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01 - Tesouros peculiares[1]

01 - Tesouros peculiares[1]

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01/09/2013

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Quando Katie retornou ao seu quarto no dormitório na noite de segunda-feira, já
eram mais de onze horas. Ela tinha seus dois sacos de lixo que Craig passara para
cada um dos ARs, assim como alguns papéis que ela tinha que preencher antes
deles partirem para o retiro de treinamento pela manhã.

O que ela não tinha era um sentimento definido sobre o que viria logo à frente.
Katie normalmente tinha a aparência de alguém que apreciava viver
espontaneamente, no momento. Ela amava a idéia de novas aventuras e de dar
novos passos de fé.

Contudo, quando chegava o momento de arriscar, ela freqüentemente se achava
ansiosa e cheia de dúvidas. Esses eram os momentos em que ela parecia estar
face a face com seu verdadeiro eu. A Katie que nem sempre tinha uma resposta
rápida ou uma expressão facial engraçada. Aquela era a Katie refletida agora no
espelho de corpo inteiro atrás da porta do seu quarto.

- O que você está tentando provar? A verdadeira Katie perguntou a si própria. Por
que você quis pegar esse cargo de AR? Você não sabe aconselhar ninguém.
Verdade seja dita, você é provavelmente quem precisa de conselhos. Quando
você tentar guiar, você honestamente acha que alguém irá te seguir?

Os olhos claros de Katie no espelho não responderam.

- É muito tarde pra voltar atrás? Eu posso voltar para o Ninho da Pomba e apenas
estar com Rick todos os dias? É possível pra minha vida voltar ao que era nos
últimos sete meses?

Katie caminhou pra longe do espelho. Ela poderia ouvir a verdadeira Katie
replicar,

- Nos últimos sete meses você esteve procurando por algo mais. Lembra-se de
quão inquieta você estava? Isso é o que o Senhor colocou na sua frente. Aceite
isso1

e seja grata.

Katie sorriu. A última fala que ela ouvira de sua mente foi de um vídeo que ela
assistira há vários meses, na época em que ela realmente tinha tempo livre em
sua vida para fazer tais coisas. O filme abria com uma cena em um orfanato no
qual todas as crianças agitadas faziam uma fila para receber sua colherada de
óleo de rícino. A mal-humorada matrona do orfanato dava a cada criança um

1

Em inglês a expressão seria: Take it and be thankful. Literalmente seria: Tome isso e seja grato (a). Mas isso
não se aplica ao "cargo da Katie". Por isso, nesse caso, traduzi para ACEITE. Mas no caso de óleo de rícino
fica TOME mesmo, por causa do contexto.

olhar malvado antes de empurrar o medicamento na sua boca. A cada um deles,
ela dizia,

- Tome! Tome e seja grato.

Katie sorriu porque sabia no fundo do seu coração que essa oportunidade de
servir como uma AR não era uma desagradável colherada de óleo de rícino. Isso
era um presente. Ela estava agradecida. Ela havia aceitado o cargo de boa
vontade e com alegria.

Com as mãos nos quadris, ela falou em voz alta dentro do quarto.

- Todas as suas inseguranças e dúvidas terão que ir agora. Vá para o lugar que
Jesus as enviou. Vocês não são bem vindas aqui. Saiam.

Suas palavras surpreenderam-na. De onde veio isso?

Tudo o que ela sabia era que o quarto parecia mais espaçoso. Seus pensamentos
se achavam mais leves.

Outra nota para si mesma: Seja valente quando as mentiras vierem até você.
Você pertence a Cristo, Katie. Siga bem perto dele.

Uma imagem veio à Katie de um grupo de mentiras e dúvidas beliscando em seus
calcanhares. A imagem era como um esboço de caricatura de um grupo de
repugnantes lesmas verdes com dentes de navalha afiados avançando lentamente
bem atrás dela e cravando suas mandíbulas. Contudo, quando ela chegava perto
do Senhor e começava a caminhar em compasso com ele, as lesmas repugnantes
gritavam e rastejavam na direção oposta. As mentiras perecem quando elas
chegam perto da verdade.

Mantendo o frescor que envolvia sua profunda respiração, Katie decidiu fazer a
sua cama. Ela não era, por natureza, uma "fazedora de cama". Nas duas últimas
noites desde que ela se mudou para esse quarto no Crown Hall, Katie tinha
dormido em seu saco de dormir em cima da sua cama porque isso era uma
simples, rápida e conveniente coisa a se fazer. Agora que ela precisava embalar
seu saco de dormir para o retiro de treinamento de AR, ela queria realmente se
mudar e se situar no seu novo ambiente.

