CESA – CENTRO DE ESTUDOS SOCIAIS APLICADOS DEPARTAMENTO DE ADMINISTRAÇÃO

ANA CAROLINA GONÇALVES NAVARRO

PRODUÇÃO E CONSUMO DE ALIMENTOS ORGÂNICOS EM LONDRINA

LONDRINA 2011

ANA CAROLINA GONÇALVES NAVARRO

PRODUÇÃO E CONSUMO DE ALIMENTOS ORGÂNICOS EM LONDRINA.

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Departamento de Administração do Centro de Estudos Sociais Aplicados da Universidade Estadual de Londrina como exigência para a obtenção do Grau de Bacharel em Administração, orientada pelo Professor Dr. Luiz Antônio Aligleri e coorientada pelo Professor Ms. Fábio Coltro

LONDRINA 2011

ANA CAROLINA GONÇALVES NAVARRO

PRODUÇÃO E CONSUMO DE ALIMENTOS ORGÂNICOS EM LONDRINA.

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Departamento de Administração do Centro de Estudos Sociais Aplicados da Universidade Estadual de Londrina com exigência para a obtenção do Grau de Bacharel em Administração

COMISSÃO EXAMINADORA

____________________________________ Prof. Dr. Luiz Antônio Aligleri Universidade Estadual de Londrina

____________________________________ Prof. Lisiane Freitas Universidade Estadual de Londrina

____________________________________ Prof. Radeli Leatti Campos Universidade Estadual de Londrina

Londrina, 20 de Junho de 2011.

Aos meus pais e familiares pela confiança. Aos meus amigos por toda ajuda e companheirismo. .A Deus pela presença constante em minha vida. apoio e incentivo para que esta etapa fosse cumprida.

por me ajudar sempre que precisei. por ter sido tão guerreira e fazer tudo que esteve ao seu alcance para me dar as melhores condições para tornar real este sonho. os quais serão inesquecíveis. sendo a base para eu conseguir alcançar meus objetivos. Por todas as palavras de força e incentivo. Agradeço em especial a minha mãe. Obrigada por me acalmar nos inúmeros momentos de desespero e transmitir essa sua tranquilidade. obrigada pela sua preocupação comigo. Tia. que tornaram esta caminhada um tanto quanto mais fácil. Ao meu orientador. Ema. pelo carinho. primeiramente. A uma pessoa muito especial. pela companhia e pela amizade sincera. Obrigada por fazer das minhas manhãs as melhores. confiança. por ter feito deste meu sonho o seu também. pois sem Ele nada é possível. por terem me dado condições de concretizar mais esta etapa de minha vida. Má muito obrigada pela sua ajuda na finalização do meu trabalho. Clóvis e Vilma. Fábio Coltro. Por não ter me deixado fracassar diante das dificuldades. Karen e Mayra. por ter acreditado em mim e por suas orações sempre tão valiosas. por ter permitido a realização deste sonho. Beatriz. por ter sido sempre tão presente. pois isso me fez sentir segura e confiante de que . mas que já não se encontra entre nós e faz muita falta: a minha querida e inesquecível “Tia Cema” (in memorian). por todos seus ensinamentos sábios. Diego. pelo carinho. Obrigada por ter transmitido esta fé viva que você tinha e me ensinar a acreditar cada dia mais em Deus. por ter me ensinado a ser forte e persistente mesmo quando as dificuldades são inúmeras. amor.AGRADECIMENTO A Deus. não há palavras que possam expressar a minha gratidão por esta sua atitude. E. por ter me adotado e sido sempre tão paciente e atencioso. Por também ter colocados pessoas tão queridas na minha vida. Aos meus pais. dedicação. por ter aceitado este desafio com tanto afinco. Aligleri. Vocês é a maior preciosidade que conquistei nestes quatro anos. atenção. Ao meu coorientador. Aos meus queridos amigos Aline. que estiveram presente durante estes quatros anos me dando força nos momentos mais difíceis e tristes e que compartilharam também dos melhores momentos de minha vida. Obrigada pela atenção.

paciência e incentivo nas diversas etapas do trabalho. E aos professores do Curso de Administração por transmitirem seus conhecimentos tão valiosos. Ao Wagner e a Mariana. Obrigada pela atenção. A todos aqueles que diretamente ou indiretamente colaboraram para a conclusão deste trabalho. E os que de alguma forma passaram pela minha vida e contribuíram para a formação de quem sou hoje. mas com a ajuda de vocês tornou-se imensamente prazerosa. Obrigada pela boa vontade. que foram imprescindíveis na finalização deste trabalho. paciência e a maneira carinhosa com que me trataram. mesmo sem conhecê-los. que possibilitam a minha formação profissional e a conclusão de mais uma etapa de minha vida. os quais foram alicerces para chegar até aqui. . Muito obrigada por tudo! A todos aqueles que disponibilizaram um tempo para ser entrevistados e transmitiram informações tão valiosas para a conclusão e êxito deste estudo. Sem a ajuda de vocês não teria conseguido realizar as pesquisas no tempo programado. pois sem a sua ajuda jamais teria conseguido atingir este objetivo. que transmitiram conhecimentos intelectuais e humanos. desde as séries primárias. dedicação. A todos os professores. Essa fase foi bastante conturbada.tudo ia dar certo.

Por isso. e o progresso da ciência está bem mais adiantado que seu comportamento ético."O homem é um animal com instintos primários de sobrevivência. seu engenho desenvolveu-se primeiro e a alma depois." Charles Chaplin .

Produção e consumo de alimentos orgânicos em Londrina. respectivamente. 2011. RESUMO O presente estudo investigou os fatores que impulsionam e limitam o consumo de produtos orgânicos. Contatou-se que o fator limitante para o consumo de produtos orgânicos é o preço. o objetivo desse trabalho foi identificar os fatores que dificultam a produção e consumo de produtos orgânicos em larga escala em Londrina.NAVARRO. que utilizou como forma de coleta as entrevistas e os questionários semi-estruturados a partir de amostra não probabilística por conveniência e amostra probabilística estratificada. descritivo e quanti-qualitativo. produção em larga escala. Londrina. Palavras chave: Produtos orgânicos. Ana Carolina Gonçalves. De maneira geral. bem como as dificuldades encontradas na produção orgânica. 2011. logística e mão de obra. . Trata-se de um estudo exploratório. E os fatores que dificultam a produção orgânica em larga escala foram recurso financeiro direcionado para o período de transição. seguido da dificuldade de acesso e variedade de produtos disponíveis. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Administração) – Universidade Estadual de Londrina. 193 p. Foram entrevistados 6 pessoas incluindo produtores orgânicos. consumo sustentável. varejistas e pessoas influentes no assunto e 260 consumidores.

NAVARRO, Ana Carolina Gonçalves. Production and consumption of organic food in Londrina. 2011. 193 pages. Final Essay Management GraduationProgram – Universidade Estadual de Londrina, Londrina, 2011.

ABSTRACT

The study investigated the factors that drive and limit the consumption of organic products as well as the difficulties encountered in organic production. In general, the objective was to identify factors that hamper the production and consumption of organic products in large scale in Londrina. This is an exploratory, descriptive and quantitative and qualitative, which used as a method of collecting interviews and semi-structured questionnaires from non-probability convenience sample and stratified probability sample, respectively. We interviewed 6 people including organic producers, retailers and influencers in the subject and 260 consumers. It was noted that the limiting factor for the consumption of organic products is price, followed by difficulty of access and variety of products available. The factors hindering the largescale organic production were directed financial resources for the period of transition, logistics and manpower. Key words: Organic products, large scale production, sustainable consumption.

LISTA DE ILUSATRAÇÕES

Figura 1 - Café Terrara embalado Figura 2 - Selo do produto orgânico - Selo SISORG Figura 3 - Alfarroba em pó Figura 4 - Gotas de alfarroba Figura 5 - Alfarroba em tablete Figura 6 - Alfarroba em bombom Figura 7 - Mata ciliar e rio do Sítio Casa Branca Figura 8 - Terra em descanso coberta por adubo orgânico Figura 9 - Esterco de vaca Figura 10 - Nim – planta de origem asiática Figura 11 - Plantação de alface crespa juntamente com o mato Figura 12 - Repolho Figura 13 - Plantação de tomatinhos Figura 14 - Pé de mexerica Figura 15 – Vaca leiteira do Sítio Casa Branca Figura 16 – Produção dos derivados do leite Figura 17 – Cesta da Cia Verde Produtos Orgânicos Figura 18– Kombi plotada da Cia Verde Produtos Orgânicos Figura 19 – Produtos colhidos e embalados para ser comercializados

150 150 151 151 151 152 170 171 172 173 174 174 175 175 176 177 179 180 181

LISTA DE QUADROS

Quadro 1 – Cálculo da amostra estratificada Quadro 2 – Amostra do estudo Quadro 3 – Relação de questionários aplicados e locais Quadro 4 – Cronograma de atividades Quadro 5 – Orçamento do Projeto Quadro 6 – Visões do comportamento do consumidor Quadro 8 – Escolas em Agricultura Ecológica Quadro 9 – Escolas em Agricultura Ecológica Quadro 10 – Sistemas de garantia de qualidade Quadro 11 – Definição do produto orgânico Quadro 12 – Identificação do produto orgânico Quadro 13 – Produtos difíceis de encontrar

23 23 25 26 27 34

Quadro 7 – Características dos consumidores de produtos orgânicos no Brasil 42 48 49 60 67 67 78

LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 – Você consome produtos orgânicos? Gráfico 2 – Motivos que impedem o consumo de produtos orgânicos Gráfico 3 – Consumo de Produtos Orgânicos X Frequência de Consumo Gráfico 4 – Consumo de Produtos Orgânicos X Saúde Gráfico 5 – Consumo de Produtos Orgânicos X Meio Ambiente Gráfico 6 – Consumo de Produtos Orgânicos X Sabor Gráfico 7 – Consumo de Produtos Orgânicos X Preço Gráfico 8 – Consumo de Produtos Orgânicos X Dificuldade de Acesso Gráfico 9 – Consumo de Produtos Orgânicos X Variedade Gráfico 10 – Consumo de Produtos Orgânicos X Divulgação na Mídia Gráfico 11 – Tipo de produtos orgânicos de maior consumo Gráfico 12 – Local onde compra os produtos orgânicos Gráfico 13 – Gênero Gráfico 14 – Consumo de Produtos Orgânicos X Gênero Gráfico 15 – Idade Gráfico 16 – Consumo de Produtos X Orgânicos Idade Gráfico 17 – Estado Civil Gráfico 18 – Grau de Escolaridade Gráfico 19 – Consumo de Produtos Orgânicos X Escolaridade Gráfico 20 – Renda Familiar Gráfico 21 – Consumo de Orgânicos X Renda 67 69 70 71 72 73 74 75 76 77 78 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89 .

International Organization for Standardization (Organização Internacional para Padronização) MAPA – Ministério da Agricultura. Declaração de Cadastro de OCS .Fundação Mokiti Okada OGM – Organismos Geneticamente Modificados ONG´S – Organizações Não Governamentais PEC – Pesquisa Científica PRONAF – Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SENAR – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SISORG – Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica TCC – Trabalho de Conclusão de Curso TECPAR – Instituto de Tecnologia do Paraná UEL – Universidade Estadual de Londrina . Pecuária e Abastecimento.Cooperativa de Crédito Rural com Interação Solidária CSD – Comissão para Desenvolvimento Sustentável Coords. ISO .LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS AO – Agricultura Orgânica CRESOL . – Coordenadores COAFAS . MOA .Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IFOAM – International Federation of Organic Agriculture Movements (Federação Internacional dos Movimentos de Agricultura Orgânica).Declaração de Cadastro de Produtor Vinculado a Organização de Controle Social CTA – Centro de Treinamento Agrícola EMATER – Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária FAEP – Federação da Agricultura do Estado do Paraná IBGE . Comercialização e Turismo Rural na Agricultura Familiar do Norte do Paraná.Cooperativa Solidária de Produção.

7 CRONOGRAMA 1.2 Resistência ideológica 2.5.5.1 Tipo de Pesquisa 1.3.3 JUSTIFICATIVA DA MODALIDADE ESCOLHIDA 1.2.2 Desafios à Ampliação da Produção Orgânica 2.1 CONSUMO E CRÍTICA AO CONSUMO 2.5 METODOLOGIA 1.2 População e Amostra 1.3 Consumidor de Produtos Orgânicos 2.1.4 OBJETIVO 1.1 Objetivo Geral 1.2 CONTEXTO HISTÓRICO DA AGRICULTURA 2.2.2 RELEVÂNCIA DO ESTUDO 1.4 Definição legal e certificação da produção orgânica 28 28 33 38 41 44 45 47 50 52 54 55 56 57 57 .2 O Contexto da Agricultura Ecológica 2.4 Instrumento de Análise de Dados 1.5.1 Comportamento do Consumidor 2.3.1 JUSTIFICATIVA 1.SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO 1.3.4.1.1 A Revolução da Química Agrícola 2.3.3 Treinamento dos técnicos e dos agricultores 2.3 Coleta de Dados 1.2 Consumo Sustentável 2.3 PRODUTOS ORGÂNICOS 2.5.4.3.2.2.8 ORÇAMENTO 16 17 18 19 20 20 20 20 21 22 24 25 25 26 27 2 REVISÃO DE LITERATURA 2.2.1 Contexto da Produção de Orgânicos no Brasil 2.6 LIMITES DA PESQUISA 1.1 Políticas agrícolas 2.1.2 Objetivos Específicos 1.2.3.

6 Certificação e Custo 4.9 Como os agricultores e a sociedade vêem o trabalho agrícola 2.8 Incentivos à Produção Orgânica 4.10 Produção Orgânica em Larga Escala 4.5 Custos na produção orgânica 2.2.7 Dificuldades na Produção Orgânica 4.2.8 Reeducação do consumidor 2.5 Embalagem dos Produtos Orgânicos 4. Duração do Processo Produtivo e Produtos Ofertados 4.2.2.Roteiro de entrevistas APÊNDICE C .3.2.3.3.2.2.2.2.2.1 QUANTITATIVOS 4.3.1 Perfil Socioeconômico do Consumidor de Produtos Orgânicos 4.2.10 Estreitamento do vínculo do agricultor com a terra e dos vínculos dos envolvidos na produção entre si 61 62 62 64 64 65 3 RESULTADOS 67 4 ANÁLISE DE RESULTADOS 4.9 Educação do Consumidor 4.2.4 Logística dos Produtos Orgânicos 4.6 Estruturas de comercialização 2.7 Investigação agrícola 2.2.2.2.3 ANÁLISE QUALITATIVA E QUANTITATIVA 90 90 94 94 97 103 107 111 113 116 122 127 129 133 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 136 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 139 APÊNDICES APÊNDICE A – Questionário APÊNDICE B.Entrevista na Ville Nature – Café e Conveniência 142 143 145 146 .2.3.3 Culturas Cultivadas.2.3.2 Produção Orgânica 4.2 QUALITATIVOS 4.

APÊNDICE D .Entrevista com o Engenheiro Agrônomo da EMATER APÊNDICE G .Lei 16751.Resolução N°39.Entrevista na Chácara Recanto de Paula APÊNDICE E .Entrevista com o Engenheiro Agrônomo da Igreja Messiânica de Londrina 183 ANEXOS ANEXO A .Entrevista no Sítio Casa Branca .Cia Verde Produtos Orgânicos 155 159 164 169 APÊNDICE H . de 29 de Dezembro de 2010.Entrevista na Orgânica Bistrô APÊNDICE F . § 5º do Artigo 71 da Constituição Estadual 188 189 192 . de 26 de Janeiro de 2010 ANEXO B .

Com isso o consumidor está se conscientizando e buscando por produtos que garanta uma alimentação saudável e preserve o meio ambiente Neste cenário surge a agricultura orgânica como uma alternativa. Para aumentar a produtividade e a redução de custos da produção são aplicados diversos recursos à agricultura. Além do aspecto relacionado à saúde. verifica-se a problemática ambiental. diante dos estudos a cerca deste tema percebe-se que houve um crescimento do mercado orgânico nos últimos anos. principalmente. através de estudos na área. Nessa perspectiva. Diante desta situação. rios. Na agricultura orgânica pode visualizar a valorização do agroecossitema e da mão de obra. Pode-se obervar o uso intensivo de produtos químicos. quando é utilizada uma quantidade acima do recomendado e/ou quando não é respeitado o período de carência do produto. a agricultura orgânica não é entendida como um negócio. preservando os recursos ambientais para melhorar a qualidade da alimentação e de vida dos produtores e dos consumidores. No entanto. inseticidas e adubos. e não apenas como fator de produção para se alcançar o lucro. Pois. e na agricultura não é diferente. a contaminação química ocorre. com a saúde daqueles que produz e com a preservação ambiental. os métodos de cultivo orgânico buscam criações e cultivos autossustentáveis.16 1 INTRODUÇÃO Nos dias atuais vivemos em uma sociedade onde há uma busca incessante por atividades que maximizam o lucro. A agricultura orgânica preocupa-se com a segurança dos alimentos a fim de garantir uma alimentação saudável. produtos geneticamente modificados. na qual preconiza a substituição dos insumos químicos por insumos orgânicos. contatou-se que o uso demasiado destes produtos na agricultura podem deixar grandes quantidades de resíduos nos alimentos causando inúmeras doenças nas pessoas que os consomem. Entretanto. E. Tanto o meio ambiente quanto o homem são considerados integrantes do sistema produtivo. na qual a agricultura convencional provoca a degradação ambiental. mas como uma filosofia de vida. o consumidor tem sido informado diariamente sobre os malefícios causados pelo uso descontrolado dos insumos e defensivos químicos. este mercado ainda . poluindo solos. Assim. ar.

Em função dessa problemática ambiental. as empresas buscam por novas estratégias que possam adequar suas atividades à preservação ambiental. pelo aumento populacional. O consumo desenfreado está atingindo o ecossistema. intermediários e consumidores de produtos orgânicos de Londrina. percebe-se o surgimento do consumo consciente.17 é pequeno e restrito a alguns segmentos da sociedade. o problema que este trabalho propõe a investigar consiste em buscar uma resposta para a questão: quais os fatores que dificultam a produção e consumo dos produtos orgânicos em larga escala na cidade de Londrina? 1. E neste contexto. estilo de vida e pelo consumismo. mesmo o consumidor desejando consumir alimentos livre do uso de agrotóxicos e demais insumos químicos. os recursos naturais não terão capacidade para suprir as demandas e em pouco tempo muito dos nossos recursos naturais estarão esgotados. Com isso. A dimensão do mercado orgânico ainda é pequena por conta das inúmeras dificuldades que o produtor orgânico enfrenta no processo produtivo. assim como muitos desses já deixaram de existir. Nesse sentido. E para se adequar as novas exigências do consumidor. Sendo assim. porém são . a exploração irracional dos recursos naturais deve ser repensada. na qual a decisão de compra está relacionada com a preservação do meio ambiente.1 JUSTIFICATIVA No cenário atual nos deparamos com a destruição ambiental causada. este estudo pretende realizar uma pesquisa científica com os produtores. em sua maioria. aquele por sua vez não é ambientalmente correto. Se os padrões de consumo forem mantidos. surge o consumidor sustentável. Alguns trabalhos acadêmicos já se dedicaram às questões de deterioração do meio ambiente e a busca por um consumo sustentável. com isso a quantidade e a variedade de produtos orgânicos disponíveis ao consumidor tornam-se restrita contribuindo para o preço elevado dos mesmos.

empresários. que poderão ser utilizados para beneficiar os produtores. social e na área da saúde. o estudo ainda é relevante em três aspectos: ambiental. incentivando-os a movimentar o mercado de produtos orgânicos. pode-se observar que muito tem se falado dos problemas ambientais causados pela agricultura convencional. consumidores e estudiosos da área. 1. e consequentemente trazer benefícios para o meio ambiente. este trabalho pretende trazer informações importantes a serem utilizadas por produtores. informando-os da importância do consumo ecologicamente correto e seu impacto no meio ambiente de forma que possa estar contribuindo para preservá-lo e garantir que as futuras gerações tenham condições de sobrevivência. da água e do ar. pois tem o intuito de identificar as causas que dificultam a cadeia dos produtos orgânicos. que tem como aliado os agroquímicos. Estes produtos contribuem para a degradação e contaminação do solo. Nessa perspectiva. Sendo assim. a produção e o consumo. proporcionando conhecimentos que poderão ser utilizados para tornar disponíveis maiores quantidade de produtos orgânicos ao consumidor. e estudiosos. Com isso o presente trabalho torna-se relevante. empresários que atuam no ramo de supermercados e atacadistas. promover continuamente a geração de conhecimento. de forma que amplie o conhecimento a respeito do tema e possa promover ações em prol da sociedade e meio ambiente e perceber as lacunas existentes que merecem atenção. irá contribuir para formação de conhecimento na área de produtos ecologicamente corretos. consumidores. além de estar cuidando da saúde. Na esfera ambiental. Todavia. assim.18 poucos pesquisadores que buscaram por medidas que possam proporcionam o consumo sustentável em larga escala e indicar os fatores que aumentam a produção de alimentos ecologicamente corretos.2 RELEVÂNCIA DO ESTUDO O presente estudo como mencionado anteriormente. que possam viabilizar a comercialização em grande volume e tornar acessível à maior quantidade de consumidores. a agricultura orgânica surge como a solução dos problemas ambientais causados pela agricultura .

em sua maioria é caracterizada por diversas culturas. pois esta visa geração de novos conhecimentos que possam trazer benefícios para a comunidade. a produção orgânica. na qual a maioria dos consumidores associa o consumo de alimentos orgânicos aos cuidados com a saúde. Assim. pois esta exigem maiores cuidados. o trabalho tem como objetivo investigar sobre a problemática apresentada e contribuir para geração de novos conhecimentos a cerca do tema proposto pelo estudo. por esta e outras razões os agricultores têm-se mudado para o meio urbano. Na esfera social. a agricultura orgânica busca fomentar a fixação do homem no campo.19 convencional. a sociedade em geral está em alerta com as doenças causadas pela utilização de agroquímicos na produção de alimentos. Desta forma. que diariamente mata centenas de pessoas. que geralmente residem próximo da área de cultivo. este trabalho se propõe a realizar um estudo exploratório sobre as dificuldades de produção e consumo de produtos orgânicos em larga escala. sendo causado. a modalidade que mais se adéqua aos objetivos do trabalho é a Pesquisa Científica (PEC). Portanto. Assim. Tendo como principal alarmante o câncer. a partir da utilização insumos biológicos e/ ou vegetais no manejo das culturas. tem-se que nos dias atuais. sendo cultivada por pequenos produtores. . os produtos orgânicos tornam-se uma alternativa de prevenção de várias doenças. a maioria dos produtores possui grandes áreas de plantio de monocultura. na maioria das vezes. que torna dispensável a presença do homem diariamente nas culturas. pelo uso intensivo dos agroquímicos. 1.3 JUSTIFICATIVA DA MODALIDADE ESCOLHIDA Como mencionado anteriormente. e somente aqueles mais informados percebem a importância desses produtos para o meio ambiente. Com isso. Já na esfera da saúde.

Dionne (1999. enfrentam. Assim.2 Objetivos Específicos a) Identificar o perfil dos consumidores de produtos orgânicos de Londrina.1 Objetivo Geral Identificar os fatores que dificultam a produção e consumo de produtos orgânicos em larga escala em Londrina.4. válidos”. para Laville. e) verificar os motivos que impedem a produção de alimentos orgânicos em larga escala. c) identificar os fatores que não permitem o consumo em larga em escala de alimentos orgânicos na cidade de Londrina. da região de Londrina. 1.5 METODOLOGIA A apresentação de um método de pesquisa é de fundamental importância para que sejam expostos todos os passos detalhadamente. d) identificar as dificuldades que os produtores de alimentos orgânicos.4. p. 1.11) “é imprescindível trabalhar com rigor.20 1. com método. dos procedimentos adotados ao longo do trabalho. b) identificar os fatores que impulsionam a compra de alimentos orgânicos dos consumidores de Londrina. para assegurar a si e aos demais que os resultados da pesquisa serão confiáveis.4 OBJETIVOS 1. .

pois terá como principal finalidade registrar.] envolve: levantamento bibliográfico. artigos científicos e revistas científicas.] e uma de suas características mais significativas está na utilização de técnicas padronizadas de coleta de dados. A pesquisa qualitativa foi realizada a partir de entrevistas com o Engenheiro Agrônomo da Igreja Messiânica de Londrina.67).. p. consumidores e varejistas de alimentos orgânicos. 42): As pesquisas descritivas têm como objetivo primordial a descrição das características de determinada população ou fenômeno ou. pontos de vista e preferências que as pessoas têm a respeito de algum assunto.. p. além de descrever e compreender em profundidade os problemas enfrentados na produção e consumo de produtos orgânicos. analisar e relacionar variáveis sem manipulá-las. Segundo Selltiz et al (1967 apud GIL 2007. descritiva e quanti-qualitativa. então. atitudes e analisar condições de consumo e produção. torna-se necessária revisão empírica a partir de livros. com Engenheiro Agrônomo da EMATER (Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural) de Londrina. com a proprietária do restaurante Orgânica Bistrô. portanto.” A pesquisa também tem um caráter descritivo. com o objetivo de tomar decisões”. (CERVO. “a pesquisa de opinião procura saber atitudes. Tendo em vista que a pesquisa busca levantar opiniões. entrevistas com pessoas que tiveram experiência prática com problema pesquisado. este estudo será quanti-qualitativo.21 1. [.1 Tipo de Pesquisa A metodologia de pesquisa utilizada nesse trabalho será exploratória. com vistas a torná-lo mais explícito. p.5. Nilson Roberto Ladeia Carvalho. [. E dentre as diversas formas da pesquisa descritiva. o estabelecimento de relações entre as variáveis... tais como questionários. portanto. o senhor Gilberto Yudi Shingo. dos produtores. Trata-se de um estudo exploratório por ser realizado em uma área de pouco conhecimento e ser relativamente nova. esta se classifica como uma pesquisa de opinião. De acordo com Gil (2007.. o produtor Jorge de . 2002..41) “esta pesquisa tem como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema. Rosana Andrade.

. com idade entre 15 e 74 anos. 70) “O método quantitativo representa. em princípio. podem vir de várias fontes.] os dados.2 População e Amostra Segundo Richardson (2008. Já a pesquisa do tipo quantitativa foi realizada com 260 consumidores dos produtos orgânicos com o objetivo de verificar os fatores que impulsionam e limitam a compra destes produtos.650. Rejane Tavares Aragão.833 habitantes (IBGE.000 consumidores (IBGE. 2007). e a sócia da cafeteria Ville Nature. documentos.5. Portanto. p. para poder melhor compreender como acontece à produção dos produtos orgânicos.. p.” E. 306) este tipo de amostragem: . A pesquisa com os produtores e varejistas de produtos orgânicos foi qualitativa e utilizou amostra não probabilística por conveniência contendo 6 elementos. tais como entrevistas. 1. para Oliveira (2004) o método quantitativo é muito utilizado no desenvolvimento das pesquisas descritivas e também empregado no desenvolvimento das pesquisas de opinião. Para Strauss e Corbin (2008. De acordo com Richardson (2007. De acordo com Malhotra (2001. as dificuldades enfrentadas no processo produtivo e na comercialização. evitar distorções de análise e interpretação. 157) “população é o conjunto de elementos que possuem determinadas características”. varejistas e consumidores de produtos orgânicos de Londrina. consequentemente. possibilitando. A pesquisa foi realizada na cidade de Londrina. [. O objeto de pesquisa são os produtores. p. 21-22) a pesquisa qualitativa “produz resultados não alcançados através de procedimentos estatísticos ou de outros meios de quantificação. p. a pesquisa quantitativa possui uma população de aproximadamente 322.809 Km² e uma população de 497. uma margem de segurança quanto às inferências.22 Paula. localizada no norte do Paraná. a intenção de garantir a precisão dos resultados. observações. registros e filmes”. 2007). E utilizará uma amostra não probabilística. O município possui uma Área de 1. o produtor Leandro Ribeirete Garcia.

06% T O T AL 321. entretanto. organizados pela faixa etária.220 33. fáceis de medir e cooperadoras. A pesquisa com os consumidores de produtos orgânicos foi quantitativa. (IBGE) % Até 25 85.] De todas as técnicas de amostragem. A seleção é deixada em grande parte a cargo do entrevistador. isso ocorre devido a taxa de não respostas por parte dos consumidores e muitos questionários tiveram de ser inutilizados por conta do preenchimento incompleto. [. verifica-se que a amostra conseguida no estudo foi menor que a planejada.23 Procura obter uma amostra de elementos convenientes. Amostra 102 129 115 38 384 Após os dados coletados. ou seja. As unidades amostrais são acessíveis.551 100% Quadro 1: Cálculo da amostra estratificada.. ficando assim distribuída: Faixa Etária Total Habit.13) adaptado.328 10.098 26.905 30% Acima de 60 32. a amostragem por conveniência é a que menos tempo consume e a menos dispendiosa.66% 46 a 60 95. . Fonte: Morya (2007 apud Patton 2008.00%. verificou-se que a amostra apresentou as seguintes características: Faixa Etária Amostra Até 25 82 De 26 a 35 64 De 36 a 45 62 De 46 a 60 47 Acima de 60 5 Total 260 Quadro 2: Amostra do estudo Fonte: Dados da Pesquisa De acordo com o quadro 2.47% 26 a 35 108. possuísse as mesmas características da população estudada. p. Para o cálculo da amostra utilizou grau de confiança de 95% e margem de erro de 5. e para que a amostra fosse mais representativa.. foi necessário dividir a amostra em estratos.

foram realizados 15 pré-testes para avaliar o instrumento de pesquisa com os consumidores. E realizou-se um pré-teste com roteiro de entrevista dos produtores e varejistas. que possibilitou o levantamento de informações. Antes da aplicação definitiva dos questionários. a proprietária da Orgânica Bistrô.5. A partir das dificuldades de interpretação de algumas questões por parte dos respondentes houve a necessidade de reestruturação do questionário e alteração na redação das questões. Nesta fase utilizou-se questionários semi-estruturado para entrevistar os produtores e varejistas de produtos orgânicos e questionário estruturado para entrevistar os consumidores de produtos orgânicos. nos seguintes locais.24 1. E para obter os dados necessários sobre o consumidor de alimentos orgânicos. descritos no quadro 3: . foram aplicados 260 questionários com consumidores do dia 10 de abril de 2011 ao dia 29 de maio de 2011. um Engenheiro Agrônomo da Emater. As seis entrevistas aconteceram entre os dias 19 de abril de 2011 e 09 de maio de 2011.3 Coleta de Dados A coleta de dados é fase da pesquisa que se obtém os dados da realidade. o Engenheiro Agrônomo da Igreja Messiânica de Londrina e a sócia da cafeteria Ville Nature. Para obter os dados necessários sobre a produção e comercialização dos produtos orgânicos foram entrevistados: dois produtores de orgânicos. na qual não houve necessidade de modificação.

Pode-se citar a dificuldade de . E.6 LIMITES DA PESQUISA Durante a pesquisa encontrou-se alguns fatores que limitaram a realização da mesma e a obtenção dos resultados. 2008. que “consiste na combinação de metodologias diversas no estudo de um fenômeno.4 Instrumento de Análise de Dados Os dados coletados utilizando a amostragem probabilística estratificada foram tabulados. LAKATOS. 283) 1. Tem por objetivo abranger a máxima amplitude na descrição.25 RELAÇÃO DE QUESTIONÁRIOS APLICADOS E LOCAIS Local Feira São Paulo Feira Alagoas Feira Souza Naves Feira Santos Feira Vila Yara UEL Total Quantidade 40 40 60 40 40 40 260 Quadro 3: Relação de questionários aplicados e locais Fonte: Dados da Pesquisa 1. p.5. explicação e compreensão do fato estudado” (MARCONI. submetidos à análise estatística e representação gráfica para poderem ser discutidos e relacionados com a revisão de literatura e com as entrevistas realizadas neste estudo. para melhor compreensão dos fatos estudados utilizar-se-á da técnica de triangulação para analisar conjuntamente os dados qualitativos e quantitativos. Com os dados coletados através da amostragem não probabilística foram feitas análises do discurso.

Realização das entrevistas 6. ficando mais concentrada na região central.Preparação da apresentação Ago Ano 2010 / 2º Sem Set Out Nov Dez Ano 2011 / 1º Sem Mar Abr Mai Jun 10.26 acesso a determinados locais importantes para conseguir os dados referentes ao perfil e comportamento do consumidor. diante deste fator foi impossível aplicar a pesquisa em todas as regiões da cidade de Londrina.7 CRONOGRAMA Atividades Previstas 1.Leitura e resenha de livros.Supervisão 3. como por exemplo.Aplicação das pesquisas 7. Também podemos salientar o tempo disponibilizado para realizar o estudo.Elaboração dos instrumentos de pesquisa 5. a dificuldade de acesso aos supermercados da cidade de Londrina.Tabulação e análise dos dados 8.Elaboração do relatório final 9. artigos e revistas 4.Preenchimento inicial da documentação de estágio 2. 1. Outro fator limitante é a dispersão dos consumidores.Apresentação para banca examinadora Quadro 4: Cronograma de atividades Fonte: A autora .

Planejamento Xerocópias 2 .27 1.00 5.8 ORÇAMENTO Fases 1 . interpretação e apresentação Serviços de impressão Gravação Outros T O T AL Valor (R$) 25.00 Quadro 5: Orçamento do Projeto Fonte: A autora .00 70.Coleta de Dados Serviços de impressão Xerocópias Manutenção de veículo para transporte 3 .Análise.00 60.00 5.00 30.00 100.00 295.

que nos fornece as matérias-primas para a produção de tudo o que consumimos. portanto. porque ao adquirirmos algo. E por fim. temos que decidir o que consumir. normalmente. mais ainda. Esta revisão de literatura é importante no sentido em que fornece suporte teórico aos tópicos abordados neste trabalho. Também afeta a sociedade.28 2 REVISÃO DE LITERATURA Tendo em vista o suporte teórico à proposição de pesquisa feita. muitas vezes impulsivo. Isso se deve ao fato de que o assunto principal a ser tratado é produtos orgânicos. por que consumir. como consumir e de quem consumir. O mais comum é as pessoas associarem consumo a compras. A revisão de literatura realizou-se a partir da leitura de livros. Depois de refletir a respeito desses pontos é que partimos para a compra. A compra é apenas uma etapa do consumo. realizamos de modo automático e. primeiro em nós mesmo já que temos que arcar com as despesas do consumo e também nos beneficiamos do bem estar derivado dele. 2010) . mas incompleto. e. o impacto na economia. existe pouca literatura sobre o respectivo assunto. as trocas e as transformações provocadas pelo consumo. Depois. E após a compra. o impacto sobre a natureza. existe o uso e o descarte do que foi adquirido. porque é dentro dela que ocorrem a produção. O consumo provoca diversos impactos. periódicos e em sua maioria de artigos acadêmicos.1 CONSUMO E CRÍTICA AO CONSUMO Segundo o Instituto Akatu (2010) consumir implica em um processo de seis etapas que. o que está correto. é um tema recente nos meios acadêmicos. 2. este por sua vez. (INSTITUTO AKATU. Antes dela. pois não engloba todo o sentido do verbo. buscar-se-á nesta parte do trabalho uma revisão de conceitos a respeito dos assuntos e da abordagem desta pesquisa. movimentamos a máquina de produção e distribuição. ativando a economia.

fazendo uma crítica ao consumo. sendo este o ponto final do capitalismo. que gasta recursos escassos ou insubstituíveis. o que acontece é a destruição. 2010) Para Miller (2007). É hegemônica a sensação de que todos podem estar nele inseridos. Passou a fazer parte da cultura contemporânea. de que a produção nas indústrias ou agroindústrias acontece a partir da destruição dos recursos do mundo. de acordo com Porter (1993 apud Miller. descrito por Miller (2007): . mas precisamos aprender a produzir e consumir os bens e serviços de uma maneira diferente da atual. a percepção de consumo como uma atividade maligna já existe a muito tempo. p. não havendo muitas diferenciações. primeiramente. e vê isso. sendo uma prática bastante incentivada pelo sistema. (INSTITUTO AKATU. visto que o modelo hoje utilizado de produção e consumo contribuiu para aprofundar alguns aspectos da desigualdade social e do desequilíbrio ambiental. as maiorias dos acadêmicos que se dedicaram a escrever sobre o consumo associam o materialismo com o consumo moderno. e apenas consumir significa destruir o potencial para construir uma sociedade. Para tanto. sendo um perigo tanto para a sociedade como para o meio ambiente. como algo ruim. O consumo. sendo a produção vista como auxiliar secundário ao consumo. Assim. 2007. Isso fica evidente nos escritos do sociólogo francês Baudrillard (1988). pois estas constroem as relações sociais. a qual constrói o mundo”. Sendo poucos os que consideram o consumo de massa como uma abolição da pobreza ou um desenvolvimento.29 O consumo é um dos nossos grandes instrumentos de bem estar. de acordo com Munn (1986 apud MILLER. antes mesmo do consumo de massa moderno. o termo consumo significa usar algo ou ainda destruir a própria cultura material. encontra-se a abordagem ambientalista. Assim. 2007). Entretanto. mesmo que não possa ser efetivamente exercido. Entretanto. em primeira instância a partir da postura do consumidor. vários escritos marxistas foram desenvolvidos. 34-35) “o consumo tende a ser visto uma doença definhadora que se opõe à produção. Ainda sobre a perspectiva de que o consumo é sinônimo de destruição. E complementado esta idéia. está presente nas crenças e desejos existentes na vida humana e na natureza. os bens devem ser adquiridos por meio de trocas.

p. A felicidade constitui a referência absoluta da sociedade do consumo. na qual para ser o veículo do mito igualitário. E ainda. Tal é o poder do comércio de produzir mapas sociais baseados nas distinções entre bens. em que a felicidade surge primeiramente . nas sociedades modernas. revelando-se como o equivalente autêntico da salvação. A felicidade ostenta semelhante significado e função. a felicidade independente de sinos que poderiam manifestá-la aos olhos dos outros e de nós mesmos. viveríamos em um contexto onde o consumo invade a vida das pessoas. por exemplo. eles agora vinham a substituí-los.30 A difusão maciça de bens de consumo como atos de simbolização atingiu tal nível que. 37) E. a partir da tendência das sociedades democráticas para a intensificação do bem-estar.37) “essas críticas levaram. enquanto antigamente os bens representavam pessoas e relações. aquele que recolhe e encarna.” Baudrillard (2005) acreditou na existência de uma “sociedade de consumo”. A humanidade se transformou meramente nos manequins que ostentam as categorias criadas pelo capitalismo. p. A felicidade como fruição total e interior. simbolizando classe e gênero. por sua vez. induz consequências importantes quanto ao conteúdo. é preciso que a felicidade seja mensurável por objetos e signos. Este mito está lastrado desde a Revolução Industrial e as Revoluções do século XIX. Segundo ele. De acordo com Baudrillard (2005) todo o discurso sobre as necessidades baseia-se na propensão natural para a felicidade. que os consumidores de fato estão relegados ao papel passivo de meramente se encaixarem em tais mapas através da compra dos símbolos apropriados ao seu “estilo de vida”. a importância dos objetos cada vez mais é valorizada pelas pessoas. a uma caracterização do mundo moderno como um circuito sem fim de “signos” supérfluos levando a uma existência pós-moderna superficial que perdeu autenticidade e raízes. Surge do mito da felicidade. e foi transferida para a Felicidade. A força ideológica da noção de felicidade não deriva da inclinação natural de cada indivíduo para realizá-la por si mesmo. Com isso. encontra-se excluída do ideal de consumo. suas relações envolvem toda a sociedade e as satisfações pessoais são completamente traçadas através dele. o mito da igualdade. (BAUDRILLARD 1998 apud MILLER. o consumo passa a ter uma intensa força de expressão através do conjunto de crenças e desejos presentes na sociedade. portanto. 2007. de acordo com Miller (2007.

porque todos eles são iguais diante do valor de uso dos objetos e dos bens. na qual se baseia em princípios de igualdade dos homens sem o poder realizar a fundo. na qual as grandes desigualdades da primeira fase do crescimento acabam por atenuar-se. Pois necessidade caracteriza-se pelo valor de uso. que reconhecem a cada indivíduo o direito à felicidade. já que toda a sociedade. (BAUDRILLARD. entretanto. das capacidades. (BAUDRILLARD. se articula sobre um excedente estrutural. 2005) A sociedade da abundância nunca existiu. 2005) A sociedade do consumo intensifica o volume dos bens. obtém-se uma relação de utilidade objetiva. Diante das necessidades e do princípio de satisfação. implicam a democratização global e em longo prazo. Desta forma. A felicidade é alimentada por uma exigência igualitária e se funda nos princípios individualistas. O crescimento produz. o crescimento. Pois o equilíbrio é um ideal dos economistas. na perspectiva de uma igualização automática através da quantidade e de um nível de equilíbrio final. (BAUDRILLARD. que seria o bem-estar de todos. E diante da impossibilidade de concluir pela iminência desta felicidade total. e a abundância é a democracia. (BAUDRILLARD. os privilégios e os desequilíbrios. independente do volume de bens produzidos ou da riqueza disponível. a discriminação social e esta organização estrutural baseiam-se na utilização e distribuição de riquezas. responsabilidades e possibilidades sociais. Assim tem-se uma versão idealista de que o crescimento é a abundância. em cuja presença deixa de haver desigualdade social. ao mesmo tempo em que certos efeitos desigualitários. visto que constitui o atributo de minorias privilegiadas. 2005) A noção de necessidade é solidária à de bem-estar. o princípio democrático acha-se transferido de uma igualdade real. o lucro econômico ou orçamentos de prestígios.31 como exigência de igualdade. da felicidade para a igualdade dia do objeto e outros signos evidentes do êxito social e da felicidade. isto define a riqueza de uma sociedade. e a hipótese do progresso contínuo e regular para uma igualdade maior encontra-se desmentida. mística da igualdade. De qualquer maneira. O excedente pode ser a mais-valia. toda a sociedade origina a diferenciação. reproduz e restitui a desigualdade social. Sendo assim. 2005) A Revolução do Bem-Estar é herdeira da Revolução Burguesa. o mito torne-se mais realista. O fato de uma sociedade entrar em fase de . todos os homens são iguais.

o crescimento é acompanhado pela introdução constante de novos produtos à medida que o aumento dos rendimentos amplia as possibilidades de consumo. o sistema industrial. Assim sendo. a sociedade de consumo resulta do compromisso entre princípios democráticos e igualitários. ao invés. tornam-se bens de luxo acessíveis apenas aos mais privilegiados. Entretanto. II) Como processo de classificação e de diferenciação social. ou seja. e ainda o crescimento do próprio desequilíbrio entre a intensificação das necessidades e o aumento da produtividade. supõe na mesma proporção o perpétuo excedente das necessidades em relação à oferta dos bens. mas com qualidade superior. Para Baudrillard (2005). que conseguem aguentar-se com o mito da abundância e do bem-estar. 2005) Segundo Baudrillard (2005). na qual. o sistema capitalista acentuou ao máximo o desequilíbrio. o crescimento amplia o aumento das necessidades e também certo desequilíbrio entre bens e necessidades. ativadas pela diferenciação pessoal tendem a adiantar-se um pouco aos bens disponíveis. a lógica social apossa–se tanto na abundância como nos prejuízos.32 crescimento não modifica em nada o processo. A influência do meio urbano e industrial fez aparecer novas raridade e determinados bens. que supõe o crescimento das necessidades. as necessidades e aspirações. em que os objetos e signos se ordenam como valores estatuários de uma hierarquia. “quanto mais se ganha. sendo abordado pela análise estrutural. Assim. mais e melhor se deseja”. Por outro lado. também a concentração urbana suscita a eclosão ilimitada das . como a concentração industrial origina o aumento constante dos bens. (BAUDRILLARD. O consumo revela-se como sistema de permuta e equivalente de uma linguagem. portanto o sistema também entra em contradição. Sendo assim. uma vez que o ritmo de produção dos bens é função da produtividade industrial e o ritmo de produção da produção de necessidades é função da lógica da diferenciação social. antes gratuitos e disponíveis a todos os cidadãos. isto faz como o homem almeje não apenas bens novos. uma das contradições do crescimento consiste no fato de produzir concomitantemente bens e necessidade. E a lógica social do consumo fundamenta-se na produção e na manipulação dos significados sociais. E. O processo de consumo pode ser analisado sob dois aspectos essenciais: I) Como processo de significação e de comunicação baseando em práticas de consumo que venha inserir e assumir o respectivo sentido.

as empresas devem procurar entender e controlar o comportamento do consumidor. Nesse sentido.1. pode concluir que tudo está relacionado ao consumo como. tornando o consumo um sistema global que molda as relações dos indivíduos. 2005) Desta forma. como pode ser observado no quadro 3 a seguir: .1 Comportamento do Consumidor Nos últimos anos o comportamento do consumidor tem recebido atenção significativa de estudiosos da área. possibilita o desenvolvimento de práticas para aumentar o consumo e aumentar a lealdade do consumidor.). a maneira como se estruturaram as instituições da vida cotidiana (como a família. Nossa sociedade-cultura de consumo constantemente cria novos espaços para os consumidores. 2. Isto define a sociedade de crescimento como o oposto da sociedade da abundância. (BAUDRILLARD. os padrões de desigualdade no acesso aos bens materiais e simbólicos. para atender as demandas e manter-se atuando com sucesso no mercado. os ambientes urbanos etc.33 necessidades. uma vez que identificando os atributos que direcionam as decisões de compra. por exemplo. Vários autores definem o comportamento do consumidor. o lazer. o modo de produção e de circulação dos bens.

p.44) relaciona os estudos do comportamento do consumidor com a sua compreensão como forma de aumentar o consumo: Os estudos sobre o comportamento de compra dos consumidores partem dos pressupostos de que o mercado e o consumidor estão em constante mutação. usar e/ou dispor de um produto. experiências e comportamentos de idéias. objetivo é necessidades e serviços. 4) ainda diz que “O comportamento do consumidor é a atividade diretamente envolvida em obter. p. Minor (2003 apud ARAÚJO. Quadro 6: Visões do comportamento do consumidor. 88 MINIARD. quando indivíduos ou “estudo das unidades originaria das consumir e dispor de grupos selecionam. 2004. 2002) .34 VISÕES DE COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR SOLOMON. p. MOWEN. ENGELS. compram. Solomom (2002. satisfazer mercadorias. A compreensão desses atributos possibilita às indústrias o desenvolvimento de ações que venham a aumentar o consumo e a conquistar a lealdade do consumidor. incluindo os processos decisórios que antecedem e sucedem estas ações”. (SOLOMOM. 2002. 20 BLACKWELL. como a incluindo os dispõem de envolvidos na economia. usam ou processos de troca sociais. consumo adotando uma perspectiva pluridisciplinar. no psicologia. p. a processos decisórios produtos. aquisição. os consumidores podem ser considerados atores que precisam de diversos produtos para auxiliá-los na representação de seus vários papéis. 2006. 4 O comportamento do O estudo do O estudo de O comportamento do consumidor é o comportamento do comportamentos de consumidor é a estudo dos consumidor pode ser consumo é uma atividade diretamente processos envolvidos definido como o ciência aplicada envolvida em obter. MINOR. p. Fonte: A autora Mowen. é necessário entender os aspectos que envolvem o comportamento do consumidor. consumir e dispor de produtos e serviços. p. Além disso. KARSAKLIAN. 2006. 44 2003 apud ARAÚJO. Dessa forma. entretanto essas funções podem ser executadas por pessoas diferentes. sendo necessário identificar os atributos do produto que direcionam a decisão de compra. Seu ações. compreender os desejos. compradoras e dos ciências humanas e produtos e serviços. serviços. 2000. a que antecedem e Idéias ou consumo e na sociologia ou ainda a sucedem estas experiências para disposição de antropologia. Um mesmo consumidor pode comprar.

que alguns fatores são incontroláveis. as preferências. Nota-se. p. Desenvolvimentos em ascensão. 2004. em vez de receber passivamente as comunicações de marketing. incluindo o uso de produtos. sons e odores são selecionados. a profissão. entre outros. como imagens. sendo que estes estão cada vez mais informados sobre os produtos que estão consumindo: A segmentação de mercado é um importante aspecto de comportamento do consumidor. Os estímulos de . organizadas e interpretadas. Solomon (2002. AMÂNCIO 2005. Os consumidores podem ser categorizados de acordo com as várias dimensões. demografia (os aspectos objetivos de uma população. limitada no tempo e cumulativa. Karsaklian (2004) afirma que a percepção é composta das seguintes características: ela é subjetiva. simplificadora. A interpretação final de um estímulo permite que este adquira significado. tais como idade e gênero). 49) Solomon (2002. seletiva. como a nova ênfase no marketing de relacionamento.68) define a percepção e suas contribuições para o marketing: A percepção é o processo pelo qual as sensações físicas. Um mapa perceptivo é instrumento do marketing amplamente usado que avalia a posição relativa de marcas concorrentes ao longo de dimensões relevantes. significam que os profissionais de marketing estão muito mais sintonizados com os desejos e as necessidades de diferentes grupos de consumidores. assim. como a idade. mas podem ser úteis na identificação dos consumidores e serem utilizados para o direcionamento de estratégias que influenciam o mercado de atuação. a escolaridade.44) descreve a importância da segmentação do mercado e a necessidade dos profissionais estarem atentos a isto para suprir o desejo dos consumidores. a eficiência. a renda. p.” (KARSAKLIAN. p. Afirma ainda: “A percepção é a tomada de consciência sensorial de objetos ou eventos externos. p. 8-9) aponta alguns fatores que podem influenciar no comportamento do consumidor: Há diversos fatores que moldam o comportamento e o processo de decisão de compra dos consumidores. o estilo de vida.35 Cobra (1986 apud ROMANIELLO. e psicografia (características psicológicas e estilo de vida). Isso é de especial importância à medida que as pessoas são capacitadas para construir seu próprio espaço de consumo – acessando informações sobre produtos onde e quando querem e iniciando contato com empresas na internet.

assim como satisfazer os desejos dos clientes “velhos” para torná-los fiéis e leais quanto aos produtos/serviços de determinada empresa. (PORTER. Thompson (2000 apud ROMANIELLO. Muitos estímulos competem por nossa atenção. gostos e até mesmo na “textura” de produtos quando os avaliamos. AMÂNCIO 2005) afirmam que é necessário avaliar a demanda do consumidor para formular as estratégias e/ou ações que visem à conquista de novos clientes e à manutenção da satisfação dos mesmos. percebese que para uma organização manter-se competitiva precisa recorrer às estratégias orientadas para o mercado. pois estes consomem grande quantidade de produtos. Além disso.36 marketing têm importantes qualidades sensoriais. atualmente.” (KARSAKLIAN. é uma questão importante em muitos contextos de marketing. p. 2004. para enfrentar as mudanças que ocorrem nas necessidades dos consumidores e nas estratégias dos concorrentes. em função da forte concorrência as empresas procuram diferenciar-se uma das outras e. e a maioria não é notada ou precisamente compreendida. p. Um estímulo deve ser apresentado em certo nível de intensidade antes que possa ser detectado por receptores sensoriais. p. pois as empresas desejam que os consumidores lembrem-se de sua marca. 9). além de eliminar várias despesas com promoções. alteração no tamanho do produto ou a redução de preço. odores. Confiamos nas suas cores. 6) “A memorização é parte fundamental das ações mercadológicas. as empresas entenderam que o mais rentável é ter clientes fieis. 1986 apud ROMANIELLO. a empresa deve tomar medidas para monitorá-la e adaptá-la ao longo do tempo. De acordo com Karsaklian (2004). Uma vez atingida uma posição no mercado. E depois de muitos estudos. de sua propaganda. BLACKWELL. Assim. tais como mudança no design de uma embalagem. Nem todas as sensações passam pelo nosso processo perceptivo. a habilidade de um consumidor para detectar se dois estímulos são diferentes. de seu logotipo. mas do que atrair clientes elas precisam fidelizar aqueles que já foram conquistados. MINIARD.195) . AMÂNCIO.” (ENGELS. “Empresários astutos em toda parte estão descobrindo os ganhos que podem ter quando um esforço unificado é feito para entender os prováveis consumidores e atender suas necessidades com alternativas culturalmente relevantes. 2005. 2000. sons. As pessoas têm diferentes limiares de percepção.

que vai conduzir a uma necessidade. Haja vista que. entretanto. nem sempre o seu poder aquisitivo para compra acompanha tal desejo. a qual. surgem as preferências por determinadas formas especificas de atender à motivação inicial e essas preferências estarão diretamente relacionadas ao autoconceito: o consumidor tenderá a escolher um produto que corresponda ao conceito. 1985 apud KARSAKLIAN. Com base em tal desejo. a adoção de políticas sistêmicas de responsabilidade social implica em um incremento no custo final do produto. p. Eles podem considerar os fatores como segurança. despertará um desejo. No entanto. em muitas cadeias. Karsaklian (2004) afirma a idade é uma variável importante a ser considerada no comportamento do consumidor. 200) Karsaklian (2004. que o consumidor pode até ter uma consciência da necessidade do consumo responsável. nem todas as cadeias produtivas que se organizarem estrategicamente do ponto de vista social. 20) define os caminhos necessários a percorrer para ocorrer à compra: O ato de compra não surge do nada. Logo. Trata-se da consciência de risco que vem implícita ou explicitamente relacionada com produto. a renda determina a que classe social o consumidor estará inserido. confiabilidade. p. Isso implica os deferentes comportamentos de consumos em consequentemente terá impacto direto em suas decisões de compra. Aligleri (2003 apud ARAÚJO 2006. serão bem-sucedidas na sua intenção de fomentar a competitividade com a atração dos consumidores.37 “O envolvimento corresponde à maneira como uma pessoa percebe um objeto como sendo pessoalmente importante e pertinente. 90-91) destaca a influência da renda do consumidor na decisão de compra de produtos/serviços socialmente responsáveis: Com relação à renda. de acordo com cada faixa etária é . preço e nome da marca. por sua vez. surgem os freios. Karsaklian (2004) afirma que os critérios de avaliação são os atributos particulares usados no julgamento das alternativas de escolha. ou ainda podem ser de natureza hedonista. 2004. p. e em sentido contrário à motivação. principalmente no Brasil. Segundo Karsaklian (2004). que ele tem ou que gostaria de ter de si mesmo. Seu ponto de partida é a motivação. é importante destacar.” (ZAICHOKSWY.

92). Com por exemplo os brinquedos que são direcionados ao público infantil. inicialmente. interrelacionados: o advento do ambientalismo público. só foi possível a partir da conjunção de três fatores.2 Consumo Sustentável A questão do impacto ambiental do consumo foi definida. 4. Avaliação da alternativa pós-compra – avaliação do grau em que a experiência de consumo produziu satisfação. 2. a partir da década de 70. 3. O surgimento da ideia de um consumo verde e. p. Reconhecimento de necessidade – uma percepção da diferença entre a situação desejada e a situação real suficiente para despertar e ativar o processo decisório. Segundo Engels. Despojamento – descarte dom produto não consumido ou do que dele restou. Portanto. nos limites da noção de “consumo verde” e um pouco mais tarde concentrou-se no chamado “consumo sustentável”. é necessário entender todos os estágios da tomada de decisão dos consumidores para identificar a melhor maneira de atingi-los de forma a atender suas necessidades fidelizá-los à sua marca. 5. Blackwell. 6. Compra – aquisição da alternativa preferida ou de uma substituta aceitável. a . Consumo – uso da alternativa comprada. enquanto os automóveis são direcionados ao público adulto.38 que os produtos são comprados e consumidos por determinado público. 7. Busca de informação – busca de informação armazenada na memória (busca interna) ou aquisição de informação relevante para a decisão do ambiente (busca externa). e esta tem um pacto importante sobre a forma com a qual o indivíduo vai analisar a situações de compra e de consumo. De acordo com Karsaklian (2004) a personalidade é própria de cada indivíduo. 2. a tomada de decisão do consumidor tem os seguintes estágios: 1. portanto.1. Miniard (2002. de um consumidor verde. Avaliação de alternativa pré-compra – avaliação de opções em termos de benefícios esperados e estreitamento da escolha para a alternativa preferida.

através de mecanismos de autorregulação. surgiram propostas com crescente ênfase em ações coletivas e mudanças políticas e institucionais (mais do que tecnológicas. e do Estado e do mercado para o consumidor. especialistas. (PORTILHO. preferindo produtos que não agridam. a perspectiva do consumo verde deixaria de enfocar aspectos como a redução do consumo. para a crise ambiental. o consumo verde atacaria somente uma parte da equação – a tecnologia – e não os processos de produção e distribuição. (PORTILHO. além da cultura do consumo propriamente dita. através de suas demandas e escolhas cotidianas. como a proposta de consumo sustentável. e a preocupação com o impacto ambiental de estilos de vida e consumo das sociedades afluentes. em suas tarefas cotidianas. As ações e as escolhas individuais motivadas por preocupações ambientais passaram a ser vistas como essenciais e o consumidor como o responsável. A estratégia de produção e consumo limpos ou verdes começa a perder terreno em nome de uma estratégia de produção e consumo sustentáveis.39 ambientalização do setor empresarial. além da variável qualidade/preço. através do poder de escolha de consumo. A partir da combinação destes três fatores. enfatizando ao contrário a reciclagem. de acordo com Portilho (2004). para incluir também uma preocupação com o quanto usamos . Assim. o uso de tecnologias limpas. (PORTILHO. 2004). políticos e organizações ambientalistas começaram a considerar o papel e a corresponsabilidade dos indivíduos comuns. 2004) Entretanto. 2004) O consumidor verde foi definido como aquele que. ou são percebidos como não agredindo o meio ambiente. a descartabilidade e a obsolescência planejada. bem informadas e preocupadas com questões ambientais aparecem como uma nova estratégia para a resolução dos problemas ambientais e para as mudanças em direção à sociedade sustentável. por gerar mudanças nas matrizes energéticas e tecnológicas do sistema de produção. a partir da década de 80. E ainda. inclui em seu “poder de escolha”. a redução do desperdício e o incremento de um mercado verde. a variável ambiental. reconhecendo os limites e armadilhas da estratégia de consumo verde. Ações individuais conscientes. autoridades. econômicas e comportamentais). pode inferir que há uma transferência da atividade regulatória por parte do Estado para o mercado. a partir da década de 90. Meio ambiente deixou de ser relacionado apenas a uma questão de como usamos os recursos (os padrões). Além disso.

Pois. 4) A Declaração da Conferência Internacional sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Desta forma. segundo Paavola (2001 apud PORTILHO. distribuição e justiça. poluindo a Terra. p. em 1987: "Desenvolvimento Sustentável é o desenvolvimento que atende às necessidades do presente sem comprometer a habilidade das gerações futuras em atender às suas necessidades”. destruindo ecossistemas e minando estilos de vida. Eco 92. estabeleceu a conexão entre desenvolvimento sustentável e consumo no Princípio 8: "Para alcançar o desenvolvimento sustentável e uma qualidade de vida superior para todos os povos. materiais tóxicos e emissão de rejeitos e poluentes em seu ciclo de vida. 2001. p. de forma a não comprometer as necessidades das gerações futuras. 4) No Simpósio de Oslo de 1994 foi proposta outra definição para o termo consumo sustentável e adota pela terceira sessão da Comissão para Desenvolvimento Sustentável (CSD III) em 1995: O uso de bens e serviços que respondem às necessidades básicas e proporcionam uma melhor qualidade de vida. Este é o efeito colateral mortal do modelo de consumo prevalecente. A definição mais citada de desenvolvimento sustentável é a da Comissão Brundtland. 2001. Tal consumo não é ambientalmente sustentável. as ações e intervenções públicas possuem algumas características atrativas em comparação com as estratégias individuais e comportamentais." (MASERA. as nações deveriam reduzir e eliminar os padrões de produção e consumo insustentáveis e promover políticas demográficas apropriadas. (MASERA. p. o consumo sempre crescente está exercendo pressão no meio ambiente. Ações públicas poderiam provocar mudanças no impacto ambiental do consumo com um custo menor do que ações individuais além de facilitar a distribuição deliberada dos custos e benefícios desses ajustes de uma maneira mais equitativa do que a exclusiva confiança em ações individuais. 2004). 5) . 2001.40 (os níveis). e ao mesmo tempo minimizam o uso de recursos naturais. O termo „Consumo Sustentável‟ tem sua origem no termo "Desenvolvimento Sustentável". (COMISSÃO PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL apud MASERA. de acordo com Masera (2001). tornando-se uma questão de acesso.

p. Integrar essas peças é a questão central de como proporcionar serviços iguais ou superiores para atender aos requisitos básicos de vida e às aspirações para melhoria tanto da geração atual como das futuras. 2001. minimizar o lixo. Diante da análise da IPARDES (2007). a preocupação com o futuro das próximas gerações. aumentar o uso de fontes de energias renováveis. que contribuiu substantivamente para o apelo dos consumidores por alimentos de qualidade.1. qualidade.41 Ainda em 1995. o consumo e o consumidor de alimentos orgânicos são elementos de extrema relevância para se conhecer o mercado de orgânicos. particularmente a partir dos anos 70. a finitude dos recursos e a sustentabilidade global. apresenta a perspectiva do consumidor de orgânicos a partir de alguns estudos realizados nos últimos anos. pode-se perceber a figura do consumidor sustentável. (MESA REDONDA DE OSLO. O consumidor urbano tem desempenhado um papel relevante na construção do mercado de orgânicos.3 Consumidor de Produtos Orgânicos Para IPARDES (2007). 2. 5) A partir dos conceitos apresentados. além dos atributos preço. Neste contexto IPARDES (2007). benéficos à saúde humana e dos recursos naturais. A atuação dos diversos movimentos sociais pressupõe a necessidade de se apoiar sistemas de produção agrícola sustentável ambiental e socioeconomicamente. que ao comprar um bem leva em consideração. mobilizado por inúmeras denúncias sobre os efeitos negativos da agricultura industrial ao meio ambiente. o consumidor de orgânicos tem como preocupação primordial os aspectos relacionados à própria saúde e à saúde da família e sua ligação com a segurança dos alimentos. tais como: atender necessidades. adotar uma perspectiva de ciclo de vida levando em conta a dimensão equitativa. principalmente em . reduzindo continuamente os danos ao meio ambiente e riscos à saúde humana. 1995 apud MASERA. a Mesa Redonda de Oslo sobre Produção e Consumo Sustentáveis trouxera maior clareza ao termo: Consumo Sustentável é um termo abrangente que traz consigo uma série de fatores-chave.

comparativamente com o grupo anterior. preocupação com o (menos agrotóxicos) meio ambiente. segue o quadro 7. E o consumidor das redes de supermercados. 2007. 2007) as informações mais procuradas pelos consumidores. no Brasil existem dois tipos de consumidores de orgânicos. compra mais por impulso e de forma menos regular. p. qualidade de vida Preço.42 relação à saúde contaminação por agrotóxicos e outros agentes químicos. cheiro. Logo abaixo. os quais são fatores que impulsionam as vendas. que são motivados. Os consumidores mais antigos. bem como informações sobre o auxílio na prevenção de doenças. estão as referentes à composição e ao valor nutricional dos alimentos orgânicos. Segundo IPARDES (2007). falta de informação (origem do Procedência produto) Valores Comprometido Consciente Quadro 7: Características dos consumidores de produtos orgânicos no Brasil Fonte: Darolt (2005 apud IPARDES. com as características do consumidores de produtos orgânicos no Brasil: CARACTERÍSTICAS Ato de ir à compra de produtos orgânicos Tempo de consumo Preferência de local de compra Preço suplementar (disposição para pagar mais) Qualidade percebida consumidor Limitantes para compra NOVO CONSUMIDOR Ocasional Menos de 5 anos Supermercados Até 15% ANTIGO CONSUMIDOR Regular (fidelidade) Mais de 5 anos Feiras e lojas Até 30% pelo Saúde e segurança alimentar Saúde. O estilo e filosofia de vida são fatores complementares que motivam a compra de orgânicos. aspectos como cuidados com o meio ambiente e qualidades organolépticas do alimento (sabor. Em seguida. frescor). Normalmente são os frequentadores das feiras e lojas especializadas de orgânicos e têm maior nível de consciência ambiental em relação à população. os compradores de legumes e verduras já têm consciência da toxicidade dos produtos . que embora também mencione preocupações com a questão ambiental.64) De acordo com as análises de IPARDES (2007) acerca de uma pesquisa de opinião pública realizada pelo Instituto Gallup em São Paulo. bem informados e exigentes em termos de qualidade biológica do produto. E para Fonseca (2005 apud IPARDES.

2007). os estudos têm apontado que a presença deles nos locais de vendas de orgânicos é praticamente insignificante. não só no planejamento da produção. existem outros fatores limitantes para o aumento do consumo de produtos orgânicos como a falta de regularidade. em primeiro lugar. em terceiro. atua como profissional liberal ou funcionário público. em seguida a oferta insuficiente e. Além disso. sua idade varia entre 31 e 50 anos. a dúvida em relação à procedência do produto. além dos altos preços praticados nas feiras orgânicas e nas redes de supermercados. consumidor orgânico é predominantemente do sexo feminino. menos de 2%. mas também nos processos que envolvem a comercialização. Para Sylvander (1998 apud IPARDES. a necessidade de maior sensibilização dos consumidores quanto aos benefícios dos alimentos orgânicos. a partir da análise de diversas pesquisas realizadas no Brasil.43 cultivados com agrotóxicos e da dificuldade de produzí-los sem agrotóxicos. mesmo morando na cidade. os agricultores contra-argumentam apresentando os fatores que lhes são impeditivos para atender às demandas. Com relação aos jovens com menos de 20 anos. tanto no tratamento da saúde como na manutenção da qualidade de vida. procurarem um estilo de vida que permita o contato com a natureza. ao estudar alguns países da Europa identificou que entre as principais razões para o baixo consumo de produtos orgânicos estão. admitem pagar entre 20% e 30% a mais pelos produtos orgânicos. com famílias de 3 a 4 membros. o que os faz frequentadores de áreas verdes urbanas e rurais. Dentre estes está à falta de políticas públicas direcionadas ao setor. apresentando nível de instrução correspondente ao ensino superior completo. Diante dos aspectos limitantes apontados pelos consumidores. a falta de crédito para o período de transição e a ausência continuada de assistência técnica. esses consumidores. E. Segundo IPARDES (2007). Para IPARDES (2007). portanto. são pessoas que privilegiam terapias e medicina alternativas. os preços. a pouca diversidade e a pouca quantidade. desde que devidamente assegurados de que estes são mais saudáveis que os produtos convencionais. O seguinte estudou identificou também. com renda entre 9 e 12 salários mínimos. de um modo geral também se aponta como características dos consumidores de orgânicos o hábito de praticar esportes com frequência e. Os dados mostram ainda que a maioria é usuária de internet. Mencionam também .

já no século XIX. a civilização administra suas bases naturais de forma insustentável. Expansão Marítima até chegar aos dias atuais. ia esgotando a base natural de que dependiam. 2001) Assim. ao mesmo tempo quem criavam a escrita. entretanto. As civilizações que nos antecederam.44 aspectos relacionados à escala de produção. principalmente quando estes são destinados aos supermercados. regiões da África e da Ásia. abandonaram a caça e a coleta de alimentos e se concentraram em obter propriamente seus alimentos e sementes. A história da agricultura inicia-se a partir das civilizações no Nilo e TigreEufrates. Na antiguidade clássica. E para não entrar em declínio. Os romanos transformaram as ricas terras agrícolas em deserto. 2007) 2. os cafeicultores migraram paras as terras roxas em São Paulo e posteriormente. já tinham desenvolvido uma notável capacidade agrícola. Com isso. notadamente quando há 10000 anos. como fatores que acabam por onerar o preço dos produtos orgânicos. mas em todo o mundo. não se . não deixou de ter seu lado desastroso. No Brasil. houve um rápido desenvolvimento e declínio na economia açucareira. sendo obrigados a lançar-se ao mar. chegaram ao Paraná. (IPARDES. (KHAUTOUNIAN. Essa trajetória é frequentemente contada de forma positiva. bem como à logística que envolve o transporte e a distribuição. e a mais importante região cafeeira localizava-se no vale do rio Paraíba Sul. e à medida que cresciam. conta-se a degradação dos recursos naturais sobre os quais erigiram as civilizações. Dentre os desastres. percebe-se que não apenas no Brasil. os gregos destruíram suas florestas e exauriram seus campos de cultura. passando pela Antiguidade Greco-Romana.2 CONTEXTO HISTÓRICO DA AGRICULTURA Os conhecimentos acerca do cultivo da terra – ou agricultura – há milhares de anos vêm sendo motivos de estudos para o ser humano. já na Mesopotâmia antiga se registrava a salinização das áreas irrigadas que embasam a economia. a economia cafeeira era a riqueza do Segundo Império. Idade Média. que lhes havia possibilitado sedentarizar-se e estabelecer sistemas sociais e culturais. Nas Antilhas. onde hoje se encontra morros cobertos por patos ralos. Renascimento.

(KHAUTOUNIAN. durante a Idade Média. pousio e esterco eram os procedimentos utilizados para recuperação da fertilidade do solo. o declínio do rendimento dos cultivos num determinado terreno ao longo dos anos era um fato certo. e depois de alguns anos esta área era abandonada para restabelecer a floresta.1 A Revolução da Química Agrícola Desde as origens remotas da agricultura até o início do século passado. E no Brasil. 2001) Assim. porém. estes exemplos apontam apenas formas de grupos humanos relacionarem menos predatoriamente com seu ambiente. entretanto. por exemplo. Como. O pousio ou descanso referia-se ao número de ano de cultivos e o tempo de descanso do solo para restabelecer sua fertilidade. o desafio da atualidade consiste em recuperar os padrões ecologicamente superiores e aprimorá-los com o conhecimento hoje disponível. as técnicas de cultivo. houve vários pontos do planeta que se acumularam conhecimentos sobre formas mais sustentáveis de existências. 2. Porém. centeio ou cevada e pousio. de onde se obtinha a maior parte dos alimentos.2. o modo de utilização do ambiente consistia na abertura de pequenos roçados.45 restringindo apenas a agricultura. esse processo é ainda mais intenso. Já adubação orgânica. Para corrigi-lo. até o século XIX: o descanso ou pousio e adubação orgânica. havia um cultivo que consistia numa rotação trienal de trigo. (KHAUTOUNIAN. na indústria. 2001) Entretanto. sua limitação concentra na quantidade de esterco disponível e no intenso trabalho exigido para o transporte e distribuição do material. na qual variava de acordo com a natureza do terreno. na Europa feudal. Pelo contrário. baseava-se nos excrementos de animais. as espécies cultivadas e o clima. a utilização do pousio impunha que apenas uma parte da terra disponível podia ser utilizada para cultivo. (KHAUTOUNIAN. utilizavase de apenas dois procedimentos. Em meados do século XIX se descobrem os . 2001) Mas a história humana não se alimentou apenas de catástrofes. devido às terras se “cansarem”. através do esgotamento dos recursos não renováveis e da poluição dos ecossistemas.

A utilização de inseticidas se expandiu primeiramente nos países industrializados. assim. completa-se o pacote de insumos químicos: adubos. ouve uma proibição destas armas. é sabido que os insetos conviveram com a produção agrícola desde os tempos remotos da antiguidade. Contudo.46 fertilizantes ou adubos químicos. porém. apenas alguns quilos de adubos químicos restabeleciam a fertilidade do solo. (KHAUTOUNIAN. Assim. além dos seus ótimos resultados. a difusão dos adubos químicos e sua utilização rotineira foram acompanhadas do problema de pragas. chegando ao Brasil na década de 1970. 2001) Neste cenário. E. vinculado ao crédito rural subsidiado. inseticidas. que antes se realizava pelo pouseio. E o controle de plantas invasoras. consolidando-se o modo convencional de produção. na qual a produção agrícola se tornara um cliente da indústria. ocorreu um avanço na química orgânica através do desenvolvimento de armas químicas. quando a liberação do crédito foi condicionada a utilização dos agrotóxicos. os adubos químicos adequavam aos interesses da crescente indústria química. porém. Novamente. E paralelamente. (KHAUTOUNIAN. também se utilizou da indústria química através dos herbicidas. adubos químicos e inseticidas foi acompanhado do crescimento de novos problemas sanitários. Foi uma grande revolução. os sistemas agrícolas foram simplificados a partir da utilização de adubos químicos e inseticidas que eliminaram rotações de cultura e adubação orgânica e permitiram a produção de toda a área disponível da cultura que fosse mais rentável. que propiciou o uso deste conhecimento de maneira eficiente para o desenvolvimento de inseticidas. nas primeiras décadas do século XX. 2001) Desta forma. sobretudo de doenças e plantas invasoras. o pacote composto de monocultura. 2001) Neste mesmo contexto. as soluções surgiram da indústria química com o desenvolvimento dos fungicidas atuando no controle de doenças vegetais e possibilitando o cultivo de espécies fora das condições normais. (KHAUTOUNIAN. e torna a agricultura totalmente dependente da indústria química. pois num solo cansado onde exigia anos de pousio ou toneladas de adubos orgânicos. . estabelecendo um novo e lucrativo mercado. o aumento vertiginoso de pragas nas culturas começa haver total comprometimento da produtividade. fungicidas e herbicidas.

(KHAUTOUNIAN. orgânico ou natural. como descrito no quadros 4 e 5. Nas décadas de 1920 a 1940. conhecido como produtos orgânicos. Nessa época as alterações climáticas não parecem mais especulações e os buracos na camada de ozônio são fatos.47 2.a seguir: . e propunham desenvolver outras soluções a partir da melhor convivência com os recursos naturais. 1982 e 1992. tais reações surgiram quase que simultaneamente em vários países. organizam-se os primeiros movimentos. que identificaram falhas na proposta dominada pela química.2 O Contexto da Agricultura Ecológica Em meados da segunda década do século XX. E. almejando conciliar a necessidade econômica e social da sociedade com a preservação do meio ambiente. que possibilitou o surgimento de um novo mercado caracterizado por produtos das agriculturas alternativas. Os métodos alternativos aos convencionais e seu crescente mercado estão inseridos na mudança de atitude da humanidade frente aos recursos naturais. Isto se tornou mais visível nas Conferências da Organização das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento. os problemas ambientais advindos da agricultura convencional se tornaram visíveis por toda a sociedade. diante do sucesso da agricultura convencional começam a surgir movimentos ambientalistas. 2001) Assim. ocorridas em 1972. que usavam adjetivos como biológico. na qual inferiram que os danos causados pela agricultura eram de tal magnitude que clamava por uma mudança de paradigma. 2001) Com o tempo. visto que o desenvolvimento tecnológico possibilita o homem transformar o meio ambiente numa tal escala que os mecanismos naturais de reconstituição não são mais suficientes.2. esta busca por uma agricultura menos dependente da indústria química reflete em ações para o desenvolvimento sustentável. (KHAUTOUNIAN.

p. como figura religioso que não se vincula a na qual. Nesse ambiente. apenas excluído os agroquímicos. Rudolf Steiner. tendo caráter filosófico. funcionamento mais equilibrado propriedade não se ligando a natural dos com o meio como um nenhuma ecossistemas. Na moderna se fundamenta no preconizou a verdade. não foi criado técnicas revolucionárias. mas simplesmente aplicado de forma cuidadosa os conhecimentos e recomendações da agronomia tradicional. No Japão.25) voltados à comercialização e à certificação. p. centrais para o considerável benéficos a 2001. Na França. após a crise do petróleo. . 2001. p. sistema de funciona como atualmente a certificação para uma certificadora. (KHAUTOUNIAN.25-26) empresariais. na qual método religiosa. E. e animal. 2001. o governo americano toma para si a responsabilidade de identificar alternativas para a solução dessa dependência.Claude Aubert. a melhor destacava a caráter filosófico. expõe-se à sociedade americana a fragilidade da sua agricultura. esse central o resultou na Igreja uma doutrina método agrônomo Albert Messiânica.27) equilíbrio do esforço de produção vegetal sistema. Esse filosófica ou preconizava a Howard. ambiente e de organismo vivo e concepção de Recentemente. A este movimento surge a corrente desenvolveu-se proposta teve como figura Organic um movimento de sintetizada por central o filósofo Agriculture. Assim. elementos inglesa organiza microrganismos (KHATOUNIAN. A convencimento. agricultura natural seus produtos. 2001. p. inclui braços (KHAUTOUNIAN 2001. Alternativa Nos Estados Unidos. busca abordagem âmbito da menor alteração um sistêmica. 2001. p. dependente de combustível fóssil. pela Igreja estabelecer um que atualmente Messiânica. Na Inglaterra. (KHAUTOUNIAN. A concentrado na produtos bovinos como escola orgânica utilização de colhidos.28) .26-27) Quadro 8: Escolas em Agricultura Ecológica Fonte: Khautounian.agricultura tem se qualidade dos presença dos religioso. escola através da difundidos e biodinâmica foi a Organização The comercializados primeira a Soil Association.48 ESCOLA EM AGRICULTURA ECOLÓGICA Biodinâmica Orgânica Natural Biológica Na Alemanha. agricultura e dos possível no relacionamento entendendo a recursos naturais. (KHAUTOUNIAN.

desenvolvimento cidades Agriculture sustentável 2001. sempre tendo apoio de também se nível conta os associado à várias ocupa com internacional em interesses preservação organizações assuntos 1972. externos e qualidade dos Assim. tais International desenvolveu-se o recuperação governamentais como a Federation of conceito de ambiental. p. e atingido disciplina da procurando para as regiões também com o proporções biologia. (ONG) ligadas ao construção de Organic desenvolvimento (KHAUTOUNIAN. o Com o Em função dos Até meados de Latina. A fundaram uma problema. para o equilíbrio (KHAUTOUNIAN. sociais internas ambiente sadios (KHAUTOUNIAN. para estabelecer econômicos. corporações. p. maximizando produtos para ser agricultura mecanismos vendido com o sustentável. 2001. (KHAUTOUNIAN.busca priorizar produção sem necessidade de ambientais. a econômicos. IFOAM. E ganhando agricultores.30-31) Quadro 9: Escolas em Agricultura Ecológica Fonte: Khautounian. viu-se a dos problemas promoção sócio. ecologia movimento Permacultura. é naturais que seu selo uma tentativa de podem contribuir “orgânico”. Com a atender às menos bem crescimento do alarmantes que crescente necessidades de dotadas de mercado para ameaça as bases conscientização preservação recursos produtos. minimizando as intercâmbio de dinâmico entre 2001. permacultura organização em levando em espaço. materiais e os padrões sociais e esforços mínimos de ambientais. (KHAUTOUNIAN. Observando os quadros anteriores. A conciliar as para a satisfação IFOAM inclui expectativas das aspectos éticos sociais de necessidades nas relações alimento e urbanas. tornando um cenário favorável para o mercado de produtos orgânicos. da propriedade e com os 2001. p. fica nítido a preocupação global a cerca do desenvolvimento sustentável.30) de pequenos ecologicamente Moviments – entendido como agricultores adaptadas.28) necessidades de experiências e os fatores energia. p.49 ESCOLA EM AGRICULTURA ECOLÓGICA Agroecológico Permacultura Orgânica como Sustentável Ecológica coletivo Na América Austrália. surge o movimento desenvolvimento problemas 1970. os de sustentação da magnitude ambiental e de naturais. p.29) 2001. 2001.29) no trato com os interesses das animais. ambiental ou não urbanos. na qual movimentos de da vida. . criou modelos qualidade. em número e em ambientais terem era apenas uma Agroecologia. o econômica dos as culturas agroquímicos correção para o termo foi pequenos perenes.

A agricultura orgânica reduz consideravelmente as necessidades de aportes externos ao não utilizar adubos químicos nem praguicidas ou outros produtos de sínteses. os animais e a paisagem. p. Ormond (2002. sempre que possível métodos culturais. biológicos e mecânicos. 13) “alimentos orgânicos são produtos de origem vegetal ou animal que estão livres de agrotóxicos ou qualquer outro tipo de produtos químicos. procura otimizar a qualidade da agricultura e do meio ambiente em todos os seus aspectos. empregando. p. processamento. p. TORRES. a minimização da dependência de energia não renovável. tendo por objetivo sustentabilidade econômica e ecológica. Respeitando as exigências e capacidades naturais das plantas. 1º: Considera-se sistema orgânico de produção agropecuária todo aquele em que se adotam técnicas específicas. 2007. A ação de . 54) a agricultura orgânica é definida como: Todos os sistemas agrícolas que promovem a produção sadia e segura de alimentos e fibras têxteis desde o ponto de vista ambiental. pois estes são substituídos por práticas culturais que buscam estabelecer o equilíbrio ecológico do sistema agrícola”.50 2. a maximização dos benefícios sociais. No seu lugar permite que sejam as poderosas leis da natureza as que incrementem tanto os rendimentos como a resistência dos cultivos. social e econômico. 65) é a seguinte: Art. armazenamento. Estes sistemas partem da fertilidade do solo como base para uma boa produção. 2006. e a proteção do meio ambiente.831 de 23 de dezembro de 2003 (apud BORGUINI. em qualquer fase do processo de produção. p. mediante a otimização do uso dos recursos naturais e socioeconômicos disponíveis e o respeito à integridade cultural das comunidades rurais. em contraposição ao uso de materiais sintéticos.3 PRODUTOS ORGÂNICOS De acordo com Brasil (2007. distribuição e comercialização. 5) descreve a agricultura orgânica: Agricultura orgânica é um conjunto de processos de produção agrícola que parte do pressuposto básico de que a fertilidade é função direta da matéria orgânica contida no solo. Segundo a IFOAM 1995 (apud IPARDES. A definição oficial dos produtos orgânicos encontrada na lei 10. a eliminação do uso de organismos geneticamente modificados e radiações ionizantes.

Blair (1992 apud BEDANTE. não prejudicial à saúde humana. o sistema de produção orgânica visa à substituição dos insumos sintéticos por adubos orgânicos e defensivos naturais que garantem a fertilidade solo e preservação ambiental. 2004) apresenta algumas características: Capaz de diminuir problemas ambientais globais como. Eficiente em energia. fabricado de fontes renováveis. não poluente. pois varia entre 40% e 200% a mais. feito para durar ou para ser reutilizado ou reciclado. Os produtos orgânicos possuem diversos atributos que os diferenciam dos demais produtos ofertados aos consumidores. . prover informações suficientes no rótulo. e.51 microorganismos presentes nos compostos biodegradáveis existentes ou colocados no solo possibilitam o suprimento de elementos minerais e químicos necessários ao desenvolvimento dos vegetais cultivados. o preço dos produtos orgânicos é considerado um fator limitante para o consumo dos mesmos. ter o mínimo de embalagem. quando comparados com os produtos convencionais. Além do mais. os produtos orgânicos estão sendo procurados pelos consumidores por representar uma alimentação mais saudável. por exemplo. reduzir as emissões de CFC e CO2. de melhor sabor e qualidade e uma preocupação ecológica em preservar o meio ambiente. Contudo. Como se observa nas citações acima. descarte seguro. não conter substâncias danosas. além dos benefícios óbitos com a alimentação saudável.

começam a surgir as denúncias apontando o uso intensivo de agrotóxicos. o que caracterizava o mercado agroalimentar mundial era a produção de alimento em larga escala. causados. as entidade e organizações de apoio . 2007) Todo este contexto. problemas neurológicos e psicológicos. pelo esgotamento dos recursos naturais. Paralelamente. A preocupação da sociedade com as questões ambientais. a partir dos anos 70 e 80. Isto garantiu os princípios da agricultura industrial: durabilidade. a busca por alimentos naturais e de qualidade fizeram crescer vertiginosamente o mercado de produtos orgânicos. a produção. que acontecia por meio de feiras e entregas diretas. (IPARDES. expandiu o número de produtores. pelo uso intensivo de insumo e maquinaria. Com isso o alimento deixou de ter seu significado sociocultural como bem de consumo final e passou a ser matéria-prima para a indústria de alimentos processados. pelo uso de agroquímicos e ocasionando várias doenças como câncer. as denúncias dos efeitos a saúde da população. Surgem também. 2007) No Brasil. poluição e contaminação de águas e solos. aborto. desmatamentos. em sua maioria. (IPARDES. que possibilita os alimentos chegarem a locais distantes dos centros de produção. 1993 apud IPARDES. propiciou a emergência dos alimentos orgânicos. No Brasil. que permite o alimento ser bom para consumo durante maior tempo. (FRIEDMAN.52 2. apontando a degradação ambiental e os problemas de saúde como resultantes do processo produtivo da agricultura industrial. garantidos pela produção sazonal e regional. surgiram às propostas de desenvolvimento de sistema de produção sustentável e o apelo por produtos de qualidade. e distância. Nessa época houve o estreitamento da relação entre agricultura e indústria. a construção do mercado de orgânicos aconteceu entre os anos de 1970 e meados de 1990. 2007) Foi nesse período que eclodiram movimentos na sociedade civil para contestar o processo produtivo da agricultura industrial. na qual foram responsabilizados pela degradação ambiental.3. Este período ficou caracterização como pós-produtivista.1 Contexto da Produção de Orgânicos no Brasil Até a década de 1970. A garantia e a autenticidade dos produtos se davam a partir da comercialização direta entre produtores e consumidores. e posteriormente. objetivando rendimentos e ênfase na quantidade de produção.

na qual. A produção animal orgânica é ainda muito restrita. caju. bovinos de leite e carne. visto que constitui uma área de grandes retornos dentro do mercado orgânico. Os principais produtos exportados têm sido a soja. 2001) Já. A garantia de qualidade dos produtos orgânicos passa a ser representado por um selo. (KHAUTOUNIAN. plantas medicinais entre outros. 2001) . cereais (milho. eliminando ou reduzindo os produtos cuja produção é mais problemática. A agricultura orgânica utiliza menos insumos materiais que a agroquímica. dendê. (IPARDES. frutas. indica-se a reeducação do consumidor. Também. (KHAUTOUNIAN. é um mercado promissor. ainda mentalmente dependentes dos agroquímicos. 2007) A produção orgânica no Brasil inclui hortaliças. na qual. arroz. açúcar mascavo. café e o açúcar. tornando necessária a figura de uma instituição de garantisse a autenticidade dos produtos. 2001) Neste contexto. entretanto.53 aos produtos orgânicos. Há iniciativas na produção de aves de postura e corte. o conhecimento. a comercialização dos produtos orgânicos em super e hipermercados distanciaram o produtor do consumidor. mas exige muito mais de produto intangível. o treinamento de técnicos e agricultores costuma ser a primeira fase das iniciativas de produção orgânica. café. trigo). erva-mate. (KHAUTOUNIAN. soja. leguminosas (feijão. Por essa razão. amendoim). (IPARDES. observa-se um mercado com demanda significativa. representa o apelo por produto natural e de qualidade pelos consumidores urbanos. Com isso. porém há um descompasso entre a percepção dos agricultores e distribuidores acerca deste mercado. possibilitou a comercialização dos produtos orgânicos em redes varejistas. a população consumidora busca cada vez mais produtos limpos. preconiza a comercialização direta do agricultor ao consumidor de modo a estabelecer uma relação personalizada e de cooperação entre o produtor e o consumidor e possibilitar maiores ganhos aos agricultores e menores preços aos consumidores. oriundo do processo de certificação da originalidade dos produtos. Isso acontece devido ao despreparo técnico de agricultores. 2007) As feiras se enquadram perfeitamente na filosofia do movimento orgânico. suínos e abelhas.

enquanto a produção. têm-se diversificado os setores interessados aos métodos orgânicos. 2001) Alguns dos obstáculos ao crescimento da produção podem ser resolvidos em curto prazo. Em curto prazo. o interesse tem vindo do meio empresarial. Raramente um consumidor iria preferir um produto convencional havendo um similar orgânico com preço e qualidade competitivos. especialmente supermercados e de produtores rurais. superação de resistência ideológica fomentadas pelos setores ligados a agroquímica. os movimentos ligados à agricultura familiar e movimento ambientalista. Em médio prazo. A partir da década de 1990. Na década de 1980. a reeducação dos consumidores. o mercado orgânico se caracteriza como um nicho.3. embora crescente. Contudo. treinamento dos técnicos e dos agricultores. E no momento atual. o desenvolvimento da produção orgânica demandará uma importante contribuição da investigação agrícola.54 2. é crescente a adesão dos meios políticos. A demanda é muito grande e generalizada. 2001) No Brasil. (KHAUTOUNIAN. e seu tamanho potencial parece ser o da totalidade do mercado de alimentos. a produção poderá ampliar-se através de: apoio em termos de políticas agrícolas. não tem acompanhado o mesmo ritmo. sua participação no total da produção agrícola mundial é irrisória. eram quase que exclusivamente os alternativos. definição legal da produção orgânica e organização do sistema de certificação da produção e desenvolvimento das estruturas de comercialização no atacado.2 Desafios à Ampliação da Produção Orgânica Embora a expansão da produção orgânica seja um dos fenômenos mais marcantes na agricultura atual. além de sem encaixar em políticas de redução de subsídios governamentais. com a experiência e a infraestrutura organizacional disponível. (KHAUTOUNIAN. uma vez que procura aproveitar ao máximo os recursos localmente disponíveis. umas mudanças na forma como a sociedade e os agricultores encaram o trabalho agrícola e um estreitamento . em função da perfeita aderência ao anseio generalizado entre os eleitores por atitudes ambientalmente corretas. outros necessitam de iniciativas mais caras e de maturação mais lenta. Na década de 1970.

A percepção da superioridade da modernização da agricultura permanece poderosa entre muitos formuladores de política.1 Políticas agrícolas Até o presente o momento. (KHAUTOUNIAN.3. sem necessariamente utilizar recursos financeiros ou gastos adicionais. tirando algumas exceções de âmbito municipal ou estadual. são menos frequentemente realizados e perseguidos. porém. Os benefícios não econômicos. a produção agrícola se desenvolveu independentemente das políticas agrícolas. (KHAUTOUNIAN. 2001) 2. criando e disponibilizando uma infraestrutura reguladora e promovendo oportunidades de exportação. em nível municipal. onde houve apenas orientação do aconselhamento técnico para a agricultura orgânica. sendo uma barreira para a adoção mais ampla de políticas que iriam ajudar a disseminar o enfoque orgânico e agroecológico. Outro entrave importante ao desenvolvimento da AO está na necessidade de uma mudança nas fontes de serviços de apoio agrícola . 2001) Para Brasil (2007) as estruturas econômicas e políticas vigentes têm papel significativo em determinar os conhecimentos e as escolhas disponíveis para os agricultores. no caso de Cuba. Na maioria das instâncias.2. onde políticas pró-enfoque orgânico e agroecológico foram adotadas através das contribuições em pesquisa e serviços de extensão apropriados.55 do vínculo dos agricultores com a terra e das pessoas envolvidas entre si. como podem ser observados vários exemplos no Brasil. tais como a conservação dos recursos naturais e a proteção do meio de vida de agricultores pobres de recursos e dos consumidores. produtores e trabalhadores rurais. no caso da Argentina e Costa Rica. tal interesse governamental é direcionado por um desejo de atingir as oportunidades econômicas que os produtos orgânicos oferecem. Os formuladores de políticas agrícolas têm conhecimentos sobre as devidas ações a serem desenvolvidas para fomentar este mercado. Existem alguns exemplos de países que dão apoio (ou são simpáticos) a Agricultura Orgânica (AO).

3. A crença quase absoluta da eficácia dos agroquímicos foi incorporada por grande parte dos agricultores. (BRASIL.2 Resistência ideológica Nos anos 1970. alguns fatores importantes da agricultura orgânica tornam barreiras para maiores incentivos públicos e privados. sendo assim necessária uma mudança de visão da sociedade em geral.2. em um cenário atual de crise financeira em muitos dos países de baixa renda. rumo ao desenvolvimento sustentável. (BRASIL. Tudo isto contribui como uma forte barreira ideológica a ampliação de uma agricultura mais limpa. sendo uma realidade nos dias atuais. Uma mudança para um enfoque orgânico e agroecológico parece implicar a necessidade de níveis mais altos de fundos públicos para apoiar a pesquisa e o trabalho de extensão.56 que o enfoque orgânico e agroecológico parecem requerer mais intensivamente. durante o período áureo da expansão dos agroquímicos. se relaciona um novo problema a um suposto veneno que o resolverá. ao longo dos anos. E mesmo com a perda de eficiência dos agroquímicos. na qual. (KHAUTOUNIAN. 2. e ainda tinham como contribuição importantes facilidades financiadas pelas companhias que vendiam os produtos químicos. 2001) As preocupações com a saúde humana e ambiental eram consideradas alarmistas. frisando que estes produtos constituíam um meio eficaz e eficiente de resolver os problemas ligados à nutrição animal e à sanidade vegetal. 2007) Com isso percebe-se que para a ampliação do mercado econômico é de extrema necessidade a formulação de políticas que deem condições de fomentar este mercado. Entretanto. esta resistência tem se . houve um grande esforço de convencimento dos agricultores por parte do meio técnico ligado à agricultura. e o surgimento de novas pragas muitos agricultores ainda não conseguem visualizar saídas sem a utilização dos produtos da indústria química. que até então é caracterizado com um nicho. 2007) A ênfase do enfoque orgânico e agroecológico em desenvolver ciclos fechados e a utilização dos recursos disponíveis localmente restringem as vendas de alguns insumos para os agricultores. entretanto.

a maior parte das técnicas de controle fitossanitário e de manejo da fertilidade são preventivas. (KHAUTOUNIAN.3 Treinamento dos técnicos e dos agricultores Antes da Segunda Guerra Mundial a maior parte dos problemas ligados os desenvolvimento de lavouras e criações era resolvidas através de práticas biológicas e/ou vegetativos. 2. Com a disseminação dos insumos químicos. podendo comprometer sua credibilidade profissional. as técnicas são curativas. porque os efeitos de práticas preventivos e inespecíficos não são imediatamente visíveis.2. o modelo agroquímico fixou uma lógica segundo a qual cada problema corresponde a uma solução utilizando-se de insumo químicos. 2001) Entretanto. especialmente para os técnicos. Isso resultou na dominação do modelo agroquímico. (KHAUTOUNIAN. (KHAUTOUNIAN. 2001) Além do mais. especificas e centradas em produtos ou operações. 2001) 2. Em contrapartida. os mesmo problemas raramente se encontram uma única causa ou uma única solução.57 enfraquecido nos últimos anos devido o crescimento do mercado orgânico e a contribuição da mídia a cerca dos problemas ambientais causados pela agricultura convencional e das correções desses mesmos problemas pelas iniciativas da produção orgânica.2. e como consequência os agricultores desaprenderam as práticas biológicas/ vegetativas.4 Definição legal e certificação da produção orgânica A definição legal de produto orgânico é um requisito para ocupar o setor formal de distribuição de alimentos. inespecíficas e centradas em processos. no modelo convencional.3.3. Quando se observa a produção orgânica. há uma dificuldade em incorporar os princípios da produção orgânica. por agregar confiabilidade e permitir o . 2001) Na agricultura orgânica. (KHAUTOUNIAN. estes procedimentos foram sendo abandonados.

Neste caso não é o inspetor quem certifica. seja na relação com o consumidor final individual . para Medaets e Fonseca (2005). e é ele que atesta por certificado a qualidade. E hoje é visto como referência no mercado de produtos orgânicos. Sendo assim. A certificação do produto orgânico visa garantir a qualidade do produto. (KHAUTOUNIAN. E. apregoa-se a garantia de qualidade dos produtos para que estes sejam comercializados”. desde a produção até o consumo. 2001) De acordo com Darolt (2007. mas todos os protocolos são encaminhados ao organismo certificador. uma vez que. (KHAUTOUNIAN.58 enquadramento na legislação de proteção do consumidor. os quais devem estar em conformidade e ser reconhecidos pelas partes envolvidas. que não são os produtores/agricultores que asseguram aos compradores a qualidade de seus produtos. Segundo Medaets e Fonseca (2005). A este tipo de garantia se denomina atualmente de "conformidade social". dentro dos critérios estabelecidos em lei. p 47) “a certificação é uma expressão do processo de institucionalização. o qual está mais próximo do mercado das relações diretas. é indispensável o selo de certificação. que possui referência no mercado nacional e internacional. Ainda de acordo com o mesmo autor. a certificação envolve formalizar as normas e procedimentos a serem verificados. a partir de inspeção externa feita nas propriedades e de análises laboratoriais. a IFOAM criou suas normas e o seu sistema de certificação. o sistema de garantia de terceira parte corresponde à certificação por auditoria externa. que envolve o marco legal dos orgânicos. assim ocorre "um processo de intermediação da confiança". Para a comercialização internacional dos produtos orgânicos. verificam se a produção está em conformidade com o padrão ISO definido. que acabou se tornando padrão mundial. baseia-se na confiança e participação dos envolvidos no processo para que haja a garantia da qualidade do produto. 2001) No Brasil existem dois tipos de garantia da qualidade dos produtos orgânicos: o sistema de garantia de terceira parte e a certificação participativa. Neste caso a garantia quanto à qualidade do produto não é dada pelos produtores nem tampouco pelo Estado. na qual seu selo é passaporte para a maioria dos países importadores. Esta parte é representada por organismos certificadores. mas sim por uma terceira parte. o que implica a relação com os diferentes tipos de mercado que se constroem. mas sim um organismo certificador. através dela. Já a certificação participativa. que.

onde a elaboração e a verificação das normas de produção ecológica são realizadas com a participação efetiva dos agricultores. entidade que deu início no Brasil em 1998. A certificação participativa é uma forma diferente da certificação que.59 ou coletivo. compra direta de agricultores e associações). seja com determinados programas do mercado institucional (merenda escolar. Logo abaixo. permite o respeito e a valorização da cultura local através da aproximação de agricultores e consumidores e da construção de uma Rede que congrega iniciativas de diferentes regiões (REDE ECOVIDA DE AGROECOLOGIA. a troca de experiências e verificação do Conselho de Ética. O selo Ecovida é obtido após uma série de procedimentos desenvolvidos dentro de cada núcleo regional. buscando o aperfeiçoamento constante e o respeito às características de cada realidade. além de garantir a qualidade do produto ecológico. Ali ocorre a filiação à Rede. define a certificação participativa: A certificação participativa é um sistema solidário de geração de credibilidade. consumidores. A Rede Ecovida de Agroecologia. segue o quadro 6 apresentando as diferenças entre os dois sistemas de garantia de qualidade dos produtos orgânicos: . 2006).

(IPARDES. Pois. Isto se torna particularmente importante quando se trata da comercialização com os mercados de circuito longo. em que a garantia através da certificação por selo evidencia que a relação é unicamente com o produto. um aspecto que permanece preocupando as entidades.25) Entretanto. e também com o da exportação. como o custo da certificação tem variado de 0. limitando suas transações comerciais com distintos tipos de mercado ou mesmo inviabilizando-as. dos componentes de avaliação social.5% a 2. como os grandes equipamentos do varejo. é praticamente impossível para pequenos agricultores e pequenas agroindústrias arcarem com tal desembolso. reputação do produtor e da assistência técnica e e organismo certificador.60 COMPONENTES DO SISTEMA DE GARANTIA DE QUALIDADE GARANTIA DE TERCEIRA PARTE GARANTIA SOLIDÁRIA Padrões Meios de verificação Inspeção Registros Documentação Construção em processo de revisão periódica Não exige inspetor externo Realizados de maneira sistemática Mantida descentralizada Construção em processo de revisão periódica Existe inspetor externo Realizados de maneira sistemática Mantida centralizada Organismos certificados Funções de certificação e assessoria técnica Decisão de certificação Técnico Comunicação de qualidade Integrada Separada Descentralizada Centralizada Residente na Externo comunidade Selo. reputação do produtor Selo. processadores e agricultores familiares. p. organizações e agricultores que atuam no movimento orgânico refere-se aos interesses distintos entre certificadoras.5% do valor da produção orgânica. 2007) . Quadro 10: Sistemas de garantia de qualidade Fonte: Medaets e Fonseca (2005.

2007) Assim. então.2.5 Custos na produção orgânica De acordo com Brasil (2007) os custos de conversão e de certificação representam importante barreira à entrada neste mercado. especialmente para pequenos produtores.61 2. para ter condições de se fixar no mercado e consequentemente ampliar o mesmo. pois o produto gerado durante o processo de conversão não pode ser comercializado como orgânico. Além da taxa de filiação à certificadora. o custo de certificação representa uma importante barreira à entrada para os pequenos produtores e também um entrave para sua permanência como produtor no setor. (BRASIL. Ele só é designado como tal depois de terminado o período de conversão e finalizada a análise dos resultados e. de acordo com a produção. Algumas certificadoras ainda cobram percentuais sobre o faturamento aumentando os custos com certificação. é de 12 meses para hortaliças. acatadas as recomendações das certificadoras. O período mínimo de conversão. Os custos com a certificação são os fatores preponderantes para os altos custos totais com a produção. . o produtor é obrigado a arcar com custos relacionados à análise química do solo e com despesas com o inspetor. a exemplo do que ocorre em muitos países. Os custos inerentes ao período de transição da agricultura convencional para a orgânica são elevados. faz-se necessário o governo criar programas que isentam os pequenos produtores de pagarem as taxas referentes à certificação por um determinado período. o que por sua vez contribui para os preços geralmente mais elevados dos produtos orgânicos encontrados no mercado. culturas anuais e pastagens e de 18 meses para culturas perenes. (BRASIL.3. 2007) Considerando que a produção orgânica é mais comum em pequenas propriedades agrícolas de caráter familiar. de modo que a atuação do Estado na concessão de crédito pode ser um estímulo aos produtores.

o agricultor se relaciona com a indústria à qual está integrada. será descrito cada tipo de mercado que comercializam os produtos orgânicos. Segundo Khautounian (2001. p. 2001) De acordo com IPARDES (2007) os produtos orgânicos podem ser comercializados pelos seguintes canais de distribuição: venda direta. os agricultores com . Isso cria vínculos sociais e econômicos mais robustos. (KHAUTOUNIAN. na sua relação com os atacadistas. e por estar sendo um mercado lucrativo. mercado de transformação. no Brasil têm surgido várias iniciativas de comercialização de produtos orgânicos no atacado. além de tornar visível a agricultura ecológica para toda a sociedade. 47) “a lógica dos supermercados é forçar preços para baixo.” Ainda de acordo com o mesmo autor. que por sua vez forçam ainda mais para baixo para os agricultores. varejo. No mercado da venda direta predominam como agentes o agricultor/produtor e o próprio consumidor.6 Estruturas de comercialização De acordo com Khautounian (2001. Consequentemente vão se destruindo os vínculos econômicos do agricultor com seu meio geográfico. o máximo possível. uma ideia bastante forte é de que a base da economia tem de ser local ou regional. situação típica em feiras livres. No mercado do varejo os principais agentes são os equipamentos do varejo – redes de hiper e supermercados. os supermercados permitem o escoamento de grandes volumes de produtos e permitem ao agricultor dedicar-se exclusivamente à produção. os agricultores individuais e as associações de agricultores. No mercado de transformação os principais agentes são as empresas de transformação – processadoras e beneficiadoras –. os quais estabelecem uma relação face a face no processo de comercialização.2. terminando por isolar do contexto social em que ele vive. 46) “Na filosofia do movimento orgânico. lojas especializadas e outros –.62 2. esta por sua vez se vincula com mercados distantes. supermercados locais e regionais. fora do alcance do agricultor. as empresas de transformação e distribuição de produtos orgânicos.” Na agricultura convencional ocorre totalmente ao contrário. mercado externo e mercado institucional. p. Seguindo as ideias do mesmo autor.3. entrega de sacola e venda direta na propriedade. Por essas razões.

e os agricultores. muitas das práticas orgânicas não seriam possíveis sem a contribuição da pesquisa. Com isso. 47) “a investigação agrícola é a pedra angular do futuro desenvolvimento da agricultura orgânica. sendo caracterizada com a venda direta. é nítido que num futuro bem próximo. a expansão da agricultura orgânica tem ocorrido em função da experiência acumulada pelos agricultores e alguma contribuição de técnicos de campo e pesquisadores envolvidos com o tema.” E. especialmente em termos de variedades bem adaptadas e resistentes a pragas e doenças. ainda para o mesmo autor. desde as federais às municipais.7 Investigação agrícola Para Khautounian (2001. 2.3. na relação face a face ou no mercado externo. seja no varejo. através de entidades representativas. Assim. direta ou indiretamente. as organizações de investigação que contribuem para . a lógica da agricultura orgânica é fortalecer a economia local. e os demais tipos de mercado onde os produtos são comercializados. em que estão envolvidos como agentes empresas comerciais que atuam segundo demandas preestabelecidas por compradores externos. sendo raro o aporte por investigação formal. O mercado externo é voltado para a exportação.2. Aqui também têm papel importante associações e/ou cooperativas de agricultores que atuam na transformação de alimentos. entretanto. tornou-se necessário a comercialização em redes varejistas. bem como organizações de agricultores. No mercado institucional os agentes envolvidos são instituições governamentais. p. Portanto. forçando a estruturação de um sistema atacadista. este respaldo torna-se insuficiente para haver expansão significativa do mercado de produtos orgânicos. de controle de pragas sem inseticidas e de técnicas de preservação do solo e água.63 fornecedores de matéria-prima. que possuam solucionar os problemas alimentares e ambientais que a humanidade convive. Entretanto. com o aumento da demanda nos dias atuais.

com os estudos a respeito do meio ambiente. 2.3. que permitiu o cultivo e o consumo de produtos fora das regiões e dos períodos propícios à sua produção. mas a alma percebe seu vazio.64 o desenvolvimento de uma agricultura mais sadia. (KHAUTOUNIAN. enche estômago. 2001) . Assim. Enche o estômago.2. nos padrões de consumo que impactam diretamente o meio ambiente. p. a sazonalidade e a regionalidade que são características da alimentação humana. de vínculo com o meio ambiente. conhecida no meio gastronômico como comida internacional. mas não alimenta a alma do contexto de aromas. Entretanto. (KHAUTOUNIAN. 48) Assim.3. torna-se descaracterizada. de histórias. almejada pela sociedade em geral. obterá vantagem em relação às demais. na qual todos aqueles que não conseguiam melhores oportunidades de trabalho se direcionavam para as atividades do campo. a atividade agrícola sempre foi vista como umas das mais vis ocupações. em escala global. “Não pertence a lugar nenhum.” (KHAUTOUNIAN. não tem sabor de coisa alguma. tendo percebido a necessidade de conservá-lo e tendo descoberto como a agricultura convencional tem causado danos ao meio ambiente.8 Reeducação do consumidor A agricultura convencional possibilitou a mudança nos padrões de consumo através dos agroquímicos. percebe-se que para haver uma mudança. é necessário que haja um grande esforço na reeducação alimentar do consumidor. o agricultor passa a ser visto como o indivíduo que gerencia uma parte da biosfera. 2001.2. por conta da contaminação da água. 2001) Com isso. 2. e do qual depende a sanidade do alimento humano e do ambiente. do solo e dos alimentos.9 Como os agricultores e a sociedade veem o trabalho agrícola Tradicionalmente.

como de gestão e supervisão da mão de obra.10 Estreitamento do vínculo do agricultor com a terra e dos vínculos dos envolvidos na produção entre si Nos últimos anos. nos dias atuais pode se observar na agricultura orgânica novas iniciativas que possibilitam maior estreitamento do vínculo dos agricultores com a terra e entre pessoas envolvidas na produção. Com o tempo esse distanciamento físico tende a fortalecer a monocultura e a enfraquecer a ligação e o conhecimento do agricultor sobre sua propriedade. 2001) Considerando que a produção orgânica é mais comum em pequenas propriedades agrícolas de caráter familiar. permite uma relação mais estreita entre os membros do processo produtivo. (KHAUTOUNIAN. (KHAUTOUNIAN. mas também na área da saúde. o agricultor mantém uma relação mais humana com sua mão de obra. 2001) 2. as exigências do profissional agrônomo também mudaram da esfera da produção para a de preservação ambiental e da saúde. reforçando os vínculos de solidariedade e o sentimento de pertencimento a grupo de objetivos em comum. 2001) Ainda.2. Em contrapartida. o que resulta na diminuição de alguns custos produtivos. e consequentemente. 2007) . as relações de empregado e empregador tende a ser exclusivamente econômica.65 Contudo. o agricultor não se restringe ao âmbito da produção. aliada a facilidade de acesso à educação e outros serviços.3. (KHAUTOUNIAN. os agricultores têm se mudado para meio urbano. esse afastamento das propriedades muda as relações de trabalho entre o agricultor e seus empregados. que não exige a presença diária do produtor. 2001) No entanto. ao se afastar da propriedade. necessários ao controle de qualidade do processo de produção. e por essa razão pode-se visualizar maior êxito na produção. Sendo assim. em função da predominância das culturas totalmente mecanizadas e da monocultura. (IPARDES. Enquanto vive na propriedade. (KHAUTOUNIAN. os agricultores ainda não se deram conta dessa nova realidade e das novas exigências e vantagens que ela possibilita.

mas também uma fonte de vida existe a preocupação pela preservação dos recursos naturais. A vida da família na propriedade também possibilita o conhecimento detalhado dos diversos ambientes da propriedade. facilita o desenho específico de sistemas produtivos.66 Dado que a propriedade familiar é tanto um espaço de produção como um espaço de estabelecimento e reprodução da família. isto é. a terra e seus recursos não são apenas uma fonte objetiva de renda. . sem dúvida. pode-se afirmar que a proposta orgânica pode expressar seu maior vigor quando se amplia da simples produção sem agroquímicos para uma convivência mais saudável do homem com a natureza e dos homens entre si. (IPARDES. o que. fazendo da agricultura familiar o principal veículo de transição para a agricultura baseada nestes princípios. Esta preocupação facilita a incorporação dos princípios ecológicos. 2007) Desta forma.

69% (163 pessoas) dos entrevistados consomem produtos orgânicos e 37.67 3 RESULTADOS Nesta parte do trabalho serão apresentados os resultados obtidos a partir da coleta de dados. De acordo com o quadro 11. verifica-se que 74 entrevistados definem o produto orgânico como um produto saudável.31% (97 pessoas) não consomem. e para tabular os dados foi necessário separar os questionários por categorias de respostas. em algumas feiras da cidade e na UEL. Analisando os . A seguir serão demonstrados os dados coletados através de gráficos e quadros. a partir da aplicação de questionários com os consumidores de Londrina. A aplicação do questionário aconteceu entre os dias 09 de abril de 2011 e 29 de maio de 2011.31% Sim Não 62. sendo entrevistadas 260 pessoas. que se deu de maneira quantitativa. Você consome produtos orgânicos? 37. Percebe-se que uma parcela considerável da população londrinense já aderiu ao consumo ecologicamente correto.69% Gráfico 1: Você consome produtos orgânicos? Fonte: Dados da Pesquisa Esta questão era do tipo aberta. 169 entrevistados o define como produto livre de agrotóxicos e produtos químicos e 17 entrevistados não sabem defini-lo. Através do gráfico 1 pode-se verificar que 62.

16 entrevistados afirmaram que sempre que vão comprar o produto se informam com o feirante ou com as pessoas do estabelecimento. utilizou o mesmo procedimento de tabulação da questão anterior. DEFINIÇÃO DO PRODUTO ORGÂNICO Categoria Quatidade Saúde 74 Sem agrotóxico/ produtos 169 químicos Não sabe definir 17 Total 260 Quadro 11: Definição do produto orgânico Fonte: Dados da Pesquisa Esta questão também era do tipo aberta. verificou-se que a maioria dos entrevistados que não sabem identificar o produto orgânico corresponde aos não consumidores. no caso dos supermercados. e. 14 entrevistados identificam o produto através da aparência. tem-se que 125 entrevistados identificam o produto orgânico pela embalagem diferenciada e pelo selo das certificadoras. Assim como a definição do produto orgânico. IDENTIFICAÇÃO DO PRODUTO ORGÂNICO Categoria Quantidade Emabalagem/ Selo 139 Locais específicos 45 Informação 16 Preço diferenciado 8 Não sabe identificar 52 Total 260 Quadro 12: Identificação do produto orgânico Fonte: Dados da Pesquisa .68 questionários. Observando o quadro 12. 45 entrevistados mencionaram que compram em locais específicos ou procuram as sessões específicas nos supermercados. analisando os questionários. pôde-se observar que aqueles que não souberam definir o produto orgânico também correspondem aos não consumidores do mesmo. portanto. 8 entrevistados afirmaram que identificam através do preço elevado/ e ou diferenciado e 52 elementos da amostra estudada não sabe identificar o produto orgânico.

que corresponde a 97 pessoas. Assim. outro fator relevante foi a dificuldade de acesso destes produtos apontado por 43 pessoas. Com o aumento da demanda. aquela parcela que não consome 37.69 Mesmo a maioria dos entrevistados afirmando consumir os produtos orgânicos.31%. na qual os entrevistados poderiam escolher mais de uma alternativa. Motivos que impedem o consumo de produtos orgânicos Preço elevado 55 Dificuldade de acesso 43 Variedade Baixa divulgação da mídia 18 13 14 8 Desconhecimento dos atributos dos produtos orgânicos Outros Gráfico 2: Motivos que impedem o consumo de produtos orgânicos Fonte: Dados da Pesquisa . De acordo com o gráfico 2. 13 a variedade dos produtos e 8 outros motivos. o que possibilita a redução de preço dos mesmos. Em seguida 18 entrevistados apontaram o desconhecimento dos atributos do produto orgânico. afirmaram que o preço e a dificuldade de acesso são os fatores de maior impacto que impedem o consumo destes produtos. Através disso pode haver um aumento no consumo destes produtos. os produtores se sentirão motivados a produzir. Vale lembrar que esta foi uma questão de múltipla escolha. consequentemente aumenta a oferta de produtos orgânicos. verifica-se que 55 destes entrevistados afirmaram que o preço ainda é o fator que mais limita o consumo de produtos orgânicos. podese inferir que é necessário desenvolver ações que disseminem os conhecimentos para os consumidores a cerca dos atributos que compõem o produto orgânico e um trabalho de maior impacto da mídia. 14 a baixa divulgação da mídia.

69% dos entrevistados. Assim. que consomem com bastante frequência. pois 56 entrevistados mencionaram consumir este produto semanalmente. Consome Produtos Orgânicos X Frequência de Consumo Não Consome Semanalmente Mais de uma vez por semana A cada 15 dias 96 Outros 56 42 49 14 2 Sim Não 1 Gráfico 3: Consumo de Produtos Orgânicos X Frequência de Consumo Fonte: Dados da Pesquisa Os gráficos 4. 2: Pouco importante. pode-se observar. afirmaram consumir a cada 15 dias. 4: Muito Importante. Ainda observa-se que 49 consumidores de produtos orgânicos da amostra. . e 5: Extremamente importante. este é um mercado em potencial na cidade de Londrina. 3: Importante. de acordo com o gráfico 3. ou seja.70 Dentre aqueles que afirmaram consumir produtos orgânicos (62. sendo que 42 entrevistados consomem mais de uma vez por semana. tem-se que os produtos orgânicos estão com frequência presente na alimentação dos seus consumidores. portanto. 163 pessoas).5 e 6 se referem a questões que continham grau de importância variando de 1 a 5. sendo que: 1: Sem importância.

14 mencionaram importância na relação entre o consumo e a saúde. Desta forma.71 Nestes gráficos será demonstrada a importância dos fatores preocupação com a saúde. Assim busca identificar qual fator é mais importante para o consumidor de produtos orgânicos. De acordo com o gráfico 4. preocupação com o meio ambiente e sabor e/ou valor nutricional dos produtos orgânicos no consumo dos mesmos. 5 acreditam que há pouca importância e 6 afirmam que não importância alguma para a saúde. verifica-se que 116 dos consumidores de orgânicos entrevistados consomem estes produtos porque são extremamente importante para a saúde. conclui-se que o fator saúde é relevante para consumir produtos orgânicos. 22 acreditam ser muito importante para a saúde. Consumo de Produtos Orgânicos X Importância da Saúde 116 96 Não Consome Sem Importância Pouco Importante Importante 22 14 6 5 1 Muito Importante Extremamente Importante Sim Não Gráfico 4: Consumo de Produtos Orgânicos X Saúde Fonte: Dados da Pesquisa. .

15 afirmaram que este fator é muito importante. Consumo de Produtos Orgânicos X Importância do Meio Ambiente Não Consome 94 97 Sem Importância Pouco Importante Importante 18 10 1 25 15 Muito Importante Extremamente Importante Sim Não Gráfico 5: Consumo de Produtos Orgânicos X Meio Ambiente Fonte: Dados da Pesquisa . observa-se que 94 consumidores de orgânicos entrevistados afirmaram que o fator ecológico é importante no momento de decisão de compra ao preferir produtos orgânicos a produtos convencionais. 18 disseram ter pouca importância e 10 afirmaram que o fator ambiental não influencia na decisão de compra. 25 responderam ser extremamente importante.72 Com base no gráfico 5.

visto que os consumidores sabem da importância dos mesmos. Verifica-se que 30 entrevistados afirmaram que o sabor dos alimentos orgânicos é extremamente importante. . assim como foi apresentado nos gráficos 4. 5 e 6. 25 disseram ser importante. Estes gráficos também irão representar questões com grau de importância. Consumo de Produtos Orgânicos X Importância do Sabor 97 Não Consome 71 Sem Importância Pouco Importante 24 25 12 1 30 Importante Muito Importante Extremamente Importante Sim Não Gráfico 6: Consumo de Produtos Orgânicos X Sabor Fonte: Dados da Pesquisa Nos gráficos 7. desejam consumi-los porém existem limitantes.9 e 10 será demonstrado os fatores que limitam o consumo de produtos orgânicos. 24 mencionaram ser pouco importante e 12 afirmaram não ter importância alguma. sendo muito relevante para optar pelo consumo de produtos orgânicos. percebe-se que 71 dos consumidores de orgânicos entrevistados afirmaram que o sabor e/ou valor nutricional é um fator muito importante no momento de decisão de compra. 8.73 Com base no gráfico 6.

74 No gráfico 7 observa-se que 88 dos consumidores entrevistados afirmaram que o preço é um fator extremamente limitante para o consumo destes produtos. 19 afirmaram ser pouco importante e 14 mencionaram não haver importância alguma. 20 afirmaram ser importante. Consumo de Produtos Orgânicos X Importância do Preço 96 88 Não Consome Sem Importância Pouco Importante Importante 19 20 22 1 Muito Importante 14 Extremamente Importante Sim Não Gráfico 7: Consumo de Produtos Orgânicos X Preço Fonte: Dados da Pesquisa . 22 afirmaram que este fator é muito importante. Com isso. percebe-se que o preço ainda é um fator que exerce muita influência no momento da decisão de compra.

pois basta procurar por eles que os encontram. verifica-se que dentre os consumidores de produtos orgânicos entrevistados. E 6 entrevistados não responderam a esta questão. que não é um fator limitante para a aquisição dos produtos orgânicos. 46 afirmaram que a dificuldade de acesso aos produtos orgânicos é um fator importante que limita o consumo. 42 acreditam que é um fator muito importante. Consumo de Produtos Orgânicos X Importância do Acesso 96 Não Consome Sem Importância 46 32 6 12 1 Pouco Importante 42 25 Importante Muito Importante Extremamente Importante Sim Não Gráfico 8: Consumo de Produtos Orgânicos X Dificuldade de Acesso Fonte: Dados da Pesquisa .75 De acordo com o gráfico 8. ou seja. 25 afirmaram ser um fator extremamente importante. e 12 disseram não haver importância. 32 afirmaram ter pouca importância.

Consumo de Produtos Orgânicos X Importância da Variedade 96 Não Consome Sem Importância 54 33 49 Pouco Importante Importante Muito Importante 10 1 7 10 Extremamente Importante Sim Não Gráfico 9: Consumo de Produtos Orgânicos X Variedade Fonte: Dados da Pesquisa .76 Com base no gráfico 9. 10 de extrema importância. 33 de pouca importância. Verifica-se também que 49 afirmaram ser um fator limitante de muita importância. observa-se que 54 dos consumidores de orgânicos entrevistados afirmaram que a variedade de produtos disponíveis nos locais de compra é um fator importante quando se refere a limitação de consumo dos mesmos. 10 disseram não haver importância e 6 não responderam esta questão.

Ainda sobre este gráfico. 25 afirmaram ser extremante importante. 32 disseram ser de pouca importância. 12 mencionaram ser de nenhuma importância e 6 entrevistados não responderam este item. Consumo de Produtos Orgânicos X Importância daDivulgação na Mídia 97 Não Consome Sem Importância 46 42 32 6 12 25 Pouco Importante Importante Muito Importante Extremamente Importante Sim Não Gráfico 10: Consumo de Produtos Orgânicos X Divulgação na Mídia Fonte: Dados da Pesquisa . pois acreditam que se houvesse uma divulgação mais intensa sobre estes produtos. observa-se que dos consumidores de produtos orgânicos entrevistados. 46 afirmaram que a divulgação da mídia dos produtos orgânicos é um fator importante quando se trata de limitação de consumo. comunicando sua importância e seus atributos poderia haver um aumento significativo do consumo. verifica-se que 42 entrevistados afirmaram que a pouca divulgação da mídia é um fator de muita importância que restringe o consumo destes produtos.77 Com base no gráfico 10.

observando o gráfico 11 verifica-se que 98 pessoas afirmaram consumir em maiores quantidade os hortifrutis. 65 pessoas apontaram as leguminosas. 41 apontaram os processados e 3 mencionaram outros tipos de produtos orgânicos.78 Esta questão também era de múltipla escolha. portanto os entrevistados escolheram várias alternativas e apenas os consumidores de produtos orgânicos que a respondeu. Esse resultado pode ter sido obtido fato de os hortifrutis e leguminosas serem mais fáceis de encontrar em maiores quantidades e variedades nos locais de venda. Assim. Tipos de produtos orgânicos de maior consumo 98 Hortifruti Leguminosas 65 41 Processados Outros 3 Gráfico 11: Tipo de produtos orgânicos de maior consumo Fonte: Dados da Pesquisa .

adequado 8 Total 163 Quadro 13: Produtos difíceis de encontrar Fonte: Dados da Pesquisa .79 Esta questão era do tipo aberta. De acordo com o quadro 13. verifica-se que 51 entrevistados afirmaram encontrar maior dificuldade para encontrar hortifrutis. Ainda observando o quadro 13 tem-se que 40 entrevistados afirmaram que os processados são mais difíceis de encontrar. 22 entrevistados mencionaram as leguminosas. visto que 29 destes entrevistados mencionaram que a grande dificuldade de acesso é no caso das frutas. assim para tabular os dados foi necessário separar os questionários por categorias e lembram que apenas aqueles que afirmaram serem consumidores de produtos orgânicos responderam esta questão. 163 pessoas. PRODUTOS DIFÍCEIS DE ENCONTRAR Categoria Quantidade Hortifrutis 51 Processados 40 Leguninosas 22 Não há dificuldade 42 Não resp. ou seja. pois sabem os locais que podem encontrálos e sempre que procura os encontram. e 42 entrevistados afirmaram não encontrar dificuldades para encontrar os produtos.

36. 12.62% em outros locais.93 %consumidores de produtos orgânicos entrevistados (62.42% 0.02% nas feiras.93% 36.62% Outros Gráfico 12: Local onde compra os produtos orgânicos Fonte: Dados da Pesquisa . verifica-se que os 50.42% direto do produtor e 0.80 Analisando o gráfico 12. Isso pode acontecer devido o fato de que os supermercados e feiras são de fácil acesso estando disponíveis em todas as regiões da cidade. 163 pessoas) compram em maior parcela nos supermercados. Local onde compra os produtos orgânicos 50. e ainda os produtos de supermercados têm o selo das certificadoras que garantem a qualidade do produto orgânico.02% Feiras Supermercados Direto do produtor 12.69% dos entrevistados. ou seja. Enquanto que a venda direta é baseada numa relação de confiança entre o produtor e o consumidor e em Londrina não há um número representativo de produtores de orgânicos que consiga atender a todos os consumidores de produtos orgânicos.

Sabe-se que de acordo com os sensos há uma diferença entre o número de mulheres e homens.69% Gráfico 13: Gênero Fonte: Dados da Pesquisa . Gênero 32. observa-se 67. enquanto 32.81 De acordo com o gráfico 13. sendo o público feminino a maioria. Sendo assim.69% dos entrevistados são do sexo feminino.31% da amostra estudada pertencem ao sexo masculino.31% Masculino Feminino 67. entretanto esta diferença não é tão significativa como aconteceu nos resultados deste trabalho. este resultado pode ter sido obtido em função de a maioria das mulheres se responsabilizarem por fazer as compras do supermercado e da feira.

Consome Produtos Orgânicos X Gênero Masculino Feminino 118 58 45 39 Sim Não Gráfico 14: Consumo de Produtos Orgânicos X Gênero Fonte: Dados da Pesquisa . verifica-se que dentre os entrevistados que consomem produtos orgânicos. podendo haver maior preocupação no caso de ter crianças no lar. e muita delas são mães de famílias. 118 deles são do sexo feminino enquanto 45 pertencem ao sexo masculino. e busca. pode-se considerar que este resultado se deu em função de as mulheres estarem mais preocupadas e sensíveis com os aspectos relacionados à saúde. E dentre os entrevistados que não consomem estes produtos também a maioria são mulheres. no qual apresenta os dados referentes ao consumo de produtos orgânicos e ao gênero dos entrevistados. garantir uma alimentação saudável a todos. Com isso.82 Analisando o gráfico 14. correspondendo a 58 pessoas e 39 homens.

83 De acordo com o gráfico 15. 23. na qual 31.08% Até 25 De 26 a 35 De 36 a 45 De 46 a 60 Acima de 60 1.92% Gráfico 15: Idade Fonte: Dados da Pesquisa . observa-se que a maioria dos entrevistados é jovem. Idade 31. e isso já era previsto na amostra estabelecida como objeto de estudo deste trabalho a partir dos dados do IBGE.62% têm entre 26 e 35 anos.85% têm entre 36 e 45.08% têm entre 46 e 60 anos e apenas 1.85% 18. verifica-se que a amostra estudada é composta por uma grande parcela de jovens. 18. 24.54% 24. porém em outras proporções.62% 23. Assim.54% têm até 25 anos.62% dos entrevistados têm acima de 60 anos.

39 com idade entre 46 e 60 anos e 5 com idade acima de 60 anos.84 De acordo com o gráfico 16. quando se analisa os nãos consumidores tem-se que o número mais significativo representa os jovens de até 25 anos. tem-se que a maioria tem até 25 anos. verifica-se que 34 dos entrevistados com idade até 25 anos afirmaram consumir produtos orgânicos. 33 com idade entre 26 e 35 anos. verifica-se também que há um consumo significativo por parte dos jovens. na qual se pode concluir que este segmento da população está se preocupando também com os aspectos relacionados à saúde e ao meio ambiente. o que corresponde 48 entrevistados. as quais são mais conscientes dos benefícios obtidos com o consumo dos produtos orgânicos e estão mais preocupadas com a saúde. 52 com idade entre 36 e 45 anos. Consome Produtos Orgânicos X Idade Até 25 anos De 26 a 35 anos De 36 a 45 anos De 46 a 60 anos 52 39 34 33 31 48 Mais de 60 anos 10 5 8 Sim Não Gráfico 16: Consumo de Produtos Orgânicos X Idade Fonte: Dados da Pesquisa . Com isso percebe-se que muitos jovens ainda estão voltados para o consumo imediato e não estão dispostos a pagar um preço elevado por uma alimentação mais saudável e ecologicamente correta. Analisando aqueles que não consomem produtos orgânicos. A partir disso pode-se constatar que o maior consumo se dá por pessoas adultas. Por outro lado. Entretanto.

apenas 7.31% são divorciados e 1.31% 1.15%. tem-se que não há uma diferença muito significativa entre o público solteiro e casado. E.92% dos entrevistados é viúvo.15% Solteiro Casado Divorciado Viúvo 7.62% dos entrevistados e os casados 46. Estado Civil 44.62% 46.92% Gráfico 17: Estado Civil Fonte: Dados da Pesquisa .85 De acordo com o gráfico 17. na qual os solteiros representam 44.

percebe-se que a maioria dos entrevistados tem elevado nível de escolaridade.86 Obervando o gráfico 18. na qual se dirigem às feiras para satisfazer suas necessidades.15% 2.77% 1. isso supõem que as pessoas mais informadas e conscientes buscam uma alimentação mais saudável. sendo que 48.85% Gráfico 18: Grau de Escolaridade Fonte: Dados da Pesquisa . Grau de Escolaridade 48. Este resultado pode ter ocorrido em função de 15% dos questionários terem sidos aplicados na UEL e o restante nas feiras.15% 1° Grau Completo 2° Grau Incompleto 2° Grau Completo Superior Incompleto Superior Completo Outros 6.46% 1° Grau Incompleto 36.69% 3.46% representam o público com superior incompleto e o 36.15% superior completo.92% 0.

na qual além do sabor e do valor nutricional. correspondendo a 70 dos entrevistados. Consome Produtos Orgânicos X Escolaridade 1 Grau Incompleto 1 Grau Completo 2 Grau Incompleto 2 Grau Completo Superior Incompleto Superior Completo Outros 79 56 70 12 2 3 5 Sim 15 6 2 6 4 Não Gráfico 19: Consumo de Produtos Orgânicos X Escolaridade Fonte: Dados da Pesquisa . há uma preocupação em garantir alimentos saudáveis e livres do uso dos agrotóxicos e que preservem o meio ambiente. Assim. estes consumidores sabem da importância de praticar o consumo sustentável. ou seja. a maioria está concentrada em pessoas que possuem superior incompleto. E. Por outro lado. pode-se inferir que são jovens e possuem outros desejos e necessidades mais voltados para o consumo imediato. direcionando sua renda para festas e bens de consumo. os nãos consumidores. percebe-se que dentre aqueles que consomem os produtos orgânicos são pessoas com maior nível de escolaridade.87 Obervando o gráfico 19. o que corresponde a 135 entrevistados. dentre os que não consomem. O resultado dos consumidores de orgânicos justifica-se por estas pessoas serem mais informadas e conscientes a cerca dos atributos que envolvem os produtos orgânicos. com curso superior incompleto (56 pessoas) e completo (79 pessoas). mais de 50% da amostra estudada. na qual a maioria possui superior incompleto.

00. pois por conta da necessidade de cumprir o cronograma do estudo não foi possível entrevistar pessoas de todas as regiões da cidade.00 e R$ 1.180.180.450.00 e R$ 4.00 a R$ 3.69% 23.00 e 16.815.00 Acima de R$ 5.00.00 16.815.69% da amostra estudada possui renda familiar até R$ 545.360.46% 9. 9.92% 2. 23. sendo possível consumir os produtos orgânicos.92% 13.00.88 De acordo com o gráfico 20. 27.635.92% acima de R$ 5.92% entre R$ 1.23% 6.635.00 e R$ 2. Vale lembrar que estes dados podem ter sidos obtidos em função dos locais onde foram aplicados os questionários.00 De R$ 545.450.00.00 De R$ 2.69% De R$ 1.450.23% entre R$ 3.00 a R$ 2.08% Até R$ 545.00 De R$ 3. verifica-se que 2.180.00 a R$ 5.00 a R$ 4.00 De R$ 4.46% entre R$ 4.00.400.180. Renda Familiar 27.00 e R$ 3.69% entre R$ 2. 13.360.00.00 e R$ 5. Assim percebe-se que a maioria da amostra entrevistada possui considerável renda familiar.00 a R$1.360.635. 6.08% entre R$ 545.815.635.360.815.00 Gráfico 20: Renda Familiar Fonte: Dados da Pesquisa .

00 a R$ 3.00 consomem produtos orgânicos.635.450.00 e 27 entrevistados acima de R$ 5.00.815. preferindo direcionar seus recursos financeiros os bens de consumo. Assim.180.635. Quando verifica os entrevistados que não consomem produtos orgânicos.00 De R$ 1.00. que corresponde a 30 entrevistados. E os pertencentes à classe alta não consomem os produtos orgânicos porque não estão dispostos a pagar um preço diferenciado.635. Consome Produtos Orgânicos X Renda Até R$ 545.450. da amostra entrevistada.00 58 30 30 27 14 4 Sim 19 21 17 3 4 14 5 14 Não Gráfico 21: Consumo de Orgânicos X Renda Fonte: Dados da Pesquisa . apenas 17 pessoas com maior poder aquisitivo (renda familiar acima de R$ 5.450.450. tem-se que 30 entrevistados possui renda entre R$ 545.815.00 De R$ 4. conclui que os primeiros não consomem porque a renda familiar não dá condições para consumir os produtos orgânicos.00 a R$ 4. Com isso percebe-se que é a classe média que representa a maioria dos consumidores de produtos orgânicos.00 Acima de R$ 5.180.00 a R$1. Vale salientar que. a maioria (58 pessoas) possui renda familiar entre R$ 2. visto que estes possui um preço elevado em relação aos produtos convencionais. em seguida verifica que são as pessoas que possuem entre R$ 545.815.00 De R$ 3.00 a R$ 2.00 a R$ 5.00 De R$ 2.00.00) consome produtos orgânicos.360.00 e R$ 1.89 De acordo com o gráfico 21 pode-se observar que dentre os entrevistado que consomem produtos orgânicos.00 e R$ 3.00 De R$ 545.00 e R$ 1.635.360. E apenas 4 entrevistados que possuem renda até R$ 545.180.

portanto. assim o produto orgânico é definido como aquele que garante uma alimentação saudável e de qualidade. Em função dos resultados obtidos. pôde-se perceber que a maioria dos entrevistados os definiu como produto livre do uso de agrotóxicos e produtos químico e associam a um produto saudável. Fica estabelecido que haja demanda para os produtos orgânicos e. Aqueles que não souberam definir correspondem aos não consumidores de produtos orgânicos. 4. pode-se afirmar que uma parcela considerável da população londrinense já aderiu ao consumo ecologicamente correto. os quais 62. que faz bem para a saúde dos consumidores.90 4 ANÁLISE DE RESULTADOS Nesta parte do trabalho serão apresentadas as análises feitas a partir dos resultados alcançados com os questionários aplicados. pois o uso indiscriminado deste produto pode causar inúmeras doenças. Contudo. Assim será analisado o conhecimento do consumidor a cerca do produto orgânicos. bem os fatores que limitam e impulsionam o seu consumo e o perfil socioeconômico do consumidor de produtos orgânico. há um mercado em potencial que merece ser explorado. . verifica-se que o uso do agrotóxico também implica na questão da saúde. assim surge à hipótese de algumas pessoas não consomem este tipo de produto por não conhecê-lo e não saber os atributos que os compõem.69% dos entrevistados afirmaram consumir produtos orgânicos. Quanto à definição dos produtos orgânicos.1 QUANTITATIVOS Neste subitem será feita a análise a partir dos resultados alcançados com a aplicação dos 260 questionários com os consumidores de Londrina. das entrevistas com produtores de orgânicos e pessoas influentes no assunto discutido e ainda será feita uma análise cruzando algumas informações obtidas com os questionários e algumas informações das entrevistas.

Outros afirmaram que procuram por locais específicos como lojas e feiras. seguido da variedade disponível nos locais de compra e desconhecimento dos atributos dos produtos orgânicos. estes também correspondem aos não consumidores. pois os produtos convencionais são encontrados a preços menores e com maior variedade. O resultado foi que o fator de extrema importância para o consumidor que o leva a consumir os produtos orgânicos é a preocupação com a saúde. em segundo plano a preocupação com o meio ambiente e por último o sabor dos alimentos. é necessário fomentar ações voltadas para a expansão da agricultura orgânica. percebe-se a necessidade de uma maior oferta destes produtos para que consiga fornecê-los a preços mais acessíveis e com maior variedade. Analisando a frequência de consumo dos produtos orgânicos.91 E quanto à identificação dos produtos orgânicos. tem-se que os produtos orgânicos estão com frequência presente na alimentação dos seus consumidores. Assim. de modo que possibilita um número maior de produtos disponíveis para os consumidores. Quanto aos fatores que impulsionam o consumo de produtos orgânicos foram analisados o aspecto da saúde. pelo preço ou se informando com o vendedor. Também tiveram alguns que mencionaram identificar pela aparência do produto. Quando se analisou aqueles que não consomem os produtos orgânicos. Uma grande quantidade de entrevistados afirmou não saber identificar o produto orgânico. portanto. Assim percebe-se a necessidade de maior divulgação destes produtos para que os mesmo tornem-se reconhecidos por toda a população. pôde verificar que o fator que impede este consumo é o preço elevado dos produtos. e quando vão ao supermercado procuram pelas sessões destinadas aos produtos orgânicos. Desta forma. Também há a necessidade de desenvolver ações voltadas para conscientizar o consumidor sobre os atributos dos produtos orgânicos. Assim. este é um mercado em potencial na cidade de Londrina. e consequentemente com preços melhores. pois a maioria dos consumidores afirmou consumir semanalmente estes produtos e outra parcela representativa da amostra mencionou consumir mais de uma vez por semana. de modo que os motivam a consumi-los. verificou-se que praticamente metade da amostra pesquisada identifica este produto através da embalagem e/ou do selo. constatou-se que é significativo. com isso dificulta a concorrência dos produtos orgânicos. Com isso percebe-se que a importância do fator ecológico não está . do meio ambiente e sabor/ valor nutricional dos produtos.

assim estes não conseguem atender a demanda existente. muitas vezes o preço é inacessível. na qual muitos entrevistados afirmaram que basta estar disposto a comprar o produto orgânicos. a variedade de produtos e a divulgação na mídia. os entrevistados. variando de acordo com a espécie. Seguido do preço está a variedade disponível. visto que a preocupação com a saúde está em primeiro plano. os consumidores em sua maioria afirmaram que o preço é o fator que mais limita o consumo destes produtos. assim este fator é de extrema importância para disseminar o conhecimento a cerca dos produtos orgânicos para aqueles que ainda não os consomem. Isso já acontece com as frutas convencionais. a dificuldade de acesso. porque sempre que procura o encontra com facilidade e por último a divulgação na mídia. Esse resultado pode ser explicado pela perecibilidade destes produtos e ainda as frutas são disponíveis apenas em algumas épocas. torna um pouco mais difícil.92 muito difundida entre os consumidores. tornando opções mais acessíveis. a dificuldade de acesso aos produtos. No caso da venda direta. afirmaram serem os hortifruti. Com relação aos locais de compra dos produtos orgânicos. alguns afirmaram que mesmo desejando consumir e tendo consciência da importância de consumi-los. em sua maioria. Quanto aos fatores que limitam o consumo de produtos orgânicos foi analisado o preço. pois há muita diferença entre os preços dos produtos convencionais e orgânicos. e . além do que este tipo de venda é baseado em uma relação de confiança entre o produtor o consumidor. havendo uma ressalta para as frutas. em função do número restrito de produtores orgânicos na região de Londrina. verificouse que a maioria dos entrevistados os adquire nos supermercados e outra parcela significativa nas feiras. verificou-se que os hortifrutis foram aprontados como os mais difíceis de serem encontrados. pois com o armazenamento por muito tempo faz perder algumas propriedades. visto que aqueles que consomem não veem muita importância nesse aspecto porque já conhecem os atributos e suas qualidades. seguidos por leguminosas e por último os processados. Esse resultado pode ser explicado pelo fato de que tanto as feiras quanto os supermercados estão disponíveis em todas as regiões da cidade de Londrina. e no caso da orgânica isso é mais incidente. Assim como aqueles que não consomem produtos orgânicos. Entretanto. Em relação aos tipos de produtos orgânicos que mais são consumidos. E apenas uma minoria compra direto do produtor.

Em relação ao grau de escolaridade. e ainda estão voltados para o consumo imediato. principalmente se tiver filhos pequenos. enquanto o público masculino entrevistado corresponde a 45 pessoas. Assim percebe-se que esta parcela representa os jovens que ainda não estão conscientizados da importância do consumo sustentável. são frequentados por mulheres. Quanto aos jovens. conclui-se que o consumidor de orgânico se enquadra na idade adulta. em sua maioria. o que corresponde a 56 entrevistados. o público feminino tem o consumo de produtos orgânico mais expressivo. possui elevado nível de escolaridade como superior incompleto e superior incompleto. isso pode causar distorção nas informações. Contudo. a qualidade de vida. de acordo com os dados obtidos. há a hipótese de que são pessoas com filhos e querem garantir uma alimentação saudável para os mesmo. isso pode acontecer devido o fato de as mulheres cuidarem das compras referentes à alimentação da família. observa-se que o consumidor de produtos orgânicos. Além do que. Pode-se se inferir que o consumidor de orgânicos é caracterizado pelo sexo feminino. observa-se que o público que não consome produto orgânico está concentrado nos jovens de idade até 25 anos. buscam o consumo sustentável. percebeu-se também que está havendo uma maior conscientização deste público e estão se preocupando também com o aspecto da saúde e posteriormente. Sendo assim percebe- . embora os jovens de até 25 anos correspondam a 34 dos consumidores entrevistados. Em contrapartida. o que corresponde a 118 dos entrevistados. seguido pelo público que tem entre 46 e 60 anos. No entanto. verifica-se que o consumidor de produtos orgânicos está mais concentrado no público com idade entre 36 e 45 anos.93 alguns consumidores são um pouco esquivos até que o relacionamento se estabeleça. Com base nas informações obtidas tem-se que a maioria dos consumidores de produtos orgânicos pertence ao sexo feminino. de estarem preocupadas com o bemestar de sua família e querer garantir uma alimentação saudável a todos. portanto. visto que são pessoas mais conscientes sobre as preocupações voltadas para a saúde e meio ambiente. diante dos dados levantados com a pesquisa. Sendo assim. Com relação à idade. pois os locais onde foram aplicados os questionários. na qual não há muita preocupação a cerca de uma alimentação saudável e da preservação do meio ambiente.

4. em função de a pessoa ter alguma doença que não pode consumir alimentos com incidência de agrotóxico.450. E. 4. com relação à renda familiar. de modo que consiga compreender os mecanismos da produção orgânica e as dificuldades enfrentadas. não estão dispostas a alocá-la numa alimentação saudável que permite à preservação do meio ambiente garantido a vivência das futuras gerações na Terra. observa-se que o consumidor de produtos orgânicos em sua maioria pertence à classe média/ classe média alta. verificou-se que na amostra pesquisada havia cerca de 40 pessoas com renda superior a R$ 5. a maioria dos consumidores de produtos orgânicos é de classe média e média alta.00. porém apenas 17 pessoas afirmaram consumir produtos orgânicos. preferem direcionar seu recurso financeiro aos bens de consumo. na maioria das vezes é recomendado por médicos. pode-se concluir que mesmo estas pessoas possuindo renda compatível para consumir estes produtos.94 se que são pessoas mais conscientes e informadas sobre a importância do consumo ecologicamente correto e mais saudável. em função . assim. Isso pode ser explicado pelo fato de que mesmo o recurso financeiro sendo escasso alguns buscam estes produtos porque são associados com remédio. Será apresentado o perfil do consumidor de produtos orgânicos na visão dos produtores e pessoas influentes no assunto e a opinião deles a cerca do assunto produção orgânica em larga escala. portanto.2.2 QUALITATIVOS Neste subitem será analisado o discurso das partes entrevistadas. é pouco significativo.1 Perfil Socioeconômico do Consumidor de Produtos Orgânicos De acordo com o ponto de vista da proprietária Rejane. Por outro lado. entretanto. Disto. Verificou-se que também há o consumo por parte da classe baixa.

pós-graduação. não é possível afirmar que são pessoas de classe média alta. existem casos de pessoas com elevado nível de escolaridade e renda que gasta boa parte de seu recurso financeiro em bens de consumo caros. Na sua visão.95 do poder aquisitivo e por isso torna os produtos orgânicos mais acessíveis. Nilson afirma que a mulher tem iniciativa tanto no consumo quanto na produção dos produtos orgânicos. Geralmente. os consumidores diretos dos seus produtos são as mulheres da terceira idade. Normalmente. busca alimentos saudáveis que possam garantir uma alimentação de qualidade e prevenir doenças. como por exemplo. mas há a necessidade de consumir o produto orgânico. Para Jorge. A mulher também se preocupa com o bem-estar . são idosos da classe média e/ou média alta. este visto como um remédio. que moram nas proximidades de sua propriedade. homem ou mulher. portanto. Muitas vezes não tem poder financeiro. passam a entender as consequências desse consumo e quais os benefícios que trazem para sociedade em geral. e ainda mais especificamente na cafeteria casais jovens (de 30 a 40 anos) de classe alta. pessoas com mais idade. O primeiro fator que leva a consumir os produtos orgânicos certamente é a saúde. vizinhos da chácara e pessoas com alguma doença que pode se alimentar apenas de produtos orgânicos. a partir disso começam a ter conhecimento sobre o assunto e desenvolvem a consciência. a questão ambiental. o perfil dos consumidores de produtos orgânicos não pode ser definido de maneira homogênea. ou seja. São pessoas com maior formação acadêmicas (curso superior. mães que têm bebês e buscam uma alimentação mais saudável que garanta a qualidade de vida de seu filho. mas não tem coragem de pagar um preço mais elevado em produtos que possam garantir uma alimentação saudável e a preservação do meio ambiente. o nível de escolaridade e a renda não interferem no consumo. nem sempre são pessoas de maior poder aquisitivo. com maior formação acadêmica. A relação da mulher com a criança é muito forte e. mais conscientes ou que já tiveram alguma doença. Segundo Rosana. famílias que têm casos doenças e por isso não podem consumir produtos convencionais. Na visão de Nilson a maioria dos consumidores de produtos orgânicos são pessoas pertencentes à classe média alta. entre outros). os consumidores de orgânicos são definidos pela consciência.

foi unânime entre os entrevistados que grande parte dos consumidores procura o . pessoas mais preocupadas com a saúde e que possuem outras perspectivas. visto que a classe baixa não tem condições financeiras para adquirir o produto mesmo sabendo dos benefícios contidos nele e a maioria das pessoas pertencentes à classe alta não estão dispostos a pagar um preço mais elevado por produtos produzidos de maneira ecologicamente correta e mais saudável. de acordo com os entrevistados. observa-se que os entrevistados descrevem o perfil socioeconômico do consumidor de produtos orgânicos como a maioria sendo pessoas pertencentes à classe média. pode-se perceber que os consumidores de orgânicos estão enquadrados nas faixas etárias acima de trinta anos. embora uma minoria seja de baixa formação e geralmente pertence à classe média. na qual as mães querem garantir uma alimentação mais saudável aos seus filhos. pessoas com elevado grau de instrução. enquanto a maioria dos jovens é impulsionada para o consumismo. estando dispostos a pagar por um preço elevado dos produtos orgânicos. De acordo com Leandro a maioria de seus clientes é jovem. Alguns clientes procuram o orgânico por conta de alguma doença. Alguns consumidores procuram os produtos orgânicos por indicação médica e após isso começam a conscientizar dos benefícios obtidos a partir do consumo consciente. e nesse aspecto a alimentação é um dos fatores de maior atenção. Quanto ao sexo pode-se verificar que a maioria são mulheres. com nível cultural elevado. E. Portanto. Mas ele ressalta que no geral os clientes são bem diversificados. na qual 50% dos participantes são mulheres. E quanto à idade. ou seja. sendo que o número de idosos é bastante significativo. está sempre em busca de melhoria para todos. a maioria dos consumidores de produtos orgânicos é mulher. o que garante maior conscientização a respeito da importância do consumo sustentável. o preço é um fator limitante para eles e o consumidor pertencente à classe baixa não consome porque não tem condições financeiras. Verifica-se também que na visão dos entrevistados.96 de toda família. além do apego à criança. pois está sempre preocupada com o bem-estar da família. a maioria dos consumidores possui elevado nível de instrução. pois mesmo tendo elevado poder aquisitivo. Isso pode ser confirmado através dos cursos sobre produtos orgânicos ofertados pelo SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural). O entrevistado ressalta que a classe alta quase não consome produtos orgânicos. Para Gilberto. e pertencente à classe alta da sociedade.

Esta defesa natural. banana. apenas uma entrevistada mencionou que o consumidor de produtos orgânicos não pode ser caracterizado pelo perfil socioeconômico. Segundo Jorge.97 produto orgânico através da indicação médica. Entretanto. assim como a produção orgânica é em sua essência caracterizada pela produção familiar. A terra não pode ser arada. podemos encontrar diversos legumes. limão. avenca e aveia. como os estercos de vaca. contando com apenas dois funcionários externos. 4. amora. Apenas as pessoas conscientes da importância do consumo sustentável irão se aderir a ele. No caso do sítio da entrevistada. A produção orgânica é caracterizada pela diversidade de cultura apresentada em uma única propriedade e mão de obra familiar. E. galinha. No caso da utilização do adubo de vaca. A propriedade não pode estar localizada em uma área em que as propriedades vizinhas fazem uso da passagem de veneno aérea. geralmente é se cana-de-açúcar. deve ser cercada por uma “defesa natural” para proteger dos agrotóxicos aplicados nas propriedades vizinhas. lixo orgânico que fica em compostagem e minhocas. mas pelo nível de consciência. anapiê ou feijão andu. tomate.2. couve. O sítio também deve ter mata ciliar. No . rio. os mais utilizados na propriedade são: sorgo. milho. Já o adubo de galinha é preciso armazená-lo por seis meses para estar adequado na terra. então sempre deixa a mesma coberta por adubo verde (orgânico). adubos orgânicos. Além disso. assim o alimento orgânico passa a ser visto como um remédio. deve utilizar produtos específicos como inseticidas naturais (ervas que têm a capacidade de eliminar alguma praga). mamão. de início para ser caracterizada uma propriedade de produtos orgânicos. feijão. na Ville Nature o trabalho é desenvolvido por membros da família. a produção orgânica é caracterizada basicamente pela ausência de agrotóxico e demais insumos químicos no processo produtivo.2 Produção Orgânica Para Rejane. mandioca. este deve ficar armazenado por três meses para estar em condições de uso na terra.

E a terra costuma ser arada três ou quatro vezes ao ano. Segundo Rosana. O mato faz parte do sistema orgânico. Isso acontece porque é uma propriedade de pequena extensão e consequentemente. as doenças desencadeadas pelo consumo de alimentos que contêm índices elevados de agrotóxicos. assim acontece uma defesa natural. o uso indiscriminado de agrotóxicos causa poluição ambiental nas águas e mares. é o fato de não precisar carpir com frequência a propriedade. entretanto. alimentos modificados geneticamente que causam vários distúrbios no organismo do ser humano. como por exemplo. a questão ambiental e a questão social. pois se podem observar vários trabalhadores rurais desenvolvendo suas atividades sem registro em carteira. se quiser utilizar esterco de galinha tem de ser apenas 30% dos demais utilizados na propriedade. terra. e deve deixá-lo curtir para depois ser colocado na terra. Outra característica da produção orgânica. Ele ainda ressalta que a propriedade não é cercada por uma defesa natural (geralmente feita de anapiê). a chácara é localizada em uma região privilegiada. como acontece na produção convencional.98 caso do Recanto de Paula. De acordo com Jorge. Os adubos orgânicos utilizados por Jorge são: esterco de vaca e minhocas. pois todos auxiliam no processo produtivo. o que favorece o não contato com agrotóxico de outras propriedades. de acordo com Jorge. causando riscos à vivência do homem e comprometendo a qualidade de vida das gerações futuras. sua produção é caracterizada também pela mão de obra familiar. a praga vai à lavoura orgânica e se alimenta do mato. Segundo ele. senão corre o risco de contaminá-la. Além disso. utiliza-se a urina de vaca adicionada na água para adiantar a colheita dos alimentos. cercada pelo fundo de vale. Há muita preocupação com os malefícios advindos do uso dos agrotóxicos. o produto orgânico pode caracterizado a partir de três fatores: preocupação com o uso do agrotóxico. sendo assim na questão ambiental há uma preocupação em preservar o meio ambiente e garantir a sobrevivência das próximas gerações. quando muda a cultura a ser produzida. ar e em toda atmosfera. há uma pequena escala de produção. e no caso de uma doença não terá nenhum respaldo e estabilidade no período que estiver que se ausentar do emprego. Na questão social há a preocupação em garantir os direitos dos trabalhadores. A urina serve como adubo e repelente de pragas. .

em sua propriedade é feita a rotatividade de culturas. Segundo o produtor. esse procedimento não deixa a terra com deficiências. produto orgânico é aquele produzido em sistemas que não utilizam agrotóxicos (inseticidas. De acordo com Leandro. e estes que aumentam os custos de produção. pois no início é bastante difícil para a maioria dos produtores. Leandro.transgênicos. Ele ainda menciona que a produção orgânica é totalmente viável financeiramente. fungicidas. E a parte ecológica é mais importante do que o não uso de agrotóxico na produção. porém como o mato faz parte do sistema orgânico de produção. só vai vir praga na lavoura se a terra estiver com deficiência em algum nutriente. A rotatividade de cultura torna o solo mais forte. Também se deve considerar a relação com o . pois se ela estiver em ótima qualidade nenhuma praga chega. proporcionando o equilíbrio do sistema. afirma que no início a produção orgânica é bastante complexa até se estabilizar. caso contrário não há produção. para ele a preservação do meio ambiente se sobressai entre todos os fatores que são apontados como motivos para o cultivo de produtos orgânicos. adiciona outros como o esterco e pó de pedra e por final faz o plantio de uma nova cultura. isso é favorecido por conta da dimensão de sua propriedade. elas vêm até a horta e ao invés de atacar a planta se alimentam do mato. esta produz algumas antes mesmo de terminar o ciclo produtivo é retirada do solo porque ao final do ciclo a planta já está fraca e favorece a presença de pragas na lavoura e também para não deixar cair à qualidade do produto. sendo valorizado. Segundo Nilson. porque não há custo com produtos químicos. pois o que uma cultura absorve do solo a outra que é plantada na sequência repõe.99 Nesse aspecto. utiliza o adubo orgânico que já estava presente (o mato). Depois deixa o solo em repouso por quarenta e cinco dias. na agricultura orgânica isso não acontece. entretanto. é preciso gostar de produzir e fazer por prazer. A rotatividade de cultura acontece da seguinte forma: plantese uma cultura. Para Leandro a produção orgânica é caracterizada basicamente pelo cuidado com a terra. Depois disso vai ter as pragas. devido ao fato de a propriedade não estar adequada para desenvolver a agricultura orgânica e necessitar do dispêndio de muito recurso financeiro. pois o trabalhador é visto como um integrante do negócio do proprietário. ara a terra. Também não utilizam organismos geneticamente modificados (OGM) . herbicidas e nematicidas) e outros insumos artificiais (adubos químicos altamente solúveis).

De acordo com o proprietário são utilizados no sítio duas plantas como inseticidas. E. pois tudo deve estar bem com eles. uma delas é o Timbó de origem indígena e a outra é a Nim de origem asiática. Mas se antes receber informações especializadas. pois isto será refletido no processo produtivo. . De acordo com o engenheiro agrônomo a agricultura orgânica. além das dívidas já existentes. nutritivo e tem maior durabilidade quando comparado com o produto convencional. No caso de fracassar. utilizando cerca de 2% de sua área para aprender as práticas da agricultura orgânica. inicialmente. pois este deve ter seus direitos assegurados e condições dignas de trabalho. que mantém o equilíbrio das propriedades do solo e realiza a recomposição dos nutrientes da terra. o produtor passa a considerar mais o agro ecossistema orgânico. de onde é retirada este importante adubo orgânico. Leandro comenta que se preocupa bastante com seus funcionários. ele fica frustrado e passa a ser contra a agricultura orgânica. o proprietário afirma que utiliza somente os adubos de sua propriedade porque sabe da origem dos mesmos. essa é outra vantagem do proprietário entrevistado. O esterco da vaca é obtido no próprio sítio. Com o tempo através da convivência com educadores da área e outros produtores. O produtor mesmo com muitas dívidas faz altos investimentos tornando toda a sua propriedade orgânica. o produtor começa a produzir orgânicos de forma gradativa. Segundo Gilberto. Elas são misturadas com água e em seguida aplica-se nas plantas que estão com pragas. a maioria dos produtores orgânicos não utiliza o pó de pedra como adubo orgânico em sua produção por ser um produto bastante caro. minhocas e pó de pedra. se caracteriza por uma prática de substituição de insumos.100 colaborador. pois possui uma pedreira em sua propriedade. Quando isto é feito sem a ajuda de pessoas instruídas a chance de fracasso é maior. ressalta que o produto orgânico é mais saboroso. O produtor começa a valorizar o meio em que está inserido e o agro ecossistema torna-se mais valioso que a substituição de insumos. de início o produtor visa sanar problemas financeiros porque já não consegue sobreviver com a agricultura convencional. É necessário que continue com a produção convencional para conseguir pagar suas contas. pois os custos de entrada na agricultura orgânica são bastante elevados. No Sítio Casa Branca são usados os seguintes adubos orgânicos: estercos de vaca. mas isso acontece esporadicamente. entretanto. Segundo Leandro.

Também se procura controlar estas plantas antes que as mesmas formem sementes. fosfato natural. entre outros. O engenheiro agrônomo afirma que. armadilhas e inimigos naturais. principalmente se for hortaliças. é mais importante o sentimento de quem faz. sendo realizado e revolvimento do solo e no caso das frutíferas faz-se a instalação de mudas. Para Gilberto. Ele exemplifica com o caso de vacas leiteiras tratadas com maior afeto. E no controle de pragas são utilizados inseticidas orgânicos como o óleo de nim. E a diminuição de doenças também está relacionada com a recuperação do solo e a formação de plantas saudáveis. além disso. pode ser utilizado pó de rocha. quando se inicia a transição gradativa. visto que existe alta demanda para o produto. a partir do momento que o produtor habilita sua propriedade para a produção orgânica condiciona a presença de inimigos e predadores naturais. pois no caso da soja é possível vender toda a produção orgânica. De acordo com o entrevistado. O controle das plantas daninhas é feito manualmente e em alguns casos com equipamento acoplado no trator. E mesmo com 100% da área sendo orgânica e certificada é necessário vender parte da produção como produto convencional. planta de origem asiática. Tudo aquilo que é feito com amor e carinho obtém melhores resultados do aquilo que se faz de maneira contrária. podemos citar: o calcário. o preparo da terra para o cultivo de hortaliças e cereais é igual ao da agricultura convencional. além desses insumos são utilizados iscas. na agricultura orgânica. No controle de doenças são utilizados principalmente calda bordalesa e calda sulfocálcica. biofertilizantes e sais de micronutrientes. Antes desse preparo é feito a implantação de adubação verde. fungo Beauveria bassiana e a bactéria thuringiensis. que produzem maior quantidade de leite quando comparadas como animais da mesma espécie que são tratados de maneira diferente. gesso agrícola. Quanto à adubação do solo são utilizados compostos orgânicos de resíduos vegetais e animais.101 Assim. é possível observar os resultados conseguidos com a produção orgânica e sanar problemas da mesma. Vale ressaltar que isso deve ser feito de acordo com a espécie cultivada. inseticidas biológicos como baculovírus. . além de todos esses insumos apresentados. sílica e calda de plantas. A correção do solo é feita com corretivos utilizados também pela agricultura convencional. E a própria saúde da planta a torna menos suscetível ao ataque de pragas.

ter mata ciliar. minhocas. Através dos itens mencionados acima. e assim sucessivamente. Entretanto. produzindo e preservando o meio . só vai haver a presença de pragas na lavoura quando houver alguma deficiência de nutrientes no solo.102 A partir das entrevistas realizadas. Aconselha-se fazer rotação de culturas. e esta geralmente é de menor dimensão. O mato faz parte do sistema orgânico. pode-se perceber que na agricultura orgânica há uma preocupação com o uso do agrotóxico. tem-se que a caracterização da produção orgânica inicia-se com a adequação da propriedade. as pragas vão até a lavoura. também condiciona a presença de inimigos e predadores naturais. deve-se utilizar sementes. entre outros. o solo não pode ter incidência de agrotóxico. de origem indígena e asiática. na qual o produtor deve se conscientizar da importância de praticar a agricultura orgânica a fim de garantir boas condições de vida para as futuras gerações. Os inseticidas. respectivamente. na qual ele é utilizado para cobrir o solo quando não está plantada nenhuma cultura. A agricultura orgânica também se caracteriza pela diversidade de cultura em uma só propriedade. A propriedade não pode ser próxima de outras que utilizam a passagem área de agrotóxico. pois a partir do momento que este estiver estabilizado não haverá incidência de pragas e a própria saúde da planta não deixará prejudicá-la. adubos e insumos orgânicos. Os adubos orgânicos utilizados são em sua maioria resíduos animais e vegetais. Assim. mas se alimentam do mato ao invés da planta. Esta deve ser cercada por uma defesa natural. pois determinada planta retira alguns nutrientes do solo enquanto outras repõem. rios e/ou lagos. que provoca várias doenças e distúrbios nos seres humanos e agride o meio ambiente. como estercos de galinha e vaca. a partir do momento que a propriedade está adequada para a produção orgânica. no momento de realizar a plantação é utilizado como adubo e durante o cultivo é visto como uma defesa natural. Desta forma. geralmente são retirados das plantas Timbó e Nim. e consequentemente a fertilidade do mesmo. pó de pedra. Outra característica da agricultura orgânica é mão de obra familiar. ou seja. a rotatividade de cultura permite a recomposição dos nutrientes do solo. verifica-se também a preocupação com o fator ambiental. geralmente são pequenas propriedades e toda a família ajuda no cultivo da lavoura.

E para substituir o refrigerante tem-se a alternativa da soda italiana.3 Culturas Cultivadas. e. quiches. e a questão social. um fator de extrema importância na agricultura orgânica é a motivação intrínseca do produtor em estar fazendo parte desse meio. com a qual é feita a tequila. no caso do tomate. Assim. O cliente ainda tem a opção de utilizar o adoçante natural. e demais produtos de conveniência. tais como vinhos. sanduíches naturais e . cereja. A maior parte dos ingredientes utilizados nas bebidas. O cliente também tem a opção do coffee shake. produtos sem lactose e sem glúten. tortas. verduras. morango. valorizado. banana. desde o café até a panificação. não deve entender a agricultura orgânica como um negócio que tem como objetivo máximo o lucro. mandioca. Duração do Processo Produtivo e Produtos Ofertados Rejane afirma que no sítio cultivam-se diversos legumes. cranberry. tangerina. portanto.103 ambiente. limão. o macciato. com expresso. e estar feliz por produzir e ao mesmo tempo valorizar o agro ecossistema. geleias. framboesa. couve. salgados. A cafeteria também oferece cestas de produtos orgânicos contendo legumes. sorvete de creme e chantilly. amora. 4. O produtor deve ter consciência sobre a importância de suas ações para a sociedade e o meio ambiente. E o ciclo produtivo varia de acordo com a cultura. limão. salgados e sanduíches oferecidos na cafeteria são orgânicos. O expresso é oferecido em diferentes opções: o carioca. feito da planta mexicana agave. feijão. tomate. E por último. menta. como no caso do cafezinho orgânico e expresso gelado. tem o ciclo de dois meses. Na agricultura orgânica. A Ville Nature oferece produtos orgânicos.2. tem nos sabores de maçã verde. ervas. capuccino e o moccha. que é feita com água gaseificada e xarope de fruta com melaço de cana. mamão. o essencial é a pessoa realizar suas atividades com prazer. na qual o trabalhador é visto como parte integrante do sistema produtivo. Este produto não tem nada químico e tem baixo índice glicêmico. frutas. cereais. A cafeteria ainda oferece Sanduíches prensados. proporcionando benefícios para todas as partes envolvidas e para a sociedade em geral. cereais e vinhos. milho.

No bistrô. charuto de repolho recheado com arroz integral. através do transporte Eco Bike e motoboy. carambola. desenvolvendo produtos como bolachas. chás. abobrinha. sendo cada dia um prato diferenciado. sucos. a equipe do bistrô promove uma cozinha experimental. Frutas como melancia. almeirão e milho. mas é feita com abacate e cacau. Geleias de laranja ou de uva assim como patês e pastas criados pelo chefe Djalma Araújo. glúten e cafeína. além de molho de tomate ao sugo. a Orgânica Bistrô oferece no café da manhã. melão e kiwi. por exemplo. feijoada orgânica. os pães estão disponíveis para os clientes nas segundasfeiras. A alfaborra é disponibilizada em pó. no período das 8:30 horas as 13:30 horas. com castanha-do-pará e ervas frescas. frutas. as cestas são entregues em maior volume nas terças e sextas-feiras. pães e bolos orgânicos que são vendidos no local para os clientes levarem para casa. . no caso da alface a duração é de aproximadamente quarenta dias. é possível pedir saladas de repolho. ameixa ou melancia. como filé de frango assado em crosta de gergelim com purê de abóbora e couve. tortas. Exemplos de sucos são laranja. Também tem bolo de banana ou torta de mandioca e coco. que é uma alternativa para substituir o chocolate. gengibre e girassol. Os lanches naturais são feitos com pão sírio ou de croissant. lactose. também se encontra sobremesas saudáveis como o mousse que parece de chocolate. de frango e rúcula com tomate seco e o wrap. Os pratos quentes são diversos. como a pasta de castanha de caju ou a de berinjela. pudim integral com geleia de mexerica são outras delícias que podem ser encontradas na hora da sobremesa. o ciclo do processo produtivo varia de acordo com a cultura cultivada. maçã. em tabletes e em bombons. feito com o pão italiano. De acordo com a proprietária Rosana. Pavê de frutas vermelhas. E. coberta com melaço de cana também fazem parte do cardápio. No almoço. acompanham pães integrais ou sem glúten. A Ville Nature também oferece a alfarroba. sempre frescos.104 omeletes. Segundo Jorge. São produtos sem sacarose. pães e bolos diferentes no café da manhã. E durante a tarde. geleias. cidreira. em sua propriedade são cultivadas as seguintes culturas: alface. também podem ser encontrados na refeição matinal do bistrô. As feiras são realizadas nas quintas-feiras.

mexerica. algumas são cultivadas apenas uma vez ao ano em toda a propriedade e no restante do ano o proprietário compra de outros produtores da região. abobrinha. beterraba. e todos os funcionários são treinados para tal função pelo Centro de Treinamento Agrícola (CTA) coordenado pela Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP) e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) e aprendem normas higiênicas e técnicas produtivas ecologicamente corretas. rúcula. maracujá. ou seja. aquele produto que determinado produtor está produzindo outro não está e vice-versa. há a produção de queijos. portanto. não é comercializado devido à ausência de uma estrutura de pasteurização. esse procedimento acontece em várias propriedades e favorece a troca de produtos entre os produtores. rabanete. almeirão. mandioca. repolho. O proprietário afirma que é necessária a alimentação de ração nos primeiros dias de vidas para evitar o . assim este produto não é vendido como orgânico. cenoura. salsinha. E todas as mudas de plantas são terceirizadas para facilitar o processo produtivo. abóbora cabotiá. chuchu.105 De acordo com Leandro cada cultura é plantada uma vez ao ano em um determinado local. ricotas e requeijões. Segundo o proprietário do Sítio Casa Branca os produtos cultivados em sua propriedade são: alface (três tipos diferentes). são comercializados. Leandro também produz frangos orgânicos. E as sobras das hortas são utilizadas para alimentar os frangos e demais animais presentes na propriedade. de modo que os clientes se tonem fiéis desse mercado. entre outros. Entretanto. Segundo Leandro. manga. todo o manejo dos animais é orgânico. alecrim. Tanto a retiragem de leite quanto a produção de seus derivados têm manejo orgânico. chicória. para conseguir produzir tudo o que necessita para atender seus clientes. porém alguns clientes que sabem da existência do produto compra mesmo consciente de que não foi pasteurizado. alho poro. manjericão. Os primeiros quinze dias de vida dos animais são alimentados por ração e outros seis meses de vida se alimentam de tudo que há cultivado na propriedade. brócolis. milho. e neste caso são feitos de maneira adequada com sistema orgânico e. No caso das vacas. o leite é apenas para o uso familiar e dos funcionários. Há uma troca de informação entre os produtores sobre quais culturas estão produzindo para favorecer a troca de produtos e fortalecer o mercado de orgânicos não deixando faltar à maioria dos produtos durante o ano todo. tomate. batata doce.

No Sítio Casa Branca também produz mel orgânico.106 canibalismo entre ele e também para fortificá-los. sendo que Leandro fica com 30% da produção. pois nesta fase a planta já não possui a mesma saúde. é aconselhável deixar a terra em descanso por um período e realizar a rotatividade de cultura a fim de permitir a recomposição de nutrientes do solo e manter a fertilidade do mesmo. está com a qualidade reduzida o que atrai os predadores. para isso é necessário tempo e não estava conseguindo fazer de forma adequada. mas colhe apenas um mês e meio para não cair a qualidade do produto e não atrair pragas na lavoura. E algumas vezes consegue disponibilizar ovos. . Ele afirmou a produção do mel foi terceirizada porque requer muito cuidado. As frutas como são produzidas em determinadas épocas. entre outras. De acordo com as informações obtidas com as entrevistas. Nesse sentido. que é comercializado. porém é dentro da propriedade. o brócolis demora de setenta a oitenta dias para começar a produzir e produz durante dois meses. De acordo com o engenheiro agrônomo Gilberto. Mesmo que haja a perda de algumas propriedades da fruta. laranja. maracujá. mexerica. de cereais entre 80 a 150 dias e de frutíferas entre 1 ano a 30 anos ou mais. mas não é um produto bastante comercializado. algumas são retiradas as polpas e congeladas para serem vendidas no decorrer do ano. A produção do mel é realizada por terceiros. a duração do ciclo produtivo varia de acordo com a cultura. O ciclo produtivo varia de acordo com cada cultura cultivada. Neste caso produz manga. Ele ainda reforça que nada deve ser levado ao extremo e é favor do equilíbrio em tudo. ainda é um alimento mais nutritivo e os clientes podem contar com a mesma durante o ano todo. se não for dessa forma eles não conseguem sobreviver. O ciclo produtivo de hortaliças pode variar entre 20 a 200 dias. por exemplo. que são utilizadas para fazer sucos. Também se aconselha não deixar a planta produzir até o término do ciclo produtivo para evitar que possíveis pragas cheguem à lavoura. concluise que a produção orgânica tem como uma de suas características a diversidade de culturas em uma propriedade e a duração do ciclo produtivo varia de acordo com a cultura cultivada. pois tanto a falta como o excesso de algo é maléfico a qualquer ser vivo. pois não consegue produzir em grandes quantidades.

Assim. para não deixar faltar para os consumidores. também localizada em Londrina. Como observado através das entrevistas. que prezam pela preservação ambiental e por uma alimentação saudável. formando uma espécie de parceria. a Orgânica Bistrô. É bastante comum a troca de produtos entre os produtores orgânicos. A entrega das cestas é feita pelo pai de Rejane. . Esta atitude de parceria e coletividade acontece entre os produtores de produtos orgânicos com o objetivo de torná-los sempre disponível para o consumidor e presente do consumo diário.4 Logística dos Produtos Orgânicos A propriedade de Rejane. Percebe-se o espírito coletivo com o objetivo de fortalecer e expandir o mercado de produtos orgânicos na região de Londrina. A cafeteria Ville Nature tem como principais fornecedores o Café Terrara. e a Cia Verde. chuchu. localizada em Ibiporã. que fornece todo o café utilizado na elaboração das bebidas servidas no estabelecimento e também disponível para comercializar embalado e o Café Grani. na qual todos são orgânicos ou naturais. Isto acontece quando um produtor está em falta com determinado produto.2. o que acontece é a formação de parcerias entre os produtores de orgânicos e entre produtores e proprietários de estabelecimentos comerciais para que ambos possam suprir a falta de produtos do outro de modo que os consumidores tenham suas necessidades atendidas.107 E assim como nas lavouras. Há uma preocupação por parte dos proprietários em obter uma diversidade de produtos de modo que atenda as necessidades de seus clientes. mas que comercializada a maioria de seus produtos em Londrina. com alguns produtos como tomate. localizada na região de Londrina abastece a cafeteria Ville Nature para as entregas das cestas. fortalecendo e expandindo o mercado de orgânicos em Londrina. entretanto há uma dificuldade para adquirir uma quantidade suficiente de produtos que atenda a todos. podo-se obervar nos estabelecimentos comerciais visitados a presença de uma variedade de produtos. vagem. cada proprietário deve buscar em outras localidades os produtos que faltam em seu estabelecimento e/ou região. 4.

que utiliza os compostos homeopáticos de substâncias animais. desde a implantação da muda o campo até a armazenagem correta dos grãos após a colheita. Rosana busca . áreas preservadas. como no caso da Cia Verde. vegetais e minerais. que apresenta condições especiais para a produção de café com qualidade. diversidade de fauna e flora. para não perder os alimentos. De acordo com a proprietária da Orgânica Bistrô. a. que inspeciona as condições do veículo. em função de saber que são produtos orgânicos. O Café Terrara é produzido na Fazenda Terra Nova.108 que é utilizado para comercializar a granel. os produtos orgânicos utilizados no restaurante e na comercialização são adquiridos dos produtores das cidades vizinhas. O diferencial do Café Terrara está no manejo biodinâmico. bem como a noção de astronomia agrícola. E após a certificação seus produtos serão entregues apenas para a cooperativa COAFAS (Cooperativa Solidária de Produção. os consumidores vão até a propriedade em busca dos produtos. E todos os produtos de conveniência. portanto. Na venda direta. O transporte é controlado pela vigilância sanitária. que buscam alimentos produzidos sem agrotóxicos. pois são produtos sem embalagem e não possuem o selo das certificadoras. quando se inicia o processo de transporte dos alimentos. localizada no alto da Serra. precisam ser comercializados rapidamente. já que estes são perecíveis e. até pouco tempo atrás os produtos produzidos na Chácara Recanto de Paula eram comercializados através da venda direta e entregue em sacolão e mercados. que são embalados. A Declaração de Cadastro de OCS é utilizada nas feiras e pequenos mercados de produtores orgânicos. Esses consumidores são os vizinhos da redondeza da chácara. com estações do ano bem definidas. como a presença de câmara fria. E os produtos entregues no sacolão e mercados eram vendidos como convencionais. esta verificação é feita apenas uma vez. Comercialização e Turismo Rural na Agricultura Familiar do Norte do Paraná). Entretanto. devem ter o “Selo do SISORG” – Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica. e só volta a inspecionar caso haja alguma denúncia. No caso das verduras e hortaliças. tendo como preocupação máxima a saúde. O Café Terrara é controlado pela certificação DEMETER seguindo rigorosos padrões internacionais de qualidade. localizada em São Jerônimo da Serra – Norte do Paraná. De acordo com Jorge. Declaração de Cadastro de Produtor Vinculado a Organização de Controle Social – OCS e o código de barras.

Ele afirma que toda semana surgem novos clientes. feijão. Rosana ainda afirma que enquanto consumidora. portanto deveria se alimentar apenas de produtos livres de agrotóxicos. É aí que ela conclui que a maioria dos produtos vendidos nas feiras não é confiável e. Orgânica Bistrô e Ville Nature. Arapongas. como abacate e banana ela busca em Uraí e algumas são fornecidas por uma distribuidora de São Paulo.br). não acredita na venda direta de produto orgânico.organicashop. As frutas. portanto. Quando ia às feiras em busca de alimentos orgânicos. Curitiba e Uraí. cereais. pois poderia até morrer caso ingerisse algo com esta substância devido seu problema de saúde. alimentos sem lactose e glúten. perguntava se o produto realmente não havia tido contato com agrotóxico. e então o produtor ficava com receio e se negava a vender. porém tem os períodos de escassez. Ela relatou que. que não são encontrados em nenhuma região. Isso acontece para diversificar os produtos a serem oferecidos para os seus clientes. carnes. desde muito antes ter o estabelecimento de produtos orgânicos já era consumidora fiel desses produtos em função de uma alergia e que não podia ter nenhum contato com agrotóxico. 95% de sua produção são destinadas para venda direta e apenas 5% são entregues para Relva Verde. A Orgânica Alimentos também conta com o site Orgânica Shop (www. Alguns itens são comprados de terceiros para comercializar como o arroz. no período das 8:30 horas as 13:30 horas. Nos cardápios são encontrados diariamente proteínas. Outros produtos como o tomate e a vagem são comprados dos produtores de Marilândia. Ibiporã e Marilândia do Sul. E o restaurante serve café da manhã. por isso não faz . De acordo com Leandro.com. a grande maioria de seus produtos comercializados é cultivada em sua propriedade. pois assim ele tem a certeza de que são produtos confiáveis. as cestas são entregues em maior volume nas terças e sextas-feiras. Segundo Leandro. castanha do Pará.109 em Maringá. almoço e realiza eventos. através do transporte Eco Bike e motoboy. Os clientes podem adquirir os produtos através das feiras que são realizadas no próprio estabelecimento todas as quintas-feiras. consome apenas produtos certificados. que dispões vários produtos e o clientes pode efetuar suas compras a qualquer momento com maior comodidade e facilidade. café. açúcar. Há uma preocupação com o fator nutricional e com a beleza da culinária (visual dos pratos).

Isso não acontece nos produtos convencionais. os clientes podem comprar pelo próprio site ou mandar por email quais itens deseja comprar. No entanto o aumento da produção deve ser lento visando manter a qualidade do solo e em função da ausência de mão de obra. ou seja. O produtor ressalta que compra poucos produtos de outros produtores porque os produtos devem ser colhidos no dia em que vão ser entregues. e é levada apenas a quantidade necessária para abastecer seus clientes.br). para fazer a propaganda ao mesmo tempo em que atendem seus clientes já fidelizados.00 e cada item acrescido custa R$ 2. Curitiba. A partir das entrevistas. pois os produtores de Londrina não conseguem atender a demanda. Cada cesta é composta por sete itens diferentes. a colheita é realizada de acordo com os pedidos. exceto quando for em São Paulo. Entretanto.50.110 propagandas e também porque não conseguirá atender a demanda. portanto o site é atualizado semanalmente. Isso acontece em especial com as folhas.com. Toda esta preocupação é para garantir a qualidade de seus produtos. . Em seguida é feita a montagem das cestas que serão entregues a domicílio. As entregas são realizadas nas terças e quintas-feiras pelo próprio Leandro através de uma Kombi plotada com a marca dos produtos. ou seja. A partir disso. O proprietário criou um site como o nome de seus produtos Cia Verde (www. eles são entregues no local estabelecido pelo proprietário. todo o processo é facilitado. Arapongas. por serem produtos perecíveis e estragam facilmente. visto que sua produção é baseada na demanda. lá é colocado todos os produtos que estarão disponíveis na semana.ciaverdeorganicos. Marilândia do Sul. São Jerônimo da Serra. ele afirma que o produto orgânico tem maior durabilidade quando comparado com o convencional. que são colhidas diariamente. assim em sua propriedade o aumento acontece “de pouco em pouco” a cada semana. Uraí. custa R$ 25. tem-se que até mesmo os produtores não conseguem produzir todos os produtos para atender seus clientes. E no caso dos proprietários dos estabelecimentos comerciais têm que buscar fornecedores de diversas localidades como Ibiporã. assim tem maior resistência para ficar algum tempo fora da geladeira e/ ou câmeras frias até chegar ao cliente. São Paulo. Vale ressaltar que no caso do produto orgânico cada qual que precisa de determinado produto tem que ir a busca até o local.

chegam em ótimas condições. o produtor que for certificado tem a possibilidade de se tornar cooperado. visto que outros membros do setor varejistas forneceram informações importantes. entregar seus produtos para cooperativas e estas comercializá-los com melhores preços. em sua maioria. os produtos advindos do sítio. E como já mencionado anteriormente. E. de modo que possa garantir a qualidade do produto ofertado. Além das cestas. comprometendo a qualidade dos produtos orgânicos. há uma parceria entre os produtores de orgânicos e produtores e proprietários de estabelecimentos comerciais para assegurar que os produtos estejam disponíveis para o consumidor. pois o objetivo do trabalho já estava concluído. motoboy e transporte dos proprietários. todos os . não são embalados.111 Tanto nos estabelecimentos comerciais quanto os produtores de orgânicos comercializam os produtos através da entrega de cestas a domicílio. 4. além de consumir as refeições ofertadas nos estabelecimentos. Também oferecem a opção para os clientes realizar suas compras pelo site. fazem a colheita no mesmo dia que será realizado à entrega para o cliente. tornando desnecessário o contato com algum supermercado. por aconselhamento das certificadoras que alertam para as toxinas que podem ser liberadas dos plásticos e isopores.2. pois se evita embalar os mesmos. para fidelizá-lo com a finalidade de expandir e fortalecer o mercado de produtos orgânicos na região de Londrina. isto acontece também pelo produto ser mais resistente. Entretanto. e mesmo que este seja transportado em veículos ausentes de câmaras frias.5 Embalagem dos Produtos Orgânicos Segundo Rejane. email ou telefone. No caso dos produtores. as entregas são feitas por Eco Bike. entretanto. No caso da Ville Nature e Orgânica Bistrô o cliente pode ir ao local fazer suas compras. nesta pesquisa não foi entrevistado nenhum responsável deste segmento. Vale ressaltar que os produtos orgânicos também podem ser encontrados em alguns supermercados de Londrina.

No ponto de vista de Gilberto. já que os produtos orgânicos são “feinhos” e a aparência conta muito no momento da venda. O ideal seria cada cliente levar caixas de papelão ou sacolas de pano para carregar suas compras. Ele comentou que já existem algumas embalagens a base de amido de mandioca. Por isso. verifica-se que mesmo não sendo aconselhável a embalagem dos produtos orgânicos. Diante das pesquisas. se estiver em contato com a umidade se deteriora. Rosana afirma que estimula o consumidor a deixar de utilizar sacolas plásticas através da concessão de descontos de 5% no valor da compra para os clientes que levarem sacolas retornáveis para fazer a feira. este libera toxinas que ficam em contato com o produto. a Declaração de Cadastro de OCS e o código de barras. Os produtos produzidos na Chácara Recanto de Paula não são embalados para ser comercializado. mas chegou a perder clientes. como mencionado pelo produtor Jorge. De acordo com as informações obtidas a partir das entrevistas temse que não é aconselhável embalar os produtos orgânicos. mas este molhava e causava transtornos. mesmo contra o seu desejo. porque a ausência de embalagem deixava uma imagem desagradável aos olhos do cliente. ter o Selo do SISORG. o produtor é forçado a fazer devido às exigências dos clientes. não é aconselhável embalar os produtos porque tanto o plástico como o isopor liberam toxinas quando em contato com o produto e ocasionam vários distúrbios no organismo dos seres humanos. devem ser embalados. entretanto os clientes querem o produto com uma aparência bonita.112 produtos de conveniência. Entretanto. com um aspecto visual mais atrativo. depois não eram embalados. pois tanto mesmo o plástico ou isopor liberam toxinas que podem causam distúrbios no organismo. mesmo os clientes de produtos orgânicos desejam ver os produtos embalados. Segundo Leandro antigamente seus produtos eram embalados com papel. pois estes desejam comprar produtos com o visual mais . a Declaração de Cadastro OCS e o código de barras. observa-se que alguns produtores não embalam seus produtos pelos motivos citados acima. Ele afirma que não é correto o produto ser embalado com plástico. no entanto. atualmente todos os produtos comercializados são embalados por plástico. porém no caso dos produtos de conveniência é necessária à embalagem constando o selo da certificadora. Entretanto.

de baixo poder aquisitivo.113 atrativo. assim a cafeteria não pode passar a imagem que está forçando o consumidor a consumir o que ela deseja. ainda é necessário ter esses produtos em seu estabelecimento devido à alta demanda. De acordo com ela. os consumidores ainda não estarem educados para uma alimentação saudável e benéfica para toda a sociedade. Como mencionado pela proprietária. portanto. chocolate. como no caso da coca-cola. verifica-se a redondeza para certificar de que não há passagem de veneno aérea. Rejane ressalta que todos os produtos de conveniência devem ser certificados. verifica-se a qualidade da terra. 4. a certificação está próxima do prazo de vencimento. da água do rio. apresentar o Selo do SISORG. não possuem condições financeiras para investir na certificação de seus produtos.6 Certificação e Custo De acordo com Rejane.00. da mata. da adubação. Jorge relatou que a partir do acompanhamento técnico realizado na propriedade pelos alunos da UEL e do engenheiro agrônomo da EMATER. em função do cliente não estar totalmente consciente das implicações causadas pelas embalagens. o empreendimento ser novo no mercado e por isso estar em processo de fixação no ambiente mercadológico. ao invés de atender os desejos de seus clientes. sendo necessária a renovação que ficará em torno de R$ 5000. A cafeteria Ville Nature ainda não possui a certificação por oferecer produtos convencionais. A educação do consumidor deve ser gradativa. No processo de certificação é feita uma análise total da propriedade. a venda direta é baseada na confiança entre produtor e consumidor. Como o exemplo citado pela proprietária: vários clientes vão tomar o café orgânico. a maioria dos produtores não consegue a certificação por serem pessoas humildes. com pequenas propriedades que representam o recurso de sobrevivência. porém o acompanha com o pão de queijo que não é orgânico. .2. Segundo Rejane. catchup. maionese. o sítio já possui certificação e o processo levou três anos até comprovar que a propriedade apresenta as condições necessárias para o cultivo de produtos orgânicos. a Declaração de Cadastro OCS e o código de barras. Entretanto. local de plantio. Por isso. Isto pode acontecer.

entre outras. água. Ele afirma que muitos produtores não são certificados por ser algo inerente ao próprio . mas não quis continuar certificado por conta do alto custo de certificação. Segundo Gilberto. a TECPAR juntamente com os alunos da UEL e EMATER. Nesse contexto. como construção de um “quebra vento” de anapiê. No caso de Londrina. pelo fato de que muitos produtores não certificados também vendiam na mesma proporção que ele e principalmente por haver uma relação baseada na confiança entre e ele e seus clientes. não tem recursos para alocar na certificação de seus produtos. instalações.000. custa uma média de dois a três mil reais por ano para o produtor. o custo de certificação da produção pode variar entre R$ 500. Para receber o certificado deveria deixar de comercializar os produtos naturais e é algo que ela não deseja fazer. farinha de banana. realizou análise do solo e verificou quais itens deveriam ser implementados. mel).114 recentemente foi possível a certificação da propriedade e dos produtos. documentação. higiene. Isso dificulta para os produtores orgânicos.00 e R$ 3. Isso ocorreu da seguinte forma: a assistência técnica já acontecia há dois anos e nos últimos meses houve um convênio entre universidades estaduais e TECPAR – Curitiba (Instituto de Tecnologia do Paraná). O produtor que deseja iniciar a produção de orgânicos necessita adequar à infraestrutura de sua propriedade envolvendo as seguintes questões: reflorestamento. fizeram visitas na propriedade. o convênio realizou-se entre UEL e TECPAR. Após isso. Tudo isso demanda recurso financeiro e muitos produtores não tem condições para tanto. em sua maioria são pequenos produtores e praticam a agricultura como forma de subsistência. que serve de proteção da horta e também poderá ser utilizada para a ração das vacas. Veralice e Jorge conseguiram a certificação gratuita de seus produtos. estes sendo totalmente confiáveis. conforme o tamanho da propriedade. um órgão do governo responsável pela certificação de empresas. portanto. Rosana afirma que o restaurante Orgânica Bistrô não é certificado porque comercializa tanto produtos orgânicos como naturais (creme de azeitona. Leandro relatou que no seu segundo ano de produção orgânica já conseguiu a certificação pela Fundação Mokiti Okada (MOA). processos produtivos. este conhecem a origem do produto. a certificação é cara. Segundo Nilson.00 por ano. entre outros.

pois hoje existe a certificação participativa e a gratuita. adubos e agrotóxicos utilizados. entre outros. para muitos produtores o processo de certificação não tem importância alguma. Entretanto. verifica-se que vários produtores optam por não serem certificados por conta dos custos elevados e não entende a certificação como um processo importante para a comercialização. Para conseguir a certificação é necessário adequar à propriedade conforme as normas previstas pela certificadora. Assim. assim sendo. o grupo de Ibiporã inspeciona o grupo de Guarapuava. cada propriedade deve apresentar o histórico de como era praticada a agricultura em anos anteriores. Por outro lado. esta no Paraná é custeada pelo governo do estado e todo o procedimento fica por conta da empresa TECPAR.115 homem e por conta da relação de confiança que há entre o produtor e o consumidor. que visa assegurar que os produtos realmente têm seu manuseio diferenciado e. não acredita que o custo seja um fator limitante para a certificação. não possuem condições financeiras para certificar sua produção. são certificados como produto orgânico. praticam a venda direta. quando escolhida pelo produtor. Mas antes de qualquer forma de certificação. A partir das informações mencionadas acima se conclui que a certificação de produtos e de propriedade requer alto investimento financeiro. o Ministério da Agricultura reconhece apenas o modelo auditado. A certificação auditada é feita por uma empresa sem nenhum vínculo com a produção. porém não é reconhecida . A empresa vai até a propriedade e realiza as inspeções. este muitas vezes faz visitas na propriedade. Na verdade. Já na certificação participativa é formada uma rede ou núcleo com vários produtores e a inspeção ocorre entre os grupos. que praticam a agricultura de subsistência. Esta última. O custo para a certificação é visto como um fator limitador da expansão da produção orgânica. podendo ser anual ou semestral. tal como cultura cultivada. não envolve custos. e a maioria dos agricultores são pequenos produtores. As visitas são feitas regularmente. Sendo assim. Mas. pois requer alto investimento. De acordo com o entrevistado quando decide certificar sua produção conhece várias certificadoras tanto auditadas quanto participativas. o produtor tem a opção de escolher pela certificação auditada ou participativa. na qual há uma relação baseada na confiança entre produtor e consumidor. portanto. por exemplo.

conclui-se que a certificação é um procedimento caro. que na maioria das vezes é inalcançável para a maioria dos produtores. já que tem a opção da certificação participativa e a certificação gratuita custeada totalmente pelo governo. . Diante disso. a maioria dos produtos está disponível para o consumidor através da venda direta. passaram a fazer visitas periódicas para dar assistência técnica. porém há uma relação de confiança entre o produtor e consumidor que consolida a comercialização. E. começou a plantar e produzir por conta própria sem instruções técnicas. A entrevistada afirma que para se estabelecer na agricultura orgânica. Segundo ela.116 pelo Ministério da Agricultura.7 Dificuldades na Produção Orgânica Para Rejane o recurso financeiro é um fator que dificulta a expansão da agricultura orgânica. porém o fato de não ser certificado é uma escolha do produtor. Este engenheiro passou alguns conhecimentos técnicos para inicializar um processo produtivo contendo características da produção orgânica. há dois anos a EMATER juntamente com alunos do curso de Agronomia da UEL. Sendo assim. para sua família e para a sociedade em geral. geralmente o benefício para o pequeno produtor é reduzido. o produtor necessita gostar do que está fazendo e ter consciência do bem que está proporcionando para si mesmo. que trabalha na Igreja Messiânica de Londrina. Este problema se torna ainda mais agravante devido dificuldade de acesso ao crédito bancário. quando o produtor inicia a produção orgânica é necessário adequar sua propriedade e isto requer altos investimentos. Além do mais. além de ser um processo bastante burocrático. 4. para assim realizar a produção de alimentos orgânicos. em Londrina atualmente. no seu caso.2. a maior dificuldade para produzir os produtos orgânicos foi à falta de assistência técnica. De acordo com Jorge. De início. o governo do Paraná tem oferecido como forma de incentivo a certificação gratuita realizada pela TECPAR. além do elevado custo de certificação da propriedade e da produção. na qual os produtos orgânicos não recebem o selo. Após um período teve a ajuda de um Engenheiro Agrônomo de Ibiporã.

Após sua aquisição. Jorge afirma que a produção orgânica é totalmente viável. deve ter consciência de que não há incentivos fiscais. Entretanto. ele comenta que o recurso financeiro é um limitador para a produção orgânica. pois não foi necessário fazer muito investimento em infraestrutura. também é necessário despender muito recurso financeiro para adequar a infraestrutura da propriedade. a maioria desses agricultores não possuem condições financeiras para tanto. pois é difícil logo nas primeiras colheitas conseguir altos níveis de produtividade e lucros. para produzir os produtos orgânicos.00. Muitos agricultores desistem da agricultura orgânica. Ele cita. Desta forma. Jorge ressalta que o processo para a aquisição de crédito rural é bastante burocrático e lento. cercada pelo fundo de vale.117 Ele relatou que a propriedade antes de sua aquisição era utilizada para pastagem e não utilizava agrotóxico. . E. mas como uma filosofia de vida. houve um aumento no comércio de produtos orgânicos e pode ser observada uma maior diversificação de produtos. a propriedade é localizada em uma região privilegiada. há quatro anos necessitou fazer um empréstimo. contudo. o PRONAF (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar). que foi utilizado na construção de uma estufa e na aquisição de uma “carretinha” para reboque. O produtor deve acreditar nos benefícios que está trazendo para ele. sua família. pois o custo de produção é bastante reduzido quando comparado com a produção convencional. no seu caso. Entretanto. Na visão de Rosana. já que não necessita de fazer aquisição de produtos químicos. Esses fatores foram favoráveis para que conseguisse iniciar a produção orgânica. começou a plantar hortaliças também sem o uso de agrotóxico. em função das dificuldades encontradas para produzir. que no caso de sua propriedade não houve tanta dificuldade para produzir os produtos orgânico devido o fato de a terra ser fértil e de quase não ter tido o contato com agrotóxico. o que favorece o não contato com agrotóxico de outras propriedades. mesmo tendo uma pequena fatia de mercado e não sendo valorizado pela sociedade e pelo governo pelos benefícios proporcionados a todos. a agricultura orgânica para o produtor não deve ser entendida como um negócio. Portanto. para ser um agricultor orgânico não deve buscar o lucro como acontece na agricultura convencional. para sociedade e para as próximas gerações. e conseguiu o crédito de R$ 9000. o número de produtores de orgânicos é praticamente o mesmo de alguns anos atrás.

Ela acredita que o consumidor educado para um consumo sustentável. se tivesse um trabalho forte e organizado. Essa escassez de assistência técnica também se dá pelo fato de que há uma rede de empresas muito fortes que oferece produtos convencionais para os agricultores. há falta de assistência técnica destinada à produção de orgânicos para os produtores. De acordo com o engenheiro agrônomo. porém sempre chega informações sobre os mesmos. até dois anos atrás. e problemas de infraestrutura na propriedade. não existia um profissional que atuasse na área de produção orgânica e pudesse orientar os produtores. tudo seria resolvido a partir da educação. iria demandar produtos ecologicamente corretos forçando uma maior produção destes. Se o governo quisesse que o mundo fosse melhor. a produção de produtos orgânicos em Londrina ainda é pouco expressiva. no início tem certo prejuízo provocando desânimo nos agricultores e fazendo-os retornar para agricultura convencional. custa uma média de dois a três mil reais por ano para o produtor. em sua maioria são pequenos produtores e praticam a agricultura como forma de subsistência. portanto. De acordo com a proprietária. Ele exemplifica mencionando o fato de que na EMATER.118 Segundo Rosana um dos maiores problemas enfrentados pela produção de orgânicos é o fator educação. Existem aproximadamente oito produtores de orgânicos que são certificados na região de Londrina. incentivando-os na agricultura convencional. ela pouco procura sobre o assunto de orgânicos. Para Nilson. tornando-os disponíveis em maiores quantidades e preços acessíveis a toda a sociedade. pois tudo pode ser resolvido a partir dela. Segundo Nilson. a divulgação na mídia é fantástica. Isso é um dos motivos que impede o aumento do número de produtores de produtos orgânicos. alguém que possa orientá-los e incentivá-los. e só passou a ter com sua chegada ao instituto. certificação. . não tem recursos para alocar na certificação de seus produtos. deveria investir na educação. Isso dificulta para os produtores orgânicos. o produtor orgânico não pode considerar o lucro como elemento essencial para continuar produzindo porque quando se inicia a produção de orgânicos requer muito custo para adequação da propriedade. Isso pode ser explicado por três fatores: falta de assistência técnica. No caso dos orgânicos. A certificação é cara.

processos e/ou serviços conforme os padrões internacionais garantindo um processo reconhecido e seguro. que envolve a certificação de empresas pequenas. a TECPAR lista o que deve ser ajustado em um determinado prazo e a EMATER em conjunto com os alunos recém-formados fazem . E o problema de ajustes da propriedade ainda é uma situação a ser resolvida porque requer recurso financeiro. água. A TECPAR é uma empresa pública acreditada como organismo de certificação de produtos. Estes estão recebendo acompanhamento da EMATER e fazendo ajustes em suas propriedades para conseguir a certificação Quanto ao problema da certificação a solução foi o Projeto Universidade sem Fronteira que realizou um convênio entre empresas e universidades estaduais. documentação. A EMATER procura minimizar este problema através do processo de conversão da agricultura para conseguir formalizar a infraestrutura da propriedade. mas com o convênio este procedimento passou a ser gratuito para os produtores. o convênio aconteceu entre TECPAR e UEL. médias e grandes. O convênio entre a TECPAR e os alunos recémformados do curso de agronomia da UEL tem como objetivo a certificação dos produtos orgânicos. A partir disso foi possível também melhorar a assistência técnica e informações técnicas a respeito da produção de orgânicos. Entretanto. instalações. normas ISO (International Organization for Standardization). continua a produção convencional. disposição e conscientização do produtor. De acordo com Nilson. Tudo isso demanda recurso financeiro e muitos produtores não tem condições para tanto. No caso de Londrina. Assim. que são potenciais agricultores orgânicos. E atualmente. sistemas. entre outros. sendo pago pelo governo do Paraná. porém procurando converter para a produção orgânica. higiene. a solução encontrada para a falta de assistência de técnica foi realizar treinamentos para pessoas interessadas na produção de orgânicos. de modo que eles se sintam motivados a continuar produzindo. para que possam realizar suas atividades do campo de maneira mais adequada.119 O produtor que deseja iniciar a produção de orgânicos necessita adequar à infraestrutura de sua propriedade envolvendo as seguintes questões: reflorestamento. Para estes problemas aprontados por Nilson. A empresa TECPAR sempre cobrou o serviço de certificação. há cerca de sessenta produtores treinados. foram apresentadas soluções para cada um deles. e fazer visitas periódicas para estes agricultores treinados.

só vai vir praga na lavoura se a terra estiver com deficiência em algum nutriente. Nilson afirma que o maior problema enfrentado pela produção orgânica é a ausência de créditos rurais destinados ao período de conversão da agricultura convencional para a agricultura orgânica. Ele ainda menciona que a produção orgânica é totalmente viável financeiramente. que participaram do Projeto Jovem Parlamentar. proporcionando o equilíbrio do sistema. são necessários gostar de produzir e fazer por prazer. Leandro. para a maioria dos produtores. e estes que aumentam os custos de produção. porém como o mato faz parte do sistema orgânico de produção. pois no inicio é bastante difícil. pois é . certificação gratuita e créditos para o processo de conversão. no seu caso para começar a produzir os orgânicos foi mais fácil por conta da localização e extensão da propriedade. orientando no que for necessário nos assuntos técnicos. pois os gastos são enormes e o lucro é praticamente inexistente. O projeto selecionado foi o de crédito para o processo de conversão. desanimam e retornam para agricultura convencional. Segundo o proprietário. pois será um grande incentivo aos produtores para migrarem da agricultura convencional para a agricultura orgânica. Estes projetos são apresentados aos deputados federais como sugestão de melhorias. devido o fato de que a propriedade não esta adequada para desenvolver a agricultura orgânica e necessita do dispêndio de muito recurso financeiro. É nesse momento que o produtor necessita de maiores incentivos financeiros. Isso faz com que muitos produtores não consiga se manter na agricultura orgânica. entretanto. está sendo discutido no congresso e provavelmente será aprovado em breve.120 o acompanhamento nas propriedades. Depois disso surgem as pragas. Nilson acredita que se realmente este projeto for aprovado haverá uma ampliação da produção de orgânicos. afirma que no início a produção orgânica é bastante complexa até se estabilizar. porque não há custo com produtos químicos. Segundo o produtor. elas vêm até a horta e ao invés de atacar a planta se alimentam do mato. No entanto. o Engenheiro Agrônomo relata que contribuiu na construção de três projetos elaborados por alunos da Escola de Meio Ambiente de Londrina. pois se ela estiver em ótima qualidade nenhuma praga chega. Os projetos escritos abordaram as seguintes temáticas: melhoria da assistência técnica para os produtores orgânicos.

E mesmo com 100% da área sendo orgânica e certificada é necessário vender parte da produção como produto convencional. alto custo de certificação. principalmente se for hortaliças. utilizando cerca de 2% de sua área para aprender as práticas da agricultura orgânica. O produtor mesmo com muitas dívidas faz altos investimentos tornando toda a sua propriedade orgânica. é possível observar os resultados conseguidos com a produção orgânica e sanar problemas da mesma. Diante das opiniões expostas pelos entrevistados conclui-se que o mercado de orgânicos em Londrina conseguiu uma significativa diversificação. também relacionado . no início não foi necessária grandes modificações em sua propriedade. a terra sempre foi de pastagem e por isso quase não teve uso de agrotóxicos. que requer altos investimentos e na maioria das vezes o produtor não tem condições financeiras para tanto. Mas se antes receber informações especializadas. ele fica frustrado e passa a ser contra a agricultura orgânica. quando se inicia a transição gradativa. independente do grau de instrução dos produtores. assim não tem contato com o agrotóxico utilizados em propriedades vizinhas. compactação de solo. pois os custos de entrada na agricultura orgânica são bastante elevados. Assim. que foram resolvidos através do uso de adubos orgânicos e pó de pedra. É necessário que continue com a produção convencional para conseguir pagar suas contas. Gilberto ainda afirma que. devido a terra ter sido utilizada para pastagem. Vale ressaltar que isso deve ser feito de acordo com a espécie cultivada. No caso de fracassar. Estas dificuldades referem-se à necessidade de adequação da propriedade. pois no caso da soja é possível vender toda a produção orgânica. o produtor começa a produzir orgânicos de forma gradativa. Quando isto é feito sem a ajuda de pessoas instruídas. além das dívidas já existentes. teve alguns problemas com pragas. de início o produtor visa sanar problemas financeiros porque já não consegue sobreviver com a agricultura convencional. a chance de fracasso é maior.121 uma grande área e o local destinado à produção fica entre morros. Segundo Gilberto. iniciam a produção orgânica sem analisar o mercado antes de lançar os produtos no mercado. Assim. porém ainda é pequeno. em função das diversas dificuldades encontradas na agricultura orgânica. visto que existe alta demanda para o produto. por conta dos morros não foi necessário fazer os cercados com defesas naturais. Entretanto. com isso colocando-os a venda começa a ter problemas e na maioria das vezes abandonam a agricultura orgânica.

quando a produtividade é extremamente baixa e não consegue cobrir os custos. em sua maioria. . Também há falta de incentivo direcionado para a educação do consumidor. as dificuldades encontradas na produção orgânica se dão pela falta de incentivos.8 Incentivos à Produção Orgânica Segundo Rejane. aquisição de sementes. estufas. sendo que este é o elemento primordial para impulsionar o consumo de produtos orgânicos. 4.2. A solução mais adequada para minimizar as dificuldades iniciais da produção orgânica seria a disponibilização de créditos rurais direcionados para o período de conversão. este disponibiliza alguns créditos. a entrevistada afirma que a comercialização de produtos orgânicos em Londrina tem sido facilitada através das cooperativas que tem se formado como a COFAS e CRESOL (Cooperativa de Crédito Rural com Interação Solidária). Passado o período de conversão da agricultura convencional para a agricultura orgânica. entre outros elementos necessários. essas dificuldades ocorrem. e inexistência de créditos direcionados para o período de conversão. falta de assistência técnica. pois é neste período que os custos são elevados e a produção reduzida. o sistema se estabiliza e pode verificar que o mesmo é totalmente viável. que apoiam os produtores e possibilitam preços melhores para os produtos orgânicos. não deve entender esse processo como um negócio na qual o objetivo máximo é atingir altos níveis de lucro. mas há muita burocracia em todo o processo e o crédito é bastante reduzido. não sendo suficiente para viabilizar a produção através da adequação da propriedade. O produtor orgânico deve ter a consciência da importância de suas ações para o meio ambiente e para a sociedade e se sentir feliz por isso. Não existe incentivo por parte do Governo. apenas no início da produção. o produtor iniciante na agricultura orgânica. Desta forma. pois só assim conseguirá enfrentar os desafios do início da produção orgânica. pois a produtividade aumenta podendo ser comparada aos níveis da produção convencional e o custo de produção é reduzido. Entretanto. Entretanto.122 à escassez de recurso financeiro.

Ela ressalta que até mesmo para divulgação e conscientização do . que faz parte do Projeto Universidade sem Fronteiras. foi possível conseguir a certificação gratuita pela TECPAR. prometeram aos produtores de produtos orgânicos a construção de uma feira somente de produtos orgânicos. que em seguida é repassado para o produtor. por este orgânico. se tornando um fator motivador para os agricultores orgânicos.123 Sobre a ausência de incentivo ao produtor de orgânicos. Para Rosana. na qual estabeleceu um convênio entre a UEL e a TECPAR. entretanto. do governo municipal. na qual eles orientam os procedimentos adequados para a produção orgânica e questões de adequação da infraestrutura. Esta é uma forma de incentivo eficaz que tem trazido ótimos resultados. para ajudar os pequenos produtores orgânicos da região. porém se verifica a inexistência de ações eficazes voltadas para a agricultura orgânica. Jorge relata que em uma palestra realizada pela Secretária da Agricultura de Londrina e alguns membros do Ministério da Agricultura de Curitiba. ter maior contato com os consumidores. que promove a comercialização dos produtos orgânicos com preços melhores. Isso seria uma oportunidade para o produtor expor seus produtos. Através da certificação de seus produtos. além dos processos burocráticos para conseguir os créditos rurais. Ele afirma que não existem muitos incentivos do governo direcionado para a produção orgânica. Isto acontece porque a cooperativa tem um convênio com o governo estadual e municipal fazendo parte do Programa de Aquisição de Alimento (PAA). O produtor entrega seus produtos pra a cooperativa e esta vende para o governo municipal e/ ou estadual. assim ele deve produzir este produto como uma filosofia de vida. A partir disso. recebendo um acréscimo de 30% no preço do produto. o Nilson. aumentar suas vendas e melhorar os preços de seus produtos. Jorge ressalta que recentemente tem recebido apoio e incentivos dos alunos recém-formados do curso de Agronomia da UEL juntamente com o Engenheiro Agrônomo da EMATER. acreditando nos benefícios trazidos para si. Jorge se tornou cooperado da cooperativa COAFAS em Londrina. essa proposta não passou de mais uma promessa de políticos. o produtor de orgânicos não recebe incentivos ficais e as dificuldades são diversas. assim pouco se faz para viabilizar o mercado de orgânicos e oferecer melhores oportunidades para o produtor de orgânicos. do governo federal e do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). para sua família e para a sociedade. o que se percebe é que há muitas propagandas a cerca do assunto.

o governo federal compra dos produtores familiares e repassam para entidades assistenciais (creche. Estes dois programas são grandes incentivos para a agricultura orgânica. em especial a COAFAS. o governo municipal de Londrina compra os alimentos do produtor familiar para a merenda escolar. oferece os produtos frescos e com preços menores que praticados pelos grandes mercados. fazendo parte PAA e do PNAE. de acordo com o previsto na resolução n°39. sendo que o governo paga um preço 30% maior para os produtos orgânicos em relação aos produtos convencionais. Cada produtor pode vender R$ 4000. No PAA. e também há o pagamento com acréscimo de 30% para os produtos orgânicos. Nesta feira. As cooperativas convencionais não tem preocupação alguma com a produção de orgânicos. Nilson comenta sobre a relação existente entre cooperativas e produção orgânica. sem custo algum.124 consumidor não há iniciativas eficazes por conta do governo. § 4º (anexo A). A ideia é ter o produtor orgânico na feira para expandir o mercado de produtos orgânicos em Londrina e até mesmo incentivar os produtores convencionais a praticar a agricultura orgânica. Neste programa o produtor pode vender R$ 9000. que paga ao produtor orgânico um valor 30% a mais que os produtos convencionais. o produtor sofre com a falta de apoio. é responsável pela administração e intermediação entre o governo municipal/federal e o produtor orgânico. casa de abrigo). do governo municipal. Já a cooperativa de agricultores. neste caso a COAFAS. O produtor orgânico que é certificado se torna membro da cooperativa. Além do que. esta por sua vez tem convênio com o governo municipal e federal. de 26 de janeiro de 2010. e atualmente existem apenas produtos convencionais. Nilson acredita que um incentivo ao produtor de orgânicos de imediato seria inseri-lo nas feiras do produtor realizadas aos domingos.00 por ano. Sendo assim. a feira cria uma relação forte entre produtor e cliente. assim é . organizada pela Secretaria da Agricultura de Londrina. provocando a desmotivação de muitos iniciantes na agricultura orgânica. E a cooperativa. asilo. Ela faz toda a negociação e em seguida repassa o dinheiro para o produtor. os produtores podem vender apenas o que realmente produzem. o que pode fortalecer o consumo dos produtos orgânicos. No PNAE.00 por ano de sua produção para este programa. está ampliando e incentivando a produção orgânica em Londrina.

considerando que está produzindo alimento sem deteriorar a natureza. O entrevistado acredita que tanto cooperativas quanto associações oferecem ao cooperado ou associado melhores preços para os produtos a serem comercializados e para os insumos necessários a produção orgânica. De acordo com o ponto de vista de Gilberto. baixo nível de produtividade e burocracia para adquirir o crédito rural. para sua família. pois tornaria possível o comércio de produtos orgânicos em maior volume e . como acontece em Curitiba. como os créditos rurais.125 possível o produtor conseguir melhores preços para os seus produtos e ampliar sua vendas quando se torna um cooperado. Para Gilberto. existem vários incentivos oferecidos pelo governo. no Paraná há vários incentivos para a agricultura orgânica oferecidos pelo governo do estado. atualmente as cooperativas de produtores orgânicos representam a melhor saída para aumentar as vendas do produto orgânico com melhores preços. para a sociedade em geral e garantindo os direitos de seus trabalhadores. Contudo. no seu ponto de vista. Ele enfatiza que os produtores reclamam da falta de incentivo porque querem atingir seus objetivos de maneira rápida e não estão acostumados a lidar com a burocracia. ou seja. Outras formas de incentivos são as linhas de pesquisas na área desenvolvidas por órgãos do governo. como a EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e esta também elaborou uma cartilha que motiva o consumo de soja orgânica. além de estar proporcionando o bem estar para si mesmo. assim desanimam rapidamente. Leandro afirma que no início da produção orgânica há muitas dificuldades como adequação da propriedade. conseguindo comercializar maracujás até para a Inglaterra. cursos de capacitação para os produtores. Entretanto. está contribuindo para a preservação do meio ambiente para as gerações futuras. porém com processos lentos e burocráticos. Ele ressalta que deveriam existir cooperativas de consumidores em Londrina. o entrevistado ressalta que a motivação para ser produtor orgânico deve ser intrínseca. Ele afirma que quando consegue reunir pessoas com ideias próximas é possível atingir os resultados com mais eficácia. é o que acontece na com a cooperativa da cidade de Nova Tebas. embora estes não estejam acostumados a lidar com a parte burocrática e deve se esforçar para conseguir o que desejam.

crédito para o período de conversão e ações que viabilizam o comércio dos produtos orgânicos como a criação de feiras que incluam os produtores de orgânicos. créditos rurais. fazendo parte do PAA e PNAE. em Londrina. O produtor certificado tem a possibilidade de se tornar cooperado e entregar seus produtos na cooperativa. Segundo eles. de maneira mais facilitada. conclui-se que o Governo deve engajar em mais ações que incentivam o produtor orgânico. assim. levando em conta as necessidades apresentadas acima para possibilitar a expansão e fortalecimento do mercado de orgânicos. Segundo eles. a cooperativa é responsável por toda administração e intermediação entre produtor e governo da produção. os fatores que necessitam de maiores incentivos são a disponibilização de créditos rurais. pois atualmente o procedimento de aquisição de crédito é burocrático e lento. o que acontece é que as pessoas não estão acostumas a lidar com processos burocráticos e desistem rapidamente. alguns dos entrevistados acreditam que há vários incentivos do governo convergidos para o produtor de orgânicos como a certificação gratuita. que facilita a comercialização e possibilita o produtor se tornar cooperado. educação do consumidor. Os produtos orgânicos são vendidos para o governo municipal e/ ou federal conseguem um preço 30% a mais que o convencional. Pode-se afirmar que os incentivos de maior eficácia para a produção orgânica. cartilha do consumidor. A maioria dos entrevistados afirmou que as dificuldades encontradas na produção se dão pela inexistência de incentivos pra o produtor por conta do governo. o PAA. o produtor rural também deve aproveitar os incentivos já oferecidos pelo governo. como a COAFAS. e a atuação das cooperativas. tanto produtor quanto consumidor obteria grandes vantagens. de modo que possam unir forças para atingir os objetivos do mercado de orgânicos. o PNAE. . E. que possui convênio com o governo. Em contrapartida. e em seguida é repassado o valor para o produtor. Desta forma. A partir disso. tem sido a certificação gratuita. linhas de pesquisa.126 consequentemente os consumidores iriam comprar com o preço reduzido.

enquanto que isso não é verdade. Toda essa logística gera altos custos. além da desvalorização do produtor orgânico.9 Educação do Consumidor Para Rejane. na qual o produto orgânico se sobressai em função de não possuir agrotóxicos. a educação do consumidor ainda é o maior problema enfrentado pela agricultura. retornam para o produtor. Segundo Rosana. De acordo com a proprietária. deveria investir na educação. Muitos consumidores tem receio quanto ao produto orgânico. é possível encontrar tanto produtos convencionais como orgânicos. como Assaí. a educação do consumidor ainda é algo desvalorizado. pois a maioria dos produtos orgânicos chega para o consumidor final com uma margem elevada de 200% em relação aos convencionais. que são agregados no valor do produto. existe uma dificuldade de acesso. a divulgação na mídia é fantástica. Isso resulta na diminuição de competitividade do produto orgânico em relação aos produtos convencionais. Ele comenta que o produto orgânico é encontrado apenas nos grandes mercados da cidade com preços elevados. Nas feiras de Assaí. e em seguida é destinado ao varejo e/ou a venda direta.2. deixando os produtos até 400% mais caros que os preços que saíram do produtor. Segundo Jorge. ela pouco procura sobre o assunto de orgânicos. pois tudo pode ser resolvido a partir dela. os consumidores acreditam que o produtor está ganhando altas margens de lucros com os produtos. e os incrementos de custos acontecem por conta da logística necessária. Também é muito taxado como vegetariano. o consumidor consegue encontrar maior quantidade e variedade de produtos orgânicos com preços mais acessíveis.127 4. sendo acessível para aqueles que possuem maiores rendas. em nossa região o consumidor ainda não esta educado para consumir os produtos orgânicos. porém sempre chega informações . mesmo sendo crucial para a ampliação do mercado de orgânicos. não há a confiança de que realmente é um produto diferenciado e que contém tudo aquilo que o produtor afirma. com pouca ou nenhuma diferença de preço. Ela afirma que se o governo quisesse que o mundo fosse melhor. Em outras regiões mais avançadas na produção de orgânicos. E o produtor de orgânicos ainda não é valorizado. Os produtos saem dos locais de produção embalados e vão pra Curitiba na Rio de Una para receber o selo deles.

A respeito da educação do consumidor. O produto hidropônico é totalmente diferente do produto orgânico. A rede Pão de Açúcar obrigou que todo produto deverá ser rastreado para poder ser comercializado pela rede. pois assim estará financiando a produção orgânica e garantindo a qualidade de vida das futuras gerações.128 sobre os mesmos. ou seja. mas depois esses consumidores desaparecem. se tivesse um trabalho forte e organizado. Nilson afirma que esta é uma área que necessita de maior incentivo. todo produto deverá indicar em seu rótulo tudo que recebeu durante o processo de produção. No caso dos orgânicos. Ele acredita que o produtor também deve ter esta visão porque senão desiste da agricultura orgânica. no entanto. tudo seria resolvido a partir da educação. a única forma de fazê-los agirem de forma menos agressiva ao meio ambiente é através de algum estímulo financeiro. Entretanto. assim o consumidor irá saber tudo o compõe. Ele menciona que quando há uma propaganda sobre algum alimento que possa grande quantidade de agrotóxico. Assim devem-se conscientizar os consumidores sobre os benefícios alcançados através do consumo de produtos orgânicos e desmistificar a associação feita entre produto orgânico e o hidropônico. . portanto é a força maior da cadeia produtiva para que ocorram mudanças. naquele período há elevada demanda pelo mesmo. Leandro afirma que há muita propaganda sobre o consumo de produtos com incidência de agrotóxicos e seus malefícios para a saúde. Sobre a educação do consumidor. há a necessidade de algo que consiga conscientizar o consumidor a consumir os produtos orgânicos. que também favorecerá a produção orgânica. como acontece em seu estabelecimento. assim pode visualizar que não houve uma conscientização. pois são os consumidores que demandam produtores e. É fato que falta orientação para o consumidor sobre os malefícios trazidos pelo consumo dos produtos convencionais. todo o processo produtivo depende de produtos químicos. Ela incentiva-os concedendo descontos de 5% no valor da compra para os clientes que levarem sacolas retornáveis para fazer a feira. este problema começará a ser minimizado através da rastreabilidade. assim todos os seus nutrientes são baseados na química e conforme a dosagem utilizada pode causar inúmeras doenças no consumidor. Rosana ainda comenta que devido o fato de os consumidores não estar educados para um consumo sustentável.

somente a partir da implementação de ações direcionadas para a educação do consumidor. Gilberto. Sendo assim. percebe a necessidade de ações eficazes voltadas para a educação do consumidor. da questão social e da questão ambiental. pois a maioria dos incentivos é voltada para a criança e o adolescente nas escolas. haverá um aumento significativo da demanda por produtos orgânicos. Portanto. os maiores problemas que dificultam a produção em larga escala dos produtos orgânicos são: financeiro e logística. acarretando maior oferta e consequentemente preços mais acessíveis.2.129 O engenheiro agrônomo. levando em consideração o aspecto da saúde de quem consome e de quem produz. O consumidor precisa entender as implicações que o consumo sustentável pode trazer. Pois assim. entretanto poderia haver mais incentivo focando os chefes e pais de família. 4. mas o volume de produtos ofertados restringe o consumo tornando os produtos caros. é a dificuldade de acesso ao crédito bancário.10 Produção Orgânica em Larga Escala Na visão da proprietária Rejane. com pouca variedade e de difícil acesso. para que este se torne consciente dos malefícios causados pelo consumo de produtos convencionais e dos benefícios trazidos pelo consumo dos produtos orgânicos. a agricultura orgânica se estabelecerá. Pode-se concluir que a educação do consumidor é um fator que merece maior atenção. geralmente o benefício para o pequeno produtor é bastante reduzido e no caso da . muitas vezes o consumidor sabe da importância do produto. Assim. Todos os entrevistados afirmaram que este é um dos maiores problemas enfrentados pela agricultura orgânica. que podem ter ações com resultados mais impactantes. de maneira que este torne o consumo sustentável um hábito diário. afirma que existem algumas ações voltadas para a reeducação do consumidor. Sobre o financeiro. E como o mercado de orgânicos ainda é pequeno. talvez a venda direta seja uma sugestão adequada para tornar o produto orgânico mais acessível ao consumidor.

já que existem alguns casos no Brasil de produção orgânica em grande escala como na região de Cascavel com a produção de soja e em Brasília com a produção de hortaliças e leite. pois geralmente é produção familiar. esta verificação é feita apenas uma vez. Segundo ela. Com isso torna necessária a obtenção de uma propriedade com terras férteis e disponibilidade de recursos financeiros. que requerem bastante recurso financeiro para sua aquisição. o que impossibilita a produção e posteriormente. Na produção orgânica é necessário cuidado minucioso e diário. No caso dos hortifrutis. Ainda sobre o aspecto na produção em larga escala.130 mulher este crédito é R$ 50. utilizando o restante o crédito concedido ao produtor. e só volta a inspecionar caso haja alguma denúncia.00. este recurso não é suficiente para implementar as condições necessárias para a produção em larga escala. adubos orgânicos. Outra dificuldade da produção orgânica em larga escala é a mão de obra. Segundo Jorge. o consumo em larga escala. que apoiam os produtores e possibilita preços menores para os produtos orgânicos. que inspeciona as condições do veículo. na sua visão.000. não restam recursos para destinar a logística dos produtos orgânicos. Já em grandes propriedades isto é mais difícil. pois não adianta ter uma grande produção se não tem como chegar ao cliente em boas condições de consumo. que é facilitado nas pequenas propriedades. Entretanto. o produtor reside na terra e tem o auxílio de todos os membros da família no processo produtivo. Para produzir produtos orgânicos é imprescindível o uso de estufas e para construí-la necessita de aproximadamente R$ 25. Assim.000. quando se inicia o processo de transporte dos alimentos. além da dificuldade de encontrá-la. Jorge comenta que a dificuldade para que isso ocorra se dá por conta da falta de incentivo através . sendo necessário o incremento da mão de obra aumentos os custos da produção. embora a comercialização de produtos orgânicos em Londrina tem sido facilitada através das cooperativas que tem se formado como a COAFAS e CRESOL. O transporte é controlado pela vigilância sanitária.00. como a presença de câmara fria. e para adquirir os demais itens necessários na produção como sementes. é necessário o uso de caminhões com câmaras frias. os maiores problemas para a produção em larga escala são recurso financeiro e mão de obra. a produção em grande escala é algo possível de ser atingido desde que haja um bom projeto que dê possibilidades para viabilizar a produção. Assim.

pois elas vão até o produtor. Nesse caso o governo teria que dar respaldo e suporte para os agricultores no momento de transição da agricultura convencional para agricultura orgânica. além de financiar os agricultores convencionais. além da demora em alcançar uma grande produção com altos níveis de lucro. como acontece na agricultura convencional. o produtor convencional é vislumbrado pelo lucro e isto o desmotiva a migrar para a agricultura orgânica. Ele afirma que hoje há muita propaganda sobre esses assuntos. Assim. como acontece no estabelecimento da entrevistada. Essas multinacionais facilitam todo o processo produtivo da agricultura convencional. ainda existe muita burocracia para conseguir os limites de créditos. Isto seria possível se todas as pessoas que trabalham com agricultura acreditassem nos orgânicos e o governo oferecesse incentivos aos agricultores. pois é necessário despender muito dinheiro e tempo para adequar à propriedade e o processo de produção aos requisitos da produção orgânica. e isso pode se tornar ainda mais viável se houver a contribuição do governo disponibilizando créditos rurais direcionados para o período de transição da agricultura convencional para a orgânica. a produção de orgânicos em grande escala pode ser vista como um sonho possível. torna os seus produtos acessíveis a todos os produtores. E no caso do produto orgânico é tudo mais difícil. os consumidores vão preferi-lo em relação aos convencionais. assim como nas demais regiões há muita possibilidade de expansão. Para Rosana. Rosana afirma que a produção de orgânico em larga escala só é possível a partir do incentivo do governo federal e da iniciativa privada. Assim. Jorge afirma que para o grande produtor não é vantajoso transformar seus processo produtivo convencional em orgânico. Entretanto. Bayer. como a Monsanto. Isso pode ser explicado através da . ele afirma que não é possível haver uma produção em larga escala de produtos orgânicos.131 dos limites de créditos para o produtor rural e falta de divulgação. No entanto. Nilson acredita que a produção orgânica em Londrina pode ser ampliada nos próximos dez anos. ela tem de ir até os produtores em diversas cidades vizinhas para conseguir variedade de produtos com a qualidade desejada pelo consumidor. porém há poucas ações eficazes nesse sentido. porque quando houver produto orgânico em grande escala e com preço acessível. isso não acontece pelo fato de que existem muitas empresas multinacionais no Brasil que não permitem. podendo ainda ser considerada uma utopia.

De acordo com os entrevistados. A produção orgânica em larga escala sofre com os problemas de ausência de diversidade de cultura e escassez de mão de obra. como acontece em uma fazenda da região mato grossense que consegue produzir cerca de 1000 hectares de soja orgânica. percebem-se respostas divergentes. No entanto. mas com o passar do tempo deixar de ser. Para Leandro a produção orgânica não combina com produção em grande escala. Embora a agricultura familiar seja a que mais viabiliza a agricultura orgânica. de acordo com as leis trabalhistas. encargos. Para desenvolver a agricultura orgânica em larga escala é necessária estabelecer uma cultura que permita a produção em grandes volumes com manejos diferenciados e permita a mecanização. o recurso financeiro pode ser um fator limitante para produção em grande escala dos produtos orgânicos. conclui-se que a produção orgânica em larga escala é algo praticamente impossível de ser alcançado. como é o caso da empresa Forever Live que possui produção em larga escala de aloe vera na Costa Rica. porque o governo fornece créditos. Ele acredita que o problema mais incisivo é a falta de mão de obra. E nesse aspecto o produtor tem que fazer um comércio que agrega valor. para viabilizar a produção orgânica necessita de recurso financeiro em grande quantidade para adequar a propriedade. que consequentemente aumentando a oferta proporciona preços acessíveis. ela deve ser em pequena escala. Para Gilberto. mas depende da cultura a ser produzida. Também se deve ao fato de que as coisas só acontecem por pressão da sociedade. inicialmente. desde que a cultura e a boa parte de sua condução permitam a mecanização. porque deve ser diversificada e requer um cuidado minucioso e diário.132 presença de grandes empresas de produtos químicos que financiam e facilitam a agricultura convencional. No caso da produção orgânica em larga escala é necessária a contratação de colaboradores e consequentemente pagar salários. E. Gilberto acredita que é possível a produção em grande escala de produção orgânica. e o aumento da produção orgânica ocorrerá efetivamente a partir do aumento da demanda por esses produtos. Assim. investir na logística dos produtos e contratar mão de . Ele afirma que a produção em larga é viável. pois a própria produção se viabiliza. o clima e a vegetação devem ser favoráveis para o desenvolvimento da cultura escolhida. Além do mais. dependendo da cultura que o produtor optar nunca conseguirá atingir a produção em larga escala.

a agricultura orgânica está próxima de ser expandida. vale ressaltar que já existem alguns produtores que praticam a agricultura orgânica em larga escala no Brasil e exportam seus produtos como soja.3 ANÁLISE QUALITATIVA E QUANTITATIVA Neste subitem será feita uma análise de alguns aspectos contemplados tanto na pesquisa qualitativa quanto na quantitativa. Desta forma. como o crédito rural destinado ao período de transição.verificar se a visão do produtor e demais entrevistados sobre o consumidor de produtos orgânicos está de acordo com as respostas obtidas com os questionários. vai até Curitiba para receber o selo da Rio de Una. no Brasil há varias empresas multinacionais influentes que financiam e facilitam a agricultura convencional impedindo a expansão da agricultura orgânica. logística. 4. Contudo. café. como o perfil do consumidor de orgânicos e o mercado de orgânicos. a agricultura orgânica é caracterizada pela diversidade de cultura em uma propriedade e mão de obra familiar. e mão de obra. retorna para o produtor e em seguida é disponibilizado nos supermercados para o consumidor final. visto que a classe baixa não tem condições . varejistas e pessoas influentes no assunto . os fatores limitantes para viabilizar a produção orgânica em larga escala são recurso financeiro. Além do mais. Entretanto. porém ainda não se consegue visualizar a possibilidade da produção em larga escala como acontece com a agricultura convencional. assim este processo eleva o preço do produto em até 400% quando comparado com o produto convencional. maracujá. Com relação às entrevistas. Além do problema com os transportes. pois na maioria das vezes este sai da propriedade rural. a produção em larga escala acaba por descaracterizar a produção orgânica. Desta forma. observou-se que os participantes – produtos. Com isso pretende. o fator da logística encarece o produto orgânico.descrevem o perfil socioeconômico do consumidor de produtos orgânicos como a maioria sendo pessoas pertencentes à classe média.133 obra. Conforme as informações obtidas.

sendo que o número de idosos é bastante significativo. pessoas mais preocupadas com a saúde e que possuem outras perspectivas. estando dispostos a pagar por um preço elevado dos produtos orgânicos. Sendo assim. pode-se constatar que os resultados obtidos com a aplicação dos questionários com os consumidores de produtos orgânicos comprovaram as afirmações apresentadas pelos produtores. as respostas contidas nos questionários correspondem ao discurso das entrevistas. pois todos entrevistados . Quanto ao sexo pode-se verificar que a maioria são mulheres. conclui-se que o produtor orgânico. além do apego à criança. o que garante maior conscientização a respeito da importância do consumo sustentável. Com isso. Apenas as pessoas conscientes da importância do consumo sustentável irá se aderir a ele. E quanto à idade. foi unânime entre os entrevistados que grande parte dos consumidores procura o produto orgânico através da indicação médica e da preocupação com a saúde. Verifica-se também que na visão dos entrevistados.134 financeiras para adquirir o produto mesmo sabendo dos benefícios contidos nele. Outro aspecto é a educação do consumidor. na qual as mães querem garantir uma alimentação mais saudável aos seus filhos. Entretanto. enquanto a maioria dos jovens é impulsionada para o consumismo. os varejistas e as pessoas influentes no assunto conhecem o perfil do consumidor de produtos orgânicos e o fator que impulsiona o consumo de produtos orgânicos. de acordo com os entrevistados. pois está sempre preocupada com o bem-estar da família. assim o alimento orgânico passa a ser visto como um remédio. ou seja. ou seja. E. apenas uma entrevistada mencionou que o consumidor de produtos orgânicos não pode ser caracterizado pelo perfil socioeconômico. a maioria dos consumidores possui elevado nível de instrução. mas pelo nível de consciência. no caso a preocupação com a saúde. no caso de consumir este produto é por conta de problemas de saúde que exigem o consumo do mesmo. pode-se perceber que os consumidores de orgânicos estão enquadrados nas faixas etárias acima de trinta anos. e a maioria das pessoas pertencentes à classe alta não estão dispostos a pagar um preço mais elevado por produtos produzidos de maneira ecologicamente correta e mais saudável. Analisando os resultados da pesquisa qualitativa verificou-se que um dos maiores problemas enfrentados pela agricultura orgânica é fator educacional.

constatou-se que eles acreditam que aconteça uma expansão significativa desse mercado nos próximos anos. muitos consumidores não conhecem ou não estão conscientizados da importância do consumo ecologicamente e seus atributos. vão viabilizar a produção orgânica em maior escala. observou-se que o fator que mais restringe o consumo é o preço elevado. tem-se que há uma demanda significativa para os mesmos. a partir da pesquisa quantitativa. constata-se que realmente necessita de fomentar ações voltadas para educação do consumidor. . verificou-se que nos últimos tempos houve uma expansão da agricultura orgânica. porém o desconhecimento dos atributos do produto orgânico também se mostrou significativo. percebeu-se que os produtores tem esse conhecimento de que o mercado de orgânico deve ser explorado. De acordo com eles. embora ainda seja pequena.135 acreditam que se houvesse um maior incentivo à educação do consumidor poderia haver uma expansão significativa do mercado de produtos orgânicos. entretanto. assim percebe-se que existe um mercado em potencial que deve ser explorado. Sabe-se que existem alguns trabalhos na mídia sobre este assunto. Com base nos questionários constatou-se que o fator mais expressivo que limita ou impede o consumo de produtos orgânicos é o preço elevado destes produtos. Sendo assim. visto que se houver produtos disponíveis e com preços acessíveis haverá o consumo. E. visto que há uma intensa demanda e também existem alguns projetos que. Contudo. de modo que possa tornar o produto orgânico conhecido por todos e que possa conscientizá-los da importância do consumo sustentável. tornando o produto orgânico acessível a todas as classes sociais. Com isso. na questão ambiental e social. Também foi possível identificar que a maioria dos consumidores entrevistados que não se aderiram ao consumo de produtos orgânicos não sabem defini-lo e identificá-lo. que impactam na questão da saúde. será possível disponibilizar maior número de produtos e com variedades a um preço menor. Além do mais. se aprovados. porém necessita direcionar os esforços para o publico em potencial para que os objetivos desejados sejam alcançados com maior eficácia. E a partir das entrevistas.

pois a questão da saúde está em primeiro plano. de maneira geral. conclui-se que o preço elevado dos produtos orgânicos é o fator de extrema importância que limita o consumo dos mesmos. Mas vale ressaltar que há um consumo significativo dos jovens. verificou-se que o de extrema importância foi a preocupação com a saúde. muitos consumidores afirmaram que o basta estar disposto a consumir este produto. seguido da dificuldade de acesso e variedade de produtos disponíveis. falta de assistência técnica. que requer altos investimentos e na maioria das vezes o produtor não tem condições financeiras para tanto. Com relação aos fatores que impulsionam o consumo de alimentos orgânicos. essas dificuldades ocorrem. o que se subentende que esse segmento está se tornando mais consciente e preocupado com as questões ligadas a saúde e ao meio ambiente. Após a análise dos dados obtidos pode-se constar que o perfil do consumidor londrinense de orgânicos é caracterizado. sendo que a questão ambiental também importante. Com isso. Contudo. Porém.136 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Este estudo buscou. com estabilidade financeira e concentrando-se no público com idade entre 36 e 60 anos. e inexistência de créditos direcionados para o período de conversão. alto custo de certificação. Quanto aos fatores que restringem o consumo dos produtos orgânicos. identificou-se que o preço é fator mais relevante. Diante das opiniões expostas pelos entrevistados conclui-se que o mercado de orgânicos em Londrina conseguiu uma significativa diversificação. porém ainda é pequeno. pessoas com elevado nível de escolaridade. em função das diversas dificuldades encontradas na agricultura orgânica. pois sempre que procura o encontra. Entretanto. identificar os fatores que dificultam a produção e consumo de produtos orgânicos em larga escala em Londrina. também relacionado à escassez de recurso financeiro. conclui-se que os consumidores ainda não dão prioridade a preservação ambiental. em sua maioria. Estas dificuldades referem-se à necessidade de adequação da propriedade. em sua maioria. quando a produtividade é extremamente baixa e não consegue . pelo sexo feminino. apenas no início da produção.

Além do mais. a agricultura orgânica está próxima de ser expandida. fazer uma análise mais profunda sobre a produção orgânica em larga escala e a exportação. Sendo assim. café. e mão de obra. o sistema se estabiliza e pode verificar que o mesmo é totalmente viável. ainda não se consegue visualizar a possibilidade da produção em larga escala como acontece com a agricultura convencional. pois a produtividade aumenta podendo ser comparada aos níveis da produção convencional e o custo de produção é reduzido. Contudo. Desta forma. a agricultura orgânica é caracterizada pela diversidade de cultura em uma propriedade e mão de obra familiar. pois é neste período que os custos são elevados e a produção reduzida. E. logística. Passado o período de conversão da agricultura convencional para a agricultura orgânica. Quanto ao aspecto da produção orgânica em larga escala verificouse que é algo praticamente impossível de ser alcançado. . porém. maracujá. A solução mais adequada para minimizar as dificuldades iniciais da produção orgânica seria a disponibilização de créditos rurais direcionados para o período de conversão. Desta forma. para verificar se está hipótese será aceita ou refutada. como o crédito rural destinado ao período de transição. os fatores limitantes para viabilizar a produção orgânica em larga escala são recurso financeiro.137 cobrir os custos. tem como sugestão para outros estudos nesta área. subentende-se que no Brasil há varias empresas multinacionais influentes que financiam e facilitam a agricultura convencional impedindo a expansão da agricultura orgânica. na qual se utiliza da monocultura está associada com a exportação e a produção em pequena escala caracterizada pela diversidade de cultura é voltada para o consumo interno. Para desenvolver a agricultura orgânica em larga escala é necessária estabelecer uma cultura que permita a produção em grandes volumes com manejos diferenciados e permita a mecanização. a produção em larga escala acaba por descaracterizar a produção orgânica. vale ressaltar que já existem alguns produtores que praticam a agricultura orgânica em larga escala no Brasil e exportam seus produtos como soja. para viabilizar a produção orgânica necessita de recurso financeiro em grande quantidade para adequar a propriedade. Com este estudo surgiu a hipótese de que a produção orgânica em larga escala. Conforme as informações obtidas. investir na logística dos produtos e contratar mão de obra. Entretanto.

.138 Outra sugestão é a realização de um estudo mais aprofundado com os consumidores de orgânicos. direcionando esforços para atingir pessoas de todas as regiões da cidade de Londrina.

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142 APÊNDICES .

Tal pesquisa é essencialmente acadêmica. e faz parte das atividades do meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). pule para questão 11. _______________________________ Quais os motivos que te impedem de comprar os produtos orgânicos em maiores quantidades e/ou com maior freqüência? Coloque em grau de importância de 1 a 5. do curso de Administração da Universidade Estadual de Londrina. Preço 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 Dificuldade de acesso Variedade 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 Baixa divulgação da mídia Se você respondeu NÃO na questão 01. ______________________________ Outros 1 2 3 4 5 __________________________________ 08) Quais os produtos orgânicos que você mais consome? Hortifruti Leguminosas Processados Outros. 04) Qual (is) motivo(s) que você não consome produtos orgânicos? Preço elevado Dificuldade de acesso Variedade Baixa divulgação da mídia Desconhecimentos dos atributos do produto orgânico Outros. 05) Com que frequência você consome produtos orgânicos? Semanalmente Mais de uma vez por semana A cada 15 dias Outros. 01) Você consome produtos orgânicos? 06) Quais os motivos que te levam a consumir os produtos orgânicos? Coloque Sim em grau de importância de 1 a 5. ____________________________ 07) Preocupação com o meio ambiente 1 2 3 4 5 Sabor dos alimentos e/ou valor nutricional 03) 1 2 3 4 5 Outros. que visa identificar os fatores que dificultam o consumo de produtos orgânicos em larga escala em Londrina.143 APÊNDICE A Questionário Este formulário está sendo aplicado com o objetivo de levantar informações para desenvolvimento de trabalho de pesquisa. ____________________________________ . Desde já agradeço sua colaboração. Não Preocupação com a saúde 1 2 3 4 5 02) O que você entende por produtos orgânicos? _____________________________________ _____________________________________ _ Como você identifica o produto orgânico? _____________________________________ _____________________________________ Se você respondeu SIM na questão 01. pule para questão 05.

00 Acima de R$ 5. _____________________ Idade Até 25 De 26 a 35 De 36 a 45 De 46 a 60 Mais de 60 10) 11) 12) Sexo: Masculino Feminino Estado civil: Solteiro(a) Casado(a) Divorciado(a) Viúvo(a) Grau de escolaridade: 1º Grau Incompleto 1º Grau Completo 2º Grau Incompleto 2º Grau Completo Superior Incompleto Superior completo Outros.00 De R$ 1635.815.450.815.144 09) Considerando a questão anterior.180.180.00 De R$ 545.360.00 a R$ 2.00 13) 14) 15) .00 a R$ 1635.450.360.00 a R$ 4.00 De R$ 2.00 De R$ 3. __________________ Qual a sua renda familiar? Até R$ 545.00 a R$ 3.00 a R$ 5. quais os produtos mais difíceis de serem encontrados? Por quê? _______________________________________ _______________________________________ Onde costuma comprar os produtos orgânicos? Feiras Supermercados Direto do produtor Outros.00 De R$ 4.

limitações) 4) Divulgação do produto orgânico  Educação do consumidor 5) Onde distribui o produto (produtor) 6) De onde vêm os produtos orgânicos? 7) Como acontece a logística do transporte dos produtos orgânicos? .145 APÊNDICE B Roteiro de Entrevista 1) Perfil do consumidor de produtos orgânicos.  Embalagem. (dificuldades. de acordo com a visão do produtor/comerciante/varejista.  Sexo .  Culturas cultivadas.  Renda.  Idade.  Formação.  Custo 3) Comente sobre produção em grande escala.  Certificação.  Duração do processo produtivo. 2) Produção  O que caracteriza o produto e/ou produção de produtos orgânicos  Tamanho da propriedade.  Como é realizada.

produtos sem lactose e sem glúten. salgados e sanduíches oferecidos na cafeteria são orgânicos.146 APÊNDICE C Entrevista na Ville Nature – Café e Conveniência A entrevista na cafeteria foi realizada com uma das sócias do empreendimento. verduras. geleias. desde o café até a panificação. Foi então que elas inauguraram a cafeteria Ville Nature. as sócias resolveram abrir um negócio baseado no seu próprio estilo de vida. estavam acostumadas a consumir produtos naturais. no City Hall Center – Caiçarás. A cafeteria também oferece cestas de produtos orgânicos contendo legumes. ervas. tais como vinhos. o local adequado. foi então que visualizaram um mercado em aberto que poderia ser explorado. Rejane Tavares Aragão. que preza pela alimentação orgânica e funcional. A princípio realizaram um planejamento de dois anos sobre a viabilidade do empreendimento. frutas. Rejane Tavares Aragão e Cristiane Tavares Tomaszewski eram de Rondônia e sempre moraram em fazendas. pois a cafeteria deveria localizar-se próxima a classe nobre da sociedade. cereais e vinhos. cujos benefícios desejavam difundir a outros moradores da cidade. realizada junto com SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). cereais. A maior parte dos ingredientes utilizados nas bebidas. Assim. A cafeteria Ville Nature localiza-se em Londrina. A Ville Nature oferece produtos orgânicos. Esta escolha se deu a partir da Pesquisa de Viabilidade Mercadológica. no dia 19 de abril de 2011. As sócias e irmãs. portanto. e demais produtos de conveniência. como no caso do cafezinho . já que estes seriam o público iniciante. Quando chegaram a Londrina perceberam que tudo possuía venenos e produtos químicos. Analisaram o potencial de mercado. já que possuíam o sítio. na Rua Doutor Elias César nº 55.

mais conscientes ou que já tiveram alguma doença. com expresso. Os lanches naturais são feitos com pão sírio ou de croissant. São pessoas com maior formação acadêmicas (curso superior. tortas. A proprietária Rejane juntamente com seu pai possui um sítio na região de Londrina. de frango e rúcula com tomate seco e o wrap. são idosos da classe média e/ou média alta. A propriedade têm várias características que a diferencia das demais que produzem produtos convencionais. A cafeteria ainda oferece sanduíches prensados. entre outros. De início. Este produto não tem nada químico e tem baixo índice glicêmico. com o pessoal de Agronomia. feito da planta mexicana agave. Normalmente. verificando os níveis de agrotóxicos restantes na terra. mães que têm bebês e buscam uma alimentação mais saudável que garanta a qualidade de vida de seu filho. cranberry. pós-graduação.147 orgânico e expresso gelado. a composição de nutrientes. em função do poder aquisitivo e por isso tornar os produtos orgânicos mais acessíveis. No caso do sítio da Rejane. sanduíches naturais e omeletes. quiches. tem nos sabores de maçã verde. morango. com a qual é feita a tequila. anapiê ou feijão andu. que abastece a cafeteria para as entregas das cestas. capucciono e o moccha. para torná-la fértil e apropriada para produção de produtos orgânicos. determinar o período necessário de descanso da terra. A propriedade não pode estar localizada em uma . tangerina. O expresso é oferecido em diferentes opções: o carioca. feito com o pão italiano. O cliente ainda tem a opção de utilizar o adoçante natural. framboesa. sorvete de creme e chantilly. entre outros). para ser caracterizada uma propriedade de produtos orgânicos. Esta defesa natural. deve ser cercada por uma “defesa natural” para proteger dos agrotóxicos aplicados nas propriedades vizinhas. o macciato. Para assim. Neste processo. foi realizado um estudo da terra na UEL. cereja. De acordo com o ponto de vista da proprietária Rejane. que é feita com água gaseificada e xarope de fruta com melaço de cana. E para substituir o refrigerante tem-se a alternativa da soda italiana. geralmente é se cana-deaçúcar. e ainda mais especificamente na cafeteria casais jovens (de 30 a 40 anos) de classe alta. a terra teve todo um processo de transição. limão. menta. a maioria dos consumidores de produtos orgânicos é de classe média e média alta. quais nutrientes e demais componentes da terra deveriam ser colocados na mesma. salgados. O cliente também tem a opção do coffee shake.

limão.00. O sítio também deve ter mata ciliar. milho. rio. Já o adubo de galinha é preciso armazená-lo por seis meses para estar adequado na terra. da adubação. sendo necessária a renovação que ficará em torno de R$ 5000. tomate. para não deixar faltar para os consumidores. O sítio como já mencionado. A terra não pode ser arada. No processo de certificação é feita uma análise total da propriedade. O sítio já possui certificação e o processo levou três anos até comprovar que a propriedade apresenta as condições necessárias para o cultivo de produtos orgânicos. feijão. Isto acontece quando um produtor está em falta com determinado produto. É bastante comum a troca de produtos entre os produtores orgânicos. como os estercos de vaca. couve. Como mencionado pela proprietária. a grande maioria dos produtores não consegue a certificação por serem pessoas humildes. lixo orgânico que fica em compostagem e minhocas. no caso do tomate. mamão. banana. os mais utilizados na propriedade são: sorgo. avenca e aveia. e a Cia Verde. então sempre deixa a mesma coberta por adubo verde (orgânico). a Orgânica Bistrô. à certificação está próxima do prazo de vencimento. amora. da mata. No caso da utilização do adubo de vaca. No caso do sítio da entrevistada.148 área em que as propriedades vizinhas fazem uso da passagem de veneno aérea. com pequenas . vagem. Além disso. este deve ficar armazenado por três meses para estar em condições de uso na terra. localizada em Ibiporã. formando uma espécie de parceria. verifica-se a redondeza para certificar de que não há passagem de veneno aérea. De acordo com ela. Esta atitude de parceria e coletividade acontece entre os produtores de produtos orgânicos com o objetivo de torná-los sempre disponíveis para o consumidor e presente do consumo diário. também localizada em Londrina. E o ciclo produtivo varia de acordo com a cultura. galinha. tem o ciclo de dois meses. A produção orgânica é caracterizada pela diversidade de cultura apresentada em uma única propriedade e mão de obra familiar. abastece a Ville Nature. local de plantio. chuchu. com alguns produtos como tomate. deve utilizar produtos específicos como inseticidas naturais (ervas que têm a capacidade de eliminar alguma praga). mandioca. mas que comercializada a maioria de seus produtos em Londrina. da água do rio. adubos orgânicos. podemos encontrar diversos legumes. fortalecendo e expandindo o mercado de orgânicos em Londrina. verifica-se a qualidade da terra. de baixo poder aquisitivo.

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propriedades que representam o recurso de sobrevivência, portanto, não possuem condições financeiras para investir na certificação de seus produtos. Por isso, a venda direta é baseada na confiança entre produtor e consumidor. Segundo Rejane, os produtos advindos do sítio, em sua maioria, não são embalados, pois se evita embalar os mesmos, por aconselhamento das certificadoras que alertam para as toxinas que podem ser liberadas dos plásticos e isopores, comprometendo a qualidade dos produtos orgânicos. A cafeteria Ville Nature ainda não possui a certificação por oferecer produtos convencionais, como no caso da coca-cola, catchup, maionese, chocolate. Segundo Rejane, ainda é necessário ter esses produtos em seu estabelecimento devido à alta demanda; o empreendimento ser novo no mercado e por isso estar em processo de fixação no ambiente mercadológico; os consumidores ainda não estarem educados para uma alimentação saudável e benéfica para toda a sociedade, assim a cafeteria não pode passar a imagem que está forçando o consumidor a consumir o que ela deseja, ao invés de atender os desejos de seus clientes. A educação do consumidor deve ser gradativa. Como o exemplo citado pela proprietária: vários clientes vêm tomar o café orgânico, porém o acompanha com o pão de queijo que não é orgânico. A cafeteria Ville Nature tem como principais fornecedores o Café Terrara (figura 1), que fornece todo o café utilizado na elaboração das bebidas servidas no estabelecimento e também disponível para comercializar embalado e o Café Grani, que é utilizado para comercializar a granel. O Café Terrara é produzido na Fazenda Terra Nova, localizada em São Jerônimo da Serra – Norte do Paraná, que apresenta condições especiais para a produção de café com qualidade, localizada no alto da Serra, com estações do ano bem definidas, áreas preservadas, diversidade de fauna e flora. O diferencial do Café Terrara está no manejo biodinâmico, que utiliza os compostos homeopáticos de substâncias animais, vegetais e minerais, bem como a noção de astronomia agrícola. O Café Terrara é controlado pela certificação DEMETER seguindo rigorosos padrões internacionais de qualidade, desde a implantação da muda o campo até a armazenagem correta dos grãos após a colheita. E todos os produtos de conveniência, que são embalados, devem ter o Selo do SISORG (de acordo com a figura 2), a. Declaração de Cadastro OCS e o código de barras. A Declaração de Cadastro de OCS é utilizada nas feiras

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e pequenos mercados de produtores orgânicos, pois são produtos sem embalagem e não possuem o selo das certificadoras, como no caso da Cia Verde.

Figura 1: Café Terrara embalado Fonte: Site www.cafeterrara.com.br

Figura 2: Selo do produto orgânico - Selo SISORG Fonte: Site www.obagastronomia.com.br

A Ville Nature também oferece a alfarroba, que é uma alternativa para substituir o chocolate. A alfaborra é disponibilizada em pó (figura 3), em tabletes (figura 5) e em bombons (figura 6), como pode ser observado nas figuras abaixo. São produtos sem sacarose, lactose, glúten e cafeína.

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Figura 3: Alfarroba em pó Fonte: Site www.carobhouse.com.br

Figura 4: Gotas de alfarroba Fonte: Site www.carobhouse.com.br

Figura 5: Alfarroba em tablete Fonte: Site www.carobhouse.com.br

Segundo ela. Entretanto. Na produção orgânica é necessário cuidado minucioso e diário.00. não restam recursos para destinar a logística dos produtos orgânicos. os maiores problemas que dificultam a produção em larga escala dos produtos orgânicos são: financeiro e logística. quando se inicia o processo de transporte dos alimentos. o produtor reside na terra e tem o auxílio de todos os membros da família no processo produtivo. e para adquirir os demais itens necessários na produção como sementes. adubos orgânicos. como a presença de câmara fria. O transporte é controlado pela vigilância sanitária. .152 Figura 6: Alfarroba em bombom Fonte: Site www. Para produzir produtos orgânicos é imprescindível o uso de estufas. o que impossibilita a produção e posteriormente. o consumo em larga escala. Assim. sendo necessário o incremento da mão de obra aumentos os custos da produção. Outra dificuldade da produção orgânica em larga escala é a mão de obra. Sobre o financeiro. é a dificuldade de acesso ao crédito bancário. pois não adianta ter uma grande produção se não tem como chegar ao cliente em boas condições de consumo. pois geralmente é produção familiar. utilizando o restante o crédito concedido ao produtor. para construí-la necessita de aproximadamente R$ 25. Já em grandes propriedades isto é mais difícil.000. que inspeciona as condições do veículo. que é facilitado nas pequenas propriedades. que requerem bastante recurso financeiro para sua aquisição. e só volta a inspecionar caso haja alguma denúncia. é necessário o uso de caminhões com câmaras frias. No caso dos hortifruti. esta verificação é feita apenas uma vez.000.carobhouse.br Na visão da proprietária Rejane. geralmente o benefício para o pequeno produtor é bastante reduzido e no caso da mulher este crédito é R$ 50. este recurso não é suficiente para implementar as condições necessárias para a produção em larga escala.00.com.

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Assim, o maior problema para a produção em larga escala é o recurso financeiro, embora a comercialização de produtos orgânicos em Londrina tem sido facilitada através das cooperativas que tem se formado como a COAFAS e CRESOL, que apoiam os produtores e possibilita preços menores para os produtos orgânicos. Para Rejane, a educação do consumidor ainda é algo desvalorizado, existe uma dificuldade de acesso, mesmo sendo crucial para a ampliação do mercado de orgânicos. Muitos consumidores tem receio quanto ao produto orgânico, não há a confiança de que realmente é um produto diferenciado e que contém tudo aquilo que o produtor afirma. Também é muito taxado como vegetariano. E o produtor de orgânicos ainda não é valorizado, os consumidores acreditam que o produtor está ganhando altas margens de lucros com os produtos, enquanto que isso não é verdade, e os incrementos de custos acontecem por conta da logística necessária. Os produtos saem dos locais de produção embalados e vão pra Curitiba na Rio de Una para receber o selo deles, retornam para o produtor, e em seguida é destinado ao varejo e/ou a venda direta. Toda essa logística gera altos custos, que são agregados no valor do produto, deixando os produtos até 400% mais caros que os preços que saíram do produtor. Isso resulta na diminuição de competitividade do produto orgânico em relação aos produtos convencionais, pois a maioria dos produtos orgânicos chega para o consumidor final com uma margem elevada de 200% em relação aos convencionais. De acordo com Rejane, alguns produtos orgânicos têm seu preço equiparado aos dos produtos convencionais, em sua maioria, os hortifrutis adquiridos em feiras ou vendas diretas. No caso da cafeteria Ville Nature, o valor do café expresso orgânico chega 100% de diferença quando comparado ao preço do convencional, isto acontece porque existem poucos produtores de café orgânicos. Entretanto, a margem de lucro com o café expresso é de apenas 30%. A proprietária afirma que, utiliza pouca margem de lucro com o café para atrair o público para conhecer a cafeteria e os demais produtos orgânicos disponíveis, tornando um local acessível ao cotidiano das pessoas. Segundo Rejane, muitas pessoas acreditam que a cafeteria é de uso exclusivo do pessoal do City Hall, então o objetivo das proprietárias no momento é divulgar o empreendimento para o público em geral. Assim, elas buscam expandir o consumo de café orgânico permitindo uma maior demanda do produto e encorajando os demais produtores a investir na produção de

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café orgânico, o que gera maior oferta, e consequentemente possibilita melhores preços, tonando o produto mais acessível aos consumidores em geral. Na Ville Nature, os produtos que representam a maior parcela da receita do empreendimento são; os sanduíches naturais (em média são vendido 40 unidades por dia), sucos e café gelados. E, assim como a produção orgânica é em sua essência caracterizada pela produção familiar, na Ville Nature o trabalho é desenvolvido por membros da família, contando com apenas dois funcionários externos. Para finalizar, como mencionado por Rejane, o grande objetivo das proprietárias com a Ville Nature é expandir o mercado de produtos orgânicos em Londrina, tornando este produto presente diariamente na mesa da maioria da população londrinense, tornando acessível a todas as classes sociais, e contribuindo para a formação de uma sociedade mais saudável e consciente com o meio ambiente.

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APÊNDICE D Entrevista na Chácara Recanto de Paula

No dia 27 de abril de 2011 realizou-se a entrevista na propriedade de Veralice de Paula, com seu irmão Jorge de Paula. A Chácara Recanto de Paula localiza-se na zona norte de Londrina, rodeado por fundos de vale (área de preservação da prefeitura de Londrina). Embora, a propriedade e toda

documentação esteja no nome de Veralice, a parte prática do processo produtivo fica sob responsabilidade de Jorge. De acordo com Jorge, até pouco tempo atrás os produtos produzidos na Chácara Recanto de Paula eram comercializados através da venda direta e entregue em sacolão e mercados. Na venda direta, os consumidores vão até a propriedade em busca dos produtos, em função de saber que são produtos orgânicos. Esses consumidores são os vizinhos da redondeza da chácara, que buscam alimentos produzidos sem agrotóxicos, tendo como preocupação máxima a saúde. E os produtos entregues no sacolão e mercados são vendidos como convencionais, para não perder os alimentos, já que estes são perecíveis e, portanto, precisam ser comercializados rapidamente. E após a certificação seus produtos serão entregues apenas para a cooperativa COAFAS. Para Jorge, os consumidores diretos dos seus produtos são as mulheres da terceira idade, vizinhos da chácara e pessoas com alguma doença que pode se alimentar apenas de produtos orgânicos, que moram nas proximidades de sua propriedade. Segundo Jorge, a propriedade antes de sua aquisição era utilizada para pastagem e não utilizava agrotóxico. Após sua aquisição, começou a plantar hortaliças também sem o uso de agrotóxico. Isso foi um fator importante para facilitar a produção dos produtos orgânicos. De início, começou a plantar e produzir por conta própria sem instruções técnicas. Após um período teve a ajuda de um Engenheiro Agrônomo de Ibiporã, que trabalha na Igreja Messiânica de Londrina. Este engenheiro passou alguns conhecimentos técnicos para inicializar um processo produtivo contendo características da produção orgânica. E, há dois anos a EMATER juntamente com

para assim realizar a produção de alimentos orgânicos. um órgão do governo responsável pela certificação de empresas. E. almeirão e milho. o convênio realizou-se entre UEL e TECPAR. recentemente foi possível a certificação da propriedade e dos produtos. Segundo ele. O mato faz parte do sistema orgânico. A partir do acompanhamento técnico realizado na propriedade de Veralice pelos alunos da UEL e do engenheiro agrônomo da EMATER. o ciclo produtivo da alface é de aproximadamente quarenta dias. a TECPAR juntamente com os alunos da UEL e EMATER. No caso do Recanto de Paula. abobrinha. o que favorece o não contato com agrotóxico de outras propriedades. No caso de Londrina. como construção de um “quebra vento” de anapiê. Os produtos produzidos na Chácara Recanto de Paula não são embalados para serem comercializados. entretanto. processos produtivos. é o fato de não precisar carpir com frequência a propriedade. como acontece na produção convencional. a chácara é localizada em uma região privilegiada. que serve de . E são cultivadas as seguintes culturas em sua propriedade: alface. assim acontece uma defesa natural. fizeram visitas na propriedade. passaram a fazer visitas periódicas para dar assistência técnica. A urina serve como adubo e repelente de pragas. Para ele. por exemplo. de acordo com Jorge. O ciclo do processo produtivo varia de acordo com a cultura cultivada. a praga vai à lavoura orgânica e se alimenta do mato. realizou análise do solo e verificou quais itens deverão ser implementados.156 alunos do curso de Agronomia da UEL. a terra costuma ser arada três ou quatro vezes ao ano. Os adubos orgânicos utilizados por Jorge são: esterco de vaca e minhocas. Isso ocorreu da seguinte forma: a assistência técnica já acontecia há dois anos e nos últimos meses houve um convênio entre universidades estaduais e TECPAR – Curitiba. Jorge afirma que a propriedade não é cercada por uma defesa natural (geralmente feita de anapiê). e deve deixá-lo curtir para depois ser colocado na terra. Nesse contexto. entre outras. Outra característica da produção orgânica. se quiser utilizar esterco de galinha tem de ser apenas 30% dos demais utilizados na propriedade. senão corre o risco de contaminá-la. utiliza-se a urina de vaca adicionada na água para adiantar a colheita dos alimentos. quando muda a cultura a ser produzida. cercada pelo fundo de vale. a produção orgânica é caracterizada basicamente pela ausência de agrotóxico e demais insumos químicos no processo produtivo.

. há uma pequena escala de produção. o produtor entrega seus produtos na cooperativa e esta entrega em escolas e/ou entidades do governo. entre outros. já que existem alguns casos no Brasil de produção orgânica em grande escala como na região de Cascavel com a produção de soja e em Brasília com a produção de hortaliças e leite. Em sua propriedade. serão realizadas visitas periódicas na propriedade. casas de abrigo. a produção em grande escala é algo possível de ser atingido desde que haja um bom projeto que dê possibilidades para viabilizar a produção. De acordo com Jorge. Com a certificação. Após a certificação. Jorge comenta que a dificuldade para que isso ocorra se dá por conta da falta de incentivo através dos limites de créditos para o produtor rural e falta de divulgação. que facilitará a comercialização dos produtos orgânicos e conseguirá melhores preços de venda para os mesmos. Ele cita. creches. Veralice e Jorge se tornaram cooperados da cooperativa COAFAS. Com isso o produtor de alimentos orgânicos consegue o preço de venda 30% maior que os produtos convencionais. abobrinha. após a certificação será cultivado. como listado pela TECPAR. A cooperativa tem como função intermediar o produtor e o governo municipal/federal. O governo tem alguns projetos que distribui alimentos orgânicos e convencionais em escolas. alface. porém há poucas ações eficazes nesse sentido. Veralice e Jorge conseguiram a certificação gratuita de seus produtos. Isso acontece porque é uma propriedade de pequena extensão e consequentemente. a princípio. Com isso torna necessária a obtenção de uma propriedade com terras férteis e disponibilidade de recursos financeiros.157 proteção da horta e também poderá ser utilizada para a ração das vacas. pois todos auxiliam no processo produtivo. almeirão e milho. por membros da certificadora TECPAR para verificar se a produção esta sendo realizada de acordo com as normas estabelecidas e se está sendo feito os ajustes da infraestrutura da propriedade. fazendo o pagamento posteriormente ao produtor. Ele afirma que hoje há muita propaganda sobre esses assuntos. ainda existe muita burocracia para conseguir os limites de créditos. Na sua visão. Dessa forma. Ainda sobre o aspecto na produção em larga escala. sua produção é caracterizada pela mão de obra familiar. Após isso. que no caso de sua propriedade não houve tanta dificuldade para produzir os produtos orgânico devido o fato de a terra ser fértil e de quase não ter tido o contato com agrotóxico.

além da demora em alcançar uma grande produção com altos níveis de lucro. com pouca ou nenhuma diferença de preço.00. na qual o produto orgânico se sobressai em função de não possuir agrotóxicos. sendo acessível para aqueles que possuem maiores rendas. entretanto. pois é necessário despender muito dinheiro e tempo para adequar à propriedade e o processo de produção aos requisitos da produção orgânica. Segundo Jorge. o produtor convencional é vislumbrado pelo lucro e isto o desmotiva a migrar para a agricultura orgânica. Isso seria uma oportunidade para o produtor expor seus produtos. Em outras regiões mais avançadas na produção de orgânicos.158 No seu caso. Assim. o consumidor consegue encontrar maior quantidade e variedade de produtos orgânicos com preços mais acessíveis. em nossa região o consumidor ainda não esta educado para consumir os produtos orgânicos. que foi utilizado na construção de uma estufa e na aquisição de uma “carretinha” para reboque. além da desvalorização do produtor orgânico. . Sobre a ausência de incentivo ao produtor de orgânicos. Jorge relata que em uma palestra realizada pela Secretária da Agricultura de Londrina e alguns membros do Ministério da Agricultura de Curitiba prometeram aos produtores de produtos orgânicos a construção de uma feira somente de produtos orgânicos. essa proposta não passou de mais uma promessa de políticos. Ele comenta que o produto orgânico é encontrado apenas nos grandes mercados da cidade com preços elevados. há quatro anos necessitou fazer um empréstimo. para produzir os produtos orgânicos. ter maior contato com os consumidores. aumentar suas vendas e melhorar os preços de seus produtos. é possíveis encontrar tanto produtos convencionais como orgânicos. o PRONAF. Jorge afirma que para o grande produtor não é vantajoso transformar seus processo produtivo convencional em orgânico. como Assaí. Nas feiras de Assaí. e conseguiu o crédito de R$ 9000. como acontece na agricultura convencional.

geleias. Geleias de laranja ou de uva assim como patês e pastas criados pelo chefe Djalma Araújo. sempre frescos. cidreira. além de molho de tomate ao sugo. Frutas como melancia. . como a pasta de castanha de caju ou a de berinjela. sendo cada dia um prato diferenciado. pães e bolos diferentes no café da manhã. No café da manhã. como filé de frango assado em crosta de gergelim com purê de abóbora e couve. Pavê de frutas vermelhas. coberta com melaço de cana também fazem parte do cardápio. o restaurante oferece sucos. No bistrô. Os pratos quentes são diversos. com a proprietária do estabelecimento Rosana Andrade. localizada em Londrina na Rua Senador Souza Naves nº 626. Exemplos de sucos é laranja. também podem ser encontrados na refeição matinal do bistrô. Orgânica Bistrô é um restaurante com cardápio de alimentos orgânicos. No almoço. ameixa ou melancia. frutas. também se encontra sobremesas saudáveis como o mousse que parece de chocolate. é possível pedir saladas de repolho. acompanham pães integrais ou sem glúten. chás. feijoada orgânica. charuto de repolho recheado com arroz integral. Os ingredientes utilizados nas receitas são frescos e comprados de produtores locais e regionais. gengibre e girassol. Também tem bolo de banana ou torta de mandioca e coco. melão e kiwi. O local também oferece alimentos sem glúten para quem tem restrição ao composto. mas é feita com abacate e cacau. com castanha-do-pará e ervas frescas. pudim integral com geleia de mexerica são outras delícias que podem ser encontradas na hora da sobremesa. maçã.159 APÊNDICE E Entrevista no Orgânica Bistrô No dia 28 de abril de 2011 foi realizada a entrevista no Orgânica Bistrô. carambola.

na agricultura orgânica isso não acontece. causando riscos à vivência do homem e comprometendo a qualidade de vida das gerações futuras. terra. pois o trabalhador é visto como um integrante do negocio do proprietário. os consumidores de orgânicos são definidos pela consciência. O produto orgânico pode caracterizado a partir de três fatores: preocupação com o uso do agrotóxico. não é possível afirmar que são pessoas de classe média alta. pães e bolos orgânicos que são vendidos no local para os clientes levarem para casa. como por exemplo. o número de produtores de orgânicos é praticamente o mesmo de alguns anos atrás. a questão ambiental e a questão social. a equipe do bistrô promove uma cozinha experimental. em função das dificuldades encontradas para produzir. as doenças desencadeadas pelo consumo de alimentos que contêm índices elevados de agrotóxicos. Na visão de Rosana. como por exemplo. desenvolvendo produtos como bolachas. a partir disso começam a ter conhecimento sobre o assunto e desenvolvem a consciência. Há muita preocupação com os malefícios advindos do uso dos agrotóxicos. nem sempre são pessoas de maior poder aquisitivo. tortas. houve um aumento no comércio de produtos orgânicos e pode ser observada uma maior diversificação de produtos. passam a entender as consequências desse consumo e quais os benefícios que trazem para sociedade em geral. homem ou mulher. Além disso. pois é difícil logo nas primeiras colheitas conseguir altos . Na sua visão. O primeiro fator que leva a consumir os produtos orgânicos certamente é a saúde. sendo valorizado.160 E durante a tarde. alimentos modificados geneticamente que causam vários distúrbios no organismo do ser humano. com maior formação acadêmica. ou seja. o uso indiscriminado de agrotóxicos causa poluição ambiental nas águas e mares. Muitos agricultores desistem da agricultura orgânica. a questão ambiental. sendo assim na questão ambiental há uma preocupação em preservar o meio ambiente e garantir a sobrevivência das próximas gerações. Na questão social há a preocupação em garantir os diretos dos trabalhadores. pois se podem observar vários trabalhadores rurais desenvolvendo suas atividades sem registro em carteira. pessoas com mais idade. De acordo com Rosana o perfil dos consumidores de produtos orgânicos não pode ser definido de maneira homogênea. Nesse aspecto. ar e em toda atmosfera. e no caso de uma doença não terá nenhum respaldo e estabilidade no período que tiver que se ausentar do emprego. Entretanto.

contudo. deve ter consciência de que não há incentivos fiscais. tudo seria resolvido a partir da educação. Se o governo quisesse que o mundo fosse melhor. porém sempre chega informações sobre os mesmos. a produção de orgânicos em grande escala pode ser vista como um sonho possível. como a Monsanto. . os consumidores vão preferi-lo em relação aos convencionais. Desta forma. mas como uma filosofia de vida. Portanto a agricultura orgânica para o produtor não deve ser entendida como um negócio. pois elas vão até o produtor. mesmo tendo uma pequena fatia de mercado e não sendo valorizado pela sociedade e pelo governo pelos benefícios proporcionado a todos. E no caso do produto orgânico é tudo mais difícil. isso não acontece pelo fato de que existem muitas empresas multinacionais no Brasil que não permitem. para ser um agricultor orgânico não deve buscar o lucro como acontece na agricultura convencional. ela tem de ir até os produtores em diversas cidades vizinhas para conseguir variedade de produtos com a qualidade desejada pelo consumidor. Isto aconteceria se todas as pessoas que trabalham com agricultura acreditassem nos orgânicos e o governo oferecesse incentivos aos agricultores. Bayer. De acordo com a proprietária. Para Rosana. pois tudo pode ser resolvido a partir dela. a maioria desses agricultores não possuem condições financeiras para tanto. Nesse caso o governo teria que dar respaldo e suporte para os agricultores no momento de transição da agricultura convencional para agricultura orgânica. a divulgação na mídia é fantástica. também é necessário despender muito recurso financeiro para adequar a infraestrutura da propriedade. para sociedade e para as próximas gerações. torna os seus produtos acessíveis a todos os produtores.161 níveis de produtividade e lucros. para sua família. Assim. Essas multinacionais facilitam todo o processo produtivo da agricultura convencional. Entretanto. ela pouco procura sobre o assunto de orgânicos. além de financiar os agricultores convencionais. No caso dos orgânicos. Segundo Rosana um dos maiores problemas enfrentados pela produção de orgânicos é o fator educação. deveria investir na educação. se tivesse um trabalho forte e organizado. Rosana afirma que a produção de orgânico em larga escala só é possível a partir do incentivo do governo federal e da iniciativa privada. como acontece no estabelecimento da entrevistada. O produtor deve acreditar nos benefícios que está trazendo para ele. porque quando estiver produto orgânico em grande escala e a com preço acessível.

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Rosana afirma que o consumidor só reage na presença de algum estímulo financeiro, com isso ela incentiva-os em sua loja concedendo descontos de 5% no valor da compra para os clientes que levarem sacolas retornáveis para fazer a feira. De acordo com a proprietária, os produtos orgânicos utilizados no restaurante e na comercialização são adquiridos dos produtores das cidades vizinhas. No caso das verduras e hortaliças, Rosana busca em Maringá, Arapongas, Ibiporã e Marilândia do Sul. As frutas, como abacate e banana ela busca em Uraí e algumas são fornecidas por uma distribuidora de São Paulo. As feiras são realizadas nas quintas-feiras, no período das 8:30 horas as 13:30 horas; os pães estão disponíveis para os clientes nas segundasfeiras; as cestas são entregues em maior volume nas terças e sextas-feiras, através do transporte Eco Bike e motoboy. A Orgânica Alimentos também conta com o site Orgânica Shop (www.organicashop.com.br), que dispões vários produtos e o clientes pode efetuar suas compras a qualquer momento com maior comodidade e facilidade. E o restaurante serve café da manhã, almoço e realiza eventos. O restaurante é do tipo empratado, ou seja, cada dia semana tem um cardápio diferenciado, o cliente escolhe os itens que deseja em seu prato e os funcionários o prepara. A escolha do restaurante por empratado e não buffet ou a la carte se deu pelo fato de que os alimentos orgânicos não podem ser feitos da mesma forma que o convencional, porque senão perde sua essência, seus nutrientes, além do que a pessoa mistura alimentos que não são necessários, como por exemplo feijoada e panqueca num mesmo prato. Assim, no Orgânica Bistrô os pratos são montados de acordo com o desejo do cliente e numa quantidade relativamente ideal, sendo possível o cliente repetir pelo mesmo preço, caso não esteja satisfeito. Nos cardápios são encontrados diariamente proteínas, cereais, alimentos sem lactose e glúten, carnes. Há uma preocupação com o fator nutricional e com a beleza da culinária (visual dos pratos). E nas quartas-feiras tem a opção da feijoada vegetariana que contém: banana, couve, laranja, cenoura, cabotiá, batatinha inglesa, berinjela tostada que dá o sabor defumado característico do prato, e conforme cortada parece o courinho do porco. Rosana enquanto consumidora, não acredita na venda direta de produto orgânico. Ela relatou que, desde muito antes ter o estabelecimento de produtos orgânicos já era consumidora fiel desses produtos em função de uma

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alergia e que não podia ter nenhum contato com agrotóxico, portanto deveria se alimentar apenas de produtos livres de agrotóxicos. Quando ia as feiras em busca de alimentos orgânicos, perguntava se o produto realmente não havia tido contato com agrotóxico, pois poderia até morrer caso ingerisse algo com esta substância devido seu problema de saúde, e então o produtor ficava com receio e se negava a vender. É aí que ela conclui que a maioria dos produtos vendidos nas feiras não são confiáveis e, portanto, consome apenas produtos certificados. Rosana afirma que o restaurante Organica Bistrô não é certificado porque comercializa tanto produtos orgânicos como naturais (creme de azeitona, farinha de banana, mel), estes sendo totalmente confiáveis. Para receber o certificado deveria deixar de comercializar os produtos naturais e é algo que ela não deseja fazer.

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APÊNDICE F Entrevista com o Engenheiro Agrônomo da EMATER

No dia 29 de abril de 2011 realizou-se a entrevista com o Engenheiro Agrônomo da EMATER de Londrina, Nilson Roberto Ladeia Carvalho. De acordo com Nilson a maioria dos consumidores de produtos orgânicos são pessoas pertencentes à classe média alta, famílias que têm casos doenças e por isso não podem consumir produtos convencionais. Muitas vezes não tem poder financeiro, mas há a necessidade de consumir o produto orgânico, este visto como um remédio. Geralmente, o nível de escolaridade e a renda não interferem no consumo, existem casos de pessoas com elevado nível de escolaridade e renda que gasta boa parte de seu recurso financeiro em bens de consumo caros, mas não tem coragem de pagar um preço mais elevado em produtos que possam garantir uma alimentação saudável e ecologicamente correta. Várias pessoas tornam-se agricultores orgânicos em função de doenças de algum membro da família, ocasionada pelo contato com agrotóxicos e demais produtos químicos utilizados na agricultura convencional. Nilson afirma que a mulher tem iniciativa tanto no consumo quanto na produção dos produtos orgânicos. A relação da mulher com a criança é muito forte e, portanto, busca alimentos saudáveis que possam garantir uma alimentação de qualidade e prevenir doenças. A mulher também se preocupa com o bem-estar de toda família, está sempre em busca de melhoria para todos, e nesse aspecto a alimentação é um dos fatores de maior atenção. Isso pode ser confirmado através dos cursos sobre produtos orgânicos ofertados pelo SENAR, na qual 50% dos participantes são mulheres. Segundo Nilson, a maioria dos produtores de orgânicos tem consciência do bem que estão proporcionando ao meio ambiente com a produção orgânica, mas a escala de preocupação que o leva a produzir produtos orgânicos é: em primeiro lugar o seu bem-estar e de sua família, em segundo lugar o bem-estar da sociedade e em terceiro lugar o meio ambiente. O produtor orgânico não considera o lucro sendo essencial para continuar produzindo porque quando se inicia a produção de orgânicos requer muito custo para adequação da propriedade. Isso é um dos motivos que impede o

incentivando-os na agricultura convencional. e só passou a ter com sua chegada ao instituto. que são potenciais agricultores orgânicos. E atualmente. não existia um profissional que atuasse na área de produção orgânica e pudesse orientar os produtores. há cerca de sessenta produtores treinados. Isso pode ser explicado por três fatores: falta de assistência técnica. A certificação é cara. Para estes problemas aprontados por Nilson. Ele exemplifica mencionando o fato de que na Emater. Segundo Nilson. água. a produção de produtos orgânicos em Londrina ainda é pouco expressiva. Estes estão recebendo acompanhamento da EMATER e fazendo ajustes em suas propriedades para conseguir a certificação . até dois anos atrás. há falta de assistência técnica destinada à produção de orgânicos para os produtores. Tudo isso demanda recurso financeiro e muitos produtores não tem condições para tanto. O produtor que deseja iniciar a produção de orgânicos necessita adequar à infraestrutura de sua propriedade envolvendo as seguintes questões: reflorestamento. De acordo com Nilson. Isso dificulta para os produtores orgânicos. no início tem certo prejuízo provocando desânimo nos agricultores e fazendo-os retornar para agricultura convencional. De acordo com o engenheiro agrônomo. documentação. a solução encontrada para a falta de assistência de técnica foi realizar treinamentos para pessoas interessadas na produção de orgânicos. certificação. higiene. Existem aproximadamente oito produtores de orgânicos que são certificados na região de Londrina. e fazer visitas periódicas para estes agricultores treinados. Essa escassez de assistência técnica também se dá pelo fato de que há uma rede de empresas muito fortes que vende produtos convencionais para os agricultores. foram apresentadas soluções para cada um deles. e problemas de infraestrutura na propriedade. em sua maioria são pequenos produtores e praticam a agricultura como forma de subsistência. instalações. não tem recursos para alocar na certificação de seus produtos. para que possam realizar suas atividades do campo de maneira mais adequada. custa uma média de dois a três mil reais por ano para o produtor. alguém que possa orientá-los e incentivá-los. portanto. entre outros.165 aumento do número de produtores de produtos orgânicos. de modo que eles se sintam motivados a continuar produzindo.

A partir disso foi possível também melhorar a assistência técnica e informações técnicas a respeito da produção de orgânicos. a TECPAR lista o que deve ser ajustado em um determinado prazo e a EMATER em conjunto com os alunos de Agronomia recémformados da UEL fazem o acompanhamento nas propriedades. Assim. No caso de Londrina. A EMATER procura minimizar este problema através do processo de conversão da agricultura para conseguir formalizar a infraestrutura da propriedade. porém procurando converter para a produção orgânica. O convênio entre a TECPAR e os alunos formados do curso de Agronomia da UEL tem como objetivo a certificação dos produtos orgânicos. pois os gastos são enormes e o lucro é praticamente inexistente. médias e grandes. Os projetos escritos abordaram as seguintes temáticas: melhoria da assistência técnica para os produtores orgânicos. desanimam e retornam para agricultura convencional. Nilson afirma que o maior problema enfrentado pela produção orgânica é a ausência de créditos rurais destinados ao período de conversão da agricultura convencional para a agricultura orgânica. É nesse momento que o produtor necessita de maiores incentivos financeiros. que participaram do Projeto Jovem Parlamentar. processos e/ou serviços conforme os padrões internacionais garantindo um processo reconhecido e seguro. mas com o convênio este procedimento passou a ser gratuito para os produtores. o engenheiro relata que contribuiu na construção de três projetos elaborados por alunos da Escola de Meio Ambiente de Londrina. sistemas. A empresa TECPAR sempre cobrou o serviço de certificação. disposição e conscientização do produtor. normas ISO. . Isso faz com que muitos produtores não consiga se manter na agricultura orgânica. o convênio aconteceu entre TECPAR e UEL. que envolve a certificação de empresas pequenas.166 Quanto ao problema da certificação a solução foi o projeto Universidade sem Fronteira que realizou um convênio entre empresas e universidades estaduais. No entanto. E o problema de ajustes da propriedade ainda é uma situação a ser resolvida porque requer recurso financeiro. Estes projetos são apresentados aos deputados federais como sugestão de melhorias. sendo pago pelo governo federal. Entretanto continua a produção convencional. orientando no que for necessário nos assuntos técnicos. A TECPAR é uma empresa pública acreditada como organismo de certificação de produtos.

que também favorecerá a produção orgânica. O projeto selecionado foi o de crédito para o processo de conversão. As cooperativas convencionais não tem preocupação alguma . A rede Pão de Açúcar obrigou que todo produto deverá ser rastreado para poder ser comercializado pela rede. Entretanto. assim todos os seus nutrientes são baseados na química e conforme a dosagem utilizada pode causar inúmeras doenças no consumidor. este problema começará a ser minimizado através da rastreabilidade. os produtores podem vender apenas o que realmente produzem. está sendo discutido no congresso e provavelmente será aprovado em breve. e atualmente existem apenas produtos convencionais. organizada pela Secretaria da Agricultura de Londrina. tem os produtos frescos e com preços menores que praticados pelos grandes mercados. Nilson comenta sobre a relação existente entre cooperativas e produção orgânica. Assim devem-se conscientizar os consumidores sobre os benefícios alcançados através do consumo de produtos orgânicos e desmistificar a associação feita entre produto orgânico e o hidropônico. Sobre a educação do consumidor. O produto hidropônico é totalmente diferente do produto orgânico. Além do que. o que pode fortalecer o consumo dos produtos orgânicos. Nilson afirma que esta é uma área que necessita de maior incentivo. pois será um grande incentivo aos produtores para migrarem da agricultura convencional para a agricultura orgânica. ou seja. Nesta feira. assim o consumidor irá saber toda sua composição e o que está ingerindo. portanto é a força maior da cadeia produtiva para que ocorram mudanças. todo o processo produtivo depende de produtos químicos. Nilson acredita que um incentivo ao produtor orgânico de imediato seria inseri-lo nas feiras do produtor realizadas aos domingos. pois são os consumidores que demandam produtores e. É fato que falta orientação para o consumidor sobre os malefícios trazidos pelo consumo dos produtos convencionais. todo produto deverá indicar em seu rótulo tudo que recebeu durante o processo de produção.167 certificação gratuita e créditos para o processo de conversão. Nilson acredita que se realmente este projeto for aprovado haverá uma ampliação da produção de orgânicos. A ideia é ter o produtor orgânico na feira para expandir o mercado de produtos orgânicos em Londrina e até mesmo incentivar os produtores convencionais a praticar a agricultura orgânica. a feira cria uma relação forte entre produtor e cliente.

00 por ano de sua produção para este programa. No PAA. em especial a COAFAS. sendo que o governo paga um preço 30% maior para os produtos orgânicos em relação aos produtos convencionais. assim é possível o produtor conseguir melhores preços para os seus produtos e ampliar sua vendas quando se torna um cooperado. Estes dois programas são grandes incentivos para a agricultura orgânica. está ampliando e incentivando a produção orgânica em Londrina. o governo federal compra dos produtores familiares e repassam para entidades assistenciais (creche. fazendo parte do PAA e do PNAE. na qual há também o pagamento com acréscimo de 30% para os produtos orgânicos. neste caso a COAFAS.00 por ano. de 29 de Dezembro de 2010. fica responsável pela administração e intermediação entre o governo municipal/federal e o produtor orgânico. que institui. o governo municipal de Londrina compra os alimentos do produtor familiar para a merenda escolar. . esta por sua vez tem convênio com o governo municipal e federal. O produtor orgânico que é certificado se torna membro da cooperativa. a merenda escolar orgânica (anexo B). E a cooperativa. de acordo com a resolução n° 39. § 4º (segue em anexo A).168 com a produção de orgânicos. Cada produtor pode vender R$ 4000. asilo. casa de abrigo). de acordo com a publicação no diário Oficial do Estado do Paraná em 06 de janeiro de 2011 da Lei 16751. Ela faz toda a negociação e em seguida repassa o dinheiro para o produtor. em 26 de janeiro de 2010. sem custo algum. Neste programa o produtor pode vender R$ 9000. no âmbito do sistema estadual de ensino fundamental e médio. No PNAE. Já a cooperativa de agricultores.

E sempre houve o cuidado com as águas do rio também presente no Sítio Casa Branca. mesmo a propriedade já estar sendo cercada por matas. . pra ele começar a produzir os orgânicos foi mais fácil por conta da localização e extensão da propriedade. compactação de solo. Ele contou que era integrante de uma banda musical. Após conhecer melhor o que seria a produção orgânica. Entretanto. Assim. não utilizar agrotóxicos e trazer benefícios para a sociedade em geral. pois é uma grande área e o local destinado à produção fica entre morros. teve alguns problemas com pragas. devido a terra ter sido utilizada para pastagem. que foram resolvidos através do uso de adubos orgânicos e pó de pedra. entre outros. no início não foi necessária grandes modificações em sua propriedade. casamento.Cia Verde Produtos Orgânicos No dia 02 de maio foi realizada a entrevista no Sítio Casa Branca. no município de Ibiporã com o proprietário Leandro Ribeirete Garcia. Segundo o proprietário. assim não tem contato com o agrotóxico utilizado em propriedades vizinhas. se interessou e sentiu-se motivado a cultivar os produtos orgânicos pelo fato de eles não agredirem o meio ambiente. a Banda Champion. conheceu alguns agricultores de produtos orgânicos que o incentivou a praticar a agricultura orgânica. Leandro fez a mata ciliar (figura 7).169 APÊNDICE G Entrevista no Sítio Casa Branca . por conta disso não foi necessário fazer os cercados com defesas naturais. Há sete anos deixou a banda. Recentemente. a terra sempre foi de pastagem e por isso quase não teve uso de agrotóxicos. esta tocava em festas de formatura.

De acordo com Leandro. são necessários gostar de produzir e fazer por prazer.170 Figura 7: Mata ciliar e rio do Sítio Casa Branca Fonte: A autora. devido o fato de que a propriedade não está adequada para desenvolver a agricultura orgânica e necessita do dispêndio de muito recurso financeiro. A rotatividade de cultura torna o solo mais forte. Segundo o produtor. pois no início há muitas dificuldades. entretanto. em sua propriedade é feita a rotatividade de culturas. pois o que uma planta absorve do solo a outra que é plantada na sequência repõe. afirma que no início a produção orgânica é bastante complexa até se estabilizar. e estes que aumentam os custos de produção. proporcionando o equilíbrio do sistema. só vai vir praga na lavoura se a terra estiver com deficiência em algum nutriente. esta produz e antes mesmo de terminar o ciclo produtivo é retirada do solo porque ao . pois se ela estiver em ótima qualidade nenhuma praga chega. A rotatividade de cultura acontece da seguinte forma: plante-se uma cultura. para a maioria dos produtores. elas vêm até a horta e ao invés de atacar a planta se alimentam do mato. isso é favorecido por conta da dimensão da mesma. Depois disso vai ter as pragas. Ele ainda menciona que a produção orgânica é totalmente viável financeiramente. porque não há custo com produtos químicos. esse procedimento não deixa a terra com deficiências. Leandro. porém como o mato faz parte do sistema orgânico de produção.

para ele a . esse procedimento acontece em várias propriedades e favorece a troca de produtos entre os produtores. utiliza o adubo orgânico que já estava presente (o mato). Segundo Leandro. algumas são cultivadas apenas uma vez ao ano em toda a propriedade e no restante do ano o proprietário compra de outros produtores da região. Há uma troca de informação entre os produtores sobre quais culturas estão produzindo para favorecer a troca de produtos e fortalecer o mercado de orgânicos não deixando faltar à maioria dos produtos durante o ano todo. ara a terra. adiciona outros como o esterco e pó de pedra e por final faz o plantio de uma nova cultura. aquele produto que determinado produtor está produzindo outro não está e vice-versa. Figura 8: Terra em descanso coberta por adubo orgânico Fonte: A autora. E a parte ecológica é mais importante do que o não uso de agrotóxico na produção. de modo que os clientes se tonem fiéis desse mercado.171 final do ciclo a planta já está fraca e favorece a presença de pragas na lavoura e também para não deixar cair à qualidade do produto. depois deixa o solo em repouso por quarenta e cinco dias (figura 8). ou seja. Cada cultura é plantada apenas uma vez ao ano em um determinado local. Para Leandro a produção orgânica é caracterizada basicamente pelo cuidado com a terra porque se não haver cuidados não há produção.

de onde é retirada este importante adubo orgânico. entretanto. pois isto será refletido na produção. minhocas e pó de pedra. Segundo Leandro. a maioria dos produtores orgânicos não utiliza o pó de pedra como adubo orgânico em sua produção por ser um produto bastante caro.172 preservação do meio ambiente se sobressai entre todos os fatores que são apontados como motivos para o cultivo de produtos orgânicos. que mantém o equilíbrio das propriedades do solo e realiza a recomposição dos nutrientes da terra. Figura 9: Esterco de vaca Fonte: A autora. E. uma delas é o Timbó de origem indígena e a outra é a Nim de . o proprietário afirma que utiliza somente os adubos de sua propriedade porque sabe da origem dos mesmos. ele possui uma pedreira em sua propriedade. ressalta que o produto orgânico é mais saboroso. O esterco da vaca (figura 9) é obtido no próprio sítio. essa é outra vantagem do proprietário entrevistado. nutritivo e tem maior durabilidade quando comparado com o produto convencional. Leandro comenta que se preocupa bastante com seus funcionários. De acordo com o proprietário são utilizados no sítio duas plantas como “inseticidas”. pois este deve ter seus direitos assegurados e condições dignas de trabalho. Também se deve considerar a relação com o colaborador. No Sítio Casa Branca são usados os seguintes adubos orgânicos: estercos de vaca. tudo deve estar bem com eles.

rúcula. almeirão. milho. alho poro. entre outros. manga. manjericão. Figura 10: Nim – planta de origem asiática Fonte: A autora. E as sobras das hortas são utilizadas para alimentar os frangos e demais animais presentes na propriedade. De acordo com Leandro os produtos cultivados em sua propriedade são: alface (três tipos diferentes – figura 11 apresenta a alface crespa). tomate (figura 13). Elas são misturadas com água e em seguida aplica-se nas plantas que estão com pragas. cenoura. rabanete. mexerica (figura 14). brócolis. mandioca.173 origem asiática (figura 10). abobrinha. chuchu. beterraba. para conseguir produzir tudo o que necessita para atender seus clientes. salsinha. alecrim. repolho (figura 12). . maracujá. E todas as mudas de plantas são terceirizadas para facilitar o processo produtivo. mas isso acontece esporadicamente. batata doce. abóbora cabotiá. chicória.

. Figura 12: Repolho Fonte: A autora.174 Figura 11: Plantação de alface crespa juntamente com o mato Fonte: A autora.

todo o manejo dos animais é orgânico. Figura 14: Pé de mexerica Fonte: A autora.175 Figura 13: Plantação de tomatinhos Fonte: A autora. porém alguns clientes que sabem da existência do produto compra mesmo consciente de que não . não é comercializado devido à ausência de uma estrutura de pasteurização. o leite é apenas para o uso familiar e dos funcionários. No caso das vacas (figura 15).

assim este produto não é vendido como orgânico.176 foi pasteurizado.br . Entretanto. há a produção de queijos. portanto. Gráfico 15: Vaca leiteira do Sítio Casa Branca Fonte: Site www. e todos os funcionários são treinados para tal função pelo CTA coordenado pela FAEP e SENAR e aprendem normas higiênicas e técnicas produtivas ecologicamente corretas.ciaverdeorganicos. são comercializados (figura 16). e neste caso são feitos de maneira adequada com sistema orgânico e. ricotas e requeijões.com. Tanto a retiragem de leite quanto a produção de seus derivados têm manejo orgânico.

pois não consegue produzir em grandes quantidades. café. O proprietário afirma que é necessária a alimentação de ração nos primeiros dias de vidas para evitar o canibalismo entre ele e também para fortificá-los. sendo que Leandro fica com 30% da produção. A produção do mel é realizada por terceiros.177 Figura 16: Produção dos derivados do leite Fonte: Site www. se não for dessa forma eles não conseguem sobreviver.ciaverdeorganicos. pois tanto a falta como o excesso de algo é maléfico a qualquer ser vivo. E algumas vezes consegue disponibilizar ovos. castanha do Pará.com. para isso é necessário tempo e não estava conseguindo fazer de forma adequada.br Leandro também produz frangos orgânicos. que é comercializado. Alguns itens são comprados de terceiros para comercializar como o arroz. feijão. porém é dentro da propriedade. açúcar. Isso acontece para diversificar os produtos a serem oferecidos para os seus clientes. Ele ainda reforça que nada deve ser levado ao extremo e é favor do equilíbrio em tudo. Ele afirmou a produção do mel foi terceirizada porque requer muito cuidado. mas não é um produto bastante comercializado. Os primeiros quinze dias de vida dos animais são alimentados por ração e outros seis meses de vida se alimentam de tudo que há cultivado na propriedade. . No Sitio Casa Branca também produz mel orgânico.

porém tem os períodos de escassez. mexerica. por exemplo. A partir disso. O ciclo produtivo varia de acordo com cada cultura cultivada.br). Curitiba e Uraí. que não são encontrados em nenhuma região.ciaverdeorganicos. No entanto. o brócolis demora de setenta a oitenta dias para começar a produzir e produz durante dois meses. 95% de sua produção são destinadas para venda direta e apenas 5% são entregues para Relva Verde. o aumento da produção deve ser lento visando manter a qualidade do solo e em função da ausência de mão de obra. Em seguida é feita a montagem das cestas (figura 17) que serão entregues a domicílio. custa R$ 25. O proprietário criou um site como o nome de seus produtos Cia Verde (www. Orgânica Bistrô e Ville Nature. por isso não faz propagandas e também porque não conseguirá atender a demanda. visto que sua produção é baseada na demanda. Cada cesta é composta por sete itens diferentes. maracujá. que são utilizadas para fazer sucos. As frutas como são produzidas em determinadas épocas. Mesmo que haja a perda de algumas propriedades da fruta. lá é listado todos os produtos que estarão disponíveis na semana.00 e cada item acrescido custa R$ 2. como já foi citado no texto. mas colhe apenas um mês e meio para não cair a qualidade do produto e não atrair pragas na lavoura. De acordo com Leandro. os clientes podem comprar pelo próprio site ou mandar por email quais itens deseja comprar. ainda é um alimento mais nutritivo e os clientes podem contar com a mesma durante o ano todo. .178 Alguns produtos como o tomate e a vagem são comprados dos produtores de Marilândia.50. Neste caso produz manga. algumas são retiradas as polpas e congeladas para serem vendidas no decorrer do ano. entre outras.com. portanto o site é atualizado semanalmente. laranja. assim em sua propriedade o aumento acontece “de pouco em pouco” a cada semana. Ele afirma que toda semana surgem novos clientes.

br As entregas são realizadas nas terças e quintas-feiras pelo próprio Leandro através de um automóvel plotado com a marca dos produtos (figura18). Toda esta preocupação é para garantir a qualidade de seus produtos. ele afirma que o produto orgânico tem maior durabilidade quando comprado com o convencional. ou seja.ciaverdeorganicos. que são colhidas diariamente. Isso acontece em especial com as folhas. O produtor ressalta que compra poucos produtos de outros produtores porque os produtos devem ser colhidos no dia em que vão ser entregues. a colheita é realizada de acordo com os pedidos. Contudo.179 Gráfico 17: Cesta da Cia Verde Produtos Orgânicos Fonte: Site www. . para fazer a propaganda ao mesmo tempo em que atendem seus clientes já fidelizados. assim aguenta mais tempo fora da geladeira e/ ou câmeras frias até chegar ao cliente. por serem produtos perecíveis e estragam facilmente. assim é levada apenas a quantidade necessária para abastecer seus clientes.com.

. já que os produtos orgânicos são “feinhos” e a aparência conta muito no momento da venda. Ele afirma que não é correto o produto ser embalado com plástico.180 Figura 18: Kombi plotada da Cia Verde Produtos Orgânicos Fonte: Site www. entretanto os clientes querem o produto com uma aparência bonita. Por isso.com. mas chegou a perder clientes. depois não eram embalados.br Segundo Leandro antigamente seus produtos eram embalados com papel.ciaverdeorganicos. atualmente todos os produtos comercializados são embalados por plástico (figura 19). porque a ausência de embalagem deixava uma imagem desagradável aos olhos do cliente. mesmo contra o seu desejo. este libera toxinas que ficam em contato com o produto. mas este molhava e causava transtornos.

porque deve ser diversificada e . Mas ele ressalta que no geral os clientes são bem diversificados.ciaverdeorganicos. com nível cultural elevado. estes conhecem a origem do produto. De acordo com Leandro a maioria de seus clientes é jovem. pelo fato de que muitos produtores não certificados também vendiam na mesma proporção que ele e principalmente por haver uma relação baseada na confiança entre e ele e seus clientes. e pertencente à classe alta da sociedade.181 Figura 19: Produtos colhidos e embalados para ser comercializados Fonte: Fonte: Site www. Alguns clientes procuram o orgânico por conta de alguma doença.br Leandro relatou que no seu segundo ano de produção orgânica já conseguiu a certificação pela MOA. mas não quis continuar certificado por conta do alto custo de certificação. ela deve ser em pequena escala. Para Leandro a produção orgânica não combina com produção em grande escala.com.

Ele exemplifica com um fato que está ocorrendo consigo mesmo: ele deseja fazer um empréstimo para comprar um novo trator. mas depois esses consumidores desaparecem. assim pode visualizar que não houve uma conscientização. . naquele período há elevada demanda pelo mesmo. há a necessidade de algo que consiga conscientizar o consumidor a consumir os produtos orgânicos. como créditos rurais. Leandro afirma que há muita propaganda sobre o consumo de produtos com incidência de agrotóxicos e seus malefícios para a saúde. já foi feito um projeto para a nova aquisição. no entanto. Ele menciona que quando há uma propaganda sobre algum alimento que possa ter grande quantidade de agrotóxico. o que causa desânimo no produtor. O produtor entrevistado afirma que o governo oferece muitos incentivos.182 requer um cuidado minucioso e diário. a burocracia não deixa que isso se concretize. mas há muita burocracia. A respeito da educação do consumidor. Ele acredita que o produtor também deve ter esta visão porque senão desiste da agricultura orgânica. A produção orgânica em larga escala sofre com os problemas de ausência de diversidade de cultura e escassez de mão de obra. Leandro ainda ressalta que o custo de manutenção do trator velho é praticamente o valor da prestação por mês de um novo. entretanto. pois assim estará financiando a produção orgânica e garantindo o a qualidade de vida das futuras gerações. Ele acredita que o problema mais incisivo é a falta de mão de obra porque o governo fornece créditos.

O produtor começar a valorizar o meio em que está inserido e o agro ecossistema torna-se mais valioso que a substituição de insumos. o produtor começa a produzir orgânicos de forma gradativa. É necessário que continue com a produção convencional para conseguir pagar suas contas. utilizando cerca de 2% de sua área para aprender as práticas da agricultura orgânica. é possível observar os resultados . Assim. Para Gilberto. a maioria dos consumidores de produtos orgânicos é mulher. Com esta lavoura realiza algumas vendas diretas. embora uma minoria seja de baixa formação e geralmente pertence à classe média. Gilberto Yudi Shingo. O produtor mesmo com muitas dívidas faz altos investimentos tornando toda a sua propriedade orgânica. quando se inicia a transição gradativa. inicialmente. ele fica frustrado e passa a ser contra a agricultura orgânica. Segundo Gilberto. Mas se antes receber informações especializadas. o preço é um fator limitante para eles e o consumidor pertencente à classe baixa não consome porque não tem condições financeiras. de início o produtor visa sanar problemas financeiros porque já não consegue sobreviver com a agricultura convencional. Alguns consumidores procuram os produtos orgânicos por indicação médica e após isso começam a conscientizar dos benefícios obtidos a partir do consumo consciente. Com o tempo através da convivência com educadores da área e outros produtores. se caracteriza por uma prática de substituição de insumos. pois mesmo tendo elevado poder aquisitivo. Ele trabalha atualmente prestando consultoria e tem uma pequena lavoura de produtos orgânicos.183 APÊNDICE H Entrevista com o Engenheiro Agrônomo da Igreja Messiânica de Londrina No dia 09 de maio de 2011 realizou-se a entrevista com o engenheiro agrônomo da Igreja Messiânica de Londrina. De acordo com o engenheiro agrônomo a agricultura orgânica. pessoas com elevado grau de instrução. pois os custos de entrada na agricultura orgânica são bastante elevados. além das dívidas já existentes. Quando isto é feito sem a ajuda de pessoas instruídas a chance de fracasso é maior. No caso de fracassar. o produtor passa a considerar mais o agro ecossistema orgânico. O entrevistado ressalta que a classe alta quase não consome produtos orgânicos. mas como o próprio afirmou é pouco expressiva.

pode ser utilizado pó de rocha. a partir do momento que o produtor habilita sua propriedade para a produção orgânica condiciona a presença de inimigos e predadores naturais. podemos citar: o calcário. biofertilizantes e sais de micronutrientes. Também se procura controlar estas plantas antes que as mesmas formem sementes. Vale ressaltar que isso deve ser feito de acordo com a espécie cultivada. sílica e calda de plantas. principalmente se for hortaliças. Tudo aquilo que é feito com amor e carinho obtém melhores resultados do aquilo que se faz de maneira contrária. Quanto à adubação do solo são utilizados compostos orgânicos de resíduos vegetais e animais. Para Gilberto. E a diminuição de doenças também está relacionada com a recuperação do solo e a formação de plantas saudáveis. Antes desse preparo é feito a implantação de adubação verde. além de todos esses insumos apresentados. O engenheiro agrônomo afirma que.184 conseguidos com a produção orgânica e sanar problemas da mesma. Ele exemplifica com . o preparo da terra para o cultivo de hortaliças e cereais é igual ao da agricultura convencional. fungo Beauveria bassiana e a bactéria thuringiensis. além desses insumos são utilizados iscas. visto que existe alta demanda para o produto. A correção do solo é feita com corretivos utilizados também pela agricultura convencional. E no controle de pragas são utilizados inseticidas orgânicos como o óleo de Nim. eles iniciam a produção orgânica sem analisar o mercado antes de lançar os produtos no mercado. principalmente. E mesmo com 100% da área sendo orgânica e certificada é necessário vender parte da produção como produto convencional. armadilhas e inimigos naturais. independente do grau de instrução dos produtores. planta de origem asiática. gesso agrícola. é mais importante o sentimento de quem faz. com isso colocando-os a venda começa a ter problemas e na maioria das vezes abandonam a agricultura orgânica. na agricultura orgânica. entre outros. além disso. Gilberto ainda afirma que. calda bordalesa e calda sulfocálcica. O controle das plantas daninhas é feito manualmente e em alguns casos com equipamento acoplado no trator. inseticidas biológicos como baculovírus. De acordo com o entrevistado. No controle de doenças são utilizados. pois no caso da soja é possível vender toda a produção orgânica. sendo realizado e revolvimento do solo e no caso das frutíferas faz-se a instalação de mudas. fosfato natural. E a própria saúde da planta a torna menos suscetível ao ataque de pragas.

pois hoje existe a certificação participativa e a gratuita. A empresa vai até a propriedade e realiza as inspeções. não acredita que o custo seja um fator limitante para a certificação. no entanto. Segundo Gilberto. No ponto de vista de Gilberto. Mas. por exemplo. podendo ser anual ou semestral.00 e R$ 3. o ministério da agricultura reconhece apenas o modelo auditado. que produzem maior quantidade de leite quando comparadas como animais da mesma espécie que são tratados de maneira diferente. Já na certificação participativa é formada uma rede ou núcleo com vários produtores e a inspeção ocorre entre os grupos. O ideal seria cada cliente levar caixas de papelão ou sacolas de pano para carregar suas compras. A certificação auditada é feita por uma empresa sem nenhum vínculo com a produção.00 por ano. o grupo de Ibiporã inspeciona o grupo de Guarapuava. se estiver em contato com a umidade se deteriora. quando escolhida pelo produtor.185 o caso de vacas leiteiras tratadas com maior afeto. Mas antes de qualquer forma de . a duração do ciclo produtivo varia de acordo com a cultura. Ele afirma que muitos produtores não são certificados por ser algo inerente ao próprio homem e por conta da relação de confiança que há entre o produtor e o consumidor. este muitas vezes faz visitas da propriedade. Assim. Entretanto. com um aspecto visual mais atrativo. não é aconselhável embalar os produtos porque tanto o plástico como o isopor liberam toxinas nos produtos e ocasionam vários distúrbios no organismo dos seres humanos. De acordo com o engenheiro agrônomo. de cereais entre 80 a 150 dias e de frutíferas entre 1 ano a 30 anos ou mais. De acordo com o entrevistado quando decide certificar sua produção conhece várias certificadoras tanto auditadas quanto participativas. conforme o tamanho da propriedade. mesmo os clientes de produtos orgânicos desejam ver os produtos embalados. o custo de certificação da produção pode variar entre R$ 500. esta no Paraná é custeada pelo governo do estado e todo o procedimento é feito pela empresa TECPAR. Ele comentou que já existem algumas embalagens a base de amido de mandioca.000. para muitos produtores o processo de certificação não tem importância alguma. O ciclo produtivo de hortaliças pode variar entre 20 a 200 dias. Na verdade. As visitas são feitas regularmente.

Além do mais. tal como cultura cultivada. o recurso financeiro pode ser um fator limitante para produção em grande escala dos produtos orgânicos. encargos. desde que a cultura e a boa parte de sua condução permitam a mecanização. Embora a agricultura familiar seja a que mais viabiliza a agricultura orgânica. inicialmente. mas o volume de produtos ofertados . Para Gilberto. Gilberto acredita que é possível a produção em grande escala de produção orgânica. pois a maioria dos incentivos é voltada para a criança e o adolescente nas escolas. como a EMBRAPA. que podem ter ações com resultados mais impactantes. pois a própria produção se viabiliza. de acordo com as leis trabalhistas. muitas vezes o consumidor sabe da importância do produto. dependendo da cultura que o produtor optar nunca conseguirá atingir a produção em larga escala. como os créditos rurais. embora estes não estejam acostumados a lidar com a parte burocrática e deve se esforçar para conseguir o que desejam. cursos de capacitação para os produtores. cada propriedade deve apresentar o histórico de como era praticada a agricultura em anos anteriores. E nesse aspecto o produtor tem que fazer um comércio que agrega valor. o clima e a vegetação devem ser favoráveis para o desenvolvimento da cultura escolhida. como é o caso da empresa Forever Live que possui produção em larga escala de aloe vera na Costa Rica. mas depende da cultura a ser produzida. adubos e agrotóxicos utilizados. De acordo com o ponto de vista do entrevistado. Ele afirma que a produção em larga escala é viável. como acontece em uma fazenda da região mato grossense que consegue produzir cerca de 1000 hectares de soja orgânica. na qual elaborou uma cartilha que motiva o consumo de soja orgânica. entre outros. no Paraná há vários incentivos para a agricultura orgânica oferecidos pelo governo do estado.186 certificação. mas com o passar do tempo deixar de ser. entretanto poderia haver mais incentivo focando os chefes e pais de família. E como o mercado de orgânicos ainda é pequeno. Outras formas de incentivos são as linhas de pesquisas na área desenvolvidas por órgãos do governo. No caso da produção orgânica em larga escala é necessária a contratação de colaboradores e consequentemente pagar salários. O engenheiro agrônomo afirma que existem algumas ações voltadas para a reeducação do consumidor. Assim.

é o que acontece na com a cooperativa da cidade de Nova Tebas. assim. tanto produtor quanto consumidor obteria grandes vantagens. Ele afirma que quando consegue reunir pessoas com idéias próximas é possível atingir os resultados com mais eficácia. atualmente as cooperativas de produtores orgânicos representam a melhor saída para aumentar as vendas do produto orgânico com melhores preços. O entrevistado acredita que tanto cooperativas quanto associações oferecem ao cooperado ou associado melhores preços para os produtos a serem comercializados e para os insumos necessários a produção orgânica. Ele ressalta que deveriam existir cooperativas de consumidores em Londrina.187 restringe o consumo tornando-os caros. . com pouca variedade e de difícil acesso. Assim. como acontece em Curitiba. talvez a venda direta seja a melhor sugestão para torna o produto orgânico mais acessível ao consumidor. pois tornaria possível o comércio de produtos orgânicos em maior volume e consequentemente os consumidores iriam comprar com o preço reduzido. Para Gilberto. conseguindo comercializar maracujás até para a Inglaterra.

188 ANEXOS .

O GRUPO GESTOR DO PROGRAMA DE AQUISIÇÃO DE ALIMENTOS. de 26 de Janeiro de 2010 Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome SECRETARIA NACIONAL DE SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL Grupo Gestor do Programa de Aquisição de Alimentos RESOLUÇÃO N.º 39. II . .189 ANEXO A Resolução N°39. a média dos preços praticados no mercado atacadista nos últimos três anos. corrigidos pelo Índice de Preços por Atacado – IPA – Disponibilidade Interna. e tendo em vista o disposto no art. 1º Definir os seguintes parâmetros para apuração dos preços de referência dos produtos oriundos dos agricultores familiares enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar – PRONAF. a média estadual dos preços recebidos pelos produtores nos últimos 36 (trinta e seis) meses.447.para grãos. descartados os três maiores e os três menores preços. resolve: Art.696. 19. DE 26 DE JANEIRO DE 2010 Dispõe sobre os preços de referência para a aquisição dos produtos da agricultura familiar sob as modalidades Compra da Agricultura Familiar com Doação Simultânea e Compra Direta Local da Agricultura Familiar com Doação Simultânea do Programa de Aquisição de Alimentos e dá outras providências. 3º do Decreto nº 6. praticados nas aquisições de produtos por meio das modalidades Compra da Agricultura Familiar com Doação Simultânea e Compra Direta Local da Agricultura Familiar com Doação Simultânea: I . § 3º da Lei nº 10. de 07 de maio de 2008. referentes ao período da safra.para hortigranjeiros com preços cotados nas Ceasas. de 2 de julho de 2003. no uso das atribuições que lhe confere o artigo art. corrigidos pelo IPA – Disponibilidade Interna.

§ 1º A CONAB disponibilizará. na forma definida em instrumento próprio e no prazo de envio a ser formalizado junto ao Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome – MDS. pela CONAB. conforme definido na Lei nº 10. DE 01/03/2010 6 Art. passa a vigorar com a seguinte redação: . devidamente documentada. do Grupo Gestor do Programa de Aquisição de Alimentos. na sua impossibilidade. processados ou industrializados. § 3º Os preços estabelecidos com base neste artigo não poderão ser inferiores aos estabelecidos para o Programa de Garantia de Preços para a Agricultura Familiar – PGPAF. os preços médios vigentes no mercado atacadista local ou.831. no mercado atacadista regional. apurados em pesquisa realizada pela Companhia Nacional de Abastecimento – CONAB. § 4º No caso de produtos agroecológicos ou orgânicos. desde que aprovado pelo MDS. 1º da Resolução nº 31.190 III . de 30 de setembro de 2008. de preços pagos aos agricultores familiares por três mercados varejistas locais. estes serão definidos a partir de pesquisa.para produtos beneficiados. de 23 de dezembro de 2003.º 004. § 2º Na impossibilidade de disponibilização. § 5º Observado o disposto no § 3º. 2º O art. admitem-se preços de referência com um acréscimo de até 30% (trinta por cento). fica facultado ao operador do Programa de Aquisição de Alimentos o estabelecimento de preços inferiores aos apurados conforme a metodologia definida neste artigo. os preços apurados na forma dos incisos I a III. (*) TÍTULO 31 – PREÇOS DE REFERÊNCIA DA AGRICULTURA FAMILIAR COMUNICADO CONAB/MOC N. dos preços de referência para o produto ou para a região.

Art. Art. CRISPIM MOREIRA Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome SILVIO ISOPO PORTO Ministério da Agricultura. passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. a partir da entrada em vigor desta Resolução. 4º Revoga-se a Resolução nº 12. a partir da entrada em vigor desta Resolução. do Grupo Gestor do Programa de Aquisição de Alimentos. para a modalidade Compra Direta da Agricultura Familiar" (NR). para a modalidade Compra Direta da Agricultura Familiar" (NR). de 21 de maio de 2004. 5º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. 3º O art. 1º Definir. 1º da Resolução nº 32. 1º Definir. de 06 de outubro de 2008. Pecuária e Abastecimento ARNOLDO ANACLETO DE CAMPOS Ministério do Desenvolvimento Agrário GILSON ALCEU BITTENCOURT Ministério de Fazenda ALBANEIDE MARIA DE LIMA PEIXINHO Ministério da Educação Publicada no Diário Oficial de 27/01/2010 .191 "Art. os seguintes preços de referência por R$/60 Kg para aquisição de trigo oriundos da agricultura familiar. Art. do Grupo Gestor do Programa de Aquisição de Alimentos. os seguintes preços de referência para aquisição de produtos oriundos da agricultura familiar.

conforme legislação federal pertinente. Parágrafo único Entende-se por merenda escolar orgânica a merenda escolar certificada. Art. .inhame. Art. Parágrafo único Dentre os alimentos funcionais. estão relacionados abacate. Assim.nabo. 5º.aveia. os alimentos fornecidos na merenda escolar não poderão conter agrotóxicos em toda a cadeia produtiva de todos os seus itens e competentes. soja e derivados. Institui no âmbito do sistema estadual de ensino fundamental e médio a merenda escolar orgânica. alho. 1º. fermentados.repolho.brócolis. A implantação desta lei será feita de modo gradativo. 2º. tomate vermelho.cebola. obrigatóriamente. O Poder Executivo preverá na legislação orçamentária as condições e as escalas de aplicação da presente lei.batata doce. a merenda escolar oferecida aos alunos deverá conter. alimentos funcionais. de 29 de Dezembro de 2010. O Poder Executivo regulamentará esta lei em até 180 (cento e oitenta) dias a contar da data de sua publicação.chá verde.couves.arroz integral. até que 100% (cem por cento) da rede de ensino público do Estado do Paraná garanta a seus alunos o direito à merenda escolar orgânica. que se refere o caput deste artigo. 3º.trigo. Além dos alimentos orgânicos. amora. Art.fruta leites cítricas. § 5º do Artigo 71 da Constituição Estadual Assembleia Legislativa do Estado do Paraná Decretou e nos termos do § 5º do Artigo 71 da Constituição Estadual Promulgou a seguinte lei: Art. Art. sucos. uva vermelha. entre outras especificações da legislação. goiaba.192 ANEXO B Lei 16751. de acordo com as condições e cronogramas elaborados pela Secretária de Estado da Educação SEED. 4º.cenoura.

br .pr.193 Art.gov. PALÁCIO DO GOVERNO EM CURITIBA. Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação. 6º. Site: www.legislacao. em 29 de dezembro de 2010.

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