre os meios existentes. Nós até podemos encontrar na CR/88 as palavras proporcionalidade e razoabilidade. Ex. à garantia do devido processo legal. não se costuma distinguir proporcionalidade e razoabilidade. em sua origem. Assim. utiliza-se o termo razoabilidade. 5º. ADI 4103: questiona a constitucionalidade da lei seca. Este postulado atua como uma máxima informadora da aplicação dos princípios e serve de critério para a aferição da legitimidade material de todo e qualquer ato praticado pelos poderes públicos. Existem 3 entendimentos acerca de onde podemos abstrair tal princípio: a) Ele seria abstraído do sistema de Direitos Fundamentais: a Constituição impõe aos órgãos públicos uma atuação dentro dos limites impostos pelos direitos fundamentais. É uma influência do direito norte-americano. uma densidade semântica que ele não tinha antes. desproporcional. deve-se optar por aquele que seja o menos gravoso possível. O meio utilizado pelos poderes públicos deve ser. Segundo Alexy (preocupado com a subjetividade da ponderação). maiores hão 77 . não está textualmente consagrado. LIV. Barroso: proibição de venda de bebidas alcoólicas no carnaval para evitar contaminação do vírus HIV: não é uma medida adequada. mas é possível abstraí-lo de outros princípios contidos na Constituição. Atribuiu-se um conteúdo a esse princípio. 3) Proporcionalidade em Sentido Estrito: é uma relação entre o custo da medida e os benefícios trazidos por ela. c) Ele seria abstraído da Cláusula do Devido Processo Legal em seu caráter Substantivo. trata-se de uma máxima que informa a aplicação de todos os demais princípios da Constituição. Na Alemanha. para que o Estado não atue de forma arbitrária. por isso sua importância. mas apenas como menções. 1º. CR. a proporcionalidade em sentido estrito corresponde a uma lei de ponderação. Já a proibição de venda de bebidas alcoólicas em estádios é adequada para se reduzir a violência. ou seja. CR): não se admite que os poderes atuem se não for com base no ordenamento jurídico. Não é o entendimento mais cobrado em provas. será também desproporcional. cujo conteúdo é o seguinte: quanto maior for a intervenção em um determinado direito. É um princípio implícito. ☺art. utiliza-se o termo proporcionalidade. Se o ato for desnecessário. for utilizado o meio menos gravoso possível (de acordo com o Princípio da Reserva Legal Proporcional). permitindo que se identifique se um ato é proporcional ou não). b) Ele seria abstraído do Princípio do Estado de Direito (☺art. Nos sistemas da commum Law. É uma influência do direito alemão.

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I de ser os motivos que justifiquem esta intervenção. pode ser chamada de proibição do excesso. Esta lei de ponderação deve ser utilizada ao se ponderar diversos princípios constitucionais. A face acima exposta do princípio. ou proibição por defeito. 78 . Nesse caso. Há uma outra face desse princípio. que é chamada de proibição de insuficiência. o poder público age aquém do que deveria. sua medida não é suficiente para proteger aquele direito. Uma medida só será constitucionalmente adequada se for suficiente para proteger o direito. O princípio da proporcionalidade proíbe que os poderes públicos hajam de forma excessiva.

O min. incidirão na ordem local. qualquer religião oficial da RFB. constituem normas centrais de reprodução obrigatória. Como se sabe. 6) Tese da Relevância Jurídica Específica ou Indireta: o Preâmbulo não se confunde com os demais preceitos constitucionais (articulados). É uma corrente intermediária em relação às demais. Para o STF. não havendo diferenças entre o seu caráter normativo e o das demais normas. Referida omissão foi objeto de questionamento no STF pelo Partido Social Liberal. caráter normativo e. refletindo posição ideológica do constituinte. não tendo força normativa. mas tão-somente um elemento natural de Constituições feitas em momentos de ruptura histórica ou de grande transformação político social”. por não possuir força normativa cogente nem caráter normativo. pois.. mas é a tese por nós adotada. Existem 3 teorias a respeito da natureza jurídica do Preâmbulo da Constituição (segundo Jorge Miranda): 5) Tese da Relevância Idêntica a dos demais preceitos (tese da plena eficácia): o Preâmbulo é uma norma como todas as demais. nem servir de parâmetro para a declaração de inconstitucionalidade. Foi ajuizada uma ADI e o STF decidiu que o preâmbulo não serve como parâmetro de controle. Ocorre que todas as constituições brasileiras. de regra. O preâmbulo não constitui norma central da Constituição. não é norma de repetição obrigatória. ou que não pode a Constituição do Estado-membro dispor de forma contrária. dado que. além de estabelecer e declarar a irrelevância jurídica do preâmbulo. mas no domínio da política. a Constituição do Estado do AC é a única que não menciona a proteção de Deus em seu preâmbulo. de reprodução obrigatória pelas Constituições dos Estados. não pode prevalecer contra o texto da Constituição. não existindo. Celso de Mello concluiu que o preâmbulo não se situa no âmbito do direito. mais ou menos significante. O nome não é o mais apropriado. Em âmbito estadual. porém. O que acontece é que o preâmbulo contém.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO: Natureza Jurídica: O preâmbulo é tema recorrente em questões de concursos. apresentado de forma não articulada. Esses princípios sim. portanto. não é componente necessário de qualquer Constituição. Não contém. 79 . proclamação ou exortação de alguns princípios inscritos na Carta Constitucional. pois. com exceção das de 1891 e 1937. anteposta ao articulado constitucional. já que o preâmbulo tem sim alguma relevância. invocaram a proteção de Deus quando promulgadas. Assim. o STF adota a Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo. laico ou não-confessional. portanto. proclamação mais ou menos solene. sendo. o STF assinalou que a invocação da proteção de Deus não é norma de repetição obrigatória na Constituição estadual. o Brasil é um país leigo. ele tem a mesma eficácia jurídica das normas constitucionais. inscritos na Constituição. 7) Tese da Irrelevância Jurídica do Preâmbulo: o Preâmbulo não se situa no domínio do direito. relevância jurídica. Jorge Miranda ensina que o Preâmbulo “.. reproduzidos ou não na Constituição estadual. o preâmbulo. Situa-se no domínio da história ou da política. apesar de fazer parte das características jurídicas da Constituição. No Brasil. Não tem. não tem relevância jurídica.

Esta é a sua natureza. a liberdade. Ao estabelecer os valores supremos. 80 . a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna. Os valores supremos a serem assegurados são: “o exercício dos direitos sociais e individuais. fundada na harmonia social e comprometida. o desenvolvimento. o preâmbulo está estabelecendo os fins supremos que se pretende alcançar ao interpretar as normas constitucionais. enquanto os valores são os fins que o ordenamento jurídico pretende alcançar. Ele auxilia na interpretação das normas constitucionais. na ordem interna e internacional. o bem-estar.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Preâmbulo como diretriz hermenêutica: O preâmbulo é uma diretriz hermenêutica. a segurança. Ao preâmbulo é atribuído esse caráter de diretriz hermenêutica justamente porque ele elenca os valores supremos da sociedade brasileira. os princípios são o início do ordenamento jurídico (posteriormente os princípios são concretizados através de regras). O método que dá muita importância ao espírito da constituição é o método científico espiritual. Há um autor espanhol que faz uma distinção entre os princípios e os valores: segundo ele. pluralista e sem preconceitos. com a solução pacífica das controvérsias”. Serve como norte interpretativo das normas constitucionais.

JAS: JAS classifica as normas constitucionais em: 8) Normas Constitucionais de Eficácia Plena (NEP) 9) Normas Constitucionais de Eficácia Contida (NEC) 10) Normas Constitucionais de Eficácia Limitada (NEL) Norma de Eficácia Plena (NEP) Limitada (NEL) Contida (NEC) Aplicabilidade Direta Indireta Direta Imediata Mediata / diferida Imediata Integral – não admite lei Reduzida – exige lei (não só admite) Possivelmente não integral – não exige lei. Vejamos: Classificação das Normas Constitucionais . enquanto não for restringida. A NEC. como se poderia imaginar). Quando se fala em aplicabilidade imediata. Permite que uma lei lhe reduza o conteúdo e mais. possivelmente restringível ou redutível.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS: Todas as normas constitucionais são dotadas de eficácia jurídica. 184. Não são a mesma coisa. destaca-se a de José Afonso da Silva. imediata e integral. Essa diversidade tem levado a doutrina a elaborar diversas classificações. mas admite lei.) e aquelas cujo enunciado já esteja suficientemente explicitado. mas a admite → Normas de Eficácia Plena: Têm aplicabilidade direta. P. Exs.: normas que estabelecem imunidades (art. §5º). A norma direta não depende de uma outra vontade para ser aplicada ao caso concreto. enquanto não for restringida por lei. no Brasil. 53). vedações (art. significa que ela não depende de nenhuma condição para ser aplicada. → Normas de Eficácia Contida: O prof. 95. apenas 81 . aplicabilidade possivelmente não integral (poderá sofrer restrição). prerrogativas (art. que poderá variar conforme o seu enunciado. por sua vez. A integralidade. Ela não depende de lei. imediata (não depende de qualquer condição para ser aplicada ao caso concreto). dentre as quais. Alguns outros autores (Michel Temer e Maria Helena Diniz) a denominam mais adequadamente de norma de eficácia redutível ou norma de eficácia restringível. A Constituição “chama a responsabilidade para si” em relação àquele assunto. é uma NEP? Não. (É a mais cobrada em provas).U. Uma NEC. isenções (art. que “contenha” o seu conteúdo. O que as difere é o grau desta eficácia. A NEP não depende de lei e não admite lei que lhe reduza o conteúdo. JAS não foi muito feliz ao escolher este nome. 128. se refere à impossibilidade de sofrer restrição. Têm naturezas diferentes (igual MP não é igual a lei). §5º). A sua aplicabilidade na verdade não é contida e sim possivelmente contida. Não depende de regulamentação. Ela é semelhante à NEP (e não a NEL. Características: aplicabilidade direta (não depende de outra vontade para ser aplicada).

mas não disse quem pode propor. que fala do direito de greve: o direito de greve na iniciativa privada é um tipo de norma. art. CF/88: objetivos fundamentais são fins buscados pela constituição. mas pode ser). quais são os efeitos. mas não é uma NEP. 37.: trata de vedações que são impostas aos juízes. conforme a lei.por outra norma constitucional (ex. VII. É indireta ou mediata. 95. eis que estabelecem o fim a ser atingido. Ex. 22. A aplicabilidade dessas normas é totalmente diferente das demais. ofício ou profissão. §1º (ADPF – a CR/88 criou a ADPF e disse que ela seria processada e julgada pelo STF na forma da lei. precisando de uma norma infraconstitucional que lhe preencha o conteúdo. ela nunca poderia ser restringida. art. e não quais são os meios para se atingir o fim. 154: a União. A lei não irá restringir o direito.: ordem pública. se quiser. enquanto o direito de greve dos servidores públicos é outro. CR. A norma constitucional tinha eficácia. neste caso específico trata-se de uma NEC (inciso IV e P. que a regulamente. XXIII e XXIV). Ela estabelece qual a diretriz que o Estado deve seguir. interesse social. etc.882/99 ser criada não havia como uma ADPF ser ajuizada porque ninguém nem sequer sabia o que era exatamente este instituto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I produz os mesmos efeitos de uma NEP. VII.Facultativas: ex. As NEL de princípio institutivo se subdividem em: . 82 .).: art. A constituição é que estabelece os fins e os poderes públicos estabelecem os meios. XXII.U. Antes esta norma era vista como uma norma sem normatividade. XII c/c arts. ☺art. 9º dá a entender tratar-se de NEP. . 9º.: art. que dirige os rumos do Estado.: art.Impositivas: ex. que não é norma). 5º. mas dizer como esse direito será exercido.U. PU: União poderá delegar aos estados. A NEL programática é uma norma e tem caráter vinculante. Estabelecem um programa de ação que os poderes públicos deverão implementar. Se ela fosse uma NEP. art. 136 e 137). mas hoje já se entende que não existe na CR uma norma sequer que não tenha normatividade (com exceção do Preâmbulo. a CR não tem conselhos e sim mandamentos. 95). Não é apenas um conselho. → Normas de Eficácia Limitada: São as normas que ainda não estão aptas a produzir a integralidade de seus efeitos característicos. são NEP (como são as normas dos incisos I.. que faz parte da mesma norma. em regra. não há omissão inconstitucional. poderá criar impostos residuais. Ex. Essa vontade pode ser uma lei integradora da norma constitucional (não precisa ser necessariamente uma lei. caracterizadas justamente por este tipo de norma). Elas estabelecem uma obrigação de meio ou de resultado? De resultado. ela não confere essa prerrogativa aos poderes públicos. a NEL pode depender ou de uma vontade ou de uma condição. e mediata porque depende de alguma condição. mas. E só passou a ter eficácia positiva depois que foi regulamentada por lei). Geralmente as NEC mencionam a lei trazendo as expressões: nos termos da lei. art. VII (direito de greve dos servidores públicos).por conceitos de direito público (ex. Exs. P. mas o seu §1º. art. é a própria norma programática que o faz (lembrar a idéia de Constituição Dirigente. CF/88: o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica. etc. II e III deste mesmo art. O JAS divide as NEL em duas espécies: a) NEL de Princípio Institutivo: é aquela que depende de outra vontade para dar forma ou estrutura a determinadas instituições criadas pela constituição. O caput do art. 3°. As vedações. . A NEC pode ser restringida: . Indireta porque depende de uma outra vontade. mas tinha uma eficácia negativa (invalidar normas que lhe fossem contrários). 5º. de forma que antes da Lei 9. Assim. 5º. ☺art. 37.por lei (ex. necessidade ou utilidade pública. 102. . – ex. segurança nacional. atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer). esclarece que trata-se de uma NEC. Neste caso. CR: é livre o exercício de qualquer trabalho. b) NEL de Princípio Programático: são aquelas que estabelecem diretrizes ou programas de ação a serem implementados pelos poderes públicos. etc. XIII. 37.: art. é obrigatória. e art.

também conhecidas como normas super-eficazes. que têm a função de fazer uma transição entre o modelo anterior e o posterior. deixando a cargo do legislador a criação da norma mais específica. Nikolas Luman: o sistema autopoiético é um sistema que se auto produz. apesar de ser limitada e de depender de regulamentação. pois. Obs. Para ela. Traduz um sistema fechado. a NEL produz efeitos: ela exige lei. auto-executáveis ou bastantes em si (esta última denominação foi dada por Pontes de Miranda). ao qual ela dá o nome de norma de eficácia absoluta. Assim. não depende de outros sistemas. Marcelo Neves critica essa concepção. mas apenas com a finalidade de demonstrar a adesão do legislador constituinte a determinados valores sociais – essas normas servem como álibi ao legislador constituinte. 83 . NEC e as normas de eficácia absoluta são normas auto-aplicáveis. já a norma de eficácia absoluta não poderia ser restringida nem por lei e nem por EC – são. dizendo que há um outro sistema (o sistema político) que influencia na criação do direito – alopoiese. Há normas programáticas que são feitas com o intuito de adiar determinada decisão. mas poderia ser restringida por uma emenda a Constituição. uma eficácia negativa (e apenas esta. ela diz qual o sentido a lei tem que percorrer. OBS. ela revoga a legislação incompatível e impede legislação posterior incompatível (efeito paralisante). Norma programática não se confunde com constitucionalização simbólica.: art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A NEL. ademais. Diz que o direito se auto produz. Elas são criadas para uma determinada finalidade e. apenas mudando os nomes e acrescentando um outro tipo. tem eficácia. São as normas do ADCT. De acordo com constitucionalização simbólica fala-se em constitucionalização álibi: determinadas matérias são consagradas na constituição não com o objetivo de serem efetivadas na prática. a aplicabilidade desta norma será idêntica a da NEP (direta. ela serve como vetor interpretativo (paralisa a interpretação incompatível). traz as normas constitucionais de eficácia exaurida ou esvaída. A diferença entre elas é em relação à mutabilidade da norma. Marcelo Neves desenvolveu o estudo sobre constitucionalização simbólica. imediata e integral). que diz que no dia 07/09/93 será realizado um plebiscito para escolher o sistema e a forma de governo – a norma já exauriu sua eficácia. Elabora-se uma norma genérica. Classificação de outros autores: Maria Helena Diniz fez uma classificação própria das normas constitucionais que praticamente coincide com a de JAS. Segundo MHD a NEP não poderia ser restringida por lei. Seriam as normas que já produziram seus efeitos e não possuem mais eficácia. porque ela não tem eficácia positiva). Uma última classificação.: As NEP. por isso esta classificação da MHD é criticada por JAS. Ex. mencionada por alguns autores. cumprida a sua finalidade. exaurem sua eficácia. e não pode mais acontecer novo plebiscito com base na mesma norma. antes da lei ser feita. as Cláusulas Pétreas. ADCT. 2º. Por isso não dependem de outra vontade.

2°. por esta teoria. o Por normação geral: quando a lei nova trata de toda a matéria de norma anterior. São eles: Revogação: Relação que se dá entre uma Constituição nova e uma antiga. 84 . mas as chamadas leis constitucionais não seriam revogadas. De acordo com a Teoria da Desconstitucionalização. A Constituição propriamente dita é apenas aquilo que decorre de uma decisão política fundamental. Teoria da Desconstitucionalização: Foi uma tese explorada por um autor chamado Esmein. apenas a Constituição anterior propriamente dita fica revogada. que se baseia na concepção política de Constituição de Carl Schmitt. como normas infraconstitucionais. com o caráter de normas constitucionais. esta norma seria recepcionada pela nova Constituição. podendo. sempre que nasce uma nova Constituição.S → Nova CR A revogação pode ser: • Expressa • Tácita o Quando ocorre incompatibilidade – norma posterior revoga norma anterior.N. quando do surgimento de uma nova Constituição. porém. Quando uma nova constituição é criada.P → A. Faremos o estudo de alguns institutos.N. ou seja. serem recepcionadas pela nova Constituição. → CR → A. a Constituição propriamente dita fica revogada pela nova Constituição. art. Ex. mas não como norma constitucional e sim como lei ordinária. As leis constitucionais materialmente compatíveis com a nova Constituição são recepcionadas com status infraconstitucional. não. Assim. Ocorre uma revogação por normação geral da constituição anterior (LICC.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I NORMAS CONSTITUCIONAIS NO TEMPO: O que se estuda neste item é a relação entre as normas constitucionais e também entre as normas infraconstitucionais no tempo. ela não precisa dizer que está revogando a constituição anterior e nem ser incompatível com ela. Nesta concepção política faz-se uma distinção entre a Constituição propriamente dita e as leis constitucionais. Isso porque a doutrina da desconstitucionalização afirma a possibilidade de sobrevivência de certos dispositivos da Constituição que perde a validade. e sim como normas ordinárias. § 1°. localizado na cidade do Rio de Janeiro) – segundo esta teoria. parte final).: ☺art. §2º (que fala do Colégio Pedro II. caso compatíveis com a nova Constituição. 242. com status de lei (elas tinham status constitucional e passaram a ter status infraconstitucional).

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta teoria, de forma geral não é admitida no Brasil. Tem como adeptos Pontes de Miranda e Ferreira Filho. O entendimento predominante no Brasil é o visto acima, de que a nova Constituição revoga a Constituição antiga. Não obstante, é preciso destacar que esta tese pode vir a ser aceita no Brasil se uma nova Constituição expressamente assim o requerer, tendo em vista ser o poder constituinte originário ilimitado e autônomo, podendo tudo, inclusive prever o aludido fenômeno, desde que o faça de maneira inequívoca e expressa. Teoria da Recepção: Segundo o STF, quando do surgimento de uma nova Constituição, as normas infraconstitucionais anteriores que forem materialmente incompatíveis com a nova Constituição, serão revogadas ou não recepcionadas. As materialmente compatíveis serão recepcionadas. A inconstitucionalidade formal superveniente não impede a recepção, mas faz com que a norma adquira uma nova roupagem, um novo status. Ex.: CTN, que foi originariamente criado como LO, mas foi recepcionado com status de LC e, por isso, só pode ser modificado por LC. Assim, todas as normas que forem incompatíveis com a nova Constituição serão revogadas, por ausência de recepção. Vale dizer, a contrario sensu, a norma infraconstitucional que não contrariar a nova ordem será recepcionada, podendo, inclusive, adquirir uma nova roupagem. Como exemplo lembramos do CTN, que, embora tenha sido elaborado com quorum de lei ordinária, foi recepcionado pela nova ordem como lei complementar, sendo que os ditames que tratam sobre matérias previstas no art. 146, I, II e III, CR só poderão ser alterados por LC. Pode se afirmar, então, que, nos casos de normas infraconstitucionais produzidas antes da nova Constituição, incompatíveis com as novas regras, não se observará qualquer situação de inconstitucionalidade, mas, apenas, como vimos, de revogação da lei anterior pela nova Constituição, pro falta de recepção. Nessa situação, acrescente-se, inadmite-se a realização de controle de constitucionalidade através da ação direta de inconstitucionalidade genérica, por falta de previsão no art. 102, I, a, CR, permitindose, apenas, a possibilidade de se alegar que a norma não foi recepcionada. Deve-se destacar, desde já, contudo, que apesar de não ser cabível o aludido controle de constitucionalidade concentrado pela via da ADI, será perfeitamente cabível a ADPF. Não pode haver recepção quando a norma foi elaborada por um determinado ente federativo e a nova constituição atribui a competência a outro. Isso seria incompatível do ponto de vista prático (analisar todas as leis municipais para ver se compatíveis com uma nova lei federal, por exemplo). Ver livro do Lenza, em que há um entendimento diferente ???. Constitucionalização Superveniente: É uma hipótese em que se tem uma lei anterior inconstitucional. Antes de ela ser declarada inconstitucional, há uma mudança de constituição. Vem uma nova Constituição ou uma EC, e a lei inconstitucional passa a ser constitucional. A constitucionalidade superveniente tem lugar quando uma norma inconstitucional ao tempo de sua edição, torna-se compatível com a Lei Maior devido à mudança do parâmetro constitucional. A (in)admissibilidade da tese depende do entendimento acerca da natureza da norma inconstitucional: ato nulo ou ato anulável. Considerando-se a lei inconstitucional um ato anulável, a constitucionalidade superveniente deve ser admitida, desde que não tenha ocorrido qualquer declaração de inconstitucionalidade com efeito erga omnes. A análise da inconstitucionalidade em abstrato tem como parâmetro as normas constitucionais do presente, não do passado. Se a Constituição evoluiu por meio de mudanças formais (emendas) ou informais (interpretação e costumes), a lei supostamente incompatível, mas que não foi 85

