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  • 4. Introdução
  • 4.1 Circuitos RC Série
  • 4.2 Circuitos RC Paralelo
  • 4.3 Potência em Circuitos RC
  • 4.4 Principais Aplicações de Circuitos RC
  • 4.4.3.1 Filtro Passa Baixa
  • 4.4.3.2 Filtro Passa-Alta
  • 4.4.3.3 Freqüência de Corte e Largura de Faixa de um Filtro
  • 4.5 Circuitos RL Série
  • 4.6 Circuito RL Paralelo
  • 4.7 Potência em Circuitos RL
  • 4.8 Aplicações de Circuitos RL
  • 4.8.3.1 Filtro Passa-Baixa
  • 4.8.3.2 Filtro Passa-Alta
  • 4.9 Circuitos RLC
  • 4.9.1.1 Potência em Circuito RLC
  • 4.10 Fluxo de Potência
  • 4.11 Transformadores

Capítulo 4

CIRCUITOS BÁSICOS EM CORRENTE ALTERNADA

4. Introdução ....................................................................................................3 4.1 4.1.1 4.1.2 4.2 4.2.1 4.3 4.3.1 4.4 4.4.1 4.4.2 4.4.3 Circuitos RC Série................................................................................3 Variação da Impedância com a Freqüência .....................................5 Variação do Ângulo de Fase com a Freqüência...............................6 Circuitos RC Paralelo...........................................................................6 Conversão de Paralelo para Série....................................................8 Potência em Circuitos RC ....................................................................9 Fator de Potência de Deslocamento ..............................................13 Principais Aplicações de Circuitos RC ...............................................13 Circuito RC Atrasado......................................................................14 Circuito RC Adiantado ....................................................................15 Circuito RC como Filtro ..................................................................16

4.4.3.1 Filtro Passa Baixa .......................................................................16 4.4.3.2 Filtro Passa-Alta..........................................................................19 4.4.3.3 Freqüência de Corte e Largura de Faixa de um Filtro ................22 4.5 4.5.1 4.5.2 4.5.3 4.6 4.6.1 4.7 4.7.1 4.7.2 4.7.3 4.8 4.8.1 4.8.2 4.8.3 Circuitos RL Série ..............................................................................24 Corrente e Tensão em um Circuito RL Série..................................24 Impedância e Ângulo de Fase em Circuitos RL Série ....................25 Variação da Impedância e Ângulo de Fase com a Freqüência ......26 Circuito RL Paralelo ...........................................................................27 Relação entre Corrente e Tensão em Circuito RL Paralelo............27 Potência em Circuitos RL...................................................................30 Triângulo de Potência em Circuitos RL ..........................................30 Fator de Potência de Deslocamento ..............................................32 Correção de Fator de Potência de Deslocamento..........................33 Aplicações de Circuitos RL ................................................................33 Circuito RL Adiantado.....................................................................33 Circuito RL Atrasado ......................................................................35 Circuito RL como Filtro ...................................................................37
Profa Ruth P. S. Leão Email: rleao@dee.ufc.br WP: www.dee.ufc.br/~rleao

4-2

4.8.3.1 Filtro Passa-Baixa.......................................................................37 4.8.3.2 Filtro Passa-Alta..........................................................................38 4.9 4.9.1 4.9.2 4.10 4.11 Circuitos RLC .....................................................................................40 Circuito RLC Série..........................................................................40 Circuito RLC Paralelo .....................................................................46 Fluxo de Potência ..............................................................................47 Transformadores................................................................................49 4.9.1.1 Potência em Circuito RLC...........................................................44

4.11.1 Indutância Mútua ............................................................................49 4.11.2 Coeficiente de Acoplamento...........................................................51 4.11.3 Indutância Mútua ............................................................................51 4.11.4 Tipos de Transformadores .............................................................51 4.11.5 Relação de Espiras ........................................................................52 4.11.6 Direção dos Enrolamentos .............................................................53 4.11.7 Transformadores Elevadores e Abaixadores..................................53 4.11.8 Carga no Secundário......................................................................54 4.11.9 Carga Refletida...............................................................................55 4.11.10 Casamento de Impedância .........................................................56

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4. Introdução Neste capítulo serão estudados a resposta de circuitos RC, RL, e RLC série, paralelo e série-paralelo quando excitados por uma fonte senoidal. 4.1 Circuitos RC Série Quando um circuito RC série é excitado por uma fonte de tensão senoidal, a tensão no resistor, VR, a tensão no capacitor, VC, e a corrente I que flui no circuito são todas ondas senoidais com a mesma freqüência da fonte. As amplitudes e deslocamentos de fase das tensões e corrente dependem dos valores da resistência e da reatância capacitiva. Devido à combinação de resistência e capacitância em um circuito, o ângulo de fase entre a tensão aplicada e a corrente não será nulo (circuito resistivo), nem igual a -90º com a tensão atrasada da corrente (circuito capacitivo), mas estará compreendido entre 0 e -90º, dependendo dos valores relativos da resistência e reatância. Seja o circuito RC série como mostrado na Figura 4.1.
VR VF VC
C

~

R

I

Figura 4.1: Circuito RC série.

Lançando mão da teoria dos fasores, sabe-se que a tensão em um resistor está em fase com a corrente que por ele circula, e que a tensão em um capacitor está atrasada de 90º da corrente. A representação gráfica dos valores eficazes de tensão no resistor e no capacitor deverá ser tal que, considerando-se VR no eixo horizontal, VC estará 900 atrasado em relação à VR.

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4-4

Figura 4.2: Relação fasorial entre tensões e corrente no circuito RC série.

I -θ VF

VR

VC

Figura 4.3: Diagrama de tensões no circuito RC série.

Pela Figura 4.3 observa-se que a tensão resultante no circuito RC série é igual à soma fasorial das tensões sobre o resistor mais a tensão sobre a reatância capacitiva. Ainda, observa-se que a tensão no resistor está adiantada da tensão da fonte e esta, por sua vez, está adiantada da tensão no capacitor. Em assim sendo, o ângulo de variação da tensão resultante está entre 0o e -90º. A corrente do circuito está adiantada da tensão aplicada de θ. Pela Lei de Kirchhoff de tensão aplicada ao circuito RC série da Figura 4.3, tem-se que:
VF = VR − jVC

(4.1)

A tensão no resistor e na reatância capacitiva é dada, respectivamente, por:
VR = R∠0 ⋅ I∠0

(4.2) (4.3)

VC = X C ∠ − 90 ⋅ I∠0

Então

VF = (R − jX C ) ⋅ I∠0

(4.4)

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4-5

O coeficiente que relaciona tensão e corrente é denominado de impedância, e é definido como:
R -θ Z
Figura 4.4: Triângulo de impedância.

XC

Z = R − jX C

(4.5)

A impedância é uma grandeza complexa formada pela resistência e reatância. A Figura 4.4 ilustra o triângulo da impedância, o qual é semelhante ao triângulo das tensões para o circuito RC série. A unidade da impedância é o ohm (Ω), e sua magnitude e ângulo de fase são definidos como:
2 Z = R 2 + XC

(4.6) (4.7)

⎛X ⎞ θ = − tg −1 ⎜ C ⎟ ⎝ R ⎠

Assim, a impedância na forma polar é expressa como:
⎛X ⎞ 2 Z = R 2 + X C ∠ − tg −1 ⎜ C ⎟ ⎝ R ⎠

(4.8)

4.1.1 Variação da Impedância com a Freqüência Como visto no Capítulo 3, a reatância capacitiva varia com o 2 inverso da freqüência. Como Z = R 2 + X C , quando XC cresce a magnitude da impedância do circuito cresce; e quando XC decresce, a magnitude da impedância do circuito diminui. Portanto, em um circuito RC série, a magnitude de Z é inversamente proporcional à freqüência. Quando a tensão na fonte é mantida constante, a tensão nos terminais da impedância permanece constante (VF), porém se a freqüência aumenta, a reatância capacitiva e a magnitude da impedância diminuem, causando um aumento na corrente do circuito. Com o aumento da corrente, a queda de tensão no resistor aumenta (VR=RI), e conseqüentemente, a queda de tensão reatância diminui (VC=XC.I). Raciocínio análogo se aplica para a condição de diminuição da freqüência.
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e assim o ângulo de fase diminui. Quando a freqüência aumenta. 4. porém a corrente IC está adiantada de 90º da tensão VF e conseqüentemente de IR. S. diminuem a reatância capacitiva.br/~rleao .4-6 4. a corrente IR está em fase com a tensão VF. R θ3 θ2 θ1 Z3 XC3 f3 Z2 Z1 XC1 f1 XC2 f2 Figura 4. À medida que a freqüência cresce. Z. A Figura 4.5: Variação da impedância e ângulo de fase com a freqüência. VC Figura 4. Leão Email: rleao@dee. Profa Ruth P.6. I VF ~ IR R C IC Figura 4. como mostra a Figura 4.2 Circuitos RC Paralelo Seja o circuito RC paralelo conectado a uma fonte de tensão senoidal. Com base na teoria dos fasores.5 ilustra através do triângulo de impedância as variações em XC.7.1. VR.7: Diagrama fasorial de tensão e correntes do circuito RC paralelo. O diagrama fasorial para as correntes é apresentado na Figura 4. jIC IF θ IR VF. uma mudança em XC provoca alteração no ângulo de fase.ufc. e θ com a freqüência.2 Variação do Ângulo de Fase com a Freqüência Como XC é responsável pelo ângulo de fase no circuito RC série. XC torna-se menor. a magnitude da impedância e o ângulo de fase.br HP: www.dee.6: Circuito RC em paralelo.ufc.

13) (4. verifica-se que enquanto a reatância capacitiva apresenta um ângulo de -90º.4-7 A corrente total suprida pela fonte ao circuito é igual a IF.11) O coeficiente que relaciona corrente com tensão é denominado de admitância cuja unidade é siemens (S).8: Triângulo da admitância. S. a unidade da admitância é também definida como mho (ohm ao inverso). G θ = tg −1 ⎜ ⎛ BC ⎞ ⎟ ⎝ G ⎠ O triângulo da admitância é semelhante ao da corrente em um circuito RC paralelo.br HP: www. Profa Ruth P. Leão Email: rleao@dee. e da reatância capacitiva é a susceptância capacitiva. sendo usada a letra grega ômega maiúscula invertida como símbolo da unidade.10) Como visto no Capítulo 3.ufc. tem-se que: I F = I R + jI C (4. Y=G+jBC (4.ufc. representada por uma componente imaginária negativa. Pela Lei de Kirchhoff para as correntes. Assim: I F = (G + jB C ) ⋅ V∠0 (4.br/~rleao .12) Como a admitância é o inverso da impedância. o recíproco da resistência é a condutância.14) Figura 4.9) A corrente IF pode ainda ser obtida por: IF = 1 1 ⋅ V∠0 + ⋅ V∠0 R∠0 X C ∠ − 90 ⎛1 1 ⎞ ⎟ ⋅ V∠0 =⎜ + j ⎜R XC ⎟ ⎝ ⎠ (4.dee. Observando a admitância do circuito RC paralelo. A magnitude e o ângulo de fase da admitância são dados por: Y θ jB 2 Y = G 2 + BC (4. a susceptância capacitiva é positiva.

