Promoção “E agora Sookie?

To Have and Not To Hold By Candie

Minh'alma ardente é uma fogueira acesa, É um brasido enorme a crepitar! Ânsia de procurar sem encontrar A chama onde queimar uma incerteza! Tudo é vago e incompleto! E o que mais pesa É nada ser perfeito. É deslumbrar A noite tormentosa até cegar, E tudo ser em vão! Deus, que tristeza!... Aos meus irmãos na dor já disse tudo E não me compreenderam!... Vão e mudo Foi tudo o que entendi e o que pressinto... Mas se eu pudesse a mágoa que em mim chora Contar, não a chorava como agora, Irmãos, não a sentia como a sinto!... “O meu impossível”, poema de Florbela Espanca

Estou parecendo uma idiota olhando para o espelho e imaginando o vestido branco, a igreja, o noivo, o sim, o beijo e a lua de mel. Bill consegue com apenas algumas palavras me tirar totalmente do sério, alguns minutos atrás achei o pedido sem sentido, agora com o anel no dedo mudei totalmente de opinião e estou sentindo que foi a coisa certa. Estou pronta para casar, cuidar de nossa casa, acordar todos os dias juntos, nossos filhos, nossos filhos, nossos... Filhos. Tem alguma coisa errada nesse conto de fadas, eu beijei o sapo e ele não é um príncipe encantado, mas um vampiro que não está vivo, que bebe sangue e jamais poderia ter filhos ou fazer piquenique debaixo de um sol escaldante. Não queria pensar mais naquele momento, o anel ficou lindo, serviu perfeitamente e eu quero apenas ser a Sra.Compton. Resolvi não perder mais tempo, escancarei a porta do banheiro e fui correndo até o homem da minha vida ou vampiro da minha vida. Mas nada poderia me preparar para o que eu vi, tentei respirar fundo, minhas mãos tremiam descontroladamente, senti que iria desmaiar, não queria imaginar o que tinha acontecido. Olhei para a porta aberta e para a cadeira caída no chão, a mesa bagunçada, e o que teria acontecido? Onde está Bill? Ele não poderia ter me largado sem uma resposta definitiva, ele não faria isso, seria rude, seria sujo, seria tão Eric. Eric, balancei a cabeça em negativa, por que lembrei dele? Não faz sentido, estou com problemas maiores, correndo o risco de ter perdido o noivo antes de o casamento acontecer, virar motivo de piada e ter apenas um anel como lembrança. Não é o momento para lembrar-se da existência de Eric, precisava de concentração para entender o que estava acontecendo, olhei em volta, não havia nenhuma alma viva por perto, onde estariam os funcionários? Pensei começando a sentir o desespero crescer, não tinha sangue no chão, nem na parede e, isso poderia significar que mortes não haviam acontecido, respirei fundo e caminhei até uma porta lateral que deveria levar para a cozinha ou qualquer outro lugar que poderia haver pessoas. Abri a porta lentamente esperando encontrar uma cozinha lotada e barulhenta, mas não havia sinal de ninguém, tudo na mais perfeita ordem e sem sinal de seres viventes, apenas eu... Sookie, a noiva abandonada. Isso soava tão patético, eu havia dito não e sem dúvida ele foi embora para encontrar talvez uma humana menos estúpida do que eu. Balancei a cabeça, eu não iria ficar remoendo o acontecido, e sim tentaria pelo menos encontrar Bill, falar em voz alta minha resposta e tudo ficaria certo. Com esses pensamentos positivos sai pela porta escancarada do restaurante chique, apenas meu carro velho estava lá solitário naquela noite. Abri a porta com força, sentei no banco não contendo o choro, estava sem Bill, sozinha e sem saber o que fazer. Após uma boa meia-hora de choros e soluços, recobrei os pensamentos positivos de antes, liguei o carro e parti a toda velocidade para a casa de Bill. Talvez ele ainda estivesse por lá ou Jessica saberia o que aconteceu, eu não poderia dar ao luxo de ter novas crises de choro, já tinha acontecido tantas coisas na minha vida e não seria o sumiço de Bill que me deixaria sem saber o que fazer. Dirigi como uma louca pela estradinha até a casa de Bill, eu só via pelo retrovisor a poeira levantando, nem sei como estacionei o carro, sei que quase bati com tudo na

varanda, sorte que sou uma boa motorista e pisei no freio antes do pior. Seria algo estranho contar para a polícia o sumiço de Bill e eu destruindo sua varanda, sem dúvida me prenderiam pensando que ele havia me largado, e louca da vida tentei destruir sua casa. A velha mansão estava com as luzes apagadas, reprimi pensamentos sobre o tanto de alegria que tinha passado ali, não era o momento de agir como a pobre donzela apaixonada. Subi correndo a escadinha da frente, pisei sem querer num buquê de flores que estava colocado na frente da porta, estraguei as belas flores com meu pisão. Peguei o buquê procurando por alguma mensagem, não encontrei nada, também não estava preocupada de estar invadindo privacidade de alguém. Parecia coisa de admirador secreto e só podia ser para Jessica, mulheres não fazem isso, não deixam buquês na porta de seu amado. Claro que não queria imaginar que tinha alguma mulher bancando a admirado secreta de Bill, era para Jessica e ponto final. Bati várias vezes com força na porta: - Bill, Bill, Bill, Jessica, tem alguém aí? – continuei batendo e gritando pelo nome deles, sem sucesso, a casa estava sozinha. E mais uma vez sem Bill, sentei no degrau, olhei para aquele anel lindíssimo e comecei a retirá-lo com raiva, tristeza, uma mistura de sentimentos – Oh, meu deus, era só o que faltava – falei em voz alta. O maldito anel não queria sair, reparei que meu dedo estava inchado, meio vermelho, eu simplesmente não conseguia retirar o anel, não passava nem da metade e de lá também não saia. Já estava prendendo meu sangue e gemi de dor, levantei num pulo, agora andava em círculos puxando o anel com força, sendo que ele nem se movia, continuava lá, um pouco abaixo da metade do dedo, o vermelho do sangue havia se intensificado, balancei a mão gritando de dor. Vou até o Merlotte, demorei a pensar no bar de Sam, meu patrão calmo e compreensivo. Corri para o carro, dirigira novamente como uma louca, também não havia ninguém na estrada, era tarde e depois da turbulência de Maryann, as pessoas estavam meio comedidas. Chegando perto do bar, notei luzes de ambulância, todo mundo parado em frente ao bar, estacionei o carro perto da entrada dos funcionários, caminhando em seguida na direção das pessoas. Arlene foi a primeira que me viu, nem precisei abrir a boca para perguntar, ela já estava tagarelando: - Oh, Sookie, que bom que chegou. Tara vai precisar da sua ajuda, imagina, também com o que aconteceu, eu estava lá dentro servido as mesas, sabe, Terry estava na cozinha, tudo estava normal, nem notei nada de diferente, até que um barulho de tiro, nosso susto foi...nem te conto, pior que derrubei a bandeja, quebrei um monte de copos, espero que o Sam não fique bravo quando voltar. Quando ela parou para recuperar o fôlego, perguntei: - Arlene, não entendi nada do que aconteceu e por que Tara precisa de minha ajuda? – e antes que ela pudesse responder, senti o sangue fugir da minha face quando vi o motivo. Tara estava debruçada em cima do corpo de Eggs que jazia em cima de uma poça de sangue. Comecei a empurrar as pessoas para chegar até Tara, cai de joelhos ao seu lado, evitando olhar para a cabeça aberta de Eggs e os

miolos espalhados pelo chão – Tara, querida – não conseguia encontrar outras palavras, apenas queria tentar confortá-la. Passei o braço nos seus ombros, pela primeira vez ela levantou a cabeça, estava com os olhos marejados de lágrimas, soluçando sem parar. Sem perceber eu estava chorando novamente, sentindo a dor de minha amiga e sem ousar invadir seus pensamentos, seus olhos já transmitiam toda a dor que sentia. - Tara, precisamos levar o corpo, a ambulância já está aqui, não há nada mais que possa fazer – Andy Bellefleur falava naquela voz pastosa, sem sentimentos pelo acontecido. - Andy, deixe a Tara em paz – falei entre os dentes olhando com raiva para Andy e sua falta de sensibilidade. - Sookie – ele pronunciou meu nome com desdém – Eu sou a autoridade aqui e esse corpo vai sair agora. - Por que atirou nele, Andy? Por quê? O que ele fez? – Tara levantou de uma vez, começando a esmurrar o peito flácido de Andy. - Foi em legitima defesa, Tara, ele tentou me matar – Andy falava rapidamente, evitando os murros de Tara. Fui à direção de Tara e a afastei de Andy, lancei um olhar para ele e ouvi um pensamento rápido, mas claro: “Jason, seu estúpido, por que atirou?”. Assustada desviei o olhar para Andy não perceber meu assombro, não podia acreditar que Jason estava envolvido na morte de Eggs. Enquanto levava Tara para meu carro, observei as pessoas que lá estavam e não havia sinal de Jason em lugar algum. Ah, Jason, por que sempre tão precipitado e burro? Não conseguia encontrar uma resposta para essa pergunta, mas não podia me preocupar com esse detalhe agora. Tara estava arrasada, precisava descansar, retirar aquela roupa ensangüentada, tomar um banho e dormir. Laffayette caminhava na minha direção, também estava com um olhar pesaroso, iria começar a falar, balancei a cabeça e ele calou-se em seguida. Coloquei Tara no carro e fui dirigindo em direção a casa de minha avó, sempre seria a casa de nossa vovó, olhei para Tara com ternura lembrando alguns momentos felizes de nossa infância, e como crescer complicava tudo, agora entendia o complexo de Peter Pan. Subi a escada com Tara, minha casa ainda estava uma bagunça por causa da maldita bacante, mas algumas coisas já estavam arrumadas, inclusive meu quarto antigo e estava levando Tara para lá. Deitei Tara na cama, fui até o banheiro encher de água quente a banheira, já estava um tempo sem pensar em Bill e não queria fazer isso nesse momento, Tara era a prioridade. Uma hora mais tarde eu estava fechando a porta do quarto, jogando um beijo para minha querida amiga e deitando no sofá velho da sala. Fechei os olhos, queria acordar no dia seguinte, descobrir que tudo foi um sonho louco, nada disso havia acontecido, inclusive o pedido de Bill. Eu o amava só não sentia que era aquele o momento certo para responder. Com esses pensamentos cai no sono, desejando para que não sonhasse com Eric, estava com tantos problemas e sonhos eróticos com o detestável Eric não era a melhor solução... Ou era... Era... Não

estava raciocinando direito mais, amava o vampiro Bill, sim... Eu não queria abrir os olhos, não mesmo, queria ter o Bill ao meu lado, mas aqueles lábios frios desciam por meu pescoço, os dentes pontudos roçando de leve na minha pele. Eu sentia meu corpo tremer, minhas mãos procurando seus cabelos, apertava com força e os dentes afundavam devagar. Pequenas gotas escorriam até meu peito que arfava desperadamente, a língua dele fazia um caminho perigoso pelo meu pescoço até meu peito. Gentilmente lambia meu sangue, soltei um gemido quando os dentes cravaram no meu peito esquerdo, o coração disparado, o sangue saindo sem parar de meu corpo para os lábios dele. Sugava com grande habilidade, parecia que fazia aquilo sempre, eu pedia por aquele contato e mais uma vez procurei seus cabelos. Quando abri os olhos a primeira coisa que vi foi uma cabeça loira deleitando-se de meu sangue, meu ser e claro meu peito, fechei os olhos e tive certeza de que estava perdida porque estava gostando daquilo. Acordei com um gemido, estava assustada pelo que havia acontecido, passei a mão pelo meu peito esquerdo apertando com força, não havia marca nenhuma e nem sangue, respirei aliviada, tinha sido apenas um sonho, mais um sonho para a coleção de sonhos eróticos estrelando Eric Northman e a perdida Sookie Stackhouse. Aonde isso iria me levar eu não fazia idéia, apenas estava feliz por não ser realidade. Já havia amanhecido, levantei e usava o vestido que Bill havia me dado de presente. Ah!Pobre Bill, o jantar, o pedido, seu sumiço, tudo era real, inclusive a morte de Eggs e o sofrimento de Tara, olhei para o andar de cima, nem sinal dela. Fui para a cozinha, fiz um café e tomei num gole só, não estava me importando o quanto estava quente, queria tirar de minha cabeça o sonho que tive e voltar de uma vez por todas aos meus problemas reais. Fui até meu antigo quarto, abri a porta devagar, Tara continuava dormindo, não iria acordá-la, precisava descansar. Eu teria que encontrar Jason e descobrir se era realmente verdade o pensamento que ouvi de Andy. Troquei de roupa, coloquei uma calça jeans e camiseta branca simples, não estava com cabeça para escolher roupa. Fiz um rabo de cavalo, passei rapidamente pelo espelho e assustei com minhas olheiras, parecia que havia dormido muito mal, também com aqueles pesadelos com Eric, só podia acordar desse jeito. Deixaria Tara algumas horas sozinha, ela não faria nada demais, logo eu voltaria depois de falar com o meu irmão idiota. Dirigi até a casa de Jason sem pensar em nada, só queria descobrir o que estava acontecendo com minha vida, alias desde que Bill entrou nela tudo tinha virado de cabeça pra baixo. Perder a virgindade foi apenas um detalhe perto de tudo o que já tinha e o que estava acontecendo, nunca havia tido meses tão agitados antes e conhecido situações tão loucas. Eu ignorava a dor que sentia no coração toda vez que lembrava de Bill, uma coisa por vez, eu iria pensar mais profundamente sobre seu sumiço a noite quando os vampiros caminhavam sobre a terra. Agora era a vez de Jason, cheguei a sua casa, seu carro não estava estacionado, bati na porta e não tive resposta, tentei olhar pela janela suja da sala. Nenhum sinal de Jason, também estava sumido, assim como Bill. Mas, o conhecendo com o conheço, sem dúvida estava escondido em algum rabo de saia sabendo a bobagem que tinha feito, depois

