CLEUSA MARIA PIANO ALLEGRETTI

AS PERCEPÇÕES DAS PUÉRPERAS DIANTE DA VIVÊNCIA DO ALEITAMENTO MATERNO

Novo Hamburgo 2007

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CENTRO UNIVERSITÁRIO FEEVALE INSTITUTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE CURSO DE ENFERMAGEM

AS PERCEPÇÕES DAS PUÉRPERAS DIANTE DA VIVÊNCIA DO ALEITAMENTO MATERNO

CLEUSA MARIA PIANO ALLEGRETTI

Monografia apresentada ao Curso de Enfermagem como requisito parcial para a obtenção do grau de Bacharel em Enfermagem.

Orientadora: Prof ª. Clarice Fürstenau

Novo Hamburgo, 11 de junho de 2007.

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A Comissão Examinadora, abaixo-assinada, aprova a Monografia

AS PERCEPÇÕES DAS PUÉRPERAS DIANTE DA VIVÊNCIA DO ALEITAMENTO MATERNO

Elaborada por

CLEUSA MARIA PIANO ALLEGRETTI

Requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Enfermagem no Centro Universitário Feevale

COMISSÃO EXAMINADORA:

Prof ª. Clarice Fürstenau (orientadora)

Prof ª. Lisara Carneiro Schacker

Prof ª. Alice Hirdes

Novo Hamburgo, 2007.

.3 Dedico este trabalho à minha querida filha Graziela (in memorian) o meu eterno amor e carinho por estar sempre presente nos meus pensamentos.

Enfermeira Marques pela amizade e colaboração. aos colegas e amigos pelos felizes momentos compartilhados. . à Professora Clarice pelo privilégio de sua orientação. e à Feevale por ter proporcionado minha formação como profissional. à amiga e Professora Maria da Graça Barcellos e Ferreira à pelos valorosos Anita ensinamentos sugestões. à Dra.4 AGRADECIMENTOS Agradeço aos meus queridos filhos Fabrício e Eduardo pelo incentivo. auxílio e dedicação. Dinora Hoeper pelo auxílio e atenção. aos meus irmãos Pedro e Gladis pelo incentivo. ao Rogério pela ajuda e apoio.

percepções.5 RESUMO A amamentação auxilia no vínculo mãe/bebê por meio do contato epidérmico. as orientações para o ato de amamentar. segundo Minayo sendo identificadas e analisadas 4 categorias: Os sentimentos em relação à amamentação. . Atendendo os princípios éticos foram utilizadas siglas para referência às mães na análise e apresentação dos resultados. e a enfermagem e o auxílio no preparo da amamentação. Para a coleta de informações foram realizadas entrevistas individuais seguindo um roteiro semi-estruturado. Foram entrevistadas oito puérperas após serem aprovadas nos critérios de inclusão. sentimentos. A reflexão sobre os dados analisados levou a considerar que o sucesso do ato de amamentar envolve um conjunto complexo de ações que dependem da boa atuação dos profissionais da saúde. Palavras chave: amamentação. Todas as entrevistas foram realizadas e gravadas após a assinatura do consentimento informado e após serem fornecidos esclarecimentos às depoentes. os responsáveis pelas orientações junto às mães. Conhecer as percepções das puérperas diante da vivência do aleitamento materno é o objetivo geral deste estudo de caráter qualitativo. A pesquisa foi submetida à avaliação do Comitê de Ética em Pesquisa da Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura Municipal de Porto Alegre tendo sido aprovada. troca de toques e olhares.Os resultados obtidos foram sistematizados por meio de Análise de Conteúdo de Bardin.

After reflecting upon the analysed data. during the analysis and discussion of this study all the mothers are referred to by their initials. The aim of this study is to find out about the perception of women who are at puerperium related to their experience in breastfeeding. Key-words: breast-feeding. The survey was shown to the Research Ethics Committee of the Porto Alegre Health Department. All the interviews were carried out and recorded after the interviewees had signed a letter of agreement and had all their queries answered. one comes to the conclusion that the the success of breast-feeding involves a complex number of actions that depend on the good performance of the people who work in the Health area. The infomation was collected via one-to-one interviews following a semi-structured script. the people in charge of the orientation to the mothers. and it is a qualitative form of study. Eight women who were at puerperium were interviewed after being accepted according to the inclusion criteria.6 ABSTRACT Breast-feeding helps in the connection mother/baby via epidermal contact and the exchange of touch and eye-contact. according to Minayo: the feelings towards breast-feeding. The results from this study were systematized via the Bardin Content Analysis and four categories were identified and analysed. the orientations that were given about the breast-feeding act and the nursing and help while preparing for breast-feeding. In order to comply with ethical principles. perceptions. . who approved of it. feelings.

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SUMÁRIO

RESUMO.............................................................................................................. 5 ABSTRACT.......................................................................................................... 6 INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 9 1 REFERENCIAL TEÓRICO................................................................................ 12 1.1 Breve histórico do aleitamento materno .................................................... 12 1.2 Anatomia e fisiologia da lactação............................................................... 13 1.3 Significado do aleitamento materno e sua importância ........................... 15 1.4 Vantagens do aleitamento materno............................................................ 18 1.5 Razões para o desmame precoce............................................................... 20 1.6 Dificuldades relacionadas ao aleitamento materno .................................. 22 1.7 Aspectos psicológicos relacionados à amamentação.............................. 24 1.7.1 Os sentimentos maternos no período gestacional ...................................... 24 1.7.2 Os sentimentos maternos no período puerperal ......................................... 25 1.7.3 A relação mãe/bebê e sua importância no desenvolvimento da personalidade da criança ..................................................................................... 27 1.8 A enfermagem e o cuidado na amamentação............................................ 29 2 CAMINHO METODOLÓGICO .......................................................................... 32 2.1 Tipo de estudo.............................................................................................. 32 2.2 Sujeitos do estudo ....................................................................................... 32 2.3 Cenário do estudo........................................................................................ 32 2.4 Critérios de inclusão e exclusão................................................................. 33 2.5 Coleta das informações ............................................................................... 33 2.6 Análise das informações ............................................................................. 34 2.7 Considerações éticas .................................................................................. 35 3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS.................................................. 37 3.1 Categoria 1 - Os sentimentos em relação à amamentação ...................... 37 3.1.1 Subcategoria A - O Medo ............................................................................ 37 3.1.2 Subcategoria B - Amor, segurança e ternura .............................................. 39 3.1.3 Subcategoria C - Felicidade e prazer .......................................................... 40 3.1.4 Subcategoria D - Emoção e satisfação ....................................................... 41 3.1.5 Subcategoria E - Angústia e dúvidas .......................................................... 41 3.1.6 Subcategoria F - Irritação, aborrecimento e cansaço .................................. 42 3.2 Categoria 2 – Os responsáveis pelas orientações junto às mães ........... 43 3.2.1 Subcategoria A – No pré-natal .................................................................... 43 3.2.2 Subcategoria B - No Hospital ...................................................................... 45 3.3 Categoria 3 – As orientações para o ato de amamentar ........................... 46 3.3.1 Subcategoria A - Posicionamento do bebê ................................................. 46 3.3.2 Subcategoria B - A importância do leite materno ........................................ 47

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3.4 Categoria 4 – A enfermagem e o auxilio no preparo da amamentação ... 48 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................. 51 REFERÊNCIAS.................................................................................................... 54 APÊNDICE A – Instrumento de entrevista........................................................ 60 APÊNDICE B – Termo de consentimento livre e informado ........................... 61 ANEXO ................................................................................................................ 62

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INTRODUÇÃO

As percepções das puérperas diante da experiência do aleitamento materno é o foco do presente trabalho.

Segundo Giugliani (1994), o aleitamento materno deve ser visto como prática necessária para a melhoria de saúde e qualidade de vida das mães e dos seus filhos.

A necessidade da amamentação desde os primeiros instantes de vida do recém-nascido, reforçada pela sociedade por meio de diversos segmentos institucionais, governamentais, não-governamentais e movimentos civis organizados, como grupos de mães em defesa do aleitamento materno, vem cada vez mais adquirindo status relevante. Assim, constitui-se em uma das mais importantes questões de saúde pública, pois foi constatado que mães de diferentes graus de escolaridade e condições econômicas apresentaram dúvidas básicas quanto ao amamentar corretamente.

Em linhas gerais, após vivenciar experiências em campos de estágio na área da maternidade, foi possível verificar a existência de um quadro fático generalizado; não importa a condição econômica, a situação sociocultural, o lugar de residência: o gesto de amamentar ainda ressente-se da importância que traduz para as gerações presentes e futuras.

Para Silva (1997), a amamentação é um conjunto complexo de ações resultantes de um processo estimativo e avaliativo, vivenciado pela mulher que amamenta, no decorrer de sua experiência concreta de amamentar. Um processo cognitivo/emocional que abrange os conhecimentos e habilidades maternas sobre o ato de amamentar, mas que também envolve suas percepções acerca dos sentimentos provocados pela experiência da amamentação confrontados com suas

Quanto aos objetivos específicos. perspectivas de vida. Nesse sentido. o objetivo geral deste trabalho está baseado no conhecimento das percepções das puérperas em relação ao aleitamento materno. convivências familiares. onde devem ser oferecidos todo apoio e ajuda prática para que se estabeleça além de um sentimento de gratidão. o propósito é o de identificar os sentimentos da mãe em relação ao ato de amamentar. A prática da amamentação possui uma série de benefícios tanto para a mãe quanto para o bebê. 468) afirma que o “pós-parto mostra-se um período de vulnerabilidade emocional e física para as novas mães que podem estar psicologicamente sobrecarregadas com a responsabilidade”.199). A metodologia utilizada para esta monografia propôs um estudo descritivo de caráter qualitativo e para a análise dos dados coletados foi utilizada a técnica de análise de conteúdo de Bardin segundo Minayo (2004. proporcionando uma ligação emocional muito forte que servirá como base para futuros relacionamentos de confiança com outras pessoas. imprescindível que sejam repassadas às mães orientações corretas sobre o gesto de amamentar. ou seja. conhecer as percepções da puérpera em .10 expectativas. Edwards (2002. O início da adaptação à maternidade causa na mãe sentimentos de incapacidade. angústias e indagações vão se dissipando. todo envolvimento da mulher com seu filho. O vínculo mãe/filho acontece gradativamente à medida que as incertezas. através de uma linguagem simples e direta. uma abertura de comunicação com o profissional. sendo essencial para o desenvolvimento afetivo mãe/filho. confusão frente às novas exigências levando-a a buscar apoio para atingir novos níveis de conhecimento. p. Frente ao exposto. contexto profissional. Em vista disso. p.

11 relação às orientações recebidas da equipe de enfermagem e investigar como as orientações a prepararam para o aleitamento materno. .

médico inglês. cita que no século XVII o Dr. sendo quatro mamadas ao dia. Determinava que se uma ama deixasse morrer por negligência o lactente que lhe fora confiado para criar teria um dos seus seios amputados. já apontava que o aleitamento materno substituído por amamentação mercenária é bem antigo.. na Babilônia em 2250 a.1 Breve histórico do aleitamento materno O processo do aleitamento materno desde os tempos remotos tem sofrido influências da civilização humana. babilônicos e hebreus tinham como tradição amamentar seus filhos até os três anos. Short relata que os romanos e gregos alugavam escravas para servirem de amas de leite. Pamplona (2005) ao citar estudos de Gesteira e Moura da Silva afirma que o Código de Hamurabi. 2002). 2002). 1. serão pontuados aspectos importantes em relação ao aleitamento materno. proibindo as mamadas noturnas (ICHISATO e SHIMO. Ichisato e Shimo (2002) referem que estudos atuais mostram através da anatomorfologia do recém-nascido que reduzir o número de mamadas é uma atitude . publicou um panfleto fixando horários para a amamentação. e os egípcios. no início substituindo o seio materno por capricho ou fragilidade da nutriz e mais tarde pela comodidade das mulheres (ICHISATO e SHIMO. Ainda. Willian Cadogan.C. Evidentemente que apesar de Cadogan ter contribuído com algumas afirmações.12 1 REFERENCIAL TEÓRICO A seguir.

Eles acreditavam que o vínculo entre a criança e a ama de leite prejudicava a relação entre a mãe natural e seu filho (ICHISATO e SHIMO. 2005). esses hábitos sofreram mudanças com a vinda dos europeus às terras brasileiras (ICHISATO e SHIMO. entre os séculos XVI e XVII. foi criado o Programa Nacional de Incentivo ao Aleitamento Materno (PNIAM). 2002). Badinter menciona que a ligação entre as amas de leite e os bebês foi condenada por filósofos romanos e moralistas. Até o início da década de 80 no Brasil as atividades de incentivo ao aleitamento materno aconteciam de forma isolada e envolviam sobretudo o setor da saúde. Conforme Bitar e Nakamo citado por Ichisato e Shimo (2002). No entanto. a refrigeração e a pasteurização contribuíram para o decréscimo do aleitamento materno e o apogeu do aleitamento artificial. no Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição (INAN). A mulher carregava o seu bebê 24 horas por dia junto ao corpo praticando a amamentação sobre livre demanda. autarquia do Ministério da Saúde que passou a ser o órgão responsável pelo planejamento de ações de promoção. 2002). atualmente a mulher vem afastando-se da função de amamentar seus filhos. proteção e apoio ao aleitamento natural no país (ARAÚJO. O novo papel da sociedade. dentre os quais Plutarco e Tácito. o cuidado com o corpo. Em 1981.13 incorreta pois sabemos a debilidade que isso provoca na criança em termos nutricionais. os índios Tupinambás administravam de forma harmoniosa o duplo papel da mulher como nutriz e trabalhadora. 1. a crença de que a amamentação torna as mamas flácidas. a invenção da mamadeira.2 Anatomia e a fisiologia da lactação . No Brasil.

O sentido da palavra mama segundo este autor refere-se as glândulas mamárias juntamente com os tecidos adiposo e conjuntivo que circundam e dão sustentação. Para Hamilton os alvéolos responsáveis pela produção do leite. Jones. são constituídos de uma membrana basal e uma ou duas camadas de células cilíndricas secretoras. 2001). ao referir sobre o uso da ocitocina como auxiliar na ejeção de leite explica que até os dias atuais estudos produziram resultados conflitantes pois não . A ocitocina é um hormônio fundamental à amamentação pois é responsável pela ejeção ou descida do leite e é o mesmo hormônio que estimula as contrações uterinas durante o trabalho de parto controlando o sangramento pós-parto através da ação sobre a musculatura uterina. expulsam o leite para dentro passando pelos ductos menores e destes para os ductos principais armazenando-se nos seios lactíferos e exteriorizando-se através dos orifícios do mamilo (REGO.14 Rego (2001) nos diz que amamentar é o ato mais perfeito de suprir as necessidades nutricionais e emocionais do bebê. sendo derivado do tecido epidérmico. Kenner (2001) em seus estudos relata que algumas mulheres não têm sintomas de esvaziamento enquanto outras apresentam uma dor momentânea nos mamilos. que são constituídos por células secretoras que produzem leite e de um espaço (lúmen) onde se armazena o leite (LANA. Para que se mantenha a produção de leite é indispensável o adequado e freqüente esvaziamento da mama uma vez que o seu acúmulo de leite no interior dos alvéolos mamários comprimem as células secretoras interrompendo o processo secretor (OLIVEIRA. 2001). possibilitando um contato mais afetivo entre mãe e filho. As glândulas mamárias são compostas pelos alvéolos. No entanto. Entre a membrana basal e as células secretoras existem as células mioepiteliais que contraem. 2005).

segundo Ferreira (1986). 2005). 2005). O leite mais gorduroso desce geralmente 10 a 20 minutos após o inicio da mamada ocorrendo às vezes antes do tempo dependendo da sucção de cada bebê e de sua capacidade de esvaziar a mama (OLIVEIRA. Nos primeiros dias após o parto as glândulas mamárias secretam um líquido amarelado espesso. De acordo com Gonçalves. a fonte principal de calorias para o lactente são as gorduras que no início possuem um nível de teor baixo e no final da mamada o nível é mais alto. convém lembrar que a amamentação para ter êxito precisa da combinação de reflexos neuroendócrinos com o bem-estar e com o aprendizado da mãe e do bebê. Sendo assim. . 1997). é o ato ou efeito de amamentar que significa dar de mamar e nutrir. Enfim. que também pode ser transparente chamado de colostro. Mesmo sendo produzido em pequenas quantidades nos primeiros dias ele é suficiente às necessidades do recém-nascido (OLIVEIRA. revestidos do mesmo significado funcional do aleitar ou criar o filho com o leite que produz.3 Significado do aleitamento materno e sua importância O significado das palavras amamentação e aleitamento remete ao aspecto puramente biológico da ação (SILVA. sendo aleitamento sinônimo de amamentação. Isso torna os termos aleitamento materno e amamentação. 1. 2005). serão aproveitados os benefícios nutricionais do leite e todas as vantagens da amamentação (CARVALHO e TAMEZ. sob o ponto de vista da sua definição. Amamentação. 2005).15 foram encontradas fortes evidências de que possua efeito positivo no aumento do suprimento de leite (CARVALHO e TAMEZ.

Nas últimas décadas a dimensão do aleitamento materno que tem sido divulgado baseia-se também na influência que esse ato representa Badinter. No entanto. é tecnicamente simples e de baixo custo financeiro. cabe destacar que os mais efetivos são os que não se limitam apenas à realização de palestras sobre a importância da amamentação. De acordo com Passos et al. 2004). a classe sócio-econômica. a abordagem ao tema aleitamento materno é relevante devido a sua complexidade e importância para o desenvolvimento da saúde infantil. 1995). . 2004). a educação materna. retardando a volta da fertilidade e otimizando a mulher em seu papel de mãe (RICCO. tais como a atuação dos serviços de saúde. conforme amamentação influencia no equilíbrio psíquico e emocional da criança (SILVA. traz benefícios que envolvem o efeito protetor contra alergias alimentares. auxilia na involução uterina. Mesmo sabendo da imensa importância dessa prática é de amplo conhecimento da existência de fatores que interferem no desenvolvimento da mesma. protege a mulher contra câncer mamário e ovariano. doenças diarréicas e infecções comuns à infância (DUBEUX et al. É preciso que se tenha uma equipe disponível para escutar. O aleitamento materno além de ser o mais completo nutriente para o bebê atua como agente imunizador. 1997). A prática da amamentação. pois. as crenças relacionadas com o aleitamento. no a desenvolvimento emocional do ser humano. acalenta a criança no aspecto psicológico. o apelo da indústria para o uso de leite e bicos artificiais e o retorno das nutrizes ao trabalho (DUBEUX et al.16 Inúmeros esforços vêm sendo desenvolvidos com o objetivo de qualificar as ações ao incentivo do aleitamento. principalmente a exclusiva até seis meses de vida. incentivando a troca de experiências e possibilitando a avaliação singular do caso sempre que necessário (REGO. 2001).

17 Assim. Ter uma norma escrita quanto à promoção. 3. cria percepções e construções culturais sobre o aleitamento materno. Em 2001. Desta forma. Escutar as preocupações e dúvidas das gestantes e mães quanto à amamentação. Mostrar às gestantes e mães como amamentar e como manter a lactação. 6. proteção e promoção do mesmo. p. fortalecendo sua autoconfiança. proteção e apoio ao aleitamento materno que deverá ser rotineiramente transmitida a toda equipe de cuidados de saúde. 2. mesmo se vierem a ser separadas de seus filhos. capacitando-a para implementar esta norma. foram definidos os dez passos para o apoio. 4. . que se traduzem em saberes próprios” (SILVA. torna-se imprescindível o acompanhamento sistemático das atividades relacionas a essa ação: 1. a prática da amamentação representa ser um hábito preso aos determinantes sociais e às manifestações da cultura: “cada sociedade. Treinar toda a equipe materno-infantil. com o intuito de reforçar a estratégia de promoção ao aleitamento materno. 1997. Informar as gestantes sobre a importância de iniciar a amamentação na primeira meia hora após o parto e de ficar com o bebê em alojamento conjunto. em determinada fase da sua história.17). para o sucesso do aleitamento. Informar todas as gestantes e mães sobre as vantagens do aleitamento materno promovendo a amamentação exclusiva até os seis meses e complementada até os dois anos de vida ou mais. 5.

2001). 2001). para o bebê. terá sido feita uma base para uma mutualidade em que a criança se sente segura. Não permitir a propaganda de fórmulas infantis. 2001). Em relação as vantagens emocionais da criança assegura à mãe que seu filho terá menos chances de se envolver com violência. e para a família. bicos e chupetas e orientar as gestantes e mães sobre o risco do seu uso. Encorajar a amamentação sob livre demanda. 10. 8. O aleitamento materno beneficia a saúde física do bebê proporcionando tranqüilidade à mãe. . alcoólatra ou de ser viciado em drogas (LANA. p. Informar as nutrizes sobre o método da amenorréia lactacional e outros métodos contraceptivos adequados à amamentação. 9. De acordo com Campestrini (1992. 1.4 Vantagens do aleitamento materno O aleitamento materno traz vantagens e benefícios para a mãe.45): Quando as experiências iniciais forem satisfatórias tanto para a mãe quanto para o filho. Implementar grupos de apoio à amamentação acessíveis a todas as gestantes e mães procurando envolver familiares (REGO. Conhecer as vantagens da amamentação através de conversas com mulheres que amamentaram com sucesso e satisfação e participar de consultas individuais ou coletivas sobre o manejo do aleitamento são fundamentais para a gestante tomar uma decisão informada sobre a maneira de alimentar seu filho (REGO.18 7. de ser um fumante. mamadeiras. amada e livre de tensões desagradáveis e a mãe é capaz de obter satisfação na resposta de seu filho.

Retorno do peso corporal anterior à gravidez Ajuda o desenvolvimento do afeto materno para com seu bebê. uma proteína que aumenta a absorção do ferro. O leite humano fornece uma ótima fonte de gordura. infecções respiratórias e do ouvido. Efeito relaxante. a importância do leite humano traz inúmeros benefícios para o binômio mãe-filho como destacam a seguir: Vantagens para a mãe: Amamentar no período imediato pós-parto promove a involução uterina mais rapidamente e ajuda a diminuir o sangramento neste período. Vantagens para o bebê: O leite materno oferece proteção contra diarréia infecciosa. . útero e mama. diminuindo as chances de infecções gastrointestinais Esta substância não está presente nas fórmulas. A presença de lactoferrina. somente metade é absorvível. Reduz a incidência da enterocolite necrotizante.19 Conforme Tamez e Silva (2002). traz bem-estar. que é energia para o recém-nascido. 100% é absorvida pelo organismo. Diminuição do risco de câncer de ovários. enquanto no caso de fórmulas. Fonte de proteína mais digerível.

portanto. pois sem elas muitas vezes não ocorre o processo do desmame total. o processo do desmame por ser um fato social não deve ser visto como isolado. 2001). Em função disso tem desenvolvido inúmeras ações no sentido de promover. Proteção contra linfomas e diabetes insulino-dependente.5 Razões para o desmame precoce O termo desmame refere-se à introdução de qualquer tipo de alimento ou bebida além do leite materno. 1. na alimentação do bebê. unicasual e pontual. sendo necessária. Melhora o desenvolvimento cognitivo.20 Diminui a incidência de retinopatia retrolental. Segundo Rea e Cukier (1988). proteger e apoiar essa prática que só traz benefícios para a saúde das crianças brasileiras (ARAÚJO. Menos risco de alergias nos neonatos com história de alergias na família. exceto em raríssimas exceções. desempenhando papel importante na redução da morbi-mortalidade infantil. 2005). define-se como desmame precoce (SIMONS apud REGO. a realização de um diagnóstico para buscar as causas básicas associadas que concatenam no processo. Também é conhecido como processo de desmame por ser a transição progressiva do leite materno para a alimentação com a dieta da família. Quando a introdução de alimentação complementar ocorre antes do quarto ou sexto mês de idade da criança. . No Brasil o governo federal reconhece que o aleitamento materno é importante e fundamental para melhorar a saúde e a nutrição das crianças brasileiras.

problemas com a mama. Também conferem outras responsabilidades aos profissionais de saúde.21 Conforme dados provenientes de pesquisas as mães nem sempre assumem a responsabilidade do insucesso da amamentação. Para Giugliani e Rea. doenças. restringindo ao corpo da mulher as causas do desmame. aleitamento exclusivo insuficiente para o bebê. na maioria das vezes. Diante desse grau de complexidade. vida e morte. destacando as causas do desmame apenas na perspectiva biológica. Freitas et al (2002) expõem que as principais causas do desmame precoce são: a maternidade sem suporte retorno para o trabalho técnica inadequada de amamentação levando à dor e a fissuras mamilares decorrente de técnicas e posição incorreta ao aleitar. a mulher deixa de amamentar por causa da anticoncepção. (REGO. como leite insuficiente. Grande parte dos trabalhos teóricos refere o desmame como a grande diferença entre saúde e doença. não dormir e não querer mamar. 2001). parentes. 2001). ou seja. traduzido pela falta de . às patologias mamárias. funcional. vizinhos e amigos. atribuindo este mau êxito a outros fatores. associando-as. nervosismo e trabalho fora do lar (REGO. gestação gemelar Tabagismo Mamoplastia prévia. Essa forma reducionista de tratar o desmame. leite fraco. responsabilizando até mesmo o bebê por chorar demais.

mamilos sensíveis. fissuras. entre outros podem ser prevenidos através de orientações adequadas desde o período pré-natal. ductos obstruídos. Problemas como mamas ingurgitadas. entre os quais destaca: Ingurgitamento mamário: Pode ser fisiológico representa que o leite está descendo. a amamentação incorreta pode estar ligada à falta de apoio e orientação à mãe tanto dos profissionais da saúde como dos familiares. 1. Mamilos doloridos/trauma mamilar: . mãe e filho é que deveriam decidir sobre o tempo que deve durar a amamentação. mastite.231). 1981. o momento de interrompê-la definitivamente “é quando algum dos parceiros está definitivamente pronto para abandoná-la” (PRYOR. Giugliani (2004) aborda os problemas mais comuns relacionados com a lactação.22 leite.6 Dificuldades relacionadas ao aleitamento materno As dificuldades inerentes ao aleitamento materno são inúmeras. Segundo Rego (2001). p. Pode ser patológico ocorrendo distensão tecidual excessiva causando grande desconforto. Portanto. 1997). pois o desmame é parte do processo de crescimento da criança e do amadurecimento da mãe sendo que. não necessitando de intervenção. tem diminuído as possibilidades de as mulheres superarem a contradição entre querer e poder amamentar (ARAÚJO.

Bloqueio dos ductos lactíferos. edemaciada e quente. hiperemiada. Uso impróprio de bombas de extração de leite. Também pode ocorrer pelo uso de sutiã muito apertado. Uso de cremes nos mamilos. Ocorre quando a mama não está sendo esvaziada adequadamente. Galactocele: .23 A causa mais comum é em função de traumas mamilares por posicionamento e pega inadequadas. Abscesso mamário: Normalmente é causado por mastite não tratada ou com tratamento tardio ou ineficaz. Mastite: A parte da mama torna-se dolorosa. Uso de cremes e óleos que causam reações alérgicas. Disfunções orais na criança. Outras causas incluem mamilos planos ou invertidos.

24 É o nome dado à formação cística nos ductos mamários contendo fluído leitoso. No período gestacional a mulher pode apresentar sentimentos confusos em relação à gravidez. a comunicação mãe e filho inicia-se na fase intrauterina. aumento das despesas. se intensificando nos primeiros meses de vida a partir dos afetos. expondo sentimentos negativos normais. não . especialmente em se tratando da primeira gravidez. como significar o fim da juventude despreocupada. por outro lado. Baixa produção de leite: Na ausência de doenças deve-se averiguar primeiramente se a criança está sendo posicionada corretamente e se a mama apresenta uma boa pega.7. excessivamente alegres.7 Aspectos Psicológicos Relacionados à Amamentação Para fins de organização estão classificados conforme os sentimentos apresentados pela mãe no período gestacional e no período puerperal. ostentando sentimentos positivos. restrições na vida social. 1. 1. atuando como um elo que liga a criança à mãe.1 Os Sentimentos Maternos no Período Gestacional Segundo Montagu (1998). ou. As expressões de afeto são as primeiras formas de linguagem humana. pensando no futuro bebê que ao chegar a fará desempenhar o papel de mãe com facilidade e prazer.

além da apreensão em função das novas responsabilidades com o novo ser (OLIVEIRA. A maioria das mães que aleitam precisam também de reforço e apoio constantes. Quando o bebê está vivo e bem as reações mais evidentes são a curiosidade e o interesse. energia física ou reservas ilimitadas de amor que pensa necessitar para cuidar na presença de outros filhos. é importante saber como fazer e para isso é preciso que seja orientada e estimulada pois no início a ansiedade pode interferir no processo do aleitamento. 1995). Algumas mulheres podem achar difícil dedicar amor a uma criança que nunca viram. a mãe pode perturbar-se subconscientemente devido a dúvidas se terá tempo. mas quando a criança começa a mexer-se ela passa a acreditar que se trata de um ente real e com o progresso da gravidez seus pensamentos se tornam mais realistas (SPOCK. Para o mesmo autor acima referenciado.2 Os sentimentos Maternos no Período Puerperal Conforme Campestrini (1992) amamentar não é instintivo no ser humano. o que acaba proporcionando tristeza. Maldonado e Dukstein afirmam que as mulheres reagem de diversas formas quando vêem seu filho pela primeira vez. Para a mãe. . 2005). A expectativa de grande emoção nem sempre se concretiza.25 mais poder ir a locais desejados. além de decidir pela amamentação. 1. Na maioria dos casos essas perturbações são temporárias. 1995). há necessidade de todo um aprendizado para que se tenha êxito. não poder voltar a qualquer hora da noite e ainda dividir a atenção do marido (SPOCK.7. Outras vezes sentem decepção ao ver que o bebê não é como imaginavam em seus sonhos.

2001). Na presença do filho e no ato de amamentar é que a mulher vivencia seu mundo de uma nova maneira. Calma. A mesma autora destaca que a orientação e apoio psicológico no incentivo ao aleitamento materno são fatores essenciais no aumento do tempo médio de amamentação. a depressão. A relação materno-filial na amamentação aprofunda o contato epidérmico e a transmissão recíproca de afeto através do olhar. o que poderá influenciar no bom andamento da amamentação. unindo mãe e filho mais imediatamente. planeja. A preocupação com o futuro aumenta as necessidades . No entanto.16). A complexidade das mudanças provocadas pela vinda do bebê não se limita apenas às variáveis psicológicas e bioquímicas: os fatores sócio-econômicos também são fundamentais. depois de estabelecida. mas só quando ela estiver amamentando é que as decisões serão definidas..1997). dos movimentos rítmicos do corpo do bebê e do prazer sensual estimulado pela sucção.26 Silva (1997) refere que a mulher estabelece metas. de amor e de tranqüilidade. se a mãe estiver bem consigo mesma e sendo apoiada. As emoções afetam a lactação através dos mecanismos psicossomáticos específicos. 1981. Os sentimentos conflitantes são inúmeros. a tensão. obtidos através de todos os seus sentidos enquanto mama” (PRYOR. torna-se difícil desfazê-la. confiança e tranqüilidade favorecem um bom aleitamento. Psicologicamente o ato de amamentar tem a grande vantagem de reduzir o efeito traumático da separação provocada pelo parto. A união entre o binômio mãe/bebê na amamentação é o afeto mútuo. a fadiga e a ansiedade tendem a provocar o fracasso da amamentação (MALDONADO. pois “[.] a criança tem necessidade de contato com a mãe. fortalecendo o aleitamento materno (LANA.. gerando ansiedade e culpa. p. tanto físico quanto emocionalmente e essa união. a dor. sendo essa uma relação onde um precisa do outro. proporcionará harmonia e tranqüilidade na relação mãe-bebê. o medo. Entretanto.

Essa ameaça implícita predispõe o indivíduo a ansiedade posteriormente (STUART e LARAIA.3 A relação mãe/bebê e sua Importância no Desenvolvimento da Personalidade da Criança O primeiro estágio de desenvolvimento da personalidade. 2002). 1. desenvolvendo também seu vínculo com o bebê motivando a oferecer mais afeto e atenção (VALDÉS. Taylor (1992) menciona que os indivíduos que não experimentaram amor e segurança suficientes para a resolução satisfatória do primeiro estágio do desenvolvimento podem passar o resto de suas vidas tentando obter uma . 1997). Para a mesma autora a sensação de segurança e a capacidade de confiar em outros derivam da gratificação obtida pela satisfação das necessidades básicas neste período. a fase oral para Freud. um sentimento de ansiedade por parte da mãe pode ser passado ao seu bebê deixando-o vulnerável a sentimentos de insegurança (TOWNSEND.7.27 da grávida e intensifica sua frustração gerando. por conseqüência. 1996). que a impedem de encontrar gratificação na gravidez (MALDONADO. como chorar. 2001). mamar e chupar o polegar. A amamentação com êxito significa para a mulher satisfação em seu papel de mãe. A gratificação das necessidades é feita em torno das atividades associadas à boca. É neste período que o lactente se sente ligado a mãe sendo incapaz de diferenciar a si mesmo dela até a idade de 4 meses. Assim. vai do nascimento aos 18 meses. SANCHÉS e LABBOCK. raiva e ressentimento. Freud evidencia que a ansiedade primária é manifestada no estado de tensão ou num impulso produzido por causas externas e surge no bebê quando a fome e a sede não são saciadas.

Com relação à ansiedade. Ainda salienta a “ligação empática” (cordão umbilical emocional) entre mãe e bebê por meio do qual a ansiedade é comunicada. Seguindo o mesmo raciocínio em relação aos sentimentos. 1992). satisfações e segurança. Segundo a mesma autora. Uma resolução favorável desse . Isso torna a mãe e o seu filho extremamente sensíveis ao desconforto um do outro (TAYLOR. assim as necessidades orais tornam-se sinônimos de amor protetor e segurança. Taylor (1992) nos diz que uma mulher jovem quando acredita estar ansiosa devido as responsabilidades que deve assumir no cuidado do filho pequeno pode estar vivendo um conflito entre o desejo de ser dependente e uma necessidade de ser independente. Erikson ressalta que a grande necessidade de amor e atenção do bebê é satisfeita consciente e incondicionalmente por uma mãe generosa e terna. embora a fonte do desconforto possa ser externa ao bebê. o alimento e o amor são dados simultaneamente durante o período da fase oral. Sullivan explica que o ser humano experimenta esse sentimento ainda quando é bebê ao não ter atendidas pela mãe suas necessidades. A mesma autora ainda citando Sullivan. Alguns indivíduos que se fixam neste estágio podem ingerir compulsivamente líquidos e alimentos ou consumir grandes quantidades de álcool por estarem inconscientemente carentes no aspecto relacionado com a mãe e a segurança. relata que quando a mãe é incapaz de resolver seus problemas o bebê acredita que a ansiedade da mãe é causada por ele.28 gratificação através da cavidade oral. Por meio da “ligação empática” são transmitidos sentimentos positivos de amor e aceitação. e negativos de ansiedade e rejeição. o que desperta a ansiedade e a incapacita para cuidar do seu bebê.

A enfermagem tem papel extremamente importante no sucesso da amamentação e necessita de vasto conhecimento teórico e prático de anatomia. considerando as informações sobre as vantagens do aleitamento materno. educação sobre as técnicas corretas para adquirir habilidades e autoconfiança. fisiologia e fundamentalmente de psicologia. 2001). Também é imprescindível conhecer sobre a etnia e a classe a que os pais pertencem. 1992). se neste estágio o bebê for severamente frustrado responderá com quantidades maciças de ansiedade que ameaçam sua própria vida. incluindo o exame físico das mamas e preparação dos mamilos (OMS. sociologia e antropologia. A mesma autora cita que.29 estágio desenvolve-se por meio da confiança na mãe e serve como base para futuros relacionamentos plenos de confiança (TAYLOR. No entanto se for ao contrário poderá ser formada uma auto imagem de “eu mau” onde o indivíduo começa a se ver como alguém indigno. para Sullivan. . seus costumes e características (CAMPESTRINI.8 A Enfermagem e o cuidado na amamentação No pré-natal a enfermagem também desempenha papel de grande efeito para o êxito da amamentação. imagina-se como um indivíduo digno e desenvolve um autoconceito de “eu bom”. 1992). 1. Entretanto. se o bebê experimenta freqüentemente satisfação e segurança por parte da mãe durante o processo de alimentação. ampliando uma autoimagem de “não eu”. Para preservar sua vida o bebê defende-se desassociando as experiências geradoras de ansiedade e assim não pode desenvolver um senso de “eu”. Essa situação cria condições para o desenvolvimento posterior de graves problemas emocionais (TAYLOR. 1992).

e assim ter êxito na amamentação (RIGHARD e ALADE apud VALDÉS.30 Nos programas de educação em saúde. fissuras ou congestão mamária. para prevenir problemas como dor. o que é possível mediante o exercício constante de auto-análise. Remetendo a esse contexto amplo de conhecimentos. constituir-se uma pessoa viva e consciente de si. . a enfermeira também desempenha papel primordial pois é o profissional que mais estreitamente se relaciona com a mulher durante o ciclo gravídico-puerperal. o profissional da área da saúde deve se apresentar diante da mãe tal como é. preparando a gestante para a amamentação no pós-parto e evitando dúvidas. Rezende et al (2002. SANCHÉS e LABBOCK. a enfermeira como profissional de saúde. Almeida. especificamente na prevenção e tratamento de traumas mamilares. ingurgitamento mamário. dificuldades e possíveis complicações (MINISTÉRIO DA SAÚDE. reconhecendo e se apropriando de seus sentimentos. 2002). supervisionar e corrigir as técnicas do aleitamento durante a internação das puérperas. 1996). Desse modo. Assim estará colaborando e garantindo o direito de toda a criança ser amamentada conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente. é necessário que entre em contato consigo mesmo. mastite. Enfim. tem a oportunidade de realizar não somente ações educativas mas sobretudo assistenciais. Para isso. o trabalhador de saúde estará apto a compreender a si mesmo e ao outro. vivendo. Manfredi (1989) segue este mesmo raciocínio referindo que. observam que: Para ser autentico. A equipe de saúde em conjunto com a enfermagem precisa observar. problemas comuns no início da amamentação. 237). Fernandes e Araújo (2004) afirmam que a enfermagem na assistência a puérpera tem que ter conhecimentos técnico-cientificos atualizados. p.

garantindo assistência multidisciplinar às mães e a seus bebês. . a enfermagem deve estar consciente e disponível para acompanhar.31 Portanto. orientar e incentivar nas práticas corretas da amamentação.

2 Sujeitos da pesquisa Os sujeitos da pesquisa foram as puérperas atendidas no Centro de Saúde Vila dos Comerciários do município de Porto Alegre. . É flexível. As pesquisas descritivas têm como objetivo principal a descrição das características de determinada população ou fenômeno (GIL. e capaz de ajustar-se ao que está sendo aprendido durante a coleta de dados. Beck e Hungler (2004) nos estudos descritivos a finalidade é observar.1 Tipo de estudo A investigação propõe um estudo descritivo de caráter qualitativo. 2004). (POLIT.3 Cenário da pesquisa A pesquisa foi desenvolvida em um consultório do centro de saúde da Vila dos Comerciários. do município de Porto Alegre. elástico. 2002). 2. alcançando o número de oito participantes. Segundo Polit.32 2 CAMINHO METODOLÓGICO 2. BECK e HUNGLER. durante o mês de março de 2007. 2. O delineamento para um estudo qualitativo é um delineamento emergente que surge a medida que o pesquisador toma decisões constantes que refletem o que já foi aprendido. descrever e documentar os aspectos da situação.

As entrevistadas assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido (Apêndice B) de maneira livre e voluntária. As gravações serão guardadas por um período de cinco anos e após serão destruídas. As entrevistadas também . É usada quando o pesquisador tem uma lista de tópicos que devem ser descobertos. 2004). Neste termo constava que as informações obtidas eram sigilosas e a identidade da entrevistada seria preservada. Foram utilizadas questões norteadoras relacionadas ao tema da pesquisa (POLIT. A função do entrevistador é encorajar os participantes a falar livremente sobre todos os tópicos. após a leitura do termo e prestados os esclarecimentos solicitados.5 Coleta das informações A coleta de dados foi realizada por meio de entrevista semi-estruturada (Apêndice A) com as puérperas. 2. A entrevista semi-estruturada oferece flexibilidade e tende a ter uma natureza de conversação. As entrevistas foram realizadas em um consultório do Centro de Saúde da Vila dos Comerciários do município de Porto Alegre com a utilização de um gravador. BECK e HUNGLER.33 2. e que aceitaram participar da pesquisa alcançando o número de oito entrevistadas. Ficaram excluídas todas as puérperas que se recusaram a participar da pesquisa. gravadas e transcritas logo após.4 Critério de inclusão e exclusão Fizeram parte desta pesquisa todas as puérperas de pós-parto que compareceram no Centro de Saúde Vila dos Comerciários do município de Porto Alegre durante o mês de março de 2007.

tomar contato exaustivo com o material deixando-se impregnar pelo seu conteúdo. e na elaboração de indicadores que orientem a interpretação final. foi utilizada a técnica de análise de conteúdo de Bardin segundo Minayo. reformulando-as frente ao material coletado. p. Leitura flutuante. 2. uma análise temática consiste em descobrir os núcleos de sentido que compõem uma comunicação cuja presença ou freqüência signifiquem algo para o objetivo analítico visado.34 foram informadas que as fitas seriam guardadas pela pesquisadora por um período de cinco anos. por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens.199) a análise de conteúdo pode ser definida como: Um conjunto de técnicas de análise de comunicação visando obter. indicadores que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção /recepção destas mensagens. e sua identificação foi estabelecida como Mãe 1. Mãe 2 e assim sucessivamente. na retomada das hipóteses e dos objetivos iniciais da pesquisa. Posteriormente as entrevistas foram transcritas com as entrevistadas tendo suas identidades preservadas.6 Análise das informações Para análise dos dados coletados. Para Minayo (2004). Para tanto se faz necessário: a. . A análise temática compõe-se de três etapas: 1º) A pré-análise que consiste na escolha dos documentos a serem analisados. Conforme Minayo (2004. e logo após incineradas.

a unidade de contexto (delimitação do contexto de compreensão da unidade de registro). pertinência. 3º) Tratamento dos resultados obtidos e interpretação. 2. tal como estabelecido na pré-análise. escolhe as regras de contagem uma vez que tradicionalmente ela constrói índices que permitem alguma forma de quantificação. Por conseguinte.tais como: exaustividade. Essas variantes de certa forma reúnem numa mesma tarefa interpretativa. Ela transpira as raízes positivas da análise de conteúdo tradicional. a forma de categorização. 2º) Exploração do material-operação de codificação. representatividade. Segundo Bardin apud Minayo et al. os recortes. Esses pressupostos iniciais tem que ser flexíveis de tal forma que permitam hipóteses emergentes a partir de procedimentos exploratórios. pois a realidade não é evidente. Formulação de hipóteses e objetivos: deverá ser estabelecido hipóteses iniciais. c. (2004) realiza-se na transformação dos dados brutos visando alcançar o núcleo da compreensão do texto.a análise temática é bastante formal e mantém sua crença na significação da regularidade. Por fim realiza-se a classificação e a agregação dos dados escolhendo as categorias teóricas ou empíricas que comandam a especificação dos temas. a modalidade de codificação e os conceitos teóricos mais gerais que orientarão a análise. Constituição do corpus-organização do material de tal forma que possa responder a algumas normas de validade. Nesta fase determina-se a unidade de registro (palavra chave ou frase).7 Considerações bioéticas . há variantes na abordagem que no tratamento dos resultados trabalha com significados em lugar de inferências estatísticas. A análise temática tradicional trabalha essa fase primeiro com o recorte do texto em unidades de registro. homogeneidade. Contudo.35 b. os temas como unidades de fala.

após o parecer favorável iniciou-se a coleta de informações. Foi entregue à todas participantes um termo de consentimento livre e esclarecido mencionando todos os critérios e passos da pesquisa conforme a lei número 196/96 do Conselho Nacional de Saúde.36 Tendo sido encaminhado o Projeto de Pesquisa ao Comitê de Ética em Pesquisa da Secretaria Municipal de Saúde do município de Porto Alegre para a devida apreciação e. O componente ético é o suporte que garante a integridade do pesquisador e do sujeito onde se pode garantir o anonimato das pesquisadas utilizado nos relatos os nomes fictícios (VÍCTORA. KNAUTH e HASSEN. A resolução 196/96 determina que a pesquisa se processe somente após o consentimento livre e esclarecido das entrevistadas. 2000). .

as dificuldades no desempenho das funções maternas.1 Categoria 1 .O Medo Na opinião de Lana (2001).1.1 Subcategoria A .Os sentimentos em relação à amamentação O contato com as mães que fizeram parte deste estudo possibilitou a percepção de que muitos são os sentimentos que surgem durante o período da amamentação. de não conseguir cuidar bem do bebê e dos riscos do parto já estão presentes desde a gravidez. entre elas o medo de não dar conta das obrigações de mãe. Nos relatos das entrevistadas encontramos referenciados dois tipos de medo: a) Medo de não suprir as necessidades alimentares: . A seguir serão descritos os sentimentos relatados que foram estabelecidos em seis subcategorias: 3.37 3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS Após a análise das informações coletadas surgiram quatro categorias conforme colocado a seguir: 3.

[... ou o bebê está sugando com pega inadequada ou os mamilos podem estar machucados. que também pode ser transparente chamado colostro. que ele tivesse que usar algum outro leite assim[. que a dor na amamentação influencia no reflexo da descida do leite e o bebê reage chorando muito durante e após a mamada. Em função disso a mãe fica mais ansiosa e pode sentir-se incapaz para nutrir seu bebê o que a predispõe ao fracasso do aleitamento..] (Mãe 5).] (Mãe 6).. que ele não tivesse. b) Medo da dor: Um dos aspectos importantes a serem considerados no apoio às mães que amamentam é o de mostrar a técnica correta de amamentar para que não tenham medo em relação às fissuras. a mãe só se tranqüiliza depois que o leite jorra.que não desse.. A autora referencia. ainda. A mesma autora ainda comenta que. não sei. não tivesse sendo amamentado assim o suficiente que.] medo de não pode continuar dando mamá pra ela.. Essa questão foi ressaltada por Oliveira (2005). pois não recebe leite em quantidade suficiente para saciar sua fome.38 Um medo comum é o de não ter o leite forte e em quantidade suficiente como relatam as mães a seguir: [. apesar de saber que a descida do leite pode demorar de vinte e quatro a setenta e duas horas e até mais.. Oliveira (2005) relata que nos primeiros dias após o parto os seios secretam um líquido amarelado espesso... Mesmo sendo produzido em pequenas quantidades nos primeiros dias ele é suficiente às necessidades do recém-nascido. .. [. ao assegurar que o aleitamento materno não deve ser dolorido e quando a mãe queixa-se é porque alguma coisa não está bem.....] No início eu sentia medo assim.

sua qualidade de vida atual e futura.. é ternura.. que eu não sei como.. Ah!.. já porque dói né bastante. então eu sofri muito e ela por conseqüência né sofreu pouco. é maravilhoso[. muita ternura..] amor.. fissuras ou congestão mamária. Sanches e Labbock (1996). . mas em suma assim..] (Mãe 7). proteção que.] eu não tinha né experiência nenhuma. e para o bebê esses contatos influenciarão..] por causa da dor. muita ternura[. [. porque me doía muito porque ela pegava errado[. ainda não tenho os bico do seio[.. o carinho.] as orientadoras conseguem colocar né a criança e eu não consegui. [. bastante. porque eu tinha. 3.2 Subcategoria B .... então machuquei muito os bico do meu seio. Eu olho pra ela assim e fico olhando e... para prevenir problemas como dor. [... que é importante a equipe de saúde em conjunto com a enfermagem observar.. Eu dou já com medo. segurança e ternura Para Lana (2001). eu acho que fissura dói[. o afeto e a segurança decorrentes de um contato íntimo entre o binômio será um momento inigualável. muita ternura. bah! Eu passo uma revista geral enquanto to amamentando. não sensibilidade. eu dou já com medo..] (Mãe 6)... eu acho que fissura dói [. Segundo Araújo (1997).] (Mãe 7).... supervisionar e corrigir as técnicas do aleitamento durante a internação das puérperas. Por isso convém salientar segundo Righard e Alade apud Valdes......39 [..] (Mãe 4).. [..] (Mãe 5).. já porque dói né..1. carinho.] (Mãe 2). o aconchego. [. só porque eu tenho fissura. a falta de orientação e de apoio determina na mulher um sofrimento físico que poderia ser evitado com medidas preventivas ou curativas.Amor.] ternura. e assim ter êxito na amamentação. acho que no peito assim não dá. favorecendo assim sua relação com outras pessoas no decorrer de sua vida.] eu acho..

] ah! eu me sinto feliz. segurança [.. sentir e ninar a criancinha e a leva com naturalidade ao seio para acalmar seu choro.. [. a mãe sente a necessidade de tocar.. o alimento e o amor são dados simultaneamente durante o período da fase oral...] (Mãe 6)..] muito amor.. Neste tipo de prazer.] amor e carinho acho que a gente sempre sente [.] (Mãe 8).] (Mãe 5). a questão do prazer e felicidade está associada à satisfação emocional propiciada pelo contato íntimo entre mãe/bebê que a amamentação natural permite.40 Para Clark (1984). No depoimento destas mães é possível verificar que o amor..1. gosto muito de dá de mamá prá ela e fico feliz por ela pegá o mamá bem né[.. o momento mais. assim as necessidades orais tornam-se sinônimos de amor protetor e segurança. reforçando as emoções sobre o sentido da maternidade.. 3... o estabelecimento da relação afetiva por meio da amamentação apresenta-se de forma mais clara.. Esta percepção fortifica a crença de que amamentar favorece o vínculo entre a mãe e seu filho. consequentemente.3 Subcategoria C .. [. de mais prazer que eu tenho é de ficar amamentando o meu filho[... [. Conforme Taylor (1992).] ele tá coisa mais fofa e eu tô falando e eu tô sendo sincera.Felicidade e prazer No discurso dessas mães. promovem o desenvolvimento afetivo junto ao bebê. [.. a ternura e a segurança facilitam a promoção do aleitamento materno e. .] (Mãe 7)..

16). (PRYOR. A relação materno-filial na amamentação aprofunda o contato epidérmico e a transmissão recíproca de afeto através do olhar.] a criança tem necessidade de contato com a mãe. torna-se difícil desfazê-la. É o momento que vou estar com ele.Angústia e dúvidas Segundo Rego (2002). [. [. dos movimentos rítmicos do corpo do bebê e do prazer sensual estimulado pela sucção... 1981. A união entre o binômio mãe/bebê na amamentação constitui-se em afeto mútuo.. pois “[... me sinto feliz e adoro pegá no colo.5 Subcategoria E .. é o momento só nosso.] (Mãe 1). obtidos através de todos os sentidos enquanto mama”.41 3.Emoção e satisfação Esta subcategoria evidencia que o sentimento divulgado no ato de amamentar o filho demonstra toda a satisfação que as mães têm ao perceber o bem que estão fazendo a ele.1. as mães necessitam do apoio familiar. sinto satisfação. Assim. 3. todas as mulheres têm a capacidade de produzir leite para alimentar seus filhos.. p. uma relação onde um precisa do outro.. Ah! é ótimo.] (Mãe 8).. de amor e de tranqüilidade.] a hora de amamentar foi uma emoção muito grande né. prazer.] eu gosto.1. da . Maldonado (1997) destaca que a orientação e apoio psicológico no incentivo ao aleitamento materno são fatores essenciais no aumento do tempo médio de amamentação.. só dele[.4 Subcategoria D . depois de estabelecida. dá de mamá e ela ficar me olhando. muito bom[. só meu. tanto de forma física como emocionalmente e esta união.

] eu chorava de dó.] (Mãe 2).] já me aborreci muitas vezes.. muitas mães se sentem aborrecidas e cansadas quando percebem que estão limitadas à tarefa de amamentar e cuidar do seu bebê... Aí tu fica irritada né.. Tu tava perto de fazer alguma coisa e aí tu tem que parar pra dá de mamá pro nenê. Saber se ela está bem alimentada. ou ódio isso não.. sempre com fome[.. Esse apoio e orientações reforçam os argumentos das vantagens do aleitamento materno e.. . Isso remete a uma sofrível vivência que não condiz com as imagens de mães felizes e sorridentes amamentando seus filhos que muito são utilizadas nas campanhas de incentivo ao aleitamento materno. não tenho leite o bastante[.] eu sinto angústia por não ter leite bastante... Conforme esses relatos observa-se que a referência de angústia e dúvidas não está relacionada à dor física e sim à experiência desagradável e desgastante de não ter leite suficiente para o seu filho. dessa forma. [.. Agora um sentimento mais forte ou raiva.] (Mãe 3).. porque ele chora querendo mamá e eu tenho que dá mamadeira.] angústia.. aborrecimento e cansaço É importante ressaltar que mesmo tendo a compreensão em relação ao ato de amamentar. Isso pode ser observado nos seguintes relatos: [. 3..] (Mãe 6).[. quanto tempo vou poder amamentar[... muitas dúvidas.. fortalece a auto-estima da mãe deixando-a mais confiante. o que conduz à importância de que todos tenham o devido conhecimento sobre a prática da amamentação.6 Subcategoria F .42 comunidade e dos profissionais da saúde.. o suficiente pra dá pra ele porque.1. pois não sabia e a criança tava sempre com fome. [. [.Irritação. eliminando a insegurança e as dúvidas que porventura surgem no processo de amamentar.] (Mãe 7)..

as mães que pensam na concretização desse ato buscam de diferentes maneiras acumular informações/conhecimentos. na medida em que ficam restritas aos cuidados com o bebê. Diante destes relatos percebe-se que as mães buscam na experiência de outras mulheres. assim como garantir vigilância e efetividade durante a assistência a nutriz no pós-parto (ALMEIDA et. Arantes (1995) considera que as mulheres podem perceber a amamentação como desagradável quando exige esforço físico e limita sua liberdade e seu lazer.] eu tive orientação da minha mãe.2. que já vivenciaram as primeiras sensações do ato de amamentar. 3.] (Mãe 4).... perguntava sobre a amamentação[. al. quando to cansada.. a experiência prática... ..] (Mãe 2).43 [. quando to irritada.] eu não gosto de amamentar quando to braba. [... da minha sogra. 2004). [.2 Categoria 2 – Os responsáveis pelas orientações junto às mães Nesta categoria é possível observar que no processo de amamentação..] (Mãe1). as crenças e a vivência social e familiar da gestante a fim de promover educação em saúde para o aleitamento materno.. como veremos nas subcategorias demonstradas a seguir: 3. e prógestantes [.] ah! eu perguntava a minha cunhada que teve nenê também né pouco tempo antes de mim.1 Subcategoria A – No pré-natal O profissional de saúde deve identificar durante o pré-natal os conhecimentos. Eu sinto que eu passo tudo isso pra ela e não é legal[...

. Araújo (1997) refere que as opiniões e interferências externas contribuem para o sucesso ou não da amamentação.peguei mais na Internet e com mães né.... [.. No pré-natal a enfermagem também desempenha papel de grande efeito para o êxito da amamentação. Por meio dos profissionais da área..] mas foi só uma. .. 2001). as interações desenvolvidas no meio relacional. filhos. [... no pré-natal também não[. de alguma forma.. amamentação. a doutora me orientou também [.44 as respostas para suas dúvidas e anseios em relação ao desempenho da função materna.] recebi pelo obstetra que fazia meu pré-natal.. [.. que eu conheço né [.] durante o meu pré-natal não tive nenhuma do meu obstetra.] (Mãe 8).. porque no meu pré-natal eu não tive assim. [.. não. orientações na Internet.... eu fui no médico.] desde pequeneninha. influenciaram as mães na tomada das mais variadas decisões. a minha mãe ganhou um nenezinho e eu ficava prestando atenção nela amamentar ih. Entretanto. reportagens à respeito..] antes do parto eu via mais a Internet né.. né [. Sob esse aspecto.. nem da enfermeira que me acompanhou [.] (Mãe 3)..] (Mãe 4)..] (Mãe 6). no colégio a gente tinha bastante palestra sobre orientação sexual. Ou seja. Aí eu casei. De acordo com as revelações das mulheres podemos observar que elas receberam vários tipos de interferências no período do pré-natal.. observamos através de algumas entrevistadas que a falta de orientações por parte da enfermagem durante o pré-natal foi muito enfatizada o que certamente pode ter prejudicado o êxito da prática da amamentação. [. é possível a mãe obter informações sobre as vantagens do aleitamento materno.. incluindo o exame físico das mamas e preparação dos mamilos (OMS... me explicou a etapa da vida da gente. educação sobre as técnicas corretas para adquirir habilidades e autoconfiança..] (Mãe 2).

há uma busca contínua por caminhos para a melhoria da humanização da assistência materno-infantil.] (Mãe 5). apesar da complexidade que envolve a atividade assistencial da instituição. quando tava no hospital veio uma enfermeira... Frente a esse quadro..45 3.2..] eu como. As reações das mães quando se referiram às orientações recebidas nos hospitais em que tiveram seus bebês foram quase sempre idênticas... marinheira de primeira viagem não conseguia.424): Satisfação é um conceito complexo. [. davam dicas [.] no hospital quando eu ganhei devido as dificuldades elas me ajudaram bastante [.. principalmente nas primeiras horas do nascimento do bebê. relacionado a vários fatores atuais como: estilo de vida.] Depois de eu ganhar. Por isso. diante da . expectativas futuras.] (Mãe 2). experiências adquiridas. pode servir de base para a amamentação bem sucedida e duradoura. uma vez que se posicionaram favoráveis às explicações que tiveram em relação ao ato da amamentação como veremos a seguir: [. só pra te explica sobre isso [... as orientações dirigidas às mães no hospital reforçam a idéia de que.] (Mãe 6)..2 Subcategoria B . valores individuais e sociais. Segundo Rugolo et al (2004.. vários pesquisadores consideram que a satisfação pessoal não pode ser completamente avaliada com base em números numéricos apenas...] (Mãe 4).. no hospital tive uma ótima orientação. Como podemos observar. [. p...No hospital A presença permanente da enfermeira no hospital. concordamos que o esforço em torno das orientações desenvolvidas para o aleitamento materno dá suporte a essa prática.] lá no hospital que eu ganhei as enfermeiras todas orientavam a gente.... [.. né [.

Posicionamento do bebê Uma das dificuldades iniciais do aleitamento materno. ajudando-o a abocanhar a porção adequada da mama. por parte principalmente dos profissionais da saúde. resultando nas seguintes subcategorias: 3. 2005). Conforme estudos. Portanto. . o aleitamento materno passa a ter uma importância ainda maior. de modo que ambos se sintam confortáveis e a mãe possa facilitar os reflexos orais do bebê. 3. A mesma autora ainda diz que várias posições podem ser utilizadas para amamentar.3. quem deve definir qual é a melhor posição é sempre a mãe junto com seu filho. razão pela qual se justificam cada vez mais os estudos sobre esse tema.3 Categoria 3 – As orientações para o ato de amamentar Nesta categoria foram agrupados os dados que as entrevistadas citaram sobre as orientações recebidas em relação ao ato do aleitamento materno.46 dificuldade que a mulher enfrenta ao exercer esse ato. refere-se às condições do posicionamento e do encaixe do recém-nascido ao peito (pega). No entanto. e impede a frustração que a mãe poderá sentir quando for incapaz de aquietar um bebê que chora ou dorme para mamar.1 Subcategoria A . a correta técnica de sucção durante a primeira semana após o nascimento está relacionada com o longo sucesso da amamentação (SANCHES apud CARVALHO e TAMEZ. amplamente descrita na literatura relativa ao binômio.

] não mãe.... [.... [.] ó mãe coloca a boquinha assim. [. pega todo o mamilo.. me mostrando como é que era [...3.] posicionando o nenê do jeito certo. Para ampliar a compreensão. o bebê recebe através da placenta todos os nutrientes necessários para seu crescimento intra-uterino e. 1999). Durante a gestação..] (Mãe 6). deixa ele chupar à vontade [.. essa simbiose continua por meio da amamentação.2 Subcategoria B .] (Mãe 4).] abaixa um pouquinho o peito na parte de cima pra não sufocá ela [.A importância do leite materno Nesta subcategoria far-se-á uma incursão nas relações existentes entre a importância do leite materno. direitinho [. .] e sempre botar ele bem inclinado em cima. remetemos à afirmação de Rego (2001).. [.... pois assim reafirmaram suas expectativas quanto a uma boa amamentação.. agora o peito. 3.47 Esta questão foi identificada nas citações das mães sobre as orientações recebidas como veremos a seguir: [.] (Mãe 7)... bem perto do peito pra ele poder amamentar bem direitinho [. após o nascimento.] (Mãe 2). quando nos diz que amamentar é o ato mais perfeito de suprir as necessidades nutricionais e emocionais do bebê. Evidenciou-se nas falas das participantes que a forma correta de posicionar o bebê ao seio foi importante. que é fundamental para seu desenvolvimento físico e mental (PRIMO e CAETANO.... possibilitando um contato mais afetivo entre mãe e filho. segura com jeitinho.] (Mãe 8)..

doenças diarréicas e infecções comuns à infância (DUBEUX et al.. A prática da amamentação. infecções... elas vinham [.] e disse que não precisava dá água nem um outro nutriente que não fosse o leite do peito até os seis meses [..] a enfermagem dentro de um hospital... [... na hora que a gente amamenta erra [.] (Mãe 1).. traz benefícios que envolvem o efeito protetor contra alergias alimentares. por mais orientações que a gente tenha.. 2004)....] (Mãe 5).. que a amamentação faz bem prá criança.] o leite materno é o melhor leite pro bebê né... todas eram muito prestativas e sempre.. como veremos a seguir: [. bem prá saúde {. 2001). Tá muito protegido.. .] ah! .. Ah! que a amamentação faz bem pra criança. pois favorece o desenvolvimento do sistema imunológico (REGO. principalmente a exclusiva até seis meses de vida. Tem nutrientes essenciais pra saúde dele [.4 Categoria 4 – A enfermagem e o auxilio no preparo da amamentação Os achados desta categoria referem-se ao questionamento sobre o papel da enfermagem diante do ato da amamentação... Percebe-se nas argumentações dessas mães que o fator preponderante em suas decisões foi a saúde do seu filho. toda hora que precisasse chamava as orientadoras.] (Mãe3).] (Mãe 2). [.Protege das doenças.. Isso reforça a convicção de que a amamentação natural é tida como fundamental para o desenvolvimento da criança. [.] (Mãe 2).... eu acho que falando dos benefícios que a amamentação traz né..] enquanto tu tiver amamentando ele.. bactérias [... 3..] auxiliar.] (Mãe 4).. [.] eu acho que a enfermagem é bem importante porque. Oh! nossa!. [. ele tá protegido. [... mas também na idade adulta.} (Mãe 3).48 O leite materno protege contra infecções e alergias não apenas na infância. bem pra saúde [..

porque no meu prénatal não recebi essa orientação.. então tem que explica pra pessoa como ela deve amamentar seu filho. porque no início eu tive várias inseguranças [.. foram determinadas concepções que evoluíram para o favorecimento da prática do aleitamento materno..] (Mãe 8).] para mim foi muito importante mesmo. De acordo com a OMS/UNICEF. porque ele é bem fragilzinho [. né. desenvolver uma relação de ensino-aprendizagem que garanta apoio.. [...] as vezes por mais que uma mãe cria um filho. foi as enfermeiras que me ajudaram [.. Conforme Campestrini (1992).] (Mãe 5 ).. podemos perceber o valor atribuído às orientações da enfermagem.. Desse modo.49 [. Muitas vezes tem que ser aprendida para ser prolongada com êxito. chegar e te explicar... eu acho que a enfermagem é bastante importante.. te dar uma palestra porque tipo. Considerando a importância de se favorecer o início e a manutenção da amamentação.. fisiologia e. te ensinar como pegar o seu bebê até pra não machucar ele né. sociologia e antropologia. quem melhor do que uma enfermeira que estudou prá isso.. puérpera e recém-nascido. e a maioria das nutrizes precisa de reforço e apoio constantes (MACHADO et al...] eu acho que a enfermagem poderia auxiliar assim como foi comigo.. proteção e promoção do aleitamento materno.. a amamentação não é totalmente instintiva no ser humano. no hospital elas me ensinaram como é que eu amamentava..] olha.. fundamentalmente... seus costumes e características.. Pelo depoimento das mulheres entrevistadas. Acho que se eu não tivesse essa orientação eu acho que eu não saberia nem por onde começar [. de psicologia.. [.. Também é necessário conhecer sobre a etnia e a classe a que os pais pertencem. 2004).] (Mãe 6). a enfermagem tem papel extremamente importante no sucesso da amamentação e requer vasto conhecimento teórico e prático de anatomia.] (Mãe 7). [. parturiente.. Souza e Lopes (1995) destacam que compete aos profissionais da saúde que agem junto a gestante. como eu dava de mamá. me ensinaram várias coisas prá mim me sentir super bem. . que tivesse uma pessoa que fosse ali te explica.

.50 Convém também ressaltar. lá nos hospital né. através da harmonia conciliada com outras áreas de interesse de vida das mulheres. Ainda assim... sabe é legal.. abre um canal de comunicação positivo favorecendo a promoção do aleitamento materno.. de fato.] olha pra começar a enfermagem de agora. . segundo Teruya e Bueno (2004). [. com meneio de cabeça. ao referirmos sobre a humanização podemos deduzir que há necessidade de reformulação nas atitudes dos profissionais envolvidos com as gestantes e puérperas. de uns tempos pra cá elas aprenderam. principalmente.. é importante destacar que uma perfeita integração da enfermagem com os demais profissionais da saúde materno-infantil. Neste depoimento é relevante destacar o relato da mãe que nos diz que a enfermagem está mais humanizada. de foro íntimo.] Reconhecer que a grávida é a condutora do processo e que a gravidez não é doença. que quando o profissional de saúde se apresenta com um sorriso. estabelece diretriz fundamental para a segurança necessária ao atendimento da mulher e da criança. [.. onde todos possam falar uma mesma linguagem. Permite ao profissional estabelecer com cada mulher um vínculo e perceber suas necessidades e capacidade de lidar com o processo do nascimento. elas são mais carinhosas.. elas tem a paciência de vim...] Para. parece que ser mais humanas. mudar a relação profissional de saúde/mulher é necessário uma mudança de atitude que. demonstrando que está ali para ajudar.10). depende de cada um [. adotar a ética como pressuposto básico na prática profissional (p. muito legal as enfermeiras te orienta [... Esta observação revela que o papel da enfermagem está reformulado. De. Tudo isso eu aprendi com as gurias da enfermagem. E... Finalmente.. vez que por meio dela um novo sentido à maternidade vem sendo proporcionado.] (Mãe 4). Essas considerações passam a ter um maior reforço a partir do ponto de vista do próprio Ministério da Saúde (2004): Reconhecer a individualidade é humanizar o atendimento.. tudo isso.

a partir das percepções das puérperas em relação à amamentação. contribuindo para que ela se perceba como a única responsável pelo amamentar.51 CONSIDERAÇÕES FINAIS Durante a realização deste trabalho. o fato de não poder delegar a ninguém a tarefa de amamentar o filho parece reforçar a idéia de que a mãe é um ser insubstituível. acreditamos que o processo de aleitar deve ser compreendido a partir da ótica da mulher. constitui-se numa responsabilidade que se sobrepõe ao desejo de amamentar. para elas. podemos considerar que a estabilidade emocional é importante principalmente para o bom desempenho da mulher em relação ao ato da amamentação. foi possível compreender as dificuldades e averiguar algumas causas de tantas dúvidas quanto ao ato de amamentar. que consiste no ato de procriar. que a amamentação é uma extensão do processo da gravidez e que está permeado de sentimentos bons e ruins. Diante dessas condições. o social. a mulher vem desempenhando o papel de mãe. Percebemos que neste ato as mães expressam idéias e sentimentos comuns. por meio da criação de seus filhos. define sobre si. mesmo assim. reconhecer as influências contextuais para. . onde ela reforça o sentido da maternidade. e o psicológico. por meio inclusive de uma pesquisa detalhada na literatura sobre o assunto. Desta forma. o profissional poder ajudá-la no ato de amamentar. entender o que ela pensa. Perante este aspecto ambíguo em relação à amamentação. os quais acabaram por revelar uma realidade onde a mulher desempenha alguns papéis: o biológico. Pelos relatos das mães constatamos. No entanto. então. também.

mas as perspectivas com as novas pesquisas em relação ao assunto muito poderão contribuir para a superação dos problemas desde que exista suporte e compreensão de todos. entender. sem dúvida. aliás. também se afigura muito importante pois é a partir dela que podemos compreender que a assistência se constitui numa condição fundamental em todos os momentos para a promoção e a manutenção da saúde. Esta constatação. com o propósito de garantir efeitos positivos durante esse processo e que possibilitem a construção de referenciais mais amplos sobre a prática do aleitamento materno. depende de a mãe receber estímulo e ajuda para superar dificuldades e vivenciar a amamentação como um meio para alcançar a plena realização de seu papel na saúde do filho. pode-se perceber o aleitamento materno como uma prática complexa e dinâmica inserida num dado contexto. constituindo-se assim num . observamos ao longo das entrevistas que a maioria das mães fez questão de salientar que não recebeu acompanhamento efetivo durante o pré-natal. o que ficou bem visível. ao relatar que a amamentação significa possibilitar e dar a liberdade de a mulher-mãe explorar e definir sua experiência segundo os significados que isso tenha para ela. para ser bem sucedido e duradouro.52 Dessa forma. uma das constatações que também despertou a atenção foi a importância dos profissionais da enfermagem diante da amamentação. bem como afirma Silva (1997). Do mesmo modo. Durante as entrevistas. São eles que buscam orientar de uma forma mais humanizada. por uma das mães nos relatos colhidos. Ao final. resta-nos afirmar que o mais importante é o incremento na contribuição para uma adequada orientação às mães. Na realidade os profissionais da saúde devem estar próximos da mulher prestando a devida assistência em cada momento. uma vez que o ato de amamentar. Entendemos que há muito a buscar. numa análise dos objetivos deste estudo. refletir.

dirimindo as incertezas. .53 instrumento fundamental para a garantia de uma qualidade de vida.

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59 APÊNDICES .

60 APÊNDICE A – Instrumento de entrevista • O que você sente ao estar amamentando seu filho? • Que orientações você recebeu sobre a amamentação? Explique. • Como essas orientações a prepararam para o ato de amamentar? Fale sobre isto. • Como você acha que a enfermagem poderia lhe auxiliar neste momento? .

estou dando meu consentimento para ser entrevistada por meio de entrevista gravada pela pesquisadora Cleusa Maria Piano Allegretti. e que se tiver qualquer dúvida poderei entrar em contato com a aluna pesquisadora pelo telefone: (51) 9952. posso recusar-me a responder qualquer questão e que o sigilo será preservado. Clarice Fürstenau. aluna do Centro Universitário Feevale sob orientação da Profª. as dificuldades e as percepções das puérperas diante da vivência do aleitamento materno.61 APÊNDICE B – Termo de consentimento livre e informado Ao assinar este documento.0516 ou pelo e-mail: cleusaallegretti@yahoo. P. Local e data: ________________________________________________________ _______________________________ Nome e assinatura da entrevistada __________________________ Cleusa M. A minha participação na pesquisa será gratuita e voluntária e fui informada que mesmo após o inicio. Compreendo que os resultados da pesquisa me serão fornecidos se eu os solicitar. A pesquisa não terá fins lucrativos e compreendo que farei parte de um estudo sobre: Os sentimentos. A pesquisa é referente ao trabalho de conclusão do Curso de graduação em Enfermagem da referida aluna.9133.com. Entendo que serei entrevistado em local e horário conveniente para mim. Allegretti Aluna pesquisadora ________________________ Clarice Fürstenau Pesquisadora responsável .br e com a professora pesquisadora responsável pelo telefone: (51) 9979.

62 ANEXO .

63 .

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