Fundos de Investimento Características chave e Boas Práticas

Fundos de Investimento e Microfinança
Características chave e Boas Práticas

Este trabalho representa apenas o ponto de vista dos seus autores e não pode, em qualquer circunstância, ser considerado a posição o cial ou um compromisso formal por parte da Comissão Européia.

Índice:
1.Introdução 1.1.Comparação entre o Desenvolvimento das Instituições de Microfinança e o Desenvolvimento dos Fundos de Investimento em Microfinança 1.1.1 Os primeiros objectivos sociais e de desenvolvimento 1.1.2 A realização de um potencial e necessário retorno em conjunto com o retorno social 1.1.3 Institucionalização e profissionalização 1.1.4 Equilibrío entre Retorno Social e Retorno Financeiro 1.1.5 A procura de financiamento e de investidores 2. Análise de Fundos de Investimento para a Microfinança 2.1. Actores Chave 2.2. Tipo de Investidores 2.3. Distribuição dos Fundos de Investimento para a Microfinança com base nos seus objectivos 3. Aumentar a Comercialização no Sector da Microfinança 3.1. Situaçao Actual: o crescente envolvimento do sector financeiro tradicional nos mercados de capital internacionais e locais 4. Fundos de Investimento para a Microfinança: Transparência e Qualidade 4.1. Por um “Selo de Qualidade” 4.2 Os princípios chave do “Selo de Qualidade” 4.2.1 Veracidade do Selo 4.2.2 Boa Gestão Interna 4.2.3 Administração 5. Fundos de Investimento para a Microfinança: Conclusões e Recomendações para o Futuro Anexo 1: Fundos de Investimento e outros Investidores em Microfinança Anexo 2: Actores da Microfinança Europeia que actuam em Países em Desenvolvimento

2

1. Introdução
Os Fundos de Investimento em Microfinança (FIM) são vistos, cada vez mais, como o centro da atribuição de fundos às Instituições de Microfinança. Estes assumem várias formas legais, várias estruturas e foram montados por um conjunto de actores da indústria da microfinança, mas todos servem o principal propósito: canalizam uma crescente fonte de financiamento para os micro-empresários através dos FIM estabelecidos nos países em desenvolvimento. Os fundos de investimento em microfinança são também vistos como uma ferramenta prática para se investir colectivamente num vasto e abrangente conjunto de FIM. Os fornecedores de fundos são capazes de chegarem a um vasto conjunto de instituições locais e de modo mais diversificado através destes veículos. Os últimos desenvolvimentos mostram que sempre que um fundo de investimento em microfinança se estrutura de forma apropriada em torno de investidores precisos, não existe falta de recursos financeiros. De facto, parece que cada vez mais os fornecedores tradicionais de fundos para a microfinança, os doadores privados e as agências de desenvolvimento, contribuem de bom grado para a criação destas estruturas por forma a atraírem mais fornecedores de recursos financeiros. A principal fonte para esta publicação é o artigo escrito por Patrick Goodman como consultor da ADA e da KfW.1 A sua análise começa com uma comparação interessante entre a evolução das IMF e o desenvolvimento dos Fundos de Investimento em Microfinança. Sob as exigências dos doadores privados, das agências de desenvolvimento e, mais recentemente, dos fundos de investimento em microfinança, as instituições microfinanceiras (IMF) estão a evoluir das instituições baseadas em doadores para verdadeiras entidades comerciais, para as mais sofisticadas delas, com um objectivo específico: oferecer serviços financeiros aos pobres. Os FIM estão a seguir o mesmo padrão, mas estão ligeiramente menos desenvolvidos no seu caminho para uma maior comercialização. Como mostrou Patrick Goodman, a ironia deste assunto, é que os fundos de investimento estão a exigir, por vezes, evoluções e melhorias por parte das IMF para as quais esta não estão ainda muito bem preparadas para seguirem. Serão analisados os fundos, a sua carteira de produtos, a origem e destino dos seus financiamentos. Serão apresentados os desafios e as implicações avançadas pelo crescente interesse do sector financeiro tradicional nas IMF, bem como algumas preocupações sobre a qualidade destes instrumentos. Por fim, resumiremos os principais benefícios dos fundos de investimento em microfinança e apresentaremos alguns critérios que estão a ser desenvolvidos por forma a estabelecer um benchmarking entre as IMF. Estes benchmarks ainda estão numa fase embrionária mas são fulcrais para o estabelecimento de boas práticas.

1.1 Comparação entre o Desenvolvimento das Instituições de Microfinança e o Desenvolvimento dos Fundos de Investimento em Microfinança
1.1.1 Os primeiros objectivos sociais e de desenvolvimento
As IMF começaram, muitas vezes, como empresas sem fins lucrativos com um objectivo social: ajudar os pobres dando-lhes acesso a um recurso escasso, crédito ou a possibilidade de fazerem os seus depósitos num local seguro. Estas instituições prolongavam os empréstimos e/ou aceitavam depósitos com um baixo ou mesmo sem taxa de juro (por vezes mesmo com prejuízo financeiro) já que o seu objectivo primeiro era social. Isto foi possível graças a bolsas ou doações que eram oferecidas a estas instituições. De forma semelhante, as primeiras estruturas financeiras que foram desenvolvidas para fornecer empréstimos às IMF foram fundadas por doadores privados e por agências de desenvolvimento, sempre com o objectivo de promoverem o desenvolvimento. Mesmo a que foi a primeira experiência de um fundo de investimento com o objectivo de obter algum lucro, a Profund, começou com e era propriedade das agências de desenvolvimento. Muito se aprendeu com esta iniciativa na medida em que este fundo investiu, sobretudo, em participações accionistas em IMF. Esta opção foi vista como sendo uma opção de grande risco quando foi lançada em 1995. Provavelmente, apenas alguns dos que participaram no início deste projecto, esperaram ver algum retorno do seu investimento. Com uma taxa interna de retorno esperada entre, pelo menos, 7 e 8 por cento por ano durante um período de 10 anos do fundo, isto era visto como sendo realmente uma grande resultado.

1

GOODMAN, P., Microfinance Investment Funds. Key Features. ADA, February 2005.

3

1.1.2

A realização de um potencial e necessário retorno financeiro em conjunto com o retorno social

Gradualmente, com a crescente necessidade de recursos adicionais, algumas IMF começaram a gerar os seus próprios fundos através dos seus lucros e aperceberam-se de que uma operação sustentável permitia sustentar de forma contínua a provisão de serviços aos mais pobres. A noção de que a responsabilidade do seu próprio desenvolvimento pertence ao próprio empreendedor, noção central à microfinança e transmitida aos próprios candidatos à microfinança, também se aplica às IMF. Quanto mais independente for uma instituição dos fornecedores responsáveis pelos primeiros financiamentos para a sua constituição e quanto mais confiante estiver na sua própria capacidade de criar as bases para o seu crescimento, melhor estará capacitada para cumprir a sua missão original para o desenvolvimento. A necessidade de um retorno financeiro para a maioria dos fundos de investimento em microfinança era, provavelmente, menos clara, na medida em que os accionistas que apoiavam estes projectos, não os criavam com o intuito de obterem um retorno financeiro mas, sobretudo, com o objectivo de obterem um retorno social. Veremos mais adiante nesta publicação quais são as várias filosofias de investimento dos fundos de investimento em microfinança. Veremos também, que os fundos de investimento comercialmente orientados podem muito bem complementar os fundos socialmente orientados. O primeiro grupo concentrar-se-ia, precisamente, sobre as IMF que são mais sustentáveis enquanto os outros se concentrariam em assegurar que o próximo nível das IMF se torne sustentável. O primeiro fundo de investimento com o objectivo de obter um retorno financeiro, bem como social, e que não foi criado por doadores privados ou agências de desenvolvimento, é o Dexia Micro-Credit Fund, estabelecido em 1998 pela Dexia–BIL no Luxembourg. Apesar de este fundo ter sido criado depois de muitos doadores e agências de desenvolvimento terem apoiado fundos, cresceu mais rapidamente do que os outros especialmente depois de a sua carteira de títulos de microfinança ter começado a ser gerida activa e profissionalmente a partir de 2000. Muitos outros fundos com um objectivo menos comercial cresceram mais lentamente. Maior não quer sempre dizer melhor, mas ser responsável por 34 milhões de dólares de empréstimos a IMFs em 20 países (até 31 de Dezembro de 2003), de menos de 1 milhão de dólares no início de 2000, contribui, certamente, para o micro-empreendorismo nos países em desenvolvimento.

1.1.3

Institucionalização e profissionalização

Estrutura formal
• Desde a criação de IMF ou de ONG à criação de IMF regulamentadas e das IMF Regulamentadas ao Banco.

A cobertura dos serviços de microfinança tem vindo a tornar-se cada vez mais formal com a transformação das ONG em IMF regulamentadas, a criação de novas IMF e a transformação das IMF em bancos. Existem várias vantagens neste processo de transformação. Em muitos países, apenas as instituições financeiras regulamentadas ou os bancos podem receber depósitos. Oferecer serviços de depósito possibilitou a expansão dos serviços oferecidos aos clientes. Mais genericamente, o processo de transformação permite muitas vezes às IMF chegar a um maior número de clientes. A transformação permite às instituições, muitas vezes, atrair mais fundos comerciais, tanto sob a forma de empréstimos como de capital accionista. A longo prazo, este sistema oferece maior estabilidade de financiamento. Construir uma estrutura mais formal também tem um impacto positivo sobre a governança e sobre a transparência e accountability da gestão. O lucro global da instituição também é melhorado, o que abre a porta à inovação, diversificação e a serviços mais profissionais para os clientes. • Transformação da carteira de títulos negociáveis (portfolio) em um fundo de investimento estruturado ou a criação de fundos de investimento em microfinança.

Começamos apenas a ver o início de um conjunto de fundos de investimento em microfinança que serão particularmente orientados para os investidores privados e institucionais. Um conjunto destes potenciais investidores desejam investir em microfinança, mas ainda não se sentem muito confortáveis com as estruturas existentes ou ainda não são oferecidas alternativas suficientes. As IMF estão-se a transformar em estruturas mais formais para apelarem aos potenciais investidores por forma a oferecerem uma base mais sólida para o seu crescimento continuado. De forma semelhante, as estruturas transparentes de fundos de investimento, com objectivos financeiros e de desenvolvimento claras, deveriam continuar a ser lançadas por promotores que também são activos no mercado tradicional de fundos de investimento para responderem a esta crescente procura.

4

Gestores profissionais
Para as IMF, bem como para os fundos de investimento, o seu desenvolvimento tem sido acompanhado por uma profissionalização das pessoas envolvidas na gestão dos seus empréstimos e das suas carteiras de títulos. Os técnicos de empréstimo e os gestores são parte integral do processo de uma IMF. Têm à sua disposição a melhor formação por parte de IMF que estão a fazer o seu melhor para atraírem e fxarem os seus melhores trabalhadores. Apesar de serem necessárias competências específicas para um gestor de IMF, diferentes das de um gestor bancário, as IMF estão em forte concorrência com os bancos locais e com as filiais locais dos bancos estrangeiros nas posições médias e seniores de gestão. As carteiras de títulos em microfinança são, cada vez mais, geridos por gestores profissionais de fundos, muitos dos quais trabalharam nos mercados financeiros tradicionais. Apesar de terem sido montadas algumas empresas independentes de gestão de fundos para gerirem estas carteiras de títulos em microfinança, ainda existem muito poucas. Irá, certamente, existir uma forte necessidade destas empresas, tanto estabelecidas por alguns indivíduos com experiência financeira e e em desenvolvimento ou montadas por empresas tradicionais de gestão de investimentos. Aqui também existe um equilíbrio delicado a alcançar entre as competências que o sector das microfinanças necessita para atrair para se profissionalizar a si própria com e o desejo de ser consistente com os objectivos gerais em termos sociais e de desenvolvimento.

Melhor governança, maior transparência, accountability
• Caminhos a prosseguir pelas IMF: avaliações, ratings, definição de standards para rácios financeiros, revisões, comparações, etc.

Os fornecedores de fundos para as IMF têm colocado um enfase significativo nestes aspectos. Uma IMF que poderá estar a começar da base, mas que conseguiu desenvolver uma boa governança, tem mais vontade de ser transparente com os parceiros que a financiam e que é completamente responsável pelo seu desempenho, tem mais probabilidade de ser apoiada do que uma IMF que não tem estas características. Nos últimos anos, têm existido um conjunto de iniciativas em microfinança com o objectivo de padronizarem as ferramentas de reporting que contribuem para uma maior transparência do sector. Esta é uma tendência lógica para conseguir acesso ao financiamento comercial, mas os doadores e as agências de desenvolvimento que têm investido em IMF não exigem, muitas vezes, esta transparência e relatórios ou indicadores standartizados. Em Dezembro de 2002, foi publicada a terceira edição de um dos primeiros guias sobre os indicadores de desempenho, da autoria da MicroRate, conjuntamente com o Inter-American Development Bank, a CGAP, a USAID, a M-Cril e a PlaNet Rating2. Estes indicadores financeiros dão uma orientação muito útil às IMF para aprenderem a apresentar os seus números e para se darem conta sobre que indicadores são importantes para cada tipo de fornecedor de fundos, dos doadores aos investidores comerciais. A iniciativa da CGAP/IDB, the Microfinance Rating and Assessment Fund, é também uma iniciativa mito útil para possibilitar às pequenas, mas em crescimento, IMF conhecerem mais sobre os seus pontos fortes e fracos. Os relatórios, preparados por agências de microfinança reconhecidas, foram parcialmente apoiados por este Fundo. • Fundos de Investimento em Microfinança muito recentes

Foram feitos muito poucos estudos sobre os fundos de investimento em microfinança. Em 2003, foi publicado um primeiro estudo pela ADA 3, pouco tempo depois seguido por outro estudo da CGAP 4. Ambos os estudos ajudaram a conhecer melhor os actores activos nesta crescente comercialização da microfinança. Mas, ao recolher e reunir a informação disponível sobre os vários fundos de investimento em microfinança, é bastante clara a falta de consistência no modo como as finanças, carteira de títulos, rácios, etc são apresentados. Houve a necessidade de harmonizar os rácios para as IMF. Também existiria igualmente a necessidade de existirem definições da indústria que seriam aplicadas aos fundos de investimento em microfinança. Um exemplo claro é o da avaliação das participações accionistas nas carteiras de títulos. Avaliamos estas participações com base no book value, no valor de compra ou de acordo com o valor de mercado? Uma das instiuições estudadas publicou a sua participação accionista numa outra instituição a 130.000 (em nome do argumento). Nos livros da segunda instituição, esta participação accionsta está mencionada com um valor de
2

Technical Guide – Performance Indicators for Microfinance Institutions – MicroRate & IDB – December 2002

3 International Investment Funds : Mobilising Investors towards Microfinance – ADA Luxembourg – Nov 2003 4 CGAP Focus Note Nr 25 – Foreign Investment in Microfinance : Debt and Equity from quasi-commercial investors – Janeiro de 2004

5

100.000. A diferença entre estes dois números é, muito provavelmente, o premium que a primeira instituição concordou pagar para participar no capital da segunda. Contudo, outra instituição, tendo também investido na segunda mostra a sua participação, para o mesmo número de acções, no valor de 115.000, mostrando, provavelmente, uma data anterior de compra e, assim, um prémio mais pequeno acima do book value. Nem a segunda, nem a terceira instituição re-avaliaram os seus investimentos. Alguns fundos de investimento em microfinance têm a política, por escolha ou por lei, de manter o valor de compra das suas participações accionistas nos seus relatórios anuais, o que reduz o valor verdadeiro da sua participação se a companhia onde investiu gerou lucros após o investimento. Outros fazem uma tentativa de mostrarem o valor de mercado do seu investimento. Naturalmente que a dificuldade é a de que o mercado para investir o capital de alguns dos fundos de investimento em microfinança e na maioria das IMF é muito ilíquido. O preço de mercado é basicamente o que o investidor estará preparado para pagar. Será necessária uma maior consistência entre os fundos de investimento em microfinança, à medida que aumentam o seu número de investimentos accionistas e investidores mais comerciais os compra.

Diminuir a exigência de subsídios à medida que as IMF e os Fundos de Investimento em Microfinança se tornam mais sustentáveis
Os subsídios são parte integral do sector da microfinance na fase inicial do seu desenvolvimento, tanto para as IMF como para um fundo de investimento. À medida que estas instituições amadurecem, existe menos necessidade de subsídios. De facto, algumas IMF recusam os empréstimos subsidiados para assegurarem a sua eficiência. A maioria dos fundos de investimento em microfinança que foram analisados foram subsidiados de um ou outro modo. Alguns fundos são geridos por doadores privados que oferecem bolsas ou subsídios às mesmas regiões que as dos investimentos dos fundos. Gerir uma carteira de títulos de investimento bem como bolsas e subsídios, mesmo para diferentes entidades, representa uma vantagem de custo em termos de despesas de viagem e tempo dispendido, sobre um gestor de investimentos que apenas se concentra nas suas carteiras de títulos de investimento. Começamos a ver um uso melhor dos subsídios: por exemplo, os subsídios dados pelas agências de desenvolvimento, que encorajam uma maior participação do sector comercial. Estes subsídios podem tomar a forma de primeiras tranches perdidas. A assistência técnica também faz parte integral da criação de alguns fundos de investimento. Neste caso, pode existir um claro conflito de interesses. Em que medida a provisão de assistência técnica influencia ou interfere com as decisões de gestão de investimento? Provavelmente existirá segregação nos tipos de fundos de investimento, com alguns fundos a seguirem esta estrada de também fornecerem assistência técnica porque esta é, ainda, indispensável para algumas IMF e regiões. Um exemplo seria o investimento de um fundo de capital de risco no capital de uma IMF startup. Alguma forma de assistência técnica, que poderia também ser vista como uma utilização “inteligente” dos subsídios, pode ser necessária para apoiar as IMF no seu desenvolvimento. Outros fundos de investimento, em número crescente, assegurarão que as decisões de investimento que assumem, se baseiam no valor intríseco das IMF e serão provavelmente os que serão escolhidos pelos investidores que procuram retornos financeiros mais razoáveis juntamente com o retorno social. Outro subsídio que é mencionado com frequêmcoa é o que é atribuído pelos investidores ao receberem um retorno financeiro mais baixo do que o que poderia ser oferecido, sobretudo devido à dimensão dos fundos de investimento. Na maioria dos casos os fundos de investimento em microfinança são demasiado pequenos para serem viáveis por si próprios a longo prazo. Os pequenos fundos são sinónimo de que os custos de partida e os custos fixos representa, uma percentagem relativamente elevada de bens destes fundos do que se fossem maiores. O investidor é, normalmente, quem sofre com os custos excessivos. Á medida que os fundos comerciais crescem para dimensões mais sustentáveis, esta forma de subsídio irá diminuir. Os investidores privados poderão escolher os que apresentam estruturas de custom mais atractivas, que é uma das components do overall return.

1.1.4

Equilíbrio entre Retorno Social e Retorno Financeiro

Um dos principais medos das instituições de microfinança em formalizar a sua estrutura e em mudar de bolsas e doações para passarem a convidar outros investidores a participarem no seu capital e estrutura é a impressão que a sua missão social e de desenvolvimento poderá estar em risco. A existência de mais financiamento comercial é visto por algumas pessoas como uma perda dos objectivos sociais. É claramente uma questão a dar atenção, mas muitas das IMF transformadas chegaram à conclusão de que é possível combinar objectivos sociais com a sustentabilidade financeira.

6

No caso das IMF que podem cobrar taxas de juro entre 25% e 50%, ou mais, em alguns casos, aos seus clientes em países com uma inflação relativamente baixa, poderíamos pensar se o objectivo social é mantido. Será que a principal razão para estes juros elevados, são os custos de chegarem aos clientes? Se esta situação se deve à situação quase monopolista com muito poucas outras IMF o mercado irá provavelmente desenvolver automaticamente com a entrada de concorrentes com a consequência que as taxas de juro irão descer progressivamente. Esta é também a natureza dos mercados financeiros: se existir uma distorção do preço, alguém irá preencher o vazio deixado, com taxas de juro mais baixas neste caso. Da mesma maneira para as IMF, é questionada a capacidade de manter os objectivos de desenvolvimento dentro de uma estrutura de investimento comercial. Este objectivo de desenvolvimento pode ser assegurado tanto nos estatutos das empresas ou nos prospectos ou documentos equivalentes. A jurisdição dos fundos de investimento, as regulamentações aplicáveis e as autoridades supervisoras têm um papel muito importante em assegurar estes objectivos de desenvolvimento.

