RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA/MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO
1ª Edição Outubro de 2005 Direitos autorais reservados.

Recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica / ML para Coleta de Sangue Venoso, 1ª.ed. / elaborado pelo Comitê de Coleta de Sangue da SBPC/ML e BD Diagnostics - Preanalytical Systems. São Paulo, 2005 76 p. 1. Sangue. 2. Técnicas de Laboratório Clínico. 3. Técnicas e Procedimentos de Laboratório. I. SBPC/ML. II. BD Diagnostics - Preanalytical Systems. III. Título

SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA/MEDICINA LABORATORIAL COMISSÃO DE COLETA DE SANGUE VENOSO
PRESIDENTE: Dr. Nairo Massakazu Sumita Professor Assistente Doutor da Disciplina de Patologia Clínica da Faculdade de Medicina – Universidade de São Paulo (FMUSP), Diretor do Serviço de Bioquímica Clínica da Divisão de Laboratório Central – HCFMUSP Coorde, nador do Serviço de Química Clínica – Departamento de Patologia Clínica do Hospital Israelita Albert Einstein.

VICE-PRESIDENTE: Dr. Ismar Barbosa Médico Patologista Clínico, Gerente Técnico do Programa para Acreditação de Laboratórios Clínicos (PALC) da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML).

PARTICIPANTES: Dr. Adagmar Andriolo Professor Livre-Docente de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial da Escola Paulista de Medicina – UNIFESP , Assessor Médico do Fleury – Centro de Medicina Diagnóstica. Dra. Áurea Lacerda Cançado Médica Patologista Clínica do Laboratório Central do Hospital das Clínicas – Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG). Dra. Luisane Maria Falci Vieira Médica Patologista Clínica, Diretora Científica da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial. Dra. Maria Elizabete Mendes Doutora em Patologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo Médica Patologista Clínica, Chefe da Seção Técnica de Bioquímica de Sangue da Divisão de Laboratório Central do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Dra. Patrícia Romano Biomédica, Pós-Graduada em Saúde Pública, Especialista em Aplicação de Produtos da área de BD Diagnostics - Preanalytical Systems. Dra. Rita de Cássia Castro Médica Clínica Geral e Endocrinologista, Pós-Gradução (nível mestrado) em Neuroendocrinologia, executiva com experiência nas áreas de Diagnóstico, Indústria Farmacêutica, Consumo, Comunicação e Relacionamento com Clientes, Gerente de Assuntos Médicos BD – Região América Latina Sul. Dr. Ulysses Moraes Oliveira Diretor Científico do Laboratório Franceschi. Presidente da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/ Medicina Laboratorial, Biênio 2004/2005.

mas que sirva de estímulo para discussões e para a busca de novos desafios. então. Dickinson and Company). estiveram reunidas por seis meses consecutivos. com o propósito de coletar. . O esforço resultou neste Documento. em parceira com experientes profissionais da BD (Becton. de forma clara e objetiva. baseados na prática. Estas recomendações envolvem as referências normativas complementadas por bibliografia recomendada pelo grupo de trabalho. no desejo de que ele não se encerre em si mesmo.PREFÁCIO Este documento propõe recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) para a coleta de sangue venoso. outubro de 2005. e nos aspectos do relacionamento humano durante o ato da coleta de sangue venoso. estruturado em aspectos técnicos. itens importantes para a coleta de sangue venoso. Representa o resultado do esforço de profissionais reunidos. A força-tarefa constituiu-se de professores associados da SBPC/ML. Neste projeto. Orgulhosamente. apresentamos este texto. Boa leitura! São Paulo. pessoas que dedicaram tempo e energia a este tema de trabalho. profundamente analisados. analisar e selecionar procedimentos que abrangessem. na moderna literatura científica nacional e internacional.

.............................................. 26 Centrifugação dos Tubos de Coleta ...................... 29 4..................... 22 4..4 Equipamentos e Acessórios .................................................. 9 1...... 24 4........................................................ Procedimento de Coleta de Sangue Venoso ........................................ 26 Recomendação da Seqüência dos Tubos a Vácuo na Coleta de Sangue Venoso de Acordo com a NCCLS ........6 4.....8...........................................................1 4........................................................................................................................................................................................................................ 14 3............ 9 1..........................8 Uso de Fármacos e Drogas de Abuso ..........................3 Idade ......................................................................................................................................................................................................................................3 Transporte de Amostra como Fator de Interferência Pré-Analítica ......................................1 Para um paciente adulto e consciente .......................... 13 2........................................1.......2 4.......... 30 ............ 13 2........................................................................................................................ 16 3...... 12 1..................................................................................................................................8.......................2 Para pacientes internados .......................................... 9 1.................................................................................................................. 13 3......................5.......... 12 1..........1 Recepção e Sala de Espera .... Recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica / Medicina Laboratorial para Coleta de Sangue Venoso.........................................................................5 Conservação e Limpeza das Instalações ..................................... 8 I............................................................................ ou inconscientes ou com algum tipo de dificuldade de comunicação ........................... 25 Recomendações para Tempo de Retração do Coágulo ........................... ....... 10 1......1 Locais de Escolha para Venopunção ............7 4......................... 22 4......................................... Causas Pré-Analíticas de Variações dos Resultados de Exames Laboratoriais ........1 4.......... ..2 Definição de Estabilidade da Amostra .................2 Seqüência de coleta para tubos de plástico de coleta de sangue ......3 Infra-Estrutura ..............................................................................2 Gênero .....................................................................9 Aplicação do Torniquete ................................... 12 2...............3 Procedimento para Antissepsia e Higienização das Mãos em Coleta de Sangue Venoso ...... 11 1... 11 1......4 Critérios para a Escolha da Técnica da Coleta de Sangue Venoso a Vácuo ou por Seringa e Agulha ..................... 30 Seqüência de coleta para tubos de vidro de coleta de sangue ..................12 Gel Separador .................................................2 Posição do Paciente ............ 20 4.................................................... 13 2................................ 18 4........................................................................................................... 13 2.................................................................................................................4 Posição ..................................................1 Considerações sobre coleta de sangue venoso a vácuo .......................................3 Para pacientes muito jovens.....................1......................................................... Instalações e Infra-Estrutura Física do Local de Coleta .....................................................13 Hemólise ..........................................1 Procedimentos Básicos para Minimizar Ocorrências de Erro ....................................14 Lipemia ......................................................................................................4........... 14 3...............4..........................................ÍNDICE INTRODUÇÃO................... 20 4..... 18 4.............................................. 17 4.........................................5 Considerações Importantes sobre Hemólise ...................... 14 3..... 10 1.............. Fase Pré-Analítica para Exames de Sangue ................ 10 1...................................................................................2 Área Física da Cabine de Coleta ...............5 Atividade Física ..................................................7 Dieta ....1........................................................... 10 1...... 14 3....5................................................................... 11 1......6 Jejum ....................2 Considerações sobre coleta de sangue venoso com seringa e agulha .........8 Boas práticas pré-coleta para evitar hemólise .................................................................. 11 1.................................................................10 Procedimentos Diagnósticos e/ou Terapêuticos ....11 Infusão de Fármacos ...... 14 3.. 13 2... 25 Boas práticas pós-coleta para evitar hemólise ..................1 Variação Cronobiológica .......................................................... 23 4............................ 9 1................. 9 1.....................................................................................................................

..... 54 6.................................................................. 47 5.................2 Riscos e Complicações da Coleta ....................1 Informações que o tubo a vácuo deve conter descritas no rótulo ou mesmo no tubo ........................1 Agulhas para coleta múltipla ................................................................................... 61 Seqüência de Coleta dos Tubos para Coleta de Sangue a Vácuo....................7 Lesão Nervosa .........................................3...........12 Cuidados na Sala de Coleta .................................................................................................3 Manejo dos RSS (Resíduos de Serviços de Saúde) ...........................................................................................10 Boas Práticas Individuais .................................... 57 6................13...........................4........................................................1 Classificação dos resíduos de saúde ....... 59 Referências Bibliográficas Consultadas e Recomendadas............. 55 6................................ 30 4........................3 Formação de Hematoma ...........3 5..................................................... 53 6..................................2 Adaptadores para coleta de sangue a vácuo .................................1 Segurança do Paciente ..........................................4 Punção Acidental de uma Artéria .......... 33 4....3 Homogeneização para tubos de coleta de sangue ................................................................ 54 6..............................2 Identificação dos resíduos ................................................................... 46 5........................................ 43 Coleta de Sangue em Pediatria e Geriatria ..........................................12 Coletas em Condições Particulares ........................................16 4.............................................................Single-use Containers for Human Venous Blood Specimen Collection ........ 54 6.......................................11 Cuidados para uma Punção Bem Sucedida ...................................................................................4 Transporte interno de RSS .............4 Tubos para coleta de sangue a vácuo ......................... 46 5.................................2..................................................12...................................2 Concentração e volume dos anticoagulantes .... 53 6.5 Armazenamento dos resíduos sólidos de saúde .....................................................2 ................................................................ 53 6........15 4..5 Anemia Iatrogênica .... ..............10 Procedimento de Coleta de Sangue com Seringa e Agulha............................12................................................................................................ 64 ................................................14 4.................. ........9 Procedimento de Coleta de Sangue a Vácuo .... 47 5..... 41 4......................................................................1 Coleta de sangue via cateter de infusão . 39 4........................ 38 4.........................................................................8 Dor .............................................2................................................. 55 6......................................6 Infecção ................................................. 54 6...................13.............................11 Equipamentos de Proteção Individual .. 44 Coleta de Sangue em Queimados .................... 46 5..........................................8............................................ 41 Coleta de Sangue para Provas Funcionais ............................................... ................................................................................. 53 6...... 56 6.............................................................................................................................2 Especificação dos Materiais para Coleta de Sangue a Vácuo ....................4 Fluídos intravenosos ... 58 6...................................................................................................................... 51 Identificação e Rastreabilidade .............. 51 Documentação ..............................5 5................................................ 45 Gasometria ........................................... 50 Requisição de Exames ... 53 6........ 58 Referências Normativas Consultadas..........................................................................1 Qualificação dos Fornecedores e Materiais ........13 Descarte Seguro de Resíduos ........................................... 48 Comentários sobre a ISO 6710. ...................................... 48 5..............................................13..........................................................................................................9 Segurança do Flebotomista ..... 57 6..........2............................. 36 4.....................4 5........2...................6 5........ 50 5..... 45 5.....................................3.............................................................................13......................... 38 4............. Aspectos Humanísticos da Coleta de Sangue. 55 6..................................13 4..........3 Fístula artério-venosa ................................................... Aspectos de Segurança na Fase de Coleta .........12... 31 4....................................................................................................................... Garantia da Qualidade ................... 54 6.................................................................... 55 6..................... 63 II............................................2 Coleta de sangue via cateter de infusão com heparina ...............12...........7 6................................................................ 52 Capacitação e Treinamento do Pessoal ................ 41 4............................17 Hemocultura .....3 Escalpes para coleta múltipla de sangue a vácuo ............... 46 5............13........................................... 52 5........................

promovendo mudanças que resultem em melhorias na atenção ao paciente. Todos os laboratórios querem atender melhor e encantar o cliente. -8- . A difusão do conhecimento é a premissa básica para se alcançar estes objetivos. pacientes e a população em geral. principalmente. na exatidão e precisão dos resultados dos exames. mas abre uma discussão focada e atualizada. Esperamos que este Documento permita ao leitor aprimorar seus conhecimentos. revisões e complementações. Inúmeras variáveis podem interferir no desempenho da fase analítica e.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO INTRODUÇÃO A melhoria da qualidade na prestação de serviços de saúde tem sido uma busca constante e cada vez mais crescente no país. e aplicá-los no dia-a-dia. A Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial e a BD criaram este Documento de Recomendação de Coleta de Sangue Venoso que representa uma verdadeira prestação de serviços para os profissionais de saúde. objetivando orientar e educar. futuras contribuições. sendo parte da sua proposta. às condições de coleta de sangue venoso. conseqüentemente. vitais para a conduta médica e. A qualidade dos resultados dos exames laboratoriais está intimamente relacionada à fase pré-analítica e. Este Documento não pretende esgotar todos os aspectos sobre os assuntos abordados. Ser atendido com excelência também é um desejo de todos. para o bem-estar do paciente. em última instância.

embora não exista contra-indicação formal de coleta no período da tarde. do horário em que foi realizada a coleta. Classicamente. evitando interpretação equivocada do resultado. e a aplicação de torniquete. Por exemplo.3 . onde as coletas realizadas à tarde fornecem resultados até 50% mais baixos do que os obtidos nas amostras coletadas pela manhã. 1. Em situações específicas. a este propósito. é indispensável que o preparo do paciente. em decorrência das diferenças metabólicas e da massa muscular. alguns outros parâmetros sangüíneos e urinários se apresentam em concentrações significativamente distintas entre homens e mulheres. É importante lembrar que as mesmas causas de variações pré-analíticas. também podem ser causa de variação dos resultados. controlar e. o transporte e a manipulação dos materiais a serem examinados obedeçam a determinadas regras. 1.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO I. em razão de alterações do meio ambiente. interferem nos resultados dos exames realizados em indivíduos idosos. como o uso de gel separador. quando comparadas às obtidas pela manhã. As alterações hormonais típicas do ciclo menstrual também podem ser acompanhadas de variações em outras substâncias. se possível. posição. É recomendável que exista uma indicação no laudo. gênero. atividade física. Em geral. jejum. é importante conhecer. Antes da coleta de sangue para a realização de exames laboratoriais. O ciclo de variação pode ser diário. Variação circadiana acontece. adequadamente.). Esta dependência é resultante de diversos fatores. evitar algumas variáveis que possam interferir com a exatidão dos resultados. são referidas como condições pré-analíticas variação cronobiológica. Além das variações circadianas. mas a intensidade da variação -9- 1. propriamente ditas. entre outros fatores. por exemplo. Alguns aspectos do tubo de coleta. RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 1. Causas Pré-Analíticas de Variações dos Resultados de Exames Laboratoriais Uma das principais finalidades dos resultados dos exames laboratoriais é reduzir as dúvidas que a história clínica e o exame físico fazem surgir no raciocínio médico. como hemólise e lipemia. Em dias quentes. Idade: alguns parâmetros bioquímicos possuem concentração sérica dependente da idade do indivíduo. a concentração sérica das proteínas é significativamente mais elevada em amostras colhidas à tarde. por exemplo. Para que o laboratório clínico possa atender. anual. outras condições devem ser consideradas. a coleta.2 Gênero: além das diferenças hormonais específicas e características de cada sexo. os intervalos de referência para estes parâmetros são específicos para cada gênero. transfusão de sangue e infusão de soluções. em razão da hemoconcentração. a melhor condição para coleta de sangue para realização de exames de rotina é o período da manhã. sazonal. TSH. conteúdo hídrico e massa corporal. a concentração de aldosterona é cerca de 100% mais elevada na fase pré-ovulatória do que na fase folicular. até os intervalos de referência devem considerar essas diferenças. salvo aqueles parâmetros que sofrem modificações significativas no decorrer do dia (exemplo: cortisol. etc. nas concentrações do ferro e do cortisol no soro. idade. A coleta de sangue para realização de exames de rotina pode ser efetuada no período da tarde? Classicamente.1 Variação Cronobiológica: corresponde às alterações cíclicas da concentração de um determinado parâmetro em função do tempo. uso de drogas para fins terapêuticos ou não. que afetam os resultados laboratoriais em indivíduos jovens. há que se considerar variações nas concentrações de algumas substâncias. como maturidade funcional dos órgãos e sistemas. Numa abordagem mais ampla. dieta. cirurgias. mensal. etc. como procedimentos terapêuticos ou diagnósticos. anticoagulantes e conservantes e características da amostra.

por exemplo. 1. Importante ressaltar que cada caso deve ser avaliado individualmente. 1. na dependência das características orgânicas do próprio paciente. Por essa razão. A ingestão de alimento é necessária para encerrar o estado de jejum. A cafeína pode induzir a liberação de epinefrina. em geral. Nas populações pediátrica e de idosos. que estimula a neoglicogênese. ficando a decisão final para o próprio paciente. por exemplo. é transitório e decorre da mobilização de água e outras substâncias entre os diferentes compartimentos corporais. 1. causam turbidez do soro. A ingestão de café é permitida antes da coleta? Não. Os estados pós-prandiais. hematócrito. podem ser superestimados. ainda que as próprias variações biológicas e ambientais não devam ser subestimadas. Este aumento pode ser de 8 a 10% da concentração inicial. ou a critério e orientação médica. pode potencializar estas alterações. hemoglobina. Doenças sub-clínicas também são mais comuns nos idosos e precisam ser consideradas na avaliação da variabilidade dos resultados. nos primeiros dias de uma internação hospitalar. O uso concomitante de alguns medicamentos.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO tende a ser maior neste grupo etário. Esta é a razão pela qual se prefere a coleta de amostras com o paciente em condições basais. Alterações significativas no grau de atividade física. O esforço físico pode causar aumento da atividade sérica de algumas enzimas. o tempo de jejum deve guardar relação com os intervalos de alimentação. Esse aumento pode persistir por 12 a 24 horas após a realização de um exercício. Atividade Física: o efeito da atividade física sobre alguns componentes sangüíneos. tratando-se de crianças na primeira infância ou lactentes. sob o risco de hipoglicemia durante esta atividade. Quando o indivíduo se move da posição supina para a posição ereta. Substâncias não filtráveis. com conseqüente elevação da glicose no sangue. como as estatinas. ocorre um afluxo de água e substâncias filtráveis do espaço intravascular para o intersticial. 1. em geral. antes da prática esportiva. mesmo respeitado o período regulamentar de jejum. mais facilmente reprodutíveis e padronizáveis. nos primeiros dias de uma internação hospitalar ou de imobilização. como a creatinoquinase. podendo ser reduzido a 4 horas.5 Após uma coleta de sangue de rotina. pode interferir na concentração de alguns componentes. como ocorrem. níveis de albumina. . Devem ser evitadas coletas de sangue após períodos muito prolongados de jejum. Além disto pode elevar a atividade da renina plasmática e a concentração de catecolaminas. acima de 16 horas.4 Posição: mudança rápida na postura corporal pode causar variações na concentração de alguns componentes séricos. colesterol. qual o intervalo de tempo recomendado para iniciar a prática de um exercício físico ou retorno às atividades habituais? A coleta de sangue não é procedimento impeditivo ou limitante para a prática de exercício físico. de drogas que se ligam às proteínas e o número de leucócitos. causam variações importantes na concentração de alguns parâmetros sangüíneos.7 Dieta: a dieta a que o indivíduo está submetido. exigem certo tempo para que alguns parâmetros retornem aos níveis basais. é preconizado um período de jejum para a coleta de sangue para exames laboratoriais. como ocorrem. das variações nas necessidades energéticas do metabolismo e da eventual modificação fisiológica que a própria atividade física condiciona. Alterações bruscas na dieta. por exemplo.10 - .6 Jejum: habitualmente. para a maioria dos exames e. pelo aumento da liberação celular. o que pode interferir em algumas metodologias. em geral. pode ser de 1 ou 2 horas apenas. a aldolase e a aspartato aminotransferase. tais como as proteínas de alto peso molecular e os elementos celulares terão sua concentração relativa elevada até que o equilíbrio hídrico se restabeleça. em situações especiais. O período de jejum habitual para a coleta de sangue de rotina é de 8 horas. triglicérides.

tais como glicólise anaeróbica elevem a concentração de lactato. transfusão sangüínea e infusão de fármacos. com redução do pH. Mesmo realizando a coleta noutro local. Se o torniquete permanecer por mais tempo.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 1. O fumo pode elevar a concentração dos ácidos graxos. a realização de toque retal. Dentre os efeitos fisiológicos devem ser citados a indução e a inibição enzimáticas. QUADRO 1: EXEMPLOS DE INTERFERÊNCIAS LABORATORIAIS GERADAS POR ALGUNS FÁRMACOS MECANISMO Indução enzimática Inibição enzimática Inibição enzimática Competição FÁRMACO Fenitoína Alopurinol Ciclofosfamida Novobiocina PARÂMETRO Gama-GT Ácido úrico Colinesterase Bilirrubina indireta EFEITO Eleva Reduz Reduz Eleva Eleva Elevação aparente Elevação aparente Elevação aparente Elevação aparente Aumento do transportador Anticoncepcional oral Ceruloplasmina cobre Reação cruzada Reação química Hemoglobina atípica Metabolismo Espironolactona Cefalotina Salicilato 4-OH. se possível. resultando em hemoconcentração relativa. entre outras alterações. Mesmo o consumo esporádico de etanol pode causar alterações significativas e quase imediatas na concentração plasmática de glicose. deve-se aguardar pelo menos uma hora após o final da infusão para a realização da coleta.11 - Digoxina Creatinina Hemoglobina glicada Bilirrubina . O uso crônico é responsável pela elevação da atividade da gama glutamiltransferase. aldosterona. da aldosterona. vale referir o álcool e o fumo. de eletroneuromiografia) e alguns procedimentos terapêuticos. a competição metabólica e a ação farmacológica. 1.11 Infusão de Fármacos: é importante lembrar que a coleta de sangue deve ser realizada sempre em local distante da instalação do cateter. no número de leucócitos e de hemácias e no volume corpuscular médio. 1. entre outros. facilitando a saída de líquido e de moléculas pequenas para o espaço intersticial.8 Uso de Fármacos e Drogas de Abuso: este é um item amplo e inclui tanto a administração de substâncias com finalidades terapêuticas como as utilizadas para fins recreacionais. Alguns exemplos são mostrados no quadro 1. como: hemodiálise. do glicerol livre. seja pelo próprio efeito fisiológico in vivo ou por interferência analítica. Pela freqüência.10 Procedimentos Diagnósticos e/ou Terapêuticos: como outras causas de variações dos resultados dos exames laboratoriais. in vitro. Dos efeitos analíticos são importantes a possibilidade de ligação preferencial às proteínas e eventuais reações cruzadas. a estase venosa fará com que alterações metabólicas. redução na concentração de HDL-colesterol e elevação de outras substâncias como adrenalina. devem ser lembrados alguns procedimentos diagnósticos (a administração de contrastes para exames radiológicos ou tomográficos. da adrenalina. por exemplo. O fumo é permitido antes da coleta? Não. do cortisol. O tabagismo é causa de elevação na concentração de hemoglobina. ocorre aumento da pressão intravascular no território venoso. de ácido láctico e de triglicérides. Ambos podem causar variações nos resultados de exames laboratoriais. cirurgias. antígeno carcinoembriônico e cortisol. diálise peritoneal.9 Aplicação do Torniquete: ao se aplicar o torniquete por um tempo de 1 a 2 minutos. 1.propranolol .

ou de ambos. a observação de turbidez tem relevância clínica e deve ser avaliada e relatada pelo laboratório.040 contendo um acelerador da coagulação e pode. mas se for de intensidade significativa causa aumento na atividade plasmática de algumas enzimas.12 - . aspartato aminotransferase. Diferentes graus de Hemólise 1 1. dentre outros.14 Lipemia: também pode interferir na realização de exames que usam metodologias colorimétricas ou turbidimétricas. Uma vez que amostras normais colhidas dentro das especificações de jejum apresentam-se sem turvação. é recomendável consultar o fabricante sobre a existência de estudos bem conduzidos demonstrando ou excluindo possíveis limitações e interferências. fosfatase alcalina. A elevação significativa dos níveis de triglicérides pode ocorrer apenas no período pós-prandial ou de forma contínua. podendo chegar a ser leitoso.colesterol). de límpido para algum grau variado de turbidez. Ela pode ser resultado da presença de hipertrigliceridemia.13 Hemólise: hemólise leve tem pouco efeito sobre a maioria dos exames. como aldolase. Diferentes graus de Lipemia 2 . após a centrifugação. 1. Este gel é um polímero com densidade específica de 1. liberar partículas que interferem com eletrodos seletivos e membranas de diálise. nas lipoproteínas (VLDL. Em alguns casos.12 Gel Separador: algumas vezes. eventualmente. Considerando que a composição deste gel varia entre os diferentes fornecedores. o sangue é colhido em tubos contendo uma substância gelatinosa com a finalidade de funcionar como barreira física entre as hemácias e o plasma ou soro. nos pacientes portadores de algumas dislipidemias e faz com que o aspecto do soro ou do plasma se altere. magnésio e fosfato. A hemólise pode ser responsável por resultados falsamente reduzidos de insulina. desidrogenase láctica e nas dosagens de potássio. ou do aumento nos quilomícrons. pode causar variação no volume da amostra e interferir em determinadas dosagens.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 1.

3 Infra-Estrutura Recomendam-se alguns itens referentes à infra-estrutura da cabine de coleta: • Pisos impermeáveis. necessariamente devem ser realizados por profissional devidamente habilitado. É recomendável disponibilizar equipamentos e medicamentos para eventuais situações de emergência. • Iluminação que propicie a perfeita visualização e manuseio seguro dos dispositivos de coleta. o manuseio de equipamentos médico-hospitalares e o uso de medicamentos. duráveis. É indispensável que sejam tomadas medidas preventivas para eliminação de insetos e roedores. 2. uma sala de espera para pacientes e acompanhantes. Instalações e Infra-Estrutura Física do Local de Coleta As recomendações aqui descritas têm por finalidade caracterizar os requisitos mínimos de instalação e infra-estrutura. • Janelas com telas milimétricas. de modo a garantir conforto ao paciente e ao flebotomista. laváveis e resistentes às soluções desinfetantes. 2. quando aplicável. laváveis e resistentes às soluções desinfetantes. Esta área pode ser compartilhada com as outras unidades diagnósticas. caso estas cumpram a função de propiciar a aeração ambiental.5 Conservação e Limpeza das Instalações Recomendam-se que as rotinas de limpeza e higienização das instalações sejam orientadas por profissional capacitado para esta atividade ou por uma Comissão de Controle de Infecção Hospitalar. • Paredes lisas e resistentes ou divisórias constituídas de materiais lisos. as descrições podem não contemplar na íntegra.2 Área Física da Cabine de Coleta A cabine de coleta adequada. lavatório ou similares) internamente ou próximo à cabine. Eventualmente. • Dispositivos de ventilação ambiental eficazes. que permita a regulagem da altura do braço. um local para armazenamento dos materiais de coleta e um dispositivo para a higienização das mãos (álcool gel. evitando o desconforto do flebotomista. todos os requisitos legais exigidos pelos órgãos competentes de sua cidade ou estado. visando a garantia do conforto e segurança dos clientes e da equipe do laboratório.1 Recepção e Sala de Espera É recomendável que o laboratório clínico possua. necessita de espaço suficiente para instalação de uma cadeira ou poltrona.4 Equipamentos e Acessórios Recomenda-se que o paciente seja acomodado numa cadeira ou poltrona confortável. As dimensões da cabine de coleta necessitam garantir a livre movimentação do paciente e do flebotomista. . macas e o livre trânsito dos portadores de necessidades especiais. É recomendável ter um local com uma maca disponível. possibilitando um bom atendimento. impermeáveis. para caso de necessidade. naturais ou artificiais. Os procedimentos intervencionistas de emergência. Armários fixos ou móveis são úteis para organizar o armazenamento dos materiais de coleta e facilitar o acesso. 2. • Portas e corredores com dimensões que permitam a passagem de cadeiras de rodas. 2. 2. pelo menos. também denominada “box de coleta”.13 - . É fundamental uma consulta à legislação local aplicável para o cumprimento das exigências previstas pela vigilância sanitária local. sendo necessária a instalação de sanitários para clientes e acompanhantes.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 2.

1. de etiquetas com o nome do paciente.2 Para pacientes internados . relatórios e laudo final. Fase Pré-Analítica para Exames de Sangue A fase imediatamente anterior à coleta de sangue para exames laboratoriais deve ser objeto de atenção por parte de todas as pessoas envolvidas no atendimento dos pacientes. os hospitais disponibilizam etiquetas pré-impressas com os dados de identificação necessários.14 - . O número do leito nunca deve ser utilizado como critério de identificação. Recomenda-se que materiais não colhidos no laboratório sejam identificados como “amostra enviada ao laboratório”.pacientes atendidos no pronto-socorro ou em salas de emergência podem ser identificados pelo seu nome e número de entrada no cadastro da unidade de emergência. com a finalidade de se prevenir a ocorrência de enganos ou a introdução de variáveis não controladas que poderão comprometer a exatidão dos resultados. Quaisquer que sejam os exames a serem realizados. ou data de nascimento.1. de forma segura. Este número deve constar em todos os documentos. quando disponível.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 3. nos tubos de coleta. pelo menos. amostras. especialmente no que se refere ao jejum e ao uso de eventuais medicações. ao final. Para a maioria dos exames de sangue. Mesmo assim. a amostra em todas as fases do processo. 3. O sistema de identificação adotado deve contemplar a possibilidade de geração de etiquetas adicionais. e que o laudo contenha esta informação. uma vez que muitos dos equipamentos analíticos atualmente disponíveis conseguem identificar o paciente e reconhecer quais exames devem ser realizados naquela amostra. para outro laboratório ou para armazenamento. 3. . como por exemplo.3 Para pacientes muito jovens.relatar ao supervisor do laboratório qualquer discrepância de informação. Outros requerem cuidados específicos quanto a dietas especiais. É indispensável que a identificação possa ser rastreada a qualquer instante do processo. .1 Procedimentos Básicos para Minimizar Ocorrências de Erro O flebotomista deve se assegurar de que a amostra será colhida do paciente especificado na requisição de exames.1. Nos sistemas manuais. é necessário apenas um curto período de tempo em jejum. a data da coleta e o número seqüencial de atendimento. comparar estas informações com as constantes na requisição de exames. 3. O material colhido deve ser identificado na presença do paciente. 30 minutos antes da coleta de sangue para a dosagem de prolactina ou de catecolaminas plasmáticas. recomendam-se: 3. inconscientes ou com algum tipo de dificuldade de comunicação o flebotomista deve valer-se de informações de algum acompanhante ou da enfermagem. documento de identidade. o flebotomista deve verificar a identificação no bracelete ou a identificação postada na entrada do quarto. para os casos em que seja necessário aliquotar a amostra original para ser enviada a diferentes áreas do laboratório. de 3 a 4 horas. É importante verificar se o paciente está em condições adequadas para a coleta. mapas de trabalho. Existem processos informatizados simples que geram um número pré-determinado de etiquetas. a necessidade de repouso por.1 Para um paciente adulto e consciente pedir que forneça nome completo. Serviços mais complexos fazem uso de etiquetas com código de barras que vinculam. Deve-se buscar uma forma de estabelecer um vínculo seguro e indissociável entre o paciente e o material colhido para que. antes de efetuar a coleta. . isto pode ser feito pela colocação. é muito importante a identificação positiva do paciente e dos tubos nos quais será colocado o sangue. Para isto. seja garantida a rastreabilidade de todo o processo.em geral. de acordo com a quantidade e tipo de exame a serem realizados. condições peculiares.

É conveniente orientar o paciente para que traga consigo o medicamento em uso. Cada uma destas frações do sangue se constitui na matriz ideal para a realização de exames específicos. São aspectos relevantes. o registro do uso contínuo de alguma medicação. a dosagem de glicose é realizada no plasma obtido pela adição de EDTA e fluoreto de sódio e. Narayanan. anticoagulado pela adição de ácido etilenodiaminotetracético . dependendo do exame a ser realizado. pág 32. Darmstadt. soro. algumas informações mais específicas devem ser obtidas. ou seja. com ativador da coagulação. à temperatura ambiente. W. para o hemograma. O paciente deve suspender os medicamentos antes da coleta de sangue? Não. Algumas substâncias podem ser dosadas tanto no soro quanto no plasma. A ingestão de pequena quantidade de água. a realização de algum procedimento diagnóstico ou terapêutico prévio. evitando ultrapassar o horário programado para a próxima tomada. ainda que existam diferenças entre os resultados obtidos. é utilizado sangue total. é separada. dentre outros. antes da coleta. hidrólises Liberação de elementos celulares Potássio Fosfato inorgânico Proteínas totais Amônia Lactato Guder. O plasma é obtido pela centrifugação do sangue total anticoagulado. pode ser necessária a adição de um conservante. a dosagem e via de administração do medicamento. A suspensão de medicamentos somente pode ser autorizada pelo médico do paciente. et al – Samples: from the patient to the laboratory.5. Na monitorização de drogas terapêuticas é importante o laboratório anotar o horário da última dose e registrar esta informação no laudo. Após este tempo. a necessidade de abstenção de fumo e/ou álcool. ao exame que será realizado e das condições nas quais ele deve se apresentar ao laboratório. para a dosagem de creatinina utiliza-se. mas um dos integrantes da equipe. a espera pode ser de 30 a 45 minutos.7 . ingerindo-o após a coleta de sangue. o sangue é colhido em tubo sem anticoagulante e deixado coagular por um período de 30 a 60 minutos.15 - .2 + 38 + 22 PRINCIPAL CAUSA DA DIFERENÇA NO SORO/PLASMA Lise das células Liberação de elementos celulares Efeito do fibrinogênio Trombocitólises. 2001. previamente. estas informações e instruções devem ser fornecidas por escrito e o paciente deve ter a oportunidade de esclarecer suas eventuais dúvidas. . Git Verlag.EDTA.. Quando o tubo contiver gel separador. QUADRO 2: SUBSTÂNCIA % DE VARIAÇÃO EM COMPARAÇÃO À SUA MEDIDA NO PLASMA + 6.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Nos exames de monitoração de drogas terapêuticas. como os horários da última tomada de medicação e da coleta do sangue. o tubo é centrifugado e a parte líquida.2 + 10. em geral. 2nd edition. exceto em exames muito específicos. Para alguns exames. não quebra o jejum. o tempo de jejum. além do anticoagulante. Objetivando evitar desconforto desnecessário. Dessa forma. G. Assim. não “quebra” o jejum. S.. para permitir a adequada interpretação dos resultados. convém sempre informar ao paciente que a ingestão de água não interfere. algumas informações referentes aos procedimentos da coleta de sangue. como mostrado no quadro 2. o paciente não deve ser considerado como agente passivo do processo. Quando for necessário o uso de sangue total ou plasma. são utilizados anticoagulantes específicos. Wisser. ele deve receber. Para que possa desempenhar adequadamente esta função. por exemplo. Para a obtenção de soro. A ingestão de água quebra o jejum? Não. correspondente ao soro. H. De uma forma ideal.

que se revela como um componente na região das gama-globulinas. abaixo de 20o C negativos. utiliza-se a regra de que quando não houver especificação de tratamento especial para o acondicionamento ou transporte do material. colocar o tubo congelado dentro desse frasco. incluindo-se temperatura.) não sendo aplicável no transporte aéreo. Na prática. potencial interferência método-dependente por serem os anticoagulantes agentes complexantes e inibidores enzimáticos e. A estabilidade de uma amostra sangüínea é definida pela capacidade de seus elementos se manterem nos valores iniciais. Por exemplo. a concentração do potássio variar de 4. etc. por um determinado período de tempo. sendo este o fator que causa maior impacto. Envolver o pote em dois gelos recicláveis no momento do transporte). como alterar a eletroforese das proteínas. que podem ser recebidas à temperatura ambiente. colocar água em um frasco plástico. o quociente 1. cátioninterferência quando sais de heparina são usados. conserva-se mais a temperatura das amostras. .16 - . manuseio. quando comparados aos do soro. este poderá ser deslocado para postos ou outras unidades em caixa de isopor com gelo reciclável. como pode ocorrer no soro.095 e o desvio será igual a + 9. Em geral. o plasma apresenta algumas desvantagens. dentro de limites aceitáveis de variação. A estabilidade pré-analítica depende de vários fatores. refrigeradas de 2 a 8o C e congeladas. se durante o transporte de uma amostra de sangue por 3 a 4 horas. uma vez que contém fibrinogênio. podendo mascarar ou simular um componente monoclonal. expressa na unidade em que o determinado parâmetro é medido).5%.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO As vantagens da utilização de plasma sobre o soro incluem: redução do tempo de espera para a coagulação. Assim. em temperatura ambiente. As plaquetas permanecem intactas. a diferença absoluta será 0. ou ainda como uma porcentagem de desvio. Por outro lado. transporte e eventual armazenagem. Há menor risco de interferência por hemólise. interferindo em alguns dos métodos de dosagem de lítio e amônia. Portanto. 3.4 mmol/L.6 mmol/L. por fim. É importante lembrar que a recomendação do “transporte picolé” somente se aplica em regiões onde a utilização do gelo seco não está disponível e para transporte entre pequenas distâncias (postos de coleta. visto que a hemoglobina livre. não proporcionando pseudo-hipercalemia.2 Definição de Estabilidade da Amostra As amostras. levar ao freezer por 24 horas. a medida da instabilidade pode ser definida como sendo a diferença absoluta (variação dos valores inicial e final. em geral. A estabilidade de uma amostra pode ser muito afetada na presença de distúrbios específicos. apoiado por flocos de isopor ou papel jornal. está em mais baixa concentração no plasma do que no soro. A condição de congelamento recomenda o uso de gelo seco no transporte ou o chamado “transporte picolé” (congelar previamente o soro. como um quociente (razão entre o valor obtido após um determinado tempo e o valor obtido no momento em que a amostra foi coletada). Os resultados são mais representativos do estudo in vivo. por exemplo. carga mecânica e tempo. regiões circunvizinhas. obtenção de maior volume de plasma em relação ao soro e da não interferência advinda do processo de coagulação. para serem representativas. devem ter sua composição e integridade mantidas durante as fases pré-analíticas de coleta.2 mmol/L para 4. O Conselho Médico Federal da Alemanha definiu que a instabilidade máxima permitida equivale geralmente a 1/12 do intervalo de referência biológico. O tempo máximo de estabilidade de uma amostra deveria ser o que permite 95% de estabilidade de seus componentes. os tempos referidos de armazenagem das amostras primárias consideram os seguintes limites para a temperatura: ambiente de 18 a 22o C.

compreendendo em três fases distintas: pré-centrifugação. desde que as amostras sejam acondicionadas em maletas que ofereçam garantias de biossegurança no transporte. Há diversas maneiras de transportar amostras entre unidades de um mesmo laboratório. enquanto o mesmo volume de sangue total possui apenas 81% de água. em função da distribuição de água nas hemácias. centrifugação e póscentrifugação. de 20 de julho de 1983. nas quais o exame será realizado em sangue total. de 20 de maio de 1997. o transporte de substâncias infecciosas é considerado como transporte de produtos perigosos. publicada em 2004. Mesmo amostras congeladas são passíveis de alterações em certos constituintes metabólicos ou celulares. particularmente. Esse transporte deve seguir as recomendações da Organização das Nações Unidas – ONU. em condições para que não haja interferência significativa em seus constituintes. o tempo de transporte é curto quando o laboratório está próximo e não apresenta grandes dificuldades. desde que se enquadrem na Portaria nº 204. que poderá estar na mesma estrutura física onde foi realizada a coleta. Assim. vale lembrar a existência de regras e diretrizes da terceirização.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Durante o processo de estocagem. em temperatura de 2 a 8o C. em sua 13ª revisão. Assim.102. 3. embora os constituintes estejam distribuídos em concentrações diferentes entre estas matrizes. As metodologias mais recentes exigem volumes cada vez menores de amostra. de 3 de janeiro de 1974. definidas nas leis federais 6. devem ser mantidas refrigeradas até o procedimento. Outro ponto importante é a logística de transporte do material biológico objetivando que as amostras se mantenham viáveis até o momento do processo analítico. . amostras colhidas com anticoagulante. sobretudo as moléculas de grandes proteínas. desnaturação da proteína. O processamento inicial da amostra inclui etapas que vão desde a coleta até a realização do exame.019. e 7. bem como atividades metabólicas celulares que continuam a ocorrer. Com relação ao envio de amostras entre laboratórios. uma condição importante a ser considerada.3 Transporte de Amostra como Fator de Interferência Pré-Analítica Uma vez coletada e identificada adequadamente. Qual o volume máximo recomendado de sangue a ser coletado numa punção venosa? Recomenda-se que cada laboratório estabeleça critérios visando coletar o mínimo de sangue necessário para a execução dos parâmetros solicitados pelo médico. resultados no sangue total são diferentes daqueles obtidos no plasma ou soro. do Ministério dos Transportes. os constituintes do sangue podem sofrer alterações que incluem adsorção no vidro ou tubo plástico. e que corresponde à 7ª Edição das Recomendações da Organização Mundial de Saúde–OMS. Congelar e descongelar amostras é. Congelamentos lentos também causam a degradação de alguns componentes. as amostras devem ser processadas até o ponto em que possam aguardar as dosagens. a amostra deverá ser encaminhada para o setor de processamento. amostras de plasma ou soro congeladas e descongeladas têm rupturas de algumas estruturas moleculares. documento “Transporte de Substâncias Infecciosas”. No Brasil. Quando os exames não forem realizados logo após a coleta.17 - . O tempo entre a coleta e centrifugação do sangue não deve exceder uma hora. entre unidades diferentes na mesma cidade ou até mesmo para o exterior. ou afastado a distâncias variadas. Plasma. um determinado volume de plasma ou de soro contém 93% de água. soro e sangue total podem ser usados para a realização de alguns exames. editadas em 1991 e revisadas em 2004. Em geral.

reconhecida mundialmente por promover o desenvolvimento e o uso de padrões e diretrizes dentro da comunidade de clínica médica. O CLSI (Clinical and Laboratory Standards Institute) . Existem diversos locais que podem ser escolhidos para a venopunção. 4. Áreas com hematomas. Embora qualquer veia do membro superior que apresente condições para coleta possa ser puncionada. bem como na experiência dos autores. Membro superior próximo ao local onde foi realizada mastectomia. A veia basílica mediana costuma ser a melhor opção. biossegurança laboratorial e médica. qual o número de punções que se poderia realizar no mesmo ponto? Recomenda-se que o número de punções no mesmo sítio limite-se ao mínimo necessário. Veia do membro superior 3 Já no dorso da mão. o arco venoso dorsal é o mais recomendado por ser mais calibroso. Locais com cicatrizes de queimadura.18 - .é uma instituição sem fins lucrativos. procedimentos técnicos laboratoriais e médicos que envolvem estes produtos. mundialmente. Por ser ainda usualmente chamada de NCCLS. diretrizes de boas práticas de manufatura de produtos. Procedimento de Coleta de Sangue Venoso As recomendações adotadas a seguir baseiam-se nas normas da NCCLS (National Committee for Clinical Laboratory Standards). Cabe à equipe médica e ao pessoal do laboratório a responsabilidade de racionalizar este tipo de coleta. A instituição fornece. atualmente denominada CLSI. pois a cefálica é mais propensa à formação de hematomas. esta será a abreviação usada neste texto quando fizermos referência às normas desta instituição. Áreas a evitar: • • • • Áreas com terapia ou hidratação intravenosa de qualquer espécie. a manutenção de uma veia cateterizada (exemplo: uso de escalpe). cateterismo ou qualquer outro procedimento cirúrgico. análises laboratoriais. Sugere-se. Veia do dorso da mão 4 Nas situações em que o paciente necessita de coletas venosas repetidas. equipamentos para diagnóstico.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 4. porém a veia dorsal do metacarpo também poderá ser puncionada.1 Locais de Escolha para Venopunção A escolha do local de punção representa uma parte vital do diagnóstico. apontados abaixo nas figuras 3 e 4. . as veias basílica mediana e cefálica são as mais freqüentemente utilizadas. nestas situações.

recomenda-se: Aplicação do toniquete 5 6 • • • • Posicionar o braço do paciente. Uso adequado do torniquete: É importante que se utilize adequadamente o torniquete. O pulso deve permanecer palpável. parestesias). • • 8 cm 7 Posicionamento correto do torniquete • • • Não usar o torniquete continuamente por mais de 1 minuto. já que poderia levar à hemoconcentração e falsos resultados em certos analitos. Posicionar o torniquete com o laço para cima. Ao garrotear. Este tipo de procedimento provoca hemólise capilar e portanto. que pode elevar o nível de potássio. Massagear delicadamente o braço do paciente (do punho para o cotovelo). O torniquete não é recomendado para alguns testes como lactato ou cálcio. alterações na dosagem de cálcio.19 - . altera o resultado de certos analitos. afrouxar o torniquete. evitando-se situações que induzam ao erro diagnóstico (como hemólise. bem como complicações de coleta (hematomas. no momento de seleção venosa. Localizar a veia e. Técnicas para evidenciação da veia: • • • • Pedir para o paciente abaixar o braço e fazer movimentos suaves de abrir e fechar a mão. inclinado-o para baixo a partir da altura do ombro. a fim de evitar a contaminação da área de punção. por exemplo). Não apertar intensamente o torniquete. hemoconcentração. pois o fluxo arterial não deve ser interrompido. fazê-lo apenas por um breve momento. em seguida.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO • • Fístulas artério-venosas. pedir ao paciente que feche a mão para evidenciar a veia. . Se o torniquete for usado para seleção preliminar da veia. Portanto. podem parecer um cordão e têm paredes endurecidas. Veias que já sofreram trombose porque são pouco elásticas. para evitar alteração do resultado. Fixação das veias com os dedos nos casos de flacidez. Esperar 2 minutos para usá-lo novamente. Equipamentos ou dispositivos que facilitam a visualização de veias ainda não são de uso rotineiro e são pouco difundidos. pedindo ao paciente para abrir e fechar a mão. Não aplicar o procedimento de “bater na veia com dois dedos”. Aplicar o torniquete cerca de 8 cm acima do local da punção para evitar a contaminação do local.

O braço deve estar apoiado firmemente pelo descanso e o cotovelo não deve estar dobrado. são indicadas e comentadas a seguir. nem protegem pacientes nestes casos. Uma leve curva pode ser importante para evitar hiperextensão do braço. a fricção de álcool apresentou os melhores resultados tanto na ação imediata. Quanto maior o peso molecular do álcool. formando uma linha direta do ombro para o pulso. O desconforto do paciente. todo paciente necessita ser considerado como potencial portador de doença. com menor atividade sobre os vírus hidrofílicos não envelopados. Caso o torniquete tenha látex em sua composição. tanto na antissepsia do local da punção. - Procedimento com o paciente sentado: Pedir ao paciente que se sente confortavelmente numa cadeira própria para coleta de sangue. Caso o paciente seja alérgico ao látex. quanto na manutenção da eficácia após três horas da aplicação.20 - .2 Posição do Paciente A posição do paciente pode também acarretar erros em resultados. Caso esteja em posição supina e seja necessário um apoio adicional. 4. agregado à ansiedade podem levar à liberação indevida de alguns analitos na corrente sangüínea. afirmando que o álcool a 70% era o que possuía. o posicionamento do braço para coleta torna-se relativamente mais fácil. Em concentrações apropriadas. não se deve usar este material para o garroteamento. coloque um travesseiro debaixo do braço do qual será coletada a amostra. como na higienização das mãos. 4. Posicione o braço do paciente inclinando levemente para baixo e estendido. Algumas recomendações que permitem facilitar a coleta de sangue e promovem um perfeito atendimento ao paciente.3 Procedimento para Antissepsia e Higienização das Mãos em Coleta de Sangue Venoso Algumas considerações são importantes sobre o uso de soluções de álcool. a maior eficácia germicida in vitro. caso o paciente venha a perder a consciência. reforçando assim a necessidade dos cuidados universais de proteção. neste momento. Durante o tempo usual de aplicação para antissepsia das mãos. Caso esteja em posição semi-sentado. seja inclinado levemente para baixo e estendido. ele não apresenta ação esporicida. os álcoois possuem rápida e maior redução nas contagens microbianas. Recomenda-se que a posição do braço do paciente no descanso da cadeira. quando se compara a eficácia dos vários métodos de higiene das mãos na redução da flora permanente. deve-se perguntar ao paciente se ele tem alergia a este componente. Recomenda-se que a cadeira tenha apoio para os braços e evite quedas. Segundo Rotter. formando uma linha direta do ombro para o pulso. O álcool apresenta um amplo espectro de ação envolvendo micobactérias. fungos e vírus. maior ação bactericida.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO • • Trocar o torniquete sempre que houver suspeita de contaminação. Dados da literatura orientam que as soluções alcoólicas fossem preparadas com base no peso molecular e não no volume a ser aplicado. particularmente os enterovírus. Cadeiras sem braços não fornecem o apoio adequado para o braço. . - Procedimento para paciente acomodado em leito: Solicitar ao paciente que se coloque em posição confortável. dentre outras concentrações. O laboratório pode questionar o paciente se ele é portador de alguma moléstia que tenha risco de contágio ao coletador? Do ponto de vista técnico.

Hoje. tem excelente atividade contra bactérias Gram-positivas e Gramnegativas. aumentando a preferência por esta ação básica de controle. 1 2 3 4 5 6 7 8 A higienização das mãos deve ser feita após o contato com cada paciente. boa atividade contra Mycobacterium tuberculosis. alguns países da América do Norte aboliram o uso de álcool etílico. contudo o etanol é o mais usado pois. e diminui a inflamabilidade. e devem ficar bem aderidas à pele para que o flebotomista não perca a sensibilidade na hora da punção. Higienização das mãos: As mãos devem ser higienizadas após o contato com cada paciente. nesta composição. . Quanto às desvantagens. ou usando álcool gel. ser de baixa causticidade e hipoalergência na pele e mucosa. devido a sua inflamabilidade. Esta higienização pode ser feita com água e sabão como o procedimento ilustrado abaixo.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Com relação à antissepsia da pele no local da punção. A ilustração mostra o procedimento feito por meio da lavagem das mãos com água e sabão. ter ação rápida. usada para prevenir a contaminação direta do paciente e da amostra. além de ter menor custo. é citado o odor que fica nas mãos e a inflamabilidade. que é observada apenas com as soluções de etanol acima de 70%. preserva sua ação antisséptica. Nesta diluição. Limpar o local com um movimento circular do centro para a periferia.21 - . Calçando as luvas 9 10 Antissepsia do local da punção: • • Recomenda-se usar uma gaze com solução de álcool isopropílico ou etílico 70%. fungos e vírus. Os álcoois etílico e isopropílico são os que possuem efeito antisséptico na concentração de 70%. utilizando o álcool isopropílico nos laboratórios e hospitais. 8 Colocando as luvas As luvas devem ser calçadas com cuidado para que não rasguem. o antisséptico escolhido deve ser eficaz. A fricção com álcool reduz em 1/3 o tempo despendido pelos profissionais de saúde para a higiene das mãos. evitando assim contaminação cruzada. comercialmente preparado.

Abrindo a embalagem de álcool swab 11 12 Antissepsia do centro para fora Nota: Quando houver solicitação de dosagem de álcool no sangue. 4. nas áreas de emergência e nas guerras. .22 - .4. devendo-se observar a finalidade do procedimento. Conforme recomendação do documento NCCLS T/DM6 .PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO • • • Permitir a secagem da área por 30 segundos.Blood Alcohol Testing in the Clinical Laboratory. Não assoprar. para evitar hemólise da amostra. sabão). o tipo de clientela. Estes critérios de escolha da metodologia a ser utilizada na coleta de sangue vão além do custo do material. Não tocar novamente na região após a antissepsia. um antisséptico isento de álcool em sua formulação deve ser usado no local da punção (por exemplo. 4. O flebotomista desempenha um papel importante na garantia da qualidade neste processo.1 Considerações sobre coleta de sangue venoso a vácuo Sistema para coleta de sangue a vácuo 13 Aspectos históricos Em 1943 a Cruz Vermelha Americana fez um pedido a uma empresa de materiais hospitalares para que desenvolvesse um jogo descartável e estéril para coleta de sangue. as habilidades dos flebotomistas e as características da instituição. Deveria ser esterilizado e embalado para manter a esterilidade de modo a ser usado em campo. e também a sensação de ardência quando o braço do paciente for puncionado.4 Critérios para Escolha da Técnica de Coleta de Sangue Venoso a Vácuo ou por Seringa e Agulha Recomenda-se que o hospital e laboratório estabeleçam uma política institucional para a escolha da técnica de coleta de sangue. Alguns pontos relevantes na escolha da técnica e do material de coleta de sangue são apontados a seguir. não abanar e não colocar nada no local.

Outro ponto relevante a ser observado é o avanço da tecnologia em equipamentos para diagnóstico e kits com maior especificidade e sensibilidade.2 Considerações sobre coleta de sangue venoso com seringa e agulha Seringa e Agulha estéreis 14 A coleta de sangue com seringa e agulha é usada há muitos anos e enraizou-se em algumas áreas de saúde. tecnologias e inovações foram aprimorando estes dispositivos para tornar este sistema para coleta de sangue mais seguro. quando o sangue parar de fluir para dentro do tubo. prático e que proporcione maior qualidade da amostra a ser analisada. é usada mundialmente e em boa parte dos laboratórios brasileiros. ao final da coleta. proporcionando. • • • • 4. Coleta de Sangue Venoso a Vácuo A coleta de sangue a vácuo é a técnica de coleta de sangue venoso recomendada pelas normas NCCLS atualmente. também são beneficiados. Por estes e outros fatores. em seu interior. o flebotomista terá a certeza de que o volume de sangue correto foi colhido. um dispositivo que aspirava o sangue diretamente da veia por meio de vácuo. o que significa que. pois proporciona ao usuário inúmeras vantagens: • a facilidade no manuseio é um destes pontos. que hoje requerem um menor volume de amostra do paciente. pacientes em terapia medicamentosa. quimioterápicos etc.4. Isto proporciona ao flebotomista maior segurança. Desde então. proporção correta sangue/ aditivo elevando a qualidade da amostra. pois o tubo para coleta de sangue a vácuo tem.23 - . numa única punção pode-se colher vários tubos. pois com uma única punção venosa pode-se. abrangendo todos os exames solicitados pelo médico.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Foi desenvolvido. fator este relevante e primordial em um laboratório. rapidamente. quantidade de vácuo calibrado proporcional ao volume de sangue em sua etiqueta externa. o sangue flui diretamente para o tubo de coleta a vácuo. Quais os principais fatores que levam o laboratório a optar pela técnica de coleta de sangue a vácuo? Facilidade na coleta. constituindo o sistema para coleta de sangue a vácuo. segurança do profissional de saúde e do paciente. pois não há necessidade do manuseio da amostra de sangue. uma amostra de qualidade para ser processada ou analisada. ao puncionar a veia do paciente. pacientes com acessos venosos difíceis. pois o mesmo produto é usado para infundir medicamentos. A quantidade de anticoagulante/ativador de coágulo proporcional ao volume de sangue a ser coletado.entre outros. É a técnica mais . coletas em pacientes com acessos venosos difíceis. pois existem produtos que facilitam tais coletas (escalpes para coleta múltipla de sangue a vácuo em diversos calibres de agulha e tubos para coleta de sangue a vácuo com menores volumes de aspiração). então. qualidade nos resultados dos exames. uma vez que a coleta a vácuo é um sistema fechado de coleta de sangue. como a diferença do acesso venoso de um paciente para outro. o conforto ao paciente é essencial. colher vários tubos. recomendamos que sejam observados alguns pontos relevantes para uma coleta adequada. garantia da qualidade nos resultados dos exames. segurança do paciente e do profissional de saúde. crianças. por uma agulha de duas pontas para um tubo de análise.

. a qualidade da amostra pode ser comprometida pela ocorrência de hemólise.24 - . fatores interferentes podem também ser originados da lise de plaquetas e granulócitos. formação de microcoágulos e fibrina. ainda hoje. quando o sangue é armazenado em baixa temperatura. • Gasto de tempo desnecessário para o flebotomista e laboratório. 4. que pode ocorrer. uma vez que seringas e agulhas hipodérmicas são materiais essenciais para o funcionamento de uma instituição de saúde. No caso do uso desta técnica. que provocam resultados incompatíveis com o real estado do paciente. Embora não seja mais o procedimento recomendado pelas normas NCCLS. • Utilização desnecessária de materiais de coleta e reagentes.5 Considerações Importantes sobre Hemólise Hemólise tem sido definida como a liberação dos constituintes intracelulares para o plasma ou soro. Desse modo. • Possibilidade de problemas nos equipamentos dos setores técnicos. mas não em temperatura de congelamento. quando ocorre a ruptura das células do sangue. o laboratório deve se certificar da utilização de meios que preservem a qualidade final da amostra a ser analisada. após a centrifugação ou sedimentação. como descritos a seguir: • Novas coletas. bem como de procedimentos que evitem riscos biológicos. a hemólise nem sempre se refere à ruptura de hemácias. e por existir a etapa de transferência do sangue para os tubos acima ou abaixo da capacidade dos mesmos. Ela é geralmente reconhecida pela aparência avermelhada do soro ou plasma. pois uma amostra comprometida leva o laboratório ao reprocessamento de amostras. O que significa manter a proporção sangue/anticoagulante? Para que o sangue fique totalmente anticoagulado dentro do tubo é necessário que se mantenha a proporção correta de anticoagulante correspondente ao volume de sangue colhido do paciente. por exemplo. bem como nos riscos de acidente com materiais perfurocortantes. envolvendo custos para o setor. Em função deste sistema de coleta ser aberto. este procedimento é bastante utilizado em laboratórios clínicos e hospitais. em algumas regiões do mundo. poderá trazer impacto em maior escala na qualidade da amostra obtida. que altera a proporção correta de sangue/aditivo. • Custos desnecessários para os setores administrativos e técnicos do laboratório. a interferência pode ocorrer mesmo em baixas concentrações de hemoglobina liberada (invisíveis a olho nu). seja pelo menor custo do produto. A coleta com seringa e agulha é ainda muito usada. (entupimento da probe). Além disso causa um aumento de custo em todo o processo. estes componentes podem interferir nos resultados das dosagens de alguns analitos.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO antiga desenvolvida para coleta de sangue venoso. Diferentes graus de hemólise 15 No entanto. ocasionando transtornos na reconvocação ao paciente e para os profissionais do laboratório. seja por sua disponibilidade. assim evita-se a formação de microcoágulos e resultados inexatos. Porém. causada pela hemoglobina liberada quando da ruptura dos eritrócitos. causando situações incômodas.

assim. não chacoalhar o tubo. aguardar o sangue parar de fluir para dentro do tubo.1 Boas práticas pré-coleta para prevenção da hemólise • Antes de iniciar a punção. usar este tipo de material somente quando a veia do paciente for fina. cuidando para que não haja contaminação do bico da seringa com o anticoagulante ou ativador de coágulo contido no tubo. em coletas de sangue a vácuo. • Quando utilizar um tubo primário (com gel separador). • Recomenda-se. tubos com menor volume de aspiração (pediátricos). antes de fazer os exames. resultados incorretos. esta brusca interrupção pode provocar hemólise. a separação do soro deve ser efetuada dentro de. podendo levar à ruptura celular. puncionar a veia do paciente com o bisel voltado para cima. • Não executar o procedimento de espetar a agulha no tubo. • Evitar colher sangue de área com hematoma ou equimose. instruções de uso do fabricante de tubos e do fabricante do teste diagnóstico a ser analisado. de preferência. Verificar as recomendações do fabricante dos insumos para a realização do teste. 30 minutos e. • Em coletas com seringa e agulha. Boas práticas . portanto o sangue flui lentamente para dentro dele. têm menor quantidade de vácuo. antes do término da retração do coágulo. pois a formação do coágulo ainda não está completa. . levando à quebra da probe de equipamentos na área analítica. no mínimo. para evitar hemólise e/ou degradação. ou em casos especiais. um tubo primário e evitar a transferência de um tubo para outro. podendo levar a hemólise e resultados incorretos. antes de trocá-lo por outro. • Não deixar o sangue em contato direto com gelo.3).PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 4. • Em coletas a vácuo. evitando–se. • Não usar o freio da centrífuga com o intuito de interromper subitamente a centrifugação dos tubos. e também evita o refluxo do sangue do tubo para a veia do paciente. têm menor quantidade de vácuo. 2 horas após a coleta. que pode hemolisar a amostra. passar o sangue deslizando cuidadosamente pela parede do tubo. Observar que. alteram a proporção correta de sangue/aditivo. • Usar.25 - . • Não puxar o êmbolo da seringa com muita força. porque pode ocorrer a criação de uma pressão positiva. assegurando a devida proporção sangue/ anticoagulante. Perfurar a veia com a agulha em um ângulo oblíquo de inserção de 30 graus ou menos. • Não centrifugar a amostra de sangue em tubo. para retirá-lo da agulha e inserir o segundo tubo. • Não deixar o sangue armazenado por muito tempo refrigerado. Este procedimento visa prevenir o choque direto do sangue na parede do tubo. aguardar que o sangue pare de fluir para dentro do tubo. para transferência do sangue da seringa para o tubo. portanto o sangue flui lentamente para dentro deste tubo. descartar a agulha. • Tubos com volume insuficiente ou com excesso de sangue. para obtenção de soro. o deslocamento da rolha do tubo. 4. • Evitar usar agulhas de menor calibre. • O material coletado não deve ficar exposto a temperaturas muito elevadas ou mesmo exposição direta à luz. além da hemólise.5.2 Boas práticas pós-coleta para prevenção da hemólise • Homogeneizar a amostra suavemente por inversão de 5 a 10 vezes (veja item 4.5.lembrete Tubos com menor volume de aspiração (pediátricos). • Embalar e transportar o material de acordo com a Vigilância Sanitária local.8. verificar se a agulha está bem adaptada à seringa para evitar a formação de espuma. quando o analito a ser dosado necessitar desta conservação. no máximo. o que provoca. deixar o álcool usado na antissepsia secar. No momento da coleta. • Ainda em coletas com seringa.

Tubo contendo fibrina 16 4. Um encaixe incompleto pode fazer com que a tampa de proteção do tubo se desprenda. resultando na formação de fibrina. Certificar-se de que os tubos estejam corretamente encaixados na caçamba da centrífuga.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 4. e tubos de plástico com tubos de plástico. Os tubos devem ser agrupados de acordo com o tipo. tubos de tamanhos iguais. Pacientes portadores de coagulopatias ou submetidos à terapia com anticoagulantes requerem um tempo maior para esta etapa da fase pré-analítica.2 Os tempos recomendados baseiam-se em processos normais de coagulação. Balancear os tubos para minimizar o risco de quebra. levando à má separação da amostra. tubos com o mesmo tipo de tampa ou rolha de proteção. tubos de vidro com tubos de vidro.7 Centrifugação dos Tubos de Coleta Recomenda-se que as centrífugas do laboratório sejam submetidas periodicamente à manutenção preventiva. Utilizar sempre caçambas ou cubetas apropriadas. O intervalo necessário para a retração do coágulo deve ser respeitado antes da centrifugação. A RCF (Força Centrífuga Relativa) refere-se à regulagem da aceleração da centrífuga (rpm). O quadro 4 fornece a velocidade e tempo de centrifugação recomendados: . para evitar a potencial formação de fibrina. tubos com gel com outros do mesmo tipo.26 - . recomenda-se o uso de centrífugas balanceadas de ângulo móvel (tipo swing-bucket). por exemplo: tubos com o mesmo volume de aspiração. Cubetas muito grandes ou muito pequenas podem causar a quebra ou o deslocamento dos tubos. com calibração e verificação das condições metrológicas para garantir seu correto funcionamento. • • Tubos coletados com volume de sangue inferior ao preconizado alteram a relação sangue/ativador de coágulo. Para tubos de coleta a vácuo.6 Recomendação para os Tempos de Retração do Coágulo QUADRO 3: TEMPOS MÍNIMOS DE RETRAÇÃO DE COÁGULO RECOMENDADOS ANTES DA CENTRIFUGAÇÃO TIPOS (Tubos para obtenção de soro) Sem ativador de coágulo (tampa vermelha*) Com ativador de coágulo (tampa vermelha*) Com gel separador e ativador de coágulo (tampa amarela) TEMPO DE COAGULAÇÃO (minutos) 60 30 30 * Cores de tampas dos tubos de coleta a vácuo conforme ISO 6710. usando-se qualquer uma das seguintes equações: rpm = RCF x 105 1. expressa em cm. Tubos de vidro ou plástico acima da caçamba podem chocar-se com a cabeça da centrífuga e quebrar-se. ou que a parte superior do tubo fique fora da caçamba. As caçambas e cubetas da centrífuga devem ser do tamanho específico para os tubos usados. é a distância radial do centro do rotor da centrífuga à base do tubo (raio).12 x r Onde “r”.

além de hemólise (veja item 4. Recomenda-se aguardar sempre até que a centrífuga pare completamente. Outros necessitam de proteção contra a ação da luz (bilirrubina. O plasma e o soro dos tubos sem gel devem ser removidos da camada celular em até 2 horas após a coleta da amostra. Os tubos não devem ser re-centrifugados após a formação da barreira. alguns tubos com gel separador podem ser centrifugados em tempos reduzidos. . paratormônio. g = gravidade ** Tubos de citrato devem ser centrifugados a uma velocidade e tempo para consistentemente produzir o plasma pobre em plaquetas (contagem de plaquetas < 10. beta-caroteno. aumentando a produtividade e otimizando a rotina laboratorial. Armazenando amostras 17 Alguns parâmetros necessitam ser transportados e centrifugados sob refrigeração para a manutenção da estabilidade. O soro ou plasma separado está pronto para ser usado. Alguns equipamentos pipetam a amostra diretamente do tubo primário. do que em centrífugas de ângulo fixo. Os tubos podem ser colocados diretamente na bandeja (rack) do equipamento. Não usar o freio da centrífuga com o intuito de interromper a centrifugação dos tubos. por exemplo. Observar as instruções do fabricante do equipamento. ou o soro/plasma pode ser pipetado para uma cubeta do equipamento. ácido láctico. pode deslocar o gel separador. Recomenda-se que cada serviço estabeleça sua política de armazenamento de materiais biológicos. O laboratório deve consultar seu fornecedor sobre as recomendações de centrifugação.2). ácido fólico). aproximadamente 4 a 5 minutos.27 - .PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Tempo e Rotação para Centrifugação da Amostra QUADRO 4: ACELERAÇÃO E TEMPO DE CENTRIFUGAÇÃO * TUBOS Tubos de vidro com gel separador e ativador de coágulo Tubos de plástico com gel separador e ativador de coágulo Tubos com gel separador e anticoagulante Todos os tubos sem gel Tubos de citrato ** RCF (g) 1000-1300 1300-2000 2000-3000 1000-1300 < 1300 1500 TEMPO(min) 10 10 4a5 10 10 15 * Valores referentes aos tubos BD Vacutainer® RCF = Força Centrífuga Relativa .000/mL) de acordo com normas do NCCLS A relação velocidade/tempo pode variar de um fornecedor para outro. antes de tentar retirar os tubos. tais como: amônia. esta brusca interrupção. vitamina B12. As barreiras têm maior estabilidade quando os tubos são centrifugados em centrífugas horizontais (caçamba de ângulo móvel) não refrigeradas. catecolaminas.5.

O valor em “rpm” é o ponto de intersecção das duas medidas (g e raio) no quadro acima. do ponto central da centrífuga de ângulo móvel até o fundo do tubo (base da caçapa). N: RPM *Consulte o fornecedor sobre as recomendações de centrifugação. ajustar as centrífugas refrigeradas a 25o C ( 77o F). para se obter a força “g” adequada : QUADRO 5: CÁCULO DE RPM Tubos com gel separador de 1300 a 2000g* RAIO ( cm) rcf (g) 900 950 1000 1050 1100 1150 1200 1250 1300 1350 1400 1500 1600 1700 1800 1900 2000 2100 2200 2300 2400 2500 2600 2700 2800 2900 7 3391 3484 3575 3663 3749 3833 3916 3997 4076 4153 4230 4378 4522 4661 4796 4927 5055 5160 5302 5421 5538 5652 5764 5874 5981 6087 8 3172 3259 3344 3426 3507 3586 3663 3738 3812 3885 3958 4095 4230 4360 4486 4609 4729 4646 4960 5071 5180 5267 5392 5494 5595 5694 9 2991 3073 3153 3230 3306 3381 3453 3525 3594 3663 3730 3861 3988 4110 4230 4345 4458 4568 4676 4781 4884 4965 5083 5180 5275 5369 10 2837 2915 2991 3065 3137 3207 3276 3344 3410 3475 3539 3663 3783 3899 4013 4122 4230 4334 4436 4536 4633 4729 4822 4914 5004 5093 11 2705 2779 2852 2922 2991 3058 3124 3188 3251 3313 3374 3492 3607 3718 3826 3931 4033 4132 4230 4325 4418 4509 4598 4686 4772 4856 12 2590 2661 2730 2798 2663 2926 2991 3052 3113 3172 3230 3344 3453 3560 3663 3763 3861 3956 4049 4140 4230 4317 4402 4486 4568 4649 13 2488 2557 2623 2688 2751 2813 2873 2933 2991 3048 3104 3213 3318 3420 3519 3616 3710 3601 3891 3978 4064 4147 4230 4310 4389 4467 14 2398 2464 2528 2590 2651 2711 2769 2826 2882 2937 2991 3096 3197 3296 3391 3484 3675 3663 3749 3883 3916 3997 4076 4153 4230 4304 15 2317 2380 2442 2502 2561 2619 2675 2730 2794 2837 2889 2991 3089 3184 3276 3366 3453 3539 3622 3703 3783 3661 3937 4013 4086 4158 16 2243 2305 2364 2423 2480 2536 2590 2643 2696 2747 2798 2896 2991 3083 3172 3259 3344 3426 3502 3586 3663 3738 3812 3885 3956 4026 17 2176 2236 2294 2350 2406 2460 2513 2565 2615 2665 2714 2809 2901 2991 3077 3162 3244 3324 3402 3479 3554 3627 3699 3769 3838 3906 18 2115 2173 2229 2284 2338 2391 2442 2492 2542 2590 2638 2730 2820 2906 2991 3073 3153 3230 3306 3381 3453 3525 3594 3663 3730 3796 19 2058 2115 2170 2223 2276 2327 2377 2426 2474 2521 2567 3657 2744 2829 2911 2991 3068 3144 3218 3291 3361 3431 3499 3565 3631 3695 20 2006 2061 2115 2167 2218 2268 2317 2364 2411 2457 2502 2590 2675 2757 2837 2915 2991 3065 3137 3207 3276 3344 3410 3475 3539 3601 21 1958 2012 2064 2115 2165 2213 2261 2307 2353 2398 2442 2528 2811 2691 2769 2845 2919 2991 3061 3130 3197 3263 3328 3391 3453 3515 22 1913 1965 2016 2066 2118 2162 2209 2254 2299 2343 2386 2470 2551 2629 2705 2779 2852 2912 2991 3058 3124 3168 3251 3313 3374 3434 23 1871 1922 1972 2021 2068 2115 2160 2205 2248 2291 2333 2415 2494 2571 2646 2718 2789 2656 2925 2991 3055 3116 3180 3240 3300 3358 24 1831 1882 1931 1978 2025 2070 2115 2158 2201 2243 2284 2364 2442 2517 2590 2661 2730 2796 2863 2928 2991 3052 3113 3172 3230 3288 25 1794 1844 1892 1938 1964 2028 2072 2115 2157 2196 2238 2317 2393 2466 2538 2607 2675 2741 2806 2869 2930 2991 3050 3108 3165 3221 Rcf= 1. O raio é medido em centímetros. raio da centrífuga = 15 cm Velocidade de centrifugação = 1300 g = 2794 rpm Boas práticas . O quadro 5 relaciona os raios do braço da centrífuga (em centímetros) com a velocidade necessária.lembrete A coleta em tubos com anticoagulante citrato requer aspiração correta do volume de sangue. usando-se uma régua comum. uma vez que as propriedades de fluxo do gel relacionam-se com a temperatura. Como usar o quadro acima: Exemplo de como usar o quadro acima: Suponha que o fabricante dos produtos para coleta de sangue a vácuo recomende que a centrifugação do tubo seja feita a 1.300 g.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Diferentes graus de Icterícia 18 Atenção: Tubos com gel separador não podem ser centrifugados em baixas temperaturas. A formação da barreira de gel pode ser comprometida caso o tubo seja resfriado antes ou durante a centrifugação. sendo R: distância em cm.28 - . Ex.118 x 10-5. Este fenômeno resulta da ativação plaquetária induzida pelo volume maior do “espaço morto” formado entre o sangue e a tampa que veda o tubo . A aspiração parcial pode induzir uma falsa trombocitopenia. Para transformar “g” em “rpm” devemos medir o raio da centrífuga usada pelo laboratório. Esta medida se dá. Para otimizar o fluxo e evitar aquecimento.

. Isto ocorreu porque os tubos plásticos para soro (tampa vermelha ou amarela com gel separador) contêm ativador de coágulo em seu interior. O tubo de descarte deve ser um tubo sem nenhum aditivo. e o primeiro tubo a ser colhido for o tubo de citrato ou um tubo de menor volume de aspiração. Ilustração sobre contaminação da agulha de coleta múltipla no momento da coleta 19 • Na coleta com seringa e agulha.8 Recomendação da Seqüência dos Tubos a Vácuo na Coleta de Sangue Venoso de Acordo com a NCCLS Existe uma possibilidade pequena de contaminação com aditivos de um tubo para outro. Esta contaminação pode ocorrer numa coleta de sangue venoso quando: • Na coleta de sangue a vácuo. antes dos tubos para coagulação (tampa azul). podendo contaminar a agulha distal. quando da dispensação do sangue dentro do tubo. pelo contato da ponta da seringa com o anticoagulante ou ativador de coágulo na parede do tubo. ou seja. o que pode alterar os resultados dos testes de coagulação. O tubo de descarte deve ser usado para preencher o espaço morto do tubo vinílico do escalpe com sangue. pois não possuem ativador de coágulo. deve-se primeiro colher um tubo de descarte. onde está presente o fator de coagulação tromboplastina tecidual. coletar primeiro um tubo de vidro para soro (tampa vermelha) ou um tubo de descarte sem nenhum aditivo (que não serão utilizados para análise). durante a troca de tubos. tubos para soro (tampa vermelha) podem ser colhidos normalmente. este tubo será usado para descartar o primeiro volume de sangue da coleta. o sangue do paciente entra no tubo e se mistura ao ativador de coágulo ou anticoagulante. e o paciente necessitar testes específicos de coagulação. Em casos de usar somente tubos plásticos. assegurando a manutenção da proporção sangue/anticoagulante no tubo e também o volume exato de sangue que foi colhido dentro do tubo. No caso de coleta com tubos de vidro.29 - . no momento da coleta de sangue. foi estabelecida pela NCCLS uma ordem de coleta. como veremos abaixo. Devido a este componente estes tubos devem ser colhidos depois do tubo para coagulação (tampa azul). que interfere em testes específicos de coagulação. Foto sobre contaminação do bico da seringa no momento da transferência do sangue para o tubo 20 Em dezembro de 2003. a ordem de coleta da NCCLS foi reformulada contemplando também a coleta em tubos plásticos. para evitar a contaminação destes testes específicos pela tromboplastina tecidual. (recoberta pela manga de borracha da agulha de coleta múltipla de sangue a vácuo). Nota: Nos casos em que a coleta for feita com escalpe. Por isso. quando a mesma penetra a rolha do tubo.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 4.

63). 5 Tubos com EDTA (tampa roxa). 6 Tubos com EDTA (tampa roxa). 4 Tubos para soro com Ativador de Coágulo com Gel Separador (tampa amarela).. Citrato. 2 Tubos para soro vidro siliconizados (tampa vermelha). Para coletas de tubos especiais. como Elementos de Traço. 3 Tubos para soro com Ativador de Coágulo.8. Dextrose (ACD) NÚMERO DE INVERSÕES 5 a 8 vezes 8 a 10 vezes não é necessário homogeneizar 5 a 8 vezes 8 a 10 vezes 5 a 8 vezes 5 a 8 vezes 8 a 10 vezes 8 a 10 vezes 8 a 10 vezes 8 a 10 vezes 5 a 8 vezes O número de inversões pode variar de um fabricante para outro.8. pág.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 4. 7 Tubos com fluoreto (tampa cinza).30 - .1 Seqüência de coleta para tubos plásticos de coleta de sangue 1 Frascos para hemocultura. conforme exemplificado nesta imagem QUADRO 6: 21 QUADRO REPRESENTATIVO DO NÚMERO DE INVERSÕES DOS TUBOS APÓS A COLETA GRUPO DE ANTICOAGULANTES/ADITIVOS Tubos com Gel Separador Tubos com gel e ativador de coágulo Tubos com gel e heparina Tubos sem Aditivos Tubos siliconizados Tubos com Aditivos para Obtenção de Soro Partículas ativadoras de coágulo tampa vermelha ou amarela Tubos Sangue Total/Plasma EDTA K2 ou EDTA K3 Citrato (coagulação) Citrato (VHS) Fluoreto de sódio/EDTA Na2 (glicose) Heparina Ácido cítrico. tubo para VHS etc.8.2 Seqüência de coleta para tubos de vidro de coleta de sangue 1 Frascos para hemocultura. 4. consulte o fornecedor de tubos sobre recomendações para homogeneização Tubos Elemento de Traço EDTA ou heparina Com ativador de coágulo para obtenção de soro . com ou sem Gel Separador (tampa vermelha ou amarela). 6 Tubos com fluoreto (tampa cinza). 4.3 Homogeneização para tubos de coleta de sangue A homogeneização deve ser feita por inversão conforme ilustrado a seguir: Uma inversão é contada após virar o tubo para baixo e retorná-lo à posição inicial. 5 Tubos com Heparina com ou sem Gel Separador de plasma (tampa verde). 2 Tubos com citrato (tampa azul claro). 3 Tubos com citrato (tampa azul claro). 4 Tubos com Heparina com ou sem Gel Separador de plasma (tampa verde). EDTA com gel separador para exames de biologia molecular. (ver Seqüência de Coleta dos Tubos para Coleta de Sangue a Vácuo no final destas Recomendações.

sob o risco de ativação plaquetária e interferência nos testes de coagulação. Quando utilizar tubos de citrato para coleta de sangue a vácuo com aspiração parcial.Local de coleta de sangue guarnecido adequadamente . torniquete. Este fenômeno pode ocorrer pela ativação plaquetária causada pelo “espaço morto” entre o sangue coletado e a rolha destes tubos.3).3). 9 . uma falsa trombocitopenia pode ser observada. A falha na homogeneização adequada do sangue em tubo com anticoagulante precipita a formação de microcoágulos. 6 7 8 Higienizar as mãos (ver item 4. gaze.Material de coleta separado adequadamente 1b 2 Solicitar ao paciente que diga seu nome completo para confirmação do pedido médico e etiquetas. 3 4 5 Rosquear a agulha no adaptador do sistema a vácuo. Procedimento de Coleta de Sangue a Vácuo • 4. Esta identificação dos tubos deve ser feita na frente do paciente. de acordo com o pedido médico (tubos. Conferir e ordenar todo material a ser usado no paciente. Posicionar o braço do paciente. Abrir o lacre da agulha de coleta múltipla de sangue a vácuo em frente ao paciente. Calçar as luvas (ver item 4. inclinado-o para baixo na altura do ombro. 1a .PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO • Não se deve homogeneizar tubos de citrato vigorosamente. Informá-lo sobre o procedimento.9 .31 - . etc).Sistema para coleta de sangue a vácuo 22 1 Verificar se a cabine da coleta está limpa e guarnecida para iniciar as coletas.

Fazer a antissepsia (ver item 4. pedir para que o paciente abra e feche a mão. com o bisel da agulha voltado para cima. 13 Retirar a proteção que recobre a agulha de coleta múltipla de sangue a vácuo. Se o paciente estiver em condições de fazê-lo.8). evitando assim a formação de hematomas e sangramentos.8). Fazer a punção numa angulação oblíqua de 30o. em geral de 1 a 2 minutos. com algodão ou gaze secos. remover a agulha e fazer a compressão no local da punção. orientá-lo adequadamente para que faça a pressão até que o orifício da punção pare de sangrar. desgarrotear o braço do paciente e pedir para que abra a mão 17 Realizar a troca dos tubos sucessivamente (ver item 4. 22 . Se necessário. Homogeneizar imediatamente após a retirada de cada tubo.8. Garrotear o braço do paciente (ver item 4. esticar a pele com a outra mão (longe do local onde foi feita a antissepsia).1). em recipiente para materiais perfurocortantes Fazer curativo oclusivo no local da punção.3). 14 Inserir o primeiro tubo a vácuo (ver item 4.3). 20 Exercer pressão no local. 21 Descartar a agulha imediatamente após sua remoção do braço do paciente.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 10 11 12 Se o torniquete for usado para seleção preliminar da veia. 18 19 Após a retirada do último tubo. para melhor visualizar a veia.32 - . 15 16 Quando o sangue começar a fluir para dentro do tubo. afrouxá-lo e esperar 2 minutos para usá-lo novamente. invertendo-o suavemente de 5 a 10 vezes (ver item 4.

perguntando se está em condições de se locomover sozinho. gaze.Material de coleta separado adequadamente 1b 2 3 Solicitar ao paciente que diga seu nome completo para confirmação de pedido médico e etiquetas. Colocar as amostras em local adequado ou encaminhá-las imediatamente para processamento em casos indicados (como materias que necessitem ser mantidos em gelo. e liberá-lo. se for necessário.10 Procedimento de Coleta de Sangue com Seringa e Agulha: Seringa e Agulha estéreis 23 1 Verificar se a cabine da coleta está limpa e guarnecida para iniciar as coletas. 4.) de acordo com o procedimento operacional do laboratório. que pode funcionar como torniquete. Conferir e ordenar todo material a ser usado no paciente. . de acordo com o pedido médico (tubos. 24 25 26 O que é um tubo de descarte? O tubo de descarte deve ser um tubo sem nenhum aditivo.33 - . por ex. onde está presente o fator de coagulação tromboplastina tecidual que interfere em testes de coagulação específicos. etc) esta identificação dos tubos deve ser feita na frente do paciente. e não mantenha manga dobrada. este tubo será usado para descartar o primeiro volume de sangue da coleta. ou seja. fornecendo orientações adicionais ao paciente. no mínimo 1 hora. 1a . torniquete. entregar o comprovante para retirada do resultado. Verificar se há alguma pendência.Local de coleta de sangue guarnecido adequadamente . Certificar-se das condições gerais do paciente. não carregue peso ou bolsa a tiracolo no mesmo lado da punção por.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 23 Orientar o paciente para que não dobre o braço.

3). Calçar as luvas (ver item 4. 12 13 Fazer a punção numa angulação oblíqua de 30o. Fazer a antissepsia (ver item 4. Aspirar o sangue evitando bolhas e espuma.3). pois o processo de coagulação do organismo do paciente já foi ativado no momento da punção. e com agilidade. Garrotear o braço do paciente (ver item 4. esticar a pele com a outra mão (longe do local onde foi feita a antissepsia).1). 16 17 . .PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 4 Informá-lo sobre o procedimento. Se o paciente estiver em condições de fazê-lo. com o bisel da agulha voltado para cima. afrouxá-lo e esperar 2 minutos para usá-lo novamente.34 - Retirar a agulha da veia do paciente. oriente-o para que faça a pressão até que o orifício da punção pare de sangrar. Exercer pressão no local. pedir para que o paciente abra e feche a mão. Retirar a proteção da agulha hipodérmica. se necessário. 8 9 10 11 Se o torniquete for usado para seleção preliminar da veia. Aspirar devagar o volume necessário de acordo com a quantidade de sangue requerida na etiqueta dos tubos a serem utilizados (respeitar ao máximo a exigência da proporção sangue/aditivo).Desgarrotear o braço do paciente assim que o sangue começar a fluir dentro da seringa. Posicionar o braço do paciente. Abrir a seringa na frente do paciente. 14 15 . para melhor visualizar a veia. 5 6 7 Higienizar as mãos (ver item 4. inclinado-o para baixo na altura do ombro. evitando assim a formação de hematomas e sangramentos.3). em geral de 1 a 2 minutos.

PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO

18

Tenha cuidado com a agulha para evitar acidentes perfurocortantes.

19

Descartar a agulha imediatamente após sua remoção do braço do paciente, em recipiente adequado, sem a utilização das mãos (de acordo com a normatização nacional – não desconectar a agulha não reencapar). 21

20

Abrir a tampa do 1° tubo, deixar que o sangue escorra pela sua parede devagar para evitar hemólise (ver item 4.5.1).

Fechar o tubo e homogeneizar, invertendo-o suavemente de 5 a 10 vezes de acordo com o tubo utilizado.
Boas práticas - lembrete Recomenda-se que o processo de homogenização do sangue ao anticoagulante citrato ocorra num intervalo inferior a 1 minuto, após a finalização da coleta (NCCLS).

22

Abrir a tampa do 2º tubo, e assim sucessivamente até o último tubo, de acordo com o pedido médico do paciente. Não esquecer de fazer o processo tubo a tubo, para evitar a troca de tampa dos tubos (causando erro de diagnóstico).

Boas práticas - lembrete A seqüência a ser preconizada na transferência do sangue para os tubos, ao utilizar seringa e agulha, deve ser aquela recomendada pela NCCLS. Este procedimento visa prevenir riscos de contaminação das amostras.

23

Ao final, descartar a seringa em descartador apropriado para materiais contaminantes.

Fazer curativo oclusivo no local da punção. 24

25

Orientar o paciente para que não dobre o braço, não carregue peso ou bolsa a tiracolo no mesmo lado da punção por, no mínimo, 1 hora e não mantenha manga dobrada, que pode funcionar como torniquete. Verificar se há alguma pendência, dando orientações adicionais ao paciente, se for necessário. Certificar-se das condições gerais do paciente perguntando se está em condições de se locomover sozinho, entregar o comprovante para retirada do resultado, e liberá-lo. Colocar as amostras em local adequado ou encaminhá-las imediatamente para processamento em casos indicados (como materias que necessitem ser mantidos em gelo por ex.) de acordo com o procedimento do laboratório.
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4.11 Cuidados para uma Punção Bem Sucedida O ideal é que o paciente seja puncionado uma única vez, proporcionando assim conforto e segurança ao paciente. Para se obter uma punção de sucesso, vários fatores devem ser observados, antes de iniciar o procedimento. Ao observar o acesso venoso do paciente, escolher materiais compatíveis, por exemplo, paciente com acesso venoso difícil, valer-se do uso de agulhas de menor calibre ou escalpes e tubos de menor volume. • Sempre puncionar a veia do paciente com o bisel voltado para cima. • Respeitar a proporção sangue/aditivo no tubo. • Introduzir a agulha mais ou menos 1 cm no braço. • Respeitar a angulação de 30o (ângulo oblíquo), em relação ao braço do paciente.

Correta angulação na coleta / 30o 24 25

Incorreta angulação na coleta

Figura A. Punção venosa adequada

O ângulo oblíquo de 30° da agulha em relação ao braço do paciente foi respeitado, agulha penetrou centralmente na veia e o bisel da agulha foi inserido voltado para cima. Deve-se tomar cuidado quando o sangue não for obtido logo na primeira punção, para evitar complicações.


Fluxo Sangüíneo A

As figuras a seguir exemplificam alguns problemas que podem ocorrer nas situações em que a punção venosa não foi feita adequadamente e como resolvê-los.

Figura B. Interrupção do fluxo sangüíneo
• •
Fluxo Sangüíneo B

O bisel está encostado na parede superior da veia. O ideal é inclinar um pouco para cima e avançar um pouco com a agulha, permitindo a passagem do fluxo sangüíneo para dentro da agulha.

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PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO

Figura C. Interrupção do fluxo sangüíneo
• •
Fluxo Sangüíneo C

Neste caso a parte posterior da agulha está encostada na parede da veia. Deve-se então retroceder um pouco com a agulha e girar sutilmente o adaptador ou seringa para permitir a retomada do fluxo sangüíneo.

Figura D. A agulha transfixou a veia
• Neste caso deve-se retroceder um pouco a agulha, observando a retomada do fluxo.

Fluxo Sangüíneo D

Figura E. O bisel da agulha penetrou parcialmente a veia do paciente.

É eminente a formação de hematoma neste caso. Vemos o extravasamento de sangue abaixo da pele. Para evitar que seja feita uma segunda punção, deve-se introduzir um pouco mais a agulha no braço do paciente, tranqüilizá-lo e, após o término da coleta, fazer compressa com gelo.


Fluxo Sangüíneo E

Figura F. Processo de estenose venosa.

• • •

Retirar ou afrouxar o torniquete para permitir o restabelecimento da circulação. Retroceder um pouco a agulha para permitir que o fluxo sangüíneo desobstrua. Utilizar a marca guia do adaptador de coleta de sangue a vácuo. Ela serve como orientação, quando no meio de uma punção sem fluxo, como demonstrado acima, e o tubo já inserido no sistema de coleta a vácuo, o flebotomista necessite desobstruir a veia colabada, retrocedendo um pouco o tubo. O tubo perderá o vácuo, caso este retrocesso seja após a marca guia.