iria aparecer em casa com cara de coitadinho pedindo desculpas. Desde pequeno fazia isso, sempre conseguia o que queria, por isso havia se tornado esse tonto que é hoje em dia, muito mimado e não pensem que era somente a minha vó, todo mundo foi condescendente com Jason, até eu, agora era tarde para reclamar. E o anel continuava naquela mesma posição, já estava com medo de precisar amputar o dedo por conta do sangue preso, simplesmente não entendo o motivo de não conseguir tirar o anel. Pelo jeito iria ficar lá pra sempre, todo mundo perguntando e o noivo sumido. Voltei para casa, iria fazer um almoço simples, afinal, só Tara e eu. Subi para o quarto e a acordei: - Tara... Tara – chamei com delicadeza até que acordou, me encarou ainda com os olhos vermelhos de tanto chorar. - Sookie, o Eggs realmente morreu? Não foi um sonho? - Gostaria que tivesse sido, mas ele realmente está morto – falei com tristeza. Não por tê-lo conhecido muito, tivemos um contato breve quando vi as terríveis mortes em sua mente, não queria imaginar que aquilo de alguma maneira estaria relacionado com sua morte, e Tara parecia feliz com ele, pela primeira vez em um longo tempo. - Vou até o necrotério, não vou ficar parada chorando, ele não era violento e não tinha motivo para atacar o Andy, quero saber a porra da verdade – balancei a cabeça e tentei manter um sorriso calmo, no fundo esperava que ela jamais descobrisse o possível envolvimento de Jason, seria um golpe muito duro. Tara levantou da cama com pressa, vestiu qualquer roupa e foi saindo pela porta, não tentei impedir, ela era adulta, sabia o que fazia – Obrigada por tudo – ela disse com um sorriso e se foi. E eu fiquei sozinha, desci até a cozinha, preparei um sanduiche e fui até a varanda, mais tarde teria que trabalhar, não estava com vontade, o vazio só aumentava. Não queria encarar as pessoas e suas perguntas sobre meu anel sendo obrigada a revelar que Bill tinha me abandonado e tinha mesmo? Ele não parecia ser o tipo que fugia, não combinava com seu cavalheirismo e não parecia o vampiro por quem eu tinha me apaixonado. Será que... Será que... Nem ousava terminar isso, mas será que Eric poderia saber de algo? Eu teria coragem de ir ate o Fangtasia para descobrir? Pelo Bill eu faria qualquer coisa, apena seria péssimo aturar os olhares insinuantes de Eric como se quisesse me devorar e no pior sentido que isso possa ter, pelo menos ele não sabia dos sonhos, quanto a isso eu estava tranquila, dentro dos meus pensamentos ele não entrava. Quando estacionei o carro no estacionamento do Fangtasia já estava pensando em ir embora. O arrependimento era grande, só que agora era tarde demais, meu turno iria começar dali umas duas horas, teria tempo de descobrir alguma coisa, voltar e ninguém perceber. Caminhei devagar tentando relembrar na minha mente o que eu iria dizer sem dar chance para Eric retrucar muito. Entrei logo atrás de um casal todo animado, não sabia dizer se eram vampiros, humanos, sei lá, só sei que estavam alegres, pelo jeito a noite seria boa ali. O bar não estava muito cheio, aquela loirinha

chata não estava por ali, respirei aliviada, dei uma olhada rápida pelo local e nada de Eric, meu coração estava acelerado e não entendia o motivo disso. Estava indo em direção ao bar para perguntar, quando senti um puxão no meu braço e lá estava Pam, a assistente de Eric, muito bem vestida como sempre, e linda como sempre também, gostaria de saber me arrumar como ela. Eu usava a camiseta do Merlotte e uma calça jeans, não ousaria usar meu shorts de trabalho para ir até lá, atrair mais atenção do que queria, mas no fundo gostaria de estar mais arrumadinha, e não pensem que é pelo Eric, jamais. - Sookie Stackhouse, agradável surpresa vê-la por aqui – a voz de Pam soou tão falsa que reprimi uma risadinha. - Estou aqui porque gostaria de perguntar umas coisas para seu patrão. - Sem Bill? – ela perguntou surpresa. - Sim, sem Bill – respondi rapidamente sentindo uma pontada no peito – Poderia chamar o Eric, assim posso ir embora logo. - Ele vai adorar saber que está aqui – soltou uma risada – E, você me deve um par de sapatos. - Eu? Desde quando? - Desde aquele dia que você apareceu aqui machucada, fui rastrear na estrada quem te fez isso e meus sapatos estragaram. A maldita bacante morreu então, minha cara, é por sua conta agora – sorriu novamente. - Só me falta essa – olhei para os pés de Pam – Você deve calçar uns 39? Vai ser complicado para encontrar – falei zombando. Pam revirou os olhos e saiu por uma porta ao lado do bar sem falar nada. Esse round eu ganhei, pensei triunfante. Fiquei esperando ainda com o coração acelerado, estava nervosa pelo Bill, claro, isso mesmo. Alguns minutos depois, Pam reapareceu com cara de poucos amigos. - Ele está te esperando no escritório – falou friamente, e eu fui caminhando até o local indicado por ela, antes de entrar ela disse – E meu número é 36. - Ah, tá bom – eu dei uma risada alta e Pam saiu batendo os pés de raiva. No fundo eu até gostava dela, impossível ficar indiferente ao seu charme. Agora o pior estava por vir, pelo menos com Pam era divertido com Eric o negócio era mais embaixo. Abri a porta tentando manter-se o mais calma possível, e lá estava ele com todo aquele seu tamanho encostado na ponta da mesa e parecendo terrivelmente sexy, sim, isso eu tenho que admitir, ele é muito bonito mesmo e acredito ser até difícil descrever. Os cabelos loiros curtos estavam arrumados para trás, ele usava uma calça preta com uma jaqueta igualmente preta e por baixo uma camisa preta, tudo preto e tão vampiro ameaçador, claro. Pelo menos não estava com a regata que

costumava usar, não queria me distrair olhando para aqueles braços musculosos, foco, respirei fundo, foco, estou aqui pelo Bill. - O que devo a honra de sua visita? – ele disse com um sorriso. - Eu... Estou aqui para perguntar sobre Bill – falei nervosamente. - Bill?E o que eu saberia sobre o Bill que você gostaria de saber? – ele perguntou um tanto surpreso. - Bill sumiu ontem à noite, estávamos num restaurante, quando fui ao banheiro e voltei, ele havia sumido – falei tudo de uma vez sem respirar. - Estavam num restaurante, por acaso comemorando algo em especial? – perguntou de maneira arrogante. - Você não escutou a parte que Bill sumiu ou quer ficar me enrolando? - Escutei, Sookie, mas não estou preocupado com o sumiço dele, não me preocupo com o Bill – lançou um olhar provocante – tenho coisas mais interessantes com o que me ocupar. - Eric, por favor, eu preciso saber qualquer coisa, não posso ficar sem o Bill – lágrimas surgiram nos meus olhos, não queria parecer vulnerável para ele. - Não comece a chorar – ele falou irritado – Vou ver se descubro alguma coisa e passo mais tarde na sua casa para te contar. - Não precisa – falei rapidamente – Eu posso vir aqui novamente. - Claro que não, não sabemos o que aconteceu com o Bill, é melhor eu ir até a sua casa, é mais seguro – ele sorriu de maneira encantadora. Claramente estava me manipulando, mas eu não poderia ficar discutindo sobre isso e perder a chance de descobrir algo sobre Bill. - Está certo – eu disse sem alegria. Virei para ir embora, mas antes que pudesse sair ele se colocou na minha frente. - O que fez no seu dedo? – ele perguntou. Eu respirei fundo, escondi o dedo com o esparadrapo que cobria o anel atrás das minhas costas. - Não é nada. - Não parece, estou sentindo cheiro de sangue. - É imaginação sua, eu tenho que ir embora, estou atrasada – tentei empurrá-lo sem sucesso, afinal, ele era tão grande, forte, bonito...eu tinha que parar com esses pensamentos impuros, eu estava ali pelo Bill. - Me deixa ver, Sookie – sua voz soou séria.

Eu afastei um pouco, meu coração estava novamente acelerado. Peguei minha mão e retirei o esparadrapo, soltei um gemido de dor e mostrei o anel para ele, meu dedo estava realmente horrível, já estava ficando roxo. Ele se aproximou e pegou minha mão com delicadeza, minha reação foi se afastar do predador, afinal, eu sabia que era presa, mas ele puxou novamente devagar e me encarou nos olhos: - Um anel!Estavam comemorando, vão se casar quando? – falou cinicamente. - Como vou casar se o noivo sumiu – retruquei de maneira irritada. - Ah, tinha esquecido disso – ele deu uma risada alta e eu virei a cabeça irritada, tentando puxar minha mão – E pelo jeito você tentou tirar o anel sem sucesso, se continuar assim vai perder o dedo. - Não é problema seu, logo sai sozinho – desejava que isso acontece. - Vou tirar para você, não se preocupe – e lá estava aquele sorriso sacana, ele estava se aproveitando da situação, como sempre faz. Começou a massagear lentamente meu dedo dolorido, eu gemi novamente de dor, mas em vez de ele puxar com a mão, ele levou meu dedo até sua boca, eu desesperada tentei puxar minha mão. Só que antes de fazer um novo movimento ele encostou os lábios no anel e começou a puxar lentamente, eu sentia os dentes pontudos roçando na minha pele quente, parecia o sonho que tinha tido com ele, mas foi um sonho e não se tornaria realidade, pois aqui eu não pretendia transar como louca. Filetes de sangue escorriam enquanto ele puxava o anel com a boca e ele conseguia fazer aquilo parecer tão sexual. O anel foi saindo, eu respirava aliviada, mas meu coração estava quase na boca e o formigando entre minhas pernas só aumentava. Por fim, ele puxou até o final com os lábios, segurando o anel numa de suas mãos e em seguida lambeu delicadamente o sangue que escorreu. - Foi bom para você como foi para mim? – ele falou com os olhos vidrados de desejo depois que terminou o serviço de lamber o sangue. Eu me livrei de seu contato com um safanão e respondi com uma tremenda raiva: - Você é um imbecil – sai pela porta soltando fogo, fui correndo até o carro e só quando sentei no volante consegui respirar novamente. Liguei o motor e sai em disparada, queria estar o mais longe dali, uma coisa era sentir desejos em sonhos, outro era na vida real e não queria sentir aquilo por ele. E eu jamais o receberia na minha casa, jamais... Maldito. Quando eu estava chegando ao Merlotte, eu lembrei de algo terrível. - O anel está com ele – falei em voz alta com ódio, bati a porta do carro e fui caminhando nervosa para o serviço. Sim, eu teria que recebê-lo mais tarde e só Deus sabe o que poderia acontecer. To Be Continued

Trilha Sonora Básica (Se Stephenie Meyer pode, eu também posso)
1. To Have And Not To Hold – Madonna 2. Candy Perfume Girl – Madonna 3. Somebody Else's Song – Lifehouse 4. Love Is Blindness – U2 5. Too Much of Not Enough – Silverchair 6. Tapes - Alanis Morissette 7. Orchid - Alanis Morissette 8. Mannequin – Katy Perry 9. Heaven Beside You – Alice in Chains 10. Stupid Girl – Garbage 11. If You Love Somebody Set Them Free – Sting 12. Just Breathe – Pearl Jam