1.1.5

A procura de financiamento e de investidores

O crescimento continuado para as IMF e para os fundos de investimento apenas pode ser efectivamente apoiado com financiamentos adicionais sob a forma de capital ou de outros investimentos. À medida que as IMF pensaram em se transformar em instituições mais comerciais procurando atrair novos investimentos, parece que a maioria dos fundos de investimento ainda não se aperceberam que, em muitos casos, em virtude da sua estrutura empresarial e objectivos, não se apresentam como um objectivo interessante para mais investidores comerciais. Mesmo os privados que procuram algum retorno social têm pouca escolha mundial. Incofin é uma pequena cooperativa na Bélgica com activos microfinanceiros de pouco mais de 1.4 milhões de euros. Como cooperativa apenas pode esperar atrair investidores privados e institucionais que têm, sobretudo, um objectivo social, de acordo com a missão da cooperativa. Para além disso, a estrutura da cooperativa na Bélgica tem limitações para os investidores que procuram algum retorno financeiro. Os dividendos que são pagos só o podem até um limite pré-definido mas mais importante os investidores que queiram desinvestir apenas receberão o seu investimento inicial, no melhor dos casos. Não existe participação nos excedentes gerados apesar de existir participação nas perdas líquidas, se existirem. À medida que a sua carteira de títulos cresceu e que desenvolveu os seus contactos com as IMF, a Incofin apercebeu-se de que existiam oportunidades de investimento que não poderiam ser materializadas na estrutura cooperativa. A Incofin conseguiu convencer as instituições parceiras a montarem outra estrutura sob a forma de uma empresa de investimento belga que espera ganhar entre 5 a 10 milhões de euros. Outro caso ainda mais saliente é o novo acordo de securitização que foi conseguido entre a BlueOrchard Finance S.A. (com sede em Genebra), Grameen Foundation USA e a Developing World Markets, sediada nos EUA, no Verão de 2004. A companhia lançou o Special Purpose Vehicle (SPV) cujo único objective é conceder empréstimos de sete anos a nove IMF. Foram emitidos títulos no valor inicial de 40 milhões de dólares, com uma segunda data de compra, em Novembro de 2004, com o objectivo de aumentar o valor total angariado para perto dos 75 milhões de dólares. Foram emitidos títulos de vários tipos dependendo do risco e do potencial retorno. A tranche que apresenta o risco menor tem a garantia do governo dos EUA e chega aos 30 milhões de dólares. Foi comprada pelos investidores institucionais. A distribuição que é o acesso para o investidor final, é a chave no mercado de investimentos tradicional. Também será a chave à medida que são estruturados novos veículos de investimento de forma a que apelem a investidores mais comerciais.

2 Análise de Fundos de Investimento para a Microfinança
Vai-se analisar agora os vários fundos de investimento para a microfinança. O termo fundo de investimento para a microfinança que é utilizado para caracterizar os veículos ou as instituições que canalizam os fundos para o sector da microfinança, é enganador, na medida em que normalmente cobre um conjunto de veículos que são muito diferentes. É utilizado em sentido mais amplo do que o investimento tradicional ou fundos de investimento mútuo. Podem ter missões e objectivos muito diferentes. Podem ter tipos muito diferentes de accionista que terão uma influência em como operam os fundos de investimento. Podem ter empresas de investimento inicial muito diferentes que podem ir de ONG ou agências de desenvolvimento a parceiros comerciais. Seguindo os dados disponibilizados pela ADA, CGAP e Mixmarket5, iremos considerar que os fundos de investimento em microfinança são veículos que foram especificamente construídos para
5

http://www.mixmarket.org. Um mercado de microfinança financiado pelo Banco Mundial.

7

investirem em activos microfinanceiros (em alguns casos em conjunto com investimentos financeiros comerciais ) e nos quais os investidores sociais, comerciais, privados ou institucionais podem investir potencialmente. As fundações não se qualificariam como fundos de investimento, por exemplo. Qualificarse-iam como investidores em microfinança e que, por exemplo, assumem posições em fundos de investimento de microfinanças Estas fundações nunca foram, contudo, estudadas pela ADA para avaliar o nível geral dos seus investimentos em microfinança.

2.1 Actores chave
Os fundos de investimento em microfinança que a seguir apresentamos foram analisados entre Julho e Outubro de 2004, pela ADA – Appui au Dévelopment Autonome (Luxemburgo).
• Accion Gateway • Accion Investments in Microfinance (AIM) • ADA-Luxmint • Africap • Alterfin • ASN-Novib Fund • AXA World Funds – Development Debt • BlueOrchard Microfinance Securities I, LLC • Calvert Social Investment Foundation – Community Investment Notes • CreSud • Deutsche Bank Start-up Fund (New) • Deutsche Bank Microcredit Development Fund • Développement Int’l Desjardins Partnership Fund • Dvt Int’l Desjardins - Guaranty Fund • Dvt Int’l Desjardins - FONIDI Fund • Dexia Micro-Credit Fund – Blue Orchard Debt Sub-Fund • Etimos • Fonds International de Garantie (FIG) • Global Microfinance Facility • Global Commercial Microfinance Consortium (Deutsche Bank) (New) • Gray Ghost Microfinance Fund • Hivos-Triodos Foundation • IMI AG • Incofin • Investisseur et Partenaire pour le Développement • Impulse (Incofin) (New) • Kolibri Kapital ASA • La Fayette Participations • La Fayette Investissements (New) • Latin American Bridge Fund (Accion) • Latin American Challenge Investment Fund • MicroVest • Oikocredit • Opportunity International (OTI) • Solidus (New) • PlaNet Finance – Revolving Credit Fund • Profund • responsAbility Global Microfinance Fund • Sarona Global Investment Fund • ShoreCap International • SIDI • Triodos Fair Share Fund • Triodos-Doen Foundation

Dos 43 fundos de investimento em microfinança acima mencionados, 38 são entidades já existentes e 5 são novas estruturas que apareceram no primeiro trimestre de 2005. Existem fundos que são investidores activos mas que escolheram também investir em finança comercial e outras actividades similares. Existem também fundos que apenas investem em microfinança mas que têm relativamente uma grande proporção em dinheiro, activos líquidos ou valores já prometidos mas ainda por conceder.

8

O valor total dos activos dos 38 fundos de investimento em microfinança existentes chega aos 700 milhões de euros. Mas apenas têm uma carteira combinada de títulos em microfinança no valor de 338 milhões de euros. Uma pequena percentagem desses activos consiste em investimentos noutros fundos (ex. o responsAbility Global Microfinance Fund que investe no FIM IMI AG). Ao eliminar estas duplicações, pode-se estimar que os investimentos líquidos actuais desses fundos em IMF atinge cerca de 321 milhões de euros.. Alguns destes fundos angariaram financiamento adicional para oportunidades de investimento que estão activamente a serem procuradas pelos respectivos gestures de fundos. Em conjunto com outros 5 novos fundos de investimento cujo lançamento estava previsto para 2005, estes representam um investimento líquido em microfinança, a partir dos fundos de investimento, no valor de 180 milhões de euros. No total, os 43 fundos de investimento em microfinança representam um investimento líquido em microfinança no valor de 501 milhões de euros. As seguintes agências de desenvolvimento, fundações e ONG que actuam como investidores também foram analisados para avaliar o nível geral de investimentos:

Agências de Desenvolvimento:
• BIO (Belgian Investment Company for Developing Countries) • Corporacion Andina de Fomento (CAF) • European Bank for Reconstruction and Development (EBRD) • FinnFund • FMO • International Financial Corporation (IFC) • Kredietanstalt für Wiederaufbau (KfW) /DEG • Multilateral Investment Fund of the Inter-American Development Bank • USAID Fundações e ONG: • Cordaid • Doen Foundation • Inter Church organization for Development Co-operation (ICCO) • NOVIB • Partners for the Common Good • Rabobank Foundation • Unitus Estes 16 actores para o desenvolvimento, que actuam como investidores, têm uma carteira de ttítulos em microfinança no valor de 1,010 milhão de euros . Ao eliminar os investimentos que estas instituições têm nos fundos de investimento acima mencionados (como o investimento IFC no Global Microfinance Facility), consegue-se obter os investimentos directos em IMF por parte destas agências de desenvolvimento, fundações e ONG no valor de 884 milhões de euros. A carteira de títulos em microfinança investido pelos actores acima mencionadas (fundos de investimento em microfinança, agências de desenvolvimento, fundações e ONG) chega aos 1,385 milhões de euros, de acordo com os valores de 2004.

2.2 Tipos de investidores
Os principais tipos de investidores em fundos de investimento em microfinança são os seguintes: doadores privados, agências de desenvolvimento, privados e investidores institucionais.

Doadores Privados (Fundações, ONG, etc.)
Os doadores privados, como as Fundações e as ONG, estiveram envolvidos na microfinança durante muitos anos, apoiando directamente e criando IMF nos países em desenvolvimento, no início através de bolsas, doações, assistência técnica e subsídios. Estes doadores privados são normalmente criados pelo sector privado com doações de empresas e de privados. Foram muito importantes para o desenvolvimento do sector da microfinança. Posteriormente começaram a fazer empréstimos com juros baixos ou mesmo sem juros. Alguns doadores privados tendem a praticar taxas de juro semelhantes às do mercado no caso das IMF mais maduras.

9

Agências de Desenvolvimento
Estas instituições, também definidas como agências laterais e bilaterais, compreendem as Instituições de Financiamento Internacionais (IFI) ou as Instituições de Financiamento para o Desenvolvimento (IFD), bancos para o desenvolvimento ou outras instituições criadas pelos governos ou corpos supranacionais para promoverem o desenvolvimento sustentável nos países emergentes. As agências de desenvolvimento também foram importantes no seu contributo para as IMF, no início apoiando através de bolsas, empréstimos subsidiados e participações accionistas. Á medida que o sector da microfinança amadureceu, veículos específicos, como a Profund e a LA-CIF, foram montados colectivamente pelas agências de desenvolvimento e pelos doadores privados para partilharem experiências e para diversificarem os seus riscos. Os accionistas e as entidades emprestadoras desta primeira geração de fundos de investimento em microfinança eram exclusivamente constituídos por este tipo de entidades.

Privados
Até à segunda metade dos anos 90 os privados tinham muito poucas possibilidades de investir em microfinança. Foram criadas duas empresas belgas no início dos anos 90 e ambas podiam ser participadas por accionistas privados. A Incofin foi constituida em 1992 e a Alterfin em 1994. A Fundação Calvert Social Investment fundou a sua Community Investment Notes em 1995 que foram disponibilizadas a investidoes privados de forma directa ou através de intermediários. Os Fonds International de Garantie (FIG), em Genebra, foram fundados em 1996 e também podiam ser participados por investidores privados. A grande oportunidade para os investidores privados em microfinança foi o Dexia Micro-Credit Fund iniciado em 1998 no Luxemburgo e comercializado de forma mais activa desde 2000. Oferecia todas as vantagens de um verdadeiro fundo de investimento semelhante, por exemplo, a um tradicional fundo de investimento em obrigações mas com uma grande vantagem: este fundo combinava um retorno social com um potencial retorno financeiro. Desde então foram criados outros fundos de investimento que ofereciam retornos tanto sociais como financeiros com o objectivo de chegarem aos investidores privados:    Apesar de ter sido criado em, o ASN-Novib, um fundo de investimento holandês, abriu-se à participação de accionistas privados apenas em 2000. Investisseur et Partenaire pour le Développement, um empresa de investimento da Mauritânia, criada em Abril de 2002 por iniciativa de um grupo de empreendedores franceses. O Triodos Fair Share Fund teve início na Holanda, em Dezembro de 2002 por iniciativa do Banco Triodos, construído a partir da experiência ganha na gestão de dois fundos de investimento de microfinanças, um para a Doen Foundation e o outro para a Hivos Foundation. O responsAbility Global Microfinance Fund teve início em Novembro de 2003 por iniciativa da responsAbility Social Investment Services Ltd, Zurique, fundada por bancos suíços e por uma social venture capital fund. O promotor deste fundo de investimento luxemburguês é o Credit Suisse. A Microvest I, LP foi fundada em 2003 por iniciativa de três organizações sem fins lucrativos: CARE, MEDA e SCDF, todas sediadas nos Estados Unidos da América. Começou as suas operações no inicio de 2004 6. Impulse, um fundo de investimento Belga, prevê começar as suas actividades no final de 2004 ou inicio de 2005, por iniciativa da Incofin, uma cooperativa belga.

Investidores Institucionais
O ultimo grupo de investidores nos fundos de investimento em microfinança é, seguramente, o mais promissor para o futuro deste sector. Os investidores institucionais incluem fundos de pensões, empresas de seguros, fundos mútuos e de investimento e quaisquer outros investidores de larga escala. Alguns fundos de pensão já são investidores em alguns dos fundos de investimento, contudo, os investidores institucionais são ainda extremamente raros na microfinança, provavelmente fazendo-o apenas pela imagem e por questões de visibilidade ou sob a influência de um decisor com consciência social. Não apenas os
6
CARE: Cooperative for Assistance and Relief Everywhere – MEDA: Mennonites Economic Development Association – SCDF: Seed Capital Development Fund

10

investidores institucionais estão sob grande pressão para mostrarem o seu desempenho, mas eles têm usualmente um conhecimento pobre ou deturpado da indústria da microfinança. É da responsabilidade da comunidade que trabalha com os fundos de investimento e com a microfinança darem a conhecer-se a esta comunidade de investidores e mostrarem as vantagens deste tipo de investimentos. É um processo lento, mas está a desenvolver-se. Existem dois exemplos interessantes que valem a pena serem mencionados relativamente aos fundos de investimento tradicionais actuantes como investidores no sector da microfinança:  O primeiro é o exemplo da família do Calvert Social Investment Fund que tem uma política de investimento entre 1% e 3% de activos de fundos de investimento mútuos seleccionados nas Community Investment Notes emitidos pela Calver Social Investment Foundation. Este valor representa, actualmente, 20 milhões de dólares de um total de 55 milhões de dólares investidos, sobretudo, nos Estados Unidos da América, mas também na microfinança nos mercados em desenvolvimento (total da carteira de títulos em microfinança: 16.7 milhões de dólares). Outro exemplo é o da AXA World Funds – sub-fundo Development Debt do fundo luxemburguês, AXA World Funds, apoiado pela AXA Investment Managers. Este sub-fundo tem uma política de participação no desenvolvimento sustentável das economias emergentes, sobretudo através da compra de instrumentos de dívida por parte de Instituições Financeiras para o Desenvolvimento, mas também por investir até 10% do sub-fundo in papel comercial emitido pelas IMF. Até 15 de Setembro de 2004, foram investidos 1.22 milhões de euros de um total de activos no valor de 19 milhões de euros, em certificados de depósito emitidos pelas IMF Latino Americanas. À medida que este sub-fundo cresce, também crescerá a área da microfinança.

Estes dois exemplos mostram que os fundos de investimento tradicionais podem investir uma parte dos seus activos em microfinança, tanto directamente como através de fundos de investimento dedicados. A AXA canalizou recursos para ter uma pequena equipa de profissionais conhecedores da microfinança. Para outros investidores institucionais, que não querem construir a sua própria especialidade em microfinança, os fundos de investimento em microfinança são uma boa ferramenta para efectuar estes investimentos ao diversificar os seus riscos. Os fundos de investimento que são mencionados na secção anterior são normalmente direccionados para os investidores institucionais, mas o seu crescimento continua a ser lento. É necessário perseguir a interacção com os mercados tradicionais de capitais para a indústria da microfinança para compreender na totalidade quais são os seus requisitos e em que estão interessados. Os investidores comerciais institucionais estão gradualmente a voltar a sua atenção para a microfinança. Á medida que o sector da microfinança continua a inovar, para ser compreendido pelos mercados de capitais tradicionais e para criar as estrututuras adequadas que mantém os objectivos sociais necessários, este tipo de investidor deveria crescer gradualmente para fornecer, no futuro, o bruto do financiamento necessário para apoiar as imensas necessidades dos micro-empreendedores em todo o mundo.

2.3 Distribuição dos Fundos de Investimento para a Microfinança com base nos seus objectivos
Numa tentativa de distinguir entre os vários tipos de fundos, parece que um dos critérios mais importantes é o dos objectivos dos fundos: qual é o equilíbrio entre o objectivo financeiro e o social? Que tipo de investidores estão envolvidos com o fundo? Que condições são oferecidas às IMF? Quais são as IMF alvo? Os fundos de investimento em microfinança podem ser classificados em três categorias principais: • • • Fundos de Investimento para a Microfinança Comerciais Fundos de Investimento para a Microfinança orientados comercialmente Fundos de Desenvolvimento para a Microfinança.

Os dois primeiros tipos de instituição são normalmente constituídos sob a forma de fundos de investimento tradicionais ou companhias de investimento. O seu objectivo é o de dar um retorno financeiro aos investidores socialmente responsáveis e aos investidores comerciais privados e institucionais, mantendo simultaneamente objectivos sociais e de desenvolvimento.

11

Fundos de Investimento para a Microfinança Comerciais
A principal diferença entre estas duas primeiras categorias seria a natureza dos investidores visados. Os fundos de investimento para a microfinança comerciais seriam claramente dirigidos para os investidores privados e institucionais. As agências de desenvolvimento e os doadores privados apareceriam apenas como investidores iniciais ou como facilitadores. Estes fundos seriam distribuídos activamente pelos promotores originais, bem como por distribuidores externos. A natureza dos investidores pretendidos também implica que estes fundos de investimento têm objectivos mais claros do que outros. Um investidor comercial institucional quererá compreender precisamente que investimento está a fazer, que retorno financeiro pode esperar, que IMF estão a ser financiadas, etc. a qualidade da informação oferecida em memorandos, prospectos ou relatórios anuais depende muito dos investidores pretendidos. As agências de desenvolvimento e os doadores privados podem não exigir esta transparência e clareza nos documentos oficiais. Por exemplo, são poucos os fundos de investimento para microfinança que oferecem a informação adequada e suficiente sobre o seu retorno financeiro, sobre a sua estrutura de custos ou sobre as suas provisões em termos de prejuízos por falta de pagamento de empréstimos, etc. Esta falta de informação geral torna muito dificl aos investidores tradicionais comparar este investimento com os seus investimentos dominantes. Também torna dificil comparar os fundos de investimento entre si. À medida que os investidores comerciais se tornam mais activos na microfinança, a qualidade de informação oferecida também irá aumentar. Dos 43 fundos de investimento para microfinança estudados pela ADA, os seguintes deveriam ser considerados como Fundos de Investimento de Microfinança comerciais:

• ASN-Novib Fund • AXA World Funds – Development Debt • BlueOrchard Microfinance Securities I, LLC • Dexia Micro-Credit Fund – Blue Orchard Debt Sub-Fund • Global Microfinance Facility • Gray Ghost Microfinance Facility • Impulse (Incofin) • MicroVest • responsAbility Global Microfinance Fund • Triodos Fair Share Fund

12

É interessante notar que estes fundos representam, sobretudo, investimentos em empréstimos. Os fundos de investimento que investem participações accionistas parecem ser, sobretudo, desenvolvidos por agências de desenvolvimento e doadores privados. Á medida que o mercado amadurece, veremos também fundos de acções dirigidos para os investidores institucionais.

Fundos de Investimento para a Microfinança comercialmente orientados
Nesta categoria encontramos outros fundos de investimento que têm claramente objectivos financeiros mas que, até ao momento, se dirigem aos aos doadores privados, agências de desenvolvimento e outros actores na indústria da microfinança. Um fundo como o IMI7 (que é, de facto, uma holding financeira) tornar-se-ia num fundo de investimento de microfinança comercial à medida que abre o seu capital aos investidores institucionais, provavelmente nos próximos dois a três anos. Os seguintes fundos de investimento para a microfinança poderiam ser considerados como comercialmente orientados: • Accion Investments in Microfinance • Africap • Global Commercial Microfinance Consortium (Deutsche Bank) • IMI AG • Investisseur et Partenaire pour le Développement • La Fayette Investissement • La Fayette Participations • Latin-American Bridge Fund • LA-CIF • Profund • ShoreCap International • Solidus A distinção entre as duas categorias acima mencionadas não dá qualquer indicação quanto ao lucro de cada fundo de investimento. De facto, alguns investimentos comercialmente orientados tiveram um comportamento significativamente melhor do que a primeira categoria ao longo dos últimos anos, essencialmente devido à sua maior percentagem em holdings accionistas.

