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Democratizacao_da_Escola_Publica_A_Pedagogia_Critico-Social_dos_Conteudos_-_Jose_Carlos_Libaneo

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SUMÁRIO
TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS NA PRÁTICA ESCOLAR .........................................3 A. PEDAGOGIA LIBERAL...........................................................................................5 1. Tendência liberal tradicional ................................................................................8 2. Tendência liberal renovada progressivista.........................................................11 3. Tendência liberal renovada não-diretiva ............................................................13 4. Tendência liberal tecnicista................................................................................16 B. PEDAGOGIA PROGRESSISTA ...........................................................................20 1. Tendência progressista libertadora....................................................................21 2. Tendência progressista libertária.......................................................................25 3. Tendência progressista "crítico-social dos conteúdos" ......................................29 4. Em favor da pedagogia crítico-social dos conteúdos.........................................35

TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS NA PRÁTICA ESCOLAR*

A prática escolar consiste na concretização das condições que asseguram a realização do trabalho docente. Tais condições não se reduzem ao estritamente "pedagógico", já que a escola cumpre funções que lhe são dadas pela sociedade concreta que, por sua vez, apresenta-se como constituída por classes sociais com interesses antagônicos. A prática escolar assim, tem atrás de si condicionantes sociopolíticos que configuram diferentes concepções de homem e de sociedade e, consequentemente, diferentes pressupostos sobre o papel da escola, aprendizagem, relações professor-aluno, técnicas pedagógicas etc. Fica claro que o modo como os professores realizam sou trabalho, selecionam e organizam o conteúdo das matérias, ou escolhem técnicas de ensino e avaliação tem a ver com pressupostos teórico-metodológicos, explícita ou implicitamente.

Uma boa parte dos professores, provavelmente a maioria, baseia sua prática em prescrições pedagógicas que viraram senso comum, incorporadas quando de sua passagem pela escola ou transmitidas pelos colegas mais velhos; entretanto, essa prática contém pressupostos teóricos implícitos. Por outro lado, há professores interessados num trabalho docente mais conseqüente, professores capazes de perceber o sentido mais amplo de sua prática e de explicitar suas convicções. Inclusive há aqueles que se apegam à última tendência da moda, sem maiores cuidados em refletir se essa escolha trará, de fato, as respostas que procuram. Deve-se salientar, ainda, que os conteúdos dos cursos de licenciatura, ou não incluem o estudo das correntes pedagógicas, ou giram em torno de teorias de
Publicado anteriormente na Revista da ANDE, n° 6, 1982. Republicado aqui com algumas alterações.
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porém.. Ele escreve: "Os professores têm na cabeça o movimento e os princípios da escola nova. pretende-se. Em artigo publicado em 1981.65 . Após caracterizar a pedagogia tradicional e a pedagogia nova. (. nos meios (tecnicismo).. não ajudando os professores a formar um quadro de referência para orientar sua prática. fornecendo pressupostos teóricos e metodológicos de cada um. SAVIANI descreveu com muita propriedade certas confusões que se emaranham na cabeça de professores. todas incidindo sobre o professor. Face a essas constatações. o professor se vê pressionado pela pedagogia oficial que prega a racionalidade e produtividade do sistema e do seu trabalho.. A essa contradição se acrescenta uma outra: além de constatar que as condições concretas não correspondem à sua crença. porque a realidade em que atuam é tradicional..) rejeita o tecnicismo porque sente-se violentado pela ideologia oficial. uma breve explanação dos 1 Dermeval SAVIANI. das tendências pedagógicas que têm-se firmado nas escolar pela prática dos professores. ainda que precário. fazer um levantamento. “Tendências pedagógicas contemporâneas”. p. indica o aparecimento."(... aí.(.) Mas o drama do professor não termina. mais recente. não aceita a linha crítica porque não quer receber a denominação de agente repressor” 1 . da tendência tecnicista e das teorias critico-reprodutivistas.aprendizagem e ensino que quase nunca têm correspondência com as situações concretas de sala de aula. não oferece aos professores condições para instaurar a escola nova. ênfase.) Ai o quadro contraditório em que se encontra o professor: sua cabeça é escolanovista a realidade é tradicional. neste texto. isto é. A realidade.

nem conseguem captar toda a riqueza da prática escolar. as tendências pedagógicas foram classificadas em liberais e progressistas. PEDAGOGIA LIBERAL O termo liberal não tem o sentido de "avançado". a saber: A .Libertária 3. Utilizando como critério a posição que adotam em relação aos condicionantes sociopolíticos da escola.É necessário esclarecer que as tendências não aparecem em sua forma pura. aliás. são mutuamente exclusivas. São.Pedagogia progressista 1.Renovada não-diretiva 4. "aberto". a classificação e descrição das tendências poderão funcionar como instrumento de analise para o professor avaliar sua prática de sala de aula. ''democrático".Crítico-social dos conteúdos A.Pedagogia liberal 1. De qualquer modo.Tecnicista B .Renovada progressivista 3.Tradicional 2.Libertadora 2. A doutrina liberal apareceu como justificativa do sistema . nem sempre. como costuma ser usado. as limitações de qualquer tentativa de classificação.

a educação liberal iniciou-se com a pedagogia tradicional e. estabeleceu uma forma de organização social baseada na propriedade privada dos meios de produção. de acordo com as aptidões individuais. pois. o que não significou a substituição de uma pela outra. também denominada saciedade de classes. Evidentemente tais tendências se manifestam. nas suas formas ora conservadora. A pedagogia liberal sustenta a idéia de que a escola tem por função preparar os indivíduos para o desempenho de papeias sociais. é uma manifestação própria desse tipo de sociedade. por razões de recomposição da hegemonia da burguesia.capitalista que. Para isso. tem sido marcada pelas tendências liberais. A educação brasileira. A pedagogia liberal. . embora difunda a idéia de igualdade de oportunidades. evoluiu para a pedagogia renovada (também denominada escola nova ou ativa). ao defender a predominância da liberdade e dos interesses individuais na sociedade. os indivíduos precisam aprender a adaptar-se aos valores e às normas vigentes na sociedade de classes. ainda que estes não se dêem conta dessa influência. pelo menos nos últimos cinqüenta anos. pois ambas conviveram e convivem na prática escolar. portanto. A ênfase no aspecto cultural esconde a realidade das diferenças de classes. concretamente. nas práticas escolares e no ideário pedagógico de muitos professores. Historicamente. ora renovada. não leva em conta a desigualdade de condições. através do desenvolvimento da cultura individual.

a relação professor-aluno não têm nenhuma relação com o cotidiano do aluno e muito menos com as realidades sociais. em duas versões distintas: a renovada progressivista 2 . os procedimentos didáticos. Mas a educação é um processo interno. A tendência liberal renovada apresenta-se. entre nós. no qual aluno é educado para atingir. também. A tendência Liberal Renovada acentua. A escola renovada propõe um ensino que valoriza a auto-educação (o aluno como sujeito do conhecimento). Anísio Teixeira. decorrente do desenvolvimento científico (idéia equivalente a "evolução" em biologia). um ensino centrado no aluno e no grupo. entre os quais se destaca Anísio Teixeira (deve-se destacar. . na formulação 2 A designação "progressivista" vem de "educação progressiva". principalmente na forma difundida pelos pioneiros da educação nova. não externo.Na tendência tradicional. do cultivo exclusivamente intelectual. ou. DECROLY e. Educação Progressiva. de cultura geral. PIAGET). psicólogo norte-americano CARL ROGERS. Cf. Os conteúdos. a influência de MONTESSORI. das regras impostas. o sentido da cultura como desenvolvimento das aptidões individuais. ela parte das necessidades e interesses individuais necessários para a adaptação ao meio. pelo próprio esforço. sua plena realização como pessoa. pragmática. Esta tendência inspira-se no filósofo e educador norte-americano John Dewey. A educação é a vida presente é parte da própria experiência humana. orientada para os objetivos de auto-realização do (desenvolvimento pessoal) e para as relações inter-pessoais. a pedagogia se caracteriza por acentuar o ensino humanístico. termo usado por Anísio Teixeira para indicar a função da educação numa civilização era mudança. É a predominância da palavra do professor. a renovada não-diretiva. igualmente. a experiência direta sobre o meio pela atividade. de certa forma.

Dessa forma. "Pedagogia Tecnicista".). 34.A atuação da escola consiste na preparação intelectual e moral dos alunos para assumir sua posição na sociedade. O compromisso da escola é com a cultura. A sociedade industrial e tecnológica estabelece (cientificamente) as metas econômicas. da tecnologia educacional e da análise experimental do comportamento. Ela "é encarada como um instrumento capaz de promover. tendo como função a preparação de "recursos humanos" (mão-de-obra para indústria). tecnicismo e educação compensatória. pelo maximização da produção e. A tecnologia (aproveitamento ordenado de recursos. O caminho 3 Acácia A. ao mesmo tempo. sem contradição. p. o desenvolvimento econômico pela qualificação da mão-de-obra. No tecnicismo acreditase que a realidade contém em si suas próprias leis. S. MACHADO. o essencial não é o conteúdo da realidade. pela redistribuição da renda. sociais e políticas. mas as técnicas (forma) de descoberta e aplicação. . com base no conhecimento científico) é o meio eficaz de obter a maximização da produção e garantir um ótimo funcionamento da sociedade. de MELLO (org. a educação é um recurso tecnológico por excelência.A tendência liberal tecnicista subordina a educação à sociedade. bastando aos homens descobrilas e aplicá-las. in Guiomar N. os problemas sociais pertencem à sociedade. Tendência liberal tradicional Papel da escola . KUENZER e Lucília R. Escola nova. Utiliza-se basicamente do enfoque sistêmico. a educação treina (também cientificamente) nos alunos os comportamentos de ajustamento a essas metas. pelo desenvolvimento da 'consciência política' indispensável à manutenção do Estado autoritário" 3 . 1.

despertar interesse). valendo pelo valor intelectual.cultural em direção ao saber é o mesmo para todos os alunos. Métodos - Baseiam-se na exposição verbal da matéria e/ou demonstração. Tanto a exposição quanto a análise são feitas pelo professor. e) aplicação (explicação de fatos adicionais e/ou resoluções de exercícios). devem procurar o ensino mais profissionalizante. Conteúdos de ensino . b) apresentação (realce de pontos-chave. razão pela qual a pedagogia tradicional é criticada como intelectualista e. às vezes. Assim. como enciclopédica. demonstração). é a exposição sistematizada). A ênfase nos exercícios. os menos capazes devem lutar para superar suas dificuldades e conquistar seu lugar junto aos mais capazes. c) associação (combinação do conhecimento novo com o já conhecido por comparação e abstração). As matérias de estudo visam preparar o aluno para a vida. são determinadas pela sociedade e ordenadas na legislação. .São os conhecimentos e valores sociais acumulados pelas gerações adultas e repassados ao aluno como verdades. Caso não consigam. d) generalização (dos aspectos particulares chega-se ao conceito geral. na repetição de conceitos ou fórmulas na memorização visa disciplinar a mente e formar hábitos. Os conteúdos são separados da experiência do aluno e das realidades sociais. desde que se esforcem. observados os seguintes passos: a) preparação do aluno (definição do trabalho. recordação da matéria anterior.

então. trabalhos de casa). em geral. O professor transmite o conteúdo na forma de verdade a ser absorvida. devem ser dados numa progressão lógica. é indispensável a retenção.Predomina a autoridade do professor que exige atitude receptiva dos alunos e "impede qualquer comunicação entre eles no decorrer da aula.A idéia de que o ensino consiste em repassar os conhecimentos para o espírito da criança é acompanhada de uma outra: a de que a capacidade de assimilação da criança é idêntica à do adulto. A aprendizagem. A avaliação se dá por verificações de curto prazo (interrogatórios. apelos aos pais). às vezes. assim é receptiva e mecânica. para que se recorre freqüentemente à coação. Pressupostos de aprendizagem . À transferência da aprendizagem depende do treino. classificações). O reforço é. apenas menos desenvolvida. sem levar em conta as características próprias de cada idade. Os programas. a disciplina imposta é o meio mais eficaz para assegurar a atenção e o silêncio. em conseqüência. Manifestações na prática escolar .A pedagogia liberal tradicional é viva e atuante em nossas escolas. Na descrição apresentada aqui incluem-se as escolas religiosas ou leigas que adotam uma orientação clássico-humanista ou uma . negativo (punição. a fim de que o aluno possa responder às situações novas de forma semelhante às respostas dadas em situações anteriores. A retenção do material ensinado é garantida pela repetição de exercícios sistemáticos e recapitulação da matéria.Relacionamento professor-aluno . notas baixas. exercícios de casa) e de prazo mais longo (provas escritas. é positivo (emulação. estabelecida pelo adulto. orais.