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I objeto de qualquer declaração nesse sentido, por possuir uma presunção de constitucionalidade, continua a ter validade e acaba por ser “constitucionalizada”. Portanto, alterado o parâmetro constitucional, deixa de existir uma ameaça à supremacia da Constituição vigente, afastando-se a possibilidade de exercício do controle abstrato de constitucionalidade. Nesse prisma, somente as violações a direitos subjetivos, ocorridas entre o surgimento da lei originariamente inconstitucional e o advento do novo parâmetro, poderiam ser questionadas por meio de controle concreto. No sentido oposto, adotando-se o tradicional entendimento da jurisprudência norte-americana – cujo precedente foi o famoso caso “Marbury vs. Madison”, decidido em 1803 – de que a lei inconstitucional, por ser um ato nulo, já nasceria morta, o vício originário será insanável. Vale dizer, a modificação do parâmetro constitucional não teria o condão de convalidar a lei originariamente inconstitucional. Nesse sentido, Humberto Ávila sustenta que “a invalidade é um fenômeno que não se altera no tempo: a alteração da norma superior não tem o condão de tornar válida uma norma originalmente inválida”. Esse também é o entendimento adotado pelo STF. *Assim, o STF não admite essa constitucionalização superveniente. Uma lei inconstitucional é um ato nulo, tem um vício de origem, que é insanável. Logo, ela não pode ser convalidada, não pode ser constitucionalizada. (23/05/09) Repristinação: Existe uma Lei A que é revogada por uma Lei B e esta, posteriormente, é revogada por uma Lei C. Pela repristinação, com a revogação da Lei C, a Lei A voltaria a ter seus efeitos. Como regra geral, o Brasil adotou a impossibilidade do fenômeno da repristinaçao, salvo se a nova ordem jurídica expressamente assim se pronunciar. Ou seja, no Brasil admite-se a repristinação apenas caso ela seja expressa. ☺art. 2º, §3º, LICC: “salvo disposição em contrário (repristinação expressa) a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a sua vigência”. Isso vale para o direito infraconstitucional. No direito Constitucional, a repristinação expressa é admitida, já a tácita não, conforme o art. 2°, § 3°, LICC. A proibição da repristinação tácita é garantida pelos princípios da segurança jurídica e da estabilidade das relações sociais. → Efeito repristinatório tácito: 1ª hipótese: ☺Lei 9.868/99, art. 11, §2º - é a hipótese em que uma Lei A é revogada pela Lei B e esta Lei B é suspensa por uma medida cautelar concedida pelo STF numa ADI. A medida cautelar suspende tanto a eficácia como a vigência da norma. Quando a medida cautelar suspende os efeitos da Lei B que revogou a Lei A, se o STF não disser nada, esta Lei A voltará a produzir efeitos automaticamente (se ele não quiser que a Lei A volte a ter efeitos, ele terá que determinar de forma diversa). Por isso é um efeito repristinatório tácito. O efeito da medida cautelar, em regra, tem efeito ex nunc (se não houver modulação dos efeitos). Quanto ao aspecto subjetivo, o efeito é erga omnes e vinculante. Para o professor, não se trata de repristinação, pois não houve revogação da lei B. 2ª hipótese: a lei A foi revogada pela lei B. A lei B foi declarada inconstitucional em uma ADI na decisão de mérito. O efeito é, em regra, ex tunc. Isso significa que a lei é inconstitucional desde o momento em que foi criada, por isso não poderia revogar uma lei constitucional. Neste caso, a lei A volta a ter vigência automaticamente. 3ª hipótese: MP suspende eficácia de lei. Se a MP for revogada, a lei que estava suspensa volta a produzir efeitos novamente. 86

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão AGU/2009: A declaração de inconstitucionalidade de uma norma pelo STF acarreta a repristinação da norma anterior que por ela havia sido revogada, efeito que pode ser afastado, total ou parcialmente, por decisão da maioria de 2/3 dos membros desse tribunal, em decorrência de razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. Mutação Constitucional: Criada em contraposição aos meios formais de alteração da Constituição (emendas de reforma ou emenda de revisão), a mutação constitucional consiste em um processo informal de modificação do conteúdo, sem que ocorra qualquer alteração em seu texto. É o que ocorre com o surgimento de um novo costume constitucional, procedimento muito adotado nos países que adotam commum Law. Ocorre, ainda, quando o Tribunal Constitucional altera o sentido de uma norma da Constituição por meio da interpretação (lembrar do método normativo estruturante). O STF vem defendendo que o art. 52, X, CF/88, deve ser interpretado da seguinte forma: o papel do Senado é de apenas dar publicidade ao que o STF decidiu. Houve uma mutação constitucional na interpretação do dispositivo. Para o professor, essa interpretação pretendida fere o texto da constituição e os princípios estruturantes (Princípio da Separação dos Poderes), conforme será visto a seguir. Na verdade, o que ocorre é que o legislativo não age como deveria, ensejando a atuação do poder judiciário. Limites para que uma mutação constitucional seja considerada legítima: a mutação não deve ser um procedimento comum, corriqueiro; ela deve ocorrer apenas excepcionalmente (não é um princípio geral e sim uma exceção. Segundo Canotilho, deve-se considerar 2 limites: - a mutação só será legítima quando comportada pelo texto da norma: a interpretação deve ser feita dentro da moldura do texto da norma; se a interpretação pelo STF sair fora da moldura do texto da norma, a interpretação será inconstitucional; - a interpretação deve estar em conformidade com os Princípios Estruturantes (princípios que estruturam o estado e a Constituição, art. 1° e 2°, CF/88 – ex.: Princípio do Estado Democrático de Direito, Princípio Federativo, Princípio da Separação dos Poderes, etc.): se a mutação viola algum princípio estruturante, haverá uma ilegitimidade na mutação pretendida. Graus de retroatividade da norma constitucional: ☺ADI 493 11) Retroatividade máxima ou restitutória: a lei ataca fatos consumados. Verifica-se quando a lei nova prejudica a coisa julgada (sentença irrecorrível) ou os fatos jurídicos já consumados. Como ex., lembramos o art. 96, P.U., da Carta de 1937 que permitia o Parlamento rever a decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de uma lei; 12) Retroatividade média: a lei nova atinge os efeitos pendentes de atos jurídicos verificados antes dela. Ou seja, a lei nova atinge as prestações vencidas mas ainda não adimplidas. Como ex., fala-se em uma lei que diminuísse a taxa de juros e se aplicasse aos já vencidos mas não pagos (prestação vencida mas ainda não adimplida); 13) Retroatividade mínima, temperada ou mitigada: a lei nova atinge apenas os efeitos dos fatos anteriores, verificados após a data em que ela entra em vigor. Trata-se de prestações futuras de negócios firmados antes do advento da nova lei. O STF vem se posicionando no sentido de que as normas constitucionais, fruto da manifestação do poder constituinte originário, têm, por regra geral, retroatividade mínma, ou seja, se aplicam a fatos que venham a acontecer após a sua promulgação, referentes a negócio passados. 87

nada impede que a norma constitucional. as leis infraconstitucionais. 5º. vale dizer.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Podemos lembrar o art. por regra. lembramos as novas regras trazidas pela EC 35/02 que. Assim. aplicando-se a fatos ocorridos a partir de seu advento. estão sujeitos À observância do princípio constitucional da irretroatividade da lei (art. mesmo que relacionados a negócios celebrados no passado. como é o caso do art. 7º. Este tema será ainda mais aprofundado no item “Direito a segurança jurídica”. XXXVI – “lei” em sentido amplo). ao vedar a vinculação do salário mínimo para qualquer fim. 7º. c) por outro lado. a nova regra que dispensa a prévia autorização tem aplicação imediata. Contudo. Assim. sendo regra a retroatividade mínima. deve existir expresso pedido na Constituição. b) é possível a retroatividade média ou máxima da norma introduzida pelo Constituinte originário. podemos esquematizar: a) as normas constitucionais. que. diante da aplicação imediata. têm retroatividade mínima. o STF entendeu que. vale dizer. Como outro exemplo de retroatividade mínima. como a regra da lei penal nova que beneficia o réu. dentre outras. dentro do estudo dos direitos individuais em espécie. significou que a nova regra deverá valer para fatos e prestações futuras de negócios celebrados antes de sua vigência (prestações periódicas). podendo ser aplicada pra todos os casos que aguardavam manifestação das Casas. desde que haja expressa previsão. com pequenas exceções. acabou com a necessidade de prévia licença da Casa para o processamento de parlamentares. 51 do ADCT. Ex. Como se percebe. as Constituições estaduais (poder constituinte derivado decorrente – limitado juridicamente) e demais dispositivos legais. já que manifestação do poder constituinte originário ilimitado e incondicionado juridicamente. para tanto. bem como as emendas à Constituição (fruto do poder constituinte derivado reformador. também limitado juridicamente). IV. tenha retroatividade média ou máxima. IV. referentes a fatos ocorridos antes do advento da nova EC.: art. 88 . CR.

conferindo-lhe unidade e transformando um inextricável conjunto de normas aparentemente desprovidas de um sentido comum. Executam. A eficácia interpretativa dos princípios é conseqüência direta de sua função construtiva. não só das ações dos poderes estatais. sobretudo naqueles casos considerados duvidosos. os objetivos primordiais a serem perseguidos (art. Sob o ponto de vista dogmático. assim. pois a simples presunção de que as normas mais particulares são subordinadas aos princípios. c) Função Integrativa: em razão de sua virtual inexauribilidade os princípios oferecem a regulmaentação daqueles casos concretos aos quais não correspondem normas específicas. pode ser suprido pelo conteúdo integrador dos princípios. d) Função Sistêmica: os princípios interligam e harmonizam o ordenamento jurídico. seja como orientação para progresso da legislação. os princípios atuam como critério que está na base de soluções legislativas na medida em que informa o direito positivo. o que os coloca numa posição de superioridade. Essa supremacia é essencialmente material e decorre. Dessa forma. os quais estabelecem a sua forma. e) Função Limitativa: os princípios possuem uma eficácia limitativa. diverso e opostos. o vazio decorrente de uma omissão ou da falta de reconhecimento de um direito essencial. podemos destacar: a) Função Construtiva: os princípios constitucionais são fonte material de um grande número de normas jurídicas. 1º). deve-se interpretá-la da maneira mais coerente com os princípios. Dentre as funções desempenhadas pelos princípios. pode ser de grande importância o papel desempenhado por eles na solução de casos concretos. deverá respeitar os limites e pautar-se pelos critérios estabelecidos por eles. sobretudo.) Funções dos Princípios Constitucionais: O Titulo I da Constituição de 1988 consagra os princípios fundamentais do Estado brasileiro. devido à função negativa que desempenham em alguns casos. 4º). No âmbito do Legislativo impedem a criação de normas jurídicas que venham a ferir os valores neles consagrados – além. De uma forma geral. em um todo sistemático. ainda não regulamentadas de forma mais específica. Já sob o aspecto dinâmico devem estar sempre presentes. estrutura e fundamento (art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS: (livro do prof. Havendo dúvidas sobre o sentido de uma norma. 3º) e as diretrizes a serem adotadas nas suas relações internacionais (art. que resulte certa uma vontade legislativa em contrário. 2º). os princípios desempenham uma função construtiva ou normogenética em relação às regras jurídicas que os têm como fundamento. Desse modo. ao elaborar as leis. a menos. é obvio. atuando como um limite. por representarem o seu desenvolvimento e sua especificação. como no caso de normas excepcionais ou de normas incompatíveis que impliquem a adoção de novos princípios. pois servem de critério para o legislador que. uma função conectiva na dinâmica do ordenamento jurídico. é claro. da função positiva que 89 . É nos princípios que se encontram as diretrizes valorativas válidas aplicáveis à interpretação constitucional. é por si só suficiente para justificar uma eficácia de interpretação de dita norma pelo princípio. b) Função Interpretativa: os princípios atuam como importantes instrumentos de interpretação. deverão ter sua interpretação e aplicação condicionadas por aqueles princípios dos quais se originam. os princípios possuem uma “supremacia funcional” em relação às regras jurídicas. Em situações novas. da proximidade existente entre os princípios e os valores que o Direito visa realizar. seja como diretiva na solução de casos concretos. a divisão de seus poderes (art. permitindo que normas implícitas no sistema sejam reveladas e possibilitando aos aplicadores do direito sua integração e complementação. Outro fator determinante para essa preeminência está no fato de que eles servem como fundamento e são responsáveis pela gênese de grande parte das regras que. por conseqüência. como também ao exercício abusivo de certos direitos.

sendo criados novos critérios distintivos da República.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I impõe a criação de normas para sua concretização. A seguir serão analisados alguns princípios estruturantes que expressam as decisões políticas fundamentais do legislador constituinte em relação à estrutura e organização do Estado brasileiro (☺art. 34. o que confere à Constituição uma unidade de conteúdo. 90 . A representabilidade decorre mais da contínua ligação que se faz valer até o término do mandato entre ele e a comunidade social (especialmente no sistema presidencialista). redefinindo-se o Estado democrático e o Estado de Direito. Princípio do Estado Democrático de Direito: Para uma correta compreensão do conceito de Estado democrático de direito. aos entes que compõem a federação. esses conceitos foram se esvaziando. Princípio Federativo: A federação é uma forma de Estado na qual há mais de uma esfera de poder dentro de um mesmo território. DF e Município. Consagrado no Brasil desde a primeira Constituição Republicana (1981). I). No Estado federativo os entes políticos que o compõem possuem autonomia. formando-se assim um sistema interno decorrente de um processo de “esclarecimento recíproco”. CR). e necessária a superação dos paradigmas tradicionais. Princípios Estruturantes: São considerados estruturantes os princípios constitutivos das diretrizes fundamentais de toda a ordem constitucional. que reinava de forma absoluta e irresponsável. sendo que o poder de cada um deles é atribuído pela Constituição. o direito de secessão. Enquanto esta tinha como principais características a hereditariedade na transferência do poder e a vitaliciedade do governante. é permitida a intervenção federal com o objetivo de manter a integridade nacional (☺art. O Princípio Federativo deverá servir de diretriz hermenêutica tanto para os operadores do Direito na interpretação e aplicação das normas constitucionais. o caráter aberto e pouco determinado de seu conteúdo. dentre os quais destacam-se: a necessidade de alternância no poder e o caráter representativo do Chefe de Estado. Princípio Republicano: A República surgiu como uma forma de governo oponível à monarquia. Caso ocorra qualquer tentativa de separação tendente a romper com a unidade da federação brasileira. o Princípio da Indissolubilidade do pacto federativo tem por finalidade conciliar a descentralização do poder com a preservação da unidade nacional. Ao estabelecer que a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos Estados. A baixa densidade semântica. a Constituição veda. quanto para o legislador na elaboração das leis. 1º. do que propriamente do fato de ser eleito pelo voto popular. impõem a concretização destes princípios através de outras normas de maior densidade. os princípios vedam quaisquer ações ou atos normativos contrários ao seu conteúdo. No tocante ao Poder Executivo. Com o passar do tempo. a república tinha como finalidade retirar o poder das mãos do rei e passá-lo à nação.

Sob o aspecto material. à questão perene da Justiça. o amplo acesso à tutela jurisdicional do Estado frente a qualquer intervenção administrativa e a expectativa de indenização em casos de intervenção na propriedade privada. Em um Estado democrático. No Estado material de direito. mas apenas em conformidade com determinadas normas preestabelecidas. primeiramente devemos lembrar que democracia significa “governo do povo”. Em um Estado de direito. sendo que o poder estatal se encontra vinculado a determinados princípios superiores previstos na Constituição. o ordenamento jurídico consagra uma série de institutos que introduzem o povo no governo do Estado. uma vez que encontra subordinada a um direito de grau superior: o direito constitucional. Do Princípio democrático resultam a tarefa e a competência da representação popular de buscar uma resposta adequada. sob as circunstancias transitórias. Há democracia quando o povo participa do governo do Estado. 91 . a legalidade da Administração. permitindo-se a cidadãos ligados a associações e partidos diversos que participem da vida do estado e concorram a cargos políticos. No que se refere ao princípio democrático. não é absoluta e ilimitada.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A concepção clássica do Estado de direito tem como características formais a divisão dos poderes. a vontade popular representada pelo parlamento. é inconcebível se falar em um Estado de direito no qual exista ou possa legalmente existir a injustiça. a independência dos juízes. mas também o próprio Estado está submetido ao direito. ainda. seja diretamente. ou. não apenas os indivíduos. Aqui. não se admite a solução de conflitos de forma arbitrária. seja através de representantes.

uma vez que apenas o trabalho é capaz de promover a dignidade da pessoa humana. A partir do momento em que contribui para o progresso da sociedade a qual pertence. o indivíduo se sente útil e respeitado. Valores sociais do trabalho e da livre iniciativa: O reconhecimento dos valores sociais do trabalho como um dos fundamentos do Estado brasileiro significa que este não deve conferir ou reconhecer privilégios econômicos condenáveis. 92 . no plano interno. Por essa razão. A soberania pode ser definida como um poder político supremo e independente. Todavia. ao passo que a soberania interna é responsável pela delimitação da supremacia estatal perante seus cidadãos na ordem interna. Sem ter qualquer perspectiva de obter um trabalho com uma justa remuneração e com razoáveis condições para exercê-lo. por não estar limitado por nenhum outro na ordem interna. a soberania migrasse do soberano para o povo. regras que não sejam voluntariamente aceitas e por estar em pé de igualdade com os poderes supremos dos outros povos. por não ter de acatar. independente. por essa razão. através da reformulação dos princípios da autodeterminação e do reconhecimento do Estado pela comunidade internacional. Supremo. o indivíduo acaba tendo sua dignidade violada. A soberania externa se refere à representação dos Estados. No plano externo. a rigidez dos contornos deste conceito foi flexibilizada. a Constituição consagra o trabalho como um direito social fundamental (☺art. a soberania é um instituto dinâmico que não possui hoje o mesmo conteúdo de outras épocas. O conceito foi se flexibilizando cada vez mais e o que se observa atualmente é uma crise em sua delimitação. na ordem internacional. uns para com os outros. A evolução do Estado de direito formal para os atuais Estados democráticos de direito fez com que. 6º). São eles: (SO-CI-DI-VA-PLU) Soberania: A soberania. na ordem internacional. conferindo-lhe proteção em diversos de seus dispositivos. é um atributo caracterizador do Estado enquanto ente independente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I FUNDAMENTOS DO ESTADO BRASILEIRO: (livro do prof. exigindo-se uma legitimidade formal e material das Constituições. Cidadania: É um conceito decorrente do Princípio do Estado democrático de direito e consiste na participação política do indivíduo nos negócios do Estado e até mesmo em outras áreas de interesse público. cujo surgimento foi um reflexo da paz de Westfalia (1648).) Os fundamentos da República Federativa do Brasil devem ser compreendidos como os valores primordiais componentes da estrutura do Estado brasileiro e que. em nenhum momento podem ser colocados de lado.

Por essa razão. as terríveis experiências com seres humanos feitas pelos nazistas fizeram despertar a consciência sobre a necessidade de proteção da pessoa com o intuito de evitar sua redução à condição de mero objeto. ao contrário. sobretudo o sistema de direitos fundamentais. o solidarismo busca a superação desses conflitos através da integração social evitando. 220). independentemente de autorização de órgãos públicos. os antagonismos irredutíveis que levariam a uma destruição do próprio princípio pluralista. que envolve a liberdade de empresa (indústria e comércio) e a liberdade de contrato. por natureza. a liberdade de iniciativa só será considerada legítima se exercida com este fim. passando a se revestir de normatividade. a livre iniciativa está consagrada como princípio informativo e fundante da ordem econômica (art. dentre elas. Uma das conseqüências da sua consagração é um reconhecimento de que a pessoa não é simplesmente um reflexo da ordem jurídica. I). econômico (livre iniciativa e livre concorrência – art. III). Fruto da concepção liberal. 3º. 206. 215 e 216) e dos meios de informação (art. O caráter pluralista da sociedade se traduz no pluralismo social. sendo que na relação entre o indivíduo e o Estado deve haver sempre uma presunção a favor do ser humano e de sua personalidade. interpretação e aplicação de toda a ordem normativa constitucional. Este fundamento é concretizado. núcleo axiológico do constitucionalismo contemporâneo. e. principal elemento de integração comunitária (princípio do efeito integrador). ainda. a sociedade pluralista é. a profissional. O reconhecimento e a proteção da dignidade da pessoa humana pelas constituições em diversos países ocidentais teve um vertiginoso aumento após a 2ª Guerra Mundial. A consagração do pluralismo político como fundamento da República é um passo fundamental em direção a uma democracia pluralista. A positivação da dignidade da pessoa humana na Constituição faz com que ela deixe de ser apenas um valor moral para se converter em um valor tipicamente jurídico. a partir do início da década de 90. de comunicação. o que pode levar a divisões irredutíveis. É ela o valor supremo que irá informar a criação. Pluralismo Político: O pluralismo político decorre do princípio democrático. que impõe a opção por uma sociedade plural na qual a diversidade e as liberdades devem ser amplamente respeitadas. de interesses contraditórios e antinômicos. a sexual. salvo nos casos previstos em lei. vez que o Estado existe para o homem e não o homem para o Estado. científica. 17). com a queda do comunismo. de reunião e de associação. mas. Por isso. político (art. sendo constitucionalmente assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A liberdade de iniciativa. a de opinião. assim. é um princípio básico do liberalismo econômico. a de informação. uma sociedade conflitiva. o que não ocorrerá se estiver voltada simplesmente para o lucro ou para a realização pessoa do empresário. cultural (arts. artística. partidário (art. A escravidão. A ordem econômica tem por finalidade assegurar a todos existência digna. através do reconhecimento e proteção das diversas liberdades. de idéias e de instituições de ensino (art. 93 . justa e solidária (art. a tortura. Dignidade da pessoa humana: Dentre os fundamentos do Estado brasileiro merece um estudo mais aprofundado a dignidade da pessoa humana. diversos países do leste europeu também passaram a consagrar a dignidade da pessoa humana em seu texto constitucional. como forma de reação às práticas ocorridas durante o nazismo e o fascismo e contra o aviltamento desta dignidade praticado pelas ditaduras ao redor do mundo. 170). derradeiramente. a filosófico-religiosa. conforme os ditames da justiça social. Além do fundamento da República Federativa do Brasil. a intelectual. Mais tarde. estabeleceu como um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil a construção de uma sociedade livre. a Constituição. deve constituir o seu objetivo supremo. 170). 1º).

Esta acepção. seja por terceiros. a imposição de observância e proteção no sentido de impedir qualquer tipo de violação. O ordenamento jurídico não confere dignidade a ninguém. tampouco desenvolver plenamente sua personalidade. impedindo que exerçam um direito com violação à dignidade essencial de outro ser humano. haverá a violação da dignidade de uma pessoa quando esta for tratada como um meio para se atingir um determinado fim (aspecto objetivo). a reflexão de que a “dignidade impõe a proibição de fazer do homem um objeto da ação estatal”. Portanto. Esta acepção. a obrigação do estado de proteger a dignidade humana engloba não apenas a expectativa do indivíduo de não ser tratado de forma arbitrária. mas também dos particulares. uma atuação positiva no sentido de fornecer bens indispensáveis para que os indivíduos menos favorecidos possam viver dignamente.) imprescindíveis para uma vida digna. vem sendo denominado de “mínimo existencial”. econômicos e culturais. mas. foi matizada pelo Tribunal Constitucional Federal através do entendimento de que só se produz uma violação da dignidade da pessoa quando ao tratamento como objeto se soma uma finalidade subjetiva: só quando o tratamento constitui “expressão do desprezo” da pessoa. A dignidade da pessoa humana não é um direito. por outro. sem ter acesso a alguns bens e utilidades básicos. da consagração constitucional da dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos da RFB decorrem dois mandamentos distintos: por um lado. independentemente de usa origem. mas também de promover os meios necessários ao alcance das condições mínimas indispensáveis a uma vida digna e ao pleno desenvolvimento da personalidade. menor (minimizando o problema dos custos). o indivíduo não poderá ter uma vida digna. que a dignidade de uma pessoa é violada toda vez que ela for tratada. o poder constituinte impôs aos poderes públicos o dever não só de observar e proteger esse valor. Assim. condição social ou qualquer outro requisito. Todavia. mais preciso (procurando superar a imprecisão dos princípios). surge uma determinação para o Estado envidar todos os esforços necessários e possíveis a fim de promover meios que proporcionem. não apenas por parte do Estado. mas um atributo que todo ser humano possui. a proteção à dignidade exige não apenas uma abstenção do Estado. não como um fim em si mesmo. mas como um meio para se atingir determinado objetivo (“fórmula do objeto”). em alguns casos. Por outro prisma. em um primeiro momento. ligada ao valor liberdade. por exigir uma abstenção. ou para com a pessoa. privando aquele que atua dessa forma de qualquer apoio constitucional. o que significa dizer que na criação. sendo este tratamento fruto de uma “expressão de desprezo” por sua condição (aspecto subjetivo). o acesso aos valores. Ao reconhecer a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos de nossa República. Mesmo quando desnecessário o desenvolvimento deste princípio por ser possível recorrer a um direito fundamental específico. cada vez mais. por existir prestações materiais e jurídicas por parte do estado. bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. por ser a pessoa individual freqüentemente objeto de medidas por parte do Estado. dentro dos direitos sociais. possui um caráter positivo. Por isso. mas tem a função de protegê-la contra qualquer tipo de violação. e. etc. mas também a de que o Estado garanta. A idéia do mínimo existencial (ou de núcleo da dignidade humana) tem sido proposta como forma de superação de várias dificuldades inerentes à dignidade humana. atuando como importante diretriz hermenêutica cujos efeitos se estendem por todo o ordenamento. moradia. Esse conjunto de bens e utilidades (saúde. sua existência material. mais importante. na medida em que procura representar um subconjunto. idade. a todo e qualquer cidadão. educação fundamental. possui um caráter negativo. Poder-se-ia dizer. A dignidade da pessoa humana impõe-se como referência para os demais valores proclamados pela Lei Maior. interpretação e aplicação das normas deve-se buscar sempre a promoção das condições e a remoção dos obstáculos para que a dignidade seja respeitada. à dignidade da pessoa humana. 94 . seja pelo próprio Estado. ligada ao valor igualdade. Portanto. que seja efetivamente exigível do Estado. ainda assim deve-se levá-lo em conta como parâmetro valorativo. sexo. mas também a necessidade da observância desse valor como elemento informador do conteúdo da Constituição e de todo o ordenamento jurídico.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Esta consagração impõe não só o reconhecimento de que o indivíduo deve servir de “limite e fundamento do domínio político da República”. Qualquer ofensa à dignidade pessoa produzida em virtude do exercício de um direito acaba por transformá-lo em abusivo.

. tendo como conteúdos a liberdade e a igualdade. Assim. . .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS FUNDAMENTAIS: Direitos Humanos X Direitos Fundamentais: A Constituição costuma se referir a ambos os temas. Diz respeito às épocas de surgimento de certos direitos. Em sua maioria.direitos prestacionais: são. os direitos sociais (arts.direitos de defesa: indivíduo utiliza-se desses direitos para se defender do arbítrio do estado. Visam proteger o valor igualdade. Para que o cidadão participe da vida política do Estado. São os direitos de nacionalidade e os direitos políticos (a nacionalidade é um pressuposto para o exercício dos direitos políticos). deve realizar eleições e se abster de impedir que esse cidadão participe dessas eleições. Essa classificação é legislativa. 12 e seguintes). A teoria dos direitos fundamentais é formada por gerações. . ligados à liberdade. Direitos fundamentais são os direitos humanos consagrados no plano interno. são os direitos individuais consagrados no art. 5°. Já os direitos humanos não possuem essa divisão. devido ao custo de serem prestados. . Gerações ou Dimensões dos direitos fundamentais: Este tema surgiu com a consagração dos direitos fundamentais nas diversas constituições. à participação política. 6° e seguintes).direitos individuais. que divide os direitos fundamentais em: . estão consagrados em normas de eficácia plena ou contida. Mas o aspecto principal é a abstenção do Estado. Exigem uma atuação positiva do Estado. basicamente. Os direitos prestacionais têm uma carga de eficácia menor e menor efetividade que os direitos de defesa. São direitos ligados à cidadania.direitos coletivos (vários deles estão não apenas no art.direitos de participação: permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. igualdade e dignidade. consagrados no plano internacional.direitos políticos (art. uma constitucional e uma doutrinária. têm por finalidade proteger a dignidade da pessoa humana. . exigem prestações materiais ou jurisdicionais. os direitos humanos são estudados em direito internacional e os direitos fundamentais são estudados em direito constitucional. a diferença básica se refere ao plano de consagração. pois surgiram em uma única época. Classificação dos Direitos Fundamentais: São 2 as classificações importantes. A outra classificação (doutrinária) feita por Jellinek. Enfim. consagradas ao longo das constituições. Têm um caráter negativo. A teoria dos direitos humanos não é idêntica à teoria dos direitos fundamentais. O Título II da CR/88 fala em direitos e garantias fundamentais como um gênero. 14 e seguintes).direitos à nacionalidade (art. CF/88. devido à escassez de recursos. CR/88). estão consagrados em normas de eficácia limitada. 6° e 7°). O Estado deve fazer escolhas trágicas. Têm caráter positivo e negativo.direitos sociais (art. do qual são espécies: . portanto. 6º ao 11. 5°. 95 . Em termos materiais. Os direitos humanos são direitos ligados à liberdade. mas também no art. Em sua maioria. pois exigem do Estado uma abstenção e não uma atuação positiva.

A burguesia queria restringir o poder absolutista do Estado. CR/88). Essa dicotomia – países ricos e países pobres – é que teria sido a responsável pelo surgimento desses direitos. econômicos e culturais. Já os direitos políticos são os direitos de participação no Estado. têm uma eficácia e efetividade menor do que os de 1ª geração (os direitos de 1ª geração têm maior facilidade de serem implementados. tendo em vista que as limitações orçamentárias do Estado restringem esses direitos. Eles foram surgindo com o passar do tempo. Estão ligados. Cada uma das gerações teve um fator histórico que originou a consagração de seus direitos. A classe operária lutava por uma redução das desigualdades existentes. das gerações.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não foram todos consagrados ao mesmo tempo. Têm caráter negativo. movimento encabeçado pelo proletariado. A 3ª geração. Este foi o fator histórico que deu origem a estes direitos. Aqui começou a se perceber que tão importante como proteger o indivíduo. exigindo uma abstenção. a imprensa livre e o funcionalismo público. e a dele é a mais cobrada em concursos).: a eficácia e efetividade dos direitos de 2ª geração. São considerados basicamente como direitos coletivos. Como vimos. Ou seja. de 1789: liberdade. XVIII. Tais direitos têm caráter positivo. diante da necessidade de cooperação. segundo Jellinek). Alguns autores fazem referencia à “reserva do possível” em relação às prestações. As dimensões remetem ao lema da Revolução Francesa. Exs: direito ao meio ambiente. Estes direitos se fortaleceram e foram implantados na Constituição durante o Séc. Os direitos de defesa. à autodeterminação dos povos. → Igualdade: Direitos Sociais. por exigirem uma prestação do Estado. XX. a autodeterminação dos povos (art. São chamados direitos civis e políticos. Jellinek chama os direitos civis de direitos de defesa. direito de comunicação. ao lado da 4ª. → Fraternidade: Direito ao desenvolvimento. Exigem uma ação do Estado. igualdade e fraternidade (nesta ordem). São basicamente os direitos individuais. enfim. Não houve substituição de uma geração por outra. Por isso. Esta é a sua preocupação principal. é a que traz os direitos mais importantes para a atualidade. normalmente são consagrados em NEP ou NEC. são direitos de caráter negativo. como a família. Paulo Bonavides (já que os autores fazem classificações diferenciadas. 96 . os fatores históricos que deram origem aos direitos por elas consagrados e. Ela traz os direitos de fraternidade e solidariedade. pois. era também importante proteger instituições relevantes para a sociedade. os direitos prestacionais. Obs. eles muitas vezes se consubstanciam em NEL. Econômicos e Culturais – 2ª Geração: Surgem com a Revolução Industrial. alguns autores preferem falar em dimensões de direitos e não em gerações. sobretudo de princípio programático). Vejamos quais foram as gerações. por exigirem uma abstenção. já os de 2ª geração não. ao desenvolvimento ou progresso. As garantias institucionais surgiram com os direitos de 2ª geração. reduzir as desigualdades fáticas com a implantação de direitos sociais. queria que ele respeitasse suas liberdades. Importante olhar qual autor as bancas dos concursos adotam. e geralmente em normas auto-aplicáveis. que direitos consagram: → Liberdade: Direitos Civis e Políticos – 1ª Geração: Seu marco histórico foi a eclosão das revoluções liberais do Séc. a sua eficácia depende das condições econômicas do Estado. portanto. e estas gerações coexistem atualmente. então. da solidariedade entre países ricos e países pobres. exigem do Estado tanto prestações materiais como jurídicas (são. de propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade. Têm como objetivo. Esta geração teve origem a partir da nítida separação do mundo entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos. 4º. Por isso tais direitos são direitos oponíveis principalmente ao Estado. diretamente à igualdade material. direito à propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade – 3ª Geração: A partir desta geração a classificação mais utilizada é a do prof.

etc. CR/88). Ele preserva. mas ele fez uma palestra cujo título era exatamente “A paz como direito de 5ª geração”. de ideologias políticas e partidárias. Ou seja. Por isso o direito à democracia é tão importante. São também direitos transindividuais (em sua maioria. ao analisar a Constituição de 1891. Paulo Bonavides. de conteúdo). Porém. as disposições assecuratórias. caso violados.I. Assim. Ele abrange um pluralismo religioso. quiçá quanto a 5ª. A sociedade atual tem uma diversidade que deve ser respeitada. 1º. O Estado Constitucional Democrático não pode admitir exclusões. Quando se fala em pluralismo político. Aquelas instituem os direitos. mas se desde a 3ª geração já não há mais consenso entre os autores. à informação e ao pluralismo (D. Costuma-se citar como exemplos desses direitos os direitos à democracia. um pluralismo ideológico. os direitos de família.). em defesa dos direitos. ☺ADPF 132. que alguns dizem trazer os direitos à internet. são direitos difusos). que são as que. hoje ela deve ter também um aspecto material (substancial. traz direitos ligados à pluralidade. apesar de ser pouco comentado pela doutrina e jurisprudência. artístico. Ao lado da vontade da maioria. defendendo os interesses das minorias é o Poder Judiciário.P. este direito teria um peso mais elevado do que os demais. Esta geração de direitos advém da globalização política. que seria a vontade da maioria. inclusive das minorias. ocorrendo não raro juntar-se.: quanto ao direito à paz. nem sempre a vontade da maioria deve ser admitida no plano político. por isso é melhor guardar este direito como direito de 3ª geração para as provas). à informação e ao pluralismo – 4ª Geração: Esta geração. estas as garantias. Ex. enquanto as garantias são os instrumentos através dos quais se assegura o exercício dos aludidos direitos (preventivamente) ou prontamente os repara. Ou seja. a fixação da garantia. Em uma ponderação.: reconhecimento da união homoafetiva para fins de obtenção de alguns direitos. um pluralismo cultural. Afora esta peculiaridade. entende-se que democracia é a proteção de direitos fundamentais. 97 . ele tem uma importância muito grande. o direito a adoção. distinguindo: “as disposições meramente declaratórias. e isso acaba por prejudicar as minorias. V. Direitos Fundamentais X Garantias Fundamentais: Ruy Barbosa foi o primeiro a tratar deste tema. ela foi a responsável por introduzir estes direitos no ordenamento jurídico. Na nossa Constituição o pluralismo é considerado como fundamento da República Federativa do Brasil (☺art. → Globalização: direito à democracia. os direitos são bens e vantagens prescritos na norma constitucional. de orientações sexuais. esta alteração não foi feita em seu livro. São direitos transindividuais (alguns são direitos coletivos. O Legislativo e o Executivo geralmente não toma medidas impopulares. em geral são preconceituosos ou religiosos (não devendo ser admitidos na esfera pública). → Alguns autores falam ainda em uma 5ª geração. não se deve pensar apenas no pluralismo partidário. o prof. como os previdenciários. Quem tem o papel contra-majoritário. que são as que imprimem existência legal aos direitos reconhecidos e. Paulo Bonavides colocou em seu livro este direito como direito de 3ª geração. segundo alguns autores (mas Paulo Bonavides não está entre eles). as diferenças têm que ser consideradas e respeitadas. conserva nossas identidades. outros são difusos). Além desse aspecto. com a declaração do direito”. limitam o poder. mas há divergências na doutrina quanto a isso. A democracia hoje não deve ser vista mais apenas sobre o seu aspecto formal.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I direito à paz (obs. as demais características são tratadas pelo prof. econômico. Os argumentos contrários a esta união. O pluralismo político é um dos fundamentos da CF/88. na mesma disposição constitucional ou legal.

Deve-se observar.: HC.: direito de propriedade versus desapropriação). que um estrangeiro de passagem pelo território nacional. levando em consideração a regra da máxima observância dos direitos fundamentais envolvidos. 5º. quando. os apátridas e as pessoas jurídicas. 98 . Características dos Direitos Fundamentais: Os direitos fundamentais possuem as seguintes características: . sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos – art. Nada impediria. 5º faz referência expressa somente a brasileiros (natos ou naturalizados. Normas positivas. se o direito garantido não possui alguma especificidade. VI (direito) – garantindo-se na forma da lei a proteção aos locais de culto e suas garantias (garantia). passando pelas diversas revoluções e chegando aos dias atuais. veda a instituição de juízo ou tribunal de exceção (garantia). 5º. juntamente. que só pode ser proposta pelo cidadão. Isso porque. conflito de interesses. através da interpretação sistemática.direito ao juízo natural (direito) – o art. de modo indiscriminado. a sua garantia nem sempre estará nas regras definidas constitucionalmente como remédios constitucionais (ex. é claro.Imprescritibilidade: prescrição é um instituto jurídico que somente atinge. HD. na medida em que os direitos e garantias expressos na Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. . já que não os diferencia) e estrangeiros residentes no País. a todos os seres humanos. . .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Por fim.Concorrência: podem ser exercidos cumulativamente. ainda que não individualistas. o jornalista transmite uma notícia (direito de informação) e. não se pode aliená-los por não terem conteúdo econômico-patrimonial.é inviolável a liberdade de consciência e de crença. XXXVII. coarctando. Contudo. ou caberá ao intérprete. mas nunca a sua renunciabilidade. Exemplos: . a estes destinatários expressos a doutrina e o STF vêm acrescentando. impetrasse HC para proteger o seu direito de ir e vir. Em determinadas situações a garantia poderá estar na própria norma que assegura o direito. ou magistrado..Limitabilidade: os direitos fundamentais não são absolutos (relatividade). A solução ou vem descriminada na própria Constituição (ex. ilegalmente preso. O caput do art. são indisponíveis. conjugando-a com a sua mínima restrição. Natureza dos Direitos Fundamentais: São considerados direitos positivos constitucionais. havendo.Universalidade: destinam-se. por ex. como é o caso. os estrangeiros não residentes. no caso concreto. Obs. Se são sempre exercíveis e exercidos. .Inalienabilidade: como são conferidos a todos. emite uma opinião (direito de opinar). de se diferenciar ainda as garantias fundamentais dos remédios constitucionais: estes últimos são espécies do gênero garantia. . . a exigibilidade dos direitos de caráter patrimonial. como é o caso da ação popular. não a exigibilidade dos direitos personalíssimos. .Historicidade: possuem caráter histórico. decidir qual direito deverá prevalecer.: Abrangência dos direitos e garantias fundamentais: Trata-se de um rol meramente exemplificativo.). uma vez consagrado o direito. portanto.Irrenunciabilidade: o que pode ocorrer é o seu não-exercício. confronto. muitas vezes. no caso concreto. nascendo com o Cristianismo. não há intercorrência temporal de não exercício que fundamente a perda da exigibilidade pela prescrição. etc.

Essa eficácia horizontal ou privada nada mais é. §1º. 99 . o que fez com que surgisse também uma proteção dos direitos fundamentais em fase desse tipo de opressão. O artifício que a doutrina utiliza para tentar contornar essa proibição (para que os DF sejam aplicados às relações entre particulares) é a equiparação dos atos privados aos atos estatais (em determinados casos ela diz que um ato particular é equiparado a uma ação estatal – por isso o nome da teoria). analisando caso a caso. A finalidade dessa doutrina é tentar afastar a impossibilidade de aplicação e definir em que situações os DF poderiam ser aplicados. a aplicação direta de DF às relações entre particulares. Tem uma razão para isso: a Constituição norte-americana é mais antiga (1787). causando uma desfiguração no direito privado. eles tinham uma função bem definida: visavam a defesa dos indivíduos. Posteriormente. seria preciso que existisse uma porta de entrada dos DF nessas relações. ordem pública. os DF não entram no direito privado como direitos subjetivos. para isso. 5º. só trazendo relações entre o Estado e o particular. e esta seria aniquilada se os DF fossem aplicados diretamente a essas relações. É uma teoria que entende que os DF não se aplicam às relações entre particulares. §1º. Como a relação entre particulares é de coordenação (e não de verticalidade). fala-se. como a relação entre o Estado e o particular é de subordinação. mas. sendo oponíveis ao Estado – proteção do indivíduo em face do Estado. falavase apenas em eficácia vertical dos direitos fundamentais. que é a eficácia clássica dos direitos fundamentais.). etc. → Teoria da Eficácia Horizontal Indireta: Segundo essa teoria. Não se admitiria. do que a aplicação dos direitos fundamentais às relações entre particulares. Um dos poucos países que ainda adota esta teoria é os EUA. Grande parte da violação dos direitos fundamentais era feita pelos próprios particulares. os DF podem ser aplicados às relações entre particulares. e essa porta de entrada seriam as cláusulas gerais (bons costumes. alguns dispositivos não podem ser aplicados de imediato. No entanto. não dependendo de legislação. Assim. de uma época em que ainda não existiam os direitos de 3ª geração. Nos EUA foi criada a “Doutrina da State Action” (doutrina da ação estatal) para tentar afastar esta proibição. então.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Eficácia e Aplicabilidade: O art. Ingo Sarlet afirma que o art. fática e juridicamente. em eficácia horizontal ou privada dos direitos fundamentais. verificou-se que a opressão aos direitos dos indivíduos não vinham apenas do Estado. mas o pressuposto do qual ela parte). tendo apenas eficácia vertical e não horizontal. O pressuposto desta doutrina é justamente o de que os DF não se aplicam às relações entre particulares (isso não é o que a doutrina defende. O principal motivo para isso é a preservação da autonomia da vontade – a relação entre particulares tem como princípio basilar a autonomia da vontade. CR/88 deve ser interpretado como princípios – mandamentos de otimização – devendo ser aplicados na maior medida possível. Alguns autores concluem que todos eles teriam auto-aplicabilidade. então. e não de igualdade (já que eles não estão no mesmo plano jurídico). Há 3 teorias principais sobre essa eficácia horizontal dos direitos fundamentais: → Teoria da Ineficácia Horizontal: É a de menor prestígio. 5º. De acordo com essa concepção clássica de direitos fundamentais. pois. Eficácia Vertical e Horizontal dos Direitos Fundamentais: Quando os direitos fundamentais de 1ª geração surgiram. CR/88 afirma que essas normas definidoras de direitos e garantias fundamentais possuem aplicação imediata.

então.RE 175.243-6: discriminação de empregado brasileiro em relação ao francês na empresa “Air France”. Segundo esta teoria. todos os países que estudam esta questão de forma séria adotam esta teoria. a autonomia da vontade deve ter um peso maior do que os DF. . etc. houver uma desigualdade fática. e. no entanto.161-4: contrato de consórcio que prevê devolução nominal de valor já pago em caso de desistência – violação ao Princípio da razoabilidade e proporcionalidade (devido processo legal substantivo).☺RE 161. . como ficaria a autonomia da vontade com essa aplicação direta dos DF a essas relações? Aqueles que defendem esta teoria não dizem que os DF se aplicariam com a mesma intensidade nas relações entre o Estado e o particular e nas relações entre particulares. contrato de adesão.RE 201. em razão dessas cláusulas gerais que teriam que fazer uma intermediação. Se não houver uma previsão expressa na lei. Em contrapartida. devendo prevalecer os DF sobre a autonomia da vontade. de uma forma geral. devendo sobre eles prevalecer.) . O juiz. Violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. Os DF seriam utilizados na interpretação dessas cláusulas gerais. Não se pode ainda falar em nenhuma teoria que tenha sido aplicada ou não aqui. Isso é chamado de “Efeito Irradiador” dos DF: os DF irradiam os seus efeitos nas relações entre particulares através de mediação legislativa.858. . A autonomia da vontade requer tal ponderação.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Os DF não se aplicariam diretamente. a proteção tem que ser maior. a aplicação será indireta. . para que os princípios pudessem ser concretizados. ainda que esta regulamentação não exista.*RE 161. Se. é possível a sua aplicação com base na Constituição. É adotada pela Alemanha (exceto Alexym.RE 158. Os DF são expressados. não sendo necessária uma intermediação legislativa.RE 160. E como os princípios são muito vagos. Ainda se trata de uma questão muito nova. .547/STJ: prisão civil em contrato de alienação fiduciária em razão de aumento absurdo do valor contratado de R$ 18. → Teoria da Eficácia Horizontal Direta: Podemos citar 3 países cujo sistema é muito parecido com o nosso que adotam esta teoria: Itália.215-4: entendeu-se como violado o princípio do devido processo legal e ampla defesa na hipótese de exclusão de associado de cooperativa sem direito à defesa. através de princípios.321: cláusula de indenização tarifada em caso de responsabilidade civil do transportador aéreo – violação ao Princípio da dignidade da pessoa humana. Se houver lei determinando a aplicação dos DF. Deve-se aplicar tanto esta teoria. Espanha e Portugal. A jurisprudência.700. Pedro Lenza cita em seu livro alguns precedentes em relação aos quais o Judiciário entendeu como razoável a aplicação dos direitos fundamentais às relações privadas: . mas ainda não há decisão quanto a isso. se for permitido ao juiz utilizar qualquer princípio para fundamentar sua decisão. mas. isso poderia causar uma série de problemas. muito abertos. Segundo Virgilio da Silva. esta teoria seria a mais adequada.HC 12. Por isso deveria haver essa intermediação legislativa. quando se tratar de uma relação em que haja igualdade fática entre os particulares nela envolvidos.Resp. Nestas seria necessário fazer uma ponderação para saber qual é o grau de aplicação desses direitos. O ideal é que haja a regulamentação quanto a aplicação dos DF nas relações entre particulares. quando se tratar de uma relação em que não haja uma igualdade fática entre os particulares (ex. aplica diretamente os DF às relações entre particulares. Para a realidade brasileira.: empregado e empregador. os DF poderiam ser aplicados diretamente as relações entre particulares. Mas.243/DF.00 para R$ 86. . ai sim a autonomia de vontade terá um peso maior. 249. Assim. tão somente pela falta de previsão. que não adota essa teoria). com base em um DF poderia decidir um caso concreto entre dois particulares. a partir dessas cláusulas os DF entrariam nas relações entre particulares. mas sem se preocupar em definir argumentos que possibilitem firmar que se trata da adoção desta teoria.24. não se pode deixar de aplicar os DF nas relações entre particulares. como a segunda.222-8: entendeu-se como constrangimento ilegal a revista íntima em mulheres em fábrica de lingerie. mesmo realizando atividades idênticas. se exteriorizam. Determinação de observância do Princípio da isonomia. quando há uma relação de igualdade real na relação. em geral.819: exclusão de membro de sociedade sem a possibilidade de sua defesa – violação do devido 100 .

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I
processo legal, contraditório e ampla defesa (voto do Min. Gilmar Mendes). Este último caso nos parece ser o início de forte tendência que surge no âmbito do STF para a aplicação da Teoria da eficácia direta dos direitos fundamentais às relações privadas. Em seu voto, o min. Gilmar Mendes (que divergiu da Relatora Min. Ellen Gracie), afirmou que “esse caráter público ou geral da atividade parece decisivo aqui para legitimar a aplicação direta dos direitos fundamentais concernentes ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (art. 5º, LIV e LV, CR) ao processo de exclusão de sócio de entidade”.

→ Conclusão: Cresce a Teoria da aplicação direta dos direitos fundamentais às relações privadas (eficácia horizontal), especialmente diante de atividades privadas que tenham um certo “caráter público”, como, por ex., em escolas (matrículas), clubes associativos, relações de trabalho, etc. Nessa linha, poderá o magistrado se deparar com inevitável colisão de direitos fundamentais, quais sejam o princípio da autonomia da vontade privada e da livre iniciativa de um lado, e o da dignidade da pessoa humana e da máxima efetividade dos direitos fundamentais de outro. Diante dessa colisão, indispensável será a ponderação de interesses à luz da razoabilidade e da concordância prática ou harmonização. Não sendo possível a harmonização, o Judiciário terá que avaliar qual dos interesses deverá prevalecer. Limite dos limites: Os direitos fundamentais são limitações à atuação dos poderes públicos. Mas existem alguns direitos fundamentais que precisam de regulamentação. Essa regulamentação será feita pelos poderes públicos. Os DF servem como limite aos poderes públicos e ao mesmo tempo, esses poderes públicos poderão fazer leis que servem como limites a esses DF. Quais são os limites que esta limitação aos DF deverá observar? No Brasil, essa limitação não está prevista expressamente. Os princípios dos quais podemos extrair essa teoria são os seguintes: - Princípio do Estado de Direito (art. 1°, CF/88); - Princípio da Legalidade (art. 5°, II, CF/88); - Princípio da Segurança Jurídica (art. 5°, caput e XXXVI). - Princípio da Proporcionalidade (art. 5°, LIV: devido processo legal substantivo). Os requisitos que essa lei restritiva deve observar para que a restrição seja legítima são: - Requisitos formais: • Princípio da reserva legal. Somente lei pode estabelecer direitos e deveres. Essa lei pode ser LO, LC, MP (desde que seja no caso de direitos individuais e direitos sociais – art. 62, § 1°, I), LD (desde que seja no caso de direitos sociais – art. 68, § 1°, II). • Princípio da não retroatividade (art. 5°, XXXVI): qualquer restrição a um direito fundamental só pode ser estabelecida daquele momento em diante; - Requisitos materiais: • Princípio da proporcionalidade • Generalidade e abstração: a norma não pode ser uma restrição imposta a apenas uma determinada pessoa, referente a apenas um caso concreto. Essa característica é extraída do princípio da igualdade. • Princípio da salvaguarda do núcleo essencial. O núcleo do direito não pode ser atingido. Uma restrição ao direito não pode inviabilizar o exercício daquele direito. Dignidade da pessoa humana e Direitos Fundamentais: 101

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I O primeiro aspecto importante aqui é saber qual a relação entre a dignidade da pessoa humana e os DF. Ela é um direito? Ela está prevista no art. 1º, III, CR/88, sendo considerada como um fundamento. Ocorre que ela não é considerada apenas como um fundamento e sim como um valor constitucional supremo, tendo penso maior na ponderação com os demais valores (mas atenção: ela não é a norma suprema, mas o valor supremo). A dignidade não é considerada como um DF, e nem mesmo como um direito. Ela é considerada como um valor por uns, e, por outros, como um atributo que todo ser humano possui, independentemente de qualquer condição (cor, raça, religião, etc.). a dignidade é o que diferencia o ser humano de todas as demais coisas, como já afirmava Kant (já que todas as coisas têm preço, e o ser humano tem dignidade). A dignidade da pessoa humana é o núcleo entorno do qual giram os DF. A função dos DF é justamente proteger a dignidade das pessoas. Alguns DF são mais diretamente ligados à dignidade (como a liberdade),e outros que são derivações indiretas e não diretas (como o direito a férias, por ex.). Mas, de qualquer forma, todos os DF existem para proteger a dignidade da pessoa humana. Por isso alguns autores falam em sistema de DF, cujo caráter é unitário, já que todos os DF derivam de um ponto comum, tem um mesmo núcleo: a dignidade. A dignidade é um postulado normativo de interpretação, é um princípio ou uma regra? A dignidade da pessoa humana tem essa tripla dimensão: pode ser vista como um postulado, como um princípio e como uma regra: - Postulado normativo interpretativo: por ser a dignidade da pessoa humana o valor supremo, ela vai auxiliar na interpretação das demais normas constitucionais. Ex.: art. 5º, caput, CR/88 – um dos aspectos abordados ali são os destinatários dos direitos individuais (brasileiros e estrangeiros residentes no país) – o STF e a grande maioria da doutrina interpreta esse dispositivo da seguinte forma: se a dignidade da pessoa humana é um atributo que todo ser humano possui, independentemente da sua origem, da sua nacionalidade, enfim, de qualquer condição, e se os direitos individuais (que são os direitos ligados à liberdade, à igualdade) estão diretamente ligados à dignidade do ser humano, decorrendo diretamente desse atributo, todos que entrem em contato com o nosso ordenamento jurídico poderiam invocar o art. 5º, CR (o ordenamento jurídico não pode diferenciar os nacionais dos estrangeiros ou os estrangeiros residentes e não residentes – não se pode, pois, discriminar o estrangeiro não residente no país). Neste caso, pois, a dignidade atuou não como princípio ou regra, mas como postulado normativo de interpretação. - Princípio: o princípio da dignidade da pessoa humana impõe, principalmente ao Estado, dois deveres: o dever de proteção e o dever de promoção da dignidade. Esta proteção e promoção é feita, sobretudo, através dos DF. O Estado tem o dever de garantir o “Mínimo existencial”: é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida humana digna; direitos mais específicos e diretamente ligados à dignidade (saúde, moradia, etc.). Este princípio tem um caráter positivo, impõe uma atuação do Estado, exige que o Estado atue positivamente. Para Ana Paula de Barcelos, o mínimo existencial é composto por: ensino fundamental, saúde, assistência social (não se confunde com previdência social, pois não depende de contribuição), acesso ao judiciário. - Regra: a dignidade também atua como uma regra, aplicável na medida exata de suas prescrições. Significa o dever de respeito por esse valor, esse atributo. Tem, pois, um caráter negativo, impondo uma abstenção (as pessoas e o Estado têm que se abster de violar a dignidade da pessoa humana). Podemos associar esta regra a uma concepção muito estudada por Kant. Segundo ele, a dignidade é violada toda vez que o ser humano é tratado não como um fim em si mesmo, mas como um meio, um objeto para se atingir determinados fins. Esta concepção do Kant ficou conhecida na Europa como “Fórmula do Objeto”. Mas em muitos casos o ser humano é tratado como um meio e isso não significa necessariamente uma violação à dignidade (ex.: pessoas que voluntariamente se ofereceram para testes de uma vacina para o tratamento da AIDS – isso não é violação à dignidade, o seria se o Estado obrigasse determinadas pessoas, como os presos, a este tipo de teste). O tribunal Alemão, portanto, analisando esses casos, acrescentou ao aspecto objetivo (tratamento como objeto) o aspecto subjetivo (tratamento como objeto fruto de uma expressão de desprezo pelo ser humano), para que só então se pudesse falar em violação à dignidade da pessoa humana. Caso muito conhecido na França: 102

Direito Constitucional – LFG – Intensivo I algumas casas noturnas tinham como principal atrativo o arremesso de anões, e isso causou indignação em algumas parcelas da população, que alegavam que este tratamento era ofensivo à dignidade em seus dois aspectos (objetivo e subjetivo), o que ocasionou o fechamento dessas casas. Ocorre que os anões, em litisconsórcios com as casas noturnas recorreram da decisão, afirmando que o que violava a sua dignidade não era ser o fato de serem utilizados como objetos por essas casas, e sim ficar em casa desempregados, ainda que recebessem uma aposentadoria do governo, mas sem o convívio social. Assim, começou-se a discutir se o Estado pode realmente dizer o que fere ou não a dignidade da pessoa humana, já que é preciso analisar cada caso separadamente.

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não há uma renúncia definitiva. e haverá também posicionamentos já firmados pela doutrina e jurisprudência em relação a outras. As pessoas não podem abrir mão destes direitos. sobre cada direito a ser a seguir estudado haverá várias divergências a cerca de determinadas questões. é. Por isso. o não exercício é temporário (no caso do direito à vida. 128. A renúncia é definitiva.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I DIREITOS INDIVIDUAIS EM ESPÉCIE: ☺art. de forma que não se pode falar em direitos absolutos. que permite a pena de morte em algumas hipóteses. abre-se mão temporariamente à privacidade. Obs. Muitas vezes não há como prevalecerem o direito de ambos os envolvidos no fato. II. Neste caso a mãe pode violar o direito à vida do feto sem que isso seja considerado crime. 1º. III e art. Esta questão é bastante clara. traz é a segurança jurídica (a segurança pública é direito social). Não devemos confundir irrenunciabilidade com o não exercício de um direito. XLVII. Porque o direito à vida é irrenunciável. Este pode ocorrer. Vejamos: Direito à vida: A Constituição consagra a inviolabilidade do direito à vida. O direito a vida. um outro direito fundamental. aquele que pode ser realizado quando a má formação do feto colocar em risco a vida da gestante. caput. Quanto ao caso do aborto sentimental (art. a Constituição vai concretizar os valores da inviolabilidade do direito à vida. diante da qual é preciso fazer uma ponderação entre o direito à vida e a autonomia da vontade e liberdade religiosa. Mas atenção: a irrenunciabilidade não se confunde com o não exercício do direito. ☺art.: esta segurança que o art. Já a inviolabilidade é a proteção do direito à vida contra terceiros. ☺art. A irrenunciabilidade protege a vida contra o próprio titular do direito. à igualdade. Nesses casos a pessoa pode se defender violando o direito de outrem. 5º. pois a vida é uma direito irrenunciável. como no caso de estado de necessidade ou no caso de legítima defesa. Mas prevalece no Brasil o entendimento de que nenhuma das modalidades de eutanásia é admitida. não há que se falar em não exercício). 5º. um caso constitucional de violação de direitos. à liberdade. como DF é pressuposto dos demais direitos. CR/88. 5º. Há dois entendimentos: 104 . CR. → Inviolabilidade do direito à vida: É caso de um mesmo direito titularizado por pessoas diferentes. A dupla dimensão ou acepção deste direito é: o direito a permanecer vivo e o direito a uma vida digna. se discute muito se é ou não possível a eutanásia ou a ortotanásia (eutanásia passiva – quando desligam-se os aparelhos que mantêm a pessoa viva). pois. à segurança e à propriedade. 170. A irrenunciabilidade é uma característica que todos os DF possuem. O problema maior existe quando conflitam de um lado o direito a vida e de outro. por óbvio. No caso do big brother. Quanto a esta hipótese não há controvérsias. Da mesma forma também se mostra polêmica a questão dos “Testemunhas de Jeová”. Nos 78 incisos deste art. também não pode ser renunciado. Estes direitos são expressos em princípios e os princípios comportam ponderações diferentes. Outro caso é o do aborto terapêutico ou necessário. CP) a questão é um pouco mais polêmica.

deve ser feita uma interpretação evolutiva do CP (art. qualquer medida que não fosse a criminalização do aborto seria insuficiente para proteger a inviolabilidade do direito à vida (Proibição de insuficiência). o aborto pode ser realizado até a 24ª semana. por 7 votos a 4. como todos os outros. Para o direito brasileiro. mas sim da acrania. (28/05/09) Outra questão: aborto no caso de acrania ou anencefalia. a vida termina com a morte encefálica. . o art. E o direito à vida. deve-se deixar que a pessoa faça sua própria opção. em razão do risco de morte intra-uterina. OBS. Ele poderia sofrer outras sanções de ordem não penal. além de colocar em risco a sua própria vida. a morte não decorre do aborto. é relativo. CP não teria sido recepcionado pela CR. Vejamos os argumentos ali discutidos (posição de Luiz Roberto Barroso): 1) antecipação terapêutica do parto não é aborto: atipicidade da conduta.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a) o direito à vida e a dignidade são absolutos e. O aborto não precisaria ser necessariamente crime. analogia à tortura e interpretação conforme a CR/1988: obrigar a gestante a gerar uma criança durante nove meses. b) a liberdade sexual e a liberdade da pessoa humana da mãe justificariam o afastamento do direito à vida do feto. Se há dois argumentos defensáveis. 128 (em 1940). II. Para aqueles que defendem a proibição do aborto. O STF. sabendo que ela vai morrer. Encontra limites em outros direitos consagrados pela CR/1988. 3) dignidade da pessoa humana. o feto não tem a menor chance de sobrevida. o STF não estaria legislando. o Estado não deve impor condutas externas imperativas. então. nas quais não se tem uma opinião moral definida. entendeu que. insuficiente para a proteção do direito. 128. Ela poderia ou não existir? A chamada “Proibição por defeito”. Se isso fosse possível. portanto. e. Ademais.Direito à privacidade: 105 . ao considerar o aborto em caso de acrania como hipótese de “não punibilidade”. discutida na ADPF 54. por isso. Nos EUA e na França. mas de modo geral). segundo Canotilho. assegurando a autonomia da vontade. mas sim interpretando a CR/88. A questão ainda está sendo discutida no STF. é uma forma de tortura psicologia. Na ADI 3510: o ministro Carlos Ayres Brito entendeu que a inviolabilidade do direito à vida ocorre após o nascimento quando o indivíduo passa a ser dotado de personalidade. é um aspecto do Princípio da Proporcionalidade. Qual deve ser a postura do Estado? Nestes casos. já que o CP é anterior à CR. Esta ADPF trata de uma interpretação do CP. ela é a única ação de controle abstrato cabível. Ambos os argumentos são moralmente e racionalmente defensáveis. o legislador teria previsto essa hipótese como caso de “não punibilidade”. quem diz a partir de quando começa o direito à vida é o legislador. não haveria vida. não existiam meios técnicos para se detectar a acrania. sem o sistema nervoso central. já que na época em que foi feito o art. Ocorre quando a medida chamada for inadequada. Desacordo moral razoável: refere-se a questões limites. Outro tema muito importante que está sendo discutido no Brasil atualmente é a questão da legalização do aborto (não nos casos já discutidos. 128). 2) interpretação evolutiva do CP: na eventualidade de ser considerado como aborto.

pessoal ou telefônica feita por um dos interlocutores sem o conhecimento dos demais. Em regra. não se podem divulgar imagens captadas num prédio. histórico. X. é a esfera da vida privada. Esta é excludente de ilicitude. a honra e a imagem das pessoas. O STF costuma fazer uma ponderação entre o direito à privacidade do agente público e os princípios que regem a Administração Pública. O agente público. o direito à imagem é confundido com o direito à honra. o STF tem entendido que esses princípios teriam um peso maior e justificariam a utilização dessa gravação. Numa gravação clandestina. Os atos administrativos são regidos pelo princípio da publicidade. Há decisões judiciais onde muitas vezes. Se tiver gravado um crime. Proteção da honra e da imagem. Não há que se falar em colisão. os princípios da moralidade e da publicidade. contra um estelionatário. Se uma pessoa faz uma gravação contra um seqüestrador. O direito de liberdade é maior. Ex. Vejamos as hipóteses que já estão sedimentadas no STF: a) Quando a gravação for a favor do réu. uma gravação feita clandestinamente. científico ou cultural. quebra de sigilo e interceptação telefônica. CR. pode ser pessoal (ex: i-pod) ou pode ser telefônica. É gênero. A esfera mais próxima é a esfera da intimidade. X. No entanto. Ex: gravação feita contra um seqüestrador. que se subdivide em: intimidade. A esfera da publicidade não está prevista na constituição. Logo. ela está realizando aquela gravação em sua legítima defesa. é necessário analisar o tipo de imagem que foi gravada. O réu poderá utilizá-la em sua defesa no processo penal. a imagem pode ser usada num processo. Ex: policial federal recebendo dinheiro. Esses 3 assuntos são objeto de confusão. quando pratica um ato na condição de agente público. no art. Há hipóteses em que a jurisprudência admite uma gravação. b) Quando a gravação é feita em legítima defesa: A gravação não é clandestina. a pessoa não pode dizer que o seu direito foi violado. é admitida como prova do processo? Se a gravação for clandestina. a gravação é considerada lícita. assessor de prefeito pede dinheiro para beneficiar uma empresa. não há violação à privacidade. 5º. Há leis impedindo a divulgação dessas imagens). Nesses casos. informação que consta em um processo que não trata de segredo de justiça. Mas. mesmo tendo sido feita sem o conhecimento do outro interlocutor. não tem privacidade. é feita uma ponderação entre o direito à privacidade e o direito à liberdade do réu.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Decorre do direito à vida. Não tem sentido o seqüestrador dizer que a sua conversa foi violada. câmeras de segurança (quando se diz que as câmeras são legítimas. Será considerada prova lícita. A Constituição proíbe as provas obtidas por meio ilícito. ela é ilícita. Ex: notícia publicada dentro de um contexto jornalístico. Ainda que não afete a honra. em seguida. 5º. há uma restrição legítima ao direito de imagem e ao direito de privacidade. são direitos independentes. A gravação pode ser ambiental (ex: câmera de segurança). d) Gravações feitas para documentar conversas e serem utilizadas futuramente como prova (direito de defesa). sobretudo. veremos cada um separadamente. de uma forma geral. o direito à imagem foi violado. sendo essa matéria feita dentro de um contexto jornalístico. sobretudo. por exemplo. Gravação clandestina dentro do direito de privacidade: consiste em uma gravação ambiental. Questão de Concurso: Gravação clandestina. Teoria das esferas: quanto mais próxima ao indivíduo. Nesses casos é vedada a gravação como prova. contra um chantagista. Se filmar uma passeata. Neste caso. Então. c) Quando a gravação é feita contra agentes públicos: Não é gravação feita por agente público. 1. maior a proteção a ser dada. CR. pois viola a privacidade de quem teve a conversa gravada sem o seu conhecimento. Restrições legítimas ao direito à imagem: há algumas situações em que o direito à imagem pode ser restrito. temos a seguinte situação: Uma conversa entre 2 interlocutores. Ex: matérias de interesse público. O direito a privacidade está consagrado. acha que a fundamentação do STF não é a mais adequada. Ao realizar essa ponderação. É vedada pelo art. O prof. a restrição é legítima. 106 . Ex: Radares eletrônicos. etc. Se uma reportagem de televisão capta a imagem de uma pessoa. pois há uma excludente de antijuridicidade. vida privada. na verdade. Ex: pessoa participar de comercial sem o seu consentimento.

Dentro do próprio STF há divergência. Ele alegou a ilegalidade desse ato. ainda que não seja sigilosa. No entanto. não há decisão do STF. CPI estadual também pode determinar a quebra de sigilo? O STF. E o Ministério Público? Segundo o STF. Essa declaração. O inciso X impede a gravação clandestina. o BB poderia quebrar o sigilo. § 3º. Quebra de Sigilo: há ministros que entendem que esse sigilo estaria protegido pelo art. d) Sigilo telefônico: Pergunta – pode uma CPI quebrar o sigilo telefônico? Sim. O prof. Interceptação telefônica: aqui este assunto será tratado de uma forma mais ampla – interceptação das comunicações. O Min. c) Sigilo de dados (sobretudo de dados informáticos): seriam as informações constantes de um HD. O sigilo telefônico não tem nada a ver com o conteúdo da conversa telefônica.). pois ela pode colocar em risco a segurança de uma pessoa. De acordo com o art. Essa exceção só confirma a regra. Ainda que se admita a criação de CPI municipal. 58. b) Sigilo fiscal: dizem respeito. mas na decisão acima houve discussão a respeito. etc. Dentro dela. essa decisão foi para um caso específico. Além do juiz. Quem são as autoridades que podem determinar a quebra do sigilo? Inicialmente. só disse as situações onde o STF tem jurisprudência a respeito. Quando a CR fala em “poder de investigação”.. Os sigilos podem ser quebrados por um juiz. 2. Entende-se que a quebra se sigilo engloba basicamente 4 sigilos. A interceptação das comunicações é vedada pelo art. a CPI também pode determinar a quebra do sigilo bancário. Ex: extrato de conta corrente. A quebra de sigilo é difícil de ser enquadrada. Nem TCU nem qualquer tribunal de contas podem. como havia verba pública envolvida. naquele caso específico. às informações constantes na declaração de imposto de renda. XII. Os jornais publicaram essas declarações. informáticos. 5º. 5º. admitiu que CPI estadual determinasse quebra de sigilo. fiscal e telefônico. São poderes instrutórios. outros dizem ser pelo art. 5º. XII. ele não pode requisitar diretamente. CR. Essa LC está sendo objeto de várias ADIs perante o STF. de um cd room. alegando que só o juiz poderia ter acesso aos dados. Um advogado do ES teve os seus dados bancários solicitados por um agente da Receita Federal. falaremos da interceptação telefônica. Se ele quiser. Isso é uma violação clara do direito de privacidade. não poderá quebrar sigilos. será necessário solicitar ao juiz para que este determine a quebra. O STF decidiu que. pois a quebra desses sigilos é de competência de autoridade judiciária (e não existe autoridade judiciária municipal). já que não existe poder judiciário municipal. está em vigor. não significa que o juiz tenha poderes investigatórios. divulgaram todas as declarações na internet. E o TCU pode solicitar a quebra do sigilo? Também não pode. O MP solicitou informações ao Banco do Brasil sobre o empréstimo feito aos plantadores de cana de açúcar. Lewandovisk suspendeu a aplicação da LC. que é uma exceção a essa regra. CR a CPI tem poderes de investigação próprios de uma autoridade judicial. outros entendem que não há proteção.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Obs. Quando se quebra o sigilo telefônico. pode colocar uma pessoa em situação vexatória. Na Itália. com base no princípio da simetria. Ela não pode determinar uma interceptação telefônica. 3. a saber: a) Sigilo bancário: diz respeito aos dados bancários de uma pessoa. A quebra do sigilo ocorre depois que a conversa já finalizou. Essa decisão foi dada porque havia verba pública envolvida. 2°) admite. tem acesso ao registro das ligações telefônicas (quais os números ligados. por ex. Quanto às CPIs municipais. em ação cível originária. X. Quem pode é só o juiz e a CPI. com relação ao sigilo bancário tem uma lei específica – LC 105/01. A autoridade judicial pode requisitar dados bancários. Ainda não houve declaração de inconstitucionalidade dessa lei.: Podem existir várias outras exceções. Tem uma decisão do STF muito comentada. A lei. a duração da chamada. A declaração não é algo que qualquer pessoa pode ter acesso. Há dois posicionamentos sobre esse assunto: 1°) não admite criação de CPI. Esta LC permite que as autoridades fazendárias tenham acesso a dados bancários de uma determinada pessoa. fiscais. deve ter uma certa salvaguarda. 107 . por enquanto.

também se admite violação ou restrição do sigilo de correspondência.. a CR faz uma ressalva quanto às comunicações telefônicas. Para o prof. protege-se apenas a liberdade de comunicação. Ou ela interrompe a comunicação ou ela intercepta. não é necessário que o conteúdo seja sigiloso). O STF entende que com base o art. O art. Consiste na intromissão ou interrupção de uma comunicação. Além dessas duas hipóteses. Pode ser que um dos interlocutores saiba ou pode ser que nenhum dos interlocutores saiba. seja pelo art. Ex: diretor de presídio pode violar a correspondência do preso se houver suspeita de que aquela correspondência está sendo utilizada para a prática de ilícitos. Se um souber. durante situações excepcionais – estado de defesa e estado de sítio. abrem-se todas as correspondências. Ela protege 4 formas de comunicações. segundo o STF. um dos argumentos utilizados pelo STF é de que o sigilo epistolar não pode ser salvaguardado para a prática de ilícitos. é equivocado. vejamos: a) Comunicações telegráficas b) Comunicações epistolares (feitas através da correspondência) c) Comunicações de dados (esses dados seriam apenas dados informáticos. mas foi feita por um terceiro. O professor acha que o certo seria avisar ao preso de que todas as correspondências serão abertas. Na prática. Ex: correspondência utilizada para práticas ilícitas. Porém. pode haver restrições às comunicações telefônicas. o sigilo poderá ser violado. 5º. a partir do momento em que o e-mail foi aberto. fere a privacidade de várias pessoas que não têm nada a ver com o caso. os dados de informática em si não estão protegidos. seja pelo art. será gravação clandestina. Mas isso não é a posição do STF. Nessas hipóteses. em determinadas hipóteses.. X. segundo alguns autores) d) Comunicações telefônicas Em que consiste a interceptação dessas comunicações? Observe a diferença entre uma gravação clandestina e uma interceptação telefônica. 5º. uma terceira pessoa se intromete na comunicação. o STF (em decisão recente) admitiu que as declarações feitas para fins de 108 . Para o STF. A interceptação de comunicação telefônica talvez seja uma das formas mais graves de violação à privacidade das pessoas. Se um souber. 5º. mas. Sigilo das comunicações telefônicas: Só para fins de investigação criminal ou para instrução processual penal. Ela deve ser usada para situações excepcionais. a Constituição estabelece 3 requisitos: a) Ordem judicial b) Na forma da lei c) Para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Seria legítima a violação à privacidade feita pelos correios (passam por um raio-X)? O professor acha que isso justifica em razão da possibilidade de práticas ilícitas. No entanto.. A interceptação não pode ser uma regra de investigação. o STF tem um entendimento que. Em relação a essas. por uma terceira pessoa. Não são admitidas para outras finalidades. neste caso. XII. também protege a privacidade. Quando se falou do método tópico problemático. Na interceptação. Com relação ao sigilo de dados. Para o prof. Alguns autores dizem que a interceptação só ocorre quando nenhum dos interlocutores não tenha conhecimento. Não há necessidade que a privacidade da pessoa seja violada (ou seja. XII impede que o e-mail enviado de (A) para (B) seja interceptado. sem o conhecimento de um ou de ambos os interlocutores. A correspondência pode ser violada em alguma hipótese? Não existem direitos absolutos. Pois. ela também está protegendo o conteúdo desses dados. Em relação à comunicação epistolar. XII. quando a Constituição fala em “sigilo de comunicação de dados”. Então. será interceptação telefônica. segundo o prof. já que protege-se a liberdade de comunicação. 5º. O que está protegido é apenas as comunicações dos dados. Aliás. Outra hipótese em que o sigilo epistolar também pode ser violado é no caso de segurança pública. a Constituição não estabelece qualquer requisito.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A CF/88 não protege apenas o conteúdo. não estaria protegido por esse dispositivo. a liberdade de comunicação. protege a liberdade de comunicações. durante o estado de defesa e o estado de sítio. Ex: correspondência que pode causar risco à saúde pública. sobretudo.

Essa decisão foi recente (☺MS 27. Se houver o consentimento. e mais ninguém. 5º. Quando uma matéria está submetida à reserva de jurisdição. por nenhuma outra autoridade. Na jurisprudência do STF. O STF entendeu que a interceptação pode ser prorrogada indefinidamente. nem a CPI. há 04 assuntos submetidos à reserva de jurisdição. e não pelo dono da casa. prorrogáveis por mais 15). d) Art. Como é o meio mais fácil. essa lógica tem sido invertida.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I investigação criminal ou instrução processual penal fossem utilizadas em processo administrativo disciplinar. O STF admitiu ainda que a interceptação possa ser utilizada contra os mesmos (que fazem parte da investigação criminal) ou contra outros servidores. Ela pode determinar a quebra do sigilo telefônico. A Constituição protege a inviolabilidade do domicilio contra o consentimento do morador. Vejamos as situações: 1. Somente um juiz pode revogar o segredo de justiça. A lei exige alguns requisitos além dos exigidos pela Constituição. seja durante o dia seja durante a noite. XI: violação de domicílio. A lei que regulamenta a interceptação telefônica é a Lei 9. Sem consentimento já é diferente. Ex: crime dentro de uma residência. o STF acabe mudando a sua jurisprudência. admite-se uma interceptação de no máximo 60 dias. a polícia pode entrar. Reserva de jurisdição significa que determinados atos são reservados apenas ao Poder Judiciário. Com relação à inviolabilidade do domicílio. ela está nos remetendo à chamada “cláusula da reserva de jurisdição”. devemos analisar 2 situações diferentes. → Inviolabilidade do domicílio: É um desdobramento do direito à privacidade. 5°. a lei permite a interceptação somente para crimes punidos com reclusão. não há falar em violação de domicílio. pode determinar a prática desses atos. 5º.296/96. XII. 5º. que tem poderes de investigação próprios de autoridade judicial. XII: interceptação telefônica b) Art. Nesse artigo. imagine numa situação normal. a CR permite a interceptação (30 dias + 30 dias). O STF entendeu que o sigilo imposto a um processo judiciário não pode ser quebrado. violado. Ele entende que a prorrogação não pode durar por tanto tempo. 5º. nesses casos. em respeito ao princípio da publicidade e da moralidade dos atos administrativos. É por isso que o STF concedeu vários habeas corpus preventivos nos casos de CPI. Pode ser que com os abusos recentes. a Constituição da República diz que somente a autoridade judiciária competente pode determinar a prisão de alguém. nenhuma outra autoridade pode determinar a prática dessa conduta. • Prestar socorro 109 . se houver o consentimento de um dos moradores. Segundo o STF. O terceiro requisito é que deve ser por ordem judicial. a CPI não pode determinar a interceptação telefônica. O professor acha que há certo abuso neste caso. a saber: a) Situações emergenciais: • Flagrante delito. LX: sigilo imposto a processo judiciário. Somente o juiz. O segundo requisito que a CR exige é “na forma da lei”. Com o consentimento. qualquer pessoa pode entrar. A CPI não pode determinar a violação de domicílio. O STF entende que a legislação que estabelece que a CPI pode determinar a prisão de determinadas pessoas não foi recepcionada pela Constituição. CF/88. vejamos: a) Art. Recentemente. Art. c) Art. quando a Constituição diz “por ordem judicial”. salvo o flagrante delito. A lei diz que só pode haver a interceptação no caso de não existir outro meio de prova. Ela deve ser o último recurso.483 – medida cautelar concedida nesse MS). Durante o estado de defesa. Além disso. LXI: possibilidade de prisão. a entrada deve ser permitida pela empregada. Nem mesmo CPI. o Min. Nilson Naves utilizou-se de um parâmetro para falar da proporcionalidade e da razoabilidade dessa prorrogação indefinida. É necessária a autorização da empregada doméstica para entrar no quarto dela? Naquele compartimento. 2. A CPI não tem o poder de determinar a prisão de ninguém. Então. Ou seja. A lei estabelece prazo máximo de interceptação (15 dias. A Constituição trata de 2 situações distintas. Se numa situação excepcional.

dizendo que essa legislação não foi recepcionada neste ponto pela CR/88. Como um mandado pode ser cumprido num horário adequado teoricamente. entra no conceito de casa. Ele deve dizer “aqui você não entra”. pois está sob o crivo da reserva de jurisdição. b) Determinação judicial: Para cumprimento de um mandado judicial. O serviço de meteorologia tem como analisar isso com precisão exata. Segundo o entendimento do STF. 150. não poderá mais entrar no domicílio. propõem uma utilização conjunta desses critérios. ☺Art. Cronológico ou temporal: é o critério mais antigo. 3. Só que o STF já proferiu decisões. Na hipótese em que o mandado começa a ser cumprido às 17:30h e se prolonga pela noite. mais tradicional. Quando o sol nascer é dia. as provas devem ser consideradas lícitas nos casos de operações de grande complexidade. o STF considera as provas lícitas por causa disso. prevista no dispositivo. só pode cumprir o mandado até as 18 horas. não só dos moradores daquela casa. Questão AGU: mandado judicial começou a ser cumprido durante o dia e se prolonga durante a noite. se estiver vazio. pautado por normas legais que admitiam que adentrassem a casa com a requisição de força policial. Na CR/88 o conceito também é bastante extenso. até pode considerar como sendo uma casa naquele momento.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I • Desastre Nessas 3 hipóteses. a prova é lícita. É utilizado por JAS. Como se deve interpretar isso então? Se for necessário invadir o domicílio. consultórios. a prova colhida será considerada ilícita. É uma hipótese muito difícil de ocorrer. O que se entende como sendo “casa” para fins de proteção constitucional? A casa. onde o caminhoneiro dorme. compartimentos habitados. Escritório entra no conceito de casa em relação à parte fechada. que traz uma conceituação bastante extensiva. Tem que haver uma clara oposição do proprietário ou de alguém dentro do estabelecimento. Se entrar com o uso da força. Será que ele pode entrar? Tem alguns fiscais que fazem isso. dia é o período compreendido entre 6 horas da manhã e 18 horas da noite. mas dos vizinhos também. na parte em que o público tem livre acesso. mais adequado. Se não provar que a entrada foi com o uso da força. Essas interpretações extensivas fazem suscitar a questão a respeito da possibilidade de um fiscal entrar num estabelecimento sem que haja o consentimento do proprietário. pois se respeitar também o critério cronológico. E se a pessoa estiver dormindo dentro do carro? Se a pessoa estiver dormindo. não entra em conceito de casa. por serem situações emergenciais. entre outros aposentos. Alguns autores. 2. entre eles Alexandre de Moraes. seja do dia seja da noite. 110 . Ex: quarto de hotel é casa? Se o quarto estiver habitado. não é razoável que se considere tais provas como lícitas. CP. Dia seria o período entre a aurora e o crepúsculo. As provas são lícitas? Ultrapassando as 18h. O que significa dia? Existem 3 critérios: 1. Segundo ele. Não corresponde ao período do processo civil (os atos processuais podem ser cumpridos até 20 horas). porque a noite é o período de descanso. a casa pode ser invadida a qualquer hora. Fisíco-astronômico: é um critério mais justo. Estabelecimentos comerciais só entram no conceito de casa em relação à parte reservada. estabelecimentos comerciais e industriais. Então. não encontrou nenhuma decisão a respeito. Ex: anoiteceu 19 horas da tarde. os fiscais não podem entrar no estabelecimento se não houver o consentimento do proprietário. Ele acha que não pode ser entendido como uma casa. a CR não permite o cumprimento desse mandado durante o período noturno. Essa auto-executoriedade só perdeu lugar em face da inviolabilidade do domicílio. Na maioria dos casos. Ex: parte de trás do caminhão. poderá cumprir o mandado até as 20 horas. não entra no conceito de casa. compreende escritórios. Entra no conceito de casa. E o carro? O prof. Só o juiz poderá determinar a invasão de domicílio. Se houver o consentimento do morador. hoje. O argumento utilizado pelo STF foi o seguinte: a auto-executoriedade da Administração Fazendária cedeu lugar à inviolabilidade do domicílio. quando o sol se põe é noite.

é necessário que ele seja: 1. CR. há decisões do STF onde o mesmo entendimento é utilizado para outros critérios de admissão. Esses critérios precisam ser justificados pela natureza das atribuições a serem exercidas. Esse critério não é nenhuma discriminação. da constituição. Uma vez dentro do estabelecimento. 7º. Quando se fala em princípio da igualdade. Esse critério é razoável. XXX. 111 . Ex: critério que leva em consideração a cor de uma pessoa. Para que o critério seja constitucional. O STF admite que esse tipo de critério seja previsto em edital. quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido. A função da lei é diferenciar pessoas diferentes. razoável e proporcional. arbitrário. o proprietário não pode restringir o trabalho da autoridade fiscal. Ex: critério preconceituoso. Deve ter previsão legal anterior para que sejam admitidos esses critérios. → Igualdade Formal x Igualdade Material: A igualdade formal é conhecida também como igualdade civil ou jurídica ou perante a lei. 7º. Mas. Para esses casos. Em que consiste essa igualdade? É um tratamento isonômico a todos os seres de uma mesma categoria essencial. Não se tem de analisar se a lei fez distinções. Ex: Cargo de um agente penitenciário para previsão feminina para fazer revista de mulheres. Observe que o critério utilizado em si não é determinado em muitos casos. pois viola o princípio da isonomia. Objetivo 2. Pode ser considerado um critério válido? O CABM dá o seguinte exemplo: Faculdade pública resolve contratar pessoas da raça negra para verificar porque essas pessoas são mais aptas para o esporte. Exercício de função pública pode contar como ponto para fins de concurso público? O STF entendeu que não. Questão de Concurso: o edital de concurso público pode estabelecer certos critérios de admissão? ☺art. Princípio da Igualdade: É o princípio que está consagrado em vários dispositivos constitucionais. mas para tanto deve cumprir 2 requisitos: 1. Razoável 3. em situações diferentes. Esta súmula fala especificamente sobre o limite de idade. discriminatório. não significa que a lei não possa fazer distinções. É necessário analisar se o elemento discriminador está a serviço de um fim constitucional. Se o critério não for objetivo. 5º. cor e estado civil. são critérios que não estão em harmonia com o que a Constituição da República estabelece.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I a restrição é somente em relação à entrada. 683: o limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do art. Proporcional O critério subjetivo dá margem à discricionariedade. ele não estará de acordo com o fim consagrado. 2. Ex: tem determinados cargos que exigem certo porte físico – agente policial. mas se o critério que ela utilizou para diferenciar está previsto como um fim constitucional consagrado. São três igualdades consagradas seguidamente no texto constitucional. É tratar pessoas que se encontram em uma mesma situação de uma forma igual. A Constituição veda critérios de admissão baseados em sexo. CF/88. justifica-se a altura. O STF tem uma súmula a este respeito – ☺Súm. Não irá fazer concurso para homens participarem. É a que está consagrada no caput do art. Esse artigo é aplicável também aos servidores públicos. Nestes casos. XXX. idade. É necessário analisar o critério em conjugação com o fim constitucionalmente consagrado.

está discriminando pessoas que não fazem parte desse grupo. surge a questão relacionada às ações afirmativas. disse que está ligada à igualdade material. Tem autores que entendem ser inconstitucional. vimos que cada geração está ligada a um valor – liberdade. Então. acha que esse argumento não convence. Mas. Ex: Cotas para pessoas carentes. mas discrimina-se positivamente (para reduzir as desigualdades). Como uma pessoa que não teve acesso à escola. Essas ações seriam constitucionais? O professor acha que são constitucionais. O prof. O sistema de cotas é uma das formas de ações afirmativas. Dificilmente. a igualdade material não corresponde a esse tratamento desigual. pode ter as mesmas condições de outra pessoa. o governante vai querer extinguir essas ações afirmativas. aconteceu o contrário. para tentar reduzir as desigualdades. Não é uma forma de resolver o problema. III c/c direitos sociais (estão espalhados por toda a Constituição). essas ações deveriam existir por 10 anos. Por quê? Porque a finalidade desses direitos é proteger os hipossuficientes para reduzir essas desigualdades existentes. Quando se fala em igualdade material. O ideal é que as pessoas carentes tivessem o mesmo nível de escolaridade. da desigualdade que as pessoas têm em relação aos bens da vida. elas terão uma dificuldade muito maior para entrar numa universidade. mas é necessário analisar uma série de fatores. Se um concurso público estabelece 60% de vagas para deficiente. A cota deve ser proporcional à população. 5º c/c art. → Ações Afirmativas ou Discriminações Positivas: Definição: consistem em políticas públicas ou programas privados temporários desenvolvidos com a finalidade de reduzir as desigualdades decorrentes de discriminações ou de uma hipossuficiência econômica ou física por meio da concessão de algum tipo de vantagem compensatória de tais condições. a idéia que se tem é a redução de desigualdades. pois estão ligadas diretamente à igualdade material. mas reduzir as desigualdades existentes. Visa uma redução das desigualdades fáticas. As ações afirmativas não são somente por parte do Poder Público. Trata pessoas diferentes de uma forma diferente.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Questão de Concurso . É razoável que um deficiente tenha cota em concurso público? O professor acha que isso se justifica para a inclusão dessas pessoas. ☺art.Cespe: o critério de justiça de Aristóteles estaria relacionado à igualdade material ou formal? O entendimento de JAS é de que esse critério de justiça de Aristóteles (tratar os iguais de forma igual. Essas ações não surgiram nos EUA. Essa é uma das críticas que se fazem às ações afirmativas. 112 . O objetivo é corrigir de forma imediata uma situação. utiliza-se das ações. que eram desiguais em relação aos seus senhores. Para o professor. O que é essa discriminação reversa? A partir do momento que se cria cotas em um determinado grupo de pessoas. por exemplo. O prof. Fala-se em discriminações positivas porque é uma maneira de discriminar. o critério discriminador seria desproporcional. No caso da Índia. Quando se fala em igualdade material. e os desiguais de forma desigual. e prolongaram as que já existiam. não haverá uma igualdade real. A igualdade material é conhecida como igualdade real ou fática ou perante os bens da vida. Isso é igualdade formal. essas ações são constitucionais. Ações afirmativas e sistemas de cotas não são sinônimos. São alíquotas diferenciadas de acordo com a renda. A Constituição consagra a igualdade material também? Essa igualdade é consagrada numa conjugação de vários dispositivos. e não à igualdade material. Em princípio. mas na Constituição Indiana em 1947. O objetivo não é tratar de maneira desigual os desiguais. Todas as ações afirmativas devem ter um prazo de duração. pois elas criam uma discriminação reversa. Porém. Para outros autores. 3º. esse critério justificava o tratamento de subordinação dos escravos. Segundo JAS. Ex: Alíquotas de imposto de renda. na medida de suas desigualdades) estaria ligado à igualdade formal. Se o Estado não proporcionar esses direitos. Quando estudamos as gerações de direitos fundamentais. A igualdade material impõe ao Estado uma atuação positiva visando a igualização de desiguais por meio da concessão de direitos sociais substanciais. igualdade e fraternidade. A tendência é que elas aumentem. seria igualdade material. O STF está decidindo se as ações afirmativas seriam ou não constitucionais. pois pode causar uma impressão negativa para sociedade. Outros exemplos: algum tipo de vantagem fiscal e programas de treinamento. Criaram-se outras ações afirmativas.

é uma forma de concretizar o princípio da igualdade no seu sentido material. e a doutrina sempre considerou que o legislador estava incluído.Eficácia vertical: todos os poderes públicos. aberta. O STF aplicou o princípio da igualdade para uma empresa privada – Air France.Eficácia horizontal: Aplica-se em relação aos particulares. alguns autores fazem a distinção entre igualdade perante a lei (dirigido para aqueles que irão aplicar a lei . Então. O princípio da igualdade possui dois tipos de eficácia: . não sendo necessária essa distinção.Justiça compensatória: busca justiça no presente para compensar um fato do passado. seja pelo governo. .fomenta o racismo e o ódio racial . tolerante. eles possuem uma eficácia horizontal ou privada. visa compensar uma dívida histórica. Consiste em uma política baseada na retificação de injustiças ou falhas cometidas contra indivíduos no passado. . Consiste na promoção de oportunidades para aqueles que não conseguem se fazer representar de uma maneira igualitária. 208. Nós vimos a questão de eficácia dos direitos fundamentais. O argumento utilizado na época de FHC é de que havia uma dívida histórica para com os negros. . Isso é uma questão de política pública. . miscigenada e multicultural.medida imediatista e inapropriada. 113 . Poder Executivo e Poder Judiciário). de saúde. seja por particulares. CF/88. . a condição de membro de um grupo específico não pode ser utilizada como um critério de inclusão ou exclusão de benefícios.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Sistema de cotas para negros – seria inconstitucional? O professor não entrará no mérito. O legislador está fora do princípio da igualdade? Ninguém defende isso. Portanto. esse princípio é oponível tanto ao Estado quanto aos particulares. sem exceção. Apesar de ser uma relação entre particulares.Promover a diversidade: a finalidade seria contribuir para o surgimento de uma sociedade mais diversificada. A justificativa parece não ser inconstitucional.fere o mérito. atinge todos os poderes públicos . o princípio da igualdade também se aplicaria àquela relação. são destinatários do princípio da igualdade.Poder Executivo e Poder Judiciário) e igualdade na lei (não é dirigido apenas a quem vai aplicar a lei. O problema é com relação à subjetividade do critério.Poder Legislativo. . previsto no art. Argumentos contrários: . Eles foram libertados. Juridicamente falando. . cientificamente falando. Eles não têm apenas a eficácia vertical.favorece negros de classe média alta. mas eles não tiveram oportunidade de escola. A subjetividade desse critério torna inconstitucional esse sistema. quando se fala em destinatários.em uma sociedade pluralista. (18/06/09) Argumentos favoráveis: . No Brasil. → Destinatários dos deveres: São aqueles que devem respeitar o princípio da Igualdade. É uma distinção feita pela doutrina estrangeira que alguns autores brasileiros trouxeram para cá. pois já faz parte do próprio critério republicano. As nossas constituições sempre falaram em igualdade perante a lei. Quem é negro no Brasil? Não existe raça negra e raça branca. Esse critério não precisaria estar previsto na constituição. Além dessa eficácia.princípio da isonomia (discriminação reversa). mas também para quem irá elaborar a lei.Justiça distributiva: visa proporcionar às pessoas uma situação de igualdade. é necessário verificar se as medidas escolhidas pelo Governo são constitucionais ou não.

é outra questão. tendo em vista que toda liberdade gera responsabilidade. o problema é dele. I. Apologia ao crime é diferente disso. ao mesmo tempo em que ela assegura a expressão do pensamento. Se ele quiser comprar de um amigo que vende mais caro. mas deveria estender aos homens e outros entenderam que deveria ser recepcionada. A partir do momento em que a pessoa diz o que pensa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É necessário lembrar sobre a autonomia da vontade. não teria sido recepcionado. alguns questionaram se esse dispositivo foi recepcionado pela Constituição.000 reais à associação de mulheres em razão da música “um tapinha não dói”. desde que seja para atenuar desníveis existentes. Se o sujeito será responsabilizado ou não. CPC – ação de alimentos. → Liberdade de Expressão ou de Manifestação do Pensamento: Essa liberdade está consagrada no art. de expressar o pensamento. Como pode ter o direito de manifestação de pensamento e ser responsabilizado por isso? A liberdade de expressão de pensamento se exaure no momento em que se realiza. Para alguns. Não é um direito absoluto. Ex: Quando o Poder Público vai comprar um produtor. mas apenas para as mulheres. cabe direito de resposta proporcional ao agravo. por que existe o serviço de denúncia? Para que a autoridade tome conhecimento daquele fato e faça a averiguação necessária. Ex: Lei Maria da Penha. ela é constitucional. Protege a mulher. ela veda o anonimato? A vedação do anonimato tem por finalidade permitir a responsabilização de quem emite o pensamento. sendo vedado o anonimato. É livre a manifestação de pensamento. As provas 114 . Se a finalidade da lei for para atenuar um desnível existente. O princípio da igualdade não se aplica com a mesma intensidade para os poderes públicos e para os particulares. Se a pessoa agiu de forma abusiva. O TJ/RS condenou a Furacão 2000 a pagar uma indenização de 500. Na época em que a Constituição da República entrou em vigor. Desde quando defender a descriminalização da maconha é apologia ao crime? São coisas totalmente diferentes. Isso significa que. Mas. para outros teria. Pode defender no plano das idéias. não deve ser estendida para os homens. Ex: art. Esse último entendimento foi o que prevaleceu. Se ela não pode ser admitida como prova no processo. O que a Constituição protege é a liberdade de manifestar. A mulher pode propor a ação no seu próprio domicílio. ela pressupõe responsabilidade. segundo o professor. desde que essas restrições não sejam autoritárias. Alguns juízes impediram dizendo que é apologia ao crime. que é uma das principais vítimas da violência doméstica. e violou direitos de terceiros. A CR/88 não consagra direitos para serem exercidos de forma arbitrária. deve ser analisado em conjunto com os demais valores postos na constituição. 5º. em regra. Ex: Passeata para legalização da maconha. discriminatórias. ela exerceu o seu direito. Logo. ela pode ser responsabilizada. a lei pode estabelecer distinções. Observe que o que está consagrado na Constituição não é a liberdade de pensamento. Isso pode ser admitido como prova no processo? A denúncia anônima não é admitida no processo. É uma denúncia feita anonimamente. O particular não é obrigado. ele deve licitar. IV. Logo em seguida. 100. Não existem direitos absolutos. Basta ser um critério objetivo e para todos. tem outro dispositivo que é interligado ao artigo supracitado: Se a manifestação de pensamento ocorrer de forma abusiva. Caso do STF: O cliente tinha sido condenado a indenizações por danos morais por ter expressado o seu pensamento. É constitucional? Sim. etc. a CR/88 fala que homens e mulheres são iguais nos termos desta Constituição. 5º. Um clube recreativo pode estabelecer restrições com relação aos sócios. O homem não é a parte mais frágil da relação. em princípio. só a Constituição da República poderia estabelecer distinções entre homens e mulheres. Por que a Constituição. Serviço de Disque-denúncia: Ligar para fazer denúncia sem se identificar. Direitos ligados à liberdade: Liberdade não é sinônimo de arbitrariedade. Questão de Concurso – Cespe: No art.

não é o caso do Estado brasileiro. Quando são produzidos pelo próprio acusado. o chefe do executivo ou do judiciário decida conforme critérios religiosos. Como fica a teoria dos frutos da árvore envenenada? Nesse caso. desde 1989 (advento da República). há um aspecto interessante: o culto pode ser exercido em templos ou em qualquer lugar. A neutralidade do Estado é muito importante para desarmar o potencial conflituoso de várias religiões. Deve usar de meios para saber de onde veio o bilhete. Para que os critérios religiosos sejam admitidos. ele não pode ser admitido. Ex: seqüestrador escreve bilhete. houve a total separação entre Estado e Igreja. de ter crença. e. Para Habermas. CR. deve ocorrer uma “tradução institucional”. a averiguação é autônoma em relação à denúncia. não podendo prejudicar nem beneficiar religiões. a averiguação não estaria contaminada pela denúncia anônima? Segundo o STF. Porém. 2. há 02 hipóteses em que o STF admite. ou de não ter crença em nada. A neutralidade do Estado tem 2 funções: 1. apesar de a maioria da população ser católica. abrangendo a liberdade de crença. No Brasil não há uma religião oficial. o exercício de um poder que não consegue justificar-se de modo imparcial é ilegítimo. 3. Assegurar a pluralidade religiosa (um dos fundamentos da República Federativa do Brasil). ainda 2.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I colhidas durante a averiguação serão admitidas. Laicidade (neutralidade religiosa): o exercício do poder deve ser neutro. não interessando de que maneira ela teve conhecimento do fato. A liberdade de consciência é a liberdade de ter uma religião. 5º. Ateísmo: o Estado brasileiro não é um estado ateu. passou a ser um estado não confessional ou estado laico ou estado secular. VI. A liberdade de culto nada mais é do que a manifestação da crença. Claro que a autoridade deve agir com prudência e parcimônia. inclusive em lugar aberto ao público. 2. desde que não viole o direito de terceiro. → Alguns temas polêmicos: 115 . com o advento da República. tanto que no preâmbulo há menção à palavra “Deus”. O Estado deve manter-se neutro. salvo se forem traduzidos para um argumento racionalmente justificável. pedindo resgate. Garantir a simetria da liberdade religiosa. I. o equilíbrio das religiões. Pode fazer um exame grafotécnico. O culto pode ser exercido em qualquer local. então. Isso significa que. A liberdade de consciência é a mais ampla. Vejamos: 1. Ex: uma carta no caso de crime contra a honra. O Estado brasileiro. Laicismo: é uma espécie de antirreligião. de crença e de culto. Isso não significa que o Estado não possa desenvolver convênios com determinada religião. O dever funcional da autoridade é investigar. A neutralidade do exercício do poder é uma condição necessária para a garantia simétrica da liberdade religiosa. se não há qualquer identificação. É relevante estabelecermos uma distinção entre os seguintes aspectos: 1. A neutralidade do Estado fica muito clara no art. → Liberdade Religiosa: Envolve a liberdade de consciência. CR. ela deve ser protegida. por exemplo. A religião desempenha um papel fundamental. O estado não pode nem beneficiar e nem prejudicar uma determinada religião. Os templos recebem uma proteção especial. Em relação ao culto. O ateísmo não deixa de ser uma concepção contrária à religião. Não se pode admitir que o parlamento. Quando o bilhete constitui o próprio corpo de delito do crime. 19. Esta liberdade está consagrada no art. os argumentos devem ser acessíveis de maneira geral. O argumento utilizado na esfera pública só é admissível se for imparcial. Bilhetes apócrifos (sem assinatura): Um bilhete sem identificação pode ser admitido como prova do processo? Em regra.

mas não quer que ele aprenda a religião da escola. inegavelmente. São feriados puramente religiosos. §1º.Símbolos religiosos em locais públicos (sobretudo o crucifixo): Seria legítima a colocação em locais públicos de símbolos religiosos. É importante respeitar o ensino de cada um. decidiu que o direito de liberdade religiosa dos mormos deve sopesar em relação à neutralidade do Estado alemão. em que um grupo de mormos (contrário à utilização de símbolos religiosos) ajuizou uma ação. sendo o Estado brasileiro um estado laico? Essa questão foi colocada perante o CNJ. Determinada família quer matricular o filho naquela escola. logo. b) Interconfessional: Ensina os princípios comuns das várias religiões. Entretanto. Será que uma escola privada poderia obrigar os alunos a fazer a matéria da religião? Se a escola é privada. §2º. a neutralidade do Poder Judiciário. O Conselho decidiu que os crucifixos são símbolos da cultura brasileira. Existem 3 formas de ensino religioso: a) Confessional: Ensina os princípios e dogmas de uma determinada religião. a escola não deve impor ao menino. O pedido foi feito para retirar os crucifixos dos Tribunais. Seria preciso haver uma tradução institucional do argumento. Conceito: É a possibilidade que a pessoa tem de alegar uma escusa para se eximir de determinada obrigação. ocorreu um caso muito semelhante. CR – os feriados estão dentro do capítulo relacionado à cultura. então. políticos e religiosos. e cultura é competência comum – da União. c) Não confessional: Não ensina os princípios comuns. Os feriados são de competência do Direito do trabalho. Não teria sentido acabar com esses feriados. Isso acaba criando um repúdio da pessoa contra aquela religião. Na Alemanha.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . que odeia guerra. existem outros feriados que não estão ligados às questões culturais. fazendo uma ponderação entre os princípios. Neste caso. no qual ele comenta a questão da liberdade religiosa. 5º. pedindo que fossem retirados os crucifixos das escolas públicas alemãs. mas apenas dá uma visão expositiva das várias religiões. alegar escusa de consciência para não servir o exército? Quando se diz que num estado neutro. e o aluno optou a se matricular nessa escola. O principal é que os estados não teriam competência para estabelecer feriados. O tribunal. a competência é da União. Para o prof. Os feriados estão relacionados aos aspectos culturais. VIII. Não são apenas os aspectos religiosos que recebem a proteção de escusa de consciência. Essa escusa abrange aspectos filosóficos. questionando o estabelecimento de feriados religiosos pelos estados. os argumentos religiosos não fazem parte da política. e quanto às escolas particulares? Existem muitas escolas particulares que são confessionais. Sendo o Estado brasileiro um estado laico.. Essas escolas não podem ser obrigadas a ensinar princípios de outras religiões. imagine uma cidade pequena. estados e municípios (☺art. e não à justiça do trabalho – ☺art. Segundo o prof. . o ensino deve ser interconfessional ou não confessional. Os EUA estão se transformando de estado secular tolerante para um estado religioso tolerante. Entretanto. o CNJ disse que os símbolos não violavam a imparcialidade. 210. ela só diz que o ensino religioso deve fazer parte do horário normal de aula e a matrícula deve ser facultativa (☺art. Pode um ateu.Ensino religioso: Os EUA estão seguindo uma tendência completamente contrária à Europa. A CR não diz qual é o conteúdo a ser adotado em ensino religioso em escolas públicas. CR). ele deve se submeter aos dogmas daquela religião. O trecho diz o seguinte: “não se deve considerar ilegal símbolos religiosos. não poderia ser confessional. . há algumas ações.. 23. Mas. onde se tem poucas escolas boas. Essa questão foi suscitada perante o Tribunal. Ela diz que a sociedade civil que deve discutir qual o conteúdo mais adequado. Portanto. O 116 . CR). O que não pode é um argumento puramente religioso entrar no debate da esfera pública. Esses feriados religiosos violam a neutralidade do Estado? Fere a simetria? Será que podemos considerar os feriados religiosos como feriados culturais? Existem feriados que. mas não se deve instalar tais símbolos em qualquer lugar público”. a competência é em relação à cultura. Há um trecho do livro do Dworkin. → Escusa de consciência: A escusa de consciência está consagrada no art. são culturais. CR. o argumento supracitado não está correto.Feriados religiosos: Seriam constitucionais? No STF. isso não significa que os políticos não possam discutir sobre isso. 215. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação não diz como será o ensino religioso.

2 aspectos para os quais devemos atentar: 117 . Um dos principais aspectos desse inciso é a questão da autorização estatal. desviar o trânsito. CR: Não é só a liberdade de se associar. O prof.) 2. XXI. Ex. Vejamos: 1ª Semelhança: Existe uma pluralidade de participantes. por sua vez. Diferença: A reunião tem um caráter episódico ou temporário. Não cumprindo com a obrigação. XVI. Por que a CR exige prévio aviso. 5º. essa hipótese é de representação processual. 2. A democracia é a vontade da maioria mais a proteção dos direitos fundamentais. 5º. pois coloca em risco a vida de outras pessoas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I argumento puramente religioso teria de ser traduzido para um argumento racionalmente justificado. 5º. (Não pode reunir pessoas armadas. A pessoa alega imperativo de consciência. Para que as pessoas possam se reunir. de cooperativas. o argumento deve ser racionalmente justificado. 15. CR. etc. Liberdade de reunião. → Liberdade de reunião e de associação: Questão de concurso da Magistratura/MG: Diferencie reunião de associação. A pessoa pode alegar escusa de consciência para utilizar entorpecentes em cultos religiosos? Sim. existem 2 semelhanças e 1 diferença. Fazer a manifestação em plena sexta-feira que feche as 3 pistas de trânsito. as pessoas se associam com o intuito de permanecer associadas. Nem sempre a vontade da maioria deve prevalecer. Criação de sindicatos. XVI. Segundo Jean Rivero. não são os religiosos. Há. XVII e XXI. 2ª Semelhança: Fim previamente determinado. Caso não cumpra com a prestação alternativa. IV). impedindo as pessoas de ir e vir não pode ser considerada legítima. mesmo que em locais abertos ao público. na forma da lei. tem o caráter permanente. Criação de associações e. se não é necessária a autorização estatal? Este prévio aviso tem 2 finalidades: 1. Para que a autoridade competente tome as providências necessárias. terminada a reunião. JAS diz que não são direitos coletivos. Isso seria hipótese de substituição processual ou de representação processual? Como se exige autorização expressa. 4. ☺art. as pessoas se reúnem e. deve cumprir uma prestação alternativa fixada em lei (que não tem cunho sancionatório). Aspectos constitucionais ligados à associação: ☺art. sofrerá a suspensão dos direitos políticos (que é uma sanção pelo descumprimento da lei). ☺ art. mas os políticos. Representação das associações no que se refere aos seus filiados. Criação de partidos políticos. Se não houver essa lei. elas vão embora. Quem fará a tradução não é a Igreja. OBS: Direitos Fundamentais que não dependem de autorização estatal: 1. Ex: reunião de condomínio. A associação. (não basta que as pessoas se reúnam sem ter um fim pré-determinado). CR. A pessoa tem liberdade para entrar e para sair. ainda. 5º. mas a de permanecer associado. 3. então. não é necessária a autorização estatal. Aspectos constitucionais ligados à liberdade de reunião: ☺art. CR: não frustrar outra reunião anteriormente marcada para o mesmo local. conforme portaria da ANVISA. mas direitos individuais de expressão coletiva. a pessoa poderá alegar escusa de consciência sem cumprir qualquer obrigação (art. alguns autores entendem que a reunião e a associação são direitos coletivos. A República é o governo das razões. Ex: fazer segurança. Deve haver uma lei fixando essa prestação alternativa.

tendo um menor peso na ponderação. segundo o prof. A Constituição não fala nada a respeito de autorização expressa. Ela só garante o direito de propriedade. não são legítimas essas invasões. defendendo direito alheio. Só pode representar se houver autorização expressa. como a Constituição garante o direito de propriedade. Em razão do princípio da Unicidade Sindical. LXX. O sindicato (☺art. em seu art. o direito de propriedade pertence ao direito público. Se ele tem proteção. a função social. porque todo o regime jurídico da propriedade tem sede constitucional. Mas o CC também não trata de várias normas relativas à propriedade? Segundo JAS. do próprio regime desse direito. Regime jurídico do direito de propriedade: ele pertence a qual regime jurídico? Ao direito público ou ao direito privado? Ainda que autores sustentem que não existe mais essa divisão devido à constitucionalização do direito. por exemplo. Esta não precisa ser dada individualmente por cada pessoa. ilegítimas. não precisando de autorização expressa.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 1. não pode existir mais de uma federação por território. a função social da propriedade não é uma simples limitação do direito de propriedade. Segundo o STF. ADC e ADPF? Apenas a Confederação Sindical (de âmbito nacional). Direito de propriedade: Não se confunde com o direito à propriedade. segundo o prof. essa hipótese é de substituição processual (legitimação extraordinária). garante o direito de propriedade. Função Social da propriedade: A CR. mas sim contrárias ao direito e. É o entendimento de Daniel Sarmento. a Constituição diz que a propriedade deve atender a sua função social. Se uma associação resolver impetrar um MS Coletivo. A interpretação feita pelo professor JAS é no sentido de que o direito de propriedade só será garantido se atender a sua função social. mas não pode ajuizar ADI. no seu art. 8º. CR: existe a possibilidade das associações impetrarem um Mandado de Segurança Coletivo. Ex: imagine que alguém tenha uma propriedade rural que não cumpra a sua função social e essa propriedade é invadida. o entendimento que a CESPE adotou foi o do professor JAS. é mais correto. Segundo o STF. portanto. Segundo o STF. Alguns autores fazem essa distinção: o direito de propriedade é o direito de manter a propriedade que já possui. XXIII. 5º. ADC e ADPF. ela tem legitimidade para ajuizar ADI. o que o CC disciplina não é o direito de propriedade. ☺art. 5º. CR) quando ajuíza uma ação. A associação só pode representar os seus filiados (judicial e extrajudicialmente) se for questão relacionada aos fins da própria entidade. mas faz parte da estrutura desse direito. não se pode dizer que não se terá propriedade se não cumprir a função social. 118 . pode ser dada numa Assembléia Geral. 2. se não for atendida. a hipótese é de substituição processual (hipótese de legitimação extraordinária). mas as relações civis que decorrem do direito de propriedade.. Segundo ele. Ex: Invasões de terra pelo MST. O direito à propriedade é o direito de a pessoa ter uma propriedade. Essa hipótese também é de representação processual? Com relação à organização sindical. XXII. não impede que o direito de propriedade seja protegido. a propriedade terá uma proteção menor. será necessário interpretar em conjunto o inciso LXX com o inciso XXI? Segundo o STF. a hipótese é de representação ou de substituição processual? Ao sindicato cabe a defesa de direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria. A Constituição não garante o direito à propriedade. Há um outro entendimento que. O Sindicato pode impetrar MS coletivo. Segundo JAS. III. Em seguida. ter um patrimônio mínimo. segundo o qual. A associação impetra em nome próprio. O que acontece é que se não cumprir a função social. O proprietário pode utilizar dos instrumentos de proteção da propriedade? Sim. 5º. ninguém pode retirar arbitrariamente essa propriedade se não houver o devido processo legal.

uma escola pública. A Constituição da República prevê 03 hipóteses de desapropriação. CR. na desapropriação. 139. CR. É um aspecto lógico. Lá estão os requisitos para a propriedade atender à sua função social. que deve ser prévia. Os principais aspectos são 2. ele não poderá ser prejudicado. como um apartamento. deverá ser em dinheiro. Sempre haverá indenização. ocorrendo apenas o uso temporário da propriedade. ou por interesse social. a propriedade deve atender às exigências do Plano Diretor. ela acaba restringindo uma característica da propriedade. o proprietário não tem culpa. Ocorre quando o imóvel não é utilizado. É necessário apurar o valor do dano para depois indenizar. Logo. Para atender a função social. Ela faz parte do regime do direito de propriedade. por ser inerente ao direito de propriedade. Vejamos: a) ☺art. a saber: a. a indenização será sempre posterior. §4º. Não pode haver nenhuma desapropriação que não seja justa e nem prévia. Desapropriação: Diferentemente da requisição. 186. A função social da propriedade não é um limite ao direito de propriedade. A desapropriação de imóvel rural que não cumpre a sua função social poderá ser desapropriado para fins de reforma agrária. A requisição limita o caráter exclusivo do direito de propriedade. Apesar de ela não ser o limite ao direito de propriedade. Sempre que há requisição. deve haver indenização? Não. O primeiro limite é a possibilidade de Requisição. 182. O grau de exigência desses requisitos deve ser regulamentado por lei. Quando o imóvel é desapropriado por interesse social. só haverá indenização se houver dano. é porque o proprietário não está cumprindo com determinados requisitos. VII). b) ☺ art. §2º. como decorrência do primeiro. b. → Limites ao caráter vitalício ou perpétuo da propriedade: 1. Vejamos abaixo. III: Trata-se da hipótese de desapropriação sanção de imóvel urbano. 182. Esse plano diretor é obrigatório para municípios com mais de 20. existe outra característica da propriedade que pode ser limitada. CF/88: Trata-se de imóvel rural. em regra. há uma transferência compulsória da propriedade. 184. Existem 2 espécies de requisições previstas na Constituição: as civis (☺art.000 habitantes (§1°). Como haverá indenização se houver dano. Além do caráter absoluto. Ex: caso de Eloá. IPTU progressivo no tempo. → Limites ao Direito de propriedade: Tais limites incidem não sobre os caracteres. diante de uma emergência. No caso de requisição. normalmente. etc. XXV) e as militares (☺art. 5º. restringe o caráter absoluto. Ele pode transferir para si próprio ou para um determinado particular. Propriedade Urbana: ☺art.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Função Social: 1. indenização por títulos da dívida pública). A propriedade é usada temporariamente pelo Poder Público. mas sobre a propriedade em si. O título deve ser entregue antes da desapropriação. que são hipóteses que ocorre a desapropriação sanção. A função social. Observe que quando o imóvel é desapropriado por necessidade ou utilidade pública. Pode haver uma sanção progressiva (parcelamento e edificação compulsórios. existe transferência de propriedade? Não há transferência de propriedade. O Poder Público transfere a propriedade de forma compulsória. justa e. Essa indenização é feita em títulos da dívida agrária. é subutilizado ou não edificado (não cumpre a função social). 2. por utilidade pública. Na requisição. exclusivo ou vitalício? O caráter absoluto. Há alguns aspectos relacionados à política urbana e à política agrícola que são importantes: 119 . A propriedade de hoje não tem caráter absoluto. a saber: por necessidade pública. A polícia requisitou determinadas propriedades. Propriedade Rural: ☺art. Quais são as exceções à regra da indenização em dinheiro? A Constituição prevê 2 exceções.

Essa usucapião tem período menor do que o previsto no CC. os bens serão confiscados – art. precisa recorrer ao judiciário). CR). Aquisição da propriedade (transferência compulsória da propriedade). . Ocorre somente por acordo ou por decisão É auto-executória (a autoridade não judicial (deve-se recorrer ao judiciário). Direito de segurança jurídica: Alguns entendem que o Princípio da Segurança Jurídica está no caput do art. Só que. no máximo. PU. O confisco de propriedade está previsto no art. parágrafo único. A Constituição não permite – ☺art. emergências da sociedade. sem oposição.Operações de desapropriação de imóveis para fins de reforma agrária são imunes a impostos ou a tributos? Já caiu na prova da CESPE. 120 . é porque ela está cumprindo a sua função social. Obs. o imóvel deve ter.Pequena e média propriedade rural (se o proprietário não tiver outra propriedade) ou propriedade produtiva podem ser desapropriadas? Sim. É uma expropriação): a) Gleba de terra utilizada para cultivo de plantas psicotrópicas (a terra será destinada a plantas medicamentosas ou assentamento de colonos). 50 hectares. não podem ser adquiridos por usucapião. Na CR.). CR). §3° e art. 2. 184. Requisição Refere-se a bens e serviços. Usucapião: Na Constituição da República. 191. Tem 02 situações nas quais se admite o confisco de propriedade (confisco: retirar a propriedade do proprietário sem qualquer indenização. É sempre indenizável (justa. 183. Elas podem ser desapropriadas por necessidade ou utilidades públicas (☺art. não precária. admite-se confisco de propriedade? Sim (o que não se confunde com a regra que não pode haver tributo com efeito de confisco). Se ele tiver outro imóvel. Confisco: No Brasil. paga em dinheiro). 5º. por ter prazo menor. Vejamos: .: Imóveis públicos. §5º. 250 m2. possuir o imóvel como se fosse seu. em Indenização posterior se houver dano. não há pagamento de indenização. b) Pessoa que adquire bens para tráfico de drogas. Nesse caso. 3.o morador não pode ter outro imóvel. Necessidades transitórias. no máximo. . a propriedade não pode estar cumprindo a função social.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . sejam urbanos ou rurais. prévia e. tem usucapião especial que é a chamada usucapião constitucional. a hipótese prevista para usucapião é de 05 anos. ininterrupta. seja urbano ou rural. 243.CABM faz algumas distinções entre desapropriação e requisição: Desapropriação Refere-se a bens. 243 da CR. Como o confisco é uma sanção. Para esse fim. Necessidades permanentes da sociedade. CF/88.Requisitos específicos: • Usucapião Urbana: O imóvel deve possuir.Deve utilizar o imóvel como se fosse sua moradia (sua ou de sua família). • Usucapião Rural: Além de ter que tornar a propriedade produtiva. regra. . etc. O Princípio do Não Confisco é com relação a tributos. . ele não pode adquirir através dessa espécie de usucapião. São imunes a impostos (☺art. Se ela é produtiva. 185. Uso da propriedade (a propriedade permanece com o seu titular). Só não podem ser para fins de reforma agrária. a Constituição exige alguns requisitos além dos tradicionais (posse mansa. pacífica.

Durante a vigência desse contrato. a CR/88 entrou em vigor.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I → Garantias individuais: a garantia é o meio criado pela Constituição para proteger determinado direito especial. → Direito Adquirido: A principal questão envolvendo direito adquirido é se existe direito adquirido em face da Constituição da República. Esse contrato está produzindo os seus efeitos. Vejamos: Imagine que um determinado contrato foi celebrado em 1980. Todas as demais o consagraram. é uma conjugação das duas anteriores. O legislador está apenas esclarecendo o sentido da lei. É mínima porque atinge os efeitos futuros de ato praticado 121 . começando a valer desde o momento em que a lei interpretada entrou em vigor. a saber: 1. é necessário diferenciar duas situações. 5º. ato jurídico perfeito e coisa julgada. Consagração desse princípio nas Constituições brasileiras: Só teve uma constituição que não consagrou esse princípio – a Constituição Polaca de 1937 (era quase uma cópia da Constituição Polonesa. desde que seja mais benéfica para o réu. Em regra. a regra também é a não retroatividade (art. b) Retroatividade benigna. As hipóteses mais importantes são: 1. → Princípio da não retroatividade das leis: É uma garantia que consagra a segurança jurídica. Essa lei interpretativa pode afetar uma decisão judicial transitada em julgado? Nesse caso. Questão de concurso: Onde estaria consagrada a segurança jurídica na CR/88? No caput do art. CTN): a) Retroatividade interpretativa: é a primeira hipótese. 2. Existem hipóteses em que a lei pode retroagir. a lei interpretativa retroage. Em matéria tributária há duas hipóteses de retroatividade (☺art. 106. não. Em resumo. não era muito democrática). CR). Seria correspondente à primeira hipótese. Alguns a interpretavam de maneira (A). Esta hipótese é. A garantia existe para a proteção desse direito. Obs: Imagine que antes de o legislador fazer a lei interpretativa. na verdade. XL. no caso de normas tributárias que fixem infrações ou penalidades. Situações: a) Retroatividade mínima: por ela a Constituição se aplica imediatamente aos efeitos futuros desses atos praticados no passado. O poder constituinte originário tem algumas características (originário. A lei interpretativa retroage. mas que vale especificamente para o direito tributário. 3. Este princípio consagra a proteção da clássica trilogia – direito adquirido. 5º e no art. a lei não deve atingir os fatos ocorridos anteriormente. XXXVI. outros a interpretavam de maneira (B). Ocorre somente em caso não definitivamente julgado. não há que se falar em direito adquirido em face de uma nova constituição. média e mínima. só que exclusiva para o direito tributário. mas deve respeitar a coisa julgada. No caso de nova Constituição: Há direito adquirido em face de uma nova Constituição? O Poder Constituinte Originário está limitado juridicamente? Segundo o entendimento pacífico do STF (que não adota a tese do retrocesso). O legislador resolve fazer uma nova lei – lei interpretativa. inicial. 5º. interpretando a lei da maneira (A). tenha ocorrido uma decisão judicial transitada em julgada. Para responder a essa questão. No direito penal. Leis Interpretativas: O legislador fez uma determina lei que não ficou muito clara.) O STF faz uma distinção entre retroatividade máxima. autônomo. Retroatividade da Lei Penal. Não adiantaria a Constituição consagrar um direito se não criar mecanismos para proteger esse direito. etc.

Não há direito adquirido a regime jurídico nem ao estatuto da moeda. 473. ☺Súm. Havendo mudança de regime jurídico. É o ato que está apto a produzir os efeitos. Antes de a prestação ser paga. haverá uma retroatividade máxima. portanto. Se a Constituição da República atingir essas prestações vencidas e já pagas. . Nenhum ato normativo pode prejudicar direito adquirido. No caso de Emenda Constitucional: na jurisprudência do STF não há entendimento pacífico. haverá uma retroatividade média. em regra. será necessário que a Constituição diga expressamente. ela afeta a todos. e não o ato exaurido. e não lei em sentido restrito. automaticamente. Só que para haver essa retroatividade. dirige-se apenas ao legislador ordinário. → Ato jurídico perfeito: É o ato consumado. inclusive as de ordem pública. coisa julgada e ato jurídico perfeito. nem o legislador ordinário nem o legislador constituinte (que faz a emenda) poderiam violar o direito adquirido. de acordo com a legislação da época.A irredutibilidade de vencimentos é uma modalidade qualificada de direitos adquiridos. já que a CR não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. mas as leis não. Regime jurídico de servidores públicos civis da União – Lei 8112/90. c) Retroatividade máxima: pode ocorrer. O prof. no caso de retroatividade mínima. Não pode haver a redução. O simples fato de a Constituição da República ser promulgada já basta para ela atingir a retroatividade mínima. STF. e não as parcelas que compõem o vencimento. já que a Constituição não precisa respeitar nenhuma norma jurídica anterior. Leis de ordem pública podem violar ato jurídico perfeito? Havia discussão. será necessário que a Constituição da República diga expressamente. A jurisprudência do STF anterior à CR/88 entendia que a Emenda poderia. Só que para haver essa retroatividade. Imagine que exista um contrato que foi celebrado com juros de 24% ao ano. o estatuto da moeda se aplica aos contratos vigentes. Não existe direito adquirido em relação a esse regime. XXXVI) é lei em sentido estrito e. Nesse caso. acha que o entendimento mais adequado é de que lei deve ser interpretada em sentido amplo.1ª Corrente: entende que a lei prevista no dispositivo (☺art. até mesmo. a Constituição da República entrou em vigor. e a prestação venceu no dia 03 de setembro de 1988. As parcelas podem ser reduzidas e. Após a Constituição de 1988. extintas. b) Retroatividade média: pode ocorrer. . teria direito de receber de volta o que se pagou a mais. Ex: prestações vencidas e ainda não pagas. Entendimento do STF: O ato jurídico perfeito é oponível a todas as espécies de lei. É claro que isso não é desejável. A Constituição da República estabelece que os juros serão de 12 % ao ano.: a CR entrou em vigor no dia 05 de outubro de 1988. Essa prestação foi vencida e foi paga em 1981. Se mudar o real. Somente as parcelas futuras seriam atingidas.2ª Corrente: Sustenta que nem a EC não poderia prejudicar direito adquirido. Quando se fala em irredutibilidade de vencimento significa o valor total da remuneração. Na retroatividade máxima.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I no passado. A EC poderia prejudicar direito adquirido. . Se a Constituição atingir essa prestação. 654 e Súm. . através de norma de eficácia plena. Essa retroatividade mínima é um efeito automático que toda a Constituição produz. porque geraria uma insegurança jurídica. 2. 5º. interpreta a lei em sentido amplo. não há posição prevalecente. É claro que isso não é desejável. → Coisa julgada: 122 . porque geraria uma insegurança jurídica. Ex: Determinada prestação. Ex. mas isso está superado. já que essa vedação não é dirigida ao Poder Reformador. Portanto.

PE ou PJ? Se a concretização deve ser feita de acordo com a vontade da maioria. já que interpretações divergentes enfraquecem essa força normativa. para dar decisões concretizando tais direitos. exigem uma atuação positiva do Estado. Qual é o princípio que fundamenta a relativização da coisa julgada? O princípio da força normativa. §1º. Eficácia: todo direito tem um custo. e pelo Min. que ordena que algo seja cumprido na medida exata do 123 . e isso para muitos é um ponto negativo. Os direitos sociais têm eficácia menor que os demais direitos? Os direitos sociais são prestacionais. Os direitos ligados à liberdade são direitos de defesa e têm caráter negativo.: salário mínimo). Por isso. à medida que a sociedade o determine. §1º.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I É tanto a coisa julgada formal quanto a material. Em cada época. CR deve ser interpretado como um princípio e não como uma regra. Mas isso não é verdade. independentemente de qualquer fator. pois são mais facilmente implementados. o que significa que possuem um caráter positivo. eles o são porque ainda poderão ser consagrados.. segundo Robert Alexy. existem inúmeros dispositivos que ainda precisarão ser concretizados (ex. 5º. . §1º como sendo um princípio e não como uma regra (regra é um mandamento de definição. ambos eleitos pelo povo de forma democrática. Quem deve ser o principal responsável pela concretização dos direitos sociais: PL. ou seja. em sua maioria. Há uma grande controvérsia sobre como interpretar esse dispositivo. Isso não quer dizer que o PJ esteja impedido de concretizar tais direitos. Assim. como doutrinador. 7º. A administrativa não tem essa proteção. Esse posicionamento é adotado por um doutrinador da BA. Os princípios. quais são os direitos fundamentais que devem ser atendidos prioritariamente. nós deveríamos interpretar o art. a serem analisados: a) todos os direitos fundamentais (incluindo-se ai os direitos sociais) devem ter essa aplicação imediata. são mandados de otimização. Finalidade: os direitos sociais são direitos de 2ª geração e estão relacionados à igualdade material. 5º. O custo dos direitos sociais é especialmente oneroso. . esses dispositivos já nos mostram a dificuldade de se aplicar imediatamente os direitos e garantias fundamentais. b) o art. os direitos de defesa têm uma carga de eficácia e efetividade muito maior que os direitos sociais. como teórico do direito (ou seja. Eros Grau. CR: Os direitos e garantias fundamentais possuem uma aplicação imediata. independentemente da sua natureza. Os direitos de defesa são. a prioridade deve ser definida pelo PL e pelo PE. são NEL (de princípio programático). 2. Direitos Sociais: 1. 5º. do seu enunciado. consagrados em NEP ou NEC. Dirley Jr. No art.☺art. existem dois posicionamentos importantes sobre a matéria da aplicabilidade imediata. a maioria decidirá quais os direitos serão concretizados primeiro. mas é preciso saber até onde ele teria legitimidade para atuar na prestação dos direitos sociais. O STF tem admitido a relativização da coisa julgada. ela permite a concretização posterior dos direitos sociais de acordo com a vontade da maioria. e não propriamente como ministro). Já os direitos sociais.“Textura aberta”: O primeiro aspecto importante a ser analisado sobre estes direitos é a sua textura aberta – as constituições democráticas. em regra. de sociedades pluralistas. Em razão da natureza e do enunciado de alguns direitos sociais. Ou seja. mas é apenas a coisa julgada judicial. geralmente consagram seus direitos em textura aberta. por ex. Muitos direitos sociais são consagrados na Constituição em NEL programáticas. Têm por finalidade proteger os hipossuficientes e mais fragilizados.

que estamos buscando. implicitamente. assim. legítimas (saúde. Quando se fala em direitos sociais. por ex. Pedro Taques). o PJ já decidiu que algumas pessoas poderiam passar na frente de outras na fila de espera de tratamentos. mas para que os direitos sociais sejam protegidos é necessário que seja feita uma avaliação multilateral. O STF tem feito audiências públicas para definir os critérios utilizados para a prestação do judiciário no tocante às questões ligadas à saúde. Nessa fase houve uma intervenção muito grande do PJ. etc. as normas possuem uma textura aberta. mas será que o PJ é o mais adequado para estabelecer essas prioridades (mais do que o PL e o PE)? No RN. atendendo em primeiro lugar as demandas prioritárias. só porque recorreram ao PJ. A partir daí surge uma dúvida: será que o PJ é a instância mais apropriada para proteger os direitos sociais? Não há dúvida de que esses direitos devem ser protegidos e buscados. Assim. Por isso. em tese. já que o PJ passa a intervir obrigando gastos por parte do Estado. para evitar que os mais excluídos sejam ainda mais excluídos. Esse posicionamento é seguido por Ingo Sarlet.Esta intervenção do judiciário seria uma intervenção antidemocrática e causaria uma violação ao princípio da separação dos poderes. Esse entendimento já foi superado. por ex.). lazer. Argumentos contrários à intervenção judicial: . ninguém tem direito de exigir do estado uma prestação baseada em uma norma de eficácia limitada. Essa textura aberta tem por finalidade permitir a concretização desses direitos de acordo com a vontade da maioria em cada momento. A concretização dos direitos sociais não deve ser feita pelo 124 . O que se procurará então é estabelecer quais os critérios racionais para a intervenção do PJ. por ser norma programática. previdência. Primeiramente. essa atuação talvez não seja tão justa. Há dezenas de decisões em que o PJ obriga o Estado a fornecer prestações de direitos sociais (como no caso de medicamentos.Possibilidade de intervenção do Poder Judiciário: É bom dividir essa intervenção do PJ em 3 fases. o PJ obrigou o Estado a liberar mais de R$ 2. uma decisão desalocativa de recursos – o Estado tem um determinado orçamento e neste orçamento ele tem que atender uma série de demandas.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I que ele prescreve). As pessoas não poderiam exigir do Estado a prestação de uma norma social que estivesse consubstanciada em norma programática.Eficácia apenas negativa de alguns direitos sociais. pois. educação. causando uma desigualdade ainda maior do que a já existente. O que se busca. Obs. para que ela não favoreça apenas algumas pessoas.). trabalho. é um equilíbrio entre a falta de efetividade dos direitos sociais e atuação exacerbada do PJ. As NEL têm apenas uma eficácia negativa. Em outros lugares. A visão do juiz é bilateral. Esse entendimento começou a ocorrer depois da CR/88. todas. O PJ passou a ter um papel tão atuante na implementação desses direitos que se passou a falar em uma judicialização das relações políticas e sociais. não geram direitos subjetivos.. quando foi dado um maior papel ao PJ. . muitas vezes o Estado tem que fazer “escolhas trágicas”.000. Ocorre que no Brasil nem todos têm real acesso ao PJ. 3ª fase: é a fase desejável. Como têm apenas eficácia negativa. é importante definir tais critérios. E esse foi o entendimento adotado pelo Cespe. rodovias.000. conhecida por “Judicialização das relações políticas e sociais” (☺Caderno do prof. para se ter uma maior clareza sobre o assunto: 1ª fase: impossibilidade de intervenção: ausência de normatividade dos direitos sociais consagrados em normas programáticas. pois.00 só com remédios que não estavam na lista do governo estadual. Esse posicionamento deu nova dimensão ao orçamento. Norma de direito social não gera direito subjetivo. segurança. que passaram a ser levadas com grande freqüência ao PJ. O problema é que intervenção atuante do poder judiciário ainda ocorre sem o estabelecimento de critérios. doutrinador do RS. é importante se ter em mente que toda decisão ampliativa de recursos é também. Portanto. . normatividade. 2ª fase: é a que nos encontramos hoje. Esses direitos sociais não teriam.

Os direitos sociais estão consagrados em normas. II) possibilidade jurídica: é a existência de orçamento (e não de recursos do Estado) para atender aquela demanda (Princípio da legalidade orçamentária). Esses argumentos são os que devem prosperar. Assim. pois. Quando o poder judiciário aplica diretamente um direito social. se o recurso ficará comprometido em relação a outras demandas e se aquela demanda específica tem prioridade sobre as demais. porque é um conceito criado para países de primeiro mundo e. estaria apenas aplicando a constituição (estaria exercendo sua função típica). a democracia tem também um aspecto substancial – todos. e é muito utilizada no Brasil. entra-se muito nas questões ideológicas. em razão do Princípio da Igualdade. deve ser analisada a possibilidade de universalização daquela prestação – como solução apontada para essa questão. Ademais.Caráter normativo da constituição. III) proporcionalidade da prestação e razoabilidade da exigência: ☺decisão da ADPF 45 – o Min. por isso. mas também a fruição de direitos fundamentais básicos por todos os indivíduos (o conceito não envolve apenas um aspecto formal. eles acabariam sendo inviabilizados. em 1972. O ativismo judicial é fruto da omissão do legislador. porque nelas o direito será garantido não apenas a um indivíduo. já que o Estado não tem como fornecer todos os direitos a todos na sua plenitude. e análise das competências federativas – é preciso analisar a lei da autorização orçamentária e de quem é a competência para atender aquela demanda. são o PL e o PE que teriam legitimidade democrática para isso. teríamos a maior utilização das ações coletivas. . A dinâmica do jogo da separação dos poderes varia conforme as ondas de opinião pública.“Reserva do possível”: Essa expressão surgiu na Alemanha. Andreas Krell diz que esse conceito não poderia ser transposto ao Brasil.A democracia não é apenas vontade da maioria.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I PJ porque ele não foi eleito para isso. o outro cresce. quem deve provar que não tem como atender aquela demanda em razão da reserva do possível é o Estado (o ônus da prova é do Estado). Quem deve alegar a reserva do possível? É uma matéria de defesa do Estado. De se ver que quando se fala em direitos sociais. O poder judiciário tem sido valorizado pela opinião pública. eleições periódicas. saber se a demanda é razoável. a reserva do possível teria até maior sentido do que lá. deve ter acesso aos direitos fundamentais básicos). A reserva do possível. ou seja. segundo Ingo Sarlet. ao invés de garantir que os direitos sejam fruídos na prática. Argumentos favoráveis à intervenção judicial: . Não é o entendimento que prevalece. Celso de Mello analisa a razoabilidade de se exigir do Estado o cumprimento de uma determinada prestação. Se um poder se encolhe. deve ser analisada em 3 dimensões: I) possibilidade fática: é a existência de recursos para o atendimento das prestações exigidas do Estado. são os entes federativos que devem invocá-la como matéria de defesa. . Ninguém é contrário a que os mais necessitados tenham acesso aos direitos. não adianta simplesmente dizer que como o direito está na Constituição ele tem que ser implementado. Ela surgiu por uma decisão do Tribunal Constitucional Federal Alemão. A expressão significa que cabe ao legislador decidir se será ou não possível a efetivação de determinados direitos. no que diz respeito aos direitos sociais. mas a todos que se encontrem na mesma situação. É preciso. . tendo em vista os recursos do Estado e a existência de outras demandas também consagradas pela Constituição. Já Daniel Sarmento entende exatamente o contrário. Esse argumento serve para rebater o argumento desfavorável de que a intervenção do judiciário viola o princípio da separação dos poderes. inclusive a minoria. sufrágio universal. ele diz que como aqui nossas dificuldades orçamentárias são maiores do que na Alemanha.Déficit democrático das instituições representativas. 125 . não se encaixaria na realidade brasileira. Se não se estabelecer os critérios. Mas. em razão das limitações orçamentárias existentes.

por isso o ente tem que especificar em sua prova que o orçamento é x. que a demanda custa y. Ingo Sarlet: o mínimo existencial não se sujeita à reserva do possível. Quanto mais se amplia a consagração desses direitos. A reserva do possível não pode ser simplesmente alegada. Depois esse mínimo existencial passou a ser utilizado pelo Tribunal Constitucional Federal. Segundo Ricardo Lobo Torres. Ou seja. maior o risco de não ter efetividade. O mínimo existencial pode ser extraído do princípio da dignidade da pessoa humana. Existem dois entendimentos importantes sobre o mínimo existencial e sua relação com a reserva do possível: I) é o entendimento do prof. precisam ser concretizados. em 1953. é o entendimento mais adequado. A efetividade passa pela sociedade. O mínimo existencial deve ser meta prioritária no orçamento. Não é possível garantir a mesma efetividade a todos os direitos. quando se fala em moradia é o direito que se tem de poder passar a noite pelo menos em um abrigo. Mas não podemos entender o direito à moradia como o direito de receber uma casa do Estado. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I Aí está um dos maiores problemas: a alegação genérica do Estado não serve para nada. Celso de Mello diz que “a reserva do possível só deve ser admitida quando da existência de justo motivo objetivamente aferível”. 2. Por que falamos em “mínimo”. saúde. mas deve também ser provada. II) é o entendimento de Daniel Sarmento: o mínimo existencial não seria absoluto. O mínimo de existência nada mais é do que um subgrupo menor dentro dos direitos sociais. Parte da doutrina sustenta que quando o direito social é concretizado.. mas teria um peso maior na ponderação. o mínimo existencial compreenderia: educação fundamental. Se não definir o conteúdo. o PJ não tem condições de medir se a alegação do Estado é verdadeira ou não. é o mínimo existencial. essa concretização. Não é o máximo desejado. e acesso à justiça (instrumento que assegura a proteção aos demais direitos). assistência em caso de necessidade. Outros autores já falam apenas em saúde. depende de cada época e de cada sociedade. em razão de sua textura aberta. nem toda demanda que faça parte do mínimo existencial deve ser atendida pelo Estado.Vedação do retrocesso social: Os direitos sociais. etc. Não basta invocar genericamente a reserva do possível. que existem z pessoas na mesma situação. . em relação a esse mínimo o Estado não pode alegar a reserva do possível. educação e moradia. provar de forma clara qual o valor total a ser gasto nessa demanda e quais são os direitos que ele deixará de atender para atender a este. Assim. Segundo Ana Paula de Barcellos. é necessário demonstrar a ocorrência de justo motivo objetivamente aferível. A reserva do possível é uma matéria de direito público. essa expressão foi trazida por Ricardo Lobo Torres. Existem 02 posicionamentos a respeito do mínimo existencial. da liberdade material e do princípio do estado social.“Mínimo existencial”: Também surgiu na Alemanha. que passou a incorporá-lo em sua jurisprudência. Outros autores (como Ana Paula de Barcellos) procuram estabelecer alguns direitos componentes desse mínimo existencial. mas certamente o peso dessas demandas são muito maiores do que os das demais. No Brasil. O mínimo existencial é o conjunto de bens e utilidades indispensáveis a uma vida digna. e não “máximo”? Existe um paradoxo com relação aos direitos sociais. pelo cumprimento voluntário da constituição. Não existe um conteúdo definido para o mínimo existencial. a questão da efetividade será prejudicada. É uma expressão que surgiu no Tribunal Federal Administrativo Alemão. Vejamos: 1. por ser necessária para a 126 . que é a corte suprema na Alemanha. quando se estabelece o mínimo existencial. Segundo o prof.

haver uma redução do grau de concretização. A vedação de retrocesso incide apenas sobre direitos sobre os quais haja um consenso profundo. entre eles: laços culturais. porque o orçamento não permitiria mais um acréscimo nos demais direitos. JAS. da máxima efetividade (art. §1º. Mas a nacionalidade está relacionada ao conceito de povo e não de nação. que significaria que o Estado não poderia voltar atrás no grau de concretização dos direitos sociais – ou seja. Ex.: se a legislação mudar o prazo da licença maternidade para um prazo maior. José Carlos Vieira de Andrade: ele entende que se impedirmos a redução do grau de concretização dos direitos. haveria um engessamento do legislador e do PE. um pensamento mais flexível sobre o tema. e do Estado Democrático e Social de Direito. Por isso. o grau de concretização dos direitos sociais não poderia ser objeto de um retrocesso. passaria então a ter status de norma materialmente constitucional. O nível de concretização não pode ser atingido pelo retrocesso. Os poderes públicos. Segundo ele. não poderia haver qualquer redução no grau de concretização atingido por um direito social. já dizia algo muito semelhante. A vedação ao retrocesso está relacionada a essa concretização desses direitos sociais. 127 . 5º. O conceito de nação abrange uma série de questões que não estão ligadas ao conceito de povo. pois. estatístico. fala-se em vedação do retrocesso social. segundo ele. (25/06/09) Direitos da Nacionalidade: Conceito: a nacionalidade é um vínculo jurídico-político que liga o indivíduo ao estado fazendo dele um componente do povo. A proibição de retrocesso serve como limite ao poder constituinte originário (não pode retroceder nos direitos fundamentais conquistados por uma sociedade). o que prejudicaria a sociedade. CR). independentemente da nacionalidade. da dignidade da pessoa humana. Destes vários princípios é que se poderia derivar o Princípio da vedação ao retrocesso. O povo brasileiro são os brasileiros natos e naturalizados. Todos que moram no Brasil. um mais rígido e outro mais flexível: 1) posicionamento de um autor italiano. se houver mudanças deve ser uma mudança para melhor. irão concretizar os direitos sociais. Ele tem. não pode haver uma redução dessa concretização.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I definição do próprio conteúdo do direito. consciência coletiva. 2) posicionamento de um autor português. caso mudem as prioridades e não haja aumento do orçamento do Estado. históricos. assim. e. Essa vedação é abstraída dos princípios da segurança jurídica. passaria a fazer parte do próprio direito social. A partir do momento que um direito social é concretizado. o que não pode haver é essa redução de forma arbitrária ou irrazoável. em seu livro escrito na década de 60 – a aplicabilidade das normas jurídicas. fazendo parte do conteúdo do próprio direito. a vedação de retrocesso impede a revogação de uma norma concretizadora de um direito social apenas quando for arbitrária ou existir uma irrazoabilidade manifesta. língua. População está relacionada ao conceito demográfico. Pode. ao estudar as normas de princípios programáticos. só ampliado. esse prazo não pode mais ser reduzido. fazem parte da população brasileira. de acordo com a necessidade. A palavra nacionalidade deriva de “natio”. costumes. O retrocesso social não se confunde com retroatividade de direitos. que significa nação. Há dois posicionamentos quanto ao tema. Gustavo Zagrebelsky: ele tem um posicionamento mais rígido quanto à vedação.

De acordo com o critério sanguíneo. I) Naturalização tácita ou grande naturalização: a pessoa não precisa se manifestar expressamente para adquirir a nacionalidade do país. em razão da expressão “salvo os casos previstos nesta Constituição”. o pai ou a mãe tem que estar a serviço do Brasil (refere-se a qualquer serviço público). considera a nacionalidade dos pais. 12. 12. §1°) Somente portugueses podem se enquadrar nesse caso. 2) Secundária ou adquirida: está ligada a um ato de vontade (adquire com um ato de vontade). b) Extraordinária ou quinzenária: hipótese em que a própria CF/88 estabelece os requisitos. Refere-se aos brasileiros naturalizados. há direito público subjetivo do estrangeiro. 12. Há alguns critérios para se atribuir a nacionalidade: I) Jus Soli: local de nascimento. não haver condenação penal e requerimento do interessado. II) Jus Sanguinis: ascendência. por uma questão de soberania nacional. Refere-se aos brasileiros natos. . É geralmente adotada por países que estão em formação.815/80.Quase nacionalidade (art. a adoção é um critério de aquisição da nacionalidade pelo critério do jus sanguinis. §2°) e para pessoas de países de língua portuguesa. II): a) Ordinária: adquirida na forma da lei. que passou a prever a possibilidade de ser feito registro de filho de pai ou mãe brasileira na repartição competente. A maioria das legislações contemporâneas adotam esse critério. A questão jurisprudencial é a seguinte: o ato de se negar essa nacionalidade é um ato discricionário. Leva em consideração o critério sanguíneo e o critério funcional. As constituições de 1824 e de 1891 previam este tipo de naturalização. Os países de imigração costumam adotar esse critério (art. 12. c. Exceção: quando ambos os pais estrangeiros estiverem a serviço de seu país (considera a serviço do país mesmo aquele que está acompanhando o cônjuge). 12. não há direito público subjetivo. Os requisitos são: 15 anos de residência ininterrupta. desde que haja reciprocidade. Neste caso. Obs. Os países de emigração geralmente adotam esse critério (art. que tenham idoneidade moral e residam por um ano ininterrupto no Brasil. . I. §6°. A EC 54 alterou o art. II) Naturalização expressa (art. a pessoa terá a nacionalidade do local onde nasceu. o ato é vinculado em razão da expressão “desde que requeiram”. Quando a pessoa é nascida no Brasil. III) Sistema misto: os dois critérios são previstos na constituição. Mesmo que o estrangeiro cumpra todos os requisitos previstos na lei. Os direitos atribuídos aos portugueses são os direitos dos brasileiros naturalizados. Pelo critério funcional. terá naturalidade brasileira. É o caso do Brasil.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I . I. a). de acordo com o art. I. o português com residência permanente no Brasil terá os mesmos direitos dos brasileiros. Se o casal estiver a serviço de outro país. 112 e 115. Mesmo não adquirindo a nacionalidade brasileira. b). que estabelece os requisitos de aquisição da nacionalidade (lei 6.Diferenças de tratamento 128 . os pais têm que ser brasileiros. o filho terá nacionalidade brasileira.Espécies de nacionalidade A nacionalidade pode ser dividida em: 1) Primária ou originária: está associada ao nascimento do indivíduo (adquire com o nascimento). se não se manifestarem contrariamente. CF/88. art. estrangeiros residentes. 227. adquirem a nacionalidade do país onde residem.

5°. LI): a constituição não admite extradição de brasileiro nato.Princípio da comutação da pena (direitos humanos): para que o STF autorize a extradição tem que haver substituição da pena vedada (art. pois refere-se à expulsão e não extradição: Súmula 1. 12. no entanto. dependente da economia paterna. Se o estado desrespeita essa regra. Mas. O entendimento majoritário do STF é que não pode haver uma extradição que viole este artigo. o brasileiro será julgado por um tribunal do qual o Brasil faz parte (pois assinou o tratado de Roma). §4°. 5°. de um estrangeiro que tenha praticado atos tipificados no art. . em razão da superioridade da Constituição. mesmo no caso em que a pessoa tenha dupla nacionalidade.815 (ato nocivo ao interesse nacional). presidente do SF. 65 da lei 6. Os critérios utilizados são: . §2°.segurança nacional: oficial das forças armadas. a) Cargos: determinados cargos são privativos de brasileiros natos (art. 5°. . todos os ministros do STF (pois há um rodízio entre os ministros para serem presidente). 12.Princípio da especialidade: o estado requerente só poderá julgar o extraditando pelo crime objeto do pedido de extradição. a ela aplica-se a súmula 1. do território brasileiro. . §3°).se comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins antes ou depois da naturalização.Princípio da dupla punibilidade: o crime praticado deve ser punível tanto no estado requerente quanto no Brasil. vice. XL. A deportação está mais próxima da expulsão. b) 6 assentos do Conselho da República (art.Princípio da retroatividade dos tratados de extradição: o art. ou que tenha filho brasileiro. d) Extradição (art. Mas. Já na entrega. . A maioria dos autores entende que essa determinação é compatível com a constituição que veda a extradição de brasileiros natos. Não se pode. XLVII) por uma pena privativa de liberdade de no máximo 30 anos. Deportação: consiste na devolução compulsória do estrangeiro que tenha entrado ou esteja de forma irregular no território nacional. 12. VII) c) Propriedade de empresa jornalística ou de radiodifusão sonora e de sons e imagens (art. STF: Não impede a extradição a circunstância de ser o extraditado casado com brasileira ou ter filho brasileiro. o estado requerente pode fazer um pedido de extensão para julgar os demais crimes. No caso de brasileiro naturalizado. STF: É vedada a expulsão de estrangeiro casado com brasileira. Na extradição.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I A lei não pode estabelecer diferença de tratamento entre o brasileiro nato e o naturalizado (art.linha sucessória do presidente da república: PR.se praticar crime comum (que não seja de opinião ou político) antes de sua naturalização. 89. não se poderá invadir esse estado. CF/88 não se aplica aos tratados internacionais. Importante analisar a Súmula 421. . membros de carreiras diplomáticas e ministro de estado da defesa. cria-se um problema de relação internacional. 222): brasileiros natos ou naturalizados a mais de 10 anos. só poderá ser extraditado: . Expulsão: consiste na retirada a forca. O STF não admite qualquer exceção a essa hipótese. o brasileiro será julgado pelas leis de outro país.Perda da nacionalidade (art. confundir a súmula acima com a seguinte. CF/88): 129 . . Extradição: consiste na entrega de uma pessoa a outro estado em razão de um crime nele praticado para que seja julgada segundo as suas leis. CF/88). Entrega ou surrender: consiste na entrega de um indivíduo a um tribunal penal internacional para que seja julgado por ele. presidente da CD. Princípios relacionados à extradição: . portanto. em razão da soberania nacional.

Atentar que a obrigatoriedade do voto não é cláusula pétrea. Um brasileiro nato que resolve readquirir a nacionalidade brasileira retornará como brasileiro naturalizado. Além dessas características do voto.: em razão de uma condição econômica – foi consagrado pela Constituição de 1824). §1º. São eles: 1) Direito de sufrágio: sufrágio não pode ser confundido com voto e escrutínio – o sufrágio é a essência do direito político. Essa regra aplica-se aos brasileiros natos e naturalizados. . O voto é obrigatório para uns e facultativo para outros. .Direito Constitucional – LFG – Intensivo I I – ação de cancelamento de naturalização em virtude de atividade nociva ao interesse nacional. o sufrágio censitário (ex. §1º). readquire a nacionalidade como brasileiro nato (mas é o entendimento minoritário). II – naturalização voluntária: se a pessoa voluntariamente adquire a nacionalidade de outro país. pelo CN. voto é o exercício desse direito. perderá a nacionalidade brasileira.tem valor igual para todos: “one man. salvo nos casos das alíneas a e b. salvo se por meio de ação rescisória. que exige uma alternância de poder. 14. caput). 130 . com uma única exceção: art. No Brasil temos algumas restrições: a pessoa precisa ter idade mínima. Só se aplica ao brasileiro naturalizado.é periódico: essa periodicidade do voto. São requisitos apenas técnico-formais. aquele que permite a todos os que estejam numa determinada situação a participação no voto. Para JAS. é o direito político em si. a eleição será feita 30 dias depois da última vaga. 2) Alistabilidade: é a capacidade eleitoral ativa. São espécies de sufrágio restrito o sufrágio capacitário (em razão da capacidade intelectual das pessoas). nacionalidade e alistamento.Espécies: a) Direitos políticos positivos: são aqueles que permitem a participação do indivíduo na vida política do Estado. 14. A CR/88 adota o sufrágio universal. e não requisitos preconceituosos. e esse país não admite dupla nacionalidade ???. há outro aspecto previsto na CR: a obrigatoriedade do voto. e escrutínio é o modo como o exercício se realiza (é o escrutínio que é secreto). . Num Estado Democrático deve ser adotado o sufrágio universal. Direitos Políticos: . para os analfabetos e para os que tenham mais de 70 anos – nesses casos. com a realização de eleições periódicas. na forma da lei (que ainda não existe). Esses requisitos não retiram do sufrágio a universalidade. . inclusive sendo cláusula pétrea.é direto: é a regra. one vote”. de acordo com o tipo de Estado: ele pode ser um sufrágio restrito ou universal.é personalíssimo: cada um tem que exercer seu direito pessoalmente. o sufrágio em razão do sexo (a partir de 1932 foi que o direito de voto foi estendido às mulheres ???). é uma decorrência do próprio Princípio Republicano. tanto o alistamento eleitoral como o voto são facultativos (☺art. Servem ao controle do próprio direito. one vote” – “one person. ou seja. O direito de sufrágio pode ser de duas espécies.é livre: uma das finalidades do escrutínio secreto é exatamente viabilizar essa liberdade do voto. 81. O sufrágio restrito é aquele que restringe a participação em razão de algum critério (muitas vezes arbitrário e preconceituoso). é o direito de votar (e não de ser votado). Ele é obrigatório para aqueles que tenham entre 18 e 70 anos. CR – segundo o qual vagando os cargos de PR e VPR nos dois últimos anos. Essas expressões representam a igualdade que tem que ter o voto (☺art. e é facultativo para os que tenham entre 16 e 18 anos. Essa naturalização impede que a pessoa venha a pedir a naturalização novamente. Características que o voto possui no Brasil: .

no governo de SP). Mas o §9º do art. §1º). 14.este dispositivo fala em sucessão e em substituição. mas o STF entendeu que o termo “substituído” do dispositivo foi utilizado de maneira equivocada pelo legislador constituinte.: parentes do PR não podem ser candidatos dentro do território brasileiro. trata-se de lei ordinária.☺§3º. 14. São eles: I) casos de inelegibilidade: existem basicamente 4 hipóteses de inelegibilidade. mas nos concentraremos aqui apenas nas duas mais importantes: as inelegibilidades em razão do cargo e em razão do parentesco. 12. As outras inelegibilidades (fora a prevista no §4º) são apenas relativas. ela é adquirida progressivamente. o que acontece aos 35 anos (esta é a idade que se exige para que uma pessoa possa concorrer a qualquer cargo político . a inelegibilidade em relação aos militares (art. a Constituição exige: a nacionalidade brasileira (a nacionalidade é pressuposto para a cidadania). até que se atinja a plena cidadania. os inalistáveis são os estrangeiros. com exceção dos portugueses equiparados. ainda que o Antony Garotinho estivesse concorrendo ao cargo de PR. Mas a Rosinha Garotinho foi candidata ao cargo de Governadora do RJ. e os conscritos durante o serviço militar obrigatório (o conceito de conscritos abrange também médicos. se houver reciprocidade (art. farmacêuticos e veterinários que estejam prestando o serviço militar obrigatório). b) para concorrer a outro cargo: é necessária uma desincompatibilização 6 meses antes da eleição. ou seja. A inelegibilidade absoluta só pode ser prevista pela própria Constituição e o seu único caso é a prevista no art. e os casos em que há a verdadeira sucessão (que é definitiva). assim. ☺ar. é o direito da pessoa ser votada. . §4º (os absolutamente inelegíveis são os inalistáveis e os analfabetos). o parente é atingido pela inelegibilidade do titular do cargo.Inelegibilidade em razão do parentesco: ☺art. É importante aqui diferenciar os casos em que há apenas substituição do chefe do executivo pelo seu vice (que é temporária).Direito Constitucional – LFG – Intensivo I 3) Elegibilidade: é a capacidade eleitoral passiva. no caso do art.Inelegibilidades em razão do cargo: se referem apenas aos cargos do PE – existem então duas hipóteses de inelegibilidades: a) no caso de reeleição: o chefe do Executivo pode concorrer uma vez à reeleição. . e parentes do prefeito não podem concorrer para cargos dentro da mesma cidade. etc.é conhecida como inelegibilidade reflexa. §8º). §5º . e que vale como primeiro mandato mesmo somente o caso de sucessão definitiva (☺caso de Mário Covas e Geraldo Alkimin. que tipo de lei é necessária para regulamentar as condições previstas no art. parentes do GE não podem concorrer dentro do mesmo estado. depois de ter sigo Governador do RJ – entendeu-se que como o titular poderia ter sido candidato à reeleição (mas ele não quis. 14 traz um questionamento. 14. §7º . Quando a Constituição fala apenas em lei. Além dessas condições relativas à idade mínima. e desincompatibilizou-se 6 meses 131 . então. Primeiramente. São elas: a LC poderá estabelecer outros casos de inelegibilidade (LC 64/90). §3º. é necessária mesmo uma regulamentação por lei ordinária (e não por LC). 14. os casos de inelegibilidade não se confundem com as condições para a elegibilidade. dentistas. ou seja. Assim. a impossibilidade de reeleição se refere a mais de duas eleições consecutivas. que geralmente admitem desincompatibilização. No Brasil a cidadania não é adquirida de uma só vez. filiação partidária. do art. 14. domicílio eleitoral na circunscrição. A inelegibilidade absoluta está relacionada a alguma característica pessoal e não admite desincompatibilização. Ex. 14). 14. a alistabilidade (que é pressuposto da elegibilidade). §3º? Segundo o STF. devemos diferenciar a inelegibilidade absoluta da relativa. salvo se já titular do cargo. No Brasil. em caso de reeleição. b) Direitos políticos negativos: são as normas que importam em uma privação dos direitos políticos. já que trata de lei complementar quando for caso de inelegibilidade.

II) Perda dos direitos políticos: a cassação dos direitos políticos não é admitida pela Constituição. adota a posição de que só existe uma única possibilidade de perda (definitiva) dos direitos políticos. Kildare. A doutrina (JAS. Alexandre de Morais e outros) coloca outra hipótese como sendo de perda: a hipótese do art. 15. não há como readquirir os direitos políticos). portanto.Direito Constitucional – LFG – Intensivo I antes do término do mandato para concorrer à presidência). acha que é suspensão porque a lei eleitoral fala em suspensão para esse caso. 15. A perda dos direitos políticos é considerada como algo definitivo pela doutrina. 132 . seus parentes também poderiam ser candidatos. é algo temporário. I. 5º. nos termos do art. VIII). Cassação é a retirada arbitrária dos direitos políticos. Todas as outras hipóteses do art. e quanto a isso não há divergência doutrinária. que seria o cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado (☺art. III e V) são hipóteses de suspensão. III) Suspensão dos direitos políticos: segundo a doutrina. 15 (incisos II. IV (recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa. mas o prof. o prof. não poderia mais haver a possibilidade de readquiri-la e. Com base nessa distinção. CR) – hipótese relativa ao brasileiro naturalizado (quando a naturalidade é cancelada. A Constituição não fala quais são as hipóteses de perda e de suspensão dos direitos políticos.