Fundos de Desenvolvimento para a Microfinança
Estas instituições encontram-se, normalmente, entre cooperativas ou estruturas sem fins lucrativos. O seu objectivo é disponibilizar o capital para as IMF através de mecanismos sustentáveis para apoiar o seu desenvolvimento e o seu crescimento sem necessariamente procurar um retorno financeiro. Os alvos financeiros típicos para estas instituições seriam o do manter o capital investido à partida com um retorno financeiro máximo equivalente à inflação. As condições financeiras aplicadas às IMF seriam semelhantes ou abaixo das praticadas no Mercado tradicional. Podem também benificiar de assistência técnica, oferecida por instituições equivalentes, juntamente com o fundo. Os principais investidores seriam os doadores privados e as agências de desenvolvimento, mas também poderiam ser indivíduos e empresas. Estes investidores procuram financiar projectos de desenvolvimento mantendo o seu capital de partida se possível. Um retorno financeiro marginal pode ser providenciado por alguns destes fundos. Apesar de alguns fundos de desenvolvimento para a microfinança recolherem fundos através de doações, têm uma política de fornecimento de financiamento às IMF, em vez de lhes atribuirem bolsas. Neste caso, o financiamento é normalmente atríbuido como subsídio ou segundo condições abaixo dos valores de mercado. Também pode ser atribuído a instituições financeiras greenfield 8. Podem ser considerados como Fundos de Desenvolvimento para a Microfinança os seguintes fundos:

7

A Internationale Micro Investitionen AG é uma empresa de investimento fundada em 1998. Actualmente é denominada como ProcreditHolding AG, uma holding sediada em Frankfurt am Main, Alemanha. 8 Os bancos Greenfield são uma alternativa à abordagem clássica às Instituições de Microfinança. Os bancos Greenfield representam uma terceira via. Normalmente, estes bancos eram fundados como corporações, com instituições de doadores e invetsidores privados que actuavam como accionistas. Os bancos Greenfield são especializados em microfinança mas possuem uma autorização para actuarem como bancos. Mais informação sobre as três opções às Construção das Instituições de Microfinançaem: TERBERGER, E., Microfinance Institutions in the Development of Financial Markets. CEPAL Review 81.

13

• Accion Gateway Fund • ADA-Luxmint • Alterfin • Calvert Social Investment Foundation – Community Investment Notes • CreSud • Deutsche Bank Start-up Fund • Deutsche Bank Microcredit Development Fund • Développement Int’l Desjardins - Partnership Fund • Dvt Int’l Desjardins - Guaranty Fund • Dvt Int’l Desjardins - FONIDI Fund • Etimos • Fonds International de Garantie (FIG) • Hivos-Triodos Foundation • Incofin • Kolibri Kapital ASA • Oikocredit • Opportunity Transformation Investments • PlaNet Finance – Revolving Credit Fund • Sarona Global Investment Fund • SIDI • Triodos - Doen Foundation Devido à natureza do seu investidor (ou doador) e devido à sua abordagem mais social, os fundos de desenvolvimento para a microfinança complementam os fundos de investimento comerciais e comercialmente orientados. A primeira categoria deveria concentrar-se, provavelmente, nas IMF que abordam a sustentabilidade ou que são instituições Greenfield, por forma a prepará-las para o mercado de capitais mais geral. Quando as IMF se tornarem sustentáveis, os fundos de investimento mais comerciais passariam a dominar ao oferecerem maiores recursos em condições de mercado. Obviamente existiriam sobreposições, mas apenas podemos questionar sobre a necessidade de um fundo de desenvolvimento continuar a apoiar o Banco Sol, por exemplo, uma vez que este tipo de instituição deixou de necessitar claramente de financiamento com condições abaixo do mercado. Estes recursos poderiam ser canalizados de forma útil para as IMF que estão no ponto em que o Banco Sol se encontrava há alguns anos atrás, em vez de concorrerem com financiamento mais comercial.

3 Aumentar a Comercialização no Sector da Microfinança
Os activos implicados no ISR (Investimento Socialmente Responsável) cresceram mais de 258 por cento, de 639 mil milhões de dólares em 1995 para 2.29 biliões em 2005, enquanto que, durante o mesmo período, o conjunto mais alargado de activos sob gestão profissional cresceu menos de 249 por cento, de 7 biliões de dólares para 24.4 biliões 9. Com um conjunto de activos de mais de 360 mil milhões de Euros e uma variedade de produtos e serviços de investimento social, a Europa provou ser um dos mercados financeiros mais avançados do mundo para o ISR. Na sua mais recente pesquisa sobre envolvimento institucional no ISR, o Fórum Europeu para o Investimento Sustentável e Responsável (EuroSIF), identificou 336 mil milhões de euros em activos que estão implicados em várias formas de investimento social, incluindo o tipo de envolvimento que molda a paisagem da defesa dos accionistas. Os fundos de pensão desempenham um papel preponderante no ISR, tendo claramente surgido exemplos nacionais, como o diálogo frequente entre os sistemas de aposentadoria e as empresas no Reino Unido, e a revogação das regulações prudenciais empregues no caso das pensões holandesas. Existe também um grande conjunto de investidores socialmente responsáveis que empregam múltiplas estratégias e regulações prudenciais sob factores de sustentabilidade, sociais, ambientais e éticos. No seu mais recente trabalho sobre fundos socialmente responsáveis, o Avanzi SRI Research identificou 375 “fundos verdes, sociais e éticos” actuando na Europa, com 24.1 mil milhões de euros desde 30 de Junho de 2005, um aumento de 27 por cento relativamente aos 19 mil milhões de euros
9

2005 Report on Socially Responsible Investing Trends in the US – by the Social Investment Forum.

14

identificados no ano de 2004. O Reino Unido continua a ser o maior mercado para fundos socialmente responsáveis na Europa, com um activo total de 8.0 mil milhões de euros, seguido da França com 3.1 mil milhões de euros, da Itália com 2.7 mil milhões de euros e da Suécia com 2.5 mil milhões de euros. Actualmente já existem nos mercados financeiros europeus um conjunto de indicadores sociais, e as empresas e analistas europeus lideram tradicionalmente a incorporação de factores ambientais, sociais e de governança em estratégias de gestão de investimento mais comuns.10 Tal como Patrick Goodman (ADA, 2005), considera-se que os investimentos na microfinança têm o seu lugar nos investimentos socialmente responsáveis. A microfinança será um novo componente deste universo. Os investidores institucionais com um foco centrado no ISR, podem também perspectivar mais vantagens no investimento na microfinança: o Fundo Monetário Internacional (FMI) levou recentemente a cabo 11 testes hipotéticos aos fundos de pensão holandeses. Os resultados mostraram que os seus rácios de solvabilidade caíram abaixo dos 100% (103.1%) em praticamente todos os testes que foram levados a cabo. “Os fundos de pensão são mais sensíveis aos riscos do mercado porque possuem uma grande proporção de participação e estão mais exposto internacionalmente comparativamente às companhias de seguros”, disse o FMI. Os investimentos de microfinança iriam equilibrar estas carteiras na medida em que estes são mais estáveis e não correlacionados com os mercados mundiais. As taxas por defeito são também muito baixas, especialmente quando os investimentos são feitos através de fundos de investimento. No entanto, existem muito poucas estruturas que apelem a esses investidores. Se se continuar a estabelecer estruturas apropriadas, que apelem aos investidores institucionais, o potencial para a microfinança é significativo. Apenas 1% do mercado de ISR dos Estados Unidos da América que investe na microfinança, referido anteriormente, traria mais de 20 mil milhões de dólares para a microfinança, o que seria um passo significativo em direcção aos 100 mil milhões de dólares estimados necessários para os microcréditos a nível mundial.

10 11

Ibidem. V. www.IPE.com – “Dutch pension funds fail IMF stress tests” – 30 Setembro de 2004. Citado por GOODMAN, P., (ADA, Fevereiro de 2005).

15

3.1 Situação actual: o crescente envolvimento do sector financeiro tradicional nos mercados de capital internacionais e locais
Tem-se assistido, ao longo dos últimos anos, a um crescente envolvimento do sector financeiro tradicional na microfinança. Seguindo Patrick Goodman, resume-se brevemente as principais tendências do crescente envolvimento do sector financeiro tradicional nos mercados da microfinança.

Bancos tradicionais envolvidos na microfinança
Vários bancos locais estão cada vez mais activos na microfinança, essencialmente através da atribuição de créditos mas também, em alguns casos, pela participação no capital de instituições de microfinança (IMF). Um dos exemplos é a Société Générale (França), que providencia créditos correntes locais a vários países africanos, com taxas bastante competitivas. Devido às leis locais na Índia, os bancos locais estão também muito activos em fazer empréstimos a IMF. ICICI, a maior instituição financeira privada do país, tem vindo a ser activa em operações de securitização. Outros bancos levam também a cabo outra função, a de distribuidores destes fundos de investimento. O Credit Suisse distribui o fundo de investimento para o qual é promotor, o responsAbility Global Microfinance Fund. Alguns bancos Suíços asseguram a distribuição do Dexia Micro-Credit Fund, enquanto que alguns bancos de investimento distribuem o Calvert Community Notes. O JP Morgan assegurou a colocação de promissórias do BlueOrchard Microfinance Securities. O número de tais distribuidores é ainda diminuto, mas há medida que a sector da microfinança se movimenta em direcção a uma maior comercialização, os distribuidores desempenham um papel cada vez mais importante na colocação desses fundos de investimento no mercado com os seus clientes privados e institucionais, contribuindo, assim, para o crescimento deste sector. Embora não seja um banco dito tradicional, dado que foi estabelecido com objectivos sociais e de desenvolvimento claros, o banco Tríodos deve ser mencionado uma vez que estabeleceu dois fundos de investimento para duas fundações holandesa, bem como lançou o Triodos Fair Share Fund, essencialmente destinado a privados individuais na Holanda.

Securitização
Os dois primeiros acordos de securitização em microfinança foram levados a cabo na Índia pela ICICI. O primeiro acordo envolveu a Basix, a mais antiga IMF da Índia, com a securitizaçãode 1 milhão de dólares de créditos agrícolas. O segundo acordo, concluído no início de 2004, envolveu a Share a securitização de 4.3 milhões de dólares em microcréditos. Neste último caso, a Grameen Foundation USA contribuiu com uma garantia de 325.000 dólares em dinheiro, que representou 93% da garantia exigida pela ICICI. O último acordo de securitização envolveu a BlueOrchard Finace SA como conciliador, juntamente com o Developing World Markets e a Grameen Foundation USA, como referido anteriormente. A escala é muito maior (um mínimo de 40 milhões de dólares e possivelmente subindo para os 75 milhões depois de um segundo encerramento) e mais alargada, uma vez que cobre nove IMF em sete países. Os investidores seniores terão adquirido promissórias com a garantia da OPIC, uma agência governamental dos EUA, atribuindo-lhe uma taxa AAA. A OPIC está protegida por investidores que estão disposto a perder os primeiros 10 milhões de dólares de qualquer perda potencial.

Subordinação e sénior tranches
O acordo da BlueOrchard mencionado anteriormente, bem como a Global Microfinance Facility, patrocinado pela IFC, envolveu senior tranches destinadas a investidores institucionais tradicionais e tranches subordinadas destinadas a agências para o Desenvolvimento e a outros investidores conhecedores da microfinança. Devido à alta protecção beneficiada pelos senior Note-holders nos dois casos, a taxa de juro de que beneficiam é muito próxima das taxas de mercado. No entanto, os investidores facilitaram um muito mais elevado nível de financiamento a ser atribuído às IMF, do que se os acordos fossem realizados sem os investidores comerciais.

16

Fundos de Investimento Tradicional
Foram referidos anteriormente exemplos de dois fundos de investimento tradicionais que realizaram investimentos na microfinança: a AXA World Funds – o Development Debt sub-fund e o Calvert Social Investment Fund. É de esperar que outros fundos socialmente responsáveis diversifiquem as suas participações na microfinança devido, quer ao impacto social da microfinança quer ao próprio valor financeiro de um investimento na microfinança.

Investidores Institucionais
Já foram mencionados anteriormente o potencial interesse que os fundos de pensão podem ter no investimento em microfinança. Apesar de alguns fundos de pensão terem feito estes investimentos, o processo continua lento. As estruturas com várias porções de risco com porções seniores destinadas a investidores institucionais tradicionais devem certamente ajudar a construir confiança nesta nova classe de investimentos.

Fundos de fundos
Embora a responsAbility Global Microfinance Fund se tenha apresentado inicialmente como pretendendo fazer investimentos noutros fundos, fez apenas alguns investimentos deste tipo. Existe, de facto, uma vantagem para os fundos de fundos em termos de diversificação, especialmente ao nível da diversificação da gestão de investimento, mas existe ainda a questão da sobreposição de custos. O recentemente lançado Gray Cost Microfinance Fund é provavelmente o primeiro verdadeiro fundo de fundos de microfinança. Está a comprometer 40 milhões de dólares ao longo dos próximos anos e deve, por isso, ser capaz de ter peso suficiente para negociar taxas reduzidas dos fundos nos quais investe, para reduzir a sobreposição de custos de gestão.

Gestores de activos
Gestores de activos, ou gestores de investimento, estão gradualmente a aperceber-se das perspectivas interessantes que lhes são apresentadas pela indústria da microfinança. Até agora, têm existido apenas pequenas empresas de gestão de investimento especializadas em microfinança, inicialmente lançadas por alguns individuais, mas não seria surpreendente assistir a firmas maiores a lançarem empresas separadas que comecem a gerir fundos de investimento de microfinança ou carteiras. A AXA Investment Managers tem actualmente uma equipa dedicada, embora pequena, a gerir a porção de microfinança dos seus AXA World Funds – o Development Debt sub-fund. Tem que ser feita uma escolha pelos gestores de investimento quando consideram os investimentos em microfinança. Ou desenvolvem um conhecimento interno para chegar ao nível necessário de especialização em microfinança ou delegam em empresas especializadas em microfinança. Existe uma terceira alternativa, que é seleccionar e recomendar fundos de investimento em microfinança já existentes, apropriados para os seus clientes.

17

4 Fundos de Investimento para a Microfinança: Transparência e Qualidade
Para alcançar um volume crítico, os fundos que investem em microfinança devem direccionar-se para os investidores institucionais, revelando informações baseadas em indicadores explícitos e comparáveis. A transparência, os indicadores de benchmarking adequados e um equilíbrio preciso entre o retorno financeiro e social são aspectos fundamentais para o êxito. A análise de qualidade dos Fundos de Investimento para a Microfinança está no início; porém é fundamental, quer para a definição das melhores práticas, quer para o marketing destas aplicações financeiras. O recente trabalho à volta da instituição Selo de Qualidade de Microfinança, no Luxemburgo 12 é sinal de um desenvolvimento promissor dos esforços para trazer qualidade e transparência aos Fundos de Investimento para a Microfinança. Em Março de 2005, a MicroRate foi contratada como consultora para a criação de um Selo de Qualidade para Fundos de Microfinança (FMF).

4.1 Por um “Selo de Qualidade”
O microcrédito, e a sua eficácia como instrumento de combate à pobreza, estão hoje em dia sob o olhar atento da opinião pública. Os chefes de governo do Grupo dos Oito (G8) são unânimes no apoio à microfinança. As Nações Unidas consideraram o ano de 2005 como “O Ano da Microfinança”. Um congresso mundial sobre o Microcrédito será organizado em 2006. Inúmeras conferências são dedicadas a este assunto, que é também alvo de uma forte atenção mediática. Com toda esta notoriedade, aumenta também o perigo de utilização das palavras “microfinança” e “microcrédito” para mobilizar fundos que não são depois investidos em instituições de microfinança (IMF). O perigo é ainda maior quando se verifica que, segundo os padrões do mercado de capitais, a capacidade de absorção das IMF é ainda reduzida. Identificar as IMF apropriadas e aplicar dinheiro nelas, requer um esforço significativo por parte das FMF. Existe mais dinheiro à procura de oportunidades de investimento do que aquele que as escassas instituições de microfinança podem absorver de imediato. Este desequilíbrio tende a aumentar à medida que novos fundos são lançados, enquanto que aqueles que ainda existem continuam a crescer rapidamente. Podem acontecer duas coisas: sob a pressão de colocar cada vez mais dinheiro, alguns Fundos podem descer os seus padrões de qualidade. Os Fundos irão canalizar os investimentos para IMF que não estão numa posição de os usar responsavelmente e estes investimentos serão colocados a preços que não reflectem adequadamente os riscos. O outro desenvolvimento possível é que os Fundos, que se vendem a si próprios a investidores usando o selo “microfinança”, colocarão, de facto, pouco ou nenhum do seu dinheiro nas IMF. Ambos os desenvolvimentos são uma potencial ameaça à reputação dos Fundos de microfinança. O Selo de Qualidade proposto encorajará os Fundos a serem transparentes. O selo será apenas atribuído aos Fundos que investem pelo menos metade do seu activo em microfinança. Para receber o Selo, os Fundos devem igualmente detalhar a composição da sua carteira e revelar as taxas recebidas pelas IMF nas quais investiram. Isto permite aos investidores formarem uma opinião acerca do perfil de risco de cada carteira.

12

Este capítulo é baseado nas propostas nas MicroRate para o estabelecimento do Selos de Qualidade de Microfinança. MicroRate (Setembro 2005), A Quality Label for Microfinance Funds. Disponível em: http://www.microfinance2005.lu/docs/cm/LuxQuality.ppt

18

4.2 Os princípios chave do “Selo de Qualidade”
Nas reuniões dos representantes da Mesa Redonda da Microfinança no Luxemburgo, a 19 de Maio e 17 de Junho de 2005, foram acordados alguns princípios:     O Selo deve assegurar aos investidores que um Fundo de Microfinança está de facto a investir maioritariamente em microfinança (“Veracidade do Selo”). As FMF’s devem cumprir um mínimo de regras de transparência e prudência (“Boa gestão interna”). As regras para a atribuição do selo não devem tentar estabelecer um quadro regulamentar estrito, antes devem evitar abusos flagrantes. O Selo deve tornar as FMF atractivas para os investidores. Por conseguinte concentra-se em informação quantitativa que importa aos investidores.

4.2.1

Veracidade do Selo

O Selo de Qualidade deve apenas ser atribuído a Fundos que investem predominantemente em Microfinança.  Para se qualificar a ter o Selo, um Fundo deve ter investido pelo menos 50% em IMF.

Por princípio, todos os intermediários financeiros com um volume médio de dívida de menos de 5.000 Euros são considerados IMF. A sua carteira de microcrédito devem contar para pelo menos 50% dos seus activos. Os empréstimos aos clientes não são considerados como microcrédito. Se um Fundo se classifica a si próprio como “microfinança”, então, deve ser predominantemente orientado para a microfinança. Mas, o que é “microfinança”? Como assinalado no relatório da MicroRate, a resposta não é de forma alguma tão clara como o limite proposto de 5.000 Euros sugere. O tamanho do empréstimo não define por si só o microcrédito. Se o tamanho por si fosse critério, então, o crédito ao consumo é frequentemente indistinguível do microcrédito. De facto, as agências de crédito ao consumo referem-se por vezes ao seu produto como “microcrédito” tentando aproveitar-se da imagem positiva associada aos microempréstimos. No entanto, os dois são fundamentalmente diferentes. No crédito ao consumo, a decisão de empréstimo é baseada principalmente numa garantia subsidiária. As despesas de processamento das instituições de empréstimo ao consumo são muito mais baixas que as dos microemprestadores, porque os limites à concessão de empréstimo apenas contemplam a certificação do cumprimento de alguns requisitos formais (a existência de uma garantia subsidiária – normalmente o salário). A qualidade da carteira é também baixa, uma vez que empréstimos em dívida garantidos pelo salário, por exemplo, são relativamente fáceis de coleccionar e os emprestadores, consequentemente, não precisam de se preocupar muito se um empréstimo não é pago. A característica mais notória do empréstimo ao consumo em economias em desenvolvimento do ponto de vista de um potencial investidor é, no entanto, a tendência para se mover em ciclos, com períodos de rápido crescimento e uma rentabilidade normalmente seguida pela contracção e até difusão de falhas institucionais. Contrariamente, no microcrédito, as decisões de crédito são predominantemente baseadas numa apreciação da capacidade das pessoas que pedem o empréstimo para gerarem o dinheiro necessário para pagar o empréstimo. Isto torna os microcréditos muito mais dispendiosos para o processo do que os empréstimos ao consumo. Os limites de concessão de crédito devem contemplar a actividade produtiva do cliente, e juntos devem construir uma projecção simples do fluxo monetário. Isto também explica porque é que a qualidade da carteira é um factor tão importante no microcrédito, quando comparado com o empréstimo ao consumo. Se a avaliação feita pelos limites de concessão de crédito da capacidade de gerar dinheiro por parte de quem pede o empréstimo está errada, a IMF tem pouca margem de recuo para recuperar um empréstimo em dívida. Mais impressionante é o facto do microcrédito ainda não ter demonstrado os ciclos pronunciados que afectam o crédito ao consumo. No pior dos casos, as IMF abrandaram o seu crescimento, mas raramente contraíram. Mas, para além de terem características muito diferentes, existe um argumento em prol do desenvolvimento para não confundir o crédito ao consumo – mesmo que pequeno - com o

