Prof.

Marcelo Maciel de Almeida Graduado e pós-graduado em Linguística pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) Escola Estadual Paulo José Derenusson ³Vencendo desafios, conquistando vitórias´

VIDA E OBRA 

Nasceu em 10/02/1912, em Itabuna, na Bahia;  1927 ± repórter no ³Diário da Bahia´; recebe titulação no candomblé;  1931 ± aprovado na faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro. Escreve seu primeiro romance, ³O país do carnaval´;  Envolveu-se com o comunismo, tendo seu romance seguinte, ³Cacau´, sido apreendido por policiais. Passa tempo exilado na Argentina;  1936 ± 1937 ± preso por opor-se ao Estado Novo;  1933 ± casa-se com Matilde Garcia Lopes, sua primeira mulher. 

1934 ± Publica os romances ³Suor´ e ³Jubiabá´. Forma-se m Direito;  1936 ± Publicação de ³Mar Morto´, que recebe o prêmio Graça Aranha;  1937 ± Publicação de ³Capitães de Areia´;  1942 ± Publicação de ³A vida de Luís Carlos Prestes´ - tentativa de ajudar na anistia do comunista;  1944 ± Separa-se de Matilde;  1946 ± É eleito deputado do PCB, tendo seu mandato suspenso. Conhece Zélia Gattai, com quem passa a viver;  1958 ± Publicação de ³Gabriela, cravo e canela´;  Morre em 06/08/2001, aos 88 anos de idade.

JORGE AMADO E O MODERNISMO NO BRASIL
Jorge Amado é representante da segunda fase do Modernismo no Brasil, votada aos romances regionalistas ± relação do homem com o meio em que vive.

DIVISÃO TEMÁTICA DA OBRA DE
JORGE AMADO 1- Romances da Bahia: retratam a vida das classes oprimidas na cidade de Salvador. Obras: ³Suor´ (1934), ³O país do Carnaval´ (1931) e ³Capitães de Areia´ (1937). 2- Romances ligados ao ciclo do cacau: retratam a exploração dos trabalhadores rurais pela economia latifundiária do NE. Obras: ³Cacau´ (1933) e ³Terras do sem fim´ (1942). 3- Crônicas de costumes: reflexão sobre a vida, os amores e os costumes da sociedade. Obras: ³Jubiabá´ (1935), ³Mar morto´ (1936), ³Gabriela, cravo e canela´ (1958); ³Dona Flor e seus dois maridos´ (1967), ³Teresa Batista cansada de guerra´ (1973), ³Tieta do Agreste´ (1977) 

Narrativa dividida em 5 partes, cada uma aberta por uma lição de culinária de Flor, com exceção da quarta parte, aberta por um programa para o concerto de Teodoro e um intervalo.  Primeira parte: começa com a morte de Vadinho em pleno domingo de Carnaval. Vestido de baiana, ele cai enquanto dançava. Seu funeral é muito concorrido. Nele voltam as lembranças de todos sobre o falecido: os amigos de farra, as possíveis amantes, os conhecidos e principalmente da esposa, que lembra do marido infiel, cheio de lábia, espertalhão, jogador e malicioso. Na definição de um dos presentes no funeral, Vadinho µera um porreta'. O intervalo se trata da discussão que ocorreu na cidade sobre a autoria da elegia a Vadinho, poesia anônima picante. 

Segunda parte: A segunda parte passa-se durante o período de luto de Flor. Inconsolável com a morte de Vadinho, sua mãe volta para a cidade e a situação piora. Dona Rozilda é o mais perfeito modelo de sogra: odeia o genro, é chata, controladora, exibida e pretende sempre escalar na vida social. Passa a fazer intriga sobre o falecido com várias beatas, enquanto algumas poucas defendem-no. Em flashback, é mais detalhado o passado do casal. A mãe de Flor queria que as filhas se casassem com homens ricos. Vadinho apareceu. Eles se conheceram numa festa chique (Vadinho entrou de penetra, com a ajuda do tio) e começaram o namoro com a bênção de Dona Rozilda, até que ela descobriu quem era o genro. Mais tarde Flor sai de casa e se casa (de azul, porque não teve coragem de por o branco) e começa o casamento. Vadinho é um marido ausente, sempre gastando o dinheiro no jogo e com mulheres. Certa vez Flor quase adotou um menino que ela achava ser filho de Vadinho (Flor é estéril; o filho era do 'xaráµ). O capítulo termina com Flor colocando flores sobre o túmulo do falecido, superando melhor o passamento dele. 