Fluxo Sangüíneo F

• Se durante o ato da coleta, for percebido uma suspeita de colabamento da veia puncionada, recomenda-se virar lenta e cuidadosamente o adaptador de coleta de sangue a vácuo para que o bisel seja desobstruído, permitindo a recomposição da luz da veia e liberação do fluxo sangüíneo. • Caso ocorra a perda do vácuo, substituir o tubo. • Evitar movimentos de busca aleatória da veia. Este procedimento induz hemólise da amostra e resulta na formação de hematoma. Em muitos casos é aconselhável realizar nova punção em outro sítio. • Punção acidental de artéria: O fluxo arterial é muito mais rápido que o venoso. O sangue arterial tende a uma cor avermelhada, mais “viva”, devido a maior oxigenação da hemoglobina. Ao puncionar acidentalmente uma artéria, recomenda-se retirar rapidamente a agulha, seguida de compressão vigorosa no local da punção, até a parada do sangramento. O supervisor necessita ser notificado. - 37 -

. há necessidade de cuidados expeciais e o procedimento deve ser realizado por profissional experiente e habilitado. floculação. plasma TENDÊNCIA ↓ ↓ COMENTÁRIO. método dependente (turvação. . Amilase.1 Coleta de sangue via cateter de infusão A coleta de sangue em cateteres de infusão não é recomendada. Além disto. soro Grupo sangüineo Gamaglobulina Eletrólitos Glicose Glicose Sorologia Potássio.. 2001. Narayanan. Sódio. W. podem ser obtidos resultados incorretos dos exames laboratoriais realizados. portanto. pág 16. Darmstadt. a composição da amostra pode ser profundamente afetada pelos fluidos infundidos e. et al – Samples: from the patient to the laboratory. Magnésio Glicose Fosfato inorgânico. Ilustração de coleta de sangue a vácuo em acesso de cateter 26 O quadro abaixo demonstra algumas substâncias afetadas por coletas em cateter de infusão: QUADRO 7: INFUSÕES/TRANSFUSÕES COMO FATOR DE INTERFERÊNCIA E/OU CONTAMINAÇÃO DOS EXAMES LABORATORIAIS PARA DIAGNÓSTICOS INFUSÃO/TRANSFUSÃO Dextran SUBSTÂNCIAS AFETADAS Tempo de coagulação resposta do fator von Willebrand Proteína sérica total. S.38 - . Na situações em que este tipo de coleta for imprescindível. coloração esverdeada) Uréia. Potássio. Bilirrubina Frutose Citrato (transfusão sangüínea) Soro fisiológico 0.9% Ácido úrico pH do sangue teste de coagulação Íons Hemodiluição ↓ pseudoaglutinação Falso-positivo ↑ ↑ ↓ Contaminação Contaminação Insulina Acima de 15%. H. Git Verlag. 2nd edition.12 Coletas em Condições Particulares 4. G.10 seg. Wisser.12.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 4. MECANISMO 5 . especialmente em recém-nascidos Efeito metabólico Inibição Contaminação ↑ ↑ ↓ ↑↓ ↑ ↓ Guder. retardo ↑ Biureto.

Git Verlag. e o sangue subseqüente obtido (em tubo de citrato). Tudo isto porque. que são extremamente sensíveis à sua interferência. fibrinogênio segundo Clauss. e tempo de coagulação. O primeiro sangue coletado após este procedimento deve ser usado para pesquisa não hemostasiológica (em tubo para soro). é possível haver influência do local da coleta sobre a composição do plasma/soro e. glicose. Devido a estes problemas. dextran.39 - • . DEPOIS DA SESSÃO DE INFUSÃO 8 1 1 1 Guder. usado apenas para determinar substâncias insensíveis à heparina: Tempo de Protrombina.12.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Nos casos em que for imprescindível esta forma de coleta. Emulsão de gordura Solução rica em carboidrato Aminoácidos e proteínas hidrolisadas Eletrólitos 4. et al – Samples: from the patient to the laboratory. pág 17. devido à importante interferência nos resultados dos exames que este tipo de coleta pode reproduzir. W. Para métodos heparino-dependentes.. H.. conseqüentemente. Em qualquer situação. O flebotomista deve ser minuciosamente treinado e deve respeitar rigorosamente as normas padronizadas pela instituição. . Caso contrário. este tipo de coleta deve ser evitado. sempre que possível. antes da coleta. sempre é bom lembrar que: • Uma possível contaminação com heparina deve ser sempre considerada nos casos de exames da coagulação. como o tempo de trombocitoplastina parcial ativada. Tempo de Tromboplastina Parcial Ativado). Darmstadt. G. As hemoculturas não devem ser colhidas via cateter. tais como: • • • Obter o consentimento do médico assistente. onde um cateter preservado com heparina é utilizado. Narayanan. deve ser colhido um segundo tubo de citrato. É importante rapidez na coleta do cateter para evitar coagulação. no resultado obtido. S.0 mL de sangue. pois os organismos que colonizam as paredes do cateter podem contaminar a amostra. 2nd edition.2 Coleta de sangue via cateter de infusão com heparina Uma consideração importante deve ser feita quanto à coleta de sangue para testes de coagulação. Planejar a hora da coleta de acordo com cada tipo de infusão conforme o quadro 8: QUADRO 8: RECOMENDAÇÕES PARA PLANEJAR AS INFUSÕES E AS AMOSTRAGENS DE SANGUE INFUSÃO INÍCIO DA COLETA DE SANGUE EM HORAS. Wisser. deve-se tomar alguns cuidados. Comunicar ao laboratório que foi feita uma coleta através de um cateter de infusão e anotar no pedido a substância que está sendo infundida (soro fisiológico. é recomendado descartar 5. (tempo de trombina. 2001. ou seis vezes o volume do cateter. etc. medicamentos. Anti Trombina III. monômero de fibrina.).

3) Este procedimento deve ser feito somente por pessoal capacitado e. Procedimentos para reinício de infusão no paciente devem ser realizados por profissional habilitado (fig. 1).0 mL de sangue devem ser descartados antes que a amostra de sangue seja coletada (ver coleta com infusão de heparina para testes de coagulação pag. Retirar o adaptador ou a seringa (fig. em ambiente hospitalar com prévio consentimento do médico assistente.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Passo a passo para coleta de sangue por cateter de infusão: Ao iniciar o procedimento de coleta de cateter com infusão intravenoso: 1 2 3 Deve-se tomar todo cuidado para assegurar que o fluxo de infusão foi completamente descontinuado. Fazer a antissepsia rigorosa do cateter onde foi conectado o adaptador ou seringa (fig. Enxaguar a cânula com solução salina isotônica com volume proporcional ao tamanho do cateter (fig.40 - . 7). 2). 4). proximal ou distal do local de infusão. 4 5 6 7 8 9 10 Boas práticas . Conectar o adaptador de coleta a vácuo ou a seringa ao cateter e proceder a coleta (fig. 5. 9). Os primeiros 5. Coletar o sangue (fig. PASSO A PASSO PARA COLETA DE SANGUE POR CATETER DE INFUSÃO 1 2 3 4 5 6 7 8 9 . Fazer antissepsia rigorosa (fig. 41).lembrete A coleta de sangue via cateter de infusão não é recomendada. de preferência. 8). Deve ser documentado qual braço. e onde foi feita a coleta. (fig. 6). podendo ser realizada em situações de difícil acesso venoso.

do que no pico febril. pois se aquele acesso estiver contaminado a probabilidade do médico tratar indevidamente o paciente aumenta muito.13 Hemocultura Para a realização de hemocultura faz-se a coleta e a transferência de sangue para frascos específicos. A qualidade da coleta de sangue é fator limitante.12. que tem indicações restritas). . uma hemocultura de adulto requer 8 a 10 mL/frasco aeróbio e 8 a 10 mL/frasco anaeróbio e.5 a 1 mL de sangue por punção venosa e inocular em frasco pediátrico. O volume coletado é diretamente proporcional à probabilidade de o laboratório isolar a bactéria ou o fungo. Não respeitar esta recomendação pode comprometer seriamente a especificidade do exame.41 - .4 Fluidos intravenosos Uma coleta capilar é recomendada quando o acesso venoso não está prontamente disponível. pois é um acesso permanente. de acordo com recomendações dos fabricantes. salvo casos específicos. é importante que se colha o maior volume permitido pelo frasco. sendo a partir de punções de locais diferentes. Cada mililitro de sangue a mais coletado aumenta a positividade em média 3%. Quando possível. 2 amostras de hemocultura. 4. há chance de se obter maior número de bactérias ou fungos. Não se recomenda coletar sangue de um braço com fístula. Em pacientes adultos.0 mL de sangue por hemocultura. Importante: Não utilize o mesmo acesso venoso para mais de um frasco (a não ser que se colha 1 frasco anaeróbio e outro aeróbio). e em crianças. hemocultura de criança (1 até 6 anos) requer 1 a 3 mL/frasco. quanto para a agilidade dos resultados.3 Fístula artério-venosa Fístula é uma conexão de desvio artificial feita por um procedimento cirúrgico para comunicar uma veia com uma artéria. seria o número ideal. não se recomenda colher sangue desta veia. A coleta não deve ser realizada no descendente da curva térmica. contendo meios de cultura próprios para o crescimento de microrganismos aeróbios e/ou anaeróbios. Nota: Quando forem solicitadas pelo médico mais de uma amostra de hemocultura (ex: hemocultura 3 amostras) estas não devem ser colhidas simultaneamente da mesma punção (a não ser que se trate de um frasco aeróbico e outro anaeróbico. 4. amostras devem ser coletadas do braço oposto. Deve ser tomado todo cuidado ao manipular uma fístula.12. É usada para hemodiálise de pacientes com insuficiência renal. Quando um fluido intravenoso (incluindo transfusão de sangue) é administrado ao paciente. pois o volume de sangue requerido pode variar consideravelmente. O hospital deve estabelecer uma política institucional para estes tipos de coleta. Quantidade de frascos. Ao se coletar na ascensão da temperatura. De uma maneira geral deve-se colher 20. pois os resultados dos testes laboratoriais poderão ser errôneos. tanto para a positividade dos frascos. Portanto. ou seja. 2 ou 3 amostras de hemocultura. volume de sangue e intervalo entre as coletas: O número de frascos e o intervalo entre as coletas são fundamentalmente determinados pela clínica do paciente e não pelo laboratório (Consenso Brasileiro de Sepse).PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Coleta de Sangue em Outros Tipos de Acessos: 4. Em recém-nascidos recomenda-se coletar 0.

não há aumento da contaminação dos frascos. Remover o iodo ou clorexidina da pele com gaze ou algodão (estéreis) com álcool 70%. torna este procedimento seguro e contribui para a redução da contaminação da amostra. usando escalpe e adaptador para coleta de sangue a vácuo. Atualmente.1 a 1% de iodo) ou clorexidina alcoólica (0. Limpar centralmente o local de punção com gaze ou algodão e álcool 70% (etílico ou isopropílico). Fazer uma antissepsia prévia nas tampas. Nunca assoprar ou abanar o local da punção para agilizar o processo. com gaze ou algodão (estéreis) em movimento circular. com uma solução 1 a 10% de iodo-povidine. Remover os selos da tampa dos frascos de hemocultura já identificados com nome do paciente. Pode-se. pois se a antissepsia for correta.42 - 5 6 7 8 9 10 . portanto devemos cumprir alguns passos para obter a amostra de sangue sem contaminar a amostra. do centro para a periferia. Não assoprar. para que o antisséptico tenha efeito local. Ilustração de coleta de hemocultura com escalpe para coleta de sangue a vácuo 27 Passo a passo para a coleta de hemocultura: 1 2 3 4 Lavar e secar as mãos cuidadosamente.5%). A coleta de hemocultura. Colocar o torniquete e selecionar o local da punção. também usar PVPi (Solução Tópica de Iodopovidona a 10 %) como antisséptico. . Depois de limpar.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Antissepsia: Não existe antisséptico instantâneo. Depois limpar. não mais tocar o local. Permitir a secagem da área. data e hora da coleta e número da amostra. Pode-se trabalhar com a seguinte metodologia: • iniciar com álcool iodado 1% • deixar secar • retirar o excesso de iodo com álcool 70% • deixar secar • executar a punção como veremos a seguir. A coleta deve também ser realizada em ambiente fechado. em substituição ao álcool iodado. A mesma rotina deve ser realizada na tampa do frasco contendo meio de cultura. Em pacientes alérgicos ao iodo. A necessidade de esperar secar o local da punção baseia-se no fato de que as bactérias são mortas por desidratação. não abanar e não colocar nada no local. está contra-indicada a troca de agulha após a punção do paciente. Esperar o local secar. Retirar o torniquete. (0. pode ser utilizado somente o álcool 70% ou clorexidina. Aguardar de 30 segundos a 2 minutos. sem corrente de ar. com álcool 70%.

Em caso de coleta com escalpe para coleta de sangue a vácuo. Tubo para coleta de sangue a vácuo. tampa vermelha. o frasco deve ser encaminhado imediatamente para o laboratório. Recomenda-se que estes testes tenham acompanhamento médico e que o laboratório disponha de um local separado para sua realização. de alguma forma. Em caso de coleta com seringa e agulha. para evitar a formação de coágulos no tubo vinílico do escalpe. 4.1). e tenha que fazer nova punção. Em coletas de provas funcionais. Tubos específicos para as provas a serem testadas. permanecendo por um período em repouso. Materiais Utilizados: • • • • • • • Seringa descartável de 10.0 mL. Técnica de utilização do escalpe para provas funcionais: 28 Escalpe para coleta de sangue a vácuo com tubo fluoreto – sistema para coleta múltipla de glicose. . recomenda-se que todo o procedimento de antissepsia seja refeito. deixando sempre o frasco na posição vertical e abaixo do local da punção. Solução Fisiológica (ampola de 10. 14 15 16 Em caso de punção difícil. observar a quantidade de sangue que está fluindo para dentro do frasco de hemocultura.8). em que o flebotomista perca a veia. na maioria das vezes.43 - . por administração endovenosa ou ingestão de medicamento ou substância. siliconizado de 10. antes da coleta do exame. sem necessidade de manuseio e minimizando os riscos de contaminação da amostra (ver item 4. o uso de escalpe é o mais indicado e. ou um tubo de descarte (ver item 4. Bandagem oclusiva. Após a coleta. conforme protocolo do hospital ou laboratório.0 mL. 29 Escalpe para coleta de sangue a vácuo com tubo gel separador – sistema para coleta múltipla de provas funcionais.4. ou mantido a 37°C. Exercer pressão no local até cessar o sangramento. permitindo assim uma coleta fechada. Devido à particularidade de se fazer coleta seriada de sangue para as provas funcionais. é necessário manter o acesso venoso do paciente viável para as coletas seriadas.0 mL).14 Coleta de Sangue para Provas Funcionais Provas funcionais são aquelas em que o organismo do paciente é estimulado ou suprimido. transferir o sangue imediatamente para o frasco de hemocultura. até mesmo. por meio de exercícios ou. ou cateter.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 11 12 13 Calçar luvas estéreis. Heparina (conforme protocolo do laboratório ou hospital). Isto pode ser feito por meio da injeção de uma solução de heparina ou salina no escalpe. em geral. Puncionar a veia do braço do paciente. o ideal é puncionar uma só vez este paciente. Escalpe para coleta múltipla de sangue a vácuo.

Inserir o tubo para a 1ª amostra da prova e colher os exames basais. ver item 4. escalpes e tubos de menor volume. Higienizar as mãos (ver item 4. esticar a pele com a outra mão (longe do local onde foi feita a antissepsia).0 mL de sangue. Se o torniquete for usado para seleção preliminar da veia. afrouxá-lo e esperar 2 minutos para usá-lo novamente. Calçar as luvas (ver item 4.15 Coleta de Sangue em Pediatria e Geriatria Como o acesso venoso em pacientes pediátricos e geriátricos pode ser difícil.0 mL).PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Passo a passo da coleta : 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Conferir o material a ser usado no paciente. Desconectar e reservar a seringa. inclinado-o para baixo. introduzir o tubo siliconizado (ou tubo de descarte.0 mL no adaptador. Escalpe para coleta de sangue a vácuo com dispositivo de segurança 30 . pedir para que o paciente abra e feche a mão. injetar cuidadosamente a solução preparada até que a extensão do escalpe se apresente limpa (1 a 2. tomar cuidado para não injetar a solução na veia do paciente. tomar cuidado para não injetar a solução na veia do paciente. Posicionar o braço do paciente.0 mL). Novamente. de forma que o bico da seringa empurre a borracha da agulha.0 mL a 2. devem ser identificados e colocados numa cuba ou similar.1).3). para melhor visualizar a veia. Estes materiais serão descartados ao final da prova. Informá-lo sobre o procedimento.3).8) e aspirar de 1.44 - . se necessário. Administrar a medicação ou substância específica à prova do paciente e marcar o tempo. Inserir o tubo para a 2ª amostra da prova. Garrotear o braço do paciente (ver item 4. repouso de 30 minutos antes da coleta basal e da administração de medicamento de esímulo ou supressão (início do teste funcional).3). Na próxima coleta. Tanto a seringa quanto o tubo siliconizado (ou de descarte). Colocar um esparadrapo ou similar para prender o “butterfly” no braço do paciente. com a finalidade de limpar a extensão do escalpe. Em geral. na altura do ombro. Conectar a seringa de 10. Retirar o escalpe para coleta múltipla de sangue a vácuo da embalagem e rosqueá-lo no adaptador. pois os mesmos possuem veias menos calibrosas. 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 4. Fazer a punção com o bisel da agulha voltado para cima. o êxito de uma coleta nestes pacientes requer agulhas de menor calibre. proceder assim até o final da prova. injetar cuidadosamente a solução preparada para manutenção da veia (quando for o caso) até que a extensão do escalpe se apresente limpa (1 a 2. Desgarrotear o braço do paciente. Fazer a antissepsia (ver item 4.

evitando assim a formação de micro-coágulos que podem produzir resultados errôneos. idealmente não excedendo o prazo de 15 minutos. O resfriamento do material em gelo auxilia sobremaneira na diminuição da atividade metabólica dos leucócitos. bem como obstruir os equipamentos analisadores de gases sangüíneos. como por exemplo nos recém-natos. O uso de seringa. O material necessita ser encaminhado de imediato ao laboratório. visando prevenir o congelamento da amostra. pode-se optar pelas artérias do couro cabeludo ou as artérias umbilicais durante as primeiras 24 a 48 horas de vida. de preparação “caseira”. tem por finalidade minimizar os efeitos da queda deste íon na amostra. Coleta de gasometria: A análise dos gases no sangue arterial é fundamental no tratamento de pacientes críticos. isolando-a com papel. Os locais usuais para a realização da punção arterial são as artérias radial.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 4. Esta coleta também requer agulhas de menor calibre. A introdução do cálcio em concentração “balanceada”. com lancetas e microtubos. escalpes e tubos de menor volume. porém não assegura uma inibição completa. As seringas específicas para a análise de gases sangüíneos. A melhor opção está na utilização de seringa previamente preparada com heparina de lítio jateada na parede. resultando valores incompatíveis com a situação clínica do paciente. deve-se manter uma via de acesso preservada para infusão. com “balanceamento” de cálcio. e homogeneiza-se suavemente. 4.45 - . No caso de coleta de sangue. fato que inviabilizaria sua análise. Em situações especiais. esgota-se o ar residual. nas seringas destinadas especificamente para coleta de gasometria e eletrólitos. pode ainda causar diluição da amostra.17 Gasometria A coleta de sangue arterial ou venoso para análise dos gases sangüíneos requer cuidados na escolha do material adequado a ser utilizado na coleta. recomenda-se procurar uma veia cujo acesso esteja íntegro e facilitado. além de eliminarem o risco de diluição da amostra. braquial ou femural. sendo em geral necessária quando a amostra venosa não permite a medição adequada dos parâmetros desejados pelo médico.16 Coleta de Sangue em Queimados Dependendo das condições do paciente queimado. Após a obtenção da amostra arterial ou venosa despreza-se a agulha. porém aumenta a possibilidade de interferência na dosagem de cálcio iônico. asseguram a proporção exata entre volume de sangue e anticoagulante. Este tipo de material é facilmente obtido no mercado e apresenta uma relação custo/eficiência satisfatória. utilizando heparina de sódio líquida também é aceitável. em excesso. rolando-a entre as mãos. Seringa de gasometria vedada e pronta para ser enviada ao laboratório 31 . veda-se a ponta da seringa com o dispositivo oclusor. pois existe a possibilidade da heparina ligar-se quimicamente ao cálcio. resultando em valores falsamente mais baixos do que o real. pode-se colher sangue por punção capilar. Em alguns casos. Deve-se evitar o contato direto da seringa com o gelo. na conservação da amostra e transporte imediato ao laboratório. compressa ou similar. A heparina líquida.

Isso pode ser feito mediante uma combinação de estratégias. em geral. verde: Usualmente indicada para pacientes com bom acesso venoso.2. os materiais de coleta.1 Qualificação dos Fornecedores e Materiais Uma das características básicas de todos os sistemas de gestão da qualidade é a recomendação de que a organização: 1 2 3 especifique para aquisição os insumos e materiais. .1 Agulhas para coleta múltipla • 25 x 7 mm (22 G1). 5. é a agulha de coleta múltipla de sangue a vácuo mais utilizada. 5. As diversas variáveis pré-analíticas devem ser controladas de forma a preservar a representatividade e a integridade das amostras. 5. contudo é bom que se saiba que não há como garantir que os recipientes de coleta e de transferência dos mais variados fabricantes se comportarão de forma absolutamente inerte. de forma a padronizar o uso de materiais que não venham a contribuir com interferentes para as análises a serem realizadas. Não há necessidade de testes locais exaustivos. com a qual se obtêm amostras de qualidade. Algumas agulhas são siliconizadas e têm o bisel em corte trifacetado a laser com o intuito de facilitar e tornar menos dolorosa a punção. de preferência antes da sua aquisição. No meio da agulha há uma parte plástica com rosca. inclusive com conseqüências médicas. em grande parte. o preenchimento excessivo ou insuficiente de tubos de coleta a vácuo pode levar a erros. que permitem uma coleta segura ao flebotomista. pediátricos e com acesso venoso difícil.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 5. Algumas também possuem dispositivos de segurança. • 25 x 8 mm (21 G1). tais como: testagem direta.2 Especificação dos Materiais para Coleta de Sangue a Vácuo Agulhas de coleta múltipla de sangue a vácuo As agulhas para coleta de sangue a vácuo têm duas pontas: uma maior (proximal) que será inserida no braço do paciente e outra menor (distal). Ao laboratório recomenda-se avaliar criticamente. recoberta por um manguito de borracha. que perfura o tubo a vácuo no momento da coleta. Estas recomendações para garantia da qualidade na fase pré-analítica fundamentam-se nos programas de acreditação de laboratórios clínicos da SBPC/ML (Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial) e CAP (Colégio Americano de Patologistas). Igualmente. em geral. preta: Usualmente indicada para pacientes geriátricos. Garantia da Qualidade Laudos de testes laboratoriais acurados (exatos e precisos) dependem. revisão da literatura e avaliação das informações obtidas dos fabricantes (trabalhos científicos desenvolvidos pelo fabricante em instituições médicas de referência nacional e mundial. comprovando a funcionalidade de seus produtos) e fornecedores. onde será rosqueado o adaptador para coleta de sangue a vácuo. em função de suas características de impacto sobre a qualidade pretendida. de uma flebotomia adequada. principalmente os recipientes. uma vez que materiais usados na sua fabricação podem levar a resultados errôneos.46 - . qualifique os fornecedores de material em função dos produtos especificados e de outras características importantes para a organização. monitore continuamente a qualidade dos insumos e materiais e dos respectivos fornecedores.

em geral. ao término da punção. Alguns escalpes possuem dispositivos de segurança que. neonatos e pacientes em tratamentos com quimioterápicos. 23G (calibre 6). a diferença é que no luer. Escalpes para coleta de sangue a vácuo. possibilita ao flebotomista uma melhor empunhadura e segurança na hora da coleta venosa. azul escuro: Usualmente utilizado para o mesmo perfil de pacientes acima descritos. azul claro: Usualmente é o mais utilizado em pacientes geriátricos. onde o adaptador é rosqueado. com uma agulha recoberta por uma manga de borracha.2. Cada fabricante produz o adaptador adequado ao seu sistema de coleta de sangue a vácuo (adaptador. em geral pacientes com acesso venoso difícil. tubo a vácuo). agulhas com dispositivo de segurança 5. isto é. • O flebotomisma deve escolher o produto que melhor se adeqüe ao acesso venoso de seu paciente. preta – 22 G1 e. na parte inferior. em geral. . pediátricos. 5. existe uma peça acoplada. porém com acessos venosos ainda mais difíceis. agulha. porção final do tubo vinílico. amarela – 20 G1 ½. para obter as facilidades do sistema a vácuo e evitar perda de materiais por incompatibilidade entre eles. com os seguintes calibres: • • 21G (calibre 8).2 Adaptadores para coleta de sangue a vácuo Adaptadores para coleta de sangue a vácuo 33 O adaptador é uma peça plástica que.2. uma vez rosqueada à agulha de coleta múltipla de sangue a vácuo. verde: Usualmente utilizado para pacientes com bom acesso venoso. 25G (calibre 5).3 Escalpes para coleta múltipla de sangue a vácuo Escalpe para coleta de sangue a vácuo 34 Os escalpes para coleta de sangue a vácuo são similares aos escalpes de infusão.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 32 Figura ilustrando os diversos tipos de agulhas de coleta múltipla de sangue a vácuo: verde – 21 G1. Cabe ao laboratório especificar em sua compra o adaptador compatível com os tubos a vácuo e agulhas para coleta múltipla que utiliza. recobrem a agulha protegendo o flebotomista de uma contaminação por acidente com perfurocortante.47 - . em geral.

contudo. devem ser estéreis. há especificação de espaço suficiente para que possa ser efetivada uma homogeneização mecânica ou manual. A esterilidade é obrigatória também quando. CE (Comunidade Européia). é importante solicitar estas informações ao fabricante.Single-use Containers for Human Venous Blood Specimen Collection (ISO – Internacional Organization for Standardization. Os tubos também devem ser projetados para que apresentem apenas uma variação de aspiração do volume nominal de ± 10%. os limites de interferência usualmente testados podem não estar adequados. A norma especifica que o tubo deve ser fabricado com um material que permita uma clara visão do conteúdo quando submetido a uma inspeção visual. Para tubos com aditivos. . 5. Se o tubo for recomendado para análises específicas de certas substâncias. Ela não especifica.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 5. Quando da mudança de fornecedor. Importante também é verificar se o fabricante comprova a funcionalidade dos tubos. durante a coleta de sangue.4 Tubos para coleta de sangue a vácuo Tubos para coleta de sangue a vácuo 35 Os tubos para coleta de sangue a vácuo são de uso único e devem ter seu interior estéril. Para determinações de metais e outras substâncias específicas. Outro ponto relevante é a compatibilidade destes tubos com os equipamentos usados no laboratório. Citrato e Dextrose). Temos no mercado tubos de diversos volumes de aspiração e características físicas.2 é uma padronização internacional que especifica requisitos e metodologias para testes de tubos de uso único para coleta de sangue. requisitos para agulhas e adaptadores para coleta de sangue. a formulação do material da rolha deve ser tal que não interfira nos resultados destas análises.48 - . FDA (Food and Drug Administration). Os fabricantes devem basear-se nestas especificações para a fabricação de seus tubos para coleta de sangue a vácuo e não-vácuo. preferencialmente através de documentação científica. A norma especifica também os aspectos relativos à capacidade dos tubos e os testes previstos para a avaliação da variação de capacidade permitida. recomendando-se consultas ao fabricante a respeito de potenciais interferentes. O que deve ser verificado é se o produto está devidamente registrado na ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e é fabricado de acordo com as Boas Práticas de Fabricação estabelecidas pela ANVISA e ou por outros padrões internacionais ISO 6710. É importante atentar ao fato de que. Recomenda também que a superfície interna dos tubos de vidro para testes de coagulação evite a ativação do coágulo. Tubos que contenham anticoagulantes. existir a possibilidade do contato direto entre o interior do tubo e o fluxo sangüíneo do paciente. na sua etiqueta ou embalagem. para determinações de alta sensibilidade analítica (ex: fluorimetria).2. que sabidamente podem atuar como potenciais meios de cultura (ex. NCCLS. possuem vácuo calibrado e volume/quantidade de anticoagulante proporcional ao volume de sangue a ser aspirado especificado em sua estiqueta. citrato e ACD .Ácido Cítrico.3 Comentários sobre a ISO 6710. A Norma ISO 6710. e seu método analítico aplicado. devem estar contidos na literatura que o acompanha.2.2 . o nível máximo de contaminação interior deste tubo com esta substância. para uso principalmente pelos fabricantes. portanto o fabricante deve assegurar que o interior de seus tubos seja estéril. a vácuo e não-vácuo.

gasometria (somente em seringa préheparinizada) Exames bioquímicos em geral Preservação de células Exames sorológicos e bioquímicos em geral Exames sorológicos. havendo um teste de vazamento recomendado para garantir a vedação. devem ser projetados e validados pelo fabricante . que deve resistir a uma aceleração de 3. 1 EDTA é a abreviação para ácido etilenodiaminotetracético 2 Demonstra o raio entre o volume de sangue pretendido e o volume de anticoagulante (ex. A tampa do tubo também deve possuir um desenho que permita sua remoção manual ou por métodos mecânicos. bioquímicos em geral.lembrete Tubos que contenham anticoagulantes considerados potenciais meios de cultura. a norma especifica a tampa do tubo. . de forma que não seja desprendida durante a homogeneização.000 g num eixo longitudinal. Citrato Trissódico 9:12 Citrato Trissódico 4:12 Fluoreto/Oxalato Fluoreto/ EDTA Fluoreto/Heparina Heparina de Lítio 9NC 4NC FX FE FH LH Heparina de Sódio Citrato Fosfato Dextrose Adenina Siliconizado3 Ativador de coágulo e gel separador NH CPDA Z Ativador de coágulo Verde Amarela Vermelha Amarela * Quadro adaptado relacionando as áreas onde serão utilizados os tubos. como citrato e ACD.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Além disso. assim como a descrição do reagente.49 - . 3 É recomendado que tubos que não contenham ativador de coágulo sejam codificados com a letra Z e tenham a cor vermelha. drogas terapêuticas e hormônios. QUADRO 9: CÓDIGOS ALFA E CÓDIGOS DE CORES RECOMENDADOS PARA IDENTIFICAÇÃO DOS ADITIVOS * ADITIVOS CÓDIGO ALFA CÓDIGO DE CORES EXAMES MAIS COMUNS EDTA 1 sal dipotássico sal tripotássico sal dissódico EDTA sal dipotássico com gel separador K2 E K3 E N2 E K2 E Lilás Lilás Lilás Branca translúcida Azul claro Preta Cinza Cinza Verde Verde Hemograma Plaquetas Biologia molecular Testes de Coagulação Velocidade de Hemossedimentação Glicose Glicose Glicose Exames bioquímicos em geral. e que evite contaminação do usuário pela amostra (protegendo-o do efeito aerosol). Há métodos especificados para testar a resistência do tubo que contém amostra. 9 partes de sangue para 1 parte de anticoagulante citrato de sódio). de forma a assegurar um interior estéril. Boas práticas .

quando necessário (para tubos sem vácuo). Citrato de Sódio tamponado a 0. é o anticoagulante recomendado para os testes de coagulação.1 Informações que o tubo a vácuo deve conter descritas no rótulo ou mesmo no tubo: • marca do fabricante ou fornecedor ou marca registrada. • data de validade. pelo método Westergreen. • Se for usado glicerol na fabricação do produto. tripotássico e dissódico devem estar dentro do intervalo de 1. • código do aditivo ou descrição do conteúdo.0 mg de EDTA anidro por 1.2 recomenda que as etiquetas não devem circundar completamente os tubos e a cola usada deve fornecer uma aderência adequada às condições de temperatura e umidade de uso do tubo. com uma tolerância permitida de ± 10%. 9 partes de sangue para 1 parte de citrato.International Council for Standardization in Haematology. antes de ser aberto. • a palavra “estéril” se o fabricante garantir que o interior do tubo. • número do lote. 9 partes de sangue adicionadas a 1 parte de solução de citrato. • As palavras “produto de uso-único” ou um símbolo gráfico de acordo com a ISO 7000-1051.50 - . para evitar a agregação plaquetária ativada pelo espaço livre no tubo.1 mol/L a 0. ou seja. 5.3.136 mol/L. durante um tempo adequado. • A norma ISO 6710. mas a maioria dos fabricantes segue uma padronização de cores de tampas. O tubo para VHS (Velocidade de Hemossedimentação). deve aspirar 4 partes de sangue adicionadas a 1 parte de citrato trissódico. isto deve estar descrito no rótulo e na embalagem. ajudando a evitar a possibilidade de erros pré-analíticos na coleta laboratorial. por exemplo: • EDTA K2 é o anticoagulante recomendado para hematologia por preservar melhor a integridade das células sangüíneas. Este anticoagulante também é recomendado pelo ICSH . • Sais ácidos etilenodiaminotetracéticos (EDTA) [CH2N(CH2COOH2)]2 As concentrações dos sais dipotássico.2 Concentração e volume dos anticoagulantes A norma ISO 6710. .0 mL de sangue. • linha de preenchimento. Alguns estudos revelam que o tubo de citrato não deve ter volume de aspiração parcial. • Citrato trissódico (Na3C6H5 O 7. Até o presente momento não existe um acordo internacional de codificação por cores. molaridade e proporção em relação à quantidade de sangue aspirada pelos tubos.109 mol/ L (3. O tubo de citrato deve ser produzido para que aspire uma solução de 9:1. é estéril.2H2O) As concentrações de solução de citrato trissódico devem estar dentro do intervalo de 0.2 mg a 2. O fabricante é responsável por informar as condições de resistência da etiqueta.3. • volume nominal.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO As normas NCCLS recomendam o uso de alguns tipos anticoagulantes que preservam melhor a qualidade das amostras. 5. ou seja.2%) numa proporção de 9:1.2 especifica as concentrações dos anticoagulantes.

...0 mg a 3............ • Fluoreto/EDTA As concentrações de EDTA devem estar dentro do intervalo de 1...... Nota: Os aditivos podem apresentar-se fisicamente em várias formas como: solução..... 2... e de 2... com uma tolerância de ± 10%. 1... .. seja garantida a rastreabilidade................................275 g Água em quantidade suficiente para formar . 26.................22 g Dextrose (mono-hidratada) . Cada paciente deve ser cadastrado de forma a ser identificado de maneira única......PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO • Fluoreto/Oxalato As concentrações de oxalato de potássio mono-hidratado devem estar dentro do intervalo de 1...0 mg a 4..... 0. no final do processo.................4 Requisição de Exames Todas as amostras devem ser acompanhadas de requisição formal adequada. • Citrato (C)/ Fosfatase (P)/Dextrose (D) /Adenosina (A) . • Heparina de Sódio e Heparina de Lítio As concentrações dos anticoagulantes acima devem estar dentro de um intervalo de 12 a 30 UI (Unidade Internacional) por mL de sangue.(CPDA) A formulação deste aditivo deve ser: Ácido cítrico anidro . portanto o fabricante deve garantir que o interior de seus tubos é estéril.......................................... liofilizado ou pó..............0 mg........3 g Fosfato de sódio monobásico (mono-hidratado) [NaH2PO4H2O] . desde o local de coleta até o seu descarte.............. portanto..... especificamente para o EDTA..........9 g Adenina [C5H5N5] .0 a 4. flebotomista e materiais para que..0 a 4.0 mg de fluoreto de sódio por mL de sangue..... deve-se buscar uma forma de estabelecer um vínculo seguro e indissociável entre o paciente.. A partir deste momento............... • Fluoreto/Heparina As concentrações de heparina devem estar dentro do intervalo de 12 a 30 UI (Unidade Internacional) de heparina....................... Esta etapa é. e de 2... consistente para a correta identificação das amostras dos pacientes...... 5...2 a 2...000 mL Devem ser adicionadas 6 partes de sangue para 1 parte de CPDA..... passando por todas as fases e etapas dos processos analíticos.......... Boas práticas .......5 Identificação e Rastreabilidade A identificação da amostra começa na identificação do paciente hospitalar ou ambulatorial.. existir a possibilidade do contato direto entre o interior do tubo e o fluxo sangüíneo do paciente............ solução de spray seco..................................... 31..0 mg de fluoreto de sódio por mL de sangue.. durante a coleta de sangue.......................0 mg de EDTA.... Os intervalos de concentração permitem diferentes raios de solubilidade e difusão destas várias formas......... e de 2.... crucial. amostra colhida.............. 5.... 2..0 mg de fluoreto de sódio por mL de sangue....51 - ...... Cada laboratório tem autonomia para estabelecer sua própria sistemática.............. em consonância com uma política de identificação e registro consistentemente aplicável...lembrete A esterilidade é obrigatória quando.......99 g Citrato trissódico (dehidratado) ............

de forma a garantir a atualidade de seu conteúdo. Todas as emissões. atualizadas e fiéis. O manual de coleta/processamento de amostras precisa ser revisto quando necessário ou periodicamente. 7 Capacitação e Treinamento do Pessoal Todo o pessoal que realiza coleta de sangue.). permanentemente. Recomenda-se uma sistemática que permita que os coletadores recebam informações sobre a qualidade das amostras coletadas por eles. quando necessárias (ex: triagem materno-fetal de defeito de tubo neural. 5. tipos e quantidades de anticoagulantes e/ou conservantes. O responsável técnico pelo laboratório é quem responde pela documentação e por sua revisão. deve ser treinado nas técnicas de coleta e na seleção e uso dos equipamentos e materiais adequados.lembrete O manual de coleta/processamento de amostras precisa ser revisto quando necessário ou periodicamente. instruções para o preparo do paciente. Boas práticas . Todas as alterações devem ser analisadas criticamente antes de sua implementação. devem estar disponíveis as instruções pré-analíticas provenientes dos respectivos laboratórios.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 5. registrando-se essa atividade. . desde a coleta até o seu recebimento na área técnica respectiva (ex: refrigeração.6 Documentação Recomendam-se a disponibilização de instruções escritas para coleta de sangue venoso e que as mesmas estejam disponíveis para os flebotomistas em todos os locais necessários. entrega imediata. Boas práticas . monitorização de drogas terapêuticas). inclusive aquele que atua à distância do laboratório central. identificação e rotulagem adequadas da amostra. Recomenda-se. Os novos conhecimentos devem ser informados aos colaboradores e praticados durante os programas de treinamentos.52 - . de forma a garantir que o conteúdo corresponda às práticas reais e atuais. como conteúdo mínimo do manual de coleta. condições especiais para o manuseio da amostra. de forma a garantir a atualidade do seu conteúdo. antes da sua efetiva implantação. necessidade de cronometragem especial para a coleta (ex: clearance de creatinina). etc. e é preciso haver registros correspondentes a essas atividades. os seguintes ítens: • • • • • • • informações clínicas. Para amostras que serão enviadas para laboratórios de apoio ou de referência. alterações e revisões do manual de coleta/processamento das amostras devem ser aprovadas. mas essas funções podem ser formalmente delegadas a uma pessoa habilitada.lembrete Os procedimentos de coleta necessitam de revisão periódica para garantir a atualização do seu conteúdo. tipo de recipiente de coleta e quantidade de amostra a ser coletada (mínima e ideal).

As situações que podem precipitar a formação de um hematoma são: • • • • • • Veia frágil ou muito pequena. em relação ao calibre da agulha.2 Riscos e Complicações da Coleta Recomenda-se que a equipe de coleta do laboratório institua medidas de segurança para que os riscos e as complicações decorrentes desta atividade sejam mínimos para os pacientes. porém de curta duração. Este tipo de ocorrência está associado à tentativa de uma punção venosa profunda e mais freqüentemente quando . a padronização de condutas e os treinamentos freqüentes dos funcionários envolvidos contribuem para que a meta de redução de riscos e complicações seja alcançada e. sentado ou deitado. segurando o algodão. Pressão inadequada aplicada no local da punção.4 Punção Acidental de uma Artéria A probabilidade de puncionar acidentalmente uma artéria é um fato relativamente raro. O uso de curativos estampados com figuras e temas infantis auxilia a fixar uma impressão positiva da coleta de sangue. orientando-se o paciente sobre a importância da manutenção do membro superior imóvel durante todo o ato da coleta.1 Segurança do Paciente Cabe ao funcionário tranqüilizar o paciente antes da coleta. o serviço seja reconhecido como seguro e confiável. Se o paciente estiver preocupado com a intensidade da dor decorrente do procedimento. explicando-se que a sensação dolorosa produzirá um leve desconforto. Diversas tentativas de punção sem sucesso. para que esta seja realizada com sucesso. A agulha é removida sem antes remover o torniquete. 6. convidando-as a participar ativamente do processo da coleta. Recomenda-se que a coleta seja realizada com o paciente acomodado confortavelmente. O hematoma origina-se do extravasamento do sangue para o tecido. neste tipo de coleta. A escolha adequada do local da punção é primordial para evitar este tipo de acidente. É necessária uma compressão local durante pelo menos dois minutos. deve-se retirar imediatamente o torniquete e a agulha. Ao lidar com crianças pode-se solicitar sua colaboração. pode ocorrer a compressão de algum ramo nervoso. A agulha perfura parcialmente a veia. gaze ou o curativo adesivo. Caso a formação do hematoma seja identificada durante a punção. durante ou após a punção. deste modo.53 - . A agulha ultrapassa a parede posterior da veia puncionada. deve-se agir com honestidade. contribuem sobremaneira para a formação do hematoma. Qual o fator que precipita a formação de hematoma mesmo após uma coleta de sangue bem sucedida? O procedimento de dobrar o braço após a retirada da agulha e/ou carregar objetos relativamente pesados logo após a coleta. não penetrando por completo. Não existe um procedimento eficiente que facilite uma coleta infantil. artifícios relativamente simples podem auxiliar.3 Formação de Hematoma A formação de hematoma é a complicação mais comum da venopunção. por exemplo. sendo visualizado na forma de uma protuberância. Certamente. e eventualmente. Porém. Aspectos de Segurança na Fase de Coleta 6. O uso de compressas frias pode auxiliar na atenuação da dor local. A dor é o sintoma de maior desconforto ao paciente. Nas coletas infantis e em casos de portadores de condições especiais.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 6. sobremaneira. 6. recomenda-se que esta orientação seja ministrada também para os acompanhantes. 6.

O paciente deve ser orientado a não realizar movimentos bruscos durante o ato da coleta. não deve ser realizada. padronização e otimização nas atividades de boas práticas. já inserida. Caso ocorra a punção inadvertida de uma artéria. 5 minutos. que se localiza muito próxima à artéria braquial. especial atenção deve ser dispensada às coletas pediátricas.7 Lesão Nervosa Para evitar eventual risco de lesão de algum ramo nervoso.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO se tenta puncionar a veia basílica. A punção acidental de uma artéria pode ser identificada pelo vermelho vivo do sangue e pela drenagem do sangue em jato. Dentre as medidas preconizadas e recomendadas estão: o uso de algodão hidrófilo embebido em álcool etílico comercial. 6. Caso não se obtenha sucesso na primeira tentativa de punção.9 Segurança do Flebotomista A principal forma de transmissão de agentes infecciosos na coleta se dá por contato. O contato pode ser direto (respingos de materiais biológicos que atingem pele e mucosa. principalmente nos pacientes com algum grau de anemia. não deve ser desprezada. acidentes perfurocortantes. Nos laboratórios hospitalares há necessidade de adequar-se o volume de sangue. álcool iodado ou antissépticos à base de iodo. disponíveis comercialmente. para a realização das análises laboratoriais. A outra forma de transmissão possível é a inalação de aerossóis. contato da mão contaminada com mucosas ou pele que não esteja intacta). Tranqüilizar o paciente antes da coleta auxilia sobremaneira no seu relaxamento. evitando-se redundâncias de exames e recoletas indevidas. etc.) ou indireto (contato da pele com superfícies contaminadas. embora rara. Uma boa prática no laboratório clínico é o estabelecimento do volume mínimo necessário para a realização dos parâmetros laboratoriais. preferencialmente noutro local. a agulha deve ser retirada e uma segunda punção deve ser realizada. A formação de aerossóis também pode ocorrer durante a preparação das amostras. é importante realizar uma pressão local por.6 Infecção A possibilidade do desenvolvimento de um processo infeccioso no local da venopunção.8 Dor A dor no ato e após a punção é de baixa intensidade e suportável. irradiação da dor pelo braço. A antissepsia do ponto de punção deve ser bem executada e a área preparada para a punção não deve ser tocada após este processo. não produz qualquer tipo de prejuízo ao organismo. fato que diminui a sensação dolorosa. 6.5 Anemia Iatrogênica O volume de sangue normalmente coletado de pacientes hígidos. Medidas de antissepsia também devem ser objeto de discussão. de forma aleatória. tornando o ato da punção menos doloroso. além de uma oclusão mais eficiente do local da punção. indicam comprometimento nervoso e requerem medidas específicas já citadas. O local da punção deve estar seco. A dor intensa. O curativo adesivo deve ser aberto somente no momento da aplicação na pele do paciente e mantido por pelo menos 15 minutos após a coleta. pelo menos. 6. ou pelo ritmo pulsátil do sangue para o interior do tubo.54 - . 6. . O intervalo entre a remoção do protetor da agulha e o ato da venopunção deve ser o mínimo possível. parestesias. apresentadas durante ou após a venopunção. recomenda-se evitar a inserção muito rápida ou profunda da agulha. recomendando-se a utilização de dispositivos específicos para coletas infantis disponíveis no mercado. caso tenha sido utilizado o álcool na antissepsia. A integração entre corpo clínico (médicos e a equipe de enfermagem) com o laboratório é fundamental para que haja a prevenção da perda de sangue iatrogênica. A punção de uma veia por meio de múltiplas tentativas de redirecionamento da agulha. 6. Neste requisito.

Exceções a esta regra são as situações onde houver necessidade de um acompanhante para auxiliar na execução do procedimento. • Não descartar as luvas nas lixeiras de uso administrativo. ao utilizar-se de esmaltes. • Utilizar sapatos confortáveis com solado antiderrapante e de saltos não muito altos. chinelos.55 - .13 Descarte Seguro de Resíduos O gerenciamento dos Resíduos de Serviços de Saúde (RSS). beber. • As unhas precisam ser limpas. • Lavar as mãos freqüentemente.12 Cuidados na Sala de Coleta • Desinfetar imediatamente as áreas contaminadas. etc. As trocas necessitam ser efetuadas quando houver qualquer contaminação com material biológico. sobretudo nas áreas de coletas infantis. • Evitar o manuseio de lentes de contato na área de coleta do laboratório. • Não se recomenda o uso dos equipamentos de proteção individual fora do perímetro onde seu uso está indicado. aparadas e recomenda-se que. • Comunicar ao superior imediato os acidentes com material infectante. 6. xícaras. sendo que o paciente e o flebotomista são as únicas pessoas que deverão permanecer no local. • Visando-se evitar acidentes. amostras biológicas. • Não manusear objetos de uso comum (telefone. • Deve ser evitado o uso de correntes compridas no pescoço. na área de coleta. fumar ou mastigar gomas de mascar (chicletes) no laboratório. 6. • Nunca armazenar alimentos ou bebidas nos armários.10 Boas Práticas Individuais • É proibido comer. maçanetas. Lavar as mãos sempre que for necessário trocar de luvas. 6. materiais e insumos para coleta. outros calçados abertos. estes sejam de cor clara. • Não fazer a aplicação de cosméticos e maquiagens na área de coleta. 6. que alcance o nível do joelho. As boas práticas de segurança recomendam que este avental deve sempre ser retirado ao sair da área de coleta do laboratório.) usando luvas. refrigeradores e freezers utilizados para o armazenamento de reagentes. Na área de coleta não se recomenda o uso de sandálias. Na ausência de um uniforme padrão seria recomendável sobrepor à vestimenta um avental de tecido lavável ou descartável. longo e de mangas compridas. não sendo correto seu uso nas áreas de alimentação e descanso. gavetas. se constitui num conjunto de procedimentos de gestão. • A sala de coleta é exclusiva para este fim. • A utilização de máscaras é recomendada quando o ato da coleta do material biológico sugerir risco de contaminação pela formação de gotículas ou aerossóis.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Recomenda-se que os funcionários da coleta sejam imunizados com vacinação contra hepatite B além do esquema regular de vacinações definido pela Secretaria de Saúde dos Estados. • Recomenda-se sempre a utilização de luvas pelo flebotomista durante o ato da coleta. onde se inserem os gerados nos laboratórios. cobrindo adequadamente todas as partes do corpo. planejados e implementados . grandes brincos pendentes na orelha ou braceletes soltos. copos. • Não levar à boca canetas e lápis e demais objetos empregados no ambiente de trabalho. os cabelos compridos devem permanecer presos durante o período de trabalho.11 Equipamentos de Proteção Individual (EPI) • Utilizar o uniforme recomendado pelo empregador. para que se minimizem os riscos de acidentes.

tubos de coleta sanguínea e placas de Petri) e outros similares. químico ou radiológico à saúde ou ao meio ambiente. assim como os prestadores de serviço.baseado nas características dos resíduos gerados e na sua classificação. ampolas de vidro. Resíduos contendo substâncias químicas que podem apresentar risco à saúde pública ou ao meio ambiente. classifica os resíduos de saúde conforme segue: GRUPO A: GRUPO B: Resíduos com possível presença de agentes biológicos que. reatividade e toxicidade. A gestão deve abranger todas as etapas de planejamento dos recursos físicos. tubos capilares. escalpes. municipais ou federais. transporte e disposição final dos resíduos gerados nos serviços de saúde. materiais e da capacitação dos recursos humanos envolvidos no manejo dos RSS (Resíduos de Serviço de Saúde). O setor de coleta do laboratório pode gerar resíduos classificados nos 4 grupos descritos. pois o documento também contempla as ações a serem adotadas em situações de emergência (incêndio. de 75% a 90% para o grupo D. e todos os utensílios de vidro quebrados no laboratório (pipetas. estabelecidas pelos órgãos locais responsáveis por estas etapas. micropipetas. O percentual médio da composição dos resíduos gerados nos estabelecimentos de saúde para os grupos A. É recomendável que o laboratório atenda às orientações e regulamentações estaduais.1 Classificação dos resíduos de saúde A RDC (Resolução de Diretoria Colegiada) ANVISA nº 306 de 07/12/2004 em seu apêndice I. lancetas. B e C varia de 10% a 25% e.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO a partir de bases científicas e técnicas. falta de energia) e em casos de acidentes (por exemplo: por perfurocortantes). GRUPO C: Quaisquer materiais resultantes de atividades humanas que contenham radionuclídeos em quantidades superiores aos limites de isenção especificados nas normas do CNEN (Conselho Nacional de Energia Nuclear) e para os quais a reutilização é imprópria ou não prevista. limas endodônticas. este poderá ser assessorado por equipe de trabalho que detenha estas qualificações correspondentes. lâminas de bisturi. podem apresentar risco de infecção. corrosividade. a preservação da saúde pública.56 - . dos recursos naturais e do meio ambiente. espátulas. pontas diamantadas. Os laboratórios clínicos necessitam elaborar um PGRSS (Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde) . É importante divulgar e capacitar a equipe de coleta neste documento que é exigido por lei. GRUPO D: Resíduos que não apresentem riscos biológico. podendo ser equiparados aos resíduos domiciliares. com o objetivo de minimizar a produção de resíduos e proporcionar o descarte seguro e eficiente. agulhas. GRUPO E: Materiais perfurocortantes ou escarificantes. no que diz respeito ao gerenciamento de resíduos de serviços de saúde. brocas. lâminas e lamínulas. dependendo de suas características de inflamabilidade. 6. tais como: lâminas de barbear. A RDC ANVISA nº 306/2004 indica que os serviços com sistema próprio de tratamento de RSS necessitam registrar as informações relativas ao monitoramento do RSS. legislação ambiental. normativas e legais. tais como firmas de conservação e limpeza. em documento próprio.13. estabelecendo as diretrizes de manejo dos RSS. arquivado em local seguro durante cinco anos. O responsável técnico pelo laboratório pode ser o coordenador de sua elaboração e implantação. por suas características. . O PGRSS obedece a critérios técnicos. visando a proteção dos trabalhadores. mas quando a sua formação profissional não abranger os conhecimentos necessários. devendo ser compatível com as normas locais relativas à coleta.

a identificação deve ser feita nos recipientes e nos abrigos de guarda de recipientes.13. os recipientes de transporte interno e externo.13. Estes materiais estão disponíveis comercialmente e são produzidos segundo as especificações técnicas da ANVISA. ruptura e vazamento. e os locais de armazenamento. eles devem ser acondicionados em saco branco leitoso. e identificados. ruptura e vazamento.vermelho .PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 6. os recipientes de coleta interna e externa. imediatamente após o uso em recipientes rígidos. para os demais resíduos do Grupo D deve ser utilizada a cor cinza nos recipientes. resistentes à perfuração. Utilizando-se processo físico ou outros processos que sejam validados para a obtenção de redução ou eliminação da carga microbiana. destinados à reciclagem ou reutilização. se não houver descaracterização física. manutenção das estruturas dos resíduos tratados. contidos em recipientes. Devem ser submetidos a tratamento antes da disposição final.verde – VIDROS. etc. com tampa e devidamente identificados (norma NBR 13853/97 da ABNT). baseadas na Resolução CONAMA ( Conselho Nacional do Meio Ambiente) nº. usando código de cores e suas correspondentes nomeações. contendo sangue ou líquidos corpóreos na forma livre. em equipamento compatível. de forma a garantir o transporte seguro até a unidade de tratamento. IV . estes devem ser descartados separadamente. A categoria A (resíduos com risco biológico) com resquícios de amostras de laboratório contendo sangue ou líquidos corpóreos. desde a geração até a disposição final.azul .PLÁSTICOS. lâminas de vidro. Para os resíduos do Grupo D.V . não existe exigência para a padronização de cor destes recipientes. devidamente identificados. Após o procedimento de coleta. O tratamento do resíduo pelo próprio laboratório pode ser realizado empregando-se os seguintes processos de esterilização: • • Meios físicos: calor e radiações ionizantes. os resíduos perfurocortantes (agulhas. III . com tampa provida de controle de fechamento e devidamente identificado.) devem ser imediatamente desprezados em recipientes conhecidos como caixas ou recipientes plásticos para descarte de perfurocortantes.3 Manejo dos RSS (resíduos de seringa de saúde) O manejo dos RSS é entendido como a ação de gerenciar os resíduos em seus aspectos internos e externos do laboratório. O acondicionamento para transporte deve ser em recipiente rígido. sendo expressamente proibido o seu reaproveitamento.marrom . Meios químicos: gases (óxido de etileno e formaldeído) ou líquidos microbicidas (tais como. recipientes e materiais resultantes do processo de assistência à saúde. 2000. pelo menos. resistente a perfuração. além de atender às exigências relacionadas à identificação de conteúdo e ao risco específico de cada grupo de resíduos. II .amarelo – METAIS. 275/2001.PAPÉIS . As agulhas descartáveis não devem ser novamente encapadas. Segundo a RDC ANVISA nº 306/2004 para o grupo E. Caso não exista processo de segregação para reciclagem. 6. e símbolos de tipo de material reciclável: I . lancetas. desde que seja garantida a resistência destes aos processos normais de manuseio dos sacos e recipientes.500 . que devem ser substituídos quando atingirem 2/3 de sua capacidade ou.ABNT. ou seja. . A identificação deve ser clara e de fácil visualização conforme NBR 7. 1 vez a cada 24 horas.57 - .2 Identificação dos resíduos Recomenda-se identificar os sacos de acondicionamento. Ao final. podem ser acondicionados como resíduos do Grupo D (resíduo comum) de acordo com as orientações dos serviços locais de limpeza urbana. Havendo descaracterização física das estruturas. utilizando-se sacos impermeáveis. O uso de adesivos é permitido. quanto ao material e à identificação. que envolve os materiais perfurocortantes. glutaraldeído).RESÍDUOS ORGÂNICOS.

50/2002 Boas práticas .lembrete Os laboratórios clínicos necessitam elaborar um Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS). antiderrapante e uma rampa.58 - . O transporte interno de resíduos deve ser realizado atendendo roteiro previamente definido e em horários não coincidentes com o maior fluxo de pessoas ou de atividades. Devem estar identificados com símbolo internacional de risco biológico. no mínimo. no mínimo. cantos e bordas arredondados. É recomendável que a localização seja tal que não abra diretamente para a área de permanência de pessoas e circulação de público. o abrigo de resíduos deve ser dimensionado de acordo com o volume de resíduos gerados. desde sua geração até o armazenamento externo. Ainda de acordo com esta norma. Pontos de iluminação. e identificados com o símbolo correspondente ao risco do resíduo neles contidos. lavável e de fácil higienização. acrescido da inscrição “PERFUROCORTANTE”. Há necessidade de aberturas para ventilação. dando-se preferência a locais de fácil acesso à coleta externa e próxima às áreas de guarda de material de limpeza ou expurgo. um vigésimo da área do piso. com capacidade de armazenamento compatível com a periodicidade de coleta do sistema de coleta local. água e energia elétrica podem ser instalados de acordo com as conveniências e necessidades do abrigo. As informações acerca da inclinação e as características desta rampa podem ser obtidas na RDC ANVISA nº. com superfície plana e regular. O plano necessita definir as características dos resíduos gerados e as diretrizes para o manuseio correto conforme a classificação destes RSS. deve permitir livre passagem dos recipientes coletores de resíduos. O piso deve ser revestido de material liso. 6. possuir piso com revestimento resistente à abrasão.5 Armazenamento dos resíduos sólidos de saúde De acordo com a Resolução da Diretoria Colegiada . impermeável. quando necessária. Os recipientes de transporte interno não podem transitar pela via pública externa à edificação. O abrigo deve ser identificado e de acesso restrito aos funcionários responsáveis pela manipulação de resíduos. necessita ser construído em ambiente exclusivo e segregado. além de um ambiente para o Grupo D (resíduos comuns). A porta ou a tampa do abrigo necessita apresentar largura compatível com as dimensões dos recipientes de coleta. O ralo sifonado deve possuir uma tampa que permita vedação. de dimensão equivalente a. possuindo.4 Transporte interno de RSS Consiste no traslado dos resíduos dos pontos de geração até local destinado ao armazenamento temporário ou armazenamento externo com a finalidade de apresentação para a coleta externa.13. 6. O escoamento da água deve ser direcionado para a rede de esgoto do estabelecimento. denominado de abrigo de resíduos. ter fácil acesso para os recipientes de transporte e para os veículos coletores.RDC ANVISA nº306/2004 o armazenamento externo dos resíduos sólidos de saúde. e tela de proteção contra insetos.13. provido de tampa articulada ao próprio corpo do equipamento. . sendo descartados quando o preenchimento atingir dois terços de sua capacidade ou o nível de preenchimento ficar a 5 cm de distância da boca do recipiente. O trajeto para o transporte de resíduos. impermeável. um ambiente separado para armazenamento de recipientes contendo resíduos do Grupo A (resíduo com risco biológico) juntamente com o Grupo E (material perfurocortante). lavável.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO O volume dos recipientes de acondicionamento deve ser compatível com a geração diária deste tipo de resíduo. Os recipientes para transporte interno devem ser constituídos de material rígido.

RDC ANVISA nº. de 25 de abril de 2001. e dá outras Providências. mercúrio e seus compostos.102.Requisitos e métodos de ensaio. • ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. • ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Diretrizes gerais para o trabalho em contenção com material biológico – 2004. NBR 14725 . e dá outras Providências. DF. • BRASIL. Disponível em: http://www. • BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolução nº 283 de 12 de julho de 2001. Disponível em: http://e-egis. 4 jan 1974. 50/ 2002.59 - .Coletor-transportador rodoviário de resíduos de serviços de saúde. de julho de 2000. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Diário Oficial da União. NBR 14652 .bvs.anvisa. . reciclagem. 2001. • BRASIL. de abril de 2001. • ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS.Aprova o Regulamento Técnico sobre substâncias e medicamentos sujeitos a controle especial. • BRASIL. • BRASIL. Brasília.Classificação. Resolução nº 237 de 22 de dezembro de 1997 . Lei nº 7. segunda edição. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA.php?id=13554 [23 maio 2005]. • BRASIL. de 31 de maio de 2004.Estabelece código de cores para diferentes tipos de resíduos na coleta seletiva. • BRASIL. tenham os procedimentos de reutilização.pdf [23 maio 2005].500 . classificação e procedimentos mínimos para o gerenciamento de resíduos sólidos oriundos de serviços de saúde. de 3 de janeiro de 1974. Manual de Apoio aos Gestores do SUS: organização da rede de laboratórios clínicos. • BRASIL. terminais ferroviários e rodoviários.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO REFERÊNCIAS NORMATIVAS CONSULTADAS • ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. tratamento ou disposição final ambientalmente adequados.Dispõe sobre o tratamento e a destinação final dos resíduos dos serviços de saúde. MINISTÉRIO DA SAÚDE.7. RDC ANVISA nº. DF. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Dispõe sobre o Trabalho Temporário nas Empresas Urbanas. • BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE.Sacos plásticos para acondicionamento de lixo . Diário Oficial da União.Ficha de informações de segurança de produtos químicos – FISPQ.Estabelece que pilhas e baterias que contenham em suas composições chumbo.Dispõe sobre a incineração de resíduos sólidos provenientes de estabelecimentos de saúde. Resolução nº 6 de 19 de setembro de 1991 . 21 jun 1983. Brasília. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Estabelece Normas para Constituição e Funcionamento das Empresas Particulares que Exploram Serviços de Vigilância e de Transporte de Valores. de março de 2000. Brasília.Regulamenta os aspectos de licenciamento ambiental estabelecidos na Política Nacional do Meio Ambiente. MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA. Portaria SVS/MS 344 de 12 de maio de 1998 .Estabelece definições. de julho de 2001. MINISTÉRIO DA SAÚDE. cádmio.019. de 20 de junho de 1983. • BRASIL. portos e aeroportos. Resolução nº 257 de 30 de junho de 1999 . NBR .10004 . MINISTÉRIO DA SAÚDE. portos e aeroportos. MINISTÉRIO DA SAÚDE.9191 .Símbolos de Risco e Manuseio para o Transporte e Armazenamento de Material. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Instrução Normativa CTNBio nº 7 de 06 de junho de 1997. Resolução nº 275. 306 07/ 12/2004.br/leisref/public/showAct. • BRASIL. • BRASIL. • BRASIL. NBR . Resolução nº 5 de 05 de agosto de 1993 . • BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE.gov. NBR .br/legis/resol/2002/50_02rdc. Dispõe sobre Segurança para Estabelecimentos Financeiros.Resíduos Sólidos . Lei nº 6. • ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS.

gov.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO • BRASIL.Dispõe sobre o Regulamento Técnico para planejamento. enquanto persistirem as condições que configurem risco à saúde. • BRASIL. de 18 de Janeiro de 2000. cujo material de partida seja obtido a partir de tecidos/fluidos de animais ruminantes.Aprova as Instruções Complementares aos Regulamentos dos Transportes Rodoviários e Ferroviários de Produtos Perigosos.bvs. São Paulo. • CLINICAL AND LABORATORY STANDARDS INSTITUTE.H21-A4 – Collection.br/legis/resol/2003/rdc/33_03rdc.sp.Ficam proibidos. NCCLS .H01-A5 – Tubes and Additives for Venous Blood Specimen Collection. PORTARIA CVS-01. Fifth Edition. and Processing of Blood Specimens for Testing Plasma-Based Coagulation Assays. 19 de fevereiro de 2000.cvs. Volume 110. Approved Guideline Fourth Edition. CENTRO DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA.gov.br/leisref/public/showAct. Diário oficial do Estado de São Paulo.sp. Portaria nº 204 de 20 de maio de 1997 . NCCLS . de 18 de Janeiro de 2000. em todo o território nacional. Volume 110. Disponível em http:// www. • CLINICAL AND LABORATORY STANDARDS INSTITUTE. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Transport. Coordenação dos Institutos de Pesquisa da Secretaria de Estado da Saúde. • CLINICAL AND LABORATORY STANDARDS INSTITUTE.br [01 abril 2005]. relacionados às classes de medicamentos. • ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. cosméticos e produtos para a saúde. de 07 de dezembro de 2004. Approved Guideline. • BRASIL. o ingresso e a comercialização de matéria-prima e produtos acabados. Resolução RDC nº 33. Approved Standard Fifth Edition. • ESTADO DE SÃO PAULO. 2004.php?id=13554 [23 maio 2005]. Resolução RDC nº 305 de 14 de novembro de 2002 .2 / 2002. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Disponível em http:// www. PORTARIA CVS-01. NCCLS .htm [23 maio 2005]. CENTRO DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA.C38-A – Control of Preanalytical Variation in Trace Element Determinations.saude.60 - . Resolução RDC nº 50. Coordenação dos Institutos de Pesquisa da Secretaria de Estado da Saúde. Número 35. Approved Guideline-Second Edition. • BRASIL.H03-A5 – Procedures for the Collection of Diagnostic Blood Specimens by Venipuncture.br [01 abril 2005]. programação. MINISTÉRIO DOS TRANSPORTES.cvs. Transporte de substâncias infecciosas.saude. • INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION. semi-elaborados ou a granel para uso em seres humanos. Diário oficial do Estado de São Paulo. Disponível em http:// www. . 13ª edição. Approved Standard. ISO 6710. Departamento de Enfermidades Transmissíveis Vigilância e Resposta.Single-use containers for human venous blood specimen collection. de 21 de fevereiro de 2002 .anvisa. Disponível em: http:// e-legis. MINISTÉRIO DA SAÚDE. 19 de fevereiro de 2000. [revision of first edition(6710:1995)]. Resolução RDC nº 306. Número 35. de 25 de fevereiro de 2003. • BRASIL. elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. São Paulo.gov. NCCLS .H18-A2 – Procedures for the Handling and Processing of Blood specimens. • CLINICAL AND LABORATORY STANDARDS INSTITUTE. conforme discriminado. • CLINICAL AND LABORATORY STANDARDS INSTITUTE. • ESTADO DE SÃO PAULO. NCCLS . MINISTÉRIO DA SAÚDE.

