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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS CENTRO DE LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO FACULDADE DE JORNALISMO

Habilidades midiáticas digitais que todos jovens jornalistas on-line precisam1
Jennifer Peebles2 PEEBLES, Jennifer. Digital media skills every young journalist needs. Disponível em http://blogs.spjnetwork.org/tech/?p=1930 , acessado em 4/5/2011. Que habilidades em mídia digital um jovem recém-formado jornalismo precisa ter? Nós focamos este blog, em grande parte, no “como fazer” da mídia digital como o tuitar de forma mais eficaz, como editar vídeo e assim por diante -, mas vamos abrir uma breve exceção e falar sobre quais habilidades são as mais importantes para um jovem jornalista. Um amigo e colega jornalista me perguntou isso recentemente. Para responder à pergunta, anotei em um bloco de notas quais seriam essas habilidades básicas - bem, algumas são as competências e algumas são mais valores e princípios - que todo jornalista deve ter, não importa onde eles trabalham, ou em que meio, ou em que plataforma. A lista que me veio foi: * Ser honesto * Ser preciso * Ser justo * Ser interessante. Ninguém vai lê-lo ou ver / ouvir você, se você é chato. * Ser capaz de dizer às pessoas porque elas devem se preocupar. * Ser capaz de olhar para uma grande quantidade de informações e resumi-las com rapidez e precisão. * Ser capaz de ser seu próprio editor: Sabendo o que deixar de fora. Ter consciência da necessidade, por exemplo, de cortar o áudio de uma entrevista antes de fazer o upload para a web. Ou saber que cenas do vídeo que você fez que não têm valor noticioso, ou ainda ser capaz de dizer: "Eu posso cortar as duas últimas partes da minha história – temos apenas 12 centímetros de espaço, e essas são as informações menos importantes". * Ser capaz de escutar o que as pessoas estão dizendo, mas também desafiando-as e interrogando-as, de modo que o público compreenda melhor as pessoas no final. É importante lembrar que, apesar de tantas mudanças ocorridas na indústria jornalística, com demissões e o processo de digitalização – que transformaram o mundo da mídia radicalmente–, as habilidades e os valores não mudaram desde os dias em que meus chefes eram acima de tudo supervisores de texto. Essas habilidades e valores ainda são muito importantes no jornalismo. Há muitas pessoas por aí com equipamentos de alta tecnologia que não conseguem relatar uma história. E, infelizmente, existem muitas pessoas capazes de produzir grandes reportagens que não têm emprego porque não sabem como usar os equipamentos de alta tecnologia. Seria ótimo ver um programa de graduação de jornalismo tentar ensinar tanto os princípios fundamentais básicos, assim como ensinar a usar equipamentos sofisticados de alta tecnologia, qualificando os jovens a se tornarem grandes jornalistas. Para esse fim, acho que o currículo de um curso de jornalismo hoje deveria ter duas vertentes principais: A. Ensinar aos alunos as competências básicas e princípios fundamentais do jornalismo acima mencionados (precisão, imparcialidade, boa narrativa, capacidade de pensar por si próprios etc), que são habilidades que irão precisar em qualquer meio em que trabalham. B. Dar aos estudantes uma grande variedade de competências práticas, de meios que lhes permitam produzir um jornalismo de múltiplas plataformas, expondo-os assim aos muitos sentidos em que o trabalho e a carreira jornalística podem se configurar atualmente. Com isso em mente, eu adoraria ver todos os universitários de todas as escolas de jornalismo nos Estados Unidos saírem da escola e serem capaz de fazer as seguintes coisas: 1. Escrever uma notícia básica em pirâmide invertida. A história deve ser exata, justa, interessante e não plagiada, entre outras coisas. Para fazer isso, eles precisam ter competências básicas de entrevistar pessoas, ter habilidades básicas de escrita (substantivos e verbos têm que concordar, caramba!) e conhecimentos básicos de ética jornalística (quando chamamos alguém para uma entrevista, nós nos identificamos como um repórter, não como um primo perdido de fora da cidade etc.)
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Tradução do prof. Artur Araujo Jennifer Peebles é uma “dromedária” jornalista que costumava trabalhar em um jornal e agora é editora-adjunta no Texas Watchdog, um site de notícias on-line baseado em Houston. Escreve para o blog “Net Worked”, mantido pela Sociedade de jornalistas profissionais dos EUA.
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2. Ser capaz de gravar o áudio de uma entrevista com alguém, fazer uma simples edição na gravação de áudio dessa entrevista e enviá-la para a web para o público ouvir. (Novamente, isso também requer habilidades básicas de entrevista. Ninguém quer ouvir o áudio de uma entrevista chata.) 3. Ser capaz de tirar uma foto decente, mesmo que seja com sua câmera de celular - usando uma DSLR seria melhor, obviamente, mas quando aparece a notícia e você não têm uma Nikon de US$ 2.000, terá que usar seu telefone celular e registrar os fatos-, assim como alguns dos mesmos conceitos básicos de fotografia, não importa o equipamento que esteja usando. Eles devem entender um pouco sobre a regra dos terços e composição básica de fotos (não pode ter uma árvore que “cresce” da cabeça do sujeito na sua foto!). Eles precisam compreender que, se estão usando a câmera mais sofisticada do que a do celular, a velocidade rápida do obturador tem mais poder de congelar o movimento, mas precisa de mais luz, e precisam saber usar o “f-stop” da câmera, para fazer o fundo ficar desfocado, de modo que o sujeito da foto se destaque. 4. Ser capaz de fazer pelo menos uma curta filmagem de vídeo que não fique parecendo com alguma cena “perdida” do filme “A Bruxa de Blair”. Mesmo que seja com uma câmera amadora ou com sua câmera de telefone celular, existem alguns conceitos básicos que eles devem compreender. Eles devem compreender a importância da utilização de um tripé para obter imagens estáveis, que não façam a platéia ficar enjoada. Eles devem compreender a importância da composição de cenas, fazendo com que o público consiga ouvir o que está sendo dito. Eles devem compreender a importância dos fundamentos do uso de nível de entrada linear de edição do software de vídeo - mesmo que seja um programa gratuito, como Windows Movie Maker ou o iMovie. Eles devem compreender a importância de não se mover em torno de cenas para contar a história. Eu não entendia muito isso até um par de anos atrás, quando fiz um curso em uma convenção da Sociedade de Jornalistas Profissionais dos EUA. Agora eu olho para trás com horror para os vídeos que fiz antes. Eu poderia usá-los na publicidade do Dramim. 5. Ser capaz de executar funções básicas em uma planilha e ter uma compreensão geral de como os jornalistas usam dados para construir histórias. Hoje, o mundo dos negócios globalizado e dos governos em todas as instâncias mantêm, rotineiramente, as informações em planilhas e bancos de dados. Então um repórter que não é capaz de ordenar ou adicionar dados em uma planilha é algo como se fosse, há 30 anos, um repórter que não fosse capaz de ler. Trata-se de uma habilidade que você tem de ser capaz de fazer. E enquanto os repórteres de nível básico não precisam ser especialistas em reportagem assistida por computador, eles precisam de uma idéia de como obter dados jornalísticos e, em seguida, usar programas de banco de dados, para cruzar os dados e encontrar coisas, como criminosos sexuais que dirigem ônibus escolares, ou fazer cálculos para encontrar, por exemplo, que região da cidade tem a maior taxa de prescrição de Ritalina 3 para alunos de ensino fundamental. Jovens jornalistas precisam conhecer essas ferramentas: elas estão aí e, se estiverem interessados, podem continuar a sua educação / formação nesse sentido. Melhor ainda se eles compreenderem que bancos de dados e planilhas podem ser o trampolim pelos quais eles podem aprender a fazer programação e a criar aplicativos de Internet como uma forma de jornalismo, como as propostas do PolitiFact4, EveryBlock5 e o site “Represent6” do The New York Times. 6. Ter um conhecimento de HTML e CSS e entender como eles são usados para tornar as páginas web. A codificação da web é um pouco como a escrita há 30 anos: É o canal por onde os jornalistas passam informações para o nosso público, por isso precisamos ser capazes de trabalhar com esse canal e usá-lo bem. No mínimo, jovens jornalistas terão uma compreensão mais fácil , se entenderem os conceitos básicos de HTML e CSS, das situações em que a entrevista de áudio embutida não aparece no lugar certo, ou porque seu vídeo incorporado é demasiado grande para uma determinada página. 7. Ser capaz de decidir qual plataforma melhor se adapta a uma história. Algumas notícias são melhor contadas por meio de fotos, e outras o são em vídeo. Outras ainda são mais adequadas para apresentações de slides. E algumas ainda são melhor contadas em prosa. Um jornalista tem que ser capaz de decidir qual plataforma é a melhor para a narrativas, e às vezes eles têm que mudar a mídia em “pleno vôo”, enquanto sua reportagem apresenta novos desdobramentos. 8. Compreender os conceitos básicos de calúnia e difamação e entender que esses não são conceitos “antiquados” que só se aplicam a nós “dromedários” que trabalhavam para jornais. Essas são questões muito sérias que enfrentam as pessoas que publicam on-line também. Você pode se expor a um processo de modo tão rápido (se não mais rápido) por razão do que você escreveu para a web do mesmo jeito que ocorreria se você escrevesse para jornais. O mesmo vale para a invasão de privacidade e questões de direitos autorais.

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Ritalina: remédio polêmico por seus efeitos colaterais, utilizado para o tratamento de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. 4 http://www.politifact.com/ , ganhador do prêmio Pulitzer em 2009. 5 http://www.everyblock.com/ 6 http://projects.nytimes.com/represent/
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9. Compreender os conceitos básicos da Primeira Emenda, a liberdade de imprensa e o direito de o povo saber que tudo o que fazemos está garantido.

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