GEONOMOS, 5(1):17-40

LATOSSOLOS DO BRASIL: UMA REVISÃO

João Carlos Ker(*)

ABSTRACT
This paper presents a review on Latosols (oxisols) genesis, classification and use in tropical Brazil. Chemical, physical and mineralogical aspects are throughly discussed, as well as their relationship with soil use and management. Some problems of definition are considered for all types of Latosols recognized in the Brazilian System of Soil Classification. The role of clay minerals such as kaolinite, gibbsite and iron oxides (namely hematite, goethite, magnetite and maghemite) is discussed against the background of soil classification and soil fertility aspects. The ammount of trace-elements and the relationship between these elements (Mn, Cu, Zn, Co) and latosols genesis and classification is shown, illustrating the trend of higher values for those soils developed from mafic rocks and alike. The geographic distribution of latosols classes in Brazil (namely Ferriferous, Dusky-Red, Dark-Red, Red-Yellow, Yellow, Brown, Humic, Una variation and Pallid) is given. Finnaly, a general view on phosphorous adsorption for the various types of latosols is presented, illustrating the importance of the clay mineralogy as a primary factor of controlling P availability in these soils.

HISTÓRICO E CONCEITUAÇÃO O termo “Latosol”, deriva de “laterite”(1) e “solum”, ambos de origem latina, significando, respectivamente, tijolo ou conotando material altamente intemperizado, e solo, foi proposto pelo pedólogo americano Charles E. Kellog, em uma conferência americana sobre classificação de solos realizada em Washington em 1949 (Lemos, 1966; Cline, 1975; Ségalen, 1994). Os Latossolos, como utilizado no Brasil, guardam certa correspondência com os Oxisols, Sols Ferralitiques e Ferralsols dos sistemas americano, francês e FAO, respectivamente. A introdução deste termo como classe de solo objetivou grupar solos mais intemperizados das regiões tropicais, até então denominados “laterite” e “lateritic soils”, de definição pouco precisa, genérica e confusa, onde solos distintos eram agrupados em uma mesma classe (Kellog, 1949,1950; Lemos, 1966; Cline, 1975; Segalen, 1994). O conceito inicial de Latossolo (Kelllog, 1949) contemplava solos cujas características encontravam-se fortemente relacionadas à intemperização e lixiviação intensas e responsáveis pelas baixas atividade das argilas; capacidade de troca de cátions; relações moleculares sílica/ alumínio (SiO2/Al2O3 = Ki) e sílica/óxidos de ferro e alumínio (SiO2/Al2O3 + Fe2O3 = Kr). Além disso, os solos designados por Latossolos, além de profundos, de coloração relativamente homogênea com matizes avermelhadas e/ou amareladas, apresentariam distribuição

mais ou menos uniforme de argila ao longo do perfil, elevada estabilidade de agregados e baixo conteúdo de silte em relação à argila. O termo deveria ser empregado independente da presença ou não de laterita, na sua concepção original. Pela definição original de Kellog para “Latosol”, observa-se que aspectos quantitativos ainda não eram contemplados, certamente em razão do pouco conhecimento que havia para essa classe de solos, ou dos solos tropicais, em geral, na época. Mesmo assim, a intensão de empregar o termo “Latosol” no sistema americano é mencionada no esboço de classificação de Thorp & Smith (1949), e parece ter influenciado pedólogos brasileiros. Tanto é assim, que este termo foi empregado em vários trabalhos de levantamento de solos de algumas áreas do Brasil, iniciados na década de cinquenta (BRASIL, 1958, 1960 e 1962). Com o desenvolver do sistema americano de classificação de solos, os solos latossólicos foram agrupados na ordem dos “Oxisols” não sendo mais empregado o termo “Latosol” naquele sistema de classificação. Para tanto, estabeleceu-se a definição do horizonte subsuperficial óxico (“oxic horizon” - EUA, 1960, 1975, 1994), que inspirou com adequações, a criação do horizonte B latossólico (Bw) diagnóstico da classe dos Latossolos, no sistema brasileiro de classificação de solos (Bennema & Camargo, 1964; Camargo et al., 1987; EMBRAPA- SNLCS, 1988).

(1) “Laterite” ou laterita (L. later = tijolo, ou material fortemente endurecido). Empregado por Buchanam em 1807 (ALEVA, 1992), em referência às grandes massas de argilas endurecidas irreversivelmente por efeito de dessecação, ricas em ferro, de coloração amareloocre e vermelha, sem qualquer aparência de estratificação, observadas por aquele autor na Índia, e utilizada pelas populações locais na construção civil, tal seu estado de dureza. Com o tempo, este termo ganhou amplo significado e a definição de Latossolo parece mais associada à da laterita, no sentido de material altamente intemperizado, rico em óxidos secundários de ferro e alumínio, ou ambos, pobre em bases e silicatos primários, podendo conter quantidades consideráveis de quartzo e caulinita (ALEVA, 1992, fazendo considerações a respeito do uso do termo “laterite”, por vários pesquisadores, ao longo do tempo).
(*) Professor Adjunto do Departamento de Solos - Universidade Federal de Viçosa - Minas Gerais

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KER, J. C.

Desde sua criação no final da década de cinquenta (BRASIL, 1958; 1960), o horizonte B latossólico passou por adequações até última versão (EMBRAPA-SNLCS, 1988), descrita a seguir: 1. apresenta espessura mínima de 50 cm, textura mais fina que franco arenosa com baixos teores de silte, de maneira que a relação silte/argila seja menor que 0,7; 2. apresenta na fração < 0,05 mm, corrigidos para fração TFSA, menos de 4% de minerais primários facilmente decomponíveis, ou menos de 6% de muscovita; admite-se a presença de pequenas quantidades de argilominerais interestratificados e, ou, ilita, na fração menor que 0,005 mm (silte + argila), porém não deve conter mais que traços de minerais do grupo das esmectitas; 3. a relação molecular SiO2/Al2O3 (Ki) deve ser menor que 2,2; 4. não deve apresentar mais que 5% do volume ocupado por materiais pouco alterados, ainda guardando resquícios do material de origem; 5. grande estabilidade de agregados, sendo o grau de floculação igual ou próximo de 100%, à exceção dos horizontes mais ricos em matéria orgânica ou eletropositivos; 6. CTC menor que 13 cmol c/kg, descontada a participação do carbono orgânico; e 7. pouca diferenciação entre subhorizontes. Baseando-se nestes critérios, na cor e nos teores de ferro do ataque sulfúrico são reconhecidos atualmente no Brasil sete tipos de Latossolos (CAMARGO et al., 1987; OLIVEIRA et al., 1992): Ferrífero (LF), Roxo (LR), Vermelho-Escuro (LE), Vermelho-Amarelo (LV), Amarelo (LA), Bruno (LB), Vermelho-Amarelo variação Una (LU). Mais recentemente, foi discutida a criação do Latossolo Pálido (LP) (CARVALHO FILHO et al., 1993) cuja definição e implantação no sistema brasileiro de classificação ainda depende de mais estudos. Quando estes Latossolos apresentam horizonte A espesso e rico em matéria orgânica, fato mais comum nos LV, LB, LU, LR, LF e LV, são denominados Latossolos Húmicos (LH). As principais características bem como a distribuição geográfica destes solos são descritas a seguir. TIPOS DE LATOSSOLOS RECONHECIDOS NO BRASIL Latossolo Ferrífero Compreende solos minerais, não hidromórficos,

profundos, bem a acentuadamente drenados, de coloração avermelhada, com altos teores de Fe2O3 obtidos pelo ataque sulfúrico (> 35% - Quadro 1), que se desenvolvem a partir de rochas ricas em ferro (itabiritos), principalmente em áreas de relevo movimentado e rampas de colúvio no Quadrilátero Ferrífero (CAMARGO, 1982; CURI, 1983; OLIVEIRA et al.; 1983; SANTOS, 1993). Caracterizam-se, ainda, pela elevada atração ao magneto (magnetização) ditada pela presença de magnetita nas frações silte e areia, e maghemita na fração argila (CURI, 1983; RESENDE et al., 1988). Postula-se (EMBRAPA-SNLCS, 1988), que a hematita presente nos Latossolos Ferríferos é herdada do próprio material de origem e parece ser mais resistente à goethitização, mesmo em ambiente bastante úmido e de grande umidade relativa, como na área de ocorrência destes solos no Quadrilátero Ferrífero. Em razão disso, pelo grande poder pigmentante da hematita (RESENDE, 1976), os Latossolos Ferríferos apresentam uma coloração avermelhada forte. Na constituição mineralógica da fração argila predominam hematita, maghemita, gibbsita, além de pequenas proporções de caulinita, goethita, anatásio e rutilo (CURI, 1983; ANTONELLO et al., 1988; KÄMPF et al., 1988; SANTOS, 1993; KER & SCHAEFER, 1995). A constituição dominantemente oxídica, praticamente sem filossilicatos confere a estes solos uma estrutura granular fortemente desenvolvida, uma baixa capacidade de troca catiônica e permeabilidade excessiva. Além disso, é comum apresentarem nos horizontes subsuperficiais, pH em H2O menor que pH em KCl, sugerindo solos eletropositivos, portanto de maior afinidade aniônica (Quadro 1). São solos de baixíssima fertilidade natural (Quadro 1). Apresentam baixa CTC (valor T) apesar do pH elevado. Este último fato tem sido também verificado em outros Latossolos argilosos e oxídicos. Esta característica foi denominada por MATTSON (1932) como “intemperismo isoelétrico” e refere-se à tendência do pH do solo acompanhar o pH do ponto de carga zero (PCZ) dos óxidos de ferro e mesmo alumínio à medida que intensifica a lixiviação tornando a solução cada vez menos concentrada. A baixa fertilidade limita sobremaneira a sua utilização agrícola. Assim, quando não encontram-se sob vegetação natural (campo cerrado altimontano), são utilizados com reflorestamentos de eucalipto, com resultados aquém das

Quadro 1: Características químicas do horizonte B de alguns Latossolos Ferríferos descritos no Brasil. Table 1: Chemical characteristics of B horizons of some Ferríferous Latosols in Brazil.
Características Químicas ++ Ca ++ Mg Al +++ H + S T SiO 2 Al O 2 3 Fe O 2 3 TiO 2 Ki

Localização

------- pH ----H 2O KCl 6,4 5,9 6,7 -

------------------- cmol c /kg ---------------------- ------------------- dag/kg -----------------0,1 0,2 0,2 0,1 0,0 0,0 0,0 1,2 0,6 1,2 0,2 1,4 0,2 0,8 0,2 1,4 1,0 1,3 2,1 0,22 17,7 15,9 21,4 8,93 59,7 64,2 55,5 74,5 2,31 1,99 1,25 0,10 0,14 0,17 0,04

Nova Lima - MG (1) Nova Lima - MG (1) Nova Lima - MG (2) Guanhães - MG (3)

6,2 6,2 6,2 -

(1) OLIVEIRA et al., 1983; (2) KER & SCHAEFER, 1995 - Latossolo Ferrífero Petroplíntico; (3) SANTOS, 1993.

