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A PONTE

Ei-los na retaguarda.
Não puderam acompanhar o
ritmo que a renovação
impunha.
Enquanto os Sábios
Mensageiros, à maneira de
narradores de histórias,
falavam das construções
celestes, eles se detinham
extasiados.
Compraziam-se na
expectativa de fáceis
triunfos, antevendo-se
coroados de êxitos nas
lutas do caminho comum,
sem qualquer esforço
nobre.
Supunham que o Espiritismo
fosse apenas uma Doutrina
Consoladora, cujo mister se
resumisse na coleta de
náufragos morais e mendigos,
para os alentarem,
enxugando-lhes as lágrimas
sem qualquer compromisso
de os estimular para o
trabalho e o sacrifício.
Esqueceram-se de que a
morte física não é o fim.
Olvidaram que além do
sepulcro não há repouso nem
paraíso, senão para quem
converteu a própria paz em
paz para os outros e dirigiu a
felicidade pessoal para a
felicidade de todos.
A morte não apresenta
soluções definitivas para
problemas que a
reencarnação não solveu.
A Terra, por isso mesmo, é o
grande campo de realizações,
aguardando a dedicação dos
lidadores da esperança, do
bem e da verdade.
ninguém a deixará livremente,
mantendo compromissos com
a retaguarda.
Os que ficaram atrás,
preferiram o céu fantasioso da
ilusão.
Fizeram-se apologistas do
heroísmo de mão beijada e
pretendem a glória de um
trabalho apanagiado por
padrinhos terrenos,
passageiros detentores do
prestígio social e político.
Deixaram à margem os
problemas gigantes que
defrontarão mais tarde,
complicados e insolváveis.
São almas fracas, incapazes
de uma resistência maior.
A vida, a grande mestra, com
mãos de mãe devotada e
gentil, conduzi-los-á de
retorno à realidade, da qual
ninguém foge impunemente.
Segue adiante, porém.
Esquece a fantasia das
narrativas atraentes e
enfrenta o campo que se
desdobra convidativo.
Aqui, concede a benção de
uma fonte e o deserto se
converterá em jardim.
Ali, remove o charco, e o
pântano se transformará em
horta dadivosa.
Acolá, afasta as pedras, e a
estrada surgirá oferecendo
fácil acesso.
E faze o bem em toda a
parte, com as mãos e o
coração, orando e
esclarecendo, a fim de que o
trabalho da verdade fulgure
em teus braços como estrelas
luminescentes em forma de
mãos.
E, ligado aos Espíritos da Luz,
construirás, com o suor e o esforço
incessante, enquanto na carne, a
ponte sobre o abismo, pela qual
atravessarás, em breve, formoso e
deslumbrado, em busca dos amores
felizes que te aguardam, jubilosos, “do
outro lado”.
(Página recebida pelo médium
Divaldo Franco,
na noite de 21-6-61, em Salvador,
Bahia)
in Brasil Espírita - Julho de 1971
Grupo de Estudos Espíritas
Anna Franco
Rio de Janeiro /2006

Som:
Momento
Musical - Schubert

Flores retiradas da
Internet Alguns
slides de : EneidA