19

microcrédito. O microcrédito é um instrumento de desenvolvimento poderoso, uma vez que está baseado no potencial produtivo de quem pede o empréstimo e não na sua riqueza existente. O microcrédito, por definição, tem propósitos produtivos. Apenas uma pessoa que produza o suficiente para ser capaz de pagar o empréstimo o pode pedir. No entanto, importa assinalar que, na prática, as fronteiras entre a microfinança e outros tipos de empréstimo são fluidas. A maioria dos microcréditos envolve também alguma forma de garantia. No sentido de tornar a atribuição do Selo algo simples, propõe-se que seja dado o benefício da dúvida aos emprestadores. A não ser que o volume médio de dívida exceda claramente as fronteiras do “micro” crédito e, a não ser que as decisões de atribuição de empréstimo sejam claramente dominadas pela demonstração de garantia, os emprestadores devem ser considerados IMF. O limite para o tamanho do empréstimo está, no entanto, deliberadamente definido acima dos 5.000 Euros. Hoje em dia, nenhuma das nove IMF avaliadas pela MicroRate tem um volume médio de dívida de mais de 2.500 euros e a grande maioria permanece abaixo dos 1.000 euros. O volume médio de dívida, embora não seja critério de distinção entre microcrédito e o crédito baseado na garantia, tem a vantagem de ser de fácil verificação: é calculado simplesmente pela divisão do valor bruto em dívida da carteira de empréstimos pelo número de empréstimos. Ainda que uma IMF com um tamanho médio de empréstimo de 5.000 euros possa ter feito alguns empréstimos de 100.000 euros ou até de 500.000 euros, a facilidade de comprovação parece mais importante que forçar as IMF que fazem também empréstimos de maior escala, sejam rigorosamente excluídas. Embora o limite de 5.000 euros seja generoso na maioria dos países em desenvolvimento, pode não o ser tanto na Europa Central e de Leste. Pode ser necessário permitir excepções para países com um rendimento per capita comparativamente maior. Por outro lado, empréstimos que excedam os 5.000 euros são provavelmente avalizados pela garantia formal e a decisão de crédito pode já não ter em conta a capacidade de quem pede o empréstimo para gerar liquidez na conta. Para garantir aos investidores que o seu dinheiro irá ter o destino que eles esperam, o Selo deve apenas ser atribuído a Fundos de Microfinança que estejam investidos, directa ou indirectamente, pelo menos em 50% em microfinança. As garantias devem ser considerados como apresentação da microfinança. Se um Fundo alargou as garantias a IMF então, o limite de 50% deve ser calculado como 50% da soma dos activos e das garantias de um FMF. Igualmente, investir através de outros Fundos de FMF deve ser considerado como um investimento em microfinança em proporção aos activos que o segundo Fundo investiu em microfinança. Por exemplo, se o Fundo “A” empresta 100.000 euros ao Fundo “B” que, por sua vez, tem 45% de activos investidos em microfinança, tal como está aqui definido, então, irá considerar-se que o Fundo “A” investiu 45.000 Euros em microfinança. Concluindo, a essência do princípio da “Veracidade do Selo” do Selo de Qualidade é que, directamente ou indirectamente, pelo menos metade dos activos de um Fundo seja investida em IMF. Por sua vez, “IMF” são definidas como instituições com um volume médio de dívida de menos de 5.000 euros; a maioria dos seus activos deve consistir em microcréditos, opondo-se aos empréstimos ao consumo. Segundo esta definição, os grandes bancos que detêm também programas de microfinança, não podem ser considerados IMF. Tal é deliberado. Se o dinheiro fosse fungível, seria na prática impossível garantir aos investidores que os fundos canalizados para esses bancos financiassem, na verdade, microcréditos. Para Fundos que desejem obter o Selo de Qualidade, e pressionados para encontrar oportunidades de investimento em verdadeiras IMF, a tentação de colocar o seu dinheiro em bancos seria irresistível. Normalmente, os novos Fundos não deverão ser capazes de cumprir a regra dos 50%, uma vez que não terão tempo suficiente para reunir uma carteira. Foi considerado que se faria uma excepção à regra para Fundos que têm menos de 3 anos de existência. Mas as excepções tornam o Selo de Qualidade menos intuitivamente percebível pelos investidores. Igualmente, em termos práticos, as excepções complexificam a gestão deste Selo. Deste modo, é preferível que o Selo seja atribuído a Fundos, não quando estes expressam a intenção de investir em microfinança, mas depois de eles o fazerem realmente.

20

4.2.2 Boa gestão inter na
 O Selo deve apenas distinguir Fundos que preencham um mínimo de condições de transparência e boa administração

Composição da carteira: Para se qualificarem, os Fundos de microfinança devem publicar o nome e a localização das IMF nas quais investiram, o montante e o tipo de investimento (participação, empréstimo, garantia), o seu período e a unidade monetária. Principais estratégias de investimento: Para se qualificarem, as FMF devem publicar as suas estratégias de investimento. O Selo pode ser-lhes retirado, se os investimentos estiverem excessivamente concentrados numa empresa ou país. Gestão e administração: Para se qualificarem, os Fundos têm de publicar a sua estrutura de gestão e os nomes dos principais gestores, bem como as suas qualificações. Da mesma forma, devem explicar as funções dos seus órgãos de gestão, tais como os comités e comissões de investimento, os nomes dos seus membros e as suas qualificações. Estrutura de taxas: As taxas de um Fundo e as despesas administrativas devem ser divulgadas. Os investidores devem conhecer os custos totais de gerir um Fundo.

4.2.3

Administração
O Selo de Qualidade deve ser atribuído pela “Ethicalux”, que irá analisar se um candidato reúne os requisitos.

O Selo será atribuído por um período limitado de tempo. Propõe-se que o Selo expire ao fim de dois anos, a não ser que seja renovado. A validade do Selo pode ser reduzida para um ano, uma vez que a Ethicalux adquiriu suficiente capacidade para gerir o trabalho adicional. Se a Ethicalux fosse analisar o desempenho de Fundos de microfinança individualmente, e se precisasse de verificar a informação que esses Fundos fornecem, os custos seriam extraordinariamente elevados. Para manter os custos baixos, a Ethicalux deve, portanto, confiar o mais possível em informação já disponível, quando considera a candidatura de um Fundo para ao Selo de Qualidade. As agências de avaliação das IMF podem facilmente verificar se uma determinada IMF cumpre com os princípios da microfinança. Se mais de 25% da carteira de um Fundo consistir em investimentos em IMF não classificadas, será requerido à gestão do Fundo que certifique se essas IMF se qualificam ou não. Uma forma possível de usar os recursos existentes será incluir a ADA no processo de atribuição do Selo. A ADA, uma ONG sediada no Luxemburgo, adquiriu um considerável conhecimento em microfinança e está altamente considerada na indústria da microfinança. Desde 2004 que a ADA e a Argidius Foundation trabalham com a MicroRate para criar um Guia para os Fundos da Microfinança. O Guia contém a descrição de cada Fundo, juntamente com a descrição da composição da carteira, das estratégias de investimento, do desempenho financeiro, da gestão e da administração. Cobre, assim, a maioria das áreas que Ethicalux tem de considerar quando analisar uma candidatura. O projecto concluiu a sua fase-piloto e está pronto a ser implementado numa escala mais alargada. A Ethicalux e a MicroRate devem colaborar no formato final do Guia, para garantir que satisfaça as necessidades da primeira. O Guia irá permitir à Ethicalux verificar a informação fornecida pelos Fundos, confrontando-a com informação disponibilizada por uma fonte objectiva que se especializou na sua avaliação. Uma vez que o Guia será comercializado a um largo número de investidores, os custos da Ethicalux serão relativamente baixos. Através do Guia, que será actualizado anualmente, a Ethicalux terá também acesso a informação mais alargada sobre a indústria, o que irá permitir-lhe situar as aplicações num contexto industrial mais alargado. Pretende-se que o Guia evolua para a classificação dos Fundos, uma vez que existe um suficientemente longo registo de Fundos de microfinança.

21

5 Fundos de Investimento para a Microfinança: Conclusões e Recomendações para o Futuro
Desde o início a meados dos anos 90, os fundos de investimento para a microfinança foram sendo cada vez mais usados para canalizar o financiamento para as IMF e para aumentar a indústria da microfinança. Independentemente dos diferentes tipos de fundos de investimento e dos actores envolvidos, existem vários benefícios em continuar a utilizar estas estruturas de uma forma progressiva:  Diversificação do risco: Os investidores e os doadores podem diversificar os seus riscos através de fundos de investimento pela colocação de recursos num mais alargado e diversificado grupo de IMF, do que providenciando financiamento individualmente. Coordenação e harmonização dos investidores e doadores: os fundos de investimento para a microfinança são uma ferramenta eficaz para assegurar a coordenação entre os diversos participantes nos fundos. Esta harmonização torna-se mais difícil sem uma estrutura comum. Grande diversidade de objectivos financeiros e sociais: Os fundos de investimento podem ser moldados a um grande número de objectivos financeiros e sociais. Podem financiar IMF sustentáveis e serem destinados a investidores comerciais, podem patrocinar IMF no sector ambiental e podem ser financiados por agências para o desenvolvimento ou doadores privados, podem focalizar-se em empréstimos ou em fornecimento de capital, etc. O tipo de estrutura, bem como a sede do fundo de investimento dependerá destes objectivos e dos investidores a que se destinam. Disciplina financeira: A presença de fundos de investimento pode instituir uma maior disciplina financeira pela adopção da competição entre os diversos actores na microfinança. O resultado será um mais eficaz uso dos recursos, com a redução dos custos totais da atribuição de financiamento a IMF. Instrumentos flexíveis: A partir do momento em que os fundos de investimento sejam estabelecidos são mais flexíveis para operarem do que as agências para o desenvolvimento e de doação. A partir da altura em que a aprovação para investir um certo montante num fundo de investimento seja obtida nestas agências, as decisões de investimento para financiar as IMF são mais eficientemente conduzidas, essencialmente por causa das estruturas de gestão mais leves e das regras mais flexíveis destes veículos. As agências para o desenvolvimento e de doação vêem os fundos de investimento como um processo mais eficiente para financiar as IMF. Parceria efectiva entre Público e Privado: Os fundos de investimento em microfinança podem ser um poderoso meio de alavancagem do financiamento público através da atracção de financiamentos privados adicionais. A participação de instituições públicas, tais como agências para o desenvolvimento podem providenciar a massa crítica inicial, os peritos, os registos e até as garantias ou apostas de perdas iniciais, que podem encorajar os investidores comerciais a entrarem no sector da microfinança. As agências (ou doadores privados) não incorrem necessariamente num maior risco, mas o seu envolvimento pode contribuir para a participação do muito maior sector comercial, ao mesmo tempo que contribuem para o financiamento de um maior número de IMF por todo o mundo. Os fundos de investimento em microfinança podem ser a ponte entre este sector e o mercado de capitais tradicional. Os papéis dos diferentes interessados deve ser claramente definido de forma a evitar o mais possível conflitos de interesse e/ou distúrbios no mercado.

Todavia, os fundos de microfinança enfrentam dois desafios principais, interrelacionados entre si: atingir um volume crítico e fazê-lo respeitando o equilíbrio entre o retorno financeiro e social. Neste sentido, existem várias recomendações que devem ser consideradas:

22

Estrutura apropriada baseada nos investidores a que se destina. Os mais recentes êxitos de alguns fundos de investimento em microfinança deveram-se, sobretudo, à definição claro dos investidores a que se destinavam, bem como à instituição de uma estrutura adequada consistente com tal alvo de mercado. Estes exemplos mostram que não existe falta de recursos financeiros quando a estrutura certa é estabelecida. Distribuição. Viu-se também que, uma vez estabelecida a estrutura adequada, a distribuição e ao acesso ao investidor final é também um factor chave para o sucesso de qualquer fundo de investimento novo. Grande investimento inicial ou crescimento gradual., É também essencial atingir um volume crítico na definição dos investidores a que se destina o fundo. Considerando o tamanho desses investidores e os seus requisitos mínimos de investimento, a maioria dos fundos em microfinança comuns são simplesmente demasiado pequenos para que essas instituições os consideram sequer como investimento. Os raros investidores institucionais que se aventuraram na microfinança fizeram-no mais recentemente, através das estruturas mais alargadas disponíveis. Estas estruturas foram estabelecidas, quer com um certo volume crítico logo de início, ou foram crescendo gradualmente para um tamanho atractivo para esses investidores.

Estes três aspectos têm uma grande importância da capacidade dos fundos de investimento em atingir o volume crítico de forma a tornar-se sustentável no longo prazo e ser atractivo para um maior número de investidores. Por outro lado, o equilíbrio entre o retorno financeiro e social é uma preocupação central dos potenciais investidores em microfinança, especialmente aqueles com uma consciência social. O recente trabalho à volta da instituição Selo de Qualidade de Mircrofinança, no Luxemburgo , é sinal de um desenvolvimento promissor dos esforços para trazer qualidade e transparência aos Fundos de Microfinança. Os princípios chave que irão pautar este selo são:  O Selo de Qualidade deve apenas ser atribuído a Fundos que investem predominantemente em Microfinança. Para se qualificar ao Selo, o Fundo deve ser investido em pelo menos 50% em IMF. O Selo deve apenas distinguir Fundos que preencham um mínimo de condições de transparência e boa administração: Composição da carteira: Para se qualificarem, os Fundos de microfinança devem publicar o nome e a localização das IMF nas quais investiram, o montante e o tipo de investimento (participação, empréstimo, garantia), o seu período e a unidade monetária. Principais estratégias de investimento: Para se qualificarem, as FMF devem publicar as suas estratégias de investimento. O Selo pode ser-lhes retirado, se os investimentos estiverem excessivamente concentrados numa empresa ou país. Gestão e administração: Para se qualificarem, os Fundos têm de publicar a sua estrutura de gestão e os nomes dos principais gestores, bem como as suas qualificações. Da mesma forma, devem explicar as funções dos seus órgãos de gestão, tais como os comités e comissões de investimento, os nomes dos seus membros e as suas qualificações. Estrutura de taxas: As taxas de um Fundo e as despesas administrativas devem ser divulgadas. Os investidores devem conhecer os custos totais de gerir um Fundo.

23

ANEXO 1 Fundos de Investimento e outros Investidores em Microfinança

24

% do Activo (em %) RI* Participação Emprésti mos, Dívida Garanti as Activo (US$) Aplicada em Investime ntos em MF 100.00% 100% (2004) (31/05/ 05) (31/05/05) (31/05/05) (31/05/05) 12,969, 985 96.47% 5 (31/12/ 04) (31/12/04) (31/12/04) 13,300, 000 24.06% Investidor Privado (31/07/ 04) (31/07/04) (31/07/04) (31/07/04) 3 5,000,000 94% (2004) (31/12/04) 810% 9 0 -

Produtos financeiros disponíveis actualmente

Nome do Fundo

País de Instituição

Ano de Criação

Estatuto Legal

Tipo de Fundo/Estrutura

Número de Investime ntos em MF Activos

Novos Fundos Projectados para aplicação em Investimentos em Microfinança

Website

5,100,0 00

1.

Accion Gateway Fund

EUA

1996

Empresa de Carteira

Investidor Privado / Fundo de Investimento Privado

www.accion.org

2.

ACCION Investments

Ilhas Caimão

2003

Segregated

Empresa de Investimento Accionista

www.accion.org

100% (2004) www.africapfund.com

3.

AfriCap

Maurícias

2002

Fundo de Investimento Privado

4.

ALTERFIN

Bélgica

1994

Sociedade Cooperativa de Anónima de Investimento Responsabilidade Privado de duração 13,807, 604

35.98%

29

473,58

7% (2004)

93% (2004)

6%

www.alterfin.be

25

Limitada (31/12/ 05) (31/12/05) (31/12/05) (31/12/05)

ilimitada

28,421, 190 33.33% 100% (2003) (31/12/ 04) (31/12/04) (31/12/04) (31/12/04) 1.2% 16 11,503,815

5.

ASN-Novib Funds

Holanda

1998

Sociedade de Fundo de Crédito Mútuo

Investidor Privado / Instituição semilimitada de Investimento

www.novib.nl

23,073, 410 6.42% 100% (2004) (15/09/04) (15/09/04) (15/09/04) 3 (15/09/ 04) 5,000,0 00 100.00% 6 5,000,000

6.

AWF

Luxemburgo

1998

Sub-holding de uma SICAV

Fundo Ilimitado de Investimento, de duração ilimitada

5.10 %

www.axa-im.com

7. (15/07/ 05) (15/07/05) n.d. 16 (15/07/05) (15/07/05) -

Bellwether

Índia

2005

Empresa Financeira não bancária. Investidor Privado

-

www.bellwetherfound .com

8. (30/06/ 04) (30/06/04) (30/06/04) Investidor Privado / Investidor Público (31/10/ 04) 80,000, 000 Investidor Privado (31/12/ 04) (31/12/04) (31/12/04) (31/10/04) n.d. 26 (31/10/04)

BIO

Bélgica

2001

Companhia Limitada

61% (2004) (30/06/04)

39% (2004)

-

www.b-i-o.be

10% (2004) (31/10/04) 83% (2004) 7% (2004) www.caf.com

9.

CAF

Venezuela

1970

Instituição Financeira Multilateral

25.00%

40

4,000,000 2% (2004) (31/12/04) 98% (2004) 3% www.calvertfoundatio n.org

10.

Calvert Foundation

EUA

1995

Associação sem fins lucrativos

26

63,000, 000 n.d. (01/01/ 02) (01/01/02) (01/01/02) (01/01/02) 3,000,0 00 100.00% 55% (2005) (01/12/ 05) (01/12/05) (01/12/05) (01/12/05) 16,079, 805 28.00% 100% (2004) (31/12/ 04) (31/12/04) (31/12/04) (31/12/04) 63,473, 991 54.58% 90 9,473,730 2% (2003) (31/12/ 04) (31/12/04) (31/12/04) 2,483,4 80 60.00% 8 (30/09/ 04) (30/09/04) 50.00% (31/10/05) 50 (31/10/ 05) 3,259,9 23 (30/09/04) 7 (31/10/05) (31/12/04) 97% (2003) 30 5,068,446 45% (2005) 0 12,000,000 Investidor Privado 42 2,400,000 Banco

11.

Citigroup Foundation

EUA

1980

Associação sem fins lucrativos

www.citigroup.com

12.

CMI

Holanda

2005

Empresa de Responsabilidade Limitada

www.catalystmicrofinance.com

13.

Consorzio Etimos

Itália

1989

Consórcio

Investidor Financeiro Privado

www..etimos.it

14.

CORDAID

Holanda

1997

Fundação

Investidor Privado de duração ilimitada

www.cordaid.com

2,235,132 100% (2004) (30/09/04) 500 (31/10/05) 2.75 % www.cresud.it

15.

CRESUD

Itália

1999

Companhia Financeira Limitada

Investidor Privado / Empresa Financeira Privada

16.

CSF

Quirguizistão

2002

Instituição Financeira não bancária

Instituição de Microfinança Apex / fundo grossista

17.

DBMDF

EUA

1997

Associação sem fins lucrativos

Instituição doações

de

86.81%

28

1,000,000

100% (2005)

-

www.db.com

27

(31/05/ 05) (31/05/05) n.d. 8% (2004) (05/10/04) (05/10/04) (05/10/04) 92% (2004) 9 (31/05/05) (31/05/05) Banco (05/10/ 04) 51,669, 512 89.67% 100% (2004) (31/12/04) (31/12/04) (31/12/04) 49 50,000,000 5.57.5% (31/12/ 04) 3,816,8 70 10.30% 100% (2004) (31/03/ 04) (31/03/04) (31/03/04) (31/03/04) 633,397 100.00% 0 1 2,061,110 -

18.

DEG

Alemanha

1999

Companhia de Responsabilidade Limitada

www.deginvest.de

19.

Dexia Microcredit Fund

Luxemburgo

1998

SICAV-Parte B

Investidor Privado, Investidor Público e SICAV

www.blueorchad.ch

20.

DID Fonidi

Canadá

2003

Parceria Limitada

Investidor Privado e fundo limitado, 10 anos de duração

www.did.gc.ca

21. (30/06/ 04) (30/06/04) (30/06/04)

DID GF

Canadá

1999

Sem estatuto legal, parte da Development International Desjardins

Fundo ilimitado através do qual a DID pode aplicar programas de garantias de empréstimos

(30/06/04)

100% (2004)

-

www.did.gc.ca

5,669,9 88 47.37%

11

1,100,425 46% (2004) 54% (2004) www.did.gc.ca

22.

DID PF

Canadá

1996

Sem estatuto legal, parte da Development International Desjardins Investidor Privado, fundo ilimitado (30/06/ 04) Investidor Privado 4,000,0 00 (30/06/04)

(30/06/04)

(30/06/04)

23.

Dignity Fund

EUA

2005

Parceria Limitada

875.00%

1

-

-

www.dignityfund

28

(31/12/ 05) (31/12/05) (31/12/05) (31/12/05) 64,674, 337 95.25% 96% (2004) (31/12/ 04) (31/12/04) n.d. 72.08% 17 n.d. n.d. (31/12/04) (31/12/04) n.d. 3,481,7 71 (31/12/ 04) (31/12/04) n.d. (31/12/03) (31/12/03) (31/12/03) 68% (2003) 2,965,9 24 74.47% 19 (31/12/ 05) (31/12/05) (31/12/05) n.d. n.d. n.d. 32% (2003) 30 (31/12/04) (31/12/04) (31/12/ 03) Fundo para PME’s 2% (2004) 13 20,300,850

24.

