ANESTESIOLOGIA – TUDO Anestesiologia Veterinária - Flavio Massone Anestesia em cães e gatos - Denise Fantoni, Silvia Cortopassi Dor - alerta

a um estímulo nocivo. Sistema de proteção Dor aguda - curto tempo. Ate 48h do incidente, em geral. Dor crônica - tempo maior. Dor neuropática - tipo de dor crônica. O corpo se adequa a uma dor antiga. O neurônio altera sua conformação e fica mais sensível. Lesão libera partículas químicas (substancia P), recebidas pelos nociceptores, que transformam o estimulo químico em físico pelos dendritos, processo chamado transdução. transmissão é a passagem do estimulo físico da periferia para o SNC. Na medula, pode ocorrer a modulação. Existem neurônios secundários que diminuem ou aumentam a dor. No cérebro ocorre a cognição, ou interpretação da dor. Anestesiologia Estuda fisiologia e clínica; farmacodinâmica e farmacocinética dos fármacos; o emprego de aparelhos anestésicos; adaptação a cada individuo; manutenção da proteção neurovegetativa; minimizar dor, choque e perda de sangue. Não existe fármaco ideal. Nomina anestesiológica Analgesia - abolição da sensação de dor (sem perder a consciência) Anestesia - abolição temporária de todas as formas de sensação dissociativa (córtex X cerebelo) (local ou geral) Toda anestesia é ma analgesia, mas nem toda analgesia é uma anestesia. Tranqüilização - estado de relaxamento sem sonolência, animal permanece acordado mas indiferente ao meio ambiente. Sedação - mais intenso que a tranqüilização, com depressão central, causando um estado de sonolência que é dose-dependente. Narcose - estado de sono profundo acompanhado ou não de analgesia Anestesia local - bloqueio reversível dos impulsos nervosos aferentes. Pode ser peri-neural. Anestésico local - fármaco que, aplicado nas mucosas ou próximo aos nervos, produz perda da sensibilidade por inibição da condução nervosa Anestesia geral - perda da consciência = narcose ou hipnose. Analgesia, proteção neurovegetativa (SNA), relaxamento muscular ligado à ausência de reação de defesa contra uma agressão: anestesia cirúrgica Neuroleptoanalgesia - sonolência, sem perda da consciência. Desligamento psicológico do ambiente que cerca o individuo. Supressão intensa da dor. Amnésia. Estado de tranqüilização com analgesia intensa, sem perda, porem, da consciência. Não permite entrada em cavidades maiores como abdominal ou torácica. Anestesia balanceada - associação de um ou mais fármacos (multimodal) Anestesia dissociativa - dissocia o córtex cerebral seletivamente causando analgesia, sem perda dos reflexos protetores Atribuições do anestesista - colaborar com o cirurgião na escolha da melhor anestesia para cada caso

- dar ordens para o preparo pré-anestésico - executar a anestesia perfeita - preparar a mesa do material indispensável à anestesia (aparelhos, mascaras, sonda traqueal, anestésicos, cânulas, abridores de boca, injeções de urgência, equipamentos de segurança, etc) - advertir sobre o inicio, trans-cirúrgico e acidentes - concentrar-se no acompanhamento anestésico do paciente (sem se distrair com a cirurgia) - registro dos parâmetros fisiológicos do paciente - pode interromper o procedimento cirúrgico se existe risco de vida ou poderá dar sugestões durante o ato trans-cirúrgico - responsável pela ficha integral da anestesia - único responsável pelos acidentes diretamente imputáveis à anestesia - deverá permanecer junto ao paciente integralmente Condutas anestésicas - observar o estado do paciente - espécie animal - duração da intervenção - localização e extensão da intervenção - escolha d agente anestésico - custo operacional Período pré-anestésico Inicia na indicação anestésica e vai ate o momento de iniciá-la. Pode ser: período destituído de urgência, período de extrema urgência, ou período de relativa urgência. - exame das funções principais - jejum - acomodações - contenção/ derrubamento - determinar fármacos, aparelhos e acessórios Avaliação pré-anestésica: - identificação do paciente - características da espécie - raça - idade - sexo - peso corporal - temperamento Exame do animal: - anamnese: história clínica (doenças, uso de medicamentos) - avaliação: cardio-vascular (FC, pulso, arritmias, TPC, sopros); respiratória (FR, estertores (ruídos)); mucosas (hidratação, oxigenação tecidual); temperatura corporal (febre, hipotermia); hepática e renal (exames laboratoriais) Determinação do risco anestésico: 1. Estado de saúde do animal 2. Influência do cirurgião

3. Influência das instalações 4. Influência do anestesista Cuidados no pré-anestésico: Jejum (compressão do diafragma, vômitos, ruptura de estomago) - carnívoros/ onívoros: 8 a 12h de solido e 2-3h de liquido - eqüídeos: 8- 12h de solido e 4h de liquido - ruminantes: gradativo de sólidos (3 dias antes) e 3h de liquidos Acomodação; Contenção; Derrubamento; Fármacos, aparelhos e acessórios Período trans-anestésico Do início da anestesia até o início da recuperação. Cuidados no período trans-anestésico: Paciente, reflexos vitais, plano anestésico, acidentes, posição, aparelho, níveis de oxigênio e fluxo anestésico, aferição da respiração pelas válvulas e balão. Monitoração da anestesia Monitorar = vigiar, observar, acompanhar. Monitoração rotineira, ou ampla e especializada. Freqüência e ritmo cardíaco - estetoscopia: estetoscópio clínico comum, ou estetoscópio transesofágico - eletrocardiografia (ECG) Oximetria de pulso (oxímetro) - pulso arterial - SPO2: porcentagem da oxihemoglobina saturada de oxigênio. Temperatura - termômetro clínico comum - termômetro clínico digital - termômetro transesofágico Respiração (freqüência e amplitude) - estetoscópio - visualização do gradil costal - visualização do balão Pressão arterial - pressão arterial invasiva (medida direta) – manômetros; monitores multiparamétricos - pressão arterial não invasiva (medida indireta) – sistema Doppler; manômetro + estetoscópio; manômetro + monitores multiparamétricos Gases sanguineos (hemogasometria) - analisadores de gases Capnometria - concentração alveolar de CO2 - monitores multiparamétricos - pressão parcial de CO2 ao final da expiração. Período pós-anestésico Início da recuperação ao restabelecimento da consciência. Pode ser imediato ou tardio.

Vias de administração - oral - inalatória - intramuscular - intravenosa ou endoflébica - subcutânea - tópica - espinhal

MEDICAÇÃO PRÉ-ANESTÉSICA A MPA é o ato que antecede a anestesia visando: 1. Preparar o animal para o sono artificial 2. promover a devida sedação 3. suprimir a irritabilidade, agressividade e reações indesejáveis É a primeira etapa para qualquer atividade ou manipulação de um animal na qual a sua quietude é requerida. Finalidades: Redução da dor e do desconforto Elevação do limiar da dor (fenotiazinas, butirofenonas e hipnoanalgésicos) Viabilidade de indução direta por anestésicos voláteis Prostração do animal Adjuvante da anestesia local Prostração com permanência em estação em grandes animais Redução do risco de excitação pela anestesia barbitúrica Diminui o desconforto do paciente e do profissional Redução do ptialismo ou sialorréia, aumentada durante o uso de xilazina e cetamina Fármacos anticolinérgicos: atropina e escopolamina. Nao sao analgésicos, nao reduzem a dor. Redução do bloqueio vagal na indução por barbitúricos. (Nervo vago controla a freqüência cardíaca mantendo baixa) Liberação da função simpática – taquicardia. Redução do metabolismo basal Depressão do SNC na região da substância reticular mesencefálica Potencialização com outras drogas anestésicas – sinergismo por potencialização Pré-tratamento da anestesia geral com fenotiazínicos e benzodiazepínicos Ação termolítica Sudorese em eqüinos e hipotermia nas demais espécies (fenotiazínicos) Principais grupos farmacológicos Fármacos anticolinérgicos - atropina - escopolamina - glicopirrulato Fármacos tranqüilizantes - fenotiazinas Prometazina

Clorpromazina Levomepromazina Acepromazina - butirofenonas Droperidol Azaperone Fármacos benzodiazepínicos (ansiolíticos) - diazepan - midazolan Fármacos sedativos (agonistas α-2) - xilazina - romifidina - detomidina Fármacos hipnoanalgésicos - opiáceos - ópioides 1. Fármacos anticolinérgicos Sinônimos: parassimpatolíticos, colinolíticos, antiparassimpáticos, atropínicos Antagonizam ações parassimpáticas indesejáveis. Mecanismo competitivo onde se liga de forma reversível nos receptores muscarínicos. Esse mecanismo depois de um tempo deixa os receptores livres novamente. Fármacos: atropina e escopolamina. A escopolamina relaxa a musculatura lisa, por isso tem no Buscopan. Em conseqüência do relaxamento, o individuo sente menos dor. Escopolamina e atropina são usadas na MPA, para relaxar o animal antes da anestesia. Não são sedativos. A xilazina tem como efeito colateral a sialorreia, e os fármacos de MPA anticolinérgicos diminuem esse efeito colateral. Atropina (sulfato de atropina) Propriedades farmacológicas e farmacodinâmicas: - Destruição por hidrolise enzimática no fígado, excretada pelo rim. - Bloqueio da acetilcolina nas terminações pós-ganglionares das fibras colinérgicas do SNA. - Reduz a secreção mucosa do trato respiratório. Reduz todas as secreções. - Possui ação broncodilatadora - Relaxamento da musculatura da íris (Midríase. Midríase é o aumento da pupila, miose é diminuição) - Previne o laringoespasmo (+ gatos) - Reduz o peristaltismo e a atividade secretora no trato gastroentérico. - Inibe os efeitos do estimulo vagal sobre o sistema circulatório (causa discreta taquicardia) (Nervo vago controla a frequecia cardiaca mantendo baixa. Xilazina aciona o vago, diminuindo mais ainda a FC. Atropina contra age com a xilazina.) - Não altera a pressão arterial em doses clínicas - Não possui ações dignas de nota sobre o SNC - Não possui antagonista (perigoso em caso de superdosagem) - Vias de administração: IV, IM, SC - Dose: 0,044 mg/kg - Dose máxima total no cão: 1 a 1,5mg

Animais braquiocefálicos tem maior tendência ao efeito vagal, então especialmente precisam de atropina no MPA. Escopolamina (bromidrato de escopolamina) Propriedades farmacológicas e farmacodinâmicas: - ações midriática, antiespasmódica e anti-secretora, semelhantes ou discretamente superiores à da atropina, porém de efeito mais fugaz. - Menor efeito anti-vagal - Maior ação sobre glândulas salivares, brônquicas e sudoríparas que a atropina - Taquicardia mais discreta - Produz sonolência, comprovando ação sobre o SNC (depressão) e vantagem de uso em MPA - Altas dosagens: êmese, alucinação e ataxia (incoordenação motora) - Via preferencial de administração: SC. Com aplicação subcutânea a absorção é mais lenta e ajuda o efeito a durar mais. - Dose: 0,01 a 0,02 mg/kg 2. Fármacos tranqüilizantes Promovem tranquilizacao com acentuada depressão do SNC. Proporcionam discreta analgesia sem ação anestésica propriamente dita. 2 grupos: derivados da Fenotiazina e derivados das Butirofenonas 2.1. Tranqüilizantes derivados das Fenotiazinas Ação tranqüilizante ou psicodepressora Ação lítica sobre o sistema neurovegetativo (ação simpatolítica) Ação anti-histamínica Ação ansiolítica Ação potencializadora sobre outras drogas anestésicas Ação antiespasmódica Classificação: - anti-histamínicos: prometazina - adrenolíticos: clorpromazina, acepromazina - ação mista: levopromazina Prometazina (Fenergan) Pouca função em anestesiologia. Tranquilização insignificante Potente ação anti-histamínico Dose: 1 mg/kg Via: IM ou IV. Apresentação: ampola com 50 mg/ml Clorpromazina (Amplictil, Clorprazin) Redução do metabolismo basal – tranquilizacao Prevenção do vômito Redução da temperatura corporal através da sudorese Redução do tônus vasomotor – vasodilatação, hipotensão

Ataxia (descoordenação motora) Doses: cão – 1,0 a 2,0 mg/kg Eqüinos – 0,5 a 1,0 mg/kg Bovinos – 0,2 a 0,5 mg/kg Via: IM Apresentação: ampola com 25 mg/ml Levomepromazina (Neozine, Neozinan, Levoprome) Ação anti-histamínica Ação analgésica (pouca), antiemética (inferior a clorpromazina), e antiespasmódica Ataxia Hipotermia e hipotensão Doses: cão – 1,0 a 2,0 mg/kg Eqüinos - 0,5 a 1,0 mg/kg Bovinos - 0,2 a 0,5 mg/kg Via: IM Apresentação: ampola com 25 mg/ml Acepromazina (Acepran) Potente tranqüilizante com baixa toxicidade Usado em todas as espécies Ptose palpebral (pálpebra caindo) e abaixamento da cabeça Exposição do pênis em eqüinos (priapismo)(O priapismo é quando o animal não consegue voltar o pênis para dentro do prepúcio, que deve ser tratado para evitar paralisia peniana. Priapismo é reversível. Paralisia não.) Ação antiemética, anti-histamínica (pouca) Não possui ação analgésica, mas potencializa analgésicos associados. Efeito hemodinâmico – vasodilatação periférica (hipotensão) Diminuição da temperatura corporal Doses altas = excitação Raças braquiocefálicas sao mais sensíveis Doses: todas as espécies – 0,03 a 0,1 mg/kg Cão e gato – nao ultrapassar 3mg Eqüinos e bovinos – nao ultrapassar 30 mg Via: IV, IM, SC, oral Apresentação: Acepran 0,2% (pequenos animais) e Acepran 1% (grandes) 2.2 Tranquilizantes derivados das Butirofenonas Droperidol (Dridol, Droleptan, Inapsine) Potente tranqüilizante (semelhante à acepromazina) Tem boa margem de segurança Doses elevadas e IV – tremores musculares e hipotensão Potente ação antiemética Potencializa a ação dos barbitúricos Empregado em NLA (neurolepto analgesia) associado ao fentanil (evita o vômito causado pelos opióides) Pouco utilizado. Dose: 1 a 2 mg/kg IV

Apresentação: frasco de 10ml com 25 mg/ml Azaperone (Azaperone, Suicalm, Stressnil) Tranqüilizante de eleição para suínos Boa margem de segurança Sem alterações importantes nos parâmetros fisiológicos Resultados menores em eqüinos e insatisfatórios em cães. Dose: 1 a 4 mg/kg via IM 3. Fármacos benzodiazepínicos (ansiolíticos) Acido gama-aminobutírico (GABA): neurotransmissor inibidor do SNC Benzodiazepinas: ação ação facilitadora da neurotransmissão nas sinapses gabaérgicas Inibição do SNC Redução da agressividade Ação ansiolítica Miorrelaxamento Ação anticonvulsivante Pouca ou nenhuma ação analgésica Boa prostração quando associadas a fármacos tranqüilizantes Diazepan (Valium) Reduz reação emocional Causa miorrelaxamento Eleição para crises convulsivas SCV: poucas alterações SR: apneia de curta duração (depressão mecânica e central) Atravessa as barreiras hematoencefálica e transplacentária Briotransformação hepática Doses: grandes animais – 0,1 a -,2 mg/kg IV Pequenos animais – 0,2 a 0,5 mg/kg IV, VO Dose anticonvulsivante – 0,5 a 1,0 mg/kg Midazolan (Dormonid) Tem menos efeitos colaterais que o diazepan. Nao altera significativamente os parâmetros fisiológicos Produz bom relaxamento muscular Reduz a agressividade Associação: barbitúricos, propofol, dissociativos Doses: grandes animais – 0,1 a 0,2 mg/kg IV Pequenos animais – 0,2 a 0,5 mg/kg IV ou VO 4. Fármacos sedativos (α-2 agonistas) Efeito depressor: diminui a norepinefrina central e periférica, diminuindo a atividade simpática. Ação sedativa, analgésica (visceral) e miorrelaxante Efeitos sobre o sistema cardio-vascular - no inicio, aumenta a PA (fugaz) - hipotensão 2a e duradoura

gabaérgica

- diminui FC, promove arritmias (BAV = bloqueio átrio-ventricular) Sistema respiratório: diminui FR e diminui PaO2 (pressão arterial de oxigênio) Sistema digestório: diminui motilidade Ruminantes: timpanismo Cães e gatos: emese Sistema reprodutor: contração uterina. Contra-indicados em terço final da gestação (causa aborto) Xilazina (Rompum) Pequenos animais: 0,1 –1,0mg/kg Equinos: 0,5 –1,0mg/kg Ruminantes: 0,1 –0,2 mg/kg (+ sensíveis) Via: IM/IV Apresentação: a 2% (20mg/ml) e a 10% (100mg/ml) Romifidina (Sedivet): 40 -80µg/kg Detomidina (Dormium): 25 µg/kg Efeitos sedativos mais potentes Utilizadas em equinos Mais seguro que a Xilazina. Antagonistas Ioimbina: 0,2 a 0,5mg/kg IV. Reversor da Xilazina. Doxapran (Dopran): também reversor da Xilazina. Pequenos animais: 1,0 a 2,0mg/kg IV grandes animais: 0,5mg/kg IV 5. Fármacos hipnoanalgésicos – opiáceos e ópioides Opióides e opiácios são derivados da morfina. Utilizados muito para pacientes terminais. Diferentes espécies tem mais receptores de um ou outro tipo. Ação hipnótica e analgésica, suprimindo ao mesmo tempo a irritabilidade e a dor. Opiáceos: alcalóides derivados do ópio (Morfina) Opióides: derivados sintéticos da morfina Efeitos dos opióides de acordo com a ligação a seus receptores específicos Mi (µ) - Euforia, sedação, analgesia, depressão respiratória Kappa(κ) - Analgesia e sedação Sigma (σ) - Disforia, excitação, efeitos alucinógenos Delta (∆) - Pouco conhecidos Opiáceos Morfina (Dimorf) Ação agonista de receptor µ Boa analgesia: dor moderada a severa (2 a 4h) Excitação em cão e gato (associar tranquilizantes) Depressão respiratória Bradicardia

Diminui metabolismo e temperatura Estimula vômito, defecação e salivação Dose: 0,1 a 1,0mg/kg IM/SC CUIDADO com IV!!!! Gatos: 0,1 a 0,2mg/kg Ópioides Meperidina (Petidina) Ação hipnótica discreta Analgesia de 2 a 4h (1/10 potência) Boa margem de segurança Deprime pouco o sistema respiratório Reduz secreções salivares e brônquicas (asmáticos) Vasodilatação periférica: ↓ PA Se IV causa taquicardia Doses: Cão: 1 a 5mg/kg IM Gato: não exceder 1,5mg/kg se IV Equinos: 1 a 2mg/kg IM/IV Fentanil (Fentanest) 100 x mais potente que a morfina 500 x mais potente que a meperidina Potente ação analgésica e hipnótica Ação rápida por via intramuscular Discreta depressão respiratória Tempo de ação: 30 minutos Dose: 0,05mg/kg IM/IV Possui antídoto: Nalorfina0,5mg/kg Tramadol (Tramal) Atua nos receptores µ, κ e σ Alterações cardiovasculares (controlar PA) Eliminado pelo leite Tempo de ação: 3 a 7 horas Dose: cães e gatos 1 a 2mg/kg IM/IV/SC Butorfanol (Torbugesic) Agonista κ e antagonista µ Potente ação antitussígena Efeito analgésico potente e menor efeito colateral Analgesia 5 a 7x mais potente que a morfina Analgesia de 3 a 5h Eficiente em dores abdominais de eqüinos (cólicas) Doses: Cão: 0,05 a 0,1mg/ml IV Gato: 0,1 a 0,4mg/kg IM Equino: 0,02 a 0,1mg/kg IV/IM Buprenorfina (Temgesic) Agonista parcial µ Longa duração de 8 –12h

Analgesia pós-operatória Depressão cardíaca mínima Excelente escolha p/ felinos Dose: 0,005 –0,02mg/kg IM / IV Opióides antagonistas Naloxona Antagonista de todos os receptores opiáceos Utilização em casos de sobredose de opióides Reverte os efeitos adversos Reverte a analgesia Dose: 0,04 a 1,0mg/kg IV/IM/SC

ANESTESIA LOCAL Faz com que o animal fique insensível em determinado local. Anestesia local pode ser feita durante o trajeto das fibras nervosas, impedindo que o estímulo chegue na medula, e é periférica (antes da medula). Anestésico local Grupo de fármacos que bloqueiam reversivelmente a propagação do potencial de ação dos axônios. São usados para anestesiar uma região específica do corpo. Com seu uso, há recuperação completa da função nervosa e não há dano estrutural das células ou fibras. O anestésico local ideal tem preço razoável, não é irritante nem tóxico, tem inicio de ação rápido, é reversível sem seqüelas, é solúvel e estável em água, compatível com vasopressores (medicamentos que podem aumentar a PA), e não interfere com outras drogas (interação). O grupo aromático tem afinidade por lipídeos, e o grupo hidrofílico tem afinidade por proteína. Com isso, a molécula do anestésico se encaixa nos receptores, entre as proteínas e lipídeos. Assim a lidocaína tem capacidade de difusão, mas casa anestésico tem sua potência. Farmacocinética - Difusibilidade: maior difusão, mais intenso o bloqueio. Fármaco com facilidade de difusão atinge uma maior área em menor tempo. Pode ser ruim pois o efeito passa mais rápido. - Absorção: menor absorção, melhor. Locais mais vascularizados absorvem o fármaco mais rapidamente. Não é bom pois a intenção do anestésico local é anestesiar somente o local. Portanto depende de fatores: - Vascularização do local - Fármaco - Lipossolubilidade - Velocidade de metabolização - Concentração e dose Classificação por duração de ação Fatores que afetam inicio da ação, intensidade e duração do bloqueio: - Solubilidade lipídica: AL lipofílicos atravessam facilmente membranas nervosas, portanto são mais potentes

- Ligação protéica: AL com alto grau de ligação às proteínas: duração prolongada - pKa: pH onde 50% fármaco está na forma ionizada e 50% na forma não ionizada. Em equilíbrio. O mecanismo de ação depende do pKa do fármaco (7,40) e do pH do meio. Reação em ambos os sentidos. Se o meio estiver mais acido, fica mais ionizado. Se o AL for aplicado em meio mais acido (inflamado, por ex), não terá efeito pois não penetra na célula. Bloqueio anestésico Anestesia loval bloqueia os canais de sódio, impedindo que o Ca entre, ou seja, a célula nao despolariza. - ligação cátion ao receptor (canal de Na) - bloqueio do canal - somente na forma nao ionizada tem poder de penetração na célula - diminui intensidade de despolarização elétrica - potencial de ação - bloqueiam fibras sensitivas e motoras. Classificação por duração de ação Curta duração Procaína: 60 -90 minutos, início de ação lento Cloroprocaína: 30 -60 minutos, início de ação rápido Duração intermediária Mepivacaína: 120 -240 minutos, início de ação rápido Prilocaína: 120 -240 minutos, início de ação rápido Lidocaína: 90 -200 minutos, início de ação rápido Longa duração Tetracaína: 180 -600 minutos, início de ação lento Bupivacaína: 180 -600 minutos, início de ação intermediário Etidocaína: 180 -600 minutos, início de ação rápido Características Período de latência - Local da injeção - Ação : vaso dilatação - Concentração do anestésico A dose máxima de lidocaína é de 7mg/kg. Deve-se administrar de 2 em 2mL até atingir o efeito, sem passar de 7mg. Pode até aplicar de novo se necessário, mas só depois que o tempo de ação da 1a dose tiver passado. Associação com outros fármacos Adrenalina (ou epinefrina) - absorção sistêmica mais lenta - efeitos tóxicos menores - duração de efeito aumentado - concentração: uma parte para 50.000 a 200.000 do AL - complicações: extremidades (NAO USAR!!!). retardam cicatrização e causam edema ou necrose, por serem vasopressores. Ex: pode fazer uma castração, ou amputação de

um dedo. Pode usar só quando for bem na extremidade, perto da anestesia. Se for mais distal, nao fazer. - Intoxicação: lidocaína 7mg/kg com vasoconstritor 9mg/kg Efeitos tóxicos Intoxicação: Depressão SNC / Excitacão SNC; Êmese, olhar fixo; Tremores, opstótono, contraturas; Óbito Tratamento da intoxicação: agentes simpatomiméticos (usados em caso de depressão do SNC); aplicação de barbitúricos de ultracurta duração (usar em casos de ocorrência de contraturas, sendo opção para miorrelaxantes); miorrelaxantes , resp. controlada e O2 Principais anestésicos Lidocaína (7mg/kg e 9mg/kg com vasoconstritor) Moderada solubilidade Solução estável Potência e duração moderadas Alto poder de penetração Pouca vasodilatação Ação tópica pouco eficaz Concentração de 0,5%, 1% e 2% Bloqueios: •Infiltrativos •Peridural (C7 – cesariana em eqüinos) •Subaracnóidea (RAC – cesarianas, por ex) Técnicas anestésicas locais Anestesias tópicas (mucosa é alvo) Fins exploratórios (olhos e mucosas) Lidocaína em concentrações altas Preparações líquidas (4%) ou spray(10%) Anestesia tópica do olho: tetracaína 0,5% Em mucosas: 1 a 2% Anestesias infiltrativas: intradérmica, subcutânea e profunda (+ circular e entre garrotes)  Infiltrativa local intradérmica Indicações: Pequenas incisões de pele Retirada de nódulos Biópsias de pele (não botão anestésico) (não pode aplicar onde exatamente vai fazer a biopsia, e sim próximo ao local)  Infiltrativa local subcutânea Mais empregada Fácil aplicação Concentraçõesde 1 a 2% de lido e 0,25 a 0,5 de bupi Técnica: Botão anestésico (bolha formada pelo anestésico no subcutâneo) Cordão anestésico – agulha fica toda no espaço subcutâneo, vai puxando o embolo até formar uma corda. Figuras planas geométricas: retângulos, quadrados, triângulos, losangos

Indicação: Ex: incisões de pele, retirada de corpo estranho, ruminotomias, castração em equinos, descornas cosméticas  Infiltrativa local profunda: Bloqueios tridimensionais (figuras geométricas) Indicação: Musculatura (laparotomias) Excisões linfonodos Tumores em planos profundos Vulvoplastias em éguas Trajetos fistulosos  Infiltrativa local circular Formas cilíndricas Impossibilidade de individualizar inervações Depósito superficial e profundo  Infiltrativa local entre garrotes (subcutânea) Não associar a vasoconstrictor Animais novos Animais com risco de vida Anestésico limitado entre os garrotes Anestesias perineurais: em emergências ou não de forames (pode fazer dentro do forame) Fácil aplicação – conhecimento anatômico importante para saber onde estão os nervos Baixo custo Deposiçãodo anestésico no perineuro Concentrações variáveis Frequentes em membros e emergência de forames(ex: supraorbitário, mentonianos) Indicações: diagnóstico de claudicação, descornas, trepanação, laparotomias, suturas, extração dentária Quando nao se sabe onde está a dor, vai aplicando o anestésico da periferia para o centro, ate conseguir o bloqueio da dor. Anestesias espinhais: peridurais e subaracnóides (ao redor do nervo)  Epidurais ou peridurais (sem contato líquor) Local: peridural Anestesia regional, segmentar, temporária Efeitos secundários: cardiovasculares e respiratórios Modo de ação: Espaço epidural  Nervos espinhais  Bloqueio ramos nervosos e gânglios Anatomia : Medula no canal vertebral - Envolta por 3 meninges Duramáter Aracnóide

Piamáter Corpo vertebral Discos intervertebrais Ligamentos Supra espinhoso Interespinhoso Amarelo Sub-aracnóide (raquidiana): o anestésico se mistura com o liquor (mais perigosa) Peridural (ou epidural): entre a duramáter e o ligamento amarelo. Indicações PA: manipulações obstétricas, pacientes de alto risco, cirurgias abdominais retroumbilicais com estômago repleto, animais que devem permanecer acordados, ortopédicas e da região perineal GA: manipulações obstétricas, em estação (desconforto no decúbito) Não indicado: hipotensão arterial e choque, convulsões, dermatites no local, septicemias, choques hemorrágicos, anemias, animais idosos Complicações: contaminação do LCR, baixa FR, FC. Irritação, inflamação e fibrose

Como saber que a agulha atingiu o espaço epidural: nessa região há uma pressão negativa. Coloca-se 1 gota de lidocaína no canhão, e quando ela for absorvida, indica que se atingiu o local correto (epidural) - Cranial: promove decúbito - Caudal: sem decúbito Local: espaço sacrococcígeo ou entre Co1 e Co2, num angulo de 45˚. Comprovação: teste da gota pendente; ausência de resistência. Doses: Bovinos - cranial: 5ml/ 100kg - caudal: 1ml/ 100kg

Anestesia local intravenosa (Bier) – única AL que aplica dentro do vaso (garrote). Garrote é usado quando a perineural não adianta. Restringe o fármaco a uma região e pode ficar ate 30-40 min. Quando retirado, soltar devagar. Anestesia regional intravenosa Técnica prática, segura e eficaz Comum em GA Amputação do dígito, tumores, infecções Aplicação do anestésico no leito vascular (veia) delimitado por garrote Liga de Esmarsh (opcional) Retirar sangue e administrar anestésico (lido 1%) Vasos superficiais Uma hora de duração sem morte celular Anestesias intra-articulares Anestesia diagnóstica. Mais complicações.

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