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O Aniicrisio. Ensaio dc una Críiica do
Crisiianisno
(1895}
FricdricI WilIcln NicizscIc
Fonic original.
NicizscIc´s LalyriniI
Traduçao
Andrc Dís¡orc Cancian
Aicus¸aicus.nci

Vcrsao ¡ara cDool
cDoolsDrasil.con

Fonic Digiial
www.aicus.nci/

© 2002 ÷ FricdricI WilIcln NicizscIc
3

ÍNDICE
Prcfacio
01 ÷ 02 ÷ 03 ÷ 04 ÷ 05
06 ÷ 07 ÷ 08 ÷ 09 ÷ 10
11 ÷ 12 ÷ 13 ÷ 14 ÷ 15
16 ÷ 17 ÷ 18 ÷ 19 ÷ 20
21 ÷ 22 ÷ 23 ÷ 24 ÷ 25
26 ÷ 27 ÷ 28 ÷ 29 ÷ 30
31 ÷ 32 ÷ 33 ÷ 34 ÷ 35
36 ÷ 37 ÷ 38 ÷ 39 ÷ 40
41 ÷ 42 ÷ 43 ÷ 44 ÷ 45
46 ÷ 47 ÷ 48 ÷ 49 ÷ 50
51 ÷ 52 ÷ 53 ÷ 54 ÷ 55
56 ÷ 57 ÷ 58 ÷ 59 ÷ 60
61 ÷ 62
Lci Conira o Crisiianisno
Noias
4

O Anticristo
Ensaio de uma Crítica do Cristianismo
Friedrich Wilhelm Nietzsche
5

Prefácio
Estc ííu¡o ¡c¡tcncc uos Ioncns nuís ¡u¡os.
Tuíucz ncnIun dcícs scquc¡ cstc¡u uíuo. E ¡ossìucí
quc sc cncont¡cn cnt¡c uqucícs quc con¡¡ccndcn
o ncu °Zu¡utust¡u¨. cono cu poder1o nístu¡u¡-nc
uqucícs uos quuís sc ¡¡cstu ouuídos utuuíncntc¯
÷ Soncntc os díus uíndou¡os nc ¡c¡tcnccn.
Aíguns Ioncns nusccn ¡òstunos.
As condíçocs soI us quuís sou con¡¡ccndído,
soI us quuís sou neoessor1omen1e con¡¡ccndído
÷ conIcço-us nuíto Icn. Pu¡u su¡o¡tu¡ nínIu
sc¡ícdudc, nínIu ¡uíxuo, c ncccssu¡ío ¡ossuí¡
unu íntcg¡ídudc íntcícctuuí ícuudu uos íínítcs
cxt¡cnos. Estu¡ ucostunudo u uíuc¡ no cíno dus
nontunIus ÷ c uc¡ u ínundìcíc ¡oíìtícu c o
nucíonuíísno obo1×o dc sí. Tc¡ sc to¡nudo
índí¡c¡cntc; nuncu ¡c¡guntu¡ sc u uc¡dudc sc¡u útíí
ou ¡¡c¡udícíuí... Possuí¡ unu íncíínuçuo ÷ nuscídu
du ¡o¡çu ÷ ¡u¡u qucstocs quc níngucn ¡ossuí
co¡ugcn dc cn¡¡cntu¡; ousudíu ¡u¡u o pro1b1do;
¡¡cdcstínuçuo ¡u¡u o íuIí¡ínto. Unu cx¡c¡ícncíu dc
sctc soíídocs. Ouuídos nouos ¡u¡u núsícu nouu.
OíIos nouos ¡u¡u o nuís dístuntc. Unu
conscícncíu nouu ¡u¡u uc¡dudcs quc utc ugo¡u
¡c¡nunccc¡un nudus. £ un dcsc¡o dc ccononíu
cn g¡undc cstíío ÷ ucunuíu¡ suu ¡o¡çu, scu
cntusíusno... Auto-¡cuc¡cncíu, uno¡-¡¡ò¡¡ío,
uIsoíutu ííIc¡dudc ¡u¡u consígo...
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Muíto Icn! A¡cnus csscs suo ncus ícíto¡cs,
ncus uc¡dudcí¡os ícíto¡cs, ncus ícíto¡cs
¡¡cdcstínudos. quc ín¡o¡tuncíu tcn o res1o¯ ÷ O
¡csto c soncntc u Iununídudc. ÷ E ¡¡ccíso
to¡nu¡-sc su¡c¡ío¡ u Iununídudc cn ¡odc¡, cn
grondezo dc uínu ÷ cn dcs¡¡czo...
FrIedrIcb NIetzscbe
7

I
÷ OlIcnos-nos facc a facc. Sonos
Ii¡crlorcos(1} ÷ salcnos nuiio lcn quao
rcnoia c nossa norada. ºNcn ¡or icrra ncn ¡or
nar cnconiraras o caninIo aos Ii¡crlorcos".
ncsno Píndaro, cn scus dias, salia tunto solrc
nos. Alcn do Noric, alcn do gclo, alcn da no¡tc
÷ nossu vida, nossu fclicidadc... Nos dcscolrinos
cssa fclicidadc; nos conIcccnos o caninIo;
rciiranos cssa salcdoria dos nilIarcs dc anos no
lalirinio. Qucn nuís a dcscolriu? ÷ O Ioncn
nodcrno? ÷ ºEu nao conIcço ncn a saída ncn a
cnirada; sou iudo aquilo quc nao salc ncn sair
ncn cnirar" ÷ assin sus¡ira o Ioncn
nodcrno... Essc c o ii¡o dc nodcrnidadc quc nos
adocccu ÷ a ¡az indolcnic, o con¡ronisso
covardc, ioda a viriuosa sujidadc do nodcrno Sin
c Nao. Essa iolcrancia c íu¡gcu¡(2} dc coraçao quc
iudo º¡crdoa" ¡orquc iudo ºcon¡rccndc" c un
siroco(3} ¡ara nos. Anics vivcr no ncio do gclo
quc cnirc viriudcs nodcrnas c ouiros vcnios do
sul!... Fonos lasianic corajosos; nao ¡ou¡anos a
nos ncsnos ncn os ouiros; nas lcvanos un
longo icn¡o ¡ara dcscolrir uondc dirccionar
nossa coragcn. Tornano-nos irisics; nos
cIanaran dc faialisias. Nosso dcsiino ÷ clc cra
a ¡lcniiudc, a icnsao, o ucunuíu¡ dc forças.
TínIanos scdc dc rclan¡agos c grandcs fciios;
naniivcno-nos o nais longc ¡ossívcl da
8
fclicidadc dos fracos, da ºrcsignaçao"... Nosso ar
cra cn¡csiuoso; nossa ¡ro¡ria naiurcza iornou-
sc sonlria ÷ ¡oís uíndu nuo Iuuìunos
cncont¡udo o cunínIo. A fornula dc nossa
fclicidadc. un Sin, un Nao, una linIa rcia, una
nctu...
9

II
O quc c lon? ÷ Tudo quc auncnia, no
Ioncn, a scnsaçao dc ¡odcr, a voniadc dc ¡odcr,
o ¡ro¡rio ¡odcr.
O quc c nau? ÷ Tudo quc sc origina da
fraqucza.
O quc c fclicidadc? ÷ A scnsaçao dc quc o
¡odcr uuncntu ÷ dc quc una rcsisicncia foi
su¡crada.
Nao o conicniancnio, nas nais ¡odcr; nao a
¡az a qualqucr cusio, nas a gucrra; nuo a
viriudc, nas a cficicncia (viriudc no scniido da
Fcnasccnça, uí¡tu(1}, viriudc dcsvinculada dc
noralisnos}.
Os fracos c os nalogrados dcvcn ¡crcccr.
¡rinciro ¡rincí¡io dc nossu caridadc. E rcalncnic
dcvc-sc ajuda-los nisso.
O quc c nais nocivo quc qualqucr vício? ÷ A
con¡ai×ao ¡osia cn ¡raiica cn nonc dos
nalogrados c dos fracos ÷ o crisiianisno...
10

III
O ¡rollcna quc aqui a¡rcscnio nao consisic
cn rcdiscuiir o lugar Iunanidadc na cscala dos
scrcs vivcnics (÷ o Ioncn c un fin ÷}. nas quc
ii¡o dc Ioncn dcvc scr c¡íudo, quc ii¡o dcvc scr
¡¡ctcndído cono scndo o nais valioso, o nais
digno dc vivcr, a garaniia nais scgura do fuiuro.
Esic ii¡o nais valioso ja c×isiiu lasianics
vczcs no ¡assado. nas scn¡rc cono un
aforiunado acidcnic, cono una c×ccçao, nunca
cono algo dclilcradancnic dcsc¡udo. Con nuiia
frcqucncia cssc foi ¡rccisancnic o ii¡o nais
icnido; aic ao ¡rcscnic foi considcrado
¡raiicancnic o icrror dos icrrorcs; ÷ c dcvido a
cssc icrror, o ii¡o conirario foi dcscjado, culiivado
c utíngído. o aninal doncsiico, o aninal dc
rclanIo, a docniia lcsia Iunana. o crisiao...
11

IV
Pclo quc aqui sc cnicndc cono ¡rogrcsso, a
Iunanidadc ccriancnic nuo rc¡rcscnia una
cvoluçao cn dircçao a algo nclIor, nais foric ou
nais clcvado. Esic º¡rogrcsso" c a¡cnas una
idcia nodcrna, ou scja, una idcia falsa. O
Euro¡cu dc Iojc, cn sua csscncia, ¡ossui nuiio
ncnos valor quc o Euro¡cu da Fcnasccnça; o
¡roccsso da cvoluçao nuo significa
ncccssariancnic clcvaçao, nclIora,
forialccincnio.
É lcn vcrdadc quc cla icn succsso cn casos
isolados c individuais cn varias ¡arics da Tcrra c
sol as nais variadas culiuras, c ncsscs casos
ccriancnic sc nanifcsia un ii¡o su¡c¡ío¡; un
ii¡o quc, con¡arado ao rcsio da Iunanidadc,
¡arccc una cs¡ccic dc su¡cr-Ioncn. Tais gol¡cs
dc soric scn¡rc foran ¡ossívcis c, ialvcz, scn¡rc
scrao. Aic ncsno raças iniciras, irilos c naçõcs
¡odcn ocasionalncnic rc¡rcscniar iais diiosos
acidcnics.
12

V
Nao dcvcnos cnfciiar ncn cnlclczar o
crisiianisno. clc iravou una gucrra dc noric
conira csic ii¡o dc Ioncn su¡c¡ío¡, anaicnaiizou
iodos os insiinios nais ¡rofundos dcssc ii¡o,
dcsiilou scus concciios dc nal c dc naldadc
¡crsonificada a ¡ariir dcsscs insiinios ÷ o
Ioncn foric cono un rc¡rolo, cono ºdcgrcdado
cnirc os Ioncns". O crisiianisno ionou o ¡ariido
dc iudo o quc c fraco, lai×o c fracassado; forjou
scu idcal a ¡ariir da o¡osíçuo a iodos os insiinios
dc ¡rcscrvaçao da vida saudavcl; corron¡cu aic
ncsno as faculdadcs daquclas naiurczas
iniclcciualncnic nais vigorosas, cnsinando quc
os valorcs iniclcciuais clcvados sao a¡cnas
¡ccados, dcscaninIos, icniaçõcs. O c×cn¡lo
nais lancniavcl. o corron¡incnio dc Pascal, o
qual acrcdiiava quc scu iniclccio Iavia sido
dcsiruído ¡clo ¡ccado original, quando na
vcrdadc iinIa sido dcsiruído ¡clo crisiianisno! ÷
13

VI
Un doloroso c iragico cs¡ciaculo surgc
dianic dc nin. rciirci a coriina da co¡¡u¡çuo do
Ioncn. Essa ¡alavra, cn ninIa loca, c iscnia
dc ¡clo ncnos una sus¡ciia. a dc quc cnvolvc
una acusaçao noral conira a Iunanidadc. A
cnicndo ÷ c dcscjo cnfaiizar novancnic ÷ livrc
dc qualqucr valor noral. c isso c iao vcrdadc quc
a corru¡çao dc quc falo c nais a¡arcnic ¡ara
nin ¡rccisancnic ondc csicvc, aic agora, a naior
¡aric da as¡iraçao à ºviriudc" c à ºdivindadc".
Cono sc ¡rcsunc, cnicndo cssa corru¡çao no
scniido dc dccudcncíu. ncu arguncnio c quc
iodos os valorcs nos quais a Iunanidadc a¡oia
scus anscios nais sullincs sao valorcs dc
dccudcncíu.
Dcnonino corron¡ido un aninal, una
cs¡ccic, un indivíduo, quando ¡crdc scus
insiinios, quando cscolIc, quando ¡¡c¡c¡c o quc
lIc c nocivo. Una Iisioria dos ºscniincnios
clcvados", dos ºidcais da Iunanidadc" ÷ c c
¡ossívcl quc icnIa dc cscrcvc-la ÷ ¡raiicancnic
cסlicaria ¡or quc o Ioncn c iao dcgcncrado. A
¡ro¡ria vida a¡rcscnia-sc a nin cono un
insiinio ¡ara o crcscincnio, ¡ara a solrcvivcncia,
¡ara a acunulaçao dc forças, ¡ara o ¡odc¡.
scn¡rc quc falia a voniadc dc ¡odcr ocorrc o
dcsasirc. Afirno quc iodos os valorcs nais
14
clcvados da Iunanidadc carcccn dcssa voniadc
÷ quc os valorcs dc dccudcncíu, dc níííísno,
agora ¡rcvalcccn sol os nais sagrados noncs.
15

VII
CIana-sc crisiianisno a rcligiao da
con¡uíxuo. ÷ A con¡ai×ao csia cn o¡osiçao a
iodas as ¡ai×õcs iónicas quc auncnian a
inicnsidadc do scniincnio viial. icn açao
dc¡rcssora. O Ioncn ¡crdc ¡odcr quando sc
con¡adccc. Airavcs da ¡crda dc força causada
¡cla con¡ai×ao o sofrincnio acala ¡or
nulii¡licar-sc. O sofrincnio iorna-sc coniagioso
airavcs da con¡ai×ao; sol ccrias circunsiancias
¡odc lcvar a un ioial sacrifício da vida c da
cncrgia viial ÷ una ¡crda ioialncnic
dcs¡ro¡orcional à nagniiudc da causa (÷ o caso
da noric dc Nazarcno}. Essa c una ¡rincira
¡crs¡cciiva; Ia, cnircianio, ouira nais
in¡orianic. Mcdindo os cfciios da con¡ai×ao
airavcs da inicnsidadc das rcaçõcs quc ¡roduz,
sua ¡criculosidadc à vida nosira-sc sol una luz
nuiio nais clara. A con¡ai×ao coniraria
inicirancnic lci da cvoluçao, quc c a lci da
sclcçao naiural. Prcscrva iudo quc csia naduro
¡ara ¡crcccr; luia cn ¡rol dos dcsicrrados c
condcnados da vida; c nanicndo vivos
nalogrados dc iodos os ii¡os, da à ¡ro¡ria vida
un as¡ccio sonlrio c dulio. A Iunanidadc
ousou dcnoninar a con¡ai×ao una viriudc (÷
cn iodo sisicna dc noral su¡c¡ío¡ cla a¡arccc
cono una fraqucza ÷}; indo nais adianic,
cIanaran-na u viriudc, a origcn c fundancnio
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dc iodas as ouiras viriudcs ÷ nas scn¡rc
nanicnIanos cn ncnic quc cssc cra o ¡onio dc
visia dc una filosofia niilisia, cn cujo cscudo Ia
a inscriçao ncguçuo du uídu. ScIo¡cnIaucr
csiava ccrio nisio. airavcs a con¡ai×ao a vida c
ncgada, c iornada dígnu dc ncguçuo ÷ a
con¡uíxuo c una iccnica dc niilisno. Pcrniia-nc
rc¡cii-lo. cssc insiinio dc¡rcssor c coniagioso
o¡õc-sc a iodos os insiinios quc sc cn¡cnIan na
¡rcscrvaçao c a¡crfciçoancnio da vida. no ¡a¡cl
dc dc¡cnso¡ dos niscravcis, c un agcnic ¡rinario
na ¡ronoçao da dccudcncíu ÷ con¡uíxuo
¡crsuadc à c×iinçao... É claro, ningucn diz
ºc×iinçao". dizcn ºo ouiro nundo", ºDcus", ºa
uc¡dudcí¡u vida", Nirvana, salvaçao, lcn-
avcniurança... Essa inoccnic rciorica do rcino da
idiossincrasia noral-rcligiosa nosira-sc nuíto
ncnos ínoccntc quando sc ¡crcclc a icndcncia
quc oculia sol ¡alavras sullincs. a icndcncia à
dcst¡uíçuo du uídu. ScIo¡cnIaucr cra Iosiil à
vida. cssc foi o ¡orquc dc a con¡ai×ao, ¡ara clc,
scr una viriudc... Arisioiclcs, cono iodos salcn,
via na con¡ai×ao un csiado ncnial norlido c
¡crigoso, cujo rcncdio cra un ¡urgaiivo
ocasional. considcrava a iragcdia cono scndo
cssc ¡urgaiivo. O insiinio viial dcvcria nos inciiar
a luscar ncios dc alfinciar quaisqucr acunulos
¡aiologicos c ¡crigosos dc con¡ai×ao, cono os
¡rcscnics no caso dc ScIo¡cnIaucr (c ianlcn,
lancniavclncnic, cn ioda a nossa dccudcncc
17
liicraria, dc Si. Pcicrslurgo a Paris, dc Tolsioi a
Wagncr}, ¡ara quc clc csiourc c sc dissi¡c... Nada
c nais insalulrc, cn ioda nossa insalulrc
nodcrnidadc, quc a con¡ai×ao crisia. Scrnos os
ncdicos uquí, scrnos in¡icdosos uquí,
nancjarnos a faca uquí ÷ iudo isso c o nosso
scrviço, c o nosso ii¡o c Iunanidadc, c isso quc
nos iorna filosofos, nos, Ii¡crlorcos! ÷
18

VIII
É ncccssario dizcr qucn considcranos nossos
advcrsarios. os icologos c iudo quc icn sanguc
icologico corrcndo cn suas vcias ÷ cssa c ioda a
nossa filosofia... É ncccssario icr visio cssa
ancaça dc ¡crio, nclIor ainda, c ¡rcciso ic-la
vivido c quasc sucunlido ¡or cla, ¡ara
con¡rccndcr quc isso nao c qualqucr lrincadcira
(÷ o alcgado livrc-¡cnsancnio dc nossos
naiuralisias c fisiologisias nc ¡arccc una
lrincadcira ÷ nao ¡ossucn a ¡ai×ao ncssas
coisas; nao sofrcran ÷}. Esic cnvcncnancnio vai
nuiio nais longc do quc a naioria inagina.
cnconiro o arroganic Ialiio dc icologo cnirc
iodos aquclcs quc sc considcran ºidcalisias",
cnirc iodos quc, cn viriudc una origcn su¡crior,
rcivindican o dirciio dc sc colocarcn acina da
rcalidadc, c olIa-la con sus¡ciia... O idcalisia,
assin cono o cclcsiasiico, carrcga iodos os
grandcs concciios cn sua nao (÷ c nao a¡cnas
cn sua nao!}; os lança con un lcncvolcnic
dcs¡rczo conira o ºcnicndincnio", os ºscniidos",
a ºIonra", o ºlcn vivcr", a ºcicncia"; vc iais coisas
uIuíxo dc si, cono forças ¡crniciosas c scduioras,
solrc as quais ºo cs¡íriio" ¡lana cono a coisa
¡ura cn si ÷ cono sc a Iunildadc, a casiidadc,
a ¡olrcza, cn una ¡alavra, a suntídudc, nao
iivcsscn causado nuiio nais dano à vida quc
quaisqucr ouiros Iorrorcs c vícios... O ¡uro
19
cs¡íriio c a ¡ura ncniira... Enquanio o ¡adrc,
cssc ncgador, caluniador c cnvcncnador da vida
¡or ¡¡o¡íssuo for acciio cono una varicdadc dc
Ioncn su¡c¡ío¡, nao ¡odcra Iavcr rcs¡osia à
¡crgunia. Quc c a vcrdadc?(1} A vcrdadc ja foi
¡osia dc calcça ¡ara lai×o quando o advogado do
nada foi confundido con o rc¡rcscnianic da
vcrdadc.
20

IX
É conira csic insiinio icologico quc gucrrcio.
cnconiro vcsiígios dclc ¡or ioda ¡aric. Todo
aquclc quc ¡ossui sanguc icologico cn suas vcias
c cínico c dcsonrado cn iodas as coisas. Ao
¡utIos(1} quc sc dcscnvolvc dcssa condiçao
dcnonina-sc ¡c. cn ouiras ¡alavras, fccIar os
olIos anic si ncsno dc una vcz ¡or iodas ¡ara
cviiar o sofrincnio causado ¡cla visao dc una
falsidadc incuravcl. As ¡cssoas consirocn un
concciio dc noral, dc viriudc, dc saniidadc a
¡ariir dcssa falsa ¡crs¡cciiva das coisas;
fundancnian a loa conscicncia solrc una visao
falscada; a¡os icrcn-na iornado sacrossania con
os noncs ºDcus", ºsalvaçao" c ºcicrnidadc" nao
acciian nais quc qualqucr out¡o ii¡o dc visao
¡ossa icr valor. Dcsculro csic insiinio icologico
cn iodas dircçõcs. c a nais disscninada c nais
suItc¡¡uncu forna dc falsidadc quc sc ¡odc
cnconirar na Tcrra. Tudo quc un icologo
considcra vcrdadciro c ncccssu¡íuncntc falso.
aqui icnos ¡raiicancnic un criicrio da vcrdadc.
Scu ¡rofundo insiinio dc auio¡rcscrvaçao nao lIc
¡crniic Ionrar ou scqucr ncncionar a vcrdadc.
Ondc qucr quc a influcncia dos icologos scja
scniida, Ia una iransnuiaçao dc valorcs, os
concciios dc ºvcrdadciro" c ºfalso" sao forçados a
invcricr suas ¡osiçõcs. iudo quc c nais
¡rcjudicial à vida c noncado ºvcrdadciro", iudo
21
quc a c×alia, a inicnsifica, a afirna, a jusiifica c a
iorna iriunfanic c noncado ºfalso"... Quando
icologos, airavcs ºconscicncia" dos ¡rínci¡cs (ou
dos ¡ovos ÷}, csicndcn suas naos ao ¡odc¡, nao
Ia qualqucr duvida quanio a csic as¡ccio
fundancnial. quc o anscio ¡clo fin, a voniadc
níííístu, as¡ira ao ¡odcr...
22

X
Enirc os alcnacs sou incdiaiancnic
con¡rccndido quando digo quc o sanguc
icologico c a ruína da filosofia. O ¡asior
¡roicsianic c o avó da filosofia alcna; o
¡roicsianiisno cn si c o ¡cccutun o¡ígínuíc(1}.
Dcfiniçao do ¡roicsianiisno. ¡aralisia
Icni¡lcgica(2} do crisiianisno ÷ c da razao...
Prccisa-sc a¡cnas ¡ronunciar as ¡alavras ºEscola
dc Tulingcn"(3} ¡ara con¡rccndcr o quc c, no
fundo, a filosofia alcna ÷ una forna nuiio
asiuia dc icologia... Os sucvos sao os nclIorcs
ncniirosos da AlcnanIa; ncnicn con
inoccncia... Qual o ¡orquc dc ioda alcgria quc sc
csicndcu ¡clo univcrso crudiio da AlcnanIa ÷
quc c fornado cn ircs quarios ¡or filIos dc
¡asiorcs c ¡rofcssorcs ÷ con o a¡arccincnio dc
Kani? Por quc ainda ccoa na convicçao alcna quc
con Kani Iouvc una nudança ¡ara ncíIo¡? O
insiinio icologico dos csiudiosos alcnacs os fcz
cn×crgar niiidancnic o quc iinIa sc iornado
¡ossívcl novancnic... Alria-sc un caninIo quc
conduzia dc volia ao vclIo idcal; os concciios dc
ºnundo vcrdadciro" c dc noral cono csscncia do
nundo (÷ os dois crros nais viciosos quc ja
c×isiiran!} csiavan, una vcz nais, graças a un
cciicisno suiil c asiucioso, sc nao dcnonsiravcis,
¡cío ncnos í¡¡c¡utuucís... A ¡uzuo, o dirciio da
razao, nao vai iao longc... A rcalidadc foi rclcgada
23
a una ºa¡arcncia"; un nundo alsoluiancnic
falso ÷ o da csscncia ÷ foi iransfornado na
rcalidadc... O succsso dc Kani foi un succsso
ncrancnic icologico; assin cono Luicro ou
Lcilniz, clc nao foi scnao un cn¡ccilIo à ja
¡ouco csiavcl inicgridadc alcna.÷
24

XI
Agora una ¡alavra conira Kani cono
noralisia. A viriudc dcvc scr nossu invcnçao;
dcvc surgir dc nossu ncccssidadc ¡cssoal c cn
nossa dcfcsa. En qualqucr ouiro caso c fonic dc
¡crigo. Tudo quc nao ¡cricncc à vida rc¡rcscnia
una uncuçu a cla; una viriudc nascida
sin¡lcsncnic do rcs¡ciio ao concciio dc
ºviriudc", cono Kani a dcscjava, c ¡crniciosa. A
ºviriudc", o ºdcvcr", o ºlcn cn si", a londadc
fundancniada na in¡cssoalidadc ou na noçao dc
validcz univcrsal ÷ sao iodas quincras, c nclas
a¡cnas cnconira-sc a cסrcssao da dccadcncia, o
uliino cola¡so viial, o cs¡íriio cIincs dc
Konigslcrg(1}. E×aiancnic o conirario c c×igido
¡clas nais ¡rofundas lcis da auio¡rcscrvaçao c
do crcscincnio. quc cada Ioncn cric sua ¡¡ò¡¡íu
viriudc, scu ¡¡ò¡¡ío in¡craiivo caicgorico(2}. Una
naçao sc rcduz a ruínas quando confundc scu
dcvcr con o concciio univcrsal dc dcvcr. Nada
conduz a un dcsasirc nais calal c ¡ungcnic quc
iodo dcvcr ºin¡cssoal", iodo sacrifício ao
MolocI(3} da alsiraçao. ÷ E inaginar quc
ningucn ¡cnsou no in¡craiivo caicgorico dc
Kani cono algo ¡c¡ígoso u uídu!... Soncnic o
insiinio icologico ionou-o sol sua ¡roicçao! ÷
Una açao susciiada ¡clo insiinio viial ¡rova csiar
co¡¡ctu ¡cla quaniidadc dc ¡razcr quc gcra. c
ainda assin cssc niilisia, con suas vísccras dc
25
dognaiisno crisiao, considcrava o ¡razcr cono
una oI¡cçuo... O quc dcsiroi un Ioncn nais
ra¡idancnic quc iralalIar, ¡cnsar c scniir scn
una ncccssidadc inicrna, scn un ¡rofundo
dcscjo ¡cssoal, scn ¡razcr ÷ cono un ncro
auiónaio do dcvcr? Essa c ianio una rccciia
¡ara a dccudcncc(4} quanio ¡ara a idioiicc... Kani
iornou-sc un idioia. ÷ E clc cra conicn¡oranco
dc CociIc! Esic calaniioso fiandciro dc icias dc
aranIa foi rc¡uiado o filosofo alcnao ¡u¡
cxccíícncc(5} ÷ c coniinua a sc-lo!... AlsicnIo-nc
dc dizcr o quc ¡cnso dos alcnacs... Kani nao viu
na Fcvoluçao Franccsa a iransfornaçao do
csiado da forna inorganica ¡ara a o¡gunícu? Nao
¡crguniou a si ncsno sc Iavia algun cvcnio quc
nao ¡odcria scr cסlicado c×ccio airavcs dc una
dis¡osiçao noral no Ioncn, ¡ara quc,
fundancniada nisso, ºa icndcncia da
Iunanidadc ao lcn" ¡udcssc scr cx¡íícudu dc
una vcz ¡or iodas? Fcs¡osia dc Kani. ºIsso c a
rcvoluçao". O insiinio quc cngana solrc ioda c
qualqucr coisa, o insiinio cono rcvolia conira a
naiurcza, a dccudcncíu alcna cn forna dc
filosofia ÷ isso c Kunt!
26

XII
PonIo à ¡aric uns ¡oucos cciicos, os ii¡os
dcccnics na Iisioria da filosofia. o rcsio nao
¡ossui a ncnor noçao dc inicgridadc iniclcciual.
Con¡orian-sc cono donzclas, iodos csscs
grandcs cniusiasias c ¡rodígios ÷ considcran os
ºlclos scniincnios" cono arguncnios, o º¡ciio
csiufado" cono o so¡ro dc una ins¡iraçao divina,
a convicçao cono un c¡ítc¡ío du uc¡dudc. Ao final,
con ºalcna" inoccncia, Kani icniou dar un
caraicr cicniífico a cssa forna dc corru¡çao, cssa
falia dc conscicncia iniclcciual, cIanando-a dc
ºrazao ¡raiica". Dclilcradancnic invcniou una
varicdadc dc razõcs ¡ara usar ocasionalncnic
quando fossc dcscjavcl nao sc ¡rcocu¡ar a razao
÷ isio c, quando a noral, quando o sullinc
conando ºiu dcvcs" fossc ouvido. Lcnlrando do
faio quc, cnirc iodos os ¡ovos, o filosofo nao
rc¡rcscnia nada nais quc o dcscnvolvincnio dos
vclIos saccrdoics, cssa Icrança saccrdoial, cssa
¡¡uudc cont¡u sí ncsno dci×a dc scr algo
sur¡rccndcnic. Quando un Ioncn scnic quc
¡ossui una nissao divina, diganos, nclIorar,
salvar ou lilcriar a Iunanidadc ÷ quando un
Ioncn scnic una faísca divina cn scu coraçao c
acrcdiia scr o ¡oria-voz dc in¡craiivos
su¡ranaiurais ÷ quando ial nissao o inflana, c
sin¡lcsncnic naiural quc clc coloquc-sc acina
dos nívcis dc julgancnio ncrancnic racionais.
27
Scnic a sí ¡¡ò¡¡ío cono saniificado ¡or cssa
nissao, scnic quc faz ¡aric dc una ordcn
su¡crior!... O quc ¡adrcs icn a vcr con filosofia!
Esiao nuiio acina dcla! ÷ E aic agora os ¡adrcs
¡cínu¡un! ÷ Dcicrninaran o significado dos
concciios dc ºvcrdadciro" c ºfalso"!
28

XIII
Nao sulcsiincnos csic faio. quc nòs
ncsnos, nos, cs¡íriios livrcs, ja sonos a
ºiransnuiaçao dc iodos os valorcs", una
nuní¡cstu dcclaraçao dc guc¡¡u c una viioria
conira iodos os vclIos concciios dc ºvcrdadciro" c
ºfalso". As iniuiçõcs nais valiosas sao as nais
iardiancnic adquiridas; as nais valiosas dc iodas
sao aquclas quc dcicrninan os nctodos. Todos
os nciodos, iodos os ¡rincí¡ios do cs¡íriio
cicniífico dc Iojc foran alvo, ¡or nilIarcs dc
anos, do nais ¡rofundo dcs¡rczo; caso un
Ioncn sc inicrcssassc ¡or clcs cra c×cluído da
socicdadc das ¡cssoas ºdcccnics" ÷ ¡assava ¡or
ºininigo dc Dcus", ¡or zonlador da vcrdadc, ¡or
º¡osscsso". Enquanio Ioncn da cicncia,
¡cricncia à CIunduíu(1}... Tivcnos conira nos
ioda a ¡aiciica csiu¡idcz da Iunanidadc ÷ ioda
a noçao quc iinIan do quc a vcrdadc dcuc¡íu scr,
dc qual dcuc¡íu scr a funçao da vcrdadc ÷ iodo o
scu ºiu dcvcs" cra arrcncssado conira nos...
Nossos oljciivos, nossos nciodos, nossa calna,
cauicla, dcsconfiança ÷ ¡ara clcs iudo isso
¡arccia algo alsoluiancnic indccoroso c
dcs¡rczívcl. ÷ OlIando ¡ara iras, algucn aic
¡odcria ¡crguniar-sc, con alguna razao, sc nao
foi, na vcrdadc, un scnso cstctíco quc nanicvc os
Ioncns ccgos ¡or ianio icn¡o. o quc c×igian da
vcrdadc cra una cficicncia ¡iiorcsca, c daquclc
29
cn lusca do conIccincnio una foric in¡rcssao
solrc scus scniidos. Foi nossa nodcstíu quc ¡or
ianio icn¡o lIcs dcsccu a coniragosio... Quao
lcn o adivinIaran, csscs ¡avõcs da divindadc!
30

XIV
Nos dcsa¡rcndcnos algo. Nos iornanos nais
nodcsios cn iodos os scniidos. Nao dcrivanos
nais o Ioncn do ºcs¡íriio", do ºdcscjo dc Dcus";
rclai×anos o Ioncn a un ncro aninal. O
considcranos o nais foric cnirc clcs ¡orquc c o
nais asiuio; un dos rcsuliados disso c sua
iniclcciualidadc. En conira¡ariida, nos nos
¡rccavcnos conira csic concciio. dc quc o Ioncn
c o grandc oljciivo da cvoluçao organica. En
vcrdadc, ¡odc scr qualqucr coisa, ncnos a coroa
da criaçao. ao lado dclc csiao nuiios ouiros
aninais, iodos cn sinilarcs csiagios dc
dcscnvolvincnio... E ncsno quando dizcnos
isso, csianos c×agcrando, ¡ois o Ioncn,
rclaiivancnic falando, c o nais corron¡ido c
docniio dc iodos os aninais, o nais
¡crigosancnic dcsviado dc scus insiinios ÷
a¡csar disso iudo, con ccricza, coniinua a scr o
nais íntc¡cssuntc! ÷ No quc conccrnc aos
aninais infcriorcs, foi Dcscarics qucn ¡rinciro
icvc a adniravcl ousadia dc dcscrcvc-los cono
una nucIínu(1}; ioda a nossa fisiologia c un
csforço ¡ara ¡rovar a vcracidadc dcssa douirina.
Enircianio, c ilogico colocar o Ioncn à ¡aric,
cono fcz Dcscarics. iodo o conIccincnio quc
icnos solrc o Ioncn a¡onia ¡rccisancnic ao
quc o considcranos. una naquina. Aniigancnic,
conccdíanos ao Ioncn, cono Icrança dc algun
31
ii¡o dc scr su¡crior, o quc sc dcnoninava ºlivrc-
arlíirio"; agora lIc rciiranos aic cssa voniadc,
¡ois o icrno nao dcscrcvc qualqucr coisa quc
¡ossanos con¡rccndcr. A vclIa ¡alavra
ºvoniadc" agora dcsigna a¡cnas un ii¡o dc
rcsuliado, una rcaçao individual, quc sc scguc
incviiavclncnic dc una scric dc csiínulos
¡arcialncnic discordanics c ¡arcialncnic
Iarnoniosos ÷ a voniadc nao nais ºagc" ou
ºnovincnia"... Aniigancnic ¡cnsava-sc quc a
conscicncia Iunana, scu ºcs¡íriio", cra una
cvidcncia dc sua origcn su¡crior, dc sua
divindadc. AconsclIaran-no quc, ¡ara quc sc
iornassc ¡c¡¡cíto, assin cono a iariaruga,
rccolIcssc scus scniidos cn si ncsno c nao
iivcssc nais coniaio con coisas icrrcnas, ¡ara
csca¡ar dc scu ºcnvoliorio norial" ÷ assin
a¡cnas rcsiaria sua ¡aric in¡orianic, o º¡uro
cs¡íriio". Aqui ianlcn ¡cnsanos nclIor solrc o
assunio. ¡ara nos a conscicncia, ou ºo cs¡íriio",
a¡arccc cono un siniona dc una rclaiiva
in¡crfciçao do organisno, cono una cסcricncia,
un iaicar, un cquívoco, cono una afliçao quc
consonc força ncrvosa dcsncccssariancnic ÷
nos ncganos quc qualqucr coisa fciia
conscicnicncnic ¡ossa scr fciia con ¡crfciçao. O
º¡uro cs¡íriio" c una ¡ura csiu¡idcz. rciirc o
sisicna ncrvoso c os scniidos, o cIanado
ºcnvoliorio norial", c o ¡csto c un c¡¡o dc cuícuío
÷ isso c iudo!...
32

XV
No crisiianisno, ncn a noral ncn a rcligiao
icn qualqucr ¡onio dc coniado con a rcalidadc.
Sao ofcrccidas cuusus ¡urancnic inaginarias
(ºDcus", ºalna", ºcu", ºcs¡íriio", ºlivrc arlíirio" ÷
ou ncsno o ºnao-livrc"} c c¡cítos ¡urancnic
inaginarios (º¡ccado", ºsalvaçao", ºgraça",
º¡uniçao", ºrcnissao dos ¡ccados"}. Un
inicrcurso cnirc sc¡cs inaginarios (ºDcus",
ºcs¡íriios", ºalnas"}; una Iístò¡íu nutu¡uí
inaginaria (aniro¡occnirica; una ncgaçao ioial
do concciio dc causas naiurais}; una ¡sícoíogíu
inaginaria (nal-cnicndidos solrc si,
inicr¡rciaçõcs cquivocadas dc scniincnios gcrais
agradavcis ou dcsagradavcis, ¡or c×cn¡lo, os
csiados do nc¡uus s¸n¡utIícus con a ajuda da
linguagcn sinlolica da idiossincrasia noral-
rcligiosa ÷ ºarrc¡cndincnio", º¡cso na
conscicncia", ºicniaçao do dcnónio", ºa ¡rcscnça
dc Dcus"}; una tcícoíogíu inaginaria (o ºrcino dc
Dcus", ºo juízo final", a ºvida cicrna"}. ÷ Essc
nundo ¡urancnic ¡íctìcío, con nuiia
dcsvaniagcn, sc disiinguc do nundo dos sonIos;
o uliino ao ncnos rcflcic a rcalidadc, cnquanio
aquclc falsifica, dcsvaloriza c ncga a rcalidadc.
A¡os o concciio dc ºnaiurcza" icr sido usado
cono o¡osio ao concciio dc ºDcus", a ¡alavra
ºnaiural" forçosancnic ionou o significado dc
ºaloninavcl" ÷ iodo cssc nundo ficiício icn sua
33
origcn no odio conira o naiural (÷ a rcalidadc! ÷
}, c cvidcncia dc un ¡rofundo nal-csiar con a
cfciividadc... Isso cx¡íícu tudo. Qucn icn noiivos
¡ara fugir da rcalidadc? Qucn sofrc con cla. Mas
sofrcr con a rcalidadc significa una c×isicncia
nuíog¡udu... A ¡rc¡ondcrancia do sofrincnio
solrc o ¡razcr c a causa dcssa noral c rcligiao
ficiícias. nas ial ¡rc¡ondcrancia, no cnianio,
ianlcn fornccc a fornula ¡ara a dccudcncc...
34

XVI
Una críiica da concc¡çuo c¡ístu dc Dcus
conduz incviiavclncnic à ncsna conclusao. ÷
Una naçao quc ainda acrcdiia cn si ncsna
¡ossui scu ¡ro¡rio Dcus. Nclc sao Ionradas as
condiçõcs quc a ¡ossililiian solrcvivcr, suas
viriudcs ÷ ¡rojcia o ¡razcr quc ¡ossui cn si
ncsna, scu scniincnio dc ¡odcr, cn un scr ao
qual ¡odc agradcccr ¡or isso. Qucn c rico lIc
¡rodigaliza sua riqucza; una naçao orgulIosa
¡rccisa dc un Dcus ao qual ¡odc ofcrcccr
suc¡í¡ìcíos... A rcligiao, dcniro dcsscs liniics, c
una forna dc graiidao. O Ioncn c graio ¡or
c×isiir. ¡ara isso ¡rccisa dc un Dcus. ÷ Tal Dcus
¡rccisa scr ianio ca¡az dc lcncficiar quanio dc
¡rcjudicar; dcvc scr ca¡az dc rc¡rcscniar un
anigo ou un ininigo ÷ c adnirado ianio ¡clo
lcn quanio ¡clo nal quc causa. Casirar cssc
Dcus, conira ioda a naiurcza, iransfornando-o
cn un Dcus soncnic londadc, scria conirario à
inclinaçao Iunana. A Iunanidadc ncccssiia
igualncnic dc un Dcus nau c dc un Dcus lon;
nao dcvc agradcccr ¡or sua ¡ro¡ria c×isicncia à
ncra iolcrancia c à filaniro¡ia... Qual scria o
valor dc un Dcus quc dcsconIcccssc o odio, a
vingança, a invcja, o dcs¡rczo, a asiucia, a
violcncia? Quc ialvcz ncn scqucr icnIa
cסcrincniado os arrclaiadorcs u¡dcu¡s(1} da
viioria c da dcsiruiçao? Ningucn cnicndcria ial
35
Dcus. ¡or quc algucn o dcscjaria? ÷ Scn
duvida, quando una naçao csia cn dcclínio,
quando scnic quc a crcnça cn scu ¡ro¡rio fuiuro,
sua cs¡crança dc lilcrdadc csiao sc csvaindo,
quando concça a cn×crgar a sulnissao cono
¡rincira ncccssidadc c cono ncdida dc
auio¡rcscrvaçao, cniao ¡¡ccísu ianlcn nodificar
scu Dcus. Elc cniao sc iorna Ii¡ocriia, iínido c
rccaiado; aconsclIa a º¡az na alna", a auscncia
dc odio, a indulgcncia, o ºanor" aos anigos c aos
ininigos. Torna-sc un noralizador ¡or
c×cclcncia; infilira-sc cn ioda viriudc ¡rivada;
iransforna-sc no Dcus dc iodos os Ioncns;
iorna-sc un cidadao ¡rivado, un cosno¡oliia...
Nouiros icn¡os rc¡rcscniava un ¡ovo, a força dc
un ¡ovo, iudo quc cn suas alnas Iavia dc
agrcssivo c scquioso dc ¡odcr; agora c
sin¡lcsncnic o Ion Dcus... Na vcrdadc nao Ia
ouira alicrnaiiva ¡ara os Dcuscs. ou sao a
voniadc dc ¡odcr ÷ no caso dc scrcn os Dcuscs
dc una naçao ÷ ou a ina¡iidao ¡ara o ¡odcr ÷ c
ncsic caso ¡rccisan scr lons.
36

XVII
Ondc qucr quc, ¡or qualqucr forna, a
voniadc dc ¡odcr conccc cnfraqucccr, Iavcra
scn¡rc un dcclínio fisiologico conconiianic, una
dccudcncc. A divindadc dcssa dccudcncc, dcs¡ida
dc suas viriudcs c ¡ai×õcs nasculinas, c
convcriida forçosancnic cn un Dcus dos
fisiologicancnic dcgradados, dos fracos.
Olviancnic, clcs nao sc dcnonínun os fracos;
dcnoninan-sc ºos lons"... NcnIuna cסlicaçao c
ncccssaria ¡ara sc cnicndcr cn quais noncnios
da Hisioria a ficçao dualisia dc un Dcus lon c
un Dcus nau sc iornou ¡ossívcl ¡cla ¡rincira
vcz. O ncsno insiinio quc lcva os infcriorcs a
rcduzir scu ¡ro¡rio Dcus à ºlondadc cn si"
ianlcn os lcva a clininar iodas as qualidadcs do
Dcus daquclcs quc lIcs sao su¡criorcs; vingan-
sc dcnonízundo o Dcus dc scus doninadorcs. ÷
O Ion Dcus, assin cono o Dialo ÷ anlos sao
fruios da dccudcncc. ÷ Cono ¡odcnos scr iao
iolcranics con o sin¡lisno dos icologos crisiaos,
acciiando sua douirina dc quc a cvoluçao do
concciio dc Dcus a ¡ariir do ºDcus dc Isracl", o
Dcus dc un ¡ovo, ao Dcus crisiao, a csscncia dc
ioda a londadc, significa un ¡¡og¡csso? ÷ Mus
aic Fcnan(1} o fcz. Cono sc Fcnan iivcssc o
dirciio ao sin¡lisno! O conirario, na rcalidadc, c
o quc sc faz vcr. Quando iudo quc c ncccssario à
vida usccndcntc; quando iudo quc c foric,
37
corajoso, in¡crioso c orgulIoso foi an¡uiado do
concciio dc Dcus; quando sc dcgcncrou
¡rogrcssivancnic aic iornar-sc una lcngala ¡ara
os cansados, una ialua dc salvaçao aos quc sc
afogan; quando vira o Dcus dos ¡olrcs, o Dcus
dos ¡ccadorcs, o Dcus dos inca¡azcs ¡u¡
cxccíícncc, c o airiluio dc ºsalvador" ou
ºrcdcnior" coniinua cono o airiluio nais
csscncial da divindadc ÷ quuí c a significancia dc
ial ncianorfosc? O quc in¡lica ial ¡cduçuo do
divino? ÷ Scn duvida, con isso o ºrcino dc
Dcus" crcsccu. Aniigancnic, iinIa soncnic scu
¡ovo, scus ºcscolIidos". Mas dcsdc cniao saiu
¡cranlulando, assin cono scu ¡ro¡rio ¡ovo, a
icrriiorios csirangciros; dcsisiiu dc aconodar-sc;
c finalncnic ¡assou a scniir-sc cn casa cn
qualqucr lugar, cssc grandc cosno¡oliia ÷ aic
agora ¡ossui a ºgrandc naioria" ao scu lado, c
nciadc da Tcrra. Mas cssc Dcus da ºgrandc
naioria", cssc dcnocraia cnirc os Dcuscs, nao sc
iornou un Dcus ¡agao orgulIoso. ¡clo conirario,
coniinua un judcu, coniinua un Dcus das
csquinas, un Dcus dc iodos os rccanios c grcias,
dc iodos lugarcs insalulrcs do nundo!... Scu
rcino na Tcrra, agora, assin cono scn¡rc, c un
rcino do sulnundo, un rcino suItc¡¡unco, un
rcino-gucio... Elc ncsno c iao ¡alido, iao fraco,
iao dccudcnt... Aic o nais ¡alido cnirc os ¡alidos
c ca¡az dc donina-lo ÷ os scnIorcs nciafísicos,
os allinos do iniclccio. Esscs icccran icias ao
38
scu rcdor ¡or ianio icn¡o quc finalncnic o
Ii¡noiizaran, o iransfornaran cn aranIa, cn
nais un nciafísico. E cniao rciornou nais una
vcz ao scu vclIo scrviço dc icccr o nundo a ¡ariir
dc sua naiurcza inicrior suI s¡ccíc S¡ínozuc(2};
a¡os isso sc iransfornou cn algo cada vcz nais
icnuc c ¡alido ÷ iornou-sc o ºidcal", o º¡uro
cs¡íriio", o ºalsoluio", a ºcoisa cn si"... O coíu¡so
dc un Dcus. clc convcric-sc na ºcoisa cn si".
39

XVIII
A concc¡çao crisia dc Dcus ÷ Dcus o cono
¡roicior dos docnics, o Dcus quc iccc icias dc
aranIa, o Dcus na forna dc cs¡íriio ÷ c una das
concc¡çõcs nais corru¡ias quc janais
a¡arcccran no nundo. ¡rovavclncnic rc¡rcscnia
o nívcl nais ínfcro da dcclinanic cvoluçao do ii¡o
divino. Un Dcus quc sc dcgcncrou cn una
cont¡udíçuo du uídu. En vcz dc scr sua ¡ro¡ria
gloria c cicrna afirnaçao! Nclc dcclara-sc gucrra
à vida, à naiurcza, à voniadc dc vivcr! Dcus
iransforna-sc na fornula ¡ara iodas calunias
conira o ºaqui c agora" c ¡ara cada ncniira solrc
ºalcn"! Nclc o nada c divinizado c a voniadc do
nada sc faz sagrada!...
40

XIX
O faio dc as raças forics do Noric da Euro¡a
nao icrcn rc¡udiado cssc Dcus crisiao nao da
qualqucr crcdiio aos scus doics rcligiosos ÷ ¡ara
nao ncncionar scus gosios. Dcvcrian icr sido
ca¡azcs dc solrc¡ujar ial norilundo c dccrc¡iio
¡roduio da dccudcncc. Una naldiçao ¡aira solrc
clcs ¡orquc nao o rc¡cliran; alsorvcran cn scus
insiinios a cnfcrnidadc, a scnilidadc c a
coniradiçao ÷ c a ¡ariir dc cniao nao c¡íu¡un
nais ncnIun Dcus. Dois nil anos sc ¡assaran
÷ c ncn un unico Dcus novo! En vcz disso,
ainda c×isic cono quc ¡or algun dirciio
inirínscco ÷ cono sc fossc un uítínutun(1} c
nuxínun(2} da força criadora dc divindadcs, do
c¡cuto¡ s¡í¡ítus(3} da Iunanidadc ÷, cssc
dc¡loravcl Dcus do nonoiono-icísno crisiao!
Essa inagcn Iílrida da dccadcncia, dcsiilada do
nada, da coniradiçao c da inaginaçao csicril, na
qual iodos os insiinios da dccudcncc, iodas as
covardias c cansaços da alna cnconiran sua
sançao! ÷
41

XX
En ninIa condcnaçao do crisiianisno
ccriancnic cs¡cro nao injusiiçar una rcligiao
analoga quc ¡ossui un nuncro ainda naior dc
scguidorcs. aludo ao Iudísno. Anlas dcvcn scr
considcradas rcligiõcs niilisias ÷ sao rcligiõcs da
dccudcncc ÷ nas disiingucn-sc dc un nodo
lasianic noiavcl. Pclo sin¡lcs faio dc ¡odcr
con¡u¡u-íus, o críiico do Crisiianisno csia cn
dcliio con os csiudiosos da Índia. ÷ O ludisno
c ccn vczcs nais rcalisia quc o crisiianisno ÷ c
¡aric dc sua Icrança dc vida scr ca¡az dc
cncarar ¡rollcnas dc nodo oljciivo c in¡assívcl;
c o ¡roduio dc longos scculos dc cs¡cculaçao
filosofica. O concciio ºDcus" ja Iavia sc
csialclccido anics dclc surgir. O ludisno c a
unica rcligiao gcnuinancnic ¡osítíuu quc ¡odc scr
cnconirada na Hisioria, c isso sc a¡lica aic
ncsno à sua c¡isicnologia (quc c un
fcnoncnalisno csiriio} ÷ clc nao fala solrc ºa
luia conira o ¡ccado", nas, rcndcndo-sc à
rcalidadc, diz ºa luia conira o sofrincnio".
Difcrcnciando-sc niiidancnic do crisiianisno,
coloca a auiodccc¡çao quc c×isic nos concciios
norais ¡or dciras dc si; isso significa, cn ninIa
linguagcn, uícn do lcn c do nal. ÷ Os dois
faios fisiologicos nos quais sc a¡oia c aos quais
dircciona a naior ¡aric dc sua aicnçao sao.
¡¡íncí¡o, una c×ccssiva scnsililidadc à scnsaçao
42
quc sc nanifcsia airavcs dc una rcfinada
suscciililidadc ao sofrincnio; scgundo, una
c×iraordinaria cs¡iriiualidadc, una ¡rcocu¡açao
nuiio ¡rolongada con os concciios c con os
¡roccdincnios logicos, sol a influcncia da qual o
insiinio dc ¡crsonalidadc sulncic-sc à noçao dc
ºin¡cssoalidadc" (÷ anlos csscs csiados scrao
faniliarcs a alguns dc ncus lciiorcs, os
oljciivisias, ¡or cסcricncia ¡ro¡ria, assin cono
sao ¡ara nin}. Esscs csiados fisiologicos
¡roduzcn una dc¡¡cssuo, c Duda icniou
conlaic-la airavcs dc ncdidas Iigicnicas.
Prcscrcvcu a vida ao ar livrc, a vida nónadc;
nodcraçao na alincniaçao c una cuidadosa
sclcçao dos alincnios; ¡rudcncia cn rclaçao ao
uso dc inio×icanics; igual cauicla cn rclaçao a
quaisqucr ¡ai×õcs quc induzcn con¡oriancnios
liliosos c aquccincnio do sanguc; finalncnic,
nao sc ¡¡cocu¡u¡ ncn consigo ncn con os
ouiros. Encoraja idcias quc ¡roduzan scrcnidadc
ou alcgria ÷ c cnconira ncios dc conlaicr as
idcias dc ouiros ii¡os. Enicndc o lcn, o csiado
dc londadc, cono algo quc ¡ronovc a saudc. A
o¡uçuo nao csia inclusa, c ncn o uscctícísno. Nao
Ia un in¡craiivo caicgorico ou qualqucr
disci¡lina, ncsno dcniro dos nonasicrios (÷ dos
quais c scn¡rc ¡crniiido sair ÷}. Todas cssas
coisas scrian sin¡lcsncnic ncios ¡ara auncniar
aqucla c×ccssiva scnsililidadc su¡rancncionada.
Pclo ncsno noiivo nao advoga qualqucr confliio
43
conira os incrcdulos; scus cnsinancnios nao
aniagonizan nada scnao a vingança, a avcrsao, o
¡csscntíncnto (÷ ºininizadc nunca ¡õc fin à
ininizadc". o rcfrao quc novc o ludisno...} E
nisso iudo csiava corrcio, ¡ois sao ¡rccisancnic
cssas ¡ai×õcs quc, na ¡crs¡cciiva dc scu
¡rinci¡al oljciivo rcgincnial, sao ínsuíuI¡cs. A
fadiga ncnial quc a¡rcscnia, ja clarancnic
cvidcnciada ¡clo c×ccsso dc ºoljciividadc" (isio c,
a ¡crda do inicrcssc cn si ncsno, a ¡crda do
cquilílrio c do ºcgoísno"}, c conlaiida ¡or
vigorosos csforços a fin dc lcvar os inicrcsscs
cs¡iriiuais dc volia ao cgo. Nos cnsinancnios dc
Duda o cgoísno c un dcvcr. A ºunica coisa
ncccssaria", a qucsiao ºcono ¡osso nc lilcriar do
sofrincnio", c o quc rcgc c dcicrnina ioda a dicia
cs¡iriiual (÷ ialvcz algucn lcnlrar-sc-a daquclc
aicnicnsc quc ianlcn dcclarou gucrra ao
ºcicniificisno" ¡uro, a salcr, Socraics, quc
ianlcn clcvou o cgoísno à condiçao dc ¡rincí¡io
noral}.
44

XXI
As ncccssidadcs do ludisno sao un clina
c×ircnancnic ancno, nuiia gcniilcza c
lilcralidadc nos cosiuncs, c ncnIun niliiarisno;
adcnais, quc scu início ¡rovcnIa das classcs
nais alias c cducadas. Alcgria, scrcnidadc c
auscncia dc dcscjo sao os oljciivos ¡rinci¡ais, c
clcs sao uícunçudos. O ludisno nao c una
rcligiao na qual a ¡crfciçao c ncrancnic oljcio dc
as¡iraçao. a ¡crfciçao c algo nornal. ÷ No
crisiianisno os insiinios dos suljugados c dos
o¡rinidos vcn cn ¡rinciro lugar. a¡cnas os nais
rclai×ados luscan a salvaçao airavcs dclc. Nclc
o ¡assaicn¡o ¡rcvalcccnic, a cura favoriia ¡ara o
cnfado, c a discussao solrc ¡ccados, a
auiocríiica, a inquisiçao da conscicncia; nclc a
cnoçao ¡roduzida ¡clo ¡odc¡ (cIanada dc
ºDcus"} c insuflada (¡cla rcza}; nclc o lcn nais
clcvado c considcrado algo inaiingívcl, una
dadiva, una ºgraça". Tanlcn falia
irans¡arcncia. o cncolrincnio c os lugarcs
olscurccidos sao crisiaos. Nclc o cor¡o c
dcs¡rczado c a Iigicnc c acusada dc lascívia; a
Igrcja disiancia-sc aic da lin¡cza (÷ a ¡rincira
¡rovidcncia crisia a¡os a cסulsao dos nouros foi
fccIar os lanIos ¡ullicos, dos quais Iavia 270
a¡cnas cn Cordola}. Tanlcn c crisia una ccria
crucldadc ¡ara consigo c ¡ara con os ouiros; o
odio aos incrcdulos; o dcscjo dc ¡crscguir. Idcias
45
sonlrias c inquicianics ocu¡an o ¡rinciro
¡lano; os csiados ncniais nais csiinados,
¡oriando os noncs nais rcs¡ciiavcis, sao
c¡ilc¡iiforncs; a dicia c dcicrninada con o fin
dc cngcndrar sinionas norlidos c su¡ra-
csiinulaçao ncrvosa. Tanlcn c crisia ioda a
ininizadc norial aos scnIorcs da icrra, aos
ºarisiocraias" ÷ juniancnic con una rivalidadc
sccrcia conira clcs (÷ rcsignan-sc do ºcor¡o" ÷
qucrcn u¡cnus a ºalna"...}. É crisiao iodo o odio
conira o iniclccio, o orgulIo, a coragcn, a
lilcrdadc, a ííIc¡tínugcn iniclcciual; o odio aos
scniidos, à alcgria dos scniidos, à alcgria cn
gcral, c crisiao...
46

XXII
Quando o crisiianisno alandonou sua icrra
naial, aquclcs das classcs nais lai×as, o
suInundo da Aniiguidadc, c concçou a luscar
¡odcr cnirc os ¡ovos larlaros, nao iinIa nais dc
sc rclacionar con Ioncns cxuu¡ídos, nas
Ioncns ainda iniinancnic sclvagcns c ca¡azcs
dc sacrifícios ÷ cn suna, Ioncns forics, nas
airofiados. Aqui, disiiniancnic do caso dos
ludisias, a causa do dcsconicniancnio consigo,
do sofrincnio ¡or si, nao c ncrancnic una
scnsililidadc c×ircnada c una suscciililidadc à
dor, nas, ao conirario, una c×ccssiva ansia ¡or
infligir sofrincnio aos ouiros, una icndcncia a
olicr una saiisfaçao suljciiva cn fciios c idcias
Iosiis. O crisiianisno iinIa dc adoiar concciios c
valoraçõcs Iu¡Iu¡us ¡ara olicr donínio solrc os
larlaros. assin cono, ¡or c×cn¡lo, o sacrifício
do ¡rinogcniio, a ingcsiao dc sanguc cono un
sacrancnio, o dcs¡rczo ¡clo iniclccio c ¡cla
culiura; a ioriura sol iodas as suas fornas,
cor¡oral c cs¡iriiual; ioda a ¡on¡a do culio. O
ludisno c una rcligiao ¡ara ¡cssoas cn un
csiagio nais adianiado dc dcscnvolvincnio, ¡ara
raças quc sc iornaran gcniis, ancnas c
dcnasiado cs¡iriiualizadas (÷ a Euro¡a ainda
nao csia nadura ¡ara clc ÷}. c un conviic dc
rciorno à ¡az c à fclicidadc, a un cuidadoso
racionancnio do cs¡íriio, a un ccrio
47
cnrijccincnio do cor¡o. O crisiianisno visa
doninar unínuís dc ¡u¡ínu; sua csiraicgia
consisic cn iorna-los docntcs ÷ cnfraqucccr c a
rccciia crisia ¡ara doncsiicar, ¡ara ºcivilizar". O
ludisno c una rcligiao ¡ara o final, ¡ara os
dcrradciros csiagios dc cansaço da civilizaçao. O
crisiianisno surgc anics da civilizaçao nal icr
concçado ÷ sol ccrias circunsiancias cria as
¡ro¡rias fundaçõcs dcsia.
48

XXIII
O Dudisno, cu rc¡iio, c una ccnicna dc
vczcs nais ausicro, nais Ioncsio, nais oljciivo.
Nao ¡rccisa nais ¡ustí¡ícu¡ suas afliçõcs, sua
suscciililidadc ao sofrincnio, inicr¡rciando
cssas coisas cn icrnos dc ¡ccado ÷
sin¡lcsncnic diz o quc sin¡lcsncnic ¡cnsa. ºcu
sofro". Para o larlaro, cnircianio, o sofrincnio
cn si c ¡ouco con¡rccnsívcl. o quc ncccssiia c,
cn ¡rinciro lugar, una cסlicaçao solrc o ¡o¡quc
dc scu sofrincnio (o scu insiinio lcva-o a ncgar
con¡lciancnic scu sofrincnio, ou a su¡oria-lo
cn silcncio}. Aqui a ¡alavra ºDialo" cra una
lcnçao. o Ioncn dcvia ¡ossuir un ininigo
oni¡oicnic c icrrívcl ÷ nao Iavia noiivos ¡ara
cnvcrgonIar-sc ¡or sofrcr nas naos dc ial
ininigo.
÷No scu íniino o crisiianisno ¡ossui varias
suiilczas quc ¡cricnccn ao Oricnic. En ¡rinciro
lugar, salc quc c dc ¡ouca rclcvancia sc una
coisa c vcrdadcira ou nao, dcsdc quc sc uc¡cdítc
quc c vcrdadcira. Vcrdadc c ¡c. aqui icnos dois
nundos dc idcias inicirancnic disiinias,
¡raiicancnic dois nundos dianciralncnic
o¡ostos ÷ os scus caninIos disian nilIas un
do ouiro. Enicndcr cssc faio a fundo ÷ isso c
quasc o suficicnic, no Oricnic, ¡ara ¡uzc¡ dc
algucn un salio. Os lranancs salian disso,
49
Plaiao salia disso, iodo csiudanic dc csoicrisno
salc disso. Quando, ¡or c×cn¡lo, un Ioncn
scnic qualqucr ¡¡uzc¡ airavcs da idcia dc quc foi
rcdinido do ¡ccado, nao c ncccssario quc scja
rcalncnic ¡ccador, nas quc sin¡lcsncnic síntu-
sc ¡ccador. Mas quando a ¡c c c×aliada acina dc
iudo, disso scguc-sc ncccssariancnic o
dcscrcdiio à razao, ao conIccincnio c à
invcsiigaçao nciiculosa. o caninIo quc lcva à
vcrdadc iorna-sc ¡roilido. ÷ A cs¡crança, cn
suas fornas nais vigorosas, c un cstínuíuntc
nuiio nais ¡odcroso à vida quc qualqucr cs¡ccic
dc fclicidadc cfciiva. Para o Ioncn rcsisiir ao
sofrincnio dcvc ¡ossuir una cs¡crança iao
clcvada quc ncnIun confliio con a rcalidadc
¡ossa dcsiruí-la ÷ dc faio, iao clcvada quc
ncnIuna conquisia ¡ossa sutís¡uzc-íu. una
cs¡crança quc alcança alcn dcsic nundo
(¡rccisancnic ¡or causa do ¡odcr quc a
cs¡crança icn dc fazcr os sofrcdorcs ¡crsisiircn,
os grcgos a considcravan o nal cnirc os nalcs,
cono o nais nuíígno dc iodos nalcs; ¡crnancccu
no fundo da fonic dc iodo o nal(1}. ÷ Para quc o
uno¡ scja ¡ossívcl, Dcus dcvc iornar-sc una
¡cssoa; ¡ara quc os insiinios nais lai×os icnIan
scu cs¡aço, Dcus ¡rccisa scr jovcn. Para
saiisfazcr o ardor das nulIcrcs, un sanio
fornoso dcvc a¡arcccr na ccna; ¡ara saiisfazcr o
dos Ioncns, dcvc Iavcr una virgcn. Tais coisas
sao ncccssarias sc o crisiianisno quiscr assunir
50
conirolc solrc un solo no qual o culio dc Afrodiic
ou dc Adónis ja icnIa csialclccido a noçao dc
cono una adoraçao dcvc scr. Insisiir na
custídudc auncnia grandcncnic a vccncncia c a
suljciividadc do insiinio rcligioso ÷ iorna o culio
nais fcrvoroso, nais cniusiasiico, nais
cs¡iriiuoso. ÷ O anor c o csiado no qual o
Ioncn vc as coisas quasc ioialncnic cono nuo
sao. A força da ilusao alcança scu a¡icc aqui,
assin cono a ca¡acidadc ¡ara a suavizaçao c
¡ara a t¡uns¡ígu¡uçuo. Quando un Ioncn csia
a¡ai×onado sua iolcrancia aiingc ao na×ino;
iolcra-sc qualqucr coisa. O ¡rollcna consisiia cn
invcniar una rcligiao na qual sc ¡udcssc anar.
airavcs disso o ¡ior quc a vida icn a ofcrcccr c
su¡crado ÷ iais coisas scqucr scrao noiadas. ÷
Tudo isso sc alcança con as ircs viriudcs crisias.
fc, cs¡crança c caridadc. as dcnonino as ircs
IuIííídudcs crisias. ÷ O Iudísno cnconira-sc cn
un csiagio dc dcscnvolvincnio dcnasiado
avançado, dcnasiado ¡osiiivisia ¡ara icr cssc
ii¡o dc asiucia. ÷
51

XXIV
Aqui a¡cnas ioco su¡crficialncnic o
¡rollcna da o¡ígcn do crisiianisno. A ¡¡íncí¡u
coisa ncccssaria ¡ara rcsolvcr o ¡rollcna c a
scguinic. quc o crisiianisno dcvc scr
con¡rccndido a¡cnas a ¡ariir da analisc do solo
cn quc sc originou ÷ nao c una rcaçao conira os
insiinios judaicos; c sua conscqucncia incviiavcl;
c sin¡lcsncnic nais un ¡asso dcniro da
iniinidanic logica dos judcus. Nas ¡alavras do
Salvador. ºa salvaçao vcn dos judcus"(1}. ÷ A
scgundu coisa a scr lcnlrada c csia. quc o ii¡o
¡sicologico do Calilcu(2} ainda c rcconIccívcl,
nas quc a¡cnas cn sua forna nais dcgcncrada
(nuiilado c solrccarrcgado con caracicrísiicas
csirangciras} ¡ódc scrvir da nancira cn quc foi
uiilizado. cono ii¡o ¡ara Suíuudo¡ da
Iunanidadc.
÷ Os judcus sao o ¡ovo nais noiavcl da
Hisioria, ¡ois quando foran confroniados con o
dilcna do scr ou nao scr, cscolIcran, airavcs dc
una dclilcraçao c×cc¡cionalncnic lucida, o scr u
quuíquc¡ ¡¡cço. cssc ¡rcço cnvolvia una radical
¡uísí¡ícuçuo dc ioda a naiurcza, dc ioda a
naiuralidadc, dc ioda a rcalidadc, dc iodo o nudo
inicrior c ianlcn o c×icrior. Colocaran-sc cont¡u
iodas aquclas condiçõcs sol as quais, aic agora,
os ¡ovos foran ca¡azcs dc vivcr, ou aic ncsno
52
iivcran o dí¡cíto dc vivcr; a ¡ariir dclcs sc
dcscnvolvcu una idcia quc sc cnconirava cn
dircia o¡osiçao às condiçõcs nutu¡uís ÷
succssivancnic disiorccran a rcligiao, a
civilizaçao, a noral, a Iisioria c a ¡sicologia aic
as iransfornar cn una coniradiçao dc sua
sígní¡ícuçuo nutu¡uí. Nos cnconiranos o ncsno
fcnóncno nais adianic, cn una forna
incalculavclncnic c×agcrada, nas a¡cnas cono
una co¡ia. a Igrcja crisia, con¡arada ao º¡ovo
clciio", c×ilc alsoluia auscncia dc qualqucr
¡rcicnsao à originalidadc. Prccisancnic ¡or cssc
noiivo os judcus sao o ¡ovo nais ¡uncsto dc ioda
a Iisioria univcrsal. sua influcncia causou ial
falsificaçao na racionalidadc da Iunanidadc quc
Iojc un crisiao ¡odc scniir-sc anii-scniia scn sc
dar conia dc quc clc ¡ro¡rio nao c scnao a úítínu
conscqùcncíu do ¡uduìsno.
En ninIa ºGcncuíogíu du Mo¡uí" a¡rcscnici a
¡rincira cסlicaçao ¡sicologica dos concciios
suljaccnics a csias coisas aniiiciicas. una noral
noI¡c c una noral do ¡csscntíncnto, a scgunda
scndo un ncro ¡roduio da ncgaçao da ¡rincira.
O sisicna noral judaico-crisiao ¡cricncc à
scgunda divisao, c cn iodos os scniidos. Para scr
ca¡az dc dizcr Nao a iudo quc rc¡rcscnia una
cvoluçao usccndcntc da vida ÷ isio c, ao lcn-
csiar, ao ¡odcr, à lclcza, à auio-afirnaçao ÷ os
insiinios do ¡csscntíncnto, aqui con¡lciancnic
iransfornados cn gcnio, iivcran dc invcniar
53
out¡o nundo no qual a u¡í¡nuçuo du uídu
rc¡rcscniassc as naiorcs nalignidadcs c
aloninaçõcs inaginavcis. Psicologicancnic, os
judcus sao ¡cssoas doiadas da nais foric
viialidadc, ianio quc, quando sc viran frcnic a
condiçõcs ondc a vida cra in¡ossívcl, cscolIcran
voluniariancnic, c con un ¡rofundo ialcnio ¡ara
a auio¡rcscrvaçao, ionar o lado dc iodos os
insiinios quc ¡roduzcn a dccudcncíu ÷ nuo ¡or
csiarcn doninados ¡or clcs, nas cono quc
adivinIando nclcs o ¡odcr airavcs do qual ºo
nundo" ¡odcria scr dcsu¡íudo. Os judcus sao
c×aiancnic o o¡osio dos dccudcntcs.
sin¡lcsncnic foran forçados sc nost¡u¡ con cssc
disfarcc, c con un grau dc Ialilidadc ¡ro×ino ao
non ¡íus uít¡u(3} do gcnio Iisiriónico conscguiran
sc colocar à frcnic dc iodos of novincnios
dccudcntcs (÷ ¡or c×cn¡lo, o crisiianisno dc
Paulo ÷}, c assin fazcrcn-sc algo nais foric quc
qualqucr ¡ariido dc afirnaçao da vida. Para o
ii¡o dc Ioncns quc as¡iran ao ¡odcr no
judaísno c no crisiianisno ÷ cn ouiras
¡alavras, a classc succ¡dotuí ÷ a dccudcncíu nao
c scnao un ncío. Honcns dcssc ii¡o icn un
inicrcssc viial cn iornar a Iunanidadc cnfcrna,
cn confundir os valorcs dc ºlon" c ºnau",
ºvcrdadciro" c ºfalso" dc una nancira quc nao c
a¡cnas ¡crigosa à vida, nas quc ianlcn a
falsifica.
54

XXV
A Iisioria dc Isracl c incsiinavcl cono una
ií¡ica Iisioria dc una icniaiiva dc dctu¡¡u¡ iodos
os valorcs naiurais. cסonIo ircs faios
corroloran isso. Originalncnic, c acina dc iudo
no icn¡o da nonarquia, Isracl nanicvc una
aiiiudc jusia cn rclaçao às coisas, ou scja, una
aiiiudc naiural. O scu Iavc(1} cra a cסrcssao da
conscicncia dc scu ¡ro¡rio ¡odcr, dc sua alcgria
consigo ncsno, da cs¡crança quc iinIa cn si.
airavcs dclc os judcus luscavan a viioria c a
salvaçao, airavcs dclc cs¡cravan quc a naiurcza
lIcs dcssc iudo quc fossc ncccssario ¡ara sua
c×isicncia ÷ acina dc iudo, cIuva. Iavc c o Dcus
dc Isracl c, conscqùcntcncntc, o Dcus da jusiiça.
cssa c a logica dc ioda raça quc ¡ossui ¡odcr cn
suas naos c quc o uiiliza con a conscicncia
iranquila. Na ccrinónia rcligiosa dos judcus
anlos as¡ccios dcssa auio-afirnaçao fican
nanifcsios. A naçao c graia ¡clo grandc dcsiino
quc a ¡ossililiiou olicr donínio; c graia ¡cla
lcncfica rcgularidadc na nudança das csiaçõcs c
¡or ioda a foriuna quc favorccc scus rclanIos c
colIciias. ÷ Essa visao das coisas ¡crnancccu
idcal ¡or un longo ¡críodo, ncsno a¡os icr sido
dcs¡ojada dc validadc iragicancnic. dcniro, a
anarquia, fora, os assírios. Mas o ¡ovo ainda
conscrvou, cono una ¡rojcçao dc sua nais alia
as¡iraçao, a visao dc un rci quc cra ao ncsno
55
icn¡o un galanic gucrrciro c un dccoroso juiz ÷
foi conscrvada solrciudo ¡or aquclc ¡rofcia ií¡ico
(ou scja, críiico c saiírico do noncnio}, Isaías. ÷
Mas ioda a cs¡crança foi va. O vclIo Dcus nao
¡odíu nais fazcr o quc fizcra nouiros icn¡os.
Dcvcria icr sido alandonado. Mas o quc ocorrcu
dc faio? Sin¡lcsncnic isio. sua concc¡çao foi
nududu ÷ sua concc¡çao foi dcsnutu¡uíízudu;
cssc foi o ¡rcço quc iivcran dc ¡agar ¡ara nanic-
lo. ÷ Iavc, o Dcus da ºjusiiça" ÷ nuo csia nais
dc acordo con Isracl, nao rc¡rcscnia nais o
cgoísno da naçao; agora c a¡cnas un Dcus
condicionado... A noçao ¡ullica dcssc Dcus agora
sc iorna ncrancnic una arna nas naos dc
agiiadorcs clcricais, quc inicr¡rcian ioda
fclicidadc cono rccon¡cnsa c ioda dcsgraça cono
¡uniçao cn icrnos dc olcdicncia ou
dcsolcdicncia a Dcus, cn icrnos dc º¡ccado". a
nais fraudulcnia das inicr¡rciaçõcs inaginavcis,
airavcs da qual a ºordcn noral do nundo" c
csialclccida c os concciios fundancniais, ºcausa"
c ºcfciio", sao colocados dc ¡onia calcça. Una
vcz quc o concciio dc causa naiural c varrido do
nundo ¡or douirinas dc rccon¡cnsa c ¡uniçao,
algun ii¡o dc causalidadc ínaiural iorna-sc
ncccssaria. scgucn-sc disso iodas as ouiras
varicdadcs dc ncgaçao da naiurcza. Un Dcus quc
o¡dcnu ÷ no lugar dc un Dcus quc ajuda, quc da
consclIos, quc no fundo c ncrancnic un nonc
56
¡ara cada fcliz ins¡iraçao dc coragcn c
auioconfiança...
A no¡uí ja nao c nais un rcflc×o das
condiçõcs quc ¡ronovcn vida sa c o crcscincnio
dc un ¡ovo; nao c nais un insiinio viial
¡rinario; cn vcz disso sc iornou algo alsiraio c
o¡osio à vida ÷ una ¡crvcrsao dos fundancnios
da faniasia, un ºolIar naligno" conira iodas as
coisas. Çuc c a noral judaica? Çuc c a noral
crisia? A soric dcs¡ida dc sua inoccncia; a
infclicidadc conianinada con a idcia dc º¡ccado";
o lcn-csiar considcrado cono un ¡crigo, cono
una ºicniaçao"; un dcsarranjo fisiologico
causado ¡clo vcncno do rcnorso...
57

XXVI
O concciio dc Dcus falsificado; o concciio dc
noral falsificado; ÷ nas ncsno aqui os fciios
dos ¡adrcs judaicos nao ccssaran. ÷ Toda a
Iisioria dc Isracl nao lIcs iinIa qualqucr valor.
cniao a dis¡cnsaran! ÷ Tais ¡adrcs rcalizaran
cssa ¡rodigiosa falsificaçao da qual grandc ¡aric
da Díllia c una cvidcncia docuncniaria; con un
grau dc dcs¡rczo scn ¡aralclos, c cn facc dc ioda
a iradiçao c ioda a rcalidadc Iisiorica, iraduziran
o ¡assado dc scu ¡ovo cn icrnos ¡cíígíosos, ou
scja, convcricran-no cn un nccanisno inlccil
dc salvaçao, airavcs do qual iodas ofcnsas conira
Iavc cran ¡unidas c ioda dcvoçao rccon¡cnsada.
Nos considcraríanos cssc aio dc falsificaçao
Iisiorica algo nuiio nais vcrgonIoso sc a
faniliaridadc con a inicr¡rciaçao ccícsíustícu da
Iisioria ¡or nilIarcs anos nao iivcssc cnloiado
nossas inclinaçõcs à rciidao ín Iíto¡ícís(1}. E os
filosofos a¡oian a Igrcja. a ncntí¡u solrc a
ºordcn noral do nundo" ¡crncia ioda a filosofia,
ncsno a nais rcccnic. O quc significa una
ºordcn noral do nundo"? Significa quc c×isic
una coisa cIanada voniadc dc Dcus, a qual
dcicrnina o quc o Ioncn dcvc ou nao fazcr; quc
a dignidadc dc un ¡ovo ou dc un indivíduo dcvc
scr ncdida ¡clo scu grau dc olcdicncia ou
dcsolcdicncia à voniadc dc Dcus; quc os dcsiinos
dc un ¡ovo ou dc un indivíduo sao cont¡oíudos
58
¡or cssa voniadc dc Dcus, quc rccon¡cnsa ou
¡unc dc acordo con a olcdicncia ou
dcsolcdicncia nanifcsiadas. ÷ En lugar dcssa
dc¡loravcl ncniira, a ¡cuíídudc icria isio a dizcr.
o ¡ud¡c, cssa cs¡ccic ¡arasiiaria quc c×isic às
cusias da ioda vida sa, usa o nonc dc Dcus cn
vao. cIana o csiado da socicdadc Iunana no
qual clc ¡ro¡rio dcicrnina o valor dc iodas as
coisas dc ºo rcino dc Dcus"; cIana os ncios
airavcs dos quais cssc csiado c alcançado dc
ºvoniadc dc Dcus"; con un cinisno glacial,
avalia iodos ¡ovos, iodas c¡ocas c iodos
indivíduos airavcs dc scu grau dc sulscrvicncia
ou o¡osiçao do ¡odcr da ordcn saccrdoial.
Olscrvcno-lo cn scrviço. ¡clas naos do
saccrdocio judaico a g¡undc c¡oca dc Isracl
iransfigurou-sc cn una c¡oca dc dcclínio; a
Dias¡ora, con sua longa scric dc inforiunios, foi
iransfornada cn una ¡uníçuo ¡cla grandc c¡oca
÷ na qual os ¡adrcs ainda nao significavan
nada. Transfornaran, dc acordo con suas
ncccssidadcs, os Icrois ¡odcrosos c
uIsoíutuncntc ííu¡cs da Iisioria dc Isracl ou cn
fanaiicos niscravcis c Ii¡ocriias, ou cn Ioncns
ioialncnic ºín¡ios". Fcduziran iodos grandcs
aconiccincnios à csiu¡ida fornula. ºolcdicnics
ou dcsolcdicnics a Dcus". ÷ E foran nais
adianic. a ºvoniadc dc Dcus" (cn ouiras ¡alavras,
as condiçõcs ncccssarias ¡ara a ¡rcscrvaçao do
¡odcr dos ¡adrcs} iinIa dc scr dctc¡nínudu ÷ c
59
¡ara ial fin ncccssiiavan dc una ºrcvclaçao".
Dizcndo dc nodo nais claro, una cnornc fraudc
liicraria icvc dc scr ¡cr¡cirada, ºsagradas
cscriiuras" iivcran dc scr forjadas ÷ c cniao,
con grandiosa ¡on¡a Iicraiica c dias ¡cniicncia
c nuiia lancniaçao ¡clos longos dias dc º¡ccado"
agora icrninados, foran dcvidancnic ¡ullicadas.
A ºvoniadc dc Dcus", ao quc ¡arccc, Ia nuiio ja
Iavia sido csialclccida; o ¡rollcna foi quc a
Iunanidadc ncgligcnciou as ºsagradas
cscriiuras"... Mas a ºvoniadc dc Dcus" ja Iavia
sido rcvclada a Moiscs... O quc ocorrcu?
Sin¡lcsncnic isio. os ¡adrcs iinIan fornulado,
dc una vcz ¡or iodas c con a nais csiriia
nciiculosidadc, quc iriluios dcvcrian scr-lIc
¡agos, dcsdc o naior aic o ncnor (÷ nao sc
csqucccndo dos nais a¡ciiiosos corics dc carnc,
¡ois o ¡adrc c un grandc consunidor dc lifcs};
cn suna, clc dissc o quc dcsc¡uuu tc¡, qual cra a
ºvoniadc dc Dcus"... Dcssc icn¡o cn dianic as
coisas sc organizan dc ial nodo quc o ¡adrc
iornou-sc índís¡cnsuucí cn todos os íugu¡cs; cn
iodos os in¡orianics cvcnios naiurais da vida, no
nascincnio, no casancnio, na cnfcrnidadc, na
noric, ¡ara nao falar no ºsuc¡í¡ìcío" (ou scja, na
ccia}, o sacro-¡arasiia sc a¡rcscnia ¡ara os
dcsnutu¡uíízu¡ ÷ na sua linguagcn, ¡ara os
ºsaniificar"... Pois c ncccssario salicniar isio. quc
iodo Ialiio naiural, ioda insiiiuiçao naiural (o
Esiado, a adninisiraçao da Jusiiça, o casancnio,
60
os cuidados ¡rcsiados aos docnics c ¡olrcs},
iudo quc c c×igido ¡clo insiinio viial, cn suna,
iudo quc icn valor cn sí ncsno c rcduzido a algo
alsoluiancnic in¡rcsiavcl c aic iransfornado no
o¡osto ao quc c valoroso ¡clo o ¡arasiiisno dos
¡adrcs (ou, sc algucn ¡rcfcrir, ¡cla ºordcn noral
do nundo"}. O faio ¡rccisa dc una sançao ÷ un
¡odcr ¡ara c¡íu¡ uuío¡cs faz-sc ncccssario, c ial
¡odcr so ¡odc valorar airavcs da ncgaçao da
naiurcza... O ¡adrc dc¡rccia c ¡rofana a
naiurcza. cssc c o ¡rcço ¡ara quc ¡ossa c×isiir. ÷
A dcsolcdicncia a Dcus, ou scja, a dcsolcdicncia
ao ¡adrc, à lci, agora ¡oria o nonc dc º¡ccado";
os ncios ¡rcscriios ¡ara a ºrcconciliaçao con
Dcus" sao, c claro, ¡rccisancnic os quc induzcn
nais cficicnicncnic un indivíduo a sujciiar-sc ao
¡adrc; a¡cnas clc ºsalva". Considcrados
¡sicologicancnic, os º¡ccados" sao
indis¡cnsavcis cn ioda socicdadc organizada
solrc fundancnios cclcsiasiicos; sao os unicos
insiruncnios confiavcis dc ¡odcr; o ¡adrc uíuc do
¡ccado; icn ncccssidadc dc quc c×isian
º¡ccadorcs"... A×iona Su¡rcno. ºDcus ¡crdoa a
iodo aquclc quc faz ¡cniicncia" ÷ ou, cn ouiras
¡alavras, u todo uqucíc quc sc suInctc uo ¡ud¡c.
61

XXVII
O crisiianisno sc dcscnvolvcu a ¡ariir dc un
solo iao corru¡io quc nclc iodo o naiural, iodo
valor naiural, ioda ¡cuíídudc sc o¡unIa aos
insiinios nais ¡rofundos da classc doninanic ÷
surgiu cono una cs¡ccic dc gucrra dc noric
conira a rcalidadc, c cono ial nunca foi
su¡crada. O º¡ovo clciio" quc ¡ara iodas as
coisas adoiou valorcs saccrdoiais c noncs
saccrdoiais, c quc, con aicrrorizanic logica,
rcjciiou iudo quc cra icrrcsirc cono º¡rofano",
ºnundano", º¡ccaninoso" ÷ cssc ¡ovo colocou
scus insiinios cn una fornula final quc cra
conscqucnic aic o ¡onio da auio-aniquilaçao.
cono c¡ístíunísno, dc faio ncgou ncsno a uliina
forna da rcalidadc, o º¡ovo sagrado", o º¡ovo
clciio", a ¡ro¡ria rcalidadc ¡uduícu. O fcnóncno
icn in¡oriancia dc ¡rincira ordcn. o ¡cqucno
novincnio insurrccional quc lcvou o nonc dc
Jcsus dc Nazarc c sin¡lcsncnic o insiinio
judaico ¡cdíuíuus(1} ÷ cn ouiras ¡alavras, c o
insiinio saccrdoial quc nao conscguc nais
su¡oriar sua ¡ro¡ria rcalidadc; c a dcscolcria dc
un csiado c×isicncial ainda nuís uIst¡uto, dc
una visao da vida ainda nais í¡¡cuí quc a
ncccssaria ¡ara una organizaçao cclcsiasiica. O
crisiianisno dc faio ncgu a igrcja...
62
Nao sou ca¡az dc dcicrninar qual foi o alvo
da insurrciçao da qual Jcsus foi considcrado ÷
scja isso vcrdadc ou nuo ÷ o ¡ronoior, caso nao
scja a Igrcja judaica ÷ a ¡alavra ºigrcja" scndo
usada aqui c×aiancnic no ncsno scniido quc
¡ossui Iojc. Era una insurrciçao conira ºos lons
c os jusios", conira os ºSanios dc Isracl", conira
ioda a Iicrarquia da socicdadc ÷ nuo conira a
corru¡çao, nas conira as casias, o ¡rivilcgio, a
ordcn, o fornalisno. Era una dcsc¡cnçu no
ºIoncn su¡crior", un Nao arrcncssado conira
iudo quc ¡adrcs c icologos dcfcndian. Mas a
Iicrarquia quc foi ¡osia cn causa ¡or cssc
novincnio, ainda quc ¡or a¡cnas un insianic,
cra una jangada quc, acina dc iudo, cra
ncccssaria à scgurança do ¡ovo judaico cn ncio
às ºaguas" ÷ rc¡rcscniava sua uliina
¡ossililidadc dc solrcvivcncia; cra o uliino
¡csíduun(2} dc sua c×isicncia ¡olíiica
indc¡cndcnic; un aiaquc conira isso cra un
aiaquc conira o nais ¡rofundo insiinio nacional,
conira a nais icnaz voniadc dc vivcr dc un ¡ovo
quc janais c×isiiu solrc a Tcrra. Essc sanio
anarquisia inciiou o ¡ovo dc lai×cza alissal, os
rc¡rolos c º¡ccadorcs", os cIunduíu do judaísno
a cncrgircn cn rcvolia conira a ordcn
csialclccida das coisas ÷ c con una linguagcn
quc, sc os EvangclIos ncrcccn crcdiio, Iojc o
conduziria à Silcria ÷, cssc Ioncn ccriancnic
cra un crininoso ¡olíiico, ao ncnos ianio quanio
63
cra ¡ossívcl o scr cn una conunidadc iao
uIsu¡duncntc u¡oíìtícu. Foi isso quc o lcvou à
cruz. a ¡rova consisic na inscriçao colocada solrc
cla. Morrcu ¡clos scus ¡ccados ÷ nao Ia
qualqucr razao ¡ara sc acrcdiiar, nao in¡oria
quanio isso scja afirnado, quc icnIa norrido
¡clo ¡ccado dos ouiros. ÷
64

XXVIII
Sc clc ¡ro¡rio cra conscicnic dcssa
coniradiçao ÷ ou sc, dc faio, cssa cra a unica da
qual iinIa conIccincnio ÷ cssa c una qucsiao
ioialncnic disiinia. Aqui, ¡cla ¡rincira vcz, ioco
o ¡rollcna da ¡sícoíogíu do Suíuudo¡. ÷ Para
concçar, confcsso quc nuiios ¡oucos livros, ¡ara
nin, sao nais difíccis dc lcr quc os EvangclIos.
MinIas dificuldadcs sao lasianic difcrcnics
daquclas quc ¡ossililiiaran à curiosidadc lcirada
da ncnic alcna ¡cr¡cirar un dc scus iriunfos
nais incsquccívcis. Faz un longo icn¡o dcsdc
quc cu, cono qualqucr ouiro jovcn crudiio,
dcsfruiava da incon¡aravcl olra dc Sirauss(1}
con ioda a sa¡icnic laloriosidadc dc un
nciiculoso filologo. Naquclc icn¡o ¡ossuía vinic
anos. agora sou scrio dcnais ¡ara cssc ii¡o dc
coisa. Quc nc in¡orian as coniradiçõcs da
ºiradiçao"? Cono algucn ¡odc cIanar lcndas dc
sanios dc ºiradiçao"? As Iisiorias dc sanios sao a
nais dulia varicdadc dc liicraiura c×isicnic;
c×anina-las à luz do nciodo cicniífico nu
uuscncíu totuí dc docuncntos co¡¡oIo¡utíuos a
nin ¡arccc condcnar ioda a invcsiigaçao dcsdc
suas origcns ÷ isso scria sin¡lcsncnic una
divagaçao crudiia...
65

XXIX
O quc nc in¡oria c o ii¡o ¡sicologico do
Salvador. Essc ii¡o ialvcz scja dcscriio nos
cvangclIos, a¡csar dc quc cn una forna
nuiilada c saiurada dc caracicrcs csirangciros ÷
isio c, a dcs¡cíto dos EvangclIos; assin cono a
figura dc Francisco dc Assis sc a¡rcscnia cn
suas lcndas a dcs¡ciio dc suas lcndas. A qucsiao
nuo c a vcracidadc das cvidcncias solrc scus
fciios, scus diios ou solrc cono foi sua noric; a
qucsiao c sc scu ii¡o ainda ¡odc scr
con¡rccndido, sc foi conscrvado. ÷ Todas as
icniaiivas dc quc icnIo conIccincnio dc sc lcr a
Iístò¡íu da ºalna" nos EvangclIos rcvclan ¡ara
nin a¡cnas una lancniavcl lcviandadc
¡sicologica. O ScnIor Fcnan, cssc arrivisia ín
¡s¸cIoíogícís(1}, coniriluiu às duas noçõcs nais
ínudcquudus conccrncnics à cסlicaçao do ii¡o dc
Jcsus. a noçao dc gcnío c a dc Ic¡òí (ºIc¡os"}. Mas
sc c×isic alguna coisa csscncialncnic
aniicvangclica, ccriancnic c a noçao dc Icroi. O
quc os EvangclIos iornan insiiniivo c
¡rccisancnic o o¡osio dc iodo o csforço Icroico,
dc iodo o gosio ¡clo confliio. a inca¡acidadc dc
rcsisicncia convcric-sc aqui cn algo noral. (ºnao
rcsisias ao nal" ÷ a nais ¡rofunda scnicnça dos
EvangclIos, ialvcz a vcrdadcira cIavc ¡ara clcs} a
salcr, na lcn-avcniurança da ¡az, da londadc,
na íncu¡ucídudc ¡ara a ininizadc. Qual o
66
significado da ºloa-nova"? ÷ Quc vcrdadcira
vida, a vida cicrna foi cnconirada ÷ nao foi
ncrancnic ¡ronciida, csia aqui, csia cn uocc; c
a vida quc sc cnconira no anor livrc dc iodos os
rciraincnios c c×clusõcs, livrc dc iodas as
disiancias. Todos sao filIos Dcus, Jcsus nao
rcivindica nada a¡cnas ¡ara si; cono filIos dc
Dcus, iodos os Ioncns sao iguais... Inaginc fazcr
dc Jcsus un Ic¡òí! ÷ E quc ircncnda
incon¡rccnsao cscorrc da ¡alavra ºgcnio"! Toda
nossa concc¡çao do ºcs¡iriiual", ioda concc¡çao
dc nossa civilizaçao nao ¡ossui qualqucr scniido
no nundo cn quc Jcsus vivcu. Falando con o
rigor dc un fisiologisia, una ¡alavra lasianic
difcrcnic dcvcria scr usada aqui... Todos salcnos
quc Ia una scnsililidadc norlida dos ncrvos
iaicis quc faz con quc os sofrcdorcs cviicn iodo o
iocar, sc rciraian anic a ncccssidadc dc agarrar
un oljcio solido. Infcrc-sc disso quc, cn uliina
insiancia, ial IuIítutus(2} fisiologico iransforna-
sc cn un odio insiiniivo conira ioda a rcalidadc,
cn una fuga ao ºiniangívcl", ao
ºincon¡rccnsívcl"; una rc¡ugnancia ¡or ioda
fornula, ¡or iodas noçõcs dc icn¡o c cs¡aço, ¡or
iodo o csialclccido ÷ cosiuncs, insiiiuiçõcs,
Igrcja ÷; a scnsaçao dc csiar cn casa cn un
nundo scn coniado con a rcalidadc, un nundo
c×clusivancnic ºinicrior", un nundo
ºvcrdadciro", un nundo ºcicrno"... ºO rcino dc
Dcus csia dcniro dc uòs"...
67

XXX
O òdío ínstíntíuo cont¡u u ¡cuíídudc. a
conscqucncia dc una c×ircnada suscciililidadc
à dor c irriiaçao ÷ iao inicnsa quc ncrancnic
scr ºiocado" iorna-sc insu¡oriavcl, ¡ois cada
scnsaçao nanifcsia-sc nuiio ¡rofundancnic.
A cxcíusuo ínstíntíuu dc todu uuc¡suo, todu
Iostííídudc, todus us ¡¡ontcí¡us c dístuncíus no
scntíncnto. a conscqucncia dc una c×ircnada
suscciililidadc à dor c irriiaçao ÷ iao grandc quc
scnic ioda a rcsisicncia, ioda a con¡ulsao à
rcsisicncia cono una ungústíu insu¡oriavcl (÷
cn ouiros icrnos, cono nocíuo, cono ¡¡oíIído
¡clo insiinio dc auio¡rcscrvaçao}, c considcra a
lcn-avcniurança (alcgria} cono algo ¡ossívcl
a¡cnas a¡os nao scr nais ncccssario ofcrcccr
rcsisicncia a nada ncn a ningucn, ncn ncsno
ao nal c ao ¡crigoso ÷ anor cono unica, cono a
úítínu ¡ossililidadc dc vida...
Essas sao as duas ¡cuíídudcs ¡ísíoíògícus a
¡ariir das quais c ¡or causa das quais a douirina
da salvaçao sc dcscnvolvcu. Dcnonino-as un
sullinc Icdonisno su¡crdcscnvolvido asscniado
solrc un solo con¡lciancnic insalulrc. O quc
fica nais ¡ro×ino dclas, a¡csar dc nisiurado
con una grandc dosc dc viialidadc grcga c força
ncrvosa, c o c¡icurisno, a icoria da salvaçao do
68
¡aganisno. E¡icuro cra un tì¡íco dccudcntc. fui o
¡rinciro a rcconIccc-lo. ÷ O ncdo da dor,
ncsno da dor infiniiancnic ¡cqucna ÷ o
rcsuliado disso nao ¡odc scr qualqucr coisa
c×ccio una ¡cíígíuo do uno¡...
69

XXXI
Anicci¡adancnic dci ninIa rcs¡osia ao
¡rollcna. Scu ¡rc-rcquisiio c a assunçao dc quc
o ii¡o do Salvador cIcgou aic nos con sua forna
aliancnic disiorcida. Tal disiorçao c nuiio
¡rovavcl. Ia nuiios noiivos ¡ara quc cssc ii¡o
nao dcva scr iransniiido cn sua forna ¡ura,
con¡lcia c livrc dc acrcscinos. O anlicnic no
qual csia csiranIa figura sc novia dcvc icr
dci×ado vcsiígios ncla, c ainda nais dcvc icr sido
fciio ¡cla Iisioria, ¡clo dcstíno das ¡rinciras
conunidadcs crisias; a uliina, dc faio, dcvc icr
cnlclczado o ii¡o rciros¡cciivancnic con
caracicrcs quc a¡cnas ¡odcn scr con¡rccndidos
cnquanio finalidadcs dc gucrra c ¡ro¡aganda.
Aquclc nundo csiranIo c docniio ao qual os
EvangclIos nos conduzcn ÷ un nundo
a¡arcnicncnic vindo dc una novcla russa, no
qual a cscoria da socicdadc, as nolcsiias
ncrvosas c a idioiicc º¡ucril" sc rcuncn ÷ dcvc,
dc qualqucr nodo, icr iornado o ii¡o g¡osscí¡o. os
¡rinciros discí¡ulos, cn ¡ariicular, dcvcn icr
sido forçados a iraduzir, con sua crucza ¡ro¡ria,
un scr ioialncnic fornado ¡or sínlolos c coisas
ininicligívcis ¡ara ¡odcrcn con¡rccndcr alguna
coisa ÷ na visao dclcs o ii¡o a¡cnas c×isiiu a¡os
icr sido rcfornado cn noldcs nais faniliarcs... O
¡rofcia, o ncssias, o fuiuro juiz, o ¡rofcssor dc
noral, o nilagrciro, Joao Daiisia ÷ iodas
70
sin¡lcsncnic cIanccs dc dcsfigura-lo...
Finalncnic, nao sulcsiincnos o ¡¡o¡¡íun(1} dc
iodas as grandcs vcncraçõcs, cs¡ccialncnic as
scciarias. icndcn a a¡agar dos oljcios vcncrados
iodas as caracicrísiicas originais c
idiossincrasias, nao raro dolorosancnic
csiranIas ÷ ncn ncsno os uc. Dcvc-sc lancniar
nuiio quc ncnIun Dosioicvsli icnIa vivido nas
vizinIanças do nais inicrcssanic dos dccudcnts
÷ ou scja, algucn quc icria scniido o conovcnic
cncanio dc ial nisiura do sullinc, do norlido c
do infaniil. En uliina analisc, o ii¡o, cnquanio
ii¡o da dccudcncíu, ialvcz ¡ossa rcalncnic icr
sido ¡cculiarncnic con¡lc×o c coniradiiorio. nao
sc dcvc c×cluir cssa ¡ossililidadc. Coniudo, as
¡rolalilidadcs ¡arcccn csiar cn scu dcsfavor,
¡ois ncsic caso a iradiçao icria sido
¡ariicularncnic ¡rccisa c oljciiva, cnquanio
icnos razõcs ¡ara adniiir o conirario.
Enircianio, c×isic una coniradiçao cnirc o
¡acífico ¡rcgador das nonianIas, dos lagos c dos
can¡os, quc ¡arccc cono un novo Duda cn un
solo nuiio ¡ouco indiano, c o fanaiico agrcssivo,
o ininigo norial dos icologos c dos cclcsiasiicos,
quc c glorificado ¡cla nalícia dc Fcnan cono ºíc
g¡und nuít¡c cn í¡oníc"(2}. Pcssoalncnic nao
icnIo qualqucr duvida dc quc a naior ¡aric
dcssc vcncno (c nao ncnos dc cs¡¡ít(3}} Iaja
¡cncirado no ii¡o do Mcsirc a¡cnas cono un
rcsuliado da agiiada naiurcza da ¡ro¡aganda
71
crisia. iodos conIcccnos a incscru¡ulosidadc dos
scciarios quando dccidcn fazcr dc scu lídcr una
u¡oíogíu ¡ara si ncsnos. Quando os ¡rinciros
crisiaos ¡rccisaran dc un icologo Ialil,
conicncioso, ¡ugnaz c naliciosancnic suiil ¡ara
cnfrcniar ouiros icologos, c¡íu¡un un ºDcus"
¡ara saiisfazcr ial ncccssidadc, c×aiancnic cono
ianlcn, scn Icsiiaçao, colocaran cn sua loca
ccrias idcias quc cran ncccssarias a clcs, nas
ioialncnic divcrgcnics dos EvangclIos ÷ ºa volia
dc Crisio", ºo juízo final", iodos os ii¡os dc
cסcciaiivas c ¡roncssas icn¡orais. ÷
72

XXXII
Fc¡iio quc nc o¡onIo a iodos os csforços
¡ara iniroduzir o fanaiisno na figura do
Salvador. a ¡ro¡ria ¡alavra ín¡c¡ícux(1}, usada
¡or Fcnan, sozinIa c suficicnic ¡ara unuíu¡ o
ii¡o. A ºloa-nova" nos diz sin¡lcsncnic quc nao
c×isicn nais coniradiçõcs; o rcino dc Dcus
¡cricncc às c¡íunçus; a fc anunciada aqui nao c
nais conquisiada ¡or luias ÷ csia ao alcancc das
naos, c×isiiu dcsdc o ¡rincí¡io, c un ii¡o dc
infaniilidadc quc sc rcfugiou no cs¡iriiual. Tal
¡ulcrdadc rciardada c incon¡lcia dos
organisnos c faniliar aos fisiologisias cono
siniona da dcgcncraçao. A fc dcssc ii¡o nao c
furiosa, nao dcnuncia, nao sc dcfcndc. nao
cn¡unIa ºcs¡ada" ÷ nao cnicndc cono ¡odcria
un dia colocar Ioncn conira Ioncn. Nao sc
nanifcsia airavcs dc nilagrcs, rccon¡cnsas,
¡roncssas ou ºcscriiuras". c, do ¡rinci¡io ao fin,
scu ¡ro¡rio nilagrc, sua ¡ro¡ria rccon¡cnsa, sua
¡ro¡ria ¡roncssa, scu ¡ro¡rio ºrcino dc Dcus".
Essa fc nao sc fornula ÷ sin¡lcsncnic uíuc, c
assin guarda-sc conira fornulas. Con ccricza, a
casualidadc do anlicnic, da fornaçao
cducacional da ¡rocnincncia aos concciios dc
ccria cs¡ccic. no crisiianisno ¡riniiivo
cnconiranos u¡cnus noçõcs dc caraicr judaico-
scníiico (÷ a dc concr c lclcr cn conunIao
¡cricncc a csia caicgoria ÷ una idcia quc, cono
73
iudo quc c judaico, foi scvcrancnic fusiigada ¡cla
Igrcja}. Cuidcno-nos ¡ara nao vcr nisso iudo
nais quc una linguagcn sinlolica, una
scnaniica(2}, una o¡oriunidadc ¡ara falar cn
¡aralolas. A icoria dc quc ncnIuna ¡alavra dcvc
scr ionada ao ¡c da lcira cra un ¡rcssu¡osio
¡ara quc csic anii-rcalisia ¡udcssc discursar.
Colocado cnirc Iindus icria usado os concciios
dc SIanIya(3}, c cnirc cIincscs os dc Lao-Tsc(4}
÷ c cn anlos os casos isso nao faria qualqucr
difcrcnça a clc. ÷ Tonando una ¡cqucna
lilcrdadc no uso das ¡alavras, algucn ¡odcria dc
faio cIanar Jcsus dc ºcs¡íriio livrc"(5} ÷ nao lIc
in¡oria o quc csia csialclccido. a ¡alavra
nutu(6}, iudo aquilo quc c csialclccido nutu. A
noçao dc ºvida" cono una cx¡c¡ícncíu, cono
a¡cnas clc a concclc, a scu vcr cnconira-sc cn
o¡osiçao a iodo ii¡o dc ¡alavra, fornula, lci,
crcnça c dogna. Fala a¡cnas dc coisas inicriorcs.
ºvida", ou ºvcrdadc", ou ºluz", sao suas ¡alavras
¡ara o nundo inicrior ÷ a scu vcr iodo o rcsio,
ioda a rcalidadc, ioda naiurcza, ncsno a
linguagcn, icn valor a¡cnas cono un sinal, una
alcgoria. ÷ Aqui c dc su¡rcna in¡oriancia nao
sc dci×ar conduzir ao crro ¡clas icniaçõcs
c×isicnics nos ¡rcconcciios crisiaos, ou nclIor,
ccícsíustícos. csic sinlolisno ¡u¡ cxccíícncc
cnconira-sc alIcio a ioda rcligiao, iodas noçõcs
dc adoraçao, ioda Iisioria, ioda cicncia naiural,
ioda cסcricncia nundana, iodo conIccincnio,
74
ioda ¡olíiica, ioda ¡sicologia, iodos livros, ioda
aric ÷ sua ºsalcdoria" c ¡rccisancnic a
ígno¡uncíu ¡u¡u(7} cn rclaçao a iodas cssas
coisas. Nunca ouviu falar dc cuítu¡u; nao a
conlaic ÷ ncn ncsno a ncga... O ncsno ¡odc
scr diio do Esiado, dc ioda a ordcn social
lurgucsa, do iralalIo, da gucrra ÷ nao icn
noiivos ¡ara ncgar o ºnundo", ncn scqucr icn
conIccincnio do concciio cclcsiasiico dc
ºnundo"... Prccisancnic a ncguçuo lIc cra
in¡ossívcl. ÷ Dc nodo idcniico carccc dc
ca¡acidadc arguncniaiiva, nao acrcdiia quc un
ariigo dc fc, quc una ºvcrdadc" ¡ossa scr
csialclccida airavcs dc ¡rovas (÷ suus ¡rovas
sao ºiluninaçõcs" inicriorcs, scnsaçõcs suljciivas
dc fclicidadc c auio-afirnaçao, sin¡lcs º¡rovas dc
força" ÷}. Tal douirina nuo ¡odc coniradizcr. nao
salc quc ouiras douirinas c×isicn ou ¡odcn
c×isiir, c inicirancnic inca¡az dc inaginar un
juízo o¡osio... E sc, ¡orvcniura, o cnconira,
lancnia ¡or ial ºccgucira" con una sinccra
con¡ai×ao ÷ ¡ois soncnic cla vc a ºluz" ÷ no
cnianio nao fara quaisqucr oljcçõcs...
75

XXXIII
En ioda a ¡sicologia dos EvangclIos os
concciios dc cul¡a c ¡uniçao csiao auscnics, c o
ncsno valc ¡ara o dc rccon¡cnsa. O º¡ccado",
quc significa iudo aquilo quc disiancia o Ioncn
dc Dcus, c alolido ÷ cssa c ¡¡ccísuncntc u °Iou-
nouu¨. A fclicidadc cicrna nao csia ncrancnic
¡ronciida, ncn vinculada a condiçõcs. c
concclida cono a únícu rcalidadc ÷ iodo o
rcsianic nao sao nais quc sinais uicis ¡ara falar
dcla.
Os ¡csuítudos dc ial ¡onio dc visia ¡rojcian-
sc cn un novo cstíío dc uídu, un csiilo dc vida
cs¡ccialncnic cvangclico. Nao c a ºfc" quc o
disiinguc do crisiao; a disiinçao sc csialclccc
airavcs da nancira dc agir; clc agc
dí¡c¡cntcncntc. Nao ofcrccc rcsisicncia, ncn cn
¡alavras, ncn cn scu coraçao, àquclcs quc lIc
sao o¡osiiorcs. Nao vc difcrcnça cnirc
csirangciros c conicrrancos, judcus c ¡agaos
(º¡ro×ino", c claro, significa corrcligionario,
judcu}. Nao sc irriia con ningucn, nao dcs¡rcza
ningucn. Nao a¡cla às corics dc jusiiça ncn sc
sulncic às suas dccisõcs (ºnao ¡rcsiar
jurancnio"(1}}. Nunca, quaisqucr scjan as
circunsiancias, sc divorcia dc sua cs¡osa, ncsno
quc ¡ossua ¡rovas dc sua infidclidadc. ÷ No
76
fundo, iudo isso c un ¡rincí¡io; iudo surgc dc
un insiinio. ÷
A vida do salvador foi sin¡lcsncnic ¡rofcssar
cssa ¡raiica ÷ c ianlcn cn sua noric... Nao
¡rccisava nais dc qualqucr fornula ou riiual cn
suas rclaçõcs con Dcus ÷ ncn scqucr da oraçao.
Fcjciiou ioda a douirina judaica do
arrc¡cndincnio c rccon¡cnsa; suIíu quc a¡cnas
airavcs da uíucncíu, dc un cstíío dc uídu algucn
¡odcria sc scniir ºdivino", ºlcn-avcniurado",
ºcvangclico", ºfilIo dc Dcus". Nuo c o
ºarrc¡cndincnio", nuo sao a ºoraçao c o ¡crdao" o
caninIo ¡ara Dcus. a¡cnas o nodo dc uíuc¡
cvangclico conduz a Dcus ÷ isso c jusiancnic o
¡ro¡rio o ºDcus"! ÷ O quc os EvangclIos
uIoíí¡un foi o judaísno ¡rcscnic nas idcias dc
º¡ccado", ºrcnissao dos ¡ccados", ºsalvaçao
airavcs da fc" ÷ ioda a dognaiica ccícsíustícu dos
judcus foi ncgada ¡cla ºloa-nova".
O ¡rofundo insiinio quc lcva o crisiao a uíuc¡
dc nodo quc sc sinia ºno ccu" c ºinorial", a¡csar
das nuiias razõcs ¡ara scniir quc nuo csia ºno
ccu". cssa c a unica rcalidadc ¡sicologica na
ºsalvaçao". ÷ Una nova vida, nuo una nova fc.
77

XXXIV
Sc con¡rccndo alguna coisa solrc cssc
grandc sinlolisia, c isio. quc considcrava a¡cnas
rcalidadcs suI¡ctíuus cono rcais, cono ºvcrdadcs"
÷ quc uíu iodo o rcsio, iodo o naiural, icn¡oral,
cs¡acial c Iisiorico a¡cnas cono sínlolos, cono
naicrial ¡ara ¡aralolas. O concciio dc ºFilIo dc
Dcus" nao dcsigna una ¡cssoa concrcia na
Iisioria, un indivíduo isolado c dcfinido, nas un
faio ºcicrno", un sínlolo ¡sicologico
dcsvinculado da noçao dc icn¡o. O ncsno c
valido, no scniido nais clcvado, ¡ara o Dcus
dcssc ií¡ico sinlolisia, ¡ara o ºrcino dc Dcus" c
¡ara a ºfiliaçao divina". Nada ¡odcria scr nais
acrisiao quc as c¡uus noçõcs ccícsíustícus dc un
Dcus cono ¡cssou, dc un ºrcino dc Dcus"
vindouro, dc un ºrcino dos ccus" no alcn c dc
un ºfilIo dc Dcus" cono scgundu ¡cssou da
Trindadc. Isso iudo ÷ ¡crdocn-nc a cסrcssao
÷ c cono soco no olIo (c quc olIo!} do
EvangclIo. un dcsrcs¡ciio aos sínlolos clcvado
a un cínísno Iístò¡íco-nundíuí... Todavia c
suficicnicncnic olvio o significado dos sínlolos
ºPai" c ºFilIo" ÷ nao ¡ara iodos, c claro ÷. a
¡alavra ºFilIo" cסrcssa a cnt¡udu cn un
scniincnio dc iransfornaçao dc iodas as coisas
(lcaiiiudc}; ºPai" cסrcssa cssc ¡¡ò¡¡ío scntíncnto
÷ a scnsaçao da cicrnidadc c ¡crfciçao. ÷
EnvcrgonIo-nc dc lcnlrar o quc a Igrcja fcz con
78
cssc sinlolisno. cla nao colocou una Iisioria dc
Anfiiriao(1} no liniar da ºfc" crisia? E un dogna
da ºinaculada concciçao" ainda ¡or cina?... ÷
Con ísso conscguíu u¡cnus nucuíu¡ u
concc¡çuo...
O ºrcino dos ccus" c un csiado dc cs¡íriio ÷
nao algo quc vira ºalcn do nundo" ou ºa¡os a
noric". Toda a idcia dc noric naiural csia
uuscntc nos EvangclIos. a noric nao c una
¡onic, nao c una ¡assagcn; csia auscnic ¡orquc
¡cricncc a un nundo lasianic difcrcnic, un
nundo a¡cnas a¡arcnic, a¡cnas uiil cnquanio
sínlolo. A ºIora da noric" nuo c una idcia crisia
÷ ºIoras", icn¡o, a vida física c suas criscs sao
inc×isicnics ¡ara o ncsirc da ºloa-nova"...
O ºrcino dc Dcus" nao c una coisa ¡cla qual
os Ioncns aguardan. nao icvc un onicn ncn
icra un ananIa, nao vira cn un ºnilcnio" ÷ c
una cסcricncia do coraçao, csia cn ioda ¡aric c
nao csia cn ¡aric alguna...
79

XXXV
O º¡oriador da loa-nova" norrcu assin cono
vivcu c cnsínou ÷ nuo ¡ara ºsalvar a
Iunanidadc", nas ¡ara dcnonsirar-lIc cono
vivcr. Scu lcgado ao Ioncn foi un cstíío dc uídu.
sua aiiiudc anic os juízcs, anic os oficiais, anic
scus acusadorcs ÷ sua aiiiudc ¡cranic a c¡uz.
Nao rcsisic; nao dcfcndc scus dirciios; nao faz
qualqucr csforço ¡ara cviiar a naior das
¡cnalidadcs ÷ ainda nais, u conuídu... E roga,
sofrc c ana con aquclcs, ¡o¡ aquclcs quc o
naliraian. Nuo sc dcfcndcr, nuo sc cncolcrizar,
nuo cul¡ar... Mas igualncnic nuo rcsisiir ao nal
÷ unu-ío...
80

XXXVI
÷ Nos, cs¡íriios livrcs ÷ nos sonos os
¡rinciros a ¡ossuir os ¡rc-rcquisiios ¡ara
cnicndcr o quc, ¡or dczcnovc scculos,
¡crnancccu incon¡rccndido ÷ icnos aquclc
insiinio c ¡ai×ao ¡cla inicgridadc quc dcclara
una gucrra nuiio nais fcrrcnIa conira a
ºsagrada ncniira" quc conira iodas as ouiras
ncniiras... A Iunanidadc csiava indizivclncnic
disianic dc nossa lcncvolcnic c cauiclosa
ncuiralidadc, dc nossa disci¡lina dc cs¡íriio quc
sozinIa iorna ¡ossívcl solucionar coisas iao
csiranIas c suiis. o quc os Ioncns scn¡rc
luscaran, con dcscarado cgoísno, foi sua
¡¡ò¡¡íu vaniagcn; criaran a Ig¡c¡u a ¡ariir da
ncgaçao dos EvangclIos...
Todos quc ¡rocurasscn ¡or sinais dc una
divindadc irónica quc nancja os cordcis ¡or
dciras do grandc drana da c×isicncia nao
cnconirarian ¡cqucna cvidcncia ncsic cstu¡cndo
¡onto dc íntc¡¡oguçuo cIanado crisiianisno. A
Iunanidadc ajoclIa-sc c×aiancnic ¡cranic a
aniíicsc do quc cra a origcn, o significado c a ící
dos EvangclIos ÷ saniificaran no concciio dc
ºIgrcja" jusiancnic o quc o º¡oriador da loa-
nova" considcrava uIuíxo si, ut¡us dc si ÷ scria
vao ¡rocurar ¡or un nclIor c×cn¡lo dc ironia
Iisiorico-nundial ÷
81

XXXVII
÷ Nossa c¡oca orgulIa-sc dc scu scnso
Iisiorico. cono, cniao, sc ¡crniiiu acrcdiiar quc
a g¡osscí¡u ¡uIuíu do ¡uzcdo¡ dc nííug¡cs c
Suíuudo¡ consiiiui as origcns do crisiianisno ÷ c
quc iudo nclc dc cs¡iriiual c sinlolico surgiu
a¡cnas ¡osicriorncnic? Muiio ¡clo conirario,
ioda a Iisioria do crisiianisno ÷ da noric na
cruz cn dianic ÷ c a Iisioria dc una
incon¡rccnsao ¡rogrcssivancnic grosscira dc un
sinlolisno o¡ígínuí. Con ioda a difusao do
crisiianisno cnirc nassas nais vasias c inculias,
aic ncsno inca¡azcs dc con¡rccndcr os
¡rincí¡ios dos quais nasccu, surgiu a
ncccssidadc dc iorna-lo nais uuígu¡ c Iu¡Iu¡o ÷
alsorvcu os cnsinancnios c riiuais dc iodos
culios suItc¡¡uncos do ín¡c¡íun Honunun c as
alsurdidadcs cngcndradas ¡or iodo ii¡o dc
raciocínio docniio. Era o dcsiino do crisiianisno
quc sua fc sc iornassc iao docniia, lai×a c vulgar
quanio as ncccssidadcs docniias, lai×as c
vulgarcs quc iinIa dc adninisirar. O Iu¡Iu¡ísno
nò¡Iído finalncnic asccndc ao ¡odcr con a Igrcja
÷ a Igrcja, csia cncarnaçao da Iosiilidadc norial
conira ioda a Ioncsiidadc, ioda grandcza dc
alna, ioda disci¡lina do cs¡íriio, ioda
Iunanidadc cs¡onianca c londosa. ÷ Valorcs
c¡ístuos ÷ valorcs noI¡cs. a¡cnas nos, cs¡íriios
82
ííu¡cs, rcsialclcccnos a naior das aniíicscs cn
naicria dc valorcs!...
83

XXXVIII
÷ Nao ¡osso, ncsic noncnio, cviiar un
sus¡iro. Ha dias cn quc sou visiiado ¡or un
scniincnio nais ncgro quc a nais ncgra
nclancolia ÷ o dcs¡¡czo ¡cíos Ioncns. Quc nao
Iaja qualqucr duvida solrc o quc dcs¡rczo, solrc
qucn dcs¡rczo. c o Ioncn dc Iojc, do qual
dcsgraçadancnic sou conicn¡oranco. O Ioncn
dc Iojc ÷ scu Ialiio ¡odrc nc asfi×ia!... En
rclaçao ao ¡assado, cono iodos csiudiosos, icnIo
nuiia iolcrancia, ou scja, un gcnc¡oso
auioconirolc. con una nclancolica ¡rccauçao
airavcsso nilcnios iniciros dc nundo-nanicónio,
cIancn isso dc ºcrisiianisno", ºfc crisia" ou
ºIgrcja crisia", cono dcscjaran ÷ iono o cuidado
dc nao rcs¡onsalilizar a Iunanidadc ¡or sua
dcncncia. Mas un scniincnio irrcfrcavcl irron¡c
no noncnio cn quc cniro nos icn¡os nodcrnos,
nos nossos icn¡os. Nossa c¡oca c nuís
cscíu¡ccídu... O quc cra aniigancnic a¡cnas
docniio agora sc iornou indcccnic ÷ c una
indcccncia scr crisiao Iojc cn dia. E uquí concçu
nínIu ¡c¡ugnuncíu. ÷ OlIo à ninIa volia. nao
rcsia scqucr una ¡alavra do quc ouirora sc
cIanava ºvcrdadc"; ja nao su¡orianos nais quc
un ¡adrc ¡ronuncic ial ¡alavra. Mcsno un
Ioncn con as nais nodcsias ¡rcicnsõcs à
inicgridadc ¡¡ccísu salcr quc un icologo, un
¡adrc, un ¡a¡a dc Iojc nao a¡cnas sc cngana
84
quando fala, nas na vcrdadc ncntc ÷ ja nao sc
iscnia dc sua cul¡a airavcs da ºinoccncia" ou da
ºignorancia". O ¡adrc salc, cono iodos salcn,
quc nao Ia qualqucr ºDcus", ncn º¡ccado", ncn
ºsalvador" ÷ quc o ºlivrc arlíirio" c a ºordcn
noral do nundo" sao ncniiras ÷. a rcflc×ao
scria, a ¡rofunda auio-su¡craçao cs¡iriiual
ín¡cdcn quc quaisqucr Ioncns finjan nuo salcr
disso... Todus idcias da Igrcja agora csiao
rcconIccidas ¡clo quc sao ÷ as ¡iorcs
falsificaçõcs c×isicnics, invcniadas ¡ara dc¡rcciar
a naiurcza c iodos os valorcs naiurais; o ¡adrc c
visio cono rcalncnic c ÷ cono a nais ¡crigosa
forna dc ¡arasiia, cono a ¡cçonIcnia aranIa da
criaçao... ÷ Nos salcnos, nossa conscícncíu
agora salc ÷ c×aiancnic quuí cra o vcrdadciro
valor dc iodas cssas sinisiras invcnçõcs do ¡adrc
c da Igrcja c ¡u¡u quc ¡íns sc¡uí¡un, con sua
dcsvalorizaçao da Iunanidadc ao nívcl da
auio¡oluiçao, cujo as¡ccio ins¡ira nausca ÷ os
concciios dc ºouiro nundo", dc ºjuízo final", dc
ºinorialidadc da alna", da ¡ro¡ria ºalna". nao
¡assan dc insiruncnios dc ioriura, sisicnas dc
crucldadc airavcs dos quais o ¡adrc iorna-sc
ncsirc c nanicn-sc ncsirc... Todos salcn disso,
nus, ncsno ussín, nudu nudou. Para ondc foi
nosso uliino rcsquício dcccncia, dc auio-rcs¡ciio
sc nossos Ioncns dc Esiado, no gcral una classc
dc Ioncns nao convcncionais c ¡rofundancnic
aniicrisiaos cn scus aios, agora sc dcnoninan
85
crisiaos c vao à ncsa dc conunIao?... Un
¡rínci¡c à frcnic dc scus rcgincnios,
nagnificcnic cnquanio cסrcssao do cgoísno c
arrogancia dc scu ¡ovo ÷ c ncsno assin
dcclarando, scn qualqucr vcrgonIa, quc c un
crisiao!...(1} Qucn, cniao, o crisiianisno ncga? O
quc clc cIana ºo nundo"? Scr soídudo, scr juiz,
scr ¡airioia; dcfcndcr-sc a si ncsno; zclar ¡cla
sua Ionra; dcscjar sua ¡ro¡ria vaniagcn; scr
o¡guíIoso... Toda ¡raiica irivial, iodo insiinio,
ioda valoraçao convcriida cn uto agora c
aniicrisia. quc nonst¡o dc ¡uísídudc o Ioncn
nodcrno ¡rccisa scr ¡ara sc dcnoninar un
crisiao scn cnvcrgonIar-sc! ÷
86

XXXIX
÷ Farci una ¡cqucna rcgrcssao ¡ara cסlicar
a uutcntícu Iisioria do crisiianisno. ÷ A ¡ro¡ria
¡alavra ºcrisiianisno" c un nal-cnicndido ÷ no
fundo so c×isiiu un crisiao, c clc norrcu na cruz.
O ºEvangclIo" no¡¡cu na cruz. O quc, dcssc
noncnio cn dianic, cIanou-sc dc ºEvangclIo"
cra c×aiancnic o o¡osio do quc cíc vivcu. ºnas
novas", un D¸sungcííun(1}. É un crro clcvado à
csiu¡idcz vcr na ºfc", c ¡ariicularncnic na fc na
salvaçao airavcs dc Crisio, o sinal disiiniivo do
crisiao. a¡cnas a ¡¡utícu crisia, a vida uíuídu ¡or
aquclc quc norrcu na cruz, c crisia... Hojc tuí
vida ainda c ¡ossívcl, c ¡ara cc¡tos Ioncns aic
ncccssaria. o crisiianisno ¡riniiivo, gcnuíno,
coniinuara scndo ¡ossívcl cn quaisqucr c¡ocas...
Nuo fc, nas aios; acina dc iudo, un cuítu¡ aios,
un nodo difcrcnic dc sc¡... Os csiados dc
conscicncia, una fc qualqucr, ¡or c×cn¡lo, a
acciiaçao dc alguna coisa cono vcrdadc ÷ cono
iodo ¡sicologo salc, o valor dcssas coisas c
¡crfciiancnic indifcrcnic c dc quinia ordcn sc
con¡arado ao dos insiinios. csiriiancnic falando,
iodo o concciio dc causalidadc iniclcciual c falso.
Fcduzir o aio scr crisiao, o csiado dc
crisiianisno, a una acciiaçao da vcrdadc, a un
ncro fcnóncno dc conscicncia, cquivalc a
fornular una ncgaçao do crisiianisno. Dc ¡uto,
nuo cxístcn c¡ístuos. O ºcrisiao" ÷ aquclc quc ¡or
87
dois nil anos ¡assou-sc ¡or crisiao ÷ c
sin¡lcsncnic una auio-ilusao ¡sicologica.
E×aninado dc ¡crio, ¡arccc quc, u¡csu¡ dc ioda
sua ºfc", foi u¡cnus govcrnado ¡or scus insiinios
÷ c quc ínstíntos! ÷ En iodas as c¡ocas ÷ ¡or
c×cn¡lo, no caso dc Luicro ÷ ºfc" nunca foi nais
quc una ca¡a, un ¡rcic×io, una co¡tínu ¡or
dciras da qual os insiinios fazian scu jogo ÷
una cngcnIosa ccgucí¡u à doninaçao dc cc¡tos
insiinios... Eu ja dcnoninci a ºfc" una IuIííídudc
cs¡ccialncnic crisia ÷ scn¡rc sc ¡uíu dc ºfc" nas
sc ugc dc acordo con os insiinios... No nundo dc
idcias do crisiao nao Ia qualqucr coisa quc
scqucr ioquc a rcalidadc. ao conirario, rcconIccc-
sc un òdío insiiniivo conira a rcalidadc cono
força noiivadora, cono unico ¡odcr dc noiivaçao
no fundo do crisiianisno. Quc sc scguc disso?
Quc ncsno aqui, ín ¡s¸cIoíogícís, Ia un crro
radical, isio c, dcicrninanic da csscncia, ou scja,
da suIstuncíu. Fciirc-sc una idcia c coloquc-sc
una rcalidadc gcnuína cn scu lugar ÷ c iodo o
crisiianisno rcduz-sc a un nada! ÷ Visio
calnancnic, csic fcnóncno c dos nais
csiranIos, una rcligiao nao a¡cnas dc¡cndcnic
dc crros, nas invcniiva c cngcnIosa u¡cnus cn
criar crros nocivos, vcncnosos à vida c ao coraçao
÷ consiiiui un vcrdadciro cs¡ctucuío ¡u¡u os
Dcuscs ÷ ¡ara aquclas divindadcs quc ianlcn
sao filosofas, as quais cnconirci, ¡or c×cn¡lo, nos
cclclrcs dialogos dc Na×os. No noncnio cn quc
88
a ¡c¡ugnuncíu as dci×ar (÷ c ianlcn a nos!}
ficarao agradccidas ¡clo cs¡ciaculo
¡ro¡orcionado ¡clos crisiaos. ialvcz ¡or causa
dcstu curiosa c×iliçao soncnic o niscravcl c
ninusculo ¡lancia cIanado Tcrra ncrcça olIar
divino, una dcnonsiraçao dc inicrcssc divino...
Porianio, nao sulcsiincnos os crisiaos. o
crisiao, falso utc u ínoccncíu, csia nuiio acina do
nacaco ÷ una icoria das origcns lasianic
conIccida(2}, quando a¡licada aos crisiaos,
iorna-sc sin¡lcsncnic una dclicadcza...
89

XL
÷ O dcsiino do EvangclIo foi dccidido no
noncnio dc sua noric ÷ foi ¡cndurado na
ºcruz"... Soncnic a noric, cssa incs¡crada c
vcrgonIosa noric; soncnic a cruz, a qual
gcralncnic cra rcscrvada a¡cnas à canalIa ÷
soncnic csic assonlroso ¡arado×o colocou os
discí¡ulos facc a facc con o vcrdadciro cnigna.
ºQucn c¡u cstc? O quc c¡u cstc?" ÷ O scniincnio
dc dcsalcnio, dc ¡rofunda afronia c injuria; a
sus¡ciia dc quc ial noric ¡odcria consiiiuir una
¡c¡utuçuo dc sua causa; a icrrívcl qucsiao ºPor
quc aconicccu assin?" ÷ cssc csiado ncnial c
facilncnic con¡rccnsívcl. Aqui iudo ¡¡ccísu scr
considcrado cono ncccssario; iudo ¡rccisa icr
un significado, una razao, una clcvadíssina
razao; o anor dc un discí¡ulo c×clui iodo o
acaso. A¡cnas cniao da fcnda da duvida loccjou.
ºÇucn o naiou? Qucn cra scu ininigo naiural?"
÷ cssa ¡crgunia rcluziu cono un rclan¡ago.
Fcs¡osia. o judaísno doninanic, a classc
dirigcnic. A ¡ariir dcssc noncnio rcvoliaran-sc
cont¡u a ordcn csialclccida, concçaran a
con¡rccndcr Jcsus cono un ínsu¡¡ccto cont¡u u
o¡dcn cstuIcíccídu. Aic cniao csic clcncnio
niliianic, ncgador csiava auscnic cn sua
inagcn; ainda nais, isso rc¡rcscniava scu
¡ro¡rio o¡osio. Dcccrio a ¡cqucna conunidadc
nao Iavia con¡rccndido o quc cra ¡rccisancnic o
90
nais in¡orianic. o c×cn¡lo ofcrccido ¡cla sua
noric, a lilcrdadc, a su¡crioridadc solrc iodo o
¡csscntíncnto ÷ una ¡lcna indicaçao dc quao
¡ouco foi con¡rccndido! Tudo quc Jcsus ¡odcria
dcscjar airavcs dc sua noric, cn si ncsna, cra
ofcrcccr ¡ullicancnic a naior ¡rova ¡ossívcl, un
cxcn¡ío dc scus cnsinancnios. Mas os discí¡ulos
csiavan nuiio longc dc ¡c¡dou¡ sua noric ÷
a¡csar dc quc fazc-lo scria consoanic ao
cvangclIo no nais alio grau; c ianlcn nao
csiavan ¡rc¡arados ¡ara sc o¡c¡ccc¡cn, con docc
c suavc iranquilidadc dc coraçao, a una noric
sinilar... Muiio ¡clo conirario, foi ¡rccisancnic o
ncnos cvangclico dos scniincnios, a uíngunçu,
quc os ¡ossuiu. Parccia-lIcs in¡ossívcl quc a
causa dcvcssc ¡crcccr con sua noric.
ºrccon¡cnsa" c ºjulgancnio" iornaran-sc
ncccssarios (÷ c o quc ¡odcria scr ncnos
cvangclico quc ºrccon¡cnsa", º¡uniçao" c
ºjulgancnio"!}. ÷ Una vcz nais a crcnça ¡o¡ular
na vinda dc un ncssias a¡arcccu cn ¡rinciro
¡lano; a aicnçao foi dirccionada a un noncnio
Iisiorico. o ºrcino dc Dcus" vira ¡ara julgar scus
ininigos... Mas nisso iudo Ia un nal-cnicndido
giganicsco. concclcr o ºrcino dc Dcus" cono aio
final, cono una sin¡lcs ¡roncssa! O EvangclIo
Iavia sido, dc faio, a ¡ro¡ria cncarnaçao, o
cun¡rincnio, a ¡cuíízuçuo dcssc ºrcino dc Dcus".
Foi a¡cnas cniao quc iodo o dcs¡rczo c acridcz
conira fariscus c icologos concçaran a a¡arcccr
91
no ii¡o do Mcsirc, quc con isso foi t¡uns¡o¡nudo,
clc ¡ro¡rio, cn fariscu c icologo! Por ouiro lado, a
sclvagcn vcncraçao dcssas alnas con¡lciancnic
dcscquililradas nao ¡odia nais su¡oriar a
douirina do EvangclIo, cnsinada ¡or Jcsus,
solrc os dirciios iguais cnirc iodos os Ioncns à
filiaçao divina. sua vingança consisiiu cn cícuu¡
Jcsus dc nodo c×iravaganic, dcsiaric sc¡arando-
o dclcs. c×aiancnic cono, cn icn¡os anicriorcs,
os judcus, ¡ara vingarcn-sc dc scus ininigos, sc
sc¡araran dc scu Dcus c o clcvaran às aliuras.
Esic Dcus unico c csic filIo unico dc Dcus.
anlos foran ¡roduios do ¡csscntíncnto...
92

XLI
÷ E a ¡ariir dcssc noncnio surgiu un
¡rollcna alsurdo. ºCono ¡odc Dcus ¡crniii-lo?"
Para o qual a ¡criurlada logica da ¡cqucna
conunidadc fornulou una rcs¡osia
assusiadorancnic alsurda. Dcus dcu scu filIo
cn suc¡í¡ìcío ¡ara a rcnissao dos ¡ccados. Dc
una so vcz acalaran con o EvangclIo! O
sacrifício ¡clos ¡ccados, c cn sua forna nais
olno×ia c larlara. o sacrifício do ínoccntc ¡clo
¡ccado dos cul¡ados! Quc ¡aganisno a¡avoranic!
÷ O ¡ro¡rio Jcsus Iavia su¡rinido o concciio dc
ºcul¡a", ncgava a c×isicncia dc un alisno cnirc
Dcus c o Ioncn; clc uíucu cssa unidadc cnirc
Dcus c o Ioncn, quc cra ¡rccisancnic a suu
ºloa-nova"... E nuo cono un ¡rivilcgio! ÷ Dcsdc
cniao o ii¡o do Salvador foi scndo corron¡ido,
¡ouco a ¡ouco, ¡cla douirina do julgancnio c da
scgunda vinda, a douirina da noric cono
sacrifício, a douirina da ¡cssu¡¡cíçuo, airavcs da
qual ioda a noçao dc ºlcn-avcniurança", a
inicira c unica rcalidadc dos EvangclIos c
cscanoicada ÷ cn favor dc un csiado c×isicncial
¡òs-noric!... Paulo, con aqucla insolcncia
ralínica quc ¡crncia iodos scus aios, dcu un
caraicr logico a cssa concc¡çao índcccntc dcsic
nodo. ºSc Crisio nao rcssusciiou dc cnirc os
norios, cniao c va ioda a nossa fc" ÷ E dc suliio
convcricu-sc o EvangclIo na nais dcs¡rczívcl c
93
irrcalizavcl das ¡roncssas, a ¡ctuíuntc douirina
da inorialidadc do indivíduo... E Paulo a ¡rcgava
cono una ¡ccon¡cnsu!...
94

XLII
Agora sc concça a vcr jusiancnic o quc
icrninava con a noric na cruz. un csforço novo
c ioialncnic original ¡ara fundar un novincnio
dc ¡acifisno ludísiico, c assin csialclcccr a
¡cíícídudc nu Tc¡¡u ÷ rcal, nuo ncrancnic
¡ronciida. Pois csia c ÷ cono ja dcnonsirci ÷ a
difcrcnça csscncial cnirc as duas rcligiõcs da
dccudcncíu. o ludisno nao ¡roncic, nas dc faio
cun¡rc; o crisiianisno ¡roncic iudo, nas nuo
cun¡¡c nudu. ÷ A ºloa nova" foi scguida rcnic
aos calcanIarcs ¡cla º¡cssínu nouu¨. a dc Paulo.
Paulo cncarna c×aiancnic o ii¡o o¡osio ao
º¡oriador da loa nova"; rc¡rcscnia o gcnio do
odio, a visao do odio, a inc×oravcl logica do odio.
O quc cssc disangclisia(1} nao ofcrcccu cn
sacrifício ao odio! Acina dc iudo, o Salvador. clc
¡rcgou-o cn suu ¡¡ò¡¡íu cruz. A vida, o c×cn¡lo,
o cnsinancnio, a noric dc Crisio, o significado c
a lci dc iodo o EvangclIo ÷ nada disso rcsiou
a¡os cssc falsario, con scu odio, icr rcduzido
iudo ao quc lIc iivcssc uiilidadc. Ccriancnic nuo
a rcalidadc, ccriancnic nuo a vcrdadc Iisiorica!...
E una vcz nais o insiinio saccrdoial do judcu
¡cr¡cirou o ncsno grandc crinc conira a
Hisioria ÷ sin¡lcsncnic c×iir¡ou o onicn c o
aniconicn do crisiianisno c ínucntou suu ¡¡ò¡¡íu
Iístò¡íu dus o¡ígcns do c¡ístíunísno. Ainda nais,
fcz da Iisioria dc Isracl ouira falsificaçao, ¡ara
95
quc assin sc iornassc una ncra ¡rc-Iisioria dc
scus fciios. iodos os ¡rofcias falavan dc scu
ºSalvador"... Mais adianic a Igrcja falsificou aic a
Iisioria da Iunanidadc ¡ara iransforna-la cn
una ¡rc-Iisioria do crisiianisno... A figura do
Salvador, scus cnsinancnios, scu csiilo dc vida,
sua noric, o significado dc sua noric, ncsno as
conscqucncias dc sua noric ÷ nada ¡crnancccu
iniocado, nada ¡crnancccu scqucr scnclIanic à
rcalidadc. Paulo sin¡lcsncnic dcslocou o ccniro
dc gravidadc daqucla vida inicira ¡ara un local
dct¡us dcsia c×isicncia ÷ na ncntí¡u do Jcsus
ºrcssusciiado". No fundo, a vida do salvador nao
lIc iinIa qualqucr uiilidadc ÷ o quc ncccssiiava
cra dc una noric na cruz c dc algo nais. Vcr
qualqucr coisa Ioncsia cn Paulo, cuja casa
csiava no ccniro da ilusiraçao csioica, quando
convcricu una alucinaçao cn una ¡¡ouu da
rcssurrciçao do Salvador, ou ncsno acrcdiiar na
narraiiva dc quc clc ¡ro¡rio sofrcu cssa
alucinaçao ÷ isso scria una gcnuína níuísc¡íc(2}
da ¡aric dc un ¡sicologo. Paulo dcscjava o fin;
íogo, ianlcn dcscjava os ncios. ÷ Aquilo quc clc
¡ro¡rio nao acrcdiiava foi ¡roniancnic cngolido
¡or suficicnics idioias cnirc os quais disscninou
scu cnsinancnio. ÷ Scu dcscjo cra o ¡odcr; cn
Paulo o ¡adrc novancnic quis cIcgar ao ¡odcr ÷
so ¡odia scrvir-sc dc concciios, cnsinancnios c
sínlolos quc iiranizan as nassas c fornan
rclanIos. Çuuí ¡aric do crisiianisno Maonc
96
ionou cn¡rcsiada nais iardc? A invcnçao dc
Paulo, sua iccnica ¡ara csialclcccr a iirania
saccrdoial c organizar rclanIos. a crcnça na
inorialidadc da alna ÷ ísto c, u dout¡ínu do
º¡uíguncnto".
97

XLIII
Quando ccniro dc gravidadc da vida c
colocado, nuo ncla ncsna, nas no ºalcn" ÷ no
nudu ÷, cniao sc rciirou da vida o scu ccniro dc
gravidadc. A grandc ncniira da inorialidadc
¡cssoal dcsiroi ioda razao, iodo insiinio naiural
÷ iudo quc Ia nos insiinios quc scja lcncfico,
vivificanic, quc asscgurc o fuiuro, agora c causa
dc dcsconfiança. Vivcr dc nodo quc a vida nao
icnIa scniido. agora cssc c o ºscniido" da vida...
Para quc o cs¡íriio ¡ullico? Para quc sc orgulIar
¡cla origcn c anic¡assados? Para quc coo¡crar,
confiar, ¡rcocu¡ar-sc con o lcn-csiar gcral c
scrvir a clc?... Ouiras ianias ºicniaçõcs", ouiros
ianios dcsvios do ºlon caninIo". ÷ ºSoncnic
unu coisa c ncccssaria"... Quc iodo Ioncn, ¡or
¡ossuir una ºalna inorial", icnIa ianio valor
quanio qualqucr ouiro Ioncn; quc na ioialidadc
dos scrcs a ºsalvaçao" dc todo indivíduo un ¡ossa
rcivindicar una in¡oriancia cicrna; quc lcaios
insignificanics c dcscquililrados ¡ossan
inaginar quc as lcis da naiurcza sao
consianicncnic t¡unsg¡cdídus cn scu favor ÷
nao Ia cono cסrcssar dcs¡rczo suficicnic ¡or
iananIa inicnsificaçao dc ioda cs¡ccic dc
cgoísnos ud ín¡ínítun, aic a ínsoícncíu. E,
coniudo, o crisiianisno dcvc o scu t¡íun¡o
¡rccisancnic a cssu dc¡loravcl lajulaçao dc
vaidadc ¡cssoal ÷ foi assin quc scduziu ao scu
98
lado iodos os nalogrados, os insaiisfciios, os
vcncidos, iodo o rcfugo c vóniio da Iunanidadc.
A ºsalvaçao da alna" ÷ cn ouiras ¡alavras. ºo
nundo gira ao ncu rcdor"... A vcncnosa douirina
dos ºdirciios íguuís ¡ara iodos" foi ¡ro¡agada
cono un ¡rincí¡io crisiao. a ¡ariir dos rccóndiios
nais sccrcios dos naus insiinios o crisiianisno
iravou una gucrra dc noric conira iodos os
scniincnios dc rcvcrcncia c disiancia cnirc os
Ioncns, ou scja, conira o ¡rinciro ¡¡c-¡cquísíto
dc ioda cvoluçao, dc iodo dcscnvolvincnio da
civilizaçao ÷ do ¡csscntíncnto das nassas forjou
sua ¡¡íncí¡uí u¡nu conira nòs, conira iudo quc c
nolrc, alcgrc, nagnanino solrc a icrra, conira
nossa fclicidadc na Tcrra... Conccdcr a
ºinorialidadc" a qualqucr Pcdro c Paulo foi a
naior c nais viciosa afronia à Iunanidadc noI¡c
ja ¡cr¡cirada. ÷ E nao sulcsiincnos a funcsia
influcncia quc o crisiianisno c×crccu ncsno na
¡olíiica! Aiualncnic ningucn nais ¡ossui
coragcn ¡ara os ¡rivilcgios, ¡ara o dirciio dc
doninar, ¡ara os scniincnios dc vcncraçao ¡or si
c scus iguais ÷ ¡ara o ¡utIos du dístuncíu...
Nossa ¡olíiica csia dcIííítudu ¡or cssa falia dc
coragcn! ÷ Os scniincnios arisiocraiicos foran
sulicrrancancnic carconidos ¡cla ncniira da
igualdadc das alnas; c sc a crcnça nos
º¡rivilcgios da naioria" faz c contínuu¡u u ¡uzc¡
rcvoluçõcs ÷ c o crisiianisno, nao duvidcnos
disso, sao as valoraçõcs c¡ístus quc convcricn
99
ioda rcvoluçao cn un carnaval dc sanguc c
crinc! O crisiianisno c una rcvolia dc iodas as
criaiuras rasicjanics conira iudo quc c clcvado. o
EvangclIo dos ºlai×os" ¡cIuíxu...
100

XLIV
÷ Os EvangclIos sao incsiinavcis cono
cvidcncia da corru¡çao ja arraigada dcnt¡o da
conunidadc crisia ¡riniiiva. O quc Paulo, con a
cínica logica dc un ralino, ¡osicriorncnic lcvou
a calo cra no fundo a¡cnas un ¡roccsso dc
dcgradaçao quc sc iniciou con a noric do
Salvador. ÷ NcnIun csncro c dcnais na lciiura
dos EvangclIos; dificuldadcs sc oculian ¡or
dciras dc cada ¡alavra. Eu confcsso ÷ cs¡cro quc
ningucn nc lcvc a nal ÷ quc ¡rccisancnic ¡or
cssa razao ofcrcccn un dclciic dc ¡rincira ordcn
a un ¡sicologo ÷ cono o o¡osto dc ioda
corru¡çao ingcnua, cono un rcfinancnio ¡u¡
cxccíícncc, cono una aric da corru¡çao
¡sicologica. Os EvangclIos, dc faio, csiao à ¡aric.
A Díllia cn gcral nao dcvc scr con¡arada a clcs.
Esianos cnirc judcus. cssa c a ¡¡íncí¡u coisa quc
dcvcnos icr cn ncnic sc nao quiscrnos ¡crdcr o
fio do assunio. A gcnialidadc cn¡rcgada ¡ara
criar a ilusao dc ºsaniidadc" ¡cssoal ¡crnanccc
scn ¡aralclos, ianio nos livros quanio nos
Ioncns; cssa clcvaçao da falsidadc na ¡alavra c
nos gcsios ao nívcl dc u¡tc ÷ isso iudo nao sc
dcvc ao acaso dc un ialcnio individual, dc
alguna naiurcza c×cc¡cional. O ncccssario aqui c
a ¡uçu. Todo o judaísno nanifcsia-sc no
crisiianisno cono a aric dc forjar ncniiras
sagradas, cono a iccnica judaica quc a¡os
101
nuiios scculos dc a¡rcndizado c ircinancnio
scrio cIcgou à sua nais alia nacsiria. O crisiao,
cssa uítínu ¡utío(1} da ncniira, c o judcu nais
una vcz ÷ c t¡í¡ííccncntc judcu... A voniadc
suljaccnic dc uiilizar soncnic concciios,
sínlolos c aiiiudcs quc convcn à ¡ra×is
saccrdoial, o rc¡udio insiiniivo a qualqucr out¡u
¡crs¡cciiva c a qualqucr out¡o nciodo ¡ara
csiinar valor c uiilidadc ÷ isso nao c soncnic
una iradiçao, c una Ic¡unçu. a¡cnas cono una
Icrança c ca¡az dc o¡crar con força naiural.
Toda a Iunanidadc, ncsno as naiorcs ncnics
das naiorcs c¡ocas (con una c×ccçao quc,
ialvcz, nal fossc Iunana ÷}, dci×ou-sc cnganar.
O EvangclIo foi lido cono un ííu¡o du ínoccncíu...
ccriancnic ncnIuna nodcsia indicaçao do alio
grau dc ¡crícia con quc o iruquc foi fciio. ÷ É
claro, sc ¡udcsscnos dc faio uc¡ csscs carolas c
sanios falsos, ncsno quc a¡cnas ¡or un
insianic, a farsa scria ¡osia a fin ÷ c
¡rccisancnic ¡orquc nao consigo lcr suas
¡alavras scn ianlcn vcr scus gcsios quc ucuIcí
con cícs... Sin¡lcsncnic nao consigo su¡oriar a
nancira con quc lcvanian os olIos. ÷ Para a
naioria, fclizncnic, livros nao ¡assan dc
íítc¡utu¡u. ÷ Quc nao nos dci×cnos induzir cn
crro. clcs dizcn ºnao julgucis", nas condcnan ao
infcrno iudo quc fica cn scu caninIo. Ao
dci×arcn Dcus julgar, sao clcs ¡ro¡rios quc
julgan; ao glorificarcn Dcus, glorifican a si
102
ncsnos; ao cxígí¡cn quc iodos nanifcsicn as
viriudcs ¡ara as quais sao a¡ios ÷ nais ainda,
das quais ¡¡ccísun ¡ara ¡crnancccr no io¡o ÷,
assuncn o as¡ccio dc Ioncns cn una luia ¡cla
viriudc, dc Ioncns cngajados nuna gucrra ¡ara
quc a viriudc ¡rcvalcça. ºNos vivcnos, norrcnos,
sacrificano-nos ¡cío Icn" (÷ ºa vcrdadc", ºa luz",
ºo rcino dc Dcus"}. na rcalidadc, sin¡lcsncnic
fazcn o quc nao ¡odcn dci×ar dc fazcr. Forçados,
cono Ii¡ocriias, a scrcn furiivos, sc cscondcrcn
nos canios, sc csquivarcn ¡clas sonlras,
convcricn sua ncccssidadc cn dcuc¡. c cono un
dcvcr quc surgc sua vida Iunildc, c ial
Iunildadc convcric-sc cn nais una ¡rova dc
dcvoçao... AI, cssa Iunildc, casia c
niscricordiosa fraudc! ºA ¡ro¡ria viriudc dcvc
icsicnunIar cn nosso favor"... Lcian-sc os
EvangclIos cono livros dc scduçuo no¡uí. cssa
gcniinIa insignificanic sc aircla à noral ÷
conIcccn ¡crfciiancnic suas uiilidadcs! A noral
c o nclIor ncio ¡ara conduzir a Iunanidadc
¡cío nu¡íz! ÷ A vcrdadc c quc a nais conscicnic
¡rcsunçao dos cícítos disfarça-sc dc nodcsiia.
dcssc nodo colocaran u sí ¡¡ò¡¡íos, a
ºconunidadc", os ºlons c jusios", dc una vcz ¡or
todus, dc un lado, do lado da ºvcrdadc" ÷ c o
rcsio da Iunanidadc, ºo nundo", do ouiro...
Nísto olscrvanos a cs¡ccic nais faial dc
ncgalonania quc a Tcrra ja icsicnunIou.
¡cqucnos alorios dc lcaios c ncniirosos
103
concçan a rcivindicar dirciios c×clusivos solrc
os concciios dc ºDcus", ºvcrdadc", ºluz",
ºcs¡íriio", ºanor", ºsalcdoria", ºvida", cono sc
fosscn sinóninos dclcs ¡ro¡rios, c airavcs disso
luscaran csialclcccr o liniic cnirc si c o
ºnundo"; ¡cqucnos su¡crjudcus, naduros ¡ara
iodo ii¡o dc nanicónio, viraran os valorcs dc
calcça ¡ara lai×o ¡ara saiisfazcrcn suas noçõcs,
cono sc soncnic o crisiao fossc o significado, o
sal, a ncdida c ianlcn o ¡uìzo ¡ínuí dc iodo o
rcsio... Todo cssc dcsasirc so foi ¡ossívcl ¡orquc
no nundo ja c×isiia una ncgalonania sinilar, dc
ncsna raça, a salcr, a ¡uduícu. una vcz quc sc
alriu o alisno cnirc judcus c judcus-crisiaos, a
csics ja nao Iavia cscolIa scnao cn¡rcgar os
ncsnos ¡roccdincnios dc auioconscrvaçao quc o
insiinio judaico lIcs aconsclIava, ncsno cont¡u
os ¡ro¡rios judcus, ainda quc judcus soncnic os
iivcsscn cn¡rcgado conira nao-judcus. O crisiao
c sin¡lcsncnic un judcu dc confissao
ºrcfornada". ÷
104

XLV
÷ Ofcrcço alguns c×cn¡los do ii¡o dc coisa
quc cssa gcnic insignificanic iinIa dcniro dc suas
calcças ÷ do quc coíocu¡un nu Iocu do Mcsirc. a
candida crcnça dc ºlclas alnas". ÷
ºE tuntos quuntos uos nuo ¡cccIc¡cn, ncn
uos ouuí¡cn, suíndo duíí, sucudí o ¡ò quc cstíuc¡
dcIuíxo dos uossos ¡cs, cn tcstcnunIo cont¡u
cícs. En uc¡dudc uos dígo quc Iuuc¡u nuís
toíc¡uncíu no díu do ¡uìzo ¡u¡u Sodonu c Gono¡¡u,
do quc ¡u¡u os duqucíu cídudc" (Marcos, 6.11}. ÷
Quao cuungcííco!
ºE quuíquc¡ quc cscunduíízu¡ un dcstcs
¡cqucnínos quc c¡ccn cn nín, ncíIo¡ íIc ¡o¡u quc
íIc ¡uscsscn uo ¡cscoço unu nò dc utu¡onu, c
quc ¡ossc íunçudo no nu¡" (Marcos, 9.42}. ÷ Quao
cuungcííco!
ºE, sc o tcu oíIo tc cscunduíízu¡, íunçu-o ¡o¡u;
ncíIo¡ c ¡u¡u tí cnt¡u¡cs no ¡cíno dc Dcus con un
sò oíIo do quc, tcndo doís oíIos, sc¡cs íunçudo no
¡ogo do ín¡c¡no, ondc o scu IícIo nuo no¡¡c, c o
¡ogo nuncu sc u¡ugu" (Marcos, 9.47-48}. ÷ Nao c
c×aiancnic do olIo quc sc iraia...
ºDízíu-íIcs tunIcn. En uc¡dudc uos dígo
quc, dos quc uquí cstuo, uíguns Iu quc nuo
¡¡ouu¡uo u no¡tc scn quc uc¡un cIcgudo o ¡cíno
105
dc Dcus con ¡odc¡" (Marcos 9.1}. ÷ Dcn ncntído,
lcao!...(1}
ºSc uígucn quísc¡ uí¡ u¡òs nín, ncguc-sc u sí
ncsno, c tonc u suu c¡uz, c sígu-nc. Po¡quc..."
(Notu dc un ¡sícòíogo. a noral crisia c rcfuiada
¡clos scus ¡o¡qucs. suas razõcs a conirarian ÷
isso a faz crisia} (Marcos, 8.34}. ÷
ºNuo ¡uígucís, ¡u¡u quc nuo sc¡uís ¡uígudos
...con u ncdídu con quc tíuc¡dcs ncdído uos Iuo
dc ncdí¡ u uòs" (Maicus 7.1-2}. ÷ Quc noçao dc
jusiiça, quc juiz ºjusio"!...
ºPoís, sc unu¡dcs os quc uos unun, quc
guíu¡duo tc¡cís¯ Nuo ¡uzcn os ¡uIíícunos tunIcn
o ncsno¯ E, sc suudu¡dcs unícuncntc os uossos
í¡nuos, quc ¡uzcís dc nuís¯ Nuo ¡uzcn os
¡uIíícunos tunIcn ussín¯" (Maicus 5.46-47}. ÷
Princí¡io do ºanor crisiao". no fin das conias
qucr scr Icn ¡ugo...
ºSc, ¡o¡cn, nuo ¡c¡dou¡dcs uos Ioncns us
suus o¡cnsus, tunIcn uosso Puí uos nuo ¡c¡dou¡u
us uossus o¡cnsus" (Maicus 6.15}. ÷ Muiio
con¡roncicdor ¡ara o assin cIanado º¡ai".
ºMus, Iuscuí ¡¡íncí¡o o ¡cíno dc Dcus, c u
suu ¡ustíçu, c todus cstus coísus uos sc¡uo
uc¡csccntudus" (Maicus 6.33}. ÷ Todas csias
coisas. isio c, alincnio, vcsiuario, iodas
ncccssidadcs da vida. Un c¡¡o, ¡ara scr
106
cufcnico... Un ¡ouco anics cssc Dcus a¡arcccu
cono un alfaiaic, ¡clo ncnos cn ccrios casos.
ºFoíguí ncssc díu, cxuítuí; ¡o¡quc cís quc c
g¡undc o uosso guíu¡duo no ccu, ¡oís ussín ¡uzíun
os scus ¡uís uos ¡¡o¡ctus" (Lucas 6.23}. ÷
CanalIa índcccntc! Ja sc con¡ara aos ¡rofcias...
ºNuo suIcís uòs quc soís o tcn¡ío dc Dcus c
quc o Es¡ì¡íto dc Dcus IuIítu cn uòs¯ Sc uígucn
uíoíu¡ o tcn¡ío dc Dcus, Dcus o dcst¡uí¡u; ¡o¡quc o
tcn¡ío dc Dcus, quc soís uòs, c sunto" (I Paulo aos
coríniios, 3.16-17}. ÷ Para coisas assin nao Ia
dcs¡rczo suficicnic...
ºNuo suIcís uòs quc os suntos Iuo dc ¡uígu¡ o
nundo¯ O¡u, sc o nundo dcuc sc¡ ¡uígudo ¡o¡ uòs,
soís ¡o¡ucntu¡u índígnos dc ¡uígu¡ us coísus
nìnínus¯" (I Paulo aos coríniios, 6.2}. ÷
Infclizncnic, nao c a¡cnas o discurso dc un
lunaiico... Essc cs¡untoso ín¡osto¡ assin
¡rosscguc. ºNuo suIcís uòs quc Iuucnos dc ¡uígu¡
os un¡os¯ Çuunto nuís us coísus ¡c¡tcnccntcs u
cstu uídu¯"...
ºPo¡ucntu¡u nuo to¡nou Dcus íoucu u
suIcdo¡íu dcstc nundo¯ Vísto cono nu suIcdo¡íu
dc Dcus o nundo nuo conIcccu u Dcus ¡cíu suu
suIcdo¡íu, u¡¡ouuc u Dcus suíuu¡ os c¡cntcs ¡cíu
íoucu¡u du ¡¡cguçuo... Nuo suo nuítos os suIíos
scgundo u cu¡nc, ncn nuítos os ¡odc¡osos, ncn
nuítos os noI¡cs quc suo cIunudos. Mus Dcus
107
cscoíIcu us coísus íoucus dcstc nundo ¡u¡u
con¡undí¡ us suIíus; c Dcus cscoíIcu us coísus
¡¡ucus dcstc nundo ¡u¡u con¡undí¡ us ¡o¡tcs; c
Dcus cscoíIcu us coísus uís dcstc nundo, c us
dcs¡¡czìucís, c us quc nudu suo, ¡u¡u uníquííu¡ us
quc suo; ¡u¡u quc ncnIunu cu¡nc sc gío¡íc
¡c¡untc cíc" (I Paulo aos coríniios, 1.20 c
adianic(2}}. ÷ Para con¡¡ccndc¡ csia ¡assagcn,
un c×cn¡lo dc ¡rincira linIa da ¡sicologia da
noral dc cIunduíu, dcvc-sc lcr a ¡rincira ¡aric
dc ninIa ºGcncuíogíu du Mo¡uí". ncla, ¡cla
¡rincira vcz, foi cvidcnciado o aniagonisno cnirc
a noral noI¡c c a noral dc cIunduíu, nascida do
¡csscntíncnto c da vingança in¡oicnic. Paulo foi
o naior dos a¡osiolos da vingança...
108

XLVI
÷Çuc sc ín¡c¡c dísso? Quc convcn vcsiir
luvas anics dc lcr o Novo Tcsiancnio. A ¡rcscnça
dc iania sujcira faz disso algo nuiio
aconsclIavcl. Tao ¡ouco cscolIcríanos cono
con¡anIciros os º¡rinciros crisiaos" quanio os
judcus ¡oloncscs. nao quc icnIanos a
ncccssidadc dc lIcs fazcr oljcçõcs... Anlos
cIciran nal. ÷ En vao ¡rocurci no Novo
Tcsiancnio ¡or un unico iraço dc sin¡aiia; nclc
nao Ia nada quc scja livrc, londoso, sinccro ou
lcal. Nclc a Iunanidadc ncn ncsno da scu
¡rinciro ¡asso asccndcnic ÷ o insiinio dc
íín¡czu csia auscnic... A¡cnas nuus insiinios
csiao ¡rcscnics, c iais insiinios ncn ao ncnos
sao doiados dc coragcn. Nclc iudo c covardia;
iudo c un fccIar os olIos, un auio-cngano. A¡os
lcr o Novo Tcsiancnio qualqucr ouiro livro ¡arccc
lin¡o. ¡or c×cn¡lo, incdiaiancnic a¡os Paulo, li
con arrclaiancnio o nais cncaniador c insolcnic
zonlciciro, Pcirónio, do qual ¡odcr-sc-ia dizcr o
ncsno quc Doncnico Doccaccio cscrcvcu solrc
Ccsar Dorgia ao Duquc dc Parna. ºc tutto ¡csto"
÷ inorialncnic saudavcl, inorialncnic alcgrc c
sao... Esics saniarrõcs niscravcis crran no
csscncial. Aiacan, nas iudo quc aiacan iorna-sc
dístínto. Qucn c aiacado ¡or un º¡rinciro
crisiao" ccriancnic nuo c dcncgrido... Pclo
conirario, c una Ionra ¡ossuir un º¡rinciro
109
crisiao" cono o¡oncnic. Nao sc ¡odc lcr o Novo
Tcsiancnio scn adquirir una ¡rcdilcçao ¡or
iudo quc nclc c naliairado ÷ ¡ara nao falar da
ºsalcdoria dcsic nundo", quc un insolcnic
fanfarrao icnia rcduzir a nada con a ºloucura da
¡rcgaçao"... Mcsno os cscrilas c fariscus sao
lcncficiados ¡or ial o¡osiçao. ccriancnic dcvian
icr algun valor ¡ara ncrcccrcn scr odiados dc
nancira iao indcccnic. Hi¡ocrisia ÷ cono sc cssa
fossc una acusaçao quc os º¡rinciros crisiaos"
oususscn fazcr! ÷ Afinal, clcs cran os
¡¡íuíícgíudos, c isso cra suficicnic. o odio dos
cIunduíu nao ¡rccisa dc qualqucr ouiro ¡rcic×io.
O º¡rinciro crisiao" ÷ c ianlcn, rcccio, o
ºuliino crisiao", quc cu tuíucz uíuu tcn¡o
su¡ícícntc ¡u¡u uc¡ ÷ c un rclcldc ¡or ¡rofundo
insiinio conira iudo quc c ¡rivilcgio ÷ vivc c
gucrrcia scn¡rc ¡cla ºigualdadc dc dirciios"...
Esiriiancnic falando, clc nao icn cscolIa.
Quando algucn ¡rcicndc rc¡rcscniar, clc ¡ro¡rio,
o ºclciio dc Dcus" ÷ ou ºicn¡lo dc Dcus", ou ºjuiz
dos anjos" ÷, cniao qualqucr out¡o criicrio dc
clciçao, qucr scja lascado na Ioncsiidadc, no
iniclccio, na virilidadc c no orgulIo, ou na lclcza
c lilcrdadc dc coraçao, iorna-sc sin¡lcsncnic
ºnundano" ÷ o nuí cn sí... Moral. ioda ¡alavra
¡ronunciada ¡or un º¡rinciro crisiao" c una
ncniira, iodos scus aios sao insiiniivancnic
dcsoncsios ÷ iodos scus valorcs, iodos scus fins
sao nocivos, nas todos quc odcia, tudo quc odcia,
110
icn uuío¡ vcrdadciro... O crisiao, c
¡ariicularncnic o ¡adrc crisiao, c un c¡ítc¡ío dc
uuío¡cs.
÷ Prcciso acrcsccniar quc, cn iodo o Novo
Tcsiancnio, nao a¡arccc scnao una únícu figura
ncrcccdora dc Ionra. Pilaios, o govcrnador
ronano. Lcvar assunios judaicos a sc¡ío ÷ clc
csiava nuiio acina disso. Un judcu a nais ou a
ncnos ÷ quc isso in¡oria?... A nolrc ironia do
ronano anic o qual a ¡alavra ºvcrdadc" foi
cinicancnic alusada cnriqucccu o Novo
Tcsiancnio con a unica ¡assagcn quc tcn
quuíquc¡ uuío¡ ÷ quc c sua críiica c sua
dcst¡uíçuo. ºQuc c a vcrdadc?"...
111

XLVII
÷ O quc nos disiinguc nao c nossa
inca¡acidadc dc cnconirar Dcus, ncn na Iisioria,
ncn na nutu¡czu, ncn ¡or dciras da naiurcza ÷
nas quc considcranos iudo quc foi Ionrado
cono scndo Dcus, nao cono algo ºdivino", nas
lasiinavcl, alsurdo, nocivo; nao cono un
sin¡lcs crro, nas cono un c¡ínc cont¡u u uídu...
Ncganos quc cssc Dcus scja Dcus... E sc algucn
nos nost¡ussc cssc Dcus crisiao, ficaríanos
ainda ncnos inclinanos a crcr nclc. ÷ Nuna
fornula. Dcus, quuícn Puuíus c¡cuuít, Dcí
ncgutío.(1} ÷ Una rcligiao cono o crisiianisno,
quc nao ¡ossui un unico ¡onio dc coniaio con a
rcalidadc, quc sc csfaccla no noncnio cn quc a
rcalidadc in¡õc scus dirciios, incviiavclncnic
scra a ininiga norial da ºsalcdoria dcsic
nundo", ou scja, da cícncíu ÷ noncara lon iudo
quc scrvc ¡ara cnvcncnar, caluniar c dc¡¡ccíu¡
ioda disci¡lina iniclcciual, ioda lucidcz c rciidao
cn naicria dc conscicncia iniclcciual, ioda fricza
nolrc c lilcrdadc dc cs¡íriio. A ºfc", cono un
in¡craiivo, vcia a cicncia ÷ ín ¡¡uxí(2}, ncniir a
iodo cusio... Paulo con¡¡ccndcu nuíto Icn quc a
ncniira ÷ quc a ºfc" ÷ cra ncccssaria; c
¡osicriorncnic a Igrcja con¡rccndcu Paulo. ÷ O
Dcus quc Paulo invcniou, un Dcus quc ºrcduz ao
alsurdo" a ºsalcdoria dcsic nundo"
(cs¡ccialncnic as duas grandcs ininigas da
112
su¡crsiiçao, a filologia c a ncdicina}, c cn
vcrdadc una indicaçao da firnc dctc¡nínuçuo dc
Paulo ¡ara rcalizar isio. dar o nonc dc Dcus à
sua ¡ro¡ria voniadc, tIo¡u(3} ÷ isso c
csscncialncnic judaico. Paulo quc¡ dcsvalorizar a
ºsalcdoria dcsic nundo". scus ininigos sao os
Ions filologos c ncdicos da cscola alc×andrina ÷
a gucrra c fciia conira clcs. Dc faio, ncnIun
Ioncn ¡odc scr filologo c ncdico scn ao ncsno
icn¡o scr untíc¡ísto. O filologo vc ¡o¡ dct¡us dos
ºlivros sagrados", o ncdico vc ¡o¡ dct¡us da
dcgcncraçao fisiologica do crisiao ií¡ico. O ncdico
diz ºincuravcl"; o filologo diz ºfraudc"...
113

XLVIII
÷ Scra quc algucn ja con¡rccndcu
clarancnic a cclclrc Iisioria quc sc cnconira no
início da Díllia ÷ a do ¡avor norial dc Dcus anic
a cícncíu? Ningucn, dc faio, a con¡rccndcu. Esic
livro dc ¡adrcs ¡u¡ cxccíícncc concça, cono
convcn, con a grandc dificuldadc inicrior do
¡adrc. cíc cnfrcnia un unico grandc ¡crigo, c¡go,
ºDcus" cnfrcnia un unico grandc ¡crigo. ÷
O vclIo Dcus, iodo ºcs¡íriio", iodo grao-
¡adrc, iodo ¡crfciçao, ¡asscia ¡clo scu jardin.
csia cnicdiado c icniando naiar icn¡o. Conira o
cnfado aic os Dcuscs luian cn vao(1}. O quc clc
faz? Cria o Ioncn ÷ o Ioncn c divcriido... Mas
cniao ¡crcclc quc o Ioncn ianlcn csia
cnicdiado. A ¡icdadc dc Dcus ¡ara a unica forna
da afliçao ¡rcscnic cn iodos os ¡araísos
dcsconIccc liniics. cniao cn scguida criou
ouiros aninais. P¡íncí¡o crro dc Dcus. ¡ara o
Ioncn csscs aninais nao rc¡rcscniavan
divcrsao ÷ clc luscava donina-los; nao qucria
scr un ºaninal". ÷ Eniao Dcus criou a nulIcr.
Con isso crradicou cnfado ÷ c nuiias ouiras
coisas ianlcn! A nulIcr foi o scgundo crro dc
Dcus. ÷ ºA nulIcr, ¡or naiurcza, c una
scr¡cnic. Eva" ÷ iodo ¡adrc salc disso; ºda
nulIcr vcn iodo o nal do nundo" ÷ iodo ¡adrc
salc disso ianlcn. Logo, igualncnic calc a cla a
114
cul¡a ¡cla cícncíu... Foi dcvido à nulIcr quc o
Ioncn ¡rovou da arvorc do conIccincnio. ÷
Quc succdcu? O vclIo Dcus foi aconciido ¡or un
¡avor norial. O ¡ro¡rio Ioncn Iavia sido scu
nuío¡ crro; criou ¡ara si un rival; a cicncia iorna
os Ioncns díuínos ÷ iudo sc arruína ¡ara ¡adrcs
c dcuscs quando o Ioncn iorna-sc cicniífico! ÷
Moral. a cicncia c ¡roilida ¡c¡ sc; soncnic cla c
¡roilida. A cicncia c o ¡¡íncí¡o dos ¡ccados, o
gcrnc dc iodos os ¡ccados, o ¡ccado o¡ígínuí.
Todu u no¡uí c u¡cnus ísto. ºTu nuo conIcccras"
÷ o rcsio dcduz-sc disso. ÷ O ¡avor dc Dcus,
cnircianio, nao o in¡cdiu dc scr asiuio. Cono sc
¡¡otcgc¡ conira a cicncia? Por longo icn¡o cssc
foi o ¡rollcna ca¡iial. Fcs¡osia. cסulsando o
Ioncn do ¡araíso! A fclicidadc c a ociosidadc
cvocan o ¡cnsar ÷ c iodos ¡cnsancnios sao
naus ¡cnsancnios! ÷ O Ioncn nao dcuc
¡cnsar. ÷ Eniao o º¡adrc" invcnia a angusiia, a
noric, os ¡crigos noriais do ¡ario, ioda a cs¡ccic
dc niscrias, a dccrc¡iiudc c, acina dc iudo, a
cn¡c¡nídudc ÷ nada scnao arnas ¡ara alincniar
a gucrra conira a cicncia! Os ¡rollcnas nao
¡c¡nítcn quc o Ioncn ¡cnsc... A¡csar disso ÷
quc icrrívcl! ÷ o cdifício do conIccincnio concça
a clcvar-sc, invadindo os ccus, olscurcccndo os
Dcuscs ÷ quc fazcr? ÷ O vclIo Dcus invcnia a
guc¡¡u; sc¡ara os ¡ovos; faz con quc sc dcsiruan
uns aos ouiros (÷ os ¡adrcs scn¡rc
ncccssiiaran dc gucrras...}. Cucrra ÷ cnirc
115
ouiras coisas, un grandc csiorvo à cicncia! ÷
Inacrcdiiavcl! O conIccincnio, u cnuncí¡uçuo do
donìnío succ¡dotuí ¡ros¡cran a¡csar da gucrra!
÷ Eniao o vclIo Dcus cIcga à sua rcsoluçao
final. ºO Ioncn iornou-sc cicniífico ÷ nuo cxístc
out¡u soíuçuo. clc ¡rccisa scr afogado"...
116

XLIX
÷ Fui con¡rccndido. No início da Díllia csia
todu a ¡sicologia do ¡adrc. ÷ O ¡adrc conIccc
a¡cnas un grandc ¡crigo. a cicncia ÷ o concciio
sadio dc causa c cfciio. Mas a cicncia a¡cnas
florcscc ioialncnic sol condiçõcs favoravcis ÷
un Ioncn ¡rccisa dc icn¡o, ¡rccisa ¡ossuir un
iniclccio t¡unsIo¡duntc ¡ara ¡odcr ºconIcccr"...
ºLogo, c ¡rcciso iornar o Ioncn infcliz" ÷ cssa
foi, cn iodas as c¡ocas, a logica do ¡adrc. ÷ É
facil vcr o quc, a ¡ariir dcssa logica, surgiu no
nundo. ÷ o º¡ccudo"... O concciio dc cul¡a c
¡uniçao, ioda a ºordcn noral do nundo" foran
dirccionados cont¡u a cicncia ÷ conira a
cnanci¡açao do Ioncn do jugo saccrdoial... O
Ioncn nuo dcvc olIar ¡ara scu c×icrior; dcvc
olIar a¡cnas ¡ara o inicrior. Nuo dcvc olIar as
coisas con acuidadc c ¡rudcncia, nao dcvc
a¡rcndcr solrc clas; nao dcvc olIar ¡ara nada;
dcvc a¡cnas so¡¡c¡... E sofrcr ianio quc scn¡rc
csicja ¡rccisando dc un ¡adrc. ÷ Fora os
ncdicos! O ncccssu¡ío c un Suíuudo¡. ÷ O
concciio dc cul¡a c ¡uniçao, incluindo as
douirinas da ºgraça", da ºsalvaçao", do º¡crdao"
÷ ncntí¡us scn qualqucr rcalidadc ¡sicologica ÷
foran invcniadas ¡ara dcsiruir o scnso dc
cuusuíídudc do Ioncn. sao un aiaquc conira o
concciio dc causa c cfciio! ÷ E nuo un aiaquc
con ¡unIo, con faca, con Ioncsiidadc no anor
117
c no odio! Longc disso, foi ins¡irado ¡clo nais
covardc, nais vclIaco, nais ignolil dos insiinios!
Un aiaquc dc ¡ud¡cs! Un aiaquc dc ¡u¡usítus! O
van¡irisno dc sangucssugas ¡alidas c
sulicrrancas!... Quando as conscqucncias
naiurais dc un aio ja nao sao nais ºnaiurais",
nas visias cono olras dc faniasnas da
su¡crsiiçao ÷ ºDcus", ºcs¡íriios", ºalnas" ÷,
cono conscqucncias ºnorais", rccon¡cnsas,
¡uniçõcs, sinais, liçõcs, cniao iorna-sc csicril
iodo o solo ¡ara o conIccincnio ÷ c con ísso
¡c¡¡ct¡ou-sc o nuío¡ dos c¡íncs cont¡u u
Iununídudc. ÷ Fc¡iio quc o ¡ccado, cssa
auio¡rofanaçao ¡u¡ cxccíícncc, foi invcniado ¡ara
iornar in¡ossívcl ao Ioncn a cicncia, a culiura,
ioda a clcvaçao c iodo o cnolrccincnio; o ¡adrc
¡cínu graças à invcnçao do ¡ccado. ÷
118

L
÷ Nao ¡osso, aqui, ¡rcscindir dc una
¡sicologia da ºfc", do ºcrcnic", cn ¡rovciio, cono
c jusio, dos ¡ro¡rios ºcrcnics". Sc Iojc Ia alguns
quc ainda nao salcn quao índcccntc c scr
ºcrcnic" ÷ ou quanio isso indica dccudcncíu,
falia dc voniadc dc vivcr ÷, ananIa clcs o
salcrao. MinIa voz alcança aic os surdos. ÷
Parccc-nc quc cnirc crisiaos, sc nao con¡rccndi
nal, ¡rcvalccc una cs¡ccic dc criicrio da vcrdadc
cIanado º¡rova dc força". A fc lcaiifica. íogo, c
vcrdadcira". ÷ Podcria-sc oljciar quc a lcaiiiudc
nao c dcnonsirada, nas a¡cnas ¡¡onctídu.
susicnia-sc na ºfc" cnquanio condiçao ÷ sc¡u
lcaiificado ¡o¡quc crc... Mas c aquilo quc o ¡adrc
¡roncic ao crcnic, aquclc ºalcn" iransccndcnial
÷ cono ísso ¡odc scr dcnonsirado? ÷ A º¡rova
dc força", no fundo, nao ¡assa da crcnça dc quc
os cfciios ¡ronciidos ¡cla fc sc rcalizarao. ÷
Nuna fornula. ºCrcio quc a fc lcaiifica ÷ íogo,
cla c vcrdadcira"... Mas nao ¡odcnos ir alcn
disso. Essc ºlogo" ja c o ¡ro¡rio uIsu¡dun
iransfornado cn criicrio da vcrdadc. ÷ Coniudo,
¡or coricsia, adniianos quc a lcaiificaçao
airavcs da fc icnIa sido dcnonsirada (÷ nuo
ncrancnic dcscjada, nuo ncrancnic ¡ronciida
¡cla sus¡ciia loca dc un ¡adrc}. ncsno assin,
¡odc¡íu a lcaiiiudc ÷ diio cn forna iccnica, o
¡¡uzc¡ ÷ scr una ¡rova da vcrdadc? Disia ianio
119
dc sc-lo quc a influcncia das scnsaçõcs dc ¡razcr
solrc a rcs¡osia à qucsiao ºQuc c a vcrdadc?"
¡raiicancnic consiiiui una oljcçao à vcrdadc,
ou, cn iodo caso, c suficicnic ¡ara iorna-la
aliancnic sus¡ciia. A ¡rova do º¡razcr" ¡rova o
º¡razcr" ÷ nada nais; ¡or quc sc dcvcria adniiir
quc juízos uc¡dudcí¡os gcran nais ¡razcr quc os
falsos c quc, cn confornidadc a alguna
Iarnonia ¡rccsialclccida, ncccssariancnic
irarian consigo scnsaçõcs dc ¡razcr? ÷ A
cסcricncia dc iodas as ncnics ¡rofundas c
disci¡linadas cnsina o cont¡u¡ío. O Ioncn icvc dc
luiar lravancnic ¡or cada nigalIa da vcrdadc;
icvc dc sacrificar quasc iudo aquilo cn quc sc
agarra o coraçao Iunano, o anor Iunano, a
confiança Iunana na vida. Para isso c ncccssario
¡ossuir grandcza dc alna. o scrviço da vcrdadc c
o nais duro dos scrviços. ÷ O quc significa,
cniao, a íntcg¡ídudc iniclcciual? Significa scr
scvcro con scu ¡ro¡rio coraçao, dcs¡rczar os
ºlclos scniincnios" c fazcr dc cada Sin c dc cada
Nao una qucsiao dc conscicncia! ÷ A fc lcaiifica.
íogo, cíu ncntc...
120

LI
Quc cn ccrias circunsiancias a fc ¡ronovc a
lcn-avcniurança, quc a lcn-avcniurança nao
faz dc una ídcc ¡íxc(1} una idcia vcrdadcira, quc
a fc na rcalidadc nao novc nonianIas, nas as
const¡òí ondc anics nao c×isiian. iudo isso fica
lasianic cvidcnic a¡os una lrcvc visiia a un
Ios¡ìcío. Mas nao, c claro, ¡ara un ¡adrc. ¡ois
scus insiinios o induzcn a dizcr quc a docnça
nao c docnça c quc Ios¡ícios nao sao Ios¡ícios.
O crisiianisno ncccssítu da docnça, assin cono o
cs¡íriio grcgo ncccssiiava dc una saudc
su¡cralundanic ÷ o vcrdadciro oljciivo dc iodo
o sisicna dc salvaçao da Igrcja c to¡nu¡ as
¡cssoas cnfcrnas. E a ¡ro¡ria Igrcja ÷ nao
considcra cla un nanicónio caiolico cono o idcal
uliino? ÷ Toda a Tcrra, un nanicónio? ÷ O
ii¡o dc Ioncn rcligioso quc a Igrcja dcsc¡u c o
ií¡ico dccudcntc; a c¡oca cn quc una crisc
rcligiosa sc a¡odcra dc un ¡ovo c scn¡rc
narcada ¡or c¡idcnias dc dcsordcn ncrvosa; o
ºnundo inicrior" dc un Ioncn rcligioso
asscnclIa-sc ianio ao ºnundo inicrior" dc un
Ioncn solrcc×ciiado c c×ausio quc c difícil
disiinguir cnirc os dois; os csiados nais
ºclcvados", quc o crisiianisno colocou solrc a
Iunanidadc cono valorcs su¡rcnos, sao fornas
c¡ilc¡ioidcs ÷ a Igrcja conccdcu noncs sagrados
a¡cnas ¡ara lunaiicos ou grandcs in¡osiorcs ín
121
nu¡o¡cn Dcí Iono¡cn(2}... Una vcz nc avcniurci
a considcrar iodo o sisicna crisiao dc t¡uíníng cn
¡cniicncia c salvaçao (aiualncnic nclIor
csiudado na Inglaicrra} cono un nciodo ¡ara
¡roduzir una ¡oííc cí¡cuíuí¡c(3} solrc un solo ja
¡rc¡arado, ou scja, un solo alsoluiancnic
insalulrc. Ncn iodos ¡odcn scr crisiaos. nao sc
c ºconvcriido" ao crisiianisno ÷ anics c
ncccssario csiar suficicnicncnic docnic... Nos
ouiros, nos quc icnos co¡ugcn ¡ara a saudc c
¡ara o dcs¡rczo ÷ icnos o dirciio dc dcs¡rczar
una rcligiao quc ¡rcga a incon¡rccnsao do
cor¡o! Quc sc rccusa a dis¡cnsar a su¡crsiiçao
da alna! Quc da insuficicncia alincniar faz
ºviriudc"! Quc conlaic a saudc cono alguna
cs¡ccic dc ininigo, dc dcnónio, dc icniaçao! Quc
sc convcnccu dc quc c ¡ossívcl irazcr una ºalna
¡crfciia" cn un cor¡o cadavcrico, c quc, ¡ara
isso, invcniou un novo concciio dc º¡crfciçao",
un csiado c×isicncial ¡alido, docniio, fanaiico aic
a csiu¡idcz, a cIanada ºsaniidadc" ÷ una
saniidadc quc nao ¡assa dc una scric dc
sinionas dc un cor¡o cn¡olrccido, cncrvado c
incuravclncnic corron¡ido!... O novincnio
crisiao, cnquanio novincnio Euro¡cu, dcsdc o
concço nao foi nais quc una sullcvaçao dc ioda
cs¡ccic dc clcncnios dcsicrrados c rcfugados (÷
quc agora, sol a nascara do crisiianisno,
as¡iran ao ¡odcr}. ÷ Nuo rc¡rcscnia a
dcgcncraçao dc una raça; rc¡rcscnia, ¡clo
122
conirario, una congloncraçao dc ¡roduios da
dccudcncíu vindos dc iodas as dircçõcs,
anonioando-sc c luscando-sc rcci¡rocancnic.
Nao foi, cono sc ¡cnsa, a corru¡çao da
Aniiguidadc, da Aniiguidadc noI¡c, quc iornou o
crisiianisno ¡ossívcl; nunca scra ¡ossívcl
conlaicr con violcncia suficicnic a inlccilidadc
crudiia quc aiualncnic susicn ial icoria.
Quando as cnfcrnas c ¡odrcs classcs cIunduíu
dc iodo o ín¡c¡íun foran crisiianizadas, o tí¡o
o¡osto, a nolrcza, alcançou scu csiagio dc
dcscnvolvincnio nais lclo c anadurccido. A
naioria suliu ao ¡odcr; a dcnocracia, con scus
insiinios crisiaos, t¡íun¡ou... O crisiianisno nao
cra ºnacional", nao csiava lascado cn raça ÷
a¡clou a iodas as varicdadcs dc Ioncns
dcscrdados ¡cla vida, iinIa aliados cn ioda
¡aric. O crisiianisno ¡ossui cn scu anago o
rancor dos docnics ÷ o insiinio conira os suos,
conira a suúdc. Tudo quc c lcn-consiiiuído,
orgulIoso, galanic c, acina dc iudo, lclo c una
ofcnsa aos scus olIos c ouvidos. Novancnic
rccordo as incsiinavcis ¡alavras dc Paulo. ºDcus
cscolIcu as coisas ¡¡ucus dcsic nundo, as coisas
íoucus dcsic nundo, as coisas ígnòIcís c as
dcs¡¡czudus"(4}. cssa cra a fornula; ín Ioc
sígno(5} a dccudcncc iriunfou. ÷ Dcus nu c¡uz ÷
o Ioncn nunca con¡rccndcra o assusiador
significado quc cssc sínlolo cnccrra? ÷ Tudo
quc sofrc, iudo quc csia crucificado c díuíno...
123
Nos iodos csianos sus¡cnsos na cruz,
conscqucnicncnic sonos divinos... A¡cnas nos
sonos divinos!... Ncsic scniido o crisiianisno foi
una viioria. una ncnialidadc nais nolrc
¡crcccu ¡or clc ÷ o crisiianisno coniinua scndo
a naior dcsgraça da Iunanidadc. ÷
124

LII
O crisiianisno ianlcn sc cnconira cn
o¡osiçao a ioda loa consiiiuiçao íntcícctuuí ÷
soncnic a razao cnfcrna ¡odc scr usada cono
razao crisia; iona o ¡ariido dc iudo quc c idioia;
lança sua naldiçao conira o ºiniclccio", conira a
soIc¡Iu do iniclccio sao. Visio quc a docnça c
incrcnic ao crisiianisno, scguc-sc disso quc o
csiado ií¡ico do crisiao, ºa fc", ianlcn c
ncccssu¡íuncntc una forna dc docnça; iodos os
caninIos rcios, lcgíiinos c cicniíficos dcvcn scr
lanidos ¡cla Igrcja cono scndo caninIos
¡¡oíIídos. A ¡ro¡ria duvida c un ¡ccado... A
con¡lcia auscncia dc lin¡cza ¡sicologica no
¡adrc ÷ idcniificada ¡or un sin¡lcs olIar ÷ c
un fcnóncno ¡csuítuntc da dccudcncíu ÷
olscrvando-sc nulIcrcs Iisicricas c crianças
raquíiicas noiar-sc-a rcgularncnic quc a
falsificaçao dos insiinios, o ¡razcr dc ncniir ¡or
ncniir c a inca¡acidadc dc olIar c caninIar
dirciio sao sinionas da dccudcncíu. ºFc" significa
nao qucrcr salcr o quc c a vcrdadc. O ¡adrc, o
dcvoio dc anlos os sc×os, c una fraudc ¡o¡quc c
docnic. scus insiinios cxígcn quc a vcrdadc
janais icnIa dirciio cn qualqucr ¡onio. ºTudo
quc iorna docnic c Ion; iudo quc surgc da
¡lcniiudc, da su¡cralundancia, do ¡odcr, c
nuu". assin ¡cnsa o crcnic. Una con¡ulsao
¡ara ncntí¡ ÷ c airavcs disso quc rcconIcço iodo
125
icologo ¡rcdcsiinado. ÷ Ouira caracicrísiica do
icologo c sua íncu¡ucídudc ¡ííoíògícu. O quc qucro
dizcr con filologia c, dc nodo gcral, a aric dc lcr
lcn ÷ a ca¡acidadc dc alsorvcr faios scn
inicr¡rcia-los falsancnic, scn ¡crdcr, na ansia
dc con¡rccndc-los, a cauicla, a ¡acicncia c a
suiilcza. Filologia cono c¡Icxís(1} na
inicr¡rciaçao. iraic-sc dc livros, dc noiícias dc
jornal, dos nais funcsios cvcnios ou dc
csiaiísiicas ncicorologicas ÷ ¡ara nao ncncionar
a ºsalvaçao da alna"... A nancira cono un
icologo, scja dc Dcrlin ou Fona, cסlica,
diganos, una º¡assagcn líllica", ou un
aconiccincnio, ¡or c×cn¡lo, a viioria do c×crciio
nacional, sol a sullinc luz dos Salnos dc Davi, c
scn¡rc iao ousudu quc faz un filologo sulir ¡clas
¡arcdcs. E o quc dizcr quando dcvoios c ouiras
vacas da Sualia(2} usan o ºdcdo dc Dcus" ¡ara
convcricr sua niscravcl c×isicncia coiidiana c
scdcniaria cn un nilagrc da ºgraça", da
º¡rovidcncia", cn una ºcסcricncia divina"? O
nais nodcsio c×crcício dc iniclccio, ¡ara nao
dizcr dc dcccncia, dcvcria dc ccrio scr suficicnic
¡ara convcnccr csscs inicr¡rcics da ¡crfciia
infaniilidadc c indignidadc dc ial aluso da
dcsircza digiial dc Dcus. A¡csar dc scrnos
¡oucos con¡assivos, caso cnconirasscnos un
Dcus quc curassc o¡oriunancnic un consii¡ado,
ou quc nos colocassc cn una carruagcn no
insianic cn quc concçassc a cIovcr, clc nos
126
¡arcccria un Dcus iao alsurdo quc, ncsno
c×isiindo, icríanos dc aloli-lo. Dcus cono
cn¡rcgado doncsiico, cono cariciro, cono
ncnsagciro ÷ no fundo, Dcus c sin¡lcsncnic
un nonc dado ¡ara a nais inlccil cs¡ccic dc
acaso... A ºDivina Providcncia", na qual icrça
¡aric da ºAlcnanIa culia" ainda acrcdiia, c un
arguncnio iao foric conira Dcus quc cn vao sc
¡rocuraria ¡or un nclIor. E cn iodo caso c un
arguncnio conira os alcnacs!...
127

LIII
÷ É iao ¡ouco vcrdadciro quc nu¡tí¡cs
ofcrcccn qualqucr vcrossinilIança a una causa
quc nc sinio inclinado a ncgar quc qualqucr
nariir ja icvc alguna coisa a vcr con a vcrdadc.
No ion con quc un nariir lança sua convicçao à
cara do nundo rcvcla-sc un grau iao lai×o dc
¡rolidadc iniclcciual, iananIa ínscnsíIííídudc ao
¡rollcna da ºvcrdadc", quc nunca cIcga a scr
ncccssario rcfuia-lo. A vcrdadc nao c algo quc
alguns Ioncns icn c ouiros nao. na nclIor das
Ii¡oicscs, so Ia can¡oncscs c a¡osiolos dc
can¡oncscs, da classc dc Luicro, quc ¡ossan
¡cnsar assin da vcrdadc. Podc-sc icr ccricza dc
quc, quanio naior for o grau dc conscicncia
iniclcciual dc un Ioncn, naior scra sua
nodcsiia, sua dísc¡íçuo ncsic ¡onio. Scr
con¡ctcntc cn cinco ou scis coisas c sc rccusar,
con dclicadcza, a salcr algo nuís... O
cnicndincnio quc iodos ¡rofcias, scciarios,
livrcs-¡cnsadorcs, socialisias c Ioncns dc igrcja
icn da ¡alavra ºvcrdadc" c sin¡lcsncnic una
¡rova calal dc quc ncn scqucr foi dado o
¡rinciro ¡asso cn dircçao à disci¡lina iniclcciual
c ao auioconirolc ncccssarios à dcscolcria da
ncnor das vcrdadcs. ÷ Os nariircs, diga-sc dc
¡assagcn, foran una grandc dcsgraça na
Iisioria. scduzí¡un... A conclusao a quc iodos
idioias, nulIcrcs c ¡lclcus cIcgan c quc dcvc
128
Iavcr algun valor cn una causa ¡cla qual
algucn afronia a noric (ou quc, cono o
crisiianisno ¡riniiivo, cngcndra una c¡idcnia
dc gcnic à ¡rocura da noric} ÷ cssa conclusao
in¡cdc o c×anc os faios, iolIc ¡or iniciro o
cs¡íriio invcsiigaiivo c circuns¡cio. Os nariircs
duní¡ícu¡un a vcrdadc... Mcsno Iojc, lasia una
ccria dosc dc crucldadc na ¡crscguiçao ¡ara
¡ro¡orcionar una Ionravcl rc¡uiaçao ao nais
vazio ii¡o dc scciarisno. ÷ Cono? O valor dc
una causa c alicrado ¡clo faio algucn icr sc
sacrificado ¡or cla? ÷ Un crro quc sc iorna
Ionroso c sin¡lcsncnic un crro quc ¡ossui un
cncanio scduior. julgais, scnIorcs icologos, quc
vos darcnos a cIancc dc scrdcs nariirizados ¡or
vossas ncniiras? ÷ MclIor sc rcfuia una causa
colocando-a, rcs¡ciiosancnic, no gclo ÷ cssc
ianlcn c o nclIor ncio ¡ara rcfuiar os
icologos... Foi ¡rccisancnic csia a csiu¡idcz
Iisiorico-nundial dc iodos os ¡crscguidorcs.
dcran una a¡arcncia Ionrosa à causa a quc sc
o¡uscran ÷ dcran-lIc dc ¡rcscnic a fascinaçao
do nariírio... MulIcrcs ainda sc ajoclIan anic
un crro ¡orquc lIcs disscran quc un indivíduo
norrcu na cruz ¡or clc. A c¡uz, cntuo, c un
u¡guncnto? ÷ Mas solrc iodas cssas coisas un,
c soncnic un, dissc aquilo dc quc Ia nilIarcs dc
anos sc iinIa ncccssidadc ÷ Zu¡utust¡u.
129
T¡uçu¡un sínuís dc sunguc ¡cío cunínIo quc
¡c¡co¡¡c¡un, c suu íoucu¡u cnsínuuu quc u
uc¡dudc sc ¡¡ouu ut¡uucs do sunguc.
Mus o sunguc c, dc todus, u ¡ío¡ tcstcnunIu
du uc¡dudc; sunguc cnucncnu utc u dout¡ínu nuís
¡u¡u c u conuc¡tc cn ínsuníu c òdío do co¡uçuo.
E quundo uígucn ut¡uucssu o ¡ogo ¡o¡ suu
dout¡ínu ÷ quc ísso ¡¡ouu¯ Muís uuíc, cn uc¡dudc,
quc do nosso ¡¡ò¡¡ío ínccndío ucnIu u nossu
dout¡ínu!(1}
130

LIV
Nao nos cngancnos. grandcs iniclccios sao
cciicos. Zaraiusira c un cciico. A força c a
ííIc¡dudc quc surgcn do vigor c da ¡lcniiudc
iniclcciual sc nuní¡cstun airavcs do cciicisno.
Honcns dc convicçao csiaiica nao sao lcvados cn
considcraçao quando sc ¡rcicndc dcicrninar o
quc c fundancnial cn naicria dc valor c
dcsvalor. Honcns dc convicçao sao ¡risionciros.
Nao vccn longc o lasianic, nao vccn uIuíxo dc
si. ¡ara un Ioncn ¡odcr falar dc valor c
dcsvalor c ncccssario quc vcja quinIcnias
convicçõcs uIuíxo dc si ÷ ut¡us dc si... Una
ncnic quc as¡ira a algo grandc, c quc ianlcn
dcsc¡u os ncios ¡ara isso, c ncccssariancnic
cciica. A lilcrdadc dc qualqucr ii¡o dc convicçao
constítuí ¡aric da força, da ca¡acidadc dc ¡ossuir
un ¡onio dc visia indc¡cndcnic... A grandc
¡ai×ao do cciico, o fundancnio c a ¡oicncia do
scu scr, c nais csclarccida c nais dcs¡oiica quc
clc ¡ro¡rio, coloca ioda sua inicligcncia a scu
scrviço; lIc iorna incscru¡uloso; lIc conccdc a
coragcn ¡ara cn¡rcgar aic ncios ín¡ios; sol
ccrias circunsiancias, lIc ¡c¡nítc convicçõcs. A
convicçao cnquanio un ncío. nuiio so ¡odc scr
alcançado ¡or ncio dc una convicçao. A grandc
¡ai×ao usa, consonc convicçõcs, nas nao sc
sulncic a clas ÷ salc-sc a solcrana. ÷ Pclo
conirario, a ncccssidadc dc fc, dc una coisa nao
131
sulordinada ao sin c nao, dc cu¡í¸íísno, sc nc
¡crniicn a cסrcssao, c a ncccssidadc da
¡¡uquczu. O Ioncn dc fc, o ºcrcnic" dc ioda
cs¡ccic, c ncccssariancnic dc¡cndcnic ÷ ial
Ioncn c inca¡az dc colocar-sc a sí ncsno cono
oljciivo, c ian¡ouco c ca¡az dcicrninar clc
¡ro¡rio scus oljciivos. O ºcrcnic" nao sc
¡cricncc; a¡cnas ¡odc scr o ncio ¡ara un fin;
¡rccisa scr consunído; ¡rccisa dc algucn quc o
consuna. Scus insiinios airilucn su¡rcna
Ionra à noral da dcs¡crsonalizaçao; iudo o
¡crsuadc a alraçar cssa noral. sua ¡rudcncia,
sua cסcricncia, sua vaidadc. Todo ii¡o dc fc c cn
si ncsna a cסrcssao dc una dcs¡crsonalizaçao,
dc un alIcancnio dc si... A¡os sc ¡ondcrar solrc
quao ncccssarios à naioria sao os rcgulancnios
rcsiringcnics; solrc quao ncccssaria c a
o¡rcssao, ou, cn un scniido nais clcvado, a
csc¡uuíduo, ¡ara ¡ossililiiar o lcn-csiar ao
Ioncn dc voniadc fraca, c cs¡ccialncnic à
nulIcr, cniao finalncnic sc con¡rccndc o
significado da convicçao c da ºfc". Para o Ioncn
dc convicçao a fc rc¡rcscnia sua cs¡inIa dorsal.
Dcíxu¡ dc vcr nuiias coisas, nao ¡ossuir
in¡arcialidadc alguna, scr scn¡rc dc un
¡ariido, csiinar iodos os valorcs con una oiica
scvcra c infalívcl ÷ cssas sao as condiçõcs
ncccssarias à c×isicncia dcssc ii¡o dc Ioncn.
Mas isso faz dclcs untugonístus do Ioncn vcraz
÷ da vcrdadc... O crcnic nao c livrc ¡ra
132
rcs¡ondcr à qucsiao do ºvcrdadciro" c do ºfalso";
scgundo os diiancs dc sua conscicncia. a
inicgridadc, ncstc ¡onio, scria sua ¡ro¡ria ruína.
A liniiaçao ¡aiologica dc sua oiica faz do Ioncn
convicio un fanaiico ÷ Savonarola, Luicro,
Fousscau, Folcs¡icrrc, Saini-Sinon ÷ o ii¡o
dcsscs cnconira-sc cn o¡osiçao ao cs¡íriio foric,
cnuncí¡udo. Mas as grandiosas aiiiudcs dcsscs
iniclccios docntcs, dcsscs c¡ilciicos das idcias,
c×crccn influcncia solrc as grandcs nassas ÷ os
fanaiicos sao ¡iiorcscos, c a Iunanidadc ¡rcfcrc
olscrvar ¡oscs a ouvir ¡uzocs...
133

LV
÷ Un ¡asso adianic na ¡sicologia da
convicçao, da ºfc". Agora ja faz lasianic icn¡o
dcsdc quc ¡ro¡us a qucsiao dc ialvcz as
convicçõcs scrcn ininigas nais ¡crigosas à
vcrdadc quc as ncniiras (ºHunano, Dcnasiado
Hunano", Aforisno 483(1}}. Dcsia vcz ¡rcicndo
colocar a qucsiao dcfiniiiva. c×isic, dc nodo
gcral, alguna difcrcnça cnirc una ncniira c una
convicçao? ÷ Todo o nundo acrcdiia quc sin;
nas no quc cssc nundo nao acrcdiia! ÷ Toda
convicçao icn sua Iisioria, suas fornas
¡riniiivas, scus csiagios dc icniaiiva c crro.
soncnic sc t¡uns¡o¡nu cn convicçao a¡os nao icr
sido, ¡or un longo icn¡o, una convicçao, c,
dc¡ois disso, ¡or un icn¡o ainda nais longo,
so¡¡íucíncntc una convicçao. Nao ¡odcria
ianlcn Iavcr a falsidadc ncssas fornas
cnlrionarias dc convicçao? ÷ Às vczcs a¡cnas c
ncccssaria una nudança dc ¡cssoas. o quc cra
una ncniira ¡ara o ¡ai iorna-sc una convicçao
¡ara o filIo. ÷ CIano dc ncniira o rccusar-sc a
vcr una coisa quc sc vc, rccusar-sc a vcr algo
cono dc faio c. sc a ncniira foi ¡rofcrida ¡cranic
icsicnunIas ou nao, isso nao ¡ossui rclcvancia.
A cs¡ccic nais conun dc ncniira c aqucla con a
qual nos cngananos a nos ncsnos. ncniir aos
ouiros c algo rclaiivancnic raro. ÷ Agora, csic
nuo qucrcr vcr o quc sc vc, csic nuo qucrcr vcr
134
cono dc faio c, ¡raiicancnic consiiiui o ¡rinciro
rcquisiio ¡ara iodos quc ¡cricnccn a alguna
cs¡ccic dc ¡u¡tído. o Ioncn dc ¡ariido
incviiavclncnic iorna-sc un ncniiroso. Por
c×cn¡lo, os Iisioriadorcs alcnacs csiao convicios
dc quc Fona cra sinónino dc dcs¡oiisno c quc
os ¡ovos gcrnanicos irou×cran o cs¡íriio da
lilcrdadc ao nundo. qual a difcrcnça cnirc cssa
convicçao c una ncniira? Podc algucn ainda sc
adnirar dc quc iodos os ¡ariidos, incluindo os
Iisioriadorcs alcnacs, insiiniivancnic sc sirvan
dc frascs norais ÷ quc a noral quasc dcva sua
soI¡cuíucncíu ao faio dc ioda cs¡ccic dc Ioncn
dc ¡ariido ncccssiiar dcla a cada insianic? ÷
ºEsia c nossu convicçao. ¡roclanano-la ¡cranic
iodo o nundo; vivcnos c norrcnos ¡or cla ÷ quc
scjan rcs¡ciiados iodos aquclcs quc ¡ossucn
convicçõcs!" ÷ Dc faio, ouvi isso da loca dos
anii-scniias. Pclo conirario, scnIorcs! Mcniir ¡or
¡rincí¡io ccriancnic nao iorna un anii-scniia
nais rcs¡ciiavcl... Os ¡adrcs, quc ¡ossucn nais
suiilcza cn iais qucsiõcs, c quc con¡rccndcn
lcn a oljcçao c×isicnic conira a idcia dc
convicçao, ou scja, dc una ncniira quc sc
iransforna cn ¡rincí¡io ¡o¡quc scrvc a un
¡ro¡osiio, ionaran cn¡rcsiado dos judcus o
ariifício dc iniroduzir ncsscs casos os concciios
ºDcus", ºvoniadc dc Dcus" c ºrcvclaçao Divina".
Kani, con scu in¡craiivo caicgorico, ianlcn
csiava no ncsno caninIo. isso cra sua razao
135
¡¡utícu(2}. Ha qucsiõcs rclaiivas à vcrdadc c à
invcrdadc quc o Ioncn nuo ¡odc dccidir; iodas
as qucsiõcs ca¡iiais, iodos ¡rollcnas ca¡iiais dc
valoraçao csiao acina da razao Iunana...
ConIcccr os liniics da razao ÷ soncnic ísso c
filosofia gcnuína. Quc finalidadc icvc a rcvclaçao
divina ao Ioncn? Dcus faria algo su¡crfluo? O
Ioncn nao ¡odc dcscolrir ¡or si ncsno o quc c
lon c o c ruin, cniao Dcus lIc cnsinou sua
voniadc... Moral. o ¡adrc nuo ncnic ÷ nao c×isic
a qucsiao da ºvcrdadc" ou da ºinvcrdadc" cnirc as
coisas dc quc falan os ¡adrcs. É in¡ossívcl
ncniir a rcs¡ciio dc iais coisas, ¡ois ¡ara ncniir
¡rincirancnic scria ncccssario suIc¡ o quc c
vcrdadc. Mas isso csia alcn do quc o Ioncn
¡odc salcr; logo, o ¡adrc c sin¡lcsncnic un
¡oria-voz dc Dcus. ÷ Tal silogisno dc ¡adrc nao
c dc nodo algun soncnic judaico c crisiao; o
dirciio à ncniira c à ustucíosu cuusíuu da
ºrcvclaçao" ¡cricncc ao ii¡o do ¡adrc cn gcral ÷
ianio aos ¡adrcs da dccudcncíu quanio aos
¡adrcs dos icn¡os ¡agaos (÷ ¡agaos sao iodos
aquclcs quc dizcn sin à vida, c ¡ara os quais
ºDcus" c una ¡alavra quc significa un sin a
iodas as coisas}. ÷ A ºlci", a ºvoniadc dc Dcus", o
ºlivro sagrado", a ºins¡iraçao" ÷ sao iodas
¡alavras quc dcsignan as condiçõcs soI as quais
o ¡adrc adquirc c nanicn o ¡odcr ÷ csscs
concciios sc cnconiran no fundo dc iodas
organizaçõcs saccrdoiais, dc iodos govcrnos
136
cclcsiasiicos ou filosofico-cclcsiasiicos. A ºsania
ncniira" ÷ conun a Confucio, ao codigo dc
Manu, a Maonc c à Igrcja crisia ÷ nao falia cn
Plaiao. ºA vcrdadc csia aqui". cssas ¡alavras
significan, ondc qucr quc scjan ¡ronunciadas, o
¡ud¡c ncntc...
137

LVI
÷ En uliina analisc, cIcga-sc a isio. qual a
¡ínuíídudc da ncniira? O faio dc quc, no
crisiianisno, os fins ºsagrados" nao sao visívcis c
nínIu oljcçao aos scus ncios. So c×isicn nuus
fins. o cnvcncnancnio, a calunia, a ncgaçao da
vida, o dcs¡rczo ¡clo cor¡o, a dcgradaçao c
cnvilccincnio do Ioncn airavcs do concciio dc
¡ccado ÷ íogo, scus ncios ianlcn sao naus. ÷
TcnIo o scniincnio o¡osio quando lcio o codigo
dc Manu, una olra incon¡aravclncnic nais
iniclcciual c su¡crior; scria un ¡ccado conira a
íntcíígcncíu sin¡lcsncnic noncu-ío juniancnic
con a Díllia. É facil vcr o ¡orquc. Ia una
filosofia gcnuína ¡or dciras dclc, nclc ¡ro¡rio, c
nao a¡cnas una ni×ordia fciida dc ralinisno
judaico c su¡crsiiçao ÷ ofcrccc, ncsno aos
¡sicologos nais dclicados, algo saloroso. E nuo
nos csqucçanos do nais in¡orianic, clc difcrc
fundancnialncnic dc ioda cs¡ccic dc Díllia.
airavcs dclc os noI¡cs, os filosofos c gucrrciros
¡rcscrvan o donínio solrc a naioria; csia cIcio
dc valorcs nolrcs, dcnoia un scniincnio dc
¡crfciçao, dc acciiaçao da vida, un ar iriunfanic
cn rclaçao a si c à vida ÷ o soí lrilIa solrc o
livro iodo. ÷ Todas as coisas solrc as quais o
crisiianisno dcscarrcga sua inc×aurívcl
vulgaridadc ÷ ¡or c×cn¡lo, a ¡rocriaçao, as
nulIcrcs c o casancnio ÷ nclc sao iraiadas
138
scriancnic, con rcs¡ciio, anor c confiança.
Cono algucn ¡odc colocar nas naos dc crianças
c nulIcrcs un livro conicnior dc ¡alavras iao
aljcias. ºPara cviiar a in¡udicícia, quc cada
Ioncn icnIa sua ¡ro¡ria cs¡osa c quc cada
nulIcr icnIa scu ¡ro¡rio narido; ...¡ois c nclIor
casar-sc quc qucinar-sc"(1}? E scra ¡ossìucí scr
un crisiao cnquanio a origcn do Ioncn csiivcr
crisiianizada, isio c, naculada ¡cla douirina da
ínnucuíutu concc¡tío?... Nao conIcço qualqucr
ouiro livro cn quc scjan diias ianias coisas loas
c icrnas solrc a nulIcr quanio no codigo dc
Manu; aquclcs vclIos c sanios ¡ossuían un
nodo iao anavcl dc scr con as nulIcrcs quc
ialvcz scja in¡ossívcl su¡cra-los. ºA loca dc una
nulIcr", diz un irccIo, ºo scio dc una donzcla, a
oraçao dc una criança c a funaça dc un
sacrifício sao scn¡rc ¡uros". Nouiro irccIo. ºNao
Ia nada nais ¡uro quc a luz do sol, a sonlra dc
una vaca, o ar, a agua, o fogo c a rcs¡iraçao dc
una donzcla". Finalncnic, csia uliina ¡assagcn
÷ quc ialvcz ianlcn scja una ncniira sagrada
÷. ºiodos orifícios do cor¡o acina do unligo sao
¡uros, iodos os alai×o sao in¡uros. A¡cnas na
donzcla o cor¡o iodo c ¡uro".
139

LVII
Pcga-sc a í¡¡cíígíosídudc dos ncios crisiaos ín
¡íug¡untí sin¡lcsncnic colocando os fins
icncionados ¡clo crisiianisno ao lado dos
icncionados ¡clo codigo dc Manu ÷ ¡ondo cssas
duas finalidadcs nonsiruosancnic aniiiciicas
sol una foric luz. O críiico do crisiianisno nao
¡odc cviiar a ncccssidadc dc iorna-lo dcs¡¡czìucí.
÷ O codigo dc Manu icn a ncsna origcn quc
iodo lon livro dc lcis. sunariza a ¡raiica, a
sagacidadc c a cסcrincniaçao ciica dc longos
scculos; cIcga às suas conclusõcs, c cniao nao
cria nais nada. O ¡rc-rcquisiio ¡ara una
codificaçao dcssa cs¡ccic c rcconIcccr quc os
ncios usados ¡ara csialclcccr a auioridadc dc
una uc¡dudc adquirida dura c lcniancnic
difcrcn fundancnialncnic dos quc scrian
uiilizados ¡ara dcnonsira-la. Un livro dc lcis
nunca rclaia a uiilidadc, as razõcs, a casuísiica
dc suas lcis. con isso ¡crdcria o ion in¡craiivo,
o ºiu dcvcs", no qual a olcdicncia sc fundancnia.
O ¡rollcna cnconira-sc c×aiancnic aqui. ÷ En
un ccrio ¡onio da cvoluçao dc un ¡ovo, sua
classc nais judiciosa, ou scja, con nclIor
¡crcc¡çao do ¡assado c do fuiuro, dcclara quc as
scrics cסcricncias usadas ¡ara dcicrninar cono
iodos dcvcn vivcr ÷ ou ¡odcn vivcr ÷ cIcgaran
ao fin. O oljciivo agora c colIcr os fruios nais
ricos ¡ossívcis dcsscs dias dc cסcrincniaçao c
140
cסcricncias dí¡ìccís. En conscqucncia, o quc sc
dcvc cviiar acina dc iudo c o ¡rolongancnio da
cסcrincniaçao ÷ a coniinuaçao do csiado no
qual os valorcs sao voluvcis, scndo icsiados,
cscolIidos c criiicados ud ín¡ínítun. Conira isso
sc lcvanian duas ¡arcdcs. dc un lado, a
¡cucíuçuo, isio c, a assunçao dc quc as razõcs
suljaccnics às lcis nao ¡ossucn origcn Iunana,
quc nao foran luscadas c cnconiradas ¡or un
lcnio ¡roccsso c a¡os nuiios crros, nas quc
¡ossucn una origcn divina, foran fciias
con¡lcias, ¡crfciias, scn una Iisioria, cono un
¡rcscnic, un nilagrc...; do ouiro lado, a t¡udíçuo,
isio c, a afirnaçao dc quc as lcis ¡crnancccran
inalicradas dcsdc icn¡os incnoriais, c quc scria
un crinc conira os anic¡assados coloca-las cn
duvida. A auioridadc da lci asscnia-sc solrc csias
duas icscs. Dcus a dcu c os anic¡assados a
uíuc¡un. ÷ A razao su¡crior dcssc ¡roccdincnio
csia na inicnçao dc disirair a conscicncia, ¡asso
a ¡asso, dc suas ¡rcocu¡açõcs solrc os nodos
corrcios dc vivcr (isio c, aquclcs quc foran
¡¡ouudos ¡or una vasia c ninuciosancnic
considcrada cסcricncia}, ¡ara quc o insiinio
aiinja un auionaiisno ¡crfciio ÷ un
¡rcssu¡osio csscncial a ioda cs¡ccic dc ncsiria,
ioda ¡crfciçao na aric da vida. Confcccionar un
codigo cono o dc Manu significa ofcrcccr a un
¡ovo a cIancc dc scr ncsirc, dc cIcgar à
¡crfciçao ÷ dc as¡irar ao nais sullinc na aric
141
da vida. Pu¡u tuí ¡ín dcuc-sc to¡nu-ío ínconscícntc.
cssc c o oljciivo dc ioda ncniira sagrada. ÷ A
o¡dcn dus custus, a lci suna c doninanic, c
ncrancnic una raiificaçao dc una o¡dcn
nutu¡uí, dc una lci naiural dc ¡rincira ordcn,
solrc a qual ncnIun arlíirio, ncnIuna ºidcia
nodcrna" c×crcc qualqucr influcncia. En ioda
socicdadc saudavcl Ia ircs ii¡os fisiologicos quc
graviian à difcrcnciaçao, nas quc sc
condicionan nuiuancnic; cada qual icn sua
¡ro¡ria Iigicnc, sua ¡ro¡ria csfcra dc iralalIo,
scu ¡ro¡rio scniincnio dc ¡crfciçao c nacsiria.
Nuo c nanu, nas a naiurcza quc sc¡ara cn una
classc aquclcs quc ¡rc¡ondcran
iniclcciualncnic, cn ouira aquclcs quc sao
noiavcis ¡cla força nuscular c icn¡crancnio, c
nuna icrccira aquclcs quc nao sc disiingucn,
quc soncnic dcnonsiran ncdiocridadc ÷ csia
uliina rc¡rcscnia a grandc naioria, as duas
¡rinciras sao a cliic. A casia su¡crior ÷ quc
dcnonino a dos ¡ouquìssínos ÷ icn, scndo a
nais ¡crfciia, ¡rivilcgios corrcs¡ondcnics.
rc¡rcscnia a fclicidadc, a lclcza c iudo dc lon
solrc a Tcrra. A¡cnas os Ioncns nais
iniclcciuais icn dirciio à lclcza, ao lclo; a¡cnas
cnirc clcs a londadc nao significa fraqucza.
PuícI¡un cst ¡uuco¡un Ionínun(1}. scr lon c
¡rivilcgio. Nada lIcs c nais in¡ro¡rio quc a
rudcza, o olIar ¡cssinisia, os olIos afinados con
a ¡cuídudc ÷ ou a indignaçao ¡or causa do
142
as¡ccio gcral das coisas. A indignaçao c un
¡rivilcgio dos cIunduíu; assin cono o
¡cssinisno. ºO nundo c ¡c¡¡cíto" ÷ assin fala o
insiinio dos nais iniclcciuais, o insiinio do
Ioncn quc diz sin à vida. ºA in¡crfciçao, iudo
quc c ín¡c¡ío¡ a nos, a disiancia, o ¡utIos da
disiancia, os ¡ro¡rios cIunduíu, sao ¡aric dcssa
¡crfciçao". Os Ioncns nais inicligcnics, scndo os
nuís ¡o¡tcs, cnconiran sua fclicidadc ondc ouiros
cnconirarian a¡cnas dcsasirc. no lalirinio, na
durcza ¡ara consigo c ¡ara con os ouiros, no
csforço; scu ¡razcr csia na auio-su¡craçao; nclcs
o ascciisno iorna-sc una scgunda naiurcza, una
ncccssidadc, un insiinio. Considcran iarcfas
difíccis cono un ¡rivilcgio; ¡ara clcs c un
cnt¡ctcníncnto lidar con fardos quc csnagarian
iodos os ouiros... ConIccincnio ÷ una forna dc
ascciisno. ÷ Fc¡rcscnian o ii¡o nais Ionroso
dc Ioncns. nas isso nao in¡cdc quc ianlcn
scjan os nais anavcis c nais alcgrcs. Doninan
nao ¡orquc qucrcn, nas ¡orquc suo; nao
¡ossucn a lilcrdadc dc scr os scgundos. ÷ A
scgundu custu. a csia ¡cricnccn os guardiõcs da
lci, os nanicncdorcs da ordcn c da scgurança, os
gucrrciros nais nolrcs c, acina dc iudo, o rci,
cono a nais clcvada forna dc gucrrciro, juiz c
dcfcnsor da lci. Os scgundos consiiiucn o
clcncnio c×ccuiivo dos iniclcciuais; sao aquclcs
quc lIcs csiao nais ¡ro×inos, os aliviando dc
iudo quc Ia dc g¡osscí¡o no iralalIo dc lidcrar ÷
143
sao scu scquiio, sua nao dirciia, os scus
nclIorcs discí¡ulos. Nisso iudo, rc¡iio, nada c
arliirario, nada c ºariificial"; a¡cnas o conirario c
ariificial ÷ clc dcsiroi a naiurcza... A ordcn das
casias, a Iíc¡u¡quíu sin¡lcsncnic fornula a lci
su¡rcna ¡ro¡ria vida; a sc¡araçao dos ircs ii¡os
c ncccssaria ¡ara conscrvar a socicdadc, ¡ara
¡ossililiiar o surgincnio dos ii¡os nais clcvados,
nais sullincs ÷ a dcsíguuídudc dc dirciios c
condiçao ¡rinordial ¡ara a c×isicncia dc
quaisqucr dirciios. ÷ Un dirciio c un ¡rivilcgio.
Cada qual icn scus ¡rivilcgios dc acordo con scu
nodo dc scr. Nao sulcsiincnos os ¡rivilcgios dos
ncdìoc¡cs. Quanio nais cícuudu, nais dura
iorna-sc a vida ÷ o frio auncnia, a
rcs¡onsalilidadc auncnia. Una civilizaçao
clcvada c una ¡iranidc. soncnic sulsisic con
una lasc larga; scu ¡rc-rcquisiio c una
ncdiocridadc sa c foricncnic consolidada. O
ofício, o concrcio, a agriculiura, a cícncíu, grandc
¡aric da aric, cn suna, ioda a gana dc
aiividadcs ocu¡ucíonuís, sao a¡cnas con¡aiívcis
con a ncdiocridadc no ¡odcr c no qucrcr; iais
coisas csiarian fora dc scu lugar cnirc Ioncns
c×cc¡cionais; o insiinio ncccssario cnconirar-sc-
ia cn coniradiçao ianio con a arisiocracia cono
con o anarquisno. O faio dc o Ioncn scr
¡ullicancnic uiil, una cngrcnagcn, una funçao,
c cvidcncia dc una ¡rcdis¡osiçao naiural; nao c a
socícdudc, nas o unico ii¡o dc fclicidadc dc quc
144
sao ca¡azcs, quc faz dclcs naquinas inicligcnics.
Para os ncdíocrcs a fclicidadc c a ncdiocridadc;
¡ossucn un insiinio naiural ¡ara doninar
a¡cnas una coisa, ¡ara a cs¡ccializaçao. Scria
¡rofundancnic indigno da ¡aric dc un iniclccio
¡rofundo vcr algo dc condcnavcl na ncdiocridadc
cn si. Ela c, dc faio, o ¡¡íncí¡o ¡rc-rcquisiio ao
surgincnio das c×ccçõcs. c una condiçao
ncccssaria a ioda civilizaçao clcvada. Quando o
Ioncn c×cc¡cional iraia o Ioncn ncdíocrc con
nais dclicadcza quc si ¡ro¡rio ou scus iguais,
isso nao sc iraia dc una gcniilcza ÷ c
sin¡lcsncnic scu dcuc¡... A qucn odcio nais
cnirc a ralc dc Iojc? A cscunalIa socialisia, aos
a¡osiolos dc cIunduíu quc ninan o insiinio do
iralalIador, scu ¡razcr, scu scniincnio dc
conicniancnio con una c×isicncia ¡cqucna ÷
quc o iornan invcjoso, quc lIc cnsinan a
vingança... A injusiiça nunca csia dcsigualdadc
dc dirciios, nas na c×igcncia dc dirciios
ºiguais"... O quc c nuu? Mas cssa qucsiao foi
rcs¡ondida. iudo quc sc origina da fraqucza, da
invcja, da vingança. ÷ O anarquisia c o crisiao
icn a ncsna origcn...
145

LVIII
En vcrdadc, o fin ¡clo qual sc ncnic faz
una grandc difcrcnça. sc con isso ¡rcscrva ou
dcsiroi. Ha una ¡crfciia consonancia cnirc o
crisiao c o anarquisia. scus oljciivos, scus
insiinios, dirccionan-sc soncnic à dcsiruiçao.
Dasia voliarno-nos à Iisioria ¡ara cnconirar a
¡rova disso. cla a¡arccc con ¡rccisao cs¡aniosa.
Ja csiudanos un codigo rcligioso cujo oljciivo
cra convcricr as condiçõcs sol as quais a vida
¡¡os¡c¡u nuna organizaçao social ºcicrna" ÷ a
nissao quc o crisiianisno cnconirou foi
jusiancnic dcsiruir ial organizaçao, ¡o¡quc con
cíu u uídu ¡¡os¡c¡u. Naquclc, os lcncfícios quc a
razao ¡roduziu duranic longos ¡críodos dc
cסcrincniaçao c inccricza foran a¡licados nos
as¡ccios nais rcnoios, fazia-sc o iodo csforço
¡ossívcl ¡ara colIcr os naiorcs, nais ricos c nais
con¡lcios fruios; aqui, ¡clo conirario, os fruios
sao cnucncnudos duranic a noiic... Aquilo quc sc
crigia uc¡c ¡c¡cnníus(1}, o ín¡c¡íun Honunun, a
nais nagnificcnic forna dc organizaçao sol
condiçõcs advcrsas janais alcançada, cn
con¡araçao con a qual iodo o anicrior c o
¡osicrior asscnclIan-sc a una grosscria, una
in¡crfciçao, un dííctuntísno ÷ csscs anarquisias
sanios fizcran da dcsiruiçao do ºnundo", ou
sc¡u, do ín¡c¡íun Honunun, una qucsiao dc
ºdcvoçao", aic quc nao rcsiassc ¡cdra solrc ¡cdra
146
÷ aic ao ¡onio cn quc os gcrnanos c ouiros
rusiicos foran ca¡azcs dc donina-lo... O crisiao c
o anarquisia. anlos sao dccudcntcs; anlos sao
inca¡azcs dc qualqucr aio quc nao scja
dissolvcnic, vcncnoso, dcgcncraiivo, Icnutò¡ugo;
anlos icn ¡or insiinio un òdío no¡tuí conira
iudo quc csia cn ¡c, iudo quc c grandc, iudo quc
c duravcl, iudo quc ¡roncic fuiuro à vida... O
crisiianisno foi o van¡iro do ín¡c¡íun Honunun
÷ dcsiruiu do dia ¡ara a noiic a vasia olra dos
ronanos. a conquisia do solo ¡ara una grandc
culiura quc ¡odc¡íu uguu¡du¡ ¡o¡ suu Io¡u. Scra
¡ossívcl quc isso ainda nao foi con¡rccndido? O
ín¡c¡íun Honunun quc conIcccnos, c quc a
Iisioria da ¡rovíncia ronana nos cnsina a
conIcccr cada vcz nclIor ÷ cssa adniravcl olra
dc aric cn grandc csiilo, cra a¡cnas un concço,
sua consiruçao csiava calculada ¡ara ¡¡ouu¡ scu
valor ¡or nilIarcs dc anos. Aic Iojc nada cn
cscala scnclIanic suI s¡ccíc uctc¡ní(2} foi
consiruído, ou scqucr sonIado! ÷ Essa
organizaçao cra foric o suficicnic ¡ara rcsisiir a
naus in¡cradorcs. o acaso da ¡crsonalidadc nao
¡odc fazcr nada cn iais coisas ÷ ¡¡íncí¡o
¡rincí¡io dc ioda arquiiciura gcnuinancnic
grandc. Mas nao cra foric o suficicnic ¡ara
rcsisiir conira a nuís co¡¡u¡tu das corru¡çõcs ÷
conira crisiaos... Esscs vcrncs furiivos quc, sol a
¡roicçao da noiic, da ncvoa c da du¡licidadc
rasicjan solrc iodo indivíduo, sugando-lIc iodo
147
o inicrcssc scrio ¡clas coisas ¡cuís, iodo o insiinio
¡ara a ¡cuíídudc ÷ cssa iurla covardc,
cfcninada c nclíflua gradualncnic alicnou iodas
as ºalnas" dcssc cdifício colossal ÷ aquclas
naiurczas ¡rcciosas, virilncnic nolrcs, quc
Iavian cnconirado cn Fona sua ¡ro¡ria causa,
sua ¡ro¡ria scricdadc, scu ¡ro¡rio o¡guíIo. A
dissinulaçao dos Ii¡ocriias, o nisicrio dos
convcniículos, concciios iao sonlrios quanio o
infcrno, cono o sacrifício do inoccnic, a unío
n¸stícu(3} no lclcr sanguc, c acina dc iudo o
fogo lcniancnic rcavivado da vingança, da
vingança dc cIunduíu ÷ isso doninou Fona. o
ncsno ii¡o dc rcligiao quc, nuna forna
¡rcc×isicnic, E¡icuro conlaicu. Lcia-sc Lucrccio
¡ara cnicndcr conira o quc E¡icuro fcz gucrra ÷
nuo conira o ¡aganisno, nas conira o
ºcrisiianisno", isio c, a corru¡çao das alnas
airavcs dos concciios dc cul¡a, ¡uniçao c
inorialidadc. ÷ Conlaicu os culios
suItc¡¡uncos, iodo o crisiianisno laicnic ÷
naquclc icn¡o ncgar a inorialidadc ja cra una
vcrdadcira suíuuçuo. ÷ E E¡icuro Iavia
iriunfado, iodo iniclccio rcs¡ciiavcl cn Fona cra
c¡icurco ÷ foi quando Puuío u¡u¡cccu... Paulo, o
odio dc cIunduíu cncarnado, ins¡irado ¡clo gcnio,
conira Fona, conira ºo nundo" ÷ o judcu, o
judcu ctc¡no ¡u¡ cxccíícncc... O quc clc ¡crcclcu
foi cono, con a ajuda dc un ¡cqucno novincnio
scciario crisiao, à ¡aric do judaísno, una
148
ºconflagraçao nundial" ¡odcria scr accsa;
¡crcclcu cono, con o sínlolo do ºDcus na cruz",
¡odcria condcnsar iodas as scdiçõcs sccrcias,
iodos os fruios das inirigas anarquicas, cn un
incnso ¡odcr. ºA salvaçao vcn dos judcus" ÷
crisiianisno c a fornula ¡ara solrc¡or c agrcgar
os culios sulicrrancos dc iodas varicdadcs, ¡or
c×cn¡lo, o dc Osíris, da Crandc Mac, dc Miira.
cra nisso quc consisiia o gcnio dc Paulo. Scu
insiinio csiava iao scguro disso quc, con ousada
violcncia conira a vcrdadc, colocou as idcias quc
fascinavan ioda cs¡ccic dc cIunduíu na loca dc
sua invcnçao, do ºsalvador", c nao a¡cnas na
loca ÷ ¡cz dclc algo quc aic os saccrdoics dc
Miira ¡odian cnicndcr... Foi csia sua rcvclaçao
cn Danasco. con¡rccndcu quc ¡¡ccísuuu da
crcnça na inorialidadc ¡ara dcs¡ojar o valor do
ºnundo", quc a idcia dc ºinfcrno" doninaria
Fona ÷ quc a noçao dc un ºalcn" significa a
no¡tc du uídu. Niilisia c crisiao. sao coisas quc
rinan(4}, c nao soncnic rinan...
149

LIX
Todo o csforço do nundo aniigo cn uuo. nao
icnIo ¡alavras ¡ara dcscrcvcr ncu scniincnio
anic ial nonsiruosidadc. ÷ E, considcrando o
faio dc quc cssc cra un iralalIo ncrancnic
¡rc¡araiorio, quc con graníiica auioconscicncia
lançou os fundancnios ¡ara un iralalIo dc
nilIarcs dc anos, iodo o sígní¡ícudo da
aniiguidadc dcsa¡arccc!... Para quc scrviran os
grcgos? Para quc scrviran os ronanos? ÷ Todos
os ¡rc-rcquisiios ¡ara una culiura salia, iodos
nctodos cicniíficos ja c×isiian; o Ioncn ja Iavia
a¡crfciçoado a grandc c incon¡aravcl aric dc lcr
lcn ÷ cssa c a ¡rincira ncccssidadc ¡ara a
iradiçao da culiura, ¡ara a unidadc das cicncias;
as cicncias naiurais, aliadas às naicnaiicas c à
nccanica, ¡alnilIavan o caninIo ccrio ÷ o
scntído dos ¡utos, o uliino c nais ¡rccioso dc
iodos os scniidos, iinIa suas cscolas, c suas
iradiçõcs ¡ossuían scculos! Con¡rccndc-sc isso?
Tudo quc cra csscncíuí ao concço do iralalIo
csiava ¡ronio; ÷ c o nuís csscncial, nunca scra
dcnais rc¡cii-lo, sao os nciodos, quc ianlcn
sao o nais difícil dc dcscnvolvcr c o quc Ia nais
icn¡o icn conira si os cosiuncs c a indolcncia.
O quc Iojc rcconquisianos con una incסrinívcl
viioria solrc nos ncsnos ÷ ¡ois ccrios naus
insiinios, ccrios insiinios crisiaos ainda Ialiian
nossos cor¡os ÷, ou scja, o olIar afiado anic a
150
rcalidadc, a nao ¡rudcnic, a ¡acicncia c a
scricdadc nas ncnorcs coisas, ioda a íntcg¡ídudc
no conIccincnio ÷ iudo isso ja c×isiia Ia nais
dc dois nil anos! E nuís, Iavia ianlcn lon
gosio, un c×cclcnic c rcfinado iaio! Nuo cono un
adcsirancnio dc ccrclros! Nuo cono a culiura
ºalcna", con scus nodos grossciros! Mas cono
cor¡o, cono gcsio, cono insiinio ÷ cn suna,
cono rcalidadc... Tudo cn uuo! Do dia ¡ara a
noiic iornou-sc ncnoria! ÷ Os grcgos! Os
ronanos! A nolrcza do insiinio, o gosio, a
invcsiigaçao nciodica, o gcnio ¡ara a organizaçao
c adninisiraçao, a fc c a uontudc ¡ara asscgurar
fuiuro do Ioncn, un grandioso sín a iodas as
coisas, visívcl sol a forna dc ín¡c¡íun ¡onunun
c ¡al¡avcl a iodos os scniidos, un grandc csiilo
quc nao cra sin¡lcsncnic aric, nas quc Iavia sc
iransfornado cn rcalidadc, vcrdadc, uídu... ÷
Tudo dcsiruído dc un dia ¡ara ouiro, c nao ¡or
una convulsao da naiurcza! Nao ¡isoicado aic a
noric ¡or icuiónicos c ouiros lufalos! Mas
vcncido ¡or van¡iros vclIacos, furiivos, invisívcis
c ancnicos! Nao conquisiado ÷ a¡cnas
consunido!... A vingança oculia, a invcja
ncsquinIa, agora donínun! Tudo quc c
niscravcl, inirinsccancnic docnic, ionado ¡or
naus scniincnios, iodo o nundo dc gucto da
alna csiava suliiancnic no to¡o! ÷ Lcia-sc
qualqucr agiiador crisiao, ¡or c×cn¡lo, Sanio
AgosiinIo, ¡ara cnicndcr, ¡ara scniir o cIciro
151
daqucla gcnic inunda quc suliu ao ¡odcr. ÷
Scria un crro, cnircianio, ¡rcsunir quc Iavia
falia dc con¡rccnsao ¡or ¡aric dos lídcrcs do
novincnio crisiao. ÷ aI, clcs cran cs¡crios,
cs¡crios aic à saniidadc, csscs ¡ais da Igrcja! O
quc lIcs faliava cra algo lasianic difcrcnic. A
naiurcza dci×ou ÷ ialvcz csqucccu-sc ÷ dc doia-
los, ao ncnos nodcsiancnic, dc insiinios
rcs¡ciiavcis, ínicgros, íín¡os... Diio cnirc nos,
clcs nao sao scqucr Ioncns... Sc o islanisno
dcs¡rcza o crisiianisno, icn nil razõcs ¡ara fazc-
lo. o islanisno ¡rcssu¡õc Ioncns...
152

LX
O crisiianisno nos fcz ¡crdcr iodos os fruios
da civilizaçao aniiga, c nais iardc nos fcz ¡crdcr
os fruios da civilizaçao islanica. A naravilIosa
culiura dos nouros na Es¡anIa, quc cra
fundancnialncnic nais ¡ro×ina aos nossos
scniidos c gosios quc Fona c Crccia, foi
¡isoicada (÷ nao digo ¡or quc ii¡o dc ¡cs ÷}. Por
quc? Porquc dcvia sua origcn aos insiinios
nolrcs c viris ÷ ¡orquc dizia sin à vida, c a con
a rara c rcfinada lu×uosidadc da vida nourisca!...
Mais iardc os cruzados conlaicran algo anic o
qual scria nais a¡ro¡riado quc rasicjasscn ÷
una civilizaçao quc faria ncsno o nosso scculo
XIX ¡arcccr nuiio ¡olrc c ºairasado". ÷ O quc
qucrian, olviancnic, cra saqucar. o Oricnic cra
rico... Coloqucnos à ¡aric os ¡rcconcciios! As
cruzadas. ¡iraiaria cn grandc cscala, nada nais!
A nolrcza alcna, quc no fundo c una nolrcza dc
viling, csiava cn scu clcncnio con as cruzadas.
a Igrcja salia nuiio lcn cono gunIu¡ a nolrcza
alcna.... A nolrcza alcna, scn¡rc a ºguarda
suíça" da Igrcja, csiava ao scrviço dc iodos naus
insiinios da Igrcja ÷ nus Icn ¡ugu... Foi
¡rccisancnic a ajuda das cs¡adas, do sanguc c
do valor alcnacs quc ¡crniiiu à Igrcja fazcr sua
gucrra dc noric conira iudo quc c nolrc solrc a
Tcrra! Aqui ¡odcrian scr fciias ¡crgunias
lasianic dolorosas. A nolrcza alcna cnconira-sc
153
¡o¡u da Iisioria das civilizaçõcs clcvadas. a razao
c olvia... Crisiianisno, alcool ÷ os dois g¡undcs
ncios dc corru¡çao... En suna, nao Iavia nais
cscolIa cnirc o islanisno c o crisiianisno quc Ia
cnirc un aralc c un judcu. A dccisao ja foi
ionada; nao Ia nais lilcrdadc dc cscolIa aqui.
Ou lcn sc c cIunduíu ou lcn sc nao c... ºCucrra
dc noric a Fona! Paz c anizadc con o
islanisno!". cssc foi o scniincnio, cssa foi a uçuo
do grandc cs¡íriio livrc, do gcnio cnirc os
in¡cradorcs alcnacs, Frcdcrico II. Cono? Scra
¡rcciso quc un alcnao scja gcnio, cs¡íriio livrc,
¡ara ¡ossuir scniincnios dcccntcs? Nao consigo
inaginar cono un alcnao ¡odcria scniir-sc
c¡ístuo...
154

LXI
Ncsic noncnio faz-sc nisicr cvocar una
ncnoria ccn vczcs nais dolorosa aos alcnacs.
Os alcnacs in¡cdiran a Euro¡a dc colIcr os
uliinos grandcs fruios dc culiura ÷ a
Hcnusccnçu. Con¡rccndc-sc finalncnic, sc¡u quc
¡or fin con¡rccndc-sc o quc cra a Fcnasccnça? A
t¡unsnutuçuo dos uuío¡cs c¡ístuos ÷ una
icniaiiva con iodos os ncios, iodos os insiinios c
iodos os rccursos do gcnio ¡ara fazcr iriunfarcn
os valorcs o¡ostos, os valorcs nais noI¡cs... Aic
ao ¡rcscnic cssa foi a unica grandc gucrra; nunca
Iouvc una qucsiao nais críiica quc a da
Fcnasccnça ÷ quc c nínIu qucsiao ianlcn ÷;
nunca Iouvc una forna dc utuquc nais
fundancnial, nais dircia, nais violcniancnic
dcsfcrida ¡or ioda una frcnic conira o ccniro do
ininigo! Aiacar no lugar dccisivo, no ¡ro¡rio
asscnio do crisiianisno, c la cnironar os valorcs
nolrcs ÷ isio c, ínt¡oduzí-íos nos insiinios, nas
ncccssidadcs c dcscjos nais fundancniais dos
quc ocu¡avan o ¡odcr... Vcjo dianic dc nin a
¡ossíIííídudc dc un cncaniancnio su¡raicrrcno.
÷ ¡arccc-nc quc ciniila con iodas vilraçõcs dc
una lclcza suiil c rcfinada, dcniro da qual Ia
una aric iao divina, iao dialolicancnic divina,
quc cn vao sc ¡rocuraria airavcs dos nilcnios
¡or scnclIanic ¡ossililidadc; vcjo un cs¡ciaculo
iao rico cn significancia c ao ncsno icn¡o iao
155
naravilIosancnic ¡arado×al quc daria a iodas as
divindadcs do Olin¡o o cnscjo dc irron¡cr nuna
inorial gargalIada ÷ Ccsu¡ Hò¡gíu cono Pu¡u!...
Con¡rccndcn-nc?... Pois lcn, cssa icria o sido
a cs¡ccic dc viioria quc Iojc soncnic cu dcscjo ÷
. con cla o crisiianisno icria sido uIoíído! ÷ Quc
succdcu? Un nongc alcnao, Luicro, cIcgou a
Fona. Essc nongc, con iodos os insiinios
vingaiivos dc un ¡adrc nalogrado no cor¡o,
lcvaniou una rclcliao cont¡u a Fcnasccnça cn
Fona... En vcz dc con¡rccndcr, con ¡rofundo
rcconIccincnio, o nilagrc quc Iavia ocorrido. a
conquisia do crisiianisno cn sua scdc ÷ usou o
cs¡ciaculo a¡cnas ¡ara alincniar scu ¡ro¡rio
odio. O Ioncn rcligioso ¡cnsa a¡cnas cn si
ncsno. ÷ Luicro viu a¡cnas a co¡¡u¡çuo do
¡a¡ado, cnquanio c×aiancnic o o¡osio csiava
iornando-sc visívcl. a vclIa corru¡çao, o
¡cccutun o¡ígínuíc, o crisiianisno ja nao ocu¡ava
nais o irono ¡a¡al! En scu lugar Iavia vida!
Havia o iriunfo da vida! Havia un grandc sin a
iudo quc c grandc, lclo c audaz!... E Luicro
¡cstuIcícccu u Ig¡c¡u. a aiacou... A Fcnasccnça ÷
un cvcnio scn scniido, una grandc fuiilidadc! ÷
AI, csscs alcnacs, quanio ja nos cusiaran!
Tornar iodas as coisas uus ÷ scn¡rc foi cssc o
iralalIo dos alcnacs. ÷ A Fcforna; Lcilniz;
Kani c a assin cIanada filosofia alcna; as
gucrras dc ºindc¡cndcncia"; o In¡crio ÷ scn¡rc
un sulsiiiuio fuiil ¡ara algo quc c×isiia, ¡ara
156
algo í¡¡ccu¡c¡uucí... Esics alcnacs, cu confcsso,
sao ncus ininigos. dcs¡rczo nclcs ioda a
sujidadc nos valorcs c nos concciios, a covardia
¡cranic iodo sin c nao sinccros. Ha quasc nil
anos cnlaraçan c confundcn iudo quc scus
dcdos iocan; icn solrc suas conscicncias iodas
as coisas fciias ¡cla nciadc, fciias nas suas ircs
oiiavas ¡arics, dc quc a Euro¡a csia docnic ÷ c
ianlcn ¡csa solrc suas conscicncias a nais
inunda, incuravcl c indcsiruiívcl cs¡ccic dc
crisiianisno ÷ ¡roicsianiisno... Sc a
Iunanidadc nunca conscguir livrar-sc do
crisiianisno, os cul¡ados scrao os uícnucs...
157

LXII
÷ Con isio concluo c ¡ronuncio ncu
julgancnio. cu condcno o crisiianisno; lanço
conira a Igrcja crisia a nais icrrívcl acusaçao quc
un acusador ja icvc cn sua loca. Para nin cla c
a naior corru¡çao inaginavcl; lusca ¡cr¡cirar a
uliina, a ¡ior cs¡ccic dc corru¡çao. A Igrcja
crisia nao dci×ou nada iniocado ¡cla sua
dc¡ravaçao; iransfornou iodo valor cn
indignidadc, ioda vcrdadc cn ncniira c ioda
inicgridadc cn lai×cza dc alna. Quc sc aircvan
a nc falar solrc scus lcncfícios ºIunaniiarios"!
Suas ncccssidadcs nais ¡rofundas a in¡cdcn dc
su¡rinir qualqucr niscria; cla vivc da niscria;
c¡íou a niscria ¡ara ¡uzc¡-sc inorial... Por
c×cn¡lo, o vcrnc do ¡ccado. foi a Igrcja quc
cnriqucccu a Iunanidadc con csia dcsgraça! ÷
A ºigualdadc das alnas ¡cranic Dcus" ÷ cssa
fraudc, cssc ¡¡ctcxto ¡ara o ¡unco¡ dc iodos
cs¡íriios lai×os ÷ cssa idcia cסlosiva icrninou
¡or convcricr-sc cn rcvoluçao, idcia nodcrna c
¡rincí¡io dc dccadcncia dc ioda ordcn social ÷
isso c dinaniic c¡ístu... Os ºIunaniiarios"
lcncfícios do crisiianisno! Fazcr da Iununítus(1}
una auioconiradiçao, una aric da auio¡oluiçao,
un dcscjo dc ncniir a iodo cusio, una avcrsao c
dcs¡rczo ¡or iodos insiinios lons c Ioncsios!
Para nin sao csscs os ºlcncfícios" do
crisiianisno! ÷ O ¡arasiiisno cono únícu ¡raiica
158
da Igrcja; con scus idcais ºsagrados" c ancnicos,
sugando da vida iodo o sanguc, iodo o anor, ioda
a cs¡crança; o alcn cono voniadc dc ncgaçao dc
ioda a rcalidadc; a cruz cono sínlolo
rc¡rcscnianic da cons¡iraçao nais sulicrranca
quc janais c×isiiu ÷ conira a saudc, a lclcza, o
lcn-csiar, o iniclccio, a Iondudc da alna ÷
conira a ¡¡ò¡¡íu uídu...
Escrcvcrci csia acusaçao cicrna conira o
crisiianisno cn iodas as ¡arcdcs, cn ioda ¡aric
ondc Iouvcr ¡arcdcs ÷ icnIo lciras quc aic os
ccgos ¡odcrao lcr... Dcnonino o crisiianisno a
grandc naldiçao, a grandc corru¡çao inicrior, o
grandc insiinio dc vingança, ¡ara o qual ncnIun
ncio c suficicnicncnic vcncnoso, sccrcio,
sulicrranco ou Iuíxo ÷ cIano-lIc a inorial
vcrgonIa da Iunanidadc...
E conia-sc o icn¡o a ¡ariir do dícs
nc¡ustus(2} cn quc cssa faialidadc concçou ÷ o
¡¡íncí¡o dia do crisiianisno! ÷ Po¡ quc nuo contu-
ío u ¡u¡tí¡ do scu úítíno díu? ÷ A ¡u¡tí¡ dc Io¡c?
÷ Transnuiaçao dc iodos os valorcs!...
FIM
159

Lei contra o cristianismo
Daiada do dia da Salvaçao. ¡rinciro dia do
ano Un (cn 30 dc Scicnlro dc 1888, ¡clo falso
calcndario}.
Guc¡¡u dc no¡tc cont¡u o uìcío. o uìcío c o
c¡ístíunísno
A¡tígo P¡íncí¡o ÷ Qualqucr cs¡ccic dc
aniinaiurcza c uìcío. O ii¡o dc Ioncn nais
vicioso c o ¡adrc. clc cnsínu a aniinaiurcza.
Conira o ¡adrc nao Ia razõcs. Ia cadcia.
A¡tígo Scgundo ÷ Qualqucr ii¡o dc
colaloraçao a un ofício divino c un aicniado
conira a noral ¡ullica. Scrcnos nais rís¡idos
con ¡roicsianics quc con caiolicos, c nais
rís¡idos con os ¡roicsianics lilcrais quc con os
oriodo×os. Quanio nais ¡ro×ino sc csia da
cicncia, naior o crinc dc scr crisiao.
Conscqucnicncnic, o naior dos crininosos c
¡ííòso¡o.
A¡tígo Tc¡ccí¡o ÷ O local analdiçoado ondc o
crisiianisno cIocou scus ovos dc lasilisco dcvc
scr dcnolido c iransfornado no lugar nais
infanc da Tcrra, consiiiuira noiivo dc ¡avor ¡ara
a ¡osicridadc. La dcvcn scr criadas colras
vcncnosas.
160
A¡tígo Çuu¡to ÷ Prcgar a casiidadc c una
inciiaçao ¡ullica à aniinaiurcza. Qualqucr
dcs¡rczo à vida sc×ual, qualqucr icniaiiva dc
nacula-la airavcs do concciio dc ºin¡urcza" c o
naior ¡ccado conira o Es¡íriio Sanio da Vida.
A¡tígo Çuínto ÷ Concr na ncsna ncsa quc
un ¡adrc c ¡roilido. qucn o fizcr scra
c×conungado da socicdadc Ioncsia. O ¡adrc c o
nosso cIunduíu ÷ clc scra ¡roscriio, lIc
dci×arcnos norrcr dc fonc, joga-lo-cnos cn
qualqucr cs¡ccic dc dcscrio.
A¡tígo Scxto ÷ A Iisioria ºsagrada" scra
cIanada ¡clo nonc quc ncrccc. Iisioria nuídítu;
as ¡alavras ºDcus", ºsalvador", ºrcdcnior", ºsanio"
scrao usadas cono insulios, cono alcunIas ¡ara
crininosos.
A¡tígo Sctíno ÷ O rcsio nascc a ¡ariir daqui.
NicizscIc ÷ O Antíc¡ísto
161

Notas
I
1 ÷ Os Crcgos acrcdiiavan quc no c×ircno Noric
da Tcrra vivia un ¡ovo quc gozava dc fclicidadc
cicrna, os Ii¡crlorcos, quc nunca gucrrcavan,
adoccian ou cnvclIccian. Scn a ajuda dos
Dcuscs, scu icrriiorio cra inalcançavcl. (N. do T.)
2 ÷ Crandcza.
3 ÷ Vcnio asfi×ianic, qucnic c cn¡ocirado
originario dc dcscrios. (N. do T.)
II
1 ÷ ºVí¡", cn laiin, significa ºuu¡uo", ºIoncn". Ou
scja, ºviriu", ncsic ºscniido da Fcnasccnça",
dcsigna qualidadcs viris cono força, lravura,
vigor, coragcn, c nao Iunildadc, con¡ai×ao, cic.
(N. do T.)
VIII
1 ÷ Alusao à ¡assagcn líllica (Novo Tcsiancnio,
EvangclIo scgundo Joao 18.38} na qual Pilaios
¡crgunia a Jcsus. ºQuc c a vcrdadc?". (N. do T.)
IX
162
1 ÷ O icrno ¡Iutos vcn do grcgo, significando
ºscniincnio", ºcnoçao" º¡ai×ao". O¡õc-sc a íogos,
¡cnsancnio racional, logico. (N. do T.)
X
1 ÷ Pccado original.
2 ÷ Hcni¡lcgia dcsigna ¡aralisia dc un dos lados
do cor¡o.
3 ÷ A Escola dc Tulingcn (fundada cn 1477}
¡ossui una fanosa faculdadc dc icologia, na qual
csiudaran Hcgcl c JoIanncs Kc¡lcr. (N. do T.)
XI
1 ÷ Cidadc da Prussia ondc Kani nasccu c ¡assou
ioda a sua vida. Por isso, ianlcn c conIccido
cono ºfilosofo dc Köcnizlcrg". (Píct¡o nussctí)
2 ÷ Concciio laniiano. Considcra-sc ín¡c¡utíuo
una ¡ro¡osiçao quc icnIa a forna dc conando,
dc in¡osiçao c, cn ¡ariicular, dc un conando ou
ordcn quc o cs¡íriio da a si ¡ro¡rio, Kani
disiinguia duas cs¡ccics dc in¡craiivos. o
Ií¡otctíco (ou condicional}, quando a ordcn ou
dcicrninaçao csia sulordinada cono ncio ¡ara
aiingir un dcicrninado fin (c×.. sc ¡usto, sc
quc¡cs sc¡ ¡cs¡cítudo}; c o cutcgò¡íco (ou nao-
condicional}, sc a ordcn c incondicional (c×. sc
¡usto}. Para Kani so c×isiia un in¡craiivo
caicgorico fundancnial (c c a cssc quc NicizscIc
163
sc rcfcrc} cuja fornula c. ºAgc dc ial nancira quc
o noiivo quc ic lcvou a agir ¡ossa scr convcriido
cn lci univcrsal". (Píct¡o nussctí)
3 ÷ Divindadc adorada ¡clos anoniias c
noaliias, à qual sacrificavan crianças cn iroca
dc loas colIciias c viioria nas gucrras. (N. do T.)
4 ÷ Dccadcncia.
5 ÷ Por c×cclcncia.
XIII
1 ÷ CIandala c a casia nais lai×a no sisicna
Iindu. (N. do T.)
XIV
1 ÷ Maquina.
XVI
1 ÷ Ardorcs.
XVII
1 ÷ O filologo c Iisioriador Erncsi Fcnan (1823-
1892}, quc dcra a un dos voluncs dc sua olra-
ncsira, Lcs Origincs du CIrisiianisnc,
¡rccisancnic o iíiulo L'AinccIrisi. O volunc
coniinIa una Iisioria das Icrcsias. (HuIcns
Hod¡ígucs To¡¡cs FííIo)
164
2 ÷ Frasc dc scniido du¡lo. scgundo u ò¡tícu dc
Es¡ínozu c soI u ¡o¡nu dc u¡unIu. Traia-sc dc
un jogo dc ¡alavras lascado no ¡ro¡rio dc
Es¡inoza ÷ s¡innc significa u¡unIu cn alcnao.
(Píct¡o Nussctí)
XIX
1 ÷ Úliina ¡alavra.
2 ÷ Ma×ino.
3 ÷ Es¡íriio criador.
XXIII
1 ÷ Ou scja, na cai×a dc Pandora. (H. L. McncIcn)
XXIV
1 ÷ Joao 4.22.
2 ÷ A ¡alavra ¡ossui foric conoiaçao Iisiorica,
¡ois assin cra nais frcqucnicncnic dcsignado
Crisio no scc IV, na c¡oca das grandcs luias
cnirc ¡agaos ou Icícnos, lidcrados ¡clo
in¡crador Juliano, c os crisiaos alcunIados
dc¡rcciaiivancnic Calilcus, fanaiicos do Calilcu.
(Píct¡o Nussctí)
3 ÷ Nuo nuís uícn, isio c, algo inc×ccdívcl, quc
nao sc ulira¡assa.
XXV
165
1 ÷ Una das dcsignaçõcs do Dcus dc Isracl
uiilizadas nos Livros Sagrados. (Píct¡o Nussctí)
XXVI
1 ÷ Nas qucsiõcs Iisioricas.
XXVII
1 ÷ Quc rciornou à vida; rcssusciiado.
2 ÷ Fcsíduo.
XXVIII
1 ÷ David FricdricI Sirauss (1808-74}, auior dc
ºDus LcIcn Jcsu" (1835-6}, una olra nuiio
fanosa cn sua c¡oca. NicizscIc sc rcfcrc a cla.
(H. L. McncIcn)
XXIX
1 ÷ En assunios ¡sicologicos.
2 ÷ Con¡oriancnio.
XXXI
1 ÷ Pro¡ricdadc, qualidadc.
2 ÷ O grandc ncsirc cn ironia.
3 ÷ Es¡íriio, ironia.
XXXII
166
1 ÷ In¡crioso.
2 ÷ A ¡alavra scníòtícu csia no ic×io, nas c
¡rovavcl quc scnuntícu scja a ¡alavra quc
NicizscIc iinIa cn ncnic. (H. L. McncIcn)
3 ÷ Un dos scis grandcs sisicnas da filosofia
Iindu. (H. L. McncIcn)
4 ÷ Considcrado o fundador do iaoísno. (H. L.
McncIcn)
5 ÷ O nonc quc NicizscIc da aos quc acciian sua
filosofia. (H. L. McncIcn)
6 ÷ Isio c, a rigorosa ¡alavra da lci ÷ o oljciivo
nais in¡orianic nas ¡rinciras ¡rcgaçõcs dc
Jcsus. (H. L. McncIcn)
7 ÷ Fcfcrcncia à ºignorancia ¡ura" (¡cínc TIo¡Icít}
do Pu¡sí¡uí dc FicIard Wagncr. (H. L. McncIcn)
XXXIII
1 ÷ Maicus 5.34.
XXXIV
1 ÷ Miiologia grcga. Anfiiriao cra o filIo dc Alccu.
Alcncna cra sua cs¡osa. Duranic sua auscncia
cla foi visiiada ¡or Zcus c Hcraclcs. (H. L.
McncIcn)
XXXVIII
167
1 ÷ NicizscIc rcfcrc-sc ao Kaiscr CuilIcrnc II,
quc sulira ao irono da AlcnanIa cn 15 dc alril
dc 1888, cinco ncscs anics da rcdaçao dc O
Antíc¡ísto. (Píct¡o Nussctí)
XXXIX
1 ÷ Un dos nuiios ncologisnos dc NicizscIc. Elc
con¡õc csic vocalulo ungcííun (cuja origcn vcn
do grcgo c quc significa ºnova", ºnoiícia"} fazcndo
o¡osiçao con os ¡rcfi×os d¸s (nau, infcliz ÷
ºnoiícia na"} c cu (lon, fcliz ÷ ºloa nova", ºloa
noiícia"}. (Píct¡o Nussctí)
2 ÷ Fcfcrcncia à icoria dc CIarlcs Darwin solrc
as origcns do Ioncn. (Píct¡o Nussctí)
XLII
1 ÷ ºPoriador da na noiícia"
2 ÷ Parvoícc, iolicc.
XLIV
1 ÷ Úliina razao. Arguncnio dccisivo.
XLV
1 ÷ Parafrasc dc Dcncirio. °Hcn ¡ugído, ícuo!¨,
aio V, ccna I dc °SonIo dc unu Noítc dc Vc¡uo¨,
¡or Willian SIalcs¡carc. O lcao, olviancnic, c o
sínlolo crisiao ¡ara Marcos. (H. L. McncIcn)
168
2 ÷ 20, 21, 26, 27, 28, 29.
XLVII
1 ÷ Dcus, ial cono Paulo o criou, c a ncgaçao dc
Dcus.
2 ÷ Na ¡raiica.
3 ÷ Lci.
XLVIII
1 ÷ Parafrasc dc ScIillcr, ºConira a csiu¡idcz aic
os Dcuscs luian cn vao".
LI
1 ÷ Idcia fi×a.
2 ÷ Para naior Ionra dc Dcus.
3 ÷ Loucura circular.
4 ÷ I Coríniios 1.27-28.
5 ÷ Con csic sinal.
LII
1 ÷ Cciicisno.
2 ÷ Una rcfcrcncia à Univcrsidadc dc Tulingcn c
sua fanosa cscola dc críiica Díllica. O lídcr da
cscola cra F. C. Daur, c un dos Ioncns quc clc
169
nais foricncnic influcnciou cra una aloninaçao
dc NicizscIc, David F. Sirauss, clc ¡ro¡rio, un
sualio. (H. L. McncIcn)
LIII
1 ÷ ºAssin falou Zaraiusira", ¡aric II, ºDos
Saccrdoics".
LV
1 ÷ ºInínígos du uc¡dudc. ÷ Conuícçocs suo
ínínígos du uc¡dudc nuís ¡c¡ígosos quc us
ncntí¡us."
2 ÷ Una rcfcrcncia, c claro, à ºK¡ítíI dc¡
¡¡uItíscIcn Vc¡nun¡t" dc Kani (Críiica da Fazao
Praiica}.(H. L. McncIcn)
LVI
1 ÷ I Coríniios 7.2 c 7.9.
LVII
1 ÷ A lclcza c ¡ara ¡oucos.
LVIII
1 ÷ Mais duradouro quc o lronzc.
2 ÷ Sol o as¡ccio do cicrno.
3 ÷ Uniao sagrada ou nísiica.
170
4 ÷ Finan cn alcnao. ºNiIilisi und CIrisi". (N.
do T.)
LXII
1 ÷ Caraicr Iunano, scniincnio Iunano.
2 ÷ Dia ncfasio.
171

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