DOEN

Holanda

1994

Fundação

Fundação (Investidor Privado / Crediário)

www.doen.nl

25.

ECLOF

Suiça

1946

ONG

www.eclof.org

26. Investidor Privado

FIG

Suiça 100% (2003) www.fig-igf.org

1996

Cooperativa sem fins lucrativos

27.

FMO

Holanda

1970

Instituição Financeira de Desenvolvimento

www.fmo.nl

28.

FRONTIERS

Quirguizistão (31/12/05) n.d.

1982

ONG

Instituição Apex

29.

FWWB

Índia

14,000, 000 Investidor Privado (31/12/ 03)

2.14%

3

100 www.fwwbindia.org

30.

Geisse Foundation

EUA

1969

“Fundação pública familiar”

(31/12/03)

(31/12/03)

(31/12/03)

29

1,691,0 00 0.00% 0 2,000,000 Fundo de Garantia Global (31/05/ 05) (31/05/05) (31/05/05) (31/05/05)

31.

Global Bridge Fund

EUA

2005

Não é uma entidade separada, mas sim uma parte da ACCION International

www.accion.org

(sem fins lucrativos) 2,000,0 00 100.00% 100% (2005) (31/12/05) (31/12/05) (31/12/05) 9 5,000,000 Investidor Privado (31/12/ 05) 50,000, 000 20.34% 11 42% (2005) (10/01/ 05) (10/01/05) n.d. (31/12/05) (31/12/05) 15 2,367,900 (10/01/05) (10/01/05) (31/12/ 05) 22,529, 883 91.20% Investidor Privado (31/12/ 04) (31/12/04) n.d. (31/03/05) Investidor Privado Empresa de Investimento (31/03/ 05) n.d. (31/12/04) 5 (31/03/05) (31/12/04) 15% (2005) (31/03/05) 85% (2005) 36 48% (2005) 10% (2005)

32.

Global Partnerships

EUA

2005

Sem fins lucrativos

-

www.globalpartnershi ps.org

33.

Gray Ghost

EUA

2003

Companhia de Responsabilidade Limitada

Investidor Privado / Fonte de financiamento

-

www.grayghostfund.c om

34.

Hivos

Holanda

1968

ONG

Instituição de doações / Investidor Privado

(31/12/05)

www.hivos.nl

6,766,950 62% (2004) 29% (2004) 9% (2004) www.triodos.com

35.

HTF

Holanda

1994

Fundação

36.

I&P Developpement

França

2002

Empresa de Investimentos

-

www.ip-dev.com

30

6,496,2 72 72.92% 12% (2004) (31/12/ 04) (31/12/04) (31/12/04) (31/12/04) 2,060,9 86 85.16% 8% (2001) (31/12/ 01) (31/12/01) n.d. 27% (2004) (30/09/04) (30/09/04) (30/09/04) 52 65% (2004) 8% (2004) (31/12/01) (31/12/01) 77% (2001) 28 300 7% (2004) 39% (2004) 20 -

37.

ICCO

Holanda

1999

Fundação

Instituição de doações / Investidor Público / Fundo de Garantia e Empréstimo

www.icco.nl

38.

IDF

EUA

1992

Empresa sem fins lucrativos Investidor Privado

www.untours.com

39. (30/09/ 04) 15,413, 875 100.00% 6 15,413,875 Investidor Privado (31/05/ 05) (31/05/05) (31/05/05) 5,600,0 00 80.36% 13 Investidor Privado (31/05/ 05) (31/05/05) 48,550, 000 n.d. Instituição Apex (31/12/ 01) de (31/12/01) (31/12/01) (31/12/01) (31/05/05) (31/05/05) (31/05/05)

IFC

EUA

1956

Instituição Multilateral (não disponível)

www.ifc.org

40.

Impulse (Incofin)

Bélgica

2004

Companhia Limitada de Capitais Privados

100% (2004)

4%

www.incofin.be

500 43% (2005) 56% (2005) 1% (2005) www.incofin.be

41.

INCOFIN

Bélgica

1992

Cooperativa de Responsabilidade Limitada

-

20,480,000 www.khula.org.za

42.

KEF

África do Sul

1996

Companhia de Responsabilidade Limitada

43.

KFW

Alemanha

1948

Banco

Instituição doações

85,400, 000

26.93%

31

-

-

www.kfw-

31

entwicklungsbank (31/12/01) 94.44% (31/12/05) (31/12/05) (31/12/05) 100% (2005) 5 1,000,000 (31/12/01) (31/12/01)

(31/12/ 01) 900 Investidor Privado (31/12/ 05) 5,340,5 05 27.15% 3 Fundo de Garantia (31/05/ 05) (31/05/05) (31/05/05) (31/05/05)

44.

Kolibri Kapital ASA

Noruega

2000

Empresa Pública

45.

LABF

EUA

1984

Não é uma entidade separata, mas sim uma parte da ACCION International

100% (2004)

02.875 %

www.accion.org

(sem fins lucrativos) 17,198, 854 n.d. Instituição Apex (01/09/ 05) (01/09/05) (01/09/05) 18,022, 620 100.00% 0 Investidor Privado (25/10/ 04) (25/10/04) 100.00% (25/10/04) 511,28 (25/10/ 04) 2,242,8 79 (25/10/04) 3 (25/10/04) (25/10/04) 100% (2004) (25/10/04) (01/09/05) 16,364,31 2

46.

LCCU

Lituânia

2002

União de Crédito Apex

-

www.iku.it

www.horus.com

47.

LFI

Luxemburgo

2004

SA e SICAR

48.

LFP

França

2001

Companhia Limitada de Capital Privado

Investidor Privado / Empresa de Investimento

-

www.horus.com

49.

Luxmint - ADA

Luxemburgo

1994

Sem fins lucrativos (ONG)

Fundo não-lucrativo de duração ilimitada

97.11%

19

-

8% (2005)

82% (2005)

10% (2005)

-

www.microfinance.lu

32

(30/06/ 05) (30/06/05) (30/06/05) (30/06/05) 3,000,0 00 44.13% (05/03/ 04) (05/03/04) (05/03/04) (05/03/04) 1,700,0 00 70.59% 70% (2001) (31/12/ 01) (31/12/01) (31/12/01) (31/12/01) 14,400, 000 93.75% 10.70% (2005) (30/06/05) n.d. (31/12/04) n.d. (31/12/04) 50 (31/12/04) (31/12/04) 19 20,000,000 63% (2004) (31/12/04) 9,700,000 3% (2004) (31/12/04) 84% (2004) 13% (2004) 37% (2004) (30/06/05) (30/06/05) 16 89.30% (2005) 0-3% Investidor Privado (30/06/ 05) Instituição doações (31/12/ 04) ONG / Fundação / Privada (31/12/ 04) 304,662 ,000 Investidor Privado (31/12/ 04) (31/12/04) (31/12/04) (31/12/04) 26.51% de 10 11 500 Investidor Público

50.

MFDF

Mongólia

2003

Fundação

51.

Microfinance Alliance Fund

Filipinas

2000

Programa nacional sob estrutura CRS das FIlipinas Instituição doações de

52.

MicroVest I

EUA

2003

Parceria Limitada

www.microvestfund.c om

53.

MIF

EUA

1993

Activa

www.iadb.org

54.

NOVIB

Holanda

1996

ONG / Fundação

www.novib.nl

169

39,125,000 6.10% (2004) 92.40 (2004) 1.50 (2004) 2% www.oikocredit.org

55.

Oikocredit

Holanda

1975

Sociedade Cooperativa Internacional

33

400,000 ,000 n.d. (12/05/ 05) (12/05/05) (12/05/05) (12/05/05) Subsidiária da Opportunity International 143.70% 91% (2004) (31/08/ 04) (31/08/04) (31/08/04) (31/08/04) 9% (2004) 13 5,000,000 (accionista totalitária) 7,095,5 00 4.23% 5 3% (30/09/ 04) (30/09/04) (30/09/04) (30/09/04) 110,918 ,700 80.40% 19 69.70% (2004) (30/09/04) n.d. (30/06/02) (30/06/02) 188 (30/09/04) (30/09/04) (30/06/02) 30.30% (2004) 56,5% Investidor Privado (30/09/ 04) Instituição Apex (30/06/ 02) 407,129 Instituiçãoo doações (14/11/ 05) 11,404, 098 de (14/11/05) (14/11/05) (14/11/05) 93.50% Investidor Privado 13,500, 000 7 Investidor Privado

56.

Omidyar

EUA

2004

Companhia de Responsabilidade Limitada

www.omidyar.net

57.

OTI

EUA

2001

Subsidiária da Opportunity International

58.

Partners for the Common Good

EUA

2001

Organização sem fins lucrativos

www.pcg21.org

59.

PCH AG

Alemanha

1998

Sociedade Anónima de capitais públicos

www.proceditholding.com

60.

PKSF

Bangladesh

1990

Empresa sem fins lucrativos

www.pksf-bd.org

18

100 100% (2005) www.planetfinance.or g

61.

PlaNet MicroFund

França

2000

Associação

62.

PROFUND

Costa Rica

1993

Corporação

Investidor Privado

141.84%

10

-

91% (2004)

9% (2004)

-

www.profundinternaci onal.org

34

(30/06/ 04) (30/06/04) (30/06/04) (30/06/04) 3,901,6 25 57.99% (31/12/ 03) (31/12/03) (31/12/03) (31/12/03) 12,180, 900 78.20% 2% (2004) (30/06/ 04) (30/06/04) (30/06/04) (30/06/04) 50,241, 143 90.53% 81 7% (2005) (31/03/ 06) (31/03/06) (31/03/06) (31/03/06) 4,800,0 00 100.00% 200 Instituição Apex (31/12/ 01) (31/12/01) (31/12/01) 8,262,4 77 9.35% (31/12/ 02) 5,000,0 00 Instituição Apex (31/12/ 01) (31/12/01) (31/12/01) (31/12/01) (31/12/02) 7 (31/12/01) 100'% (2001) 93% (2005) 3.56 % Investidor Privado 94% (2004) 89 4% (2004) 41 3,125,000

63.

PT UKABIMA

Indonésia

1996

Companhia de Responsabilidade Limitada

www.ukabima.com

64.

Rabobank

Holanda

1973

Instituição Apex

Instituição de doações, Banco, e fundo rotativo privado da empresa

www.rabobankfounda tion.nl

65.

responsAbility Fund

Luxemburgo

2003

Fundo de Investimento no Luxemburgo

www.responsAbility.c h

66.

RFC

Moldávia

1998

Sociedade Anónima

760 -

67.

Rockdale

EUA

1999

Fundação

Instituição doações

de

(31/12/02)

(31/12/02)

40.00%

8

1,500,000 www.SFD-Yemen.org

68.

SFD

Iémen

1997

Estabelecida pela lei nº10 de 1997

35

5,500,0 00 39.23% 32% (2004) (30/09/ 04) (30/09/04) (30/09/04) (30/09/04) 28,333, 000 12.29% 78% (2005) (24/11/ 05) (24/11/05) (24/11/05) (24/11/05) 12,652, 433 38.12% 62% (2003) (31/12/ 03) (31/12/03) (31/12/03) (31/12/03) 11,073, 367 63.06% 11 6,766,950 8% (2004) (31/12/ 04) (31/12/04) (31/12/04) 34,822, 585 88.00% 64 Investidor Privado (31/12/ 04) (31/12/04) n.d. (31/12/03) Investidor Privado (31/12/ 03) (31/12/04) 12 (31/12/03) (31/12/04) 4,500,000 (31/12/03) (31/12/04) 92% (2004) 2-4% Investidor Privado 37 38% (2003) Investidor Privado 22% (2005) 4 3,000,000 68% (2004) 9 Investidor Privado

69.

SGIF

EUA

2000

Divisão de uma organização privada sem fins lucrativos

www.saronafund.com

70.

ShoreCap Intl.

Reino Unido

2003

Companhia de Responsabilidade

Investidor Privado / Empresa de Investimento Permanente

www.shorecap.net

71.

SIDI

França

1983

Sociedade Anónima

www.sidi.fr

72.

TFSF

Holanda

2002

Fundo Restrito de Capital Mútuo

www.triodos.com

3,383,475 30% (2004) 69% (2004) 1% (2004) www.triodos.com

73.

Triodos-Doen Foundation

Holanda

1994

Fundação

74.

UNCDF

EUA

1966

Empresa sem fins lucrativos

www.uncdf.org

75.

Unitus

EUA

2000

Sem fins lucrativos Investidor Privado

6,325,0 00

112.25%

3

200

5% (2004)

92% (2004)

3% (2004)

-

www.unitus.com

36

(31/08/ 04) (31/08/04) (31/08/04) (31/08/04)

Investidor Público (30/09/ 04) (30/09/04) (30/09/04) (30/09/04) 100% (2004) -

n.d.

25

www.usaid.gov

76.

USAID Credit Guarantees

EUA

1961

Agência Governamental, Autoridade de Crédito para o Desenvolvimento designada pelo Congresso NorteAmericano

Fonte: Mix Market (http://www.mixmarket.org)

* RI = Retorno do Investimento (Mais informações sobre este indicador: http://www.microcapital.org)

)

37

ANEXO 2 Actores da Microfinança Europeia que actuam em Países em Desenvolvimento

38

1

Panorama Global

Este anexo pretende enumerar e caracterizar os Actores da Microfinança Europeus que actuam em países em Desenvolvimento. A principal fonte é o directório recentemente publicado pela ADDA – Appui au Dévelopment Autonome, no contexto da Mesa Redonda sobre Microfinança, realizada no Luxemburgo13 Em primeiro lugar, apresentam-se os principais tipos de organizações que suportam as instituições de microfinança nos países em desenvolvimento, os seus recursos humanos e as regiões de intervenção. Depois desta curta introdução, resume-se os principais tópicos e prioridades de intervenção.

1.1

Tipos de Organizações

O levantamento efectuado pela ADA identificou seis tipos de organizações. Organizações de Redes de Organizações/Organizações “Guarda-Chuva”, ONG, Centros de Formação e Investigação, Instituições Financeiras, Agências para o Desenvolvimento e outros. O Quadro 1 enumera quantas organizações fizeram parte do levantamento por tipo de organização. A lista detalhada é apresentada no Quadro 2. Quadro 1 Organizações identificadas classificadas por tipo e país de origem REDES DE ORGANIZAÇÕES ONGS CENTROS DE FORMAÇÃO/ INVESTIGAÇÃO 2 1 3 1 3 1 INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS AGÊNCIAS PARA O DESENVOLVIMENTO OUTRAS TOTAL

ÁUSTRIA BÉLGICA BULGÁRIA DINAMARCA FINLÂNDIA FRANÇA ALEMANHA IRLANDA ITÁLIA LUXEMBURGO HOLANDA NORUEGA POLÓNIA ESLOVÁQUIA SUÉCIA SUÍÇA

2 1 1 -

4 1 1 11 1 2 3 3 1 1 2

3 1 1 2 1 2 1 7 1 1 2

1 1 1 1 1 1 1 1

1 1 1 2

1 11 3 2 2 16 7 2 4 7

1 1 -

14 2 1 1 4 5

13

PERILLO, M and FABER, V. European Microfinance Actors working in Devoloping Countries. ADA, Outubro 2005.

39

REINO UNIDO TOTAL

4

2 32

1 12

22

1 9

1 8

5 87

O envolvimento das ONG na microfinança e o seu importante papel para o suporte financeiro e não financeiro deste sector é revelado pela sua percentagem de representação (35%). Para além das Instituições Financeiras (27%), é notável que tenham respondido tantos Centros de Formação e Investigação (14%).

Quadro 2 Lista de organizações identificadas por país de origem • ADA – Appui au Développement Autonome Luxemburgo • iBMG – Instituto de Gestão e Políticas e de Saúde – Univerdade Erasmus de Roterdão • ICAR - Association Internationale de Crédit Agricole et rural • OICO – Organização inter-igrejas para a Cooperação para o Desenvolvimento • IGPD – Universidade de Antuérpia – Instituto de Gestão e Políticas para o Desenvolvimento • Imp-Act - Improving the impact of microfinance on poverty • INCOFIN Holanda

• ADIE - Association pour le Droit ˆ l’Initiative Economique • ADRA Deutschland

França

França

Alemanha

Holanda

• AECI - Agencia Espanhola de Cooperación Internacional

Espanha

Bélgica

• AFD – Agence Française de Développement • ALFI – Associação da Indústria de Fundos do Luxemburgo • ALTERFIN • AQUADEV • ASN Novib Fund • ATTF – Agência de Transferência Financeira e Tecnológica • ADA - Agência de Desenvolvimento Austríaca • Bankakademie International • Bannock Consulting

França

Reino Unido

Luxemburgo

Bélgica

Bélgica Bélgica Holanda Luxemburgo

• ING - ING Group N.V. • Fundação Integra • Inter Aide • Intercooperation

Holanda Eslováquia França Suíça

Áustria

• Centro Internacional Agrícola

Holanda

Alemanha Reino Unido

• Fundo de Garantia Internacional • IIAD – Instituto de Investigação Aplicada ao Desenvolvimento • JCEL – Jeune Chambre Economique du Luxembourg

Suíça França

• BIO – Companhia Belga de Investimento para Países em Desenvolvimento • BlueOrchard Finance

Bélgica

Luxemburgo

Suíça

• JOBS Project – Oportunidades de Emprego pelo apoio à Empresa

Bulgária

40

• BRS - Belgian Raiffeisen Foundation

Bélgica

• KfW / DEG - Deutsche Investition und EntwicklungsgesellschaftGmbH • Kolibri Kapital • Kyrkornas U-Fond

Alemanha

• Igreja Sueca de Ajuda • CIDR - Centre International de Développement et de Recherche • CNEARC – Centre National d’Etudes Agronomiques en Régions Chaudes • Co-operative APKI • CONCERN Ireland • OCADD – Organização Católica para a Ajuda aos Desfavorecidos e para o Desenvolvimento • CRESUD • DanChurchAid • AIDD – Agência Internacional Dinamarquesa para o Desenvolvimento • DFID - Department for International Development • DGCD – Ministério dos Negócios Estrangeiros Belga – Direction Générale de la Cooperation au Développement • Fundação DOEN • ECIDEC - Echanges Internationaux pour le Développement et la Coopération • Entrepreneurs du Monde

Suécia França

Noruega Suécia

França

• La Fayette Investissement

Luxemburgo

Bulgária Irlanda Holanda

• Lux-Development • Mercy Corps Scotland • CMF – Centro de Microfinança

Luxemburgo Reino Unido Polónia

Itália Dinamarca Dinamarca

• Microfinanza • Cooperativa Nachala • Oikocredit

Itália Bulgária Holanda

Reino Unido

• Opportunity International – UK

Reino Unido

Bélgica

• PlaNet Finance

França

Holanda França

• Fundação Rabobank • responsAbility

Holandas Suíça

França

• ASDC – Agência Suíça para o Desenvolvimento e Cooperação • ASDCI – Agência Sueca para o Desenvolvimento e Cooperação Internacionais • SIDI - Solidarité Internationale pour le Développement et l’Investissement • SIFRA – Rede de Facilitadores de Microfinança • SNV – Organização Holandesa para o Desenvolvimento

Suíça

• ETIMOS

Itália

Suécia

• Evers & Jung

Alemanha

França

• FinnChurchAid

Finlândia

Bélgica

• Finnfund – Fundo Finlandês para a Cooperação Internacional

Finlândia

Holanda

41

• FMO – Companhia Holandesa da Finança para o Desenvolvimento • Fondazione “Giordano Dell’Amore • GORTA • GRET - Groupe d’Echange et de Recherches Technologiques • Groupe Développement • GTZ - Gesellschaft für Technische Zusammenairbeit • Handicap International • HIVOS - Humanistisch Instituut voor Ontwikkelingssamenwerking • HORUS Development Finance • I&P Développement - Investisseur et Partenaire pour le Développement

Holanda

• SOS FAIM Bélgica

Bélgica

Itália Irlanda France

• SOS FAIM Luxemburgo • Sparkassenstiftung • Fundação Stromme

Luxemburgo Alemanha Noruega

França Alemanha

• TRIAS • TRIODOS

Bélgica Holanda

França Holanda

• Universidade de Colónia • Universidade de Mons-Hainaut

Alemanha Bélgica

França França

• Universidade de Uppsala • Universidade de Wageningen

Suécia Holanda

1.1.1.

Organizações de Plataforma e Rede de Organizações/Organizações “Guarda-Chuva”

As plataformas representam organizações que, embora diferentes ao nível do enfoque e da abordagem, partilham a mesma missão de diminuição da pobreza através do alargamento do acesso de serviços financeiros e da melhoria das condições de vida nos países do Sul. Ao criar uma plataforma, estas organizações organizamse para permitir a troca e para coordenar as suas actividades em microfinança. Muitas vezes, as plataformas de microfinança estão estruturadas a um nível nacional, como por exemplo, ao reunirem organizações de microfinança de um mesmo país. As plataformas nacionais são constituídas por diferentes membros, como bancos, investidores sociais, fundações privadas, ONG, entidades públicas, etc. São normalmente estruturas informais que têm um papel representativo para o suporte nacional da microfinança e têm como objectivo aumentar a eficiência do suporte fornecido pelos vários membros. Deve ainda mencionar-se que cinco das plataformas nacionais estão na União Europeia: França, Bélgica, Itália, Holanda e Luxemburgo. Representam um importante papel de disseminação e troca de informação. A existência de plataformas é ainda uma recente evolução e a maioria das que foram mencionadas foram instituídas não antes de 2003. Nenhuma das plataformas contactadas respondeu ao inquérito feito pela ADA enquanto tal, preferindo reenviar os inquéritos aos seus membros. À semelhança das plataformas, as Redes de Organizações são organizações que agrupam diferentes organizações, que muitas vezes têm o mesmo estatuto legal e/ou que partilham as mesmas abordagens e enfoques. As Redes de Organizações são, na sua maioria, organizações independentes geridas em nome dos seus membros e são uma forma eficaz de aumentar a coordenação e a troca de informação e de estabelecer alguns padrões. Outro tipo de organizações inserido nesta categoria é as “organizações guarda-chuva”. Estas organizações não intervêm directamente, mas fornecem serviços que capacitam as estruturas dos membros para se consolidarem, fortalecerem e partilharem conhecimento, bem como a organizarem actividades adicionais tais como investigação, disseminação de informação e/ou formação. A ALFI, por exemplo, está registada como uma “ASBL” (Organização sem fins lucrativos) e é o órgão representativo da comunidade de fundo de investimento do Luxemburgo. As duas Redes de Organizações/Organizações “Guarda-chuva” enumeradas nesta categoria pela ADA são:

42

• •

ALFI MFC

Embora o levantamento enumere apenas duas organizações nesta categoria, existem muitas organizções identificadas que são membros de redes de organizações. As quatro mais frequentemente referidas são: • • • • INAISE – Associação Internacional de Investidores em Economia Social, Bélgica CONCORD – Confederação Europeia de ONG para Ajuda aos Desfavorecidos e para Desenvolvimento, representando mais de 1500 ONG Europeias nas Instituições Europeias. A Rede Europeia de Microfinança (EMN) – promove e dá suporte à microfinança na Europa. CERISE – Comité d’Echanges et de Réflexion et d’Informations sur les Systèmes d’Epargne-crédit, França – promove e leva a cabo troca de informação (grupo de peritos).

1.1.2

ONG

As ONG são grupos de cidadãos voluntários, sem fins lucrativos, organizadas a um nível local, nacional ou internacional. São geridas e as suas funções são definidas por pessoas com interesses comuns, desempenhando uma variedade de serviços. São, normalmente, organizações baseadas no valor, independentes de governos mas dependentes, totalmente ou em parte, de doações e de serviço voluntário. As 29 organizações classificadas como ONG são:

• ADA • ADRA Alemanha • AQUADEV • CIDR • CONCERN Irlanda • CORDAID • DanChurchAid • ECIDEC • Entrepreneurs du Monde • FinnChurchAid • GORTA • GRET • Groupe Développement • Handicap International • HIVOS

• ICAR • IGF • Inter Aide • Intercooperation • IRAM • Mercy Corps Scotland • Opportunity International - RU • PlaNet Finance • SIFRA • SNV • SOS FAIM Bélgica • SOS FAIM Luxemburgo • Stromme Foundation • TRIAS

A maioria são ONG nacionais. Sendo que algumas são ONG internacionais que têm delegações locais (sediadas quer no Norte como no Sul), que funcionam mais ou menos com organizações independentes.

1.1.3

Centros de Formação/Investigação

Esta categoria inclui universidades, programas de investigação e institutos de formação que trabalham na criação de competências através da investigação e/ou formação. As 12 organizações classificadas como Centros de Formação/Investigação são:

43

• ATTF • Bankakademie International • CNEARC • Evers & Jung • iBMG • IDPM – Universidade de Antuérpia

• Imp-Act • Centro Internacional Agrícola • Universidade de Colónia • Universidade de Mons-Hainaut • Universidade de Uppsala • Universidade de Wageningen

A ATTF, a Bankakademie International e a Evers & Jung providenciam assistência técnica através de serviços de formação e consultoria. A CNEARC é, ao mesmo tempo, um centro de formação e investigação que tem como alvo a finança rural. Os oito departamentos e programas de investigação académica que responderam ao inquérito foram: • • • • • • • • iBMG – Instituto de Gestão e Políticas e de Saúde – Univerdade Erasmus de Roterdão (Holanda) IDPM – Universidade de Antuérpia – Instituto de Gestão e Políticas para o Desenvolvimento (Bélgica) Centro Internacional Agrícola, Universidade de Wageningen (Holanda) The Imp-Act – O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento, Universidade de Sussex (Reino Unido) UMH – Departamento de Ciências de Gestão, Universidade de Mons-Hainault (Bélgica) Universidade de Colónia – Departamento dos Estudos Cooperativos (Alemanha) Universidade de Uppsala – Departamento de Economia (Suécia) Universidade de Wageningen – Grupo de Desenvolvimento Económico (Holanda)

A investigação e ensino relacionados com a microfinança são normalmente levados a cabo em Departamentos de Economia ou em institutos de desenvolvimento especificados. Os principais objectos de estudo são seguros de saúde, o financiamento agrícola, o desempenho e impacto. Muitos departamentos estão a trabalhar de perto com outras organizações (ONG, agências para o desenvolvimento, etc.) com um projecto como pano de fundo. Existem muitas outras universidades que, embora não tenham respondido, oferecem oportunidades de investigação relacionados com a microfinança como, por exemplo, a Universidade de Poitiers (França), a IRD (França) e a University College of Dublin (Irlanda). Não é tão comum existir uma licenciatura totalmente dedicada à microfinança. Para além dos já em funcionamento Programa de Mestrado da Fundação «Giordano dell’Amore», em Itália, existem muito poucos cursos de especialização. A Escola de Gestão de Solvay (Bélgica), por exemplo, lançou recentemente, em colaboração com a Universidade Dauphine em Paris (França), Universidade de Wageningen (Holanda) and PlaNet Finance Bélgica, o Programa Europeu de Microfinança (EMP), uma pós-graduação em microfinança com a duração de um ano, a começar no Outono de 2005. Além disso, o assunto do fornecimento de formação é importante. A PlaNet Finance Bélgica, por exemplo, especializou-se nesta área e conduziu recentemente um estudo mundial sobre as necessidades de formação especializada para as IMF.

1.1.4

Instituições Financeiras

As Instituições Financeiras são qualquer organização que tenham como actividade movimentar, investir e emprestar dinheiro, negociar em instrumentos financeiros ou providenciar serviços financeiros. Estas instituições aportam um conhecimento bancário e financeiro ao sector da microfinança. As 21 organizações classificadas como Instituições Financeiras são:

44

• ALTERFIN • ASN Novib Fund • BIO • BlueOrchard Finance • CRESUD • ETIMOS • Finnfund • FMO • I&P Développement • ICCO • INCOFIN

• ING • KfW / DEG • Kolibri Kapital • Kykornas U-Fund • La Fayette Investissement • Oikocredit • Fundação Rabobank • responsAbility • SIDI • TRIODOS

Algumas destas organizações são fundos de investimentos especializados em microfinança. Estas estruturas permitem os doadores privados e/ou públicos aumentarem os seus activos e diversificarem os seus investimentos. A BlueOrchard Finance, por exemplo, gere, entre outros, o DEXIA Mcro-Credit Fund que investe em cerca de 50 IMF em 22 países. As Instituições Financeiras incluem também estruturas intermediárias, usadas por outras organizações como veículos para os investimentos em microfinança. O Kykornas U-Fund, é um fundo para o desenvolvimento detido em parte pela Igreja Sueca de Ajuda, juntamente com algumas paróquias, comunidades e dioceses. Em cooperação com o Banco TRIODOS, o fundo tem como objectivo “capacitar as igrejas, a sociedade e as organizações, bem como individuais, para investir dinheiro para propósitos de desenvolvimento, juntamente com pessoas desfavorecidas que não podem pedir empréstimos através dos bancos tradicionais” (site da Igreja Sueca de Ajuda)

1.1.5

Agências para o Desenvolvimento

Esta categoria inclui as agências para o desenvolvimento nacionais, bancos nacionais e outras organizações detidas (parcial ou totalmente) por governos nacionais. As Agências para o Desenvolvimento classificadas como organizações são:

• AFD (França) • AECI (Espanha) • Austrian Development Agency (Áustria) • DANIDA (Dinamarca) • DFID (Reino Unido) • DGCD (Bélgica)

• GTZ (Alemanha) • Lux-Development (Luxemburgo) • SDC (Suíça) • SIDA (Suécia)

Estas organizações suportam a microfinança através de uma série de intervenções: financiamento, formação, assistência técnica, etc. As agências para o desenvolvimento iniciam muitas vezes e/ou implementam programas e projectos em colaboração com outras organizações, tais como ONG, institutos de investigação e empresas de consultoria, para além de reforçarem activamente parcerias e ligações.

1.1.6

Outras

De acordo com o seu estatuto legal e actividade, algumas organizações não podem ser agrupadas nestas seis categorias e, consequentemente são enumeradas separadamente:

45

• Empresas de consultoria

• Bannock Consulting • HORUS Development Finance • Microfinanza • Sparkassenstiftung

• Fundações Privadas

• BRS (Fundação Belga Raiffeisen) • DOEN Foundation • Fondazione “Giordano Dell’ Amore”

• Igrejas Nacionais

• Igreja Sueca de Ajuda

As empresas de consultoria são grupos de peritos que fornecem aconselhamento profissional a outras organizações em troca de honorários. São na sua maioria privadas, companhias de responsabilidade limitada e oferecerem competências profissionais num domínio específico da microfinança. As fundações são uma espécie de organizações filantrópicas, criadas como entidades legais quer por individuais ou instituições. Desenvolvem a sua actividade num largo conjunto de actividades, como o financiamento e a assistência técnica de criação de competências. A Fundação “Giordano Dell’Amore”, por exemplo, oferece um programa de mestrado e edita publicações. A Igreja Sueca de Ajuda, organizada como uma fundação, é afiliada e financiada pela Igreja Sueca (Luterana), através dos seus proveitos de rendimentos da igreja recolhidos através da taxação nacional.

1.2

Recursos Humanos

O gráfico seguinte mostra a percentagem de actividade em microfinança no seio das organizações inquiridas:

Menos de 20% Entre 20 e 50% Entre 50 e 70% Entre 70 e 100% Actividade a tempo inteiro

Fonte: ADA (Outubro 2005). European Microfinance Actors A maioria das organizações inquiridas pela ADA desenvolvem actividades em microfinança há muitos anos, mas apenas 17 (22%) destas entidades actuam exclusivamente neste sector. É surpreendente como a microfinança é um campo de intervenção altamente especializado. As 17 organizações que desenvolvem actividades exclusivamente em microfinança são:

46

• ADA • ASN Novib Fund • BlueOrchard Finance • CRESUD • ECIDEC • Entrepreneurs du Monde • HORUS Development Finance • ICAR • IGF

• Kolibri Kapital • Kyrkornas U-Fund • La Fayette Investissement • Mercy Corps Scotland • MFC • Opportunity International - UK • PlaNet Finance • TRIODOS

Estas organizações são, na sua maioria, ONG (8) e Instituições Financeiras (7), sendo todas Fundos de Investimento em Microfinança, mais uma rede de organizações e uma empresa de consultoria. Nestas organizações, o número de funcionários a tempo inteiro não excede as 15 pessoas, sendo a média à volta de oito. A PlaNet Finance e a HORUS Development Finance são excepções, que empregam mais de 30 pessoas a tempo inteiro nas suas sedes. A distribuição dos recursos humanos nas organizações analisadas é a seguinte: • 22 % - Um ponto de contacto • 23 % - Staff próprio = a organização atribui regularmente os assuntos ligados à microfinança a um funcionário = a organização tem um ou mais funcionários a tempo inteiro encarregue das actividades de microfinança = a organização tem um departamento exclusivamente dedicado à microfinança = a microfinança é a actividade exclusiva da organização

• 34 % - Departamento • 22 % - Todo o pessoal

É ainda importante mencionar que a maior parte das organizações recorrem regularmente a voluntários ou consultores externos, que não são classificados como membros dos quadros, mas que permitem a estas organizações aumentarem largamente o seu âmbito de actuação. Para além disso, cerca de uma dúzia das organizações inquiridas têm funcionários no estrangeiro (trabalhadores expatriados ou agentes locais) e afiliados, que não estão incluídos nesta análise, devido ao facto de não ser possível reunir dados concretos.

1.3

Regiões de Intervenção

O quadro seguinte dá uma perspectiva global das regiões de intervenção. REDES DE ORGANIZAÇÕES ÁFRICA AMÉRICA ÁSIA EUROPA 1 2 ONGs CENTROS DE FORMAÇÃO/INVESTIGAÇÃO 9 9 9 6 INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS 20 20 20 15 AGÊNCIAS PARA O DESENVOLVIMENTO 9 8 8 5 OUTRAS TOTAL

27 21 19 7

8 7 8 7

73 65 65 42

47

MÉDIO ORIENTE OCEÂNIA

-

2

1

2

1

-

6

-

-

2

2

-

-

4

Fonte: ADA (Outubro de 2005). European Microfinance Actors.

A maior parte das organizações inquiridas intervêm em países Africanos e da América Latina. De notar que a América Latina tem-se vindo a tornar, nas duas últimas décadas, cada vez mais atractiva como região de intervenção, o que reflecte o facto de que, em geral, os mercados em microfinança evoluíram na América Latina especialmente em comparação com o desenvolvimento verificado no continente Africano. A maioria dos actores intervêm ao mesmo tempo na Europa de Leste e Europa Central, América Latina, África e Ásia (34), ou apenas na América Latina, África e Ásia (21). Apenas uma pequena parte dos actores em microfinança trabalham na Oceânia (4) e no Médio Oriente (6). A relativa falta de interesse na Oceânia pode ser explicada pela sua distância geográfica em relação à Europa e pela relativamente baixa densidade populacional, o que se traduz num número reduzido de clientes. O cenário de desenvolvimento nesta região é concretizado por organizações da Austrália, Estados Unidos, Nova Zelândia, China e Japão, sendo os Estados Unidos o actor principal na microfinança. No que diz respeito à região do Médio Oriente, começa o interesse por esta região começa a crescer. Relativamente a África, é de assinalar que apenas algumas organizações actuam no Norte de África (11).

1.4 1.4.1

Assuntos e Tópicos Métodos de Intervenção

Tal como o número crescente de organizações activas no campo da microfinança, o número de métodos empregues aumentou também consideravelmente nos últimos dez anos. Esta evolução teve um efeito positivo na adequação dos métodos de intervenção tradicionais, tendo sido também responsável pela criação de novos métodos e instrumentos. A tabela seguinte mostra uma perspectiva global dos diferentes métodos de intervenção utilizados pelas organizações inquiridas.

REDES DE ONGS ORGANIZAÇÕE S

CENTROS DE FORMAÇÃO/ INVESTIGAÇÃO 1 -

INSTITUIÇÕE S FINANCEIRA S 21 12 17 1 1

AGÊNCIAS PARA O DESENVOLVIMENT O

OUTR OS

TOTA L

INVESTIMENT OS

EMPRÉSTIMOS GARANTIAS PARTICIPAÇÃO OUTROS*

-

14 13 11 16

5 6 5 1 6

1 2 1 2

41 33 35 2 25

SUBSÍDIOS

DOAÇÃO DE CAPITAL / PARTICIPAÇÃO OPERAÇÕES EQUIPAMENTO

1 -

17 18

1

2 2

5 6

3 3

28 30

48

CRIAÇÃO DE COMPETÊNCIA S / FORMAÇÃO ASSISTÊNCIA TÉCNICA OUTROS** NÃO FINANCEIROS SERVIÇOS DE DESENVOLVIMENTO DE NEGÓCIOS CRIAÇÃO DE COMPETÊNCIA S / FORMAÇÃO FORMAÇÃO DO CLIENTE DISSEMINAÇÃ O DA INFORMAÇÃO REDE INVESTIGAÇÃ O OUTRO*** * Quasi-Equity

1

22

1

5

8

3

40

-

22

1

7

8

3

41

-

5 13

3

4

4

1

5 25

1

21

9

5

8

6

50

1

17

2

2

4

2

28

1

19

7

3

7

2

39

1 1

18 14

5 12

4 3

4 3

3 2

35 36

-

5

1

4

-

2

13

** Apoio à Administração, Sistemas de Gestão de Informação, Posição da Empresa, Mediação Financeira, Concepção de Programas *** Desenvolvimento de Produto, Avaliação, Sistemas de Gestão de Informação, Gestão de Fundos de Garantia, Assistência Técnica, Actividade do Projecto, Apoio às Tecnologias de Informação, Composição do Conselho de Administração, Desenvolvimento Estratégico Central, Downscaling, Implementação Fonte: ADA (Outubro de 2005). European Microfinance Actors.

Investimentos Os investimentos são o suporte financeiro das IMF, que as ajuda a manter-se rentáveis durante todo o processo de crescimento. Empréstimos, garantias e investimentos accionistas são as ferramentas mais usadas. De entre as 81 organizações analisadas, 62,5 % (50) apoiam o sector da microfinança através de investimentos. A maior parte desta fatia é composta por instituições financeiras (21), mas estão também incluídas diversas agências para o desenvolvimento (6) e ONG (20). Um caso menos comum é o exemplo do investimento accionistas feito pelo Bankakademie Group, estabelecido para o ano de 2003, para o Shangai International Banking and Finance Institute. Os empréstimos ainda constituiem a maioria das operações financeiras, mas a utilização de garantias é significativa. As garantias são encaradas, sobretudo pelas ONG, como um modo eficaz de atrair um maior volume de investimentos nacionais e internacionais, e de rentabilizar os seus próprios recursos. Os investimentos accionistas são muitas vezes associados a uma participação na administração. Este método é frequentemente usado para o arranque das IMF e é fornecido juntamente com um suporte técnico.

49

25 das 81 organizações, mais de 30%, apresentam todos estes métodos em simultâneo. Se, por um lado, 62% das organizações inquiridas dispõem, entre outras coisas, de apoio financeiro, por outro, apenas 12 fornecem exclusivamente esse apoio.

re 1: Main Investment Methods

Doações e Subsídios As doações e subsídios incluem todas as contribuições financeiras não reembolsáveis para o sector da microfinança. O gráfico à direita mostra de que forma as doações e os subsídios têm sido utilizados. Apesar de actualmente se pensar que a microfinança se está a tornar comercial, 44 organizações inquiridas pela ADA (i.e. 55%) utilizam doações e subsídios como forma de apoio. 25 organizações financiam as participações e o capital através de subsídios, sobretudo na fase de arranque das IMF.
Garantia 30% Empréstimos 36%

Apoio Não Financeiro Esta categoria abrange todas as formas de apoio não financeiro que podem ser prestadas à microfinança, tais como Serviços de Desenvolvimento de Negócios (SDN), assistência técnica, investigação e difusão de informação. De 81 organizações, 62 (76%) prestam serviços de apoio não financeiro. A maioria das redes de organizações, organizações de cúpula e universidades participam nesta forma de apoio. O apoio não financeiro pode ser definido como, por um lado, investigação aplicada, e por outro, a transmissão de conhecimentos e competências técnicas, em programas de formação, ou através de parcerias e da coordenação de projectos. A criação de competências é a forma mais usual implementar formas de apoio não financeiro, contribuindo para o desenvolvimento e implementação de boas práticas administrativas e consequentemente, aumentando as condições de sustentabilidade e o valor do capital humano. O apoio não financeiro constitui a maioria do apoio prestado ao sector da microfinanca pelos agentes europeus. 16 disponibilizam exclusivamente serviços não financeiros. Deste modo, 80% dos agentes oferecem uma combinação de serviços financeiros e não financeiros.

1.4.2

Áreas de Intervenção e Principais Pontos de Interesse

Esta secção aborda as diferentes áreas de intervenção dos Agendes Europeus de Microfinança nos Países em Desenvolvimento, de acordo com o estudo da ADA. Os valores percentuais indicados no texto seguinte representam a percentagem de tipos de organização activos numa dada área. Aqui analisa-se em profundidade cada uma das áreas de intervenção, a fim de descobrir quais os aspectos de maior interesse para os Agentes Europeus de Microfinança. Incluíu-se no questionário uma lista de tópicos que as organizações podiam mencionar. Pediu-se ainda às organizações que classificassem os tópicos e áreas de intervenção por ordem de prioridade, por forma a obter uma ideia clara da sua preferência. É importante referir que apenas teve-se em conta, neste capítulo, a primeira prioridade de cada organização, embora a maioria delas tenha referido vários pontos de interesse. Deste modo, pude-se ficar com uma visão mais completa das prioridades e competências das organizações.