Indo para o canto do seu quarto, Katie abriu a caixa de cima que balançava em
uma pilha de quatro recipientes inclinados para o lado. A caixa de baixo estava
começando a ceder. Decidida a ir ao trabalho, Katie liberou seus pertences de
suas prisões de papelão e encontrou seus lençóis e sua fronha preferida da
Pequena Sereia que ela havia comprado no Galpão da Economia. Levantando uma
bolsa de roupas sujas, Katie desceu pelo corredor vazio até a lavanderia,
empurrando seus lençóis e roupas dentro de duas máquinas de lavar.

Enquanto suas roupas lavavam, Katie colocava seus pertences dentro das gavetas
da cômoda economizando bastante espaço. O tempo total da mudança foi de
aproximadamente vinte e oito minutos. Ela pensou em como isso levara quase a
mesma quantidade de tempo para simplesmente fixar e erguer o guarda-sol para
Trícia e Douglas quando eles foram à praia com o bebê Daniel. Ela nunca
imaginara que aqueles dois se transformariam em um circo ambulante com toda
aquela parafernália de bebê. Eles estavam até mesmo falando em comprar um
carro maior e se mudar para uma casa mais espaçosa.

Ela então pensou em Cris e Ted, que tinham usado todo o espaço do armário para
todos os presentes e pequenos eletro-eletrônicos deles. O apartamento deles
ainda continha algumas caixas empilhadas de presentes de casamento. Eles
estavam tentando decidir se deveriam manter ou trocar alguns dos itens. A vida
de casado deles estava cheia de "coisas domésticas", como Ted as chamava.

Algumas semanas atrás, Cris havia convencido Katie a ir fazer "devoluções” com

ela numa noite depois do trabalho. A resposta de Katie tinha sido:

- Claro, eu ainda tenho um cartão-presente de sua tia que eu preciso usar para
alguma coisa. Eu poderia fazer umas pequenas compras.

- Não, não, não. Devolução é diferente de compra, Cris explicou.

- Você tem que responder questões, preencher formulários e tentar decidir bem
naquela hora se você quer dar uma olhada em alguma coisa para usar seu crédito
da loja. Devolução usa um tipo de energia mental diferente da compra, e eu
estou farta de ir sozinha. Ted só foi devolver comigo duas vezes. Eu estou num
ponto em que só posso ficar indo a uma loja por viagem.

Katie se sentiu como um burro de carga na excursão da devolução, carregando
pela loja um liquidificador na caixa, uma torradeira na caixa, e dois fazedores de
waffle na caixa. Cris carregava uma colcha numa embalagem de plástico que
vinha com uma alça. Com seu outro braço ela balançava uma cafeteira e uma

fronha com uma palmeira desenhada. Para a mulher no caixa ela disse, “Essas
são duplicatas.” O que era verdade para a descrição de Cris sobre o processo,

fora requerido que ela preenchesse um monte de formulários e fosse então
convidada a “dar uma olhada em algo mais”.

- Não, obrigada, Cris disse enquanto dobrava seu cartão-presente dentro de sua
carteira atrás de três cartões-presente de outras lojas.

Katie avistou uma geladeira perfeita para seu quarto enquanto elas caminhavam
rumo à porta. Ela comprou-a e a rebocou para o Volvo de Cris.

Agora que Katie havia removido as quatro caixas de papelão do seu quarto, ela

comparou sua cota de “coisas domésticas” com as que Cris e Ted tinham que

lidar. Ela decidiu que gostava da benção simples de viver equipada com o básico.
Ela não estava pronta para torradeiras e liquidificadores e ter que levar um
guarda-sol para a praia. Mas o frigobar era certamente um bom divertimento.

Assim que seus limpos lençóis saíram secos da secadora, Katie os estendeu sobre
sua nova cama. Para ela, na quietude desse momento da meia-noite, esse gesto

era um pequeno ato de adoração. Seu esforço para se “aninhar” era seu jeito de
dizer que ela desejava “aceitar isso e ser grata”. O que quer que viesse, Katie

estava pronta para aceitar. E sem dúvida, ela estava grata.

Com a cama feita, suas roupas penduradas no armário, e suas gavetas
organizadas, Katie empacotou as coisas essenciais que foram chamadas no retiro
de lista “Para Trazer.” Seu saco de dormir e tudo mais couberam facilmente no
seu duplo saco de lixo.

Então, porque isso pareceu celebrável, Katie tomou um quente e cheiroso banho
antes de subir para seus limpos, macios e envolventes lençóis de fibra sintética.
Ao checar o relógio de seu celular, ela notou outra mensagem de Rick. ME LIGUE
HOJE À NOITE.