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. 8.23. N°32.10. VOL.63 - .PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO ANEXO 1: SEQÜÊNCIA DE COLETA DOS TUBOS PARA COLETA DE SANGUE A VÁCUO NCCLS H3-A5.

mas esta tecnologia não pode nos garantir que a amostra analisada seja representativa do processo que atua no paciente.Áurea Lacerda Cançado Dra. Quem se encontra com o paciente no laboratório deve ter uma atuação fundamental para uma verdadeira integração dos resultados com a realidade do paciente. no futuro. e ninguém não gritar com a gente para ir depressa demais.Minguilim este feixinho está muito pesado para você ? Tio Terêz está não. Como bem nos lembra Nilton Bonder: “A empregabilidade humana se fará em áreas nas quais temos excelência e competimos em desigualdade com as máquinas: as áreas da dúvida e da incerteza. o aumento da iatrogenia. quando nosso conhecimento era mais limitado e o avanço tecnológico não trazia misturado. precisamos de uma nova perspectiva capaz de ampliar nossa percepção e de nos levar a um novo domínio. Capaz de ser adaptativo em tempo real.” (1). indissoluvelmente às suas benesses. Atualmente temos à nossa disposição uma tecnologia capaz de fornecer resultados exatos e precisos. A forma como viemos trabalhando na fase pré-analítica serviu-nos no passado. serão desafios como este que justificarão. a existência de profissionais capacitados em todas as fases de um sistema que se tornará cada vez mais complexo e incerto. . deverá desenvolver um conhecimento mais global e crítico. Para tanto. Se a gente puder ir devagarinho como precisa. Luisane Maria Falci Vieira “. para solucionarmos apropriadamente os desafios da fase pré-analítica.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO II. então eu acho que nunca que é pesado!” Guimarães Rosa Estas recomendações surgem a partir da constatação inequívoca de que. Portanto.64 - . ASPECTOS HUMANÍSTICOS DA COLETA DE SANGUE Dra.

propomos uma reflexão sobre as características básicas desta fase para melhorarmos nosso desempenho.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO CARACTERÍSTICAS FUNDAMENTAIS DA FASE PRÉ-ANALÍTICA A fase pré-analítica responsável por 70% do total de erros cometidos pelos laboratórios com um sistema de qualidade bem estabelecido. a fase pré-analítica apresenta. somente. Por isto. 85% dos problemas que ocorrem num sistema devem-se ao próprio sistema e. Quando falamos da complexidade da fase préanalítica estamos falando também da incerteza e do encontro e. o preparo do paciente. podemos afirmar que esta fase se comporta como um sistema complexo. vários agentes independentes (paciente. sucessivamente. . a coleta. pois o sistema perde suas características. essencialmente. o transporte e o preparo da amostra até o momento em que o exame é realizado. médico assistente. FASE DA COMPLEXIDADE: A fase pré-analítica não é considerada complexa porque exige um conhecimento sofisticado ou de difícil assimilação.) interagem ativamente. Desta forma. A partir desta premissa. dinâmico. Sua missão essencial é garantir a representatividade da amostra analisada. por que nela. 15% às pessoas. flebotomista. Mas antes. as seguintes características: FIGURA 1: FASE DA COMPLEXIBILIDADE FASE DO ENCONTRO FASE DA INCERTEZA Segundo Morin: “O estudo de sistemas dinâmicos complexos não pode ser feito de forma reducionista. que só podem ser observadas de forma holística” (2). é a etapa do exame que inclui a sua solicitação. etc. pretendemos ressaltar a profunda inter-relação existente entre cada elemento: Não se pode falar de um triângulo referindo-se somente a um de seus vértices. assim. a preservação. Utilizando conceitos da física moderna.65 - . optamos por pensar nestas características como vértices de um triângulo. não-linear. executor do exame. Assim. Segundo Deming.

como nos alerta o estudioso francês Matthieu Ricard: “Contentar-se com conhecimentos teóricos corre o risco de nos tornar um desses seres que não se enganam sobre nada. Incapacidade de aderir às recomendações prescritas pelo laboratório. quando este universo de alta complexidade se restringir à passividade da amostra coletada. Além da impossibilidade de controle. salvo sobre o essencial. Na verdade. pode determinar valores muito diferentes dos que atuam no paciente. Na prática. devemos controlar. . já que a ciência não pode nos oferecer o senso ético. em última instância. Devemos estabelecer normas de segurança para nossa proteção e podemos aprimorar nossa percepção. o transporte e o preparo das amostras) e. controlar o paciente. alcançável com o mínimo de prejuízo para as partes envolvidas. a existência de tantas interações dinâmicas se traduz pela impossibilidade de falarmos em controle. só poderemos falar em controle. dependerão de o paciente estar bem informado e aderir aos procedimentos apropriados. pela atenção à comunicação não-verbal. Sabemos que o paciente pode ser o responsável por um “erro” de forma voluntária ou não. a rigor. por exemplo. o material utilizado. o aumento crescente da complexidade gerou várias subespecializações dentro da Medicina Laboratorial. Totalidade que já sofreu a interferência de quem solicitou o exame e sofrerá a nossa própria interferência que. Não devemos nos iludir imaginando que nos distinguiremos focando um “resultado perfeito. mas corremos o risco de perder a visão do todo. por intermédio de vários mecanismos: • • • • • • Liberação de hormônios devido ao estresse na hora da punção. Incompreensão das recomendações prescritas pelo laboratório. conservação. Ocultação de dados relevantes por julgá-los dispensáveis. da coleta. Além disto. pelas freqüentes reflexões sobre os conflitos éticos que ocorrem durante o encontro com o paciente e por treinamentos constantes. Sob este aspecto. facilmente. Portanto. potencialmente. Neste cenário. solidariamente. por seu turno. imaginar que a ciência/tecnologia solucionará o problema do paciente. rigorosamente.66 - . nos mantermos aptos para intervir quando observarmos a existência de uma interferência que possa. conseguimos absorver melhor as informações. o que é passível de ser controlado (alguns aspectos da coleta. Ocultação voluntária de dados relevantes.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Em outras palavras: Subtraímos a amostra de uma totalidade muito ampla. aprofundando nossos conhecimentos. mas antes. No entanto. propriamente. pelo investimento em nosso amadurecimento emocional. etc. Desconhecimento de fatores interferentes. O indivíduo superespecializado pode. uma verdadeira integração entre o especialista que executa o exame e o responsável pela obtenção da amostra poderá evitar muitos desvios. num ambiente ativo. o armazenamento. o meio de nos inserirmos. a do conjunto das características biopsicossociais do paciente. a validação do resultado também dependerá do preparo. comprometer a qualidade de nosso desempenho. a conservação. pois este não é o escopo de sua atuação. Nosso foco deve ser servir ao cliente (seja ele o médico assistente ou o paciente) através do apoio a um diagnóstico compatível. armazenamento e transporte da amostra que. por si só. das habilidades técnicas do flebotomista e das condições em que a coleta se realizou. só podemos almejar o controle de nós mesmos. Pois.” Realizar exames com qualidade e correção não deve ser a finalidade de nosso trabalho. Não nos cabe.” Precisamos contatar o essencial para estabelecermos parâmetros éticos compatíveis com a atual realidade. no tumultuado universo médico.

paradoxalmente. devemos estar atentos para não robotizarmos os funcionários que atuam na coleta. o laboratório pode não estar preparado para extrapolar as informações padronizadas no manual de coleta e atendê-lo convenientemente. mas ao ser compreendida em um nível mais profundo. estaremos. podemos considerar. preparo para o encontro com o paciente. a incerteza não se associa à insegurança. “Potencializando o fazer. A obtenção de uma amostra representativa do que atua no paciente exige do profissional não apenas preparo técnico. se restringe a uma simples aplicação do que foi solicitado no pedido médico.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO FASE DA INCERTEZA: Antes de qualquer análise. um tratamento matemático bastante satisfatório. (1) FASE DO ENCONTRO: Dentre as atividades técnicas exercidas no laboratório. potencializando o ser”. que existe um grave impedimento na consolidação do conhecimento e do ser na fase pré-analítica. que não tem competência. onde as pessoas conseguem se desenvolver harmoniosamente. (1) . Na fase pós-analítica. tiramos de nós mesmos o nosso maior diferencial para competir. nesta fase. mantendo uma postura impecável. Nas palavras de Nilton Bonder: “Ter dúvidas é muito mais eficiente do que ter certezas. Neste cenário. Os que assim pensam esquecem-se de que a ciência não dispõe de recursos para cuidar das variações individuais. Assim. Porém. Pois. não apenas do conhecimento. entretanto. também.67 - . A necessidade de simplificar o complexo exige a projeção dos achados universalmente estabelecidos pelas pesquisas científicas para aquele paciente singular. Em espaços acolhedores. é freqüente que os que atuam na coleta se sintam inseguros e com baixa auto-estima. frente às condições de trabalho de grande parte dos Laboratórios Clínicos. É freqüente o pensamento de que o trabalho. Na fase pré-analítica. e nunca criticando diretamente o ser. dizendo-lhe que é incapaz de compreender. simultaneamente. ao exigirmos das pessoas que colaborem com o marketing do laboratório. de difícil interpretação. sobre suas ações. um fator complicador na tomada de decisão. quando o paciente tem uma necessidade diferenciada. Desta forma. (6) Sendo solidários. A incerteza é. estaremos contribuindo para o desenvolvimento da auto-estima e autoconfiança destes profissionais. precisamos considerar que a incerteza permeia todas as fases do processo. muitas vezes. na atual etapa de evolução de nossa especialidade. Hoje está bem estabelecido que a conectividade é uma condição básica para construção. Segundo Nilton Bonder: “Aqueles que estão não apenas intelectualmente presentes. a incerteza nos distingüe: Nada como um profissional competente frente a um resultado discrepante. mas também do sujeito. as que mais requerem habilidades interpessoais são as da fase pré-analítica. ajudando aos que trabalham na fase pré-analítica a refletir. mas. Para Humberto Maturana. inegavelmente. ela é elegantemente equacionada na fase analítica tendo. a incerteza tende a ser negada. se tornam mais aptos e capazes de atuar na realidade”. maduramente. porque a dúvida é um retrato mais fiel da realidade”. percebemos que aprender a administrá-la não precisa ser considerada uma tarefa angustiante. inclusive. o ser e o fazer estão profundamente imbricados. Quando buscamos uma forma adequada para nos encontrarmos com o paciente. muitas vezes. já que insegurança é uma característica de quem decide e não do fato a ser decidido. mas emocional e espiritualmente presentes.

angústias. Entretanto. e escrevemos nossos manuais de coleta.1.2. apenas parcialmente. Há risos. Isto ocorre. (5). hostilidade. . Exige uma escuta inclusiva. torna-se. Indicadores de tempo. os da fase pré-analítica. c. menor será a nossa capacidade de nos relacionarmos com dado momento”. afeto. c.. afirma: “Há sempre beleza e encantamento quando abrimos espaço para o universo amplo do encontro humano. Roberto Crema conta uma estória ilustrativa do perigo que se corre quando se trabalha enfatizando excessivamente uma única ferramenta: “Um caminhante depara-se com um caudaloso rio que cruza o seu trajeto. compilamos as informações que a ciência estabeleceu. (5) Sob este aspecto. coloca a balsa na cabeça e segue. enquanto que a dinâmica da fase pré-analítica é a de um sistema complexo. oferecemos as sábias recomendações de Crema: “A arte-ciência do encontro. conforme já assinalado. Indicadores de qualidade.68 - . precisamos entender que estudamos.3. menor a presença. dificultando os passos e impossibilitando a dança do seguir adiante”. de uma balsa que se encontra no local. e.. dedicação e entrega. assim como a busca permanente de uma forma de comunicação eficiente são os meios mais seguros de nos posicionarmos convenientemente nos nossos encontros. mesmo sendo fugazes. Porém. atropelos. agora. se a escuta é competente e se o coração estiver presente.Quanto mais nos preparamos. Indicadores de custo. inusitados que. os problemas da fase analítica. o investimento no amadurecimento emocional e ético. O que antes foi precioso veículo. Possuímos normas de qualidade bem estabelecidas. será sempre melodia vibrante a oferecer a cada um o dom de ser o que é”. confrontos. Atravessa o rio e. Indicadores de desempenho. ao abrir a porta do laboratório. Treinamento dos funcionários. quanto menos espontâneos pela elaboração de estratégias e expectativas. grato e apegado ao instrumento de travessia. Para estes. Roberto Crema. é uma conquista que exige confiança.. o que só é possível com a graça do silêncio interior”. trazem em seu bojo a possibilidade de transformação e enriquecimento pessoal para aqueles que se dispuserem a dar um passo além do automatismo de nossas engrenagens. principalmente. chegando na outra margem.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Bonder nos alerta: “Quanto maior o controle. FERRAMENTAS IMPORTANTES: Para lidarmos satisfatoriamente com os aspectos fundamentais da fase pré-analítica precisamos utilizar as ferramentas sumarizadas abaixo: 1 Qualidade: A qualidade na fase pré-analítica se baseia nos seguintes pilares: a b c Padronização dos procedimentos (Manual de Coleta). refletimos. porque a dinâmica da fase analítica pode ser comparada à dinâmica de um sistema complicado (como é a construção de um avião). Mas. satisfeito. grande entendedor dos encontros humanos. Para prosseguir. múltiplos. (1) Portanto. c. (5) Estabelecer um sistema de qualidade sólido é imprescindível para atravessarmos o caudaloso rio que nos levará ao futuro. extenuante carga. o seu caminho. lança mão. que solucionam. é na fase pré-analítica que podemos desfrutar do privilégio de encontros desafiadores. pesada e arduamente. entretanto.. luz e sombra. no entanto. uma visão aberta e um estar na mesma freqüência do outro. adequadamente.

podemos pensar no erro como uma etapa da construção do conhecimento. Algo muito maior do que qualquer manual de coleta pode abarcar. Mas. em última instância. Todavia. Portanto. sobretudo quando são discretas”. jamais conseguiremos padronizar soluções apropriadas para os problemas. a evolução. Mas. as conseqüências negativas que poderão advir tendem a ser mascaradas pela ocorrência de fatores como: • • • • • • Na grande maioria das vezes. é esperado que o profissional que atua na coleta esteja mais apto a reconhecer possíveis interferentes que possam comprometer a qualidade do resultado. (3) Do mesmo modo. em várias situações.69 - . determinando um largo intervalo de referência. O analito a ser dosado tem características que recomendam a validação do resultado obtido (como no caso do perfil lipídico).PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO recebemos uma realidade que se compõe de arranjos e possibilidades infinitas. é freqüente que dados relevantes sejam negligenciados devido ao seu despreparo. 2 Fundamentos: “Estudos demonstram que os conhecimentos teóricos e a experiência prática do observador exercem influência marcante na percepção de anormalidades. por exemplo) ou na técnica de punção (garroteamento prolongado. Finalmente. é primordial que invistamos no estabelecimento de indicadores da qualidade. é provável que ocorra uma redução da respeitabilidade do laboratório. (6) Obviamente. o paciente está adequadamente preparado para a coleta. todos devem saber que o máximo que poderemos alcançar é uma padronização satisfatória. tornar-se um mero repetidor de fórmulas. portanto. A variação biológica intra-individual pode ser muito ampla. Entretanto. A partir de uma visão não-linear. determinando em algumas situações. como lidamos com vida. mudanças consideráveis e rápidas nos valores de determinado paciente. algumas vezes. É vital que padronizemos nossos procedimentos. “O grande perigo das padronizações é simplificar equivocadamente situações complexas”. É claro que esta forma de atuar é insatisfatória. se este comportamento persistir. normalmente. esta forma de abordagem não contrapõe a necessidade de criarmos mecanismos de proteção contra os erros pré-analíticos. conscientes de que ainda precisamos entender com maior clareza e definir mais objetivamente o que chamamos de erros pré-analíticos. incapaz de responder a novas situações. é importante que mantenhamos treinamentos regulares. já que muitos destes erros que passam despercebidos pelo sistema de qualidade podem ser prontamente detectados pelo médico assistente e. Porém. (3) Assim. principalmente contra os considerados críticos. Vários analitos são estáveis e. não sofrem muitas interferências. Porém. permitindo um aprendizado mais pertinente e. cientes de que o conhecimento só é realmente adquirido quando podemos pensar usando o que foi transmitido. complexa. Assim. pelo próprio paciente. A variação biológica intragrupo pode ser muito ampla. Nossos sistemas de qualidade não enxergam vários erros no preparo do paciente (inobservância do jejum. por exemplo). Trabalhar limitando-se a aplicar automaticamente os procedimentos descritos no manual de coleta é. . teoricamente. o próprio erro nos revelará. uma realidade até então desapercebida.

quem recebe o paciente no laboratório precisa reconhecer seus atos como parte de uma grande rede (pensar globalmente e agir localmente). Bastien acrescenta que “a contextualização é condição essencial da eficácia (do funcionamento cognitivo)”. estas decisões podem se dar a partir de premissas erradas. também.70 - . porém. Por enquanto. ao contrário.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO Portanto. geralmente. Trabalho que. 3 Evidência: Os que vivem o dia-a-dia de uma coleta são. é comum que estes profissionais façam uma série de inferências ao decidir se determinada amostra está adequada para a análise ou se o paciente está apto para a coleta. para um desempenho eficaz na fase pré-analítica. aceitas sem questionamentos. fisiológicos e laboratoriais que fundamentam os atos e decisões. Desta maneira. no dia-a-dia. contextualizando. para sua contextualização”. constantemente. quando empreendido com seriedade. solicitados a integrar o que não é quantificável. (4) Assim. ao reconhecer os componentes que impedem que se colha uma amostra da forma recomendada é importante que se defina como a qualidade do resultado poderá ser comprometida e que se registrem os fatos para a avaliação de quem executará o exame e do médico assistente. cuidados simples como o agrupamento dos exames.a qual determina as condições de sua inserção e os limites de sua validade. podem ser valiosos para contextualizar e fundamentar várias condutas. defrontamos. Algumas destas inferências são consagradas pelo uso sendo. buscar os conceitos médicos. seja porque é ignorado algum aspecto importante da questão ou porque existem dados relevantes que ainda não foram esclarecidos. hoje. A permissão de se colher a amostra de urina ou de sangue dentro de um prazo máximo de 3 dias um do outro. Constantes reflexões sobre ética ampliam a visão e possibilitam uma atuação mais adequada nestes momentos. Claude Bastien nota que “a evolução cognitiva não caminha para o estabelecimento de conhecimentos cada vez mais abstratos. O que ocorre é que este conhecimento dificilmente é estruturado sob a ótica de quem precisa utilizá-lo. quando se vai realizar o clearence de creatinina. . mas de formas inadequadas de atuação humana. mas. é comum ocorrerem conflitos que não derivam de novas tecnologias. como por exemplo: O uso de garrafas plásticas de água mineral para coleta de urina de 24 horas. tendo como parâmetros as características que a coleta deverá estar atenta. etc. No entanto. Potencialmente. A permissão de se colher o sangue sem o jejum preconizado em uma série de circunstâncias. essencialmente. Algumas vezes. A Medicina Laboratorial Baseada em Evidências prestaria uma contribuição relevante para a fase préanalítica se gerasse informações consistentes referentes a situações como estas. 4 Ética: Associados aos avanços tecnológicos. se mostra extremamente gratificante. Para tal. as tarefas da coleta. o que é nebuloso. mas. anatômicos. o conhecimento necessário não é sofisticado e está ao alcance de todos. o que não é mensurável. nosso trabalho é. com graves dilemas éticos. um aumento da consciência crítica em relação aos problemas desta fase. precisamos mostrar-lhes o que fundamenta todas as regras. Além disto. já que propicia a todos não apenas uma compreensão mais abrangente.

formamos um sistema de interação e reação. alguns dos dispositivos da regulação da homeostasia do nosso organismo vêm sendo aperfeiçoados ao longo de milhões de anos de evolução biológica. mas também pela contribuição do próximo. existem há uns escassos milhares de anos. a negligência são alguns dos fatores que podem comprometer a comunicação. integrado com harmonia”. O que ocorre é que as emoções condicionam a mente a enxergar as ocorrências de determinada maneira. Enquanto o amor. professor e chefe do Departamento de Neurologia da Universidade de Iowa. uma série de tentativas apostadas no melhoramento da condição humana. o medo. mas daquilo que ocorre com a pessoa que recebe o transmitido”. propõe: “Os novos conhecimentos sobre a emoção e o sentimento são pertinentes para a sociedade. É uma negociação entre duas pessoas. Em seu fascinante livro “Em busca de Espinosa: prazer e dor na ciência dos sentimentos. para aumentarmos nossa chance de sermos bem sucedidos ou aliviarmos o sofrimento do paciente. por exemplo. é interessante solicitar-lhe que as repita para ser checado o entendimento. Sabemos que elas podem ser fundamentais para a resolução de conflitos quando. O que pode não ser apropriado é o nosso comportamento. não conseguindo ver o ponto de vista do paciente. a oportunidade de contribuir para a melhoria do destino humano”. E é essa mesma circunstância que nos oferece uma oportunidade de intervenção. como é o caso dos apetites e das emoções.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO 5. Portanto comunicar é vital! Estudos mostram que a comunicação ineficiente é o principal fator que leva o paciente ao litígio. Não se pode medi-la só pelo entendimento preciso daquilo que digo. mas estão gravados na pedra genômica e são tão firmes quanto é firme a biologia. a raiva. Comunicação: Por maior que seja o conhecimento de quem atende na coleta. 6. a insegurança. Como bem nos lembra Maturana: “ O fenômeno da comunicação não depende do transmitido. através delas. (9) . Como disse. pela mudança em nós dois. Assim. A relação entre a homeostasia e o governo da vida social é a chave dessa pertinência. podemos. (6) Desta forma. Outra situação freqüente é nos surpreendermos com o paciente que afirma ter sido orientado pelo laboratório de forma. que nem sempre obtêm o resultado desejável. E quando nós nos comunicamos de verdade. ele jamais conhecerá o paciente e suas circunstâncias como o próprio paciente. a ansiedade podem induzir uma conduta insatisfatória. nos acalmar nos momentos difíceis. sobretudo os sistemas de justiça e de organização sociopolítica.71 - . “A comunicação”. não deveriam ser ignoradas.(8) A arrogância.” Isto significa que nossas emoções são sempre adequadas. Também é comum o profissional se manter na defensiva quando se sente ameaçado. o excesso de trabalho. às vezes. Conforme assinalado por Damásio: “Os dispositivos mais antigos não necessitam de nenhum aperfeiçoamento.” (7) o grande neurologista e neurocientista António Damásio. Portanto. Emoção: As emoções oferecem informações importantíssimas sobre nós mesmos ou sobre o paciente. ao ampliar a aceitação de si mesmo e do outro. Mas outros dispositivos. pelo menos quando as recomendações dadas ao paciente forem muito extensas. “não é como um aparelho emissor e um receptor. o que impossibilita qualquer troca real. se estivermos atentos às nossas emoções. Os dispositivos mais antigos não necessitam de nenhum aperfeiçoamento: não são propriamente imutáveis. até bizarra. um ato criativo. Mas os mais recentes nada mais são do que um trabalho incompleto. potencializa a possibilidade de um comportamento inteligente. Desta forma. resume Birdwhistell. conseguimos criar uma empatia verdadeira entendendo a perspectiva do paciente.

72 - . as recomendações de Jacques Dellor. FIGURA 2: .PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO CONCLUSÃO: Concluímos. a Ciência e a Cultura): “ Neste mundo de crescente complexidade além de aprender a conhecer e fazer. educador da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação. redesenhando o triângulo original. inserindo nele não apenas as ferramentas propostas. como também. devemos aprender a conviver e a ser”.

Summus. MORIN. Rio de Janeiro. The doctor patient relationship and malpractice. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo. Arch Inter Med. António. DAMÁSIO. Flora. 154:1365-1370 (9) DAVIS. Cortez-UNESCO. 1994.PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL PARA COLETA DE SANGUE VENOSO REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: (1) (2) (3) (4) (5) (6) (7) BONDER. A ontologia da realidade. MORIN. Roberto. 2004. 1979. 2003. São Paulo. 2001. 1995. Summus. Revinter. 2001. Companhia das Letras. (8) BECKMAN HB et al. UFMG.73 - . Belo Horizonte. Mario. 1999. LÓPEZ. Em busca de Espinosa: prazer e dor na ciência dos sentimentos. MATURANA. Ciência com consciência. São Paulo. 1996. Comunicação não-verbal. Nilton. São Paulo. Edgar. Campus. Rio de Janeiro. CREMA. . Rio de Janeiro. Humberto. Fronteiras da inteligência. Bertrand. Edgar. O processo diagnóstico nas decisões clínicas. Saúde e plenitude: um caminho para o ser.

Preanalytical Systems Capa: SBPC/ML Fotos: Milton Nespatti Projeto Gráfico e Diagramação: Alvo Propaganda & Marketing Revisão: Sérgio Cides .APOIO BD Diagnostics .

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