UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARAÚ – UVA Centro de Ciências Humanas – CCH Curso de Ciências Sociais Disciplina de Sociologia II Professor

Alencar Mota Aluno Márcio Paulo Gonçalves Tibúrcio ELIAS, Norbert. A sociedade dos indivíduos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1994. As Estátuas Pensantes – Norbert Elias Nesta parte do livro A sociedade dos indivíduos, de Norbert Elias, o autor nos coloca questões acerca da imagem do homem e da autoconsciência. Inicia tecendo um comentário de que sempre que nos referimos à sociedade somos levados a crer em uma sociedade de indivíduos isolados. Mas como esses indivíduos se percebem enquanto sociedade e enquanto indivíduos? Adiante ele nos coloca o exemplo de René Descartes que formulou sua famosa máxima - “penso, logo existo.”- em uma época (séculos XV, XVI e XVII) em que os homens (leia-se sociedade) deixaram de acreditar nos poderes e na autoridade, principalmente, da igreja e dos reis e puseram-se a pensar com suas próprias cabeças. Essa época é conhecida por nós como o Renascimento. A partir de então, e de Descartes como precursor intelectual desse novo nível de autoconsciência, os homens isolados puderam galgar mais um degrau no que Norbert Elias chama de escada em caracol, avançando assim a um nível maior de desenvolvimento da autoconsciência. Elias coloca ainda que com os avanços das ciências sociais e humanas os níveis da autoconsciência sofreram um impulso ainda maior e que é certo que os níveis da autoconsciência se elevam de tempos em tempos em uma dada sociedade. A expressão “transição para um novo nível de consciência” tem um toque hegeliano. Ao fazer a imagem de si o homem se observa e observa aos outros homens e se dá conta, observando aos outros que faz parte desses outros, ou seja, é também objeto universal de sua observação. No entanto o grande problema da epistemologia esteve intrinsecamente ligado ao momento do autodesprendimento, quando os homens passaram a pensar por si, estando então num outro “estágio” de desenvolvimento. O homem então, disposto ao conhecimento, estaria em oposição direta ao mundo de coisas a serem conhecidas. Debateu-se então, durante muito tempo, e até hoje, acerca do que nos é percebido, através dos sentidos, e do que percebemos e o quão modificável e modificado e influenciado e influenciável, é o que nos chega de fora. Locke, tentando responder a esse questionamento, fala que a consciência é preenchida gradativamente de conhecimentos externos, vindos através das percepções sensoriais, como um vaso inicialmente vazio. Já Hume disse que o que se percebe de modo isolado não passa de repetições e do hábito. Outro filósofo que esteve, de certo modo, intrigado com essas questões do conhecimento do mundo, foi Kant que colocou que o que nos chega de fora por meio dos sentidos são absorvido e fundidos com as formas de relações e ideias presentes em nossa consciência. Com isso Kant viu-se confrontado com a questão de se na realidade podemos conhecer as coisas como são na verdade, independente das formas preexistentes em nossa consciência. Elias coloca a seguir as questões acerca da separação do corpo e da mente, do eu físico (corpo) e do eu invisível (mente). Assim nos mostra questionamentos acerca do que observamos do mundo durante nossa vida, ou seja, desde criança somos como

que formulam suas ideias sobre o que veem e o que pensam ver. do que vem discutindo nesta parte do livro. . Adiante o autor. por meio de uma parábola. como uma síntese de tudo. O mesmo acontece com as sociedades quando atingem novos níveis de autoconsciência/desenvolvimento. nos dá um exemplo. com o passar do tempo. Por não possuírem movimento. não estariam predispostas ao vivenciarem o conhecimento que formulavam em suas mentes do que haveria do outro lado do rio. vai se enchendo de conhecimento. A parábola das estátuas pensantes em que existiam estátuas à margem de um rio largo e que observavam. Assim como as sociedades e os homens durante os séculos que tem em mente que a consciência. ouviam e pensavam no que poderia existir além do rio. O que faziam apenas era pensar no que existia e como existia.um vaso vazio que. os desejos e tudo o que se refere à isso estão no interior dos indivíduos.