Terceira parte: Flor está mais alegre, apesar de manter ainda a fachada de viúva. Todas as beatas competem para achar-lhe um bom pretendente e quem aparece é Eduardo, o Príncipe, calhorda que enganava viúvas para roubar-lhes as economias. Descoberto, Flor passa a se retrair. Seu sono torna-se mais agitado, seu desejo cresce na medida em que ela deixa os homens fora de sua vida pessoal. Mas então o farmacêutico Teodoro Madureira, respeitado solteirão, propõe casamento a Dona Flor e eles têm o mais casto dos noivados. O capítulo acaba com o casamento de Flor, desta vez aprovado por sua mãe (que havia saído da cidade no começo do capítulo; nem as outras beatas aguentavam Dona Rozilda). 

Quarta parte (lua-de-mel de Dona Flor): Teodoro é diferente do falecido em tudo. Fiel (não compreende mesmo quando uma cliente da farmácia levanta o vestido bem alto para tentá-lo), regular (sexo às quartas e sábados, bis aos sábados e facultativo às quartas) e inteligente, Teodoro trás a paz de volta à vida de Dona Flor. Toca fagote numa orquestra de amadores e o maestro compõe uma linda música para que Teodoro toque solo (o convite abre o capítulo). No dia do aniversário de casamento, após os convidados partirem, Flor vê Vadinho nu, como o viu na cama no dia de sua morte, a puxá-la e tentá-la. Ela se recusa naquele momento, fiel ao marido. Teodoro vai dormir e Vadinho sai logo depois, quando Flor ia procurá-lo. 

Quinta parte: Começa aqui a parte do livro que o deixou famoso: Flor, Teodoro e Vadinho vivendo em matrimônio ao mesmo tempo, Vadinho nu, invisível a todos menos a Flor. Esta sente-se dividida entre o esposo atual e Vadinho, mas este lhe diz que não há por que o estar: são colegas, casados frente ao juiz e ao padre. Flor vai aos poucos perdendo a resistência e chega a encomendar um trabalho para mandar Vadinho de volta para onde estava. Enquanto isso se passa Vadinho vai manipulando as mesas de jogo, favorecendo velhos amigos, levando Pellanchi Moulas, rei do jogo em Salvador, ao desespero e a todos os 'místicos' da Bahia para se livrar do azar. Vadinho só para quando seus amigos cansam.

Vadinho chega a fazer o milagre de expulsar a sogra quando ela chega de mala e cuia para ficar. Ele começa então a desaparecer e Flor se dá conta de que era por causa do feitiço por ela encomendado. Há uma batalha entre vários deuses contra Exu (o diabo, na igreja católica). A obra encerra-se com Flor andando feliz com Teodoro e Vadinho (nu, como sempre) ao seu lado, pelas ruas de Salvador. Esta parte acentua duas características gerais da obra: a religiosidade, que mistura ao mesmo tempo o catolicismo e o candomblé, pondo todas as figuras míticas das duas religiões junto e eficientemente simultâneas (característica da religiosidade baiana). Vadinho e Teodoro são metáforas para o id e o superego, respectivamente. Vadinho é rebelde, impulsivo, espontâneo e dado ao caos (no seu caso, o jogo); Teodoro é metódico e controlado ('Um lugar para cada coisa e cada coisa em seu lugar' é seu lema, pendurado na farmácia). Assim, a imagem de Flor pacificamente com os dois, totalmente feliz, invoca o ideal de equilíbrio entre os dois

DONA FLOR E SEUS DOIS MARIDOS NO TEATRO VERA CRUZ EM UBERABA

OUTRAS OBRAS DE JORGE AMADO ADAPTADAS PARA O CINEMA

REFERÊNCIA: 
http://www.brasilescola.com/literatura/jorgeamado.htm

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful