___________________________________________________________________

CURSO DO PROF. DAMÁSIO A DISTÂNCIA

MÓDULO I

DIREITO TRIBUTÁRIO

__________________________________________________________________ Praça Almeida Júnior, 72 – Liberdade – São Paulo – SP – CEP 01510-010 Tel.: (11) 3346.4600 – Fax: (11) 3277.8834 – www.damasio.com.br

_____________________________________________________________________________ MÓDULO I

DIREITO TRIBUTÁRIO

1. INTRODUÇÃO

É o ramo do Direito que estuda os princípios e normas que disciplinam a tributação. A tributação no Brasil só pode ser desenvolvida pelo Estado:

União; Estados-Membros; Municípios; DF (após a CF/88, virou pessoa política. Antes era autarquia administrativa da União).

A criação dos tributos depende de lei, logo, só quem legisla pode tributar e só quem pode legislar são as pessoas políticas. O Direito Tributário estuda os princípios e as normas que disciplinam a ação estatal de exigir tributos, e se preocupa com as relações jurídicas que, em decorrência da tributação, se estabelecem entre o Fisco e os contribuintes. Direito Tributário, para Hugo de Brito Machado, é “o ramo do Direito que se ocupa das relações entre o fisco e as pessoas sujeitas às imposições tributárias de qualquer espécie, limitando o poder de tributar e protegendo o
1/8

_____________________________________________________________________________ MÓDULO I

cidadão contra os abusos desse poder”1. O tributo é um instituto jurídico especial, pois sozinho alcança valores primordiais às pessoas, que são: liberdade (ninguém paga tributo por vontade própria) e propriedade (atinge o patrimônio).

2. TRIBUTO

2.1. Conceito O conceito de tributo está previsto no art. 3.º do CTN, assim compreendido: “Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada.” É uma obrigação ex lege, em moeda, que não se constitui em sanção por ato ilícito e que tem por sujeito ativo (credor), normalmente, uma pessoa política e por sujeito passivo (devedor) qualquer pessoa (apontada na lei da entidade tributante). A obrigação é compulsória, obrigatória, porque decorre diretamente da lei. A vontade do contribuinte é irrelevante.

1

BRITO MACHADO, Hugo de. Curso de Direito Tributário. 19.ª ed. São Paulo: Malheiros. 2/8

pois nasce direta e imediatamente da vontade da lei. a não fazer ou a suportar algo em favor de outra (sujeito ativo). Obrigação em Moeda ou Cujo Valor Nela se Possa Exprimir O tributo só pode ser pago em dinheiro corrente. a fazer. certamente pretendeu afastar as chamadas obrigações convencionais. pois o legislador. quer a lei dizer que. entregam-se 10 quilos de arroz a cada 100 quilos vendidos) e desconhece também o tributo in labore (a cada mês. 2. numa convergência de vontades.126 do CTN. ex. Obrigação ex lege O tributo é uma obrigação ex lege.3._____________________________________________________________________________ MÓDULO I 2. o sujeito passivo destina alguns dias de seu trabalho à entidade tributante). que traça a hipótese de incidência do tributo. a capacidade tributária passiva independe da capacidade civil do contribuinte.2. As obrigações ex lege contrapõem-se às obrigações ex voluntate (em que a vontade das partes é prestigiada pelo Direito). Nosso Direito desconhece o tributo in natura (no qual parte da mercadoria comercializada é entregue ao Fisco a título de pagamento do tributo. ou sendo ele uma pessoa jurídica. Obrigação é o vínculo abstrato de conteúdo patrimonial pelo qual uma pessoa (sujeito passivo) vê-se compelida a dar. invariavelmente. que teriam fulcro. Síntese: Sendo o tributo uma obrigação ex lege.: para o pagamento do ICMS. do fato de estar regularmente constituída – conforme o art. em circunstâncias 3/8 . ao mencionar instituída em lei. Com a expressão “ou cujo valor nela se possa exprimir”.

156. não pode descrever um fato ilícito. de 10.XI – a dação em pagamento em bens imóveis. cuja hipótese de incidência é obter rendimento. Ao contrário desta. sob pena de o tributo converter-se em sanção.. na forma e condições estabelecidas em lei.4. A lei não pode colocar. lembrando que.1. A LC n. a descrição de um fato em si mesmo ilícito. acrescentou no art. previstas em lei. O tributo tem finalidade arrecadatória. 104.” Tal inclusão serviu para explicitar o conceito de tributo. na hipótese de incidência tributária. O Estado tributa para atingir seus fins.º do CTN). o que é vedado por nosso Direito positivo (art. Essa regra pode ser observada em relação ao Imposto de Renda. é possível que o Fisco aceite a satisfação da obrigação tributária com a entrega de bens. a lei já autorizava a extinção do crédito tributário por este instituto. Não importa se os rendimentos são 4/8 . 156 do CTN o inc. paga-se porque se praticou um ato ilícito. XI: “Art. ao passo que a multa tem finalidade preventiva e sancionatória. que revela capacidade econômica ou capacidade contributiva. Extinguem o crédito tributário: . e a multa visa desestimular os infratores. tem por pressuposto a prática de um fato lícito qualquer. em casos especiais. Quando a lei descreve abstratamente um fato originário de um tributo.. 3. 2.2001._____________________________________________________________________________ MÓDULO I extraordinárias. O Tributo não se Constitui em Sanção por Ato Ilícito O tributo não é multa. A multa nasce de uma ilicitude. cujo valor possa ser convertido em moeda.

é a relação jurídica que se estabelece entre o Fisco e o contribuinte (pessoa abrangida pelo Direito positivo). igualitária e decorrente de um fato lícito qualquer. 2. dizendo que não era conveniente que Roma sobrevivesse da cobrança de dinheiro originário de um local tão sujo.5. outros muitos existem. o tributo. 5/8 . tendo por base a lei. non olet (não cheira)!”. mandou-o cheirar e disse: “Está vendo filho._____________________________________________________________________________ MÓDULO I de atividade lícita ou não. Por isso. non olet. surgiu em Roma. Princípio do non olet (não cheira). Esse princípio. ao lume de nosso Estatuto Magno. a integrar com sua vontade ou juízo a norma jurídica diante do caso concreto. Se é verdade que atos importantes do procedimento de arrecadação tributária pertencem à classe dos vinculados. pela lei. onde um Imperador instituiu um imposto do uso de latrina (banheiros públicos). Obrigação Cobrada Mediante Atividade Administrativa Plenamente Vinculada É necessário entender tal expressão sem o exagero que deflui do texto. querendo dizer que pouco importava a origem remota do dinheiro arrecadado. em moeda. os bicheiros devem pagar Imposto de Renda. Em suma. fato que deu origem a grandes falatórios. dentro da mesma atividade. em que o administrador está autorizado. Até seu filho se opôs à cobrança desse imposto. operando com critérios subjetivos próprios. O Imperador pediu então para que seu filho fosse buscar um pouco do dinheiro arrecadado. a fim de dar satisfação aos objetivos consagrados no sistema legal.

Tributo tem o mesmo significado de obrigação tributária._____________________________________________________________________________ MÓDULO I A CF classificou os tributos em impostos. O STF. 190: 78-82). reconheceu que existem. desenhando a norma-padrão de incidência de cada uma dessas figuras jurídicas e discriminando competências para que as pessoas políticas. a CF arrolou os direitos fundamentais que a União. Por fim. I a III). viessem a instituí-las (sempre por meio de lei). 6/8 .1. contribuições (que englobam contribuições de melhoria e contribuições parafiscais ou especiais) e empréstimos compulsórios (STF. quatro espécies tributárias: impostos. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA 3. tendo assim um sujeito ativo e um sujeito passivo. RDA. por unanimidade. Sujeito Ativo • Credor do tributo: é aquele que tem o direito subjetivo de exigir a prestação pecuniária (capacidade tributária ativa). na ordem jurídica brasileira. • Pessoas que têm capacidade tributária ativa: normalmente aquelas investidas de capacidade política – são as pessoas políticas de direito constitucional interno – dotadas de Poder Legislativo. devem respeitar. ao levarem a efeito a tributação. taxas e contribuições de melhoria (art. os Municípios e o Distrito Federal. os Estados. 145. e essa é uma relação jurídica. taxas. 3. querendo.

SESI. faz à terceira pessoa. Sujeito Passivo • O devedor do tributo: é a pessoa. a qual.: sindicatos. Parafiscalidade é a delegação de capacidade tributária ativa que a pessoa política._____________________________________________________________________________ MÓDULO I Competência prestação pecuniária. privada ou pública. nada impede que terceira pessoa venha a arrecadar. diferentemente de capacidade tributária ativa. ou seja. poderá também dispor do produto arrecadado. SENAI. Sendo assim. SESC. Em tese. tendo em vista os seguintes princípios constitucionais: • princípio da igualdade: as pessoas que se encontram na mesma situação econômica devem ser tratadas de modo igual. que é capacidade de exigir a A capacidade tributária ativa é delegada por lei da entidade tributante. por vontade dessa mesma lei. qualquer pessoa tem capacidade tributária passiva. por meio de lei.2. basta que tal atividade seja delegada por lei. SENAC). que tem o dever jurídico de efetuar o pagamento do tributo. física ou jurídica. A parafiscalidade não pode alcançar as empresas comerciais. Isso se chama parafiscalidade. 3. tributária é a capacidade para criar o tributo. • princípio da destinação pública do dinheiro arrecadado mediante o exercício da tributação. Só pode se voltar em favor de pessoas jurídicas de Direito Público (ex. qualquer 7/8 . ex.: autarquias) e em favor de pessoas jurídicas de Direito Privado perseguidoras de finalidade pública (entes paraestatais – caminham paralelamente ao Estado.

inclusive as pessoas políticas (União. da CF/88). Municípios e Distrito Federal). • As autarquias: também são imunes quanto aos impostos (art. II. 173. mas podem ser alvo de taxas e contribuições de melhoria._____________________________________________________________________________ MÓDULO I pessoa pode figurar no pólo negativo da obrigação tributária. VI. • As empresas públicas e sociedades de economia mista: possuem capacidade tributária passiva plena (impostos. da CF/88). “a”. • 8/8 . 150. taxas e contribuições – art. § 2.º. 150. da CF/88). mas podem ser alvo de cobrança de taxas e contribuições. inc. • As empresas privadas. Estados. As empresas particulares. Estas são imunes apenas quanto aos impostos (art.

°._____________________________________________________________________________ COMPLEMENTO DIREITO TRIBUTÁRIO MÓDULO I Tendo em vista o disposto na Emenda Constitucional n. porque a medida provisória é precária e não corresponde à certeza com a qual o tributo deve se revestir.º do art. 1. dado que o § 2. e 154. a medida provisória poderá criar ou majorar tributo. V. em razão da Emenda Constitucional n. 32. II. I. só produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte se houver sido convertida em lei até o último dia daquele em que foi editada. IV. Atualmente. Medida provisória que implique a instituição ou majoração de impostos. II. NASCIMENTO DO TRIBUTO recebeu nova redação em sua parte final: Para a maioria da doutrina. a medida provisória não pode criar ou majorar tributo.” 1/1 . 153. 62 da Constituição Federal recebeu a seguinte redação: “ § 2. 32/01 o item. exceto os previstos nos arts.

com.8834 – www.4600 – Fax: (11) 3277.br . DAMÁSIO A DISTÂNCIA MÓDULO II DIREITO TRIBUTÁRIO __________________________________________________________________ Praça Almeida Júnior. 72 – Liberdade – São Paulo – SP – CEP 01510-010 Tel.: (11) 3346.damasio.___________________________________________________________________ CURSO DO PROF.

Realmente não é bom que a lei defina. 3. doutrinar. tendo por base a lei em moeda igualitária e decorrente de um fato lícito qualquer (por isso pretender instituir um tributo por decreto é impossível.1.____________________________________________________________________________ M ÓDULO II DIREITO TRIBUTÁRIO 1. conceituar. ART. Definição de Tributo A CF não define tributo.º. mas cuida de uma série de figuras afins que lembram o tributo: a desapropriação. 1/6 . o perdimento de bens. 3.º DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL Rubens Gomes de Souza foi convidado para elaborar o Anteprojeto que acabou sendo transformado em nosso Código Tributário Nacional. quem deve fazer doutrina são os estudiosos e não o legislador.º do CTN é de boa qualidade. Todas essas figuras são impostas coativamente. Há doutrinadores que criticam o CTN por tal definição. contendo a definição de tributo em seu art. por isso semelhantes ao tributo: “Tributo é a relação jurídica que se estabelece entre o Fisco e o contribuinte. 1. a Constituição Federal impede tal situação)”. a pena de multa etc. a pena privativa de liberdade. tal qual estudado. mas a definição do art. Para esses doutrinadores. já que não é dado à lei definir. 3.

no mundo em que vivemos. 2/6 . da CF/88). todas estão em igualdade e prevalece a competente. nasce da vontade da lei e não da vontade do contribuinte ou do Fisco. Medida provisória não pode criar tributo. P. por força do princípio da legalidade. é necessário que seja lei da pessoa política competente para criar aquele determinado tributo. Mas o STF vem aceitando a criação de tributo por medida provisória.: Prevalece aquela que. sendo que tal regra se encontra na CF (art. A lei federal. e não é voluntário porque se trata de uma obrigação ex lege. portanto.: Uma lei federal e uma estadual que dispõem sobre o mesmo tributo. Mas não por qualquer lei. 155. não é superior à outra. o fato lícito e não voluntário descrito na hipótese de incidência tributária. I. No Brasil. pela CF. para a maioria da doutrina. dos fenômenos naturais. O mundo em que vivemos é conhecido como o mundo fenomênico. a norma tributária só pode ser veiculada por meio de lei. A CF é a carta das competências tributárias. for a competente para veicular o tributo. Isso porque a medida provisória é precária e não corresponde à certeza com a qual o tributo deve se revestir. O tributo nasce de um fato lícito porque ele não é multa por ato ilícito. Qual prevalece? R.____________________________________________________________________________ M ÓDULO II 2. NASCIMENTO DO TRIBUTO O tributo nasce quando se verifica.

Ex. tem que pagar Imposto sobre a Renda. João da Silva obteve rendimento. acontecido. FATO IMPONÍVEL Hipótese de incidência é diferente de fato imponível. e hipótese de incidência é o fato descrito na lei. sendo que fato imponível é aquele que aconteceu (fato que realizou o tipo tributário). este é o fato imponível.: uma pessoa que obter rendimentos tem que pagar Imposto sobre a Renda (IR). se e quando acontecido. quando ocorrer. é o fato descrito em lei que. Segundo definição de Geraldo Ataliba: “Hipótese de incidência é fato descrito em lei que. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA É a descrição que a lei faz de um fato tributário que. fará nascer a obrigação tributária (obrigação de o sujeito passivo ter de pagar ao sujeito ativo o tributo correspondente).____________________________________________________________________________ M ÓDULO II 3. faz nascer para alguém o dever de pagar um dado tributo”. tendo por objeto a dívida tributária. Isso é a hipótese de incidência. 3/6 . Em suma. faz nascer a relação jurídica tributária. 4.

A doutrina mais moderna vem dividindo a expressão fato gerador em: • fato gerador in abstrato: expressão referente à hipótese de incidência. • Para que o tributo nasça. por isso. deve ser evitada. Henzel Albert diz que: “Só deves pagar tributo se realizas. em ciência. é expressão equívoca e. ao fato imponível.____________________________________________________________________________ M ÓDULO II Exemplo espelhado em Direito Penal: • tipo penal é a descrição legal que a ordem jurídica considera delituoso (hipótese de incidência). é devido o tributo. mas. e ocorrendo o fato gerador imponível. A lei descreve a hipótese de incidência. • fato típico penal é a conduta do indivíduo (fato imponível). a hipótese de incidência tributária”. 4/6 . A doutrina costuma chamar fato gerador tanto a hipótese de incidência como o fato imponível. em todos os seus aspectos. isso não é conveniente. porque em ciência as expressões devem ser unívocas e não equívocas. o fato deve ajustar-se rigorosamente a uma hipótese de incidência tributária (fenômeno da subsunção. fato gerador in concreto: refere-se ao fato ocorrido. portanto. “Fato gerador”. que se equivale à tipicidade penal).

quantia devida. Se houver incongruência. hipótese de incidência é vender mercadorias. sujeito passivo. a hipótese de incidência é ser proprietário de imóvel urbano. 5. Enquanto a lacuna não for suprida. hipoteticamente. não houver correlação lógica. permitem que se chegue ao quantum debeatur.1. sob pena de não haver tributo a lançar. Base de Cálculo É a dimensão legal da materialidade do tributo. base de cálculo e alíquota. a base de cálculo é. ICMS. no qual a hipótese de incidência é obter rendimentos e a base de cálculo é a renda líquida. o valor do aluguel.____________________________________________________________________________ M ÓDULO II O que distingue um tributo do outro é a hipótese de incidência. ou seja. A norma jurídica tributária deve conter hipótese de incidência. 5. a base de cálculo é o valor da mercadoria. sujeito ativo. a título de tributo). Ex. Importante ao Fisco e ao contribuinte é o quanto se deve cobrar e pagar. Ex. não existe tributo em abstrato. não podendo existir em concreto. é a perspectiva dimensível do aspecto material da hipótese de incidência tributária. Deve guardar uma correlação lógica com a hipótese de incidência do tributo. o tributo será indevido. BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA São elementos quantitativos do tributo (conjugados.: Imposto de Renda. 5/6 .: IPTU. É indevido porque os aluguéis obtidos configuram renda (IR).

Ex. tanto para a pessoa física quanto para a jurídica. que. Alíquota É o critério apontado em lei. 150.: base de cálculo igual a 100 (cem). a alíquota é de 15% (quinze por cento). 6/6 . da CF/88). o quantum debeatur será de 15 (quinze). permite que se chegue ao quantum debeatur. conjugado à base de cálculo.2. IV.____________________________________________________________________________ M ÓDULO II 5. normalmente em porcentagem. O tributo não pode ter característica de confisco (art. Não pode retirar do contribuinte o mínimo vital.

4600 – Fax: (11) 3277.: (11) 3346. DAMÁSIO A DISTÂNCIA MÓDULO III DIREITO TRIBUTÁRIO __________________________________________________________________ Praça Almeida Júnior.br .com.___________________________________________________________________ CURSO DO PROF.damasio.8834 – www. 72 – Liberdade – São Paulo – SP – CEP 01510-010 Tel.

segundo critérios preestabelecidos. objetos) em categorias. certamente uma será inconstitucional. estão no mesmo plano jurídico. Portanto. não há hierarquia entre elas. Necessário. CLASSIFICAÇÃO JURÍDICA DOS TRIBUTOS Classificar é dividir um conjunto de seres (coisas. LEIS TRIBUTÁRIAS A União é competente para instituir leis tributárias federais. 2. os Municípios para instituírem leis tributárias municipais e o Distrito Federal. contudo. que exista obediência à CF. esta é seu ponto de partida. Uma lei que invade a competência de outra entidade política é inconstitucional. não há hierarquia ou subordinação. os estados para instituírem leis tributárias estaduais. Só podemos falar em hierarquia entre normas jurídicas quando umas extraem das outras a validade e a legitimidade. quando obedecida a CF. Se houver duas leis tributárias que tratam do mesmo tributo. A classificação jurídica leva em conta a norma jurídica. Tais leis.____________________________________________________________________________ MÓDULO III DIREITO TRIBUTÁRIO 1. como aquelas leis não extraem uma das outras a validade e a legitimidade. 1/14 . as leis tributárias distritais.

5. não são outras espécies tributárias. segundo o art. • • • Os empréstimos compulsórios. imposto ou contribuição de melhoria.____________________________________________________________________________ MÓDULO III A classificação jurídica dos tributos baseia-se nas normas jurídicas tributárias em vigor estabelecidas na CF. 145. 2/14 . 149 da CF/88). taxas. segundo a CF. ou seja. compreendem. pois espécies são somente as três do art. as seguintes: • empréstimos compulsórios. 145 da CF/88. contribuições parafiscais.º do CTN: • impostos. as contribuições parafiscais e as contribuições sociais são tributos que podem ser exteriorizados como taxa. impostos extraordinários. além das três espécies acima enumeradas. • • Tributos. art. Tributo (gênero) compreende. contribuições sociais (art. os impostos extraordinários. contribuições de melhoria.

O imposto tem fundamento de validade no poder de império da entidade tributante. deve incidir ICMS. surge o ISS. o proprietário de um imóvel deve pagar IPTU. 145. 16 do CTN. Imposto é um tipo de tributo que tem por hipótese de incidência um comportamento do contribuinte ou uma situação jurídica na qual ele se encontra. 3/14 . • Situação jurídica na qual o contribuinte se encontra: por exemplo. os Estadosmembros. um serviço público ou realizem uma obra pública para poderem cobrar imposto. da CF/88 São os tributos economicamente mais importantes. Conforme o art.: a venda de mercadorias gera ICMS (Direito Comercial). É um tributo não vinculado. I. Impostos – Art. já o proprietário de um imóvel rural deve arcar com o ITR. ao se vender uma mercadoria. pois não há uma equivalência entre o montante que uma pessoa paga a título de imposto e o que o Estado reverte em seu benefício. imposto é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal específica relativa ao contribuinte. Ex. ao se prestar um serviço. há a incidência do ITBI ou SISA. por exemplo.____________________________________________________________________________ MÓDULO III 2. Não é necessário que a União.1. • Um comportamento do contribuinte: por exemplo. Nasce sempre de fatos regidos pelo Direito Privado. os Municípios ou o Distrito Federal prestem. ao se adquirir um imóvel. a prestação de serviços gera ISS (Direito Civil).

1. 156 da CF/88 • Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU). • • c) Impostos municipais e DF – art. Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). Imposto de Produtos Industrializados (IPI). Imposto sobre a Renda e Proventos (IR). Imposto sobre grandes fortunas. 153 da CF/88 a) Impostos federais • Imposto sobre Importação. Imposto sobre Operações Mercantis (ICMS). 4/14 • • . Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Imposto sobre Serviços (ISS).____________________________________________________________________________ MÓDULO III 2. 155 da CF/88 • Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doações. • • • • • • b) Impostos estaduais e DF – art.1. Competência dos impostos – art. Imposto sobre Transmissão Inter Vivos (ITBI). Imposto sobre a Exportação.

154. Essa competência residual se limita apenas aos impostos e não a qualquer tributo.: imposto sobre arrematações. in fine. Ex. 154. 148 da CF/88) devem ser criados por meio de lei complementar. a União possui competência impositiva residual (infinita). 155. da CF/88 permite a instituição de impostos extraordinários na iminência ou no caso de guerra externa. Os tributos em geral devem ser criados por lei ordinária. e art. 147.2. pois sempre poderá criar imposto. Os impostos de competência impositiva residual da União (art. 5/14 . Ex. De acordo com a art. 2.____________________________________________________________________________ MÓDULO III O Distrito Federal pode criar os impostos estaduais e municipais (competência impositiva dobrada – art. O art. Classificação dos impostos a) Pessoais São aqueles que estabelecem diferenças tributárias em função das condições próprias do contribuinte. I. ambos da CF. compreendidos ou não em sua competência tributária. podendo inclusive invadir competência das outras entidades tributantes. 154 da CF/88.: IR. A competência impositiva distrital é o somatório das competências impositivas dos Estados e Municípios). caput. ou seja. da CF/88) e os empréstimos compulsórios (art. II.1.

pelo 6/14 . o terceiro é estranho à relação jurídico-tributária.____________________________________________________________________________ MÓDULO III b) Reais São aqueles que não levam em consideração as condições do contribuinte. O art. Ex. este paga o tributo correspondente e se ressarce cobrando de terceiro por meio da inclusão do imposto no preço.: ICMS. d) Indiretos Quando. Ex. incidindo igualmente para todas as pessoas. O consumidor final não é o atingido diretamente. tendo havido tal repasse. Ex. 166 do CTN estabelece que a repetição dos chamados impostos indiretos só é possível quando o contribuinte de direito não tiver repassado ao contribuinte de fato a carga econômica do tributo ou quando. IPI. o contribuinte de direito estiver expressamente autorizado. Ele é o contribuinte de fato e não o contribuinte de direito. porque foi ele quem praticou o fato gerador do tributo) e de fato (aquele sobre quem recai o ônus do impostos).: IR. É o fenômeno econômico da transladação ou repercussão dos tributos. e é denominado de contribuinte de fato (porque de fato foi ele quem suportou o ônus do imposto).: IPTU. Aquele que paga o imposto e mantém a relação pessoal e direta com o Estado denomina-se contribuinte de direito. c) Diretos Quando numa só pessoa se reúnem as condições de contribuinte de direito (aquele que é responsável pelo cumprimento de todas as obrigações tributárias previstas na legislação. na relação jurídico-tributária que se estabelece entre o Estado e o sujeito passivo. embora vinculado ao fato gerador.

são difíceis de ocorrer. impossível será obter autorização deste último. Princípio informador dos impostos O princípio da capacidade contributiva encontra-se veiculado no art. e este suportará sempre a mesma alíquota. II. Esse princípio se hospeda no princípio da igualdade e ajuda a realizar os ideais republicanos (quem tem mais. tanto maior a alíquota. paga menos).: se o contribuinte recolher ICMS a mais. porém.15% e 27. que tem três alíquotas (0%. da CF/88: “sempre que possível os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica dos contribuintes”. são impostos seletivos em função das 7/14 . Ex. da CF/88 contém a expressão “sempre que possível”. pouco importando a sua capacidade contributiva. Outro exemplo é o IPI. Ex. portanto as pessoas políticas é quem decidem se imprimem caráter pessoal aos impostos. §1. é imposto que não respeita o princípio em estudo. 2.ª parte.º. 145. paga mais e quem tem menos. ele só poderá pedir a repetição se ocorrer uma das hipóteses mencionadas no art.____________________________________________________________________________ MÓDULO III contribuinte de fato.º. por exemplo. 145. quando não houver. § 1. embora não respeitem o princípio da capacidade contributiva. pois quem suporta a carga econômica é o consumidor final.1. O ICMS. É por meio de alíquotas progressivas que se alcança o princípio da capacidade contributiva. O art. 1. § 2.º.5%). 155. 166 do CTN. O ICMS (art. pois esse princípio exige que os impostos observem uma progressividade de alíquotas: quanto maior a base de cálculo. da CF/88) e o IPI. pois geralmente há o repasse ao contribuinte de fato e.: IR. Essas situações.3. a ingressar com o pedido de repetição.

Os serviços públicos podem ser: a) Gerais (universais) Alcançam a comunidade considerada como um todo. ou seja. Taxa de serviço É o tipo de tributo que tem por hipótese de incidência um serviço público específico e divisível. 145. Não nasce de um comportamento do contribuinte ou de uma situação jurídica em que este se encontre. Essa atuação estatal pode consistir. II. 2. Taxa – Art. 2. respectivamente. II. segundo o art. São prestados uti universi. trata-se de tributo vinculado a uma atuação estatal. em taxa de serviço e taxa de polícia.2. 77 do CTN É o tributo que tem por fato gerador abstrato uma atuação estatal diretamente referida ao contribuinte (art. 145. da CF/88) consistente em um serviço ou em um ato de polícia. O que torna público o tributo é o regime de Direito Público que o rege. II.1.2. da CF/88 e art.: serviço de segurança 8/14 .____________________________________________________________________________ MÓDULO III mercadorias e serviços e da essencialidade dos produtos industrializados. Devem ser custeados pelas receitas gerais da pessoa política que os presta. 77 do CTN. Serviço público é a prestação de utilidade material usufruível individualmente sob o regime de Direito Público. da CF/88 e Art. Ex. Não se referem diretamente a ninguém. 145.

serviço de transporte coletivo etc. serviço de iluminação pública. No Brasil. serviço diplomático. d) Fruíveis Postos à disposição (art.: serviço de fornecimento domiciliar de água potável. II. Para que o serviço público possa servir como fato gerador de taxa. in fine. 145. Referem-se diretamente a alguém. São prestados uti singuli. serviço de defesa da soberania nacional. individualmente considerada. A simples disponibilidade já dá ensejo à cobrança da taxa. 9/14 . b) Específicos (singulares) Alcançam pessoas individualmente consideradas.. c) Divisíveis É a possibilidade de o contribuinte aferir-se a utilização efetiva ou potencial. a taxa pode ser cobrada de quem efetivamente se utiliza do serviço público ou de quem tem a disponibilidade do serviço público.____________________________________________________________________________ MÓDULO III pública. Ex. São dotados de divisibilidade (possibilidade de aferir-se a utilização efetivo-potencial individualmente considerada). serviço de fornecimento domiciliar de energia elétrica. da CF/88). deve ser: • específico e divisível.

2. V. 150. à ordem. compatibilizando-os com o bem comum. em seu art.____________________________________________________________________________ MÓDULO III • prestado ao contribuinte ou posto à sua disposição. O art. aos costumes. observados os limites constitucionais. É a espécie de tributo que tem por hipótese de incidência um ato de polícia de efeitos concretos. baixar regras de nível constitucional legal ou infralegal para disciplinar o exercício dos direitos à liberdade e à propriedade das pessoas. pelo contribuinte. à disciplina da produção e do mercado.2. O poder de polícia se manifesta das mais diversas maneiras. 10/14 . ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder Público. Poder de polícia é a faculdade que o Estado tem de. um ato que se refere diretamente ao contribuinte e que envolve o exercício do chamado poder de polícia. ou seja. • Uma parte da doutrina define o pedágio como sendo uma taxa de serviço (art. à higiene. da CF/88). O serviço de conservação da rodovia permite o pedágio. sua abrangência é praticamente ilimitada. Para outros. Para alguns autores. 2. utilizado. 78. à tranqüilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos. 78 do CTN reporta-se ao interesse público concernente à segurança. define o que se considera poder de polícia. a enumeração possui caráter taxativo. Taxa de polícia O CTN. efetiva ou potencialmente.

____________________________________________________________________________ MÓDULO III 2.2. por conseqüência. A entidade estatal competente para o desempenho da atividade é competente. a área do imóvel. 80 do CTN). mas existem na prática.º. No Brasil são inconstitucionais.3.2. A especificidade da taxa advém de seu fato gerador ser uma atividade estatal específica relativa ao contribuinte. mas o legislador pode preferir indicar uma base de cálculo e uma alíquota. por exemplo. da CF/88). 145. para instituir e cobrar a taxa correspondente (art. As taxas geralmente são estabelecidas em quantias prefixadas.4. Competência para instituir e cobrar taxas Competente para instituir e cobrar taxas é a pessoa jurídica de Direito Público que seja competente para a realização da atividade à qual se vincule o fato gerador respectivo. 11/14 . A doutrina reconhece: • taxas de uso: aquelas que têm por hipótese de incidência a utilização de bens pertencentes ao domínio público. pode ocorrer também que a determinação do valor da taxa seja feita em função de elementos. Base de cálculo e alíquota As taxas não podem ter base de cálculo idêntica à dos impostos (art. § 2. 2. • taxas de obra: aquelas que têm por hipótese de incidência a realização de obras públicas.

Observação para o concurso da Procuradoria: preço é a quantidade devida pelo serviço público ou pelo ato de polícia de fruição facultativa. podendo ser criado ou 12/14 . porque estas.: legalidade.5. 545 do STF: “Preços de serviços públicos e taxas não se confundem. deve faze-lo por meio de taxa. anterioridade).2. Não precisa obedecer ao regime jurídico tributário. Há um serviço público que necessariamente deve ser gratuito. A diferença entre taxa e preço público encontra-se na Súmula n. da CF/88). 206. Tarifa A tarifa é o preço público pago pela utilização de serviços facultativos (e não compulsórios) que a Administração Pública ou seus delegados colocam à disposição da população (serviço de uso facultativo). que é o serviço de ensino quando prestado em estabelecimento oficial de ensino (art.____________________________________________________________________________ MÓDULO III Nada impede que a pessoa política preste um serviço público ou pratique um ato de polícia a título gratuito. diferentemente daqueles. Observação para o concurso do MP e da Magistratura: os serviços e atos de polícia praticados não podem ser cobrados por meio de preço (preços públicos e tarifas). são compulsórias e têm sua cobrança condicionada à prévia autorização orçamentária. reserva de competência. igualdade. 2. IV. Ex. Ex. mas sempre obedecido o regime jurídico tributário (princípios que protegem o contribuinte contra excessos fazendários. em relação à lei que as instituiu”.: serviço de vacinação. Caso o Poder Público resolva cobrar os serviços e os atos de polícia.

____________________________________________________________________________ MÓDULO III aumentado por meio de decreto. 145. portaria. da CF/88): só pode consistir em obra pública. O preço é cabível quando se está diante de coisa em comércio. tributo vinculado.3. 13/14 . Contribuição de Melhoria – Art. 145. a ampliação ou a reforma total de um bem imóvel pertencente ou incorporado ao patrimônio público. da CF/88 e Arts. portanto. quando só então se perceberá o quanto valorizou o imóvel em função de sua realização. 81 e 82 do CTN É a modalidade de tributo que tem por hipótese de incidência uma atuação estatal diretamente referida ao contribuinte.). Só pode ser cobrado depois que a obra pública estiver concluída. 2. É. sem atenção ao princípio da anterioridade. ato administrativo etc. total ou parcialmente. Entre a obra pública e a valorização imobiliária deve haver uma relação de causalidade. Atuação estatal (art.: obras contra enchentes etc. II. III. É preciso que essa obra pública cause valorização imobiliária. A contribuição de melhoria tem como fato gerador a valorização do imóvel do contribuinte em razão de obra pública (ex. Obra pública: é a edificação. Os beneficiários diretos da obra arcam com seu custo..

Estados. DF e Municípios) que tem atribuição para a realização dos trabalhos.____________________________________________________________________________ MÓDULO III 2. como tal.1. As taxas e contribuições de melhoria são tributos vinculados a uma atuação estatal e têm por hipóteses de incidência uma atuação estatal de algum modo referida ao contribuinte. A alíquota possível da contribuição de melhoria é um percentual desse quantum. Base de cálculo e alíquota A contribuição de melhoria é um tributo e. A base de cálculo possível da contribuição de melhoria é o quantum da valorização experimentada pelo imóvel em decorrência da obra pública realizada em suas imediações. pois visa devolver à sociedade uma parte do enriquecimento sem causa. custeada pela sociedade. 14/14 . também tem uma base de cálculo e alíquota que devem ser apontadas em lei. É um tributo social. Competência para instituir e cobrar contribuição de melhoria Tem competência para instituir e cobrar contribuição de melhoria a pessoa política (União. 2. Nascem sempre de fatos regidos pelo Direito Público. paga a contribuição de melhoria.2.3.3. já que o dono do imóvel valorizado por uma obra pública. Só pode ser cobrada uma vez para cada obra pública que valorize o imóvel.

com.___________________________________________________________________ CURSO DO PROF.damasio.: (11) 3346. 72 – Liberdade – São Paulo – SP – CEP 01510-010 Tel. DAMÁSIO A DISTÂNCIA MÓDULO IV DIREITO TRIBUTÁRIO __________________________________________________________________ Praça Almeida Júnior.br .8834 – www.4600 – Fax: (11) 3277.

____________________________________________________________________________ MÓDULO IV

DIREITO TRIBUTÁRIO

1. EMPRÉSTIMOS COMPULSÓRIOS

São tributos restituíveis, mas sempre tributos. Tendo em vista a redação do artigo constitucional que trata do instituto em questão, a configuração tributária fica nitidamente exposta, tornando-se difícil sustentar posições dissonantes. O art. 148 da CF/88 manda aplicar aos empréstimos compulsórios o regime jurídico tributário, e eles satisfazem plenamente as cláusulas que compõem a redação do art. 3.º do CTN. Apenas a União, por meio de lei complementar, poderá instituir empréstimos compulsórios. Medida Provisória não pode criar nem alterar empréstimos

compulsórios, pois ela é transformável em lei por maioria simples, e o empréstimo compulsório só pode ser aprovado por maioria absoluta. A aplicação desse tributo deve ser vinculada à despesa que o fundamentou (art. 148, par. ún., da CF/88), expressando uma garantia ao contribuinte. Passaremos a analisar o art. 148, assim expresso na CF/88: “Art. 148. A União, mediante lei complementar, poderá instituir empréstimos compulsórios: I. para atender a despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade pública, de guerra externa ou sua iminência;
1/5

____________________________________________________________________________ MÓDULO IV

II. no caso de investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional, observado o disposto no art. 150, II, ‘b’. Parágrafo único. A aplicação dos recursos provenientes de empréstimo compulsório será vinculada à despesa que fundamentou sua instituição.”

1.1. Art. 148, I, da CF “Inciso I: para atender a despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade pública, de guerra externa ou sua iminência.” Nesses casos, não é necessário observar o princípio da anterioridade, sendo visível a intenção do legislador constitucional, pois as situações expostas no referido artigo são de graves proporções, não podendo esperar o ano seguinte para sua solução.

1.2. Art. 148, II, da CF “Inciso II: no caso de investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional, observado o disposto no art. 150, III, “b”.” Nesses casos, a observância do princípio da anterioridade é necessária. Calamidade pública, guerra externa, iminência de guerra externa e o investimento público são os pressupostos necessários e suficientes para que o empréstimo compulsório seja criado, não são as hipóteses de incidência do empréstimo compulsório.

2/5

____________________________________________________________________________ MÓDULO IV

Os empréstimos compulsórios são restituíveis, mas nem por isso perdem o caráter de tributo (art. 4.º, II, do CTN: estabelece que a natureza jurídica do tributo deriva de sua hipótese de incidência e não da destinação do tributo). A restituição é obrigatória. A lei deverá fixar o prazo e as condições do resgate (cria direito subjetivo). A restituição só pode ocorrer em moeda, tendo que ser integral para não caracterizar confisco, incluindo-se também correção monetária. Os empréstimos compulsórios poderão assumir quaisquer das formas que correspondem às espécies do tributo, podendo a hipótese de incidência ser:

imposto; taxa; contribuição de melhoria.

Normalmente, acabam revestindo a natureza do imposto. Alfredo Augusto Berker foi o primeiro a observar que entre os empréstimos compulsórios existem duas relações jurídicas:

ação jurídica tributária: tem por sujeito ativo a União e por sujeito passivo o contribuinte. Quando o contribuinte paga o empréstimo compulsório à União, desaparece a relação jurídica tributária;

relação jurídica administrativa: surge com o desaparecimento da relação jurídica tributária e tem por sujeito ativo o contribuinte e por sujeito passivo a União, tendo em vista a obrigação de pagar ser, nessa relação, da União.
3/5

Contribuições do Art. Dentro do seu campo de competência.: autarquia. custeio da seguridade social. com finalidade interventiva específica. 149 da CF São contribuições de intervenção no domínio econômico. Esse tributo. CONTRIBUIÇÕES PARAFISCAIS São tributos arrecadados por pessoas diversas daquelas que os instituíram. 4/5 .____________________________________________________________________________ MÓDULO IV 2. mas são tributos. tais contribuições não caracterizam nova espécie de tributo. mas taxa ou imposto de finalidade específica.1. a União pode criar taxas ou impostos associados a qualquer um desses fins. A União. empresa pública. Essa delegação recebe o nome de parafiscalidade. 2. Assim. interesse de categorias econômicas ou profissionais. pode criar contribuições de: • intervenção no domínio econômico. poderá revestir a natureza de imposto. • • São tributos qualificados pela finalidade (uma das três acima). taxa ou contribuição de melhoria. por meio de lei ordinária. de caráter extrafiscal. conforme sua hipótese de incidência. Ex.

____________________________________________________________________________ MÓDULO IV 2. pois autoriza os Estados. ún. que são impostos.º traz regra específica sobre o princípio da anterioridade. e traz três possíveis bases de cálculo (sua hipótese de incidência é o fato desvinculado de atuação estatal). O inc. O inc. Contribuições do Art. desde que mantenham sistemas próprios de Previdência e Assistência Social para seus funcionários. Distrital e Municipal. II trata das contribuições dos empregados. I trata das contribuições patronais. 5/5 . pois é colocado à disposição do empregado o serviço de Previdência Social. 149 traz uma exceção ao caput. 195 da CF São tributos destinados ao financiamento da Seguridade Social. III incide sobre a receita de concurso de prognósticos. A lei só se torna eficaz 90 dias após a sua publicação. o DF e os Municípios a instituírem contribuições para custeio da Seguridade Social Estadual. O § 6.2. O par. O inc. do art. São taxas.

DAMÁSIO A DISTÂNCIA MÓDULO V DIREITO TRIBUTÁRIO __________________________________________________________________ Praça Almeida Júnior.com.: (11) 3346.4600 – Fax: (11) 3277. 72 – Liberdade – São Paulo – SP – CEP 01510-010 Tel.damasio.8834 – www.br .___________________________________________________________________ CURSO DO PROF.

Não importa se o princípio é implícito ou explícito. seja dos simples atos normativos. seja dos próprios mandamentos constitucionais. disposto no art. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS As normas constitucionais não possuem o mesmo grau de importância.º. dentro do sistema jurídico. É uma regra básica. 1. vincula o entendimento e a boa aplicação. Princípio da Legalidade É um princípio universal.1. função axiologicamente mais importante do que a regra. No Brasil. que exerce. A expressão “sob reserva de lei” não faz muito sentido. da CF/88: “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Sempre que houver uma dupla interpretação da norma. portanto. mas sim se ele existe ou não existe (ex. ocupa posição de destaque no mundo do Direito e. II.: o princípio da isonomia das pessoas políticas é implícito). mesmo a constitucional. vigora a universalidade da legislação (princípio da legalidade). pois toda 1/6 . pois algumas veiculam regras enquanto outras são verdadeiros princípios. O princípio é. por sua grande generalidade. por isso. um vetor para as soluções interpretativas._____________________________________________________________________________ MÓDULO V DIREITO TRIBUTÁRIO 1. 5. com âmbito de validade maior. devem-se utilizar os princípios. Princípio é uma regra básica implícita ou explícita que.

Assim. da CF/88 veda às pessoas políticas a criação. da CF/88. parcelar e perdoar débitos tributários. 153. a alíquota. O art. produtos industrializados (IPI) e operações de crédito (IOF). e significa que “é matéria de lei”. deverá atender ao princípio da legalidade tributária._____________________________________________________________________________ MÓDULO V matéria está sob reserva de lei. Obrigações acessórias são deveres impostos pela lei ao contribuinte ou à terceira pessoa a ele relacionada. um “não fazer” ou um “suportar”. Só poderá ser aumentada. limitam-se a prover sua fiel execução. O aplicador do Direito Tributário não tem margem de discricionariedade. Em Direito Tributário vigora. Essa faculdade regulamentar. sem. É usada como pleonasmo. exportação. as alíquotas dos impostos sobre importação. Os únicos regulamentos válidos em matéria tributária são os executivos. observando-se os ditames legais. I. tendo em vista o perfeito funcionamento do sistema tributário. dentro dos parâmetros da lei. criar “obrigações acessórias” etc. que. além do princípio da legalidade. e não a base de cálculo (como ocorria na CF anterior). porém. existe uma “aparente” exceção que faculta ao Poder Executivo (Presidente da República – art. Tudo o que é importante em matéria de tributo deve ser matéria de lei. 76 de CF/88) alterar. somente a lei poderá diminuir e isentar tributos. Esses deveres podem consistir em um “fazer”. a exigência ou o aumento de tributo sem ser por intermédio de lei.º. o princípio da estrita legalidade (princípio da reserva absoluta da lei formal). entretanto. § 1. Não há exceções ao princípio da legalidade tributária. 150. por meio de decreto. subordinando-se inteiramente à lei. No art. reforço. criar ou aumentar tributos nem estabelecer 2/6 . o que leva ao princípio da tipicidade fechada da tributação. entretanto.

fica com sua eficácia suspensa até o início do próximo exercício financeiro.2. a ordem de serviço e os atos administrativos tributários em geral estão abaixo do regulamento. 1._____________________________________________________________________________ MÓDULO V quaisquer ônus ou encargos que possam repercutir no patrimônio ou na liberdade dos contribuintes. também devendo observar o princípio da legalidade.: estabelecer escala de férias. as portarias.). “b”. os pareceres normativos. • Ordem de Serviço: é uma determinação que o chefe faz ao seu subordinado para que este realize uma dada diligência. III. 150. • Parecer Normativo: é a opinião oficial da Fazenda Pública acerca do significado. • Atos Administrativos Tributários em Geral: aplicam a lei tributária de ofício (ex. Os regulamentos só podem ser secundum legem e contra legem.: lançamento identifica oficialmente o contribuinte e desvenda a quantia devida a título de tributo. Princípio da Anterioridade Disposto no art. estabelecer horários etc. é um princípio exclusivamente tributário. não podendo criar realidade tributária. ao entrar em vigor. A lei que cria ou aumenta um tributo. • Portaria: é um ato interorgânico que serve para disciplinar as questões internas da repartição fazendária (ex. É o mais importante ato administrativo tributário). da CF/88. limitada ao princípio da legalidade. quando 3/6 . Sendo o regulamento fonte secundária de Direito. conteúdo e alcance de determinada norma jurídica tributária.

visto que a revogação da isenção de um tributo estará recriando o tributo. imposto sobre a exportação. da CF/88 e são: • imposto sobre a importação. 615 do STF dispõe. Alguns entendem que essa súmula é inconstitucional. a norma que revoga a isenção de ICMS não precisa atender à anterioridade. O exercício financeiro. uma lei que isenta ou reduz o tributo poderá ter incidência imediata. a partir de 1. coincidindo o ano civil com o ano fiscal. entretanto. ter incidência. § 1. As exceções ao princípio da anterioridade estão dispostas no art.º. 4/6 • • . assim.º de janeiro e termina em 31 de dezembro. Somente tributos criados ou aumentados deverão obedecer ao princípio da anterioridade. 150. ou seja. que “a lei que revoga a isenção de ICM não precisa atender à anualidade”. a lei que cria ou aumenta um tributo deve entrar em vigor num exercício financeiro e tornar-se eficaz no próximo exercício financeiro. Também deverá atender ao princípio da anterioridade aquela lei que revoga uma isenção. O princípio da anterioridade existe para favorecer o contribuinte. inicia-se em 1. no Brasil. reforçando a segurança jurídica da tributação. Pelo princípio da anterioridade. A lei criada em um exercício só poderá entrar em vigor._____________________________________________________________________________ MÓDULO V produzirá todos os seus efeitos.º de janeiro do exercício seguinte. IPI. A Súmula n. Por trás do princípio da anterioridade está a idéia de que o contribuinte não seja pego de surpresa.

§ 1. Princípio da Anualidade Vigorou no Brasil enquanto vigorou a CF/46.º. Nesse caso. 195. imposto lançado por motivo de guerra. Dispunha que “nenhum tributo será cobrado sem prévia autorização orçamentária anual”. da CF/88). 5/6 .2. Também não precisam obedecer ao princípio da anterioridade os empréstimos I.º. compulsórios para atender às despesas extraordinárias decorrentes de calamidade pública. § 6. O art._____________________________________________________________________________ MÓDULO V • IOF. 153. 1. da CF/88 veicula uma anterioridade especial. guerra externa ou sua iminência (art. da CF/88). O STF entende que o princípio da anterioridade é uma cláusula pétrea e não pode ser limitado por EC. Esse princípio da anualidade foi substituído pelo princípio da anterioridade por meio da EC n. 148.1. 18/65 e depois veio disposto na CF/88. Lei orçamentária é o ato-condição a regular cobrança dos tributos. Dispõe que a lei que cria uma contribuição social para a Seguridade Social só poderá incidir 90 dias após sua publicação. • Os quatro primeiros poderão ter suas alíquotas aumentadas por decreto (art. obedece-se a uma anterioridade medida (anterioridade nonagesimal).

106 do CTN. Princípio da Segurança Jurídica da Tributação Em sua dupla manifestação (certeza do direito e proibição do arbítrio). essa regra não é de observância obrigatória. da CF/88). de alguma forma. não poderá retroagir a fatos anteriores à sua promulgação. Quando a lei. nos termos do art. A lei tributária deve ser anterior ao fato imponível (art. Em se tratando de leis tributárias benéficas. ou seja._____________________________________________________________________________ MÓDULO V 1. aumenta ou cria o tributo. III. Não poderá haver tributo sem que a lei anterior preveja (nullum vectigal sine praevin lege). 150. “a”. exige que as leis sejam irretroativas.3. essas leis poderão retroagir. não havendo exceção a essa regra. 6/6 .

br . DAMÁSIO A DISTÂNCIA MÓDULO VI DIREITO TRIBUTÁRIO __________________________________________________________________ Praça Almeida Júnior.: (11) 3346.8834 – www.___________________________________________________________________ CURSO DO PROF.4600 – Fax: (11) 3277.damasio.com. 72 – Liberdade – São Paulo – SP – CEP 01510-010 Tel.

Instruções Ministeriais Explicitam leis e decretos. normas complementares. circulares. FONTES FORMAIS SECUNDÁRIAS São consideradas de menor importância que as fontes primárias. são atos administrativos emitidos pelos chefes dos departamentos ou seções. 1/2 ._____________________________________________________________________________ MÓDULO VI DIREITO TRIBUTÁRIO 1. 1. 1. Decretos e Regulamentos São expedidos pelo Chefe do Poder Executivo com o objetivo de possibilitar a fiel execução das leis.3.1.2. temos como fontes formais secundárias: decretos e regulamentos. 1. possuem como destinatários os servidores públicos em seus relacionamentos com os contribuintes em geral. Circulares As circulares. ordens de serviços e outros da mesma natureza. instruções ministeriais. uma vez que possuem a função de viabilizar os comandos destas. Assim. Sua denominação pode variar em face das normas administrativas de cada entidade de Direito Público.