18) o que equivale a θ = − tg −1 ⎜ ⎜ ⎛ R ⎝ XC ⎞ ⎟ ⎟ ⎠ (4.19) Portanto. Leão Email: rleao@dee. Dois circuitos são considerados equivalentes quando ambos apresentam uma mesma impedância equivalente em seus Profa Ruth P.2. Como o circuito é formado por apenas dois componentes.ufc.ufc. a impedância equivalente do circuito RC paralelo é semelhante à Eq. θ = −90 + tg −1 ⎜ ⎛ XC ⎞ ⎟ ⎝ R ⎠ (4.17) e o ângulo de fase entre a tensão da fonte e a corrente por ela suprida.8.6. há um circuito equivalente série. tem-se que a impedância equivalente é dada por: Z= (R∠0 )⋅ (X ∠ − 90 R − jX C C ) (4.4-8 A impedância equivalente do circuito RC paralelo pode também ser obtida para o circuito da Figura 4.dee. i.15) Operando sobre a expressão de Z.16) A magnitude da impedância equivalente é então: Z= R ⋅ XC 2 R 2 + XC (4. S.e.4.1 Conversão de Paralelo para Série Para cada circuito RC paralelo.br/~rleao . obtém-se: ⎛ R⋅ X C Z =⎜ ⎜ R2 + X 2 C ⎝ ⎞ ⎛ ⎟∠⎜ − 90 + tg −1 ⎛ X C ⎜ ⎟ ⎜ ⎝ R ⎝ ⎠ ⎞⎞ ⎟⎟ ⎟ ⎠⎠ (4. Z = Z ∠ − tg −1 ( R X C ) = R ⋅ XC 2 R2 + X C ∠ −θ (4..br HP: www.20) 4.

dee. Com base na Eq.23) = R EQ − jX C. Quando no circuito existe resistência e capacitância. EQ = − R ⋅ XC 2 R2 + X C ⋅ senθ (4. tem-se: R EQ = R ⋅ XC 2 R 2 + XC ⋅ cos θ (4. parte da energia oscila entre o capacitor e a fonte e parte é dissipada pela resistência.21) X C . A potência instantânea é obtida como: Profa Ruth P. toda a energia entregue pela fonte é armazenada pelo capacitor durante parte do ciclo da tensão e então devolvida à fonte durante outra parte do ciclo da tensão de maneira que não há conversão para calor. Leão Email: rleao@dee.é. O circuito equivalente série para um dado circuito RC paralelo é obtido a partir de: I VF I R C XC. XC e θ são os valores definidos para o circuito paralelo. a magnitude e o ângulo de fase da impedância são idênticos.4-9 terminais.9: Equivalência entre circuito paralelo e série. A equivalência pode também ser obtida a partir da admitância. Em um circuito puramente capacitivo.EQ -θ REQ -jXC.. S.ufc.4. i.EQ REQ ~ VF ~ Z Figura 4.EQ 4.20. toda energia entregue pela fonte é dissipada na forma de calor pelo resistor.3 Potência em Circuitos RC Em um circuito puramente resistivo.ufc.22) R.br/~rleao .br HP: www. Z= = 1 G + jB C B G −j 2 C 2 2 G + BC G + BC 2 (4.

Leão Email: rleao@dee.IEF.ufc.26) (4.25) dois termos de potência. A potência é oscilante e seu valor de pico define a capacidade de armazenamento do componente passivo do circuito.28) (4. pativa ( t ) = P ⋅ (1 − cos ( 2ωt ) ) preativa ( t ) = Q ⋅ sen ( 2ωt ) (4.27) em que P = VEF ⋅ I EF ⋅ cos θ Q = VEF ⋅ I EF ⋅ senθ (4.br/~rleao . O valor médio de pativa(t) é dado por VEF.br HP: www. sendo que a primeira é unidirecional. Profa Ruth P. quais sejam: a potência ativa instantânea e a potência não ativa instantânea. e a segunda bidirecional.25) Notam-se em (4. ambas variam no tempo.dee.29) Note que a potência ativa instantânea é composta de um termo constante e um termo variante no tempo cujo valor de pico é igual ao termo constante.cos θ e a potência ativa instantânea oscila em torno desse valor médio sendo unidirecional. S.4-10 p ( t ) = v ( t ) ⋅ i ( t ) = V p I p sen (ωt ) ⋅ sen (ωt + θ ) = V p I p ⎡ sen (ωt ) ⋅ ( sen (ωt ) ⋅ cos θ + senθ ⋅ cos (ωt ) ) ⎤ ⎣ ⎦ = V p I p ⎡ sen 2 (ωt ) ⋅ cos θ + sen (ωt ) ⋅ cos (ωt ) ⋅ senθ ⎤ ⎣ ⎦ 1 ⎡1 ⎤ = V p I p ⎢ (1 − cos ( 2ωt ) ) ⋅ cos θ + sen ( 2ωt ) ⋅ senθ ⎥ 2 ⎣2 ⎦ (4.24) A potência instantânea pode ser re-escrita em função dos valores eficazes de tensão e corrente: p ( t ) = VEF I EF ⎡(1 − cos ( 2ωt ) ) ⋅ cos θ + sen ( 2ωt ) ⋅ senθ ⎤ ⎣ ⎦ = VEF I EF ⋅ (1 − cos ( 2ωt ) ) ⋅ cos θ + VEF I EF ⋅ sen ( 2ωt ) ⋅ senθ (4.ufc. O valor médio da potência não ativa ou reativa instantânea é nulo.

10 mostra as curvas de potência ativa instantânea. |VF|∠0o e a corrente entregue pela fonte adiantada da tensão. |I|∠θ.br HP: www. e a unidade é o volt-ampère (VA).30) A potência total S é denominada de potência aparente complexa. tomando-se a tensão da fonte como referência angular.4-11 A Figura 4. tem-se que: S = VF ⋅ I * = VF ∠0 ⋅ ( I ∠ − θ ) = VF ⋅ I ∠ − θ ( ) (4. S.2 foi visto que em um circuito RC a corrente está adiantada da tensão resultante de um ângulo θ (ver Figuras 4. é denominada simplesmente de potência aparente e sua unidade é também o volt-ampère (VA). Assim.3 e 4. Leão Email: rleao@dee.7).10: Potência total e potências no resistor e no capacitor.dee.br/~rleao . Transformando a potência aparente complexa para a forma retangular.1 e 4. potência reativa instantânea e potência total. |S|=|V|.11: Triângulo de potências. real e imaginária. A magnitude da potência aparente complexa. A componente real representa a potência entregue pela fonte e Profa Ruth P. e considerando que potência é obtida pelo produto entre os fasores tensão e corrente. tem-se: P -θ S Figura 4. Nas seções 4.ufc.31) A potência total S apresenta duas componentes.|I|. p(t) pativa(t) preativa(t) Figura 4.ufc. S = VF ⋅ I ⋅ (cos θ − jsenθ ) QC (4.

A unidade da potência real é o watt (W). portanto. ou eficaz. Profa Ruth P. Idealmente toda potência transferida à carga deveria realizar trabalho. é a potência útil que realiza trabalho. não realiza trabalho.35) Vale a pena lembrar que à potência reativa capacitiva foi associado o sinal negativo.32) Como a potência útil é dissipada no resistor.br/~rleao . Se assim não fosse. a potência P pode ser expressa em função de R. entretanto. 2 VR = RI 2 P= R R (4. haveria uma contradição com a convenção de sinal adotada para as potências reativa capacitiva (negativa) e indutiva (positiva). em muitas situações práticas a carga tem alguma reatância associada. a corrente total apresenta a componente resistiva e a componente reativa. Leão Email: rleao@dee.dee. útil. S.br HP: www. portanto Q pode ser expressa em função de XC. QC = 2 VC 2 = X C ⋅ IC XC (4. Em todos os sistemas elétricos e eletrônicos. portanto as duas componentes de potência estão presentes.34) Em um circuito RC a potência reativa está associada ao capacitor.ufc. Em assim sendo. significa que somente uma porção da corrente total demandada pela fonte está sendo considerada. P = VF ⋅ I ⋅ cos θ = S ⋅ cos θ (4. que oscila entre o capacitor e a fonte. A unidade da potência reativa é o volt-ampère reativo (var). ativa. Se apenas a potência útil de uma carga é levada em consideração. daí ser denominada de potência reativa. e. A potência reativa é simplesmente permutada entre a carga e o sistema.33) A potência imaginária representa a porção da potência total S.4-12 dissipada na resistência e é denominada de potência real.ufc. Q C = VF ⋅ I ⋅ senθ = S ⋅ senθ (4. esta é a razão porque a potência total é definida como o produto da tensão pelo conjugado da corrente.

