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Texto Geral

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Como já foi indicadoacima, em determinadas atividades produtivas se registram

retornoscrescentes só quando os níveis de produção superam certos patamares. A razão deste

fenômeno é que determinadas técnicas se tornammais rentáveis que outras somente sea

produção alcança determinada escala crítica. Este fato faz que estas mudanças sejam em geral

irreversíveis, já que uma vez instaladas as novas técnicas, elas de ordinário serão

acompanhadas por melhoras, por adaptações e pela incorporação de novos insumos e bens

complementares, circunstâncias que tornam improvável a restituição das técnicas anteriores

no caso de que a produção depoisseja reduzida. Para Marx, os retornoscrescentes

normalmente vão acompanhados eimpulsionados pelos processos de concentração e

centralização docapital industrial, fato que em geral torna irreversível as relações preço–

quantidade (Marx 1867e1894).Naspalavras de Piccioni:

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“Marx underlines that improvements in technical conditions are often
realized on ‘extremely large scale’. He also notices that improvements in
technical conditions are oftenin fewer and larger firms. This also implies
that these changes in technical conditions are not mechanically connected to
outputs (to the same variation in output may correspond different patterns of
concentration of capital, with different effects on technical conditions). Both
for similar and other reasons, changes in technical conditions are also
generally irreversible” (Piccioni, 1988).

Deste modo, resultaqueé difícil distinguir entre os retornos crescentes e o progresso

técnico em geral36

.Usualmente, na teoria marginalista se assume que existe um conjunto de

técnicas que podem ser adotadas em relação a incentivos que dependem dos preços dos

fatores ou da escala de produção -ainda quando em geral nesta abordagem o mais freqüente é

assumir que os retornos de escala são constantes. Em geral estes raciocínios partem da idéia

de que as técnicas não adotadas já são conhecidas pelos agentes econômicos. Assim, ante uma

determinada mudança, por exemplo, uma queda da taxa de juros ou uma modificação das

preferências dos consumidores, a teoria marginalista extrai conclusões sobre a base dum

efeito secundário como a mudança técnica, a qual se estuda como uso de funções de

produção conhecidas a priori.

Mas para que este procedimento seja apropriado, é preciso aceitar que dito efeito

secundário é o único relevante, já que é possível imaginar outros efeitos de natureza

secundária, como a possibilidade de verificar um progresso técnico induzido pela mudança

inicial. Para Kaldor (1972) o processo de acumulação e crescimento está caracterizado pela

presença de retornoscrescentes tanto de tipo estático como dinâmico os quais estão em

estreita relação com o crescimento da demanda. O rendimento crescente estático é explicado

pelas dimensões das unidades envolvidas. É o exemplo oferecido por Kaldor (1972) sobre a

relação entre superfície e volume em tubos de distribuição de combustível. Por sua vez, o

rendimento crescente do tipo dinâmico surge do aumento induzido da produtividade devido á

36

“If a new method is introduced as outputs increase, the economy would not turn to using the old methods
should outputs diminishing again. This aspect appears particularly evident in the case of the introduction of large
plants. This is often strictly connected with the introduction to technical innovations” (Piccioni, 1988).

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aprendizagem (learning by doing)e as economias externas tecnológicas. Na visão deste

autor37

, o crescimento dum setor –basicamente dos setores industriais-impulsionao

crescimento deoutros setores devido ao crescimento induzido da produtividade dentro e fora

do próprio setor dinâmico.

Assim, as mudanças de produtividade não são em geral independentes das mudanças

das quantidades produzidas. Embora possa ser discutível a direção de causalidade nestes

casos, é difícil imaginar que as melhoras de produtividade sejam completamente autônomas

ou exógenas, de forma que seja razoável omiti-las na construção das funções de produção que

pretendem definir relações predefinidas preço-quantidade.

Embora não se possa argumentar que as melhoras da produtividade tenham uma

influência direta e sistemática sobre a evolução das demandas (Cesaratto, Serranoe Stirati,

2003), tampouco é possível negar toda influência. Contudo, existem muitos motivos para

imaginar o inverso, i.e, que o crescimento da demanda induz melhoras na produtividade. Na

visão de Kaldor (1972), os aumentos da produtividade e das demandas setoriais dependem de

uma complexa interação entre ambos os fenômenos.

Esta concepção já foi apresentada por Adam Smith (1776), quemargumentava que a

divisão do trabalho -umadas duas causas que impulsionavam as melhoras da produtividade38

-,deveria ter uma maior amplitude quanto maior fosse aextensão do mercado. Deste modo,

tanto o progresso técnico quanto assimples mudanças contempladas pela teoria marginalista,

podem ter um caráter endógeno ante as mudanças das quantidades demandadas. De igual

modo, as melhoras técnicas induzidas que levam ao aumento da produtividade, podem ter

37

Na literatura também se costuma chamar como “lei de Verdoorn”, arelação entre o aumento do produto e a
variação da produtividade, devido ao trabalho seminal do mesmo autor (Verdoom,1949), retomada por Kaldor
(1966).

38

Na visão do Smith (1776), a outra causa do aumento da produtividade, era a porção de trabalho útil (ou
produtivo), no sentido de produzir mercadorias para o mercado, em relação ao total do trabalho empregado em
atividades improdutivas.

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ulteriores efeitos sobre a acumulação de capital e a evolução das demandas, em processos de

tipo iterativo. Segundo Ricoy:

Technical progress appears as a learning process intrinsically linked to
accumulation, structural change and dynamics of demand; as such, it is an
endogenous, path-dependent and cumulative process of macroeconomic-
structural nature; this latter nature follows from the interdependences and
complementarity, both sectoral and technological, that characterizes the
industrial structure (RICOY, 1998; p. 205).

Os efeitos irreversíveis dademanda sobre a produtividade não acontecem somente

quando as demandas crescem. Também é possível que os retornos decrescentes apresentem

características irreversíveis. Por exemplo, a introdução de um método de produção menos

produtivobaseado na incorporação de terras de menor fertilidade,pode envolver o

desenvolvimento de novas técnicas e procedimentos na medida em que o novo método é

introduzido. Mas se logo, por acaso, as quantidades se reduzirem aos níveis anteriores, é

provável que as novas técnicas e procedimentos não sejam abandonados. Naspalavras de

Piccioni:

“There are cases in which the so called diminishing returns to scale also
exhibit a similar irreversibility. In fact, the introduction of a more intensive
cultivation or the use of a less fertile land may lead to the use of a method,
which, initially, was not completely know: the solution of technical
problems regarding this new method may turn out useful in order to improve
less intensive cultivations or more fertile lands: these improvements will
therefore remain on the field even if the output diminished again” (Piccioni,
1998).

Mas a pretensão de construir funções de ofertaacaba sendoainda muito mais

improvável toda vez que se reconhece que os efeitos das mudanças das demandas setoriais

comumente ultrapassam os setores onde a mudanças se originam, gerando assim economias

externas. Ricoy resume o problema deste jeito:

The growth of markets leads to an increasing efficiency through
mechanization and structural transformation which would have not existed
otherwise. In the normal operation of markets, any given impulse is

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amplified cumulatively; the growth of demand results in an endless chain
reaction of sectoral supplies and demands all through the network of
interindustry relations. In the process, each sector receives impulses for
change and, in turn, sendsimpulses for further change. (Ricoy, 1998; 206-
207).

Em conclusão, reconhecido o efeito secundário das melhorias da produtividade ante o

crescimento das demandas, é altamente improvável que futuras reduções das quantidades a

produzir levem á re-adoção dastécnicas anteriores. Deste modo, não é justificável a

construção de funções reversíveis para representar as condições de oferta (Thirlwall, 1983).

De igual modo, é impossível deduzir todas as imagináveis melhoras técnicas que possam

surgir como conseqüência de uma variação das quantidades demandadas.

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