2/2 . DOUTRINA São os ensinamentos dos juristas acerca do Direito Tributário._____________________________________________________________________________ MÓDULO VI 1. JURISPRUDÊNCIA São decisões do Poder Judiciário acerca de questões tributárias. 3. 100 do CTN).4. de acordo com o art. Normas Complementares Normas complementares. decisões de órgãos singulares ou coletivos de jurisdição • administrativa aos quais a lei atribua eficácia normativa. • práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas (art. 2. 100 do CTN são: • atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas.

8834 – www. 72 – Liberdade – São Paulo – SP – CEP 01510-010 Tel. DAMÁSIO A DISTÂNCIA MÓDULO VII DIREITO TRIBUTÁRIO __________________________________________________________________ Praça Almeida Júnior.4600 – Fax: (11) 3277.br .: (11) 3346.com.damasio.___________________________________________________________________ CURSO DO PROF.

O § 1. uma fase constitutiva (deliberação e sanção) e. A lei ordinária é ato complexo.1. O período entre a publicação da lei e sua vigência chama-se vacatio legis. socorre-se da regra geral trazida pelo art. O veículo adequado para a criação de tributos é a lei ordinária. As exceções são o empréstimo compulsório (art. pois participam pelo menos dois Poderes para a sua formação (Legislativo e Executivo).). I. 154. § 4. os impostos de natureza residual (art. A CF/88 não regula a vacatio legis. ainda. salvo disposição em contrário. VIGÊNCIA E APLICAÇÃO DAS LEIS TRIBUTÁRIAS 1. e serve para que os futuros destinatários da lei possam conhecê-la e prepararem-se para bem cumpri-la. tais como embaixada.º da LICC: as leis entram em vigor. Quanto mais complexa for a matéria em questão. 1/5 . no exterior.º. toda lei ordinária passa por uma fase introdutória (iniciativa). mais se estende a vacatio legis.º do referido artigo estabelece que. 195. inc. uma fase complementar (promulgação e publicação). Se a lei não especificar. 148. as leis entram em vigor 90 dias após sua publicação (territórios fictos. De acordo com o processo legislativo. CF) e as contribuições a que se refere o art. deixando a questão ao arbítrio do legislador. que devem ser criados por lei complementar. no Brasil. 1. Entrada em Vigor da Lei Tributária A lei tributária entra em vigor na data que a própria lei apontar. aeronaves etc. CF)._____________________________________________________________________________ MÓDULO VII DIREITO TRIBUTÁRIO 1. 45 dias após sua publicação. CF.

em sua falta.212/91 2/5 . Se a lei tributária for federal. proclama erga omnes que a ordem jurídica foi inovada. devem as leis ser publicadas para que se tornem conhecidas.: vender mercadoria sem nota fiscal. Com a publicação regular. o art.3.2. Assim. ao término do processo legislativo.: o art. sua publicação deverá ocorrer no DOM ou. a falta de publicação ou a publicação irregular impedem que a lei produza seus efeitos. 8. se distrital._____________________________________________________________________________ MÓDULO VII A LC n. Publicação A publicação é o ato de conhecimento da lei. se estadual. Diferença entre Elisão Fiscal e Evasão Fiscal A elisão fiscal é um meio lícito de evitar ou diminuir a carga tributária. Revogação A revogação pode ser total (ab-rogação) ou parcial (derrogação). A evasão fiscal é crime contra a ordem tributária (art. 1. A lei tributária de caráter especial não revoga nem é revogada pela lei tributária de caráter geral. Ex.Ex. nasce uma presunção absoluta de que a lei é conhecida. Já a evasão fiscal é um meio ilícito de evitar ou diminuir a carga tributária por meios fraudulentos.2. nos periódicos de circulação local. 90/98 dispõe que.137/90). requisito de eficácia da lei. no DOE. se municipal.º da Lei n. 1. 174 do CTN dispõe que a ação de cobrança de tributos prescreve em cinco anos. 46 da Lei n. A publicação tem efeito certificatório. no DO-DF e. 1. 8. 1. sua publicação deverá ocorrer no DOU. ou seja.

3/5 . a lei tributária não mais voltará a vigorar. Qualquer pessoa pode interpretar a lei. ainda que desapareça a lei que a revogou. 106. não se aplica analogia em lei tributária se resultar na exigência de tributo não previsto (art. devendo ser entendido somente para as contribuições sociais para a Seguridade Social. Por força do princípio da tipicidade fechada. INTERPRETAÇÃO E INTEGRAÇÃO DAS LEIS TRIBUTÁRIAS 2. O art. I. Não há efeito repristinatório no Direito Tributário Brasileiro. 108. 2._____________________________________________________________________________ MÓDULO VII dispõe que a ação de cobrança de contribuições sociais para a Seguridade Social prescreve em dez anos.2.1. que obriga as partes no caso concreto (prerrogativa do Juiz). Se a lei “A” é revogada pela lei “B”. 174.2. o conteúdo e o alcance de uma dada norma jurídica. ainda que a lei “C” venha a revogar a lei “B”. 2. a lei “A” não voltará mais a produzir efeitos. § 1. Revogada.º. 46 não revogou o art. Interpretação das Leis Tributárias 2. A única interpretação vinculada é a feita pelo Juiz. Interpretação Interpretação é o procedimento lógico pelo qual se observam o significado.1. Quanto ao sujeito que a realiza • Autêntica: é feita pelo Poder Legislativo por meio de leis interpretativas (lei posterior interpretando lei anterior). CTN). O art.

2. O elemento teleológico (mens legis) é a busca da vontade do Estado contida na lei (voluntas legis). ou seja. A cristalização das decisões judiciais forma a chamada jurisprudência._____________________________________________________________________________ MÓDULO VII do CTN dispõe que a lei tributária interpretativa retroage à data da entrada em vigor da lei tributária interpretada. 4/5 . apenas descrevendo o direito. não se pode exigir que a jurisprudência prevaleça. A linguagem doutrinária é uma linguagem descritiva e a linguagem do Direito é uma linguagem prescritiva. • Lógica: vale-se de elementos sistemáticos e teleológicos. Será mais ou menos valiosa de acordo com a maior ou menor intelectualidade do jurista que fez a interpretação. É uma interpretação leiga que prepara a interpretação jurídica.2. É um trabalho preliminar. • Doutrinária: é feita pelos juristas.2. • Judicial: é feita pelo Poder Judiciário por meio de suas sentenças e seus acórdãos. visto que não prescreve nenhum comportamento. A jurisprudência não é fonte de direito nem vincula o Poder Judiciário. Não é fonte de direito. Quanto aos meios de que se vale o intérprete • Gramatical: é a simples leitura da lei.

2. ou numa situação de dúvida. § 1. Entende-se que o interesse público. não prevalece a vontade do fisco (in dubio contra fisco).º.: ler arts. Por outro lado. a eqüidade não pode dispensar o sujeito passivo do pagamento de um tributo previsto em lei (§ 2.108. Integração Integrar é buscar solução para um caso concreto se houver lacuna da lei. devem prevalecer os estritos limites da lei (in dubio pro lege). • Restritiva: fica aquém da lei._____________________________________________________________________________ MÓDULO VII 2. do CTN). Se houver. inclusive. dúvidas insuperáveis.2. 5/5 .º do art. a analogia não pode resultar em um novo tributo ou aumento deste (art. 108.3. Utilizada nos dias de hoje. deve-se utilizar a interpretação restritiva. • Declaratória: fica nos estritos limites da lei. Obs. 108. 110 a 112 do CTN. prevendo. no caso de omissão da lei. No caso de dúvida. deve prevalecer (in dubio pro fisco). Quanto aos resultados que produz • Extensiva: vai além da lei. O CTN cuida da integração em seu art. a ordem de utilização das fontes de integração.3. entretanto. do CTN). Na omissão desta. No campo tributário.

: (11) 3346.com.8834 – www. DAMÁSIO A DISTÂNCIA MÓDULO VIII DIREITO TRIBUTÁRIO Competência Tributária __________________________________________________________________ Praça Almeida Júnior.___________________________________________________________________ CURSO DO PROF. 72 – Liberdade – São Paulo – SP – CEP 01510-010 Tel.4600 – Fax: (11) 3277.damasio.br .

como aumentar. descrevendo legislativamente sua hipótese de incidência. A rigor.___________________________________________________________________________ MÓDULO VIII DIREITO TRIBUTÁRIO Competência Tributária 1. diminuir. inampliável. indelegável. a competência tributária é a aptidão não só para criar tributos. seus sujeitos passivos. 2. suas bases de cálculo e suas alíquotas. incaducável. seus sujeitos ativos. parcelar. mas também para atingir outros fins. CONCEITO Competência tributária é a aptidão para criar in abstrato tributos. • • • • • 1/6 . CARACTERÍSTICAS DA COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA A competência tributária possui vários traços característicos: • é privativa. irrenunciável. isentar. de exercício facultativo.

Em relação aos impostos. Não conseguiu. a competência tributária é privativa.1.2. 2. Privativa A competência tributária é privativa da União. dos Estados-Membros. Municípios e Distrito Federal. os Estados e os Municípios. Com esse critério. cada Estado. dos Municípios e do Distrito Federal. a CF/88 evitou conflitos entre a União. Critério material de repartição de competências impositivas A Constituição Federal descreveu objetivamente fatos que poderão ser colocados na hipótese de incidência de vários impostos. entenda-se exclusiva. Município e Distrito Federal).1. 2. Por esse critério. entretanto. Tanto em relação aos impostos quanto em relação à contribuição de melhoria.1. evitar a guerra fiscal entre os Estados. critério territorial de repartição de competências impositivas. Ex. Município e o Distrito Federal terá competência para tributar nos 2/6 . os Municípios e o Distrito Federal. Critério territorial de repartição de competências impositivas O critério territorial de repartição de competências foi criado para evitar conflitos entre Estados. Ao se dizer privativa. a CF/88 utilizou dois critérios: critério material de repartição de competências impositivas.___________________________________________________________________________ MÓDULO VIII 2.: a competência que a União recebeu para instituir o Imposto de Renda exclui os demais órgãos tributantes de instituí-lo (Estado.1.

entretanto. • Tiver regulada. é equivocado.___________________________________________________________________________ MÓDULO VIII limites de seu território. 21 da CF/88 aponta as competências administrativas da União. essa atuação estatal: o art. A contribuição de melhoria só poderá ser cobrada após serem realizadas as obras públicas. • Tiver efetivamente atuado ou. praticar ato de polícia ou realizar obra pública. em relação à taxa. 29 e 30 apontam as competências administrativas dos Municípios e o art. os arts. A doutrina tradicional sustenta que a competência para a criação de taxas e contribuições de melhoria é comum. A Administração Pública só pode agir quando uma lei lhe determina a conduta. Tem competência para exigir a taxa ou a contribuição de melhoria a pessoa política que: • Tiver competência administrativa para realizar a atuação estatal: pessoa política que tem competência para prestar o serviço público. Esse entendimento. há alguma divergência. As taxas de polícia somente podem ser cobradas após a prática do ato de polícia. As leis tributárias só poderão incidir sobre os fatos ocorridos no território de cada pessoa política. o art. Em relação às taxas e contribuições de melhoria. 32 da CF/88 aponta a competência administrativa do Distrito Federal. mas não as mesmas. por meio de lei. estiver pelo menos em condições de atuar assim que recolhido o tributo: a taxa de serviço somente poderá ser cobrada depois que o serviço público for prestado. visto que todas as pessoas políticas podem criar taxas e contribuições de melhoria. 3/6 . 25 da CF/88 aponta as competências administrativas dos Estados-Membros.

O art. que prescreve em cinco anos. Incaducável A competência tributária. conforme o disposto no art. não há prazo. Então o Distrito Federal também tem competência administrativa residual para criar taxas e contribuições de melhoria. ou seja. além de ser privativa. O que caduca é a capacidade tributária ativa. ou seja. a competência dos Estados é toda aquela que não for de competência nem da União nem dos Municípios.___________________________________________________________________________ MÓDULO VIII A competência administrativa residual foi dada aos Estados pelo art. não tem a propriedade de impedir que a pessoa política venha ao final criar o tributo que lhe foi constitucionalmente deferido. 2. Ex. Competência tributária nada mais é que competência para legislar sobre tributos. da CF/88.º. § 1.º do art.: imposto sobre grande fortuna – a União poderá exercer a competência a qualquer momento. é incaducável. 4/6 . 32 da CF/88 apontou as competências administrativas do Distrito Federal. O § 1. ainda que prolongado no tempo. o direito de exigir o tributo. 174 do CTN. O não-exercício da competência tributária. 32 estende ao Distrito Federal as competências estabelecidas para os Estados. 25. ou seja. A competência legislativa tributária é competência legislativa incaducável.2.

º do CTN). De Exercício Facultativo A pessoa política é livre para exercitar sua competência tributária.___________________________________________________________________________ MÓDULO VIII 2. o fato de a pessoa política não exercer sua competência tributária não permite que outra pessoa política possa exercê-la.5.3.4. atentando contra o livre exercício da função legislativa. Há. O não-exercício da competência tributária pela pessoa política não a defere a outra ou outras pessoas políticas. Uma lei que o fizesse estaria. Irrenunciável A competência tributária é irrenunciável porque a pessoa política não pode abrir mão por definitivo de sua competência tributária. ou seja. Inampliável A competência tributária é inampliável por decisão unilateral da própria entidade tributante. uma exceção a essa regra: a competência para criar o ICMS é obrigatória. A competência tributária não é res nullis. entretanto. ou seja. 5/6 . 2. 2. também. é livre para criar ou não os tributos que a Constituição lhe outorgou. a própria entidade tributante não poderá alargar a sua competência tributária. 8. a competência tributária é privativa de cada pessoa política (art.

Indelegável A competência tributária é indelegável. As pessoas políticas tributam por delegação constitucional. delegare. isto é. portanto não se pode delegar o que se recebeu por delegação (“delegatur.º do CTN).6. 6/6 . nem mesmo por força de lei.___________________________________________________________________________ MÓDULO VIII 2. 7. pois a pessoa política não pode transferi-la a outra. non protest”). Delegável é a capacidade tributária ativa. o direito de arrecadar o tributo (art.

com.4600 – Fax: (11) 3277.8834 – www. DAMÁSIO A DISTÂNCIA MÓDULO IX Capacidade Tributária Ativa DIREITO TRIBUTÁRIO __________________________________________________________________ Praça Almeida Júnior.___________________________________________________________________ CURSO DO PROF.br . 72 – Liberdade – São Paulo – SP – CEP 01510-010 Tel.: (11) 3346.damasio.

que a capacidade tributária é delegável por lei. posterior ao nascimento do tributo. tem um sujeito ativo (credor) e um sujeito passivo (devedor). A pessoa que não criou o tributo. dá-se o fenômeno da parafiscalidade. é a pessoa que tem capacidade tributária ativa (credor do tributo). nada impede que a pessoa política. mas irá arrecadá-lo. SUJEITO ATIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA Ocorrido o fato gerador em concreto. dá-se o fenômeno da sujeição ativa auxiliar. que. nasce a obrigação tributária. poderá: • arrecadar o tributo em nome e por conta da entidade tributante: nesse caso.___________________________________________________________________________ MÓDULO IX DIREITO TRIBUTÁRIO Capacidade Tributária Ativa 1. Somente pode haver delegação de capacidade tributária ativa por meio de lei (princípio da legalidade). Na maioria das vezes. Visto. delegue o direito de arrecadá-lo para pessoa diversa. lógica e cronologicamente. entretanto. • arrecadar o tributo para si própria: nesse caso. Sujeito ativo é a pessoa que tem o direito subjetivo de cobrar o tributo. tendo criado um tributo. como toda e qualquer relação jurídica. a pessoa política que cria o tributo o arrecadará. A capacidade tributária ativa está situada no plano da atividade tributária em sentido secundário (concreto) e é. 1/4 .

a qual.1. Sujeição Ativa Auxiliar O sujeito ativo auxiliar não passa de um substituto ex legis do sujeito ativo. havendo dois casos: • ICMS sobre o consumo de energia elétrica. Pode-se comparar o sujeito ativo auxiliar com o cobrador da empresa privada. O sujeito ativo auxiliar é remanescente da época em que o Estado não estava bem estruturado. 2/4 . Municípios e Distrito Federal). A mesma lei que delega a capacidade tributária ao sujeito ativo auxiliar poderá fixar uma porcentagem sobre o tributo arrecadado que ficará com o mesmo. Parafiscalidade É o fenômeno mais comum. Parafiscalidade é a delegação de capacidade tributária ativa que a pessoa política. por meio de lei. é um mero arrecadador do tributo. ao desaparecimento. remete a quantia referente ao ICMS para os cofres públicos.___________________________________________________________________________ MÓDULO IX 1. passa a dispor do produto arrecadado. por esse motivo. faz à terceira pessoa. por vontade dessa mesma lei. Podem ser beneficiadas com a parafiscalidade: • pessoas políticas (União. estando tal figura fadada. • Nesses casos. ICMS sobre serviços de telefonia.2. 1. Estados. a companhia. No Brasil. após receber a conta. o fenômeno não é comum.

71. para disciplinar comportamentos de virtuais contribuintes. ou seja. CF/88): • pessoa federal: Tribunal de Contas da União. por meio de lei. a qual. O controle do Tribunal de Contas As pessoas que arrecadam para si tributos devem ter suas contas apreciadas pelo Tribunal de Contas (art. Esse é um exemplo de extrafiscalidade. passa a dispor do produto arrecadado.2. Extrafiscalidade é o emprego dos meios tributários para fins não fiscais. II.1. abastecer os cofres públicos para atender à finalidade do Estado. 1. pessoa estadual: Tribunal de Contas do Estado respectivo. A tributação quase sempre persegue fins fiscais.2. portanto tem a finalidade de incentivar os contribuintes a se instalarem em determinadas regiões. pessoa distrital: Tribunal de Contas do Distrito Federal. inc.2. Zona Franca: recebe incentivos fiscais. 1. faz à terceira pessoa.___________________________________________________________________________ MÓDULO IX • autarquias (pessoas jurídicas de Direito Público de nível meramente administrativo). • • 3/4 . isto é. mas ordinatórios. por vontade dessa mesma lei. Diferença entre parafiscalidade e extrafiscalidade A parafiscalidade é a delegação de capacidade tributária ativa que a pessoa política.

Todos os Tribunais de Contas emitem um parecer prévio que deve ser aprovado pelo voto de 2/3 dos legisladores da Câmara local. Qualquer outro município: Tribunal de Contas do Estado respectivo (ou órgão administrativo equivalente). consultivo. 4/4 .___________________________________________________________________________ MÓDULO IX • pessoa municipal-paulistana: Tribunal de Contas do Município de São Paulo. que é um órgão administrativo equivalente. A CF/88 abre espaço para criação de uma Casa de Contas Municipal. que julga as contas do Município em que foi criado. É um órgão auxiliar.

DAMÁSIO A DISTÂNCIA MÓDULO X Capacidade Tributária Passiva DIREITO TRIBUTÁRIO __________________________________________________________________ Praça Almeida Júnior.: (11) 3346.4600 – Fax: (11) 3277.damasio.com.___________________________________________________________________ CURSO DO PROF.br . 72 – Liberdade – São Paulo – SP – CEP 01510-010 Tel.8834 – www.

Devem ser submetidas ao mesmo tipo de tributação que as pessoas jurídicas privadas (art. o sujeito passivo da obrigação tributária deve ser apontado na lei. A lei deve apenas estabelecer critérios que permitirão a identificação do contribuinte após a ocorrência do fato gerador in concreto (fato imponível). ou seja. podendo ser obrigadas a pagar taxas e contribuições de melhoria. é a pessoa que tem capacidade tributária passiva.º e 3. Essas são imunes apenas aos impostos. da CF/88).º. As empresas privadas e os particulares por maior razão devem figurar no pólo passivo da capacidade tributária. 1/5 . 173. SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA Sujeito passivo da obrigação tributária é o devedor do tributo. §§ 2. Qualquer pessoa possui capacidade tributária passiva. O mesmo ocorre com as autarquias. Até mesmo as pessoas políticas.____________________________________________________________________________ MÓDULO X DIREITO TRIBUTÁRIO Capacidade Tributária Passiva 1. Essa lei não pode individualizar o contribuinte. Por força do princípio da legalidade. é a pessoa que tem o dever jurídico de efetuar o pagamento do tributo. As empresas públicas e as sociedades de economia mista possuem total capacidade tributária passiva (capacidade plena).

sujeito passivo possível. A pessoa política. • • • • O contribuinte tem o direito de pagar o tributo na região onde se encontra domiciliado ou sediado. alíquota possível. Já o contribuinte de fato é o destinatário da carga econômica do tributo. quem suporta o ônus financeiro do tributo. deve respeito às normas constitucionais (norma padrão de incidência de todas as normas tributárias). 2/5 . Porém. base de cálculo possível. sujeito ativo possível. Normalmente. e somente após a ocorrência do fato gerador é que se torna efetivo (real). é virtual (potencial). na lei. 1.1.____________________________________________________________________________ MÓDULO X O sujeito passivo. A Constituição Federal de 1988 indica: • hipótese de incidência possível. ou seja. contribuinte de fato e de direito se confundem. Diferença entre Contribuinte de Direito e de Fato O contribuinte de direito é a pessoa que figura no pólo passivo da obrigação tributária. ao editar a lei. algumas vezes se distinguem. A lei não individualiza o contribuinte para não ofender o princípio da igualdade.

1. Não é o realizador do fato imponível. 3/5 . Na verdade.Indireto (responsável) Contribuinte indireto. Entre o contribuinte e o responsável deve. necessariamente. existir uma relação jurídica que permita ao último o pronto ressarcimento. Direto (contribuinte) Contribuinte direto é o realizador do fato imponível. • IR: • contribuinte de fato e de direito são o mesmo. num primeiro momento. A sujeição passiva indireta só é possível nos casos dos impostos. é alcançado pela carga econômica do tributo. contribuinte de direito: comerciante. ou responsável. Ele paga o tributo à título próprio. pois é o seu patrimônio que desde o primeiro momento vai ser alcançado pela carga econômica do tributo.2.2. 1. é o que paga o tributo em nome do contribuinte.____________________________________________________________________________ MÓDULO X ICMS: • contribuinte de fato: consumidor final.2. em que não há uma contraprestação por parte do Estado. Sujeito Passivo da Obrigação Tributária 1. paga o tributo a título alheio (em nome e por conta do contribuinte).2. 1. Seu patrimônio.