Dá-se. ela deve se organizar de forma a retratar. a pesquisa. a vida. o quanto possível. a descoberta. ou seja. Trata-se de "aprender a aprender". muito mais valor aos processos mentais e habilidades cognitivas do que a conteúdos organizados racionalmente. sendo que esta se aproxima mais do modelo de escola predominante em nossa história educacional. Tal integração se dá por meio de experiências que devem satisfazer. numa interação entre estruturas cognitivas do indivíduo e estruturas do ambiente.A idéia de "aprender fazendo" está sempre presente. Conteúdos de ensino . Tendência liberal renovada progressivista Papel da escola . Método de ensino .orientação humano-científica. num processo ativo de construção e reconstrução do objeto. 2. Valorizam-se as tentativas experimentais. para isso. Todo ser dispõe dentro de si mesmo de mecanismos de adaptação progressiva ao meio e de uma conseqüente integração dessas formas de adaptação no comportamento. os conteúdos de ensino são estabelecidos em função de experiências que o sujeito vivência frente a desafios cognitivos e situações problemáticas.A finalidade da escola é adequar as necessidades individuais ao meio social e.Como o conhecimento resulta da ação a partir dos interesses e necessidades. À escola cabe suprir as experiências que permitam ao aluno educar-se. o estudo do . ao mesmo tempo. os interesses do aluno e as exigências sociais. portanto. é mais importante o processo de aquisição do saber do que o saber propriamente dito.

sendo o . De-croly. com a ajuda discreta do professor. se intervém. mas como condição básica do desenvolvimento mental. Na maioria delas. participante. as escolas ativas ou novas (Dewey. uma forma de instaurar a "vivência democrática" tal qual deve ser a vida em sociedade. é para dar forma ao raciocínio dela. Cousinet e outros) partem sempre de atividades adequadas à natureza do aluno e às etapas do seu desenvolvimento. Os passos básicos do método ativo são: a) colocar o aluno numa situação de experiência que tenha um interesse por si mesma. como estímulo à reflexão.A motivação depende da força de estimulação do problema e das disposições internas e interesses do aluno. respeitador das regras do grupo. Embora os métodos variem. Para se garantir um clima harmonioso dentro da sala de aula é indispensável um relacionamento positivo entre professores é alunos. aprender se torna uma atividade de descoberta. Montessori. é uma auto-aprendizagem. acentua-se a importância do trabalho em grupo não apenas como técnica. Pressupostos de aprendizagem . A disciplina surge de uma tomada de consciência dos limites da vida grupal. a fim de determinar sua utilidade para a vida. o método de solução de problemas. e) deve-se garantir a oportunidade de colocar as soluções à prova. d) soluções provisórias devem ser incentivada e ordenadas. aluno disciplinado é aquele que é solidário.Não há lugar privilegiado para o professor.meio natural e social. Relacionamento professor-aluno . c) o aluno deve dispor de informações e instruções que lhe permitam pesquisar a descoberta de soluções. b) o problema deve ser desafiante. assim. Assim. antes. seu papel é auxiliar o desenvolvimento livre e espontâneo da criança.

também. Tendência liberal renovada não-diretiva Papel da escola . em larga escala. Todo esforço está em estabelecer um clima favorável a uma mudança dentro do indivíduo. o método de projetos de Dewey. a uma . É retido o que se incorpora à atividade do aluno pela descoberta pessoal. as "escolas comunitárias” e mais remotamente (década de 60) a "escola secundária moderna". A avaliação é fluida e tenta ser eficaz à medida que os esforços e os êxitos são pronta e explicitamente reconhecidos pelo professor. e muitos professores sofrem sua influência.ambiente apenas o meio estimulador. 3. não somente por faltar de condições objetivas como também porque se choca com uma prática pedagógica basicamente tradicional. Pertencem. o que é incorporado passa a compor a estrutura cognitiva para ser empregado em novas situações. nos cursos de licenciatura. Manifestações na prática escolar . à tendência progressivista muitas das escolas denominadas "experimentais". na versão difundida por Lauro de Oliveira Lima. isto é. o método dos centros de interesse de Decroly. Entretanto.Os princípios da pedagogia progressivista vêm sendo difundidos. Alguns métodos são adotados em escolas particulares.Acentua-se nesta tendência o papel da escola na formação de atitudes. sua aplicação é reduzidíssima. O ensino baseado na psicologia genética de Piaget tem larga aceitação na educação pré-escolar. razão pela qual deve estar mais preocupada com problemas psicológicos do que com os pedagógicos ou sociais. como o método Montessori.

prevalecendo quase que exclusivamente o esforço do professor em desenvolver um estilo próprio para facilitar a aprendizagem dos alunos Rogers explicita algumas das características do professor “facilitador": aceitação da pessoa do aluno. Conteúdos de ensino . como condição para o crescimento pessoal. Liberdade para aprender. as aulas. Rogers 4 * considera que o ensino é uma atividade excessivamente valorizada. 4 Cf. receptivo e ter plena convicção na capacidade de autodesenvolvimento do estudante. o que implica estar bem consigo próprio e com seus semelhantes. O resultado de uma boa educação é muito semelhante ao de uma boa terapia. o objetivo do trabalho escolar se esgota nos processos de melhor relacionamento interpessoal. livros. sem ameaças. Assim. tudo tem muito pouca importância. Métodos de ensino . Sua função restringe-se a ajudar o aluno a se organizar. capacidade de ser confiável. Os processos de ensino visam mais facilitar aos estudantes os meios para buscarem por si mesmos os conhecimentos que. . face ao propósito de favorecer à pessoa um clima de auto-desenvolvimento e realização pessoal.Os métodos usuais são dispensados.adequação pessoal às solicitações do ambiente. a competência na matéria. são dispensáveis. utilizando técnicas de sensibilização onde os sentimentos de cada um possam ser expostos. para ele os procedimentos didáticos. no entanto.A ênfase que esta tendência põe nos processos de desenvolvimento das relações e da comunicação torna secundária a transmissão de conteúdos. Carl ROGERS.

desenvolve a valorização do "eu". Rogers. podem-se citar também tendências inspiradas na escola de Summerhill do educador inglês A. é modificar suas próprias percepções. o que não está envolvido com o "eu" não é retido e nem transferido. Suas idéias influenciam um número expressivo de educadores e professores. ou seja. A motivação aumenta. . Toda intervenção é ameaçadora e inibidora da aprendizagem. O professor é um especialista em relações humanas. a avaliação escolar perde inteiramente o sentido. daí que apenas se aprende o que estiver significativamente relacionado com essas percepções. Menos recentemente. Resulta que a retenção se dá pela relevância do aprendido em relação ao "eu".Relacionamento professor-aluno . Manifestações na prática escolar . Aprender.A pedagogia não-diretiva propõe uma educação centrada no aluno. “Ausentar-se” é a melhor forma de respeito e aceitação plena do aluno. portanto. visando formar sua personalidade através da vivência de experiências significativas que lhe permitam desenvolver características inerentes a sua natureza.Entre nós. Portanto. é portanto um ato interno. Neill. quando o sujeito desenvolve o sentimento de que é capaz de agir em termos de atingir suas metas pessoais. ao garantir o clima de relacionamento pessoal autêntico. privilegiando-se a auto-avaliação. o inspira-dor da pedagogia não-diretiva é C. isto é.A motivação resulta do desejo de adequação pessoal na busca da auto-realização. Pressupostos de aprendizagem . na verdade mais um psicólogo clínico que um educador. principalmente orientadores educacionais e psicólogos escolares que se dedicam ao aconselhamento.

