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Objetivos

Sugestões para um bom estudo: As atitudes do estudante a distância, traduzidas em hábitos de estudo, são fatores que ajudam o aluno a persistir e permanecer no curso, determinando o sucesso final. Nossas sugestões para que você tenha um bom aproveitamento são as seguintes: você é responsável pelos seus estudos, manter a autodisciplina e automotivação é fundamental para iniciar e concluir o curso com êxito. administre bem seu tempo - assegure-se de que terá, pelo menos, 50 minutos diários para se dedicar aos estudos; execute as atividades propostas em sequência de módulos/unidades. Sempre que concluir a leitura da unidade, acesse "Avaliações" (lateral esquerda da página) e responda as questões da autoavaliação que corresponde à unidade, assim, você irá fixar o conteúdo e ficará mais preparado para a Avaliação Final do curso; ao concluir o estudo do último módulo e antes de responder as questões da Avaliação Final, que vai determinar sua aprovação ou não, se você se sentir inseguro, refaça as autoavaliações das unidades para se preparar melhor.

Apresentação

Olá, aluno e cidadão do Mercosul!

Neste momento, você está iniciando um curso que analisa em profundidade e extensão a trajetória histórica de criação do Mercado Comum do Sul, sua estrutura, atuação e desafios futuros. Também conhecerá as modalidades e etapas de integração e algumas informações sobre outros blocos econômicos. Concebido por alguns dos maiores estudiosos e participantes da criação e desenvolvimento do Mercosul, desenvolvido por equipe especializada em Educação a Distância, este curso foi cuidadosamente criado para possibilitar a você amplo material e diversificados recursos para consulta e análise. No campo de "Apoio" (lateral esquerda da página), em "Links relacionados", por exemplo, você encontra vasta informação sobre o Mercosul. O conteúdo está dividido em 4 módulos desdobrados em 9 unidades. Após a leitura de cada unidade, você deve responder as questões dos exercícios de autoavaliação para fixar o conteúdo e, ao término do último módulo, a avaliação final do curso que, após aberta, deve ser respondida imediatamente e salva ao final. Esta avaliação não pode ser refeita e suas questõesl somam um total de 100 pontos. Com uma pontuação de 70, no mínimo, você estará aprovado e com direito a certificação. As indicações dos sites, vídeos e de leituras destinadas a aprofundamento, não estão computadas na carga horária do curso (20 horas). Seja bem-vindo a uma comunidade em que você já está naturalmente inserido, e da qual será cada vez mais chamado a participar.

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Módulo I - Contextualizando a Integração

Módulo I - Contextualizando a integração

Temas do Módulo
Nesse módulo, estudaremos o contexto internacional que veio a dar origem aos fenômenos da conformação de blocos econômicos, como o Mercosul e a União Européia, e do multilateralismo comercial, que se traduz na criação da Organização Mundial do Comércio. Examinaremos, ademais, a teoria da integração regional, tanto do ponto de vista econômico como político, e discorreremos, finalmente, sobre os dois modelos de integração existentes hoje no cenário internacional: o intergovernamental e o supranacional

Objetivos de Aprendizagem

sendo que tanto a regionalização quanto a multilateralização são respostas encontradas pelos países para fazerem face à nova realidade internacional. caracterizado pelo fenômeno da globalização. Regionalismo e multilateralismo. Página 1 Por outro lado. consiste na internacionalização da produção. sobretudo. com a descoberta de novos produtos e de novas técnicas de produção. a regionalista. Com o consenso prevalecendo entre as superpotências. implicaram uma verdadeira "reestruturação da economia mundial". e por outro.Ao término do módulo você estará apto a: Identificar.Aspectos introdutórios. antes dividido em blocos antagônicos. a multilateralista. passa a ser percebido e a funcionar como um todo. Ambas tendências despontam como resultado de certas condições que vieram a prevalecer no mundo a partir de meados do século XX. Dintinguir os dois modelos de integração existentes no cenário internacional. vista de um prisma puramente econômico. com base na análise do contexto internacional. Módulo I Unidade 1 . outras referem-se a recentes avanços tecnológicos Entre as primeiras. e a queda da chamada "Cortina de Ferro". Os blocos econômicos. com base nas duas tendências a que já nos referimos acima: a multilateralização das relações de comércio. notamos que todos esses fenômenos vêm ocorrendo contra um cenário de crescente globalização.Aspectos Introdutórios a) Regionalismo e multilateralismo O cenário internacional contemporâneo. como se deu a formação dos Blocos Econômicos e a criação da Organização Mundial do Comércio. Página 2 . Em outros termos. os recentes avanços no campo da tecnologia. que prefere levar a cabo essas negociações em âmbito mais amplo e se expressa. constitui a principal. o fim da Guerra Fria. que tende à formação de blocos econômicos. que convive com a sua regionalização. intensificam-se de forma exponencial os fluxos do comércio no mundo. Algumas delas são condições de natureza política. apresenta duas tendências paralelas no que tange às negociações comerciais: por um lado. a qual. Discutir a teoria da integração regional. O mundo. a partir das vertiginosas transformações verificadas nos meios de comunicação. Conseqüentemente. Unidade 1 . as relações internacionais fazem das trocas e dos investimentos o seu grande objetivo. no foro da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Cuidaremos apenas de poucos exemplos. alguns blocos econômicos do cenário globalizado. A integração econômica. bloco em estágio mais avançado de integração. Uma das principais características de um bloco econômico é a busca incessante de fórmulas ágeis de discussão e acordo entre seus parceiros. favorecendo a colocação dos produtos no mercado. Página 4 . com destaque para a formação da União Européia. como mão-de-obra e matéria-prima. que lhes permitam negociar. a integração econômica e a liberalização econômica. entre si ou com outros mecanismos multilaterais ou países. a defesa de seus interesses econômicos. nas linhas seguintes. portanto. não é um fim em si mesma. tendo em vista que os módulos seguintes a ele se dedicarão de forma detalhada. fatores mais tradicionais. o que também barateia a produção. Ademais. apresentando-se sob a forma de agrupamento de vários países de uma região com vinculação econômica e entendimento-base orientados para o desenvolvimento. Precursores da Integração: Abade de Saint-Pierre Saiba mais Página 3 b) Os Blocos Econômicos A formação de blocos econômicos é tendência representativa de um modelo de integração regional próprio do mundo globalizado.O binômio "pesquisa e desenvolvimento" (P&D) passou a constituir-se em fundamental componente nos custos de produção. bem como a obtenção de vantagens comerciais que facilitem e fortaleçam a promoção integrada de seu desenvolvimento. em importância. constituindo-se em instrumento para uma melhor inserção dos países do bloco no mercado internacional. Destacaremos. para a obtenção de produtos mais baratos e de melhor qualidade. além de viabilizar investimentos cada vez maiores em P&D. nos absteremos de discorrer sobre o Mercosul. por ora. a regionalização. Assim. superando mesmo. permite os ganhos em escala.

nafta-sec-alena. o Chile retirou-se do Pacto.086 bilhões. A Venezuela desligou-se da Comunidade Andina para aderir ao Mercosul. e. Era inicialmente formado pelos seguintes países: Colômbia.ACORDO DE LIVRE COMÉRCIO DA AMÉRICA DO NORTE (NAFTA) O Acordo de Livre Comércio da América do Norte.87 milhões de habitantes. Comunidade Andina. em função do processo de globalização econômica que exige a formação em bloco para melhor defesa de seus interesses e promoção integrada do seu desenvolvimento. São Países Membros da CAN: Bolívia. do Canadá e do México. com base em estudos da Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL). que gera um PIB de US$338. entre norte-americanos e canadenses. assim. abrindo sua economia ao mercado externo. A meta essencial de seu acordo constitutivo é construir. que recebeu depois o nome de Grupo Andino. e por meio do Acordo de Liberalização Econômica. ao mesmo tempo em que aparece como concorrente ao bloco econômico europeu e à fortíssima economia japonesa. o NAFTA (North America Free Trade Agreement). Originada da Comunidade Econômica Europeia (CEE). Peru. Consolidou o intenso comércio regional no hemisfério norte do continente americano. Venezuela. se possível. Equador e Peru. Criou-se. Hoje. Bolívia e Chile. órgão da ONU. regulando os investimentos. aíses Membros da CAN: Bolívia. Colômbia. foi planejado para ser um instrumento de integração das economias dos EUA. Página 5 COMUNIDADE ANDINA (CAN) Em 26 de maio de 1969. Iniciou em 1988. Em 13 de agosto de 1992. o bloco recebeu a adesão dos mexicanos. Colômbia. foi criado o Pacto Andino.371 bilhões. o grupo de países remanescentes objetiva criar um mercado comum. tendo entrado em vigor em janeiro de 1994. beneficiando grandemente a economia mexicana. em 1973. assinado em 1991. Equador e Peru. a propriedade intelectual e o comércio de bens e serviços nos Países Membros do bloco. Este bloco não constitui uma organização internacional de cooperação econômica nos moldes clássicos. uma zona de livre comércio com ampla abrangência. formalizou-se o relacionamento comercial entre os Estados Unidos e o Canadá. atraindo outros países das Américas. fundada em . em prazo específico. enfim.222 bilhões e importações no valor de US$70. Maiores informações no site www.org/ . Equador. pelo Acordo de Cartagena. uma União Aduaneira e Econômica para fazer restrições à entrada de capital estrangeiro. Com a subida ao poder do General Augusto Pinochet. Sitio da Comunidade Andina Página 6 UNIÃO EUROPÉIA (UE) A União Europeia representa o estágio mais avançado do processo de formação de blocos econômicos no contexto da globalização. principalmente ao norteamericano. A Comunidade Andina reúne uma população de 96. mais tarde Comunidade Andina de Nações. com exportações alcançando os US$76.

1957 pelo Tratado de Roma, a União Europeia é o segundo maior bloco econômico do mundo em termos de PIB: 8 trilhões de dólares. Até 2003 a União Europeia era formada por 15 países da Europa Ocidental, e sua população estimada em 374 milhões de habitantes. Hoje, após a incorporação de mais 12 países do Leste Europeu, passou a contar com 27 Países Membros. A União Europeia negociou a adesão dos seguintes países ao bloco, quais sejam: Chipre, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Hungria, Letônia, Lituânia, Malta, Polônia e República Tcheca, já considerados aptos para adesão desde o início de 2003 com ingresso definitivo em 1º de maio de 2004. O décimoprimeiro país seria a Turquia, que, no entanto, ainda não preenche os critérios mínimos estabelecidos pela União Europeia para início das negociações com vistas à sua aceitação como país membro. A Bulgária e a Romênia concretizaram sua entrada na União Européia a partir de 2007. O órgão máximo da União Europeia é o Conselho Europeu. Agrupa os Chefes de Estado ou de Governo, além do Presidente da Comissão Europeia, sendo responsável pela definição das grandes orientações políticas e cabendo-lhe a responsabilidade de abordar os problemas da atualidade no âmbito internacional. O Conselho Europeu reúne-se, em princípio, quatro vezes por ano, ou seja, duas vezes por semestre. Em circunstâncias excepcionais, o Conselho Europeu pode reunir-se em sessão extraordinária.

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Outras instituições existem para que a União Europeia possa cumprir seus objetivos de integração. O Conselho de Ministros (Conselho da União Europeia, ou simplesmente Conselho) é o órgão que dispõe de poder de decisão, assumindo a coordenação geral das atividades da União. O Conselho, juntamente com o Parlamento Europeu, fixa a legislação da União Europeia, inicialmente proposta pela Comissão Europeia. O Parlamento Europeu, atualmente composto por 785 delegados eleitos, atendidos por um secretariado formado por mais de quatro mil funcionários, possuí três tipos de poder: o orçamentário, o de controle da Comissão Europeia, e o legislativo. Este último é exercido diferentemente segundo a natureza da matéria em questão, indo de instância de consulta à co-decisão, quando divide o poder decisório com o Conselho. Uma das mais importantes funções do Parlamento Europeu consiste em aprovar e autorizar a indicação de projetos que consomem cerca de 45% do orçamento oficial da União Europeia. A contribuição de cada cidadão da União Europeia corresponde a 1,5 Euros por ano, significando apenas um por cento do montante total do orçamento comunitário. O Parlamento Europeu, com sede em Estrasburgo, na França, para sessões plenárias, é formado por parlamentares eleitos pelas populações dos Países Membros da União Europeia. Em Luxemburgo, funciona a Secretaria Administrativa, e em Bruxelas, na Bélgica, realizam-se reuniões das Comissões Temáticas. Lá se reúnem também o Conselho de Ministros da União Europeia e seu braço executivo, a Comissão Europeia. A Comissão Europeia, é o órgão executivo e tem como função a iniciativa na elaboração da legislação em comum, controlando sua aplicação e coordenando a administração das políticas comuns. Além disso, conduz as negociações da União Europeia no plano das relações exteriores.

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As principais instituições da União Europeia são: 1. 2. 3. 4. 5. 6. Tribunal de Justiça; Tribunal de Contas; Comitê Econômico e Social; Comitê das Regiões; Provedor de Justiça Europeu; Banco Central Europeu (BCE); e

7. Banco Europeu de Investimento (BEI). O sistema é completado por uma série de organismos. Em 1992 é consolidado o Mercado Comum Europeu, com a eliminação das últimas barreiras alfandegárias entre os países-membros. Pelo Tratado de Maastricht (cidade da Holanda), a União Europeia entra em funcionamento a partir de 1º de novembro de 1993. Três outros tratados complementam o Tratado de Maastricht: os Tratados de Amsterdam(1996), Nice(2001) e Lisboa(2007). O Euro é a moeda única criada pela União Europeia, sendo utilizada, desde 1º de janeiro de 2002, em substituição às demais moedas da maioria dos Países Membros, circulando em cédulas e moedas na comunidade financeira internacional, já se consolidou e se afirma, a cada dia, como alternativa ao dólar norte-americano nas transações comerciais. Por temer as consequências da perda da sua soberania, três países ainda resistem ao fim da emissão de sua própria moeda: Reino Unido, Suécia e Dinamarca. Embora a crise econômica mundial, deflagrada no ano de 2009, tenha causado sérios impactos à estabilidade da Zona do Euro, não podemos negar a força desta moeda, lastreada em economias poderosas, que passa a competir com o dólar norte-americano em condições de igual aceitação no mercado internacional. Para admissão à União Econômica e Monetária o país membro da União Européia deve atender aos seguintes pré-requisitos: a. déficit público máximo de 3% do PIB; b. inflação baixa e controlada; c. dívida pública de no máximo 60% do PIB; d. moeda estável, dentro da banda de flutuação do Mecanismo Europeu de Câmbio; e, por último, e. taxa de juros de longo prazo controlada.

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ACONTECIMENTOS MARCANTES 1. Em 1º de julho de 2001, a União Europeia deu início a negociações sobre livre comércio com o Mercosul, estando previstos inúmeros acordos de intercâmbio comercial entre a UE e o Bloco Econômico do Mercado Comum do Sul, embora se tenha presente as dificuldades nas negociações que envolvam o setor agrícola, pois a União Europeia não admite abrir mão dos muitos instrumentos criados para proteger o agricultor europeu. 2. Adoção do Programa Indicativo Regional (RIP) para o Mercosul 2002/2006. A Comissão Europeia adotou o RIP, programa que conta com significativos recursos provenientes da União e que se destina a ajudar na conclusão do Mercado Interno do Mercosul, a seu fortalecimento institucional e à efetiva participação da sociedade civil no processo de integração interna do Mercosul e birregional com a União Europeia. Projeto para a continuidade do programa foi aprovado para o período 2007/2013. Dados de 2007 da União Européia. População: 494,37 milhões de habitantes PIB: US$14.546,541 trilhões de Euros Exportações: US$1.697,746 trilhões de Euros Importações: 1.952,001 trilhões de Euros

São Países Membros da UE: Alemanha, Áustria, Bélgica,Bulgária, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Holanda (Países Baixos), Irlanda, Itália, Luxemburgo, Portugal,

Reino Unido, Suécia, Chipre, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Hungria, Letônia, Lituânia, Malta, Polônia, Romênia e República Tcheca. Sítio da União Européia

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Não é intenção deste trabalho – e nem poderia ser – esgotar o estudo sobre os blocos econômicos existentes. Assim, apenas a título de curiosidade, citamos outros blocos, tais como Mercado Comum Centro-Americano (MCCA), Mercado Comum e Comunidade do Caribe (CARICOM), Comunidade dos Estados Independentes (CEI), Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), Fórum Econômico da Ásia e do Pacífico (APEC), Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), Acordo Comercial sobre Relações Econômicas entre Austrália e Nova Zelândia (ANZCERTA), Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC).

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c) A Organização Mundial do Comércio (OMC): a participação do Brasil no contencioso comercial da OMC
Criada em 1º de janeiro de 1995, a Organização Mundial do Comércio tem por objetivo geral formular as regras de comércio no mundo globalizado. A Organização foi criada para cumprir as seguintes metas: Contribuir para a liberalização gradual do comércio multilateral, mediante rodadas de negociações; desencorajar a discriminação no comércio, evitando cláusulas como a da "nação mais favorecida"; estabelecer um órgão para a solução de conflitos comerciais.

A OMC é sucessora do GATT - o Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio -, criado em 1948, logo após a Segunda Grande Guerra. Ao longo do período entre 1948 e 1994, foram as regras do comércio multilateral estabelecidas no âmbito do Acordo, uma vez que a Carta de Havana, que criava uma Organização Internacional do Comércio, jamais logrou ser ratificada pelos Estados Partes. Nos primeiros anos de existência do GATT, suas rodadas de negociações buscaram basicamente a redução de tarifas comerciais. A Rodada Kennedy, realizada de 1964 a 1967, produziu um Acordo Anti-Dumping e a Rodada Tóquio, que se estendeu de 1973 a 1979, constituiu-se na mais importante tentativa já encetada para lograr a eliminação das barreiras não-tarifárias. Da Rodada Uruguai, iniciada em 1986, e que alcançou o seu final em 1994, nasceria a Organização Mundial do Comércio. Sua especificidade em relação ao GATT reside no fato de que, enquanto o GATT debruçava-se apenas sobre o comércio de bens, a OMC inclui em sua agenda, entre outros temas, serviços, compras governamentais, propriedade intelectual e meio ambiente. Também não se pode deixar de lembrar que um diferencial relevante entre o antigo GATT e a OMC, se refere ao fato de esta última contar com um

Caso um dos membros se sinta prejudicado em virtude de iniciativa tomada por outro Estado Parte no Acordo. embora saibamos que no mais das vezes são as empresas que conflitam (Bombardier x Embraer. contudo. que marcou o início da "Rodada do Milênio". ademais. os relatórios finais dos "panels" não serão implementados se vetados pelo querer de todos os Estados Partes. tais decisões conformam algo inusitado no direito tanto interno como internacional. revestem-se de efeito vinculante e não podem ser desrespeitadas. em 2001. O relatório final do "panel" comina sanções compensatórias a quem violou as regras do comércio internacional. Para os 153 países membros da OMC. atualmente tão citados quanto desconhecidos. já testado e comprovado em sua efetividade. já que podem ser negociadas interpartes. e em Genebra. submetendo-se ao seu sistema de solução de controvérsias. E mais: só os Estados.mecanismo de solução de controvérsias sensivelmente mais efetivo que aquele com que contava o antigo GATT. Página 13 Países membros da OMC (2005) Nas vitais relações comerciais entre Estados. Fomenta. foi realizada em Seattle. o que facilita a aprovação dos relatórios finais. Embora não cheguemos a participar em 1% do comércio mundial. um pluralismo jurídico ordenado.pacta sunt servanda permanece incólume. o "panel" propõe uma original forma de decisão vinculante. registradas no âmbito da Organização. através das fórmulas ordinárias do direito internacional público. relatório com prescrições elaboradas por juristas a serviço da OMC. O Brasil. com o consentimento sendo determinante para que se integre e permaneça na OMC. a ele caberá acionar o sistema de solução de controvérsias da OMC. Na prática. De natureza impositiva sob condição. o organismo internacional aplica a um modelo racional de solução de controvérsias. por exemplo. as tarifas que aplicarão às suas importações. Kodak x Fuji). . em 1996. seja pelo que tem a defender. Posteriormente. somada aos melindres e limites do direito internacional público. mediante sugestão de sanções . cujas negociações ainda estão em curso. expressas em valores monetários. Há que se ter presente que a âncora contratualista da relação entre Estados . na dialética forma do consenso invertido. já somos autores ou réus em cerca de 8% dos famosos "panels" genebrinos. o poder de veto do Conselho de Segurança das Nações Unidas. profere-se.sob medida para as peculiaridades de conflitos entre Estados soberanos. em 1998. seja pelo que tem a conquistar. o que não constitui novidade no direito internacional. em busca da construção do consenso. não se tratando de laudo arbitral e tampouco de simulacro de sentença judicial.ou seja. entre os dias 30 de novembro e 3 de dezembro de 1999. o consenso invertido é extremamente difícil de ser alcançado. conhecida como Rodada de Doha. haja vista. A terceira. ao fim de um sumário processo de conhecimento. Adotando um inusitado aparato jurídico. Página 12 A OMC realizou duas grandes reuniões ministeriais: em Cingapura. tende a ampliar sua litigiosidade. blocos econômicos (atualmente apenas a Comunidade Europeia) e territórios aduaneiros com autonomia para conduzir relações comerciais externas têm legitimidade ad causam. Fruto da experiência obtida no direito do comércio internacional. foi lançada a “Agenda de Doha para o Desenvolvimento”. sem ser impositivo . sempre declaratórias e eventualmente constitutivas. a consolidação da OMC representa importante momento de sobreposição do poder jurídico sobre o poder político. causando prejuízo a outrem. nos Estados Unidos. sendo representadas pelos Estados. em que inexistindo a pacificação do conflito pelos meios político-diplomáticos. Sujeitos ainda a uma cautela política francamente assumida pela OMC. blocos econômicos ou os citados territórios aduaneiros. com os Estados comprometendo-se a abster-se de medidas unilaterais de retaliações e medidas abruptas indesejáveis ao equilíbrio e harmonia internacionais. ativo cliente do sistema de solução de controvérsias da organização.

não há mais espaço para qualquer tipo de ceticismo. de fato. aprovado no bojo da Rodada Uruguai. Passando pela fase de conhecimento e do contraditório. De toda sorte. Considerados os vinte e sete países signatários do GATT. Teoria da Integração Regional. prática de difícil percepção. observando um calendário rígido. em sua manifestação jurídica por excelência. DSU. e com especial significado para a adesão da China. sempre que provocado. que indica condutas e comina sanções comerciais na forma de direitos a serem ou não exercidos pela parte vencedora. conquanto empregando meios muito mais sofisticados. O Órgão de Solução de Controvérsias. no primeiro semestre de 1994 -. agravados pelas duras contendas de manutenção e acesso a mercados. aos atuais cento e cinquenta e três membros da OMC.o "Dispute Settlement Understanding". Etapas da integração. toda uma gama de circunstâncias que condicionam o que se fará. em especial no contencioso comercial. Está-se claramente em um outro espectro de prestação jurídica. primeira tentativa de ordenar-se o comércio internacional. Nele. Há. chega-se ao relatório final. clique em Autoavaliação da unidade I do Módulo I e teste seu conhecimento. senão àqueles habituados à realidade do direito do comércio internacional. em que os Estados expressam livremente suas razões.Página 14 Com uma legislação específica . a OMC tende a transformar-se no grande fórum mundial. e em que pese seu breve período de vigência. em verdade. O exercício facultativo dos direitos concedidos à parte vencedora é. Unidade 2 . onde a coação continua essencial ao direito. não há mais como duvidar da eficácia e efetividade do sistema de solução de controvérsias da OMC. passará a buscar solução consensual. vá até "Avaliações" (lado esquerdo da página). formando a prova na forma ordinária do due process of law. Antes de iniciar a Unidade II desse Módulo. em 1947. como se aufere do grande respaldo internacional que vem recebendo. aqui bem ao sabor das relações flexíveis do direito internacional. Boa sorte! Página 1 Módulo I . sem procrastinações unilaterais. ganhar não significa simplesmente aplicar-se a decisão. onde se estima serem pacificados os macroconflitos comerciais internacionais.Teoria de Referência. o Encontro de Marraquesh.

em um quadro. Ernst Haas elabora a teoria neofuncionalista. dando origem. pelas elites de . pragmática e flexível. Sem dúvida alguma. que enfatiza o aprendizado. Saiba mais Victor Hugo Immanuel Kant saiba mais Página 2 Outra vertente da teoria da integração deve-se ao cientista político David Mitrany. como Altiero Spinelli. que defendia a união dos países da Europa em uma Federação Europeia. Mais tarde.Unidade 2 . onde tecnocratas de países diversos se dedicariam. e não apenas Europeia. A soberania dos Países Membros de tais agências seria. ressurge o Movimento Federalista Europeu após o final da I Guerra Mundial. faz-se necessária também uma discussão do papel dos fatores políticos. gradualmente. transferida para tais reuniões intergovernamentais. em 1946. autor do famoso Manifesto de Ventotene (1941). de polarização entre a União Soviética e os Estados Unidos. formulador da teoria funcionalista. Exemplo paradigmático desse sistema é o Tratado de Paris (1951). postura fortalecida pelo apoio dos Estados Unidos e pela pressão das crescentes ameaças de Moscou. Foi o temor de uma terceira guerra mundial. Porém. Vários políticos posicionam-se a favor da criação dos "Estados Unidos da Europa". cabe lembrar a necessidade de se evitar futuras guerras no continente europeu e a criação de uma terceira força na política mundial mediante o fortalecimento da Europa Ocidental. que levou Winston Churchill a proferir memorável discurso em Zurique. A "alternativa funcional" de Mitrany vislumbra uma ampla teia de agências internacionais. Embora Mitrany tenha formulado a sua teoria com vistas à unidade mundial. entre outros. Immanuel Kant (1724-1804) e Victor Hugo (1802-1885). por um ato de vontade dos próprios Estados envolvidos. à teoria neofuncionalista. como também no que diz respeito à continuidade e aprofundamento dessa integração. que cria a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA) e uma Alta Autoridade destinada a administrar a sua produção e comercialização nos Estados Partes. então. as ideias federalistas permearam toda a trajetória da integração europeia. não apenas no que concerne aos processos decisórios que levam certos países a optar por um processo integracionista. que se baseava nas ideias de precursores como o abade de Saint-Pierre (1658-1743). ao desenvolvimento de atividades vinculadas a vários setores voltados ao bem-estar público. os federalistas do século XX são impulsionados pelos horrores sofridos pelo continente europeu por força das duas guerras mundiais que o assolaram no intervalo de apenas 25 anos. mais tarde. de maneira racional. A soberania passa a ser então compartilhada para determinadas decisões. suas ideias influenciaram fortemente os primeiros militantes pela união da Europa e teóricos da integração. O caso da Europa é paradigmático para a ilustração de processos de integração determinados por motivos de caráter político. em conjunto. decorrente do expansionismo soviético. Entre estes. Nesse cenário. quando apresenta o projeto de "Recriar a família europeia em uma estrutura regional tal que venha a chamar-se Estados Unidos da Europa".Teoria de referência a) Teoria da Integração Regional Além das considerações de ordem econômica. muitas vezes por meio de figuras políticas presentes no Parlamento Europeu.

Nessa fase do processo de integração. e incluindo-se ainda o México. Assim. um conjunto de países aplica uma tarifa para suas importações provenientes de países não pertencentes ao grupo. O NAFTA (North America Free Trade Area). firmado entre os Estados Unidos. o México e o Canadá. O Mercosul oferece interessantes exemplos de spill over. por fim. uma ZPT estabelece que as tarifas incidentes sobre o comércio entre os Países Membros do grupo são inferiores às tarifas cobradas de países não membros. de início. É o célebre efeito spill over. uma segunda modalidade. se essas partes componentes não estivessem integradas. A ALALC. Página 3 b) Etapas da integração Antes de mais nada. Segundo Bela Balassa. Asim. apenas assegurando níveis tarifários preferenciais para o grupo de países que conformam a Zona. prevê a livre circulação de bens entre si com tarifa zero. entre todos os Estados da América do Sul que aderiram à tentativa de integração comercial. a integração econômica é um processo que implica medidas destinadas à abolição de discriminações em uma determinada área. por exemplo. por sua vez. Esta se estenderia a outros setores. ou seja. Página 4 A teoria do comércio internacional registra a classificação de cinco tipos de associação entre países que decidem integrar suas economias: 1) A Zona de Preferência Tarifária é o mais elementar dos processos de integração. que a integração é um processo pelo qual se obtém determinado tipo de relacionamento entre as partes componentes. Em sua análise da integração do ponto de vista político. e. qualquer que seja o produto. dos benefícios da integração. identificado por Haas como o principal propulsor de um projeto integracionista. 2) A Zona de Livre Comércio (ZLC). afirma Karl Deutsch. consiste na eliminação das barreiras tarifárias e não-tarifárias que incidem sobre o comércio entre os países que constituem a ZLC. procurou estabelecer preferências tarifárias entre seus onze membros. O grau de profundidade dos vínculos que se criam entre as economias dos países envolvidos em um processo de integração econômica permite que se visualize. excluídos apenas a Guiana e o Suriname. as fases ou etapas do seu desenvolvimento. capaz de alterar o comportamento destas relativamente ao que este seria. caberia definirmos alguns termos relacionados à formação de blocos econômicos. ou Acordo de Livre Comércio da América do Norte. um processo de integração econômica caracteriza-se por um conjunto de medidas que têm por objetivo promover a aproximação e a união entre as economias de dois ou mais países. Página 5 . 3) A União Aduaneira é uma Zona de Livre Comércio que adota também uma Tarifa Externa Comum (TEC). na medida em que foi incorporando novos setores ao processo de integração que antes se encontravam alijados do mesmo. como relações trabalhistas.um país. ou determine. em consequência de uma percepção favorável dos seus resultados. turismo e meio ambiente. é um exemplo de ZLC.

até agora alcançada apenas pela União Europeia. idealizada e impulsionada por Otto von Bismarck. o grande líder responsável pela unificação política da Alemanha. de modo resumido. cuja execução encontra-se na fase de União Aduaneira imperfeita. rejeitou o Tratado de Lisboa e pôs em dúvida o modelo de expansão institucional e normativa da União Europeia. a União Europeia tem como moeda corrente o Euro. Além das cinco etapas de integração. Página 6 Assim. entretanto. Estônia. passando a se constituir em uma União Econômica e Monetária. A União Europeia. uma União Aduaneira. A União Europeia assinou. Lituânia. o Tratado da Constituição Europeia. Porém. todos os Países Membros de um Mercado Comum devem seguir os mesmos parâmetros para fixar a política monetária (fixação de taxas de juros). os Países Membros devem concordar com o avanço integrado da coordenação das suas políticas macroeconômicas. no entanto. e que está consubstanciado no primeiro artigo do Tratado de Assunção. A União Econômica e Monetária ocorre quando existe uma moeda comum e uma política monetária com metas unificadas e reguladas por um Banco Central comunitário. ainda não logrou a sua aprovação em todos os Estados Membros. Ao alcançá-la. entendemos que uma sexta fase deve ser acrescentada à teoria sobre a qual nos apoiamos. Desde 2003. reviver o primeiro tratado. Eslovênia e Espanha. Itália. é a construção de um Mercado Comum. A Zollverein foi criada em 1835 e dissolvida em 1866. que será a União Política. a política cambial (taxa de câmbio da moeda nacional) e a política fiscal (tributação e controle de gastos pelo Estado). difere fundamentalmente da União Aduaneira porque. 6) A União Política poderá ser a etapa conclusiva de um processo de integração regional. prosseguiu para o estágio mais avançado. além da livre circulação de mercadorias. de capitais e pessoas. A população irlandesa. que até o presente momento 15 Países Membros já ratificaram o Tratado: Áustria. mas o objetivo dos países que o integram. Alemanha. De acordo com a classificação exposta nos parágrafos anteriores. tendo sido rejeitado pelo voto popular por ocasião de referendos realizados na França (29 de maio de 2005) e na Holanda (1º de junho de 2005). requer a circulação de serviços e fatores de produção. desde 1º de janeiro de 1995. Hungria. típico instrumento de cooperação internacional sempre liderado pelo Executivo. quando. assentada sobre um pacto federativo. com algumas alterações. o Tratado de Lisboa. 5) A União Econômica Monetária é a etapa mais avançada dos processos de integração econômica. em 1850. Ressalte-se. foi um exemplo acabado de integração pela via do Mercado Comum. A união política poderá tomar a feição de uma federação. Eslováquia. então. ou seja. que pretendia. Parece certo que novas formas precisam surgir para que o projeto integracionista europeu não se estagne. Luxemburgo. serviços e fatores de produção. além da livre circulação de bens. independentes dos Estados Membros e encarregados de zelar pelos interesses da região em sua totalidade. em 2007. terá sido substituído pelo chamado modelo supranacional. quarto estágio de integração econômica. cuja emissão. em 29 de outubro de 2004. Letônia. ou seja. . até 1992. deve-se ressaltar que. sobre uma constituição. Bélgica. foi assinado. o Mercosul é. Grécia.O exemplo mais conhecido desse tipo de integração foi a Zollverein (União Aduaneira. no seio da estrutura institucional da integração. 4) O Mercado Comum. em alemão). Após a tentativa fracassada do Tratado da Constituição Europeia. que. pode-se afirmar que o Mercosul é o projeto de construção de um Mercado Comum. que implica a existência de órgãos. Malta. Chipre. o modelo intergovernamental. controle e fiscalização dependem do Banco Central Europeu. no entanto. isto é.

o Protocolo de Ouro Preto veio a reiterar a natureza intergovernamental do Mercosul e a . e que acompanharia a implantação da união aduaneira. Contudo. não se poderia impulsionar no Mercosul. Tribunal de Justiça). e as entidades supranacionais são criadas pelos próprios governos. normas que vinculam diretamente os indivíduos. de "Alta Autoridade"). Segundo o autor. sem consideráveis riscos políticos. o órgão supranacional por excelência é a Comissão Europeia (chamada pelo Tratado de Paris. No caso da União Europeia. métodos decisórios supranacionais (possibilidade de votação no Conselho segundo o princípio majoritário. Desta noção decorre. lançam-se à integração a partir do reconhecimento de que as vantagens da cooperação e da identificação de interesses comuns superam os custos da situação de conflito. um processo de definição supranacional de instituições e métodos como os anteriormente enumerados. no seio da estrutura institucional da integração. apresentando também o Parlamento e o Tribunal de Justiça (bem como o Tribunal de Primeira Instância) aspectos de supranacionalidade. Mas em linhas gerais. os Estados soberanos. Cabe assinalar a pronunciada importância conferida pelos países da América Latina ao conceito da soberania nacional absoluta. Página 9 Como mencionamos. que emerge indissoluvelmente ligado às suas raízes históricas e que até hoje permanece como princípio basilar de sua cultura política. superando eventuais oposições de Estados individuais). firmado em 17 de dezembro de 1994. independentes dos Estados Partes e encarregados de zelar pelos interesses da região em seu conjunto. o raciocínio segundo o qual a preservação da soberania nacional constitui um princípio essencial a ser observado ao longo das negociações da integração. momento em que o Mercosul preparava a arquitetura institucional que figuraria no Protocolo de Ouro Preto. que lhes delimitam as competências. inclusive e principalmente de perda de credibilidade internacional. nos quais têm aplicação direta e imediata. Assim. principais atores no cenário internacional. sistema próprio de recursos e transferência de certas competências à Comunidade. Paulo Roberto de Almeida. em artigo escrito supranacionalidade no modelo comunitário europeu: em 1994. que criou a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço. pautando-se pelos princípios do direito internacional clássico. A Comissão tem o poder de emitir "Diretivas" e "Resoluções". aponta os seguintes aspectos de presença de instituições independentes dos Estados Membros (Comissão. agentes econômicos e empresas. Parlamento. portanto. o interesse nacional. acima da visão regional.Página 7 c) Modelo supranacional x intergovernamental Segundo a visão intergovernamentalista. é inegável a centralidade dos Estados nacionais nas formulações que determinam os destinos da integração. O modelo intergovernamental constitui. Página 8 O modelo supranacional implica a inclusão de um ou mais órgãos. naturalmente. o referido artigo data de 1994. típico instrumento de cooperação internacional. As negociações que conduzem às revisões dos tratados ocorrem em âmbito intergovernamental. na perspectiva intergovernamental os Estados devem esforçar-se por fazer valer. tais como a igualdade dos Estados e o direito de veto. sendo que estas últimas se sobrepõem ao ordenamento jurídico interno dos Estados Partes.

O Mercosul Módulo II . a teoria da integração e suas diversas correntes. de multilateralização do comércio e de formação de blocos econômicos. analisar o processo de integração do Mercosul. estudaremos o Mercosul (Mercado Comum do Sul) detendo-nos em seus antecedentes históricos e tratados fundadores. Boa sorte! Módulo II . vamos fazer a autoavaliação da Unidade II do Módulo I? Clique em "Avaliações" ( lado esquerdo da página ) e "Autoavaliação da Unidade II do Módulo I" .metodologia do consenso para os seus processos decisórios.O Mercosul Temas do Módulo Nesse Módulo. em seguida. com destaque para a participação do Brasil nos contenciosos. No que se refere ao multilateralismo. estudamos os movimentos paralelos em curso no cenário mundial. Sintetizando Neste Módulo. Em seguida. examinamos a Organização Mundial do Comércio e seu inédito mecanismo de solução de controvérsias. Também será objeto de nosso estudo o sistema de solução de controvérsias adotado pelo Mercosul. analisaremos a estrutura institucional adotada pelos negociadores do bloco para impulsionar o processo de integração. Autoavaliação da Unidade II Antes de passarmos para o próximo módulo. Estudaremos. as etapas da integração e os modelos de que se podem revestir os blocos econômicos. Objetivos de Aprendizagem Ao término do módulo você estará apto a: Identificar os antecedentes históricos e os tratados fundadores do Mercado Comum do Sul. .

a doutrina defendida por Bolívar. com mais precisão no Tratado de Madri de 1750. firmado entre Portugal e Espanha. a partir de 1810. no Congresso de Panamá. A concretização dos vagos ideais. Daí em diante. Joaquim José da Silva Xavier (o Tiradentes) no Brasil. José Ignácio de Abreu e Lima. Artigas. reunindo os países sul-americanos. Colômbia e Peru. foi realizada em dezembro de 1826. Francia. durante cerca de vinte anos. que reuniu apenas representantes do México. e além desta. por força da comum origem ibérica dos colonizadores de quase todo o seu território. e vários outros líderes. A primeira reunião pan-americanista. A X Conferência Pan-Americana aconteceu em 1954.Antecedentes. pois defendeu o ideal de formar. Hidalgo. convocada por Bolívar. Morelos. Colômbia. no primeiro quartel do século XIX a América Latina se tornou independente das metrópoles europeias. Sucre. a ALALC e a ALADI As raízes do pan-americanismo podem ser identificadas na pré-história política do continente. um Novo Mundo. o projeto do pan-americanismo ficou apenas no plano dos ideais de alguns líderes. admiravelmente. expressando. filho do revolucionário Padre Roma. chegando-se. Delgado. Assim. A ALALC e a ALADI. à IX Conferência Pan-americana. Não foi apenas um fundador de nações. Cronologia da integração no Cone Sul. começa com as guerras da independência que o sacudiram de um extremo a outro. outras conferências econômicas se sucederam sem se alcançar resultados concretos. em Bogotá. apesar de tantos esforços e inúmeras retomadas. Rivadavia. ficou consagrada sob a designação de "ideais bolivarianos". representante da América do Norte.Unidade 1 . em Caracas. não só pela ação guerreira como pelas suas singulares virtudes de estadista. sem nunca avançar para uma consolidação. Francisco de Miranda na Venezuela. foram os iniciadores do movimento de emancipação.Antecedentes A Operação Pan-Americana (OPA). um Libertador. América Central. a Aliança para o Progresso. Sem dúvida foi Simón Bolívar o mais representativo deles. San Martín. uma só nação. Módulo II Unidade 1 . Vale destacar que Simón Bolívar é a grande figura do pan-americanismo. como Thomas Jefferson. O'Higgins. Toussaint L`Ouverture no Haiti. apenas esboçados nos três primeiros séculos de vassalagem às potências europeias. sentimentos existentes de longa data e que eram patrimônio comum de grande número de americanos. na Venezuela. Página 1 Com o decorrer do tempo. logo seguidos por Bolívar. que contou entre seus auxiliares diretos com um general brasileiro. em 1948. assim. Página 2 .

e em Caracas. discursos e declaração à imprensa. o presidente Juscelino Kubitschek revelou não ter "plano detalhado para esse objetivo" de recomposição da unidade continental. em missivas a chefes de Estado. o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional. mas aproveitando para vincular as referidas manifestações a prejuízos causados perante a opinião pública mundial. com um capital de US$ 1 bilhão. de criação de "algo mais profundo e duradouro em prol de nosso destino comum". com o endosso de 63 Países Membros daquelas entidades. surgida graças ao Tratado de Montevidéu. a países sul-americanos. Memorial Juscelino Kubitscheck (Brasília) Os resultados da Doutrina Kubitschek começaram a surgir quando. criaram em 1° de novembro do ano em referência a Associação Internacional de Desenvolvimento (AIF). provocar um movimento continental denominado. após 21 dias de visitas no Continente Africano. expressando solidariedade ao vice-presidente Richard Nixon. de "Operação Pan-Americana" (OPA). . que. ao presidente Dwight D. a eleição do presidente brasileiro Juscelino Kubitschek de Oliveira. Em Lima. após implantar o Plano Marshall de recuperação da Europa devastada pela Segunda Grande Guerra. O presidente Einsenhower respondeu ao presidente brasileiro. e. por ele mesmo. com a finalidade de auxiliar as nações subdesenvolvidas no mundo inteiro. os manifestantes repudiaram a omissão do governo dos EUA em relação a investimentos para o desenvolvimento no território sul-americano. tais como a oficialização do Banco Interamericano de Desenvolvimento e a criação da Associação Latino-Americana de Livre Comércio. através de todo o continente. O presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira envia carta. com a aprovação do governo de Einsenhower. em 18/09/1958). contra sua pessoa. alcançou ressonância mundial porque "seus objetivos correspondem às aspirações e às necessidades de todos os povos" (Embaixador Negrão de Lima. no Peru. a partir da carta de 28 de maio de 1958. O presidente brasileiro aproveitou então a oportunidade da declaração norte-americana para. conferências. uma reafirmação do devotamento ao Pan-Americanismo e um melhor planejamento na promoção dos interesses comuns e do bem-estar de nossos diferentes países". o vice-presidente norte-americano foi agredido.Até que a roda da história no espaço geográfico sul-americano aproxima dois acontecimentos que permitiram o surgimento de iniciativa política destinada a acelerar o projeto pan-americanista pela via do desenvolvimento econômico: o primeiro deles. mais resultados se apresentaram. à ideia da unidade pan-americana. o outro. na Venezuela. ao mesmo tempo em que aquele país declarava prioridade para a África. a visita do vice-presidente norte-americano Richard Nixon. em 1959. somente podia ser resgatada se algo de relevância fosse feito para recompor a face da unidade continental. entendendo ser de fundamental importância a "adoção imediata de medidas que determinem. a ALALC. Página 3 Nessa carta. que tomou posse em 1956. que. em 6 de julho de 1958. segundo sua interpretação. Einsenhower. em 28 de maio de 1958. perante a Assembléia das Nações Unidas. rapidamente. em maio de 1958. Página 4 Em grande parte a reboque do movimento iniciado pelo presidente brasileiro.

tais como a ALALC (Associação Latino-Americana de Livre Comércio) e a ALADI (Associação Latino-Americana de Integração). Argentina. A ideia da Aliança para o Progresso foi lançada pelo sucessor de Einsenhover. incrementar o comércio intrazona mediante acordos preferenciais. uma exigência básica para uma maior eficiência do processo de industrialização. elaborou trabalhos técnicos e manteve reuniões com os governos dos principais países da região. e. e . e também pelas pressões de setores políticos e governamentais latino-americanos preocupados com a situação econômica e social da região. em março de 1961. Página 5 No entanto. teria que dispor de mercados mais amplos que os nacionais. pode-se afirmar que o Mercosul é o resultado de pelo menos três décadas de tentativas de integração regional sob a forma de associações de livre comércio congregando todos os países da América do Sul. qualquer iniciativa desenvolvimentista na região seria obrigada a observar: . desde 1955. o Mercosul tem vínculos com a ALADI na forma de um Acordo de Complementação Econômica (ACE n° 18) entre Brasil. desde que se lograsse. seguindo a orientação da Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL).de 18 de fevereiro de 1960. tendo a segunda destas organizações surgido da transformação ou refundação da primeira delas. a Operação Pan-Americana não se consolidou. segundo ela. o presidente John Kennedy. os projetos de integração regional deviam enfatizar duas questões relevantes que. como condição indispensável para o desenvolvimento dos países latinoamericanos. Aliás.a industrialização. a ALALC. por causa das dificuldades para efetivar os pagamentos intrarregionais que incidiam negativamente sobre as iniciativas de comércio recíproco. . na cidade de Montevidéu. já como uma resposta aos acontecimentos revolucionários em Cuba. foi firmado o ato constitutivo de criação da Associação Latino-Americana de Livre Comércio. Como veremos. que. em seu lugar. datado de 29 de novembro de 1991. uma organização para a cooperação econômica inspirada nas sugestões oriundas da Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL). com o objetivo de incrementar o desenvolvimento econômico-social da América Latina.solução para a situação geral de intransferibilidade das moedas destes países. com a tomada do poder pelo grupo liderado por Fidel Castro. surgiu um programa de cooperação multilateral. com o objetivo de adotar mecanismos de planejamento para vencer o processo de subdesenvolvimento que caracterizava o espaço geográfico latino-americano. Para a CEPAL. Página 6 Em 18 de fevereiro de 1960. criado em agosto de 1961 pelos signatários da Carta de Punta del Este. inicialmente. Paraguai e Uruguai.

