Universidade Federal de Alagoas - UFAL Centro de Ciências Biológicas - CCBI Departamento de Morfologia Setor: Anatomia

Anatomia, Conexões, Funções e Algumas Patologias do Sistema Límbico

Anatomia e Conexões do Sistema Límbico

1. Introdução I

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Os mecanismos que controlam os níveis de atividade nas diferentes partes do encéfalo e as bases dos impulsos motivacionais, principalmente o controle motivacional do processo de aprendizado e as sensações de prazer ou punição, são funções do sistema nervoso que são realizadas em grande parte pelas regiões basais do cérebro, que em conjunto são derivadas de Sistema Límbico. Durante muito tempo, acreditou-se que os fenômenos emocionais estavam na dependência de todo o cérebro. Sabe-se hoje que as áreas relacionadas com os processos emocionais ocupam territórios bastante grandes do encéfalo, destacando-se entre elas o hipotálamo, a área pré-frontal e o sistema límbico. As áreas encefálicas ligadas ao comportamento emocional também controlam o sistema nervoso autônomo, o que é fácil de entender, tendo em vista a importância da participação desse sistema na expressão das emoções.

2. Área Pré-Frontal

Corresponde a parte anterior não motora do lobo frontal. Mantém conexões com o sistema límbico e com o com o núcleo dorsomedial do tálamo. É responsável pela escolha das opções e estratégias comportamentais, pela manutenção da atenção e pelo controle do comportamento emocional.

3. Tronco Encefálico

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Está localizado entre a medula e o diencéfalo. Situando-se ventralmente ao cerebelo. Na constituição do tronco encefálico entram corpos de neurônios que se agrupam em núcleos e fibras. Os núcleos dos nervos cranianos (viscerais e somáticos) e centros viscerais (respiratórios e vasomotor) são estruturas do tronco encefálico cuja ativação é feita por impulsos nervosos de origem telencefálica e diencefálica, durante estados emocionais, resultando em manifestações como: choro, sudorese, alterações fisionômicas, salivação, aumento do ritmo cardíaco. As diversas vias descendentes que atravessam ou se originam no tronco encefálico vão ativar os neurônios medulares, permitindo as manifestações periféricas dos fenômenos emocionais (comportamento emocional) que se fazem por nervos espinhais ou pelos sistemas simpático e parassimpático sacral. Deste modo, o tronco encefálico age, principalmente, como efetuador da expressão das emoções. Porém, sabe-se que a substância cinzenta central do mesencéfalo e a formação reticular provavelmente regulam certas formas de comportamento agressivo. A maioria das fibras monoaminérgicas que se originam no tronco encefálico, as vias seretominérgicas, noradrenérgicas e dopaminérgicas, que se projetam para o diencéfalo e telencéfalo, são as (principais) que exercem ação moduladora sobre os neurônios e circuitos nervosos das principais áreas do diencéfalo que se relacionam com o comportamento emocional. Entre essas, é importante realçar a via dopaminérgica mesolímbica, que se projeta por áreas específicas, altamente relevantes à regulação dos fenômenos emocionais, como o sistema límbico e a área pré-frontal. Pode-se dizer que os principais centros encefálicos para a regulação das emoções não se situam no tronco encefálico, contudo são influenciadas por neurônios do mesmo, através das referidas vias monoaminérgicas que aí se originem.

4. Hipotálamo

O hipotálamo, que se estende da região do quiasma óptico à margem caudal dos corpos mamilares, mantém vias de comunicação com todos os níveis
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4. até o tronco cerebral. controla a maioria das funções vegetativas e endócrinas do corpo e vários aspectos do comportamento emocional. em sua maioria para o tálamo anterior e o córtex límbico.do sistema límbico.1. O hipotálamo é constituído fundamentalmente de substância cinzenta que se agrupa em núcleos. Assim. para controlar a maioria das funções das hipófises anterior e posterior. o hipotálamo. é uma das mais importantes vias eferentes motoras do sistema límbico. às vezes de difícil individualização. Por sua vez. caté o infundíbulo. Através de três planos frontais. o hipotálamo é dividido em supraóptico. ponte e bulbo. Hipotálamo Supra-Óptico Constituído pelo quiasma óptico e por toda área situada acima dele nas paredes do III ventrículo até o sulco hipotalâmico. Esta região contém os seguintes núcleos: 5 . O fórnix percorre de cima para baixo cada metade do hipotálamo. até várias áreas superiores do diencéfalo e telencéfalo. tuberal e mamilar. ele e suas estruturas intimamente relacionadas enviam sinais eferentes em três direções: apara baixo. terminando no respectivo corpo mamilar. principalmente para as áreas reticulares do mesencéfalo. bpara cima. que representa menos de 1% da massa cerebral.

− − − − Núcleo paraventricular: está abaixo do epêndima do III ventrículo. são encontrados os seguintes núcleos: − − − − Núcleo ventro-medial: é o maior e está circundado por uma zona pobre de células. 4. nas paredes do III ventrículo até o sulco hipotalâmico.3. anterior: substância cinzenta menos Núcleo supraquiasmático: formado por um grupo de pequenas células redondas imediatamente dorsal ao quiasma óptico e próximo à parte ventral do III ventrículo. Núcleo hipotalâmico posterior: situado na parte caudal da região tuberal. Hipotálamo Mamilar Constituído pelos corpos mamilares com seus núcleos e pelas áreas da parede do III ventrículo que se encontram acima dele até o sulco hipotalâmico. Nesta região. 4. Núcleo arqueado ou infundibular. Hipotálamo Tuberal Constituído pelo túber cinério e por toda a área situada acima dele. Núcleo hipotalâmico diferenciada. Núcleo supra-óptico: cujas células cavalgam o tracto óptico. 6 . Núcleo dorso-medial: é um agregado de células menos distintas que limitam o III ventrículo. existem os seguintes núcleos: − Núcleo mamilar medial.2. Nesta região.

Núcleo posterior.4.Área hipotalâmica medial: Situa-se entre o fórnix e o III ventrículo e é rica em substância cinzenta e pobre em fibras. − 7 . o hipotálamo pode ser dividido em áreas hipotalâmicas medial e lateral: a .4. 4. parte para mesencéfalo. e parte para o hipotálamo. Núcleo mamilar lateral: que apresenta uma condensação de células a partir do núcleo hipotalâmico posterior. Conexões do Hipotálamo O hipotálamo possui conexões muito amplas e complexas.1. Através de um plano que passa pela coluna anterior do fórnix.Área hipotalâmica lateral: Esta área está limitada medialmente pelo trato mamilo talâmico e a coluna anterior do fórnix. e vai para os corpos mamilares. passando pelo fórnix. Conexões Aferentes do Hipotálamo − Feixe Prosencefálico Medial: vem da área septal do telencéfalo e vai. ou através de fibras que se reúnem em feixes bem definidos. a borda medial da cápsula interna e a região subtalâmica formam o seu limite lateral. b . 4. que podem ser ou por meio de feixes difusos e de difícil identificação. Fibras Hipocampo-Hipotalâmicas: vêm do hipocampo.− − − Núcleo mamilar intermédio.

origem no tegmento − − 4. que tem origem nos núcleos supra-óptico e paraventricular. Fibras Periventriculares: têm origem nos núcleos posteriores do hipotálamo. e vão formar o fascículo longitudinal dorsal da medula espinhal. terminando na neuro-hipófise.2. Tálamo 8 . Controlam a secreção hormonal. − − ∗ Conexão do hipotálamo com a hipófise: se dá através do tracto hipotálamo-hipofisário. 5.4. Fibras Tálamo-Hipotalâmicas: vêm do talámo e se dirigem ao hipotálamo.− Fibras Amigdalóide-Hipotalâmicas: têm origem no corpo amigdalóide. Conexões Eferentes do Hipotálamo − Fascículo Mamilo-Talâmico: tem origem nos corpos mamilares e vai até os núcleos anteriores do talámo. passa pela estria terminal. Fibras Tegmento-Hipotalâmicas: têm mesencefálico e vai para o hipotálamo. Fascículo Mamilo-Tegmentar: tem origem nos núcleos mamilares e vai até o tegmento mesencefálico. e vai para o hipotálamo.

e projetam fibras para o córtex do giro do cíngulo (parte do sistema límbico).1.Situado no diencéfalo acima do sulco hipotalâmico. superiormente: fissura cerebral transversa e ventrículos laterais. Através do fascículo mamilo-talâmico. 9 . Grupo Anterior Compreende núcleos situados no tubérculo anterior do tálamo. os corpos geniculados lateral e medial também fazem parte da constituição do tálamo. cujo limite posterior é a bifurcação em Y da lâmina medular interna. Além disto.1.1. inferiormente: hipotálamo e subtálamo. os tálamos estão unidos pela aderência intertalâmica. o tálamo apresenta os seguintes limites: − − − − lateralmente: cápsula interna. 5. relacionam-se com o comportamento emocional através do circuito de Papez. É constituído de uma massa ovóide de tecido nervoso anterior (tubérculo anterior do tálamo) e outra posterior (pulvinar do tálamos). recebem fibras dos núcleos mamilares. Portanto. Núcleos do Tálamo 5. medialmente: III ventrículo.

Corpo Geniculado Lateral: recebe fibras provenientes da retina através do tracto óptico. é composto pelo pulvinar do tálamo e pelos corpos geniculares medial e lateral. pois. onde os impulsos nervosos são modificados.5. que daí vão para o tálamo. que vão para o córtex. pois. Núcleo ventral lateral: recebe fibras do núcleo denteado do cerebelo e do núcleo rubro.2.3. fazendo. constituindo assim a via − 10 . b- c- 5. e projeta fibras para a área visual do córtex através do tracto genículo-calcarino. Grupo Posterior Situado dorsalmente ao tálamo. sendo. e daí vão para o córtex cerebral. sendo este dividido em: − Núcleo ventral anterior: recebe fibras do globo pálido.1. parte das vias ópticas. Grupo Lateral Formado pelos núcleos situados lateralmente à lâmina medular interna. Esse núcleo tem função relacionada à motricidade somática. um relé da via auditiva. Projeta fibras para a área auditiva do córtex cerebral. a- Pulvinar do Tálamo: tem conexões com o córtex cerebral e com outros núcleos do próprio tálamo.1. ou diretamente do lemnisco lateral. Corpo Geniculado Medial: recebe fibras provenientes do colícolo inferior. É subdividido em um subgrupo dorsal e outro ventral (mais importante).

pressão e tato protopático. Os núcleos intralaminares. denominada área de associação pré-frontal. − Núcleo ventral póstero-lateral: recebe fibras dos lemniscos medial e espinhal. As fibras desse núcleo são responsáveis pela sensibilidade somática de parte da cabeça. Sistema Límbico 11 . esse núcleo envia fibras para a área somestésica e gustativa situadas no giro pós-central. Grupo Mediano São núcleos situados próximo ao plano sagital mediano. O núcleo dorsomedial recebe fibras principalmente do corpo amigdalóide e do hipotálamo e tem conexões recíprocas com a parte anterior do lobo frontal. Mantêm conexões com o hipotálamo e. As fibras do lemnisco medial levam impulsos do tato epicrítico e propiocepção consciente. entre os quais se destaca o núcleo centro-mediano. tendo importante papel ativador sobre o córtex cerebral. principalmente. Núcleo ventral póstero-medial: recebe fibras do lemnisco trigeminal. Grupo Medial Compreende os núcleos situados dentro da lâmina medular interna (núcleos intralaminares) e o núcleo dorso medial. Também recebe fibras do globo pálido. 6. recebem fibras da formação reticular. possivelmente.cerebelo-tálamo-cortical. Esse núcleo projeta fibras para o córtex do giro pós-central. tendo funções relacionadas com as funções desta área.1. que se dirigem. relacionam-se com as funções viscerais.5. para o giro pré-central. situado entre esta lâmina e os núcleos do grupo mediano. dor. − 5. na aderência intertalâmica ou na substância cinzenta periventricular.1.4. 5. e as fibras do lemnisco espinhal levam impulsos sensitivos relacionados com a temperatura.

Uma aferência importante provém do núcleo talâmico anterior. olfatória e somática e elementos subjetivos e expressivos em respostas emocionais. possui. que é comumente subdividido em núcleos ântero-medial. As pesquisas mostraram que o lobo límbico tem interconexões profusas com o sistema olfatório. as seguintes relações: − − − superiormente: sulco do giro do cíngulo. 6. Essas estruturas estão interpostas entre o diencéfalo e as áreas do neopálio do hemisfério cerebral.1. Ele está associado com a integração superior de informação visceral.1. Componentes do Sistema Límbico Os componentes do sistema límbico estão agrupados em duas áreas: cortical e subcortical (segundo a maioria dos autores pesquisados). giro frontal superior.1.O Sistema Límbico é formado por estruturas filogeneticamente antigas e que têm forma altamente arqueada. 6. o tálamo. posteriormente: istmo do giro do cíngulo. Através do núcleo anterior do tálamo. Componentes Corticais Giro do Cíngulo: localizado acima do corpo caloso. numa menor extensão. 12 . giro pré-cuneos. o giro do cíngulo pode ser influenciado indiretamente por outras regiões. com áreas do neocórtex. ântero-dorsal e ântero-ventral (o mais desenvolvido no homem). na face medial do encéfalo. com o hipotálamo. o epitálamo e. O giro do cíngulo recebe aferentes originados de muitas fontes. lóbulo paracentral.

o fórnix. que está situado abaixo do corpo caloso. Projeta-se para o corpo mamilar e área septal através de um feixe compacto de fibras. Hipocampo: eminência alongada e curva que no homem situa-se no assoalho do corno inferior dos ventrículos laterais acima do giro parahipocampal. anteriormente: forma um gancho em volta do sulco hipocampal para formar o uncus (circunvolução de protusão medial).2. Área Septal: desenvolve-se do telencéfalo e consiste de lâmina de substância cinzenta. Componentes Subcorticais Corpo Amigdalóide: é também chamado de núcleo amigdalóide. 6. entre o uncus e o giro para-hipocampal. O hipocampo também inclui o giro denteado e o subiculum. o temporal e o pré-frontal emitem fibras para o giro do cíngulo.O córtex parietal. a estria terminal. Está situado no lobo temporal. posteriormente: giro occípito-temporal medial. é um dos núcleos da base. do tipo alocórtex.1. possui as seguintes relações: − − − − − lateralmente: sulcos rinal e colateral e giro occípito-temporal lateral. 13 . atravessada por muitas fibras. − É constituído de numerosos subnúcleos. dispostas no plano vertical da parede medial do corpo anterior do ventrículo lateral. superiormente e medialmente: sulco hipocampal. − De acordo com sua relação com a comissura anterior. arquicórtex. Giro Para-hipocampal: situado na face inferior do lobo temporal. principalmente na frente da comissura anterior. A maioria de suas fibras eferentes agrupa-se em um feixe compacto. Algumas fibras da estria passam através da comissura anterior para o corpo amigdalóide do lado oposto. − O hipocampo é constituído de um córtex muito antigo. a área septal pode ser dividida em partes pré e supracomissurais. que acompanha a curvatura do núcleo caudado e termina do hipotálamo. e tem relação com o núcleo caudado.

baseados em experiências. e projetam parte para a formação reticular e para os núcleos anteriores do tálamo através do fascículo mamilotegmentar e mamilo-talâmico respectivamente. − Núcleos Habenulares: situam-se nos trígonos das habênulas (epitálamo). a hipótese que o tálamo seria o responsável pela coordenação da emoção a qual se manifestaria através do hipotálamo. A importância dessa teoria se deve ao fato de implicar os mecanismos diencefálicos na elaboração dos processos emocionais. Conexões do Sistema Límbico 6. e é objeto de estudo de muitos pesquisadores. Teoria de James .Lange: teoria de um psicólogo americano com um dinamarquês que propunha que as emoções consistiam na percepção das alterações fisiológicas desencadeadas pelo estímulo emocional. Recebem fibras dos núcleos mamilares e projetam para o giro do cíngulo.2.Núcleos Mamilares: situados nos corpos mamilares. Várias teorias foram formuladas no intuito de explicá-las.2. − Núcleos Anteriores do Tálamo: situam-se no tubérculo anterior do tálamo.1. Conexões Intrínsecas As intercomunicações do sistema límbico foi. Recebem fibras pela estria medular e projetam para o núcleo interpeduncular do mesencéfalo através do fascículo retroflexo. − 6. 14 . Teoria de Cannon e Bard: propuseram. recebem fibras do hipocampo através do fórnix.