Tendência liberal tecnicista Papel da escola . É matéria de ensino apenas o que é redutível ao conhecimento observável e mensurável. estabelecidos e ordenados numa seqüência lógica e psicológica por especialistas. os conteúdos decorrem. Conteúdos de ensino . para tanto. á tecnologia educacional. mas deve ser restrita aos especialistas.. informações precisas. Tal sistema social é regido por leis naturais (há na sociedade a mesma regularidade e as mesmas relações funcionais observáreis entre os fenômenos da natureza). A escola atua. objetivas e rápidas. no aperfeiçoamento da ordem social vigente (o sistema capitalista). assim. a “aplicação" é competência do processo educacional comum. emprega a ciência da mudança de comportamento. ou seja. À educação escolar compete organizar o processo de aquisição de habilidades. a tecnologia comportamental. . assim.São as informações. princípios científicos. articulando-se diretamente com o sistema produtivo. da ciência objetiva. uma vez que os objetivos instrucionais (conteúdos) resultam da aplicação de leis naturais que independem dos que a conhecem ou executam. Seu interesse imediato é o de produzir indivíduos "competentes” para o mercado de trabalho. úteis e necessários para que os indivíduos se integrem na maquina do sistema social global. Basta aplicá-las. atitudes e conhecimentos específicos. através de técnicas específicas. leis etc. a análise experimental do comportamento garantem a objetividade da prática escolar. eficientemente. a escola funciona como modeladora do comportamento humano.4. cientificamente descobertas. A atividade da "descoberta" é função da educação. orgânico e funcional. A pesquisa científica.Num sistema social harmônico. transmitindo.

5 Lígia O. a fim de ordenar sequencialmente os passos da instrução. daí a importância da tecnologia educacional. As etapas. b) análise da tarefa de aprendizagem. módulos etc. Se a primeira tarefa do professor é modelar respostas apropriadas aos objetivos instrucionais. procedimentos instrucionais e avaliação. concepção de aprendizagem como mudança de comportamento. nas técnicas de microensino. nos dispositivos audiovisuais etc. A tecnologia educacional é a "aplicação sistemática de princípios científicos comportamentais e tecnológicos. multimeios. Qualquer sistema instrucional (há uma grande variedade deles) possui três componentes básicos: objetivos instrucionais operacionalizados em comportamentos observáveis e mensuráveis.25 . c) executar o programa. utilizando uma metodologia e abordagem sistêmica abrangente” 5 . básica de processo ensino aprendizagem são: a) estabelecimento de comportamentos terminais.eliminando-se qualquer sinal de subjetividade. O essencial da tecnologia educacional é a programação por passos seqüenciais empregada na instrução programada. através de objetivos instrucionais. em função de resultados efetivos. nos livros didáticos. Métodos de ensino . AURICCHIO. p. Manual de tecnologia educacional. a problemas educacionais. reforçando gradualmente as respostas corretas correspondentes aos objetivos. nos módulos de ensino. O emprego da tecnologia instrucional na escola pública aparece nas formas de: planejamento em moldes sistêmicos. a principal é conseguir o comportamento adequado pelo controle do ensino.Consistem nos procedimentos e técnicas necessárias ao arranjo e controle das condições ambientais que assegurem a transmissão/recepção de informações. O material instrucional encontra-se sistematizado nos manuais.

conforme uma instrucional eficiente e efetivo em termos de resultados da aprendizagem. Ambos são espectadores frente à verdade objetiva. cp. os sistemas instrucionais visam o controle do comportamento individual face a objetivos preestabelecidos. HUENZER e Lucília R. com papeis tem definidos: o professor administra as condições de transmissão da matéria. O professor é apenas um elo de ligação entre a verdade científica e o aluno. O aluno é um indivíduo responsivo. . Assim.cit. Pressupostos de aprendizagem – as teorias de aprendizagem que fundamentam a pedagogia tecnicista dizem que aprender é uma questão de modificação do desempenho: o bom ensino depende de organizar eficientemente as condições estimuladoras. audiovisuais avaliação etc. o ensino é um processo de condicionamento através do uso de reforçamento das respostas que se quer obter. A comunicação professor-aluno tem um sentido exclusivamente técnico. Trata-se de um enfoque diretivo do ensino. assim como pouco importam as relações afetivas e pessoais dos sujeitos envolvidos no processo ensino aprendizagem. MACHADO. não participa da elaboração do programa educacional.S. centrado no controle 6 Cf Acácia A. de modo a que o aluno saia da situação de aprendizagem diferente de como entrou.São relações estruturadas e objetivas.operacionalização de objetivos. uso procedimentos científicos (instrução programada. questionamentos são desnecessários. cabendo-lhe empregar o sistema instrucional previsto. que garantir a eficácia da transmissão do conhecimento. Debates. Ou seja. Relacionamento professor-aluno . aprende e fixa as informações. inclusive a programação de livros didático) 6 . discussões. o aluno recebe.

692/71. cf Lígia de AURICHIO. a partir da psicologia. cem a resposta ou após a mesma: “Se a ocorrência de um (comportamento) operante é seguida pela apresentação de um estímulo (reforçador). Os componentes da aprendizagem – motivação. é o estudo científico do comportamento: descobrir as leis presidem as reações físicas do organismo que aprende.das condições que cercam o organismo que se comporta.A. A despeito da maquina oficial. transferência . retenção.Programa Brasileiro-Americano de Auxílio ao Ensino Elementar). que reorganizam o ensino superior e ensino de 1° e 2° graus. pelo menos no nível de política oficial. controlados por meio de reforços que ocorrem. não há indícios seguros de que o professor da escola pública tenham assimilado a pedagogia tecnicista (planejamento. o comportamento aprendido é uma resposta a estímulos externos. O objetivo da ciência pedagógica. . É quando a orientação escolanovista cede lugar à tendência tecnicista.G. OLIVEIRA. a probabilidade de reforçamento é aumentada". procedimentos de avaliação e etc) não configura uma postura 7 Para maiores esclarecimentos. Bloom e Mager. os marcos de implantação do modelo tecnicista são as leis 5. livros didáticos programados.A influência da pedagogia tecnicista remonta à 2° metade dos anos 50 (PABAEE . a fim de aumentar o controle das variáveis que o afetam. Entretanto foi introduzida mais efetivamente no final dos anos 60 com o objetivo de adequar o tema educacional à orientação político econômica do regime militar: inserir a escola nos modelos de racionalização do sistema de produção capitalista.540/68 e 5. Gagné. Entre os autores que contribuem para os estudos de aprendizagem destacam-se: Skinner. Tecnologia Educacional teorias da instrução.decorrem da aplicação do comportamento operante. Segundo Skinner. entretanto. 7 Manifestações na prática escolar . Manual de Tecnologia Educacional. J.