. com altos teores de Fe2O3 do ataque sulfúrico (18 < Fe2O3 < 47 (3)). Figure 1: Schematic representation of Dusky-Red Latosols in Brazil. Os favoráveis à junção das duas classes destacam que a nível de campo a distinção nem sempre é fácil.CENIBRA . É muito discutido entre os pedólogos brasileiros o fato de se continuar separando os Latossolos Ferríferos (LF) dos Latossolos Roxos (LR).Ipatinga . alta densidade das partículas e baixos teores de determinados elementos traços com afinidade geoquímica ao ferro (Zn. Santa Catarina. Source: General soil map of Brazil. em se comparando com aqueles contendo ferro.MG. por onde permeiam pequenas quantidades de solo. Minas Gerais. estas duas relações não são boas indicadoras de grau de evolução desses solos. É comum nestes solos. Fonte: Mapa de Solos do Brasil . 1995).. a presença de concreções ferruginosas dando à textura a condição de cascalhenta subsuperficialmente (Oliveira et al. Ni e Cu). Ainda que isto não seja bem explicado. 1981. em razão de sua constituição dominantemente hematítica. A distinção entre estes solos (LF e LR) ainda persiste e. 1983). geralmente maior que 25 nos LF. referente a solo desenvolvido de tufito. além dos critérios anteriormente assinalados.2 (Oliveira et al. Aqueles contra. especula-se que além da fertilidade natural e a quase ausência de silicatos conferindo baixa CTC. ainda. Antônio Sérgio Fabres . Isso é resultante da pobreza do material de origem em componentes contendo sílica e mesmo alumínio. . talvez um dos melhores parâmetros de separação entre eles. dando origem aos Latossolos Ferríferos Petroplínticos (Ker & Schaefer. 1981.EMBRAPA-SNLCS. metabasitos e tufitos em expressivas áreas do Rio Grande do Sul. (3) Limite superior baseado em dado de literatura. bem a acentuadamente drenados de coloração vermelhoarroxeada. Paraná. postulam que os Latossolos Ferríferos apresentam teores de Fe2O3 muito elevados. Mato Grosso. cuja distribuição geográfica encontra-se associada à presença de rochas efusivas básicas. baseando-se nos perfis até então analisados (Quadro 1).Celulose Nipobrasileira . 1960). Mato Grosso de Sul e Goiás (Figura 1). (2) Comunicação pessoal do Dr. ainda seja a relação Fe2O3/TiO2. Dessa forma. em geral menores que 0. com matizes mais avermelhadas que 4YR. uma vez que mesmo solos pouco evoluídos (Cambissolos) desenvolvidos de materiais ricos em ferro apresentam baixos valores de Ki e Kr (amostras extras no 511 e 512 de Oliveira et al.LATOSSOLOS DO BRASIL: UMA REVISÃO 19 expectativas de produtividade em relação a outros Latossolos de áreas próximas(2). profundos. Figura 1: Representação esquemática da distribuição de Latossolos Roxos no Brasil. este solo apresente um comportamento hídrico (baixa retenção de umidade) diferenciada dos Latossolos de textura similar. os atuais Latossolos Roxos referem-se a solos minerais. Latossolo Roxo Inicialmente reconhecidos como Terra Roxa Legítima (BRASIL. As relações moleculares SiO2/Al2O3 (Ki) e SiO2/ Al2O3 + Fe2O3 (Kr) destes Latossolos são muito baixas.. 1983). São Paulo. 1983) ou mesmo constituindo verdadeiro corpo concrecionário (canga ou couraça ferruginosa) contínuo ou fragmentado.

.2 22. (7) EMBRAPA SBCS. Fe2O3 . têm sido constatados Quadro 2 . 1984. . entretanto. Santana.89 3.MG Canápolis . 1970. Table 2: SiO2/Al2O3 (Ki) molecular ratio.35 0.95 0. Palmiere. Ker et al.0 24.28 0.50 6.18 7. 1988) também parece predominar Latossolos Roxos mais cauliníticos.65 4. (3) BRASIL. 1983. ainda que de natureza básica (Schaefer. Quanto à mineralogia.SP Bonfim Paulista .11 6. EMBRAPA-SBCS. 1988.77 2.09 1. 1947) parece ser a explicação mais convincente para a baixa magnetização apresentada pelo solo. Resende et al. magnetita intercrescida de ilmenita e quartzo. 1975. especialmente quando derivados de basalto e tufito. Ker. Quanto à fertilidade natural. (5) EMBRAPA/EPAMIG. e LR desenvolvidos a partir de diabásio no Pólo Trombetas PA (EMBRAPA-SNLCS. em sua grande maioria. gibbsita e hematita e mesmo maghemita. este último em pequenas proporções.52 1.PR Londrina .SP Pirajuba . 1988.RS Mangueirinha . pode-se dizer que na fração grosseira predomina a magnetita.3 25.PR Ituverava .PR Ribeirão Preto . 8/ EMBRAPA . (4) BRASIL. Além das características mencionadas acima.MG Cascavel .04 0. condição esta ditada pela própria pobreza em quartzo do material de origem.18 0.9 32.3 30. 1996). De São Paulo para o Brasil Central. 1986. Nestes últimos casos. portanto.85 1.Resultados da relação molecular SiO2/Al2O3 (Ki). 1984. goethita e vermiculita com hidroxi entrecamadas (Moura Filho. C.64 0.8 35. e talvez com maiores proporções de vermiculita com hidroxi entre-camadas. a inferir-se pelo Ki.SNLCS. A proporção entre os componentes mineralógicos da fração argila dos Latossolos Roxos pode variar de local para local. 1984. sugerindo participação expressiva de gibbsita. encontrem-se no Rio Grande do Sul (BRASIL. De maneira geral.96 1. Na fração argila constata-se principalmente caulinita. originado de arenito com influência de rochas máficas (EMBRAPA/EPAMIG.07 5.21 0. diferenciado-os dos Latossolos Ferríferos.5 23.02 8.7 27.31 0.41 0. developed from basaltic rocks.71 0. Classificação Localização Ki Fe O 2 3 Ti O 2 P O 2 5 ------------------dag/kg----------------LR distrófico (1) LR álico (2) LR distrófico (1) LR distrófico (3) LR distrófico (2) LR distrófico (2) LR eutrófico (4) LR distrófico (6) LR distrófico (5) LR distrófico (5) LR distrófico (2) LR distrófico (4) LR distrófico (7) LR distrófico (8) LR distrófico (8) LR distrófico (7) Erechim .88 0. 1991.5 27.RS Dourados . Resende.2 33.02 5. J.16 5. 1984).MT Jardinópolis . ambos com textura média (15 < % argila < 35). baseando-se nos dados de cerca de 30 perfis (EMBRAPA/IAPAR. Algumas exceções. 1971. os Latossolos Roxos apresentam elevada magnetização. a pobreza do material de origem em magnetita (Guimarães. 1995).6 22.18 3. a depender da intensidade do intemperismo sobre estes solos. muito embora já ocorram perfis com Ki igual a 0.34 1. TiO2 e P2O5 obtidos pelo ataque sulfúrico de horizonte B de Latossolos Roxos derivados de basalto de diferentes regiões do Brasil. No Estado do Paraná.0 4.21 22.27 4. Ker.MS Medianeira .SP Rio Verde . 1973. entretanto. 1984).14 0.GO Diamantino . 1993.2 (Quadro 2).SP Cravinhos . Fe 2O3.18 0. os solos mais cauliníticos. de textura argilosa ou muito argilosa. 1982.54 0. Os Latossolos Roxos são. Souza.15 (1) BRASIL.09 0. Os teores de titânio são variáveis e normalmente elevados (Quadro 2). 1973) Mato Grosso do Sul (BRASIL 1971) e Paraná (EMBRAPA/IAPAR. são constatadas: um LR de Uberaba. (2) EMBRAPA/IAPAR. 1979. Curi. 1982). Fogem a esta tendência alguns LR derivados de outros materiais de origem.PR Santo Ângelo .84 3. não sendo raros solos com Ki da ordem de 0. 1976. TiO2 and P 2O5 obtained by the sulfuric atack in B horizons of Dusky-Red Latosols in Brazil.46 1.15 0. (6) OLIVEIRA & MENCK.20 KER.7 28. estes solos tendem a tornar-se cada vez mais intemperizados. mais gibbsíticos. Motch. 1960..75 1.6.6 25.4 36.94 6.0 19.93 1. 1984. 1977. Isso se traduz numa relação Fe2O3/ TiO 2 sempre menor que 25%. Bognola. 1995.01 0.SP 2.

cobre. Solo Local Material de Origem Co Ni Cu Zn Mn Total mg/kg LR (K1) LR (K2) LR (K17) LR (K23) LR (K26) LR (K29) LF (K30) LE (K16) LV (K8) LV (K11) LA (K20) Cravinhos . originando LR distróficos mesmo em áreas onde o rejuvenescimento parece intenso. Zn e Cu) e importante na alimentação animal (Co) (Quadro 3). Table 3: Co. diabásios. Encontram-se amplamente distribuídos pelo território nacional com destaque para os estados do Mato Grosso do Sul.SP Ribeirão Preto . parece confirmar a grande potencialidade agrícola destes solos. ainda. Goiás. constituindo-se. Cu. Apesar do limite mínimo de Fe2 O3 estabelecido. São .PA Basalto Basalto Anfibolito Ultrabásicas Basalto Tufito Itabirito Sed. Em razão disso. Barreiras 95 91 5 22 19 69 56 50 73 66 327 0 13 15 36 11 174 178 52 96 365 242 21 43 36 45 16 102 791 1231 1456 215 1991 1571 3626 347 265 284 354 185 122 1100 72 338 110 1712 120 929 140 2917 33 40 40 42 43 293 164 193 209 96 Fonte: KER. vários são os solos de cor avermelhada reconhecidos.MS e Tangará da Serra .SP Silvânia . tem sido mencionada sua ocorrência em áreas de topografia mais movimentada. É o caso de LR em relevo ondulado e forte ondulado de áreas de influência a necessidade de reavaliação do limite inferior de Fe2O3 para esta classe. 1995 O sucesso da agricultura nas áreas de domínio dos Latossolos Roxos (Planalto Rio Grandense. e com teores menores que 8%. álicos e eutróficos e de textura que vai de franco arenosa a muito argilosa. região de Dourados . em uma classe relativamente heterogênea nestes aspectos (Quadro 4). os Latossolos de coloração avermelhada com teores de ferro obtidos pelo ataque sulfúrico entre 8 e 18% são denominados VermelhoEscuros (LE). Minas Gerais.MS Patos .MG Acará .GO Abre Campo .GO Dourados . de tufitos vulcânicos da formação Mata da Corda (Cretáceo) no Alto Paranaíba . Argilosos Gnaisse Sed. em geral. além de gabros. principalmente no que diz respeito a fósforo total e alguns elementos traços como Mn. Ni. Zn and Mn amounts after chemical attack of fine-earth of B horizons from Brazilian Latosols. indicando Quadro 3: Teores de cobalto. Zn e Co. tufitos etc). 1984). quer pela fertilidade natural. áreas de São Paulo com destaque para a região de Ribeirão Preto.MG Nova Lima . facilidade e resposta à correção da fertilidade quando for o caso e.MG Piracicaba . 1977).LATOSSOLOS DO BRASIL: UMA REVISÃO 21 desde solos muito férteis (eutróficos) até muito pobres quimicamente (álicos ou distróficos) não obstante originarem-se de rochas ricas em alguns elementos como cálcio e magnésio (basaltos. Guaíra etc. Observa-se (Figura 1) a ocorrência pouco expressiva de LR em estados do norte do país. níquel. Embora tendam a ocorrer em áreas de relevo mais suave. pela possibilidade ampla de mecanização e mesmo de irrigação em alguns locais. Contudo. Argilosos Sed. A reciclagem pode estar contribuindo para isso. A porosidade da rocha facilita o intemperismo e a lixiviação. conforme constatado por Moura Filho & Buol (1976). pois. Ni.MS). Latossolo Vermelho-Escuro Formados a partir de uma grande diversidade de materiais de origem. Paraná. Cu. ou mesmo a preservação de cátions nos microagregados. gnaisses e mesmo de materiais retrabalhados e préintemperizados referentes à cobertura detrito-laterítica. Sudoeste Goiano. calcários.GO Catalão . a reserva ou fertilidade potencial dos LR realmente parece ser maior que a dos demais Latossolos.SP Silvânia . A ocorrência de LR eutróficos em áreas relativamente úmidas parece retratar que a lixiviação não parece tão intensa como se esperaria pela boa drenagem . muito embora levantamentos mais detalhados em determinadas áreas registrem sua ocorrência (EMBRAPA-SNLCS.MG (Carmo. Desenvolvem-se a partir de arenitos. alguns deles essenciais às plantas (Mn. sendo encontrados solos distróficos. entre outros materiais. Norte Paranaense. são de fertilidade e textura muito variadas. zinco e manganês provenientes do ataque ácido total da terra fina seca ao ar de horizonte B de Latossolos brasileiros.

1984.% ----14 13 18 8 15 12 83 40 14 86 75 75 69 83 33 40 0 0 73 0 (1) BRASIL.8 pH KCl 4. Quadro 4 : Características químicas e físicas de horizontes B de Latossolos Vermelho-Escuros de diferentes regiões do Brasil.PR (2) P. (2) EMBRAPA/IAPAR. destacando-se soja. 1971.5 5.9 5. (8) EMBRAPA . (4) CHAGAS.SNLCS. Terc.0 3.09 0. revelado a ocorrência destes solos. (3) BRASIL. trigo.8 6. Table 4: Chemical and physical chacracteristics of B horizon from Dark-Red Latosols in Brazil.4 5. Sed.4 5.7 5.MS (1) Paranavaí .DF (7) P.57 1.MS (1) Pinheiros .61 0.3 5. tendem a ocupar áreas de topografia plana ou suavemente ondulada.03 0. .MT (5) Janaúba .9 10.1 0.81 1.dag/kg ------------3.6 6.02 ------. Missões .02 0.7 8.97 0.6 V m --------------.03 1. Levantamentos mais detalhados em alguns locais do domínio Amazônico têm. Local Material de Origem Arg.MG (4) Rondonópolis . Observa-se sua pouca ocorrência em alguns estados do norte e do nordeste.16 1. Murtinho .1 9. De forma dominante. (6) EMBRAPA-SNLCS. Mato Grosso e Rio Grande do Sul (Figura 2). uma das principais classes de solos utilizadas com agricultura tecnificada. Figure 2: Distribution of DarkRed Latosols in Brazil.6 15.72 0.1 4. Barreiras 18 27 41 55 65 71 71 77 81 57 Fe O 2 3 Características Físicas e Químicas Ti O 2 P O 2 5 Ki H O 2 2. entretanto. 1994.1 5. C.2 4. Terc.84 0. Calcário Sed. % Iguatemi .3 14. Figura 2: Representação esquemática da distribuição de Latossolos Vermelho-Escuros no Brasil.84 1.RS (3) S.8 4.J.5 6.4 4.05 0.06 1.3 5.51 1. e constituemse juntamente com os Latossolos Roxos e VermelhoAmarelos.7 4. Argil.ES (8) Arenito Arenito Aren+basalto Aren+basalto Micaxisto Sed. (7) CAVALCANTI 1977.02 0.04 0.6 6. como aquelas dos amplos chapadões do Brasil Central.MG (6) Brasília . 1973. Del Rei .93 0.95 0.65 2.86 0.4 4. J.35 0.20 0. 1978 Paulo. feijão.MS (1) Ponta Porã . 1975. 1979. milho.5 9.1 4.96 5.04 0.2 5.22 KER. café etc.02 0.71 0. (5) EMBRAPA-CPP.52 1.

Latossolo VermelhoAmarelo Variação Una. Em regiões mais secas (norte de Minas Gerais. pela manutenção do bandeamento da rocha e ausência de cerosidade interna. Distrito . IrecêBA etc). com superfície externa brilhosa sugerindo cerosidade. gibbsita. 1964) são denominados Latossolos Vermelho-Amarelos. 1995). Fonte: CHAGAS.06 % de P2O5 no horizonte A de mais de 100 perfis catalogados. 1994. a proporção entre estes componentes é bastante variável. em variáveis quanto à fertilidade natural (predominantemente distróficos e álicos e. sobretudo na região semi-árida brasileira). LE com blocos subangulares argilosos grandes. podendo ocorrer LE extremamente intemperizados (oxídicos). Tem sido observado nestas e em outras áreas de calcário. a inferir-se pela sua compacidade. em Minas Gerais. a gênese de hematita. Nos estratos mais horizontalizados a movimentação da água é restringida. cobalto e zinco (Ker et al. Figure 3: Effect of strata orientation of pellitic rocks of Andrelândia and S. nos primeiros vinte centímetros. da ordem de 1540 e 3520 kg de P 2 O5 por hectare. quantidade de P2O5 total (Quadro 4). Especula-se que tais blocos sejam herança do próprio material de origem. quando de textura argilosa ou muito argilosa (EMBRAPA-SNLCS. Latossolo Vermelho-Amarelo Com a maior e mais ampla distribuição geográfica no Brasil (Figura 4) dentre os Latossolos. os Latossolos Vermelho-Escuros diferem-se dos Roxos pelas menores: atração pelo magneto. textura (desde 15% até mais de 80% de argila). descrito posteriormente). ou com relação Al2O3/Fe2O3 > 3. mais raramente. como alguns segmentos do domínio dos mares dos morros. de morfologia tipicamente latossólica e desenvolvidos de calcário. Ker. o que resulta em regime hídrico mais úmido. nada desprezíveis. respectivamente para LE e LR. Valores médios de 0.16% para o mesmo horizonte de cerca de 30 perfis de LR indicam reservas. intermediando-se para Cambissolos. inclusive eletropositivos em subsuperfície (comuns no Planalto Central) até aqueles mais cauliníticos em outras áreas do Brasil (Quadro 4). considerando ambos com densidade aparente de 1. apresentam atividade de argila superior àquela requerida pela classe (< 13 cmolc/kg de argila. reserva em elementos traços situações topográficas semelhantes. relevo de ocorrência. aqueles de coloração amarelada. do então. del Rey Groups on the formation of LE and LU in the Campos das Vertentes .MG. 1993. muitos solos avermelhados.14 quando de textura média (Bennena & Camargo. refletindo o amplo predomínio de goethita em relação à hematita. favorecendo a drenagem interna e. como cobre.MG. contra 0. favorecendo a gênese da goethita. Além dos menores teores de Fe2O3. níquel. apresentando teores de Fe2O3 entre 7 e 11%. Na região fisiográfica dos Campos das Vertentes. Chagas (1994) atribuiu esta ocorrência à inclinação mais verticalizada (Figura 3) dos estratos pelíticos do Grupo Andrelândia e São João Del Rei. originando Latossolo VermelhoEscuro. Os Latossolos Vermelho-Amarelos são muito Figura 3: Efeito da orientação dos estratos de rochas pelíticas dos Grupos Andrelândia e São João Del Rei na formação de LE e LU na Região Fisiográfica dos Campos das Vertentes . 1988).1g/cm3. formando solos amarelados caracterizados como LU. sendo encontrados em áreas que variam do relevo plano (chapadões) ao montanhoso (45% < declividade < 75%). após correção para carbono). goethita e hematita. consequentemente..LATOSSOLOS DO BRASIL: UMA REVISÃO 23 Ainda que a mineralogia básica da fração argila seja constituída principalmente de caulinita. eutróficos. Latossolo Amarelo Embora o nome Latossolo Amarelo tenha sido empregado desde a década de cinquenta para alguns Latossolos do Rio de Janeiro e. É comum em alguns locais da paisagem brasileira a ocorrência de Latossolos avermelhados (LE) lado a lado com aqueles amarelados (LU . profundos. J.

1981). 1981) Federal. Fonte: Mapa de Solos do Brasil (EMBRAPA . fora do domínio dos tabuleiros costeiros. Figure 4: Distribution of Red-Yellow Latosols in Brazil. C. 1981). com matizes do horizonte B entre 7. 1981) .24 KER. amarelos. Englobam solos profundos. Figure 5: Distribution of Yellow Soils in Brazil. J. (EMBRAPA . os solos atualmente reconhecidos como Latossolos Amarelos (LA). (EMBRAPA SNLCS. Figura 5: Representação esquemática da distribuição de Latossolos Amarelos no Brasil. Figura 4: Representação esquemática da distribuição de Latossolos Vermelho-Amarelos no Brasil. Fonte: Mapa de Solos do Brasil (EMBRAPA . cauliníticos. tiveram como conceito de partida os “Kaolinitic Yellow Latosols” de solos amazônicos estudados por SOMBROEK (1966). Os Latossolos Amarelos (LA) encontram-se espalhados em muitas áreas do Brasil. onde normalmente desenvolvem-se a partir de sedimentos do Grupo Barreiras (Plio-pleistoceno) e Formação Alter do Chão (Cretáceo). Source: General soil map of Brazil. Source: General soil map of Brazil.SNLCS.SNLCS.SNLCS.5YR e 10YR. Sua maior expressividade e continuidade de área encontra-se nos platôs litorâneos e amazônicos (Figura 5).

parece explicar o porque da tendência geral de maiores teores de argila dispersa em água nos horizontes superficiais e subsuperficiais coesos dos Latossolos e Podzólicos dos Tabuleiros (Quadro 5). sílica. no passado.Meirelles e Ribeiro (1995) destacam a participação decisiva de componentes orgânicos. principalmente.. 1996). de Latossolos e Podzólicos Amarelos por eles estudados e representativos de tabuleiros costeiros do Rio de Janeiro. via microscopia eletrônica de varredura. como os LA apresentam baixas quantidades de óxidos de ferro (goethita no caso) e de alumínio (gibbsita).significando duro ou tenaz. 1984. que os menores teores de ferro normalmente observados na camada endurecida poderiam contribuir para uma maior coesão. Solos com características similares àquelas referidas acima foram posteriormente identificados em regiões de altitude de outros estados: Santa Catarina (UFSMSUDESUL. Pernambuco. promovendo expansão e contração e inibindo a ação cimentante da sílica. . ferro e ácidos fúlvicos mais elevados nos horizontes AB e BA de solos de tabuleiros da Bahia. ainda. ou ainda pelos teores relativamente baixos de sílica “amorfa”. onde o período seco é bem definido. Campos do Jordão. Apiaí e Itaré-SP. 1984). para a manifestação desta coesão nos LA: . .Baseando-se no fato de que estes solos coesos quando secos tornam-se friáveis quando úmidos. cujo acúmulo de (4) Coeso . É possível que no LA da Amazônia. ou mesmo alumínio e ferro (Ranson et al. 1984) e Minas Gerais (Oliveira et al. tem sido empregado para distinguir horizontes minerais subsuperficiais dos solos que se apresentam duros. nos segundos. liberando alumínio. o ajuste face a face das partículas de caulinita seria favorecido. 1996). alumínio. reduziriam a coesão e os solos tornariam-se friáveis. do preenchimento de poros por sílica. e responsável pelo seu endurecimento quando seco. além da cor. referiam-se à dureza e ao fendilhamento expressivos do solo quando seco. Em alguns locais da Amazônia (Roraima(5).. Uma das características mais conspícuas dos Latossolos Amarelos é a coesão(4) manifestada entre os horizontes A e B. 1983. do Departamento de Solos .RJ mostra-se com expressivas quantidades de argila dispersa em água até 97cm. Este último é muito argiloso e já no segundo horizonte a argila encontra-se praticamente toda floculada. Rodrigues. muito duros e até extremamente duros quando secos (JACOMINE. Espírito Santo. de textura com extremos de argila que vão de 15 a 95% (Oliveira et al. notadamente os ácidos fúlvicos. Os teores de Fe2O3 do ataque sulfúrico situam-se entre 1. em relação aos horizontes superiores e inferiores. 1984. e não exclusivas. ambos contribuindo para o abaixamento do PCZ.BA.. Isso evidencia a necessidade de cuidado ao se tentar estabelecer generalizações sobre os Latossolos Amarelos de diferentes regiões. consequentemente. as quais preencheriam poros (macro e micro). A constatação de Meirelles e Ribeiro (1995) mencionada anteriormente. Esta afirmativa tem por base a constatação de teores de sílica. a manifestação da coesão parece melhor explicada pela associação do arranjo face a face e ação cimentante da sílica “amorfa” extraída com oxalato. ferro e. alguns autores propõem que esta característica peculiar dos LA e solos afins. tanto pelos componentes orgânicos (ácidos fúlvicos) como pela sílica.Anjos (1985) e Fonseca (1986) propõem que a camada adensada. Nos primeiros pela matéria orgânica. por exemplo). (5) Informação pessoal do professor Carlos Ernesto Schaefer. 1988). dos horizontes transicionais AB e/ ou BA e mesmo parte dos horizontes B a esses subjacentes. Várias têm sido as proposições explicativas.LATOSSOLOS DO BRASIL: UMA REVISÃO 25 Sombroek (1966) cita quantidades de caulinita superiores a 80% na fração argila de LA amazônicos). parecem ser as causas principais da estrutura em blocos subangulares fracamente desenvolvida e de pouca estabilidade em água (Bennema & Camargo.5 a 7% e o Ki é normalmente maior que 1. maior dispersão. deve-se mais ao arranjo das partículas em nível microscópico (UFV. estrutura em blocos subangulares bem desenvolvida e horizonte A escuro e espesso. Rodrigues 1996). 1973). bem como a evidência. aumentando a densidade aparente tornando a camada muito coesa e compacta. 1964) solos latossólicos de colorações brunadas e amareladas que ocorriam em regiões de altitudes. o mesmo não ocorre com o LA de Manaus. como Latossolo VermelhoAmarelo coeso em vários estados do país (Jacomine. Ferreira. refletindo sua natureza caulinítica. 1987). Os baixos teores de Fe 2O 3 (< 7%) e a ausência virtual de gibbsita. 1992. na degradação do plasma (fração argila). possivelmente deva-se aos ainda elevados teores de argila. 1979). Observa-se (Quadro 5) diferenças muito claras entre Latossolos Amarelos de diferentes regiões. seria a compressão causada pelo peso estático da camada superior. A não formação de fragipan em tais casos. normalmente proeminente ou húmico. frias e úmidas de algumas localidades do país. a manifestação da coesão é também característica nos Latossolos Amarelos.UFV. têm papel preponderante na formação de horizontes coesos de solos de tabuleiro. Baseando-se nestas teorias. Paraná (EMBRAPA-IAPAR. . A causa do endurecimento.ACHÁ-PANOSO (1976) destaca que as camadas endurecidas observadas em Latossolos Amarelos dos tabuleiros costeiros do Espírito Santo variam de poucos centímetros até cerca de 2 metros e que sua ocorrência deve-se ao entulhamento de partículas (argilas) oriundas dos horizontes superiores. cujas características peculiares. na região de Cruz das Almas . Latossolo Bruno Foram denominados Latossolos Brunos (LB) (Bennema & Camargo. Ou seja. é herdada dos próprio sedimento que os originou (Barreiras). As moléculas de água entrando entre as partículas de argila orientadas. Enquanto o LA de Campos . além da densidade elevada e da classificação como coeso. . Bahia. EMBRAPASNLCS. Destaca. fato este que levou a classificação destes solos. o excesso de umidade não permita a manifestação do caráter coeso.5. gerando mais cargas negativas e. como Vacaria-RS.

Para casos dessa natureza. rico em matéria orgânica. avermelhando-se em profundidade. permitiu uma redefinição desta classe no início dos anos oitenta (Carvalho. normalmente sob regime climático térmico údico. 1986. eram motivo de suspeita da presença de alofana para os solos brunos em geral (Latossolos. B amarelado com matizes que variam de 5YR a 10YR. 1986. 1982).97 .AM (2) Ap AB Bw1 Bw2 Bw3 Bw4 0-8 . uma vez que esta tendência de avermelhamento em profundidade é de ocorrência bastante generalizada na paisagem brasileira (Corrêa & Resende.5YR e 10YR. ainda que não muito expressivo. ADA = argila dispersa em H2O. C. Almeida (1979).cm-3 --------------.167 35 33 30 29 30 29 29 15 14 14 15 15 16 13 3 3 3 4 3 4 5 47 50 53 52 52 51 53 38 43 46 25 0 0 0 19 14 13 52 100 100 100 1. por recristalização posterior. Quadro 5: Características físicas de Latossolos Amarelos de tabuleiros costeiros do Rio de Janeiro (Grupo Barreiras) e Amazonas (Formação Alter do Chão).36 . e circunscritos a algumas regiões de altitude dos estados mencionados anteriormente. propiciaria um maior acúmulo de matéria orgânica.% --------------LA .265 . Granulometria da TFSA Horiz. 1990.52 . por sua vez. Cambissolos e Terras Brunas). Rodrigues. aspectos como a sensação deslizante ou escorregadia quando se faz a avaliação textural ou mesmo ao se fazer penetrar uma faca no solo úmido e ao retirá-la observar certo umedecimento na lâmina.40 LA . 1971).22 .144 .125 . Além destas características. GF = grau de floculação. 1996).350 11 9 6 5 4 3 4 3 2 2 1 1 9 8 8 5 6 6 76 80 84 88 89 90 31 0 0 0 0 0 59 100 100 100 100 100 - AG = areia grossa. cujos componentes migrariam no solo dissolvendo a hematita por redução e/ou complexação do ferro e.Campos . responsável pela coloração avermelhada dos solos. mantendo.26 KER.125 . Marcelo Nunes Camargo (EMBRAPA-SNLCS) em viagem de correlação de solos no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. originaria a goethita. com horizonte A espesso. intermediárias e alcalinas. 1984. Algumas colocações têm sido feitas para explicar a bicromia de perfis como os LB e outros Latossolos no Brasil. A instalação posterior de climas mais frios e úmidos. conforme descreve-se a seguir.RJ (1) ------.36 1. textura argilosa ou muito argilosa. . ou seja. 1981.% ------ Ap AB BA Bw1 Bw2 Bw3 BC 0 . dados. derivados de rochas eruptivas básicas. Fonte: (1) EMBRAPA. inclusive Latossolos.48 1.50 . Dap = densidade aparente.48 1. Ker& Resende. sugerindo propriedades tixotrópicas(6). 1995. Esta hipótese não foi confirmada em vários estudos desenvolvidos nos solos brunos. em consequência. Prof (cm) AG AF SIL ARG ADA GF Dap g. atingindo matizes mais vermelhas que 4YR na base deste mesmo horizonte (Carvalho 1982) (Quadro 6). não hidromórficos com horizonte Bw de coloração brunada ou amarelada dentro dos matizes 7. Palmiere. correlação com Andisols. AF = areia fina. normalmente proeminente ou húmico. É comum nos LB.38 1. Bognola.11 . J. Compreende solos minerais.45 1. ARG = argila. Table 5: Physical characteristics of Yellow Latosols from the coastal tablelands in Rio de Janeiro and Amazons. de diferentes regiões do Brasil (Potter & Kämpf. responsável pela coloração amarela.Manaus .48 1. (2) BARRETO. postula que teores de (6) Teste empregado e citado pelo saudoso Dr. SIL = silte. Schwertmann (1971) postula uma possível formação de hematita. perfis com horizonte B bicrômico. favorecida por condições climáticas pretéritas mais quentes e secas. 1991) e mesmo a nível mundial (Schwertmann.

7 0. da fração argila de todos eles seja parecida.5 0.1 26. ela não é. 1990. na gênese da goethita e hematita e. consequentemente. Table 6: Chemical and physical characteristics of some Brown Latosols in Brazil.59 2. os LB do sul do país apresentam diferenças químicas (Quadro 6) e mineralógicas marcantes em relação aos de Poços de Caldas -MG. 1984 Fe3+ no sistema.9 6.2 22.11 1.6 22. sendo a caulinita o argilomineral predominante.20 29 12 9 28 36 0 1. do sul do Brasil para aquelas mais quentes e baixas.1 22.5 17. Embora morfologicamente parecidos. 1996).73 5 5 2 80 84 85 5. na coloração dos solos (Figura 6).LATOSSOLOS DO BRASIL: UMA REVISÃO 27 Quadro 6: Características químicas e físicas de alguns Latossolos Brunos do Brasil. os teores de Fe2O3.4 19.91 1.5YR 4/4 7.5 Guarapuava . especulase uma possível contribuição da vermiculita com hidroxi entre-camadas ou mesmo caulinitas de pequeno tamanho (Ker & Resende.3 3. Isso quer dizer que embora as condições pretéritas possam ter acelerado o processo de formação da hematita.8 23.9 8.93 16 5 7 60 87 70 4. CB e TB) até arroxeadas (LR) que confirmam o efeito da ação bioclimática .8 18. 1996.4 22.7 0. Bognolla.85 3. 1977). constata-se uma gradação de solos de colorações brunadas (LB. 1973.9 20. anteriormente referida.2 4.7 Poços de Caldas .76 0. Prof Horiz. Nessas condições.4 19.5YR 3/4 4YR 3.4 3. 1984. Rodrigues.8 5.5/6 1YR 3/6 22. Entretanto.0 (1) BRASIL. o necessário percursor da hematita (Schwertmann & Taylor.6 21. a formação da goethita é favorecida. (2) BOGNOLLA.4 4. Latossolo Variação Una Por ocasião do início dos trabalhos de levantamentos de solos no país. desenvolvimento de estrutura e fendilhamento.4 0.5 5YR 3/4 23. (4) RODRIGUES.PR (3) Ap BA Bw2 0-30 80-110 150-195 7. na gênese da plintita. que ao desidratarem permitiriam a manifestação desta feição.1 Anchieta . deslocando-se de regiões de altitudes. Além disso.5 20. Ainda uma possível explicação para as colorações mais amareladas na parte superior do horizonte B dos LB e mesmo outros solos.8 18. necessariamente.MG (4) Ap BA Bw2 0-25 40-58 110-153 10YR 3/2 7. favorecem a formação da hematita. 1990) e. mesmo sob condições de drenagem restrita. talvez. como.84 3. Ker & Resende. embora a mineralogia.2 9. os LB do sul apresentam quantidades maiores de vermiculita com hidroxi entre-camadas que os de Poços de Caldas e estes muito mais gibbsita que aqueles (Potter & Kämpf 1981.5 31.43 1. TiO2 e o Ki são maiores.4 30.4 25. 1986) com maior capacidade de retenção de água.7 17. frias e úmidas.49 3.8 3.5YR 5/6 2.24 3. pela complexação do ferro liberado pelo intemperismo.dag/kg -----------------Vacaria .8 31.02 1.2 20.RS (1) -------.8 18. A nível de campo.8 24.8 18. O fendilhamento relativamente intenso manifestado nestes solos é de difícil explicação.5YR 4/5 22.SC (2) Ap BA Bw2 0-23 47-72 6YR 3/2. particularmente no que se refere à cor.33 4. cm Cor SiO 2 Al O 2 3 Fe O 2 3 TiO 2 Ki V m +++ Al cmol c /kg -----------------.7 105-220 3.5 19.2 0.57 4. (3) EMBRAPA-IAPAR.9 21. Nos primeiros.5YR 4/5.% ------- Ap BA Bw2 0-11 37-54 90-135 10YR 3/4 7. haloisita (Palmiere.5 25.7 2.19 35 12 5 9 68 77 0.5 21.5YR 3/5 23. por exemplo. mais que qualquer outro fator.3 22. o fator de maior importância. seja a presença de elevados teores de matéria orgânica que. inibiria a formação da ferrihidrita. 1984.2 24. a tendência geral era reconhecer solos latossólicos de coloração amarelada .

Apesar de normalmente álicos e distróficos.Corte esquemático de uma climossequência de solos no Rio Grande do Sul. como Latossolos Vermelho-Amarelos. bruno-forte e vermelho-amarelada. mesmo porque o termo como empregado não é correto já que não é variação do conceito de Latossolo e sim de Latossolo Vermelho-Amarelo. são constatados desde solos muito gibbsíticos até aqueles mais cauliníticos.0. Observa-se (Quadro 7) que os Latossolos Variação Una são também muito variáveis quanto à mineralogia. Figure 6: Climosequence of soil developed from Basalt with increasing red colours to the bottom. porém com teores de ferro comparáveis aos de Latossolos Roxos. dos Latossolos com alto teor de Fe2O3 (> 18%) porém com cores mais amareladas que 2. 1979. No segundo esboço de classificação de solos brasileiros Bennema & Camargo (1964) propuseram a classe 5.2 e 2.. mostrando gradação de solos amarelados para avermelhados. EMBRAPASNLCS. 1988). 1977. refletindo o expressivo conteúdo de carbono orgânico. com teores médios a altos de Fe2O3 decorrentes da influência do material de origem: granulitos básicos e intermediários. independente dos teores de Fe2O3 provenientes do ataque sulfúrico. 1986. foi identificado no sul da Bahia. virtualmente sem atração magnética e índice Ki entre 0.. até hoje em vigor: solos minerais não hidromórficos. solo com a coloração anteriormente referida. Assim.. Com a publicação do Levantamento de Reconhecimento de Solos da Margem Direita do Rio São Francisco . Latossolo Húmico Esta classe engloba solos com B latossólico de horizonte A espesso. 1987. bem a acentuadamente drenados.. Alguns destes trabalhos. e referendado preliminarmente como unidade Una (Bennema & Camargo. com médios a altos teores de Fe2O3 (> 11%).5YR.Estado da Bahia (EMBRAPA-SNLCS. Desde o seu reconhecimento. De forma resumida. 1972. bem como aqueles oriundos de levantamentos pedológicos (EMBRAPA . para englobar solos como os da “unidade Una” e alguns Latossolos Concrecionários de coloração amarelada identificados por Feuer (1956) na região de Brasília. alguns perfis de Latossolos Variação Una eutróficos têm sido constatados no Brasil (Quadro 7). PALMIERI. Oliveira et al. foi assim definida: compreende solos minerais não hidromórficos.SNLCS. vários trabalhos foram desenvolvidos em materiais de Latossolos Variação Una de diferentes regiões do país e sob variados materiais de origem (Pessoa. 1986. com horizonte B latossólico com coloração mais amarelada que o matiz 3. 1964). 1991). C. Fonte: Adaptado de BRASIL. distróficos de textura argilosa e muito argilosa com horizonte B de cores bruno-amarelada. Carmo et al.5YR. muito profundos. o que significa dizer que perde o sentido o termo “variação”. com horizonte A variando do moderado ao húmico. 1977). Oliveira et al. 1984. biotita-gnaisse e diabásio. J.28 KER.3. Finalmente. no município de Una. até então reconhecidos. 1984. . normalmente maior que 60 cm. de coloração escura. porém quase que exclusivamente goethíticos. finalmente a classe “Latossolo Variação Una” apareceu como unidade taxonômica estabelecida. Já no início da década de sessenta. biotita-diorito. KER et al. Curi & Franzimeier..2. 1983) permitiram o estabelecimento da seguinte definição de Latossolo variação Una (Camargo et al. é importante destacar que os chamados “Latossolos Variação Una” constituem classe já com critérios de classificação estabelecidos. Figura 6 . a inferir-se pelo Ki.

82 2. 1993) e trabalho de levantamento (áreas depressionais na Chapada das Covas.14 1.3 ----------------. (3) KER & SCHAEFER.1 22.LATOSSOLOS DO BRASIL: UMA REVISÃO 29 Quadro 7: Características químicas de alguns Latossolos Variação Una do Brasil. 1977.6 21. álicos ou distróficos.66 1. não é incomum encontrar Latossolos Húmico com horizonte A de mais de 1 metro de espessura.5 KCl 4.8 5.4 22.4 8.1 0.26 0. Table 7: Chemical characteristic of some Una Variation Latosols in Brazil.8 0.10 4.32 - 0. o perfil 5.3 3.1 4.9 4. Latossolo Pálido Trata-se de classe de solo não reconhecida oficialmente no Brasil mas já referendada em viagem de correlação (Carvalho Filho et al. Em termos de áreas mais contínuas e mapeáveis.8 0.9 1.. Roxo.2 30.8 13.7 23.SNLCS.1 0.1 4.SNLCS.1 0.8 1.6 15.7 25.4 9.3 0.7 0.7 6.GO). município de Silvânia .0 29.2 3. (6) OLIVEIRA et al.56 17.0 1. 1993.0 0. Na excursão de pedologia do XXIV Congresso Brasileiro de Ciência de Solo.. normalmente em regiões de altitude.12 0.2 1.5 6. Os Latossolos Húmicos são.0 0. Fonte: Mapa de Solos do Brasil (EMBRAPA .2 4.45 1.90 3.9 29.13 2.00 3. 1977. 1995. particularmente em áreas que permitem maior acúmulo de matéria orgânica. A distrofia do sistema bem como as temperaturas amenas.0 5.7 8.3 20. 1981). Figure 7: Distribution of Humic Latosols in Brazil.. 1981) . favorecendo o acúmulo de matéria orgânica (RIBEIRO et al.3 0.1 1.5 0. (2) OLIVEIRA et al.0 6.dag/kg ---------------18.6 0.8 4. (EMBRAPA .5 0. na cabeceira do Córrego Taquara Figura 7: Representação esquemática da distribuição de Latossolos Húmicos no Brasil.cmol /kg -----------------c 0.39 ----------------. 1972).1 0. Bruno e Variação Una.2 6.3 1. em geral.17 1.50 - (1) EMBRAPA . Espírito Santo e Rio de Janeiro e Paraná com São Paulo e Santa Catarina (Figura 7).70 2.9 3. Vermelho-Escuro.5 Ca Mg Al H S T SiO 2 Al O 2 3 Fe O Ti O 2 3 2 Ki 1. ocorre de forma mais expressiva em regiões de clima ameno na divisa dos estados de Minas Gerais.6 27.10 0.5 4. Vermelho-Amarelo. 1991.3 0.0 4.1 11. (4) CARVALHO FILHO et al.0 1..20 1.9 20. (5) CARMO..5 6. 1983.2 0.SNLCS. inibem a atividade microbiana. Características Químicas pH Localização Una-BA (1) Gandu-BA (1) Manhuaçu-MG (2) Viçosa-MG (3) Brasília-DF (4) Rio Paranaíba-MG (5) Guaíra-SP (6) H 2O 5.58 1. Source: General soil map of Brazil. Em razão disso.1 6. da área experimental da UnB.8 5. Tem sido constatado nas áreas de domínio dos Latossolos Ferrífero.

ausência virtual de atração magnética. 1996). a ocorrência dos Latossolos com superfícies de aplainamento. 1996). neste último caso sendo considerado como solos-testemunho de condições climáticas pretéritas mais úmidas. mesmo antes da publicação das superfícies reconhecidas por KING (1956) para o Brasil Oriental. destacam que esta classe de solos. . Figura 8: Distribuição das áreas de ocorrência de Latossolos no Brasil. RELAÇÕES GERAIS ENTRE OS LATOSSOLOS E SUPERFÍCIES DE APLAINAMENTO NO BRASIL Os Latossolos encontram-se amplamente distribuídos pelo Brasil (Figura 8). Vários foram os estudos desenvolvidos em diferentes regiões do Brasil. relevo e material de origem. conforme Braun. com baixos teores de Fe2O3 (< 2. onde normalmente encontram-se os solos mais intemperizados (oxídicos) do Brasil. ainda que de forma generalizada. muito argiloso. ambos úmidos. sem coesão expressiva na transição do horizonte A com B latossólico. com baixos teores de Fe2O3 provenientes do ataque sulfúrico. caso venha a ser reconhecida oficialmente no sistema de classificação que ora se desenvolve no país. 1982 citado por LEPSCH & BUOL. Expressiva ainda é sua ocorrência no domínio dos Mares de Morros e Planalto das Araucárias e de pouca expressividade na Campanha Gaúcha (Almeida. 1986 (Figura 9). Isso reflete o maior tempo de exposição ao intemperismo e lixiviação. ocupa cerca de um terço da superfície do território nacional.DF. J. algumas delas depois estendidas para o resto do território brasileiro. 46% da área dos Cerrados e 21% do Domínio Semi-árido (Jacomine. respectivamente. ocorrendo praticamente em todas regiões do país sob diferentes condições climáticas. ocupa preferencialmente as partes mais estáveis da paisagem. Figure 8: Distribution of all Latosols types in Brazil. deverá englobar solos de coloração amarelo-pálida ou mesmo acinzentada com valor alto e croma baixo. Exemplo clássico de remanescentes de superfície do ciclo Sul Americano. C. . correlacionando. esta classe. Fonte: CAMARGO et al.5%) e coloração brunoamarelada-clara (10YR 6/6) e amarelo-brunada (10YR 6/7) nos horizontes Bw1 e Bw2. como verificada nos Latossolos Amarelos de textura argilosa dos tabuleiros costeiros. 1996) e Pantanal Mato Grossense. referem-se às amplas “chapadas” de relevo plano e suavemente ondulado do Planalto Central. foi tido como uma variação pálida do Latossolo Vermelho-Amarelo. Baseando-se em algumas constatações de campo. Os Latossolos ocupam cerca de 41% da área da Amazônia Legal brasileira (Rodrigues. Praticamente todos os estudos desenvolvidos objetivando estabelecer correlações entre a ocorrência dos Latossolos com superfícies geomórficas. O solo é caulinítico..30 KER. Em várias situações deverão contemplar solos intermediários para Plintossolos e Gleissolos. Como unidade dominante. normalmente correlacionadas com a Superfície Sul Americana (Terciário Inferior) de KING (1956). 1986.

também são constatados com frequência em determinados Latossolos (baseado em vários autores estudando Latossolos). em relação aos topos das elevações de segmentos da paisagem do sudeste mineiro. prevê o domínio de caulinita e óxidos de ferro e alumínio. Nestes casos. A magnetita pode ser importante fonte de elementos traços. Em tais áreas é também muito comum a ocorrência de solos podzólicos associados. o conceito central dos Latossolos. Sumarizando. Assim. à depender do tipo de material de origem. Fonte: Braun. com menores proporções de outros componentes na fração argila. anatásio. Isso tende a homogeneizar características químicas. morfológicas e mineralógicas. Na fração argila são variadas as quantidades de caulinita. uma confrontação das figuras 9 e 10. no sopé. Certamente. rutilo. permite uma visualização geral da grande concordância entre as áreas de domínio dos Latossolos do Brasil e aquelas do domínio dos ciclos Sul Americano e Velhas de KING (1956). correspondentes à superfície de aplainamento Velhas (Terciário Superior) do KING (1956). entre outros fatores. quoted by Lepsch & Buol (1986). neste caso. com menores quantidades de muscovita e alguns feldspatos potássicos quando derivados de rochas ácidas. com destaque para o basalto. . Magnetita e ilmenita com pequena proporção de quartzo prevalecem quando desenvolvem-se a partir de rochas básicas. Assim. Assim.LATOSSOLOS DO BRASIL: UMA REVISÃO 31 Figura 9: Distribuição generalizada de remanescentes de superfície referente à diferentes ciclos geomórficos descritos no Brasil. 1982 citado por LEPSCH & BUOL (1986). no caso do Brasil. 1984). Em áreas menos estáveis. que tais afirmativas são de caráter generalizado e exemplos de solos muito intemperizados em condições de relevo movimentado são comuns na paisagem brasileira. Na sua fração grosseira (silte + areia) prevalece quartzo. CORRÊA. MINERALOGIA Os Latossolos são considerados poligenéticos. são considerados solos de mineralogia relativamente simples. ilita. 1959. da intensidade do intemperismo e drenagem do sistema. gibbsita. Figure 9: General distribution of planation renmants of cyclic surfaces in Brazil. que ganha estabilidade na nova posição de depósito (OLLIER. também verifica-se Latossolos. CORRÊA (1984) destaca a ocorrência de Latossolos Vermelho-Amarelos mais espessos. são normalmente menos intemperizados e de mineralogia mais caulinítica. LEPSCH & BUOL. 1987. Menores proporções de vermiculita com hidroxi entre camadas. maghemita e mesmo haloisita. goethita e hematita. normalmente prevêse a deposição de material pré-intemperizado. Experimentaram diferentes situações climáticas ao longo de sua formação.

quando as condições do meio não forem favoráveis no que se refere à drenagem. verifica-se uma acumulação localizada de Fe+++ que. através de rearranjos internos e desidratação. Schwertmann. Onde a lixiviação não é tão intensa o alumínio liberado pode penetrar nas entre camadas de argilo minerais. Schwertmann & Taylor. é encontrada sob diversas condições ambientais. tendendo a ser a forma dominante nos solos (Schwertmann. Resende. concentrada em mosqueados ou sob a forma de plintita. regime de umidade e pH mais elevados. origina a hematita. a hematita também pode estar presente. 1976). 1977. tida como a forma mais estável. postula-se que em períodos de melhor drenagem (abaixamento do lençol freático). entretanto.5Y/7. todo alumínio liberado pelo intemperismo. independente dos teores de ferro que apresentem (Kämpf & Schwertmann. verifica-se a liberação de ferro. Bighman. Rodrigues. Mg. precipita como gibbsita. pode estar ausente em solos mais amarelados. Após intemperização. Neste caso. Kämpf. se fatores do meio não favorecem estas condições. são as principais formas de ferro presentes na fração argila dos solos mais intemperizados e de melhor drenagem (Schwetmann & Lentze. haverá dissolução da ferrihidrita e formação de goethita. Assim. se a taxa de liberação ultrapassar o produto de solubilidade deste óxido. 1985. oxida-se (Fe+++) e precipita como ferrihidrita. 1966. em geral. 1967. isto é. 1981. 1977). 1969. envolvendo. sempre mascarada pelo efeito pigmentante da hematita (Resende. sílica e íons diversos como Ca. em proporções variáveis porém. normalmente em estado divalente. menos solúvel que eles. Macías Vasquez.32 KER. Se as condições do meio foram favoráveis. inclusive a decomposição (dessilicificação) da caulinita. 1984. 1977. 1985). C. A goethita. resultando em menor complexação do ferro. Na. favorecendo a formação de gibbsita em detrimento da caulinita. parece relacionar-se com um ou ambos dos seguintes fatos: 1) as rochas ricas em ferro são originalmente pobres em sílica. termo genérico aqui empregado incluindo óxidos. maior mineralização da matéria orgânica e lixiviação de sílica (menor complexação do ferro). etc. Schwertmann. ou mesmo sob a forma de complexos orgânicos (Oades. sobretudo feldspatos. onde a gibbsita pode ser um dos primeiros produtos de neoformação: 2) intemperismo intenso e de longa duração. Estes óxidos são. Estas condições são normalmente observadas quando a drenagem é livre e as temperaturas. (Schwertmann & Taylor. Goethita (FeOOH). impingindo cores vermelhas (5R/ 5YR). Caso contrário. desde que o potencial de sílica do meio seja baixo. 1988). 1985). 1990). Dois mecanismos básicos têm sido propostos para explicar a origem da gibbsita em solos: 1) processo rápido de intemperismo nos estágios iniciais da alteração de aluminossilicatos. J. Resende. baixa atividade de sílica em solução e baixos teores de matéria orgânica. pela maior solubilidade tendem a ser lixiviados do sistema. Embora a gibbsita seja considerada um mineral de ocorrência comum em diferentes classes de solos sob condições climáticas diversas.5YR) e hematita (Fe2O3). O pH de máxima estabilidade da gibbsita é 5. Normalmente. Peculiaridade comum tanto de goethitas como de . Kämpf. encontram-se entre os principais componentes da fração argila dos Latossolos. também. Normalmente a gibbsita pode originar-se a partir de uma gama considerável de materiais de origem. 1977. 1988). 1985. baixas atividades de sílica e bases em solução são requeridas (Harrinson. 1983). embora quantidades maiores deste mineral têm sido constatadas em rochas mais ricas em ferro (Moniz. com grau de cristalinidade variado. este mineral é tido como o necessário precursor da hematita (Schwertmann & Taylor. precipita-se como goethita. em geral. 2) óxidos de ferro livre absorveriam a sílica não permitindo ou reduzindo sua capacidade de combinar-se com o alumínio para formar caulinita. de acordo com Resende (1976). menos estável. Estes últimos. mineral de pior cristalinidade. o ferro liberado passa para solução. formando. Deve-se destacar que. as vermiculitas com hidroxi entre-camadas. Schwertmann 1994). favorecendo as maiores taxas de intemperismo (liberação do ferro). K. onde a intensidade de intemperismo e lixiviação são maiores. processo este determinado efeito anti-gibbsítico por Jackson (1964). Esta tendência. 1933. porém mais que o ferro e alumínio também tende a sair a depender da drenagem do meio. persistiria no sistema devido às alterações das condições de pH. Por outro lado. ocorrem dispersos na massa do solo sob a forma de partículas finamente divididas . Segalen. Kämpf. Ocorre. quantidades mais expressivas deste mineral tendem a ser encontradas nos Latossolos. 1982. Gomes. 1988. 1976. Silva. capeando minerais de argila. pedogenéticos e originam-se de minerais primários contendo ferro em suas estruturas. Gibbsita Durante o intemperismo de minerais primários e mesmo silicatos secundários. a ferrihidrita. Assim. condições de drenagem desimpedida. 1976). 1976. 1979). alumínio. hidróxidos e oxi-hidróxidos. responsável pelas cores (matizes) amarelas ou brunadas dos solos (2. Em qualquer um dos casos. Aantonello. Os Latossolos Brunos do Sul do Brasil parecem obedecer a este modelo de Jackson (Ker & Resende. mesmo com a alteração das condições do meio para situações de drenagem mais restrita. Óxidos de Ferro Os óxidos de ferro.2 (Lindsay. Já esta última. em solos bastante avermelhados (Latossolos Roxos e Vermelho-Escuros). A sílica. 1963.

1985). Solos Materiais Ferruginosos de Lagos Concreções em Solos Hidromórficos Solos Hidromórficos Latossolos e Cambissolos Latossolos. maior atividade de alumínio em solução (Schwertmann.MÖLLER.PALMIERI. O grau de substituição isomórfica na estrutura dos óxidos de ferro. 1985). da titano magnetita herdada do próprio material de . Bognolla. O efeito da substituição do ferro por alumínio na estrutura cristalina destes minerais. provavelmente em razão da maior acidez e. observa-se (Quadro 8) uma mais aluminizadas tendem a ser menos susceptíveis à redução (Schwertmann. apresentariam maior área específica e reatividade. relação inversa entre a substituição isomórfica na goethita e teores de gibbsita. Este autor destaca ainda variação na substituição ao longo do perfil. devido ao menor raio iônico do alumínio (0. 1985.40 7 . 1986. ou mais testada em solos. 3 . refere-se à diminuição do tamanho da célula unitária. é a maghemita (Rauen. à sua menor substituição isomórfica em relação à goethita.SCHWERTMANN & KÄMPF. Schulze. destacam como possível causa da maior dissolução da hematita. 1986. Assim. 1995. A afirmativa do parágrafo anterior deve ser vista com ressalvas. por exemplo. tendência de maiores valores de substituição. Table 8: Isomorphic replacement of Al in goethite in soils and other materials from different parts of the word. favorecida pela presença de compostos orgânicos.FITZPATRICK & SCHWERTMANN.33 4 5 6 7 8 1 . 5 . Möller. observou para solos latossólicos e podzólicos de Minas Gerais. Pelo quadro 8 observa-se menor tendência de substituição isomórfica na goethita em condições de hidromorfismo. estes óxidos de ferro aluminizados. na estrutura da goethita e mesmo hematita tem sido correlacionada com algumas condições ambientais. ditada por valores mais elevados de pH.25 Referência 1 1 2 3 Sul do Brasil Triângulo Mineiro Brasil Central Várias regiões do Brasil Sul do Brasil 10 6 12 17 14 13 .10 11 . 1995. 1991 1961. pelo menos para óxidos sintéticos. parece correlacionar-se com a estabilidade destes óxidos no ambiente.KER. por sua vez. 1983.SCHWERTMANN. 4 . 1996). 8 . em relação ao do ferro (0. sobretudo aqueles avermelhados e desenvolvidos de rochas máficas e itabiríticas. 2 .. Valores máximos de substituição da ordem de 46 e 23 moles de Al% têm sido constatados para goethitas e hematitas naturais. Em geral.CURI. Pelo menos em ambiente heterogêneo como o do solo.LATOSSOLOS DO BRASIL: UMA REVISÃO 33 hematitas de solos e de outros ambientes naturais referese à substituição do ferro pelo alumínio em suas estruturas cristalinas. Neste contexto.053 nm). a substituição na goethita é praticamente o dobro que a da hematita (Schulze. 1982. Schwertmann.065 nm). Em condições de melhor drenagem. Macedo & Bryant (1987) em estudos de solos do Planalto Central do Brasil. as goethitas parecem mais estudadas e alguns resultados de substituição isomórfica do ferro pelo alumínio são apresentados no quadro 8. particularmente no caso de Latossolos. 1976. consequentemente. Sua origem parece estar ligada à oxidação total ou parcial da magnetita (Schwertmann & Taylor. 1991. 1985. atividade biológica e lençol freático elevado. Cambissolos. os Latossolos mais gibbsíticos tenderiam a apresentar óxidos de ferro mais aluminizados. 1977). portanto. Curi. 6 . Terra Bruna e Roxa Latossolos Latossolos Latossolos Latossolos Localização Finlândia Europa Central África do Sul Sul do Brasil Amostras 16 10 44 47 Subst. 1980. possivelmente pela menor atividade do alumínio em solução nestas condições..RESENDE. respectivamente. 1982). Ker. 1983. A substituição isomórfica do ferro pelo alumínio. 7 . Em consequência. 1985). Ker. Rezende (1980). Um outro óxido de ferro bastante comum em Latossolos brasileiros. 1995). Goethitas Quadro 8: Valores de substituição isomórfica do ferro pelo alumínio na estrutura da goethita de solos e de outros materiais de várias partes do mundo.22 30 24 . Resende et al. cerca de 20% menor (Norrish & Taylor. Al (mol %) <3 <3 0 . 1982. 1987.36 13 . esta relação nem sempre tem sido observada (Gualberto et al.

6º 2 θ para as mesmas fontes de radiação (Figura 10). Mestdagh et al. Nestes casos além da possível contribuição do ferro como substituinte do alumínio nos octaedros de caulinita. respectivamente. 1982. cor. acomodados em sua estrutura sem promover desorganização (Mestdagh et al. empacotamento de camadas. sobretudo cobre. onde são estabelecidas relações entre as intensidades de alguns picos e/ou a alteração da linha de base do difratômetro quando caulinitas de melhor e pior cristalinidade são avaliadas. Todas estas condições são comuns nos trópicos e justificam a grande abundância deste mineral na fração argila dos solos tropicais. pois se assim o fosse. Dentre os vários índices propostos. Herbillon. CAses et al. 1985). Tal índice baseiase na relação entre h 1 e h2. 1968. ou secundários (degradação de argilas 2:1). vários estudos têm apontado relação inversa entre o conteúdo de ferro e índices de cristalinidade de caulinitas (Plaçon & Tchoubar. destacandose os feldspatos e as micas. por sua vez. favorecem sua gênese (Jackson &Schwertmann.34 KER. 1980). A exemplo da magnetita.0 para caulinitas da fração argila desferrificada de nove Latossolos brasileiros com diferentes teores de ferro (Quadro 9). 1979. Figure 10: Kaolinite peaks obtained by DRX anel used for calculation of crystalillinity radex proposed by Hughes & Brown 1979). Figura 10: Picos de caulinita em duas regiões do difratograma de Raios-X utilizados no cálculo do índice de cristalinidade de HUGHES & BROWN (1979). As caulinitas dos solos são normalmente de pior cristalinidade que aquelas de depósitos geológicos (Hhghes & Brown. de forma e estrutura cristalina definidas. com destaque para os Latossolos. Caulinita A caulinita é um dos minerais mais abundantes na crosta terrestre. De forma mais expressiva. 1977. dentre elas (material de origem. 1953. e melhor expressão de sua cristalinidade. J. nos solos. 1982). condições de clima mais quente e úmido.. bastante variável no que se refere ao tamanho.0 e 15. Vários métodos empíricos vêm sendo empregados visando estabelecer índices de “cristalinidade” de caulinitas. pela transformação de outros óxidos de ferro pedogenéticos por aquecimento. a prática da queima poderia levar à sua formação (Schwertmann. 1981. 1995). drenagem livre porém sem que se verifique uma lixiviação excessiva de sílica do sistema. a substituição do alumínio por ferro nas posições octaedrais causando desorganização estrutural da caulinita tem sido mais comentada e aceita.. Keller. nos cerrados brasileiros este mineral seria comum o que não é realidade. 1980). Assim. e muito aquém daqueles obtidos para caulinita de boa cristalinidade como a Ka-Ba (Quadro 9) e outras de várias partes do mundo. onde o h 1 refere-se a intensidade do pico da caulinita entre 22 e 17º 2 θ ou 24 e 20º 2 θ para CuK e CoK. A maioria deles baseia-se na difratometria de raios-X. e h2 a depressão verificada próximo a 44º ou 37. 1980). sua origem no solo parece mais relacionada à herança ou transformações a partir de rochas máficas e itabiríticas. 1986). particularmente em se tratando de solos desenvolvidos de rochas máficas. tem-se na verdade. origem (Resende et al. uma verdadeira família englobada sob a denominação caulinita. Várias tem sido as razões apontadas para isso. em consequência. em condições ambientais diversas. C. Assim. Embora muitas vezes seja referida como um mineral simples. zinco e níquel (Ker. porém inibindo sua nucleação e.. Dixon. Ker (1995) encontrou valores de índice de cristalinidade entre 8. postula-se também a participação deste elemento e mesmo titânio. sua principal característica reside na elevada atração magnética que. Calvert. e meio ácido. Em solos brasileiros. 1989). Assim. porém não exclusivamente. . Origina-se a partir da alteração de um número considerável de minerais primários. Neste último caso.. Estes valores encontram-se em harmonia com aqueles encontrados por Hughes & Brown (1979) para solos da Nigéria. imperfeições cristalográficas etc (Cases et al.. Moniz (1967) e Resende (1976) destacam a ocorrência de caulinitas mais desordenadas naqueles desenvolvidos de rochas máficas. Isso não tem sido verificado na prática. drenagem). tem revelado boa correlação com o conteúdo de alguns elementos traços presentes nos solos. o de Hughes & Brown (1979) tem sido empregado para avaliação da cristalinidade de caulinita em solos. ou ainda.