).2. a fímbria do hipocampo.A.R. − Teoria de Papez: Papez levantou a idéia de que as estruturas do lobo límbico constituíam o substrato neural da emoção e da memória: esse mecanismo consiste em um circuito fechado que une os componentes do sistema límbico cuja disposição mostrada encontra-se na ordem de predominância dos impulsos nervosos: ∗ HIPOCAMPO: liga-se às pernas do fórnix por um feixe de fibras situadas ao longo de sua borda medial. Conexões Extrínsecas Para exercer as funções a ele atribuídas. ∗ CORPO MAMILAR: liga-se aos núcleos anteriores do tálamo pelo fascículo mamilo-talâmico. ∗ GIRO PARA-HIPOCAMPAL: liga-se ao hipocampo fechando o circuito.2.R. ∗ FÓRNIX: liga-se ao corpo mamilar através de suas colunas que cruzam a parede lateral do III ventrículo. ∗ NÚCLEO ANTERIOR DO TÁLAMO: projeta fibras para o córtex do giro do cíngulo. 15 . Uma falta dessa teoria foi conferir um papel exagerado ao S.A. como regulador do sistema emocional.Teoria da Ativação Lindsley: essa teoria procura explicar as reações emocionais através de uma atuação cortical seletiva que seria originada do sistema ativador reticular ascendente (S. 6. ∗ GIRO DO CÍNGULO: envia fibras através do fascículo do cíngulo ao giro para-hipocampal. o sistema límbico precisa ter acesso a informações sensoriais (através de conexões aferentes) e aos mecanismos efetuadores (através de conexões eferentes).A.A.

Os impulsos olfatórios passam diretamente da área cortical de projeção para o giro para-hipocampal e o corpo amigdalóide. 16 − − . e para formação reticular do mesencéfalo. as fibras seguem do núcleo amigdalóide ao hipotálamo.2. Área Septal: a área septal liga-se ao hipotálamo através de fibras que percorrem o feixe prosencefálico medial. 6. Corpo Amigdalóide: através da estria terminal. participa dos mecanismos efetuadores que desencadeiam o componente periférico e expressivo dos processos emocionais e. seja indiretamente. via hipotálamo. através das conexões do núcleo do tracto solitário com o corpo amigdalóide. Conexões Eferentes O sistema límbico.2.2. Dos núcleos mamilares do hipotálamo. ao mesmo tempo.6.2. controlam a atividade do sistema nervoso autônomo. Existem numerosas projeções serotominérgicas e dopaminérgicas que o sistema límbico recebe da formação reticular e que exercem ação moduladora sobre a atividade de seus neurônios.2. através dessas conexões.1. pelo fascículo mamilo-tegmentar. seja diretamente. Conexões Aferentes As emoções são desencadeadas pela entrada no sistema nervoso central de determinadas informações sensoriais. As informações relacionadas com a sensibilidade visceral chegam ao sistema límbico. As principais conexões que exercem essas funções são as do sistema límbico com o hipotálamo e com a formação reticular do mesencéfalo. os impulsos nervosos seguem para o núcleo anterior do tálamo. através do fascículo mamilotalâmico. ∗ Conexões com o hipotálamo − Hipocampo: liga-se aos núcleos mamilares pelo fórnix.

Anatomia Neurofisiológica . Psicofisiologia. Feixe Mamilo-Tegmentar: segue do núcleo mamilar para a formação reticular do mesencéfalo. que se ligam aos núcleos interpedunculares do mesencéfalo (projetam-se para a formação reticular). 1984. Ângelo B. Referências Bibliográficas I BRANDÃO. CHUSID. ROCCA. M. 1993. Joseph G. − − 7. Atheneu. Neurociência Básica . 1970. GUYTON. Está situado entre a área septal e o tegmento mesencefálico. São Paulo. Estria Medular: segue da área septal aos núcleos habenulares do epitálamo. Ed. Neuroanatomia Funcional.∗ Conexões com a formação reticular do mesencéfalo Se faz basicamente através de 3 sistemas de fibras: − Feixe Prosencefálico Medial: possui fibras percorrendo o hipotálamo lateral nos dois sentidos. 1995. 2 Ed. Guanabara Koogan. BRODAL. São Paulo. Neuroanatomia Correlativa e Neurologia Funcional.Com correlações clínicas. 1993. Marcus L. Rio de Janeiro. Atheneu. Guanabara Koogan.Anatomia e Fisiologia. 3 Ed. 2 17 . 14 Ed. São Paulo. Rio de janeiro. MACHADO. A.

F. Funções e Algumas Patologias do Sistema Límbico 18 . Neurofisiologia. Rio de Janeiro. 35 Ed. Peter L. E. Guanabara Koogan.SCHMIDT. U. 1979. Roger. R. WILLIAMS. P. SPRINGER EDUSP. 1979. São Paulo. WARWICK. Gray Anatomic.

por sua vez. Introdução II Funcionalmente. Mais tarde. quando J. W. as influências corticais são enviadas para o hipotálamo através de projeções do giro do cíngulo para a formação hipocampal. e. O hipocampo processa a informação que chega e a projeta via fórnix para os corpos mamilares do hipotálamo. sexo). enquanto que a expressão das emoções recruta circuitos hipotalâmicos. De acordo com este esquema. O hipotálamo. bem como à regulação do sistema endócrino. portanto. O circuito de Papez foi a resposta à pergunta de como os centros corticais comunicam-se com o hipotálamo. 19 . analisaremos com profundidade cada uma das funções relacionadas ao sistema límbico. fornece informações ao tálamo através do fascículo mamilo-talâmico e daí ao giro do cíngulo. a experiência subjetiva da emoção requer a participação do córtex. e pela noção de que as emoções têm um componente cognitivo. Papez foi influenciado por experimentos que sugeriam que o hipotálamo desempenha um papel crítico nas emoções. A seguir.8. à regulação do sistema nervoso autônomo e também dos processos motivacionais essenciais à sobrevivência da espécie e do indivíduo (fome. Também está ligado ao mecanismo da memória e da aprendizagem. sede. Papez levantou a hipótese de que as estruturas do lobo límbico constituiriam o substrato neural das emoções. o sistema límbico está relacionado à regulação dos processos emocionais. Deste. fechando o circuito. Em 1937 houve grande avanço com relação aos conhecimentos sobre o sistema límbico. vai para o giro parahipocampal e daí para o hipocampo.

Ela pode se manifestar até no homem. e foi observado o seguinte: − tendência excessiva a examinar objetos. costuma-se distinguir um componente central. sua disposição e tom afetivo. Bucy publicaram um trabalho experimental que veio confirmar as idéias de Papez. Em virtude da lesão de estruturas límbicas. medo. prazer e raiva são exemplos do fenômeno da emoção. 1939). Tais alterações de comportamento são conhecidas como síndrome de Klüver e Bucy. tristeza. − mansidão. ao admitir que o sistema límbico poderia influenciar os “mecanismos internos” da atitude geral de um organismo. o componente interno pode ser melhor entendido se lembrarmos que um bom ator pode simular a expressão emocional. A primeira sugestão de participação límbica em mecanismos emocionais foi feita por Herrick (1933). houve a maior modificação de comportamento de um animal. Suas idéias foram posteriormente desenvolvidas em teorias sobre a emoção de caráter fisiológico por Papez (1937.1960). giro parahipocampal e o corpo amigdalóide.9. Mclean (1949) e Arnold (1945. Participação do Sistema Límbico nos Processos Emocionais Alegria. O componente periférico é a maneira como a emoção se expressa. como o hipocampo. subjetivo e um componente periférico. − alterações nos hábitos dietéticos. Eles fizeram uma ablação bilateral da parte anterior dos lobos temporais em macacos Rhesus. 20 . o comportamento emocional. − diminuição da agressividade. Klüver e P. − perda do medo. sem que sinta emoção nenhuma. Para estudá-la. já obtida experimentalmente. H.

em especial das áreas associativas. Lesões singulares podem provocar apatia e mudança de personalidade. devido à ablação bilateral da parte anterior do lobo temporal para tratamento de formas agressivas de epilepsia. sobre outras estruturas do sistema límbico (e aquelas relacionadas a ele). das superfícies orbitais dos lobos frontais do giro do cíngulo e do giro hipocampal. como encontros agressivos ou de natureza sexual. Por sua vez. suas funções e sua relação com os processos emocionais: Giro do Cíngulo: Foram constatadas alterações de humor e sensação de familiaridade em pacientes humanos que sofreram estimulações elétricas no giro do cíngulo e no giro para-hipocampal. Estes resultados despertaram grande interesse pela pesquisa sobre a participação de componentes do sistema límbico nos fenômenos emocionais. cegueira psíquica. Discutiremos. evidencia uma alta atividade dos 21 . a amígdala tem sido chamada de “a janela” através da qual o sistema límbico vê o lugar da pessoa no mundo. 5 . − tendência hipersexual. agora. 3 . Cingulotomias bilaterais têm sido usadas para o tratamento de pacientes com depressão profunda ou síndromes obsessivo-compulsivas. 2 .de volta para essas mesmas áreas corticais.para o tálamo. visuais e auditivas. Devido a isso. bem como do neocórtex dos lobos temporal.− algumas vezes. Amígdala: Recebe impulsos neuronais de todas as partes do córtex límbico. Quadros semelhantes a este já foram observados no homem. 4 . a amígdala transmite sinais: 1 .para o hipocampo.especialmente para o hipotálamo. Acredita-se que esses estados comportamentais sejam decorrentes do fato de que os portadores desta síndrome não sejam mais capazes de fazer uma associação correta entre os estímulos que recebem do ambiente e os sentimentos e atitudes adequados para a ocasião (dissociação sensório-emocional). Sua ativação em situações com significado emocional.para a área septal. parietal e occipital.

Por exemplo.neurônios dessa região. ocasionalmente movimentos clônicos rítmicos e diferentes tipos de movimentos associados à olfação ou à ingestão de alimentos (lamber. Hipotálamo: Além das funções vegetativas e endócrinas do hipotálamo. dilatação pupilar. distúrbios alimentares e aumento da sede. Em relação às suas funções normais. podem originar sensações de recompensa. como movimentos tônicos (elevação da cabeça ou curvatura do corpo). se estimulados. em ratos. Área Septal: Lesões da área septal. ajudar a organizar a resposta comportamental da pessoa. ovulação e parto prematuro. que é contínua a essa parte do hipotálamo. movimento copulatório. tanto com relação a seu ambiente. ejaculação. piloereção e secreção de diversos hormônios da hipófise anterior. A estimulação da amígdala em pacientes humanos provoca reações de medo. A estimulação do núcleo ventromedial e das áreas circunvizinhas provoca em grande parte efeitos opostos aos da estimulação da estimulação da área hipotalâmica lateral. Em animais. Lesões no hipotálamo causam. A função sexual pode ser provocada pela estimulação de diversas áreas do hipotálamo. pois. como copulação. com redução da ingestão de alimento e tranqüilidade. de prazer ou de excitação. a estimulação do hipotálamo lateral não apenas provoca a sede e o desejo de ingestão de alimento. É sensível à ação de hormônios sexuais. isto é. enquanto outros núcleos. que atua a nível semiconsciente. leva em geral ao medo e a reações a punição. Estimulações dessa área causam alterações da pressão arterial e do ritmo respiratório. e efeitos viscerais. Também parece projetar para o sistema límbico o estado atual da pessoa. sentimento de saciedade. mastigar e engolir). ou atividades sexuais. lesões bilaterais do 22 . A amígdala parece. e também da substância cinzenta central do mesencéfalo. efeitos opostos. em especial das mais anteriores e posteriores. atividade uterina. Estimulação de zona delgada do núcleo periventricular. localizado imediatamente adjacente ao terceiro ventrículo. em geral. em especial de gonadotrofinas e corticotrofinas. ereção. A estimulação de alguns de seus núcleos pode desencadear sensações de fuga. mas também aumenta o nível geral de atividade do animal. movimentos em círculo. como: aumento ou diminuição da pressão arterial. defecação e micção. a estimulação ou lesão do hipotálamo tem muitas vezes efeitos muito intensos sobre o comportamento emocional humano e de outros animais. quanto a seus pensamentos. adequadamente a cada situação. A estimulação da amígdala também pode produzir efeitos a nível de movimentos. raiva e medo. a amígdala parece ser a área de conhecimento comportamental. da freqüência cardíaca. É sensível a hormônios sexuais. raiva. provocam aumento da reatividade emocional. o que por vezes leva à raiva franca e briga.

selvageria contínua. acompanhada de surtos freqüentes de raiva extrema. Durante as crises hipocâmpicas. Provavelmente. Lesões bilaterais das áreas ventromediais do hipotálamo produzem efeitos que. além de diferentes tipos de fenômenos sexuais. é sensível à ação de hormônios sexuais. desencadeados por provocação bastante discreta. a ingestão de água e alimento. Elas se projetam para o diencéfalo e telencéfalo. área septal e áreas do mesencéfalo causam muitas vezes efeitos semelhantes aos evocados no hipotálamo. alterações fisionômicas. levando muitas vezes à desnutrição letal. Contudo. encontradas nas outras regiões. e desequilíbrios endócrinos podem levar a modificações no humor. distúrbios nas áreas límbicas acarretam distúrbios endócrinos. em vez de seis. Às vezes. a pessoa experiência diversos efeitos psicomotores. composto por apenas três camadas celulares. ou outras reações emocionais.). no estado emocional. em especial a amígdala. Isso destaca o papel efetuador do tronco encefálico. hiperatividade e. mesmo quando a pessoa não perdeu a consciência e sabe que as alucinações são inverídicas. Um dos efeitos mais notáveis da estimulação da pessoa consciente é a perda imediata de contato com qualquer pessoa com a qual esteja conversando. incluindo alucinações olfativas. além de outros tipos que não podem ser suprimidas. alguns dados sugerem que a substância cinzenta mesencefálica central e a formação reticular podem ter. resultando em diversas manifestações emocionais (choro. Ao mesmo tempo. essas estruturas podem ser ativadas por impulsos de origem diencefálica ou telencefálica. são opostos aos decorrentes de lesões do hipotálamo lateral (ingestão excessiva de água ou alimento. como as causadas pelo vírus da raiva. essas lesões produzem grau extremo de passividade do animal.hipotálamo lateral diminuem. A lesão de outras áreas do sistema límbico. Existem também as vias monoaminérgicas. ou nele se originam. muitas vezes. quase a zero. Por isso. um papel regulador de certas formas de comportamento emocional. ativarão os neurônios medulares. do simpático ou do parassimpático sacral. também. As vias que atravessam o tronco encefálico (descendentes). o que indica que o hipocampo pode intervir retendo a atenção do indivíduo. cuja maioria se origina no tronco encefálico. com perda da maioria das suas funções francas. Como a amígdala e a área septal. etc. uma das razões dessa hiperexcitabilidade do hipocampo é a de que ele é formado por um tipo de córtex diferente de todos os outros encontrados no cérebro. visuais. auditivas e táteis. Tronco Encefálico: no tronco encefálico localizam-se vários núcleos nervosos e centros viscerais. conduzem 23 . desencadeia reações de raiva. desencadeando fenômenos emocionais através de nervos espinhais. Hipocampo: A estimulação de diferentes regiões do hipocampo pode originar movimentos involuntários tônicos ou clônicos em diversas partes do corpo. em sua maioria. Um aumento da reatividade emocional ocorre por lesões no hipocampo.

A destruição da área pré-frontal leva a alterações radicais na personalidade. 24 . Área Pré-Frontal: mantém extensas conexões recíprocas com o núcleo dorsomedial talâmico. a interpretação de diversos dados clínicos permite que ela esteja envolvida na escolha de melhores estratégias comportamentais para situação. juntamente com o hipotálamo e o sistema límbico. Sinais Físicos dos Estados Emocionais As emoções acompanham-se sempre de distúrbios na esfera somática.impulsos moduladores sobre circuitos nervosos em áreas relacionadas com o comportamento emocional. ao hipotálamo e ao sistema límbico. A lobotomia pré-frontal. Os núcleos anteriores ligam-se ao corpo mamilar e ao córtex do giro do cíngulo. na manutenção da atenção. capacidade de seguir seqüências ordenadas de pensamentos) dependem fundamentalmente dela. Tálamo: no homem e em animais houve alterações na reatividade emocional devido à lesões ou estimulações do núcleo dorsomedial e dos núcleos anteriores do tálamo. comprovação de indiscutível importância clínica. e no controle do comportamento emocional. Embora haja muitas controvérsias acerca das funções da área préfrontal. devido à secção das conexões da área pré-frontal com o núcleo dorsomedial do tálamo. Dupré descreveu. A lobotomia foi a primeira cirurgia usada para o tratamento de doenças psíquicas. Experiências em animais (remoção de área pré-frontal) causaram problemas de memória.1. Pacientes com dores intratáveis. visto que lesões da área pré-frontal causam distração e aspectos mais complexos da função de atenção (por exemplo. após a lobotomia pré-frontal. esses sinais. facilidade e intensidade nas pessoas dotadas da chamada constituição hiperemotiva. que surgem com maior freqüência. com rara fidelidade. melhoram emocionalmente e passam a não dar mais importância ao grave quadro clínico. que se torna agressiva. realizada pela primeira vez por Egas Moniz e Almeida Lima (1936) melhora os sintomas da ansiedade e depressão. que permitem reconhecer-se um estado emocional. A importância destes núcleos decorre de suas conexões: o núcleo dorsomedial é ligado ao córtex da área pré-frontal. embora continuem a sentir dor. 9.

ao longo das vias vago-simpáticas ou cerebroespinhais.Nos estados emocionais. bater dos dentes. Na esfera circulatória. e instabilidade do pulso. superficial e pupilar. no domínio dos grandes aparelhos. há taquicardia ocasional. urinária e genital. As desordens da refletividade intervisceral. Alternativas de vasoconstricção e vasodilatação periférica e dermografismo são freqüentes. Os tremores emotivos são típicos e múltiplos: trêmulos nas extremidades. Bases Neurais do Comportamento Emocional Analisaremos. As inibições funcionais e as impotências motoras transitórias: afrouxamento das pernas. sobretudo nos domínios da mímica e expressões vocais. 9. com reações motoras vivas. há transtornos das secreções biliares. Na esfera glandular. também.2. principalmente nas extremidades. Notam-se. O desequilíbrio motor se traduz por: espasmocidade visceral. Medo: 25 . sobressaltos. relaxamento dos esfíncteres. apreciáveis à termometria local. caracterizam-se por espasmos. mutismo.1. vivacidade difusa da Há hiperestesia sensorial. palpitações. mioclonias passageiras. faringoesofagiana. agora. estremecimentos.2. citospasmo com polaciúria. distúrbios secretórios. extensas e prolongadas. sensações subjetivas de calor e de resfriamento. gagueira. ansiedade e pânico). gastrointestinal. da agressão (e correlatos de raiva) e do prazer (associado à recompensa). excitação ou inibição funcionais. etc. sudoral. determinados por reações reflexas anormais. não raro permanente e paroxística. lacrimal. como manifestação do medo (por extensão. ticos. de um órgão sobre outro. salivar. arrepios. por associação. O desequilíbrio térmico observado caracteriza-se por variações objetivas. as bases neurais do comportamento emocional. consigna-se refletividade profunda. 9.

esta idéia é apoiada pelo fato de que lesões da amígdala atenuam as reações a estímulos potencialmente perigosos. de W. o que facilita o armazenamento de informações. incluindo o córtex pré-frontal. Brandão. sons intensos ou estímulos ameaçadores. ou então pela esquiva de punição. em 1943. o hipocampo passa a funcionar na modalidade-controle que gera a inibição comportamental. integra informações de outras partes do cérebro.BIS). acompanhada do aumento da atenção ao meio e do aumento da vigilância em direção aos estímulos potencialmente perigosos. Segundo Joseph Le Doux. as atividades comportamentais seguem seu curso normal. Entretanto. Tal hipótese parece bastante plausível. Brugger mostrando que a estimulação do hipotálamo medial apresenta propriedades aversivas. há evidências de que o colícolo superior e o colícolo inferior (informações visuais e auditivas. R. 26 . onde se dá o planejamento de planos e programas de ação. Alguns estudos indicam que a via serotominérgica ascendente que se projeta para o área septal e o hipocampo pode estar implicada na gênese da inibição comportamental verificada em situações de perigo. Jeffrey Gray (1987) denominou o conjunto destas estruturas de sistema de inibição comportamental (Behavioural Inhibition System . Nela é avaliado o nível de ameaça representado pelos sinais de perigo. Este sistema responde aos eventos primitivos. Quando há coerência entre as informações recebidas e as previamente armazenadas. A área septal e o hipocampo também recebem aferências noradrenérgicas provenientes do locus ceruleus na ponte. estímulos novos e frustração condicionada através da supressão do comportamento operante mantido por recompensa. quando ocorre qualquer incompatibilidade entre os eventos emocionais e o que está armazenado. Além disso. aliado ao fato de que ela mantém importantes conexões anatômicas com o hipocampo. e é onde eles ganham colorido afetivo.Desde experimentos pioneiros. o colícolo inferior mantém estreitas conexões anatômicas com a matéria cinzenta peri-aquedutal e a amígdala. por sua vez. o hipocampo atua como um conferidor que compara as informações sensoriais que recebe do córtex entorrinal com as predições geradas ao nível do circuito de Papez que. respectivamente) também participam do mecanismo do medo. da Universidade de Nova Iorque. a amígdala parece exercer um papel de interface entre as sensações e as emoções. Como faz parte do circuito de Papez e tem importantes conexões anatômicas com o córtex entorrinal. uma vez que animais com eletrodos implantados nesta região aprendem a desligar a corrente elétrica intracraniana. visto que Darwin destacou a ativação dos sentidos da visão e da audição durante a expressão de estados aversivos. evidenciou-se que existe no SNC um sistema de punição que pode ser acionado por choque. Segundo M. L. Hess e M.

eles percebem a dor e manifestam as suas características reações autonômicas. modulando o repertório comportamental a fim de dirigir respostas esqueletomotoras adequadas. A interface entre a atividade neural de centros corticais superiores resulta na experiência emocional à qual nós associamos denominações como medo. Estes pacientes não se importam com a dor crônica. devemos lembrar que o modelo corrente da base neural do comportamento emocional não se distancia muito daquele proposto por uma estrutura central na geração e elaboração dos elementos que compõem o comportamento emocional adequado para cada estímulo. Cabe salientar a importância dos estudos de Klüver e Bucy. conhecida como falsa raiva. Mais tarde. levaram à hiperatividade acentuada e à facilitação da agressão. 2) acionam mecanismos prosencefálicos que preparam o organismo para as interações com o meio externo. O comportamento de pacientes nos quais o córtex pré-frontal foi removido dá suporte a esta idéia.) e não requerem um controle consciente. prazer ou sofrimento.2. etc. particularmente o hipotálamo.De uma maneira geral. comportamento sexual. com relação à compreensão que temos acerca do fenômeno da agressão. 9. As fibras serotominérgicas ascendentes que se originam nos núcleos da rafe e projetam-se na amígdala. Lesões da área septal. em 1925. P. mas a percepção não está mais associada à experiência emocional que normalmente acompanha este estado neuropatológico. fuga. Bard observou que a raiva desaparecia quando o hipotálamo era incluído na ablação.2. atualmente sabemos que o aparecimento da raiva está condicionado à remoção de estruturas corticais que inibem os mecanismos subcorticais responsáveis pela raiva. já relatava que gatos descorticados apresentavam grande irritabilidade. admite-se que os estímulos aversivos ou aqueles associados ao prazer podem desencadear dois tipos de processos: 1) disparam eventos que são integrados pelo hipotálamo e resultam em alterações do estado interno que prepara o organismo para a ação adequada (ataque. sistema septo-hipocampal e hipotálamo 27 . raiva. Finalmente. em várias espécies estudadas. Algumas vezes. Agressão: Cannon. inclusive a humana.

mas com uma diferença fundamental: o reforço convencional só é eficaz se o animal se encontra em um estado motivacional particular (por exemplo. portanto. A destruição dos núcleos da rafe provoca um aumento nítido na ocorrência do comportamento agressivo.3. Alguns neurocirurgiões relatam que a estimulação da amígdala e do córtex temporal induz violento comportamento agressivo. Entretanto. Finalmente. ainda evoca um determinado estado motivacional. De um modo geral. 10. Recompensa: O estudo de centros cerebrais de recompensa começou em 1954 com J. enquanto que a estimulação elétrica destas áreas promove os efeitos reforçadores positivos característicos. e. o alimento só reforça o animal faminto). As evidências de um controle neural da agressão do homem são ainda esparsas. situavam-se ao longo do feixe prosencefálico medial. com maior recompensa. A autópsia de pacientes com episódios incontroláveis de raiva mostrou que eram portadores de neoplasias nas paredes do terceiro ventrículo associadas ao hipotálamo ventromedial. além de ativar os sistemas que são normalmente acionados pelos estímulos reforçadores comuns. àquelas associadas à experiência afetiva de natureza aversiva. Olds e P. Em muitos aspectos. Milner. Essas evidências sugerem que a estimulação cerebral reforçadora.2. Mais tarde verificou-se que as áreas com freqüências mais altas de estimulação. O Hipotálamo como Via Eferente Importante do Sistema Límbico 28 . em especial. o aumento da condução nervosa nessas vias tem o efeito de atenuar a responsividade do organismo às estimulações do meio ambiente e. muito se tem falado na psicocirurgia como tratamento para o comportamento agressivo. mostrando que ratos pressionavam uma barra com uma persistência impressionante se a cada resposta corresponder uma estimulação elétrica no hipotálamo ventro-lateral.medial desempenham um papel essencial na associação de significado aos dados objetivos da informação sensorial e na gênese da reação emocional. as evidências obtidas relativas a este procedimento são ainda controversas. a estimulação cerebral parece atuar como um reforço comum. O sistema cerebral de recompensa passou a ser representado pelo próprio feixe. como alimento ou água. 9.

Funções de Controle Vegetativo e Endócrino do Hipotálamo: 29 . essas áreas também controlam muitas condições internas do corpo. principalmente para as regiões reticulares do mesencéfalo. situado no meio de todo ele fica o hipotálamo. Além de sua participação do controle comportamental. Essas funções internas são designadas em conjunto como funções vegetativas do encéfalo e obviamente seu controle é intimamente relacionado com o comportamento. ele e suas estruturas intimamente associadas emitem sinais eferentes em três direções: apara baixo. 11. o controle do peso corporal. Assim o hipotálamo. osmolaridade dos líquidos corporais.1. por sua vez. mas que sob o ponto de vista fisiológico é um dos elementos centrais deste sistema.O hipotálamo tem vias de comunicação com todos os níveis de sistema límbico. uma das mais importantes vias eferentes motoras do sistema límbico. em direção ao diencéfalo e ao cérebro. bpara cima. 11. cpara o infundíbulo. As estruturas anatômicas do sistema límbico formam um complexo interconectado de elementos da base do encéfalo. que representa menos de 1% da massa do encéfalo. como sendo uma estrutura distinta do resto do sistema límbico. a condição para comer ou beber. bem como muitos aspectos do comportamento emocional.Participação do Sistema Límbico no Controle Vegetativo e Endócrino Um dos componentes importantes do sistema límbico é o hipotálamo. com suas estruturas associadas. considerado por muitos anatomistas. é. etc. tanto da anterior quanto da posterior. para o controle da maioria das funções secretoras da hipófise. da ponte e do bulbo. até o tronco cerebral. tais como a temperatura corporal. especialmente para o tálamo anterior e córtex límbico. Ele controla a maioria das funções vegetativas e endócrinas do corpo. não obstante.

Esses efeitos são mediados. em especial a área pré-óptica. os neurônios dessa região ficam estimulados. que por sua vez provoca o aumento da 30 . em quantidade suficiente para fazer com que a concentração de eletrólitos dos neurônios do centro da sede retorne ao seu valor normal. esses neurônios controlam o mecanismo de aumento e diminuição da temperatura corporal. como diminuição da freqüência cardíaca e da pressão arterial. passando pelo infundíbulo. enquanto que a estimulação da área pré-óptica produz efeitos opostos. Regulação da água corporal: o hipotálamo regula a água corporal por dois meios distintos.Regulação cardiovascular: a estimulação de diferentes áreas em todo o hipotálamo pode provocar todo e qualquer tipo de efeito neurogênico conhecido sobre o sistema cardiovascular. As fibras nervosas desses neurônios se projetam para baixo. promovendo reabsorção maciça de água. Esse hormônio é absorvido para o sangue. até a hipófise posterior. a estimulação do hipotálamo posterior ou lateral aumenta a pressão arterial e a freqüência cardíaca. Em geral. Também controla a perda de água através da urina. ao núcleo supra-óptico. em sua maior parte. tanto os do centro da sede como os de áreas associadas ao hipotálamo. O controle da excreção renal de água está restrito. Quando os líquidos corporais ficam excessivamente concentrados. está relacionada com a regulação da temperatura corporal. o que reduz a perda de água pela urina. Quando os eletrólitos no interior dos neurônios. O aumento da temperatura do sangue que flui por esta área. Ele procurará a fonte mais próxima de água e beberá dela. incluindo elevação ou baixa da pressão arterial e aumento ou diminuição da freqüência cardíaca. Regulação da temperatura corporal: a parte anterior do hipotálamo. o que leva o animal a beber água. Por sua vez. aumenta a atividade de neurônios sensíveis à temperatura. pelos centros de controle cardiovascular nas regiões reticulares da ponte e do bulbo. o animal apresenta desejo intenso de beber água. enquanto que a redução da temperatura diminui sua atividade. ficam muito concentrados. Regulação da contratibilidade uterina e ejeção de leite pelas mamas: a estimulação dos núcleos paraventriculares faz com que as suas células neuronais secretem o hormônio oxitocina. também conhecido como vasopressina. e atua sobre os túbulos coletores dos rins. em grande parte. Uma área chamada de centro da sede fica situada no hipotálamo lateral. onde secretam o hormônio ADH. Um por criar a sensação de sede.

Regulação gastrointestinal e da alimentação: a estimulação de diversas áreas do hipotálamo faz com que o animal experiencie fome extrema. se esta área for destruída bilateralmente. apetite voraz e desejo intenso pela busca de alimento. Os corpos celulares dos neurônios que secretam esses hormônios liberatórios ou inibitórios ficam localizados. fazendo com que elas lancem o leite pelo exterior pelos mamilos. Outra área intimamente relacionada ao hipotálamo. o centro hipotalâmico da fome fica hiperativo. os axônios destes núcleos se projetam para a eminência mediana. absorvidos pelo sangue que flui pelos 31 . De outro modo. Ao término da gravidez. o animal que estiver comendo interrompe abruptamente a ingestão de alimento e se torna indiferente a ele. a destruição desta faz com que o animal perca o desejo de alimento. de modo especial na zona paraventricular. A área mais associada à fome é a área hipotalâmica lateral. em sua maioria. Ao contrário. então. É nesse ponto que. em seu ponto de emergência da borda hipotalâmica. de modo que o animal passa a ter apetite voraz. são secretadas grandes quantidades de oxitocina. corresponde aos corpos mamilares. o que resulta em grau extremo de obesidade. chamado centro da saciedade. que flui para os seios da hipófise anterior. que participa do controle global da atividade gastrointestinal. como o lamber dos lábios e a deglutição. o animal nunca poderá ser saciado. Quando o bebê suga a mama materna. Quando estimulado. que controlam os padrões de muitos reflexos alimentares.contratibilidade uterina a ao mesmo tempo contração das células mioepiteliais. uma área alargada do infundíbulo. um sinal reflexo sai do mamilo indo para o hipotálamo. fica situado no núcleo ventromedial. as terminações nervosas liberam seus hormônios liberatórios ou inibitórios. nos núcleos mediais basais do hipotálamo. após ter passado pela parte inferior do hipotálamo. onde atuam sobre as células glandulares para o controle da liberação dos hormônios da hipófise anterior. A hipófise anterior recebe sua vascularização principalmente pelo sangue venoso. Controle hipotalâmico da hipófise anterior: a estimulação de certas áreas do hipotálamo também leva a hipófise anterior a secretar seus hormônios. que participam da produção das contrações do parto que expulsam o feto. de modo que o bebê obtenha a nutrição que precisa. na verdade. que revestem os alvéolos das glândulas mamárias. diferentes hormônios liberatórios e inibitórios são secretados para ele por diversos núcleos hipotalâmicos. esses hormônios são levados pelo sangue para a hipófise anterior. Todavia. que exerce sua função essencial de ejeção do leite pelos mamilos. liberando a oxitocina. Esses hormônios são. no núcleo arqueado e em parte no núcleo ventromedial. À medida que esse sangue flui para o hipotálamo. levando por vezes à desnutrição letal. O centro que se opõe ao desejo de alimento. antes de atingir a hipófise anterior. Em seguida.

Este é o primeiro estágio de memorização. e levados pelo sangue venoso ao longo do infundíbulo. Memória a Curto Prazo ou Primária 32 . dias. a qual pode ser dividida em memória secundária e terciária. dura apenas alguns algumas centenas de milésimos de segundo. acessibilidade e modo como são armazenadas. ao longo da hipófise anterior. outras duram horas. mantendo-se os pontos mais importantes. meses ou anos. 12.1. sendo substituída por novos estímulos rapidamente. Memória Sensorial É a memória dos sinais sensoriais. 12. A maioria dos autores acredita que temos três tipos de memória: abMemória sensorial Memória de curto prazo ou primária cMemória de longo prazo. Participação do Sistema Límbico no Mecanismo da Memória Ter memória significa reproduzir o mesmo padrão espacial e temporal de estimulação do sistema nervoso num tempo futuro.capilares da eminência mediana. 12. Existem vários graus de memória. Os diferentes tipos de memória tem características diferentes quanto ao local de armazenamento. Essas diferenças serão abordadas a seguir. sua durabilidade. durante esse curto período de tempo ela pode ser armazenada. algumas não duram mais do que segundo.2.

12.Acredita-se que memória de curta duração esta relacionada à atividade neural pertinaz e reverberante. É este tipo de memória que se relaciona com o sistema límbico. à partir daí as memórias se tornam mais fixas e duráveis. esses órgãos. o que mostra que o processo de consolidação ocorre aos poucos. principalmente o hipocampo. após as sessões de aprendizagem. tais dados são confirmados pela ablação bilateral do hipocampo e pela síndrome de Korsakoff (ver adiante). As memórias primárias podem facilmente ser destruídas por choques no encéfalo. À medida que se acrescentam novas memórias apenas parte da memória de curto prazo fica armazenada e boa parte se perde no esquecimento. esses choques foram aplicados em períodos de tempo cada vez maiores. A memória de curto prazo é processada pelo hipocampo e corpo amigdalóide sofrendo influencia também do fórnix e corpos mamilares. tornado-a de longa duração representada por sinapses e por síntese de RNAm. têm a função de processar a memória de curto prazo que são atividades neurais. As memórias de curto prazo são menos duráveis e precisam passar por um processo de consolidação que requer no mínimo cinco a dez minutos para uma armazenagem mínima. sendo cada vez menores as perdas de memória. ou de um hora ou mais para a consolidação máxima. Memória de Longa Duração 33 . já que a memória a longo prazo não possui lugar definido e está espalhada por todo o córtex.3.

alem disso o tempo necessário para se acessar a memória é mais longo. etc. se a eles for apresentado uma situação tipo teste eles só saberão responder enquanto estiverem diante do objeto. os traços de memória são também chamados de engramas e sua localização foi pesquisada em 1950 por Lashley que após seus trabalhos deduziu que os traços de memória estão espalhados por quase todo o sistema nervoso central. as letras do alfabeto. e consiste na dificuldade de lembrar fatos 34 . ocorre em alcoólatras crônicos. esses indivíduos portanto vivem tanto o presente quanto o passado remoto com as memórias que foram armazenadas antes da lesão. A memória de longa duração pode ser fixa. os números de um a dez. o que reforça a função do hipocampo de preparação da mensagem que chega para um armazenamento constante. por esse motivo pode ser esquecida e dificilmente lembrada.Amnésia Lesões bilaterais de hipocampo causam o quadro conhecido como amnésia anterógrada. Falhas na Memória . A memória terciária é a forma mais durável e mais resistente de memória. que se relaciona mais com a fonética e a verbalização. 12. A memória secundária é aquela armazenada por um traço de memória fraco ou moderadamente fraco. Indivíduos com amnésia anterógrada não tem déficit na memória de curto prazo nem nas de longo. Uma síndrome clínica que lembra a amnésia anterógrada é a síndrome de Korsakoff causada pela degeneração dos corpos mamilares pelo álcool.A memória de longa duração não tem relação com o sistema límbico sendo apenas processada por estruturas deste sistema. A memória de longo prazo se divide em memória secundária e terciária. sendo também de muito fácil acesso. se este lhe for tirado eles esquecerão a resposta do teste. que se caracteriza pelo fato do indivíduo não conseguir mais processar novas memórias. Acredita-se que seja um depósito das informações mais substanciais como o próprio nome.4. pois é composta de traços de memória muito fortes. a memória secundária está bastante relacionada com a compreensão em contraste com a memória de curto prazo ou primária. Recentemente descobriu-se que estão relacionados a mudanças estruturais na célula nervosa como a síntese de RNAm e o aparecimento de novas sinapses.

os nervos autônomos dos diversos órgãos internos do organismo. constipação. Lesões dos núcleos anteriores do tálamo. aumento do metabolismo basal. esse tipo de amnésia se caracteriza pelo esquecimento de fatos horas. Estados psicóticos e neuróticos causam um excesso de estimulação somática para os músculos esqueléticos e também para o sistema nervoso simpático. devido aos receptores propioceptivos. Já as anomalias do parassimpático são − 35 . Efeitos Psicossomáticos do Hipotálamo e do Sistema Ativador Reticular Sabe-se que o funcionamento anormal do sistema nervoso pode conduzir a patologias em diversos órgãos do corpo. O resultado é uma grande ativação do sistema reticular. O indivíduo com amnésia retrógrada consegue lembra de fatos à partir de um ponto no passado e daí para trás. etc. os hormônios produzidos pela hipófise em resposta aos comandos do hipotálamo. Isso ocorre devido a influência do encéfalo sobre os órgãos periféricos. 13.recentes. Hiper atividade do simpático por exemplo causa efeitos simultâneos em várias partes do corpo como: aumento da freqüência cardíaca. da coluna do fórnix e do núcleo medial dorsal do tálamo também causam amnésia anterógrada. estas influências usam principalmente três caminhos: os nervos motores que vão aos músculos estriados em todo o corpo. aumento da pressão arterial. O armazenamento de memórias constantes à partir das recentes faz-se num período de poucos minutos até alguns dias e pode ser ajudado pela repetição verbal da informação. isto é explicado pela perda da memória de longo prazo. Há outro tipo de amnésia que pode decorrer de pequenas lesões no tálamo é a amnésia retrógrada. Transtornos psicossomáticos transmitidos pelo sistema nervoso somático: Os estados psíquicos anormais podem causar variações na estimulação nervosa dos músculos esqueléticos do corpo. − Transmissão de efeitos psicossomáticos através do sistema nervoso autônomo: Hiperatividade dos sistemas simpático e parasimpático causam sintomas de anormalidades psicossomáticas. Isto contribui para o intenso grau de vigília e excitação típicos desses casos. dias ou anos anteriores a lesão. e provavelmente a um aumento da adrenalina circulante devido a ação do simpático.

que por sua vez é influenciado pelo sistema límbico. as dolorosas e intensas contrações dos músculos faríngeos. células de Purkinje do cerebelo e núcleos dos gânglios basais. agitação crescente. A sintomatologia é variada: entre outros sinais. aumenta a secreção de glicocorticóides e causando um aumento da acidez do estômago e possível ulceração gástrica. alucinações visuais e auditivas e. Enfartes em Territórios de Artérias Cerebrais: 36 . Só pode ser distinguida das outras encefalites a vírus quando se encontram os corpúsculos patognomônicos de Negri. eles são encontrados em maior número no corpo de Ammon do hipocampo. o sinal mais característico da doença. 14. e em menor proporção nas células piramidais do córtex cerebral. dando ênfase a algumas pesquisas recentes. ocorrem episódios de temor infundado e raiva alternados com períodos de depressão profunda.mais específicas para determinadas áreas do corpo. Algumas Patologias do Sistema Límbico Discorreremos agora sobre alguns estados patológicos que mantém relação com estruturas límbicas. Essas características são repassadas ao simpático e ao parasimpático através do hipotálamo. exemplos disso são: hiperacidez do estômago com desenvolvimento conseqüente de úlcera estomacal e aumento do peristaltismo da parte alta do tubo digestivo por estimulação do núcleo motor do vago. sinal de Babinski e rigidez da nuca. como a corticotrofina que atuando sobre a córtex da adrenal. Excesso de outros hormônios como a tireotrofina. inclusive no homem. Raiva : Virose fatal do sistema nervoso. aumentando o metabolismo basal. aumentam a produção de tiroxina. pode haver comprometimento do sistema nervoso autônomo. − Efeitos psicossomáticos mediados pela hipófise anterior: A estimulação de diversas partes da hipófise aumenta a secreção de alguns hormônios da hipófise. ou peristaltismo e grande secreção das glândulas do cólon com conseqüente diarréia. em todos os animais.

no giro parahipocampal. além do hipocampo. do neocórtex. córtex da ínsula. De 37 . por lesão hipocampal bilateral ou só no lado dominante. se dirigem a esse giro e daí ao hipocampo. A conclusão foi que os resultados através da imagem por ressonância foram consistentes com estudos passados da desordem obsessivo-compulsiva. que leva a perda das fibras colinérgicas que exercem ação moduladora sobre a atividade dos neurônios do sistema límbico e do neocórtex relacionados com a memória. Dois fatores podem estar ligados aos problemas de memória: além da degeneração dos neurônios colinérgicos do núcleo basal de Meynert. Um deles localiza-se no hipocampo. parte anterior do lobo temporal. corpo caudado. o outro está na área entorrinal. que usaram outras modalidades de neuroimagem. for lesado também o corpo amigdalóide simultaneamente. demonstraram que certas regiões cerebrais de 70% dos pacientes com a desordem possuíam ativação. pode ocorrer defeito de memória. comparados com 5 sujeitos normais.a) Cerebral Anterior: Pode ocorrer perda de memória e distúrbio mental. através da ressonância magnética. ou por comprometimento do sistema hipocampal em outro nível (corpos mamilares. Breiter e colaboradores (l996). Desordem Obsessivo-Compulsiva: H. A amnésia anterógrada é o sinal clínico de maior relevância. Assim. núcleo lentiforme e amígdala. com amnésia total. com completa deterioração de todas as funções psíquicas. etc. diz respeito à degeneração de dois grupos de neurônios do sistema límbico. Este. em um estudo de dez pacientes com desordem obsessivo-compulsiva. ausente nos indivíduos normais. parte anterior do giro do cíngulo. Essas regiões foram: parte medial da região orbital do lobo frontal. que constitui a porta de entrada das vias que. Síndrome de Korsakoff: Ocorre devido à degeneração dos corpos mamilares. essas lesões gradualmente levam a um total isolamento do hipocampo.). b) Cerebral Posterior: No território periférico. É importante destacar que a amnésia anterógrada (incapacidade de memorizar eventos ou informações surgidas após a remoção) só aparece se. com conseqüências sobre a memória equivalentes às de uma ablação do hipocampo (quadro moderado de amnésia). nas áreas que dão origem as suas principais fibras eferentes.C. descoberto recentemente. causada por alcoolismo crônico. existe outro fator provavelmente mais importante. psalterium. Doença de Alzheimer: Doença em que ocorre a perda gradual da memória recente.

na esquizofrenia (hipocampo e amígdala). Lostra e Biver resumiram os mais interessantes dados obtidos em esquizofrenia. Autismo: Síndrome com etiologia múltipla. amígdala e hipocampo. De acordo com os autores. Alterações bioquímicas no metabolismo do N-acetil aspartato na esquizofrenia pode ser uma explicação alternativa. Os pacientes autistas apresentaram. sugere fortemente um decréscimo no volume do hipocampo e de outras estruturas límbicas e temporais. ou o comportamento autista pode emergir de diferentes seqüências patológicas cerebrais? Embora seja prematuro generalizar. As disfunções das estruturas têmporo-límbicas seriam explicadas por problemas na embriogênese. os estudos neuropatológicos parecem ter identificado anormalidades comuns no cerebelo e no sistema límbico de cinco autistas.qualquer modo. Os achados foram consistentes com outros estudos que constataram hipoplasias de estruturas têmporo-límbicas. ou seja. além de problemas no cerebelo. Outro estudo. modificações na anatomia das estruturas límbicas e distúrbios químicos de neurotransmissores. Outras hipóteses sobre a etiologia da esquizofrenia apontam para possíveis defeitos na função de filtro. as ativações paralímbicas e límbicas foram mais proeminentes no estudo. Esquizofrenia: Em um estudo recente (l993). um “packing” ( tamponamento ) neuronal aumentado em regiões específicas do sistema límbico. realizado por Nasrallah (l994). Isto leva a uma deficiência no processamento da informação. já que o N-acetil aspartato é encontrado principalmente em neurônios. o autismo encerra mecanismos obscuros. Isto explicaria porque o paciente esquizofrênico não pode se proteger de vários bombardeamentos de estímulos. localizada no tálamo. 38 . Eles avaliaram os dois principais processos fisiopatológicos envolvidos nesta desordem. de acordo com Lotspeich e Cianarello (l993). Existe uma patologia neuroanatômica para todos os casos de autismo. tais alterações poderiam razoavelmente produzir comportamentos do autismo.

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