PROCESSO DE SOCIALIZAÇÃO DA CRIANÇA (MANUAL

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Anabela Fernandes

PROCESSO DE SOCIALIZAÇÃO DA CRIANÇA
Socialização: definição
A socialização é o processo através do qual a criança desenvolve hábitos, competências, valores e motivos que os tornam membros responsáveis e produtivos da sociedade. A obediência às expectativas parentais é o primeiro passo no sentido da obediência às regras sociais. A internalização dessas regras é essencial para uma socialização bem feita, isto é, as crianças aceitam os padrões sociais de conduta como se fossem seus. Crianças que foram socializadas com sucesso não continuarão simplesmente a obedecer a regras ou comandos para obter recompensas ou evitar punição; elas tornam suas as regras sociais. A Catarina está prestes a meter o seu dedo numa tomada eléctrica. No seu apartamento “à prova de criança”, as tomadas estão tapadas, não acontecendo o mesmo em casa da sua avó. Quando a Catarina ouve o seu pai gritar “Não” ela afasta o seu braço para trás. A próxima vez que ela se aproximar de uma tomada eléctrica, ela começa a apontar o seu dedo, hesita e depois diz “Não”. Ela impediu-se a si própria de fazer algo que se lembrou que não é suposto fazer. Ela está a começar a revelar autoregulação: controlo do seu próprio comportamento para se conformar às exigências ou expectativas da figura parental, mesmo quando esta não está presente. A auto-regulação é a base da socialização e integra todos os domínios do desenvolvimento – físico, cognitivo, social e emocional. Até ao momento em que a Catarina não estava fisicamente capaz de se movimentar por si própria, as tomadas eléctricas não constituam qualquer perigo. Impedir-se a si própria de introduzir o dedo numa tomada exige que ela compreenda conscientemente e recorde o que o pai lhe disse. Contudo, a consciência cognitiva não é suficiente; restringir-se a si própria requer também controlo emocional.

Os agentes de socialização
A Família Os pais são as pessoas mais importantes na vida de uma criança pequena e aqueles cuja aprovação significa mais do que qualquer outra coisa no mundo. “Lendo” as respostas emocionais dos pais ao seu comportamento, as crianças continuamente absorvem informação acerca de qual a conduta que os pais aprovam. À medida que a criança processa, armazena e utiliza essa informação, o seu forte desejo de agradar os pais leva-a a fazer como ela sabe que os pais querem que ela faça, quer os pais estejam ou não ali para ver. Este crescimento na auto-regulação é paralelo ao desenvolvimento de emoções tais como empatia, vergonha e culpa. Exige flexibilidade e capacidade de adiar a gratificação. Contudo, quando as crianças pequenas querem muito fazer uma coisa, elas rapidamente se esquecem das regras sociais; são capazes de atravessar a rua a correr atrás de uma bola, ou comer uma guloseima proibida. Na maioria das crianças o completo desenvolvimento da auto-regulação demora pelo menos 3 anos. Algumas crianças internalizam as regras sociais mais rapidamente do que outras. O modo como os pais vivem o seu trabalho, conjuntamente com o temperamento da criança e a qualidade da relação entre a figura parental e a criança podem ajudar a predizer o quão difícil ou fácil será socializar a criança. Factores relevantes no sucesso da socialização podem incluir a segurança da vinculação (ligação emocional recíproca e duradoura entre o bebé e a figura parental, em que cada um contribui para a qualidade da relação), a aprendizagem por observação do comportamento dos pais e responsividade mútua entre a figura parental e a criança. Todos estes factores, assim

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como factores de natureza socioeconómica e culturais podem ter um papel importante na motivação para a obediência. A criança convive, cresce e comunica com a família; a ela cabe, em primeiro lugar, a função educativa (um direito e um dever). Para além da função biológica de reprodução e de transformação cultural, convém salientar a sua função de agente socializador. O processo de socialização do ser humano pressupõe determinados elementos ambientais, mediante os quais se accionam os mecanismos necessários para o seu desenvolvimento. O ser humano transforma-se num ser social após um longo e gradual processo, articulado com o próprio desenvolvimento biológico e intelectual. Os juízos e os actos que têm lugar no seio da família não devem criar diferenças significativas nem demarcar-se excessivamente em relação aos parâmetros sociais vigentes. Um estudo revelou que o estilo parental seguido pelos pais influencia o modo como a criança responde às regras sociais e forma a sua personalidade. Pais Autoritários: valorizam o controlo e a obediência inquestionável. Tenta fazer com que as crianças se conformem com um determinado padrão de conduta e punem-nas violentamente pela sua violação. Eles são mais desligados e menos calorosos do que os outros pais. Crianças de Pais Autoritários: São crianças tímidas e pouco tenazes. Actuam influenciados pelo Prémio ou castigo. Têm uma baixa auto-estima. Tendem a ser pouco alegres, infelizes, irritáveis e vulneráveis às tensões. Pais Permissivos: valorizam a auto-expressão e a auto-regulação. Consideramse recursos e não modelos. Fazem poucas exigências às crianças e permitem-lhes monitorizar as suas próprias actividades tanto quanto possível. Quando têm de estabelecer regras, explicam as razões para tal. Consultam as crianças acerca das decisões a tomar e raramente punem. São calorosos, não controladores e não exigentes. Crianças de Pais Permissivos: Têm problemas para controlar os seus impulsos. Têm dificuldade em assumir responsabilidades. São imaturos. Têm baixa auto-estima. Contudo, são crianças mais alegres e vitais. Pais Democráticos: respeitam a individualidade da criança mas também enfatizam os valores sociais. Têm confiança na sua capacidade para orientar as crianças, mas também respeitam as decisões, interesses, opiniões e personalidade destas. São a afectuosos, consistentes, exigentes, firmes na afirmação dos padrões e dispostos a aplicar uma punição limitada e sensata – mesmo o bater moderado e ocasional – quando necessário, dentro do contexto de uma relação calorosa e apoiante. Explicam qual é o raciocínio que esta subjacente aos seus padrões e encorajam as trocas de opiniões verbais. Crianças de Pais Democráticos: Têm níveis altos de auto controlo e autoestima. São capazes de enfrentar situações novas com confiança e iniciativa. São persistentes no que iniciam. São independentes, carinhosas e de fácil relacionamento com outras. Possuem critérios pessoais acerca de questões morais. As aptidões sociais dos irmãos mais novos beneficiam de um tempo de experiência. Estas crianças aprendem cedo a perder tempo com ninharias, a irritar, a manipular, a manobrar e pôr os irmãos em apuros, ao mesmo tempo que adoptam uma postura inocente. Já têm um período de prática com os seus iguais. Depois de terem ganho experiência em casa, partem para o mundo sabendo quando devem ceder e quando devem tirar partido de uma situação. Como não foram os primeiros a nascer, os pais tendem a amá-los mais por aquilo que eles são do que pelas suas próprias ambições.

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O segundo e o terceiro filho sabem que há muitas lutas que não podem ganhar. Um irmão mais velho é que ganha porque é mais desenvolvido, quer física quer intelectualmente. As crianças mais velhas tendem a ser mais conformistas. Numa casa, quando as crianças excedem em número os adultos, o foco da família desloca-se dos crescidos para as crianças. As saídas são em função das crianças, as refeições são orientadas para as crianças. Quando há jogos de poder entre as crianças, a situação é muito mais equilibrada do que a do filho único, que tem de disputar esses jogos com os pais. Mesmo que tenham vivido separados durante anos, o irmão ou a irmã podem regressar à sua vida com facilidade. Os irmãos partilham segredos, experiências e a perspectiva que uns e outros têm do mundo. Os irmãos e as irmãs conhecem-se demasiado bem para que qualquer partida ou desilusão dure muito tempo. Seja qual for a capacidade que as crianças têm para esconder sentimentos ou intenções, bajular, manipular e encobrir, ela é aperfeiçoada através das interacções precoces entre irmãos. Os irmãos amam-se, apoiam-se e partilham, mas também entram em competição para ganhar a atenção dos pais. Sabem muito bem qual é a maior fatia do bolo e qual é o presente mais caro. Ou julgam que sabem. As crianças estão sempre atentas ao facto de serem contempladas com mais ou menos atenção dos pais, e de um irmão estar ou não em vantagem. Trata-se de uma competição da qual ninguém sai vencedor. O que devem os pais fazer? Devem tratar as crianças de forma única e não de forma igual: «És a minha Teresinha especial»; «És o melhor Jorge do mundo.» Dê de acordo com as necessidades das crianças: compre à Teresinha um vestido novo quando ela precisar de um; compre ao Jorge umas luvas novas quando as outras estiverem gastas. Aceite os sentimentos e frustrações dos seus filhos: «Eu sei que gostavas que a Teresinha não tivesse sido tão má. Porque não te serves dos teus lápis novos para fazer um desenho que mostre como estás zangado?» A Escola No mundo de hoje, a sociedade e os poderes públicos assumiram a tarefa de proteger e pôr à disposição, através dos recursos os elementos necessários para desenvolver sistematicamente as capacidades de cada um. É no âmbito das instituições educativas que se favorecem as vias da socialização e onde se assentam as bases dos processos de aprendizagem. Lentamente e de forma equilibrada a partir destes dois âmbitos de intervenção, a criança relaciona-se com outras crianças da mesma idade e com o mundo dos adultos. Inicia-se no jogo das competências básicas que lhe permitirão no futuro relacionar-se de forma activa no seu próprio processo de integração social e ao descobrir as possibilidades que o meio social e natural lhe oferece, bem como a sua capacidade de neles intervir. A influência exercida pelo núcleo familiar regula, facilita e pode mesmo alterar o desenvolvimento da criança. No seio da família verifica-se a primeira aprendizagem dos valores essenciais e travam-se relações afectivas indispensáveis no amadurecimento global do indivíduo. O objectivo comum da família e da instituição educativa é conseguir a formação integral e harmoniosa da criança. Ao longo das diferentes fases do sistema educativo, estas duas formas de participar trouxeram referências coerentes e suficientemente abertas à integração na cultura e na sociedade. Ambas devem orientar-se na mesma

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direcção, de forma a garantir a estabilidade e o equilíbrio, factores indispensáveis a uma formação correcta. Como consequência, pode afirmar-se que a educação compete ao mesmo tempo a pais e educadores. Há, portanto, necessidade de uma forte colaboração, que se veja em acções conjuntas e coordenadas. Na perspectiva da socialização é fundamental que qualquer instituição de crianças em idade infantil seja capaz de: - Ensinar a conviver colectivamente com crianças da mesma idade; - Ensinar a conviver com adultos, que não sejam pais ou familiares e que tenham autoridade sobre a criança; - Ensinar a adaptar-se ao grupo, separando-os do ambiente familiar e aceitando a sua própria identidade.

As dimensões do comportamento dos agentes educativos
Um programa adequado em termos de desenvolvimento implica interacções positivas entre os adultos e as crianças. As interacções adequadas em termos de desenvolvimento são baseadas no conhecimento que o adulto tem das crianças; nas expectativas do comportamento adequado à idade; na consciência que os adultos devem ter da existência de diferenças individuais entre as crianças. Os adultos são sempre responsáveis por todas as crianças a seu cargo e planeiam a sua progressiva independência à medida que elas vão adquirindo competências. são os adultos que O Educador/Professor e a auxiliar/agente de Educação diariamente prestam cuidados directos às crianças estando assim muito tempo junto delas. É fundamental que pensem que depende delas o bem-estar das crianças. Há qualidades importantes para este trabalho: ◊ Têm de ser pacientes, afectuosas, meigas para as crianças. Esta atitude é o ingrediente básico na relação delas com as crianças. Só com paciência é que a criança poderá ser ajudada a desenvolver-se, e, assim, a auxiliar e a Educadora sobreviverem às exigências deste tipo de trabalho; ◊ Têm de gostar de crianças e serem capazes de se darem a elas, recebendo satisfação com aquilo que elas lhes dão. Têm de ser capazes de olhar a criança como uma pessoa, sendo esta atitude vital para a respeitar e a ajudar a desenvolver autoconfiança. Têm de ter sentido de humor; ◊ Têm de perceber que as crianças necessitam mais do que de cuidados físicos. Têm de ter conhecimento sobre as necessidades especiais da criança em cada idade, saber dar-lhes resposta; ◊ Têm de se adaptar a diferentes situações, compreender sentimentos e ajudar a criança a reagir ao medo, à tristeza e à zanga, tal como a sentir amor, satisfação, entusiasmo; ◊ Têm de ter uma boa saúde. As crianças têm muita energia, são turbulentas e exigem também energia e imaginação para poderem ser controladas e disciplinadas; ◊ Têm de ter iniciativa ao trabalhar com as crianças e serem capazes de adaptar o programa para responder às necessidades e preferências individuais, usando de maleabilidade; ◊ Têm de saber controlar comportamentos indesejáveis na criança, mas sem serem excessivamente punitivas;

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o) Utilizar as oportunidades de educação. fornecidas pela educadora. aceitando a supervisão necessária. bem como das actividades e projectos curriculares. mantendo-a confortável. ◊ Têm de ser capazes de trabalhar com outros adultos e colaborar com os outros elementos do pessoal. através da planificação. e) Colaborar na salvaguarda da saúde do grupo de crianças. A educadora deve proporcionar facilidade de aconselhamento permanente para as auxiliares. que julgue oportuno comunicar. A educadora deverá falar sobre o trabalho de cada uma e. contribuindo para uma atmosfera de harmonia na instituição Qual é o papel da educadora? À educadora compete a concepção e desenvolvimento do currículo. k) Manter o seu trabalho dentro do espírito de “trabalho de grupo” intensificando a atitude de trabalho em equipa. g) Assegurar os registos que são da sua responsabilidade. i) Melhorar o nível do seu trabalho e do seu grupo. ou decidir da transmissão de outras. A educadora concebe e desenvolve o respectivo currículo. m) Transmitir e esclarecer os pais relativamente a acontecimentos do dia. independentemente da sua origem. Quais são as responsabilidades da auxiliar? a) Ajudar as crianças e os pais durante o período de adaptação da criança à instituição. com vista à construção de aprendizagens integradas. em boas condições de higiene. organização e avaliação do ambiente educativo. quer através de informações escritas entregues pela educadora ou por indicação verbal desta. melhorando assim o seu nível de trabalho e o do grupo. O seu próprio respeito irá ajudar os outros a desenvolver essa atitude. p) Colaborar com o trabalho da educadora de maneira a apoiá-lo e completá-lo. assim como a sua integração. 6 Anabela Fernandes . d) Salvaguardar o grupo de crianças de acidentes. n) Transmitir à educadora informações que lhe são entregues pelos pais para esta. j) Manter o equipamento e material da zona de trabalho atribuída. l) Contribuir para a avaliação do programa e elaboração de novos planos da instituição. em condições de poder ser utilizada e em quantidade suficiente. suavizando as dificuldades criadas pela transição. ajudando assim a criança a respeitar-se a si própria. b) Prestar diariamente cuidados do tipo maternal à criança. aceitar e apreciar as diferenças culturais da criança. h) Colaborar com os pais nos cuidados às crianças. para o que tem de compreender e responder às suas necessidades individuais. ou circunstâncias particulares. costumes que podem ser diferentes dos seus. ◊ Têm de respeitar a criança e os seus pais. este deverá ser aceite por ambas antes que comecem a existir relações conflituosas no que respeita a privilégios e responsabilidades. não pedidas. c) Manter o ambiente utilizado para o grupo das crianças atribuídas. f) Assegurar que as entradas e saídas das crianças se processem para que haja a indispensável troca de informações entre as famílias e a instituição. Ajudarem a criança a ter um sentido de orgulho naquilo que lhe é próprio e vital. ajudando-as nas situações de dúvida e de receio.◊ Têm de estar a par.

principalmente. pode afectar gravemente o desenvolvimento harmonioso e integral das crianças. rígido. deve também ignorar condutas irrelevantes e dever ser modelada aos comportamentos estabelecidos. razoável. da instituição. A cooperação entre auxiliar/educadora deve ser recíproca. pois o papel que ambas desempenham e têm para com as crianças é importante. • Utilização de gestos agressivos (gritos. O adulto não se vê responsável pelas crianças. o tipo de cuidados prestados. As regras são confusas e as crianças podem interpretá-las à sua maneira. • Dificuldade em iniciar ou estabelecer uma comunicação com outrem (tom de voz menos audível ou tom imperativo). altivo. não favorecendo um em relação ao outro. não devemos esquecer que a educadora desempenha uma função hierarquicamente superior e.q) Assegurar a existência e transmissão de dados à educadora. Estas não são impostas arbitrariamente pelo adulto. a auxiliar deve seguir e aplicar as suas orientações pedagógicas. etc… O sucesso da relação auxiliar/educadora é muito importante e crucial para o normal e óptimo funcionamento de uma sala de actividades e. A sua relação vai afectar o relacionamento com outros adultos e. • Democrático ou Flexível: é um estilo que permite às crianças construir regras. • Posicionamento duro. forte e necessária. • Incapacidade para ver ou escutar alguém (fazer que não vê ou não ouve). Não deve ser dada a responsabilidade às crianças de se protegerem dos adultos. • Indisponibilidade para tomar a palavra em público… O modo como o adulto se comporta perante a criança e impõe ordem e respeito. Deve ser usada de forma consistente. As crianças em todos os centros para a pequena infância devem ser protegidas de adultos ou crianças mais velhas. • Incapacidade prática de comunicação gestual (rigidez muscular). consequentemente. deve ser revista e verificada por todas as crianças. intransigente. 7 Anabela Fernandes . Uma boa regra é bem definida. Uma constante vigilância por parte do adulto é necessária com crianças entre os 0 e os 8 anos. • Livre ou Inconsistente: Não há regras claras e estabelecidas. cujo acesso ao edifício não é autorizado pela família ou pessoa de guarda. Contudo. tais como a evolução da criança. advém da sua experiência anterior e pode ser definido em três estilos: • Autoritário e Rígido: o adulto impõe regras sem considerar as circunstâncias e o ponto de vista da criança. Vejamos alguns comportamentos menos assertivos: • Dificuldade em olhar os outros de frente (desviar ou baixar os olhos). Ambas têm de responder pelas suas responsabilidades a uma terceira pessoa que as supervisiona (Coordenadora e/ou directora pedagógica). As regras são estabelecidas pelos participantes de comum acordo. a flutuação das crianças. O adulto reage de maneira diferente aos comportamentos e atitudes adoptadas pela criança: • Não preocupado: as necessidades e actividades das crianças são ignoradas pelo adulto. A vontade do adulto tem de ser cumprida. encenações). havendo uma atitude de respeito para com o trabalho que ambas realizam.

usadas com paciência e de forma persistente permite às crianças desenvolver uma capacidade de controlo interno e aprender a resolver os seus conflitos com os outros. Não considera as perspectivas em separado. resolve tudo pela criança. Envolve formas de negociação. etc. comportamentos e atitudes que sendo levadas a cabo pelos adultos. utilizando formas de interacção adequadas. nem autoritário. em vez disso foge ou usa a força. É importante que os adultos que lidam com crianças saibam identificar em que nível ou níveis se situam as crianças do seu grupo de trabalho. do espaço e materiais. Arbitrário: o adulto não sabe como expressar os seus sentimentos. age impulsivamente. • Estruturação de uma rotina diária consistente. trocas e contratos. partilhar materiais. 8 Anabela Fernandes . Nível 1 – unilateral A criança utiliza estratégias unilaterais para obter controlo ou satisfazer a sua pessoa. apenas se concentra nos erros e nos aspectos negativos. Preconceito: o adulto tem preconceitos acerca das atitudes da criança. Ao nível dos comportamentos e atitudes são: • Intervir imediatamente para parar um comportamento que seja destrutivo ou que ponha em perigo a segurança da criança. para poderem intervir no sentido de promover o seu desenvolvimento a este nível. é a que prevalece. bem como em distinguir entre acções e sentimentos. Não há compromissos. o adulto é uma pessoa rígida. Hipercrítico: o adulto procura a perfeição. Há certas estratégias. Rígido: o adulto apresenta um modelo que não permite qualquer mudança.). de forma recíproca. Nível 2 – recíproca As estratégias deste nível envolvem esforços no sentido de satisfazer ambos os participantes. as regras são impostas e não se tem em conta o ponto de vista da criança. • Adopção por parte do adulto de um papel de apoio (nem permissivo.• • • • • • • Culpado: o adulto sente-se responsável pelas atitudes e conduta da criança. O adulto limita as experiências das crianças e não lhe permite correr qualquer risco. Excesso de explicações: para parecer menos autoritário o adulto tenta convencer a criança falando demais e dando explicações em excesso. Não colabora com os outros. Verificam-se ordens e alegações de sentido único ou simples acomodação passiva às necessidades do outro. A sua perspectiva é relevante. estratégias de persuasão (tentar convencer o outro). Nível 0 – impulsiva A criança utiliza estratégias físicas para atingir os seus objectivos. Não estabelece regras e não actua de acordo com as regras já existentes. Não há alternativas. Ela resolve. A criança diferencia as perspectivas subjectivas considerando-as em simultâneo. Tem dificuldade em diferenciar a sua perspectiva da do outro. Super protector: o adulto preocupa-se demasiado com as crianças. Não há flexibilidade. geralmente com autonomia problemas com outras crianças (como esperar pela sua vez. Ao nível das estratégias são: • Organização do ambiente físico.

já que estes são os meios deles comunicarem. sorriem e mantêm contacto visual. proximidade física e encorajamento verbal. Em relação às crianças de 1-2 anos. Os adultos deveriam também ter consciência. Quando se depara um comportamento que é inaceitável. As respostas adequadas variam com as idades da criança. Os adultos devem responder apropriadamente às vocalizações do bebé. individualizada. Os adultos devem responder imediatamente ao choro aflito dos bebés. dando atenção e conforto físico sempre que necessário. as acções dos adultos devem ser compatíveis com as suas mensagens verbais e devem confirmar que as crianças compreendam o que elas querem comunicar. Pedir às crianças que exprimam por palavras os seus desejos e sentimentos. as respostas dos adultos são caracterizadas por menor comunicação física e maior resposta verbal. falam e cantam para eles numa voz calmante e segura. Antes de aparecer uma situação de conflito. Dar às crianças escolha para a resolução de um problema. apesar de que um imediatismo seja ainda mais importante. desejos e mensagens das crianças e adaptam as suas respostas aos diferentes estilos e capacidades das crianças. A resposta deve ser calorosa e calmante. Levar as crianças a apresentar as suas próprias soluções para a resolução de problemas. favorecendo a confiança da criança. a comunicação do adulto com a criança é facilitada com o sentar-se ao mesmo nível da criança e ajoelhar-se fazendo contacto visual. apoio e colaboração entre a criança e o adulto. um sorriso de interesse e atenção concentrada na actividade da criança. Os adultos movimentam-se calmamente e circulam entre crianças isoladas e grupos para comunicar com elas de uma forma amigável e descontraída. proporcionando apoio. ☞ Os adultos respondem directa e o mais rapidamente possível às necessidades. com todos os grupos etários. Evitar o uso de linguagem punitiva ou que expresse julgamento. verificar se as crianças conseguem resolvê-la sem o apoio do adulto. apenas quando elas se apresentem como opções possíveis de concretizar. os adultos mantêm-se por perto. À medida que as crianças crescem.• • • • • • • Usar a linguagem verbal para identificar os sentimentos e as preocupações das crianças. ☞ Os adultos facilitam à criança a realização de tarefas com sucesso. Experiências concretas de sucesso são incentivos importantes para que pessoas de todas as idades continuem a aprender e se mantenham motivadas. Os adultos reconhecem que as crianças aprendem por tentativa e erro e que os erros das crianças reflectem o seu pensamento em desenvolvimento. Repetem as palavras das crianças. As crianças 9 Anabela Fernandes . por exemplo. atenção focalizada. que vão proporcionar uma relação de diálogo. à manipulação que fazem dos objectos e aos seus movimentos. Há uma série de comportamentos e atitudes de apoio e colaboração que os adultos podem pôr em prática. deve-se explicar as razões às crianças. da poderosa influência do exemplo e de formas de comunicação não-verbal. Os adultos pegam e tocam frequentemente nos bebés. São importantes também as respostas positivas como. ao mesmo tempo que o adulto identifica a necessidade da criança. Entre a idade de creche e a escola básica. parafraseiam ou usam sinónimos ou acções para as ajudar a ter a certeza de que são compreendidas.

As crianças aprendem auto controlo quando os adultos as tratam com dignidade e usam técnicas de disciplina. ou no caso de crianças mais velhas. São agora menos tolerantes umas para as outras. a menos que um adulto ou uma criança assuma o papel mais importante. ou usando castigos ameaçadores ou humilhantes. Podem não partilhar o que lhes pertence e. negligenciar. Os adultos examinam o problema com a criança e. infligir dor física ou emocional. a menos que se conheçam muito bem umas às outras. Compreender um comportamento que é normal numa criança como. • Guiar as crianças para que elas resolvam conflitos. mais tarde. consistentes e justos em relação ao comportamento na sala. Portanto. Os comportamentos dos adultos em relação às crianças que nunca devem ser aceitáveis. nem discuti-lo entre si na presença das crianças. atribuindo culpas. • Lembrar pacientemente às crianças. tais como: • Orientar as crianças através de limites claros. desordem e falta de limpeza. Tagarelam e balbuciam. aceitação e conforto em relação às crianças. as regras e as razões para essas mesmas regras. ridicularizando. criticismo na pessoa da criança ou da família. 10 Anabela Fernandes . Poço depois dos 2 anos. choro e resistência. caso venha a propósito. a situação não evolui. mas não são capazes de manter uma conversa. as crianças começam a interagir e a brincar umas com as outras. se você não iniciar uma conversa. independentemente do seu comportamento. modelando competências que ajudem as crianças a resolver os seus próprios problemas. Podem bater. é a base para a orientação apropriada das crianças pequenas. Os adultos não devem rir do comportamento da criança. insultando. • Escutar as crianças quando falam sobre os seus sentimentos e frustrações. infracção das regras e da verdade. mas os seus dotes verbais são limitados. encorajam a criança para que experimente novamente e para que encontre alternativas. ☞ Os adultos facilitam o desenvolvimento do auto controle nas crianças. Sorriem. mas. ☞ Os adultos facilitam o desenvolvimento da auto-estima exprimindo respeito. • Valorizar os erros como oportunidades da aprendizagem. quando tal seja necessário. na sua maioria. Até aos 2 anos. não consegue interagir com eles. incluem: gritar alto e com zanga. Uma orientação apropriada em termos do desenvolvimento demonstra o respeito pela criança. as crianças não interagem nem brincam juntas. Os seus dotes verbais não lhes permitem iniciar e manter uma conversa com alguém que não consiga adivinhar ou interpretar as suas intenções. interesse pelas partes do corpo e pelas diferenças genitais.aprendem a partir dos seus próprios erros. • Reorientaras crianças para comportamentos ou actividades mais aceitáveis. Os colegas como agentes socializantes Os bebés adoram as pessoas e interagem com elas. agressão e. ajudando-as a estabelecer os seus próprios limites. As suas conversas são simples e muitas vezes fazem exactamente a mesma coisa. por exemplo. apesar de um bebé adorar a companhia de outros bebés. Ajuda-as a compreender e a crescer e ajuda as crianças a desenvolverem o auto controlo e a capacidade de tomar melhores decisões no futuro. se lhe tirarem o brinquedo protestam. gozando.

Um nome apreciado é importante. Outros factores que importam são: • A situação familiar. as crianças gostam se saber o que as espera. Mas depressa compreende que a criança descrita nos livros é apenas uma “criança/tipo”. sobretudo para os rapazes. mostram pouca preferência por este ou aquele companheiro. a entrada num grupo é relativamente simples. isto torna-se mais fácil. más e dominadoras são impopulares. As crianças gordas são menos populares. Quando as crianças desempenham vários papéis. Na maior parte das vezes as amizades vão e vêm rapidamente. Características que intimidam os amigos: • O autoritarismo. aprendem a interagir e a provocar reacções. • O tamanho. Ser das mais altas é popular. Gostam apenas de brincar juntas e. muitas vezes. tal como as rancorosas. se em alguns pontos se aproximam desse protótipo. Aquelas que têm à sua frente. A formação que receberam. Também sabe que as actividades propostas e realizadas. Quanto mais imponente é o físico de uma criança. fanfarronas. a pouco e pouco criaram amizades. • Hábeis. As crianças sociáveis são mais populares do que as tímidas. facilitarão ou não tais relações. Estudos realizados neste domínio permitem concluir que as crianças populares são: • Amigáveis. Mais tarde. permitem-lhe conhecer um pouco da psicologia da criança. • Brilhantes. A imprevisibilidade. pela primeira vez na presença de um grupo de crianças. aproximam-se dos estranhos com toda a abertura. Os talentos específicos são sempre admirados. Na fase em que se formam grupos de crianças em torno de uma actividade. • Extrovertidas. grandes diferenças. As crianças fazem amigos tal como os adultos. 11 Anabela Fernandes . as que são menos hábeis rondam a brincadeira até que alguém vá ao seu encontro. Estas podem ser de curta duração. qualquer outra que entre no jogo tem de conseguir um papel que seja aceitável para as outras. Mau humor e manipulação não são apreciados.dar pontapés e morder umas nas outras. As crianças mais novas são mais populares do que as que nasceram primeiro. As crianças menos populares podem ser excluídas. As crianças agressivas. Ele sabe perfeitamente que o compromisso que se estabelecerá entre eles dependerá das relações que se estabeleceram entre uns e outros. as crianças que falam sempre e que nunca ouvem não são populares. A inteligência ajuda a criança a compreender rapidamente qualquer coisa e explicar os pormenores às outras. • Atraentes. apresentam. um corpo estranho perturba. Deste modo. As crianças gostam daquelas que as arrastam para uma brincadeira. O REGISTO E A OBSERVAÇÃO DA CRIANÇA: SUA IMPORTÂNCIA Quando um educador se encontra. ser muito alto não é. Quando todos estão envolvidos em determinadas actividades. pretende conhecê-las melhor e o mais profundamente possível. • O nome. mais ela é admirada pelos seus pares. Se são eficientes. mais tarde com alguém. os conselhos que ganharam. Quando as crianças começam a interagir.

o modo como vemos os outros é consequência das nossas próprias experiências com as pessoas. por registo imediato e/ou memorizado. Preconceito do observador O elemento pessoal nunca pode ser completamente posto de lado. antes de se lançar a acção. ainda. Há. a sua verdade de expressão”. outras actividades – pois. 2. em função das suas necessidades actuais. as pessoas com quem gosta de agir. e não vemos as coisas tal como elas as vêem. etc. Evita que uma criança passe despercebida. favorece uma organização pedagógica apoiada na vida das crianças e a elaboração de projectos que. a nossa observação só poderá ser eficaz se se apoiar no que a criança gosta de fazer. Pode ser realizada a vários níveis pelos adultos que integram a equipa pedagógica. Observar é a “acção de considerar e registar o comportamento do indivíduo ou de um grupo. Erro de lógica 12 Anabela Fernandes . O observador deve procurar ser um espectador objectivo e imparcial. sobretudo. É pouco provável observá-las a todas. Para que a observação seja equilibrada é preciso centrá-la nas tarefas (actividades e situações) e nos comportamentos relacionais entre o grupo. Deve evitar fazer qualquer tipo de apreciação ou juízo. Deve pôr em evidência. Ex: tendência em avaliar de forma mais generosa os alunos de quem gostam mais ou de um modo mais severo aqueles que nos aborrecem. Estas devem-se sobretudo ao número de crianças em cada sala. os ajustamentos que opera em função das reacções dos outros. A observação deve ser situada no tempo. o que a criança gosta de fazer. a linguagem e. muito provavelmente as cativarão. em relação a um comportamento. Estão. Proporciona a análise dos componentes. é ainda necessário adaptar esses conhecimentos a cada criança do grupo. ligadas ao funcionamento do próprio grupo. espaço e contexto. por isso. o que permite constatar a evolução das aquisições e assim determinar a intervenção do adulto. A observação sistemática permite descobrir os interesses e as necessidades de cada criança e. não nos é possível observar cada criança ao longo de todas as actividades que a vida do grupo lhe proporciona. Deixa um traçado do comportamento observado. Efeito de aumento Refere-se à tendência para atribuir um valor mais alto ou mais baixo do que é merecido. a nível da motricidade grossa. as situações em que se mostra activa. etc. 3. a nível da motricidade fina. Esses elementos perturbadores da observação são: 1. Permite compreender o comportamento da criança e ajustar as suas intervenções. já sentida pelo observador em relação ao observado. sem alterar a sua espontaneidade. A motricidade – a nível da vida corrente. de forma rigorosa e sistemática. O que podemos observar? A socialização e a autonomia da criança.Se é indispensável conhecer o que a psicologia da criança nos pode dizer. também. sabe fazer. é preciso encontrar “espaço” para que o educador se torne educador/observador. as dificuldades individuais que nos impedem de ser objectivos (elementos perturbadores da observação). no mesmo espaço de tempo. É importante anotar as formas de comunicação que utiliza. registando e referindo a situação observada. Na sua observação o educador depara-se com algumas dificuldades. O recinto educativo apresenta-se como uma resposta à necessidade que a criança certamente não pode exprimir e que nos compete descobrir. de dizer. como consequência de uma impressão favorável ou desfavorável. as usas reacções com os outros.

associarmos essa dificuldade a um atraso na compreensão da linguagem. feitas por observadores diferentes. Veja os dados de observação como hipóteses a serem testadas e não como evidência conclusiva acerca da criança. sem avaliar. 5. dado o conhecimento que tem de uma dessas características. sempre que possível e compare as descobertas. Faça um registo enquanto observa. Por outro lado. Registe detalhes objectiva e rigorosamente. as conclusões só serão tiradas se houver comportamentos repetitivos e. presença de um pai na sala. Este problema é muitas vezes o resultado de termos efectuadas poucas observações. uma festa de crianças. sem considerar os dados da observação no contexto pode ser outra razão para a infidelidade dos dados. Eis algumas pistas para aperfeiçoar a observação: 1.O observador faz uma suposição acerca da relação entre duas características. fazer uma análise cuidada da sua frequência. verifique cuidadosamente o comportamento em observação com o fim de eliminar estes preconceitos. 8. Aprenda a separar os seus sentimentos dos factos. Tenha consciência do “efeito de aumento” e do “erro lógico”. 2. visita ao bairro. querer chegar depressa às conclusões. Tenha outros observadores a observarem o mesmo comportamento. válida) com vista à extracção de conclusões. listar situações susceptíveis de dar informação: dinâmica de um canto da sala. O conjunto dessas observações pode dar ao educador uma visão global do desenvolvimento da criança. As fichas de observação da criança devem: descrever o mais objectivamente possível o comportamento das crianças. Na OBSERVAÇÃO existem alguns aspectos importantes como. depois de haver esses comportamentos. 7. sempre que possível. etc. 9. Recolha informação durante um período de tempo adequado e numa variedade de situações para assegurar a amostragem do comportamento (fiel. Limites da memória humana 5. e de um modo tão completo quanto possível. etc. Seja tão discreto quanto possível durante o período de observação.. 4. com vista a minimizar a influência do observador sobre o observado. aldeia. ex: um aluno com dificuldade de articulação e. perguntas que podem ajudar a pormenorizar a informação: Quem fez o quê? Quando? Com quem? Como? Quem está só? Quem está com os outros? Quem parece ter necessidade de ajuda? Quantas vezes intervi? Quem não necessita de ajuda? etc. realização de um projecto. para que haja um acordo entre os observadores quanto ao que constitui um exemplo de “X” comportamento. Não confie na sua memória. Infidelidade dos dados de observação Os dados recolhidos podem não ser representativos do funcionamento típico de um aluno. Utilize várias observações. um animal que encontraram no passeio. O educador deve assegurar-se que cada criança seja observada em situações variadas. descrevendo um comportamento. descrever a intervenção escolhida. 4. Defina operacionalmente os comportamentos. utilização do material. pôr em evidência os factos observados. 6. 3. 13 Anabela Fernandes . descrever os resultados dessa intervenção.

tendo em vista a situação presente e possibilidades futuras. é preciso que se faça um levantamento e análise dessa realidade e das suas dimensões mais significativas. para conseguir aprendizagens mais eficazes e seguras. procurando deduzir conclusões. Planear implica basicamente decidir sobre: • O que pretendemos realizar. • O quê e como devemos analisar a situação. 4. Ser um meio que integra todos os factores que convergem (levam) para o acto educativo dando-lhe unidade e operacionalidade. Podemos. 2. (1989). segundo Sant’Anna e tal. Compete a cada educador encontrar o seu. por exemplo. O responsável pela planificação faz. A fase de preparação implica: • Determinar objectivos: o que pretendemos com a observação. Depois ele estuda cuidadosamente os dados recolhidos. É evidente que. pois. Os diferentes modelos de planificação estão também dependentes daquilo que a sociedade pede à educação. levantando dados e factos importantes da realidade educativa. procurando tornar coerente o seu modo de agir. A fase de conhecimento da realidade. Ser garantia de coerência e continuidade do trabalho. Ser base imprescindível para ponderar objectivamente o rendimento do trabalho pedagógico (avaliação). instrumentos sem os quais não é possível construir qualquer processo de planificação. aspectos que são comuns a todos os modelos. Segundo Garcia-Tuñon(1989) as funções da planificação são basicamente: 1. Planear em termos educacionais será um «processo contínuo que se preocupa com o «para onde ir» e «quais as maneiras adequadas para chegar lá». Assim. uma fase de desenvolvimento e outra de aperfeiçoamento. no entanto. Trata-se do diagnóstico.DA PLANIFICAÇÃO À ACÇÃO Em termos gerais. a fim de verificarmos se o que pretendíamos foi atingido. • O que vamos fazer. poderão existir diferentes modelos de planificação. 2. A partir deste diagnóstico o educador pode lançar-se na elaboração de uma planificação contextualizada. A raiz da palavra planear significa “poder ir em todas/muitas direcções”. qualquer planificação deve ter uma fase de conhecimento da realidade. se desenvolvem e aprendem. 3. 14 Anabela Fernandes . uma primeira ideia de fundo a reter quando pensamos em planificação. considerar a existência de fases a que qualquer planificação deve obedecer. Independentemente de modelos diferentes de planificação que possamos utilizar há. 1. uma fase de preparação. para que o desenvolvimento da educação atenda tanto às necessidades da sociedade como às do indivíduo». isto é. • Como vamos fazer. uma sondagem. portanto. em ordem a obter um determinado resultado. de acordo com as filosofias do educador e das correntes pedagógicas. Ser instrumento dinâmico de base a partir dos dados da avaliação: serve de controlo e ajuste do acto pedagógico às exigências das crianças. • Seleccionar e organizar conteúdos: o que vamos observar e registar. • Seleccionar estratégias: como vamos fazer essa observação. planear é coordenar um conjunto de acções entre si. das suas características e problemas. Esta. aponta-nos para a flexibilidade e multiplicidade (variedade) de possibilidades e não para unidireccionalidade (um só caminho/direcção). os seus valores em articulação com aquilo que o Conhecimento nos diz sobre o modo como as crianças crescem.

Sala polivalente.• Seleccionar recursos: quais os meios de apoio à observação. estes centros devem compreender três tipos de espaços: 1. As actividades e/ou projecto que se pretende desenvolver. Espaços comuns. Espaço para arrumar material de limpeza. As preferências das crianças e/ou educadora. Espaços para crianças (6 e13 anos). isto é. Espaço para equipamento de cozinha. De acordo com o Despacho conjunto nº 268/97 e considerando as diferentes actividades que se desenvolvem nas instalações educativas de educação pré-escolar. Esta avaliação poderá ser feita em vários momentos do percurso de forma a permitir. ESPAÇOS EDUCATIVOS Uma instituição educativa tem de ter vários espaços. A fase de aperfeiçoamento implica avaliar para voltar a planificar. O mesmo acontece com a implementação e instalação das Creches. conforme o Despacho conjunto nº258/97 (anexo I). Pretende-se corrigir deficiências. estratégias e recursos. Espaços para jovens. relativos a estabelecimentos educativos adaptados ou construídos de raiz. O equipamento dos estabelecimentos de educação pré-escolar devem respeitar também certas normas e orientações. A fase de desenvolvimento implica pôr o plano em acção. quer interiores e exteriores. 2. há uma série de espaços mínimos a considerar na criação dessas instalações: Sala de actividades. Estas devem compreender os seguintes espaços: átrios. São aqui analisados os resultados das situações de aprendizagem. 3. No que respeita a espaços. berçário. há uma série de normas que regulamentam a implementação. 3. adaptações indispensáveis para que o plano corra bem. Vestiário e instalações sanitárias para crianças. necessários ao desenvolvimento de actividades. Esta fase de desenvolvimento poderá necessitar de reajustamentos. arrumo e armazenamento de produtos alimentares. 4. Todos eles estão descritos no anexo nº3. zona de higienização. incluindo espaço para arrecadação de material didáctico. Gabinete. O tamanho da sala. mesmo durante o processo. a adequabilidade dos objectivos. que implicam a existência de ambientes diversificados. De acordo com a Direcção Geral de Acção Social e com vista a uma maior eficácia dos serviços prestados. Instalações sanitárias para adultos. Espaços de jogo ao ar livre. Estes variam de acordo com diferentes critérios: A idade das crianças. Nos anexos nº1 e nº2 têm a definição e caracterização destes espaços. • Definir procedimentos de avaliação: como vamos avaliar o resultado da observação. os reajustes necessários. a instalação e o funcionamento de centros de Actividades de Tempos Livres (ATL). os quais serão garantia de qualidade daquilo que foi projectado. salas de 15 Anabela Fernandes .

fazendo actividades calmas. um Educador acredita que as suas crianças aprendem melhor escutando. dispor de material e equipamento com características adequadas às necessidades de conforto e estimulação de cada criança. As áreas de trabalho devem localizar-se em volta do perímetro da sala. também das profissões. deixando um espaço central para a movimentação de uma área para a outra. dos serviços sociais de apoio aos indivíduos e famílias. entre outras. que permitem diferentes aprendizagens. Por exemplo. A organização dos espaços em áreas com os seus respectivos materiais (que compraram. A sala de actividades não tem um modelo único. trouxeram de casa. cozinha e anexos. área da biblioteca e escrita permite às crianças mergulhar e explorar a vida familiar (os seus papéis e relações interpessoais). a área das expressões. Afecta as suas relações com as outras pessoas e o modo como utiliza os materiais. as creches devem ainda. permite mergulhar na realidade das profissões (papéis sociais e suas relações interpessoais). depois de uma visita aos correios pode surgir uma nova área das comunicações. instalações sanitárias. Em salas onde não pode haver uma área central. conforme Norma VII (anexo nº4) e listagem de material e equipamento no anexo nº5. a área da biblioteca. uma das áreas deve ser suficientemente grande para 16 Anabela Fernandes . permite mergulhar na realidade escolar. diferenciadas. ÁREAS EDUCATIVAS Uma sala de actividades precisa de espaço – espaço para a actividade das crianças e espaço para a grande diversidade de materiais e apetrechamento. área das construções. antecipando experiências. Afecta o grau de actividade que pode atingir e o quanto é capaz de falar de si própria. uma sala com as seguintes áreas: área da casa. gabinetes e outros espaços de apoio e de ar livre. Com o desenrolar do jogo e das actividades quotidianas vão surgindo novos espaços que se tornam pertinentes explorar. O arranjo deste espaço é importante. Esta organização da sala em áreas contém mensagens pedagógicas quotidianas. construíram) é uma forma de passar mensagens implícitas à criança. Por exemplo. O arranjo da sala de actividades reflecte os princípios educativos dos adultos responsáveis por essa sala. que vai possibilitar falar e dramatizar a experiência da visita. vendo gravuras. área da expressão plástica. observando demonstrações.actividades e de refeições. Existem várias áreas. A área da casa. Esta organização também facilita a proposta de actividades por parte do Educador e promove a escolha da criança. tal como não tem uma organização fixa do início ao fim do ano lectivo. Todos eles vão descritos no anexo nº4. permite mergulhar no mundo. porque afecta tudo o que a criança faz. Por exemplo. A sala não necessitaria de um espaço grande. área do consultório médico. Afecta as escolhas que pode fazer e a facilidade com que é capaz de concretizar os seus planos. A sala precisa de espaço de arrumação visível e acessível às crianças. a área das construções.

que saem ou rodeiam. As áreas consideradas fundamentais são: 1) Área de blocos.1.4. para que as crianças tenham a sensação de estar dentro da área e. podem delimitar com prateleiras baixas de arrumação.reuniões de grande grupo. cordas. • Cordel. explorar. • Veículos de construção e agrícolas. dispor objectos. 4) Área de actividades repousantes. 9) Área do recrio ao ar livre. • Carris de comboio de encaixar. pois muitos materiais construídos servem para lá serem utilizados. comparar. ao mesmo tempo possam ver o resto da sala. 17 Anabela Fernandes . 3) Área da expressão plástica. • Conchas. • Blocos pequenos. Permite lidar com semelhanças e diferenças e criar modelos. Materiais de Construção: • Grandes blocos ocos. 8) Área dos animais e plantas. • Tubos. representar experiências e desempenhar papéis. • Blocos de tábuas de encaixar. celeiro.2. • Fotografias de construções feitas. Área de blocos Esta área permite às crianças construir estruturas que crescem. 1. 2) Área da casa das bonecas. • Cestos e baldes. • Brinquedos toscos de plástico e madeira. pessoas e animais. • Pequenos blocos para jogos. 1. 1. rampas e tábuas. 1. 6) Área da música e do movimento.1. • Blocos de cartão. • Rodas e blocos de pôr e tirar. Materiais para encaixar e desencaixar: • Camiões e carros de plástico ou madeira desmontáveis. Deve ainda estar bem delimitada. • Blocos revestidos de pano ou papel.3.1.1. 7) Área da água e areia. lidando com problemas espaciais e estruturais de equilíbrio e limitação do espaço. Materiais da área de blocos: 1. Materiais para simular: • Carros e camiões de todas as espécies e tamanhos.1. Materiais para encher e esvaziar: • Camiões de carga diferentes. • Carros pequenos.1. Por exemplo. • Blocos simples de várias formas e tamanhos. 5) Área de construções. Deve ser colocada perto da área da casa das bonecas. agrupar. caixas e embalagens de cartão. • Caixas grandes e pequenas. Permite seleccionar. longe de locais de passagem.

• • • • • Aviões. chávenas. Esta área deve ser colocada junto à área de blocos. 2. lençóis. cafeteiras. panelas e tachos. escumadeiras. pegas. frigorífico. rolo. permite trabalhar em conjunto e exprimir sentimentos e ideias. Materiais para jogo dramático: • Bonecas e animais de pano.1. carteiras. • Televisão. Animais de borracha. • Tábua d engomar e ferro. • Mesa pequena e cadeiras. Figuras humanas. embalagens vazias de comida. Área da Casa Permite simular e desempenhar papéis. • Cama de bonecas. pincéis e lixa).1. pires. espátulas. concha. panos. toalhas de praia. • Torradeira. • Vassoura. sacos de papel etc. helicópteros. 2. barcos. malas. bule. Fotografias de lugares para visitas de estudo. batedeira. Aparelhagem de cozinha: • Fogão. • Roupas e utensílios de bebé. Ao apetrechar uma área da casa deve ter em conta as experiências anteriores das crianças. comboios. • 2 Telefones. régua. colchas. imaginar coisas e utilizar ferramentas. • Caixas de cartão. tigelas. ferramentas. latas de tinta vazias. caixote do lixo e pá. Os materiais semelhantes devem ser colocados juntos. • Relógio. • Roupas de cerimónia. esponjas. cesto de piquenique. Permite explorar. toalhas. • Cobertores. Permite utilizar a linguagem para comunicar. toalhas de mesa. • Talheres. guardanapos. madeira ou plástico. • Plantas e regador. dinheiro.1.) • Caixa de carpinteiro (avental e chapéu.3. autocarros.2. Sinais de trânsito. mobiliário adequado ao tamanho das crianças. caixas para guardar coisas. utensílios e vestuário. 18 Anabela Fernandes . Caixas auxiliares: • Caixa de mercearia (caixa registadora. • Espelho. 2. Materiais para a casa: 2. estante de blocos e espelho de pé. passadores. Pode definir-se uma área da casa por meio de prateleiras baixas para arrumação. balança. • Utensílios de cozinha: colheres grandes e pequenas.1. As caixas de arrumação devem ter por fora desenhos ou fotografias alusivas aos materiais que estão dentro. • Pastas. embalagens vazias de alimentos. equipamento de pasteleiro. lava-loiças.1. pratos.

• Caixa da quinta (aventais. canos de plástico. • Embalagens de ovos. caixas de sapatos. espátulas. agulhas e linha. etc). • Arame fino. Materiais para representações a 2 dimensões • Lápis. 3. combiná-las e transformá-las. chapéu de palha. corantes alimentares. engaço. etc. palhetas). sem interessar os resultados. touca de enfermeira. medicamentos a fingir. papel. separá-las. papel autocolante. • Molas de madeira. copos de gelado. • Plasticina e acessórios. seda. ordená-las. cavaletes.1. 19 Anabela Fernandes .). lápis de cera. • Barro para modelagem. pires de pintura. • Caixa da bomba de gasolina.• Caixa de canalizador (fato de macaco. Os materiais devem ser introduzidos gradualmente para que as crianças aprendam a usá-los e a cuidar deles.. palha. escovas de dentes. balde. sabão. acessórios). fita-cola. 3. É uma área que necessita de muito espaço de trabalho: mesa grande.2. aguarelas. gaze. selos. caixa dos bombeiros. cola instantânea. Área da Expressão Plástica Permite representar coisas que fizeram. Permite aprender a criar e observar mudanças: encaixar coisas. furador. carrinhos de linhas. estetoscópio. prata. seringas. • Gesso.1. elástico. etc. • Materiais para ligar e separar (agrafador e garfos. • Meias usadas. envelopes. • Lantejoulas e missangas. mala de médico. embrulho. • Marcadores. • Lápis de cor. chave de porcas. bancadas. trinchas e pincéis de diferentes tamanhos. cola de farinha. enxada.1. clips. espaço para bibes. biberão de animais. Esta área deve ser colocada perto de um ponto de água e o chão deve ser facilmente lavável. ligaduras. bocados de cartão). • Materiais para misturar e pintar (tinta de têmpera. • Penas. • Massas de diferentes feitios e tamanhos. Materiais para representações a 3 dimensões • Barro húmido.1. esponjas. tesouras). cordel. 3. cola para borracha. • Sacos de papel. espaço para expor trabalhos ou corda para secar trabalhos. texturas e cores (papel branco de desenho. toalhas de papel. feltro. frascos para guardar tintas. pratos de papel. Materiais para a expressão plástica • Papel de diferentes tamanhos. • Caixa do médico (bata branca. fita isoladora. alcatifa. • Tubos de cartão. torneiras. etc. fio. carimbos). viram e imaginaram.. • Caixa do correio (saco de trazer ao ombro. papel de jornal. pensos. Permite experimentar materiais e técnicas. • Botões. aventais. • Restos de pano. galochas. etc.

• Tornos.1. Materiais • Banca de trabalho resistente. Permite resolverem problemas. É também chamada de área dos jogos e livros. • Dominós de figuras em madeira. • Classificador de formas e formas.• • • • Giz de cores. ouvir e inventar histórias. Revistas e catálogos. encaixam. Deve existir 1 martelo para cada criança. pedras. escolhem. Esta área convém ser colocada o mais longe possível das áreas mais barulhentas. comparam coisas e onde constroem modelos.3. • Blocos de diferentes texturas. para aprenderem novas técnicas. Permite realizar jogos onde separam. 4. conchas. Área de Actividades Repousantes As suas actividades são geralmente mais sossegadas que as outras. Materiais para ordenar e construir • Caixas e copos de encaixar. • Caixas de ressonância: 4. Materiais para encaixar e desencaixar • Cavilhas de diferentes tamanhos e quadro para cavilhas. • Botões. Anabela Fernandes 20 . • Legos.1. 4.4. • Livros de gravuras e histórias diversas.1. almofadas e sofás. Permite fazerem representações e objectos que se podem usar noutras áreas. Quadro. • Anilhas. • Anéis de enfiar num suporte. de uma superfície resistente que dê para 4 crianças e um lugar de arrumação de ferramentas e madeiras. Permite ver livros. Permite às crianças trabalharem sozinhas ou com amigos. berlindes. • Grampos. • Anéis de encaixar. cartas. fantoches. Materiais para seleccionar e construir • Contas grandes e pequenas e fios. Área de Construções Permite utilizar madeira e ferramentas verdadeiras. Deve ter uma mesa baixa. • Aldeia playschool.1. • Puzzles de madeira simples e complexos. Necessita estar longe da zona de passagem geral. 5. 4. reúnem. Materiais para descodificar e simular • Jogos de loto.1. • Fotografias das crianças. Almofadas e carimbos.2. emparelham. • Blocos de madeira e plástico. Materiais 4.1. Muitos dos materiais usados podem ser feitos pelas crianças e educadoras. expositores para livros e estantes.1. porcas e parafusos de diferentes tamanhos.

• Colheres e pás. • Instrumentos musicais: triângulos. Berbequim manual. seguinte”. geralmente de plástico com uma tampa. Materiais • Leitor de cassetes e dvd’s com gravador. um quadro ou prateleira seguros e etiquetados. xilofone de madeira. pizzas. etc. cavilhas e anilhas. serrote de 40 cm. 21 Anabela Fernandes .1. • Tachos. quantidades e atributos. • Serradura e paras de madeira. sinos. Aparas de madeira. 7. encher. tambores. peneirar e moldar. • Tubos de plástico. Área da Música e do Movimento Permite experimentar e apreciar as capacidades rítmicas e musicais. • Cassetes virgens. • Cassetes e cd’s vários. pauzinhos. primeiro. • Microfone. 6. ritmos e movimentos próprios. alicates. Permite criar conjuntos. Cola. Permite explorar e comparar sons e qualidade de sons e movimentos. mistura de sons. Situa-se geralmente no exterior. Pregos de diferentes tamanhos. • Peneiras e funis. pandeiretas. arame e elásticos. construindo casas. esvaziar. Chave de fendas. Permite representar objectos. • Baldes. Permite representar e desempenhar papéis fazendo bolos. cavar. maracas. panelas. Na sala coloca-se perto da área de expressão plástica e está colocada numa grande caixa. talheres. Necessita de espaço no chão. • Auscultadores. As tomadas eléctricas devem estar protegidas ou fora do alcance das crianças. Permite trabalhar ideias como “rápido. lento. • Figuras humanas de madeira ou plástico. para arrumação dos instrumentos. revolver. Parafusos. amontoar. hamburger’s.1. bater. Permite fazer experiências e descobrir texturas. Cápsulas de garrafas e tampas de frascos. Porcas. • Feijões e ervilhas secas. • Bibes impermeáveis. • Frascos de esguichar. sólidos com areia. Área da Água e Areia Permite misturar. Materiais • Automóveis e camiões de plástico.• • • • • • • • • • Martelos. despejar. Lixa grossa e fina.

1. Objectos para trepar e baloiçar • Estrutura permanente para trepar ou labirinto. Área de recreio ao Ar Livre Necessita de espaço para a acção e equipamento. • Porquinhos-da-índia. Quando são pequenos. Animais a explorarem • Minhocas. • Formigas. gerânios). Todo o espaço precisa ser delimitado por árvores. É importante que o equipamento proporcione grande diversidade de experiências e actividade física às crianças.1. • Peixes ou tartarugas. troncos. • Lagartas ou caracóis.1. guardadas em frascos com tampas furadas. conservá-las num frascos ou recipiente próprio com tampa de plástico a fazer de chão e telhado. Encher os frascos com terra húmida. Os peixinhos vermelhos são fáceis de tratar e resistentes. 8. regar ou dar de beber. coelhos. plantas que as crianças possam semear (feijões. por vezes os educadores. elevações de terreno. • Girinos. malmequeres). • Gatos. podem ficar numa gaiola.1. Ter o cuidado de manter uma parte da relva ou folhas onde estavam quando foram apanhados. Permite cuidar de seres vivos. A quantidade de espaço depende do número e tamanho dos animais e plantas. Os gruppies são bons reprodutores e multiplicam-se rapidamente. Permite aprender a alimentar. conservam-se num aquário com água do lago de onde foram retirados. É necessário limitar as áreas no seu interior. Exemplo de como não dever estar organizado um espaço exterior Exemplo de como deve ser organizado um espaço exterior 9. Importa incluir plantas que se desenvolvam com facilidade (cactos.Área de Animais e Plantas Permite observar o crescimento e a mudança. aldeia de formigas numa caixa transparente. Materiais 9. As capoeiras e a comida devem estar ao alcance das crianças. Deixam-se tratar pelas crianças e não fogem ou atacam. relva. cães. 22 Anabela Fernandes . coloca-os na área das actividades repousantes.

Liberta igualmente crianças e adultos da preocupação de terem de decidir o que vem a seguir e permite-lhes usar as suas energias criativas nas tarefas que têm entre mãos. atirarem Bolas de diferentes tamanhos. Objectos para saltar por cima e para cima Tubos de borracha. Casa de brincar.1. Monte de folhas. montar Triciclos. Sacos de feijões. por vezes.1. Alvo pintado UTILIZAÇÃO EFICAZ DO TEMPO Importância da rotina diária na vida da criança Uma rotina coerente é uma estrutura. • • • • 9. pneus. Cama de lona. • • • • 9. puxar. Lambretas. Primeiro.5. Baloiços. • • 9.1. Carros de mão. ser prolongado ou a rotina alterada para se adaptar a uma saída ao exterior. a rotina torna-se mais flexível. Objectos para dar pontapés. Pneus. Objectos para empurrar. Por exemplo. Rampa baixa.• • • • • • • • 9. Baldes e caixas. Caixas baixas. A rotina diária tem como fim três objectivos importantes. Carroças. planear e 23 Anabela Fernandes . um bom tempo de trabalho ou brincadeira pode. Tábuas para balancé. Tendas feitas de lençóis ou cobertor.1. Baloiço pendente de uma árvore. rede ou pano. Uma vez estabelecida e nela integradas as crianças. • • • • • • 9. Túneis feitos de bidões. proporcionar uma sequência que proporcione à criança um processo de a ajudar a explorar. Baloiço feito de pneus. Carro de puxar. Cordas. • • • • • • Pneus. Barco de baloiço.4. Colchão velho.2. Grandes pedras. Cesto de basquete.6. Objectos para entrar e passar por baixo Túneis. Rede para trepar. Objectos para escorregar Escorrega.1.3.

codificar experiências e tomar decisões. de adulto/criança. auto organizar-se. Actividades: À medida que as crianças se vão apoderando das actividades irão modificando o modo como as realizam. conhecer a realidade. Virtualidades cognitivas e afectivas: Através da rotina a criança terá a oportunidade de: explorar. o que se faz em todos os momentos da sessão. ao ar livre. Quando a rotina diária é bem utilizada. o seu nome e a sua sequência: o que acontece antes. As experiências têm lugar num contexto físico apropriado. Ajudar a criança a aprender a rotina diária A criança tem de ter consciência da rotina diária e saber os nomes das partes que a compõem. Cada período envolve as crianças em experiências de aprendizagem activa. Segundo.executar brincadeiras e projectos e a tomar decisões sobre a aprendizagem. proporciona uma grande liberdade de actuação. autonomizar-se. sempre na mesma ordem. o que se faz no início. e tempo ao ar livre. Orientações gerais para estruturar uma rotina diária A existência de diversidade nos períodos de aprendizagem possibilita às crianças um leque de experiências e de interacções. Captação do tempo: A criança aprende a existência de fases. 24 Anabela Fernandes . tanto às crianças como ao educador. de criança/criança e de adultos em equipa – e a tempos em que as actividades são de iniciativa da criança e de iniciativa do adulto. Os períodos de aprendizagem activa têm lugar numa sequência razoável e previsível. ou a preocuparse porque não vai ter oportunidade de ir lá para fora brincar nos baloiços. Captação cognitiva: A percepção sensorial dos momentos completa-se nas rotinas com uma captação cognitiva da estrutura das actividades. dia a dia. pode proporcionar uma estrutura multifacetada que permite a actividade e a criatividade de crianças e adultos. dentro de um clima de apoio. dar azo a muitos tipos de interacção – trabalho de grande/pequeno grupo. que vai ao encontro das necessidades particulares do contexto. Eis algumas formas de ajudar as crianças a aprenderem a rotina diária. O papel desempenhado pelas rotinas Marco de referência: Uma vez apreendido pela criança. Estes momentos integram o planear-fazerrecordar. usar funcionalmente os recursos. em excursões ao campo. logo desde o primeiro dia de actividade: ◊ Seguir todas as partes da rotina. Terceiro. o que acontece depois. para não pensar o dia a pensar o que irá acontecer a seguir. em diferentes áreas de trabalho. Segurança: Ao saberem com antecedência o que vão fazer a seguir sentem-se mais seguras e donas do seu tempo. tempo em grande grupo e em pequenos grupos. proporcionar tempo para trabalhar numa grande variedade de ambientes – dentro de casa. A rotina diária implica a passagem discreta e suave entre experiências atractivas.

Tempo de trabalho: as crianças executam os projectos e actividades que planearam. geralmente escolhidos pelo adulto. às vezes. “Está na hora de mudarmos a fralda. Componentes da rotina diária Cada componente de uma rotina diária deve proporcionar à criança um tipo diferente de experiência. durante o dia. Tempo de síntese de memória: este é o terceiro elemento do ciclo planeamento-trabalho-síntese de memória. lançam objectos. pôr uma criança a tocar pandeireta e dizer: “Tempo de arrumar. numa actividade cuja intenção é permitir ao adulto observar e avaliar as crianças. Tempo de repouso ou sono: é o tempo em que as crianças descansam. Por exemplo. em que efectuou as actividades. No caso de haver qualquer alteração na rotina. Tempo de trabalho em círculo: todas as crianças e adultos se juntam num grande grupo para cantarem e inventarem canções que envolvem acção. Tempo de arrumar: as crianças guardam os projectos ou trabalhos inacabados e reúnem. Pequenos grupos de cinco a oito crianças reúnem-se com um adulto para reverem e representarem as actividades desenvolvidas durante o tempo de trabalho. para poderem antever o que se segue. trepam. Carla. alguns minutos antes de acabar cada tempo. para irmos dormir bem sequinhos”. “Vamos lavar os dentinhos e fazer chichi. ◊ Estabelecer e utilizar um sinal para marcar o fim do tempo. ◊ Tirar fotografias das actividades durante cada período de tempo do dia. Os adultos deslocam-se entre elas. Tal como em todas as actividades os adultos incitam as crianças a falarem sobre aquilo que estão a fazer. andam de baloiço. dormindo ou lendo um livro. 25 Anabela Fernandes . não esquecer de informar as crianças. ◊ No fim de cada tempo falar com as crianças sobre o que vem a seguir. chegou o tempo de arrumar. o nome de cada tempo: “Isso mesmo. pois está na hora de dormir”. na conversação com a criança. durante o tempo de planeamento. ordenam e arrumam os materiais que utilizaram durante o tempo de trabalho. a meio da manhã. rolam. etc. ajudando-as e dando-lhes apoio no desenvolvimento das suas ideias. para tocarem instrumentos musicais. em termos de determinada experiência-chave.◊ Fazer questão de usar. Eis alguns dos principais elementos que compõem a rotina: Tempo de planeamento: as crianças decidem por si própria o que vão fazer durante o tempo de trabalho. para fazerem uma refeição ligeira. para se moverem ao som da música. Tempo de pequenos grupos: as crianças trabalham com materiais. Tempo de refeição: as crianças reúnem-se. fazerem jogos e. Incitá-las e ajudá-las a fazer a ligação entre a fotografia e o nome do tempo. e vais arrumar os cubos todos”. tempo de arrumar”. Tempo de recreio ao ar livre: crianças e adultos participam numa vigorosa actividade física – correm. discutirem um acontecimento especial que se aproxima. ◊ Alertar as crianças.

desde que se incluam todos os componentes.Tempo de higiene e asseio: altura em que as crianças realizam actividades de asseio (pentear. lavar as mãos e os dentes). Contudo. sono. Logo pela manhã. numa creche ou num jardim-de-infância. as crianças podem sinalizar as suas necessidades individuais de alimentação. chichi. ajuda as crianças a sintonizarem-se com o ritmo do próprio corpo e com o ritmo do dia. A coordenação dos horários múltiplos dos bebés e das crianças pode apresentarse como um desafio. Como criar um horário que seja previsível e flexível A Organizar o dia em torno de acontecimentos diários regulares e rotinas de cuidados Num programa de aprendizagem activa. em cada acontecimento e rotina de cuidados. depois de participarem nestas rotinas de cuidados. O modo específico de organização não é importante. Incorporar aprendizagem activa. incluindo apoio do adulto. após a sesta. funcionam com base na hora das refeições. em. Os bebés e as crianças sentir-se-ão seguras e confiantes. É tarefa dos adultos e da equipa pedagógica organizar estes componentes numa rotina diária que se adapte às suas específicas restrições de tempo e de horário. desenvolva um horário diário global que se adapte tanto quanto possível a todas as crianças do grupo. o tempo de planeamento-trabalho-síntese devem vir em sequência e o tempo de trabalho deve ser a unidade de tempo mais longa. Um horário consistente proporciona às crianças um sentido de continuidade e controlo. Criar um horário diário que seja previsível e no entanto. que passo a descrever: Anabela Fernandes 26 . 2. Saber o que irá acontecer na etapa seguinte. um horário diário previsível e ao prestar-se cuidados segundo rotinas tranquilas. Horário e rotinas para bebés e crianças Ao proporcionar. Há programas que. a separação dos pais e a aproximação do adulto e aos companheiros tornar-se-á mais fácil. Como proceder para organizar uma programação diária? Eis duas linhas orientadoras: 1. vestir) e higiene (muda de fralda. se as crianças souberem o que vão fazer quando os pais os deixam. por exemplo. dos bebés e crianças inclui determinados acontecimentos diários regulares bem como as rotinas de cuidados individuais. mudar a fralda ou ir à casa de banho e. Há equipas que preferem começar o dia com o tempo de trabalho em círculo. higiene. outros programas aproveitam todo o dia e têm dias de trabalho tanto de manhã como de tarde. flexível. simultâneo. podem juntar-se de novo ao decurso dos acontecimentos que interromperam. por exemplo. da sesta e do recreio. estão a dar-se às crianças muitas oportunidades de realizarem as suas acções e ideias. o dia a dia. É importante que se aprenda e responda ao horário diário personalizado de cada bebé e criança e. Esta é uma das razões pela qual os grupos de crianças em creches deve ser pequeno. Quando o dia é determinado por um percurso conhecido.

É importante pois que se organizem as etapas do dia de modo a que façam sentido. presentes na programação diária. fazendo apelo á flexibilidade e também organização da equipa de educadores. seja simples e activa e também que seja consistente de dia para dia. Em suma. dando tempo ás crianças para lidarem com os acontecimentos e rotinas de cuidados diários de acordo com o temperamento individual. Proporcionar às crianças oportunidade de fazerem escolhas sobre a actividade seguinte constitui outra forma de facilitar essa transição. ainda possam prever o que vai acontecer a seguir. Nestes casos pessoais a atitude do adulto é a de flexibilidade. uso de bacio. Isto pode significar começar a actividade seguinte com algumas crianças que já estão prontas.Acontecimentos diários regulares Rotinas de cuidados individuais A chegada As interacções adulto-criança A partida As refeições Um ou mais tempos de escolha As sestas livre A higiene corporal (muda de fralda. etc) O tempo de recreio Uma ou mais horas de actividades em grupo B Seguir consistentemente o horário diário A programação diária permite que as crianças possam participar ou abandonar as várias actividades de acordo com as suas necessidades pessoais e que. Para tal. antecipando e apoiando as escolhas que as crianças fazem relativamente a observar. sugere-se que essa actividade de transição seja planeada minuciosamente. enquanto que outras ainda estão envolvidas ou a terminar a anterior. C Adaptar-se aos ritmos naturais e aos temperamentos das crianças Uma vez elaborada uma programação adequada. juntar-se ou afastar-se das experiências em grupo. quer para a equipa quer para as crianças. É necessário ouvir as intervenções das crianças (em vez de olhar para o relógio) sobre o início e o final dos acontecimentos. de modo a que as crianças saibam o que esperar. sem estarem envolvidos em algo.” 27                   Anabela Fernandes . os educadores podem implementá-la de forma tranquila. Isto significa que um determinado número de horários personalizados ocorre simultaneamente. os adultos devem procurar facilitar as transições das crianças de forma a evitar perturbar a exploração e a brincadeira escolhida pela criança. vestir. D Proporcionar uma transição suave entre uma experiência interessante e a que se segue Uma das formas de actuar é através de actividades de transição de curta duração e previsíveis. banho. É importante perceber que há crianças do grupo que eventualmente necessitam de passar algum tempo sozinhas. É importante que as crianças não façam fila ou se sentem à espera de acontecimentos que se seguem. Outras preferem observar em vez de se juntarem às experiências de cantar e movimentar m grupo. • Exemplo de oportunidade de escolha: “O que gostarias de levar para a sesta?” • Exemplo de antecipação de acontecimentos: “Agora já a seguir vêm as histórias e a sesta.

bebés e crianças manipulam e metem na boca diversos materiais. Os adultos devem trabalhar em conjunto de modo a reconhecerem os sentimentos das crianças e manterem assim a abordagem de resolução de problemas ou conflitos. 2.Como incorporar aprendizagem activa. Intercala os movimentos com pausas atirando-se para o chão. os pontos fortes e o desenvolvimento das crianças. experimentando causa e efeito 28 Anabela Fernandes . Ainda não conseguem fazer a distinção entre materiais lúdicos. observando e escutando o que elas estão a fazer durante o dia. São pois de excluir nas suas intervenções uma abordagem punitiva quando a criança faz algo que não deve. Em outras ocasiões. F Observar as acções e comunicações das crianças pela perspectiva das experiênciachave Recolher informação sobre os interesses. todavia. tem como objectivo proporcionar às crianças um sentido de controlo sobre o seu dia a dia. quer em outros contextos. proporcionando-lhes oportunidades de escolha O escolher e decidir numa base diária e ser capaz de mudar de ideias de dia para dia. Movimento e música: movimentar o corpo Ana durante o tempo de grupo levanta-se e desloca-se em círculos. provoque ruído. D Estar alerta para as comunicações e conversas das crianças ao longo do dia As crianças muitas vezes comunicam pouco quando estão profundamente integrados em qualquer actividade com materiais. Agita ambas as garrafas. C Partilhar o controlo do dia com as crianças. Explorar objectos: cheio e vazio Rita enche uma garrafa de plástico com água e outra com pedrinhas. quer na rotina de cuidados corporais. sentadas na sanita ou a limpar a mesa a seguir às refeições. Tempo: repetir uma acção. Sugere-se que os adultos utilizem estratégias de apoio com vista a construir um sentido de comunidade. O papel do adulto é o de favorecer essa exploração quer na hora das refeições. aprender sobre e compreender cada uma das crianças. no decorrer do dia. apoiadas e livres para explorarem e apreciarem a companhia dos seus colegas. 3. alimentos e objectos para ver e não tocar. Cada acontecimento diário e rotina de cuidados oferece oportunidade de apreciar. tenha cheiro ou toque a sua pele ou boca. Solicita também à educadora que o faça. têm muito para comunicar e dizer qualquer coisa quando menos se espera – enquanto se deslocam para o recreio. incluindo apoio do adulto em cada acontecimento e rotina de cuidados A Ser paciente com o intenso interesse das crianças em relação às coisas à sua volta É importante ter em conta que os bebés e as crianças mais novas têm curiosidade acerca de algo que se movimente. E Trabalhar em equipa de forma a dar apoio a cada criança ao longo do dia O apoio do adulto deve ser permanente desde o momento em que a criança entra até ao momento de saída. Exemplos de experiências-chave: 1. B Valorizar a necessidade da criança para a exploração sensório-motora em cada acontecimento da rotina No decorrer do dia. em que as crianças se sintam seguras.

• Se. • Que objectos de conforto ou brinquedos calmos levar para a hora da sesta. A comunicação Comunicação significa entrada e saída: o que chega vindo de ti para mim. 29 Anabela Fernandes . como as expressões faciais. o teu corpo e o seu movimento. embala-a e em seguida coloca-a no berço. Não é só o rosto que revela emoções. ele diz “out’a vez” e repete a acção para fazer com que aconteça de novo. outras em conjunto. uma vez que aumenta frequentemente a vontade da criança em participar em rotinas e actividades às quais não podem escapar. Começam a usar sinais para comunicar intenções cerca dos 7 ou 8 meses. o encolher os ombros. outra criança pequena. se aproxima. • Ao lado de que criança se sentar durante o tempo de grupo. As crianças começam a fazer estes sinais nas primeiras semanas de vida.Durante o almoço Rui bate o prato de plástico na mesa para o fazer rodopiar. Entretanto. • Se usar bacio ou sanita. cheirando. o apontar. como e durante quanto tempo participa numa actividade. a Laura encosta o dedo à boca e diz: “Chiu!” A tomada de decisões No decorrer do dia. Eu posso enviar comunicação movendo-me. coisas com vida). mas não há dúvida de que as palavras clarificam muito melhor a transmissão de informações e pensamentos. Ela pega numa boneca. Comunicação pode acontecer de um para um. o tocar. Eis algumas oportunidades de escolha e de decisões que elas podem tomar: • Como e quando estabelecer contacto com os educadores e os pais no início e no final do dia. Os seres humanos não têm de falar para comunicar. algumas vezes entre não-pessoas (animais. quanto e como comer. O adulto deve favorecer a exploração em todos os contextos. de muitos para muitos. bebés e crianças manipulam diferentes objectos e materiais. sentindo. • O que e como explorar durante o tempo de escolha livre e o tempo de exterior. Mas toda a gente sabe ler os sinais mais deliberados. Nos primeiros anos de vida. os sentidos – algumas vezes separadamente. tem como objectivo proporcionar às crianças um sentido de controlo sobre o seu dia-a-dia. Podemos abrir os braços por nos sentirmos alegres ou tristes. É de facto de interesse suplementar a interacção do adulto nesses momentos. embora não se apercebam disso. provando. o que vai de mim para ti. são também os gestos. olhando. Eu posso entrar em comunicação ouvindo. e o que vai de mim para ti. os teus efeitos de som. quando a Sara. a linguagem corporal desempenha um papel mais importante. Ela tem lugar entre pessoas. falando. tocando. 4. Quando o prato pára de mexer. • Como se deslocar. • O que segurar. • O que. Significa entrar em contacto usando todo o teu ser: o teu pensamento mágico. observar ou pôr quando mudam as fraldas. os abraços e os beijos. Representação criativa: jogo simbólico Durante o tempo de escolha livre a Laura brinca na casa das bonecas. olhando. O escolher e decidir numa base diária e ser capaz de mudar de ideias de dia para dia.

sentimentos e ideias para exercer controlo sobre a sua própria vida. Mesmo assim. Ela pode reflectir acerca das pessoas. têm um papel único a desempenhar na descoberta da utilização que a criança faz da linguagem (para que a utiliza e como o faz). o que influenciará positivamente a aprendizagem e desenvolvimento social de todas. A acção constante de interpretação que os adultos fazem das expressões das crianças permite que a interacção continue e que a criança tenha acesso aos significados. Alguns destes comportamentos são naturais numa determinada fase do desenvolvimento da criança. À medida que as estruturas físicas. ou em determinadas situações. cognitivo. e só depois na situação escolar. Devem observá-la primeiro na relação com os outros. que podem confundir-se com atrasos de desenvolvimento ou virem a criar-lhe problemas nas suas relações com os outros e na aprendizagem. O crescimento da linguagem ilustra a interacção entre todos os aspectos do desenvolvimento: físico. ela pode utilizá-las para representar objectos e acções. Se o educador ou o professor identificarem as dificuldades da criança. necessárias à produção de sons. e só são consideradas dificuldades se permanecerem durante muito tempo. O tempo dos outros As crianças em idade pré-escolar não são capazes de separar cronologicamente o tempo. poderão facilitar a comunicação com ela e entre ela e as outras crianças. um sistema de comunicação baseado em palavras e gramática. 30 Anabela Fernandes . Para uma criança as coisas existem só neste momento. Aprendem as palavras que os adultos utilizam para representar o tempo. necessárias à associação de sons e de significados se tornam activadas. Deverão estar atentos a quaisquer sinais de dificuldade da linguagem e fala da criança. As crianças ao descreverem acontecimentos passados. Nós os adultos atribuímos intenções de comunicação às expressões dos bebés. pode comunicar as suas necessidades. por palavras: Reforçam a sua capacidade de perceber e lidar com a continuidade do tempo. as crianças começam a encarar o tempo como um contínuo. adultos e crianças. Por volta dos 3 anos. O educador e auxiliar educativo. é necessário ter em conta que o desenvolvimento da linguagem e da fala. Quando a criança percebe que o tempo é contínuo é capaz de recuar no tampo e reconstruir acontecimentos e experiências. mesmo que estes sejam muito pequenos. fazem parte de um processo altamente individual e influenciado pelo meio.Um bebé que chora e deixa de o fazer quando um adulto chega está a mostrar que tem presente um sinal comunicativo com que chama a atenção de outra pessoa e a que esta responde. e que as conexões neuronais. no jardim-de-infância. A crescente capacidade da criança para utilizar a linguagem. As unidades convencionais de tempo que os adultos usam para medir o tempo pouco significado têm para a maior parte das crianças em idade pré-escolar. locais e objectos. A importância deste facto é que facilita as interacções entre crianças e adultos. a perceber que existe o antes e o depois. Começam a pensar nos acontecimentos passados por ordem sequencial. emocional e social. a interacção social com os adultos inicia os bebés na natureza comunicativa do discurso. A partir do momento em que conhece as palavras. sofrem maturação. As crianças pequenas não se apercebem do tempo da mesma forma que os adultos. fora da fase correspondente ou da situação em que surgem. é um elemento crucial no desenvolvimento cognitivo.

☺ Exija das crianças a exploração de ideias e permita a aplicação de métodos intelectuais sobre problemas do quotidiano. de forma subjectiva. Compreendem a passagem do tempo em termos do próprio sentir. Uma actividade só tem sentido na medida em que por um lado se consiga uma finalidade e. sejam em grupos de brincadeira. Quanto aos critérios possíveis para seleccionar actividades. Ela é o centro do interesse e da atenção geral. • As actividades que relacionem as novas aprendizagens com a estrutura cognitiva prévia das crianças. em estrita relação com a aprendizagem da criança. além disso. os leve a reflectir sobre as próprias escolhas. • Os recursos humanos e materiais disponíveis. potenciando o carácter globalizador do que a criança aprende. Os adultos também encaram o tempo de forma subjectiva.As crianças desta faixa etária não têm uma visão «objectiva» do tempo. • As necessidades do contexto escolar. comparam de facto os acontecimentos subjectivos com medidas objectivas. Formas de Planeamento de actividades A actividade é o modo dinâmico de levar a cabo os processos de aprendizagem. São esquemas organizadores de programação da acção educativa. Ela permite estruturar as decisões do educador. em Jardim-deInfância ou em creches quebra esta sensação de elemento único e introdu-lo num mundo de relações entre iguais que irá ter uma importância decisiva no seu desenvolvimento. os mecanismos de imitação contribuem de forma notável para a aprendizagem. no entanto. ☺ Atribua às crianças a responsabilidade pelo desempenho de papéis activos nas situações concretas de aprendizagem. • A promoção do desenvolvimento de habilidades sociais. Sente-se um rei no seu mundo particular. vão construindo. o desenvolvimento da criança. Para as crianças o tempo «voa» ou «arrasta-se» pois falta-lhes a compreensão da dimensão objectiva do tempo. eles próprios. ou seja. de modo a dar corpo e encher de conteúdo as áreas curriculares. A actividade dá coerência à relação entre pensamento e acção. • As características sócio-culturais. • As características do próprio grupo de crianças e suas experiências. 31 Anabela Fernandes . A situação familiar da criança é muito peculiar. Na selecção de uma actividade deve partir-se do pressuposto de que há que salvaguardar as situações e ou circunstâncias em que as crianças põem em prática as aprendizagens que. As áreas curriculares consistem em facilitar a integração da acção educativa. • Os conhecimentos prévios e o grau de capacidades alcançadas pelas crianças. As actividades devem ser tão flexíveis e diferentes quanto possível. O contacto com outras crianças. que actuando sobre os recursos permitem alcançar o previamente proposto. A relação com outras crianças é de grande importância para a criança se acostumar a conviver com os semelhantes. Assim uma actividade didáctica é sempre gratificante desde que: ☺ Permita que as crianças procedam a escolhas e. tanto pessoais como sociais. por outro mobilize recursos e possibilite o desempenho de operações. Além disso. destaco os seguintes: • Os próprios interesses e motivações das crianças.

Não é difícil. pois. apresentando as actividades de forma globalizada. autarquias. preocupar-se.☺ Propicie situações em que as crianças manipulem objectos. ao educador e às crianças. materiais e peça concretas. regra geral. Que metodologias? A nossa maneira de praticar e levar a cabo actividades é determinada pelo próprio aluno que a vai receber. ☺ Proporcione. ☺ Estimule as crianças no uso e domínio de regras e de princípios significativos. Séria – pela sua intenção de abarcar não só as áreas de conhecimento. ☺ Crie condições para que as crianças examinem problemas/situações com que o cidadão comum não costuma. a sua concretização e os eventuais resultados a que chegaram. orientações. escolas próximas. e com o empenho em que resulte científica. 32 Anabela Fernandes . perceber que a selecção de uma actividade se prende directamente com os recursos e materiais curriculares disponíveis. mas também as características de interligação das mesmas. Por outras palavras. Propostas de actuação O estruturar das propostas de actividades pode incluir exemplificações. fazendo com que ele seja o verdadeiro protagonista dessa aprendizagem. selecção de meios auxiliares. etc. riscos calculados e assumidos de êxito e de fracasso. Nesse sentido. mas é possível utilizar recursos da comunidade como a sede de agrupamento. os recursos e materiais curriculares. devemos seguir uma metodologia com as seguintes características: Científica – dado que pressupõe um processo ordenado de actividades e sugestões apoiadas no conhecimento do desenvolvimento psicológico do aluno. a selecção de uma actividade só faz sentido quando projectada à luz dos elementos que a tornam concretizável. séria e eficazmente. partimos das características da maneira de ser peculiar das crianças desta idade: activa/global/motriz. ou seja. Na elaboração de actividades. etc. informações. que ultrapassando o nível das disciplinas permita responder ao seguinte: • Que se pretende fazer? • Para quê? • Como fazê-lo? • Com que materiais e recursos? • Que tipo de organização de actividade parece ser a mais adequada? • Que distribuição de espaço? • Qual a oportunidade e duração? • Que atitudes deve o adulto mostrar? Que materiais e recursos? Alguns dos materiais referidos podem não existir na instituição. ☺ Exija que as crianças aperfeiçoem os seus esforços habituais. paróquia. ☺ Proporcione às crianças a possibilidade de partilhar com outros a planificação de um projecto.

concretas e breves.. como cantar ou ouvir uma música. obtendo como resultado uma maior autonomia da criança. repetindo constante e estruturadamente certos modelos que se encontram presentes em diversas actividades e situações. tendo em conta tais parâmetros. orientada para um desenvolvimento global e partindo das preferências e motivações da criança. o resultado não pode ser outro senão uma adaptação harmoniosa do aluno e uma agradável aquisição de diversos conhecimentos. motivando-a com sugestões e actividades diversas. a que horas é? O lanche é servido no mesmo horário para todas as turmas ou obedece a uma escala? Nesse caso.Eficaz – porque cremos que segue uma pedagogia centralizada na criança (partindo dos seus interesses e possibilidades e não dos interesses e necessidades do adulto). vai possibilitar a generalização das mesmas.. artístico . deve ser prevista outra um pouco mais calma.. transmite-lhe regras e valores. Da mesma forma. depois de uma actividade muito agitada. se vão tornando mais completas e prolongadas.. por exemplo) é difícil para as crianças. para facilitar a criação de hábitos e a aquisição dos conceitos relativos ao tempo. depois de uma actividade da qual se espera que o grupo todo tome parte. propício à conversação. gráfico. que. o que irá permitir exteriorizar a capacidade criativa e imaginativa da criança. Outra das características deste método é a importância atribuída ao desenvolvimento das formas de expressão nos seus diferentes aspectos: verbal. Uma das mais importantes é que as actividades devem ser alternadas quanto à movimentação que exigem e ao número de crianças que envolvem. a fixar a atenção. como ouvir uma história ou planificar uma actividade. De acordo com esta metodologia. . a sua intervenção deveria adaptar-se. sugere-lhe coisas novas e convida-a a partilhar o espaço e o tempo com os seus companheiros. a merenda é sempre a actividade mais estável. É nestes momentos privilegiados que se vai cimentando a acção educativa e o processo de comunicação entre os alunos e o adulto. o adulto. o papel do educador/auxiliar é concebido como aquele que deve orientar e canalizar as acções da criança. como a recreação ao ar livre. que fornece à criança informações sobre diversos temas. Assim. individualmente ou em grupos. Uma das primeiras necessidades é que o adulto consiga visualizar a importância de realizar uma determinada intervenção no processo de aprendizagem dos alunos. atractivas. actividade muito enriquecedora. qual é o horário do lanche em cada sala? E quais os horários de entrada e saída dos adultos encarregados da turma? Além disso é necessário lembrar algumas regras. ensina-a a escutar. Isto porque a transição demasiado brusca (depois da recreação o repouso. Assim. Além da entrada e saída. etc. compartilhando os seus interesses. mas que seja coerente com os parâmetros que regem essa mesma aprendizagem. que a pouco e pouco (de forma progressiva consoante o ritmo do grupo). Sempre que se utiliza uma pedagogia estimulante e rica. Além disso.. É recomendável também. algumas actividades sejam realizadas sempre no mesmo momento. é interessante que as crianças possam escolher o que querem fazer. O horário das outras actividades deve ser previsto com flexibilidade suficiente 33 Anabela Fernandes . O docente deve tentar criar um ambiente descontraído. Previsão de tempo necessário por tarefa Ao organizar o horário das turmas é preciso antes de mais nada conhecer bem o horário geral da instituição: a que horas as crianças chegam? Há uma tolerância de quantos minutos? E a saída.

exigindo maior ou menor deslocação do grupo. De um modo geral. Há uma série de aspectos que é preciso ter em conta que exercem influencia no tempo necessário para cada actividade: o nº de crianças na turma e a existência ou não de pessoal adulto auxiliar. quando for o momento de trocar de actividade. actividades físicas e assim por diante. sem ultrapassar. para limpar a sala e lavar as mãos após a merenda. porque o grupo ainda não estará habituado em manter a atenção numa única actividade por muito tempo. relatos. visitas de estudo. As actividades colectivas começarão com poucos minutos de duração (10 min.para atender às necessidades das crianças e para que não se tornem obrigações rígidas e desinteressantes. • Actividades de recreação ao ar livre. como a dramatização de uma história. mais ou menos) e poder-se-ão estender aos poucos. É importante prever o tempo que as crianças levam para arrumar os materiais. com uma pequena antecedência. No início do ano lectivo. de que modo. é necessário acostumá-la a lavara as mãos após as ctividades ao ar livre e antes das refeições. Outras. • Rodinhas (pelo menos 2 por dia). a tolerância que a direcção concede aos pais. As crianças precisam de ser sempre avisadas. uma vez que as actividades propriamente ditas são iniciadas com a turma toda presente e encerram-se antes que as crianças comecem a sair. a montagem de um mural ou organização de uma festa. arrumação da sala e dos materiais. Quando as crianças tiverem encerrado as actividades e estiverem prontas para a saída. do pátio coberto e da área ao ar livre. Para isso é necessário conversar com o grupo e combinar o que se vai fazer. música. entrevistas. alternando todos os horários rotineiros. 34 Anabela Fernandes . Há outras actividades que não são realizadas diariamente e podem ter a duração variada. como as rodinhas. de acordo com o interesse das crianças: expressão corporal. O adulto pode aproveitar esses momentos para lembrar ás crianças o uso da casa de banho. arrumação da sala e higiene) ocupem um tempo maior que o previsto devido à inexperiência das crianças e à sua necessidade de adaptação à rotina. uma vez que nestas idades as crianças não têm ainda uma capacidade de esperar para satisfazer as suas necessidades e precisam de se sentir seguras de que o poderão fazer de acordo com a sua urgência. pesquisas. recreação. Exemplo de distribuição de tempo por actividade/rotina • Chegada /acolhimento – 15 a 20 min. podem ocupar até um dia inteiro. a localização da casa de banho. • Planeamento – 15 a 20 min. • Histórias e poesias. elaboração de histórias. o nº de lavatórios e sanitas disponíveis para cada turma. para as actividades diversificadas e para a recreação ao ar livre. lanche. é provável que certas actividades (actividades diversificadas. porém. 20 ou 25 minutos para as crianças de 5 anos. nos horários de entrada e saída. é interessante deixar os últimos 5 minutos para elas conversarem informal e espontaneamente. • Higiene das mãos. experiências. • Tempo de trabalho – 45 a 60 min. serão certamente mais curtas. Não é preciso prever um horário para ir á casa de banho. As visitas de estudo e outras actividades semelhantes. as actividades diárias são: • Actividades diversificadas de livre escolha. No entanto. em que horário. dramatizações.

2. É uma altura de intimidade física e emocional. assim como. Em crianças pequenas as refeições proporcionam um contacto físico próprio com um adulto atento. juntamente com a utilização dos seus dedos. papas) é necessário que o adulto lhes dê uma colher para a mão. conversando em voz baixa ou fazendo uma festinha na cabeça do bebé. Em suma. Assim. atenção humana e de contacto físico. Nessa circunstância. Além disso. Recreio – 15 a 20 min. PERÍODOS DE REFEIÇÃO As refeições são uma actividade quotidiana de grande importância no desenvolvimento da criança. Em crianças mais crescidas proporcionam a exploração de novos paladares. É também durante a alimentação do lactente que o adulto estará pronto para interagir sempre que o bebé mostre interesse em o fazer: sorrindo. Apoiar o interesse dos bebés mais crescidos em comerem sozinhos Quando consomem alimentos para serem comidos com uma colher (puré. tocar na sua cara. O papel dos adultos será o de tentar recriar a proximidade e a segurança familiar que os bebés sentam quando estão nos braços dos pais. É um momento de convívio social e de interacção. iogurte. uma colher ou uma caneca. Aprende através de uma abordagem activa enquanto comem. Envolvem-se em experiências que as conduzem a ter maneiras à mesa. É através destas trocas que o adulto e bebé constroem uma relação pessoal com base na qual a criança aprende. Segurar e prestar uma atenção plena ao bebé lactente “A hora do biberão” segundo a psicóloga Judith Evans é um momento importante para que o adulto e o bebé estabeleçam laços de ligação forte. Aprendem a confiar no mundo como um local onde as pessoas reconhecem e respondem às suas necessidades. Trabalho pequeno grupo – 15 a 20 min. o facto dos bebés utilizarem os dedos quando comem vai proporcionar o desenvolvimento da sua autonomia: os bebés não são obrigados a depender do apoio e do controlo de um adulto. Como apoiar as crianças durante as refeições 1.• • • • • • Tempo de arrumação/limpeza – 10 min. Almoço – 45 a 60 min. Trabalho em roda – 10 a 15 min. Desenvolvem a autonomia e a motricidade: tentam comer sozinhos com os dedos. Apesar de estarem interessadas em 35 Anabela Fernandes . cheiros e texturas. a criança pode praticar a utilização da colher. Tempo de recordar – 15 a 20 min. que pode confiar nesse adulto para lhe satisfazer as suas necessidades físicas e emocionais. O bebé por sua vez poderá agarrar nos dedos do adulto. a aquisição de experiências tácteis variadas: as crianças de tenra idade ao manipularem directamente a comida adquirem experiências tácteis diversificadas. quando estes cuidam deles ou quando lhes dão o biberão. a atitude do adulto é a de ajudar sem forçosamente ter de lhe retirar a colher. nas mãos ou vestuário. mas que simultaneamente segure uma colher na sua mão. os bebés durante a alimentação carecem de carinho. fazendo caretas. Formam atitudes positivas e aprendem competências sociais vitais que perdurarão vida fora.

PERÍODOS DE DESCANSO Os períodos de descanso são de grande importância. são um processo normal de satisfazer a curiosidade crescente sobre os objectos e sobre o modo como as suas acções podem ter efeitos sobre eles. quando as crianças fazem uma pausa para comerem. no berço. e proporciona de forma consistente a cada criança um espaço para dormir personalizado e familiar. • Apoiar as crianças na conversação. Juntar-se às crianças na mesa das refeições Os adultos ao tomarem parte integrante das refeições das crianças. na alcofa. na manta ou no sofá. canecas. Possibilita às crianças a oportunidade de recarregarem as suas energias físicas e emocionais para a parte do dia que se segue. também apoia a necessidade que têm de repetição. também estão igualmente interessadas no modo como sentem a comida nas suas mãos. esta prática liberta os adultos para poderem dar atenção às outras crianças que estão acordadas. • Servirem-se sozinhas da comida que está na travessa. em colchões ou camas. etc. 3.colheres. tigelas. • Tirar os restos de comida dos pratos. Tem como objectivo uma retirada calma das experiências sociais intensas do contexto infantil. protege a criança que dorme de ser pisada ou incomodada pelos seus pares que estão a brincar. 4. As explorações que as crianças fazem durante as refeições. • Deitar guardanapos para o cesto de papéis. • Limpar a mesa com água. 36 Anabela Fernandes . • Ajudar as crianças na exploração. que lhes permite ter domínio sobre uma série de competências de auto ajuda. guardanapos… • Servir sumo ou leite do jarro para canecas. detergente e esponja. Vêm proporcionar o sono e o descanso necessários para o crescimento e o desenvolvimento das crianças. • Implementar a repetição. Num contexto de cuidados em grupo. Permite que o cérebro trabalhe no sentido de consolidar as mudanças de maturação do sistema nervoso central. Ajuda as crianças a ficarem com a sua boa disposição de volta. na cadeira de repouso. As refeições constituem uma oportunidade diária de: • Fortalecer relações com as crianças. • Empilhar os pratos sujos em alguidares para serem lavados. Em que locais um bebé ou criança podem adormecer? Os espaços possíveis para a criança adormecer são vários: ao colo do adulto. Envolver as crianças mais velhas na tarefa de pôr e levantar a mesa Há uma série de actividades e tarefas que as crianças podem realizar de modo a apoiar as refeições: • Distribuir pratos. O facto de os adultos comerem com as crianças. transmitem uma mensagem positiva não só sobre o acto de comer como também sobre as relações sociais. Normalmente as conversas à hora das refeições ocorrem durante os intervalos.

antes de adormecer. 2. da tentativa e do erro e das dicas dadas pelos pais. Perante estes rituais de adormecer. É através do tempo e da observação. Entre elas: 37 Anabela Fernandes . É de referir que enquanto a maior parte das crianças dorme uma sesta longa ou curta. a olhar para livros ou ocupando-se sossegadamente com algum brinquedo que escolheram. junto a um adulto. • Outras podem exigir que o adulto lhes afague as costas ou lhes cante uma cantiga. localizarem um cobertor ou um brinquedo especial ou beber uns golos de água. constata-se que as crianças precisam de atenção personalizada para adormecerem. Programar a hora de descanso segundo as necessidades individuais de cada criança A necessidade de descanso de cada criança varia com a idade e com as circunstâncias pessoais de cada uma. É imprescindível conversar com os pais quando eles chegam com os seus filhos. 3. Eles deixam transparecer quando se deve antecipar uma mudança nos padrões de sono da criança. que o adulto conseguirá descobrir como melhor ajudar cada criança a sossegar.As crianças também demonstram preferência pelo sítio onde querem dormir: na cama junto a uma fonte de iluminação. • Outros chucham no dedo ou na chupeta agarram-se firmemente a um cobertor ou boneco de peluche ou saracoteiam ou mexem-se até encontrarem uma posição de sono confortável. ao lado de um amigo/a . onde haja espaço para as camas das crianças que têm tendência para dormir um sono mais longo e outras para as camas das crianças que acordam primeiro. Ajudar as crianças a acalmarem-se para o descanso Os bebés e as crianças apresentam sempre rituais próprios para adormecer: • Alguns adormecem assim que chegam ao berço ou cama que lhe é familiar. Os adultos têm de decidir sobre a concepção de uma zona da sala ou do quarto de dormir. • Algumas crianças podem precisar de ajuda ou simplesmente desejar um sinal de atenção antes de escolherem um livro para ver na cama. • Outros rabujam e para adormecerem descansadamente podem necessitar que o adulto os embale. Proporcionar alternativas sossegadas para as crianças que não dormem Na hora da sesta regularmente programada. da área dos livros ou das portas de saída. os madrugadores poderão dormir próximos das casas de banho. Nesses casos convém ao adulto proporcionar-lhes actividades ou brincadeiras calmas e que não perturbem o descanso das outras crianças. algumas crianças podem eventual ou sistematicamente querer manter-se acordadas durante todo o tempo de descanso. Como apoiar as crianças no tempo de descanso? 1. abane ou faça festinhas ou talvez lhes cante uma cantilena ou canção. outras encontram o descanso de que necessitam apenas deitando-se no catre durante parte ou toda a hora da sesta. Quando as crianças estão envolvidas durante a manhã numa actividade exploratória interessante e activa. faz sentido programar o descanso a seguir ao almoço como uma rotina diária.

sem terem a certeza de onde estão e a precisarem de contacto e de conforto físico – serem embaladas numa cadeira de baloiço. lidar com estes rituais de forma bem consistente. o tempo de exterior e as actividades de grupo. permitem assegurar às crianças e aos pais que a instituição é como se fosse lar –fora de casa – seguro e simpático. Algumas acordam alegres e prontas para continuarem com a brincadeira pelo dia fora. andarem a passear ao colo do adulto ou olhar pela janela… outras acordam devagar e contentam-se em ficar deitadas no berço ou no catre durante alguns momentos. as crianças aprendem a lidar com as boas-vindas e despedidas e esta atitude ajuda-as a ampliarem o seu leque de confiança para além dos pais e da família. auxiliares e os colegas do infantário ou jardim-de-infância. • Brincar na área dos livros ou jogos calmos. Começam no início do dia com a chegada das crianças à instituição e. É bom referir que mesmo quando a instituição tem uma zona de entrada ampla para receber as crianças não há um sítio pré-determinado para as boas-vindas e despedidas. • Bater. passando pelos cuidados corporais prestados às crianças até às actividades mais lúdicas como o tempo de escolha livre. Deixar que as crianças tenham vários estilos de acordar Todas as crianças têm um acordar diferente. Quais os comportamentos que os bebés e as crianças manifestam normalmente. à medida que vão acordando e sentindo-se prontas. A curto prazo. Outras ficam rabugentas. • Ir para o recreio com uma das educadoras. no final do dia com a partida. passando a incluir nesse leque os educadores. O local onde estas ocorrem dependerá das necessidades e das preferências da criança e dos pais. • Agarrar um brinquedo interessante. localizadas longe da área de repouso. • Chuchar o dedo. etc. 38 Anabela Fernandes . 4. • Gritar. A longo prazo. constitui uma experiência sólida para as crianças aprenderem a lidar com a chegada e a partida de familiares e amigos pela sua vida futura. • Não largar as pernas dos pais. I – A chegada e a partida Boas-vindas calorosas e acolhedoras por parte dos adultos bem como despedidas agradáveis e cordiais. quando se separam dos pais? Estes podem variar entre: • Chorar. As crianças ficam livres para se juntarem às diversas actividades seguintes. simplesmente a olhar para o ambiente numa tentativa de se adaptarem. • Observar com interesse outras crianças.• Optar por um livro ou um brinquedo que gostem de utilizar enquanto descansam. ACTIVIDADES DIÁRIAS As actividades diárias que ocorrem numa instituição prestadora de serviços e cuidados a crianças são várias e bastante diferenciadas entre si.

” Procure descrever os sentimentos dos pais. de forma a tranquilizar as crianças e pais. animal de peluche. Joana” ou “Estás a chorar tanto que já tens os olhos vermelhos. Perante este quadro verbalize os sentimentos de filhos e pais. O mesmo poderá acontecer ao verem novamente a mãe ou o pai no final do dia. à dor ou ao desespero face ao abandono. a ansiedade. Como ajudar nos momentos de chegada e de partida? 1. Permaneça calmo e amigo. Dar as boas vindas e fazer as despedidas calmamente. apoio e tranquilidade. Estes comportamentos podem variar de dia para dia ou de um estádio de desenvolvimento para outro. Fique disponível para transmitir confiança. Ajude na redução da intensidade emocional das separações e reencontros. Rui.Evitar o contacto visual. reconhecendo os seus sentimentos e encorajando-os a levarem o seu tempo e a ficarem na instituição pelo tempo que lhes for possível. Sorrir. de modo a ajudar a reduzir as suas emoções. podem variar entre o desconforto. depois virar-se para um brinquedo ou escolher algo para brincar. deixando-lhes o caminho livre para começarem a pensar no momento seguinte do dia. Um bebé ou uma criança pode sentir-se particularmente vulnerável quando é deixado por um dos pais num local que não é a sua casa. a criança não consegue perceber a diferença entre ser deixada por 6 horas ou ser deixada para sempre. Juntar-se a uma actividade que está a decorrer. Reconhecer os sentimentos das crianças e dos pais acerca da separação e do reencontro. mantendo-se calmo. Ignorar a mãe. Siga os indícios ou sinais da criança sobre o modo como esta prefere entrar ou deixar as actividades da instituição diariamente. Por exemplo: “É triste ver o pai ir-se embora. como agarrar-se a um objecto preferido: boneca. chupeta. procurando com delicadeza e veracidade descrever as emoções que estão a observar. Palrar. fotografia… Respeite a escolha da criança como uma manifestação assertiva do self que constitui um importante marco no desenvolvimento da capacidade de auto ajuda. É complicado satisfazer as duas situações”. Dizer adeus ao pai ou à mãe. de forma a ajudar as crianças e pais a sentirem-se tranquilos e confiantes. evite a luta emocional. os pais e/ou o adulto envolvido. dona Isabel. como por exemplo: “Parece que quer ficar com a Rita e também chegar a horas ao emprego. Apoie os pais ansiosos. Seguir os indícios das crianças sobre o querer entrar e sair das actividades. até à solidão. 2. Não possuindo uma noção convencional de tempo. 3. Por isso. não mostrar qualquer desejo de contacto físico ou visual com o adulto enquanto estão na presença dos pais ou depois de estes saírem… • • • • • • 39 Anabela Fernandes . Os bebés mais velhos e as crianças mais novas que já se conseguem deslocar sozinhos poderão lidar com essa transição de casa para a instituição de várias maneiras: poderão primeiro não largar a mãe ou o pai. não gostas de ver a mãe ir para o trabalho. o medo ou o terror até à mágoa. Para isso. com pessoas que não lhe são familiares. as emoções das crianças pequenas ao início do seu dia na instituição. cobertor.

gradativamente. reciprocamente. Integrar os cuidados corporais na actividade e exploração lúdica da criança. podem prosseguir com a brincadeira que estavam a fazer. Estas formas de actuar estimulam a confiança e a comunicação. 5. Os bebés e as crianças confiam inteiramente na comunicação não verbal e dependem dos adultos para que aquilo que estão a querer comunicar seja compreendido. As crianças compreendem e ficam confortadas pela promessa tranquilizante e animadora do reencontro. O adulto deve reduzir o impacto de uma eventual perturbação fornecendo à criança uma indicação prévia de que ela precisa de fazer uma pausa para um determinado cuidado corporal (mudar a fralda. Comunicar abertamente com as crianças sobre as chegadas e partidas dos pais. elas podem brincar durante mais algum tempo antes de interromperem e que.4. fazer chichi). Proporcionar às crianças opções sobre partes da rotina. por outro lado permite é criança ver e ler o rosto do adulto e ter a sensação de estar a orientar e captar a sua atenção. Isso possibilita por um lado que o adulto se aperceba daquilo que a criança está a comunicar através da expressão. bem como os sentimentos de confiança e segurança por parte da criança. Trocar informações e observações com os pais sobre as crianças. II – Cuidados Corporais Como ajudar e apoiar as crianças durante as rotinas de cuidados corporais? 1. 40 Anabela Fernandes . O adulto deve estabelecer. O adulto deve falar e agir de modo adequado com as crianças. Deixe que as crianças saibam quando os pais partem e voltem à instituição. Responder aos indícios das crianças. Centrar-se em cada criança durante a rotina de cuidados. para que elas compreendam mais acerca da próxima rotina de cuidados. O adulto deve respeitar o que quer que a criança esteja a realizar na altura em que os cuidados corporais forem necessários. Daí que o interesse demonstrado pelo adulto em relação à criança. as mais velhas percebem esses comentários e sabem que os adultos têm prazer na interacção com elas. muitos contactos visuais durante os cuidados corporais. As crianças muito novas poderão não compreender exactamente o que o adulto está a dizer. Estabeleça um ritual de separação e reencontro. mas sabem que as suas acções e palavras expressam preocupação põe elas. embora tenham de interromper a sua actividade. limpar ou vestir. 2. Falar sobre aquilo que o adulto está a fazer. É uma das formas de focalizar a atenção na criança. dando-lhe algum tempo para chegar a um momento em que possa parar a sua brincadeira. devem tomar consciência de que. acção e gesticulação e. As crianças. É preciso antes de mais tentar entrar na experiência em que a criança está envolvida naquele momento. No entanto. fortalecerá o elo de ligação entre ambos. depois das rotinas de cuidados. Estes devem comentar aquilo que estão a observar e aquilo que percebem sobre a criança que estão a mudar. Os educadores podem dar a conhecer aos pais as acções e as comunicações dos seus filhos no centro e reciprocamente os pais podem informar os educadores daquilo que as crianças fizeram em casa. 3.

Apreciam a ter alguma coisa para poderem ver de perto. • Enfiar os braços nas mangas e as pernas nas calças. um dispositivo rotativo com as fotografias de família. Uma forma de enriquecer o ambiente físico é. Atenção ao modo como se dispõe a área de vestir. decidir qual é a fralda descartável que a criança irá dar ao adulto.As decisões simples das crianças que possam ocorrer. Devem ajudá-las nessas tentativas. O importante é ajudar as crianças a encontrar algo que não seja excessivamente grande ou que se suje com facilidade. • Tirar a muda de roupa lavada do seu armário ou caixa. • Limpar a cara ou as mãos. 4. que os objectos que as crianças vêem e seguram durante os cuidados corporais podem originar algumas conversas. • Subir as escadas até à mesa de mudar as fraldas. levar à boca. quadros. etc… Estes exemplos podem proporcionar à criança um largo leque de escolhas sobre aquilo para que querem olhar quando não estão com o olhar fixo no rosto do adulto ou a meter os dedos do pé na boca. por exemplo. uma janela. comentando. pois este envolvimento determina as escolhas que as crianças fazem sobre aquilo para que olham ou observam durante os cuidados corporais. etc… Outro modo de proporcionar às crianças algum poder de escolha é através do ambiente físico. • Tirar as meias e tentar enfiá-las nos pés. poderão à partida parecer insignificantes para os adultos. • Pôr o chapéu. • Puxar as cuecas para baixo e depois para cima quando utilizam o bacio. se quer um pano ou um toalhete descartável para limpar a cara ou as mãos. sentir. do mesmo modo que dão um apoio paciente quando estas aprendem a comer sozinhas. as competências que vão emergindo. etc… Este procedimento fará com que os adultos fiquem mais disponíveis para as observarem em acção e apreciarem. As crianças devem ter oportunidade com o apoio dos adultos. Os adultos devem apoiar as primeiras tentativas das crianças de cuidarem do seu próprio corpo. • Lavar os dentes. decidir se sentam no bacio ou na sanita. plantas. As crianças aprendem em termos sensório motores. • Abrir e fechar fechos. de fazerem escolhas durante cada rotina de cuidados corporais. Há que recordar. colocar estrategicamente um espelho. como por exemplo: escolher o tipo de alfinetes (para quem usa fraldas). Alguns exemplos de actuação das crianças são: • Segurar em fraldas limpas. de mudança de fraldas e a casa de banho. a empilhar blocos ou a andar sem ajuda. panos ou toalhas e pequenas peças de roupa. III – Tempo de escolha livre 41 Anabela Fernandes . Permitir que os bebés e as crianças experimentem e treinem as suas competências de auto ajuda através das rotinas de cuidados corporais. optar pelo tipo de cuecas que quer vestir. mesmo durante as rotinas de cuidados corporais. proporcionandolhes um sentido de responsabilidade sobre os seus cuidados corporais. Estimular a criança a fazer as coisas sozinha. mas envolvem os bebés e as crianças como alguém que desempenha um papel activo em vez de ser intervenientes passivos. cheirar ou ouvir. escolher qual a toalha ou esponja a utilizar. também.

Prestar muita atenção às crianças durante o tempo de escolha livre. Ajustar as acções e respostas do adulto às indicações e ideias das crianças. Que tipo de aprendizagem ocorre? Através das suas explorações sensório-motoras escolhidas individualmente os bebés e crianças envolvem-se em experiências-chave como: encher e esvaziar. movimento. ou a quem dar a mão. • Observe o desenrolar da exploração e da brincadeira das crianças. Podem também comunicar as suas frustrações e os seus triunfos a adultos atentos e interactivos. Através da interacção com pessoas e materiais as crianças constroem conhecimentos sobre representação. verifica-se que muita aprendizagem ocorre no tempo de escolha livre. comunicação. Como actuar? • Esteja presente e interaja com a criança. Este tempo de estar totalmente no comando das decisões será a pedra basilar no dia-a-dia dos bebés e das crianças. • Entre no mundo da criança. Pelo exposto. empilhar ou carregar.O tempo de escolha livre é um período de tempo em que bebés e crianças podem investigar e explorar materiais e acções e interagir com os seus pares e adultos. 2. Esta atitude tranquilizará os bebés e as crianças relativamente à disponibilidade imediata de um adulto conhecido em quem confiam. Como proceder? • Reconheça e respeite as intenções das crianças que alternam e mudam no decurso das suas explorações e brincadeiras. imitarem as suas acções e estabelecerem acções com os outros. Este período deve ocorrer num ambiente apoiante e seguro com materiais e oportunidades interessantes. a que subir. com vista ao seu pleno desenvolvimento. por vezes muito simples. pois assim permitirá estar disponível para qualquer necessidade de conforto e de contacto. bem como espaço para se deslocarem em diferentes direcções. 42 Anabela Fernandes . Num contexto social rico as crianças têm oportunidade de observarem outras a explorarem e a brincarem. O tempo de escolha livre proporciona às crianças um período de exploração e de brincadeira sem qualquer tipo de interrupções. É desta forma. elas aprendem como devem fazer para que as coisas aconteçam. Cada criança escolhe aquilo que estiver de acordo com os seus interesses e inclinações pessoais e. Sintonize-se com o ritmo e os interesses de cada criança e recolha informações episódicas. os interesses e temperamento de cada criança. • Coloque-se literalmente ao nível da criança no seu espaço de brincar. Como apoiar as crianças durante o tempo de escolha livre? 1. que o tempo de escolha livre promove a consciência que a criança tem de si própria enquanto alguém que faz. ainda. descobrir que os objectos existem mesmo que não os consigam ver. o que pôr na boca. repetir uma acção para fazer com que algo volte a acontecer. Ao levarem a cabo as suas iniciativas. com o seu nível de desenvolvimento. Observe os pontos fortes. proporcionado uma dimensão física importante para prestar uma atenção muito próxima. toma decisões e resolve problemas. espaço e tempo. objectos. pôr e tirar. Descobrem que podem escolher onde gatinhar. primeiras noções de quantidade e de número.

brincadeiras ao lado de outras crianças. • Privilegie nas trocas de conversação: comentários. paciente. Requer também. Como actuar? • Incentive a criança de modo a ser ela a estabelecer o ritmo e a contribuir livremente para cada interacção. exige um adulto observador. cabe ao adulto passar muito tempo a ouvir pacientemente. As comunicações de dar-e-receber com bebés envolvem a troca de sons. pás e baldes. Quando a tentativa de uma criança para se relacionar com os seus companheiros não é notada. gatinhar e pôr-se em pé. gestos e acções. • Forneça dois ou mais brinquedos com rodas. rampas e escadas largas. É através da descrição consciente e cuidada das intenções das crianças para com os pares que os educadores ajudam a concretizar as suas tentativas de jogo social. • Incorpore os contributos não verbais da criança na sua conversação. em vez de as ignorar ou ultrapassar. • Partilhe o controlo com as crianças e modele essa partilha nas trocas sociais diárias. Aplicar todos estes procedimentos. imitação dos seus pares). muitas superfícies grandes e com espaço. • Respeite o estilo e o ritmo das crianças envolvidas. 3. fará com que as crianças experimentem um sentido de controlo sobre aquilo que está a acontecer. Envolver-se numa comunicação do estilo dar e receber com as crianças. resistir à vontade de vir em auxílio da criança com ideias pré-concebidas sobre o que o bebé ou a criança de determinada idade faz ou deveria proceder. como mesas. cadeiras confortáveis e recantos com espaço para dois. de modo a que as crianças possam brincar com esses brinquedos em conjunto e experimentar as acções que cada uma realiza sobre os objectos. Apoiar as interacções das crianças com os seus colegas. • Respeite as iniciativas das crianças e o seu desejo de descobrir como resolver problemas sozinha. Como agir? • Apoie conscientemente as apostas iniciais de interacção social (observação. um adulto pode ajudar a atenuar essa lacuna. 43 Anabela Fernandes . • Adopte uma abordagem não directiva mas sim participativa. • Reconheça as preferências dos bebés por determinados pares à medida que eles vão crescendo e conseguindo rastejar. Esta forma de actuar. chão e cavaletes. responda e elabore as comunicações e as acções das crianças.• Leve em consideração. flexível e aberto ao ponto de vista da criança. barcos de baloiço. • Proporcione equipamento que permita às crianças brincarem lado a lado (escorregas. observações e reconhecimento em vez de perguntas. Como as crianças necessitam de tempo para encontrar uma linguagem que se ajuste às suas acções. • Ajude as crianças a formarem relações positivas entre pares e a verem-se a si próprias e aos outros como membros de uma comunidade. Em relação às crianças mais crescidas não se esqueça que as perguntas muitas vezes pressionam a que elas respondam a assuntos para os quais não estão prontas naquele momento e tendem a prejudicar as suas acções ou o seu processo de pensamento. descrevendo a tentativa da criança. 4.

Utilizar uma abordagem de resolução de problemas nos conflitos sociais das crianças. Para algumas crianças quase a chegar aos 3 anos e que já desenvolvem actividades lúdicas em pequenos grupos. planear e recordar podem ocorrer em grupos de dois ou três elementos. a comunicarem as suas acções passadas em narrativas simples.5. por exemplo quando as crianças partilham as histórias. Todavia os adultos só devem planificar e recordar com cada uma das crianças quando observarem sinais de que esta poderá estar preparada ou interessada nesse processo. pois ajuda-as a elaborarem e a recorrerem a quadros mentais de si próprios em acção. Um dos sinais é a capacidade da criança para formar imagens mentais. o recordar é uma troca criança-adulto que no início é breve e íntima. outro desses sinais são as acções ou anúncios espontâneos da sua parte. a associarem as suas ideias às suas acções. gesto ou palavra. É importante proporcionar às crianças com quase 3 anos momentos de planear e recordar. o Parar as suas acções que podem magoar. depois de o ter executado. breves e simples. Tal como o planear. Recordar é a lembrança e reflexão sobre aquilo que se fez. Planear é pensar sobre aquilo que se vai fazer. as novidades de casa… com os adultos. É um momento de interacção breve. a qualquer hora do dia. Quando iniciar o processo de planificação? Com crianças mais novas. íntimo. Essas afirmações descritivas ajudam as crianças a construírem uma linguagem para se referirem ás suas acções e aos seus brinquedos. Como intervir? • Ajude as crianças a encontrarem alternativas sociáveis a comportamentos tão negativos como morder. é necessário fazer o início do tempo de escolha livre uma pergunta simples sobre as intenções da criança. Pode também ocorrer durante o tempo de escolha livre (quando se deixa uma actividade para fazer outra). Ou. Esta deverá ser uma questão a que a criança possa responder com uma acção. Uma forma de apoiar essas crianças que poderão estar a iniciar-se na planificação e na recordação é a de descrever brevemente aquilo que elas estão a fazer. Anabela Fernandes 44 . de um-para-um. Oferecer às crianças pequenas mais velhas oportunidades de planear e recordar. o Oferecer-lhes apoio continuado. o Reconhecer os seus sentimentos. 6. o Recolher informação. puxar os cabelos ou agarrar com força… • Utilize as seguintes estratégias de resolução de problemas: o Abordar calmamente as crianças que estão envolvidas no conflito. então. o Envolvê-las na descrição do problema e na procura de uma solução. antes de o fazer. Quando pôr em prática o processo de recordar? O recordar pode começar muitas vezes de uma forma espontânea. O papel do adulto é o de estimular a criança a recordar a partir de uma afirmação ou pergunta breve. ocorrer no final do tempo de escolha livre. Qualquer deles – planear ou recordar – pode acontecer praticamente em qualquer altura.

que os adultos encontram suporte para apresentar propostas de actividades em grupo. Devem manter-se calmos e positivos e. com apoio paciente e encorajamento. Nesta situação. Se este procedimento não resultar. os materiais devem ser colocados de lado para serem utilizados noutro dia e em alternativa serão colocados à disposição outros substitutos (blocos. Incentivar as crianças a arrumarem os materiais depois do tempo de escolha livre. do tempo exterior para o tempo em grupo e deste para o almoço. o tempo de grupo pode iniciar-se e terminar suavemente. podem sempre acabar a arrumação enquanto as crianças dormitam ou depois da partida para casa. Estes procedimentos permitem que o tempo de grupo comece imediatamente. em raras ocasiões. carrinhos… ou outra coisa qualquer que se saiba que é do seu interesse). Respeitar as opções e as ideias das crianças sobre a utilização dos materiais. puzzles. É reflectindo sobre aquilo que sabem sobre as crianças que cuidam e apoiandose nas experiências-chave. as crianças podem participar no processo de limpeza e arrumação a apreciar o contacto. Como é óbvio. 45 Anabela Fernandes . antes que as crianças cheguem ou enquanto elas se encontram na sesta. as crianças podem hesitar ou não mostrar interesse pelos materiais escolhidos. È fundamental que os adultos se reúnam para a planificação do dia. É nesta altura que a equipa pensa antecipadamente sobre o que irá apresentar em termos de materiais ou experiências. para que as crianças apreciem. As actividades do tempo de grupo podem partir de alguns materiais e acções simples. Recolher materiais e oferecê-los às crianças. os adultos prosseguem com a parte do dia que se segue. os materiais que serão utilizados no tempo de grupo devem ser reunidos e colocados junto ao sítio onde irão ser manipulados. É importante verificar se há materiais suficientes para todas as crianças. Conduzindo deste modo. de materiais ou acções preferidas ou familiares e de oportunidades para música e movimento. 2. Os adultos devem arrumar com as crianças e devem estar dispostos a aceitar as ideias das crianças sobre o modo como as coisas devem ser feitas. De manhã. e a rotina diária pode fluir. Porém. Geralmente são as crianças que tomam a iniciativa em manipulá-los. a interacção e satisfação que lhes estão associados. por exemplo. não devem esperar que as crianças lidem com todo o processo de arrumação e limpeza sozinhas ou mesmo que peguem em todos os objectos que estavam numa área. achem desafiantes e sejam capazes de realizar com sucesso. A grande vantagem do planeamento vem do facto de que as crianças não têm de esperar que os adultos recolham os materiais. 3.7. Planear antecipadamente e proporcionar experiências activas em grupo. Após uma boa cooperação por parte de todos. canções ou actividades propostas ajudem a aliciar as crianças para o tempo de grupo. o adulto deve começar por utilizar ele próprio esses materiais. no tempo de grupo que irá ocorrer. IV – Tempo de Grupo Como apoiar as crianças no tempo de grupo? 1. de modo a que as crianças não tenham de esperar enquanto o adulto prepara as coisas podendo deixar que os materiais.

pode decidir sobre o que se deve fazer com os materiais. Nas actividades de grupo é natural que as crianças combinem expressões verbais e não verbais para criarem estilos pessoais de comunicação. • Quando as crianças já arrumaram os materiais e limparam o espaço de actividades.As crianças podem decidir se querem ou não participar e quanto tempo permanecer. Interpretar as acções e comunicações das crianças para com outros companheiros. 4. brincadeiras com água. para que se estabeleça uma plena comunicação. Fazer comentários sucintos e específicos sobre aquilo que as crianças estão a executar. • Capte a atenção da criança e dirija esses comentários de uma forma pessoalmente significativa. 6. barro…) é necessário avisá-las para que tenham tempo para chegar ao fim. • Não as pressione a responder. A duração do tempo de grupo não é constante nem uniforme: varia de dia para dia e depende do envolvimento das crianças. • Quando se sentaram à mesa… Em certas ocasiões e em determinadas actividades (pinturas. quais os materiais que se devem juntar. • Procure uma pausa momentânea na acção. • Quando todas as crianças já deixaram uma determinada área e foram para outra actividade. 5. pois ajuda a criança a reconhecer que as suas acções podem ser descritas por palavras. etc… Como actuar? • Procure proporcionar materiais e experiências interessantes que as crianças desejem explorar e experimentar durante o tempo de grupo. sobre o modo como podem variar as actividades. • Coloque-se ao nível físico das crianças. observando aquilo que estão a fazer e escutando aquilo que dizem. • Esteja ao nível físico das crianças. quando se cantam canções. V – Tempo de exterior Como apoiar as crianças no tempo de exterior? 46 Anabela Fernandes . • Apoie as escolhas e as ideias das crianças. Como perceber que o tempo de grupo acabou? • Quando as crianças estão no lavatório a lavar as mãos. Acontece que às vezes compreendem-se uns aos outros e noutras situações precisam de uma interpretação por parte do adulto. é uma forma de lhes indicar que percebe aquilo que elas estão a fazer e que consegue compreender aquilo que elas estão a pensar e a aprender. pois elas têm necessidade de aprender por conta própria através da manipulação directa. • Siga os indícios das crianças e imite as suas acções. • Faça comentários breves e factuais. quais os versos. Metodologia a seguir: • Descreva as acções das crianças enquanto as observa. Deixar que as acções das crianças anunciem o fim de tempo de grupo.

informar as crianças de que esse tempo está a terminar. etc… 3. E tal como já foi referido. • Envolver os adultos na brincadeira e na conversa do tipo dar-e-receber. Terminar de forma calma o tempo de exterior. Como proceder? • Coloque as crianças pequenas num local seguro e varie a sua localização de tempos a tempos. para o efeito. as crianças pequenas acabam por associar este ritual da frase ou cantilena. pedrinhas. cestos ou sacos de pano com asas para que as crianças possam utilizar para transportar os seus brinquedos de areia. 47 Anabela Fernandes . é necessário incentivar as crianças a ajudarem na arrumação do material e a transportarem-no de volta para os seus locais no interior das instalações. cascas de árvores. avisar por palavras ou cantarolar. pássaros. Os adultos devem colocar em carrinhos brinquedos ou materiais diversos para brincar. É importante dar espaço de comunicação às crianças mais velhas para falarem sobre as suas intenções e sobre aquilo que fizeram. 5. Proporcionar materiais diversos para o conforto e as brincadeiras das crianças. 2. dobram as mantas e os levam para o interior. É provável que possam observar uma série de acontecimentos como por exemplo: as crianças mais velhas a brincar. comentarem ou reconhecerem quando é adequado fazê-lo e dar-lhes muito tempo para pararem e contactarem com o ambiente natural. para o exterior. Devem fornecer pequenos baldes. céu e nuvens. Mesmo com bebés. No contacto com a natureza o papel dos adultos será o de apreciarem as acções e os interesses das crianças. Gradativamente. para que as crianças possam ajudar a transportá-los para o exterior. é fulcral dar-lhes a conhecer os motivos por que os adultos pegam neles. Favorecer uma variedade de experiências a bebés pequenos. folhas secas na relva. utensílios para fazer bolas de sabão e giz…. no final do tempo de exterior. com o recolher dos brinquedos e materiais e ir para dentro das instalações. É necessário. ramos por cima da sua cabeça. Estratégias a seguir: • Ter uma atenção redobrada enquanto exploram e brincam. • Apoiar as interacções das crianças com os pares. enquanto que os adultos terão a possibilidade de testemunhar todo esse encanto e fascínio pela natureza. insectos. • Seguir as suas pistas e ideias. bolas de ténis. Utilize estratégias de apoio adequadas ao tempo de exterior. 4. antes do final do tempo de exterior. • Ajudar a adoptarem uma abordagem de resolução de problemas a quaisquer conflitos sociais que possam surgir. O adulto pode. Nesta caminhada os bebés e as crianças estão a ganhar uma compreensão essencial sobre o mundo natural através das suas acções e da sua recepção sensorial.1. Observar a natureza com as crianças. • Pare em determinados locais de saída e regresso. as flores a rebentar. serpentinas. para que as crianças possam observar o ambiente. para casa ou qualquer outra coisa que aconteça a seguir.

restos de mosaicos e mais o que elas quiserem. mas para uma criança de 3 anos pode ser uma tarefa maravilhosa. 48 Anabela Fernandes . a colocar comida nos pratos. ACTIVIDADES FÍSICAS A actividade física e motora para a criança está em primeiro plano. um pequeno espelho. Ajuda-a a ter um maior controlo das mãos e do pulso. o que lhes interessa é saber se uma tarefa é divertida. a pôr e levantar a mesa. Ajuda-a a adquirir conhecimentos matemáticos. Preparação de refeições Todas as crianças adoram cozinhar. Ponha uma camada de terra. e ajudar na preparação de comida ajuda a tornála mais independente. imita facilmente os movimentos que observa nos outros. Mesmo quando não há tempo para criar plantas. A criança pode transplantar algumas plantas para a caixa e decorar com seixos. É uma óptima maneira de explorar as cores e as partes constituintes de uma planta. Aos 3 anos pode andar de velocípede. as crianças adoram mexer na terra. essas actividades são uma imitação pura e simples. explorar os seus cheiros e perfumes. etc… Fazer jardinagem Mais do que ninguém. A princípio. pois escolhe o que vai comer e tem mais prazer no acto de comer. A exploração sensorial e motora é intensa. liberdade. elas podem fazer um jardim com restos que apanham. O acto de fazer jardinagem implica por parte da criança uma certa responsabilidade. regar. Deixe a criança ajudar a fazer uma salada de fruta. as texturas). imitando os actos do adulto. As crianças gostam de ser úteis. Este jardim não é para durar. correr. virar. Melhora a coordenação de movimentos. Ajuda-a a conhecer os diferentes alimentos e explorar com eles as aptidões sensoriais (cheiro. jogar a bola. O equilíbrio desenvolve-se. Por outro lado aumenta os conhecimentos sobre plantas: plantas de ornamentar. uma gelatina. uma tarte.ACTIVIDADES DOMÉSTICAS As crianças não percebem a diferença que existe entre trabalho e brincadeira. Há desembaraço. plantas que pode comer. Comece com uma caixa baixa. Você pode considerar que lavar a loiça é trabalho. Actividades de limpeza Desde tenra idade que as crianças andam atrás dos adultos com uma vassoura pequena ou um cortador de relva. por último faz com que a criança trabalhe para um fim. saltar para cima e para baixo. Auxiliar nas tarefas de limpeza ajuda a criança a construir a auto-estima. pois lida com quantidades. na medida em que se lha confia a tarefa de um adulto. pois vai ter de tratar e cuidar das plantas: tirar as ervas daninhas. mas podem ajudá-la de muitas outras maneiras. mas mais tarde ele ficará deliciado se o adulto lhe der oportunidade de fazer «trabalhos» a sério. gosto. E. as cores. principalmente na direcção vertical e horizontal. espontaneidade. portanto não importa que as flores murchem. pois está a trabalhar para conseguir qualquer coisa: um bolo. a pôr o fiambre no pão. pesos e medidas.

Deve ser utilizada uma linguagem acessível à criança. por designação mais preocupadas com a melhoria do físico e do comportamento motor do aluno. mais orientada pelo resultado do que para a simples satisfação. b) Desenvolver-lhe os sentidos.Aos 4 anos trepa. 49 Anabela Fernandes . através de imitações. solidariedade e comunicação. encontra-se mais adequada a denominação de sessão de movimento do que aulas de ginástica ou educação física. a abotoar-se na frente. como se situar no tempo e no espaço. pelo fortalecimento dos músculos responsáveis na estática da coluna vertebral. a amarrar os sapatos. d) Aumentar o tónus muscular promovendo uma atitude correcta. É mais ágil e tem maior controle corporal. capacidades físicas e mentais. f) Actuar sobre factores da personalidade que. novas noções e novas ideias. escovar os dentes e prestar serviços em casa. apreender e imaginar. evitando-se sempre explicações demasiado longas. social. Deverão ser fornecidos exemplos sugestivos que. para uma melhor percepção do mundo que a rodeia. Ganha mais desembaraço e ousadia. ponham a criança a participar com interesse dando livre curso à sua capacidade expressiva. • O domínio das coisas que nos cercam: como utilizá-las. • O desenvolvimento das qualidades sociais de cooperação. seja criando movimento. 3. A criança obrigada a prestar atenção durante muito tempo a palavras. As actividades físicas e recreativas visam: • O desenvolvimento pessoal: o domínio do corpo. O planeamento do nosso trabalho terá como principais objectivos a alcançar: a) Dar a conhecer à criança o espaço que a envolve. 2. visando não só um maior equilíbrio. melhora o equilíbrio. afinar nervos e temperamentos e formar caracteres. seja reproduzindo-o com a sua tendência imitativa. Aprende a vestir-se sozinha. psicomotor e físico da criança surgem alguns condicionamentos à sessão de movimento: 1. e) Enriquecer a actividade mental da criança com novos vocábulos. Sempre que possível o exemplo deve substituir a explicação. de algum modo. salta num só pé. prejudiquem a criança na sua integração social. proezas a realizar ou temas a desenvolver. como movimentos mais precisos e mais rápidos. o que se pode realizar com o corpo todo e com uma das suas partes. Fisicamente pode fazer mais ou menos o que quiser. fatiga-se psiquicamente e torna-se irrequieta. a executar exercícios e provas físicas. Tem facilidade para aprender a dançar. pentear-se. o que deduzir. c) Melhorar o trabalho conjunto dos nervos-músculos. Considerando o vasto perfil psicológico. Levá-la a expressar por movimentos. A Sessão de movimento Sendo o movimento o meio a utilizar para exercitar nas nossas crianças. Aos 5 anos a exploração sensorial e motora prossegue com facilidade aumentada. pode carregar um copo ou uma xícara de líquido sem entorná-lo. se não for preciso empregar força.

Não mandar sentar as crianças quando se explica ou conta uma história. durante uma pausa. esforçando-se por conseguir uma comunicação tão íntima quanto possível. extrovertidas e emocionalmente estáveis. procurará ser quanto possível calmo e de compreensão. o que origina que todos se aproximem. nunca se deverá reflectir na sua relação com a criança. a compensar os pequenos distúrbios de comportamento. sem interromper o trabalho dos outros. ou de uma forma individual. vocacionalmente talhado para a profissão. 7. Direito esse que só o adulto. Não insistir com as crianças para que adoptem posições bem distanciadas entre si. um esquecimento de tudo que for alheio à sessão. O fraco tónus muscular convida a posições fáceis de manter mas deformantes da coluna vertebral. Os movimentos que exijam esforço cardiopulmonar. e mais ainda a perda de tempo. Não orientar as deslocações em dispersão. Uma ou outra correcção poderá ser indicada. pode respeitar. em dinamismo e em carinho. com recomendações constantes – “não chocar”. palidez. O adulto terá sempre presente que qualquer alteração da sua vida afectiva. transpiração abundante. tremuras nos nervos e nos músculos. “olhar bem à sua volta”. Mudando para aspectos mais técnicos. mas que não se adquire. o que origina choques e conflitos. da sua vida profissional ou da sua fisionomia. preso à sua palavra e expressividade. de uma forma colectiva. Elas tendem a amontoar-se. Os ambientes de excitação e de agitação nada têm a ver com um trabalho alegre e dinâmico. 50 Anabela Fernandes . O amontoarem-se tem os seus inconvenientes já apontados. sobretudo na posição de pé ou em atitudes defeituosas. 5. 4.. boca aberta. A todo o passo acontece… 1. Alheia às agressões que porventura tenham atingido o adulto. O ambiente físico em que a sessão deve decorrer. o que implica um esforço de concentração. 8. uma vivência completa do mundo infantil. 6. O papel do adulto nas actividades físicas Ao conduzir a sessão de movimento. etc. ou esforço muscular não se deverão prolongar demasiado. aproximando-nos da criança e falando com ela. Manter-se estático no mesmo lugar ou movimentar-se excessivamente. que procura manter o seu público atento. o adulto assemelhar-se-á a um actor teatral. por desconhecimento do espaço que as cerca. as instituições de crianças necessitam de profissionais dotadas de espírito prático e autocrítico. chamo a atenção para as inúmeras faltas que podem ser cometidas pelo adulto durante a sessão de movimento. As imobilizações prolongadas a ouvirem explicações devem ser evitadas. Sempre consideramos que ser acompanhante de crianças é um dom que se desenvolve. A fadiga psíquica revela-se por irrequietude anormal ou desinteresse. “procurar lugares onde não há ninguém”. Para tal necessitará conhecer profundamente o “seu papel”. Não prolongaremos exercícios e jogos quando várias crianças evidenciem sinais de fadiga física – respiração ofegante. rubor excessivo nas faces.4. devidos às primeiras associações com crianças da sua idade. Não basta gostar de crianças (qualquer mulher normal gosta). para os conseguir de novo afastados. a criança tem o direito a dela receber um tratamento sempre igual em boa disposição. Não se pedirá simultaneamente execução e grande correcção de movimentos. sem introduzir pausas activas que componham séries de execução para esse exercício. 3. 2.

que pelo que ouve. de um tema. Se. 11. de um jogo. tudo corre mal. chamará uma das crianças mais dotadas 51 Anabela Fernandes . Só nas pausas entre “séries de execução”. Não estimular. se a sessão for ao ar livre. Má explicação. roubando-lhe a espontaneidade criadora a que se pretende dar livre curso. Interromper a execução da classe. Não se colocar em posição de dar ajuda (parada) que evite um possível acidente. como se nada se tivesse passado. tardando a execução do movimento. 14. descobrir os defeitos para os combater. irritando-se com facilidade. 9. 10. Termos inadequados ou palavras difíceis para o desenvolvimento mental da criança. substituindo por novo exercício aquele que fracassou. onde até mesmo bem avisados os mais experientes por vezes escorregam. com vista a determinar a causa do insucesso para o eliminar no futuro. mas sempre no adulto. Quando tal acontece. É preciso encontrar qualidades para as desenvolver. Nada de “queridinhos”. 6. 12. porque não se consegue que ninguém perceba o que se pretende. se estiver no interior.5. Tudo corre mal. Demonstração incorrecta. visto a criança aprender sempre melhor pelo que vê. voltar logo ao habitual tom de boa disposição. E das cinco causas que seguem. nas sessões de expressão livre. para procurar corrigir alguém. surgem ocasiões em que. vindo a sujeitar a nossa actuação a uma análise posterior. Se for necessário utilizar um tom energético. 7. pela sua idade ou condição física. 2. ou de uma proeza demasiado difícil. Os elogios despropositados só envaidecem e causam orgulho exagerado. Exagerar ao reconhecer quem executa bem. Tal procedimento não resulta. Além desta extensa lista de erros. Não interromper o exercício ou o jogo que se tornar conflituoso ou desordenado. por falta de dinamismo do adulto. ou não evitar correntes de ar. por outra coisa mais fácil que servisse de degrau para lá chegar. ou não se preocupar em corrigi-los. 15. 13. Manter as crianças de frente para o sol. se aproveitará para o fazer. Má exemplificação. Não aproveitar a sessão para observar e melhor conhecer o carácter desta ou daquela criança. porque todas as crianças executam erradamente. Por vezes. Estar sempre atenta a todas as situações para ser justa. especialmente os mais fracos e tímidos. por comodismo ou passividade. quando qualquer exercício possa envolver perigo. Não estar atenta aos sinais de fadiga. longa e aborrecida. 8. A aplicação de uma imitação. por outro tipo de falhas. Não dar pelos erros de execução. Perder a paciência. e que as crianças imitam alterando a finalidade do que se pretendia. Outras vezes. o adulto furta-se à exemplificação substituindo-a pela explicação. Deverá passar-se à frente. a exemplificação dada pelo adulto condiciona a criança para uma imitação do exemplo dado. com incitamentos ou realçando qualquer pequeno factor positivo que deles possa surgir. a culpa nunca está nas crianças. que o adulto sem se aperceber executa. Explicação palavrosa. 3. As crianças têm paixão pela justiça. Não ter antecedido o que fracassou. 4. o adulto não pode participar activamente. uma ou mais aconteceu… 1.

O ritmo cardíaco nestas idades oscila entre os 93/108 pulsações por minuto. 3. 2. possibilita uma proposta de trabalho que. um movimento rápido. Função cardiopulmonar de possibilidades muito limitadas. 4. 52 Anabela Fernandes . é levada para lhes fugir. Esqueleto (até aos 6 anos) em grande parte cartilaginoso. Tronco de forma cilíndrica (arredondado). máquinas. facilmente deformável por acções ou posições defeituosas. tempos de reacção lentos. não apresentando o tórax predomínio sobre o abdómen. etc… Atracção pelo maravilhosos e grande poder imaginativo. 5. Características psicomotoras 1. 3. a atitudes viciosas que irão conduzir a deformações na coluna vertebral. Observa-se quando se pretende que a criança inicie ou pare. Características psicológicas Dificuldade de uma atenção prolongada e fixa. embora recupere do esforço dispendido em muito menos tempo. por instabilidade da actividade nervosa. 1. assim como um tónus muscular (estado de contracção permanente do músculo em repouso) pouco elevado. 4. o que origina na criança dificuldade em manter-se muito tempo na mesma posição. donde resulta a criança fatigar-se facilmente. como consequência de se encontrar na chamada idade digestiva. Daí dizer-se erradamente que a criança está sempre em movimento. pela grande elasticidade do seu aparelho circulatório. Membros curtos e com pouca força. sobretudo os inferiores. é menos rápida que a dos membros superiores. 2. Voz pouco clara ou má colocação do adulto. o que leva a confundir o imaginário com o real. que se mostra proeminente. assim como a reacção obtida nos membros inferiores. esteja bem adaptada e dirigida às suas possibilidades. 2. Características morfo-funcionais 1. por má coordenação neuro-muscular. É um processo que resulta. quando se equilibra ou quando lança para um alvo. às suas necessidades e aos seus interesses.para demonstrar. Perfil da criança O conhecimento das características da criança torna-se um importante tema a abordar. Obrigada a esforços estáticos importantes. animais. longo tempo mantidas. O modelo a copiar está à altura deles e “se ele faz. Tendência e grande apreço pela imitação de pessoas. sem nunca se cansar. dificultando que todos o oiçam. eu também sou capaz”. Movimentos poço precisos. Conhecer a criança. Músculos frágeis. ou seja. ainda incapaz de análise (dificuldade em estabelecer relações causa/efeito). Grande ânsia de movimento. 5. Mau comando. Observa-se especialmente quando a criança cumpre ritmos. Actividade intelectual global. o que nos leva a afirmar que a criança cansa-se mais depressa do que o adulto. sem forçar a natureza. 5. A reacção aos estímulos auditivos é mais rápida que aos estímulos visuais. Ritmo demasiado rápido ou lento para as características do exercício. A lentidão com que responde é tanto maior quanto mais baixa for a idade.

Alternância entre a actividade lúdica de casa (solitária?) e as actividades associadas do J. para poder movimentar-se com segurança e sem conflitos. é letra morta. para dizer quem jogou bem e quem fez batota. Nos 5 e 6 anos preferem que as suas actividades lúdicas sejam dirigidas por um adulto em quem confiem. para variar de jogo e. como dificilmente se mantêm parados numa posição determinada. sobretudo nos menos dotados. constituindo “grupos de jogo” (3 aos 6 anos). mesmo em grupo. faz com que constantemente o chamem para escolher grupos. Daqui evolui para brincar a dois ou a três esforçando-se por possuir um melhor amigo. Maior entusiasmo pelo jogo dirigido por adultos.3. sem se preocupar com as oportunidades que os outros possam vir ater. para onde deitam várias portas. É frequente surgirem discussões e grande barulho por não quererem seguir as ordens de companheiros que querem dominar a situação. o que forma na maioria das crianças dois estilos de comportamento distintos. Características sociais 1. Só aos 5 anos começa o despertar do interesse pela competição. com frequência surgem problemas que degeneram em balbúrdia. Desistência face a dificuldades.. 4. Se ele não está presente. com quê e quando Onde O Local A três condições deve obedecer. 53 Anabela Fernandes . 3. por se encontrar numa fase pré-social. que pelos da sua idade. 4. assim como ocasionar barulhos que irão contribuir para que o adulto não consiga fazer-se ouvir bem por todos. de acordo com as diversas exigências do meio. Este espaço deverá contudo gozar de INTIMIDADE. essencialmente.I. 2. Esta distinção de comportamentos compreende-se por ser uma forma de equilíbrio elaborada na criança. não ser um local de passagem. Onde. onde a piedade pelos tímidos e pelos fracos. Nas idades mais baixas a criança ainda brinca sozinha. que carecem de encorajamento para tentarem de novo. Actos motores repetidos inúmeras vezes quando a tentativa é bem sucedida. A passagem constante de pessoas pelo local onde a sessão decorre. para fazer cumprir as regras. Raramente conseguem executar de uma forma igual. convém estabelecer que cada criança deverá dispor de 2 m2 de superfície da sala. Assim o ideal será dispor de uma sala com 50 m2 destinada a classes de 24 crianças. 5. isto é. Diferenças pouco importantes no comportamento físico e psíquico entre os dois sexos. assim como não há antagonismos entre eles. é um (entre muitos) dos motivos que poderão desviar a frágil atenção da criança. Os instintos gregários ou sociais só perto dos 6 anos começam a aparecer mas ainda marcados por um individualismo acentuado. o local destinado às sessões de movimento: • Espaço • Intimidade • Asseio. Instabilidade motora e grande agitação. que com frequência é renovado. A grande confiança que possuem no adulto que os acompanha. Os interesses e as tendências entre os dois sexos não divergem. Fase de associação com crianças da mesma idade. Falando em primeiro lugar do ESPAÇO. Cada um quer ser muitas vezes.

tragam vestuário não apertado. tão fáceis de calçar e sem atacadores. sempre que o tempo o permita. caso contrário. a uma altura inferior à de uma criança de pé. também se deverá pensar no asseio do ar. liberdade de movimentos e evitaremos as recusas de algumas em se deitarem no chão.O local deverá estar sempre muito ASSEADO. Já falamos anteriormente sobre o material básico necessário. limpo de poeira ou sujidade (o que não se conseguirá se for um local de passagem). Com quê O material Determinado material torna-se indispensável. porque esses servirão muito bem. 54 Anabela Fernandes . nem novo. O equipamento Logo no início do ano devem as famílias ser avisadas dos dias da semana em que a criança terá sessões de movimento. Conseguiremos assim. Convém mencionar que não deverão existir nem janelas nem armários com vidraças. Quando Toda a actividade educativa tem de ser levada a efeito. e até cinco (todos os dias) como acontece na Suiça. ao nosso trabalho. o que se consegue com a introdução de novos elementos ou de menor número de repetições. escorregam e caem com facilidade. sem necessidade de vestir e despir as crianças. o número de sessões a estabelecer por semana nunca poderá ser inferior a três (nos dias pares da semana). 25 a 30 minutos é quanto basta. em períodos de tempo que se sucedam de uma forma regular. podendo ir a quatro (com a 4ª-feira livre). respira. para os mais pequeninos nunca deverá exceder os 20 a 25 minutos. Devemos é insistir para que todos tragam solas de borracha para as sessões. muitos dos exercícios são executados em posições baixas (sentado e deitado). b) A temperatura que faz. c) As actividades para onde seguirão. Deveremos considerar. Para tal deverá. O equipamento do adulto. Pensando em asseio do chão. por causa do vestido ou das calças serem novos. É evidente que se trouxerem sapatilhas de borracha com atacadores. esta variará com as necessidades etárias de cada grupo. Quanto à duração de cada sessão. Holanda e Finlândia. que as crianças apresentam. obrigatório por lei. não faremos a família comprar sapatilhas sem atacadores. sapatos ou sapatilhas de borracha. Para os de 4 anos. visto que nas sessões de movimento. Assim. com sapatos de sola. Como calçado pediremos as conhecidas sapatilhas. Para os de 5 e 6 anos. Com o tempo frio poderse-á abrir a janela durante o intervalo entre duas sessões. Assim. isto é. na qualidade do ar que a criança em movimento. manter-se aberta uma janela que renove o ar. poderá exactamente seguir o critério mencionado para as crianças – roupa folgada e já usada. Pediremos para que nesses dias. ao encurtar ou alongar as sessões. para permitir uma maior variedade e um maior interesse. os seguintes factores: a) O grau de frescura ou fadiga física e psíquica. poderemos pensar em sessões de 30 a 45 minutos. O soalho deverá ser de madeira (nunca cimento ou mosaico).

• Distúrbios emocionais. • Dificuldade na compreensão e na expressão oral e escrita. • Dificuldades psicomotoras. O problema vai crescendo e marcando a criança. que a acompanharão ao longo de todo o percurso escolar. O Despacho 178 – A/ME/93 vem precisamente reforçar a importância do apoio pedagógico e a sua implementação eficaz. levando. Torna-se necessário conhecer essa criança e identificar os seus problemas ou dificuldades. do qual dificilmente se libertará – não aprende porque tem dificuldades e rejeita as aulas porque não aprende. para a digestão. outros. ao desenvolvimento de atitudes conflituosas com os que os rodeiam. • Carências afectivas. podem passar despercebidos. quer em casa quer na escola. 55 Anabela Fernandes . Devem ser incrementadas pelo Estado. Nele clarifica-se o conceito de apoio pedagógico e enunciam-se as modalidades e as estratégias de apoio (ver documento 51). para que se criem as condições necessárias que permitam a todas as crianças igualdade de oportunidades. • Ritmo lento de aprendizagem. APOIO ESCOLAR (PEDAGÓGICO) A Lei de Bases do Sistema Educativo estabelece nos seus objectivos que deve ser assegurada pelo Estado uma formação geral comum a todos os cidadãos. caso se torne conveniente fazê-las depois do almoço (o ideal é que sejam de manhã). direito ao acesso e ao sucesso escolar. Como podem ser minorados esses problemas? Proporcionando a todos os que têm dificuldades de aprendizagem um plano de apoio educativo com actividades variadas e que despertem o interesse da criança. As dificuldades reveladas pela criança em idade escolar podem levar a uma rejeição das actividades da aula e a um estado de angústia. muitos outros. muitas vezes. que devem ser proporcionadas aos alunos experiências que favoreçam a sua maturidade cívica e sócio-afectiva e que. pela comunidade escolar e famílias medidas de apoio e complemento educativos. de modo a superá-los. Todos os anos aparecem nas escolas alunos com dificuldades de aprendizagem. • Dificuldades na comunicação. no entanto. que as sessões. sejam eles de origem fisiológica ou sócio-afectiva. que consequentemente os leva a um fraco rendimento escolar. Alguns são fáceis de detectar. de preferência logo no 1º ciclo. o mais cedo possível. devem ser criadas condições que promovam o sucesso escolar e educativo a todas as crianças e alunos. Que tipo de dificuldades ou problemas se torna necessário ultrapassar? São diversos e às vezes muito difíceis de diagnosticar: • Dificuldades de concentração. • Falta de autoconfiança e auto-estima e. deverão respeitar um período de hora e meia a duas horas. A repetência de ano não é solução para as dificuldades apresentadas pelas crianças.Desnecessário será dizer. tornando-se um ciclo vicioso. Os problemas que afectam as crianças são muito diversos e de origens muito diferentes. • Dificuldades na integração na escola e no grupo-turma. devendo ser o último recurso a ser adoptado..

Algumas indicações práticas Devem ser estabelecidas regras no início das actividades de apoio pedagógico: • Todos vão ter oportunidade de falar. Pode concretizar-se através de aulas. • • • • • • • • • • O adulto deve: Ser calmo. que são um espelho do contexto social em que está inserido. auxiliares educativos. Elogiar as intervenções de todos. Cada aluno é um caso especial. Mostrar que está a ouvir. dotando-se dos meios necessários para responder às questões problemáticas que lhe aparecem diariamente. Para que as medidas de apoio possam conduzir ao sucesso é essencial que se tenham em conta as diferentes necessidades das crianças. • Ninguém deve ser posto a ridículo. mudando as estratégias de acordo com o meio escolar onde estar inserido e ajustando-se às carências de cada criança. rodeado de ambientes favoráveis e desfavoráveis e de potencialidades. 56 Anabela Fernandes . apenas se conseguem aumentar ainda mais as desigualdades que já existiam na vida escolar. pais e alunos têm de trilhar juntos. respondendo de forma adequada e diferenciada às dificuldades apresentadas pelas crianças. É fundamental diversificar. aliciantes e geradoras de situações de aprendizagem. É um caminho que professores. Dar atenção a todas as crianças. • Todas as opiniões devem ser respeitadas. O caminho a percorrer leva a uma necessidade constante de se adaptar e adequar a diferentes etapas e a cada situação individual. imaginar. Aceitar todos os sentimentos. Chamar as crianças pelo nome. Observar bem as reacções. por qualquer razão que seja. Incentivar a participação. ao mesmo tempo. É um percurso que tem de ser flexível e maleável. Ser um orientador. actividades em oficinas da disciplina ou disciplinas em que os alunos apresentam dificuldades.Apoio pedagógico ou escolar “é o conjunto de actividades proporcionadas pela escola que têm por objectivo melhorar o rendimento escolar dos alunos”. Explicar bem o tema de cada actividade. criar e incentivar um conjunto de actividades que possam ser. • Todos devem ser ouvidos sem ser interrompidos. ao qual o adulto responsável pelo apoio escolar terá de se adaptar. Se todos forem tratados da mesma maneira.

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