dão mais valor ao processo de aprendizagem grupal (participação em discussões. não tem como institucionalizar-se numa sociedade capitalista. diferentemente das anteriores.tecnicistas do professor. A pedagogia progressista tem-se manifestado em três tendências: a libertadora. votações) do que 8 Sobre a introdução da pedagogia tecnicista no Brasil. sustentam implicitamente as finalidades sociopolíticas da educação. antes. Escola. emprestado de Snyders 9 . Evidente-mente a pedagogia progressista. daí ser ela um instrumento de luta dos professores ao lado de outras práticas sociais. Estado e Sociedade. Desregulagem — Educação. entre outros. Barbara FREITAG. o exercício profissional continua mais para uma postura eclética em torno de princípios pedagógicos assentados nas pedagogias tradicional e renovada. a valorização da experiência vivida como base da relação educativa e a idéia de autogestão pedagógica. Em função disso. mais conhecida como pedagogia de Paulo Freire. que reúne os defensores da autogestão pedagógica. Planejamento e Tecnologia como ferramenta Social no Brasil. Laymert G. 8 B. PEDAGOGIA PROGRESSISTA O termo "progressista". acentua a primazia dos conteúdos no seu confronto cor as realidades sociais. . S. GARCIA. cf. é usado aqui para designar as tendências que. partindo de uma análise crítica das realidades sociais. a crítico-social dos conteúdos que. As versões libertadora e libertária têm em comum o anti-autoritarismo. George SNYDERS. Pedagogia Progressista. 9 Cf. assembléias. a libertária.

Entende a escola como mediação entre o individual e o social. A tendência da pedagogia critico social de conteúdos propõe uma síntese superadora das pedagogia tradicional e renovada.que visa apenas depositar informações sobre o aluno -. quanto a educação renovada . Assim. A educação libertadora. denominada "bancária" .que pretenderia uma libertação psicológica individual . professores e educadores engajados no ensino escolar vêm adotando pressupostos dessa pedagogia. razão pela qual preferem as modalidades de educação popular “não-formal”.são domesticadoras. diz-se que ela é uma atividade onde professores e alunos. a prática educativa somente faz sentido numa prática social junto ao povo. Tanto a educação tradicional.aos conteúdos de ensino. ao contrário. quando se fala na educação em geral. mediatizados pela realidade que apreendem e da qual extraem o conteúdo de aprendizagem. valorizando a ação pedagógica enquanto inserida na prática social concreta. pois em nada contribuem para desvelar a realidade social de opressão. dessa articulação resulta o saber criticamente re-elaborado. Entretanto. exercendo aí a articulação entre a transmissão dos conteúdos e a assimilação ativa por parte de um aluno concreto (inserido num contexto de relações sociais). 1. Tendência progressista libertadora Papel da escola . Como decorrência. já que sua marca é a atuação "não-formal".Não é próprio da pedagogia libertadora falar em ensino escolar. atingem um nível de consciência dessa mesma realidade. num sentido de transformação social. a fim de nela atuarem. questiona concretamente a realidade das relações do .

Cf. antes da transformação da sociedade. Paulo FREIRE: Ação Cultural para a Liberdade. porque não emerge do saber popular. 10 Conteúdos de ensino . estes deverão ser redigidos pelos próprios educandos com a orientação do educador. A transmissão de conteúdos estruturados a partir de fora é considerada como "invasão cultural" ou "depósito de informação". são extraídos da problematização da prática de vida dos educandos. segundo suas próprias palavras. por outro lado. Os conteúdos tradicionais são recusados porque cada pessoa. O importante não é a transmissão de conteúdos específicos. Pedagogia do Oprimido e Extensão ou Comunicação?33 10 . Paulo Freire.daí ser uma educação crítica. que seus pressupostos sejam adotados e aplicados por numerosos professores. visando a uma transformação . Se forem necessários textos de leitura. ainda que de forma rudimentar.homem com a natureza e com os outros homens. o que. mas despertar uma nova forma da relação com a experiência vivida. Em nenhum momento o inspirador e mentor da pedagogia libertadora. impede que ela seja posta em prática. Daí porque sua atuação se dê mais a nível da educação extra-escolar. deixa de mencionar o caráter essencialmente político de sua pedagogia. em termos sistemáticos. O que não tem impedido. cada grupo envolvidos na ação pedagógica dispõem em si próprios. dos conteúdos necessários dos quais se parte. nas instituições oficiais.Denominados "temas geradores".

permitirão aos educandos um esforço de compreensão do "vivido". deve "descer" ao nível dos alunos. quando necessário. por princípio. a autoavaliação feita em termos dos compromissos assumidos com a prática social. formas essas próprias da “educação bancária"."Para ser um ato de conhecimento o processo de alfabetização de adultos demanda." Assim sendo. Se nisso consiste o conteúdo do trabalho educativo. Deve caminhar "junto".. aquela em que os sujeitos do ato de conhecer se encontram mediatizados pelo objeto a ser conhecido” (. “O dialogo engaja ativamente a ambos os sujeitos do ato de conhecer: educador-educando e educando-educador. embora não se furte. O professor é um animador que. definindo o conteúdo e a dinâmica das atividades. a forma de trabalho educativo é o "grupo de discussão”. adaptando-se às suas características e ao desenvolvimento próprio de cada grupo. . dispensam-se um programa previamente estruturado. uma relação de autêntico diálogo.Métodos de ensino . Os passos da aprendizagem - codificação-decodificação.). aulas expositivas. Entretanto admite-se a avaliação da prática vivenciada entre educador-educandos no processo de grupo e.. até chegar a um nível mais crítico de conhecimento da sua realidade. a fornecer uma informação mais sistematizada. a quem cabe autogerir a aprendizagem. domesticadoras. portanto. e problematização da situação . intervir o mínimo indispensável. trabalhos escritos. assim como qualquer tipo de verificação direta da aprendizagem. entre educadores e educandos. às vezes. sempre através da troca de experiência em torno da prática social.

mas que permanece vigilante para assegurar ao grupo um espaço humano para "dizer sua palavra". O que o educando transfere. isto é da situação real vivida pelo educando. onde educador e educandos se posicionam como sujeitos do ato de conhecimento.Relacionamento professor-aluno . a relação é horizontal. mas não no sentido do professor que se ausenta (como em Rogers)." Aprende é um ato de conhecimento da realidade concreta. para se exprimir sem se neutralizar.ou seja. por pressuposto. e só tem sentido se resulta de uma aproximação crítica dessa realidade. O critério de bom relacionamento é a total identificação com o povo. Pressupostos de aprendizagem .No diálogo. sob pena de esta inviabilizar o trabalho de conscientização. Trata-se de uma "não-diretividade". é o que foi incorporado como resposta às situações de opressão . da qual se torna distância para analisa-lá criticamente. seu engajamento na militância política. a razão de ser dos fatos. sem o que a relação pedagógica perde consistência. "Esta análise envolve o exercício da abstração. ao qual se chega pelo processo de compreensão. reflexão e crítica. por meio de representações da realidade concreta. toda relação de autoridade.A própria designação de "educação problematizadora" como correlata de educação libertadora revela a força motivadora da aprendizagem. . O que é aprendido não decorre de uma imposição ou memorização. de "aproximação de consciências". através da qual procuramos alcançar. em termos de conhecimento. Elimina-se. mas do nível crítico de conhecimento. como método básico. A motivação se dá a partir da codificação de uma situaçãoproblema.

grupos informais. Entre nós. reuniões. Embora as formulações teóricas de Paulo Freire se restrinjam à educação de adultos ou à educação popular. Há diversos grupos desta natureza que vêm atuando não somente no nível da prática popular. correlata à primeira. um sentido expressamente político. portanto. que tem aplicado suas idéias pessoalmente em diversos países.criar grupos de pessoas com princípios educativos autogestionários (associações. vão "contaminando" todo o sistema. leve para lá tudo o que aprendeu. de tal forma que o aluno. é – aproveitando a margem de liberdade do sistema .A pedagogia libertária espera que a escola exerça uma transformação na personalidade dos alunos num sentido libertário e autogestionário. praticamente. Outra forma de atuação da pedagogia libertária. conselhos.A pedagogia libertadora tem como inspirador e divulgador Paulo Freire. A escola instituirá. A idéia básica é introduzir modificações institucionais. em geral. a partir dos níveis subalternos que.). mecanismos institucionais de mudança (assembléias.Manifestações na prática escolar . à medida que se afirma o indivíduo . eleições. escolas autogestjonárias). primeiro no Chile. em seguida. com base na participação grupal. uma vez atuando nas instituições "externas". Tendência progressista libertária Papel da escola . mas também por meio de publicações. associações etc. depois na África. tem exercido uma influência expressiva nos movimentos populares e sindicatos e. 2. com relativa independência em relação às idéias originais da pedagogia libertadora. Há. muitos professores vêm tentando colocá-las em prática em todos os graus de ensino formal. se confunde com a maior parte das experiências do que se denomina "educação popular".

É na vivência grupal. . A autogestão é. porque importante é o conhecimento que resulta das experiências vividas pelo grupo. mas a descoberta de respostas às necessidades e às exigências da vida social. dominadora do Estado.). a "pedagogia institucional". nem dos alunos)". o conteúdo e o método. 11 Conteúdos de ensino . Assim.As matérias são colocadas à disposição do aluno. la escuela hacia la autogestión. para extrair dele um sistema de representações mentais.como produto do social e que o desenvolvimento individual somente se realiza no coletivo. Método de ensino . as matérias de estudo. que tudo controla (professores. graças à sua própria iniciativa e sem qualquer forma de poder. que os alunos buscarão encontrar as bases mais satisfatórias de sua própria “instituição”. os conteúdos propriamente ditos são os que resultam de necessidades e interesses manifestos pelo grupo e que não são. retirando a autonomia. programas. assim. especialmente a vivência de mecanismos de participação crítica. na sua modalidade mais conhecida entrenós. pretende ser uma forma de resistência contra a burocracia como instrumento da ação. A pedagogia libertária. provas etc. necessária nem indispensavelmente. resume tanto o objetivo pedagógico quanto o político. mas não são exigidas. São um instrumento a mais. Os 11 Cf Michel LOBROT. na forma de autogestão. Pedagogia instotucional. "Conhecimento" aqui não é a investigação cognitiva do real. as atividades e a organização. do trabalho no interior da escola (menos a elaboração dos programas e a decisão dos exames que não dependem nem dos docentes. Trata-se de "colocar nas mãos dos alunos tudo o que for possível: o conjunto da vida.

finalmente. relações informais entre os alunos. sem transformar o aluno em "objeto". ou se retira. cooperativas.alunos têm liberdade de trabalhar ou não. permanecendo em silêncio). quem quiser fazer outra coisa. Relação professor-aluno . o grupo começa a se organizar. excluída qualquer direção de fora do grupo. por exemplo. também este o é em relação aos alunos (ele pode. parte para a execução do trabalho. isto é. nada impede que o professor se ponha a serviço do aluno. o grupo se organiza de forma mais efetiva e. de modo a que todos possam participar de discussões. O progresso da autonomia. no quarto momento. transformar a relação professor-aluno no sentido da não-diretividade. assembléias. essa liberdade de decisão tem um sentido bastante claro: se um aluno resolve não participar. O professor é um orientador e um catalisador. ou entra em acordo com o grupo. No terceiro momento. sem impor suas concepções e idéias. Entretanto. Em seguida. o faz porque não se sente integrado. Se os alunos são livres frente ao professor. ele se mistura ao grupo para uma reflexão em comum. mas o grupo tem responsabilidade sobre este fato e vai se colocar a . Embora professor e aluno sejam desiguais e diferentes. isto é.A pedagogia institucional visa "em primeiro lugar. recusasse a responder uma pergunta. diversas formas de participação e expressão pela palavra. considerar desde o início a ineficácia e a nocividade de todos os métodos à base de obrigações e ameaças". ficando o interesse pedagógico na dependência de suas necessidades ou das do grupo. se dá num "crescendo": primeiramente a oportunidade de contatos aberturas.

por seu traço de impessoalidade.As formas burocráticas das instituições existentes. Pressupostos de aprendizagem . por exemplo. como . Por isso mesmo. ao professor cabe a função de "conselheiro" e outras vezes. ao menos em termos de conteúdo. seu silêncio tem um significado educativo que pode. comprometem o crescimento pessoal. Em nenhum momento esses papéis do professor se confundem com o de "modelo". e também a dos professores progressistas.A pedagogia libertária abrange quase todas as tendências anti-autoritárias em educação. a anarquista. A ênfase na aprendizagem informal. Embora Meill e Rogers não possam ser considerados progressistas (conforme entendemos aqui).questão. ser uma ajuda para que o grupo assuma a resposta ou a situação criada. o experimentado é incorporado e utilizável em situações novas. portanto. no interesse em crescer dentro da vivência grupal. não deixam de influenciar alguns libertários. via grupo. pois a pedagogia libertária recusa qualquer forma de poder ou autoridade. Assim. No mais. entre elas. a dos sociólogos. a psicanalista. Somente o vivido. Outras tendências pedagógicas correlatas . pois supõe-se que o grupo devolva a cada um de seus membros a satisfação de suas aspirações e necessidades. quando o professor se cala diante de uma pergunta. e a negação de toda forma de repressão visam favorecer o desenvolvimento de pessoas mais livres. A motivação está. de instrutor-monitor à disposição do grupo. o critério de relevância do saber sistematizado é seu possível uso prático. não faz sentido qualquer tentativa de avaliação da aprendizagem.

mas de crítica das instituições em favor de um projeto autogestionário.A difusão de conteúdos é a tarefa primordial. Se o que define uma pedagogia crítica é a consciência de seus condicionantes histórico-sociais. apesar da tônica de seus trabalhos não ser propriamente pedagógica. a condição para que a escola sirva aos interesses populares é garantir a todos um bom ensino. isto é. Assim. a função da pedagogia "dos conteúdos" é dar um passo à frente no papel transformador da escola.Lobrot. a esse respeito. Entre os estrangeiros devemos citar Vasquez e Oury entre os mais recentes. mas vivos. Se a escola é parte integrante do todo social. Freinet. citamos Miguel Gonzales Arroyo. concretos e. que tem sido muito estudado entre nós. já que a própria escola pode contribuir para eliminar a seletividade social e torná-la democrática.. agir dentro dela é também agir no rumo da transformação da sociedade. A valorização da escola como instrumento de apropriação do saber é o melhor serviço que se presta aos interesses populares. Não conteúdos abstratos. 3. Em termos propriamente pedagógicos. existindo inclusive algumas escolas aplicando seu método. Particularmente significativo é o trabalho de C. Ferrer y Guardiã entre os mais antigos. 12 Entre os estudiosos e divulgadores da tendência libertária pode-se citar Mauricio Tragtemberg. Tendência progressista "crítico-social dos conteúdos" Papel da escola . portanto. para onde vão as pedagogias não-diretivas? . inclusive com propostas efetivas de ação escolar. G SNYDERS. a apropriação dos conteúdos escolares 12 Cf. indissociáveis das realidades sociais. mas a partir das condições existentes.

. incorporados pela humanidade. a uma visão sintética.. fornecendo lhe um instrumental. eles não são fechados e refretários às realidades sociais. uma das mediações pela qual o aluno. Carlos R. à sua significação humana e social. Magistério de 1° grau. pela intervenção do professor e por sua própria participação ativa. mais organizada e unificada.120. 13 Em síntese. p.. p. CURY. que devem ser assimilados e não simplesmente reinventados.. Conteúdos de ensino .. ou seja. mas uma relação de continuidade em que. 13 . progressivamente. para uma participação organizada e ativa na democratização da sociedade. Entendida nesse sentido. passa de uma experiência inicialmente confusa e fragmentada (sincrética). Guiomar N de MELLO. mas permanentemente reavaliados face às realidades sociais. a atuação da escola consiste na preparação do aluno para o mundo adulto e suas contradições. Educação: do senso comum à consciência filosófica. Educação e contradição: elementos. de forma indissociável.24.São os conteúdos culturais universais que se constituíram em domínios de conhecimento relativamente autônomos. p. é preciso que se liguem. Não basta que os conteúdos sejam apenas ensinados. a educação é "uma atividade mediadora no seio da prática social global". Embora se aceite que os conteúdos são realidades exteriores ao aluno. se passa da experiência imediata e desorganizada ao conhecimento sistematizado. Não que a primeira apreensão da Cf Dermeval SAVIANI.básicos que tenham ressonância na vida" dos átimos. Essa maneira de conceber os conteúdos do saber não estabelece oposição entre cultura erudita e cultura popular. ainda que bem ensinados. J. ou espontânea.75.. por meio da aquisição de conteúdos e da socialização.

os estereótipos.realidade seja errada. ao mesmo tempo. trata-se. investigação ou . mas é necessária à ascensão a uma forma de elaboração superior. sintetiza Snvders. introduz a possibilidade de uma reavaliação crítica frente a esse conteúdo. de um lado.a continuidade. Dessas considerações resulta claro que se pode ir do saber ao engajamento político. mas. de obter o acesso do aluno aos conteúdos. ligando-os com a experiência concreta dele .assume o saber como tendo um conteúdo relativamente objetivo. de proporcionar elementos de análise crítica que ajudem o aluno a ultrapassar a experiência. de outro.Ao admitir um conhecimento relativamente autônomo . que é o que se critica na pedagogia tradicional e na pedagogia nova. A postura da pedagogia "dos conteúdos" . Assim. Como. é preciso que os métodos favoreçam a correspondência dos conteúdos com os interesses dos alunos. as pressões difusas da ideologia dominante . nem da sua substituição pela descoberta. mas não o inverso. mas. sob o risco de se afetar a própria especificidade do saber e até cair-se numa forma de pedagogia ideológica. Métodos de ensino . ao mencionar o papel do professor.A questão dos métodos se subordina à dos conteúdos: se o objetivo é privilegiar a aquisição do saber. e de um saber vinculado às realidades sociais. e que estes possam reconhecer nos conteúdos o auxílio ao seu esforço de compreensão da realidade (prática social). nem se trata dos métodos dogmáticos de transmissão do saber da pedagogia tradicional. conseguida pelo próprio aluno. com a intervenção do professor.é a ruptura.

participa na busca da verdade. como se o saber pudesse ser inventado pela criança. na forma de um confronto entre a experiência e a explicação do professor. de um saber artificial. na concepção da pedagogia renovada. cultural) e o sujeito. confrontada com o saber e relaciona a prática vivida pelos alunos com os conteúdos propostos pelo professor. social. ao confrontá-la com os conteúdos e modelos expressos pelo professor. sendo o professor o mediador. mas de uma relação direta com a experiência do aluno. a consciência dessa prática no sentido de referi-la aos termos do conteúdo proposto. o aluno. Os métodos de uma pedagogia crítico-social dos conteúdos não partem. depositado a partir de fora. Mas esse esforço do professor em orientar. O papel do adulto é insubstituível. o que não é outra coisa senão a unidade entre a teoria e a prática. nem do saber espontâneo. Ou seja. havendo. uma aula começa pela constatação da prática real. até a síntese. com sua experiência imediata num contexto cultural. então. em seguida. . pelo professor dos elementos novos de análise a serem aplicados criticamente à prática do aluno. em abrir perspectivas a partir dos conteúdos. Tal ruptura apenas é possível com a introdução explícita. momento em que se dará a "ruptura" em relação à experiência pouco elaborada. o conhecimento resulta de trocas que se estabelecem na interação entre o meio (natural.livre expressão das opiniões. Em outras palavras. mas acentua-se também a participação do aluno no processo. então a relação pelica consiste no provimento das condições em que professores e alunos possam colaborar para fazer progredir essas trocas. como mostramos anteriormente. Vale dizer: vai-se da ação à compreensão e da compreensão à ação. Relação professor-aluno – Se.