da Seção de Mineralogia da ORSTOM. A primeira pelo seu poder de complexação dos pesticidas. Se a lixiviação (infiltração) e a erosão exportam. quer poluindo com toda sorte de resíduos de produtos atinentes à atividade agrícola (corretivos. em geral. 150p. Ka-Bahia LR LE LE LU LU LV LV LA/LV LR IC 80.2. 1989). Millot. a erosão é inevitável e séria. V. de goethita e de gibbsita no solo. Material Ka-Ba (1) K2 K16 K22 K21 K24 K7 K11 K20 K4 Clas.S. (Corlat Technical Publication. Bondy . Os valores encontrados (Quadro 10) revelam que as caulinitas de solos apresentam áreas superiores àquela obtida para uma caulinita bem cristalizada proveniente de depósitos geológicos da Georgia . 1). entre outros aspectos. O papel do solo como ambiente de decomposição e reação passa a ser decisivo na qualidade do ambiente (Resende & Ker. RELAÇÃO ENTRE PROPRIEDADES QUÍMICAS. draft version 1. adubos e pesticidas em geral). Neste contexto. Viçosa.R. empregou a fórmula da área do cilindro para a determinação de suas superfícies específicas na fração argila de Latossolos brasileiros. Isso favorece a lixiviação.. muito permeáveis. Cronocromosequência de solos originários de rochas pelíticas do Grupo Bambuí. G. Novais et al. citados por Herbillon. J. mesmo. 1988). a reatividade modifica. maior que o efeito da concentração salina. Nessa classe de solo. Isso. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALEVA. 1992. Este papel dos óxidos. FÍSICAS E MINERALÓGICAS DOS LATOSSOLOS E ASPECTOS AMBIENTAIS Os Latossolos são. The CORLAT Handbook. Por sua expressão e situação geográfica.. UFV. Brussels. 1979).) ALMEIDA. baseando-se em informações de literatura. a matéria orgânica e os óxidos do solo são de Quadro 9: Valores de Índice de Cristalinidade (IC) de caulinitas do horizonte B de Latossolos e depósito geológico de acordo com Hughes & Brown (1979).0 8.USA. Os Latossolos têm alto poder de adsorção de fósforo (Leal.0 9. raio de 200 nm e altura igual ao diâmetro médio do cristalito perpendicular ao seu plano 001. arbitrou.J. argilosa ou muito argilosa quando gibbsíticos. reflorestamento e pastagens). . cedida pela M. (Tese M. quer assoreando. Esta permeabilidade é função da textura e da própria mineralogia. também tem sido registrado em sedimentos aquáticos de estuários brasileiros (Lacerda et al.LATOSSOLOS DO BRASIL: UMA REVISÃO 35 Embora a cristalinidade da caulinita não esteja diretamente relacionada com seu tamanho (Oberlin et al. são os mais permeáveis (Ferreira. Table 9: Crystalinity index of kaolinites of B horizons of Latossols and geological deposits (after Hughes & Brown. Ker.0 11.0 11. 91p. A adsorção tende a aumentar com os teores de argila.A. Para tanto.França suma importância.. Em consequência da intensa utilização agrícola. Estes dois fatores: erosão e infiltração comprometem os mananciais de água. International Soil Reference and Information Center. Isso reduz muito os perigos de eutrofização de lagos uma preocupação constante dos ambientalistas.. 1961 e Wiewora & Brindley. 1996). 1980). tem-se observado que caulinitas de solos normalmente apresentam áreas específicas maiores que aquelas de depósitos geológicos de melhor cristalinidade. sendo comuns duas safras/ano agrícola nas áreas onde a precipitação pluviométrica é suficiente e bem distribuída. 1979.0 8. 1969. ALMEIDA. principalmente os de ferro e manganês.J. a única exceção são os Latossolos Amarelos. Cr. são os menos permeáveis. 1971. Pb etc). pela sua capacidade de reação com alguns elementos no solo.H. ou três quando sob irrigação. apesar de que técnicas e o grau de conscientização do agricultor venham melhorando ultimamente. Ker (1995) assumindo formas mais ou menos equidimencionais para caulinitas de solos. 1995). In: ALVAREZ. Aqueles de textura média ou. A adsorção de P é rápida e uma vez adsorvido sua dessorção se torna tão mais difícil quanto maiores os teores de goethita e gibbsita (Figura 11).0 15. Os segundos. Solos dos pampas. condição de relevo.0 14.0 6.0 (1) Caulinita proveniente da Bahia. 1991. J. os Latossolos constituem a classe de solo de maior utilização agrícola no país (inclui: cultivos diversos.V. às vezes potencialmente prejudiciais à saúde (Cd.0 15.

Malaysia.C. 1996. Mineralogia de argilas desferrificadas de “horizonte B” em latossolos do Sudeste e Sul do Brasil. incluídas para comparação. Rio de Janeiro. classificação e aptidão agrícola de uma sequência de solos do terciário na região de Campos . Gênese de uma sequência de solos de rochas alcalinas do maciço alcalino do Itatiaia. EMBRAPA .nm G1 (1) G2 K1 K2 K6 K17 K18 K23 K26 K27 K16 K22 K9 K13 K15 K21 K24 K28B1 K28B2 K3 K7 K8 K11 K20 K25 K14 K4 K5 Ka . 298-306.P. 1985. UFRRJ.L. p.C. Caracterização. 3.In: Reunião de classificação. Itaguaí. gênese. Espec.S.H.M.. 17p.L.. 273p.N.. 1988. M.E. Os solos nos grandes domínios morfoclimáticos do Brasil e o desenvolvimento sustentado. (Tese D. Anais. Quadro 10: Superfície específica e dimensão média dos cristalitos avaliadas nas reflexões 001 (DMC001) de caulinitas da fração argila de horizontes B de Latossolos do Brasil.A. & CAMARGO. J. (Tese D. Viçosa. MÖLLER. 1964. L. Rio de Janeiro. Table 10: Specific surface and cristalite dimension of kaolinites from clay fraction of B horizons of Latosols in Brazil. SBCS/UFV. FONTES. J. 1986.Georgia Ka . mineralogia.F. J. Divisão de Pedologia e Fertilidade do Solo.RJ. FONTES. Eletroquímica de solos tropicais de carga variável.. W.L. ANJOS.). (Tese M. UFRJ.S. (mineogr. . C.185-210. 1982. Ministério da Agricultura.. Materiais Identificação/ Classificação DMC001 . R. Rio de Janeiro. do Departamento de Solos da Universidade Federal de Viçosa (G1 e G2. eds.O. Some remarks on brazilian latosols in relation to the oxisols of soil taxonomy. 1988. Proceedings. m2/g 15 38 34 50 30 21 30 30 50 28 39 50 33 24 33 44 44 25 23 21 33 23 38 30 52 35 23 25 (1) Caulinitas de depósitos geológicos. BENNEMA . L. L. M..S.) ANTONELLO.N. DURIEZ.F.A. p. MONIZ. & CAMARGO.36 KER. L. A.. Segundo esboço parcial de classificação de solos brasileiros.Georgia LR LR LR LR LR/LE LR LR LR LE LE LU LU LU LU LU LU LU LV LV LV LV LA/LV LB LB/TB LP LP 107 38 24 18 34 58 34 34 18 38 24 18 30 46 49 21 21 49 49 58 30 49 25 34 17 28 49 43 Caulinita Sup.SBCS. M. respectivamente).. Itaguaí. geoquímica e micromorfologia. BARRETO. In: Internation soil classification workshop. 1978. UFRRJ. RJ. de melhor e pior cristalinidade.) BENNEMA . cedidas pelo professor Liovando Marciano da Costa. 2. correlação de solos e interpretação de aptidão agrícola. 194p. M. capacidade da dupla camada elétrica.) ANTONELLO. 262p.SNLCS . Rio de Janeiro.

LATOSSOLOS DO BRASIL: UMA REVISÃO 37 Figura 11: Fósforo recuperado em quatro tratamentos sucessivos com resina de troca aniônica de alguns Latossolos brasileiros (L = Latossolo.S. J. Viçosa..N. Ministério da Agricultura.H. Serviço nacional de Levantamento e Conservaçõ do Solo . 29-31 (Circular Técnica 1) CAMARGO.. CALVERT. Serviço Nacional de Pesquisas Agronômicas. (Tese M.SNLCS. Divisão de Pesquisa Pedológica. 28). SSD . 1960.E. Rio de Janeiro. U = Una. Boletim 13). p. Comissão de Solos. YVON. Recife. LIETARD.M.) CAMARGO. p. 1973. Conceituação sumária de algumas classes de solos recémreconhecidas nos levantamentos e estudos de correlação do SNLCS. Convênio MA/DNPES-SUDENE/ DRN. média = textura média.P. M.S. Levantamento exploratório-reconhecimento de solos do Estado do Ceará. 1987. Goiânia. 1977. 1982. BRASIL. (Tese Ph.N. J. KAUFFMAN. Serviço Nacional de Pesquisas Agronômicas. bras. N. 350p. MG. 1971. Lavras. Ministério da Agricultura. 12(1): 11-33. (Boletim Técnico.. FRAGA. 1993. 8::235-240.. Caracterização química.EMBRAPA . CARVALHO. CARMO. Caracterização e gênese de latossolos da região do Alto Paranaíba (MG). A. CURI. A. M. Conceituação sumária de algumas classes de solos recém-reconhecidas nos levantamentos e estudos de correlação do SNLCS. and supplemental laboratory techniques. Rio de Janeiro. Serviço nacional de Levantamento e Conservaçõ do Solo . In: EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA.LDD.). Solo. Boletim 11). C. (Boletim Técnico. Proposição preliminar de conceituação de latossolos ferríferos. Levantamento de reconhecimento de solos da região son influência do reservatório de Furnas. Serviço Nacional de Pesquisas Agronômicas. 1996.SNLCS.) CARMO. Caracterização. física e mineralógica de solos intermediários entre Latossolos Brunos e Latossolos Roxos. UFV.G. (mimeogr. O. 634p. E = Vermelho-Escuro. OLIVEIRA. Conceituação de Latossolo Bruno.F. MG. Étude des . Rio de Janeiro. Convênio MA/ DNPES-SUDENE/DRN. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIA DO SOLO. Iron mineralogy of red-yellow hued ultisols and oxisols as determined by Mössbauer Spectroscopy X-ray diffractometry. 1984.EMBRAPA . Centro Nacional de Ensino e Pesquisas Agronômicas. Texas.. J. A. KLAMT. Figure 11: Recovered P after four sucessive treatments with amonic resin of Brazilian Latosols. n. (Tese M. . Divisão de Pesquisa Pedológica. (SNPA. BRASIL.. Rio de Janeiro. 502p. (Boletim Técnico. Raleigh. 530p. 1977. MOTTA. Levantamento de reconhecimento dos solos do Estado de São Paulo. Centro Nacional de Ensino e Pesquisas Agronômicas. Rio de Janeiro.D.) CASES.F. BRASIL. m. 1958. BRASIL. 1981. Ministério da Agricultura. I. 1982.N. North Caroline State University. 1971. Chemistry and mineralogy of iron substituted kaolinite in natural and synthetic systems. Divisão de Pesquisa Pedológica.. Levantamento de reconhecimento dos solos do Estado do Mato Grosso.N. Recife. DNPEA. BRASIL. Levantamento exploratório-reconhecimento de solos do Estado do Rio Grande do Norte.A. Bangkok. gênese e uso de latossolos sob cerrado no município de Rio Paranaíba.A. = textura muito argilosa).p. (SNPA. 224p.D. 24. E. DELOM. Comissão de Solos. Guia de escursão de pedologia. J. Comissão de Solos. 1962. A & M University. Levantamento de reconhecimento dos solos do Estado do Rio de Janeiro e Distrito Federal. 1995. DNPEA. (SNPA.M. 462p. D. R. In: EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA.. Ministério da Agricultura. 233-235. Boletim Informativo da Sociedade Brasileira de Ciência de Solo. 205p. Ci. ESAL. 74p. (Tese Ph. BIGHAM. MA/CONTAP/USAID/ETA. Boletim 12). Fonte: KER. D. V.S. P. Rio de Janeiro.. RESENDE. 839p. (Circular Técnica 1) CARVALHO FILHO. A = Amarelo. Ministério da Agricultura. 21). Ministério da Agricultura. J.. MA/USAID/BRASIL. BRASIL. 18). 1979. M. Classificação de solos usada em levantamento pedológico no Brasil. DNPEA. 165p. Centro Nacional de Ensino e Pesquisas Agronômicas.) BOGNOLA. arg.

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