GRUNDFOS SISTEMAS DE PRESSURIZAÇÃO

Manual de Engenharia

Biblioteca Nacional - Catalogação na Publicação Manual de Engenharia Sistemas de Pressurização ISBN: 972 - 99554 - 0 - 9

Depósito Legal n.º 223570/05

Copyright © 2005 - Bombas Grundfos Portugal / Margarida Ruas / Raul Vital / Paulo Ramísio / Eduardo Nunes / Carlos Medeiros / Ana Amélia Santos / José Beltrão / Pedro Farinha / Luís Olival

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BGP - 03/2005

PREFÁCIO
Actualmente, as sociedades desenvolvidas, na sequência da melhoria da qualidade de vida, têm como expectativa não apenas o acesso fácil ao recurso água mas também elevados padrões de qualidade no seu abastecimento. Esta exigência arrasta consigo a garantia do fornecimento contínuo, a sua qualidade intrínseca e as características adequadas ao seu uso, inerentes à quantidade e à pressão. Estes critérios de qualidade a que todos nós, de forma crescente, nos fomos habituando, são aplicáveis, principalmente, ao consumo humano, mas são também extensíveis aos sectores económicos da sociedade, cujo desenvolvimento está na dependência da água. Para atingir os desejados padrões de qualidade é fundamental o cumprimento da legislação vigente e a aplicação das tecnologias mais avançadas, factores que se revelam da maior importância para a optimização dos custos de exploração, dos quais o consumo energético é um factor determinante, se tomarmos em conta que aproximadamente 20% do consumo mundial de energia eléctrica se destina a grupos electrobomba. O reconhecimento de que uma das componentes do custo da água reside na sua movimentação, desde a captação à sua utilização, implica que a selecção dos sistemas de pressurização deverão ser cada vez mais eficientes e económicos. A responsabilidade social e o desenvolvimento sustentado que a Grundfos assume nos seus valores, sensibiliza-a para a importância da reflexão e do diálogo sobre o tema da água como bem fundamental e escasso. Foi com este espírito presente que o Manual de Engenharia sobre o tema "Sistemas de Pressurização" foi abraçado por um conjunto de docentes universitários e especialistas, em vários sectores da utilização da água, tendo como objectivo a optimização da eficiência e da fiabilidade da movimentação da água. O conteúdo deste Manual foi estruturado com informação técnica actualizada, desde a legislação às soluções tecnologicamente mais avançadas, complementado com ferramentas e técnicas para a melhoria do Custo do Ciclo de Vida dos sistemas públicos, prediais, industriais e na rega. O conceito de variação de velocidade utilizado nos sistemas hidráulicos, é adaptado em concepções diversificadas, em função das características das aplicações, como processo para optimização do consumo energético. É aqui inserido um documento de referência, que descreve a evolução histórica do abastecimento de água à cidade de Lisboa e regiões limítrofes, desde a ocupação Romana à actualidade, relatando os acontecimentos históricos que foram influenciados por essa evolução. É referida a importância da água para o consumo humano, para a rega e para a higiene pública. É ainda abordada a problemática do seu tratamento e as suas propriedades terapêuticas para a cura de diversas doenças. Evoca ainda a importância da água no desenvolvimento da cidade de Lisboa, assim como transmite os detalhes da evolução tecnológica nos meios utilizados para o abastecimento da água, desde as nascentes aos consumidores públicos e industriais, até ao abastecimento domiciliário com água canalizada. Este Manual é uma colectânea dos contributos da Grundfos e de todos aqueles que participaram na realização deste projecto, e teve como orientação estratégica a gestão racional da água e a sustentabilidade ambiental. Destina-se à sociedade em geral e em particular aos consultores, projectistas, empresários, empresas municipais e multimunicipais, técnicos, docentes e alunos de universidades e institutos cuja actividade está, directa ou indirectamente, dependente do estudo e da utilização da água. António Miranda Administrador Delegado Bombas Grundfos Portugal

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há certas palavras e formas de dizer que caem em desuso (morrem. ou seja. Embora também haja quem empregue a forma bombagem como sinónimo de bombeamento (o Dicionário da Academia. Para o caso. A dúvida que suscitou estas reflexões é esta: "bombar ou bombear" e "bombagem ou bombeamento"? O substantivo feminino bomba (no caso. E é empregado na linguagem corrente. inclui os dois verbetes). Quer o verbo bombear quer o substantivo bombeamento são as formas a que os mais prestigiados dicionaristas dão acolhimento. mudam com o tempo e as vontades. Pelo menos é esta a opinião dos mais reputados estudiosos da língua portuguesa. Por isso. conotativos outros. Assim. a palavra primitiva) tem diferentes sentidos. ressuscitar) e outras que emergem (nascem) para designarem novos objectos ou conceitos. a forma mais antiga e mais adequada. como qualquer organismo vivo. As línguas maternas reflectem os conceitos vigentes na sociedade. mais tarde ou mais cedo. geológica).Bombeamento ou bombagem Os idiomas não são instrumentos neutros nem modelos estáticos. em matéria linguística. bombeamento pode designar "a extracção de um líquido ou de um gás por meio de bomba". estado". aliás. E diz-nos a experiência que do natural conflito entre norma e uso. Do substantivo bomba derivaram outras palavras. As línguas. e devem responder às necessidades de todos e de cada um dos falantes. Serve esta pequena introdução para explicar que. Bombear significa "extrair um líquido ou um gás por meio de bomba". em cada momento. As palavras não são unívocas e só o contexto pode indicar o sentido exacto de cada termo. não colide com a morfologia do nosso idioma. passando pelos "Vocabulários" de Gonçalves Viana e José Pedro Machado. No primeiro caso. atribuindo-lhe o sentido de "acção ou resultado da acção. de tal modo que o que é incorrecto num dado momento pode ser considerado correcto noutro. todavia. interessa apenas o significado de "máquina para aspirar e elevar líquidos. aparelho com que se transvasam ou esgotam fluidos (líquidos ou gases)". designadamente. todos registam bombear e bombeamento e excluem as outras hipóteses. podendo. bombeamento é. denotativos uns. são tão legítimas e frequentes as dúvidas como as certezas. Bombeamento formou-se juntando ao verbo (bombear) o sufixo nominal -mento. o verbo bombear e o substantivo bombeamento. Do velho Morais ao novo Houaiss. militar. juntando a bomba o sufixo verbal -ear (tal como de guerra+ear se formou guerrear e de cabeça+ear derivou cabecear) que encerra um sentido frequentativo (repetição de uma ideia). Importa apenas acrescentar que o substantivo bombagem também respeita as regras de formação de palavras. Edite Estrela 3 . mais tarde. mas também em linguagens específicas (física. é o uso que sai vencedor e se impõe à generalidade dos utentes. As palavras são polissémicas e podem significar uma "coisa" e o seu contrário.

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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . Critérios de selecção e análise de sistemas simples em regime transitório . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 6. . . . . . . . . . . .4. . Redes hidráulicas . . .5. . Sistemas de pressurização com grupos electrobomba de velocidade variável . . . . . . .11 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Propriedades da água . Sistema Hydro Solo E . . . . . . . . . . . . . . . . .4 2. . . . . . . . . Critérios de cálculo . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . .1 2. . .10 4. . . . . . . . . Dimensionamento e selecção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 6. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 2. . . . . Classificação dos escoamentos . . . . . 98 Sistema de bombeamento existente com uma válvula de controlo de caudal . . . Circuito de desvio . . . . . Teorema da quantidade de movimento ou de Euler . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 2. . . . . . . . . . . . . . . . . Referências bibliográficas . . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . Sistemas por bombeamento directo . . . . . . 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . Conceitos fundamentais de hidráulica. . . . . . Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . .5. . . . . . . . . . . . . . . . . . Modelo de cálculo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5. . . . . .8 1. . . . . . . . . . . .2 4. . . . . . . . . . . .2 2. Características das centrais hidropneumáticas . . . 96 Na fase de projecto . . . A 2ª. . . . . . . . .1 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 99 5. . . . . . . . . .4 5. . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5 4. . . . . . . . . . . . . . . Caso prático .3. Sistema Hydro 1000 . . . . . . . . . . . . 98 5. . . . .3 Centrais hidropneumáticas . . . . . . . . . . . . . . .10. . . . Viscosidade . . . . . . . . . . .5 3.5 5. . . . . . .3 4. . . . . . . . . .2 3. . . . . . . . . .2 2. . . . . . . 5. . . . . . . . . . .15 1. . . . . . . . . . . .6 1.2 1. 51 55 55 55 55 56 5 . . . Evolução histórica dos sistemas de abastecimento de água a Lisboa . Ponto de funcionamento de uma bomba centrífuga . . . . . . . As municipalizações do abastecimento de água e a sobrevivência da Companhia . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . .11 4. . . . . . .2 2. . . 103 105 105 105 106 107 109 109 110 112 113 Sistemas de pressurização com velocidade fixa e velocidade variável . . . . . . . . . . . . . . .5 2. . . .3 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . Volantes de inércia . . 6. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4. . .5 1. . . . . . . . .3 2. . . . . . Perdas de carga localizadas . . . . . . . . . . . . .5. . . . . . . . . . . . .1 Constituição e princípio de funcionamento . .1 5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .10. . . .2 Grupos electrobomba . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Sistemas com bombas de velocidade variável . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 6. . . Equação da continuidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . Definição . .9 4. . . . . . . . . . . .4 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . de velocidade fixa . . . . . . . . . . . . .3 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Os antigos chafarizes de Lisboa . . . . . . . . . . . . .3 5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 2.6 4. . 97 Exemplos de aplicação do Custo do Ciclo de Vida . . . . Reservatórios unidireccionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4. . . .3 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3. . . . . . . . . .4 2.2. . . . . . . . . . . . . . Das origens ao aqueduto romano de Olisipo . . Sistema Hydro 2000 . . . . .7 Referências bibliográficas . . . . . . . . . . . . . . . . Dimensionamento económico de condutas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3. . . .3 6. . . . . . . . Companhia das Águas e o começo do abastecimento domiciliário . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61 62 64 65 65 65 66 66 72 72 74 75 76 31 35 35 35 35 35 36 36 36 36 36 37 37 38 38 38 40 40 40 40 40 41 41 42 42 42 42 45 47 48 49 77 79 80 82 83 83 83 84 84 86 86 87 88 88 88 88 89 90 O Custo do Ciclo de Vida como factor de economia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Constituição . . . . 2.6. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .9. . . . . . . . .4 3. . . . .12 5. . . . . . . . . . . . . . . . Introdução . . . . . . . . . . . . . . . .1 2. . . . . . Regulação das pressões de arranque e paragem . . . . . . . . .11 1. . . . . .9 2. . . Referências bibliográficas . . . .1 2. . . . . . . . . .1 2. . . . . . . . . . . . . . .1 4. . . . . . . . . . 93 O que é o Custo do Ciclo de Vida? . . Reservatórios hidropneumáticos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . A 1ª. . . . .3. . . . . . . . . . . Sistema Hydro 2000 E .12 1.1 6. . . A EPAL e o Castelo de Bode . . . . .14 1. . . . . . . . . . . .6 5. . . . . . . . . .3. . . . . . . . . Válvulas de retenção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 93 Razões para a utilização do CCV . . . .Tejo ou Zêzere . . . . . . . . . . . .3 3. . . . . . . . . . . . . Determinação da pressão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 93 Determinação do Custo do Ciclo de Vida . . . . . . . . . . . . . . . . . Reservatórios de ar comprimido . . . . . 94 Implementação da metodologia . . . . . . Dispositivos de protecção . . . . .4. . . O Aqueduto das Águas Livres . . . . . . . . . . . . . .6. . . . .4 3. . . . . . . . . . .5. . . . . . . . . . . . . . . .2 5. . . . Princípios da mecânica dos fluidos . Perdas de carga contínuas . . . . . Duarte Pacheco e o contrato de 31 de Dezembro de 1932 . . . Cálculo hidráulico . .5. . . . . . . . . .5. . . . . . .2 6. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 Tipos de sistema de elevação de pressão . . . . . .10 1. . O projecto de 1908 para captação de água no Tejo . .2 2. . Propostas para a reconstrução do aqueduto romano . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .13 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3. . . . . . . .4 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 4. Referências bibliográficas . . . . . . . . .4. . . . Teorema de Bernoulli . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 102 6. . . .3 1. . . . . . . . . . . . . . .1 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Sistemas de pressurização com grupos electrobomba . . . .5. . . . . . . . . . . . . . .8 4. . . . . Bombas centrífugas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Introdução . . .7 2. . . . . . . . . . . . . . . . . Bombas de velocidade fixa . . . . . . . . . e hidrodinâmica . . .3. . . . . . . . . . . .16 2. .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 Sistemas de pressurização Grundfos . . Tensão de saturação do vapor de água . . . . . . . . . Introdução . . .1 1. . . . .3 6. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . Sistema Hydro 2000 F . . . . . . . . . . . .2. . . . . .3. 3. . . .2 3. . . . . . . . . . .3 4. . . . . . . . . . 91 Introdução . . .9. . . . . . . . . .9. .2 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Classificação das redes hidráulicas . . . . . . . . . . . . . . . . . .7 1. . . . .1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .6 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Conceitos fundamentais de hidrocinemática . . . Companhia das Águas e o Alviela . . . . . . . . . . . . . . . . . .4. . . . . . . . . . . . . .1 2. . . . . . . . . .8 2. . . . Compressibilidade . . . . . . . . . . . . . . Curva característica da bomba . . . . . . . . . . . . Dispositivos de manutenção das pressões transitórias . .7 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 Reservatórios de membrana . Chaminés de equilíbrio . . . . .5 3. . . . . . . . . . . . . . . Referências bibliográficas . . . .12 2. . Constituição e princípio de funcionamento . . . Expansão do abastecimento . . . . . . . . . . . . . Escoamentos sob pressão em regime uniforme e permanente . . . . . . . . . . . .4.2 Escolha do sistema de pressurização na fase de projecto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Determinação do caudal máximo . . . . . . . .3 2. . . . . . . .5 2. .13 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Os problemas da qualidade das águas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 5. . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . Teste de sistemas . . . .3 6. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 2. . . . . . . . . . . . . . . 1. . . . . . . . . . . . . .6. . . . . . . . .2 4. .2 5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 3. . . .6 2. . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . Leis de semelhança . . . . . . . . . . . . Os projectos de Pezerat face à falta de água no século XIX . . . . . . . . . . . . .2 6. . . . . . . . . . . . As duas opções em confronto . . . . . . . Condições de fronteira . . . . . .3. . . . . . . . . . . .1 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Exemplos de situações-tipo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Cavitação e NPSH . . . . . . . . . Regime uniforme e permanente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Curva característica da instalação . . . Reservatório parcialmente bidireccional . . . . . . . . Sistema Hydro 100 .6 3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Conceitos básicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . bombas centrífugas e redes hidráulicas . . . . . . . . 96 Aplicação a sistemas existentes . . .Índice Índice 1. . . . . . . . .9 1. .3. Escoamentos laminares e escoamentos turbulentos . . . . . . . . . . . . . . . .10 2. . . . . . . . . . . . . . . 7 11 11 12 12 13 17 17 18 21 21 22 24 25 26 26 28 3. . . . . . . . . . Arrancadores suaves . . . . Válvulas motorizadas .

Descrição dos capítulos estruturantes do Manual . . .4. . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 11. . . . .1 8. . . . . . . .3 7. . . .4 9. . . . . . . . . . . . . Monitorização e gestão de sistemas mistos . . . . .3 10. . . . . . . . . . . Aspectos gerais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Aplicação de sistemas de pressurização em processos industriais . . . . . . . . . . . . .3 12. . . . . . . . . . Eficiência de aplicação . . . . . Sistemas prediais de distribuição de água quente . . .3 9. . . . . .5. . . . . . . . Prova de funcionamento hidráulico . . . . . . . . . . .1 9. .5 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4. . . . . . . . . . . . . .7. . . .8. . . . . . . .2 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 12. Segurança . .1 7. . . .1 7. . . . .4 9. . . . .3 11. . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Necessidades de água quente e escolha dos aparelhos de produção . . . . . . . . . . . . . . . . .2 9. . . . . . . . .1 11. .Índice 7. . . . .5. . . . . . . . . . . . . Dimensionamento dos reservatórios hidropneumáticos . . . . . . . . .7. . . .1 10. . .1 7. . . Aspiração de cisterna elevada . . Elementos de dimensionamento .1 11. . . . . . . .2 8. . . . . .3. Dimensionamento hidráulico . . . Águas convencionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Aspiração de uma rede sob pressão . . . . . . . . . . . . . . . . . .7 12. . . . . . . . .1 12. . . . . . . . . Verificação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . .2 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 9. . . . . Eficiência de distribuição. . . . .3 9. .4 Contadores . . Elementos acessórios da rede . . Outras publicações complementares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 8. . . . . . . . .3. Introdução . . .3 10. . . . . . .4 12. . . . . . . . . . . . . Controlo por caudal . Manutenção aos equipamentos de bombeamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Ramais de ligação . . . . . .1 11. . . . . . .2. . . . . . Caracterização da rede de Lisboa . . Sistemas de rega por gravidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 11. . . .2. . .6 11. . . . Outros tipos de controlo . . . . . . . referência ao coeficiente de uniformidade de distribuição de água de christiansen . . Introdução . .4. . .2 10. . Eficiência de rega e consumo de energia nos sistemas de rega sob pressão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Vantagens de um sistema integrado . . . . . Estrutura do Manual de Redes Prediais . . . . . Circuitos térmicos . . . . . . . . . .1 11. . . . . . . Águas não convencionais . . . . . . . Entrada em serviço dos sistemas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .6 11. . .2. . . . . . . . . . Aparelhos produtores de água quente . . . . . 10. . . . . . . . . . . . . . . .3. . Concepção dos sistemas . . . . . . . . . . .5 9. . . . . . . . .1 9. . . . . . . 7. . Comunicação entre sistemas de controlo da mesma rede . . .5. . . . . . . . . . Qualidade . . . . Resultados práticos . Consumo anual de energia para instalações de rega sob pressão .2 11. . . . . . .2 9. . . .9 10. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . .4 11. . . .1 9. . . . . . . . . . . . . . . .3 9. . . . 11. . .4 11. . . . . . . . . . .3. . . . .4 7. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Sistemas de rega sob pressão: eficiência. . . . . . .3. . . . .2. . . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . Exemplos de aplicação industrial . . . . . Controlo de sistemas de bombeamento . . . . . . . . .4 9.2 Sistemas de controlo. . . Valores médios e técnicas de maximização da eficiência de rega . . Desinfecção dos sistemas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . polivalência e economia . . . . . . . . . . . . . . . . . . Introdução . . . . . . . . Aspectos gerais . . Filtração por Osmose Inversa .2 9. . . . . . .2 12. . . . .4. . . 149 150 150 150 151 152 153 157 157 157 157 163 163 164 164 175 175 176 177 125 127 127 127 127 127 128 128 128 129 129 129 130 131 135 135 135 135 136 136 136 137 137 137 137 138 141 141 141 141 141 143 145 145 145 145 146 147 147 147 148 148 148 148 148 179 183 183 183 184 186 186 187 193 193 193 193 194 194 194 194 194 195 196 197 198 201 205 205 205 205 205 206 206 206 207 211 6 . . . . . . . . . . . . . . . .6. . . . . . .6. .2. . . . . . Dimensionamento dos sistemas prediais . . . . . . . . . . . .2 9.4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Eficiência de transporte . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 117 119 119 119 119 119 120 120 120 120 121 121 122 9. . . . . . . . . Introdução . . .8 9. . . . . . . . . . . . . . .2 11. . . . . . . . . . . . . . . . Eficiência de rega e sua classificação . . . . . . . . . . . . Sistemas de abastecimento público e predial no Porto . . . . . . . . . Classificação dos sistemas . Referências bibliográficas . . . . . . . . .3 8. . . . . . . .4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Conclusões . . . . . . . . . . . . . . . . . 12. Isolamento das canalizações . . . . . . Utilização de reservatórios de membrana . . . . . . . . . Ambiente . . . . . . . . . . . . . . . . . .5 11. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .8. . . . . . . . . Aspectos gerais . . . . . . . . . . . . .4 9. . . . . Reserva predial de água para abastecimento doméstico . . . . . . . . . . . . . . . . . . .6. . . . . . . . . . . . . . . . . Torneiras e fluxómetros . . . . . . . .3. . . . . . . Execução das redes prediais . . . . . . . . . . . . . . . Introdução . . . . . . .2 12. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Necessidades de ventilação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Aspectos gerais . . . . . .2. . . . . . . . . . .4. . . . . . .4 10. . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . Aspiração negativa . . . . . . . . . . . . Sistemas prediais de distribuição de água fria . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Instalações elevatórias e sobrepressoras . . . . . . . 9. . . . .3 9. . . . .6 9. . . . . . . . . . . . . . .3 7. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Válvulas . . . . . . . . . . . . . . . Sistema de abastecimento predial de água . . . desinfecção e funcionamento hidráulico . . . . .2 10. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . .1 9. . . . . . . Instalação de sistemas de bombeamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 9. . . . . . . . . . . . Referências bibliográficas . . . . . . . . . . . . . .2 9. . . Introdução . . . . . .5 11. . . . . . . . . . . . . . . . . .3 8. . . Controlo por pressão . . . . . . .1 12. . . . Elementos e parâmetros de rega a utilizar no cálculo do consumo de energia . . . . . . . . . . . Elementos dos sistemas . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3.1 10. . . . . . .3.3. .2 8. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . .2. . .2 7. . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 9. . . . . . . Critérios de selecção de equipamento de processo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5 10. . . . . .7. . . . .1 7.5. . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Sistemas de rega sob pressão . . . . . . . . . Referências bibliográficas . . . . . . .2 12. . . .3. . . . . . .4. . . . . . .2 9.3. . . . . .4. . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 8. . .1 8. . . Aspectos gerais . . . . . . . . . .1 9. . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Eficiência total de rega . 8. . .3 9.5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 10. . . . . . .2 7. . . . Eficiência de armazenamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5 9. Sistema de abastecimento público . . . Classificação dos sistemas de rega . . . . . . . . Necessidade de comunicação . . . . . . . .4. . . . . . . . . . . . .4. . . . . . . . . Enquadramento legislativo . . . . . . . . . . . . . . . . .4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 8. . . . . . . Eficiência de uso de água . . . . . . . . . . . . .5. . . . . . . . . . . . Concepção global dos sistemas de distribuição em Lisboa . . . . . . .4. . . . . . . . Manutenção aos sistemas de monitorização e controlo . . . .4. . . . . . . . . . . . .3 11. . . Polivalência dos sistemas de rega . . .2 11. . . Aspectos gerais . . . . . . . . . . . .5. . . . . . . . . . Manutenção . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . . . . . . . . . . . . .2. . . . . .4 7. . Controlo por nível . Sistemas de distribuição de água quente com recirculação Traçado . . . . . .8. . . . . . . . . . . . . . . . . . . Instalação e manutenção de bombas e sistemas de bombeamento . . Gestão integrada entre sistemas de bombeamento . . . . . . . . . . .4 8. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5 11. . . .4 10. . . . . . .3. . . . . . . Concepção global dos sistemas prediais em Lisboa . . . . . . . . . . . . . .5 9. . . . . . . . . . . . . .2. . Saúde ocupacional . . . . . . . . . . . . . . .4. . . . . . . . . . Comunicação entre sistemas de bombeamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Sistemas de abastecimento público e predial em Lisboa . . . . . . . . . . . . . .1 8. . . . . . . . . . .2 8. . . . . .4 9. .3 9. . . . . . Elementos de instrução dos processos de projectos . . . comunicação e gestão . . . . . .1 10. . . . . . . . . . . . . . . . .1 11. . . . . . . . . . . . . . . . . . .3. . . . . . . . . . Verificação. . . . Localização do equipamento de bombeamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 12.2. . . . . . . . . . .1 9.3 11. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Aspectos gerais . . . . . . . . . . . . . . . . . .7 9. .3 9. . . . . . . . . . . . . . . Requisitos para instalação . . . . . . .2. . . . . . . Referências bibliográficas . . . . . . . . . . . .2 7. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

EVOLUÇÃO HISTÓRICA DOS SISTEMAS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA A LISBOA Autores: Margarida Ruas Gil Costa Directora do Museu da Água Raul Fontes Vital Historiador e Arquivista. Responsável pelo Arquivo Histórico do Museu da Água 7 .Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa 1.

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que fazem acontecer e que contribuem para a sedimentação das identidades que cumprem a diversidade do País e dos diferentes povos que aí vivem. A identidade do Museu junta-se à identidade da EPAL e de Portugal constituindo-se como parte da nossa cultura e como mensageiro desse espírito. É dever dos povos construir a eternidade partilhando o conhecimento e preservando a vida e o património. Patriarcal e a Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos. polarizadores de cidadania (o seu ethos na dupla perspectiva filosófica e prática). estudantes e especialistas. dispomos de um serviço educativo para as escolas. Os prémios Internacionais legitimam e celebram o sucesso do Museu. Recebemos visitantes nacionais e internacionais. todo ele. os outros e o próprio Mundo. de rir. abrange 4 núcleos: o Aqueduto das Águas Livres. Existimos numa cadeia una. 9 . racionais e sensoriais completam a construção do Eu cumprindo a observação cabal do Todo. a Sala de Exposições Permanentes. de um Arquivo Histórico que ajuda a entender a Inteligenzia portuguesa e que é consultado por académicos. que provocam a mudança de mentalidades. acima de tudo. na cidade de Lisboa e oferecemos um conjunto de quatro monumentos que constituem o Museu da Água. é um Património Precioso. e de tudo o que ela representa no acumular de conhecimento científico e tecnológico. o Equilíbrio Perfeito. Os museus são lugares de criatividade onde se aprende sempre mais. ajudando-os a combater o medo que nos retira o direito de viver. em Portugal. da EPAL e também de Portugal. e de capacidade criativa do génio humano. preservados e organizados museologicamente. a Harmonia Absoluta. As exposições que organizamos são discursos abertos e imprevistos que densificam a dimensão artística. presente. universidades. O Museu constitui. do nosso conhecimento e do pensamento. Este conjunto de monumentos e edifícios. o mais alto galardão atribuído por esta entidade. a Sala de Exposições Temporárias e o Arquivo Histórico. Mas para além desse sucesso evidente para a opinião pública nacional e internacional o maior sucesso é fazer a diferença na vida de muitas crianças e de adultos a quem provocamos na sua criatividade. Este último integra a sala das Máquinas a Vapor. alertando para o ambiente. futuro e a Grundfos consubstancia este manifesto. bem como para a consciencialização da sua identidade e problemas comuns. construídos entre o século XVIII e XIX. indissociável que. quando um elo se quebra. afecta o todo que somos nós. Os Museus são cada vez mais complementos e auxiliares das escolas. das famílias consideradas como reguladoras sociais capazes de reunir pessoas à volta de necessidades comuns. Este prémio destaca todo o museu que contribua para o entendimento e conhecimento da herança cultural europeia. de sentir prazer e de não envelhecer. O Museu da Água é o único em Portugal com o Prémio do Museu do Ano do Conselho da Europa (1990). As percepções espirituais. A estratégia de comunicação do Museu da Água é provocadora na forma como chega às escolas. dando oportunidade aos mais novos e intensificando o prestígio dos mais conhecidos cumprindo a educação permanente. inaugurado no dia 1 de Outubro de 1987. local de criatividade e de encontro de culturas. os reservatórios da Mãe d'Água. tudo é passado. a preservação e animação do património. estimulando a investigação. encontram-se indissociavelmente ligados à história do abastecimento de Água. códigos de comportamento numa perspectiva sincrética que junta o mundo todo no principio da reciprocidade (tudo o que fazemos é importante e atinge o meio em que vivemos e por sua vez nos atingirá). de pensar livremente. A identidade desempenha um papel fundamental na configuração do mundo e na construção do eu do ser humano. Tudo é património. onde o cenário de fundo nos é dado através desta luta de séculos travada pelo homem pela conquista da água.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa O Museu da Água da EPAL O Museu da Água da EPAL. Existimos fisicamente no mundo. O Mundo. É uma dádiva viver no respeito e na reciprocidade do que nos rodeia.

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o enquadramento geográfico do sítio. foi atribuída uma capacidade da ordem dos 125. A tecnologia surge como resposta às necessidades do homem. A indústria da água é. ao longo dos tempos. A ocidente. Sendo muito embora o sítio de Lisboa banhado pelas águas do rio. desde o conhecimento científico e tecnológico. um local privilegiado para o cruzamento de povos e culturas diversos. ideológico. Os Romanos. De norte para leste. mais tarde. Nesta indústria. tratar e distribuir este elemento básico e indispensável à vida. conhecimento não apenas relativo à água. pois. onde diversos autores debatem a dialéctica entre o construtivismo e o determinismo tecnológico. alternadamente. abordar. provavelmente às portas de Santo André. sobretudo se tivermos em atenção que o seu desenvolvimento sob a forma de utilização de técnicas mais complexas não pode ser desligado do fenómeno urbano. um aqueduto que transportava a água para a cidade. chegando à colina do castelo. a vasta depressão que se estende desde Odivelas a Sacavém. até por razões de estratégia defensiva. a região de Lisboa é cortada por um conjunto de vales que a envolvem. debitavam água para as ribeiras. constitui um laboratório excelente para este debate. cuja evolução abordaremos. cujas ruínas ainda hoje são visíveis. na colina do castelo. incluindo as ciências sociais. 11 . mas também aos materiais utilizados nas condutas. para captar. Contudo. e com uma elevada produção susceptível de proporcionar um abastecimento a um número cada vez maior de consumidores. onde encontramos a bacia do Trancão. e. a barragem de Olisipo. o homem desenvolve a tecnologia em busca de soluções para melhorar o seu bem-estar. na base da colina do castelo. à geologia das suas origens. cuja utilização virá a ser equacionada no século XX. junto à foz do Tejo. adução e distribuição. à utilização de máquinas. os defensores de ambas as teses. que seria talvez a maior da Península. sem utilização de meios mecânicos. Por um lado. o que foi o abastecimento de água a Lisboa desde as suas origens nos abastecimentos locais. a partir desta. e de onde seria de esperar a obtenção de águas susceptíveis de serem utilizadas. às possíveis formas para a sua condução. pelo Massachussets Institut of Technology – MIT. procurar ver de que outros recursos dispunham as populações que aí se fixaram. por outro. logo à partida. Porém. eléctricas. Assim. à sua captação em rios e em barragens. desde as origens até aos nossos dias. temos que ter em consideração. às técnicas administrativas e financeiras que possibilitam o desenvolvimento desta actividade. não oferecia condições de captação nessa época face à ausência de tecnologias adequadas. Aí. também a ribeira de Alcântara não possibilitava a utilização das suas águas para consumo. Há que. sociológico. procuraremos.2 Das origens ao aqueduto romano de Olisipo Ao analisarmos o caso de Lisboa. dado que. continuando na direcção da serra de Sintra. já que as cotas a que estas ribeiras correm permitia a construção de sistemas de abastecimento que conduzissem daqui a água para Lisboa. entre margens alcantiladas. A esta barragem. para o caso de Lisboa. a sua situação.1 Introdução Does Technology drive History? Esta é a pergunta formulada por Merrit Roe Smith num conjunto de trabalhos publicado. nascentes estas perenes. todos têm razão. corta o andar de Belas. ainda que de forma sucinta. só disponíveis nos tempos modernos. sem a análise do fenómeno político. a própria tecnologia gera. convergem uma diversidade de factores. Trata-se de um porto natural. e foram procurá-la em zonas mais distantes. num conceito lato que possa abranger todas as formas desenvolvidas pelo homem. Os primeiros mananciais a serem utilizados foram os da zona ribeirinha. aos equipamentos concebidos para a sua elevação. no homem. aduzir.000 m³. e dado que os primeiros habitantes do sítio de Lisboa se terão fixado. agora com complexos sistemas de tratamento. constituía o palco ideal para o aproveitamento das águas. uma rota natural de migrações. às suas características e qualidade. Efectivamente. construíram os Romanos uma barragem de contrafortes no século II ou III da era de Cristo. É este o caminho que iremos percorrer a seguir. no estuário. onde um grande número de nascentes provenientes. É a complexificação das formas de agrupamento dos homens que gera a consequente complexificação das técnicas empregues para a utilização do elemento água. onde as diversas ciências têm lugar. as águas abundantes das nascentes ribeirinhas eram suficientes para as suas necessidades. em 1994.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa 1. à captação de águas em poços profundos. toda a bacia hidrográfica que. neste capítulo. e de camadas de grés e arenitos. à condução da água graviticamente até à cidade. novas condições de vida e novos desenvolvimentos não pré-determinados. até mesmo. não se deram por satisfeitos com estas águas. que secavam na estiagem. A indústria da água. no vale de Carenque. ou é ela que determina o sentido da sua evolução? Poder-se-á dizer que. de camadas calcárias. ou. para o seu armazenamento e para a sua distribuição. um campo de estudo pluridisciplinar. distantes da cidade. primeiro a vapor e. 1. quando dominaram a Península Ibérica. apesar de outros existirem em zonas circundantes. não é possível atingir uma compreensão global do seu desenvolvimento. portanto. e. e a outros diferentes ramos do conhecimento. inviabiliza a sua utilização como fonte de abastecimento de água em virtude de as águas do rio se misturarem com as do mar.

designadamente pelo efeito da expansão marítima. ao longo dos séculos. e. construído por Quinto Sertório em 75 a. Além da sua temperatura elevada. 2 . que serão designadas por águas altas. desconhecendo-se a data concreta da sua construção. 12 . São bem conhecidas as suas termas. caso das águas dos basaltos. deve o seu nome às grandes obras que aí se realizaram no reinado de D. o Chafariz da Praia. Clara. 1. ao decréscimo da população. como as Alcaçarias do Duque. aliás. apresentam uma temperatura elevada. como o humanista português Francisco de Olanda que. como o Chafariz de Dentro. chafarizes destinados ao abastecimento das populações. as diversas nascentes da zona oriental. em particular. pelas suas características físico-químicas eram estas águas reputadas como possuindo propriedades terapêuticas para a cura de diversas doenças. o Chafariz d'El-Rei.3 Os antigos chafarizes de Lisboa Destruídas que foram muitas das obras dos Romanos pelos povos bárbaros.a palavra chafariz tem mesmo origem árabe . porque distantes da cidade. O chafariz mais antigo da cidade.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa De facto. Já os Árabes. invasores do Império.. no concelho da Amadora . esta já mais a leste do bairro. o Chafariz dos Paus. É no sítio das nascentes da zona ribeirinha. o tanque das lavadeiras de Alfama ou a Bica do Sapato. menos abundantes. ou que vieram a abastecer o chafariz do Rossio. Posteriormente outros foram edificados na mesma zona. eram um povo de avançada civilização. aí terão construído dispositivos . virá a propor a sua reconstrução. ou os banhos do Batista ou os da D. estas só mais tarde analisadas. certamente satisfeitos com os recursos locais. obra da autoria de Francisco da Fonseca Henriques. muito superior à temperatura das águas existentes nas nascentes do termo de Lisboa.Chafariz d'El Rei 1. também as necessidades de água diminuíram face. Fig. em Évora. como as que. Também os estabelecimentos termais merecem referência. aqueduto cujo regimento servirá de modelo para o que se virá a construir em Lisboa no século XVIII. Dinis. Fig. nos mananciais das camadas profundas do Terciário da colina do castelo. designadas normalmente por águas orientais. da ordem dos 22 a 24°. Os Romanos. e o próprio nome de Alfama dado ao local é reminiscência das nascentes de água termais que aí se encontram. João III em 1531. durante a sua ocupação. e em Roma o abastecimento era feito por um conjunto de aquedutos ainda em funcionamento nos tempos modernos. por outro. e reedificado pelo rei D. ou dos Cavalos.4 Propostas para a reconstrução do aqueduto romano O aumento da população da cidade. publicada em 1726. entre as quais o aqueduto que abastecia Lisboa. estando. em 1572. incluídas no Aquilégio Medicinal.mas pelo testemunho que dele dão vários autores a partir do século XVI. mas também aqui em Lisboa e em muitas outras cidades do Império. apenas se conhecem pequenos vestígios de aqueduto no sítio do Almarjão. não apenas em Roma. ou das outras águas então conhecidas e que cedo vieram a ser exploradas. que irão surgir. por um lado. Em Portugal há que referir.para além do que resta da barragem. quer nas nascentes de Monsanto. cedo arrastou consigo a falta de água. e que proporcionariam uma capitação largamente superior a 500 litros/dia/habitante. apareciam no Arsenal da Marinha. devido a tal facto.C. o aqueduto romano da Água da Prata. com uma grande tradição de utilização da água. .para a recolha das águas. aos diferentes hábitos de consumo dos invasores. mais a ocidente. 1 . em oposição às águas do futuro sistema das Águas Livres.Ruínas da barragem romana de Olisipo A evidência do aqueduto romano chega-nos não pelos seus vestígios materiais.

no dia em que visitaram Sintra. como dio antigamente. 273. de governação. Face a todos estes ataques. transmitido por um grande número de arquitectos que em Mafra desenvolveram as suas escolas. numa direcção conjunta com o arquitecto Silva Pais e o engenheiro Azevedo Fortes. há muita correspondência trocada entre Madrid e Lisboa. em 12 de Maio de 1731. E tudo apontava para a reconstrução do aqueduto romano. pois após a estadia do rei na cidade. a San Roche. também Francisco de Olanda. Do século XVII somente tinham ficado intenções. refere. enterradas. 1. pequenas obras pontuais que não solucionavam as dificuldades da cidade. ficariam entupidos pelos sedimentos arrastados por esta. Assim. e acusa mesmo Canevari de não estar a medir correctamente os nivelamentos dos terrenos. dando assim prioridade à obra pública. terá seguido de perto o traçado do antigo aqueduto romano. imposto pago nos géneros de primeira necessidade. Lisboa Oriental e Lisboa Ocidental. encontrando o italiano valores inferiores aos do português. seria a cidade do poder. Canevari regressa a Itália e Manuel da Maia é encarregado. viria a ser construído um novo palácio real e uma nova basílica patriarcal. e que denotavam a consciência clara da necessidade de aproveitar a água de diversas nascentes. possibilitada pela afluência do ouro do Brasil à metrópole. o Alvará onde mandava dar início à obra do aqueduto. No entanto. Era o coroar de toda uma política de grandeza e protecção às artes. na sua obra Da fábrica que falece à cidade de Lisboa. uma nova Roma cheia de palácios e monumentos. Os incêndios que a seguir ao Terramoto de 1755 destruíram o Paço da Ribeira não nos permitem conhecer o projecto inicial. João V se veio a resolver o problema da falta de água em Lisboa com a construção do Aqueduto das Águas Livres. projectos no papel. a obra mal feita. e aí. em Agosto de 1732. cada uma com o seu bispo e os seus órgãos 1 Veloso de Andrade. João V encomenda ao arquitecto italiano Filipe Juvarra. de assumir a condução dos trabalhos. entre os vários caminhos possíveis para a condução da água livre a Lisboa. arquitecto que acompanhou o rei e que com ele. Sebastião. na esperança de vir a assumir a direcção das obras. já que Leonardo Torreano. Manuel da Maia e Canevari divergiam também na forma de medição da produção das nascentes. és por el aqueducto antigo de los Romanos. e por todo um saber trazido de outros países. publicada em 1572 e dirigida ao rei D. Memória sobre Chafarizes Fontes e Bicas. do arquitecto Tinoco. Cláudio Gorgel do Amaral. O projecto acabou por não se concretizar devido à restauração da independência de Portugal em 1640 e ao longo período de guerra com a Espanha. podemos concluir com bastante segurança que Canevari pretenderia conduzir as águas até Lisboa sob pressão. aplicando o princípio dos vasos comunicantes. no dia 29 de Junho de 1619. o rei veio a publicar. 13 . na zona da barragem romana. já que os mananciais disponíveis eram os da zona oriental. posteriormente os caudais do Aqueduto seriam aumentados com a água de outras nascentes. pues abra quantidad bastante pera ella"1. tendo o Senado de Lisboa arrecadado mais de seiscentos mil cruzados. onde se situava o Paço da Ribeira. na época designados por "canos de repucho". a da Água Livre. os quais. sinal de que havia uma intenção clara de se solucionar o problema da falta de água. que era mesmo a mais abundante. quando da sua entrada em Lisboa. que "el quarto y ultimo camino.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa À semelhança daquilo que se fazia um pouco por todo o lado onde a influência dos Romanos se fizera sentir. Manuel da Maia abandona as várias frentes de trabalho abertas por Canevari. examinou a barragem romana e as nascentes vizinhas. porém.5 O Aqueduto das Águas Livres Apenas no reinado de D. aqueduto que. A cidade ocidental. João V dividiu a cidade de Lisboa em duas cidades independentes. na zona da actual Estrela. que era Filipe II em Portugal. suficientes para a concretização do projecto. Em 15 de Janeiro de 1717 D. No entanto. Manuel da Maia contrapõe que os canos de repucho não suportariam a pressão da água. por conseguinte. em tudo semelhantes aos actuais sifões. vieram a ser gastos nas festas que a cidade organizou em honra do rei Filipe III de Espanha. p. dirigido pelo arquitecto italiano António Canevari. muito embora se tivesse aprofundado o conhecimento relativo às nascentes que alimentavam a bacia hidrográfica dos vales de Carenque e da Quintã. durante o qual não havia condições para se desviar recursos financeiros para uma obra desta envergadura. de alguma forma. Contudo. já constatados como insuficientes para as necessidades. conhecimento patente no Roteiro das águas de Montemor e Caneças. e muda-se para uma outra nascente. projecto que D. propõe a reconstrução da barragem romana de Olisipo e do seu aqueduto. ficando. sobretudo de Itália. das críticas que lhe são feitas pelo português Manuel da Maia numa série de considerandos técnicos dirigidos ao Rei. e por insistência do Procurador da cidade ocidental. a obra ia realizar-se. Para custear a obra foi lançado mais tarde o real d'água. Havia que chegar rapidamente com água a Lisboa. em prejuízo do projecto do novo palácio real. esta cidade nova continuaria a depender da cidade antiga e dos seus chafarizes no que respeita ao abastecimento de água. y sobre la puerta de Santo Andres. em canalizações fechadas. rebentando e deixando a cidade sem água. el qual por ir mas alto dies palmos que el de la estrada puede dar Agoa a ambas partes de la Ciudad.

Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa

sozinho na direcção face à partida para o Brasil de Silva Pais, e à frequente ausência de Azevedo Fortes, engenheiro-mor do reino. Por outro havia divergências de opiniões acerca do local para a travessia do Vale de Alcântara. Manuel da Maia, certamente, construiria um aqueduto menos monumental, atravessando o vale numa zona menos profunda, provavelmente por Palhavã, para atingir S. Pedro de Alcântara, às portas do Bairro Alto, onde entretanto haviam começado as obras para a construção do reservatório de chegada das águas. Em cena estava um outro arquitecto, Custódio Vieira, que já vinha acompanhando os trabalhos desde o início, pois participara em reuniões e medições diversas, e que tinha uma solução diferente, a construção de uma série monumental de arcos a atravessar o vale na sua parte mais profunda. Era um projecto mais arrojado, mais ao gosto do rei, e que apontava para uma zona mais alta, para onde a cidade estava a crescer.

Fig. 3 - Mãe d'Água Velha - Nascente da Água Livre. Local onde Manuel da Maia iniciou os seus trabalhos.

Muito embora Manuel da Maia conhecesse o princípio dos vasos comunicantes, vai construir um aqueduto através do qual a água vai chegar a Lisboa apenas movida pela gravidade, deslizando em caleiras de pedra abertas. Maia opta pela construção de duas caleiras, separadas por um passeio central, pois que, para uma boa manutenção do Aqueduto, tornar-se-ia necessário limpar frequentemente as caleiras, e assim, com duas, a condução da água não seria interrompida.

Fig. 5 - Arcaria do Vale de Alcântara

Fig. 4 - Caleiras separadas pelo passeio central

Relativamente aos materiais a utilizar nas canalizações, rejeita o chumbo, que dava más características à água, tal como rejeita o ferro, que, na época, ainda não apresentava uma qualidade suficiente para esta finalidade, e todos os outros materiais à excepção da pedra calcária, abundante em toda a região onde se vai desenvolver a construção do Aqueduto. Em 1736 já se trabalhava no Aqueduto em Monsanto, no sítio das Três Cruzes, caindo então a obra num impasse. Por um lado, Manuel da Maia encontrava-se praticamente

A transferência da direcção das obras para este novo arquitecto é determinante para a evolução da cidade. Abandona-se a obra de S. Pedro de Alcântara e escolhe-se a confluência do Rato, próximo da qual novos pólos urbanos se vinham desenvolvendo junto aos conventos, para a nova localização do reservatório. Aliás, podemos constatar hoje, pelos desenvolvimentos ulteriores do sistema, das vantagens desta nova localização do reservatório e desta nova inflexão do Aqueduto, que possibilitou a extensão dos seus ramais de distribuição para a Boa Morte, em Alcântara, zona próxima da qual surgirá o palácio das Necessidades, e para o Campo de Santana e Intendente, quase a tocar a colina do Castelo, onde outrora o aqueduto romano terá chegado. Vieira não chega a ver a água entrar em Lisboa, ela só chegará em 3 de Outubro de 1744, já após a sua morte, estando a obra a ser dirigida interinamente pelo capitão Rodrigues Franco. A entrada de Carlos Mardel na direcção das obras do Aqueduto terá lugar logo de seguida, devendo-se a este

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arquitecto, de origem húngara, o desenvolvimento da distribuição da água na cidade, a partir do reservatório da Mãe d'Água das Amoreiras, cujo projecto se lhe deve, bem como o de diversos chafarizes e dos arcos monumentais da Rua das Amoreiras, que celebra a obra, e da Rua de S. Bento, este desmontado para alargamento da entrada na praça fronteira ao palácio, e mais tarde reconstruído na Praça de Espanha.

faziam a manutenção do sistema e geriam os caudais do Aqueduto, e um exército de cerca de 3000 aguadeiros que, organizados em companhias, vendiam água ao domicílio e igualmente combatiam os incêndios que devastavam a cidade. A gestão dos caudais no Aqueduto apresenta alguns aspectos que devem aqui merecer a nossa atenção, e à luz dos quais também temos que fazer uma leitura das soluções técnicas e arquitectónicas adoptadas para o efeito. Já foi atrás referida a diversidade das águas no que respeita às suas características físico-químicas. Umas, fortemente calcárias, como as da nascente da Água Livre, na Mãe d'Água Velha, provocavam, pela precipitação do calcário, incrustações que era necessário remover periodicamente, raspando as caleiras. De outras nascentes, situadas em camadas de grés e arenitos, a água arrastava sedimentos que a turvavam. Aqui era necessário proceder à sua decantação, pelo que, em diversas clarabóias, encontramos bacias redondas onde a água perde velocidade, depositando-se os sedimentos no fundo. Também junto de cada janela, agora mais rasgadas face a uma maior necessidade de laboração, bacias rectangulares desempenhavam idênticas funções, bem como as de quebrar a velocidade da água.

Fig. 6 - Reservatório da Mãe d´Água das Amoreiras

O sistema do Aqueduto das Águas Livres, onde, num aqueduto com cerca de 14 quilómetros de extensão, entroncam aquedutos que reúnem águas de sessenta nascentes, num total de aproximadamente 58 quilómetros de aquedutos, incluindo os de distribuição na cidade, foi dado por concluído em 1799, quando foi dissolvida a última sociedade de mestres pedreiros, empreiteiros da obra. Dada a tecnologia utilizada de condução da água em caleira aberta, o Aqueduto condicionou a forma de abastecimento a uma rede de chafarizes que se foram construindo até quase meados do século XIX, rede esta que, por sua vez, condiciona o próprio crescimento da cidade. Lisboa estende-se então, dos Barbadinhos, onde na zona ribeirinha corriam as águas orientais, até Alcântara, onde vemos o chafariz da Praça da Armada, e, para norte, seguindo as encostas do Vale de Alcântara, os chafarizes das Necessidades e do Arco do Carvalhão, este já a chegar ao alto de Campolide, lhe delimitavam o perímetro. Ainda nos limites norte da cidade, mais para leste, encontramos os chafarizes de S. Sebastião da Pedreira, Cruz do Tabuado, Campo de Santana e Intendente. Dentro deste perímetro, os chafarizes que se construíram (Rato, Carmo, Loreto e outros) eram, além de fontes de abastecimento, elementos de ordenamento urbano que tornavam as praças onde eram colocados em pontos de encontro, locais de convívio. Em pleno século XIX, a "indústria da água", aplicando aqui, num período de proto-industrialização, um conceito contemporâneo, empregava uma equipa de 60 homens que

Fig. 7 - Bacia de decantação redonda

Normalmente, nos vértices, as bacias apresentam dimensões superiores, o que permite evitar que a água transborde. Regra geral, no Aqueduto não há galerias em curva, antes uma sucessão de segmentos de recta. Nos poucos locais onde a solução adoptada pelo arquitecto foi a de construir aqueduto em curva, aí o passeio central sobe, afundando, consequentemente, as caleiras. Na cidade iam-se generalizando os abastecimentos privados. De um lado, os proprietários de águas nas zonas atravessadas pelo Aqueduto que, para receberem água no seu palácio ou convento, em Lisboa, construíam, à sua custa,

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Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa

aquedutos ligando as suas nascentes a um dos aquedutos do sistema. Depois, em Lisboa, de um aqueduto de distribuição, partia uma canalização, agora fechada, aferida para três quartos de um débito diário calculado como sendo a sua produção, valor obtido a partir da medição da produção das suas nascentes ao longo de vários meses do ano. De outro lado havia os estabelecimentos públicos que passaram a receber directamente água do Aqueduto, bem como outros particulares ou ordens religiosas, beneficiários de concessões de água, quer traduzidas em caudais determinados, quer em sobejos dos chafarizes. Entre estas entidades, são de notar as indústrias que despontavam, como o caso da Real Fábrica das Sedas, cuja localização próxima do Aqueduto é determinante para o desenvolvimento do bairro das Amoreiras. Havia ainda os jardins públicos, agora tornados possíveis, que recebiam água directamente do Aqueduto, como o Passeio Público e o Passeio da Estrela, este com um aqueduto que, saído do Aqueduto das Janelas Verdes, aí conduzia a água, o outro recebendo-a a partir da mesma galeria que abastecia o chafariz da Cotovia. Para a gestão de todo este sistema vemos, nos aquedutos de distribuição, não apenas caleiras abertas, mas também canalizações fechadas, com algumas pedras amovíveis para se poder limpar o seu interior, colocadas frequentemente em paralelo com as caleiras abertas, a fim de, a partir de bacias intermédias, como a pia do Penalva, no cruzamento da Rua Formosa (hoje Rua do Século), ou a pia do Teotónio, próximo do Arco das Amoreiras, a água ser conduzida com pressão, aplicando-se o princípio dos vasos comunicantes, por forma a possibilitar a sua chegada a pontos mais elevados. Exemplos disso são as colunas ascensionais que permitiam a subida da água às bicas dos chafarizes.
Fig. 9 - Chafariz do Carmo

Do grande reservatório da Mãe d'Água das Amoreiras apenas saía água para os chafarizes abastecidos pelo Aqueduto da Esperança e para o chafariz do Rato. Para os chafarizes da linha do Loreto a água descia mais atrás, por um pilar de um dos últimos arcos, seguindo em canalização fechada, sob pressão. Se assim não fosse, e de acordo com Veloso de Andrade, "se deste Depósito corresse para os dez Chafarizes acima mencionados, só a água que ele contém, ficaria despejado em seis dias"2. Para controlar todo este sistema havia que possuir um exacto conhecimento das dotações atribuídas aos diversos consumidores privilegiados, proprietários de água ou não, da água que corria para os chafarizes e da que era produzida pelas nascentes. Em média chegavam a Lisboa 3500 m³ de água por dia, baixando os caudais a cerca de metade desse valor durante a estiagem. Porém, nos meses de abundância, a produção das nascentes era largamente superior à capacidade de vazão do Aqueduto. Assim, tornava-se necessário regular os caudais, devolvendo a água às ribeiras em desaguadouros estrategicamente colocados ao longo dos diversos aquedutos, diminuindo ou eliminando o caudal das caleiras, para que a água de outra nascente pudesse entrar no circuito num entroncamento situado a jusante. Havia também que eliminar, através destes desaguadouros, águas turvas a seguir a fortes chuvadas, ou que se soubesse ou houvesse suspeitas de estarem contaminadas. Daqui resultava a manutenção equilibrada dos cursos de água naturais, naquilo a que hoje se aplica a designação de desenvolvimento sustentável.

Fig. 8 - Coluna ascensional do chafariz do Carmo

2

Veloso de Andrade, o. cit., p. 330.

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1.6 Os projectos de Pezerat face à falta de água no século XIX
A situação em Lisboa, nos meados do século XIX, tornou-se dramática, não atingindo, na estiagem, a água aduzida pelo Aqueduto, em que haviam sido dispendidos, até 1799, mais de cinco mil e duzentos contos de reis, uma capitação superior a 6 ou 7 litros/dia/habitante, para uma população que rondaria os 300.000 habitantes. Em 1852 o Engenheiro Pezerat, da Câmara Municipal de Lisboa, apresentou diversos planos no sentido de se aumentar os volumes de águas disponíveis. No que se refere às águas orientais, poder-se-ia evitar a sua perda para o Tejo represando-as na zona ribeirinha e elevando-as aí, com máquinas a vapor, para um reservatório a edificar em Santa Luzia. Pezerat estima em 790 m³ diários a quantidade de água que assim se poderia aproveitar, prevendo, para esta obra, um custo de 111:573$000 reis. Relativamente às águas altas, projecta a construção de uma grande reserva de água no vale da Quintã, com uma capacidade prevista de 1 300 000 m³, destinada a armazenar, no Inverno, água que poderia ser utilizada na estiagem, reduzindo desta forma a sua carência na cidade. Desta albufeira, onde os lodos se depositariam, a água passaria por um sistema de filtros de areia para outra, construída mais abaixo, no vale de Carenque, próximo da Mãe d'Água Velha. Esta água, purificada, e por um processo de sifonagem, entraria no Aqueduto, chegando desta forma à cidade. Para este sistema de barragens prevê Pezerat um orçamento de 88:689$940 reis.

1.7 A 1ª. Companhia das Águas (1856) e o começo do abastecimento domiciliário
Em 20 de Julho de 1855 foi o Governo autorizado a contratar em concurso público o fornecimento das águas precisas para o abastecimento de Lisboa, na sequência de idênticas diligências que tiveram lugar anteriormente, mas que não haviam conduzido a nenhuma solução. Em 1855, e antes do referido concurso, uma empresa constituída pelos ingleses Duarte Meddlicot e Thomas Rumball efectua um contrato provisório com o Governo, contrato este que não podia, no entanto, ser ratificado sem o respectivo concurso público. Quem veio a ganhar efectivamente o concurso foi a outra empresa concorrente, que tinha como directores Alberto Carlos Cerqueira de Faria, Filipe Folque e Bento Coelho da Fonseca, estabelecendo-se em 1856 e firmando o contrato com o Governo em 29 de Setembro de 1858, tomando-se como base para as condições do contrato a população da cidade em 220.000 habitantes. Nascia, assim, a Companhia da Empresa das Águas de Lisboa (1ª. Companhia). A Companhia vai recorrer aos serviços do engenheiro francês Mary, de Paris, que organiza diversos planos no sentido de aumentar a capacidade de produção do sistema do Aqueduto e desenvolve projectos para o início do abastecimento domiciliário na cidade. Contudo, e apesar de a utilização de máquinas a vapor já ser corrente um pouco por toda a Europa, utilizando-se já as "pompes à feu" em Paris no século XVII para elevação da água, Mary não vai utilizar máquinas em Lisboa, vai antes aplicar unicamente o princípio dos vasos comunicantes, agora, porém, com a utilização de sifões de ferro fundido. No que diz respeito à captação de águas, Mary vai construir um novo aqueduto subsidiário do Aqueduto das Águas Livres, o Aqueduto da Mata, que traz ao principal as águas de Belas, do Brouco, Vale de Lobos e Vale de Figueira. Por outro lado, são nessa época continuados os trabalhos no Aqueduto das Francesas, para se trazerem a Lisboa as águas da Serra de Carnaxide. Nesta matéria a Companhia despreza a opinião do geólogo General Carlos Ribeiro, favorável à captação de água no Tejo, a montante de Santarém. Relativamente à distribuição, Mary divide a cidade em três zonas altimétricas, baixa, média e alta, e estabelece uma rede de reservatórios para regularizar a distribuição de forma a ter pressões constantes e suportáveis pelas canalizações. Assim, na parte ocidental da cidade, para a zona alta, no alto de Campolide, constrói o reservatório do Pombal, a zona média virá a ser abastecida pelo reservatório do Arco, situado um pouco acima do Arco das Amoreiras, e para a zona baixa será construído o reservatório da Patriarcal, no subsolo da Praça do Príncipe Real. A parte oriental da cidade será abastecida por duas cisternas, uma na igreja da Penha de França e outra na Graça, na cerca de S. Vicente.

Fig. 10 - Projecto de Pezerat para as reservas de águas nos vales da Quintã e Carenque

Os projectos de Pezerat acabaram por não ser concretizados dados os perigos que as reservas projectadas, a céu aberto, poderiam representar para a saúde pública. Por outro lado, em breve outras soluções iriam aparecer, com a constituição da 1ª. Companhia das Águas de Lisboa.

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procedimentos administrativos. era necessário dar elevação à água por meio de máquinas. que não chega a estudar exaustivamente a questão mas que entende que a água. O reservatório da Patriarcal era alimentado por um sifão colocado no Aqueduto do Loreto. Companhia das Águas o Governo. Mary projectou um sifão instalado dentro do Aqueduto das Águas Livres que. Entretanto. utilizando aqui o conceito desenvolvido por Thommas Hugges e que consiste na definição de cada tempo e cada sistema tecnológico como uma matriz cujos elementos componentes são o conhecimento científico e as técnicas. já que o contrato estipulava que todas as novas águas a serem aproveitadas não deveriam ser de qualidade inferior às do Aqueduto das Águas Livres. a gravidade para as fazer chegar a todos os pontos da cidade. e não conseguiu fornecer à cidade.8 A 2ª. Tal. apesar da adopção do princípio dos vasos comunicantes e do início do abastecimento domiciliário. mas também os aspectos sociais. pôs fim à Companhia. Para Carlos Ribeiro.Interior do reservatório da Patriarcal.. Porém foi a opção do Governo face à apreciação feita das águas do Tejo. o Tejo virá a ser a grande solução para o problema da falta de água em Lisboa. não terem viabilidade. Companhia não conseguiu vencer as dificuldades que se lhe depararam. e solicitando novo prorrogamento de prazo ao Governo. homem que pertencera à 1ª. contudo. e da Penha de França descia à Graça. económicos. introduzindo processos de depuração das águas que a tecnologia já possibilitava. Uma das propostas da Companhia incluídas no seu contrato era a da dupla canalização. nunca entre nós veio a ser posto em prática. mas que prolonga os seus efeito em momenta subsequentes. Toda a acção da Companhia insere-se no mesmo paradigma anterior. por Decreto de 23 de Junho de 1864. e dado outras possíveis opções. não se tendo. A captação de água na quantidade necessária para o abastecimento de Lisboa acarretaria graves prejuízos para a agricultura daquela região. foi 18 . através de uma galeria. Tal opinião veio a acelerar a rescisão unilateral do contrato por parte do Governo. matriz essa que tem raízes no momentum precedente. captada acima de Santarém. coadjuvado pelo Engenheiro Joaquim Pires de Sousa Gomes. porém. num outro estádio de desenvolvimento científico e tecnológico. Companhia. de cota suficientemente elevada na Porcalhota. o contrato entre o Governo e a nova companhia. Companhia das Águas e o Alviela No interregno entre a 1ª. irá desenvolver o projecto do Alviela. esgotou o seu capital nas obras. e perante as dificuldades da Câmara em satisfazer as necessidades da cidade. 11 . aliás. provavelmente no Arco do Cego. no Ministério das Obras Públicas. dado o "salto epistemológico" para um novo paradigma tecnológico. vendo-se ao fundo a galeria que o liga ao Aqueduto do Loreto Estes reservatórios recebiam água do Aqueduto. a quantidade de água a que se obrigara pelo contrato. de recorrer aos rios que as banhavam. Para abastecimento da zona alta. conseguia trazer água sob pressão ao reservatório do Pombal. continua a ser o do Aqueduto. e dar suporte à derradeira alternativa que a Companhia afinal possuía. poderia ser filtrada pelas camadas naturais do leito do rio e poderia. O desenvolvimento científico e tecnológico não havia ainda atingido um estádio que permitisse fundamentar e levar à prática as opiniões de Carlos Ribeiro. portanto. colocados. e estando esta acima da entrada das águas do Aqueduto. que o delimita a sul. era proposta pelo General Carlos Ribeiro e que a Companhia rejeitara. e outra de qualidade inferior para regas e lavagens. À semelhança do que se praticava em Paris. estando todo o sistema interligado por meio de sifões. O General Carlos Ribeiro não fora favorável à opção pelo Alviela. defende junto do Governo a solução da constituição de uma nova companhia. etc. de que Pinto Coelho será o Director. a partir daí. O projecto inicialmente delineado previa a condução das águas desde os Olhos de Água até um reservatório a construir numa zona alta fora da cidade. Já no final da sua curta existência. havendo que construir uma estação elevatória na zona das nascentes. dentro das galerias dos aquedutos do sistema das Águas Livres. Fig. Um século mais tarde. não reconheceu às águas do Tejo qualidade suficiente para serem introduzidas no abastecimento.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa O Governo. sempre que possível. como a das nascentes da serra de Sintra. O momentum tecnológico. porém. políticos. resolver por largos anos o problema da sua falta na cidade. o reservatório do Arco recebia directamente a água do Aqueduto. Para isto. Do Pombal saía água para a cisterna da Penha de França através de um sifão colocado no Aqueduto do Campo de Santana. e a 2ª. Na zona média. A 1ª. 1. Após várias diligências e negociações. hipótese que. funcionando. que. Carlos Zeferino Pinto Coelho. advogado e deputado conservador. a Companhia pensava estabelecer uma rede de distribuição de água de qualidade superior para consumo humano. e pela mão do Engenheiro Joaquim Nunes de Aguiar. nos prazos estipulados. a Companhia avançava com a hipótese de captar água no Tejo. a solução a adoptar seria semelhante àquela que outras grandes cidades haviam adoptado.

logo em 1868. para elevar para a Verónica. duas máquinas verticais de efeito duplo com dois cilindros. acabou por 19 . foi a da construção de um reservatório e de uma estação elevatória no sítio do antigo chafariz da Praia. engenheiros mecânicos estabelecidos em Ruão.900 m³ diários de água a uma altitude de 73 m acima do nível do poço de alimentação das bombas. não só no que se referia à deslocação das peças das máquinas. A construção do sistema não se deu sem sobressaltos. Porém.Entrada das águas no canal Alviela no recinto dos Olhos d'Água Embora o canal fosse mais extenso. Fig. o sistema decimal para as medidas lineares. O rigor e a universalidade necessários à industrialização demoraram bastante tempo a alcançar.obrigando os proprietários dos prédios acima de um determinado nível de rendimento. A primeira iniciativa da Companhia. as canalizações nas habitações. na Graça. e consumiam. no máximo. As máquinas eram alimentadas por três caldeiras de sistema vulgar. o que diminuía os custos do projecto. no fim. ideia já anteriormente defendida por Pezerat. Cada uma destas máquinas tinha uma capacidade de elevação de 1. no início da exploração. a Companhia decidiu trazer as águas livremente. de imediato. inclusive. correspondendo cada uma a uma superfície de aquecimento de 60 m². as águas orientais que se perdiam para o Tejo. O local escolhido para o reservatório de chegada e para a estação elevatória foi a cerca do convento dos Barbadinhos italianos. na periferia da cidade. contemplado no contrato. O objectivo principal da constituição da Companhia. era a concretização do projecto do Alviela. já que era necessário dar uma elevação de 54 m acima das nascentes para que a água conseguisse atingir a cidade no ponto pretendido. e aqui construir a estação que as elevava para as diferentes zonas a abastecer. denominada CAL . mas sobretudo face às eventuais avarias e consequentes necessidades de reparação das mesmas. a Companhia alterou o projecto inicial. menor necessidade de construção de obras de arte. ditas do sistema Woolf. trazendo consigo os projectos já iniciados. Fig. arrastando-se. computando-se.000 habitantes. à sua custa.Companhia das Águas de Lisboa. 12 . só em 1852 havia sido posto em vigor. incluindo a perda de carga. a construir. Cada máquina podia produzir uma força de cerca de 23 cavalos-vapor de água elevada. e havermos entrado no caminho da normalização das peças e acessórios utilizados no abastecimento. que leve os particulares a contratar o fornecimento de água . em Portugal. vindo a Companhia a ser declarada oficialmente constituída por Decreto de 2 de Abril de 1868. fornecendo à cidade um volume de água correspondente a uma capitação de 100 litros/dia/habitante. Havia que construir uma estação elevatória a cerca de 100 km de Lisboa. ou seja 30 cavalos-vapor sobre a árvore do volante. pela gravidade. havendo. uma expansão significativa do abastecimento domiciliário. essa expansão será inferior ao pretendido enquanto a Companhia não dispuser de um instrumento importante. e vai possibilitar. de expansão variável e de condensação. as vantagens deste novo projecto eram evidentes. na zona ribeirinha oriental. na Normandia. não podemos deixar de ter em consideração o facto de. a população a abastecer em cerca de 200.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa celebrado em 27 de Abril de 1867. haver já um comércio internacional de produtos industriais desenvolvido. Assim. por alguns anos.9 kg de carvão por hora e por força de cavalo-vapor. Quanto ao Alviela. Aliás. de 75 quilogrâmetros. mas em que à Companhia. a sua extensão às outras medidas.Máquina a vapor da Estação Elevatória da Praia Para esta estação a Companhia irá adquirir à casa Windsor & Fils. o que era algo de bastante complicado para a época. A introdução da máquina a vapor no abastecimento de água em Lisboa representava um passo importante na evolução desta indústria. Na análise desta fase de industrialização do abastecimento de água.o regulamento dos encanamentos particulares . questões de natureza política que dificilmente foram ultrapassadas. 13 . 1. De imediato os engenheiros Aguiar e Sousa Gomes ingressaram nos quadros da Companhia. agora. num aqueduto até Lisboa.

também do Pombal atingia a Penha de França. no Porto alguns anos mais tarde. a ser prorrogado o prazo de concessão pelo tempo de paragem das obras. na Graça. Cada uma das três máquinas deveria corresponder a uma força efectiva sobre a árvore do volante de 120 cavalos-vapor de 75 quilogrâmetros. tendo que enfrentar processos em tribunal.Máquina a vapor da Estação dos Barbadinhos Cada máquina accionava. A segunda e terceira máquinas deveriam elevar em conjunto um volume de 12. O carvão a utilizar deveria ser carvão inglês. que abastecia a zona baixa. havia diversos tipos de carvão de acordo com o tamanho.350 m³ por dia a 26 m de altura. à semelhança do que acontecera na estação da Praia. com dois grupos elevatórios. correspondendo. a Companhia.000 m³ em 24h a uma altura de 47 m. e sem o qual a Companhia não conseguiria garantir a sua sobrevivência económica. de efeito duplo. pois tal imposição representava um atentado contra as liberdades constitucionais. com geradores de vapor cilíndricos. de boa qualidade. para o reservatório da Verónica.Fachada da Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos As máquinas. passando a data do fim da concessão para 30 de Outubro de 1974. Fig. mais tarde. retomou as obras. Companhia. do sistema Woolf. para além das águas altas e das águas orientais. ou seja. vindo o sistema do Alviela a ser inaugurado em 3 de Outubro de 1880. Lisboa dispunha agora. quando veio a ter garantias de publicação do regulamento. a uma altura de 77 m. de Ruão. pelo menos.200 kg de carvão por hora e por cavalo-vapor de 75 quilogrâmetros. duas bombas verticais. ou seja. incluindo a perda de carga. cada um. Tratavam-se de máquinas verticais. instrumento previsto no contrato. 15 . para conseguir a aprovação do regulamento. Tratava-se da aprovação do regulamento das canalizações particulares. na zona média. através do sifão construído pela 1ª. acabou por parar as obras do Alviela em 1873. aproximadamente 83 litros de água por segundo cada máquina. incluindo a perda de carga. colocadas simetricamente em relação ao eixo do balanceiro. Fig. por exemplo. e o outro de simples expansão. elevando 5. certamente uma combustão mais rápida. a uma superfície de aquecimento de 90 m². sistema Worthington. elevando 10. A oposição da sociedade fez-se sentir contra um regulamento deste tipo. A estação elevatória foi inaugurada com três máquinas apenas. A primeira máquina destinava-se a elevar um volume de água de 10. que viria ser colocada em 1889. um de tríplice expansão. Ao fim de dois anos de batalhas judiciais. Um carvão mais miúdo teria. Estas máquinas eram alimentadas com o vapor produzido por duas caldeiras aqui-tubulares do tipo De Nayer. 20 . com. à semelhança do que iria acontecer. 45% de carvão graúdo3. em Lisboa. ficando o espaço para uma quarta máquina.000 m³. No que se refere à elevação da água. com dois cilindros. misturando-se com as águas altas do Aqueduto das Águas Livres. 3 No comércio. em contexto semelhante. Aqui. directamente através do balanceiro. de balanceiro. foram adquiridas à casa Windsor & Fils. dado que a Companhia havia já procedido às obras estipuladas no contrato de 1868. e havia que dispor de um instrumento legal que permitisse dar expansão ao desenvolvimento das infra-estruturas do abastecimento. Para a alimentação das máquinas foram adquiridas cinco caldeiras a vapor. 14 . acabando por ficarem sem efeito as sanções aplicadas à Companhia. e vindo. e uma menor superfície de aquecimento.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa ser dada plena razão. de onde a água ia por sifão ao reservatório do Arco. para a cisterna do Monte. para que ela chegasse à zona alta tornou-se necessário construir uma estação elevatória junto do reservatório do Arco. A quarta máquina veio a ser colocada na sequência de um novo contrato celebrado em 29 de Outubro de 1888.000 m³ em 24 h. Os construtores garantiam que o consumo de combustível não ultrapassaria 1. de um volume de 30. Dado que a água do Alviela agora chegava ao Arco e ao Pombal. e de expansão variável. aproximadamente 139 litros de água por segundo.000 m³ diários de água.

um conjunto de obras que permitissem expandir o abastecimento. gás e electricidade.471 habitantes. assentamento das canalizações necessárias para ligar os novos reservatórios. fora criado.10 As municipalizações do abastecimento de água e a sobrevivência da Companhia Após a constituição da Companhia. tinham-se.000 m³. a instabilidade continuou a fazer-se sentir. duplicando a sua capacidade para 12. já tínhamos 27. e em 1883. procurando resgatar a concessão. com a construção da Avenida da Liberdade e das Avenidas Novas. durante a Ditadura. Em 1885. baixava para níveis que punham em risco o abastecimento. A expansão da cidade não apenas pela anexação dos antigos concelhos. Guerra Mundial de 1914-18 e a consequente subida dos preços. no entanto.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa A expansão do abastecimento domiciliário tornou-se uma realidade. próximo de Sacavém.000 m³. não correspondeu às expectativas.000 m³ diários. No Congresso Nacional Municipalista. com sucessivas quedas do Governo. ligação dos reservatórios da Verónica e da Patriarcal por um sifão. Neste contrato. mesmo após a implantação da República. a Companhia. a água era fortemente mineralizada. portanto. que durou até 1921. Restava o caso de Lisboa. ideia que era defendida. sem poderes efectivos de regulação do sector. a cerca de 3 km da confluência do Alviela. três anos após a inauguração do Alviela. junto a Lisboa. Jerónimo. em 1870 a 4. A nível nacional. num movimento de municipalização. Se antes de 1868 apenas 143 consumidores tinham água canalizada. na zona de Bucelas. trouxe novamente situações de carência. com capacidade de 1. sendo algumas. estando a Companhia obrigada. com capacidade de 120. desde sociedades anónimas a sociedades em comandita ou em nome individual. com a municipalização do abastecimento de água do Porto. com a capacidade prevista para o de Santo Amaro. os engenheiros João Severo da Cunha e João Augusto Veiga da Cunha elaboram um projecto que visava a captação de água no Tejo. colocação da quarta máquina nos Barbadinhos. pelo contrato. como a do Porto. defendido teses no sentido da organização de serviços municipalizados de abastecimento de água. já num período em que se começam a sentir grandes dificuldades no abastecimento. estudo este que veio a ser realizado pelo Professor Ernest Fleury. caso da Compagnie Générale des Eaux pour l'Étranger. no Regueirão dos Anjos. Em 1915 foi encomendado ao Professor Choffat um estudo no sentido de se alterar o regime do Alviela nas nascentes. no entanto a dívida da Câmara pelo excesso de água consumida para além da dotação gratuita era elevada. do projecto de Ressano Garcia. a cidade ficou com uma população de 311. aliás. onde a Câmara desferia fortes ataques à Companhia. 4 1.9 O projecto de 1908 para captação de água no Tejo Em 1908. água essa que seria depurada em filtros rápidos no sítio da Nora Alta. com a anexação a Lisboa dos concelhos dos Olivais e de Belém. não havia condições para a Companhia avançar com este projecto. levar de vencida a contenda. surgiram diversas empresas privadas de abastecimento de água um pouco por todo o País.500 m³.000 m³. O País atravessava um período de grande instabilidade política e económica. e. pois o caudal do Rio Tejo. Dado que. Este Conselho. ampliação da capacidade de elevação da estação do Arco para 7. dando elevados prejuízos. a Companhia obrigava-se a construir um reservatório em Santo Amaro. Num novo contrato celebrado em 18 de Julho de 1898. pela mão do seu Director-Delegado Carlos Pereira. a Companhia decidiu proceder à montagem de uma moderna lavandaria industrial. e no Ministério das Obras Públicas. 21 . conseguiu. A falta de água era uma realidade que se agravava de ano para ano. a abastecer toda a cidade agora aumentada. por outro lado. no Verão. as dificuldades crescentes levam ao fim destas companhias.167 consumidores. levantavam-se objecções técnicas ao projecto. que vivamente desaconselhou tal hipótese. O reservatório de Campo de Ourique veio a ficar concluído em 1900. Porém. apenas um órgão consultivo. vindo o da Ajuda a ser construído em S.009. Por essa mesma altura. o Governo. em 1875 a 11. pelo General Augusto Pinto de Miranda Montenegro. em 1880 a 16. sem que houvesse lugar para a concretização efectiva de uma obra de grande envergadura que resolvesse definitivamente o problema. o Conselho dos Melhoramentos Sanitários. fiscal do Governo junto da Companhia. construção de um novo reservatório na Ajuda.540. Era necessário. ano em que. mas também pelo seu crescimento para norte. 1. não se tendo vindo a construir este último. Com o excesso de água que tinha.032. de estrangeiros. teses que vêm a ver a sua concretização em 1927. aliás. para abastecimento de água. no sítio da Boa Vista. proposta que foi rejeitada por carência de viabilidade técnica e económica. a custo. reservava para si o direito de elevar água no Tejo. o Engenheiro Jesus Palácio Ramillo apresentou à Companhia uma proposta que consistia na construção de uma albufeira no Rio Trancão. em 1900. foi sempre. e da negociação do novo contrato de 1888 constaram a construção do reservatório de Campo de Ourique. com a 1ª. no final desse ano o seu número passara a 260. a construção de mais um compartimento no do Pombal. para lavagens e para os esgotos da cidade. de 4. e. de 1922. e. iniciativa que. Para além disso. que dava à Companhia a exclusividade do abastecimento de água. se fecha este ciclo na indústria da água4.

000 m³ cada. movidas por motores Diesel pesados.Estação Elevatória dos Barbadinhos . Para a estação a vapor elaboraram-se mais tarde projectos para a sua adaptação a um conjunto de grupos elevatórios movidos por motores Diesel. tendo uma potência de. o do Arco e o de Campo de Ourique. para a Verónica. elevavam a água para os reservatórios da zona média.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa Entretanto. os dois últimos grupos. Finalmente. que fazia a fiscalização técnica e administrativa da CAL. Em 1931 foi a vez da substituição das máquinas a vapor da estação elevatória da Praia por uma bomba horizontal GANZ. pensava a Companhia. A produção da estação. através do Ministro das Obras Públicas. Engenheiro Duarte Pacheco. variando com o movimento das marés. Um grupo com a capacidade de 12.11 Duarte Pacheco e o contrato de 31 de Dezembro de 1932 O grande salto em frente. 17 . Com o novo contrato de concessão. Para este novo reservatório a água era elevada a partir dos Barbadinhos. elevavam para a zona alta. A nova estação albergava seis grupos elevatórios com bombas da fábrica francesa Rateau accionadas por motores suíços Brown Boveri. movida por um motor de 95 CV de potência efectiva. podendo elevar um volume de 11. não excedia os 2. para o Pombal. elevando para a zona baixa. Dada a sua cota de soleira ser mais elevada que o reservatório do Pombal. Em Novembro de 1943 a Comissão passou a designar-se por Comissão de Fiscalização das Águas de Lisboa.500 m³ diários. na realidade. bem como a construção de uma estação elevatória equipada com dois grupos. as nascentes das margens da ribeira da Ota. movidas por motores da também suíça fábrica Oerlikon. Em 1932 tem lugar a construção do reservatório elevado da Penha de França. com a capacidade elevatória unitária de 15. duas máquinas da fábrica suíça Sulzer.320 m³ diários a 73 m de altura. que não vieram a ser concretizados. na sequência do qual. valor médio. com a imposição pelo Governo. pelo Decreto nº.Construção do reservatório da Penha de França 1. verdadeira mudança de paradigma tecnológico. de 3 de Fevereiro de 1933.000 m³ diários. e a sua substituição por uma estação eléctrica. 22181.600 m³. para abastecimento da zona alta oriental. Nesta época já as máquinas eléctricas haviam dado entrada na distribuição. e cujos motores possuíam uma potência de 215 CV cada. com uma capacidade elevatória de 15. Duarte Pacheco vai criar condições de sobrevivência à Companhia. através da Penha de França regularizar também a zona alta ocidental. por um dos grupos da zona alta. comissão pertencente ao Ministério das Obras Públicas. 260 e 215 CV. o que. não veio a acontecer. possuíam uma potência unitária efectiva de 160 CV. e para obviar às carências que se faziam sentir. com a potência efectiva de 90 CV cada. Em 1928 terá lugar a desactivação da estação elevatória a vapor dos Barbadinhos.000 m³ cada. que lhe permitiam aumentar o caudal do Alviela em 8.Sala das Máquinas 22 . contudo. de um novo contrato de concessão à Companhia. vai-se dar a partir de 31 de Dezembro de 1932. Fig.000 m³ diários e outro de 9. a 82 m. Outros dois grupos. a Companhia lançou mão de novos recursos. com uma capacidade de elevação de 4. tinham sido colocadas em substituição das anteriores. com 600 m³ de capacidade.000 m³ diários.900 m³ diários cada uma. de bombas centrífugas e unicelulares. respectivamente. A altura da elevação era de 98 m. com uma potência efectiva de 90 CV cada. a 49 m de altura. deixando de ser aproveitada a partir de Julho de 1938 por impotabilidade da água. com a capacidade de elevação de 12. pois na estação do Arco. Estes trabalhos realizaram-se no decorrer do ano de 1925. em 1917. foi criada a Comissão de Fiscalização das Obras de Abastecimento de Água à Cidade de Lisboa. já que a produção das nascentes. 16 . baixava a níveis bastante reduzidos. na estiagem. resolvendo o diferendo com a Câmara através de mecanismos financeiros Fig.

autor do projecto de 1908. seriam feitas as obras necessárias para a elevação das águas do Tejo na Boa Vista e a sua introdução. diários. Embora na parte livre o canal tivesse uma capacidade de vazão da ordem dos 70.230 m³ cada. e Luís Veiga da Cunha. em canal próprio.Antigo sifão do Alviela sobre o Rio Trancão. uma estação elevatória que veio a ser equipada com dois grupos electro-bombas com a capacidade de elevação de 11. A obra foi entregue ao empreiteiro Waldemar Jara d'Orey. devendo-se os projectos aos Engenheiros João Severo da Cunha. Era possível captar apreciáveis caudais de água nas aluviões do Tejo.000 m³ de água diários. possuir uma única linha de sifões. 19 . utilizando-se toda a capacidade de vazão do canal. o facto de. e última fase consistia na ampliação da capacidade de produção em mais 50. em funcionamento a partir de 1960. apresentou uma proposta interessante ao Governo. em Sacavém. O programa de obras constantes do contrato estava dividido em quatro fases. seriam trazidos do Zêzere. a executar quando o consumo particular atingisse 24 milhões de m³. a executar quando o consumo particular atingisse 16 milhões de m³. em Lisboa. com uma albufeira com a capacidade de 30 milhões de m³. Depois de uma missão técnica dos engenheiros da Companhia a vários países estrangeiros. Fig. Ainda em 1933 surgiu uma proposta da International Water Company para a captação de 20 a 25. em Sacavém. 18 . na região do Carregado. A ideia inicial de captar água na Boa Vista acabou por ser adiada. após depuração mecânica. Por essa altura já o velho sifão de ferro sobre o Rio Trancão. Havia. com a abertura de mais três poços em 1949 embora apenas dois em regime normal de exploração. mas também das zonas atravessadas pelos canais e das zonas suburbanas. a uma altura de 28 m. o do Canal Tejo.000 m³. que poderia ser também utilizado para a produção de energia eléctrica. tendo dado lugar a um grande número de reclamações dos proprietários locais. A captação de Alenquer veio mais tarde a ser ampliada. armazenadas acima da confluência do Nabão. contudo as suas propostas. As águas do Tejo seriam beneficiadas com as águas do Zêzere. A construção do Canal Tejo começou por um primeiro troço entre Sacavém e o Carregado. construindo-se. que vai ser recebida com entusiasmo pelo Engenheiro Duarte Pacheco. a capacidade efectiva de transporte era da ordem dos 30. no sítio da Nora Alta. e introduzidos no Canal Tejo.000 m³ diários de água captada no Zêzere e introduzida no Canal Tejo. Na 1ª. A 4ª. Uma questão que houve que resolver de imediato foi a do aumento da capacidade de vazão do Canal Alviela. para o efeito. aliás. havia sido substituído por um sifão passando por debaixo do leito do rio. obra que foi executada logo em 1933. não ofereciam garantias efectivas quanto aos caudais indicados. A 2ª. mais 55. Em Sacavém. Esta fase deveria ficar concluída até ao fim de 1936.000 m³ nas camadas do Belaziano. 23 . por meio de cinco furos de 350 m de profundidade. e com uma nova estação elevatória. agora não só de Lisboa. a opção pela captação em poços de grandes profundidades torna-se uma realidade. Estas obras deveriam estar concluídas em Junho de 1933. fase compreendia as obras necessárias para aumentar a produção em mais 80. Para além disso vai dar condições à Companhia para construir um novo grande sistema tecnológico. correspondentes a quatro momentos de ampliação do abastecimento. fase.000 m³ diários. afastando de vez o fantasma da municipalização. pois a firma Layne & Co. A mesma companhia propunha-se igualmente captar água nos vales de Belas e Queluz. nas passagens dos vales.Construção de uma conduta forçada no Canal Tejo Fig. portanto. Na 3ª. Quinta do Campo e na Lezíria. já no projecto de 1908 estava prevista a filtragem das águas. seria construído um dique. para o efeito. próximo de Alcanhões. e uma potência de 70 CV. que construir uma segunda linha de sifões.000 m³. e. havendo que criar formas de indemnização pelos prejuízos causados. A captação das águas de Alenquer provocou o abaixamento do nível das águas nos poços.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa para a liquidação das dívidas desta pelo excesso de consumo. fase. além de onerosas. no Alviela. Espadanal. Em 1933 o caudal do Canal Alviela foi reforçado com as águas de Alenquer.

Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa A adjudicação da construção dos poços acabou por ser feita à firma alemã Johann Keller. iniciativa da Comissão de Fiscalização das Águas de Lisboa. dos quadros da CAL.12 Os problemas da qualidade das águas Em breve houve que proceder ao tratamento das águas. a própria colocação dos grupos elevatórios. tornava-se necessário proceder à desinfecção das águas. com sucessivas actualizações. Professor Ricardo Jorge. Projecto do Arquitecto Carlos Rebelo de Andrade. e. Além desta firma. mas de uma forma sistemática e preventiva. da Alameda de D. A utilização do cloro levantou graves problemas. da ordem dos 250. foi objecto de um processo contínuo. pois da reacção do cloro com o alcatrão que revestia o interior dos tubos resultava a formação de clorofenóis que davam à água um sabor a fénico. Os primeiros ensaios sistemáticos de cloragem das águas. Um estudo de 1939 havia determinado já a capacidade elevatória exigida à estação. A partir daí o processo de desinfecção das águas foi-se expandindo. Olivais. aparelho que havia sido concebido por Bunau-Varilla e modificado pelo técnico Bernardino Gomes de Pinho. 20 . celebra a chegada das águas do Tejo à cidade. 1. monumento que. a inauguração das suas instalações definitivas veio a ter lugar em 31 de Maio de 1948. próximo de Vila Nova da Rainha. na Quinta da Ché. Fig. em 1913. em 1897. havia sido construída a estação elevatória. e a necessidade de assegurar a sua potabilidade. temos a adjudicação à firma americana R. 21 . Iniciando-se em barracões provisórios. que continua ainda no presente. que apresentava condições mais vantajosas.000 m³ diários. Estes problemas vieram a ser ultrapassados com o aperfeiçoamento de um aparelho doseador do cloro na água. W. Por outro lado. como Rebelo de Andrade. a cloragem das águas não apenas em caso de epidemias. sendo em França utilizada uma solução de cloro. Herbard da construção experimental de um poço na Quinta do Campo. Os equipamentos das diversas estações elevatórias dos poços apresentam características diferentes dos das outras estações. O higienista português.Captação de água . chegou mesmo a defender em meios internacionais. dadas as suas dimensões.Grupo moto-bomba dum poço Entretanto em Lisboa. 22 .Quadro eléctrico de comando e controlo da Estação Elevatória dos Olivais Fig. em número de doze. a água de Javel. face a uma série de epidemias de febres tifóides. junto ao reservatório de chegada das águas do Canal Tejo. Afonso Henriques. nela vemos a intervenção de Jorge Barradas. tiveram lugar na cidade americana de Maidstone. dados os conhecimentos entretanto adquiridos sobre as suas características. fachada principal 24 . Fig. estas águas deixavam sedimentos de ferro e manganés nas condutas. ligados aos tubos de aspiração das águas. pois. sendo os grupos elevatórios de eixo vertical. escultor que também.Estação Elevatória dos Olivais. ao contrário do que inicialmente se observara. por ocasião de febres. tem o seu nome ligado à Fonte Monumental. tubos estes com dispositivos de filtragem nas suas paredes internas.

a CAL decidiu. No entanto. como constatam o químico Hugo Mastbaum e o geólogo Paul Choffat. começou por meio de uma estação piloto. desafectar por completo do abastecimento o Aqueduto das Águas Livres.Construção da torre de captação de água na Barragem de Castelo de Bode Na década de 40 tornou-se necessário projectar duas estações de tratamento para as águas do Aqueduto das Águas Livres. com uma capacidade diária de 100. e porque os custos de tratamento fossem bastante elevados face à pouca quantidade de água. Na sequência de todo este progresso tecnológico.Laboratório Bacteriológico da Companhia das Águas de Lisboa Fig. Caso isso não tivesse sido feito. execução. já em 1963 estava em funcionamento. águas cujo aproveitamento foi por diversas vezes defendido pelo Engenheiro Veiga da Cunha.ETA de Vale da Pedra 25 . uma vez que o abastecimento e a melhoria substancial das condições de salubridade arrastara um aumento significativo da população a abastecer. a água das nascentes já não precisava de ser deitada fora através dos descarregadores. pois este continuava a ser parte dos sistemas de abastecimento de Lisboa. uma na Amadora e outra na Buraca. A opção clara da Companhia foi pelo Tejo. 25 .13 As duas opções em confronto .Tejo ou Zêzere Como já atrás ficou dito. Em 1959 arrancou o projecto para a estação definitiva. captadas na Boa Vista. a primeira opção do contrato de 1932 era pelas águas do Tejo. e que funcionou durante um ano. Fig. a captação das águas das aluviões do Tejo veio a alterar profundamente os projectos de desenvolvimento do abastecimento de água. no dique de Valada.000 m³. onde a água é decantada. fornecendo água de boa qualidade a Lisboa. 1.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa Fig. que veio a ser inaugurada em 8 de Junho de 1965 com três grupos elevatórios. menos mineralizadas. Como também foi referido. em 1949. com correcção posterior em postos de cloragem dispersos pela rede de distribuição. com a barragem cheia. muito embora tivesse uma produção reduzida. 24 . e finalmente desinfectada por meio de cloro. dos projectos de obras fazia parte uma clara opção pelas águas do Zêzere. onde as águas do mar já não fazem sentir os seus efeitos. A determinada altura tornava-se necessária uma solução para o problema da falta de água. construída em 1958. na barragem do Castelo do Bode. o passeio central do Aqueduto chegou a ser utilizado também como caleira. com uma capacidade de produção de 240. filtrada e sujeita ao processo da floculação por meio de reagentes. Porém. ou até mesmo impossível. Com o tratamento. construída pela firma Degrémont. tal obra seria de muito mais difícil. iniciativa do Engenheiro José Frederico Ulrich. A água é elevada para uma estação de tratamento. construída durante as obras de construção da barragem. A estação de tratamento de Vale da Pedra. em Vale da Pedra. 23 . em 1967. mais tarde. e. lá estava a torre de captação de água. e que corrigiriam a excessiva mineralização das águas do Tejo. em períodos de carência. aspecto ainda mais agravado com a expansão do abastecimento para os concelhos limítrofes. Algumas das suas nascentes já estavam inquinadas no século XIX. A captação de água no Tejo.000 m³ diários.

Barragem do Castelo de Bode 1. e a serem conduzidas a Lisboa em adutor próprio. sido abandonados. a CAL vai poder abastecer uma área muito mais vasta. Os estudos relativos ao aproveitamento das águas do Zêzere não haviam. que o ministro José Frederico Ulrich mandou fazer. que. abandonadas as águas do Zêzere. como a execução de mais poços nos mouchões do Tejo. ano em que termina a concessão da Companhia das Águas de Lisboa". uma central elevatória situada a jusante da barragem. a braços com nova crise de falta de água. média. em Lisboa. inviável no curto prazo.000 m³ diários. na albufeira do Castelo do Bode. projecto a ser "objecto de um estudo profundo. da Química. 62 m .000 m³ por dia.40 m. Em 1986 foi o subsistema inaugurado com uma capacidade de produção de 375. uma estação de tratamento na Asseiceira. Em 1959 a CAL. será criada a zona limite. afirmava: "Lá está no Zêzere a torre de tomada de água. que a Companhia abastece em alta. e 95 m . Também em Lisboa o crescimento urbano se fez sentir. dar meio milhão de m³ diários. a concessão da CAL terminou em 30 de Outubro de 1974. pois os exemplos bem conhecidos estão por toda a parte e o assunto foi já largamente debatido para não se discutir a necessidade da sua filtração". de onde a água é elevada para Telheiras. feito em tempo útil. a dividira. com esta 2ª. às zonas baixa. conforme os estudos mencionados referem. mais tarde. para o Zêzere. com pleno desenvolvimento das técnicas possibilitadas pelo conhecimento da Física. sucedendo-se os contratos com as Câmaras limítrofes. publicado em Junho de 1962. vai ter que se virar. a CAL encarasse outras hipóteses no curto prazo. 26 . o projecto veio a ser concretizado apenas a partir de 1975. O parecer do Conselho Superior de Obras Públicas exarado no projecto da captação Tejo de Valada apontava mesmo para o Castelo do Bode. a captação na albufeira não seria viável por impossibilidade de construção das fundações da torre. no século XIX. a EPAL. poderia. à semelhança do que sucedera no Estudo Prévio para Ampliação do Abastecimento de Água à Cidade de Lisboa.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa 1. mas também motor de desenvolvimento económico e industrial.120 m. 40 m . e a cidade tem agora quatro andares. para permitir o início da sua realização por volta de 1970 e a sua entrada em serviço quando ficar saturada a capacidade de transporte do Canal do Tejo. sendo composto pela torre de captação. definitivamente. fase. agora com a componente "tratamento de água" a contribuir para a função "abastecimento de água". O Zêzere. Não foram. o que se deve verificar em 1974. Objecto de estudos posteriores. pois a água não é elemento vital apenas para o consumo humano. vendendo depois estas a água aos consumidores particulares através dos seus Serviços Municipalizados. respectivamente. agora completa. em vez dos três em que. 26 . ainda em 1970. Mas ir ao Zêzere são mais 50 quilómetros e não se julgue que a água da albufeira não necessitaria tratamento. sendo-lhe dado especial relevo no Plano Geral de Abastecimento de Água à Região de Lisboa. pois. São eles delimitados pelas curvas de nível de 0 m . no projecto que elaborara para a construção da captação de água do Tejo em Valada. com a opção Tejo. Acima dos 120 m. alta e superior. dando esta companhia lugar a uma empresa pública. O progresso verificado acelerou a consequente expansão urbana e industrial em toda a região de Lisboa. Com esta divisão garantia-se uma altura piezométrica mínima de 30 m. e um adutor que conduz a água a uma central elevatória construída em Vila Franca de Xira.62 m. da Geologia. correspondentes. mais tarde. Fig. Mary.15 A EPAL e o Castelo do Bode Como já atrás foi referido. Para tal projecto havia-se procedido em 1972 à actualização do Plano Geral publicado dez anos antes. já então elevada para 400. inicialmente.14 Expansão do abastecimento Com o sistema Tejo completo.95 m. de Janeiro de 1950. e para a captação nas albufeiras do Cabril e da Ponte da Bouçã. correspondente à captação de Valada-Tejo. (Quem sabe agora qual o aproveitamento que a torre pode vir a ter um dia?). muito embora. pois.

e onde se encontra espelhado todo um conhecimento científico e tecnológico que é parte importante da nossa identidade. 27 .ETA da Asseiceira A partir de 1993 procedeu-se à ampliação do subsistema para uma capacidade de tratamento e adução de 500. e encontra-se integrada num grupo mais vasto. abastece de água a quase totalidade do País. o que possibilita hoje o abastecimento. com um conjunto de empresas multi-municipais. de capitais exclusivamente públicos. e cujos testemunhos urge a todo o custo preservar como património histórico. a Águas de Portugal. que. de água a um total de 26 municípios correspondentes a cerca de um quarto da população do País.000 m³ diários através de um conjunto de obras que ficaram concluídas em 1996. A EPAL é hoje uma sociedade anónima.Barragem do Castelo de Bode Fig. pela EPAL. 26 . AdP. da nossa memória colectiva. 27 .Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa Fig.

1955. Amaro de. Lisboa. Lisboa. ps. A. Estudo prévio para ampliação do abastecimento de águas à cidade de Lisboa. Março de 1959. Lisboa capital das águas. 1898. Considerações sobre zonas de distribuição . CAL. Congresso Nacional Municipalista de 1922. Paul. Rapport entre leur origine géologique et leur composition chimique. CAL. Projecto de reservatório elevado a construir na Penha de França e respectiva conduta de elevação. ano I. CAL. Separata da Revista da Ordem dos Engenheiros. RODRIGUES. 1923. João Carlos. CUNHA. 85 . Soares. com a designação Boletim da CFOAACL]. sexto ano. Ex. 1956. CAL. ano XXIV. CHOFFAT. CAL. Projecto de uma nova estação elevatória nos Barbadinhos. por despacho de S. 1963/64. Abril de 1926. CAL. Separata da Revista da Ordem dos Engenheiros. Março de 1929. Inauguração da obra de captação de água no rio Tejo.ª. Junho de 1962. Estudo para o abastecimento de Lisboa com água do Tejo. O Rio Tejo deve contribuir para o abastecimento de água de Lisboa e zona sub-urbana [Palestra do Engenheiro-Chefe. 28 .Serviços Sanitários. Paul. Evolução das estações elevatórias da Companhia desde a fundação à actualidade. A nova instalação de cloragem das águas do grupo do Alviela. 53 . 117 . Julho de 1938. Boletim dos Serviços Sanitários .95. 36. ps.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa 1. In Boletim dos Serviços Técnicos. Relatório da Comissão encarregada de estudar as novas captações para o abastecimento de águas a Lisboa e arredores. Relatório sobre o tratamento das águas de Lisboa elaborado pela Comissão nomeada pela Portaria de 12 de Novembro de 1938. 8 de Junho de 1965. Lisboa. CFAL.d. Companhia da Empreza das Águas de Lisboa. Lisboa. 1908. Junho de 1970. Luís Veiga da. Projecto de abastecimento de água à cidade de Lisboa. Câmara Municipal de Lisboa. Américo. Eloy do.Tratamento de água. 49 e 50 da Revista Municipal.[ Anteriormente a 1943. BRANCO. Relatório. 1990 (texto policopiado). 16. Perspectivas para os próximos dez anos. CAL. CAL. Luís Veiga da. 1940. José Joaquim. Notícia sobre o abastecimento de Lisboa com águas de nascentes e águas do rio: estudos e obras dos últimos cem anos. ano XXII. Projecto de toma de água do Tejo na Boavista. Separata do Boletim da CFAL. Abastecimento de água à cidade de Lisboa. 1940. s. Projecto de captação de água no rio Tejo. CAL. 1958. Imprensa Nacional. 1895. Fase). RODRIGUES. Raul. 1938. Lisboa. anos XXIX . Lisboa.19. CAL. MACHADO. EPAL. Relatórios da Direcção. 1. CAL. e PENA. CAL. A iniciativa privada no abastecimento de água em Portugal . Abril de 1958. 13 . Lisboa. CAL.séc. VITAL. Plano geral de abastecimento de água à região de Lisboa. XIX e XX. Carlos. 1944. Lisboa. Relatórios da Direcção. ALMEIDA. Boletim dos Serviços Técnicos. O abastecimento da capital pela água dos poços do Carregado. fascículo II. Lisboa. Luís Veiga da Cunha. Situação actual do abastecimento. CASEIRO. Contratos de concessão [diversos anos]. Memórias e outras histórias do Aqueduto das Águas Livres. 8. Obras consultadas ALVES. Fevereiro de 1950. Lisboa. ps. VITAL. o Ministro das Obras Públicas de 29 de Outubro de 1948. Memória sobre os reservatórios de Lisboa. em Valada. Separata dos nº.202. Separata do Boletim da CFOAACL. nº. Lisboa. Lisboa. Separata das Comunicações da Direcção dos Trabalhos Geológicos.o caso de Lisboa. As águas de Lisboa. 1952. In Boletim dos Serviços Técnicos. Janeiro de 1933. Resumo das condições hidrogeológicas da cidade de Lisboa.16 Referências bibliográficas Arquivo Histórico da EPAL CAL. CAL. Les eaux d'alimentation de Lisbonne.XXX. CAL. EPAL. Março-Abril. ps. 1998. durante a visita ministerial à estação piloto de Valada]. CUNHA. In Boletim dos Serviços Técnicos. CAL.. G. tomo III. Academia das Ciências. CAL. Projecto de introdução de água do Tejo no Canal do Alviela (1ª. In Boletim da Direcção Geral de Agricultura. AMARAL. CHOFFAT. Rede geral de distribuição. Joaquim Ângelo Caldeira. nº. Boletim da CFAL.107. CAL . Raul Fontes. CAL. Joaquim Ângelo Caldeira e FRAGOSO. nº. Julho de 1933. José Manuel. Lisboa. Ministério das Obras Públicas. nº.

HUGHES. Lisboa. MARX. In Arqueologia & Indústria. Estudo de uma estação de filtração de água potável. 1895. HUGHES. Representações dirigidas a Sua Magestade a Rainha e ao Corpo Legislativo pela Câmara Municipal de Lisboa sobre o abastecimento de águas na Capital por meio de empresa. 23. 21 . ROSSA.). Memória sobre as águas de Lisboa. 1853. VITAL. 1857. The social construction of technological systems. Academia das Ciências. L'approvisionnement en eau à Lisbonne au XIXème siècle. sexto ano. A cloragem das águas de abastecimento. Raul Fontes. Michel et LAMARD. 51 . Thomas P. Comunicação apresentada ao XVII Encontro da Associação Portuguesa de História Económica e Social. INCM/EPAL. Academia das Ciências. PINTO. pp. Bernard. O Aqueduto das Águas Livres. bicas. Imprensa Nacional. Massachussets. João V e o abastecimento de água a Lisboa. Notes et formules de l'ingénieur. Actas das Sessões. VITAL. RIBEIRO. Separata de Notícias Farmacêuticas. Leo (eds. Da solução para a falta de água ao impasse tecnológico. Trevor (eds. Lisboa. Lisboa. VITAL. Thomas P. Robert. 1. (dir. PINHO. COTTE. nº. 51-82. Comunicação apresentada ao XVIII Encontro da Associação Portuguesa de História Económica e Social. oferecida à Exmª. 1998. D. 1989. Ed. Lisboa. 27 . The evolution of large technological systems. Novembro. ps. Raul Fontes. In Boletim da Direcção Geral de Agricultura. In 1º. Wiebe. O Museu da Água da EPAL. O desenvolvimento económico e as empresas de abastecimento de água em Portugal. Lisboa. a limpeza e o abastecimento das águas em Lisboa. Câmara Municipal de Lisboa. 2ª. História do abastecimento de água à região de Lisboa. Imprensa Silviana. nº. Lisboa e as águas (Da Lisboa Ribeirinha às águas altas e ao Tejo e seus afluentes . 1945. nº. Lisboa. SMITH. Câmara Municipal de Lisboa. VITAL. O esgoto. Pierre (dir. Memória sobre chafarizes. VELLOSO D'ANDRADE. Luís Leite.29 de Novembro de 1997 (texto policopiado).a preservação do património museológico e dos arquivos. Separata da Revista da Ordem dos Engenheiros. 1989. RIBEIRO. ps. Ch. 29 .152. 1994. VITAL. Uma experiência na defesa do património. La Technologie au risque de l'histoire. In BELOT. ano III. Université Technologie de Belfort-Montbéliard et Berg International Éditeurs. EPAL. MIT. 1998 (texto policopiado). Irisalva (dir. MIT. Lisboa. Raul Fontes. ps. Ponta Delgada. Reconhecimento geológico e hidrológico dos terrenos das vizinhanças de Lisboa com relação ao abastecimento das águas desta cidade. Luís Veiga da. considerado tudo à luz das boas práticas e doutrinas. 71 . ps. 1.74. Academia das Ciências.Evolução Histórica dos Sistemas de Abastecimento de Água a Lisboa CUNHA. Paris. 2000. 1853.). VITAL.). GOMES. in BIJKER. Massachussets. Câmara Municipal de Lisboa. Lisboa. 1905. PINCH. Does Technology drive History? The dilemma of Technological Determinism. e muitos lugares do termo. Augusto Pinto de Miranda. 2000. Lisboa. 1997. IPPAR. MASTBAUM. Além da Baixa: indícios de planeamento urbano na Lisboa setecentista. 1942. Os novos núcleos do Museu da Água . Museu da Água da EPAL. Lisboa. 1871.). Hugo. Carlos. 1867.. Imprensa Silviana. MONTENEGRO. Carlos. 145 .. MOITA.54. Encontro Internacional sobre Património Industrial e sua Museologia. o que foram ou são. Imprensa Nacional. E. e organiz. Lisboa. Universidade dos Açores. 1 e 2 de Outubro de 1999. e o que devem ser. APAI. II Colóquio Temático "Lisboa Ribeirinha".175. Belém.a dinâmica do abastecimento de água numa cidade em constante expansão). VIGREUX. Raul Fontes. Lisboa Julho de 1998. Raul Fontes. Memória sobre o abastecimento das águas de Lisboa. 1895. fontes e poços públicos de Lisboa. Lisboa. Ministério da Cultura. Paris. Bernardino de. Merritt Roe. José Sérgio. 1990. New directions in the Sociology and the History of Technology. Memória sobre o abastecimento de Lisboa com água de nascente e água de rio. Comunicações. Raul Fontes. Walter. Bernardino António..).

30 .

Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2. 31 . Hidráulica e Ambiente. CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE HIDRÁULICA. BOMBAS CENTRÍFUGAS E REDES HIDRÁULICAS Autor: Paulo Ramísio Engenheiro Civil (FEUP) Mestre em Engenharia do Ambiente (FEUP) Assistente do Departamento de Engenharia Civil da Universidade do Minho Sócio da SBS – Engenharia Civil.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. Lda.

32 .

Materiais de Construção. O Sub-grupo de Hidráulica tem como missão formar cientistas e engenheiros através de um estimulante e diversificado programa na área da mecânica dos fluidos. Regularização Fluvial). • Águas Pluviais. SBS . acompanhamento de obra e Fiscalização). Hidráulica e Ambiente. Desenvolve. A investigação é orientada de modo a não só contribuir para o aumento dos conhecimentos numa determinada área científica mas também contribuir para a extrapolação dos resultados obtidos em estudos e obras no domínio da engenharia civil.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. • Infra-estruturas Prediais (Projecto e coordenação de todas as especialidades de engenharia. O Departamento de Engenharia Civil (DEC) da Escola de Engenharia tem a seu cargo o Curso de Licenciatura de Engenharia Civil. Lda. Acompanhamento de Obras). Conta como principais áreas de actuação: • Abastecimento de Água (Captações. Sistemas de apoio à decisão para o desenvolvimento sustentado da gestão dos recursos hídricos e desenvolver técnicas de modelação em laboratoriais e modelos computacionais. hidrologia. o Mestrado em Engenharia Municipal. acompanhamento técnico e apoio à decisão em obras de engenharia com especial destaque para as obras de hidráulica e ambiente. Estações de Tratamento de Água. Tem desenvolvido a sua actividade na execução de estudos. A SBS é uma empresa de consultoria em engenharia. consultoria. Residuais e Industriais (Redes de Drenagem. Sistemas Elevatórios. 33 .Engenharia Civil. engenharia sanitária e gestão dos recursos hídricos e contribuir para o aumento do conhecimento científico nas seguintes áreas preferenciais: Processos de transporte e mistura em ambientes naturais e sistemas de engenharia. actividade de investigação nos domínios de Construções e Processos. Geotecnia. • Infra-estruturas Hidráulicas e Energia (Aproveitamentos Hídricos e Hidroeléctricos. Estações de Tratamento de Águas Residuais). ainda. Sistemas de Adução. o Mestrado em Engenharia Civil e disciplinas do Mestrado em Tecnologia do Ambiente. projectos. Planeamento e Arquitectura e Vias de Comunicação. Estruturas. Auditorias Ambientais. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Universidade do Minho A Universidade do Minho é uma universidade pública com autonomia administrativa e financeira. fundada a 28 de Fevereiro de 1996. Reservatórios e Redes de Distribuição). Comemora actualmente o XXXI aniversário. Interceptores e Emissários. Hidráulica. • Estudos Ambientais (Estudos de Impacte Ambiental. Sistemas Elevatórios.

34 .

Conceitos Fundamentais de Hidráulica, Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas

O dimensionamento de um sistema de pressurização depende de uma grande parte do conhecimento dos fenómenos hidráulicos envolvidos. Neste capítulo serão analisados alguns princípios fundamentais da mecânica dos fluidos e a sua utilização na caracterização da curva característica da instalação e da curva característica de uma bomba centrífuga, conceitos essenciais para um bom desempenho de um sistema de pressurização.

2.1 Introdução

Logo, em termos de tensão unitária:

τ=

∆F ∆v =µ S ∆n

(2)

onde µ é o coeficiente de viscosidade dinâmica. A viscosidade dinâmica (µ) para um determinado fluido é determinada recorrendo a tabelas ou a gráficos enquanto que a viscosidade cinemática (ν) é expressa da seguinte maneira: (3) ν = µ /ρ onde ρ é a massa volúmica do fluido. A viscosidade cinemática nos líquidos varia apreciavelmente com a temperatura, sendo desprezável a influência da pressão. Sendo a viscosidade uma propriedade física que determina a resistência ao escoamento uniforme de um fluido, ela afecta a distribuição do esforço de corte destes. Analisando o comportamento dos fluidos em função do esforço e a velocidade de corte, podemos classificá-los da seguinte maneira: • Fluido Ideal - apresenta resistência nula à deformação; • Fluido Newtoniano - o esforço de corte é proporcional à velocidade de corte, sendo τ o declive da recta; • Fluido não Newtoniano - deforma-se de tal maneira que o esforço de corte não é proporcional à velocidade de corte; • Plástico Ideal - o fluido sustém, inicialmente, um esforço sem qualquer deformação, deformando-se posteriormente de forma proporcional ao esforço de corte; • Sólido Ideal - não ocorre deformação para qualquer valor de tensão. Os Fluidos Newtonianos são praticamente todos os líquidos orgânicos e inorgânicos enquanto que os Fluidos não Newtonianos podem ser classificados em pseudoplásticos, dilatantes, Bingham, etc.. Como exemplos de Fluidos não Newtonianos podem-se destacar a pasta de celulose, algumas tintas, borracha, etc…

2.2 Princípios da mecânica dos fluidos
2.2.1 Propriedades da água
2.2.1.1 Massa volúmica e peso volúmico
Massa volúmica e peso volúmico de uma substância são, respectivamente, a massa e o peso da unidade de volume dessa substância. Para os líquidos estas grandezas variam com a pressão e a temperatura. A água tem o valor máximo de massa volúmica à temperatura de 4°C, que à pressão atmosférica normal toma o valor de 1000 kg/m3. Considerando a aceleração da gravidade igual a 9,8 ms-2, o peso volúmico, à mesma temperatura será 9800 Nm3.

2.2.2 Viscosidade
A viscosidade dos fluidos traduz-se pela resistência que estes oferecem à deformação. Assim, no seu escoamento desenvolvem-se forças resistentes, que dão parte à dissipação de parte da energia mecânica possuída pelo fluido em movimento. Ao pretender modificar-se a forma de uma massa de fluido, observa-se que as camadas do mesmo se deslocam umas em relação às outras, até que se alcance uma nova forma. Durante este processo ocorrem tensões tangenciais (esforços de corte) que dependem da viscosidade e da velocidade do fluido. O comportamento de um fluido sob a acção de um esforço de corte é importante na medida em que determinará a forma como ele se movimentará. A fim de que se possa introduzir a noção de esforço de corte (tensão tangencial), torna-se necessário analisar as forças exteriores que actuam numa determinada massa de fluido sujeita à acção da aceleração da gravidade. Num fluido em repouso não existem tensões tangenciais e de acordo com a lei de Pascal a pressão num ponto é igual em todas as direcções. Nos fluidos em movimento, em que se manifeste a acção da viscosidade desenvolvem-se tensões tangenciais ou esforços de corte. A viscosidade é assim uma propriedade física que é definida como sendo a resistência de um fluido ao seu escoamento uniforme. Considere-se duas placas paralelas de fluido, S, que se movem a uma distância, ∆n, a uma velocidade relativa ∆v, a força necessária para o deslocamento será:

2.2.3 Compressibilidade
A compressibilidade dos fluidos traduz-se pela diminuição do volume ocupado por uma determinada massa de líquido quando aumenta a pressão a que esta está sujeita. De acordo com o seu comportamento sob a acção de uma pressão aplicada exteriormente os fluidos podem ser classificados da seguinte forma: • Incompressíveis - Se o volume de um elemento de fluido é independente da sua pressão e temperatura. Nos líquidos, devido às pequenas variações de pressão, podem-se considerar incompressíveis para a maior parte dos fenómenos.

∆F = µ S

∆v ∆n

(1)

35

Conceitos Fundamentais de Hidráulica, Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas

• Compressíveis - Se o volume de um elemento de fluido varia com a sua pressão e temperatura, como acontece nos gases. Note-se contudo que nenhum dos fluidos reais é completamente incompressível. No entanto, os líquidos podem ser encarados como tal para efeitos de estudo de grande parte das aplicações práticas. É no entanto importante realçar que em alguns fenómenos, como por exemplo na análise do choque hidráulico, deve ser considerada a compressibilidade do fluido.

2.3.2 Classificação dos escoamentos
2.3.2.1 Variados, permanentes e uniformes
O escoamento é variável se, numa dada secção transversal, a velocidade média e o caudal variarem com o tempo. O escoamento é permanente se, em qualquer secção transversal, a área da secção líquida e a velocidade média (e, portanto o caudal) forem invariáveis com o tempo. Num escoamento permanente a velocidade pode variar de ponto para ponto, mas, em cada ponto, mantém-se constante ao longo do tempo. Um escoamento uniforme é um movimento permanente em que a velocidade é constante ao longo de uma mesma trajectória (em módulo, direcção e sentido). Pode então dizer-se que o escoamento é uniforme se as trajectórias forem rectilíneas e paralelas e se a área da secção líquida, S, a velocidade média, V, forem invariáveis com o tempo e a secção transversal considerada. O movimento uniforme só é possível em condutas e canais de eixo rectilíneo e de secção constante. Escoamentos transitórios são escoamentos que se estabelecem na transição entre duas situações de escoamentos permanentes.

2.2.4 Tensão de saturação do vapor de água
Quando a pressão num ponto de um líquido desce até à respectiva tensão de saturação de vapor, o líquido entra em ebulição. A tensão de saturação do vapor de um líquido, tv, varia em função da temperatura. A tensão de saturação de vapor para a água à temperatura de 20°C é de 2330 N/m2, e à temperatura de 100°C iguala a pressão atmosférica normal. No escoamento de líquidos aparecem, em certas condições, zonas em que a pressão desce até à tensão de saturação de vapor, formando bolhas de ar, indicadoras da ocorrência do fenómeno de cavitação.

2.3.3 Equação da continuidade
A equação da continuidade estabelece o princípio da conservação da massa. Assim entre duas secções transversais, num escoamento permanente de um fluido incompressível sob pressão, mantém-se constante ao longo do tempo o volume do líquido entre as duas secções. Considerando uma tubagem com vários troços de diâmetros diferentes, verifica-se que o caudal de fluido é sempre constante em toda a tubagem. Define-se então caudal mássico (Qm) como a massa de fluido transportada (m) por unidade de tempo (t) e será igual a:

2.3 Conceitos fundamentais de hidrocinemática e hidrodinâmica
2.3.1 Conceitos básicos
Define-se trajectória de uma partícula como o lugar geométrico dos pontos ocupados pela partícula ao longo do tempo, enquanto que linha de corrente num determinado instante será a linha que goza da propriedade de, em qualquer dos seus pontos, a tangente respectiva coincidir com o vector velocidade no mesmo ponto e nesse instante. O caudal, será o volume que, na unidade de tempo, atravessa uma secção efectuada num escoamento por uma superfície, se esta for normal em todos os seus pontos à velocidade do escoamento. Assim, o caudal, Q, será:

Q × v1 = Q × v2 = Q × v3

; v1 xAi1 = v2 × Ai 2 = v3 × Ai 3 = v ×(5)

A expressão (5) é designada por equação da continuidade. O termo continuidade deriva do facto de o caudal em todos os troços ser constante. Em termos de caudal mássico (Qm = cont.), Qm1 = Qm2 = Qm3 = Qm ⇔ ρ.v1.Ai1 = ρ.v2.Ai2 = ρ.v3.Ai3 = ρ.v.Ai (6)
D2 D1 D3

Q = ∫ v ds

(4)

Velocidade média, V, (numa secção normal em todos os pontos à velocidade do escoamento) velocidade de um escoamento que, com velocidade uniforme na secção, transporta um caudal igual através da mesma secção.

L1
Fig. 1 - Condutas em série

L2

L3

36

Conceitos Fundamentais de Hidráulica, Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas

Nestas circunstâncias, facilmente se depreende que o caudal escoado é o mesmo em cada troço de conduta com características distintas, e que a perda de carga total é dada pela adição de todas as perdas de carga parcelares: Q = U1 x S1 = U2 x S2 = ... = Un x Sn
∆H = ∑ ∆H i = ∑ J i × Li
i =1 i =1 n n

(7) (8)

O teorema de Bernoulli representa uma equação de balanço de energia pois iguala a variação da energia mecânica total entre duas secções de um tubo de corrente ao trabalho realizado pelas forças locais de inércia (nulas em regime permanente) e de resistência ∆H. Na prática, pode-se considerar: * β1 = β2 = 1,0 → Coeficiente de distribuição de pressão (campo de pressões do tipo hidrostático condutas de pequeno e médio diâmetro). * α1 = α2 = 1,0 → Coeficiente de energia cinética ou de Coriollis, distribuição de velocidades - consideração de velocidades médias (1,00 ≤ α ≤ 1,15). A parcela ∆B corresponde a troca de energia com o exterior: +∆B ⇒ cedência de energia (turbina) -∆B ⇒ ganho de energia (bomba). A parcela ∆H representa o trabalho das forças resistentes por unidade sendo a soma das seguintes parcelas:

2.3.4 Teorema de Bernoulli
Considerando um regime estacionário (as variáveis do processo, como por exemplo, pressão, temperatura, volume, etc. permanecem constantes ao longo do tempo), num fluido Newtoniano e incompressível, a energia específica total duma partícula é igual à energia mecânica total da partícula por unidade de peso e apresenta três componentes:

p v2 E = z+ + γ 2g

(Trinómio de Bernoulli)

(9)

Dimensionalmente cada parcela corresponde a um comprimento pelo que é assimilável a uma soma de "alturas":

[E ]= [F ]× [L] = [L] [F ]
O significado físico de cada parcela será o seguinte:

∆H = ∆H p + ∑ ∆H L
com,

(11)

∆H → Forças resistentes totais por unidade de peso (perdas de carga totais) ∆Hp → Perda de carga uniforme (contínua ou principal)

z

= cota da partícula em relação a um plano de referência (energia potencial de posição da partícula por unidade de peso)

∑ ∆H

L

p = altura piezométrica: energia potencial de pressão por γ unidade de peso da partícula; v2 = altura cinética: energia cinética por unidade de peso 2 g da partícula com velocidade v.
Assim, define-se Linha Piezométrica como o lugar geométrico dos pontos em que a sua cota é a soma da cota topográfica e da altura ( z + (ou Energia) será o lugar geométrico dos pontos cuja cota será a soma da cota topográfica, a altura piezométrica e a altura cinética ( z +
p v2 + ). γ 2g
p ). Analogamente, a Linha de Carga γ

→ Somatório de perdas de carga localizadas (concentradas acidentais)

Estes parâmetros serão analisados em detalhe em pontos seguintes.

2.3.5 Teorema da quantidade de movimento ou de Euler
O teorema de Euler ou da quantidade de movimento (TQM) é na Mecânica dos Fluidos e, portanto, na Hidráulica o correspondente ao teorema da quantidade de movimento da Mecânica e pode enunciar-se da seguinte maneira: Para um volume determinado no interior de um fluido, é nulo em cada instante o sistema das seguintes forças: peso, resultante das forças de contacto que o meio exterior exerce sobre o fluido contido no volume, através da superfície de fronteira, resultante das forças de inércia e resultante das quantidades de movimento entradas para o volume considerado e dele saídas na unidade de tempo. O TQM ou de Euler tem um duplo interesse prático: 1º) Calcular esforços sobre as tubagens e/ou paredes (caso dos jactos).

O teorema de Bernoulli refere que no caso de um fluido incompressível em regime permanente, em que se possam desprezar as forças de atrito e, consequentemente as perdas de energia, mantêm a carga total de uma partícula ao longo de uma trajectória. O Teorema de Bernouli aplicado a fluidos pesados e incompreensíveis, em regime permanente, toma a seguinte forma:
( z1 + β 1 p1 U p U + α 1 ) s1 − ( z 2 + β 2 2 + α 2 ) = ∆H ± ∆B 2g 2 g s2 γ γ
2 1 2 2

(10)

37

Conceitos Fundamentais de Hidráulica, Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas

2º) Calcular perdas de carga localizadas em troços curtos (curvas, derivações, mudanças de secção) onde se conhecem as condições nas secções de entrada e de saída. Particularizando a aplicação do Teorema de Euler a movimentos permanentes de fluidos pesados e incompressíveis em tubos de corrente e as tensões tangenciais são desprezáveis, a acção do líquido sobre a superfície de contorno será uma força, dada pela seguinte expressão vectorial: r r r r R = - ( ρ × Q × U + p × S ) n - ( ρ × Q × U + p × S ) n + γ (12)
1 1 1 1 2 2 21 2

2.4.2 Perdas de carga contínuas
No regime uniforme, as trajectórias das partículas são paralelas às geratrizes do contorno. Se considerarmos condutas de comprimento L elevado (L >100 x D, em que D é o diâmetro da conduta) e características geométricas (direcção, rugosidade, forma e dimensão da secção transversal) constantes, poder-se-á considerar que : i ) a distribuição de pressões numa secção transversal é do tipo hidrostático (β=1). ii ) o coeficiente de Coriollis é constante ao longo da conduta (α=1) . iii ) a perda de carga (∆H) entre duas secções é proporcional à distância (L) entre elas, sendo constante o coeficiente de perda de carga (ou perda de carga unitária) ao longo da conduta, J. Sabendo que a perda de carga contínua (ou principal) depende ainda das características físicas do fluido, teremos: J = ƒ(ρ, U, D, ν, το,Ke) em que: J - perda de carga contínua por unidade de comprimento; ρ - massa volúmica do fluido; U - velocidade média na conduta; D - diâmetro da conduta; ν - coeficiente de viscosidade cinemático do fluido; το - tensão junto à parede da conduta; Ke - rugosidade equivalente da conduta, em termos da perda de carga provocada pelas várias rugosidades do material da conduta. Recorrendo à Análise Dimensional é possível estabelecer uma relação entre aquelas grandezas, chegando-se (escolhendo ρ,U,D para unidades fundamentais) à expressão geral das perdas de carga contínuas (ou fórmula universal) em condutas circulares: (14)

em que: r r n1 e n2- são os versores da direcção normal às secções de entrada e saída (S1 e S2), com o sentido positivo dirigido sempre para o exterior do volume em estudo. r γ - peso do volume de fluido em estudo.
U 1 , U 2, p1 , p2 - Velocidades médias e pressões nas secções 1 e 2.

2.4 Escoamentos sob pressão em regime uniforme e permanente
2.4.1 Escoamentos laminares e escoamentos turbulentos
Existem dois regimes de escoamento de fluidos: laminar e turbulento. O regime laminar é caracterizado por trajectórias regulares das partículas, não se cruzando trajectórias de partículas vizinhas. No escoamento turbulento, a velocidade num dado ponto varia constantemente em grandeza e direcção, sem regularidade. As trajectórias são extremamente irregulares. A relação entre as forças de inércia e a força de viscosidade sobre a partícula pode ser expressa pelo número de Reynolds através da seguinte expressão:

V ×D (13) ν O número de Reynolds define as condições de semelhança quando a natureza das forças intervenientes se limitam às indicadas (caso de escoamento de líquidos no interior de condutas em pressão). Re =
Para valores de Reynolds superiores a 2500 o escoamento é geralmente turbulento e para valores inferiores a 2000 o escoamento é normalmente laminar. A quase totalidade das aplicações de sistemas de pressurização encontra-se em regime turbulento.

J=

λ U2 × D 2g

(15)

em que : λ - coeficiente de resistência (adimensional); g - aceleração da gravidade; D - diâmetro da conduta; U - velocidade média na conduta.

38

teoria da turbulência . onde D é o diâmetro interno da tubagem em mm e k é a rugosidade equivalente da superfície em mm.4. com suficiente rigor.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. uma rugosidade equivalente (ke). Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2. em regime turbulento rugoso. que através da representação gráfica daquelas funções implícitas. que dividida por D. conduz os mesmos valores que foram obtidos experimentalmente com ε. que substituída na expressão de cálculo de λ.7 λ Re× λ (17) Para aplicação dos estudos em laboratório (baseados numa rugosidade teórica artificial . quatro intervalos (I. III. a) Determinação de l. A determinação do coeficiente de resistência pode ser obtido pela representação gráfica das experiências de Nikuradse ou por via analítica. II.rugosidade relativa (ε/D). ZONA DE TRANSIÇÃO FACTOR DE ATRITO λ TUBAGEM LISA CAUDAL LAMICAUDAL TURBULENTO NAR RUGOSIDADE RELATIVA DA SUPERFÍCIE K/d NÚMERO DE REYNOLD Diagrama de Moody para estabelecer o factor de atrito λ.e comprovados através das experiências de Nikuradze.1 Determinação do coeficiente de resistência Os valores do coeficiente de resistência (λ) podem ser obtidos através das equações de Prandtl e Von Karmann . define-se para essas condutas. para cada valor de (ε/D). • Os intervalos II. sem depender da rugosidade da conduta.ε) às condutas comerciais. nas aplicações práticas de engenharia encontram-se neste domínio e o coeficiente de resistência pode ser estimado pela seguinte equação: 1 2. IV) com leis de variação distintos: • O intervalo I corresponde ao Regime laminar (Re < 2000 a 2500) onde se verifica uma variação linear de λ e Re. corresponde a um parâmetro adimensional . Fig.2. III e IV correspondem aos regimes turbulento liso. Nikuradze ao variar o factor de resistência com o número de Reynolds.51 ε /D = −2 log( + ) 3. Nikuradze considerou uma rugosidade teórica (ε) correspondente à dos grãos de areia (calibrada) colados às paredes de tubos lisos. sendo: λ = 64 / Re → Fórmula de Poiseuille (16) A grande maioria dos escoamentos de fluidos. turbulento de transição e turbulento rugoso. concluiu que o primeiro depende do segundo e de outros parâmetros (adimensionais) que caracterizam as asperezas das paredes do tubo. A variação de λ com Re apresenta. permite a determinação expedita dos valores de λ. por via gráfica O emprego da fórmula universal foi bastante simplificada com o aparecimento de diagramas como o de "Moody". O valor de λ é obtido através da utilização do número de Reynold e do valor de rugosidade relativa k/D como parâmetros.Diagrama de Moody para a determinação do coeficiente de resistência 39 . 2 .

λ. λ.. ke . Quanto à sua constituição. deve ser realizado por via analítica por equações de reconhecida validade.5 Redes hidráulicas 2. quer sob a forma de ábacos ou tabelas apenas são válidas dentro das condições particulares em que foram definidas. formando feixes ou malhas de condutas. são obtidos após o equilíbrio da malha através da Lei da Continuidade (em cada nó os caudais afluentes devem igualar os caudais efluentes) e Lei das Malhas (numa malha a soma algébrica das perdas de carga em todas as condutas deve ser nula). EMALHADA só com malhas só com condutas em série com condutas em série e com malhas 2.. ∆H L = K L × U2 2g (19) em que KL é o coeficiente de perda de carga localizada. em cada troço. podemos considerar os seguintes tipos de redes: QUADRO 1 . temperatura.51 K (18) = −2 log( + ee ) 3. como por exemplo pela Fórmula de Colebrook-White: k /D 1 2. Chama-se nó ao ponto de intersecção de três ou mais condutas e malha a todo o circuito fechado constituído por três ou mais condutas ligadas em série.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. material das paredes do contorno sólido. Diz-se que uma conduta tem distribuição de percurso quando sofre uma variação de caudal ao longo do seu percurso (escoamento em regime permanente variado). ou seja. Logo. 2.6 Cálculo hidráulico 2.6. por via analítica Para cálculos mais exactos o cálculo do coeficiente de resistência. A determinação analítica destas perdas de carga localizadas (∆HL) baseia-se na aplicação dos Teoremas da Quantidade de Movimento e de Bernoulli. válidas apenas em certas circunstâncias . Nas redes emalhadas o conhecimento do valor e sentido dos caudais. seleccionando o diâmetro pode-se de seguida calcular a velocidade e perda de carga. . Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas É importante relembrar que a determinação do coeficiente de resistência. Em regime variado há uma variação de caudal ao longo do percurso. através de fórmulas práticas (expressões empíricas.coeficiente de resistência (adimensional). Chama-se caudal unitário de percurso (q) ao parâmetro que traduz a variação média do caudal ao longo da conduta: 2. algumas das quais serviram de base ao presente texto e que se encontram referenciadas nas referências bibliográficas. …) encontra-se bem documentada em inúmeras publicações de hidráulica. b) Determinação de l. conhecendo-se os caudais e os diâmetros é possível de imediato o cálculo das perdas de carga. Re . quer sob a forma analítica. etc. exprimindo-as como percentagem da altura cinética (U2/2g): RAMIFICADA MISTA Nas redes ramificadas a direcção do escoamento é única e portanto conhecida.).rugosidade equivalente (m): D .3 Perdas de carga localizadas As perdas de carga localizadas ocorrem em singularidades das condutas.1 Regime uniforme e permanente Em regime uniforme e permanente. sendo determinado experimentalmente para cada tipo de singularidade.fluido. mudanças de direcção. secção transversal. A determinação dos coeficientes de perda de carga em diferentes singularidades (estreitamentos e alargamentos suaves. etc. válvulas.5. por considerar por exemplo os consumos domésticos. que permitem chegar a uma expressão geral para este tipo de perdas de carga. Estas perdas de carga dependem de diversos factores relacionados fundamentalmente com as características do escoamento a montante e a jusante da singularidade.7 λ Re× λ Em que: Estes sistemas aparecem normalmente nas redes de abastecimento de água municipais ou industriais e nas redes de combate a incêndios.1 Classificação das redes hidráulicas As redes de condutas consideram-se sistemas complexos porque são constituídas por tubagens ligadas em série e/ou paralelo. q= Qm − Qj ⇔ Qm = Qj + q × L L (20) 40 .diâmetro da conduta (m).4. em trechos pequenos da conduta em que se quebra a sua uniformidade. o caudal é constante logo. as perdas de carga são contabilizadas considerando que o escoamento se faz em regime permanente variado.TIPOS DE REDES TIPO DESCRIÇÃO DISTRIBUIÇÃO DE PERCURSO sem com sem com sem com REGIME DO ESCOAMENTO PERMANENTE uniforme variado uniforme variado uniforme variado λ .número de Reynolds (adimensional).

a altura de elevação necessária para esta instalação. 3 .Selecção de um conjunto de diâmetros (comercialmente disponíveis) a partir de velocidades médias (0. para cada caudal.caudal no extremo de jusante. H = f (Q ) → H man = H geo + ∑ J i × Li + ∑ ki × U 2g 2 2 (22) Altura Perdas de carga Perdas de carga   V2  ∑ K i i + ∑ J i × Li    2g   Altura geométrica Caudal Fig. Para tal acontecer os custos associados aos diâmetros extremos seleccionados deverão ser superiores a pelo menos um dos custos associados a um dos diâmetros intermédios. 3. 2. L .7 Dimensionamento económico de condutas Apresentam-se neste ponto os passos fundamentais para o desenvolvimento dos cálculos que permitem seleccionar os diâmetros económicos das condutas. Qm .Cálculo dos custos de energia do período de vida da obra. As perdas de carga têm variação quadrática com o caudal. 2. que se traduz numa variação parabólica da linha de energia. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Em que: q . para efeito do cálculo das perdas de carga. O processo de dimensionamento consiste em determinar o diâmetro que minimize a soma dos custos de investimento com os de energia (não se consideram outros custos de exploração). . Havendo uma variação da velocidade ao longo da trajectória. Será em cada ponto a soma da altura geométrica com todas as perdas no sistema para esse caudal.Variação dos custos de investimento e energia com o diâmetro de condutas. . 41 . (actualizados ao ano 0) . Tal facto dificulta o cálculo das perdas de carga em cada trecho da conduta. . considerando os caudais que realmente circulam na rede.5 m/s) e de critérios de velocidade mínima e máxima.8 Curva característica da instalação A curva característica da instalação será a curva que traduz.Curva característica da instalação Fig. Os custos de investimento são directamente proporcionais ao diâmetro instalado e os consumos de energia inversamente proporcionais ao mesmo valor.55 × q × L (21) Trata-se de um caudal fictício que. Especialmente nos diâmetros mais pequenos a alteração de um diâmetro para o da série comercial imediatamente inferior poderá representar alterações significativas em alguns parâmetros de controlo. uma vez que a perda de carga aumenta de forma quadrática com a velocidade e esta aumenta igualmente de forma quadrática com o diâmetro. Bresse ultrapassou esta dificuldade considerando um caudal equivalente ( Qe ): Qe = Qj + 0.Cálculo dos custos de investimento em função dos diâmetros seleccionados. em regime uniforme e permanente. há uma variação do coeficiente de perda de carga. 4 .caudal unitário de percurso.6 a 1.Selecção do diâmetro mais económico. Com esta simplificação o cálculo hidráulico de regime permanente variado é transformado. Qj .comprimento da conduta. conforme se representa na Fig.Adição dos custos anteriores para os diversos diâmetros seleccionados e verificação de que o conjunto de diâmetros seleccionados contém o diâmetro (comercialmente disponível) mais económico. conduz ao mesmo valor da perda de carga que a verificada em regime permanente variado.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. Os passos fundamentais a seguir nos cálculos a efectuar são: . apresentando a curva característica da instalação a forma apresentada na figura 4. em movimento uniforme e para um dado diâmetro.caudal no extremo de montante.

3 Curva característica da bomba A equação básica da bomba é utilizada para calcular e desenhar formas geométricas e dimensões. Quanto ao sentido de rotação: a) De sentido directo: se o eixo da bomba roda no sentido anti-horário. A energia cinética do fluido aumenta do centro do rotor para a ponta das palhetas propulsoras. montadas sobre o mesmo eixo e com descargas em série. • Propulsor ou rotor. • Veios condutores. as principais peças constituintes de uma bomba centrífuga. assim como para deduzir a curva Q/H da bomba centrífuga.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. Quanto à posição do eixo: a) Eixo horizontal. c) Eixo inclinado. b) Eixo vertical. a bomba é constituída por um rotor que gira no interior de uma carcaça. Quando se deseja ter uma combinação de pressão total e capacidade que não se enquadra numa bomba de um só estágio. As bombas multiestágio podem ser consideradas como bombas com vários estágios simples. b) De andares múltiplos: quando existem vários impulsores.Forma típica do corpo uma bomba centrífuga 2. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2.2 Constituição Na sua forma mais simples.1 Definição Uma bomba é denominada centrífuga quando a direcção de escoamento do fluido é perpendicular à do eixo de rotação da hélice e podem ser classificadas da seguinte forma: Quanto ao n. 5 .9.º de impulsores: a) De um só andar: quando têm um só impulsor. a descarga de uma bomba dum estágio é injectada na admissão de uma bomba de um segundo estágio. Fig. • Sistema de refrigeração. b) De sentido retrógrado: se o eixo da bomba roda no sentido horário.9. melhorando a eficiência da bomba. 6 . Normalmente o propulsor é considerado o coração da bomba.9. sendo constituída por um disco que roda a alta velocidade. Veios condutores fixos no corpo da bomba podem ajudar a dirigir o fluido. • Sistema de lubrificação. 2. o que permite transmitir a energia ao líquido para este adquirir o aumento de pressão desejado. Nesta situação.9 Bombas centrífugas 2. são as seguintes: • Corpo da bomba. O fluido entra na bomba nas vizinhanças do eixo do rotor propulsor e é lançado para a periferia pela acção centrífuga. Esta energia cinética é convertida em pressão quando o fluido sai do impulsor e entra na voluta ou difusor. onde se preserva a pressão do primeiro. O fluido depois de entrar no segundo estágio terá um aumento de energia sob forma de aumento de pressão e assim sucessivamente. Fig. • Motor eléctrico. Uma bomba centrífuga com um só rotor é uma bomba de um único estágio (ou andar). A Figura 3 ilustra uma alheta de um impulsor e os respectivos vectores de velocidade.Corte numa bomba multicelular Muito resumidamente. usa-se uma bomba multiestágio. 42 .

visto que existem sempre perdas por atrito e o número finito de alhetas não direccionará o caudal completamente na direcção da alheta. a equação básica da bomba é simplificada para: uv H t = kη h 2 u 2 (25) g A altura manométrica ideal obtida pela equação de Euler é independente do caudal Q. a equação de Euler para uma bomba real tem o seguinte aspecto: ηh (ku2vu 2 − u1vu1 ) (24) g É possível mostrar que ηh e k são menores que a unidade. são representados os vectores velocidade nos bordos de ataque e fuga. 7 . velocidade periférica da alheta u. não é possível satisfazer nenhum destes princípios. Ht∞. Assim sendo. componente tangencial da velocidade absoluta do líquido vu e componente radial vm . vm = componente radial da velocidade absoluta. u = velocidade periférica da alheta. vu1 = v1 cos α1 e vu2 = v2 cos α2 Partindo do princípio que o caudal não tem perdas e que o número de alhetas é infinito (∞). é indicado por uma linha recta. A curva real Q/H é derivada desta curva através da subtracção dos efeitos do Ht∞ = 1 (u2vu 2 − u1vu1 ) g (23) onde o índice t referencia um caudal sem perdas e ∞ refe. rencia o princípio do número infinito de alhetas que garante o direccionamento completo do líquido. Esta relação é conhecida como equação de Euler e é expressa do seguinte modo: Numa bomba real. Fig. vu = componente tangencial da velocidade absoluta. A velocidade relativa é paralela à alheta em qualquer ponto.Representação dos vectores velocidade na alheta do impulsor Na figura 7. 43 . logoνu1 = 0. Se a curva Q/Ht∞ for traçada. velocidade relativa w. Ht = As bombas centrífugas são normalmente concebidas com α1 = 90°. Para além disso.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. w = velocidade relativa à alheta. onde: v = velocidade absoluta do líquido. Velocidade absoluta do líquido v. A redução de pressão causada por perdas no escoamento é tomada em consideração pelo rendimento hidráulico e a redução devido ao desvio do caudal de uma ângulo ideal β2 é contabilizado por um coeficiente de alheta k. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Alheta de impulsor de bomba com os vértices de velocidade nos bordos de ataque e fuga. Com estas modificações. é possível derivar a familiar teoria da equação básica da bomba utilizando as leis da mecânica.

• No bordo de fuga da alheta. ocorrem perdas devido aos redemoinhos causados por esta. 8 . Perdas por fuga Hv As perdas por fuga ocorrem na folga entre o impulsor e a voluta da bomba. As diferenças de velocidade causam turbulência que originam perdas. Fig. • perdas por atrito no empanque da transmissão. porque o coeficiente de alheta é ligeiramente dependente do caudal Q. Fig. quando o caudal na voluta é diferente do caudal no perímetro do impulsor. • Na voluta da bomba. para Ht não é causada por perdas de caudal mas sim pelo desvio do líquido dos ângulos ideais devido ao número finito de alhetas. Esta perda aumenta à medida que a bomba vai sendo desgastada. o caudal através do impulsor é ligeiramente maior do que o caudal de saída da voluta da bomba. onde o líquido atinge a ponta da alheta. pelo que a cabeça da bomba encontra um caudal reduzido. A redução de altura de Ht∞. As perdas mínimas ocorrem com o caudal nominal da bomba. onde o líquido entra em contacto com a alheta no ângulo β1. Estas perdas incluem: • perdas por atrito nas superfícies exteriores do impulsor. Perdas Redução do caudal Q causada por perdas por fuga Hv Efeito do número finito de alhetas Ht Perdas por atrito Hr Perdas por descontinuidade Hs Velocidades (w) e perdas relativas do bordo de ataque da alheta com várias velocidades de caudal. O seu aumento é proporcional ao quadrado do caudal. 44 . um pequeno retorno de caudal passa da área de elevada pressão junto da borda do impulsor para a área de baixa pressão do aro de junta do impulsor. O Efeito do Número Finito de Alhetas Conforme indicado anteriormente. com velocidades de caudal diferentes do valor nominal. As perdas mínimas ocorrem com o caudal nominal da bomba. a diferença é a perda por fuga Hv.Velocidades e perdas no bordo de ataque da alheta com várias velocidades. Este efeito é ilustrado na Figura 9. conforme se pode constatar na figura seguinte. Poderemos escrever que: H t = kH t∞ (26) Ht não é perfeitamente linear. Por este motivo. Por muito pequena que seja a folga. O seu aumento é proporcional ao quadrado do caudal Q. A perda é mais pequena no ponto de concepção da bomba. 9 . Perdas por Descontinuidade Hs As perdas por descontinuidade são geradas nas seguintes áreas: • No bordo de ataque da alheta. O efeito da perda por fuga está ilustrado na Figura 8. As perdas aumentam com o aumento do desvio do ângulo de contacto do ângulo da alheta β 1. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas número finito de alhetas e de várias outras perdas que ocorrem no interior da bomba. quando o ângulo de ataque do líquido é igual ao ângulo β 1 do bordo de ataque da alheta. • perdas por atrito na chumaceira.Redução (H) da curva verdadeira da bomba Q/H relativa à altura teórica da bomba Ht∞. quando o ângulo de ataque do líquido é igual ao ângulo β1 do bordo de ataque da alheta. a existência de um número finito de alhetas diminui a altura manométrica pelo factor de alheta k. Se tomarmos este factor em consideração. conforme se pode ver na Figura seguinte. poderemos obter a altura teórica Ht. Outras Perdas Existem outras perdas numa bomba centrífuga que não afectam a curva Q/H mas que aumentam o consumo de energia da transmissão do motor. Perdas por Atrito Hf As perdas por atrito ocorrem à medida que o líquido flui pelas passagens do impulsor e da voluta da bomba. cujo aumento é proporcional ao aumento de diferença entre o caudal real e o caudal nominal.Conceitos Fundamentais de Hidráulica.

formam-se redemoinhos e zonas de baixa pressão do outro lado da alheta. • A bomba torna-se muito menos eficiente porque passa a bombear uma mistura de líquido e vapor. o seu colapso ocorrerá rapidamente. Uma bomba com cavitação emite um ruído de crepitação característico. conforme representado na figura seguinte.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. tendo como consequência mais gravosa a deterioração mecânica precoce da bomba.Influência do ângulo no bordo de ataque da alheta Logo. Habitualmente. tação. 11 . com uma densidade muito mais baixa.10 Cavitação e NPSH A cavitação é o fenómeno hidráulico associado à formação e colapso de bolhas de vapor num líquido. Se a implosão ocorrer perto de uma superfície e ocorrer repetidamente. particularmente. Se o líquido for bombeado de modo a atingir o bordo de ataque da alheta a um ângulo diferente do da alheta. Implosão de bolhas de vapor Fig.Impulsor demonstrando estragos motivados por cavitação Bolhas de vapor A formação e desaparecimento das bolhas de vapor é designada por fenómeno de CAVITAÇÃO. irão eventualmente implodir. 10 . A cavitação numa bomba apresenta duas desvantagens: • A criação e colapso das bolhas de vapor podem danificar a bomba. as marcas de desgaste causadas pela cavitação ocorrem localmente e consistem em picagens profundas com bordos afiados. o fenómeno da cavitação nas bombas centrífugas ocorre numa localização perto do bordo de ataque da alheta do impulsor. a pressão do choque irá eventualmente originar a erosão do material dessa superfície. O cálculo do NPSH é baseado nos seguintes parâmetros: ht = altura geométrica de entrada. Quando a bolha se desloca com o fluido para uma área de pressão superior. A implosão causa uma onda de choque local transitória e extremamente alta no líquido. na instalação de qualquer bomba. é necessário que no dimensionamento desta seja acautelado a ocorrência de cavitação. tal como se estivesse a bombear areia. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2. hA = diferença de altura entre o plano de referência e a ponta do bordo de ataque da alheta. As picagens podem ter vários milímetros de profundidade. As bolhas de vapor são formadas quando a pressão estática local de um líquido em movimento diminui até atingir um valor igual ou inferior ao da pressão do vapor desse líquido para uma dada temperatura. com líquidos quentes e voláteis. pelo que deverão ser tomados os devidos cuidados se as condições de funcionamento da bomba apresentarem o risco de ocorrência de cavitação. Fig. Se a pressão cair abaixo da pressão do vapor. formam-se bolhas de vapor. Se estas se moverem no fluido para uma zona de pressão superior. Não existe nenhum material que suporte totalmente a cavi- 45 . O impacto de alta pressão resultante poderá originar picagem e a erosão da estrutura adjacente. Normalmente. Definição de NPSH NPSH é o acrónimo do termo inglês Net Positive Suction Head e representa a diferença entre a pressão estática absoluta e a tensão de vapor do líquido (normalmente expressa em metros).

como pode ser visto na Figura 15. Pmin= pressão estática mínima na bomba. Na realidade. na bomba e na tubagem de pressão de uma instalação de uma bomba em seco. Pressão estática do líquido O NPSH da bomba é independente da temperatura e do tipo do líquido que está a ser bombeado. 13 . 15 . 14 . Nas bombas horizontais. ∆h = quebra de pressão local no bordo de ataque da alheta. Trata-se do plano horizontal que atravessa o ponto central do círculo descrito pela ponta do bordo de Fig. Fig. Pressão Mínima NPSH requerido Plano de Referência NPSH requerido Fig. Pb = pressão ambiente ao nível do líquido. 12. As alturas de pressão são apresentadas na Fig.Dimensões e pressões de referência na aspiração da bomba Plano de Referência O plano de referência é o plano no qual os cálculos do NPSH são efectuados. a pressão estática mínima na bomba (Pmin) tem de ser maior do que a pressão do vapor do líquido.Dimensões e pressões de referência para o cálculo do NPSH Para evitar a cavitação. 12 . Vo2/2g= quebra de pressão causada pela velocidade de entrada. o plano de referência coincide com a linha central da transmissão. NPSH NPSHF (Sem cavitação) NPSH início do ruído Pressão mais baixa na bomba Pressão do vapor Pressão 0 absoluta NPSH início da perda material NPSH0 (0% de perda de altura manométrica) NPSH3 (3% de perda de altura manométrica) Variação de pressão numa instalação de bomba em seco. a localização do plano de referência é indicada pelo fabricante. O fabricante da bomba é obrigado a indicar o NPSH como um valor numérico ou uma curva. ataque da alheta. Este valor pode ser apresentado como uma função do caudal. Nas bombas verticais. na bomba e na tubagem de pressão.Variação típica do NPSH requerido com o caudal. Distribuição da pressão estática do líquido na tubagem de entrada.Curvas de NPSH 46 . Fig. NPSH Requerido O NPSH requerido é obtido a partir da seguinte equação: NPSH requerido = hA + vo 2 2g + ∆h BOMBA HORIZONTAL BOMBA VERTICAL Este valor também é conhecido como valor de NPSH da bomba.Conceitos Fundamentais de Hidráulica. qualquer bomba terá valores de NPSH diferentes dependendo da definição da ocorrência. ou Pmin > pv A Figura 13 ilustra o princípio da distribuição da pressão estática do líquido na tubagem de entrada. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Hrt = perdas de caudal na tubagem de entrada. conforme demonstrado na Figura 14. Pv = pressão do vapor do líquido à temperatura dominante.

Este procedimento é muito frequente.5 m. o NPSHr é definido como a situação onde a altura manométrica da bomba sofre uma diminuição de 3% devido à cavitação. tais como a alheta do impulsor. O termo ht é positivo quando o plano de referência se encontra acima da superfície do líquido e negativo quando este se encontra abaixo da superfície. Em princípio. é possível determinar essa mesma curva a uma velocidade de rotação diferente. Carga Hidrostática H2  N2   = H 1  N1    P2  N 2   = P  N1  1   2 3 Potência Carga efectiva positiva de sucção H2  N2   = H 1  N1    2 47 . Por exemplo. O problema é que não existe nenhum modo exacto de testar e estabelecer este valor de NPSH. pois é necessário. a curva de NPSHr publicada pelo fabricante deve garantir que a bomba não será danificada se for utilizada acima dessa curva. As variações técnicas de fabrico do formato do bordo de ataque da alheta podem afectar o comportamento da cavitação. carga a desenvolver pela bomba (H). que permite alterar a velocidade de rotação do seu impulsor. encontram-se detalhadamente descritos na publicação do EUROPUMP "NPSH FOR ROTODYNAMIC PUMPS. A cavitação ligeira pode ser inofensiva para a bomba se as bolhas de vapor não implodirem perto das suas partes estruturais. isto é.11 Leis de semelhança O traçado das curvas características depende do raio do rotor (impulsor) e da velocidade de rotação deste. O NPSH disponível é determinado pelo projectista da instalação. conhecendo a curva característica de uma bomba a uma determinada velocidade de rotação do rotor. A diferença entre os vários valores de NPSH é maior nas bombas equipadas com impulsores com menos alhetas. Na prática. Estas leis são relações entre: caudal (Q). Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas De acordo com os padrões de teste utilizados pelos fabricantes de bombas. A cavitação prejudicial poderá ocorrer mais cedo do que o esperado. uma margem de segurança de 1 a 1. Isto aplica-se especialmente às bombas de águas residuais. Para bombas instaladas horizontalmente com tubagens de sucção rectilíneas. A margem de segurança do NPSH deve ser suficientemente grande para suportar variações numa situação onde as condições reais podem ser diferentes das calculadas teoricamente. Assim sendo. possuem um mecanismo do tipo variador de frequências. O raio de curvatura da linha central da curva não deve ser inferior a D1 + 100 mm. onde D1 é o diâmetro da abertura de maiores dimensões. REFERENCE GUIDE"(1997). Efeito da variação da velocidade do rotor com o diâmetro constante: Caudal Q2 N 2 = Q1 N1 NPSH disponivel = Pb pv − H rt − ht − ρg ρg (27) Margem de Segurança do NPSH NPSHdisponível >NPSHrequerido + Margem de segurança .Conceitos Fundamentais de Hidráulica. Por este motivo. Este valor pode ser denominado o NPSH da instalação sobrepressora. Para bombas instaladas verticalmente. cuja metodologia foi seguida no presente trabalho. é possível determinar curvas características de bombas a partir de uma conhecida. as suas margens de segurança e métodos de medição. existem muitas bombas centrífugas com velocidade de rotação variável. As perdas de carga na tubagem de aspiração podem ser incorrectamente calculadas e o ponto de funcionamento real da bomba pode diferir do teórico devido a variações na curva Q/H e a cálculos incorrectos da resistência da tubagem de aspiração. os impulsores monocanal registam as maiores diferenças nos valores de NPSH devido à quebra da curva do NPSH3 e os seus testes apresentam resultados demasiado favoráveis.5 m é suficiente. O NPSH requerido também poderá ser afectado pela forma da tubagem de entrada. O NPSH. em muitas situações. A alteração destes dois parâmetros provoca alterações nas curvas características. Este valor é definido como NPSH3. a margem de segurança deve ser definida entre 2 e 2. que têm um número reduzido de alhetas do impulsor. 2. desde que seja utilizada uma curva cónica antes da entrada da bomba. uma curva de NPSHr baseada na regra de 3% do padrão é uma base insuficiente para a avaliação do risco de cavitação em bombas com poucas alhetas. Através das leis de semelhança entre bombas centrífugas. NPSH Disponível O NPSH disponível indica a pressão disponível para a aspiração da bomba sob as condições dominantes. potência (P) e carga efectiva positiva de sucção (H) com a velocidade do rotor (N) ou com o diâmetro do rotor (D). encontrar o caudal desejado ou os parâmetros de dimensionamento adequados. ou com valores de NPSH maiores do que NPSH3 (Figura 15).

).H.dis.Ponto de funcionamento de uma bomba 48 . temos o caudal que pode ser bombeado naquela instalação.S.P.P. Com esse ponto. Fig.req. o rendimento e o N. a potência absorvida. com a curva característica da instalação. 16 .12 Ponto de funcionamento de uma bomba centrífuga O ponto de funcionamento de uma bomba corresponde à intercepção da curva característica da bomba (H/Q).Conceitos Fundamentais de Hidráulica.H.S. (≤ N. Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas Efeito da variação do diâmetro do rotor com velocidade de rotação do rotor constante: Q2 D2 = Q1 D1 Caudal Carga Hidrostática H 2  D2   = H 1  D1    P2  D2   = P  D1  1   2 3 Potência Carga efectiva positiva de sucção H 2  D2 = H 1  D1      2 2.

ESTAÇÕES ELEVATÓRIAS DE ÁGUAS RESIDUAIS 49 . Bombas Centrífugas e Redes Hidráulicas 2. ARCHIBALD J.13 Referências bibliográficas EUROPUMP (1997) NPSH FOR ROTODYNAMIC PUMPS.Conceitos Fundamentais de Hidráulica.FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN NOVAIS-BARBOSA. J. ANTÓNIO C.PORTO EDITORA MACINTYRE. (1988) BOMBAS E INSTALAÇÕES DE BOMBEAMENTO GRUNDFOS (1996) MANUAL DE ENGENHARIA . (1981) HIDRÁULICA . (1986) MECÂNICA DOS FLUIDOS E HIDRÁULICA GERAL . REFERENCE GUIDE QUINTELA.

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de Eng.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3. SISTEMAS DE PRESSURIZAÇÃO COM VELOCIDADE FIXA E VELOCIDADE VARIÁVEL Autor: Eduardo Nunes Director de Projectos da Profluidos Professor Adjunto Equiparado do Dept.ª Mecânica (DEM) do ISEL 51 .

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garante a qualidade técnica dos projectos. por Decreto Régio de D. dispõe ainda de uma vasta equipa de consultores externos com formação técnica e pedagógica devidamente actualizada. Este Instituto passou a ter estatuto de ensino superior com a denominação de Instituto Superior de Engenharia de Lisboa. Em 25 de Outubro de 1988. O ISEL O Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL) é a mais antiga escola de engenharia em Portugal. tendo como objectivo último. 500 docentes e 130 funcionários não docentes. por Decreto-Lei 830/74 de 31 de Dezembro. O ISEL conta actualmente com cerca de 6000 alunos. Formada por um Quadro Técnico Qualificado de especialistas que possuem uma longa experiência nos diferentes domínios de intervenção. Lda. É uma empresa multidisciplinar. sempre devidamente adaptados às necessidades e assegura a indispensável assistência técnica. caracterizada pela qualidade. a Profluidos. especializada nas suas áreas de actuação. a satisfação dos seus clientes. integrado no Instituto Politécnico de Lisboa. Teve a sua génese em 30 de Dezembro de 1852. Consultadoria e Assistência Técnica. foi fundada em 1986 e intervenciona nas áreas de Elaboração de Estudos e Projectos de Engenharia. sendo especializada nas áreas das Instalações Especiais e do Saneamento Básico. tendo em atenção parâmetros que considera de capital importância. pelo Decreto-Lei 389/88 passa a fazer parte da rede de estabelecimentos de Ensino Superior Politécnico. rapidez de resposta e segurança de actuação. 53 .Gabinete de Projectos de Instalações Especiais. eficiência. que criou o Instituto Industrial de Lisboa. Maria II. na procura de um produto final de qualidade. Com ampla experiência nacional e internacional.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável A Profluidos A Profluidos .

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cada vez mais corrente no mercado. quer sob o ponto de vista económico.Um conjunto de bombeamento para os reservatórios. ao mesmo tempo que é operada também de uma forma automática uma válvula de controlo de pressão. A primeira solução.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3. tubagens e dos aparelhos de consumo.Um dispositivo para compensar o ar dissolvido na água (no caso de reservatórios sem membrana). Nestes sistemas existe obrigatoriamente um ou mais reservatórios metálicos onde a água é mantida sob pressão. 3. 3 .Pressóstatos ou sensores de pressão.Válvula de controle de pressão em paralelo com as bombas HOTEL Fig. instalação e manutenção reveste-se da maior importância. rega. Face à vastidão dos seus campos de aplicação optámos por exemplificar os sistemas de pressurização com velocidade fixa e velocidade variável aplicados aos sistemas prediais abastecidos pela rede pública. apresentar a metodologia de dimensionamento dos seus componentes. em parte ou na totalidade dos pisos de um edifício. Quando a pressão que está disponível na rede pública de distribuição de água potável é insuficiente para garantir o funcionamento dos aparelhos de consumo. Fig. sob a acção de transdutores e circuitos electrónicos.3 Centrais hidropneumáticas 3. tem vindo a divulgar-se a utilização de sistemas por bombeamento directo. 1 . os requisitos principais relativos à sua instalação e custos de exploração associados. Fig. 4 . Tratam-se de sistemas sem o recurso a reservatórios hidropneumáticos.Instalação típica de centrais hidropneumáticas em edifícios de grande altura 55 . embora os mesmos princípios sejam extensivos a todas as demais aplicações.Bomba de velocidade variável A segunda solução consiste na utilização de duas ou mais bombas de velocidade fixa instaladas em paralelo. As aplicações cobertas por este tema são muito vastas e destinam-se principalmente aos sistemas prediais.Um ou mais reservatórios fechados. quer sob o ponto de vista funcional. . com ou sem membrana. em série ou em paralelo com as bombas. . para garantir de modo satisfatório as exigências de caudal e pressão dos diversos aparelhos de consumo prediais.1 Constituição e princípio de funcionamento Os principais órgãos de uma central hidropneumática são: . com arranque e paragem automáticas. consiste em utilizar bombas de velocidade variável. torna-se necessário recorrer a dispositivos de elevação de pressão apropriados.Válvula de controlo de pressão em série com as bombas 3. que automaticamente. 2 . Fig.3. nomeadamente os custos de instalação e exploração e finalmente da manutenção com influência na duração dos equipamentos.2 Tipos de sistema de elevação de pressão Uma situação corrente tem sido a utilização de sistemas hidropneumáticos. . Na actualidade. em função do caudal ou pressão. adequam a velocidade de rotação às exigências de caudal que é solicitado em cada instante pela rede. abastecimento público e indústria. O seu correcto dimensionamento. Nos sistemas por bombeamento directo podem considerar-se duas soluções alternativas.1 Introdução O presente capítulo deste manual tem por objectivo descrever e caracterizar os tipos de sistemas de elevação existentes.

A pressão correspondente a essa descarga é a altura manométrica da instalação. pressóstato. quando duas bombas funcionam em paralelo. 5 . ela deverá funcionar assim numa zona de bom rendimento. O seu princípio de funcionamento é o seguinte: sempre que o nível da água atinge o ponto mais baixo no interior do reservatório hidrofórico.Definição das curvas características das bombas No primeiro caso.2 Grupos electrobomba 3. No segundo caso as duas zonas não se recobrem. Em instalações de pequeno porte poderá ser utilizado com reservatórios ou carregador de ar ou reservatórios com membrana a separar a fase líquida da fase gasosa. >> 0) pelo que uma pequena variação de caudal é acompanhada por uma grande variação da altura de elevação e por consequência da pressão (curva típica de bombas multicelulares). 6).Eléctrodos ou interruptores de nível. Característica inclinada em que qm ≥ 1/2 QM.1 Selecção das bombas A zona útil da curva característica de uma bomba é definida por critérios técnico económicos. aumenta a pressão no seu interior e a almofada de ar comprime-se armazenando energia potencial (elástica).2. a zona útil de variação de caudal das duas bombas recobre parcialmente a zona útil de uma única bomba (fig.Selecção das bombas 56 . ou ainda. 7 . enchendo-se o reservatório.3.3. O caudal de dimensionamento das bombas deve ser 15 % a 25 % superior ao caudal máximo do consumo previsto para o edifício. Uma bomba não pode funcionar sem inconvenientes. considera-se a zona de variação de caudal correspondente à parte útil da curva característica das bombas (fig. Fig. Esta zona é em geral definida pelo fabricante.Zona útil da curva característica de uma bomba Grundfos As curvas características das bombas podem ter diferentes configurações: Algumas caracterizam-se por apresentar um traçado de tangente praticamente horizontal. medidores de caudal e todos os sensores e equipamento necessário ao comando. 6). Fig. ela é limitada pelos caudais mínimo qm e máximo QM. a curvatura é acentuada (tangente 3. pelo contrário. se for entretanto atingido um nível superior préfixado será accionado o compressor de ar. 6 . Instalações de grande e médio porte exigem a aplicação de um ou mais reservatórios de membrana ou uma central de ar comprimido. À medida que o nível da água se eleva no reservatório. Para melhor precisar estas noções.Manómetros. . Fig. com caudais muito superiores ou muito inferiores ao caudal correspondente ao ponto de maior rendimento. um sensor. o que quer dizer que a uma grande variação de caudal corresponde uma pequena variação da altura de elevação da bomba e correspondentemente da pressão (curva típica das bombas monocelulares). dá partida à bomba.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável . Quando a água atinge o nível máximo a bomba é desligada. Distinguem-se os casos: Característica pouco inclinada quando qm < 1/2 QM. Noutras. um interruptor de flutuador. protecção e controle das bombas e compressores.

Determinadas gamas de caudais não são abrangidas. 9). ocorre um salto brusco de A3 para B3. para C5 e por fim C4.2. . tais como as zonas entre Qa3 e Qb2 e também entre Qb5 e Qc4. o ponto de funcionamento desloca-se progressivamente de A1 para A2 e A3. e realiza-se como se segue: Se o consumo da rede aumenta quando se encontra a funcionar apenas uma das bombas do sistema. o arranque e a paragem das bombas são efectuados automaticamente. Nesta situação. Para se evitarem os inconvenientes descritos. a selecção dos grupos electrobomba deve ser a favor dos que se caracterizam por curvas características com inclinação acentuada. conforme está representado na figura 8. o ponto de operação do sistema passa de C4 para B4.Através do diferencial de pressão. deve instalar-se um depósito hidropneumático ligado ao colector de descarga comum das bombas (fig. com passagem do ponto de operação de B5 para C5 seguida de uma evolução progressiva de C5 para C6 e assim por diante.3. o caudal debitado pela bomba aumentará para satisfazer o consumo. bombas multicelulares. passando por todas as fases intermédias. São dispositivos providos de contactos eléctricos biestáveis. Em A3 é atingida a pressão mínima. Qp . .2. . evolui-se progressivamente de B3 para B4 e seguidamente. Os órgãos que asseguram o arranque e a paragem das bombas são os pressóstatos. se o caudal requerido cair e permanecer no interior destas zonas.Através do diferencial de caudal.2. através do circuito de comando a abertura e fecho dos contactores de potência. Se o consumo de água continua a aumentar. designada regulação debitométrica. 3. e operação com a curva 1P em que o ponto de funcionamento passa de B2 para A2. é posta em marcha a terceira bomba. correspondente à pressão máxima de funcionamento com três grupos electrobomba.Em cada arranque e paragem de uma das bombas.caudal de arranque. Com o arranque da segunda bomba. O caudal médio de uma bomba determina-se pela expressão: Qm = em que: 2 Q2 2 ( a + Qa − Q p + Q p ) × 3 Qa + Q p Fig.Evolução de A2. através de uma das duas opções: . 57 .caudal de paragem Verifica-se o mesmo procedimento quando as necessidades de água diminuem: . Também se pode empregar a fórmula simplificada: Qm = Qa + Q p 2 3. Destacam-se alguns inconvenientes relacionados com este tipo de funcionamento: . para B5.Quando o caudal solicitado pela rede for inferior a Qa0. até A1. do respectivo caudal e da pressão.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável A experiência mostra que quanto maior é a diferença de pressão entre o arranque e a paragem das bombas mais reduzido resulta o volume do reservatório. o que faz arrancar a segunda bomba do sistema e a curva funcional passa a ser a curva 2P (duas bombas em funcionamento). 8 Qa .Evolução progressiva de C6. correspondente à curva 2P. designada regulação manométrica.1 Regulação manométrica A regulação manométrica é a mais utilizada. mas a pressão de descarga da bomba diminuirá. que permitem.Paragem da segunda bomba. .3. ou seja. Assim. que são accionados mecanicamente pela pressão da água. o funcionamento é instável com arranques e paragens frequentes da bomba. ocorre uma variação brusca do ponto de funcionamento e consequentemente.Paragem da terceira bomba 3P e passagem para um funcionamento com duas bombas. sendo o caudal debitado pelas bombas desajustado às necessidades. etc. Nesta evolução. a sua curva de funcionamento evoluirá de R1 para R6. .2 Comando das bombas Nas centrais de pressurização com bombas de velocidade fixa. o funcionamento também será irregular com paragens e arranques frequentes. .

ao contrário da água que é praticamente incompressível. 11 . Fig. a presença do depósito hidropneumático altera ligeiramente os pontos de funcionamento do sistema. verifica-se que há uma sobreposição das gamas de caudal entre n bombas e n+1 bombas em funcionamento porque Qb1 é inferior a Qb2. depois progressivamente. O somatório dos caudais individuais corresponde ao caudal global de valor aleatório.Sobreposição com a zona de caudais debitados por n+1 bombas Fig. A maior parte dos depósitos são. Um caudal compreendido entre Qa1 e Qb1 não poderá ser obtido com um funcionamento contínuo. É nesta situação de não sobreposição dos campos de caudais que o depósito se torna indispensável. A diferença de pressão entre C e D' deve-se também às perdas da carga da ligação ao depósito. de B' para B. à medida que o depósito se esvazia para atingir a No exemplo ilustrado pela figura 12. Paragem da 2ª bomba: Na paragem. consumido pelo edifício e da respectiva pressão de operação. Verifica-se então um funcionamento intermitente entre n bombas e n+1 bombas.Gama de caudal coberta por n bombas Gama de caudal coberta por n+1 bombas 58 . o excesso de caudal debitado pelas bombas alimenta o depósito enquanto não se atingir a pressão do ponto de funcionamento. Um caudal compreendido entre Qa1 e Qa2 pode ser fornecido com n+1 bombas em funcionamento contínuo. Como se pode observar na fig. esta diferença vai alimentar o depósito. O dimensionamento de uma instalação tem como objectivo a satisfação do caudal de ponta. 10. não temos qualquer sobreposição das zonas de funcionamento. Fig. aprisionado na parte superior do depósito. enquanto que o caudal fornecido à instalação (consumo) permanece praticamente inalterado. A ligeira variação entre A e B' deve-se às perdas de carga no ramal de ligação do depósito. A característica da curva de funcionamento do sistema varia continuamente em função do caudal solicitado pelos consumidores. Fig. 12 . equipados com membranas que impedem o contacto do ar com a água. 10 Modo de funcionamento: Arranque da 2ª bomba: No arranque. é comprimido e expandido em função da pressão de funcionamento das bombas. entretanto. reduzindo os problemas de corrosão e evita a introdução de dispositivos de compensação de ar. No exemplo ilustrado na figura 11. que estará compreendido entre 0 e Qmax.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável pressão do ponto de funcionamento D. actualmente. Um caudal compreendido entre Qb1 e Qb2 poderá ser fornecido com n+1 bombas em funcionamento contínuo. o funcionamento do sistema altera-se bruscamente do ponto C para D' e a partir de D' progressivamente para D. porque o caudal Qa2 é inferior a Qb1.Gama de caudais garantidos por n bombas . Ou seja a passagem de A para B' implica um aumento brusco do caudal de funcionamento das bombas. o ponto de funcionamento evolui rapidamente de A para B' e. 9 O ar sob pressão. O caudal Q' poderá ser garantido com n bombas (ponto A') ou n+1 bombas (B') em funcionamento contínuo. impedindo a dissolução do ar na água.

O caudal crítico Qc. Deverá efectuar-se um compromisso entre os três parâmetros.2. sendo o esvaziamento e enchimento mais rápidos.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3.Aumento da gama de caudais não coberta pelas bombas em funcionamento contínuo. .1. . Sendo assim.a reserva de água for reduzida (um volume total do depósito reduzido ou um pequeno diferencial entre as pressões Pmin e Pmáx).2. um caudal de enchimento e esvaziamento mais elevado. Absorver as flutuações bruscas de pressão e de caudal durante a abertura e o fecho dos equipamentos de consumo (trata-se contudo de uma função secundária que não justifica por si só a presença do Depósito). Qc = Qn + Qn +1 2 Fig. portanto. 13 apresenta o tempo de duração de um ciclo em função do caudal. corresponde ao ciclo de duração mínima e. Conclui-se. cujos efeitos serão: . nas zonas em que o caudal não é garantido pelas bombas. (fig. . 13 .3. mais probabilidades de ocorrerem situações de funcionamento intermitente. 14) apresenta três consequências.Tempo de duração de um ciclo em função do caudal A curva 3 da fig. o período de um ciclo é tanto mais curto quanto: . Fig. Por outras palavras. .2 Períodos de funcionamento A duração de um ciclo completo conforme foi descrito anteriormente deverá ser tanto mais importante quanto mais elevada for a potência dos motores.o caudal absorvido ou fornecido pelo depósito for elevado (gama vasta de caudais não abrangidos pelo funcionamento das bombas).Redução da gama de caudais coberta pelas bombas e. Assegurar a manutenção de pressão na instalação quando todas as bombas se encontram paradas.3. conduzindo a uma maior frequência de arranques e paragens. .Número de arranques do motor. Esta diferença é absorvida pelo depósito.Diminuição da reserva de água disponível (volume útil) no depósito devido à redução do diferencial de pressões. . É importante assegurar-se que não é ultrapassada a frequência horária de arranques admissíveis. Contudo. é indispensável manter-se um diferencial mínimo entre as pressões Pmáx e Pmin. Podemos considerar que o caudal médio corresponde a metade da gama de caudais abrangida. cujo valor diminui à medida que a potência dos grupos aumenta.Maior frequência de arranques.2. absorvendo o excesso de caudal (Qconsumo < Qbombeado) ou complementado a insuficiência do caudal bombeado (Qconsumo > Qbombeado).Volume de reserva de água. um reduzido diferencial de pressões Pmin/Pmáx. 14 . Resultando um aumento do diferencial médio entre o caudal consumido e o caudal bombeado.Cobertura dos caudais em funcionamento contínuo Q = Caudal Médio 59 .1.1 Função do depósito hidropneumático O depósito hidropneumático tem uma função tripla: Servir de reserva. por conseguinte ao número máximo de arranques. que não se podem optimizar simultaneamente os seguintes parâmetros: . 3.Flutuação da pressão. Para se garantir uma pressão de utilização praticamente constante.2. obtém-se uma reserva de água no interior do depósito menor.

esta opção implica uma automatização da operação mais sofisticada e há que tomar em consideração a frequência de arranques da unidade de apoio. maiores variações de pressão). é possível obter-se uma melhor cobertura da gama da caudais (fig. 19 . não tem qualquer influência (fig. 18 . O custo de investimento não pode ser comparado ao de uma solução convencional em que já não se fala de pressurização mas de "distribuição". É uma solução "parcial" na medida em que esta temporização permite que o ponto de funcionamento ultrapasse os limites da gama de pressão estabelecida (ou seja. que impõe um tempo de ciclo mínimo Tmin. 15 . Fig. fora deles. (sendo a cobertura de caudais mais favorável).Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Podem ser instalados temporizadores com a finalidade de retardarem a paragem ou o arranque de cada bomba (fig. correspondente ao funcionamento com caudal nulo não seja demasiado elevada em relação à Pmáx. será necessário dispor-se de um grande volume útil. 15). 60 . A temporização. sem ter de se enfrentar o problema de um número elevado de arranques. 16).Tempo de ciclo Para se obter uma variação de pressões extremamente reduzida entre o arranque e a paragem. Três bombas principais dimensionadas para um caudal de 20 m3/h à pressão de 5 bar mais uma bomba de apoio de 10m3/h a 5 bar oferecem uma maior flexibilidade do que quatro bombas de 20m3/h.Três bombas principais de 20m3/h e uma bomba auxiliar de 10m3/h Fig. 17 Através do agrupamento de bombas com diferentes capacidades. Uma estrutura deste tipo é frequentemente utilizada em instalações de grande dimensão ou em estações elevatórias. só se encontra activa durante os ciclos mais curtos. Fig. O reservatório de água representado na figura 17 é o exemplo de um reservatório de grande volume. 18 e fig.Influência das temporizações no deslocamento do ponto de funcionamento É importante que a altura manométrica total Hmt das bombas. utilizando bombas de velocidade fixa.Quatro bombas de 20 m3/h Fig. 16 . No entanto. Fig. o que vai ao encontro de objectivo inicialmente pretendido. 19).

Regulação debitométrica p p − pa p p + pt 61 .3. escolher valores adequados para se obter uma sequência ininterrupta do campo de funcionamento e. bem como os arranques frequentes das unidades principais. mais dispendiosa do que uma regulação manométrica. 20 . TABELA 1 Número máximo de arranques por hora de grupos electrobomba Potência do motor ( kW ) Número máximo de arranques ( horário) Duração do ciclo (segundos) 4 60 7.Grupo de três bombas + Bomba Jockey 3.5 15 40 30 18 25 20 20 60” 90” 120” 144” 180” Fig. 21 . No entanto. tais como de campos de golfe.3. que são prejudiciais às canalizações. a partir do momento em que a primeira bomba entra em operação. 3. Podemos. quanto mais potente for o motor menor deverá ser a frequência de arranques. o volume de água descarregado pelo reservatório com bombas paradas) resulta da aplicação da Lei de Boyle Mariotte para a expansão de gases: C = Vt Fig.2.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3. evita-se a utilização de um depósito de grande capacidade. Contudo.2. assim.3 Bomba auxiliar (Jockey) Trata-se de uma pequena bomba.3. utiliza-se este tipo de controlo nas instalações de maior importância.3. futebol ou hipódromos. podem-se adoptar valores maiores que os anteriormente indicados*.3.1 Introdução Os reservatórios de membrana. Esta bomba Jockey.1.2 Dimensionamento O cálculo da capacidade útil real de um reservatório (isto é.2. entre dois períodos de funcionamento consecutivos. de tal forma que acompanham o consumo. por conseguinte. Como regra geral. evitam-se as flutuações bruscas e acentuadas de pressão devido ao escape de ar nos aspersores e ventosas. Por este motivo. 20). utilizada para assegurar a manutenção da pressão da rede em sistemas de pressurização de grande dimensão. uma operação contínua dos grupos.3. é de notar a persistência das flutuações de pressão.2 Regulação debitométrica Neste tipo de regulação o controlo dos arranques e paragens das bombas é efectuada através de caudais de referência (fig. oferecem a vantagem de não necessitarem de dispositivos de compensação do ar perdido. que são tanto mais importantes quanto menor for o número de bombas em funcionamento (curvas mais inclinadas). quando as bombas principais estão paradas (fig. ou imobilizada. tais como os devidos às fugas de caudal da instalação.2.3. em geral. mais atenuadas são as flutuações de pressão.2. 3. dispendioso.3 Reservatórios de membrana 3.3. de acordo com a tabela 1 para bombas e motores especialmente dimensionados. * Atendendo a que os factores limitativos são os componentes de controlo eléctrico e restantes componentes mecânicos. Deste modo. ficando reduzida ao mínimo a margem de flutuação de pressão em todo o campo de operação. devido à emulsão entre o ar em contacto directo com a água sobre pressão.3 Número máximo de arranques dos grupos electrobomba A frequência máxima de arranques dos grupos electrobomba deve estar limitada de acordo com a tabela abaixo. Quanto maior o número de bombas em funcionamento paralelo. Deste modo. O dimensionamento destes órgãos tem por objectivo a determinação da sua capacidade e o número de unidades a aplicar. Observa-se que o arranque da primeira bomba é efectuado obrigatoriamente por pressão. a manutenção da pressão é assegurada pela bomba Jockey evitando a entrada de ar nas tubagens. 21). tal como nos reservatórios tradicionais. Uma regulação debitométrica é. 3. utilizados em pequenas e médias instalações. A sua função está limitada a satisfazer as necessidades dos períodos de consumo reduzidos. pode ser mantida em funcionamento permanente. Em determinadas redes de combate a incêndios ou rega. além de que a respectiva instalação no local é bastante mais delicada. também correntemente denominados depósitos de membrana.

Volume de ar correspondente à pressão de arranque Pa.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável C .Duração de um ciclo em segundos. Cu .2 Vt. é o limite de segurança de utilização de água do reservatório.Pressão de arranque (bar) Pb . em litros.4. Como a frequência máxima de arranques de uma bomba se verifica quando o consumo é igual a 50% do caudal bombeado. que se pode enunciar como: "À mesma temperatura.5d. Vu . entre o arranque e a paragem da bomba. Aplicando a Lei de Boyle Mariotte à expansão do volume de ar entre Pa e Pp vem: (Pp+1)×Vp = (Pa+1)×Va = (Pa+1)×(Vp+Vu) De onde resulta.Caudal consumido pela instalação em litros.Reservatório hidropneumático Grandezas a considerar: Z . P V =P V =C 1 1 2 2 te Na fig.Pressão de paragem (bar) Pa . Esta altura. A .Caudal bombeado. por minuto.Volume residual. deve ser igual a 2.Pressão manométrica de paragem da bomba (bar).Volume total do reservatório (M3) Vr .Volume total do reservatório (litros) Pp .3.5 vezes o diâmetro da canalização. É o volume de água que é introduzido no reservatório. explicitando a equação para Vu: Ct = T ×Q 240 O número total de reservatórios necessários é de: N= Ct C 3. Vp . h2 .Altura correspondente a Vr. Pa . isto é. tem como objectivo evitar a introdução de ar nas canalizações. ou seja. Q .Pressão manométrica de arranque da bomba (bar). 22 .Volume útil de água no reservatório. é o volume de segurança que está compreendido entre o nível de água correspondente à pressão Pa e o fundo do reservatório. a capacidade total necessária é de: Fig.Capacidade útil real (litros) Vt . também se baseia na Lei de Boyle Mariotte. h2 = 2. compreendido entre os níveis de arranque (Pa) e paragem (Pp).3. por minuto. Funciona como reserva sempre que houver consumo com as bombas fora de serviço. Vu = Va × (p p + 1)− (pa + 1) Pp + 1 [ ]= V × (p a p − pa ) Pp + 1 62 . com a finalidade de representarem as diversas grandezas em jogo. 22 apresenta-se esquematicamente um reservatório hidropneumático. Vt .1 Dimensionamento O principio de funcionamento dos reservatórios hidropneumáticos.Volume de ar correspondente à pressão de paragem Pp. durante o período em que a pressão do ar no seu interior aumenta de Pa até Pp.Pressão barométrica (bar) Para calcular a capacidade útil necessária recorre-se à expressão: Cu = T A(Q − A) × 60 Q em que: T .Número de arranques por hora da bomba.Capacidade útil necessária. Este volume deve ser da ordem de 20% do volume total.4 Reservatórios hidropneumáticos 3. Vr = 0. Va . o volume ocupado por um gás varia na razão inversa da pressão a que se encontra submetido". Pp .

Pc = Pmin-0. entrando com o número de arranque por hora e com os valores das pressões relativas de arranque e paragem obtém-se a relação entre o caudal da bomba m3/h e o volume total do reservatório Vt. obtém-se: Q/Vt =10 ∴ Vt = 9/10 = 0.8 Vt.5 2 2.16 0.27 0. determina-se na tabela 2 a relação entre o volume útil Vu e o total Vt em função das pressões de arranque e paragem. vem: Vu = 0.24 0.Número máximo admissível de arranques horários.5 d) Fórmula proposta pela norma brasileira NB-92 A norma brasileira utiliza um ábaco reproduzido na fig.2 0. Em que: Vt = Volume total em litros Qmáx = Consumo máximo provável do edifício expresso em litros/minuto.9 m³ TABELA 2 Pressão de paragem (bar) (máx.23 O cálculo do volume total do reservatório é feito através da aplicação de fórmulas empíricas.3 0.2 0.Volume total do reservatório hidropneumático (Vt) em função do caudal (Q) e) Fórmula de Valibouse V0 = T ×k HM − Hm 4 × H M + H b Qm (litros ) 63 . 23 .+1) x (Pmáx+1) S ∆P Pc+1 Vtotal = volume total do depósito em litros S = número máximo de arranques por hora.26 0.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Considerando que o volume morto é igual a 20 % do volume total Va=0. b ) Fórmula deduzida por Ângelo Gallizio A expressão é aplicável a instalações com compressor Vt = 30 × Q pp +1 × z p p − pa Q . deduzidas por diversos autores como resultado de estudos teórico-experimentais.5 l/s = 9m³/h Z = 8 arranques hora Pp = 4 bar (pressão relativa) Pa =2 bar (pressão relativa) Entretanto. Z . com estes valores no gráfico.32 0.13 0.8 × Vt × (p p − pa ) Pp + 1 Exemplo: Q = 2. 23.descarga correspondente ao consumo máximo da rede.34 0. Pc = Pressão de ar no depósito de membrana.08 0.) Pp 2 3 4 5 6 1 Pressão de arranque (bar) Pa 1. em litros por minuto. Indicam-se seguidamente algumas das mais utilizadas: a ) Fórmula proposta por Harold Nickels Vt = 10×Qmáx.4 0.4 0. dependente da potência e fabricante do motor eléctrico Qm = caudal médio de uma bomba em l (min) Pmáx = pressão de paragem Pmín = pressão de arranque ∆P = Pmáx .29 0.4 0.13 0.Pmin.25 x Qm x (Pmín. Fig.4 0.5 4 0.5 3 3. c) Pela fórmula da Grundfos Vtotal = 16.1 0.33 0.

Vu = 1.25 × T × Qm 4 Vt = Vu × (p a + 1)× (p p + 1) (pi + 1)× (p p − p a ) Fig.3. Ha . 25 . é uma disposição em que se aproveita também a pressão da rede.Bomba a aspirar do tanque de armazenamento Pi . com a vantagem de não se provocar uma descida apreciável da pressão de aspiração durante o arranque das bombas.Pressão máxima de paragem em bar. 27 representa uma instalação doméstica típica em meios rurais com utilização de captação própria. Fig. 24 . Há todo o interesse em pré-comprimir o reservatório a uma pressão vizinha da pressão de arranque Pa e adoptar um diferencial de pressão Pp-Pa tão alto quanto possível.Tempo mínimo entre dois arranques consecutivos da mesma bomba.Tempo de duração de um ciclo (minutos). apresenta-se um esquema com bomba a aspirar directamente da rede.2 em geral). e a garantia de uma reserva de água durante as interrupções do consumo. 64 . Por se considerar do maior interesse prático e sem a preocupação de ser exaustivo.Instalação doméstica rural A fig.Bomba a aspirar da rede com reservatório de compensação Na figura 25.Pressão inicial de pré-compressão (bar). HM . 27 .Pressão mínima de arranque em bar.Caudal médio (litros/minuto) f ) Cálculo considerado uma pré-compressão arbitrária Fig. T . O arranjo da fig.Tempo mínimo entre dois arranques da mesma bomba K . 26 tem como principais vantagens uma separação hidráulica entre a rede exterior e a do edifício. mostra-se um reservatório intercalado entre a rede exterior e os grupos de bombeamento. 26 .Bomba a aspirar directamente da rede Na fig.5 Exemplos de situações-tipo A concepção de um sistema de elevação de pressão deve ajustar-se em cada caso. 3. 24. é uma solução utilizada sempre que a pressão disponível na rede exterior é apreciável.Pressão atmosférica T . caracterizam-se algumas situações-tipo documentadas com figuras. às exigências (quantitativas e qualitativas) dos diversos consumidores e aos condicionalismos próprios da instalação e da rede exterior.Coeficiente de segurança (K=1. Qm .Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável T . Hm . O exame da fórmula diz-nos que o volume Vt do reservatório é proporcional às pressões de arranque e paragem. Fig.

Fig.4. • conforto de utilização com uma pressão de utilização praticamente constante.6 Características das centrais hidropneumáticas As instalações hidropneumáticas apresentam as seguintes características: . 28 . Suponha-se que o consumo se estabiliza no valor q correspondente ao ponto M de funcionamento da bomba (q. correspondente à variação de consumo ao longo do dia. 29 . 29. funcionando a instalação apenas nos períodos em que a piezométrica não é suficiente para alimentar todos os pisos em perfeitas condições. • minimização da potência perdida para economia de energia. A curva é traçada em função de um ponto de referência R. mas sim. No estudo de um sistema por bombeamento directo deve começar por traçar a curva característica da rede.1 Constituição e princípio de funcionamento Os sistemas por bombeamento directo caracterizam-se pela existência de uma ou mais bombas a operarem em paralelo. como se sabe. uma curva "ideal" que se pretende satisfazer. Normalmente a curva característica das redes dos edifícios têm um andamento parabólico. .Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Na concepção e dimensionamento destes sistemas põe-se com particular acuidade os aspectos que a seguir se referem e cujas razões justificativas decorrem do texto que se segue: • segurança em serviço. 65 . 3.Ponto de referência R Nem sempre a zona de melhor rendimento da bomba corresponde a um bom rendimento da instalação. • garantia de funcionamento nos períodos de caudal reduzido. sendo a descarga directa à rede.4 Sistemas por bombeamento directo 3.3.Flexibilidade para acréscimo da capacidade resultante de um aumento de consumo. a aspirarem directamente da rede exterior ou de um reservatório. Na fig. . 3.Ocupação de um espaço reduzido.Simplicidade de operação e manutenção. . h). se assegura uma pressão compatível com o bom funcionamento de toda a rede do edifício. O ponto de funcionamento é descrito pela curva C2.Custos iniciais reduzidos comparados com outros sistemas. Esta não é a curva real fixada pelas características das canalizações e aparelhos de consumo. Observa-se que a bomba debita o caudal q a uma pressão mais elevada dissipando em perdas uma potência que pode ser considerável e cujo valor relativo é apresentado pela razão dos segmentos MB/MA Fig. 28 aplica-se em edifícios situados em locais em que a pressão da rede exterior sofre grandes variações diárias. arbitrado de tal modo que para qualquer valor de caudal. essa variação é normalmente apreciável. representam-se as curvas características de uma rede e de uma bomba.Instalação em "by-pass" A instalação da fig.

1 Modo de funcionamento Nos sistemas com bombas de velocidade variável. com a finalidade de se poupar energia nestes períodos.2. mostram-se várias curvas características de uma bomba com diferentes velocidades de rotação. Esta bomba tem geralmente 50% da capacidade das bombas principais.Curva de potência Na fig. a pressão é mantida constante. são detectadas por um sensor que actua no variador de velocidade de forma a manter a pressão de bombeamento constante.3. como se pode observar. para uma pressão constante de 7. por exemplo.Ponto de funcionamento da bomba instalada.4. rpm Fig.Curvas características de uma bomba a diferentes velocidades 3. • A altura mínima H2 relativa ao consumo mínimo da rede com a pressão máxima da aspiração. 30 o rendimento da dissipação é dado por RS/PS Resulta assim que. 30 . 31 .3 Sistemas com bombas de velocidade variável 3.4. P .4.1 Modo de funcionamento Nos sistemas de velocidade fixa a pressão de descarga nas redes é mantida aproximadamente constante.4. 3.3 Selecção das bombas Com as curvas características extremas da rede e os valores do consumo máximo e mínimo (fig.2 Variação das curvas características O andamento da curva característica de uma bomba varia com a sua velocidade de rotação de acordo com as expressões: Q2 N2 = Q1 N 1 e H2  N2 = H1  N 1      2 N P ∴ 2 = 2 P1  N1      3 Fig. é necessário dotar a instalação quer de válvulas reguladas para evitar que a pressão ultrapasse valores indesejáveis na rede.3. Po .5 bar e uma variação de caudal entre 500 e 1000 m3/h corresponde uma variação do rendimento máximo compreendido entre 70 e 80 %. para os menores consumos correspondentes às horas mortas. quer por variação do consumo.Curva de potência teórica necessária para garantir no ponto R o caudal Q à pressão H0. o rendimento praticamente não varia com a velocidade. Em certas centrais uma das bombas é dimensionada para as horas de menor consumo. do tempo de funcionamento e das anomalias. PQ .32) determinam-se as alturas manométricas máxima e mínima das bombas: • A altura máxima H1 relativa ao consumo máximo da rede com a pressão mínima da aspiração. Por outro lado.Potência teórica necessária para fornecer o caudal q. Na figura 31.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3. independentemente do consumo da rede. rpm rpm rpm rpm rpm rpm 3. QR .4. através da activação e paragem das bombas em consonância com as necessidades do consumo.2 Bombas de velocidade fixa 3. Estas centrais fazem a alternância automática do funcionamento das bombas.Potência perdida devido ao rendimento do motor e das bombas. RS. em função do caudal.3. quer com um pequeno reservatório hidropneumático.Potência dissipada inutilmente. 66 . As variações da pressão de descarga das bombas provocadas quer por alteração da pressão de aspiração. sempre que uma estação eleva directamente para a rede é importante minimizar a potência perdida o que pode ser conseguido adequando quer o número de bombas quer a sua velocidade.4.

proporcional à pressão medida. este irá controlar o variador de frequência da seguinte maneira: . Nestes casos. 32 . 4-20mA ou 0-10V.Instalar todas as bombas com velocidade variável.Determinação das alturas manométricas máximas e mínimas Na fig. Fig. Fig. o ponto de funcionamento com o caudal máximo de cada bomba (Qmáx) e altura manométrica máxima (H1) deverá situar-se à direita da zona de maior rendimento (fig. por sua vez.Conjugar várias bombas de velocidade fixa com uma ou duas de velocidade variável que servirão para ajustar o ponto de funcionamento da instalação às exigências de caudal e pressão da rede.Com apenas uma bomba em operação à pressão mínima. onde as pressões H1 e H2 são diferenciais. rodando sempre sincronizadamente. A pressão de serviço pode ser materializada no controlador por uma recta horizontal ao longo da qual se desloca o ponto de funcionamento da instalação (fig. 33 . Existe um controlador que compara o sinal medido.As bombas com velocidade variável têm um limite mínimo de velocidade abaixo da qual não produzem caudal à pressão pretendida. . Independentemente do caudal requerido. máxima pois a Pdiferencial = Pdescarga Haspiração Para o efeito. 35).Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável A pressão a ser mantida na conduta de compressão é assim: Pdescarga= H1+H aspiração mínima = H2 +H asp. .Zona de funcionamento das bombas 67 .3. 34). para situações intermédias.Se Pmedida = Pserviço a velocidade mantém-se constante.4 Regulação manométrica Neste caso.Se Pmedido < Pajustado é emitida ordem de aceleração. 32) são os pontos críticos de operação das bombas. diversas situações são praticáveis tais como: . 32. as bombas deverão debitar o caudal Qmáx à pressão H1 (ponto C). Como as bombas operam a maior parte do tempo com valores médios de caudal e pressão de aspiração. Os pontos C e F (fig. que foi pré-programado. . Controlador Controlador Fig.Se Pmedido > Pajustado é emitida ordem de desaceleração.4. 3. 33). usa-se um transdutor de pressão para efectuar a medição analógica da pressão em substituição dos pressóstatos (fig. a manutenção da pressão da descarga traduz-se por rectas horizontais por C e por E e uma infinidade de. a instalação funciona de modo a manter a pressão constante. 34 O transdutor de pressão emite um sinal de 0-20mA. já não se verificam as limitações relacionadas com os diferenciais entre a pressão mínima e máxima como na regulação por pressóstato A regulação manométrica é efectuada em permanência quaisquer que sejam as aberturas e fechos de válvulas.Com todas as bombas em funcionamento na rotação máxima. . o que pode traduzir-se no seguinte: . com o valor ajustado. outras compreendidas entre essas. a bomba deverá recalcar o caudal Qmin à pressão H2 (ponto F). .

Na prática. princípio de deslocamento do ponto de funcionamento No instante t. se a bomba de velocidade variável for alimentada a 50 Hz no máximo. a curva da rede R altera-se para R' e o ponto de funcionamento evolui de M passa para M1. O ponto de funcionamento altera-se de M para M1. Com efeito.Regulação manométrica. 36 Fig. independentemente do número de bombas em funcionamento: Qmáx n Bombas = Qmin n+1 bombas 68 . Fig. o ponto de funcionamento desloca-se numa linha horizontal (pressão ajustada para serviço (fig. 35 . o consumo diminui e a característica da instalação vai de R para R'. acelera-se a bomba de velocidade variável até se verificar um ligeiro excesso de velocidade da ordem de 52 a 55 Hz. logo: PM1 > Pajustada significa desaceleração até que Pmedida = Pajustada A velocidade de rotação da bomba diminui e a curva de funcionamento das bombas passa a ser P' e o ponto M1 desloca-se para M2. 37 Se a velocidade da bomba em variação atingir o valor mínimo ou máximo. as torneiras fecham-se. Arranque da bomba 2 de velocidade fixa A velocidade da bomba 1 diminui e ajusta-se até Pmedida = Pajustada Bomba 1 VV + Bomba 2 VF Pmedida = Pajustada Considerando que a reacção do sistema é rápida. O que se descreveu pode representar-se no esquema ao lado. Se o consumo aumentar (fig. arranca ou pára uma das bombas de velocidade fixa. 37). 36). obter-se-á. a que corresponde um ligeiro aumento de caudal.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Bomba 1 Variação de velocidade Aumento do consumo Aceleração da bomba 1 Bomba 1 à velocidade máxima Pmedida < Pajustada Fig.

para evitar uma sobrecarga no motor. introduzindo um sistema de paragem debitométrica da bomba de velocidade variável. quando o consumo tende para zero. • Número de arranques dos motores das bombas.Esta regulação garante uma pressão perfeitamente constante. as centrais hidropneumáticas de velocidade variável encontram-se frequentemente equipadas com um depósito de volume reduzido. As principais vantagens relacionadas com a utilização da variação de velocidade em sistemas de pressurização são: . associada ao número de bombas. compreendido entre 0 e Qmáx. Na realidade. Se alimentarmos a Bomba de Velocidade Variável. Se optarmos por esta solução em que se admite um acréscimo da velocidade da bomba. Enquanto que.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Poderá ser obtido um caudal compreendido entre Q1 e Q'1 quer com uma ou duas bombas em funcionamento. para se garantir a pressão do sistema. embora este acessório seja dispensável. 39 . com uma frequência de 53 ou 54 Hz. o valor admissível para Q1 = Caudal máximo de 1 bomba com Velocidade Variável Q'1 = Caudal mínimo com 2 bombas (1 com Velocidade Variável + 1 com Velocidade Fixa) Q2 = Caudal máximo com 2 bombas (1 com Velocidade Variável + 1 com Velocidade Fixa) Q'2 = Caudal mínimo com 3 bombas (1 com Velocidade Variável + 2 com Velocidade Fixa) Fig. • Volume do depósito hidropneumático reduzido. sem arranques ou paragens. Observa-se que se a instalação compreender bombas de grandes dimensões e for necessário garantir-se um caudal mínimo sem vibrações dos grupos. com acréscimo de rotação Qmáx n > Qmin n+1 69 . . com uma instalação de velocidade fixa. verifica-se: Qmáx n Bombas > Qmin n+1 bombas Q’ = Caudal máximo de 1 bomba com Velocidade Variável (55Hz) Q1 = Caudal mínimo com 2 bombas (1 com Velocidade Variável + 1 com Velocidade Fixa) Q'2 = Caudal máximo com 2 bombas (1 com Velocidade Variável 1 com Velocidade Fixa 55Hz) Q2 = Caudal mínimo com 3 bombas (1 com Velocidade Variável + 2 com Velocidade Fixa) Q3 = Caudal máximo de 3 bombas (1 com Velocidade Variável + 2 com Velocidade Fixa 55Hz) Fig. na variação de velocidade controlamos ambos.Campo de variação de caudal só com 3 bombas.Sendo assegurada a cobertura de todos os caudais. assim como um funcionamento contínuo. em cada transposição destes valores. a sua inserção tem como vantagens. e daí o risco do número máximo de arranques ser excedido. 10 % de velocidade em excesso. o depósito hidropneumático poderá ser de dimensões reduzidas. deve calcular-se a potência absorvida ao seu veio. . independentemente do caudal. assegurar a manutenção da pressão na instalação quando todas as bombas se encontram paradas e absorver as variações de pressão gerada em regime transitório. por exemplo. através da variação da velocidade de uma das bombas. acontece o arranque ou a paragem de uma bomba de velocidade fixa. • Economia energética. 38 . enquanto não se verificarem alterações de caudal. • Pressão constante. o que oferece uma solução adequada para os seguintes problemas: • Cobertura constante de todos os caudais. dentro do tempo de funcionamento admissível. não sendo necessário manter-se o seu funcionamento prolongado em condições pouco próprias. correspondente à manobra dos órgãos da rede e assegurar os consumos reduzidos.Campo de variação de caudal com 3 bombas Qmáx n = Q min n+1 Se o caudal consumido variar ligeiramente em torno de Q1 ou de Q2. controlaríamos apenas um parâmetro a pressão ou o caudal. representa cerca de 33% de potência suplementar. Evita-se o funcionamento contínuo com uma bomba à velocidade mínima.Pode satisfazer-se um consumo aleatório.

4. serve para o dimensionamento do volume útil do depósito. devido às perdas de carga no troço compreendido entre A e B. é igual à pressão em A menos as perdas de carga (PA-∆h) (fig. cujo valor varia com o quadrado do caudal.43). também apelidado de manodebitométrico.3. (curva parabólica) permite obter uma pressão no utilizador perfeitamente constante. devido ao: ­ Custo do cabo. Deve-se considerar o desnível geométrico. mas para tal. será efectuada. As perdas de carga são integradas no algoritmo de controlo a fim de se obter uma pressão constante no utilizador mais desfavorável. denominada "pressão disponível".∆hAB (figura 40). ii) Compensação das perdas de cargas Fig. reside no transporte do sinal.20mA Pode encontrar-se esta solução. Apenas uma pressão de controlo ajustada à curva de perda de carga. Tem de se considerar o desnível geométrico entre A e B. assegurar aos utilizadores uma pressão constante no ponto de consumo. PROBLEMA Com uma regulação manométrica clássica. é igual a PA . ­ Transmissão de um sinal de 4 .Perdas de carga antes da distribuição A pressão em B.5 Regulação manométrica compensada Este tipo de regulação. Para o efeito considera-se como caudal crítico: Q c = Q mínimo reduzido 2 Fig. mas sim no local de consumo (fig. a regulação manométrica. É o princípio da regulação manométrica compensada. em certas redes urbanas de distribuição de água. 70 . Fig. A dificuldade da solução. Este tipo de regulação não permite. A pressão já não é medida à saída do grupo sobrepressor. consequentemente dispendioso.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável uma bomba à velocidade mínima Nmin determina-se facilmente. O respeito da igualdade "Pmedida = Pajustada" assegura uma pressão constante no ponto de consumo. A pressão em B. ­ Passagem do cabo. 42 Esta solução é interessante mas comporta determinados limites técnicos e económicos. 40 . através de um sistema de controlo complexo e. mas este tem um valor constante e é independente do caudal. tem como objectivo compensar o efeito das perdas de carga na rede de distribuição. apesar de existir um sistema de variação de velocidade. 41 Soluções a considerar: i) Deslocamento do transdutor de pressão 3. a pressão é mantida constante no local A independentemente do caudal. com base no caudal mínimo admissível à velocidade nominal N pela expressão: Q mínimo reduzido = Q min x N mínimo Nnominal Este caudal mínimo reduzido. a pressão em A não é igual em B. onde são instalados captores de pressão nos pontos mais nevrálgicos da rede. 42).

para tal. este operará em associação com o reservatório hidropneumático. Em que nas horas em que o consumo é elevado. no caso em que ocorrem perdas de carga na aspiração. É importante ter presente as limitações de cada sistema a fim de se evitarem erros e desilusões. em que ocorrem perdas de carga elevadas. entre A e B (fig.A medição da pressão é insuficiente Com efeito. poderão surgir os seguintes problemas: • Se a pressão for mantida constante em A. pode eventualmente assegurar-se uma pressão constante em B. mas o mesmo não se verificará nos pisos inferiores. por mais sofisticado que seja. que forneça uma pressão de serviço perfeitamente coincidente com a curva de perdas de carga (fig. independentemente do caudal. • Se compensarmos as perdas de carga na coluna AB. No entanto. assegura uma pressão constante nos utilizadores. é dispendiosa. necessário haver medição do caudal (fig. conclui-se que um dispositivo de regulação. 44). 46). num edifício onde existem perdas de carga importantes na coluna de distribuição. 46 Fig.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável A . a pressão de serviço ou é programada. uma dada pressão de serviço poderá ser considerada excessiva. sendo contudo ideal uma compensação parabólica. correcta ou insuficiente. A medição do caudal será efectuada por um caudalímetro electromagnético. Medição do caudal Determinação da pressão de ajuste em função do caudal Valor do ajuste de pressão Medição da pressão Desvio da medição com o valor ajustado Comando Fig. Fig. ponto por ponto. 45). que é dispendioso. Por exemplo. de acordo com o caudal de consumo. Por conseguinte. Para se obterem jactos com a mesma altura. 43). não oferece qualquer solução para os problemas colocados pelas perdas de carga na tubagem de distribuição. as perdas de carga nas condutas de alimentação. 43 Pode recorrer-se a uma compensação dita linear. É portanto. O controlador apropriado é. nos pisos superiores (em B) os utilizadores irão sofrer flutuações de pressão devido às variações das perdas de carga. mas sim variável em função do caudal. Esta solução que engloba um controlador sofisticado e um caudalímetro. não permite manter uma pressão constante em todos os pontos de uma rede. Somos igualmente confrontados com este problema nos repuxos de água das fontes públicas. deverão ser desprezáveis. 44 B. Em função do equipamento disponível. Fig.A pressão de serviço P = f (Q) A pressão de serviço já não é um valor constante. é necessário garantir a mesma pressão em cada tubeira e. sofisticado (fig. ou segundo uma equação matemática correspondente. mas. 45 71 . estes pisos sofrem um acréscimo de pressão de modo a compensar as perdas de carga entre A e B. em contrapartida. o que constitui uma abordagem interessante.

250 0. a experiência tem demonstrado que eles fornecem resultados satisfatórios.200 0. industrial e de distribuição pública. e aplicam-se a qualquer tipo de redes.1.100 0. no caso de uma instalação já existente.250 0. desenvolvem métodos de dimensionamento que em geral são sensivelmente iguais entre si. é possível determinar. Este processo utiliza-se no desenvolvimento de um projecto para uma nova instalação. Par tal. 3. 3. visto que. são proporcionais ao quadrado do caudal: ∆h = K x Q2 Assim.5 Dimensionamento e selecção À semelhança da selecção de uma bomba. bastante aproximados à realidade. nas informações técnicas que publicam.5.1 Determinação do caudal máximo Não é muito fácil determinar o caudal exacto de uma instalação. deve considerar-se o caudal consumido em cada ponto de utilização. porque os consumos de água flutuam em função da hora do dia e do tipo de ocupação do edifício em questão.1 Cálculo do caudal a partir de diagramas Este método é utilizado sempre que os dados relativos ao projecto são bastante limitados.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável C .005 0.Mede-se o caudal e a pressão no próprio local.500 0. os n pontos de consumo de água de um edifício nunca serão utilizados ao mesmo tempo.5. Sabe-se que as perdas de carga quer sejam lineares ou singulares. .100 1.700 Fig.5. 47 3. o caudal máximo da instalação. São vários os métodos disponíveis para a sua quantificação.100 0. para se calcularem as perdas de cargas procede-se de uma das seguintes formas: . 48 3.2 Cálculo do caudal em função do número de pontos de consumo Se o número de pontos de consumo for conhecido.350 0.1. de uma forma rigorosa.050 0.350 0. com a ajuda de ábacos ou de tabelas. Ao caudal total assim obtido aplica-se um coeficiente de simultaneidade. O seu grau de precisão poderá ser considerado satisfatório. Os caudais indicados no diagrama são valores máximos (fig. 48). Tabela de Caudais normais das utilizações segundo NFP41-204 Designação Lava-louça Lavatório Lavatório colectivo (por jacto) Bidé Banheira com serviço de água quente Banheira com cilindro de água quente Caudal normal l/s 0. Os fabricantes de centrais hidropneumáticas.Calculam-se as perdas de carga correspondentes a um dado caudal. Banheira com esquentador Chuveiro (água fria ou misturada) Sanita com autoclismo Sanita com válvula de descarga Urinol com autoclismo automático. rega.100 0. interior. a selecção de uma central hidropneumática assenta em duas grandezas fundamentais. o caudal e a altura manométrica. Fig. no local Urinol com torneira individual Boca de rega de 20 mm 72 .Determinação do ponto de ajuste A determinação da relação perda de carga/caudal não é um processo complicado de se obter.

. . . é dado por: Qreal instantâneo = Qcalculado x K. em que K. . As torneiras de descarga funcionam apenas durante segundos. . No caso de hospitais.15 0.20 l/s = 28l/s 70 torneiras . 140 x 0. .03987 K= 1 n −1 QD= 112 x 0.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Torneiras a descarregar nas habitações Número de torneiras instaladas 1a3 3 a 10 11 a 20 21 a 50 mais de 50 Em funcionamento simultâneo 1 2 3 4 5 1º método Leitura directa do ábaco 70 habitações ⇒ 18m3/h 2º método Considerando o número de pontos de consumo de água 70 banheiras x 2 torneiras . .03987 = 4. . . . . . . . . . . . . . Por exemplo. . . . . podemos adoptar como base de cálculo 300 litros por dia e por quarto. . . . ginásios. . . . . . . 1. . . não funcionam em simultaneidade com os outros aparelhos (ver tabela). . . . ginásios ou parques de campismo. para um hotel. . . . . . deveremos tomar em consideração a utilização simultânea de todos os chuveiros. . Nos centros de férias. . repartidos por 3 horas de consumo (ou seja 100l/h de caudal instantâneo por quarto). . . .25 0. . . .30 0. . .10 l/s = 14l/s 70 lava-louças x 2 . . . 1. . . . . .10 0. . . .46 l/s = 16 m3/h No caso de habitações equipadas com válvulas de descarga.45 sendo n o número de torneiras. . . .15 0. .10l/s = 7 l/s 630 torneiras 112 l/s Coeficiente de simultaneidade . . . estas deverão ser calculadas à parte. k = 1 Caudal de dimensionamento do edifício é: 630 − 1 = 0.10 0. . . . quartéis. Não existe uma regra universal e cada projectista basear-se-á na sua própria experiência. . . . . . Exemplo Edifício de grandes dimensões com 70 habitações. .15 0. . . . . . . . .10 0. . . . 140 x 0. compreendendo cada uma: I 1 banheira 1 lavatório 1 bidé 1 lava-louças 1 sanita com autoclismo torneiras I I I I I Em conformidade com as Máquinas industriais e outros aparelhos instruções do fabricante 73 . . . . . . . .5 0. . . mas normalmente. 140 x 0. . 140 x 0. . . . . . impõe-se um estudo para cada instalação específica.15 0. . . que a fórmula apresentada para a determinação do coeficiente de simultaneidade só é válida para habitações. . . . . . . . . escolas.20 0. . . Apresenta-se abaixo o quadro para estabelecimento dos caudais instantâneos segundo o decreto lei nº 23/95 Caudais Instantâneos Dispositivos de utilização Lavatório individual Lavatório colectivo (por bica) Bidé Banheira Chuveiro individual Pia de despejo com torneira de ∅ 15 mm Autoclismo de bacia de retrete Urinol com torneira individual Pia lava-louça Bebedouro Máquina de lavar louça Máquina de lavar roupa Tanque de lavar roupa Bacia de retrete com fluxómetro Urinol com fluxómetro Boca de rega ou lavagem de ∅ 15 mm Boca de rega ou lavagem de ∅ 20 mm Caudais mínimos (l/s) 0. . . .20 0. . . . . . . . centros férias.20 0. . . . . Total . . . . . . .0 bar Sabe-se que o caudal instantâneo. É de notar. . . . . . . 70 x 0. . . . . .5 bar Para válvulas de descarga de urinol . o respectivo coeficiente de simultaneidade é diferente.50 0.35 l/s = 49 l/s 70 lavatórios x 2 .15 0. hotéis. . .10 0. . .10 l/s = 14 l/s Pressão disponível necessária à entrada das torneiras de descarga . . . . . . . . . . . . é o coeficiente de simultaneidade obtido: 70 bidés x 2 . .

2.5 bar em locais de habitação. À perda de carga contínua. deverá ser realizado o cálculo das perdas de carga nos diferentes troços da coluna com base em equações apropriadas.Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3. 3.2. ∆hasp .3 Pressão disponível É a pressão mínima que deverá estar disponível no dispositivo mais elevado ou no ponto mais desfavorável. 51 . pode considerar-se cerca de 10 % da altura geométrica. um edifício de 10 andares. teríamos: Hg = 30 m (10x3 m) Pd = 15 mca ∆h = 3 mca ( 10 % de Hg) Logo.É mantida uma pressão mínima de funcionamento dos aparelhos de 15 mca na torneira mais desfavorável sob o ponto de vista de elevação. Exemplo prático Tomando como exemplo.∆hasp .Pasp) 3.8 bar 3.Número de fluxómetros em utilização simultânea Número de fluxómetros Instalados 4 a 12 13 a 24 + de 24 Em utilização simultânea 2 3 4 3.Caudais de cálculo em função dos caudais acumulados Quadro .5.5. Um valor utilizado na prática é de 3 m por piso a vencer.1 Altura geométrica Desnível geométrico entre o nível da bomba e do ponto de consumo mais elevado.1. Deve ser da ordem de 1.5.2. válvulas.5. será necessário prever uma pressão de descarga de: Pdesc = 30 + 15 + 3 = 48 mca = 4. ou seja.1 Pressão de descarga Serve para: ­ Vencer a altura geométrica de descarga Hg ­ Compensar as perdas de carga na rede ∆h ­ Assegurar a pressão de funcionamento dos aparelhos de consumo (pressão de utilização ou pressão disponível) Pd Pdesc = Hg + ∆h + Pd Hg Fig.4 Pressão de aspiração Depende do tipo de ligação existente. Fig.Ligação à rede de abastecimento municipal Pasp = Prede . etc.2. deverão ser adicionadas as perdas nas singularidades tais como curvas.1. 49 . Para a sua determinação rigorosa. 50 . a altura média de cada andar nos edifícios recentes. deve ser determinada a sua dimensão exacta.2 Determinação da pressão A altura manométrica total determina-se por: (Hmt=PDesc . ou ábacos de perdas de carga.Perda da carga entre a rede de abastecimento municipal e a boca de entrada das bombas 74 . a) Ligação à rede de abastecimento municipal (figura 51) 3.5.Hasp Fig.1.2 Perda de carga Como valor expedito.1. No caso de prédios muito altos ou de edifícios antigos.2.5.

5.3 Regulação das pressões de arranque e paragem A diferença entre a pressão máxima (pressão de paragem da bomba) e a pressão mínima (pressão de arranque) é em geral regulada com um valor compreendido entre 0. se a bomba estiver instalada abaixo da rede de abastecimento.5 =1.5 mca. Aspiração em carga (positiva) ∆Hasp = + 2 mca. porque é difícil de estabelecer um ∆P de 1 bar entre a pressão mínima (Pmin) e a pressão máxima (Pmáx) numa curva QH muito plana. ∆hasp = 1 mca.1 .Pasp = 48 .Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável Prede. Exemplo (com Pdesc = 48 mca.5 mca.Central em carga (Aspiração Positiva) No caso da central funcionar com aspiração negativa. Por exemplo: Prede = 2 bar. 75 .5 mca.3 a 1 bar. No caso de bombas com curvas planas não deverá ser ultrapassado 0.2 )= 50 mca.1.1 = 18 mca subtraindo à pressão de descarga calculada. sinal . Pasp = -1. Hasp = 1 m (bomba instalada 1 m acima do nível da rede).no caso contrário) Constata-se frequentemente que a pressão de aspiração é da mesma ordem de grandeza da pressão na rede. ∆hasp = 0.Desnível geométrico da bomba em relação à rede (sinal +. cada bomba deverá possuir a sua própria tubagem de aspiração.0.18 = 30 mca. Logo. 52 .5 mca Caso 2.5 = . Conclui-se que a central hidropneumática deverá vencer uma altura manométrica Hmt de 30 mca 3. Hmt = Pdesc. calculado previamente) Caso 1.3 bar. No caso das bombas de velocidade variável este problema não se coloca devido ao seu tipo de controlo.( . Hmt = Pdesc .Pressão mínima na rede de abastecimento de água Hasp .5 m ∆hasp = 0.Pasp= 48 . Aspiração negativa ∆Hasp = -1. conforme descrito anteriormente.5 . temos: Hmt = 48 .2 mca.5 = 46. Pasp = 20 . Pasp = 2-0. excepto se a instalação estiver equipada com um colector de aspiração especialmente estudado para o efeito. b) Ligação através de tanque Fig.

Bombas e Instalações de Bombeamento MACINTYRE.La Surpression .Sistemas de Pressurização com Velocidade Fixa e Velocidade Variável 3. J. Archibald Joseph. 17 . Archibald Joseph.6 Referências bibliográficas AGHTM . Dimensionnement. The Hydraulic Design of pumps sumps and Intakes MACINTYRE.Principe. Les Stations de Pompage d'Eau M. Instalações Hidráulicas Office International de l'Eau. Prossen.Association Génerale des Hygiénistes et Techniques. Les Cahiers Techniques Nr. 1995 76 . Applications.

de Eng.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4.ª Mecânica (DEM) do ISEL 77 . CRITÉRIOS DE SELECÇÃO E ANÁLISE DE SISTEMAS SIMPLES EM REGIME TRANSITÓRIO Autor: Eduardo Nunes Director de Projectos da Profluidos Professor Adjunto Equiparado do Dept.

78 .

de forma a determinar-se facilmente a pressão de operação em cada ponto da conduta. a velocidade de escoamento. Calculam-se as depressões e sobrepressões que ocorrerão em regime transitório. etc. níveis de água. As linhas piezométricas de funcionamento em condições estacionárias poderão ser representadas. 79 . superiores à pressão admissível para o material das condutas. paragem e arranque de grupos electrobomba. comportamento das condutas durante a paragem e arranque dos grupos electrobomba com arrancadores suaves. O perfil da conduta elevatória permite-nos visualizar o seu desenvolvimento. calcula para pequenos intervalos de tempo e num grande número de pontos ao longo do sistema. com consequente separação das colunas de líquido ou pressões excessivas. Isto permite-nos seleccionar os métodos de protecção mais adequados e assumir dimensões para início de cálculo. O programa de cálculo do regime transitório em condutas complexas para bombas CR. etc. grupos electrobomba e dispositivos de protecção em regime transitório. uma vez que os cálculos se baseiam em modelos matemáticos. durante manobras de válvulas. variações de velocidade de escoamento. fecho de válvulas. pode ser analisado por cálculo automático utilizando o método das características. o valor da pressão. – Integração noutros sistemas.Fluxograma de cálculo Observa-se que o sistema deverá ser testado depois de implementado. e traçam-se as respectivas envolventes no perfil da conduta de forma a determinarem-se os pontos em que ocorrem pressões inferiores à pressão de vapor. obriga a que se disponha da seguinte informação: – Perfil do sistema de condutas.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4. O cálculo é realizado por tentativas. – Outras particularidades do sistema em análise. tempos de paragem de grupos electrobomba. volumes aspirados e descarregados de reservatórios. A aplicação do método.1 Introdução O comportamento das condutas elevatórias. têm sempre um grau de hipóteses simplificativas. Com base nas condições de funcionamento do sistema e das falhas esperadas. – Diâmetro das condutas e respectivo material. Fig. – Limites de funcionamento admissíveis. com determinação das pressões extremas ao longo da conduta até se encontrarem valores aceitáveis e seguros. que como não podem deixar de ser. – Caudal e pressão de funcionamento. identificar os pontos críticos e os locais apropriados para instalação dos equipamentos de protecção. 1 .

o cálculo das perdas de carga é feito com base na equação de Colbrook-White aplicada em regime estacionário.Hx + Vt + λ 2. Os componentes do sistema representam as condições de fronteira necessárias para a resolução das equações diferenciais.velocidade de propagação das ondas de pressão (celeridade) Os índices caracterizam as variáveis independentes das derivadas parciais.coeficiente de atrito da conduta D . • Mesmo durante o regime transitório. As equações têm como base as seguintes considerações: • O escoamento é unidimensional e desta forma a velocidade e a pressão são constantes em cada secção transversal da conduta. A propagação das ondas de pressão é descrita por duas equações de derivada parcial: A equação do movimento e a equação da continuidade. aplicada a um pequeno volume de controlo tal como o representado na figura 2. designadas como curvas de equações características ou simplesmente curvas características. suficientemente simplificado para ser adaptado em cálculo computacional e é constituído por duas partes fundamentais: – A descrição da propagação de ondas de pressão no interior de uma conduta – A modelação dos diferentes componentes de um sistema.Nível de referência Hx = ∂H ∂x Fig.2 Modelo de cálculo O modelo de cálculo desenvolvido pelo método das características. ∑ Forças = massa x aceleração O método das características consiste na transformação destas duas equações diferenciais parciais em duas equações diferenciais comuns equivalentes que podem ser integradas numericamente ao longo de determinadas curvas no plano x. 80 .diâmetro interior do tubo g . • O elemento convectivo da equação da quantidade de movimento é desprezado. reservatórios. mudanças de características de condutas. assim como a inserção das condições de fronteira. Passamos a apresentar as equações diferenciais e a sua transformação em equações de diferença finita apropriadas para cálculo numérico.altura manométrica v . etc. sendo x (ao longo do eixo da conduta) e t (no tempo).aceleração da gravidade a . válvulas.velocidade de escoamento λ . por exemplo: (1) . trata-se de um modelo matemático.Linha piezométrica (2) . t. A equação da continuidade diz que a diferença entre o volume de líquido que sai e entra no volume de controlo é igual à variação do volume de controlo e do fluido devida à alteração da sua densidade.Forças actuantes num volume elementar de fluido. 2 . nós de condutas. A equação do movimento deduz-se da segunda lei de Newton. As duas equações são: Equação do movimento L1: g. tais como bombas.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4. • O comportamento do material das paredes da conduta e do fluido é linear e elástico.D Equação da continuidade L2: Ht + a2 g x vx = 0 (2) vv = 0 (1) Com: H .

a equação (3) resulta em outras duas equações que são equivalentes às equações originais (1) e (2).e.dt Dividindo ambas as equações por dt resulta: dx dv + vt = vx. Para a resolução numérica das equações (11) e (14) divide-se a conduta em N partes iguais de comprimento ∆x (figura 3). (6) (7) Os termos entre parêntesis da equação (3) comparam-se com os termos à direita das equações (6) e (7) pelo que teremos: dx g dx µ.L2 = 0. As curvas representam fisicamente.dx + vt.Curvas características representadas no plano x. t. + Ht dt dt (4) (5) Com a escolha adequada do factor µ as duas equações diferenciais de derivada parcial (1) e (2) são transformadas em duas equações diferenciais ordinárias totalmente equivalentes (11) e (13).dx + Ht.QA) + x QA x |QA| = 0 (16) gxA 2 x g x D x A2 c- 81 . dt / g = dx / g e se a velocidade v é substituída pelo quociente entre o caudal Q e a secção recta da conduta A obtém-se uma equação com uma forma adequada para integração ao longo da característica C+. transformam-se em linhas rectas de gradiente +a e -a. diferentes e aleatórios. determinadas pelas equações (12) e (14). dt dt dH dx = Hx. Se a equação (11) for multiplicada por a. podem ser integradas entre os pontos A e P e B e P respectivamente e desta forma obtêm-se duas equações para a determinação das duas incógnitas v e H no ponto P. H (12) –g x dH + dv + λ x v x|v| = 0 (13) a dt dt 2xD dx = –a (14) dt } } H ∫ dH + A P a x gxA Q P Q A ∫ dQ + λ 2xgxDxA 2 X X ∫ Qx|Q| x dx = 0 A P (15) c+ Em geral. Resolvendo a equação (15) resulta: a λ x ∆x Hp .e.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório Para este propósito as equações (1) e (2) são combinadas numa equação linear L1 + µ. Se os valores de v e H forem conhecidos nos nodos A e B da grelha. sendo cada uma somente válida ao longo da curva característica. v = v(x. as equações (11) e (13).t) são funções de duas variáveis independentes x e t cujas derivadas totais podem ser apresentadas da seguinte forma: dv = vx. Para uma escolha adequada dos valores de µ. no caso particular da celeridade ser considerada constante. é suficiente uma aproximação do primeiro grau para a determinação do último termo (exceptuam-se os casos em que o termo do atrito é dominante tal como no caso de escoamento de óleos muito viscosos). t. no plano x.t) e H = H(x. em que inicialmente o valor do factor µ é escolhido arbitrariamente assim resulta: g a2 λ x v x|v| µ(Hx x + Ht) + (vx x µ + vt) + =0 (3) µ g 2xD Para dois valores reais de µ.dt dH = Hx.HA + x (QP . é possível simplificar a equação 3. No intervalo de tempo ∆t = ∆x/a. t.a2 = e = (8) dt µ dt g A equação (3) pode ser escrita como uma equação diferencial ordinária: dH dv λ x v x|v| µ + + =0 (9) dt dt 2xD A equação (8) dá-nos os dois valores necessários para µ: g (10) µ=+ a Para cada valor µ da equação (10) obtém-se a partir das equações (9) e (8) uma equação diferencial ordinária (chamada equação da compatibilidade) e a respectiva equação da curva característica ao longo da qual ela poderá ser integrada: g dH dv λ x v x|v| x + + = 0 (11) a dt dt 2xD dx =+a dt Fig. a propagação de perturbações (ondas de pressão) ao longo do plano x. a equação (12) representa uma linha diagonal de uma grelha com um gradiente positivo (i. BP). 3 . AP) e a equação (14) também representa uma linha diagonal da mesma grelha mas com um gradiente negativo (i. Estas curvas características.

e. permanecendo o resto do programa inalterável. – Os termos convectivos das equações da continuidade e da dinâmica são desprezáveis. em instantes determinados. pode ser associado a técnicas de interpolação. 4 . – A altura cinética do escoamento na conduta é desprezável face à altura piezométrica. Os valores de todos os pontos no interior da grelha (P) são determinados no instante seguinte t = 1 x ∆t pela resolução simultânea das equações (16) e (17). a equação da curva característica de um ou vários grupos electrobomba em conjunto com a equação (17) permite calcular os valores Qp e Hp) A precisão e o tratamento explícito das condições de fronteira (isto significa um tratamento independente dos pontos interiores). Com base nos últimos valores de Q e H calculam-se novos valores para o instante t = 2 x ∆t e assim sucessivamente. que substituído na equação de compatibilidade válida para esta fronteira permite calcular o outro valor (i. Os intervalos de tempo e os comprimentos dos trechos de cálculo considerados. 82 . O tratamento explícito das condições de fronteira. quer seja pela mudança dos dados iniciais (i. obedecem à condição de estabilidade do método de cálculo (número de Courant Cr = aδt/δx <1). é uniforme nas secções transversais da conduta. e desta forma ser aplicado para o cálculo de sistemas complexos constituídos por várias condutas e várias condições de fronteira. porque em cada extremidade da conduta apenas se tem uma única condição de compatibilidade. – As perdas de carga unitárias são iguais às de um escoamento uniforme com a mesma velocidade média. – O eixo das condutas é imóvel e desprezam-se as forças de inércia do invólucro. alteração do volume de ar num RAC) quer por substituição do seu modelo matemático (mudança de subrotina de cálculo). O método das características. dentro de um critério de probabilidade significativa.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório De maneira semelhante obtém-se uma segunda equação pela integração da equação (13) HP – HB – a λ x ∆x x (QP . – Ou introduzindo uma relação funcional Q = f(H) a qual permite em conjunto com a equação da compatibilidade aplicada a essa fronteira determinar Qp e Hp (i. causada por uma falta generalizada de energia. Isto poderá ser realizado por: – Atribuir um dos dois valores de fronteira. – O comportamento reológico da água e do material das condutas é elástico e linear. Embora seja possível considerar manobras capazes de produzir flutuações de pressão mais elevadas. Este procedimento aplica-se apenas para a determinação dos pontos interiores da grelha. admitindo-se que este se mantém puramente turbulento. no início da conduta aplica-se a equação (17) e no fim a equação (16) de acordo com a figura 3. que não é razoável ocorrerem acidentalmente.Características nas fronteiras Desta forma é necessário dispor-se de uma condição de fronteira em cada extremidade. admitiram-se como válidas as hipóteses significativas habitualmente consideradas. a cota de descarga num tanque colocado na extremidade de jusante da conduta Hp = Cte permite determinar o valor de QP pela equação 16). estas teriam de ser constituídas por uma sucessão de paragens e arranques de parte dos grupos de bombeamento. sido efectuada com recurso à interpolação entre as condições do escoamento em secções de cálculo consecutivas. os valores iniciais nos nodos da grelha são os valores de Q e H em regime estacionário quando t = 0. pela sobreposição de efeitos. 4. Esta forma de se dimensionarem os dispositivos de protecção. Na modelação do comportamento das condutas. representam as vantagens mais importantes do método das características. tendo a compatibilização entre os intervalos de tempo nos diferentes troços de conduta.e. No cálculo do sistema durante o regime transitório. ver figura 4 para cálculo dos valores aí desconhecidos QP e Hp. é muito mais fácil e poderosa do que a que se realiza pelo método gráfico aproximado desenvolvido por SCHNYDER/BERGERON.e.3 Critérios de cálculo Admitiu-se que a situação mais desfavorável para o sistema. tais como: Fig. – A distribuição da velocidade e de pressão. consiste na paragem simultânea de todos os grupos electrobomba.QB) – 2 x QB x |QB| = 0 (17) gxA 2xgxDxA Com ajuda das equações (16) e (17) as duas incógnitas Hp e Qp podem ser facilmente determinadas. pelo que permite a optimização da dimensão dos dispositivos utilizados. permite a sua fácil modificação ou substituição (introdução de um dispositivo de protecção).

5. este meio será adequado para controlar as pressões transitórias. Se a redução do débito da bomba tiver lugar num período suficientemente longo. Atendendo a que as bombas se encontram munidas de válvulas de retenção de acordo com as Normas Portuguesas. RESERVATÓRIOS DE AR COMPRIMIDO A principal função dos RAC consiste em evitar a ocorrência de depressões na conduta. tais como do comprimento das condutas. foram modeladas através da consideração da equação da continuidade e da constância das cotas piezométricas. do líquido transportado (composição química. é efectuada. Para certos casos particulares. de forma a que o seu binário de arranque seja adequado para que a colocação em marcha da bomba tenha lugar num período de tempo aceitável. considerando apenas as zonas de bombeamento normal ou de turbinagem por abaixamento da pressão a jusante.4 Condições de fronteira GRUPOS ELECTROBOMBA As características funcionais dos grupos electrobomba. Entre os dispositivos mais utilizados contam-se os volantes de inércia. concebem-se dispositivos de protecção que poderão ser simulados por cálculo computacional. conteúdo de sedimentos. atenuar-se-á o valor da onda de pressão.1 Volantes de inércia Os volantes de inércia consistem em massas girantes que são intercaladas nos veios de grupos electrobomba (figura 5) ou motobomba. dotado de um conjunto de dispositivos associados para sua protecção. devido à sua simplicidade e ao poder de aplicação. E e F determinados de forma semelhante aos anteriores. permite de uma maneira fácil analisar o comportamento de um sistema simples ou complexo. com a finalidade de limitar as ondas de pressão transitórias e valores aceitáveis. A aplicação de volantes de inércia poderá obrigar ao sobredimensionamento dos motores. ou quando apenas se verificam sobrepressões em regime transitório. sem necessidade de se recorrer a volantes de dimensões excessivas. maior será o tempo de anulação do débito e maior será a atenuação das ondas de pressão transitórias. etc. do tipo de grupos elevatórios. O rendimento das bombas é considerado variável em função da velocidade de rotação e do caudal e dado por: h 4. reservatórios unidireccionais (RUD).). deverão ser as constantes nas curvas características dos fabricantes. chaminés de equilíbrio. de regulação. A escolha do dispositivo a utilizar em cada caso depende das características do sistema. Há um limite de aplicação dos volantes de inércia devido à sua resistência mecânica. quando os motores forem eléctricos. poderá utilizar-se um único. OUTRAS CONDIÇÕES DE FRONTEIRA Todas as restantes condições de fronteira. dependendo do grau de complexidade da rede a proteger. VÁLVULAS DE ALÍVIO As válvulas de alívio destinam-se a limitar as sobrepressões nas condutas a valores previamente regulados e são aplicadas em complemento aos RAC. à das bombas.2 = Cte Sendo P a pressão absoluta no interior e V o volume de ar. sendo as sobrepressões consequentes automaticamente atenuadas. do seu perfil. 83 . Obviamente quanto maior for o momento de inércia do volante. válvulas de alívio. reservatórios de ar comprimido (RAC). 4. Na modelação da variação do volume de ar no interior dos RAC. a bomba irá bombear. Esta modelação é efectuada admitindo que a altura total de elevação das bombas Ht. de válvulas (válvula de nível em reservatórios. etc. Se o tempo em que ocorrer a anulação do caudal bombeado for superior ao período da conduta elevatória 2L/a. temperatura. O método das características. etc. B e C são coeficientes determinados a partir da respectiva curva característica à velocidade nominal. válvulas de controlo. condutas de aspiração paralela. com o objectivo de aumentar a sua inércia e desta forma a ampliar o tempo de paragem do grupo e consequentemente a diminuição do caudal debitado pela bomba será mais suave. considerou-se a equação: PV1. e às características eléctricas.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4.) do comportamento das ondas de pressão que se pretendem limitar (depressões ou sobrepressões). = Q X Ht DN2Q + ENQ2 + FN3 Com os coeficientes D. a modelação das condições de funcionamento das bombas. etc. tais como alterações das características da conduta e da descarga no reservatório. desde que se consiga estabelecer o respectivo modelo matemático. viscosidade. ou uma combinação de vários dispositivos de protecção.5 Dispositivos de protecção Os dispositivos de protecção são órgãos que se introduzem nos sistemas de transporte de líquidos. dos motores. Admitiu-se a verificação em cada instante da equação da continuidade na derivação para os RAC e da igualdade das cotas piezométricas no interior do RAC e no ponto de derivação da conduta. Para proteger um sistema.CQ2 em que N é a velocidade de rotação. Sempre que o termo AN2 da curva funcional da bomba for superior à altura estática de elevação. pode ser determinada em cada instante pela equação: Ht = AN2 + BNQ . Q o caudal bombeado e A. válvulas de retenção intercaladas na conduta.

em que o tempo de anulação de caudal durante a paragem da bomba é suficientemente longo.Grupo electrobomba equipado com volante de inércia 4.5. deixará de estar em equilíbrio com o da conduta. ou a afluir ao reservatório no caso contrário. sendo hp1 e hp2 determinados por (18) e (19) respectivamente: hP1 = hR – CR (vP1 – vR) – CR x 2fRvR |vR| ∆t g g dr CS (vP2 – vS) – CS x 2fSvS |vS| ∆t g g ds (18) hP2 = hS – (19) 84 . a válvula não permite tal e vp1 = vp2 = 0. haverá uma variação de pressão da almofada de ar. A sua aplicação está em geral limitada a condutas com uma extensão até 2000 m. Para se restabelecer o equilíbrio. de forma a fazer a sua subdivisão em trechos de pequena extensão. à custa da energia cinética de escoamento. que origina uma variação de pressão na conduta junto à secção de ligação do reservatório. são dispositivos de protecção de condutas que actuam por diminuição da taxa de variação de caudal. 6 . 4.3 Reservatórios de ar comprimido Os reservatórios de ar comprimido. está sujeita à pressão de funcionamento da conduta na secção de ligação e está em equilíbrio com o ar. O gás e o líquido podem estar em comunicação ou separados por uma membrana elástica. transformando-se a energia potencial armazenada no gás em energia cinética de escoamento. em geral o ar e uma dada massa do líquido transportado pela conduta. o líquido passará a abandonar o reservatório no caso de um abaixamento da pressão na conduta. Quando ocorre a inversão do fluxo. Paralelamente com a variação de pressão na conduta. no interior do qual se encontra aprisionada uma dada massa de um gás.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório Outras razões que limitam a aplicação de volantes de inércia são económicas e dimensionais. Fig. atenuando desta forma a amplitude da onda de pressão transitória. Para esta situação o cálculo é efectuado como se se tratasse de uma transição com vp1 > 0. No caso da sobrepressão a massa de gás diminui de volume.2 Válvulas de retenção Se o perfil de uma conduta elevatória tiver uma altimetria tal que esta apenas fique sujeita a sobrepressões durante o regime transitório correspondente a uma manobra das bombas. basta aumentar a inércia do conjunto de bombeamento e recalcular o comportamento do sistema. O dimensionamento de um volante de inércia é simples. para que as ondas de pressão transitórias sejam mantidas dentro de limites aceitáveis. Na fase de depressão o volume do ar aumenta.5. durante a fase da onda de pressão positiva. com períodos curtos. é o de se intercalarem válvulas de retenção ao longo da conduta. aumentando a sua pressão e consequentemente a respectiva energia potencial elástica. Quando se inicia um regime transitório. um método possível para a proteger. São vasos metálicos fechados. armazenando consequentemente energia potencial elástica. As válvulas de retenção apenas permitem o escoamento em direcção ao reservatório. o líquido armazenado no seu interior e submetido à acção do gás. 5 . a massa de líquido do interior do reservatório.Alteração da envolvente das pressões máximas numa conduta protegida com válvula de retenção. Em regime estacionário (permanente). RAC. que fica por sua vez submetido à pressão da conduta. Fig.

Encontram-se disponíveis correntemente no mercado reservatórios de membrana com capacidades até 2 m3. hgas2 = –h ( ll – h ) t t1 t t2 n x hgas1 (22) O expoente da transformação politrópica do ar no interior do reservatório poderá variar entre 1 correspondente aos processos isotérmicos.cota de inserção do RAC na conduta Fig. Estes valores são designados por hti e hpi respectivamente. assim como a energia potencial na secção de ligação do reservatório à conduta. consiste na combinação de uma análise em regime quase estacionário do funcionamento do reservatório.altura do reservatório dt . Considerando pela equação da continuidade: A1 vp1 + A2 vp2 dht ∆t A1 vp1 = At + A2 vp2 ∴ ∆ht = dt At ( ) em que At é a área transversal do RAC. At = π 4 d2t. hgási = hi – zt – hb – hti (20) Uma vez que a pressão absoluta na secção de ligação é hi (hi = hp no instante anterior). 8 It . A passagem da onda de pressão transitória através do reservatório.2. Uma técnica analítica de cálculo. facilidade de aplicação e controle. 7 . Com estes valores determina-se o volume de água admitido ou expulso do reservatório durante o intervalo de tempo ∆t e consequentemente a variação de nível do líquido no interior do reservatório. têm como principais vantagens a sua simplicidade. A pressão do gás no interior do reservatório é estabelecida em termos de uma coluna de líquido equivalente hgás. o que exige a aplicação de compressores isentos de óleo (compressores hospitalares) no caso de grandes reservatórios e de dispositivos de controlo automático. fiabilidade e disponibilidade no mercado.(16) e C (17) calculam-se facilmente os valores de vp1 e vp2.diâmetro interior hb . Por encomenda podem obter-se reservatórios com capacidades superiores e reservatórios sem membrana de qualquer capacidade. a altura do líquido no interior do tanque terá de ser conhecida. mas ela é praticamente atenuada e o seu valor é trivial. hgasi representa a pressão absoluta do gás. A altura do líquido no interior do reservatório no final do intervalo de tempo ∆t é dada por. Com hgas2 determinado. a pressão do ar no interior do reservatório passa a ter o valor de.Esquema de princípio de um RAC Substituindo o valor de hp nas equações características + C. calcula-se hp por hp = hgas2 + zt + hb + ht2 (23) Fig. No início do cálculo. Como em geral o volume de cálculo do reservatório varia 10% quando se varia o expoente entre 1 e 1.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório Estes dispositivos muito divulgados. não é considerada no modelo de cálculo.altura da base do reservatório zt . Aplicando a equação PVn = Cte correspondente aos processos politrópicos aplicados a um gás perfeito. a possibilidade de fecho violento das válvulas de retenção dos grupos de bombeamento. principalmente dos reservatórios de grande capacidade e a exigência de manutenção.4 nos processos adiabáticos. 85 . e 1. Como desvantagens pode-se referir a necessidade de haver um controlo apertado da massa de gás. com um tratamento em regime transitório do sistema de condutas. o custo em geral elevado. ht2 = ht1 + ∆ht (21) em que ht1 é a altura do líquido no início do intervalo de tempo ∆t e ht2 no fim.2 recomenda-se a utilização para o expoente politrópico n o valor de 1.

O circuito de desvio poderá desempenhar um papel de protecção da conduta. Esta aproximação despreza o escoamento que tem lugar através da bomba durante a sua paragem. Na modelação. A parte superior da chaminé encontra-se aberta à atmosfera. colocadas em linha e equipadas com circuito de desvio. 9 . a válvula de retenção impedirá o escoamento da compressão para a aspiração. Quando as bombas estiverem em operação.Esquema de um circuito de desvio a um conjunto de bombeamento (perda de energia na válvula) VP1 = Q A1 VP2 = Q A2 Noutros casos em que o caudal transportado é variável. o dia da semana ou mesmo a hora do dia. Na análise do comportamento do sistema. 4. No segundo trecho compreendido entre o dispositivo e um reservatório ou outro dispositivo semelhante. por vezes dota-se a ligação chaminé-conduta de um dispositivo destinado à geração de perda de carga. neste troço é mobilizada a energia elástica do fluido e da conduta. haverá uma queda de pressão no ramo de compressão. evitando as depressões no ramo de compressão. Também poderá ser aumentada a capacidade de transporte. permanecendo outras em funcionamento. 86 . Estas equações reduzem-se a uma equação quadrática em Q. Ou seja. em que o volume de água a transportar varia com a estação do ano. enquanto a bomba se encontrar a funcionar em regime estacionário as condições de operação são as representadas. a altura de elevação das bombas é repartida pelas diferentes estações. limitando-se desta forma o abaixamento de pressão. A estação poderá não estar sempre em funcionamento e o escoamento dar-se-á através do circuito de desvio. sem que a equação que modela a bomba esteja presente. Quando ocorre uma paragem da bomba. a altura do líquido na chaminé poderá ser considerada constante sem grande erro. turbina ou válvula e a chaminé. O trecho compreendido entre a bomba. o erro introduzido por esta simplificação é desprezável. dotadas de várias estações de bombeamento em linha. durante a paragem de uma bomba deverá verificar-se se a pressão de jusante se mantém superior à de montante.6 Circuito de desvio Em certas situações pode estabelecer-se um circuito de desvio aos grupos electrobomba. as duas equações características são resolvidas para se determinar o caudal e a pressão. Durante o curto intervalo de tempo ∆t associado à discretização das equações. durante os períodos em que o escoamento for realizado pela acção da gravidade. substitui-se a condição de fronteira correspondente à bomba por uma simples junção. É uma aplicação típica em condutas forçadas longas. Durante o regime variável este dispositivo divide em geral a conduta em dois troços que se comportam de forma diferente. se a pressão cair a um valor inferior ao do ramo de aspiração. ocorre em geral uma oscilação em massa. de forma a que o caudal debitado esteja de acordo com as necessidades. Quando tal não se verificar.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4. Quando os desníveis geométricos. sendo actualizada em cada instante. g (hP1 – hR) + CR aR g – g aS (v P1 – vR) + 2 fR VR VR ∆T =0 dR (24) (h P2 – hS) + (vP” – vS) + v2P1 2g 2 fS VS VS ∆T =0 dS (25) hP1 – hP2 = k Fig. O tratamento destes dispositivos é semelhante ao apresentado para os RAC. permitindo por exemplo diminuir a classe de pressão dos tubos. resultando em equipamentos mais económicos e com menor potência instalada por unidade. quando o volume de água que é necessário transportar for reduzido. algumas das estações poderão ser retiradas de serviço. como por exemplo em condutas de transporte de água potável para abastecimento domiciliário e industrial. aplicam-se as equações. a válvula de retenção abre-se e passará a haver escoamento de montante para jusante. Como em geral o caudal é reduzido. durante as horas de máximo consumo. Nas estações imobilizadas o escoamento far-se-á através dos circuitos de desvio.7 Chaminés de equilíbrio Numa conduta equipada com bomba e chaminé de equilíbrio como se mostra na figura 10. O valor da pressão mínima será assim superior ao que teria lugar se o circuito de desvio não existisse. deverá incluir-se um termo separado para quantificar a perda de pressão (energia) na válvula de retenção. de uma conduta com funcionamento por acção da gravidade pela intercalação de estações elevadoras de pressão (booster). Assim. Para diminuição da amplitude do líquido no interior da chaminé. ou as perdas de carga em linha forem apreciáveis. equipado com uma válvula de retenção conforme se mostra no esquema da figura 9.

de betão armado ou escavado na própria rocha.8 Reservatórios unidireccionais Os reservatórios unidireccionais são dispositivos de protecção especialmente vocacionados para atenuarem as ondas de pressão negativas. e ha representa a pressão atmosférica. H = hP1 – ha Uma vez que a pressão absoluta na secção de ligação é hp1. A ligação entre o reservatório e a conduta é dotada de uma válvula unidireccional (válvula de retenção). Salvo casos especiais. Em alternativa poderá ser armazenado água proveniente de uma fonte externa. Considerando pela equação da continuidade: ap1 vp1 = Ach dhch dt Ach é a área transversal da chaminé Ach = π 4 A altura do líquido no interior da chaminé no final do intervalo de tempo ∆t é dada por: H2 = H1 + ∆Hch em que H1 é a altura do líquido no início do intervalo de tempo ∆t e H2 no fim. 10 .e C+ calculam-se facilmente os valores de vP1 e vP2. Com estes valores determina-se o volume de água admitido ou expulso da chaminé durante o intervalo de tempo ∆t e consequentemente a variação de nível do líquido no interior da chaminé. – Impacto da estrutura no ambiente.Esquema de uma chaminé de equilíbrio O dimensionamento de uma chaminé de equilíbrio compreende: – O estudo do perfil da conduta para escolha do local mais adequado para a sua instalação. 13. Antes de continuar o cálculo deverá verificar-se se a altura do líquido no interior da chaminé é positiva. estes dispositivos consistem num tanque onde é armazenado o líquido transportado pela conduta. Fig. 11 (a p1 vp1 + ap2 vp2 Ach d ch 2 ) ∆t 4. – Cálculo de secção transversal e de um eventual estrangulamento. em que a velocidade do líquido no seu interior é lenta. Na escolha do local para a sua instalação deverá atender-se aos seguintes aspectos: – Características topográficas do terreno.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório Substituindo o valor de hP nas equações características C.Chaminé de equilíbrio desenho tipo da SABESP Fig. Para estes casos o modelo matemático da condição de fronteira é semelhante ao utilizado para o RAC. – Cálculo estrutural. para atenuação das amplitudes extremas de oscilação do plano de água. – Amplitude das ondas de pressão. Conforme se poderá observar na fig. que permite o escoamento no sentido RUD conduta e impede-o no sentido oposto. com a superfície livre em contacto com a atmosfera. Com H2 determinado calcula-se hp por hP = H2 + ha + Ap2 vp2 ∴ ∆hch = Fig. 87 . as chaminés são em geral constituídas por um tubo metálico. 12 .

Reservatório parcialmente bidireccional 88 . 4. Enquanto a altura piezométrica na conduta for superior à da superfície livre do RUD. for inferior à cota da válvula de retenção. 4. é semelhante à da chaminé de equilíbrio.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório O reservatório parcialmente bidireccional. o líquido armazenado no RUD e o que se encontra em escoamento na conduta. 13 .Reservatório unidireccional Devido à sua concepção. assim. Fig. Pelo descrito. não ficar em contacto com a atmosfera. Este dispositivo.10 Dispositivos de manutenção das pressões transitórias Para atenuação dos efeitos do choque hidráulico. o que não acontece no RUD. durante a paragem e arranque dos grupos electrobomba poderiam ser utilizadas válvulas motorizadas ou arrancadores suaves. assim como os períodos a decorrer entre paragens sucessivas. procede-se a um primeiro período de fecho rápido e a manobra final mais longa. conforme representada na figura 14. A grande vantagem. que apresentava um ponto alto num local isolado. conclui-se que o RUD só entra em funcionamento quando a altura piezométrica na conduta for inferior à da superfície livre e que não há escoamento no sentido conduta RUD. de condutas destinadas a transportar águas residuais. Caso contrário. Em geral para se evitar tempos de manobra longos. Evita-se dessa forma a inquinação. 4. a análise é semelhante à de uma simples junção.9 Reservatório parcialmente bidireccional O autor deste trabalho. o tempo de anulação de caudal é aumentado. o qual poderemos designar por reservatório parcialmente bidireccional. de vários grupos podem ser devidamente determinados com a introdução de subrotinas de cálculo apropriadas. no caso de água tratada e a propagação de cheiros no caso de águas contaminadas. não era possível nesse caso a sua adopção.10. Em regime permanente. 4. necessitou projectar um dispositivo. devendo os tempos de manobra ser determinados por cálculo. sendo o seu efeito semelhante ao dos volantes de inércia. para proteger uma conduta elevatória destinada a transportar águas residuais. durante as operações normais de arranque e principalmente paragem. foi adoptada uma variante. É constituído por um reservatório construído em polietileno de alta densidade e dotado de uma válvula de retenção. uma vez que o período de imobilização dos grupos electrobomba é prolongado. é especialmente vocacionado para ser instalado em pontos altos. Estes dispositivos não podem ser considerados dispositivos de protecção uma vez que não actuam em caso de falha de energia eléctrica da rede de alimentação. Para proteger esse local. a altura piezométrica na zona de ligação é regulada pela cota da sua superfície livre.2 Arrancadores suaves Os arrancadores suaves quando procedem também a paragens suaves. admite o refluxo parcial de líquido ao tanque. são excelentes órgãos para a atenuação das variações da pressão ao longo das condutas. Outra vantagem. apresentada por este dispositivo. 14 .1 Válvulas motorizadas As válvulas motorizadas deverão possuir meios de fecho adequados. como a conduta continuará a ser alimentada. permitindo desta forma actuar também sobre as sobrepressões. é a de se dispensar o ramal de enchimento. o cálculo em regime transitório na secção de ligação é idêntico ao de uma simples transição. o RUD permite a alimentação da conduta aquando a cota piezométrica for inferior à da superfície livre do líquido. isto porque a actuação das válvulas sobre o escoamento não é linear. Fig. Devido à concepção do RUD. a altura piezométrica na conduta não está em equilíbrio com a massa de água armazenada.10. Devido às desvantagens referidas em relação ao RUD. A partir do instante em que as alturas se igualem a análise passa a ser semelhante à de uma chaminé de equilíbrio. estão separados pela válvula de retenção que se encontra fechada. sempre que a cota piezométrica no interior do dispositivo. é a do líquido armazenado para protecção. O tipo de paragem dos grupos. A análise deste dispositivo.

7 7. Cálculo final Em face do comportamento descrito para o sistema em regime transitório. concluindo-se que era necessário proteger a conduta com dispositivos adequados. Comprimento da conduta elevatória L = 2808 m Diâmetro Ø = 500 mm Espessura da parede e = 7.0 x 1010 kgf m-2 Módulo de compressibilidade da água E = 2. Dos resultados do cálculo efectuado.1 Máximo Adoptado 6. Resultados de cálculo final Volume de ar m3 RAC Inicial 5.0 Condições de descarga Caudal m3/h 1. de pequena inércia comparada com a energia transferida ao fluido a elevar e por consequência com um reduzido tempo de anulação de caudal.m-2 PD2 do motor 92. verificou-se que ocorre uma zona de depressão extensa (gráfico 1) e que a sobrepressão subsequente tem um valor muito elevado. o volume RAC seria exagerado.92 x 10-4 B = 6.86 kgf.3 m Grupos electrobomba em funcionamento n = 2 (paralelo) Velocidade de rotação N = 1400 rpm PD2 da bomba 5.c. 390 1 89 .m-2 Diâmetro do impulsor D = 400 mm Coeficientes da curva característica A = 1. Análise dos resultados de cálculo O cálculo inicial foi realizado considerando que os dois grupos bombeiam através da conduta sem qualquer protecção. foi seleccionado um RAC associado a uma válvula de alívio.1 x 108 kgf m-2 Caudal em regime estacionário Q = 0. Se não se realizar esta associação. foram os que se passam a indicar nos itens seguintes.0 VÁLVULA DE ALÍVIO Mínimo 4.3 mm Rugosidade absoluta equivalente k = 0. dimensionados conforme o gráfico 1.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4. com funcionamento de um número máximo de dois em paralelo.375 m3/s Cota de descarga no reservatório 373. e após várias hipóteses de cálculo para os dispositivos de protecção.11 Caso prático Os dados de cálculo inicial.a.1 Material Ferro Fundido Dúctil Módulo de elasticidade da conduta E = 1.00 kgf. são do tipo multicelular.37 x 103 Os grupos electrobomba instalados em número de três nesta primeira fase.56 x 10-1 C = 5.300 Pressão de abertura m.

. Détermination des Dimensions caractéristiques d´un reservoir d’air sur ume installation élévatoire. Étude du functionement et du dimensionement des ballons d’air anti-belier Bulletin Technique de Génie Rural. Eyrolles. 1962 Timoshenk Resistência dos materiais Ao Livro Técnico S.. A. Developments in Water Science. n. Fluid Transients Mc Graw-Hill 1978 90 . A. 1977 Stephenson. TSM . E.. C. Lisboa. Waterhammer analysis. A. A. E. Mémento des partes de charge.. C. New York.º 8. M. Transitórios hidráulicos.. Fluid transients in hydro-electric engineering pratice. L. J. 1971 Livingston.º 124 CTGREF. H. Hydraulic analysis of unsteady llow in pipe networks. Synopsis of surge control equipment Water and Water Engineering. R.Critérios de Selecção e Análise de Sistemas Simples em Regime Transitório 4. Mechanics of Pipe flow following column separation Journal of the Engineering Mechanics Division. Julho 1963 Wylie. 1955 Reis A. Golpo d’ariete in condotte elevatorie. Válvulas anti-golpe de aríete desenvolvimento Brasileiro Revista DAE Duarte. Prentice Hall. M. M.. F. London. J. Manual de protecção contra o golpe de aríete em condutas elevatórias. Réservoir anti-bélier à régulation d’air automatique. 1974 Roche. Water hammer and surge Pipeline design for water engineers.º 6. A. H. Vol 88. A. Exemplo de cálculo de choque hidráulico com volante de inércia pelo método gráfico de Bergeron. 1981 Martins. n. Wilson. B. 1978 Fox. Dover. G. O. J. Le coup de bélier dans les canalizations de refoulement: Calcul et préparation La Technique de L’eau IDEL’CIK. Parmakian. Paris.. Ch. J. E. 1963 Dubin. Parecer sobre o dimensionamento de condutas metálicas sujeitas a sub pressões Universidade de Lisboa CEMUL Dupont. 1979. C. 1977 Rosich. D. V. Sousa. Eyrolles Paris. Instituti Idraulici. Glasgow and London. Abril. Discharge tanks for suppressing water hammer in pumping lines International conference on pressure surges Jaeger. LNEC. N. D. Le coup de bélier dans les pompages: Son calcul simplifié La Technique de L’eau Funel. n. n.A. Protecção de instalações de recalque através de tanque hidropneumático Revista DAE Chaudhry. 1969 Rosich. 1973 Nichile.L’Eau. Seminário 238. ASCE. W. I. Caldinhas A. Attenuazione mediante volanti Universitá de Napoli.º 6. Golpes de aríete em condutas. R. C. 1960 Stephenson. M. B. Chiari. Elsevier 1976 Li.º 242. 1955 e New York. Sul calculo del PD2 negli impiante di sollevamento L’Energia electtrica n. Blackie. E. Streeter. Applied Hydrulic Transients Van Nostrand 1979 Meunier.12 Referências bibliográficas Almeida. M. C. Hydraulique urbaine. Guéneau. 1978 De Martino. Lisboa LNEC. Mac Millan. Protection des refoulements d’eaux usées. Puech. Napoli. M.E. M. La Houille Blanche. Tome II Paris.

O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia 5. Lda. Hidráulica e Ambiente. 91 . O CUSTO DO CICLO DE VIDA COMO FACTOR DE ECONOMIA Autor: Paulo Ramísio Engenheiro Civil (FEUP) Mestre em Engenharia do Ambiente (FEUP) Assistente do Departamento de Engenharia Civil da Universidade do Minho Sócio da SBS – Engenharia Civil.

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Estima-se que o elevado número de sistemas de bombeamento existentes a nível mundial. Estabelece padrões e organiza fóruns para a troca de informações técnicas há mais de 80 anos. pode ser realizado por várias metodologias. pois só assim poderá ser utilizada. Quando o CCV é utilizado como uma ferramenta de comparação entre diferentes alternativas. promove parcerias com indústrias e grupos de comércio. sendo principalmente onerosos em grande parte dos sistemas industriais. industrial. colecta. incluindo sistemas de bombeamento. Uma visão global é descrita no artigo "Pump Life Cycle Costs" desenvolvido pelo Hydraulic Institute e Europump de modo a facilitar a aplicação da metodologia do CCV a sistemas de bombeamento. da instalação e do modo como o sistema irá operar. transporte e tratamento de águas residuais. A minimização dos custos globais nem sempre é uma tarefa fácil. eles são parte integrante de um sistema indissociável entre si. energéticos. Como qualquer investimento. com base nas informações disponíveis. consomem cerca de 20% da energia eléctrica global (Europump. o processo de cálculo do CCV indicará. Enquanto algumas partes do sistema apresentam praticamente todo o seu custo durante a construção. prevenção da poluição e tecnologias para aplicações industriais. A identificação de todas as parcelas envolvidas apresenta-se como uma etapa fundamental nesta metodologia. Um dos grandes objectivos duma metodologia desta natureza deverá ser o rigor e a isenção. Como exemplo. A correcta escolha de todos os componentes de um sistema de bombeamento apresenta-se assim como uma oportunidade para uma redução nos custos globais da instalação.3 Razões para a utilização do CCV Os sistemas de pressurização são compostos por um conjunto de obras de construção civil. mas também servir para comparar soluções de fabricantes diferentes. nas suas mais variadas aplicações (abastecimento público e predial de água potável. a escolha dos elementos que constituem o sistema (construção civil. para a implementação de sistemas de elevada eficiência de energia.). Sistemas de Bombeamento (20%) Fig. Adicionalmente todos os componentes do sistema deverão ser cuidadosamente seleccionados para combinarem entre si e manter no global um conjunto fiável assegurando os mais baixos custos energéticos e de manutenção. age como porta-voz dos 15 principais fabricantes de bombas e representa mais de 400 fabricantes. fundado em 1917. tubagens e acessórios. O Europump serve e promove a indústria europeia das bombas hidráulicas. No presente documento optou-se por seguir a metodologia proposta pelas seguintes entidades: • O Instituto Hidráulico (HI). ensaios.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia 5. A avaliação dos custos do sistema ao longo da sua vida útil. equipamento eléctrico e electromecânico. Consumo mundial de energia eléctrica Outras Aplicações (80%) Ou • O Europump. assim como uma longa durabilidade. paragens. • O Departamento de Energia dos Estados Unidos. etc. principalmente numa altura em que a questão energética assume um importante papel na economia nacional. nos equipamentos electromecânicos o custo de aquisição poderá representar apenas 10% dos custos globais associados a esses equipamentos. equipamentos. 93 . Representa os custos de aquisição. mas também mundial. O investimento inicial é geralmente uma pequena parte do Custo do Ciclo de Vida para sistemas de pressurização. O Custo do Ciclo de Vida de qualquer sistema de pressurização é assim o custo total durante o seu período de vida útil. instalação. instalações de rega. os grupos electrobomba embora sejam geralmente adquiridos como componentes individuais.1 Introdução Os sistemas de pressurização representam por vezes custos não desprezáveis no mercado da construção para habitação. de forma isenta. ao longo da sua vida útil. operação. 5. manutenção (preventiva e correctiva). estabelecido em 1960. é a maior associação de produtores e de fornecedores da América do Norte. A energia consumida e os materiais utilizados por um sistema dependem das características da bomba. não só para optar entre diferentes soluções do mesmo fabricante. 1 . a solução que apresenta menor custo global.Consumo mundial de energia eléctrica Trata-se portanto de um consumo significativo. ambientais. 5. energias renováveis. desmontagem e desmantelação do equipamento.2 O que é o Custo do Ciclo de Vida? O Custo do Ciclo de Vida (CCV) é uma ferramenta de gestão que pode ajudar a minimizar os desperdícios e a maximizar o rendimento para variados tipos de sistemas. acessórios e os decorrentes da exploração) devem obedecer a considerações de eficácia e economia. 2000).

Os sistemas de bombeamento têm muitas das vezes um período esperado de operação de 15 a 20 anos. originando sistemas que apresentam grandes custos de manutenção e exploração. Adicionalmente às razões económicas para justificar a utilização da metodologia do CCV. de exploração e de manutenção. Outros custos como por exemplo os de paragens. logo os resultados do processo apresentam certamente um grau de fiabilidade similar ao dos dados de base.4 Determinação do Custo do Ciclo de Vida O processo do CCV é um método que permite a comparação de soluções alternativas. factores determinantes no Custo do Ciclo de Vida (CCV) da instalação. etc. talvez motivado pela grande evolução tecnológica verificada nos últimos anos. A redução e o desperdício energético representam ainda um papel importante em benefícios ambientais. o escalonamento esperado nos anos vindouros.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia Uma maior compreensão de todos estes pormenores constituirá uma oportunidade para a redução dramática dos custos energéticos. serviços de apoio. Considerações adicionais deverão ser tomadas em relação às perdas de produtividade devido aos tempos de paragem.Custos globais Custos de Exploração ( 85% ) A análise do CCV. a metodologia proposta apresenta os custos do ciclo de vida. sendo de difícil quantificação.) Custo de instalação e ensaios (arranque e formação do pessoal) Custos energéticos (operação do sistema incluindo controlos e quaisquer serviços auxiliares) Custos de operação (mão de obra e supervisão normal do sistema) Custos de manutenção e reparação (reparações previstas e de rotina) Custos de paragens (perda de produção) Custos ambientais Custo de desmontagem e desmantelação (incluindo a restauração ambiental do local e serviços de destruição do equipamento) 94 . Com base nos estudos efectuados em problemas deste tipo. desmontagem e desmantelação final do equipamento e os de origem ambiental. CCV = Cci + Cin + Ce + Co + C m + C pp + Ca + Cd onde: (1) Cci Cin Ce Co Cm C pp Ca Cd Custos iniciais (custos de construção civil. As empresas devem procurar soluções que visem a redução dos custos globais e o aumento dos rendimentos operacionais. continua a merecer uma particular atenção como fonte de poupança de custos. especialmente pela via da minimização dos consumos energéticos e dos tempos de paragem da produção. 2000). em segundo lugar porque muitos dos sistemas em operação possuem bombas ou controlos que não estão ajustados às necessidades actuais. Deste modo a comparação deve ser efectuada entre diferentes tipos de sistema ou de controlo. A crescente competitividade dos mercados nacionais e internacionais obriga a um esforço contínuo de modo a aumentar a competitividade. O processo em si é basicamente matemático. A operação. Custos de Manutenção ( 10% ) Custos do Investimento ( 5% ) 5. A escolha destes equipamentos deve ser efectuada com base em cálculos onde os detalhes do projecto do sistema devem ser tidos em conta. Para a maioria de empreendimentos os custos energéticos e/ou de manutenção dominarão os Custos do Ciclo de Vida. muitas empresas começam a estar cada vez mais sensíveis ao impacto ambiental nos seus negócios. bombas. mas extremamente dependente da informação disponível. e consideram o rendimento energético como uma via contribuinte para a redução de emissões de gases e deste modo preservar os recursos naturais. Em alguns casos os custos de indisponibilidade podem ser mais significantes que os custos energéticos ou de manutenção. como sendo a soma das seguintes parcelas: Fig. É portanto de extrema importância a forma precisa de determinar os custos energéticos actuais. assim como os custos de mão-de-obra e dos materiais ao longo do ciclo de vida do equipamento. 2 . quer em novos empreendimentos quer em remodelações requer sempre uma avaliação de sistemas alternativos. principalmente no sector fabril. acessórios. em termos de custos.Repartição média dos custos globais em sistemas de bombeamento Muitos sistemas são concebidos considerando apenas o investimento inicial. podem muitas das vezes ser estimados com base em dados históricos. Alguns estudos mostram que 30% a 50% da energia consumida pelos actuais sistemas de bombeamento podem ser poupados através da alteração dos controlos dos sistemas (Europump. Sistemas de bombeamento . O exercício deve ser objectivo na análise e âmbito podendo no entanto ser lato nas alternativas analisadas. Os sistemas existentes podem contribuir com uma maior fatia na redução da energia consumida através da utilização da metodologia do cálculo do CCV por duas razões: A primeira porque existem pelo menos 20 vezes mais sistemas em operação do que os colocados anualmente em operação e. tubagens.

os controlos integrados. Detalhando: Custos iniciais • Este tipo de custos refere-se aos custos necessários para a compra e instalação de equipamentos e obras de construção civil. Estes custos podem ser referentes a circuitos de aquecimento ou arrefecimento de fluidos de processo.). Estes detalhes. etc. Custos energéticos • O consumo energético é frequentemente uma das parcelas com maiores custos e geralmente domina o valor final do CCV. Estes podem variar muito dependendo da complexidade e função do sistema.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia Os parágrafos seguintes examinam cada uma das parcelas e levantam sugestões para a determinação de cada parâmetro. • Avaliações e regulações no arranque. podem originar custos iniciais mais elevados mas reduzirem o CCV de uma forma considerável. A fórmula do cálculo da potência requerida é a seguinte: P (kW ) = em que: γ ×Q× H η c ×η m (2) P − Potência (kW ) γ − Peso específico do líquido (kN/m3 ) Q − Caudal (m 3 /s) H − Altura manométrica (m. No funcionamento paralelo. os empanques instalados. a qualidade e fiabilidade do sistema seleccionado. a energia será: E (kWh ) = ∫ γ × Q(t )× H (t ) dt ηc ×ηm to ηc(t) x ηm(t) t1 (3) • Os custos energéticos de serviços auxiliares também devem ser incluídos. • Uma instalação completa dos equipamentos electromecânicos envolve requisitos de operação e manutenção que serão assegurados por pessoal com formação para operar o sistema. especialmente quando o tempo de operação das bombas ultrapassa as 2000 horas de operação / ano. • Ligações eléctricas e de instrumentação. betão etc. A situação torna-se mais complexa com bombas em funcionamento paralelo ou se a bomba for utilizada com um conversor de frequência. o seu comportamento com o fluido bombeado. Custos de operação • Os custos de operação são os associados à mão-de-obra relacionados com a operação do sistema. neste o seu valor relativo pode vir diluído com o valor da construção civil.c. deverão ser efectuados cálculos separados para os vários pontos de funcionamento. desenhos. 95 . então dever-se-á utilizar um registo horário das necessidades para se efectuar o respectivo cálculo. filtragem. Dever-se-á ter em atenção que este cálculo não inclui a análise a custos de segunda ordem como por exemplo as matérias-primas consumidas no fabrico de produtos. Uma bomba com conversor de frequência tem um número infinito de pontos de funcionamento. • Ligações de tubagens de processo. • Processo de aquisição.). • Equipamentos auxiliares para sistemas de vedação ou arrefecimento. Este facto pode originar a que seja menosprezada a sua importância final nos custos globais. entre outros. • É determinante para estes custos o diâmetro das tubagens e acessórios. preparação. • Formação. • Peças de reserva. • Inspecção e testes. Por exemplo uma bomba instalada em ambientes corrosivos pode requerer verificações diárias. aproximando em seguida os volumes bombeados ou horas de funcionamento relativos a cada um destes. • Os custos iniciais incluem geralmente os seguintes itens: • Serviços de Engenharia (estudos. projecto. o cálculo é simples. Se as solicitações ao sistema são constantes. • Os métodos de cálculo da energia são relativamente simples quando a bomba é utilizada num único ponto de funcionamento.a) η c − Rendimento da bomba η m − Rendimento do motor Logo. Nestes casos devem ser incluídos os custos do fluido. Se as solicitações são muito variáveis no tempo. Deverá ser seguida a lista de verificações proposta pelo fabricante de modo a assegurar que os equipamentos e o sistema possam operar dentro de parâmetros específicos. especificações etc. O consumo energético é calculado através dos dados colhidos no projecto do sistema. • Os ensaios requerem uma especial atenção às instruções do fabricante para a execução do arranque e operação. Enquanto que nas restantes parcelas os custos associados a equipamentos electromecânicos são dominantes. Outro factor de incerteza para o cálculo do consumo de energia de bombas com conversor de frequência é o facto do rendimento geral do sistema ser difícil de calcular com exactidão. os materiais utilizados. • Construção civil. • Ligações a sistemas auxiliares. Custos de instalação e ensaios • Os custos de instalação e ensaios (arranque) incluem os seguintes itens: • Fundações (projecto. necessárias ao arranque do sistema. circulação e/ou dissipação de calor etc.

• Taxa de inflação. Durante esse tempo a unidade está indisponível podendo haver perda total na produção ou um custo de substituição temporária. consumo energético. 5. tais como a manutenção. radioactivos ou qualquer outro tipo agressivo. Por exemplo. gamas de caudais. Os custos dependem do tempo e da frequência do serviço. Custos de paragens e perdas de produção • O custo de paragens imprevisíveis e de perdas de produção podem ser uma parcela muito significativa no valor CCV e pode rivalizar com os custos energéticos ou com os custos de peças de substituição. ruído. Custos ambientais • O custo da destruição de fluidos contaminantes durante o tempo de vida de um sistema de bombeamento varia bastante dependendo da natureza do produto bombeado. Custos totais do ciclo de vida • Os custos estimados para as várias parcelas depois de somadas permitem uma comparação das diferentes soluções analisadas. da sua capitação ou mesmo da taxa de ligação ao longo do tempo. Uma análise periódica das condições de funcionamento do sistema pode alertar os operadores para eventuais perdas de desempenho do sistema. paragens. As características da tubagem do sistema devem ser calculadas a fim determinar o desempenho requerido da bomba. Custos de manutenção e reparação • O alcance da longevidade esperada para uma bomba. destruição e outros custos importantes. estando directamente dependentes do diâmetro da tubagem e dos restantes componentes do sistema. • O programa de manutenção pode ser cumprido com menor frequência mas com maior atenção aos detalhes ou com maior frequência mas com intervenções mais simples. • Taxa de juros. 96 . o custo inicial será mais elevado mas os custos de manutenção não programada incluirão apenas os custos da reparação. Uma quantidade considerável das perdas da energia no sistema são devidas às perdas de carga contínua. o custo da desmantelação de um sistema de bombeamento tem pequenas variações em relação a diferentes concepções. selecção dos componentes e mesmo da facilidade de acesso aos componentes a serem intervencionados.5.5 Implementação da metodologia 5. temperaturas. sob o risco de representarem externalidades. O fabricante aconselhará a frequência e a natureza da manutenção periódica. Os custos de infracção ambiental deverão ser incluídos. • Existem também factores financeiros a serem tomados em consideração no desenvolvimento do CCV. Isto aplica-se quer a sistemas simples quer a sistemas mais complexos.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia enquanto um sistema semelhante com outro fluido pode apenas necessitar de supervisões limitadas. Será importante analisar a sensibilidade ou adaptabilidade do sistema escolhido a situações diferentes das previstas no projecto. nos sistemas de distribuição de água doméstica existe a incerteza do crescimento populacional. ambiental. Se for utilizado um equipamento de reserva. O projecto pode influenciar estes custos por indicação específica de alguns materiais. mas também às verificadas em singularidades. Os indicadores de desempenho incluem alterações em vibrações. • Embora as avarias não possam ser previstas. Estes custos podem ser minimizados por uma programação cuidada e atempada da paragem. • O custo total da manutenção de rotina é o resultado do produto dos custos por intervenção pelo número de intervenções esperadas durante o ciclo de vida da bomba. • Vida útil esperada para o equipamento. Estes incluem: • Preços actuais da energia. podem ser estimadas estatisticamente pelo cálculo do tempo médio entre avarias. O projecto deve considerar a interacção entre a bomba e o resto do sistema e o cálculo do ponto de operação do sistema. bombeamento de produtos corrosivos. Custo de desmontagem e desmantelação • Na maioria dos casos. o CCV torna-se particularmente sensível à vida útil do equipamento. Existem procedimentos legais e regulamentares para líquidos tóxicos.1 Na fase de projecto A concepção e o projecto do sistema serão sempre o elemento mais importante na minimização do CCV. pressão etc. Quando a destruição tem um custo demasiado elevado. • Actualização do valor anual da energia. requer uma manutenção regular e eficiente. Um sistema mais flexível na exploração pode apresentar uma mais valia acrescida. Adicionalmente o utilizador deve decidir quais os custos a incluir. uso de peças contaminadas etc. Os custos de aquisição e os custos operacionais totalizam o custo total de uma instalação durante sua vida. • O custo de perda de produção ou de indisponibilidade podem ser considerados dependente do tempo de paragem e devem ser analisados para cada caso específico. Exemplos de contaminação ambiental podem incluir: destruição da caixa do empanque. As maiores actividades requerem frequentemente a remoção da bomba do local de instalação para as oficinas. mas também dos custos dos materiais. Na maior parte das vezes os custos de paragem são inaceitáveis por representarem custos superiores à instalação de um equipamento de substituição ou reserva.

5. O primeiro consiste em observar as condições de operação do sistema "in-situ". Analogamente. 97 . • Considerar uma velocidade máxima de modo a minimizar a erosão na tubagem e acessórios. • Avaliar as perdas de carga no sistema. um dos quais determinará a escolha da bomba. • Considerar diâmetros padrão da tubagem em instalações semelhantes. e caudais). Diminuir o diâmetro das tubagens tem os seguintes efeitos: • diminuem os custos de aquisição de tubagens e acessórios da instalação. • Identificar bombas com custo de manutenção elevado. mas completam-se. • Escolher bombas e sistemas novos usando considerações do CCV.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia O diâmetro da tubagem deve então ser seleccionado com base nos seguintes factores: • Economia da instalação (bombas e sistemas). • Não sobredimensionar a bomba. • Considerar um diâmetro interno mínimo quando se transportam líquidos com sólidos. • Considerar a energia desperdiçada em válvulas de controlo. O primeiro método confia em observações efectuadas no sistema (pressões. alguns custos aumentam com tamanho crescente da tubagem como por exemplo os de aquisição. • Monitorizar a bomba e o sistema. e o segundo consiste em executar cálculos usando as equações da mecânica dos fluidos. ser substituídos por programas informáticos. • aumentam os custos de operação em consequência do maior consumo energético devido ao aumento de perdas por atrito. • Seguir as normas do fabricante. • Considerar a duração dos diferentes pontos de funcionamento da bomba. • Especificar motores de elevada eficiência. Os longos e fastidiosos cálculos associados ao cálculo das perdas de carga podem hoje. enquanto que no segundo cria-se um modelo matemático. tão exacto quanto possível do sistema e depois simulam-se as pressões e os caudais dentro do modelo. 3 . • Equilibrar o sistema para encontrar os diferentes fluxos e cargas requeridas. • Efectuar mudanças à bomba para minimizar a carga no sistema. O ponto de funcionamento de um sistema é determinado pela intersecção da curva da instalação e da curva característica do equipamento de pressurização como mostrado em Figura 3. • Optimizar o custo total considerando custos operacionais e custos de aquisição. • Combinar o equipamento às necessidades do sistema para o máximo rendimento. • aumentam os custos de energia eléctrica. 5. Não obstante o método usado. podem-se facilmente simular várias alternativas do sistema. Deve ser considerado com atenção a duração prevista para os diferentes pontos de funcionamento de modo a seleccionar correctamente o número de bombas a instalar e o comando e controlo.2 Aplicação a sistemas existentes As seguintes etapas indicam algumas tarefas que podem identificar pontos onde poderá ser possível melhorar um sistema de bombeamento existente: • Realizar um inventário completo do sistema de bombeamento. Os dois modelos não são incompatíveis. • Avaliar a eficácia do sistema. A seguinte lista de verificações fornece alguns tópicos úteis para reduzir o Custo do Ciclo de Vida de um sistema de bombeamento existente: • Considerar todos os itens com custos relevantes no Custo do Ciclo de Vida. facilitando significativamente o processo de cálculo.Ponto de funcionamento de um sistema Um sistema pode necessitar de operar em diversos pontos de funcionamento. resultando a necessidade de motores com maior potência. • Optimizar a manutenção preventiva. • Combinar o tipo da bomba à solicitação pretendida. mas outros diminuirão. mas as exigências operacionais do sistema limitam o âmbito da experimentação. • Utilização de velocidades económicas. Desenvolvendo um modelo do sistema. Fig. o objectivo é ficar com uma ideia exacta de como as várias partes do sistema operam e identificar onde as melhorias podem ser feitas e o sistema optimizado. pressões diferenciais. Observar o sistema permite ver como o sistema se comporta. • Determinar os fluxos requeridos para cada carga no sistema. graças à capacidade de processamento. • aumentam os custos da instalação da bomba e de operação em consequência do aumento de perdas de carga. mas antes o modelo deve ser validado para assegurar que representa exactamente o sistema que se está a estudar. As tubagens devem assim ser dimensionadas por critérios de minimização dos custos globais. Dois métodos podem ser usados na análise de sistemas de bombeamento existentes.

valor que inclui o custo de desmontar e remontar a bomba. admitindo uma reparação anual da válvula. 5 . Reservatório Reservatório Pressurizado Válvula de Controlo Permutador de Calor Fig. Na análise do CCV efectuada utilizaram-se os seguintes critérios e suposições: • O preço de energia actual é actualmente 0. originando uma maior perda de pressão através da válvula de controlo do que inicialmente estimado.20% e com um considerável ruído de cavitação.000 horas/ano. Em consequência do grande diferencial de pressão. Esta perda de pressão reduz a pressão diferencial através da válvula de controle em 10 m. Parece que a válvula não se encontra correctamente adaptada à instalação. Verificou-se que a válvula de controlo opera actualmente com uma abertura de 15 .0 m e 80 m3/h. • O processo é operado em 80 m3/h em 6.6. Fig. Na figura seguinte apresenta-se um esquema simplificado do sistema. 98 . a carga total da bomba é reduzida a 42. Os cálculos do Custo do Ciclo de Vida para cada uma das quatro opções são resumidos no Quadro 1. Antes da troca da válvula de controlo. foram consideradas outras opções e executada uma análise de custo do ciclo de vida às soluções alternativas. As seguintes opções foram estudadas: a) Substituir a válvula de controlo de modo a suportar o grande diferencial de pressão. demonstrando que a válvula instalada não é apropriada para este processo. Espera-se que não seja necessário nenhuma reparação nos 8 anos seguintes. • Considerou-se o custo anual de manutenção periódica de um variador de frequência de 500 €/ano. 4 . • A taxa de juro foi de 8% e uma taxa de actualização de 4% é esperado.Sistema de bombeamento estudado O sistema apresenta problemas na válvula de controlo (VC) que falha devido à erosão causada pela cavitação. Um permutador de calor aquece o líquido. com um custo da reparação de 2 500 € cada segundo ano. Após a revisão dos cálculos do projecto.08 €/kWh e a eficiência do motor de 90%. a válvula apresenta danos de cavitação em intervalos regulares. De modo a equacionar várias alternativas analisou-se o actual funcionamento do sistema. • O custo anual para a manutenção periódica das bombas é de 500 € por ano. • Este projecto tem uma vida de 8 anos. acrescidos de 1 500 Euros adicionais para a instalação e 500 € anuais para manutenção.1 Sistema de bombeamento existente com uma válvula de controlo de caudal Neste exemplo.Pontos de funcionamento de cada alternativa estudada. Está a ser considerada a substituição da válvula existente por outra que possa resistir à cavitação. c) Instalar um Variador de Frequência (VF). Mantendo o sistema inalterado resultará num custo anual de 4 000 € para reparação da válvula. aproximando a válvula do ponto para que foi projectada. Bomba Alterando o diâmetro do impulsor para 375 milímetros. e remover a válvula de controlo. b) Alterar o impulsor da bomba para reduzir a altura manométrica. A substituição da válvula de controlo apresenta um custo de aquisição e instalação de 5000€.6 Exemplos de aplicação do Custo do Ciclo de Vida 5. aos quais deve ser acrescentado 2 250 € para alterar o impulsor. e uma válvula de controlo regula o caudal no tanque pressurizado a 80 m3/h. • Não há nenhum custo de eliminação ambiental associada. um circuito de bombeamento transporta um líquido contendo alguns sólidos de um tanque de armazenamento para um tanque pressurizado. Na figura 5 são apresentados os pontos de funcionamento associados a cada uma das soluções. d) Manter o sistema actual.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia 5. Um variador de frequência de 30 kW tem um custo de 20 000 €. A válvula tem apresentado avarias a cada 10 a 12 meses com um custo médio de 4 000 EUROS por reparação. descobriu-se que a bomba instalada estava sobredimensionada (110 m3/h em vez de 80 m3/h previstos). O custo de energia anual com o impulsor menor é 6 720 € por o ano.

semanal ou mensal) o volume de água elevado será igual ao volume de água consumido.000 11. cujas parcelas do CCV são apresentadas no quadro 3.088 500 2. alterar o impulsor. por ciclos.08 11.500 8 8 4 59.6 6.000 5. 99 . deverá ser instalado um reservatório superior a uma cota que permita uma pressão residual. com um caudal de ponta de 18. o qual abastecerá graviticamente toda a rede doméstica.500 8 8 4 74.500 0.0 Bar. b) Instalar uma central hidropneumática de velocidade fixa.568 1 000 2. Altura Manométrica Caudal Fig.088 500 2. com base nos pressupostos apresentados. Para este sistema optou-se pela instalação de duas bombas do tipo "CR 15-5".500 8 8 4 91.000 0.08 23.930 A opção B.481 Alternativa C 21.1 6.313 Alternativa D 0 0. No final de um ciclo (diário. De modo a simplificar a análise considera-se que o sistema de pressurização será alimentado directamente de um reservatório com nível constante onde a água é mantida à pressão atmosférica.08 14.000 8 8 4 113.000 11.827 Alternativa B 2.2 Escolha do sistema de pressurização na fase de projecto Neste exemplo será analisado o Custo do Ciclo de Vida para diferentes sistemas de pressurização a um edifício de habitação. tem o Custo do Ciclo de Vida mais baixo e apresenta-se como a solução economicamente mais favorável.000 6. em função do volume do reservatório superior. Foram comparadas as seguintes soluções: a) Elevar a água para um reservatório superior. a altura manométrica deverá ser de 5.6 m3/h.6.250 0.720 500 2. 6 O funcionamento do sistema de pressurização funcionará.08 23.0 6.1 6. a) Elevar a água para um reservatório superior Nesta opção.CUSTOS DE CICLO DE VIDA (CCV) DAS VÁRIAS SOLUÇÕES ESTUDADAS Alternativa A Investimento inicial (€) Custo da energia (€/kWh) Potência média absorvida (kW) Horas por ano Custo de energia (€) Custos de manutenção (€) Custos de reparação (cada 2 anos) (€) Outros custos anuais (€) Custos ambientais (€) Custos de desmantelação (€) Vida útil (anos) Taxa de juro (%) Taxa de actualização (%) Valor de CCV (€) 5. no aparelho mais desfavorável.500 4. Para garantir a pressão residual mínima.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia QUADRO 1 . Existe portanto um único ponto de funcionamento como é demonstrado na figura seguinte: 5. c) Instalar uma central hidropneumática de velocidade variável.

Consequentemente o caudal na rede variará entre os valores estabelecidos para arranque e paragem dos grupos. Trata-se de uma simplificação conservativa uma vez que em muitas situações o consumo de energia será inferior ao simulado. a análise do sistema é mais complexa uma vez que o bombeamento será directamente efectuado para a rede de distribuição. existindo por vezes desfasamento entre os consumos dos aparelhos de diferentes pisos. b) Fig. a curva característica da instalação variará por aumento do caudal (Fig 8a).PERFIL DE CARGA CONSIDERADO 1 Caudal (%Qp) Pressão (%Pmáx) Tempo (h) 100 100 150 2 75 100 300 3 55 100 450 4 35 100 900 5 12 100 1500 Nas figuras seguintes são apresentadas as possíveis alterações às curvas características da bomba e da instalação. a pressurização será realizada por ciclos. Neste sistema existe um conjunto de pontos de funcionamento. Fig. conforme é apresentado na figura 7.Curvas características Fig. entre a pressão máxima e mínima (estabelecida em função do caudal provável e a pressão residual no aparelho mais desfavorável). acompanhando portanto as flutuações de caudais verificados nesta. No presente exemplo foi estimado o mesmo perfil de carga definido para o sistema anterior. a velocidade de rotação da bomba pode variar. Trata-se portanto de um sistema com grande flexibilidade.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia b) Instalar uma central hidropneumática de velocidade fixa. Os valores do CCV são resumidos no quadro 3. 9 100 . Optou-se pela instalação de uma central hidropneumática de velocidade fixa do tipo "Hydro 1000" composta por três bombas "CR 10-7". há variação do termo independente do caudal (a altura geométrica). logo a curva característica da instalação varia conforme é demonstrado na figura 8b. junto ao reservatório inferior Neste sistema. ao longo da curva característica da bomba. Por outro lado. É assim possível responder a uma grande variabilidade de situações. existe uma variação nos caudais bombeados. para a mesma altura geométrica. Os gastos de energia são mais difíceis de estimar porque a variabilidade real dos caudais também o é. logo a curva característica da bomba toma as formas apresentadas na figura 8c. 7 c) Instalar uma central hidropneumática com variador de frequência. Há ainda a considerar que num sistema desta natureza. Na figura 8d é apresentado a gama de pontos de funcionamento admitida por este sistema. O sistema de pressurização consegue assim satisfazer um grande número de solicitações ou leis de consumo. Assim. Na análise de custos considerou-se o seguinte perfil de carga: QUADRO 2 . 8 . dentro dos limites impostos pelo equipamento electromecânico e pela instalação. Nesta solução. Em primeiro lugar. relativamente às situações anteriores. embora de funcionamento mais simples. Os ciclos de funcionamento estão muito dependentes do consumo dos caudais na rede.

Embora não tenha sido considerado no presente cálculo.CUSTOS DO CICLO DE VIDA (CCV) DAS VÁRIAS SOLUÇÕES ESTUDADAS Alternativa A(*) Investimento inicial (*)(€) Custo da energia (€/kWh) Consumo de energia (kWh/ano) Custo de energia (€/ano) Custos de manutenção (€/ano) Custo médio de reparação (€/ano) Outros custos anuais (€) Custos ambientais (€) Custos de desmantelação (€) Vida útil (anos) Taxa de juro (%) Taxa de actualização (%) Valor de CCV (€) (*) .3 500 500 20 3.5 3. uma vez que assume valores entre a mesma ordem de grandeza do investimento inicial (alternativa C) e o dobro do investimento inicial (alternativa B).08 6.900 0.000 0. • Não há nenhum custo de eliminação ambiental associada.4 500 500 20 3.32 400 500 20 3.038 (***) .154 492. QUADRO 3 . a alternativa A pode apresentar problemas associados à exequibilidade da construção do reservatório à cota pretendida. a alternativa C apresenta os maiores custos de primeiro investimento mas os menores em energia e manutenção. 101 .5 37. • Não foram considerados os custos associados à construção do reservatório superior."Hydro 2000 ME 3xCR 10-6" Nesta análise pode-se contactar que.990 + 2. • Foi desprezado o custo da energia a diferentes horas do dia. Alternativa B(**) 5.806 Alternativa C(***) 9. Os cálculos do Custo do Ciclo de Vida para cada uma das quatro opções são resumidos no quadro 3. 33% e 26% para as alternativas A. os gastos de energia representa 24%. respectivamente.5 3.5 37. • O preço de energia actual é 0.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia Na análise do CCV efectuada utilizaram-se os seguintes critérios e suposições: • Os custos dos equipamentos electromecânicos são valores médios de mercado.08 8.655 452. (**) -"Hydro 1000 C/S 3xCR 10-7".5 38. B e C.5%. • O custo anual para reparação das bombas é de 500 € por ano. Pode-se ainda verificar que a parcela energia não é desprezável no valor final do CCV.08 5. com base nos dados e pressupostos utilizados.696 5. • Este projecto tem uma vida de 20 anos. de salubridade e de sobrecarga na estrutura do edifício. Relativamente aos valores do CCV.066 654. Os custos anuais de manutenção para as alternativas A e B são de 500 € e 400 € para a alternativa C."2xCR 15-5". • A taxa de juro e a taxa de actualização foram consideradas iguais a 3.850 0.08 €/kWh. Situação inversa é verificada na alternativa B.5 3.

.7 Referências bibliográficas Europump. "Theoretically attainable efficiency of centrifugal pumps". "Study on improving the energy efficiency of pumps". and Lauer. J. 2001. "Life-cycle costing manual". Stoffel. VDMA project . February 2001 European Commission .SAVE. 2000. Petersen.O Custo do Ciclo de Vida como Factor de Economia 5. "Pump life cycle costs: A guide to LCC analysis for pumping systems'. Stephen R. "Study on improving the efficiency of pumps". (ISBN 1-880952-58-0) European Commission.. Sieglinde K. Technical University of Darmstadt. 1994. US Department of Energy. B. Hydraulic Institute.Final report. Federal Energy Management Program. Fuller. 1995 102 .

SISTEMAS DE PRESSURIZAÇÃO GRUNDFOS Autor: Florindo Maia Director de Apoio a Projectistas Bombas Grundfos Portugal 103 .Sistemas de Pressurização Grundfos 6.

104 .

podendo como opcional ser equipado o quadro eléctrico e respectivo suporte de fixação. Os sistemas de pressurização. 6. quadro eléctrico. será a reserva de água existente no depósito sob pressão que fornecerá esta até à pressão de arranque do grupo electrobomba. podendo porém ser utilizados outros tipos de electrobombas de superfície ou submersíveis.2. pressóstatos (um por grupo electrobomba).1.2.2 Sistemas de pressurização com grupos electrobomba de velocidade fixa 6.1 Introdução Neste capítulo apresentamos as várias soluções práticas com que os sistemas de pressurização são comercializados pela Grundfos. Código de identificação Hydro100 Gama Grupo hidropneumático Tipo grupo electrobomba Capacidade do depósito HP CR5-8 80 6. constituem um conjunto compacto e caracterizam-se por incorporar electrobombas e todos os componentes de controlo.2. integrando uma ou mais electrobombas. acessório de intersecção e depósito de membrana.1 Sistema Hydro 100 6. colector de compressão comum. e consequentemente o sistema está sobre pressão. Havendo necessidade de consumo.Sistemas de Pressurização Grundfos 6.2 Sistema Hydro 100 HM Constituição Este sistema hidropneumático é constituído por 2 ou mais grupos electrobomba montados numa base comum. Nos exemplos apresentados são sempre referidas as electrobombas multicelulares verticais CR ou CRE.1. Diagrama de princípio Diagrama de princípio Depósito de Membrana Pressóstato Manómetro Contactor Grupo electrobomba Válvula de Retenção Válvula de Seccionamento Simbologia VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO COLECTOR PRESSÓSTATO MANÓMETRO CABOS ELÉCTRICOS QUADRO ELÉCTRICO Limite de fornecimento Válvula de pesca DEPÓSITO TUBAGEM 105 . obtendo-se diferentes níveis de eficiência e fiabilidade de exploração. Modo de funcionamento No acto da instalação deve-se proceder à regulação do pressóstato em função da pressão de arranque e paragem pretendida. o grupo electrobomba não funciona dado que o depósito está com uma reserva de água. tendo uma válvula de seccionamento e retenção por grupo electrobomba. pressóstato. Não existindo consumo de água. manómetro. nas versões de velocidade fixa e velocidade variável. incluindo válvula de retenção. de potência e hidráulicos que permitem o seu funcionamento integral. manómetro.1 Sistema Hydro 100 HP Constituição É constituído por um grupo electrobomba montado numa base. Os controlos diferenciam os vários sistemas de pressurização permitindo ajustá-los às exigências da instalação. O grupo electrobomba funcionará para que o depósito seja novamente enchido até atingir a pressão de paragem pré-regulada. com variação de velocidade integrada. depósito de membrana.

reservatório de água sem membrana equipado com sistema de controlo de nível.2. parando assim que atinja a pressão pretendida. um dos grupos electrobomba arranca. Hydro100 HS 2 Gama Central com reservatório N. o primeiro abastecimento é efectuado pelo reservatório. Simbologia Para além dos grupos electrobomba principais. Modo de funcionamento Este sistema efectua o sistema de arranque e paragem por intermédio da regulação dos pressóstatos em sistema de cascata. manómetro. e de retenção por grupo electrobomba. pressóstatos. Se o consumo de água continuar a aumentar.2. a pressão de descarga sobe e os grupos electrobomba são desligados em sequência inversa. O compressor arranca quando solicitado.1. Quando a pressão baixa até ao ponto de regulação. se o consumo de água continuar a aumentar. também poderá funcionar com uma electrobomba de baixo caudal com um grupo electrobomba auxiliar ( jockey). tendo uma válvula de seccionamento. apenas quando um dos grupos electrobomba começar a funcionar e seja detectado nível mínimo no reservatório.2. manómetros. pressóstatos (um por grupo electrobomba e compressor de ar).º de grupos electrobomba Tipo do grupo electrobomba Capacidade do depósito 2 CR5-10 80 Código de identificação 6. quadro eléctrico completo com unidade electrónica CS 1000 e depósito de membrana. tendo uma válvula de seccionamento e retenção por grupo electrobomba. assim que atingem as respectivas pressões de paragem.2 Sistema Hydro 1000 6. colector de compressão comum.2. Assim que haja consumo de água. montados em paralelo sobre uma base comum.º de grupos electrobomba Tipo de grupo electrobomba Capacidade reservatório CR32-5 1500 Diagrama de princípio 6. Código de identificação Hydro100 HM Gama Central com depósito N. Ao reduzir o consumo de água.Sistemas de Pressurização Grundfos Modo de funcionamento O depósito de membrana fornece água a consumir desde que os grupos electrobomba estejam parados. colector de compressão comum. a pressão na descarga aumentará e o controlador após receber esta informação do pressóstato. quadro eléctrico. dará ordem de paragem dos grupos electrobomba. VÁLVULA DE RETENÇÃO MANÓMETRO PRESSÓSTATO PORTA ELÉCTRODO VISOR DE NÍVEL CABOS ELÉCTRICOS QUADRO ELÉCTRICO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO VÁLVULA DE SEGURANÇA GRUPO ELECTROBOMBA RESERVATÓRIO VÁLVULA DE RETENÇÃO DE AR COMPRESSOR TUBAGEM COLECTOR 106 . Após a pressão descer abaixo do valor mínimo. em sequência (um a um). mais grupos electrobomba arrancam em cascata até conseguirem fornecer o caudal necessário para manter a pressão dentro do intervalo regulado. o primeiro grupo electrobomba entra em funcionamento. Quando o consumo de água diminuir.3 Sistema Hydro 100 HS Constituição Este sistema hidropneumático é constituído por 2 ou mais grupos electrobomba. os restantes grupos electrobomba entram em funcionamento. montados numa base comum.1 Sistema Hydro 1000 CS Constituição É constituído por dois a quatro grupos electrobomba verticais CR.

O controlador CS 1000 altera a ordem de arranque após a paragem dos grupos electrobomba.2. dependendo das necessidades. GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO Código de identificação HYDRO 1000 Tipo Controlo arranque/paragem Número de grupos electrobomba Tipo de grupos electrobomba Capacidade depósito CS 3 CR10-6 300 Modo de funcionamento Quatro grupos electrobomba iguais controlados através de pressóstatos e um depósito de membrana. Desta forma o tempo de funcionamento é distribuído entre os grupos electrobomba. Diagrama de princípio Um grupo electrobomba em funcionamento. GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO 107 .Sistemas de Pressurização Grundfos Diagrama de princípio Três grupos electrobomba em funcionamento.3. 6. providos com todos os acessórios necessários e quadro eléctrico de comando com Controlo 2000.2.1 Sistema Hydro 2000 MS Constituição O sistema de pressurização Hydro 2000 é constituído por 2 a 6 grupos electrobomba CR em paralelo montados numa base comum. A central Grundfos Hydro 1000 mantém a pressão praticamente constante através da activação ou desactivação de grupos electrobomba.3 Sistema Hydro 2000 6.

2. depósito de membrana.3. através do comando. com controlo por arranque-paragem através dos contactores-arrancadores.2 Hydro 2000 MSH Constituição O sistema de pressurização Hydro 2000 MSH é constituído por 2 a 6 grupos electrobomba. três grupos electrobomba principais idênticos. pelo facto de ser determinada automaticamente. através dos contactores-arrancadores e depósito de membrana. Diagrama de princípio GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO Um grupo electrobomba em funcionamento. Modo de funcionamento Um grupo electrobomba auxiliar com 50% da capacidade de um grupo electrobomba principal.Sistemas de Pressurização Grundfos Modo de funcionamento Quatro grupos electrobomba idênticos com controlo por arranque/paragem. Um grupo electrobomba com 50% da capacidade do grupo electrobomba principal. 108 . e depende da carga. Um grupo electrobomba principal e um grupo electrobomba auxiliar com 50% da capacidade do grupo electrobomba em funcionamento. em funcionamento. A central supressora Hydro 2000 MS mantém uma pressão quase constante. 6. conforme as necessidades. A alternância de funcionamento dos grupos electrobomba é automática. A pressão de paragem (Hstop) não pode ser configurada. sendo um grupo electrobomba auxiliar com 50% de capacidade dos grupos principais. período de tempo ou de avaria. Três grupos electrobomba em funcionamento. ligando ou desligando os grupos electrobomba.

Sistemas de Pressurização Grundfos A central supressora Hydro 2000 MSH. dependendo das necessidades. pelo facto de ser determinada automaticamente. transdutor de pressão.3 Sistemas de pressurização com grupos electrobomba de velocidade variável 6. O grupo electrobomba auxiliar arranca sempre em primeiro lugar e pára quando um grupo electrobomba principal entra em funcionamento. A alternância entre os grupos electrobomba principais é automática e depende da carga.1 Sistema Hydro Solo E Constituição É constituído por um único grupo electrobomba da gama CRE. válvula de retenção e seccionamento na compressão e depósito de membrana assente sobre uma base de inox. com sistema de variação de velocidade incorporado na caixa de controlo integrada no motor. mantém uma pressão quase constante. manómetro. Código de identificação Hydro 2000 MSH 2 CR 20-6 + CR 10-12 PMU 80 L Tipo de central Subgrupo: MS . Diagrama de princípio GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE ISOLAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO 109 . A pressão de paragem (Hstop) não pode ser configurada.3. interruptor de corte geral.MSH Número de grupos electrobomba principais Tipo de grupo electrobomba principal Número de grupos electrobomba auxiliares Tipo de grupo electrobomba auxiliar Painel de controlo do Controlo 2000: PMU: PMU 2000 PFU: PFU 2000 Depósito de membrana / Capacidade 6. período de tempo ou de uma avaria. através do comando ligando ou desligando o grupo electrobomba auxiliar dos grupos electrobomba principais.

5 ∆H acima.5 ∆H abaixo do setpoint. Três grupos electrobomba em funcionamento. Para um valor 0. GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO Modo de funcionamento . Código de identificação Exemplo Hydro Solo-E CRE 5-8 1 x 200-240 V Gama Subgrupo Tipo de grupo electrobomba Tensão Um grupo electrobomba em funcionamento. aumentando assim o rendimento do sistema.Hydro 2000 ME Três grupos electrobomba idênticos com motores MGE e depósito de membrana. 6. o grupo electrobomba irá adaptar a sua velocidade ao consumo de água requerido. montados em base comum. 110 . O valor ∆H é cerca de 10% do setpoint. a electrobomba arranca satisfazendo o consumo.Sistemas de Pressurização Grundfos Modo de funcionamento Diagrama de princípio PRESSÃO DE PARAGEM ∆H PRESSÃO DE ARRANQUE Definida a pressão de ajuste na caixa de controlo.3. Para pequenos consumos (caudais reduzidos. mantendo uma pressão constante.2 Sistema Hydro 2000 E Constituição O sistema de pressurização Hydro 2000 E consiste em 2 a 6 grupos electrobomba CRE/CR em paralelo. parando de seguida.) será o depósito de membrana que suprirá estas necessidades evitando arranques. Quando o transdutor de pressão detecta um valor abaixo do requerido (setpoint) a velocidade do grupo electrobomba aumenta até ao valor pretendido fazendo variar a pressão num valor de 0. etc. fugas. providos com todos os acessórios necessários e quadro eléctrico de comando com controlo 2000.

A central supressora Hydro 2000 MES mantém uma pressão constante através da variação de velocidade com motor MGE. alcançando deste modo um desempenho correspondente ao consumo. enquanto o grupo electrobomba principal é controlado através de arranque/paragem. período de tempo e de avarias. 111 . enquanto os restantes grupos electrobomba são controlados por arranque/paragem. . Um grupo electrobomba com motor MGE e dois grupos electrobomba controlados por arranque/paragem em funcionamento. Um grupo electrobomba auxiliar com motor MGE e grupo electrobomba principal em funcionamento. conforme as necessidades.Hydro 2000 MES Um grupo electrobomba com motor MGE. Um grupo electrobomba com motor MGE e depósito de membrana em funcionamento.Sistemas de Pressurização Grundfos A central supressora Hydro 2000 ME mantém uma pressão constante através da variação de velocidade dos grupos electrobomba ligados.Hydro 2000 MEH Dois grupos electrobomba com motores MGE. Um grupo electrobomba auxiliar de 50% da capacidade com motor MGE em funcionamento. A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga. mantém uma pressão constante através da variação de velocidade dos dois grupos electrobomba auxiliares com motores MGE. O grupo electrobomba auxiliar com motor MGE é sempre o primeiro a arrancar. A central supressora Hydro 2000 MEH.A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga.O grupo electrobomba auxiliar com motor MGE arranca sempre em primeiro. do tempo e de avarias. . . dois ou três grupos electrobomba principais com controlo arranque/ /paragem e depósito de membrana. . com 50% da capacidade do grupo electrobomba principal. do período de tempo e de avarias. um ou dois grupos electrobomba principais com controlo arranque/ /paragem e depósito de membrana. A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga. O funcionamento do sistema é regulado de acordo com as necessidades. através do ligar/desligar dos grupos electrobomba e do controlo paralelo dos grupos electrobomba em funcionamento.

Diagrama de princípio Um grupo electrobomba em funcionamento através do conversor de frequência.MEH . Modo de funcionamento .Sistemas de Pressurização Grundfos Código de identificação Hydro 2000 MEH 2 CR 45-2 + 2 CRE 32-2 PMU 300 L Tipo de central Subgrupo: ME . montados em base comum. providos com todos os acessórios e quadro eléctrico com controlo 2000 e conversor de frequência.MES Número de grupos electrobomba principais Tipo de grupo electrobomba principal Número de grupos electrobomba auxiliares Tipo de grupo electrobomba auxiliar Painel de controlo do Controlo 2000: PMU: PMU 2000 PFU: PFU 2000 Depósito de membrana / Capacidade 6. GRUPO ELECTROBOMBA VÁLVULA DE RETENÇÃO VÁLVULA DE SECCIONAMENTO TRANSDUTOR DE PRESSÃO MANÓMETRO Um grupo electrobomba em funcionamento através do conversor de frequência e dois grupos electrobomba que funcionam através da rede eléctrica (arranque/paragem).3 Sistema Hydro 2000 F Constituição O sistema de pressurização Hydro 2000 F é constituído por 2 a 6 grupos electrobomba CR em paralelo.Hydro 2000 MF Quatro grupos electrobomba idênticos e depósito de membrana: um dos grupos electrobomba é controlado através do conversor de frequência e os restantes por arranque/paragem por meio de contactores.3. 112 .

poder-se-á apreciar nas folhas de teste anexas os diferentes comportamentos registados. A central hidropressora Hydro 2000 MFH mantém uma pressão constante através da variação contínua de velocidade de um grupo electrobomba de 50% da capacidade e os restantes grupos electrobomba são através do comando ligado / desligado conforme as necessidades.4 Teste de sistemas Para mais fácil compreensão das características dos sistemas de pressurização com velocidade variável e velocidade fixa. 113 . A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga. O grupo electrobomba auxiliar.Hydro 2000 MFH Dois grupos electrobomba auxiliares com 50% da capacidade de um grupo electrobomba principal.MFH Número de grupos electrobomba principais Tipo de grupo electrobomba principal Número de grupos electrobomba auxiliares Tipo de grupo electrobomba auxiliar Painel de controlo do Controlo 2000: PMU: PMU 2000 PFU: PFU 2000 Depósito de membrana / Capacidade 6. Os dois grupos electrobomba auxiliares são alternadamente controlados através do conversor de frequência e os dois grupos electrobombas principais por comando arranque/paragem. período de tempo ou de uma avaria. . Os restantes grupos electrobomba arrancam ou param dependendo das necessidades. período de tempo ou de uma avaria. controlado através do conversor de frequência. Código de identificação Hydro 2000 MFH 2 CR 45-2 + 2 CRE 32-2 PMU 300 L Tipo de central Subgrupo: MF . O grupo electrobomba controlado pelo conversor de frequência arranca sempre em primeiro lugar. no respeitante à evolução da pressão e da potência consumida na gama de caudais cobertos pelos sistemas. e um ou dois grupos electrobomba principais. Um grupo electrobomba auxiliar a 50% da capacidade em funcionamento através do conversor de frequência e um grupo electrobomba principal que funciona através da rede eléctrica (arranque/paragem). Um grupo electrobomba com 50% da capacidade em funcionamento através do conversor de frequência. A alternância dos grupos electrobomba é automática e depende da carga. mantém uma pressão constante através da variação contínua de um dos dois grupos electrobomba. é sempre o primeiro a arrancar.Sistemas de Pressurização Grundfos A central hidropressora Hydro 2000 MF. Todos os grupos electrobomba são alternadamente controlados através do conversor de frequência.

8 98. 3 6. 0 50. ti i º Clent i e Encom enda Clent i e Encom enda Fabr ca i Ti de Bom ba/Cent al po r Codi Bom ba/Cent al go r ºSer e Bom ba/Cent al i r N. 25. 0 50. 7 3x45 3 50 400 3x7. 8 29. 1 6 9. 5 398. Ti de M ot po or N . 2 397. 9 399. 7 397. 5 76. 9 399. 4 4. 96 0. 9 24. 5 38. 1 1 0 5. 1 2 62. 1 6. 8 400. 7 400. 1 398. 0 50. 1 8 3. ºde Fases Fr equenci a Tensão Pot ênci a Vel oc. 0 36. 38. 5 m m 3/h Hz V kW 1 i /m n. 215 . 8 399. 6 35. 3 34. 1 7 9. 5 34. 9 1 1 3. ºC P1 ( ) kW Q ( 3/h) m H ( ) m F ( z) H cos phi UU ( V) UV ( V) I R ( A) I S ( A) I T ( A) 0. 1 36. 6 4. 0 0. 4 38. 44. 1 398. 3 1 9 4. 90 0. 0 50. 4 37. 0 200 40 1 80 1 60 1 40 30 1 20 1 00 20 80 60 1 0 40 20 0 0 25 50 75 1 00 1 25 1 50 1 75 0 Q ( 3/h) m Cur da Bom ba va D ata O perador Bancada de Ensai o Testem unho Cur de Pot va ênci a 030: 01 : 03. 1 26. 4 397. 1 397. 1 9 9. 1 398.c/Depósi o de 300L 2 t 91 43D 064 1 48/0507VJ 01 Al ur nom i t a nal Caudalnom i nal N. 2 2. 3 4. 7 399. 8 4. 4 38. 0 398. 8 396. 0 396. 5 1 2 5. odut M ot ºPr o or N º. 25. 0 50. 4 38. 8 396. 2 36. 0 35.2005-1 00: : : : 114 P1( ) kW H( ) m . 2 36. 0 9. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 1 0 1 1 1 2 1 3 81 0000023 H 2000 M E 3 CRE45. 5 398. 6 23. 8 32. 97 398. 8 396. 26. 96 0. 7 398. 93 0. 6 32. 7 399. 0 50. 3 399. 4 6. 5 399. 5 38. 1 0 34. 8 50. 0 1 4 26. 96 0. 1 1 7. 97 0. 1 5 68. 22. 96 0. 6 399. 0 1 1 8.Sistemas de Pressurização Grundfos Fol de Test de Centr s ha e ai Cer f cado N . 96 0. 6 34. 0 50. 4 397.Rot ação Tem per ur Am bi e at a ent Tem per ur da Água at a UW ( V) 38. ºC 1 5 2. 1 32. 0 50.

7 398. 0 0. 1 8 2. 87 0. 5 396. 40 0. 8 8. 22. 2 399. 1 399. 70. 6 396. 4 4. 8 7. 3 70. 6 397. 1 2 5. 8 50.0 t 91 43A287 1 0053/0504EG Al a nom i tur nal Caudalnom i nal N. 86 0. 0 50. 7 68. 7 400. 0 50. 0 399. 87 0. odut M otor N º. 87 0. 7 397. 4 398. 22. 2 64. 86 0. 0 399. 9 8. 1 0 5. 0 50. 6 1 0 3. ºSer e Bom ba/Cent al i r Ti de M otor po ºPr o N . 8 84. 23. 0 50. 1 00 22 21 90 20 1 9 80 1 8 1 7 1 6 70 1 5 1 4 60 1 3 1 2 50 1 1 1 0 40 9 8 30 7 6 5 20 4 3 1 0 2 1 0 0 5 1 0 1 5 20 25 30 35 40 0 Q ( 3/h) m Cur da Bom ba va D ata ador O per Bancada de Ensai o Testem unho Cur de Pot va ênci a 031 08: : 03. 1 397. 5 396. 0 50. 0 398. 3 398. 6 8. m m 3/h Hz V kW 1 i /m n. 3 69. 1 8. 7 397. 0 50. 3 7. 5 397. 9 27. 0 397. 213 . 1 2 4. 3 398. 0 1 1 2. 4 22. 86 0. 87 0. 7 396. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 1 0 1 1 81 0000024 H1 000 3 CR1 1 com Depósi o de 200L 0. 9 8. 2 7. 0 7. 8 397. 1 8 4. 0 50. ºde Fases Fr equenci a Tensão Potênci a Vel oc. 1 8 4. 0 218 . 0 50. 1 9 4. 3 396. 86 398. 5 1 8 4. 5 398. 1 8 4. 9 0. 1 1 5. 2 80.Rot ação Tem per ur Am bi at a ente at a Tem per ur da Água UV ( V) 816 . 4 396. 9 399. 1 5 3. 4 69. 6 4. 1 24. 1 6 4. 7 25.2005-1 : 08 : : : P1( ) kW H( ) m 115 . 3 399. 5 77. 6 8. 0 396. 86 0. 4 7. 1 6 3. 1 2 5. 215 . 1 7 4. 86 0. 9 396. 9 8. 0 50.Sistemas de Pressurização Grundfos Fol de Test de Cent ai ha e r s Cer i i t f cado N . 0. º Clente i Encom enda Clent i e Encom enda Fabr ca i Ti de Bom ba/Cent al po r Codi Bom ba/Cent al go r N. 6 7. 5 397. 0 1 2 5. 1 3 4. 8 7. 2 4. 2 28. 0 396. 0 397. 0. 1 4 4. 3x1 0 3 50 400 3x4 1 8 4. 4 36. 1 0. ºC ºC P1 ( ) kW Q ( 3/h) m H ( ) m F ( z) H cos phi UU ( V) UW ( V) I R ( A) I S ( A) I T ( A) 0. 1 4 3. 5 719 . 7 397. 0 50. 3 67. 6 1 2 5.

116 .

COMUNICAÇÃO E GESTÃO Autor: José Dias Director de Serviço Pós-Venda Bombas Grundfos Portugal 117 .Sistemas de Controlo. SISTEMAS DE CONTROLO. Comunicação e Gestão 7.

118 .

Neste sentido. poços ou outros locais. devem as sondas e sensores ser instalados com a redundância necessária a fim de assegurar o controlo e a garantir a maior segurança e operacionalidade com o mínimo risco de avaria ou falha. de modo a operar os equipamentos de bombeamento de uma forma criteriosa e segura. custos de manutenção. a selecção e instalação das sondas ou eléctrodos deve ser cuidadosa. Pode elaborar mapas de controlo automáticos. cumprindo as normas eléctricas nacionais de segurança.3 Controlo por pressão Tradicionalmente o controlo por pressão pode ser efectuado por recurso a um sistema de pressóstatos e vaso de expansão. com o auxílio de conversores de frequência por si desenvolvidos. tanto para a instalação como para os diversos componentes presentes neste processo. deve efectuar a sua função de modo aceitável para a sua aplicação. tendo em atenção a localização da instalação. aparelhagem de medida e controlo).1 Introdução Definições: • O sistema de controlo cumpre o processo que permite operar de forma automática o funcionamento das bombas de um modo seguro e eficaz. Nesta área a Grundfos tem aperfeiçoado e desenvolvido o mais moderno software e aplicando-o aos seus processadores para utilização nos quadros H2000 onde. Permite ou não efectuar relatórios por forma a ajudar ao melhor aproveitamento das variáveis necessárias ao processo de funcionamento. 7. Esse sistema pode estar inserido num quadro eléctrico de controlo. custos de exploração. 119 . manter a reserva de água com níveis aproximados de modo a serem utilizados na medida das necessidades. a sua manutenção e eficiência. possibilitando assim assegurar o correcto abastecimento da instalação. ou recorrendo ao sistema de controlo por transdutor de pressão integrando os processadores Grundfos desenhados e desenvolvidos para o efeito. deve ser usado de acordo com a instalação e de acordo com a selecção dos outros equipamentos de bombeamento. A Grundfos. ou um controlo interno próprio que desempenhe as mesmas funções de uma forma eficaz (controlo electrónico integrado). segurança e operação da instalação. tanto de uma forma automática como de uma forma manual. disponibilizando para tal. onde a necessidade do nível não carece de ser controlada com elevado rigor mas visa essencialmente. Este tipo de controlo visa o controlo rigoroso do caudal. Este tipo de controlo visa efectuar o enchimento constante de um tanque ou cisterna.2. bem como registo de avarias ou acontecimentos importantes para optimizar o funcionamento dos equipamentos de bombeamento (bombas. mantendo sempre em atenção os requisitos de segurança atrás referidos. controlo e rentabilização de exploração. possui sistemas de controlo adequados a cada tipo de aplicação. Daí que cada sistema de bombeamento necessita sempre de um conjunto de equipamentos externos às bombas.2. 7. válvulas.2. de modo a efectuarem correctamente as funções para as quais foram seleccionadas e projectadas. um elevado número de parâmetros que permitem rentabilizar a eficiência das bombas. para a indicação ou medida. • O sistema de comunicação cumpre o processo pelo qual a mensagem é transmitida de modo seguro entre o sistema de controlo e o equipamento accionado. instalados nos tanques.1 Controlo por nível O sistema de controlo por nível requer a utilização de equipamentos eléctricos ou mecânicos. ou outros que se entenderem beneficiar a instalação. 7. cisternas. Os quadros de controlo da Grundfos (QES) estão preparados para instalação de sensores de nível de uma forma selectiva e ordenada permitindo desempenhar com maior eficiência. 7.2 Controlo de sistemas de bombeamento Cada bomba ou conjunto de bombas.Sistemas de Controlo. Garante-se assim um valor de pressão constante na rede de abastecimento independente da variação dos consumos. onde a melhor eficiência para cada tipo de instalação é facilmente ajustável. a operacionalidade dos mesmos. aplicados em diferentes pontos da instalação. entre outros. Comunicação e Gestão 7.2 Controlo por caudal Visando essencialmente manter o caudal desejado para a instalação. servindo a necessidade dos utilizadores. A fim de assegurar uma correcta operacionalidade dos sistemas de controlo. • A gestão cumpre o processo pelo qual é possível contabilizar os diversos parâmetros. Este rigor é tanto mais preciso quanto melhor for o equipamento de medida e o controlo das bombas. entre outros. em termos energéticos e de serviço. tendo para tal desenvolvido o respectivo software de controlo adequado a cada tipo de electrobomba com variação de velocidade. de forma a assegurar a operacionalidade das bombas de acordo com a metodologia recomendada. Este deve operar as bombas de acordo com a potência instalada e de acordo com os objectivos do projecto. O controlo por nível deve ser desenvolvido de acordo com a aplicação específica. permite racionalizar o funcionamento das centrais de bombeamento de uma forma harmoniosa e eficaz oferecendo uma elevada performance nas aplicações onde é utilizada. As bombas necessitam por isso sempre de um sistema de controlo.

pressão.2. visando a protecção dos equipamentos. Comunicação e Gestão 7. Para isso podem utilizar-se vários processos de comunicação conforme as necessidades e aplicação. por diferença de caudais ou sistemas em que se actue de acordo com as necessidades de nível. 7. 7.2 Controlos integrados Sistemas de controlo diversos. integrados na mesma rede com o objectivo de controlar automática e/ou manualmente.4. 7.2.2.3. Caso um sistema deste tipo crie relatórios automáticos e proceda à sua transferência semanal para o responsável. adicionando as informações registadas e analisadas mais importantes à mensagem de alarme. consumo de energia. 1 .3. Um sistema deste tipo proporciona um enorme aumento na fiabilidade operacional com um investimento moderado. no entanto estes devem ser efectuados de acordo com as necessidades de cada instalação.1 Necessidade de comunicação Com o objectivo de controlar o funcionamento dos equipamentos à distância é necessário dotar as instalações de meios pelos quais cada unidade possa observar o comportamento da outra e actuar automaticamente operando de modo a avisar o operador ou a desenvolver rotinas automáticas para corrigir qualquer anomalia ou processo alternativo necessário. Entre eles destacamos outros.3. isto é.2 Comunicação entre sistemas de controlo da mesma rede 7. Pretendemos assim apenas referir-se algumas das variantes possíveis.2 Transmissão de dados Apesar das unidades de controlo das bombas terem um funcionamento totalmente independente. que procederá à transferência dos alarmes gerados pela unidade de controlo para o telefone do responsável. em que se necessite de conjugar várias grandezas. toda a instalação.3 Comunicação entre sistemas de bombeamento 7.4.3.2.2. mesmo que não ocorram quaisquer situações de alarme. a unidade de controlo pode ser equipada com um modem GSM.1 Diferentes níveis de controlo remoto As modernas unidades de controlo de bombas permitem que o sistema de controlo e monitorização seja personalizado de acordo com as funções requeridas pelo projecto. de acordo com os recursos disponíveis para investimento. referimo-nos a controlos mistos. estas informações poderão consistir no tempo de funcionamento das bombas.4 Outros tipos de controlo Existem muitos tipos de controlo possíveis de aplicar. Fig. sob a forma de uma mensagem SMS. visto que não existe nenhum centro de controlo. Caso seja preferido um simples sistema de transferência automática de alarmes. Por exemplo. É possível integrar este tipo de controlos com os controlos Grundfos. Por outro lado. as unidades de controlo modernas são capazes de utilizar a totalidade do espaço da mensagem SMS. por diferença de pressão.Comunicação directa ou individual 120 . Como exemplo podemos referir o controlo do nível do tanque ou cisterna a abastecer simplesmente uma rede sobre pressão. O tempo necessário para a transferência de dados pode ser diminuído se a unidade de controlo das bombas efectuar localmente a totalidade da análise dos dados e armazenar os resultados na respectiva memória. 7. será possível evitar grande parte das habituais visitas às estações de bombeamento. caudal ou pressão. como: controlo por diferença de nível. conforme descrito nas secções seguintes.1 Controlos mistos Quando se trata de projectar uma instalação tendo vários tipos de controlo a ela ligados. existem vários modos de implementar a ligação de comunicações entre as estações exteriores e o centro de controlo. das instalações e dos sistemas de exploração. Caso seja introduzido um sistema de controlo remoto e monitorização ao nível da rede.Sistemas de Controlo. mas muitas mais existem. dos quais abordamos apenas alguns. número de arranques. a transmissão de dados é crucial ao funcionamento dos sistemas de controlo remoto. etc. 7.

Também é possível utilizar linhas dedicadas.4. Esta é uma característica importante. normalmente uma semana. cuja função é imprimir todos os alarmes para análise posterior. a mensagem contém informações codificadas sobre a identidade da estação e o tipo de alarme emitido. quer trabalhem individualmente quer façam parte de uma rede de abastecimento ou de rega. Comunicação e Gestão Assim sendo. Os alarmes também podem ser transferidos por pager. devem ser controladas fiavelmente de modo a proporcionarem um funcionamento seguro e eficiente. etc. Ambas as extremidades da ligação de comunicações necessitam de um modem para modular os dados para transferência. Todas as tendências indicam que as comunicações por modem GSM irão tornar-se cada vez mais populares no futuro. o que lhe permite transferir o alarme 121 . A tecnologia GSM constitui frequentemente a melhor alternativa para adaptação de instalações já existentes. Os resultados também podem ser armazenados na estação exterior durante algum tempo. A ligação das comunicações tem de ser flexível e permite normalmente a utilização da rede telefónica pública. tais como fornecedores de equipamentos e empresas de serviços. De uma maneira geral.Sistemas de Controlo. em cuja base de dados são armazenados todos os alarmes recebidos. em vez de todos os dados registados.4. A moderna tecnologia de telecomunicações GSM constitui uma solução apelativa para o controlo e monitorização remotos de estações exteriores localizadas a grandes distâncias do centro de controlo. uma vez que a instalação de linhas de acesso de PSTN é dispendiosa e a sua disponibilidade poderá estar limitada. só será necessário transferir os resultados calculados para o centro de controlo. os modems de rádio e as linhas dedicadas são utilizados quando as distâncias são curtas e quando existe a necessidade de comunicação contínua. contacta o operador do pager e envia a mensagem que será apresentada no pager. destinados a reduzir os custos de funcionamento a longo 7.3. de modems de rádio. O computador do centro de controlo cria o texto do relatório de alarme. 2 . esta mensagem poderá incluir informações mais detalhadas sobre o estado da estação de bombeamento (em funcionamento/parada/falha).Painel de supervisão de gestão integrada 7. A transmissão de dados é sempre configurada de acordo com as necessidades individuais. O software de administração em execução no computador do centro de controlo efectua a categorização automática dos alarmes. caso existam interrupções indefinidas na ligação de comunicações.1. antes de serem automaticamente enviados em conjunto. A actual tecnologia de controlo electrónico permite conceber e projectar sistemas de controlo e monitorização versáteis. composta por várias estações de bombeamento. modems GSM ou qualquer combinação destes. A rede telefónica pública também permite autorizar outras entidades. A escolha de um método de transferência tem de ser da responsabilidade do utilizador. bem como o agendamento das tarefas do pessoal técnico de serviço. a acederem a uma estação elevatória com objectivos específicos. os alarmes são transferidos para o telefone GSM do técnico de serviço sob a forma de uma mensagem SMS (de texto). os custos da transmissão de dados e as características requeridas e proporcionadas por cada método.1 Monitorização e gestão de sistemas mistos 7. Ocasionalmente. com os circuitos de controlo entre os depósitos de água potável e as estações de captação.4 Gestão integrada entre sistemas de bombeamento Fig. o volume de bombeamento durante o dia. Para além do texto do alarme. outros alarmes activos (configurados para não serem transferidos). Tipicamente. Normalmente.1 Controlo e monitorização de estações de bombeamento Todas as estações de bombeamento. tal como acontece. Se estiverem ligadas através da rede telefónica pública. o computador do centro de controlo também está equipado com uma impressora separada para os alarmes. por exemplo. Isto também permite que as unidades de controlo das bombas funcionem independentemente. as estações de bombeamento e a estação de controlo central podem estar situadas a uma grande distância praticamente ilimitada uma da outra. dependendo apenas do número de informações requeridas.2. tomando em consideração os custos de instalação.3 Transferência de alarmes Os alarmes provenientes de uma estação exterior são transferidos para o centro de controlo. 7. para a pessoa certa no momento exacto (caso o alarme esteja categorizado para transferência). mas este método é raramente utilizado nos últimos tempos devido ao aumento dos custos e da fiabilidade incerta. o tempo de funcionamento das bombas. sem necessitarem de estar permanentemente ligadas ao centro de controlo.

tais como transdutor de pressão. depois de introduzirem a respectiva identificação.1. Se estiver instalada mais do que uma bomba de reserva. caudalímetros. Também a nível do controlo. esta opção pode ser efectuada por relógio ou por indicação externa.3 Controlo e monitorização remotos baseados na Internet e WAP As mensagens de alarme transferidas para os técnicos de serviço sob a forma de mensagens SMS são exclusivamente informações unidireccionais. As bombas de serviço arrancam quando a variável requerida é insuficiente. para assegurar uma distribuição igual da utilização e do desgaste entre as bombas. bem como a defesa do meio ambiente e o conforto do utilizador. dispositivos ultra-sónicos. simultaneamente ou a intervalos ajustáveis. 7. o nível de arranque e a pressão de controlo.Sistemas de Controlo.4. tendo como preocupação fundamental a fiabilidade das instalações e dos equipamentos de bombeamento. tendo sempre em atenção os custos energéticos. de manutenção e exploração. A bomba de reserva arranca quando uma das principais estiver em avaria. a fiabilidade é a principal preocupação relacionada com a concepção de uma unidade de controlo para uma estação de bombeamento. As bombas alternam em cada ciclo. bem como inibe os utilizadores de usufruírem do bem de que necessitam. é medir a pressão de abastecimento. Fig. os níveis de funcionamento pré-definidos são o nível de paragem. 7. particulares de abastecimento de água.4. No entanto. 3 . desenvolveu softwares próprios e processos electrónicos para a perfeita adaptação das electrobombas que fabrica. é agora possível um sistema de monitorização ao nível de rede e as possibilidades futuras de combinação da internet e da tecnologia WAP. As mais recentes inovações nas técnicas de controlo e monitorização remotos envolvem a utilização da Internet e da tecnologia WAP para ultrapassar as limitações dos sistemas de monitorização tradicionais anteriormente descritos. engenheiros do sistema de abastecimento. sob a forma da descarga de águas para o ambiente ou para as caves de edifícios. A integração de sistemas é normalmente útil para seleccionar o melhor sistema para cada aplicação e para os combinar a um nível adequado.Vários sistemas integrados 7. poderia alcançar-se a flexibilidade total proporcionada por um centro de controlo móvel.1. que monitorizam as estações de bombeamento. Todas as bombas em funcionamento são paradas. poderão consultar os dados históricos detalhados das estações exteriores a partir dos computadores instalados no próprio local de trabalho. Este tipo de unidade de controlo utiliza sempre um transdutor ou um sensor de modo a efectuar um controlo em contínuo. Normalmente. a intervalos ajustáveis ou a níveis diferentes.2 Vantagens de um sistema integrado 7. este factor torna os cálculos de monitorização das bombas mais complicados e menos fiáveis. às aplicações mais diversas. Por exemplo.. a sequência de controlo da bomba é bastante simples. Os sistemas de controlo e monitorização através da Internet/WAP permitem igualmente que a monitorização remota seja proposta aos serviços públicos ou entidades 122 . tais como sistemas operativos de PC e protocolos padrão de transmissão de dados e entrada e saída de sinais.1 Funções de controlo O parâmetro mais comum de uma estação de bombeamento H2000. os operadores.2. Se o técnico de serviço tivesse a possibilidade de controlar o sistema e alterar alguns parâmetros cruciais a partir do respectivo telemóvel quando estivesse em viagem. do seu melhor desempenho. Por este motivo. etc. numa situação em que todas as restantes estejam em utilização. possibilitando a utilização das informações sempre que tal seja necessário.4. etc. O sistema de controlo e monitorização baseado na Internet permite consultar e criar relatórios dos dados históricos das estações de bombeamento a partir de múltiplas localizações. quando a variável atinge o nível de paragem. em cada sistema. Numa aplicação normal no modo serviço/ /reserva. Esta solução poderia permitir utilizar software comum para a transferência e comunicação de alarmes. parando quando esta estiver acima do valor requerido. Através dos controladores H1000 e H2000 é possível usufruir. Em algumas instalações é possível que todas as bombas tenham níveis de arranque e paragem diferentes. Para possibilitar esta integração. Comunicação e Gestão prazo e a aumentar a sua fiabilidade. gestores. tal como um sistema de controlo da estação de tratamento ou um sistema de controlo integrado da empresa responsável pela rede de abastecimento público de água. As estações de bombeamento não fiáveis representam um risco ecológico e financeiro. essas bombas poderão ser iniciadas simultaneamente ao mesmo nível.4. Recorrendo a diversos tipos de sensores. A integração não significa que todos os sistemas serão executados no mesmo computador com o mesmo software. Estão disponíveis vários tipos de sensores. independentemente da localização. os sistemas devem ser concebidos utilizando procedimentos padrão. A Grundfos estudou e desenvolveu diversos tipos de controlos para diferentes aplicações.2 Integração do sistema Um sistema de controlo e monitorização de estações de bombeamento pode ser integrado com outro sistema de controlo. técnicos de serviço.

o que pode ser devido ao desgaste do impulsor ou à acumulação de ar. que se encontram nas folhas de características destas. 7. este não deve ser considerado como dado de controlo mas sempre como de protecção. bem como os sinais dos contactos isentos de potencial fornecidos pelo relé de presença de tensão e pelo contador de energia. este sinais correspondem a medições da temperatura dos enrolamentos e dos rolamentos do motor da bomba. etc. os níveis baixo e alto de alarme e os níveis de sobrecarga. falha de alimentação da bomba e outros alarmes baseados nas definições dos limites dos parâmetros. Quando a pressão de entrada e a duração da sobrecarga são conhecidos. é possível instalar uma ou mais bombas de reforço com características diferentes. A unidade é configurada para proteger o motor da bomba em situações anormais. é activada a segurança da instalação automaticamente. Em conjunto com os relés térmicos ou os dispositivos electrónicos de protecção existentes no arrancador do motor da bomba. Uma corrente de entrada anormalmente baixa indica que a bomba não está a bombear normalmente. dado que o "Reset" do MGE se efectua automaticamente. é possível utilizar dimensões reais ou percentagens dos valores de referência. Os sinais digitais de saída são necessários para o arranque e paragem das bombas. Nestas circunstâncias. A medição da corrente do motor da bomba é necessária para protecção e monitorização.2. Isto permite simplificar o painel de controlo do motor. etc. provenientes de sensores adicionais. A corrente do motor da bomba é também uma informação necessária para o planeamento das operações de manutenção da bomba. Os valores a introduzir são normalmente níveis de funcionamento que correspondem a um determinado nível de água no poço. 4 .4. informações sobre a condição do óleo do empanque da bomba. A unidade de controlo da bomba também está programada para indicar todas as falhas de funcionamento da estação até um máximo de 10.4 Registo e análise de dados 7. do grupo de bombeamento tem capacidade de memória suficiente para registar os dados ao longo de um determinado período de tempo.4. são utilizados para medidas contínuas. os contadores de horas de funcionamento e os relés de sequenciamento. São necessários vários sinais para que o controlo das bombas funcione conforme planeado. tais como os níveis de arranque e paragem das bombas.4. nível baixo. Em última análise. protegendo ainda a bomba em caso de falta de água e onde não é usada a protecção adicional recomendada. Estas informações são igualmente importantes para verificar o desempenho operacional da estação de bombeamento e para a determinação das acções de manutenção.2 Funções de monitorização A unidade de controlo das bombas efectua a monitorização automática das bombas com base nos parâmetros registados e analisados. para que o operador possa evitar possíveis danos. fornecidos pelos circuitos de comando. Os sinais digitais são sinais de entrada ou saída e indicam um estado ON ou OFF.). A utilização destes sinais pode requerer uma placa de expansão adicional. Os sinais analógicos de entrada. Estes sinais podem ser digitais ou analógicos. Os sinais de entrada digitais necessários são a indicação de funcionamento ou reserva da bomba. esta unidade constitui uma valiosa protecção para o motor.3 Parâmetros e sinais A unidade de controlo da bomba necessita de vários parâmetros para poder funcionar conforme necessário. situação em que o sobreaquecimento do motor se torna um risco devido à possibilidade de falha. esta é automaticamente parada. dados provenientes de um medidor de caudal ou conversor de frequência adicional. pelo menos.Registo de dados A unidade de controlo e comunicação G100. para tratar de caudais maiores. removendo deste as características que estão incorporadas no PFU tais como os amperímetros. Caso ocorra a sobrecarga de uma estações de bombeamento. o número de arranques das bombas e os incidentes relacionados com problemas de corrente no 123 .2. isto permite que os trabalhos de manutenção e controlo das bombas passem gradualmente da reparação de falhas para a manutenção preventiva e até mesmo para a manutenção preditiva. Por exemplo. quando presentes. A unidade tem de registar.Sistemas de Controlo. tais como alarmes de nível elevado. Todos estes valores podem ser enviados para o sistema de gestão através de uma porta de conversão de protocolo G100 (Profibus. Todas as funções acima descritas estão disponíveis na unidade de controlo e monitorização C2000 da Grundfos e podem ser lidas a partir do visor da interface PMU.2. o tempo de funcionamento. Fig. Caso a corrente de entrada suba acima do limite de sobrecorrente. Os parâmetros são introduzidos na unidade com base nas dimensões reais da estação e em unidades recolhidas no projecto ou medidas no local da instalação. bem como uma versão especial da aplicação de software. o sistema deve ser capaz de adaptar a variável correctamente e sem ambiguidades. Comunicação e Gestão Em alguns casos. Os outros parâmetros habitualmente requeridos são as dimensões do poço e os valores nominais da corrente de entrada e da capacidade das bombas. 7. Para efeitos de calibragem. através de limites ajustáveis de sub e sobrecorrente no caso dos motores MGE da Grundfos. Modbus. Intebus.

Sistemas de Controlo. Mesmo que a unidade de controlo das bombas funcione como uma estação exterior de um sistema de controlo e monitorização ao nível da rede. O utilizador tem de ser capaz de introduzir todos os parâmetros necessários e de ler os dados registados e calculados utilizando o teclado. facilitam e aceleram a leitura rotineira dos dados.5 Interface do utilizador Para aceder aos dados e introduzir parâmetros. Para esta situação a Grundfos dispõe de uma unidade PMU para o efeito. 124 . no mínimo. Este interface tem de ser composto. A utilização de um interface deste tipo tem de ser simples e lógico. Comunicação e Gestão motor da bomba. Habitualmente. São utilizados indicadores luminosos separados para a indicação de alarmes e do estado de funcionamento das bombas.2. Dado que a mesma se encontrará interligada com um sistema de gestão instalado num PC. nem mesmo durante possíveis quebras de comunicação entre a estação exterior e o centro de controlo. a intervalos específicos. tais como a função de varrimento automático. por um pequeno visor LCD e um teclado. algumas funções úteis. através de um sistema automático de controlo remoto. Os dados registados podem ser agrupados e analisados mais detalhadamente através da sua transferência. Isto deve-se ao facto da perda de dados cruciais não ser aceitável. 7.4. estes dados serão convertidos para esta base onde deverão ser tratados. ou continuamente. o utilizador necessita de um interface para trabalhar com a unidade de controlo das bombas. necessitará de dispor de capacidade de memória suficiente para armazenar os dados registados e analisados durante vários dias. para um computador portátil com software adequado.

Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento 8. INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO DE BOMBAS E SISTEMAS DE BOMBEAMENTO Autor: José Dias Director de Serviço Pós-Venda Bombas Grundfos Portugal 125 .

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2.Reduzir o número de arranques e paragens das electrobombas no tempo. 3 . A sua localização deve ainda respeitar e considerar a necessidade de manutenção e intervenção local bem como condições de remoção do local. 8. 8.Permite proteger a instalação contra os regimes transitórios . espaço livre de passagem e ausência de humidade que os equipamentos necessitam para o seu correcto funcionamento e longevidade. A Grundfos recomenda reservatórios cuja capacidade mínima é a abaixo mencionada. de modo a garantir-se o seu correcto funcionamento e duração de vida e de acordo com os manuais de instalação e operação respectivos. devem ser instalados de acordo com as suas características físicas e de protecção. também denominado depósito de membrana. para além destas ainda devem ser consideradas as condições relativas aos quadros eléctricos de controlo e protecção. bem como a sua localização. permitindo alargar os períodos de manutenção. motores equipamentos electrónicos. tem a ver com as condições ambientais de funcionamento.2. 8. Deste modo alertamos para a necessidade de ventilação. e outros equipamentos de comando e regulação alimentados por corrente eléctrica. É recomendado por isso. permitindo a compensação de fugas e pequenos consumos. Os equipamentos eléctricos.2 Requisitos para instalação 8.2 Necessidades de ventilação Uma das mais importantes características de bom funcionamento dos equipamentos eléctricos e electrónicos.1 Localização do equipamento de bombeamento Os equipamentos de bombeamento devem ser instalados de acordo com as especificações dos manuais de instalação respectivos tendo em atenção as características ambientais.Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento 8. possuem características especiais que devem ser respeitadas quando instaladas em ambientes em que as condições de temperatura sejam adversas. os quadros eléctricos de controlo e restantes equipamentos de medida e controlo. que as centrais de bombeamento sejam instaladas tendo em atenção estas características por possuírem estes componentes e consequentemente necessitarem de condições de verificação adequadas. CAPACIDADES MÍNIMAS RECOMENDADAS Capacidade do depósito de membrana [litros] Modelo da bomba CR(E) 3 CR(E) 5 CR(E) 10 CR(E) 15 CR(E) 20 CR(E) 32 CR(E) 45 CR(E) 64 CR(E) 90 Velocidade fixa MS 60 80 200 200 200 300 300 500 500 MSH 100 100 200 200 300 500 500 MF 60 80 80 200 200 200 200 200 200 MFH 200 200 200 200 500 Velocidade variável ME 60 60 80 80 80 200 200 200 200 MEH 60 80 200 200 200 200 200 MES 60 60 80 80 200 200 200 200 500 NOTA: Sempre que os sistemas não refiram capacidades de depósitos é por estes não serem normalmente utilizáveis.1 Introdução Para a correcta instalação das bombas e restantes equipamentos de bombeamento devem ser consideradas algumas regras de acordo com os diversos equipamentos que compõem a instalação. Utilização de reservatórios de membrana Porquê utilizar um reservatório de membrana. 2 . eléctricas e físicas. O manual de instalação de cada tipo de bomba alerta para estas condições. tais como temperatura e humidade. Valores apresentados nas tabelas que em alguns casos varia a capacidade do depósito também em função do número de bombas.3. numa central de abastecimento? Existem três razões essenciais para montar um depósito de membrana numa central. que são: 1 .Para compensação da pressão no sistema durante os períodos de paragem da bomba. Os equipamentos de bombeamento. as quais devem ser cuidadosamente respeitadas. 127 .golpes de aríete (consultar capítulo 4).2.

Sistema de protecção LiqTecTM 8.Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento 8. • Uso de filtros sem a manutenção adequada. a bomba pára e só após algum tempo.3. a uma cisterna com pressão positiva. No funcionamento normal.3 Instalação de sistemas de bombeamento Na instalação de um grupo ou de uma central de bombeamento é necessário sempre respeitar as regras de instalações hidráulicas. Entre as protecções existentes internamente nos motores MGE da Grundfos. volta a funcionar. Nesse sentido é necessário prover a instalação dos adequados sistemas de protecção por forma a evitar que os mesmos ocorram.3. eléctrodos ou transdutores são outros dispositivos de segurança que devem ser consideradas como medidas de protecção. protecção contra falta de água. 2 . devem ser considerados cuidados específicos e regras de segurança de modo a que respeitem as condições de aspiração próprias das bombas CR. O uso de válvulas de retenção eficazes e com reduzidas perdas de carga. Como exemplo de instalações susceptíveis de provocar avarias. A segurança dos equipamentos e das pessoas deve ser sempre respeitada. bem como acústico nos casos em que tal se justifique. Os maiores problemas susceptíveis de ocorrer nestas instalações relacionados com as bombas são os provocados pelo funcionamento sem água. a bomba pára. após várias tentativas. o uso de equipamento auxiliar como sensores de nível. Nesse sentido em cada sistema de bombeamento. etc. 128 . o qual permite a fiabilidade das bombas sempre que se verifiquem roturas no abastecimento de água. destacamos. se uma destas avarias ocorrer.2 Aspiração de cisterna elevada Neste tipo de abastecimento. os mesmos devem estar preparados com os cuidados devidos de modo a evitar danos. denominado LiqTec. boiadores. é necessário que as mesmas estejam devidamente protegidas contra essa possibilidade ou outras que possam provocar danos às bombas.Central de bombeamento tipo com aspiração negativa 8. em que se recorre à ligação do grupo ou da central de bombeamento. hidráulico e eléctrico. estas estão preparadas para com sistemas de protecção suplementar interna. poderemos apontar: • Percursos muito longos • Tubagens subdimensionadas • Demasiados acessórios na tubagem de aspiração da bomba. em que o nível da água está a um nível superior ao das bombas. de modo a prevenir possíveis avarias e danos às bombas e à instalação. deve ser efectuado tendo sempre em atenção ao valor da curva de NPSH para esse mesmo ponto. à instalação ou às pessoas. por um conjunto de instrumentos que respeitem o seu funcionamento de uma maneira geral. as regras referentes à instalação eléctrica e ainda às regras de boa prática de montagem mecânica. A Grundfos disponibiliza um sistema de protecção electrónico contra a falta de água. isto é. que permite a maior duração dos empanques e casquilhos. Se a avaria persistir. a protecção contra sobreaquecimento do motor e outras protecções eléctricas. em que é requerido a aspiração de água de um nível mais baixo que o nível em que estão instaladas as bombas. bem como a temperatura dos motores e dos empanques das bombas.1 Aspiração negativa As centrais de bombeamento instaladas com este tipo de instalação. variável. O cálculo do ponto de funcionamento da bomba. mas também a segurança. Fig. 1 . a altura de aspiração demasiado elevada e ainda a desferragem das bombas. caso falhe o sistema de protecção existente contra falta de água. Nesse sentido os equipamentos devem ser protegidos a nível mecânico. Para as bombas com variação de velocidade CRE. de modo a garantir o seu funcionamento para além das protecções existentes. Fig. daí que as centrais devam ser instaladas como se de bombas individuais se tratassem e os elementos de protecção individuais devem de igual modo respeitar esta regra. Os quadros eléctricos de controlo devem dispor de protecções de modo a garantir a protecção e o bom funcionamento da instalação e das bombas individualmente. não existe o risco dos casos mencionados anteriormente. no entanto a fim de evitar o funcionamento indevido das bombas sem água. a cavitação.

quando existirem • Empanques e retentores Fig. que adicionado à pressão de funcionamento das bombas. não devendo ser entendida como característica de operação. a mesma deve ser sempre considerada apenas como redundância a uma falha do sistema de controlo. Nestas redes os grupos ou as centrais de bombeamento devem estar protegidas contra funcionamento acima da pressão de rotura da instalação ou acima da pressão das próprias bombas. 5 .Central de bombeamento tipo com aspiração de uma rede 8. etc.1 Manutenção aos equipamentos de bombeamento Os aspectos a ter em conta para efeitos de manutenção específicos. Fig. com aspiração de cisterna elevada • Anéis de desgaste e casquilhos. Mas nestas bombas existem ainda outras protecções complementares que evitam as protecções externas atrás mencionadas. São exemplo disso. não só contra falta de água. são aqueles que sujeitos a maior esforço físico ou desgaste por fricção. 3 .4 Manutenção 8.Central de bombeamento com aspiração positiva Normalmente são equipamentos externos às bombas e que complementam a sua segurança. como ainda para um possível aumento de pressão. Dentro destes poderemos considerar: • Rolamentos dos motores e das bombas. 129 . Neste tipo de aplicação pode ocorrer excesso de pressão na aspiração.4. Como qualquer outro equipamento.3. Estas bombas e os quadros que as controlam. caso não sejam tomadas em consideração as pressões de funcionamento. o já referido funcionamento em seco. a poupança de energia e a preservação das condições de segurança dos equipamentos e da instalação. a protecção contra falta de água é uma das suas características internas como protecção ao equipamento.Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento 8. contra sobrecarga. podem provocar avarias na instalação ou nas bombas. falta de fase.Central de bombeamento tipo. possam necessitar de maior intervenção. como por exemplo o funcionamento em situações de perdas de carga variável. protecção contra sobreaquecimento do motor. devem estar relacionados sempre com o equipamento respectivo e deve para o efeito ser consultado o manual técnico de instalação e operação das bombas. Genericamente os materiais de maior necessidade de intervenção quando se trata de bombas CR. Relativamente a bombas com variação de velocidade Grundfos. 4 . tendo como objectivo sempre. têm de se adaptar à instalação e às diversas situações.3 Aspiração de uma rede sob pressão Nas redes sob pressão há que ter em conta também um eficaz sistema de protecção. Fig.

o tempo de operação das bombas. relés ou outros). Devem no entanto acompanhar-se e seguir-se a evolução do bom desempenho do mesmo e evitar-se a utilização dos PC's onde estão instalados ou dos outros equipamentos electró- Fig. Sempre que se notar um funcionamento irregular ou fora do normal. Quando a estes estiverem ligados equipamentos sujeitos a movimento mecânico (ex: contactores.4. bem como as condições de ventilação da sala onde a central ou as bombas estão instaladas. a eles ligados. por outros programas com necessidades de acessos via internet ou outros susceptíveis de os contaminarem com vírus informáticos que possam interferir com o seu bom desempenho. 7 . deve ser efectuada uma inspecção regular. Também devem ser respeitadas as condições de temperatura de funcionamento e as regras de bom funcionamento e ventilação. Fig. de acordo com as especificações de funcionamento previamente estabelecidas.2 Manutenção aos sistemas de monitorização e controlo Para um sistema de monitorização e controlo não é normalmente necessário qualquer manutenção especial. 8.Manutenção de um quadro eléctrico de controlo 130 .Instalação e Manutenção de Bombas e Sistemas de Bombeamento nicos. com a periodicidade acordada inicialmente. 6 . deve de imediato ser alertado o fornecedor de modo a diagnosticar possíveis falhas. a temperatura da água e a temperatura ambiente.Empanques No entanto no plano de manutenção a estabelecer deve ser sempre considerado. a qualidade da água.

SISTEMAS DE ABASTECIMENTO PÚBLICO E PREDIAL NO PORTO Autor: Carlos Medeiros Engenheiro Civil dos SMAS do Porto Professor Auxiliar da FEUP e da FAUP 131 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9.

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No reinado de D. até ao século XIX. A população da Cidade era. a rede instalada possui uma extensão de 550 Km e capacidade de tratamento integralmente assegurada em duas ETAR's (Freixo e Sobreiras). se destacaram de entre os principais pólos abastecedores de água à Cidade. empreendeu obras que lhe permitissem melhorá-las e organizou Repartições de Estudo que a orientassem sobre a gravidade dos males e meios de os remediar.. A partir de 1855.000 habitantes equivalentes. revelador do facto de. Aumento de reservas. Em 1983. iniciou-se a construção dos mananciais de Paranhos e Salgueiros que. altura em que. então. Teve isto lugar em 1896. os problemas de assistência e higiene pública. ainda é vulgar designar-se a água do Porto como "água da Companhia". Sebastião (meados do séc. os SMAS. e para isso esta Municipalidade. Há anos já que esta Municipalidade. em 27 de Julho do mesmo ano. Concorreu a acreditada firma Hughes And Lancaster. para uso público. nasce uma nova fase na história dos SMAS com as captações em profundidade em Lever. No entanto. expansão das redes de distribuição e transporte são passos importantes de uma nova fase. elevação. surgem várias companhias candidatas ao projecto e execução de obras de captação. mas só em 1 de Janeiro de 1887 é que o abastecimento é regularizado. encontra-se a mesma estabelecida desde 1907. em profundidade. por 3. Inicia-se aqui o terceiro ciclo de vida do abastecimento de água à Cidade do Porto. com a captação no Rio Sousa. sendo em 22 de Março de 1882 assinado o contrato com a "Compagnie Générale des Eaux pour l'Étranger". em 11 de Agosto de 1899 refere-se: "São graves.. justamente preocupada com as condições higiénicas da Cidade. então. já sendo sentida desde algum tempo antes. o qual é aprovado por Carta de Lei. para uma população de 370. No que respeita à água para consumo público. Maia e Valongo. A rede de drenagem de Águas Residuais Domésticas. procederam à captação. a evolução dos cuidados com a saúde e ainda as exigências quanto à qualidade de vida impunham uma transformação radical do sistema.000 habitantes e a água tida como a melhor da Europa. pôs a concurso o projecto e execução das obras necessárias para o saneamento da Cidade. Gondomar. a ser adquirida pelos SMAS à empresa Águas do Douro e Paiva. novas captações. as doenças transmitidas.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Serviços Municipalizados de Água e Saneamento do Porto Reporta-se a 1392 o mais remoto registo histórico de que há notícia. Os trabalhos são concluídos em 1886. a inquinação dessas águas. S. há mais de seis séculos. A água de abastecimento público passou. O contrato com a Compagnie Générale era válido por 99 anos e foi estendido a Matosinhos no princípio do século. de 122. o Porto já possuir fontes e chafarizes. A sua necessidade vinha.. embora sem condições de higiene.XVI). sistema posteriormente alargado aos Concelhos de Gaia. 133 . O sistema mostrou-se extremamente vulnerável em regime de cheias dos Rios Douro e Sousa. conhecidíssima pelas obras congéneres executadas em diversas Cidades estrangeiras e exploradora do Sistema Shöne para a elevação de esgotos. vem perante Vossa Majestade solicitar a atenção do seu governo.A. passou o Município do Porto a integrar o Sistema Multimunicipal de Abastecimento de Água à Área Sul do Grande Porto. transporte e distribuição.500 contos." Actualmente. E como causa principal deste lastimoso estado não se pode apontar outra que não seja a falta quase completa de uma rede de canalização para os esgotos da Cidade. Cem anos volvidos. contudo. conhecida a causa indicado estava o remédio. tratamento e adução em alta e em baixa até finais de 2000. no areal de Zebreiros (1937). É para um dos múltiplos aspectos de um destes problemas que a Câmara Municipal do Porto. começando a Câmara a exercer fortes pressões junto da Companhia que conduziram ao resgate da concessão em 28 de Março de 1927. De acordo com o documento dirigido ao Rei pela Câmara Municipal do Porto. e à criação dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento em 1 de Abril desse ano.

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assim como as necessidades prediais. ser inferior a 250 l (habitante / dia). rega de zonas verdes e limpeza de colectores.2. b) As secções. Para os obter. entre outros. Por fim. Os Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto prestarão todas as informações de interesse. a definição do grau de risco e do caudal instantâneo a garantir (Art. que impliquem a alteração ou ampliação dos sistemas públicos existentes ou a implementação de novas infra-estruturas. fornecendo os elementos seguintes.2. Conclui-se a exposição referindo aspectos importantes referentes ao traçado. Uma apresentação breve das condições a considerar na instalação de abastecimento público preencherá a primeira parte desta exposição. caso a caso. variando entre 5 e 20 l (habitante / dia). Em todas as intervenções urbanas. pelo promotor. nomeadamente às necessidades de água para o consumo e o combate a incêndios. bombeiros e instalações desportivas.2 Elementos de dimensionamento As capitações a considerar na distribuição exclusivamente doméstica não deve.º 23º). às unidades turísticas. bebedouros.º 251º). as condições de ligação. 9. materiais e tipos de junta das condutas.1 Introdução Nesta apresentação são abordados os principais aspectos relacionados com os sistemas de abastecimento públicos e. ensino. O diâmetro nominal mínimo das condutas de distribuição é de Ø100mm (Art.1 Aspectos gerais Nos arruamentos públicos existentes compete aos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto a elaboração de estudos e projectos dos sistemas públicos. que devem ser avaliados de acordo com as suas características. Consideram-se consumos assimiláveis aos industriais os correspondentes. qualquer que seja o horizonte de projecto. devem ser avaliados caso a caso e adicionados aos consumos domésticos. Os volumes de água para combate a incêndios são determinados em função do risco da sua ocorrência e propagação na zona. lavagem de arruamentos.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. será necessário requere-los ao Director Delegado dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto. e submete-los à aprovação dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto (Art. Na escolha do sistema a ser utilizado. tanto a nível técnico como de legislação de soluções de abastecimento directo ou de abastecimento com recurso a sistemas elevatórios que garantam um abastecimento em quantidade e qualidade adequadas ao uso. sobre carta topográfica à escala 1:500. os reservatórios. Em zonas com actividade comercial intensa pode admitir-se uma capitação da ordem dos 50 l (habitante / dia) ou considerarem-se consumos localizados. cabendo ao Batalhão de Sapadores Bombeiros da Câmara Municipal do Porto. os sistemas elevatórios e as câmaras de manobras para instalação de equipamentos elevatórios.Porto. A concepção dos sistemas de distribuição pública de água no Porto deve passar pela análise prévia das previsões do planeamento urbanístico (planos urbanísticos ou operações de urbanização em que se insiram) e das características específicas da área urbana em que se insiram. é obrigatória a elaboração dos estudos e projectos. lavagem de pavimentos.2 Sistema de abastecimento público 9. fundamentalmente. entre outros. 135 . estabelecimentos de saúde. acompanhado de Planta de Localização da obra a levar a efeito. são apresentados os principais tipos de sistemas prediais de abastecimento de água. acessórios e instalações complementares. Os consumos industriais face a sua grande aleatoriedade. a) A localização em planta das condutas. profundidades.º 18). com o fim de se garantir o abastecimento para outras finalidades. fornecida pela Câmara Municipal. prediais de água fria e quente. 9. tais como combate a incêndio.º 250º). será importante observar as condições de disponibilidade de abastecimento garantidas pela rede pública. nomeadamente. nomeadamente no que respeita à caracterização e localização das redes públicas de abastecimento de água. podem geralmente considerar-se incorporados nos valores médios de capitação global. uso industrial. prisionais. Os consumos públicos. tais como de fontanários. ressaltando as recomendações contidas no Regulamento dos Sistemas Públicos e Prediais de Abastecimento de Água e Drenagem de Águas Residuais (Decreto Regulamentar 23/95. à escala 1:500 (Art. hoteleiras. Seguidamente. É da responsabilidade do autor dos estudos e projectos a recolha dos elementos de base. de 23 de Agosto) e a sua adaptação efectuada pelos pelo Regulamento dos SMAS . serão especificadas as principais etapas que constituem o dimensionamento dos sistemas prediais de abastecimento de água fria e quente. com as condições que determinam a sua aplicabilidade. elementos acessórios da rede e as verificações necessárias à prévia utilização dos sistemas prediais. bem como o abastecimento predial de água feita a partir de captação particular (nascentes e furos). militares.

Quando se tenha de assegurar simultaneamente o serviço de combate a incêndios sem reservatório de regularização. Cabe aos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento a definição da localização das bocas de incêndio e dos hidrantes.2. pelos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto. descrição do desenho. • Perfis . f) Legenda específica das redes representadas. b) Termo de responsabilidade do técnico autor do projecto. Os ramais de ligação consideraram-se tecnicamente como partes integrantes das redes públicas de distribuição e de drenagem.º 32º). Nos ramais de ligação de abastecimento a reservas de água e piscinas que se encontrem instaladas a uma cota não superior a 10 m relativamente ao arruamento de onde se faz a ligação.3 Ramais de ligação Os ramais de ligação asseguram o abastecimento predial de água. f) Mapas de medição e orçamento a preços correntes. subscrito pelo promotor. os diâmetros nominais mínimos das condutas são determinados em função do risco da zona e devem ser: a) 100mm . 136 . escalas e data da sua elaboração. • Pormenores . o diâmetro não deve ser inferior a 45mm.º 264º). c) Planta de Localização fornecida pelos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento d) Memória descritiva e justificativa. com indicação dos materiais das canalizações e acessórios utilizados. dos aspectos de saúde pública e de protecção do ambiente.º 267º). no mínimo. b) 125mm .º 56º). indicando se se trata de obra nova. 9.2. qualificação e assinatura do autor do projecto. a natureza. em boas condições de caudal e pressão.à escala conveniente que esclareça inequivocamente o pretendido. Os elementos descritos serão apresentados em original.º 35º).grau 4. pelo técnico responsável pelo projecto. c) Nome. pode uma mesma edificação dispor de mais de um ramal de ligação para abastecimento doméstico ou de serviços. obedecendo às escalas a saber: • Plantas . os materiais e acessórios e as instalações complementares. Todos os desenhos devem possuir legenda no canto inferior direito. designação e local da obra. paginadas e todas elas assinadas. das obras a executar. equipamentos e instalações complementares previstas. a descrição da concepção dos sistemas. respeitando a Norma Portuguesa NP204 e contendo. As peças escritas devem ser apresentadas dactilografadas ou impressas em folhas de formato A4. Os caracteres alfanuméricos devem obedecer à Norma Portuguesa NP89. g) Peças desenhadas dos traçados e instalações complementares. e) Cálculo hidráulico onde conste os critérios de dimensionamento adoptados e o dimensionamento das redes. após parecer do Batalhão de Sapadores Bombeiro (Art.grau 1 a 3. não excedendo as dimensões do formato A0. competindo aos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto promover a sua instalação (Art. Os estabelecimentos comerciais e industriais devem ter ramais de ligação privativos. a seguinte informação: a) Designação e local da obra. Nenhum sistema de distribuição de água pode entrar em funcionamento sem que tenha sido feita a desinfecção e a vistoria final de todo o sistema (Art. e) Especificação quando se trata de projecto de alteração ou aditamento.º 252º): a) Requerimento dirigido ao Director Delegado dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto. O diâmetro nominal mínimo das bocas de rega e lavagem e respectivos ramais de alimentação é de 25mm (Art. com formatos e dobragem concordantes com o estipulado nas Normas Portuguesas NP48 e NP49. c) 150mm (a definir caso a caso) . Quando se justifique.4 Elementos de instrução dos processos de projectos O pedido de aprovação de projectos deve ser instruído com os seguintes elementos (Art.1:500 em extensão e 1:50 em altimetria. onde conste a identificação do proprietário. Os diâmetros nominais mínimos dos ramais de alimentação dos hidrantes são de 45mm para as bocas de incêndio e de 90mm para os marcos de água (Art.2. As peças desenhadas devem ser apresentadas. de ampliação ou remodelação.grau 5. 9. no original.º 55º). d) Número.1:500. 9. o tipo da obra. em tela plástica. O diâmetro nominal mínimo admitido em ramais de ligação é de 25mm (Art. acrescidos de duas cópias para os elementos referidos nas alíneas b) a g). desde a rede pública até ao limite da propriedade a servir.º 53º). a solicitar a aprovação do projecto. Os diâmetros de saída são fixados em 45mm para as bocas de incêndio e em 60mm para duas saídas e 90mm para os marcos de água. b) Identificação do proprietário. é obrigatória a instalação de coluna piezométrica com desenvolvimento a definir pelos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto (Art.5 Entrada em serviço dos sistemas A entrada em serviço dos sistemas deve ser precedida da verificação.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Quando o serviço de combate a incêndios tenha de ser assegurado pela mesma rede pública.

nomeadamente poços ou furos.." (Art.3 Concepção dos sistemas A rede de distribuição de água parte de um ponto da rede pública.As tubagens e acessórios que constituem as redes interiores podem. rega. as tubagens e acessórios podem ser de ferro fundido. a sua fácil ligação àquelas redes. ". A aplicação de novos materiais ou processos de construção para os quais não existam especificações oficialmente adoptadas nem suficiente prática de utilização.. Numa primeira fase de abordagem a concepção de um sistema de abastecimento predial devem colocar-se as seguintes questões fundamentais: 137 . no futuro. polietileno ou PVC rígido" (Art. II. entre outros. remodelados ou ampliados deverão prever redes prediais de abastecimento de água. 2 ." e "O fornecimento de água potável aos aparelhos sanitários deve ser efectuado sem pôr em risco a sua potabilidade. Também no sentido de garantir adequada qualidade e o respeito da saúde pública impõem a necessidade de cuidados na escolha dos materiais. impedindo a sua contaminação.. sempre que necessário. As redes prediais a instalar. quer por aspiração de água residual em caso de depressão. III." (Art..2 Elementos dos sistemas Para que não venham a ocorrer utilizações indevidas das diversas redes prediais impõe-se que: "As canalizações instaladas à vista ou visitáveis devem ser identificadas consoante a natureza da água transportada e de acordo com o sistema de normalização vigente. a salubridade e o conforto nos edifícios. VIII e XI ao Regulamento. deve ser sujeito a verificação de conformidade pelo LNEC Laboratório Nacional de Engenharia Civil e a fazer presente junto dos SMAS Porto. A rede predial a projectar e executar deve ainda oferecer a garantia de que a água a fornecer aos sistemas prediais deverá ter em consideração aspectos.º 4º). quer por contacto. os instaladores (picheleiros) devem proceder a sua inscrição nos SMAS para que possam assumir a responsabilidade de execução de instalações prediais. preservando-se a segurança. em quantidade e qualidade adequadas ao uso. 9. ser de cobre. Os materiais a utilizar nas tubagens e peças acessórias dos sistemas de distribuição devem ser aqueles cuja aplicação seja admitida pelos SMAS . Deste modo. "1. A terminologia e a simbologia a utilizar e as unidades em que são expressas as diversas grandezas devem respeitar as directivas estabelecidas neste domínio.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. nomeadamente poços ou furos privados.º 73º). como dispõem que: "Os sistemas prediais alimentados pela rede pública devem ser independentes de qualquer sistema de distribuição de água com outra origem. Assim a terminologia e a simbologia a adoptar serão as indicadas nos anexos I. aço inoxidável.1 Aspectos gerais Todos os edifícios novos. Assim. 2. 9.3. Os sistemas prediais de abastecimento de água devem garantir que a mesma chegue a todos os dispositivos de utilização. devem ser isentos de defeitos e. independentemente da existência ou não das redes públicas no local (Art. como responsável pelo abastecimento e distribuição pública de água. combate a incêndios e fins industriais não alimentares. este último no caso de canalizações de água fria não afectas a sistemas de combate a incêndios.Porto. A localização desta conduta exterior bem como a posição prevista para o contador são a "ponta da meada" a partir da qual se faz o desenvolvimento da rede interior.As redes de água não potável e respectivos dispositivos de utilização devem ser sinalizados.3. quando existam ou venham a ser instaladas.º 76º).3.3 Sistema de abastecimento predial de água 9." (Art. os sistemas prediais alimentados pela rede pública devem ser independentes de qualquer sistema de distribuição de água com outra origem. quer de qualidade quer de defesa da saúde pública. Também. Todos os materiais a aplicar em sistemas de distribuição. Assim.º 75º). e aos esforços a que vão ficar sujeitos. as canalizações instaladas à vista devem ser identificadas consoante a natureza da água transportada.º 77º). "Não é permitida a ligação entre a rede predial de distribuição de água e as redes prediais de drenagem de águas residuais. encarnado para água de combate a incêndios." (Art. mesmo que nos locais onde não existam redes públicas deverão ser executadas de modo a permitir. de acordo com as seguintes cores: azul para água destinada ao consumo humano. a rede de distribuição predial de água deve assegurar o seu bom funcionamento. aço galvanizado ou PVC rígido.a utilização de água não potável exclusivamente para lavagem de pavimentos. peças acessórias e dispositivos de utilização.º 90º). devem apresentar boas condições de resistência à corrosão. pela própria natureza ou por protecção adequada. interna e externa. sendo obrigatória a ligação às redes públicas de abastecimento de água e de drenagem de águas residuais domésticas..Nas redes exteriores de água fria.

ao consagrar que: "e) A pressão de serviço em qualquer dispositivo de utilização predial para o caudal de ponta não deve ser. ou seja. 138 ." . em regra. com reservatório inferior sempre que a pressão não seja de molde a garantir a reposição da reserva durante o período diário de 24 horas ao nível mais elevado do edifício. O abastecimento directo será garantido sempre que as condições de abastecimento público apresentem pressão e/ou caudal que permitam nas condições de conforto definidas no projecto o abastecimento em permanência. "2 . SISTEMAS DE DISTRIBUIÇÃO 9. corresponde aproximadamente a H=100+40n "Onde H é a pressão mínima (Kpa) e n o número de pisos acima do solo. Precisa de equipamento elevatório de bombeamento? Atravancamento e acessibilidade à câmara de manobras? 8. sem prejuízo das condições de funcionamento do sistema na sua globalidade? Por fim. Há escassez de água ou interrupções de fornecimento com frequência? 4. incluindo o piso térreo.. Dentro desse contexto. Caso contrário. por razões de conforto e durabilidade dos materiais. Que dimensão tem o edifício? Existem caves? 5. que se mantenha entre 150 Kpa e 300 Kpa." (Art. Existe rede pública? Onde? 2.º 78º). inferior a 100Kpa o que. Neste sentido.4 Classificação dos sistemas Ao colocarmos correctamente as questões acima enunciadas somos muitas vezes levados a constatar que nem sempre os sistemas públicos permitem que o abastecimento se efectue directamente da rede geral de distribuição em condições de pressão e caudal necessários a garantir uma utilização com a qualidade e quantidade adequadas.. É necessária rede de combate a incêndio? De que tipo? 9. técnica e económica. a estrutura e as restantes instalações especiais da edificação.As pressões de serviço nos dispositivos de utilização devem situar-se entre os 50 Kpa e 400 Kpa. sendo recomendável.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 1. Qual o tipo de ocupação? 6. Secção e pressões disponíveis? 3. coordenada com a arquitectura. falta de pressão ou falta de caudal deverá optar-se por sistemas de abastecimento indirecto com reservatório elevado quando a pressão disponível possibilita em certos períodos diários a reposição da reserva necessária e por sistema elevatório. Na remodelação ou ampliação de sistemas existentes com aumento de caudal de ponta? Comprova-se a suficiência da capacidade hidráulica de transporte das canalizações e das eventuais instalações complementares a montante. na rede pública e ao nível do arruamento. sempre será de realçar que a concepção de sistemas prediais de distribuição de água deve ter como objectivo a resolução de problemas numa perspectiva global. o regulamento apresenta condicionantes que podem permitir efectuar uma primeira abordagem ao tipo de sistema de alimentação predial.3. Torna-se necessário prever reservatórios? Os serviços locais permitem? Em que condições? Sua capacidade e localização? Formas de drenagem de perdas e esvaziamento? 7. poderemos ter sistemas com abastecimento directo ou indirecto. Previsão do fornecimento de água quente: a que zonas e de que modo? 10.(Art.º 21 º).

ou seja. 139 . b) Ao tipo e número de dispositivos de utilização. "… os valores das pressões máxima e mínima na rede pública no ponto de inserção naquela.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Na escolha do sistema há que atender: a) À pressão disponível na rede geral de alimentação e à necessidade nos dispositivos de utilização. c) Ao grau de conforto pretendido." (Art. Sempre que a rede pública não puder assegurar as pressões necessárias deverá ser prevista uma instalação sobrepressora com tanque de compensação.º 83º). d) À minimização de tempos de retenção da água nas canalizações. Para que se possa efectuar esta verificação preliminar do sistema mais adequado de abastecimento predial. dando também resposta a algumas das questões já referidas deve obter-se junto dos SMAS Porto a informação sobre as condições de abastecimento da rede pública no local onde se pretende executar a edificação.

.T. n. ao Decreto-Regulamentar 23/95. º Local da obra: Rua / 2005 Freguesia: Requerente: REDES PREDIAIS DE DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA Pressão estática REDE PÚBLICA . Deverá atender ao Regulamento dos Sistemas Públicos e Prediais de Distribuição de Água e Drenagem de Águas Residuais Domésticas dos Serviços Municipalizados de Águas e Saneamento da Câmara Municipal do Porto. Agosto e ainda à legislação específica relacionável com os projectos em causa. à profundidade de m. Porto.T.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Pedido de informação das condições de ligação às redes públicas LIGAÇÕES ÀS REDES PÚBLICAS Planta Topográfica P.PRESSÕES Pressão dinâmica MPa MPa REDES DE INCÊNDIO As redes de combate a incêndio deverão ser dimensionadas e representadas em projecto. REDE PREDIAL DE DRENAGEM DE ÁGUAS RESIDUAIS DOMÉSTICAS A câmara de ramal de ligação deverá situar-se no local assinalado na P. O Chefe de Divisão 140 .

o coeficiente de simultaneidade mais adequado numa dada secção. o cálculo do volume útil dos reservatórios destinados ao consumo humano não deve. Os caudais instantâneos a atribuir a máquinas industriais e outros aparelhos são especificados no quadro anexo ao Regulamento e devem ser estabelecidos em conformidade com as indicações dos fabricantes.5 Dimensionamento dos sistemas prediais Nos projectos relativos à distribuição predial de água devem indicar-se nas peças desenhadas os tipos e localização dos dispositivos de utilização. Número de fluxómetros instalados 1 2 a 10 11 a 20 21 a 50 Superior a 50 Em utilização simultânea 1 2 3 4 5 141 .1 Aspectos gerais A rede predial de água fria deve assegurar a sua distribuição a todos os dispositivos instalados em boas condições. Contudo. exceder o valor correspondente ao volume médio diário do mês de maior consumo. Para outro tipo de conforto ou de utilização (estabelecimentos.4. considerando os respectivos caudais instantâneos e a simultaneidade constante do quadro seguinte: 9. no caso em que a rede pública não garanta eficazmente os consumos e pressões prediais requeridas. ou seja. Os reservatórios de água para consumo humano devem também ser sujeitos a operações de inspecção e limpeza periódica. os caudais de cálculo devem ser obtidos somando aos caudais obtidos para os restantes aparelhos.4. como acima já se referiu.4.4 Sistemas prediais de distribuição de água fria 9. considera-se na determinação do caudal de cálculo. para a ocupação previsível. escolas. os constantes do quadro anexo ao Regulamento. b) As velocidades de escoamento. excepto em casos devidamente justificados. para um nível de conforto médio. sendo os valores mínimos a considerar. restaurantes. 9. Os caudais de cálculo na rede predial de água fria baseiam-se nos caudais instantâneos atribuídos aos dispositivos de utilização e nos coeficientes de simultaneidade. fornece os caudais de cálculo. Nos ramais de alimentação de fluxómetros para bacias de retrete devem ter-se em atenção as pressões mínimas de serviço a cujos valores correspondem os diâmetros constantes do quadro seguinte: Pressão (kPa) 200 80 50 Diâmetro (mm) 25 32 40 9. em função dos caudais acumulados. Face à possibilidade do funcionamento não simultâneo da totalidade dos dispositivos de utilização. através da curva referida acima. que devem situar-se entre 0.2 Dimensionamento hidráulico No dimensionamento hidráulico da rede predial de água fria deve ter-se em atenção: a) Os caudais de cálculo.5 e 2. Os caudais instantâneos a atribuir aos dispositivos de utilização devem estar de acordo com o fim específico a que se destinam. que pode ser utilizada para os casos correntes de habitação sem fluxómetros. etc. c) A rugosidade do material.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. os valores das pressões máximas e mínimas na rede pública no ponto de inserção daquela. por razões de defesa de saúde pública dos utentes. bem como os aparelhos alimentados.0m/s. Para efeitos de cálculo da rede predial devem ser obtidos e são fornecidos. tendo em conta os coeficientes de simultaneidade.3. Prevendo-se a instalação de reservatórios estes são condicionados.) deve ser o coeficiente de simultaneidade determinado por recurso a informações existentes ou a bibliografia específica.3 Reserva predial de água para abastecimento doméstico O armazenamento de água para o consumo humano em edifícios é normalmente autorizado pelos SMAS Porto. O coeficiente de simultaneidade é a relação entre o caudal simultâneo máximo (caudal de cálculo) e o caudal acumulado (somatório dos caudais instantâneos) de todos os dispositivos de utilização alimentados por essa secção. quando existem fluxómetros. os caudais de cálculo dos fluxómetros. No anexo do Regulamento apresenta-se uma curva que. à renovação na sua totalidade com periodicidade de pelo menos uma vez por dia.

alvenaria de tijolo ou de blocos de cimento. Envolvente protegida contra escorrimentos e infiltrações. 16. Caleira nas proximidades. Protecção de aberturas com rede mosquiteiro. RESERVATÓRIOS DE ÁGUA POTÁVEL ESQUEMA-TIPO DE UM RESERVATÓRIO Regras principais: 1. 1 . no mínimo. Quando o armazenamento da água se destina a consumo humano. Rebaixo para retenção de areias. equipada com uma válvula de funcionamento automático. Localização em zona técnica acessível. de material não corrosivo. Fig. a conservação dos elementos resistentes e a manutenção da qualidade da água. Descargas de fundo com válvula. com válvula adequada.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto O armazenamento de água para combate a incêndios é feito em reservatórios próprios e independentes e não pode por princípio ser utilizado para outros fins. a entrada e saída da água nos reservatórios devem estar posicionadas de modo a facilitar a circulação de toda a massa de água armazenada e o fundo e a cobertura dos reservatórios não devem ser comuns aos elementos estruturais do edifício. c) Descarregador de superfície colocado. no mínimo a 50 mm acima do nível máximo da superfície livre do reservatório em descarga. nem as paredes comuns a paredes de edificações vizinhas. que deve impedir a entrada de luz directa e assegurar a renovação frequente do ar em contacto com a água. Pintura interior de protecção. b) Saídas para distribuição. 10. a 50 mm do nível máximo de armazenamento e conduta de descarga de queda livre e visível. as arestas interiores devem ser boleadas e a soleira ter a inclinação mínima de 1% para a caixa de limpeza. 19. 2. ≥2 células para manutenção ou reparação. 17. 3. Tampa sobre a válvula de bóia. no mínimo. Alarme/detecção de fugas de água. pelo menos. 11. por duas células. 5. os reservatórios devem ter protecção térmica e estar afastados de locais sujeitos a temperaturas extremas. 8. e) Acesso ao interior com dispositivo de fecho que impeça a entrada de resíduos sólidos ou escorrências. Reserva para 24 horas. 7. 6. 9. sistema de ventilação. tipo mosquiteiro. 20. Equipamento /acesso e atravancamento. Independência da restante estrutura. associada a caixa de limpeza. a 150 mm do fundo. 14. Os reservatórios podem ser de betão. em funcionamento normal. preparadas para funcionar separadamente mas que. Descarga de superfície. se intercomuniquem. 12. Cada reservatório ou célula de reservatório deve dispor de: a) Entrada de água localizada. dimensionados para um caudal não inferior ao máximo de alimentação do reservatório. Aberturas para ventilação. protegidas com ralo e colocadas. 15. Isolamento térmico quando necessário.Esquema tipo de um reservatório 142 . Limpeza interior/evitar ângulos apertados. tipo mosquiteiro. d) Descarga de fundo implantada na soleira. convenientemente protegido com rede de malha fina. a fim de facilitar o esvaziamento. 13. nos reservatórios com água destinada a consumo humano e com capacidade útil igual ou superior a 2.0 m3 devem ser constituídos. Entrada e saída da água em pontos opostos. destinada a interromper a alimentação quando o nível máximo de armazenamento for atingido. aço ou outros materiais que se mostrem adequados a manter a qualidade da água armazenada e os materiais e revestimentos usados na sua construção não devem alterar a qualidade da água afectando a saúde pública. 18. A localização dos reservatórios deve permitir a sua fácil inspecção e conservação. Soleira com pendente de igual superior a 1%. Condições de acesso e de inspecção. Como condições construtivas a ter em consideração realça-se que: os reservatórios devem ser impermeáveis e dotados de dispositivos de fecho estanques e resistentes. a soleira e as superfícies interiores das paredes devem ser tratadas com revestimentos adequados que permitam uma limpeza eficaz. 4. protegida com rede de malha fina.

etc. Circulação de líquidos em circuitos de aquecimento abertos ou fechados. . . c) A altura manométrica. . assim como protecção contra o choque hidráulico. Lave-o pelo menos uma vez por ano da seguinte forma: . pelo que os SMAS Porto apresentam instruções de actuação para a execução dessas operações. de segurança e de alarme. . d) O número máximo admissível de arranques por hora para o equipamento a instalar. No dimensionamento das instalações elevatórias devem ter-se em atenção: a) O caudal de cálculo.Enxagúe todo o interior e esvazie-o de novo. serviços industriais. durante pelo menos meia hora.4. sem consumir. escovas só para esse fim.Junte hipoclorito de sódio a 14% (à venda em drogarias).4. nomeadamente. Submersíveis De drenagem (submersíveis) Jockey 143 . circulação e pressurização.Instale-o sempre em local de fácil acesso. etc. ruído de nível sonoro médio não superior a 30 dB(A). sistemas de rega. etc.Esvazie-o totalmente. limpo e arejado. Drenagem de águas residuais." [1] Fonte: "Documento Auxiliar de Procedimentos".4. normalmente destinados a funcionar como reserva activa mútua e excepcionalmente em conjunto para reforço da capacidade elevatória. . e circuitos de arrefecimento e de ar condicionado.Nunca o deixe sem tampa adequada ou devidamente protegido.Escove cuidadosamente as paredes. SMAS . instalações especiais. . de dois grupos electrobomba idênticos.Após esta operação o depósito/cisterna está pronto a receber a água que é distribuída. Edição nº1. Os dispositivos de protecção devem ser definidos em função das envolventes de pressão máxima e mínima. Os grupos electrobomba devem ser de funcionamento automático e possuir características que não alterem a qualidade da água. irrigação. no mínimo. utilizando preferencialmente. agricultura. pressurização.1 Aspectos gerais No quadro seguinte apresentam-se os tipos de bombas correntes no mercado e suas principais aplicações. e de acessórios indispensáveis ao seu funcionamento e manutenção.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Também a manutenção periódica dos reservatórios é aspecto importante a ter em consideração. esvaziamento de reservatórios e piscinas. adicione por cada m3 de água. As canalizações e acessórios utilizados devem ser de materiais de resistência adequada às pressões de serviço e às vibrações. . nos lugares ocupados. Abastecimento de água. Abastecimento de água. Página 1 de 1. rebaixamento de aquíferos. Revisão nº0. O funcionamento dos órgãos electromecânicos deve determinar. pressurização e circulação de água. tenha os seguintes cuidados: . captação de águas subterrâneas.Volte a esvaziar. transferência de líquidos. que permitam uma fácil inspecção e manutenção e ser equipadas com grupos electrobomba e dotadas de dispositivos de comando. serviços industriais. Atendendo à capacidade do depósito/cisterna. As instalações elevatórias ou sobrepressoras devem ser localizadas em zonas comuns e ventiladas. 9. serviços industriais. agricultura. Abastecimento de água. Abastecimento de água em condições de pequeno débito e elevada pressão.Porto. e) A instalação. etc. 20ml do referido hipoclorito. retirando todos os detritos e lodo que eventualmente contenha. etc. para o efeito deverão ser utilizados apoios isolados e ligações elásticas às tubagens para atenuação da propagação do ruído. agricultura. etc. transferência de líquidos. Elevação. abrindo todas as torneiras de serviço e enxagúe para eliminar completamente o hipoclorito. a sua limpeza e desinfecção. Laboratório de Análises.4 Instalações elevatórias e sobrepressoras 9. o fundo e a abertura.Encha completamente e mantenha em repouso. rebaixamento de aquíferos. .Proceda à desinfestação do depósito/cisterna: . Tipos de bombas Monocelulares horizontais Monocelulares verticais Multicelulares horizontais Multicelulares verticais Circuladoras Aplicações Abastecimento de água. circulação e transferência de água. irrigação e circulação de água em sistemas. "Instruções para desinfecção de cisternas/depósitos"[1] Se na sua casa houver depósito/cisterna. pressurização.Deixe entrar água limpa até cerca de metade da sua altura. b) A pressão disponível a montante. resultantes da ocorrência de choque hidráulico.

em função das temperaturas indicadas.a.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9.) u 2 2g corresponde ao valor das perdas de carga na saída (m.a.a.Altura equivalente à pressão atmosférica (m).Caudal bombeado (m3s-1). a que corresponde um peso volúmico de 9. Q. por η o rendimento da bomba. A potência absorvida pela bomba tem de ser superior à que esta cede ao escoamento. o qual irá ser representado por HTOTAL e será designado por altura manométrica.13 0. Patm/γ. hs é a altura estática de aspiração (em metros) igual à distância entre o nível do líquido no reservatório de aspiração e o eixo da bomba.a. o qual traduz a relação entre a potência ganha e a do motor e assume sempre valores inferiores à unidade. 9.013x102kPA.3.4.Caudal.4. γ. No que se refere à altura equivalente de tensão de vapor (pv/γ).c.Altura manométrica (m) = Haspiração + Hcompressão. Nota: Este valor é positivo ou negativo consoante a bomba funcione em aspiração ou com a aspiração em carga.26 4.Capacidade de aspiração (m).83 10. devido às perdas nas transformações de energia em presença.Altura máxima de aspiração (m). a altura máxima de aspiração de uma bomba será calculada de acordo com a expressão: HMA = Patm/γ.4.) Nota: Geralmente as perdas de carga na saída (υ2/2g) representam uma pequena percentagem do valor da altura manométrica total e são geralmente negligenciáveis.Potência. a.c.33m.Factor de segurança (m). Q . NSPH. para a água.3. sendo assim a potência absorvida pela bomba expressa por: P= γQHTOTAL / η P.c.3 Altura manométrica 9.Peso volúmico (N ).2 Potência absorvida pela bomba A determinação da potência absorvida pela bomba que garanta o abastecimento solicitado é dada por: P = γQH P. a qual traduz o trabalho exterior fornecido por um motor. quer as variações de pressão. esta varia com a temperatura do líquido. Pv/γ. no quadro indicam-se alguns valor Hatm = Patm/γ.4. Designando por Hc a carga à entrada na bomba. quer as imprecisões na determinação das perdas de carga no troço de tubagem de aspiração.c.Altura de elevação. Sendo a pressão atmosférica normal é igual a 1.33 O factor de segurança "a" da expressão procura superar. m-3 TENSÃO DE VAPOR DE ÁGUA FUNÇÃO DA TEMPERATURA Temperatura (°C) Altura equivalente da tensão de vapor (m) 10 20 30 50 80 100 0. γ.24 0.4.4. teremos que a altura equivalente à pressão atmosférica será igual a 10. η.). a qual traduz o ganho energético do líquido na sua passagem pela bomba. pela bomba. H.Potência (W).Peso volúmico.Rendimento da bomba (entre 60% a 70%). HTOTAL. Ja.Perda de carga no troço de tensão de vapor do líquido (m). hd é a altura estática de descarga (em metros) igual à distância medida na vertical entre o eixo da bomba e o nível do líquido no reservatório de descarga.4.43 1.1 Altura máxima de aspiração A altura de aspiração representa o ganho de pressão que o líquido sofre na sua passagem.hs + fd + fs + (υ2/2g) em que: 9. Htotal é a altura vencida pela bomba funcionando com o caudal de projecto (m.[NSPH + Ja + Pv/γ + a] HMA.8x103 N/m3.) fs corresponde a perdas de carga na tubagem de aspiração (m. considerando que o fluido bombeado é água.2 Altura manométrica total A altura total desenvolvida pela bomba pode ser expressa por uma das seguintes equações: Bomba funcionando em aspiração: Htotal = hd + hs + fd + fs + (υ2/2g) ou Bomba funcionando em carga: Htotal = hd .4. 144 .Altura equivalente da tensão de vapor do líquido (m). fd corresponde a perdas de carga na tubagem de descarga (m. por Hs a carga à saída da bomba. Assim. Temos então que a diferença entre Hs e Hc que corresponderá ao ganho de pressão que o líquido sofrerá na sua passagem pela bomba.

industriais e similares (unidades hoteleiras. quantidade e qualidade adequadas ao uso sanitário. incluindo a questão da recirculação e isolamento térmico. tal como nas instalações eléctricas. se adequadamente dimensionados. hidráulicas e de ventilação. Os reservatórios hidropneumáticos são importantes em edifícios de habitação.). que proporcionem economias numa relação de poupança energética/eficiência do sistema.a.número de arranques por hora.c. V1 e V2 os correspondentes volumes ocupados e c é uma constante (constante dos gases perfeitos). de serviços. etc. Nos edifícios de habitação é sempre obrigatória a existência de sistemas de produção e distribuição de água quente a cozinhas e instalações sanitárias. 145 .1 Aspectos gerais Far-se-á.4. As fórmulas empíricas permitem a determinação dos volumes totais dos depósitos respectivamente para os depósitos sem membrana e com membrana.5 Sistemas prediais de distribuição de água quente 9. e que é expressa por: P1V1 = P2V2= c em que P1 e P2 representam as pressões de sujeição. tendo em atenção o caudal de bombeamento e os limites de pressão pré-estabelecidos. a qual refere que o volume ocupado por uma dada massa de gás. uma vez que sua instalação adequada exige certos cuidados que interferem directamente no desenho do projecto.5.pressão manométrica máxima (m. de seguida. Pmáx. Os sistemas de produção e distribuição de água quente devem garantir as temperaturas mínimas de utilização necessárias nos dispositivos de utilização em função do grau de conforto e economia desejados. A rede predial de água quente visa assegurar a distribuição em boas condições de água quente sanitária. Vamin o volume de ar a que corresponde a pressão mínima. permitir que em utilização normal os sistemas elevatórios não funcionem em períodos nocturnos de pequenos consumos evitando os ruídos e vibrações que tanto incomodam e são objecto de justas reclamações pelos habitantes dos respectivos edifícios. Vágua o volume de água a introduzir no reservatório e Vr o volume de reserva ou segurança. Vtotal = {1.volume do depósito (m3).Reservatório hidropenumático Vtotal = {Vágua (Pmáx + 1)} / {0. Os caudais de cálculo da rede predial de água quente devem ser obtidos de acordo com o disposto para a água fria. tendo em conta os factores já mencionados. centros comerciais. Qp. N. No dimensionamento hidráulico da rede predial de água quente deve seguir-se o disposto para a água fria mas ter em consideração um coeficiente de rugosidade menor.25Qp (Pmáx + 10)} / {4N(Pmáx . mantendo constante a temperatura.pressão manométrica mínima (m.a. como alternativa aos reservatórios hidopneumáticos. onde Pmáx representa o nível máximo de água a que corresponde a pressão de paragem do elemento de bombeamento.Pmin)} O objectivo dos depósitos hidropneumáticos é o de limitar o número horário de arranques dos grupos de sobrepressão.8 (Pmáx . Fig. à circulação forçada ou retorno. Importante é considerar as condições técnicas que determinam a sua utilização. Pmin. logo menor perda de carga. Considerando o reservatório representado na figura.). pois ao limitarem o número de arranques por hora podem. 9.) justificam-se soluções de instalação de sistemas elevatórios de velocidade e caudal variável.2 Aparelhos produtores de água quente É importante que o sistema de aquecimento de água seja definido já na fase de projecto. se necessário. Pmin representa o nível mínimo a que corresponde a pressão de arranque do elemento de bombeamento. Vamax o volume de ar a que corresponde a pressão máxima.c.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. unidades de saúde. Em situações de edifícios de habitação.(Pmin-2)} Vtotal. Estes sistemas visam garantir o fornecimento de água quente nas condições de temperatura. varia na razão inversa das pressões que suporta. 9.5 Dimensionamento dos reservatórios hidropneumáticos Os reservatórios hidropneumáticos são dimensionados tomando por base a "Lei de Boyle-Mariotte".caudal bombeado (m3/h). 2 .5.Pmin)} Vtotal = {Qp Pmáx } / {4N Pmáx . uma abordagem dos sistemas prediais de abastecimento de água quente sanitária. recorrendo.

Q. através de um circuito primário de aquecimento. o que permite aquecer o mesmo volume de água em menos tempo ou reduzir a capacidade do depósito de acumulação.7 Fig. Os termoacumuladores eléctricos correntes no mercado com capacidade de 100 litros e apresentam uma das seguintes potências: Aquecimento lento . Os esquentadores apresentam-se no mercado com diferentes potências. 146 . a gás ou solar.Esquema tipo de ligação a termoacumuladores Os termoacumuladores a gás possuem potências térmicas mais elevadas do que os eléctricos. sendo esta última característica a que determina a designação vulgar de termoacumuladores de aquecimento lento. 9.864 Kcal.8 l/min 380 380/25= 15. Aqui. A produção de água quente para distribuição aos dispositivos de utilização pode fazer-se. a 40°C ∆t=40°-15°=25°C 250 250/25= 10 l/min 320 320/25= 12. sendo as mais usuais de 250. A escolha do sistema depende do tipo de energia a ser utilizado para aquecer a água: eléctrico.5. promover a acumulação de água quente em depósitos de água. através de aparelhos de produção instantânea (esquentadores) ou de aparelhos de acumulação (termoacumuladores eléctricos ou a gás e depósitos de água quente com circuito primário de aquecimento) ou ainda pela combinação de ambos. em que a água aquecida fica armazenada em acumuladores.2 l/min As potências dos termoacumuladores eléctricos são variáveis consoante as suas capacidades e os tempos de aquecimento. à medida em que passa pelo aparelho.2 1512/45=33. Por razões de segurança é interdita a instalação de aparelhos produtores de água quente a gás nas instalações sanitárias ou em locais que se não situem junto da envolvente exterior do edifício.6=1. Se a temperatura da água fria for de 15°C à entrada no esquentador e que se pretende água quente a 40°C. As caldeiras murais são muitas vezes sistemas mistos que combinam a produção de água quente para aquecimento do ambiente (circuitos fechados) com a produção instantânea de água quente sanitária. consoante as características do edifício de habitação. em que a água é aquecida gradualmente. A partir daí. normal e rápido.6=3. b) De passagem. afectado de um coeficiente de utilização simultânea.6 2592/45=57.3000w. considerando que 1KW = 0. Potência Térmica (kcal/min) Débito de A. temos a situação referida no quadro seguinte. o que pressupõe o conhecimento das características térmicas dos aparelhos atrás referidos. é definido o sistema de alimentação dos equipamentos: a) Por acumulação.3 Necessidades de água quente e escolha dos aparelhos de produção As necessidades instantâneas de água quente devem ser estimadas a partir do somatório dos caudais instantâneos a atribuir aos dispositivos de utilização servidos por água quente.2 100 litros (horas) 100/33.6 em 1 hora (litros) Tempo de aquecimento de 100/19.0 100/57. Deve ter-se ainda em atenção a necessidade de água quente para outros fins (que não os sanitários). A escolha do sistema a instalar deve ser efectuada em função das necessidades instantâneas e horárias de água quente e da análise técnico económica das várias alternativas que se nos oferecem. 13 e 16 l/min.1750w. Sendo a temperatura normal de acumulação de 60°C e para uma mesma temperatura de 15°C de água fria. os valores encontrados são os indicados no quadro. Aquecimento normal .Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto A segurança dos aparelhos produtores de água quente deve ser garantida na sua construção. o que leva as designações comerciais correntes dos esquentadores em 10.2=5. comportam-se como vulgares esquentadores ou podem. tais como o aquecimento central ou a climatização. nos ensaios de qualidade e na sua localização e instalação e é obrigatória a instalação de válvula de segurança no ramal de alimentação de termoacumuladores. Tipo de Aquecimento termoacululador lento Potência (Kcal/h) ∆T=60°C-15°C 864 45°C Aquecimento normal 1512 45°C Aquecimento rápido 2592 45°C Caudal aquecido 864/45=19. 3 . 320 e 380 Kcal/min. Aquecimento rápido .1000w.

Fig. com vantagem económica e conforto. Como distâncias meramente indicativas para que se deva ponderar a hipótese de adoptar. Devem ser tidos em consideração os problemas de dilatação e contracção da tubagem. Deve-se ter em consideração que as perdas de calor na tubagem variam consoante o tipo de isolamento. o circuito de recirculação ou retorno apresenta-se o quadro seguinte: 9. A rede de distribuição deve ser dimensionada até à última derivação pelo método de dimensionamento definido pelo regulamento. caleiras ou tectos falsos. A exigência de acessórios pode ser dispensada nos casos em que se utilizem canalizações flexíveis. o que se traduz num consumo instantâneo menor de gás. 5 . em galerias. devendo ser sempre protegidas de acções mecânicas e isoladas termicamente quando necessário.100 kcal/h e considerando o diferencial térmico de 45°C entre a temperatura de água fria e de água quente acumulada. As canalizações não embutidas são fixas por braçadeiras espaçadas em conformidade com as características de material.Distâncias máximas sem retorno DIÂMETRO E DISTÂNCIA MÁXIMA SEM RETORNO d (mm) 15 (1/2'') 20 (3/4'') 25 (1'') 32 (1¼'') 40 (1½'') l (m) 50 30 15 10 7.5% como valor orientativo. com vista à sua selecção. Por outro lado.Distribuição de água quente com recirculação 147 . bem como a qualidade e conforto que se espera do sistema.4 Sistemas de distribuição de água quente com recirculação A implementação em edifícios dos sistemas de distribuição com retorno de água aos aparelhos de produção exige alguma atenção pelas economias de água e energia que podem proporcionar. para o dimensionamento das bombas de recirculação deve-se determinar a perda de carga total do circuito: às perdas de carga contínuas é necessário adicionar as perdas de carga acidentais (curvas. a consulta e análise das curvas características das bombas é fundamental. A potência deste termoacumulador é inferior à de um esquentador de 10 l/min (14100kcal/h=235kcal/min). colocadas em paredes ou instaladas em caleiras. As canalizações interiores da rede predial de água fria ou quente podem ser instaladas à vista.5.1 Aspectos gerais O traçado das canalizações deve ser constituído por troços rectos. teremos por hora 313 l (14100kcal/h:45°C). As canalizações exteriores da rede predial de água fria ou quente podem ser enterradas em valas. tês.6 Traçado 9. Na instalação de canalizações de água quente assume particular importância as dilatações e contracções das tubagens. nomeadamente na instalação de juntas e no tipo de braçadeiras a utilizar. consideraram-se aceitáveis os valores seguintes para perdas de calor em kcsl/h por metro linear de tubagem.6.). 4 . etc. embainhadas ou embutidas. Seguidamente. ligados entre si por acessórios apropriados. devendo os primeiros possuir ligeira inclinação para favorecer a saída do ar. o diâmetro do tubo. horizontais e verticais. recomendando-se 0. Para tubos metálicos.5 9.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto Um termoacumulador a gás com a potência de 14. Diâmetro DN 15 DN 20 DN 25 Locais n/ aquecidos Tubos isolados 16 23 27 Locais aquecidos Tubos isolados 13 16 22 Fig. o tipo de tubagem e a temperatura ambiente nos locais em que circulam. válvulas.

7 Elementos acessórios da rede 9.3. Devem ainda ser consideradas medidas destinadas a atenuar os fenómenos de corrosão. As torneiras e fluxómetros devem ser colocados em locais acessíveis. b) Embutidas em elementos estruturais.7. b) No caso de materiais diferentes. mas também em zonas de baixas temperaturas as de água fria. sempre que possível. cobre ou aço inoxidável ou outros adequados e aprovados. ou de outros materiais que reunam as necessárias condições de utilização. imputrescíveis. incombustíveis e resistentes à humidade. com ou sem revestimento cromado. Podem não ser isoladas as derivações para os dispositivos de utilização e respectivos ramais de retorno. d) Em locais de difícil acesso. ferro fundido.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. e) Em espaços pertencentes a chaminés e a sistemas de ventilação.2 Isolamento das canalizações As canalizações de água quente. do mesmo material. As torneiras e os fluxómetros podem ser de latão. f) As canalizações metálicas serem colocadas.1 Torneiras e fluxómetros Fig. quando de pequeno comprimento. PVC rígido.7. não embutidas. excepto quando flexíveis e embainhadas. Execução das redes prediais As canalizações de água quente devem ser colocadas. 9. devem ser sempre isoladas com produtos adequados. A distância mínima entre canalizações de água fria e de água quente é de 50 mm. As canalizações não devem ser instaladas nas seguintes condições: a) Sob elementos de fundação. preferencialmente.2 Válvulas As válvulas devem ser colocadas em locais acessíveis por forma a permitir a sua fácil manobra e manutenção. o material mais nobre ser instalado a jusante do menos nobre. não corrosivos. ou de material de nobreza próxima inferior. 9. Valores de espessura de isolamento recomendados 9. devendo para o efeito: a) As canalizações metálicas da rede serem executadas. por forma a permitir a sua fácil manobra e manutenção. sempre que possível. 148 .6. As tubagens e acessórios que constituem as redes interiores de água fria podem ser de aço galvanizado.6. de preferência com o mesmo material. h) As canalizações enterradas serem executadas. 6 . c) Embutidas em pavimentos. procedendo-se ao seu isolamento por juntas dieléctricas. de infiltrações ou de choques mecânicos. c) O assentamento de canalizações metálicas de redes distintas ser feito sem pontos de contacto entre si ou com quaisquer elementos metálicos da construção.Isolamento térmico de canalizações As canalizações e respectivos isolamentos devem ser protegidos sempre que haja risco de condensação de vapor de água. com materiais não metálicos. g) Ser evitado o assentamento de canalizações metálicas em materiais potencialmente agressivos. d) O assentamento de canalizações não embutidas ser feito com suportes de material inerte. paralelamente às canalizações de água fria e acima destas. e) O atravessamento de paredes e pavimentos ser feito através de bainhas de material adequado de nobreza igual ou próxima inferior ao da canalização.

A localização dos contadores é a seguinte: REGULAÇÃO Permitir regulação do caudal As válvulas podem ser de latão.) SECCIONAMENTO Impedir ou estabelecer À entrada: a passagem de água .A.Nos edifícios com logradouros privados.Máquinas lavar roupa .Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto TIPO DE VÁLVULA FINALIDADE É OBRIGATÓRIA A SUA INSTALAÇÃO: 9.Nos edifícios confinantes com a via ou espaços públicos. uma bateria de contadores. podendo estes ser colocados isoladamente ou em conjunto. em zonas comuns ou no logradouro junto à entrada contígua com a via pública. 7 .Perdas de carga em contadores REDUTORA DE PRESSÃO É obrigatório instalar um contador por cada consumidor.Máquinas lavar louça . o calibre e a classe metrológica do contador a instalar. Contadores É aos SMAS. ou outros e serem de material de nobreza igual ou tão próxima quanto possível do material das tubagens em que se inserem. bronze. aquela que define o tipo. no caso de vários consumidores. deste modo.dos ramais de distribuição das instalações sanitárias e das cozinhas A montante: .Acumuladores de água quente .7. b) No interior do edifício. garantindo-se a medição de todos os consumos.Aparelhos produtores . c) O caudal de cálculo previsto na rede de distribuição predial.Purgadores de água A montante e a jusante: . contudo. d) A perda de carga que provoca.Equipamento produtor de água quente .De qualquer rede não destinada a fins alimentares e sanitários SEGURANÇA Manter a pressão Na alimentação de abaixo de determinado aparelhos produtores valor por efeito de . São. 149 .Fluxómetros . parâmetros que determinam a definição do contador: a) As características físicas e químicas da água. constituindo.M. como entidade responsável pelo sistema de distribuição pública de água.Acumuladores de descarga água quente Manter a pressão abaixo de determinado valor com a introdução de uma perda de carga Nos ramais de introdução sempre que a pressão seja superior a 600Kpa e ou as necessidades específicas do equipamento o exijam.C. PERDAS DE CARGA EM CONTADORES (VALORES APROXIMADOS EM METROS DE COLUNA DE ÁGUA . os contadores devem localizar-se no seu interior. O espaço destinado ao contador ou bateria de contadores e seus acessórios deve obedecer aos esquemas tipo apresentados pelos SMAS. aço e PVC.Autoclismos .3. Fig. . .Contadores RETENÇÃO Impedir a passagem de A montante: água num dos sentidos . na zona de entrada ou em zonas comuns consoante se trate de um ou de vários consumidores. os contadores devem localizar-se: a) No logradouro junto à zona de entrada contígua com a via pública. no caso de um só consumidor.dos ramais de introem qualquer dos dução individuais sentidos . b) A pressão de serviço máxima admissível.

A verificação da conformidade do sistema com o projecto aprovado e com as disposições legais em vigor deve ser feita com as canalizações e respectivos acessórios à vista. a fim de o desinfectante poder actuar. em princípio. O ensaio de estanquidade deve ser conduzido com as canalizações. Fechá-la de seguida e passar à seguinte. A desinfecção da rede predial só deve ser feita depois de estabelecido e aprovado o ramal de ligação pela entidade responsável pelo sistema de distribuição pública de água. devem ser submetidos a uma operação de desinfecção com permanganato de potássio. de forma a libertar todo o ar nelas contido e garantir uma pressão igual a uma vez e meia a pressão máxima de serviço. juntas e acessórios à vista. b) Enxaguamento prévio da rede Esvaziar a rede através das torneiras de purga existentes nos pontos mais baixos. inclusive este.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9.2 Desinfecção dos sistemas Os sistemas de distribuição predial de água para consumo humano. incluindo os respectivos reservatórios quando existirem. b) Enchimento das canalizações por intermédio da bomba. fechá-la e parar a injecção da solução desinfectante. localizada tão próximo quanto possível do ponto de menor cota do troço a ensaiar.8. isto é. repetindo a operação durante cerca de 2 horas.8. depois de equipados com os dispositivos de utilização e antes de entrarem em funcionamento. deixando sair a água durante cerca de 2 horas. encher de novo e esvaziar. para assegurar uma limpeza eficaz. de jusante para montante. antes de entrarem em serviço. será suficiente para a lavagem final da rede. devem ser sujeitas a verificação e ensaios com o objectivo de assegurar a qualidade da execução e o seu funcionamento hidráulico. em caudal razoável. 150 . Quando a cor violácea aparecer na última torneira. convenientemente travados e com as extremidades obturadas e desprovidas de dispositivos de utilização. desinfecção e funcionamento hidráulico 9. ou para qualquer outra rede predial interior. c) Introdução da solução desinfectante Fig. com a seguinte metodologia: a) Preparação da solução desinfectante Dissolver a quantidade de permanganato de potássio necessária (150 gramas por cada m3 de volume da rede a desinfectar) em água aquecida a uma temperatura entre 40°C e 45°C. e de forma que não seja possível qualquer refluxo para a rede pública da solução desinfectante. O processo de execução e interpretação do ensaio é o seguinte: a) Ligação da bomba de ensaio com manómetro. d) Esvaziamento do troço ensaiado.1 Verificação Todas as canalizações. c) Leitura do manómetro da bomba. 8 . de montante para jusante (do contador para as extremidades da rede) cada torneira até ao aparecimento da cor violácea. com o mínimo de 900 kPa. introduzir a solução desinfectante sob pressão com um caudal regulado em função do caudal do escoamento fixado (1 parte da solução para 9 partes da água em escoamento).8 Verificação. Esta operação deve ser feita na véspera do dia de início da desinfecção. f) Recolha de amostras Recolher amostras para análise laboratorial confirmativa da qualidade da água. e) Enxaguamento final Abrir as torneiras pela ordem inversa da adoptada no enchimento. durante um período mínimo de 30 minutos. e que se encontrem previamente desinfectados os órgãos situados desde o ponto de injecção até ao ramal de ligação. d) Período de contacto Manter a rede isolada durante um período de 48 horas.Instalação de contadores 9. O volume da solução deve ser de 1/10 do volume da rede a desinfectar. até conseguir uma solução o mais homogénea possível. que não deve acusar qualquer redução. período este que. Abrir. Através do ponto de injecção.

deve verificar-se o comportamento hidráulico do sistema por simples observação visual. Os caracteres alfanuméricos devem obedecer à Norma Portuguesa NP89. d) Número. b) Termo de responsabilidade do técnico autor do projecto. não excedendo as dimensões do formato A0. b) Identificação do proprietário. d) Documento donde conste as condições definidas pelo Batalhão Sapadores Bombeiros. j) Representação esquemática axonométrica da rede de distribuição de água. equipamentos e instalações complementares projectadas. respeitando a Norma Portuguesa NP204 e contendo. a seguinte informação: a) Designação e local da obra. escalas e data. materiais e acessórios. c) Documento do Município comprovativo da aprovação do projecto de arquitectura.º 304º). solicitando a aprovação do projecto. As peças desenhadas devem ser apresentadas com formatos e dobragem concordantes com o estipulado nas Normas Portuguesas NP48 e NP49. e instalações complementares projectadas. o pedido de aprovação deve ser instruída com os seguintes elementos: a) Requerimento subscrito pelo promotor. onde conste identificação do proprietário. Representação dos ramais de introdução de água e de águas residuais domésticas e Representação simplificada do colector predial. c) Nome. k) Os elementos acima referidos serão apresentados em original e duas cópias para o referido nas alíneas b) a j). As peças escritas devem ser apresentadas dactilografadas ou impressas em folhas de formato A4. f) Cálculo hidráulico onde conste os critérios de dimensionamento adoptados e o dimensionamento das redes. natureza.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9. paginadas e todas elas subscritas pelo técnico responsável pelo projecto. de ampliação ou remodelação. g) Estimativa descriminada do custo. com indicação dos materiais e acessórios das canalizações. indicando se se trata de obra nova. f) Legenda específica das redes representadas. designação e local da obra. quando for caso disso.8. Assim. Indicação do corpo ou corpos que constituem as obras. da obra específica a executar. se as houver. no mínimo.3 Prova de funcionamento hidráulico Após os ensaios de estanquidade e a instalação dos dispositivos de utilização. qualificação e assinatura do autor do projecto. 151 . na qual conste: Delimitação do terreno. Todos os desenhos devem possuir legenda no canto inferior direito. Edificações existentes no terreno. dos órgãos acessórios e instalações complementares e dos respectivos pormenores que clarifiquem a obra projectada. a preços correntes. Conclusão A concluir deixa-se a indicação dos elementos que devem instruir o processo de aprovação do projecto de redes prediais (Art. e) Memória descritiva e justificativa. descrição do desenho. h) Planta de localização fornecida pelos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto. dirigido ao Director Delegado dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento do Porto. i) Peças desenhadas dos traçados em plantas e cortes à escala mínima 1:100. descrição da concepção dos sistemas. e) Especificação quando se trata de projecto de alteração. tipo da obra. dos diâmetros e inclinações das tubagens.

1996 Regulamento Geral dos Sistemas Públicos e de Drenagem de Águas Residuais e Prediais de Distribuição de Água. Editorial Faculdade de Arquitectura. 1997 CANHA DA PIEDADE. Edições Orion. 1995 152 . 1995 PEDROSO. Victor M.Sistemas de Abastecimento Público e Predial no Porto 9.. S. Instalações de Edifícios. Instalaciones. 1990 MIRANDA. A. Porto. 1998 MEDEIROS. Livros Técnicos e Científicos Editora Rio de Janeiro. Moret.R.. Edições Orion. Editorial FEUP. Amadora.. e RORIZ. Editorial FEUP. Instalações Hidráulicas e Sanitárias. Redes e Instalações em Edifícios. Carlos. Grupo Editorial CEAC. Barcelona. Ramos. Regulamento dos Sistemas Públicos e Prediais de Distribuição de Água e de Drenagem de Águas Residuais (Anotado). Manual de Instalações Hidráulicas e Sanitárias. Luís F. 2004 MEDEIROS.. 1998 MEDEIROS. Angel Luis. Porto. H. Climatização em Edifícios. 2004 MACINTYRE. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil. A. António Leça. Amadora. Segurança Contra Incêndios em Edifícios de Habitação.9 Referências bibliográficas BACELLAR. 2000 COELHO. Envolvente e Comportamento Térmico. RODRIGUES.. Regras de Dimensionamento das Redes Prediais de Distribuição de Água Residuais Domésticas e Pluviais. Porto.A. LNEC. Carlos. Archibald J. Ed. Carlos.

SISTEMAS DE ABASTECIMENTO PÚBLICO E PREDIAL EM LISBOA Autor: Ana Amélia Santos Engenheira Civil Responsável do Departamento de Novos Abastecimentos Área de Negócio de Distribuição EPAL .Empresa Portuguesa das Águas Livres. 153 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10. S.A.

154 .

correspondendo a área total abastecida a 5 443 Km2.Águas de Portugal. Filtração. do concelho de Lisboa. detida a 100% pela AdP . Remineralização e correcção de agressividade. mas principalmente ao nível da qualidade. Para assegurar a qualidade da água. desempenha um papel fundamental para o desenvolvimento do sector da água quer nacional quer internacional. merecendo referência a sua participação em projectos de âmbito internacional. na sua área de influência e eventualmente noutras áreas limítrofes. onde assegura o abastecimento domiciliário. cuja gestão é da responsabilidade de duas Áreas de Negócio distintas: • Área de Negócio de Produção e Transporte responsável por todas as Captações. Pelo seu "know-how". Estações de Tratamento e Adutores. visando a prestação de um serviço de qualidade com respeito pelos aspectos essenciais de ordem social e ambiental. Actualmente. remonta a 1897. de 26 concelhos da margem norte do rio Tejo.Das origens à torneira do consumidor A EPAL . esta é submetida a vários processos nas estações de tratamento: Pré-cloragem. Coagulação química e floculação/decantação. SA é uma sociedade anónima de capitais integralmente públicos. modernidade das tecnologias utilizadas. bem como de equipamentos analíticos de última geração. química orgânica e química inorgânica. que garantem a produção e o transporte de água.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa EPAL . transporte e distribuição que se desenvolve ao longo de mais de 1 900 km. Origem e qualidade de água A EPAL abastece de água com qualidade cerca de 2. O primeiro registo de resultados de análises bacteriológicas à água pela antiga Companhia das Águas de Lisboa (CAL). cuja missão é o abastecimento de água para consumo humano. qualidade dos serviços prestados e larga experiência. no concelho de Lisboa. Um dos objectivos primordiais da EPAL consiste na monitorização da qualidade da água em toda a extensão do seu sistema de abastecimento. desde os recursos hídricos utilizados até ao ponto de entrega ao consumidor. • Área de Negócio de Distribuição responsável pela gestão e manutenção da Rede Geral de Distribuição. dispondo para o efeito de técnicos especializados nas áreas de microbiologia. afecta ao abastecimento domiciliário.6 milhões de pessoas. o Laboratório Central da EPAL orgulha-se de ser um dos melhores laboratórios de análises de água do país e da Europa.Empresa Portuguesa das Águas Livres. quer individualmente quer integrada no Grupo AdP .Águas de Portugal. colocando as suas capacidades ao serviço do interesse nacional. Esta preocupação é de facto histórica e está comprovada pelo estudo analítico mais antigo (1791) que se conhece sobre as águas do sistema de abastecimento de água à Cidade de Lisboa. 155 . As preocupações da EPAL não se centram somente ao nível da quantidade de água fornecida. A EPAL é responsável por um sistema de produção. Equilíbrio e ajuste do pH e Desinfecção final com cloro gasoso. Mantém relações contratuais com cerca de 335 mil clientes directos.

156 .

reserva. a qual se estende desde o nível do rio Tejo até cotas superiores a 170 m. e directamente parte dos concelhos limítrofes designadamente Loures. eficiência e produtividade. zonas de distribuição.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10. atingindo 4 ou 5 m.chave: sistema de produção e transporte. designado Interáqua. a Rede Geral de Distribuição.1 Aspectos gerais O Sistema de Distribuição de água à cidade de Lisboa é um sistema complexo quer pela sua extensão. • A concepção global dos sistemas prediais em Lisboa. localizados na cidade de Lisboa e para os quais se 157 . cerca de 11 mil válvulas com diâmetros nominais variáveis entre 150 e 1 000 mm e 93 mil ramais de ligação aos prédios. utiliza em média. 260 000 m3 de água por dia. Neste sistema. É abastecida pelo Aqueduto Alviela. ou seja. A experiência da EPAL ilustra os benefícios da adopção e divulgação de regras técnicas no âmbito interno. 35 mil m3/dia. quer por suspensões provocadas por obras de expansão ou renovação da rede. são registadas todas as intervenções possibilitando a criação de uma base de dados relacionados com a manutenção da rede. cuja gestão é da responsabilidade de duas áreas de negócio distintas: Área de Negócio de Produção e Transporte e Área de Negócio de Distribuição. satisfação do Cliente. fiabilidade. aproximadamente. quer por roturas casuais cuja reparação é assegurada por piquetes que actuam 24 horas por dia. Aqueduto Alviela.5 m ou mesmo superior. proporcionando o abastecimento domiciliário numa área de 83 km2 que alberga uma população de 564 mil habitantes residentes. qualidade de serviço.2 Caracterização da rede de Lisboa Em Lisboa. Abril de 2001. tratamento/qualidade de água. cujas capacidades de entrega a Lisboa são. precioso auxiliar das equipas de manutenção. a Rede de Distribuição passou a estar sobre dimensionada face às suas necessidades. pressão. A EPAL é responsável por todo um sistema de produção ("alta") e distribuição ("baixa") que se desenvolve por mais de 1900 Km. é constituída por 15 reservatórios. projectou-se a construção do Adutor de Circunvalação. • Enquadramento legislativo. apesar de pouco significativo. Adutor Vila Franca-de-Xira/Telheiras e pelo Adutor de Circunvalação. actualmente transitam pela rede de Lisboa com destino aos concelhos limítrofes. Esgotada a capacidade máxima de transporte entre Vila Franca de Xira e Lisboa através dos três adutores existentes. cerca de 1 400 km de rede com diâmetros que variam entre os 80 e os 1500 mm.Xira/Telheiras. Odivelas e Amadora. 70 000m3/dia de água para uma capacidade máxima efectiva de 300 000 m3/dia. bem como divulgar os resultados alcançados com o estabelecimento dessas mesmas regras. 360 mil m3/dia. organização. É também da responsabilidade da EPAL a aprovação.F. Em complemento. A rede de distribuição de Lisboa está digitalizada e reproduzida num sistema de informação geográfica. Aqueduto Tejo. segurança e qualidade do serviço. Oeiras. com cerca de 1 400 Km. Deste sistema depende cerca de 335 000 clientes com contrato. legislação. a fiscalização bem como a ligação à rede de distribuição de água de todos os sistemas prediais na cidade de Lisboa.2.2. Este sistema tem um interface com o sistema de gestão de clientes para identificar os clientes cujo abastecimento possa ser afectado. a profundidade das condutas é de 2. melhoria contínua. tem-se verificado uma diminuição dos volumes utilizados dentro da cidade. Tejo e Adutor V. manual de redes prediais.2 Concepção global dos sistemas de distribuição em Lisboa 10. 10. pretende também divulgar os aspectos relevantes dum serviço de interesse público de relevante impacto social. evidenciando como os resultados foram efectivamente melhorados. processo de abastecimento.0 m de profundidade. Em termos gerais. Acrescente-se ainda que nos últimos anos.1 Introdução A presente comunicação pretende dar a conhecer: • A concepção global dos sistemas de distribuição em Lisboa. 240 mil m3/dia e 60 mil m3/dia. obra planeada de forma a abastecer os concelhos adjacentes desviando caudais da cidade de Lisboa. 10. A partir da entrada em funcionamento deste último adutor. quer pela acentuada orografia da cidade. sistema de distribuição. como sendo. Palavras . bem como no âmbito do serviço prestado ao requerente do processo de abastecimento. As regras da EPAL no que se refere à elaboração dos projectos de redes prediais. além de permitir localizar todas as condutas e órgãos da rede. Em certas situações especiais e nos casos de maiores diâmetros. abrangendo uma breve descrição do Manual da EPAL publicado em Fevereiro 2002. respectivamente. A maior parte das condutas encontra-se aproximadamente a 1. elevação. 9 estações elevatórias.

10. de 30 em 30 metros. por zona de abastecimento. nomeadamente.sistema integrado de medição. cujo investimento é na ordem dos 80 milhões de euros. Este sistema de medição integrado tem como finalidade o acompanhamento da evolução de perdas de água. A Rede de Distribuição na cidade de Lisboa abastece os clientes em patamares altimétricos. • Reserva de água que garanta estabilidade no fornecimento e segurança em caso de incidentes.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa A EPAL tem em curso um programa de renovação da rede. • Garantir a qualidade da água ao longo da rede.1 Princípios hidráulicos da rede Os principais princípios a ter em conta na Rede de Distribuição são: • Estabilidade das pressões nos pontos de abastecimento garantindo uma pressão mínima na soleira dos edifícios de 300 kPa e máxima de 600 kPa. e a informação processada pelo sistema de clientes que regista a água facturada.Esquema em planta representativo da rede de distribuição na cidade de Lisboa 158 . 1 . Complementarmente tem-se em desenvolvimento um sistema de apoio à decisão .2. de modo a integrar e tratar a informação sobre volumes de água utilizada em determinada malha de rede.2. • Existência de alternativas de abastecimento. com substituição da rede mais antiga. identificados por cores diferentes na figura seguinte: Reservatório Estação Elevatória Ponto de entrega 1 sentido Ponto de entrega 2 sentidos Fig.

Esta localização permite garantir uma pressão na soleira do ponto de abastecimento entre os 300 kPa e os 600 kPa. da respectiva zona altimétrica. bem como todas as interligações ao sistema de produção e transporte (distribuição em Alta). no qual a água é elevada directamente para a rede de distribuição.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Na figura anterior são também identificadas as estações elevatórias e reservatórios que fazem parte integrante da rede de distribuição.Diagrama altimétrico representativo da rede de distribuição na cidade de Lisboa 159 . Cruz Fig. O sistema de distribuição de água da EPAL na cidade de Lisboa possui características muito próprias. St. Os reservatórios que garantem o abastecimento das zonas altimétricas funcionam como reservatórios de extremidade e localizam-se aproximadamente 30 metros acima dos pontos de abastecimento mais elevados. 2 .

Em termos de exploração. ferro fundido dúctil e ferro galvanizado. vindo a aumentar a sua aplicação.2. principalmente na renovação da rede.Reservatório da Charneca Rede (ZA) . salvo o caso da estação elevatória do Restelo.Reservatório do Pombal Rede (ZS) .2.Reservatório de Monsanto Reservatório da Amadora Olivais Rede (ZB) . • Qualidade deficiente ao nível dos tubos.Zona Média. ferro fundido dúctil. com a retirada de caudais em trânsito na rede de Lisboa para os concelhos limítrofes. polietileno de alta densidade.2. cujo único destino é o reservatório de Monsanto. o PEAD.Reservatórios do Contador-Mor E do Vale Escuro Rede (ZM) .Reservatório de Telheiras Aqueduto do Alviela Reservatório de Monsanto 122 21 80 65 35 .Reservatório do Vale Escuro e de S. tendo no entanto. através de mecanismos vários.Reservatório do Pombal Campo de Ourique Rede (ZA) .Reservatório do Restelo Telheiras Rede (ZS) . betão pré-esforçado. A má utilização em termos de paragens e arranques dos grupos. • Roturas devidas a movimentos dos solos. • Corrosão generalizada.Zona Baixa. fibrocimento.3 Identificação das patologias mais correntes As patologias mais correntes em tubagens e acessórios assumem em geral as seguintes formas: • Roturas por acções de choque mecânico.2.Zona Alta.Zona Superior 160 . correntes vagabundas. a tubagem e acessórios estão sujeitos a factores agressivos relativos às condições hidráulicas na rede que se traduzem em pressões máximas em regime permanente que não excedem em geral 8. as alturas de elevação aproximadas para os diversos destinos. nos últimos anos (desde 2002).Reservatórios de Campo de Ourique e do Arco 92 38 59 96 32 80 45 61 QUADRO 1 .4 Identificação dos factores agressivos Os tubos e acessórios estão naturalmente sujeitos a diversos tipos de factores agressivos que contribuem.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10.2. numa média de 60 km/ano. a melhoria da fiabilidade das reparações. • Redução da secção útil dos tubos devido a incrustações. • Roturas devidas a aumentos das cargas externas transmitidas pelo solo. 10. para a sua degradação. súbita ou continuada no tempo.3 bar. galvânica. No quadro seguinte pode-se observar. ZS .Reservatório da Amadora Reservatório do Alto de Carenque (a) ZB . manobras de válvulas.130 S. tendo naturalmente ao longo da sua vida sido utilizados diversos materiais. ZM .2. para cada estação elevatória existente na rede de distribuição. A predominância do ferro fundido cinzento. Esses factores podem ser classificados da seguinte forma: • Condições hidráulicas da rede As pressões são um dos principais factores agressivos (pressões em regime hidráulico permanente e transitório). ferro fundido cinzento.44 25 . incorrecto dimensionamento/instalação dos grupos hidropressores poderão estar na origem de uma degradação mais rápida do sistema de abastecimento.c.30 125 . ZA .ALTURAS DE ELEVAÇÃO NOMINAIS NAS ESTAÇÕES ELEVATÓRIAS DA REDE DE DISTRIBUIÇÃO DE LISBOA Estação elevatória Destinos de elevação(a) Alturas de elevação aproximadas (m. • Deterioração ao longo do tempo da tubagem e/ou das juntas e acessórios. a entrada em funcionamento do Adutor da Circunvalação.VARIAÇÃO DO NÚMERO DE ROTURAS ENTRE OS ANOS DE 2003 E 2004 Roturas Condutas DN ≤ 400 mm Condutas DN > 400 mm Roturas Em ramais Ano 2003 715 84 Ano 2003 1460 Ano 2004 534 49 Ano 2004 947 Variação -25% -42% Variação -35% Restelo Rede (ZA) .Reservatório do Arco Rede (ZA) . localizada. exceptuando alguns casos que pode ir até 12 bar. Jerónimo Rede (ZA) . sendo os principais: o aço. no que se refere à diminuição de roturas: Barbadinhos Rede (ZB) .2 Caracterização dos materiais da rede O sistema da EPAL existe há mais de cem anos. Jerónimo Rede (ZM) . e do fibrocimento continua sensivelmente a representar um maior peso. o ano de 2004 espelha já alguns resultados positivos. No caso da EPAL e dado o projecto de renovação de rede em curso.a) 10. acessórios e componentes utilizados na execução das uniões. QUADRO 2 .

Alviela. em que se registam sismos fracos. que estão directamente relacionadas com o trânsito rodoviário e ferroviário.7 8. a água aduzida à cidade de Lisboa provém de três subsistemas distintos . degradam a tubagem afectando a qualidade da água. Da complexidade dos três subsistemas adutores a quatro zonas de distribuição resulta que em algumas zonas da cidade.Concentração hidrogeniónica (pH). A esta variabilidade há a acrescentar a que resulta QUADRO 3 . A título meramente informativo resumem-se os principais factores agressivos do solo para os tubos metálicos: .Cloreto. resultante das extensões axiais e das curvaturas.5 6. que estão directamente relacionados com as suas características geotécnicas.Contaminação orgânica. por zona de distribuição: • Características químicas das águas transportadas na rede Conforme já mencionado.min V.7 6. separados por longos períodos de acalmia. enquanto noutras reflectem as misturas de aduções diferentes. parâmetro que em geral é utilizado para caracterizar a corrosividade dos solos. Daqui resulta uma variabilidade das características da água aduzida.Cargas rolantes sobre o terreno. as características da água distribuída são bastante semelhantes às da água aduzida. .7 8. A título meramente informativo apresenta-se no quadro seguinte a concentração hidrogeniónica (pH) da água distribuída em Lisboa.Sulfato.máx Concentração Hidrogeniónica (pH) 7.CONCENTRAÇÃO HIDROGENIÓNICA DA ÁGUA DISTRIBUÍDA EM LISBOA Parâmetro Zona Baixa V.min V.9 8. .máx Zona Alta V.min V.Correntes vagabundas. caracterizada pela ocorrência de sismos fortes. . o valor de pressão mínimo actualmente disponibilizado pela EPAL é de 300kPa.3 • Características químicas e físicas dos solos e das suas águas intersticiais A humidade do solo e a presença de sais dissolvidos são os factores que mais contribuem para a resistividade do solo. . assim como o valor máximo.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Mais especificamente no que se refere à concepção da rede de distribuição.máx Zona Superior V. e conforme já mencionado. Os factores químicos da água transportada na rede. .máx Zona Média V. como os assentamentos dos solos e sua liquefacção.min V.Efeitos da propagação das ondas sísmicas nas tubagens. A cidade de Lisboa situa-se numa zona de sismicidade moderada. . sísmicas e mecânicas Os factores relevantes que podem contribuir para que as tubagens enterradas possam sofrer danos são: . 161 .Movimentos permanentes do terreno. do contacto da água com tubagens e acessórios de diferentes materiais.6 7. quando atingem teores agressivos.Alcalinidade.máx Reservatórios V.9 8.4 8. de modo a evitar a ocorrência de sobrepressões é de 600kPa. sendo o parâmetro identificado como relevante a deformação da tubagem.6 7.min V. .Resistividade. • Condições geotécnicas. . Tejo e Castelo do Bode (captações superficiais e subterrâneas).

5 Reservas de água Os reservatórios existentes e em serviço no sistema da EPAL de abastecimento à cidade de Lisboa.ZM Zona Alta .90 5. 3 .60 5.2.90 5.66 17.72 90.CARACTERIZAÇÃO DOS RESERVATÓRIOS EXISTENTES NO SISTEMA DE ABASTECIMENTO A LISBOA DESIGNAÇÃO ZONAS DE DISTRIBUIÇÃO GRAVIDADE BARBADINHOS OLIVAIS CONTADOR-MOR VALE ESCURO S.ZM ZM ZA BOMBEAMENTO ZB.46 116. OURIQUE TELHEIRAS I TELHEIRAS II POMBAL 1.70 5.10 152. 4 .00 74.00 116. os quais funcionam também como reservas de água.ZL Zona Baixa .70 4.25 2.2 POMBAL 3 RESTELO CHARNECA I CHARNECA II MONSANTO TOTAL ZS ZA ZS ZS ZL ZA ZB ZB ZB ZB.90 4.30 152.ZA ZB.27 126.ZM. encontram-se caracterizados no quadro seguinte: QUADRO 4 .62 2.ZS N.ZA ZA ZA.30 5.º 2 2 2 2 2 2 2 4 2 2 1 2 2 1 2 CÉLULAS COTA DE SOLEIRA 27.Cenário sísmico de danos na cidade de Lisboa 10.ZA Zona Superior-ZS 162 . JERÓNIMO ARCO C.2.30 57.Distribuição das intensidades na cidade de Lisboa Fig.90 2.00 6.ZS ZA.00 2.00 12.ZB Zona Média .00 68.44 ALTURA DE ÁGUA (m) 3.50 4.00 119.10 171.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig.00 VOLUME TOTAL (m³) 9 250 38 570 9 504 20 186 4 500 11 460 127 200 58 112 114 297 6 892 5 130 9 226 9 925 10 162 4 470 438 884 LEGENDA: Zona Limite .38 122.43 92.ZM.

54 1.RELAÇÃO ENTRE A CAPACIDADE TOTAL DOS RESERVATÓRIOS E OS CONSUMOS MÉDIO DIÁRIO ANUAL.1 Aspectos gerais É também da responsabilidade da Empresa a aprovação e a fiscalização das redes prediais na cidade de Lisboa.2.3.34 1. NA SEMANA DE MAIOR CONSUMO E NO DIA DE MAIOR CONSUMO.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa A capacidade de reserva foi calculada atendendo às seguintes ocorrências: . que permitissem uma capacidade de resposta mais oportuna e qualitativa. potencialmente. 10.3 Concepção global dos sistemas prediais em Lisboa 10. Manual de Redes Prediais da EPAL 10. técnicos responsáveis pela instalação das redes prediais de água e instaladores. também é fundamental que seja garantida a qualidade da mesma água. Os procedimentos de exploração integram rotinas de inspecção e de manutenção. mas sim um projecto há muito planeado.54 1. previstos para os anos de 1995 e 2020.ajustamento dos caudais de adução aos pedidos na rede.19 TIPO DE CONSUMO CAPACIDADE TOTAL (m³) Verifica-se que a capacidade total excede as necessidades de água estimadas para esses anos. de modo assegurar o cumprimento das regras definidas.34 1. Para com maior rigor avaliar a conformidade técnica dos processos de abastecimento foi publicado o Manual de Redes Prediais da EPAL. previamente estabelecidas e divulgadas. Assim e dentro desta opção metodológica foi sentida a necessidade de iniciar um processo normativo conducente ao estabelecimento de uma base de informação padronizada. em particular combates a incêndios. Esta preocupação prende-se com a possibilidade de deterioração da qualidade da água nos reservatórios. se não forem verificados determinados critérios de concepção.28 1. a reunir conceitos e regras.2. na semana de maior consumo e no dia de maior consumo. se determinadas medidas não fizerem parte das normas de exploração e.aumentos súbitos de pedidos na rede por razões de emergência. no mês de maior consumo.29 1.19 2020 (1) / (3) 1.falhas de adução por interrupções subsequentes a avarias no sistema de abastecimento de água ou cortes na alimentação eléctrica.6 Estratégia de manutenção da qualidade da água A par com a necessidade de garantir duma forma optimizada as reservas adequadas de água no sistema para uma distribuição compatível com os consumos. apresentam-se as relações entre capacidade total e os consumos médio diário anual. actuações de emergência. PREVISTOS PARA OS ANOS DE 1995 E 2020 NECESSIDADES DE ÁGUA (m³/dia) 1995 (1) MÉDIO ANUAL MÊS MAIOR CONSUMO SEMANA MAIOR CONSUMO DIA MAIOR CONSUMO 438884 (2) 284413 327074 341295 369736 2020 (3) 284239 326875 341087 369511 COEFICIENTES (-) 1995 (1) / (2) 1. No quadro seguinte. NO MÊS DE MAIOR CONSUMO. ainda. . opção que motivou à elaboração de um Manual. dirigido a projectistas. destinada 163 . para Lisboa: QUADRO 5 . além de envolver. . o qual não é uma ideia recente.

permitindo assim um desenvolvimento mais célere dos processos de abastecimento. Concepção de Projecto e Disposições Construtivas IV.Elaboração e circuito dos processos de abastecimento Tem como objectivo definir as regras para a elaboração e constituição de um processo de abastecimento. Após a constituição de um processo de abastecimento. O conteúdo do documento não pretende ser exaustivo e de modo algum dispensa a consulta de toda a regulamentação em vigor. embora numa opção técnica condicionada pela normalização nacional existente.2 Capítulo II . permitindo aos interessados a apresentação de processos de abastecimento.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa No Manual de Redes Prediais são abordados aspectos de concepção e execução. considerando-se o referido Manual como um complemento da documentação técnica já existente na EPAL. pois procura apresentar uma visão global conducente à obtenção de soluções que contornem os problemas detectados nos projectos de redes prediais. deveres e responsabilidades das diversas partes intervenientes. assim como a descrição do seu circuito. 10. Subsidiariamente poderá também constituir elemento de consulta para instaladores. desde a sua entrega nos Serviços da EPAL. compatíveis com os conceitos vigentes na EPAL. ou seja. sendo particularmente desenvolvidos os primeiros. A consulta do fluxograma a seguir representado. o que conduz a prazos de resposta mais reduzidos. de acordo com o estabelecido no capítulo II.1 Capítulo I . mas tem como objectivo transmitir as regras que esta Empresa considera pertinentes. Dimensionamento Anexos A Terminologia B Simbologia C Documentos e Elementos Técnicos Constantes dos Processos de Abastecimento D Esquemas de Instalação e Execução E Legislação e Normalização Aplicáveis F Referências Bibliográficas. por serem aqueles que conferem aos projectos a sua verdadeira potencialidade em termos de "linguagem técnica". Uma correcta elaboração dos processos de abastecimento. Na assunção deste pressuposto recomenda-se que sejam respeitadas todas as indicações consignadas no documento. na EPAL. até à fase de celebração de contratos de fornecimento de água. Elaboração e Circuito dos Processos de Abastecimento III.3. Generalidades II. este deve ser entregue. 164 . para emissão de parecer. permite uma optimização dos recursos utilizados pela EPAL na fase de análise dos mesmos.Generalidades Abordagem de aspectos gerais tais como a Legislação e Normalização.3. 10.3.3 Descrição dos capítulos estruturantes do Manual 10.3.2 Estrutura do Manual de Redes Prediais A estrutura do Manual é constituída pelos seguintes capítulos e anexos: I. evidencia todo o circuito de um processo de abastecimento no seu desenvolvimento mais longo. com entrega de alterações ao nível da análise e da fiscalização: 10.3.3.

5 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig.Fluxograma de um processo de abastecimento 165 .

8 Torneira de Suspensão do Ramal Válvula que regula o fornecimento de água ao prédio. responsabilidades de manutenção e recomendações. órgãos e equipamentos instalados na via pública. Responsabilidades de manutenção 166 . 7 Ramal de Ligação Canalização que liga a Rede Geral de Distribuição à rede predial. nomeadamente no que respeita à caracterização dos deveres.Redes prediais. É recomendável ainda que sejam respeitadas todas as indicações consignadas no documento.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa O fluxograma anteriormente apresentado poderia ser muito simplificado se todo o processo não tivesse que passar por frequentes e diferentes análises do mesmo. 9 Rede Geral de Distribuição Sistema de canalizações. para serviço de uma propriedade. 6 . ou a bocas de incêndio e marcos de água. seja na fase de análise ou/e na fase de fiscalização. permitindo assim um desenvolvimento mais célere dos processos de abastecimento. Fig. no que respeita a alterações entregues.

actualmente de 300kPa. A concepção dos sistemas prediais deve assim garantir. Quando o valor mínimo não for garantido. 7 .3 Capítulo III . assim como indicar quais as disposições construtivas preconizadas pela EPAL. assim como o valor máximo.3. na rede geral de distribuição de água. de forma a evitar a ocorrência de sobrepressões (>600kPa). constituído por grupos de velocidade variável e tendo em conta o especificado no Manual. deverá ser prevista a instalação de equipamento de pressurização. disponibilizado pela EPAL. 8 . a pressão da rede geral de fornecimento deve ser aproveitada. Nos casos em que este valor seja ultrapassado deve ser instalada válvula redutora de pressão. a EPAL assegura a qualidade da mesma na sua rede geral de abastecimento.Diagrama de abastecimento às redes prediais com sistema misto gravítico e pressurizado Fig. quer as boas condições do fornecimento no que concerne à pressão e caudal nos dispositivos de utilização. É ainda de interesse apresentar uma síntese das soluções de abastecimento predial permitidas pela EPAL: a) Fornecimento totalmente gravítico. Mais especificamente no que diz respeito às pressões deve ser tido em atenção o valor de pressão mínimo. em que a pressão mínima disponibilizada no ramal de ligação é suficiente para garantir as boas condições de fornecimento a todos os locais do edifício a serem objecto de contratos de fornecimento: b) Através de equipamento de pressurização directa.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10.3.Concepção de projecto e disposições construtivas O capítulo III tem como objectivo definir as linhas orientadoras a adoptar na concepção global dos sistemas prediais de abastecimento de água. levando a que existam sempre que possível. Como entidade responsável pelo fornecimento de água para consumo humano. A adopção desta solução pressupõe que embora se recorra à pressurização. quer a manutenção dessa mesma qualidade. pelo menos dois andares de pressão (gravítico e pressurizado): Fig.Diagrama de abastecimento às redes prediais com sistema simples gravítico 167 .

10 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa c) Fornecimento efectuado a partir de depósito dotado de equipamento de elevação.Diagrama de abastecimento às redes prediais com sistema misto gravítico e pressurizado e abastecimento ao serviço de incêndio a partir de depósito 168 . 9 .Diagrama de abastecimento às redes prediais com sistema misto gravítico e pressurizado e abastecimento directo à rede de incêndio e rede sprinklers Fig. exclusivamente para o sistema de incêndio e situações especiais: Situação I Situação II Fig.

Dimensionamento Após a fase de concepção do projecto da rede predial de água. 10. ou se os mesmos se encontrarem incompletos devem ser apresentados novos cálculos. No entanto. estando o projectista livre de apresentar outros métodos desde que devidamente fundamentados. etc.3. se forem detectadas irregularidades.Diagrama de abastecimento às redes prediais e serviço de incêndio a partir de depósito contabilizado a montante (condição excepcional para Hotéis e Hospitais.3. tal como as minutas tipo. onde se definiu o traçado das canalizações. são componentes fundamentais do projecto da rede predial. B Simbologia . salvo se indicado.Inclui as referências do "Capítulo II . 10. constantes no Manual.Apresentação dos símbolos a utilizar na elaboração das peças desenhadas dos projectos de redes prediais. previsto na legislação) D Esquemas de Instalação e Execução . a título meramente exemplificativo. algumas das principais disposições construtivas relativas às redes prediais. O projectista Relativamente ainda ao Anexo D. apresentam-se nas seguintes figuras. A fase de dimensionamento funciona ainda como prevenção e detecção de erros de concepção. F Referências Bibliográficas. já anteriormente mencionados. possibilitando o controlo dos parâmetros relativos aos níveis de conforto e desempenho dos sistemas. consistem: A Terminologia . No capítulo IV são apresentados alguns métodos de dimensionamento para cada situação.Compilação de diversas indicações de carácter normativo relativas a alguns aspectos construtivos das redes prediais. os mesmos não são vinculativos. E Legislação e Normalização Aplicáveis . 169 .3. no entanto. nomeadamente no que concerne aos diâmetros das tubagens e determinação das características dos equipamentos electromecânicos. uma vez que se determinam entre outros. é necessário efectuar o dimensionamento das canalizações. encontrando-se organizada por ordem alfabética.4 Capítulo IV . relativos ao dimensionamento.Listagem não exaustiva de documentação.. através da apresentação de ábacos. 11 . O dimensionamento dos Sistemas Prediais de Abastecimento de Água é efectuado de forma faseada através de um processo iterativo. quadros de apoio.Elaboração e Circuito dos Processos de Abastecimento". valores de velocidades de escoamento e de pressão disponível nos dispositivos de utilização. a escolha dos materiais a utilizar e a selecção dos órgãos e dos equipamentos.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Situação III é responsável pelos valores neles apresentados e sua validade.Consiste na compilação dos termos instituídos pela EPAL mais utilizados neste Manual.3.5 Anexos Os anexos. tabelas e referências bibliográficas. Os cálculos justificativos. sendo sempre obrigatória a sua apresentação. Fig. C Documentos e Elementos Técnicos Constantes dos Processos de Abastecimento .

Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig. 12 .Instalação de contadores em bateria 170 .

Instalação de contadores em caixa enterrada até DN 40 171 . 13 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig.

Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig. 14 .Instalação de contadores em caixa enterrada a partir de DN 50 172 .

Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig. 15 .Instalação de ponto de ligação flangeado 173 .

Pontos de ligação roscados 174 .Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Fig. 16 .

5.1 Divulgação da documentação Aquando da disponibilização do Manual de Redes Prediais em Fevereiro de 2002. nos quais se reflecte de alguma forma o contributo do Manual.000 Mês/Ano Dez-00 Dez-01 Dez-02 Dez-03 Dez-00 Dez-01 Dez-02 Dez-03 Set-04 Situação 0 Set-04 Em curso Pendentes da EPAL Pendentes de Clientes 10. consegue-se obter a percepção da evolução da qualidade do serviço e a identificação das áreas de melhoria do ponto de vista do mercado. durante o ano de 2004. O objectivo que originou a elaboração e publicação do documento começa agora a dar mostras de estar a ser concretizado.3. sendo eles: "Elaboração e circuito dos processos de abastecimento" e "Condições técnicas de instalação de contadores em bateria". Internamente. facilitando os procedimentos de fiscalização e de execução da obra.3. serão de especial interesse para o enriquecimento técnico das futuras edições. No início de 2003 foram editados mais dois novos folhetos designadamente. quadro e figuras. apresentam-se. ou seja. Nº de Processos 6. tendo em conta que a lei vigente obriga que as respostas sejam emitidas dentro de um período de 20 dias úteis.000 3. Através deste tipo de controlo.5 Resultados práticos 10. a dinâmica dos diferentes serviços melhoraram. 175 . Instaladores e Donos de Obra. demonstrando o reconhecimento e interesse por parte de Projectistas. 18 .000 4. bem como na execução de ramais de ligação e instalação de contadores. relativamente ao tempo de resposta.4 Outras publicações complementares Paralelamente à edição do referido documento. tendo-se obtido um equilíbrio maior entre a análise e a fiscalização dos processos de abastecimento. principalmente através dos comentários construtivos.000 1. pelo que as mesmas serão sempre bem vindas. notando-se que os projectos registam algumas melhorias ao nível da sua concepção e apresentação. Estas publicações servem actualmente de apoio ao Manual.17 .5.000 2. também tem sido mais positiva. Empreiteiros. Também sempre que os colaboradores detectam erros sistemáticos. por vezes. foram desenvolvidos e implementados dois novos folhetos. passado dois anos e meio da sua publicação. 65% < 5 dias entre 5 e 20 dias entre 20 e 40 dias mais que 40 dias 5% 5% 25% Fig. são introduzidas acções correctivas. no exterior. a quantificação do número de processos de abastecimento de 2004. "Instalação de contadores em caixa" e "Contador de obra".Gráfico comparativo da variação relativamente ao tempo de resposta aos processos de abastecimento 10.3. feitas algumas sugestões de melhoria que têm sido apontadas e que serão devidamente estudadas no intuito de virem a surtir efeito em revisão com vista a uma futura emissão. Na figura seguinte pode-se observar em percentagem. é com satisfação que já se distribuíram mais de três centenas de exemplares. sempre que os indicadores apresentam desvios. no entanto. todas as opiniões. efectuou-se uma contabilização dos tempos de resposta dos processos de abastecimento. a EPAL tinha uma perspectiva de distribuição entre os 90 e os 100 exemplares até ao final do ano. não só da Cidade de Lisboa como de outras zonas do País. Fig.3. verificando-se em obra que o mesmo tem ajudado na implementação de algumas regras de construção.000 5. a seguir. No entanto. no início de 2002. de resultados do exercício da área de Novos Abastecimentos entre 2000 e 2004. sendo este um documento dinâmico.2 Quantificação dos processos de abastecimento e dos resultados práticos A título informativo. estes são analisados e adoptadas acções correctivas para impedir a sua repetição. A imagem.Gráfico comparativo da variação do número de processos em curso e pendentes na EPAL entre o ano de 2000 e o ano de 2004 No que se refere ao nível de serviço.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10. sendo.

Com efeito.". assegura a conformidade do serviço fornecido ao Cliente. facilitando a implementação de regras instituídas na empresa e aumentando a interacção com o exterior. tanto a EPAL como os agentes externos da área. de 21 de Junho. de 24 de Julho de 1944 e suas alterações entretanto publicadas. presentemente. Regulamento de Segurança e Acções para Estruturas de Edifícios e Pontes. S. pelas normas de direito privado aplicáveis às sociedades anónimas e pelas normas especiais. como tal. os consumidores directos continuam a reger-se pelo disposto no regulamento aprovado pela portaria nº 10 716. relativo à Empresa Portuguesa de Águas Livres. de 21 de Fevereiro . (EPAL).A. pelos seus estatutos. Pode-se concluir que. o artigo nº 31 do Decreto-Lei nº 207/94 estabelece que: "O regime estabelecido no Decreto-Lei nº 230/91. S. de 23 de Agosto . na sua redacção actual".Regime Jurídico de Empreitadas de Obras Públicas. 2 de Março . Regulamento de estruturas de Betão Armado e Pré-esforço. beneficiam com a publicação deste documento. no Artigo 1º. 10. S.A. e no Artigo 8º. não é afectado pelo disposto no presente diploma". Decreto-Lei nº64/90. de 24 de Julho de 1944.Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa Esta atitude permite a melhoria sistemática dos processos e. Decreto-Lei 320/2001 e 272/2003 (segurança). parágrafo 2. no entanto esta Empresa sempre fez questão de orientar-se pelos Regulamentos e Decretos-Leis vigentes: Decreto Regulamentar nº 23/95.4 Enquadramento legislativo A EPAL possui um regulamento geral de abastecimento de água que foi posto em vigor pela portaria nº 10 716. Decreto-Lei nº59/99.Aprova o Regulamento Geral dos Sistemas Públicos e Prediais de Distribuição de Água e Drenagem de Águas Residuais. Pelo anteriormente exposto. rege-se pelo presente diploma.. o que constitui uma contribuição positiva para a concretização do objectivo inicialmente pretendido com este projecto. é mencionado também o seguinte:" Sem prejuízo da aprovação de um novo regulamento aplicável à EPAL. conclui-se assim que a EPAL se encontra numa situação de excepção. face alguma da legislação actualmente aplicável a todo o país. cuja aplicação decorra do objecto da sociedade.A. com o qual os serviços se regem. é mencionado que: "A EPAL. 176 .Aprova o Regulamento de Segurança contra Incêndio em Edifícios de Habitação. do qual se espera no futuro vir a reflectir-se numa melhoria qualitativa e quantitativa. parágrafo 2. No Decreto-Lei nº 230/91 de 21 de Junho.

Sistemas de Abastecimento Público e Predial em Lisboa 10. elaborado pelo LNEC para a EPAL.5 Referências bibliográficas " Plano Geral da Rede de Distribuição de Água a Lisboa e do Abastecimento aos Concelhos limítrofes" .Relatório 254/99-NES. 177 . 2001. Setembro 1997 . EPAL.elaborado pela Empresa Aquasis para a EPAL.Relatório Final. " Especificação de materiais para a rede de abastecimento da água da EPAL" . " Manual de Redes Prediais".

178 .

SISTEMAS DE REGA SOB PRESSÃO: EFICIÊNCIA. POLIVALÊNCIA E ECONOMIA Autor: José Beltrão Professor Catedrático. Faro 179 . Universidade do Algarve. FERN. Polivalência e Economia 11.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência.

180 .

com centros de investigação nacionais e internacionais. Em 1991.Portimão e Vila Real de Santo António -. dispondo.CDCTPV. É também uma Faculdade integrada no mundo global que a envolve. e com empresas da região e do país. Possui cinco FACULDADES . As duas licenciaturas de Engenharia estão reconhecidas pela Ordem dos Engenheiros. No ano de 2003 A FERN diplomou 59 licenciados (35 em Engenharia Agronómica e 24 em Engenharia Biotecnológica) e já em 2004 surgem os primeiros licenciados em Arquitectura Paisagista. que proporcionam excelentes condições de estudo. e Ciências e Tecnologia e quatro ESCOLAS SUPERIORES . em 1993. como não podia deixar de ser.Faculdade de Engenharia de Recursos Naturais A Faculdade de Engenharia de Recursos Naturais . as Unidades foram extintas e as Faculdades vieram substituir as anteriores estruturas. Biotecnologia e Agricultura Sustentável). cedo se alçou de instalações provisórias a espaços amplos. Actualmente a Faculdade de Engenharia de Recursos Naturais tem a responsabilidade de quatro licenciaturas (Engenharia Agronómica . de 26 de Dezembro. Ciências do Mar e Ambiente.RUPEA e tem numerosos e abrangentes protocolos de colaboração. Recursos Hídricos. 3 salas de informática e 4 salas de estudo propiciam as adequadas condições de trabalho para os docentes. com a reestruturação de toda a Universidade do Algarve. Tecnologia e Saúde. criada pela Lei n. por exemplo. Por exemplo.ramo Hortofruticultura.Educação.UCTA e assumiu a responsabilidade do ensino da licenciatura em Hortofruticultura. Em 1998. Engenharia de Recursos Naturais. Um edifício recém inaugurado. 16 dos quais liderados por docentes seus. trabalho. Arquitectura Paisagista e Agronomia) e de quatro mestrados (Horticultura . criado pelo decreto-lei n. Entre 1982 e 1998 a então UCTA foi crescendo e alargando os seus horizontes. tal como existe neste momento.Economia. No ano de 2003 a Faculdade de Engenharia de Recursos Naturais estava envolvida em mais de 30 projectos de investigação. e com uma estação meteorológica automática.FERN surgiu em 1982. após a criação da Universidade do Algarve. Em 1992 integrou o 'grupo internacional' de oito universidades que lançou e coordenou o Mestrado em Hortofruticultura . Inicialmente adoptou a designação de Unidade de Ciências e Tecnologias Agrárias . com instituições universitárias portuguesas e estrangeiras.e de dois Pólos . A FERN é constituída hoje por mais de 50 docentes. de ensino e investigação. Hotelaria e Turismo.especialidade de Marketing e Comercialização.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. 700 docentes e 400 funcionários que gravitam no seu universo. Polivalência e Economia A Universidade do Algarve A Universidade do Algarve.º 513-T/79. integra a Rede de Universidades Portuguesas de Ensino Agronómico .º 11/79 de 28 de Março e o Instituto Politécnico de Faro. hoje. resultou da união das duas instituições previamente existentes: a Universidade do Algarve. alunos e funcionários. situado no Campus de Gambelas. esta Faculdade inclui 46 gabinetes. com espaços ao ar livre e estufas. Engenharia Biotecnológica. cinco anos mais tarde. de dois Campus . mais de 700 estudantes. Nas proximidades está localizado o Horto Experimental de Gambelas. investigação e socialização aos cerca de 10 000 estudantes. A Horto-fruticultura foi reestruturada e adoptou o nome de Engenharia Agronómica . 181 . 33 laboratórios.Penha e Gambelas . maioritariamente com o Grau de Doutor que asseguram o funcionamento regular das licenciaturas e mestrados. Tendo nascido do sonho de poucos e da vontade de muitos. Ciências Humanas e Sociais. Gestão. Para além dos docentes integram a Faculdade mais de 25 funcionários e.ramo Hortofruticultura.especialidade de Marketing e Comercialização. foi constituído o Centro de Desenvolvimento de Ciências e Técnicas de Produção Vegetal . A FERN . e foram iniciadas as licenciaturas em Engenharia Biotecnológica. e em Arquitectura Paisagista.

182 .

1980) .como por exemplo diferenças de potencial de água no solo (tensão de água no solo) através de tensiómetros. Contudo. além da rega de humedecimento. indica-se nas referências bibliográficas os trabalhos que deverão ser consultados. tendo em vista.Água de drenagem (mm) Es .. difíceis de definir. 1998) e aos seus efeitos combinados nas necessidades hídricas das plantas obtidas pela equação do balanço hídrico na zona radicular. 1979. de acordo com Beltrão et al. No que respeita a polivalência e a economia energética dos sistemas de rega. sondas TDR..Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. à atmosfera (Doorenbos & Kassam. considerou-se não só a origem da água de rega (recursos convencionais e não convencionais). 11. blocos de gesso e outras. 1997). Foi extraída da extinta disciplina de Hidráulica Geral e Agrícola.Água de escorrimento superficial (mm) Ac . e b) relacionadas com a planta . 1983. ou de modelos dinâmicos de produção (Jones & Kiniry. expressa através da dotação real de rega (mm) P . Contudo.1 Introdução Este capítulo incidirá somente sobre os sistemas de rega e a sua relação com a polivalência e a economia energética. sendo neste caso utilizado um balanço hídrico específico (Vermeiren & Jobling. Dado que a dimensão deste capítulo é limitada. através de fórmulas específicas (Doorenbos & Kassam. definida por: R + P = ETa + (Dr + Es . variando com a cultura e o seu estado fenológico. podendo ser obtido o seu valor directa ou indirectamente quando se verificam decréscimos da produção. Para a caracterização deste complexo sistema será necessário o conhecimento de elementos de base e aplicados ao solo (Hillel.Água de ascensão capilar (mm). poderíamos dividir os sistemas de rega em sistemas de rega por GRAVIDADE (escoamento ou infiltração em superfície livre) e por PRESSÃO (escoamento em pressão). mas também as várias utilizações dos sistemas de rega.Evapotranspiração de referência (mm) kc . Polivalência e Economia 11. Beltrão et al. Estes outros parâmetros serão definidos através das componentes do sistema dinâmico SPAC (soil-plant-atmosphere-continuum). 1945).SISTEMAS DE REGA POR GRAVIDADE Método .Infiltração Processos: Submersão permanente: Sulcos Rega subterrânea Regadeiras inclinadas Canteiros Planos inclinados Cavaletes Faixas Submersão Temporária: Caldeiras Simples Coroa circular 183 . à planta (Taylor et al. Universidade Técnica de Lisboa (Mayer. 1986)..1 Sistemas de rega por gravidade Há quem considere os métodos de rega como sinónimos de sistemas de rega. 1999): a) relacionadas com o solo . considera-se a eficiência de rega como a componente de maior importância. Esta equação do balanço hídrico (1) não é aplicável aos sistemas de rega de rega localizada (gota a gota e mini(2) (1) -aspersão).Variação da água no solo na zona radicular (mm) ETa pode-se obter através da equação: ETa = ETo x kc Em que ETo .Escorrimento Método . teoricamente o método diz mais respeito ao fenómeno físico predominante enquanto os sistemas têm mais que ver com o material. O valor aproximado do coeficiente cultural está definido para as culturas regadas para a máxima produção. Ao falar-se de polivalência. com uma subdivisão em processos de rega. Allen et al. O estudo das necessidades hídricas poderá também ser efectuado recorrendo a outras técnicas (Dasberg & Or. 1980a. não se incluem outros parâmetros necessários quer ao planeamento. 1979) e de funções de produção (Shalhevet e tal. QUADRO 1 . com algumas actualizações introduzidos principalmente por Oron & Beltrão (1993) e por Raposo (1996 b).(1996) ∆S . Uma das classificações adoptadas em Portugal é aqui apresentada no QUADRO 1 (Sistemas de rega por gravidade) e no QUADRO 2 (Sistemas de rega sob pressão). É muito complexo classificar com rigor os sistemas de rega.Ac) + ∆S em que: R .como por exemplo o potencial de turgescência ou o termómetro infravermelho.Evapotranspiração real da cultura (mm) Dr . uma vez que neste caso o solo não é regado na sua totalidade. por haver situações híbridas e combinadas. 1981). No que respeita à economia energética dos vários sistemas de rega. do Instituto Superior de Agronomia.Submersão Processos: Regadeiras de nível Processos: Método .Água de rega. As relações entre as necessidades hídricas e os sistemas de rega foram estudados por Pereira (2004).coeficiente cultural. outros tipos de utilização agro-ambiental.2. 1980b). tipo de instalação e funcionamento.2 Classificação dos sistemas de rega 11. quer à gestão dos sistemas de rega.Precipitação (mm) ETa .

sendo neste caso a submersão permanente. em que se utiliza a infiltração como fenómeno físico predominante.Instalação de rega por aspersão estacionária completamente fixa num campo de golfe (Rosado. a água escorre por todo o terreno a regar. mantendo-a a uma profundidade conveniente. e por fim as instalações fixas caracterizam-se pelo facto de toda a tubagem ser completamente fixa. 1 . sem haver a necessidade de mudança de tubos (Fig. As instalações de rega por aspersão podem ser divididas em instalações de rega estacionárias e semoventes. 11. 2). tendo sido substituído nas explorações intensivas por sistemas de rega localizada. contudo. utiliza-se a ascensão capilar da água. 8) maior polivalência das instalações (combate às geadas e altas temperaturas. como prevenção contra a gomose basal. embora a sua utilização em Portugal seja relativamente pequena. 184 . em zonas de maiores declives. As principais vantagens e inconvenientes da rega por aspersão em relação à rega por gravidade são as seguintes: Vantagens: 1) não necessita a preparação do terreno (nivelamento e armação) necessária nos sistemas de rega por gravidade. 2 . 2002).2. submersão e infiltração diz respeito ao fenómeno físico predominante observado durante a rega. 5) normalmente maior economia de mão-de-obra. nas semi-fixas parte da tubagem é fixa e parte móvel (Fig. 6) geralmente maior produção. As instalações estacionárias são caracterizadas pelo facto de os aspersores ocuparem posições fixas no solo. Este sistema é utilizado em culturas dispostas em linhas. infiltrando-se no solo.1 Aspersão (instalações estacionárias e semoventes) Os sistemas de rega sob pressão são apresentados no QUADRO 2. este sistema de caldeiras é apenas hoje utilizado em pequenas explorações. 4) maior economia de água. sendo a água de rega distribuída nos sulcos. Dentro dos sistemas de rega por gravidade é o dos sulcos o mais empregado em Portugal. o sistema de rega por regadeiras de nível. As caldeiras são de submersão temporária. proveniente da toalha freática artificial ou através do controlo de uma toalha natural. Fig. humedecendo o solo por infiltração. incluem a rega por sulcos e a rega subterrânea. actualmente. Os fenómenos físicos predominantes são para a rega por aspersão e para a rega localizada.Instalação de rega por aspersão estacionária semi .2.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. as instalações móveis são aquelas em que não há qualquer parte da tubagem fixa. 1). respectivamente. a caldeira disposta em coroa circular. fertirrega mineral e orgânica. rega qualitativa). 2) permite mais facilmente controlar a dotação de rega. Polivalência e Economia A classificação em escorrimento. Os canteiros são utilizados em Portugal principalmente nos arrozais. No caso dos sistemas de rega por escorrimento.fixa Fig. Na rega subterrânea. abertos entre as linhas das plantas. Actualmente apenas tem interesse o sistema por rega por faixas pois é o único que permite a mecanização. as simples eram utilizadas antigamente para regar por submersão temporária as árvores de fruto. 3) caso a velocidade do vento seja nula ou baixa (< 2 m s-1).2 Sistemas de rega sob pressão 11. Os sistemas de rega por gravidade. A rega por submersão pode ser permanente e temporária. a aspersão e a infiltração.2. a uniformidade e distribuição de água é mais elevada. nas laranjeiras. 7) menores problemas de erosão do solo. Contudo ainda se utiliza no norte de Portugal.

5) impossibilidade de aplicação de águas salinas em culturas não tolerantes à salinidade. Raposo (1994) classifica as instalações semoventes em instalações com movimento de rotação (ex.: Center-pivot). 4) manutenção da parte aérea das plantas seca. Assim. 2) manutenção da tensão de agua dos solos (ou do seu teor em água) aos valores desejados pela planta. menos infestantes. por humedecimento da parte aérea das plantas. forragens. através de tensiómetros). 2) Mão-de-obra reduzida quando comparadas com as estacionárias móveis ou semi-fixas. enquanto a água é distribuída. menor caudal e menor pressão de serviço. devido ao facto de apenas uma parte do solo ser regado (rega localizada). As instalações semoventes tipo canhões auto-motrizes têm tendência para diminuir. 7) utilização em solos marginais.2 Localizada (rega por miniaspersão e gota a gota . 1985): Vantagens: 1) grande economia de água. As principais vantagens e inconvenientes das instalações de rega gota a gota em relação às instalações de rega por aspersão são (Dasberg & Bresler. culturas industriais e culturas hortícolas ao ar livre) e a rega localizada (pomares. região de clima árido durante o Verão os sistemas de rega mais interessantes seria a rega por aspersão (Milho-grão. devido à rega da parte aérea das plantas.SISTEMAS DE REGA SOB PRESSÃO Aspersão Método .Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. 6) maior eficiência da fertirrega e pestirrega. sendo a subterrânea enterrada.Aspersão Processos: Aspersão . 2) grande problema com velocidades do vento elevadas produzem distribuições de água muito irregulares. devido ao seu elevado consumo de energia (QUADRO 7). para pequenas superfícies utilizam-se as instalações estacionárias.Infiltração Processos: Em relação aos sistemas de rega supracitados. aplicam-se geralmente instalações semoventes center-pivot. alto controlo da aplicação de rega (que poderá ser feito por ex. Destes. 3) superfície do solo parcialmente humedecida (menor evaporação. 5) custo de manutenção mais baixo (possibilidade de rega 24 horas por dia. As principais vantagens e inconvenientes das instalações semoventes em relação às instalações estacionárias são: Vantagens: 1) Evitam as mudanças dos aspersores. 6) altas perdas de água em climas muito ventosos ou áridos. Gota a gota superficial subterrânea Miniaspersão dinâmica estática ou micro-aspersão Localizada Método .2. os sistemas de rega sob pressão seriam os que teriam maior interesse para aplicação nas regiões mais áridas durante o Verão. A rega gota a gota pode ser subdividida em a) superficial e b) subterrânea. vinhas. 3) Não podem ser utilizadas em terrenos irregulares ou acidentados. espaços verdes e campos de golfe. 4) desenvolvimento de doenças. isto é. 2) Só poderão ser utilizadas em áreas elevadas.superficial e subterrânea) A rega localizada pode ser dividida em rega gota a gota e por miniaspersão (Quadro 2). QUADRO 2 . 3) custo das instalações elevado. 185 .: Canhão automotor) e mistas. a escolha dos sistemas de rega de maior interesse para aplicação está dependente da região e da cultura a regar. com movimento de rotação e de translação (ex. 7) dificuldade (penoso para os operadores) para as mudanças de tubagens nas instalações móveis em solos de textura fina. traduzindo-se em menor consumo de energia e menos material). Inconvenientes: 1) Consumos de energia mais elevados (funcionam a pressões de serviço muito mais elevadas). destinando-se ao Sul de Portugal. com movimento de translação (ex. e culturas hortícolas principalmente em estufas).Estacionárias Fixas Semi-fixas Móveis Aspersão . e em b) miniaspersão estática ou microaspersão em que os miniaspersores não possuem movimento de rotação. utilização de máquinas nas entrelinhas mesmo quando a rega estiver a funcionar).: Rain-move). 11.2. No caso de grandes superfícies regadas por aspersão (áreas superiores a 50 ha).Semoventes Rotação Translação Mistas As instalações semoventes incluem aquelas em que os aspersores (além do movimento e rotação própria) se deslocam ao longo da superfície do solo. A rega por miniaspersão subdivide-se em a) miniaspersão dinâmica quando o miniaspersor possui movimento de rotação similar a um aspersor rotativo em miniatura. Polivalência e Economia Inconvenientes: 1) consumo de energia muito elevado. não permitindo tão facilmente o desenvolvimento de doenças.

em que a concentração da mistura adubo+água varia geralmente entre 5 x 10-4 e 2 x 10-2. sendo a água consumida apenas por transpiração. sendo a saída da mistura para a tubagem de rega. há obrigatoriedade de se aplicar fertirrega. Fig. sendo as mesmas altas e mal distribuídas. devendo-se determinar a condutividade do solo e o seu pH. A rega por miniaspersão é utilizada principalmente em pomares. em que parte dos elementos nutritivos ficam fora da acção das raízes. em relação à água de rega. por vezes também é utilizado o ácido nítrico (em concentrações muito baixas) que tem também a função de desobstruir os gotejadores.Instalação de rega gota a gota em vinha (Pedras. Outras vantagens da fertirrega. efectuada através do efeito de Venturi. ou quando os elevados compassos e a / ou os movimentos laterais da água do solo a partir das rampas gota a gota sejam insuficientes para que o volume radicular fique convenientemente regado. quando se procede à fertirrega. que se inclui no circuito de água. é uma aparelhagem de grande rigor. Caso as águas sejam alcalinas. o amónio. para todos os sistemas de rega sob pressão. que hoje se inclui na água residual agrícola.1 Fertirrega A fertirrega propriamente dita inclui apenas o fertirrega mineral. podendo-se usar o nitrato de potássio ou o sulfato de potássio.1. No caso da rega localizada. de forma localizada às raízes. principalmente na rega gota a gota. que se poderá verificar principalmente quando se trata da rega gota a gota.3. 2003) Três instalações-tipo de fertirrega mineral poderão ser aplicadas nos sistemas de rega sob pressão: 1) simples depósito. em que se faz a mistura adubo+água. namento das fertilizações. os nitratos. Ao contrário do que se verifica com os sistemas convencionais de fertilização. mas o seu custo é mais elevado do que o custo dos adubos sólidos solúveis. Se a água é ácida não há qualquer problema na aplicação do fosfato mono ou biamónio. assegurando uma concentração constante até níveis muito baixos tal como 5 ppm. para se proceder à sua lavagem sempre que necessário. 2) depósito aplicado à saída da bomba. sendo no entanto o ácido ortofosfórico menos sujeito a problemas de entupimento e de insolubilização. Relativamente aos macronientes aplicados. sempre que problemas com a filtração da água não permitirem a rega gota a gota. não se deve utilizar o fósforo na fertirrega. O potássio também pode ser utilizado sem dificuldade. accionada hidráulica ou electricamente. de acordo com as necessidades do estado fenológico da cultura e contribuindo para a diminuição da pressão osmótica do solo. são o fraccio- 186 . quando se pratica a fertirrega mineral. o azoto pode ser aplicado em todos os casos sem quaisquer dificuldades técnicas . Polivalência e Economia O maior inconveniente diz respeito a grandes problemas com entupimentos.usa-se muito a ureia. evita o calcamento do solo e permite a adubação mais fácil das culturas de porte baixo. sendo a superior a longevidade da tubagem devido à diminuição de choques térmicos e mecânicos e não haver problemas com radiações ultra-violetas. e o inconveniente de mais difícil controlo das concentrações dos fertilizantes. este sistema tem a vantagem de ser de baixo custo. com válvula-parafuso de regulação da saída.3. os elementos fertilizantes são conduzidos através da água. que seja assegurada uma drenagem perfeita do solo. 3 . É necessário que. 3) bomba injectora de adubo (Fig.1 Águas convencionais 11. momento e época da fertilização. 4).Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência.3 Polivalência dos sistemas de rega 11. Com a rega gota a gota subterrânea consegue-se praticamente anular as perdas por evaporação. antigamente incluía a fertirrega orgânica (chorumes). 11. embora mais frágil e de custo mais elevado que as instalações-tipo anteriores. contribuindo também para a desobstrução dos gotejadores. Possui vantagens e inconvenientes intermédios entre a instalação-tipo anterior a que se segue. na fertirrega localizada. colocado após a instalação de bombeamento e sendo precedido um filtro de malha. Outras vantagens dizem respeito à economia de mão-de-obra. melhora a uniformidade de distribuição dos fertilizantes. Há no mercado adubos líquidos para aplicação na fertirrega para várias diluições de macro e micronutrientes.

geralmente a água pulverizada é recuperada e reutilizada. e que equilibra as respectivas perdas de calor por radiação nocturna.1. 11. Além desta vantagem.3. sem que haver o objectivo de humedecimento do solo. ou alternativamente. concorre para o combate à geada com a rega. 2) No Verão. A principal vantagem destes sistemas de rega no combate à geada deve-se ao facto da libertação de 80 calorias por grama de água fornecida (Raposo. 11.Bomba injectora utilizada num sistema de fertirrega gota a gota em alface.2. 11. e assim combater os seus efeitos nocivos. 4 . o coeficiente de emurchecimento não é uma constante de humidade do solo.1. com diminuição dos teores de clorofila. 187 . normalmente de melhor qualidade do que nos meses quentes. devendo-se neste último caso parar imediatamente o funcionamento da instalação caso haja vento. Contudo o sistema de rega por aspersão é o mais eficiente no combate à geada.5 Rega qualitativa 11. maior será o pressão osmótica. A rega por aspersão e miniaspersão poderá ser aplicada no combate às altas temperaturas. quanto maior for a concentração salina da solução do solo. e muito raramente no nosso país. devido ao desconhecimento do seu manuseamento e aplicação.3. conforme descrito para a fertirrega. Isto significa que a cultura murcha a teores de água do solo mais elevados. como ainda grande parte dos produtos não estarem homologados em Portugal. para tornar mais saliente a coloração de certas plantas ornamentais e da fruta. formação de uma atmosfera nebulosa. em instalações estacionárias totalmente fixas e semoventes center-pivot. através de suportes apropriados para que a rega seja efectuada por cima das copas.1 Águas salinas Segundo Beltrão e Ben Asher (1997a).3. e menor será a capacidade utilizável do solo para a água. transformação de energia cinética em energia térmica (impacto das gotas) e a temperatura positiva a que se encontra a própria água de rega. aumento da humidade relativa do ar e da condutibilidade térmica do terreno.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. É sobretudo utilizada. É necessário ainda conhecer a qualidade da água nos meses frios. que corresponde ao calor latente de solidificação da água. Assim dois exemplos serão apresentados.3.1. 11. será necessário que os microtubos de ligação dos miniaspersores à tubagem tenham comprimento suficiente para que os miniaspersores possam regar as culturas (geralmente árvores de fruto) nos períodos de formação de geada. é usual utilizar este tipo de combate em alguns campos relvados. A herbirrega tem interesse de utilização na rega gota a gota e na rega por aspersão.1. como o caso dos campos de golfe. maior será o teor e água do solo ao coeficiente de emurchecimento. Segue-se-lhe a miniaspersão e por último a rega gota a gota.3.2 Pestirrega A pestirrega está dividida em pestirrega propriamente dita (combate aos fungos e pragas) e em herbirrega (aplicação de herbicidas). em que é fixada certos pigmentos.2 Águas não convencionais 11.3 Combate à geada O combate á geada através de sistemas de rega sob pressão é uma prática de custo elevado na rega por aspersão em virtude de exigir instalações totalmente fixas funcionando ainda todos os aspersores simultaneamente. e que permita a rega sem que as culturas (árvores) sejam danificadas. como se segue: 1) É usual verem-se aspersores ou miniaspersores em funcionamento por cima das estufas em dias muito quentes com o objectivo de diminuir a temperatura no interior das estufas. As instalações-tipo utilizadas são do tipo bomba injectora. quanto maior for a concentração de sal na solução do solo. 1994). Assim utiliza-se a rega por aspersão ou a miniaspersão durante essas horas com o intuito de diminuir a temperatura.3. mas é também afectado pela concentração de sal no solo. Polivalência e Economia Para que se possa utilizar mais eficientemente a miniaspersão no combate à geada. há culturas em que a parte aérea é queimada pelo sol. através de aspersores e miniaspersores. nas horas de maior calor. A pestirrega é praticamente utilizada na rega localizada em alguns países estrangeiros.4 Combate às altas temperaturas Fig.

respectivamente. O teor em água e iões varia dinamicamente na solução.quanto maior for a água transferida da planta e do solo para a atmosfera. 5).Sais precipitados Qi e Q d são. Polivalência e Economia Que as concentrações de sal na água de rega e na água de drenagem.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência.Com lixiviação na zona radicular. -1 (7) O balanço salino do solo para as culturas regadas. (4) sendo L = (Qi .Sal dos fertilizantes Sp . θfc} . será obtido por: θwp(Ψm + Ψ0) = θwp(Ψm) + ∆θwp(Ψ0) em que θwp(Ψm + Ψ0) é a soma do teor de água do solo ao coeficiente de emurchecimento não salino θwp(Ψm). Vs e Dr = Qi . A é a superfície de evaporação (m2). as taxas volumétricas de água de rega e de drenagem (m3 d-1). (5) tomará a seguinte forma θwp(Ψm + Ψ0)2 = (ci . ETa é a taxa da evapotranspiração real da cultura.Representação esquemática do sistema "solução do solo" (Beltrão. Vs -1 -1 (5) (6) Fig. ETa) . é a taxa de lixiviação (kg sal d-1). (cd ) -1 (8) (3) A componente-chave do sistema dinâmico SPAC (soil-plantatmosphere continuum) é a solução do solo (Fig. m-3 soil). estão em equilíbrio. Absorção de iões pela planta intensa absorção de minerais do solo é acompanhado pela redução da salinidade do solo.Sem lixiviação na zona radicular. (5) tomará a seguinte forma θwp(Ψ0)1 = {[ci .Variação na quantidade de iões absorvidos ∆Ss . por transpiração e evaporação. a eq.(L .Sal dissolvido proveniente da lavagem do solo ∆Sa .(L .A .Qd) A em que ci cd são as concentrações de sal na água de rega e na água de drenagem. Dois casos terão que ser considerados: CASO 1 . mais o aumento do teor de água ∆θwp(Ψ0) devido à salinidade. 3 Sc .Sal fornecido pela água de rega Sg . e é afectado por um grande número de processos. θfc é o teor volumétrico da água do solo. [cd . a eq. cd .Variação na quantidade de sais solúveis Si . θfc) . Vs é o volume de solo considerado (m ). 5 .Iões absorvidos pela plantas 188 .Sal fornecido pela toalha freática Sf . Dr )] . é o coeficiente de fluxo da drenagem (d-1). que inclui todos os inputs. Dr )] -1 -1 -1 CASO 2 . respectivamente ci e cd. maior será a concentração de sais no solo. à capacidade de campo (m3 água . dos quais salienta-se a: Evapotranspiração .Sal removido pela água de drenagem Sl . outputs e os termos de acumulação para dentro e para fora da zona radicular é dado pela seguinte equação: INPUT = OUTPUT + ACUMULAÇÃO Sr + Si + Sg + Sl + Sf = Sd + Sp + Sc + ∆Sa + ∆Ss em que (9a) (9b) L Dr Sr . respectivamente (kg m-3). o teor de água do solo ao coeficiente de emurchecimento. 1993) e quando a fracção de lixiviação for considerada ETa = (Qi .Sal fornecido pela água das chuvas Sd .

abvalor limiar de salinidade (dS. (2002). Por outro lado. de acordo com o modelo de Maas e Hoffman (1977) e com Beltrão et al. De acordo com a eq. 2) Uso de rega gota a gota subterrânea . o que significa que a produção relativa (%) se mantém constante a 100 % até 20 g de NaCl planta-1 para N0. como se segue: Qil = [Cd / (Cd .Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. portanto. Eta Em que : Qil . isto é.Origem dos sais (sais locais e sais transportados) 2 . e cerca de 40 g de NaCl planta-1 para N1. devido à precipitação natural ou à lixiviação artificial.evaporação b) Actividades humanas . percentagem de decréscimo de produção por unidade de acréscimo de salinidade. CEs .Rega imprópria (uso de água salina mal aplicada) 189 .salinidade do solo ou da água. 1993) à salinidade (contudo a sensibilidade à salinidade também aumenta). e portanto menos sais dissolvidos serão adicionados. 4) Culturas tolerantes à salinidade . expressa em condutividade eléctrica do extracto de saturação do solo ou da água (dS.. a que se chama tolerância.15 g de NH4NO3 por planta) e sem fertilização azotada (N0). é maior para NO do que para N1.b (CE .m-1). a sensibilidade (b).sem técnicas ambientalmente limpas .15 g de NH4NO3 por planta) e sem fertilização azotada (N0).Evapotranspiração real da cultura (m) Partindo de dados reais.Acumulação no solo (causas naturais e actividades humanas) a) Causas naturais .Transporte (água e vento) a) Água . 3) O aumento da fertilização aumenta a tolerância (Beltrão et al.esta técnica é muito útil para as plantas. mas a contaminação será aumentada devido aos fertilizantes adicionados (Beltrão et al. 11 mostra que a tolerância (a) para N0 é menor que para N1.Ci)]. os sais concentram-se acima deste horizonte.Resposta da alface aos efeitos combinados da salinidade da água de rega com (N1 . satisfazendo simultaneamente o consumo de água da cultura e as necessidades e lixiviação (m3). (2002a). por outro lado. 6 . 1992): 1 .Área da parcela (m2) ETa .a) em que: Y.sem lixiviação . a que se chama sensibilidade.grande economia de água. que se pode expressar pela seguinte fórmula: Y = 100 .Compactação do solo e formação de impermes .Volume de água de rega. de acordo com o modelo de Maas e Hoffman (1977) e com Beltrão et al. MAAS & HOFFMAN (1977) encontraram entre a salinidade do solo e a produção das culturas uma relação linear. Salinidade acumulada (g NaCl planta-1) Fig. mas não resolve o problema da O processo de salinização do solo pode ser dividido nas seguintes fases (Beltrão. a taxa de redução de produção relativa por aumento de unidade de salinidade. 1997).produção relativa da cultura (%). A . para maiores valores da tolerância. mas pode continuar a haver problemas da contaminação das águas subterrâneas.Elevação do nível da toalha freática . Polivalência e Economia A necessidade de lixiviação do solo é definida pela eq. b = dY / dCE As técnicas convencionais de combate e controlo do processo de salinização pode ser caracterizado por quatro gerações: 1) Problema da contaminação da zona radicular pela lixiviação do solo (que pode ocorrer em duas situações quando há um horizonte impermeável. Resposta da alface aos efeitos combinados da salinidade da água de rega com (N1 .m-1) a partir do qual decresce a produção. 10. quando não existe horizonte impermeável. A. sendo de 10 % a redução para o nível N1. pode haver contaminação dos aquíferos. e que é definida por (12) (11) (10) contaminação solo e das águas subterrâneas.Infiltração descendente (rega e linhas de água) Infiltração ascendente (toalha freática e água do mar) b) Vento 3) . a produção relativa diminui de cerca de 5 % por cada aumento de 10 g de NaCl planta-1.

hidroponia e culturas hortícolas . de Cl .coli.agrostis.Ligações e descargas clandestinas .em folhas dos relvados . conforme é apresentado no QUADRO n..Pecuária (chorumes) 2 1. faltando-lhe todavia critérios mais específicos de qualidade microbiológica e também critérios em relação aos sistemas de rega utilizados e características dos solos a regar e salinidade. bermuda regada e bermuda de sequeiro (Costa. salinidade (comum a todas as águas residuais) e metais pesados (principalmente nas águas residuais industriais). jardins.200 cfu / 100 ml.1000 cfu / 100 ml. 2002).em folhas dos relvados . Este problema é intensificado devido à intrusão da água do mar que resulta da redução dos níveis freáticos dos aquíferos.Transformadoras de petróleo . "kikuyugrass". A Fig.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. 2. campos de golfe e de outros desportos).5 11. bermuda regada e bermuda de sequeiro (Costa. 3) Redução da aplicação de sal através de menores dotações de água residual.Habitações domésticas (higiene e cozinha) .. 7 mostra as percentagens médias. 1998).Infiltrações subterrâneas .200 cfu / 100 ml.Serviços . em virtude de a água nestas regiões ser limitada. 1998) CLASSIFICAÇÃO ORIGEM . pomares e vinhas regados gota a gota e forragens . verificam-se maiores problemas de salinização nas zonas mais áridas (como o Alentejo e o Algarve) e costeiras. desvios padrão e resultados do teste Dunnett T3. 2003). de acordo com recomendações do 2º Seminário em Reutilização de Águas Residuais no Mediterrâneo (2001): Rega de espaços verdes (parques. Podemos dividir os problemas ambientais que possam surgir em três tipos: microorganismos patogénicos (principalmente nas águas residuais urbanas). fazem-se algumas recomendações relativamente a concentrações de microrganismos patogénicos. Cuartero et al.2. Estas águas de pior qualidade têm repercussões negativas nas produções das culturas regadas (Ben Asher et al. mostrando assim a capacidade de remoção de sal (ião Cl-) de diferentes cultivares de relvas. Polivalência e Economia Em Portugal..Percentagens médias.Restaurantes e comércios URBANAS . 7 .Hidroculturas .Matadouros ÁGUAS RESIDUAIS .Hospitais e laboratórios . quando a taxa de bombeamento excede a taxa de recarga. 2002). A única maneira para controlar o processo de salinização e de manter a sustentabilidade dos espaços verdes e dos campos agrícolas é combater a salinização através de técnicas limpas e ambientalmente seguras.Transformadoras de produtos alimentares . 190 Percentagem de Cl - . expressos em cfu (colony forming unit) / 100 ml de E. como se segue: 1) Uso de espécies que removem o sal do solo (Beltrão et al. tornando as águas subterrâneas mais salinas.5 1 a 0. culturas industriais .º 3 (Gamito. 4) Reutilização de limite mínimo de dotação de água residual suficiente para obtenção de uma boa aparência visual dos espaços verdes (Costa et al. "kikuyugrass". Em relação a estes problemas.CLASSIFICAÇÃO DAS ÁGUAS RESIDUAIS DE ACORDO COM A SUA ORIGEM (Gamito.2 Águas residuais É habitual classificar as águas residuais de acordo com a sua origem. 2002). QUADRO 3 .Adegas e lagares AGRÍCOLAS .5 a a b b 0 Agrostis regada Kikuyugrass regada Bermuda regada Bermuda sequeiro Relvados Fig.1000 cfu / 100 ml. Nessas condições..3. de Cl . 2) Uso de espécies tolerantes à sede. mostrando assim a capacidade de remoção de sal (ião Cl ) de diferentes cultivares de relvas. desvios padrão e resultados do teste Dunnett T3. a legislação portuguesa (QUADRO 4) admite a reutilização de águas residuais adequadamente tratadas para grande parte das culturas (Decreto-Lei nº 236/98).agrostis. 2003).Cantinas INDUSTRIAIS . 2001. estufas. pomares e vinhas regados por aspersão .Fábricas .

a reutilização das águas residuais tratadas poderia estender-se também a usos residenciais (sistemas de ar condicionado. sendo.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência.5 m 2) Sistema de rega gota a gota enterrada ou miniaspersão . os aspectos mais importantes referiram-se na alínea 11. forragens e viveiros).00 m Como foi dito.2. Esta reutilização das águas residuais tratadas na rega será muito mais interessante nesta região. acrescido pelo elevado número existente de campos de golf e explorações hortofrutícolas. principalmente nos pomares e vinhas (rega gota a gota e miniaspersão) e nos campos de golf (rega por aspersão).. e à recarga de aquíferos. fontes decorativas).2 m 3) Sistema de rega por aspersão . jardim privado. Contudo destas regiões. usos urbanos (lavagem das ruas. lavagem do automóvel. com vista a evitar problemas de contaminação. 1993) Rega por miniaspersão 100 m 2) Velocidade do vento durante a rega inferior a 2m s-1 Rega por aspersão . Verifica-se que as regiões mais a sul de Portugal (Alentejo e Algarve) são as de maiores necessidades hídricas. sugerem-se que se verifiquem as seguintes medidas: a) Profundidade mínima da toalha freática (Beltrão et al. é o Algarve que possui maiores necessidades hídricas mais elevadas durante o Verão.20 m c) Identificação do local regado com águas residuais depuradas 1) Estes locais deverão estar identificados com a designação "Água não potável".50 m Floresta .200 m Rega por miniaspersão . autoclismos). devendo a mesma ser identificada com sinais inerentes aos perigos em causa.50 3) Calma . Polivalência e Economia Para o caso de problemas de salinidade.00 m: Espécies herbácias .sem vento durante a rega Rega por aspersão .100 m Rega por miniaspersão .500 m (Beltrão. 1976. 191 . descargas na floresta). Em Portugal a reutilização de águas residuais tem sido quase exclusivamente efectuada na rega de espaços verdes (parques.1. pomares e vinhas. 2) Sempre que haja problemas de poluição na região.00 m Árvores de fruto . jardins. deverá essa região passar a ser classificada Zona Poluída. culturas industriais. usos industriais (refrigeração). 1996). usos florestais (combate a incêndios. no local de recepção dos efluentes. Através da literatura disponível. campos de golfe e de outros desportos). b) Distância mínima a zonas urbanas 1) Velocidade do vento durante a rega superior a 2 m s-1 Rega por aspersão .2. Oron & Beltrão. d) Profundidade de rega com água residual depurada. combate a incêndios. faltando-lhe todavia critérios mais específicos de qualidade microbiológica e também critérios em relação aos sistemas de rega utilizados e características dos solos a regar e salinidade. 1996b): 1) Sistema de rega gota a gota superficial -1. estufas.5 m Estes valores poderão ser diminuídos de 20 %. máxima aconselhável.1. para valores de profundidades da toalha freática superiores a 5. para texturas e teores de água do solo (potencial mátrico do solo) mais favoráveis.2. com crescente desenvolvimento a partir de 1987 através do programa PEDAP (Marecos do Monte. devido ao elevado fluxo turístico que se verifica nesta época. culturas hortícolas e outras de consumo humano. a legislação portuguesa (QUADRO 4) admite a reutilização de águas residuais adequadamente tratadas para grande parte das culturas (Decreto-Lei nº 236/98). nas respectivas bacias de recepção e/ou no equilíbrio ecológico do meio.3 m 4) Sistema de rega por gravidade . Contudo.1. por isso a reutilização de águas residuais já utilizada. aonde já se nota a sua reutilização.

10 1.5 ----0.9. juntamente com os dejectos sólidos triturados das instalações pecuárias. para aspectos de contaminação ambiental (Beltrão et al.005 0.5 5. Inicialmente.05 ----1.01 5.0 4.0 6.0 ---------0. 11. os chorumes são utilizados.0 Parâmetros Símbolos Unidades Os estudos a efectuar com a rega com águas residuais têm normalmente dois objectivos: O primeiro relaciona-se com os níveis de contaminação provocada por essas águas no solo. recorrendo a modelos de simulação.0 ----1.0 20 --------15 5. Polivalência e Economia QUADRO 4 .10 2.0 70 0.00 0.0 ----0.05 0. VMR . estas últimas poderão ainda estar contaminadas por pesticidas. o nível de concentração patogénica é de tal modo baixa.8 10 ----0. 1998).3.2.10 2. que possuem agulhetas de maior diâmetro e em borracha para permitirem mais facilmente a passagem de matérias sólidas. que não é de prever a contaminação das relvas.30 0. incluindo além da componente água (Asano.0 ----1. Dado o seu pobre teor em fósforo em relação aos restantes macronutrientes é usual fazer a sua correcção. 2002 b) e para aspectos económicos (Penkova et al. com a adopção de tratamentos terciários adequados e. Em relação às águas residuais agrícolas.05 2.02 575 0. 2002).5 .75 0. (nomeadamente os relacionados com reutilização de águas residuais) poderão ser estudados.0 0. sendo distribuídos no solo através de aspersores especiais. como prevenção à contaminação.05 20 ----10 5.DECRETO-LEI NR.5 0. principalmente. a rega era efectuada apenas em viveiros de relva e em zonas vedadas aos golfistas.8.Valor Máximo Admissível 192 ..0 2.0 1. a componente fertilizante (Costa et al. Os problemas causados pelos sistemas de rega não convencional..20 0. É evidente que os chorumes são IMPRÓPRIOS para utilização na rega localizada. respectivamente.2002).3 Águas de drenagem As características das águas de drenagem provenientes das zonas urbanas poderão aproximar-se mais das características das águas residuais.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. em campos de golfe. O segundo objectivo relaciona-se com a resposta da produção e crescimento das culturas à rega com águas residuais.4 100 ----VMA 20 10 ----1. Contudo. as provenientes da drenagem de explorações agrícolas aproximam-se mais das características das águas salinas..0 10.20 ----0.0 0. linhas de água receptoras e nas culturas com elas regadas para os diferentes sistemas de rega. A rega por aspersão com águas residuais é aplicada principalmente no Algarve.0 5. 236/98 (1998) Qualidade das águas destinadas à rega VMR Alumínio Arsénio Bário Berílio Bicarbonatos Boro Cádmio Chumbo Cloretos Cobalto Cobre Crómio Estanho Ferro Flúor Lítio Manganésio Mercúrio Molibdénio Níquel Nitratos Nitritos Salinidade Selénio Sulfatos Vanádio Zinco pH Coliformes Fecais Ovos de parasitas Intestinais Al As Ba Be HCO3 B Cd Pb Cl Co Cu Cr Sn Fe F Li Mn Hg Mo Ni NO3 NO2 ECw Se SO4 V Zn ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm ppm dS/m ppm ppm ppm ppm pH MPN/100ml Nº/l 5. nomeadamente membranas. com a aplicação das radiações ultravioletas e dos modernos filtros.5 .Valor Máximo Recomendável VMA .

0 11.0 4.0 12.2 Eficiência de distribuição (ed).5 14.0 31.5 16. (14) Temp.1 Eficiência de transporte (et) Et = 100 (Wf /Wd) em que Wf .0 16.0 21. QUADRO 5 .número de observações (amostras recolhidas de amostras) A Fig.água proveniente da fonte de abastecimento Esta eficiência Et está muito relacionada com as fugas de água.0 Velocidade do vento (m s-1) 1.0 10.0 21.0 40.5 15.0 37. b) velocidade do vento e temperatura durante a rega.0 7.5 17.0 21. sistema de rega sob pressão .5 33.5 13.4.5 8. É de salientar a importância da pressurização a pressão constante (implicando naturalmente a integração da variação de velocidade nos motores eléctricos) garantindo a dispersão da água eficientemente com o mínimo consumo energético ou seja.5 4.média (sistemas de rega por gravidade .5 10.0 2.Campo experimental de batateira.água aplicada durante a rega na respectiva parcela. características de funcionamento e qualidade dos aspersores e grau de pulverização (sistemas de rega por aspersão).0 18.0 28.0 5.4.profundidade de rega. Wd .PERDAS MÉDIAS DE ÁGUA DURANTE A REGA EM FUNÇÃO DA TEMPERATURA E DA VELOCIDADE DO VENTO. O QUADRO 5 apresenta as perdas de água durante a rega.0 13.0 22.0 20 3.0 33.0 16. 1976).3 Eficiência de aplicação (ea) Ea = 100 (Ws / Wf) em que Ws .5 25.0 2.desvio à média n .4 Eficiência de rega e sua classificação 11.5 40 12. regada por aspersão.0 7.0 30.5 6. de acordo com Achtnich (1966).0 16.0 36.0 9.0 30.0 18.5 7.0 5.0 17. regada por aspersão onde foram recolhidas amostras dos udómetros para determinação da eficiência de distribuição.0 20.5 5.0 7.0 22. problemas de entupimento e qualidade dos gotejadores ou miniaspersores (sistemas de rega localizada).5 24. Polivalência e Economia 11.5 25 4.0 34.0 35.5 9.0 2.0 10.0 0. A eficiência Ed está relacionada principalmente: com a) características físicas do solo e declive.0 18. 8 . diagrama pluviométrico.5 13.0 4. b) velocidade do vento.0 21.5 13.0 32. problemas de entupimento e qualidade dos gotejadores ou miniaspersores (sistemas de rega localizada).0 6.0 45 15.0 23.0 17.0 12.0 20.0 5. em função da velocidade do vento e temperatura para aspersores de alto grau de pulverização (Beltrão. estado de conservação das tubagens e dos grupos motor-bomba e sua eficiência.0 27.0 31. 8 mostra um campo experimental de batateira.0 193 .0 35 8.0 31.5 10.0 26.5 9.0 10 2.0 9.0 20.0 45. PARA ASPERSORES DE ALTO GRAU DE PULVERIZAÇÃO PERDAS MÉDIAS DE ÁGUA DURANTE A REGA (%) (15) 11.0 3.0 19.0 35.0 6.0 30.0 6.4.dotação de rega) X .0 30 6.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. (13) Fig.0 8.0 12. referência ao coeficiente de uniformidade de distribuição de água de christiansen (cuc) É frequente utilizar o coeficiente de uniformidade de distribuição de água Christiansen (CUC) como a eficiência de distribuição Ed Ed (CUC) = 100 {1 .0 12. com udómetros para a determinação da eficiência de distribuição Ed.0 11. só pressiona o volume de água ajustado às necessidades hídricas das culturas (Vide Capítulo 3).0 25. 11.5 15.5 1.0 3.0 3.5 27.0 9.5 14. (° C) 0. características de funcionamento e qualidade dos aspersores e grau de pulverização (sistemas de rega por aspersão).0 13.0 4.5 25.5 8.[ ( Σ | X | ) / (m x n) ] } em que m .0 4.água armazenada na zona radicular A eficiência Ed está relacionada principalmente: com a) características físicas do solo e declive (sistemas de rega por gravidade).5 5 1.0 25.0 40.0 15 3.

beterraba (0.2 .água necessária na zona radicular (16) . ETa .Evapotranspiração real da cultura.3 . porque o vapor de água e o CO2 passam através dos mesmos estomas.Produção.matéria seca produzida (kg) Valores médios de CT : cana de açúcar (0. Ed sendo RT = 100 (T / Wf) em que Er (T) .0.0.00).a nível do perímetro de rega (ERp) Erp = Ea .5 Eficiência de rega e consumo de energia nos sistemas de rega sob pressão 11.relação de transpiração (22) (21) (20) 11. luzerna (0.4 . ao contrário do que se verifica com a transpiração.5 Eficiência de uso de água Eu = Y / ETa em que Y . MS .5).Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência. Nestas condições.MAXIMIZANDO A TRANSPIRAÇÃO E A UNIFORMIDADE DE DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA E MINIMIZANDO A EVAPORAÇÃO DIRECTA.4. trigo (0. qualidade e características dos gotejadores e miniaspersores A transpiração. a radiação e o compasso (Beltrão & Ben Asher. visto que das componentes da evapotranspiração. a eficiência de rega Er total que deverá ser utilizada nos cálculos da dotação real de rega é: .1.4).1997b. Ed . ervilha (0..35 -0.declive do solo 194 .eficiência total Er específica para o caso da rega gota a gota. amendoeira (0.1 Valores médios e técnicas de maximização da eficiência de rega Os valores médios geralmente atribuídos à eficiência de rega Er a nível da parcela de rega são: gravidade (0.rega localizada .6). milho (0. gota a gota superficial (0. RT . a assimilação e a produção estão associadas.0. 1993). Parâmetros que condicionam a eficiência de rega .grau de pulverização.0. Ed . aspersão (0. qualidade e características dos aspersores.0. batata (0. Beltrão et al.55).0.90 . Keller e Karmeli (1975) consideram apenas a transpiração T e não a evapotranspiração real da cultura ETa.0.95 .50). sendo neste caso T = ETa.características físicas do solo . a evaporação directa não estar associada à produção. 1997). Maximiza-se a eficiência de rega .7 .85 .problemas de entupimento. No caso especial da rega gota a gota subterrânea toda a água aplicada será consumida praticamente apenas por transpiração (Oron e Beltrão. gota a gota subterrânea (0.5. Assim este tipo de eficiência deverá ser apenas aplicado no caso da rega gota a gota superficial e subterrânea. utilizando-se geralmente para expressar as relações entre estes parâmetros o coeficiente de transpiração CT. miniaspersão (0.90).5). e velocidade do vento .95).85). Para o cálculo da eficiência total Er no caso da rega gota a gota. Os principais parâmetros que condicionam a relação transpiração / evapotranspiração são o índice de área foliar IAF. Polivalência e Economia 11.a nível da parcela de rega (Er) Er = Ea .50).4 Eficiência de armazenamento Es = 100 (Ws / Wn) em que Wn .1.6 Eficiência total de rega Segundo (Oliveira.80). definido por (Achtnich.transpiração (m3 de água).30 .6 .3 .0. (17) 11. 1993).0). a eficiência total Er(T) seria dada pela expressão: Er(T) = RT .80).0.1966): CT = T / MS T .temperatura durante a rega . Ep (19) (18) 11. subterrânea (0.4.9).70 .rega por aspersão . diagrama pluviométrico.0.0.45 .40 .4. feijão (0.

ar livre Hort.0-1. e são apresentados nos QUADROS 6 e 7. orn.Móveis . REGA LOCALIZADA Miniaspersão Gota a gota sup.caudal de ponta ( m3 h ) . no que respeita à rega localizada.7-4.5-2.ELEMENTOS E PARÂMETROS DE REGA A UTILIZAR NO CÁLCULO DO CONSUMO DE ENERGIA DAS INSTALAÇÕES DE REGA SOB PRESSÃO DURAÇÃO ÚTIL DAS REGAS Por dia (h) Por semana (d) NECESSIDADES HÍDRICAS débito de ponta (m3 h-1) volume anual (m3) TIPO DE INSTALAÇÃO EFICIÊNCIA DE REGA Er (%) ALTURA MANOMÉTRICA TOTAL (m) REGA POR ASPERSÃO Estacionárias . eléctricos (kW) ou térmicos (HP) .1-2. está compreendida entre 30 e 50 % nos pomares.diminuição da evapotranspiração da ordem dos 30 % QUADRO 6 . por hectare regado.4-6. e incluem os seguintes factores: .Potência dos grupos motor-bomba.Semi-fixas .rendimento total dos grupos motor-bomba (%).2 Elementos e parâmetros de rega a utilizar no cálculo do consumo de energia Os elementos necessários a utilizar no cálculo do consumo de energia nas instalações de rega sob pressão em Portugal. . .Canhões autom.altura manométrica total (m).6-3.A percentagem de solo humedecido.duração útil diária de rega (h d ). 4 .Sistemas pivot .5.0 4.5 80 100 2. . -1 3 -1 .As dotações de rega diárias de ponta estão compreendidas entre 4 e 6 mm d-1 (40 a 60 m3 ha-1) e os volumes anuais de rega entre 3400 e 5100 m3 ha-1 (valores úteis teóricos.número de dias úteis por semana.6 1800-2800 2600-2900 1700-2000 90 20 7 40 1.6 1.5-6.0 2.Fixas Semoventes . estufas 92 92 95 20 20 20 7 7 7 40 35 35 1.ocupação ao longo do ano na ordem de 80 %.7 1900-2800 85 70 20 16 7 5. 2 .3 1. Polivalência e Economia 11.3-8.Volume anual de rega (m ) .eficiência de rega (%).5 5. e 70 a 90 % nas culturas hortícolas e ornamentais em estufa.9 4300-6400 4300-6400 4000-6000 195 . Pomares Hort. .não aproveitamento das águas pluviais.1-1.Quanto às culturas em estufa: . de acordo com o conceito de Keller e Karmeli (1975).Valores médios dos seguintes parâmetros de rega: .8 4500-6800 4900-7300 80 80 85 10 12 18 5. isto é.5 7 60 60 60 6.Consumos dos grupos motor-bomba (kWh ou L de gasóleo) Os valores destes elementos foram obtidos a partir das condições seguintes (QUADROS 6 e 7): 1 . sem incluir a eficiência e rega e a percentagem de solo humedecido). e 50 a 70 % nas culturas hortícolas ao ar livre.Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência.9 5. 3 . . seguem os conceitos adoptados por Raposo & Beltrão (1982).

Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência, Polivalência e Economia

11.5.3 Consumo anual de energia para instalações de rega sob pressão
Os valores médios do consumo de energia nas instalações de rega sob pressão em Portugal, por hectare regado, são apresentados no QUADRO 7.

QUADRO 7 - CONSUMO ANUAL DE ENERGIA PARA INSTALAÇÕES DE REGA SOB PRESSÃO
MOTOR ELÉCTRICO (µt = 75 %)* TIPO DE INSTALAÇÃO POTÊNCIA (kW) REGA POR ASPERSÃO Estacionárias - Móveis - Semi-fixas - Fixas Semoventes - Sistemas pivot - Canhões autom. REGA LOCALIZADA Miniaspersão Gota a gota sup. Pomares Hort. ar livre Hort. orn. estufas 0,16 - 0,24 0,19 - 0,29 0,13 - 0,20 280 - 420 350 - 520 240 - 360 0,27 - 0,40 0,33 - 0,49 0,22 - 0,34 110 - 160 140 - 200 90 - 140 0,17 - 0,25 290 - 430 0,28 - 0,41 120 - 170 0,6 - 0,9 1,7 - 2,5 1400 - 2100 2000 - 2800 1,3 - 2,0 2,8 - 4,2 540 - 810 720 - 1100 1,4 - 2,1 1,2 - 1,8 0,9 - 1,4 950 - 1500 950 - 1500 950 - 1400 2,3 - 3,5 2,0 - 3,0 1,0 - 1,5 380 - 570 380 - 570 380 - 560 CONSUMO ANUAL (kWh) POTÊNCIA (HP) CONSUMO ANUAL (L gasóleo) MOTOR DIESEL (µt = 60 %)*

* Rendimento total do grupo motor-bomba

Os valores dos elementos apresentados nos QUADROS 6 e 7 deverão ser utilizados com alguma reserva, uma vez que representam valores médios para condições médias. Os valores apresentados mostram uma grande diversidade de valores entre os vários sistemas de rega, tipos de instalação e modalidades respectivas de funcionamento. Mostram-se, principalmente, diferenças entre a rega por aspersão (e o que se verifica entre as instalações estacionárias e semoventes) e a rega localizada, nomeadamente no que diz respeito às potências dos grupos motor-bomba e ao consumo anual de energia (eléctrica ou térmica). Há ainda duas grandes vantagens que contribuem para diminuir o consumo de energia, a saber - a) o aumento do nível de automatização, quer para os sistemas de rega por gravidade (Serralheiro, 1986), quer para os sistemas de rega

sob pressão (Raposo, 1996a) que, além de contribuir para a diminuição da mão de obra, permite um controlo da rega muito maior, conseguindo-se obter consumos mais baixos; b) o aumento do rendimento do grupo motor-bomba e a pressurização a pressão constante, garantindo o bombeamento da água o mínimo consumo de energia. Nos QUADROS 8 e 9 apresentam-se valores representativos do custo do m3 de água em zonas áridas de Portugal (Algarve) e de Espanha (Baleares), de acordo com estudos efectuados, respectivamente por Raposo e Beltrão (1982) e Costa (2003) para o Algarve e Brissaud (2003) para as Ilhas Baleares. Nestes valores foram incluídos os custos dos materiais dos sistemas de rega sob pressão e os problemas económicos a que estão associados, como os prazos de amortização, longevidade e manutenção das instalações (Beltrão, 1986).

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Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência, Polivalência e Economia

QUADRO 8 - CUSTO MÉDIO DA ÁGUA DE REGA NO ALGARVE, EM FUNÇÃO DA SUA ORIGEM (EURO/m3)
ORIGEM DA ÁGUA Subterrâneas Part. Superficiais Rede superficiais Residuais tratadas* Na parcela Energia aplicada Instalação TOTAL 0,04 --0.06 --0,05 0,05 0,01 0,05 0,15 0,15 0,15 0,15 24 20 22 20

1) eficiência de rega, incluindo a das utilizações polivalentes; 2) nível de automatização; 3) controlo da rega; 4) descontaminação ambiental (recursos hídricos não convencionais); 5) rendimento dos grupos motor-bomba;

*Sem tratamento adicional efectuado pelo agricultor.

QUADRO 9 - CUSTO MÉDIO DA ÁGUA DE REGA NAS I. BALEARES (Brissaud, 2003), EM FUNÇÃO DA SUA ORIGEM (EURO / m3).
ORIGEM DA ÁGUA Subterrâneas Part. Superficiais Rede superficiais Residuais tratadas Residuais tratadas c/ tratamento adicionais Total 0.27 0,23 0,25 0,12 0,12- -0,23

6) pressurização a pressão constante; 7) manutenção das instalações.

11.6 Conclusões
Como notas finais deste capítulo podemos salientar a importância da eficiência de rega no que respeita quer ao consumo de energia, quer aos custos do material dos respectivos sistemas de rega. Por outro lado, salienta-se a polivalência das instalações de rega sob pressão, através de outras aplicações adicionais à rega por humedecimento. A utilização das águas de fontes não convencionais deverá ser maior nas regiões mais áridas para suprir a falta de água potável e para aumentar a fertilidade do solo; contudo, tal prática deve ser efectuada com o maior cuidado dados os riscos ambientais e de saúde que envolve; para manter a sustentabilidade dos espaços verdes e dos campos agrícolas, o seu controlo deverá ser efectuado através de técnicas limpas e ambientalmente seguras. Em relação ao desenvolvimento dos regadios em Portugal, verifica-se que os sistemas de rega sob pressão começaram a substituir nos anos sessenta, através da rega por aspersão, os sistemas de gravidade convencionais; a partir dos anos oitenta, a rega gota a gota superficial e a miniaspersão começaram a desenvolver-se em culturas em linhas (hortofruticultura), tendo já surgido nestes últimos anos sistemas de rega gota a gota subterrânea, com evidente economia de água. Os custos elevados do consumo de energia e dos materiais dos sistemas de rega sob pressão e os problemas económicos e ambientais a que estão associados, levará no futuro a que os sistemas de rega sob pressão sejam melhor concebidos e projectados, além de uma manutenção feita em boas condições. Concorre para isso a maximização dos seguintes parâmetros e actividades:

197

Sistemas de Rega sob Pressão: Eficiência, Polivalência e Economia

11.7 Referências bibliográficas
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199

200 .

A.Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais 12. S. S. APLICAÇÃO DE SISTEMAS DE PRESSURIZAÇÃO EM PROCESSOS INDUSTRIAIS Autores: Pedro Farinha Responsável de Área de Engenharia da Hovione FarmaCiência. Luís Olival Gestor de Projectos de Engenharia da Hovione FarmaCiência.A. 201 .

202 .

que são agentes anti-infecciosos usados na preparação de cápsulas e comprimidos. nas quais emprega mais profissionais do que na produção. e um Centro de Transferência de Tecnologia em New Jersey. a Hovione tem duas unidades fabris. 1 . atribuído pela Comissão Europeia e pelo Programa Ambiental das Nações Unidas. anti-parasíticos e produtos utilizados em terapias oncológicas. na qual investiu. União Europeia e Austrália – constituem a base activa dos medicamentos formulados por laboratórios farmacêuticos. nos EUA. Fundada em 1959 por Ivan Villax. Outra área que tem merecido grande dedicação por parte da Hovione é a que diz respeito à protecção ambiental. os agentes de diagnóstico radiológico. que permitem a visualização das veias. os corticosteróides. Cerca de 660 profissionais.Grupo Hovione A principal actividade da Hovione consiste na investigação e desenvolvimento de processos de síntese e na produção de substâncias activas farmacêuticas. As duas fábricas da Hovione são inspeccionadas e aprovadas pela Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos. Na área dos produtos genéricos. ambas são certificadas ISO9000. Japão. e que lhe valeu. Com uma facturação anual de aproximadamente 68 milhões de Euros. usados na preparação de injectáveis. artérias e órgãos nos exames radiográficos. de dez nacionalidades diferentes e com idade média de 37 anos. investigador químico. o prémio de “Melhor Meio Ambiente na Indústria”. em Loures e em Macau. Durante a década de 90. desde 1990. Fig. apresentando duas vertentes de negócio: os produtos genéricos e o “outsourcing” (produção em exclusivo para terceiros). clientes da empresa. iniciando contratos de desenvolvimento de processos e fabricação de novos produtos para terceiros. Investiga e produz com alta tecnologia e qualidade. a Hovione desenvolve a sua actividade através de processos de síntese próprios. substâncias activas farmacêuticas. Exemplo do compromisso que assumiu com as questões ambientais é o facto de ter subscrito o Responsible Care Program e utilizar tecnologias GreenCycleTM. o Grupo Hovione investe cerca de 8% do seu volume de vendas em investigação e desenvolvimento. sendo de destacar a aposta feita na área da qualidade e da pesquisa. um negócio que neste momento representa 40% do seu volume de vendas. em 1992. trabalham na Hovione.exportados para mercados tão exigentes quanto os dos Estados Unidos. dos quais se destacam três grandes linhas de produtos: os antibióticos do grupo das tetraciclinas. A Hovione já desenvolveu mais de 100 processos de síntese química próprios e detém um número elevado de patentes a nível mundial.Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais A Hovione Hovione é uma empresa portuguesa dedicada à química farmacêutica. incluindo anti-virais e terapias anti-SIDA.1 milhões de Euros. a empresa desenvolveu a segunda vertente do negócio. 14. utilizados como anti-inflamatórios e anti-alérgicos na preparação de pomadas e aerossóis. 6% em projectos ambientais. Estes produtos . 203 . 5% em qualidade e 1% em formação.

204 .

É referido com BAT a utilização de empanques mecânicos simples ou duplos. para todos os equipamentos que contactem directamente com o produto. sendo necessário um levantamento de todos os factores de risco que possam afectar a especificação do produto. • elastómeros (empanques. bem como certificação que ateste a adequabilidade da solução ao processo e local onde se insere. abordadas no documento de referência do IPPC. e em caso de bombeamento de líquidos com elevado grau de perigosidade ou toxicidade devem ser utilizados empanques magnéticos. Segurança. e quando se verifique uma explosão o equipamento deverá ter meios que permitam interromper imediatamente a deflagração e/ou limitar os seus efeitos. • produtos resultantes da corrosão. abrangendo também as indústrias de síntese química. Esta certificação é resultante de uma avaliação dos riscos envolvidos. • resíduos de aplicações anteriores. 12. • erosão mecânica. Essas emissões devem ser minimizadas nas fontes. por síntese química. têm a obrigação legal de serem determinadas e manifestadas oficialmente. até sistemas sofisticados de filtração por Osmose Inversa. que possam afectar a qualidade do produto. É requisito imprescindível a marcação CE de conformidade juntamente com toda a documentação definida na Directiva 94/9/CE. os equipamentos utilizados têm que estar preparados para funcionar em ambientes com potencial perigo de explosão. Materiais de construção devem ser seleccionados de modo a minimizar a corrosão química dos componentes metálicos. em vigor desde 30 de Junho de 2003. podem degradar-se por acção química e/ou térmica. 12.2 Critérios de selecção de equipamento de processo Os critérios de selecção de equipamento para ser utilizado no fabrico de produtos farmacêuticos de base. Assim. desde a certificação dos componentes eléctricos como anti-deflagrantes para a classe de temperatura a que possam estar sujeitos. desenhos de construção mecânicos/eléctricos/ /funcionais. lista de lubrificantes. Ambiente e Saúde Ocupacional.2. substâncias inflamáveis. tenha superfícies não rugosas e isentas de fissuras.2. de forma a evitar perdas para o exterior. os contaminantes externos podem surgir de: • lubrificantes ou fluidos de selagem usados nos equipamentos de processo. provenientes desses equipamentos. O desenho dos equipamentos deve ser tal que minimize as zonas mortas.1 Introdução O equipamento utilizado na produção de Princípios Activos para a Indústria Farmacêutica. requer um elevado grau de exigência em termos de Qualidade. Em relação a equipamento de bombeamento centrífugo. As emissões de COV's (Compostos Orgânicos Voláteis) localizadas e difusas. Esta directiva cobre os requisitos técnicos a serem considerados. Segurança. às chumaceiras e às juntas. ou ainda sistemas de distribuição e circulação de fluidos. através de soluções BAT (Best Available Techniques). 12. No caso das bombas centrífugas de processo. Ambiente e Saúde Ocupacional. é necessário fazer uma evidência documental do controle dos possíveis contaminantes externos. etc. manuais de operação/manutenção c/ recomendação de peças de reservas.3 Ambiente A directiva Europeia IPPC (Integrated Pollution Prevention and Control) tem como objectivo a prevenção integrada e o controlo da poluição resultante da produção industrial. juntas. Facilidade de desmontagem e montagem com reduzido número de peças são factores também a considerar na escolha de uma bomba. garantias e certificações. aos impulsores. de forma a projectar o equipamento e a sua instalação de modo a evitar a formação de atmosferas explosivas e fontes de ignição. Quando admissíveis.) não adequados ao processo. uma vez que tem que ser garantida a vedação permanente entre os elementos rotativos e estáticos. 12. As zonas de fricção devem ser devidamente acauteladas de modo a minimizar o risco de libertação de partículas resultantes da erosão ou desintegração para o processo.2. 205 . os lubrificantes deverão ser de qualidade alimentar. A manutenção preventiva deverá recorrer a inspecções periódicas visuais de todas as zonas críticas. é referido no documento do IPPC a particular atenção que deve ser prestada à selagem. em grande quantidade. nomeadamente metais pesados.2 Segurança Uma vez que no fabrico de produtos farmacêuticos de base são utilizadas. relatórios dos testes em fábrica. baseiam-se no elevado grau de exigência em termos de Qualidade. As bombas centrífugas Grundfos são utilizadas em diferentes operações do processo de fabricação de Princípios Activos. que vão desde a simples trasfega de solventes ou misturas reaccionais.1 Qualidade O fabrico de produtos farmacêuticos de base é regido por uma elevada exigência de qualidade. No caso das bombas deve ser dada atenção aos empanques mecânicos. É assim exigido ao fornecedor de equipamentos de processo suporte documental (quando aplicável) para: lista e certificado de materiais.Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais 12. ou seja têm que ser construídos e instalados em conformidade com a Directiva ATEX 94/9/CE.

Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais

12.2.4 Saúde ocupacional
De acordo com a Directiva 2003/10/CE de 6 de Fevereiro de 2003, relativa à prescrição mínima de segurança e de saúde em matéria de exposição dos trabalhadores aos riscos devidos aos agentes físicos (ruído), a selecção do equipamento adequado fica condicionada ao ruído máximo admissível para ocupação em permanência, tendo em conta o trabalho a efectuar. Assim o equipamento deverá produzir o mínimo de ruído, tendo em conta o progresso técnico e a disponibilidade de medidas de controlo dos riscos na fonte. O manuseamento dos intervenientes em síntese química devem ser adequados ao seu grau de perigosidade para a saúde humana. Deve-se analisar qual a concentração máxima admissível para cada contaminante na atmosfera da zona de trabalho e adequar o equipamento que garanta a contenção abaixo dos limites de exposição admissíveis OEL - Occupational Exposure Limits.

Fig. 2 - Osmose inversa de purificação de água

12.3 Exemplos de aplicação industrial
As bombas centrífugas Grundfos são utilizadas em diferentes operações do processo de fabricação de Princípios Activos, que vão desde a simples trasfega de solventes ou misturas reaccionais entre equipamentos, até sistemas sofisticados de filtração por Osmose Inversa, ou ainda sistemas de distriuição de fluidos térmicos que garantam uma optimização das condições operatórias. Adiante faz-se uma descrição pormenorizada destas duas últimas aplicações.

Outra aplicação de Osmose Inversa na Hovione, consiste em concentrar 20m3/h de uma solução de Princípio Activo, desde uma concentração de 60g/lit até uma concentração de 150g/lit. Retido 8 m3/h Alimentação 149 g/ lit. 20 m3/h Osmose Inversa 60 g/ lit. Membrana Permeado 12 m3/h 0.5 g/ lit.
Fig. 3 - Osmose Inversa - Diagrama de processo

As condições operatórias necessárias são: Numero de módulos em paralelo = 2 (Para aumentar a flexibilidade) Caudal de cada módulo = 10 m3/h Pressão de permuta = 40bar Bombas seleccionas por módulo = 2 x CRN16-160 em série. Nas figuras seguintes apresenta-se o diagrama da instalação e uma fotografia do sistema.

12.3.1 Filtração por Osmose Inversa
A filtração por Osmose Inversa é a filtração mais fina tecnicamente possível e consiste em reter partículas com dimensão um milhão de vezes inferior a 1 mm, numa membrana porosa geralmente feita em celulose. A Osmose Inversa é utilizada industrialmente para purificar água ou outros solventes, retirando as moléculas indesejáveis, ou concentrar soluções de produtos valiosos. O princípio de funcionamento da Osmose Inversa consiste em fazer passar através da membrana, o fluido que se pretende isento de moléculas grandes, chamado permeado. Para que se dê uma separação efectiva é necessário alimentar o fluido em condições de pressão e caudal adequados e consistentes. O fluido que não atravessa a membrana é chamado retido, por ser aquele que retém as moléculas grandes. A Hovione tem uma instalação de purificação de água com um caudal de 10m3/h para produzir água com uma condutividade de 0.3µS.cm-1 a partir de água de qualidade potável com 3000µS.cm-1.

Retido Permeado

Alimentação

Fig. 4 - Osmose Inversa - Diagrama de tubagem e instrumentação

206

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Fig. 5 - Osmose inversa de concentração

Fig. 6 - Equipamento de síntese química

12.3.2 Circuitos térmicos
Para obter o Princípio Activo em quantidade e qualidade aceitáveis é necessário que as condições operatórias sejam optimizadas e reprodutíveis, sendo a temperatura do meio reaccional um dos parâmetros críticos da síntese química. Esta temperatura é controlada pela circulação de um fluido térmico através do equipamento, com um determinado caudal e a uma temperatura tal, que por contacto indirecto, promova a transferência térmica. A circulação faz-se através de dois sistemas interligados que são: • Circulação de fluido térmico através do equipamento a uma temperatura variável e a um caudal constante; • Produção e Distribuição do fluido térmico nas diferentes temperaturas constantes e a um caudal variável;

M ⋅ Cp  K − 1   Tin − T 1  ln   = q. ⋅ ρ ⋅ cp ⋅  K  ⋅ t  Tin − T 2   
Em que:

(1)

 U⋅A  K = exp    q ⋅ ρ ⋅ cp 
As variáveis das Equações 1 e 2 são:

(2)

Tin é a temperatura de entrada do fluido de circulação (°C); T1 é a temperatura inicial da mistura reaccional (°C); T2 é a temperatura da mistura reaccional ao fim do tempo t; M é a massa de mistura reaccional que se pretende aquecer ou arrefecer (kg); Cp é a capacidade calorifica média da mistura reaccional, no intervalo de temperaturas considerado (kcal / kg.°C);

12.3.2.1 Circulação de fluido térmico
12.3.2.1.1 Caudal A circulação do fluido térmico através do equipamento é feita através de uma bomba centrífuga que é dimensionada pelo caudal constante, cujo valor depende da capacidade térmica do equipamento e pela altura manométrica necessária para a sua circulação. O caudal de circulação do fluido térmico pode ser obtido iterativamente pela Equação 1, que determina a temperatura da mistura reaccional T2 ao fim do tempo t:

q é o caudal volumétrico do fluido térmico de circulação (m3/h);

q ⋅ ρ ⋅é a massa específica do fluido térmico (kg/m3) à temperatura da operação. cp é a capacidade calorífica média do fluido térmico, no intervalo de temperatura considerado (kcal / kg.°C). U é o coeficiente global de transferência de calor (kcal/ /h.m2.°C), que depende da condutividade térmica de todos os materiais envolvidos na transferência térmica e da turbulência do seu movimento. O valor de U pode ser estimado teoricamente ou determinado experimentalmente;

207

Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais

A é a área total (m2) através da qual se dá a transferência térmica, e depende da geometria do equipamento e da quantidade de mistura reaccional;
M (kg)

QUADRO I - PARÂMETROS
Aquecimento 4000 1.01 300 10 925 0.43 977 0.38 0.99 280 Arrefecimento

No ponto 12.3.2.1.2 é dado um exemplo ilustrativo da aplicação das expressões 1 e 2, para determinação do caudal da bomba de circulação, em condições de aquecimento e arrefecimento.

Cp (kcal / kg.°C) U (kcal / h.m2.°C) A (m2)
r

(kg / m3)

cp (kcal / kg.°C)
100 90 80
Temperatura (ºC)

70 60 50 40 30 20 10
5m3/h 10m3/h 15m3/h 20m3/h

Fig. 7 - Diagrama do Circuito Térmico

12.3.2.1.2 Exemplo de aplicação Selecção de uma bomba para um circuito térmico de um reactor de 4000lit. de capacidade, no qual se pretendem as seguintes condições operatórias: a) Aquecimento da mistura reaccional desde uma temperatura inicial T1=25°C até uma temperatura final de T2=100°C, com um fluido térmico a uma temperatura de entrada de Tin=120°C; b) Arrefecimento da mistura reaccional desde uma temperatura inicial T1 = 25°C até uma temperatura final de T2=0°C, com o mesmo fluido térmico a uma temperatura de entrada de Tin=-15°C. Considerar para perda de carga total do circuito o valor de 20m.c.a. Utilizando as Equações 1 e 2, de uma forma iterativa, e os parâmetros do sistema apresentados no Quadro I, obtém-se o gráfico de variação da temperatura da mistura reaccional no tempo, para diferentes caudais de circulação.

0 0.0 0.3 0.7 1.0 1.3 1.7 2.0 2.3 2.7 3.0 3.3 3.7 4.0 Tempo (h)

Fig. 8 - Gráfico da temperatura da mistura reaccional para diferentes caudais de circulação

Analisando o gráfico da fig. 8, verifica-se que deixa de haver uma diminuição significativa do tempo total de aquecimento e de arrefecimento quando se aumenta o caudal de circulação de 15m3/h para 20m3/h. Considerando o valor de caudal de 15m3/h e uma altura manométrica de 20m.c.a, uma bomba adequada para a circulação de fluido térmico através da camisa de um reactor de 4000lit. de capacidade seria uma CR16-30.

12.3.2.2 Sistema de distribuição de fluido térmico
12.3.2.2.1 Temperaturas O sistema geral de distribuição de fluido térmico é constituído pelos subsistemas independentes de produção, armazenagem e distribuição do fluido térmico a diferentes temperaturas.

208

Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais

Para realizar aquecimentos é necessário dispor de um fluido térmico a uma temperatura elevada, cujo valor depende da temperatura máxima exigível para o processo, nunca podendo ser superior à temperatura admissível para o equipamento. Geralmente a temperatura máxima utilizada nos processos de produção de Princípios Activos situa-se entre 120°C e 150°C. A produção do fluido nesta gama de temperaturas pode ser realizada por circulação através de permutadores de calor alimentados com vapor ou através de resistências eléctricas.

O factor de simultaneidade tem em conta que não é expectável que todos os equipamentos de uma instalação estejam a trabalhar na sua capacidade térmica máxima em simultâneo. Este factor pode ser obtido por estimativa baseada no grau de utilização dos equipamentos, ou utilizando equações estatísticas, como é o exemplo da equação 3.

f =

1 n −1

(3)

em que n é o número total de equipamentos.
HTFR

HTF

A utilização de modelos matemáticos requer uma análise cuidada do valor obtido, baseada na experiência de instalações similares e no bom senso. 12.3.2.2.3 Caudal A determinação do caudal necessário para um sistema de distribuição de fluido térmico é feita de forma idêntica à determinação da capacidade energética, descrita no ponto anterior, tendo em consideração o somatório de todos os caudais necessários de todos os equipamentos alimentados pelo circuito, e aplicando o factor de simultaneidade. Para obviar a variação das necessidades energéticas é conveniente que a distribuição de fluido térmico se faça a caudal variável, o que se consegue através da variação de velocidade das bombas de distribuição, em função da número de consumidores em funcionamento.

Fig. 9 - Diagrama do Circuito de Distribuição

Para efectuar o arrefecimento é necessário dispor de fluido térmico a uma temperatura reduzida, cujo valor depende da temperatura mínima exigida pelo processo e que não poderá ser inferior à temperatura mínima admissível para o equipamento. Geralmente a temperatura mínima utilizada nos processos de produção de Princípios Activos situa-se entre os -30°C e os -15°C, em casos especiais poderá haver necessidade de uma temperatura criogénica, na ordem dos -100°C. A produção do fluido térmico a -30°C faz-se normalmente por circulação através de uma máquina frigorifica, ou de um permutador. Geralmente para os sistemas térmicos de unidades de produção de Princípios Activos justifica-se economicamente a existência de um circuito térmico a uma temperatura intermédia. Este fluido tem como principal função efectuar o primeiro arrefecimento ou aquecimento, quando o equipamento está a temperaturas extremas. A escolha da temperatura mais adequada depende da utilização preferencial e do balanço económico e poderá ser cerca de 25°C, que se obtém fazendo circular o fluido por um permutador por onde circule água arrefecida em torres de refrigeração, ou cerca de +5°C a +10°C para o qual é necessário ter uma máquina frigorífica.

Fig. 10 - Sistema de distribuição

12.3.2.2.2 Capacidade energética A capacidade energética de um sistema de distribuição de fluidos térmicos depende do número e capacidade dos equipamentos que vão ser alimentados e também do factor de simultaneidade da instalação.

O ajuste do valor da velocidade é feito de forma a manter constante a pressão do circuito de alimentação. Assim, quando um consumidor entra em funcionamento a pressão do circuito de alimentação tende a baixar, o controlador fará aumentar a velocidade da bomba, para que a pressão se mantenha no valor de set-point seleccionado. Quando um consumidor deixa de estar em funcionamento o controlador reage de forma inversa. Com este sistema garante-se a alimentação uniforme aos equipamentos, em todas as condições de utilização da instalação.

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No Quadro III.C.SISTEMA DE BOMBEAMENTO CAUDAL TOTAL = 120M3/H. H = 40M. para as três opções consideradas.4 Exemplo de Aplicação Seleccionar os sistemas de bombeamento dos circuitos de distribuição de fluido térmico de Aquecimento e Arrefecimento. Opção Quantidade de Bombas 2 Caudal (m3/h) 60 60 40 II 3 40 40 30 III 3 30 60 Tipo CR64-2 CR64-2 CR45-2 CR45-2 CR45-2 CR32-3 CR32-3 CR64-2 8.2.3.000 22 8.000 Capacidade Térmica (kcal/h) 300. para uma instalação composta por oito reactores com as capacidades indicadas no Quadro II. Para o sistema de arrefecimento há a considerar que todos os reactores têm sistemas de condensação de Compostos Orgânicos Voláteis (COVs).Gráfico da potência absorvida para as opções de bombeamento Pode concluir-se que a Opção I é a mais favorável. conclui-se que poderão estar quatro em funcionamento simultâneo. por ter menor custo. sendo ainda garantido 50% do caudal máximo em caso de avaria de uma bomba. ambos do mesmo modelo. menor número de equipamentos. 1a4 5a8 S O gráfico da figura 11 mostra a variação da potência absorvida em função do caudal. é possível considerar três opções diferentes. QUADRO II .5 Custo Total (Euros) 7. são indicadas as necessidades energéticas e o caudal de distribuição necessário para o fluido térmico a cada temperatura.000 500.A. 11 . igual consumo energético.000 56. tal como mostra o Quadro IV: QUADRO IV .Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais 12.200.000 Caudal de circulação (m3/h) 120 Fig.000 10.250 Potência Instalada (kW) 22 I 210 . que estará em funcionamento sempre que o reactor esteja a uma temperatura superior à ambiente.CAPACIDADES Equip. Assim deverão considerar-se cinco equipamentos em utilização simultânea.000 3.600 22.) 4.2. 20 18 Potência (kW) Capacidade (lit.000. Para selecção dos sistemas de bombeamento do fluido térmico às diferentes temperaturas. Verifica-se que não há variação significativa da potência absorvida.000 Caudal de circulação (m3/h) 15 30 180 16 14 12 10 8 6 4 2 0 0 15 30 45 60 75 90 105 120 Caudal (m 3/h) Opção I Opção II Opção III Aplicando a Equação 3 para oito reactores. QUADRO III . tendo em consideração o número máximo de equipamentos em funcionamento simultâneo na capacidade máxima.CIRCUITO DE DISTRIBUIÇÃO Capacidade Térmica (kcal/h) Fluido Térmico 2.

First Edition ISPE.Bulk Pharmaceutical Chemicals. June 1996. 1965.February 2003. WinCAPS. Process Heat Transfer. Novembro 1993. Ismail and Aksahin. Integrated Pollution Prevention and Control (IPPC) Reference Document on Best Available Technics in LVOC Industries .y Jornal Oficial das Comunidades Europeias . McGraw-Hill.Q.Directiva 94/9/CE do Parlamento Europeu e do Conselho de 23 de Março de 1994. Ilhan. Versão 7.Directiva 2003/10/CE do Parlamento Europeu e do Conselho de 06 de Fevereiro de 2003. Chemical Engineering. Kern. New York. Tosun.44 / 2003. Volume1. Guides for New Facilities . Jornal Oficial das Comunidades Europeias .4 Referências bibliográficas Grundfos. Predict Heating and Cooling Times Accurately. 211 .Aplicação de Sistemas de Pressurização em Processos Industriais 12.. D.

212 .

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03/2005 .com BGP .: 21 440 76 00 • Fax: 21 440 76 90 Filial: Apartado 3035 • 4031.A. 241 • 2770 . 320 e 334 • 4350 .273 Porto Tel.grundfos. S.Ser responsável é a nossa base Pensar mais além torna tudo possível A inovação é a essência de tudo o que fazemos Bombas GRUNDFOS Portugal.153 Paço de Arcos Tel.601 Porto Rua da Ranha.901 Paço de Arcos Rua Calvet de Magalhães. Sede: Apartado 1079 • 2771.: 22 542 05 20 • Fax: 22 542 05 38 www.