tendo consciência inclusive dos contrastes entre sua própria cultura e a do aluno. Não são suficientes o amor. Pressupostos de aprendizagem . porque o diálogo adulto-aluno é desigual. para que os filhos dos trabalhadores adquiram o desejo de estudar mais. dispõe de uma formação (ao menos deve dispor) para ensinar.Por um esforço próprio. A não-diretividade abandona os alunos a seus próprios desejos. como se eles tivessem uma tendência espontânea a alcançar os objetivos da esperados da educação. Evidentemente o papel de mediação exercido em torno da análise dos conteúdos exclui a não-diretividade como forma de orientação do trabalho escolar. se reconhece nos conteúdos e modelos sociais apresentados pelo professor. buscará despertar outras necessidades. o aluno. O conhecimento novo se apóia numa estrutura cognitiva já existente. a aceitação. entretanto. acelerar e disciplinar os métodos de estudo. a prolongar a experiência vivida. para que o aluno se mobilize para uma participação ativa. O adulto tem mais experiência acerca das realidades sociais. ou o professor provê a estrutura de que o aluno . Sabemos que as tendências espontâneas e naturais não são o tributárias das condições de vida e do meio. exigir o esforço do aluno. a ir mais longe. de progredir. pode ampliar sua própria experiência. Não se contentará.implica um envolvimento com o estilo de vida dos alunos. em satisfazer apenas as necessidades e carências. possui conhecimentos e a ele cabe fazer a análise dos conteúdos em confronto com as realidades sociais. propor conteúdos e modelos compatíveis com suas experiências vividas. é necessária a intervenção do professor para levar o aluna a acreditar nas suas possibilidades. assim.

A transferência da aprendizagem se má a partir do momento da síntese. é desenvolver a capacidade de processar informações e lidar com os estímulos. Aprender. verificar aquilo que o aluno já sabe. a fim de garantir maior competência técnica. não como julgamento definitivo e dogmático do professor. organizando os dados disponíveis da experiência. visando avançar em termos de uma articulação do político e do pedagógico. sua contribuição "será tanto mais seja eficaz quanto mais seja capaz de compreender os . a educação "a serviço da transformação das relações de produção". admite-se o princípio da aprendizagem significativa que supõe. Em conseqüência. Manifestações na prática escolar . portanto. O grau de envolvimento na aprendizagem depende tanto da prontidão e disposição do aluno. O professor precisa saber (compreender) o que os alunos dizem ou fazem. aquele como extensão deste ou seja.O esforço de elaboração de uma pedagogia "dos conteúdos" está em propor modelos de ensino voltados para a interação conteúdos-realidades sociais. Resulta com clareza que o trabalho escolar precisa ser avaliado. mas como uma comprovação para o aluno do seu progresso em direção a noções mais sistematizadas. como passo inicial. isto é. quando o aluno supera sua visão parcial e confusa e adquire uma visão mais clara e unificadora. quanto do professor e do contexto da sala de aula. dentro da visão da pedagogia dos conteúdos. o aluno precisa compreender o que o professor procura dizer-lhes.ainda não dispõe. do ambiente. Ainda que a curto prazo se espere do professor maior conhecimento dos conteúdos de sua matéria e o domínio de formas de transmissão.

o atendimento aos interesses das camadas populares. Makarenko. à centralização no papel do professor e à submissão do aluno. tendo em vista (. Representam também as propostas aqui apresentadas os inúmeros professores da rede escolar pública que se ocupam. ao autoritarismo. podemos citar a experiência pioneira. mas mais remota. de maneira especial. avançam na democratização efetiva do ensino para as camadas populares. do educador e escritor russo. Mas o que será mais democrático: excluir toda forma de direção. criar um clima amigável para alimentar boas relações.. Suchodolski. de uma pedagogia de conteúdos articulada com a adoção de métodos que garantam a participação do aluno que.vínculos de sua prática com a prática social global". competentemente.) "a democratização da sociedade brasileira. deixar tudo à livre expressão. a análise de modelos sociais que vão lhes fornecer instrumentos para lutar por seus direitos? Não serão as relações 14 Dermeval Saviani. Charlot. G. ou garantir aos alunos a aquisição de conteúdos. 4. Escola e democracia. 14 Dentro das linhas gerais expostas aqui. além dos autores brasileiros que vêm desenvolvendo investigações relevantes. Skyders.. Em favor da pedagogia crítico-social dos conteúdos Haverá sempre objeções de que estas considerações levam a posturas antidemocráticas. p.83 . Manacorda e. a transformação estrutural da sociedade brasileira". Entre os autores atuais citamos B. destacando-se Dermeval Saviani. muitas vezes sem saber.

entre métodos diretivos e não-diretivos. ao se advogar a interveiição do professor. são incongruentes as dicotomias.democráticas no estilo não-diretivo uma forma sutil de adestramento. entre "professor-policial" e "professor-povo". a perceber os conflitos. Nesse sentido. a adquirir-se a confiança dos alunos. A relação pedagógica é uma relação com um grupo e o clima do grupo é essencial na pedagogia. na falta de consideração para com o aluno ou na imposição do medo como forma de tomar mais cômodo e menos estafante o ato de ensinar. Este se manifesta no receio do professor em ver sua autoridade ameaçada. Evidentemente que. mais do que restringir-se ao malfadado "trabalho . são bem-vindas as considerações formuladas pela "dinâmica de grupo". Além do mais. a saber que está lidando com uma coletividade e não com indivíduos isolados. não se está concluindo pela negação da relação professor-aluno. tão difundidas por muitos educadores. Entretanto. entre ensino centrado no professor e ensino centrado no estudante. Ao adotar tais dicotomias. que ensinam o professor a relacionar-se com a classe. amortece-se a presença do professor como mediador pelos conteúdos que explicita. como se eles fossem sempre imposições dogmáticas e que nada trouxessem de novo. que levaria a reivindicações sem conteúdo? Representam as relações não-diretivas as reais condições do mundo social adulto? Seriam capazes de promover a efetiva libertação do homem da sua condição de dominado? Um ponto de vista realista da relação pedagógica não recusa a autoridade pedagógica expressa na sua função de ensinar. Mas não se deve confundir autoridade com autoritarismo.

Há um confronto do aluno entre sua cultura e a herança cultural da humanidade. situar o ensino centrado no professor e o ensino centrado no aluno em extremos opostos é quase negar pedagógica porque não há um aluno. E há um professor que intervém. ou cair na ilusão da igualdade professor-aluno. Por fim. aprendendo sozinho. para ajudado a compreender as realidades sociais e sua própria experiência. nem um professor ensinando para ás paredes. trata-se de encarar o grupo-classe como uma coletividade onde são trabalhados modelos de interação como a ajuda mútua. a riqueza da vida em comum. ou grupo de alunos. entre seu modo de viver e os modelos sociais desejáveis para um projeto novo de sociedade. sociedade toda. para ajudá-lo no seu esforço de distinguir a verdade do erro. mas para ajudá-lo a ultrapassar suas necessidades e criar outras. a autonomia nas decisões. o respeito aos outros. a cidade. para ganhar autonomia. os esforços coletivos. não para se opor aos desejos e necessidades ou à liberdade e autonomia do aluno. .em grupo". e ir ampliando progressivamente essa noção (de coletividade) para à escola.

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