Ela já ia apertar o número 1 para a discagem rápida do número de Rick. Então
ela parou e reconectou o telefone ao carregador. Era 1:15 da manhã. Mesmo se
Rick ainda estivesse acordado, ela não queria tentar resumir esse longo dia numa
curta conversa. Ela sabia que ele devia estar chateado por ela não ter ligado
mais cedo, mas ela tinha uma longa lista de razões legítimas.

Katie decidiu que ligaria para ele de manhã, quando ambos estivessem

“renovados”. Uma nova “manhã de misericórdia” seria a hora para falar com ele.

Deitando na limpa maciez de seu quarto, Katie percebeu a doce companhia da
solidão quando um coração está rendido e pronto para o que virá em seguida. Ela
não sabia se estava inteiramente pronta para o que viria em seguida, mas ela
desejava estar.

Eu me pergunto se desejar é tão bom aos olhos de Deus quanto estar pronta.
Especialmente uma vez que é um tanto quanto difícil estar pronta quando você
nem sabe para onde você está indo de manhã!

Naquela noite, Katie sonhou que estava boiando sobre uma balsa em águas bem
azuis. Sobre seu pequeno colchão inflável da balsa, todos os seus pertences a
cercavam. De alguma forma, o balançar da balsa era simplesmente estável. Ela
não estava com medo de ser tombada por todas as suas “coisas domésticas”.
Arredando um pouco para trás, com os braços cruzados atrás de sua cabeça,
Katie sonhava em estar flutuando contentemente pelo que pareceram dois
minutos antes de seu despertador tocar às 6:30, forçando-a a sair da cama e do
seu sonho.

Gemendo e reclamando durante todo o caminho pelo corredor até o grande
banheiro coletivo, Katie entrou arrastando os pés e encontrou Nicole no espelho,
passando rímel nos cílios.

- Bom dia! Nicole a cumprimentou.

- Hummh.

- Não é uma pessoa “das manhãs”, pelo que vejo.

- Baffumph.

Nicole sorriu.

- Você já fez as malas?

- Mmmhmm.

- Que bom. Por que você não dá uma passadinha no meu quarto quando estiver
pronta, e nós podemos ir juntas para a fonte para nos encontrarmos com todos?
Eu sei que você provavelmente se lembra de Craig dizendo isso ontem, mas
certifique-se de usar sapatos bem confortáveis para caminhadas. Ano passado,
era uma manhã quente quando nós partimos e um monte de nós estava calçando
chinelos. O ônibus nos deixou na estrada antes de nós chegarmos até o centro de
conferência, e nós tivemos que caminhar mais de 1 km e meio sobre cascalhos.
Meus pés ficaram destruídos.

Katie se aprontou em tempo recorde. Enquanto ela descia o corredor rumo ao
quarto de Nicole, Nicole saía do banheiro com sua bolsa de maquiagem. Katie
estava vestindo um jeans, uma camiseta, sua camisa da Rancho Corona estava
amarrada na sua cintura, e o par mais confortável de sapatos que ela tinha.

- Como você pode ficar tão bonita tão rapidamente? Nicole perguntou. Você
levou, tipo, quatro minutos.

- Eu decidi que eu sou minimalista, Katie disse. Eu arrumei meu quarto ontem à
noite e percebi que todos os meus pertences cabem no meu carro com lugar
sobrando para um amigo no banco da frente. Uns amigos casados que tenho
acabaram de ter um bebê, e eles levaram em apenas uma tarde para a praia
mais coisas do que tudo que eu possuo. Então, noite passada, eu decidi que gosto
de ser minimalista.

- Você vai ser uma influência pra mim, Nicole disse com um grande sorriso. Você
ainda não viu meu quarto, né?

- Não até eu te ajudar a carregar umas caixas no sábado.1

- Prometa que não vai zombar de mim.

- Por que eu zombaria de você?

- Por causa disso. Nicole abriu a porta do seu quarto, e a mandíbula de Katie
caiu. O quarto parecia com algo saído de uma revista de decoração. A cama de
Nicole tinha uma pequena ondulação, uma colcha perfeita em amarelos e azuis,
meia dúzia de travesseiros enfileirados perfeitamente, uma cortina listrada sobre
a janela que combinava com todo o resto, um tapete felpudo no centro do

quarto, uma poltrona confortável no canto oposto com uma “combinante”

almofada azul no centro do convidativo ninho. Meia dúzia de fotos emolduradas
foi colocada perfeitamente nas paredes.

Katie soltou seu saco de lixo.