que tinha a liderança do grande economista argentino Raul Prebisch. e estabelecer condições favoráveis para conversão da ALALC em um mercado comum" (art. a instabilidade política vivida pela região sul-americana. em 1976. a ALALC. aproveitou os ensinamentos da anterior. dois fatores obstaculizaram o progresso da ALALC. Equador e Peru. O Chile. Em 1973. com o objetivo de "promover o desenvolvimento equilibrado e harmônico dos Países Membros. A nova organização. retirou-se do grupo. Página 7 Em resumo. a total liberalização do comércio entre os onze Países Membros. no final da década de 60 alguns Países Membros se convenceram da necessidade de constituir blocos sub-regionais de integração. embora respeitando-se princípios e conceitos comuns. retirando-se em 2006 para ingressar no Mercosul. Assim. e não entre os onze. impossibilitados de cumprir com o acordado em 1960. A rigidez dos mecanismos estabelecidos para a liberalização comercial. Para Cartagena (Venezuela) tanto. Contudo. . tinha por objetivo. extinguir a organização e substituí-la pela Associação Latino-Americana de Integração. acelerar seu crescimento mediante a integração econômica. inaugurada em 12 de agosto de 1980. a URSS. cumpre lembrar que. antes da decisão de substituição da ALALC pela ALADI. 10 do ato de criação da ALADI). em forma gradual e progressiva. A ALADI. pelo menos na sua definição: diminuir as tarifas alfandegárias entre os parceiros e criar uma área de livre comércio. assessorado diretamente por outro reconhecido economista sul-americano. Nesse contexto. a Venezuela aderiu ao acordo. 10 do Acordo de Cartagena). acordos de liberalização comercial firmados apenas entre um grupo de Países Membros. A ALALC perseguia um objetivo muito claro. sempre alimentada pelos ventos da Guerra Fria entre os blocos políticos liderados pelos Estados Unidos e pela ex-União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. o brasileiro Celso Furtado. os Países Membros decidiram. a ALADI. para além da questão da instabilidade política alimentada pela bipolaridade ideológica e militar EUA versus URSS. de um mercado comum latino-americano" (art. são. facilitar sua participação no processo de integração previsto no Tratado de Montevidéu. Colômbia. no período de vigência da ALALC os Países Membros só estavam dispostos a engajar-se na proposta de abertura comercial até um certo ponto: todos os associados queriam abrir o mercado dos demais países para os seus produtos. e propôs uma pauta modesta. a ALADI. vinte anos depois. e 2. em 20 de maio de 1969 cinco países andinos firmaram o Acordo de Cartagena. Bolívia. A ALADI tinha a intenção de ser tão somente uma associação entre Estados soberanos. que ficou conhecido como "Pacto Andino". Chile. ou Pacto Andino. uma associação que durou de 1960 a 1980: 1. frente às dificuldades encontradas pela ALALC para consolidar seus objetivos fundamentais. porém objetiva e pragmática. adotou um mecanismo geral flexível: os acordos sub-regionais. isto é. mas nenhum queria abrir o seu próprio mercado. Assim. já que os signatários tinham "como objetivo de longo prazo o estabelecimento. Página 8 Os países signatários do ato constitutivo do Acordo de Cartagena. e de transformar-se em zona de livre comércio.

que arrebatou o continente num curto espaço de tempo. a crescente diversificação da produção industrial daqueles países que. listaremos os instrumentos construídos para liberalizar o comércio na região sob o amparo dos tratados constitutivos das referidas associações Segundo o Tratado de Montevidéu de 1960 (ALALC): Listas nacionais de produtos. de reduções tarifárias recíprocas. visando o desenvolvimento regional integrado. a negociação de preferências comerciais. na década dos anos 80. propor-se uma maior complementaridade das economias entre os países sul-americanos. para criar um ambiente mais propício a propostas de integração regional: 1. em 1986. dois fatores novos contribuíram. por exemplo. e 2. levou os governos locais à busca de melhor relacionamento. a formação de um Mercado Comum entre os dois países. como ensinavam os resultados dos acordos sub-regionais propostos no âmbito da ALADI. com alcance multilateral. Deve-se destacar que. proporcionou os fundamentos para a ampliação do Tratado de Integração brasileiro-argentino. o que significava estabelecer um sistema de preferência regional. na região. As nações sul-americanas passaram a enxergar que têm problemas e objetivos de desenvolvimento que se assemelham. trigo e automóveis. Página 11 Por fim. sobre o qual nos deteremos mais adiante.Página 9 Além da flexibilidade proporcionada pelo mecanismo dos acordos sub-regionais. Assim. A diversificação industrial. por sua vez. como vizinhos. ao gerar ambiente propício para a estabilidade com legitimidade. assim. que gerou. projetando-se. sim. em especial nos setores-chave de bens de capital. sob o amparo do sistema jurídico da ALADI. os governos Raúl Alfonsín e José Sarney decidiram que a aproximação das economias brasileira e argentina devia constituir um dos pilares de suas políticas externas e firmaram o Tratado de Cooperação Econômica. e. O processo de redemocratização. que se mostrou muito eficiente no incremento e diversificação do comércio bilateral entre os dois países. nessa década de 80. . Argentina e México. Página 10 Brasil e Argentina iniciaram. para tanto. o Mercosul. e não mais como peças secundárias no tabuleiro internacional do xadrez geopolítico engendrado pelo confronto EUA versus URSS. significava que era possível. a redemocratização regional. a ideia da redução de barreiras tarifárias poderia produzir aumento efetivo de comércio. O êxito alcançado por esse acordo sub-regional. para concluir o elenco de informações sobre a ALALC e a ALADI. e o Convênio Argentino-Uruguaio de Complementação Econômica (CAUCE). souberam aproveitar o modelo da substituição de importações. o Protocolo de Expansão do Comércio (PEC) entre o Brasil e o Uruguai. ou seja. com destaque para Brasil.

cujo único objetivo é aumentar o comércio e o âmbito de aplicação de cada acordo se limita a um setor produtivo. Brasil. conduta comercial. que abarcam os preferências já outorgadas na ALALC e que são renegociados na ALADI. categoria formada por Argentina. e Países em Desenvolvimento (PDs). mas também promover a complementação das economias. de preferências para países não membros. A ALADI congrega os Países Membros da antiga ALALC. Acordos de Alcance Parcial. de complementação econômica. agropecuários. buscando-se assim a multilateralização. incluindo a Bolívia. Página 12 Conforme o Tratado de Montevidéu de 1980 (ALADI): Acordos de Preferência Aduaneira Regional. Listas de vantagens não extensivas. facilitação do transporte de mercadorias. ainda que em porcentagens diferentes. de promoção do comércio. Uruguai e Venezuela. de promoção do comércio. Países de Desenvolvimento Médio (PDM5).Lista comum. Bolívia. sobre outras matérias. a respeito de cujos produtos se concedem as preferências. promoção do turismo. previstos no art. de cooperação científica e tecnológica. que englobava Colômbia. os Acordos de Alcance Parcial podem ser: de renegociacão do patrimônio histórico. e outras. Brasil e México. Brasil. Uruguai e Venezuela. Paraguai e Uruguai. que podiam ser firmados por pares de países. cujas preferências se agregavam às listas nacionais dos Países Membros participantes. o que incluía Bolívia. que. preservação do meio ambiente e demais assuntos não abrangidos pelos acordos citados anteriormente. entre outros. Acordos de Alcance Regional. para conceder tratamento preferencial a países latino-americanos. podem compreender cooperação aduaneira. previstos no art. para aumentar o comércio. com o inicio da assinatura de convênios que têm por objetivo a constituição de zonas de livre comércio (ZLCS). Equador e Paraguai. Chile. de acordo com o Tratado. 14 do TM 1980. que conformaram o Mercosul em seu início). e a partir da década de 90 produziu-se uma mudança substantiva. Assim. Peru. Página 13 Deve ser ressaltado que os Acordos de Complementação Econômica se transformaram no instrumento mais utilizado na ALADI. voltados para temas não alfandegários. o Paraguai e o Uruguai. são aqueles em que participam todos os Estados Membros. que deveriam beneficiar os chamados países de menor desenvolvimento relativo (PMDR). comerciais. Peru. como no acordo de alcance parcial. Acordos de complementação. podendo referir-se a produtos específicos ou a setores agropecuários. Equador. de complementacão econômica. e podem ser comerciais. mas sem incluir preferências. Argentina. normas sanitárias e fitosanitárias. Colômbia. México. assim denominados por estabelecerem as preferências outorgadas reciprocamente por todos os Países Membros. Paraguai. Chile. formada com produtos comuns resultantes das listas nacionais. Exemplo desses "acordos de nova geração" é o ACE 18 (Argentina. de promoção do turismo e de preservação do meio ambiente. para atender a três categorias classificatórias de graus de desenvolvimento: Países de Menor Desenvolvimento Relativo (PMDR). agropecuários. ou seja. Página 14 . para regular o comércio desse setor. que deram inicio à obrigação de se prever meios para agilizar a multilateralização destes acordos e buscar sua convergência para alcançar a finalidade de integrar as economias de todos os participantes da ALADI. podem referir-se a cooperação científica e tecnológica. 25 do Tratado de Montevidéu de 1980. o Equador.

"fomentando um clima de confiança mútua crescente e que ensejou. firmada em 30 de novembro de 1985. por ocasião da visita do Presidente Fernando Collor à capital da Argentina. Nesse sentido. ainda. no sentido da abertura comercial. notadamente na área da energia nuclear.por exemplo. desembocando posteriormente. bens de capital. Leia mais sobre a questão Itaipu-Corpus. obedecendo a todos os princípios e normas daquela Associação. do transporte e das telecomunicações. em protocolos bilaterais de natureza setorial (trigo. em seguida.A integração bilateral Brasil-Argentina Superada em 1979 a questão Itaipu-Corpus. tratava-se de restaurar plenamente a vigência da democracia e dos direitos humanos fundamentais. Um ano mais tarde. introduziram-se novos paradigmas no processo de integração. recuperar credibilidade nos foros multilaterais e agilizar a interlocução com os países industrializados. Impulsionada primeiramente pela Ata de Iguaçu. o desmantelamento das hipóteses de conflito entre os dois países". privilegiou-se uma parceria brasileiro-argentina construída. inicialmente. mediante propostas e ações no plano da segurança. que criou o Mercosul. segurança alimentar e outros). Cooperação e Desenvolvimento. acordada pelos seus altos mandatários desde o . No campo interno. Deve-se. que mantivera em campos opostos o Brasil e a Argentina. em 1988. primeiramente. a abertura econômica e a desregulamentação dos mercados já balizavam a nova orientação imprimida à integração. obedecendo à orientação neoliberal dos novos mandatários. O objetivo de estabelecer um mercado comum entre o Brasil e a Argentina surge na Ata de Buenos Aires. Para colocar em prática esse novo modelo de inserção internacional. O grande desafio com que se confrontavam Brasil e Argentina à época era representado pela alta inflação e pelo endividamento externo. esse instrumento internacional lançava as bases de uma integração a ser construída por meio do enlace dos setores produtivos dos dois países e de iniciativas conjuntas . houve nítido esforço da parte dos governos de José Sarney (1985-1990) e Raúl Alfonsín (1983-1989) no sentido de conferir prioridade à América Latina em sua atuação político-diplomática. ressaltar que esse bloco ergue-se sobre três bases: a base jurídica está vinculada à ALADI. buscava-se superar as desconfianças geradas pela orientação autárquica imprimida aos dois países pelos governos militares. Argentina. com base em crescente convergência das suas políticas interna e externa. firmada em 6 de julho de 1990. já com a participação do Uruguai e do Paraguai. Assim. Página 15 Com a chegada ao poder de Carlos Menem na Argentina (1989) e de Fernando Collor de Mello (1990) no Brasil. desenhou-se gradualmente a parceria entre esses dois países. a integração bilateral traduziu-se. Refletindo o objetivo da promoção do desenvolvimento conjunto. os instrumentos consagrados pelo Tratado de Assunção. privilegiou-se a orientação adotada pelo chamado "Consenso de Washington". Paraguai e Uruguai. a base política sustenta-se na cláusula democrática. desregulamentação econômica e privatização. refletiriam esse redirecionamento do processo de integração. no plano da energia. no Tratado de Integração. sob a forma de um Acordo de Complementação Econômica entre Brasil. No plano externo. Nessa ocasião.

você pode visualizar esses pioneiros. do final do governo José Sarney (1985-1989).o Tratado de Assunção . cuja biografia e importância no processo de integração você poderá conhecer clicando sobre o respectivo nome.com a qual também concordaram Bolívia e Chile.Tratado de Assunção e consolidada pelo Protocolo de Ushuaia. e no compromisso de criar e estimular um processo de integração regional sul-americana.para se transformar. países que detêm a condição de associados ao bloco. passando pelo de Fernando Collor de Mello (1990-1992). ideia lançada pelos pais fundadores das Repúblicas no continente sul-americano. sobre compromisso democrático no Mercosul . Página 17 Primeira fase (do Tratado de Assunção ao Cronograma de Las Leñas . cujas principais características detalham-se a seguir. de 24 de julho de 1998. a base econômica configura-se na crescente diversidade e capacidade produtiva das quatro economias e no grande incremento das trocas comerciais entre seus Países Membros nos quatorze anos de sua vigência. o Mercosul saiu da projeção em papel . Página 16 Cronologia da integração no Cone Sul Em três anos e nove meses de existência. Na galeria seguinte. GALERIA DOS PRECURSORES DA INTEGRAÇÃO SUL-AMERICANA (clique nos nomes para saber mais) Simón Bolívar (Venezuela) San Martin (Argentina) José Marti (Cuba) . o Mercosul pode ser visualizado em seis fases distintas. de 26 de março de 1991 a 31 de dezembro de 1994. o Tratado de Assunção expôs uma demanda histórica das sociedades que compõem o conjunto dos Estados Partes do Mercosul: a imperiosa necessidade de integração regional dos países sul-americanos. na prática do cotidiano das relações entre os Estados Partes. em um complexo e dinâmico processo de integração regional. Assim. atravessando os dois períodos do governo Fernando Henrique Cardoso (1994-2002) e de Luis Inácio Lula da Silva (2003-2006).março de 1991 a julho de 1992) Na sua primeira fase de vigência. ou seja.

os países apresentaram os seguintes quantitativos em suas Listas de Exceções: República Argentina. e República Oriental do Uruguai. segundo suas apreciações nacionais de bens ou produtos que necessitam de um tratamento diferenciado. Vale ressaltar que. que se estenderia de 30 de junho de 1991 a 31 de dezembro de 1994. Os produtos que forem sendo retirados das Listas de Exceções se beneficiam automaticamente das . lista de produtos que cobre todo o universo de bens que podem ser comercializados e torna possível a cobrança de direitos de importação). Anexo I do Tratado de Assunção (março de 1991). ou seja. por mercadoria. República do Paraguai. até alcançar o limite máximo de 100%. isto é.José Gervasio Artigas (Uruguai) Francisco Miranda (Venezuela) Bernardo O'Higgins (Chile) José Ignácio de Abreu e Lima (Brasil) Hipólito José da Costa (Brasil) Página 18 Assim. a partir de julho de 1992. 439 itens. respeitando-se apenas as exceções listadas de produtos/mercadorias inscritos pelos países. mesmo com a vigência desse Programa de Liberalização Comercial. De acordo com a NALADI (Nomenclatura ALADI. ocorria inapelavelmente sem que fosse necessário qualquer tipo de renegociação entre os Estados Partes. sobre as tarifas já existentes. as reduções de tarifas sobre produtos negociados entre as economias dos países do bloco. os países fundadores do Mercosul obedeceriam a um programa de desgravação progressivo. 394 itens. Foram excluídos do cronograma de desgravação os produtos compreendidos nas chamadas Listas de Exceções apresentadas individualmente pelos países signatários. e que seria iniciado com uma redução mínima de 47%. 324 itens. linear e automático. República Federativa do Brasil. o programa automático de liberalização comercial ou desgravação tarifária progressiva. de 29 de novembro de 1991. tarifa zero. pelo ACE nº18. 960 itens.

Página 19 Segunda fase (do Cronograma de Las Leñas à Reunião de Colônia . pelo menos. pois seus . que viria a substituir as tarifas nacionais cobradas sobre as importações provenientes de países não-membros. Desse modo. a de defender uma TEC o mais próxima possível de sua tarifa nacional. uma estrutura de proteção dotada de coerência interna e adaptada às condições da economia dos quatro países considerados como um todo. o percentual de desgravação mínimo previsto para a data em que se operar sua retirada das mencionadas listas. A tendência de cada país membro do Mercosul nas negociações para a fixação do nível máximo da Tarifa Externa Comum era. substitui-se a lógica individual. meta fundamental do projeto de integração regional. A partir da adoção da Tarifa Externa Comum (TEC) a lista de exceções à área de livre comércio passou a chamar-se "lista de adequação".preferências que resultam do Programa de Desgravação com. Enfim. quando os Países Membros fundadores do Mercosul entenderam ser possível criar uma TEC com racionalidade econômica. ou seja. Página 21 Nas negociações para criar uma TEC. não por se sentirem ameaçados pela concorrência dos outros três parceiros. Assim. Página 20 Ressalte-se que o setor agrícola brasileiro apresentou resistência ao ver-se exposto à concorrência de produtos agropecuários mais competitivos. porque vinham sofrendo um processo de desindustrialização desde a gestão de Martínez de Hoz durante o Las Leñas (Argentina) período militar. mas porque lhes preocupava o limite que seria negociado como nível máximo para a Tarifa Externa Comum. pois os setores produtivos que se sentiam ameaçados no curto prazo puseram-se a pressionar seus governos por uma desaceleração das negociações e do programa de desgravação tarifária ou liberalização comercial. em favor de uma lógica coletiva da construção fundada no princípio da racionalidade econômica. sobretudo de produtos argentinos. o Governo brasileiro sempre sustentou que a adoção desse tipo de tarifa era imprescindível e necessária à continuidade do projeto do Mercosul. pois quanto menores as diferenças entre ambas. menores seriam os custos do ajuste quando da entrada em vigor dessa tarifa comum. a TEC. As negociações para a fixação de uma Tarifa Externa Comum levaram à compreensão de que a TEC deveria ser pensada para atender a uma nova estrutura tarifária. em fins de 1993. os brasileiros. ainda que os estudos para fixá-la só se completassem no final de 1994. tanto o setor industrial brasileiro quanto o argentino ofereceram resistências ao processo de integração: os argentinos por se sentirem ameaçados pela concorrência da indústria brasileira.julho de 1992 a janeiro de 1994) Na segunda fase do processo de construção do Mercosul começaram a surgir as primeiras dificuldades para o avanço da integração econômica. tornou-se possível defini-la para a maioria dos produtos que conformavam as matrizes econômicas de cada parceiro. defensora dos interesses tarifários de cada parceiro. porém o Mercosul foi um estímulo para a reconversão desse setor. naturalmente.

as negociações nessa segunda fase do período de transição para a construção do Mercosul permitiram. passou-se. os negociadores buscaram detalhar os temas centrais que deveriam ser solucionados até dezembro de 2004. sobre o número de exceções permitido na Tarifa Externa Comum. resolvidas as questões de base pertinentes à eliminação de barreiras tarifárias e não-tarifárias e à adoção de uma Tarifa Externa Comum. desta forma. Página 22 Terceira fase (da Reunião de Colônia à entrada em vigor da União Aduaneira . o Regime de Origem do Mercosul obedece à seguinte regra básica: é considerado originário da região. preservando-se. quais sejam.representantes técnicos argumentavam que somente uma TEC garantiria: a) a eqüidade de condições de concorrência no espaço geográfico do Mercosul. Na Reunião de Colônia não se discutiram os demais temas que constituem o elenco de objetivos que consolidarão o projeto do Mercosul. os objetivos centrais do Tratado de Assunção. conforme fora estabelecido pelo Protocolo de Ouro Preto. e. em julho de 1992. qualquer produto que tenha pelo menos 60% de valor agregado regional. Página 23 Quarta fase (do Protocolo de Ushuaia sobre Compromisso Democrático no Mercosul até a Reunião de Olivos . o livre comércio de serviços. Assim. apesar da grande complexidade do processo de criação da Tarifa Externa Comum. à concentração das discussões específicas sobre o nível tarifário dos bens de capital. e que se lançasse. sobre quais critérios balizariam o Regime de Origem. obedecendo a uma lógica de integração e superando a lógica de confrontação. e a livre circulação de pessoas e de capitais. deve-se ressaltar que o Regime de Origem só é necessário quando o produto em questão está contido em alguma das listas de exceções à Tarifa Externa Comum. mas não menos importante. Assim. de 17 dezembro de 1994. entre julho de 1992 e janeiro de 1994. Colônia de Sacramento (Uruguai) finalmente. a coordenação das políticas macroeconômicas.julho de 1998 a fevereiro de 2002) Os governantes dos Países Membros do Mercosul assinaram a Declaração Presidencial de Las Leñas. que se superasse o problema de desequilíbrios da balança comercial e o das discrepâncias macroeconômicas. nessa nova etapa. além de se definir e aprovar a nova estrutura institucional do Mercosul. portanto com direito à tarifa zero. que passaria a vigorar a partir de 1º de janeiro de 1995. Em respeito ao consenso internacional sobre comércio. as bases de uma TEC. c) o impulso político necessário para a preservação das conquistas alcançadas e para a continuação do processo de integração. Por último. que declara o imperativo da plena vigência das instituições . que se mantivesse o programa de liberalização comercial. o que permitiria fazer funcionar o Mercosul já como União Aduaneira e dentro dos prazos previstos. b) a existência de uma margem de preferência regional. sobre a questão das Zonas Francas e seus impactos sobre o mercado ampliado. d) unidade dos Países Membros em suas relações comerciais com outros países e grupos de países. por fim.janeiro de 1994 a janeiro de 1995) Na terceira fase.

que levem à imediata recomposição e retomada do modelo democrático de governo (como já aconteceu. sob a tutela dos demais parceiros. O Protocolo de Olivos. a criação de um direito comunitário capaz de ser automaticamente recepcionado pelos respectivos ordenamentos jurídicos dos seus Estados Partes. chegar a perder sua condição de membro do bloco. de julho de 1998. Assumido pelos integrantes do projeto Mercosul. empresas ou indivíduos. no Paraguai. sobre o sistema de solução de controvérsias e segurança jurídica no Mercosul. Caso o país não proceda à retomada da democracia. argentina. o Protocolo de Ushuaia. exige que as sociedades mercosulinas respeitem a vigência das instituições democráticas como condição imprescindível ao pleno desenvolvimento dos processos de integração regional. conforme o Protocolo de Ouro Preto. sucessor do Protocolo de Brasília para a Solução de Controvérsias. a Cláusula do Compromisso Democrático ajudou no desfecho da crise argentina decorrente da renúncia do presidente eleito em 1999. que coordena grupos de trabalho encarregados de formular políticas econômicas e setoriais. É importante destacar que. até as propostas de refundação do Mercosul . por exemplo. aderido a esse fundamental compromisso democrático. cuja sucessão teve mais três empossados. podendo. Da mesma forma. Olivos (Argentina) Assim. obteve imediato asilo político no Brasil. quando da crise política paraguaia. firmado pelo Protocolo de Ushuaia. . tendo a Bolívia e o Chile. em decorrência do assassinato do vice-presidente eleito daquele Estado membro). criou uma estrutura jurídica para decidir sobre controvérsias entre Estados Partes. até a posse do Presidente Néstor Kirchner. como revela a história política das sociedades brasileira. esse compromisso contraria a secular tradição de ruptura da ordem democrática nos países do Cone Sul. o presidente paraguaio. o que demonstra que o compromisso democrático. cuja sede definitiva foi inaugurada em 13 de agosto de 2004 em Assunção. para qualquer cidadão envolvido com questões de divergência ideológica ou de natureza política decorrentes de conflitos em seu país de origem. consagrada pelo direito internacional. no ano de 1999. no exemplo citado. sofrerá sanções diversas no âmbito regional. respeita a democrática instituição do asilo político. Fernando De La Rúa. paraguaia e uruguaia e dos demais países no continente sul-americano.de fevereiro de 2002 a 2003) A evolução do processo de integração no cenário do Mercosul exige como ponto de partida para sua consolidação legal.democráticas como condição indispensável para a existência e Ushuaia (Argentina) o desenvolvimento do Mercosul. qualquer ruptura da ordem democrática em um dos Estados Partes do Mercosul implicará na aplicação de procedimentos. composta por Tribunais Arbitrais Ad Hoc e um Tribunal Arbitral Permanente de Revisão. Página 24 Portanto. de 18 de fevereiro de 2002. agente integrante da estrutura institucional do Mercosul. ao mesmo tempo em que sinaliza. países associados ao bloco. Desse modo. Página 25 Quinta fase (do Protocolo de Olivos. essencial para o reconhecimento pela sociedade do Mercosul de um verdadeiro Estado de Direito. para os parceiros associados e para aqueles em potencial. julgado politicamente pelas instituições de seu país. que o bloco dispõe-se a suspender os direitos e obrigações de todo aquele sócio que venha a desrespeitar o princípio democrático. no ambiente do Mercosul. sendo o último Eduardo Duhalde. gera linhas de ação para que os segmentos econômicos interessados ponham em movimento as relações comerciais e de negócios entre os Estados Partes. o Grupo Mercado Comum. inclusive.

agenda que retoma e aprofunda o processo de integração regional. priorizar os projetos de interesse dos Estados partes do bloco. por meio de programa de cooperação em ciência e tecnologia e. foi apontada a necessidade de elaboração de propostas para se promover os direitos dos trabalhadores no Mercosul. criando-se. O Mercosul Social. Ao longo dos primeiros doze anos de existência do Mercosul. Mercosul Social e Mercosul Institucional. em 2010) Em dezembro de 2003. A estrutura da Agenda do Mercosul para 2004-2006. Também entre outras questões. a necessidade de se eliminar a dupla cobrança da TEC e se resolver a questão da repartição da renda aduaneira. O programa destinou-se a instruir as várias instâncias operacionais do Mercosul a inserir em seus respectivos programas de trabalho as linhas de ação destacadas como prioritárias. fontes jurídicas derivadas do Mercosul. ainda. Página 28 No Mercosul Econômico e Comercial. o Protocolo de Ouro Preto ou outras normas celebradas no marco do Tratado de Assunção. acumularam-se resoluções. bem como de promoção dos fundos estruturais a fim de elevar a competitividade dos membros e regiões menos desenvolvidas. que se fundamentou em um diagnóstico geral do processo de integração e apontou a necessidade de resgatar o debate de inúmeras questões para as quais ainda não se encontrou uma solução e que impedem a evolução do processo de integração. um foro específico para a solução de controvérsias entre os Estados Partes.Página 26 De outro lado. Vislumbrou-se. existem as Decisões do Conselho do Mercado Comum e as Diretrizes da Comissão de Comércio do Mercosul. decisões e diretrizes com potencial de controvérsias. que emite Resoluções. de se identificar os aspectos conseituais básicos do Código Aduaneiro do Mercosul a serem definidos no âmbito do Grupo Mercado Comum. até a aprovação do acordo político sobre a Representação Cidadã. então. fontes jurídicas básicas do bloco. bem como de se buscar a vigência dos Acordos sobre Residência de Nacionais do Mercosul e Regularização Migratória para cidadãos do Mercosul. por meio da Decisão nº26. Página 27 Sexta fase ( do Programa de Trabalho do Mercosul 2004-2006. ressaltou a importância em se ampliar a participação da sociedade civil no processo de integração. trouxe três grandes capítulos: Mercosul Econômico e Comercial. destacam-se entre outros temas. de 2003. por exemplo. aprovou um Programa de Trabalho do Mercosul para o triênio 2004-2006. aplicação ou o não cumprimento do que estabelecem o Tratado de Assunção. a ampliação da agenda de integração. que podem gerar controvérsias sobre sua interpretação. No âmbito do Mercosul Institucional. empresas e cidadãos no âmbito do Mercosul. constou como prioridade a aprovação da proposta de criação do Parlamento do Mercosul. para além dos foros como a Organização Mundial do Comércio e outros. o Conselho do Mercado Comum. em paralelo ao trabalho do Grupo Mercado Comum. por sua vez. assim como a conclusão dos trabalhos de Regulamentação do Protocolo de Olivos e a dotação de infraestrutura e recursos necesssários para o adequado exercício de suas tarefas. . no marco da Iniciativa da Infraestrutura Regional Sul-Americana (IIRSA).

. tema que será retomado quando de nosso estudo sobre o Parlamento. VIII – Regimes Nacionais Especiais de Importação não contemplados nas Seções VI e VII. Chile. Resta. XXI Fortalecimento dos Mecanismos para a Superação das Assimetrias Página 30 Apresentada essa cronologia. 5) aprovação do Código Aduaneiro do Mercosul (decisão nº10/10. Paraguai e Uruguai.. na região denominada Cone Sul do Continente Americano. IV – Defesa Comercial. a Venezuela terá de adaptar sua economia à Tarifa Externa Comum (TEC) e seguir as regras do Mercosul. Argentina. XIII – Listas Nacionais de Exceção à Tarifa Externa Comum. em dezembro de 2009. pelo CMC. XVII – Coordenação sobre Medidas de Transparência. a ele se associaram Bolívia. Acrescente-se que o protocolo de adesão da Venezuela ao Mercosul já foi aprovado pelos parlamentos da Argentina. com direito de participar de todas as reuniões do Mercosul. XI – Revisão Integral da Consistência. com o objetivo de promover acões nos seguintes campos: I – Coordenação Macroeconômica. V – Integração Produtiva. 6) aprovação. do CMC. Peru. por sua vez. 7) aprovação do programa de Consolidação da União Aduaneira (decisão nº56/10. 3) criação do sistema de pagamentos em moeda local para o comércio realizado entre os Estados Partes do MERCOSUL (Decisão n° 25/07. com base na recomendação do Parlamento do Mercosul. A Venezuela.X – Simplificação e Harmonização dos Procedimentos Aduaneiros Intrazona. do CMC). XII – Bens de Capital e Bens de Informática e Telecomunicações. mas só ganhará a prerrogativa do voto quando preencher todos os requisitos para integrar o projeto de União Aduaneira. 2) criação do Observatório da Democracia do Mercosul (Decisão n° 5/07. é Membro Associado do Mercosul desde 2004 e. vale destacar os seguintes avanços alcançados pelo bloco: 1) Aprovação do Protocolo Constitutivo do Parlamento do Mercosul. Dispersão e Estrutura da Tarifa Externa Comum. por meio da Decisão nº28/10. Assim. pelo Congresso Nacional Brasileiro. passou à condição de membro pleno. 4) aprovação das diretrizes para a implementação da eliminaçãoda dupla cobraça da TEC (decisão nº10/01. III – Incentivos. XIV – Ações Pontuais no Âmbito Tarifário. Brasil. IX – Eliminação da Dupla Cobrança da Tarifa Externa Comum e a Distribuição da Renda Aduaneira.Página 29 Nesta sexta fase. XVIII – Coordenação em Matéria Sanitária e Fitossanitária. Colômbia e Equador. do CMC). o aval do parlamento paraguaio para que o protocolo venha a produzir efeitos. II – Política Automotiva Comum. em dezembro de 2005. do CMC). cuja sessão inaugural teve lugar nas dependências do Congresso Nacional brasileiro em dezembro de 2006 (Decisão n° 23/05. ressaltamos que o Mercosul consitui bloco regional que foi inicialmente formado por quatro Países Membros. Zonas de Processamento de Exportações e Áreas Aduaneiras Especiais. do CMC). ou seja. XVI – Livre comércio intrazona. XV – Regulamentos Técnicos. VII – Regimes Nacionais de Admissão Temporária e “Draw-Back”. Posteriormente. XX . do critério de Representação Cidadã. Uruguai e. XIX – Zonas Francas. porém. do CMC). em processo de adesão.Negociação de Acordos Comerciais com Terceiros Países e Regiões. VI – Regimes Comuns Especiais de Importação. Procedimentos de Avaliação da Conformidade e Medidas Sanitárias e Fitossanitárias.

Boa sorte! Página 1 Módulo II Unidade 2 .Unidade 2 . sobre eles permanecendo. Autoavaliação da Unidade I do Módulo II Vamos fazer a autoavaliação da Unidade I do Módulo II? Clique em "Avaliações" ( lado esquerdo da página ) e "Autoavaliação da Unidade I do Módulo II" . de fase de transição. certos direitos aduaneiros. Os meios de implementação do projeto integracionista incluem alguns instrumentos: Um programa de liberalização comercial. as quais deveriam ser reduzidas anualmente em 20% até 31/12/94. Tal medida atendia às pressões de representantes. daqueles setores produtivos mais sensíveis à concorrência externa. O Tratado de Assunção estabeleceu os instrumentos para a constituição de uma área de livre comércio e de uma união aduaneira. É a etapa em que são estabelecidos os instrumentos para a conformação de um espaço econômico integrado. em cada país. consistindo de reduções tarifárias progressivas. Página 2 . Essas pressões vêm-se constituindo. passos iniciais na rota de um mercado comum. lineares e automáticas com o objetivo de chegar-se à tarifa zero em 31/12/94. portanto.Análise dos marcos jurídicos constitutivos do Mercosul. no "jargão mercosulino". e eliminação das restrições não-tarifárias ou de quaisquer medidas de efeito equivalente. Foram previstas listas de exceções para os chamados produtos sensíveis. As listas de exceções referem-se a produtos que os países determinam manter fora da área de livre comércio. visto que certos setores buscam sempre se proteger da concorrência externa. no grande obstáculo à conformação de áreas de livre comércio na América Latina.Análise dos marcos jurídicos constitutivos do Mercosul a) O Tratado de Assunção A assinatura desse tratado inicia uma fase que se chama. aliás.

Em verdade. no momento. De acordo com as etapas de integração que vimos anteriormente. Existem vários foros técnicos de negociação para a coordenação destas políticas. Ainda há mais de mil Vista de Assunção. O tratado determinou. não vem sendo utilizado pelos agentes econômicos. Os negociadores decidiram. Além disso. ainda. com quatro consultores admitidos por concurso público. representa um novo patamar jurídico para o Mercosul ao conferir-lhe personalidade jurídica de Direito Internacional. por exemplo. a adoção de uma tarifa externa comum para terceiros países (TEC). um Setor de Assistência Técnica (SAT). uma Secretaria Administrativa do Mercosul (SAM). assim. incluiu a Comissão Parlamentar Conjunta na estrutura orgânica do Mercosul. é importante novamente registrar a aprovação do Programa de Consolidação da União Aduaneira. O setor de bens de capital. agrupamentos de paises e organismos internacionais. as bases para o estabelecimento de uma união aduaneira que será. As listas nacionais obedecem definição de cada . apenas parcial. sendo dois para a área econômica e dois para a área jurídica. o Mercosul se configura. o que lhe permitiu. capital paraguaia. atribuições e competências. ainda. daí em diante. no âmbito da SAM. os quais entram no espaço econômico integrado pagando tarifas diferenciadas segundo o país. celebrar acordos e tratados com outros Estados. Finalmente. industrial e trabalhista. Página 4 O Protocolo de Ouro Preto criou. Infelizmente. entre os quais cabe mencionar os subgrupos de trabalho para as políticas agrícola. o Tratado de Assunção impôs a adoção de acordos setoriais. ítens nas listas nacionais de exceção à TEC (decisão nº58/10). lançando. do CMC. um por país. por meio da decisão nº56/10. Assim. Página 3 b) O Protocolo de Ouro Preto O Protocolo de Ouro Preto. criou em dezembro de 2004 a Tarifa Externa Comum (TEC). Nesse ponto. encontra-se excluído da tarifa externa comum (TEC). que poderia elevar a escala da produção e tornar os produtos da região mais competitivos no mercado internacional. A Decisão nº 22/94.O Tratado de Assunção estipulou também a coordenação de políticas macroeconômicas e setoriais. assinado em 17 de dezembro de 1994. São definidas a sua composição. permitir que os Estados Partes adotassem listas nacionais de exceções à TEC e listas setoriais. o Protocolo de Ouro Preto representa importante marco jurídico. O protocolo estreita os contatos entre os chefes de estado do Mercosul ao determinar que o conselho poderá reunir-se quantas vezes estimar oportuno. sediada em Montevidéu. do ponto de vista do papel do Congresso Nacional no processo de integração. neste primeiro momento. do Conselho do Mercado Comum (CMC). visto que há vários produtos fora da tarifa externa comum. como órgão de apoio operacional. este último instrumento. com o fim de otimizar a utilização e mobilidade dos fatores de produção e alcançar escalas operativas eficientes. Mais tarde foi criado. mas que pelo menos uma vez por semestre o fará com a participação dos presidentes da república dos estados partes do Mercosul. inauguraria a chamada fase de consolidação do Mercosul. como uma união aduaneira imperfeita. ou parcial. contudo. Confere uma estrutura institucional mais aperfeiçoada à integração.

Página 6 A partir do quarto ano de sua existência. a quem interessa importá-los de terceiros países. E. Aeliminação deve ocorrer em três etapas. Note-se que o Brasil produz esses bens. janeiro de 2014 e janeiro de 2019. O Mercosul é um processo de integração econômica regional que objetiva a construção de um Mercado Comum. finalmente. no estágio de União Aduaneira. porém. O fluxo de produtos provenientes de terceiros países dentro da área de livre comércio do Mercosul deveria dispensar o pagamento de direitos aduaneiros. Desde o inicio da negociação da TEC. o Conselho do Mercado Comum aprovou Decisão determinando que se busque a eliminação da dupla cobrança da TEC no espaço econômico integrado (Decisão Nº 54/04).adoção de uma Tarifa Externa Comum (TEC).livre circulação de mão-de-obra. foram aprovadas as diretrizes para que tal objetivo fosse alcançado. A seguir. trata-se de bens não produzidos por alguns dos Estados Partes. O outro setor inicialmente excluído do regime de convergência à tarifa externa comum é o setor açucareiro. ficou conhecido como Política Automotiva do Mercosul. . . e as suas metas básicas. os Países Membros estabelecem tarifas zero para o comércio intrazona e tarifas iguais para o intercâmbio comercial com terceiros países. e a política automotiva no Mercosul permanece regulamentada por acordos bilaterais. sendo janeiro de 2012.livre comércio de serviços. . registrar que o Brasil apresentou o Projeto de Adensamento e Complementação Automotiva no âmbito do Mercosul. conforme determinados pelos tratados fundadores. a proteção de suas indústrias por meio da TEC. o que efetivamente não vem acontecendo. essas normas nunca entraram em funcionamento. e cabe ao Mercosul regular a sua extensão. estabelecido pela Decisão nº 70/00. portanto. Em resumo. Por esse motivo. e . interessando-lhe. pois criou uma Tarifa Externa Comum (TEC) após haver eliminado grande parte das tarifas e das restrições não-tarifárias de cerca de 80% dos bens comercializados entre os Estados Partes.eliminação das barreiras tarifárias e não-tarifárias no comércio entre os Países Membros. podem ser assim alinhadas: . . ou seja. também excluído da área de livre comércio. Página 5 Cumpre. que constam do artigo 1º do Tratado de Assunção. . Contudo. Até o ano 2000. a ser financiado com recursos brasileiros e do FOCEM. As listas de exceções setoriais prevêem que os países não estão comprometidos a aplicar a TEC com relação a certos grupos de produtos. estava previsto que o comércio do setor seria determinado por meio de acordos bilaterais. De maneira geral. As Decisões do CMC nº 19/94 e 16/96 regulamentam sua situação. em 1994. a política automotiva foi abordada separadamente pelos Estados Partes.país.coordenação de políticas macroeconômicas. que são capazes de comercializá-los a preço mais baixo do que se fossem importados de Estados Membros do Mercosul.livre circulação de capitais. resumiremos os objetivos do Mercosul. O primeiro acordo conjunto. por meio da Decisão nº 10/10. os prazos finais para a implementação das diretrizes previstas em cada etapa. que foi aprovado pelo CMC por meio da decisão nº 09/10. A Decisão nº 04/01 incorporou o Paraguai ao Acordo. o Mercosul alcançou a condição de União Aduaneira. São eles os bens de capital e de informática e telecomunicações.

para alcançar o estágio de Mercado Comum. Página 7 Da necessidade de coordenação de políticas macroeconômicas A teoria econômica ensina que a política macroeconômica de um país se divide em três esferas principais: política cambial. ainda que se caracterize como um lento processo. sem sombra de dúvida. os países que assumiram o compromisso de construir o Mercosul foram se enredando em processos de endividamento externo dos quais não conseguiram se desvencilhar. bem como o direcionamento dos fluxos de investimento e as condições de concorrência entre os produtores locais versus potenciais produtores dos outros Países Membros. quais sejam: a coordenação de políticas macroeconômicas. em decorrência da sua dependência externa construída por compromissos assumidos perante organismos e agentes financeiros internacionais. portanto. ao menos em suas fases iniciais. Yin & Yang Assim. o que caracteriza a condição de União Aduaneira. a coordenação das políticas macroeconômicas dos Países Membros do Mercosul constitui pilar básico do processo de integração regional sul-americano. Por todo o século XX. ainda que de forma parcial: . pois decorre do seu sucesso o equilíbrio dos efeitos comerciais entre as economias que conformam o espaço geográfico do bloco. que cuida da taxa de câmbio da moeda nacional em relação ao dólar ou a outros padrões de referência externos. que determina os níveis e alcances da tributação e exerce o controle dos recursos a serem arrecadados e gastos pelo Estado. como o Euro . organização hoje transformada na OMC (Organização Mundial do Comércio). Assim. que fixa a taxa de juros e a quantidade de moeda a ser emitida (e que regula. e a livre circulação de mão-de-obra e a de capitais. No entanto. a liberalização do comércio de serviços. até agora. os seus dois primeiros objetivos. pois sem ela não será possível a criação de uma moeda comum regional. mais necessária e fundamental se torna a convergência de políticas macroeconômicas coordenadas entre os Estados Partes do bloco econômico.Em geral. Página 8 A vantagem de uma coordenação das políticas macroeconômicas dos Países Membros do Mercosul vem sendo protelada ao longo dos quatorze anos de existência do projeto mercosulino. os acordos de livre comércio prevêem a perspectiva de exclusão de certos produtos ou grupos de produtos. a política creditícia). sempre atropelados por ciclos repetitivos de crises financeiras mundiais. quanto mais se avança no processo de integração no Mercosul e tanto mais se consolida a interdependência entre as economias dos Países Membros. Enfim. Essa coordenação de políticas macroeconômicas é de fundamental importância no contexto do processo de integração regional do Mercosul. consideravam que uma Zona de Livre Comércio devia abarcar pelo menos 80% dos produtos comercializados entre os seus Países Membros. e política fiscal. vem se constituindo em formidável obstáculo para que se projete uma coordenação conjunta de suas políticas macroeconômicas e a obtenção de uma margem maior de autonomia para planejar e executar políticas soberanas de desenvolvimento regional e de mercados internos ampliados. o Mercosul ainda terá que concretizar quatro objetivos de grande envergadura. o que. e os estudos efetivados pelo GATT (General Agreement on Tariffs and Trade). em grande medida. Delas trataremos um pouco mais detalhadamente a seguir.eliminar as barreiras tarifárias e não-tarifárias no comércio intrazona. e . política monetária. o Mercosul cumpriu.adotar uma Tarifa Externa Comum (TEC).

Para isso contam. e que. países que têm urgência em melhorar a qualidade de vida da maioria dos cidadãos . Página 10 Da livre circulação de trabalhadores No mundo globalizado. portanto. o esforço para dar continuidade ao trabalho de harmonização das legislações trabalhista e previdenciária dos Estados Membros. O medo da perda da autonomia nacional faz com que existam legislações. ou seja. hoje. pelo mundo todo. espera-se que o trabalhador mercosulino possa deslocar-se de seu país para aproveitar os frutos da integração na sua totalidade. bem como a elaboração de uma política integrada. a eliminação de leis. o que garantirá o exercício pleno da profissão nos territórios nacionais do bloco. se não encontra emprego na economia do seu país de origem. Página 11 Da livre circulação de capitais A globalização representa o auge da livre circulação de capitais. no plano internacional. que seja livre para buscá-lo nas economias dos demais Estados Partes do Mercosul. mas também por razões de condições de vida). quanto a serviços. acreditando nos princípios do livre comércio. que opera no sentido de pressionar pelo crescente desenvolvimento de ações facilitadoras da circulação de mão-de-obra no espaço geográfico que conforma a região de integração. Convém destacar que os serviços correspondem a mais da metade do PIB dos países do Mercosul. Página 9 Da liberalização do comércio de serviços Liberar o comércio de serviços no cenário do Mercosul implica. Assim. é tão importante que a legislação comercial norte-americana. Hoje. sendo. o tema da liberalização do comércio de serviços. que. necessariamente. com a existência do Foro Consultivo Econômico e Social.da União Europeia. muito mais crises financeiras causadoras de estagnação econômica com impacto mundial do que o desenvolvimento progressivo e organizado das economias nacionais dos países com potencial para o crescimento. Os negociadores do Mercosul terão que continuar. acredita-se que os trabalhadores possam circular livremente na busca de ocupação que lhes permita lutar pela sobrevivência cotidiana. as quais. o Brasil abriu seu comércio de serviços de telecomunicações para empresas de capital estrangeiro. competem nesse campo com empresas nacionais. além do reconhecimento mútuo de diplomas e títulos profissionais. instrumento de legislação comercial daquele país. a "restringi-los na forma que julgar apropriada ou. por meio da pouco divulgada Seção 301. país que prega o livre comércio há duzentos anos. autoriza o Presidente dos EUA. para além da Organização Mundial do Comércio (OMC). na estrutura institucional do bloco. ou seja. em decisão unilateral. portanto. tem gerado muito mais especulação financeira que produção de bens e serviços e distribuição de benefícios. que simplesmente proíbem a presença de fornecedores estrangeiros de serviços no território nacional. ou se as oportunidades de trabalho não resultam atraentes (não só por motivos de remuneração. mesmo. a sua vez. a resistência à liberalização do comércio de serviços um obstáculo a ser resolvido pela agenda do Mercosul. normas e regulamentações nacionais que discriminam o fornecedor estrangeiro e protegem o fornecedor nacional de determinado serviço. A Seção 301 foi criada em 1974 pelos EUA. para que se possa construir um verdadeiro Mercado Comum. negar autorização para seu acesso ao mercado norte-americano".

Boa avaliação! Unidade 3 . e o Protocolo de Ouro Preto (1994) estabeleceu as instituições básicas definitivas para prosseguir-se na implantação do bloco. .excluídos pela pobreza e miséria. ao lado da imperiosa necessidade de melhoria da qualidade de vida dos cidadãos mercosulinos. evidentemente. portanto. O Conselho do Mercado Comum encarrega-se de traçar as grandes linhas do processo de integração para garantir o impulso político que sustenta o seu fortalecimento e aprofundamento.Clique em "Avaliações" ( lado esquerdo da página ) e "Autoavaliação da Unidade II do Módulo II". O CMC se reúne duas vezes por ano e se manifesta por meio de Decisões. As cúpulas do Mercosul constituem.Estrutura institucional do Mercosul. Os investimentos dos países do Mercosul já contam com certas facilidades e garantias para suas aplicações no mercado dos parceiros. além do respeito pelos bens não renováveis à sua disposição no meio ambiente. em especial de infra-estrutura. normalmente. a instância máxima do processo político de integração mercosulina. mas os Países Membros do bloco precisam estruturar uma liberalização bastante qualificada. quatro vezes por ano e se manifesta por meio de Resoluções. de Economia e dos Bancos Centrais dos quatro países. Solução de Controvérsias Módulo II Unidade 3 . mas estão presentes em pelo menos uma das duas reuniões anuais desse órgão. a estrutura institucional do Mercosul está constituída pelos seguintes órgãos: a) Conselho do Mercado Comum O Conselho do Mercado Comum (CMC) é o órgão superior responsável pela condução política do processo de integração e composto pelos Ministros das Relações Exteriores e de Economia ou Fazenda dos Países Membros. além de dotá-lo de personalidade jurídica internacional. de representante do bloco. O GMC reúne-se. integrado por representantes dos Ministérios das Relações Exteriores. ainda que na obrigação de sempre decidir por consenso. no sentido de exercer um maior controle dos movimentos de capitais especulativos. assumindo a condição de personalidade jurídica internacional. Autoavaliação da Unidade II do Módulo II Chegou o momento de fazer a autoavaliação da Unidade II do Módulo II. Ao Conselho do Mercado Comum estão subordinados: a) Grupo Mercado Comum (GMC): órgão executivo. paralelamente a uma estrutura facilitadora dos fluxos de capitais destinados à produção de bens e serviços. que permitirá sua inclusão sustentada no contexto da competição globalizada entre nações.Estrutura institucional do Mercosul O Tratado de Assunção definiu as instituições que deveriam conduzir o processo de integração do Mercosul durante o período inicial de transição. Página 1 Os Presidentes dos Estados Partes não integram o Conselho do Mercado Comum. Assim. É o órgão responsável pela condução política do processo de integração. inclusive habilitado para firmar acordos com outros países ou grupo de países em nome do Mercosul.

(CT-4) Políticas Públicas que Distorcem a Competitividade. que presta apoio técnico e administrativo aos trabalhos do Mercosul e é responsável pela tradução e guarda de documentos oficiais do bloco. Mulher (REM). em cujo âmbito se discutem os principais temas do processo de integração. f) Comissão de Comércio (CCM): órgão assessor do GMC. Concessões (GAHCON). que lhe são encaminhadas em maior nível de detalhe que o Conselho do Mercado Comum. Diretores de Aduanas (CDA). i) Grupos Ad-Hoc: Comércio de Cigarros (GAHCC). b) Grupo Mercado Comum Órgão executivo do Mercosul. b) Foro Consultivo Econômico e Social (FCES): órgão de caráter consultivo. (CT-5) Defesa da Concorrência. com sede em Montevidéu. Promoção Comercial (REPC). (SGT-6) Meio Ambiente. participa e . (SGT-9) Energia e mineração. Ao Grupo Mercado Comum estão subordinados: a) Secretaria do Mercosul (SM): órgão. (CT-3) Normas e Disciplinas Comerciais. representante dos setores econômicos e sociais dos quatro Estados Partes. mesmo aquelas de grande complexidade. j) Comissão Sócio-Laboral (CSLM). e Sanidade Animal e Vegetal (CSAV). Ao Grupo Mercado Comum compete implementar os objetivos do Mercosul e supervisionar o seu funcionamento. g) Subgrupos de Trabalho: (SGT-1) Comunicações. Página 2 c) Reuniões Especializadas: Autoridades de Aplicação em Matéria de Drogas (RED). e (CT-7) Defesa do Consumidor. Municípios e Intendências do Mercosul (REM I). e Turismo (RET). Cooperação Técnica (CCT). Integração Fronteiriça (GAHIF). e Grupo de Alto Nível para Examinar a Consistência e Dispersão da TEC (GANTEC). (CT-2) Assuntos Aduaneiros. composto por representantes dos Ministérios mais diretamente envolvidos nos temas da integração e dos Bancos Centrais. Reúne-se mensalmente e manifesta-se por Diretrizes. Compras Governamentais (GAHCG). Emprego e Seguridade Social. com a tarefa de velar pela aplicação dos instrumentos de política comercial acordados pelos Estados Partes. Cooperativas (REC). Infra-Estrutura da Integração (REII). (SGT-7) Indústria. (SGT-13) Comércio Eletrônico. (SGT-10) Assuntos Trabalhistas. d) Comitês: Automotivo (CAM). Comunicação Social (RECS). (CT-6) Comitê de Defesa Comercial e Salvaguardas. (SGT-4) Assuntos Financeiros. (SGT-8) Agricultura. (SGT-11) Saúde. Nomenclatura e Classificação de Mercadorias. coordena o Subgrupo de Trabalho nº 4 . e) Reunião Técnica sobre Incorporação da Normativa Mercosul. e (SGT-14) Acompanhamento da Conjuntura Econômica e Comercial.Assuntos Financeiros (SGT-4). h) Grupo de Serviços (GS). Setor Açucareiro (GAHSA). k) Área Financeira pelo lado brasileiro: O Banco Central do Brasil é membro do Grupo Mercado Comum (GMC) e da Reunião de Ministros de Economia e Presidentes de Bancos Centrais do Mercosul (RMEPBC). (SGT-5) Transportes. (SGT-2) Aspectos Institucionais. com o objetivo de ampliar e sistematizar a cooperação política entre os Estados Partes. Grupo de Alto Nível para o Aperfeiçoamento do Sistema de Solução de Controvérsias (GANPSSC). (SGT-12) Investimentos. À CCM estão subordinados os Comitês Técnicos: (CT-1) Tarifas.b) Foro de Consulta e Concertação Política (FCCP): órgão auxiliar do CMC. inclusive examinando as questões. e c) Reuniões de Ministros de todos os setores governamentais dos Países Membros. (SGT-3) Regulamentos Técnicos e Avaliação da Conformidade. Ciência e Tecnologia (RECYT). Relacionamento Externo (GAHRE).

A Secretaria é administrada por um diretor. Página 3 c) Secretaria do Mercosul A Secretaria do Mercosul. d) Comissão de Comércio do Mercosul A Comissão de Comércio é o principal órgão técnico encarregado de administrar os instrumentos de política comercial comum. que investiu a CPC da condição de Comissão Preparatória de um Parlamento do Mercosul. publicar e difundir as decisões. resoluções e diretrizes adotadas no âmbito do bloco. verificando sua correta aplicação. defesa da concorrência. o Foro Consultivo Econômico-Social tem. já experimentada nas lides do processo legislativo nos Congressos Nacionais dos quatro países fundadores. tem como modelo de partida a estrutura da Comissão Parlamenta Conjunta do Mercosul. propondo ajustes e examinando pleitos nacionais relacionados a casos comerciais específicos. o apoio logístico necessário para a realização das reuniões do Conselho Mercado Comum. e reivindica o direito de se pronunciar como órgão decisório do Mercosul. defesa do consumidor.Comércio Eletrônico (SGT-13). função consultiva e manifesta-se mediante Recomendações ao Grupo Mercado Comum. e cuja escolha é procedida pelo Conselho do Mercado Comum em conjunto com o Grupo Mercado Comum. o Subgrupo de Trabalho nº 12 . auxiliada pelas Secretarias das Representações Nacionais. após consulta aos Países Membros do bloco. do Grupo Mercado Comum e da Comissão de Comércio do Mercosul. dedicados a áreas temáticas determinadas. como o nome expressa. com sede em Montevidéu. Decisão nº 49/04. em especial em questões sociais. o Subgrupo de Trabalho nº 14 Acompanhamento da Conjuntura Econômica e Comercial (SGT-14) e o Grupo de Monitoramento Macroeconômico (GMM).acompanha o Grupo de Serviços (GS). tais como assuntos aduaneiros. setor automobilístico e setor têxtil. é a unidade de apoio operacional e administrativo responsável pela prestação de serviços aos demais órgãos do Mercosul. Página 4 f) Foro Consultivo Econômico-Social Congregando representantes dos setores empresariais. Entre outras funções cabe à Secretaria do Mercosul cuidar do arquivo oficial da documentação do Mercosul. sindicatos e entidades sociais da sociedade civil para discussão de temas vinculados ao Mercosul e formulação de propostas específicas de cada um desses segmentos. A Comissão de Comércio do Mercosul é assessorada por dez Comitês Técnicos. e) Parlamento do Mercosul Em 2004 foi aprovada pelo Conselho do Mercado Comum. g) Tribunal Permanente de Revisão do Mercosul .Este. o Foro Consultivo Econômico-Social questiona o hermetismo que caracteriza o sistema de decisões no bloco. instalado em dezembro de 2006. além de organizar. com mandato rotativo de dois anos.Investimentos (SGT-12). o Subgrupo de Trabalho nº 13 . De maneira geral. no Uruguai.

Estados Federados. enquanto o Tribunal Permanente de Revisão. foram incorporados à estrutura institucional do Mercosul o Tribunal Arbitral Ad Hoc e o Tribunal Permanente de Revisão do Mercosul. em especial de controvérsias comerciais entre os Estados Partes. que se consubstanciou no Protocolo de Brasília para a Solução de Controvérsias no Mercosul. das Resoluções do Grupo Mercado Comum e das Diretrizes da Comissão de Comércio do Mercosul. oriundas das relações de sua Secretaria Administrativa com os funcionários à sua disposição. modificar ou revogar a fundamentação jurídica e as decisões dos Tribunais Arbitrais Ad Hoc. O Tribunal Administrativo-Trabalhista rege-se por Estatuto próprio. Assim. a aplicação ou o não cumprimento do Tratado de Assunção. que pode confirmar. a estrutura organizacional do Mercosul passou a enfrentar reclamações de natureza administrativa trabalhista. h) Tribunal Administrativo-Trabalhista do Mercosul Em quatorze anos de existência. se o desejarem. por meio de arbitragem. Página 5 O Tribunal Permanente de Revisão pode servir como última instância. O Direito Internacional permite que o Grupo Mercado Comum crie e regule uma instância administrativa para atender às reclamações de natureza administrativo-trabalhista de funcionários da Secretaria Mercosul. Províncias e Departamentos do . decorrente da evolução do processo de integração. foi criado o Tribunal Administrativo-Trabalhista (TAL). foro especializado para dirimir questões litigiosas do Mercosul. Este instrumento cria foros próprios para cuidarem das controvérsias surgidas entre os Estados Partes sobre a interpretação. firmado em dezembro de 1991. com a finalidade de resolver tais tipos de conflitos. Assim.De início. 4/96 e 30/02 do Conselho do Mercado Comum. conforme as Decisões nºs. não impede que as partes em conflito. do Protocolo de Ouro Preto. dos protocolos e acordos celebrados no marco do Tratado de Assunção. tendo competência para revisar o que é decidido em primeira instância. sempre com base nas normas Mercosul aplicáveis ao pessoal da Secretaria do Mercosul e nas Instruções de Serviço ditadas pelo Diretor dessa Secretaria. encaminhem suas questões para outros foros. desde que acionado pelas Partes interessadas em um litígio. O Tribunal Permanente emite um laudo definitivo sobre as controvérsias que lhe são encaminhadas. instalado em 13 de agosto de 2004. tem sua sede em Assunção. Contudo. A necessidade de aperfeiçoamento do sistema de solução de controvérsias. e as Resoluções nºs 42/97 e 01/03 do Grupo Mercado Comum. levou à assinatura do Protocolo de Olivos. Página 6 i) Foro Consultivo de Municípios. o Tribunal Permanente de Revisão. pode reunir-se em qualquer dos Países Membros do Mercosul. em 18 de fevereiro de 2002. das Decisões do Conselho do Mercado Comum. O Tribunal Arbitral Ad Hoc. suas empresas ou cidadãos. como a Organização Mundial do Comércio (OMC). no Paraguai. com fundamento nas normas internacionais para Acordos de Sede (Decisão CMC nº 04/96). além de amparado por um Acordo de Sede que garante ao Grupo Mercado Comum o direito de contratar pessoal. inclusive terceirizados. o Tratado de Assunção previu a criação de um sistema de solução de controvérsias.

Para tanto. foi designado um grupo de trabalho com vistas a elaborar o Sistema de Solução de Controvérsias entre os países contratantes. O Foro Consultivo pode propor medidas destinadas à coordenação de políticas para promover o bem-estar e melhorar a qualidade de vida dos habitantes dos Municípios. contudo. do Grupo Mercado Comum. O art. O Mercosul possui uma estrutura orgânica intergovernamental (não há órgãos supranacionais). conforme o Anexo III. as unidades territoriais nos diferentes Estados Partes do Mercosul. Províncias e Departamentos.unidades territoriais específicas de cada Estado Parte do Mercosul -. uma Presidência Pro Tempore. Brasil. foi a forma escolhida para compor os diferendos no Mercosul. O Foro Consultivo é formado. Reuniões Ordinárias e Extraordinárias do Grupo Mercado Comum. em sua vertente política. instituído no Protocolo de Brasília. um específico para dirimir as controvérsias. cujo rodízio obedece a uma cronologia alfabética. dentre os seus órgãos. . em paralelo às Reuniões de Presidentes dos Estados Membros. havendo. Página 7 Reuniões Periódicas Eis a listagem das reuniões periódicas previstas no âmbito do bloco: Reuniões de Cúpula dos Presidentes dos Estados Partes do Mercosul e associados (Bolívia. semestrais e sempre que convocadas. O iter-arbitral. Chile. Página 8 Solução de controvérsias Interessante destacar que o Protocolo de Ouro Preto não enumera. cuja finalidade é abrigar e estimular o diálogo e a cooperação entre as autoridades de nível municipal. Reuniões Ordinárias do Conselho do Mercado Comum. Equador e Peru). conforme a Decisão nº 41/04. As decisões do Mercosul são sempre tomadas por consenso. exercida por sistema de rodízio semestral. inciso 3. por um Comitê dos Municípios e um Comitê dos Estados Federados. Províncias e Departamentos da região do Cone Sul. fez surgir o Foro Consultivo de Municípios. semestralmente ou quando convocadas em caráter extraordinário. 44 daquela norma apenas refere a criação de sistema permanente de solução de controvérsias quando se consolide a união aduaneira. ou seja. Previu-se seu Regimento Interno. Paraguai. realizadas a cada seis meses no país que tem a Presidência Pro Tempore do Mercosul. estadual. Estados Federados. Uruguai e a Venezuela. que foi aprovado pela resolução nº26/07. O Protocolo de Brasília para Soluções de Controvérsias (PB). provincial e departamental dos Estados Membros do bloco.Mercosul A complexidade do processo de integração regional mercosulino. Reuniões de Ministros de Economia e Presidentes dos Bancos Centrais do Mercosul e associados. Províncias e Departamentos . Estados Federados. Argentina. precedido pela negociação direta e pela conciliação. bem como formular recomendações por intermédio do Grupo Mercado Comum. de 17 de dezembro de 1991. Assim é que foi criado o sistema provisório. do Tratado de Assunção. Colômbia.

as partes na controvérsia poderão. definido nos termos do art. resoluções e diretrizes emanadas pelo Conselho do Mercado Comum (CMC). são inapeláveis e obrigatórios para os Estados Partes a partir do recebimento da respectiva notificação. não podendo exceder o prazo de quinze dias a contar da data em que a controvérsia tiver sido levantada por um dos Estados Partes. pelo Grupo Mercado Comum (GMC) e pela Comissão de Comércio do Mercosul (CCM). resolvidas mediante negociações diretas. à escolha da parte demandante. definir o foro. em vigor desde 2004. devendo ser cumpridos no prazo de quinze dias. nos termos dos arts. de acordo com o art. como é o caso do Mercosul. O Protocolo de Olivos (PO). poderão submeter-se a um ou outro foro. destinando-se a atuar nas controvérsias entre os Estados Partes que versem sobre a interpretação. pessoas físicas ou jurídicas. passa a ser facultativa no PO. 2º e 3º do Protocolo de Brasília. a aplicação ou o descumprimento das disposições previstas nos tratados institutivos e demais acordos supervenientes. Não há dúvida de que a fórmula mais adequada para que se alcance uma interpretação uniforme das normas que compõem um sistema tão complexo. provenientes de uma lista previamente depositada na Secretaria Administrativa do Mercosul. bem como nas normas provenientes de seus órgãos. é a de outorgar a um órgão arbitral permanente ou a um órgão judicial essa função. propõe-se a arbitragem. 14 deste Protocolo". trazendo algumas inovações. escolhido por ambas as partes. no entanto. As controvérsias entre os Estados Partes serão. que o presidirá. como um mercado comum. utilizando a forma tradicional do direito internacional público. sendo a conciliação a subsequente. sem forma ou rito definido. de comum acordo. Sem inovar. passou a viger em 22 de abril de 1993. a menos que o Tribunal Arbitral tenha . Em seu art. estabelecendo. A decisão do Tribunal Arbitral dar-se-á por laudos que. Página 10 A etapa conciliatória. neutro. sabe-se pela experiência de outros blocos regionais da enorme dificuldade em se atingir tal sofisticação. esgotados os caminhos da negociação e conciliação. e. A composição do Tribunal Arbitral ad hoc se dará por três árbitros: dois indicados pelos Estados Partes. substituiu o Protocolo de Brasilia (PB). os Estados Partes poderão recorrer ao procedimento arbitral. Uma vez iniciado um procedimento de solução de controvérsias de acordo com o parágrafo anterior. O Protocolo de Olivos inova ao permitir às partes a escolha por outro foro de solução de conflitos. freios políticos para a sua utilização. e um terceiro. esse protocolo estabelece três fases para a solução de controvérsias. seja pela parcela de soberania que os estados terão que delegar a tais órgãos. sendo seus resultados comunicados ao GMC por intermédio da Secretaria Administrativa do Mercosul (SAM). Porém. 21 do PB. O Protocolo de Brasília prevê a possibilidade de reclamações advindas de particulares. obrigatória no PB. Sem prejuízo disso. o que não se coaduna com blocos regionais criados entre Estados em desenvolvimento. Página 9 O capítulo I determina o espectro de aplicação do PB. seja pelo seu caráter dispendioso. 1º-2: "As controvérsias compreendidas no âmbito de aplicação do presente Protocolo que possam também ser submetidas ao sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio ou de outros esquemas preferenciais de comércio de que sejam parte individualmente os Estados Partes do Mercosul. A primeira delas é a negociação direta.publicado no Diário Oficial da União em 8 de janeiro de 1992. inicialmente. de 18 de fevereiro de 2002. sendo vedado a este último provir dos Estados envolvidos na controvérsia. terão força de coisa julgada. por decisões. nenhuma das partes poderá recorrer a mecanismos de solução de controvérsias estabelecidos nos outros foros com relação a um mesmo objeto. no caso de insucesso das etapas anteriores.

Conforme antiga reivindicação paraguaia. Autoavaliação da Unidade III do Módulo II Vamos fazer a autoavaliação da Unidade III do Módulo II? Clique em "Avaliações" ( lado esquerdo da página ) e "Autoavaliação da Unidade III do Módulo II" . já contemplando a participação do Paraguai e do Uruguai. Já o quinto árbitro será designado de comum acordo pelos Estados Partes pelo período de três anos não renováveis. finalmente.A Dimensão Parlamentar do Mercosul Temas do Módulo Neste módulo. a decisão da primeira instância arbitral deixa de ser inapelável. prevendo. que se expressava. ser transferida para outro local. tanto os titulares quanto os suplentes. que evoluiria para o Tratado de Assunção. devendo ser nacional de um dos Estados (art. estudaremos a Dimensão Parlamentar do Mercosul. concluindo-se não se tratar de um órgão permanente stricto sensu. O Protocolo de Ouro Preto (1994) estabeleceria a estrutura institucional adequada à união aduaneira. vimos que a integração do Cone Sul teve início em torno do núcleo Brasil-Argentina. Cada um dos sócios indicará um árbitro e um suplente pelo período de dois anos renováveis. inicialmente na Comissão . de forma paliativa. Sintetizando Neste Módulo. quando convocados (art.fixado outro prazo. 18). podendo. trazer maior segurança jurídica à construção de uma união aduaneira. uma revisão do atual sistema com vistas à adoção do Sistema Permanente de Solução de Controvérsias. caso seja necessário. Teste seu conhecimento! Módulo III . deverão estar permanentemente disponíveis para atuar nos julgamentos. a fim de adotar o Sistema Permanente de Solução de Controvérsias para o Mercado Comum a que se refere o número 3 do Anexo III do Tratado de Assunção". Os árbitros indicados pelos Estados. mas instaurado à medida que os casos vão sendo interpostos para julgamento. A criação desta Corte revisora pretende. Entretanto.A Dimensão Parlamentar do Mercosul Módulo III . segundo o disposto no art. Já os tribunais arbitrais ad hoc poderão reunir-se em quaisquer das cidades dos Estados sócios. a sede do Tribunal Permanente de Revisão é em Assunção. haja vista a criação de um Tribunal Permanente de Revisão. no PO. o Protocolo de Brasília (1991) e o Protocolo de Olivos (2002). instrumentos pelos quais foi criado um sistema para a solução das controvérsias que viessem a ocorrer ao longo do processo de integração. 53: "Antes de finalizar o processo de convergência da tarifa externa comum. os Estados Partes efetuarão uma revisão do atual sistema de solução de controvérsias. 19). em 1991. para o futuro. Página 11 A Corte Revisora será composta por cinco árbitros. Estudamos.

sua implementação. o braço parlamentar da integração foi incluído na estrutura institucional do bloco pelo Protocolo de Ouro Preto em dezembro de 1994. As limitações evidenciadas pelas Constituições dos Estados Partes no que se refere à integração. Também se tornam obstáculos para a criação de mecanismo ágil e transparente que permita incorporar as normas Mercosul e torná-las . Objetivos de Aprendizagem Ao término do módulo você estará apto a: Descrever a dimensão parlamentar do Mercosul. Por fim. passando a integrar o processo de internalização de normas nos ordenamentos jurídicos dos Países Membros e balizando o caminho para a criação do Parlamento do Mercosul. Assim. recepcionada pelos respectivos ordenamentos jurídicos. de fundamental importância para a consolidação do processo de integração regional. para que. O Protocolo de Ouro Preto confere caráter obrigatório às Decisões do Conselho. emanada dos órgãos que compõem a estrutura institucional do bloco. Discutir as razões da criação do Parlamento Mercosul. exigem uma série de ajustes coordenados para evitar que elas operem como um freio ao processo integracionista. entre em vigência e garanta a segurança jurídica exigida pelos negócios empreendidos por cidadãos. destinado a agilizar o processo de internalização das normas produzidas pelos órgãos institucionais do Mercosul. Tudo indica que compromissos mais fortes no processo de integração exigirão que a dimensão Mercosul seja tratada de maneira equivalente nos ordenamentos jurídicos internos dos sócios do bloco. As limitações constitucionais operam impedindo a instauração de um regime adequado. bem como do mecanismo da consulta parlamentar. Refletir sobre a necessidade de ajustes nas Constituições dos Estados Partes do Mercosul.A norma Mercosul. Unidade 1 .A Norma Mercosul a) Procedimento de produção da norma Mercosul A harmonização das legislações "nas áreas pertinentes" é um dos importantes instrumentos previstos pelo Tratado de Assunção para a integração (art. Procedimentos de produção da norma Mercosul. veremos também o processo de produção da normativa Mercosul. que se faz em função da legislação interna dos Estados Partes. às Resoluções do Grupo Mercado Comum e às Diretrizes da Comissão de Comércio. e.Parlamentar Conjunta (CPC). balizador do caminho para surgir e desenvolver-se um direito comunitário. mas estabelece também que a sua implementação se fará de acordo com a legislação interna dos Estados Partes. estudaremos as razões que levaram à criação do Parlamento do Mercosul. Criada pelo Tratado de Assunção em 1991. empresas e representações governamentais no território mercosulino. 1º). Módulo III Unidade 1 .

admite un orden jurídico supranacional que garantice la vigencia de los derechos humanos. aprobados por ley del Congreso. las leyes dictadas por el Congreso y otras disposiciones jurídicas de inferior jerarquía. de 1992. a Constituição da Argentina. los tratados. Artigo 145. Artígo 141. pois outorga aos tratados internacionais uma hierarquia superior às leis nacionais e autoriza a celebração de tratados de integração que deleguem competências a organizações supraestatais. Inciso 24: Aprobar tratados de integración que deleguen competencias y jurisdición a organizaciones supraestatales em condiciones de reciprocidad e igualdad. é a mais avançada dentre aquelas dos Estados Partes. 153 a 155)[N8]. . y cuyos instrumentos de ratificación fueran canjeados o depositados. sua Carta Magna. Página 2 No caso do Paraguai. (arts. também outorga supremacia aos tratados internacionais e estabelece genericamente a admissão de uma ordem jurídica supranacional:(arts. A Constituição da Venezuela determina que a preferência de acordos regionais sobre a legislação interna (arts. de la justicia. en lo político. en condiciones de igualdad con otros Estados.) Inciso 22: Aprobar o desechar tratados concluidos con las demás naciones y con las organizaciones internacionales y los concordatos con la Santa Sede.141 e 145)[N7] Artigo 137. Artigo 75: Corresponde al Congreso (. Página 1 Nesse sentido. y que respeten al ordem democrático y los derechos humanos. 137. Del Orden Jurídico Supranacional La República del Paraguay. 75 incisos 22 e 24)[N6]. forman parte del ordenamiento legal interno com la jerarquía que determina el Artículo 137. Las normas dictadas em su consecuencia tienen jeraquía superior a las leyes. de la paz. sancionadas en consecuencia. por exemplo. Dichas decisiones sólo podrán adoptarse por mayoría absoluta de cada Cámara del Congreso. convenios y acuerdos internacionales aprobados y ratificados. De los tratados Internacionales Los tratados intenacionales validamente celebrados.operativas. Los tratados y concordatos tienen jerarquía superior a las leyes.. de la cooperación y del desarrollo. social y cultural. Ésta.. De la Supremacia de la Constitución La ley suprema de la República es la Constitución. além de impedir um sistema que garanta a hierarquia superior destas normas sobre as nacionais. económico. integran el derecho positivo nacional en el orden de prelación enunciado.

Artigo 4º da Constituição brasileira. por sua vez. Artículo 155. La República podrá suscribir tratados internacionales que conjuguen y coordinen esfuerzos para promover el desarrollo común de nuestras naciones. La República promoverá y favorecerá la integración latinoamericana y caribeña. el ejercicio de las competencias necesarias para llevar a cabo estos procesos de integración. o que significa que as Cartas Magnas brasileira e uruguaia não aportam solução para potenciais conflitos entre uma norma internacional e uma norma interna. culturales. que se fazer ressalva. la República podrá atribuir a organizaciones supranacionales. la República privilegiará relaciones con Iberoamérica. Em verdade. Asimismo. Los tratados celebrados por la República deben ser aprobados por la Asamblea Nacional antes de su ratificación por el Presidente o Presidenta de la República. a excepción de aquellos mediante los cuales se trate de ejecutar o perfeccionar obligaciones preexistentes de la República. ejecutar actos ordinarios en las relaciones internacionales o ejercer facultades que la ley atribuya expresamente al Ejecutivo Nacional. especialmente em lo que se refiere a la defensa común de sus productos y materias primas. se insertará una cláusula por la cual las partes se obliguen a resolver por las vías pacíficas reconocidas en el derecho internacional o previamente convenidas por ellas. propenderá a la efectiva complementación de sus servicios públicos. Dentro de las políticas de integración y unión con Latinoamérica y el Caribe. parágrafo único: A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica. não contam com previsão constitucional que conceda hierarquia superior dos tratados internacionais sobre as leis nacionais. defendiendo los intereses económicos. 6º da Constituição uruguaia)[N9]. aos tratados de direitos humanos. si tal fuere el caso. inciso 2. y que garanticen el bienestar de los pueblos y la seguridad colectiva de sus habitantes. Artigo 6. las controversias que pudieren suscitarse entre las mismas con motivo de su interpretación o ejecución si no fuere improcedente y así lo permita el procedimiento que deba seguirse para su celebración.Sección Quinta: De las Relaciones Internacionales Artículo 153. En los tratados. de 2004. convenios y acuerdos internacionales que la República celebre. mediante tratados. en aras de avanzar hacia la creación de una comunidad de naciones. política. Para estos fines. social e cultural dos povos da América Latina. o que produz uma trava jurídica ao avanço do processo de integração. aplicar principios expresamente reconocidos por ella. políticos y ambientales de la región. introduzido pela Emenda Constitucional nº 45. relacionada com a integração latino-americana (parágrafo único do art. Las normas que se adopten en el marco de los acuerdos de integración serán consideradas parte integrante del ordenamiento legal vigente y de aplicación directa y preferente a la legislación interna. sociales. visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações. o caso brasileiro. . procurando sea una política común de toda nuestra América Latina. em suas Constituições. 5º da Constituição Federal. Desse modo. apenas eventuais acordos de integração que versem sobre direitos humanos poderão ter status superior à legislação ordinária. Há porém. 4º da Constituição Federal brasileira e inciso 2 do art. da Constituição Uruguaia: La República procurará la integración social y económica de los Estados Latinoamericanos. Artículo 154. Página 3 O Uruguai e o Brasil. tanto no caso brasileiro quanto no uruguaio. existe apenas uma referência programática. equiparam-se a emendas constitucionais. os quais aprovados na forma do § 3º do art.

caso o tratado admita reservas. sujeitos a referendo do Congresso Nacional (art. Foi neste sentido o parecer de 1962 do eminente jurista Haroldo Valladão. não seria possível a um país. na ratificação. a celebrar a paz. Do mesmo modo. haveria de gerar um completo caos na convivência internacional. quanto determinar estudos mais aprofundados na área do Executivo. à aprovação congressual. muitas vezes. Tentativa neste sentido foi rechaçada quando da revisão constitucional de 1993. conforme segue: Art. incisos VII e VIII). que por sua natureza obrigam a sua submissão à aprovação do Parlamento. Contudo. segundo alguns juristas. e que deixarão de ser confirmadas. poderá o Congresso Nacional aprová-lo com restrições. Página 4 Ao Parlamento cabe aprovar os atos internacionais firmados pelo Presidente da República ou seu Plenipotenciário. a permitir que forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente. de instrumentos que confiram especificidade às normas emanadas dos órgãos da integração. ressalvados os casos previstos em lei complementar. Página 5 Assim. qualquer previsibilidade quanto à ratificação ou modificação de textos acordados ao longo de inúmeras reuniões e. Se por um lado em nenhum caso pode o Presidente da República manifestar o consentimento definitivo em relação ao tratado sem a aprovação do Congresso Nacional. A decisão do Congresso Nacional é formalizada por meio de um decreto legislativo.O direito brasileiro não dispõe. A doutrina diverge no que diz respeito à possibilidade de alteração do tratado quando de sua tramitação no Congresso Nacional. tendo em vista óbvias razões de ordem prática. cabendo-lhe também autorizar o Presidente da República a declarar guerra e celebrar a paz. poderá aprová-lo com declaração de desabono às reservas acaso feitas na assinatura. que a iniciou. Com exceção das convenções internacionais do trabalho. ao contrário do que acontece com a Constituição argentina. as quais o Poder Executivo traduzirá em reservas no momento da ratificação. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: I . e submeter o texto. promulgado pelo . tornando impossível. terminada a negociação de um tratado. portanto. se o julgar insatisfatório. 49. acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional. se adotada por todos os Estados contratantes. do ponto de vista prático. de uma negociação bilateral ou coletiva.. quando melhor lhe pareça. como regra.. tal aprovação não o obriga à ratificação. A Constituição de 1988 atribui ao Poder Executivo competência privativa para manter relações com Estados estrangeiros e acreditar seus representantes diplomáticos.resolver definitivamente sobre tratados. quando consultor jurídico do Itamaraty. bem como celebrar tratados. 84.autorizar o Presidente da República a declarar guerra. nos demais casos tanto pode o chefe do Poder Executivo mandar arquivar o produto. difíceis negociações. o procedimento parlamentar. (. por outro. II . aprovar emendas a um tratado internacional negociado em âmbito multilateral. Isto porque. convenções e atos internacionais. tem o Presidente da República.) No que tange à aprovação de tratados e demais atos internacionais. outra corrente sustenta que. pois. a faculdade de dar ou não prosseguimento ao processo de sua incorporação ao ordenamento jurídico interno. tem-se limitado à sua aprovação ou rejeição in totum. Sustentam eles que tal prática.

entretanto. como é o Tratado de Assunção. o direito derivado do Mercosul não desfruta de posição hierárquica superior às leis ordinárias. mediante mensagem. e os Governos optam por sustar a sua tramitação no Congresso Nacional. salvo os de direitos humanos aprovodaos na forma do citado § 3º do art. Por vezes. nos termos do art. Ao contrário da Constituição argentina. o qual proclama a intenção inequívoca dos Estados Membros de procederem a um processo de integração. A única especificidade que distingue a normativa Mercosul quando dos procedimentos para a sua incorporação ao direito brasileiro provém da Resolução do Congresso Nacional nº 1 de 1996. incluídas nas competências do Poder Executivo. 5º da Constituição Federal. confere hierarquia superior à das leis às normas incorporadas como consequência dos tratados de integração. deverá a Representação Brasileira na Comissão Parlamentar Conjunta do Mercosul emitir parecer preliminar sobre toda matéria de interesse para o bloco e que venha a tramitar no Congresso Nacional. uma vez que lei posterior revoga um tratado internacional se suas disposições conflitam. para o qual se faz necessária a celebração de vários protocolos adicionais ao Acordo inicial. por 142 votos contra 5. acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional. a Comissão Parlamentar Conjunta do Mercosul. passam a ter força de lei ordinária e a exercer efeitos sobre as demais leis. Nos termos de seu art. Na prática. no seio do Parlamento. o instrumento negociado acaba por sofrer restrições de setores interessados. portanto. da Constituição Federal. O decreto legislativo não rejeita e nem altera o tratado. Entre os raros casos de rejeição pode-se destacar. revogá-las. isso nem sempre ocorre. O Governo acabou por retirar a mensagem que o encaminhava. Assim. que. a título de exemplo. como o Mercosul. os tratados estão em nível hierárquico inferior ao da Constituição. podendo. representam. assim como quaisquer atos complementares que. casos especialíssimos. As normas Mercosul serão ou não submetidas ao crivo do Congresso Nacional de acordo com sua natureza. Desse modo. a presunção é a de que interessa aos Estados signatários a célere aprovação congressual dos atos internacionais firmados no âmbito do processo integracionista. As que tratam de matéria com natureza de lei serão introduzidas após os trâmites previstos no direito interno. recebendo tratamento idêntico àquele outorgado aos demais tratados internacionais. que como vimos. aguardou por alguns anos o seu exame pela Comissão de Relações Exteriores do Senado. que são sujeitos à aprovação do Congresso Nacional quaisquer atos que possam resultar em revisão do ato internacional em questão. 2º. sobre a fronteira das Missões. entretanto. inclusive. veio a inserir. I. Exemplo disto é o Código Aduaneiro do Mercosul. ao Presidente da República. o tratado argentino-brasileiro de 25 de janeiro de 1890. por meio de um parágrafo único no decreto legislativo que aprova o tratado internacional. rejeitado pelo plenário do Congresso em 18 de agosto de 1891. No Brasil adotou-se o procedimento de se estipular. Página 7 . Página 6 b) Incorporação das normas Mercosul ao ordenamento jurídico interno dos Estados Partes Os recentes esquemas de integração regional. uma vez que seus instrumentos jurídicos emergem de um Acordo-Quadro anterior. mas neste caso caberia apenas uma comunicação. são introduzidas na normativa brasileira pela via de decretos e portarias. sujeitos ao controle de constitucionalidade. aprovado pela Câmara dos Deputados. 49. em cumprimento ao Protocolo de Ouro Preto. e. que. aguardando a renegociação de certos detalhes técnicos. já as de natureza meramente regulamentar. uma vez inseridos no direito brasileiro. Os tratados.Presidente do Senado Federal e publicado no Diário Oficial da União. Exemplos de rejeição são raríssimos.

uma vez que a CPC não dispunha de real poder de controle sobre o processo negociador. Mais uma vez faz-se necessário distinguir. caracterizado pela insegurança jurídica e pela falta de previsibilidade e de efetividade . os atos internacionais advindos do processo de integração e os atos de outra natureza. em razão da especificidade e complexidade da matéria. segundo o qual "A Comissão Parlamentar Conjunta procurará acelerar os procedimentos internos correspondentes nos Estados Partes para a pronta entrada em vigor das normas emanadas dos órgãos do Mercosul previstos no Artigo 2 deste Protocolo". salvo se a Representação julgar necessário. vem ocorrendo um curioso fato no que diz respeito a determinadas matérias de âmbito interno: decisões vêm sendo tomadas pelos negociadores do Mercosul em nível quadripartite. quanto ao mérito. verifica-se que a maior debilidade do bloco reside no déficit de incorporação das normas. desde que a norma tenha sido adotada de acordo com os termos do parecer do Parlamento do Mercosul. nesse ponto. como em face dos agentes econômicos privados. no processo de negociações do Mercosul. deverão adotar as medidas necessárias para a instrumentalização ou criação de um procedimento preferencial para a consideração das normas do Mercosul que tenham sido adotadas de acordo com os termos do parecer do Parlamento". É interessante ressaltar.4º prevê procedimento preferencial às matérias emanadas dos órgãos decisórios mercosulinos. Nota-se. Concordam os teóricos da integração quanto ao status especialíssimo que assumem os Estados participantes de tal processo. de tal forma que o centro de decisões é transferido. mediante o seu parecer preliminar. Cumpre. juridicidade. constituído em 14 de dezembro de 2006. que criou o Mercosul. em relação a terceiros países. como quer o Protocolo. serão remetidas aos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado. ainda.Pretendeu-se com este dispositivo. Com isso. 25 do Protocolo de Ouro Preto. porém própria dos processos de integração. com prejuízo da competência legislativa do Congresso Nacional. para um foro intergovernamental. poderá contribuir decisivamente para maior transparência e visibilidade do processo de integração regional. atender o art. fornecer subsídios às demais Comissões temáticas quanto à importância e aos impactos. por vezes. do Congresso Nacional. o que equivaleria a transformá-la em um grupo de pressão no seio do Parlamento. da normativa em exame. Ao traduzir um modelo de integração muito mais orientado por realidades de poder do que por normas jurídicas livremente acordadas pelos Estados Partes no foro regional. Página 8 c) A Consulta Parlamentar Desde a assinatura do Tratado de Assunção. tais normas após a apreciação da Representação quanto aos aspectos da constitucionalidade. esclarecer que a citada Resolução nº1. Trata-se aqui de uma situação sui generis. portanto. A criação do Parlamento do Mercosul. nunca chegou a sanar esta falha. que a Resolução de 2007 veio atender o disposto no inciso 12 do art. que dispõe sobre a Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul e cujo art. o Mercosul revela-se ao agente econômico como um espaço pouco atraente para seus investimentos. adequação financeira e orçamentária e. nesse cenário. tanto frente a terceiros países e agrupamentos de países. Vários estudiosos vêm chamando a atenção para o fato de que. prevista pelos Tratados de Assunção e pelo Protocolo de Ouro Preto. a Comissão busca. Essa deficiência vem debilitando a credibilidade do bloco. 4º do Protocolo Constitutivo do Parlamento do Mercosul. sobre o processo de integração. que sequer tem a possibilidade de acompanhar todos estes processos decisórios que se desenrolam nos múltiplos foros negociadores do Mercosul. neste contexto. de 1996. acordadas pelos seus órgãos decisórios. o pronunciamento de outras Comissões. foi revogada pela resolução nº 1 de 2007. que a existência de uma Comissão Parlamentar Conjunta do Mercosul no seio do Congresso Nacional. segundo os procedimentos internos correspondentes. que estabeleçe o seguinte: "os Parlamentos nacionais. Embora impedida de atuar no sentido propriamente de acelerar os procedimentos de aprovação das normas Mercosul pelo Congresso Nacional. e internalizadas por via de portarias ministeriais. aos ordenamentos jurídicos internos dos Estados Partes.

firmou-se o primeiro acordo interinstitucional entre dois órgãos do Mercosul: o Conselho do Mercado Comum e a Comissão Parlamentar Conjunta do Mercosul. também contribui para a fragilidade institucional do Mercosul e para a insegurança jurídica existente no momento. o Congresso Nacional brasileiro já aprovou dispositivo destinado à implementação da consulta parlamentar por meio da edição da citada Resolução n° 1. ao longo do tempo. receberia tratamento legislativo mais rápido. houvesse ido à Comissão e recebido o seu parecer favorável. realizou levantamento sistemático do estado da incorporação das normas do Mercosul já negociadas e assinadas e que exigem aprovação congressual para a sua incorporação ao direito interno dos Estados Partes e verificou que um alto percentual jamais ingressou nos respectivos Parlamentos. logicamente. a importância de que se reveste a atitude de respeito às normas da integração. incluído entre as competências do Parlamento do Mercosul. quando firmado pelos Estados Partes e enviado à aprovação congressual. muito contribuiu para o fortalecimento do bloco europeu.normativa. Já o art. de grande significado no que diz respeito à democratização do processo decisório do Mercosul. Página 9 Não se imaginava. O art. refletindo o grau de compromisso político dos Países Membros para com o processo integracionista. 2º contém a contrapartida da Comissão: ela se compromete a dar uma tramitação mais ágil e mais rápida a toda a matéria que tenha merecido o seu parecer favorável. com apenas dois artigos. todas as normas que requeiram aprovação congressual. todo instrumento Mercosul que. a experiência europeia demonstrou. Em outubro de 2003. de 2007. A Secretaria da então Comissão Parlamentar Conjunta do Mercosul. efetivamente. Essas duas entidades celebraram acordo. vislumbrado no acordo interinstitucional e mais comumente chamado de "consulta parlamentar". Com efeito. Autoavaliação da Unidade I do Módulo III Chegou o momento de fazer a autoavaliação da Unidade I do Módulo III. Em outras palavras. no momento da sua negociação. seria. Esse respeito. Como vimos. à qual ainda recorreremos ao tratarmos das competências do Parlamento do Mercosul. que alguns instrumentos ficassem retidos por tanto tempo antes de serem enviados aos respectivos Parlamentos nacionais. . manifestada pelos Estados Partes. no momento de sua negociação. posteriormente. 1º diz basicamente que o Conselho se compromete a enviar à consulta da Comissão Parlamentar Conjunta do Mercosul. sediada em Montevidéu. Página 10 Esse engenhoso mecanismo. Esse fato. Clique em "Avaliações" ( lado esquerdo da página ) e "Autoavaliação da Unidade I do Módulo III" .

a consolidação da integração latino-americana mediante o aprofundamento e consolidação do Mercosul. da liberdade. 4. entre os quais cabe mencionar: . Página 1 Unidade 2 . que deveria ser submetida ao Conselho do Mercado Comum em 2004. A Comissão atendeu a esse mandato.O Parlamento do Mercosul a) Definição e razões para a criação de um Parlamento do Mercosul Em 15 e 16 de dezembro de 2003. Página 2 O mecanismo da consulta parlamentar é reproduzido no art. o Conselho do Mercado Comum aprovava o "Programa de Trabalho Mercosul 2004-2006". em Montevidéu. O Programa de Trabalho determinava que a proposta deveria considerar. o mecanismo de consulta estabelecido pelo Acordo Interinstitucional. Seu art. Em dezembro de 2004.a promoção e a defesa da democracia. subscrito pelo Conselho e pela Comissão Parlamentar Conjunta.Unidade 2 . Módulo III Unidade 2 . . . como uma primeira etapa. em Belo Horizonte. o Conselho do Mercado Comum aprova a Decisão 49/04. inciso 12 do Protocolo. . que seria aprovado pelo Conselho do Mercado Comum por meio da Decisão n° 23/05.a representação dos povos do Mercosul. e. da paz e do desenvolvimento sustentável.1 solicita à Comissão Parlamentar Conjunta a elaboração de uma proposta concernente à criação do Parlamento do Mercosul. estabelece o prazo máximo de 180 dias corridos para que os Congressos Nacionais dos Estados Partes . e produziu um Projeto de Protocolo Constitutivo do Mercosul. respeitando sua pluralidade ideológica e política. em Montevidéu. que confere à Comissão Parlamentar Conjunta a condição de Comissão Preparatória do Parlamento do Mercosul.O Parlamento do Mercosul O Protocolo estabelece que o Parlamento do Mercosul substituirá a Comissão Parlamentar Conjunta como órgão integrante da estrutura institucional do Mercosul. 2 elenca os propósitos do Parlamento. e estabelece a data limite de 31 de dezembro de 2006 para a instalação do novo órgão. cujo ponto 3. com justiça social. ademais.o estímulo à participação dos atores da sociedade civil no processo de integração e à formação de uma consciência integracionista na região. em 9 de dezembro de 2005.O Parlamento do Mercosul. Definição.

que prevê tramitação mais ágil e simplificada para aquelas normas Mercosul que tenham sido adotadas pelo órgão decisório do bloco de acordo com o parecer emitido pelo Parlamento regional. precisamente pela falta de um espaço designado para esse déficit de qualidade normativa no Mercosul. designados pelos respectivos Congressos Nacionais. houve inúmeras pressões. que se traduz no baixo índece de normas da integração efetivamente incorporada aos ordenamentos jurídicos nacionais. além disso. Página 3 Nesse contexto. Apesar de esforços para que. Por meio da consulta parlamentar. direto e secreto. especialmente por parte da Argentina e do Uruguai. cumprimento ao disposto no art. em conformidade com as suas respectivas normas regimentais. extensão geográfica e PIB.do Mercosul se manifestem sobre aquelas normas que tenham sido adotadas pelo Conselho do Mercado Comum consoante o parecer emitido pelo Parlamento regional no momento de sua negociação. cuja debilidade já foi amplamente identificada por técnicos e acadêmicos. Página 4 Segundo o Protocolo. de 2007. de acordo com a legislação eleitoral de cada Estado Parte. com 18 representantes por país. quanto aos termos do Acordo Político que estabeleceria as regras da representação cidadã. A falta de consulta e debate com os setores sociais afetados e com outras instâncias governamentais interessadas. Isso traduz a dificuldade com que se defrontaram os negociadores em razão das enormes assimetrias existentes entre os Países Membros do Mercosul em termos de população. Por sua vez. entre suas competências. A partir daí. o Parlamento do Mercosul poderá contribuir para solucionar a grave fragilidade de que padece o bloco. enquanto que a Comissão decidia por consenso. na medida em que delibera por meio do voto individual dos membros das delegações. No que diz respeito ao processo de adoção de decisões. o Parlamento representa substancial avanço em relação à Comissão Parlamentar Conjunta. conferirá ao Mercosul. fator que não permitia a expressão da pluralidade ideológica característica de um órgão de representação popular. a . 4. assim. juntamente com as eleições presidenciais do ano de 2010. pudéssemos também escolher os representantes brasileiros no Parlamento do Mercosul. dando. como lócus de debate político. do Congresso Nacional. dos instrumentos jurídicos firmados. os representantes dos demais Estados membros passaram. 4. o Parlamento conta. À época da negociação do Protocolo Constitutivo do Parlamento do Mercosul. por exemplo. inciso 5). como se fosse uma "assembléia de Estados". A visibilidade e a transparência que a existência de um Parlamento. a ser determinado mediante Decisão do Conselho do Mercado Comum. devendo o Parlamento ser integrado por representantes eleitos pelo voto universal. a composição do Parlamento seria paritária. esta deverá ser reenviada ao Poder Executivo. de inúmeras maneiras. Nesse sentido. contribuirá. decidiu-se adotar duas fases para a implementação do Parlamento. Também no tocante à falta de efetividade normativa que atinge o bloco. Com a perspectiva de elevação do número de parlamentares brasileiros. O mesmo inciso ressalva que se dentro do prazo desse procedimento preferencial o Parlamento do Estado Parte não aprovar a norma. com a possibilidade de solicitar relatórios dos órgãos decisórios do Mercosul (art. os Parlamentos nacionais deverão adotar as medidas necessárias para a instrumentalização desse procedimento. para o aperfeiçoamento e consolidação do bloco. passaria a vigorar o critério da "representação cidadã". por excelência. O Parlamento poderá. por proposta do Parlamento. inciso 12 do Protocolo. pelos Executivos. contribuir para melhorar a qualidade técnica das normas do Mercosul. que a encaminhará à reconsideração do órgão correspondente do Mercosul. 4. inciso 4) e de convidar representantes dos órgãos do Mercosul para informar sobre determinados aspectos da integração (art. em virtude do não encaminhamento à aprovação legislativa. vale lembrar que o Parlamento constituirá o espaço público. até 31 de dezembro de 2010. onde deverão ocorrer os debates concernentes às normas em negociação. nunca é demais ressaltar a edição da Resolução Nº 1.

já anunciou que deverá eleger seus representantes diretos no Parlamento do Mercosul juntamente com as eleições presidências de 2011. de 1985. e ao mesmo tempo constituirá o canal de comunicação entre as populações e as instâncias negociadoras da integração.279. cada um. um espaço para debates. simultaneamente com as eleições municipais. b) Da estrutura intergovernamental inicial ao Parlamento do Mercosul em funcionamento A estrutura institucional do Mercosul teve como modelo inspirador o paradigma da união aduaneira europeia. Evidentemente. com as eleições para cargos federais e estaduais. Assim. de autoria do Deputado Carlos Zarattini – que define as regras para as eleições de parlamentares brasileiros no Parlamento do Mercosul – fosse apreciado. no bem-sucedido bloco regional da União Europeia. o Itamaraty. Conduzido. antes de sua adoção pelo órgão decisório. do Congresso Nacional. e que transformou-se. tanto em seus objetivos quanto nas ambições postuladas inicialmente. A participação da sociedade civil assegurará a transparência do processo de construção do bloco e contribuirá para que as normas do Mercosul passem por amplo debate. Página 5 Como sabemos a delegação paraguaia do Parlamento do Mercosul já é formada por representantes eleitos direta e exclusivamente para o exercício de mandato no órgão de integração regional. sendo que. que a determinação de que o número de parlamentares brasileiros seja ampliado já em 2011 – mesmo anteriormente às eleições diretas – implica a necessidade de alterações na Resolução n° 1. O Uruguai ainda não tem previsão de quando realizará suas eleições. sobretudo. ou apenas em 2014. já a partir de 2011. 16 da Constituição Federal determina que a lei que alterar o processo eleitoral não será aplicada às eleições que ocorrerem até um ano da data da sua vigência. enquanto os representantes dos interesses particulares e da sociedade civil em geral tinham uma função marginal. a configuração institucional do bloco do Mercosul se desenhou segundo um modelo de caráter intergovernamental. o Acordo Político em torno da adoção do critério da representação cidadã no Parlamento do Mercosul somente teve seus termos definidos no final de 2010 (Decisão n° 28/10. desde o inicio do processo de integração. poderão ocorrer já em 2012. adaptando-os às condições políticas e características próprias de uma associação inédita entre países considerados em desenvolvimento.condicionar a implementação do critério de representação cidadã à mitigação da regra da maioria prevista no Regimento Interno do Parlamento. de 2009. do CMC). Assim. iniciada nos primórdios dos anos cinquenta. por sua vez. em que os negociadores e os que se enfrentavam nas mesas de negociação eram os Estados. seminários e audiências públicas sobre os temas da integração. com 18. A Argentina. o Brasil deverá contar com 37 representantes. as eleições. a depender da tramitação do referido projeto de lei. associado à sua contraparte Argentina desde o Programa de Integração entre o Brasil e a Argentina. Página 6 . pelo lado brasileiro. a Argentina com 26. ao longo do tempo. porém. o processo de integração do Cone Sul buscou desafiar alguns princípios de organização e de tomada de decisões adotado pelos europeus para a construção de um bloco regional. ainda. uma vez que o art. pelo experiente corpo diplomático do Ministério das Relações Exteriores. no Brasil. e o Uruguai e o Paraguai. não houve tempo hábil para que o Projeto de Lei n° 5. o que ensejará o seu aperfeiçoamento e facilitará a sua posterior incorporação aos ordenamentos jurídicos internos dos Estados Partes. que sirva de "caixa de ressonância" para os anseios e preocupações dos diversos setores da sociedade civil. de 2007. Assim. Espera-se que o Parlamento do Mercosul venha a ser. E. Cabe lembrar.

nos dias de hoje. em seu art. sobrepondo-se mesmo à vigência formal da adotada regra de consenso. estabeleceu que a administração e execução do projeto pelo Conselho do Mercado Comum e Grupo Mercado Comum. contribuiria para facilitar a tarefa de consolidar a regionalização junto aos quadros funcionais dos Estados Partes do Mercosul. de acordo com as exigências que o processo em movimento demandasse. nos governos de Raul Alfonsín e de José Sarney. certos de que. Pretendia-se. Daí haverem setores das sociedades uruguaia e paraguaia. Em terceiro. e também quanto à conveniência de se criar órgãos supranacionais. Página 7 Nesse sentido. Em segundo lugar. e que podem explicar. privilegiava a manutenção de um esquema de negociação entre governos. Os países menores. podemos destacar alguns fatores. a sua vez. a própria história da formação da Região do Cone Sul. Página 8 A Argentina. defendendo a criação de instituições . identificamos a assimetria de tamanho entre as diferentes economias que constituem o bloco. o Protocolo de Ouro Preto. as dificuldades do bloco para avançar em um maior grau de institucionalização. visões estruturalmente diferentes no que diz respeito ao grau de institucionalização exigido pelo projeto de integração. nessa fase preliminar não era adequado pensar-se em esquemas institucionais do tipo supranacional. nos últimos quatro séculos. que poderiam comprometer os objetivos nacionais de estabilização macroeconômica ou mesmo alterar o equilíbrio entre as competências nacionais e as atribuições decisórias que deveriam ser tomadas coletivamente. 9º. mais tarde. ao longo do tempo. com tendência a criar novos organismos. e deixou transparente a afirmação da consciência dos responsáveis políticos pela proposta de integração. em cada um dos espaços geográficos dos sócios. a história das relações políticas e econômicas entre Brasil e Argentina. o que gerou. com os Estados Unidos da América.O modelo se desenvolveu gradualista. fora do marco mercosulino. teriam um "período de transição". apoiado em fatores de natureza histórica e estrutural que permearam. O próprio Tratado de Assunção. o relacionamento entre os países que conformam o bloco. em especial no chamado espaço geográfico do Cone Sul. ao mesmo tempo em se apresentava o processo de integração regional a cada uma das respectivas administrações governamentais em seus mais variados setores. sempre defenderam a idéia de se diminuir esse grau de discricionaridade dos sócios maiores (Brasil e Argentina) nas negociações internas do bloco. por sua vez. Uruguai e Paraguai. confirmou o caráter de transitoriedade planejado pelos idealizadores do Mercosul. assim. ou seja. O esquema intergovernamental adotado pelos formuladores do Mercosul emergiu como o mais apropriado. cujas riquezas minerais eram disputadas pelos colonizadores europeus. desejosos de firmarem acordos bilaterais. A posição brasileira. Como vimos. em seu texto de abertura. situa-se num meio termo. com destaque para portugueses e espanhóis. Primeiro. para fugir dos modelos adotados por outros esquemas de integração latino-americanos. com o Programa de Integração entre os dois países. garantir que os primeiros acordos pudessem ser levados à prática de imediato. o que. rompeu-se o antagonismo histórico e avançou-se na busca de novas formas de cooperação política e estratégica bilateral para a região. e. a partir de uma base mínima que lhe daria a institucionalidade inicial. somente a partir de 1985. o que lhes oferece uma pequena margem de ação unilateral efetiva. de alguma forma. nos primeiros quatorze anos de existência do Mercosul.

A criação do Parlamento do Mercosul consagra e reafirma os seguintes princípios estratégicos do projeto Mercosul: Em primeiro lugar. que objetive a parceria nas políticas públicas em saúde. marco definitivo de um modelo de integração democrático. Paraguai e Venezuela. Será centro de decisões políticas por meio da participação responsável. embora ainda sem direito a voto. ou seja. com sua constituição em 14 de dezembro de 2006. componente imprescindível do processo de coesão social. Página 10 Com o mecanismo institucional eficaz. será de fundamental importância para o aprofundamento das discussões em torno das mais graves questões que impedem o avanço do processo de integração do Mercosul. o Parlamento do Mercosul deverá se converter em promotor de políticas regionais que possibilitem uma integração fronteiriça sem barreiras. que começou com o Programa de Integração Argentina-Brasil e ampliou-se com o Mercosul. que. a criação do Parlamento do Mercosul apresenta um significativo avanço político e institucional. declaradamente. a livre circulação de pessoas. depositários fieis do poder e da soberania que emanam de seus mais legítimos possuidores. negociando e avançando com o objetivo de ampliar. superando o projeto restritivo de uma . em especial no que se refere ao princípio da representatividade e legitimidade democráticas. complementar e solidário das suas variadas regiões. fortalecer e consolidar o bloco nos planos regional e internacional. na presença dos representantes de Argentina. define com clareza a vontade regional de integração política. educação. em especial levando-se em consideração a sucessão de conflitos setoriais e outros tipos de tensões ocasionadas em suas relações com o Brasil. Em quarto lugar. pois este é. vem dando forma a um modo de integração mais pragmático e realista. O processo de conformação definitiva do Parlamento do Mercosul representa um desafio de proporções históricas. e um desenvolvimento integral. Uruguai. as experiências de integração regional . a criação do Parlamento do Mercosul. com marcado viés ideológico. que dará forma e conteúdo ao Mercosul no século XXI. Acrescente-se a este rol de fatores que podem dificultar o processo de integração a adesão da Venezuela. Desse modo.apenas confirmaram que a existência de uma organização institucional forte não poderia substituir a falta de vontade política dos países participantes para avançar em uma ampla abertura comercial e outras frentes do processo. num esforço que permita a correção gradual das assimetrias. ALADI e Grupo Andino . poderá trazer outro tipo de discussão ao plenário das reuniões do Mercosul. os cidadãos. Brasil. representativo e estratégico. atendendo ao que determinava a Decisão nº49/04. o da luta contra o imperialismo capitalista norte-americano. A construção do espaço político regional será um elemento de fundamental importância para fortalecer e melhorar a qualidade das democracias nos países do bloco.ALALC. verdadeira concepção de uma nova visão política regional. Página 9 Passados quinze anos da assinatura do Tratado de Assunção. o principal argumento de política externa defendido pelo Presidente Hugo Chávez. no sentido de se enfrentar os cenários internos e externos que se lhe apresentam. bens e serviços. do CMC.intergovernamentais e comunitárias. cultura e outros campos que levem em conta o cidadão na sua condição de sujeito final de todas as ações do processo integracionista. trabalho. decidida e sustentável dos partidos políticos e seus atores. Já a nova experiência de integração latino-americana. agropecuária. no plenário do Congresso Nacional brasileiro. tendo sugerido a criação de um tribunal permanente como opção para iniciar-se o caminho em direção à supranacionalidade.

com perspectiva histórica e com modelo de desenvolvimento integral. o aprofundamento da integração social e cultural e a adoção em áreas estratégicas de diretrizes políticas comuns num cenário internacional complexo e assimétrico. que estabeleceu a Comissão Parlamentar Conjunta do Mercosul. complementar e solidária. bem como o . nos arts. tanto para o desenvolvimento intrazona como frente a outros blocos regionais ou internacionais. porém esta não é condição suficiente para que a integração aconteça. Estabelece um espaço de análise e reelaboração do conceito de soberania. começando pelo art. Página 12 Sintetizando Neste módulo. o Protocolo de Ouro Preto. atuando num só bloco. mas sim de introduzir um novo plano de soberania compartilhada que. O Parlamento materializa a vontade da integração como projeto político estratégico. acima das necessidades conjunturais dos atores da integração. 24 do Tratado de Assunção. Aperfeiçoa o sistema de tomada de decisões e o processo normativo do Mercosul. estudamos a dimensão parlamentar do Mercosul. dando legitimidade e transparência aos atos públicos regionais de maneira a aperfeiçoar e dar maior clareza às regras do jogo do bloco.integração fundamentalmente comercial. e. não no sentido de subtraí-la aos Estados. a diversidade de etnias e regiões. elementos essenciais de segurança jurídica do espaço integrado. componente fundamental na construção de uma identidade e consciência regionais. coopere para influenciar com maior peso nos centros de poder internacional. Consolida o princípio da representatividade e participação cidadã no processo de integração. Conforma um espaço permanente da política e da cidadania na estrutura institucional do Mercosul. o converterá em uma verdadeira "caixa de ressonância" dos cidadãos do Mercosul. Clique em "Avaliações" ( lado esquerdo da página ) e "Autoavaliação da Unidade II do Módulo III" . Define um modelo de integração no qual alcançar um mercado comum é um componente fundamental do processo. dotando-a do necessário equilíbrio que todo sistema democrático requer e possibilitando a incorporação da vasta pluralidade ideológica dos países. 22 a 27. político e econômico das nações nele representadas. Página 11 Retoma e dá conteúdo concreto ao componente democrático no Mercosul. ao converter-se em promotor e arquiteto da vontade normativa regional e da harmonização das legislações nacionais. O perfil da integração no século XXI inclui uma verdadeira integração econômica. como também uma adequada participação por gênero. Autoavaliação da Unidade I do Módulo III Chegou o momento de fazer a autoavaliação da Unidade II do Módulo III. O feito substancialmente democrático de que o Parlamento expressa o pluralismo social. na seqüência.

estudamos a estrutura intergovernamental que dinamizou o processo integracionista do bloco.Regimento Interno da Comissão. Módulo IV Unidade 1 – Sucessos e debilidades Segundo as palavras do cientista político Gerardo Caetano. as instituições criadas pelo Tratado de Assunção para o Mercosul "serviam a um modelo funcional que não era ingênuo". em especial. competências e atuação interna e externa. as limitações constitucionais que travam sua vigência imediata. a ideia de uma estrutura institucional minimalista baseava-se na convicção. bem como os primeiros passos da criação e constituição do Parlamento do Mercosul. professor da Universidade de la República. e. Unidade 1 . Por último. de que novos órgãos deveriam ser criados apenas se e quando necessários para responder aos avanços do bloco. Procurava-se . que define as suas funções. faremos uma revisão analítica do processo de integração mercosulino. Vimos também o sistema de incorporação das normas Mercosul pelo aparato jurídico dos Estados Partes. Com efeito. Refletir sobre o futuro funcionamento do Parlamento do Mercosul. considerando quais itens avançaram e quais os pontos fracos detectados. Também se lançará um olhar para o horizonte que se apresenta ao Mercosul. que tinham os negociadores.Análise da trajetória e perspectivas para o Mercosul Temas do Módulo Neste último módulo. Objetivos de Aprendizagem Ao término do módulo você estará apto a: Analisar o processo de integração do Mercosul. Módulo IV .Sucessos e debilidades. além do processo de produção da normativa Mercosul e os mecanismos para seu aperfeiçoamento.Análise da trajetória e perspectivas para o Mercosul Módulo IV . Uruguai.

respectivamente. cujas economias dependem fortemente de capitais estrangeiros. pelos órgãos decisórios do bloco. a integração tinha como eixo e fio condutor a ideia da celebração de acordos setoriais entre os Estados Partes. ao seu início. A ênfase recaiu no comércio intrabloco. Têm início grandes controvérsias comerciais e iniciativas protecionistas unilaterais por parte dos governos dos países membros. Os países membros do Mercosul. Em 1997. acabando com a paridade e com a conversibilidade. que financiava o déficit de sua balança de pagamentos. e o país é obrigado a desatrelar o peso. entre os instrumentos para a constituição de um mercado comum. o Brasil. dotou-o de personalidade jurídica de direito internacional. por seu art. como as possibilidades de ganho oferecidas pela complementaridade de setores das economias e a integração macroeconômica. Ao final dos anos noventa.511 em 1999. de maneira repentina. pressionados por setores cujos produtos haviam perdido competitividade no interior do bloco. de Menem e Collor. consistiu em importante avanço para o Mercosul. os fluxos de investimento destinados aos países em desenvolvimento. os países menores do bloco. Em seu art. é forçado a desvalorizar o real. ocasionando aumento exponencial das trocas. caindo para US$ 5. consubstanciado na grande quantidade de normas adotadas. da proliferação de instituições e da pesada burocracia que minavam a credibilidade de outros processos de integração latino-americanos. Esse notável dinamismo projetaria imagem positiva do Mercosul no cenário internacional. levando. e se deixou de lado outros aspectos da integração. A iniciativa brasileira gera fortes desequilíbrios no que concerne à competitividade dos produtos comercializados no mercado intrabloco. Também se falava no "patrimônio do Mercosul".016. no período. Este perde valor em relação ao dólar e às moedas dos seus parceiros no Mercosul. em 1994. 34. 5º. Página 2 A assinatura do Protocolo de Ouro Preto. que subiram de aproximadamente 4 bilhões de dólares em 1991 para em torno de 20 bilhões de dólares. A chamada "marca Mercosul" já começava a chamar a atenção de compradores de terceiros países.689. eclode a crise argentina. que aproveitariam as "vantagens comparativas" de cada uma das estruturas produtivas para baratear o produto final. Em 1999.escapar. Página 1 É importante registrar que. por conseguinte. foram profundamente atingidos. Decidiu-se. o fluxo de produtos argentinos exportados para o Brasil atinge a cifra de US$ 8. do dólar. assim. A mudança na orientação política resultante da chegada ao poder. na Argentina e no Brasil. e o Mercosul entrara em estagnação. A grave crise econômica que assolou os "tigres asiáticos" em 1997 reduziu. a uma inserção mais competitiva da sub-região no mercado internacional. pois permitiu que este negociasse em conjunto com terceiros países ou agrupamentos de países. sua moeda. o Tratado de Assunção inclui. Pouco depois. em 1998. repercutiria também no processo de integração que então se iniciava. o comércio intrabloco havia regredido aos níveis de 1991. Página 3 . infalivelmente. Paraguai e Uruguai. A situação precária das duas maiores economias do Mercosul afetaria também. que estabeleceu uma estrutura institucional para o bloco e. pelo deslocamento do eixo de implementação do Mercosul para a adoção de um cronograma de desgravação tarifária bastante acelerado. altamente dependente da moeda norte-americana. assim.133. os acordos setoriais "com o fim de otimizar a utilização e mobilidade dos fatores de produção e alcançar escalas operativas eficientes".

na esteira da crise econômica argentina. Outro aspecto a impulsionar uma possível reforma orgânica do Mercosul naquele momento era a busca de legitimidade democrática para as decisões tomadas por seus órgãos decisórios. e finalmente. voltado para o aperfeiçoamento das instituições do bloco. naquele momento histórico. realizaram-se seminários e reuniões de discussões preparatórias. do Protocolo de Olivos. por meio do fortalecimento do Foro de Consulta e Concertação Política (FCCP). passada a crise econômica que assolou a Argentina. Identificou-se que existe pouco compromisso com as decisões tomadas no âmbito institucional do Mercosul por parte de atores governamentais e não-governamentais. adotado pelo Conselho do Mercado Comum por meio da Decisão nº 26 de 2003. uma "combinação favorável de necessidade e densidade de oportunidades". um processo de acumulação de mudanças mais quantitativas. visando a revisão do Protocolo de Ouro Preto. inclusive na área esportiva. deu-se início a um novo processo. em suma. da Comissão de Representantes Permanentes do Mercosul. em suma. criação do Centro Mercosul de Promoção do Estado de Direito. em 2003. Naquele ano. Na opinião de especialistas. a própria eficácia do processo de integração. da Argentina. composta por Embaixadores dos Estados Partes e cujo primeiro Presidente foi o ex-Presidente Eduardo Duhalde. a ampliação da participação da sociedade civil. Página 4 A ausência de legitimidade democrática afeta. como a assinatura. nas palavras de Félix Pena. a visibilidade cultural por meio da promoção de eventos de amplo alcance nos meios de comunicação. cujas funções são de avaliar continuamente o desenvolvimento da integração. em dezembro de 2004. governamental e empresarial dos quatro países membros do Mercosul. o Presidente Fernando Henrique Cardoso lança a ideia.Os primeiros anos do século XXI trouxeram ainda grandes dificuldades. da leitura de recentes Decisões do Conselho do Mercado Comum. que se concentraram na esfera do comércio. Entre elas. Os percalços. a revisão do Protocolo de Ouro Preto era importante. de 2003 em diante. Nota-se. que justificaria plenamente a revisão da estrutura institucional do Mercosul. Outro passo à frente foi a criação. Ao apagar das luzes de seu governo. iniciava-se o processo de transformação da Secretaria do Mercosul. de se constituir um "Grupo de Reflexão Prospectiva sobre o Mercosul". às quais se agregam percepções expressadas pelos próprios agentes governamentais da integração. que encontram dificuldades para aplicar normas a respeito das quais não foram consultados. acabaria por perder a confiabilidade nas negociações com outros blocos e países. Porém. promoção do Mercosul cidadão. Ao mesmo tempo. fortalecimento da participação do setor privado no processo de integração e no sistema de solução de controvérsias. pois se o Mercosul não pudesse contar com instituições fortes. Até o final dos anos noventa houve. em 2002. que completaria dez anos de sua assinatura no ano seguinte. que criou o Tribunal Permanente de Revisão. que até então cumprira papel unicamente administrativo e burocrático. como se vê. o estabelecimento do Parlamento do Mercosul. com a participação de representantes do meio acadêmico. Dava-se. importante figura política da região. que deveriam apresentar a sua visão pessoal sobre a situação do Mercosul e sobre o seu . como a renúncia do Presidente argentino Fernando De la Rúa em 2001. portanto. para adaptá-lo aos requerimentos de uma agenda política. claro movimento em direção a um novo patamar institucional para o bloco. contudo. o "Programa de Trabalho do Mercosul 2004-2006". não impediram avanços no que tange a aspectos institucionais do Mercosul. que promovam a ideia do Mercosul nos Estados Partes e permitam maior conhecimento mútuo de suas sociedades. em Secretaria Técnica. prevê uma série de ações vinculadas à legitimidade democrática no bloco. que recebeu o apoio do Conselho do Mercado Comum. de prestar apoio técnico e de contribuir para a construção de uma visão comum efetiva do Mercosul. Nesse sentido.

É importante ressaltar que a recente retomada das negociações do Código Aduaneiro do Mercosul e de mecanismos que evitem a dupla cobrança da TEC . assinalou-se que a Comissão Parlamentar Conjunta "tem que assumir maiores responsabilidades no processo de formulação e incorporação de normas". enfraquece o Mercosul aos olhos de nossos parceiros externos. falta de transparência do processo decisório e. 3. particularmente entre os operadores econômicos. continua composto por quatro territórios aduaneiros distintos e separados. por exemplo. falhou também a tentativa de se proceder ao aprofundamento institucional do Mercosul. sobre suas economias. Esse implicaria o reconhecimento da livre circulação. onde os sócios reconhecem que. ao assumir compromissos. os países vêm assumindo comportamentos unilaterais fundados. a questão do déficit de incorporação das normas do Mercosul aos ordenamentos jurídicos internos. a grande falha apresentada pelo Mercosul consiste na sua incapacidade de se constituir efetivamente como um território aduaneiro único. utilização da diplomacia presidencial para a administração dos conflitos de interesses entre os sócios e mecanismos demasiado débeis. foram aprovadas pelo CMC as diretrizes para a eliminação da dupla cobrança da TEC. Nesse sentido. com efeito negativo nas decisões concernentes a possíveis investimentos e em estratégias empresariais voltadas para a região. Entre as principais preocupações do grupo figurou. entretanto.futuro. isto é. que deverá ocorrer em três etapas a partir de janeiro de 2012. não importando o ponto de ingresso no território. ainda que sejam iguais as tarifas aplicadas aos bens provenientes de terceiros países. Evidentemente. não podendo contar com um lastro de permanência. 2. Página 6 Do ponto de vista econômico-comercial. destinados à solução de controvérsias. em todo o espaço econômico integrado. ao contrário. de bens comprados de terceiros países. bem como o Código Aduaneiro do Mercosul (Decisões nos 10 e 27. Página 5 Félix Peña identifica quatro falhas básicas na metodologia de integração utilizada pelo Mercosul: 1. tampouco havia flexibilidade bastante para permitir a adaptação acordada e previsível de instrumentos de política comercial ao cenário resultante dessa crise. Isso porque. pela insegurança jurídica que gera. Significa renunciar às relações de poder para aceitar regras de jogo com forte potencial de efetividade. aceitam limitar sua capacidade de agir unilateralmente. nele. Tais comportamentos contribuem para debilitar a eficácia das regras. o que acarreta a hipertrofia normativa. somente no segundo semestre de 2010. ou normas). Como a revisão do Protocolo de Ouro Preto acabou por não se concretizar. pouca participação da sociedade civil. de uma "contraparte" com endereço certo para o diálogo. 4. iniciada em 1998. No Mercosul. que continua reclamado pelos especialistas. deficiência dos métodos empregados para preparar e adotar decisões. a livre circulação está condicionada à existência de um regime único de importação. Esse tipo de integração é muito distante do modelo europeu. em razões de emergência econômica. O Mercosul. O Mercosul sofre de um problema de insuficiência metodológica e institucional. no tocante à esfera jurídicoinstitucional do bloco. Na percepção deles. o bloco está sempre refém de fatores conjunturais. Também a falta de instituições mais permanentes. Ao mesmo tempo em que os compromissos assumidos pelos países membros não tiveram alcance suficiente para atenuar ou evitar os impactos da crise. como vimos. acumulação de regras não incorporadas aos ordenamentos jurídicos internos. que podemos chamar de rules oriented (orientado por regras. respectivamente).

deve-se à insistência da Comissão Europeia nesse sentido.O futuro do Mercosul Como vimos. máquinas agrícolas e outros produtos do setor. Unidade 2 . . colocando-as em descrédito. evitando que esta se fizesse pela via da violação de normas em vigor e. como os regimes para bens de capital e para bens de informática e telecomunicações. No que concerne à Tarifa Externa Comum (TEC). em processo de consolidação. conforme prevê o Tratado de Assunção. Existem. mas também para caminhões. os regimes especiais: de um lado. Autoavaliação da Unidade I do Módulo IV Vamos fazer a autoavaliação da Unidade I do Módulo IV? Clique em "Avaliações" ( lado esquerdo da página ) e em "Auto-avaliação da Unidade I do Módulo IV". tratores. por conseguinte. Cabe aperfeiçoá-la para que se possa alcançar o mercado comum. inicialmente estabelecidos para a integração. que impõem diferentes ritmos e velocidades. a política automotriz. permanecem também as exceções nacionais que foram acordadas quando começou a vigorar o Protocolo de Ouro Preto. assim como os produtos do Mercosul desfrutam de acesso a todo o mercado comunitário. a conjunturas inesperadas e difíceis.O futuro do Mercosul. O cronograma de reduções tarifárias mantém exceções. parece haver opiniões convergentes entre os analistas. que estimam que o Mercosul vem demonstrando pouca capacidade para ajustar os parâmetros. que promove um comércio administrado. há os regimes especiais para as zonas francas e para o açúcar. Segundo esses analistas. o Mercosul é hoje uma união aduaneira imperfeita. ainda. deveriam os negociadores ter previsto a possibilidade de ocorrência de tais circunstâncias ao longo do processo de integração e estabelecido mecanismo regional de adaptação. Os negociadores europeus vêm exigindo que as exportações da União Européia possam ter livre acesso ao mercado do Mercosul em seu conjunto. não apenas para automóveis. De outro. no contexto das negociações de uma área de livre comércio birregional com o Mercosul. porém respeitando as assimetrias existentes entre os sócios. No que diz respeito à inconclusa união aduaneira. Teste seu conhecimento! Página 1 Módulo IV Unidade 2 . há que se aperfeiçoar a disciplina tarifária.

como é óbvio. porquanto representa iniciativa concreta. figuram vários itens que buscam precisamente o aperfeiçoamento da união aduaneira. somente ocorreu no segundo semestre de 2010. transportes e telecomunicações. favorável ao Mercosul. como também o fim da cobrança de tarifas para bens originários da própria zona. o Protocolo de Ouro Preto. firmado em 1994. é fundamental estancar a dupla cobrança da TEC e começar a se trabalhar com o conceito de renda aduaneira. na medida do possível. de simples mecanismo de liberalização de mercados. para a atração de investimentos produtivos e para o fortalecimento das economias da região. com a Decisão nº 18/05 do Conselho do Mercado Comum. conforme já anotamos. formalmente. pois somente ela detém instrumentos . adotado em dezembro de 2003 em Montevidéu. tornando-as menos suscetíveis aos ventos adversos da globalização. como várias vezes destacamos.a imprensa escrita. A livre circulação de produtos pressupõe. mas certamente contribuirá. um dos instrumentos previstos no art. Trata-se de marco histórico no processo de integração. desde que hajam cumprido com as regras de origem. no sentido de diminuir as assimetrias entre seus Estados Partes. bloco em que as assimetrias entre os Estados Partes afiguram-se sumamente marcantes. em um vigoroso instrumento para a implantação de políticas públicas voltadas para o desenvolvimento dos países membros. 5º do Tratado de Assunção. apenas 30% desses atos haviam sido internalizados simultaneamente pelos quatro países membros. Esse baixo índice de internalização simultânea contribui para a falta de previsibilidade no bloco. a integração da infra-estrutura. representada por energia. o papel da mídia reveste-se de inegável importância. A inexplicável lentidão com que vem se processando a incorporação da normativa emanada dos órgãos da integração ao ordenamento jurídico dos distintos países do bloco em nada contribui para outorgar alguma segurança jurídica aos agentes econômicos que operam no Mercosul. o que poderá transformar o Mercosul. No caso do Mercosul. entre eles a geração de empregos. e discutir os critérios a serem adotados para a sua distribuição entre os países membros.No "Programa de Trabalho Mercosul 2004-2006". que entenda que em um processo de integração é possível haver uma comunhão de interesses e unidade de visão entre os países membros. que criou o Fundo para a Convergência Estrutural e Fortalecimento Institucional do Mercosul (FOCEM). Página 3 Nesse processo. em particular das economias menores e regiões menos desenvolvidas do bloco.capazes de construir uma consciência. Já em seu Preâmbulo. na região. Página 2 O reconhecimento da existência de assimetrias entre os Estados Partes veio. Por exemplo. de políticas públicas comuns e integradas. Até meados de 2006. A aprovação das diretrizes para a implementação dessas medidas. A celebração de acordos setoriais para a integração das cadeias produtivas da região poderá não produzir resultados imediatos. Ressurge a ideia de integração das cadeias produtivas do bloco. mencionava "a necessidade de uma consideração especial para países e regiões menos desenvolvidos do Mercosul". não só o fim da cobrança dupla da TEC para produtos extrazona. no médio e no longo prazo. representa poderosíssimo instrumento para a promoção do desenvolvimento da região em seu conjunto. Para uma correção de rumos no Mercosul seria preciso reformular percepções e paradigmas. garantindo expressivos benefícios no plano social. por meio da Decisão nº10/10 do CMC. poder-se-ia utilizar os acordos setoriais. há muito reclamada pelas economias menores do bloco. Em um cenário internacional caracterizado pela interdependência. os Fundos Estruturais destinam-se a corrigir os desequilíbrios por meio do financiamento de programas para promover a convergência estrutural. Para tanto. Nesse contexto. uma das principais . falada e televisada . o interesse nacional somente poderá ser plenamente atendido se projetos de desenvolvimento forem vislumbrados no marco do processo de integração. e se os seus frutos forem capazes de trazer benefícios a todos os países do bloco mediante a adoção. desenvolver a competitividade e promover a coesão social. além de apoiar o fortalecimento de sua estrutura institucional e do processo de integração.

construir uma visão regional da integração. que regula a aprovação dos tratados internacionais pelo Congresso Nacional. muito contribuiria para o fortalecimento da coesão entre os países membros. desde que observada a condição de reciprocidade. como a Fundação Friedrich Ebert e a Fundação Konrad Adenauer. faz referência a um pretendido "mercado comum". de forma a distinguir tais normas dos tratados internacionais firmados fora do processo de integração. capazes de gerar bens regionais comuns. 4º. à luz do parágrafo único de seu art. impedindo a sua derrogação pela via de uma lei ordinária subsequente.queixas do setor privado. visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações". cujo art. o grande salto do bloco em direção ao futuro. quando. Há necessidade. se existisse de forma clara. Página 5 A criação do Parlamento do Mercosul constitui. no ordenamento jurídico brasileiro os tratados internacionais equiparam-se à lei ordinária. espera-se que o Parlamento do Mercosul venha a conferir o necessário equilíbrio aos órgãos da integração. estabelece que o Brasil "buscará a integração econômica. A própria Carta Magna brasileira. A par de um estreito acompanhamento realizado pelos órgãos de coordenação nacional do Mercosul . cumpriria introduzir a normativa Mercosul entre a tipologia legal conforme enumerada no art. as decisões acordadas no Mercosul não desfrutam de posição hierárquica superior às leis ordinárias. 49. um mercado comum pressupõe o livre trânsito de mercadorias e pessoas pelo espaço econômico integrado. . sobretudo a partir do momento em que se logre instituir em seu seio partidos políticos em âmbito transnacional (as chamadas "famílias políticas"). sem dúvida alguma. o qual deseja ver assegurada a devida uniformidade e consistência jurídica à aplicação das normas do Mercosul nos diferentes Estados Partes. assim. o que o legitima como real conquista da cidadania.os Ministérios de Relações Exteriores dos distintos países -. Caberia também mencionar a grande contradição contida no próprio projeto da integração: o Tratado de Assunção. Como se sabe. no ordenamento jurídico brasileiro. Ao contrário da Constituição argentina. Juntamente ao Tribunal Permanente de Revisão. Página 4 Duas iniciativas poderiam ser úteis. elaborado pela Comissão Parlamentar Conjunta. que transcenda os interesses meramente nacionais. por meio do exercício do controle democrático. onde os esquemas de poder predominam sobre as normas. social e cultural dos povos da América Latina. Como se sabe. de modo a outorgar um tratamento diferenciado e mais ágil às normas emanadas dos órgãos do Mercosul e submetidas à aprovação congressual. 59 da Constituição Federal. que criou o Mercosul. inciso I. da Constituição Federal. no caso do Brasil. a criação de alguma instituição incumbida de zelar pelos interesses da região em seu conjunto. podendo ser revogados por lei posterior. como já visto neste curso. de instituições fortes. A consolidação institucional deve vir acompanhada de postura de verdadeiro respeito às regras pactuadas por parte dos atores governamentais. ademais. instituído pelo Protocolo de Olivos. 75 confere hierarquia superior às normas aprovadas como consequência dos tratados de integração. e dos Parlamentos nacionais. Em primeiro lugar. Deveria envolver. ambas na forma de projetos de emenda à Constituição. O Protocolo que o criou. seria também necessário adaptar os respectivos ordenamentos jurídicos dos Estados Membros para uma pronta recepção da normativa Mercosul. particularmente quando de suas negociações com outros países ou blocos de países. Essa percepção. política. Uma segunda iniciativa seria uma emenda ao art. Ao Parlamento caberá. fornece o princípio programático para que se procedam as mudanças aqui sugeridas. sem a qual o Mercosul tenderá a ser percebido como uma "integração ficção". contou com o apoio decidido de organizações não-governamentais. recebendo tratamento idêntico àquele outorgado aos demais tratados internacionais.

A criação de um Parlamento do Mercosul visa a fazer com que as decisões tomadas pelos órgãos da integração . como já esclarecemos. a exemplo do que encontramos no Parlamento Europeu. preocupou-se.Contudo. Ademais. terá 75 parlamentares. como o Estatuto das Cooperativas do Mercosul. para agilizar a incorporação dessas normas ao ordenamento jurídico dos respectivos Estados Partes. A consolidação institucional. que vem fracassando e desgastando a credibilidade do Mercosul. 2º) por se tratar de uma instância de representação direta dos povos do Mercosul. com base nas normas da Organização Internacional do Trabalho (OIT). desencadeando a chamada "diplomacia presidencial". no segundo período da emplementação da representação proporcional cidadã. A esse respeito. composto por técnicos e consultores dos Parlamentos Nacionais. a composição igualitária. por meio de sua decisão nº28/2010. antes mesmo de dar início ao trabalho. inciso 2). porque seu Protocolo Constitutivo atribui um voto a cada parlamentar (art. Esse modelo favorece a formação das famílias políticas transnacionais. a harmonização das legislações dos países membros do Mercosul no que tange ao trabalho infantil. nos termos do acordo político proposto pelo Parlamento do Mercosul e adotado pelo CMC. na verdade. A resposta encontrada mostrou que o Parlamento viria. 1º). passarão ao debate público no Parlamento e contarão com a participação da cidadania. em atendimento ao comando do Protocolo Constitutivo do Parlamento do Mercosul. a sanar duas grandes debilidades do bloco: 1º) permitiria o debate prévio das normas do Mercosul. e não a cada delegação nacional. dispositivo prevendo a eleição direta dos representantes dos países membros (art. 5º). dando ensejo ao seu aperfeiçoamento. rompendo assim com a lógica nacional presente no processo decisório dos demais órgãos da estrutura institucional do Mercosul. ainda que se trate de proporcionalidade atenuada. também nos moldes do Parlamento Europeu. Cabe recordar que o Grupo Técnico de Alto Nível (GTAN). O espaço parlamentar poderá também. Há. Esses fatores contribuem. antecipar eventuais conflitos em formação entre os países membros (ou setores destes) e solucioná-los antes que alcancem os mais altos níveis hierárquicos. Página 7 Temas da maior relevância. Página 6 O Parlamento do Mercosul representa avanço substancial em relação à Comissão Parlamentar Conjunta. "Para que serve um Parlamento do Mercosul?". A partir de 2011. as condições e formas de gestão e monitoramento do Aquífero Guarani. funcionários e consultores da Secretaria do Mercosul e da Secretaria Administrativa Parlamentar Permanente (SAPP) e por acadêmicos dos Estados Partes. com dezoito membros por Estado Parte. encarregado da redação do projeto do Protocolo. com o fortalecimento do Parlamento e do Tribunal. por sua vez. Em primeiro lugar. para que o Parlamento funcione é preciso que os movimentos sociais. também. a Estratégia Mercosul para o Crescimento do Emprego. ora em discussão no Mercosul. o Brasil contará com 37 parlamentares e. conferindo-lhes também a segurança jurídica e a previsibilidade necessárias. criada pelo Tratado de Assunção. 18. como vimos. por meio das sugestões provenientes dos setores envolvidos da sociedade civil. perguntaram-se. com um número mínimo de representantes para o Estado Parte com menor população (Uruguai) e um teto para o Estado Parte mais populoso (Brasil). por meio da política. o Parlamento contribuiria para legitimar as normas adotadas pelos órgãos decisórios do Mercosul. em definir a utilidade de um Parlamento para o Mercosul. cederá lugar à representação proporcional (art. é eloquente o exemplo do recente conflito entre Uruguai e Argentina sobre a construção de fábricas de celulose na fronteira entre os dois países. os diferentes setores da sociedade civil e as organizações governamentais o percebam como espaço de demanda e de debate. será o único caminho viável para que a construção do Mercosul prospere.

O Parlamento servirá. o Projeto Somos Mercosul. advindas de eventuais conflitos como aqueles em torno da construção de fábricas de celulose na fronteira entre Uruguai e Argentina e das reiteradas declarações de membros do governo do Uruguai a respeito de possível assinatura. em países como África do Sul. possivelmente. o "alargamento" do Mercosul para abrigar outros países da América do Sul. parece ter perdido de vista a própria lógica que inspirara a sua criação. portanto. para que esse apresente o seu programa. impediu uma utilização mais ousada daquele que tem sido um patrimônio já conquistado pelo bloco: a marca Mercosul. as conseqüências que já vêm se fazendo sentir no interior do Mercosul. por aquele país. que têm forte capilaridade. pois ao receber o Presidente Pro Tempore quando assume. O Parlamento deverá trabalhar em estreita articulação com foros e reuniões especializadas. incisos 6 e 7 do Protocolo Constitutivo do Parlamento do Mercosul). em outros. o Foro Consultivo Econômico-Social. também a da Bolívia ao bloco. por um lado. Se. e que comprometem a sua coesão. que busca aproveitar as vantagens comparativas dos Estados Partes do Mercosul por meio da integração de suas cadeias produtivas. por outro é preciso que as novas adesões sirvam também para a consolidação do Mercosul. de um Tratado de Livre Comércio (TLC) com os Estados Unidos da América. Outro ponto interessante a ser desenvolvido é a realização de iniciativas de promoção comercial conjunta. muitas delas criadas recentemente por Decisão do Conselho do Mercado Comum. afigura-se extremamente promissora a iniciativa do Conselho do Mercado Comum. que criou o Fundo para a Convergência Estrutural e Fortalecimento Institucional do Mercosul (FOCEM). do que para a visão concorrencial que finalmente prevaleceu. Estados federados. com o objetivo de melhorar a competitividade dos produtos do bloco no mercado global e de ampliar as suas exportações a terceiros países. com vistas a uma inserção mais vantajosa dos produtos da região no mercado internacional. Essa estava muito mais voltada para a busca de sinergias entre as estruturas produtivas dos países membros e para as eventuais parcerias e alianças de interesses. para que relate ao Parlamento os resultados de sua gestão (art. que obteve expressivo avanço com a Decisão nº 18/05 do Conselho do Mercado Comum. Essa iniciativa já está em marcha no setor de madeiras e móveis. Outro ponto de importância para que a integração prospere é a adequada abordagem da questão das assimetrias entre os Estados Partes. de viés competitivo. Já foram criadas missões do Mercosul para promover conjuntamente. e não para a destruição de sua identidade. que objetivava apenas as trocas comerciais dentro da região. Ao longo de sua existência. objeto do interesse e das atenções de países e blocos no cenário internacional. de vínculo entre as Presidências Pro Tempore que se sucedem e contribuirá para dar maior efetividade ao Mercosul. o Parlamento confere coerência interna ao Mercosul. pela Decisão nº 23 de 2002. Alemanha e China. imerso nos louros de seu sucesso comercial. o Mercosul. . em desrespeito a regras vigentes no bloco. Página 8 Por esse motivo. Entre esses. o Parlamento permitirá ao público interessado uma visão de continuidade das iniciativas tomadas e ações realizadas no âmbito do bloco. Essa visão. o Foro Consultivo de Municípios. 4º. em alguns casos. Além disso. e também quando sai. e interface com a sociedade civil. Províncias e Departamentos do Mercosul. reveste-se de incontestável importância geopolítica e estratégica. Outros temas que certamente devem ser levados em conta em qualquer reflexão sobre o futuro do Mercosul são: a adesão da Venezuela e. bens produzidos na região. a Reunião Especializada de Cooperativas. mas também a vontade da cidadania. já construída junto à comunidade internacional.reflitam não apenas a vontade dos governos. a Reunião Especializada da Mulher. que. criou o Programa de Foros de Competitividade. México.

porém. que deve brevemente regulamentar a solicitação dessas opiniões consultivas. ao colocar em relevo o descontentamento dos sócios menores com os poucos ganhos que julgam haver obtido como membros do bloco. no plano interno. Nesse sentido. a participação do judiciário na elaboração de tratados sobre integração e o estímulo a medidas que promovam a educação e atualização dos juizes no que concerne à normativa do Mercosul . Outro aspecto que não pode ser desprezado. da Câmara dos Deputados).No que tange aos conflitos e possíveis defecções. Em todos os estados membros do Mercosul. Iniciativas como essa. sobre matérias que digam respeito à aplicação das normas do Mercosul. São. e que também exigirá diversas reformas é a integração dos poderes judiciários. Nesse sentido. do Parlamento Britânico (European Scrutiny Committee. "institucionalizar a flexibilidade". por sua vez. a sua atuação como participes ativos no processo de integração é ainda insignificante. é importante que a integração também chegue ao nível dos poderes judiciários. cabe às lideranças nacionais ter em vista que a integração deve estar unida não apenas à agenda do desenvolvimento. sumamente necessárias. essa tarefa ficou a cargo do Supremo Tribunal Federal. Um passo importante foi dado pelo Protocolo de Olivos e pelo Conselho Mercado Comum. No Brasil. que os países membros da União Europeia alteraram as respectivas Constituições e adotaram novas leis para possibilitar a sua participação no processo de integração. passará pelos juizes. mas também à agenda legislativa. podem estar apontando para a necessidade de se adotar instrumentos que permitam. a modificação de instituições e de legislações nacionais. Veja-se. É preciso que outras medidas sejam tomadas. transcendendo a simples dimensão econômico-comercial. Página 9 Com efeito. obviamente. social e cultural de cada nação. porquanto contribuirão para a segurança jurídica e a transparência do processo.afinal os juizes somente podem aplicar bem o direito do Mercosul se o conhecerem profundamente. não surtirão qualquer efeito se ocorrerem de maneira isolada. caso os judiciários sejam refratários à inserção de tais normas.Clique em "Avaliações" ( lado esquerdo da página ) e "Avaliação final". nas palavras de Félix Pena. no entanto. os primeiros refletem a ingente necessidade de aperfeiçoamento do mecanismo de solução de controvérsias do Mercosul. de uma maneira ou de outra. agora vamos fazer a avaliação final . destinadas ao acompanhamento dos temas europeus. e do Parlamento Italiano ("Comissão para Políticas da União Europeia". inversamente . Concluimos o Módulo IV. por exemplo. por meio da utilização de instrumentos de geometria variável e de múltiplas velocidades. os processos de integração implicam. a exemplo do Parlamento da Espanha ("Comissão Mista para a União Europeia"). Boa sorte! . antes inexistentes. É preciso levar em consideração que a integração regional. Da mesma forma. Tais reformas exigem. como o incentivo aos encontros de juizes do Mercosul. Ainda que os Parlamentos promovam medidas para agilizar a internalização dos atos do Mercosul nos respectivos direitos internos. Outro desafio para os países membros do Mercosul é fazer com que o processo de integração penetre em profundidade nos planos político. Os segundos. Permitiram que as mais altas cortes dos Estados Membros solicitem opiniões consultivas ao Tribunal Permanente de Revisão. os Parlamentos Nacionais criaram Comissões. o comprometimento de atores políticos e sociais. da Casa dos Comuns). os judiciários vêm assumindo um papel de relevo na definição de políticas públicas. o processo de integração pode sofrer profundos reveses.

Esperamos que. De todo modo. Indicação de Leituras Complementares Créditos Créditos Conteudistas Maria Cláudia Drummond José Everaldo Ramalho Coordenação William Robespierre Nunes Athanazio Núcleo pedagógico Claudia Pohl Jenifer de Freitas Lucas Machado Marcelo Larroyed Polliana Alves Simone Dourado Tatiana Beust Valéria Maia e Souza Vinícius Henrique William Robespierre Athanazio Núcleo web Alessandra Brandão Bruno Carvalho Carlos Inocente Francisco Wenke Ítalo Fernandes Renerson Ian Sônia Mendes Núcleo administrativo Luciano Marques . Assim. com mais informações sobre os processos de integração regional em geral. você possua mais elementos para formar juízo crítico. e sobre o MERCOSUL em particular. certamente poderá exercer com maior plenitude sua cidadania nacional e também como cidadão do MERCOSUL. você esteja apto à certificação.Conclusão Parabéns! Você chegou ao final do curso. é já importante que. após responder as questões da avaliação final.

Maxlano Cardoso .

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