124 do CTN): dá-se quando duas ou mais pessoas são co-obrigadas pela lei a responderem pelo mesmo débito tributário. deixando quem lhe faça juridicamente as vezes. a obrigação do pagamento do tributo. já é cobrado do responsável. após a ocorrência do fato gerador. Respondem até a força da herança. quando uma empresa adquire o ativo 4/5 . ou seja. 124. 150 da Constituição Federal. 129/133 do CTN): dá-se quando o primitivo devedor tributário desaparece. ún. A EC n. que não tem relação pessoal e direta com o fato gerador. se a sucessão se der causa mortis. • por substituição: dá-se quando o dever de pagar o tributo por expressa determinação legal nasce de imediato na pessoa do responsável. alegar o benefício de ordem (cobrar de todos para depois cobrar de um só). ou seja. Pode ocorrer também inter vivos. par. a lei impõe a uma terceira pessoa. A solidariedade pode advir de lei ou de contrato. O devedor solidário não pode excutir o débito. em matéria tributária só pode haver solidariedade legal por meio de lei da pessoa jurídica competente. São modalidades de sujeição passiva indireta: • Solidariedade (art. contudo. • Sucessão (arts. do CTN). permitindo a cobrança antecipada de imposto do substituto tributário cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente..____________________________________________________________________________ MÓDULO X A sujeição passiva indireta pode se dar: • por transferência: ocorre quando. assim que ocorre o fato imponível. A solidariedade tributária não admite benefício de ordem (art. 19/98 acrescentou novo parágrafo ao art.

num primeiro momento.: o tabelião. O tabelião terá direito de regresso contra o adquirente do imóvel (responsável pelo tributo). o tabelião é que deverá recolhê-lo por responsabilidade legal. ele acaba não sendo pago. • Responsabilidade legal (arts. por lei. Ex. é obrigado a registrar a escritura de venda e compra do imóvel somente depois de verificar se houve o recolhimento do ITBI. 5/5 .____________________________________________________________________________ MÓDULO X e o passivo de outra. 134 do CTN): dá-se quando a pessoa que tem o dever de fiscalizar o recolhimento do tributo por parte do contribuinte não o faz e. Se registra e vê-se que o ITBI não foi recolhido. responderá pelo débito tributário. em conseqüência. Tal pessoa.

com.8834 – www.: (11) 3346.___________________________________________________________________ CURSO DO PROF.damasio.br . DAMÁSIO A DISTÂNCIA MÓDULO XI A CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DIREITO TRIBUTÁRIO __________________________________________________________________ Praça Almeida Júnior.4600 – Fax: (11) 3277. 72 – Liberdade – São Paulo – SP – CEP 01510-010 Tel.

surge o crédito tributário. ou seja. No instante em que nasce a obrigação tributária. nasce a obrigação tributária. 1. tem um sujeito ativo.1. não se sabe quanto terá de ser pago. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO Quando ocorre o fato gerador in concreto. um sujeito passivo e um objeto. o crédito tributário nasce com característica de iliquidez. Quase sempre. Quem é o contribuinte? Quanto ele deve ao Fisco? Onde ele deve efetuar o pagamento do tributo? 1/4 . que se torne certo quanto à sua existência e determinado quanto ao seu objeto.___________________________________________________________________________ MÓDULO XI DIREITO TRIBUTÁRIO A Constituição do Crédito Tributário 1. 1. Objeto do Crédito Tributário Objeto do crédito tributário é a quantia que terá de ser paga a título de tributo (quantum debeatur). porém. isto é. Essa.2. sendo necessário que esse crédito seja liquidado. Lançamento É o ato administrativo de aplicação da norma tributária material ao caso concreto. ao nascer.

certeza e exigibilidade ao tributo. seus efeitos retroagem à data da ocorrência do fato imponível. Art. O lançamento não faz nascer o tributo. Procedimento Administrativo Segundo HELY LOPES MEIRELLES.ª ed. 144 do Código Tributário Nacional: “O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente. 142 do Código Tributário Nacional. O lançamento. “procedimento administrativo é a sucessão ordenada de operações que propiciam a formação de um ato final objetivado pela Administração” 1 O lançamento é um ato administrativo que pode ser resultado de um procedimento administrativo. 2/4 . que lhe é lógica e cronologicamente anterior. portanto.___________________________________________________________________________ MÓDULO XI Como ele deve efetuar o pagamento do tributo? Quando ele deve efetuar o pagamento do tributo? O lançamento dá respostas a essas 5 (cinco) indagações.” 1. não cabe à lei definir). A lei aplicável é a que está vigente à época da ocorrência do fato imponível. 26. ou seja. Decorre que ele produz efeitos ex tunc. 2001. É a característica da ultratividade da lei tributária.3. São Paulo: Malheiros. dela derivando imediatamente. o lançamento é um ato administrativo. 1 Direito Administrativo Brasileiro. O lançamento não passa de um mecanismo jurídico que dá liquidez. O tributo tem por fonte a lei. ainda que posteriormente modificada ou revogada. é um ato administrativo declaratório (segundo o art.

muito menos. passa a ser líquida e certa. exigível em data e prazo determinados. somente mediante provocação da parte interessada (ação anulatória de débito fiscal – prazo de 5 anos após o lançamento). 3/4 . Com o lançamento. mas era ilíquida e incerta. O lançamento é um ato administrativo vinculado. até prova em contrário. O lançamento consubstancia o crédito tributário. De acordo com a maior ou menor participação do contribuinte na prática do ato administrativo do lançamento. Aquele que descumprir a lei incide em responsabilidade funcional (art. a obrigação tributária que já existia. O agente administrativo apenas cumpre a lei. o lançamento goza de presunções de legitimidade e de veracidade. Segundo ALBERTO XAVIER. A anulação do lançamento pode ser decretada. O agente fiscal é obrigado a lançar no estrito termo da lei. formal e solenemente. Por ser vinculado. o lançamento não passa de um ato complementar que age como título jurídico da obrigação tributária. o tributo nasce. mas ele não pode ser voluntariamente pago pelo contribuinte – e. pelo Poder Executivo ou pelo Poder Judiciário. a ser produzida pelo contribuinte (princípio da predominância do interesse público sobre o interesse privado)..___________________________________________________________________________ MÓDULO XI Ocorrido o fato imponível. declarando.2 Por ser um ato administrativo. par. do CTN). un. exigido pela Fazenda Pública – sem o lançamento. ele pode ser: 2 Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro. 142. o lançamento é apenas anulável (não é revogável). Resenha Tributária. Isso porque os atos administrativos vinculados não podem ser revogados (por conveniência e oportunidade). 1977. quem é o contribuinte e o quanto ele deve ao Fisco.

Essa verifica os cálculos do contribuinte e. • por homologação (autolançamento): realizado pelo contribuinte ad referendum da Fazenda Pública.___________________________________________________________________________ MÓDULO XI • direto (ofício): feito diretamente pelo Fisco. Sempre.: IR. 1.: ICMS. Ex. A recíproca. a Fazenda Pública os glosa. Ex. Se esse é válido e aquela nula. 4/4 . basta que se faça nova notificação.: IPTU. em princípio. Deve-se operar in persona. Pode ser feito pelo correio com aviso de recebimento. se aprovar. os homologa. ou seja. que é o ato administrativo que dá eficácia ao lançamento. Estando em desacordo. Notificação O lançamento é levado a conhecimento oficial do contribuinte por meio de notificação. Ex.4. no entanto. não é verdadeira. A notificação é acessória em relação ao lançamento. • misto (por deliberação): feito pelo Fisco com concurso do contribuinte. porém. O contribuinte não é chamado para colaborar com a Fazenda Pública para que o lançamento se constitua. sem sofrer ônus. será dado ao contribuinte fazer prova de que não foi notificado. na pessoa do contribuinte.

72 – Liberdade – São Paulo – SP – CEP 01510-010 Tel.com.8834 – www.4600 – Fax: (11) 3277.damasio. DAMÁSIO A DISTÂNCIA MÓDULO XII DIREITO TRIBUTÁRIO __________________________________________________________________ Praça Almeida Júnior.: (11) 3346.br .___________________________________________________________________ CURSO DO PROF.

na peça de acusação que é o auto de infração. o local. que o CTN assegura ao contribuinte. O auto de infração. nada mais são do que atos de instauração de lançamento de ofício ou de revisão de lançamento: apenas início de procedimento.___________________________________________________________________________ MÓDULO XII DIREITO TRIBUTÁRIO Auto de Infração O auto de infração e imposição de multa (AIIM). a disposição legal infringida e a penalidade aplicável. obrigatoriamente: a qualificação do autuado. a assinatura do autuante. O referido documento deve ser lavrado por servidor competente. terá abatimento. Esse não é o “processo regular”.” 1/3 . se o contribuinte não a discutir e pagar dentro do prazo assinalado. como o próprio nome diz. previram que o agente fiscal pode impor desde logo. como a do ICMS e ISS. no local da verificação da falta. é o documento formal no qual a Administração Pública apontará a falha cometida (ilicitude praticada) pelo sujeito passivo da obrigação tributária. não obedece sequer ao princípio do contraditório. a descrição do fato. Convém ressaltar a opinião de RUY BARBOSA NOGUEIRA com relação ao auto de infração e de imposição de multa: “A legislação do IPI. tais disposições ferem os princípios de justiça. a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de 30 (trinta) dias. data e a hora da lavratura. e conterá. a representação etc. impondo-lhe a respectiva penalidade. Como já salientamos. a multa (passando a designar essa peça de auto de infração e de imposição de multa). transformando agentes fiscais em árbitros e coagindo o contribuinte. 148. e. além da indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. mesmo nas hipóteses mais delicadas do seu art.

em que não encontraremos violação de qualquer preceito.___________________________________________________________________________ MÓDULO XII O auto de infração equivale ao lançamento? Tanto quanto o lançamento. o auto de infração apenas constitui a sanção tributária.” No lançamento temos “um fato lícito. Pela freqüência com que ocorrem essas conjunções. “temos um fato delituoso. caracterizado pelo descumprimento de um dever estabelecido no conseqüente de norma tributária. alguns. ele constitui o crédito tributário? Não. em “auto de infração” no sentido largo (dois atos no mesmo instrumento) e “auto de infração” stricto sensu.” O auto de infração é um ato administrativo porque corresponde a uma manifestação objetiva da vontade do Estado. poderá ser formalizado o crédito tributário. para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário (PAULO DE BARROS CARVALHO). falam. simplesmente uma alteração no mundo social a que o direito atribui valoração positiva. enquanto parte diretamente interessada em uma relação jurídica. Em havendo falta de pagamento do tributo respectivo. consoante PAULO DE BARROS CARVALHO. ou seja. no mesmo documento (auto de infração). Ato Administrativo Agente: Objeto: Forma: Motivo: Lançamento Agente fiscal Auto de infração Agente fiscal Formalizar o crédito Formalizar a sanção tributária tributário Auto de lançamento Auto de infração Ter ocorrido o fato Ter ocorrido o imponível (ato lícito) descumprimento do dever jurídico tributário (ato ilícito) 2/3 .

490/00. • • • dá ciência ao contribuinte de que deve pagar a multa. 45.___________________________________________________________________________ MÓDULO XII Finalidade: Possibilitar o recolhi. num dado prazo (notificação do lançamento). • 3/3 . n. n. para os tributos estaduais – art. 10 do Dec. 70. são: • para tributos federais – art. apura o valor da multa (auto de infração propriamente dito). dá ciência ao contribuinte de que deve pagar o tributo. o auto de infração: • apura o valor do tributo (lançamento). Os dispositivos legais que trazem os requisitos. os quais devem conter os autos de infração. num dado prazo (notificação do auto de infração).Possibilitar o recolhimento da mento do tributo multa fiscal Assim. 534 ao 536 do Regulamento do ICMS – Dec.235/72.

: (11) 3346.___________________________________________________________________ CURSO DO PROF.8834 – www. DAMÁSIO A DISTÂNCIA MÓDULO XIII DIREITO TRIBUTÁRIO __________________________________________________________________ Praça Almeida Júnior.br .4600 – Fax: (11) 3277. 72 – Liberdade – São Paulo – SP – CEP 01510-010 Tel.damasio.com.

___________________________________________________________________________ MÓDULO XIII

DIREITO TRIBUTÁRIO

1. CAUSAS SUSPENSIVAS DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (arts. 151 a 155-A do Código Tributário Nacional)

Quando ocorrer o fato imponível e forem praticados o ato de lançamento e a notificação do sujeito passivo, o tributo já estará “em termos”, em condições de ser pago pelo contribuinte e recebido pela Fazenda Publica, ou seja, o crédito tributário passará a ser exigível. Pode ocorrer, entretanto, um fato novo que venha a adiar o pagamento. Trata-se das causas suspensivas da exigibilidade do crédito tributário (ato ou fato a que a lei atribui o efeito de retardar a exigibilidade da cobrança do referido tributo). Tais causas estão previstas no art. 151 do Código Tributário Nacional e são (obs.: alteração pela Lei Complementar n. 104, de 10.1.2001):

moratória; depósito do seu montante integral; reclamações e recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo;

concessão de medida liminar em mandado de segurança; concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial;

parcelamento.
1/6

___________________________________________________________________________ MÓDULO XIII

Ainda que presente a causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, não desaparece para o contribuinte o dever de cumprir as obrigações acessórias (art. 151, par. ún., do Código Tributário Nacional).

1.1. Moratória (Arts. 152 a 155 do Código Tributário Nacional) É instituto que prevê a suspensão da exigibilidade do crédito tributário pela dilação legal do prazo para o normal recolhimento do tributo. Em regra, se a lei não fixa prazo para o recolhimento do tributo, será ele de 30 dias, a contar da regular notificação do lançamento. Só a lei pode conceder moratória, prorrogando aquele prazo (lei formal: princípio da legalidade e da indisponibilidade do interesse público); lei essa da pessoa política competente para criar o tributo. Cada ente político só pode conceder moratória de seus próprios tributos. Para uma corrente doutrinária, o art. 152, inc. I, “b”, do Código Tributário Nacional é inconstitucional (fere os princípios federativo, da autonomia municipal e da autonomia distrital). Nesses termos, vide art. 151, inc. III, da Constituição Federal. A moratória é medida de política fiscal. Normalmente, é concedida após episódio que reduz ou diminui a capacidade contributiva do sujeito passivo (ex.: catástrofes naturais etc.). Consoante HUGO DE BRITO MACHADO, “a Lei Complementar n. 104, de 10.01.2001, inclui um novo inciso no art. 151 do CTN, prevendo hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, o parcelamento. É mais uma inovação inteiramente inútil porque o parcelamento nada mais é do que uma modalidade de moratória”.
2/6

___________________________________________________________________________ MÓDULO XIII

Para PAULO DE BARROS CARVALHO, “Moratória é a dilação do intervalo de tempo estipulado para o implemento de uma prestação, por convenção das partes, que podem fazê-lo tendo em vista uma execução unitária ou parcelada”.

1.2. Depósito Integral do Montante Tributário Trata-se de um depósito cautelar feito quando o contribuinte pretende litigar contra o fisco. Para acautelar-se dos efeitos de uma decisão contrária, o contribuinte pode colocar à disposição da Fazenda Pública a quantia que ele entende indevida. Se o contribuinte tiver sua ação julgada improcedente, a quantia será incorporada à Fazenda Pública. Se o contribuinte tiver sua ação julgada procedente, ser-lhe-á restituído o depósito, corrigido monetariamente. Esse depósito pode ser feito na esfera administrativa ou na esfera judicial. O art. 38 da Lei n. 6.830/80 (Lei das Execuções Fiscais) estabelece que a ação anulatória do débito fiscal deve ser precedida pelo depósito integral do montante a ser discutido. Esse artigo, entretanto, é inconstitucional e fere o princípio da igualdade e o princípio da universalidade da jurisdição. Atinge o princípio da igualdade porque discrimina o contribuinte que não tem possibilidade financeira de depositar o valor, impedindo-o de ter acesso à prestação jurisdicional (assim, o contribuinte com condições de depositar teria acesso ao judiciário e o contribuinte carente dessas condições teria seu acesso ao judiciário tolhido). O Poder Judiciário declarou letra morta essa parte do art. 38. Existe, inclusive, uma súmula do antigo Tribunal Federal de Recursos (TFR) que dispõe ser facultativo o depósito integral do montante tributário a ser discutido (Súmula n. 247 do Tribunal Federal de Recursos: “Não constitui pressuposto
3/6

Na esfera federal. 1. Interposição de Recurso Administrativo com Efeito Suspensivo Se o contribuinte. Essa necessidade do depósito prévio veio ressuscitar a regra solve et repete (pague para repetir). 112). o entendimento de que esse depósito não é inconstitucional. A interposição do recurso administrativo não é obrigatória. Vem se consolidando. o depósito recursal (depósito para recorrer em instância superior). Com relação. e esse recurso for recebido com efeito suspensivo. ou seja. 38 da Lei n. deve ser depositado entre 30% e 60% do valor da autuação. para recorrer ao Conselho de Contribuintes. o ingresso prévio nas vias 4/6 . Tal regra não mais vigora em face da inconstitucionalidade acima descrita. os quais serão cobertos pelos rendimentos do depósito financeiro. de 1980”).3. Conveniência do depósito: se o contribuinte perder a demanda. o Superior Tribunal de Justiça sumulou sobre o assunto: “O depósito somente suspende a exigibilidade do crédito tributário se for integral e em dinheiro” (Súmula n. antes de ir a juízo. incidirão sobre o devido crédito juros e correção monetária. ingressar com recurso administrativo visando obter seus direitos.___________________________________________________________________________ MÓDULO XIII da ação anulatória do débito fiscal o depósito de que cuida o art. porém. 6.830. Surgiu. à suspensão da exigibilidade do crédito. na jurisprudência. entretanto. ele não será alvo de uma execução fiscal.

Enquanto a liminar estiver produzindo efeitos. Enquanto o recurso administrativo estiver tramitando. 1. em Outras Espécies de Ação Judicial A inclusão do inc. Concessão de Liminar em Mandado de Segurança Liminar é uma medida cautelar. V no art. 151 do Código Tributário Nacional pela Lei Complementar n.___________________________________________________________________________ MÓDULO XIII administrativas é facultativo.1. somente a liminar concedida em mandado de segurança é que suspendia a exigibilidade do crédito tributário.4. para alguns doutrinadores. veio em boa hora e teve o condão de acabar com as longas discussões que existiam acerca do inc. O novo inciso evidencia o que já vinha sendo reclamado pelos juristas e estava sendo reconhecido pela jurisprudência: as medidas liminares e a 5/6 . 140. podendo o contribuinte recorrer diretamente ao judiciário. 1.5. de 10. bastando que a parte sucumbente ingresse com a devida ação (não há trânsito em julgado de decisões administrativas no Brasil). fica suspensa a exigibilidade do crédito tributário. Concessão de Medida Liminar ou de Tutela Antecipada. portanto se deve observar a presença dos requisitos fumus boni iure e periculum in mora. fica suspensa a exigibilidade do crédito tributário. Qualquer decisão administrativa pode ser revista pelo Poder Judiciário. trazendo como hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada em qualquer espécie de ação judicial. IV do mesmo artigo. Dado que.2001.

155-A.6. do art. a qual se refere à moratória. sim. O próprio § 2. No art. em que se estipulou que o parcelamento será concedido na forma e condição estabelecidas em lei específica. Salvo disposição de lei em contrário. 1. concedidas em qualquer tipo de ação judicial. incluído pela Lei Complementar n. 104. o parcelamento do crédito tributário não exclui a incidência de juros e multas. Parcelamento Para confirmar o entendimento dos doutrinadores citados nesse módulo. possuem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário. de 10. sobre o parcelamento ser uma modalidade de moratória.º. houve mera especificação da referida modalidade de moratória.___________________________________________________________________________ MÓDULO XIII antecipação de tutela. incluiu o parcelamento na Seção II. mas.01. 155-A. do Código Tributário Nacional menciona que se aplicam subsidiariamente ao parcelamento as disposições relativas à moratória. devemos verificar que o legislador não criou outra seção dentro do Capítulo III. 6/6 .2001.

DAMÁSIO A DISTÂNCIA MÓDULO XIV DIREITO TRIBUTÁRIO __________________________________________________________________ Praça Almeida Júnior.___________________________________________________________________ CURSO DO PROF. 72 – Liberdade – São Paulo – SP – CEP 01510-010 Tel.br .: (11) 3346.8834 – www.damasio.4600 – Fax: (11) 3277.com.

º. a conversão de depósito em renda. § 1.º e 4. parte final. 150 e seus §§ 1. porém. sujeito passivo e crédito tributário)– art. 156 do CTN: • pagamento. compensação. 1/6 . do CTN. remissão. • • • • • • • a consignação em pagamento. transação. o pagamento antecipado e a homologação do lançamento. 164. desde que a causa extintiva tenha afetado apenas a formalização do crédito.º. prescrição e decadência. Essa regra. não é absoluta: pode ocorrer a extinção de um crédito sem a extinção da obrigação. As principais causas extintivas encontram-se enumeradas no art.___________________________________________________________________________ MÓDULO XIV DIREITO TRIBUTÁRIO 1.º do art. que é um dos seus elementos (a obrigação tributária possui três elementos: sujeito ativo. nos termos do disposto no § 2. 113. CAUSAS EXTINTIVAS DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO O que se extingue é a própria obrigação tributária e não somente o crédito tributário. nos termos do disposto no art.

• O rol é exemplificativo. sem sucessor. não é eterna. A obrigação tributária não permanece no tempo. Pode ser considerado quanto: • Ao tempo: apontado genericamente na lei e especificamente no ato administrativo de lançamento. do sujeito passivo do tributo. desaparecimento. • • As causas extintivas têm o poder de libertar o contribuinte da relação de sujeição que possui com a Fazenda Pública. • a decisão judicial passada em julgado.1. É um fenômeno jurídico e não só tributário. que não mais possa ser objeto de ação anulatória. assim entendida a defendida na órbita administrativa. Se o pagamento do tributo for feito em 2/6 . Pagamento É o cumprimento do objeto da prestação tributária. 1. desaparecimento. havendo mais três causas de extinção enumeradas pela doutrina: • confusão. do sujeito ativo do tributo. sem sucessor.___________________________________________________________________________ MÓDULO XIV • a decisão administrativa irreformável. a dação em pagamento de bens imóveis. na forma e condições estabelecidas na lei.

2. O indébito tributário deve ser restituído ao contribuinte. no caso de tê-lo transferido a terceiro. Quando pago em cheque. • 1. Indébito tributário Qualquer pagamento a maior tipifica um indébito tributário. 166 do CTN dispõe sobre a repetição nas hipóteses de tributos indiretos: “A restituição de tributos que comportem.___________________________________________________________________________ MÓDULO XIV prestações. títulos da dívida pública resgatáveis. que se tornará definitiva após a devida compensação. A Súmula n. 3/6 . selo ou papel selado ou estampilha). O art. por sua natureza. Ao modo: os tributos são pagos em moeda ou equivalente (cheque. O art. ou. 168 do CTN). • Ao lugar: é o domicílio ou sede do contribuinte. transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido referido encargo. cujo prazo de prescrição é de 2 anos. 169 do CTN trata da ação anulatória da decisão administrativa que denegou o pedido de repetição. 546 do STF esclarece que a repetição dos chamados tributos indiretos só será possível quando não houver o repasse da carga econômica do tributo para o consumidor final (contribuinte de fato) ou quando.1. o inadimplemento de qualquer uma delas acarretará o vencimento antecipado das demais. dá-se ao contribuinte uma quitação provisória.” Referido artigo é declarado inconstitucional pela doutrina. estar por esse expressamente autorizado a recebê-la. Isso ocorre por meio de ação de repetição de indébito. que pode ser proposta até 5 (cinco) anos a contar do recolhimento a mais (art.

(art. 1. Exemplo de tributo indireto: ICMS – contribuinte de fato é o consumidor final.___________________________________________________________________________ MÓDULO XIV tendo havido esse repasse. Remissão Remissão significa perdão. § 6. 1. o contribuinte de direito estiver autorizado pelo contribuinte de fato a ingressar com o pedido de restituição. que pode ser total ou parcial. Compensação É o encontro de contas do Fisco e do contribuinte. Para que a compensação ocorra. Somente a lei pode perdoar o débito tributário (lei remissiva).2. Somente lei específica da pessoa política tributante pode conceder a remissão. é necessária a presença de três requisitos: 4/6 . 150.3. A remissão tanto como a moratória são medidas de política fiscal (moratória é o adiamento da obrigação tributária). Remição significa pagamento. Em matéria tributária. não podendo. Remissão é o perdão legal do débito tributário. da CF/88). sempre que forem credor e devedor um do outro. a remissão. ser concedida por decretos. portarias ou qualquer outro ato que não seja lei propriamente dita (princípio da legalidade e princípio da indisponibilidade do interesse público). entretanto. somente é admitida a compensação legal.º. Existem duas grandes modalidades de compensação em matéria civil: a legal e a consensual.

entretanto. entende que tributo pode ser compensado por tributo. com base em lei. Há quem admita que o parcelamento do débito tributário seria uma modalidade de transação. o seu art. 5/6 . para compensar um crédito estadual. Transação Transação é um acordo celebrado. muito rara. A Fazenda Pública entende que tributo da mesma espécie significa o mesmo tributo (p. federal. • A existência de uma lei autorizando a medida: cada pessoa política deve legislar a respeito. e mesmo contribuinte). É causa extintiva da obrigação tributária. 1. • Os créditos já devem estar liquidados. 8. entretanto. é necessário que se saiba exatamente quanto há de ser pago. 66 permite a compensação de tributos federais.___________________________________________________________________________ MÓDULO XIV • As partes devem ser as mesmas (mesma Fazenda Pública. A doutrina. pelo qual a primitiva obrigação tributária desaparece.: IR somente poderá ser compensado por IR). entre o Fisco e o contribuinte.383/91. com outros da mesma espécie. indevidos ou recolhidos a maior. A União obedece à Lei n. por exemplo.4. taxa por taxa e contribuição de melhoria por contribuição de melhoria. estadual ou municipal. dando lugar a uma ou mais novas obrigações tributárias. ou seja. outros doutrinadores entendem que o parcelamento é uma modalidade de moratória. A jurisprudência tem decidido em favor da doutrina. O contribuinte não pode utilizar um crédito federal. ex.

não podendo renascer. 1. Confusão (doutrina) Ocorre quando o Fisco se torna.5. credor e devedor do tributo. ao mesmo tempo. o débito se extingue. na década de 60). . Ocorrendo a confusão. fazendo nascer uma nova (ou várias) obrigação tributária. Desaparecimento sem Sucessor do Sujeito Passivo do Tributo e do Sujeito Ativo (doutrina) Não pode subsistir a relação jurídica tributária se uma das partes deixa de existir. no caso da herança vacante.___________________________________________________________________________ MÓDULO XIV Em resumo. pelo qual a primitiva obrigação tributária desaparece. pois houve sucessão. 6/6 . se o Poder Público alienar a propriedade a terceiros. 1. sem deixar sucessores. O desmembramento de Goiás e Tocantins não fez desaparecer os débitos tributários. a transação é um acordo celebrado com base em lei entre o Fisco e o contribuinte. Exemplo: desaparecimento de Município em razão de inundação da área onde se localizava (isso ocorreu no Nordeste. os débitos que o espólio possuía para com o Município desaparecem no caso de incorporação de empresas pelo Poder Público.6. objetivando cobrar crédito anterior. Por exemplo. Exemplo de desaparecimento do sujeito passivo sem deixar sucessores: contribuinte que morre sem deixar bens. apenas dívidas tributárias.

com.8834 – www.: (11) 3346.4600 – Fax: (11) 3277.br .damasio.___________________________________________________________________ CURSO DO PROF. DAMÁSIO A DISTÂNCIA MÓDULO XV DIREITO TRIBUTÁRIO __________________________________________________________________ Praça Almeida Júnior. 72 – Liberdade – São Paulo – SP – CEP 01510-010 Tel.

Do disposto acima decorre.___________________________________________________________________________ MÓDULO XV DIREITO TRIBUTÁRIO Extinção do Crédito Tributário 1. 1/6 . pois o direito já não mais existia. do CTN). pode ocorrer a decadência. V. ao contrário. após o lançamento. que o contribuinte que paga o débito prescrito não tem direito à repetição. ele faz jus à repetição. Antes do lançamento. 174 do Código Tributário Nacional dispõe sobre a prescrição da ação de cobrança do crédito tributário devidamente constituído pelo lançamento. 173 e 150. Noções Gerais Os arts.1. inc. como conseqüência prática. 156. Ambos os institutos importam na extinção do crédito tributário (art. pode ocorrer a prescrição. pois o direito à percepção do tributo persiste. § 4. se o contribuinte pagar tributo lançado após o prazo decadencial. ambos do Código Tributário Nacionaal. O art.º. dispõem sobre a decadência do direito de efetuar o lançamento. DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO 1.

por vício formal.1998). a Fazenda tem até o dia 31.1. 173 do Código Tributário Nacional estabelece que o direito do fisco.2. Exemplo: o IR é lançado no ano seguinte ao do fato imponível.º do art.___________________________________________________________________________ MÓDULO XV 1. O art. de constituir o crédito tributário. se extingue após cinco anos. • da data em que for anulado. 2/6 . ao sujeito passivo. A lei é quem aponta a data em que o lançamento será efetuado. 173 estabelece que “o direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto. Decadência A regra do art. contados: • do primeiro dia do ano seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Se não foi lançado naquele ano. • da data em que for tomada qualquer providência administrativa conducente ao lançamento.2002 para efetuar o lançamento (cinco anos contados de 1. o lançamento anteriormente realizado. A regra do § 4. O IR ano base 1996 deveria ser lançado em 1997.12. O parágrafo único do art. 150 é aplicada para tributos que são lançados por homologação. contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação. O Fisco tem cinco anos para constituir o crédito tributário. de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento”. 173 é aplicada para tributos que são lançados de ofício ou por declaração.

o prazo decadencial se prolonga para 20 (vinte) anos (doutrina: prazo máximo admitido em Direito). ou seja.01 do ano seguinte (regra benéfica ao contribuinte). do Código Tributário Nacional: lançamento por homologação. dessa data conta-se o prazo de 5 (cinco) anos. Conceito Prescrição é a perda da ação inerente ao direito e de toda a sua capacidade defensiva. contados da data da ocorrência do fato imponível. Art. se comprovada a ocorrência de dolo. Decorridos os 5 (cinco) anos. incide a regra da contagem do primeiro dia do ano seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. por seu não exercício durante certo lapso. Porém. o dies a quo será 01. O direito da Fazenda Pública de homologar ou corrigir o autolançamento decai em 5 (cinco) anos. cujo efeito é extinguir o crédito tributário. A fluência do 3/6 . fraude ou simulação (a prova compete à Fazenda Pública – norma tributáriopenal). pela Administração ou pelo Judiciário. 150. Se for tomada no ano seguinte. opera-se a homologação tácita. Observação: a contagem do prazo – da data em que for tomada qualquer providência administrativa conducente ao lançamento – só vale se a providência for tomada no mesmo ano em que ocorrer o fato imponível. § 4. Exemplo de providência administrativa conducente ao lançamento é a notificação ao contribuinte para que preste as declarações necessárias ao lançamento. Prescrição 1.1..3.___________________________________________________________________________ MÓDULO XV Anulado o primitivo lançamento por vício formal.3. 1.

pois é a partir dessa data que a Fazenda Pública passa a ter ação exercitável. º. para o cômputo do prazo prescricional.2. Prolongamento dessa inércia durante certo lapso. Causas suspensivas da fluência do lapso prescricional (art. 151 do CTN e arts. 174 do Código Tributário Nacional. § 3.3. ou seja. pode ser suspensa ou interrompida. 1. 2. diferentemente do que ocorre com a decadência.3.3. suspender ou interromper a fluência prescricional. Inércia do titular dessa ação. contados da data de sua constituição definitiva. e 40 da Lei 6. A doutrina tem entendido que o dies a quo.___________________________________________________________________________ MÓDULO XV lapso prescricional. 1. a prescrição da ação de cobrança do crédito tributário opera-se em 5 (cinco) anos. Requisitos para ocorrência da prescrição • Existência de uma ação exercitável. º .830/80) São causas suspensivas do crédito tributário aquelas hipóteses que suspendem a exigibilidade do crédito tributário já definitivamente constituído 4/6 . Ausência de qualquer ato ou fato a que a lei atribua o efeito de impedir. • • • Segundo o art. é o do inadimplemento do contribuinte. passa a poder executar o devedor .

6. concedendo-se o prazo restante para a realização das operações “b” e “c”. O art. como ação judicial propriamente dita. suspende-se o prazo prescricional por 180 dias (Lei n. 2.º. 6. esse dispositivo ainda não foi declarado inconstitucional pela via concentrada. imprescritíveis são apenas os direitos da personalidade. deve o Fisco: a) inscrever. Para a execução da dívida tributária.830/80. Porém. 2. liminar ou antecipação de tutela. no livro próprio.830/80 estabelece que. art. 40 da Lei n. art. A partir da inscrição da dívida no livro próprio. § 3. mas não tem bens para a execução. 6.º. ou é citado. Na Constituição Federal.___________________________________________________________________________ MÓDULO XV (moratória. recurso administrativo. mas o contribuinte não é encontrado para citação. quando a execução é iniciada. c) ajuizar a execução fiscal. Na verdade. b) extrair certidão de dívida ativa (título executivo extrajudicial). 5/6 . § 3. pois pode implicar na imprescritibilidade da dívida tributária.830/80.º). a dívida do contribuinte inadimplente (Lei n. apenas pela via difusa (incidenter tantun). esse dispositivo é inconstitucional. parcelamento). a prescrição fica suspensa até que se faça a citação ou encontrem-se bens para serem penhorados.º). depósito integral do montante tributário.

conforme o art. 174.___________________________________________________________________________ MÓDULO XV 1. 1.º) – não mais se interrompe pela citação pessoal do devedor.º. • Interrompe-se pelo protesto judicial: medida cautelar disciplinada no CPC. 8. contados das mesmas hipóteses previstas no art. também. art. • Qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor. estabelece que a decadência do direito de lançar tais contribuições opera-se em 10 anos. pois. 183 do Código Tributário Nacional. Porém. Decadência e Prescrição das Contribuições Sociais para a Seguridade Social A Lei n.3. art. em 10 anos. par. 6/6 . da Constituição Federal. 146 da referida lei. fundados no art. 8. a intimação judicial e a interpelação judicial. “b”. § 2. prescrição e decadência devem ser reguladas em lei complementar. Alguns autores. do Código Tributário Nacional) • Despacho do juiz que ordena a citação (Lei n. III. 867 a 873. arts. pois. Exemplo: carta que o contribuinte escreve à autoridade administrativa pedindo prazo maior para pagamento do tributoou parcelamento. • Qualquer ato inequívoco. essa posição é minoritária. que importe em reconhecimento do débito pelo devedor. Exemplo: a notificação judicial. inc. sustentam a inconstitucionalidade desses dispositivos. 45. Causas interruptivas do lapso prescricional (art.4.212/91.830/80. ún. 146. 6. A prescrição da ação de cobrança dá-se..4. a lei complementar dispõe apenas sobre normas gerais. ainda que extrajudicial.

4600 – Fax: (11) 3277.___________________________________________________________________ CURSO DO PROF.8834 – www.: (11) 3346.br .damasio. 72 – Liberdade – São Paulo – SP – CEP 01510-010 Tel. DAMÁSIO A DISTÂNCIA MÓDULO XVI DIREITO TRIBUTÁRIO __________________________________________________________________ Praça Almeida Júnior.com.

: ter grande fortuna – a União pode vir a criar o imposto sobre grandes fortunas. Isenção: hipótese de não-incidência tributária legalmente qualificada.1. Não-incidência: quando não ocorre nenhum fato ou quando ocorre um fato tributariamente irrelevante (fato não imponível). dado que a CF/88 prevê sua competência legislativa para tanto. IMUNIDADES E ISENÇÕES TRIBUTÁRIAS 1. Imunidade: hipótese de não-incidência tributária constitucionalmente qualificada. fatos tributariamente irrelevantes podem tornar-se tributariamente relevantes. porém. Por vezes. Sustenta-se que as hipóteses de imunidade constituem cláusulas pétreas (garantias individuais). Imunidade e Isenção Incidência: quando ocorre o fato imponível do tributo (fato gerador em concreto). Os regimes jurídicos da imunidade e da isenção são diversos. Ex. bastando que o ente político o defina como fato imponível. o não-pagamento de tributo. embora o efeito seja o mesmo.___________________________________________________________________________ MÓDULO XVI DIREITO TRIBUTÁRIO 1. 1/8 . Não-Incidência. Distinção entre Incidência.

2. independentemente do pagamento de taxas. da CF/88): aparente porque o termo taxa foi empregado em sentido leigo. inc. 150. inc. Aparente exceção (art. Imunidade vem de imunitas. VI. Principais hipóteses de imunidade a) Imunidades genéricas • Imunidade recíproca entre as pessoas políticas (decorrência do princípio da igualdade) (art. da Constituição Federal – (tributos não-vinculados). pois o princípio da imunidade recíproca deriva dos princípios federativos. Imunidades São qualificada.___________________________________________________________________________ MÓDULO XVI 1. que significa guarda. inc.1. neste caso. de autonomia distrital. a obtenção de certidões. 2/8 . 5.º. “a”): não há supremacia entre pessoas políticas. É a todos assegurada. XXXIV. da autonomia municipal. VI. 150. está com o sentido de emolumentos. Os casos de imunidade só existem em relação a impostos – art. hipóteses de não-incidência tributária constitucionalmente 1.2. Desobedecer a uma situação de imunidade equivale a desobedecer a Constituição. Não há imunidade a taxas ou contribuições. proteção. Taxa.

O art. II – aplicarem integralmente. Há uma tendência em favorecer os cultos e. III – manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão.º. inc. “c”. casa paroquial. inc. da Constituição Federal de 1988. CF/88). 146. 104. II. 3/8 .___________________________________________________________________________ MÓDULO XVI • Exceção: as pessoas políticas não são imunes a impostos quando praticam atos empresariais. desde que não sejam ofensivos à moral.2001). 150. VI. da Constituição Federal. 14 do CTN): I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas. art. os sindicatos de empregados e as instituições assistenciais. da Constituição Federal de 1988: a imunidade que alude a alínea “b” se limita às atividades essenciais. 150.: cantina dentro de uma repartição pública. os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais. VI. de 10. da CF): essa lei é uma lei complementar (art. aos bons costumes ou à segurança nacional: cabe ao ente político provar que o culto é imoral ou atentatório aos bons costumes ou segurança nacional. II. Também são considerados imunes os anexos do templo. 150. nesse sentido. § 4. seminário. obedecidos os requisitos apontados na Lei (art. • Partidos políticos e suas fundações.Imunidade dos templos de qualquer culto. “b”. inc. tem-se alcançado a loja maçônica e os templos positivistas.). todas as coisas que viabilizam o culto (ex.1. ou seja. 14 do Código Tributário Nacional faz as vezes do art. convento etc. 146. abadia. Art. a qualquer título (Redação dada pela LC n. no país. Requisitos (art. Ex. inc.

é a somatória dos sindicatos de empregados de uma determinada área. da cultura etc. porque não se destinam à difusão de pensamentos. da Constituição Federal de 1988: não há imunidade quanto às atividades econômicas regidas pelo Direito Privado: serviços públicos em que haja pagamento de taxa ou tarifa pelo usuário. inc. livro-diário etc. bem como o papel destinado à sua impressão (art. Os livros raros são imunes. refere-se apenas ao objeto (livro. da Constituição Federal de 1988: são imunes a tributos por meio de impostos as autarquias e as fundações públicas. 4/8 . o jornal e o periódico. • Art. ou seja. 150. Livros que não estão imunes: livro de ata. A imunidade só pode ser concedida quando o partido político está regularmente constituído (registro no TSE).º.º. 150. O livro eletrônico (CD-ROM) é abrangido pela imunidade. tenha o conteúdo que tiver. periódico ou papel de impressão). • O livro.___________________________________________________________________________ MÓDULO XVI Os partidos políticos são pessoas jurídicas de direito privado.. livro de bordo. 150. § 3. VI. São imunes à tributação por meio de impostos. O papel que não se destina à impressão não está imune à tributação. • Art. A central sindical é imune à tributação por meio de impostos. Essa imunidade é objetiva e não subjetiva. § 2. livro de ouro. “d”): a Constituição quis expressar a livre manifestação de pensamento. pois descendem diretamente das pessoas políticas.

Irradiam efeitos totais. b) Imunidades tributárias específicas As imunidades tributárias específicas dizem respeito a um único imposto. Há quem diga. Enquanto não vier a lei. II. inc. 8. 10. São imunes de IR os proventos de aposentadoria recebidos por maiores de 65 anos que não tenham outra fonte de rendimentos. da Constituição Federal 1988: IPI: 5/8 . inc. Inexistência de outras fontes de rendimento: outras fontes de trabalho. Há entendimento doutrinário de que este artigo é cláusula pétrea e não poderia ter sido revogado pela Emenda Constitucional. O governo fez inserir na Lei Ordinária n. que este artigo ainda está em vigor. contudo. 153. § 3. § 2. Essa é uma norma constitucional de eficácia contida. Apenas uma lei complementar poderá restringirlhe o conteúdo. • Art. 20/98). • Art. III.º. aqueles com idade superior a 65 anos não pagarão IR. concedendo a isenção aos aposentados que ganham até 5 (cinco) salários mínimos. É dado à lei estabelecer limites para a fruição desse benefício (lei complementar). da Constituição Federal de 1988: IR (revogado pela EC n.383/91 o art. Autoriza uma lei complementar a regulamentar o assunto.___________________________________________________________________________ MÓDULO XVI - desonera o promitente comprador de imóvel de autarquia do dever de pagar ITBI.º. 153.

exceto os semi-elaborados. definidos em lei complementar.LC n.___________________________________________________________________________ MÓDULO XVI São imunes ao IPI as exportações de produtos industrializados. 153. I: isenta de ICMS quaisquer outras exportações (produtos semi-elaborados ou primários).as operações interestaduais com energia elétrica e petróleo (combustíveis líquidos e gasosos resultantes de petróleo). A Constituição Federal de 1988 remeteu à lei complementar a tarefa de dizer o que é pequena gleba rural. A Lei 6/8 . desde que não tenham outro imóvel e dele extraíam a sua subsistência. . . da Constituição Federal de 1988: lei complementar poderá isentar de ICMS exportações de mercadorias que não forem produtos industrializados. • Art. • Art. . A imunidade alcança todos os atos preliminares para a fabricação do produto. inc. de alguma maneira. Para o Poder Público.as exportações de mercadorias que forem produtos industrializados. apenas o exportador imediato é imune ao pagamento do IPI. 37. Essa lei fere a autonomia dos Estados. inc. 155. contudo.º. contribuírem para a exportação (peças dos produtos) são também favorecidos por essa imunidade tributária específica. inc. da Constituição Federal de 1988: ITR: Estão imunes ao ITR os proprietários de pequenas glebas rurais. Todos aqueles que. § 4.º.art.º. § 2. XII. § 2. 155. art. da Constituição Federal de 1988: ICMS – são várias imunidades: . “e”. pois prejudica a tributação dos mesmos. X. 87/96 (Lei Kandir).

Trata-se de imunidade. da Constituição Federal de 1988: são “isentas” de contribuições sociais para a seguridade social as entidades beneficentes que observarem os requisitos apontados na lei.º.art. quando a não-incidência de impostos é constitucionalmente qualificada. imputando-os ao débito (art. quando utilizado como ativo financeiro ou instrumento cambial. sem transmissão de sua posse ao credor (art. . 7/8 . da Constituição Federal de 1988: são “isentas” de impostos federais.º. . estaduais e municipais as transferências de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária. . . 3.art. Este dispositivo existe para facilitar a criação. II.art. 184.operações com ouro. não de isenção.º. com transmissão de sua posse ao credor para que este perceba e receba seus frutos.___________________________________________________________________________ MÓDULO XVI Kandir (art. fusão ou extinção de empresas. da Constituição Federal de 1988: ITBI – não incide sobre transmissão de imóveis de empresas para a realização de capital e sobre transmissão de imóveis decorrentes de incorporação.art. inc. 809 do CC). inc. 156. 156. 805 do CC). II) restringiu a imunidade a operações interestaduais para fins de comercialização ou industrialização. § 7. § 5. . I. pois. cisão. Hipoteca é o direito real de garantia incidente sobre o imóvel do devedor ou de terceiro. 195.º. in fine. § 2. Anticrese é o direito real de garantia incidente sobre o imóvel do devedor ou de terceiro. transformação ou extinção de empresas. da Constituição Federal de 1988: ITBI (SISA): não incide sobre direitos reais de garantias incidentes sobre imóveis (hipoteca e anticrese). tem-se a imunidade.

___________________________________________________________________________ MÓDULO XVI

Essas contribuições, quando pagas pelo empregador, têm natureza de imposto; quando pagas pelo empregado, têm natureza de taxa por prestação de serviço. Onde está escrito isentas, deve-se ler imunes. Essa lei só pode ser complementar, pois, nos termos do art. 146, inc. II, só a lei complementar pode regular restrições ao poder de tributar. Faz as vezes dessa lei o art. 14 do Código Tributário Nacional, que prevê três requisitos para que haja aquela imunidade. A imunidade é só ao imposto, não às obrigações acessórias que devem ser cumpridas (ex.: declaração de renda, no caso de instituição educacional sem fins lucrativos). Assim dispõe o art. 9.º do Código Tributário Nacional.

8/8

___________________________________________________________________

CURSO DO PROF. DAMÁSIO A DISTÂNCIA

MÓDULO XVII

DIREITO TRIBUTÁRIO

__________________________________________________________________ Praça Almeida Júnior, 72 – Liberdade – São Paulo – SP – CEP 01510-010 Tel.: (11) 3346.4600 – Fax: (11) 3277.8834 – www.damasio.com.br

___________________________________________________________________________ MÓDULO XVII

DIREITO TRIBUTÁRIO

1. ISENÇÕES TRIBUTÁRIAS

Segundo o entendimento de Rubens Gomes de Souza, isenção é a dispensa legal do pagamento do tributo, entendimento este compartilhado pela doutrina clássica. Para outros autores, na isenção não há incidência, razão pela qual estes definem isenção tributária como hipótese de não-incidência legalmente qualificada. O primeiro conceito sustenta que a obrigação tributária nasce, mas não é exigível. O segundo conceito, que é o atual, ou seja, na isenção não há incidência, sustenta que a obrigação nem mesmo chega a nascer. O que para a doutrina clássica era isenção é, na verdade, remissão (causa extintiva da obrigação tributária). As isenções submetem-se ao princípio da legalidade; assim, só podem ser concedidas por lei, lei lato sensu (lei ordinária, lei complementar, decreto legislativo federal e decreto legislativo estadual ou distrital). As isenções tributárias são normalmente concedidas por lei ordinária proveniente da pessoa política competente para criar o tributo. De acordo com Fernando Sains de Bujanda: “O poder de tributar e o poder de isentar são como as duas faces da moeda”. Decretos, em tese, não podem conceder isenções tributárias, embora sejam usados na prática. Contra tais decretos é cabível ação popular. O Chefe
1/6

195. na prática. pode conceder isenções de ICMS sobre exportações de mercadorias em geral. da Constituição Federal. 1. “e”. O art. inc. § 2. titular da competência de instituir e cobrar o referido tributo. por meio de lei complementar. da CF). Na Constituição Federal. 85. inc. § 4. XII. assim como não pode instituir tributos. existem apenas duas hipóteses de isenções heterônomas: art. Lei complementar pode criar isenções para os tributos que foram instituídos por lei complementar. Isenções heterônomas: são as concedidas por pessoa política distinta daquela que tributou. As isenções.º. impostos residuais e contribuições do art. inc. Medida provisória não pode conceder isenções. tais como empréstimos compulsórios.1. os impostos e/ou contribuições de melhoria. VII. desde que observados os demais princípios constitucionais (anterioridade. embora. da Lei 2/6 . 32. 155. tais isenções são a regra. da CF: a União. Classificação das Isenções As isenções classificam-se em: Isenções autonômicas: são as concedidas pela própria pessoa política tributante. dado seu caráter precário e a não previsão legal.º. quando concedidas por lei ordinária.).___________________________________________________________________________ MÓDULO XVII do Executivo que baixar decretos isentivos comete crime de responsabilidade (art. I. o Supremo Tribunal Federal aceite a criação de tributos por medida provisória. igualdade etc. podem alcançar as taxas.

em sentido contrário.___________________________________________________________________________ MÓDULO XVII Complementar n. inc. não pode fazê-lo no âmbito internacional. P. § 3. a isenção não é concedida pelo tratado internacional. não é a União que está concedendo a isenção.º. inc. como o do Professor Roque Carrazza. é preciso que seja ratificado pelo Congresso Nacional por meio de decreto legislativo.: Pode o tratado internacional conceder isenção de tributo não federal ? R. isenta de ICMS todos os produtos ou mercadorias destinadas a exportação (usurpação da competência tributária dos estados. A rigor. 3/6 . reduzindo suas fontes arrecadatórias). por meio de lei complementar. 156. Esses tratados podem estipular isenções tributárias (para evitar a chamada bi-tributação internacional). a conceder isenções de ISS sobre exportações de serviços. mas sim o Estado brasileiro considerado como um todo. com base no art. 1. Isenções Tributárias por Tratado Internacional O Brasil pode celebrar tratados sobre assunto tributário. da Constituição Federal (vedação das isenções heterônomas) – o que a União não pode fazer no plano interno. mas sim pelo decreto legislativo que o ratifica. Para o tratado internacional se transformar em Direito Interno e valer em foro doméstico. minoritário. da CF: autoriza a União. pois.2. 87/96. art. II.: Prevalece o entendimento de que é possível. na verdade. cuja inconstitucionalidade está sendo questionada. III. Há entendimento. 151.

fere o princípio constitucional. representado pelo Governador. e devem ser ratificados pelo Poder Executivo. Esses convênios deveriam ser celebrados pelo Poder Executivo representado pelo Governador.3. no caso do Imposto de Circulação sobre Mercadorias e Serviços (ICMS). Isenções Tributárias e o ICMS As isenções tributárias podem ser concedidas por decreto legislativo estadual ou distrital. A Lei Complementar n. Esse decreto não é lei (é ato normativo infralegal).___________________________________________________________________________ MÓDULO XVII 1. portanto. a isenção de ICMS não é concedida pelo convênio estadual. 1. representado pelo Secretário da Fazenda. Em rigor. e ratificados pelo Poder Legislativo estadual (ou distrital). estabelece que os convênios devem ser celebrados pelo Poder Executivo. por meio de decreto.º. mas sim pelo decreto legislativo que o ratifica. art. ou um representante seu. As isenções de ICMS só podem ser concedidas por meio de convênios interestaduais. 24/75. Com prazo indeterminado: não têm prazo preestabelecido de vigência. 4. firmados e ratificados por todos os estados e pelo Distrito Federal. 4/6 . Formas de Concessão das Isenções Tributárias São as seguintes as formas de concessão das isenções tributárias: Com prazo certo (também chamadas transitórias): têm prazo preestabelecido de vigência.4.

Portanto. As isenções são normalmente concedidas sem prazo e sem encargo. Súmula n. pois ela cria novo tributo. XXXVI. 5. A lei que cria isenções transitórias condicionadas gera direito subjetivo ao contribuinte.: os médicos que instalarem seus consultórios na periferia do Município ficam isentos do Imposto sobre Serviços (ISS) por 10 anos. Porém. 615 do Supremo Tribunal Federal: “O princípio constitucional da anualidade (§ 29 do art. o contribuinte continua titular do direito conferido pela lei (direito adquirido – art. A lei que revoga uma isenção com prazo indeterminado deve obedecer ao princípio da anterioridade. inc. As leis que revogam isenções devem obedecer ao princípio da anterioridade. Ex. também podem ser concedidas com prazo certo e de modo condicionado. São também chamadas bilaterais ou onerosas. Essa súmula não tem aplicação.º. de modo incondicionado (também chamada isenções sem encargo): não dependem do preenchimento de qualquer requisito especial do contribuinte para concessão do benefício.___________________________________________________________________________ MÓDULO XVII Ambas podem ser: de modo condicionado (também chamadas isenções com encargo): para serem usufruídas dependem do preenchimento de um requisito essencial por parte do contribuinte. mesmo revogada. 5/6 . 153 da CF) não se aplica à revogação de isenção do ICM”. São também chamadas unilaterais ou gratuitas. da CF).

A lei anistiante faz desaparecer o ilícito tributário. A lei anistiante é lógica e cronologicamente posterior ao cometimento da infração tributária. Essas leis complementares não foram recepcionadas pela Constituição Federal de 1988. Remissão e Anistia A isenção não se confunde com a remissão nem com a anistia. A lei isentiva impede que o tributo nasça. O Código Tributário Nacional. no art. A isenção é causa excludente do crédito tributário. desde que houvesse relevante interesse nacional nesse sentido. impropriamente. A lei remissiva faz desaparecer o tributo já nascido. A lei remissiva é lógica e cronologicamente posterior ao nascimento do tributo. Anistia é o perdão legal da multa decorrente do ilícito fiscal. por meio de lei complementar. Isenção é uma hipótese de não incidência tributária legalmente qualificada. 6/6 . A lei isentiva é lógica e cronologicamente anterior ao nascimento do tributo. Isenção.___________________________________________________________________________ MÓDULO XVII As Constituições de 1967 e 1969 autorizavam a União. 175. Remissão é o perdão legal do débito tributário. A anistia é causa excludente da infração tributária.5. considera a anistia causa excludente do crédito tributário. a conceder isenções de impostos estaduais ou municipais. 1. A remissão é causa extintiva do crédito tributário. que só permite que a União conceda isenções de impostos estaduais e municipais em duas espécies (ICMS e ISS de produtos ou serviços destinados à exportação).

8834 – www.___________________________________________________________________ CURSO DO PROF. DAMÁSIO A DISTÂNCIA MÓDULO XVIII DIREITO TRIBUTÁRIO __________________________________________________________________ Praça Almeida Júnior.damasio.com. 72 – Liberdade – São Paulo – SP – CEP 01510-010 Tel.: (11) 3346.4600 – Fax: (11) 3277.br .

EXECUÇÃO FISCAL (Lei n. 6. 316.º. o agente fiscal que emprega na cobrança tributária meio que a lei não autoriza.___________________________________________________________________________ MÓDULO XVIII DIREITO TRIBUTÁRIO 1. inc. VI). coativamente. art. A relação que se estabelece entre fisco e contribuinte é de direito e não de poder. Comete o crime de excesso de exação (art. Essa certidão deve corresponder aos créditos inscritos na forma da lei. Na execução fiscal o título executivo é extrajudicial (certidão da dívida Ativa da Fazenda Pública – CPC. • O processo de execução de natureza civil encontra-se unificado no CPC. Por isso a Fazenda Pública não pode fazer justiça pelas próprias mãos. débitos tributários vencidos e não pagos.830/80) É o meio jurídico que a Fazenda Pública tem a seu alcance para receber. A Fazenda Pública tem duas vias para a cobrança do tributo não pago: • Amigável (cobrança administrativa). § 1. 1/3 . Judicial (ação de execução fiscal). Daí valer-se do processo de execução. 585. do CP).

Materializar o dever do contribuinte de pagar a quantia líquida e certa nele inserida. da Lei n. 2/3 . 2. • O título (certidão da dívida ativa) forma-se de acordo com os arts. Em razão do princípio da supremacia do interesse público. Ao despachar a inicial. mas não goza do atributo da auto-executoriedade e possui como característica a executividade – porque a certidão da dívida ativa é formada unilateralmente pela Fazenda Pública. validamente extraída de acordo com o art.º.830/80. ún. da Lei n. 6. Esse despacho de citação interrompe o prazo de prescrição.1 Função do Título da Execução Fiscal • Materializar o crédito da Fazenda Pública. 2.º e par. 3.2.830/80 e 201 do CTN. 6.___________________________________________________________________________ MÓDULO XVIII 1. Processo de Execução Fiscal A petição inicial deve ser instruída com a certidão da dívida ativa da Fazenda Pública.º da Lei n. os atos da Administração Pública gozam de auto-executoriedade. A certidão da dívida ativa goza da presunção relativa de liquidez e certeza (art. o registro da penhora (ou arresto) e a avaliação desses bens. 1. 6. a penhora ou arresto. A certidão da dívida ativa é um ato administrativo. o Juiz ordena a citação do devedor.830/80).

105. não se impõe o reexame necessário. Transcorrido esse prazo in albis. haverá outra penhora sem nova oportunidade de oposição de embargos à execução. somente nessa hipótese. “a” . que observará sempre o rito do leilão (ainda que os bens sejam imóveis). art. é endereçado ao próprio juiz sentenciante.830/80. forem rejeitados. todas as matérias de defesa são argüíveis. Neles. 188 do CPC). seguindo-se sua alienação em hasta pública. Alienados os bens. os bens penhorados serão avaliados. Se procedentes. sendo opostos. Da intimação da penhora. Para oposição dos embargos. previsto na Lei n. é necessária a garantia do juízo. 34 – diversamente do procedimento do CPC. inc. tantos quantos bastem. 3/3 . A apelação é possível. o recurso possível é o de embargos infringentes. a Fazenda Pública será paga em moeda corrente. cabe reexame necessário. Se o valor da execução não superar 50 ORTNs. Se os embargos não forem opostos ou. da CF). III. para saldar o débito. Os embargos de declaração e o recurso extraordinário são sempre viáveis. tampouco se permite a apelação. pois a decisão não é prolatada por tribunal (art. o oficial de justiça arrestará bens. corre o prazo de 30 (trinta) dias para oposição dos embargos (único meio de defesa válido de que se pode valer o executado). 6. Não se admite recurso especial da decisão proferida nos embargos infringentes (da Lei de Execução Fiscal). no prazo de 10 dias.___________________________________________________________________________ MÓDULO XVIII O executado é citado para pagar ou nomear bens à penhora em 5 (cinco) dias. Se o valor apurado não for suficiente para o pagamento da dívida. tanto para procedência quanto improcedência. tendo a Fazenda prazo contado em dobro (art.

8834 – www.4600 – Fax: (11) 3277.___________________________________________________________________ CURSO DO PROF.br .: (11) 3346. 72 – Liberdade – São Paulo – SP – CEP 01510-010 Tel.damasio.com. DAMÁSIO A DISTÂNCIA MÓDULO XIX DIREITO TRIBUTÁRIO __________________________________________________________________ Praça Almeida Júnior.

por crédito tributário regularmente inscrito como dívida ativa em fase de execução.1. GARANTIAS E PRIVILÉGIOS DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A matéria sobre as garantias e os privilégios do crédito tributário encontra-se regulada pelos arts. irrelevante a data da constituição do ônus ou da cláusula. A alienação ou oneração de bens ou rendas do sujeito passivo em débito com a Fazenda Pública. bens ou rendas suficientes ao total do pagamento da dívida em fase de execução (art. 1/3 . Respondem pelo pagamento do crédito tributário todos os bens do sujeito passivo.___________________________________________________________________________ MÓDULO XIX DIREITO TRIBUTÁRIO 1. 185).. 183 do Código Tributário Nacional estatui que a lei de cada tributo poderá atribuir aos créditos tributários outras garantias.. ressalvados. Garantias do Crédito Tributário O art. incluindo-se aqueles sobre os quais pesem ônus reais e aqueles sujeitos à cláusula de inalienabilidade e impenhorabilidade. os bens e rendas que a lei declare absolutamente impenhoráveis” (art. presume-se fraudulenta. 1. antes da alienação ou oneração. além das enumeradas no próprio Código Tributário Nacional. 184). 183 a 192 do Código Tributário Nacional. menciona o Código Tributário Nacional “. Essa presunção não se forma quando o sujeito passivo reserva.

Distrito Federal e Territórios Federais. Essa preferência se manifesta não só quanto aos créditos tributários vencidos. detalha a preferência do crédito tributário por qualquer outro. mas também aos vincendos. Aplica-se a mesma regra aos processos de concordata. entendendo que os créditos 2/3 . Posição diversa defende Aliomar Baleeiro. Preferências do Crédito Tributário O Código Tributário Nacional. pagáveis preferencialmente a quaisquer outros.2.1. bem como aos processos de liquidação judicial ou voluntária. inventário e arrolamento Nos casos de falência. de sociedades comerciais.2. Cobrança judicial do crédito tributário O crédito tributário não se sujeita a concurso de credores. seja qual for a natureza ou o tempo da constituição. também em conjunto e pro rata. nem à habilitação em falência. de inventário ou arrolamento. em seu art. Estados. 1. • • Municípios.___________________________________________________________________________ MÓDULO XIX 1.2. quando mais de uma pessoa jurídica de direito público se apresentar como credora: • União. em conjunto e por rateio em proporção ao montante dos créditos. concordata. Falência. exigíveis no curso da falência. 1. os créditos tributários são considerados encargos da massa falida. mas há concurso de preferências. 186.2. salvo os créditos decorrentes da legislação do trabalho.

Concorrência pública Nas concorrências públicas e na celebração de contratos. nem declarada a extinção das obrigações do falido. sem que o interessado faça prova da quitação de todos os tributos devidos. o proponente ou contratante deverá fazer prova da quitação de todos os tributos devidos à Fazenda Pública interessada. bem como não será proferida sentença de julgamento de partilha ou adjudicação. 188 do Código Tributário Nacional – o Superior Tribunal de Justiça perfilha tal posicionamento. podendo a lei estabelecer exceções a tal regra.___________________________________________________________________________ MÓDULO XIX oriundos da legislação do trabalho têm preferência mesmo diante do disposto no art.2. 1. Não será concedida concordata.3. 3/3 .

8834 – www.4600 – Fax: (11) 3277.br . DAMÁSIO A DISTÂNCIA MÓDULO XX DIREITO TRIBUTÁRIO __________________________________________________________________ Praça Almeida Júnior.: (11) 3346.___________________________________________________________________ CURSO DO PROF.damasio.com. 72 – Liberdade – São Paulo – SP – CEP 01510-010 Tel.

parágrafo único – exceção. A Constituição Federal prevê. art. art. Em breve síntese. incs. 158 – receitas que pertencem aos Municípios. 159 . • • • 1/4 . nem sempre lhe pertencem com exclusividade. • • • art. REPARTIÇÃO DAS RECEITAS TRIBUTÁRIAS As receitas tributárias. art. a distribuição é a seguinte: • art. a distribuição dessas receitas. 157 a 162. 161 competência da lei complementar. 162 – divulgação da arrecadação. art. 160 – vedação à retenção ou restituição dos recursos. I e II – distribuição do Imposto de Renda (IR) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). 157 – receitas que pertencem aos Estados e ao Distrito Federal.___________________________________________________________________________ MÓDULO XX DIREITO TRIBUTÁRIO 1. nos arts. arrecadadas pelo ente responsável.

da CF). da CF). 158. a qualquer título. incidente na fonte. • 50% do Imposto de Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). da seguinte maneira: ¾. proporcionalmente ao valor adicionado nas 2/4 . por eles. • 25% do ICMS arrecadado. relativamente aos veículos licenciados em seus territórios (art. inc. inc. I. a qualquer título. § 5. b) Pertencem aos Municípios • O produto da arrecadação do IR incidente na fonte. da Constituição Federal. III.º. I. no mínimo. inc. por eles. 158. 157. creditado (valor agregado). sobre rendimentos pagos.___________________________________________________________________________ MÓDULO XX 1. 153. inc. I. • 20% do produto de arrecadação do imposto que a União instituir. Participação Direta a) Pertencem aos Estados e ao Distrito Federal • O produto da arrecadação do IR.1. II. da CF). • 50% do valor arrecadado do Imposto Territorial Rural (ITR). relativamente aos imóveis nele situados (art. suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem (art. 158. no exercício de sua competência residual (art. da CF). nos termos do art. II. inc. suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem (art. • 30% do IOF sobre operações com ouro. da CF). inc. sobre rendimentos pagos. 157.

3/4 . par.2. inc.___________________________________________________________________________ MÓDULO XX operações realizadas em seus territórios. os Estados devem entregar aos municípios 25% do que receberem. para esse cálculo. Nordeste e Centro-Oeste recebem 3% do IR e do IPI. 159. até ¼.. • 70% do IOF sobre o ouro. inc. o Fundo de Participação dos Estados (FPE) recebe 21. na forma em que dispuser a lei (art.º.5% sobre a arrecadação do IR e IPI. 158. 7. 1. inc. Distrito Federal e Municípios Conforme dispõe o art. da Constituição Federal estabelece que a União entregará 10% do produto da arrecadação do IPI aos Estados e ao Distrito Federal. 153. Participação Indireta dos Estados. ún. proporcionalmente ao valor das respectivas exportações de produtos industrializados. excluindo-se a parcela da participação direta.827/89 instituiu o Fundo de Financiamento do Norte (FNO). incs. § 5. da Constituição Federal. § 1.o. da Constituição Federal. sendo que. e par. II. ún. I e II. I. O Fundo de Participação dos Municípios (FPM) recebe 22. Desse valor. exclui-se a parcela da participação direta (art. sendo que nenhuma atividade poderá receber mais do que 20% do valor total (§ 2.. inc. 159.º). excluindo-se a parcela da participação direta. observando-se os critérios estabelecidos no art. da CF). O art. A Lei n.5% sobre a arrecadação do IR e IPI. II. 159. IV. Os programas de financiamento do setor produtivo das regiões Norte. o FNE e o FCO. 158. nos termos do art. da CF).

Vedação da Retenção dos Recursos O art. 10 da Lei Complementar n. conforme art. 161 da Constituição Federal. bem como ao cumprimento do disposto no artigo 198. repasses e quantias recebidas.4. § 2. inclusive de suas autarquias. II e III (aplicação e ações e serviços de saúde). Distrito Federal e aos Municípios. ou qualquer restrição à entrega ou ao emprego dos recursos atribuídos aos Estados. 1. 63/90.º. 160 da Constituição Federal prevê a proibição da retenção. até o último dia do mês subseqüente ao da arrecadação. 4/4 . 162 da Constituição Federal prevê o dever dos entes públicos de divulgar valores. O art.___________________________________________________________________________ MÓDULO XX 1. nos termos do art. incs.3. Observações Finais As diversas questões acerca da repartição das receitas tributárias ficam sob a competência de lei complementar. nesses recursos compreendidos adicionais e acréscimos relativos a impostos. A falta de entrega permite o pedido de intervenção. O parágrafo único ressalva a possibilidade de a União e os Estados condicionarem a entrega dos recursos ao pagamento dos seus créditos.

4600 – Fax: (11) 3277.: (11) 3346.damasio. DAMÁSIO A DISTÂNCIA MÓDULO XXI DIREITO TRIBUTÁRIO Impostos Federais __________________________________________________________________ Praça Almeida Júnior.com.br .___________________________________________________________________ CURSO DO PROF.8834 – www. 72 – Liberdade – São Paulo – SP – CEP 01510-010 Tel.

11. a personalidade jurídica e política da Federação como um todo. projetando-se. I. de 18.-lei n. regularmente estabelecida ou não. 1. estando diretamente ligado às relações do Brasil com outros países. está disciplinado nos artigos 153.1966. também chamado tarifa aduaneira.º. I. 1/12 . Competência O Imposto de Importação é de competência da União Federal. § 1. Contribuinte O contribuinte do Imposto de Importação é o importador ou quem a ele a lei equiparar (art. no cenário internacional. 1.___________________________________________________________________________ MÓDULO XXI DIREITO TRIBUTÁRIO Impostos Federais 1. 22. 37.1. É considerado importador qualquer pessoa. 19 e 22 do Código Tributário Nacional e no Dec. e não de cada Estado-membro. jurídica ou natural. sendo suficiente a introdução da mercadoria no território nacional com intenção de que aqui permaneça de forma definitiva.2. inc. razão pela qual é desejável a uniformidade do tratamento tributário. inc. do CTN). IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO (II) O Imposto de Importação (II). da Constituição Federal.

2.472/88.___________________________________________________________________________ MÓDULO XXI Também será considerado contribuinte do Imposto de Importação o arrematante de produtos apreendidos ou abandonados.4.º. Função O Imposto de Importação é instrumento relevante da política econômica. exceto quando ocorrer uma das hipóteses do art. aspecto que sobrepõe sua relevância como fonte de arrecadação para o Tesouro. sua função extrafiscal. portanto. 37/66. pois permite a essa competir no mercado interno em condições de igualdade ou de vantagem com produtos do exterior.-lei n. Predomina. que poderá lançá-lo por homologação. 1.-lei n. portanto. sujeita ao Imposto de Importação. 2/12 . alterado pelo Dec. conforme exige a lei. 19 do Código Tributário Nacional. uma vez que o contribuinte efetue o pagamento do tributo antes da ocorrência da fiscalização. § 1. atuando na proteção à indústria brasileira. estando. 1. para fins de incidência do imposto. como estrangeira. que retorna ao País (a exemplo de peças que são exportadas e posteriormente importadas novamente ao Brasil).3. o fato gerador do Imposto de Importação é a entrada de produto estrangeiro no território nacional. do Dec.º. em leilão realizado pela Alfândega. 1. A mercadoria nacional ou nacionalizada exportada. será considerada. Fato Gerador De acordo com o art. ou seja: • enviada em consignação e não for vendida no prazo autorizado.

para a incidência do imposto de importação. • devolvida por motivo de modificação na sistemática de importação por parte do País importador. quando se trata de alíquota específica. é justo que o imposto seja pago com base na alíquota menor. calamidade pública ou outros fatores alheios à vontade do exportador. se a maior. já que. • devolvida por motivo de guerra. os produtos devem ser destinados ao Brasil. Se houver alteração da alíquota no período de tempo entre a obtenção de guia de importação e o desembaraço aduaneiro ou efetivo desembarque. 3/12 . Ocorrendo aumento.5. Tal fato gerador ocorre na data da entrada dos produtos estrangeiros no território nacional. para conserto ou substituição. devem ser respeitadas as situações jurídicas já constituídas.___________________________________________________________________________ MÓDULO XXI • devolvida por motivo de reparo técnico. Base de Cálculo Estabelece o art. ou a menor. Ocorrendo a redução de alíquota. Não basta a entrada física. caberá solucionar a questão de qual a alíquota aplicável. 1. 20 do Código Tributário Nacional que a base de cálculo do imposto de importação será: • expressa na unidade de medida adotada pela lei tributária.

153. 1. autoriza a alteração de suas alíquotas (somente).6. § 1. por motivo de apreensão ou abandono. por intermédio de um decreto do Poder Executivo. em seu art. pois a Constituição Federal/88.º. ou se houver dano. no caso de produto levado a leilão. Aplicam-se dois tipos de alíquotas: a específica e a ad valorem.___________________________________________________________________________ MÓDULO XXI • o preço normal de venda que o produto. ao tempo de importação. por motivo de erro de cálculo ou erro de aplicação da alíquota. ou seu similar. o mencionado tributo também é considerado como uma exceção ao princípio da legalidade. • o preço de arrematação. extravio ou perda do produto. alcançaria. Além disso. 4/12 . Considerações Especiais O referido imposto não está sujeito ao princípio da anterioridade da lei porque nele há a predominância de sua função extrafiscal. Caberá a restituição do Imposto de Importação sempre que esse for pago em excesso. para entrega no lugar de entrada no País. podendo sofrer aumento durante o mesmo exercício financeiro. dentro dos parâmetros legais. em condições de livre concorrência.

§ 1. 23 a 28 do Código Tributário Nacional. Função O Imposto de Exportação tem função predominantemente extrafiscal.2.º. inc. para o exterior. e o princípio da legalidade se mostra atingido pelo artigo 153. 5/12 . da Constituição Federal. em face de o Imposto de Exportação ter função ligada à política econômica relacionada com o comércio internacional. fonte de recursos financeiros para o Estado. IMPOSTO DE EXPORTAÇÃO (IE) O Imposto de Exportação (IE) está disciplinado no artigo 153. II. § 1. Tal fato se dá por ser o Imposto de Exportação instrumento da política econômica. de produtos nacionais ou nacionalizados”.___________________________________________________________________________ MÓDULO XXI 2. da Constituição Federal.1. da CF). Competência De acordo com o art. da Constituição Federal e nos arts. 28 do Código Tributário Nacional que “a receita líquida do imposto destina-se à formação de reservas monetárias na forma da lei”. 2. a ele não se emprega o princípio da anterioridade (art.º. compete à União instituir e cobrar impostos sobre “exportação. II. 2. 153. inc. 150. Estabelece o art. portanto.

26 do Código Tributário Nacional. Alíquotas Existem duas espécies de alíquotas no imposto de exportação: • Alíquota específica: expressa por uma quantia determinada. do território nacional. Fato Gerador O fato gerador do Imposto de Exportação é a saída. ou quilometro. por meio de decreto e nos limites fixados em lei.º.578/77). dizse que o imposto corresponderá a tantos reais por cada metro.-lei n. a alterar as alíquotas do imposto. ou outra unidade qualquer de medida do produto. O Imposto de Exportação é exceção ao princípio da legalidade estrita.3. Considera-se ocorrido o fato gerador no momento da expedição da guia de exportação ou de documento equivalente.___________________________________________________________________________ MÓDULO XXI 2. 6/12 . 23 do CTN e art. autorizando o Poder Executivo. do Dec. § 3. • Alíquota ad valorem: indicada em porcentagem a ser calculada sobre o valor do bem.º. conforme estabelece o art.4. a fim de ajustá-lo aos objetivos da política cambial e do comércio exterior. 1. Assim. de produto nacional ou nacionalizado. indicado em lista aprovada pelo Poder Executivo ( art. 1. em função da unidade de quantificação dos bens exportados. 2.

exportador é um empresário que habitualmente realiza as operações de exportação profissional.6. 27 do Código Tributário Nacional contribuinte desse imposto é o exportador ou quem a lei a ele equiparar. é aquele que remete a mercadoria. Porém. quando se tratar de produto sujeito a alíquota ad valorem. para os casos nos quais o preço do produto for de difícil apuração. a qualquer título. • o preço normal que o produto alcançaria. para o exterior. como fato gerador do imposto em causa. por sua vez. já que a exportação. Ao Conselho Monetário Nacional compete a expedição de normas sobre a determinação de base de cálculo do imposto e a fixação dos critérios específicos. Base de Cálculo Conforme estabelece o art. ao tempo da exportação. ou suscetível de oscilações bruscas no mercado internacional. quando se trata de produto sujeito a alíquota específica.5. não sendo necessário que seja empresário. 24 do Código Tributário Nacional. 2. 7/12 . Compete-lhe também estabelecer pauta de valor mínimo.___________________________________________________________________________ MÓDULO XXI 2. ou a leva consigo. de um modo geral. Exportador. Contribuinte Segundo o art. pode ser eventual e sem intuito de lucro. é base de cálculo do Imposto de Exportação: • a unidade de medida adotada pela lei.

universalidade e progressividade. A competência para criar o imposto é da União e. da Constituição Federal. Considerações Especiais A utilização do Imposto de Exportação é eventual. e nos arts. inc. Em outras palavras.8.7.___________________________________________________________________________ MÓDULO XXI 2. a legislação e os atos do Executivo referentes ao tema devem cuidar 8/12 . III. A autoridade da Administração Tributária poderá recusar qualquer dos elementos dessa declaração. geralmente.º do artigo 153 da Constituição Federal. 43 a 45 do Código Tributário Nacional. mediante declaração prestada pelo exportador. ficando sua incidência sob dependência de certas situações ocasionais. ligadas à conjuntura econômica. 3. de acordo com o § 2. Lançamento O lançamento do Imposto de Exportação é feito. esse tributo será exigido conforme os critérios de generalidade. 2. IMPOSTO SOBRE A RENDA (IR) E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA O Imposto sobre a Renda (IR) e proventos de qualquer natureza está disposto no artigo 153.

possuir alíquotas progressivas. II – proventos de qualquer natureza (acréscimo patrimoniais não abrangidos no conceito acima). o mencionado imposto deverá. É justamente esse incremento que constituirá a base de cálculo do imposto. a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade.º Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior. Base de Cálculo A base de cálculo poderá ser apurada de três formas (art.2. do capital. em seu artigo 43. o Código Tributário Nacional acabou por incluir quaisquer tipos de aumento do patrimônio da pessoa física ou jurídica como fato gerador do Imposto de Renda. Fato Gerador O Código Tributário Nacional estatui. ou da combinação de ambos. 3.” Dessa forma. para fins de incidência do imposto referido neste artigo. 44 do CTN) sobre o lucro: 9/12 .1. que o fato gerador do Imposto de Renda vem a ser a disponibilidade econômica (recebimento efetivo de acréscimo pecuniário) ou jurídica (registro contábil de crédito de valor a favor do contribuinte) de: I – renda – fruto do trabalho. “§ 2. obrigatoriamente. Cumprindo também o princípio constitucional da igualdade. 3.___________________________________________________________________________ MÓDULO XXI para que o tributo seja cobrado sem distinções subjetivas.

___________________________________________________________________________ MÓDULO XXI

Real: para pessoas físicas, determinando-se pelo somatório de todos os rendimentos anuais (salários, aplicações financeiras, ganhos na alienação de bens etc.). Para pessoas jurídicas, o regime de apuração pode ser traduzido como o lucro contábil (receitas – descontadas as despesas do exercício), ajustado por adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária (art. 6.º do Dec.-lei n. 1.598/77).

Arbitrado: se não houver meios de apuração do lucro real, por ausência de escritura comercial e fiscal, ou por recusa na apresentação de livros e documentos, a autoridade fazendária poderá estipular (de acordo com critérios razoáveis, por exemplo, a média histórica do lucro da empresa) o lucro a ser tributado. Trata-se, pois, de medida que visa proteger o Fisco e evitar fraudes.

Presumido: utilizada pelas firmas individuais e pessoas jurídicas cuja renda anual não ultrapasse os lindes legais. Distingue-se do lucro real por não haver a tributação sobre o efetivo acréscimo patrimonial, mas sim sobre um lucro presumido.

3.3. Recolhimentos Apesar de ser tributo de apuração anual (podendo ser também trimestral para empresas), tanto pessoas físicas como jurídicas estão obrigadas a fazer antecipações mensais. Para pessoas físicas, aplica-se a tabela progressiva da Lei n. 9.250/95, alterada pela Lei n. 9.532/97.

10/12

___________________________________________________________________________ MÓDULO XXI

Base de Cálculo
(R$)

Alíquota
(%)

Parcela a Deduzir 0 R$ 135,00 R$ 360,00

900,00 1.800,00 Acima de 1.800,00

0 15 27,5

Para pessoas jurídicas, a alíquota do imposto de renda é de 15%. Se a base de cálculo mensal exceder R$ 20.000,00, há a incidência de adicional de 10% sobre a diferença, nos termos da Lei n. 9.718/98. Em ambos os casos, portanto, nota-se cumprida a progressividade requerida pela Constituição Federal.

No fim do exercício fiscal, a tabela para pessoas físicas é:

Base de Cálculo
(R$)

Alíquota
(%)

Parcela a Deduzir 0 R$ 1.620,00 R$ 360,00

10.800,00 21.600,00 Acima de 21.600,00

0 15 27,5

Para pessoas jurídicas optantes pelo regime anual, a alíquota é de 15%, mais adicional de 10% sobre o que exceder a R$ 240.000,00.
11/12

___________________________________________________________________________ MÓDULO XXI

Na Declaração de Ajuste, havendo saldo devedor (total das antecipações é inferior ao devido), deverá ocorrer recolhimento suplementar. Se, por situação inversa, o saldo for credor, a pessoa física receberá a restituição corrigida pela taxa Selic e a pessoa jurídica poderá contabilmente compensar o crédito que possui nas antecipações do exercício seguinte, também com atualização da Selic.

3.4. Lançamento O lançamento do Imposto sobre a Renda decorre da declaração que o contribuinte fornece ao Fisco sobre o fato gerador do tributo.

Em face dessa determinação, pergunta-se: haveria lançamento por declaração ( art. 147 do CTN) ou por homologação ( art. 150 do CTN)? Resposta: Essa questão é controversa na doutrina e na jurisprudência, porquanto influi no termo inicial da contagem do prazo decadencial. Pode-se afirmar, no entanto, que a corrente mais forte manifesta-se a favor do art. 150 do Código Tributário Nacional (lançamento por homologação).

12/12

DAMÁSIO A DISTÂNCIA MÓDULO XXII DIREITO TRIBUTÁRIO Impostos Federais __________________________________________________________________ Praça Almeida Júnior.8834 – www.4600 – Fax: (11) 3277.___________________________________________________________________ CURSO DO PROF.br .damasio.: (11) 3346. 72 – Liberdade – São Paulo – SP – CEP 01510-010 Tel.com.

. ún.2. 1. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) O Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) está previsto no artigo 153. Conceito Considera-se produto industrializado o produto que tenha sido modificado para o consumo (artigo 46. 1/14 . 1. exercida sobre a matéria-prima ou produto intermediário. beneficiamento. Competência O Imposto sobre Produtos Industrializados é de competência exclusiva da União. A industrialização consiste em transformação. da Constituição Federal.___________________________________________________________________________ MÓDULO XXII DIREITO TRIBUTÁRIO Impostos Federais 1. • Transformação: é a operação.1. montagem. do CTN). e nos artigos 46 a 51 do Código Tributário Nacional. que importe obtenção de um novo produto. inciso IV. acondicionamento ou renovação. par.

alteração de funcionamento ou aparência do produto. • Renovação ou recondicionamento: é a operação exercida sobre o produto usado. o fato gerador não se caracterizará. • Arrematação dos produtos importados apreendidos. 1. 2/14 .3. exemplo: usinagem de peças. do industrial. exemplo: automóveis. peças ou partes que resultam em um novo produto. Fato Gerador O fato gerador do Imposto sobre Produtos Industrializados caracteriza-se pelo: • Desembaraço aduaneiro do produto estrangeiro. salvo quando essa embalagem se destine ao transporte da mercadoria. abandonados e levados à leilão (artigo 46. • Montagem: é a operação que reúne produtos. • Saída do produto industrializado do estabelecimento do importador. inciso III. e que o renova ou o restaura para utilização. aperfeiçoamento. exemplo: retífica de motores. • Acondicionamento ou reacondicionamento: é a operação que altera a apresentação do produto pela colocação de embalagem. ainda que em substituição da original. Havendo perda do produto antes do desembaraço. exemplo: engarrafamento de bebida. do comerciante ou do arrematante.___________________________________________________________________________ MÓDULO XXII • Beneficiamento: é a operação de modificação. deteriorado ou inutilizado. do CTN).

___________________________________________________________________________ MÓDULO XXII 1. conforme a essencialidade do produto. 1. o Imposto sobre Produtos Industrializados que foi pago anteriormente. ou na passagem da mercadoria de uma empresa para a outra.4. E o Imposto sobre Produtos Industrializados que foi pago na saída do produto final figura como débito. § 1. 3/14 . deve ser deduzido do Imposto sobre Produtos Industrializados. figura como crédito.6. pelos fornecedores. Na contabilidade. pago numa operação. Haverá imposto a ser recolhido no período. Princípio da Anterioridade O Imposto sobre Produtos Industrializados é uma exceção ao princípio da anterioridade (artigo 150. da CF). 1. Princípio da Não-cumulatividade O Imposto sobre Produtos Industrializados.5. a lei que institui ou aumenta o referido imposto pode ser exigida imediatamente após sua publicação.º. O produto de primeira necessidade deve ter baixa tributação e o produto menos essencial deve receber tributação mais elevada. ou seja. Princípio da Seletividade O Imposto sobre Produtos Industrializados deve possuir uma alíquota maior ou menor. a ser pago na operação seguinte. quando o débito for maior que os créditos.

§ 3. 1. também podem ter suas alíquotas alteradas por decreto os seguintes impostos da União: Imposto sobre Importação.º. o valor 4/14 . da CF). da CF). Não-incidência na Exportação Não incide Imposto sobre Produtos Industrializados nos produtos destinados ao exterior (artigo 153. Em síntese. pois é permitido à União aumentar ou reduzir sua alíquota por meio de decreto do Executivo. trata-se de imunidade. porque dotado de extrafiscalidade. uma vez que tal dispensa é concedida pela própria Constituição Federal. Imposto sobre Exportação e o Imposto sobre Operações financeiras. em razão de terem predominante função extrafiscal. Tecnicamente. 1. Princípio da Legalidade O Imposto sobre Produtos Industrializados também é uma exceção ao princípio da legalidade. Base de Cálculo A base de cálculo do Imposto sobre Produtos Industrializados pode ser: o valor do produto importado mais o imposto de importação e os encargos aduneiros e cambiais.º. o Imposto sobre Produtos Industrializados não fere os princípios da anterioridade e da legalidade.8. inciso III.___________________________________________________________________________ MÓDULO XXII 1.7. Cumpre ainda observar que.9. pois esse é um imposto ordenatório da economia do País. o valor da saída do estabelecimento importador. nos limites fixados em lei (artigo 153. § 1.

Alíquota A alíquota consta em uma tabela própria e pode ser estabelecida por decreto do Poder Executivo. IMPOSTO SOBRE MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS (IOF) 2. conforme acima explicitado. Competência e função Tributárias Nos termos da Constituição Federal.1. 5. o valor da mercadoria ou de mercadoria similar. 1. ratificado pelo artigo 48 do Decreto-lei n. da Lei n. e seus recursos destinam-se à formação de reservas monetárias. 2. o imposto é de competência da União. 5/14 .471.___________________________________________________________________________ MÓDULO XXII do produto industrializado. de 1. quando tratar-se de produto nacional.º do Decreto-lei n.219/97.9.10. tributação.2. Delegação de Competência Atualmente. do Código Tributário Nacional. fiscalização e de orientação às instituições responsáveis por sua cobrança e recolhimento – e para aplicar as penalidades cabíveis.1988.783/80. aplicáveis em conformidade com a legislação específica. é da Secretaria da Receita Federal a competência para administrar o tributo – incluindo as atividades de arrecadação. 2. conforme disposto no artigo 3. 2. o valor da arrematação em leilão.143/66 e do Decreto-lei n. 1. 2.

geralmente a título oneroso. Espécies do Imposto sobre movimentações financeiras 2. basicamente. tomadoras de crédito. A base de cálculo é o montante da obrigação. 6/14 . compreendendo o crédito principal e os juros. São modalidades do imposto sobre operações de crédito. Os contribuintes são as pessoas físicas ou jurídicas. assim considerado o fato econômico da cessão de dinheiro. Imposto sobre operações de crédito a) Imposto sobre operações de crédito realizadas por instituições financeiras Entende-se por operação de crédito o empréstimo de recursos financeiros.3. restituível a prazo certo.3.1.___________________________________________________________________________ MÓDULO XXII 2. na prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia. As instituições financeiras são responsáveis pela cobrança e pelo seu recolhimento ao Tesouro Nacional. mercadológica. b) Imposto sobre operações de crédito realizadas por empresas de "factoring" A atividade dessas empresas consiste. O fato gerador é a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação. ou a sua colocação à disposição do interessado. os empréstimos financeiros e títulos descontados. realizado por instituições financeiras.

O fato gerador é a entrega – ou colocação à disposição do alienante – do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação. inciso III. Os responsáveis pela cobrança e pelo recolhimento ao Tesouro Nacional. administração de contas a pagar e a receber. pela cobrança e pelo recolhimento ao Tesouro Nacional. seleção de riscos. 2.___________________________________________________________________________ MÓDULO XXII gestão de crédito. ou de documento que a represente. compra de direitos creditórios. resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços ( artigo 15.249/95). são as empresas autorizadas a operar em câmbio.2. venda e arbitragens de valor). Os contribuintes são os compradores e vendedores. à empresa de factoring. Responsáveis. da Lei n. 7/14 . § 1. recebido e entregue. Imposto sobre operações de câmbio Entende-se por operação de câmbio.3. Os contribuintes são as pessoas jurídicas ou físicas que alienarem. 9. a troca da moeda de um País pela moeda de outro (compra. O fato gerador é a entrega – ou colocação à disposição do interessado – de moeda nacional ou estrangeira. ou posto à disposição. os direitos creditórios resultantes de vendas a prazo. são as empresas de factoring adquirentes dos direitos creditórios. A base de cálculo é o respectivo montante em moeda nacional.º.

___________________________________________________________________________ MÓDULO XXII 2. incêndios. pela cobrança e recolhimento ao Tesouro Nacional. Os responsáveis. Imposto sobre operações de seguro Entende-se por operação de seguro o contrato (apólice) entre uma empresa (seguradora) e uma pessoa física ou jurídica (segurado) pelo qual a primeira se obriga.3. valores mobiliários e aplicações financeiras de renda fixa ou variável Genericamente define-se título como sendo o documento que certifica a propriedade de um bem ou que comprova o direito de seu detentor de receber determinado valor em data preestabelecida. A base de cálculo é o montante do prêmio. Imposto sobre operações relativas a títulos e valores mobiliários a) Imposto sobre operações financeiras sobre títulos. inundações. são as companhias seguradoras ou as instituições financeiras encarregadas da cobrança dos prêmios. ou simplesmente títulos.3. 2. 8/14 . O fato gerador é o recebimento do prêmio. ou ainda. a pagar à segunda uma determinada importância (indenização) para compensar perdas e danos decorrentes de eventualidades tais como acidentes. Quando se referem a bens ou direitos móveis. Os contribuintes são as pessoas físicas e jurídicas seguradas. são denominados valores mobiliários. títulos de crédito. roubos (sinistros). mediante a cobrança de uma certa quantia (prêmio).4.3.

Os contribuintes são os adquirentes de títulos ou valores mobiliários e os titulares de aplicações financeiras. títulos de crédito. são denominados valores mobiliários. se houver. b) Imposto sobre operação financeira sobre operações de pagamento para a liquidação do resgate ou da cessão de títulos. o preço ou valor nominal. o valor nominal mais o ágio. Quando se referem a bens ou direitos móveis. e ainda a instituição que liquidar a operação perante o beneficiário final. o preço. títulos de crédito. repactuação ou pagamento para liquidação de títulos. • • no pagamento ou resgate. ou simplesmente títulos. como determinar a lei. de Mercadorias. 9/14 . valores mobiliários e aplicações financeiras de renda fixa Genericamente define-se título como o documento que certifica a propriedade de um bem ou que comprova o direito de seu detentor de receber determinado valor em data preestabelecida. ou ainda.___________________________________________________________________________ MÓDULO XXII O fato gerador é a aquisição. ou. de Futuros e assemelhados. na transmissão. ainda. Os responsáveis pela cobrança e pelo recolhimento ao Tesouro Nacional são as instituições financeiras e demais instituições autorizadas pelo Banco Central: Bolsa de Valores. ou o valor da cotação em Bolsa. resgate. A base de cálculo pode ser: • na emissão. cessão.

• se o ouro for oriundo do exterior: o desembaraço aduaneiro. que liquidarem mencionadas operações.1989).3. bruto ou refinado – quando destinado ao mercado financeiro ou à execução da política cambial do País.___________________________________________________________________________ MÓDULO XXII O fato gerador é o pagamento para a liquidação do resgate. ativo financeiro ou instrumento cambial é: • se o ouro for oriundo de município brasileiro: a primeira aquisição do ouro.5. 2.º da Lei n. cessão. O contribuinte é a instituição financeira.5. O fato gerador do imposto sobre operações com ouro. que efetuar a primeira aquisição. 7. Os responsáveis pela cobrança e seu recolhimento ao Tesouro Nacional são os próprios contribuintes. de 11. Imposto sobre operações com ouro.766. na forma e condições autorizadas pelo Banco Central (artigo 1. A base de cálculo é o preço de aquisição do ouro. autorizada pelo Banco Central. ativo financeiro ou instrumento cambial O ouro será considerado ativo financeiro ou instrumento cambial – desde a sua extração e em qualquer estado de pureza. Os contribuintes são as instituições financeiras e demais instituições autorizadas pelo Banco Central. repactuação de títulos e valores mobiliários. 10/14 . efetuada por instituição autorizada pelo Banco Central. em operações realizadas com a interveniência de instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional.

Base de Cálculo Base de cálculo é o Valor da Terra Nua tributável (VTNt).1.4.___________________________________________________________________________ MÓDULO XXII Os responsáveis pelo recolhimento são os próprios contribuintes. incluídas as atividades de arrecadação. 3. 3. 11/14 . localizado fora da zona urbana do Município. em 1.2. o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza. Fato Gerador O fato gerador é a propriedade. tributação e fiscalização.º de janeiro de cada ano. Capacidade Tributária Compete à Secretaria da Receita Federal (SRF) a administração do Imposto Territorial Rural (ITR).3. 3. Competência Tributária É competente a União Federal para a instituição deste tributo. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) 3. como é comumente conhecido. 3.

apurado em 1. O valor da terra nua refletirá o preço de mercado de terras. culturas permanentes ou temporárias. 3.___________________________________________________________________________ MÓDULO XXII correspondente ao imóvel. instalações. Alíquota O valor do imposto será apurado. portanto.5. O valor da terra nua é. florestas naturais e pastagens naturais. O Grau de Utilização é a relação percentual entre área utilizada pela atividade rural e a área aproveitável do imóvel. aplicando-se sobre o Valor da Terra Nua tributável (VTNt) à alíquota correspondente. utiliza-se a seguinte fórmula: VTNt = VTN x Área Tributável Área Total Valor da Terra Nua (VTN) é o valor do imóvel. considerados a área total do imóvel e o Grau de Utilização (GU). excluídos os valores relativos a construções.º de janeiro do ano a que se referir a declaração do ImpostoTerritorial Rural. Área tributável é igual à área total acrescida da área de interesse ambiental de preservação permanente ou de utilização limitada. composto do valor do solo acrescentado do valor de matas nativas. pastagens cultivadas e melhoradas e florestas plantadas. benfeitorias. Para o Cálculo do valor da terra nua tributável. Área aproveitável é aquela área passível de exploração agrícola. 12/14 .

Segue tabela: Área total do imóvel (em hectares) Maior que 80 Grau de Utilização (GU em %) Maior que 65 até 80 Até 50 Maior que 50 até 200 Maior que 200 até 500 Maior que 500 até 1. no ano anterior ao da entrega da Declaração do Imposto Territorial Rural.03 0.20 0. excluídas as de interesse ambiental de preservação permanente. nativa ou plantada.___________________________________________________________________________ MÓDULO XXII pecuária.85 1.45 0.00 12.40 6.40 Maior que 50 até 65 Maior que 30 até 50 0.60 3.10 0. granjeira. Área utilizada pela atividade rural é a porção da área aproveitável do imóvel que. objeto de implantação de projeto técnico.00 2.60 0. é a área total do imóvel. tenha sido afetada por ocorrência de calamidade pública de que resultou frustração de safras ou destruição de pastagens.000 Maior que 1.40 2.30 6. tenha sido: plantada com produtos vegetais.000 até 5.70 1. objeto de exploração granjeira ou aqüícola. tenha sido destinada à execução de atividades de pesquisa e experimentação que objetivem o avanço tecnológico da agricultura.000 0.00 3.30 0.70 8.90 3.30 4. servido de pastagem.40 0.00 Até 30 13/14 .00 0. de interesse ambiental de utilização limitada e as ocupadas com benfeitorias destinadas à atividade rural.30 3.30 1. ou.40 0. objeto de exploração extrativa. ainda.07 0. aqüícola e florestal.60 20.15 0.000 Acima de 5. observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental.00 1.80 1.

3. sujeitando-se à homologação posterior. Declaração do Imposto Territorial Rural A Declaração do Imposto Territorial Rural é composta por dois documentos: • Documento de Informação e Atualização Cadastral (DIAC). 14/14 . destinado à apuração do imposto.6. A data e as condições de entrega da Declaração do Imposto Territorial Rural são fixadas anualmente pela Secretaria da Receita Federal.7.___________________________________________________________________________ MÓDULO XXII 3. independentemente de prévio procedimento da administração tributária. A apuração e o pagamento do Imposto Territorial Rural serão efetuados pelo contribuinte. destinado à coleta de informações cadastrais do imóvel e de seu titular. • Documento de Informação e Apuração do Imposto Territorial Rural (DIAT). Lançamento O lançamento é anual. nos prazos e nas condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal.

72 – Liberdade – São Paulo – SP – CEP 01510-010 Tel.8834 – www.: (11) 3346.___________________________________________________________________ CURSO DO PROF.damasio.com.br .4600 – Fax: (11) 3277. DAMÁSIO A DISTÂNCIA MÓDULO XXIII Impostos Estaduais e Distritais DIREITO TRIBUTÁRIO __________________________________________________________________ Praça Almeida Júnior.

Atualmente. IMPOSTO SOBRE TRANSMISSÃO CAUSA MORTIS E DOAÇÃO. da Constituição Federal.___________________________________________________________________________ MÓDULO XXIII DIREITO TRIBUTÁRIO Impostos Estaduais e Distritais 1. inc. 1/11 . 10.12. da CF). Competência Compete aos Estados e ao Distrito Federal (art. e nos artigos 35 a 42 do Código Tributário Nacional.2.1. DE QUAISQUER BENS OU DIREITOS O Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação de Quaisquer Bens ou Direitos está previsto no artigo 155. I. tem como finalidade gerar recursos financeiros para os Estados e para o Distrito Federal. 1.2000. o referido imposto encontra-se regulado pela Lei n. ou seja. Função A função do imposto sobre heranças e doações é fiscal. de 28. 1. 155.705. inciso I.

Ocorrerão tantos fatos geradores distintos quantos forem os herdeiros. a transmissão de: • qualquer título ou direito representativo do patrimônio ou capital de sociedade e companhia. legatários ou donatários. inclusive título e crédito que o represente. depósito em caderneta de poupança e a prazo fixo. inclusive a sucessão provisória. de curto prazo. e direitos autorais. haver monetário em moeda nacional ou estrangeira e título que o represente. de renda fixa.3. qualquer direito ou ação que tenha de ser exercido. Incidência O imposto incidirá sobre a transmissão de qualquer bem ou direito havido: • por sucessão legítima ou testamentária. tais como ação. quota. dividendo e crédito de qualquer natureza. • por doação. • bem incorpóreo em geral.___________________________________________________________________________ MÓDULO XXIII 1. quotas ou participações em fundo mútuo de ações. quinhão. Também sujeita-se ao imposto. debênture. seja qual for o prazo e a forma de garantia. nacional ou estrangeira. depósito bancário e crédito em conta corrente. e qualquer outra aplicação financeira e de risco. bem como direito societário. participação civil ou comercial. • dinheiro. 2/11 .

___________________________________________________________________________ MÓDULO XXIII 1. a base de cálculo é o valor corrente de mercado do bem. 3/11 . 1/3 do valor do bem. na seguinte progressão: até 12. A base de cálculo é equivalente a: • 1/3 do valor do bem. título. na transmissão não onerosa do domínio útil. 2. na transmissão não onerosa do domínio direto. • • • No caso de bem móvel ou direito. do bem ou direito. acima desse limite. na data da abertura da sucessão ou da realização do ato ou contrato de doação. Base de Cálculo A base de cálculo é o valor venal do bem ou direito transmitido.5% .5. 2/3 do valor do bem. na instituição do usufruto. Alíquota O cálculo do Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação de Quaisquer Bens ou Direitos será efetuado mediante a aplicação dos porcentuais sobre a correspondente parcela do valor da base de cálculo convertida em Unidades Fiscais do Estado de São Paulo. crédito ou direito. Considera-se valor venal o valor de mercado.000 (doze mil) Unidades Fiscais do Estado de São Paulo. por ato não oneroso. na transmissão não onerosa da propriedade nua. 1. expresso em moeda corrente nacional ou em Unidades Fiscais do Estado de São Paulo(Ufesps). na data da transmissão ou do ato translativo. 2/3 do valor do bem. 4%.4.