FPD. como circuito defasador e como filtro. a 1 para um circuito puramente resistivo. o fator de potência de deslocamento é dito ser adiantado. admitância e de potência. assim como é o ângulo entre as potências útil e aparente do triângulo de potência.4-13 4.4 Principais Aplicações de Circuitos RC Os circuitos RC são usados em diferentes aplicações. O fator de potência de deslocamento pode variar de zero. 4. ou seja. para um circuito puramente reativo.ufc.1 Fator de Potência de Deslocamento A relação entre a potência útil e a potência aparente é denominada de fator de potência de deslocamento. a corrente está deslocada em avanço da tensão. Quanto maior for o ângulo θ.ufc. Profa Ruth P. o ângulo θ é o mesmo entre resistência e reatância do triângulo de impedância. em geral como parte de um circuito mais complexo. Como a relação entre tensão e corrente resulta em impedância.29 tem-se que: FPD = P = cos θ S (4.br/~rleao .12: Relação entre fator de potência e triângulos de impedância. S. Leão Email: rleao@dee.3. Em um circuito RC. As duas principais aplicações. o que indica um crescimento na componente reativa. O FPD de uma carga ou circuito representa o quanto de potência entregue é convertido em trabalho útil. R -θ V Z XC P Y θ I θ BC G -θ S QC Figura 4.dee.36) O ângulo θ representa o defasamento angular entre a tensão e corrente. Pela Equação 4. menor será FPD.br HP: www. serão consideradas nesta seção.

criando assim um circuito de atraso. o ângulo entre a entrada e a saída: φ = −90 + tg −1 ⎜ ⎛ XC ⎞ ⎟ ⎝ R ⎠ (4.dee. A Figura 4. indicando que a tensão de saída pode estar em fase (para uma única condição.4-14 4.ufc. R=0) e atrasada da tensão de entrada.13: Circuito RC atrasado e o diagrama fasorial com ângulo de fase atrasado entre VE e VS.br HP: www.38) O ângulo φ estará compreendido entre 0 (Xc/R → ∞) e -90º (Xc/R → 0). O ângulo θ é o ângulo de fase entre a corrente e a tensão de entrada e é também o ângulo de fase entre a tensão no resistor e a tensão de entrada porque VR e I estão em fase. S.1 Circuito RC Atrasado O circuito RC atrasado é um circuito que provoca um defasamento angular. A diferença de fase φ entre a entrada e a saída bem como a magnitude da tensão de saída dependem do valor da reatância capacitiva e da resistência. A fonte de tensão é a entrada VE. Como VC está atrasado de 90º de VR.4. no qual a tensão de saída atrasa da tensão de entrada de um determinado valor especificado. como mostra a Figura 4. o ângulo de fase entre a tensão no capacitor (tensão de saída) e a tensão de entrada é a diferença entre -90º e -θ. A tensão de saída está atrasada da tensão de entrada.13. VR VE ~ R -θ C VS φ=-90º+θ VS VE Figura 4. Profa Ruth P.37) Como θ=-tg-1(XC/R). Leão Email: rleao@dee. a tensão de saída resulta em: VS = ( I ∠θ ) ⋅ X C ∠ − 90 = I ⋅ X C ∠ − 90 + θ ( ) ( ) (4. Para uma tensão de entrada igual a |VE|∠0o e corrente igual a |I|∠θ.13 mostra um circuito RC série com a tensão de saída VS extraída dos terminais do capacitor.ufc.br/~rleao .

40) Assim. Quando a tensão de entrada é Profa Ruth P.ufc.14: Circuito RC adiantado e o diagrama fasorial com ângulo de fase adiantado entre VE e VS.39) A tensão de saída pode também ser calculada pela Lei de Ohm: VS = I ⋅ X C (4. o fasor tensão de saída de um circuito RC atrasado é: VS=|VS|∠-φ (4. Leão Email: rleao@dee. Como a tensão de interesse está sobre os terminais do capacitor. o circuito RC deve ser visto como um divisor de tensão. tem-se: ⎛ XC VS = ⎜ ⎜ R 2 + X2 C ⎝ ⎞ ⎟⋅ V ⎟ E ⎠ (4.br/~rleao . a saída está adiantada da entrada.4-15 Para avaliar a tensão de saída. Em um circuito RC.br HP: www. Quando a saída de um circuito RC série é tomada sobre o resistor invés do capacitor.14.2 Circuito RC Adiantado O circuito RC adiantado é um circuito defasador no qual a tensão de saída é adiantada da tensão de entrada. Como no circuito defasador atrasado.ufc.41) 4. dizse ser um circuito adiantado. em termos de sua magnitude.4. a corrente é adiantada da tensão de entrada. Sabe-se também que a tensão no resistor está em fase com a corrente. S.dee. VS VE ~ C φ R VS VC VE Figura 4. como indicado no diagrama fasorial na Figura 4. Como a tensão de saída é tomada sobre o resistor. a diferença de fase entre a entrada e saída e também a magnitude da tensão de saída no circuito defasador adiantado dependem dos valores relativos da resitência e da reatância capacitiva.

3 Circuito RC como Filtro Filtros são circuitos seletivos de freqüência que permitem sinais de certa freqüência passar entre entrada e saída e bloquear outras freqüências.45) 4. todas as freqüências exceto as selecionadas são filtradas. como no circuito adiantado.4. A magnitude pode ser calculada aplicando a expressão de divisor de tensão ou a Lei de Ohm. ⎛ R VS = ⎜ ⎜ R 2 + X2 C ⎝ VS = R I ⎞ ⎟⋅ V ⎟ E ⎠ (4. Portanto. Isto é.15 a tensão de saída depende da freqüência do sinal de entrada. Os circuitos RC série apresentam uma característica de seletividade de freqüência e portanto atuam como filtros.4-16 tomada como referência angular. Nos filtros passa baixa a saída é tomada sobre o capacitor como no circuito atrasado. os chamados filtros passa baixa e os filtros passa alta. Para o circuito da Figura 4. como neste caso φ=θ. é de interesse apresentar a variação da magnitude da saída com a freqüência.3. a equação é dada por: φ = tg −1 ⎜ ⎛ XC ⎞ ⎟ ⎝ R ⎠ (4.dee.42) O ângulo é positivo porque a saída é adiantada da entrada.ufc.1 Filtro Passa Baixa Na avaliação do circuito RC como filtro. 4.44) A expressão para o fasor tensão de saída: VS = VS ∠φ (4.43) (4. o ângulo da tensão de saída é igual a θ (o ângulo entre a corrente e a tensão aplicada) porque a tensão no resistor (saída) e a corrente estão em fase.4. Os filtros passa alta são implementados com a saída tomada sobre o resistor. Leão Email: rleao@dee.br HP: www. S. Profa Ruth P. Existem dois tipos.ufc.br/~rleao .

o circuito passa totalmente a freqüência CC. Para uma freqüência igual a zero. a tensão de saída.16. A freqüência de entrada pode ser elevada até que alcance um valor tal que a reatância seja muito pequena comparada à resistência de modo que a tensão de saída pode ser desprezível em comparação à tensão de entrada.ufc. menos da tensão de entrada é transferida para a saída. VE. A Figura 4. como a resistência é constante e a reatância capacitiva decresce.15: Filtro passa baixa. como o capacitor bloqueia corrente CC. À medida que a freqüência da entrada aumenta.é. diz-se que o circuito bloqueia totalmente o sinal de entrada. é igual ao valor da tensão de entrada.ufc. a tensão de saída decresce aproximando-se de zero quando a freqüência torna-se muito alta. Figura 4. o circuito deixa passar toda a tensão de entrada para a saída (VE. A este valor de freqüência.36). Quando a freqüência de entrada aumenta. Portanto.dee. S. também diminui de acordo com o princípio do divisor de tensão (Equação 4. VS. a tensão nos terminais do capacitor.br HP: www.16 mostra a variação da magnitude da tensão VS com a freqüência. i.. pois não há queda de tensão no resistor. a tensão de Profa Ruth P. 16: Resposta linear da tensão de saída à variação de freqüência. À medida que a freqüência de entrada aumenta. a reatância capacitiva diminui. VS). VS. Leão Email: rleao@dee.br/~rleao .4-17 VE=10V ~ R C VS Figura 4. Como visto na Figura 4.

tipo uma função degrau: ganho um na sua região de banda passante (domínio de frequência do filtro) e ganho zero fora desta região. Figura 4. A Figura 4.18: Resposta de Filtro Passa Baixa Ideal.15 com o gráfico da magnitude da tensão de saída versus freqüência. Este filtro RC é portanto uma forma simples de um filtro passa baixa.17 mostra a resposta logaritmica em freqüência do circuito de um filtro passa-baixa da Figura 4.ufc. Figura 4.ufc.15 a relação entre tensão de saída VS e tensão de entrada VE é obtida aplicando a expressão de divisor de tensão: Profa Ruth P.br HP: www. Como pode ser visto. Para o circuito da Figura 4. Um filtro ideal seria um filtro que apresentasse uma variação abrupta.4-18 saída decresce quando a freqüência aumenta. S.dee.br/~rleao .17: Resposta da tensão de saída à variação de freqüência de filtro RC passa baixa. as freqüências baixas passam através do circuito com muito menos atenuação do que as freqüências altas. Leão Email: rleao@dee.

a magnitude e o ângulo de fase entre a tensão de saída e de entrada. a saída é zero volts porque o capacitor bloqueia corrente cc.: H (ω ) = 1 1 + jω RC (4.46) Em que VS 1 = VE 1 + jω RC (4. respectivamente. O filtro RC passa baixa é parte da família de filtros passa baixa de 1ª ordem. a tensão nos terminais do resistor é nula.3.ufc. O filtro é dito de 1ª ordem quando o expoente de ω que aparece no denominador de H(ω) é unitário (1 ou -1).4-19 VS = − jX C ⋅ VE R − jX C (4. nota-se que para frequências zero e baixas o ganho será igual ou próximo a unidade.47 define a função de transferência para o filtro RC passa baixa.49 que define o ganho do filtro. Leão Email: rleao@dee. i. pois.48) H(ω) é complexo e portanto tem uma magnitude e um ângulo.49) ⎛ R ⎞ ∠H (ω ) = φ = tg −1 ⎜ ⎟ ⎝ XC ⎠ (4.ufc.4.2 Filtro Passa-Alta No filtro passa alta a saída é tomada sobre o resistor como no circuito defasador adiantado.50) Pela Eq. portanto.dee.e.br HP: www. Circuitos passaalta são. S. 4. H (ω ) = GV = 1 1 + (ω RC ) 2 (4. 4. 4. eliminadores de corrente contínua. Quando a tensão de entrada é cc.47) A Eq.br/~rleao . Profa Ruth P. que definem.