Regulação e Controlo Esta área abrange todas as intervenções destinadas ao desenvolvimento de estratégias para fortalecer os métodos de regulação e controlo no sector da microfinança. Pode incluir diversos tipos de intervenção, desde o apoio prestado pelas IMF nas questões relacionadas com a regulação até à investigação sobre o quadro jurídico e o papel do estado na supervisão. Mais de um terço das organizações em estudo (37%) estão envolvidas nesta área. 41% das ONG inquiridas, 67% das Agências de Desenvolvimento, e apenas 14% das Instituições Financeiras estão activas neste campo. Em

50

muitos casos, as intervenções associadas à regulação e ao controlo são parte de uma estratégia mais abrangente. Os tópicos para a área de intervenção “Regulação e Controlo” são: • • • • • • • • Regulação de IMF (11) Controlo Agência de crédito / Historial de crédito (5) Organismos de supervisão (5) Bancos centrais (4) Tecto das taxas de juro (2) Outros (9) Não especificado (8)

No tópico “Outros” foram incluídas as seguintes respostas: Implementação, advocacy (CIDR), legislação, leis corporativas, questões colaterais (FMO), serviços de consultoria às entidades de supervisão e de suporte financeiro (HORUS Development Finance), recolha de dados (MFC), regulação recente (Fundação Stromme), rotinas de regulação e registo para IMF (TRIAS), questões relacionadas com instituições rurais e bancos cooperativos (ICAR) e investigação sobre o quadro jurídico (Universidade de Mons-Hainaut. Universidade de Wageningen). As organizações que elegeram como prioridade actividades nesta área são: • • GTZ. Regulação de IMF, Controlo, Agência de crédito / Historial de crédito, Organismos de Supervisão, Bancos centrais, Tecto das taxas de juro UNIVERSITY OF MONS-HAINAUT. Conteúdo do quadro jurídico para a microfinança em Madagáscar (missão do Banco Mundial)

Nesta área, os tópicos da Regulação de IMF e Controlo os principais pontos de interesse para os Agentes Europeus de Microfinança nos Países em Desenvolvimento. Sector da Microfinança Nesta categoria entram todas as actividades que visão reforçar e analisar o sector da microfinança como um todo. São disto exemplo o devenvolvimento sectorial, os estudos de mercado e o impacto social. Dois terços das organizações inquiridas prestam apoio nestas, e, tal como a regulação e o controlo, esta área parece mercer também uma atenção especial por parte das Agências de Desenvolvimento (89%). Os tópicos para a a área de intervenção “Sector da Microfinança” são:         Rede de organizações e associação (21) Desenvolvimento financeiro do sector (19) Impacto social (17) Mecanismos de avaliação do impacto (16) Taxas de juro (6) Estudos de mercado (14) Outros (4) Não especificado (10)

Na categoria “Outros” figuram os seguintes tópicos: sector dos Micro Seguros (BRS), financiamento à inovação (DFIP), seminários de formação (FMO), estudo de organizações específicas (Universidade de Mons-Hainaut) e questões ligadas ao quadro jurídico (Universidade de Wageningen). A Bannock Consulting e a ECIDEC consideram prioritárias as actividades desta natureza, mas não destacaram nenhum tópico em particular. As organizações que elegeram como prioridade actividades nesta área são: • ATTF. Desenvolvimento financeiro do sector através da consultoria

51

• •

DOEN FOUNDATION. Desenvolvimento financeiro do sector DFID. Desenvolvimento financeiro do sector, Estudos de mercado, Financiamento à inovação.

O desenvolvimento do sector financeiro só é possível se o sector financeiro local for estruturado por forma a poder a garantir o acesso aos serviços financeiros. Encarar o sector como uma estrutura ou um sistema abertos, com parcerias, dependências e relações com outros sectores, é fundamental para faver uma avaliação realista do estado da microfinança num determinado país ou região. Este é o motivo pelo qual muitos agentes europeus de microfinança intervêm no desenvolvimento do sector em países onde apoiam IMF.

Financiamento de IMF Já foi referido que o apoio financeiro através do investimento é um instrumento utilizado com frequência entre os agentes europeus de microfinança. Isto ajuda a compreender que dois terços das organizações analisadas estejam envolvidas na área do financiamento de IMF. Outras actividades incluem avaliações e apreciações, gestão de risco, consultoria e desempenho financeiro, entre outras. Obviamente, todas as Instituições Financeiras inquiridas demonstram actividade nesta área, mas também muitas Agências de Desenvolvimento (89%) e ONG (69%). Os tópicos para a área de intervenção “Financiamento de IMF” são:

• • • • • • • • • •

Estratégia do doador (8) Doadores privados (9) Doador público (10) Subsídios (8) Investimentos comerciais (22) Parcerias comerciais (5) Risco do câmbio monetário (5) Formas de financiamento (8) Outros (3) Não especificado (14)

Na categoria “Outros” registaram-se os seguintes tópicos: Garantias para investimentos locais (BRS), gestão de fundos (INCOFIN), e difusão de informação para acesso ao mercado de capitais (TRIAS). As organizações que consideram prioritárias as actividades nesta área são:

• ADRA DEUTSCHLAND

Doadores públicos e privados Formas de financiamento Investimentos comerciais Investimentos comerciais Investimentos comerciais Investimentos

• INCOFIN

Investimentos comerciais, Gestão de fundos Investimentos comerciais

• ALTERFIN

• I&P DÉVELOPPEMENT • KOLIBRI KAPITAL

• ASN NOVIB FUND

Investimentos comerciais

• BIO

• LA FAYETTE INVESTISSEMENT • OIKOCREDIT

Investimentos comerciais

• BLUEORCHARD FINANCE

Investimentos comerciais, Risco da taxa de juro Doadores privados, Doadores públicos, Subsídios, Formas de

• CRESUD

• SIDI

52

comerciais • ETIMOS Investimentos comerciais • TRIODOS

financiamento Investimentos comerciais, Risco da taxa de juro

• FINNFUND

Investimentos Comerciais, através de veículos intermediários de investimento.

Os investimentos surgem, assim, como uma prioridade para os agentes europeus de microfinança envolvidos em actividades de financiamento. A auto-suficiência e viabilidade financeira são vistas actualmente, de um modo geral, como elementos vitais de uma indústria estável com perspectivas de prestação de serviços fiáveis e duradouros aos clientes de microfinança. Contudo, as doações e subsídios públicos, ainda constituem intervenções importantes. A maior parte das organizações que possuem actividades e tópicos prioritários nesta área são instituições financeiras, mas também ONG. Ao passo que as instituições financeiras estão sobretudo envolvidas em questões e instrumentos financeiros administrativos, as ONG operam sobretudo com IMF mais imaturas. As entidades públicas tendem a ser mais activas como intermediárias do que como fornecedores directos. O sector da microfinança atrai algumas das instituições financeiras mais importantes do mundo. De entre as organizações inquiridas, podemos destacar a ING, mas a microfinança é também vista como uma oportunidade rentável para muitos outros grupos internacionais, tais como o Deutshe Bank, a ABN AMRO e o Citigroup, em foco devido à sua recente actividade na microfinança. Além disso, alguns fundos e bancos socialmente responsáveis também se viraram para o sector da microfinança (por exemplo, a Oikocredit e a TIODOS na Holanda). Em 2004, a ING e a Oikocredit estabeleceram um Plano de Apoio à Microfinança “para o acesso sustentável aos serviços financeiros nos países do terceiro mundo. Para tal, os trabalhadores da ING na Holanda são incentivados a investir em Fundos Oikocredits Nederlands e/ou a partilhar a sua experiência profissional”.

Apoio às IMF O apoio às IMF engloba estratégias de procedimentos na banca, melhores métodos e tecnologia (por exemplo, gestão e análise de desempenho, avaliação). Basicamente, esta área inclui quaisquer actividades que permitam às IMF definir as suas actividades. Cerca de dois terços das organizações inquiridas (65%) procuram solidificar o desenvolvimento sustentável das IMF; sobretudo as Agências de Desenvolvimento, uma vez que a totalidade das agências analisadas se encontra activa nesta área, apesar de nenhuma a ter elegido como aspecto prioritário. Os tópicos para a área de intervenção “Apoio às IMF” são: • • • • • • • • • • Avaliação / Apreciação (19) Desempenho financeiro (19) Benchmarking (8) Agências de notação de risco (7) Métodos de notação de risco (5) Transparência (12) Desempenho social (20) Estudo de impacto (12) Gestão de risco (12) Gestão de mudança (6) • • • • • • • Gestão de crescimento (11) Institucionalização / Formalização (18) Risco e delinquência do crédito (11) Modelos de entrega (10) Boas práticas (14) Outros (6) Não especificado (16)

Sob a desginação “Outros” ficam abrangidos: Reforço do elo entre investidores e IMF, estrutura organizacional (TRIAS), fundos de segurança (Church of Sweden Aid), sustainability (DOEN Foundation), administração eficiente (ALTERFIN) e formação administrativa (University of Mons-Hainaut).

As organizações que elegeram tópicos prioritários nesta área são:

53

• ADA

Gestão de risco e crescimento, Gestão de mudança, Notação de risco e desempanho financeiro

• MICROFINANZA

Avaliação / Apreciação, Desempenho, Benchmarking, Agência de notação de risco, Método de notação de risco, Transparência, Desempenho social, Gestão de risco, Modelos de entrega, Boas práticas. Avaliação / Apreciação, Desempenho financeiro, Transparência, Desempenho social, Institucionalização, Boas práticas

• BANKAKADEMIE INTERNATIONAL

Avaliação / Apreciação, Desempenho financeiro, Benchmarking, Gestão de risco Gestão de mudança, Gestão de crescimento, Institucionalização Risco e delinquência do crédito, Modelos de entrega, Boas práticas Fundos de segurança, cofres e formação

• OPPORTUNITY INTERNATIONAL UK

• CHURCH OF SWEDEN AID

• PLANET FINANCE

Avaliação / Apreciação, Desempenho financeiro, Benchmarking, Agências de notação de risco, Métodos de notação de risco, Transparência, Desempenho social, Risco e delinquência do crédito, Boas práticas Avaliação / Apreciação, Desempenho financeiro, Agências de notação de risco, Desempenho social, Modelos de entrega, Boas práticas, Desenvolvimento Institucional

• GRET

Avaliaçao / Apreciação, Desempenho financeiro, Benchmarking, Gestão de risco, Gestão da mudança, Gestão de crescimento, Institucionalização / Formalização, Risco e delinquência do crédito, Modelos de entrega, Boas práticas.

• SDC

54

• HIVOS

Avaliação / Apreciação, Desempenho financeiro, Benchmarking, Agências de notação de risco, Desempenho social, Estudos de impacto, Institucionalização / Formalização, Métodos de entrega, Boas práticas Gestão de risco, Institucionalização

• SPARKASSENSTIFTUNG

Formalização

• IBMG

• TRIAS

Apoio às IMF na construção organizacional, diversos aspectos.

• IMP-ACT

Gestão do desempenho social

Dois aspectos essenciais parecem ser a avaliação financeira e a notação de risco, ou pelo menos a promoção destes serviços. Este desenvolvimento foi responsável pela criação de organizações especializadas ou agências de notação de risco, como, por exemplo, a Planet Rating e a Microfinanza Rating. As agências de notação de risco desenvolveram os seus próprios métodos, adaptados ao contexto da microfinança e à dimensão da IMF em avaliação. A procura de serviços de avaliação do desempenho social aumentou nos últimos anos. Foram desenvolvidas ferramentas e iniciativas de avaliação do desempenho, e algumas delas visam identificar indicadores sociais que possam ser utilizados para avaliar o processo social levado a cabo pelas IMF, como, por exemplo, IDS – Indicadores de Desempenho Social (Cerise) ou a Carta de Compromisso para organizações de microfinança com preocupações sociais (encabeçada pela TRIAS)

Operações das IMF Esta categoria abrange intervenções técnicas - desde o planeamento estratégico até à gestão de recursos humanos – que visam a melhoria e a adaptação das operações das IMF. Estas operações incluem quaisquer actividades relacionadas com os negócios rotineiros da IMF. Mais de metade das organizações inquiridas (52%) apoiam as operações de microfinança. A maior parte dos agentes europeus envolvidos na mircrofinança dos países em desenvolvimento apostam numa relação duradoura com as organizações que apoiam. 89% das Agências de Desenvolvimento analisadas, e ainda 66% das ONG, apoiam estas operações. Os tópicos para a área de intervenção “Operações das IMF” são:

• • • • • • •

Planeamento de negócios (23) Planeamento operacional (21) Planeamento estratégico (21) Arranque (16) Finanças e contabilidade (21) Tesouraria (14) Controlo interno (20)

• • • • • •

Gestão de RH (13) Formação de pessoal (18) Esquemas de incentivo (16) Recrutamento (12) Sistema de Gestão de Informação (SGI) (24) Pontuações de risco de crédito (11)

55

• • •

Auditoria externa (14) Gestão (22) Administração (19) Propriedade (13)

• • • • •

Fraude (12) Delinquência (15) Marketing (14) Outros (1) Não especificado (6)

O único tópico a referir no grupo “Outros” é a questão dos custos de transacção (Universidade de Colónia) As organisações que detacaram tópicos desta área de intervenção como aspectos prioritários são:

• GROUPE DÉVELOPPEMENT

Planeamento de negócios, Planeamento operacional, Arranque, Finanças e contabilidade, Controlo interno, Auditoria externa, Gestão, Administração, SGI Operações, Planeamento estratégico, SGI e outros aspectos da gestão. A HORUS é também directamente responsável pela gestão das operações de diversas IMF

• LUXDEVELOPMENT

Controlo interno, Auditoria externa, Gestão, Administração, Propriedade, Gestão de RH, Formação de pessoal, Esquemas de incentivo, Recrutamento, SGI

• HORUS DEVELOPMENT FINANCE

• MFC

Planeamento de negócios, Planeamento estratégico, Arranque, Finanças e contabilidade, Controlo interno, Gestão, Administração, Gestão de RH, Formação de pessoal, Esquemas de incentivo, Recrutamento, SGI, Pontuações de risco do crédito, Delinquência, Marketing

A maior parte do apoio nesta área tem como objectivo promover e acompanhar uma administração eficiente, e a a utilização de boas práticas a nível local e internacional, desde os modelos de contabilidade até aos princípios de gestão. Produtos e Serviços Nesta categoria insere-se o apoio prestado no sentido de reforçar os produtos e serviços das IMF, como, por exemplo, o apoio à investigação e desenvolvimento do produto e da metodologia implementada. Quase 60% das organizações analisadas mostram actividade nesta área, sendo que as Agências de Desenvolvimento (89%) e as ONG (76%) lideram esta lista.

Os tópicos para a área de intervenção “Produtos e Serviços” são:

• Concepção do produto (19) • Teste do produto (16) • Avaliação de custos e preço do produto (14) • Empréstimo individual (16) • Empréstimo de grupo (15)

• Bancos comunitários(9) • Grupos de auto-ajuda (12) • Grupos de solidariedade (11) • Uniões de crédito (9) • Cooperativas (17)

56

• Seguros (11) • Leasing (10) • Remessas (8) • Poupanças (17) • Garantias (11) • Hipotecas (5) • Microfinança para alojamento (11)

• ROSCAs, etc. (2) • Títulos de crédito (3) • Máquinas ATM (3) • Outras novas tecnologias (6) • Outros (4) • Não especificados (7)

Sob a designação “Outros” encontramos os seguintes tópicos: Procedimentos adaptados às áreas rurais (CNEARC), Melhores práticas (Evers & Jung), Procedimentos adaptados às Àreas rurais (CNEARC), Melhores práticas (Evers & Jung), factoring, proteccção das receitas do microcrédito (FMO), leasing, crédito de armazenamento e invatariação relacionado com a produção agrícola (ICAR). As organisações que consideram activdades nesta área como prioritárias são: • AGÊNCIA DE DESENVOLVIMENTO AUSTRÍACA Concepção do produto, Teste do Produto, Empréstimo individual, Empréstimo de grupo, Seguros, Leasing, Poupanças, Garantias, Microfinança para alojamento, Bancos comunitários, Grupos de auto-ajuda, Cooperativas Micro-seguros, Cooperativas, Fundos de garantia, Microfinança rural • INTERNATIONAL GUARANTEE FUND Garantias

• BRS

• SIDA

Microfinança para alojamento Micro-seguros

• EVERS & JUNG

Melhores práticas

• UNIVERSIDADE DE COLÓNIA

É dada especial atenção à inovação e ao desenvolvimento dos produtos, ao mesmo tempo que se verifica uma tentativa de reduzir o fosso entre a oferta e a procura. A concepção e o teste dos produtos são actividades que implicam um elevado consumo de tempo e recursos, e nas quais os agentes europeus de microfinança podem ter um papel importante em consultoria e projectos experimentais. Conceitos como microfinança para alojamento, leasing, e novas tecnologias são alvo de investigações e testes. A ASDCI (Agência Sueca para o Desenvolvimento e Cooperação Internacionais), por exemplo, está a desenvolver papéis de retaguarda para financiamento à habitação, juntamente com novas directrizes. Produtos como remessas e seguros atraíram recentemente um interesse considerável, e cada vez mais agentes europeus de microfinança pretendem entrar neste campo.

Clientes Esta área inclui todos os serviços prestados com o objectivo de servir o cliente de microfinança da melhor forma possível. Aqui são englobados todos os esforços empreendidos no sentido de compreender o cliente e as suas necessidades. Estão também em causa tópicos como o HIV/SIDA, microfinança após um conflito ou uma catástrofe, etc. 44% das organizações analisados demonstram algum tipo de actividade nesta vertente da microfinança. As mais activas são as Agências de Desenvolvimento (78%) e as ONG (62%), enquanto que as menos activas são as Instituições Financeiras (14%). Os tópicos para a área de intervenção “Clientes” são:

57

• Instrumentos de avaliação do cliente (7) • Focus group com o cliente (3) • Targeting do cliente (8) • Educação financeira (8) • Género (9) • Juventude (3) • Saúde (1) • Microfinança urbana (9)

• Microfinanças rurais (18) • Microfinança após um conflito (7) • Microfinança após uma catástrofe (4) • HIV / SIDA (6) • Grupos de Risco (2) • Outros (3) • Não especificado (6)

Foram referidos os seguintes tópicos na categoria “Outros”: Educação para os seguros de saúde (iBMG), políticas de reordenamento (Mercy Corps) e microempresários (Sparkassenstiftung). As organizações com actividades prioritárias nesta área são:

• HANDICAP INTERNATIONAL • INTERCOOPERATION.

Finanças rurais, HIV / SIDA, Educação financeira, Género, Sistemas de Desenvolvimento de Negócios

Finanças Rurais Esta categoria inclui métodos e ferramentas específicas para o desenvolvimento do acesso aos serviços financeiros nas áreas rurais. 58% das organizações em estudo estão evolvidas nas finanças rurais, sendo maior parte delas Agências de Desenvolvimento (100%) e ONG (76%). Os tópicos para área de intervenção Finanças Rurais são:

• Subsídios rurais (6) • Banca rural (13) • Associações de agricultores (11) • Política de desenvolvimento rural (8) • Produtos rurais (15)

• Serviços rurais (13) • Impacto no meio rural (7) • Outros (3) • Não especificado (20)

Em “Outros” foram registados os seguintes tópicos: Investigação, Formação (CNEARC), trade finance, banca móvel (DFID e investigação para ajuda à comunidade. As organizações que encaram estas actividades como prioritárias são:

• CIDR

Banca Rural como uma agência de implementação, que fornece acesso aos serviços financeiros nas áreas rurais: Poupanças, Créditos, Micro-seguros, Remessas Finanças rurais, formação na área da implementação de IMF, investigação em

• FUNDAÇÃO RABOBANK

Subsídios rurais, Banca rural, Associações de agricultores, Políticas de desenvolvimento rural, Produtos rurais, Serviços rurais, Impacto no meio rural Associação de agricultores, Negócios agrícolas familiares

• CNEARC

• SOS FAIM BELGIUM

58

finanças agrícolas • ICAR Crédito agrícola, Instituições financeiras rurais Subsídios rurais, Banca rural, Associações de agricultores, Políticas de desenvolvimento rural, Produtos rurais, Serviços rurais, Impacto no meio rural • SOS FAIM LUXEMBOURG • UNIVERSIDADE DE WAGENINGEN Associação de agricultores, Negócios agrícolas familiares Investigação / Avaliação de operações e viabilidade financeira, Ajuda à comunidade.

• IRAM

As finanças rurais estão associadas ao ambiente e actividades agrícolas, por um lado, e, por outro, a situações geográficas específicas, onde se verifica um grande afastamento das comunidades locais e uma escassez de infra-estruturas disponíveis. Estas duas características, embora relacionadas entre si, carece de intervenções distintas, mas o afastamento parece ser o foco de maior interesse. O ambiente rural, apresenta, de facto, uma série de problemas, como, por exemplo, a densidade espacial, o elevado custo das transacções, e a elevada vulnerabilidade dos agricultores, uma vez que estão fortemente expostos ao risco ambiental dependentes dos mercados mundiais. Três quartos da população mais desfavorecida nos países em desenvolvimento vive em zonas rurais. Como tal, a atenção prestada a esta área e o empenho na procura de soluções adequadas, são ainda mais compreensíveis As finanças rurais estão muitas vezes na origem de intervenções ao nível das políticas levadas a cabo pelos governos. A GTZ, por exemplo, trabalha em conjunto com a FAO para desenvolver estratégias adequadas e instrumentos que assegurem um melhor acesso aos serviços financeiros nas áreas de finanças agrícolas. Também as ONG’s desenvolvem capacidades, em conjunto com as associações de agricultores, através de programas de formação e troca de informação. Apoio às Microempresas Algumas organizações que prestam serviços às IMF estão também envolvidas no apoio técnico às PME’s (Pequenas e Médias Empresas). Porém, esta não é uma prioridade, uma vez que os Serviços de Desenvolvimento de Negócios (SDN) e outros tópicos relacionados são tratados por outras organizações de desenvolvimento, mais centradas nesta área. 31 % das organizações inquiridas mostraram-se activas nesta área, embora ela não seja prioritária. Este facto comprova que a maioria das organizações trabalha directamente com IMF e apenas algumas com mircroempresas. Os tópicos para a área de intervenção “Apoio às Microempresas” são: • Planeamento de negócios (5) • Desenvolvimento de negócios (7) • Formação / Apoio não financeiro (9) • Outro (1) • Não especificado (5)

Em “Outros” foram incluídos os seguinte tópicos: Incubação e Empresas de agronegócio (ICAR) As organizações que classificaram actividades nesta área como prioridade são: • GORTA Planeamento de negócios, Desenvolvimento de negócios através de parceiros locais e especialistas

O investimento em microempresas tem um impacto positivo no desenvolvimento da economia em geral e nos níveis de emprego em particular. O apoio às microempresas é muitas vezes um tido em conta pelas Agências de Desenvolvimento não directamente ligadas à microfinança. Todavia, alguns agentes europeus de microfinança conjugam estas duas áreas nas suas actividades, disponibilizando formação e apoio não financeiro aos empresários, muitas vezes por meio de uma instituição de microfinança. Não raramente, o apoio às microempresas está relacionado com o apoio a microempresários, como forma de torná-los possíveis clientes de microcrédito. É o caso do arranque e do planeamento de negócios.

59

Outros Campos Relacionados Esta categoria engloba áreas de intervenção que reportam a tópicos como as políticas de redução da pobreza, desenvolvimento sectorial e desenvolvimento financeiro das PME’s, entre outros. Nesta vasta área de intervenção apostam apenas 21% das organizações analisadas, com as Redes de Organizações a liderar esta lista (100%). Esta área está intimamente relacionada com políticas estatais mais abrangentes, direccionadas para a redução da pobreza. Os tópicos para a área de intervenção “Outros Campos Relacionados” são: • Redução da pobreza (8) • Microempresas e desenvolvimento (6) • Desenvolvimento sectorial (5) • Outros(6)

Sob a designação “Outros” são abrigados os seguintes tópicos: Conferências (ALFI), Finanças aplicadas às PME’s (Bannock Consulting), recolha de dados sobre o “acesso às finanças”, indicadores de âmbito nacional, melhoramento de dados e redução dos custos das remessas (DFID), difusão de informação especializada (GRET), micro-seguros, micro-leasing e poupanças (Fundação Rabobank), avaliação e acompanhamento do impacto (TRIAS) e Conferências e estudos de promoção dos fundos de investimento em microfinança (ALFI).

60

Distribuição Geral das Áreas de Intervenção A fim de resumir toda esta secção, a tabela seguinte mostra a percentagem de organizações envolvidas nas diferentes áreas de intervenção, divididas por tipo de organização.

REDES DE ORGANIZA ÇÕES

ONG’S

CENTROS DE INVESTIFAÇÃ O/ FORMAÇÃO

INSTITUIÇ ÕES FINANCEI RAS

AGÊNCIAS DE OUTRAS DESENVOLVIME NTO

TOTAL (VS.AS 81 ORGANIZA ÇÕES ANALISAD AS) 37%

REGULAÇÃO E CONTROLO SECTOR DA MICROFINANÇA FINANCIAMENTO DE IMF APOIO ÀS IMF OPERAÇÕES DAS IMF PRODUTOS E SERVIÇOS CLIENTES FINANÇAS RURAIS APOIO ÀS MICROEMPRESAS OUTROS CAMPOS RELACIONADOS

50%

41%

33%

14%

67%

50%

50%

72%

50%

43%

89%

88%

64%

50%

69%

8%

100%

89%

25%

65%

50% 50%

79% 66%

25% 25%

52% 29%

100% 89%

88% 63%

67% 52%

50%

76%

42%

33%

89%

63%

59%

50% 50%

62% 76%

33% 50%

14% 19%

78% 100%

38% 63%

44% 58%

50%

41%

25%

5%

44%

50%

31%

100%

28%

33%

0%

22%

25%

21%

Os números indicam a percentagem de um dado tipo de organização envolvido numa determinada área. Por exemplo, 41% de todas as ONG inquiridas intervêm nas questões da regulação e controlo. No que diz respeito à diversidade de actividades, a maioria das organizações especializa-se numa área específica ou presta apoio num conjunto vasto de actividades cobrindo todas as áreas de intervenção.

61

1.4.3

Tópicos para o futuro

Durante o estudo levado a cabo pela ADA, surgiram algumas conclusões interessantes sobre desafios e tópicos de interesse geral para o futuro da microfinança, de acordo com as Actores Europeus que actuam nos Países em Desenvolvimento A primeira conclusão é que, a maioria das organizações inquiridas continuam a focar-se nos seus tópicos prioritários correntes. Para o futuro próximo, parece que questões como – procurar novas formas de financiar o sector e em particular as ligações entre as IMF e o sector bancário tradicional, o papel do desempenho social, a microfinança focada no cliente, bem como os obstáculos para a microfinança, bem como os obstáculos à finança rural e o alargamento do acesso – irão continuar a ter particular interesse para os actores Europeus em microfinança. Apenas algumas organizações planeiam estendes as suas actividades geograficamente. Isto não parece surpreendente, tendo em conta que a maior parte das organizações analisadas são já activas na maioria das regiões. Relativamente temas, dois produtos atraíram muito interesse ultimamente, nomeadamente o microseguros e remessas, e muitas das organizações inquiridas mencionaram a intenção de se envolverem e se comprometerem com estes dois temas específicos. Microseguros De entre as organizações inquiridas, 12 especificaram que irão trabalhar com microseguros num futuro próximo, ou estender as suas actividades nesta área. Os Microseguros são mais que apenas um produto, é um conceito diferente de microfinança, com os seus próprios princípios e metodologias, mas com os mesmos clientes potenciais, para além de se complementarem relativamente à gestão do risco dos clientes. A CGAP Microinsurance Working Group iniciada pela ILO, que existe desde 2001, desenvolveu muito trabalho para integrar este conceito na corrente geral, e usou casos de estudo de produtos já existentes como base para conhecer a GTZ, que faz também parte da Microinsurance Working Group, e continuará a focar-se em informação e no desenvolvimento da regulação e supervisão da microfinança. Outras organizações como a BRS já exploraram, através de publicações e seminários, vários aspectos da microfinança, especialmente relacionadas com os sistemas de saúde e planeiam expandir a sua actividade para esta área. Três centros de formação, planeiam iniciar investigação nesta área. A iBMG, por exemplo, que é já activa na investigação sobre saúde, vai começar a fazer investigação para “ganhar conhecimento sobre a regulamentação nos seguros de saúde levados a cabo por unidades de microfinança e de como implementar isto na criação de actividades independentes”. A Universidade de Mons-Hainaut irá começar a investigação na ligação potencial entre a microfinança e os microseguros em Benin. Remessas Cinco das organizações inquiridas, pretendem focar ou expandir as suas actividades de remessas num futuro próximo. Ainda se está para ver como é que este tópico será integrado pelos actores Europeus em microfinança como por muitos outros actores, tais como bancos internacionais e governos, que estão envolvidos nesta área. Tal como a microfinança, esta é uma área muito técnica e específica. Esta a ser levado a cabo muito trabalho em investigação e em testes-piloto. Os trabalhos de remessa são, actualmente, muito estudados. Podem ser mencionados inúmeros exemplos. A Bannock Consulting conduziu um estudo sobre remessas de migrantes na Moldávia, a DFID conduziu um estudo intitulado “Produtos e Serviços de remessas no Reino Unido” (v. www.sendmoneyhome.org); a Fundação Giordano Dell’Amore analisou as remessas italianas no mercado e a ADA iniciou um projecto no Oeste Africano. Novos Produtos Financeiros e Ligações das IMF A maioria das Instituições Financeiras irão continuar a investir na inovação e na adaptação de instrumentos de investimentos ao mercado da microfinança. Estas actividades estão direccionadas para as IMF e para potenciais investidores. A BlueOrchard Finance, por exemplo, irá complementar o seu conjunto de produtos de dívida para IMF e para investidores comerciais privados. Outros, como a ETIMOS, irão diversificar as suas intervenções existentes examinando a possibilidade de desembolsar créditos na moeda local e investir em equidade. O desenvolvimento de produtos financeiros não é o único interesse das Instituições Financeiras. Evers & Jungs irá “desenvolver produtos de microfinança para bancos tradicionais – como parte da contribuição social ou da banca comercial” (in questionário) através do outsourcing de serviços de negociação. Os interesses principais para a microfinança relativamente a este tópico, são o acesso ao mercado e a ligação com os mercados

62

financeiros formais. A Universidade de Colónia, por exemplo, está a conduzir investigação sobre a ligação entre mercados formais e informais. Desempenho Social e Foco no Cliente O impacto da microfinança nos seus clientes, e a sua apropriação dos serviços de microfinança irão ganhar importância, especialmente no que diz respeito à comercialização do sector. O risco das IMF se desviarem da sua missão, a necessidade que as IMF têm de se auto-avaliarem e o crescimento da exigência por parte dos investidores e doadores por resultados, são elementos que devem ser tomados em consideração neste tópico. Os Indicadores de Desempenho Social (IDS), criados e coordenados pela CERISE, já foram testados em 25 IMF e fornecem indicadores técnicos e operacionais para medir diferentes dimensões e elementos do desempenho social. A Rede Imp-Act Performance Management (SPM) é uma rede de organizações virtual que está comprometida em estudar sobre e melhorar a prática no que diz respeito à missão social. Paralelamente a estas iniciativas internacionais, adoptadas frequentemente por diferentes actores em microfinança, outras organizações têm um enfoque nos desempenhos sociais. A TRIAS, por exemplo, irá focar-se em “mais investigação e contributos para as questões do desempenho social”, e já publicaram relatório relacionados com este assunto com a Universidade de Antuérpia e a ALTERFIN. A CIDR planeia contribuir para “o progresso dos Indicadores de Desempenho Social para a auditoria e avaliação em coordenação com os actores, avaliação agências e investidores sociais”. Ambos são também membros do Grupo de Indicadores de Desempenho Social, criado e coordenado pela CERISE. Finança Rural e Alargamento do Acesso Por último, a Finança Rural mantém-se uma prioridade para os actores Europeus em microfinança. Nove das organizações inquiridas planeiam envolver-se ou expandir a sua actividade para a finança rural, nos próximos anos. A ICAR, por exemplo, pretende criar redes rurais de instituições financeiras em África e o Oceano Índico, e a IDPM (Universidade de Antuérpia) irá desenvolver investigação o desenvolvimento das cadeias de valor competitivas no contexto da liberalização na América Central. A CNEARC dá uma formação especializada de três meses em Finança Rural focada em sistemas financeiros rurais, instrumentos adaptados a instituições financeiras rurais e à procura do cliente. Uma nova iniciativa chamada AMREP Africa Microfinance and Rural Entrepreneurship Program, que tem 10 anos e é patrocinado por um consórcio tripartido de parceiros (ICCO, Oikocredit e a Fundação Rabobank), pretende contribuir para um sector de microfinança rurais mais forte, para estimular o empreendedorismo através de investimentos e subsídios, principalmente destinados a parcerias com IMF e ao alargamento do acesso aos clientes. Esta iniciativa é um bom exemplo para ilustrar a tendência que existem para colaborações para ser criada uma equipa de especialistas para um tema específico que necessite de conhecimento especializado. Outro exemplo seria a PANIGA (Promotion of the Participative Microfinance Group for Africa), levada a cabo pela CIDR para apoiar 30 IMF atraves de assistência técnica e serviços financeiros em África.

1.4.4

Conclusões e Implicações para o Futuro

Tipos de organizações e Competências Há vários tipos de organizações envolvidas em microfinança. A maioria são ONG, embora devamos sublinhar as Instituições Financeiras, muitas vezes especializadas em Fundos de Investimento em Microfinança, e as Universidades, que estão também representadas. As ONG e as Universidades colaboram muitas vezes em projectos com outras organizações nacionais ou internacionais. No contexto das políticas da cooperação nacional, as Agências de Desenvolvimento implementam grandes projectos envolvendo uma variedade de organizações e administração local. À medida que a microfinança se vem tornando mais corrente ao longo dos últimos dez anos, novos actores desenvolveram competências específicas em microfinança. Surgiram os Fundos de Investimento em Microfinança, especializados em Empresas de Consultoria e Agências de Avaliação. Estas organizações tendem a concentrar as suas intervenções numa área específica de conhecimento e estabeleceram a sua posição no mercado. Outros actores, como ONG e Agências de Desenvolvimento, continuam a oferecer uma série de competências e frequentemente fornecem serviços financeiros e não financeiros ao mesmo tempo. Recursos Humanos

63

Apenas algumas organizações, principalmente ONG ou Instituições Financeiras trabalham exclusivamente em projectos de microfinança. Mas, com a especialização verificada neste sector, é possível que esta tendência se altere. Tendo em conta o volume das actividades em microfinança – projectos, publicações, organizações – é surpreendente que a microfinança não aposte mais em recursos humanos. Nas organizações inquiridas, a maior parte das actividades em microfinança são organizadas num ponto de foco ou em apenas alguns funcionários. Na maioria das universidades, a investigação e o ensino em microfinança é conduzida por um ou dois professores e vários estudantes. Podemos, assim, concluir que as organizações incorporam muitos colaboradores externos, e/ou trabalham conjuntamente com recursos locais nos países a que se destinam. Regiões de intervenção A maior parte dos actores Europeus em microfinança desenvolvem a sua actividade em quase todo o mundo, sendo que apenas alguns se focam em apenas um continente ou um único país. Todas as regiões são apoiadas por actores Europeus em microfinança, embora se demonstre menos interesse na Oceânia, no Médio Oriente e na região do Norte de África. As intervenções em microfinança estão maioritariamente baseadas em relações de longo prazo com as IMF e, deste modo, muitas organizações permanecem parceiras sob fundamentos históricos, linguagem e localização geográfica, apesar de trabalharem também com novos parceiros Métodos de Intervenção Os métodos de intervenção que se encontram à disposição do sector da microfinança foram sendo diversificados com o passar do tempo. Contudo, o apoio financeiro continua a ser um instrumento importante não apenas para as Instituições Financeiras, mas para todos os agentes. A maior parte do interesse neste campo é motivado por valores comerciais; as doações e subsídios são em cada vez menor número e destinam-se ao arranque ou a actividades específicas das IMF. A importância do apoio não financeiro, como a formação, a criação de competências e a assistência técnica, está a aumentar com a profissionalização do sector. Juntamente com especialistas locais, os agentes europeus de microfinança tentam dar resposta à constante procura de serviços especializados. Como foi já referido, surgiram algumas organizações especializadas, mas quase todos os tipos de organizações dispõem de diversos serviços financeiros para além do apoio financeiro. Tendo em conta, uma vez mais, os escassos recursos existentes e a grande quantidade de competências e questões inerentes, é importante que haja um vasto leque opções no que diz respeito aos métodos de intervenção. Áreas de Intervenção e Temas Principais Do lado da Regulamentação e Supervisão, muitas ONG e Agências de Desenvolvimento conduziram projectos de investigação sobre questões ligadas ao quadro jurídico. O desenvolvimento do sector da microfinança, e o seu impacto na redução da pobreza, são, muitas vezes, elementos de projectos a larga escala financiados via as Agências de Desenvolvimento implementadas pelas ONG ou Centros de Investigação. O Financiamento às IMF é, obviamente, uma área importante para as Instituições Financeiras. No entanto, as ONG e as Agências de Desenvolvimento são também activas no financiamento, directo ou indirecto, através de veículos de investimento especializados. O Apoio às IMF é considerado essencial para a maioria das organizações inquiridas. Todos os tipos de organizações fornecem serviços com vista ao crescimento e sustentabilidade das IMF. A assistência técnica e a criação de competências estão, muitas vezes, ligadas à avaliação do desempenho social e financeira, o que surge como o maior elemento para melhorar e reforçar o sector. De entre as parcerias estabelecidas entre as IMF e as organizações de microfinança Europeias, apoiar Operações de IMF é normalmente acordado num contexto de abordagem a longo prazo. As ONG e as Agências de Desenvolvimento são muito activas nesta área, especialmente no que diz respeito ao planeamento, gestão e formação dos recursos humanos e informação tecnológica. Por outro lado, Centros de Formação apoiam muitas vezes – através de formação e workshops – gestão interna e operações do banco. Muitas organizações trabalham actualmente muito próximos das IMF em desenvolvimento de produtos e inovação. Tal como antes, o apoio a Produtos e Serviços são muitas vezes parte de um projecto de ONG ou Agências de Desenvolvimento. Algumas ONG especializaram-se em grupos específicos da população, e/ou num ambiente específico e padrões de vivência, e trabalham junto das IMF para desenvolver instrumentos adaptadas a este grupo.

64

A Finança Rural é considerada como uma importante actividade, que necessita dos seus próprios métodos. As Agências de Desenvolvimento estão particularmente envolvidas nesta área, o que é, frequentemente, parte de uma estratégia de cooperação. O apoio da Finança Rural é conseguido através de vários métodos, desde a investigação às intervenções de nível político. A maioria das actividades em microfinança levadas a cabo pelos actores Europeus que desenvolvem o seu trabalho em países em desenvolvimento são fornecidas às IMF directamente, para além de assinalarem a importância destas instituições especializadas no fornecimento de serviços financeiros para microempresários e para pessoas que não têm qualquer acesso a bancos formais ou serviços financeiros. O apoio da microempresa e da PME directas não é, então, uma prioridade e apenas algumas organizações, na maioria ONG, intervêm a este nível através de formação e financiamento. Poucas organizações lidam directamente com temas gerais ligados ao sector da microfinança, como por exemplo, a redução da pobreza e o sector do desenvolvimento, que são parte integrante das motivações e actividades de cada organizações indirectamente. Aqueles que intervêm nesta área, fazem-no principalmente através de disseminação e recolha de dados. Principais implicações no futuro Os agentes europeus de microfinança desenvolveram e implementaram, em parceria com os praticantes de microfinança, produtos e metodologias que visam responder às necessidades, especificidades e exigências do sector da microfinança. As Operações e o Apoio às IMF, os Produtos e Serviços, a Formação e Criação de Competências são áreas a aptidões fundamentais para os diversos tipos de organizações. São necessários novos conhecimentos e abordagens, e os agentes europeus de microfinança reagem constantemente a esta necessidade. Para isso, utilizam variadas formas de apoio ao sector. É quase impossível de traçar o perfil típico de uma organização de microfinança na Europa. Se a intervenção é especializada, ou é parte de um conjunto mais completo de acções, é algo que tem quase sempre a ver com a fase específica do desenvolvimento em que se encontra uma instituição de microfinança. As organizações especializadas, como as Agências de Notação ou os Fundos de Investimento em Microfinança, são as únicas que se centram apenas num método e área de intervenção, mas até estas por vezes prestam outros serviços, relacionados com a sua actividade principal. De um modo geral, pode-se concluir que estas actividades e intervenções são quase sempre parte de uma relação de longa duração com um parceiro local, a fim de permitir um desenvolvimento sustentável e duradouro. O panorama dos agentes europeus de microfinança ganhou uma dimensão muito maior nos últimos anos, com a actual mistura entre sector público, sector privado e sociedade civil, numa conjugação de esforços para combater a pobreza.

65

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful