49700097-SilvioMeiraNoPonto

Computação, Comunicação e Controle

silvio meira noNO.

Produção Executiva: assessoria de comunicação do c.e.s.a.r Revisão: Rogério Medeiros projeto grafico: h.d.mabuse Recife, maio de 2004

Meira, Silvio Lemos Silvio Meira NO. / Pernambuco, 2004. 320f. Coletânea de artigos publicados entre 2000 e 2002 na revista eletrônica NO., www.no.com.br. 1. Sociedade da informação. 2. Tecnologias de informação e comunicação. 3. Internet: conteúdos, serviços e universalização. 4. Infra-estrutura de informação. 5. Nova economia. 6. Políticas nacionais. 7. Política de Informática. 8. empreendedorismo em Informática CDU: 316.42 Silvio Lemos Meira – Recife,

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APRESENTAÇÃO

Os 100 textos contidos neste disco são para gente que tem o prazer da leitura. São bem escritos, têm opinião inteligente e informação importante. Deixam claro que seu autor é capaz de ao mesmo tempo olhar o que vem pela frente e captar o que acontece à sua volta. Mas contam apenas parte da contribuição de Silvio Meira a um projeto editorial que marcou época no Brasil da virada do século. Se ele não existisse, talvez a no. nunca tivesse existido. Ouvi a recomendação de procurar um pernambucano tinhoso do Dr. Ivan Moura Campos em 1996, no Ministério de Ciência e Tecnologia, em Brasília. O contato, nunca mais interrompido, aguçou minha atenção para a tecnologia da informação, em especial para uma nova mídia que naquele momento apenas engatinhava: a Internet. Silvio me ajudou a compreender o potencial do novo meio, suas mudanças súbitas de humor e suas possibilidades. Ensinou-me como ela acelerava nossa noção de tempo e alterava as que tínhamos sobre espaço. Em grande medida, influiu na inspiração coletiva que deu na no.. Mas foi mais fundo. Meteu-se nas suas galés. Discutiu questões editoriais e ajudou a arquitetar a tecnologia por detrás de um um projeto que era tudo que, dizia-se, não dava certo na Internet. Tinha poucas imagens, muito texto. Sua cara era sóbria. A navegação, desimpedida. A no. apostava que, ao contrário do que se imaginava, na Internet navegavam pessoas que gostavam de ler, não necessariamente sobre um assunto importante, mas uma boa história, capaz de fazer seu tema relevante. Era um lugar onde um engenheiro de software podia escrever o que quisesse do tamanho que quisesse. Os textos que se seguem são um pedaço desta experiência. Achamos o leitor. Não se achou foi o negócio e a no. acabou. Mas suas marcas principais ficaram. Silvio Meira é uma delas.

Manoel Francisco Brito Rio de Janeiro, maio de 2004

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Preâmbulo

Certas oportunidades só aparecem uma vez na vida. Trabalhar em NO. foi uma delas. E eu tive o grande prazer de estar lá, da primeira hora ao último dia. Viver e conviver com o povo da NO. foi um dos mais maiores aprendizados da minha vida. Durante dois anos, um time de estrelas do jornalismo nacional criou e manteve um dos mais interessantes veículos da mídia brasileira, on-line ou não. Isso não era dito por quem estava lá, fazendo. Era sistematicamente repetido por quem via, lia e debatia os temas levantados pela revista. Gente, pouca mas significativa, que não via, por outro lado, as dificuldades de editar uma revista eletrônica dentro dos limites conceituais, culturais e, principalmente, educacionais e econômicos do público que estava na rede, no Brasil, entre 2000 e 2002. Nas páginas que se seguem, estão meus cem artigos em NO. Muitos estão datados, porque os temas, coisas e até companhias que discutiam só faziam sentido dentro de um dado contexto temporal (e tecnológico... e econômico). Resolvi, no entanto, ao invés de fazer uma seleção, deixá-los todos, em seqüência, sem qualquer tratamento adicional em relação à publicação original, a menos de uma correção ortográfica aqui e ali e uma revisão dos links dos artigos originais, quando foi possível. Em alguns casos, não somente os links publicados nos artigos, em NO., desapareceram, mas não há, hoje, nenhum link alternativo que viesse a dar sentido a certas citações. Nestes poucos casos, os links foram simplesmente removidos, sem prejuízo para a leitura do texto. Os artigos que se seguem são uma espécie de “minha história NO.” Alguma hora, quando e se houver tempo, talvez alguns subconjuntos conceitualmente conexos se tornem parte de um livro –há, talvez, quase um, entre eles, sobre universalização de acesso, um dos temas mais presentes nas colunas semanais- e outros, que o leitor vai distinguir muito facilmente, se tornem contos (mais extensos). Dois deles, em particular, teimam em me pedir, de tempos em tempos, para estendê-los. Peço-lhes paciência, pois, hoje, fazendo tanta coisa, os pequenos contos não teriam a prioridade que eu talvez devesse lhes dar. Um dia, quem sabe, eles tomam conta do meu tempo. De vez. Até lá, deixo esta história das sextas-feiras da NO., registradas em formato integral por deferência especial de Manoel Francisco Brito, que permitiu a publicação dos artigos em bloco e na íntegra. O Copyright dos mesmos, na web, é sendo propriedade de NO., que continua, por sinal, on-line, como arquivo daquele tempo, em www.no.com.br.

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.............................................................. 80 O ponto que pariu ........................................................................................... 46 Mudando o mundo.......................................................................................................................................................................................... 64 Depois das eleições.................................... 75 Um caso legal .......................................................................................................................................................... 37 As máquinas da democracia ........................................................................................................ Uruguai 2 x 1 Brasil ......... 62 Um mineiro na ICANN.............................................................................................................. 19 Onde tu tá neném? Na rede................ 35 Governar é construir.......................................................................... 29 Desenvolvimento também é cultura ... 69 A divisão da Califórnia .................................................................................... 41 1001 noites na rede........................................................ 83 7 ..............................Índice APRESENTAÇÃO .......................................................................... 50 Software Brasileiro: há futuro...... 23 Política real: voto virtual?................. 56 Os Invasores .......................................................................... 43 Tecnologias (complicadas) da Informação .............................................................................. 4 Preâmbulo....................... agora!......................... 71 Tecnologia de informação e eleições ............. 52 Rádio cai na rede ...................... 12 Todos pra rede............................................................................................................................................... 78 Onde fica o Nerdistão? ...... 33 As tecnologias da riqueza ..... 73 O Café de Baker Street .................................................................................................................................................... mas CD é passado .......................................................... 39 As tábuas da lei da Internet ................................. 16 Manual da Nova Economia: parte 1 ........................................ 6 O fim de um dos fins do papel .......................................................................................................................................................................................................................................................................................... 27 França 5 x 1 Brasil...................................................... 14 MP3 pode não ser o futuro......... 25 Os nós do futuro ....................................................................................................................................... 48 Carnívoro sem caninos e garras .................................... ................................... .............................................................. 10 Computadores fazem arte............................................................................. 58 Sopa de números e nomes de domínio ................................................................................................................................................................................................................................. 60 Tecnologias de informação para o desenvolvimento................... Como? ....................... 31 Dor de cabeça sem fio ..................................... Digitais? .................................................................................................................................... 21 O fim do começo da bioinformática .................. governos...................................................

............................................................................... 143 O Boy & o Banco...... 133 ...................... 212 ..................................................... Cai................................................................................................. 164 I2: Internet insegura ................................................................................................................................................... ................................................................. 113 Acesso universal: o tamanho da solução ...... 147 e-xames.. na mão? ........ 204 A melhor maneira de prever o futuro....................................................................................... 154 O Império da Internet ..... 137 O Manual do meu Celular Novo... 167 Sociedade da Desinformação ....................................... 201 A Prática da Dependência: agora.O corre-corre da Lei de Informática ... 108 Oh...................................................................................... 170 Regulamentando........................................ Fantasia... 94 Mezzo gente...................................................................................................................................................................................................................................... Balão............................... 121 Acesso Universal: Todos na Rede! ............ pela inter[mitente]net....... 86 A última invenção: ultra-inteligência ............................................................... 111 Cai................................ 140 Senado: voto inseguro ........... No Estádio?.............................................................. 179 Controle Estatal da Internet ..................................... 160 Realidade............... de chaves públicas .......................................................................................................Morte?............................................................................................... 184 Amigo na praça................................................................................... 150 A escola e a virtualização do aprendizado ...... ................................................................... Digital? .........................com: ........................ 176 Infra-estrutura brasileira............................................................ quarta-feira ingrata!.....................sem tempo para nada?.................................................................. 192 Dever de Casa: Dezessete de Agosto ............................................ 100 O Planalto e a universalização de acesso ......... .............................................................................................................................................................................................................. 102 Invasão de Privacidade................ sircam na caixa ....................... 228 8 ......... a Internet.......................................................... 96 Depois de Fumantes vs Cigarros............................................................................................................................................. leve e solta? ........................................... Usuários vs Celulares ..................................... 125 Admirável Mundo Ubíqüo...................................................................................... 188 A SBC sob o Sol do Ceará ...................................................................... 129 Informação: livre..................... .......... 224 Dinheiro na mão é vendaval......... Ficção..................... mezzo máquina ......................... 173 Dedé de Santa Cruz ... 98 Luís Fogueteiro na Internet ....................................................... 89 Vai ser um século muito mais quente ...................................BR? .................................................................... provisória................................................................................ 157 Caos e Progresso ................................................................................. 105 Mais vale um voto........ ...... 92 Dezembro na Caxangá .................................................................................. 220 Os riscos dos aviões de carreira .................................

.................................... 281 Empresas Virtuais: Gente Real ......................................................................................................................................... 288 Sob o céu que nos separa ..................................................................................................................................... 304 O estudante de capoeira ..................... 257 A tecnocracia talvez não fosse tão ruim assim.............................. 272 Futuro: previsões que funcionam ...................................................................................................................................................................... Revoluções....................................................... 285 Cachorro que late........................................................................................................ 250 As ordens da ignorância................... 276 Mondo I-mmediato ..... 311 A Guerra dos Mundos ......................... 244 A Convergência e o Minitel... 265 Universalização de Acesso: mais um capítulo ........................... ......................................................................................... 301 A ordem das coisas.............. ...................... 237 Programas de Brincadeira........................................................................................................... 317 9 .............................................. 231 A Economia da Ansiedade ................... 297 Por uma Justiça....... virtual? .................................................................................... 268 A difícil arte das previsões ...........................................................................................................Realimentação Positiva........................................................................................................................................................................... o aço e a pimenta............................................................................................... 260 O estranho mundo da telecompetição .................................................................................................................................................................. 314 O futuro era melhor no passado.... 253 Invenções......... Religiões? Negócios............................................ ............................... 240 Reserva de Mercado? Pra Que? ............................................................ 294 Teje Preso!.. 291 O fim do domínio público? ................................................................................................................................................... 234 Internet: inútil em 2010? ....................... 308 A informática..............................................

claro. temporais e ecológicos. em 1985. grifar texto. em algum lugar da mídia. se chegasse em Campina Grande. Principalmente quando se criam constelações de competência para fazer notícia e opinião virtual. mesmo que tenhamos preservado os formatos em que foram escritos. muito tempo para ser substituído. para embalar. preste atenção nas pessoas tomando notas em Palms ou coisas do tipo. Apesar dos laptops e Palms. Uma revista impressa nos EUA custa pelo menos 100% a mais no aeroporto de São Paulo e. O papel para armazenar também tem uma chance. Seria isto mais um augúrio do tão esperado fim do papel? Nem tão cedo. A maioria. literalmente. Desenho. Em 50 são inúteis. Os argumentos são financeiros. enquanto converso. Ninguém precisa ser um gênio para imaginar que tal sobrepreço não fica com a banca. um dos problemas adicionais de armazenamento abstrato de informação. sobre o fim do papel. Mais de um projeto já ficou sem história porque o formato e dispositivos usados para guardar informação desapareceram. circular parágrafos de interesse e ligá-los a outros. meus e dos outros. mas há uma impressão de que a imprensa estaria saindo do papel. pra poupar raiva… é mais fácil digitalizar a cópia de papel. Mas uma coisa é certa: o papel-pra-transmitir. Joguei fora. nem em São Paulo chega. gravada no sistema operacional EMAS. Há também o papel-pra-escrever. nem pensar. que leva informação entre pontos. sem nenhum registro a ser vendido em banca. Ainda é difícil tomar notas. inglesa. Ou quase: minha tese de doutoramento estava numa fita de 9 trilhas ICL.[ 28. Este papel. talvez custasse 200% a mais. da tinta e do livro. já CDs de qualidade comercial começam a se degradar em menos de 15 anos. anuncia-se na verdade um debate. vai se tornar relíquia em pouco tempo. expresso modelos. concretos. Dobrar bordas do papel para criar marcas. ao invés de um fato acontecido ou iminente. Este papel-pra-escrever vai demorar. hoje. Quer ver. que o papel exerce insuperavelmente. Sem falar nos fabricantes de papel e plantadores de eucalipto. Nem os mais radicais adeptos das telinhas ficam à vontade lendo on-line. Só que. noutras páginas. mas com o transporte 10 . é o do papel-pra-ler. Papel e imprensa andam juntos há 500 anos. de papel real.2000 ] O fim de um dos fins do papel Não passa um dia em que não haja uma frase de efeito. em papel. quando bibliófilos estão por perto. Papel e tinta de qualidade duram séculos.Abr. tomo notas em cadernos. faço gráficos. também. quase briga. o papel-pra-armazenar.

sob demanda. no caso). Quem não quiser tanta qualidade imprime em casa. num piscar de olhos. Todas as bancas. e muito: enviá-lo por via aérea é uma forma segura de mandar o preço para o espaço. pague e imprima na laser colorida da banca. O papel. O que é bom pra todos. revistas e. real ou virtual. livros do mundo. real. O que é. Escolha o título. E a discussão principal não é o fim ou não do papel e sim a qualidade e utilidade do que vai estar nele. porque leva notícia e opinião para todos os cantos do mundo. antes dos livros eletrônicos. Muito menos em Lençóis. Entre os dois. pois faz anos que não vejo um surubim nas páginas policiais. vai conviver com a imprensa e a informação por muito tempo. Mas boa parte da produção está indo para o virtual e eliminando o papel-transmissor. Ou num clicar de mouse… 11 . que nem caldo de cana. E revistas têm que vir de avião. daqui pra frente. uma figura de linguagem. Papel pesa. então. para quem quiser lê-los no seu formato de tinta. E o papel-transmissor não fará falta se as bancas imprimirem jornais e revistas. Com os jornais é ainda pior: não há como ler a edição em papel do Asahi Shimbum em São Paulo. anti-higiênico. BA. Na hora. cola e celulose. Que parecem o Brasil: há anos são o futuro (do texto. Vai acontecer no futuro próximo. me parece. poderiam ter todos os jornais. é um recurso. E jornal diário só interessa no mesmo dia ou então quando vira história. para ter algo a ver com o presente. no mesmo dia. talvez. para se embrulhar peixe.aéreo.

Mas o interessante foi a associação da foto. não”? A foto. de uma apresentadora de TV. oposto do concreto. Nunca vi a apresentadora de perto e fiquei sem saber se está tão diferente –e tão melhor– assim. O artificial. pois o oposto do real é o irreal e não o virtual (abstrato). o computador deu um tratamento VIP nela. tocar e. A mágica da era da informação é capaz de tirar da imaginação de quase todos o mundo virtual. Mac e algum software. O que não leva a nenhuma contradição.Computadores fazem arte [ 05. Sem falar na maquiagem de homens e mulheres de todas as idades. quando uma senhora de meia idade mostrou uma capa de revista para a amiga e definiu. às vezes até mais interessante e bela do que a arte dos autênticos. quase irreal. já dizia Chico Science. combinados. Lara Croft. compor. Melhoramento fotográfico não é novidade: antigamente era costume retocar fotos. A novidade da tecnologia é simplificar a falsificação. nas pessoas. pela leitora. em breve. Eu e a realidade virtual nos encontramos na Páscoa. fazendo arte artificial e criando belezas e estéticas ilusórias. habilitada por computadores.Mai. está ajudando a construir uma realidade cada vez mais virtual. Tampouco os simulacros são próprios da era tecnológica: grandes e anônimos falsários sempre fizeram arte. Webbie Tokay ou Ananova. artistas fazem dinheiro. que estava preso por falta das habilidades para pintar. Deixando a parte de ficção para outro artigo. falar. é muitas vezes mais admirado do que a naturalidade do nariz troncho de um. escrever… e talvez pensar. do olho caído do outro e do abdome de chope de tantos. Hoje. A arte. talvez obra de um piloto de Photoshop. num sotaque de Ribeirão: “Nossa. Como as senhoras decerto a assistem. As modificações artificiais externas. Por trás de tudo.2000 ] Computadores fazem arte. maquiando “defeitos” e acentuando “qualidades”… Coisa de artistas. podem mudar tudo numa imagem. desde plásticas diversas até doses maciças de anabolizante e academia. há já algum tempo. a amiga concorda e diz que hoje “tudo é falso”. vêm em formas variadas. traduzir. software e hardware. é impecável. cantar. E não se trata apenas de processamento de imagem. os computadores modificam a arte de fotografar. 12 . tão real quanto o virtual. realizando uma pintura sobre o original. a foto deve ser impressionante. a uma plástica computacional. colocando-a ao alcance de qualquer um que tenha um PC. como Diki. Ou criar personagens do zero. vamos voltar para a senhora da banca de revistas e sua apresentadora modificada.

. por enquanto: de perto. 13 . carecas e têm os pés de barro. Mas vem aí o totó sem cheiro e que não solta pelo. gordura e calvície. Código genético é código. até. mais interessantes. cabelo e outras coisas. mesmo. da engenharia reversa do software que faz os seres humanos funcionarem. apesar dos processadores não serem de silício. perigosas e ridículas. como na soja. Clonagem de mamíferos está ao nosso alcance. O projeto Genoma humano trata. "melhoramento" genético não é mais novidade. programados através da Internet. tanto quanto pés pequenos ou grandes demais e vozes muito finas ou grossas.Na nossa sociedade artificial. para madames alérgicas. para otimizar coisas e eliminar outras. pagos com cartão de crédito.. artistas estarão fazendo dinheiro programando computadores para programar artistas para fazer dinheiro fazendo arte… e o natural e o artificial serão indistinguíveis em muito mais aspectos do que hoje. sem os benefícios do processamento. nada de silicone). celulite. todos iguais. Quinze. O casamento das tecnologias da informação com a biologia vai criar possibilidades infinitamente maiores. gordos. Por enquanto. buço. Somos biológicos mas somos. talvez. resta o desencanto e a constatação de que os ídolos são baixos. O que significa que. máquinas programáveis. é programa. varizes. Parte disso está disponível somente no domínio virtual. movida a aparências. também. em breve. Não faltarão os sites para crescer seios (mamas. de certa forma. vai se proibir. gente baixa ou alta demais.

nos próximos anos. seguridade social e cidadania. recriando os centros. museus. na rede. possibilitando vidas educacional e culturalmente ricas nas periferias. é um click e pronto: ninguém precisa nem saber como chega (ou vem de) lá.000 municípios. onde não há bibliotecas. livrarias. O mundo. é grátis.. pagando. Ou seja. agora. que faz as coisas sempre da mesma forma. O modelo de comunicação da Internet.. também não há acesso à Internet. o preço da ligação local em horário comercial.20 por hora. que empilha tudo.. outros falam de 700. Até um dia destes. através de uma ligação interurbana para a cidade onde estiver o provedor mais próximo. Na rede. ao mesmo tempo. O trabalho pode se mover para as pontas. Mai. talvez não saiba que menos de 15% das cidades brasileiras têm provedores de acesso.. no máximo. Segundo uns. multimídia e tudo mais. A Internet pode vir a ser o mais efetivo meio de reorganização das redes urbanas. assim como informação sobre saúde. nos mesmos lugares. Mas isso só ocorre quando há um provedor na cidade. R$1. há.2000 ] O leitor.. educação. Porque tem. lojas de disco. são 500 localidades. Mas que é. agora! [12. é um ponto. Coisa com que pouca gente que tem Internet está preocupada.. No mundo digital. O último. Antes da Internet. Quem está na rede através de linha telefônica fala com o mundo todo. principalmente se está na rede. em quase todo país. na forma de uma ligação direta. o desafio de um Brasil especialista em perder oportunidades de desenvolvimento harmônico. alta velocidade. quem estava na Internet tinha que pagar pela ligação telefônica e pelo provedor de acesso. Nossas regiões vão do completo isolamento de partes do norte à imensa riqueza de bairros de São Paulo e Rio. e para fora do país. para as cidades-dormitório. por mais longe que estejam.Todos pra rede. mandar um arquivo para Cingapura custava uma fortuna. tem por base a comunicação global a custo local. na sala da sua casa. que vai torná-la o maior e mais eficiente meio de interligação humana da história. o isolamento da vasta maioria dos municípios deveria servir de alarme aos poucos bairros que têm Internet à americana. no quarto das crianças. num país de mais de 5. Passando por microrregiões onde economias e relacionamentos ainda não ouviram falar de Mauá e Isabel. Mas os brasileiros de mais 14 . Ou melhor. a cabo. onde os residentes se imaginam em Nova Iorque e Paris. pois a comunidade brasileira em Boston ou Miami está habilitada para o trabalho virtual "no Brasil". que fica. no meu escritório.

botar todo mundo na rede. O processo de convencimento e a disseminação da infraestrutura de acesso por todo o país. Não acho que e-commerce. na rede. Talvez não haja condições sustentáveis de ganhar dinheiro na rede.. que já têm acesso. Se nós conseguimos nos organizar para vacinar o país contra pólio. a iniciativa privada terá que assumir o problema. se quisermos.. é a rede como shopping center virtual. mas é certo que estamos mais para Itália do que para América. mas também o processo educacional que faz com que mais de 80% dos americanos achem que não vai ser possível alguém se virar sem a rede em 2002. Nos EUA.de 85% das nossas cidades não estão: há algo de podre na nossa rede. no Brasil. Negócios. que podem pagar a conta. O que significa São Paulo. sejam exatamente um sucesso. pouca coisa mais.. conseguiremos. no Brasil e na Itália. que estão no lugar certo. janeiro de 2000). Universalização de acesso à rede é vacina social contra todas as formas de exclusão.. 15 . 36% das casas americanas estejam online. hoje. mas menos da metade destas (17%) fez pelo menos uma compra pela rede. E isso nos faz correr o grande risco de restringir a festa. o governo gastou uma montanha de dinheiro para criar não só a infra-estrutura nacional de informação. Se o governo não fizer sua parte. Os outros. Um complicador adicional é que o assunto. porque não há pagantes em quantidade para justificar os investimentos da iniciativa privada. Rio. precisam de escala. E quando o negócio é comércio. Nos anos setenta. apenas aos já iniciados. aqui. depois a gente vê. fez com que. aliado ao poder aquisitivo da população. mais uma vez. o que importa é a densidade de poder aquisitivo e conectividade. Aqui não se sabe. noventa e tanto por cento da população. A Itália tem 5% de suas casas on-line e apenas 1% fez compras pela rede até agora (dados da Ernst & Young. Por que depende disso pra ganhar dinheiro. foi este tipo de atitude que gerou a miséria que nos cerca e a violência que corrói a teia social. hoje.

habilitadas pelas providenciais figurinhas. O que interessa. Mas é bom o suficiente para ouvir nos "players" portáteis. é quase isso. bandas e provedores de MP3 quase todo dia. Como se não bastasse.Mai. eram o foco de uma comunidade. era o que menos importava. no meio do trânsito. em linhas gerais. quando morava em Arcoverde. O processo mais antigo é o da RIAA (Recording Industry Association of America. de conjuntos de conversações de "colecionadores". a banca. pois uma música de três minutos ocupa uns três megabytes. pelos filhos. Mas quem pegou montes de MP3 na rede não se preocupou muito com a qualidade do som. para começar. o formato MP3 é verdadeiramente digital. é que o tamanho de uma música. no sertão de Pernambuco. O formato MP3 não é estas coisas todas no que tange à qualidade do registro musical.MP3. O que viabiliza o formato na rede. pois o formato está. ainda. A febre de MP3 e o tráfego gerado pelos arquivos correspondentes me lembra os álbuns de figurinhas de um passado distante. passável. que pode ser transferido pra casa de forma muito mais fácil do que os 30 megabytes do formato CD. Os dois sites. o que invariavelmente transformava a banca de revistas da pequena cidade numa praça de guerra. de todo modo. A turma toda esperava a chegada de um novo álbum e dos seus pacotes de figurinhas. E a vida dos pais num constante abrir carteiras. A disputa pelas figuras e o prêmio correspondente. para saciar a busca. por infringir a lei dos direitos autorais.. que é.. mas CD é passado [ 19. ou no som dos nossos micros – que não é lá. estas coisas. Aquilo era quase uma estação do ano e nunca vi ninguém comprar o álbum pronto. é dez vezes menor que no formato básico dos CDs. contra o serviço my. o álbum completo.MP3 pode não ser o futuro. Os álbuns. a poderosa associação das grandes gravadoras). carimbadas e premiadas.com. usado por dez entre dez adolescentes (e por muitos adultos) para gravar e trocar músicas pela rede. A comunidade era mais importante. das figurinhas difíceis. hoje.2000 ] Dois dos principais meios de disseminação de música na Internet estão sendo processados. Com MP3. o que significa que uma música – na verdade. Não tinha a menor graça. um arquivo MP3 – só precisa de um driver (um software adequado para transformar a codificação digital em MP3 em sinal sonoro) 16 . também. segundo seus acusadores. são diretórios de músicas no formato MP3. lá no meio da década de 60. o mais novo é o da banda Metallica em cima do Napster . em MP3. livre dos tubarões e comunidades transnacionais se formam ao redor de estilos.

o faz refletir de forma diferente os zeros e uns que codificam a música. nós temos que andar dentro das regras da indústria. a trabalhar para.. Os leitores de CD consomem uma grande quantidade de energia só para fazer a música (codificada em zeros e uns) passar por baixo da agulha de leitura – opa!. na verdade. susceptíveis a choques. são a música na revolução industrial. através de uma agulha que criava pequenas depressões no material de gravação. sincronização.. ao interagir através de arquivos (em MP3. e faria um bem adicional aos amantes da música. Parecesse mais com o fonógrafo.. como os primeiros fonógrafos. movidos a motor. usando um dispositivo secular numa época pós-escravagista. nos nossos celulares. transferindo energia dos seus músculos para fazer "moer" o CD. por sinal. ouvir música. Aí as gravadoras – e seus advogados – entram em cena. pulando a música a cada passo que dermos? O tamanho e as dificuldades não importam: afinal. hoje dedicada somente a combater o novo. sem oferecer nenhuma alternativa razoável para que possamos ouvir música. uma vergonha nacional que deveria dar cadeia pra muita gente. Os mais lerdos (e de mais posses) poderiam usar as rodas d'água de suas terras para o mesmo fim. por enquanto) ao invés de discos. ao forçá-los. Os processos da indústria e da banda contra my. artistas e ouvintes começaram um movimento para se liberar das garras dos estúdios. E o terror da RIAA advém justamente da desmaterialização da forma. por exemplo. CDs usam exatamente o mesmo princípio e são. A indústria do "disco" não é a indústria da música.MP3 e Napster fazem parte da longa e anunciada morte do CD e de grande parte da indústria de música. em suma. A última está associada ao conteúdo e a primeira às formas na qual o conteúdo é (ou vem sendo) apresentado. como os relógios de pulso. claro..para termos qualquer música tocando nas caixinhas de som do micro ou em algum dos dispositivos de áudio MP3 que estão sendo vendidos há algum tempo. pelo laser – que. pois. Seria extremamente ecológico. têm problemas de alinhamento. limpeza. não? Não. Os CDs são a evolução natural do fonógrafo cilíndrico inventado por Thomas Edison em 1877. Será que a RIAA vai propor um drive de CDs para ser acoplado aos celulares? Com todos os cabos. teríamos um CD movido a corda. pagando. o sinal sonoro recebido de um microfone. das amarras do sistema de estrelas e dos jabás. 17 . dispositivos mecânicos. iluminando a superfície do disco. O fonógrafo original usava uma folha de alumínio para registrar. baterias e. que nos forçam a mesmíssima programação em todas as estações.

18 . para a qual queremos pagar os devidos direitos autorais. do passado. Mas enquanto as gravadoras e seus advogados não entenderem isso. criando meios efetivos para distribuir música verdadeiramente digital. Coisa. a confusão vai continuar. não para possuir a música.A indústria da música precisa se liberar do disco e se reinventar. E o futuro da música sendo protelado pela defesa do presente do disco. mas para ouvi-la. Ninguém precisa ter a música se ela não estiver confinada em um bem físico. definitivamente.

algo não pega bem na sinuca de Taperoá. que resolverá todos os problemas da humanidade. pois há impostos e outros custos. lá. como se bole e coisa e tal. Mas quem começa uma empresa . estas coisas mundanas – e reais – que só servem para atrapalhar a felicidade de quem está no negócio para dominar o mundo. experiência. algum dia. Baby sitters que entendessem de fluxo de caixa. Cabelos brancos. está no lugar de "to" (para).com.Mai.[ 26. de onde vem. tenha conhecimento e gente para tocar a tecnologia. mas normalmente não entende de investimento e finanças. supervisão de "adultos". menos o que foi gasto na sua produção. P. concreto ou abstrato. a forma de comércio eletrônico em que lojas (B. compras. Apesar de parceiros como Benetton. hoje. de preferência. Este é o lucro operacional. a boo. nem chegue). Morgan na companhia.2000 ] Manual da Nova Economia: parte 1 O lucro.com. Dito isto. O "2". até que um cliente "pegou" e "pagou" pelo nosso esforço. mesmo que houvesse muito dinheiro novo. produzir o sistema de informação que todos vão usar. pra saber o que é um princípio de falência. Mas tergiverso: voltemos ao calor dos acontecimentos.... um meganegócio mundial de moda. Até porque o tal manual da nova economia não existe e não vai ser escrito nem tão cedo. Tip e Sandy. a parte 1 do manual da nova economia é uma curta advertência: seu negócio deve dar lucro. Pelo menos um dos analistas que ouvi diz que faltou. Ou. Zouk.. se apelidem de Andy. Os analistas acham que o susto de boo não é o fim do B2C. 19 . gastou US$130 milhões em um ano e não havia sinal de possibilidade de retorno do investimento. talvez entenda do objeto de negócio. onde a nova economia ainda não chegou (e talvez. no meio da sigla. Só que a tal felicidade. marketing.. e não exatamente porque os poucos cabelos que me restam já são quase todos brancos. de business) vendem a consumidores (C. controle de custos e organização. Dessas americanizações que fazem senhores respeitáveis. Os garotos de boo devem ter morrido de susto quando os investidores pularam fora e ninguém quis comprar o negócio. é a diferença entre preço e custo: o valor auferido com a venda de algo. cobrança. do jeito que as coisas vão. Gostei desta análise. acaba de ser atingido pelo senão do axioma acima.. boo. gente que já tivesse falido alguma vez. vendas. The End. E menos ainda de manutenção. Bain Capital. litígios judiciais (ou não). Goldman Sachs e J. senão. no mais das vezes. que cheiro tem. normalmente maior do que o final. como o leitor imagina. de consumer). depende de vivência.

melhor organizar tudo para dar lucro. claro: mas nada que aponte para um manual do que está acontecendo à venda. por sua vez. em 1769. 3 d'O Capital) é um dos manuais da Revolução Industrial. foi feito a partir da máquina de Thomas Newcomen (de 1712) que. Apesar de todas as controvérsias. onde o pensador alemão lançou as bases para quase tudo o que depois.. patenteada por Thomas Savery em 1698.com da falência que talvez a espere na próxima curva. As coisas estão mais rápidas. não a tempo de livrar sua . O trabalho de Watt. E boa sorte.pelo menos. nos próximos dias ou mesmo anos. Mas a Revolução Industrial. em alguma livraria virtual. o manual da velha economia começou a aparecer 150 anos depois da sua tecnologia começar a ser criada e dos primeiros (muitos) negócios estarem funcionando e tantos outros terem falido. última coisa tão radical como o período que estamos passando. senão. de Karl Marx. Além disso. começou com a máquina a vapor de James Watt.. livro de Carl Shapiro e Hal Varian. melhorava a máquina a vapor de baixa pressão. O conjunto da obra de Marx. foi feito. Para passar o tempo. 20 . contra ou a favor de suas teses. considere "Information Rules: Strategic Guide to the Network Economy". terminado em 1790. a importância da obra de Marx só foi reconhecida décadas depois de sua morte. o manual da velha economia talvez seja Das Kapital. da base fabril da economia dos átomos e de suas conseqüências. Até lá. publicado entre 1847 (Miséria da Filosofia) e 1894 (vol. Contando daí.

perguntaram-lhe por seu número predileto. o que cria funções como "cadê Kakinhas?" e "há algum amigo meu perto daqui?" 21 . De forma muito simples: defino. As aplicações deste novo tipo de conectividade. Este espaço pessoal. da galera do trabalho. Agá respondeu na bucha: "Um bilhão! No dia em que eu tiver um bilhão. daqui a três esquinas. pela rede. Talvez meio bilhão. olfato. os telefones móveis vão mudar a Internet. E digo se eles podem – ou não – perguntar onde eu (na verdade. que vai nos atrasar ainda mais pr'aquele encontro das 19h. da turma da escola. do mapa econômico do planeta. de fato. interligados pela Internet. em www. em acalorada discussão sobre sorte. está para ser expandido de forma radical pelos dispositivos computacionais móveis. de pequeno porte. de pessoas. Este espaço será dos palmtops. As limitações dos nossos sentidos – visão.2000 ] Onde tu tá neném? Na rede. uma delas apareceu num elevador. das nossas relações imediatas. Acabei de ver uma demonstração (Cellpoint Finder.. Mais do que mudar a Internet "global". de possibilidades incríveis. estão começando a tomar forma. do que na enchente que varre parte de um país. quando. em rede. Estamos muito mais interessados na batida de uma Brasília num ônibus. já é impressionante. certamente seria de outra forma. Muitas de suas frases fazem parte da história local.. E boa parte das aplicações terá algum tipo de relação com a localidade das comunidades que são. Se as pessoas estiverem conectadas. os celulares vão redefinir a Internet local: as redes humanas. de qualquer coisa. é quase indescritível. Na rede. Manoel Agamemnon Lopes é professor de informática aqui em Recife e emérito contador de "causos".[ 02. me aventuro a profetizar. nossas comunidades." Um bilhão. Se estivéssemos lá. a milhares de quilômetros. paladar – criam uma localidade de ações e reações que está muito longe de ser habilitada pelos nossos atuais auxiliares computacionais. seja lá do que for. pelo celular. de que todos fazemos parte. pessoal e imediata..cellpoint. são muito mais locais do que globais e. quem são meus "amigos" e seus números de telefone. meu celular) estou. sempre serão. consomem energia demais. tato.com) de algo que permite programar quem pode nos achar. Nada de laptops: pesados e grandes demais. uma porcentagem significativa dos quais na Web. audição. para as quais devemos nos preparar. em 2005.. pelo browser ou pelo celular. estamos tratando de mudanças globais. real. pagers e telefones móveis. a teia da vida e da sociedade. Os institutos de pesquisa prevêem que haverá um bilhão de celulares no planeta em 2002.Jun.

já habilitado e incluindo o serviço onde tu tá neném... de Luís Bandeira.. 22 . pois vai gerar mensagens como "fulano estava aqui até as 12h25.. não sai do ar há 200h. Em tempo: o serviço ainda não está à venda para o Dia dos Namorados.. desligar o celular seria ainda pior..... algo do tipo "fulano está 8km ao sul daqui." E agora. pois cada estação só pode controlar um número limitado de celulares no seu raio de ação.. nesta região. as próximas duas frases: vamos fazer as pazes/ tenho tantas frases pra te agradar!. baixinho nos seus ouvidos. Em áreas densamente povoadas." Desabilitar esse negócio pode ser interpretado como autodenúncia. muitos hão de ser globais.. outros nacionais. exatamente o que o Cellpoint Finder faz. a cobertura. a segunda frase é eu vim te procurar!. e diz mais ou menos onde você está. quando desligou o celular. o que dá tempo da gente. pensar em um monte de outras aplicações para celulares em rede. José e Maria? Tomara que a procura seja pra cantar. maravilhosamente interpretada por Elba Ramalho.... mas imagine que você acabou de ganhar um destes i-móveis do seu móveis. (ou sua) namorado(a).O aumento do número de celulares leva necessariamente ao aumento do número de células (ou de estações rádio-base). no Brasil.. o tipo de cobertura a ser utilizado vai levar à identificação do quarteirão ou até mesmo do prédio em que um dado celular está. Na música... É óbvio que nem todos os serviços vão depender de localidade..

visa entender o código e. devidamente emparelhadas. sem precisar fazer um mapa prévio de sua estrutura. é um defeito em dez mil linhas e. depois de milhões de anos de trabalho. uns 6. biologia e para a raça humana. definem nossas células? Pois. Até porque a vida. começou oito anos depois do programa 23 . que vai acabar numa tentativa de fazer um estudo definitivo das proteínas (vêm aí os projetos "proteoma"). a seqüência de bases forma o genoma humano. em engenharia de software. o genoma humano seria certamente o mais complexo código do planeta.2000 ] O leitor por acaso sabe que seu corpo tem cerca de 100 trilhões de células? Que o núcleo de cada célula contém 23 pares de cromossomos. A evolução está no começo e o projeto genoma humano esforço de 15 anos iniciado em 1990. a taxa é de apenas dois defeitos para cada mil linhas.. já. Mas o noticiário de tecnologia anda contaminado com o caso Microsoft e está deixando passar o maior evento deste fim de século.000 genes e. pois abre-se a possibilidade de reprogramar o DNA para evitar que nasçamos predispostos a doenças fatais como Parkinson e fibrose cística. T e G? E que três e meio bilhão destas bases. convenhamos. como enzimas e hormônios. quem sabe. a Celera Genomics. cujo processo de decodificação. Parte da população vai ser contra e querer que seja deixada à sorte de cada um ter ou não ter estas doenças. a bem da verdade. Isso será apenas o começo dos tratamentos e da engenharia genética humana.Jun. mais imediatamente.O fim do começo da bioinformática [ 09. mesmo em grandes empresas como a Microsoft.000 ligados às doenças genéticas. pelo menos da vida como nós somos. Na forma de uma dupla hélice. pois. Mas isso é outra estória. criada a partir da idéia de Craig Venter de identificar o genoma todo de uma vez. não é boa programadora: o DNA é software e. seja lá do que tenho. destes. para a informática. A natureza. O DNA. C. denominadas A. com US$3 bi do governo americano. proposta por Watson e Crick em 1953. Eu tô fora e quero ser tratado. A Celera. Em poucos dias. está fazendo a engenharia reversa da vida. Considerado como um programa.. não é um "programa" normal: sua informação se expressa em proteínas. formados por cadeias de bases de DNA. ainda temos seis possíveis erros a cada cem "linhas" de código. os seres que o carregam. quase por terminar. deve anunciar que terminou a decodificação do genoma humano. O que interessa são uns 100. feitas as contas. não é nada simples. O estado-daarte.

do jeito que a coisa vai. como o onco-rato da Du Pont. É o princípio do fim da informática que conhecemos e o fim do começo da próxima rodada. dos mesmos países de sempre. Em abril passado. como a Xylella fastidiosa. moscas e bactérias. Mas. apenas um pequeno número de companhias privadas. o que deve lhe render pelo menos um prêmio Nobel. terá. decodificando ratos. registrado em 1992. 24 . A decodificação de um organismo é sempre o começo da pesquisa. Há um número de projetos genoma pelo mundo afora. para fazer o código completo. pondo os ditos em ordem. pois possibilita dizer como ele funciona hoje As hoje. Por outro lado. interesses comerciais já conseguiram patentes para seres geneticamente modificados. capaz de desenvolver câncer com facilidade. patentes da economia genética estarão relacionadas à expressão genética e suas modificações e tratamentos. da bioinformática. totalmente identificada no Brasil. são bilionários. fechado o cerco ao código genético da vida economicamente interessante do planeta. da tecnologia da informação. da informação genética. em breve. conseguiu decodificar todos os componentes do genoma humano e está. de qualquer coisa. O simbolismo da nova era não podia ser mais claro: enquanto Bill Gates defende seu império.estatal e termina quase três anos antes. Venter foge para o futuro e começa a criar um novo. Ainda há tempo: façam suas apostas. agora. Não se trata apenas da genialidade de Venter. Os interesses econômicos por trás do genoma.

E. a três candidatos a prefeito por cidade.Política real: voto virtual? [ 16. ao mesmo tempo. tô fora. E pode? Pode e sai barato. O que existe hoje é quase só imposto. nada melhor do que a rede. para se defender deles. Uma está no supermercado. Literalmente. seu título de eleitor. queijo de cabra temperado com alfazema de periquito e… vota. Até a Penélope Charmosa deve estar no páreo. É complicado? Nada. a rede vai ter alguma importância em poucas cidades: talvez 50. pago e meu banco é virtual. Sem falar no assaltante-seqüestrador de plantão. sem caixas e agências. Votar na rede e. E esta vai ser mais uma eleição fora da rede. interagir com o governo através dela. a sociedade. agrião. Na hora de pagar a conta. exceto nas cidades onde há muitos usuários da Internet e onde os políticos já conseguem ver a rede como meio independente de comunicação. Alface: 55 centavos. é bom lembrar. Para votar. Ou seja. se compro. passa seu cartão de fidelidade do supermercado. claro. É seguro? É. por que a eleição não é on-line? E não precisa ser só na "rede": o mundo está cheio de outras redes que se falam de muitas maneiras. fora.Jun. menos de 1% do total. também. Se houver uns vinte candidatos a vereador por cidade. rúcula. mas interferir no seu comportamento ao longo do mandato. os atacantes e. cobrança e multa.. um "boy" depositando o apurado do jogo do bicho da Mustardinha. então. tão mais seguro quanto mais competentes ficarem. onde você compra alfaces. Algumas. com a rede do TSE. na sua frente.2000 ] Está para ser dada a largada de uma das corridas mais malucas que qualquer povo pode presenciar: a das eleições para vereador e prefeito em mais de cinco mil municípios brasileiros. em notas de um real. Pode falar. se declaro imposto de renda. A rede do supermercado já "fala" com a dos cartões de crédito. depois. ainda está muito longe. esperando pra fazer a feira. e eu depositaria meu voto enquanto pago as compras. e muito. se e-mail é domicílio fiscal. tão seguro quanto usar seu cartão de crédito no supermercado. outros dezesseis mil possíveis burgomestres. está ficando. Pode ficar mais seguro? Sim. 25 . E. serão 110 mil candidatos a cargos legislativos. com um caixa funcionando e. Milhões já usam a rede para controlar suas contas bancárias. vereador: 23623… e assim por diante. seu cartão de crédito e.. Mas acho que queremos não só eleger representantes. tirando por baixo.

Nem representação. foi projetada e construída pra agüentar muito tranco e. secreta. Melhor que papel. usando até urnas eletrônicas. em todo canto. mas até um certo dia. não há democracia. Tem candidato que não quer isso de jeito nenhum. uma só vez. também. fiscalização e transparência. Mas há muitos eleitores querendo dizer o que seus eleitos devem fazer. é um marco de governo digital. Meu único problema com ela ainda é a fila. o voto é computado com certeza. pois não há como vigiar rebanhos eleitorais. Daí a idéia de votar em todo lugar onde se use um cartão. do meu e do seu apartamento. é muito segura. e não há como associar um eleitor a seu voto. E dá pra fechar tudo. como declaração de renda. no que nossos vereadores têm que fazer ou não. Bem que esta poderia ser a próxima eleição. E eu nem falei da campanha virtual: fica pra próxima… 26 . A urna digital é fácil de usar. Brasil afora. claro. Da bomba de gasolina. apesar da contagem começar e ficar. se já não é. confusões. falando em segurança. uma vez. pela rede. supermercados e. E vigiá-los. Sem corre-corre. Seu uso. só para quem quiser ir – ou não tiver outro jeito – minutos depois do último voto. Sem responsabilidade. fazendo isso on-line.A urna eletrônica usada pelo TSE. pegando votos na junta e fazendo exame grafotécnico. boca de urna e fila. deveria ser produto de exportação. O voto continua secreto. Só se vota numa urna. Um mês para votar e quem está decidido começa antes. E eleição não precisa ser no dia. lotéricas. do caixa automático. Até pra gente poder votar mais. nesta eleição.

Se você anda preocupado com o futuro dos seres humanos. Este. a cada 18 meses.[ 23. para construção de dispositivos cada vez mais sofisticados e poderosos. é uma boa leitura.e ocupa. Bill Joy não é um pastor apocalíptico ou o cientista maluco da família. A manchete da capa da Wired de abril. mesmo assim. de uma ou outra forma. Muitas apoiam a idéia de "desenvolvimento baseado em ética" que permeia o texto de Joy. Cartas de professores. Como a idéia de "spiritual machines" de Ray Kurzweil. possibilitam a vida na Terra com tanta gente quanto temos aqui hoje. fazendo as contas.2000 ] Os nós do futuro O único assunto das "cartas" da revista Wired. Trata-se de um dos pesquisadores por trás do sistema operacional Unix – desde a época em que era estudante de doutorado em Berkeley . é um artigo de Bill Joy publicado três edições antes. E a fazer sistemas e negócios para ganhar dinheiro com isso. a primeira empresa a proclamar que a rede ia ser mais importante do que os computadores. pelo mesmo preço. O texto de Joy tem 14 páginas. Frutos do nosso instinto de sobrevivência. computadores pessoais como os de hoje teriam capacidade "computacional" equivalente a um ser humano. Não é nenhuma surpresa. de altos funcionários do governo. hoje. que garante duas vezes mais potência. Os argumentos de Joy. precedidas de um surpreendente "editorial". em um futuro próximo. Cortesia da Lei de Moore. os "hipercomputadores pessoais" nos tornariam economicamente anacrônicos e. As cartas escritas por humanos . da nanotecnologia e da robótica. em julho de 2000.Jun. Outras detonam o argumento de Joy de que seria preciso 27 . da genética. para propor a tese de que o futuro talvez não precise de nós. nada vai mudar. Somado ao avanço da genética – para "melhoramento" dos seres humanos. substitutos não humanos para os atuais homo sapiens sapiens. Joy não é um diletante.antecipam o que pode ser o grande debate dos próximos 50 anos. o prestigiado cargo de Cientista Chefe da Sun Microsystems. São 11 páginas. têm um número de facetas. é "Porque o futuro não precisa de nós" e o argumento é simples: face ao avanço das tecnologias da informação. Um ou outro nota que o debate já havia começado e que. consequentemente. diz que. que nos "livraria" de funções de manipulação e operação de qualquer coisa. onde está o artigo de Joy. a humanidade poderá criar. à nanotecnologia. desnecessários. de empresários. a maioria dos quais louvando o alarme soado por Joy e se propondo a debatê-lo em todo o futuro. aí por 2020. que tenha gerado um número recorde de cartas à redação. e à robótica. como os alarmistas e grupos retrógrados que tentam viver sem as tecnologias que. pois.

como parece ser o caso. aberta de uma vez por todas desde que nós começamos a pensar -e sonhar."controlar" o desenvolvimento tecnológico: não haveria como enviar as idéias de volta para sua caixa de Pandora. seria de um acordo entre as formas de inteligência e capacidade operacional que criaríamos. primeira mulher da mitologia grega. ou adicionaríamos a nossos corpos.. Meu argumento preferido contra o discurso de Joy é o dos que dizem. Asimov escreveu sobre o tema há mais de 50 anos. 28 . da nossa futura irrelevância. A questão é se o desenvolvimento tecnológico vai seguir leis parecidas ou se a escassez real do futuro vai ser de ética.. parece. autonomia e autoridade dos últimos. E ninguém sabe se vai ser bom ou ruim antes de acontecer: Pandora.não inventaram nada melhor. Esta conversa não é nova. do que de um assalto das criaturas contra os criadores. ao invés de recursos naturais. preservando a vida. veio de um objeto (criado por Hephaestus) e depois adquiriu vida. Até hoje -pelo menos do meu ponto de vista. alimentos ou idéias. as forças sociais agem para que não se realize. e nós próprios. como Seely Brown e Duguid. que estabelecem limites para sistemas não-humanos de capacidade (igual ou superior à) humana. é não auto-realizável: anunciada e entendida. O futuro. que a "profecia" de Joy. dinheiro. enunciando um conjunto de "leis" da robótica.

E. estratégias e táticas que. O otimismo era achar que.França 5 x 1 Brasil. Uruguai 2 x 1 Brasil [ 30. Como sabem os analistas. usuários. algo como um BBS da tele. O "íamos" de hoje é porque. no país. Na época. no Brasil. Mas em 95. mas. E acho que não sabíamos que isso seria bom para a França. ia fazer a França passar batido na Internet. a rede está aí há pouco tempo. desta vez íamos. Vez por outra rolava a lenda da rendeira do Ceará que botou uma página na rede e vendeu 100 mil dólares para a Alemanha. a escola de Afogados nem biblioteca deve ter… Ia ser o Louvre no sertão do Pajeú. de políticas. da França. ao som de Sérgio Motta tratorando o monopólio das telecomunicações e iniciando a privatização das operadoras. páginas. no mais das vezes. um monte de franceses do primeiro time vinha emigrando para o Silicon Valley desde a década de 80. até agora. era mais barato do que a infra-estrutura da velha economia. metade do Brasil. Não sabíamos.Jun. da década de 80. e pessimismo. em quase todas as medidas. numa França de teles estatais (até hoje!) a Internet não teria vez. A Internet. a gente ia ganhar… Ainda mais. por haver tanta gente boa à frente do Brasil Digital. O resto é quase conversa. E. Ou enxergar pequenas realidades como a falta. tanto quanto em quase todas as cidades do Brasil. apesar da qualidade individual dos seus técnicos. achávamos que os garotos e garotas de Afogados da Ingazeira iam ter Internet na escola e acesso aos livros. atingindo hoje 21% dos lares. as coisas ainda vão mudar muito. que no mundo virtual as oportunidades seriam de todos. Tudo bem. O Comitê Gestor da Internet se instalava em Brasília. no governo como um todo. às vezes. no Planalto. E de como a rede iria resolver tantos dos nossos muitos problemas. reconhecer os limites do Governo. O locutor que vos fala era o representante dos usuários e a conversa recorrente era o crescimento da rede no Brasil. porque o investimento. pode ser. a Mona Lisa digital mostrando seu sorriso pro Brasil real… Eu fui um dos que saiu na Caravana Rolidei espalhando que a era da informação ia começar. ainda está ligado aos que 29 . em número de domínios. Mas o fenômeno da Internet. o Minitel. no CG. mapas e documentos que a biblioteca de sua escola não tem… Aliás. mercado primário é São Paulo. não "fomos". ainda por cima. me lembro de dizer "vamos".2000 ] Era julho de 1995. Ou Austrália. na nossa opinião. começou a passos largos mas não mudou nada no país. três anos antes do desastre de Paris. Pessimismo era proibido. nos levam às escuras derrotas do Brasil real.

pode-se contar mais de 200 Internet start-ups. o Brasil ainda vai ser um grande Uruguai: 3% dos brasileiros estão online. Ao redor da estação Sentier do Metro de Paris. Per capita. salvo raros e honrosos esforços de associar a rede aos processos educacionais. contra 7% dos uruguaios (15% dos franceses!). pouco foi feito para que a Internet passe a ser um componente essencial – ou mesmo auxiliar – da educação brasileira. Depois de 1998. E educação para o futuro é parte essencial de seu processo de construção. aqui e ali. em jan/2000. temos 3 vezes a população de lá. havia 780 mil hosts ".têm posses para mais do que o dia-a-dia. voltou e investiu. ganha do Brasil por mais de 2 a 1. Ainda bem que. na conta per capita. a menos que vivamos de ajuda externa. Não só o pessoal que foi pro Silicon Valley aprendeu. enquanto tentávamos entender qual era o jogo. a França acordou para o mundo virtual e nós ficamos esperando que ele acontecesse pela mão de sabe-se lá quem. Paris foi marcando gols. Vários na decisão da Copa. Perdemos por 2 a 1. Falando em gente. no Maracanã. Mas na rede. a lavagem é por 6 a 1… Até o Uruguai. 30 . as escolas estão na rede e formam gente para a rede.br". Enquanto ficamos passando tempo.fr" para 450 mil ". com 25 mil hosts mas 50 vezes menos gente. mas hoje o governo francês é considerado um dos mais digitalizados do mundo: quase tudo que faz está na rede. conseguimos empatar: podia ter sido muito pior. talvez mais do que no Brasil.

A "ajuda" e o "auxílio". mas também mais riqueza e lucro. inventar. Ou de mudanças culturais profundas nesta direção. Nesta "economia do conhecimento". A cultura ampla. é bom saber que. como as fábricas trabalham com volumes na maioria das vezes mundiais. A riqueza mais recente. de arriscar e planejar. de fazer funcionar. mas não necessariamente estratégico para o negócio a ponto da "marca" do celular querer fabricar o aparelho. na forma de processos.2000 ] A história do desenvolvimento econômico ensina que cultura é a responsável principal pelas diferenças entre os países (e regiões). a fazer parte do nosso dia e noite. E seu produto. A riqueza. os laboratórios são mais importantes do que as fábricas: não só geram trabalho de melhor qualidade e remuneração. pode mudar ou desaparecer rapidamente. O ensinamento é de Max Weber e David Landes. 31 .Desenvolvimento também é cultura [ 07. Empresas como IBM e Qualcomm venderam as fábricas e estão se tornando em parte laboratórios. sua aglomeração em certas regiões leva a economias de escala que criam barreiras de entrada muito efetivas. E. hardware e sistemas híbridos por trás de quase tudo que fazemos e usamos. no qual uma região se especializou. Mas fábricas podem sair de uma cidade ou país para outro em meses ou semanas. onde ocorreu. para quem ainda não fabrica. ao invés de ignorar ou esperar. Penang. vem sendo baseada no desenvolvimento e apropriação tecnológica. a criação de renda. nos últimos mil anos. muito mais do que nos recursos ou possibilidades naturais. trabalho e benefícios sociais. resultou de culturas de conhecimento e investimento. sem falar em PCs. na invenção e nas possibilidades das coisas criadas pelo homem. quase sempre tópico. reprocessar. investir e (re)fazer a história. advém do uso intensivo de conhecimento. de bancos e organismos de desenvolvimento (principalmente internacionais) não tem muita história a contar. "fábricas de conhecimento". na Malásia. software. notadamente em tecnologias da informação. de criar. EUA e Europa. depende de conhecimento específico. na economia da informação. Fabricação. De celulares até automóveis e geladeiras. O desenvolvimento sustentado. responde por 40% dos díscos rígidos produzidos no mundo. motor das economias da Ásia. jogos e tantas outras coisas que passaram. de não se satisfazer com o presente e. quase de uma hora para outra. entre outros.Jul.

Que estão. "just don't do it!" A boa notícia. talvez até em negociar e entregar. uns 5 bilhões de dólares na balança comercial. Aqui. mundo afora. a reforma fiscal nem sabe o que é o mundo virtual. de não ver ou. 32 . a política de informática está sendo empurrada por medida provisória. capital de risco é tratado como especulativo e estrangeiros como invasores. tilinta a registradora da marca. acha que o fosso entre os países ricos e pobres não tem mais jeito. aqueles sabidamente mais bem distribuídos do que este. Só que o Brasil ainda não tentou nada. um dos maiores economistas do século. na nova economia. é que "fábricas de conhecimento" dependem mais de cérebros do que de capital. que dependem de riqueza e sua distribuição. Conhecimento depende mais de sistemas educacionais. Mas será por incompetência nossa. no Brasil. A Índia. Isso passa por mudanças mais graves do que votar para prefeito e querer uma cidade mais segura… passa por construir uma sociedade de cidades seguras. John Keneth Galbraight. se transforma este ano no maior exportador mundial de software. na indústria do conhecimento. não mudar nossa cultura para uma de criação e construção. com a devida seriedade. é mais difícil do que o judiciário entender milho transgênico. vendo. que não espere por ninguém para ajudar. desenvolver. Cada objeto produzido. Visto de trabalho para engenheiro. Manaus quer que celular seja eletrodoméstico. por outro lado. Talvez. pesquisa e desenvolvimento fortes e variados do que de grandes e caros parques industriais. hoje. para países em desenvolvimento. especialista em pesquisar. principalmente em tecnologias da informação.vivendo de royalties. planejar. É o modelo Nike.

em www. para um carro entrar num servidor de tráfego e obter sugestões de melhores rotas. inclusive de tecnologia. crítico de tudo. hoje. no mundo. ou. disseram que WAP significava "Where Are the Phones?" – onde estão os telefones? – numa alusão ao fato que todo mundo falava da tecnologia mas ninguém tinha os telefones para vender.Jul. em minutos.w3c. na versão mais radical. Crítico de qualquer coisa é uma atividade quase extinta em países pouco sérios como o nosso. sistemas e padrões trabalhem com o mínimo de problemas. cita Charles Davies.co. sem a menor vergonha.boston. o World Wide Web Consortium. por exemplo. como dizem em Portugal. www. E não serve só para telemóveis. um protocolo de comunicação para celulares navegarem na Internet (ou numa versão modificada e limitada dela). na nossa frente. Uma que está debaixo de pancadaria grossa. Isso foi na Europa.org. Poderia servir. que desenvolveu o padrão WAP e as linguagens associadas. Agora. A crítica literária tupiniquim. porque vamos ter que conviver com isso.2000 ] Crítico é uma coisa séria.wapforum. vez por outra. e vice-versa. Ou seja. mas para qualquer dispositivo sem fio. como WML.psion. é que vai estar em 100 milhões de dispositivos". ele é o padrão 33 . sites WAP que servissem para qualquer coisa.com).Dor de cabeça sem fio [ 14.. E conclui: por enquanto. alguns meses atrás. Jimmy Guterman. Onde a crítica é levada a sério. Primeiro. pelo menos por algum tempo. A futebolística é de uma dinâmica impressionante. E há razões para se preocupar: o consórcio WAP Forum. Em particular. à medida em que o motorista tenta se mover no meio de um caos urbano qualquer. não é crítica de jeito nenhum. na do WAP Forum. WAP significa Wireless Application Protocol. por exemplo.com. grupo responsável pela manutenção dos padrões da rede e por fazer com que os mais diversos dispositivos. anda baixando o sarrafo em WAP: em 11/07. nenhuma menção ao WAP e. CTO da Psion (que faz ultramicros. mudando a classificação de técnicos e jogadores de craque para perna-de-pau. não havia provedores de serviço WAP e. www. o fez mais ou menos à revelia dos órgãos internacionais que já atuavam na área. Não há. faltou uma interação maior com o W3C. Mas aí entram os críticos. outros estão transformando o WAP em "What A Pain!" – que dor..uk) dizendo que "o problema com WAP não é o fato de a tecnologia ser ruim. Mas procure e descobrirá. muito menos. do Boston Globe (www. na página principal do W3C. quase acabando em desenlaces. que saco! – e enumeram muitas razões para isso. é bom ir se acostumando. é WAP. "protocolo para aplicação sem fio". ao vivo. desapareceu.

em um modelo. no começo. Mas.. no Brasil. e vice versa. os telefones serão muito caros e os serviços vão ser muito poucos: e para poucos. como não há um padrão de fato entre os dispositivos. E usar os telemóveis WAP não vai ser tão simples ou tranqüilo: já se descobriu que.. numa operadora perto de você. não funcionam todos do mesmo jeito e. vai ganhar nota baixa em harmonia e ritmo. O samba. Os aparelhos já começaram a ser vendidos e. Os hackers vão adorar. ainda não são estas coisas e as telas são pequenas demais.w3. pior. o nome de usuário e senha usados em algum outro site. vai ser muito baixa (9.6K em TDMA e o dobro em CDMA) e ainda não se sabe direito nem como os provedores vão funcionar. talvez mais de um."de fato" para comunicações móveis. A velocidade da comunicação. há como capturar. Como no princípio dos celulares analógicos. vamos conviver com sites que funcionam num Motorola mas não num Nokia. 34 . os telemóveis poderão navegar na Internet. antes. muito breve. por outro lado. num site e sem o usuário saber. Os aparelhos. www. quando a gente tinha que procurar as regiões da cidade onde o serviço funcionava. O problema é que estamos partindo de uma rede de celulares que até já funciona mais ou menos e as expectativas dos usuários são muito maiores.org/Mobile/Activity). até que se chegue a um acordo mais amplo (para saber mais sobre padrões para Internet móvel.

As tecnologias da riqueza [ 21. Isso porque eles não conhecem a economia. para o crescimento econômico… e as tecnologias da informação e comunicação têm importante papel econômico ao facilitar a inovação. digamos. criar trabalho e aumentar a produtividade depende de inovação. que está ligada à penetração. boa parte do empreendedorismo brasileiro.2000 ] Nos anos 90. tudo resolvido. até aqui. agora. as favelas e. passagem. em última análise. entre o fim da escravidão e a segunda guerra: precisávamos de braços. depois. Trouxemos milhões de fora para os campos. A combinação apontada pela aliança econômica dos países ricos. nos que mais crescem. é o que parece transformar economias como a americana. a vida brasileira. Graças à "nova economia"! Na verdade. perdemos de muitos a zero." Em português claro. esforços para atrair e usar recursos humanos d’além-fronteiras… e enlaces entre universidade e indústria são essenciais…". tecnologia e performance econômica mudou no correr da década passada… e a inovação. norueguesa e holandesa num paraíso. Trazer especialistas estrangeiros para trabalhar aqui é uma novela. mas muito rápido. logo no início do texto. "Os ganhos de produtividade são. menos ricos. tivemos mão-de-obra.Jul. juntas. 35 .org) para A Economy? uma reunião de seu conselho ano que vem. mesmo no primeiro mundo: uns países ricos estão ficando ainda mais ricos do que outros. quase certamente porque. o parágrafo é uma tradução livre do começo de um relatório em preparo pela OECD (A New Economy?. No capítulo "trazer gente de fora". em www. Enquanto isso. e vai descobrir o que nos faz falta em tempos tão escorregadios como estes. a Microsoft vem entrevistar nossos alunos de graduação e leva brasileiros a rodo para Redmond. Ligue o primeiro parágrafo e tudo mais que está entre aspas. que se tornou. das tecnologias de informação e comunicação. comentada. com visto. federal. Mas o relatório não para aí.oecd. são a razão do aumento da performance econômica de muitos países… a relação entre ciência. encontrou-se uma forma de aumentar o nível de emprego e a produtividade. Continuo na tradução livre. Palavras da salvação. o resultado da combinação de desenvolvimento tecnológico e novas e mais inteligentes formas de trabalhar… tecnologia e inovação. de resto. e muito. e a japonesa e a maior parte das européias num quase-inferno. em escala nacional. ao mesmo tempo. Mas não só: "capital humano é um fator crítico do processo de inovação… abertura a idéias de fora. Precisamos de conhecimento. largamente. é essencial para o sucesso das empresas e. o produto nacional bruto per capita deixou de convergir.

liberal. ou seja. Pode não ter dinheiro ou empresa estatal. de alto risco…" Resumo da ópera: uma gama de fundamentos é essencial para garantir o crescimento econômico baseado em inovação. prioridades. de um amplo contexto dentro do qual o país cresce. acima. 36 . seja-lá-o-que-for. é preciso criar as condições para mudança organizacional..em qualquer país do mundo. educação. Tomara que aqui seja sim.. em 1999. incluindo capital de risco… e investidores capazes de avaliar firmas inovadoras. Mas a conversa não acabou: "start-ups são mais flexíveis… e essenciais para o processo de destruição criativa que ocorre em períodos de mudança tecnológica (a Microsoft... Poucos parecem perceber isso. incentivo.. aquisição de conhecimento e treinamento. competição efetiva em todos os mercados. Pra terminar: "…deve-se ter em mente que usar a Internet e tecnologias da informação e comunicação como base para inovação requer muito mais do que comprar equipamento ou conectar escolas. articulação." O "criar condições". arriscar e estar aberto a novas idéias. venham de onde vierem... Ou não. definições. legislação.agora. torrou 13 bilhões de dólares adquirindo ações de 44 startups…) mas eles precisam de suporte financeiro. na formação local. socialista. e deveríamos estar trazendo capital humano e investindo. mobilidade de capital humano. disposição para experimentar.. muito mais. é obra de governo . mas precisa de políticas.

concretas e abstratas . e aplicações. ainda precisamos de muita estrada de verdade.. são concretos. além de manter as que estão por aí. os governos dos países que fornecem as bases para o resto do mundo funcionar. Lá. Os carros. beneficiam e conectam gente em todo o mundo. com suas ondas. Pois.dotforce.hummer. enfim. socorro. Antigamente. são concretas. para construir a Declaração de Okinawa (http://www.... por sinal.).com. serviços e aplicações do mundo virtual venham dos mesmos endereços.são elementos básicos de toda rede de comunicação: as de ferro são concretas.. No Brasil. fiel ao lema. quase desaparecendo.. que levam e trazem bits. as estradas são a infra-estrutura essencial para se vender um infracarro que seja. governar era construir estradas. entra-se direto (na pág. Até hoje tem alcaide que. carga.. são essenciais para a indústria automobilística. sistemas de informação. As estradas dizem muito sobre nosso estágio social. faz uma da prefeitura pra porteira da fazenda. E que a vasta maioria dos componentes do mundo on-line vem sendo feita em uns poucos dez países. que acabam sendo negócios como ecommerce.Jul. Cabos e linhas. Estradas . depois de tecer uma página e meia de considerações sobre a política e economia globais. italianas e americanas. Os roteadores e servidores são matéria.org). educação mediada pela rede. As máquinas que fazem as velhas estradas são japonesas. o chamado G8.. pois: não é surpresa que as máquinas. de fato quase toda a infra-estrutura. razões para universalizar o acesso às mesmas". "que habilitam. as aéreas e marítimas são abstratas. Falando nisso. E que as coisas das infovias nos vão ser vendidas do mesmo jeito que compramos as outras estradas. mais os serviços (como os protocolos da rede). Se a gente pensar em automóveis como serviço (de transporte) que tem aplicações (passeio. celulares e satélites que ocupam.[ 28. A um custo muito alto. como o são os rádios. permite criar conteúdo e contexto. A menos que todos andem de Hummer (veja em www.2000 ] Governar é construir.. francesas.). Estradas.. 37 . Esta infra-estrutura. e as vias do mundo virtual. esquentam e dão choque. como correio eletrônico e WWW. de vidas inclusive. o espectro eletromagnético. Um velho professor meu dizia que manutenção é o que faz a diferença entre a barbárie e a civilização. tudo o que usamos rede afora. ônibus e caminhões que nelas passam não têm bandeira diferente. acabam de se reunir no Japão. quem diria. serviços e aplicações formam a base de qualquer rede de comunicação. 2 de 16) em Tecnologias da Informação. Isso tudo é pra dizer que infra-estrutura.

.. E isso. e criar condições de empreendedorismo para construir soluções. produtos e empresas essenciais para a disseminação das tecnologias da informação no mundo todo? E o anúncio é unilateral. infra-estrutura. afinal.Acesso é o contexto do anúncio. do investimento de 15 bilhões de dólares. a participar do mercado global. ninguém combinou nada com os lascados. é a credulidade nas coisas ingênuas e simples. vai habilitar os menos pobres. certamente.. somente pelo Japão. talvez doutro jeito.. mas a mentalidade dos que "ajudam". Que podem estar querendo outra coisa.000 especialistas na promoção de tecnologias da informação e políticas de seu uso". deve ser agosto. Parte do dinheiro vai ser usado. 38 .... para diminuir a distância digital entre os países mais pobres e os mais ricos. nas prateleiras virtuais. Que certamente vão criar acesso global. Mas não é isso. entre os mais pobres. não: hoje. estou pessimista... para "treinar 10. vêm do mesmo G8. caso tudo dê certo. Hmmm..000 engenheiros. principalmente dos bancos de desenvolvimento. Uma das coisas que se perde. serviços e aplicações. Porque não educar 10. é de que os necessitados "não sabem nem o que querem". nos países pobres. Onde quase todos os "goods and services". feito na conferência. aprendendo com o passar dos dias. O motivo real de Okinawa talvez seja vender. quando vindas dos ricos e poderosos. ao fim do dia.

Mas o que poderia ser o princípio do desenvolvimento é. a moça da Justiça Eleitoral enfrenta a desconfiança do que se chama. algumas dizimaram famílias inteiras. quase anônimos e.. magro.As máquinas da democracia [ 04. dispara: "é mair-mió que na mão. já sabem tudo do voto informatizado.Ago. que é mais demorado.. aqui. Depois que a Constituição de 1988.". Foi não foi. Senhores e senhoras de idade. onde o Fundo de Participação dos Municípios desaparece sem deixar rastro. repassa o corrige/confirma do processo de votação. e a moça do TRE manda ver. o único lugar que terá que ser vigiado. perseverança. Depois de sufragar um 91 pra prefeito. capaz de descarrilhar o trem de pensamentos do transeunte. A urna é tecnologia da informação a serviço da cidadania.. "venha cá. Se você acha que o povo é tripudiado em São Paulo. muitas vezes. pois roubava-se descaradamente na apuração e todo mundo sabia. Quando não. Passa um. as prefeituras passaram a ser o centro da economia de quase todas as pequenas cidades do Brasil. sábado de feira. parte do processo de concentração de riqueza e poder. como a urna eletrônica faz. O que é muito mais fácil do que garantir o processo todo. imagine o que acontece na maior parte do "mato". O eleitor pode até levar o "santinho" pra cabine. E guerras familiares de deixar os Montechio e Capuletto parecendo produção de Disney. eleição quase sempre foi pré-fixada: os sufragantes entravam com o voto pronto. defensores e opinião pública. era pósfixada. onde há mídia. um senhor baixinho. o voto vai ser secreto. Na pracinha da rodoviária. tem briga destas que dura séculos. tá com medo de quê?". ávidos pra meter o dedo e mostrar que. escrever sem saber deve ser um sofrimento. Brasil a dentro. mas só vai votar quem está inscrito. se encontra com a máquina de votar no ponto do ônibus. Por meio da mais ampla. Também há jovens da cidade. Gasta bom humor. a maioria analfabeta. sol esturricante de cozinhar o juízo do cabra da praia. 39 .. a contagem vai ser rigorosa e vai representar o que aconteceu à frente da urna. "o povo do mato". o processo terminava em bala. mesmo sem nunca tê-lo feito antes. conhecimento e liderança.. meu compadre. Que eu conheça. cuidando da lisura do processo eleitoral... junta gente pra ver. à luz do dia. passa outro. mortos e feridos. de fato e direito. Claro.. na mão custa mais. municipalizou a nação. prefeitos e vereadores roubam. ainda assim. juízes. ensina a cidade a votar. Arretado.2000 ] Cariri da Paraíba. mostra a lista dos candidatos... E traz um e outro. Mas tecnologia pode ser usada pra por um pouco de ordem no cenário." A tradução para o português é algo como "é melhor do que escrever na cédula. declarada e deslavada corrupção.

teríamos auditores fiscais mostrando como vigiar as coisas e recursos públicos. na praça do Cariri. Pelo menos metade da corrupção desapareceria: os corruptos são covardes que se valem do escuro dos gabinetes para roubar. deveria ser mandatório a execução pública das contas federais. quando se publica contas e aplicações. o país iria mudar.Podemos ter muito mais tecnologia da informação cuidando da coisa pública. o TCU e os TCEs deveriam exigir que os executivos botassem as contas públicas no ar. Ao invés da moça do TRE. Porque a partir daí todos os mandatos seriam diferentes. Se eu tivesse uma coisa para fazer. Certeza absoluta.. Incompetentes. faria isso. como dizem os juristas. Depois do TSE. estaduais e municipais. como governo. mesmo que levasse um mandato inteiro. as coisas que não fazem sentido começam a aparecer. em tempo real (à medida em que os gastos acontecem) e na rede. E questionar.. para qualquer eleitor ver. de tal forma que todo mundo pudesse ver e perguntar porque está acontecendo de uma ou outra forma. 40 . Por exemplo. E.. dificilmente imaginam esquemas para roubar transparentemente. Assim que o "povo do mato" soubesse como e entendesse porque o prefeito nem na cidade mora.. Afinal de contas. trata-se de um condomínio. moramos nele e queremos saber o que o síndico está fazendo com o nosso dinheiro.

advogados. é uma linha aérea. os processos são rígidos.. A maioria dos sistemas jurídicos atuais.Ago. o que não é o caso.br para o . pode acabar virando uma empresa de hardware.). Na rede. com servidores no Brasil e entrega em Hong Kong? Ainda mais.com. tramitam 23 projetos sobre variadas facetas da Internet. quem pega um "crime" sendo cometido por um comprador da Estônia. ao habilitar usuários. apontou pelo menos três razões pelas quais a Internet é uma pedra no sapato do Judiciário. acusam Napster de instrumento puro e simples de habilitação de pirataria. Isso no domínio .br) registram o que você quiser e. no Rio. a disputa vai para o Judiciário. não é o pior caso. nos dois domínios. Os registros de nomes de domínios (como nsi..com e registro. a nova rede americana. a sua tecnologia e seus usos criam novas pendengas e os sistemas jurídicos existentes são inadequados e ineficazes para tratar das coisas na complexidade e velocidade da rede. a rede radicaliza antigos conflitos. Nos conflitos antigos. no . por exemplo. é nacional. a padaria "Continental". tem como ênfase a reparação de danos e sua força reside na eficácia da coerção. estatal. como os de patentes e marcas.2000 ] O Professor Joaquim Falcão. vai ter que brigar com os fogões do mesmo nome. antes dos grandes homônimos. está trocando seu DNA. aos quais a decisão da Justiça. legitimamente. Mas a padaria poderia ter registrado. As grandes gravadoras. Muito rapidamente. depois.com. Mas a disputa é ferrenha e envolve grandes nomes.com para o . seu nome. detentora do uso da marca para seu negócio. seja 41 . entre empresas. o que leva a decisões complexas e demoradas – e possivelmente inúteis no caso da economia da informação: A Microsoft. Pela ordem. hoje.com). por sua vez. com leis criadas pelo legislativo (no caso brasileiro.As tábuas da lei da Internet [ 11.com. onde as velocidades chegam a 620 megabits por segundo. Meu chute é que as gravadoras vão perder e/ou se transformar.br. Os novos conflitos são criados por sistemas como Napster (napster. não só no Brasil. Napster é uma das únicas aplicações que põe em cheque a capacidade da Internet 2. mas em todo o mundo.. no caso músicas em MP3. a compartilhar coisas. em todo o mundo e a partir de suas casas. enquanto o judiciário americano cumpre seus trâmites. e que ficava escondida do resto do mundo – a menos do meu bairro – se quiser entrar na rede. Como os dois são bem mais conhecidos do que os pães do Seu Joaquim. usando um serviço sul-africano. serviços e jogos. dia 10 de agosto pp. ao abrir o Congresso Internacional de Direito Autoral e Internet. na tentativa única de preservar seus modelos de negócio. professores e juízes americanos.

pelos legisladores e juristas. simples usuários. ou que não deveria estar.com provem que parece com 1-click vai ter que pagar por seu uso.. a coisa está ficando séria: o patenteamento de "business methods". O problema enfrentado hoje. Isso não é razoável e impacta diretamente o curso da inovação. de um conjunto de tecnologias que muda a forma de fazer as coisas. não deve ser muito diferente do que aconteceu no início da revolução industrial. É o mesmo que patentear a fila única ou coisa assim.. por exemplo. cooperativamente. pelos engenheiros que escrevem seu código e a fazem funcionar.. como os direitos associados à liberdade e à privacidade e as forças e condições ligados à inovação e à competição. pelo Judiciário. Senão a coisa vai ficar tão complicada que. tão simples quanto a Internet era no começo. As tábuas da lei da Internet devem ser escritas calmamente. direito do consumidor (este ainda nem existe) e por nós. em breve. Pois coisas equivalentes ao reconhecimento do freguês. deputados. antes dos presidentes.ela qual for. já que qualquer processo que dependa de algo que os advogados da amazon. juizes e advogados. se eu e o leitor quisermos usar. O que não está mudando. por demanda da sociedade. 42 . Veremos. país de advogados. não mais se aplicará. pela Sociedade. Em muitos casos. pelos órgãos internacionais de propriedade intelectual. teremos que pagar royalties a Jeff Bezos. sem mudar muitas coisas..com!) e. dono do pedaço. criar algo novo. vai criar obstáculos muito complexos para a evolução do uso da Internet como ambiente de negócios. são alguns dos nossos valores fundamentais. as relações e processos entre elas e os mecanismos de litigação) causada pela introdução e absorção. Estamos tratando da desestabilização de parte do sistema operacional da sociedade (suas instituições. pelo vendedor. pelos negócios que nela habitam. telecomunicações. o bom senso da engenharia vai. estão patenteadas (este é o caso do botão "1-click" da amazon. principalmente nos EUA.

ganha mais 100 segundos para se entender o negócio. que tem outros dez para introduzir um plano de negócios. no meu caso. no qual se gasta dez segundos para ler e entender o primeiro parágrafo do resumo executivo. mal conseguia jogar no gol.1001 noites na rede. na diagonal. Aliás. simplesmente.. resolvi por meu tempo em ordem e tomei um bocado de decisões.e eu gasto .. Se passar no teste. passa-se para o próximo.. [ 18. na hora da reunião. Minha escala começa em segundos. outro alguém (que não eu) vai ter que fazer. onde. 10 segundos é quanto custa chamar atenção de alguém para alguma coisa: se os primeiros dez segundos não seduzirem. quem se lembra mais do que aconteceu há mais de uma hora?. clicando delete e ganhando uma lesão de esforço repetitivo. estavam. como ninguém dedica mais de uma hora a nada. me deixa uma hora no PowerBook. 43 . onde os economistas estão nos convencendo que o recurso escasso é a atenção -não devem estar levando em conta a atenção que dezenas de milhões dedicam aos programas de domingo à tarde na TV. passa para horas e acaba em dias.Ago.com coisas da internet e da nova economia. dono do campo e da bola. e define quanto tempo se gasta . 10 segundos é o tempo. eram muito bons. mas deveria ser um fenômeno futebolístico inusitado pois. Eu não lembro.2000 ] Eu era menino em Arcoverde. não nasce nada mesmo. Ou então entendem que o entretenimento do povo brasileiro é dar um reset na vida depois da macarronada com galeto-de-tonel. nunca acordaram ou. com os dias de escola compostos por aulas (pela manhã) e futebol (todo o resto do dia. as pessoas ficam se repetindo e. escola e férias. O tempo foi se acelerando e acabamos na era do conhecimento. Sem paciência para a TV e sem tempo para mais nada. tirante a gente ter perdido a copa da Inglaterra. no sertão do Nordeste.até porque são as 1001 noites que tornam poético o título deste artigo. sempre em potências de dez. incluindo parte da manhã). por dia. Uma hora é o tempo destinado a qualquer parte de qualquer coisa.. para ver se merece 10 segundos de atenção.. pela necessidade de se repetir o passado para os que estavam dormindo. proposta ou seja lá o que for. O ano era dividido em três partes: férias. qualquer reunião de mais de uma hora é um inferno. Isso torna as reuniões ainda mais infernais. Se não couber em uma hora. em 1966. que incluem situar o infinito temporal daqui a 1000 dias . também. e os tempos. 1 segundo é tempo máximo para uma página começar a carregar no browser e também o tempo gasto varrendo seu conteúdo. mesmo. dedicado a cada email que aparece: a trezentos deles por dia..

Deve ser por isso mesmo que tanto capitalista jogou dinheiro no mato: na ânsia de pegar os melhores negócios.. como já vimos. eficiência e economia típicas dos novos tempos. quarter" quarter por algum recém-egresso de um MBA. zipando dois dias em um. ou em 1000 dias (o que acontecer antes). brilhante idéia pode levá-lo. o infinito: nele. Ou isso ou. e ao investidor. Aliás. já que chegou até aqui. além de passar a vida em aviões e celulares. o que chegar 44 . você ainda tem um negócio de subsistência e provavelmente não irá muito mais longe. no máximo. a algum lugar. no que se contaminaram pelo vírus mutatis mundi. Rápido.. O pior caso é estar faturando uns 1 milhão por ano: mesmo que esteja dando algum lucro. E comece de novo ou se lance num novo negócio. Dez horas é tempo suficiente para fazer alguma coisa de útil: as coisas que podem ser feitas podem começar a ser feitas em dez horas. No melhor caso. às quais você diz os mesmos primeiros dez segundos de porque estamos aqui. se tornar o homem mais rico do mundo! Finalmente. como dar cursos de 100 minutos sobre como ficar rico na internet.dedicando sua hora a outras coisas mais produtivas. nada de "satisfação garantida ou seu dinheiro de volta". menos nos start-ups de informática... onde solidão é a última coisa que você vai conseguir se estiver pilotando um start-up é o prazo prático para mostrar que sua start-up. O próximo deadline são cem dias: isso é pouco mais do que os três meses usados para aferir as empresas americanas que têm ações na Bolsa. Não deveria nem ter passado dos cem dias mas. por quartil Cem dias.. ouviram muita gente por mais de dez segundos. do Perpétuo Socorro..a maioria das quais com gente estranha. quartil. Logo. Ou então não vão ser feitas nunca. se seu negócio de internet ainda existir. Dez horas é um dia. 100 segundos para decidir se o curso vale a pena ou não.. gastar 1000 minutos por dia em reuniões . traduzido para o português. o "quarter lá deles.. tempo suficiente para se ter uma idéia e criar o start-up que vai botá-la no ar e "mudar a nova starteconomia de uma vez por todas". venda. só vão ganhar 10 segundos de atenção) não levou nem dez dias entre idéia e empresa. eles só vão lhe dar. S. depois. enquanto reza para N. Depois de um dia vêm dez. que tem como consequência uma vontade irresistível de torrar dinheiro. seu negócio mudou a rede e você está faturando os tubos. ou um mega-temporal em São Paulo. pode estar em dois estágios. onde o dia de trabalho startcomeça as 8 da manhã e acaba à meia noite. a quase totalidade dos planos de negócio das empresas da nova economia (que. Lembre-se de interessar os alunos logo no começo da primeira aula. mas não se preocupe: Sam Walton faliu mais de dez vezes antes de começar a ganhar dinheiro com o Wal-Mart e. os mesmos 100 segundos do que faremos depois.

.. acabar a reunião antes do relógio bater os 10000 segundos. outro também.mais rápido. Pois acabou deixando aquela namorada toda reboculosa para seu melhor amigo. 45 .... lá no Acaiaca. que só deu. claro que você deveria ter vendido antes de chegar nesse ponto. mesmo.. Tanto quanto o nosso compadre da informática de subsistência. 10 segundos pr'essa história de internet e está azeitando o eixo do tempo dia sim.

2000 ] Ano passado. ano passado. O que precisamos. são o dobro dos que se foram em 1998. com um botão de sintonia redondo. causa sofrimento. nos EUA. Talvez não estejam precisando mesmo usar a rede agora. para 10. E as pessoas desistem e formam grupos de auto-ajuda.Ago. Melhor não gastar papel e tinta: é mais ecológico. Mas a um custo muito alto. diriam uns. demandas cognitivas. Ao comprar algo útil para nossas vidas. na sala da casa. deveríamos ser ilustrados a ponto de entender suas capacidades. operacionais e financeiras. e não tem. que os assola quando têm que comprar tecnologia da informação. uma antena cúbica de quadro de quatorze elementos. Nem precisaria ter. liga/desliga/volume. certamente. criam igrejas. Lembram deles? Senhores capazes de montar. de outro. Desde que os primeiros computadores apareceram no cenário caseiro. o assunto é sério. se o mundo fosse melhor. à direita do dial e outro à esquerda. Nem vai ter. a gente leva na gréia e bota os filhos pra tomar conta da parafernália tecnológica que nos soterra. nossa vida se tornou parecida com a dos rádio-amadores. tanto em função da complexidade como da invasão tecnológica. por uma razão ou outra. Devem voltar.Tecnologias (complicadas) da Informação [ 25. Os 29 milhões que disseram adeus à rede. A causa aparente é a sofisticação e complexidade dos equipamentos e suas interfaces. Aqui no Brasil. Lá fora. há claros sinais de revolta entre os usuários. alegariam outros. o diabo. Não pense que seu PC vem sem manual porque é simples: na verdade. Como rádios já foram. não tem manual porque nem você nem um PhD em Computação entenderiam. Mas estamos falando da América. e não de um terceiro mundo qualquer. derrota indivíduos. Deve ser por isso que um terço dos consumidores americanos diz sofrer de "ansiedade e nervosismo digital". Trata-se de gente que estava usando a rede e que. diante da nossa óbvia incompetência para entender até as comparações que as revistas especializadas fazem. 15 e 20 metros. todos. 29 milhões de pessoas desistiram de usar a Internet nos EUA. é de sistemas de hardware e software mais simples. Segundo o USA Today. um dia. E isso é coisa que quase não temos mais. deixou de fazê-lo. para falar com o Afeganistão? A maioria dos usuários dos computadores e software de hoje deveria ter o mesmo grau de especialização. Talvez não sejam educados o suficiente. Um número de evidências sugere que boa parte da culpa está na complexidade e instabilidade das tecnologias cujo domínio é essencial para fazer parte do mundo digital. revela mais uma pesquisa lá deles. até mesmo dentro do exército que está ajudando a 46 .

de forma muito radical. Quando a febre digital passar. no fim de semana. É muito fácil dizer que a tecnologia . por outro. Depois de minutos de desespero. não há. Todos nós precisamos. as marrecas e carcarás no seu ballet celeste. nos jornais.botar tecnologia na vida de todo mundo. em função da total abstinência de civilização. por um lado. desenhando a vida como ela é. seu direito a pelo menos parte do presente sem tecnologia. renda ou ferramenta. antigo sítio dos Meira. em Taperoá. É mais fácil ainda se tornar dependente dela de tal forma que o mundo passa a ser acessório. vão para o campo.. cria tecnologia como trabalho ou tem um trabalho que é quase só tecnologia e. Executivos que não têm celular. ao barulho do nada. É só ligar que funciona. na rede do CESAR. passa a ser vida. onde não há nem energia nem celular. as fogopagou. não vai haver tanta gente. 47 . Menos para quem. aqui nada me atrapalha. Ou foi.. vive uma vida normal. trabalho) para casa e que. está aí um futuro para os computadores e tecnologias da informação em geral: funcionar sem que a gente precise saber como. Posso passar todo o tempo do mundo olhando os galos-de-campina.qualquer uma . Afinal. que tem tecnologia. exibindo esta sapiência toda sobre bits. servidores e roteadores. Ou deveria ser. E vai ser aí por 2015. a lugares onde não há sinal de celular e nem mesmo amenidades antigas. Conheço gente que faz isso e defende. como energia elétrica. além de negócio. de primeira. cadernos sobre eletricidade. que não levam laptops (ou seja. Para dar ouvidos ao campo. por aí. mas ninguém tem que saber dos detalhes. água e telecomunicações. No médio prazo. mas não só. No dia em que eu conseguir instalar uma impressora. baixou uma tranqüilidade inigualada: aqui ninguém me acha. isso vai ser verdade.é um meio. Dia destes vivi o problema/solução nas Parelhas. E tecnologia.

quase quatro mil anos depois. por sinal. a Bayer começou a vender aspirina em tabletes. P. Qualquer combinação de software e hardware pode ser vista como um sistema de informação que pode ser dividido. A ciência só carimbou a verdade com o Prêmio Nobel de 1982. de suas propriedades. o domínio da possibilidade Parte significativa do que a possibilidade. que ultimamente afeta e habilita todos os outros. tecnologia e risco são o caldo da inovação: é por aí que o mundo muda.2000 ] Mudando o mundo. Quase nenhum deles está baseado em teorias razoavelmente estáveis ou provas de correção. diminuem a nossa dor: fazem operações que nos dariam muita dor de cabeça pra fazer como nossas redes neuronais. os dispositivos construídos sobre as tecnologias da informação e a pouca ciência que os sustenta estão mudando o mundo numa velocidade muito grande.[ 01. sentidos e membros. apenas: ciência e humanidades. tecnologia faz vem da experiência. da procura da beleza e a tecnologia. por ter descoberto que o mecanismo de ação da aspirina é inibir a produção de prostaglandina. desde os que usamos nos nossos PCs até os que a NASA faz para suas sondas espaciais. às vezes. as coisas acontecem da mesma forma. Como? Tecnologia é cultura. C. é uma das três culturas. nas instituições e na sociedade. da montagem de "legos" de conhecimento. se tecnologia é cultura. às vezes apenas prático. a arte é o domínio da estética.Set. Em 1900. mas não porque AAS baixava febre e diminuía dor de cabeça. Não deveria ser surpresa para ninguém que quase a totalidade dos programas de computador tem defeitos (ou "bugs"). na direção errada. de fato. literalmente. tecnologia tem que se inserir na cultura que ela muda. tanto quanto a aspirina antes de 82. mercado. como conseqüência do trabalho de Felix Hoffman. dando a láurea a Sir John Vane. No pequeno mundo das tecnologias da informação. às vezes não muito bem explicada. E. tecnologia ao invés de ser uma (não tão) simples conseqüência das descobertas científicas e sua aplicação no mundo real é. E. no sistema propriamente dito e 48 . Mas. Porque. Pegue o exemplo da aspirina: desde Hipócrates (ao redor de 2000 AC!) que as folhas e casca do salgueiro eram prescritas como medicamento para aliviar dor e febre. Sem falar nas pessoas. Snow falava de duas. mais ou menos formais. fazem coisas que não conseguiríamos de jeito nenhum. Problemas. que sintetizou uma forma estável do ácido acetil salicílico em pó. Mas prefiro um espaço tridimensional onde a ciência é o eixo da verdade (da descoberta. sabia-se mais sobre o salgueiro do que Hipócrates. Mesmo não sendo estas brastemps. quando é introduzida. do entendimento do mundo em que vivemos). Até aí.

org. de Adam Kahane. se você quer mudar o mundo com tecnologia. oportunidades. 49 . grandes e pequenas corporações e novos produtos.. acho que descobri as porcentagens que regem as divisões acima: um sistema de informação é 10% sistema e 90% informação. é uma composição das tecnologias sistema. por maiores e mais sofisticados que sejam.). do qual faz parte Peter Schwartz. já que 99% da solução de qualquer coisa está lá fora e não nos seus programinhas. gente. principalmente da informação. usado para entender países (como África do Sul e Colômbia). seja apenas 1% da solução. E o sistema é 10% tecnologia e 90% aplicação. normalmente significa que um grande especialista em sistemas financeiros. uma primeira boa leitura é How To Change the World: Lessons for Entrepreneurs from Activists. vai estar perdido se o problema à sua frente for desenvolver um sistema de e-mail. (incluindo aí regras de negócio. por exemplo. www. usadas para sua construção e a capacidade de aplicação das mesmas em um dado ambiente de informação O que informação. um dos pioneiros do uso de cenários em planejamento. O autor é parte do Global Business Network.gbn. problemas. deveria entender o mundo antes. o que faz com que a tecnologia.a informação suas propriedades e contexto que trata informação. de fato. O sistema por sua vez. problemas e oportunidades envolvidos no processo. Tudo isso é pra dizer que. Depois de quase 30 anos fazendo software.. Para entender os princípios.

Um tal sistema daria aos federais de lá (e depois. dedicada. Mas. como aquele email comprometedor (para o seu casamento!) que o leitor mandou ontem à tarde para uma colega de escritório. que atenderam a pedidos que demonstravam haver uma clara razão para se espionar alguém ou alguma corporação. roteadores. pobres mortais. danada. ajudou a mandar para a cadeia mais de 25 mil criminosos nos últimos 13 anos. como tudo se copia. atrás dos grandes e pequenos crimes que a sociedade. Escuta ilegal.. apelidado de "Carnivore" pelo próprio Bureau. na Internet. capaz de registrar tudo o que passasse por qualquer ponto da rede onde nós. obras de arte digital. dá cadeia para os culpados. para o caso específico de informação que trafega na Internet. servidores. nos EUA. segura e "não intrusiva". de preferência do Federal Bureau of Investigation. Mas são a parte boa. hackers e provedores de acesso são a parte ininteligível e possivelmente incontrolável da história. assaltantes de bancos reais e virtuais a combinar seus negócios na rede e deixar evidências em todo canto. que pode andar na casa das muitas dezenas de milhões de caracteres por segundo. tudo o que trafegasse pela rede. ao resto do mundo) a capacidade de gravar. ao contrário de certos países de segunda e terceira categoria. Agora insira no contexto o mundo digital: fibras óticas. switches. Gente competente. seria uma caixa preta instalada nos provedores. o FBI acha que tem uma. Só que a evidência digital tem sido. O sistema. No mundo normal. completamente inútil quando confrontada com a realidade exigida das provas aceitáveis em juízo.. não pode ser normalmente feita "ouvindo" a linha. Escuta autorizada por juízes. evanescentes. confiável e não- 50 . lá. A solução? Nenhuma genérica o suficiente. o (FBI) americano. Mas a escuta digital. Como tudo (ou quase) são bits. terroristas. dada a complexidade do tráfego e sua velocidade. tivéssemos a sorte de estar conectados. depende de tecnologia muito sofisticada e que precisaria ser validada antes de poder ser aceita pelas cortes judiciais como segura. hubs. apagáveis e passíveis de reescritura sem que fique qualquer marca de falsificação (como provam as fotos em revistas masculinas. Espionagem digital. o mundo não tem dado muita chance a conteúdo de winchester e correio eletrônico como prova de conspiração ou crime. contrabandistas. escuta eletrônica federal. De lascar são os potenciais espiões. está a cometer todo dia. de forma teoricamente insuspeita.Set.[ 08. até agora. traficantes. pura e simplesmente.2000 ] Carnívoro sem caninos e garras Imagine-se na pele de um araponga.).

Só que absolutamente nenhum deles. vez por outra as ditas NPKIs ficam debaixo do maior tiroteio. Mesmo com todas as precauções externadas nas propostas já feitas em mais de um país. sobre um instrumento capaz de violar o sigilo das comunicações de todo mundo. por exemplo. ser capaz de copiar as minhas mensagens (no provedor) e ignorar as do leitor. chefiados por cientistas acima de qualquer suspeita.. de que adiantaria pegar mensagens de alguém que teve sua conta invadida por outrem. O FBI vai voltar à estaca zero da escuta virtual. de grandes universidades americanas. Inclusive para os bandidos. Sem isso. que tem interesse em jogá-lo nas malhas da lei? Ao contrário da escuta de voz. Teria que. Bom pra todo mundo. só para citar um problema. se usado "para o mal"? Laboratórios independentes. Além da complexidade e incompatibilidades mútuas das tecnologias propostas até agora. email. 51 . O projeto nacional americano está aqui e o CESAR fez um estudo independente considerando o caso do Brasil. sistemas de autenticação e criptografia capazes de manter sigilo e abrir portas. mas eu acho que não vou ter uma identidade virtual nem tão cedo. que pode ser comparada com a "voz do dono". é muito improvável que alguma corte ou promotoria aceite evidências digitais criadas com o dispositivo.invasiva. Além de não haver nenhum método conhecido para.. quando cada caso for necessário. Mas quem verificaria a veracidade de tal declaração. certificadamente. sigilo e liberdade de informação e comunicação. por causa das preocupações com privacidade. aceitou a encomenda de validação do Carnivore. identidades e chave pública digital (NPKIs). zerinho mesmo. o que encerra sua carreira antes mesmo de começar. Até que se concorde em montar infraestruturas nacionais de certificados. claro. Só o futuro vai dizer. de concreto. autenticar e-mail. chat e click (em sites) não levam a nada. para as quais os detetives não teriam um mandado de escuta. É isso o que o FBI diz que o Carnivore é capaz. dada a complexidade e o número de incertezas que cercam o sistema e seus potenciais usos.

em 1997. talvez. Em números da época. formação de capital humano. as chances eram maiores para todos. Sem o que não há novos negócios digitais. ensinou às empresas brasileiras de software (e aos que queriam criar uma) o que é a nova economia: pesquisa. o entendimento. A meta para 2002 é de 250 milhões de dólares e é perfeitamente alcançável.2000 ] Quando liderou a criação do Programa Brasileiro para Exportação de Software (SOFTEX. O que deu errado? Nada. novos modelos de investimento e risco. resultou em pouco ou 52 .Set. cérebros.Software Brasileiro: há futuro [ 15. devemos chegar a 100 milhões. com objetivos e metas. www. os investimentos para começar o negócio eram ínfimos quando comparados à construção de siderúrgicas e. este ano. para que o conjunto de propostas do Softex fosse pelo menos ouvido pelo Governo. as fábricas eram de coisas abstratas. O Softex. Mas só exportamos. E até agora. que houve em apenas uns poucos lugares. software. cujos efeitos locais eram magnificados por uma combinação da corrida contra o atraso tecnológico e um conjunto de métodos completamente malucos usados pelos governos de então.softex. como o fator essencial era conhecimento. Eduardo "só" queria 1% do mercado mundial. E tantos outros para ser entendido. em todos os lugares. Claro que houve tempo para se refletir sobre as metas e. muitos anos. no começo do ciclo de vida. Eduardo descortinava a nova engenharia nacional. neste então distante ano 2000. pode-se dizer que os conceitos. nos idos de 1993.br). a Softex reviu seus números para muito perto do que está acontecendo hoje. de Campina Grande a Porto Alegre. de Campinas a Recife. Olhando para trás. a plataforma ideológica e de planejamento que sustentavam o Softex eram (e são) de classe mundial. estaríamos mandando para fora uns US$2 bilhões em programas de computador. Nela. inteligência. desenvolvimento. entre tantas outras cidades onde o Softex estabeleceu suas bases. estes em planos e projetos. Não que tudo fossem rosas e não se tenha cometido erros. Mas havia (e há) muita competência e empenho para se fazer o melhor e corrigir o pior. ano passado 60 milhões e. entre tantas outras coisas. empreendimento. Preocupado com o futuro da engenharia nacional face à globalização do começo da década. não estaríamos acertando nos 100 milhões: precisamos de gente como ele para transformar sonhos em visões. Mas levou anos. Eduardo Costa tascou a caneta no papel e definiu a meta de faturamento da indústria nacional de software no exterior. muito risco. tecnologia. Se Eduardo não tivesse atirado nos dois bilhões.

pelas previsões mais modestas de analistas do próprio executivo federal. por conseguinte. incentivos e facilidades que precisam ser criados para tratar a sangria de divisas ou.nenhum investimento significativo e continuado. internacionais e institucionais. onde planos "de governo" são clandestinos "no governo". nunca conseguiu passar do discurso. A política federal para a área. O Brasil é um país esquisito. o déficit na balança de pagamentos de software vai dólares. onde fica a Secretaria de Política de Informática. E o "governo" só via bois. Mas a capacidade de realização e as conexões nacionais. Depois de anos à frente do Softex. na transição do Softex de uma desconjuntada ação de governo para uma política de promoção de excelência do software nacional. talvez. transformar o déficit em superávit. aqui e em todo lugar. do Governo Federal. tinha um discurso de primeiro mundo. caíram no vazio do Planalto. no melhor caso. quarto ou quinto. até que as "partes do governo" que controlam o caixa decidam fazer. eram (e são) de classe mundial. dada a ausência de recursos para sua realização efetiva. através do Ministério de Ciência e Tecnologia. responsável pelo setor no país. que trabalhou como louco. talvez. a diferença entre o que compramos e o que vendemos. para transformar desejos estruturados em fatos consumados e dinheiro no caixa eram (e ainda são. Isso porque. o número mágico que atrai a atenção dos contadores do governo para algum setor e. dava as costas às possibilidades do Brasil real e o MCT. petróleo e soja e. os alertas de Ivan e Eduardo. bilhões de dólares em software deixando de entrar nos nossos bolsos. mais que isso. Eduardo passou o bastão para Kival Weber. Mas porque o título deste artigo é tão alvissareiro. para promover o software nacional. leis. vai ultrapassar os 5 bilhões de dólares em 2005. para a política. que escreveram juntos o documento básico do Softex e viram. nos últimos anos. há mais de meia década. percepção de realidade de segundo e orçamento de terceiro. 53 . O Brasil oficial. passar de um bilhão de dólares Um bilhão de dólares deve ser. as idéias. secretário com estatura e desempenho de ministro. em software. as novas fábricas da "velha" economia. enquanto a gente quebrapassou a década de 90 tentando juntar as peças do quebracabeça. Nem quando Ivan Moura Campos. Em resumo: os conceitos. via de regra) de terceiro mundo. sem o que. se a história até aqui é tão tenebrosa? Porque dá pra vislumbrar as primeiras partes reais do futuro começando a acontecer. ou não. ocupava o cargo: os planos e. como o chama Ariano Suassuna. até um dia destes um impávido colosso. de verdade. ou pior.

. A reunião. Júlio Semeghini (PSDB. é melhor debandar pra não passar as mesmas vergonhas impingidas a certas CPIs. o que torna a formação da bancada. O setor vem tendo sua política renovada por medida provisória há um ano. aprovar. Vanda Scartezini. reunidos para o mesmo fim. negociar. o Dep. que deu mais atenção ao setor e o fez de forma contínua e articulada com o capital de risco nacional e internacional. com mais de 80 deputados! Pelo menos na partida. Depois de oito anos de estrada. a Secretária de Política de Informática. Israel. tirou experiências e aprendizado valiosos para o futuro do software no país. Pra testar a capacidade e conexões do grupo. Pela primeira vez os atores que controlam quase todas as regras do jogo estavam na mesma sala.. claro. um dos fatos políticos mais interessantes do ano. Dos seus erros. O Ministro de C&T Ronaldo Sardenberg estava lá. legislativo. além de ser um escândalo. no dia. Aí o país e o setor mudam. que reúne herdeiros rurais.Na mesma década em que saímos de quase zero de vendas de software para o exterior para minguados 100 milhões de dólares. Kival e Eduardo... Impressionante mesmo foi o lançamento. da frente parlamentar de software. em si. só se os grandes bancos de investimento. a Softex aprendeu muito e tem muito para ensinar e transmitir. alocar recursos e sair atrás de objetivos e metas. Pelas minhas contas. bem que poderiam conseguir a aprovação da Lei de Informática. talvez. assim como o Secretário Executivo do Ministério. comissões e subcomissões.. Ao seu 54 . Renato Guerreiro da ANATEL.7 bilhões de dólares de software exportado em 1999. revela a falta de capacidade e conexões do executivo e legislativo para por ordem na casa. representou um rito de passagem para o setor de software no Brasil. Mais estrelada do que esta. o Secretário de C&T de Pernambuco. só perde em tamanho para a agro-bancada: mas resta ver se será tão comprometida e ativa quanto a última... Carlos Américo Pacheco. Cláudio Marinho. o que. Sem que fosse preciso falar do que a Índia (e a Irlanda. a Índia. Não deve haver muitos representantes do povo que têm qualquer relacionamento com empresas de software. quando executivo. de muitas maneiras. decidir o que se quer. saiu do mesmo zero para US$2. SP. Fica para a próxima. este era o pano de fundo do dia 12 de setembro pp. o Ministro Malan e o Presidente tivessem ido também. depois apenas dos Estados Unidos. proprietários de terra e criadores de gado. segundo lugar no mundo. os capitalistas de risco. iniciativa privada e academia se reuniram em Brasília para discutir o futuro do setor de software no País. se não conseguirem fazer isso até o fim do ano. E não é pedir demais. muitos nomes do setor de software e. e provável próximo presidente da Sociedade Softex).) fez e nós não fizemos.

Mas não devemos chorar porque perdemos a década. Grandes equipes.. que a crescente economia nacional vai precisar em 2005 de uma forma ou de outra. digamos. Duplas não têm chance. Precisamos articular centenas. foi o fim do começo do programa nacional de software. Temos é que nos preocupar em não perder a próxima. no executivo. em tempos de olimpíadas.. Mas. onde não há lugar para ingênuos ou incapazes. Cada cópia de Microsoft Office 2000 vale 50 sacas de 60Kg de soja. o bastão que todos estes indivíduos estão querendo passar é que.. em Brasília. o jogo é de equipes. Cinco bilhões a mais é o mesmo que dobrar a exportação total de tudo que teve a ver com soja no ano recorde de 1997. não houve nada parecido. dezenas de milhares de pessoas: jogos de bilhões de dólares são grandes guerras mundiais. Eratóstenes Araújo e tantos outros. Todos nós. teremos que. É hora de transformá-las em oportunidades. Deve haver muitas dúvidas. milhares. 55 . ao risco pessoal a que se submeteram Eduardo.. Kival.pioneirismo. quando faturamos cinco bilhões e meio no setor. legislativo e no setor privado. pela cotação da semana. de tentar reverter uma conta que vai sair muito cara para a nação. sobre as reais possibilidades do setor de software no Brasil. Se o país funcionasse a contento. do setor e de perto dele. A reunião do dia 12. Dá. Ou então. ela teria acontecido em 1993. De lá para cá. Times de vôlei e basquete também não. deve ser creditado o que o país conseguiu até agora no setor de software. exportar mais uns 30 milhões de toneladas de soja. Para importar 5 bilhões de dólares de software. podemos deixar o problema para a agro-bancada e outros setores da economia. Não só temos que gerar aqui parte dos 5 bilhões de dólares que iríamos importar em 2005 mas deveríamos correr para exportar. hoje. além do preito de gratidão para com os que tocaram o barco até agora (e que não vão sair de cena nem tão cedo). vamos torcer e trabalhar para que não se tenha que plantar tanta soja assim. aqui fora. Mas 12 de setembro é um marco de articulação que tem toda a chance de operar mudanças no cenário. 1 bilhão de dólares no mesmo ano.

de Londres. tem até cem mil ouvintes simultâneos. ao invés de se usar um canal para cada ouvinte. ou centenas de milhares de pessoas. A primeira emissora latino-americana a cair na rede foi a Rádio Jornal do Comércio. diversão e propaganda. Bilhões de pessoas. de você poder sintonizar. pode pegar o receptor. Mas a Internet2 pode mudar tudo isso. fazia Pernambuco falar para o mundo. que mandava os canais digitais para a Internet. notícias da cidade (para 56 . A rádio mais ouvida na rede é a Virgin. grátis). começaram a sair dos laboratórios para o mundo. Em rede. usando a primeira e muito capenga versão do servidor de RealAudio da RealNetworks (em www. grátis. que está sendo desenvolvida hoje. pela rede. A tecnologia. tanto de transmissão como de programação.[ 22. Uma rádio de porte. Como João Gilberto para acordar (ou continuar dormindo?). vai permitir que programemos o que (e quando) queremos ouvir. Meia década depois. uma estação de áudio (e não mais de rádio) similar as que temos no dial. o fez quase de brincadeira: sintonizava a estação num antigo receptor Marantz e. pelo planeta afora.2000 ] Rádio cai na rede O rádio está na Internet há uns cinco anos. depois de passar por dois PCs. de posse de um dispositivo que vai poder ser endereçado individualmente e em grupo. Parâmetros de qualidade de serviço. pagar por hora de audição. de Recife. para dizer o mínimo. hoje. tornarão possível diferenciar áudio de e-mail. como acontece hoje. dando preferência à informação em tempo real e permitindo cobrar por ela. se você não tem ainda. que botou a estação no ar. noutro canal. desde que os primeiros sistemas de transmissão de informação digital em tempo real. um dos quais gerava o sinal digital a partir do rádio analógico para o segundo.com. que vão permitir enviar o mesmo fluxo de áudio e vídeo para milhares. hoje inexistentes. recebendo informação. Por exemplo. que tem menos de 500 ouvintes simultâneos. numa cidade como São Paulo ou Londres. como nos canais de áudio via satélite de hoje. E. quando for o caso. a audiência do rádio na Internet é pífia. certamente. o que não é pouca coisa. Tinha gente ouvindo jogo do Santa Cruz em Boston. E os celulares de terceira geração podem mudar tudo de novo.realnetworks. gerando duzentas e cinquenta mil horas de sintonia por mês (veja na RAIN: Radio And Internet Newsletter). talvez milhares de canais a escolher. se não quiser ouvir propaganda. criam um conjunto completamente novo de possibilidades. tornando possível o uso de protocolos do tipo multicast. discando *723. inclusive para transmissões de áudio e vídeo.Set. O pessoal do Centro de Informática da UFPE. Ou. haverá centenas.

vai ter um amplificador pr'aquele que já anda no meu bolso.. arquivo. aquele jingle da Varig. melhor. fundindo tudo.com. pode transformar os sonhos dos dois..cbn. que não quero aprender a programar mais de um deles. Se você tem RealAudio. podemos esperar... Boards of Canada pra trabalhar. agregam uma riqueza antes impensada à programação normal. tinha certeza que o rádio (o telefone celular é um rádio portátil.. porque Bell. que inventou o telefone (com fio) pensava que sua tecnologia seria usada justamente para transmitir informação e entretenimento. é capaz até de se atender alguma ligação ou fazer uma chamada. o homem do rádio.. Se acontecer. entre no site da rádio e ouça. Marconi. por exemplo.. vai ser muito interessante. tornando o que a gente chamava de "rádio". é bom não esquecer) seria usado para comunicação interpessoal. um jornal que tem áudio interativo em tempo real. A rede do futuro. 57 .soltar a adrenalina antes de sair de casa). que depois de descobrir o Brasil. depois de tanto tempo... cada vez mais. com texto. ouça esta preciosidade aqui. ou. de avião. Até lá... Mas as estações não estão esperando: seus web sites. em realidade. vai ter um treco destes aí..br). fica com saudades e volta "já para Portugal". Claro que o carro não vai ter rádio. Se quiser ver -e ouvir-. claro. no celular. heavy metal para lutar com o trânsito. da história de "Seu Cabral". como o da CBN (www. imagens. Vez por outra.

Depois que se acostumou. O sim. Seus limites. mais paciente e cordato. por alguma razão. mas as vantagens eram tantas. perguntando. perguntando. Houve uma oposição muito forte. inclusive de localização. no início. que ninguém nem se lembrava. emburrava-se com tudo.Set. os novos IntelliBeat eram um sucesso fenomenal: a manutenção e evolução do software podia ser feita. sem qualquer tipo de intervenção local. a vida ficou normal. o mantinham no ar. tão severas. avaliação e controle cardíaco. Recuperado. Acordou no hospital sentindo o peito e tendo um médico à cabeceira. Durante algum tempo. E sempre muito mais perto do que deveria estar. Mas com o tempo foi se achando imortal. eram dizimados mesmo pelo pestinha do 7L2S. Você nem sentia nada quando mudava de versão. agüentava até choro de bebê com dor de ouvido no avião. teve uma dor de matar. redivivo ao sair do hospital. aliás de quase. o tempo todo. Ou questionava se ia ficar. o hiper-ativo cabelo espetado que parecia nunca dormir ou cansar. reacesa na chama da suficiência. Indomável. O femto-server instalado no seu coração e a antena pico-cel mais próxima faziam às vezes de sua ligação com a vida. e enviava (sempre) bio-dados para a rede. remotamente. gritando. Fruto do casamento de várias tecnologias. seu coração de mais que leão. sempre observando. muito menos cirúrgica. Como a fonte de energia tinha deixado de ser um problema. mais. Mas saiu. Nas primeiras semanas. agora composto. principalmente quando analisava na rede os dados do IntelliBeat. mais humano. que estava em rede. demorou. em parte.Os Invasores [ 29. E isso há três anos. sorrindo e compartilhando a agonia da mãe desesperada. e as penalidades pelo uso indevido dos dados. por um dos novos modelos IntelliBeat. quando. terraplanando a paz do condomínio. tinha que receber uma delas. A irritação voltou. aprendeu que tinham reconstruído seu coração. Fechou a cara pra todos. correndo pra todo lado com o filhote Akita. do trip-hop do vizinho do lado. pausadamente. Mais simpático. meio trêmulo. aspirante a estrela de rede-pop. que já incorporava um pequeníssimo servidor web para monitoração. ou quase. Pouco se lembrava que seu corpo recebia (às vezes) comandos de um servidor. em algum hospital. as novas próteses inteligentes eram naturalmente ligadas à rede. tinha se tornado mais ouvinte. até o cantarolar da garota de baixo. Como se fosse um rádio na rede. desorganizando seu sono. 58 .2000 ] Um dia. porém. Apesar de biônico. se estava a se sentir bem.

permite que o canto do olho enxergue. E lançando o pivete numa série interminável de palavrões. Ran. quase descompensado entre latidos.. Se pudesse.Um fim de dia. O nome do Akita. oscilando ao redor de 80.. O último está parando. talvez destruindo os C3. sem ter pedido? Desorganizada. prá que? Só se fizesse parte (mas naquela idade?!. de dor. Os pivetes do condomínio.. Ficou acuado. entremeados por você-vai-ver e não-perde-por-esperar.. várias e várias vezes. 59 . transformando a ameaça em ganidos. reclamações e o alumplast repicando no chão. até que. Um menino. desesperado. à medida que o IntelliBeat enlouquece e sai. incendiado pelas perdas no mercado e pelo trânsito. ouviu-se dando um bicudo no Akita. os comandos que estão sendo executados no femto-server.. de 80 para 120 para 160 para 40bpm. o gerador do IntelliBeat. detonou o femto-server e está determinando seu fim. a assinatura da galera que invadiu seu coração.) de um bando de. trombou com o diabo e o cão. junto com a listagem dos seus bio-dados no visor. de vez.. computação e controle? Entre tantos ruídos. o processo que ouve os comandos do servidor do hospital. Depois... definitivamente. quase instantaneamente. em fuga..... invasores! Será? E esta mensagem no C3. O penúltimo encerrou. sua rede de pensamentos se torna cada vez mais aleatória. de Ran. com um C3. irritado da vida. Como os C3? A peste também tem um? Por que e para que teria um dos novos clientes de comunicação. ao ignorar o elevador e subir a rampa entre os 5L e 6L.. agora. mas é muito..

o dobro do que temos agora.1 trilhões: 2.br) é candidato a representar a América Latina no Conselho Diretor.br.icann.. tem 97 mil nomes de domínio registrados (veja em www. um ccTLD (domínio nacional de mais alto nível). coordenador do Comitê Gestor da Internet/BR (www. ONG mundial que cuida dos nomes.[ 06.000 domínios. Isso tudo é definido e coordenado pela ICANN.net. parece que Inglaterra e Alemanha estão no mesmo passo no registro de nomes.uk) informa que a criação de novos domínios está em 150 mil novos nomes por mês. Todo mês.br).org e Ivan Moura Campos. endereços e protocolos que fazem a Internet funcionar. respectivamente (para ver os dados do Banco Mundial. é problema interno da companhia que registrou o domínio. ao qual está associado um registro geral (no caso brasileiro. a penetração de telefones é 55% (55 telefones para cada 100 habitantes).6 milhões de domínios registrados. economia de US$1.543 domínios dia 5/10 (em registro. é algo como no. pré-condição para botar negócios na Internet. tinha 326. Ela está em www. para uma população de 160 milhões.br ou radix.br".nic. que tem 2. Mas tem muito nome inglês que "não está lá": o domínio . quando foram criados mais 6. 12 vezes mais computadores que nós: deveria ter uns 3.br). que não é 60 . o Brasil deveria ter algo como 1/3 dos nomes ingleses. seja lá o que mais fizer parte do nome. em si.com. Na Alemanha. registro. ou domínio de mais alto nível (no Brasil) e o ".986 domínios e economia e população igual à França? O registro de domínios inglês (www.fr).212. população de 59 milhões.com" é um gTLD. É como se o número de domínios fosse proporcional à população e não à economia. Mas a gente poderia fazer as contas pela penetração de computadores.822 domínios (o que dá uns 150 mil novos domínios por mês). contra 57% e 20% na França.com.cg.com. Os dados dos países estão em www. são 81 milhões de habitantes e um PIB de 2.br" é um TLD.032. e aí o resultado seria o oposto.org.197 domínios estavam funcionando no dia 5/10. A Inglaterra tem. O ". clique aqui). ou domínio genérico de mais alto nível.com. mas muito longe. e a França está muito. O ". E o Reino Unido.nic. proporcionalmente.domainstats.. Assim. e a de computadores 26% (26 para cada 100 habitantes). O Brasil.Out. 56% e 30% na Alemanha e 12% e 3% no Brasil. quase duas Franças. uma economia anual de US$760 bilhões. é um domínio. ou cerca de 700. Se as contas fossem feitas pelo PIB. A França. será? Um nome de domínio.4 trilhões. No Reino Unido. Mas é difícil comparar diretamente o Brasil e a França. todos sabem.2000 ] Sopa de números e nomes de domínio A Internet está cheia de surpresas.

sex.news. E por um preço. . aumenta em demasiado e começa a atrapalhar. sem ..imovel.103 nomes registrados no dia 5/10.books e não em . Liberdade.show. a possibilidade de colisão de entidades antes separadas pela distância.radio. . no ..com (ou.com (e sem ... . vem aí a Babel que nos vai deixar fazer quase tudo. Afinal. E aí reside uma das grandes confusões da Internet mundial: como todo mundo quer ter um nome no . Mas talvez seja a ordem natural das coisas. ainda que tarde.americano. mas pode ficar mais difícil de entender. incluindo milhares de empresas e nomes brasileiros..com. 61 . inicialmente. mas é certo que eles aumentarão o grau de liberdade do registro de nomes de domínio. com tantas terminações possíveis. Talvez o de aumentar (e não necessariamente pouco) a dificuldade de encontrar um endereço. games.books? E porque em .com. entre os quais .books.sex e . Não se sabe quantos novos gTLDs a ICANN vai autorizar. na qual um dos proponentes está submetendo mais de 150 nomes. isoladas por áreas geográficas onde negociam.br).524. . Depois da simplicidade de nomeação forçada pelas tecnologias que usávamos na rede. possibilitando belas. .livraria? Isso porque.artes e procura.commerce. tinha 18. franceses e japoneses. Aí a gente teria coisas como amazon. O que levou a ICANN a fazer uma licitação para criar novos gTLDs. O espaço de nomes ficar muito mais rico. porque amazon estaria em .com e não em .books e safe. aqui.br) na terminação. mas mundial.. também. nada impede que um grupo brasileiro (ou português) submeta os mesmos nomes em português.

Tanto quanto antigamente.Out.[ 13. em todo canto. países como estes têm estado no rabo da gata do desenvolvimento e qualidade de vida mundiais. chega? Burundi. claro. que significa exatamente "informação para o desenvolvimento". incluindo aí 13 que não têm nenhum. A universalização do acesso à informação estava em lugar destacado na agenda. com zero servidores. um simpósio do Banco Mundial sobre tecnologias da informação e comunicação e sua utilização para redução da pobreza no mundo. infelizmente para os países mais pobres (e menos educados). Egito. Entre eles. nas mesmas plagas. Se a dominação do trabalho pelo capital era o demônio da velha economia. como seria de se esperar.e a pobreza de informação. A expressão "digital divide" foi. por razões de escala. mantidas as condições atuais de fomento ao desenvolvimento mundial. De preferência. alguma coisa está errada. Ou melhor. Timor Leste e Zaire estão lá no fundo do poço.2000 ] Tecnologias de informação para o desenvolvimento Acaba de acontecer no Cairo. Sudão. Mas isso não chega necessariamente a ser novidade. que também continua. Suriname. Patrocinado pelo programa infoDEV. se há mais de 90 milhões de servidores internet no mundo e 40 países com menos de dez servidores. criando plataformas que todo mundo usa. todos parecem concordar que há um fosso entre os pobres e ricos. A nova economia não revogou muitos dos princípios da velha. onde alguns países ainda nem estão na rede. pronunciada centenas. E também estão entre os lugares mais miseráveis do mundo. 62 . combinada com a geração autóctone de inovação tecnológica e disseminação dos produtos e serviços daí resultantes para economias com as quais se relaciona.que está nos mesmos lugares de sempre . o maior desafio do simpósio é descobrir como aumentar a velocidade em que as novas tecnologias são absorvidas pelos países mais pobres. Uma parte significativa da discussão foi sobre as diferenças entre a riqueza de informação . parece que achamos o diabo da nova. Afinal de contas. habilitando-os a fazer parte de um mundo cada vez mais em rede. Pode ser até que o leitor consiga imaginar mas. especialmente na África. há alguma lei fundamental que faz com que a performance de um país (ou região) seja diretamente proporcional à educação do seu povo. milhares de vezes. em termos de informação. para maximizar o lucro por unidade. desde que começamos a acumular (e não distribuir) riqueza da forma que fazemos hoje.

ainda não entendemos nada de automóveis. se isso seria pelo menos parcialmente verdade na Europa. olhe para a eletrônica de entretenimento (CDs. a sociedade da informação européia não passaria de infra-estrutura para levar consumidores europeus aos mercados e lojas e serviços virtuais americanos. Depois de meio século no Brasil. enquanto os americanos vão direto ao ponto. Aliás.. Isso é estória da carochinha. que vai. ainda estaremos falando de fosso digital e coisas do tipo. no longo prazo. o povo pobre do mundo vai achar uma forma de resover seus problemas. As "fábricas" modernas. incluindo grandes pedaços do Brasil? Fabricar conhecimento. Ou isso ou. por extensão. na nova economia. de quase qualquer coisa. software. Para não ficar só em automóveis. métodos e processos para construir a nova (ou novíssima?) economia. do Sudão e. maior possibilidade de inovar. Para fazer projetos. em nenhum prazo. acesso a capital de risco. do que por criação de condições para tal. com quase toda certeza.): é muito. Uns cínicos europeus que conheço dizem que a grande diferença entre Europa e EUA. mas muito pior. neste mesmo horário e canal. não temos marca própria e emplacamos alguns acasos de qualidade mundial. Eu me reservo ao direito de não acreditar que. o que dizer do resto do mundo? Para os países e regiões mais pobres e enclaves menos aquinhoados das regiões mais ricas. é preciso criar um contexto de classe mundial onde. Ora... Quer ver? Analise a indústria automotiva mundial. E não estou falando de "fabricados" no Sudão. mais conhecimento tecnológico e sua geração local. Daí. das baterias do mesmo nome. TVs.meus limites não me deixam considerar. vai ficar como? 63 . o uso de software ou componentes eletrônicos projetados e construídos no Sudão. Em suma.. Educar muita gente para trabalhar com abstração. Muito mais por dedicação e heroísmo de gente como Edson Moura. diferenciar seres humanos de forma muito mais radical do que nossa vã imaginação consegue projetar hoje. E o Sudão. tratando tudo de "economia" da informação. o bio-fosso. apenas. é que os europeus (e seus governos) falam muito de "sociedade" da informação. o Sudão possa competir mundialmente. daqui a séculos. Estou falando de "created in Sudan" ao invés de "made" por lá. interfaces. E qual seria a chance. não agregam nenhum conhecimento significativo ao espaço no qual se inserem e dificilmente geram filhotes capazes de fazer parte de sua rede de valor pelo mundo afora. hoje em dia. oportunidades iguais significa mais educação. breve. design. para criar novos meios. de vastas partes do mundo. como resultado da presença da indústria no país. uma vez tendo acesso.

org) é uma ONG criada por inspiração do Departamento de Comércio dos EUA para definir o que é (e vai ser) a Internet e manter a rede operando no mundo inteiro. ex-secretário de Política de Informática do MCT. Um dos efeitos interessantes da eleição foi mostrar como o poder é distribuído na rede: Mueller-Maguhn. o da América do Norte é Karl Auerbach. que derrotou o indicado pela ICANN.icann. do Japão. Isso diversifica um pouco mais a representação mundial. sua filosofia. Uma eleição.htm). A lista dos novos tem. mas que mora nos EUA. está há muito tempo na história da rede e fazia doutorado na Califórnia quando a Arpanet. acaba de apontar cinco novos diretores para a entidade. Mas o voto era universal e livre: com uma campanha muito bem articulada (na rede). dos EUA. atual coordenador do Comitê Gestor da Internet/BR. operação. ganhou por muito. rede precursora da Internet.Out. no início estranhada pela iniciativa privada. realizada através da Internet (que por sinal mostrou os problemas que tal tipo de processo ainda enfrenta: members. Como não poderia ser mais óbvio. por sua vez. de Gana.2000 ] Um mineiro na ICANN Não é sempre que brasileiros são eleitos para representar continentes em instituições internacionais realmente importantes como a ICANN. Nii Quaynor. uma organização de hackers. tem 28 anos e é membro do Chaos Computer Club -www. ainda mais importante.com. Ou então ter que ser substituída por algo mais amplo. A corporação (www. professor titular do Departamento de Ciência da Computação da UFMG e empresário criador de pontocoms.ccc. considerando-o "muito controvertido" e coisas do tipo. O que levou a acusações veladas em jornais aqui e ali. resolução de conflitos e. Ivan. da Alemanha. Acabou ganhando merecidos 64 . nada mais em rede do que a própria rede: o que torna sua administração. estratégia e possíveis futuros um assunto de âmbito necessariamente mundial. A eleição para a América Latina e Caribe foi vencida por Ivan Moura Campos. aconteça o que acontecer. nos próximos anos. o que faz através da Akwan (www. O representante da Europa é Andy Mueller-Maguhn. dois moram nos EUA: um desafio da ICANN.akwan. tinha mesmo que acontecer.icann.de-. políticas. vai ser deixar de parecer uma operação "Silicon Valley" para ser uma instituição realmente mundial. Larry Lessig.[ 20. acabou sendo o brasileiro a explicar porque a volta do governo americano ao cenário da rede. representando a África. eleito representante da Europa. começou a funcionar num laboratório perto de sua sala. Masanobu Katoh. Nas voltas que o mundo dá. e para a Ásia/Austrália/Pacífico. mas dos cinco.br).org/carter.

128. a Address Supporting Organization (ASO). para coordenar o CGI/BR. que cuidam respectivamente das três responsabilidades. endereços IP e protocolos na Internet. Isto significa. que são os padrões técnicos através dos quais os computadores trocam informações e administram a comunicação na rede. e suas recomendações e deliberações têm impacto sobre o presente e o futuro da Internet em todo o mundo. se ocupa do sistema de endereços na Internet. da manutenção de um registro central (chamado "registry"). voltando de vez em quando. Para isto. O que é a ICANN e qual sua importância para a Internet e seu desenvolvimento? Ivan de Moura Campos – A Internet Corporation for Assigned Names and Nunbers (ICANN) tem três responsabilidades principais: nomes de domínio. extraordinária. ao mostrar que. Outra organização. aqui. que identificam de maneira única os computadores conectados à rede. A importância da ICANN e seu trabalho é.9. para o país.127. A terceira. da sua eleição e do futuro da rede. Nesta entrevista exclusiva para no. Muito mais teria acontecido. se ocupa das regras incidentes sobre o registro de nomes de domínio. como 128. chamada Protocol Supporting Organization (PSO). Não foi o caso: o Brasil tende a não fazer o que seus melhores homens de governo acham que deveria ser feito. chamada Domain Name Supporting Organization (DNSO). O que significa. se lhe tivessem dado mais ouvidos quando era Secretário. portanto. entre outras questões. Ivan acabou indo para Minas. entre outros. levar 65 .créditos no vídeo da Internet2 de lá. A primeira. Ivan fala da ICANN e de sua importância para a Internet. de parâmetros para protocolos na Internet. e sobre procedimentos recomendados sobre resolução de conflitos. agora. se ocupa das questões eminentemente técnicas. agitar a Ciência e tecnologia de lá. do credenciamento de entidades (ou "registrars") que intermediam o registro de nomes de domínio genéricos junto ao "registry". existem três organizações de suporte. pretendo ser um diretor ("board member") à altura de representar toda a região da América Latina e Caribe. entregue uma fase da rede ao mercado. o governo e as instituições de pesquisa e desenvolvimento tinham mesmo a obrigação de voltar ao laboratório para criar o depois. um brasileiro na ICANN? Que pode impacto isso pode ter nas decisões brasileiras sobre a rede e na posição do país na região? IMC – Em primeiro lugar. da criação de novos domínios genéricos.

o desenvolvimento de regras de consenso para conciliação extrajudicial sobre conflitos de nomes de domínios e. ajudar na articulação entre os países da região no sentido do desenvolvimento da Internet em nosso sub-continente. Pessoalmente. já criou quase sessenta TLDs abaixo do ". há alguns desafios já colocados: a criação do LACNIC (Latin America and Caribbean Network Information Center). O que isso significa para a Internet mundial? Você é contra ou a favor tal diversidade? E qual será a posição do Comitê Gestor para o domínio . até hoje. a implantação de um "root server" no Hemisfério Sul. Deste ponto de vista. quase tudo acabou no ". ou TLD) ". e alguns deles são bastante utilizados. que será o órgão encarregado da distribuição de endereços IP na região. e o número de tais domínios pode chegar às centenas ou milhares. ainda mais importante. Há propostas mais ousadas como a do representante eleito pela América do Norte. globais. Vai ser fácil compatibilizar seu papel de coordenador do Comitê representante gestor da Internet BR e representante da América Latina no ICANN? 66 . como ". o que envolve universalização de acesso.br? IMC – Em primeiro lugar.br".br". A ICANN está recebendo propostas para a criação de centenas de novos domínios genéricos. Karl Auerbach. transformando o "espaço" de nomes em uma "commodity". etc. acho que deveremos aproveitar a oportunidade da criação de novos TLDs genéricos pela ICANN e criar os mesmos domínios sob ".àquele Conselho a visão regional para questões que são. Sou a favor de que se criem algumas dezenas e que se verifique se há ou não efeitos colaterais não previstos. como . abrir o leque de TLDs é importante. desregulamentação. aproveitando toda a divulgação que será feita no mundo. como o mapeamento entre nomes de domínio e endereços.com" está muito congestionado e isto tem provocado várias distorções e pendências. um bem disponível em quantidades arbitrariamente grandes.sex.ind".books e . O Comitê Gestor da Internet no Brasil. entre elas a colisão entre marcas e nomes de domínios. por natureza. um dos poucos países em desenvolvimento em que uma significativa parcela do conteúdo nacional está sob o nome do país: na maioria dos outros. a estabilidade do sistema etc. Em termos mais concretos. e aumentando ainda mais a flexibilidade dentro do Brasil.com". Há questões técnicas envolvidas. para criar dez mil novos TLDs por ano (!) nos próximos vários anos. isto é. Consequentemente não há ainda consenso na ICANN sobre a velocidade de implantação de novos TLDs e o seu volume. o domínio de primeiro nível (top level domain.

O Brasil parece ter um número muito pequeno de representantes em comitês e órgãos internacionais responsáveis por padrões. pelo acúmulo de tarefas. Seu cargo no ICANN é político. Em primeiro lugar.. Uma das primeiras ações que quero promover como representante da América Latina e Caribe é aumentar enormemente o número de filiados à ICANN. e a natural limitação que tem um empresário de ficar ausente de sua empresa. criar maneiras operacionais e pragmáticas de ter uma interlocução com esta "população internauta" e. e uma das principais diferenças entre a Internet atual e a Internet2 será a possibilidade de trafegar informações com qualidade garantida de serviço. mais ou menos como a diferença entre uma carta comum. O estoque atual de endereços está ficando pequeno.IMC – Não.. a PSO (Protocol Supporting Organization) é a responsável pelo assinalamento de parâmetros de protocolos (as regras seguidas pelos computadores para se intercomunicarem na Internet). para participar em todas as organizações de suporte da ICANN. Pretendo levar esta reflexão ao Comitê. mas há muitas organizações. serviços e aplicações associadas ao que se costuma chamar de Internet2? IMC – Do ponto de vista formal. que são técnicas e cobrem todo tipo de assunto ligado à Internet. e isto tem vinculação com o trabalho da ASO (Address Supporting Organization). não vai. a partir daí. infrae a infra-estrutura. pagando-se os preços correspondentes. o Brasil tem se mostrado menos presente do que seu tamanho e importância na Internet mundial justificam. Duas atividades voluntárias e nãoremuneradas é um pouco demais. O sistema de endereçamento será também modificado. como a IETF. obter maior participação e envolvimento de um número significativamente maior de pessoas. Quanto a ajudar no esforço de inovação 67 . para que possamos. porque a Internet cresceu muito. Há enorme demanda por pessoas com perfil metade técnico. regulamentações e coordenação de esforços esforços internacionais. e esta nova versão de endereços e de protocolos deverá entrar no ar nos próximos semestres. Qual será o papel da ICANN no processo de transição da primeira geração de Internet aberta. eletivo e tem um mandato. metade político. uma via aérea e uma via "courier". Você acha que o Brasil deveria se fazer mais presente? isso Por quê? Como isso deveria ser fomentado e financiado? Isso ajudaria o esforço nacional de inovação tecnológica na área e a presença de empresas brasileiras no mercado internacional? IMC – Você tem toda a razão. conciliar os interesses e as possibilidades. esta que estamos vivendo. sem rupturas.

mas há outros foros em que talvez a participação brasileira seja ainda mais importante. acho que a participação em organismos definidores de padrões técnicos em geral (a PSO é um deles) é muito importante.itu. como na International Telecommunication Union (www. 68 .tecnológica.int).

em um Estado aos pedaços. para azeitar as portas do Reino? Por que não entraram na justiça. Mas mesmo num mundo melhor (que não tem as considerações do começo do artigo) é bom não levar tais desejos tão ao pé da letra. governos. Em um bom número de cidades.2000 ] Depois da campanha e das eleições. criando redes que planejam orçamentos. que nestes lugares. brasileiro? Ou martírio.. fatalista. As posses.. mostrará a TV. E o mundo digital com isso? Ah! Muita gente acha que a Internet poderia ser um instrumento da democracia real. houve incêndios "criminosos" à véspera.levantando uma casa numa praia distante.. mesmo sem um apelo dos que sofrem sob o jugo da corrupção e da desfaçatez em tantos pequenos lugares. ninguém será preso. como quase todos. saúde e por aí vai. diretamente. haverá novos (e velhos. nada se faz? Será. a prefeitura sem documentos. Além de ser a mais óbvia infra-estrutura para educação. o resultado garante mais uns tantos anos de desmandos e falcatruas. dos décimo-terceiros perderam a conta e a esperança. por que. e não foi o prefeito deposto por infrigir leis tão básicas da República? Como tal falta de vergonha atinge a cidadania. Mas por que conviver com tal descalabro? O medo se impõe à alma.... Digitais? [ 27.Depois das eleições. amplificador e executor da opinião pública.. A última edição de iMP Information Impacts Magazine. ali. E as chances são de outra reprise em 2005. via de regra. A Câmara está às moscas e até as moscas têm fome. onde estava o Ministério Público? Vendo escolas à míngua. Mas. Distribuindo informação -e poder. um grande ouvidor. os funcionários estarão sem salários há meses. geram resoluções e acompanham sua execução.para os contribuintes e o público em geral. como sempre. Por que resolvem passar tanto tempo trabalhando sem receber? Um comodismo.Out. cultura. de novo) governos municipais.. professoras esmolando e o prefeito -antes um miserável. muitas vezes. Brasil afora. perderam todos a dignidade? Ouvi.. gente dizer que "isso aqui não vai pra frente porque só dá ladrão na prefeitura ". e sendo o fato sabido até por quem pode intervir. motivada pela eleição (americana ou dos prefeitos e vereadores daqui?) questiona: Governos Digitais seriam bons? Um "bom 69 . no Brasil. na manhã do primeiro de janeiro. Numas cidades. tecnologia.. iMP. ciência. conectando grupos dispersos que têm os mesmos problemas. quase ano. serão uma reprise do filme "Posses 97": o novo prefeito encontrou a cidade abandonada. ou a conivência compra o silêncio e facilita o sono? Dúvidas de uma democracia para poucos.

responsivo e capaz de equilibrar as necessidades de intervenção e os direitos individuais. Dado que todos tenham as mesmas oportunidades: comunicação e democracia só acontecem entre iguais. no governo digital.governo". reza o editorial. Será que a mudança do governo para "online" muda a definição de "bom". todas as partes do governo devem habilitar a participação pública nos processos do Estado.todos. redefinição do servidor público e suas funções. em tempo real. entre nós e os processos necessários para gerir cidades. Para estar em rede. aí incluída a representação popular -ou seu fim. qual o papel dos representantes do povo? Há muitos e queremos intermediários. vai mudar isso. democrático. passando pelo relacionamento entre o cidadão e o governo. quase óbvio. 70 . mudará o mundo. distribuído. estados e países. será na rede. como sair de mimeógrafo para xerox? Os artigos estão na edição de outubro e tratam de ditaduras na era digital até arquivos públicos digitais. Mas pelo menos parte dos mandatos. diferenciando sites com serviços do governo de um governo realmente online.na rede e o governo também. eficaz. Nada. ou quase . é eficiente. para estar em rede. diriam o leitor e eu. ou é algo operacional. nem a Internet. participativo. Se e quando acontecer. Se estivermos . grupos "digitais" de pressão política e um. o governo não pode olhar para a rede apenas como um meio de espalhar suas idéias e coletar impostos.

parece ser a verdadeira divisão digital. logo lá. "Cyclical and Demographic Influences on the Distribution of Income in California". quem realmente sai ganhando. a Califórnia tinha mais ricos e mais gente na classe média do que no país e muito menos famílias abaixo da classe média. o número de pobres (como medido por lá) aumentou. nos dez anos entre 89 e 99.A divisão da Califórnia [ 03. apenas 30% das famílias do estado considerado mais rico dos Estados Unidos estavam melhor de vida do que no resto do país. O fenômeno não é recente: em 1969. em proporção. Será que. chamada "Uma mentira da Nova Economia". Mas talvez haja outra forma de explicar o fenômeno. a nova economia... década após década. a renda familiar mediana caiu 4%. comentando o relatório em uma coluna de New Thinking. Mas na Califórnia. teria como efeito gerar riqueza em quantidade suficiente para melhorar a vida de todo mundo e não só de William H. Ellison.2000 ] Um estudo recente do Banco da Reserva Federal de San Francisco está mostrando a outra face da nova economia: na Califórnia. em proporção. a porcentagem de imigrantes pobres é maior que no resto da América. são os indivíduos que pertencem à interseção dos mais preparados e melhor financiados? E que as benesses de uma economia que enriquece rapidamente não se distribuem por si mesmas? Esta sim. teoricamente. Qual seria a conexão entre os dados? Será que economias em rápida expansão tendem a concentrar riqueza? Se a população da Califórnia fosse constante. De lá para cá. Segundo o relatório. escrito por Mary Daly and Heather Royer. Interessante. 71 . também são mais do que no resto do país.Nov. que estão empobrecendo ainda mais". avisa que "sem supervisão. O estudo indica as peculiaridades da demografia californiana e a dinâmica dos ciclos econômicos no estado como os principais culpados. de 69 para cá. em qualquer processo acelerado de crescimento econômico. talvez em detrimento da sociedade. há mais famílias abaixo da linha de pobreza do que no resto dos EUA e a classe média é menor. do que a média americana. Gerry McGovern. ficou bem menor que a americana e os ricos. teria havido uma migração da classe média para baixo. em que os ricos em informação. enquanto subiu 8% no resto do país no mesmo período. em proporção. a classe média. que estão ficando ainda mais ricos. que seria de abundância e não de escassez. não? Isso porque.. Gates e Lawrence J. são servidos pelos pobres (em informação).. o estado da nova economia por definição. a nova economia está introduzindo uma nova forma de escravidão. Em qualquer lugar do mundo. assim como é maior a porcentagem de indivíduos que não têm secundário completo e daqueles que recebem assistência do Estado para atingir as necessidades básicas dos seus lares.

os benefícios gerados por tal performance. que o mundo não é tão simples assim e coisa e tal. ao teorema inicial. na verdade. não? Mas. são sempre muito menores do que o necessário para que se crie e mantenha um mundo de oportunidades semelhantes (nem pensar em iguais!) para todos. de forma curiosamente circular. num ciclo econômico. na história da humanidade. é preciso criar mecanismos sociais para aumentar as oportunidades de preparo e financiamento para todos. tão despretensioso artigo.. em qualquer espaço e tempo. haverá a seguinte conseqüência histórica. nunca foi completamente falsa!). 72 . tudo desemboca em uma síntese (final e pessimista) da minha pequena teoria econômica. a conseqüência do exercício do poder (acima) será sempre válida. Mas lembro que no passado (?) os economistas faziam política econômica com uma variável (como a taxa de câmbio ou a "inflação aberta".)! Ora.".. o que levará. proponho que a "conclusão de McGovern" é. E que os verdadeiros economistas iam cair de pau na minha "teoria"... só meu teorema tem pelo menos duas variáveis! E. riqueza e poder. Mesmo que tal conseqüência não seja completamente verdadeira (e na certa.. como se não bastasse... recursos físicos e competências humana e institucional. de qualquer economia: "Em qualquer tempo e ecossistema. uma instância de um teorema geral da economia. certamente. Tá ficando sofisticado. sempre: "O poder sempre será exercido pela (ou em nome da) interseção dos conjuntos MP e MF acima". tem um corolário: "Para distribuir mesmo que as ações correspondentes ao corolário sejam implementadas. de forma natural.Dando ares de teoria econômica a este. distribuir. Pode ser melhor que isso? Pode. o que implica em um inevitável aumento da concentração da riqueza e poder em torno da interseção de MF e MP". até agora. Um amigo economista me disse para tomar cuidado... Mas só se houver uma imensa dedicação de muita gente e instituições para reverter minha "pequena teoria". principalmente os que não pertencem à interseção dos conjuntos MP e MF acima". os mais preparados (MP) e melhor financiados (MF) terão uma performance muito melhor que o resto e não há como. que pode ser resumida assim: "Dado que a quantidade de atenção..

na urna. assim sem mais nem menos? Quase sem ninguém notar. encastelados na prefeitura há décadas. diminuíram de forma muito significativa. que quase não deram trabalho: no Recife inteiro acho que só uma falhou. houve casos esporádicos e quase irrelevantes. toda semana. em qualquer turno. E. pois ninguém nem nenhum país é infalível. nesta coluna. Mas quando o assunto é tecnologia da informação. Para o leitor. não dá pra evitar os americanos. por um dia? A recente eleição brasileira. deve até ficar chato. a seu modo. muito dinheiro é gasto para conseguir as intenções de voto. em algumas cidades. Utilizamos urnas eletrônicas muito seguras. ouvir falar da América e das coisas de lá.Tecnologia de informação e eleições [ 10. hein? Se fosse aqui. porque quase tudo acontece lá ou a partir de lá. garantindo minha escolha e protegendo o sigilo do meu voto. é que nem caldo de cana: 73 . acho que antes de meia-noite. na hora de teclar. em grande parte porque gente de visão. Na próxima eleição. não vai ser diferente. TSE e em outros locais. é a eleição lá deles. nem que a gente queira. como é que desaparecem urnas.2000 ] Toda semana começo a pensar na coluna fazendo um esforço medonho pra nem mencionar os Estados Unidos. graças ao uso determinado de tecnologias da informação para cidadania. a má fé e a incompetência. Tivemos uma eleição limpa e tão organizada como qualquer país pode ter. resolveu tornar os processos eleitorais brasileiros mais justos e honestos. fica difícil evitar os ianques.Nov. Que vergonha. para governadores. certamente precisando de supervisão do Carter Center. pois isso é o que são a urna eletrônica e os sistemas de informação a ela associados. A corrupção e o erro. das suas reeleições. durou minutos. nesta semana em particular. foi toda digital. nos TREs. toda semana. a ONG do ex-presidente Carter que ajuda o terceiro mundo e as jovens democracias do planeta a fazer eleições limpas. sou eu e a informática. em muitas cidades nem tão remotas assim. do dia da eleição. pra contar. antes da eleição. Saberemos do resultado em poucas horas. claro. com listas eleitorais extensamente revisadas e montadas com auxílio de sistemas de informação que vêm sendo desenvolvidos há muitos anos. A contagem de votos foi eletrônica e. Depois. todo mundo viu. senadores e presidente. O motivo. Ninguém ignora que. a Flórida não passaria de um estado corrupto em uma república de banana. a verdade das urnas já tinha sido estabelecida em todas as cidades. nada que atrapalhou o resultado da eleição. Sem querer tripudiar sobre o cadáver das eleições americanas. A ponto de tirar do poder grupos familiares que estavam. zelando pelos seus próprios interesses e cuidando. Mas ali.

é o segredo do uso social e irrestrito de tecnologias da informação: sistemas úteis. ela é melhor até para quem não sabe ler e escrever. simples e confiáveis. Os Estados Unidos têm muito o que aprender com o Brasil. É só ter uma política de longo prazo e investir nela. onde eles são os pais da matéria.. sim. a recontagem ainda estaria em andamento. O processo eleitoral brasileiro usa tecnologias apropriadas. inclusive em informática. além das urnas perdidas e das cédulas furadas. Nos EUA.. a diferença foi menos de 6 mil. porque a urna eletrônica não é o último grito da moda e nem precisa ser. pois em 750 mil votos. com poucas chances de funcionar. a população "da roça" dizer que a urna eletrônica era muito melhor do que "na mão". Em Recife. utilizando componentes e sistemas padrão que podem ser comprados em prateleiras normais no mercado nacional e internacional.. ainda se usa tecnologia que não vejo no Brasil há anos.. pelo interior do nordeste.fresquinho. como leitoras de cartões.. Vi. 74 . necessariamente. na hora. que nós dominamos. Não que tudo dependa de tecnologia de ponta. onde tudo foi projetado e construído por nós. como fazemos há tempos no imposto de renda. operando. E como podemos fazer em muitas coisas. Acho que a última que vi. disseminados através de um processo de treinamento e absorção popular onde todos se sintam confortáveis.. se não fosse assim. Não se trata de tecnologia esotérica. já foi desligada há mais de 5 anos. Claro. Demos de goleada neles na eleição. especialmente no que diz respeito ao uso social de tecnologias da informação. Este.

quase sempre ocorre a segunda opção. vocês sabem como é. Ao contrário do que se imagina fora daqui. claro. com um detalhe: não funciona. Em Londres. o sinal era dela. onde há um Internet Exchange. um Kentucky Fried Chicken e um Prêt a Manger. só eu olho. através de convênio com o governo brasileiro. obviamente. um Burger King. ninguém tá nem aí pro carro. Se tivesse funcionado. que. Certo. se der carona a Elizabeth II em frente ao Buckingham Palace ou atropelar um cachorro (em qualquer lugar). No primeiro caso. As luzinhas não acenderam. Tudo. de internet 75 . educação e muito menos da lendária fleuma britânica.Nov. lá. No meu caso. pelo menos virtualmente. era assunto de vida ou morte. mas quando tudo começou eu tava na frente de um Starbucks a quatro graus. mas que sempre me parece igual. entre outros. haverá uma foto num tablóide insinuando que a rainha quer aparecer. No Carandiru.testemunho a arrancada de uma Ferrari amarela. por um motivo ou outro. para ir para o outro lado da rua. o motorista será condenado à prisão perpétua. lá isso é. uma Ferrari amarela só aparece. Parece que o mundo inteiro ainda vai ser assim. pelo menos através da placa de rede. provavelmente mais cedo do que mais tarde. os motoristas de Londres não têm nada da calma. imprensado entre um Aroma. Internet Exchange. o número 0800 do suporte não entendeu o problema (quanto mais dar uma solução) e não teve jeito.2000 ] O Café de Baker Street O sinal abre. mesmo aos olhos do cidadão comum. o serviço. é um cyber-café. tem rede de alta velocidade nos apartamentos. Nem o do Starbucks. a Ferrari passa. construído em 1899. que é terceirizado pelo hotel para uma franchise. à beira da calçada. Copo de capuccino temperado com expresso à mão. Os pedestres desistem. à beira também da morte por hipotermia -como vim parar nos quatro graus da Inglaterra. ele mesmo entre um Angus Steak House e uma Pizza Express. após grande comoção nacional. Ainda vou descobrir qual é a relação exata entre o ruído da máquina e o rugido do animal. franquia. No segundo. Aqui é porque não houve conversa entre a placa e o software de rede do laptop e o servidor que deveria me levar pelo mundo afora.[ 17. Sim. Mas abrira há microssegundos e não custava nada deixar a gente passar. Ao contrário do que poderia parecer. mas o café propriamente dito. não é estas coisas todas. Rede. claro. Acabei mesmo chegando no cyber-café porque não consegui usar a rede no hotel. no meio de um feriado no verão brasileiro?. subindo Baker Street com o rugido de uma manada de elefantes selvagens a destruir uma aldeia africana. mas o que eu 'tava fazendo mesmo antes de ser quase terraplanado pela máquina de Maranello? Saindo de um (café) Starbucks. faz parte daquela classe de coisas que ou é simples ou não funciona.

porque o mais velho. acabaria conseguindo. mudando a coluna Pela Web). 76 . se o provedor funcionasse. ainda mais quando tô pagando. pois há uma barra permanente de e-commerce na parte de baixo. estamos tentando. via como uma moeda de um centavo saindo do meu bolso a cada 2 segundos. mexe aqui e ali e… depois de várias tentativas. na sociedade. parece que há sempre mais mulheres do que homens. de uns dois dedos de largura. o tempo todo. que tem acordos internacionais e "funciona em toda a Europa". Acho que ainda tá longe destas coisas "que funcionam em todo canto" funcionarem de fato. Ou tudo. tal a quantidade de besteiras que ainda vemos. fazendo tudo o que você pensar que se faz num micro. E no hotel. Moças e rapazes sim. Por alguma razão. CESAR à mudança do vôo de volta. pelo menos. sócios pagam menos: de 9 a 21 centavos por minuto dependendo do horário. nem que eu fosse o motorista da Ferrari: o garoto do caixa disse que havia isso. minha média de três contagens em dias diferentes deu duas moças para cada rapaz. mas são experimentos. No meu laboratório. prototipando. Mas não tenho paciência para tecnologias mal-resolvidas. De planilhas a apresentações. Se você pensar. o provedor. através da linha telefônica. Como na maioria dos estabelecimentos do tipo.. de jogar on-line a trabalhar (como eu. inventando. Em mais de uma cidade. E mais: tenho certeza de que se tivesse perdido mais umas duas horas cutucando. Ligar meu laptop lá. um das centenas de cyber-cafes da cidade (só esta rede tem mais de 20 e aqui ao redor do hotel há muitos outros). Imprimir uma página em preto e branco sai por 60 centavos e a colorida sai por R$3. vírus. resolvi deixar pra lá e ir pra rua. não usa. na universidade. senti falta de lugares como este. custa 36 centavos o minuto. era eu mesmo e ninguém parecia ter mais de 25 anos. Aí é que entra o Internet Exchange de Baker Street. por perto. que realmente funcionassem. não funcionou. Mas não posso reclamar tanto: foi no Café de Baker Street que resolvi tudo o que precisava fazer no Brasil. compatibilidade… e a tela: ninguém consegue usar a tela toda. Tem gente de todo tipo. Às vezes tenho a impressão de que todas as tecnologias da informação correntemente em uso. insistindo para que você compre um bocado de porcaria. do banco à no. dependendo da hora… Como os hotéis parecem não mais ganhar dinheiro com hospedagem e sim atravessando comunicação telefônica. tira o cabo do fax. do no. de e-mail a comparar preços de automóveis. imaginando. um monte de regras da engenharia. Liga isso. para passantes. o que eu. ou nada.para hotéis. milhares de coisas dão errado. custaria "apenas" 50 reais por dia… A próxima alternativa era usar meu provedor a partir do quarto. ainda estão em fase de protótipo. teria que pagar até 90 centavos por minuto. aquilo.

onde as pessoas precisam da Internet não pra se se divertir ou passar tempo. mas para trabalhar e resolver problemas. Talvez devessem ser levados (por Sherlock Holmes?) até terreiros de xangô… 77 .mesmo que pagos e caros. Eles fazem falta no interior do Brasil e em ambientes nas grandes cidades.

78 . de 1937/9. verificando a nacionalidade e os passaportes". bloquear o acesso dos franceses ao conteúdo "nazista" que existe em suas páginas. Pequeno.com. mandou Yahoo!. como mais teste para os limites de alcance de decisões até há pouco consideradas "nacionais" e somente sustentáveis dentro das fronteiras de um país ou região que tivesse feito determinados acordos jurídicos.[ 24. logo acima da venda do Banespa para o Santander e abaixo da formação do "exército europeu". E a França com isso? Bem. Nos EUA. aí. No site em francês. deu na primeira página do Financial Times. numa decisão que pode criar história. A empresa está no EUA. isso é proibido pela legislação anti-racismo. o que não quer fazer. o que tornará praticamente qualquer negócio em rede impossível. de US$4 (moedas holandesas de 2 marcos. saiu em todo canto e.yahoo. para isso. já havia obedecido uma ordem anterior de retirar o conteúdo considerado ofensivo. lá. é um pulo. na opinião da corte francesa. se recusar a vender qualquer coisa que promova ódio racial. empresas e juristas e servirá. no entanto. será multado em 100 mil francos por dia. com cara de Hindenburg e coroa de águia pousada na suástica) a fotos de Albrecht Becker por US$21. como todos sabem. auctions.2000 ] Um caso legal A justiça francesa. estão à venda pelos mais variados preços. Yahoo! tem três meses para dar conta do recado. na terça 21 de novembro. Daí para uma corte de justiça de Paris emitir uma ordem para uma empresa americana. das restrições em todas as possíveis jurisdições. A notícia causou furor. Do lado das companhias. Senão. os advogados da empresa já disseram. certamente. teria que trabalhar mais e se envolver em alguma espécie de controle do material no site.000. pois entende que. o leilão de Yahoo!. desde bandeiras a cruzes de ferro. a coisa certamente vai bater nos direitos constitucionais de liberdade de expressão. O problema é. O caso promete dar muita dor de cabeça a advogados. por sinal. se o caso Yahoo passa a ser uma coisa comum. ou união. Não vi. mas há usuários usando os leilões na França e a justiça acredita que "é possível identificar 90% dos que tentam comprar itens nazistas no site. Para ficar fora do alcance das cortes. que declarou ser o resultado do julgamento "um balde de água fria na Internet" e está considerando apelar para uma corte mais alta na França ou pedir a uma corte americana que se recuse a endossar o julgamento. usarão como argumento a seu favor. Por outro lado. Mas. em amplo destaque. o que. onde milhares objetos da galera de Hitler. um site americano. Yahoo! podia. nada no site de Yahoo!. as complicações podem ser muitas. como eBay. a pior solução é atender à soma.Nov.

seja usando a língua nacional. como venda de imóveis. talvez se devesse proibir a posse dos mesmos (em território nacional. a Constituição de 1988 está aí pra isso.anunciar explicitamente que "só vendemos para a Colômbia" ou que "este texto só é para ser lido por bascos" e por aí vai. iremos. pena de morte ou coisa pior. Como o mundo não é a China (ainda bem). transações em moeda nacional. racial e todos os outros se mostrassem compreensivos com uma situação que é certamente temporária. o exemplo chinês: decidir. O que ainda é um perigo gigantesco para qualquer operação em rede. apenas?). usar sites considerados ofensivos pelo governo de Beijing. tem que fazer ligações telefônicas internacionais e/ou invadir e mudar as tabelas de roteamento de lá. econômicos e políticos de todos os lugares. que sites não passam. Sem falar que. pois uma tendência legal internacional é responsabilizar sites e companhias apenas nos territórios aos quais estão se dirigidindo explicitamente.estaria exercendo. sem o que estariam sujeitas a ações de grupos de pressão em cortes de justiça onde seu conteúdo. etc. seria bom que as cortes. na China. depois. Ou isso ou acabaremos criando uma barafunda legal que poderá parar uma parte da rede. ele próprio. levaremos muito tempo para criar um conjunto de regras mínimo. devagar e sempre. modelos de transação e outras propriedades pudessem ser consideradas discutíveis ou mesmo ilegais. combinando as regras comuns que queremos fazer valer. pois empresas sem capacidade global de defesa legal teriam que . o que é simplicíssimo. E há. censura. Quem quiser um contraexemplo disso. À medida que a rede fizer cada vez mais parte dos processos sociais. Quem quiser. Mas pode ficar muito mais complicado. como a Internet elimina. Do ponto de vista dos países. basta criar uma tabela de exclusão e pronto.apesar de seus sites poderem ser vistos pela rede inteira . religiosa. moral. nos roteadores de entrada do país. o que pode dar. seja realizando transações que resultem em algum tipo de localidade. na maioria dos casos. inclusive uma boa parte da parte boa para todos. não adianta muito "proibir" a exposição ou venda de itens a seus cidadãos. a noção de local. sempre. os advogados e os grupos de pressão política. acho. amplamente aceitável e operacionalmente simples. 79 .

. A Internet. ficasse de fora. comparando algumas das extinção coisas estáveis de hoje com. Mas alguns acharam que eu estava defendendo o fim da geografia e o fechamento do departamento e cursos do mesmo nome. claro. A tal aula foi centrada em uns poucos pontos: a inevitabilidade da mudança pois. Eu teorizava que a rede teria o mesmo efeito em quem. íamos ser a geração a presenciar o fim da geografia. onde sou professor há 23 longos e.Onde fica o Nerdistão? [ 01. mais do que uma ferramenta...) é: What we are witnessing is not just the end of the Cold War.. business ou não. Acredita-se se quiser. O parágrafo que gerou a polêmica depois da publicação do seu texto de 1989 (The end of History?.. no Brasil.. pois trata-se de um valor relativo. ainda estava deixando de ser uma novidade e a maioria dos professores e alunos por entrar na rede e auferir os benefícios de seu uso. or a passing of a particular period of postwar history. Muitos não acreditaram e o debate continua vivo até 80 .. parodiava Francis Fukuyama ao mencionar que. espaço-tempo segundo as quais. em que a vida humana -civilizada e urbana. bem como os males advindos da perda de tempo para. nada de novo. sendo substituída por outra(s).estaria baseada. garimpar o tão precioso trigo dos dados verdadeiros. as civilizações e culturas antes e depois do aperfeiçoamento da tecnologia da linguagem escrita. pelo menos. olhando de uma perspectiva pessoal. fatos estabelecidos e novidades confiáveis. curiosos e interessantíssimos anos.. Até aí. por outro lado.. no meio do monte de joio que a rede às vezes representa para o ensino e pesquisa... nunca disse que a história tinha se acabado. vez por outra. Em verdade. como água. por exemplo. uma parte essencial do conjunto de utilidades públicas. Outro era a possibilidade da extinção. esta é a tese de que.. uma “geografia” desaparece. daqui pra frente. face o aumento da quantidade de informação disponível e. but the end of history as such: that is. a rede estava para ser um ambiente.Dez. Quem não "migrou" para as letras desapareceu e ponto. O terceiro ponto estava relacionado com as novas equações do espaço-tempo. Fukuyama. pois a geografia humana está mudando o tempo todo e. esgoto e eletricidade. pois iria se desmanchar com o tempo. o tempo estava se acelerando. às vezes. o que resultou num fuzuê dos diabos. devido ao gigantesco aumento de conectividade. os governos serão do tipo ocidental e liberais democratas. the end point of mankind’s ideological evolution and the universalization of Western liberal democracy as the final form of human government. fui convidado a proferir a aula inaugural do ano letivo da Universidade Federal de Pernambuco. na interrogativa.2000 ] Uns anos atrás.

Este. É certo que algumas universidades fizeram isso há mais de 50 anos. montadas a partir de dados reais da indústria de tecnologias de informação e seus trabalhadores. muito menos a extinção dos departamentos e cursos de geografia no país. um dos think tanks mais respeitados do mundo. encontrável nas boas livrarias.. O fim da geografia como ela é.. com seus mega-engarrafamentos e custos prediais nas estrelas. também) querem ver concretizado. num local virtual para onde os interessados se movem virtualmente. A organização do trabalho em função desta nova geografia. este grande país virtual onde residem os que trabalham diretamente na indústria de hardware e software. grandes sistemas de transporte de massa de longo alcance coisas do passado. em todos os países ocidentais. comunicação e controle. Computação. porque não. E pode ser sincronizado e localizado pela rede. principalmente da caótica geografia urbana. não importa onde esteja. na tal aula. em condomínios que possam ser usados por trabalhadores de muitas empresas 81 . pode mudar muita coisa na Sociedade e tornar viadutos. é o sonho que muitos (e eu. ainda assim. cuja análise mostra uma gradual (e nem tão lenta assim) perda de importância da geografia (e dos conceitos de localização e proximidade) nas relações entre as empresas e seus colaboradores. No livro. claro. virtuais ou não. como a que Joel Kotkin descreve no seu recente The New Geography: How the Digital Revolution Is Reshaping the American Landscape. Se o trabalho puder se localizar perto de casa. principalmente. Mas evidências como o movimento dos eleitores para o centro. O que eu estava falando era de uma nova geografia. para quem acharmos melhor. eu não estava. trabalharmos no que mais nos apetecer e. mostram que Fukuyama talvez não esteja tão errado assim. Ainda mais. Kotkin começa a fazer o mapa do Nerdistão e tentar entender como ele vive se (re)formando e modificando o mundo que o cerca. feito a partir de “centros de trabalho”. porque o trabalho pode ser remoto e assíncrono. ao invés de local e síncrono. algum software e uma linha ADSL. De resto. largas avenidas e. mas não fiz tal proposta nem para minha universidade nem para o Brasil. uma câmera. túneis. onde houver infra-estrutura para sincronização e localização virtual. E o livro tem teses interessantes. coordenando-se a ponto de nós podermos ficar onde queremos e. virtual. na Rand Institution. o que é possível hoje.hoje. Numa escala obviamente muito menor. a confusão lhe valeu um dos melhores empregos de pesquisador dos EUA. usando um laptop. que é uma extensão e revisão dos artigos que publicou. nem defendendo nem decidindo o fim da geografia. se bem que com baixa qualidade. isso acontece principalmente no Nerdistão.

em alta conta..diferentes.. d’o Porto. e não só ter um bom salário no fim do mês. desafiadores.. que começam a se localizar em grandes “faixas” espaciais e não mais em “concentrados” urbanos dominados pela especulação imobiliária. mas porque a população do Nerdistão é alternativa e está passando a ter.. da seara. em Portugal. ainda.com. 82 . Kotkin mostra como isso está acontecendo com as empresas. apesar de uma parte passar o tempo tomando refrigerantes gasosos e comendo batata frita semisintética. Vá ver (na página) as fotos (do site) da empresa que você vai entender porque a geografia não acabou.. a necessidade de “ir para o trabalho” diminuirá muito. a qualidade de vida. E este movimento talvez não se justifique só pelos custos dos “concentrados”... agradáveis.. as pessoas querem trabalhar em locais interessantes. Como me disse Miguel Monteiro. bonitos.

” Para quase a totalidade destas pessoas que está no Brasil. O que não quer dizer que... nestas que foram montadas depois que o capital do terceiro mundo descobriu. Em lugares como o Brasil.O ponto que pariu [ 08.com). A maioria dos ditos capitalistas de risco não é nem capitalista nem faz a menor idéia do que é risco. de Peter Bernstein (www. a Internet. Segundo ele. onde a explicação do conceito de “risco” transcende o célebre “em cada dez investimentos oito fracassam”. investiu em planos de negócio (e grupos de pessoas) que não tinham muita chance de dar certo. se você investir em 83 .. como querem uns.” Faltou.. quando vem. combinar com os clientes.com? Todo mundo viu a Nasdaq subir como um balão de São João durante todo o ano passado e muitos acharam que o balão tinha combustível para continuar subindo e estrutura para voar cada vez mais alto.peterlbernsteininc. teremos 3 milhões de clientes e um faturamento de 30 milhões por mês. em pontocoms. Aliás. Especialmente nas mais novas. Vamos voltar nossa conversa para o pontocom. de várias formas. principalmente. chega muito atrasado.2000 ] Eu tenho um monte de conhecidos e amigos que está envolvido. pontilhado de estrelas de sucesso de seus negócios. rodeadas e sustentadas por bolhas de champanhe. um cuidado maior dos investidores ao escolher seus investimentos.. Mas faltou. agora resta um mar de pregos de matar faquir.. Errado. que anda cantando aquela música de Maysa que começa com “meu mundo caiu. mais rápido e de forma mais segura. E o chão não está muito melhor: onde havia o tapete dos investidores.Dez. quando existe. Mas. Porque muitos planos de negócio estavam baseados em teses furadas. transformou-se de repente num ameaçador buraco negro. desde a explosão da Internet. o capitalismo daqui. em 1995 e mesmo antes. um número considerável de investidores. Que diabos aconteceu. credita todo o atraso do terceiro mundo não à incompetência do governo. De ter retorno de investimento. não sai do canto ou. o céu virtual. duvido mesmo que tenham lido coisas básicas como Desafio aos Deuses. com um atraso danado. que não apareceram para pagar a conta. um amigo economista. à falta de educação ou “ao povo”. o terceiro mundo é atrasado porque. Mas vamos deixar isso para outro artigo – já que o tema merece teses de doutoramento inteiras. em tão pouco tempo (?). do tipo “depois deste pequeno investimento de 10 milhões. pronto a devorar o tempo que investiram nas suas companhias. como o sonho. no primeiro ano. também envolvido em pontocoms. mas ao atraso do capitalismo e dos capitalistas locais. obviamente. à procura de oportunidades de fazer montes de dinheiro na Internet.

Mas fazer 10. de qualquer investidor. Para quem estava simplesmente fazendo mais um “site”. da Red Herring à Wired. Ou que muito poucas sobrevivam. fazendo a mesma coisa. e dar um atendimento cortês a cada um dos compradores. é preciso muito mais. e não o contrário. ficou com os fabricantes de ferramentas e os fornecedores de serviços. comércio. está melhor. bancos e fábricas que estavam montando seus negócios sobre bases reais. já. E dinheiro. Na verdade. levando em conta o mercado (ou a falta dele). E houve e ainda há uma outra síndrome. enquanto espera uma nova onda. Porque os amadores estão batendo em retirada e os profissionais estão ficando. E sabiam também que. Logo. claro. Os garimpeiros ficaram. todos com o mesmo peso e qualidade. todo mundo que sabe mais ou menos como funciona a economia da informação já tinha entendido que os sites eram o “ouro” da corrida da Internet. para investidores. Que vai ser. as pontocoms. é mais provável que todas dêem errado. é isso mesmo. mas que nunca lhe retornem o capital investido na totalidade.. é outra história. quem estava se preparando para ficar no pontocom.. as barreiras de entrada. atrás da mesma idéia. na corrida do ouro.. no mais das vezes. mas “it’s business as usual”. criam a imagem de uma derrocada final e geral. Está mais ligado. como esta. E. era mais ou menos claro que não ia haver clientes para dezenas.000 por dia. no longo prazo. 84 . nunca fizeram negócios. E os desastres começaram no mundo todo. Se você não fizer as escolhas certas e se sua competência como investidor e gestor de risco não forem de classe mundial. os que pensaram que um negócio virtual era uma idéia na cabeça e dinheiro (do investidor) na mão. sabe que o diabo está (só para citar os dois mais óbvios) nos detalhes e no volume. os mecanismos de saída do negócio. sem clientes e sem investidor. os amadores (e os especuladores). continua no negócio. 20 darão certo. centenas de sites iguais. O resto.100 empresas. gente de conteúdo. Há muito tempo. Mas. mesmo num negócio aparentemente tradicional como uma padaria. às quais se adiciona o máximo possível de emoção. procurando um lugar para lamber as feridas. está batendo em retirada. sozinhas. tudo continua como estava antes. a chupar o dedo. Quem já montou um negócio real. E fazem parte da história. pois. do Observer ao Sydney Morning Herald. mais esperto. não estão resistindo. porque é muito fácil fazer um pão ou dois. Nos detalhes porque. As reportagens dos principais jornais e revistas mundiais. os riscos e oportunidades.. engenheiros. em escala. quase. sumiu. a riqueza verdadeira. os recursos disponíveis. como negócios devem ser feitos sobre bases racionais. No volume. qualquer um. que é a de fazer “sites”. é nos detalhes que está a qualidade do pão. Idéias.

85 .dominada pelo risco. Para não começar. de novo. às suas experiências. no ponto que pariu. Deveriam somar. pelo menos o livro de Bernstein.

Entre estados. aliás. Vide Campinas.mdic. mas acho que não “melhorou”.. diz que se trata do Ministério do Desenvolvimento. No governo da República.. via a demanda por infra-estrutura social inexistente ou caríssima. usando para isso incentivos cujas fórmulas de retorno não devem resistir a uma análise minimamente cuidadosa. o nome legal parece ser Ministério da Indústria.br (sem o T de turismo) e o nome que ele se dá.. como diria Tutty Vasquez. pelo menos. acha a mesma coisa. já tendo sido extinto por governantes que não sabiam descrever sua missão. Os interesses industriais do país. está no Ministério de Ciência e Tecnologia. os estados e seus próceres e a indústria espalhada por solo pátrio. doa a quem doer. São Paulo. cada vez mais. como se sabe.2000 ] Um dos segredos mais bem guardados da vida brasileira rege o estranho relacionamento entre o executivo federal. o legislativo. um ministério que troca de nome e missão como de ministro... no Nordeste. mais gente irá para lá. como se não bastasse. no corpo da página. do Comércio e do Turismo. quer ter.. um quarto de século atrás. seu endereço é www.” A indústria de informática. Vez por outra lembro da SUDENE e de todas as fábricas que fecharam. quando o assunto é política industrial.. que conheço..Dez. os governadores estão metidos numa guerra fratricida para atrair fábricas para seus territórios. Eu. nada?!?.. “e no Interior. para que empilhar mais e mais coisas nos lugares que já têm quase tudo? 86 . Estive lá pela primeira vez em 1975. quando se refere ao “governo” trata o dito cujo na terceira pessoa.gov. na web. Quer ver? O título de sua página.. Indústria e Comércio Exterior! E. como se fosse uma entidade da qual não fazem parte. é Ministério do Desenvolvimento. Vocês podem até me convencer de que Campinas “progrediu”.O corre-corre da Lei de Informática [ 15. Por quê? Quanto mais concentração de oportunidades em um só lugar. aumentando o caos. não acho que isso é do interesse de São Paulo e muito menos do resto do País. não faz parte de suas preocupações: o setor. quando seus incentivos se esvaíram. um dos únicos que realmente teve e pode voltar a ter uma política industrial. ele próprio uma presença intermitente no cenário nacional. são incumbência de um mutante do Planalto. Muita gente de lá. Será que vai dar no mesmo? Ainda mais. um número desconfortavelmente grande de altas autoridades. Um processo de realimentação positiva que acontece em todo espaço onde não se distribui as oportunidades apropriadamente. que já detém uma concentração quase inviável da indústria nacional de qualquer coisa. Daí.

248 expirou. E isso deveria ter sido feito em 1997/8. forçando suas várias metades a conversar entre si. etc) está abrindo um rombo de grande porte na balança comercial. entra no cenário a indústria. com a indústria e os estados. responsável por tentar carregar o andor..Feito o intróito. e daí?. fez sua parte e. A Lei 8248. por exemplo. Falando mais claramente de criação de valor no país. salvo as raríssimas e honrosas exceções. A quase totalidade de seus produtos e serviços não é pensada nem desenvolvida aqui. principalmente nos seus centros decisórios fora do país. quase nada do que vira exportação depois de pronto. Combinando metas de exportação. recentemente. Mas nada disso aconteceu e um processo que poderia render loas ao governo se transformou numa novela. documentos circularam em tempo e. setores do governo e indústria já alertavam para a necessidade de renovar a política e recriar a legislação. 4) como é que o governo sempre acaba parecendo derrotado.. a indústria nacional de informática é toda internacional. apesar dos limites impostos “pelo governo”. anda perplexa com o corre-corre em que se transformou a aprovação de uma nova política para o setor.. o que queria. por maior que seja seu sucesso e 5) quem deveria ser demitido por causa dos itens 1-4 acima. política anterior. controle. ainda por cima. Incluindo desenvolvimento de software. que eu saiba. o aumento do consumo de bens de informática (computação. Nós todos (e esta coluna também) deitamos e rolamos sobre a 87 . quando a 8. jogos. que provavelmente já ouviu esta lengalenga toda em outro lugar. 3) por que ninguém avisou que as medidas poderiam ser derrubadas no Supremo. 2) por que se levou tanto tempo para acertar (?) o passo dentro do governo. Daí que o enredo da história vem de endereço certo: o governo federal.. comunicação. Uns dois anos antes.. para aprovar a nova legislação no começo de 1999 e tê-la regulamentada e valendo em outubro de 1999. Modificando a noção de “fábrica”. como parte mais consciente da própria indústria fez questão de alertar. no caso a indústria de informática. O que deveria fazer o Presidente perguntar 1) por que ele teve que assinar mais de um ano de medidas provisórias. que não foi capaz de acertar o passo e decidir. entretenimento. é que seus centros decisórios não estão aqui. montou uma proposta de Lei mais inteligente e moderna do que a 8248. A indústria. em tempo.. deixou de valer em outubro de 1999.. o MCT. Pergunta o leitor.. Mais de uma pessoa avisou isso ao Planalto. Sim. aqui. O problema. como aliás é o caso em todo canto. E. Uma ou outra exceção feita. via importação de componentes para montagem local de equipamentos.

em pesquisa e desenvolvimento. tomara que quando a coluna sair tudo já tenha sido resolvido. a não ser seus próprios produtos. Porque quase nada de novo sai de uma fábrica. Aliás. inclusive) a partir dos laboratórios dos grandes conglomerados internacionais. começando as negociações para a próxima Lei! Sim. através dos mais diversos agentes. Com o processo pela bola sete. lá. O que deveria criar um grave sentido de urgência no Planalto. Política de informática. como afeta somente a mídia e uma pequena parte da política. Mas o que dizer das coisas que realmente interessam à América? Escolhidas as prioridades nacionais. Talvez não tenhamos entendido as coisas direito. o batuque certeiro. um baile. E vai expirar.. lá. ela deveria representar a política do setor. da DARPA até a NASA. o maracatu sai todo arrumado. que eu saiba. esta era a razão. ou melhor. se for mantido o último acordo de que tive notícia. 88 . principalmente. para a indústria de informática ter ficado em Ciência e Tecnologia: era através. lá por 2010. por ano. política e socialmente.. melhor deixar rolar de qualquer jeito. na verdade. é feita através de poder de compra de governo. pois. O que precisamos é gerar propriedade intelectual “pensada no Brasil”. dos investimentos em C&T que faríamos a política. a eleição era.pilhéria que foi a eleição americana e os processos de tratamento de informação a ela associados. porque até lá essa coisa de medida provisória acaba. como se sabe no meio. esta história de fabricação local e cumprimento de processo produtivo básico é coisa do passado. Com os candidatos tão perto. montadora robotizada. as damas num passo que parece um mar manso. pressão política e comercial sobre países e organismos internacionais e injeção de dezenas de bilhões de dólares de fundos federais. e nem precisa de Lei nenhuma. e não os negócios americanos. o que torna possível criar novas empresas (nacionais. Mas é sempre bom lembrar que a Lei não é só incentivo fiscal. um sorteio e.

Arthur Clarke (2001). uma ultra-inteligência. ficam parados um em relação ao outro. normalmente dotadas de força e sentidos ainda mais descomunais para os padrões sapiens sapiens. Que poderia ser escrito por um computador. então. o “magote de caba da peste lasca nóis” e os humanos.2000 ] “Amável o senhor me ouviu. circunspecto. O segredo é que a velocidade angular de um satélite.. entre 2005 e 2030. é o alvo maior da computação. ainda dentro do século que se inicia a primeiro de janeiro.Dez. numa órbita equatorial de 35. no equador da Terra: os dois. Quando o assunto é a mente.. e Philip K. Pois não? O senhor é um homem soberano. nos cenários de ficção. se for. Nonada. o problema (ou solução) já foi abordado por Isaac Asimov (Eu. à época. dos comos: fazer uma mente é certamente mais complexo do que prever (e descrever). E a órbita geoestacionária foi oficialmente denominada “órbita de Clarke”. O consórcio Intelsat chegou lá em 1969. Robô). O que não é problema para Vernor Vinge. vendedora de passarinha ali perto da Ponte Ferro.. quando foge à nossa compreensão”. desde que os primeiros computadores começaram a somar mais rápido do que os humanos. Num raro caso de humildade e conservadorismo entre os prestidigitadores. Clarke chutou por baixo e disse que “em 1995 haveria 3 satélites” geo-estacionários cuidando das telecomunicações mundiais.A última invenção: ultra-inteligência [ 22. passou por cima do SE e já discutia o QUANDO. O Diabo não há! É o que digo. A questão é saber SE tal ultra-inteligência poderia ser construída. se tornam meros joguetes dos novos ultra-donos da casa. Grande Sertão: Veredas. E a mente. Existe é homem humano.. em 1945. assume o controle da situação e. um ou mais tipos de inteligência super(trans)-humana. que seria possível usar satélites geoestacionários de comunicação para cobrir todo o planeta.786Km de altura. saindo dela. segundo uma tese aceita por muitos. Travessia. como diria Zezo de Marialice. como Clarke fez.. Para seguir um parágrafo que começa dizendo que o diabo não existe. depois de mais de 500 páginas. quase sempre. minha idéia confirmou: que o Diabo não existe. revolucionando a transmissão de informação na Terra. dias antes da Apolo 11 pousar na Lua. é a mesma de um ponto que lhe corresponde. um matemático americano que. só uma citação de Freeman Dyson. em 1993. com um infinito no fim e tudo. em “The 89 . Ninguém ainda tratou. Amigos somos. Dick (“Blade Runner”) entre centenas de outros. Na ficção.” Assim acaba. em detalhe. que situou. no centro do Recife. legado primo de Guimarães Rosa à expressão humana.. para definir o Supremo: “Deus é a mente.

Mas vai mesmo? O artigo de Joy gerou a maior quantidade de cartas que Wired recebeu até hoje. de objetos como “Grande Sertão:. bem que o leitor pode aproveitar as férias lendo o texto de Joy. Uma máquina ultra-inteligente que construíssemos poderia projetar máquinas ainda mais inteligentes. tais máquinas poderiam “projetar” outras máquinas. engenharia genética e nanotecnologia– estão ameaçando tornar os humanos uma raça em extinção. cientista-chefe da Sun Microsystems. A primeira é poder realizar qualquer processo computacional que o cérebro humano realiza. O que Vernor Vinge. Desta forma.” Uau! Como estamos.. considerando entre outros o texto de Kurzweil. lá em 1993. portanto. finalmente.. mas nós “saberemos” como controlá-lo.” Bill Joy. também.descoberta e. a capacidade intelectual de qualquer humano. muitos são de gente ilustre defendendo justamente o contrário. mental é outra. E independente. inserção social condicionada.. no seu livro The Age of Spiritual Machines (Viking. ou “A próxima singularidade tecnológica: como sobreviver à era pós-humana”. por mais inteligente que possa ser.. claramente. Seria a primeira máquina inteligente possível no século XXI? Ray Kurzweil. ou seja. vivendo a última virada de século em que ainda somos alguma coisa e temos tempo pra fazer o que queremos. pois acabaria “pensando” coisas que fugiriam completamente ao nosso “controle” ou “supervisão”... a US$1000 cada. contemplação. reflexão. pra ver como tudo vai acabar. Trata-se de um pequeno estudo sobre a velocidade de geração de conhecimento no planeta e como isso pode levar à criação de máquinas ultra-inteligentes. E máquinas mentalmente equivalentes a seres humanos seriam possíveis ao redor de 2030. estariam disponíveis antes de 2020. criação. a primeira máquina realmente “ultra” seria.04. 1999. a última invenção. incluindo uma abertura apocalíptica: “Nossas mais poderosas tecnologias para o século XXI –robótica. entendimento de situações nunca antes vistas. teorizava ser impossível. O projeto de tais máquinas é. Capacidade computacional é uma coisa. 388pp). muito. definidas como sistemas artificiais que ultrapassem. A segunda é passar daí para o aprendizado. escreveu um longo artigo sobre o tema na Wired 8. uma atividade intelectual. que pode até haver o tal progresso. Mas talvez seja só muito difícil e a solução esteja nas quatro “Leis da Robótica” de Asimov. estabelecendo garantias de que a ultra- 90 . diz que sim e define a data do empate: as primeiras máquinas com capacidade computacional humana.Coming Technological Singularity:How to Survive in the PostHuman Era”. que projetariam. se intelectualmente superiores a nós.

da OUP. como quer Michael Gazzaniga. quase todas cuidadosamente demolidas em uma edição especial da revista Psyche. John McCarthy. Pode acontecer. 91 . para quem a “mente” é não-computável. nossa mente seria uma rede de processadores biológicos e processos associados. por uma lista de ilustres debatedores como Drew McDermott. proteína. e disse.. de tentar explicar a singularidade tecnológica de Vinge em termos de equações. pode não. “Vivo no infinito. por mais sofisticado.. se cada um fizer sua parte para não seja um fim. na verdade uma função de supervisão e controle responsável também por abstrair o comportamento de outras partes do cérebro. Coisa para se preocupar? Nonada.” Diria. sobre o que Niels Bohr. isto é. Ou seja. Moravec. seja silício. mais recentemente. Legal.. profetizava: “é muito difícil acertar previsões. mas fornece evidências teóricas adicionais para sustentar a tese de uma singularidade onde haveria uma explosão de conhecimento no planeta. segundo quem a noção de mente à qual estamos acostumados é. em 457 páginas. nem a humanos. um infinito da gente. mas um novo começo. se deu ao trabalho. Acontecendo. será um futuro melhor. além de proteger sua própria existência. mas que está anunciada na ficção e em textos como o de Bill Joy. Todo passado que não leva ao futuro é só preconceito a vencer. de 1994. Rosa. podem ter começado uma revolução que não estamos vendo. E estamos falando de previsões. dedicadas a outras funções menos inteligentes. especialmente sobre o futuro”. dos quais obedeceria ordens. Computadores cada vez mais rápidos e poderosos.. parece uma Internet na cabeça. que tenha a capacidade mental dos humanos. Que podem ser ainda mais verdade se a “mente” humana for algo distribuído. baseado em hardware ou software. ou seja. relacionando a quantidade de conhecimento no mundo e o armazenamento e velocidade dos computadores. Solomon Feferman e Hans Moravec. O argumento de Penrose está em seu Shadows of the Mind. o momento não conta. Pode muito bem ser que Asimov seja o novo Clarke. Só o amanhã existe. que não é possível construir nenhum sistema artificial. falando como filósofo... prêmio Nobel de física de 1922. A formulação de Moravec parece primária. que é professor de robótica em Carnegie Mellon.. Outros comentários ao texto de Joy são da linha de Roger Penrose. impossível de ser acompanhada por “meros” seres humanos.inteligência não faria mal à humanidade. ligados em redes cada vez maiores e mais rápidas. começando a fazer um número cada vez maior de operações que transcendem o 2+2 ou a solução de equações diferenciais parciais. interagindo para realizar objetivos definidos por ela mesma.

Medidas precisas. desde então. O novo presidente americano. foi a de aumentar significativamente nossa capacidade de abstrair a realidade e de construir modelos que possam representar. Andei pensando sobre o que prever e. vou falar de temperatura. nos últimos cinqüenta anos. do ponto de vista dos governos e indústrias. que disso estão todos de ouvido cheio. sendo que 1998 é considerado 92 .[ 29. usando dados adquiridos em ambientes reais. responsável por dilúvios em muitos lugares. talvez possamos agir. hoje. para evitar catástrofes que sabemos estar causando no planeta que nos foi entregue. de clima. cada vez mais. de aquecimento global. de variadas formas. Como é possível prever isso? Uma das grandes contribuições da informática à humanidade. quando começaram os registros confiáveis. na Terra. resolvi jogar os búzios eu também e fazer as minhas. para o entendimento de fenômenos que há parcos 20 ou 30 anos eram mistérios completamente inexplicáveis. segundo muitos) do que para World Wildlife Foundation. Para poder revidar Bushichos como “não há conexão entre o aquecimento global e as emissões de dióxido de carbono”. vem contribuindo. potencialmente. porque o ano 2000 foi o quinto ou sexto mais quente desde 1860. aliás.2000 ] Vai ser um século muito mais quente Aproveitando que todo mundo está fazendo previsões para o milênio. aí por 2080. é um entendimento mínimo das causas reais e históricas do aquecimento terrestre. caso não sejamos capazes de reagir a tempo. E onde parece que o maior problema. sempre esteve mais para Exxon/Mobil (de onde vieram as leis ambientais do Texas. a nossa. em perfeito estado de conservação. podem ajudar muito a entender. o mundo em que vivemos. Mas uma das coisas que está faltando. é o aquecimento global. Pois é onde ele provavelmente vai estar batendo. avalanches. Ou porque oito dos dez anos mais quentes da história. A modelagem computacional de sistemas complexos. inclusive. Aliás. Para tentar corrigi-las enquanto é tempo.Dez. através de simulação. aconteceram entre 1990 e 1999. secas noutros. usando a técnica ancestral de só prever o que realmente vai acontecer. a conclusão é que o único lugar seguro para se comprar um lote. é em altitudes acima de 100 metros do atual nível do mar. Mas não sobre gadgets e tecnologias de informação e suas aplicações. com graus de precisão cada vez maiores. Se dermos mais atenção a estudos que vêm sendo produzidos em alguns dos melhores centros de pesquisa do mundo. por exemplo. associadas a modelos de simulação de qualidade. há algum tempo. depois que acabei o texto. além bom senso e seriedade ao tratar o problema. mares de lama (reais!) e a conseqüente eliminação de espécies a granel.

uma espécie de Teresina em todo canto. Mas até alguém aparecer com algo melhor. A informática. dando para o Brasil cerca de US$1. a Terra é seu clima e nada mais. Boa sorte pra nós. estatística.o ano mais quente de todos os tempos. A Country-by-Country Analysis of Past and Future Warming Rates. entre perdas e danos.8.. e os próximos vinte anos são a janela pra se começar a resolver o problema de vez. só aqui pra nós. Em verdade. nos mostrando os indícios do futuro. Fazendo as contas. vamos precisar.400 per capita por grau de mudança. Claro que tais projeções são resultado de um modelo computacional e podem estar longe da realidade. se o trem do tempo continuar como vai. devido a um número muito grande de fatores. E estamos longe de ser o pior caso: o Canadá. Para o Brasil. numa média de 4. calcula ainda a vulnerabilidade dos países a mudanças climáticas. vai fazer um calor danado.8 graus mais quente! O relatório. vai pra mais de um trilhão de dólares. meteorologia. segundo a World Meteorological Organisation. o pior de 5. E porque o ano 2000 foi o vigésimo segundo ano consecutivo em que a temperatura esteve acima da média dos trinta anos entre 61 e 90. É só olhar pra Marte e comparar. É melhor descarrilar o bicho. ficaria 8. Tá na hora de fazer alguma coisa muito séria sobre o assunto. no século XX. de Manaus a Canela. no pior caso. 93 .5 graus. pela primeira vez feito por país.. descobre-se que a temperatura média do país subiu 0. à disposição da humanidade e de seus círculos decisórios. juntamente com a física.78 graus centígrados durante todo o século XX. está fazendo sua parte. o Tyndall Centre da University of East Anglia at Norwich produziu há pouco mais de um mês um relatório detalhado das mudanças climáticas. Não é possível que tanto conhecimento. é tudo o que temos para tentar analisar o futuro do planeta. no que se segue.4. matemática e uma miríade de outras áreas do conhecimento. estamos entre o melhor caso de 3. Ou seja. o tamanho do preju. que depende muito do clima. aliado a um conjunto de previsões nada boas para o século XXI. só sirva de crônica de uma morte anunciada. quer as companhias de petróleo e o governo americano queiram ou não. Partindo daí.

justo onde fica minha rede predileta. Me lembro do caminho até lá e de um anúncio de teleconferência que vi no aeroporto de Lisboa: "economize tempo e dinheiro – não vá!". com quem falar. isso aqui ainda é Recife.radix. os ônibus daqui. temperados aqui e ali por uma Rainha. eu poderia ficar em casa. imaginem. na mesma situação.. em Recife... entre o áudio-vídeo-computador-rede e bolo-de-rolo e sucos de graviola. cachaça 53o GL de Bananeiras. o ar liga sozinho. e saio à rua. da varanda do sétimo andar.2001 ] Dezembro na Caxangá Viro a chave.. Os minutos de Caxangá (uns 20. Faz todo o sentido do mundo e. Paraíba.. equilibrando a duas rodas semidestruída na grade que protege os passageiros dos ônibus da selvageria da rua. que projetos rever e com quem discutir aquela idéia de um protocolo mais eficiente para indexação. pra quem telefonar. ao CESAR ou à UFPE. No calor da tarde. Parece brincadeira. e vai me deixar o resto do dia em estado de graça. lugares para onde sempre vou. cheio de direitos. uma senhora atravessa e me olha com um rosto de “muito obrigado”. Brasil no Rio ou Marginal do Tietê em São Paulo. sem o rio no meio. no sol de dezembro em Recife. onde correm. ao vivo. outro dia. Não conseguiu nem que eu abrisse o vidro.[ 05. Gal trinando acima do nível de ruído da rua. O celular está 94 . ao som de um coroinha que demarca seu território. uma moto destruiu parte da traseira do meu carro e o “piloto” veio reclamar por eu ter parado no sinal fechado e “lascado a moto dele”.” Jobim. acho. aqui. vou revendo a lista mental do que fazer quando chegar na minha sala. sangue de barata no caos urbano. mangaba e pitanga. leva um jeito de Av. Seguro é pra isso mesmo. mas não é. muito menos que avaliasse o estado do carro. E eu. são seis quilômetros de casa até o Radix (www. onde dou pitacos no departamento de tempestade e administração de idéias. me dirijo à Caxangá. ou menos. No CD.Jan. Gal “Minha alma canta. o corredor urbano que. parece que o mundo nem barulho faz.) me tiram de casa e realmente me levam ao Radix. pedestres fora da faixa. Carros por todo lado. menos sujos mas mais barulhentos que a água de lá. que ataca o pára-brisa com a firme intenção de transformá-lo em pó de vidro. uma Santa Lúcia feita em Fortaleza. é um só outdoor com milhares de nomes e desenhos. colunas e outros veículos..com). O sinal fecha. Ao invés. motos saracoteando no meio do trânsito e uma poluição visual tão intensa que a Caxangá. enquanto negocio paredes. Saio do aperto da garagem só para um carro – e mais nada – para o sol de dezembro no Recife. eu paro. Hoje está mais calmo. ligados à minha casa pela grande avenida. uma das saídas à oeste do Recife.

dá um boa tarde mecânico. A um local de trabalho. a bem dizer. E a maioria das coisas que preciso resolver com pessoas pode ser feita pelo telefone. Na mochila. 184pp... E acho que vai ser assim no futuro. eu não preciso ir lá. alguém está saindo e me dá uma vaga de presente. Estes lugares podem ter redes de altíssima performance. dão o boa tarde humano e gentil que me avisa que cheguei. significa alguma coisa pra mim também. Tudo que faço de casa também faço do trabalho. para muita gente. e mais tudo que escrevo. Páginas da Internet na cache. depois das 20h. lá em casa. inclusive minha biblioteca digital. Mas não é. milhares de mensagens armazenadas no Eudora. quase em coro. nas pessoas que vão estar na reunião das 14h30 e quem vai fazer o que. 1999. Algo me diz que o coroinha cantando. O dia só está recomeçando. entro. talvez nunca seja a mesma coisa. No meu caminho. não há nenhum ônibus quebrado hoje. impressoras de alta qualidade. por elas ou por nós. de volta pra casa. de volta à rua. dobro à esquerda. pego a mochila. Resolvi deixar a casa para os pássaros e separá-la do trabalho. de casa para o trabalho. mas as Kombis estão com a gota serena. Vou devagar e penso no experimento que vamos começar. Centros de trabalho.no silencioso. estou no carro pra pensar e a Caxangá. o que é muito caro e anti-ecológico. Coisas que serão muito caras (e pouco econômicas) em casa.. Mitchell em e-topia (MIT Press. talvez sempre. me levando.. vai ser uma tarde muito longa. remotos e distribuídos por todo canto. gigabytes de artigos e documentos que leio e releio. hoje eu só converso lá da sala.). Este é o tema de William J. em cima de documentos gerados por mim. avisando pro bem-te-vi que o sítio é dele. uma pequena boa leitura sobre os locais e cidades do futuro e nosso lugar nelas. destrambelhando o trânsito. meu laptop tem tudo o que eu preciso. por muito tempo. E só vale a pena pegar a Caxangá. Chego aos poucos. 95 . Porque. em mais de um sentido. sem saber. subo a escada e Sara e Maristela. infra-estrutura física e humana para apoiar o trabalho que outros têm que fazer. mesmo quando for teletrabalho de alta qualidade. poderão substituir os locais de trabalho para onde temos que ir hoje. E porque não vamos querer os teletudos anunciados por certos visionários desavisados. o guarda abre o portão.

Até hoje tem gente que ainda lembra. derramar o vozeirão afinado sobre sucessos da época e de sempre. é um armazém. é muito diferente e mais virtual. eu e meu pai estávamos no corredor lateral. quando o grande astro tinha sido preso por uns tempos e este era o comentário da platéia antes dele entrar em cena.. como poderia ter sido melhor do que aquilo?. bem na frente.. hoje. e mais de trinta anos antes de morrer. Depois do show. na radiola Mullard lá de casa. Quer ver? Aqui está parte da descrição de Auto-Tune. Sorte minha estar no de Nelson que.. nem sei bem como entramos. há tanto tempo. Mas era depois de março de 1966. e ficava em pleno sertão de Pernambuco. ele e um microfone de baixa qualidade. que dublava de teatro e que hoje. o gigante do palco. Perfeccionistas radicais como o homem do soul jamais teriam feito o show de Arcoverde. Mandava rolar a guia e soltava as cordas vocais: elas sabiam o que fazer. E meu pai ainda fazia questão de dizer que a voz dele “já tinha sido muito melhor”. foi notícia por meses. como se dizia. porque meu pai tocou tudo. Semanas antes dele chegar. enfrentar confiante aquele público gigantesco. onde vibrar.Jan. já era uma lenda. de Arcoverde. Ou quase. é porque. gravava de primeira. Nelson Gonçalves. Não era à toa que o chamavam d’O Gigante da Praça. Nelson Gonçalves. retorno e ruído dos anos sessenta.. Claro que não me lembro mais do que ele cantou. então. e não é porque estou velho.. sinal dos tempos. O cinema. Eu decorei o show antes. que lhe foi dedicada e fez um espetáculo inesquecível.. quase veneração. a afinação. que ainda hoje embalam dores de cotovelo pelo país afora. fez por merecer a tietagem. Ainda bem que Tim Maia apareceu depois. A realidade. Aliás. já era a única notícia relevante da cidade e do sertão. mas a impressão de sua presença e voz ficaram para sempre: o jeito de pegar o microfone. uma das maravilhas do mundo dos estúdios modernos: Auto-Tune corrige problemas 96 . muitas vezes. estava lotado. pois os estúdios e palcos contam com auxílios computacionais que transformam qualquer voz de taboca rachada em uma Maria Callas ou. Viva. em discos de 78 rotações e long-plays arranhados. fundado em 1947. piscar para a orquestra. senão nunca teria entrado num palco. pois não tínhamos conseguido lugares sentados. com amplificação.2001 ] Eu nem lembro mais o dia e o ano. eu era muito novo. O show teve lugar no Cine Bandeirante. a voz. onde sentavam 1200 pessoas – deveria ser um dos maiores auditórios do Brasil. mezzo máquina [ 12. onde e como chegar.Mezzo gente. até o fim da vida. em seu tempo. também. como eu! Nelson cantava no gogó.

a voz do dono para que tudo dê "certo". mas que são produtos acabados de Auto-Tune. Mas que os nelsons fazem falta. enfim. Mesmo audiófilos não podem discernir um som processado de um natural.. não entende ou não vê. O resto é automático. depois de "processado" por Auto-Tune. que são. a máquina faz. manipulam. e até parece mais gente e mais competente. o software faz com que pareça que ele/ela está fazendo justa e somente o que tinha que fazer. cheio de aditivos computacionais. o tom de entrada. 97 . mesmo que ele não cante daquele jeito. duplicam. ao vivo. onde o cantor. Minhas fontes garantem que vários ídolos da canção são montados por Auto-Tune e outros programas de processamento digital de sinal. a si mesmos (e são muitos) há os que são parte gente. Aí é onde entra o velho ditado romano: a arte que não tem verdadeira aparência de arte é a arte verdadeira. Ou não? Breve. à lua cheia. é possível rodar programas que recortam. ao vivo. só tem que manter o ritmo e falar as palavras corretas. À medida que o hardware disponível nos estúdios vai ficando cada vez mais poderoso e barato. Se você não sabe. é bom perguntar quem está cantando mesmo. de uma briga de gatos em uma latada.. para a música. parece Emílio Santiago ou Roberto Carlos. afinam. colam. rodando direto numa mesa como a Mackie D8B e de lá para os amplificadores e nossos ouvidos.. por assim dizer. identifica o tom mais próximo numa escala especificada pelo operador [programada antes] e corrige o tom de entrada para o da escala. Auto-Tune (ainda) não sintetiza a voz que o leitor queira. O pior é que tem muita gente indo pra shows e ouvindo cantores e cantoras afinadíssimas. quase só máquina. no caso de certas duplas. Caso o leitor tenha achado pouco: o modo automático detecta.. que não erram uma nota. a menos de terem a certeza de que está absolutamente afinado. E. instantaneamente. como for necessário. parte máquina. O pessoal do estúdio programa o que e como o cara vai cantar e.de afinação de voz e outras fontes sonoras em tempo real [incluindo instrumentos]. e ao ouvir não sente a diferença. Tirante os que dublam. mas isso também já seria demais. o que Photoshop e similares representam para as revistas masculinas. mas. ajustam. Ou quem escolher. qual é a diferença? Bem-vindo ao mundo real. Da próxima vez. pelo que me disseram. talvez tenhamos as demoníacas máquinas de karaokê com um plug-in Auto-Tune (custa US$399). Ou seja: o leitor tem a voz e a afinação. lá isso fazem. ou coisa que o valha. Mas parecem gente. com a voz que você quiser. A qualidade do resultado é espetacular.

entre 800MHz (os mais antigos) e 2. que pode começar uma celeuma de caráter mundial e embaralhar uma das maiores indústrias mundiais. Kentucky e Maryland. para comunicação de todos os tipos. Tomara que não. na faixa de micro-ondas. após conseguir que as companhias de fumo pagassem quatro bilhões e duzentos milhões de dólares em indenizações a fumantes que sofrem de câncer. pelo menos por enquanto. a acusação deve argüir que. Mas vamos assumir o pior caso. celulares emitem e recebem. pelo cheiro. desde o início do século e. rádio-freqüência (RF). se um celular esquentasse muito nossas cabeças. incluindo a indução de câncer. ia cozinhá-las. o provedor deve primeiro garantir sua segurança. como mostrou sua vitoriosa briga contra o cigarro. definitivo. sem nenhum achado que realmente confirme danos à saúde humana. uma operadora de serviço móvel e. Não há nada. Angelos. uma radiação não ionizante.Depois de Fumantes vs Cigarros. surpresa. contra um fabricante de celulares. ao contrário de raios X. a partir da Segunda Guerra. em larga escala. A razão das causas judiciais será a discutida relação entre celulares e tumores cerebrais: mesmo sem dados que possam confirmar a ligação entre os dois. ondas eletromagnéticas que estamos usando. coisas que eu e o leitor sentiríamos. uma companhia de telefones fixos. Nem nada que os isente: só saberemos a verdade daqui a umas décadas. faria mal. que um dia destes botou um bilhão de dólares no bolso. com centenas de milhões de pessoas usando e tendo ou não alguma doença por causa disso. Telefones celulares usam RF. dono do time de beisebol Baltimore Orioles. que culpe os celulares. talvez tarde demais. não é exatamente uma unanimidade nacional nos EUA. A FCC (a Anatel 98 . Uns acham que ele não consegue nem administrar um time de beisebol.Jan.6GHz (os que ainda estão por vir). Deixando os advogados para lá. Há mais de cinqüenta anos se estuda os possíveis efeitos de RF sobre organismos vivos.2001 ] O escritório de advocacia americano que botou a indústria do fumo de joelhos tem um alvo novo e gigantesco. por enquanto: que a absorção de radiação emitida pelos celulares. para vender um produto ou serviço no mercado. cujos prejuízos à saúde são sabidos de longa data. Mas o fato é que tem larga experiência em lutar contra indústrias inteiras. No limite. a partir de determinados níveis (altos). Processos que serão iniciados logo no início do ano na Califórnia. Usuários vs Celulares [ 19. A firma por trás do processo é de Peter Angelos.

americana) tem um limite para aprovar os celulares à venda nos EUA: a absorção (SAR, taxa de absorção específica) de radiação emitida por um celular, pela cabeça do usuário, não pode ser maior que 1.6 watt por quilograma. Desse jeito. Se sua cabeça pesar meio quilo, o limite é 0.8 watt; Maior do que isso e não deixam nem o dito ser vendido. Os dez celulares de menor SAR exibem taxas quase quatro vezes menores, em média, do que os do topo da lista. Oito dos dez são Motorola, um é Qualcomm e outro é Mitsubishi. Cinco dos dez de maior SAR são da Nokia, e outros cinco fabricantes têm um cada, na lista. Os campeões, nos EUA, empatados em 1.49, 0.11 pontos abaixo do limite oficial, são o Nokia 5170i e o Ericsson T28 World. Dois amigos meus, daqueles que vêem conspiração em tudo, acham que o SAR seguro seria muitas vezes menor, algo como 0.2 e, à medida que a indústria conseguisse produzir telefones com tal especificação, o limite da FCC iria baixando. Prefiro achar que tudo está sendo conduzido, pelos poder público, dentro dos mais estritos limites da ética, moralidade e dever social, e que a indústria está se comportando responsavelmente, até porque não estou disposto a usar uns protetores de cabeça que vendem por aí, parecidos com aquelas máscaras de ave de rapina, para falar ao meu celular. Este é o tipo de coisa em que gente como Peter Angelos, certamente, prefere não acreditar. E vai levar às cortes para ver no que dá. Se os processos realmente acontecerem, que a indústria de comunicações saia do outro lado mais segura, mais eficiente e responsável. Foi isso que Ralph Nader conseguiu da indústria automobilística dos EUA, que deveria dar-lhe um lugar de honra por ter ajudado sua preparação para a verdadeira competição internacional. Para ler mais, a notícia sobre o processo está na BBC e a lista dos fones de maior e menor SAR está na CNET; a FCC tem uma página sobre segurança de RF, a FDA tem uma sobre telefones celulares e a CTIA tem uma seleção de opiniões de especialistas. E a decisão é nossa...

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Luís Fogueteiro na Internet
[ 26.Jan.2001 ] Luís Fogueteiro é o mais velho usuário da Internet mundial. Mais de 110 anos nas costas, uma longa história de comemorações em que a atração principal das festas do sertão e o terror da cachorrada eram seus foguetões, Luís está, agora, descobrindo o mundo virtual. Vendo e lendo, pois é mouquinho da silva: segundo testemunhas oculares e auditivas de sua explosiva carreira no sertão do Pajeú, Luís fazia fogos para ele mesmo ouvir. O resultado era uma quantidade de pólvora tão cachorra da “mulesta”, em cada artifício, que o foguetório na praça, nas festas de santo, só faltava destelhar a Matriz de Afogados da Ingazeira. Mas Luís não era só de explosivos: suas chuvas, lágrimas e girândolas fizeram brilhar os olhos de gerações. Reencarnei Luís no meu laptop, para ver se ele bota uns sites pra correr, da mesma forma que botava os bichos, pois deve ter vira-lata que disparou de Afogados numa novena, em 54, depois dos pipocos do fogueteiro, e está correndo até hoje, mais ou menos ali por São Petersburgo. Pois bem, vai ver o homem me ajuda. Ele é, desde umas duas semanas, um dos “nyms” instalado num software que tá rodando na minha máquina, chamado Freedom, produzido pela Zero Knowledge (www.zeroknowledge.com). Como funciona? Na forma mais simples, um “nym” é um pseudônimo, administrado por Freedom, que simula uma outra persona minha. No caso, Luís. Mas não só: Freedom gera dados para nyms aleatoriamente (posso parecer mais de uma pessoa com o mesmo nym), preenche formulários, tem uma firewall (tecnologia para prevenir invasões), administra anúncios (evitando que o mesmo anúncio seja carregado da rede mais de uma vez...) e, como se não bastasse, deixa que eu programe alertas para evitar determinados tipos de informação saindo da minha máquina. Por exemplo, posso programar um alerta para evitar que o numero do meu telefone ou meu e-mail saia, livremente, da máquina para a rede. Mas a parte mais útil, para o usuário comum e que não quer ser visitado, via e-mail, por todo site onde passa e mais uns outros, é o administrador de cookies. Quando “sou” Luís, moro em Afogados, trabalho nos Estados Unidos e tenho uns endereços de e-mail que dão em lugar nenhum. E os cookies que os sites depositam na minha máquina “são” de Luís. Vez por outra, tenho que, ou quero, ser eu mesmo, e Freedom é comandado, por mim, a usar meus cookies e minha identidade real para navegar, por exemplo, enquanto compro na Amazon, onde é bom, e interessante para mim, que o site saiba quem eu sou. Para Amazon saber de mim, seu site pega um cookie que ela

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própria depositou, que pode estar identificado por meu e-mail (lá no site deles) ou não; normalmente está. Até aí, tudo bem; o problema é que os cookies (pequenos registros que são depositados nos nossos micros, pelos sites em que entramos, através dos nossos browsers) podem ser lidos por qualquer site. Os sites bem intencionados lêem os seus cookies e só. Isto pode ajudá-los a nos servir melhor. Outros, atrás de informação que não necessariamente queremos lhes entregar, pegam os cookies de vários sites e retiram a informação que puderem de lá. Para estes é que serve o software da Zero Knowledge: quando quero que vejam um dos meus pseudônimos (como Luís, Fogueteiro, nascido a 2 de fevereiro de 1890), clico seu nome e saio pela rede. Quando estou num site onde quero ser visto, sou eu mesmo. Vantajosa forma de esquizofrenia digital, Freedom me deixa ser quem quero, quando quero. Não precisaria ser assim se os sites agissem de forma correta, não retirando da minha máquina (e da sua, leitor), às escondidas, informação que não queremos fornecer. Pra eles, Zero Knowledge (conhecimento zero: o nome é muito bem escolhido...). A empresa espera fazer dinheiro dando, de graça, o software mais simples e vendendo, entre outras coisas, a capacidade de criar "nyms" que podem navegar na rede de forma completamente anônima e mandar e receber e-mail sem que ninguém possa olhar (US$49.95/ano)... Mas o que é preciso, mesmo, é um código de privacidade para reger o relacionamento entre usuários e sites, de tal forma que seja possível decidirmos, através de alguns parâmetros que poderiam já vir estabelecidos pelos produtores dos browsers, o que não queremos que aconteça. Poderíamos proibir pop-ups (!), administrar cookies com segurança, de tal forma que somente armazenamos aqueles que autorizamos e somente os sites responsáveis por eles podem lê-los, garantir que nosso email não é lido nos provedores. Aliás, a maioria das redes que usamos não tem a menor segurança neste aspecto. A coisa mais fácil do mundo é um “leitor” estar vendo todo o e-mail de qualquer um de nós que não esteja usando criptografia da pesada. Falta saber o que Luís está achando de eu estar usando seu nome em vão. Acho que ele não vai se incomodar. Estamos por aí, pela rede... Depois dele ter me iluminado tantas noites no interior, e provavelmente depois de ter me apavorado, também, com suas bombas, só o que ele queria era divertir-se e divertirnos, talvez viajando conosco pelo céu adentro. Rede afora, certamente que eu posso levar Luís pra passear. Isso é o que é liberdade...

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[ 02.Fev.2001 ]

O Planalto e a universalização de acesso
Em qualquer lugar do mundo, se a gente só quiser falar mal do governo, dá pra falar o tempo todo. De quase tudo. Pois os problemas do governo são muito grandes, dentro e fora dele, o mundo muda o tempo todo e parece que o país, a cidade ou o estado estão permanentemente querendo fugir do controle das autoridades e, acima de tudo, agir no sentido contrário às suas previsões, planos e ações. Às vezes é preciso medir o governo pelas intenções, mesmo sabendo que o inferno, como todos sabem, está cheio de bemintencionados. Mas, se olharmos as intenções com algum cuidado, dermos crédito para os planos e esperarmos as ações, poderemos pelo menos medir a eficiência e eficácia (ou não) do poder público no que tange a algumas coisas que interessam a nós todos. Vez por outra tenho escrito sobre a necessidade de se universalizar o acesso à rede no Brasil. Universalizar mesmo, no mesmo nível de energia elétrica, por exemplo. Nem todo mundo tem, mas se você olhar na cidade de São Paulo, quase todo mundo tem. Na lei (quem tem conta e paga) ou na marra (puxado do poste da esquina para o barraco...). Universalizar o acesso a Internet num país como o Brasil não é um problema trivial e requer esforço conjunto de muitos setores do governo, iniciativa privada e terceiro setor. Isso porque nos EUA, nosso exemplo recorrente de país resolvido, menos de 10% das residências cuja renda anual é de até US$15.000 estão na Internet. Por várias razões, é claro, inclusive educação para participar da rede como cidadão de primeira classe. Mas uma boa razão é certamente o custo de estar na rede, tendo que imobilizar mais de mil dólares de equipamento e ainda bancar um custo mensal de dezenas de dólares. Para o pessoal do orçamento apertado, não é pouco. E tem mais: quinze mil dólares por ano é a metade da renda per capita deles e três vezes e meia a nossa!... Se fôssemos deixar a universalização do acesso à rede ao sabor do mercado, jamais haveria oportunidades para a maioria dos brasileiros participar do ambiente criado pela rede, que está, inegavelmente, mudando nossa forma de interagir, negociar, compartilhar, aprender e ensinar. A boa notícia, do Planalto, é que há uma intenção de mudar o rumo das coisas. O Presidente, vários ministros e altos executivos do governo federal se reuniram, nos últimos dias de janeiro, para ver Ivan Moura Campos, do Comitê Gestor da Internet, mostrar um computador funcionando. A CPU é um K6 topo de linha, a memória é 64 megabytes, tem áudio e vídeo de alta qualidade, interface USB, placa de rede e modem... e a maquineta não tem

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partes móveis, pois usa um “flash disk”, um sistema de disco de estado sólido. O software que foi demonstrado é aberto e de domínio público, baseado em Unix, tem software de escritório (KOffice), com editores e planilhas e mais que um navegador para a rede, o Konqueror. Até aí nada de mais, porque o mais da coisa é o menos: seu preço que, excluídos os impostos, seria entre 400 e 500 reais. Isso mesmo, menos de 250 dólares. Nada mau. E nada difícil, para quem sabe e tem gente competente: o pacote foi montado em poucos dias nos laboratórios do Departamento de Ciência da Computação da Universidade Federal de Minas Gerais, usando componentes e dispositivos que estão nas prateleiras do comércio nacional e software disponível na rede, por solicitação do Comitê Gestor da Internet. Se eu estivesse lá, ainda, teria sugerido um nome em inglês pro micro: BRIC (BRazilian Internet Computer). Só pra brincar com um país cheio de nomes e siglas noutra língua que não a sua... É óbvio que a produção de milhões de unidades por ano de um tal equipamento representa um desafio muito maior do que demonstrar um protótipo. Mas este desafio apresenta uma oportunidade que não aparece todo ano. O Fundo de Universalização das Telecomunicações tem um bilhão de reais por ano para gastar em universalização de acesso, incluindo acesso à Internet. O programa Sociedade da Informação foi criado pelo Governo Federal para botar o país na rede, em todos os sentidos. E a indústria de informática nacional precisa de um desafio que a transforme de fabricante interno, quase por força de uma Lei de Incentivo Fiscal, em provedor de soluções inovadoras de classe mundial. Inclusive porque nós já temos um grande problema de balança comercial com importação de componentes para PCs, cuja venda cresceu 50% na América Latina, segundo a Dataquest, com um índice de 77% o aumento das vendas domésticas. Ou seja, haja componentes para fabricar isso tudo, e haja importação, pois não fabricamos CPUs, memórias de alta densidade, discos etc... E, se tivéssemos um plano de fabricar umas maquininhas para Internet, que fazem muito mais do que só isso, e uns três milhões delas por ano, durante pelo menos cinco anos, haveria razões econômicas e estratégicas para a existência de uma indústria de micro-eletrônica no País. Como se não bastasse, se fosse possível (e é) botar milhões de máquinas, na rua, rodando um sistema operacional, sua interface e seus aplicativos abertos e de domínio público, estaria criada uma gigantesca comunidade de aprendizado brasileira, capaz de entender e evoluir o software, de Mâncio Lima (AC) até Barra do Quaraí (RS). O que significaria que o domínio do ciclo de inovação tecnológica deste produto estaria nas mãos de brasileiros, que seria muito mais fácil a gente decidir prá onde o barco iria navegar na próxima geração da

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rede. Para acontecer, há de se partir das intenções e demonstrações para o mundo real, onde estão os problemas. Pelo que se sabe, o Presidente achou a idéia excelente. E perguntou o que se faz daqui pra frente, para o que a mesa deu várias sugestões que transcendem, claro, o computador propriamente dito. Uma é acesso à Internet a preço fixo mensal, sem cobrança de impulsos por tempo de uso; outra é o fomento à produção local, como parte da política de informática, de um hardware com determinadas funcionalidades, definidas abertamente, e de seus componentes. E a exigência, para tais equipamentos, de rodar software aberto e de domínio público, articulado talvez em torno de uma ONG de tecnologia. Ainda há que se ter financiamento pessoal de muito baixo custo (R$20 ou R$30 por mês) para aquisição da maquininha e talvez uma encomenda pioneira do governo, para viabilizar a indústria que iria girar em torno disso... E há as sugestões minhas, do leitor, de todo mundo, que podem transformar isso em algo único no País. Bem que o Presidente poderia chamar alguns presidentes a seu alcance, como os da Anatel, Caixa, Banco do Brasil, de entidades federais que são grandes compradores de tecnologia de informação e pedir ajuda para transformar a intenção em um conjunto de planos, ações e resultados. Como diria minha vó Amara, só falta, agora, acontecer para gente ver se era verdade mesmo. Este governo tem pouco mais de um ano à frente, as apostas pro próximo já estão sendo feitas e a eleição começa de vera antes do meio do ano que vem. Daqui até lá, pra haver máquinas de 500 reais nas ruas, é preciso começar agora, e com gosto de gás. Porque intenções, apenas, não servem nem pra enfeitar propaganda eleitoral...

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em todos os detalhes: closes na bola. quase em cima do lance. um dos maiores eventos esportivos de todos os tempos. mas especialistas em direitos individuais acham que trata-se de um caso de invasão de privacidade. Um conjunto de câmeras. dando ao espectador a impressão de várias câmeras seguindo a ação de perto. Maravilha tecnológica. e mostrando-o logo depois. Pegando a imagem de cada membro do público. quem viu ficou boquiaberto. na tensão e na alegria de suas faces. Em casa. a ponto da CBS ter usado seu EyeVision. Pelo que dizem os jornais. a simples aparição de uma câmera cria artistas instantâneos e liga os amostrados. A transmissão da TV foi impressionante. No Estádio? No campo. de todo mundo. sofrimento e alegrias. nos choques dos jogadores. especial por outras razões.2001 ] Invasão de Privacidade. Câmeras por todo lado. O jogo poderia ser no Brasil.Fev. filmando tudo. na hora. mas perde um tanto da energia da multidão (ganhando talvez mais calor e carinho dos que estão em casa). digitalizando-a e enviando para um computador. Florida. a ação das forças da lei.[ 09. FBI e outros órgãos de segurança estaduais e locais. quando os Baltimore Ravens arrasaram os New York Giants por 34 a 7. nos movimentos e nos rostos dos espectadores. mas não era. armada. capaz de criar replays panorâmicos das jogadas. presenciado in loco por umas cem mil pessoas e por dezenas de milhões pela TV. segundo o jurista José Paulo Cavalcanti Filho.com e foi notícia em toda a mídia americana por semanas (entre 25/01 e 01/02. que está na web em superbowl. em Tampa. poderia estar criando insegurança para os espectadores. vai gerar mais falatório do que EyeVision: em cada borboleta do estádio. procurando por terroristas. no mesmo estado dos comentadores da CBS. Quem ficou em casa até tem direito às mesmas emoções. O jogo era o Superbowl XXXV. onde era comparada. não é preciso arrumar a maquiagem pra sair na TV. com as fotos de criminosos guardadas nos arquivos do Tampa Police Department. A polícia de Tampa e a NFL citam a "segurança" do público como fundamento para sua ação. criminosos e malandros em geral. Nenhum dos pagantes foi informado que sua foto estava sendo "processada" nem ninguém disse que a polícia estava por perto. Mesmo que não seja (o que seria o melhor caso). Como? O sistema identifica um indivíduo potencialmente 105 . sedentos por uma ponta em qualquer vídeo. um sistema robótico de 33 câmeras. também. caso a câmera passe pelo que seria seu lugar na arquibancada. Aqui. que passaram o jogo calados. na animação e nas explosões da torcida. uma câmera. o NY Times publicou 76 matérias sobre o assunto!) até se realizar no dia 28 de janeiro.

mas o efeito de um incidente com armas no meio de tal multidão pode causar um alvoroço de proporções dantescas. Vasco e Sanca. antes. quiçá conforto e bonomia. bancos. eu não gosto. O Big vai querer. Quando alguém compra um ingresso para um evento. durante e depois do "jogo". começar sua vida dotado 106 . aeroportos.. além de observar. acompanhado de dona sicrana. computadores e sistemas computacionais vão ser dotados de bom senso. Dezenas de cassinos americanos já usam sistemas de comparação de faces e tem gente pensando em passar a usá-los em hotéis. E o pior é que este pode ser. Seriam as arquibancadas espaços públicos? A NFL anda testando tecnologia para filmar as arquibancadas. da mesma forma que não se condena até que se consiga provar a culpa. anda se espalhando rápido. pois é lá que a ação acontece e já foi adquirida. rádio. segundo José Paulo: não se pode correr o risco de ferir centenas para prender um. controlar: que tal cada cidadão. pois há pessoas parecidas mas não iguais. já imaginaram a confusão? Porque.. do jeitão que a coisa vem tomando. pegar os fichados que apareçam perto de qualquer câmera. pois os mesmos senhores continuam dando as cartas do futebol. por mais indícios que se tenha das ligações entre acusados e atos criminosos.. Mas a briga. há gente com a mesma face e 20 centímetros de diferença na altura e. alarmando ainda mais os ativistas de direitos civis. eventualmente. por sinal. apesar de pequeno. nem tão cedo. O que é espaço público em um estádio? O campo. o Small Brother. times e estádios. prédios públicos. principalmente os que andam vendo o Big Brother em todo canto. reportagens e sabe-se lá o que mais. criar um ambiente de observação amplo o suficiente para desencorajar e. E encher o saco de quem pareça com eles. mesmo que venha a ser legal e defensável o uso de tais sistemas.perigoso e os agentes decidem capturá-lo em um estádio lotado por 100 mil pessoas. assume que será capaz de apreciá-lo em segurança. vai ser mesmo sobre invasão de privacidade. A progredir assim. que está botando uma gaia em seu marido.. pessoalmente. ainda. certamente. Isso foi testado em um evento paralelo ao Superbowl. retirar imagens individuais dos vídeos e comparar com bases de dados. foi um contraexemplo pros três: nada funcionou. em suma. nos EUA. Mas este "brother". E a segurança está acima da justiça. qualquer dia a gente entra num bar e o altofalante proclama a entrada do senhor fulano. pelos mesmos "motivos de segurança" alegados pela NFL e por governos e órgãos vários. caixas eletrônicos. lá em São Januário. para transmissões de TV. Não só as pessoas próximas à ação podem correr sérios riscos. doutor beltrano.

. o tempo todo.de um chip.. Ficção científica? Nem tanto: parte considerável do conhecimento e tecnologia necessários para tal vem sendo criada nos últimos anos. podemos acabar andando mais assustados do que catita de gaveta. com propósitos muito diferentes. uma liberdade privada. deixando-nos em paz. que o conecte em rede. no Brasil. não é a mesma que os homens da lei usam como justificativa para filmar e comparar as pessoas. recuperar funções cerebrais. até nos banheiros. Não dá para contar com as duas ao mesmo tempo. é porque o Estado. 107 .. de não nos sentirmos procurados. Mas parece que podemos ter paz ou liberdade. o chip cuidar de controle. "iscaneados". A segurança que se sobrepõe à justiça. é uma bagunça. etc. um chip destes poderia "evitar" que infrações e atos ilegais ou imorais fossem cometidos.. impedir que a segunda gravasse nossas faces num banco de dados. de tal forma que o sistema saiba. Se endireitar. aqui... também. de ir. E parte considerável do futuro próximo pode ter que ser gasta numa luta constante para preservar o pouco de liberdade que conquistamos até agora. se além de localização e identificação. futucando o nariz ou fazendo coisas menos publicáveis. controlando o impulso que pudesse levar o sujeito a realizá-los. Esta paz significa liberdade. citada por José Paulo. um Bigger Brother. vir. A primeira deveria justamente. onde está? E ele pode ficar ainda maior. talvez. talvez. Para os mais paranóicos. como tratar doenças degenerativas. Se a ameaça inexiste. anônima. Por isso que tem americano a dar com pau que não confia no governo lá deles.

é que os dispositivos envolvidos. 10. O que vale. que fazem parte da equipe do projeto pessoalmente.. uma zorra total. O estudo que acaba de ser publicado. interesse e impacto de suas capacidades e ações no cenário nacional (e internacional): aqui. no caso de certos condados. Isso porque a eleição americana. produzam no máximo um erro para cada 250 mil votos. E. pode levar meio século até que tenhamos a mesma percepção. 34..Fev. Vest. para qualquer tipo de tecnologia que venha a ser usada no processo de votação. Certos estados elevam o requisito para no máximo um erro a cada um milhão de votos. acaba gerando uma certa bagunça. com as conseqüências que todos conhecemos.5% da população votante o processo era como na maioria dos vestibulares brasileiros. na periferia.. A academia americana tem uma noção única de relevância. "A Preliminary Assessment of the Reliability of Existing Voting Equipment". 1.2001 ] "A tecnologia de votação eletrônica ainda vive sua infância e será provavelmente a que mais se beneficiará de inovações futuras e do aumento de familiaridade dos eleitores.155 condados.Mais vale um voto.1% da população havia dois ou mais dos métodos acima à disposição. para 8. O grau de autonomia conferido pela tradição federativa americana.vote." A frase está em um relatório preliminar do projeto "Tecnologias para Votar" (www. e do MIT. 108 . Charles M. para 27. na mão? [ 16.7% usaram uma ou outra forma de votação eletrônica parecida com a nossa e. daquelas antigas que tínhamos no Brasil. sejam lá quais forem. neste aspecto. em muitos condados. que levantou dados de 3. nas eleições presidenciais de 1988 a 2000. a Flórida é somente parte dos EUA: nas últimas eleições.)... já começa com uma surpresa logo na primeira página. há duas ou mais tecnologias de votação em operação. Ou seja. para presidente. nulos e não computados foi o de contagem manual de votos! Comparado com que. pelo condado ou. pela prefeitura das cidades que lhe pertencem. caras-pálidas? Ao contrário do que se imagina.4% tinham cartão perfurado (o que gerou os picotes problemáticos da Flórida. através da leitura ótica de marcas feitas em uma cédula de papel especial. David Baltimore.. 17.edu) criado em dezembro passado. em cada caso.8% tinham cabines automatizadas mecanicamente ("lever machines"). o que não é pouca coisa por lá.3% dos eleitores em potencial tinham cédulas de papel e urnas para votar. pelo incrível sentido de oportunidade dos presidentes da Caltech.caltech. independentemente. dizendo que o método que gerou a menor incidência média de votos brancos. Assim. é tocada pelo estado.

por erro do escrutinador. uma coisa é muito séria: o projeto Caltech/MIT tem como missão desenvolver um sistema de votação fácil de usar. Vamos fazer uma comparação mental. E o eleitor. os votos residuais são os brancos. transferir os votos destinados a si. faz justamente isso. Além de branco. Mais vale um voto na mão do que um na urna eletrônica? Sei não. Eu acho que o dado americano está simplesmente errado: eles concluíram que o voto residual. é 2% (o que. já que não se pode votar nulo e os votos são contados na certa. onde ninguém é suposto ter maior familiaridade com tecnologia da informação. Isso assumindo que as máquinas estejam em perfeita ordem e não como o engenheiro Leonel Brizola acredita que possam estar: um pequeno demônio digital estaria pronto para. não 109 . como não existiu na Flórida.. por exemplo). aqui e lá. Na eleição de W. Primeiro. lá atrás. chegavam a desligar (!) o equipamento depois de votar. corrupção.. tanto aqui como na América. ou a incidência média de votos brancos. Aqui no Brasil. o buraco é mais embaixo. a falhas legítimas na contagem. educado. mesmo nas aldeias indígenas.. Isso porque. Tudo bem... "depois de votar. pode-se votar nulo.. desligue a urna aqui". Sei não. Depois. em pelo menos algumas urnas. escondido. confiável e seguro. a medida considerada relevante foi a porcentagem de "votos residuais".Como se chegou à conclusão de que cédulas de papel marcadas com um "X" são melhores do que votação (e contagem) eletrônica? Como já dissemos. No caso do papel. alguém de vocês viu onde se desligava a urna brasileira na eleição prá prefeito? Ë um pitoco. em cada equipamento. até os verdadeiramente paranóicos têm inimigos de verdade. não ouvi falar de nenhum caso. marcando mais de um candidato ou rasurando a cédula e a computação dos votos. no papel e lápis.. assume uma contagem idônea. onde estava escrito. obediente. barato. Pode até ser. coerção e convencimento operam milagres entre o voto entrar na urna e ser listado na apuração. nulos e não computados. em alguns casos. já que estamos tão à frente na automação de processos eleitorais. contra 3% do voto eletrônico. aos seus seguidores e aliados para outros candidatos e legendas. mas ninguém consegue levar o tal demônio (eleitoral) digital a sério. No caso das máquinas eletrônicas de votar. diga-se de passagem.. no meu entender. Chistes e gozações à parte. em 2004. um outro abalo na confiança do povo americano nos processos de sua democracia. é um processo falho nas melhores democracias. ainda sem familiaridade com a "urna" eletrônica. para evitar. os eleitores. havia uma seta verde apontando para um botão fluorescente. de acontecimento do tipo. tem muita gente achando que nós teríamos uma boa chance de vender urnas eletrônicas para os estados Unidos.

algo tão difícil como vender indulgência pra pastor da Universal? Mas. também? Melhor pensar em alianças. voto americano em urna "Made in Brasil". vai ser muito. Vender urna do terceiro mundo. Não é nem porque eles saberiam fazer melhor. E com gente grande. pra americano.vendemos aviões a jato pra eles. mas muito difícil mesmo. Já imaginou. é bom fazer o dever de casa muito bem feito. pra quem quiser estar no negócio. ainda mais. como um todo. É por causa da componente psicossocial do processo. 110 . "Conceived and Designed" aqui em Pindorama. E.

em Olinda. saudosos.. O Recife Antigo estava cheio de gente. famílias inteiras. a alegria. monte de gente em pé dentro. de Olinda. antes do Carnaval. Deixa Que Eu Empurro.. eu e Kakinhas. tá metido em alguma coisa de carnaval. Vai ser impossível transmitir a emoção (e a tristeza). é "diversão levada a sério".. na maior tranqüilidade. Brasílica. Como diria Chico Science. a maior gréia).. como vai ser difícil recriar a anarquia do Piaba do Capibaribe fora do calçamento centenário das ruas de Recife e Olinda. homenagem ao grande compositor Levino Ferreira. Como tecnologia é cultura.Oh. o Expresso Acabocetudo (um ônibus de pano. aqui. na terçafeira de carnaval. Olinda.2001 ] Não Chora Ninguém.. até descobrir que não era o começo dum frevo. depois de ter faltado gasolina pra descer pro litoral (mesmo depois dela ter perguntado. Não. chega tão depressa. E não havia só estes três blocos: eram dezenas. calor humano e a tensão da rua pra um mundo virtual. E o que isso tem a ver com tecnologias da informação? Nada e tudo. [ 23..festa de família.. o Flor da Lira. se cair uma lata no chão. o povo fica se bulindo por uma meia hora. entre eles os Amigos do Dão João. cantando seus frevos dolentes. puxadas por uma singular orquestra de pau e corda e. Esperança. carnaval. o Clube Carnavalesco Misto Escuta Levino. quarta-feira ingrata. de Recife inteiro cantando o frevo de Luiz Bandeira que diz: "É de fazer chorar. o que era aquela luzinha amarela acesa no relógio da gasolina. Carnaval. quarta-feira ingrata!.) São os nomes de três blocos que saíram no Bairro do Recife na quinta-feira à noite. informática e carnaval se dão muito bem. mães com crianças.. Pelo menos quando é um carnaval onde nós não somos nem espectadores nem espetáculo.. quando o dia amanhece e obriga o frevo acabar/ Oh.. parece -e é. Tudo porque quase todo mundo de informática que eu conheço. algum dia. é democrático: 111 .Fev. máscaras e fantasias e o carnaval. mais de uma vez. Pintando o Sete. E o nada? Simples: quem já esteve no meio da Ceroula. senhoras no coral. Jovens. sabe que vai ser muito difícil transpor. não é o pai dizendo pra mãe calar as crianças enquanto ele empurra o carro até o posto. ali no meio do frevo. Só pra contrariar". autor de alguns dos maiores frevos do carnaval pernambucano.. aqui. todo mundo é carnaval e. grávida do nosso bebê. idosos (um monte de senhoras fantasiadas de índias no Marco Zero!). atração da noite.. pelo calendário só começaria no sábado. No carnaval anárquico e caótico do Recife. em Pernambuco. de luzes. Bezerros e Vitória.

Sem falar no Leão Coroado.. entrando no Pátio do Terço.com. depois. para o povo. em qualquer espaço virtual. sem falar numa de macaíba. Não é a mesma coisa. no banjo. trocar a pele e afinar o monte de alfaias artesanais que eles compraram pra desfilar aqui em Recife e Olinda e. 112 . com seu batuque único.olinda. pra ele.. vou estar tocando em algum lugar: sexta em Olinda. Como o grupo de alemães de Köln. pra falar de alguma coisa menos séria do que carnaval. aos setenta e sete anos.. Da mesma forma que estão pra uma grande nação de pernambucanos e estrangeiros que transformam o carnaval de Pernambuco na expressão de sua criatividade. o som..quando João Limoeiro e mestre Salu puxam as loas de seus maracatus rurais. segunda em Olinda e terça não sei onde. das que as nações de verdade tocam. quem tá fora das Repúblicas Carnavalescas Anárquicas e Armoriais de Recife e Olinda pode ir até. Mas pelo menos para saber o que está acontecendo e. quase dois metros de altura. PhD em Semântica. com uma mistura de seriedade e galhofa que só ele consegue imprimir no rosto. sábado com a Cabra Alada. que encontrei na oficina de mestre Maureliano.do povo. estão no mesmo patamar de seriedade e compromisso. o eco ficando pra sempre. aprendendo a montar. ao mesmo tempo. mas vai passar muito tempo antes que a Internet possa transmitir os corações saindo do compasso quando Tom e Laerte começam uma virada no batuque da Cabra Alada ou do Nação Pernambuco.. aqui. dançando com ele.com. musicalidade. mas é muito melhor que nada. na segunda de carnaval à noite. é professor no Centro de Informática da UFPE o ano inteiro e caboclo de lança no carnaval. depois. dias a fio. em Nazaré da Mata. Vai demorar muito pra ter. a rede não é perfeita. nação de maracatu que sai todo carnaval desde 1863. A gente arrepia o cabelo de ver Narciso. Se eu sobreviver. em alguma saída do Piaba do Capibaribe. Já vi muita gente chorar de emoção. pelo povo. os caboclos respondendo. saíram direto dos terreiros pro meio da rua. ou quando o mestre Válter puxa o Estrela Brilhante. Não há como não se emocionar -e vamos levar muito tempo pra ter emoção na rede. E na rede? Talvez até dê. E sai. www. por exemplo. Hermano Perrelli. comandando o bloco da Saudade. um dia.br.. irreverência e disposição de brincar.br e www. ver o que ficou e talvez decidir brincar o real carnaval do Brasil. sexta-feira depois da folia a gente se encontra aqui. Se você estiver lendo este artigo durante o Carnaval... As duas coisas. na maior alegria. sair sacudindo o frio do povo de lá com toques que. com o Nação Pernambuco. que seja. eu inclusive.. domingo em Bezerros. de uma alfaia de cedro de Maureliano. arrepiado..aponte.

diriam –se não soubessem que o assunto é grave.. achei que ele tava sonhando. depois de ter caído até 2. maior fabricante mundial de componentes para comunicações óticas (que são usados nos cabos de comunicação da maioria das empresas de telecom do mundo) avisou na mesma terça de Carnaval que vai demitir 3. estava a Nasdaq. E o pico das últimas 52 semanas foi 5.000 funcionários.000 demissões cada..000 da WorldCom. Mas lá.183. avisavam que ainda é cedo para comprar barganhas. Em novembro passado. 6. pra ela. No mundo das coisas concretas. [ 02. Já em tempo junino. a bolsa está em 2.080. a bolsa eletrônica americana onde circulam. em Seattle. ainda em pleno Carnaval. porque dará o que falar por algum tempo e há de tirar da mira dos analistas a performance não tão brilhante que a empresa deverá ter este ano. as ações das empresas de tecnologias da informação e comunicações.uns papangus que encontrei na brincadeira de Bezerros. e falando em más notícias. isso enquanto analistas do Goldman Sachs & Co... mais de 800 da 113 .000 em breve.Mar. nos cortes.... um amigo economista me disse que não havia razões pra evitar uma Nasdaq abaixo de 2. pois a JDS está acompanhada. antes! E não um daqueles teóricos que só têm uma explicação plausível meses depois do ocorrido. com 10. Deveria ter prestado mais atenção: ele é um dos poucos economistas capazes de explicar o que vai acontecer. Cai. 4. 10% de seu capital humano.207 pontos na terça de Momo. Suas ações caíram 15% no dia do anúncio. é a melhor coisa do mundo. festa que no interior do nordeste é muito maior que a Folia ou Natal e Ano Novo. quase cai na cabeça de Bill Gates (e na de vários professores brasileiros que também estavam lá!). A onda está mudando na base.Cai. Balão. porque o mercado está mais fraco do que o esperado e a competição tá braba. a JDS Uniphase.. mas o vinho era tão bom que acabei deixando a conversa pra lá. Ah. é hora de começar a ensaiar para as quadrilhas do São João.2001 ] Passado o Carnaval.000 da Motorola. aqui no interior de Pernambuco. Um auditório. quando a juíza Marilyn Hall Patel pode detonar o site e seus servidores de vez. isso como se não bastasse a Microsoft estar novamente na mira da Justiça americana. o balão só caía: o índice Nasdaq chegou a descer para 2. o sonho acabou mesmo. tanto em crescimento de vendas como lucro. entre outras. pela Nortel e Lucent. E me dizem que. pois a economia está mesmo desacelerando e quem deixar para depois pode se dar ainda melhor. Na hora em que escrevo.132. a vida de Napster está por um fio nesta sexta (2/3). Pra quem estava brincando há dias.. Bem feito. Eu duvidei..

GlobalStar 114 . é ruim pra todo mundo. E o mercado. Talvez seja interessante notar que elas fabricam ou fornecem infraestrutura para o restante da economia da informação e que os ajustes atuais são o resultado de um investimento anterior que acabou se provando muito maior do que o necessário para atender à demanda.Corning.. por sua vez.500 ou 3. eficientes e eficazes seus produtos. entre inumeráveis empresas que estão.4%). Os dados do mercado americano mostram.000. que perdeu 4%). Veja a Bovespa. Isso derrubou suas ações em 8.. Será que o mundo acabou? Claro que não. por semana. conseguiu chegar a uma maioria considerável da indústria e da população como um todo. segundo maior fabricante americano de PCs para venda direta ao consumidor. se reajustando à demanda. como as da Cisco (que faz roteadores) e Oracle (o gigante americano de bancos de dados) estarem atingindo seus valores mais baixos desde jan/2000. no susto. quando vive uma onda de más notícias. com as quais tenderão a permanecer por muitos anos ou até quando valha a pena trocar. Uma grande porcentagem dos computadores vendidos para casas. como se diz. é o fim da primeira fase da informatização e conexão de lares. nos EUA pelo menos. Compaq (5. e isso não tem relação com o tal desaquecimento da economia de lá. O que chegar depois. empresas e governos. Estes. ao invés de lucro no trimestre. estava se "reposicionando". suas contas iam apenas empatar e que ela.000 e talvez cheguemos a ver. Nós já vimos a Nasdaq chegar a 5. são apenas representações parciais da economia. quer esteja indo bem ou mal. que faz fibra de vidro. 1. Estão adquirindo soluções. que o número de pessoas com acesso à Internet subiu de 60% em julho de 2000 para 62% em janeiro de 2001.. dentro deste ano. por exemplo.3%) e Apple (2. e isto pode não estar relacionado ao fato de que o mundo está cada vez mais conectado e companhias como Global Crossing. por pessoa. As bolsas de valores. também. como os que estavam no trem logo no começo da viagem. que sempre segue as piores notícias de todos os outros mercados!. levou junto a Dell (o número um do mercado. A indústria de computação e comunicação. tendo atingido uma performance que torna baratos.. por exemplo. às vezes muito mais baseadas em expectativas e opiniões nem tão bem informadas do que em fatos reais. vai para lares onde já há pelo menos uma máquina. por lá. E o tempo gasto on-line. caiu de 8h em jan/2000 para 7h em jan/2001. não estão comprando moda. quase instantâneas. É que a América chegou na sua divisão digital: quase todo mundo que poderia ter computador e acesso à rede já tem. previsto pelos analistas em 17% do faturamento.. A Gateway. por sua vez. acabou de anunciar que.. São coisas como estas que fazem ações outrora absolutamente imbatíveis. O que está se passando.6% e.

no vácuo. experientes. do que à capacidade de analisar o futuro de tais investimentos. Quem quiser ganhar dinheiro. Exodus Communications e 360Networks estarem ligando. e tal se deveu. é um balão de São João. mais à sorte. daqui a cinco anos. por conseguinte. como objetivo comum.. O mundo não é e nem funciona assim e talvez nunca venha a ser. muito ao contrário. em comunicação e computação. uns dez anos. sem clientes e usuários reais. procure idéias factíveis e gente capaz de torná-las sólidas. pode procurar oportunidades de investimento em biotecnologia. E não apenas valor. privados e por capital de risco.. cadê o combustível pra tocha? 115 . Isso se o investidor se aliar a analistas e executivos competentes. por cabo submarino ou satélite. processos. As tecnologias. por um tempo.Telecommunications. sem necessidade ou fidelidade. ela é resultado de pesquisa. no mercado. estar definitivamente migrando para a rede. métodos e dispositivos fundamentais da rede de hoje não foram inventados ontem. certamente. com visão de longo prazo e habilidades para construir times que tenham. desenvolvimento e inovação. Pouquíssimos tiveram a chance de investir em ações duvidosas a baixíssimo custo e sair enquanto pareciam "blue chips". no mundo todo. A Internet de hoje está muito pouco relacionada ao que as bolsas acham ser bom ou não. Pode até subir por passe de mágica. aliada a um certo frenesi. Passada a ilusão. que o retorno é certo. tudo o que deve e pode ser ligado e vão dar lucro continuado no longo prazo. do mercado. Pra quem tiver mais tempo. Valor. apoiados por fundos públicos. investidos nos últimos 20 anos. ao contrário do que parecem crer investidores que entram em companhias de tecnologia para sair em um ano. E com o fato de que a maioria dos serviços públicos e comerciais. É quase garantido. criar soluções para problemas reais da sociedade e.

(todo o texto em itálico citado neste artigo está. gramática e estilo à parte.anatel. Inclusive a "forma" de telecom conhecida como Internet. O presidente. pelos interesses dos usuários e não de prestadores de serviços. Para ele. a crença. em comunicados da ANATEL. Renato Guerreiro.. no site da ANATEL. todas as empresas prestadoras de serviços de telecomunicações têm que contribuir para um caixa especial do governo. diz: "Na nossa opinião. a qualquer hora. a União Internacional das Telecomunicações.. a regulação de um setor literalmente. quanto ao Protocolo Internet. destinado a fazer exatamente isso.. que o presidente da mesma. elas não estavam preparadas). Transformar telecom em algo absolutamente ubíquo no país. Claro que o mundo mudou e não chega a ser uma grande surpresa ver. que até cinco anos atrás era vista pelas operadoras como uma chateação que tinha vindo mudar o tempo médio de ocupação dos terminais telefônicos (e para os quais.. A regulamentação deve. E destacou dois elementos basilares: "a obrigação de interconexão das redes para a livre circulação da informação e o tratamento isonômico dos usuários". o pré-conceito ou ideologia do monopólio natural para os serviços de telecomunicações". obviamente.2001 ] Para quem ainda não sabe. Diferenças de ortografia. que vão do "monopólio" até a "ampla competição". e atenua-se à medida em que esses mercados se tornam mais competitivos. a agência reguladora do setor de telecomunicações. uma espécie de FIFA das teles. www.Mar. "Portanto.. segundo Guerreiro. fundamentalmente. estabelecer o modelo e condições de prestação de serviços e não as características e especificações tecnológicas das plataformas de suporte. não há como discordar de Guerreiro. fabricantes ou de governos. portanto. chamado Fundo para Universalização dos Serviços de Telecomunicações. em qualquer lugar.gov. que não sejam as de servir à sociedade". o uso do IP nos hoje denominados Serviços Internet constitui uma nova ameaça nos mercados monopolistas.Acesso Universal à Rede: faltaria mais política à ação? [ 09. esteve recentemente (6/3) em reunião da UIT. 116 . que.br). Uma delas se refere à questão do modelo de prestação de serviços de telecomunicações nos diversos mercados. de vez. em outra parte do mesmo comunicado. falando sobre protocolo Internet (o tal do TCP/IP). uma conseqüência dessa nova tecnologia é eliminar. externou as principais preocupações deve se pautar.

que certamente é lido por todas as operadoras. e tal acontece porque há incumbentes que entendem ter algo a perder se entrarem nisso. o assunto era somente do Comitê Gestor que. em alguns casos. Aqui no Brasil. no que tocava à Internet. aparentemente.. A sociedade inteira. tem que tratar o assunto na base do convencimento. Resultado: as redes americanas pagam quase nada pra falar com o mundo e nós enviamos uma montanha de dinheiro pra lá. Por outro lado. não só pra falar com eles mas. O mesmo acontece entre os países: os EUA não querem nem ouvir a conversa de montar centros de interconexão verdadeiramente entre pares: quem quiser falar comigo.) acham que todo mundo que quiser montar um backbone e falar com quem está no seu deve. O que normalmente não funciona se os ouvidos do outro lado não se dignam a prestar atenção. Ou seja. 80% dos que têm mais de 300 alunos até 30/06/2002 e chegar a 100% das escolas médias e profissionalizantes até 31/12/2002. não há um só ponto efetivo de interconexão de redes Internet. onde o interesse público era normalmente o último a ser cuidado. E pague a conta integral. segundo o edital. mundo afora. Mas o discurso do secretário. mas ninguém está acostumado. deve ter sido calorosa. edital e consulta pública estão na página da agência. pra mandar e-mail pra países que estão nas nossas fronteiras.. pagar um canal tão caro quanto for necessário para se conectar à sua rede. repetem o coro de Genebra e batem palmas até rachar as mãos.A salva de palmas.. agências como a ANATEL. O que deixa nas mãos do presidente da ANATEL a complexa e delicada tarefa de articular sem intervir e coordenar sem limitar a criatividade e inovação no setor. Até porque a conexão. os antigos donos do "monopólio natural" de infra-estrutura de conexões Internet de longa distância (ou backbones. tem recados e admoestações ao falar de tratamento isonômico para os usuários e de interconexão de redes. na prática. Trata-se de conectar 60% dos estabelecimentos com mais de 600 alunos até 31/12/2001. Difícil é fazer valer. no auditório em Genebra onde estavam representantes de 189 países. que se ligue a mim. é a consecução da solução que a ANATEL está propondo para universalização do acesso à Internet no ensino médio e profissionalizante. inclui "atividades e facilidades associadas à transmissão e recepção de sinais digitais que suportem o acesso a redes 117 .. alguns dos tais elementos basilares citados no discurso. têm uma tradição de intervenção e controle que remonta aos tempos da "segurança nacional". Ainda mais complexa. por exemplo. Dá pra fazer. na prática. Até agora. cujo plano. principalmente os excluídos por razões econômicas e geográficas. por não ter poderes legais para coagir as operadoras.

pra fazer isso. todos querem saber como isto vai ser feito. não é preciso ser nenhum grande pensador para imaginar que um programa deste porte.). no caminho. no máximo 500 dias úteis. Senac. para cada 1000 dólares de equipamento computacional a ser usado digitais de informação em velocidades adequadas. Ah. daqui até dezembro de 2002 há menos de 100 semanas.. sem excluir os feriados. a disponibilidade de módulos terminais." sem falar no treinamento de 118 . em especial os dispositivos necessários à adequada alimentação elétrica.. traz junto do imenso desafio que representa uma oportunidade única de fazer política industrial. de escala. compreendendo os equipamentos que permitam visualização.300 são públicas e outras 400 pertencem ao sistema S (Senai. começando hoje. Segundo o MEC. As máquinas são todas "Windows ou superior". há um outro problema. maior. Vamos assumir que seja só isso e que não apareçam. as outras 11.. a rede interna e o que for necessário à sua instalação e funcionamento. espalhadas em todo o território nacional. caro leitor. Depois do aplauso. na Terra. pois pelas contas da ANATEL as escolas médias e profissionais a conectar são mais de 13. os sistemas de computação e comunicação a serem instalados devem prover conectividade 24/7. Dado que há dinheiro. digitalização e impressão de textos e imagens. ou seja.000 bibliotecas e mais de 1. Fazendo uma conta bem elementar. com mais de sete milhões de alunos. E muito. que está aberto para consulta pública. 4.000. em compras e royalties... Ora. conexão às redes digitais de informação destinadas ao acesso público.. qual é o problema? Dois são os problemas: o primeiro. são quase um bilhão de reais..000 museus. Certíssimo. O Edital da ANATEL.. lá. são mais de 20.000 escolas profissionalizantes. Pra cumprir a meta da ANATEL. dia e noite. dá o nome do bode que entra na sala das escolas. Mesmo que não haja tudo isso. porque conceitual e político. na forma de sistema operacional. do mesmo governo do qual a ANATEL faz parte: os números. com qualidade e nesta velocidade. até porque parece que o FUST tem mesmo o dinheiro para fazê-lo: somente este ano. Assumindo que o Brasil realmente se organize para isso. todo dia. o Brasil tem cerca de 4.000 escolas médias. Segundo os números da Consulta 284 da ANATEL. operação e à utilização dos serviços de rede digitais de informação. sim. nossa balança de pagamentos de tecnologia da informação já é deficitária. que vai mais que duplicar a população da rede brasileira. neste prazo. seria preciso ligar 30 escolas por dia! Não há muita experiência. necessários ao acesso. das quais 1.professores e o que mais for necessário para que a rede seja usada para mais do que chats e mail.300 são escolas públicas de ensino médio. Se a remessa de divisas. as contas do Programa Sociedade da Informação.

para criar projeto e implementação nacional. na partida. Significa decidir sua evolução e suas próximas gerações. quatrocentos dólares negativos na balança por ponto.... a evolução das tecnologias. ao mesmo pé. perdemos todo e qualquer controle do ciclo de vida de tais produtos. que quanto maior for (quanto maior seu mercado) mais importante se torna pensar. não isoladamente. não seria o caso de se repensar o edital de compra de Windows da ANATEL? Por que não abrir a discussão e pensar em alternativas de mais baixo custo e abertas.. na forma de arquiteturas sobre as quais pudéssemos exercer maior controle e usando software aberto. de produtos tecnológicos que não conseguimos. cultura é a expressão da natureza de um povo.. Tecnologia é cultura. Fazer. mais de uma vez.. por uma questão de oportunidade. toda vez que não aproveitamos desafios desta monta. Somente a licitação da ANATEL vai comprar uns 300 mil PCs. ações do porte da qual falamos equivalem a definir a vida de pequenos países. dois mil dólares por ponto (contando impressoras... mais duzentos mil dólares de buraco na balança. quase normalmente medíocres. for de 200 dólares (chutando muito por baixo). renda. Só que o 119 . roteadores.. se esvai a possibilidade de discutir. quatrocentos milhões de dólares a mais no nosso prejuízo externo. e eu acho que este número pode chegar na casa do milhão de equipamentos.. municípios e outras partes do governo vão adquirir. quando se somar o que estados. Primeiro por medida de economia. Ficamos só de "compradores" e utilizadores. em sua larga maioria ainda não exposta a nenhuma forma de artefato computacional e modelos de sua utilização? Em países do tamanho do nosso. que podem gerar mercado. normalmente.num processo destes. scanners. riqueza e trabalho aqui. de geração de mais valor. talvez décadas. de criação de possibilidades de desenvolvimento e inovação.). para fazer política industrial. mas segundo.. transformar em cultura. e isso é apenas a menor parte do problema. para gerar aqui a cultura de desenvolvimento. sistemas e aplicações que estaríamos usando com outros países e grandes corporações internacionais. com muitos outros. nossa tecnologia. Um milhão de equipamentos. cada mil equipamentos.. significa participar do controle do seu ciclo de vida e de sua evolução. Conseqüentemente. é bom não esquecer isso. e muito mais importante. quando se vai definir padrões que afetarão sua vida por muito tempo. mas com outros. A maior parte é que. para o que estaria sendo criada uma comunidade de muitos milhões de usuários.

em sã consciência. mais técnicos. a Sociedade Brasileira de Computação e o Departamento de Ciência da Computação da Universidade Federal de Minas Gerais promovem o I Workshop Brasileiro de Universalização de Acesso para discutir temas como os apresentados neste artigo e outros. é contra ou quer atrapalhar o trabalho da ANATEL ou as ações do FUST até porque. pois há muito a se perder ou ganhar neste caso. mesmo não indo. que estará em BH. para o processo de universalização das telecomunicações no país. desde educadores e políticos até indústria e academia.efeito aqui é maior. mas muito grande para ser feito sem um mínimo de discussão e articulação entre os muitos níveis de representação da sociedade. através de senadores e deputados. ostensivamente. em Belo Horizonte. uma chamada à ação. políticos. gerando recomendações para a ANATEL. contribuir para o debate no site da ANATEL e exercer outras formas de pressão política. ela vai acabar afetando a vida de mais de 40 milhões de alunos do primário. de forma construtiva. esta coluna tem defendido a causa da universalização. 120 . Ainda é hora de pensar em ir até o Workshop ou. E para tentar contribuir. secundário e profissional. pra ver o que mais pode ser feito. Dias 21 e 22. inclusive o autor. cientistas. juntamente com engenheiros. usuários. Este artigo é. Isso é muito. Seja lá qual for a solução do FUST. industriais. Mas é possível querer mais e muitos querem. repetidas vezes. O período de consultas do edital da ANATEL termina dia 23 de março às 24h. Ninguém.

serviços e usuários. se os planos da ANATEL (veja artigo anterior. o que vai acontecer. a qualidade e a celeridade do que vai ser feito. Pra comparar este possível futuro com o que temos hoje. através dos recursos do Fundo para Universalização dos Serviços de Telecomunicações no país. Isso. no rodapé deste texto) vierem a se tornar realidade. espalhados pelo Brasil afora. o atual estado de coisas deve ser a existência de rede. por si só. seja lá como for. Aqui com meus botões. O plano da ANATEL. que vão ser educados na rede. quase tudo.Mar. no edital de universalização da ANATEL para o MEC. só com as escolas interligadas. claro: mas se a rede só vai até a escola. dona dos sites e negócios da Internet. entre este artigo e o Natal do ano que vem haverá algum tipo de acesso à Internet em mais de cinco mil municípios brasileiros. em mais de sete milhões de usuários. decuplicaria este número! Se funcionar. mais detalhadamente ainda. ou como um dos grandes provedores nacionais chegaria lá? Claro que minha tia Amara quer entrar na rede fazendo apenas uma ligação local pra ver as fotos de seus sobrinhos. e no momento quase falida.Acesso universal: o tamanho da solução [ 16. Esta conta sai dos números do proposto edital para universalização de acesso na educação. pois as mais de 13 mil escolas de ensino médio e profissional que serão conectadas à rede estão espalhadas por quase todo o Brasil e um requisito do edital é trazer 100% delas pra Internet até o fim de 2002. será um feito de merecer capa da Economist e NY Times. acho que todo mundo deveria estar fazendo o maior barulho em torno disso. Por que? Por que. e ler no. O número de usuários da rede aumentaria. como estabelecer um provedor de acesso em Taperoá. Por que? Porque não há provisão. de muito perto. Estes pagariam pelo uso. para que os pontos de rede que eventualmente chegarão em cada município possam também ser usados para conexão de negócios. se a rede lhes der um mínimo aceitável de serviços e conteúdo. tentando influenciar o modelo. em primeiro lugar. nenhuma empresa da nova. E o que a iniciativa privada. como. de alguma qualidade. E Manoelito quer 121 . que vão fazer tudo para continuar nela quando saírem sistema educacional. tem a ver com isso? Muito. Que estão na escola. já seria o suficiente para toda a população atual da rede estar olhando. em 500 municípios. o que vai ser feito pela ANATEL e. processo que está sob comando da ANATEL. que vai levar a rede (de fato) a tantas cidades. só em educação. PB. economia da informação do país disse qualquer coisa sobre universalização de acesso à Internet no Brasil.2001 ] Até onde eu ouvi.

que é conectar. que certamente estão fora das escolas. num interurbano que torna inviável. a conexão de cidades "inteiras" à rede. e discutir a articulação de tais esforços. como já foi dito. de forma radical. O que pode causar uma desorganização considerável no processo de conexão dos três: saindo na frente e conectando 13 mil escolas. na prática. cultura e saúde à rede. em muito lugares. de forma minimamente organizada. em cinco mil municípios. por enquanto. para criar um processo paulatino de conexão de localidades à rede. de fato. se só chegar um "ponto" de acesso na escola secundária. mesmo quando se considera apenas o ponto de vista do que o governo quer fazer. que são os recursos sem plano.. a educação. Mas. mas o custo adicional pode ser grande.negociar queijo e cabras na rede. no projeto de conexão das escolas. estará em andamento um estranhíssimo processo de universalização. a rede não terá chegado à cidade. O MEC está patinando há anos. postos de saúde e bibliotecas. pois apesar de ter um plano. como um todo. Isso não é problema. em um ponto na cidade a alternativa de custo mais baixo será escolhida na vasta maioria dos casos. Se isso não for possível. para ligar todas as prefeituras. explicitamente. claro.. assembléias e tribunais à rede. Só que o assunto mexe com várias partes do governo e interessa. não se fala nos dois últimos no edital de educação. Dá pra consertar depois. Vai mesmo? Se é assim. câmaras. por que o edital não a ajuda a fazer isso? Mas a verdade é que. diriam uns: "a tele que ganhar o edital vai tomar providências para que a cidade tenha Internet". abrindo inclusive a perspectiva de acesso ao público e aos negócios. O casamento ideal e urgente era mesmo com o FUST. onde quem pode (e quer!) pagar para estar na rede talvez acabe ficando de fora! Mas o edital de educação não saiu na frente do resto por alguma veleidade. inclusive porque a engenharia de redes talvez tenha que ser revista. E certamente não há de considerar investimentos para levar a rede à cidade. o uso da rede. estou certo. no governo. pelo menos um pouco mais? Há até razões de 122 . sem ter que ligar para um provedor em Campina Grande. Deixando. sendo o edital um processo competitivo e a decisão baseada também em preços. e estes estão. Especialistas do próprio governo federal acreditam que os vários setores governamentais interessados em conectividade à Internet deveriam se sentar. à toda a sociedade. nunca teve os recursos. Por que não planejar. em cada localidade. em todos os municípios. rápido. com recursos do FUST. ao invés de cidade cidade. como articular isso com a conexão de 30 mil postos de saúde em duas mil localidades e 5 mil bibliotecas e museus em outras tantas cidades? Sem falar que há projetos. se não houver um direcionamento para que a rede chegue à cidade. fazendo a Internet chegar. mesmo que celeremente.

Mas é preciso dizer que organizar e planejar o esforço é fundamental. triplicando o número de localidades na rede? E fazê-lo de tal forma que todas as teles tivessem um tempo mínimo para se preparar e competir nas áreas das outras? Uma vez tendo rede nos lugares. judiciário e segurança e ter a provisão para. um motivo pra todos os que estão no pontocom se envolverem: na minha opinião. só será factível para as teles incumbentes de cada região. aberto. seria a vez de ligar todas as instituições de educação. Antes. consigam chegar a um acordo e fazer com que isso aconteça. se não houver nenhuma 123 . do Natal do ano que vem.. saúde. um sucesso de público e de caixa. se a tele encarregada não quisesse fazê-lo. com acesso razoável. claro. E o processo é público. O "problema". falta público na rede brasileira. Se ninguém der nenhuma sugestão. do jeito proposto. Mas não seria hora do "governo" tomar as rédeas do processo e por um mínimo de ordem na casa? Até pra mim. as teles vão se perder e pode não acontecer nada. no país. já perto do fim. poderíamos dar-lhe uma outra forma: que tal tentar.interesse da ANATEL para que isso seja feito: conectar as 13 mil escolas. aí. daqui até o fim do ano que vem. usando os recursos da universalização para fomentar a iniciativa privada local a fazê-lo.mais mil cidades. levar a rede a -digamos. Mais mil cidades na rede. do legislativo. E tornar as compras on-line. on-line. Os serviços e negócios eletrônicos estão tentando vender para os mesmos lugares onde possuem lojas físicas. parece muito difícil que as diversas partes do governo responsáveis por uma solução mais coerente e organizada para universalização de acesso. só que a maioria perdeu a esperança de que alguma coisa coordenada aconteça e prefere arriscar. sem planejamento. Especialistas do governo também acham isso. em área tão esparsa. Dados de todo mundo mostram que a venda continuada. é preciso que a universalização de acesso comece a se tornar realidade. que são aquelas mesmas cidades onde já existe rede hoje. Para aumentar a competição e a eficácia do processo. fortalecendo os quase monopólios regionais de hoje. e não da saúde ou da educação. é feita para quem não tem como ir às lojas. pode mexer com muitas economias locais e aumentar muito o volume da economia global da Internet brasileira. seria do governo. Os mais pessimistas acham que.. Precisamos de mais usuários. abrir um provedor de acesso. porque o problema talvez seja muito maior do que imaginamos. que escrevo isso. rezando para que alguma coisa (sem o "coordenada") aconteça. executivo. e não tirando os reais das lojas. cultura. aumentando a clientela com fregueses virtuais. é que este novo "programa" ficaria sem dono. principalmente de mais consumidores on-line. Agora.

Vale a pena dizer que o período de consultas ao edital da ANATEL termina dia 23 de março às 24h.pressão em contrário. gerando recomendações para a ANATEL. de forma construtiva. Dias 21 e 22. mais técnicos. E para tentar contribuir. vai acontecer exatamente como está proposto. para o processo de universalização das telecomunicações no país. a Sociedade Brasileira de Computação e o Departamento de Ciência da Computação da Universidade Federal de Minas Gerais promovem o I Workshop Brasileiro de Universalização de Acesso para discutir temas como os apresentados neste artigo e outros. 124 . em Belo Horizonte.

Se eu fosse uma tele. nos dois artigos anteriores). meu contrato ia ser escrito já prevendo a tal CPI. Se fica tudo como está. todos os envolvidos. Ontem (22/03). Para mim. temporariamente.. uma CPI. só pra me garantir. no longo prazo. cuja página deve ter. 1. estarão dando de presente. por exemplo. inadequados ao caso em pauta. se muda muita coisa ou tudo.. dos problemas tecnológicos de universalização de acesso. pelo menos da parte que interessa ao público e as empresas em geral (e que já não foi dito. possivelmente úteis. dando conta de todos os detalhes do que eu teria de fazer. quando ia ser pago. a conta inicial de universalização de acesso à Internet é de meio bilhão de reais por ano. de suma importância educacional. breve. termina o prazo para quem quiser comentar o edital. Não está claro. social. qual a solução que deve ser adotada.. no edital. tecnológica. aqui. como. de todos os lados. e se ganhasse alguma área.Mar.000 escolas à rede. Primeiro. há de ser muito mais detalhada e precisa do que a atual. motivada pela consulta pública ao edital da ANATEL para conectar 13. Caso contrário. com muitos especialistas achando que tal montanha de recursos não vai ser suficiente para realizar o que está sendo (so)licitado. ou de coisas complexas. vou escrever. há de ser simples e útil: nada de brinquedos. um resumo do que disse lá. recheada de muito dinheiro gasto e montes de perguntas a responder. política e estratégica.. como ia ser medido. cópias das apresentações realizadas e tratar. Nesta sexta. saberemos quais foram os comentários ao edital e qual o seu futuro. para decidir se os contratos estão sendo cumpridos ou não. mas impossíveis de operar e manter.000 municípios brasileiros. à polícia legislativa. 125 . a solução.2001 ] Este artigo termina. Os dois últimos textos desta coluna (veja os links no rodapé) também trataram do mesmo tema. aqui. Seja lá o que aconteça. a série sobre universalização de acesso à Internet. Como eu estava no workshop de Belo Horizonte.Acesso Universal: Todos na Rede! [ 23. como ia ser cobrado.. quando se ouve os especialistas em redes locais e de longo alcance. nas próximas semanas. parecem estar tomando os devidos cuidados para que haja uma solução eficiente. sob pena de não haver instrumentos. além de econômica e financeira: somente em educação. terminou o I Workshop Brasileiro de Universalização de Acesso.. se muda alguma coisa. mas numa coisa todos concordam: a especificação do serviço. em Belo Horizonte. depois. como WAP. eficaz e barata. em cerca de 5. acho que devemos considerar quais são os conceitos-chave que definiriam a solução propriamente dita.

. mas dentro de cada uma. novamente. de outros projetos e programas. o Minicom e a ANATEL) universalização e competição. o impacto sócioeconômico da nossa escolha. Considerando que a universalização de acesso é tratada como um dogma do processo de privatização dos serviços de comunicação. As escolas são subsidiadas (em 100% dos custos) e quem estiver fora do subsídio do FUST paga sua conta. muitas outras soluções. mas de classe mundial: nada de resolver um problema complexo e delicado. deve-se discutir. a priori. não só entre elas. 3. como computação e comunicação para educação.2. Cidades. 3. Nada de criar reserva de mercado. ou vai se jogar muita coisa fora. ao invés de escolas. em todas os níveis. ao máximo. mas fomentar competição real (vide item 2). tal a magnitude da compra. 4. deve ser padrão e aberta. com que os fornecedores hão de se comprometer. Competição leal é boa para todos. em desenvolvimento. que descrevo a seguir. a solução deve ser universal mesmo. deve-se criar condições reais de competição para a oferta de soluções.. 5. 126 . requisições e especificações devem ser flexíveis. ou a solução é tratada desta forma. se os "pilares do sistema" de telecomunicações são (segundo. fiz uma lista justificada do que acho essencial. para não correr o risco de preparar o país para o passado. Também ajudaria bastante se pudéssemos estabelecer. alguns condicionantes básicos. ou de pouco valerá. O processo deve ser radicalmente competitivo. deve ser barata. senão os beneficiados nunca terão idéia do custo e do valor do que têm e. Por outro lado. qual a contrapartida local. As definições. para a solução e para o processo como um todo. nas escolas a que se destinam. pois seus mas e e's criam tensões difíceis de resolver. ninguém está querendo proibir nada. em muitos casos. não? Mas trata-se de cinco demandas difíceis de conciliar. sem chance para mais ninguém. isso dito pelo Minicom e ANATEL. deve ser incentivada. criando um problema para provedores e usuários. abrangentes e includentes. deveriam ser conectadas à rede. já no curto prazo. Se for preciso adotar soluções fechadas. explicando os princípios por trás de cada sugestão: 1. caso contrário o processo só irá reforçar o caráter de quase monopólio das atuais incumbentes regionais. Por outro lado. mas sustentável: não se deve considerar o investimento como "dinheiro a fundo perdido". Parece simples. criando oportunidades para todos. se possível em todos os níveis: de tal forma que possamos ampliar. para algum tipo de solução defendido por alguma vertente política ou ideológica isolada. com gambiarras mal amarradas.. Ou isso é levado em conta.. Ouvindo muita gente falar. 2. por exemplo. deve ser local. finalmente. As máquinas do FUST irão encontrar. mas confiável: nada de economizar em qualidade e comprar na feira do Paraguai.

onde um servidor roda NT ou Linux. nas escolas públicas. é preciso afinar as bases. há laboratórios de 5 equipamentos. e muito.. conhecimento.. A solução técnica deve ser coerente: no edital proposto. depende da escolha contínua dos mais hábeis. o processo de universalização está em andamento. isso seria administrado. trabalho. pelo menos. pois o país está perdendo tempo. para andar rápido. 127 . Mas. não pode ser neutra: há de se fazer política de desenvolvimento e industrial. eficientes. por que não fazer por partes? 6. aptos.. de repente. por incompetência nossa. urgência. com uma "solução" que desconsidere os investimentos locais e não se integre com os mesmos pode inviabilizar o processo como um todo. coisas que todo lugar precisa. Com meio bilhão para investir. com outras verbas federais. como parte do processo de universalização. eficazes. estamos atrasados: mesmo considerando tudo o que foi dito. não vai ser só pra presidente não. uma mistura de Deus e Darwin.4. privadas e até internacionais. e tanto retorno em jogo. caso contrário sua viabilidade estará terrivelmente ameaçada. Ele fez o mundo em sete dias e não com um único aceno de mão. também em tecnologia. no estado inteiro.. Seriam estes esforços penalizados por conseguirem se resolver antes do governo federal? 7. As escolas não estão na rede desde 95. desde a discussão hoje em pauta até sua implementação e utilização. que não estamos numa guerra religiosa. portanto formadoras da própria base cultural do país (tecnologia também é cultura!) a escolha das soluções precisa ser dirigida. renda e emprego. Temo que há muito dever de casa a ser feito até que haja a coerência. quando bem feito. é bom lembrar que há oposição no país: caso desconfie do processo. mais fácil e mais rápido fazer. Muito está acontecendo por aí. Em alguns estados.. 5. 8.. é preciso celeridade. e a evolução. municipais. O processo deve ser articulado e coordenado com outras (muitas) iniciativas já existentes e pelas quais se lutou por anos a fio. Finalmente. com verbas próprias. passando pela licitação em si. estaduais. duas máquinas rodam Windows e outras duas podem rodar Linux. Coordenação. Eu gostaria de ver como. O jogo também é político. por ano. em Catolé do Rocha. O processo deve ser o mais transparente possível. fará tudo para que não aconteça no cronograma previsto (até o fim deste governo). 9. Cordialidade e civilidade são fundamentais: os sectários podem se alistar na milícia Talibã e sair destruindo o patrimônio histórico da humanidade. realidade e flexibilidade nos diversos projetos de universalização. O processo e a solução devem ser paulatinos e evolutivos. Como se trata de escolha de tecnologias de amplo uso social e educacional. chegar. Quanto menos gente questionando e mais gente a favor. 2002 tem outras eleições. Isso gera. transparência. a meu ver condições essenciais para se andar rápido. riqueza. em qualquer lugar. no mínimo.

a resolver muito mais do que estes problemas. que são apenas os que o autor acha essenciais... Mesmo na América. em qualquer país do mundo. mas o dinheiro é público e. 128 . é melhor que todos os envolvidos se dediquem. não vai caber todo mundo que terá que ir para (ou será jogado) lá.O leitor pode ter achado que é muita coisa para resolver. a lata de lixo da história. é uma fortuna. por maior que seja. Aqui muito mais. um quarto de bilhão de dólares já acende sinais de alarme em todo tipo de observador. com obstinado afinco. Logo. Senão.

da Sun. as interfaces estarão depois do balcão e não deveremos precisar de atendentes para fazer com que as coisas aconteçam.. sobre todas as coisas. é movida por sonhos que se transformam. Isso porque a computação estará na rede. com os sistemas de informação que. disponível em todo lugar (Scott McNealy. sem intermediários humanos. Isso vinte e quatro horas por dia. para o qual há até uma revista on-line (Ubiquity) da Association for Computing Machinery. em projeto de mudança do mundo. [ 30. como nosso intermediário. Nós ainda estamos. que quer transformar em visão.. sob qualquer condição de contorno. pilotados por um atendente humano. computação e comunicação.. vai operar maravilhas.. todos os dados. os computadores se tornarão invisíveis. para os seus bolsos (e dos seus acionistas e investidores). de preferência centrada nas tecnologias que defende e produz. Mas daqui até lá. Na primeira geração. primordialmente. Bastará clicar nossos desejos em alguma interface e o universo haverá de se mover para tornar nossos comandos realidade (Bill Gates fingindo comandar o planeta com um palmtop). poderosos e embutidos em todos as coisas ao nosso redor (Donald Norman. A sociedade da informação. Além do mais. para que os bilhões que o mundo vai gastar nisso se dirijam. hoje. frisa o tempo inteiro que The Network IS the Computer).2001 ] No mundo ideal antecipado pela indústria de informação. apenas. Parece legal. para a maior parte das situações em que tratamos informação nas nossas vidas. Segundo uns tantos arautos. Os exemplos e visões não são estas. na segunda geração da informática: aquela em que os computadores estão no balcão..). sete dias por semana. organizados e disponíveis de tal forma que meu estalar de dedos. paulatinamente. eventualmente. a maior associação de profissionais de computação do mundo. E cada companhia. em realidade. sem atendentes para nos ajudar. vai ter que acontecer muita coisa. em qualquer lugar do site.Mar.. que está começando agora. on-line. interagindo com o mundo (e seus aparatos e interfaces) ao nosso redor da forma mais natural possível.Admirável Mundo Ubíqüo. tem seu sonho. não? Mas quando vai dar pra fazer isso? 129 . poderão nos prestar algum serviço. distribuída. os computadores estavam atrás do balcão: nem os nossos atendentes tinham acesso direto a eles. estarão armazenados. em qualquer lugar. teremos controle de nossas vidas de forma quase transparente. na Oracle. porque simples. The Invisible Computer). realizando transações hoje impensáveis (Larry Ellison. O nome "moderno" pra isso é ubiqüidade. Na próxima. que interage. cada líder de um setor.

pois o "vôo já foi transferido para o portão" e os dois sistemas não se falam. Não estou de férias. na segunda de manhã. não adianta ter as maquinetas e o software de interface de Gates ou os computadores invisíveis de Norman. de resto. Conversa vai. onde passo duas horas e depois vou para o Porto. posso perder também o 130 . dia em que era às 2h45 e não dava para fazer a conexão. construídos durante muitos anos. ao fim do primeiro dia de reunião. literalmente. Só que. não interessa e penso em desistir da viagem. no domingo. na vasta maioria dos casos sem considerar redes. chego lá às 17h30 do mesmo dia. a passagem chega na minha casa horas antes da partida. tudo certo. Sem confiar nos sistemas de informação (e. Mais telefonemas de Vera e cliques da atendente. em qualquer lugar. o resultado é Recife-Lisboa-Zurique-Genebra. abro pra ver o que me espera e a surpresa é dantesca: o ticket é Recife-Lisboa.. não vai dar. nas nossas vidas pessoais. a qualquer hora. Decolo torcendo pro avião chegar adiantado em Lisboa e tentar a conexão direta. no domingo. mas um desastre ainda assim. pois tenho que ir até Zurique e. ganho um cartão de embarque de "lista de espera". Vera entra em cena e descobre que não havia mais o vôo da 1h. Quer uma idéia de como tais sistemas se comportam hoje? Lá vai. Pra que a gente tenha informação nas pontas dos dedos. muito menos apenas a "rede" da Sun e os bancos de dados da Oracle. o que realmente acontece. pra ter a maioria dos processos dos quais dependemos disponíveis de forma realmente ubíqüa. interfaces e os usuários interagindo diretamente com os sistemas. Obviamente. É preciso refazer sistemas de informação que vêm sendo construídos nos últimos 50 anos. pernoito lá e chego em Genebra às 5 da tarde da segunda. chegando às 21h. Mas tento resolver por telefone. Reservas feitas. A "alternativa do sistema" foi me depositar lá no dia seguinte. Alguns de vocês já devem ter passado por isso. mobilidade e. A reunião é em Genebra. Recife-Lisboa-Genebra. me oferecendo uma noite às margens do Douro. ou seja. de forma social. no balcão de transferências. A maior parte destes sistemas tem um tempo de vida médio superior a dez anos e não é incomum ver sistemas chegarem a vinte e cinco anos de vida útil. Tenho que sair de Recife no vôo da 1h do domingo. Menos mal.Quando usamos informática. na operação de nenhuma empresa aérea). muito menos. por equipes de centenas. não? Acontece que o Lisboa-Genebra atrasa e seu novo horário começa a entrar em conflito com o Lisboa-Zurique-Genebra: se eu ficar esperando o direto (e não der). voltar. conversa vem.. nas empresas. milhares de pessoas. estamos na verdade usando interfaces de sistemas de informação na maior parte das vezes muito complexos e sofisticados.

Isso deve criar um fosso parecido ao que hoje existe entre o hardware e o software. para chegar nos resultados que afetarão a vida do consumidor.. e a gente tem uma mania.indireto. ela também desenrolou a mudança na reserva. simplificar nossas vidas. em muitos setores da economia. da forma mais transparente. E representam possibilidades de empreendimento muito grandes para as economias. dados e capacidade de decisão que existem fora do software. que moveu montanhas de burocracia e escreveu o número do meu assento à mão no cartão de embarque. com WAP. nossa interface para o nada. Até lá. As oportunidades que serão abertas por esta nova geração da informática. Só que não se trata somente de criar dispositivos de acesso. em alguns serviços. empresas e empreendedores que delas souberem se aproveitar. Além do mais. Mas é preciso fazer muito dever de casa. acaba dando certo. Intervenção divina. 131 . Do ponto de vista de informática. ainda. talvez indescritíveis e incomensuráveis hoje. a da ubiqüidade. até porque não vai haver ninguém pra falar comigo. ao qual o programa propriamente dito está subordinado. E o dever não é só em tecnologia. pra me atender. pois o avanço da capacidade e velocidade do primeiro não é acompanhado por um correspondente aumento de produtividade na produção do segundo. muito rápido. funcionários e usuários são muito mais do que os programas que rodam nos computadores. claro. No mundo da ubiqüidade. o gigantesco desafio das próximas décadas vai ser a transformação de uma grande parte destas capacidades. Já temos um trailer disso nos celulares. muita água vai rolar. tudo isso deveria acontecer sem que eu nem precisasse falar com ninguém. para criar o ambiente necessário para o surgimento e aplicação das novas tecnologias.. e junto com ele a alternativa do Porto e tudo o mais! No fim. está no conhecimento. são imensas. ainda dá tempo. informação. quando eu já começava a suar frio. já começou. Os sistemas de informação que acompanham a vida das empresas. Mas as janelas de oportunidade são sempre estreitas e passam rápido. porque a introdução de novos dispositivos e modelos de sua utilização deve ocorrer muito mais rapidamente do que a redefinição e redesenvolvimento dos sistemas de informação que deveriam estar por trás deles. Em alguns lugares. em seus países. Uma parte muito significativa e. porque este é até fácil comparando o que governos terão de fazer. mas graças à interferência da atendente. capaz de utilizar as novas características que aparecem a cada seis meses nos chips. eficaz e eficiente possível. o grande problema. serviços. justamente a mais complexa. em sistemas de informação capazes de. mecanismos de comunicação e interfaces gráficas coloridas de alta resolução. Aqui. de forma a não causar um "no-show" no outro vôo e esculhambar a minha viagem de volta.

de só começar a fazer certas coisas quando já não adianta mais.muito esquisita. 132 .

"highly classified". incluindo uma foto de satélite. do próprio. Lotado de equipamentos poderosos e. para outro eixo. só uns poucos analistas militares teriam. sim: e com um presidente americano aparentemente tão capaz de cuidar competentemente delas quanto a minha capacidade de falar mandarim.. O que se debate. Segundo as autoridades americanas. A segunda era sobre o Massachussets Institute of Technology. claro. instrumentos fundamentais para acabar com a dita cuja. se as tensões OTANURSS não tivessem amainado.Abr. aliados de Taiwan. Coisa que. onde incidentes do tipo acontecem desde 1970. segundo os americanos. Não é para menos: olhando pra primeira página do NY Times de quatro de abril. e em grande estilo. pelo visto. leve e solta? Não é à toa que economistas.[ 06. tipo e modo de operação de todos os radares chineses na região) foram vaporizados antes do pouso.2001 ] Informação: livre. o que levou a um pouso forçado em Lingshui. a primeira notícia era sobre o avião-espião EP-3E preso na ilha de Hainan. com ou sem crise da Nasdaq. no aeroporto de Lingshui. todos os dados dos computadores a bordo (que possivelmente incluiam a localização. Do meu ponto de observação. Claro que a China não vai publicar o mapa dos seus radares num site. é sempre interessante discutir se a torrente de informação libertada pela Internet e. por toda a rede. que decidiu publicar na rede. entre tantos outros. é se as tensões acabaram de ser transferidas. O EP-3E Aries II pode ser mais ou menos descrito como uma rede de computação e comunicação voadora. a própria rede. por onde voava. comunicação e suas aplicações. por mais remoto.) tenha acesso. Aliás. Algo como um panorama "militar" do Mar do Sul da China. dez anos atrás. até ser abalroado por um piloto chinês um pouco mais dedicado do que a média. a 133 . distribuir fotos de seus aviões militares e muito menos deixar que qualquer um (os EUA principalmente.. ao contrário. mais importante do que seu hardware era o que tinha armazenado nos bancos de dados durante a malfadada viagem. analisar e provavelmente decifrar boa parte das emissões feitas por qualquer um que esteja no seu raio de ação. Em muitas páginas.. hoje. repetem à exaustão que estamos vivendo a Era da Informação. capaz de captar. e em quase todos os jornais. no sul de Hainan. até hoje não teríamos rede.. Jornal afora.. políticos e filósofos. vieram à tona face ao fim da guerra fria "original" ou se foram. as notícias têm tudo a ver com tecnologias da informação.. o conteúdo associado a quase todos os seus cursos. grátis para quem tiver o trabalho de ir até lá. há desde relatos muito detalhados do incidente até fotos internas do avião.

que repito. a escola acredita que seu maior valor não está no conteúdo das disciplinas que são ensinadas por lá. O esforço de dez anos deverá publicar 2000 cursos integralmente. ele está certo. lançando a iniciativa. on line. pelo Instituto. inclusive por que as mesmas (e os métodos de ensino) são muito semelhantes no mundo inteiro. mudando o processo de ensino e aprendizado. tá cheio de brasileiros trabalhando em 134 . possam usar e recriar o material a ser provido.. ambiente e criando um espaço global onde escolas.qualquer informação militar. grátis. no mundo inteiro. segundo o MIT. sem limites.tibet. Mas não é bem isso. tendo aula e participando de exercícios e laboratórios. denominada "OpenCourseWare" (ou. o governo chinês provavelmente acredita na tese de que. Paraíba. menos poder é sempre um caminho para nenhum poder e razão pra distribuir porrada pra todo lado. Charles Vest. a um custo de 100 milhões de dólares. Voltando a Drucker. há algum tempo. passando por forrós pé-deserra em Primavera. simplesmente. inovando nas ferramentas.com) e a Falun Gong (www. se é assim. por enquanto. Como publicação e copyright. Aliás. Peter Drucker diz. Mas Drucker. também está errado. Ora. nada ficará imune à rede. não tem mais o próprio em seu site.org) que o digam: têm longa experiência de estar no lado que "recebe" o poder chinês. quanto mais informado esteja o povo (e outros países) sobre o que acontece na China. A comparação. nenhuma instituição passará ao largo da nova revolução da informação. de DC a baile funk. que "The new information revolution will surely engulf all major institutions of modern society". cursos abertos) declara que o desejo do MIT é mudar o modelo de uso da web no ensino superior.para quem estiver regularmente matriculado e no campus. todo os cursos de computação. fazer o curso na rede não dará direito a diploma" e que a escola continuará cobrando pequenas fortunas -algo perto de 100 mil dólares por um curso de graduação completo.falundafa. por exemplo aqui. física e química estarão na rede. para todo mundo. acrescento eu: a Forbes. com open software. para falar da segunda. que publicou em 1998 o texto original que contém esta citação. como lembramos. O Tibet (www. engenharia. anuncia que vai "publicar quase todos os seus cursos" na web.. onde o MIT. O presidente da escola. Mas vamos deixar isso para lá. Aliás. era a primeira notícia da primeira página do NY Times do quatro de abril. é inevitável. menos poder ele teria. E. mas há dezenas de cópias (autorizadas?) na rede. e comparar o incidente descrito acima. como toda boa ditadura. ou seja. Mas tão interessante que fica para outro artigo. no caso de ditaduras militares-religiosas. aqui. e Osama bin Laden terá todo o conhecimento necessário para construir bombas atômicas de bolso pra soltar em tudo o quanto é canto. O MIT avisa que "ler e/ou.

alta tecnologia fora do país. ao promover sua iniciativa como "um desafio à privatização do conhecimento". seems to have been peculiarly and benevolently designed by nature. O conhecimento gerado na instituição deixa de ser propriedade dela. Drucker acha que a "universidade imobiliária" estaria fadada a desaparecer. chamado "A Economia das Idéias". fundamental para entender o que podem vir a ser os centros de ensino deste milênio. derivada da quase necessidade de bisbilhotar a vida alheia. que quer ser livre: eles quase exigem sua descoberta. John Perry Barlow. claro. através da criação e manutenção das redes de relações. no caso do MIT. tão cara à nossa espécie. lado a lado com o pessoal do MIT. mas a 135 . incito à leitura do texto integral. O MIT. não: o valor principal da escola está no ambiente único criado no campus. como o MIT está fazendo. move. não necessariamente grátis. o conhecimento) deveriam ter (no ciberespaço) e abre o artigo com uma longa citação de Thomas Jefferson que. volta às origens da América. Princeton e qualquer um que já tenha estado em tais situações sabe que eles não são do outro mundo. A informação quer ser livre. nas palavras de um de seus fundadores. As redes de relacionamento e conhecimento. Stanford.que é primoroso: "…That ideas should freely spread from one to another over the globe. um texto de 1995. Verdade? Segundo o MIT. laboratórios e bibliotecas. and improvement of his condition. Mas aprender tem um custo. expansible over all space. in nature. em um artigo histórico (de 1994) para a Wired. salas de aula. passando pelas bibliotecas. for the moral and mutual instruction of man. e uma das causas para tal seria justamente a virtualização da informação e conhecimento e dos processos de ensino e aprendizado. ao citar aqui em parte. like fire. desde o alojamento dos estudantes até os debates e atividades extra-curso. without lessening their density at any point. associadas à credencial (à marca MIT. be a subject of property". Isso é o que Seely Brown e Duguid discutem em Universities in the Digital Age. Segredos são informação. restaurantes e. mesmo que seja através mínimos traços que deixam no mapa mundial de conhecimento. Inventions then cannot. and have our physical being. o alto investimento em tempo que cada um tem que fazer para processar e absorver o conhecimento desejado ou necessário. Aí é que entra a tensão sinoamericana atual. and like the air in which we breathe. descreve um possível conjunto de propriedades que a informação (e as idéias. when she made them. o que acaba acontecendo mais cedo ou mais tarde. os dois. no caso) é o que diferencia a escola. incapable of confinement or exclusive appropriation. conhecimento e aprendizado que um campus de alta qualidade propicia como nenhum outro lugar no universo.

. mas não falha. distribuindo sua marca de forma cada vez mais intensa no mundo todo e possivelmente aumentando os rendimentos dos "serviços" educacionais prestados no "seu" campus.instituição ganha. Inclusive no Brasil... escondido. aos "seus" alunos "reais". ainda tem muita instituição achando que a melhor forma de ganhar dinheiro com informação e conhecimento é mantê-lo secreto. Aqui. 136 . Parece muito com software aberto. tarda.. Mas a abertura vem aí. Resta agora combinar a mesma coisa com o resto do mundo.

para que ela esteja. começos de manhã. nós estamos começando a trabalhar o tempo todo..com: . Um mundo-ponto. Se tudo está interligado. E sem tempo para mais nada. pois a sobrecarga de informação acabaria nos paralisando. talvez pelo fato de que as tecnologias. é o ponto principal. sem tempo. Ao invés de mais tempo para outras coisas. e que já dizia para eletricidade e telefone. informação tem que estar disponível 24 horas por dia. 7 dias por semana: é isso que 24/7 quer dizer. ou em função dela estar. pois qualquer hora será hora.. a quantidade de trabalho necessária para fazê-las funcionar é talvez bem maior do que a exercida antes da “revolução”. todos os dias da semana. aquele que nos faz trabalhar ainda mais do que trabalhávamos antes. onde um dos lados não tão bons da Internet. alguns anos. também analisada no artigo de Bulard. em qualquer lugar.sem tempo para nada? [ 13. Na era da informação.. responsáveis por tirar dúvidas. resultante do uso computadores portáteis. É isso que Martine Bulard conclui em um artigo interessante no Le Monde diplomatique de dezembro passado. palm-tops. o tempo todo. em muitos lugares. quase sempre literalmente. mulheres (e crianças) que trabalham na “nova economia” da vez são. Um centro de atendimento atual.2001 ] Qualquer tipo de modernidade parece nos levar. pode contar com muitas centenas de pessoas. por exemplo. o horário do jantar. ou “moderno”. dar manutenção e prestar 137 . serem rudimentares (apesar de “novas”.Abr. talvez nem para fazer o que cada um teria que fazer. Ao invés da informação estar por aí em regime 24/7. talvez dê para aceitar por algum tempo. celulares com ou sem WAP e a possibilidade de usá-los. passamos a dedicar ao deus-trabalho os fins de tarde. Nossas vidas pessoais já sofrem um impacto considerável. e com o filme de Chaplin seja a dos “call centers”. podemos ter acesso à toda a informação relevante para nossas vidas profissionais e pessoais a qualquer hora. a um “tempos modernos” à la Chaplin. Durante um tempo. onde os homens. para trocar informação. Mas esta é a visão pessimista. de tempos em tempos. à frente de seus PCs. Mas será que vai continuar assim por muito tempo? Parece inevitável que as tecnologias de informação acabem afetando as vidas de todos nós. noites e madrugadas. E talvez a parcela da sociedade da informação mais parecida com passado.). pra gerar mais informação e processar dados de muitos tipos. justamente por causa disso. Sem tempo definido. semiescravizados por ela. principalmente nos primórdios de mudança de processos sócioeconômicos. Que isso seja o estado atual de coisas.

para as centrais telefônicas. gentileza. com a mesma flexibilidade. talvez centenas de vezes por dia. Impessoal? Sim e não. chamadores e chamados. nem ficar discutindo localização de ruas. aprender códigos interurbanos. paciência.. questionava a “melhoria”: antes. O telefone (ou coisa que o valha) chama a assistência. linguagem natural e conhecimento precisam evoluir significativamente para que se tenha sistemas capazes de responder as mesmas classes de perguntas. Em cada telefone. na mesa do bar. Acho que em 2025 todas as centrais de atendimento serão “automáticas”. em casa. Em quanto tempo as centrais de atendimento serão máquinas. De muitas formas. esperar na linha.. Mas será preciso bem menos do que um sistema de informação capaz de discutir Proust ou de participar de um debate tão elaborado quanto o da honestidade do juiz. hoje exigida dos operadores de centrais e por eles realizada. só precisava pegar no telefone e dizer que queria falar com ele. à frente de cada computador. que tinham o trabalho de conectar. Do outro lado. numa volta para o passado. ela tinha que se lembrar do número. depois combinada com o aparecimento de “voice mail”. Ou em qualquer lugar do Brasil. até o motorista com a bateria pifada em algum lugar do Recife. o que deverá valer também. Na década de 40. Na última vez que precisei de 138 . eficácia. Não terei que lembrar números. a coisa me chama e nós conversamos. administrar ela mesma sinais de ocupado. 50. o equivalente eram as telefonistas. um ser humano ao qual é cobrada a conjunção esquizofrênica de rapidez. aos quais daremos instruções verbais: “diga pra Kakinhas que o pneu furou e chame a assistência técnica”. satisfação do cliente.. fisicamente. Isso dezenas. dá a localização do carro e o problema. uma piora significativa no seu sistema pessoal de comunicação..socorro a usuários que reclamam sobre o cheiro da caixa de leite que acabaram de abrir. Modernizado o sistema. enfim. a “qualidade do serviço” lá no passado era melhor. ao ter centrais automáticas instaladas na sua região dos EUA. vê quanto tempo vai levar pra desenrolar e avisa Kakinhas. Os telefones (de hoje) serão assistentes de comunicação pessoal. por exemplo. as duas coisas serão uma. Nicholas Negroponte gostar de contar que sua mãe. Na verdade. definitivamente um passo atrás nas relações humanas. dizendo o que aconteceu e o atraso provável. se ela pede pra falar comigo. Mais eficiente e amigável? Definitivamente. ao que tudo acontecia “automaticamente”: a telefonista do pequeno lugarejo sabia como conectar mãe e filho sem nenhuma informação adicional. depois que nosso time é derrotado. pois as tecnologias de processamento de voz. qualidade de atendimento. nas centrais manuais. tão frias ou quentes quando as centrais telefônicas? Difícil dizer ao certo.

derivadas das tecnologias necessárias para fazê-lo. 139 . O que significa que poderemos estar “on-line” quase 100% do tempo. o reboque passou mais de meia hora dando voltas ao redor do ponto onde o carro estava parado. Pra quem vive viajando.. E ligando pelo celular para o 0800. Menos eu: só vejo meu e-mail da minha sala no trabalho e c’est fini. seremos perseguidos por e-mail e voz sobre IP. além de conexão nos aeroportos. haverá muito mais lugares para conectarmos nossos laptops. A vida real. daqui até o futuro. e eu correndo atrás dele. em conjunto. com as mesmas dificuldades atuais e outras..um serviço assim. Algo me diz que isso não vai ser bom.. ela perguntando (lá na central) quem tinha me atendido antes. Em breve. ouvir e sentir a vida. em breve elas serão possíveis dentro dos aviões. Num país onde a maioria das cidades não tem um mapa decente! É cansativo até para contar a história. imagino quantos problemas destes ela resolve por dia. explicando parte do problema. Mas. E pegando uma atendente diferente cada vez. a pé. novinhas em folha.. lá fora.. em tempo real. pra ver se nós. mas destrói a alma. Por falta de tempo pra ver. conseguiríamos guiar o caminhão. nossa lida com informação vai complicar um pouco mais. Porque síndrome de conectividade é fatal: não mata o corpo..

para tentar explicá-la para os mortais comuns. literalmente.. Se for assim. O celular tem mesmo muitas funções. Nada disso. no meu. natural ou auto-explicativa. Aqui na Terra.O Manual do meu Celular Novo [ 20. já que estamos falando de 150 páginas em português. ninguém vai usar. de todas as marcas. depois de umas 100 quedas.. daqui a uns dois. O meu antigo aparelho. tenho certeza. meu próximo aparelho.2001 ] O manual do meu celular novo tem mais de 150 páginas.. no caso deste em especial. anos atrás. há que se dizer que os celulares. O despertador funciona no modo silencioso do 140 . inclusive porque não terão lido o manual! E eu não estou com este celular "novo" porque ele tem as tais funções. adquiriu a mania de desligar quando quer e bem entende. me deixando a ouvir navios. deve ser técnica dos autores do texto.. A outra razão fundamental para o tamanho do manual é que o bicho usa a tal alta tecnologia. três anos.. em quase tudo o que são supostos fazer. de várias alturas. isso se o aumento do número de páginas depender linearmente do tempo e tecnologia sendo usada.. Pensei mais de uma vez antes de começar a ler. teria eu que tirar um porte de celular?. ou tecnologia de ponta. Daí a necessidade de manuais muito longos. não se trata daqueles em muitas línguas. que só vão acontecer no correr da década que se segue ao seu nascimento. uma agenda razoavelmente sofisticada.Abr. Estimo que tivesse umas 30 a 50 páginas. o manual é longo por duas razões básicas... precisa de muitas revisões. Mas o começo do texto me pegou: ". vai ter um manual de 500 páginas.. mas não achei. A discagem ativada por voz. como preferem alguns.. com o vidro aberto e o rádio ligado. Pelo menos. Tinha que trocá-lo. saiu há pouco tempo do laboratório. centenas de posições de memórias com muitos atributos cada. vêm melhorando sua funcionalidade e qualidade. logo eu que tinha feito uma promessa. o que já era muito. do outro lado. mas não faz quase nada de forma trivial. um mundo de coisas." Será que o meu celular era daqueles usados pelo PCC? Ou seu infra-vermelho poderia ser usado para. É cheia de novidades. como discagem ativada por voz. pra fisgar os incautos compradores da coisa. Indo ao que interessa. detonar alguma coisa? Ou talvez. está o paraíso. Até procurei o manual do meu celular antigo pra comparar. de nunca mais usar um dispositivo supostamente doméstico ou pessoal que dependesse de um MBA no assunto para me servir.leia estas simples diretrizes antes de utilizar o telefone. a maior parte das quais. Tecnologia de ponta é sempre cheia de arestas. funciona no carro. que vão pagar todos seus pecados pela via do seu uso. Falta de atenção a estas regras pode ser perigoso ou ilegal. a 80Km/h.

óbvio. fazer download de programas que vão rodar no celular.. o que é uma maravilha! Na versão anterior. as novas gerações são programáveis e podem.. cHTML. mas ninguém ousava chamá-los de operacionais. JScript. em particular. that’s because it is whats inside Pocket PCs. the Stinger’s ME3 will also be able to resolve WAP 2." 141 . Segundo a Intel. As tecnologias usadas no aparelho e nos sistemas de informação e comunicação que o apóiam (o serviço e as centrais celulares) vêm evoluindo muito rapidamente.. não havia como... nossa vida celular poderá se tornar mais acidentada pela chegada das companhias tradicionais de hardware e software na área. maybe even XFL!" Socorro! Isso é possível. In addition to what it currently does. muito menos falar disso pro usuário.. poderosa e simples". como a Intel. XML and for all I know. Os atuais e antigos também têm tais sistemas de controle. Habilitadas por sistemas de software básico que parecem muito com o do micro ou estação de trabalho que o leitor está usando para ler este artigo. como mostra este trecho ameaçador da MSNBC sobre um dos próximos produtos da Microsoft: "The heart of the . apesar de estarem no dispositivo há tempos. e podem ficar muito mais complexos antes de ficarem mais simples. o usuário tinha que deixar a coisa em algum modo barulhento e se arriscar a ser chamado noite a dentro. claro. estão criando chips que podem transformar celulares em computadores... Antes disso. If that sounds a lot like what’s inside the current crop of Pocket PCs... ainda assim..0. vamos pegar vírus. "The high performance nature of the SA-1110 allows mobile device designers to incorporate handwriting and speech recognition.[Stinger Smart Phone] is Mobile Explorer 3. que as coisas sejam complexas como são (no caso dele). sistemas operacionais) e são capazes de fazer coisas do arco da velha (para o que a gente achava que era um celular). Ainda antes disso. O que vai demorar muito a acontecer. pelo celular. meio sem tempo para reflexão. Os celulares de gerações mais novas (do que o meu) têm verdadeiros sistemas operacionais (mais simples do que Windows ou Linux mas. tornando disponíveis capacidades computacionais que. não é culpa do fabricante deste aparelho. destes de computador e piores. ou fazer computadores tão pequenos que podem ser usados como os celulares de hoje. Aliás. por algum insone à procura de conversa fiada. and Java programming into their products. começam a passar para a interface com o usuário e os fabricantes começam a falar de "interface sofisticada. e o celular não podia ser usado como despertador. por exemplo.. soft modem functions.celular. porque os fabricantes de componentes e processadores. HTML.0 (WML).

Ainda não descobri quantas páginas tem o manual do PearlFeat. com outras 40 páginas! Não abri ainda. não tive coragem. o meu vai ser. sistemas operacionais e estas coisas todas. aquele de que falávamos lá no começo. Aliás.A disputa entre software aberto e fechado já está também nos celulares de última geração. tem uma CPU Intel StrongARM SA-1110 de 206 MHz.. Um "guia de conectividade". além do manual do telefone. por exemplo. o Symbian's Smartphone PearlFeat. LG. 142 . Mitac e Galleo. mas não deve ficar a dever ao meu. Mas. e deve ter os mesmos lances dos PCs. quando aparecer aqui. eu ia dizer. que explica como é que o fone fala com outras coisas e um misteriosíssimo "guia do cabo": o telefone vem com um cabo pra conectar no PC.. 32MB de SDRAM e 16MB de memória Flash: é quase do porte computacional das máquinas "populares" que estão sendo discutidas para universalização de acesso com os recursos do FUST aqui no Brasil. que roda o sistema operacional Epoc. entre muitos outros. sem parecer complexo e. e o cabo tem um "guia". há mais dois. com mais de 50 páginas. Estes são "celulares" dentro de PDAs como os Palm V. apenas. o design é simplesmente arretado. como se não bastasse. só pra ele. a tecnologia. se você quiser esperar por um telefone. que. com os primeiros celulares movidos a Linux chegando no mercado agora. e fazem muito mais do que transmitir e receber voz. por exemplo. O da Galleo. da Palm. é cheio de coisas interessantes e poderosas. O "telefone" parece simples. antes de derivar a conversa pra outros fones.

agindo inclusive sobre um de seus componentes. como diria um senador. o software é apenas parte. se disse.era preciso. para alertar para um suposto abalo na credibilidade das tecnologias da informação. mudar o software para aumentar a segurança do sistema de informação. Isso se eles são pessoas "de informática".2001 ] O Brasil está recebendo uma aula magistral sobre sistemas de informação pela TV ou. Na minha opinião. "não havia como dizer não") ninguém menos do que a Diretora do Serviço de Processamento de Dados do Senado (Prodasen) a mover mundos para modificar. Quem teve tempo e se deu ao luxo de assistir aos depoimentos de funcionários do Prodasen e senadores. razão pela qual o software pode ser rotulado de "trivial". algo que merece ser estudado. segundo depoimentos. não vai levar os bancos a reconsiderar o uso de informática e. escrita e televisada". que de secreta passou a ser privada. Por que? Ora. não abala nada. uma pequena parte do sistema! O sistema. me parece serem todos "de gestão".Senado: voto inseguro [ 27.Abr. talvez. não sofreu modificação: as regras (não escritas) do sistema "Senado" continuaram como antes. do ponto de vista tecnológico. Como? Foram elas que possibilitaram um senador a obrigar (pois. está. mais ou menos entre duas e meia da manhã e a abertura da Casa. pela "imprensa falada. O que aparentemente foi feito por uma só pessoa. Se a profissão tivesse Conselho de Ética. no meio da madrugada. o que é e como funciona um sistema de informação. partiu para debate sobre ética profissional. na Comissão de Ética do Senado. Não passou de secreta para aberta. outro lado. na prática. parte do software (trivial. Quem realmente "reescreveu" o programa (e é de informática) parece estar isento de culpa. discutindo a componente informática do assunto. provavelmente condenaria aqueles mais diretamente envolvidos com a organização da fraude. vendo e ouvindo. o software do painel de votação. por sinal) de um sistema de informação foi modificado de forma a subverter as regras de uma votação. ter uma cópia da votação em 143 . o software do painel de votação do plenário do Senado. sem precisar entender nada do tema. pois recebeu a missão de. Parte da mídia. Note o leitor que o software do sistema de informação foi modificado. queira ou não. o caso do Senado não tem nenhuma relação com o estado-da-arte da informática. por incrível que pareça. para precaver a Casa contra eventuais processos . pois apenas algumas pessoas (os mandantes da mudança das regras e outros interessados) passaram a ter a privilegiada informação de quem tinha votado a favor ou contra a cassação de um senador. em si. sabedores do que estavam fazendo. voltar às calculadoras eletro-mecânicas e cadernetas de poupança de verdade.

do discador para se chegar num provedor de acesso à Internet. Algo como um prédio sem planta.. algo ainda comum em sistemas de informação. segurança. Um sistema de informação é algo muitíssimo maior do que o software e os equipamentos nos quais roda. operação. até onde pode ser esticado sem comprometer sua funcionalidade. Num dos depoimentos que vi. em algum lugar. gerando requisitos para mais mudanças. de mais de uma forma. do imposto de renda de pessoa física. que consiste simplesmente em memória e capacidade de raciocínio lógico altamente especializado. manutenção e evolução.papel. processa. Uma destas bases humanas de conhecimento foi requisitada. no parágrafo anterior. do que as regras de negócio que implementa. rodando e fazendo seu trabalho. durante a fase de especificação do sistema. agindo em seu nome) não tomaram o cuidado. do caixa automático dos bancos. ao encomendar software (ou comprá-lo pronto). projeto. algumas das fases do mesmo). Software é "vivo". O que revela que os senadores (na verdade o Prodasen. desenvolvimento. no meio da madrugada. obviamente. se modifica à medida em que instala um conjunto de procedimentos de automação que. sem cálculo. etc. tem um ciclo de vida. recebe e transmite. para que houvesse garantias mínimas de inviolabilidade do painel. na inexistência de (ou de grande parte dos) registros referentes ao ciclo de vida do software (volte e veja. muda seu modus operandi e demanda mudanças em muitos dos seus setores. depositado em pessoas físicas. incluindo pelo menos especificação. do que os dados que captura. de como pode e deve ser modificado. instalação. consolidados em documentos. do qual fazem parte um grande número de componentes e atividades.. o software do painel de votação não é documentado: o programa existe no vácuo. um programa. Outro resultado é a "documentação interna" do software. que mudará ainda mais a instituição e assim por diante.. Olhando mais de perto para o software. quais são seus pontos fortes e fracos. para mudar o software do painel. Pra ter uma idéia de onde o Senado anda pisando. uma espécie de manual de sua arquitetura. ele próprio um documento. este não é só o programa que está lá. que roda em um ou mais computadores. para produzir uma lista que não deveria. A mudança que se discute agora é a que sabemos e 144 . apenas. armazena. Um sistema de informação compreende toda a instituição que informatiza.. instituição esta que. Um dos resultados do desenvolvimento é. etapas às quais correspondem processos e métodos específicos. uma estrada sem traçado. que serão realizadas por mais software. seja ele a automação do caixa do supermercado. capacidade. um funcionário dizia que o software tinha "documentação viva". de como foi construído.

complicando muito a montagem de uma tal conspiração. Enquanto isso. por ordem de quem quer que fosse. Isso poderia ser usado como uma chave digital. ou muitíssimo difícil.esperamos que tenha sido a única. dois montes de dígitos binários (zeros e uns). trocá-lo sem interferir fisicamente no painel.. no Prodasen. a chance de que sua nova chave fosse igual à do software anterior poderia ser tornada tão perto de zero quando se quisesse. quando o computador é ligado. a empresa que dava a manutenção no software do painel era a mesma do sistema de som. mas porque o contrato anterior foi rompido exatamente pela falta de documentação. haveria "pedaços" da chave na oposição e situação. inclusive alguns senadores. Ao se mudar o software. seria uma solução muito simples para aumentar a resistência a violações. Os programas são quase... para os quais poderiam ser calculados um conjunto de dígitos verificadores como nos CPFs e números de contas bancárias. que mudança após mudança seja introduzida no software.) correspondesse à chave que está "ligando" a máquina. aparentemente.. O que poderia impedir tais atos? Muitas coisas: uma delas. ter associado o software do painel a um conjunto de chaves digitais que o habilitasse. Por mais competente em 145 . do que o soneto. Aí o software poderia ser reescrito ao bel prazer de quem quisesse fazê-lo. E esta não é a única solução: poder-se-ia lacrar o software do painel numa memória somente de leitura. talvez. A menos que todos os possuidores "da chave" resolvessem conspirar para tal. acesso à qual poderia ser bloqueado de várias formas. não porque tenha se tornado repentinamente uma especialista em software. o que dificilmente poderia ser feito na calada da noite. Mas nada impede. que poderia estar distribuída (cada um com um pedaço da mesma) entre funcionários e senadores que ocupam determinados cargos na máquina da Casa. por outro lado. mas num Senado mais preparado para enfrentar tais problemas. só que mais longo – ao invés dos dois verificadores do CPF. só que seria impossível. sob comando de alguém interessado em fazê-lo. Pior a emenda. inclusive fisicamente. São como dois CPFs parecidos: no caso dos programas que rodariam no computador do painel. Isso tonaria quase impossível mexer no código sem mudar a chave. a ponto de mudar resultados. O que seria isso? Tome por exemplo o software antes da modificação e o mesmo programa depois da introdução da rotina publicadora de votos. o que obrigaria um número de pessoas a se envolver no processo de troca de "sistema". imagine algo como 4096 bits. E o software só rodaria se sua própria chave (calculada quando o mesmo "entra no ar". mas não são iguais. Isso comprometeria a flexibilidade do sistema como um todo mas.

até pôr a casa em ordem. segurança e respeito às regras. que põem em cheque nossas crenças e entendimentos. mas por causa dos que vêem e deixam o mal ser feito". E. sobre sistemas de informação. que use seu mea culpa. É capaz que todos nós. se é para não obedecer o que lá está estabelecido. a cada acerto. tenhamos uma capacidade inata de resistir a fatos novos. aprenda muito com os problemas do seu sistema de informação. como disse o senador Simon. humanos. ou mudar a ordem da Casa como um todo. trata-se de algo como deixar a cargo de uma equipe de cirurgia cardíaca a manutenção das turbinas dos aviões da ponte aérea. pois não vamos fazer nada às escuras. 146 . sobre o mundo em que vivemos: "O mundo é perigoso não por causa daqueles que fazem o mal. E acho que queremos que respeito comece por obedecer à Constituição. sobre transparência. o Senado deveria lembrar a sentença de Dorival Caymmi. para o que todos nós temos parte da "chave". "o" sistema operacional deste gigantesco sistema de informação que é o Brasil. para nos ensinar muito sobre software. fazendonos aprender.acústica e eletrônica que seja a firma do som. Prefiro ir do Rio a São Paulo de Lambretta. melhor combinar a mudança conosco. há que se mudar o "programa" da Sociedade antes. desafiando nossos modelos. o Buda Nagô. por ter deixado a coisa toda ao léu. aberta e livremente. Nós todos esperamos que o Senado. na Dutra. a mais alta Casa Legislativa da República. Mas é preciso aprender a cada passo. durante tanto tempo. a cada erro.

que tá quase congelando. têm todo o direito de um atendimento expedito. pode receber o IPVA. último do prazo pra quem tem que pagar o imposto e quase todo mundo da fila tem (ou só tem) o documento verde na mão. Zé Roberto acha que ouviu alguém do governo dizer. Zé pensa e conta: 44 pessoas esperando. A moça do caixa digita. Zé Roberto odeia fim de mês em geral. Zé Roberto já tá mais ou menos aí pelo trigésimoquinto da fila e. e digita. IPVA. O banco tem um monte caixas eletrônicos lá fora. aliás. mas só três estão atendendo agora. em cima do esgoto. que anda muito lentamente. no meio da agência. Hospital devia ser arrumado. Na fila.. 147 . E tome tempo. já parte da fila. atrás.. ele ainda tem dois bancos pra ir. todo mundo vai. que o cidadão que paga impostos de livre e espontânea vontade é um herói e deveria ser recebido com pompa e circunstância na agência recebedora. aquele pr’onde levaram Tia Amália semana passada parecia uma guerra. 14h29: Zé Roberto desce da moto. quase caçamba o senhor de óculos à sua frente. pela simples razão de que cada boy tem uma pasta de documentos pra tratar. Mas ele não está nem aí pros olhares. Aliás. sabe lá o quê. pra ver quanto tempo tem que ficar ali e o quanto vai ter que implorar nos próximos bancos. se chegar depois do horário. Vez por outra ele se pergunta porque banco tem que ser tão frio. sujo. o boy encostado no balcão entre calmo e desesperado. e o rolo de papel aumenta. no meio do mato. a fila só cresce. Só não parecia hospital. Zé Roberto não sabe que isso atende pelo nome de monopólio.Mai. Perdido nas divagações. impostos e. pois todo mundo tem tudo pra pagar. senão cada dia de trabalho pode ser o último. Sobram dois caixas. Banco. Zé sabe que o povo da fila olha pros boys com desconfiança. mas aqui dentro são só cinco. o que ele olha. desde que chegou.. com uma maçaroca de documentos que não tem tamanho. muitos outros boys. é só o volume das pastas de todo mundo à sua frente. vai ser enrolado. na fila. em troco. que fica na sombra da castanhola e entra no banco. informática por todo lado. claro. do jeito que for.. Um está parado num boy.. pois é lá que há dinheiro. Mas só um banco -e dos que não têm muitas agências.2001 ] Véspera de feriado. Hoje tá brabo.. sem ar. A véspera de feriado é o último dia do mês. Um dos três caixas operando é "idosos e gestantes" que.O Boy & o Banco [ 04. no mais das vezes de mais de uma pessoa. claro. uma feira. Ainda bem que Zé Roberto juntou dinheiro pra pagar a primeira parcela do IPVA da moto. de volta pro relógio. pra velocidade em que os caixas estão atendendo a fila. porque banco é tão limpo e arrumado. mas ouve. contas. dá pra ver pelo capacete vestido no cotovelo. na TV. justamente um boy. quatro têm gente. tudo urgente.

o servidor não parou. Evitando ações que certamente infringiriam direitos básicos dos cidadãos de qualquer país civilizado. Melhor informatizar a polícia e deixar todos os documentos num servidor. até aqui. em algum lugar seguro. só três documentos. Até porque uma parte das forças da lei usa de tal arbitrariedade. hoje. quase congelada pelo ar-condicionado. Pelo correio. na mão de nenhum motorista. à polícia. É mais seguro. é a vez de Zé Roberto e hoje. Pelo correio. num sotaque do interior e falando pra ser ouvido pelo banco inteiro (Zé Roberto taí pelo 15. a gente faz de casa. o segundo atrás de uma senhora que.um senhor dizendo. que "deviam proibir office-boy em banco no horário do expediente".. é a vez do Zé. a linha não caiu.. envelopes de resposta. Depois de pagar todas as parcelas. o uso de tecnologia para solucionar problemas dos cidadãos. que já é o sétimo da fila. primeiro vê se o auto está em dia com suas taxas -e só depois pára. uma conta da secretária do patrão e o IPVA da moto. inclusive.) e bota na caixa do correio. Depois de pagar todas as parcelas. que amanhã é feriado e ele vai com a noiva 148 . para uma determinada conta (do Detran. documento em casa. grávidas e pessoas com dificuldade de locomoção em excesso. onde não tem "o vento do ar"? O que Zé Roberto. com tão pouco caixa". necessariamente. pra botar o pagamento do IPVA on-line. Ao invés de pedir o documento ao dono do carro ou da moto. E nem se trata. que ao ver sua pasta e notar o capacete faz murmúrios vários de desaprovação. inclusive de Zé Roberto. o contexto social domina. ele se dirige ao número três debaixo da supervisão da platéia.. é que ele é a razão dele mesmo estar na fila: num país onde os Zé Roberto vivem com o salário que têm. pra todo mundo ouvir. Ou. Número da placa. nominal. Mas será que não havia como facilitar a vida de todo mundo. talvez não entenda. O banco foi privatizado juntamente com as contas do estado. Não deveria ser permitido. a bobina do papel dos caixas não acabou. a moça do caixa anuncia "próximo". na fila. sintetizados pelo senhor de sotaque interiorano que diz. o documento definitivo chega em casa. o que quer pagar e pronto. que na casa dele não há internet (e este é outro sério problema brasileiro). não há idosos. e às vezes impede. número do cartão de crédito. no mínimo. só que pelo correio: o Detran manda o documento.. para intimidar motoristas e extorquir-lhes.. a fila já passou dos 60) que "é um absurdo só poder pagar o imposto neste banco. como pagar o imposto no mesmo banco. melhor. a gente faz um cheque. parar para verificar os documentos sem alguma forte suspeita. Zé não. já de mais de setenta. Um imposto da empresa. mas Zé não dá atenção. "a cerveja". nada de documento. impostos são parte do negócio. Alheio a estas divagações. Com informática. às 15h20. nada de muito errado aconteceu. Neste banco. Algo mais simples.. de tecnologias da informação. avisa aos companheiros que vai esperar sua vez ali no cantinho.

que isso não é coisa de gente. na lata do lixo. não no banco. de cartórios. perdendo tempo. no meio da rua.. são parte do custo Brasil. não fosse trabalho. depois de 1h5 no congelador. E nós poderíamos pagar de casa. pela rede.pruma praia no sul. barulho e fumaça infernais da rua e o freezer das agências bancárias. entre o calor. Zé Roberto dá uma última olhada para a fila. que já passa de 80 almas. o banco. é só pedir pra reza da mãe ser ouvida pelo santo. Um país de filas. naquele ritmo. certamente. dentro dos bancos. no banco. do último dia. a pé. no balcão? Aí o país mudava mesmo. centenas de horas por mês. Ia ficar tão simples que de repente ninguém ia precisar fazer isso. razão pela qual. leitor. cento e sessenta horas. de moto. é tão baixo que muitas das práticas sociais civilizadas de que precisamos para modernizar o país. Fora do banco às 15h34. Nem o diretor do banco.. onde o preço que se paga para alguém entrar na fila. Como se isso tudo.. só naquela tarde o Brasil jogou. mas no todo. ele que tem dois bancos pra fazer antes de voltar pro trabalho. Pra isso acontecer. provavelmente não estamos em fila nenhuma. o Brasil se gastando. congelada. porque hoje só o povão faz. De monopólios. na rede. Agora. não pode dar bobeira e ser pego pelos homens faltando algum papel. vai estar fora deste emprego. Naquela agência. fazendo o mesmo (ou quase) trabalho do nosso Zé Roberto. Os Zé Robertos que estão no meio das ruas. estaria perdendo dinheiro também. ou deveria contar. para chegar. crescendo. de facilidades pros mesmos. tava lá a fila. 149 ... ali na boca do caixa. Se não fosse o monopólio da cobrança. de quarenta pessoas por hora ou menos. não detonar a moto numa boca-de-lobo e não ser imprensado por um ônibus. cartoriais e outras. ou seja. vão levar muitos anos. de direitos só pra quem já tinha. Muito menos quem decidiu que o IPVA só pode ser pago num banco. liga a moto e acelera rua afora. Um dia. fazendo a temperatura do seu rosto levar choques de quase trinta graus. de bancos. não-sei-quantas vezes por dia. e baixar uma lei só aceitando as transações bancárias.. e chegar em casa de noite pra ir pra escola técnica.. ônibus. Isso porque nós. de corpo presente. Podia até ser parte do processo de moralizar e democratizar o poder. desta elite. seguidas pelos seus habilitadores tecnológicos. Isso conta. ainda.. E o serviço mudaria. pro cheque só ser descontado depois do feriado. de viva voz. que tal fazer uma lista de todas as autoridades e pessoas acima de uma certa faixa de renda. se desgastando. democratizando o processamento de informação no país. como temos boys que podem fazer o serviço na última hora. do pessoal do "poder". Nem os governantes. horas por dia.

Mai. o senhor sofre de espondilite anquilosante e o tratamento é tal e qual. E. ou preferivelmente tratamento de canal. em casa. Mas no consultório. acha". Acho que foi João Ubaldo que disse que não vai mais pra médico porque "quem procura. ele é capaz de estar pensando que talvez eu tenha alguma coisa. principalmente quando nada dói (ainda) ou tem forma ou cor que nos leve a pensar em testamento ou naquela cláusula de decesso que não assinamos no seguro. não tem efeitos colaterais e o senhor sairá. na minha idade. Depois.[ 11. genética e. O que eu não suporto é ter que ir ao médico. que vou realizar agora. o dentista lá com a broca ou as agulhinhas e o problema se resolvendo sem a gente nem saber. não estou nem aí. os laboratórios estão cada vez achando mais coisas. é só procurar que acha. Auxiliados por biologia. O fato é que. antes de mais nada. claro. eles vão. pra gente fazer na rede. Do qual acordo quando sua voz de autoridade em saúde me olha e diz que. a cada dia mais escabrosas. Se não houvesse este pequeno senão. se você ou eu tivermos uma e eles acharem. Certamente estou sendo injusto com a profissão médica. vou ao médico. não dói. Eu gosto.2001 ] e-xames. ele que sempre me olha como se eu estivesse saudável. possivelmente consultando um oráculo. já terei reencarnado em alguma outra forma de vida. parecendo médico de seriado americano. diria algo como "meu amigo. informática. acho que seria ótimo se algum destes mega-laboratórios de pesquisa criasse algum tipo de obturação. Pior do que ir ao médico. bem de saúde e andando. daquelas do Ceará mesmo. de jaleco branco. como os médicos estão no negócio de curar doença. todo arrumado. passa pela descoberta da doença. Aliás. pelo menos quando a gente está na casa de Dona Zuila tomando umas. dos familiares e meus. Que pelo menos é o meu irmão Marconi. principalmente quando a gente está se sentido doente ou naquelas faixas de idade em que certas doenças aparecem mesmo. dentro de uns quinze minutos". nem sentir. tenho que fazer uns exames para garantir que estou mesmo com saúde. pela inter[mitente]net Tem gente que não gosta de médico. 150 . isso depois de dizer que nunca me viu tão bem. virtual. A gente na rede. no fundo. química. esperava as duas horas e meia regulamentares para ser atendido (mesmo tendo chegado na hora marcada) e o doutor. talvez como um Ziziphus Joazeiro. Mas deve ser delírio. cujo negócio é a cura. daqui. vencido pelos argumentos. Não só não é assim mas. suspeito que. mas o problema é que a cura. que a medicina não tem a menor chance de curar –pelo menos no nosso tempo de vida. só o dentista. seria arretado: a gente chegava no consultório. se tudo correr bem. tentar nos curar.

Levo mais de meia hora só pra entrar no provedor. Depois do sábado e domingo no Cariri da Paraíba. até porque a moça sorridente (mais uma) que me atende solicita que eu confira meu nome em vários tubinhos onde. Parece filme. incluindo uma senhora toda maquiada pra tirar sangue. toma aquelas coisas. solícito. volto pra Recife. Legal. na estrada (meu celular tem WAP. Todo mundo é muito simpático. A página do laboratório demora um pouco a aparecer. dê o que der. quase só pra ver o resultado dos meus exames. que deve estar. mais parece um laboratório de computação.Desconfiado fosse. é tudo rotina para a idade. entra pra valer. passando por tudo o que o leitor possa imaginar. as pessoas entram nos provedores e ficam lá. de manhã bem cedo. Marconi me informa. dia de domingo. para fazer de colesterol a PSA. eu acharia que os vinte e sete exames de sangue diferentes que pediu. a aventura. será depositado todo o meu sangue. pois. quem sabe. tem uns efeitos colaterais esquisitos e para de tomar porque "tava piorando". Segundo ele. no entanto. um dia. Pra sempre ou até que a segunda-feira os separe. De Buñuel. me lembro que escolhi receber o resultado através do endereço do laboratório na internet. já seriam um atestado de óbito. nada de pegar o exame no carro. mas o laboratório ainda não caiu nessa). Câncer. Logo. ali na minha frente. Aí começa. do número vinte pra cima. na papeleta em que não consigo decifrar uma única palavra. suponho.. sub-dimensionado para a carga que suporta neste domingo. para digitar o código e a senha. No carro. meu nome é pronunciado e continua parecendo filme. Como só se paga um pulso pela ligação telefônica. para o que tenho o código desta série de exames e a senha de acesso ao sistema. é o mundo virtual chegando lá. lugar que está. Mas entro. de novo. o dentista. hoje eu vejo os resultados. assim sem dar muita atenção ao fato. Não sou mesmo de me apavorar com o que não consigo resolver. Vai lá. os exames são marcadores tumorais. Três dias depois. e muito menos quando eu chegar na terra de Ariano Suassuna. entre as 4500 cidades do país onde a rede não chega. no dia seguinte. mas boto a culpa no provedor. estou a caminho de Taperoá. na hora marcada pro resultado estar on-line. Deve ser por isso que hipocondríaco de verdade não vai ao médico. tudo muito limpo e arrumado. O laboratório é todo informatizado. como o leitor habitual da coluna já sabe.. 151 .. só à farmácia. De repente. penso. na minha opinião. Mas aparece. Morrerei não de uma doença estranha que Marconi descobriria.. agora de terror mesmo. o jeito é ir pro laboratório em jejum de 12 horas. em todos os domingos. Mas vinte e sete exames é preocupante. mas de anemia aguda. não preciso ficar preocupado. pede uns cachetes pra seu Epaminondas. Parece que todo mundo que entra na rede. com os dois espaços. ainda mais porque.

Se eu não tivesse gostado 152 . vem "error 'ASP 0113'. os resultados começam a aparecer." O que significa. Erro na primeira vez. pois a ordem em que os resultados são mostrados vai dos mais simples aos mais complexos. me confirma que eu nunca estive tão saudável. Quase qualquer um consegue editar HTML e mudar o conteúdo de uma página que está à sua frente. até que.. e não usando algum tipo de documento seguro. os esqueletos depositados no armário da informática aparecem na frente dos meus olhos. pra este tipo de serviço. Volto a página. The maximum amount of time for a script to execute was exceeded. Demora. muito tempo para os resultados começarem a aparecer. logo depois da fosfatase. Mas a rede. inclusive um 0. provavelmente. usando métodos amadores e usando infra-estrutura que não é exatamente profissional. umas cinco ou seis vezes muuuito longas. Script timed out /asp/asp/consulta. aparece tudo. Deve ser isso mesmo. laboratórios inclusive. Depois de infindáveis minutos. direto na página. tento de novo. Ao invés disso.. que o servidor está sobrecarregado. sabe como é. demora... e acontece o inesperado mesmo: o servidor do laboratório desiste de mostrar o resto dos exames. ainda precisa de muito tratamento.asp. são os exames cabeludos que estão lá para o fim da página (como CEA e CA19-9) e não chegam?. confirmando a minha suspeita de que o sistema do laboratório (como o do provedor) não está preparado para a quantidade de usuários que talvez esteja usando seus serviços hoje. on-line (pelo telefone). Mas leva muito. para caso alguém não tivesse nada para fazer. Para dar um exemplo. A impressão que eu tenho é que a maioria dos serviços que está on-line. antes dos marcadores. E isso. e comunicados direto para o e-mail do médico ou só são entregues lacrados ao (agora) paciente. e deve não só estar vendo seus exames mas. mais ou menos ali depois da fosfatase. onde (se eu fosse paranóico) daria para ter desenvolvido a teoria de que resultados apocalípticos são sonegados na rede. foi montada por amadores (ou quase). este laboratório (e outros) mostra os resultados em HTML. Na primeira tentativa.48 pro tal do CEA. código dos seus exames e senha.. e que o software não é tão católico assim.. tava lá a epopéia da vida do colega registrada em (exames de) sangue. mesmo. Tento de novo e acerto. Uma multidão deve estar on-line. dos mais usuais aos mais esotéricos. deve ter gente que mandou pra lista de todos os seus colegas de trabalho.Crio coragem e boto o monte de números e letras. sendo o brasileiro como é.. meus amigos. Marconi. Como deveria ter imaginado antes de entrar na página. não acontece nada. finalmente e para meu alívio. centenas em muitos casos. Logo depois. o endereço do laboratório. Domingo.. Nove da noite. De que adianta saber se o colesterol está em 170 se o que importa. fica acontecendo ali. pois. o laboratório deve ter um diretor de criação.

. ah se o mundo fosse ideal. Muito menos rodar os serviços em regime 24/7. Isso é coisa de companhias especializadas. os provedores de serviços e infraestrutura de internet.. para que a internet e serviços nela baseados mudem a realidade. cada vez mais rapidamente. Mas.do resultado do exame e quisesse dar uma melhorada no meu "estado de saúde" para enganar o médico. Aí o gerente do laboratório. mas se fosse algo urgente. era muito simples. 153 . isso introduziria níveis adicionais de incerteza na operação. para aplacar a necessidade de nos movermos para fazer coisas que. mas o que ele quer? Vai faltar luz exatamente por incompetência das geradoras e distribuidoras! Como comparar meus serviços a estes caras? Pois é. é preciso o laboratório lembrar que seu negócio não é escrever software para a rede e sim fazer exames. que são para a rede o que as geradoras e distribuidoras são para energia elétrica. em um ambiente de serviços. que vinha lendo o texto preocupado. vai pipocar: Espero que ele não rogue uma praga pra aparecer alguma coisa cabeluda nos meus próximos exames. independem de movimento. mas sem muita irritação até agora. A rede está se transformando. É certo que meu exame poderia chegar em casa pelo correio. de fato. como o provido pelo laboratório.

assim. O tempo. podem ser tratados. normalmente. onde nada se move sobre rodas. O conceito de roda. para o cartão. e privados. acentuando uma letra e introduzindo pontuação: a escola é a virtualização do aprendizado? Nesta segunda leitura. para trocar por passagens aéreas. realizada através das técnicas: as "invenções" humanas. A tecnologia da fala nos torna completamente diferentes de qualquer outro tipo de ser vivo até agora identificado no universo. criam o que possamos talvez imaginar como sendo a sociedade moderna. através de três virtualizações básicas. ultrapassando em muito a utilização rudimentar de ferramentas por outros seres. a quase tudo o que já 154 . dos quais um muito. os contratos. de uma outra forma. por exemplo. através do discurso. hoje. mas tudo usa rodas (de uma forma ou de outra) para se mover. E há muitos outros virtuais. também. no caso do dinheiro. o "contrato social" estipula a reação pública aos infratores. E quando alguém o faz. hospedagem ou viagens de táxi. Os conceitos subjacentes à roda. foi criado pela virtualização do presente por via da linguagem. possibilitando. até no espaço sideral. Finalmente. através de contratos sociais. virtualizam a violência. o fazendeiro usa cartões de crédito e pedaços de papel que representam seu poder aquisitivo. A segunda virtualização é a que atinge as ações. Segundo Pierre Lévy. Para o que. mais antiga. rodas são fundamentais. como a virtualização do movimento. por exemplo: as virtualizações criam "conceitos" que.Mai. por exemplo. que aparecem na roda. de importância fundamental para nosso entendimento do passado e planejamento do futuro. onde nada se resolve "na porrada". em conjunto. o humano se constituiu (e se constitui) através de virtualizações. o passado e o futuro. mais profunda. facilmente explicáveis. A década passada cuidou de associar o "virtual". a virtualização do poder de aquisição ou troca de valores. que criam éticas e instituições. Na verdade. no seu livro "O que é o virtual". da ação de nos movermos de um ponto a outro. na maioria das vezes de forma muito pouco coerente. que é um virtual do movimento (real ou virtual?) pode ser construído de tantas formas quantas o usuário queira. Ao invés de andar com 10 vacas pelo país afora. Coisas mais esotéricas do que tais explicações primárias estão escondidas nas virtualizações de Lévy. a pergunta se refere à caracterização da escola propriamente dita.[ 18.2001 ] A escola e a virtualização do aprendizado O título do artigo pode ser lido. podem ser concretizados novamente. muito antigo é o dinheiro. Imagine só as rodas que você conhece. criaram um mundo de possibilidades que nos diferenciou ainda mais do resto do planeta.

e antes de termos respostas para a primeira. isso sim. teríamos. porque e para que. Associando a pergunta do primeiro parágrafo ao título. desde a decoreba mais básica (com suas recompensas e castigos pavlovianos). até o holístico. pela tecnologia. neste contexto. empresas e. "a escola (real. O que me faz lembrar. estão tomando providências para que seus executivos de tecnologia de informação entendam pelo menos tanto do negócio e contexto da empresa 155 .. é o mesmo que abstrato. também. como sabemos. A segunda parte está sendo respondida. familiar. um ERJ-145 teria umas duzentas asas. Até aqui. sistemas que pouco contribuem para adicionar valor ao negócio são comprados ou desenvolvidos sem que se saiba. em muitos casos. grupal. Um resultado deste processo é que. serviços. modelos. na educação como em outros cenários da atividade humana. o conteúdo e contexto em que a tecnologia interfere na educação.. o contrário do real é o irreal. portanto. na acepção de Lévy. antes ou concomitante com as partes. Este é o território das ciências cognitivas. do aumento do número de asas dos aviões. social) de aprendizado? E. ao concreto. a tecnologia é o domínio das possibilidades. no mundo inteiro..conhecíamos antes: mercado.. com poucos sinais alvissareiros de mudança na última década. no começo do século passado. em qualquer área ou país. em suma. no mundo todo. posto que o virtual não é oposto ao real. reuniões. como um sinal de modernidade. onde muito há de se fazer antes que se possa passar um atestado de competência para a educação mundial. As empresas. para o aprendizado e sua virtualização (a educação). a inúmeras teorias. nada demais. certamente. Assim fosse. Virtual. espaços. se preocupa muito mais em criar oportunidades e estabelecer paradigmas do que em explicar o mundo e refletir sobre ele e as coisas que nele existem. são os especialistas em tecnologias da informação e comunicação que andam a decidir que infra-estrutura.. Ora. faturamento e até clientes virtuais. pois o mesmo vem acontecendo nas empresas. software é trocado porque a versão mais nova tem mais 153 funcionalidades inúteis e 571 novos bugs. vez por outra. ali da esquina) é a implementação concreta que corresponde à virtualização do processo (pessoal. maiores e menores. Hardware é comprado porque foi lançado. mais grave. Mas esta noção de "virtual" não resiste a uma crítica mais profunda. o virtual é real. possível realização de um ideal de ensino do todo. e oposto. muitas vezes. as possibilidades criadas pela tecnologia geram uma falsa expectativa.. em qualquer nível. realidade. que o último grito dos laboratórios é o progresso. o que mais pode ser virtualizado através das tecnologias de informação e comunicação e quais são as concretizações correspondentes?" A primeira parte da pergunta leva. aplicações e.

Como resultado. Só assim criam situações onde os múltiplos lados da operação sabem o que. cerca de 60 reais por ano. da corporação. Instalar computadores em sala de aula e laboratórios para usar processadores de texto. além de navegar na rede. par e passo com as demandas do mundo que nos cerca. É preciso criar cultura. Para que se crie novas virtualizações no ambiente educacional. em média. Mas é apenas alfabetização. tentando resolver o todo e não a parte mais fácil. é preciso fazer muito mais do que instalar máquinas. Mas o processo. contra o sugerido pelo Departamento (Ministério) de Educação de lá. entendam das possibilidades oferecidas pelas tecnologias da informação e comunicação. com menos de 10 alunos por computador. apenas 10% dos professores se acham muito bem preparados para usar as tecnologias na sala de aula. modernizando-o e tornando-o de classe mundial. É claro que o problema em pauta é mais uma instância do ovogalinha. muito diferente. capacidade e conexões. nestas instituições. sem treinar os professores. não adianta habilitar os mestres. Dados coletados nos EUA mostram que. por que. é o problema em todo lugar. Só que o investimento em habilitação docente para enfrentar os desafios das novas tecnologias estão em cerca de 20 reais por aluno por ano. para que e para quem estão fazendo. Isso a um custo de pouco mais de duzentos reais por aluno por ano. rede e software. Este não é o problema aqui. seus conceitos. software de apresentações e mandar mensagens. estarão na rede. está sendo.quanto tentam fazer com que seus executivos e operadores dos negócios. e muito elementar. Ótimo. de fato. efetivamente. propriamente ditos. todas as escolas públicas e quase todas as salas de aulas. nem depois. Nem antes. Mas bem que nós poderíamos dar o exemplo. sem computadores. 156 . Ao mesmo tempo. Na educação não poderia ser diferente. Mas é. poderá ter sua eficiência muito comprometida e até mesmo ser inviabilizado. capazes mudar. ano que vem. é um avanço gigantesco.

A maioria dos problemas está relacionada ao DNS diretamente e outros passam pelos mecanismos de representação. "é" uma associação norte-americana. práticas e políticas evoluíram de forma quase orgânica. por último mas não o menos importante. até porque o número de pendengas nas quais a ICANN se envolveu desde setembro passado tem aumentado muito e algumas delas são de solução no mínimo controvertida.Mai. Em novembro de 1998. também coordenador do Comitê Gestor da Internet/BR. Por razões de 157 . O governo americano sempre esteve à frente de todos os outros nisso. através de um "memorando de entendimento (MoU)". foi eleito diretor. ou DNS) baseada nos princípios de estabilidade. Vamos lembrar agora que uma atribuição fundamental da ICANN é garantir a estabilidade. a ICANN. processos e métodos. Ivan Moura Campos. de forma coordenada e competitiva do sistema de nomes de domínio. razão pela qual também é responsável pela maior parte dos pesticidas aplicados na árvore da Internet: até hoje. a rede inteira. criada de acordo com a legislação da Califórnia e sob os auspícios do DoC. civil. representada pelo seu serviço de servidores centrais de nomes e endereços ("root server") é propriedade do governo americano. assinou um termo de compromisso onde se responsabiliza pela transição de uma Internet gerenciada pelo governo para uma rede privada. O prazo para a ICANN realizar a transição terminou em 30/09/2000 e um número de temas muito relevantes ainda estava pendente naquela data. competição. em troca do que é parcialmente financiada para tal. uma instituição sem fins lucrativos. representatividade.2001 ] A rede está no ar há décadas e sua operação. A rede. mais especificamente do Departamento (Ministério) de Comércio dos EUA (DoC). até o fim de setembro próximo. aqui e ali. a ICANN. razão pela qual o DoC concordou em estender o prazo por mais um ano. Não há muita gente que acredite na realização das metas no novo prazo. que cedeu sua administração à ICANN. sem fins lucrativos .O Império da Internet [ 25. É exatamente em função disto que um brasileiro. de governos financiando servidores. Um número grande de tais temas vai ser discutido no encontro da ICANN em Stockholm. caso o leitor não saiba. era o gerenciamento do sistema de nomes de domínio (Domain Name System. financiamento e gestão da instituição. com um pouco de adubo. de 1 a 4 de junho próximos. representando a América Latina (mas eleito pelo mundo inteiro). por exemplo. coordenação a partir das bases e. aliás. laboratórios e desenvolvimento de protocolos. O principal papel da ICANN. de acordo com a política delineada pelo DoC e acordada no MoU.

sem o que. não veriam os "desligados". adeus. Hoje. o tal servidor é quem responde onde as coisas ficam. de forma igualmente estável e mais competitiva. seria irrelevante.razão para a existência da ICANN é a manutenção do root server.net) estão registrando nomes no domínio (ainda não aprovado pela ICANN) ". A Internet depende de rotas (múltiplas. na maioria dos casos) para uma mensagem.ordem técnica. para montar uma rede com múltiplas raízes. ou as partes das suas redes que dependessem exclusivamente deles. o tal lugar está fora do mundo. todos os nomes da Internet têm origem em um único ponto. o site no qual você vai entrar. outros dizem que não.br". Amália. Pra nós. Isolado. E não há só duas companhias vendendo nomes em domínios alternativos. Numa rede com mais de um root server. supõe-se. às vezes em vários países diferentes. Tal rede.com e New. aqui.xxx".xxx. os EUA (ou a China) tirariam Afeganistão (ou Taiwan) dos seus root servers e somente eles.xxx no seu browser. a receita é fácil e qualquer um pode entrar no 158 . supostamente. eficaz e eficiente na prática. em última análise. por exemplo) pode ser registrado nas duas companhias. a ICANN administra o "root server" a mando do DoC) resolverem tirar algum país da tabela de roteamento lá do servidor "central" e "único" da rede inteira. se factível. apagadinho da silva. o que pode levar a uma zorra total na rede. O problema é que o mesmo nome (se. Este não é um problema teórico ou político. P. ameaçando sua estabilidade e pondo em risco a economia que hoje está associada à Internet. um servidor que é a raiz da rede (o "root server"). Uma -mas não a única. se teclar se. ao invés de ser parecida com uma árvore. passando por um bando de intermediários. de tal forma que nele está pendurado o servidor responsável pelo ". poderia ter conseqüências políticas muito interessantes. mas nunca houve um experimento real. simplesmente. Uma grande interrogação técnica é: será que a rede não funcionaria. Através de um conjunto de mudanças de roteamento. dependerá dos acordos feitos pelos respectivos "provedores de nomes" com o seu provedor de acesso. chegar em outro. para sites relacionados a sexo. um grupo de companhias está começando a registrar nomes de domínio que não estão "autorizados" pela ICANN. feito por grupos independentes e auditado por quem tivesse interesse. sem um registro central (ou de alguma forma coordenado) para entender tal domínio e resolver seu endereço de forma inequívoca. nem são entendidos pelos sistemas de roteamento existentes (normalmente) nas nossas empresas e provedores de acesso. que será usado. Duas delas (DomainNameSystems. com mais de um root server? Uns dizem que sim. se os EUA (lembre-se. saindo de um ponto A qualquer. a rede ficaria incoerente pois. pareceria mais com uma floresta de árvores coordenadas.

Mais nossa. mostrando porque isso desestabilizaria a rede -se não acharmos um jeito de fazê-lo com segurança. Mas a ICANN. acusam os que se sentem prejudicados. Qualquer provedor brasileiro poderia criar os domínios que quisesse e só seus usuários teriam acesso aos mesmos. Chega de imperialismo. oferecer serviços. muito menos quem usa a rede para fazer negócios. mais distribuída. 159 ."negócio". Claro que pouca gente quer que isso aconteça. Do mundo todo. está enfiando a cabeça no buraco. achando que a tempestade de areia vai passar. menos americana. interagir com o mundo. A ICANN não parece querer enfrentar o desafio e caberá aos grupos e países que se sentem competentes e querem definir política da rede testar os limites da rede: uma árvore ou uma floresta? Precisamos enfrentar o problema seriamente e promover um conjunto de experimentos independentes que comprovem (ou não) a tese dos múltiplos servidores raiz. mais democrática. eles e quem mais mudasse os parâmetros de roteamento dos seus micros para ver este "novo" sistema de nomes de domínio.ou abrindo caminho para uma nova rede. como fazem os avestruzes.

Algumas das manchetes que passaram pela minha tela. os nossos limites de envolvimento com a realidade e nossa capacidade de entendê-la vão chegando perto dos limites superiores das possibilidades humanas. reconstruindo internamente. sei lá quanto tempo mais. talvez eu tivesse que ter me envolvido em buscas. juntamente com dezenas de outros que chamam minha atenção diariamente. captura e processamento implícito excede 11 megabits por segundo. para cada tema. Isso só pra saber o que era.Jun. me foi mandado por alguém em quem confio tanto do ponto de vista técnico como pessoal: todos são pessoas (alguns são instituições) da minha "rede" de agentes. como Office XP vai facilitar a vida dos hackers. permite multimídia interativa de alta qualidade. foram: 750 bilhões de dólares é o que se perde pela ineficiência dos mecanismos clássicos de publicação usados na rede. de email a webviews. a cada segundo ou fração tão pequena quanto necessária para ter uma imagem contínua do Universo. o que normalmente significa transformar dados e informação e criar conhecimento. baseados normalmente na utilidade anterior de tal agente. onde habitam N agentes cada um de nós é um deles. de 95 pra cá. pra formar uma posição e ter argumentos para debatê-la. o fluxo de informação que lhe chega. leituras e seminários que poderiam durar. e gastamos tempo (atenção. um dia qualquer. lançado no Japão.Caos e Progresso [ 01. recurso muito escasso para quem participa de grandes redes) para entender a informação que nos foi enviada. a partir de uma experiência dos ataques a GRC. quase 80% das empresas americanas vigia o que seus empregados fazem na web. e por aí vai. somos levados a acreditar na sua sugestão. 160 . vários dias. Linux não consegue fazer sucesso em desktops porque está tentando imitar Windows para tal fim. em qualquer área que lhe interessa. Observe. Para entender qualquer um deste temas e participar de uma discussão sobre eles.2001 ] Qualquer entidade que quisesse entender o mundo em seus mínimos detalhes talvez tivesse que absorver toda a informação existente. Quando algum dos N agentes em que confiamos nos sugere alguma coisa. RIAA vai processar Aimster. E esta seria a parte fácil do problema. como foi que se chegou a 98% das escolas públicas americanas on-line. o mundo "lá fora". À medida em que nos conectamos cada vez mais e passamos a fazer parte de um mundo cada vez mais amplo. Cada um destes itens. com base na informação adquirida. nas últimas horas. pois o difícil seria dar a tudo um significado. celular 3G.com. capacidade humana de captura e processamento explícito de dados é 77 bits por segundo.com. Cada um de nós tem uma tal rede.

Quase caoticamente. informação 161 . e mais rápido. Faça as contas: numa rede de duas pessoas. um número muito maior que o quadrado de N.. pois pode haver duas redes de mesmo tamanho. Isso é quase a garantia teórica de que. Nosso tempo e atenção são consumidos na razão direta do número de redes em que participamos e com quantos agentes nos relacionamos em cada uma. menos tempo temos. dizendo que em algum lugar havia uma liquidação de seilá-o-que com um desconto de não lembro quantos por cento". pelo receptor. Esta é a Lei de Reed: o valor de uma rede de N agentes é dois elevado a N. O que é uma pena. por mais que ensine. há uma ligação de uma para o outro (e vice-versa) e cada um tem um canal reflexivo (a comunicação consigo mesmo). outros cinco pra ouvir. Meta-frases. O que significa. como conseqüência. no mínimo.. Uma das leis básicas que rege o comportamento de redes de conhecimento. viveríamos de drops de informação. No limite. uma parte dos quais seria do tipo "não sei onde. em trincas. que passou a ser o fator determinante e fundamental do desenvolvimento. como se fosse (e é) trabalho. em pares (da ordem de N ao quadrado redes de dois agentes).. Ou: por mais que o professor saiba. dedica dez por cento de seu tempo para qualquer relacionamento. Para o que dificilmente teremos tempo.. o aprendizado por parte do aluno. claro. Muito pouca gente. se levarmos em conta que não participamos apenas de uma rede. Nove canais. pois muitos deles talvez merecessem vinte. Por isso talvez se possa dizer que conhecimento é intransmissível: o exercício de recriá-lo tem que ser realizado. exercer algum controle sobre nossas redes (de relacionamento). com os mesmos agentes. trinta ou mais. portanto. de fato. grande. temos que levar a apreensão do conhecimento a sério. quanto mais participamos. sem as constantes que poderiam torná-las.a partir do conhecimento que já dominamos e dentro de um determinado contexto onde estamos aprendendo. Num universo de N agentes. cinco para falar pra lá. Uma rede de dez agentes seria suficiente para exaurir todo o tempo que temos. isso não gera. (somos N redes de um agente). também. A sociedade. Redes de três: cada um fala com (e ouve) outros dois. quatro canais. principalmente se N for grande. Resultado. se todas as pessoas se relacionam entre si através de canais de comunicação (K). existimos isoladamente. é do conhecimento. Se é assim. criada por Metcalfe. dizem. até a rede. além de si mesmo. Mas temos que aprender. vi não sei o que. Agora imagine que gastamos 10% do nosso tempo com cada um dos nossos relacionamentos. diz que o valor de uma rede de N agentes é da ordem de N elevado ao quadrado. mas com padrões de comunicação diferentes. de N agentes. e mais superficial é nosso conhecimento. estruturas sintáticas repletas de variáveis. E a história não acaba aí.

de qualquer atividade intelectual.. mas como a estrutura permanente das coisas. estendo eu. mas sabendo que está lá e tomando as precauções para evitar aquele passo a mais que a jogaria no. ou tem filtros que isolam conhecimento essencial em bolsões inatingíveis. Um caos onde há progresso. além de estabelecer todos os canais necessários. na forma da recomendação de TaylorKaufmann: se cada cenário de trabalho (ou qualquer outra coisa) é uma rede NK. com a gente perdendo de 1 a 0. de incompetência pura e simples. há quinhentos anos.propriamente dita.. morto há pelo menos vinte. Por que? Porque os custos de coordenação aumentam. terá que chegar no estágio de desenvolvimento de conhecimento do resto do time. chamadas de co-evolucionárias.. algo que outras partes de sua rede sabem há. Estas organizações. Algo parecido com um jogador de beisebol substituir o centro avante aos 40 do segundo tempo. sempre.. aqui no lado escuro da terra. Não se trata. imagine. ou não tem mobilidade. Tem saída? Tem. como muitos querem. amplifica soluções para os grandes e que pode evoluir com o problema que está tentando resolver. talvez tanto quanto N. Como teoria. é melhor jogar com dez. se for grande. vez por outra. de extreme programming e. Isso garante um ambiente que resolve localmente os pequenos problemas. está atrasado uns cem anos.. uma sociedade auto-organizada à beira do desastre. não necessariamente fixo (um mesmo K pode representar conexões diferentes) e tendo a possibilidade de. E funciona. pelo menos. 162 . muito menos de irresponsabilidade. No caso de desenvolvimento de software (ou. Só vai aumentar o desastre. muito menor do que N. a conectividade é muito baixa. pois cada um dos participantes do projeto terá que adicionar e administrar um canal de comunicação a mais e o novato. falta de um modelo organizacional que possa tratar o quase-caos que é o dia-a-dia e o planejamento e administração de um país não como uma conjuntura peculiar. faça com que K seja. dez anos. são o tipo de ambiente por trás de desenvolvimento (bem feito) de software aberto. apagão. dos mecanismos da lei comum inglesa. como slogan. excluindo os que sabem de coisas críticas para o país ou. se tornar muito grande. pelo menos. Ou a rede da presidência é pequena. Usadas na prática. digamos.. através da interpretação e estabelecimento de precedentes. O país bem que poderia pensar em "open government" como um método: a comunidade tem muitos exemplos para dar. convenhamos. poderiam ter evitado a presidência sendo pega "de surpresa" pela falta de luz. incluindo geração de conhecimento) o efeito é chamado Lei de Brooks: adicionar mais gente a um projeto atrasado irá atrasá-lo ainda mais. Ordem e Progresso.

na rede. e apagão. Cada lista é sobre tudo. com todo tipo de gente sobre todos os tipos de coisas. Ziraldos falsos nas listas de economia. E cadê que os filtros do email dão conta de manter um K tão pequeno quanto se queira? 163 . correntes nas listas de Linux. ACM na lista de design. CPIs e tudo o mais em quase todo lugar.E eu queria mesmo era aplicar isso à conversa que temos todos os dias.

lineage. tentando conseguir armas. tendo descoberto bugs no software. mágicos. entrar no sistema. onde o malvado Rei Rauhel anda fazendo e acontecendo. dormem que nem São João durante a aula. adolescente e muitos. programadores da NCsoft. Lineage é um RPG (role playing game) que se passa em um ambiente feudal. semanas ou meses para se assenhorear das capacidades e bens. que os tornam fortes. ricos e especiais. Quase todo dia. talvez sonhando com os desenhos de Ilsook Shin. até dentro dela. eu diria. "por fora". fisicamente mais poderoso. E o fazem por horas a fio. onde se pergunta. arte de um desafeto de carne e osso.. guerreiros. Ficção. com ofertas de até dez mil dólares.co.com (em inglês). exatamente da forma esperada. logo no título. certas horas. Jogadores menos leais já tentaram subornar. bastante reais e às vezes dolorosas. no dia seguinte.2001 ] Um único site coreano tem dois milhões de clientes. equivalente a quatro por cento da população de lá.lineage. poder e outras facilidades.kr (em coreano) ou www. no mundo virtual. A maioria destes senhores do mundo virtual é estudante. na Coréia principalmente. O jogo está em www. o "site" do qual estamos falando. para criar história. e virou reportagem na revista TIME. especialmente aos olhos dos outros jogadores. clãs e monstros. Acontece que o jogo escapuliu da rede em todos os sentidos. Como se fosse pouco. se a conseqüência fosse apenas a vermelhidão do boletim do pequeno Paek. na verdade para jogar Lineage. nos que os derrotaram. onde a fantasia acaba. ao contrário. A NCsoft tem sua sede permanentemente protegida por seguranças realmente da pesada e os servidores coreanos estão atrás de portas de aço. uma passeata virtual reuniu milhares de usuários que se sentiam lesados por outros que. onde os jogadores podem gastar dias. [ 08. apenas jogando. criador do país de Aden. onde pagam mais um dólar por hora para usar a rede. das suas casas ou de cyber-cafés.. o concreto e o abstrato estão se misturando. empresa que faz o jogo. No caso de Lineage. a vida e o jogo. O que seria brincadeira de criança. príncipes e princesas. há indícios de que não acaba. coalhado de castelos.Jun. Fantasia.Realidade. Um dia destes. que pagam três dólares e meio por mês (faça as contas) para usar o serviço. há indícios de que 164 . mais de cem mil pessoas estão usando o sistema simultaneamente. fizeram uso dos mesmos para obter armas dificílimas de se conseguir "de verdade". jogando no lixo semanas de trabalho: um vitorioso on-line teve sua cabeça enfiada numa privada. Noutros incidentes. jogadores cujos avatares foram mortos por adversários têm se juntado em bandos para dar lições. Grupos inteiros se reúnem nos cafés para entrar na rede. depois de passar a noite guerreando.

informação e conhecimento a ela associados. da recriação da própria realidade. a guerra verbal tem criado situações que podem descambar para a violência real. pela via da captura e manipulação dos dados. normal. é bom lembrar. alguém apanha off-line porque bateu online. ou ainda mágico o suficiente para resolver sua vida (real). Hoje. até que. mas gato escaldado. mais justo (ou não. um mundo de símbolos e de ferramentas para tratá-los. de lutar pela segurança de um castelo. valorizada pelos relacionamentos.a máfia pode ter assumido o controle de alguns dos castelos mais importantes e talvez esteja vendendo propriedades e proteção. A Máfia entra no jogo. tem todos os componentes do mundo dos poderosos da vida real. presidente. Um dos artigos que vi. pois a comunidade coreana nos EUA tem um milhão e meio de pessoas. o que está em jogo. na vida real. estamos no terreno das idéias. foram os deuses subornados? Em suma. (re)criando todas as possibilidades de conflito que temos no mundo físico. como acontece em alguns casos na Coréia. afinal? Lineage. eram menores. muitos não se contentam em apenas dirigir seu táxi. Que podem habilitar um ambiente onde cada um começa a ser capaz de criar seu próprio mundo. dependendo do jogador. pastar em salas de aula ou trabalhar de contador em algum lugar. Uma espécie de esquizofrenia consentida. Para o cidadão comum.. talvez sem os problemas da "outra" vida.. objetos que iam mais longe. banal. era sobre racismo no jogo. as razões para jogar e se viciar são muito simples: dada a oportunidade de salvar uma dama. recentemente. liberada. subornando os programadores. Pois a vida real não é nem um pouco emocionante para a vasta maioria das pessoas. quando o problema era quem fabricava mais rápido.. de preferência matando um dragão. onde podemos levar duas (ou mais) vidas em paralelo.. maior e mais barato. o mundo passou pela fase de plantar.. Além do mais. a 165 . que (acha que) não vai ser rei. e não se trata de americanos na América se desentendendo com coreanos na Coréia. Lineage está se espalhando pelo mundo.. dominado. A temperatura ainda não chegou em nada parecido com destruição de lojas de coreanos nos distúrbios de Los Angeles em 92. entendida pelos companheiros. Em jogos como Lineage. dos símbolos. digamos assim. aqui fora. os deuses que programam as raízes do novo mundo. ministro ou milionário. real. em particular sobre as fricções entre americanos e coreanos no servidor baseado nos Estados Unidos. ou talvez até derrubar o governo e começar um novo mundo. uma delas passa a interferir diretamente na outra.. Depois veio a fase das coisas.). agora dentro do ciberespaço e recebendo em moeda sonante. Em certas situações. tenta-se comprar vantagens indo à fonte do poder real. algo que hoje está..

um grande guerreiro.. uma das discussões mais interessantes da colisão entre os mundos abstratos e o concreto: não há nenhuma lei no mundo concreto. além de eficiente. Ou até que um hacker os separe. Alianças. também. pois capaz de tratar mais de cem mil usuários ao mesmo tempo. a natureza humana. A vida é um jogo. intrigas. talvez explorando os que têm menos e cortando caminho através da teia ética e moral da sociedade. um grupo tem algo que outros querem. normalmente quer ainda mais. na vida. conquistas. brilhante. na vida. mortes. derrotas. e não mais um pau-mandado. inclusive porque Lineage existe e o Metaverse (ainda) não. um senhor feudal. Mas já é mais real do que muita realidade virtual. em qualquer sociedade.vida real.. determinante do comportamento dos avatares e seu ambiente. destruindo (ou construindo?) a rede que realmente interessa. se torna sempre muito simples. só que o motoboy é. em muito. A implementação da NCsoft parece. E a NCsoft já pode estar antecipando. Pelo que eu vi. se transfere para qualquer espaço onde estejam os humanos e o jogo. No jogo. tudo leva de volta à vida real. para sempre. mas muito mesmo. 166 . dir-me-ia um tio que perdeu no jogo tudo o que havia ganho.. Em Metaversa ou Lineage. não chega nem perto de Metaverse (implementado por hackers) descrito por Neal Stephenson em seu excelente Snow Crash: falta muito. agora. pois não há instituição ubíqüa o suficiente para fazer com que ela seja cumprida. as leis são ubíqüas: cada universo abstrato e seus habitantes são regidos por código objeto. traições... no fundo. mas não só não vai ceder..

Um serviço.Jun. fixo e nada programável. este meio centenário de comunicação. Ainda é físico. numa operadora móvel. transfere direto para meu celular. é dados (digitais) sobre voz (analógica).. além de muito pouco maleável. das grandes companhias.. Os usuários são o mercado. nada muito longe do que Bell mostrou a Pedro. quando as teles deveriam ser serviços a serem integrados para nos prestar o serviço que queremos. apesar da maioria das centrais telefônicas já ser digital. para a maioria dos usuários. Uma das razões porque isso não é possível é que a tecnologia ainda é muito primária para tal. os telefones e as regras do jogo ainda não são. Um destes serviços é comunicação digital de alta velocidade e qualidade em casa. claro. quando saio do Recife: alguém liga pro meu número (081. ágil. numa tele) e cai em 011. dada minha identidade e senha. nos vender o contrário. muita gente está 167 . E vão ter os serviços que querem e pelos quais podem pagar. portanto. por micro-empresas de comunicação que fornecem ligações de alta velocidade a prédios de apartamento e empresas. que espera ligações nas nossas salas e escritórios. e se eu não estiver lá. no entanto. que teve nosso Imperador Pedro II como um dos primeiros entusiastas o próprio Bell fez uma demonstração para Sua Alteza Real em 25 de junho de 1876! Donde o leitor pode -mais ou menosconcluir que a tecnologia básica de comunicação que usa para entrar na rede tem 125 anos de uso e aperfeiçoamento. usando um certo tipo de rádio digital para o qual não é necessária uma licença de operação (que seria fornecida pela ANATEL). são os criadores da disputa. um dos maiores contra-sensos do "grande capitalismo" é que seus processos de decisão são os mesmos do "grande comunismo". quase estalinista... apesar de todos os esforços das teles para nos convencer do contrário e. os usuários vencerão. entre outras alternativas. Não há um telefone que me acompanhe ao quarto do hotel em São Paulo.2001 ] A maioria das casas está conectada à Internet por linha telefônica. O que já é parcialmente realizado. capaz de formar redes muito rapidamente e sem o planejamento centralizado. Deixando isso pra lá. como vêm vencendo desde que o mundo é mundo. A outra é que os usuários são tratados como mercados a explorar. noutra.I2: Internet insegura [ 15. O telefone de hoje. pois empresas e órgãos reguladores falam de "serviços multimídia" como se eles fossem um dos sete grandes mistérios do mundo moderno. na prática. o fato é que. Aliás. são os pagadores de conta. E a minha agenda de números estaria disponível em todos. é um aparelho rudimentar.. Mais cedo ou mais tarde. por uma multitude de serviços. desregulamentado. A rede.

O governo americano acha que roubo de identidade é o crime do novo milênio. todos os textos e trabalhos de todos os tipos que deixamos armazenados no winchester. E a forma do nosso contato com as teles é via ligação telefônica. desligamos. E é atrás de nossa identidade digital. como se não bastasse. Mesmo no computador. a máquina pode ser facilmente localizada e. o número IP é fixo.pois somos um alvo móvel e pirilâmpico: ligamos e desligamos o tempo todo.O que não ocorre quando nossas máquinas estão na rede o tempo todo: aí. desligamos. atendemos. como a maioria dos usuários não faz a menor idéia do que está acontecendo nas entranhas dos seus micros. na rede. difícil de invadir. Os bens digitais armazenados nos nossos computadores são dos mais variados e valiosos tipos.começando a se ligar na rede sem usar telefone ou linhas telefônicas. e de cometer crimes bastante reais. esperando cair na rede de piratas de todos os tipos. variável. As páginas que visitamos nos últimos 90 dias. a informação disponível. o resultado é um grande cardume de presas fáceis. nos conectamos. de realizar ações em nosso nome. levará muitos a crer que fomos nós mesmos. computador seguro. sem mencionar o nome de nenhum deles. os ladrões de identidade. que só eu. outra é a nossa história digital pessoal. toca. E temos uma identificação temporal. honestidade e a de vários dos seus parentes mais próximos. Qual a primeira coisa que você faria? Muitos iriam me perguntar o 168 . as mensagens que enviamos e recebemos nos últimos seis meses. navegamos. de nossa vida virtual. tinha e o texto da minha mensagem contém referências muito pouco elogiosas ao seu caráter. Como qualquer um sabe. e. por não ter a menor vocação para administração de sistemas computacionais. é aquele que está desligado. escorado em fatos como roubo de identidade estar na base de mais de 95% das prisões decorrentes de crimes fiscais. prescindindo das teles em qualquer de suas formas. e uma grande parte das duas é a nossa identidade. falamos. A ligação discada é um alvo difícil para quem quer fazer algo contra nossos micros -e nossos bens digitais dentro dos mesmos. desligamos. intermitente: ligamos. Imagine-se recebendo uma resposta "minha". a resposta inclui a cópia da sua mensagem. Até prova em contrário. capazes de usá-la para tentar enganar nossas relações com supostas mensagens nossas. nosso caderno de endereços de email. supostamente. que nossos micros estão sendo permanentemente varridos e invadidos por todos os tipos de inimigos. incluindo nossa identidade e senha em tais estabelecimentos. a uma mensagem que você me mandou. Parte disso é a nossa história pessoal digital. falamos. registrada nos acontecimentos. o modem disca. Desde os mais inofensivos (apesar dos danos aparentes) vírus de email até os mais ferinos. cópias (talvez) de todas as transações com bancos e lojas que realizamos.

por redes abertas como a Internet. mas não é que invadiram o site do plano? Por muito. integridade e confidencialidade da informação armazenada ou transmitida e dos serviços relacionados. O Rapaz. responder em termos equivalentes. permite que quase qualquer um ponha o sistema. falta de flexibilidade e comprometimento do ciclo evolutivo das comunicações humanas. e não é algo menor. exatamente uma invasão de domicílio na forma da lei. ia partir para a violência física e eu iria receber de volta. o resultado do email. Um ou outro. pelo menos dentro das fronteiras dos países membros. ainda outros iriam aumentar a temperatura do palavreado e acho que uns não iam nem responder nem falar comigo nunca mais (por causa de uma mensagem que eu nem sabia que tinha saído do meu micro!). Isso anda acontecendo.que andava acontecendo com meu micro. A invasão de um micro não é. O desafio. simplesmente. o que está levando à discussão. talvez? Ou. causado. oferecidos por ou tornados disponíveis através de tais sistemas ou redes de informação. de alternativas políticas. em foros vários. entendida como a capacidade de uma rede plano inicial está aqui. mas muito tempo ainda. integridade e confidencialidade não impliquem em supressão de liberdade. autenticidade. concretamente. dentro de um certo grau de confiança. à beira do caos. talvez. que polícia resolveria os milhares de ataques mensais a sites de empresas? É isso que a Europa quer tentar organizar. não é invadir. quem irá dar conta dos milhões de incidentes do tipo que acontecem por mês. a eventos acidentais ou atos maliciosos capazes de comprometer a disponibilidade. pois sua "desorganização". pois isso é quase trivial e não qualifica ninguém mais para os cinco minutos de fama que todos querem. legais e operacionais para tentar combater o fenômeno. pois as estatísticas dão conta de cerca de 10% dos usuários da rede sendo afetados por vírus e invasões. de fato. hoje. ou sistema de informação de resistir. para os invasores. ou partes relevantes dele. excesso de formalismo. autenticidade. Mesmo que seja caracterizada como tal. a rede vai ser assim. se considerarmos apenas os problemas de grande porte. mas tratar dos fundamentos de segurança de redes e informação. 169 . ao contrário da organização centralizada dos sistemas telefônicos clássicos. A idéia não é começar a prender invasores. outros. O grande problema é como reorganizar a rede para que disponibilidade.

não adianta acompanhar o dia-adia. também é tema acadêmico. por qualquer razão. dedicando uma hora a cada uma e tendo 20 segundos de TV para botar o resultado no ar. que não está nem aí para a coerência das coisas: um tal de El Niño garante que vai chover em outubro. não têm outro efeito que não saciar a curiosidade imediata dos inocentes ouvintes e telespectadores que continuam. na verdade. a verdade sempre aparece.Sociedade da Desinformação [ 22. em outubro. tão inocentes quanto.2001 ] Em se tratando de notícia. Seria algo como. da University of Florida. aliados ao tempo que dispõem para investigar os fatos.. é um milagre que o espectador não acabe achando que. Informação tem que ser devidamente processada e absorvida para se transformar em conhecimento e sabedoria. extemporâneos e fora de qualquer contexto que ligue o ouvinte às causas e conseqüências do noticiário. mais tarde. com a cotação do dólar espremida entre o plano Cavallo 2 e a conseqüência de um possível El Niño nas chuvas da região sudeste. e haverá cavalos à venda por dois dólares. Conhecimento e sabedoria não são conseqüência direta de maior acesso à informação. após a tempestade de notícias. O que talvez até abra espaço para um outro tipo de jornalismo. Resultado. sem o que só serve para preencher tempo e aumentar nossa ineficiência pessoal. é que os ditos cujos. que não valerão nada por causa das chuvas.. explicando o 170 . assumindo que um mesmo time faça as três matérias do parágrafo acima. C. parece que quanto mais você ouve ou vê. um amigo meu só lê as revistas semanais quando vai ao dentista. na cabeça do ouvinte. Qualquer um que já tenha sido alvo do noticiário. Por isso. É melhor esperar as coisas se aclararem pois. os cavalos de El Niño estarão sendo alimentados com notas de dois dólares. Para o Prof. somado ao espaço para divulgação de suas conclusões. depois de resolvida uma situação. E o fenômeno. publicar-se um relatório. no mais das vezes sumários. nem tanto histórico.. menos você sabe. que já era entendido há tempos. John Sommerville. A maior parte do noticiário está divorciado da realidade a ponto de nenhuma conciliação ser possível. uma vez por ano.Jun. nem imediato. competência e idoneidade dos jornalistas envolvidos. sabe que a relação entre a notícia e o fato é diretamente proporcional ao conhecimento. primeiro. o que não simplifica muito as coisas. o efeito do bombardeio de dados e fatos. Um resultado esperado da irrelevância quase total do noticiário do dia-a-dia parece ser um número cada vez maior de pessoas descobrindo que. Disso. Ora.. você já sabia. principalmente de TV. ainda mais quando a maior parte dela está condensada em pacotes de 15 a 30 segundos.

mas porque talvez esclareça fatos. Na matemática. À medida que o tempo passa (4/4/2000) os médicos iam ser acusados de assassinato (por matar pessoas para retirar seus órgãos para doação) e. com graves acusações sobre comércio de órgãos em um hospital. talvez. que espalha efeitos colaterais por todo lado.. há quase uma notícia por dia. Taí um plano pra quem quiser começar um novo negócio de informação. discutindo os mesmos comerciais. na maioria das vezes. fica o dito pelo não dito. outro resultado do info-bombardeio é a (re)descoberta. Além da desinformação. A coisa começa em julho de 99. entrou pela perna de pinto. Mas indivíduos têm capacidades limitadas de investigação e recursos. Pode até não ser verdade. quatro. por mais incrível que pareça. os porquês e os atores e coadjuvantes. finalmente (5/10/2000) a polícia e procuradoria anunciam que não há evidências suficientes para processar ninguém. atraem mais de 50% da audiência americana. em relação ao estado de coisas da sociedade. Daí pra frente. e muitos se sentem excluídos se não estiverem participando do "mesmo" ambiente de informação. saiu pela perna de pato. no tempo. estes sim. e porque às vezes só vale a pena ler o final (ou nada!). Não tenho os dados do Brasil. vendo as mesmas velhas piadas. de meios alternativos de elicitação de conhecimento sobre o mundo.tema do começo ao fim. um dos resultados desta série de histórias da Tailândia deve ter sido a elaboração da lenda urbana brasileira sobre o sujeito que foi dormir e acordou numa banheira de gelo.. carreiras e. Pode ser a conversa no bar da esquina. pode servir de referência para o mundo. destruindo vidas. precisemos de "grande mídia" de alta 171 . Mas não é bem assim. muito mais interessante do que o fato. A "grande" mídia tem o efeito de sincronizar as pessoas. seu rei mandou dizer. na verdade. sem os rins. a coisa toda é um procedimento. incluindo os quês. sugiro uma leitura dinâmica das manchetes do Bangkok Post sobre transplantes de órgãos na Tailândia. O que significa que. isto seria a função identidade: o resultado foi o mesmo que o argumento. Aliás. é a Internet.. no dia 20. onde um simples mortal. dentro de suas circunstâncias e contextos. ou pro conseqüência dela. Não porque quer vender notícias. E haveria audiência para os simples mortais? Todos os dados mostram que o tráfego da Internet se concentra em uns poucos sites. O assunto desaparece do noticiário. mas a gente se diverte muito mais! O exemplo canônico de ambiente alternativo para informação.. de posse de sua linha telefônica e de uma conta num provedor de acesso. claro. "sabendo" as mesmas coisas. por um número cada vez maior de espectadores e ouvintes. dando conta dos detalhes e desdobramentos do "escândalo". Ou no cabeleireiro: a versão (fora da mídia) é. causas e conseqüências. mas não deve ser muito diferente. Pra quem quiser ver o que acontece com uma história. ainda mais limitados.

. porque não damos atenção suficiente aos temas que precisam dela. outros odeiam. seu livro não é uma unanimidade entre os leitores. está tudo lá. a web é sempre usada para dar um amplo contexto à notícia e as chances são de que o site não somente explica o fato mas dirige o leitor para muito conteúdo relevante na web. {Tanto assim que.. Coisa que pouca gente há de. até porque ele não se aprofundou o suficiente na explicação de porque as coisas são do jeito que são. Mas se quiser. no Bangkok Post. onde. o conjunto de manchetes e recursos multimídia associados à mesma é tão impressionante que quem quiser realmente entender o processo como um todo poderá gastar horas no site. além de conteúdo sério.. uns amam. que chegou até aqui. o site do jornal serve de testemunha póstuma da irrelevância de parte de seu noticiário. contexto e análise das causas e conseqüências de um ocorrido. o as notícias dos “transplantes” desapareceram do Bangkok Post}. 172 ... aliado a uma grande parcela de idoneidade. considere o quase "site" da BBC sobre o desastre de trem de Ladbroke Grove. e quão diferentes poderiam ser.. No noticiário da BBC. No outro extremo. até quando não pretende ser. quão vago é o noticiário. Voltando ao nosso professor Sommerville. Para ver como se faz bem feito. hoje. ao falar da "última notícia" (de 19/06/2001. situar este artigo no contexto geral das notícias e no seu... analisar o que seus links dizem e se os links não deveriam ser outros. daqui a 48 horas você só terá uma vaga idéia do assunto que o texto tratava. o relatório do inquérito sobre o acidente). A BBC e o Post estão na Internet: mas a rede faz diferença só para os ingleses. Porque não é preciso ser pequeno para fazer um trabalho que tem. comprovando que ele é vago mesmo. Mas uma coisa é certa: se você. não parar para refletir sobre o que leu.qualidade. pessoal.

porque a gente tinha que ter as mesmas restrições? Seria por causa de uma nefasta mania nacional de só imitar o que os outros fazem de ruim? Órgãos reguladores como a Oftel (a Anatel inglesa. Não há. o que tornaria a rede. a Internet. mas de telecomunicações. por demanda dos consumidores e como parte de um processo de aumento de competição para oferta de melhores e mais baratos serviços de telecomunicações aos usuários. especialmente quando a gente está quase de férias. Na terra de Elizabeth II. {hoje OfCom}) até que interferem na parte de telecomunicações acessória à Internet. a gente faz de conta que não vê.2001 ] Não há semana sem surpresa.. obviamente. ouvindo Dedé de Santa Cruz dedilhar aquela sanfona Scandalli Super VI preta. são do Superintendente de Serviços Públicos da Anatel. com foto do entrevistado e tudo! Aí o jeito é ir até lá e ler.Jun. e sua declaração estarrecedora. Algumas vezes. de regulamentar a rede]". e acho que deveria ter ficado mesmo era na Fazenda Primavera. que haja um modelo europeu de Internet. num assunto sob a alçada da Anatel! Vixe Maria! O Superintendente tá c'a gota serena! E ainda adiciona que este seria um "modelo europeu" para a rede e arremata: "Eu acho. e essa é a minha opinião pessoal. pessoalmente. Quem sabe é verdade. tratando-a como serviço de telecomunicações. de 120 baixos... A entrevista e foto. na Computerworld. tarifas e supervisão. por exemplo.. o som do sertão ainda ecoando no agreste. Na Europa. é que a Internet não é um serviço de valor adicionado. Diminuindo o monopólio virtual da British Telecom. foi criado pela Oftel um tipo especial de chamada telefônica para acesso à rede. lascou. Eu. Coisa boa. ainda mais destas que ninguém armou com a intenção de detonar alguém ou algum grupo. além de cada país ter suas peculiaridades. licitações. Edmundo Matarazzo. mas aí vem um amigo e diz que a notícia está num site sério e competente. verdade daquelas antigas. no caso.Regulamentando. Aí.. não? 173 .. por conseguinte. seriam necessárias. primeiro. em Caruaru. concessões. licenças. as decisões vêm de aspectos do uso de telecomunicações ligados à rede ou do uso de serviços e sistemas baseados na Internet no provimento de serviços de telecomunicações.BR? [ 29. não entendi nada. a Internet é um serviço de valor adicionado como outro qualquer. E mesmo que a internet fosse regulamentada na Europa. não quer acreditar. E quando a surpresa é ruim. para o que têm mandato e direito. neste caso. Mas vamos voltar à realidade e supor. que não escapamos disto [ou seja.

individual: afinal. e publicamente. onde temos oportunidade de dizer o que queremos. Um exemplo é o edital de universalização de acesso à Internet. Mas muitas observações e/ou reclamações de usuários. de questionar qualquer proposta. hoje. elas têm apostas de bilhões no negócio. ou se estivesse anunciando uma consulta pública para ver o que o país acha de se regulamentar a Internet por aqui. também. Regulamentar a Internet não é coisa simples. não é analista ou office-boy e isso torna a coisa muito séria. fazem a diferença entre uma regulamentação sair de um jeito ou de outro. regulamentar. usos da rede que hoje. a Anatel trabalha. por exemplo. que foi assunto desta coluna nos dias nove. o protocolo da Internet hoje utilizado na maioria dos serviços de comunicação entre centrais de telefonia. Só para citar um problema. aparentemente.Até aí tudo bem. sempre foi extremamente clara e aberta ao tratar os temas de sua alçada. no meu. pode transmitir. Ainda mais porque. Está sendo revisto pela Agência e espera-se que seja novamente submetido ao crivo público antes de ser transformado em ação de governo. há operadores de telecomunicação defendendo. em conjunto. Afinal. que qualquer um. talvez? Os operadores de "apart-nets" precisariam de licença para operar? Por que? Iria a agência querer. Dá pra entender. no nosso entendimento. além do acesso. sobre algo parecido. para nós. diria meu amigo. na verdade. que IP. Até posso entender que o lobby das grandes empresas ganhe mais atenção do que uma opinião minha. no site da Agência. é a entrevista do Superintendente. Mas. iria necessitar de concessão? Não acredito. Ou a intromissão da agência em serviços de dados operados sobre freqüências de rádio fora do espectro regulamentado. em qualquer análise. dezesseis e vinte e três de março deste ano: submetido a consulta pública e. está fora dos limites da administração da Anatel e que eles podem fazer o que 174 . Pode até haver uma distância entre o que ele falou e o que a Anatel talvez venha a discutir ou fazer. diga-se de passagem. consumidores. como rádio e TV? Áudio e vídeo na rede. ainda não foi lançado. estão sob sua responsabilidade. até onde eu sei. qualquer decisão passa por uma consulta pública. A Anatel. muito criticado pela comunidade de potenciais beneficiários e interessados. Isso porque o Superintendente já tem buruçus demais para administrar. no espectro aberto de telecomunicações. Como daria pra entender se o Superintendente estivesse falando. mas o homem é Superintendente de Serviços Públicos. de impacto pouco: significaria licitar concessões para operar serviços como provimento de acesso à rede. ninguém combinou nada disso com o Comitê Gestor da Internet/BR A agenda nacional de telecomunicações e Internet já é longa e complexa o suficiente para que a ela se adicione uma discussão que parece não só estéril mas fora do tempo e espaço.

e não sobre regulamentação da Internet.. uma campanha contra a regulamentação da rede. se a Anatel não se dedicar de corpo e alma a isso. que o Superintendente estava falando. seja pouco. de nossa parte. Até porque Pekka Tarjanne. O que é pura baboseira. o país todo irá sofrer. senão teremos que começar. na verdade. E ele talvez devesse vir a público dizer que foi isso mesmo.. A arenga é grande. ou telefonia. que foi o todo-poderoso Secretário Geral da União Internacional das Telecomunicações de 1989 a 1999. de atores poderosos e.. amanhã.. que está regulamentado) mas uso o protocolo IP (o tal da Internet) o que estou fazendo é. fornecer um serviço de valor adicionado.quiserem e bem entenderem usando o dito. Inclusive o seguinte: se eu lhe forneço um serviço de telecomunicações (como voz. e não um serviço regulamentado.. E digo mais: eu acho que era sobre este assunto. 175 . costumava dizer em seus discursos de despedida que a UIT ainda iria se transformar na União Internacional da Internet. pois o que foi licitado não foi a forma de fazer o serviço de telecomunicações mas o serviço em si. o que faz com que todo cuidado.. na verdade.

como o São João e São Pedro no Nordeste. o que já é responsabilidade dos motoristas. infelizmente. dores e tristezas. lhe admirava. Outros passageiros do carro. Não navegava na rede. atropelava-se nove pessoas por hora.Dedé de Santa Cruz [ 06. 176 . é certo. se origina na imprudência e na irresponsabilidade. O assassino estava de posse de uma caminhonete D20. morre um pedaço da comunidade que lhe ouvia. sexta passada. que é capaz de nos acostumarmos e passarmos a achar que é natural. horas depois da coluna ter ido ao ar. É quase inacreditável. Morre um artista. morre muito mais do que uma pessoa. sua mulher (e parceira) inclusive. morre algo de todos nós. sofreram ferimentos graves. Foi isso que matou Dedé. Em 1995. A morte de Dedé estragou a festa de muita gente que cantou. Parte à má conservação dos veículos. Dedé morreu na hora. Os dados sobre a violência no trânsito brasileiro são mais assustadores do que os da maioria das guerras. Temos visto isso tanto.. transformada em arma pesada nas mãos de um motorista bêbado. principalmente nos grandes feriados e festas nacionais. Dedé não soube que estava aqui e. que disparou em alta velocidade contra o Del Rey de Dedé. voltar à fazenda Primavera. quando desejei. suas paixões e amores. incluindo uma alta porcentagem de motoristas completamente bêbados. Dedé estava aqui e não sabia. a maior parte. fruto de muito trabalho. ao som do seu fole. que costurava com desprendimento e aparente falta de atenção ao que estava fazendo. O sanfoneiro de Santa Cruz do Capibaribe foi assassinado no dia de São Pedro.. xamegou. Parte disso se deve às más condições das estradas. Não é. transferia para ele (ou ela) sua expressão artística. não pode vir a ser. sob pena de retornarmos à barbárie. Mas quando morre um artista. recentemente. coisa que só os gênios conseguem com naturalidade. nunca vai saber. apenas. é natural. sorriu de alegria e chorou de tristeza. seu público morre um pouco. comentando a conversa de regulamentação da Internet veiculada por parte da administração superior da ANATEL. e todas são igualmente lamentáveis e tristes. como o nome mesmo já diz. antes do novo código. muitos de Seu Luís. que lhe assistia. Nenhuma morte acidental. para ouvir sua sanfona cortando o ar do agreste. no Brasil.2001 ] Dedé de Santa Cruz apareceu por tabela nesta coluna. de muito forró tocado pelo agreste afora. xaxados e baiões.Jul. só nos xotes. em Caruaru. Setenta e dois mortos por dia. às vezes de saudade. Atingido em cheio por mais de uma tonelada de aço em alta velocidade. das quais três morriam. E grande parte.

em 1995. para o Sistema Nacional de Estatísticas de Trânsito (SINET). Segundo Iara Lima. Para 177 .. o que significa 1. Mas é um começo. Mas certamente evitará que tantos outros tenham a mesma sorte. Ainda segundo Iara. Mas isso só é possível em estradas especialmente balizadas.) e informatizar a polícia e a justiça. Ou quando acharmos que dois mortos no trânsito. Em Pernambuco.2 mortos e 19. já bastava unificar as polícias (crime é crime. nem fará uma ultrapassagem perigosa (ou impossível): seu software. a D20 não vai poder atingir o Del Rey. porque não sairá da sua pista. Nada vai trazer Dedé de volta ao palco. sensores e atuadores estarão programados para conduzir com segurança. custos profissionais. hardware. o registro dos hospitais é um número certamente abaixo da realidade.. Acidente é coisa evitável . para perto de 20 mil em 1998. número de vítimas de acidentes de trânsito que não pode retornar ao trabalho.senão seria outra coisa e não acidente. um paciente "de trânsito" permanece. mobilização de policiamento e ambulâncias. por ano. Os laboratórios estão começando a produzir pilotos automáticos que podem -hojeconduzir carros na mais perfeita segurança. encargos trabalhistas e impacto no mercado de trabalho. ou em veículos largamente modificados. pois "vítima de trânsito". especialista em trânsito da Universidade de Brasília. dentro de limites inatingíveis pela maioria dos motoristas (mesmo sem beber). De acordo com o professor Davi Duarte. nós vamos tomar providências realmente sérias. O número de vítimas fatais de acidentes de trânsito caiu de cerca de 23 mil. dados da Associação Brasileira de Acidentes e Medicina de Tráfego (ABRAMET) confirmam que 75% dos acidentes de trânsito têm alguma relação com o consumo de álcool e os dados sobre mortos e feridos podem ser ainda mais dramáticos. o atendimento de emergência a vítimas de acidentes de trânsito custa ao Sistema Único de Saúde cerca R$4 bilhões por ano. a bem da segurança social. polícia só pra trânsito é terceiro mundo puro. em média.2 feridos para cada 10 mil habitantes. por 10 mil habitantes. Um dia. cifra que inclui gastos com hospitais. Coisa de louco. é muito. o "Custo Brasil" com os acidentes de trânsito pode chegar a R$20 bilhões por ano. seguro de saúde e automóvel. infelizmente. Quando o país decidir que não pode perder 100 mil trabalhadores por ano. por ano. é o indivíduo cujo óbito se deu no local do acidente ou quando do translado para o hospital. Desta forma. virou estatística. por ter sido incapacitada por acidente automobilístico. do Detran de Pernambuco.Dedé. Mas o número total de acidentados subiu de 310 para 331 mil. Hoje. depois da entrada em vigor do novo Código Nacional de Trânsito. sete dias internado e o custo semanal por vítima é de R$255. Mais dia menos dia os humanos vão ser proibidos de dirigir automóveis.

A alegria era tanta e o choque da notícia foi tamanho que tive que ligar para amigos para confirmar.. Mas sabia que não ouviria aquela sanfona nunca mais. condenando exemplarmente para criar exemplos e estabelecer precedentes. onde havia. num grande palco montado num dos locais mais bonitos da cidade. como Dedé nunca mais iria. que Dedé tava vivinho da silva. No dia de São Pedro.todos eles. Ali. entrei num táxi e fui pra casa. Era verdade mesmo. para ver Gilberto Gil cantando "São João Vivo". tentando sonhar que no outro dia seu Zezinho ia me ligar e dizer que era tudo mentira. forrozando em Caruaru. 178 . a polícia deveria estar lá pra ver porque aconteceu e como poderia ser evitado. a investigação deveria ser célere e a justiça expedita. querendo esquecer. e há muitos previstos no Código de Trânsito.. a gente dançando na rua. completamente bêbado. Acabei. cadeiras para o povo ver o show sentado. Caso contrário. No fim da festa.. a alegria do povo. no encerramento das festas juninas de Recife. pela primeira vez em muitos anos. e eu perdido entre a beleza do show. Acabei recebendo a notícia à noite. a revolta contra os bêbados no trânsito. Se alguém tiver cometido um delito. trocando os pés. imagine. eu não soube na hora. Gil debulhando Luís. quando estava no Marco Zero. em Recife. na praça. a tristeza do desaparecimento de Dedé. todas as campanhas caem no vácuo e a bagunça e os desastres continuam..

O governo. bem como a realização de transações eletrônicas seguras". Resta saber como vai ser quando a oposição assumir o poder. que parece muito genérica. que trata da segurança das transações eletrônicas no país. desde que se considere o "senão" lá de cima.200 está aí para "criar" uma infra-estrutura! Seria o mesmo que decretar a Rodovia LisboaRecife: "Fica criada.. no bom sentido: Frederico o Grande. mas não aos surpreendidos." Isso lembra a 179 . qualquer país do tamanho do nosso tem uma agenda e complexidade gigantescas. É necessidade vital. Daí a enxurrada de medidas e a crítica da oposição a uma "ditadura provisória".200. O processo legislativo nacional talvez esteja caótico a ponto de se pensar que a única forma de organizar o trabalho das Casas seja através de medida provisória. lhes temporiza à base de MPs.. para garantir a autenticidade.200 é certamente parte de um tal esforço e. A MP 2. E a 2. A surpresa do momento é que o Presidente assinou mais uma Medida Provisória. por sua vez.2001 ] Nós nunca devemos deixar de ficar impressionados com a capacidade de pessoas e instituições em nos surpreender. há mais de duzentos anos.ICP-Brasil. a integridade e a validade jurídica de documentos em forma eletrônica. como definido em seu artigo primeiro: "Fica instituída a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira . a de número 2. tudo bem. das aplicações de suporte e das aplicações habilitadas que utilizem certificados digitais. dizia. a partir da data de publicação desta. sob alguns aspectos. na maioria das vezes por arte de suas forças internas. ficamos velhos e a vida perde o sentido. Deixadas aos seus afazeres. com time out. Mas o problema é que.Infra-estrutura brasileira. não é má: pode até ajudar a sintetizar as propostas do deputado Semeghini (considerada muito específica pelos especialistas) e do Senador Alcântara. formada por pontes entre as ilhas do Atlântico. temos que estar prontos para a surpresa. a medida é publicada "valendo". E o governo federal tem demonstrado uma inacreditável capacidade em se (e nos) surpreender. que têm que ser analisadas e votadas dentro de um tempo limitado. na verdade um decreto-lei. Sempre que perdemos a capacidade de abrir a guarda.. Até aí. a Câmara e o Senado se perdem no tempo.. sobre as peculiaridades do processo legislativo brasileiro. . provisória. o que implica em delegar funções e processos a torto e a direito. sendo uma medida provisória.Jul. sem uma maioria parlamentar de situação ou oposição que possa pressionar por uma ou outra agenda. da Prússia. que o perdão pode ser concedido aos derrotados. passível de revisão. O certo é que Presidentes não agem de moto próprio. de chaves públicas [ 13.

em Campinas). como no sentido em que o documento enviado não foi modificado por alguém no caminho. e cria um conjunto de determinações de cunho tecnológico. E o que é uma Infra-estrutura de Chave Pública? Trata-se de um ambiente de certificação e autenticação que provê meios para que uma identidade possa ser associada a um par de chaves (chamadas em conjunto de certificado) usadas para assinar mensagens e transações e para verificar a validade de tal assinatura. de porte. outros cartórios sob sua jurisdição. a segurança de transações e documentos eletrônicos. que podemos dar pra todo mundo. Os detalhes técnicos não são exatamente o assunto desta coluna. Para quê? Para que os documentos eletrônicos trocados por estes órgãos e seus funcionários. mas de garantir sua autoria e conteúdo. um projeto piloto. esta é a chave "pública". como a forma de infra-estrutura que será. políticos e operacionais. Por que? Porque a medida trata de um assunto extremamente complexo. O modelo de ICP proposto na MP é hierárquico: o ponto de partida é um cartório eletrônico no topo do sistema (papel que. será cumprido pelo Instituto Nacional de Tecnologia da Informação do Ministério da Ciência e Tecnologia. a julgar pela MP. E não há um experimento real. entre si. autorizado pela AC Raiz.. talvez. revogando a Lei da Gravidade. possam ser tomados como válidos. ou seja.. Uma chave a gente guarda em segredo: esta é a chave "privada" e o que for codificado (ou assinado) com a mesma pode ser decodificado inequivocamente com a outra. cada núcleo de poder tem seu próprio cartório eletrônico. em função da capacidade computacional disponível. a integridade e a validade jurídica de documentos em forma eletrônica" no País. tanto no sentido de garantir que quem diz que enviou foi mesmo quem enviou e não há como negar isso. de forma irrecorrível. até porque seria preciso expor um largo número de conceitos básicos necessários ao entendimento do problema. hoje. possam ser certificados. Mas há coisas que podem ser discutidas por qualquer um. que atenderá pelo nome de AC (Autoridade Certificadora) Raiz e deve habilitar todos os cartórios eletrônicos abaixo dele. não podem ser ultrapassados. Não se trata de garantir. e autoriza. provavelmente. que as mensagens possam ou não ser espiadas. Isso dentro de limites de segurança que. que nos dê confiança para dizer que será possível "garantir a autenticidade. 180 . pra fazer uma caixa d'água mais barata. pois. criada em função da MP. político e operacional. todos usando os mesmos fundamentos tecnológicos. sobre muitas das quais não há consenso na comunidade técnica da área. nem aqui nem no mundo. Desde o Ministério da Defesa e a ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) até o Comunidade Solidária.história de um prefeito que mandou um projeto aos vereadores. Assim. no Brasil.

via MP. grupos de defesa dos direitos civis deixaram bem claro para o executivo que a briga seria eterna se fosse tentado um esquema de certificação como o que. pois sua versão eletrônica tem mais de um quarto de século. correspondendo à nossa inclusão num diretório. O grande problema que a MP criou. o que é óbvio: porque o governo precisa ter. usados para criptografar e. bastando acrescentar uma entrada numa tabela (do tipo "faça um registro de todas as pessoas que enviam email para. note-se.Uma das propriedades de tal par de chaves criptográficas é que documentos codificados com a minha chave "pública". o que serve para garantir privacidade. se relaciona com ele mesmo -por bem ou por mal. entre dois e quarenta dólares por certificado. é fiel depositária dos nossos registros. Lá. por exemplo. por sua vez. que todo mundo pode ter. mais a concessão. a polêmica ainda vai render: nos EUA. Que custam dinheiro. está valendo no Brasil. noutros casos) da mensagem ou transação. em forma de MP. as chaves que alguém está usando para comprar calcinhas.. logo. Quem usar a ICP proposta. empresas e cidadãos. do ponto de vista 181 ." ou "que visitam o site. o que se tornou possível pela disponibilidade... E todo o governo. teria que estar registrado em algum cartório abaixo da AC Raiz que. que pode ser um email entre amantes ou uma transferência de um bilhão de reais entre bancos. é uma das chaves e não necessariamente a Infraestrutura. que só eu tenho. trivializando a espia. só podem ser decodificados com a "privada". do governo. principalmente se partes do executivo estiverem de posse de informações que podem levar a isso de uma forma quase banal. em todo canto. se relaciona com o executivo. agora. armazenado em algum lugar. A novidade é usar chaves de milhares de bits. claro. não vai haver uma árvore única pra todo mundo. o nível de segurança que um certificado tem o torna mais caro ou mais barato.. on-line? Não costumo ser paranóico sobre a intromissão do governo na vida dos cidadãos. mas isso é uma estória completamente diferente. No que tange ao uso de uma ICP para que possamos fazer transações eletrônicas com o governo. Todo mundo. Este certamente vai ser um dos pontos mais quentes do debate público sobre a MP. mas não é o maior complicador para o desenvolvimento da ICP-Brasil. de processadores de milhões de instruções por segundo. por causa do imposto de renda. revelar a autenticidade (ou o "segredo". Presto! O princípio não é novo. mas é muito fácil automatizá-las. guarda e administração do certificado. E quem é Pública. Não é preciso saber mais do que isso pra entender os problemas da proposta de lei."). depois. certidões disso e daquilo. PIS.

As palavraschave. pois metade do assunto é política e operação. interesses e dedicação. A implantação de uma ICP. mas um conjunto delas. Treasury. é que o governo (e não só o daqui) não é uma árvore. já duram vários anos (e incluem. são muito claras: o governo não é uma hierarquia fechada.). uma ICP é muito mais do que tecnologia.. no curto e médio prazos. é o de gerar capital humano que entenda do assunto. os EUA estão testando uma rede de autoridades certificadoras intermediadas por uma ponte. o que estaria criando um caos jurídico imediato. suas demandas e políticas de segurança diferentes e potencialmente irreconciliáveis. além das peculiaridades da nossa sociedade. antes e enquanto se põe o bloco na rua. Precisaríamos fazer experimentos. interna e externamente. Ao invés de uma árvore com uma AC Raiz definida e operada pelo nível mais alto (ou poderoso) de governo. aqui. métodos e estilos. imagine. gerar expertise. NSA. pois montar algo desta complexidade é um processo naturalmente incremental. No Brasil. servindo de interface entre políticas e tecnologias. e isso não se faz do dia pra noite.. tal capacidade não existe na escala que seria necessário para cuidar de todos os processos referentes a uma ICP nacional. que as certifica de forma cruzada e mútua. ninguém decreta uma ICP. ainda é o acordo que precisa ser costurado para que a sociedade toda usufrua do processo.. mesmo que esteja restrita 182 . Nos EUA. testes. Podemos perder muito tempo se as conversas não convergirem logo para um modelo de ICP que respeite. para negociar uma ICP que atenda aos seus interesses e aos da sociedade. muitas das quais têm suas próprias políticas. nos EUA. depois. formar gente. que exige uma elevadíssima expertise tecnológica. Pode até ser que uma Medida Provisória conduza a um amplo entendimento e mostre que o governo está seguro o suficiente para definir o rumo da ICP Brasil. é preciso reescrever a MP em muito mais detalhe: alguns advogados estão dizendo que todas as transações eletrônicas já estão sujeitas a uma infra-estrutura que nem existe ainda. Mais complexo. Governos são redes. Mas outros acham que o governo está frágil.conceitual. DoD. as do governo e as atuais limitações técnicas e de capital humano. o governo está apostando numa solução radicalmente diferente da brasileira. Os testes. e por isso tenta usar a força como mecanismo legislativo. E não adianta achar que não é assim. É preciso ressaltar que o problema mais importante que teremos.. que tem uma raiz que comanda e todo mundo obedece. gigantescas articulações formadas por outras redes de competência.. hoje. por sinal abertos. Mesmo optando pela primeira alternativa. entender políticas de segurança e operação. o Canadá!). o que não parece estar propriamente representado na Medida Provisória.. pilotos. reconhecendo a diversidade das instâncias e agências governamentais (NASA. na escala da criada pela MP.

hoje. Só resta saber como fazer isso enquanto o prazo para dar opinião sobre como botar o bloco na rua acaba no próximo dia 23: a proposta inicial para a ICP Brasil tem mais de 300 páginas.. pois muito pouca gente entende da construção e operação de aplicações e sistemas seguros. irá representar. na forma de adaptação de aplicações que estão rodando na rede.. um problema de engenharia que não temos como resolver.apenas ao governo. 183 .

de expressar o que queremos e de ver e ouvir o que bem entendemos. é um dos representantes da liberdade que temos de dizer o que pensamos. talvez sem precedentes na história do Brasil. e por ele será responsável. acha que "o advento da democracia e o poder da revolução da informação se combinam e se reforçam mutuamente". estando fora do país.Controle Estatal da Internet [ 20. um período de estabilidade e liberdades civis continuado. científica e de comunicação. no Brasil. já que tivemos várias ditaduras no século passado. Um aspecto muito particular e interessante da felicidade é a liberdade de comunicação e expressão. aliás. como muitos acreditam que ele afirmou. entre outras. pura e simples. estaria esperando da rede: no mínimo que eliminaria a pobreza no mundo. Segundo o Presidente Bush. Qualquer cidadão ou empresa. ou talvez até trouxesse a felicidade. Qualquer um pode começar um site de informação de qualquer tipo. Não conheço exemplo de civilização decente sem que haja garantias como as que são explicitadas logo no início do texto da nossa constituição. onde está garantida. artigo de primeira necessidade para o desenvolvimento de qualquer sociedade minimamente civilizada. de qualquer site local ter sido cerceado por motivos políticos ou.2001 ] A Internet já deixou de ser o bem que ia acabar com todos os males. ela não vai conseguir fazer de jeito nenhum. Se até os republicanos esperam que a Internet opere tais milagres. Colin Powell. com capital de qualquer nacionalidade. Mas ainda há gente muito influente que entrega nas mãos da tecnologia de redes interconectadas coisas que. no país. através um conjunto minimalista de regulamentações que afetam a Internet no País. Não há registro. estar sendo censurado de alguma forma. o Secretário de Estado americano. muito provavelmente. O que é. independentemente de censura ou licença. que trata dos direitos e deveres individuais e coletivos. o Brasil pode até não ter uma "tradição de democracia e liberdades civis". Visto de fora. mesmo não tendo "inventado a Internet". entre várias outras formas. Mas estamos vivendo. e sem pedir licença ao governo. artística. a livre manifestação do pensamento e expressão da atividade intelectual. é difícil imaginar o que Al Gore.Jul. como talvez quisessem alguns dos que achavam que ela era uma husseiniana "mãe de todas as tecnologias". do ponto 184 . pode começar um provedor de acesso à rede. no artigo quinto. surpreendentemente fácil de ser feito. A Internet. o sigilo da correspondência e das comunicações e assegurado a todos o acesso à informação. desde o fim do regime. desde que a rede aqui chegou. a rede vai trazer a democracia para a China. E que se expressa. nos termos da lei.

coisas que já são complexas o suficiente para merecer a atenção de muito mais gente na sociedade e no governo.BR. em 2004. servindo de veículo para a liberdade de expressão e a democracia ou. para que a rede seja usada como parte da infra-estrutura de comunicações que serve de apoio às posições dos governos. integridade e coordenação da rede. era só emitir uma ordem para os backbones bloquearem todo o conteúdo advindo do endereço IP 212. Os casos chinês e cubano são objeto de um relatório publicado neste julho de 2001 pelo Carnegie Endowment for International Peace (The Internet and State Control in Authoritarian Regimes: China.240. que teria sido de alguma forma considerado hostil aos "interesses nacionais". por ela. numa forma padrão. mostra como regimes autoritários estão conseguindo. pois os pacotes de informação que circulam na rede têm uma forma padrão e circulam. através de um conjunto de estratégias e táticas ativas e reativas. Cuba. onde todos os sites a que teríamos acesso estariam em território nacional e estritamente controlados pelo governo: a ARI também seria responsável por conceder licenças para quem quisesse operar sites de conteúdo. também. ARIs. e sim um Comitê Gestor da Internet. que usam a rede. A China deve passar o Japão. onde os provedores de acesso e backbone (as redes que ligam os sites entre si) tivessem que seguir os regulamentos de alguma agência central (talvez uma ARI. em número de 185 . É muito bom que não temos uma ARI no Brasil. como se os mesmos fossem estações de rádio e TV. Vietnã e a maioria dos países árabes). Se a ARI quisesse. a Agência Reguladora da Internet) no que dissesse respeito ao tráfego e conteúdo que por eles circula. ainda mais. efetivamente.58. como no passado. and the Counterrevolution.33 e pronto. no modelo descrito acima. seria muito fácil montar uma Internet apenas nacional. a democracia. como mecanismo adicional de controle e formação ideológica. Imagine que a rede. sob as penas da "lei". escrito por Shanthi Kalathil and Taylor C. no Brasil. que se preocupa com a operação. em seus países. para que as redes sirvam. controlar e estimular o uso da Internet. Esta censura digital é muito mais fácil de realizar do que procurar textos proibidos impressos em mimeógrafos. poderia mandar mais bala e definir que somente notícias "certificadas" pelos órgãos competentes poderiam ser veiculadas pelos sites.de vista tecnológico. Boas) onde há uma discussão ovo/galinha da era da informação: o que vem antes? As redes. Se a ARI resolvesse proibir o acesso dos brasileiros ao site de notícias da BBC. tivesse outra conformação política e regulatória. de veículo para a liberdade de expressão? O relatório conclui que não há evidências concretas para o primeiro caso e. ao invés. Caso o Estado fosse um pouco mais radical. são coisas de regimes autoritários como Cuba e China (e Cingapura.

para cuidar somente de como trazer mais gente. também. Numa rede que é. mais rápido. há de 15 a 22 milhões de chineses na rede. pois. Internet. O que já é muito para o caminhão de areia de qualquer um. E o cenário atual de tecnologias da informação. está sendo montada uma Infra-estrutura Nacional de Chave Pública. não se sabe exatamente se na rede nacional ou na Internet global. dependendo dos números em que se acredite. tal preocupação inexiste: os malucos que governam o país proibiram a Internet e computadores. a de Universalização. um terço das quais pode navegar "livremente". Nem na China o governo consegue ser "chinês" mesmo. de forma geral. vez por outra. Duvido que algum regime consiga "fechar" sua rede como os chineses estão tentando. TVs e como proibiu as antenas de recepção de TV por satélite na ilha. E. no país. com a proximidade 186 . vez por outra. fustigar o governo pela rede. como já controlava seus telefones.usuários de Internet na Ásia. para a rede. um maior controle de Beijing sobre as províncias. estimula-se o uso da rede. essencialmente. foi publicado o edital de universalização de acesso para educação (que não está disponível na rede e custa 60 reais!) e. Consciente de que controlar a rede exige um esforço tecnológico de grande porte. Mas a verdade é que. ao mesmo tempo em que aumenta a transparência das administrações regionais. Com tanta coisa para fazer. atacar os Estados Unidos. o que tem como conseqüência. Não há muitos indícios de que ações do governo brasileiro possam levar à criação de uma Internet "cubana" ou "chinesa" aqui. em várias línguas. Em Cuba. acontece o contrário: é quase impossível conseguir uma conta para navegar na web e há apenas 60 mil endereços de email para uma população de 11 milhões de pessoas. O governo está usando a rede para aumentar a conectividade e aproximar os cidadãos dos serviços que lhe são providos pelo Estado. tanto quanto a China. agora em tempo real. tem feito uso da rede para propaganda: um exemplo é o site da agência Granma. quase nos mínimos detalhes. mas de uma rede nacional e controlada pelo Estado. segurança eletrônica e política industrial de informática está muito agitado: ao mesmo tempo. e os vários órgãos encarregados de "controlar" a Internet acabam se estranhando. claro. que acaba de ser removido para uma nova Superintendência. Ponto. o governo de Fidel controla quem usa. ressurge a conversa de exercer um controle maior sobre a rede no país: um dos últimos a falar disso foi o então Superintendente de Serviços Públicos da Anatel. cujos objetivos são promover Cuba e. espera-se que o Superintendente deixe de falar de controle da rede. complexidade e custo. os dissidentes aproveitam a bagunça para. nacional e sob controle do Estado.FUST. No Afeganistão. Na China. que vai tratar das metas de universalização de serviços e do Fundo de Universalização das Telecomunicações .

haja muito mais gente na rede e ninguém venha cercear nossa liberdade de expressão ou tente licenciar provedores.(janeiro de 2002) da competição nacional entre as operadoras que cumprirem suas metas regionais. 187 . no país. é capaz de termos uma Internet completamente nova e muito diferente. é exatamente isso que queremos. esteja mais disponível. páginas ou endereços e que consigamos manter nosso anonimato sempre que for garantido pela constituição. E pelo que vamos lutar. a partir do ano que vem. seja mais barata. Desde que seja mais rápida.

e saíam dando bizus errados pras outras "se livrarem também"... do Sircam. muitas centenas ou talvez milhares de empresas.. achavam que tinham se livrado do vírus. depende de que arquivos você abriu recentemente. o Outlouco. não tão destrutivo quanto. Este artigo é uma conseqüência direta do Sircam. pois um de meus amigos recebeu 78 cópias num único dia! Mas. um inferno tão impressionante que acabou me contaminando. se fosse só isso. já era um novo vírus. O bicho pegou. Em muitas das listas de que faço parte. por dia. Se você está contaminado ou não. pois o vírus se espalha enviando uma cópia de si próprio para endereços que constam da lista do Outlook. mas do qual. era bom demais. e age independentemente do seu "correio eletrônico". sem nem mesmo usar sua conta ou o servidor de email da sua empresa. é quase um padrão mundial.Amigo na praça. pelo menos não neste caso. claro. pois tem um servidor SMTP (Simple Mail Transfer Protocol) dentro do seu código. pronunciada por administradores de sistema. por si só. administradores de sistemas mandaram mensagens "oficiais" sobre como os mortais comuns poderiam se livrar do novo vírus. 188 . De outra forma: em mais de uma lista. recebi umas dez cópias. outros. Pouca gente escapou: se você tem amigo na praça. no Brasil.. havia gente acusando a Microsoft de ser a culpada pela bagaceira. O fi-duma-égua só precisa de uma máquina conectada à rede. usando o software tal e qual. que não contaminou minha máquina nem usou suas listas de email. Que se trata de um novo e arrasador vírus que se espalha para o email de todo mundo que você (ou algum computador da sua rede) tem nas suas listas de email.. não consegui escapar. Cenário de Guerra dos Mundos..Jul. "acho que nunca vi um vírus chegar tantas vezes no meu e-mail". apenas "entendidos". como um todo. durante a semana. quase. sem necessariamente contaminar. o vírus provavelmente chegou à caixa postal. mas o vírus atingiu. segundo alguns. ou. o software de mail da Microsoft que. sobre provedores de soluções que têm me entregue bens e serviços (como atenções e amizades) com defeitos vários e pifando ainda no que deveria ser o prazo de garantia.2001 ] Esta não foi uma semana normal de jeito nenhum: além das reclamações que tenho a fazer ao Procom da vida. se alguém inseriu você numa lista de endereços. Mas vamos deixar isso pra lá que a Microsoft não é exatamente o problema. Uma frase típica... Recebi também umas 50 mensagens sobre como me livrar de Sircam! Isso. todas as partes do governo e. a Microsoft. 5% dos PCs). era. dezenas ou centenas de milhares de pessoas (não há dados confiáveis. sircam na caixa [ 27. como tantos outros produtos da empresa. mas tão perturbador como. E estou entre os menos afetados.

de uma primeira identificação humana.O Sircam é um vírus bem pensado e implementado: ao invés de enviar algum tipo de besteira como a "Branca de Neve Pornô" que ainda está circulando na rede. O que manterá aberto e em expansão o mercado de trabalho dos especialistas em vírus. detonando seus computadores. o artigo contém uma explicação diagramática de como os ditos entram no seu e no meu computador. leia "An Undetectable Computer Virus" de David Chess e Steve White. está também na hora de saber que. um arquivo de pautas musicais. este site era aberto. ele manda arquivos que o usuário "infectado" tem nos seus discos ou em qualquer máquina da mesma rede que tenha discos compartilhados ou que possam ser lidos de alguma forma. {À época.. mas isso é apenas o começo da história. em geral. as chaves dos usuários que tenham seus computadores infectados para se espalhar pela rede. muito mais danoso para as partes afetadas. oferecem? Pra começar.. para sempre. infelizmente. para uma prova matemática. Mas um vírus que seja 189 . não só o céu é o limite para as desgraças que os vírus digitais podem nos impingir. o extrato de sua conta bancária. aliás. também. e que pode realmente causar dano quando enviado às suas relações. para então produzir seu identificador e uma possível vacina. em suma. se você não souber e quiser entender o que são vírus e seus principais tipos. Criptografia parece que não vai ajudar muito a resolver o problema de contaminação de arquivos. algo que está numa máquina perto de você. de um vírus. estão realmente querendo causar prejuízo. Assumindo que a gente vá continuar sendo invadido por coisas como Sircam. mais facilmente será detectado e controlado. depois de "brincadeiras" como "I love you". De uma forma mais ampla. que pode fazer tudo (e só) o que um programa pode. Logo.. O que pode ser. quais são os limites para o que um vírus pode fazer? Um vírus é um programa de computador. Um conhecido recebeu o conteúdo da agenda de uma amiga. Está demonstrado que é possível escrever vírus que não podem ser detectados. na Scientific American. pelo menos até que apareçam vírus capazes de usar. os diletantes que se dedicam a estragar o dia (e parte da vida) dos outros. Sinal de que. quanto mais gente afetar e mais rapidamente. Mas isso é futurologia." Outro teve uma preciosa planilha de custos espalhada pela rede. mas assinaturas digitais podem resolver parte do problema. por outros programas. onde havia linhas como "20h: jantar com fulano!. Se você já sabia como os vírus funcionam ou acabou de aprender. que é o terceiro texto desta série. E as mensagens são enviadas "por você". é pago}. que tipo de risco os vírus. vamos continuar dependendo. Quanto mais abertamente o fizer. hoje. para alguém que você tem na sua lista de endereços. sugiro Fighting Computer Viruses.. Pode ser sua declaração de renda. não-algorítmica. automaticamente.

também da forma mais escondida possível. é deliciosa: "Você quer saber o que programa. a que horas (e. me mandado.desenvolvido para permanecer escondido e que não infecte muita gente. é simples: capturar letras. palavras ou qualquer coisa que eu toque. caracteres.. tela. fora de sua empresa. vez por outra. de forma a não ser detectado. me asseguram engenheiros de segurança. de segurança e supervisão (ou espionagem. O papel do "nosso" vírus. janelas. Tal software não precisa nem ser criado como um vírus propriamente dito: ele poderia ser instalado manualmente. pelo menos não muito rapidamente. e seria enviado para endereços de redirecionamento de e-mail... mouse. talvez à la Sircam. Microsoft ou não. muito ilegal: que parte do código penal se aplica. aliás. associar o endereço da página do seu banco à informação que foi teclada para ganhar acesso à sua conta e enviá-la pela rede! Muito legal. Um dos limites mais interessantes -e mais perigosos. sim. pode fazer miséria. bastando para isso não fazer muita zoeira como a maioria dos vírus faz. E se esconde em algum diretório escuso o suficiente para passar dias ou semanas desapercebida. a empresa keylogger. senha.é alguém aparecer com um vírus capaz de gravar tudo o que você (ou algum outro usuário) está fazendo na sua máquina e enviar para algum lugar. Por razões completamente opostas. e associar à janela para a qual está sendo enviado. e. que resultado deu). conta.. Ah. Pense. O que é possível fazer em qualquer sistema operacional. para nosso terror. aqui? E porque e como alguém faria isso e porque não seria detectado? Isso seria feito para obter informação possivelmente confidencial e potencialmente comprometedora sobre pessoas e instituições. em cybercafés e pontos de acesso público à rede: mesmo que fosse detectado em poucas horas.) de um computador qualquer. na primeira página do site. poderia ter sido escrito por qualquer um/a que passou em uma boa disciplina de sistemas operacionais..com vende um programa pra fazer justamente isso. no micro. para não ser detectada quase que suas crianças estão fazendo no computador? Seu/sua esposo/a está lhe traindo? Você precisa monitorar a atividade de seus empregados na Internet?" Nada mais Big Brother. nome de usuário e senha em máquinas institucionais que o leitor usa. como preferirem). a coisa não seria espalhada na escala de Sircam. Ou seja. Coisas como banco. que algum garoto (nunca vi um hacker de nenhum dos outros sexos) mais dedicado escreve esta coisa. recém-descrito. A propaganda. Ela chega no meu micro disfarçada de algum arquivo que você até pode ter. é trivial. claro. realmente. simples e puramente. o estrago estaria feito. mandar o que descobriu para algum lugar da rede. não? O 190 . possivelmente. então. O leitor já entendeu que este novo brinquedo pode. ou por um/a curioso/a que entenda profundamente os meandros das relações entre os dispositivos.. interfaces e objetos de entrada e saída (teclado. ma non troppo.

ninguém tem obrigação de aprender. sendo usadas por um público cada vez menos apto a entender os detalhes de seu funcionamento -coisa que. é mais difícil instalar um "coiso" que pareça com estes dois. o inferno está aqui. leitor) só vêem. pode estar algumas horas ou dias atrasado em relação a um vírus que já está rodando escondido no seu computador. seus processos.. tais programas podem ser tornados completamente invisíveis para quase todos os usuários: em Linux. Peça para mandarem uma cópia em HTML dentro da mensagem. no mais das vezes. Assim. para ficar. aliás. vindas seja lá de quem for. Em Windows. mas dá pra fazer e há lugares na rede que ensinam como.. é trivial fazer um "driver" (uma parte essencial do sistema operacional que é usada para tratar as informações de um dispositivo) rodar de forma completamente invisível (em modo "stealth") até para os administradores de sistema.. pois ao invés de um tal driver (que pode ser meio difícil de instalar). Acabei pegando o medo. Há cada vez mais máquinas. e não se espere placidez. mesmo. mas uma guerra implacável. Instalar tais vírus em locais de acesso público à rede pode ser muito fácil. os incidentes devem se tornar cada vez mais sérios e abranger um número cada vez maior de máquinas e usuários. dependendo do local: não conheço um engenheiro de segurança que se sinta à vontade para usar sua conta bancária em tais locais. que. por exemplo.. Uma das poucas regras que funciona para diminuir os riscos é simples.. pode-se usar um processo normal do sistema operacional.. Em suma.. mandando cópia de todos os seus e-mails para. Em relação aos usuários comuns. de nenhum tipo. Como se não bastasse. cada vez mais conectadas.imediatamente: logo.. pois os usuários normais (como nós. Ou use um anti-vírus atualizado. sabe-se lá quem?!? 191 .. que lhe cheguem juntamente com mensagens.. mesmo assim. sem trégua ou quartel. não haveria vacina por um bom tempo. é ainda mais simples. e só o faço da minha máquina. mas não é fácil de ser seguida: não abra arquivos. às margens do Ipiranga.

A globalização já havia pego de vez e os grandes fabricantes tinham concentrado (talvez antes de distribuir?) seus centros de pesquisa e desenvolvimento em alguns poucos lugares no mundo. graças à união do capital de especulação. Era mágica pura. na forma da Lei 7232. bens de informática. já que não tínhamos os insumos fundamentais para desenvolver as tecnologias que a indústria já estava precisando e de que iria necessitar ainda mais fortemente no futuro. ampla. Nos corredores. O Brasil. que até hoje está mais ou menos fora do alcance das garras da lei e da ordem. de forma aberta e sem incentivos concedidos ao desabrigo das resoluções de comércio internacional. pura e simplesmente. a SBC sempre esteve envolvida em todas as fases do. A SBC queria uma política mesmo. bem mais explícita no que tangia ao investimento em pesquisa e desenvolvimento nacional em tecnologias da informação. Desde sua fundação.Ago.A SBC sob o Sol do Ceará [ 03. tirante as drogas: o contrabando em larga escala de partes. em defesa de uma tecnologia "brasileira" que vinha não se sabia de onde. com capital nacional. mudou significativamente o cenário. acreditávamos no que havia para se ver. incluindo fabricação nacional sim. desconfiávamos que não havia dinheiro nos nossos laboratórios para fazer a tal "indústria". com a cegueira da esquerda. Para os observadores mais atentos dentro e fora da SBC. como sócio fundador da SBC. em Fortaleza. Nos seus primeiros anos. a fé da juventude e o benefício da ignorância dos ingênuos. desde o começo estava claro que a "Reserva de Mercado" não ia dar certo. "projeto nacional de informática". Mesmo assim. Nem mesmo com a renovação da Lei 7232 na forma de 8248. foi um dos mais expressivos atores do debate que resultaria na Política Nacional de Informática. que queria retornos imediatos. ao final dos anos setenta. atraindo três mil e tantos participantes. eu era aluno de mestrado na UFPE e. o maior congresso de seus mais de vinte anos. A Sociedade e sua luta pela autonomia tecnológica nacional foram descarriladas depois da aprovação da 7232: do que havia sido combinado. cheguei a iludir meus vinte e poucos anos de então com o sonho de uma "indústria nacional de informática". que vinha a ser uma proteção pura e simples para quem fabricasse no Brasil. mas também capacitando o Brasil para competir nos mercados internacionais. À época. digamos. E que resultou num dos maiores negócios ilegais do país. Como não sabíamos o que estava por trás da cortina. aliada a ideólogos do regime militar. tínhamos.2001 ] A Sociedade Brasileira de Computação realizou. nesta primeira semana de agosto do milênio. 192 . no início dos anos 90. até mesmo antes de ser a SBC de hoje. sobrou o que hoje conhecemos como a "Reserva de Mercado". peças e suprimentos para computadores.

na Lei de Informática da década de 90. À frente da SBC. que a inevitável integração do país a comunidades internacionais ainda mais amplas há de trazer mais dia. Flávio Wagner ocupa na SBC a cadeira que já foi de Luís de Castro Martins. menos dia. na Alemanha. por uma maior capacidade nacional de pesquisa e desenvolvimento em Tecnologias de Informação (agora sob a égide da Lei 10. gastou a década passada mendigando recursos para garantir sua continuidade. Dr. onde previsibilidade é a última coisa que se pode esperar. e conseguiu apenas tirar o Brasil do zero da exportação de software. qualidades essenciais para navegar na política brasileira. alunos e profissionais de Informática. na prática. PCs. 193 . a Sociedade tem continuado. de fabricação de hardware para mercado interno. em entrevista exclusiva. e professor titular do Instituto de Informática da UFRGS. Fizemos uma política. reeleito para um segundo mandato de dois anos. a Índia saiu do mesmo zero. Consciente de que. está o gaúcho Flávio Rech Wagner. entre muitos outros.. mas para mais de 8 bilhões de dólares de exportação no último ano! À medida que isso acontecia e que os mercados iam ficando cada vez mais internacionalizados. empresas e pela sociedade em geral. Cláudio Mammana e Clésio Saraiva dos Santos.-Ing. commodities que são feitas a partir de partes e peças fabricadas por um pequeno número de fabricantes mundiais. mais accessível. ciência e tecnologia. com maior ou menor sucesso.. tornaram a SBC um interlocutor privilegiado quando o assunto é informática no Brasil. o que hoje existe de computação realmente "brasileira" é resultado da "Reserva". de mais qualidade. firme. perseverante e conciliador. Mas que é ingrediente básico para se fazer política de educação. comparando 1990 a 2000: nosso comércio exterior de programas de computador não deve ter chegado a 200 milhões de dólares no ano passado.. considerada mais avançada do que as anteriores. a distância entre os competidores puramente nacionais e os internacionais ficava cada vez maior. que criou uma das mais competentes redes de capital humano qualificado entre os países em desenvolvimento. Veja a seguir. o Programa Brasileiro de Software. onde a chance de podermos competir internacionalmente é próxima de zero e. quase já não há inovação.176. entre outros bens. líderes que. em Ciência da Computação pela Universidade de Kaiserslautern. Softex. Flávio é claro. sua luta por um ensino de graduação e pós-graduação mais diverso. pelo bem ou pelo mal. insistiu em proteger a fabricação de. por email. Em período igual. a SBC fez seu maior congresso se preparando para desafios maiores. mas ainda "de hardware") e por um uso mais transparente e democrático das ferramentas computacionais pelas diversas vertentes de governo. onde é pior. para no. Formada por professores. mas nem por isso a SBC desanimou. o que pensa o presidente da SBC e o que ele pretende no. Dentro dela.

no entanto. pode haver aumento real da P&D nas indústrias. em contrapartida. com conseqüências positivas para a pesquisa nas universidades e para a integração entre os setores acadêmico e industrial. O ponto baixo. ao contrário da legislação anterior. Além disto.Um ponto alto para ciência e tecnologia em geral foi a criação dos fundos setoriais. sua gestão ainda é uma incógnita e a sociedade ainda não foi chamada para participar desta discussão. em particular no Nordeste. é a pouca ênfase em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e em formação de recursos humanos para P&D neste programa.fazer nos próximos dois anos. o crescimento da pósgraduação não está atrelado a uma política de desenvolvimento do país. além da mera isenção de impostos. que deveriam ser componentes essenciais para a promoção do desenvolvimento do país. para apoiar a correta utilização da legislação em prol do desenvolvimento tecnológico no país. haja um controle mais efetivo da aplicação dos recursos. Com um controle correto. Do ponto de vista da SBC. foi promulgada a nova legislação de política de informática: informática: ela ajuda ou atrapalha? E a quem? O senhor vê a indústria de informática e telecomunicações aumentando a telecomunicações intensidade de sua pesquisa e desenvolvimento no Brasil por causa da nova Lei de Informática? FW . Segue sendo um grande problema a falta de uma política industrial consistente para o setor. que envolva ações de diversos ministérios. Como a SBC vê a explosão do número de cursos de graduação em Informática no País e o que a Sociedade faz para incentivar a criação e manutenção de cursos de qualidade? 194 . No caso particular do Fundo de Informática. evitando-se desvios e distorções. Espera-se que. Mas devese registrar a perspectiva de mudanças neste cenário com a promessa de uma política para o setor de microeletrônica. porque coloca as tecnologias da informação (TIs) como questão estratégica do país. Outro ponto muito preocupante é o problema do déficit na balança comercial no segmento de componentes eletrônicos. Neste período. A SBC espera ter um assento no Comitê Gestor do Fundo de Informática. quais foram os altos e baixos da informática no Brasil. Deve-se registrar como ponto positivo no ensino o fortalecimento de novos programas de pós-graduação. O Programa Sociedade da Informação (SocInfo) é um avanço. nos últimos dois anos? Flávio Wagner .A regulamentação ainda é muito recente e não podemos apreciar os seus resultados. para resolver problemas de relevância nacional. embora ainda se lamente a ausência de programas na Região Norte.

dos O senhor é professor de um dos mais renomados centros de informática do país. de modo que a mesma seja beneficiada pelo progresso contínuo das TIs. o MEC parece deixar claro que o ensino superior é um "mercado". vis a vis a educação superior em informática no país? FW . A SBC vê com preocupação a proliferação de cursos de baixa qualidade. abrangente e flexível. com novos perfis profissionais surgindo a todo momento. O MEC também não pode abandonar seu papel de principal financiador do ensino qualificado de graduação e pós-graduação. Nesta área. No entanto. financiamento.A SBC entende que educação não pode ser tratada como um serviço. e cada vez mais as convergências tecnológicas tornam diluídas as fronteiras entre a Informática e outras áreas. como as telecomunicações. regulamentações. que. A SBC espera que o MEC não fuja de seu papel histórico na área. A SBC está defendendo um conjunto de princípios para uma regulamentação inteligente. que pertence a uma universidade federal. infra-estrutura e estrutura curricular. financiador e avaliador. Cada vez mais. que defenda principalmente os interesses da sociedade.A SBC reconhece que o país ainda forma um número muito insuficiente de profissionais para o setor das TIs. com a separação dos atores responsáveis por políticas.A SBC é completamente contrária a uma regulamentação cartorial nos moldes de outras profissões. As tentativas de regulamentação cartorial certamente também têm relação com a explosão de cursos e de profissionais com formação de qualidade infelizmente ainda aquém dos padrões desejados. é só um meio? As tentativas de regulamentar "a profissão" seriam uma das conseqüências da criação de tantos cursos? FW . A SBC também tem promovido cursos. mesmo que ainda não tenha feito o trabalho estruturador que foi realizado nas telecomunicações.FW . acompanhamento e avaliação. quando na verdade são tantas e para quando as quais informática. A Informática é uma área em constante revolução. estudos e debates visando qualificar a graduação em todos os seus aspectos. no mais das vezes. Como a SBC interpreta as tentativas de regulamentar uma "profissão" de informática. com honrosas exceções. A SBC tem também instado o MEC a não esquecer a participação democrática e transparente da comunidade universitária qualificada nestes processos de regulamentação e avaliação. como corpo docente. e portanto não pode ser estruturada em bases similares. Como o senhor vê o papel do MEC no futuro próximo. a questão da qualidade também é essencial. o governo não pode abrir mão do seu papel de regulador. A SBC tem feito intensa ação política junto ao MEC para garantir uma avaliação rigorosa da qualidade dos cursos. ainda é feito principalmente em universidades 195 . no entanto.

O papel da universidade. o que o senhor gostaria de registrar como a marca da atuação e dos desejos que a SBC gostariam de ver realizados? FW . aos menos ricos. necessariamente de longo prazo..2001 ] Toda vez que a bolsa está lá em cima. para as quais serão necessários recursos humanos altamente qualificados. e aí envolvendo ensino.. de pesquisa e de formação de recursos humanos em todos os níveis. as ações chegam aos pobres ou. digamos. não de resultados reais das empresas) a pirâmide desaba de uma hora pra outra. quem ajuda quem? [ 10. Crueldades intrínsecas dos mercados e da assimetria de informação que os caracteriza. O que o país precisa é de uma política industrial à qual estará necessariamente atrelada uma política de P&D e de formação de recursos humanos consistente com aquela. como comprovado nos exemplos da EMBRAER e do Projeto Genoma e pela atuação de nossos profissionais de TIs em empresas no exterior. pesquisa. Oportunidades Digitais. o Brasil tem sua pesquisa realizada quase exclusivamente nas universidades. ficando a transformação deste conhecimento em tecnologia a cargo da indústria. inovação e empreendimento. O Brasil precisa de uma política industrial que promova seu efetivo desenvolvimento tecnológico e provoque a formação de equipes de P&D nas empresas sediadas no país.Ago. com margens de lucro absurdas. 196 .O Brasil sabe fazer pesquisa e desenvolvimento tecnológico de primeiro mundo. no entanto. com o apoio de mecanismos eficientes de integração entre a academia e o setor produtivo. desenvolvimento. Que entram na farra: com um mercado vendedor (de papéis. Se a SBC tivesse que deixar uma mensagem para este fim de governo e para o próximo. O Brasil não pode fazer planos mirabolantes sem basear-se num planejamento consistente. como a Coréia. no que tange à política de envolvendo informática.públicas. mais uma vez transferindo capital dos pobres (e ingênuos) para os ricos (ou sabidos).Existe de fato uma fuga de cérebros para indústrias de tecnologia dos países de primeiro mundo. Ao contrário dos países do primeiro mundo e mesmo de países ditos emergentes. que articule as políticas industrial. Está havendo mesmo uma "fuga de cérebros" na área de que? Informática ou não? Para onde? Por que? O que poderia ser feito para aumentar a atratividade do país para o capital humano nacional e internacional? FW . deveria ser o de pesquisa científica de caráter mais básico.

os problemas do governo. cem anos depois do início da era da mobilidade. mais gente na rede é bom de qualquer jeito. Se a criação da indústria automobilística tivesse ocorrido na mesma velocidade e com o mesmo regime de mudança tecnológica. hoje. que o papel não foi usado para outros fins porque não estava ao alcance na hora da necessidade. distribuída. hoje obscura. O povão anda de ônibus. e o "acerto" de daqui a meio século. Desconsiderando a quantidade de dinheiro que se perdeu com expectativas infundadas. que então terá ares de General Motors. Seja lá como for. que tinha uma visão de longo prazo. como a criação de grandes redes interconectadas para interligar o mundo e no desenvolvimento de sistemas de hardware e software pra tocar a rede. Os editores pautarão a matéria. num envelope. até hoje não há um programa para universalizar o acesso ao dito cujo. e fará a fortuna da nossa amiga. escrever para alguém (ou para muita gente) sobre a vida. mais do que educação e saúde. Pode ser educação e cultura.. o começo talvez tivesse sido do mesmo jeito. nas coisas certas. as fofocas da esquina. para a Internet. em função da genialidade do progenitor. de todos os tipos. pra começar. alguns milhares de ações de alguma companhia. se comunicar. a internet é a coisa mais importante do universo inteiro em todos os tempos. Voltando à indústria do automóvel. ontem. para a era da informação e do conhecimento. também.. criados no mundo inteiro. talvez logo abaixo de dinheiro e sexo. Simplesmente porque a quantidade de pessoas que precisa marcar uma consulta médica ou pagar algum tipo de imposto será sempre muito maior do que o de estudiosos da "nova geografia". pra trazer o povo pra rede. quando há. Comunicação é cidadania. de uma forma ou de outra. os problemas do dia-a-dia.. O que torna a internet e o acesso aos meios de informação digital tão diferentes? Se medirmos pelo número de programas. visto de hoje. Ainda 197 . mas acho que sempre vai ser mais importante como habilitador de serviços do que como fonte de conhecimento.Pense nisso e olhe. apropriadamente. e a coisa mais fácil de fazer. mas nós sabemos.. é questão de estatística. aqui. Pelo menos é isso que se pode derivar do número de instituições que estão trabalhando para trazer "todo mundo para a rede". pro meio digital interligado. Até porque a rede é assíncrona. agora. a bagunça das ruas da cidade. é feita à base de tickets. metrô e kombi. e a universalização do transporte. O mundo da rede não acabou e nem vai. um monte de dinheiro (que também não vai retornar nem tão cedo ao bolso dos investidores) foi bem gasto. Isso tudo se resolve no longo prazo: daqui a cinqüenta anos vai aparecer no Fantástico uma senhora cujo pai deixou. as piadas da semana. é mandar um email: ou seja.

Quem se liga aos EUA. muita coisa está acontecendo em muitos lugares. criação de capital humano e estabelecimento de redes de comércio eletrônico para trazer os "excluídos" para a rede.85 por mil no resto do mundo. mais compra de software. Se países como os EUA não se mostram dispostos a dividir tais custos. ou seja. Divisão digital. por exemplo. a posição americana é muito interessante. a aliança dos países ricos. e o dito é um bom lugar pra começar a pensar no assunto. o problema agora é amarrar o guizo no gato. produziu um plano de ação que inclui ações políticas. Se países se comportam assim. Mais acesso pode significar somente mais importação de hardware. para o que a maioria dos países não tem moeda forte. e quanto. países pobres estarão fazendo transferência líquida de dinheiro (que talvez tenham tomado emprestado) para os países ricos. A Digital Opportunity Task Force (DOT Force) criada pelos chefes de estado do G8 em julho de 2000. talvez a rede aproxime os já existentes. mesmo com tráfego fluindo nas duas direções. novas relações. Com tantos benefícios à vista. O problema é dantesco. que foi aquela guerra. mais contas de conexões internacionais. Vide o caso de importação de componentes eletrônicos no Brasil.. ajude a manter os distantes e crie. para participar da rede em pé de igualdade. Resta saber se. E não se resolve com mais "acesso". escapam da média e contém propostas ambiciosas. para defini-la. em Kyushu-Okinawa. de aumento de eficiência nas comunicações. Um vem de Gênova. se a operação "divisão digital" das empresas não está sendo feita somente pelo 198 . E o leitor deve ter sua própria listas com milhares de outras razões. que é essencial para ligar quem não está ligado. depende de trocas comerciais do tipo "compre isso aqui que em troca lhe dou aquilo ali". de troco. como muitos querem nos forçar a aceitar. A "digital divide" mereceu um documento da OECD. nada mais natural do que muita gente querendo ajudar. paga a conta sozinho. pelo menos. para dizer o mínimo. Dois documentos. ao invés de tirar as pessoas do convívio das amizades. na rede.por cima. A força tarefa fez (e bem) seu trabalho. como fazer a multiplicação digital? De nada irá adiantar a criação das estratégias nacionais propostas no relatório da DOT Force pois. por exemplo.. é haver 85 servidores na Internet para cada mil habitantes da OECD. da reunião do G8. Só isso já bastaria pra gente querer que houvesse muito mais gente. no fim das contas. que pode causar um colapso da nossa economia digital em breve. contra 0. No item custo das comunicações. talvez todo mundo. regulatórias. o que fazem as companhias que têm planos para fazer pontes digitais e ligar o mundo? A HP e a Cisco são duas das empresas que têm tais programas: a julgar pelas páginas correspondentes. Deve ter sido daí que a Embratel copiou a posição dela em relação às outras redes no Brasil. mas realistas.

da Markle Foundation e da Accenture. infraestruturais e tarifários. tem muito a dizer sobre o assunto. desenvolvimento. Há um "novo" espaço político. este excepcional. muito dinheiro.. juntamente com o governo da Austrália. por exemplo. decades. na rede. pelo menos intelectual. apenas um pouco além de onde estamos hoje. é por incompetência. daqui a dez anos. Outro documento. e se reconhece que ". centenas de programas nacionais (como o nosso SocInfo).. inovação e empreendedorismo. Brazil is poised today to become a major production center. de uma forma geral. em quase todo canto. o Global Development Gateway. Mas o mundo não é ideal. da "ajuda". Fazia algum tempo que meus olhos não viam um relatório ("Creating a new Development Dynamic") tão bem feito. até porque os mundos estão convergindo. Aliás. O que talvez não seja exatamente o que deva ser feito. uma iniciativa do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. quando uma está envolvida em um processo. Vai dar trabalho. pois o interesse desaparecerá quando os negócios minguarem. a disputa entre as grandes organizações internacionais é renhida a ponto de. certas outras nem passam perto. não por azar.. criando os necessários insumos políticos. país a país. vem da "Digital Opportunities Initiative". Se o leitor quiser ler um só documento para ver o que poderia ser feito. Se continuamos sendo apenas promessa. que acaba de lançar uma outra iniciativa. parece não faltar energia ao Banco. o que não parece haver. a Internet Society. este é meu favorito. que agora passa para uma outra iniciativa do Banco.thanks to the IT policy pursued over two com a indústria e os investidores. em certos casos. como o CDI no Brasil. do Banco Mundial." Resta parte do nosso governo ouvir isso e combinar 199 . não vai dar resultados de longo prazo. Tomara que dê certo. A lista continua: há o Fórum Econômico Mundial... de verdade. que pretende botar o mundo. um novo "mercado" de desenvolvimento (e. Do ponto de vista de desenvolvimento no sentido mais amplo. Muito. Tamanho do investimento do "Virtual Colombo Plan": 700 milhões de dólares. é uma maior coordenação nas ações deste povo todo. dezenas de observatórios. O infoDev. de "compensações") a ser conquistado e há muitas organizações. sem o que estaremos. pesquisa..pessoal de "multiplicação" das vendas. para tratar a divisão digital. querendo trazer para si a "propriedade". foi dirigido. Até o caso da política de informática do Brasil está lá. Se estiver. pois é um dos programas pioneiros no cenário internacional. Até porque as primeiras não deixam! E esta disputa está vindo para o mundo digital. o GIPI. nem do que os "divididos" precisam. Mas há muito mais.. pelo brasileiro Carlos Braga. milhares de ações de ONGs. para cuidar de educação à distância no Pacífico. Sem esquecer da formação de pessoal. até recentemente..

é a África. seja gravando música de Gana para vender pela rede. Em países como o Brasil. E é.. o que é o caso. também. vão deixar que nós próprios nos resolvamos. com raras exceções. como em quase todo canto. na miríade de instituições que pretende criar oportunidades digitais. da maioria das organizações internacionais . Como nós não damos sinal de vida exterior. que vai bater o tiro de meta e fazer o gol. 200 . que vai ser baixa.. e com a eficiência do processo.que vê a solução de tudo no seu umbigo. talvez menos de metade do possível. e não dos "ajudados". as oportunidades digitais estarão sendo. distribuindo cestos de palha da Colômbia. por favor. Aqui. na verdade. Se os ajudantes jogarem para si próprios. das ações que estão em andamento. que não chame ninguém de fora para acompanhar (nem que seja para aprender). Mas os especialistas no assunto estão começando a ficar preocupados com a quantidade de ajudantes. Por isso que a seleção anda tão mal. hoje. Quem estiver no campo.. é bom lembrar que jogo é feito para a platéia. também. a razão pela qual precisamos acertar o passo quando o negócio for divisão digital. cada um dos jogadores. de forma articulada e decidida. mesmo. como um todo.. fazendo educação pela rede nas ilhas do Pacífico ou treinando garotos para usar informática e a rede em todo canto. acha que é auto-suficiente..).O mundo em desenvolvimento vai se beneficiar. porque o jogo vai ser nosso contra nós próprios: o mundo inteiro acha que nós estamos muito bem e que o problema. que não peça apoio das instituições internacionais (nem que seja para supervisionar e dar maior transparência. de mais de uma forma. dos "ajudantes". é inexplicável que um projeto de universalização de acesso do porte do MEC/ANATEL não leve em conta a experiência das organizações que já tratam do assunto há tanto tempo..

Dever de Casa: Dezessete de Agosto
[ 17.Ago.2001 ] Um dia destes alguém me disse que tinha "tirado um dez" copiando uma página da internet para entregar um ensaio sobre a fome, na visão de Josué de Castro, o professor e pesquisador recifense que, segundo Betinho, "...deu à fome o estatuto político e científico...". Josué escreveu Geografia da Fome, Fome o texto que "descobriu" a fome brasileira, que mostrou ao mundo como tratar, metodologicamente, os problemas sociais, e que é considerado por muitos dos estudiosos da área como um dos maiores livros da segunda metade do século XX. O professor, vai ver, não sabia que há um vasto material sobre Josué em... www.josuedecastro.com.br. Muito menos que é possível comparar um documento digital com outros, e tentar descobrir as cópias mais óbvias. A rede, tornando disponível uma gigantesca biblioteca digital que pode ser usada, por qualquer um, para "copiar e colar" qualquer coisa em qualquer lugar, ampliou as possibilidades de plágio a tal ponto que descobrir se tarefas de casa foram copiadas ou não pode ter ser tornado um negócio. Pela disponibilidade de páginas sobre o assunto, trata-se de algo certamente menor do que a venda on-line de material para trabalhos acadêmicos: um dos muitos provedores de papers, MegaEssays.com, tem 50 mil papers on line e cobra "apenas" US$29.95 por semestre. Se você quiser apenas passar, considerando os preços das universidades americanas (e brasileiras, das pagas), isso é troco. Outros lugares são muito mais caros: o EzWrite cobra por artigo, e você pode achar um "Television as a Pro-Social Tool", 13pp, por meros US$64.35. O número de fontes disponíveis é quase infinito: até pouco tempo atrás, Google tinha o maior número de páginas indexadas, cerca de 1.4 bilhões; hoje, Wisenut está à frente, com 1.5 bilhões de páginas, mas isso não deve ficar assim. E como alguém, no caso o professor que recebeu o ensaio sobre a fome, vai escarafunchar este mundo inteiro de informação pra ter certeza de que não tem uma cópia, nota zero pois, às mãos? O assunto é complexo do ponto de vista computacional, e recebe alguma atenção da academia, mas não há um tratamento razoável, prático, com que se possa contar para identificar réplicas na rede. EVE2, por exemplo, gastou 55 minutos processando um arquivo .doc que continha o texto "A Fome", de Josué, para me dizer que havia 7 possíveis cópias do material na rede... e achou o artigo original como um dos possíveis casamentos para o texto do arquivo. Um bom resultado, mas muito, muito demorado. Corrigir 50 provas levaria uns três dias, tocando o barco 24h/dia... Pra hoje, por isso, me atribuí um dever de casa simples, que não copiarei de lugar nenhum: se depender de EVE2, o leitor

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pode ter certeza de que não há um só texto parecido com este, na rede (coisa que o software levou 10 minutos para me dizer...). A pergunta do dia é quão relevante é o dezessete de agosto (data de publicação deste artigo em silviomeira.no.com.br), na história, mundo afora, visto pela multitude de lentes da internet? Dezessete não é qualquer número, poderia dizer José Gomes Filho, aliás Jackson do Pandeiro, que nasceu em 1919, num 31 de agosto. Dezessete é macaco ("... não é valente/ dança aí dezessete na corrente..."), bicho danado, tinhoso, mais que gente, que passa (sempre) a perna até no rei dos animais (inclusive no jogo, pois o rei é dezesseis), em todos os causos do povo do sertão. Dezessete de agosto é dia mágico: há 400 anos, num deles, nascia Pierre de Fermat, o genial matemático francês que, em um dia (talvez outro dezessete de agosto, aí por 1637) à margem de um exemplar da Aritmética de Diofanto, gastou seu rico latim para lançar ao mundo um problema que só seria resolvido mais de trezentos e cinqüenta anos depois: "Cubum

que x^n + y^n = z^n. A prova, haja persistência, feita pelo inglês Andrew Wiles, só apareceu em 1995.

autem in duos cubos, aut quadrato-quadratum in duos quadrato-quadratos, et generaliter nullam in infinitum ultra quadratum potestatem in duos ejudem nominis fas est dividere". Ou seja, não há inteiros positivos x, y, z, e n > 2 tais

Aos 17 de agosto de 1645, quase junto de onde eu moro, hoje, o Sargento-Mor Antônio Dias Cardoso partia pra cima dos holandeses em Casa Forte, com o que então se chamava o exército de Pernambuco, abrindo o caminho para as batalhas maiores, nos Guararapes onde, em 1649, o holandês von Schkoppe seria derrotado em caráter quase terminal. Hoje, 17 de agosto é avenida, no Bairro de Casa Forte em Recife, de onde se dirige até os Montes da Batalha, os Guararapes, onde fica o aeroporto, nuns vinte minutos. A gente nem acredita que a peleja, da vitória de Dias Cardoso até a retirada final do pessoal da Companhia das Índias Ocidentais, a "Guerra da Holanda" durou quase uma década. E as conseqüências da derrota de 1645 iriam dar em outro dezessete, de agosto, de novo. Que começou aos 26 de janeiro de 1654, na Campina do Taborda, em Recife, onde foi assinada a rendição final dos "flamengos", como se dizia aqui, e fez-se a paz, com o imediato embarque de muitos dos invasores e gente que estava com eles no Brasil, entre os quais judeus portugueses e espanhóis que tinham fugido para o Nordeste por causa da perseguição na península Ibérica. Ao invés de voltar para a Europa, onde a coisa continuava preta, 150 famílias que residiam no Recife escolheram ir para o norte da América, mais exatamente para a colônia que começava a se estabelecer ao redor do Forte Amsterdam (construído em 1626, pela mesma Companhia das Índias), no sul da ilha de Manhattan, base de um arruado conhecido como New

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Amsterdam, que acabou virando New York City. Os primeiros judeus que pisaram em solo americano lá aportaram aos 17 de agosto de 1654; muitos mais foram atraídos por estes e pelas oportunidades e liberdade religiosa em solo americano (ao se comparar à Europa de então). As conseqüências foram as que seriam de se esperar: uma delas é que um certo Isaac Mendes Seixas chegou em 1730 a New York, vindo de Portugal e seu filho, Benjamin Mendes Seixas, acabou sendo um dos fundadores da New York Stock Exchange , em 4 de janeiro de 1865. Borboletas batem asas no Brasil, tufões assolam o Golfo do México. O mundo é complexo mesmo... Mas nós não estamos em um curso de história, muito menos do desenvolvimento econômico americano e, nem pensar, de teoria do caos (se você tiver algum tempo no fim de semana, tente ler uma explicação simples aqui). Hoje foi dia de muita coisa no passado, muitos googols de eventos aconteceram a sextilhões de seres, e cada um destes acontecimentos determinou, de uma ou outra forma, o caminho que nos trouxe até aqui, de onde olhamos o universo, de volta, e descobrimos que num dia dezessete de agosto, em 1943, nasceu Robert De Niro, naquela mesma New York pra onde foram os judeus de Recife; em 1961, de um lado, começava a construção do muro de Berlim e, de outro, Kennedy criava a Aliança para o Progresso, uma das borboletas que nos deu um golpe em 64, mas num primeiro de abril... Antes, em 1962, os Beatles botavam Ringo Starr no lugar de Pete Best e assumiam a formação definitiva que ia mudar o mundo, a partir da Inglaterra. Que foi onde, por sua vez, num dezessete de agosto de 1983, em Canterbury, que nasceu Diana de Azevedo Meira, que até um dia destes morava na 17 de agosto, em Recife, e que vem a ser minha filha, uma razão pra eu ter feito esta volta toda, pra dizer... parabéns, nós te amamos, que teu, nosso caminho, daqui pra frente, seja tão suave quanto foi até aqui

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A Prática da Dependência: agora, Digital?
[ 24.Ago.2001 ] Faltam alguns dias para que o processo de informatização do ensino secundário e técnico seja iniciado, em larga escala: neste 31 de agosto se encerra o prazo para apresentação de propostas ao edital do FUST/MEC da ANATEL, que visa instalar informática e internet na vida de mais de sete milhões de estudantes de escolas públicas em todo o país. Para se ter uma idéia do tamanho da iniciativa (e das conseqüências que ela pode gerar), este projeto, por si só, vai dobrar o número de usuários freqüentes da rede no Brasil, em um ano. Algo nunca dantes imaginado, que discutimos neste espaço em colunas sucessivas publicadas nos dias 9, 16 e 23 de março deste ano, quando o Edital ainda se encontrava em processo de discussão pública. Para o leitor que estiver chegando nesta discussão agora, os três artigos anteriores, mais o texto de Sérgio Abranches, também aqui da no. podem esclarecer todo o no., contexto da atual discussão sobre computadores e internet nas escolas públicas. A informática é a eletricidade do futuro, e qualquer atividade social, econômica, educacional estará inevitável e inextricavelmente associada ao uso de ferramentas e ambientes informatizados para sua realização. De mais de uma forma, dá até pra pensar numa nova energia, a "informaticidade", que começa a permear todos os ramos da atividade humana, como hoje já o fazem, em maior ou menor escala, água encanada, esgoto, eletricidade e comunicações. Ao criar programas do tamanho do Brasil, que hão de ter impacto na vida nacional por décadas a fio –quer sejam um sucesso retumbante ou um redondo fracasso- seria de se esperar que o governo, chofer da vida nacional, conversasse com os passageiros para saber de suas expectativas quanto aos destinos, os caminhos e o tempo em que pretendem chegar. As evidências parecem apontar na direção oposta: segundo Carlos Rocha, em entrevista exclusiva, o governo FHC, desde que assumiu, mantém um diálogo permanente com o... espelho, perguntando somente a si próprio o que fazer e onde e como chegar. Tudo parece caminhar como se os passageiros do misto de Chico Zélo, que circulava por Juazeirinho, Taperoá e Soledade, nos anos 30 e 40 do século passado, no Cariri da Paraíba, entrassem na boléia de madeira do caminhão pra ir pra feira de Livramento e Chico, à revelia dos seus constituintes, resolvesse parar em Estaca Zero. Nome, por sinal, mais do que simbólico para o destino: Rocha diz que o governo "...após 6 anos e meio de gestão, continua surdo, autocrático, sem projeto e confuso, desestimulando a criação de valor agregado intelectual e tecnológico..." e que "...não há qualquer coordenação entre as áreas de Governo e as ações são superficiais, tópicas e de caráter imediato". Em suma, do ponto

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de vista de articular o que o país precisa, sua própria capacidade de fazer e depois tentar projetar tal conjunção para o cenário internacional, estamos na estaca zero mesmo. Carlos Rocha, 46, empresário do setor de informática, tem histórias pra contar. Nunca deixou passar uma oportunidade de dizer o que pensa, às vezes sem considerar as conseqüências pessoais. Na época negra do regime militar, entre 1973 e 1977, éramos alunos do ITA, onde nos formamos em engenharia eletrônica, como parte da única turma que ganhou a suprema distinção de ser condenada à segunda época compulsória em todas as disciplinas do último período do quarto ano, reação da escola a um grupo que, entre muitas outras coisas, se recusava a entrar "em forma", num período em que a militarização do Instituto era iminente. Entre outras atividades, Carlos Rocha foi presidente da Abicomp, Associação Brasileira da Indústria de Computadores e Periféricos, e da Automática, Associação Brasileira da Indústria de Informática e Automação, membro do CONIN, Conselho Nacional de Informática e Automação, presidente da AEITA, Associação dos Engenheiros do ITA e um dos fundadores da Fundação Casimiro Montenegro Filho; em 1996 Rocha coordenou o desenvolvimento da urna eletrônica brasileira, que hoje automatiza as eleições nacionais. Nesta entrevista, por email e reproduzida na íntegra, Rocha fala sobre o Edital FUST/MEC, sobre as escolhas realizadas pelo governo, sobre um país desarticulado, da desnacionalização da indústria de informação no Brasil, de alternativas ao projeto FUST/ANATEL para informática na educação, de coisas de governo e sociedade, de como, nos EUA, um projeto como este nunca seria feito com o dinheiro do contribuinte e dos erros que nós, Brasil, não estamos conseguindo evitar e, depois de cometidos, corrigir... Quais são as conseqüências da decisão do MEC e da ANATEL de, na prática, eliminar a competição na compra dos serviços de universalização de acesso para as escolas secundárias e técnicas? Carlos Rocha - A educação, nos países desenvolvidos, está seguindo, aceleradamente, o caminho da convergência para se tornar disponível a todos, a qualquer hora e em qualquer lugar. Não há dilema entre Linux e Windows, mas, ao contrário, o futuro reside na convergência das aplicações e serviços baseados na Web, independentemente de sistemas operacionais ou plataformas tecnológicas. Todo e qualquer programa de computador ou aplicação estará sendo executado em centros de processamento, e poderá ser utilizado em estações de acesso aos serviços, de forma compartilhada, a qualquer hora e em qualquer lugar. Assim, as economias de escala e o compartilhamento de recursos vão provocar uma

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imensa redução nos custos de uso de programas, de acesso à informação e de acesso à internet, viabilizando a inclusão digital da grande base da sociedade, as camadas mais pobres da população. O Governo Federal preferiu ignorar o que ocorre, no mundo, não permitir aos nossos milhões de jovens alunos o acesso a alternativas, e privilegiar uma única solução de software, de uma empresa que já apresentou sua estratégia. Os nossos milhões de alunos não terão qualquer alternativa legal, a não ser pagar a esta empresa uma taxa mensal, permanente, para usar programas de computador, pelo resto de suas vidas. O Edital especifica Windows como o software de quase a totalidade das máquinas e, em particular, dos servidores, os equipamentos que servem de base para o funcionamento dos explicaria, PCs que estarão nos laboratórios. Como você explicaria, para o grande público, por que esta decisão estaria errada, do ponto de vista conceitual? CR - Nosso aluno deve ser educado para aprender a criar, decidir, criticar, e isto só pode ser alcançado através da exposição à diversidade de alternativas. Se o aluno só conhece uma solução, não tem como comparar, avaliar e decidir. Mantida a especificação atual, teremos milhões de jovens formados como consumidores de uma só empresa, sem a opção da escolha. O Congresso dos Estados Unidos formou uma comissão, que trabalhou durante todo o ano 2000, composta por educadores, parlamentares, reitores de universidade, e outros profissionais de alto nível de formação. Em dezembro do ano passado, a "Web-based Commission" apresentou seu relatório, "O poder da Internet para a Educação: Movendo da Promessa para a Prática", onde convoca a nova Administração do Governo e o novo Congresso eleitos a fazer da educação via Web (o "e-learning"), a peça central da nova política de educação do país. Na mesma direção, a nova solução, para as escolas brasileiras, deve garantir o acesso eficaz de alta velocidade aos serviços de redes digitais de informação e, em especial, o acesso a programas e aplicações Web, em várias plataformas tecnológicas. Perdemos uma grande oportunidade (mais uma vez?) de criar uma cadeia de valor e um ciclo de desenvolvimento tecnológicos nos quais um grande número de empresas e centros acadêmicos nacionais poderia participar, criando valor, propriedade industrial e intelectual nacionais (e, por conseguinte, a possibilidade de geração de divisas)? CR - Um País, com P maiúsculo, se constrói com projetos de longo prazo, onde o Governo e a Sociedade atuam de forma articulada, para atingir avanços estruturais sólidos. Deve haver um conjunto de processos de amplo debate democrático, para garantir a evolução, de forma gradual e contínua, a partir de objetivos claros construídos no debate. Infelizmente, o Governo FHC, após 6 anos e meio de gestão, continua surdo,

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Não há qualquer necessidade de impedir a 207 . naturalmente. no exterior. Se a solução proprietária especificada pela Anatel fosse. assim. quanto pelo fato de nossas urnas eletrônicas serem um produto inovador e inédito. desestimulando a criação de valor agregado intelectual e tecnológico. onde a decisão de desenvolver tecnologia ou de produzir aqui. é mais complexo do que realizar uma eleição eletrônica? CR . Não há qualquer coordenação entre as áreas de Governo e as ações são superficiais. informática e telecomunicações. que eram os ambientes de debate e construção de propostas. Este é um Governo que passa o tempo conversando com o espelho e. no mercado atual. inclusive eletrônicas em informática. no caso da fabricação das urnas eletrônicas. e. nas escolas. Nós temos histórias de sucesso tecnológico no país. em setores como máquinas. tópicas e de caráter imediato. e no programa de exportação de software. conectados à Internet. autopeças. a melhor e a mais competitiva solução de software existente. tanto pela total transformação do processo eleitoral. este Governo induziu um imenso processo de desnacionalização de todo o tecido industrial de manufaturados complexos. foram eliminados todos os Conselhos. sem projeto e confuso. muito mais complexo do que implantar acessos aos serviços de redes digitais. na direção.autocrático. foi transferida às matrizes das empresas. Será que estamos tão bem no mercado mundial de informática que o governo não precisa usar seu poder de compra para fazer política política industrial? CR . de fato. A solução tecnológica para a educação pública brasileira é uma questão de cidadania e decisão política. para os projetos do "computador popular" e do Programa Telecomunidade do Fust. assim. ela seria. com a participação dos agentes que representam os diferentes segmentos da sociedade.A automação das eleições brasileiras é um dos mais importantes projetos da engenharia nacional. nas escolas. entre outros. Instalar laboratórios de Informática. para exportar. no ano 2000. a nível mundial. como o CONIN ou as Câmaras Setoriais. as próximas eleições. que iria alcançar 2 bilhões de dólares de exportação. no setor de componentes e microeletrônica.Através das políticas econômicas destrutivas de juros e câmbio. ou não. escolhida pelas operadoras de telecomunicações. considerados de classe mundial por analistas internacionais. O principal objetivo deste Governo são. e continua a se repetir. Foi assim. dos interesses de longo prazo da sociedade. sempre. O Brasil parece ignorar que existe um mercado mundial para soluções de universalização de acesso e que o Edital FUST/MEC/ANATEL poderia ser uma excelente plataforma para projetar soluções "Made in Brazil" para o mundo. Dois exemplos são as urnas eletrônicas e os sistemas de automação bancária.

o Edital original. A Microsoft é uma empresa líder mundial e de extrema competência e não precisa 208 . Assim. coincidência constatar este tipo de comportamento. em 1997. O Presidente FHC considera um símbolo de prestígio e gerou um fato político para receber. garantindo a formação exclusiva de milhões de jovens consumidores cativos. Não me parece. livres e proprietários. e a compra de seus produtos.No Hemisfério Norte. como política de externoindústria e comércio interno e externo. o Governo prefere prestigiar os executivos de uma grande empresa. ao lado do fato do Governo privilegiar a compra de microcomputadores com Windows e desconsiderar que o Fust deve. então. Desconsiderar possíveis soluções "Made in Brazil". tão criticado pela indústria e pela academia? CR . Por outro lado. A indústria nacional não parece ter sido recebida pelas mais altas autoridades brasileiras para discutir as alternativas que poderia apresentar para os laboratórios de internet nas escolas. na prática. o que levou o governo a manter. junto com advogados gerais de 20 estados americanos. para a educação via Web. com grandes e competentes equipes técnicas. o Departamento de Justiça do Governo dos Estados Unidos. desejarem optar por uma solução com software livre ou outra solução mista. garantir a universalização dos serviços de telecomunicações. privilegiando uma única empresa. Independente do mérito da ação legal. processa a Microsoft. por Lei aprovada no Congresso. para privilegiar a mesma empresa e consolidar sua condição monopolista. depois de já ter condecorado o presidente anterior e fundador da mesma empresa com a Ordem do Rio Branco. líder mundial no segmento de software. o Governo do Brasil usa recursos públicos do Fust. nem no desenvolvimento de software nacional.ou da falta de expressão política da indústria de base tecnológica nacional? CR .Existe um comportamento de subserviência intelectual em determinados líderes políticos. com múltiplos produtos de software.competição aberta. é emblemática a diferença de postura. é resultado de que? Da incompetência do governo em saber o que o país pode fazer -e das conseqüências disso. nem no fortalecimento da infraestrutura de telecomunicações. À margem das águas tropicais. Ou foi e nós não sabemos? Se foi ouvida. e o Congresso Americano apresenta o projeto "O poder da Internet para a Educação: Movendo da Promessa para a Prática". na busca da melhor e mais competitiva oferta. por ações monopolistas ilegais dentro do seu próprio país. sem alternativa. citado acima. apenas. e não apóia o investimento. o presidente mundial de uma grande empresa americana. esta semana. independente de produtos proprietários. criando redes comunitárias de alta velocidade. não cabe à Anatel impedir a ação competitiva e criativa dos agentes do mercado. se as grandes empresas de telecomunicações.

no processo educacional brasileiro. aliadas à inexistência de um projeto de longo prazo. quais são.deste tipo de privilégio. O uso de recursos públicos de forma a privilegiar um monopólio para uma empresa estrangeira. No meu entender. e gerou um importante parque industrial. com a incompetência arrogante de certos setores da administração pública. no relacionamento entre governo. há como voltar no tempo. tem se mostrado uma tônica. Há. Apesar de todas as críticas pertinentes que fazemos aos governos militares. também. e causar danos irreparáveis. Mesmo no Governo Collor. por exemplo. traduzida na insistente busca de soluções no exterior. O Brasil é um grande mercado e um ambiente jovem e criativo. que continua em vigor. Você já foi presidente da maior associação nacional de empresas de informática. que está sendo processada em seu país. trazendo a eficaz aplicação das leis a todos os brasileiros. que teria que ser necessariamente o resultado de um intenso debate democrático com os agentes da sociedade. de modo a gerar desenvolvimento sócio-econômico.Ainda há tempo para evitar o estrago que está para acontecer. oportunidades importantes na automação integrada de todo o processo do Judiciário. Há. pela falta do ambiente democrático. naquela época. Cabe às lideranças nacionais e ao Governo construir um ambiente de vantagens competitivas que induza a evolução da indústria. de má memória. as empresas de TI são. na sua opinião. também. em função do ambiente em que se encontram. agentes econômicos que conduzem suas ações. Isto só acontece quando há valor agregado intelectual e tecnológico. onde há muitos desafios a serem ultrapassados. é um erro muito grave que pode e deve ser evitado. que precisa ser discutido de forma aberta. Assumindo que a água do FUST/MEC/ANATEL já passou e não opinião. o funcionamento do CONIN – Conselho Nacional de Informática e Automação permitiu o amplo debate que gerou o aperfeiçoamento da Política Nacional de Informática. neste Governo FHC. neste incidente do FUST em particular? CR .A união da subserviência intelectual. as próximas oportunidades para a indústria nacional e qual o papel do governo nas mesmas? CR . o que não vem acontecendo. o 209 . no setor de informática e telecomunicações. com a transição da reserva de mercado para a política industrial aberta a investimentos estrangeiros. Quanto ao futuro. Como diria o saudoso Stanislaw Ponte Preta: "É o samba do crioulo doido!" Não há uma explicação racional. indústria e mercado. a implantação do "computador popular brasileiro". sempre houve uma visão estratégica de longo prazo e de defesa dos interesses nacionais. Você vê algum padrão se repetindo. buscando crescer e gerar resultados positivos. temos que reconhecer que. para os desafios brasileiros.

nem no Governo nem nas associações de classe. e talvez às portas da ALCA. que pode reduzir o que ainda se faz de esforço tecnológico nacional a pó..Com a desnacionalização da indústria. no meu caso.. Na legislação de TI. acho que deve ser algum defeito de fabricação eu continuar defendendo princípios e lutando por idéias que.176 76). existe o PITAC . Não há qualquer projeto de longo prazo ou visão estratégica. Imaginando que a política de informática. só mais uma destas aventuras legislativas tão comuns no país? CR . e vendo os ciclos se repetirem. a realização profissional e a gratificação pessoal para 210 . em todas as áreas de computação de alto desempenho. com dinheiro público.. existe a previsão para a operação do CONIN e dos Planos Nacionais de Informática e Automação. comunicações e tecnologias da informação. se o governo continuar achando que nós não precisamos de "política nacional". mas a articulação entre indústria.. em um próximo governo.President's Information Technology Advisory Committee. daqui a uma década. por exemplo.. quase da mesma forma. também. (10. academia. para os nossos filhos e netos."computador popular" deve ser um serviço disponível a todos. para evitar que coisas como o Edital FUST/MEC/ANATEL se repetissem? CR . no Congresso Nacional. através das empresas de telecomunicações. estando na lide há tanto tempo. que devem ser aprovados. nos Estados Unidos. no Brasil. dentro de mecanismos de governo federal que. Basta ver o que fazem os países desenvolvidos. que provê o Presidente. o Escritório de Política de Ciência e Tecnologia e as agências federais envolvidas em pesquisa e desenvolvimento em Tecnologia da Informação com diretrizes e aconselhamento..176). sempre foram muito mais conjunturais do que estruturais. imagino. mas. porque ainda lutar por tecnologia nacional com tanto afinco e dedicação como você faz? E por que há tão poucos fazendo o mesmo? CR .. diretamente ligado ao Presidente da República. o que seria possível fazer.É essencial a implantação de mecanismos permanentes de discussão e construção de idéias e conceitos. de forma amplamente compartilhada. onde os temas possam ser discutidos e os planos de longo prazo. anualmente. Finalmente. mercado e governo. em si 10.Não posso falar pelos outros. para que ela não venha a ser. Um projeto com a especificação técnica do Edital do Fust jamais aconteceria. Nos Estados Unidos. a discussão passou a ser tópica. fosse desenhada por você. Como anda a Política de Informática? Não a Lei. aperfeiçoados. econômica e fiscalista. possam nos levar a um Brasil melhor.. continuamente. quando se fizer o balanço. Pode ser.

um projeto brasileiro. Com certeza. de modo mais leve e superficial. se me afastasse dos temas polêmicos e tratasse o dia a dia. Me traz muito prazer e realização viver aqui e trabalhar ao lado delas. 211 . como fez a Argentina. a indústria brasileira de TI. Mas nada substitui o entusiasmo de ver as pessoas votando nas urnas eletrônicas.o engenheiro que faz projetos e desenvolve produtos. por completo. O Brasil é um grande país de pessoas alegres e inteligentes. eu teria uma vida menos turbulenta. ou o fato de ter participado do processo que impediu que o Governo destruísse.

os emails que estão na caixa de mensagens (mailbox): cat mailbox | awk ' /^From / { print $2 } ' | sort. somente umas poucas das quais acabamos usando.. Para ter uma idéia do que seria o mundo sem as coisas que Kay e seus companheiros inventaram. ao custo (suportável. aqueles textos psicodélicos que ficam aparecendo na sua tela antes (durante e. Enquanto estava no PARC. e Epoc. além de ser um dos principais caras por trás do conceito de computador pessoal e do "laptop" e o arquiteto das interfaces gráficas baseadas em janelas que todos nós usamos hoje. Se houver um erro ou dois por cada mil linhas de código desenvolvido.2001 ] . podemos utilizar sem que.A melhor maneira de prever o futuro. mas o original parece ter sido dito por Alan Kay em uma reunião do lendário Xerox PARC.. em ordem alfabética. aqui está um trecho de código na linguagem da "shell" do Unix.. tornando-os quase utilizáveis por seres humanos. diga-se de passagem) de substituir o conhecimento do usuário sobre as entranhas dos sistemas computacionais por software (básico...Ago. feito por Cristiano Mattos. da Tempest. há exatos 30 anos. pensou? Pois era assim até pouco tempo.. de interface e aplicações) que simplifica os computadores. para isso. Mac OS X. Unix. o que deu como resultado sistemas computacionais que nós. que lista. conjuntos de programas de computador que podem somar dezenas de milhões de linhas de código. por exemplo) para crianças.. Se você usa Windows 95 ou 98. Windows. alguns dos sistemas que "facilitam nossa vida" são. estamos falando de um sistema como Windows 2000 sendo lançado com mais de sessenta 212 . Agora imagine que você tivesse que aprender isso sort para usar computadores. Palo Alto Research Center. e hoje é apenas um dos muitos botões (buttons) da interface gráfica que você usa. Kay é um dos inventores de Smalltalk e um dos pais da idéia de programação orientada a objetos (Java é quase um bom exemplo). Kay trabalhou projetando coisas computacionais (como as tais interfaces do tipo janela que deram seu nome a Windows. Se tivesse patentes pessoais para tudo o que fez e exigisse seu nome à frente da computação que usamos. em qualquer máquina. tenhamos que tirar um PhD em computação ou varar todas as madrugadas da nossa juventude nos tornando autodidatas em algumas dezenas de esdrúxulas linguagens de comando. seria muito difícil deixar de mencioná-lo muitas vezes por dia.é inventá-lo. usadas para implementar centenas de milhares de funções que estarão à nossa disposição. às vezes. com qualquer sistema operacional.. Muita gente já deve ter dito isto em muitas ocasiões e contextos. na verdade. [ 31. depois) do logo do sistema são exatamente isso. mortais comuns. Linux. É fácil perceber que houve uma simplificação muito grande.

o mesmo Alan Kay deu entrevista de meia página para a edição comemorativa dos 15 anos da falecida revista Byte. já que o programa de computadores nas escolas não é seguido de outros. no melhor sentido: pessoas que. de usar o computador e a rede para achar mais uma referência à Guerra. segundo Kay (e eu concordo) o espaço de consolidação de conhecimento real. O que vai ser um dos nossos grandes problemas. valores e tecnologia.. duvidam sistematicamente do que encontram e. esquecendo que crianças são seres em estado de crescimento. no trabalho. do que lhes tentam fazer aprender. A escola não é. Kay foi uma peça chave na invenção da computação deste milênio. social. adiciono eu). E pais e professores de escolas públicas não são exatamente o público que dispõe de recursos para bancar mais este gasto. as pessoas são expostas. apenas decorou. na sala de aula. mais fundamentalmente. teríamos o professor-facilitador. conhecidos pelo fabricante. Seria muito interessante. dizia ele (ou na Internet. a priori. no máximo. ou defeitos. está um descontente com os computadores dos anos sessenta e setenta: para poder prever o futuro. oficina da humanidade. enquanto a Guerra do Paraguai está sendo debatida. e não adultos "defeituosos" que a escola. sem falar adequados). a última vem muito abaixo das primeiras. de refletir com ela.mil "bugs". Saindo de 1971 para setembro de 1990. pensam. prático. procuram significados.. e isso há 20. Mesmo assim.. consideram o que ouvem. de computadores e internet na casa dos pais e professores. Ao invés do professorgravador-reprodutor. a idéias e conceitos (nem sempre novos ou corretos. o custo de aprender uma linguagem de comando é absurdo. pois os garotos e garotas podem criar uma intimidade muito maior (e mais rápida) com a tecnologia do que pais e professores. Computadores e Internet não mudam nenhuma atitude. teria a função de consertar. em casa. alguém capaz de guiar sua turma. Achar que conhecimento e carreiras de sucesso estão em computadores. Talvez seja bom lembrar que quase a totalidade dos professores não tem tempo para navegar e preparar material enquanto está na escola. e muito menos os pais. Computadores e Internet deveriam ajudar a escola a criar céticos. 213 . vamos comprar e usar porque. Por trás disso. paralelos. criticam. 30 anos atrás. Segundo Kay (e isso em 1990). é o mesmo que atribuir a música aos instrumentos musicais. que os professores pudessem "dar aula" com os alunos pesquisando o assunto na Internet em tempo real. talvez relaxem ainda mais a atenção que os pais dão ao problema de educação infantil e adolescente. sobre computação na educação. os pais entregam os estudantes à escola e esperam que ela cuide de sua educação integral. por exemplo.. onde diz que entre atitudes. que fica repetindo ad infinitum algo que. às vezes. A consolidação e a aplicação do conhecimento que começa a ser gerado na escola é um processo aplicado. lá. como vimos acima.

menos oportunistas e mais oportunidades. fez doutorado em um centro prestigiado. Coisa muito.Quantas. foi contratado pelos melhores laboratórios (como enfant terrible de plantão em Stanford. mas muito difícil de acontecer em países onde o neocolonialismo interno dos nossos poderes políticos e econômicos não consegue agir além da periferia das principais cidades do sudeste. sem medo. usados como fontes de informação e geradores de ceticismo nas escolas. pelo que pensam. vive no país da oportunidade. ao entrar na escola. inconformados e audazes como Fernando Dutra Pinto a serem os Alan Kay do Brasil. O andar de cima precisa entender que eles são a conseqüência. que aprendeu a ler aos três anos de idade e. Computadores e Internet. pensam e agem.. quando muito. menos tribunais inacabados. Kay. aos cinco. já tinha duzentos livros. menos dinheiro escuso em paraísos fiscais. entrou para Força Aérea. mas de imaginação e oportunidade. Mesmo tendo sido expulso da escola no segundo grau por suas discordâncias (nem sempre juvenis) com o sistema. Atari. e não a causa dos nossos males. poderiam ser a base de um povo que pensa.a guerra começou como uma disputa partidária no Uruguai ou usam alguma versão "do inimigo"? Criar o futuro –e conseqüentemente saber prevê-lo.. talvez pra continuar o desenvolvimento da linguagem Squeak. dizem que . Isso seria o ponto de partida para menos ranários.. MIT) e hoje está deixando a Disney. das usadas em sala de aula.. formado por indivíduos que duvidam. PARC. E nós precisamos criar juntos as condições para que eles (e nós) criem um futuro diferente do que está pintando. Apple. menos depósitos em contas de governadores. quanto mais para dar oportunidades às crianças de São Félix do Jalapão e algures. onde vamos acabar vendo Chevetes blindados por todo lado.depende não só de competência. 214 . porque confiam em si próprios e sabem que têm uma chance real de mudar "o sistema". saiu de lá para a universidade. Que talvez levassem garotos inteligentes.

215 . Tudo mudou quando Klip Tchai. em algumas semanas. mas porque tinha conseguido transformar quase todos os outros em concorrentes menores. era possível criar uma duplicata de qualquer ser. Os maiores laboratórios e charlatões gastaram anos nisso. os jornais. simultaneamente. que não era. a cópia não tinha todas as características do original. era muito. E replicáveis. A não ser o fato de que quase todos a usavam. Quase nada. Não servia para nada. de tal forma que a réplica fosse realmente uma "cópia" do original.Set. e a rede que levava o nome da PIGs empresa.. construiu os PIG (Plug-Ins Genéricos). [ 07. no começo do milênio. logo depois. Mesmo seis dias. Daí por diante. da Mutatis Mutandis. diziam os boatos. publicaram que. aperfeiçoou os protocolos de captura e transferência de informação mental. não por causa da tecnologia superior. Não era cópia. sempre alarmistas. Humanos que. Muito tempo. Lagos e sabe-se lá mais onde. somado a todos os relacionamentos que seu cérebro montava. Os PIGs eram inseridos. Agora era possível copiar uma mente em um dia e realizar tal processo em dezenas de milhares de mentes. algumas empresas russas estavam conseguindo realizar todo o ciclo de desenvolvimento corporal em sete dias. a princípio. Mas realizavam uma função mais simples. mostraria a história. usando uma única MIDAS (MInd Download ASsembly). muitos anos. a de transmitir tudo o que acontecia com um ser. Ou então. Daquele dia em diante. Aliás. para os DARCCs (Distributed ARray Communications Computer). mas um conjunto de processos chamado CRASH CRescimento Acelerado de Seres CRASH. apenas em seres humanos já desenvolvidos. a partir de alguns insumos fundamentais extraídos do seu corpo. depois que o Estado aprovou não somente a clonagem. Mas quem iria querer apenas um corpo. em laboratório. não haveria mais nenhum incidente.Independência ou. E. até ontem. no começo. e para que iria servir? A dualidade corpo-mente tinha que ser resolvida de alguma forma. que a fizesse a líder. e funcionavam como os web-servers do início da era da informação. quando se economizava o tempo. mas só a HumaNet importava. o que seus sentidos percebiam. À época.. Muito menores. Mas levava tempo. Faltava apenas um para serem deuses e poderem descansar ao sétimo. já vinham sendo realizados em laboratórios clandestinos em Marrakesh. quando Hiro Fyyre. da HumaNet. os massivos servidores da HumaNet.2001 ] O último incidente foi em 2035. propondo fórmulas mirabolantes para passar a mente de um cérebro para outro. havia outras empresas no negócio. Não tinha nada de excepcional. passíveis de crescimento acelerado. algum tempo depois dos corpos começarem a servir apenas de repositórios de informação.

não era apenas nossa mente. ou longe de alguma base da rede digital parasita que cobria áreas habitadas. de corpos humanos. E competidores. Qualquer corpo dotado de um PIG. seu espaço de conhecimento era copiado para a máquina virtual correspondente.No princípio. estava ligado ao mundo por algum elemento de SOCCER. À medida que um corpo acontecia no espaço que o circundava. movidas a energia solar. muitas vezes à força. a HumaNet era supernormal: sabia muito mais sobre nós próprios do que nós sabíamos. para transacioná-los em troca de outros recursos. não tinha opinião. Quem tinha a informação falava como autoridade: afinal. Para muitos. também. qualquer um podia receber a informação da HumaNet diretamente. da face 216 . onde a aquisição. Toda a Terra estava coberta por uma rede de células de comunicação sub-orbitais de alta capacidade (SOCCER SubSOCCER. de Tchai e seus associados e parceiros. e ninguém tinha feito antes. detinha fatos. o tempo todo. Caso alguém quisesse lembrar de algo que não conseguia. era muito difícil de entender como a coisa toda funcionava ou porque alguém teria que se preocupar em usá-la. incluindo coisas que estavam fora da percepção consciente do ser associado ao PIG. usando tecnologia que tinha começado a ser desenvolvida. debaixo da ignorância e escárnio de parte da comunidade científica da época. naturalmente. que processava e armazenava o que acontecia a cada associado.. Certificados. até que os conceitos e significados se tornaram conversa normal no trabalho. mas. Cada PIG transmitia um fluxo quase infinito de dados para a HumaNet. pela qual passava toda a informação associada a objetos móveis de qualquer tipo. mas sua extensão. inclusive em um projeto de nome esquisito. correspondia uma máquina virtual associada na HumaNet. qualquer um de nós. SOCCER Orbital Comm Cells. começou a ficar tão interessante e tão perto da vida das pessoas que a mídia inteira explicou milhões de vezes. Certos. a partir de um certo ponto. dentro de algum DARCC. era só lembrar a seqüência MinSC (Mind Sequence Commands) necessária para ativar a HumaNet e receber a associação. para não ficar no disse-me-disse. com as possibilidades tecnológicas de deixar a mente independente do corpo criaram um novo mercado e a fortuna. nos pontos de encontro. quando fora de casa ou da empresa onde trabalhava. e tê-la atualizada. em algum lugar do mundo. nos últimos vinte anos do século passado. Pelo menos até o ponto que a HumaNet quisesse. Efficient and Reliable). seja lá onde estivesse. A cada PIG. de forma a saber tudo o que se passava dentro e atrás da rede. virtual. gigantesca. Por $10 por ano. CYC. recuperar da memória.. A máquina virtual que nos cabia. na HumaNet. em sua mente. A coisa toda era tão simples. por exemplo. A combinação dos tempos difíceis. em cada corpo. Radical.

deixava- 217 . em Tempo ReAl. $1. capaz de instalar. Pais podiam programar alertas de comportamento e reprogramações dinâmicas para combatêlos. desde que houvesse como. por sinal. o que era possível pois o sistema. em que colégio seus filhos estudavam. não interferia em qualquer funcionalidade dos seres. dispersas pelo mundo. quando o serviço era one-way. compatível com o que estivesse em uso pelo cliente. Depois.à sua frente ao nome da entidade que estava usando aquele corpo. sofressem qualquer programação mais sofisticada. Em caso de acidente fatal. A maioria propunha pacotes especiais que embutiam o preço de reposição do corpo (original) por um corpo-CRASH. a HumaNet tinha um bilhão de clientes e o faturamento havia batido a barreira dos 10 trilhões. de forma que a mente estaria fora do ar. digamos. Por um número de razões. Um ou outro boato dava conta de que eles eram programados sim. enquanto uma mente evoluía. quase sempre para servir de memorial. mesmo quando ela se tornou desnecessária pelo uso de MEDUSA (um sistema de "Mind EDUcation" feito pela companhia do mesmo nome). inicialmente. Foi mais ou menos aí que alguém na HumaNet desenvolveu o primeiro PIG BAX (bidirecional.. capaz de evoluir com o corpo no qual parasitava. Nada de faltar à escola. O conceito tinha mais de cem anos. a expiração do prazo de validade do corpo ou alguma outra desventura. ficou claro que havia mais a fazer. positivamente. diziam muitos. o X era de experimental) com um preço inicial dez vezes maior do que o modelo básico. Mas a coisa pegou mesmo quando as companhias de seguro começaram a dar um desconto de setenta por cento nos prêmios de quem tivesse o serviço da HumaNet e não fizesse questão de continuar com seu corpo original em caso de algum desastre. e vinha de revistas de ficção científica do outro milênio. porque pais o queriam instalados nas crianças desde o berço. foi o único que sobrou (e assumiu o nome PIG. E onde ela trabalhava. dois ou três dias. no máximo.. A não ser. excluindo extras como LETRA o serviço de LEmbrança LETRA. fosse o de ser astronauta ou limpador de vidraças. de diário referenciado no espaço e no tempo. acidente. coma ou algum programação mais interessante. com o mesmo preço). O serviço básico custava. dependendo do tamanho do problema que o corpo no qual residia enfrentasse. mas para serem normais e felizes nos seus trabalhos. enviar informação para as mentes. Depois. No começo. Em cinco anos. O lapso de tempo entre o fim de um corpo e a mente funcionando em outro era preenchido com sono. escolhida em um cardápio de ofertas. todo o arsenal de conhecimento necessário para que o corpo correspondente atingisse seus objetivos e metas. Não consta que os últimos. ativo. copiava-se trajetórias de vida. no background. dos corpos para a rede. capaz de fazer muito mais do que simples associações.000 por ano. na maior parte dos casos.

de nenhum tamanho. A reprogramação. em suma. Um fim terrivelmente simples. coerentes. além de ser quase monopolista no mercado de redes. 218 . o que era possível desde a época dos PIG BAX. militares e criminosos. Boatos. para dizer o mínimo. de um corpo legal. se houvesse um acerto para tal. abdução de um corpo por entidades não autorizadas e outras causas graves. insegurança e medo. Um recomeço tão simples quanto. por qualquer motivo. considerando o fim do qual tinham escapado. se tornavam. enquanto os seres propriamente ditos estavam em outros lugares. Sempre que um corpo era abduzido. mas muitos achavam que ela era apenas uma marionete nas mãos de gente como Tchai que. O roubo. de um lugar pra outro e retomava-se a vida normal. no início. por que não haveriam de? A regra para os seqüestros era simples. no começo. às vezes. que gastavam tanta energia para produzir. iam bem para todos. para gerar incerteza. nada de confirmação. cessava-se sua mente e encerrava-se o corpo. e vê-los destruídos. pois as seguradoras passaram a não aceitar certos encargos com nenhum prêmio. Quase como se nada houvesse acontecido. A mente era transferida para um novo corpo. Era anti-ecológico reinstalar uma mente em tantos corpos. um escritor do século passado. menos a morte. muito similares às Leis da Robótica de Asimov. primeiro. contentes. tinha mais de 60% do mercado de mindware. As conseqüências era interessantes. tinha caído a quase zero. O crime tinha diminuído até ser irrelevante: os regulamentos AME permitiam o acompanhamento e a reprogramação dinâmica de mentes cujo comportamento fosse claramente anti-social. passou a ser requisitada. no serviço público. semelhante ao original. muito menos testemunhas oculares. se não houvesse como recuperá-lo em quatro horas. imediatamente. era a de não criar novos seres sem que houvesse justificativa legal.se quase todo o registro. Afinal. Como sempre. só era permitida em indivíduos sob alguma forma de controle legal do Estado. Uma das regras que as empresas não obedeceriam. como servidores públicos... As regras custaram 13 anos de discussão e eram poucas. Havia estórias de festas onde cópias dos corpos das mentes de alguns seres estiveram presentes. Os negócios. uma vez por ano. em menos de um piscar de olhos. segundo rumores que circulavam no submundo. por pais de filhos problemáticos. as mentes. Depois. era a resposta da HumaNet. A Agência MEntal (AME foi criada em 2045 para vigiar a AME) AME economia que girava em torno de empresas como a HumaNet e seus concorrentes. Instalando a cópia da mente que estava na HumaNet noutro corpo. o que só valia nos casos de cessação. Quando despertavam em novos corpos. era como passar uma vida por um space-time-warp: saltava-se.

. foi um pulo. como isso não evitava o estrago de recursos. não o fazia. Incluindo não roubar. Os que não queriam ser programados e ainda conseguiam dizê-lo em público. Mas o eco era fraco ou inexistente. apesar do Estado ter meios para controlar o crime. Além. Não conseguia viver com a idéia de ter sua vida copiada pela rede. o que os deixava desprotegidos. passou-se uma resolução obrigando os servidores a ter LIMITES. Isso foi ontem. Mesmo. selavam sua sorte.. um conjunto de regras que serviria. Antes. Elena não tinha paz. a princípio. Alguns intelectuais ainda encontravam espaço. fazia sexo. Polêmico. enquanto servissem ao público. por quatro quintos da sociedade que desejavam ter os servidores sob vigilância. Muito menos quando. à frente de tanto poder e recursos. que tolhia a liberdade das pessoas. Daí pra LIMITES. na mídia. e alguns deles conseguiram escapar até disso pois alegavam que.era possível investigar a vida de um servidor que saía da linha. porque a AME tinha demorado ainda mais para estabelecer os mecanismos que controlavam mentes com tendências criminosas. enquanto lia. Mas imposto em plebiscito. era uma vaga recordação: ninguém entendia como a HumaNet tinha demorado tanto a assumir o controle. de seguir fielmente os princípios e valores morais. Até Elena. somente levava à punição certa dos culpados. justamente como o nome diz: limites. [Continua. No imaginário popular. na próxima semana] 219 . Nada de ofender os direitos dos cidadãos. Quem se achava honesto queria mesmo ter o código. trabalhava.. De obscuridade e ditadura do sistema. nem ultrapassar os limites da decência no exercício do cargo. a qualquer título. por sinal. varrendo tudo o que tinha feito no seu trabalho. Quem não era não tinha como evitar.. desmesuradamente. Depois. eram ladrões. E a vida continuava. sem incomodá-lo. apenas minerando os dados de sua máquina virtual. muito melhor do que antes. éticos e legais que eram exigidos de um servidor público. Também. escrevia. Pra maioria. com a segunda e última parte. para protestar contra o que chamavam de nova idade média. claro.

PEGASUS era um sistema de coleta de evidências pessoais. de alguma forma certificada.Set. No grupo de arquitetura de sistemas. Elena tinha mais tempo. não estavam sendo usados nem como nem para o que tinha sido desenvolvido e. Depois não diga que não foi avisado. Caso insista e leia o fim antes do começo. era pensar. escrevia.. certamente porque sabia demais. que achavam o avanço das tecnologias da mente algo normal. algumas patentes do qual tinham sido compradas há tempos pela HumaNet... era o mesmo que discutir filosofia em engenharia civil.AVISO AOS NAVEGANTES: Esta é a segunda e última parte de Independência ou. era o que a sigla do sistema anunciava. nunca tinha sido.. ou. a necessidade de avaliar o que as pessoas sabiam ou não. autorizado pela AME.. fazia sexo. para sempre. Talvez ninguém tivesse tempo para pensar no que Elena pensava. transcendentais para os outros. eram questões concretas sobre um dos mundos mais abstratos que havia. este texto só fará sentido se sua leitura for precedida pela do texto anterior. Um dos problemas da HumaNet era processar os fluxos infinitos de informação oriundos de bilhões de seres humanos.Elena não tinha paz. razão pela qual Elena acabou trabalhando. parte da graça do todo se perderá.. pelo não. para animais de 220 . PEGASUS começou a ser instalado pela HumaNet de forma temporária. inicialmente financiado por MEDUSA. Seus temores eram descontados por todos.. todos os dias. muitas das siglas e sistemas entraram na história na semana passada. Muito menos quando pensava. natural. sem querer. quando associado aos PIGs.::: .. após tanto tempo. horas a fio. inevitável. no Ryle Institute.. O enredo. para avaliar conhecimento. enquanto lia. Isso porque ainda havia. também. algo que vinha sendo estendido. puramente.::: . E Elena tinha razões de sobra para desconfiar que resultados de um dos projetos mais antigos do instituto. onde fazia doutorado em física computacional da mente. o projeto precisou de muito mais fundos do que a companhia dispunha à época. publicado nesta coluna em 07/09/2001. Elena achava isso uma besteira.. Para a maioria dos leitores. Mas não demorou para que alguém mais criativo descobrisse as infinitas possibilidades do sistema. para Klip Tchai. Não conseguia viver com a idéia de ter sua vida copiada pela rede. trabalhava... depois. os personagens.2001 ] :::... Suas perguntas. o da mente humana.Morte? [ 14... e boa leitura. ninguém ligava. Mas era minoria. Personal Evidence Gathering SUpervisorS.. Especialmente porque o trabalho de Elena Sbek.. Pelo sim. e seu propósito inicial era avaliar a qualidade da educação fornecida por MEDUSA. PEGASUS não era mais um brinquedo. em qualquer caso.

um segredo impenetrável. Em cada mente onde residia. olhando para a mente primária como objeto de estudo. capaz de detectar. PEGASUS era uma mente virtual. conquistada pela miríade de sistemas encarregados de remover as complicações do caminho da humanidade. Elena sabia e entendia isso como ninguém. pois a maioria dos erros concretos estava sendo. às vezes simplórios. eram abstratos. não foi muito difícil conseguir fundos para pesquisa e investimentos de risco para criar novos mecanismos de reconhecimento e administração de sistemas emergentes de muito grande porte. CPMF era o nome público para o ConsPiracy MetaFinder. os que viviam fora da civilização. De muitos. para enviar e receber comandos e dados. Sem ser percebido pela mente "normal". como as multas nas quais incorriam indivíduos que sofriam de lapsos de comportamento. onde se sabia estar a estrutura e a inteligência da sociedade. as associações de muitas mentes. Sintetizando soluções para que datas não fossem esquecidas. pré-processados. para a HumaNet. que fazia muito. flores fossem enviadas. sem a ajuda dos parasitas reais e virtuais que podiam ser instalados nos corpos de hoje em dia. O que desembocou no desenvolvimento da CPMF da qual CPMF. como sempre. a HumaNet era avisada e algo podia ser feito para evitar um desastre maior. Poucos grupos resistiam. para os primeiros sistemas da HumaNet. julgamento ou pena. Os usos eram múltiplos. impossível de ser identificado antes que alguma catástrofe ocorresse. hoje. acusação. A oportunidade comercial era gigantesca e as seguradoras. pouco a pouco.. Os PIGs eram muito simples e dependiam da rede o tempo inteiro. E. Os mais recentes desenvolvimentos fugiam à esfera pessoal. casamentos continuassem. Desvios de comportamento. Parte disso podia ser programada em MinSC. em um dado conjunto de seres que utilizavam um 221 .estimação. preferindo uma existência anormal. todas as provas da intenção. Outra parte. Controlado o indivíduo. muitíssimo mais que isso. capazes de alianças em rede cujo comportamento era. por exemplo. o infrator em potencial podia ser punido e reeducado. começava-se a tratar os comportamentos de redes. Depois de atentados indescritíveis no começo do século. Grupos descontrolados causavam prejuízos de trilhões. à antiga. não.. e enviar dados refinados. que duraram décadas. Elena sabia. seguidos de incidentes ainda mais graves envolvendo países e religiões. Antes de um fato ocorrer. PEGASUS era algo mais: podia capturar e processar informação localmente. real. o incêndio a debelar era o grupo. sintetizadas por PEGASUS. no cérebro onde residia. os principais compradores. O custo de um transporte aéreo e as conseqüências de intervenção humana mal intencionada podiam falir qualquer um. ou quase. de fuzilhões de estados. sem que para isso houvesse necessidade de processo. Estava tudo lá. bônus da tecnologia. só escapavam os informais. mesmo quando os graus de liberdade ainda existentes eram uma fração do passado. defesa.

Achando pouco. E ela tinha quase certeza de que não poderia ser detectado por PEGASUS ou CPMF. inclusive um MIDAS de pequeno porte. Na maioria dos casos. proposta mundial (Higher Thought Tax Proposal) para criar um imposto sobre conhecimento novo. justamente. Se já não era.. Todo dia. espalhado por irresponsáveis (segundo fontes do Estado) dizia que em tempo de crises financeiras. contrabando e conspirações de todos os tipos. como se fossem as tetas da sabedoria. Todas as facilidades para realizá-lo estavam disponíveis no seu laboratório. cada nova cadeia seria rotulada. E o Estado não precisava mais. O porta-voz da HumaNet negava e acusava inimigos não nomeados de plantar dúvida. quase tinha eliminado os incidentes de outrora. Parte de Elena tinha certeza de que esta era a real razão para HTTP: aumentar a lucratividade das corporações. pelo menos os exprimidos. Antes que fosse tarde. e a de Elena foi a HTTP uma HTTP. como a HumaNet. gastaria pouco e levaria apenas algumas horas para ser executado. incerteza e medo entre a população. era quase obtusa. corporações que já detinham quase todos os bits associados a seus colaboradores. assumir até os sonhos de todos. É possível que estivesse escrito nas estrelas desde o princípio da era da informação. teria sua propriedade estabelecida e os direitos repartidos entre os beneficiários. A HumaNet fazia todo o serviço. para pagar a vultosa multa (e não irem para a cadeia). O cruzamento de informações do CPMF. em pontos de partida e nos transportes e associado a PEGASUS. O plano de Elena era simples. ordenhar suas mentes. mesmo que localmente. Para viajar. na maioria dos países. então. se um ou mais tinha um comportamento desviante. armazenavam todo o conhecimento formal do planeta. como sempre. em passados recentes. capaz de interferir na linha de espaço tempo projetada para a situação. Identificada. teria havido um conluio da HumaNet com a arrecadação para. direto na fonte. E as alfândegas tinham sido eliminadas em tantos outros. Os últimos graus de liberdades individuais viviam por um triz. Empresas e Estado estavam decidindo empregar uma nova máquina virtual. muito menos ter seu plano e execução capturados pelo PIG instalado em seu 222 . PEGASUS e CPMF eram usados para controlar tráfico. objeto ou participavam de um processo. remunerada por qualidade e produtividade. O mundo estava perdendo a graça. era obrigatório. queriam espremer todo o resto. Todo mundo tem sua gota d'água. substituídas por meros detectores da rede. necessariamente. vigiar ou prender quase ninguém. Um boato. capaz de detectar a formação de cadeias de conhecimento até então desconhecidas pela redes das empresas que. induzir os cidadãos a contrabandear artigos para os quais tinham recursos.serviço. Elena não havia lido.. ela ia pular fora. primeiro. A simplicidade da coisa.

Longe dali.. Transferir sua mente para o corpo. interferiu na rede pouco a pouco. pouco à vontade. mas livre e sem PIG. Talvez modificar alguns itens básicos. Aí soaram os alarmes e Elena. Voltando ao laboratório. Ia ser mais um dia normal de trabalho no H8B-223. havia conseguido reverter alguns canais para transmissão e usar sua outra mente para transferir-se para um corpo estranho e. Todas pertenciam a Elena Sbek mas. com um seguro tão alto. estranhas. Primeiro. de repente incoerentes. criava e recriava cópias que ficavam cada vez mais corrompidas por cadeias sem sentido. livre. E ia ser muito difícil explicar a perda de uma vida tão cara. até agora. na informalidade. desconhecida da HumaNet e da humanidade. o acidente era quase impossível. não havia mais uma Elena virtual que pudesse ser identificada como uma conseqüência natural de sua linha do tempo. diferente. trazidas para a rede por ordem de uma mente que. talvez com alguns defeitos de menor porte. mas o dia que a tornaria livre para sempre.corpo. a mente de Elena se acomodava a um novo corpo. se houvesse. em suspensão programada. fora de série. obter um corpo. que não pudesse ser utilizado para produção comercial. eliminar qualquer traço de sua existência. tinham que ser descartadas. eliminando a possibilidade da HumaNet reviver Elena Sbek em outro corpo. sem disfarces. Pagou sua independência com. ao mesmo tempo. cadeias de conhecimento eram removidas e outras. Na tentativa automática de atualizar a rede. a morte? 223 .. as cópias de segurança. para dificultar uma investigação futura. como tal inconsistência começou a acontecer. Em pouco tempo. fora de controle. eram introduzidas no sistema.. onde acordaria horas depois. conscientemente. vazio.. que vinha vivendo na metade receptora de um cérebro dividido. enquanto ela própria o transferia para longe do Ryle Institute. Tinha dado certo. Elena Sbek. Um capaz de viver. a rede fez a Elena da HumaNet perder todo e qualquer sentido. teve o corpo destruído ao cair em um terminal de energia. Para a HumaNet. Ninguém nunca saberia como isto foi feito.

o que é de interesse de todos. Xenofobia e ingenuidade à parte. taças. hoje. por 224 . tanto do ponto de vista do cartão de identificação em si como daquelas que seriam necessárias para construir os sistemas de informação. apesar da vasta maioria deles chegar incólume aos seus destinos.Set. Poucos desastres são extraordinariamente bárbaros e quase inacreditáveis como os recentes acontecimentos nos Estados Unidos. com as quais armas letais podem ser fabricadas num fechar de olhos. Isso pode ser feito. O que seria possível fazer para evitar desastres iguais? A televisão e os jornais já descreveram quase todas as medidas imagináveis. o que nos leva a perguntar o que poderia ser feito para que ocorrências semelhantes não tivessem lugar no futuro e qual o papel (como este é o tema desta coluna) da informática nisso tudo. E computação. no ar ou em terra. foi assim até agora. entre várias outras coisas. por outras boas razões. Pouco importaria se fossem da Airbus Industries: o resultado teria sido exatamente o mesmo. talheres. Pelo menos. as tecnologias estão disponíveis. Marca e modelo não faziam a menor diferença. quem sabe. antes dos atentados mais recentes. pois a arma necessária para criar tal destruição eram aviões de grande porte. com tanques tão cheios quanto possível. os governos do mundo inteiro poderiam entrar em acordo sobre um padrão mundial de passaporte. claro. até porque as medidas mais bobas não devem impedir alguém realmente determinado de seqüestrar aviões.. depois de retirar todos os vestígios de civilização de dentro dos aviões.[ 21. A IATA. garrafas e latas. a associação internacional de transporte aéreo. pode-se usar muito mais informação e seu processamento para fazer com que os vôos sejam mais seguros.. como louças. tanto no atendimento como no back office. se fosse para ser usada contra o crime. nos aviões e nos sistemas de administração de tráfego aéreo. A tecnologia não é problema e. chegando perto (nos EUA) de sugerir o banimento total e completo de estrangeiros em vôos de carreira por lá e isso. capazes de cruzar informações. já vinha considerando o assunto.2001 ] Os riscos dos aviões de carreira Aviões caem e colidem contra obstáculos. a série 7x7 da Boeing. de forma muito mais intensa do que é feito hoje. inscrição de imposto de renda de pessoa física. que também serviria como identidade única e. Os aviões acidentados eram parte de uma das mais modernas famílias aéreas do mundo. ainda em desenvolvimento. de dezenas de maneiras diferentes. comunicação e controle podem ser usados nos aeroportos. partindo para cidades distantes. pode-se verificar identidades e integrar informações de maneira muito mais exaustiva do que já se pensou até agora. por qualquer McGuyver. Nos aeroportos.

pelo menos sem que haja uma ampla discussão sobre os direitos e liberdades civis que deveriam ser garantidas – mesmo em tempo de guerra. Tais trocas de informação poderiam vir a envolver dados sobre a utilização de cartões de crédito. dentro da próxima década. Pelo menos sobre aqueles que querem viajar. sem integração de visões. onde se voa num avião simulado. por exemplo. ao invés de pilotos? A idéia é simples e só precisa de computadores de bordo. mapas bastante detalhados de cidades como New York e London. aqui. Espero. de alguma forma.exemplo. que isso não se realize. o programa era extremamente simples. Com um sistema destes funcionando. tomada de decisão e relacionamento com o cliente pudessem eventualmente estabelecer a possibilidade de um certo passageiro ser ou não desejável num vôo. por exemplo. o que provavelmente vai acontecer. baseado em besteiras como termos comprado. Do ponto de vista de informática. Flight Simulator. pois este é o tipo de "integração de dados" que. levaria partes de Estados a tomar decisões que poderiam comprometer nossas vidas por muito tempo. seria necessário convencer países a trocarem. especialmente quando se tratasse do aluguel de veículos e aquisição de informação (como livros. e só poder desembarcar de volta se resolvesse suas diferenças com o fisco ali na alfândega de Cumbica. Algo como um "único mundo" virtual. um conjunto muito amplo de informação sobre seus cidadãos. no avião que foi. integrando todo tipo de informação sobre os cidadãos. usando modelos diversos de avião. princípios e pontos de vista sobre o mundo. que está lançando a nona versão do mesmo. controlados a partir de planos de vôo escritos pelas 225 . recentemente. pode ter muita dificuldade em fazer valer sua passagem para voar num deles. O que poderia levar qualquer um que não tivesse pago um DARF devido. da Receita Federal brasileira com dados do sistema de imigração dos EUA. obviamente. hoje. a ser recambiado do aeroporto de lá. teriam que fazer com que seus sistemas de informação se relacionassem uns com os outros. uma cópia do Flight Simulator. no entanto. porque não usar software para voar aviões.. quem comprou algum livro sobre o 767. o que o torna um hobby extremamente lucrativo para a Microsoft. similares aos acidentados. para quem não sabe. Se o FS é usado para voar em um planeta virtual com aviões virtuais. hoje. inclusive da Boeing. No começo. sobre áreas (simuladas) do planeta que incluem.. mutuamente. vídeos e manuais) de tal forma que sistemas de mineração de dados. Para que tal maravilha da tecnologia pudesse acontecer. e poderiam ser integradas para construir aplicações como a "pensada" acima. partes de tais sistemas existem. é muito complexo e capaz de criar situações muito próximas da realidade. para isso. análise de risco. se depender somente da tecnologia. é um jogo para PC.

por alguém a bordo. Uns cumprem funções elementares. na costa leste dos EUA. É possível fazer? Sim. conseguiram apontar o nariz para cima novamente. o que se tornaria uma novíssima e muito mais perigosa forma de invasão de computadores. ao que jatos do tamanho de um 767 não resistem. Talvez não pudessem ser desviados de sua rota original. E o risco não para por aí. o que é uma manobra de muita complexidade e risco. e se relacionando entre si e com os aeroportos. Aviões "automáticos". Que podem ter comportamentos 226 . mas a estrutura do avião não agüentou. como manter a altitude e direção do vôo. no curto prazo. Pode levar muitas dezenas de anos para que se desenvolva um conjunto de sistemas confiáveis e seguros o suficiente para uso prático e em tempo real. Isso poderia ser feito por alguém dentro do avião ou fora dele. sem piloto. em terra. sem supervisão humana. o que vai acontecer é que mais gente será interpelada e terá suas vidas invadidas. que custou a vida de 217 pessoas em 31/10/1999. E tudo aconteceu em menos de um minuto. sendo capturados por inimigos. no curto prazo. à força. Um desastre recente. enquanto retomava altitude. destes simples que já estão em uso por aí. ainda mais preocupante. o que certamente criaria a possibilidade de que alguém "invadisse" o sistema e trocasse os dados sobre a rota ou. Nos aeroportos. O resultado poderia ser possivelmente mais drástico do que aviões normais. é uma decisão de sistemas automáticos de mergulhar o avião da altitude de cruzeiro. está aparentemente associado a alguma forma de descontrole de sistemas automáticos de vôo. Mas o sistema de controle de vôo teria que ser um conjunto de computadores. mas não reconhecida oficialmente. Os pilotos desligaram os motores para reduzir a velocidade de queda. de alcance maior do que o atual. poderiam ser seqüestrados? Depende. outros são capazes de aterrissar aviões. sob ação da gravidade. Uma possível conclusão é que a introdução de mais informática. de forma automática. A causa mais provável. controlando todas as funções do avião. na forma dos pilotos automáticos utilizados em quase todos os aviões de carreira. inclusive. com pilotos humanos. ao mesmo tempo. executando um número de programas e necessariamente em comunicação com a rede de controle de tráfego aéreo. depois de despencar de 30 para 10 mil pés de altura. O vôo EgyptAir 990 desfez-se no ar sobre a ilha de Nantucket. com base em todos os tipos de preconceitos que se possa ter sobre formas físicas e atitudes de tipos considerados suspeitos pelos oficiais de plantão.empresas aéreas e autorizados pela administração de tráfego aéreo. para voar aviões aos milhares. Já existe hoje. a uma taxa de 40%. então. talvez induza a um maior número de acidentes. dentro do aeroplano. algum dos programas do próprio piloto automático.

Nunca nem me olharam. e têm muitos bolsos.) e tamancos (suecos.. em último caso. Um dia. naquela rota. cabelo engomado. gravata e sapato engraxado.. do ponto de vista intrínseco do vôo. e é por isso mesmo que as pessoas se arriscam. portando talvez alguns quilos de alguma substância estupefaciente (este nome é um achado!).. confortáveis. caso a vaca vá cair no brejo. há algumas coisas práticas que eu e você podemos fazer.. algum cabra realmente suspeito. e vão continuar conseguindo furar a segurança de qualquer coisa. como tentaremos escapar.. desço em algum lugar do mundo de paletó. calças de skate (são largas... sempre viajo de camiseta. neste estado.. por exemplo. passou sem ninguém nem olhar pra ele. naquele avião.realmente exóticos. com informação. pelo menos para saber que risco estamos correndo. na maior pinta. Voltei a viajar de skatista e desde então nada mais me aconteceu. 227 .. e. Enquanto isso.. sem a parte de trás.) e normalmente tenho a barba no comprimento "3 dias". naquela companhia. barba feita. até livros de. Ou seja.. enquanto o oficial ouvia uma explicação detalhada sobre onde fica Taperoá e porque alguém de lá estaria viajando para tão longe. parecendo um banqueiro: sou abordado pela polícia ainda no "finger" e levado para um longo questionamento sobre as minhas mais nobres intenções. pra guardar tudo.. A leitura não é recomendada para quem sofre de paúra aérea.. excelentes pra dar aulas e viajar de avião. Eu. controle estatístico a posteriori é assim mesmo. Provavelmente. antes de voar..

vá lá. O detalhe. é 2. o que pode ser o prenúncio de uma queda ainda mais acentuada em outubro (de novo!). os tempos mudaram. no curto prazo. e o meio de campo embolou de vez com a guerra do Golfo. é ainda mais importante em setores da economia que estão passando por agruras estruturais que.2001 ] Não há bola de cristal ou paralelo histórico que nos ajude a prever o futuro da economia mundial e. conseqüentemente. segundo muita gente boa. À época. pois já estavam em dificuldades antes mesmo de 11 de setembro. já havia um princípio de recessão. correlacionada ao desemprego. em agosto do mesmo ano.Set.6 em setembro. no caso dos mais abastados. faltar o pão de cada dia. é muito difícil se defender de ataques de 228 . E olha que. às vezes. perdeu 80% no mesmo período. a gente também sabe. Ou. por exemplo. era a disposição dos consumidores de continuar acreditando nas suas perspectivas futuras de ganhar dinheiro e. o nível dos nossos bolsos.6 significa que a confiança no futuro. como hoje. de usar. É uma função da situação atual da economia (como percebida pelas famílias) e as perspectivas para os próximos seis meses. Aparentemente. são muito bons para quem tem muito dinheiro e não precisa dele para sobreviver pois. em geral. nos EUA. sob pena de. Dinheiro. Um sinal disso é a queda do nível de confiança dos consumidores americanos de 114 pontos em agosto para 97.4% menor do que em 1985. hoje: do jeito que o mundo anda.Dinheiro na mão é vendaval [ 28. bebida e bugigangas de todos os tipos. sabe isso de coração. As novas bolsas estão apanhando mais do que os times de futebol de Pernambuco: os setores de computação e biotecnologia da Nasdaq perderam 50% do valor nos últimos doze meses e o Neue Markt. Este é o caso. considerando o ano de 1985 como 100: 97. inclusive. independem do terror ou de um eventual conflito de longo prazo no mundo. com ele. Além de assustar os investidores. é que a maior parte dos dados havia sido coletada antes dos aviões serem jogados contra as Torres e o Pentágono. não vale a pena torrar as reservas. que não é bobo. podendo pagar à vista. seus cartões para encher a casa de comida. renda real e inflação. vivo. a manteiga. O índice de confiança dos consumidores é uma medida de sua disposição para consumir. o novo mercado alemão. da economia da informação. um mergulho que não era visto desde outubro de 1990. O leitor. como resultado da invasão do Kuwait pelo Iraque. quando o índice desabou exatos 23 pontos. este ano. o que vinha evitando uma recessão de verdade. talvez batendo o recorde de 1990. Estes tempos. estes números tiram a esperança dos indecisos e ajudam a empurrar as empresas que ainda resistem para esquinas de mercado onde. pode estabelecer as regras do negócio. hoje. amanhã.

troco.7 bilhões. administração de vendas e marketing e por aí vai. Para se ter uma idéia do que isto significa. talvez. de fato. distribuição. a GreatPlains virou Microsoft GreatPlains por meros US$1. com Larry Ellison e a Oracle em terceiro. Em troca.1bi).. a ATT US$2. entre muitas outras. que trabalhava para o banco de investimentos Lazard Frères. mesmo sem você saber. seguida pela Intel de Craig Barret.4bi) e a Activision (que faz Quake. mais ou menos. da dificuldade de implantar a cultura da empresa em outros lugares) está aparentemente mudando de planos e contratou Richard Emerson. E a Microsoft começou a comprar.28bi e tanto Amazon. funde e cinde empresas ou partes delas. William Gates (quase como sempre) lidera a parada.1bi em caixa. ou seja. transformando a Microsoft em um quase monopólio ou fortíssimo competidor em vários setores da 229 . que usam suas soluções de contabilidade.6 bilhões de dólares em caixa (segundo a revista Forbes). 140 mil empresas em 132 países. Comprada a GreatPlains. para liderar sua divisão de "mergers and acquisitions". De novo. empresas de qualidade estarão em dificuldades financeiras imediatas nos próximos meses e anos. então. pois a Microsoft tem US$31. Bill Gates já deixou claro. também. com US$13. o que levaria a MSN para 11 milhões de navegantes e custaria uns US$2. pois a companhia tem US$5.47 bilhões. que pretende ter. o provedor Earthlink (4. assumindo que nenhum cliente pagasse suas contas..7bi. mais de uma vez. Ou seja.. que nunca foi muito de comprar outras companhias (por causa. Um artigo recente (26/09/2001) da Red Herring discute o que Bill Gates e Steve Ballmer poderiam vir a fazer com tanto dinheiro. quatorze: eles ainda teriam US$16bi pra gastar. poderia custar entre um e dois bilhões. a Microsoft virou dona de uma empresa que tem.. que Gates compre a Symantec (de segurança de informação e sistemas).88 bilhões pra gastar. e mudaria de dono por US$1. A Red Herring sugere. vão precisar de dinheiro para pagar suas contas e expandir seus horizontes e. Pra começar. E quem tem dinheiro no mundo.. a IBM tem "apenas" US$3.8 milhões de usuários. que custaria uns US$3. por exemplo. Muitas. responsável pelo seu contracheque.1bi. a moçada que compra. A Microsoft. talvez já seja.competidores e de gente (inclusive outras empresas) que têm dólares no bolso. quase um troco para a companhia de Redmond. por exemplo. o que significa ter uns 12 bilhões debaixo do colchão. dinheiro para tocar a empresa por um ano. mas muitas mesmo. o que fazer com os mais de 30 bilhões restantes? Um acerto de contas com o governo americano por causa do processo de práticas monopolistas.com quanto Yahoo têm míseros US$1.. Doze mais dois. em caixa. agora? Muita gente. gerência de recursos humanos (a popular "folha de pagamento"). a Microsoft. como clientes. de alianças tecnológicas e de mercado. pois a companhia gasta um bilhão por mês.

. que há de se preocupar. atrás dos lucros (ou falta de) de muitas grandes empresas. pois "só" dispõe de US$3. pode existir algum Pecado Capital. por ano.. talvez fosse a hora de chamar a cavalaria. ainda com uns US$5bi no bolso.. pelo menos. É certo que elas tiveram perdas graves em decorrência dos atentados recentes. estendendo o alcance do info-keiretsu liderado por Redmond. a Receita de lá deixasse: ela está achando que..economia digital e.5bi para gastar e mal consegue gerar US$2bi de lucro. a briga ainda seria de gigantes: em provimento de acesso. em termos de performance e compromissos.. Até onde. O que poderia até levar o governo Bush a sugerir sua entrada em negócios como transporte aéreo: o tesouro americano vai "dar" quase um bilhão de dólares para a United e outro tanto para a American. Em alguns setores. certamente. de quebra. Como tem gente reclamando que dar dinheiro assim. aumentar seu contencioso com o judiciário americano e com muitos setores da economia da informação. Isso desconsiderando o fato de que a empresa anda gerando uma receita líquida (antes de impostos) de mais de US$1bi por mês. 230 .. Caso decida comprar o que seus recursos lhe habilitam. é o começo da "socialização" da América e o fim do capitalismo. sem exigir o necessário retorno. mas já estavam complicadas antes. Gates vai. a America Online tem quase 30 milhões de usuários e um MSN de 11 milhões ainda teria muito o que fazer até incomodar Steve Case.

Para analisar a temperatura atual e futura do mercado. o que dá um crescimento de mais de 20% em um mês. que vem sendo feita desde março de 1999. O Release 2.Realimentação Positiva. mesmo quando tudo está bem. um aumento de "pessimismo" de mais de 40%. como a pesquisa CIO Survey da Morgan Stanley Dean Witter.das expectativas negativas: quando as coisas estão ruins. e ver como nós (e as empresas de informática) seremos afetados. sempre podem piorar. sem nenhuma influência dos atentados no comportamento dos entrevistados. gastar menos em tecnologia no segundo semestre deste ano do que gastaram no primeiro. estamos melhorando desde o neolítico. baseado em fatos reais da história da humanidade: estamos melhorando desde o começo. ou quase. no meu eterno otimismo.Out. Isso significa que. agora que onze de setembro passou a condicionar o mundo. haverá outros cortes. algumas graves. E 27% estavam planejando gastar menos no total dos seus orçamentos. além de menos gastos em tecnologia. O problema é que todos (eu também) medem o mundo com seus compassos de realidade e atualidade. ainda por cima. Os dados de agosto. que estamos no começo da melhora. os diretores ou gerentes de (tecnologia da) informação das corporaçõesplanejavam. que o resto de suas vidas pode ter se perdido num mar de incertezas. Quando estão boas. Parece que o mundo é um sistema que funciona assim. aí a coisa endoida de vez.. Quando o clima é de apreensão generalizada e. com as forças armadas de restos da União Soviética praticando tiro ao alvo contra aviões civis. foram publicados em 19 de setembro. em agosto. em tudo. De qualidade de vida a direitos individuais. adiando o desenvolvimento de novos sistemas. o corte de pessoal periférico aos objetivos maiores do negócio e assim por diante. [ 05. aqui e ali. não adianta depositar a culpa no terror: nós já estávamos entrando num daqueles ciclos de exaustão de modelos correntes.. desta vez magnificado pelo colapso aparente das bolsas de tecnologia. E este número era 54% em julho. é bom olhar dados reais.2001 ] . a renovação de antigos. Mas a maioria das coisas que estão indo mal em informática já iam de ladeira abaixo antes.. Eu prefiro pensar.. de repente. e descobrem.6 da série de pesquisas da MSDW (que tem a forma de uma apresentação gráfica. Mas nem todas as notícias (em agosto) eram ruins: mais de 231 . muito fácil de compreender) revela que 66% dos CIO -Chief Executive Officers. correspondentes a entrevistas com quase 250 executivos. sempre podem começar a piorar. apesar de quedas. contra 19% em julho. quase todo mundo assume sua parte Cassandra.

35% acham que vão ter gasto todo (ou mais do que) seu orçamento para o ano ou mais do que o previsto. Segundo um amigo. Exagero dele. hoje. deveria ser a pessoa. comprando-a nova em folha. 4% aposta que alguma melhora só viria em 2003. se prestar atenção no mundo ao redor da companhia. CIO de uma grande empresa. pois mais de 64% deles acha que a economia só esquentará de abril de 2002 pra frente e. Agora construa o cenário. como o nome diz. software de segurança de informação e sistemas.. novas versões de Windows 2000 nos servidores e micros de suas companhias. do fabricante e vendendo. novamente. de olhar pro futuro com olhos de quem tem dados para raciocinar. com o clima atual do mundo. armazenar.20% dos entrevistados iriam aumentar seus gastos. processar e publicar todas as informações que interessam ao negócio. iniciativas de comércio eletrônico. é capaz de pintar retratos muito fiéis da realidade que a cerca e. O que as empresas vão comprar e fazer? Lembre-se de que isto é importante pras nossas vidas e empregos pois. Graaande negócio. ou decidirem ir mais devagar. E empregos podem desaparecer. dentre estes. responsável por capturar. o que pode estar acontecendo depois que o mundo mudou e descreva seu 232 . nós estamos mal. é essencial para que isso aconteça. a maior parte dos CIOs vive de comprar novas versões de sistemas operacionais. se elas pararem de evoluir. você mesmo. com alguma experiência. e que dependem muito de informática. No fim de 2001. de uma tragédia de proporções demolidoras. semi-nova. não havia sinais. um dever de casa: imagine. equipamentos de rede. Se a maior parte dos CIOs entrevistados pela MSDW cair nesta categoria. e cara. os serviços que nós usamos. Um CIO. já que o investimento em informática. um CIO vive de negociar sucata. no mercado dos compradores. a preço de banana. Nesta ordem. no desenvolvimento de iniciativas de computação e comunicação sem fio e. hoje. enquanto apenas 16% achavam que não gastariam mais de 80% do orçamento. em agosto. dando descontos maiores do que três ou seis meses antes. finalmente. por falta de confiança na estabilidade do cenário político e no eventual aumento das possibilidades de retorno de investimento. Havia luz no horizonte. não devem progredir tão rapidamente como vinha sendo o caso.. em novas versões de Microsoft Office. numa companhia. a terceiros. Agora. pois. sejam elas oriundas da companhia ou de fontes externas. bancos de dados e mais este ou aquele item de hardware que estará obsoleto daqui a 18 meses. na compra de servidores Unix. em relação ao primeiro semestre. Era a velha lei da oferta e da procura em funcionamento. Na verdade. Em agosto. até porque mais de 80% das companhias de hardware e mais de 60% das que vendem software estavam. ou não ser criados. a maioria dos CIOs não faz só isso pois. do primeiro ao oitavo lugar.

comecei um start-up. Enquanto isso. que está animadíssimo com o futuro.. pelos próximos muitos anos. Em verdade. para ficar. 233 . no Release 2.cenário. nada sério a reclamar: esperamos trabalhar e nos divertir.7 do Survey. que acabou de ser publicado.. Aí vá até a página da Morgan Stanley e descubra qual é a cor do cenário pintado pelos CIOs (225 responderam à pesquisa de setembro) para os próximos meses e anos. que depois a gente sintetiza aqui. Se quiser. mas não há. chegou dia 28/09. juntos. ocupa todo o tempo de seus acionistas. pode tomar nota no seu caderno. para sempre. nem da parte dele ou da nossa. para dar meu sinal de confiança. mande seu próprio comentário para a coluna. Pedro Meira-Betmann.

na web.. de uma hora para outra. onde acho que passei pela mais estrita revista da minha vida. só eram permitidos passageiros. ano passado. tem que fazer a encomenda e esperar. pois dinheiro é informação. que talvez nunca venham a acontecer. revista americana dedicada a negócios de rápido crescimento. podem significar a vida de uma instituição. e de qualquer tamanho. usa computação gráfica para mostrar explosivos e armas (virtuais) sobrepostos à imagem real sendo analisada. vez por outra. fazem cópia incremental e permanente de seus sistemas e informação e os armazenam em mais de um lugar. Nenhuma reclamação de ninguém. onde informação é tudo. foi aceita. que pode elevar aos céus as já astronômicas cifras do mercado mundial de produtos e serviços de segurança. logo depois do início da atual Intifada. Segurança. máscaras contra gases ou carros blindados.A Economia da Ansiedade [ 12. transferiu-se para a vida real. De repente. quem quiser comprar cães de guarda. Onze de setembro criou um novo conjunto de expectativas e uma nova economia. Estávamos. As feiras de segurança estão cheias de novos e sofisticados dispositivos que qualquer um (que tenha dinheiro) pode instalar até em casa. Outros. que não só detecta armas e explosivos mas. de mão inclusive. significa olhar tudo e todos como possíveis culpados de crimes que ainda não aconteceram. defendiam estarmos na economia da atenção. Quantas empresas brasileiras. passei por três máquinas de raio-x. O menos paranóico deles ocuparia toda a agenda de um bom número de psicanalistas por um par de décadas. hoje. principalmente onde as instituições se acham ameaçadas pelo terror. na economia da informação. Imagino um destes em uso no aeroporto do Cairo. diziam uns. só para ter certeza de que o operador humano está prestando atenção no que está fazendo. batiam os US$16 bilhões. desde sempre. Fico pensando no tal raio-x "inteligente" mostrando uma ampola falsa de Astrolite G amarrada no meu 234 .Out. A FastCompany. duvido que a prática esteja suficientemente disseminada. No prédio do aeroporto. alegando que a informação. o mais novo tipo de raio-x de aeroporto. é por demais abundante e quem define o cenário é a escassez. causam prejuízos que. ano passado. E os médicos perderiam a parada. um deles fora do centro de processamento de dados? Excetuando-se as instituições financeiras.2001 ] Tenho vários amigos que trabalham no negócio de segurança de informação. na América. em nenhuma língua. nos dias de hoje. quando ocorrem. às vezes. que somente nos EUA. Esta paranóia da segurança virtual. você pode ter.. Mas. na sua porta. fui revistado quatro vezes e todas as bagagens foram despachadas. Por exemplo. acha que chegamos na economia do medo.

nestes tempos. em tempo real.. equipamentos de processamento de sinais (para espionagem de comunicações). a partir daí. "inteligentes". Francisco fazem. usando a internet... empresas.. valesse um grão da areia do deserto ao redor. só pra greiar com os tempos e. com todo mundo mascarado: em 2002. em muitos casos. algumas têm processamento de imagem. vai aparecer um boneco gigante parecido com vocês-sabem-quem... Se o sentimento permanente de insegurança da rede passou para o mundo real. cinemas. se depender de um grupo que eu conheço.. elas estão aí para todos os usos e fins.. a informática e. para excluir as partes conhecidas e fixas do cenário que filmam. Investigadores americanos acreditam que os ataques foram planejados. ruas. duvido que a minha vida. de curto e longo alcance.. descoberta tão importante quanto a de que papel e água também foram parte do processo.. falsas barbas longas e os turbantes de cetim reinarão na Cidade Alta. Aliás. Tempo ruim para quem for sósia de gente suspeita ou ainda quiser. O tempo que se vai levar para entrar nos prédios vai aumentar muito. e só mostrar as "anomalias".corpo do Cairo. Tradução: além de assumir que as empresas vão investir em meios para que seus executivos viajem menos. se divertir às custas dos outros. pelo menos em parte. é um pulo. o que tornaria possível comparar a face da pessoa à sua porta (que ainda vai passar pelo seu raio-x particular) ao banco de dados de procurados da Polícia Federal ou aos 22 do FBI. onde são extraídas outras características das cenas em análise. oficiais ou privados.. scanners de impressões digitais. os investidores estão achando que elas estarão tomando sérias precauções contra possíveis ataques de qualquer tipo. alguns governos passaram a achar que o fim do mundo pode começar na rede. O SFGate reporta que levar medo a sério faz com que as companhias cujas ações mais se valorizaram no último mês. Nos estádios. perante a histeria mundial. brincar.. como alguém se esgueirando atrás de uma árvore.. invisíveis. E a rede pode ser usada para enviar as imagens para centros de supervisão e controle. muito menos quando a economia é do medo. Mas o fato é que vários governos vão gastar montanhas de 235 .. dar trotes. na certa. Uma coisa que vai se tornar mais comum do que a seleção jogando ruim é a presença de câmeras de segurança. o que sempre é mais da metade do caminho em direção ao ridículo. A vida talvez fique muito chata. Daí para ser taxado de terrorista. O Brasil tem a grande vantagem. infra-vermelhas. Mas não é brincando que se ganha dinheiro. mas eu quero ver estas tecnologias funcionando no carnaval de Olinda. a Internet. espero que só por lá. detectores de explosivos. testes para antraz e varíola. cartões óticos de identificação e equipamentos para vídeo-conferência. na área da Baía de S. estão cada vez mais a serviço da "inteligência" dos mais variados tipos de dispositivos: no caso das câmeras. de não se levar muito a sério. visíveis.

órgãos de governo no mundo inteiro estão planejando (e pedindo dispositivos legais para) extrair informação dos cidadãos. de vera. aliás.). desenvolver nada do que eu imaginei (antes dos ataques) para o conto-em-duas-partes "Independência. Se ele estiver certo. 236 . em função dos enormes investimentos que serão feitos nos princípios e tecnologias de combate a possíveis atos de bio-terrorismo (e na criação de bio-armas?. Aí. Só espero que nenhuma parte de nenhum governo resolva.dinheiro para combater o "terrorismo virtual".. Esta pode nos "dar" a biotecnologia.. a Segunda a energia atômica e a Guerra Fria os satélites e a Internet. a considerar que tecnologias-chave irão emergir da guerra contra o terror. Até um dia destes não podia usar nem telefone celular. antecipar-se aos hackers. Imagine pegar uma pena mais braba. vai ser de lascar o cano: Mitnick passou quatro anos e meio na cadeia por entrar em sistemas de computação de companhias telefônicas. A Primeira Guerra mundial nos "deu" os aviões. a economia será do terror mesmo. Preso sem julgamento e em caráter inafiançável por quase quatro anos... ou Morte" publicado aqui nesta coluna aos sete e quatorze de setembro. o que levou Kevin Mitnick a declarar que está aberta uma "loteria de bodes expiatórios" para premiar hackers de qualquer parte do mundo com penas muito mais duras do que as atualmente praticadas pela lei americana. sem seu consentimento. ao invés de ansiedade.. depois de julgado. ainda cumpriu mais oito meses de pena e está proibido de usar computadores ou dar qualquer tipo de consultoria técnica até 2003. O que nos leva... Ou pode criar bases muito mais sofisticadas para seguir (e perseguir) pessoas do que qualquer um já pensou na prática.. talvez. passou oito meses deste tempo numa solitária. Para. o que vem a ser uma das atividades de uma certa "engenharia social" bem ao contrário do que a comunidade de hackers pensa.

inteligente. que podiam levar horas para se completarem. para nenhuma conta. 80 mil pessoas ficariam o dia todo fazendo isso. certa vez.. Nós não deveremos chegar a ter um vírus a cada duas mensagens. Se o sistema funcionasse assim. 237 . se as coisas continuarem neste ritmo. As centrais. Em 1999 era um vírus a cada 1400 mensagens. mais útil e valioso o seu serviço. Olhando para o passado das nossas comunicações. Claro que se trata. a eficiência seria muito baixa.). Num país de 40 milhões de telefones.. Um bom recorde.. que ainda vamos levar muito tempo para ter: ouvi. que morava numa área rural dos Estados Unidos. apenas.2001 ] A manchete não é minha: saiu mais ou menos assim em The Register. em 2008 haverá uma mensagem contaminada para cada 10 e. que podemos olhar com outros olhos. só agora.. que vende serviços de segurança de correio eletrônico para mais de 500 mil usuários pelo mundo afora.. com a telefonista. durante as oito horas úteis do dia. e foi por isso que as centrais telefônicas automáticas foram desenvolvidas e começaram a funcionar. a maior parte das cidades tinha sua própria companhia telefônica e a maioria dos serviços era realizada pelas telefonistas (este era certamente o caso das chamadas interurbanas. código de área e tudo mais: antes. uma em cada 300 mensagens contém um vírus. detestou quando sua região foi uma das últimas. Mas refaça as contas a partir de sua experiência e verá que muito mais gente teria que trabalhar nas telefônicas. haverá um vírus a cada duas mensagens. em função de um alerta emitido pela empresa MessageLabs. se as chamadas interurbanas fossem realizadas por telefonistas e houvesse uma chamada por dia por telefone. estão ganhando alguma "inteligência". com prefixos de DDD. Segundo a empresa. MessageLabs usa um tipo de tecnologia diferente dos competidores e diz nunca ter deixado passar um único vírus. tudo o que precisava dizer era "quero falar com Nicholas". assim como não chegamos a ter a metade do país trabalhando como operadoras de ligações interurbanas. em 1999. e cada telefonista gastasse um minuto. a ter centrais telefônicas DDD. Note a diferença entre uma central automática e outra. já removeu mais de um milhão de vírus enviados por email. desde que começou a operar. em 2010.. de um certo golpe de marketing de uma empresa que vende segurança: quanto mais inseguro o mundo lá fora.Out. A senhora não se conformava em ter que se lembrar e discar o número do telefone do filho. De lá para cá.. também.Internet: inútil em 2010? [ 19. Nicholas Negroponte dizendo que a sua mãe.. pra fazer uma ligação. no país. hoje. que processa muitos milhões de email por dia.

os sistemas operacionais. e que a vasta maioria das reuniões. além de inútil e desgastante. e email devem deixar de ser acessórios e assumir seus papéis principais em um mundo globalizado e de grandes distâncias. sistemas de segurança como o da MessageLabs são parte (opcional) de uma infra-estrutura de correio eletrônica muito mais capaz. o que certamente vai aumentar significativamente o uso de email em todo o mundo. duvido que muitas firmas (que continuem vivas) queiram manter seus executivos e colaboradores no ar. meu endereço acabava em !mcvax!ukc.NET e. segurança e qualidade. à medida em que a infra-estrutura para seu funcionamento vai se tornando automatizada e mais "inteligente".vem se popularizando há trinta anos e se tornando cada vez mais simples.ac. Hoje. uma máquina do Centrum voor Wiskunde en Informatica. para evitar o transporte de massa ao redor do planeta. Tudo bem que não é possivel (nem para a MessageLabs) detectar e remover todos (e só) os vírus que chegam junto com 238 . quem quisesse mandar email tinha que saber a rota inteira. Bem no começo da história. as coisas melhoraram e pioraram muito. aumentando a aceleração desta fase de virtualização do mundo pela qual estamos passando. as horas de espera por uma vaga para aterrissar. aplicações e serviços de rede têm que evoluir para novos patamares de eficiência. rápida e barata. em Amsterdam. que nos possibilita conduzir boa parte dos nossos negócios e interações sem nunca chegar perto do correio. instrumentos capazes de virtualizar a comunicação.. Mas..UU. de outra forma que não fosse através da construção de mais aeroportos e maiores aviões. em longas viagens. naquele tempo. De lá para cá. Ai das empresas de transporte aéreo que não redefinirem seus serviços e públicos-alvo: depois de descobrir que os documentos podem ser enviados em bits de forma mais prática. representa um altíssimo custo. Vídeoconferência. complexa e vulnerável do que aquela de quinze. Não havia vírus de nota. Parece que vamos usar. Ainda mais agora que toda carta pode ser mortal.. se você tivesse que me mandar uma mensagem. vinte anos atrás. protocolos. a custos administráveis.uk!srlm@uunet. do computador onde estava para aquele no qual o destinatário iria ler a mensagem.O correio eletrônico –que para muitos efeitos vem substituindo as centrais telefônicas e as chamadas que elas nos ajudam a realizar. e seus documentos servindo de contrapeso em velhos aviões de carga. Aí por 1985. para a empresa. Para isso. reduzindo não só os riscos mas os gastos de energia. em relação aos benefícios decorrentes. cada vez mais.. em compensação as mensagens só podiam ter caracteres em código ASCII e nada mais. tinha que saber como ir de seu computador até o mcvax. sofisticada. apressando também o reconhecimento legal de documentos eletrônicos e das assinaturas correspondentes. realmente capaz de substituir reuniões presenciais. Já estava mesmo na hora de diminuir os engarrafamentos aeronáuticos.

senão poderemos mesmo ter que enfrentar um vírus a cada duas mensagens e. uma das únicas coisas que realmente funciona na Internet.as mensagens. agora. que vem sendo adiada. os sistemas e serviços de comunicação que estaremos usando em 2010 e depois. a todo custo. É preciso que se comece a desenhar. inclusive porque a fusão dos serviços do que hoje chamamos de Internet com os de telecomunicações. é inevitável. por parte das operadoras e dos órgãos de regulamentação. 239 . dá. aí. Mas que dá para ser muito melhor do que é hoje. vai ser difícil ver alguma utilidade em email.

de fato. giz na educação ou eletricidade na educação. Porque qualquer outra coisa mais básica. usada em bibliotecas para catalogar livros. planejadores e professores tentam entender o que vai acontecer "depois da curva": sem isso. "roupas cantantes". Todas as minhas receitas são improvisadas. na verdade. portanto. no futuro.. já que não se vê nenhuma discussão sobre retroprojetores na educação. óbvio. O resto é conversa. portanto merecedores de tratamento especial. além do mais. o que acaba fazendo um uso 240 . e da delicadeza de elaborar o prato que você mais gosta pra mulher (homem) amada(o). impensáveis sem os mesmos. mais operacional. Não há muitas que usam computadores como mais do que lápis e papel (editores de texto e imagem). as tecnologias de que a coluna trata são de informação -se bem que. das artes da conquista e do amor. correio e imprensa (email e publicação de informação). com muita gente defendendo ensino obrigatório da Classificação Decimal Universal (CDU). O que. pela simples inexistência de bibliotecas decentes em solo pátrio. talvez possamos ter. mesmo. a maioria dos computadores na educação. a um tema que não vai embora.Programas de Brincadeira [ 26. Ligados à Internet. O que certamente salvaria os estudantes brasileiros do castigo. o que você vai precisar saber. A menos. dependa de computadores. Breve. em qualquer escola. será inútil depois da curva. biblioteca (CD-ROMs locais e conexão à Internet. das técnicas de corte e costura (incluindo pregar botões). no mundo. para que possam desenvolver as devidas competências quando elas forem necessárias. e a volta dos estudantes para os corredores das mesmas.. é aprender. Vamos voltar. entre outras coisas. não dá para pensar no que as pessoas precisam aprender hoje. então.Out. o número de possibilidades se torna explosivo: 70% dos estudantes americanos usam a rede para fazer suas tarefas e 18% dizem que "sabem de alguém que cola" diretamente da rede. é apenas uma extensão das ferramentas que já se encontram à disposição dos alunos. teremos enxurradas de artigos acadêmicos sobre o fenômeno.2001 ] A cada apontar do sol no horizonte. quem escreve sobre Sexo por aqui é a Suzy Capó e. logo a conversa de hoje não vai ser sobre Gurijuba à Silvio Meira. usada como biblioteca). já que possibilitam a construção de uma miríade de auxílios à educação. o dos computadores (ou da informática) na educação. Há pouca coisa aí que. Digressões à parte. não deveria nunca ser tratado ou mencionado desta forma. Uns me desqualificariam dizendo que os computadores são instrumentos únicos. Se o mundo estiver se movendo muito rápido. dominada hoje.

. mas que tenham funcionalidades capazes de mostrar todas as possibilidades de sistemas reais. salvo para aqueles que migrem da brincadeira para o trabalho de programação como forma de vida. no ensino médio brasileiro.000 brinquedos no primeiro ano.. não sei não. e com o pífio objetivo de vender 12. As linguagens de hoje. uma unidade de processamento programável que dispõe de uma interface de comunicação infra-vermelha e é capaz de controlar um conjunto de motores e sensores. ele é um brinquedo. quase impossível pensar em ensinar programação em larga escala. O grande barato dos computadores. criando redes que. que custa duzentos dólares. por exemplo. talvez diferente do que se faz hoje) está escrita no futuro. o Lego Mindstorms. como lâmpadas. muito mais complexos. faço saber que são. e um PC é que. A programação de dispositivos computacionais (em algum nível. e daí? Daí. entre seus componentes. sem precisar nem falar deles.muitíssimo limitado de máquinas de centenas de megabytes de memória e muitos milhões de instruções por segundo. Mas ninguém duvide que programar computadores "normais" é um desafio gigantesco: os que usamos nos escritórios. carros e aviões. primeiro. na prática. portas e válvulas e fazer com que se comuniquem. Partindo do princípio de "aprender brincando". para gente pequena e grande. aqui fora. um conjunto de blocos de montar que tem. ou elementos computacionais. O que torna possível desde a construção de carrinhos que se dirigem a fontes de luz até a programação de robôs capazes de brincar de jogo-da-velha no mundo real. demanda anos de formação. por que não brincar de programar? Brincar com coisas simples. não precisam e não devem. claro. A diferença entre este conjunto de mais de 700 peças. certamente está depois da curva. no Natal de 1998. aliás. os conceitos fundamentais e não necessariamente suas implementações práticas de hoje. como Windows e Linux. ele representa um desafio que pode ser entendido.. programar sistemas. muito provavelmente.. em sistemas reais. exceções que justificam a regra. é programá-los. manipulado e praticado por crianças a partir de 241 . ter absolutamente nada a ver com a Internet real que usamos no dia-a-dia. fazêlos interagir com o ambiente e controlar dispositivos que existem na vida real. Fazer um programa decente ou um módulo que possa ser reutilizado. como C# e Java. pra muito mais gente do que hoje. fábricas. na escola. e os sistemas operacionais do dia. Razão pela qual mais gente deveria estar pensando em criar condições para que se aprendesse. que têm centenas de componentes e usam sistemas operacionais complexos como Windows e Linux tornam. fazendo com que seus alunos de 16 anos programem soluções inéditas para muitas coisas. para fins educacionais. Sim. Depois. Aliás. a Lego lançou. Aos leitores autodidatas e professores que têm sucesso em uma sala.

que abriram a caixa de Pandora do RCX e suas possibilidades.. neste caso. é que a Lego vende o hardware (os blocos) e nunca vai ter uma força de trabalho capaz de enfrentar os grupos. que já rendeu mais de 100 milhões de dólares em três anos. como um robô "skatista". os de Aarhus foram produzidos num laboratório de pesquisa de uma universidade. O danado. legOS. Aí é que está a beleza do Mindstorms -e talvez a razão pela qual acabou vendendo 100 mil conjuntos no primeiro ano e mais de meio milhão até agora. caso fosse dona da Microsoft. E. por assim dizer. num mercado global. tem que comprar um da Lego. Qualquer um pode montar as coisas mais simples. adivinha o que?. Logo. mundo afora. O skatista não tem nem programa. alguns compradores mais animados fizeram uma engenharia reversa do bloco programável. Alguns dos projetos feitos com Mindstorms são simples e surpreendentes. à discussão do momento sobre o "brinquedo". se aparecer alguém copiando seu projeto. parece que Markus Noga. a parte a proteger seria o hardware. até para os mais dedicados hackers. está ajudando a Lego a vender mais kits. o sistema "alternativo" e "independente" (e "open source") libera para o programador todas as possibilidades das quais a Lego estava protegendo. e grupos que trabalham para oferecer uma alternativa. o "usuário normal". sobre o sistema computacional. processar Richard Stallman ou Linus Torvalds por causa dos sistemas 242 . entenderam tudo o que é possível fazer com o processador do mesmo. Não acho que a maioria vá entender uma só linha do código usado para programar os últimos.. aliás. Como em outros cenários. é a luta entre um ator dominante. Além de ser uma alternativa à infraestrutura de software fornecida pela Lego. o RCX. o que seria equivalente à Intel. é só acompanhar as treze páginas das instruções.doze anos. um Hitachi da série H8/3297 montado na arquitetura do brinquedo e escreveram. como uma instalação de arte. que lidera o esforço por trás da alternativa. e outros são sofisticados e complexos. qualquer um que tente entender o sistema pode montar e programar robôs e sistemas de média complexidade e ainda há desafios de todo porte daí pra frente. para gente interessada em desenvolver brinquedos bem mais sofisticados do que os "básicos" que o software da Lego "permite". O que nos leva. como os "insetos artificiais" de Aarhus.. ou não? A Lego está pensando em processar Noga. até os oitenta. aliás. Exato: um sistema operacional aberto.. O primeiro pode ser feito por qualquer leitor. legOS só roda (por enquanto) no Mindstorms: se você quiser usar. Como não poderia deixar de ser. Mas nem tudo está bem no reino da Dinamarca. pois a companhia de Billund teme que algum competidor use o sistema de Noga para desenvolver uma ameaça ao seu monopólio de conjuntos de blocos programáveis.

que tem amplas possibilidades de ser um dos "computadores" de que realmente precisamos na educação. 243 .. Seria uma ameaça ao desenvolvimento de uma das mais belas brincadeiras já criadas pela computação. Tomara que não chegue na justiça. entre outras.operacionais que ajudam a vender.. CPUs da Intel.

O intróito acima é só para dizer que o tamanho do mercado brasileiro de tecnologias de informação e comunicação é suficiente para que o governo faça política. com o mercado. Se nosso PIB for cerca de meio trilhão de dólares. segundo dados da Secretaria de Política de Informática (MCT/SEPIN). como já foi dito. deveremos ser responsáveis por 40% das importações globais em 20 anos. O mercado mundial de tecnologias da informação e comunicação. normalmente entre 2. Argentina. razão pela qual talvez só tenhamos política industrial para informática. o que nos situa à altura de Portugal. no melhor sentido do termo.Nov.. aliado. a "Área Econômica Chinesa" (um eufemismo para China e Hong Kong).2001 ] Reserva de Mercado? Pra Que? O mercado brasileiro de informática é gigantesco.. Coréia do Sul. 1999.. pelo menos. Polônia e Turquia. Índia. No caso de tecnologias da informação e comunicação. o que nos deixa mal: precisando andar mais rápido do que a média mundial. A questão é mais ou menos esta: o que estamos fazendo que não 244 . O Brasil. a participação das tecnologias de informação na economia nacional é pequena. novamente segundo a OECD. o Brasil está (ou estava) entre os dez primeiros mercados mundiais até.1 bilhões no ano passado. Nas condições correntes. Que deve se perguntar. vez por outra. em Portugal é 3% e na Islândia. O resto é faroeste. Indonésia. saindo de US$7.1 bilhões em 1991 para US$14. na década passada. nós somos um dos dez Grandes Mercados Emergentes (BEM.[ 02. independentemente da competência institucional e do grupo de pessoas da SEPIN. o problema de uma política de informática (ou de qualquer coisa da ordem de trinta bilhões de reais por ano. juntamente com México. segundo a OECD. bem ao estilo dos cursos de administração (eficiente) de empresas. menos de 2%. pode não ser tão ruim assim. Nos EUA é perto de 5%. precedido pela China em oitavo e seguido pela Austrália em décimo. Mesmo na nossa mais recente "década perdida".5% e 5%. Na maioria dos países para os quais existem dados confiáveis. estamos na mesma velocidade. tem uma secretaria ministerial só para tratar do tema. Mas. e não num outro que troca de nome e ministro a cada nove luas. para nossa sorte.. em inglês) e. em função dos melhores interesses nacionais. articulado e apoiado por vastas parcelas da sociedade.) é do governo como um todo. ela reside no Ministério de Ciência e Tecnologia. cresceu mais ou menos às mesmas taxas do brasileiro. ele dobrou de tamanho em dólares. mas vem aumentando consistentemente ano após ano. o mercado de informática e telecomunicações equivaleria a uns 3% do mesmo. para que servem as coisas que estão sendo feitas. Para os EUA. do tipo matar ou morrer.

ser nunca ter aberto um dicionário. distribuído com os PCs montados no país.deveríamos mais estar e o que não estamos fazendo e deveríamos estar? Um artigo semanal nunca vai responder a tão complexa indagação. só servem para justificar a regra. E talvez tivéssemos de acabar. indicar parte do caminho. Há. hoje. cientistas. Sem precisar de qualquer projeto ou inteligência nacional. ao menos. pois os computadores pessoais estão mundialmente massificados e não vai ser possível competir com tecnologia ou empresas brasileiras no mercado mundial de desktops. exportar. quando uma quase impensável aliança envolvendo a esquerda. claro. não é nada mais que integradora de partes e componentes que têm. as fábricas brasileiras. fabricar e dar manutenção. quase só. podem viver muito bem com a diretoria. quase não havia gente. responsável perante a matriz pelas metas do quartel (que alguém. daquele setor da economia. os robôs e a equipe de vendas. transformou em "quartil". com a reserva de mercado para os PCs. a diretoria. o familiar trimestre!). Muita gente pensa assim. já que robôs fazem quase todo o trabalho. e todo mundo sabe que a indústria de PCs. quase todas filiais de grandes empresas internacionais. um ou outro software ainda desenvolvido aqui. Talvez tenhamos que usar. Alguns vão dizer que não é nada disso. Isso sem falar nas empresas que terceirizaram completamente a produção e assistência técnica: pesquisa e desenvolvimento nos EUA. fabricar. deixar de importar ou fazer e influenciar a política. a quarta parte de um todo ou. nacional e internacional. As raríssimas exceções de projeto de placas e sub-sistemas. tarifárias ou não) em várias áreas do setor de comunicações. de verdade. Mesmo? Quanta? Nas últimas fábricas que visitei. que as empresas deveriam ser forçadas a isso e aquilo. era ter reserva de mercado onde não conseguimos criar. laptops e outros tops. parcerias e alianças para vender. mas compete tentar. antes que ela caia aos pedaços por pura e simples exaustão. o argumento de que a indústria de PCs emprega muita gente. que ser importadas de algum outro lugar. até porque não é preciso. por sua vez. de jeito nenhum. face às conhecidas especializações regionais e internacionais. Sobra. Algo que deveríamos estar fazendo era política de informática: esta. no caso de um ano. 245 . num saudoso retorno às reuniões da SBC à época da ditadura. talvez precise de reserva de mercado como uma das alavancas para se ter as tais competência e competitividade de que falamos lá no início. em quase sua totalidade. para criar mais condições de inserção da expertise nacional no mercado internacional. que vem a ser uma muito confusa e amplamente usada tradução do inglês "quarter". uma economia reserva de mercado (na forma de barreiras. no governo e no mercado. vender. Uma coisa que não deveríamos estar fazendo.

ainda maior que o anterior.493bi. provida pelo governo à custa de alguma ineficiência na economia como um todo. à época. somado ao que temos pouco e queremos ter mais. então. estratégica. estações de trabalho.050. dos quais US$ 3. também no ano passado. memórias mais densas. O mercado de software nacional. exatamente? Temos alguma aliança entre a reserva de mercado para PCs. projetado e fabricado em escala mundial e com retorno de investimento para cá. 246 . controladores de disco e rede mais capazes e mais velozes. importamos também US$1. nós insistimos numa reserva que não nos traz benefícios? Veja a análise de cenário. a conta da era da informação já é maior que a da energia. Estratégico. trouxemos para o Brasil US$1. de domínio de uma tecnologia considerada. da SEPIN: ano passado. seis bilhões de dólares de déficit em hardware. é tudo aquilo que temos muito e queremos continuar tendo. como toda a exportação é legal e parte significativa da importação é ilegal. motivo para o Brasil levar pancada do mundo inteiro. A que vai haver. se comparamos com os US$6bi importados em petróleo. girou US$4. partes.023bi importados. pois tal mercado já passou e não parece haver espaço para inovação "made in Brazil". aliás de dados. numa conta redonda de sete bilhões de dólares negativos. palmtops e coisas do tipo. para ganhar competência e competitividade internacional e mudar a balança de pagamentos do setor? A resposta é um indubitável não. na forma de novas e mais potentes CPUs. está custando bilhões de dólares para desenvolver e vai custar muitas dezenas de bilhões para levar ao mercado.engenheiros e militares criou a política nacional de informática e. então: onde ficam os PCs.398bi em componentes. sistemas óticos. beneficiárias deste nicho. ano passado.728bi em sistemas completos. e as empresas. A pergunta é. sistemas). o balanço deste mercado é quase US$5bi contra as reservas nacionais. A reserva era parte de um projeto de país. no começo) mas obra pra todo pau. claro. por muito tempo. construção e exportação de tais sistemas? A resposta também é outro não. Até aqui. de substituição de importações. a exportação gerou míseros (para o porte do Brasil) US$ 100 milhões. já.470bi foram produzidos localmente e US$1. Nada disso vai ser feito. no sentido de descoberto. Uma outra pergunta pode ser: conseguiremos fazer com que o Brasil possa vir a ser transformado numa base de criação. nos mercados de hardware (componentes. ao que correspondeu uma exportação de US$1. não só pau para toda obra (porque nada mais havia de política. seu mais conhecido instrumento. etc. adicionado ao que não temos e queremos vir a ter. Por que.676bi em partes e outros US$2. no Brasil. bote aí outro bilhão de contrabando e temos. a reserva de mercado. o que soma mais quase um bilhão no déficit nacional. dizia o ex-Ministro José Israel Vargas (de Ciência e Tecnologia). Sinal dos tempos.

na Índia). e depois para a Índia. A falta de direção e sentido pode nos levar. não consegue agir fora do esquadro definido pelas 247 . Aí. segundo dados de analistas do setor. mercado para o computador popular? Estranho. que na prática abandonou o mercado de "commodities" de hardware. muito baixo. pouquíssima capacidade de decisão e execução. E falta ordem no barraco. decidiu por software e vem investindo. Estranho que uma máquina de US$300 não tenha mercado no Brasil. onde a maior parte da população. Êpa. se não há mercado que interesse às empresas que atuam no Brasil. o "setor" presente na reunião argumentou que isso iria bagunçar o mercado. de Taiwan. se o preço fosse a metade. uma das chances de renovar o mercado e a inovação locais era investir no computador popular. o Brasil não se decidiu por nada. na opinião do "setor". ou talvez pudesse ter duas vezes mais equipamentos para usar.. filiais a serviço de estratégias globais. onde tem gente fazendo. que as exclui do processo de inovação e limita seu espaço de atuação à "reserva de mercado". nada Muitos professores no governo. assistência. Outros falam de um déficit de mais de cinco bilhões na balança de software no meio da década. dominado por companhias que têm. entre outros. um sinal dos tempos. a associação que representa. se não há. Mas o que acontece com a indústria? Em reunião recente na ABINEE. o computador popular (que tal chamar de CP?) foi desdenhado por "não ter mercado". contra exportações de 300 milhões de dólares. como talvez fosse de esperar. a importar US$4bi de software em 2005. Ao contrário da Índia. embora pareça não controlar as variáveis necessárias e suficientes para tal. no país.. empatando o progresso. em São Paulo.Mas. mas como. nem a política de todas as companhias. na capacidade de seus técnicos e indústrias em produzir para o mundo. o que é. Na reunião. isso enquanto a Índia. Que o governo quer fazer. costumava lembrar a todos uma regra básica da vida: "lidere. software) do CP parece ser muito menor do que o dos PCs. não vai ficar assim. não? Claro que esta não é a opinião de todos os empresários. Sem considerar que o custo total (considerando manutenção. mas o "setor". exportou mais de US$6bi no ano fiscal passado. a impressão é de que não se aceita líderes (como Dewang Mehta. isto é. muita discussão inteligente. os fabricantes do setor. por exemplo. general americano. o governo rebateu dizendo que. siga um líder lidere. seria criada uma facilidade de importação para trazer os CPs sem imposto. George Patton. Sessenta vezes mais que o Brasil. e a preço muito. ou saia da frente Apesar dos melhores esforços das partes do governo e indústria que entendem o problema. logo não há liderados e fica todo mundo no caminho. também. principalmente. frente". pelo visto. com a presença de dezenas de pessoas. muitas idéias muito boas. Inclusive para o Brasil! Voltando aos PCs. empresas e escolas não tem como comprar PCs de US$700. que não exportava quase nada em software em 1990. no país. há dez anos.

como é o caso do Brasil para a maior parte delas.matrizes que. burocráticas do Brasil. em Manaus. Reserva poderia servir para isso. mas já morreu. num lugar ou noutro. olhando para depois da curva. e o fato é que a reserva de mercado para PCs já morreu. capazes de dar um drible de arrodeio nos vários "custos" Brasil. Entrou pela perna de pinto. ganhar mercados fora do Brasil. legislativas. E. ter cara de Embraer de telecomunicações. À espera desse dia de São Nunca. de quem deveriam vir as surpresas e a inovação. Vai levar algum tempo para ser enterrada. esforços consideráveis de desenvolvimento local. há de se repensar a montagem de aparelhos telefônicos. vivas. As grandes empresas. e um grande centro de desenvolvimento. mesmo que seja como pedaços de outras ainda maiores. de longo prazo. de curto prazo. realizados por empresas de todas as bandeiras. na definição do ex-Ministro Vargas. que não parece ser estratégica nem tampouco agregar qualquer valor ao produto ou à economia nacional. curiosamente. Mas. trabalhistas. se ter produção de sistemas computacionais de pequeno porte no Brasil for mesmo estratégico. fiscais e. nacionais. É preciso ter coragem. em geral. no mesmo setor de telecomunicações. fomento e exigências impostas pelo órgão regulador. no governo e fora dele. E há. estarão lá. precisam se articular com o governo e mercado. para discutir abertamente a conversa dos corredores e criar mecanismos inovadores de definição e realização de política industrial. celulares ou não. o CPqD. no exercício correto de seu papel. que iremos ter uma chance de agregar valor aos produtos. saiu pela perna de pato. dos interesses imediatos dos lobbies que habitam Brasília. quem atua na reserva de mercado de PCs está acomodado. a Trópico. neste caso. que leva tanto tempo para ser efetivada aqui. atrelado a uma definição de processo produtivo básico que não faz sentido em um universo de redes de valor mundialmente distribuídas. tal como ele se define e circunscreve hoje. e incapaz de pensar seu próprio futuro fora da camisa de força do regime legal vigente. é. a ANATEL. às empresas e ao país. levam anos para entender as mudanças nas suas periferias. A lógica das leis. até para sobreviver independentemente aqui. à vida de quem os utiliza. até prova em contrário ou quando houver mudanças muito significativas nas infraestruturas econômicas. de economia. no médio e longo prazos. de projeto de país. Ainda mais porque (e aqui a culpa é do governo mesmo) não há como produzir PCs competitivos internacionalmente no Brasil. Temos chance na produção de centrais telefônicas e na agregação de software às mesmas. As menores. não vai ser no mercado de PCs. por uma questão de pura e simples sobrevivência. ditada pelos interesses nacionais mais amplos. induzidos por demandas. E estabelecer 248 . de uma ou outra forma. Reserva deveria ser coisa dinâmica. ambos precisam ganhar escala. temos até. por sua vez. daqui a cinco anos. uma líder do setor.

Sem política. em curto prazo. ou estratégica. no nome do que nas ações.. devendo se tornar. 249 . corre para o passado. o ProTem e. para o governo. Ou então.. aquilo tudo é muito bom e eles sabem de alguma coisa que nós ignoramos. como a Argentina: a largos passos. à mercê de experimentos econômicos e incompetência conjuntural e estrutural de sua classe política. um país agrícola. mas profunda: prioridade é somente aquilo para o que se destina atenção e recursos.nossas reais prioridades. ou essencial. estratégias e prioridades. sem vetores e valores estratégicos.. vai ver. de fato e não somente de direito.. aprendi uma coisa simples. fui coordenador de um dos programas "prioritários" em informática do governo federal. Em vidas passadas.. não temos como obedecer à regra de Patton e podemos voltar ao neolítico. lá. tanto quanto qualquer outra coisa que era (e é) rotulada de prioritária... simultaneamente e de forma a resolver o problema. O ProTem sempre foi mais prioritário..

por exemplo. no mundo inteiro. tem qualquer competição minimamente significativa. conexões baratas. a inversão dos meios de comunicação: o que era transmitido. De todos os agentes que se movem. providas pela própria companhia telefônica. pode muito bem nos dar. Daí a TV a cabo. No rádio. pois. talvez sejam as teles as mais lentas. Trivialmente e sem termos que saber seu endereço IP e que proxy deveria estar usando. mesmo para as redes comerciais normais. com o mundo chegando ao seu primeiro bilhão de telefones celulares em breve. rádio. em quase nenhum lugar do mundo. uma forma de transmissão assimétrica de dados (onde a velocidade de recepção. Artigos do princípio dos anos noventa descortinavam um admirável mundo novo onde haveria. A menos de acordos e empresas paralelas que estão sendo montadas. pelo ar. iria para os fios. é que o negócio atual é uma forma tão eficiente de imprimir dinheiro –pois quase nenhuma empresa líder de mercado. Aliás. E o que ia pelos fios passaria para o ar. desde antes da internet. de muitos megabits por segundo. será um sinal de que não haverá rádio na rede e tampouco convergência digital. um "tom da informação": um único caminho digital. na prática. esta conectividade convergente deveria estar possibilitando. que as empresas todas esperam poder 250 . no cenário da convergência. conectando pessoas. como os telefones. o leitor não precisa saber mesmo o que tais coisas são. Que seria parte da rede. depois porque a impressão que dá. Primeiro porque são cerceadas por uma parafernália de regulamentações. Por sua vez. Quase aconteceu. hoje. George Gilder e outros trombeteavam. é muito maior do que a de transmissão). por assim dizer. para prover acesso e serviços de rede. ADSL.2001 ] Convergência digital é algo de que se fala há pelo menos uma década. em casa. se precisar.A Convergência e o Minitel [ 09.que não há lugar. ou encomendar o CD que tem a música que está tocando no rádio só com um click. no Brasil e no mundo inteiro. escritórios e todos os tipos de dispositivos lá existentes. no cabedal de preocupações dos seus planejadores. casas. já hoje. na sua casa. usando comunicação sem fio.Nov. cinema. comprarmos diretamente através do anúncio da TV. que demarca seu espaço de atuação de forma milimétrica. para pensar no futuro. Mas as linhas telefônicas fixas continuam sendo muito importantes e novas formas de utilização das mesmas para transmissão digital devem ter estendido sua vida útil muito além dos próximos vinte e cinco anos. no caso da maioria das empresas de telecomunicações. hoje. no passado. e as interações como telefone e rede. por onde viriam os conteúdos que associamos a TV.

havia criado dez mil empregos diretos e. sem usar um computador. Muito antes do resto do mundo ter ouvido falar de internet os franceses tinham. Nós... fazer reservas. com o sistema me ligando só para mensagens vindas de determinadas pessoas. servidos por mais de 1. o diabo a quatro. de outra companhia. software e comunicações que estava a serviço do usuário) que serviços de terceiros iriam ser disponibilizados na sua infra-estrutura. algo "muito melhor" do que estaria disponível no começo da internet. Mas não é possível. aqui.. na verdade um terminal de computador.. já na década de 80: em 1982 tinha 270 mil terminais e mais de meio milhão de usuários. obviamente.. onde no sistema eles seriam localizados e como seriam remunerados. desmontado pela internet. via voice mail. em 1992 eram seis milhões.. para eu saber se devo ou não entrar na rede para ver o texto intero. No passado. de 95 a 97. continuarmos com as separações de acessos. que demorou para ser ultrapassado e que ainda nem foi. ao todo. com tecnologia minimanente aceitável e a preços razoáveis.800 fontes de informação. o Brasil passou muito tempo à frente da França em número de usuários de internet como percentagem da população. Todo o sistema era montado sobre a rede telefônica e todos os serviços rodavam em computadores mainframe da France Telecom. quando oferecia mais de 20 mil serviços diferentes. pelo menos uma companhia tentou um processo meio quase totalitário de convergência. que muita gente –inclusive eu. Trata-se da France Telecom e do seu serviço MInitel. na prática. por exemplo.. não se sabe quando vai ser possível. que podia ser utilizado para consultar listas e catálogos..desdenhava. sem rede. pulamos na rede porque não tínhamos nada. faturava US$1 bilhão por ano. 1983! Em 1985 havia três milhões de terminais ligados à "rede" francesa.. decidia (porque dona de toda a infraestrutura de hardware.. estamos isolados entre nós e do mundo. enviar mensagens. no futuro. o terminal da casa do usuário. fazer transações. meios e serviços que temos hoje: não é em todo canto que se pode mandar um SMS de um celular para outro.. A razão.absorver para dentro de suas operações assim que as pressões dos órgãos regulamentadores diminuir.. lendo o cabeçalho. O primeiro smartcard francês para transações comerciais sobre o Minitel foi lançado em. era exatamente o Minitel. provia uma parte do conteúdo e ainda.... préprogramada. O melhor estilo "de-cima-parabaixo" da burocracia francesa. Se é que vai. à época. que era quem fornecia. Enquanto o mundo inteiro pastava. enfim. era utilizado por 20% da população francesa. E para ler email de um telefone. 251 . os franceses tinham este telefonezinho com tela e teclado. Quando a internet se tornou realmente disponível no mundo.. a serviço do cidadão. O Minitel era (é?) o maior barato. O serviço atingiu o clímax na metade dos anos noventa.

ele muda e se amolda à medida das influências que exerce sobre o meio e que dele sofre. E já que estaria quase tudo lá. Mas não se acaba de uma hora para outra. O que possibilita a eventual criação de uma solução de rede onde o hardware (Xbox rodando XP). na Microsoft. o que passou a se dar quando a rede começou a ter muito mais coisas de interesse dos franceses. mas "open tudo". porque a companhia que o desenvolve e opera não é uma concessionária de telecomunicações. ser também sua companhia telefônica? O outro lugar onde o Minitel poderia acontecer é lá mesmo. quinze milhões de usuários do sistema.. serviços e conteúdo. Qualquer artefato. tudo bem que o Minitel também estava isolado do mundo. por que não. obviamente. Pouquíssima regulamentação e controle.net. serviços (como o acesso rápido próprio. muito pelo contrário.. suas notícias. até hoje. No caso do Minitel.. se torna parte intrínseca da cultura do lugar.. E estas coisas. mas pelo menos lá dentro todo mundo tinha.Na França. pelo menos tão organizadas e disponíveis do que eram no serviço provido pela France Telecom. num cenário de telecom menos regulada. Mas há outro "minitel" em construção. Seu "dialtone" de software. contra "apenas" 8 milhões na internet. A Microsoft está combinando uma quantidade considerável de competências nos mais variados tipos de tecnologias de software e hardware (como . não havia esta pressa. na França. mas o fato é que a importância do sistema é cada vez menor. XP e Xbox). A comparação é que a internet é um Minitel não só "open source". não são tecnologia. diversão. os serviços (da suas folhas de pagamento até suas compras on-line). participações em companhias de infra-estrutura ótica de telecomunicações) e conteúdo (Encarta e alianças e investimentos em diversos tipos de provedores de conteúdo). o acesso (MSN). a France Telecom afirma que existem. email e o que mais você precisar no mesmo lugar e com o mesmo dono. de forma mais dissimulada. usado no meio social. 252 .

números e símbolos) que podem ser usados para formar palavras. A idéia de armazenar programas juntamente com dados. Programas de computador são uma delas. ser visto como um texto escrito em uma linguagem. como o português. é definida em termos dos caracteres (letras. Uma linguagem de programação. Claro que não vai ser neste artigo aqui que iremos estabelecer os fundamentos filosóficos da matéria. Pode ser melhor? Pode. [ 16. as regras de criação de sentenças a partir de palavras e um outro conjunto de regulamentos sobre como articular sentenças em textos maiores e inteligíveis. Mas para tal temos que entender mais apropriadamente o que é software. eventualmente. muito melhor. já que o primeiro computador que podia armazenar um programa qualquer foi construído na University of Manchester em 1948. O conceito de "computador de programa armazenado" está presente em artigos escritos por Konrad Zuse na década de 30 e foi formalizado pela primeira vez em 1945. J. Neste meio século. Qualquer programa pode. Presper Eckert e Herman Goldstine na University of Pennsylvania. para nossa análise. num texto de John von Neumann. como qualquer língua. dedicado e sortudo que seja. complexas de descrever. saímos do nada para construir programas que têm muitas dezenas de milhões de linhas de código. mais capaz. nos supermercados. Suas rotinas de funcionamento eram estabelecidas por conexões físicas. Os primeiros computadores não eram programáveis como as máquinas que usamos hoje em quase todo canto. mas é possível fazer uma comparação muito prática e apropriada para o caso. feitas com fios que interligavam os componentes através dos quais os dados que estavam sendo "processados" deveriam passar até que. explicar e.Nov. talvez não fosse possível 253 .. pouco mais de cinqüenta anos. nas transações da web. na memória de computadores tem.2001 ] Muitas das coisas aparentemente mais simples do mundo são. algo quase fora da imaginação e controle de qualquer time. de fato. as regras de formação das palavras.. Não é à toa que muitos dos programas que fazem parte das nossas vidas diárias têm um. claro. algum resultado fosse apresentado ao usuário. que trabalhava em conjunto com John Mauchly.As ordens da ignorância. por maior. Considere o texto que você está lendo agora: se eu não tivesse usado as boas maneiras da língua portuguesa enquanto o escrevia. dois ou três defeitos (erros de programação que causam falhas de operação do ponto de vista do usuário final) para cada mil linhas de código. Estamos falando da Idade da Pedra Computacional. então. nos serviços de governo. entender. o que explica todas as panes e desastres que eu e você estamos acostumados a enfrentar no banco.

memória. para lá. neste artigo. é o primeiro meio de armazenamento a aparecer em mais de meio milênio.. hardware (de todo tipo. para nos dar a impressão (bastante real. em um programa de computador. há uns 550 anos. por que os programas têm tantos defeitos? Philip Armour. Bom. por isto mesmo. pela via da prensa de tipos móveis de Gutemberg. foi que seu impacto se fez sentir em todo planeta. a servir para guardar conhecimento.. Um sistema de informação de um banco é. e não um produto em si. por acaso. houver uma instrução mandando remeter 10% do valor para uma conta em Jersey. Se. é que as regras são mais estritas. O primeiro é um puro e simples defeito.. já que o programa vai ser interpretado por uma máquina bem mais limitada do que um ser humano e. o segundo é um crime. Tente embaralhar os parágrafos. dois conceitos fundamentais para entender software (e seus defeitos). que Peter Drucker chama de conhecimento sólido. ter qualquer relação com a matéria). E o que armazenamos em software? Conhecimento é a resposta. por sinal). software. que existe na face da Terra (e fora dela). Este defeito pode ser de boa fé (o programador errou a codificação e tal não foi identificado nos testes pelos quais o programa deveria ter passado) ou de má fé. então. em verdade.. Mesmo que a conta seja de uma outra pessoa (que negue.entender partes dele ou até o texto como um todo. cérebros (há uns dois e meio milhões de anos). no caso em que. o quinto meio. as sentenças ou as palavras que ele vai ficar cada vez mais difícil de entender. mas só quando foram reinventados. do ponto de vista da seqüência histórica de seu aparecimento no planeta. concreta ou abstrata. começando por ferramentas. em mais de um artigo. A diferença. programado e executando em um monte de computadores. comandando os aviões a se afastarem 254 . um modelo abstrato do mesmo. só para assinantes) desenvolveu. O primeiro é que software é um meio de armazenamento. na verdade. de que o sistema é o banco. há uns quarenta mil anos) e livros. isso será feito sem pestanejar. Deixando os crimes. alguém tenha inserido linhas de código que desviam dinheiro para paraísos fiscais. desprovida do que costumamos chamar de "bom senso". Os livros datam de sete mil antes de Cristo. Um sistema informatizado de controle de tráfego aéreo simula os aviões e o espaço aéreo nas unidades de processamento. em algum lugar do programa que está tratando um depósito na sua conta. entrada e saída dos computadores e mantém tal simulação a par e passo com a vida (em tempo) real lá fora. na coluna "The Business of Software" na revista acadêmica Communications of the ACM (que pode ser encontrada na biblioteca digital da ACM. Os quatro primeiros seriam DNA (há bilhões de anos atrás). Os programas que foram e estão sendo escritos no mundo servem para armazenar conhecimento sobre todo tipo de coisa. deliberadamente. Software seria.

que eu tenho 1OI no assunto) mas nem desconfio deste fato. serviços e instituições de grande complexidade (inclusive porque têm clientes humanos!) ele só funciona corretamente e realizando tudo (e só!) o que teria que fazer quando o processo de descoberta e codificação de conhecimento que é. em se tratando de humanos). Trens. Na 255 . Como software é conhecimento codificado. 3OI conheço uma forma eficiente para descobrir que não sei que não sei alguma coisa. Estamos em algum lugar entre zero e três. Finalmente. o desenvolvimento de sistemas de informação é realizado por gente que combina zero e uma ordens de ignorância.uns dos outros.. ou não sabe. E o que isto tem a ver com defeitos em software? Tudo... 1OI eu não sei alguma coisa e posso identificar o fato prontamente.. Pessoas com 2OI costumam "saber" muito. outro alguém com 0OI no assunto. 0OI é a falta de ignorância.. Enquanto as pessoas que sofrem de 2OI perturbam o ambiente e podem ser de difícil lida. Não só eu sou ignorante sobre algo (por exemplo. motores. leitor. descer.. Ou a pessoa sabe e o demonstra na prática (1OI). quem sofre de 3OI é definitivamente perigoso para a instituição em que se encontra. o caos. de forma a realizar algum processo real. a meta-ignorância (4OI alguém 4OI): 4OI tem 4OI quando nem sabe que existem Cinco Ordens de Ignorância. E os defeitos? Ah. ou uma ordem de ignorância (1OI se dá quando 1OI). Eu tenho zero ordens de ignorância (0OI sobre 0OI) 0OI alguma coisa quando eu entendo da mesma e posso demonstrar minha falta de ignorância sobre o assunto de alguma forma tangível. vêm da nossa incapacidade em adquirir conhecimento sobre o que estamos tentando armazenar no software.. todos os programas neles embutidos são conhecimento codificado em alguma linguagem. Começa a ficar complicado quando me falta desconfiômetro. Assumindo que não há má fé e que os engenheiros e outras pessoas envolvidas no desenvolvimento do sistema dominam suas profissões a ponto de não cometer erros técnicos (o que quase nunca é o caso. quando tenho 2OI aí. os defeitos. acabamos de passar. a subir. freios. Desde fazer pipoca até evitar o travamento de rodas. fornos de micro-ondas.. na maioria das vezes sobre sistemas.. Falta de conhecimento. em sua maioria. Armour estabelece cinco ordens de ignorância que afetam os mortais comuns como nós. os defeitos. Não só quando se trata do objeto da codificação. por sua vez.. procure ao seu redor.. sim. eu não 2OI: sei que não sei alguma coisa. é capaz de anunciá-lo aos quatro ventos e pedir ajuda (1OI) a algum especialista de verdade.. Danado mesmo é quando chego em três ordens de ignorância (3OI Aí. pelo que. benigna. fazendo funcionar o tráfego aéreo. de fato. simulando alguma parte do mundo real. processos. sofro de falta de processo: 3OI significa que não 3OI). 1OI é a ignorância básica. ao mesmo tempo em que comandam alguma interferência na mesma. mas da técnica sendo usada para tal.

e tem 2OI) e outros. Pelo menos. 256 . são mais perigosos. é de gente com mais de uma ordem de ignorância. ainda. muita gente "acha que sabe" (não sabe que não sabe. porém. em algum lugar. agora. ainda por muito tempo. sabemos que a culpa.prática. pois nunca nem vão descobrir (3OI) que há coisas que não sabem que não sabem. lidando com os defeitos. nós. À frente da tela.

Ou apenas de hoje. No começo. e onde está (esteve. Revoluções. devo avisar que a coluna de hoje não é um obituário para Michaels. onde o editor emérito da revista lança seu olhar certeiro sobre a economia virtual. em 1948. a bíblia periódica do capitalismo mundial ou. os grupos que não dominavam a arte. com cada vez mais gente tentando. Michaels não nasceu anteontem. Nas revoluções (tecnológicas. tampouco observa o mundo desde ontem. já usada como força. Em um artigo curto. como ela mesma se descreve online. com três tiros.. Michaels chama nossa atenção para o fato de que revoluções tecnológicas são acontecimentos exuberantes. "A Business. Dos negócios que. Daí o título do seu artigo: não há cálices. O jornalista certo. direto ao ponto e recheado de fatos.. durante 37 anos (até 1999) editor da revista Forbes. quase nenhum sobreviveria depois que a curva estabilizasse em algum ponto. é porque esta coluna é uma chamada para seu artigo de dezembro no site da Forbes. um ou outro valente domou algum animal mais manso. Michaels nasceu em 1921. que está vivo e saudável: se ele está aqui. Ou. até. foram obliterados. outro neo-cavaleiro se arriscou. o que quase sempre leva um número muito grande de companhias e indivíduos a perder tempo e dinheiro atrás dos ilusórios cálices sagrados que existiriam num salto tecnológico qualquer. no lugar certo. alguma hora. Not a Religion". [ 23. Michaels é graduado em economia "cum laude" por Harvard e foi.2001 ] James W. Religiões? Negócios. espremidos no pouco tempo que têm entre o fato (ou a versão) e a notícia (ou versão) que devem publicar logo depois do ocorrido. significando um mercado estável. bateu a competição para anunciar ao mundo que Bapu Gandhi tinha sido fuzilado. estamos falando de negócios. limitada mais pelo suprimento de cavalos do que pela disponibilidade de jockeys. sim. que tendem a diminuir os níveis corporativos e pessoais de sanidade e controle..Nov. por Ram Naturam.Invenções. produtividade ou qualidade em qualquer mercado é normalmente descrito por curvas exponenciais. até que.). Logo.. "[the] home page for the world's business leaders". e não de religião. Pense na curva de crescimento do número de cavaleiros habilitados: ela é uma exponencial (2 caras hoje. Ah. no caso) o processo de criação e implantação de diferenciais de possibilidade. e assim por diante. de onde. em alguns casos. como faz a maioria dos jornalistas. poderiam ter sido baseados na "explosão" do cavalo. estará) sua crise. à medida que a notícia e o exemplo de que cavalos podiam ser cavalgados se espalhava. à época. serviu na Segunda Guerra e foi correspondente da United Press na Índia. Pense na revolução tecnológica representada pelo uso do cavalo como meio de transporte. onde os 257 . antes. 8 depois de amanhã. 4 amanhã.

Até porque. e pouca. Mesmo que houvesse fogo. e nós não paramos. gerando montanhas de fatos e dados para nossa análise. filmes.. Palmas. políticos e econômicos. TV. "Velhas" companhias. Para olhar para trás e perguntar que fogo havia por trás da fumaça que estávamos cheirando. entre assinantes de magazines.. trocar sua infraestrutura todo ano. do ponto de vista estrito da necessidade de roteadores. ambientais. CPUs. seguros. nem pode. deveríamos ter entendido que as novas tecnologias complementam. serviços a cabo... A Cisco. até porque compraram companhias que sabiam fazê-lo. "parou de decrescer" e não dá sinais de que volte a crescer em qualquer velocidade nem tão cedo. Tecnologia acontece dentro de contextos sociais. só porque algumas companhias precisam "continuar crescendo". automóveis. diversão. ao invés de substituir completamente. porque no caso de muitos negócios da web só o olfato notava a fumaça. discos e cabos. de que serviriam Hummers? Os grandes ganhos das tecnologias da informação podem não ter passado da forma como Michaels vê.. de varejo. Nós não aprendemos com a história.compradores estariam à procura de valor real e não atrás de "vapor" de cavalo. e se mantém lá. Mesmo assim. que era invisível e estava à temperatura ambiente. apesar de dados impressionantes: se o mercado de componentes eletrônicos se recuperar mesmo. recentes até. o que não é pouca coisa. depois do antraz. há crescimentos de mais de 40% no número de pessoas que pretendem comprar on-line neste Natal. o número mundial de pessoas on-line cresceu 32% em um ano e. rádios. pelo visto. aprenderam a usar a rede.. Avanços muito significativos no desenvolvimento de sistemas podem reutilizar a maioria do hardware comprado nos últimos 3 anos para fazer quase qualquer coisa de que precisemos na rede hoje. para Steve Case: ainda no topo da montanha da especulação. educacionais. ele só voltará para os níveis de consumo de 2000 depois de 2003. conseguiu comprar uma das maiores companhias de mídia do mundo (Time Warner) e transformar a "pureza virtual" da AOL em um mundo que afeta a vida de 100 milhões de usuários. e estão usando esta nova vertente de negócios para agregar muito valor às atividades de seus clientes e aos seus lucros. no futuro próximo. provimento de acesso e outros. Cavalos. trens. 258 . o pagamento de contas on-line. finanças. automóveis. em poucos dias. sim.. Quando todos pensavam que a última carga de cavalaria teria sido na Segunda Guerra (poloneses e italianos disputam a honraria) vimos. americanos e afegãos partindo para a batalha montados. as que já existem. aqui. cresceu 20%. ninguém precisa. é o que Michaels diz. tantas revoluções. vapor. claro. que crescia a taxas de mais de 30% por ano. Onde o combustível é grama e água.. às quais estamos acostumados. de repente. um dia destes. mas não tinham nada o que fazer lá.

que os Estados Unidos não são Manhattan e que o Oriente não é uma novela de TV. quem sabe. vaticinou há alguns anos (éramos passageiros. daqui a algum tempo. Mas não vai aparecer nenhuma nova Intel ou Microsoft tão rápido quanto se pensava. Talvez. 259 . no nosso caso) são puras invenções. viveríamos uma verdadeira revolução. e porque os incumbentes. sim. que a própria noção de oriente e ocidente (como de "Nordeste". como se não bastasse. como um amigo meu. Aí. é até capaz de muitos deles estarem aprendendo com a história e estarem lendo mais do que slashdot e a coluna de tecnologia do San Jose Mercury News e. até. Hoje em dia. As tecnologias da informação dificilmente sairão do centro do palco.menos votados. alianças) vão tornar a vida dos novos entrantes muito difícil. porque os efeitos de mercado (barreiras. têm capital em quantidade suficiente para apostar (mesmo que minoritariamente) em quase toda inovação relevante que aparece em mercados correlatos aos seus. físico. monopólios. na maioria dos casos. dizia ele). lock-in. por sua vez. os americanos acabarão descobrindo o que é e qual é a capital do Brasil e os brasileiros.

aliás.. saúde. eunuco da corte imperial. Mas também (não) fez a Transamazônica. a fundação de ciência e tecnologia de Pernambuco. O que o país deve fazer é aumentar os esforços para ampliar exportações daqueles produtos em que é mais competitivo. com o longo prazo de que precisam as grandes coisas.. como a soja. aliás. sozinha (mas não sem as construtoras deixarem seu rastro). Entre outros. O desenvolvimento. entre tantas outras. No mesmo endereço. como diz David Landes. nem pensar." O BNDES já "executa a política de desenvolvimento" e a opinião do seu presidente é de que deveríamos partir de vez para coisas bem "básicas". em vez de discutir a volta da política industrial para tentar construir. a seu ver. no Cerrado. quer trazer a lógica imediata dos mercados para pensar e falar sobre desenvolvimento. que construiu Itaipu. são todas as coisas que afetam países: comércio.2001 ] Este não é um artigo dos engenheiros contra o resto do mundo.. 260 . relações exteriores.. segundo seu site. [ 30. do papel e celulose e do suco de laranja.. é algo de longo prazo. Gros citou os casos de soja. na China. de curto prazo. Como. entra o choque da lógica. como papel (inventado em 105 da era cristã.. Gros diz que. vitória obtida nesta semana na OMC para procurar aumentar as exportações de alguns produtos competitivos. por Ts'ai Lun. A primeira pessoa que eu ouvi levantar tal problema foi o professor (com muita honra) José Carlos Cavalcanti. Tampouco é um discurso pela volta dos anos de chumbo. vamos começar pelo começo e tentar explicar porque e onde está faltando tecnocracia no governo brasileiro. seguridade social e educação.Nov. como todo mundo deveria saber. trazida para o Brasil por imigrantes japoneses em 1900 e poucos. por exemplo. Mas que só foi transformada em cultura de porte por investimentos consideráveis da Embrapa. sem o que não poderia ser plantada. há uma foto do Presidente entregando um prêmio a um dos pesquisadores da estatal..o Brasil deveria aproveitar a Está na FSP de 17/11/2001.. até hoje no estado em que se encontra. uma indústria de informática. segundo as quais ". estampadas nos jornais.. presidente da FACEPE. ao comentar declarações do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social..) e soja. A Embrapa Soja foi criada pela tecnocracia federal em 1975 e as tecnologias lá desenvolvidas "possibilitam ao Brasil manter o 2º lugar no ranking dos maiores produtores de soja do mundo".. por exemplo.. onde o pra-frente-Brasil era uma combinação de ordens de marcha e grandes feitos da engenharia nacional. no entanto.. um pesquisador que sabia das coisas. prefere falar em política de desenvolvimento o que.. Aí. como qualquer tipo de desenvolvimento real. o BNDES já executa. Muita gente.. a maior hidroelétrica do mundo. em vez de política industrial. Logo.A tecnocracia talvez não fosse tão ruim assim. principalmente depois da vitória na OMC.

para o Brasil. um dia. e levará ainda mais tempo para ser recuperado.. como deveriam fazer. cada vez mais. Se a Embraer está brigando pelo primeiro lugar no mercado com a Bombardier (e tiraram. Uma pena. essa não era a única necessidade a suprir.. a exportação de aviões foi um projeto de longo prazo. na prática. E os resultados não serão visíveis para a sociedade em menos de vinte anos. enfiar a cabeça na areia e deixar pra lá. também. para os poucos que se formam. para cada ano a mais em que não fazemos nada sobre o futuro do ensino superior federal no país. era uma escola de alto nível para a formação de engenheiros aeronáuticos. Casimiro Montenegro. até que. Mas. que são hoje instituições falidas in totum.o que se fazia necessário. Resultado: parece que. É muito mais fácil. Hoje. mas nem por isto as universidades federais. civil e militar. ouvindo. estabelecendo prioridades de longo prazo. um destes onde o número de candidatos é baixo. talvez tenha sido um lapso. Um dos principais objetivos seria elevar a ciência e a tecnologia aeronáutica ao mais alto nível em relação aos das nações mais avançadas.. a BAE do ar). se acabou.) inviabiliza qualquer pensamento sobre o longo prazo. voltada para a aviação. Impressionante. o que os americanos chamavam de "spin-off". isso se tal tentativa for. as duas. não há mercado de trabalho. ao mesmo tempo em que passava a ser circunavegado pela classe média. não? Data do debate: 1945. a qualidade do curso idem e. Resultado: criação do CTA. entendeu que ".O curto prazo. Todavia. estudei em grupos escolares." 261 . talvez não tenha falado porque. na década de 40 (!) um visionário. No melhor caso. e não apenas para cuidar de assuntos da Força Aérea. no caso dos que pulam entre cargos que têm eleições assíncronas. no caso. o que não me impediu de entrar numa grande escola de engenharia. Na década de 60. revêem seus números de matrículas ou fecham cursos. de modo a se obter a consolidação de uma indústria aeronáutica capaz de poder competir com os adiantados países estrangeiros.. Seria imperiosa a formação de engenheiros para atender. o ITA e o IPD. claro. entre outros. que foi paulatinamente abandonado pelos governos. possível. o usufruto de benefícios indiretos que a indústria aeronáutica poderia trazer às indústrias correlatas.. entrar numa universidade paga de baixa qualidade ou fazer um curso superior público de "nada". as universidades federais estão indo na mesma direção do ensino público secundário.. O no Brasil. quem estiver em grupos escolares está praticamente condenado a. Doutor Gros não falou que nós deveríamos exportar mais aviões.. Tome a educação como exemplo: se tentarmos mudar as universidades federais. brasileiros que estudavam no MIT. sobre o desenvolvimento. ou seja. com seus dois primeiros institutos. o fazer neste mandato (ou no "meio mandato". depois. ele degringola mais um pouco.. foi em grande parte porque. não conseguiremos realizar tal processo em menos de dez anos. oficial da Aeronáutica.

China.resto é história. com problemas e. e bilhões de dólares a mais na balança comercial. sou capaz de apostar que o resultado das exportações brasileiras de papel e suco é menor do que o faturamento da Tetra Pak (daquelas caixinhas de papel. pela de país agrário. apesar de grandes embates na década de 70 e 80. pra botar suco. além de ter virado piada na boca do povo. ou quem sabe. Mesmo que o presidente do BNDES ou toda a burocracia federal pense assim. no curto prazo.. E o Brasil não é o Chile ou a Costa Rica. talvez. mais papel ou suco de laranja. que podem decidir fazer umas poucas coisas: somos mais 180 milhões de pessoas.. neolítico. principalmente. Hoje. há mais de 100 anos.5 milhões de quilômetros quadrados. ao BNDES? Algo ligado a genética ou bioengenharia. que normalmente desenvolve novos produtos. Deve ter sido substituído. e muito menos dos possíveis mercados futuros. O que não vai ser feito exportando.. Urgente. serviços sem ter o entendimento completo dos porquês de tudo. Precisamos de novas possibilidades e estas são criadas pela técnica. Só o longo prazo. lá fora. investir nas possibilidades que nos habilitem a disputar mercados futuros de alto valor agregado (como a Coréia fez com CDMA). ou talvez na última década. viram alimento para animais) que vamos desenvolver este país. uma revolução tecnológica que não dá o menor sinal de diminuir sua velocidade. Mas parece que o projeto de país grande. advindos dos "spin-offs" do CTA. Índia. de empregos.3 bilhões de euros em 2000). cinqüenta anos depois. talvez? Esqueça. possibilidades do tamanho dos Estados Unidos. Mesmo sem os dados. Não há notícia. No neolítico. Casimiro Montenegro sabia que aviação civil ia ser muito importante. Bastou. ao invés de nos abandonarmos ao sabor das ondas da internacionalização. Precisamos sair do neolítico. todo ano. capazes de gerar retornos que ajudem a transformar o país. Alguém tem alguma proposta parecida para apresentar. desapareceu dos horizontes de planejamento de Brasília e adjacências. Na época da "tecnocracia" o pensamento era outro. passamos a perder a capacidade de geração de conhecimento e criação de possibilidades que tínhamos para um entendimento errôneo da globalização. 7. hoje. processos. só a possibilidade de criação de empresas. Num mundo global. O mundo está vivendo. começou a praticar a agricultura e construir habitações. descartáveis. 262 . Rússia. Ele não tinha nenhuma garantia. pois o Banco não está interessado em política industrial. então.. pela noção de país miserável ou. o homem domesticou os primeiros animais e plantas. só a idéia fixa de desenvolvimento. em 8. e não vai ser exportando mais grãos (especialmente dos que. durante toda a vida do CTA. de que a lógica tenha vencido o desenvolvimento. Olhe para o que os bancos estatais brasileiros financiam e verá pouco mais do que isso. temos que ter estratégias e prioridades. de riqueza.

O impacto sobre a distribuição de renda: zero. decerto. renda e riqueza. desenvolvimento e sua associação a projetos estratégicos de construção de um país de verdade. Mas não se vai melhorar a vida da Nação utilizando apenas os princípios.. Tecnologia que depende de uma população educada. deseje participar dos processos econômicos que levam à geração de trabalho (e às vezes de emprego)...". Não que todo mundo queira. Voltando quase ao começo do artigo: ontem (29/11/2001).. médio e longo prazo. Coisa que o governo dos professores parece ter esquecido. O Brasil." Palavras de Francisco Gros à IstoÉ. Talvez tenha sido o que o presidente do BNDES tenha querido dizer. desenvolvimento continuarem como vão. pesquisa.. mesmo que teoricamente.. hoje. um pouco melhor. Poucas delas podem ser tão excludentes (para quase todos) e exclusivas (como conseqüência. O governo dos tecnocratas. só é atingido pelo descortinamento de novas possibilidades. que informática (por exemplo) está embutida em absolutamente tudo. não significa desenvolvimento. Mas deveria pelo menos emitir sinais de que. inclusive papel e suco de laranja. não devesse. o que deve ser quase que necessariamente aliado à remoção dos empecilhos para que a maior quantidade possível de pessoas tenha condições de participar do processo. segundo a SEPIN.. se a educação. na prática. o que pode ser feito com tecnologia. não nos restará alternativa a não ser exportar grãos e sucos de baixo valor agregado. Não me consta que o Banco esteja muito preocupado com educação e. Quase para terminar. pesquisa e Há muitas formas de se desenvolver um país. 100% tecnologia. e que nós temos um mercado interno de informática de tal tamanho (US$14. talvez. Desenvolver o povo. o que já temos no país e o que poderíamos ter no curto.. mas não deve haver impedimentos para quem. a governadora e virtual candidata a presidente Roseana Sarney 263 . entendia isto muito bem. o presidente do BNDES diz que retomar preocupações com política industrial estaria no lugar de outras ("em vez de.") alternativas de desenvolvimento. só se consegue através da criação de novas oportunidades o que. citando estudos do IPEA. Crescimento.1bi em 2000. mais que o dobro da Tetra Pak) que possibilita o desenvolvimento tecnológico autóctone e cria possibilidades de mercado mundial que não deveriam ser alheias ao BNDES. principalmente pela via da educação. para uns poucos) como aquelas que estamos praticando no Brasil há mais de um século. segundo o presidente da estatal encarregada de articular o desenvolvimento econômico. pelo menos. desenvolver a sociedade.é um dos países que mais cresceram no mundo ao longo dos últimos 50 anos. culturas e tecnologias do neolítico. Ledo engano: é bom repetir que países de nossas proporções não podem depender de uns poucos itens no mercado internacional. Soja é. por sua vez. Mas para isso seria preciso entender.

desenvolver o país... Hoje. e na propagação do bem-estar social." Leitura recomendável ao presidente do BNDES e a todos que estão pensando em.. da sociedade científica.". Michal é engenheiro e assessor da governadora. o discurso.. é que 264 . da classe política. falando inclusive de agricultura. é indispensável que os produtores individuais e as unidades de produção sejam eficientes e competitivos no mercado: que haja ênfase na agregação de valor. dos empresários. dos trabalhadores e. na criação de emprego qualificado.Diferentemente do passado. saiu do Maranhão para assistir a posse de Michal Gartenkraut na Reitoria do ITA. o desenvolvimento maranhense não pode ser equacionado a partir do crescimento de sua produção primária. motivado pelo deslocamento de fronteiras. O conhecimento e a inovação figuram como instrumentos transformadores dessa realidade e não podem prescindir de ações efetivas do governo. realmente. que (também) é socióloga: mas no site do Maranhão. particularmente.

caíram até 90%. a situação não é simples. o tamanho do buraco. mas o antigo monopólio. por 4% do mercado de tecnologias da informação e por 21% do crescimento de tal mercado em relação ao ano anterior. era responsável por 98% de todas as conexões locais. na Alemanha. onde as ações perderam dois terços do valor no último ano. ou quase) podem acabar criando algum espaço para outras empresas lá na ilha. como no Brasil: em dois anos. a "competição" começou em 1998. os mesmos 65 bilhões de euros da DT! Capaz de ser uma daquelas cerradas competições franco-germânicas. uns cento e dois bilhões de reais a dinheiro de hoje. No mercado doméstico. em muitas rotas internacionais. mas não a ponto de reverter a situação da companhia na bolsa de Londres. Na Alemanha.800 provedores de serviços de telecomunicações dos mais diversos tipos. e o débito da DT é de 65 bilhões de euros. e deve. e não fazia a menor idéia de como pagar tal conta. em comparação ao ano passado. houve uma explosão de investimento em telecomunicações entre 1998 e 2000. Não é a toa que. a operadora total das ligações locais e de longa distância. a receita usual de vender mais. que torrou bilhões nas licenças para operações celulares de terceira geração (e provavelmente perdeu tudo. Segundo a Morgan Stanley. os preços por minuto. uns 138 bilhões de reais. Em qualquer país que se olhe. No fim do ano passado. mas que ninguém vê funcionar: convergência. em parte. a queda das telecomunicações se faz sentir de maneira muito forte. mas correções ainda maiores hão de acontecer do lado das teles. também entre as empresas de informática. Mais recentemente. a monopolista France Telecom teve seu lucro líquido da primeira metade deste ano reduzida em quase 50%. a Deutsche Telekom AG. A maior delas pode ser causada por uma palavra que todos pronunciam. tão comuns no século passado. que foi responsável. da alma até o dedão do pé. Ah.2001 ] O estranho mundo da telecompetição Estabelecer um mercado competitivo em um setor que nasceu monopolista. Não aconteceu nos Estados Unidos e nem na Inglaterra. demitir (13 mil pessoas até abril de 2003) e vender partes do negócio aos competidores começou a ser aplicada e vem reduzindo.Dez. vila e zona rural.[ 07. Existe competição na longa distância. havia cerca de 1.. Na vizinha França. 265 . se bem que as dificuldades da British Telecom. a DT faz e acontece e ninguém consegue instalar a capilaridade necessária para competir com ela em cada cidade. A DT era. a gigante inglesa devia trinta bilhões de libras esterlinas. apenas no último ano. não é tarefa fácil. pois uma parte considerável de sua explosão de vendas era otimismo do setor de telecom. O mercado já está corrigindo este efeito para o lado da informática. Em maio deste ano..

dentro da minha casa. Se o crime organizado pode fazer tal maravilha com tanta facilidade. disso. a chance de um celular de fora. mesmo que os ditos cujos não estivessem comigo. em Curitiba. Demora. No Brasil? Sim. Por que não? Em Curitiba. depois de ter tido um prejuízo de quase 200 milhões no terceiro trimestre. de cabo. Que eu poderia trocar todo tipo de informação entre quaisquer dispositivos de computação. de acesso à Internet. temos problemas graves no curto prazo. por absoluta falta de caixa dos pretendentes. parece que duas outras operadoras consideraram o assunto. é quase 100%. Mas aqui. e é rebaixada pelo Goldman Sachs. aliás. a Worldcom. a dívida da BrasilTelecom é do mesmo tamanho e a da Telefonica (na matriz) é de 27 bilhões de euros. passemos a ditar o que o mercado "quer". Deve ser por isto que a empresa talvez esteja à venda. locais móveis. por que não o cidadão desorganizado mas necessitado e pagante? Mas vai demorar. Algo como. só há competição mesmo só em longa distância e internacional. Ou seja. daquilo e. comunicação e controle a meu dispor.Convergência de mídias e de meios deveria significar que. talvez?) e poder usar sua agenda e livro de endereços.. Olhando apenas para a telefonia fixa. até que uma boa dose de senso faça com que nós. ou 58 bilhões de reais. de um telefone público. As operadoras estão divididas em locais fixas. para o que se chama "performance igual à do mercado". Um amigo já perdeu dois números. pelo que eu soube recentemente. meu celular seria um ramal do meu conjunto de linhas fixas. clientes e usuários e não os executivos e acionistas das empresas. Ao mesmo tempo. contabiliza uma despesa adicional de mais de 600 milhões no quarto trimestre do ano. dona da Embratel. Tanto quanto na Alemanha. a Embratel é a única parte da antiga Telebrás que teve que se desestatizar de verdade. "criar" meu telefone celular. de resto. Assim. desde que de posse dos devidos códigos e senhas (na forma de um cartão inteligente. e está trilhando a picada a duras penas. deve 28 bilhões de dólares (a dívida da Embratel era de R$2. A Embratel não está sozinha no departamento das más notícias: a Telemar perdeu R$429 milhões no terceiro trimestre e sua dívida é de quase 9 bilhões de reais. o que inclui transferir uma boa parte das suas receitas às operadoras locais. também. mas vai acontecer. ligado ao descer no aeroporto. reduz investimentos. Neste estranho mundo onde os bilhões de dólares parecem contar mais que os milhões de usuários.2Bi em dezembro de 2000) e talvez tenha mandado avisar que não vai atrás de dinheiro para sua subsidiária brasileira. ser clonado. 266 . mas a coisa não andou. Aliás. de longa distância. todos eles incompatíveis um com o outro.88 por ação este ano. em qualquer lugar e a qualquer hora.. a Embratel planeja uma entrada "suave" no mercado local para maio de 2002. com uma previsão de prejuízo de US$ 0.

tão rápido quanto possível. apenas.ninguém compra ninguém. Razão para o órgão regulador começar a pensar num todo muito maior que a soma das atuais partes do cenário. há muito. Mas algo me diz que os mecanismos de proteção às receitas das operadoras estabelecidas vão fazer de tudo para que tenhamos. o dinheiroduto de resultados do setor funcionando a todo vapor. bem que a alternativa poderia vir dos provedores de comunicação que fazem serviços de dados via rádio. onde os usuários (já que nunca estarão acima de tudo) estejam. esperançosos em ver. Telefone. um melhor serviço de telefonia. Talvez fosse preciso fazer mais do que cuidar de segmentos e tipos de serviços. é isto que está faltando. pelo menos. A França fez isto com o Minitel há décadas e nós podemos fazer hoje. Não é a toa que a ANATEL vai adiar a competição de verdade no setor para 2006 ou. 267 . Para o mundo da telecompetição deixar de ser tão estranho. no Brasil. até porque os bancos de investimento devem estar esperando para ver o que acontece com seus bilhões. já é. testarmos serviços realmente convergentes. para nunca. coisa do passado. gastos na compra de licenças que não estão imprimindo tanto dinheiro como eles esperavam. no mesmo nível dos provedores e investidores. capazes de oferecer alternativas que ainda não existem pelo mundo afora.. Aliás. o que é uma pena. se as coisas continuarem como vão. no curto prazo. coisa que muita gente ainda nem tem. por exemplo.. a ANATEL deve estar pensando em olhar o negócio de telecomunicações mais de perto ano que vem. E poderiam ensinar muito a todos nós. Eles dependem pouco das teles. Talvez houvesse como. Se nenhuma das grandes (ou pequenas) operadoras atuais quiser participar. pois a maioria das empresas deve correr atrás do conhecido "shareholder value" (ou geração de valor para os investidores) algo que pode estar tão distante de "satisfação de clientes e usuários" quanto seja a necessidade dos administradores de apaziguar seus financiadores.

talvez valha a pena ler os artigos publicados em 24 de agosto.. vez por outra. ao contrário. isto quase nunca é verdade: todos os sinais de conspiração no Planalto são. Se for isto mesmo. segundo um dos personagens desta coluna. atingindo um total de mais de sete milhões de alunos. Um projeto desta monta pode criar uma indústria de informática na educação de classe mundial e/ou mudar os rumos de uma boa parte da indústria de informática (hardware e software) no país. rediviva. Uma das maiores conseqüências de tais sinais é a predisposição ao debate das posições pessoais e institucionais sobre qualquer coisa. e isto é muito bom para o país. talvez porque haja mais renda pública a auferir dos impostos que recaem sobre tais atividades do que sobre a indústria nacional e respectivo comércio. vulcão abaixo. inclusive aquelas para as quais garantimos. beneficiando cerca de 13 mil escolas em mais de quatro mil municípios. até porque ignoram a quem atingem. ao sinal de fatos aparentemente tão bem concatenados. Para entender (a nossa visão d)a história e as considerações deste texto. O problema é que. criar comércio local de bens importados. 16 e 09 de março deste ano. a capacidade pensante da coletividade é sepultada pelas certezas recônditas de grupos que acham saber tudo (mas desconhecem as ordens de ignorância. no entanto. E desce o rio de lava. quase chego à conclusão de que Brasília prefere. em passado recente. que não voltaríamos atrás nem um milímetro. impingir sua vontade e decisão ao resto do país. Tal é. sinais de inteligência coletiva são emanados do poder. seria uma conspiração contra o país. o poder de compra do governo. para levar computação e comunicação a todas as escolas secundárias e técnicas do Brasil. erga uma parede para desviá-la da sociedade. e aos 23. A inteligência é de quem. cria uma versão conjuratória dos eventos. de fato. como o leitor deve saber. mas o fato é que. para logo depois nos arrependermos de tamanho lapso verbal.Dez. desde o começo.Universalização de Acesso: mais um capítulo [ 14. Vez por outra. como um todo. o que –entre várias outras coisas boasdobraria a população da internet brasileira.. burrice mesmo. Um dia destes. novela que esta coluna vem publicando ao longo do ano. Talvez a verdade esteja entre a cruz e a espada. O FUST/Educação é um projeto. em resumo. sem perguntar a opinião dos atingidos. até que a sanidade coletiva. fogo e editais. a ferro. depois de uma dose de Laphroaig.2001 ] O governo brasileiro. não é exatamente um especialista no uso de seu poder de compra para o fomento à indústria nacional. o enredo do FUST/Educação. até o capítulo atual. que seria capaz de fazê- 268 . Só que.) e tentam.

Assumindo que seja isto mesmo. sair aprendendo MacOS. estratégico e nacional do setor de informática (veja o texto Reserva de Mercado? Pra Que?) e acabou criando uma interessantíssima discussão sobre política industrial. em todo lugar. o usuário decide se usa Linux (um dos sistemas operacionais abertos existentes no mercado) ou Windows. Afinal. na verdade. Aliás. se o CADE deixasse. que disse tê-la recebido das Secretarias de Educação dos estados. a Comissão se reuniu para ouvir a ANATEL. e isso há uma década ou mais. pode ser a diferença entre ter escolhas no futuro ou estar 269 .lo. entrando na licitação com preços perto de zero. no mundo digital. ter recebido a proposta "Windows" do MEC. É claro que estamos falando de educar pessoas em um arcabouço de tratamento de informação que deverá ser seu companheiro pelo resto da vida. ontem (13/12/2001). Todo mundo precisa de informática todo dia. tamanha sua importância estratégica para a empresa ou qualquer competidor. nem todo mundo quer ser especialista em sistemas operacionais ou ter a curiosidade de. quando todos ainda têm tempo para exercer a curiosidade e criatividade naturais da juventude. esta discussão e a alternativa dela decorrente é importante? Simples: informática não é mais um supérfluo de uns poucos. é preciso conversar mais com as secretarias estaduais pois. Seja lá quem redigiu as primeiras versões do edital. EPOC e sabe-se lá o que mais. estava conectadíssimo. Este. A presidente do Conselho Nacional de Secretários da Educação (CONSED) não negou que esta ("Windows –e só Windows.para todos") é a posição dos estados. enganou-se redondamente ao escrever o nome da firma de Redmond no convite: a Microsoft não precisa de tais ajudas e (como este espaço mencionou mais de uma vez) possivelmente ganharia a licitação de qualquer forma. o MEC tirou da cova o pouco que ainda resta de pensamento político. com todos os sinais trocados. Agora imagine se uma solução única. estava completamente desconectado do processo. dando exclusividade à Microsoft para o fornecimento dos sistemas operacionais dos computadores que seriam utilizados na solução que o governo propunha comprar com recursos do Fundo para Universalização dos Serviços de Telecomunicações. monolítica. Convocada pelo Deputado Walfrido Mares Guia (PTB/MG). E tal dependência dá todos os sinais de que vai aumentar muito. é usada para introduzir. depois de aprender um na escola. da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados. como vem fazendo. a solução pregada pelos adeptos da proposta "Alternativas para todos" inclui Windows: ao ligar a máquina. exatamente. que reiterou. que desaguou numa reunião. Ao escrever "Windows em todo lugar". no edital. qualquer que seja. Por que. todos os alunos do secundário do Brasil. não sai do jogo: o que passa a ocorrer é que os pingüins entram em campo. Ter duas ou mais alternativas na escola. BeOS. para quase tudo. o sistema operacional quase padrão do mundo.

contemplando a existência de Windows e Linux nos PCs das escolas. que queria fazer um computador cujo futuro ninguém ousava imaginar. "em oportunidades para uma eventual transferência de tecnologia de soluções desenvolvidas na universidade para a indústria. se submetidas a todas as regras do mercado (inclusive a de ter uma licença do software que usam) talvez não tenham como usar Windows. E. em algum lugar do Brasilistão. do SOFTEX. Isto porque ficou combinado. não viria a ter muito mais suporte. a primeira coisa realmente grande que Bill Gates vendeu foi um "sisteminha" operacional para uma firma local. o resto é história. porque seria muito mais usado? Até para a Microsoft. até o reinício do termo legislativo. Esta.. é bom não ter 95% do mercado. A menos que estejam sendo desenvolvidas em sigilo. mas tem um alto preço. por ser aberto (mais do que por ser gratuito. Mais ainda: Windows é quase padrão. a firma era a IBM. o computador o PC. vai ser usada. pois as que deveriam ser utilizadas para ensinar ciências. Se for a única alternativa na escola. ouso dizer. neste edital.. Mas será que. Muitas grandes empresas talvez nunca usem Linux. terá um novo Edital pronto. em alguma caverna secreta. Oferecer. na prática. Só para lembrar. E Linux. pelo menos a possibilidade de mais de uma alternativa de sistema operacional. e fazê-lo bem. em 1/2/2002. 270 . nas escolas. No Brasil. letras. Mas um número muito maior de pequenas empresas. de novo. em Brasília. a pensar em política industrial para informática no Brasil. É necessário mas não suficiente: muito mais há de ser feito para que possamos pensar até mesmo no mercado nacional. no que muita gente pode se envolver para criar coisas impensadas por grupos cujo controle seja centralizado (e não só a Microsoft). é um item necessário para se começar. no caso das aplicações educacionais. artes e tecnologia. legalmente. na época. atender à demanda de um novo edital que não tenha as restrições impostas pelas versões anteriores". E não faz diferença. por um número de razões. que poderá. porque isto faz com seja um alvo fácil demais. mas esta é outra história. o que não é totalmente verdade) abre inusitadas possibilidades de desenvolvimento. Mas e depois? A padaria de seu Frederico da Macaxeira vai ter os reais para comprá-lo? Linux é grátis -e tem menos suporte "social". Duvido. o resultado da reunião da Comissão de Educação pode resultar.preso a uma única vertente da vida digital. E depois no mundo. poderiam dizer os opositores. que tratará de encaminhá-las à ANATEL imediatamente. nem vão estar tão cedo. que propostas para a elaboração de um outro edital do FUST/Educação podem ser enviadas à Comissão até a quartafeira (19/12/2001). nas palavras de Eratóstenes Araújo. ainda não estão prontas. lá. não dependem de PCs. muita gente (eu inclusive) acha. fazendo parte da solução FUST. com Linux ou Windows. O "local" era os EUA. por sua vez. por sua vez.

.ocorreu uma vitória da democracia. de forma articulada e objetiva. que integrem as linhas de evolução industrial. cá com meus botões. mas no mínimo desinformado. É um absurdo que uma das maiores compras de tecnologia de informação no mundo.Segundo Ivan Moura Campos. seja conduzida sem qualquer sintonia entre políticas de desenvolvimento. poderiam ter ganho um ano (ou mais) de computação e comunicação nas salas de aula e laboratórios." E conclui: "está de parabéns o Congresso Nacional. do CGI/BR. não fosse pela conspiração. oops!.. na audiência pública. num país do porte do Brasil era. devem ser discutidos de forma aberta e democrática. a inexistência de argumentos pedagógicos fundamentados. Ao final da audiência pública. aos anseios da sociedade brasileira. uma questão de por computadores nas escolas.. tecnológica. as verdades. nas escolas. onde todos os grandes projetos. e a falta que fez o debate democrático. a "reunião foi muito rica e proveitosa para o esclarecimento do problema e das possíveis soluções" e só falta a representante do CONSED "concordar com o resto do Brasil" para que haja unanimidade na decisão. as mentiras. só e simplesmente. Após meses de condução autocrática. para o País. pelo trabalho árduo e dedicado. que pensavam que informática na educação.. Carlos Rocha emenda que ".. Por outro lado.. desde o início deste processo. educacional e social. de longo prazo." E eu. 271 . desde o início do processo. fico pensando que os alunos. os sofismas. e que respondam. hermética e ilegal e. o MEC se viu obrigado a participar de um debate aberto e responder a perguntas objetivas de parlamentares. com isenção... pela primeira vez. de funcionários do governo. em valor superior a um bilhão de reais. ficaram claras as intenções dos diversos lados...

pois não tenho vocação para Pai Silvio da Tamarineira. ou seja: ou nós. o Brasil se separou amigavelmente da Argentina. como se diz na Paraíba. como achamos todos. ao que parece. A segunda 272 . mesmo que os EUA invadam o Iraque. Os shoppings estão cheios de gente. o mundo não vai se acabar mesmo e. Pra escapar. semana que vem. parece. muito menos de estratégia ou planejamento. do lado de cá da página.. é melhor brincar pelo menos do Natal até o Carnaval. Nenhuma de minhas regras saiu de qualquer manual de economia. o poodle de minha mãe. Isso se houver um mínimo de ordem nos mesmos. hoje e. sempre acabo levando em conta umas poucas coisas.Dez. senão é bom parar a leitura (e a escrita aqui). todo ano. Apesar de todas as indicações em contrário. é bom a gente ter certeza disto. de presente.A difícil arte das previsões [ 21. Janeiro de 2002 não será muito diferente deste dezembro. novos portais de internet estão sendo lançados. nos produtos e nos consumidores. nos mercados. O tempo é contínuo. mesmo. talvez o que mais importe. é tanta que a gente. chutar uma ou dez coisas que achamos que podem acontecer. pela competência de nenhuma das partes. não acabou -e nem vai. campanhas eleitorais estão nas ruas. talvez esperando que o vestibular da aceitação do leitor tenha o mesmo grau de exigência de certas faculdades onde até Jolie. prever pra quê? A primeira está ligada ao passar do tempo: a mudança de ano não opera nenhuma grande mudança na economia. Assim. somos um povinho "muntudo vagabundo". Caso contrário.) De Natal. só pra comemorar (por via das dúvidas!. A maioria serve tanto para a vida digital quanto para o leitor fazer previsões sobre o futuro das suas finanças ou de seu casamento.. se sente compelido a.. a pergunta que interessa. então... no fim de todo ano. de evitar falência. destas de fazer fortuna ou. é pura sorte nossa). ao invés de fazer previsões mirabolantes sobre a vida digital no ano que vem. brasileiros. doenças graves de personalidades que têm mais de 70 anos.2001 ] O mundo. problemas no Oriente Médio. muita gente iria querer informação privilegiada. as compras parecem não ser muito piores do que no ano passado.. É melhor não procurar nos meios de comunicação e muito menos nas vozes e escritos dos oráculos modernos destes que prevêem. se não der. a greve dos professores universitários federais terminou (o que não ocorreu.) e. incluindo aí o vaticínio dos pessimistas de plantão. talvez em referência à irresponsabilidade e à imperiosa necessidade nacional de gozar das coisas sérias ou. Mas a sede é muita.. prefiro discutir umas poucas regras pra pensar sobre o futuro. passaria na prova prática de canto.. discutir umas cinco coisas lá do futuro. pelo menos. não houve apagão (mas isto. ao que parece. é onde vamos comer peru.

é um corolário da primeira, sobre a velocidade aparente da passagem do tempo em certos períodos do ano: a aceleração de fim de ano, o frenesi tecnológico de lançar novos produtos para Papai Noel, não tem, necessariamente, nenhuma relação com novidades reais, tanto do ponto de vista tecnológico como de efeitos duradouros no mercado. Traduzindo em miúdos, o lançamento do console Xbox, pela Microsoft, nestas festas, é o resultado de anos de pesquisa, desenvolvimento e marketing, formação de alianças, criação de novos jogos, o diabo. O mundo não vai mudar em 2002 porque Xbox entrou em cena neste dezembro; ele já mudou neste dezembro, muito antes inclusive, fazendo a SEGA sair do mercado de consoles e botando a Sony e a Nintendo em alerta vermelho. Uma das duas pode se juntar à Sega no ano que vem: em 18/12/2001 haviam sido vendidos 934 mil Xbox, que acabou de chegar, contra 962 mil Sony PS2 e 602 mil Nintendo GameCube. A terceira é outro corolário: a história é importante. Claro que a maioria dos analistas espera que os leitores não tenham memória e é capaz de, após suas previsões falharem, oferecer um longo rol de explicações para tal. Deixando este pessoal menos sério para lá, é bom prestar atenção em gente como a Morgan Stanley, que faz previsões para o futuro analisando quarenta anos de passado em tecnologias da informação e comunicação. E olhar o comportamento dos especialistas (de verdade) que temos, no Brasil, sobre política. Por dever de ofício, eles usam a história para depreender o comportamento do eleitor. Aliás, 2002 é tempo de eleição nacional e isso, sim, é algo relevante para fazer previsões. A quarta regra é espacial: ao contrário do que muita gente pensa, o Brasil não faz parte dos EUA e nem o contrário é verdade. Para continuar com o exemplo acima, o único dos três consoles de jogos oficialmente à venda no país é o PS2 básico, por cerca de 1.500 reais; só de PS2, na amazon.com, há treze ofertas diferentes, começando em 900 reais, lá. A renda domiciliar média, nos EUA (lugar de renda melhor distribuída do que aqui, como se sabe), é US$42 mil, ou cem mil reais por casa por ano. Aqui, o IBGE nos ensina que apenas 5.9% das famílias ganha mais de 20 mínimos por mês, o que põe os menos aquinhoados, entre nossos ricos, em menos da metade da renda média da totalidade dos americanos. Está explicado, então, porque só há um modelo de PS2 à venda no Brasil e porque muitos poucos irão aparecer debaixo das camas de quem tanto os merece. Como se vê, esta regra espacial, que é também econômica e social, muda tudo, mas ainda há uma quinta condição de contorno para analisarmos nosso futuro... o contexto tecnológico, o desenvolvimento da tecnologia e seus usos no nosso cenário. Um número de altos burocratas brasileiros, por nunca ter tido, talvez, a experiência de realizar práticas de laboratório na

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escola primária e secundária antes de realizar seus estudos de advocacia, economia e administração, acredita piamente que toda tecnologia de que precisamos deve vir "de fora"; no imaginário nacional, tal racionalidade é recriada pelas lojas de produtos "importados" e pela noção ainda mais genérica de que os outros têm soluções para tudo e nós para nada. Uma, pelo menos, temos: podíamos exportar parte dos nossos burocratas "teóricos" para países inimigos ou, talvez, infiltrá-os na AlQaeda... um bom jeito de detonar o terror!... Ao contrário do que pensam, nós poderíamos fazer muita coisa no Brasil. Mas não faremos enquanto os governos tentarem, aqui, imitar a ineptocracia argentina, que não caiu ontem por causa dos distúrbios de rua: a queda da Argentina, além de anunciada, vem sendo construída (!) há três décadas e uma das primeiras coisas que eles fizeram, lá, foi destruir o sistema de ensino, que servia de exemplo de qualidade para toda a América Latina. E, com seu fim, pulverizaram a possibilidade do país se recuperar pela via tecnológica, tornando-o totalmente dependente de conhecimento externo. O contexto tecnológico do Brasil, portanto, é de quase total dependência do mercado e das vontades externas. Muitas outras regras poderiam ser enunciadas como condicionantes de qualquer previsão sobre o cenário nacional de comunicação e computação em 2002. Mas aí o artigo vai ficar muito longo, o que me leva a sugerir, como dever de casa, que o leitor considere criar suas próprias regras para, no último artigo do ano, semana que vem, possamos comparar nossas previsões para as seguintes vertentes das tecnologias da informação no país. 1) O FUST/Educação vai sair mesmo? E qual vai ser seu impacto? Fará alguma diferença o fato de que as máquinas poderão rodar Linux, além de Windows? Quem ganhará e quem perderá com as conseqüências deste projeto andar ou não? 2) A Lei de Informática acabou de ser regulamentada e vale a partir de janeiro. O que isto significa para o Brasil? O que levou o governo a passar um ano para publicar a regulamentação? (Sim! Isto é uma previsão para o passado!) Qual será o impacto imediato e de longo prazo da Lei? 3) O que acontecerá no setor de telecomunicações, que enfrenta uma grave crise no mundo inteiro? Qual será o impacto da chegada de GSM ao país? Como a ANATEL irá se comportar frente aos problemas do setor e um potencial azedamento das relações entre operadoras e usuários? 4) O que vai acontecer na internet brasileira? A crise das pontocom passou? Quais serão as novas idéias e onde os investidores vão apostar seus caaraminguás? O que foi feito do projeto Sociedade da Informação no Brasil? Desta vez, a rede vai ser importante para o processo eleitoral? Por que sim ou não? 5) E o caso do software brasileiro? Importamos US$1B em 2000... pra onde isso vai? Como pagaremos este déficit? Por que não conseguimos exportar software, apesar de 10 anos de campanha para tal? Há política? Vai haver?

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Se cada um de nós, leitor, tivesse um conjunto de respostas para estas perguntas, certamente seríamos capazes de discutilas civilizadamente, entrar em acordo sobre seus aspectos essenciais e, se tivéssemos capacidade de ação, mudaríamos o cenário brasileiro de tecnologias da informação e suas aplicações. Ou, no mínimo, mudaríamos as posições dos que, no governo, teriam a obrigação de fazê-lo. Rapaz... como o ano que vem é eleitoral, talvez possamos fazer exatamente isso! Feliz Natal, até sexta.

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[ 28.Dez.2001 ]

Futuro: previsões que funcionam
A coluna de hoje começou, na verdade, na semana passada, quando estabelecemos algumas poucas regras de um suposto "manual das previsões" para as tecnologias da informação e comunicação (TICs) no Brasil, feito o que ficamos de vaticinar umas poucas coisas sobre cinco aspectos interessantes das TICs no país. Hoje é o dia de, junto com o Feliz Ano Novo e até 2002, pagar a conta. O leitor mais atento sabe que "fazer previsões é algo muito difícil, especialmente sobre o futuro", como dizia o dinamarquês Niels Henrik David Bohr (18851962), prêmio Nobel de física de 1922. Alan Kay, por outro lado, garante que só consegue prever o futuro quem o inventa e trabalha para que aconteça. Dito isto, vamos lá, ponto a ponto.

Tivesse eu escrito algo sobre isso antes do dia 27, já estaria errando, porque, tarde da noite, o Congresso conseguiu mover os recursos para o FUST/Educação, orçados em 400 milhões de reais em 2002, da rubrica de custeio para investimento. Ao invés de comprar um "serviço de conexão à internet", para o que seriam necessários computadores, software e redes, agora o governo vai ter que investir na construção de uma infraestrutura de computação e comunicação para as escolas. O Congresso, desta forma, está tentando prever o futuro, pois a única forma de fazê-lo, segundo o filósofo americano Eric Hoffer (1902-1983), é ter o poder para moldá-lo. Nelson Simões, da RNP, garantia, em março de 2000, no Workshop sobre universalização de acesso, em Belo Horizonte, que assim seria mais barato e eficiente. Vai ver que Simões estava prevendo o futuro.

1) O FUST/Educação vai sair mesmo? E qual vai ser seu impacto? Fará alguma diferença o fato de que as máquinas poderão rodar Linux, além de Windows? Quem ganhará e quem perderá com as conseqüências deste projeto andar ou não?

Aqui talvez dê pra prever também que o impacto do FUST poderá ser gigantesco, se acontecer como se espera: todos os números mostram que pode dobrar o tamanho da internet brasileira, e com gente que vai estar estudando. O futuro pode ter uma contribuição muito grande a dar para a educação brasileira e vice-versa. Mas há um sinal amarelo: não vai dar pra ligar tantas escolas, em tantos lugares, com qualidade, em um ano, de jeito nenhum, pois o Brasil não tem gente pra fazer isso. Isso vem sendo previsto pelo pessoal do Programa Sociedade da Informação há anos, mas até agora os processos de treinamento, em larga escala, que deveriam estar sendo realizados para preparar o país para a vida digital, não aconteceram. Como diria Hoffer, o Programa não tem poder, o que é muito ruim para o FUST e para o Brasil. Talvez dê pra prever também que a disponibilidade de Linux nos laboratórios não fará muita diferença, pois, de novo, não há pessoal

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qualificado em número suficiente para treinar os alunos para usá-lo. A esta altura do campeonato, não adianta só "disponibilizar" Linux, mas é preciso estimular os alunos a usálo, criando novas aplicações que sejam, pelo menos, de amplo interesse educacional. É possível prever que isso não virá do MEC... Aliás, o acordo que foi feito na Comissão de Educação, sobre o edital do FUST, pode ter virado letra morta com o Congresso mudando a forma de contratação: em um novo edital, de compra de equipamento, software e, possivelmente, de infra-estrutura de telecom, pode ser que haja uma batalha aberta pelos laboratórios das escolas, o que pode ser muito, muito bom pra todo mundo... mas também pode ser um caos total, se não houver gente de pulso para administrar o processo, imersos no melhor espírito público e dotados de muita competência e coragem pessoais. Se o projeto andar, ganham os alunos, professores, escolas, empresas que irão empregar os alunos depois, fabricantes dos mais diversos tipos, teles, todo mundo. Se não sair, o atual desastre das escolas fora do ar vai continuar. Se eu conheço o processo de aquisição do governo federal, é bem possível que os primeiros computadores só sejam instalados no próximo governo. O MEC, que pode moldar o futuro em conjunto com a ANATEL, poderia prever isso e distribuir o processo, remetendo o quinhão devido a cada estado e deixando que as opções e soluções locais imperassem, condicionadas por algumas regras bem simples: aí, até daria pra prever que talvez acontecesse alguma coisa em 2002. Resta saber se o império será da razão ou da ambição. Aqui não dá pra prever nada...

2) A Lei de Informática acabou de ser regulamentada e vale a partir de janeiro. O que isto significa para o Brasil? O que levou o governo a passar um ano para publicar a regulamentação? (Sim! Isto é uma previsão para o passado!) Qual será o impacto imediato e de longo prazo da Lei? A Lei trata da fabricação de
tudo o que tem, primordialmente, computador como base, de celulares e centrais telefônicas a video-games, passando por computadores pessoais e TVs digitais. Em alguns setores, como os PCs, deveria ser abandonada de imediato, pois não serve de quase nada: a agregação local de conhecimento e tecnologia é zero, e as subsidiárias das grandes empresas multinacionais de PCs não têm, aqui, mais do que o equivalente a encarregados de fabricação e vendas. Os projetos mundiais, o desenvolvimento de novos sistemas e aplicações não leva em conta o Brasil e nem vai levar. E não vamos ter o que dizer nesta indústria, que se consolida rapidamente, com duopólios em quase todos os setores, com o pessoal do terceiro lugar para baixo esperando ser comprado por alguém. Em outras áreas, como telecom e TV (por causa da TV digital), o país tem muito a dizer e agregar. O problema é os Ministros Sérgio Amaral, Ronaldo Sardenberg, Pimenta da Veiga e Pedro Malan se sentarem pra um Porto em Brasília e prever que, sem uma política, vamos importar muitas dezenas de bilhões de dólares

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em TV digital, pois somos um dos maiores mercados do mundo, outro tanto de equipamento de telecom e mais uma outra montanha de verdinhas em sistemas embarcados... Logo, para não gastarmos todo o superávit nacional nisso, que tal termos uma verdadeira política de pesquisa, desenvolvimento e indústria para o setor digital, ao invés de deixar o pessoal da SEPIN sozinho, atacando os moinhos de vento? Claro que podemos fazer e exportar muita coisa em que o conteúdo local (propriedade intelectual, royalties) tenha algum controle local (financeiro, investimento, retorno), mas... o governo levou um ano para regulamentar o setor por pressão das empresas que não queriam mais fabricar no Brasil e sim importar diretamente de suas fábricas (ociosas?) em outros lugares... Ainda bem que andamos lentamente para algumas coisas e, agora, se percebe claramente que globalização não é somente a abertura dos nossos mercados (dos países pobres) para eles (ricos), mas uma via de mão dupla onde podemos, queremos e devemos entrar, também, com tecnologia. Ou então falimos. O impacto, em 2002 e depois, da Lei, vai depender do modelo de país que, de fato, estiver sendo construído pelo governo de plantão. Se continuarmos desmatando a base industrial, é melhor dizer pro pessoal do setor plantar soja. Se mudarmos de posição –e terá que ser rápido- as conseqüências da Lei podem ser muito importantes para todo o país. Mas é preciso pressa, este futuro não espera.

3) O que acontecerá no setor de telecomunicações, que enfrenta uma grave crise no mundo inteiro? Qual será o impacto da chegada de GSM ao país? Como a ANATEL irá se

comportar frente aos problemas do setor e um potencial azedamento das relações entre operadoras e usuários? As operadoras fixas vão juntar dinheiro em 2002, seja lá como for; o sentimento é de que cabem duas, no máximo três operadoras no país e quem tiver dinheiro aqui compra o resto, pois lá fora os investidores estão correndo de telecom como o cão da cruz. As operadoras precisam rever suas bases e políticas operacionais... por que não, por exemplo, alugar infra-estrutura para qualquer um operar qualquer tipo de serviço, principalmente os de valor agregado, que as teles não tem velocidade para oferecer (e nem capacidade para desenvolver)? GSM vai entrar no setor móvel e poderá ter um impacto muito significante se oferecer uma relação custo/benefício que tire os maiores usuários, pessoas e empresas, das outras plataformas. O Brasil, aliás, deveria ter previsto o futuro de GSM desde o começo dos celulares aqui e partido direto para isto. Mas não, ficamos com o pior de todos os caos, seguindo os Estados Unidos justamente quando não deveríamos tê-lo feito (a maior parte das decisões brasileiras de telecom, até os celulares, tinha inspiração européia). A ANATEL vai ter que continuar mostrando a que veio, pois a qualidade do serviço, com todas as empresas trabalhando para ter dinheiro em caixa no curto prazo, pode ser o que menos importa, principalmente se o plano dos controladores for "fazer

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dinheiro e vender". Aí, estarão vendendo sucata e problemas na base de usuários, pondo em risco todo o modelo de liberalização do setor. Vamos esperar que a memória de Sérgio Motta não tenha que passar por isto: a ANATEL sabe o que fazer para manter o trem nos trilhos, só precisa fazer...

4) O que vai acontecer na internet brasileira? A crise das pontocom passou? Quais serão as novas idéias e onde os investidores vão apostar seus caraminguás? O que foi feito do projeto Sociedade da Informação no Brasil? Desta vez, a rede vai ser importante para o processo eleitoral? Por que sim ou não? A crise das pontocom não passou, a ponto de ainda se

achar formandos saindo das universidades para montar empresas que "desenvolverão" plataformas para... B2B! Devem estar vulcanizados contra a realidade ou não entendem o que lêem na mídia do setor... Não, a crise não passou e muita gente ainda está entrando na onda como se a praia não tivesse ido embora em 2000 e 2001. Aliás, tem gente que não foi embora com a praia mas está só marcando o ponto, pois, aparentemente, não há espaço para tantos portais, sites de notícias, provedores e quetais na quantidade em que vemos hoje no país. Mais um ou dois anos é o que devemos esperar para a consolidação de muita gente em torno de uns poucos líderes que se darão ao luxo de viver da web, seguidos de outros atores que também estão na web mas não dependem dela para viver. Previsão fácil de fazer e até de acontecer, por sinal, já que está ocorrendo na Europa, EUA, Japão (com a Sony comprando provedores...) Aliás, para que a consolidação não começasse imediatamente, a rede deveria estar crescendo muito em número de usuários (para o que o FUST é fundamental) e gente capaz de criar novos serviços que fizessem o mínimo de sentido, para o que o Programa Sociedade da Informação é muito importante. Nenhum dos dois, como vimos, decolou até agora. Considerando que ambos foram lançados pessoalmente pelo Presidente, pode ser que ele próprio queira prever que, em 2002, vai fechar seu mandato fazendo-os cumprir suas promessas, tão elaboradas e auspiciosas, mas sem conseqüências práticas até hoje... A eleição, desta vez, ainda não vai ter a web como um dos principais meios de discussão. A razão ainda é a mesma: muito pouca gente na rede e a maior parte do pessoal que está lá ou não tem nenhum interesse no assunto ou já tem posição definida. Sem pontos focais e sem capacidade de articular e convergir mídias, o que é ainda mais complicado por restrições da Justiça Eleitoral, que não tem dado a devida atenção às possibilidades da rede como instrumento de habilitação democrática, a internet ficará, lamentavelmente, fora da eleição, salvo uma ou outra honrosa exceção.

5) E o caso do software brasileiro? Importamos US$1B em 2000... pra onde isso vai? Como pagaremos este déficit? Por que não conseguimos exportar software, apesar de 10 anos de campanha para tal? Há política? Vai haver? Aqui a previsão é

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simples: do jeito que está, não vamos para lugar nenhum muito acima do nosso crescimento vegetativo anual, saindo dos atuais 100 milhões de dólares de exportações para, talvez, 150 daqui a uns dois anos, uns 200 ou 300 em 2005... o que não vai ser nada perante os possíveis 5 ou 6 bilhões de dólares que poderemos estar importando em software, então. Boa parte do segredo para exportar está em a) ter uma ampla base de capital humano de qualidade internacional, falando inglês, eficiente, efetivo e dentro dos padrões mundiais de custo e preço; b) utilizar métodos e processos de desenvolvimento de classe mundial, de preferência certificados internacionalmente e c) criar e manter uma rede de marketing, vendas e assistência internacional, capaz de trazer as demandas de desenvolvimento internacionais para o país e levar as soluções locais com reais chances de sucesso para o mercado mundial. Simples, não? Mas não se fez até agora, na qualidade e quantidade que deveria ter sido feito e, se não for tratado como tem que ser (esqueçamos aí ser declarado prioridade pelo governo, sinal de que nada vai acontecer), não sairemos do lugar. Não há política de software e é possível duvidar que haja mais de uma dúzia de pessoas de política industrial e comércio exterior, no país, que entenda do assunto. Para prever e criar este futuro, temos que criar, também, estas pessoas. Como, ainda não sabemos ao certo. Mas pelo menos temos certeza de que, sem elas, o futuro da exportação de software, para o país, é muito incerto. Aquela mesma reunião de ministros (do item 2) que iria resolver a política de informática poderia tratar disto também. Dois coelhos num só Porto, e a gratidão eterna do país para quem estaria cuidando do nosso futuro. Feliz Ano Novo. Que nossas melhores previsões, baseadas em trabalho permanente e dedicação sem par, se tornem reais em 2002. Até lá...

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Mondo I-mmediato
[ 04.Jan.2002 ] Dois de fevereiro é dia de Iemanjá e eu sempre soube disso porque nasci num deles, no agora distante 1955. E foi num deles que, enquanto a gente esperava pra Chico Science chegar num ensaio de carnaval d'A Cabra Alada, em Olinda, o malungo dirigiu um Uno pra dentro de um poste, no Salgadinho, a alguns quilômetros do nosso batuque. Levamos horas pra saber, naquele fevereiro de 1997. Quase ninguém tinha celular, quem tinha não divulgava o número e, de qualquer forma, era tão caro ligar que as pessoas não andavam se ligando pra qualquer coisa. A morte de Chico não era qualquer coisa, era um desastre, pra nós, de proporções universais, que quase acabou o Carnaval daquele ano e, mesmo assim, só fiquei sabendo enquanto ainda comemorava meu dia no Chinês da 48. Na base do disse-me-disse. Usei meu celular-tijolão para confirmar, levou muito tempo até que achasse alguém certo da tragédia que acabaria, entre muitas, minha festa. Cinco anos depois, noutro ensaio da Cabra, no mesmo lugar, também num sábado, Cássia Eller falece num hospital a milhares de quilômetros das nossas alfaias. Em menos de cinco minutos, quase todos os celulares da Cabra –quase todos nós temos um- já tocaram a má notícia, com amigos e familiares ouvindo rádio e TV servindo de repetidores das más novas. E mais de um celular tocou muito mais de uma vez, com a tragédia voltando em ondas, como se quisesse mesmo deixar uma marca indelével. Em cinco anos, o tempo pra conectar grandes grupos de pessoas caiu de horas para minutos e, mesmo que ainda reclamemos dos custos dos celulares, hoje, o preço para realizar as conexões é uma fração do que seria há dez ou mesmo cinco anos atrás. No mesmo fim de semana de fim de ano, acompanhei a renúncia de um dos presidentes argentinos pela TV, e foi interessante observar que, a partir do furo da BBC (que estava com o "News" no ar, na hora, e entrou ao vivo) as outras estações (CNN, BandNews, Globo, etc.) não gastaram mais de cinco minutos para entrar em sincronia, até porque cada uma, hoje, vê o que todas as outras estão fazendo e muito pouca coisa permanece "exclusiva" por um longo tempo, a menos que você tenha um de seus repórteres entrevistando alguém chamado Osama em alguma caverna. O título deste artigo saiu direto de um filme de 1962, "Mondo Cane", um (pseudo?) documentário dirigido por Gualtiero Jacopetti, a coisa mais sarcástica e ultrajante vista nos cinemas da época. Hoje, na era da competição televisiva para ver quem oferece mais imbecilidade ao público, dificilmente teria lugar à tela, mesmo à tarde, ainda que como "pegadinha". Da mesma forma, daqui a quarenta anos, se alguém ler esta

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certas horas. de alguma forma. atirava tomates. vai uma boa distância. em toda a imprensa (como se dizia. se devidamente informado. escrita.. a começar. vira um "mondo cane" de eventos "imidiáticos" que têm muita coisa em comum. Mas isso vai acontecer no longo prazo. É certo que o jornalista estava lá para algum evento esportivo. pelo imediatismo. onde tudo acontece e é reportado em tempo real. talvez os cérebros de então venham a estar diretamente conectados. e reclamando de que? Talvez o futuro nos reserve um "mondo immediato". aqui. ovos e coquetéis Molotov nos cartolas. fosse o trabalho da mídia um pouco mais elaborado. com ares de quem preferia estar dizendo que o tal prócer nacional tinha sido enviado para o chuveiro por pressão da torcida que. Raras exceções à parte. como a boa média da produção brasileira. E o presente. entre si e a tantos sistemas de informação quanto quiserem. Melhor. pois a mídia atual exerce uma influência tão grande sobre a realidade que a notícia da morte de alguém pode transformar o coitado.. falada e televisada!) é a quase total ausência de análise para acompanhar a versão (veiculada) dos fatos. como diz o nome. Basta olhar a propaganda nos intervalos: será que anúncios tão inteligentes. não saberia o que fazer com as pérolas de informação que receberia. analisar as diversas facetas de algum fato e apresentar uma versão balanceada." Dá até pra pensar que o i-midiatismo leve a considerar que o populacho. O i-midiatismo pode ter conseqüências histriônicas: numa outra renúncia de presidente argentino. nunca. atingem o público alvejado de 282 . A outra coisa mais notável que o imidiatismo compartilha. coisa de sua alçada e certamente preferiria isto àquilo. Deveria ter comunicado a seus editores que aquela não era a sua praia e escapado das entradas ao vivo.. pela notícia correr junto do ocorrido. a imprensa mundial não tem condições de construir uma avaliação do que está ocorrendo. sendo levado para não-sei-onde. porque tudo o que vier a acontecer estará acontecendo a um "único" sistema de informação. para dizer que "naquele helicóptero que talvez decole daqui a alguns instantes talvez vá o ex-presidente. em um dos mais importantes noticiários brasileiros. então. em irreversível alma penada.coluna. composto por bilhões de unidades de processamento e armazenamento. quando. olho de repente para uma face do jornalismo esportivo reportando diretamente da Casa Rosada. ligadas por trilhões de canais reais e virtuais. segundo Keynes.... Mas daí para achar que o povo é burro. discutir o presente. A razão espera que a versão permaneça a reboque dos acontecimentos. irá perguntar do que nós estávamos falando mesmo. talvez nada nem seja mais novidade. para o espectador julgar suas possíveis causas e prováveis conseqüências.. das gerais e arquibancadas.. até então vivinho da silva. todos estaremos mortos.

do casamento daquela. estamos fadados a passar uma boa parte do futuro vivendo de drops de informação. Sem os dois. de informado. do filho do outro. de novo. das redações potencialmente distribuídas. microfone à mão... É claro que podemos reinventar o futuro e não viver só de pílulas. as coisas ficaram difíceis desde que os investidores descobriram que não há substituto (ainda) para a velha fórmula receita menos despesa maior que zero. números e datas uma longa aula de história. Sem a remuneração para as tais educação e tempo que gerariam debates enriquecedores –e não o mero "descolamos da Argentina". E. a próxima dose de informação que há de manter o leitor/ouvinte vivo. mas alguém há de pagar a conta. aliar a mídia que ainda pensa no futuro e os leitores que desejariam entendê-lo para criar novos espaços "imidiáticos" onde o "i" possa ser menos de imediato e preponderantemente. como se fôssemos viciados em novidades vazias. eficientes e baratas. salvo as tais raras e honrosas exceções. duvido muito. Como o preço da tabuleta era diferente de zero. Associada aos celulares. inteligente e ilustrado. da morte deste. Salvo um ou outro veículo. talvez. do câmbio tal. como se fosse um fuxico eletrônico. o próximo item. não foi o que aconteceu. quando o assunto é dinheiro na internet. como o rapaz que vi. o que dá no mesmo. apontando para umas verduras cujo preço havia "caído 100%"!. simultaneamente. a diversão interessante.forma tão inclemente pela programação i-midiática? Agências e anunciantes sabem o que estão fazendo e o povo não é burro: há muito tempo. uma espécie de ruído de fundo da era da informação..caímos todos na mesma vala da irrelevância e ficamos à mercê do "i-midiatismo". A Internet parecia ter vindo para reforçar a mídia de qualidade. É preciso. jogados de quando em quando nos nossos celulares. Entender qualquer coisa a ponto de explicá-la a outrem gasta educação e tempo. pouco se vê que seja digno de nota daqui a vinte anos. dizendo da taxa qual. apesar do espaço virtualmente ilimitado. mais eficazes. a alternativa é ficar no factual. para não entrar no disparate. o melhor da TV brasileira está nos intervalos. em sintaxe sem semântica. Infelizmente. o jornalismo inteligente.. como se a próxima injeção de factóides fosse nos salvar.. O que importa parece ser a próxima notícia. daquelas antigas.. Sem isso.. quem sabe Deus o ajuda (e a seus espectadores). rádio e TV digitais e interativos. 283 .. O que torna a vida de quem não quer só saber de fatos. A promessa era de que todos seríamos autores. O número dele talvez fosse 50%. poderia operar maravilhas. coisa que muitos não conseguem evitar. na escola imediata. mas é melhor deixar pra lá. onde o professor nos impingia uma infernal decoreba de irrelevâncias -hoje resolvida com musiquinhas e recitais.

Sem os grandes anunciantes. nós vamos ter mesmo que pagar a conta de alguma forma.. viveremos de web-cams transmitindo vidas pessoais. extra ou realmente exclusivo. Comprando informação.. partos. nos celulares!).). palmtop. 284 .. tendo o site embutido como custo nas nossas contas bancárias ou de telefone. "Il Immediato Mondo Cane". em um mundo de informação que.. talvez melhor. Ou isso ou.) não é de massa como as antigas. daí para trás só pagando). subvencionando páginas pela clássica via do apoio estatal (que já sustenta parte dos custos da mídia nacional. algum Jacopetti pós-moderno documentará em "Il Mondo Cane Immediato". das novelas da vida blogueira. Ou.. tendo acesso gratuito apenas a partes do site (as últimas duas semanas. breve. assinando sites ou partes deles.. cartão de fidelidade de supermercado ou empresa aérea. dos chats e spams intermináveis (em breve.. pagando por conteúdo analítico. quem sabe.. pagando por veículos impressos para os quais a internet seja uma extensão. pois esta mídia (e o celular. engarrafamentos e sabe-se lá o que mais.

Imaginando que tal evidência anedótica seja verdadeira. o que é muito bom para a eficiência da economia e sua capacidade de gerar mais trabalho. constituídas.[ 11. Toda empresa. resultados.2002 ] Empresas Virtuais: Gente Real Na área de informática. a princípio. serem enxergadas apenas como fontes de resultado trimestral ou anual. nas empresas de informática. dificilmente ultrapassa os 30 anos. para que 285 . isso se as empresas forem vistas como algo mais do que cascas ou estruturas de geração de lucro pontual. os resultados são investidos no desenvolvimento das ações sociais para as quais elas foram. onde o custo de homem-hora importa mais. o que. claro. Nas empresas do terceiro setor. aí incluindo as de informática e de informação em geral. Ninguém em sã consciência acha que as empresas devem ser casas de caridade capazes de prover emprego seguro para o resto da vida. as empresas deveriam se sentir obrigadas a nos preparar. Um amigo tenta me convencer que. ad aeternum. a praxe nas empresas de informática é só haver gente jovem na linha de frente. um fim de semana após o outro.Jan. o tempo passa rápido. talvez uma crise após a outra. As empresas vendem produtos e serviços que fazemos. que por sua vez contrata um monte de jovens para o desenvolvimento. somos reais. nos dando trabalho e renda e. depois disso. mas nós. e assim por diante. ela pode ter amplas e sérias conseqüências. principalmente se for conjugada à tendência atual das empresas. atender os clientes de forma minimamente decente e respeitar a concorrência. além de. também deriva de imposições legais em grande parte das civilizações. talvez muito mais do que o homem ou a mulher que está por trás da hora e do trabalho que nela se realiza. Além de funcionarem como estruturas capazes de vender o resultado do nosso trabalho. aos seus acionistas. na maioria dos casos. dentro delas. normalmente projetando e escrevendo código noite adentro. de qualquer tipo. a maioria das pessoas já aprendeu o suficiente para virar dono de uma outra empresa de informática. onde se encontra engenheiros sexagenários fazendo cálculos e participando de projetos reais.. Ao contrário de outros setores da tecnologia. é uma espécie de concessão social. As empresas podem até ser virtuais. A verdade é que a média de idade entre o pessoal de tecnologia. que implica numa responsabilidade muito mais ampla do que pagar os salários ao fim do mês e cumprir suas obrigações legais. um casamento depois do outro.. renda e riqueza. por isso que hoje faz muito mais sentido falar de trabalho do que de emprego. todos os dias. Acionistas e proprietários estão profissionalizando a administração de seus negócios. como um todo.

Se tivéssemos chances e meios de desenvolver nossa capacidade nos lugares onde estamos. para a empresa e seus trabalhadores. valores. em todo tipo de empresa. à noção de que. deveríamos nos sentir capazes de. a coisa é muito mais pronunciada. o "fazer tudo para não perder o emprego" podem estar associadas a um sentimento de incapacidade. não por pirraça. teríamos poucas razões para procurar outras plagas. sair de lá para qualquer outra empresa do setor. potencialmente. eficazes e eficientes por toda a nossa vida. e só estará por lá por algum tempo.. A solução. talvez. filhos. As ligações exageradas a uma empresa. ficam ultrapassados. mas em informática. amigos. apareceu em 1995: a maioria dos engenheiros de software formados antes de 1998. No caso de informática. missão. As empresas. que não pode viver como uma casca vazia. Java. tal mudança é talvez o único meio para sobrevivência do negócio. As conseqüências desta síndrome são pelo menos três: gente que muda de emprego (e não de trabalho) o tempo todo. saindo de onde estamos. então. pela mesma síndrome da incapacidade. até ser vitimado. métodos. objetivos e metas do negócio. inimigos.se tornam disponíveis. além de criar um ambiente onde pudéssemos nos desenvolver como cidadãos e indivíduos que têm parceiros. de alguma forma. Os melhores lugares certamente não são assim: uma porcentagem muito significativa entende que seu capital humano é precioso demais para girar rápido. A linguagem atual da Internet. podem ser levadas a descartar profissionais que entendem a empresa e seu mercado. não teremos condições de "arranjar outro lugar igual". mas porque nos sentiríamos competentes e capazes para tal.. é simples e tem que ser feita em conjunto: transformar a empresa numa escola. um inferno. à medida que novos profissionais –mais baratos. Em suma. cansados de virar noites e doar a vida ao negócio. Claro que isso acontece. pressionadas para produzir resultados. não teve uma só disciplina formal da dita cuja. a qualquer dia que quiséssemos. princípios. já dançou neste quesito em particular. outro povo que muda porque "não tem nada para aprender aqui" e uma moçada que fica porque "saindo daqui não tenho espaço noutro lugar".continuássemos sendo indivíduos produtivos. O pessoal do começo da década passada. Claro que nem todo negócio é ou funciona desta forma. face à rápida obsolescência das técnicas e ferramentas. dispostos a assumir mais riscos. Em cada empresa onde estivéssemos. soluções. Que mais vale investir na educação continuada das pessoas que formam o espírito do negócio e são a alma de seus diversos setores do que continuar trazendo gente nova. se não estava muito ligado. ao mesmo tempo em que seus "veteranos". que pode até entender de tecnologias mais recentes (e talvez não testadas na prática) mas não conhece nada dos processos. problemas. polvilhada de técnicos aqui e 286 . para ver se ainda é competente mesmo (ou para ganhar algumas centenas de reais a mais).

que não conseguem se comprometer com as metas de nenhuma operação. pois é lá que gastamos a maior parte das nossas vidas. você está aqui porque NÓS (nós+você) queremos que você esteja. Principalmente no trabalho.E.. Os três primeiros são 0) olhe ao redor. sinceros e leais um com o outro. o tempo todo.A. é talvez mais fundamental do que na indústria "normal". na forma de alguns postulados.. a escola da vida. executáveis. esperamos estar criando um ambiente em que todas as pessoas se sintam cada vez mais capazes de. para a qual temos que ser continuamente (re)educados.. 8) nós e o negócio ao nosso redor devemos ser feitos um para o outro: o que não significa concordar em tudo. deixar a instituição porque estão sendo capacitados. Sentir-se parte de um todo.. de centenas de milhares de linhas? No C.ali.S. que vocês podem pegar Gente Feliz no endereço www.... eles próprios. cultural. empresas independentes -. Quem faz software sabe que trabalha na construção de universos abstratos que implementam parcelas do mundo em que vivemos.. escola. da felicidade. Vanguard-it e Informa e montando novos negócios como Newstorm.R. você não precisa estar aqui.. cujo propósito é fabricar empresas de tecnologia de informação –ou seja..A. Os dezesseis postulados fazem parte de uma palestra intitulada "Gente Feliz". mas calma. Fazer software é uma atividade grupal. Tempest e Neurotech. Ainda mais para gente de informática... NÓS (você+nós) queremos que você seja feliz. Fazendo com que todo mundo seja permanentemente educado para fazer ainda melhor o que já faz e aprender a fazer o que ainda não faz e precisa ser feito. criar grupos interdisciplinares capazes de serem.. uma associação civil sem fins lucrativos ligada ao Centro de Informática da UFPE. 2) todo profissional deveria trabalhar numa escola. como se estivéssemos fazendo.com. em software. manter e evoluir grupos capazes de escrever poemas concretos.S.R é.E. Qualiti. formalmente e todo dia. De que outra forma seria possível criar.meira. mas sermos honestos. na hora em que desejarem e decidirem. Cada dia que passa tenho mais certeza de que a única coisa que realmente vale a pena é a busca incessante. 287 . Mobile. 1) todo empreendimento deveria ser uma escola. para liderar e levar suas próprias vidas em qualquer outro lugar. Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife. para quem esta maior parte é ainda maior!. pois não se sentem parte dela. Talvez por isso tanta gente esteja ficando e nós estejamos tendo algum sucesso em criar novas empresas como Radix. Dias destes resolvi sumarizar o que nós deveríamos pensar que o C.. o nono é. nós estamos tentando manter o espírito de que a instituição inteira não é nada mais do que uma.

a bicicleta Monark na sala. Há uns dois meses. Os bens físicos do passado eram vendidos mesmo: uma vez paga. Minha bicicleta. que provê muito mais facilidades para quem quer programar os robôs que podem ser construídos com o sistema. a Lego resolveu permitir que o legOS. E. as coisas ameaçam tomar outro rumo. com barbante. meus adicionais. contra um fabricante que pode gastar milhões para tocar uma causa. um sistema de blocos programáveis da Lego. um sistema operacional aberto. Este. para se livrar da perseguição. estava querendo testar suas próprias idéias. agora herança de meus irmãos. trocar os paralamas. o software da companhia japonesa. [ 18.Jan. muito menos inverter o guidon. para o qual há um sistema operacional diferente do fornecido pelo fabricante. as próximas providências foram tirar o bagageiro e instalar uns retrovisores. tendo pago centenas de dólares pelo seu brinquedo e dispondo apenas de tempo livre. continuasse na web. em Arcoverde. Eu tinha infernizado a vida de Seu Inácio meses a fio e ele. a Monark nunca teve uma satisfação. minhas modificações. Algum tempo atrás esta coluna comentou o caso do Mindstorms. muito mais pra eu me ver pedalando do que para vigiar o tráfego. onde a vida seria muito difícil. não era mais nem tanta surpresa assim.2002 ] No Natal de 1964. pra zoar no carnaval. fazer uma sirene. muito diferente daquela de "minino" que eu tinha até a véspera. um brinquedo que pode custar entre 800 e 3000 dólares. como fevereiro vinha por ali. oficialmente. Depois de desfilar meu novo status para a vizinhança. daqueles que o exército brasileiro usou até o fim dos anos 70. quando deveríamos ter acesso a mais possibilidades sobre nossos brinquedos e bens da era da informação em geral. quase todo mundo 288 . livre de qualquer processo judicial da fábrica. a Monark não podia fazer nada para evitar que eu a transformasse em um monociclo ou riquixá.Cachorro que late.. a Sony chegou perto de terminar a festa de software aberto em torno de seu cachorrobô Aibo (o nome vem de "Artificial Intelligence" e "robot". O danado é que agora. Depois de muito pensar. borracha de câmara de ar e uma lata de óleo Salada. dificilmente terão como se contrapor às máquinas legais dos proprietários dos copyrights.. o que eu quisesse. Sábia decisão: um monte de usuários. aqui fora. diverso e tenebroso. e também significa companheiro em japonês). fossem elas melhores ou piores do que as da fábrica e isto quase foi pras balanças da justiça. para o qual só havia. talvez fosse capaz de me comprar um Sherman M4. a bicicleta era minha. contra amadores que. O fato é que lá estava a bike de gente grande. nem nunca me cobrou. selim...

nada como querer muito mais da mesma fonte. algo que os donos do brinquedo "certamente entenderiam". Se o leitor ganhou uma bike de presente de Natal. garantindo que "não apoiaria" o envenenamento dos Aibos e que tais procedimentos infringiam os direitos autorais da Sony. Se brincar. Seus usuários. ou mesmo desenvolvido um. pronto (US$80). claro. capaz de tornar o cachorrobô uma peste igual àqueles. com usuários através do mundo criando seus próprios bichos e modificando-os tanto quanto sua competência computacional permite. como uma aplicação para usar a câmera do focinho do bicho para filmar (usando sua conexão com um PC). O cachorrobô. Até onde eu verifiquei. criada no governo Clinton.com. em considerável número. tentou tirar do ar o site aibohack. programável como os blocos da Lego. falando nisso. e está rodando por aí com sua bike envenenada. Aibo. em média. infinita. memória adicional (US$34). As ameaças da Sony estavam baseadas nas provisões do Digital Millenium Copyright Act (DMCA). em qualquer supermercado. um Aibo bem "configurado" sai pelo preço de um carro popular. pode ter comprado de outro fornecedor um velocímetro. do cachorrobô). a Sony ainda não vende um "cocôzeiro". tem uma expectativa de vida completamente diferente dos brinquedos físicos do passado. reais. A lista é. Aí entrou o mau humor da Sony. a princípio. esperam poder ser seus (re)criadores. que nem foi tão doloroso assim. sistema de e-mail (US$150) e um software que "cria" um cachorrobô "treinado". nem pensar em transformálo em qualquer outra coisa que não algo que a empresa esteja 289 . é primário e abaixo do nível de criatividade que os usuários esperariam da Sony e do que eles próprios são capazes. obviamente. lei de uso supostamente "justo" de todos os tipos de conteúdo digital. entre outros. querem ensinar ao cão truques adicionais àqueles que a mãe Sony o dotou quando do parto. um kit que tornou possível para outros usuários criar verdadeiros balés usando o brinquedo. placa de rede sem fio (US$200). contra US$1500. forçando-os a comprar linguagem de programação (US$34). bateria extra (até US$170). Na interpretação da Sony. ou outra para fazê-lo "dançar conforme a música". por outro lado. é bom deixar seu brinquedo sem retrovisores e. Aí está uma diferença fundamental entre minha bicicleta e o cachorrobô: eu nunca fui usuário da Monark. era proprietário de uma bicicleta. ser contra qualquer forma de manipulação do hardware ou software do bicho. A Sony. onde está parte do software livre disponível para o brinquedo. é uma ordem de magnitude mais caro do que a bicicleta média que qualquer pai daria de presente para seu filho no Natal (US$150 para uma magrela melhor do que a média. pois mais de cem mil bichos já foram vendidos. A Sony decidiu. Sentada numa montanha de dinheiro. Mas isso é outra história. nem que para isso fosse preciso escravizar os "usuários".concorda. usados pelos seus donos para melar nossos sapatos.

Quase tudo parte de algo que já existe. até para ganhar mercado com o esforço de outros. publicar a arquitetura. porque não. vai recomeçar a cachorrada. cria ou criou conteúdo digital. a não ser com seu consentimento explícito. como for. afinal. como resultado da pressão de um número infinito de lobbies. Algo como a Intel anunciar que seus processadores só rodarão um sistema operacional. algum novo truque. protegidíssimos pela Apple (assim como a Sony talvez queira fazer com os Aibos). de todos os tipos de negócio que sempre foram feitos até agora na história da humanidade. virtual monopólio criado a partir de arquiteturas abertas. não iria permitir seu desenvolvimento. em mais de uma forma. reimplementado. seja lá o que for. gente. se não começar a ser derrubado nas cortes americanas (antes de ser imitado no resto do mundo). hoje dona de míseros 2% do mercado mundial e em permanente risco de extinção. Basta comparar a Intel (e os PCs). financiar o desenvolvimento de novas plataformas de software sobre a arquitetura. Seria muito interessante ver o que a Sony faria se desafiada por robôs assemelhados a gatos.com voltou ao ar e a companhia está com o rabo entre as pernas. para qualquer um que desenvolva forma ou conteúdo que possa ser expressada digitalmente e tenha recursos para bancar grandes escritórios de advocacia. Claro que é muito mais inteligente abrir o jogo. corujas e. 290 . A principal delas é a garantia. reinventado. O DMCA pode vir a ser. aos Macs. O que é claramente o fim da picada da inovação e do avanço da tecnologia e suas aplicações. redesenvolvido. uma forma dantesca de concentração de poder digital.disposta a lhe vender. por quanto e quando ela bem entender. deixando de comprar qualquer coisa à Sony: aibohack. ele tenta preservar o investimento de quem. Aí entra em cena o DMCA.. O DMCA podia ter sido algo útil para toda a sociedade. ser entendida ou estendida de nenhuma forma. inclusive. antes. Que ela ainda iria fazer. está se transformando num meio para oprimir qualquer tentativa de expressão digital derivada de outra. baseado em alguma faceta do DMCA. Mas. "feito" pela Intel. arduamente. Por enquanto. Na briga dos Aibos. daqui por diante. interessados não só em manter mas aumentar significativamente o alcance e a profundidade de seus privilégios. olhos e nadadeiras. Iria talvez alegar que tudo foi idéia primeira dela ou. cobras. peixes.. qualquer que seja -e proibindo engenharia reversa explicitamente. os usuários ganharam a primeira rodada: milhares latiram muito mais alto e ameaçaram morder a empresa. Até quando? Breve. alegando proteção "absoluta" dos algoritmos que controlam patas. e só estaria disponível daqui a cinco anos. que sua propriedade é intocável e não pode.

2002 ] Sob o céu que nos separa O cenário era real. muita gente tentando se isolar do mundo (e de todos ao seu redor). Gostei mais disto. De posse destes três itens. imerso em outro mundo.[ 25. pra se isolar ainda mais do meio ambiente. comum a todos. os que já o eram. na cadeira de plástico. é preciso um bom estoque de livros. etc. O mar não parecia descritível. Todo mundo conhece histórias várias. mas a pousada tinha nome de filme. Tal isolamento me remeteu aos tempos primeiros da Internet. era simples. americano que adotou o Marrocos como sua 291 . Isolados ficam. Pra eles. já que a natureza distrai muito e pode tirar os seres humanos de tempo. absorto no movimento das folhas dos coqueiros. fazem com que a vovó num dos Rio Grandes veja. A receita. deixando passar a beleza da vida ao redor. há de haver umas cadeiras de plástico. Pelo menos era isso que eu achava que Pedro. pra soltar seus alter egos. inacreditavelmente. quase instantaneamente. na praia: esconderijo. deve estar claro que a rede.. chats. Terceiro. eletricamente inclusive. e-mail. virtual. Afinal. qual algodão doce que usaríamos pra fazer uma cocada-morena pra oferecer pra Kakinhas. criado pelos autores dos livros à mão. aproximam pessoas. à frente de um alguém. ao vento quente de verão. Primeiro. Na pousada. Anos depois. dos fortes. pra que o vivente se isole do chão e da Terra. como sempre estiveram.. pronto! É só passar a manhã (e tarde) inteira lendo. escondê-lo do seu campo visual com um dos livros que levou e. achei aquilo meio bobo. desde a amiga que casou via TCP/IP até o conhecido que caiu no conto do vigário on-line. criam comunidades. mas o céu era de um azul brilhante. as estripolias de seus netinhos no outro.Jan. a rede é como o livro. Isso e tudo o mais que a gente sabe que acontece entre pessoas conectadas. quando uma das perguntas que mais se ouvia era se a rede não iria isolar as pessoas (talvez ainda mais?). e não pensar em Paul Bowles. estava pensando também. No meio deste paraíso. não se sabe onde Deus estava com a cabeça quando fez mosquitos de tantas espécies. etc. Pés no chão podem ser um perigo.. destas comuns. e mais uns tantos que só estavam esperando uma cortina para se proteger. naturalmente. um protetor solar com repelente. pra conversar escondidos. nas férias. afinal?). era difícil não olhar para os casais isolados nas histórias de seus livros (o que liam. blogs. cada um deve sentar-se de frente para o parceiro. para não ter o que discutir depois. pontilhado aqui e ali por pequenas nuvens brancas que passavam por trás dos coqueiros. não consigo acreditar que este autor pense mesmo desse jeito. Deve ficar claro que cada um tem que ter sua própria leitura. Segundo.

dos chatos a receber. Vez por outra tenho feito um certo turismo virtual. do trânsito da cidade grande. Já faz algum tempo que transferi quase toda minha leitura para a rede. curioso.. para mim. minhas viagens não pretendem ser nem tão "viajadas" assim. das contas a pagar. o sentido da vida. ficar isolado num livro ou num canto do universo que só nós podemos ver –e que não é o lugar onde fisicamente estamos. como nós. Mas ainda é preciso ter muita imaginação para sair do país pela rede. Uma hora. Jane. escrita em 1949. de pende do gosto) qualquer. E a Internet pode muito bem servir para isso. na verdade. viver intensamente. A bem da verdade. como o céu do personagem de Bowles. Uma boa parte dela. pra resolver uns problemas. Tivesse ido pra tão longe. em função do ambiente e culturas "primitivas" onde se inseririam. Cheguei à conclusão que não. não estamos tentando. era melhor e mais barato resolvêlos aqui em Recife mesmo. Mas os casais da praia tinham também um exemplo a dar. mas podem ser feitas por qualquer um. Bertolucci. por exemplo. juntamente com parte das pessoas que os causavam. para quem mora nos confins do 292 . só me protegeria dos problemas. o marido acha que o céu. A coisa que se tem pra ver lá naquela parte da China. pra me esganar ao primeiro vacilo. Como Hong Kong. pra qualquer lugar. decerto. por um tempo. de parte das chateações. um dos bons jornais da Ásia. tanto reais como virtuais. A maioria dos mortais comuns. quando queria viajar pra Austrália. estrelando John Malkovich e Debra Winger. deixando o Brasil por outras plagas. tão preciosa para o planeta e seu futuro. Este tanto. mas é grátis). talvez nunca chegue perto da intensidade de vida que um Bowles. é o South China Morning Post (SCMP. Presto! Boa parte do problema está resolvido. à minha espera.pátria (e lá faleceu. na rede. Me lembro de uma vez. com sua companheira de toda vida.. em "O céu que nos protege". a rede alcançou. Mas eles continuariam lá. Mas o danado é que muitos de nós levamos nossos problemas à tiracolo. que vivem o casal americano que busca. e se manda prum paraíso quente (ou frio. pelo menos. de certa forma. Kerouac ou Hendrix conseguiram. O que. é considerada uma das vinte melhores novelas americanas do pós-guerra. a custo da minha conexão local. fez a rendição cinematográfica da novela. Bowles tomou e viveu todas. para ir pra longe. é sólido e o protegeria do nada que esconde. Você se separa do seu trabalho. ou tanto quanto nossos espaços reais e virtuais permitam. no Saara. precisa de registro. E as férias podem ser. Mas de nada custa tentar. talvez uma possibilidade. Talvez a gente não precise gastar energia. pelo menos. de 1990. disposto a conhecer ou a se isolar em algum lugar distante. The Sheltering Sky. até porque uma humanidade cheia de Bowles se autodesmontaria em alguns anos. a distância. em 1999) cuja primeira e mais famosa novela. escondidos.

isolado do calor da areia e da humanidade. Claro que não é preciso ler sobre as prisões. que estará necessariamente vários dias atrasado. mas para tentar encontrar o sentido da vida junto com alguém que. as rebeliões. Nem quero comprar um exemplar real. meu caro. sugerir pro pessoal da pousada que forneça conexões sem fio à rede. novelas e a última mulher que tirou a roupa pra uma certa revista masculina. sobre o contrabando de Bíblias para a China propriamente dita. corro pra lá. no caso do SCMP. sob um disfarce qualquer. mas em outro mundo. É exatamente por causa da localidade de tais notícias. o tempo todo.. por exemplo. vá a Portugal. esgotos. tudo o que temos a fazer é desejar que seu mundo esteja em algum livro. vez por outra. servidor de chat. nunca vi uma cópia do dito cujo nas bancas. sobre a crise nas exportações. Que o de vocês. blogs e tudo-o-mais. pelas vias do Público ou Diário de Notícias (e pule as notícias sobre o Brasil). seqüestros. nem mesmo em São Paulo. realmente. trânsito. corrupção e políticos de HK. sobre o futuro do território. Lendo a maioria das minhas notícias na rede. ali mesmo em qualquer lugar do Nordeste. ajudando o pessoal de comércio eletrônico. e do que significam pra mim que. 293 .. E deixe pra lá. em HK. Aí.. nem na chegada. Se português for sua única opção. mas no caminho. sempre há alguma forma antiga de se procurar o sentido da vida. Pelo menos na hora: à noite. Aliás. só está disponível na rede mesmo e. nestas férias.mestres chineses. também. na praia. e tiro férias do Brasil. com alguém explicando que o verdadeiro não está nem na partida.. longe do sol que mostra até o puído das almas.Brasil. é se você estiver na praia.. O problema. fugas. Recomendo o exercício para qualquer um que queira continuar se sentido parte do mundo. que sua vida seja parte de alguma história sem fim. pela via do processamento digital de imagem. direto à beira-mar. por uns dias. no mais novo padrão de beleza das passarelas do mundo inteiro. não esteja passando no Saara de Bowles.. assim uns três ou quatro dias de férias por lá. ela é muito mais virtual do que você pensa. capaz de transformar o Barangossauros Rex que acabou de passar pela sua cadeira. quem sabe. quem sabe. com e-mail. vez por outra me isolo. por mais um daqueles livros que você levou pras férias. Lendo sobre as tensões com os velhos – e novos . não quer aparecer. que parece ser um bom negócio por lá. vida de artistas. aqui. não só pra fazer os pedidos on-line. Ou. de plástico.

Se bem que os dois. como veremos. a partir do séc. A proteção para os livros e outros escritos. A (tal) sociedade virtual já teria começado muito antes da industrial.2002 ] Desde que a produção intelectual e industrial começou a ser sistematizada. canções. qualquer pessoa de má fé podia. alguém montava a composição. existem sob várias formas: os processos contra práticas monopolistas ilegais estão aí pra gente ver. o que era caro demais e tirava a margem de lucro do malfeitor. Não é possível registrar um processo de fabricação de crack. só valiam. estabelecendo que não haveria outros monopólios na Inglaterra que não "por 14 anos. ou menos. Aqui. para o seu real e verdadeiro inventor" e que tais restrições "não poderiam ser contrárias à lei ou afetar o estado. os monopólios "do bem". as masmorras e correntes reais provavelmente teriam sido o destino.Fev. No papel. muitos deles impressos. disputas sobre os quais eram resolvidas pela lei comum. vender o resultado do trabalho de outrem. em 1449: um certo John of Utynam recebeu a graça real de monopolizar. mesmo. então. apareceu muito depois. poemas. até então. em chumbo. Lá no passado. Conceitualmente. no Statute of Monopolies de 1624. pode-se dizer. processos. de um texto de Shakespeare e. XVII. na Inglaterra. entramos num túnel do tempo e saímos trezentos anos depois. saía vendendo. O problema é que o grau de proteção dado aos criadores. por 20 anos. A história das patentes tem mais de meio milênio na Inglaterra e foi sistematizada pela primeira vez pelo rei James I. depois do séc. por Henrique VI da Inglaterra. alguém passa um "ripper" (software que extrai conteúdo musical ou áudio-visual de um CD) num disco e publica o material num site qualquer. Hoje. quando a primeira Carta Patente foi concedida. então. foram o Napster do texto.tem sido uma preocupação constante dos atores econômicos. um método para fazer vitrais que foi primeiramente usado na construção do Eton College. O empreendedor ilícito 294 . E a proteção legal foi estabelecida pra valer somente quando as impressoras se tornaram comuns na Europa: de posse de um meio de duplicação rápida.O fim do domínio público? [ 01. no caso. menos ainda um método de eliminação sistemática da concorrência. aumentar o preço das mercadorias ou afetar negativamente o comércio". para as manufaturas. sem que para isso precisasse passar pelo tedioso processo de copiar o manuscrito. nada mudou até hoje. XV e pra valer. a proteção de propriedade virtual –marcas. As impressoras de Gutenberg. em 1710. patentes. vem assumindo proporções assustadoras. no mundo inteiro. Para qualquer outro fabricante que ousasse usar o método.

com os escoceses lá codificados. Compre um CD. Pra exemplificar o que isto vem a ser. Algo. Não vi ninguém. logo antes de fechar. recomendando-o. Que a Polícia do Copyright seja enviada para autuar e. ainda. Ainda mais. Faltaria cadeia no mundo: Napster chegou a ter 80 milhões de usuários. portanto. Morpheus já tem 46 milhões de downloads. haverá seu próprio tocador. Gostam do som. que não deixemos. quem são B&S. com o autor de Hamlet lá dentro. com alguém auferindo lucros. imagine-se. sem autorização dos proprietários do copyright. outras redes têm muitos milhões. quando for o caso. Pense em copiá-lo em MP3. mesmo protegidas por copyright. Nele. Leitores que tendem a dormir à sombra de nossos artigos seriam incinerados na pira da. então. são do tipo Agente 86: depois de algumas leituras e após um aviso qualquer. que. Tente fazer uma cópia de backup: impossível. Quem compra um exemplar do jornal recebe também óculos. a coisa se auto-consumiria em chamas. diriam os advogados da gravadora: você esqueceu de dizer que os garotos que copiam e distribuem a música. agora terrível. em alguns lugares. A galera que troca rock e pop nas redes "peer to peer" (entre pares. um software que só serve para ele. Na forma de "digital rights management" (DRM). pois os meus não servem para nenhum outro leitor. no máximo. em qualquer lugar. Os súditos da Rainha do Copyright teimam em não obedecer aos editos de S. representam perda de receita para a gravadora da banda. até os conseguiria vender mais caro. melhor. para seu próprio uso: 295 . entra a indústria de conteúdo e DRM.. Deusa do Copyright. O vendedor de falsos Shakespeare talvez distribuísse seu material com desconto. copiam pro winchester e pronto. Aí. na forma de livros. vendendo MP3 pirata de absolutamente nada. ao mostrar um artigo pra você. prender tantos quantos forem os usuários ilegais das manifestações intelectuais e artísticas que. por exemplo. além de não mostrarem nenhuma outra coisa (teria que ter outros para ver uma revista). Certo. se tanto. por sua vez. deveria haver alguma forma simples de você comprar tais óculos misteriosos. ou P2P) talvez nem saiba quem é a gravadora de B&S e. terá que comprar seus óculos. meus óculos. Claro que. procura desesperada novos meios de extrair receita de seus súditos. Os falsos Shakespeares eram um empreendimento claramente criminoso. que só lêem aquela cópia! Se outra pessoa quiser ver o que está escrito. lendo este artigo no jornal. vagam pela rede. míope. As cópias verdadeiras de B&S que circulam na rede não criam lucro para ninguém. Alto lá. são criminosos também. talvez face à desinformação local sobre quem era o real editor do bardo. A garotada que troca e toca Belle & Sebastian via Morpheus manda e recebe bits.das obras de Shakespeare vendia átomos.M. não vamos deixar isto por menos. está errado no reino da rede.

Eu mando uma música.". demonstrar que o sistema de proteção a arquivos PDF (da Adobe) é de uma incompetência sesquipedal (e para o que ele escreveu um recuperador de chaves. de resto. O "setor" tem conseguido forçar a passagem.necas. vai poder pagar para ouvir só uma vez.. O domínio público tem sido de importância fundamental para o desenvolvimento das idéias e das coisas. para quem as tinha. só lá pra 2025. o mesmo Congresso mudou tudo. após o que aparecerá um "passe seu cartão aqui. Em 1976. isso se a Disney não conseguir convencer o Congresso de então a dar-lhes mais uns 20 anos ou. o sempre.. quiçá. 296 . se for o caso. até o sangue do ouvinte em forma de pagamento. À medida que se quer restringir. Isto faria com que Mickey Mouse entrasse no domínio público em 2004. em 1998. se for trabalho corporativo.. muda o entendimento do que é copyright e das formas de protegê-lo. e patrocina absurdos como a prisão de Dmitry Sklyarov. só que. condição para ouvir o resto. das quais o rato é só um exemplo. livre. em 1790. Certo que haverá muitas políticas de execução e preço (ou assinatura). para ouvir de novo.. sem pagar o devido dízimo à fonte.. a música lhe pede que a compre. acusado de. onde pretendem. Indiretamente. E olha que você. torná-lo parte de seu marketing direto. E tem gente querendo ganhar royalties em cima dos comentários sobre suas criações e. nas casas legislativas do mundo todo. e perdeu de alguma forma). Aí vai ser o fim mesmo. quem recebeu vai ouvir apenas os primeiros segundos. há o claro risco de se perder possibilidades de recriar. ao invés de ter seu copyright solapado. proibir até que a gente conte uma história para outrem. Mas disso a gente fala semana que vem. feito por quem é idôneo. Coisas da política e de sua relação com o Capital. vai estar lá a música passando o chapéu. Todas elas. 75 anos da data de publicação. você ouve uns segundos. Depois.. protegendo os trabalhos pela vida do autor mais 70 anos. consentido. destinadas a extrair. E a extensão do prazo é só parte: o DMCA. eram 28 anos para uma obra cair no domínio público. se a tivermos lido em algum lugar. o Congresso estendeu a validade do copyright para 50 anos depois da morte do autor e. entre outras alternativas.. Os auriculares se auto-destruirão após uma audição. Mickey. de verdade. de inovar. legislação que estende a validade do copyright: nos EUA. Tente tocar onde o fabricante não definiu como um dos "alvos" do CD: lamentamos muito.. por exemplo. o acesso livre à informação.. cada vez mais. DRM é a entrada dos megaproprietários de produção intelectual em P2P. Envie uma música para alguém: OK.. de presente. face à fúria capitalista das gravadoras e grandes conglomerados midiáticos. de que falamos em coluna anterior. sou eu fazendo marketing direto para (contra?) você.

que produz software para recuperar passwords de arquivos em Word. qualquer pessoa que manufature. Um daqueles caras que entende muito de programação de computadores. que várias agências do governo americano são clientes da Elcomsoft. por exemplo. O que o Acrobat faz é traduzir a representação interna de um documento em Word.2002 ] Dmitry Sklyarov é um hacker. mas muito efetivo. Mas não fale nada disso em público. ou PDF.. o Grande. é simples. processo ou meio que possa ser usado para circunverter a proteção de um sistema digital". Pelo menos eram. Mas Dmitry foi preso. o que certamente pesa contra ele.Teje Preso! [ 08.. como se policiais do passado tivessem emergido à porta de seu hotel e gritado um "Teje Preso!". ofereça ao público ou trafique qualquer tipo de dispositivo.. de tráfico de escravas brancas até conluio de coleta de impostos entre a Receita (de lá) e algumas das máfias que operam na terra de Pedro. o Digital Millenium Copyright Act americano. importe. Em qualquer contexto. A possível base legal para sua prisão foi a seção 1201(b)(1)(A) do DMCA. aluno de doutorado da Universidade de Moscou e funcionário da Elcomsoft. E os policiais esqueceram. para o qual há um leitor e visualizador gratuito. por exemplo.. para um formato chamado Portable Document Format. distribuído pela própria Adobe. Sklyarov trabalha para uma empresa russa chamada Elcomsoft. seja provedor. O modelo de negócios de um de seus carros chefes. na pressa.. afinal. principalmente se gente como Sklyarov não teimasse em demonstrar que não funciona (se você realmente tentar fazer o que "não é permitido" pela Adobe). A versão básica do software que gera os documentos em PDF. Além de fazer 297 . na verdade. ao arrepio da lei. quando o cientista se preparava para voltar pra casa. O software Acrobat é usado como pós-processador de informação originalmente tratada por diferentes tipos de software. No entanto. no sentido antigo da palavra. o lugar onde tudo de ruim acontece neste mundo. o Acrobat. O governo pode comprar –e o software tinha representante nos EUA. até prova em contrário. que pode ser usada para processar ". pois o público é perigoso.Fev. a Rússia deixou de ser o outro lado da Guerra Fria para ser a Máfia das máfias. é vendido. chamado Acrobat Reader. o Acrobat propriamente dito. A Adobe é uma das maiores empresas de software para publicação de documentos do mundo. sem nenhuma passagem pelos subterrâneos da sociedade. Sklyarov e a Elcomsoft são gente bem. Sklyarov é especialista em criptografia. onde muito significa muito mais do que qualquer intenção que você já associou à palavra. pessoa e empresa legais.

mas que o vizinho não queira que aconteça perto dos seus domínios. protegidos como estivessem.. S. E que talvez possa gastar milhões pra acabar com qualquer pedra (menor) no seu caminho. Ou melhor: até ela aparecer com a solução..2 bi ano passado. do ar. Como impedir que possamos copiar os desenhos e colá-los noutro documento. "a menos que V. Por que a empresa russa teria feito isso. saindo da frente de um gigante que vale US$7B e faturou mais de US$1. Sklyarov dar uma palestra sobre a mesma na DefCon. A Elcomsoft escolheu.. de tal forma que somente de posse da mesma possamos ter acesso ao seu conteúdo. lucros cessantes. Imagine que façamos algo que desgoste um vizinho truculento. S. por outro lado.. talvez. antes que. meu cliente não tem outra alternativa senão abrir um processo contra V. irremediavelmente destruída. Mas o software que abre arquivos PDF está por aí. ou vedar qualquer tipo de cópia. O vizinho.. na rede. de texto inclusive. Nada ilegal. ele manda um de seus muitos advogados nos chamar para uma conversa e o mesmo avisa que. como desenlace. É só procurar. livre. Ou proteger um documento com uma palavra-chave. ela nos viesse a dar ganho de causa.. imoral.. o caminho de mais baixo atrito. a Elcomsoft ter tirado sua solução de abertura de arquivos PDF. poderia gastar uma pequena parte da sua montanha de dinheiro e nos levar à falência. e com certeza disto. Nós. ser liberado sem que nenhuma acusação formal lhe fosse feita pelo governo americano e. uma conferência que aconteceu ano passado nos EUA. Um dia. poderoso e rico. "lamentavelmente. 298 .. Acrobat pode "proteger" um documento de um número variado de formas. se a Justiça americana não conseguiu materializar um processo contra o programador responsável pelo sistema e teve que inventar. próximo ou distante". com chave de ativação e tudo. Mas é melhor simular uma situação parecida. cesse todas as atividades relacionadas aos fatos que podem vir a lhe causar prejuízos de monta e desistam de qualquer atividade possivelmente associada aos mesmos em qualquer futuro. porque não lhe apetece de alguma forma." e sabe-se lá o que mais. um monte de mentiras para esconder sua arrogância e incompetência (clique aqui pra saber dos detalhes) no caso? Podemos construir várias teses alternativas para explicar os resultados deste processo inédito. e se tudo corresse bem e nós não tivéssemos a mesma sorte dos pequenos que às vezes são trucidados pela cegueira de partes da Justiça. leitor.com que um documento escrito em Word num Mac possa ser lido por alguém que está rodando Linux num Risc e não tem Word. ser preso após falar. Depois de nossa vida ter sido. por perdas. juntamente com os procuradores. danos morais. continuaríamos certos e inocentes... Isso até a Elcomsoft aparecer com a solução. certamente.

pois o governo ainda acha que a Elcomsoft pode ter culpa no cartório. O Coronel. sobressaltado com a revolta da torcida com a marcação de um pênalti contra a equipe local (e sem entender o que estava acontecendo). Dito e feito. Na semana passada. A parafernália persecutória do poder americano está ligada e funcionando a todo vapor. mesmo quando houver "usadas" à venda. O árbitro disse que tinha sido pênalti mesmo. dissemos que tal conjunto de mecanismos ameaçava. nos anos 40. por contrato. E mandou fazê-la contra a meta do time visitante. é hora de dizer que o público tem que aumentar seu domínio sobre a propriedade intelectual que está sendo criada no mundo. por sua vez. a muita gente. Mas o caso não acabou de todo. foi: quais as conseqüências? Mais de uma pessoa me disse que as liberdades civis americanas estavam baleadas e os efeitos para o resto do mundo seriam graves. arte e tecnologia (inclusive e principalmente da informação) apenas como bens capazes de geração de receita. chamou o juiz para prestar esclarecimentos na Tribuna. um número de investidores não vê nem cara nem alma do que fazem e são piores do que Tio Patinhas: só o dinheiro. revendê-la ao leitor. A história também não acabou: o 299 .. o conjunto de bens sobre os quais o futuro das sociedades é permanentemente (re)construído. ciência. As provisões do DMCA americano. a posse de cópias até hoje legais de materiais pelos quais pagamos para usar e põe em risco de extinção o comércio de bens culturais usados: se a password de um livro eletrônico foi vendida exclusivamente a mim. que pênalti era quase gol. entre muitas outras coisas.. interessam.Uma das primeiras perguntas que fiz. Nada mais. Simplicidade a toda prova: pau pra todo lado. e que a cobrança tinha que acontecer e pronto. em Pernambuco. o capitalismo venceu. portanto soberano. como talvez nunca tenha estado desde à caça às bruxas orquestrada por J. depois do onze de setembro. Quem quiser ver ou ouvir qualquer coisa vai ter que comprá-la do dono do original. A incompetência da Adobe e a grita popular acabaram obrigando o governo americano a mandar Sklyarov pra casa a tempo de passar o Natal com a mulher e filhos. o domínio público. juiz era juiz. disse que pênalti era pênalti. Tudo bem. Mas talvez seja preciso lembrar que nem tudo são resultados no quartil e ganhos por ação. de volta. só o retorno. nos tempos dos coronéis do interior: um deles. Hoje. sob pena de grandes conglomerados terminarem (pois já começaram) por tratar cultura. e era por isso que a torcida local estava em vias de fazer cachorro-quente de suas nem tão tenras carnes. deixam a produção intelectual do mundo à mercê de um conjunto de regras que proíbem. claramente. que pode vir a ser copiado pelo resto do mundo. aquele dono do FBI que não assumia quem era e se divertia caçando tudo o que gostava ou não. salve-se quem puder. Estamos começando a viver. não posso. Edgar Hoover. Aliás.

per omnia secula seculorum. 300 . ainda há lugares como o Brasil. Acho que a gente deveria trabalhar para que continuasse assim. como se não bastasse.povo vai continuar reagindo. onde leis idiotas "não pegam". Amen. E.

consumindo uns 30 mil processos. Legislativo e Judiciário: a primeira é sobre uma condenação feita pela Justiça do Trabalho (que outros países precisam de justiças especiais porque as normais não funcionam?) ao Bamerindus (que fechou há quanto tempo?) por excesso de horas extras impostas aos funcionários no Plano Collor. pisáveis e visíveis. É lá que ouço duas peças de autoria das assessorias de imprensa da Justiça -pra quem não sabe.. segundo uns ufanistas que conheço. dedicada. dá provas concretas. sujando assim o passeio onde. o programa hilário-anacrônico pago com o dinheiro do povo. Sua única culpa era a de ter nascido miserável. isso foi há doze anos! E olha que a Justiça do Trabalho tem como missão acelerar o julgamento das causas oriundas das relações de trabalho e emprego. deveria se envergonhar de proferir sentenças deste tipo! E acho. supostamente. a mãe de uma família que certamente perdeu o Carnaval e se mudou. baixa o sarrafo num garoto de uns seis ou sete anos. que se envergonha. À esquerda.2002 ] Por uma Justiça. a quem tem alguma esperança para o médio prazo do País. filho de uma mãe miserável.Fev. que seria processada por fazer jorrar lágrimas do seu pobre filho. Na volta. que a ladeira que nos espera é muito alta e inclinada. depois. honesta e patriótica dela. ainda não 301 . Esta senhora. Me recolho aos meus pensamentos e saio pra comprar fraldas e outros adereços pra Pedro. que tem renda e que. A segunda notícia está relacionada a uma verdadeira tragédia. teria alguma educação e esperança. em 1990! O Banco não existe mais. resolvo embalar meus ouvidos à vetusta Voz do Brasil.. renda ou esperança. da década de 30. muitos dos quais jamais serão recuperados in totum. em Zimbabwe. sujando a calçada com a falta de educação da dona. O fogo pode ter sido iniciado por alguém. pode ter alguma coisa a ver com informática: o fogo que destruiu uma parte do Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro. feito pelo e para o poder.. era uma pira esperando a primeira faísca pra queimar totalmente. mesmo. sem educação. a Voz é dividida em Executivo. O prédio. uma senhora conversava com outra. Se a Justiça fosse cuidar de uma delas.. À direita. Nem boto o carro na rua. é quase um tribunal de exceção. virtual? Saio de casa no começo da noite da quarta-feira de Cinzas quando. o Nordeste tinha ganho o Carnaval da Sapucaí. saindo na Mangueira. Só poderia existir mesmo no Brasil ou.[ 15. quem sabe. aqui. pra mangueira da calçada. pacientemente à espera do serviço que seu cocker spaniel preto fazia. escolheria quem? Talvez a da esquerda. pelo menos a parte séria. obraria o cão da madame. hoje. sinais dos Brasis que me cercam acendem meus alarmes.

estaríamos falando de cerca de 200 mil metros quadrados. Será que a gente não deveria pensar numa Justiça de todos os tipos.. com sua amiga. imaginando que um terço disso servisse de base para a construção de um novo Tribunal de uns vinte andares. Fazendo umas aproximações. como se o país vivesse em regime de escravidão. as técnicas cuidaram das ações e os contratos. ainda pior. forma e cor... ou melhor. abro um processo na Justiça –e espero doze anos para ter uma sentença final. virtualizaram a violência. aumentando o sentimento geral de que a impunidade não é só uma moda passageira. por sua vez. Papéis nos dois sentidos: os que compõem os documentos judiciários propriamente ditos e os diferentes modos de justiça com que convivemos. Uma Justiça mais virtual talvez pudesse ser mais eficaz e eficiente e não teria tantos papéis como as que temos hoje. Ao discordar de um ato de outrem. As linguagens virtualizaram o presente. pois a outra "não viu os favelados que se mudaram pra mangueira da calçada e a sujeira que trouxeram?". ao invés de partir para a porrada ou. daquilo e.se sabe. é uma mania nacional. só pode ser compreendido por quem perde processos para o fogo. como aqueles funcionários do Bamerindus?.. a disso.. literalmente. no Rio.. quase duas vezes a área total construída do Maracanã. O fato é que pendengas envolvendo dezenas de milhares de empresas e pessoas físicas foram transformadas em luz e calor. A madame do cocker spaniel talvez estivesse comentando. de um só tipo. angariando fundos urgentes para tal junto ao governo federal. já devidamente virtualizada. Em casa. citado pela Voz do Brasil. Segundo declarações feitas a outros órgãos de imprensa. mais virtual? O virtual. que o país não tem futuro. virtualizados em luz e chamas? O desespero de recomeçar um processo –e estes. em plena segurança. juntamente com as anotações feitas numa vida inteira de leituras. está em missão de reconstrução. são virtuais-. desaparecer num ataque de vírus ou num defeito de hardware. vejo meus dez anos de litígio serem. trabalhando quinze horas por dia. a eleitoral. A Justiça que a mulher que bate no menino (talvez porque ele teria feito xixi na 302 . precisaria de um terreno de 30 mil metros quadrados.. é a base e o processo de formação do humano. fazendo o jantar.. o ministro mencionou que um novo Tribunal.. por essência. Ou. ou vê sua biblioteca. quem sabe. um romântico duelo.. a do trabalho. a dos ricos e remediados e a dos pobres. planejamento e construção de estruturas complexas como discursos de acusação e defesa. sujar a calçada. uma empregada. A Justiça que a madame talvez espere é uma que limpe o país para seu cachorro poder. atual presidente do Tribunal Superior do Trabalho. que requer pensamento. sim. é imenso. a comum. com toda sua vida digital. desaparecer numa enchente ou ainda por quem teve seu disco rígido. O Ministro Pazzianotto. de nós próprios e da humanidade. ensina Pierre Lévy.

os encarregados poderiam continuar seu trabalho. e a Justiça é o nosso sistema operacional de resolução de disputas. O professor Joaquim Falcão. num micro comum. da Faculdade de Direito da UFRJ e da FGV. também. pela via dos tiros. grassam no Brasil que está mais para morar debaixo das mangueiras do que para passear cocker spaniels em calçadas de pedras portuguesas. As salas seguras do SERPRO. as conseqüências do fogo do TRT do Rio seriam nulas. mais de uma vez. da violência e vinganças que. Os depoimentos. Imagine. cópias dos processos. de posse das devidas autorizações. por exemplo. de qualquer lugar. não seria esta uma boa hora de argüirmos que é necessário criar uma Justiça mais virtual? E isso até na implementação da Justiça que temos hoje. qualquer tentativa de modificação não autorizada pelas partes poderia ser detectada. 303 . em relação aos processos sob cuidado daquele tribunal. Fosse assim. seriam multimídia.mangueira?) nem sabe que poderia ter é uma que pudesse criar um país onde ela e seus filhos teriam tido a oportunidade de não estar na calçada. a humanidade. sem a virtualização provida pelos contratos sociais efetivos e alcançáveis por todos.. poderiam ter uma cópia. democratizando o acesso à mesma e diminuindo a assimetria de informação que faz com que os despossuídos se sintam. lá no prédio do TRT. em geral. fosse construído para abrigá-los. Joaquim Falcão já sugeriu. em Brasília. a história teria sido outra. Minha cópia –que eu poderia duplicar. Lacrados com assinaturas digitais e criptografia de chave pública. resumidos (automaticamente) em texto.. processos de papel.. de comum acordo pelos possuidores das chaves que dariam tal autorização à medida que o processo avançasse.poderia ficar onde eu quisesse. tendo que continuar a resolver suas diferenças. sob pena de mantermos os pobres e os distantes à margem do sistema. com o tempo. Os interessados poderiam ter suas próprias cópias. que os recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicação pudessem ser usados para tal processo de distribuição informatizada e conectada da Justiça pelo país. ainda mais. meros arquivos digitais. enquanto esperariam que um prédio. vendo a vida passar trancada por trás das janelas de automóveis climatizados. que seriam atualizadas. em vídeo digital. certamente menor do que o Maracanã. poderiam circular pela rede e ser guardados em locais realmente seguros e à prova de fogo e outros desastres. por um instante. Se o virtual construiu.. O que nos faz voltar ao incêndio do Rio. como uma conta numerada num provedor na Suíça. De casa. que não houvesse. defende a tese da total informatização (que radicalizo para uma efetiva virtualização) da Justiça. desamparados e acossados por um sistema que parece só atender os desejos dos poucos que sabem como fazê-lo funcionar a seu favor. facadas. em local incerto e não sabido. Se todos os documentos fossem digitais.

Caso se acreditasse nas previsões do setor.. Ou alguém vai me dizer que seriam as estatais do passado e do presente capazes de "exportar ou morrer". aqui. o déficit das contas externas brasileiras foi de US$22 bilhões. hoje.[ 22. Para criar uma política que favoreça as exportações de software 304 . populista" e aliado (para chegar ao poder) aos racistas e "novos facistas". as importações de software são uns 5% do problema das contas em moeda forte. citado por Ignacio Ramonet na abertura do artigo de capa do Le Monde Diplomatique deste fevereiro de 2002. mas a diversificação e a intensidade de nossas conflagrações sociais. Nos últimos doze meses.Fev. desde a quase guerrilha do PCC até o ataque devastador da dengue. já era tempo para o país estar apavorado. Analistas do setor estimam que as importações de software. em três anos. O título do texto é Berlusconi.. deveria nos levar a refletir um pouco sobre se tal "ordem das coisas" não estaria (re)definindo o país. deveria criar uma força de trabalho.2002 ] A ordem das coisas De todas as formas de "persuasão clandestina". software pode vir a ser 15 a 20% do déficit. única forma de participarmos dos mercados nacional e mundial de forma produtiva e lucrativa... vamos conversar sobre um processo que pode acabar se tornando (mais) uma causa célebre das relações entre o governo (que domina o poder de compra capaz de fomentar e orientar o crescimento de uma parte considerável da indústria nacional) e a iniciativa privada. governada por um homem "inescrupuloso. Além de estar sendo acusado de várias formas de corrupção. Pois bem. o país não é assunto desta coluna. demagogo. Como a economia não está crescendo tanto. mais de 4% do Produto Interno Bruto. Como temos que nos restringir. Como o governo não tem outras análises para confrontar com as mesmas. Quem diz é o sociólogo Pierre Bourdieu. Ano passado. passando pela crise nas instituições magnas da sociedade. E o que isso tem a ver com o Brasil? Como um todo. quase que definitivamente.podem alcançar US$5 bilhões. em 2005 –que é só daqui a três anos. importamos mais de um bilhão de dólares em software e devemos ter exportado uns US$100 milhões. mas o processo de modernização industrial e empresarial avança desabalado. Porque controlar importação de software é infinitamente mais difícil do que criar operações padrão para aço ou grãos norte-americanos. ao debate sobre tecnologias da informação e suas implicações. a mais implacável é aquela exercida tão simplesmente pela "ordem das coisas". imediatamente. políticas e econômicas. como quer o executivo?. para averiguar o que pode vir a acontecer nesta área. uma análise da atual ordem das coisas na Itália. Por esta ótica.

nem nunca houve. uma das áreas em que há competência. Mas quase todo mundo concorda que o poder de compra do governo. pesquisa e desenvolvimento são. um número muito grande de itens deve ser articulado e alinhado. pois.Made in Brazil. acabamos nos confrontando com a "ordem das coisas". Governo. de um sistema de ERP (sigla para enterprise resource planning). legislação. no mercado. O contrário do governo americano com o aço. por Furnas. era o governo do Brasil. investimento de base. Se importássemos as sementes. desenvolvimento. poder de compra. sem sucesso. Aí o campo de 305 . boa parte do resultado financeiro do setor teria que ser remetido para fora do país. no melhor caso. das empresas nacionais. é coisa da ordem de 50 milhões de reais. privilegiando as empresas nacionais. quando funciona. Palmas. vivas. desenvolvimento. se for utilizado com um mínimo de inteligência. E ninguém está com saudade das estatais: há coisas que só podem ser feitas em grande conjunto. pesquisa. onde tal pode acontecer. nas áreas onde ele ainda consegue influir na economia. Um Brasil competitivo em soja. o edital foi revogado e substituído por outro. no ciclo de vida das empresas e produtos. inovação e empreendedorismo. mas educação. pensando no Brasil. Não estamos falando de uma comprazinha qualquer.. Coisas como a aquisição. em empresas que têm competência estabelecida e lideram o mercado nacional. Furnas tentou. o que limita. tudo isto é parte do papel do governo na economia. onde os subsídios são para compensar a incompetência do setor. experiência e presença. Em setembro de 2000. não há. e o governo é o lugar lógico e único. No caso de software. de várias formas. software de grande porte para gestão integrada de negócios. capazes de atingir mercados internacionais. Só que. apenas. Furnas foi "criada em 1957 e é administrada indiretamente pelo Governo Federal. Poder de compra não é subsídio nem proteção. é absolutamente fundamental. como comprador. e muito. é uma criação da Embrapa e da capacidade empreendedora do agro-negócio nacional. amplo. Mas onde gigantes multinacionais como SAP e Oracle estão agindo para criar. sem a interferência construtiva do estado. é muito difícil pensar no estabelecimento de bases negociais de grande porte. o que seria uma alternativa a tê-las desenvolvido no país. as possibilidades da indústria nacional. um oligopólio. fundamentais. Educação. em qualquer lugar. nem que seja. geral e irrestrito. lançou uma concorrência para o mesmo fim. Poder de compra é uma linha de ação.. aumentando aquele déficit de US$22 bilhões. Braço do governo. hoje. o comprador especial que cria mercado e experiências de porte para as empresas nacionais. é muito bom. controlada pela ELETROBRÁS". comprar um sistema de ERP sem licitação.. uma política efetiva de educação.. Mas olhando para o nosso governo. pesquisa. também. Em junho de 2001. quando o negócio é tecnologia.

pela solução. brasileiras. Mas informática. por entender que as empresas dadas como referência não estavam qualificadas para servir como tal. R$47 milhões. coisa que pode ser comprovada por muitos dos seus clientes de grande porte. Aliás. aparentemente. A Datasul pode implementar o software. A ordem das coisas. de igual pra igual com a SAP. Oracle. e software e serviços em especial. mandar dólares pros EUA e Alemanha. vamos acabar comprando. software e serviços de informática que. que fosse. Furnas desqualificou a Microsiga.. Se tivéssemos como compensar a importação dos bens.000 clientes. E as propostas técnicas das restantes foram abertas. No processo. contra R$57 milhões da Oracle e R$61 milhões da SAP. esta coluna não conseguiu nenhum depoimento ou mesmo um nome. que geram déficit. o dinheiro ficaria no Brasil. de 306 . e Furnas economizaria R$10 milhões só no sistema. de acordo com a "ordem das coisas". em muitos setores da economia digital. diz-se que o pedágio chega a 20%. A Datasul foi mesmo desclassificada. há quem tenha visto 50% do valor ser negociado como parte de um "acordo de cavalheiros". nas pequenas. levará cada vez mais empreendedores brasileiros a criar franquias de operações mundiais. Oracle e quem mais vier. que ocupa mercado aqui. de até R$1 milhão. mas recorreu à Justiça para que sua proposta financeira fosse aberta. se real. Jogar tal possibilidade fora é inaceitável. o que foi acatado e revelou que a companhia nacional cobraria. aqui. para "resolver problemas" em muitas concorrências públicas. A persuasão clandestina de que "não falar português é vantagem competitiva aqui". exporta e gera royalties e superávit.. O mundo "está globalizado" e vamos. americana e SAP. que estão na mais profunda miséria e precisando de nosso dinheiro para defender a "paz mundial". Em grandes concorrências de informática. berlusconiamente. após o que surgiram rumores de que a Datasul seria desclassificada por "não comprovar condições de poder implantar o sistema". é a seguinte: deixa esta coisa de empresa nacional pra lá.batalha ficou restrito a quatro empresas: Datasul e Microsiga... vem dos rumores sobre os rios de dinheiro que estão sendo traficados. por isso. quando a empresa tem mais de 2. é bem mais cruel e destruidora. a pontuação da versão "totalmente aberta" do edital de Furnas quase desclassifica quem não tem instalações do setor elétrico como seus clientes. Por alguma razão. Uma outra "ordem das coisas" que.. gerando negócios e mais trabalho no Brasil. ao invés de indústria nacional. alemã.. e criaria um dente para as empresas nacionais no mercado de ERP para companhias de eletricidade. que não vai ser reconquistada com bombardeios de precisão. Só que o fosso de renda e riqueza que vem sendo ampliado nas duas últimas décadas é o maior inimigo da paz mundial. é uma das poucas áreas de tecnologia em que podemos competir internacionalmente. eu me calaria.

. Deve ser porque os rumores são só.. rumores de um ano eleitoral.qualquer pessoa. 307 . empresa ou braço do governo envolvido em tais transações. mesmo.

mesmo que sejam milhares. Para se ter uma idéia da quantidade de informação disponível. Capoeira. porque só tinham respostas. se lembre daquela em dó menor se a pergunta for sobre análise sintática e. E ele estava certo. para elas. no Nordeste. que "criam novas perguntas" e. Aí entram informática e a rede. Ainda bem que o ENEM e o Provão começaram a botar alguma ordem de volta no processo de ensino médio e superior.. já correu maiores riscos de se transformar em uma tragicomédia musicada. de português a filosofia. ou estado. E o que nós precisamos são estudantes de capoeira.2002 ] Centenas de professores na platéia. Eu sou um dos professores na mesa e minha palestra tem um título esquisito: o "estudante de capoeira". Ensino.está cheia de respostas. É mais um esforço de uma prefeitura. Decore a música e a letra. que também serve para este artigo. no bom sentido. mas terão muita dificuldade pela vida afora. tem o significado de "caipira". aqui e lá. que eles não serviam para nada.Mar. e como ela se articula num contexto específico. um dia. Internalizar o processo de aprender. o oposto a "granja": galinha de capoeira. temporal e topicamente. passe. o futuro da sociedade. E a palestra é sobre os espaços e possibilidades onde alunos e alunas possam aprender a aprender. A rede -e os computadores. para suas platéias nas salas de aula. um engenho de busca como Google fornece respostas às perguntas que lhe são feitas a partir de uma base que contém mais de dois bilhões de páginas. é muito mais importante do que. com nossa mania de preparar os alunos para o vestibular. Quem faz isso são os estudantes de granja. apesar de já haver escolas tentando "ensinar" a fórmula para "passar" nos dois. Pablo Picasso gostava tanto de computadores que disse. em última análise. não é um novo método para aprendizado da luta nacional. alguns professores na mesa. O ensino brasileiro. canções para "ensinar" de química a matemática. ao invés de continuar no entenda-o-que-o-professor-ensina-e-responda-a-mesma-coisana-prova-que-você-passa. de nada servem as respostas. com professores compondo e cantando. na grande granja que é a rede. continuamente. Ainda mais quando são milhares. Se você não souber qual é a pergunta. "saber" alguma coisa -que possivelmente de nada vale fora do contexto que está lhe cobrando as respostas. gratuitamente. que "sabem as respostas". mas para ficar. para tentar manter vivo o processo de formação continuada dos agentes educacionais dos quais depende.. imediata.O estudante de capoeira [ 01. é o que dá a uma cabidela o status de manjar. sabem desenvolver as respostas. Isso depois de 308 . A cena se repete em todo país. na verdade. não deveria ser para "passar" em lugar nenhum.

conseqüentemente. T. o que torna um inferno a vida de quem procura. decidindo. muitos bilhões de documentos. de peripatetical intelligence: pena que só funciona em inglês e para palavras em dictionary.com.. Talvez só para mostrar que a rede está cheia de respostas. em sala de aula. sem saber o porquê das perguntas. fizerem algum sentido e só houver a mítica resposta única à sua disposição. que estão no mais das vezes sendo treinados para ser "de granja"... ao léu. para cada 38 perguntas feitas pelos professores.jogar fora. geradoras de perguntas relevantes e capazes de suscitar a efetiva criação de conhecimento.. em bilhões. ou free-range students. em "Grazing the Net: Raising a Generation of Free Range Students". O resultado é que a pergunta (dos pais) "o que você aprendeu 309 .. Mas vá lá e tente seu par. o que é importante para suas vidas e seu tempo. juntas. Aí é que está um grande problema: estudos mostram que. ainda mais se as duas palavras. minha pergunta saiu do primeiro para o vigésimoquinto lugar. muitas das quais não fazem o menor sentido -como a resposta única à minha pergunta! Isto significa que os estudantes (de capoeira) têm que achar seu próprio caminho e. Esta é. como o Radix. é uma brincadeira engraçada. em Improving Discussion Leadership.. é uma só página.a Internet pode ser usada para criar uma nova geração . a menos de nossa curiosidade natural de ver o que é e quem escreveu a única. uma resposta.. como universo de resposta. (segundo Hyman.gente capaz de navegar numa rede de informação complexa e quase sempre desorganizada. Mesmerize-se: cada pergunta que você faz tem. Era o caso. têm que aprender a perguntar.com. é de Jamie McKenzie. tratam bem mais de 10 milhões de páginas dentro do domínio .br. vários bilhões de alternativas. por sinal. As respostas são tantas que alguém criou um site-jogo para registrar pares de palavras para os quais Google dê. os estudantes fazem uma. irrelevante.. exata e somente. ou limitados a países que ainda têm relativamente pouco conteúdo na rede...) Uma possível causa. pois a resposta nós já sabemos. R. respostas. 1980. o que significa que muita gente está na capoeira. principalmente na rede." Claro que achar uma dupla de palavras que tem uma só resposta no Google não tem a menor importância. ficando apenas numa simbólica transferência de dados entre professores e alunos. Mesmo sistemas específicos.. A noção de estudante de capoeira. tentando descobrir perguntas interessantes. Em dez minutos. por considerar irrelevantes.de estudantes de capoeira . é que os modelos de argumentação sendo usados no processo de ensino formal não levam a trocas significativas. uma brincadeira para estudantes de capoeira: qual a pergunta que gera tal resposta? O esforço inteiro é descobrir perguntas. Teachers College Press. lá. que contém nossa escolha de palavras. no caso dos alunos mais jovens. dia 27/02.

Claro que a Internet pode ser usada para muito mais. criando significados). Nos EUA.hoje?" tem como resposta freqüente (dos filhos) "nada".400. Mas ainda falta muito. o estado líder em Internet para ensino "normal". em todas as atividades associadas aos focos curriculares. talvez. inferência (lendo entre as linhas. lendo o que não está escrito. Busca (procurando e encontrando informação). reais. Isso sem tomar as precauções de. Quando a gente olha o processo de ensino/aprendizado... das quais há umas 2. interpretação (traduzindo informação. como um todo. mas financiadas e supervisionadas por ele. Isso porque os distritos educacionais do estado. o ensino básico está em escolas públicas. com pouco mais de 5 mil estudantes matriculados num processo educacional rodeado de polêmica e ações judiciais. n'algum lugar. estão reclamando que a estrutura de custos das escolas virtuais não é clara e que não é possível fiscalizar sua performance. a coisa pode simplesmente acabar na justiça. as tarefas envolvidas ainda merecem muito estudo para que o sistema educacional possa ser uma infraestrutura apropriada para o desenvolvimento dos estudantes de capoeira. do ensino à distância. o FUST/Educação instalar algum computador em rede. 310 . Taí uma coisa que deveríamos observar.. técnicas e ferramentas apropriados e verificáveis estejam à disposição de professores e administradores para que. independentes do estado. alegando que a legislação em vigor não os obriga a financiar escolas virtuais como se fossem reais. planejar e organizar a casa para que os métodos. seja possível formar estudantes de capoeira. que pagam a conta. combinando e modificando idéias e informação. análise (entendendo a informação disponível). Estas são escolas públicas. enquanto os estudantes. Mais de 100 dos 501 distritos educacionais do estado estão na justiça contra as escolas virtuais. Mesmo que o problema fosse apenas busca.. oito das quais na Pennsylvania. antes. descobrindo qual poderia ser o significado) e síntese (criar novos significados rearranjando.. hoje. sofrem as conseqüências. e pensa em usar a rede como "o" vetor educacional. privadas e "charter". assumida como inaceitável a priori.) podem ter redes e sistemas de informação em cada um dos seus muitos passos. algum dia. ou estatutárias. é capaz de alguém ter a brilhante idéia de usar a rede para educar. E o pau canta. isso porque se.. E há umas 30 escolas "virtual charter".

2002 ] Ser presidente dos Estados Unidos não é um dos doze trabalhos mais fáceis do mundo. 311 . and in order to remain a free-trading nation. tanto contra como a favor. soterrando as economias de seus funcionários e parceiros e ainda abrem um rombo do tamanho do Afeganistão na confiança americana nas práticas de suas corporações.800). A sobretaxa de 30% foi criada ao tom de "We're a free-trading nation. implodem miseravelmente. Algo como o OGMO e quase totalidade dos portos brasileiros. em casa. Mas. Um dos países mais afetados pela decisão é o Brasil. processo que foi transformado em lei (7.232. Mazelas a rodo e. por culpa de siderúrgicas ultrapassadas e acordos trabalhistas do começo do século passado. E muita gente do time da presidência pode acabar aparecendo do lado errado da investigação. uma das mais frágeis competências americanas. que depois passou a induzir uma indústria nacional. Segundo o credo americano à G. modernizada (Lei 10. A interpretação mais otimista é algo como "somos a favor do livre comércio dos nossos produtos nos vossos mercados e lutaremos de todas as formas para diminuir a competitividade dos vossos produtos nos nossos mercados. Terroristas jogam aviões em prédios-símbolo de sua mais importante cidade. Começamos com uma comissão (CAPRE) para organizar as compras do governo. o mesmo Bush resolveu criar um impostozinho de até 30% sobre as importações de aço. não podem competir nem localmente e forçam a presidência a reescrever. que foi mal interpretada e mal utilizada. como Gary Hamel. "Free markets and open trade are the best weapons against poverty" e. acabando por ser flexibilizada (pela Lei 8248) e. regulamentada pelo decreto 3. Companhias que estavam "fazendo história". a mesma ladainha: mercados abertos e livre comércio. de 1984). claro. W.A informática. após o que teimam em continuar resistindo em montanhas congeladas perto do fim do mundo. o aço e a pimenta [ 08. forçando o comandante em chefe a arriscar vidas de americanos. Nas duas citações.Mar. inclusive a lei".176. E o que informática tem a ver com isso? Desde os anos 70 que o Brasil tenta fazer valer uma certa política de desenvolvimento industrial em tecnologias da informação e comunicação. o que é absolutamente arretado sob qualquer ponto de vista. o livro de regras que tenta impingir ao mundo. tratando o assunto com todas as armas à nossa disposição. Bush. setores da economia que padecem de incompetência sistêmica. we must enforce law". "Terrorists attacked world and free trade". de acordo com respeitados analistas e professores. no começo de março. mais recentemente. como se não bastasse.

aliado a investimentos que podem ter significado. do tipo que fosse.4 bilhões de reais. Pra simplificar uma longa história.7 bilhões de reais. levou mais de um ano para ser regulamentada e. mostram que.176 também inova ao criar um fundo.. aprovada contra os interesses de grupos que queriam a pura. cada vez que se fala dela. somos modernos. aumentando a criação de oportunidades e desafios "fora do centro". entre 1993 e 2000.. A 10. em números redondos. muito bem remunerada para tal. oriunda da Lei 8. sempre usou a lógica. alimentada por esperança. para uma renúncia fiscal de 4. A nova política tenta simplificar a vida das empresas. criando um processo emergente de desenvolvimento nacional. para descontar como ingênuas nossas possibilidades industriais em hardware e software. de curto prazo. começa a funcionar de verdade este ano. Dos quase 680 milhões de reais que devem ser investidos este ano. apesar de tão queimada . para onde irão. dados da Secretaria de Política de Informática. as empresas beneficiadas recolheram (outros impostos no valor de) 8.176. que eu saiba.248. inclusive e principalmente os fora-da-lei. Comemorar pra que? Uma parcela considerável de americanos (interessados no vasto mercado brasileiro) e brasileiros (interessados nas comissões de venda de importados) sempre foi contra qualquer política de qualquer coisa brasileira e.que é necessário. tem que ir pra lá pra sobreviver. a fênix da política teima em voltar. desenvolvimento e formação de capital humano. aumento da capacidade nacional de desenvolvimento e produção competitiva de bens e serviços de informática. Chega de empilhar o país inteiro em três ou cinco cidades: a Campinas de hoje tem parte de sua gênese em um processo de desenvolvimento "nacional" tão concentrado que todo mundo. nenhuma festa. mercado e indústria locais.Este ano. simples e rápida abertura dos portos para o "livre comércio" do senhor Bush. se tudo continuar correndo bem. mercado que vale mais de 10 bilhões de reais no país. hoje. E ainda não paramos de fazer isso. mais de 100 milhões têm que ser utilizados em projetos nas regiões norte. eficientes e eficazes. O resultado líquido. para o país. em 2002. aumentar a possibilidade de desenvolvimento regional e criar novas possibilidades de investimento além dos já clássicos pesquisa. deveríamos comemorar trinta anos de criação da CAPRE. que o governo pode usar para 312 . Daí que. mas uma grande parte do investimento é efetuado no desenvolvimento de sistemas e software. pois é de longo prazo. mais de 60 milhões. não precisamos destas coisas de país pobre como proteção à inteligência. E o desenvolvimento não cabe na lógica.1 bilhões de reais. foi de 3. nos mesmos lugares. A Lei 10. no mais das vezes. nordeste e centro-oeste. A isenção afeta a indústria de hardware. mas não haverá. o Brasil continua se concentrando. começar pela defesa do passado.

Outros 500 milhões de reais podem ter qualquer destino garantido pela legislação. Pimenta no. Vanda Scartezini.. só pensa em botar os pontos nos is deste assunto. E a 10. teríamos muito mais a comemorar. entidades que normalmente sobrevivem da teimosia e do bom amadorismo de seus criadores.176 pode fomentar a inovação e empreendedorismo numa área onde a maioria dos investidores só quer comprar fluxos de caixa positivos. de desenvolvimento regional e do setor. Em bom português.176 ainda cria uma possibilidade nova e bem vinda. enquanto nos pedem mercado livre de informática. criam barreiras para se proteger do ferro que iriam deixar passar pela porta aberta da própria incompetência. 313 . Se coisas como esta fossem parte da política industrial desde a CAPRE. a 10. há 30 anos. bem como implantação e operação de incubadoras de base tecnológica em tecnologia da informação". Ainda falta uma portaria para regulamentar tal feito. além de financiar incubadoras.. considerando investimento em "atividades de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação" o processo de "fomento à invenção e inovação. Mas pelo menos temos um discurso mais coerente do que os do Norte que.induzir ações capazes de direcionar centenas de milhões em investimento para projetos de interesse nacional. Secretária de Política de Informática. gestão e controle da propriedade intelectual gerada dentro das atividades de pesquisa e desenvolvimento.

definitivamente. que acaba de sair em Red Herring. que fazem parte de sua vida há duas décadas. vestindo meio milhão de dólares em sistemas de computação. Além das guerras clássicas. comunicação e controle. composto 314 .Mar. um ser humano que anda. Uma delas saiu esta semana no mesmo NYT: Steve Mann. se ele planejou o maior susto da história do Halloween ou foi. em cadeia com CBS para toda a América. nos salvam. G. A realidade que Mann percebe é "mediada" por uma rede de dispositivos. que alteram de forma muito significativa seu modo de perceber o mundo. seria abatido antes do terceiro passo. as novas guerras. que um deles poderia muito bem estar em Marte. ou talvez um reino. um do outro. A outra. ao contrário da carga letal de Flavivirus do Aedes aegypti. também. O certo é que o buruçú deu primeira página do New York Times no dia 31. surpreendido pela escala do impacto causado pela transcrição radiofônica do texto. invadem a Inglaterra vitoriana e. no lado de cá da linha. sem ninguém saber ao certo. um ET. como matéria principal. talvez valha a pena dizer que Steve Mann é algo realmente diferente. onde os marcianos. se descesse do ônibus Juazeirinho-Taperoá. H. graças a sua maior inteligência e engenhos. Para todos os fins. dá conta da guerra entre os investidores que jogaram a sorte de seu dinheiro nas firmas de investimento de risco e os sócios e gerentes das mesmas. No 30 de outubro de 1938. Wells escreveu o que veio a ser considerada por muitos "a" história de ficção científica: A Guerra dos Mundos. o professor da universidade de Toronto que vive como um cyborg. no inglês original) é um mundo. Os micróbios. têm outros sinais e ocorrem em outros domínios. Os mundos em guerra. abandonando seu planeta. moribundo. apesar de serem tão distantes.A Guerra dos Mundos [ 15. até serem aniquilados por vírus e bactérias aos quais não tinham nenhuma resistência.2002 ] Em 1898. hoje. Antes de olhar os detalhes de cada guerra. Também vale ressaltar que o capital de risco (venture capital. estão aqui mesmo. se deu muito mal com a renovada segurança dos aeroportos americanos. dia das bruxas. onde seres humanos tiram as vidas uns dos outros por causa de templos e interpretações de lendas milenares. Orson Welles resolve comemorar quarenta anos da história e a transmite pela WABC. que talvez sejam sinal mais claro dos conflitos do futuro. pois alguns dos seus adereços o tornam. espalham terror e dominam o pedaço. até hoje. ou andava.

muito bem. mundialmente conhecido. gerentes e operadores da maioria de tais fundos são vistos com desconfiança e sua postura foi descrita. Até que ponto o mesmo acontece no Brasil? Nós. Ou ficam no negócio. agora. de estabelecer uma gestão competente dos ativos em construção. ainda está em recuperação. Pois bem: a história contada na Red Herring põe no mesmo saco gente como Accel Partners. quando o negócio é empreendedorismo e inovação. pois não está acostumado ao mundo "real".. se fazem. estamos atrasados. Até hoje. Benchmark Capital. estar invadindo a Terra nos "cilindros" marcianos de H. nas palavras de um investidor californiano. Wells. Mundos em guerra: investidores. uns são compradores de fluxo de caixa de empresas tão inovadoras quanto cuecas samba-canção. são simplesmente incompetentes. Já no mundo real. desconfiança e ressentimento. Os sócios. a arrogância das firmas.por entidades dos mais diversos filos. Gente que poderia. estamos perdendo tempo por falta de competência. e Sequoia Capital. excluindo os minoritários.. Claro que muitos fundos e muita gente se salva. Redpoint Ventures. como se ele. seu comportamento em relação aos investidores e aos start-ups nos quais investiram e os salários multimilionários de seus sócios.. classes e famílias. além do seu tempo. ventures e start-ups. a segurança dos aeroportos declarou guerra a Steve Mann. área vital para o aumento da produtividade 315 . ordens." e dizem que tal não conduz a relações de longo prazo. o que os impede de fazer investimentos significativos e. derivados de cláusulas estabelecidas quando havia uma explosão de negócios. Entre as causas. Dos poucos no mercado. mas. normalmente mais frágeis e a perigo do que tartarugas recém-nascidas. como um estado permanente de "ganância alucinante".. algumas das maiores e mais renomadas firmas de investimento de risco. como sempre. Gregos e troianos reclamam do comportamento de muitas ventures. de vários lados. ainda. Nunca tivemos uma "bolha" de investimentos e ainda não temos uma indústria de risco. Matrix Partners.. sem seus mediadores de realidade. Kleiner Perkins. Outros. onde os espécimes têm similaridade com toda a fauna que conhecemos dentro e fora dos zoológicos. baseado em "você assinou. normalmente saindo dos negócios em que entraram sem deixar nada mais do que destruição. para o que basta usar a ridícula legislação nacional para as sociedades anônimas. No Canadá. que estariam em guerra com os parceiros que lhes fornecem o capital para que se aventurem. G. O professor.. para entender os processos subjacentes à inovação e empreendedorismo. fosse um invasor. Outro grupo (do qual os primeiros também podem fazer parte) age com mais virulência do que o Ebola. principalmente em informática. acabou trombando nuns extintores de incêndio e só chegou ao avião numa cadeira de rodas. hoje.

Os investidores brasileiros.. Sem isso. E o que todos precisamos não é a realização de previsões como as de Wells. investidores. não precisam nem declarar guerra ao futuro. legisladores e de uma constelação de outras competências. ". Até que muitas rodadas de investimento nos separem. para cada um. dedicação. Sem eles. que escreveu. mas de um entendimento muito mais amplo das possibilidades que poderíamos criar se conseguíssemos trabalhar em verdadeiro conjunto. o futuro ficará para sempre no passado.. pior. gestores.nada poderia ter sido mais óbvio para o povo do começo do século vinte do que a rapidez na qual a guerra estava se tornando impossível.. sem saber porque ou. ter princípios e entender e respeitar o que o outro sente. pensa e faz.. paciência e capacidade de técnicos." Não precisamos que nossos pedaços de mundo se acabem para nos dar provas negativas. Sem entender. O que significa.. mas ninguém entendeu isso até que as primeiras bombas atômicas explodiram. 316 .. não abriremos muita coisa nova e continuaremos fechando alguns dos nossos melhores negócios.humana e que ainda vai evoluir em largos passos por muitas décadas. em 1914. para o que precisamos de criatividade.. continuaremos desmontando as geringonças que Steve Mann teima em vestir. sem nem mesmo tê-los aberto de verdade.. aquém do seu tempo.

. de sua melhoria de qualidade. O que tornará nossos corpos físicos cada vez mais lógicos. era "preservar" uma beleza natural criada por um conjunto de dunas que havia chegado até o lugar onde estavam. se dunas são coisas móveis por excelência.. em tempo real: desde a porta da sua casa e a casa como um todo. tecnologia desenvolvida de forma única pela nossa espécie? Pois.. não haverá nem como pensar que os robôs da época tentariam tomar-nos o mundo. Estamos vivendo num curioso instantâneo do espaço-tempo. da Via Láctea. ridículas. Outros. até sua camisa e seus óculos.. como um sistema ótico adaptativo ou mesmo uma visão infravermelha. destroem sem pensar. definitivas e melhores do que a realidade. Mas a percepção da crise de sobrevivência que nosso planeta enfrenta tem criado situações interessantes.[ 22... parte dos nossos corpos. senão. A cada (r)evolução da robótica. deficientes visuais que tenham um olho muito melhor do que o outro poderão decidir trocar o olho "ruim" por algo mais sofisticado. porque não haverá mais "nós". Mas o que se queria. o que era para ser entendido como estabilização das ditas.2002 ] O futuro era melhor no passado Daqui a cinqüenta anos os computadores serão invisíveis. como se o mapa de Borges fosse o mundo nele representado.. quantos carregam tecnologia como óculos (sistemas passivos para melhoria de qualidade de visão). algo como achar que a foto ou o filme são mais desejáveis.... magníficas e. não têm um dente obturado.. usam relógio (seu outro "clock". poéticas ou não (.). como todos antes de nós viveram. haverá centenas de bilhões. 317 . Ora.só uso porque é necessário. mas que estarão de tal forma embutidos nos objetos que nos cercam.. mais simbólicos. organizada. paralisá-las. claro. têm um pino de titânio no joelho ou.... e no meio ambiente. falam. da medicina. o futuro vai fazer uso das mesmas licenças do passado. Incluindo tudo o que for preciso para nossa saída. de fato.. apesar do impacto não ser esperado pelos próximos sete bilhões de anos. Em cem anos. galáxia que se encontra em rota de colisão com Andrômeda. é interferir destrutivamente no meio. dos implantes. robótica. Pra todos os que se assustaram com o parágrafo anterior. preservam sem pensar. também. Dia destes estive numa conversa sobre a "preservação" de um conjunto de dunas. melhor ainda. O que não significa que serão feitos de alguma substância transparente. Em muito menos tempo. mais tecnológicos. talvez dezenas de trilhões de dispositivos on-line. que não mais conseguiremos nos preocupar com os "computadores". pelo menos como nos entendemos hoje. por conseguinte.. vai. Mas que vai acontecer. não haverá como não queiramos ter um pouco das novas possibilidades fazendo parte das nossas vidas. da biologia.Mar.) para nos abrir novas e infinitas possibilidades de interação e magnificação da presença humana no universo. Uns.. Nossa relação com o ambiente tem sido de amor ou ódio. Falando nisso.

um imaginário do qual queremos participar desde o começo. meu celular foi clonado –o que significa que alguém "programou" outro aparelho com seus dados e fez milhares de reais em ligações para a África: perdi meu velho número e tive que mandar email prum monte de gente. comparamos com o presente e nos forçamos a achar que tudo poderia ser muito melhor. comunicação e controle). O carro de Kakinhas se "desprogramou" (segundo a concessionária) e passou a limitar a força do motor a uns cinco pôneis. E.. Sim.. claro. Mas construímos. porque entrou água no computador de bordo do bicho. autor da frase que dá título a este texto (Die zukunft war früher auch besser) estava certo. O roteador da rede banda larga do meu prédio se "desconfigurou" (segundo o provedor) e fiquei mais de dois dias sem acesso. sem mencionar quantas vezes meu laptop e seus programas falham. O mundo da informática ainda está em acelerada construção. Mas. ainda "pipocam" de verdade aqui e ali. porque ouvimos promessas de um futuro. todo dia. pois quase tudo o que nos cai às mãos. usuários. E isso. e nos sujeitando a todos os caprichos e demandas de servidores que não conseguem apenas nos servir: nos obrigam a muito mais. mesmo com ajuda remota de um técnico. tudo porque estamos usando coisas sobre as quais ainda não temos. Ninguém quer um carro a carburador. apesar do gigantesco progresso que experimentamos nas cinco décadas da computação eletrônica. além de ter que testar (com auxílio do call center) todo o serviço e seus links. até porque somos sujeitos inteligentes e ativos do que usamos. com fabricantes e provedores. Muito pouco do que usamos. a participar intensamente de seu processo de desenvolvimento. nas últimas semanas. controle efetivo.. o futuro era melhor". ou seja. A visão do futuro é nossa também. claro. nem que seja porque as baterias duram menos. reclamamos do presente.Nossa percepção do presente parece partir do princípio de que "no passado. quando deveríamos nos lembrar de como a vida teria sido tão pior sem a maioria delas. Quase não andava. Dez gerações depois.. Tomamos as promessas do passado. coisa que dificilmente seria feita por alguém sem conhecimentos de computação. é digital e "beta".. vários pedaços de informática que eu costumo usar entraram em pane –e alguns deles me deixaram em pânico. avisando. Nós. está no estado de maturidade tecnológica e social equivalente aos bujões de gás que. no passado. ou seja. Ou não quer acesso mais rápido. este é certamente o caso. O cômico alemão Karl Valentin. mas que os fabricantes orgulhosamente chamam de primeira geração. muito melhores do que o que temos hoje.) porque a umidade "derrotou" a "placa". mais 318 . em informática (computação. sempre nos perguntamos como é que usávamos aquelas gambiarras. algo melhor do que um protótipo. E a gente até pode explicar o por quê. Muitos poucos querem continuar com seus celulares analógicos. Em informática. hoje. mudando de uma geração para outra no máximo a cada dois anos. simplíssimos. nem nós nem os que nos fornecem os produtos e serviços. hoje.. Um dos elevadores do prédio "pipocou" (segundo o porteiro.

mais espaço no disco. pelo menos. Agradeço a todos os que dedicaram sua preciosa atenção às digressões..000 vezes a relação entre o custo e o benefício da minha experiência como usuário? A relação da humanidade com a tecnologia data do começo da vida inteligente no planeta e nunca nos deixamos dominar por ela.. este colunista encerra hoje sua participação na no. então. de um roteador que. é: seriam tais dificuldades maiores mesmo. E maiores dificuldades na utilização de tecnologias que não estão prontas. no país. e continuaremos a controlar as próximas gerações de qualquer tipo de tecnologia que venhamos a desenvolver. Prezado Leitor. É por isso que é possível acreditar que a informática. comentários. inatingíveis para mortais comuns..cores na tela. no endereço www. falando de informática e tudo que a envolve e cerca. os modems eram imensos e externos aos computadores. histórias e estórias que passaram por aqui nestas mais de 100 sextas-feiras e informo que a coluna será continuada. E tudo indica que o futuro será.com. virtuais ou não. críticas. e a cada vez mais gente. Desde o primeiro dia "no ar". Isso. previsões. qual a importância relativa. coisa de viciados em rede. puramente. de competência. dentre nós. vez em quando. se "desconfigura". progresso. cada provedor (BBS) resolvia se configurar de um jeito. vem trazendo. hoje. A pergunta do dia. a partir da segunda-feira 8 de abril de 2002. propostas. em novo formato. deu um exemplo ímpar no. no.meira. nestes 50 anos de sua efetiva utilização pela sociedade. sempre estivemos insatisfeitos e sempre tivemos aqueles. tudo o que possa a vir ser associado a qualidade. Mas sempre quisemos mais. mais aptos e alertas aos perigos de termos tecnologia demais e humanidade de menos. Em comparação. mas tem uma performance mais de 100 vezes superior por um décimo do preço? Melhorando 1. 319 . pra usar 1200 bits por segundo e transferir texto em ASCII. análises. lá no começo. apesar de quase tudo ser só quantidade. depois de quase dois anos participando de sua semana. estabelecendo a referência qualitativa pela qual outros terão que se pautar quando houver planos de criar publicações. ou o são apenas na aparência? No início dos anos 80. e o simples ato de "entrar na rede" (usando Kermit!) era precedido de malabarismos impensáveis hoje. Até lá e boa sorte a todos. desenvolvimento e não. melhor do que o passado. na Idade da Pedra da Rede.

320 .Esta edição especial dos 100 textos de Silvio Meira para a revista eletrônica NO. do qual Silvio foi um dos fundadores e onde exerce. hoje. o papel de Cientista-Chefe. foi distribuída em comemoração aos oito anos de existência do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife.

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