S. Para um determinado valor de freqüência em que a reatância é desprezível comparada à resistência. Para o circuito da Figura 4. Figura 4. A resposta em freqüência de um filtro passa-alta é mostrada na Figura 4. Leão Email: rleao@dee.br/~rleao . A curva resposta mostra que a saída aumenta quando a freqüência aumenta e então estabiliza-se aproximandose da tensão de entrada. a tensão de entrada é praticamente aplicada aos terminais do resistor.4-20 VE ~ C R VS Figura 4. Profa Ruth P.20 com o gráfico da magnitude da tensão de saída versus a freqüência.19: Circuito RC série como filtro passa alta.ufc.19.20: Resposta da tensão de saída à variação de freqüência de filtro RC passa alta. Portanto. a tensão de saída aumenta. O circuito tende a impedir que baixas freqüências surjam na saída mas permite que altas freqüências passem da entrada para a saída.br HP: www.dee. à medida que a freqüência cresce.ufc. este circuito RC é um filtro básico passa alta.

respectivamente.ufc.e.br HP: www. i. que definem.ufc. Leão Email: rleao@dee. S. H (ω ) = GV = 1 ⎛ 1 ⎞ 1+ ⎜ ⎟ ⎝ ω RC ⎠ 2 (4.52 define a função de transferência para o filtro RC passa baixa.: H (ω ) = 1 1 − j (1 ω RC ) (4. H(ω) em (4.53) que caracteriza uma filtro passa alta de 1ª ordem (expoente de ω é -1). 4. A relação entre tensão de saída VS e tensão de entrada VE é obtida aplicando a expressão de divisor de tensão: VS = R ⋅ VE R − jX C (4.dee.54) ⎛X ⎞ ∠H (ω ) = φ = tg −1 ⎜ C ⎟ ⎝ R ⎠ (4.4-21 Figura 4.53) é complexo e portanto tem uma magnitude e um ângulo.21: Resposta de Filtro Passa Alta Ideal.52) A Eq.br/~rleao .55) Profa Ruth P. a magnitude e o ângulo de fase entre a tensão de saída e de entrada.51) Em que VS 1 = VE 1 − j X C R (4.

uma para baixa.br HP: www.3 Freqüência de Corte e Largura de Faixa de um Filtro A freqüência que torna a reatância capacitiva igual à resistência em um filtro RC passa baixa ou passa alta é denominada de freqüência de corte e é designada por ωc.4. Um modo de compreender estas relações causa-efeito é se voltar ao tempo que o capacitor leva Profa Ruth P. 4.56) ou ωc = 1 τ (4. Leão Email: rleao@dee. e outra para altas frequências.3. S. 4.58) uma vez que na frequência de corte Xc=R.ufc.ufc.br/~rleao . O ganho do circuito quando ω=ωc é igual a: H (ωc ) = GV = 1 2 (4. A Eq.4-22 Os dois filtros que já se conhece (filtros RC passa-alta e passabaixa) quando "acoplados" operam buscando obter uma região intermediária.57 indica que para constantes de tempo altas a frequência de corte é pequena e para constantes de tempo baixas a frequência de corte é alta.57) em que τ representa a constante de tempo do circuito RC. a região da banda passante. com "ganho" e duas regiões de corte. Figura 4.22: Resposta de Filtro RC Ideal Passa Banda. Esta condição é expressa como: 1 =R ωC ⋅ C Portanto ωC = 1 RC (4.dee.

O capacitor leva um período de tempo para carregar e descarregar através do resistor: − A baixas frequências (constante de tempo alta). A saída sobe e desce apenas uma pequena quantia de tempo com relação às subidas e descidas da entrada.7% de seu valor máximo. e todas aquelas abaixo de fC ou ωc são consideradas serem rejeitadas.23: Resposta normalizada de um filtro RC passa-baixa.ufc. O contrário é verdadeiro para um filtro passa-baixa.58. em um filtro passa-alta.br/~rleao . − Como demonstra a Eq. a tensão de saída é 70. Por exemplo.23 ilustra a banda e a freqüência de corte para um filtro passa-baixa. existe tempo apenas para que o capacitor se carregue metade do que poderia se carregar antes. o capacitor tem tempo apenas para uma pequenas carga antes que as entradas invertam sua polaridade. ele atenua as freqüências acima de uma determinada freqüência de corte. existe muito tempo para que o capacitor se carrege até atingir praticamente a mesma tensão que a de entrada. Largura de Banda fC Figura 4. É uma prática padronizada considerar a freqüência de corte como o limite do desempenho de um filtro em termos de freqüências passantes ou rejeitadas. Leão Email: rleao@dee.br HP: www.4-23 para se carregar. A faixa de freqüências que é considerada passante por um filtro é chamada de faixa ou banda de passagem. A Figura 4. Profa Ruth P.ufc. S.dee. todas as freqüências acima de fC ou ωc são consideradas passantes pelo filtro. A altas frequências. A uma frequência dobrada. quando a freqüência é igual a ωC. 4.

este circuito não atua como um filtro no sinal de entrada. como o mostrado na Figura 4. enquanto reatância capacitiva decresce com a freqüência. Portanto. Vale lembrar que indutores reais apresentam resistência de enrolamento. a corrente que circula nos componentes do circuito é a mesma.24. como mostram as formas de onda na Figura 4.5. Leão Email: rleao@dee.dee. Como resultado. Tanto a magnitude como o deslocamento de fase das tensões e correntes dependem dos valores relativos da resistência e da reatância indutiva. Quando existe uma combinação de resistência e de reatância indutiva em um circuito. capacitância entre as espiras. Como nos circuitos RC.br/~rleao . dependendo dos valores de resistência e reatância.4-24 O circuito RC paralelo é geralmente de menor interesse que o circuito série. o ângulo de fase da corrente em relação à tensão fica situado entre 0o e -90º.1 Corrente e Tensão em um Circuito RL Série Em um circuito RL série.5 Circuitos RL Série A análise de circuitos RL e RC são similares.ufc. Isto ocorre em maior parte pelo fato de a tensão de saída Vout ser igual à tensão de entrada Vin. e a tensão no indutor está adiantada da corrente de 90º. entretanto. Profa Ruth P.br HP: www. 4. Quando um circuito é puramente indutivo. com a corrente atrasada da tensão. 4. todas as correntes e tensões em qualquer tipo de circuito RL são senoidais quando a tensão de entrada é senoidal.ufc. o ângulo de fase entre a tensão aplicada e a corrente total é 90º. existe uma diferença de fase de 90º entre a tensão no resistor. e outros fatores que tornam o comportamento do indutor diferente daquele de um componente ideal. esses efeitos podem ser significantes. S. vR. a tensão no resistor está em fase com a corrente. a menos que este seja alimentado por uma fonte de corrente. os indutores serão tratados como ideais. A maior diferença é que as respostas de ângulo de fase são opostas – reatância indutiva cresce com a freqüência.25. e a tensão no indutor vL. Em circuitos práticos. para demonstrar os efeitos indutivos. A indutância causa um deslocamento de fase entre a tensão e a corrente. Assim.

25: Formas de onda da corrente e tensão vR e vL.4-25 VR R VL L VF ~ I Figura 4.2 Impedância e Ângulo de Fase em Circuitos RL Série A impedância de um circuito RL série é determinada pela resistência e retância indutiva. Profa Ruth P. A impedância de qualquer circuito RL é a oposição à corrente senoidal e sua unidade é o ohms (Ω). VL θ VR I VF VF=VR+jVL (4. Aplicando-se a Lei de Kirchhoff para as tensões. a tensão aplicada é igual à soma fasorial da tensão na resistência mais a tensão na reatância indutiva. tem-se que a soma das quedas de tensão é igual à tensão aplicada.br HP: www. e a corrente I no circuito.59) Figura 4. VF. 4. i vR vL Figura 4. Na forma polar. a tensão é dada por: ⎛V 2 2 VF = VR + VL ∠tg −1 ⎜ L ⎜V ⎝ R ⎞ ⎟ ⎟ ⎠ (4.26: Diagrama fasorial em um circuito RL série.ufc. No domínio dos fasores.br/~rleao .5.60) O ângulo θ é a defasagem entre a tensão aplicada.24: Circuito RL série.ufc. Leão Email: rleao@dee.dee. S.

5. Assim.ufc.br/~rleao .dee.3 Variação da Impedância e Ângulo de Fase com a Freqüência O triângulo de impedância é útil para visualizar como a freqüência da fonte de alimentação afeta a resposta do circuito RL. θ = tg −1 ⎜ ⎛ XL ⎞ ⎟ ⎝ R ⎠ 4.br HP: www.63) (4.26. θ também aumenta. Sabe-se que a reatância indutiva varia diretamente com a freqüência.ufc. Leão Email: rleao@dee. e vice-versa. XL θ R Z Z = R 2 + X2 L (4. VF ∠θ I ∠0 = Z ∠θ (4. a magnitude da impedância diminui.4-26 No circuito RL da Figura 4. O ângulo de fase θ também varia diretamente com a freqüência porque θ=tg-1(XL/R). a magnitude da impedância é diretamente dependente da freqüência.27: Triângulo de impedância. a impedância é dada pela soma de R e jXL: Z=R+jXL (4. a magnitude da impedância também aumenta. a representação no plano complexo leva à formação do triângulo de impedância. Quando XL aumenta.65) Figura 4. Quando XL aumenta com a freqüência.61) No Capítulo 3 foi visto que a reatância indutiva é expressa como uma grandeza complexa: XL=jXL Assim. a relação entre a tensão aplicada e a corrente que circula no circuito resulta na impedância do circuito. Profa Ruth P.64) (4. S.62) Como a impedância é uma grandeza complexa. e quando XL diminui.

1 Relação entre Corrente e Tensão em Circuito RL Paralelo Como mostra o circuito RL paralelo da Figura 4. VF.68) A corrente total na forma polar: Profa Ruth P.ufc.67) ⎞ ⎟ ⎟ ⎠ IL I Figura 4. 4.66) (4. A corrente através do indutor está atrasada da tensão e da corrente no resistor de 90º. VF ~ IR R L IL Figura 4. θ = − tg −1 ⎜ ⎜ ⎛ IL ⎝ IR (4. assim. magnitude de Z e θ com a freqüência.6 Circuito RL Paralelo A Figura 4. VR e VL estão em fase e igual magnitude. IR -θ I=IR-jIL I = I2 + I2 R L (4.29. A corrente através do resistor está em fase com a tensão. A tensão aplicada VF é a mesma nos terminais resistivos e reativo.30: Diagrama fasorial das correntes em circuito RL paralelo.29: Circuito RL paralelo. Leão Email: rleao@dee.dee. S.br HP: www. a corrente total. 4.29 mostra um circuito RL paralelo conectado a uma fonte de tensão senoidal.br/~rleao .6.ufc.28: Variação de XL. I. é dividida entre os dois ramais IR e IL.4-27 Z3 Z2 Z1 θ θ1 θ2 3 R XL3 XL2 XL1 f Figura 4.

70) IL I ou I ∠ −θ VF ∠0 =Y Figura 4.31: Diagrama fasorial de corrente e tensão em circuito RL paralelo.ufc. Leão Email: rleao@dee. o coeficiente que relaciona corrente com tensão é denominado admitância cuja unidade é siemens (S).dee.2.71) Com base no diagrama fasorial da Figura 4. o ângulo θ também representa o ângulo de fase entre a corrente total e a tensão aplicada. Profa Ruth P.br HP: www.ufc. a corrente total I pode ainda ser obtida pela relação: I= 1 1 ⋅ VR ∠0 + ⋅ VL ∠0 R∠0 X L ∠90 ⎛1 1 ⎞ ⎟ ⋅ VF ∠0 =⎜ −j ⎜R XL ⎟ ⎠ ⎝ (4.74) A admitância de um circuito RL paralelo é formada por condutância e susceptância indutiva.73) Como visto na seção 4.29 pode ser representado em termos de sua admitância como mostra a Figura 4. VL = Z ∠θ (4. Y=G-jBL (4.br/~rleao . VR. VF ∠0 I ∠ −θ -θ IR VF. O circuito da Figura 4. o recíproco da resistência é a condutância.69) Como a corrente no resistor e a tensão aplicada estão em fase.72) Como visto no Capítulo 3. Assim: I = (G − jB L ) ⋅ VF ∠0 (4. e da reatância indutiva é a susceptância indutiva.32. S.31. (4.4-28 ⎛I I = I 2 + I 2 ∠ − tg −1 ⎜ L R L ⎜I ⎝ R ⎞ ⎟ ⎟ ⎠ (4.

EQ Figura 4. tem-se que a impedância equivalente série do circuito da Figura 4.EQ = BL G + B2 L 2 (4.81) ou Profa Ruth P.br HP: www.4-29 G -θ VF ~ G BL Figura 4. BL Y Como a impedância é o inverso da admitância.80) e θ = 90 − tg −1 ⎜ (4.dee.79) em que (4.77) em que R EQ = G G + B2 L 2 e X L .33: Circuitos equivalentes A impedância equivalente pode ainda ser expressa em termos de R e XL do circuito RL paralelo. Leão Email: rleao@dee. S. Z= R ⋅ jX L X2 R2 = 2 +j 2 L 2 R + jX L R + X 2 R + XL L Z= R ⋅ XL R 2 + X2 L ⎛ XL ⎞ ⎟ ⎝ R ⎠ (4.78) REQ VF ~ R XL VF ~ G BL VF ~ XL.ufc.ufc.32: Admitância em circuito RL paralelo.76) (4.32 é dada por: Z= 1 1 = Y G − jB L B G +j 2 L 2 2 G + BL G + BL 2 (4.75) Z= (4.br/~rleao .

6. Em um circuito puramente indutivo. toda energia entregue pela fonte é dissipada pela resistência na forma de calor.83) e X EQ = (4. parte da energia oscila entre o componente armazenador de energia e a fonte e outra parte da energia é convertida em calor. 4. potência no resistor e potência no indutor.1 e 4. em um circuito RL a corrente total está atrasada da tensão resultante de um ângulo θ.7 Potência em Circuitos RL Em um circuito puramente resistivo. S P QL Figura 4.4-30 θ = tg −1 ⎜ ⎜ ⎛ R ⎝ XL ⎞ ⎟ ⎟ ⎠ (4.ufc. Quando em um circuito existe a presença de ambos.1 Triângulo de Potência em Circuitos RL Como visto nas seções 4. resistor e indutor. S.br HP: www.1. toda a energia entregue pela fonte é armazenada pelo indutor em seu campo magnético durante parte do ciclo da tensão e então é devolvida à fonte durante outra parte do ciclo da tensão. O valor da energia convertida em calor depende dos valores relativos de resistência e de reatância indutiva.34: Potência total.br/~rleao .82) Assim R EQ = R2 R 2 + X2 L X2 L 2 R + X2 L (4. tomando-se a tensão da fonte como referência angular.7. Assim. |V|∠0o e a corrente entregue pela fonte atrasada da tensão de um ângulo θ.5.ufc. de tal maneira que não há conversão de energia.84) 4.dee. Profa Ruth P. Leão Email: rleao@dee.

br HP: www.dee.85 pode ser escrita na forma retangular: S = V ⋅ I ⋅ cos θ + j V ⋅ I ⋅ senθ (4. P = S ⋅ cos θ Q L = j S ⋅ senθ (4. e a potência total pela potência aparente complexa.35.89) e S = P + jQ L = S ∠θ O triângulo de potência é ilustrado na Figura 4.|I|∠-θ S=|V|. tem-se que: S = V ⋅ I * = V ∠0 ⋅ ( I ∠θ ) = V ⋅ I ∠θ = S ∠θ ( ) (4. QL Vale salientar que se a potência em um circuito fosse calculada simplesmente pelo produto da tensão e corrente (sem o conjugado).1: Cálculo da potência complexa Circuito indutivo S=V. o sinal da potência reativa calculada dependeria da referência considerada.88) (4. Leão Email: rleao@dee. Assim.|I|∠+θ o I=|I|∠0 Referência: Tensão V=|V|∠0o S=|V|.br/~rleao . tensão ou corrente.4-31 |I|∠-θ.I* Referência: Corrente V=|V|∠θ S=|V|.86) A potência média da potência útil é representada pela parte real e a potência reativa indutiva pela parte imaginária. S.I S=V.|I|∠+θ I=|I|∠-θ A mesma consideração mostrada na Tabela 4. Tabela 4.87) (4.ufc. Profa Ruth P.35: Triângulo de potência de circuitos RL. e considerando que potência é obtida pelo produto entre tensão e corrente.|I|∠+θ S=|V|. S θ P Figura 4.1 ocorre para os circuitos RC.85) A Equação 4.ufc.

0. Muitas cargas têm indutância como resultado da função que realizam.36. a mesma quantidade de trabalho é realizado pela duas cargas. sendo essencial para sua operação.2 Fator de Potência de Deslocamento O fator de potência é um importante indicador da parcela de potência que é transferida à carga para realizar trabalho. como por exemplo.br HP: www. a carga com o FPD mais baixo solicita da fonte uma maior quantidade de corrente do que a carga com maior FPD. transformadores. Energia deve ser usada para produzir trabalho. Potência útil é unidirecional – direção fonte→carga – e realiza trabalho na carga em termos de conversão de energia. A figura mostra uma representação de uma carga indutiva típica que consiste de indutância e resistência em paralelo. os condutores que alimentam a carga de menor FPD deve ter uma maior bitola. alto-falante.95 ind 120 V ~ 120 V ~ Figura 4. motores elétricos.ufc.175A 20 W Carga FPD=0. Portanto.br/~rleao .75 ind 0. A ilustração demonstra que um maior FPD é uma vantagem no fornecimento mais eficiente de potência a uma carga. Leão Email: rleao@dee. etc. Portanto. S. Embora o trabalho realizado seja o mesmo.4-32 4.ufc. toda a corrente de carga é defasada de 90º da tensão.dee. o que indica que toda a corrente que alimenta a carga está em fase com a tensão. condição esta que se torna significante quando longas linhas são necessárias. a fonte da carga de mais baixo FPD deve ter uma maior potência aparente nominal. como indicado pelo Wattímetro. Potência reativa simplesmente oscila entre fonte e carga com um trabalho líquido nulo.36: Efeito do FPD sobre o sistema.22A 20 W Carga FPD=0. considere o exemplo mostrado na Figura 4. As duas cargas dissipam a mesma potência útil (20 W). Em geral. é desejável um FPD o mais próximo da unidade pois significa que a maioria da potência transferida da fonte para a carga é potência útil. O maior valor para o fator de potência de deslocamento é 1. Quando o fator de potência de deslocamento é 0. Para ilustrar o efeito do fator de potência sobre o sistema. Além disso.7. Profa Ruth P.

Profa Ruth P. 4. como ilustrado na figura.37. A Figura 4. S. Note que um circuito RC adiantado.8.38 mostra um circuito RL série com a tensão de saída Vs tomada sobre o indutor.1 Circuito RL Adiantado O circuito RL adiantado é um circuito defasador em que a tensão de saída está adiantada da tensão de entrada de um certo valor especificado. I θ VF IR ~ R XL IL I (a) I’ VF IC R XL C ~ θ I’ IL IR (b) Figura 4. Leão Email: rleao@dee. O capacitor compensa o defasamento em atraso da corrente total em relação à tensão aplicada criando uma componente capacitiva de corrente que é 180º defasada com a componente indutiva.ufc.8 Aplicações de Circuitos RL As aplicações básicas de circuitos RL são como circuitos defasadores e circuitos seletores de freqüência.dee. como mostra a Figura 4. aumenta o fator de potência de deslocamento e reduz a corrente total. quando a saída é tomada sobre o capacitor o circuito RC série comporta-se como defasador atrasado.3 Correção de Fator de Potência de Deslocamento O fator de potência de deslocamento de uma carga pode ser aumentado pela adição de um capacitor em paralelo.ufc.7.4-33 4.37: Melhoria do FPD com a adição de capacitor. 4. VE. Isto tem um efeito de compensação: reduz o ângulo de fase. a saída foi tomada sobre o resistor.br HP: www. A fonte de tensão é a entrada.br/~rleao .

o ângulo de fase entre a tensão no indutor (tensão de saída) e a tensão de entrada é a diferença entre 90º e θ. tem-se um circuito básico adiantado. S. Como θ=tg-1(XL/R).br HP: www. bem como a magnitude da tensão de entrada.39: Formas de onda da tensão de saída (adiantada) e entrada (atrasada). Leão Email: rleao@dee.ufc.90 mostra que a tensão de saída está adiantada de um ângulo igual a (90º . θ é também o ângulo entre a tensão no resistor e a tensão de entrada. designada por φ. A diferença de fase entre VE e VS.39: Circuito e diagrama fasorial RL adiantado. Assim.90) A Equação 4.ufc.br/~rleao . o ângulo φ entre saída e entrada pode ser expresso como: Profa Ruth P.dee. Vs = X ∠90 X jX L ⋅ VE = L ⋅ VE = L ⋅ VE ∠ 90 − θ R + jX L Z ∠θ Z ( ) (4. Como VL está adiantado de VR de 90º. VE VS Figura 4. verifica-se uma relação similar à vista na Figura 4. como mostra o diagrama fasorial da Figura 4.θ) com relação à tensão de entrada. Quando as formas de onda da entrada e da saída do circuito RL adiantado são mostradas no osciloscópio. Sabe-se que θ é o ângulo entre a corrente e a tensão de entrada. depende dos valores relativos de reatância indutiva e de resistência.38.4-34 R VS (VL) L VE θ VE ~ VS φ VR Figura 4.39. porque VR e I estão em fase.

br HP: www. quando XL→∞ o defasamento tende a 90º e o tempo correspondente depende da frequência do sinal. diz-se que o circuito é atrasado.e.4-35 φ = 90 − tg −1 ⎜ ⎛ R ⎝ XL ⎞ ⎟ ⎟ ⎠ ⎛ XL ⎞ ⎟ ⎝ R ⎠ (4.92) O ângulo φ entre a saída e entrada é sempre positivo. quando R=0 as tensão VS e VE ficam em fase.br/~rleao . A magnitude de VS pode ser obtida considerando o circuito da Figura 4.93) A magnitude da tensão de saída pode também ser calculada pela Lei de Ohm. Profa Ruth P. Leão Email: rleao@dee. ⎛ XL VS = ⎜ ⎜ R 2 + X2 L ⎝ ⎞ ⎟⋅ V ⎟ E ⎠ (4. No entanto.38 como um divisor de tensão. como mostra a Figura 4.ufc. Quando a saída de um circuito RL série é tomada sobre o resistor invés do indutor.8.40. S.dee. indicando que a tensão de saída está adiantada da tensão de entrada. VS = X L ⋅ I (4.ufc.2 Circuito RL Atrasado O circuito RL atrasado é um circuito defasador em que a tensão de saída está atrasada da tensão de entrada. toda tensão de entrada está aplicada sobre o indutor. O adiantamento depende dos parâmetros R e XL..94) O fasor tensão de saída no circuito RL adiantado é então: VS = VS ∠φ (4.95) 4.91) φ = tg −1 ⎜ ⎜ (4. i.

As formas de onda de VE e VS também são apresentadas na Figura 4. o ângulo φ da tensão de saída com relação à tensão de entrada é igual a -θ.br/~rleao . a corrente é atrasada da tensão de entrada. Quando a tensão de entrada é tomada como referência angular. diagrama fasorial e formas de onda. Como em um circuito adiantado. φ = − tg −1 ⎜ ⎛ XL ⎞ ⎟ ⎝ R ⎠ (4. a diferença de fase entre entrada e saída e a magnitude da tensão de saída dependem dos valores relativos de resistência e reatância indutiva.dee. a saída é atrasada da entrada. Leão Email: rleao@dee. Como a tensão de saída é tomada sobre o resistor. porque a tensão no resistor (saída) e a corrente estão em fase.40.99) Profa Ruth P.96) O ângulo é negativo porque a saída está atrasada da entrada. |VE|∠0o. Em um circuito RL série.98) ou VS = R ⋅ I A tensão de saída em forma polar: VS = VS ∠ − φ (4. como indicado pelo diagrama fasorial da Figura 4.ufc.ufc. A magnitude da tensão de saída é obtida por: ⎛ R VS = ⎜ ⎜ R 2 + X2 L ⎝ ⎞ ⎟⋅ V ⎟ E ⎠ (4.97) (4.4-36 VE VL L VE φ VS VE ~ (a) R VS VS (b) (c) Figura 4.br HP: www.40: Circuito.40 (c). S.

ufc. Figura 4.103) ∠H (ω ) = tg −1 (ω L R ) Profa Ruth P.100) com a função de transferência no domínio da frequência dada por: H (ω ) = R R + jω L 1 = 1 + j (ω L R ) (4.3. Leão Email: rleao@dee.4-37 4.br HP: www.102) (4.br/~rleao .8. A relação entre tensão de saída e de entrada é dada por: VS = R ⋅ VE R + jω L (4. os circuitos RL série também apresentam a caracterísitca de seletividade em freqüência e portanto agem como filtros.dee.8. S.ufc.41: Resposta em freqüência de filtro RL passa-baixa.101) resultando no ganho de tensão e de ângulo: GV = H (ω ) = 1 1 + (ω L R ) 2 (4.3 Circuito RL como Filtro Como os circuitos RC. 4.1 Filtro Passa-Baixa Um circuito RL série atrasado (saída sobre R) atua como um filtro passa-baixa com a magnitude e ângulo da tensão de saída variando com a freqüência.

ufc. e a tensão de entrada é toda aplicada sobre o resistor. VS=VE.br/~rleao . a reatância indutiva cresce. Portanto. Na frequência de corte: H ( ωc ) = 1 1 + (ω c L R ) 2 = 1 2 (4. i.é.dee. À medida que a freqüência do sinal de entrada aumenta. Leão Email: rleao@dee. Quando a tensão de entrada é CC.104) De modo que.br HP: www..3. Pela Figura 4.. 1 + (ω c L R ) = 2 ∴ 2 ω c= R L (4. a reatância indutiva cresce. o ganho |H(ω)| é máximo. Portanto.105) 4.2 Filtro Passa-Alta Em um filtro RL passa-alta. comparada à resistência.8. Como a resistência é constante.Quando a freqüência do sinal de entrada é zero. i.41 é visto que freqüências baixas passam através do circuito com muito mais facilidade que freqüências mais altas. o circuito deixa passar todo o sinal de entrada para a saída. Como a Profa Ruth P. |H(ω)| diminui quando ω cresce. este circuito permite passar sinais de baixa frequência enquanto bloqueia sinais de alta frequência. S.ufc. a tensão nos terminais do indutor tende a crescer e a tensão nos terminais do resistor (saída) tende a decrescer.4-38 . a saída é nula porque o indutor apresenta-se como um curto-circuito. o indutor atua como um curto-circuito a uma corrente cc. que a tensão de saída torna-se desprezível em relação à tensão de entrada. a saída é tomada sobre o indutor. A freqüência pode ser acrescida até alcançar um valor em que a reatância é tão grande. Sob esta condição de ω=0. reduz a amplitude da tensão de sinais de alta frequência. .e. aproximando-se de zero quando a freqüência é muito alta.À medida que a freqüência do sinal de entrada aumenta. Assim. A referência que define "baixa" e "alta" frequências é dada pela frequência de corte – "baixa" frequências significando muito menor que ωc.

43 é apresenta a resposta em freqüência do filtro passbaixa e do filtro passa-alta. Para um determinado valor de freqüência. O circuito RL com saída sobre o indutor tende a bloquear os sinais de baixa freqüência e tendem a deixar passar para a saída os sinais de alta freqüência. a tensão nos terminais do resistor diminui com o aumento da freqüência e a tensão de saída (no indutor) aumenta. a ponto de uma completa transferência do sinal de entrada para a saída.7% da tensão de entrada.dee.4-39 resistência é constante.br/~rleao . A resposta em freqüência do filtro RL passa-alta é mostrada na Figura 4. Profa Ruth P. comparada à resistência. O ponto de interseção das curvas corresponde à freqüência de corte em que a tensão de saída é igual a 70.ufc. Leão Email: rleao@dee. a tensão de saída cresce com o aumento da freqüência. Figura 4. Na Figura 4. S.br HP: www.42.ufc. Ou seja. a reatância indutiva é tão grande.42: Resposta em freqüência de filtro RL passa-alta.

Leão Email: rleao@dee. adianta a corrente em relação à tensão. 4. 4.ufc. A reatância total de um circuito série é então: Profa Ruth P. Assim XL e XC tendem contrabalançar uma a outra. cada um dos filtros apresenta duas freqüências de corte. Quando são iguais.44: Resposta em freqüência de filtro passa-faixa e rejeita-faixa ideais. S. Nestes casos.9 Circuitos RLC Um circuito RLC contém ambos. indutância e capacitância. a reatância indutiva (XL) causa um atraso na corrente em relação à tensão aplicada. então o filtro pode ser classificado como passa faixa ou rejeita faixa. Quando as freqüências de corte não coincidem.ufc. Figura 4.dee.br HP: www. a reatância total é menor do que a maior reatância individual.9.1 Circuito RLC Série Como visto anteriormente.é.br/~rleao ..43: Resposta em freqüência de filtro RL passa-baixa e passa-alta.4-40 7. se anulam. A reatância capacitiva (XC) apresenta o efeito oposto.07V fC Figura 4. e a reatância total é zero. i. Como a reatância indutiva e capacitiva têm efeitos opostos no ângulo de fase de um circuito.

vR.46 mostra que a tensão no indutor e no capacitor estão em oposição de fase. Seja o circuito RLC série mostrado na Figura 4. está adiantada da tensão no capacitor. S. a Equação 4. por sua vez. Leão Email: rleao@dee.106) Quando XL>XC.45 e suas formas de onda de tensão em cada um dos componentes do circuito. a corrente do circuito é atrasada em relação à tensão aplicada.46: Tensão sobre resistor. o circuito é predominantemente indutivo. o circuito é predominantemente capacitivo. indutor e capacitor em circuito RLC série. vL e vC mostradas na Figura 4.br HP: www. vL vR vC Figura 4. Quando XC>XL. e por sua vez.br/~rleao .46..dee. i. A Figura 4. defasadas de 180º.107 pode ser re-escrita como: Profa Ruth P. a corrente do circuito é adiantada da tensão aplicada. Figura 4.45: Circuito RLC série. Pela Lei de Kirchhoff aplicada às tensões tem-se que: V = VR + jVL − jVC (4. neste caso embora haja a presença de ambos componentes reativos.ufc.107) Como a corrente é a mesma em todos os componentes do circuito RLC série.é.ufc.4-41 X T = jX L − jX C (4. As curvas mostram ainda que a tensão no indutor está adiantada da tensão no resistor que.

denotando o fato de um circuito com característica resultante indutiva.46. A Figura 4. o que equivale a um circuito predominantemente indutivo (corrente atrasada) ou capacitivo (corrente adiantada). com a corrente atrasada da tensão aplicada.48: Diagrama fasorial de impedância para circuito RLC série.ufc. portanto. Profa Ruth P.109) O diagrama fasorial para as tensões e impedância resultam em triângulos semelhantes.4-42 Z = R + jX L − jX C (4.dee.br HP: www. respectivamente. S. Leão Email: rleao@dee. nota-se que a tensão sobre o indutor é maior que a tensão sobre o capacitor.ufc.49 apresenta a condição de um circuito predominantemente indutivo.107 e 4.br/~rleao .108) A representação fasorial da Equação 4.47: Triângulo das Componentes de Tensão e Impedância de Circuito RLC Série A impedância total de um circuito RLC série expressa na forma polar: ⎛X ⎞ 2 Z = R 2 + (X L − X C ) ∠ ± tg −1 ⎜ T ⎟ ⎝ R ⎠ = Z∠ ±θ (4. O ângulo da impedância total depende dos parâmetros do circuito e pode ser positivo ou negativo. 2 ⏐V⏐ θ ⏐VR⏐ ⏐VX⏐ 1 ⎞ ⎛ R 2 + ⎜ ωL − ⎟ ⎝ ωC ⎠ (ωL –1/ωC) θ R Figura 4. jXL jXT -jXC θ R Z jXL R -jXT -jXC -θ Z Figura 4. Pela Figura 4.108 mostra que a tensão e a impedância formam triângulos semelhantes.

ou seja. resultado da diferença de defasamento no tempo entre a onda de tensão e onda de corrente.br HP: www. Z= Vp Ip = 10 = 4.ufc.49: Tensão e corrente em circuito RLC série. denota uma corrente atrasada da tensão. circuito predominantemente indutivo.4-43 v i Figura 4.dee. Na Figura 4. a diferença entre os tempos corresponde à metade do período da onda.61∠28.61Ω 2.49 tem-se os valores máximos subsequentes de (t. Profa Ruth P. S.43 é igual a Z=4.17 (4.110) O ângulo da impedância é obtido por: Δt ≡ θ T ≡ 360 ∴ θ= 1 ⋅ (t v − t i ) ⋅ 360 T = 60 ⋅ (0.111) O ângulo negativo.49 é possível também calcular a freqüência da onda.3ºΩ. v) e (t.br/~rleao . a impedância total do circuito da Figura 4.038806 ) ⋅ 360 = −28.3 (4. por exemplo. os tempos correspondentes a dois valores de pico subsequentes.037496 − 0. Leão Email: rleao@dee. Assim. i) com os quais pode-se calcular o valor da impedância total do circuito.ufc. basta conhecer. Pelo gráfico das ondas da Figura 4.

ativa. S P QL QC Figura 4.9. bidirecional.112) (4. Profa Ruth P. Nota-se que a potência instântanea útil P é composta por um termo constante VEF.50.cosθ que é a média da potência instantânea útil e por um termo alternado tornando-a unidirecional. e valor de pico igual a VEF.114) As potências no circuito RLC série são mostradas na Figura 4.IEF. ⎡ sen (ω t+ϕ ) .ufc. Leão Email: rleao@dee.1.dee.br HP: www. S.1 Potência em Circuito RLC A potência entregue pela fonte ao circuito RLC com corrente i = I p sen (ωt + ϕ ) e tensão v = V p sen (ωt + ϕ ± θ ) é dada por: p ( t ) = V p I p sen (ω t+ϕ ) .ufc.br/~rleao . 045837 4.IEF. A potência reativa Q é alternada.senθ. com média nula.cosθ ± senθ ⋅ cos (ω t+ϕ ) ⎤ ⎣ ⎦ p ( t ) = V p I p cosθ ⋅ sen 2 (ω t+ϕ ) ± V p I p senθ ⋅ sen (ω t+ϕ ) ⋅ cos (ω t+ϕ ) 1 1 = V p I p cosθ ⋅ ⎡1 − cos ( 2 (ω t+ϕ ) ) ⎤ ± V p I p senθ ⋅ sen ( 2 (ω t+ϕ ) ) ⎣ ⎦ 2 2 = VEF I EF cosθ ⋅ ⎡1 − cos ( 2 (ω t+ϕ ) ) ⎤ ± VEF I EF senθ ⋅ sen ( 2 (ω t+ϕ ) ) ⎣ ⎦ (4. 037496 − 0. reativa indutiva e reativa capacitiva.50: Potência total.113) 1 2 ⋅ tmax − tmin f = 1 ≅ 60 Hz 2 ⋅ 0.4-44 T = t max − t min 2 f = (4.

diminuindo a contribuição da fonte. e o ângulo da impedância será positivo. mas parte da potência entregue ao circuito é devolvida à fonte. A potência dissipada no resitor. S. S.br/~rleao . Parte da potência absorvida pelo indutor é suprida pelo capacitor e o restante é suprida pela fonte. S P QL QC QL-QC Figura 4.ufc. Leão Email: rleao@dee.51 é menor do 1 e é atrasado.dee. − Profa Ruth P. o que imprime ao circuito uma caracterísitca predominantemente indutiva.51: Compensação de potência reativa no circuito.ufc. A presença de dispositivos reativos de ângulos de fase opostos contribui para a compensação de reativos no circuito. Se ωL > 1/ωC o circuito apresenta características indutivas. é maior que a potência reativa capacitiva. QL.br HP: www. Na figura. a potência reativa indutiva. Considerações: − Em um circuito RLC série a tensão resultante está defasada de θ em relação à corrente. QL e QC são alternadas e fasorialmente opostas. O fator de potência de deslocamento do circuito da Figura 4. é unidericional. a tensão estará adiantada de θ em relação à corrente. entregue ao circuito não é unidirecional. QC. P. e a potência reativa suprida pelo capacitor (QC).4-45 Pela figura nota-se ainda que a potência total.51 mostra a potência suprida pela fonte (QL-QC) ao indutor. no entanto. A Figura 4.

S. i. tem-se a admitância do circuito. e o ângulo da impedância será negativo.115) Dividindo a Equação 4. a tensão estará atrasada de θ em relação à corrente. Y= 1 1 1 + + R∠0 X L ∠90 X C ∠ − 90 ou Y = G + jBC − jBL = Y ∠ ∓ θ (4.52: Circuito RLC paralelo e o diagrama fasorial das correntes. o ângulo da admitância é negativo.ufc. quando o ângulo da impedância total é positivo..115 pela tensão. portanto.br HP: www.116) A impedância total do circuito pode ser calculada por: Z= 1 1 = Y G + j(B C − B L ) Verifica-se. A corrente total é dada pela soma fasorial da corrente em cada componente: I = I R + jI C − jI L (4.4-46 − Se ωL<1/ωC o circuito apresenta características capacitivas.é.br/~rleao .ufc.2 Circuito RLC Paralelo A Figura 4. Quando o ângulo da impedância total é Profa Ruth P.117) isto é.52 mostra um circuito RLC paralelo.dee. jIC VF jIC ou IR IR -jIL -jIL ~ R XL XC Figura 4. que: Z∠ ±θ = 1 Y∠∓θ (4.9. 4. nestas circunstâncias. Leão Email: rleao@dee. indica que o circuito é predominantemente indutivo e a corrente resultante está atrasada da tensão aplicada.

a potência útil P e reativa Q são positivas.dee. o ângulo da admitância é positivo por tratar-se de condição predominatemente capacitiva.|I|. Leão Email: rleao@dee.119) Considere as seguintes condições de operação de um circuito. Lembrando que potência últil e potência reativa são expressas como: e P=|V|. A corrente está atrasada da tensão.sen(θv-θi) (4.53: Potência ativa e reativa positiva. b) Ângulo de defasagem no 2o quadrante: V P Circuito I Q Fig. A potência em um circuito RLC paralelo é calculada pela Equação 4. Significa dizer que há consumo de energia ativa e reativa indutiva.93 obtida para circuitos RLC série.cos(θv-θi) Q=|V|.54: Potência ativa positiva e potência reativa negativa.4-47 negativo.ufc. 4. 0o ≤ θ ≤ 90º. a) Ângulo de defasagem no 1o quadrante: V P Circuito I Q Figura 4. Profa Ruth P.4.br HP: www.10 Fluxo de Potência Com a disseminação das fontes de geração distribuída torna-se importante e necessário o entendimento do sentido do fluxo de potência.|I|. S.br/~rleao .ufc. Se θ está situado no primeiro quadrante.118) (4.

4-48 Se θ está situado no 2o quadrante.dee.br HP: www.br/~rleao . d) Ângulo de defasagem no 4o quadrante: P Circuito I V Q Figura 4.55: Potência ativa e reativa negativa.ufc. a potência útil P é negativa e a potência reativa Q é positiva. Quando a abertura angular entre tensão e corrente está compreendida entre -90º ≤ θ ≤ 90º. Corrente adiantada da tensão. A potência útil. a potência útil P é positiva e a potência reativa Q é negativa. Leão Email: rleao@dee.56: Potência ativa positiva e potência reativa negativa. a potência útil P é negativa e a potência reativa Q é negativa. Por outro lado. Corrente atrasada da tensão. S. Se θ está situado no 3o quadrante. 270o ≤ θ ≤ 360º. e é considerada negativa. e quando 90º ≤ θ ≤ 270º ocorre geração de potência útil. pode tanto ser consumida como fornecida. a potência útil é absorvida. Significa dizer que o circuito importa ou absorve energia útil e fornece energia reativa capacitiva. 180o ≤ θ ≤ 270º. por sua vez. Significa dizer que o circuito exporta energia útil e energia reativa capacitiva. Significa dizer que o circuito exporta energia útil e consome potência reativa indutiva.ufc. para a condição de corrente adiantada da tensão a potência reativa é fornecida. Note que para a condição de corrente atrasada da tensão ocorre sempre o consumo de potência reativa. A potência reativa consumida é indutiva e a ela é associada o sinal positivo. c) Ângulo de defasagem no 3o quadrante: P Circuito I V Q Figura 4. Profa Ruth P. 90o ≤ θ ≤ 180º. Corrente adiantada da tensão. Se θ está situado no 4o quadrante.

1 Indutância Mútua Quando uma bobina alimentada por uma fonte c. que ocorre quando duas ou mais bobinas são colocadas próximas uma das outras.m) induzida na segunda bobina devido ao fluxo variável que concatena as duas bobinas.dee.a.ufc. υ p (t ) = 2V p sen(ωt ) (4. A operação do transformador é baseada no princípio da indutância mútua. Como não há contato elétrico entre as duas bobinas magneticamente acopladas. respectivamente. A bobina de primário é alimentada por uma fonte de tensão e à bobina de secudário é conectada a carga. em que Vp representa o valor eficaz de υp(t) e ω a freqüência angular da tensão. Um transformador em geral tem duas bobinas denominadas de bobina de primário e bobina de secunário. A bobina do primário é acoplada eletromagneticamente à bobina do secundário através da indutância mútua. um campo magnético variável causará uma força eletromotriz (f.11. Seja υp(t) a tensão aplicada à bobina do primário.11 Transformadores Os transformadores são equipamentos normalmente usados na distribuição e transmissão de energia elétrica. Leão Email: rleao@dee. 4. 4.4-49 PQ+ P+ Q+ PQ- P+ Q- Figura 4. é colocada próxima a uma outra bobina.57: Fluxo de Potência. a transferência de energia de uma bobina para outra se dá em uma situação de completa isolação elétrica.e.br/~rleao .ufc. S. Cada bobina tem um certo número de espiras.120) Profa Ruth P.br HP: www. O fator de potência (P/|S|) para a condição de potência útil negativa (gerando) varia entre -1 e 0. em fontes eletronicas de potência e para acoplamento de sinais em sistemas de comunicação. representada por Np e Ns.

Profa Ruth P.br HP: www.m. A corrente alternada ip(t) que alimenta a bobina de primário produz um fluxo magnético φ(t) cuja variação no tempo causa uma f. S. O valor da f. Leão Email: rleao@dee.e.58: Transformador de dois enrolamentos.123) em que L representa a variação do fluxo com a corrente.122) Re-escrevendo a variação do fluxo no tempo. A indutância mútua é estabelecida pela indutância de cada bobina (L1 e L2) e pelo coeficiente de acoplamento k entre as duas bobinas. definida como indutância.121) es (t ) = − N s ⋅ dφ dt = − Es ⋅ sen(ωt ) (4. tem-se que: dφ dφ di = ⋅ dt di dt di = L⋅ dt (4.ufc. definidas como: e p (t ) = − N p ⋅ dφ dt = − E p ⋅ sen(ωt ) (4.dee.ufc. induzida nas bobinas de primário e de secundário.br/~rleao .e.m induzida nas bobinas depende da indutancia mútua L entre as duas bobinas.4-50 Lp Ls Figura 4.

4-51 Para maximizar o acoplamento.ufc.11. e as indutâncias prórpias L1 e L2. as duas bobinas são enroladas em um núcleo comum. O coeficiente de acoplamento depende da proximidade física das bobinas e do tipo de material do núcleo sobre o qual as bobinas estão enroladas. A unidade de fluxo magnético é weber (Wb). 4.11.ufc. os três fatores que têm influência sobre a indutância mútua L são: coeficiente de acoplamento k.2 Coeficiente de Acoplamento O coeficiente de acoplamento k entre duas bobinas é a razão entre o fluxo magnético (linhas de força) produzido pela bobina do primário que concatena a bobina do secundário (φ) pelo fluxo total produzido pela bobina do primário (φp). k= φ φp (4.124) Note que k representa a parcela de fluxo que alcança a bobina do secundário do transformador.4 Tipos de Transformadores Os elementos básicos de um transformador são as bobinas e o núcleo. A bobina de primário é a bobina de entrada e a bobina de secundário é a bobina de saída. Profa Ruth P.dee. e estão relacionados por: L = k L1 L2 (4. O núcleo de um transformador provê a estrutura física para colocação das bobinas e o caminho magnético de modo que as linhas de fluxo magnético são concentradas proximas às bobinas.3 Indutância Mútua Como mencionado anteriormente. 4.11. Observe que k é admensional.br HP: www. A construção e a forma do núcleo também têm influência sobre k.br/~rleao . Leão Email: rleao@dee. Quanto maior o valor de k maior é a tensão induzida na bobina do secundário para uma certa taxa de variação da corrente (freqüência) na bobina do primário.125) 4. S.

ufc. Os transformadores com núcleo de ferro.5 Relação de Espiras Um parâmetro de transformador que é muito importante para entender como opera um transformador é a relação de espiras.ufc. ferrite (material cerâmico com propriedades eletromagnéticas) e ferro. a= Np Ns (4.11. em que as duas bobinas estão na mesma perna do núcleo. A maioria dos transformadores com núcleo de ferro tem alto coeficiente de acoplamento (maior que 0. S. A relação de espiras é definida como o número de espiras (voltas) na bobina de primário (Np) em relação ao número de espiras da bobina de secundário (Ns). As configurações básicas de transformadores de núcleo de ferro são de núcleo envolvido. maior a tensão induzida no secundário para uma dada corrente no primário. e quando são sobrepostas o acoplamento é forte.br/~rleao .br HP: www. O condutor das bobinas é recoberto de verniz para evitar curto-circuito entre as espiras. Quanto maior o acoplamento.4-52 Existem em geral três categorias de mateial de núcleo: ar. em que cada bobina é colocada em pernas separadas do núcleo. e núcleo tipo concha. Esta construção proporciona um fácil caminho para o fluxo magnético e aumenta o acoplamento entre as bobinas.dee. enquanto que núcleo de ferrite e de ar têm menor valor. em geral. podendo ser definida como acima bem como pela relação entre número de espiras do secundário pelo número de espiras do primário. Quando as bobinas são sepadas uma da outra o acoplamento é fraco. são usados para freqüência de áudio e aplicações de potência.126) Vale salientar que não existe uniformidade na definição de relaão de espiras de um transformador. A intensidade do acoplamento magnético entre os enrolamentos de primário e secundário é definido pelo tipo de material do núcleo e pela posição relativa das bobinas. As duas definições estão Profa Ruth P. 4. Transformadores de núcleo de ar e núcleo de ferrite geralmente são usados para aplicações em alta freqüência.99). Esses transformadores consistem de enrolamentos em um núcleo construído de lâminas de material ferromagnético isoladas uma das outras por uma camada de verniz. Leão Email: rleao@dee.

a relação de espiras é útil para estudar o princípio de operação de um transformador.6 Direção dos Enrolamentos Um outro importante parâmetro de um transformador é a direção em que os enrolamentos são colocados em torno do núcleo. 4.59: Polaridade das bobinas.4-53 corretas desde que usadas consistentemente.br/~rleao .ufc.11. quando a tensão de secundário é menor do que a tensão de primário.ufc. Figura 4. o transformador é dito ser abaixador. Pontos ( ) são usados como símbolos para indicar polaridades (+). Em geral. No entanto.br HP: www.7 Transformadores Elevadores e Abaixadores Um transformador em que a tensão de secundário é maior do que a tensão de primário é dito ser transformador elevador. Ao contrário. . A direção dos enrolamentos determina a polaridade da tensão através do enrolamento secundário com relação à tensão através do enrolamento primário. S. Profa Ruth P.dee. A relação de espiras de um transformador não é dada nas especificações de um tranformador.11. Leão Email: rleao@dee. 4. as tensões de entrada e de saída e a potência nominal são especificadas.

dee.122 verifca-se que a razão da tensão de primário pela tensão de secundário é igual à relação de espiras.ufc. Assim S p = E p I * = S s = E s I s* p A partir da Equação 4.128) Figura 4. Ep Es = Np Ns (4. Isto significa que toda energia de primário é transferida ao secundário.127) Desta relação tem-se que: ⎛N Es = ⎜ s ⎜N ⎝ p ⎞ ⎟⋅ Ep = 1 ⋅ Ep ⎟ a ⎠ (4.121 e 4. Em um transformador ideal a potência aparente de primário.4-54 Pela relação entre as Equações 4. Leão Email: rleao@dee.8 Carga no Secundário Quando uma carga é conectada ao enrolamento secundário de um transformador.br HP: www. Sp.126 e 4.129 tem-se que: (4.ufc.11.129) Profa Ruth P. é igual à potência aparente de secundário. circulará uma corrente através da carga. A relação de transformação de um elevador elevador é menor do que 1 e a de um transformador abaixador é maior do que 1.60: Transformador abaixador. S.br/~rleao . Ss. 4.

11.ufc. portanto. tem-se que a corrente de carga é: ⎛ Np ⎞ ⎛2⎞ Is = ⎜ ⎟ ⎜ N ⎟ ⋅ I p = ⎜ 1 ⎟ ⋅ 100 = 200mA ⎝ ⎠ ⎝ s⎠ Note que o transformador 1:10 é elevador (tensão) e sua corrente de secundário deve ser menor que a corrente de primário pela lei de conservação de energia.9 Carga Refletida Do ponto de vista do circuito primário de um transformador. Sabe-se de 4. a corrente no secundário é maior que no primário.br HP: www. respectivamente. uma carga conectada através dos terminais da bobina do secundário parece ter uma impedância que não é necessariamente igual à impedância da carga quando no secundário.110 que: Profa Ruth P.br/~rleao . trata-se de um transformador abaixador (tensão) e.4-55 Ep ou ⎛I =⎜ s Es ⎜ I p ⎝ ⎞ N ⎟ = p =a ⎟ Ns ⎠ ∗ (4. a corrente através da carga é dada por: ⎛ Np ⎞ 1 ⎟ ⋅ I p = ⎛ ⎞ ⋅ 100 = 10mA Is = ⎜ ⎜ ⎟ ⎜N ⎟ ⎝ 10 ⎠ ⎝ s⎠ No transformador com relação 2:1. O transformador com relação de transformação 2:1. Leão Email: rleao@dee. Se a corrente de primário em ambos transformadores é igual a 100 mA.107 e 4. S. 4.130) ⎛ Np ⎞ Is = ⎜ ⎟ ⎜ N ⎟⋅Ip = a⋅Ip ⎝ s⎠ (4. qual a corrente de carga? No transformador com relação 1:10.131) Sejam dois transformadores com relação de transformação 1:10 e 2:1.ufc.dee.

De igual modo.10 Casamento de Impedância Uma aplicação de transformadores é no casamento de uma impedância de carga à impedância de uma fonte a fim de obter-se a máxima transferência de potência. transformadores para casamento de impedância são freqüentemente usados para máxima transferência de potência do amplificador para o microfone. em muitos casos. se a fonte de 75Ω é conectada diretamente à entrada da TV de 300Ω. Nesta situação a antena e o cabo agem como a fonte.ufc. uma máxima transferência de potência não será Profa Ruth P. É comum para uma antena ter característica de impedância de 75Ω.br/~rleao . a impedância de um dispositivo que atua como uma carga é fixa e não pode ser alterada.111 indica que a impedância da carga refletida para o primário é o quadrado da relação de transformação vezes a impedância da carga. Isto significa que a antena e o cabo parecem uma fonte de 75Ω.ufc. 4.dee. Em sistema de áudio. S.4-56 Ep = Np Ns ⋅ Es Ip = Ns ⋅ Is Np A relação Ep/Ip resulta em: ⎛ Np Zp = ⎜ ⎜N ⎝ s ⎞ ⎟ ⋅ ZL ⎟ ⎠ 2 (4. a impedância interna da fonte de vários tipos de fontes é fixa.132) A Equação 4. e a resistência de entrada da TV é a carga. Leão Email: rleao@dee. Na maioria das situações práticas. Se uma dada fonte é conectada a uma dada carga pode-se usar a característica de impedância refletida de um transformador para fazer a impedância da carga parecer ter o mesmo valor da impedância da fonte.br HP: www. Considere uma resistência de entrada típica de um televisor como sendo 300Ω.11. Assim. Uma antena deve ser conectada à entrada da TV por um cabo para recepção do sinal de TV.

ISBN 0-13-095997-9. Susan A.ufc. Leão Email: rleao@dee. 6a Edição. T.. Principles of Electric Circuits.927p. Corcoran. R. [2] Nilsson.ufc.e. Para casar a impedância.br/~rleao . deve-se selecionar uma relação de transformação apropriada...111 pode ser usada para calcular a relação de transformação necessária. Profa Ruth P. LTC. i. refletir a impedância da carga (ZL) para o primário do transformador para ter um valor igual à impedância interna da fonte. S.4-57 entregue à entrada da TV. ⎛ Np Zp = ⎜ ⎜N ⎝ s a= Zp ZL ⎞ ⎟ ⋅ ZL ⎟ ⎠ 75 1 = 300 2 2 = O que significa que o número de espiras do primário é a metade do número de espiras do secundário – transformador elevador.dee. Circuitos de Corrente Alternada. Circuitos Elétricos. 6th Ed.L. 2003. 1973.br HP: www. James W. [3] Kerchner..G. Prentice Hall. Globo..F.M. Reidel. A Equação 4. 2000. e a recepção do sinal da TV é pobre. Porto Alegre. Referências [1] Floyd. A solução é então conectar um transformador casador de impedância a fim de casar a impedância de 300Ω da carga à impedância de 75Ω da fonte.

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