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Comunicado aos sócios da ASPL sobre a reunião negocial relativa aos futuros

concursos de professores

A Associação Sindical de Professores Licenciados (ASPL) foi recebida no


Ministério da Educação, no passado dia 8/10/08, dando início a uma série de reuniões
de negociação sobre a proposta de alteração do Decreto-Lei nº 20/2006, de 31 de
Janeiro, apresentada pela actual equipa ministerial. Esta primeira reunião incidiu sobre
os artigos 1º, 2º, 5º, 8º, 10º, 12º, 13º, 14º, 16º, 20º, 21º e 22º.
Prévia à análise na especialidade, a ASPL reafirmou a sua posição de oposição
no que concerne à divisão da carreira docente, nomeadamente na criação da categoria de
professor titular, o qual não pode, nessa condição, ser opositor a este concurso. A
Presidente da Direcção da ASPL relembrou que aquando da fase de negociação do
Estatuto da Carreira Docente (ECD), e, mormente, aquando da negociação do concurso
de acesso à categoria de professor titular, a tutela foi questionada sobre os futuros
procedimentos concursais para preenchimento de lugares de quadro que englobassem
estes docentes. Em particular, destacou o caso dos docentes colocados/destacados no
Ensino Especial, que, por força dos normativos impostos, se viram forçados a concorrer
àquele grupo e à escola onde se encontravam colocados naquele ano escolar, e
impossibilitados de concorrerem ao seu grupo e escola de origem. Na altura, a equipa
ministerial apenas respondeu que esses casos seriam vistos mais tarde, nunca afirmando
que estes (e outros) docentes ficariam privados de regressar ao seu lugar de quadro para
poderem ter o legítimo acesso ao concurso nacional, agora em causa. Porém, com uma
atitude que cada um deverá adjectivar como melhor a sua consciência o ordenar, a tutela
afirma agora que para poderem aceder aos concursos normais, os docentes em questão
apenas têm a hipótese de pedirem a sua exoneração dos quadros de professores titulares
e concorrerem em igualdade com os demais opositores ao concurso externo!
Aprofundando a gravidade da situação, salientou ainda que a sua hipotética reintegração
nos quadros obedeceria aos critérios de progressão na carreira estipulados no ECD, o
que, consequentemente, os colocaria no primeiro escalão da carreira (de professor)!
Apesar do evidente desagrado e a determinada contestação manifestados pela ASPL, o

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presidente da Comissão Negociadora e Adjunto do Sr. Secretário de Estado Adjunto e
da Educação, reafirmou que essa era a única hipótese jurídica possível.
Ficou também esclarecido que, com a actual proposta, acabará a figura de
contracto administrativo, sendo que todos os contratos se regerão pelo Decreto-Lei nº
35/2007, de 15 de Fevereiro (confronte-se no artº 1º a revogação do nº3). Confirma-se
assim, que a abertura proporcionada pela Lei nº 12-A/2008, de 27 de Fevereiro
(estabelece os regimes de vinculação, de carreira e de remunerações dos trabalhadores
que exercem funções públicas), irá, cada vez mais, aplicar normativos, até à data,
destinados ao sector privado, ao âmbito do contracto de trabalho do sector público.
Relativamente ao nº1 do artº 2º e ao nº4 do artº 5º, a ASPL considerou que se
deveria aplicar também aos docentes titulares, para lhes dar a possibilidade de concorrer
para transitarem de grupo, por exemplo ou para transferência de quadro.
Sobre o artigo 8º, a ASPL manifestou, uma vez mais a sua discordância sobre a
plurianualidade dos concursos, que agora passará a ser de 4 anos, afirmando que não é
positivo para os docentes nem para os discentes esta fixação forçada de educadores e
professores, sem recurso a uma mobilidade anual, facultativa. Chamou também a a
tenção do ME, nomeadamente para a alínea a) do artº 2º, pois tal vai implicar uma
alteração significativa na situação actual dos docentes, na medida em que até agora o
DACL destinava-se apenas aos docentes dos quadros de escola. Com a actual proposta
o DACL abrangerá também os docentes dos QZP não colocados no concurso interno ou
que nos anos intercalares do concurso não tiverem serviço lectivo atribuído.
Quanto ao artigo 10º, a ASPL alertou o ME, uma vez mais, para a necessidade
de se alterar o seu nº 1, conferindo aos docentes do concurso interno a possibilidade de
concorrerem, em simultâneo, ao grupo em que estão vinculados para mudar de quadro e
à transição de grupo. Esta pretensão da ASPL, ganhou mais pertinência a partir da
alteração dos grupos de docência, operada em 2006 (DL 27/2006, de 10 de Fevereiro)
em que muitos docentes se viram forçados a integrar apenas um dos grupos, para os
quais estão habilitados profissionalmente. A presidente da ASPL recordou o exemplo de
vários grupos, sobretudo os das línguas (antigos 8ºA, 8ºB, 9º, etc.), considerando
urgente a correcção de tantas injustiças então cometidas.
No que concerne à proposta sobre o artigo 12º, designadamente o seu ponto 4, a
ASPL reivindicou que os docentes que actualmente se encontram em quadro de zona
pedagógica (QZP) apenas estejam sujeitos à obrigatoriedade de concorrerem ao seu
próprio quadro de zona pedagógica, devendo ser dada a opção aos candidatos de

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concorrerem a outros quadros de zona. Quanto ao nº 7, anterior nº 5, sugeriu que se
alterasse o termo “contratação” para “colocação”, por forma a que os docentes dos
quadros pudessem concorrer a nível nacional, caso o pretendam, tal como podem os
docentes contratados.
Sobre o artigo 13º, alínea d), a Dra. Fátima Ferreira questionou a razão de tal
situação aí se encontrar contemplada, uma vez que devido à periodicidade dos
concursos, estes não têm cabimento na fase do concurso interno. A tutela ficou de rever
esta situação.
Quanto à introdução do factor avaliação na graduação (artigo 14º), bem como no
desempate da mesma [artigo 16º, alínea a)], a ASPL afirmou discordar veementemente,
pois, para além de tal não estar previsto no ECD, a avaliação comporta uma série de
variáveis não dependentes dos docentes (limitações impostas pelas quotas para as
avaliações mais elevadas, aplicação de diferentes critérios de avaliação, distintas
realidades das comunidades escolares, etc.). Para além do exposto, a ASPL considera
que a proposta da tutela tem um carácter negativo ainda mais profundo, por apenas
contemplar as menções de Excelente e de Muito Bom. Conclui-se assim, que o
ministério considera que às menções de Bom, Regular e Insatisfaz deve ser atribuído
um valor igual a zero! Uma vez mais verifica-se a aplicação de dois pesos e duas
medidas, com a qual a ASPL não pode compactuar.
Tendo sido explicitado que o Ensino Especial passará a ser um grupo específico
como os demais, a Dra. Fátima Ferreira questionou então a razão de ter sido incluído o
ponto 3, no artigo 14º, ao que a tutela respondeu que iria analisar a questão.
Por último, sobre a alínea b) do artº 22º, a presidente questionou o ME sobre a
penalização prevista para os docentes que não cumpram os prazos de aceitação de de
apresentação (a abertura do procedimento disciplinar com vista à exoneração ou
rescisão do contrato individual de trabalho por tempo indeterminado), discordando desta
proposta, bem como da revogação do actual nº2, que consiste na retirada de poder ao
Director Geral para poder relevar esta penalização, mediante requerimento
devidamente fundamentado por motivos de obtenção de lugar nas regiões Autónomas
ou por alteração significativa das circunstâncias pessoais e familiares do candidato, tal
como prevê a actual legislação.
A próxima reunião encontra-se agendada para o dia 13 de Outubro, onde serão
tratados alguns dos artigos até ao 46º.
Lisboa, 09/10/2008 A Secretária da Comissão Executiva da ASPL