- Eu sei. Chocante, não é? Eu fiquei acordada até depois da meia noite nas
últimas três noites. Eu estou muito focada em fazer do meu ambiente algo
bonito. Isso é uma doença.

Katie se virou para Nicole, e com um tom de voz mais alto do que ela pretendia
ter usado, ela disse:

- Jamais diga que isso é uma doença.

Nicole recuou.

- Seu quarto é lindo. Katie redirecionou seu pensamento para um jeito mais
positivo. É isso que eu estava tentando dizer. O que você fez com seu quarto é
maravilhoso. Não despreze sua obra de arte. Isso é um talento, Nicole, não uma
doença. Você juntou um monte de espaço e “nada”, e fez uma obra de arte.
Você fez uma maravilha.

Os olhos de Nicole lacrimejaram. Ela deu um grande abraço em Katie.

- Obrigada.

- Pelo quê?

- Obrigada por dizer isso. Obrigada por me fazer sentir como se não houvesse
nada de errado em eu amar fazer do meu quarto algo bonito.

1

Em inglês está: "Not since I helped carry in a few boxes on Saturday". Não entendi.

- Essa é a verdade, Katie disse. Na sua imaginação ela podia quase ver um monte
de lesmas nojentas correndo da verdade que ela tinha acabado de dizer no
quarto de Nicole.

Nicole balançou a cabeça lentamente.

- Sim, essa é a verdade. Como você chamou isso? Minha obra de arte? Você está
certa. Eu sou igual à minha mãe; é assim que eu me expresso. Obrigada, Katie.

- Disponha. Eu espero que sua criatividade me atinja esse ano. Eu sou uma
minimalista, e minha mãe é quase que uma „suficientista‟. Ou talvez ela esteja
mais pra uma „chatista‟.

Nicole gargalhou, mas Katie não.

- É verdade, Katie disse.

- Vamos lá, nós temos que levar suas tralhas minimalistas de retiro para a fonte.

Enquanto elas iam com seus sacos de lixo sobre seus ombros ao estilo Papai Noel,
Katie disse:

- Então me diga o que devo esperar.

- É difícil dizer. Você sabe que ano passado nós fomos até um centro de
conferência nas montanhas e ficamos em cabanas. Eu ouvi rumores de que nós
devemos ir pra lá de novo.

- Por que eles mantêm o lugar em segredo?

- Eu acho que é pra colocar todos no mesmo nível no começo. Ninguém sabe o
que esperar, e já que nós só podemos levar o que está na lista, todos estamos na
mesma.

Muitos estudantes estavam aglomerados na área da fonte quando Katie e Nicole
chegaram. Mais alguns pareciam estar vindo de todas as direções. Katie achou
estranho assistir tantas pessoas caminhando pelo campus com seus grandes sacos
de lixo pretos.

- Quantos ARs há? Katie perguntou a Nicole.

- Ano passado o total foi trinta e seis, oito de cada dormitório.

- Nós temos apenas quatro dormitórios. Deve dar um total de trinta e dois.

- Você esqueceu o Brower Hall. É de onde os outros quatro são.

- Ah é. Como eu poderia ter me esquecido do Brower Hall? Foi onde eu morei no
semestre passado. Antes de lá, eu morei no Sophie Hall.

Sophie Hall era o mais novo, o mais impressionante dos dormitórios. O hall de
entrada foi desenhado para parecer com o saguão de um hotel clássico. No
centro do prédio estava um pátio aberto completo com o que Katie chamava de

“a selva”. Altas palmeiras, diversas plantas, e um lugar cheio de bancos faziam

do lugar o ponto favorito para casais terem suas conversas de coração-pra-
coração.

Katie preferia a área da fonte no centro do campus. O jeito como a luz do sol
mudava continuamente a aparência da água contra os azulejos azuis, fazia com
que ela sentisse como se este fosse o lugar onde vida e esperança jorravam em
meio a prédios que a cercavam.

Ela também decidiu que preferia o Crown Hall aos outros dormitórios no campus.
Os quartos eram um pouco menores do que no Sophie Hall e no Brower Hall, mas
o Crown oferecia janelas maiores. Ela também achava o saguão do Crown melhor
que o do Sophie. Ele era direto. A porta deslizante de vidro se abria para uma
grande área com poltronas, uma mesa de sinuca, e mesas de café feitas de
madeira maciça que serviam tanto para os estudantes quanto para pés, laptops,
livros ou jogos de tabuleiros. Para Katie, o saguão do Crown Hall parecia com o
cômodo extra da casa em que ela sempre desejou ter crescido. O único cômodo
clichê extra que estava faltando era um com uma cabeça de alce pendurada na
parede. Ou talvez um com um peixe com um longo e pontudo nariz.

O outro aspecto que Katie amava sobre o Crown Hall era o “ninho secreto” no

telhado. A escadaria guiava a uma porta que se abria para uma área plana sobre
o telhado. O parapeito em volta do ninho era tão que mesmo que uma pessoa
estivesse sentada na mesa do pátio ou deitada sobre uma das três cadeiras do

“lounge” na área compacta, ela não saberia que há alguém lá em cima. Katie já

havia planejado utilizar o esconderijo como um lugar para respirar ou para tirar
uma tranqüila soneca.

- Aqui, Nicole deu a Katie um rolo de fita adesiva e um marcador permanente.
Você precisa escrever seu nome no pedaço de fita e colá-lo em um lado de seu
saco.

Katie o fez, adicionando uma carinha sorridente depois de seu nome.

- Você deveria colocar seu último nome, Nicole disse. Há outra AR chamada Katie
no Sophie Hall.

- Você está brincando. Katie olhou em volta. Você sabe quem é ela? Ela está
aqui?

- Eu ainda não a vi.

Katie não conhecia nenhuma outra Katie na Rancho. Seu nome não era
particularmente popular, e ela não tinha que compartilhá-lo com freqüência.
Nesse pequeno grupo, ela não gostava de ser uma das duas Katies. Ela sabia que
isso era ridículo, mas sua singularidade repentinamente diluiu-se.

- Eu te apresento quando eu a vir, disse Nicole.

Katie escreveu “Weldon” em outro pedaço de fita adesiva e colou-o bem depois
da carinha sorridente. Se ela não podia ser a única Katie no grupo, pelo menos
ela seria a única com uma carinha sorridente para sua letra inicial do meio.

As malas deles foram jogadas no porta-malas de um trailer alugado. Greg e dois
dos outros diretores dos residentes estavam em pé à beira da fonte e deu as
direções ao grupo. Eles foram avisados a pegar o café da manhã das mesas e
então se direcionarem para o ônibus fretado que os esperava do outro lado do
campo de futebol. Katie e Nicole pegaram, cada uma, uma maçã, um muffin de
banana e nozes, uma garrafa de água, e entraram no ônibus.

- É ela. Nicole cutucou Katie e apontou com a cabeça em direção à garota de
cabelos curtos e escuros e belos óculos de sol. Katie a reconheceu porque ela
costumava fazer o check-in das pessoas na academia de ginástica do campus. A
outra Katie tinha um temperamento tranqüilo e se mantinha na dela.
Excentricamente, saber que aquela outra Katie não tinha cabelos vermelhos nem
parecia com ela em nenhum aspecto em particular era confortante.

Uma vez que todos estavam no ônibus, um dos líderes distribuiu camisas que
tinham a logo da Universidade Rancho Corona nas costas. Cada dormitório tinha
uma cor diferente, e o nome do dormitório aparecia na manga direita da camisa.
Os ARs do Sophie Hall ganharam camisas brancas, e os ARs de Brower Hall
ganharam camisas azuis. Os próximos foram os de Crown Hall; Nicole ficou feliz
quando ganhou camisas cor de chocolate.

Katie pegou sua camisa quando jogaram pra ela e pensou: De chocolate,
exatamente como os olhos do Rick.

Um repentino sentimento de oh-oh cobriu-a como uma rede. Ela não tinha ligado
de volta para Rick. Ele não sabia que ela estava partindo hoje para o retiro de
treinamento. Se Katie tivesse lido seu manual de treinamento na hora certa, ela
saberia os detalhes desse dia e teria contado a Rick.

Katie tirou seu telefone da sua mochila e tentou ligar. Caiu na caixa postal e ela
decidiu não deixar uma mensagem já que as pessoas á sua volta ouviriam o que
ela dissesse. Também, ela não tinha certeza sobre o que dizer.

Optou por mandar uma mensagem de texto, Katie escreveu que ela estaria fora

do campus pelos próximos três dias para o treinamento. Apertando “enviar” no

seu telefone, Katie soube por que o sentimento de oh-oh fora tão intenso. Essa
era a primeira vez hoje que ela havia pensado em Rick ou lembrado de que
deveria contar a ele o que estava fazendo.

Fitando para fora da janela enquanto o ônibus descia lentamente a via -
expressa, Katie se perguntou, ue isso diz sobre meu compromisso com Rick? Se eu
me importasse com ele o tanto que eu acho que eu me importo, eu me
esqueceria dele por tanto tempo? Talvez nós não estejamos ficando mais
pastosos? Talvez nós estejamos ficando mais flutuantes, e nós estamos flutuando
para longe um do outro.

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