º (com seus 12 incisos) e 3. IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES RELATIVAS À CIRCULAÇÃO DE MERCADORIAS E SOBRE PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE INTERESTADUAL E INTERMUNICIPAL COMUNICAÇÃO. principalmente em seu artigo 155.1. efetuar o pagamento do respectivo tributo. e de comunicação. por declaração. Legislação O imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal.º. Relevante o entendimento das normas constitucionais referentes ao Imposto sobre Circulação de 4/11 . está disciplinado: • Na Constituição Federal. 2. AINDA QUE AS OPERAÇÕES PRESTAÇÕES SE INICIEM NO EXTERIOR (ICMS) E DE E AS 2.6. 1. Lançamento O lançamento é feito. posteriormente à sua homologação. inciso II. pois o contribuinte oferece ao Fisco os elementos necessários ao respectivo cálculo.___________________________________________________________________________ MÓDULO XXIII O imposto devido é resultante da soma total da quantidade apurada na respectiva operação de aplicação dos porcentuais sobre cada uma das parcelas em que vier a ser decomposta a base de cálculo. e §§ 2. ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior (ICMS). em princípio. para.

• Na Lei Complementar n. função extrafiscal (quando seu objetivo é a interferência no domínio econômico. Importância do ICMS O ICMS representa o imposto economicamente mais importante. incisos. na medida em que poderá ser seletivo em função da essencialidade das mercadorias e dos serviços (art. 5/11 . da CF). § 2. que estabelece normas gerais sobre o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços. a serem observadas por todos os Estados e pelo Distrito Federal. isto é. II. Em relação ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços . especificamente a esse imposto. seu principal objetivo é a arrecadação de recursos financeiros. possui função eminentemente fiscal. dedicando.º. 2. Nesse sentido. outrossim. 155. parágrafos etc. 155. um grande número de artigos. o constituinte foi minucioso ao extremo. porquanto todas as normas infraconstitucionais tributárias devem ser interpretadas no sentido mais congruente possível com a Constituição. estimulando ou não certa atividade econômica). da CF).3. 87/96. III. segundo Roque Antônio Carraza.___________________________________________________________________________ MÓDULO XXIII Mercadorias e Serviços (ICMS). pois envolve maiores quantias. Competência • competência privativa dos Estados e do Distrito Federal (art. inc.2. inc. Apresenta. 2.

é claro. 154.4. nos Territórios. inc. Imposto sobre Operações Mercantis (operações relativas à circulação de mercadorias) – Artigo 155. Fatos Geradores 2. incs. que tenha por finalidade a venda ou revenda. impostos de competência privativa dos Estados (art. mediante resolução (art. 155. tendo por finalidade o lucro e por objeto uma mercadoria. “na iminência ou no caso de guerra externa”. por força de um negócio jurídico. isto é.1. deve ser regida pelo Direito Comercial. • a circulação deve ser jurídica. há a competência do Senado para estabelecer alíquotas. o que inclui.º. II. da CF). da CF). mediante lei complementar (art. da Constituição Federal Algumas observações devem ser feitas a respeito do fato gerador desse imposto: • a operação a que se refere a lei é mercantil. • entende-se por mercadoria o bem móvel.___________________________________________________________________________ MÓDULO XXIII • competência extraordinária da União. 147 da CF).4. IV e V. inciso II. 2. de modo que os bens destinados ao consumo ou ao 6/11 . § 2. • além dessas. o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços . ou seja. • competência da União para instituir e cobrar. pressupõe a transferência de titularidade da mercadoria.

telefones. de um serviço de transporte intermunicipal ou interestadual.2. como. inc.4. de modo geral. realizado totalmente dentro do território de um Município. da Constituição Federal Entende-se por serviço de comunicação a atividade de. § 2. 2. inciso II.º. apenas pode ser tributado por via de Imposto sobre Serviços (ISS) . com conteúdo econômico. 155. são o produtor. de competência privativa municipal.___________________________________________________________________________ MÓDULO XXIII ativo fixo não são considerados mercadorias (exceção encontra-se no art. tendo como sujeito passivo qualquer pessoa (física. de mercadorias etc. 7/11 . em caráter negocial. com a prática de operações mercantis (que. “a”.3. jurídica ou. o serviço de transporte de passageiros. Imposto sobre Serviço de Comunicação – Artigo 155. até. 2. da CF). da Constituição Federal O fato gerador desse imposto é a prestação. radiotransmissores etc. a terceiro. O contribuinte é o prestador do serviço. de valores. Imposto sobre Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal – Artigo 155. por exemplo. caixas de som. de cargas. sem personificação de direito) envolvida em caráter de habitualidade. Ressalte-se que o serviço de transporte. inciso II. IX. a instalação de microfones.4. alguém fornecer a terceiros condições materiais para que a comunicação ocorra. por exemplo. como. • a obrigação surge pela saída da mercadoria do estabelecimento comercial. sob regime de direito privado. o industrial e o comerciante).

Circulação. Pelo princípio da nãocumulatividade.4. da Constituição Federal Destaque-se que os Estados e o Distrito Federal podem gravar com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços uma. Princípio da Não-Cumulatividade A não-cumulatividade do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços está prevista no artigo 155. § 3.º. § 2.___________________________________________________________________________ MÓDULO XXIII 2. algumas ou todas as operações acima elencadas.º.5. da Constituição Federal Mesmo destaque feito ao imposto anterior. o consumidor final (contribuinte de fato). “b”.º. Imposto sobre Produção. a quem 8/11 .5. Circulação. uma dedução (abatimento) correspondente aos montantes cobrados nas operações ou prestações anteriores. Imposto sobre Extração. Importação.4. o Constituinte beneficiou o contribuinte (de direito) desse tributo e. e § 3. de modo que em cada operação ou prestação é assegurado ao contribuinte. desde que obedecido o princípio da nãocumulatividade. 2. – Artigo 155.4. ao mesmo tempo. e de Energia Elétrica inciso X. 2. de modo definitivo.º. incisos I e II. § 2. Lembremos que o ICMS é imposto indireto. Distribuição ou Consumo de Lubrificantes e Combustíveis Líquidos e Gasosos. Distribuição ou Consumo de Minerais – Artigo 155. da Constituição Federal.

Lançamento O lançamento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços realiza-se por homologação. cada contribuinte registra suas operações.___________________________________________________________________________ MÓDULO XXIII convém preços mais reduzidos ou menos gravemente onerados pela carga tributária. sobre o ouro etc. IMPOSTO SOBRE PROPRIEDADE DE VEÍCULOS AUTOMOTORES (IPVA) Imposto disciplinado pelo artigo 155. ou seja. escritura seus livros de entradas e de saídas e de apuração de impostos. portanto. independentemente de exame de seus cálculos pela autoridade administrativa. ficam fora do alcance da regra jurídica da tributação. 2. X) exclui a incidência de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços em certos casos. inciso III.º. 155. 2. As situações nela descritas. inc. 3. 9/11 .7. como o de operações que destinem ao exterior produtos industrializados.6. da Constituição Federal. § 2. recolhendo o montante respectivo em cada mês. Imunidades A Constituição Federal (art.

12. fixado de conformidade com o seu peso. cilindrada. 4.4.___________________________________________________________________________ MÓDULO XXIII 3. É um imposto vinculado ao veículo. 3. Hipótese de Incidência É a propriedade de veículo automotor (ciclomotor. ainda que em outra unidade da Federação. sem direito a benefício de ordem. solidariamente. número de eixos. pago o imposto pelo antigo proprietário. 3. do Estado de São Paulo. o proprietário do veículo.1985.).3. através de decreto do Poder Executivo. responsáveis pelo imposto. juntamente com o proprietário. os valores venais são anualmente reajustados no mês de dezembro de cada ano.2. e o titular do domínio útil e/ou o possuidor do veículo são. ano de fabricação. tipo de combustível utilizado e dimensões. 3. Base de Cálculo A base de cálculo é o valor venal do veículo.955. em caso de alienação. 10/11 . que é o contribuinte. potência. motocicleta. ônibus ou caminhão etc. automóvel. Sujeito Ativo O sujeito ativo do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) é o Estado onde o veículo estiver licenciado e registrado. furgão. No Estado de São Paulo. de tal sorte que. de 27. não será exigido novo pagamento do adquirente. capacidade máxima de tração.1. Sujeitos Passivos Segundo a Lei n.

Os restantes 50% constituem receita do Estado. 11/11 .___________________________________________________________________________ MÓDULO XXIII Do produto da arrecadação do imposto. aí incluídos os valores correspondentes à correção monetária e aos acréscimos decorrentes do recolhimento fora dos prazos legais. 50% pertencem ao Município onde o veículo estiver licenciado.

___________________________________________________________________ CURSO DO PROF.8834 – www.damasio. DAMÁSIO A DISTÂNCIA MÓDULO XXIV DIREITO TRIBUTÁRIO __________________________________________________________________ Praça Almeida Júnior.br . 72 – Liberdade – São Paulo – SP – CEP 01510-010 Tel.com.: (11) 3346.4600 – Fax: (11) 3277.

como definido na lei civil. inciso I. por natureza ou por acessão física. Fato Gerador O artigo 32 do Código Tributário Nacional estabelece que o Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana tem como fato gerador a propriedade. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE PREDIAL E TERRITORIAL URBANA (IPTU) 1. localizado na zona urbana do Município.2. 1. e o artigo 32 do Código Tributário Nacional estabelecem que compete aos Municípios instituir Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU).1. O Distrito Federal também é competente para instituir o Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana. Competência O artigo 156. da Constituição Federal. o domínio útil ou a posse de bem imóvel. por força do artigo 147 da Constituição Federal.___________________________________________________________________________ MÓDULO XXIV DIREITO TRIBUTÁRIO Impostos Municipais 1. 1/13 .

II – ter alíquotas diferentes de acordo com a localização e o uso do imóvel”. Base de Cálculo Estabelece o artigo 33 do Código Tributário Nacional que a base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana é o valor venal do imóvel. I poderá: I – ser progressivo em razão do valor do imóvel.4.º. 1.º Sem prejuízo da progressividade no tempo a que se refere o art.___________________________________________________________________________ MÓDULO XXIV 1.º. 34 do CTN). ou seja. ou o seu possuidor a qualquer título (art. o proprietário do imóvel. Contribuinte É contribuinte. 1. o imposto previsto no inc. Progressividade e Alíquota O artigo 156. § 1. da Constituição Federal dispõe: “§ 1. do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana.3.5. 2/13 . § 4. o valor pelo qual o imóvel pode ser negociado no mercado imobiliário. II. 182. o titular do seu domínio útil.

6. templos de qualquer culto. instituir imposto sobre: patrimônio. renda ou serviços dos partidos políticos. • • • 1. renda ou serviços. ao Distrito Federal e aos Municípios. instituições de educação e assistência social. inclusive suas fundações.___________________________________________________________________________ MÓDULO XXIV 1. cumprindo assim a função primordial da propriedade. um dos outros. consoante a natureza jurídica que se lhe empresta pela doutrina de vanguarda. da Constituição Federal estabelece que é vedado à União. e obedece ao princípio da capacidade contributiva. aos Estados.7. patrimônio. sempre atendidos os requisitos da lei. Considerações Gerais O Imposto sobre Propriedade Predial e Territorial Urbana é um imposto sobre o patrimônio. 3/13 . que. entidades sindicais dos trabalhadores. inciso VI. sem fins lucrativos. Imunidade O artigo 150. de competência do Município. Há progressividade de caráter extrafiscal para induzir o proprietário a obedecer ao plano diretor do Município. é a de direito de destinação e ordenação social.

43. seus acessórios e adjacências naturais.2. englobando as árvores e os frutos pendentes. inciso II. • Imóveis por acessão física: tudo aquilo incorporado pelo homem permanentemente ao solo. de bens imóveis.3.___________________________________________________________________________ MÓDULO XXIV 2. da Constituição Federal estabelece quecompete aos Municípios instituir imposto sobre “transmissão inter vivos. o espaço aéreo e o subsolo (art. Competência O artigo 156. IMPOSTO DE TRANSMISSÃO INTER VIVOS DE BENS IMÓVEIS (ITBI) 2. inciso II. de forma que não possa ser retirado sem 4/13 . I. inc. a qualquer título. Considerações • Imóveis por natureza: solo com sua superfície. por natureza ou acessão física. do CC). por ato oneroso.1. da Constituição Federal. e de direitos reais sobre imóveis. Sujeito Ativo Sujeito ativo do Imposto de Transmissão Inter Vivos de Bens Imóveis é o Município. bem como cessão de direitos a sua aquisição”. e nos artigos 35 a 42 do Código Tributário Nacional. exceto os de garantia. O Imposto de Transmissão Inter Vivos de Bens Imóveis (ITBI) está disciplinado no artigo 156. 2. 2.

para certo fim (art. cujo proprietário perde o exercício de alguns de seus direitos dominicais ou fica obrigado a tolerar a utilização do seu prédio (serviente) pelo dono do prédio dominante. e tem por objetivo substituí-la. por lei ou por livre acordo entre cedente e cessionário. anual. com características semelhantes à enfiteuse. do domínio útil do imóvel a terceiro.431 do CC). II. • servidão: restrição imposta a um prédio. do CC). modificação.257/01). fica instituído o Direito de Superfície. certo e invariável (art. • usufruto: direito real de fruir as utilidades e os frutos de um bem. os edifícios e as construções (art. do Novo Código Civil.___________________________________________________________________________ MÓDULO XXIV destruição. • habitação: faculdade de residir num prédio alheio com a família (art. e a entrada em vigor. 746 do CC). em 2003. 695 do CC). pelo proprietário. 43. o qual pagará uma pensão ou foro. 10. 749 a 754 e 1. Cumpre salientar que. Direitos reais sobre bens imóveis: • Enfiteuse (ou aforamento): atribuição. inc. com a instituição do Estatuto da Cidade (Lei n. todavia temporário. 713 do CC). ou seja. enquanto temporariamente destacado da propriedade (art. 678 do CC). em troca de um imóvel que lhe é entregue (arts. • rendas constituídas sobre imóveis: contrato pelo qual uma pessoa obriga-se a fazer certa prestação periódica a outra. são os atos que levam a 5/13 . fratura ou dano. como a semente plantada.424 a 1. • cessão de direitos: feita por sentença judicial.

perceba os frutos e rendimentos do imóvel) e a hipoteca (devedor oferece bem imóvel em garantia ao credor. a qualquer título (compra e venda.4. usufruto. da Constituição Federal: § 2. para que esse. § 2. à própria transmissão do bem. substituindo a prestação que lhe era devida (art. 995 do CC).___________________________________________________________________________ MÓDULO XXIV pessoa que os recebe à aquisição do imóvel. servidões. nem sobre a 6/13 . exceto dinheiro. promessa de venda inteiramente quitada e transcrita no registro) ou os direitos reais sobre imóveis (enfiteuse. aforamento. Artigo 156. a qualquer título. equivalendo.º. 2. de bens imóveis): “I – não incide sobre a transmissão de bens ou direitos incorporados ao patrimônio de pessoa jurídica em realização de capital. portanto. Dação em Pagamento Recebimento pelo credor de coisa. independentemente de registro.º O imposto previsto no inciso II (transmissão inter vivos. 2. dação em pagamento. habitação e rendas expressamente constituídas sobre imóveis) e as cessões desses direitos reais. para assegurar o cumprimento de uma obrigação).5. em compensação da dívida. Não incide sobre direitos reais de garantia – anticrese (devedor entrega imóvel ao credor. Fato Gerador Fatos geradores do Imposto sobre Transmissão Inter Vivos de Bens Imóveis são quaisquer atos ou negócios jurídicos. por ato oneroso. que transfiram o bem imóvel.

locação de bens imóveis ou arrendamento mercantil”.5. na divisão do seu patrimônio. incorporação.___________________________________________________________________________ MÓDULO XXIV transmissão de bens ou direitos decorrentes de fusão. 7/13 .5. A transferência total implica extinção da sociedade cindida e a parcial. que se transformam em uma só.5. individualmente distintas. que por sua vez. salvo se. cisão ou extinção de pessoa jurídica. Trata-se de imunidade específica concedida pela Carta Magna.3. nesses casos. configurando.2. 2. sucede-lhes em todos os direitos e obrigações. com o objetivo de transferir parte do patrimônio de uma companhia a outra ou outras. 2. Cisão Cisão é instituto próprio de sociedade anônima. portanto. 2. a atividade preponderante do adquirente for a compra e venda desses bens ou direitos. Incorporação Incorporação é uma operação por meio da qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra.1. uma limitação ao poder de tributar do Município. Fusão Fusão é a reunião de duas sociedades. constituídas com essa finalidade ou já existentes.

compra desses para venda etc. do ponto de vista econômico. Base de Cálculo Base de cálculo é o valor venal dos bens ou direitos transmitidos (art.º e 2. no pressuposto de que elas imprimem eficiência às empresas.5. §§ 1.5. 38 do CTN).4. Ratio legis Analisando esse dispositivo.5. 8/13 .___________________________________________________________________________ MÓDULO XXIV 2.5. ou seja. locação de bens imóveis ou arrendamento mercantil – negócios de empresas que exploram loteamento de terrenos. 2.6. 2. valor do imóvel para compra e venda à vista. incorporação de edifícios de apartamentos.º. 2.6. se obtêm lucro com a atividade. segundo as condições usuais do mercado de imóveis. Logo. Exceção Se a atividade preponderante do adquirente for compra e venda desses bens ou direitos. do Código Tributário Nacional. Atividade preponderante É a definida no artigo 37. percebe-se a intenção de facilitar as incorporações e fusões.

são os adquirentes dos bens ou direitos transmitidos e os cedentes. 11.º. da Lei Municipal n. 9/13 . Sujeito Passivo Conforme estabelece o artigo 42 do Código Tributário Nacional. incisos I e II. 3. Conforme o artigo 6.8. Alíquota Observado o artigo 39 do Código Tributário Nacional.7. Competência Competente para instituir Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) é o Município. para efeito de aplicação de alíquota mais baixa. que distinguirá.133/92.1. deve-se respeitar o limite fixado em resolução do Senado Federal. as transmissões que atendam à política nacional de habitação. como dispuser a lei. nas cessões de direitos decorrentes de compromissos de compra e venda. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA (ISS) 3.___________________________________________________________________________ MÓDULO XXIV 2. regulamentada pelo Decreto n.154/91. 2. 31. contribuinte do imposto é qualquer das partes na operação tributada.

Base Legal • Artigo 156. • Artigos 71 a 73 do Código Tributário Nacional. 406/68. 3. não compreendidos no art. 406/68 com redação da Lei Complementar n. 155. inciso III. Os serviços dessa lista ficam sujeitos apenas ao Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS). O fornecimento de mercadorias com prestação de serviços não especificados na lista ficará sujeito ao Imposto Comercial sobre Mercadorias e Serviços (ICMS)(ver Súmula n. com ou sem estabelecimento fixo. 135.___________________________________________________________________________ MÓDULO XXIV 3.. II. Base de Cálculo De acordo com o modelo fornecido pelo Decreto-lei n.3.4. 156 e 167 do STJ). 56/87. Fato Gerador Fato gerador é a prestação habitual e remunerada. 163 do STJ).2. da Constituição Federal: “Compete aos Municípios instituir imposto sobre: .-lei n. 3. os Municípios podem organizar o Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza da seguinte forma: 10/13 . por empresa ou profissional autônomo.. definidos em lei complementar”. 406/68. Serviços que não constem da lista estão fora do campo de incidência do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza. revogados pelo Dec. III – serviços de qualquer natureza. ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadorias (ver Súmulas ns. de serviço incluído entre os listados pelo Decreto-lei n.

fixa ou variável.6. o Distrito Federal. • profissionais: (serviços pessoais). 128 do CTN). tomadoras dos serviços.º.___________________________________________________________________________ MÓDULO XXIV • serviços em geral: alíquota sobre o preço dos serviços (art. caput). as autarquias e empresas concessionárias de serviços públicos. empregados.: cobrança de importância periódica. se o profissional contratado não for estabelecido (art. 10). quando contratarem serviços de 11/13 . por mês ou por ano (art. médicos. autônomos – (art. Isenção Estão isentos do pagamento de Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza a União. 9. 3. § 1. § 3. • substituição tributária: há Municípios que atribuem às pessoas jurídicas. os Estados. Não são contribuintes os que prestam serviços em relação de emprego. • sociedade de profissionais: igual ao do item anterior. advogados etc. 3. consultivo ou fiscal. de sociedade (art. multiplicado pelo número de profissionais que nela trabalharem – sócios.º). 9.º). a ser pago pela sociedade.º. os trabalhadores avulsos. 9. os diretores e membros de conselhos.5.º. Contribuinte Contribuinte do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza é o prestador do serviço. o recolhimento do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza.

do STJ – REsp n.ª T. da 2.792/CE – rel.446 – ementa oficial). ISS. un. 3. tem-se como ocorrido o fato gerador naquele local onde efetivou-se a prestação do serviço. José Delgado – j.11.___________________________________________________________________________ MÓDULO XXIV execução. Min. Para fins de incidência de ISS. sendo exceção a construção civil cujo local será o da prestação do serviço (art. Ari Pargendler – j. 11 do Dec.10.: Município de Juazeiro do Norte – DJU 1.: Corpo de Vigilantes Particulares Ltda. Local do recolhimento. ISS. na falta desse. 3. 59. – Corpus e outro. 17. o do domicílio do prestador. Recurso especial não conhecido” (ac. 130. e os respectivos serviços de engenharia consultiva (art.7. da 1.8. do STJ – REsp n.1997 – Rectes. 406/68). ou.Jurisprudência • ISS – Local do recolhimento “Tributário. • ISS – Administradores de consórcios – Local da prestação de serviços “Tributário. 1. Município Competente para Cobrar Tributos . empreitada e subempreitada de obras hidráulicas ou de construção civil. em 2.ª T.1997. em 12/13 . un.797-SP rel. e não naquele em que captam a clientela. 2.-lei n. Recdo. 51. 12). Precedentes. Consórcios. Local da Prestação de Serviços Local da prestação do serviço tributado é o do estabelecimento prestador. administração. 3. p. As administradoras de consórcios estão sujeitas ao ISS no Município onde organizam suas atividades principais. Recurso improvido” (ac. Min.

do STJ – REsp.795 – ementa oficial).123-RS – rel. p. da 1. Recdo. e outros – DJU 1.1996.: Garavelo e Companhia Ltda. 13/13 . aquisição dos bens e sorteio dos consorciados.283 – ementa oficial).ª T. Recda. Min.: Distrito Federal. ‘a’. 20. in casu. Demócrito Reinaldo – j.: Realçar Administradora de Consórcio Ltda. Local da incidência.9. Recurso improvido.ª T.6.: Comabe Automação de Escritórios Ltda. 72. Decisão unânime” (ac. inclusive consórcios. 40. • ISS – Fato Gerador – Local da prestação do serviço “ISS – Local do fato gerador – Município – Decreto n. Min.398/SP – rel. da 1.1997. em todas essas etapas. un. em 6. considere como local da prestação do serviço o do estabelecimento prestador. • ISS – Local da Incidência “Tributário. 1. é o território do Município onde se realiza o serviço. O local do recolhimento do ISS incidente sobre a administração de bens ou negócios.1999. 406/68. p. un. 188.: Município de Caxias do Sul – DJU-e 1. cobrança de parcelas e respectivas contabilização. Recdos. 12. 135-136 – ementa oficial).1997 – Recte. Embora o art.1998 – Recte. – DJU 1. 10. n. 8. do STJ – REsp n. ISS. praticado no Município de Lins.3.: Município de Porto Alegre. pretende o legislador que referido imposto pertença ao Município em cujo território se realizar o fato gerador. O serviço de administração de consórcio compreende não só a coleta dos nomes dos interessados como a realização de reuniões.5.. e. Recurso provido” (ac. p.6. Garcia Vieira – j.11. ao qual cabe o poder de tributar. em 17.1996 – Recte.___________________________________________________________________________ MÓDULO XXIV 5.

155. I. onde se lê “art. no quarto parágrafo. da CF/88”. . na indicação do artigo. 150. leia-se art. da CF/88. I. Nascimento do Tributo.DIREITO TRIBUTÁRIO MÓDULO II – ERRATA No item 2.

148 da CF/88). CLASSIFICAÇÃO JURÍDICA DOS TRIBUTOS. 149 da CF/88). as seguintes: • empréstimos compulsórios (art. não são outras espécies tributárias. além das três espécies acima enumeradas. 1/1 . foram alterados. 145 da Constituição Federal. as contribuições especiais são tributos que podem ser exteriorizados como taxa ou imposto. compreendem. ou seja. recebendo a seguinte redação: Tributos. • Segundo uma corrente doutrinária os empréstimos compulsórios. pois espécies são somente as três do art. contribuições especiais (art. segundo a Constituição Federal._____________________________________________________________________________ ERRATA DIREITO TRIBUTÁRIO MÓDULO III Os parágrafos quarto e quinto do item 2.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful