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ARTE BRASILEIRA Prof. Ma.

Priscilla Pessoa – Artes Visuais – UFMS
Ementa: Estudo da teoria e produção em artes visuais no Brasil no período compreendido entre o início do

século XX até a atualidade, em consonância com os aspectos técnicos, tecnológicos, políticos, sócioeconômicos e culturais.
Objetivos: 1. Proporcionar ao acadêmico um conjunto de conhecimentos sobre arte brasileira; 2. Apresentar aos alunos diferentes autores e seus pontos de vista. 3. Discutir as implicações dos acontecimentos históricos na arte atual. Programa:

1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8.

A segunda geração modernista; A criação dos museus de arte moderna, MASP e Bienal de SP; Abstracionismo informal; Concretismo e Neoconcretismo A década de 1960: Figurações e política Arte conceitual; Geraçao 80; Panorama Contemporâneo;

Avaliação Tipos de avaliação: provas escritas e fichamento de textos. Notas: provas: 0,0 (zero) a 10 (dez); fichamento: 0,0 (zero) a 10 (dez). Número e denominação das avaliações: Prova (P); Fichamento (F) Fórmula para a Média de Aproveitamento: MA = (P1+P2+F) /3 Cronograma - previsão: Entrega do fichamento: 25/10 – Prova 1: 20/09 – Prova 2: 29/11 BIBLIOGRAFIA BÁSICA BARDI, Pietro Maria. Arte no Brasil. São Paulo : Abril Cultural, 1982. BASBAUM, Ricardo. Arte Contemporânea Brasileira. Rio de Janeiro: Rios Ambiciosos, 2001. PROENÇA, Graça. História da Arte. São Paulo: Editora Ática ,1996. ZANINI, Walter, org. História Geral da Arte no Brasil. São Paulo : Instituto Walther Moreira Salles, 1983. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR AMARAL, Aracy. Projeto construtivo brasileiro na arte. Rio de Janeiro/MAM; 1977. CANTON, Kátia. Novísssima Arte Brasileira. São Paulo: Editora Iluminuras, 2000. CHIARELLI, Tadeu. A Arte Internacional Brasileira. São Paulo: Lemos Editorial, 1999. COSTA, Cacilda Teixeira da. Arte no Brasil 1950-2000: Movimentos e meios. São Paulo, Alameda, 2004. GULLAR, Fereirra. Etapas da arte contemporânea. São Paulo: Nobel, 1985 MORAIS, Frederico. O Brasil na Visão do Artista. O país e sua gente. São Paulo, Sudameris, 2002. SALOMÃO, Waly. Hélio Oiticica: qual é o parangolé. Rio de Janeiro: Relume-Dumurá: Prefeitura, 1996. SANTOS, Jair Ferreira dos. O que é Pós Moderno. São Paulo: Brasilienses, 1994. SITES INDICADOS: Itaú cultural: itaucultural.org.br Museu de arte contemporânea –SP: www.mac.usp.br Museu de arte moderna SP: mam.org.br Pinacoteca SP: pinacoteca.org.br Arte Contemporânea: canalcontemporaneo.art.br Arte Contemporânea: mapadasartes.com.br
Leituras complementares Textos complementares serão postados em http://www.4shared.com/dir/28833343/b7d9243f/artebrasileira.html. São artigos acadêmicos, reportagens ou trechos de livros pertinentes aos assuntos abordados em aula. Os textos não serão cobrados em avaliações, servindo como fonte de aprofundamento e enriquecimento do conteúdo. Aulas As aulas acontecem no anfiteatro do DAC; são expositivas e contam com apresentação de slides de imagens e textos, além da exibição de reportagens ou documentários. É importante que o aluno tenha um caderno para acompanhar as aulas (podendo também gravá-las em áudio). Lembrem-se de que num anfiteatro qualquer ruído reverbera, portanto conversar durante as aulas atrapalha a concentração do seu colega e do seu professor, além de ser uma enorme falta de educação.

Bonadei.Para compor os textos a seguir. a partir de 32. mas só teve reconhecimento na década de 1950. com seu ateliê-escola. Alfredo Volpi foi um homem quase iletrado. da pintura romântica até a crise do modernismo. a maioria imigrante ou filhos de imigrante. que não fosse anedótica ou narrativa. pintura pela pintura. Clóvis Graciano e Alfredo Volpi. projetistas e professores. tinham em geral um segundo emprego: eram pintores decoradores. açougueiros e etc. Os Santahelenistas. os Salões de Maio e a Osirarte. praias. inspirado na tradição da pintura italiana. SP). Com maior depuração de formas e autonomia em relação à realidade. na I Bienal de SP. Em 1939. além dos desdobramentos destes grupos.” (F. paisagem urbana. o que leva-os a pintar principalmente paisagens – subúrbios. mastros de barcos e bandeirolas dos quais partia para fazer uma pintura abstratizante de valores construtivos. com um modernismo moderado pendendo entre as experimentações dos anos 1920 e o academismo ainda vigente. o Seibi-Kai.APOSTILA – 2º SEMESTRE. Entre eles. mas um pintor de grande cultura visual. Alberto da Veiga Guignard inicia o projeto do modernismo. ainda sob o programa das vanguardas. e amplitude de atmosfera. costureiro e outros eram pintores de cartazes. Mário Zanini. Porém. elaborada em têmpera luminosa e transparente com tonalidades claras. os artistas desenvolvem carreiras individuais. Alfredo Volpi é quem mais se destaca. a Sociedade Pró Arte Moderna (SPAM) e o Clube dos Artistas Modernos (CAM). de 1930. a volta à tradição do fazer pictórico e o interesse pela representação da realidade concreta. Aldemir Martins (Ceará) Poty (Paraná) e Francisco Brenand (Pernambuco) levam o modernismo para fora do Sudeste. enfatiza a preocupação com o apuro técnico. bem como servir de guia de estudos. Autodidata. De origem social modesta. limitou a temática às fachadas de casarões. vendedores. usou-se como referência a bibliografia listada na página anterior e também outras referências específicas. do artista-artesão. para um conhecimento mais aprofundado do assunto. Num país caracterizado por explosões artísticas de curta duração. Mário de Andrade postula a existência duma "escola paulista". Aldo Bonadei. transparências brancas. em Belo Horizonte. Com a dissolução natural do grupo no fim da déc. Grupo Santa Helena (São Paulo) "Éramos meia dúzia de amigos cujo traço comum era não gostar dos acadêmicos e querer a pintura verdadeira. produziu por quase setenta anos uma pintura de . No Rio de Janeiro emergem o Núcleo Bernadelli e o Grupo Flor do Abacate. é indispensável a leitura constante dos livros indicados. Em sua arte fundem-se o imaginário popular e a tradição da pintura pré-renascentista de Giotto. a partir de meados de 1934 (Francisco Rebolo. sua arte ganhou cores claras. foi pintor e decorador de paredes. entre outros). surge da união espontânea de artistas autodidatas que usam salas como ateliê no Palacete Santa Helena (Praça da Sé. Rebolo. artistas como Carybé (Bahia). o que reflete-se nos processos artesanais de sua obra. ainda que sem programas preestabelecidos. A continuidade do espírito moderno se dá geralmente através de associações ou grupos de artistas: em São Paulo surgem. como a Família Artística Paulista. citadas em notas de rodapé. Imigrante italiano. quando despertou admiração dos artistas concretos. além de toda e qualquer bibliografia que ajude a conhecer e amar o maravilhoso mundo da arte. Como elemento de unificação. traziam uma alternativa diferente para os rumos da pintura após Semana de 22. entre outros. o grupo do Santa Helena e o grupo dos nipo-brasileiros. Volpi e Zanini. Foi um dos elementos polarizadores do Grupo Santa Helena. além de Cândido Portinari de forma isolada. As particularidades da história cultural do Brasil o levaram a percorrer um caminho que na Europa demandaria gerações. Volpi (1896-1988) foi sem dúvida um dos maiores artistas brasileiros. Além disso. CAPÍTULO 1 – Segunda fase modernista Os anos 30 e 40 foram de sistematização do modernismo nacional. mas com artistas sem formação internacional (estudam em cursos profissionalizantes e ateliês de mestres).2010 Este material visa auxiliar o aluno no acompanhamento das aulas da disciplina de História da Arte III. uma confraria de artistas. atuante nas mostras da FAP e na Osirarte. inicialmente buscou o expressionismo e impressionismo. Rebolo) Um dos mais importantes grupos da época. depois.

Mário. que permitiram reduzir a uma linguagem original um leque bastante considerável de influências. da deformação e do choque constante entre figura e fundo. Alguns integrantes são Joaquim Tenreiro. não era tão pouco. p. de marcha lenta e voz mansa. a um fenômeno para lá ou para cá da visão. Nesse sentido é bem filho do cubismo. o artista expressa a tragédia por meio dos gestos crispados das mãos e das lágrimas de pedra. auto-retratos e especialmente marinhas como Lavadeiras na Lagoa do Abaeté e Paisagem de Saquarena. No fundo. Preocupado com os desafios da composição e da cor. 1 2 MAMMÍ. a não ser por um breve período em 1950. Nos quadros O Mestiço e Lavrador de Café (1934) os personagens são pintados em composições monumentais e predomina o marrom na paisagem. Seu olhar não cai sobre uma percepção que o impele para o cavalete. José Pancetti.qualidade elevada . infensos às conquistas modernas". p.1962) . de Chirico e Picasso. mais do que na indigestão antropofágica. a 2 constante emotiva do marinheiro. O modernismo de Volpi é um modernismo da memória. Já Dacosta (1915-1988) realiza uma obra dividida em fases em função das influências que recebe . banhado numa mesma claridade. isto é. Núcleo Bernardelli (Rio de Janeiro) Iniciado em 1931. recurso que reforça a ligação dos personagens com o mundo do trabalho e da terra. mas talvez de evocar. 146-148. Seus quadros realizam a imagem da natureza d'aprés lê rêve e composição reconstituindo as linhas da percepção objetiva. seu trabalho apresenta mais dramaticidade. mas dispôs de uma sensibilidade muito aguda para aproveitar o que estava à mão . afinal. O Núcleo é concebido com ideias modernos. 3 antes tácito. Cândido Portinari (1903 .Inicia sua formação na ENBA. algo como um convite tímido. De Chirico. jogos infantis e cenas de circo. explora poéticas diversas nos retratos como Retrato de Maria (1932) e Retrato de Sofia Cantalupe (1933). é esse. como em Futebol (1935). em obras como as da Série Bíblica e Os Retirantes. baseada em tipos brasileiros . Não se projeta no futuro. Pancetti (1902-1958) se notabiliza pelos retratos. o grupo almeja permitir o acesso dos artistas modernos ao Salão Nacional de Belas Artes.) 3 PEDROSA. de acordo com os líderes do grupo. Volpi. pelo menos. afetivo e artesanal. São Paulo: Perspectiva. p. Em algumas pinturas ressurgem a lembranças de Brodósqui. que veio à tona um modelo convincente de arte moderna brasileira. o ponto de partida do pintor foi sempre abstrato. tátil. Ruben. Se o olhar então funciona. Nunca viajou. Dos murais de Portinari aos espaços de Brasília. 6. Milton Dacosta. Rescála. 1981. sem rosto. Quando vai pintar é como se fosse colocar em frente de um longínquo panorama. Foi nessa digestão lenta. Exposição de pintura de José Pancetti.por trinta anos. Em todas as paisagens de Pancetti reina uma atmosfera azulada e sombria.admirava Almeida Júnior e as idéias nacionalistas de Mário de Andrade. O seu olhar imóvel sobre um objeto também imóvel.e o que estava à mão. Mais tarde percebe-se a intenção de uma pintura nacional. enfatiza a organização dos planos geométricos. Enfatizam o estudo e a formação pela criação de um lugar para convivência e promovem também exposições e salões. de extrema sutileza. 1999. porém é mais voltado para ocupação de espaço profissional do que reformulação da linguagem artística. São Paulo: Cosac & Naify. Além do uso dos tons de cinza. "queria liberdade de pesquisa e uma reformulação do ensino artístico da ENBA. Lorenzo. De volta em 1931. Evocar. Na déc. Pablo Picasso . quem sabe. Além de democratizar o ensino. beirando a abstração. reduto de professores reacionários. agigantamento das mãos e pés. após ver a Guernica. de um azul denso. nem pode dar conta dos cliques instantâneos e sem contornos 1 da vida contemporânea. As figuras são pequenas. misterioso e triste. mas o colorido inundando com imaginação o desenho meramente sensorial. Se há um pintor poeta. O marinheiro Pancetti é o maior paisagista moderno do Brasil. expressando a tragédia e o sofrimento humano e adquire caráter de denúncia das questões sociais brasileiras. não é no sentido de perceber. obtendo o prêmio de viagem à Europa onde conhece obras dos mestres Giotto e Piero della Francesca e dos modernos Matisse. São Paulo: Instituto dos Arquitetos. 1945. a figura humana adquire formas escultóricas robustas. Também em Café (1934). com imensa paisagem ao fundo. entre outros. Sua arte nunca deu saltos: evoluiu por modificações e incorporações graduais.sempre preocupado com a esquematização das formas. 39 NAVARRA. de 1940. dominado pelos acadêmicos.Paul Cézanne. uma grande pintura. . da teatralidade dos gestos.

Juscelino Kubitschek. tudo parece estar em suspensão.Em 1941. p. em oposição ao realismo socialista da URSS. realiza os enormes murais Guerra e Paz (1953-1956) para a sede da ONU. Os retratos são seu forte. Nelas. Todo o seu universo etéreo de paisagens.. O processo de aquisição de obras dá-se entre 1947 e 1960. foram criados nos EUA os primeiros Museus de Arte Moderna. cenas com personagens figurados à maneira de uma pose fotográfica. Os abstracionismos eram usados pelo governo norte-americano como símbolos da liberdade de expressão. Rio de Janeiro: Relume-. 1997. e foi realizada a I Bienal Internacional. Carlos. como As Gêmeas (1940).. Mas se não houve uma arte oficial.1962) Estuda na Europa e volta definitivamente ao Brasil. muitos artistas brasileiros passaram a identificar a abstração como uma proposta de transformação das artes em detrimento do figurativo. se compreendermos por tal um estilo que o Poder adota como seu e o impõe. aplicada com leves dosagens ao suporte. Entre outros. acidentes geográficos nem distâncias. estampas das roupas e ornamentação em torno dos modelos. como aponta Rodrigo Naves. todos aqueles assuntos que ele abordou não podiam ser negados por um poder para quem a questão social (mesmo que dentro de uma ótica populista) constituía uma das bases de sua política. forma-se a mais importante coleção de arte européia da América Latina.. (. os retirantes e os meninos de Brodósqui.). Mas se a pintura de Portinari pôde ser recuperada. freqüentam a Escola Guignard Amilcar de Castro e Farnese de Andrade. Pode-se dizer que Guignard pintava o visível como se imerso em estado de sonho. Entre 1953-56. Não se pode. o destaque que dá ao personagem popular. Guignard pinta as "paisagens imaginantes". dá aulas num curso livre de pintura na Escola de Belas Artes de Belo Horizonte. premiado com viagem pela divisão moderna do Salão.112. O pós-guerra traz esperanças de um mundo democrático. naturezas-mortas. O Museu de arte de São Paulo – MASP O Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand . Há apenas um mundo nublado e tristonho. e se iniciou um processo de internacionalização da arte abstrata. portanto.MASP é fundado em 1947. atual Escola Guignard.. Ele se vale para isso de um desenho insinuante e grácil. (. marchand e antiquário italiano Pietro Maria Bardi. A dignidade que o artista confere ao trabalhador. o revela. Guignard também inovou na atividade docente ensinado em cursos livres e institucionais. Vieram ao país artistas abstratos internacionais em grande escala e sob esta influência. CAPÍTULO 2 . a convite do prefeito de Belo Horizonte. sua palheta volta-se para um cinza esbranquiçado e. Assim.) Alberto da Veiga Guignard (1896 . foi principalmente porque a sua concepção formal era 4 conciliável com a estratificação simbólica de uma ideologia conservadora. proprietário dos Diários Associados. eventos patrocinados por uma elite industrial interessada na modernização do país. em 1929. . temas religiosos e outros.. flores.O aspecto decorativo está sempre presente: nos retratos. arranjos florais. afirmar que Portinari tenha sido um pintor oficial (. pelo jornalista Assis Chateaubriand. Bardi tem a tarefa de 4 ZILIO.. sem solo ou pontos de apoio firmes. Na década de 1960. as vanguardas começam a se institucionalizar.A formação do meio artístico: Bienais de São Paulo e Museus de Arte Moderna. onde o governo utilizará o apoio a Portinari como exemplo do seu mecenato. Não há caminhos. No que se refere ao aspecto temático. com grande luminosidade.) Não se pode dizer. retratos. auto-retratos. A querela do Brasil: a questão da identidade da arte brasileira. ao mesmo tempo em que os governos voltam a investir na industrialização e modernização. enfim. realiza os painéis para a Biblioteca do Congresso em Washington. Em São Paulo foram fundados o MASP e o MAM-SP. Em 1944. Nas artes. como em Descobrimento. Com ajuda do crítico de arte. Portinari falece (vítima de intoxicação pelas tintas que utilizava) consagrado como um dos mais importantes artistas brasileiros. não significa que o estilo de Portinari não pudesse também ser assimilado pela ideologia do Poder. como talvez fosse o desejo do governo. não significa que não pudesse ser recuperado. diretor do museu até 1990. que possui importância ascendente em relação à cor. que tenha havido uma estética oficial. que apresentam um resumo da trajetória do artista: lá estão a mãe com o filho morto. com temas da história do Brasil. Houve foi uma recuperação por parte do Poder da tática adotada pelo movimento modernista. em têmpera. se a orientação de Portinari não correspondia a um patriotismo evidente e épico.

"Devemos colocar a arte moderna do Brasil em contato vivo com o resto do mundo e paralelamente tentar conquistar para a cidade de São Paulo a posição de centro artístico mundial". a idéia norteadora do evento é a "grande tela": as obras são expostas em três vastos corredores. A partir da 14ª Bienal (1977). as . teatro e cinema. Alexander Calder.MAM/SP Criado pelo industrial Francisco Matarazzo em 1948. A mostra de 1963. cujo corpo principal é sustentado por duas estruturas laterais sobre um vão livre de 74 metros. às vezes através de transações criticáveis. a 1ª Bienal é realizada na esplanada do Trianon. o Museu.que apontam para o forte impulso institucional que as artes recebem na época. projeto de Niemeyer e Burle Marx. a curadoria de Mário Pedrosa combina obras contemporâneas (Kurt Schwitters) com retrospectivas históricas (Volpi). René Magritte. debates e sua vocação educativa. Do Figurativismo ao Abstracionismo traz obras de Hans Arp. criado em 1948. o MAM/SP responde ao desejo de intelectuais e artistas paulistas. A coleção notabiliza-se pelo conjunto de pinturas italianas do século XIII ao XIX e pela coleção de arte francesa. principalmente. seminários sobre cinema e literatura. difundindo artistas contemporâneos nacionais e internacionais por meio de exposições. Victor Vasarely entre outros. .MASP. As participações nacionais e internacionais diminuem (mesmo assim. inspirado no Museu de Arte Moderna de Nova York . 1953). com exposições. A Bienal de 1955 traz gravuras dos muralistas mexicanos. publicações e cursos. diversos artistas e intelectuais assinam o Manifesto Não à Bienal. Wassily Kandinsky. ocorre no parque do Ibirapuera recém-inaugurado. com a criação do Instituto de Arte Contemporânea. Em 1963 seu acervo original é doado à USP e até hoje. cursos de gravura. destaca-se pela grandiosidade que. Lina Bo Bardi projeta a atual sede.selecionar as obras e Chateaubriand encontra doadores. com 30 cm de distância entre elas. com iluminação planejada. o MAM/SP é uma das instituições culturais mais ativas da cidade. a Bienal sofre efeitos do golpe militar e da repressão. o projeto. no Museu de Arte Moderna de Paris. Da década de 1980 em diante. entre outros). Alberto Giacometti. Victor Brecheret. MAM/SP e Companhia Cinematográfica Vera Cruz . o museu funciona numa sala dos Diários. Articula-se a outras realizações culturais .MoMA. com inovações museográficas como em 1981 sob a batuta de Walter Zaninni. com 1. Abriga importantes mostras de artistas nacionais e estrangeiros. cuja atuação didática é o principal. A Bienal Internacional de São Paulo Criada por Matarazzo em 1951 é a primeira grande exposição de arte moderna fora de Europa e EUA. torna-se traço característico. A mostra e as atividades paralelas organizadas indicam os objetivos do museu: ser um espaço de divulgação das novas tendências. A segunda edição (Bienal da Guernica. Francis Picabia. Nos 3 primeiros anos. Em 1957. dizem os organizadores. até a criação de um corpo de baile e uma orquestra juvenil. inaugurada em 1968 com estrutura de concreto e vidro. prevê um "museu vivo". a mostra de 1967 traz importante presença da arte pop). música. O Museu de Arte Moderna . por sua vez. Inserida no âmbito do MAM/SP. há a presença surrealista e da obra de Jackson Pollock. Joan Miró. um marco da arquitetura moderna. "museu vivo". Teatro Brasileiro de Comédia. além de conferencistas internacionais. onde hoje é o MASP. contemporânea. Em 1950. passa a se organizar por núcleos temáticos. O Museu de Arte Moderna MAM/RJ Fruto também das transformações culturais após a II Guerra Mundial (crescimento das cidades e diversificação cultural). através de mecenas. Em 1985. Os prêmios para Unidade Tripartida de Max Bill e à tela Formas de Ivan Serpa são sintomas da atenção às novas tendências construtivas na arte. A oposição dos artistas à ditadura explode na 10ª Bienal (1969). escultura e desenho industrial. A 5ª Bienal (1959) é grande sucesso de público e traz abstração informal. com um serviço de biblioteca atuante e ateliês abertos ao público. quando. da Escola de Propaganda (futura ESPM). e consolida o evento.os quadros ficam suspensos por tirantes de aço. os curadores definem temas que orientam a organização das obras. pintura. A primeira exposição. Em 1962 é criada a Fundação Bienal de São Paulo. tem também os moldes do MoMA. Nos anos 1990. com importante coleção da arte brasileira moderna e. Entre 1965 e 1973. desenho.800 obras de 23 países (Pablo Picasso. marcando o desligamento do MAM/SP. Em 1961. O museu é pioneiro no trabalho de monitores preparados por Bardi para acompanhar visitações e a forma de apresentação das obras também é destaque . Nesse sentido. passa a ocupar quatro andares e amplia sua atuação didática. além de Lasar Segall. a partir daí.

Outono Tardio (1973) ou Viver (1989). Nas aulas. quanto o abstracionismo lírico surgem no Brasil com maior ênfase em meados dos anos 1950. Artur Luís Piza e Maria Bonomi . Nos fins dos anos 40 já haviam precursores: o romeno Samson Flexor.. Os títulos de suas obras evocam emoções ou fenômenos da natureza como. percebe as possibilidades de criar uma linguagem lírica com a cor e na de 1960. Muito importante foi também a gravura com artistas como Fayga Ostrower. No começo da década de 1950. foi fundado por Samson Flexor em sua residência. Artistas brasileiros começam a viajar ao exterior e artistas europeus emigram para o Brasil. Ao voltar-se para as formas caligráficas. começa a aproximar-se também do tachismo. do qual seria um dos principais representantes no Brasil. que emprego relevos ou texturas preestabelecidas. há o grande impulso com a criação das instituições estudadas no capítulo anterior. Atualmente. Iberê Camargo (1914 . na década de 1960 o pintor abraçou conscientemente o não-figurativismo. traços de revolta. A espessura resulta da superposição de camadas no afã de encontrar a cor tom exata". em Canção Melancólica (1960). Manabu Mabe (1924 . Há arranhões. Como ele próprio explicou. além de recitais e conferências.Abstração informal no Brasil Tanto a abstração geométrica. pinta sua primeira obra abstrata Vibração-Momentânea. com caráter caligráfico na pintura dos artistas japoneses que emigraram para o Brasil. as tendências abstratas no Brasil. teatro. p. Vê-se em sua pintura uma explosão da cor a partir dos fundos negros de forte textura. como Manabu Mabe. Assim é que na sua pintura sente-se em toda parte o mar. Atelier abstração (São Paulo.1994): Ativo como professor e atuante no meio cultural. Wega Nery. Dedica-se ao desenho só nos dias de chuva e domingos. Muda-se para São Paulo em 1957. . O atelier era também palco de inúmeras discussões sobre arte e cultura na época.. de índole construtivista.mostras são organizadas com base em grandes temas ("Ruptura com o Suporte" (1994) e "Antropofagia" (1998). Flexor realizava exercícios de linhas. todos integrantes do grupo Seibi. pois tudo é signo e tudo nele se resume no signo. a abstração informal ou lírica no Brasil não se fundou em grupos nem embates teóricos. gradualmente. Não se creia. Sentimo-lo como que impaciente para viver sua arte. Pierre. O mais gestual dos abstracionistas foi Iberê Camargo. Dentre os alunos do Atelier estão Wega Nery e Ernestina Karman. Após a Segunda Guerra a informação começa a circular com muito maior intensidade e rapidez. Diferente da abstração geométrica. nacional e internacionalmente com participações e premiações em bienais. 65-69. "por uma necessidade quase tátil minha pintura é pastosa. e temos também o gesto elegante. Vento de Equador (1969). 5 COURTHION. Sua pintura é virulenta. e exercícios da abstração. evidenciada em 2008 com a chamada Bienal do Vazio. Cícero Dias e Antônio Bandeira. entretanto. com poucos destaques e naufragada em seu vazio. Maria Leontina e Ana Bella Geiger. iniciado antes da I Bienal. uso das cores. o que faz delas eventos culturais mais amplos. sem vê-lo jamais. como fazem alguns pintores. Outros pintores abstratos informais de são: Mira Schendel. tendência seguida nos anos 2000. Iberê Camargo. em 1955. informalistas e gestuais. CAPÍTULO 3 . mostrou as obras tachistas. característica principal de seus quadros. acompanhando a arte abstrata que se faz internacionalmente. 1985.1997): vem com a família para o Brasil em 1934 e trabalha na lavoura em Lins (SP). Ele tem também o dom de insinuar aquilo que gostaria de evocar. Primavera (1965). Vamos ver em 2010. É por isso que Camargo se comunica conosco. e consagra-se. Camargo sempre virou as costas para a arte oficial e toda tentativa nesse sentido morreu em embrião. as bienais são tomadas por espetáculos de diversos tipos: dança. baseados em rígidos cálculos matemáticos. No final da década de 1940. 1951): Grupo pioneiro no estudo da arte abstrata no Brasil. às vezes mesmo vulcânica como uma 5 lava cuja torrente chega até nós. música etc. Rio de Janeiro: Funarte. Nessa década. adere à abstração e. A grande influência foi a Bienal SP que. Nesse contexto florescem. Tomie Ohtake e Flávio Shiró.. a Fundação passa por grave crise financeira.

em ambas as 7 6 Gravura moderna brasileira: acervo Museu Nacional de Belas Artes. os que criam formas novas de princípios novos”. Acasos e Criação Artística. Rio de Janeiro: MNBA. No Brasil. a nossa inteligência não pode ser a de Leonardo. cuja execução deve ser previamente guiada por leis claras e inteligíveis. que reunia artistas plásticos (a maioria vinda do grupo Ruptura) e poetas ardorosos na defesa de suas convicções estéticas e em sua arte intelectualmente embasada. a água-tinta. cujo núcleo seria do Frente. e. de preferência matemáticas. que teoriza e pratica a arte construtivista. discursiva ou anedótica.Concretismo e Neoconcretismo Segundo Araújo Há teóricos que defendem a existência de uma "vocação construtivista" da América Latina. não nos vem outra lembrança senão a da música". 58 . Contudo. formas. As superposições. 1963. em sua pintura. No início dos anos 1950. Grupo Ruptura (São Paulo. afirmando que "Essa influência se verifica na procura da síntese: poucos elementos devem dizer muita coisa". CAPÍTULO 4 . em paralelo comparativo.1952) Criado sob impacto da Bienal o grupo inicial tinha Waldemar Cordeiro. a água-forte e a tintaseca é única: a água-forte marca certos matizes. a estrutura formal das obras localizando sua gramática. surge no Rio o Movimento Neoconcreto. Fayga pesquisa na história da arte proporções. a ponta-seca completa detalhes . que com um projeto gráfico concreto trazia idéias como: “a arte do passado foi grande. ou concretismo. no RJ. vazios e cheios. lançando-se o Manifesto Ruptura. onde aliás alguns brasileiros já apresentavam obras abstratas. com o materialismo e transparência cromáticas se impondo em composições sóbrias. no MAM-SP. Realidade e Mimese: Imprensa da Universidade Federal de Minas Gerais. Frente e Ruptura realizariam juntos. Fayga Ostrower (1920 . Eles se reuniam para discutir os novos caminhos da arte.2001): Gravadora. Anos depois. "Desvinculada de qualquer conotação alusiva. Acreditavam que artes do passado estavam ligadas a um pensamento que não respondia às questões da vida contemporânea. em entrevistas. foram decisivos para a eclosão da abstração geométrica uma exposição do suíço Max Bill. Instituem a noção de objeto artístico como exercício de concreção racional de uma idéia. entre o espaço visualizado e o tempo percebido. uma reação à desordem do terceiro mundo. 1999. Em busca da harmonia do espaço.p. a água-tinta cria a atmosfera.Tomie Ohtake -1913: A pintura de Ohtake parte da tendência informal em fins dos anos 1950 para um abstracionismo que em início dos anos 1960. quando foi inteligente. um ano depois. em 1950. concretismo e neoconcretismo geraram grande produção teórica. que não seja a perspectiva ilusionista. em especial a japonesa. teórica da arte e professora. ilustradora. pensando o ambiente urbano. realizou-se a primeira exposição. aventura-se por telas grandes. algumas diluídas em densidade de nimbo. O movimento concreto queria ampliar a atuação das artes. A maneira com que usa na mesma gravação. Universos da Arte. Olívio. desenhista. mas que se concretiza como realidade visual. A história deu um salto qualitativo. arquitetura e design (novidade no Brasil). Luiz Sacilotto. Na mesma época. Geraldo de Barros. Não há mais continuidade! Então nós distinguimos: os que criam formas novas de princípios velhos. modernizando o meio cultural e socializando as artes e a cultura. Sua gravura não se limita à composição dimensional. o grande prêmio que ele conquista na primeira Bienal. 7 ARAÚJO. reagindo ao rigor concreto. conferem o efeito ótico do distanciamento. em 1956/57. A artista enfatiza. É de 1960 uma série de grande poética na qual se utiliza de fluente gestualidade com sensível redução cromática . reforça o desenho com linhas. naquela 6 harmonia que. resulta totalmente mergulhada na procura de elementos formais abstratos. entre outros artistas que desde a década anterior realizavam experiências com abstração. sintetizando e radicalizando a tendência construtivista. surge o grupo Frente. menos ortodoxo. Em 1952. pesquisando a cor e texturas com muita finura e transparência. A Sensibilidade do Intelecto. surge em SP o movimento de arte concreta. Imitação. Investiga por uma nova dimensão. escreveu importantes livros sobre questões da criação artística: Criatividade e Processos de Criação. a importância da arte oriental. pintora. em SP surge o grupo Ruptura. Além de obras. Em 1959.ao máximo três tons de cor.

146-148. Defendem a introdução da expressão na obra de arte. os artistas do RJ rompem com o concretismo. Lygia Pape entre outros. outras três mostras ocorrem . os Bichos. como Obra-Mole. programação visual. que se moviam no palco. Suas obras do período eram formadas por uma chapa de metal cortada ao meio e torcida em dois planos. e a Caixa das Formigas (que. obra e fruidor. 8 PEDROSA. Lygia Clark. apresentou o Balé Neoconcreto: as personagens do balé eram cilindros e paralelepípedos. Amilcar de Castro (1920 – 2002) Busca a significação profunda da forma. como a Caixa das Baratas. o encontro de soluções próprias. Como nota o crítico Mário Pedrosa não se trata "de uma panelinha fechada. Por volta de 1960. integrando autor. que transcende à percepção física. que levariam à cisão e à fundação do Grupo Neoconcreto – RJ Grupo Frente (Rio de Janeiro. dobradas criando um espaço interno. os ritmos dados pelos levantamentos e torções das placas. na mostra Nova Objetividade Brasileira. além de Ovo. 1981.bem como a Exposição de Livros-Poemas. que solicitava a participação sensorial do público. concepção que o ligou ao Grupo Neoconcreto. com pessoas dentro. a artista realizou seus livrospoema. Apesar de predominar a arte concreta. gravura. Lygia Clark (1920 . atuando. radicalizando até desdobrá-los. segundo a artista. sendo o elo de união a rejeição à pintura modernista figurativa e nacionalista. o Balé Neoconcreto. educação. resultando em novas configurações. como o Livro da Criação. Lygia Pape (1929-2004) . Segundo ele. p. Mário. Inicia. nem muito menos uma academia onde se ensinam e aprendem regrinhas e receitas para fazer abstracionismo.em Salvador. desenho.Se a arte concreta e neoconcreta buscavam aproximar arte e vida. que. que contava a história da criação do mundo com formas e cores. literatura. pela diferença de planos. das esculturas de Weissmann .1988) Lygia Clark vinculada ao concretismo. de natureza transcendental. e das experiências cinéticas de Palatnik. experimentando e mesclando linguagens: pintura. Cabe lembrar as Superfícies Moduladas de Lygia Clark. como nos Casulos (1959). o grupo não se caracteriza por uma posição estilística única. principalmente entre Cordeiro e Gullar. começa os Trepantes (recortes espiralados em metal ou borracha. rejeitando o primado da razão sobre a sensibilidade. em 1959. baseada no poema de Reynaldo Jardim Olho e Alvo. ela é uma das que mais conseguem isso. placas de metal unidas por dobradiças. o Frente abre sua primeira exposição em 1954. Neoconcretismo. A independência com que tratavam a arte concreta gera a crítica que do Ruptura. Assim. escapavam durante a exposição e iam subir nas outras obras. a I Exposição Nacional de Arte Concreta. trabalha a princípio com as relações espaciais do plano. Franz Weissmann. Aos fundadores unem-se Abraham Palatnik . precursor da abstração geométrica no Brasil. Rio Janeiro e São Paulo . São Paulo: Perspectiva. Ivan Serpa. cinema. de Lygia Pape e Reynaldo Jardim. das séries de relevos. concretismo. expressionismo e outros ismos". como a pintura primitiva de Elisa Martins. expôs suas caixas que ela definiu como “humor negro”. poemas-objetos e poemas-luz e dos Tecelares de Lygia Pape. e o lançamento da Teoria do Não-Objeto de Ferreira Gullar. compostos de placas de metal fixas na parede. apresentada pelo crítico Ferreira Gullar. dão à obra grande vitalidade e dinamismo. Em 1967. Aluísio Carvão. em 1960. do qual foi um dos fundadores. maleáveis. Hélio Oiticica. teatro. que não eram vistas pelo espectadore o som era a música concreta de Pierre Henri. publicando o Manifesto Neoconcreto e realizando a 1ª Exposição de Arte Neoconcreta no MAM/RJ. Ainda em 1959. . sua obra é não-alusiva ao mundo real: traz novas reflexões para a arte não-figurativa. participam da mostra. subvertendo a ordem museológica). Há grande 8 diversidade técnica e estilística.em que o vazio passa a ser elemento ativo das estruturas -. Neoconcretismo O neoconcretismo define-se como tomada de posição com relação à arte concreta exacerbadamente racionalista e é formado por artistas que voltados para a experimentação. com forte conotação política. Desta exposição decorreriam polêmicas entre os grupos. Até 1961. em 1958. Componente do Frente. pela tensão da superfície.cidades. que permitem articulação e manipulação do espectador. 1954-1956) Liderados por Ivan Serpa. Em 1963.

inicia a transição da tela para o espaço ambiental. o mercado. o mundo ambiente enfim [. campos. sonoridade ou movimento. Charles. p. acompanhada de elaborações teóricas. inicia a série de guaches Metaesquemas. O artista não é o que apresenta o objeto. dedica-se à prática terapêutica. 9 HERKENHOFF. 1999. que tem início em 1954 na arte concreta e vai até a formulação dos Bólides. do redimensionamento do geométrico em campo do olhar para articulação dos sentidos. nesta prática. a atuação da artista. uma espécie de labirinto sem teto que remete à arquitetura das favelas e em seu interior há um aparelho de TV sempre ligado. terrenos baldios. Envolve-se com a comunidade e dessa experiência nascem os Parangolés: tendas. pinturas geométricas que já apresentam o conflito entre o espaço pictórico e extra-pictórico. por meio de sua textura. poesia e música e pressupõem uma manifestação cultural coletiva. entre eles alguns labirintos do programa Subterranean Tropicália Projects. e outra sensorial.. por exemplo. pedras e conchas. qualquer possibilidade de ação no plano do 9 sistema de arte. Em paralelo. estandartes. Oiticica. ocorrem desdobramentos na música e na cultura conhecidos como tropicalismo. feitas pela artista. onde às sensações de claustrofobia e sufocamento contrapõe-se a do nascimento. Em 1967.. Em 1957. seja o museu. Insatisfeito com o cinema como espetáculo e a passividade do espectador. Sua preocupação volta-se para uma participação ainda mais ativa do público em Caminhando (1964). o Outro e os objetos relacionais são engajados numa ação terapêutica. Da dimensão planar à compreensão da possibilidade de discussão da configuração material do plano pictórico. na Sorbonne. Luvas Sensoriais (1968) O Eu e o Tu: Série Roupa-Corpo-Roupa (1967). placas pintadas com cores quentes penduradas no teto.) Clark avança para ultrapassar a importância do objeto. mas o que propõe a experiência. elabora Cosmococa . Entre 1970 e 1975. Pode-se identificar duas fases na obra de Oiticica: uma mais visual.de 1963.]". sendo que o deslocamento do espectador integra a experiência. sacos plásticos cheios de sementes. Finalmente. que podem ser. Depois que Caetano Veloso usa o termo tropicália como título de uma canção. Hélio (1937 . cria as Manifestações Ambientais como Tropicália. nas atividades coletivas propostas por Lygia Clark na Faculté d'Arts Plastiques St. suas primeiras obras tridimensionais. No fim da década de 1960 é levado por Amilcar de Castro e Jackson Ribeiro a colaborar com a Escola de Samba Mangueira. cria os Penetráveis. temperatura.1980) Sua produção se destaca pelo caráter experimental e inovador. compreendido como processo de absorção e de ressignificação do outro. a crítica ou a história” . Na terapia. Nessa época produz textos sobre seu trabalho e sobre a arte construtiva e pensa sua produção em relação à Teoria do Não-Objeto. projetados em ambientes especialmente criados para eles. em 1963. a prática artística é entendida como criação conjunta. A partir de 1976. que segue até 1980. Oiticica fala da 'supressão definitiva da obra de arte'.. por meio de aberturas no pano. bandeiras e capas de vestir que fundem elementos como cor. ultrapassado o limite entre arte e vida.nove blocos denominados quase-cinema. em transição para a terapia. inicia os projetos ambientais chamados de Newyorkaises. Paulo. filmes não narrativos. Em Nova York. Em 1960. "A trajetória de Lygia Clark é a aventura do espaço. meias-calças contendo bolas. Hélio Oiticica declara-se um não moderno. consolidada em Bilaterais (chapas monocromáticas pintadas e suspensas) e Relevos Espaciais.. pretendo estender o sentido de 'apropriação' às coisas do mundo com que deparo nas ruas. Em Túnel (1973) as pessoas percorrem um tubo de pano de 50 metros de comprimento. tamanho. na mostra Nova Objetividade Brasileira. Com Invenções. o paciente cria relações com os objetos. Não existe. de Ferreira Gullar. dá-se corpo à cor e acrescenta-se à experiência visual outros estímulos sensoriais. Lygia Clark explora trocas num tecido de alteridades. numa ativa participação do público. peso. Nos Bólides . de 1959. A relação clara é entre o artista e o Outro. São Paulo: MAM. produzidos com base em slides e trilha sonora. ar ou água. Segundo Oiticic: " Parangolé é a antiarte por excelência. depois voltados para uma arquitetura do espaço interior do sujeito (. .podem ser apoiados nos mais diferentes suportes ocasionais). Já Canibalismo e Baba Antropofágica (ambos de 1973) aludem a rituais arcaicos de canibalismo. 57.recipientes contendo pigmento . Na constituição do corpo coletivo. dança. e em grande parte. como em Caminhando. 7. usando Objetos Relacionais. Lygia Clark.

Sua contribuição foi ampla. CAPÍTULO 5 . quadrinhos. especialmente a Pop Art . Assim. atividades. a atuação dos Centros Populares de Cultura vai atrair jovens em busca da construção de uma cultura nacional. Cuiabá (Humberto Espíndola) (.) Este esforço. sempre mais hot. intelectuais e estudantes fizeram forte militância política e no que tange às artes. parques. apresentada no MAM do Rio 10 em 1967. p. Opnião 65 Teve como objetivo específico apresentar a produção de jovens artistas brasileiros.. mesmo quando sua aparência é cool (Tozzi. em 1969. a passagem das déc. como continuidade da militância política na cultura –Cinema Novo. Seguiram-se os Penetráveis. Teatro Opinião. popular e democrática. Assim os processos artísticos dos anos 1960 se desenvolveram muito em resposta ao golpe. ligadas ao pensamento da esquerda que domina a produção cultural do país até 1968. p. publicidade. História geral da arte no Brasil. mudança que levou muitos artistas a voltar sua arte para uma resistência civil. Realizada em 1965 no MAM-RJ. essa movimentação foi impossibilitada pelo AI-5. introduzindo técnicas e mitologias da imagem popular tiradas no repertório de imagens corriqueiras da televisão. 7-8 . Nesse panorama destacou-se como contraponto à sensibilidade européia a Pop Art. como Recife (João Câmara). em 1968. a abertura de “Opinião 65” ficaria marcada pela apresentação dos Parangolés de Oiticica. Já difícil desde 1964. mas dominada pelos EUA desde 1962. e esse caráter novo se pronuncia no próprio título da mostra: os pintores voltaram a opinar! Isso é fundamental!”. Com dificuldades crescentes para expor seus trabalhos em museus e galerias. jornais. Esta temperatura crítica aumenta na medida em que nos aproximamos de outras capitais regionais. 675. No Brasil dos anos 60. capas de vestir que envolvem passistas de uma escola de samba e ele próprio. Teatro Oficina. no auge da repressão. 1994. entretanto. advindo depois os Bólides. que acaba por provocar o boicote internacional à Bienal Internacional de São Paulo. performances e exposições coletivas. exprimindo uma 'manifestação da cor no espaço'. o título emprestado do show é muito pertinente. Ferreira Gullar observava que: “Algo de novo se passa no domínio das artes plásticas. Expulso do recinto já que a performance fora considerada perigosa às obras expostas."As preocupações cromáticas de seu neoconcretismo foram inicialmente conduzidas para a série dos Núcleos. Setores da classe média. figuração narrativa) e a neutralidade ideológica (na verdade apenas aparente: pop art. Goiânia (Siron Franco). a música dos jovens baianos. é bruscamente interrompido com o fechamento da segunda mostra. o Vergara da fase inicial. Walter (Org. caixas de madeira pintada ou transparentes revelando pigmentos contidos (que se engavetam). espaços formados com os planos de cor. em 1968. São Paulo: Instituto Walther Moreira Salles:.. ). Sem manifestos e programas. jornais – um universo icônico muito rico da cultura de massa da sociedade de consumo. ligando-a mais com a realidade do país. a figuração é quase sempre crítica (Gerchman. É nesse cenário que chegam os reflexos das neofigurações. realizada na FAAP. aterros. realizando eventos 11 em praças.ANOS 60: a volta à figura: marcos históricos. Oiticica. hiper-realismo). os jovens artistas vão às ruas. evidente nas obras neo-realistais. O Parangolé. Os paulistas continuaram a discussão sobre o caráter e função da vanguarda brasileira em Propostas 65. preludiou Tropicália. oscila entre o campo crítico (nova figuração. acompanhado de membros da Mangueira deu continuidade a sua performance nos jardins – “sem movimento não há parangolés”. representa o início de um novo ciclo de intensos debates. no mesmo ano. 10 11 ZANINI. com seus trajetos labirínticos sugestivos. a exemplo do Projeto Cães de Caça.A década de 1960: Figurações e política Mundialmente nas artes. ao ver seus parangolés pendurados na sala de um museu. O tratamento da figura. até a instauração do regime militar em 1964. Glauco Rodrigues). após o declínio da abstração geométrica e informal. alguns anos mais tarde. MORAIS Frederico . 1983. Na política nacional. isto é. vive-se a euforia do desenvolvimento com Kubitschek e a efervescência populista com Quadros e Goulart. ambiente constituído com a presença de elementos da flora e da fauna brasileiras". e ao contrastar seus trabalhos com obras de artistas da Escola de Paris. fotonovelas. de origem inglesa. diria o artista. arte como ação. São Paulo: Instituto Cultural Itaú. 1950 para 1960 assiste ao retorno à figura e abandono dos abstracionismos. a Pop se internacionalizou rapidamente. Antonio Henrique Amaral). ressaltar sua atualidade e o vigor criativo. um dos muitos atos de censura do governo militar. Opinião 65 foi assim um marco de ruptura com a pintura abstrata que liga-se exclusivamente às questões formais.

dos mesmos ídolos. Em 1967. semântica. A galeria foi toda depredada e os quadros arrancados brutalmente e vendidos na porta pelas pessoas que os tiraram de lá". Segundo Wesley Duke Lee. Estanca o movimento. passando pela pintura a óleo. ao ser premiado no SPAM. no João Sebastião Bar. o trópico. Rubens Gerchman (1942-2008) Em sintonia com o cenário carioca de intensas discussões políticas e artísticas. Sua atuação é marcada pela irreverência e humor: promove exposições. exposto no Salão Nacional de Arte Contemporânea. assim como surgiu. Claudio José Tozzi (1944) Inicia-se artisticamente influenciado pela pop art americana. de comunicar-se com a classe média ou o subúrbio que compartilham das mesmas alegrias e angústias.quando expôs Lindonéia. Participação corporal. síntese do tropicalismo dos anos 1960. Tropicália. Funda também a Rex Gallery. soma. happenings. ambiente e instalação. buscava traçar um amplo panorama da arte brasileira de vanguarda. E embora. tempo e tecnologia na arte. Em 1960 realiza. irreverente e contestador. Waldemar Cordeiro. reduzido este a clichê (antes o Che. A exposição durou exatamente oito minutos. Nelson Leirner e Geraldo de Barros retiram suas obras da Propostas 65. Leirner destacou-se justamente por sua atitude contestatória perante a arte e o circuito com o Grupo Rex. Gerchman integrou os mais importantes eventos da época: Opinião 65. e lançam jornal Rex Time. 12 de um designer. Principais artistas Wesley Duke Lee (1931). persegue uma espécie de arquitetura da imagem. acrílica. ele o agiganta e. agora a escada). tendência para o objeto ao ser negado e superado o quadro de cavalete. sua obra é construída por meio de séries relacionadas a técnicas variadas. enfim. Escolhido o ícone. Contrapõe-se também à crítica de arte dos jornais. com a participação de numerosos artistas. torce.. desapareceu: causando polêmica. A origem desta cooperativa artística paulista dá-se quando Wesley Duke Lee. o primeiro happening no Brasil. Um dos pioneiros no país da introdução do espaço. fragmenta. a Rex Gallery and Sons. Em 1967. apontando a desinformação de artistas e público. tendência a uma arte coletiva. fosse apontado pela crítica como um jovem talento promissor. e a I Bienal de Salvador. depois o parafuso. repete. junta. Claudio Tozzi. isola. Nelson Leirner (1934) Polêmico. Na década de 1960. assim caracterizando a Nova Objetividade: vontade construtiva geral. palestras e encerra-se com a Exposição-Não-Exposição. caracterizou-se por seu vigor narrativo: sua vontade de informar. e Hélio Oiticica. 1985. organizada em reação ao mercado de arte. a zebra. divide. Foi uma tentativa de refletir sobre as consequências alienantes dos processos de comunicação de massa. destrói a narrativa. multiplica os ângulos. com influência de Roy Litchtenstein. abrem um espaço de exposições. na qual as obras estavam presas e o público tinha de superar obstáculos para levá-las de graça. na qual o desenho é a conexão profunda entre todas elas. Rio de Janeiro: Galeria GB. indaga ao júri 12 MORAIS Frederico. que vão da têmpera medieval ao computador. ou melhor. O Grupo Rex Iconoclasta. traz o primeiro plano. tomada de posição em relação a problemas políticos. o congela. buscando novas formas de comunicação com o público e propondo uma arte experimental. irreverente. foi criticado por sua postura artística. em solidariedade a Décio Bar que teve trabalhos censurados pelo regime militar. e efêmero. por sua confessada simpatia pela direita política e por sua admiração pela cultura norte-americana. um dos mais expressivos representantes do experimentalismo estético e comportamenta. O grupo reage ao circuito tradicional do mercado de arte. vista sem nenhum compromisso crítico perante aos acontecimentos sóciopolíticos. IX Bienal de São Paulo. trata a imagem com a frieza de um industrial. aceito num salão. é ainda hoje. pelo carioca. etc. do espectador. já em 1958. visual. em seguida. seu painel Guevara Vivo ou Morto. . Opinião 66. sociais e éticos. sua produção dos anos 1960.Nova Objetividade Brasileira Exposição realizada em 1967 no MAM_RJ. Depois disso. "foi um dos happenings mais perfeitos que fizemos. Nova Objetividade Brasileira . ressurgimento do conceito de anti-arte. assinavam textos significativos no catálogo. o REX. tátil. é destruído a machadadas. o arranha-céu. o papagaio. pelo grupo paulista. símbolos sexuais ou sonhos de consumo.

multimeios e instalação. Objetos artesanais e industrializados. que em O Grande Enterro. na 13 RIBEIRO. bienais. cor. resultado da acumulação de trivialidades industrializadas. (. a política repressiva vigente desde o final dos 1960 e durante os 1970 desarticulou os grupos de artistas. 1967). ou então. No Brasil.em uma carta publicada em jornal. destruída pelos alunos antes mesmo da abertura do evento (1971). mas de tiragem infinita. p. de colorido intenso e apelo kitsch. xerox.. a arte conceitual se desenvolve com clara intenção política. Isso explica a recusa à pintura na nova geração. mediante proposições dos artistas para os espectadores. organizada por categorias como procissão sinuosa espalhada pelo espaço expositivo.) A dessacralização da arte aparece em seu percurso como uma das formas de viabilizar a existência da própria arte. Muitas vezes essas expressões críticas se resguardavam na precariedade dos suportes. santos de gesso até animais de plástico.Brasil com a R. foi um dos primeiros a criar múltiplos no país: conceito de peça única. portanto. Nelson Leirner. quais haviam sido os critérios utilizados para a aceitação de seu trabalho como obra de arte: O Porco Empalhado com um presunto pendurado em seu pescoço. nelson trabalha com objetos. Para uma análise da questão da autoria da obra e da autoridade. arte postal . e o gesso dos anjos guardiões na retaguarda. condenando a pintura. e o uso de quaisquer outros meios. da enorme instalação de 5 mil metros de plástico negro na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. é necessário ressaltar que apesar de apropriar-se de imagens e objetos preexistentes. os fetiches de uma marcha triunfal. Em 1965. Alterações e referências satíricas a uma obra considerada marco indiscutível sempre são acompanhadas de 13 manipulações com exclusão e adição de elementos. No Brasil. mas passam a compor em O Grande Desfile. e pela manipulação de ícones da sociedade de consumo. Exemplo flagrante dessa intenção é fornecido pelas três instalações realizadas entre 1984 e 1986. São Paulo: Itaú Cultural: 1999. tudo muito fragmentári e hermético. dispostos com solenidade. as mesmas peças podem repetir-se em momentos diferentes. cabendo ao público dar significados. evocavam senso de humor distanciado da frieza do racionalismo de Duchamp. e galerias. que para ele se situava muito aquém das possibilidades criativas do artista. textura e sensibilidade. Dessa forma. a ausência de sensações e emoções nas obras. In: POR que Duchamp?. em O Grande Combate. quer pela ingênua aspiração ao pseudo-requinte. confundidas com mercadoria de ambulantes. que não os convencionais: ready mades. num questionamento à aura sagrada da obra única. ou dos "outdoors" espalhados pelas ruas da cidade confundidos com cartazes publicitários de uma escola de arte (Aprendendo colorindo gozar a cor. meios tecnológicos. off-set. Na verdade. excluídos dos salões. afirmava que a arte foi reduzida à matéria. transformam-se em épico com bombardeios plásticos na vanguarda. 1986. 1968). e apreendidas por fiscais (Bandeiras na Praça. o início da década é de calmaria: substituise a agitação por reflexão e razão. Cada um dos objetos escolhidos o foi por estar investido de carga emocional. Leirner não tem interesse no silêncio e na neutralidade dos readymades originais. Ocorre nessa época a revitalização do pensamento de Duchamp. como o off-set e o xerox. As naturezas dos meios anartísticos e a possibilidade de fácil reprodutibilidade e a sua rede quase clandestina de distribuição permitiram em nosso país a expressão de uma arte fortemente crítica ao regime militar. configurando uma situação de xeque-mate.performances. na sua grande capacidade de reprodução. Maria Isabel Branco. do gesto eleitor do artista. desenho. Há o episódio das bandeiras estendidas na esquina da Av. mas criadoresoperadores. Absorvendo as atitudes e os processos típicos da internacionalização da arte pop. CAPÍTULO 6 . viraram integrantes de cortejo compungido. quer pela alusão à piedade religiosa (entendida no sentido mais ecumênico possível). insetos de borracha.. a arte como idéia materializada através de meios anartísticos . com predileção pela apropriação de materiais e técnicas industriais. 1984. novas tecnologias.Arte Conceitual A década de 1970 se caracteriza pela expansão da arte conceitual. 60-61. os artistas não são fazedores de arte. como no Leste europeu e América latina. Para ele a arte é um gesto resultante de um pensar. . Augusta. numa arte que é sobretudo idéia e que se relaciona com o público de forma bem diferente que na década anterior: participação de ordem conceitual ou mental. 1985. o que não seria possível com os meios convencionais da pintura e da escultura. pelo sentido lúdico ou pelo realismo caricato. “a idéia foi reduzida ao tubo de tinta e a contemplação à sensação”. brinquedos baratos. reunindo centenas de objetos que iam desde anões de jardim. carimbos.

mas permanece em sua fruição plena como recordação. impondo o vermelho como exigência inelutável à percepção. em 1978. marco entre os eventos de arte e tecnologia. caracterizando-se em uma videoinstalação. Surgem vários grupos envolvidos com arte como processo experimental dirigida por conceitos. Vídeo arte Os primeiros artistas da videoarte vieram do Grupo Fluxus. ele reafirmou seu compromisso com o público e não com o mercado de arte. como treinamento em empresas ou televisão. evitar o triunfo das certezas institucionais a produzirem o mundo como um encadeamento sucessivo de causas e efeitos. Seu trabalho simboliza o máximo grau atingido pela relação aberta entre linguagem e interação. o que ocorreu aos poucos na década de 1970.. afinal: uma pia. Só em 1974.instabilidade de meios eletrônicos de imagens não analógicas codificadas em sinais e sempre reproduzíveis. foi fundamental para a consolidação da videoarte no Brasil. Sua abertura faz com que esta modalidade se situe facilmente na produção artística contemporânea. organizada por Waldemar Cordeiro. em São Paulo.. Permite grande possibilidade de suportes e possibilidades. verte incontinente do frasco. que a intensa produção de Cildo Meireles. os grupos como a Escola Brasil e grupo do On-Off.. o espaço N.) Talvez a resolução estivesse na etapa seguinte. por exemplo. No entanto. pode integrar recursos de multimeios. calculados simulacros de normalidade. Instalação A Instalação é um fazer artístico dos mais relevantes no século XX e XXI.O (Nervo Óptico). ainda em andamento. Assim. se materializa de forma definitiva apenas na memória. o empenho de Walter Zanini. no Entorno. de meios e fins. talvez se acredite estar livre desta incômoda normalidade. Daí o primeiro trabalho de Impregnação. As características das Instalações da década de 70. Embora já bastante discutida. É passageira. Falso. de Hélio Oiticica. O museu adquiriu um portapack colocado à disposição de um grupo cada vez mais extenso: Regina Silveira. que tem como característica o questionamento do próprio espaço e do tempo.. dispondo de um portapack (equipamento de filmagem em preto-e-branco da Sony). Nessa arte de novas tecnologias. e não suportes eletrônicos. se o sujeito não estivesse completamente imerso na escuridão. Desvio . agora devidamente controlado num pequeno frasco. coordenou uma representação brasileira na exposição Vídeo Art. da Universidade da Pensilvânia. O Fluxus viu a possibilidade de criar uma “contra-televisão”. em João Pessoa. como vídeos. em Porto Alegree o Núcleo de Arte Contemporânea. tem frágil definição: essencialmente. (. Cada uma das etapas é um esforço rigoroso para evitar o reconhecimento do sujeito num real concebido como espelho. o vídeo era apenas para fins comerciais.constituem. a explicação. com seu contínuo jorro vermelho. ou arte e computador. se aquela pia. O sentido de tempo. onde esta fruição se dá de forma imediata ao apreciar a obra in loco. (.) Logo a seguir.. Carmela Gross. descobriu-se aqui a origem daquele fluir . contando com a participação dos artistas do Rio de Janeiro como Ana Bella Geiger Machado e Fernando Cocchiarale que. entre outros. é a construção de uma verdade espacial em lugar e tempo determinado. ampliou seu campo criativo ao inserir instalação. Júlio Plaza. Artur Barrio e Cildo Meireles. no caso da arte postal. no final da década de 1960. A presença do audiovisual ocorria desde o fim da década anterior. impulsionada pelo experimentalismo do Cinema Novo. assinala-se a primeira exposição internacional de arte eônica. tais como a ênfase às questões conceituais e perceptivas e a neutralidade marcadas pelo racionalismo da Arte Conceitual são observadas nos trabalhos de Carlos Alberto Fajardo. ano em que o Institute of Contemporary Art. ou propostas conceituais mergulhadas na rede internacional de milhares de usuários do sistema mundial de correios. subvertendo seu uso. mas como locais de exposição e discussão sobre a arte atual. a um só tempo expondo e recolhendo a normalidade. videoarte. O que seria muito verossímil. objeto e tecnologia. No Brasil. em 1971. Esses três registros através dos quais foi pensado o Desvio para o Vermelho Impregnação. Entorno. talvez se acredite já haver detectado o elemento desviante. Nos anos seguintes. um fluxo absurdamente maior do que a capacidade do recipiente. onde o sujeito inutilmente desperdiça seus afetos miméticos. como no caso do “Quase-cinema”. diretor do MAC-USP. Vale dizer. conseguiram finalizar seus vídeos e enviá-los à exposição. da década. em São Paulo. as produções utilizavam super-8 ou película cinematográfica. no caso da fruição estética da Instalação é o não-tempo. Além disso. não se consegue demarcar a amplitude do desvio: o vermelho liquefeito. Até então. único . o vídeo enfrentou dificuldades para ser incorporado às artes. não atuam como escolas de Arte. uma torneira.

preocupada em libertar-se de ditames. Como Vai Você.. CAPÍTULO 6 . aliada a abertura política. note-se bem. a Duchamp. e na Bienal .Rio de Janeiro RJ . A obra passa a ser um espetáculo plástico. Há um leque de opções e o artista pode manter sua mentalidade transitória e sem tendências. A pintura se transforma na mídia mais adequada para uma arte que procura ser menos cerebral e recuperar o prazer pelo fazer. que discriminava a pintura. sem deixar a reflexão teórica. indicando que talvez esse espaço não lhe garanta mais nada. Uma renda do nordeste poderia ser tão importante quanto uma pintura clássica. Os antecedentes da crise da pintura remontam. Nuno Ramos. À época. Geração 80? . postais. suas idéias se espalham na década de 1970. Em 1985 realiza mostras no MAC/USP e no MAM/RJ. que a exibe. Holanda e Bélgica. realizam juntos descobertas. 1986. acessado em 21/08/2008 .com. Geração 80? reuniu várias tendências que despontaram no cenário artístico nacional no início da década de 1980. hedonista e narcisista. O grupo tem rápido reconhecimento do mercado e da crítica. No primeiro momento do Pós-Moderno. “Havia uma sensação interna de vitória. objetos do cotidiano adotados como suporte. Queríamos festejar. a vende e legitima. Muito mais do que uma simples volta à pintura. e. convertê-lo em normalidade. Lá. Paulo Monteiro e Rodrigo Andrade ocupam a sétima casa de uma vila do bairro de Cerqueira César. estilos ou relações consagradas na arte. Os artistas voltam-se para uma arte não dogmática. Sônia. com raras exceções. suas idades variavam entre 23 e 25 anos. Neo-Expressionismo na Alemanha. sem a necessidade de falar nas entrelinhas para burlar a censura. Rodrigo fez estudos em Paris e três deles estudaram 14 15 15 SALZSTEIN. Trabalham juntos e discutem intensamente. numa pintura híbrida e contínua: objetos do cotidiano são valorizados e ganham força equivalente a signos da história da arte. realizada na EAV/Parque Lage. formado em filosofia. A produção dessa jovem geração é rapidamente assimilada pelo mercado. Carlito Carvalhosa. revelando que as vanguardas não esgotaram a criatividade das formas tradicionais.O retorno à pintura na década de 1980 Na arte. do ponto de vista do sujeito trata-se de uma situação extremamente lábil: há algo no desvio que pode.pesquisa de novos materiais e técnicas. O retorno do prazer da pintura nos anos 1980 (visto na Transvanguardia na Itália. e as pessoas participavam da democratização brasileira de uma maneira romantizada. A pintura tem novos pressupostos: uso abusivo das cores. a maior liberdade afetiva se reflete na estética da época. com 123 jovens artistas de diversos pontos do país. Cildo Meireles: desvio para o vermelho. como vimos no capítulo anterior. escolas. lêem os mesmos livros. na qual a arte é expressa sob meios como o carimbo. há 14 algo nessa normalidade prestes a tornar-se desvio. tratando de temas como a sexualidade e a vida urbana. Desde os anos 1960 é difícil categorizar a arte. Casa7 Grupo de jovens artistas que dividem um ateliê no número 7 de uma vila em SP. gestualidade. figurativismo e expressionismo. com ênfase no fazer . fax etc.) Mas. importante centro de formação da nova geração. os artistas deixam de citar os grandes temas políticos e assumem o papel de cronistas do cotidiano. com a abertura democrática. Carlito e Fábio eram arquitetos. aproveitar a vida. (. Jovens pintores transitam livremente entre a tradição e fragmentos do mundo. Mesmo cada um com seu próprio caminho. Desde 1982.índice que poderia garantir ao menos a vigência das coordenadas espaciais. há uma volta a aspectos subjetivos e a pintura gira em torno do indivíduo consumista. Para Frederico de Moraes .revistamuseu. holografias.br. explora coisas da sociedade globalizada. não estivesse ligeiramente inclinada. Diretas Já foi o pano de fundo para a arte. Os quadros são impactantes. grandes formatos. os artistas repudiavam as linguagens tradicionais (pintura e escultura). Considerada a primeira avaliação expressiva da produção do período. complementa. 6-7.julho de 1984 A mostra Como Vai Você. e Bad-Paiting nos EUA entre outros) rompe com os limites de recursos da década anterior. pintam e discutem seus trabalhos e história da arte. São Paulo: MAC/USP. um frenesi”. Disponível em http://www. Fábio Miguez. Nuno. p. de um momento a outro. inversamente. evidencia um processo de retomada da pintura em contraposição às vertentes conceituais da década de 1970. freqüentam mostras. vídeo.. mas isso se intensifica com a vitalidade da pintura.

Foi sem dúvida extraído por ela de raízes profundas garimpadas do nosso tempo histórico. LOUZADA. São Paulo: Galeria Camargo Vilaça. porta voz da sua geração. o que faz com que a gestualidade seja quase anulada. o barroco se mantém como dado cultural. Ao invés de referendá-los. 1991. mas é claro que nossa pintura é brasileira'. do Expressionismo-Abstrato de de Kooning. o artista em anula cada uma das referências tão logo as cita: se a cor é viva e alegre como em Matisse. a artista enxerga desde o início a pintura como fato decorativo. aonde as imagens vêm juntas com frases poéticas.(. Panorama das artes plásticas séculos XIX e XX. nota-se um processo 16 MORAIS. Ele foi o mais preparado técnica e intelectualmente da geração 80. Posteriormente. 1984. Resulta de uma viagem da artista ao Japão e reproduz . Frederico. O olhar do espectador é levado a percorrer todas as imagens. dramática. entendendo a 18 arte como uma idéia vigorosa e pessoal. está deslocado e engana motivações saudosistas. São Paulo: J. sobre lonas de grandes dimensões. 1993. porém transformou-se em imagem espelhada. muitas vezes aproveitando imagens neles preexistentes. é uma das artistas brasileiras mais importantes e com maior aceitação no mercado mundial. caracteriza-se pelo trânsito consciente através da história da arte. é assumidamente meio canhestra.. a não ser quando ela aproveita para colorir desenhos já estampados. Leda Catunda . p. Para Beatriz. caracteriza-se por trabalhar com diferentes materiais e suportes que ampliam a tradicional noção de pintura. Courbet. Interessa-se pela profusão da ornamentação barroca e pelos motivos ornamentais na obra de Guignard.) É uma pintura onde a reflexão rastreia plasticamente as tensões que se assentam numa aparente solidez da história. 240. Inicia-se aí um período de exposições e envolvimento com o meio artístico carioca do Parque Lage. Ela pinta sobre suportes absolutamente não convencionais. em sua postura e em seu fazer. passando por Matisse até o automatismo surrealista.(1961) Formada em artes pela FAAP. rendões. Geração 80? Na opinião de Frederico Morais. sendo logo premiados. São Paulo: Itaú Cultural. BARROS. Como pintor. e a mãe costurando todas tardes. se manifesta com o dramatismo dos Expressionistas. Artes plásticas Brasil 1985:seu mercado.com absoluta liberdade . Júlio. onde luzes se acendem. mas identifica em suas pinturas citações de Goya. Deve-se ler essa pintura com olhos de 1987. algo mórbido.) em vez de telas. mas que se dá como uma nova percepção dos fenômenos e dos 17 significados da criação e da expressão da arte. toalhas de banho. Atualmente. Leonilson (1957-1993) . vive na Europa antes de fixar-se no Rio.o clima claustrofóbico das multidões do metrô de Tóquio. que confessa não saber desenhar uma pessoa. Sua obra assemelha-se a um diário íntimo. Um dos trabalhos mais provocativos é o das cabeleiras. faz opção por uma pintura de caráter decididamente bidimensional. transformados em telhados de casinhas. edredons. A originalidade de Leda está em seus materiais.. Beatriz Milhazes. Na maioria dos trabalhos.estuda pintura no Parque Lage e participa da exposição Como Vai Você. como se pode comprovar por seus ensaios e entrevistas publicados na revista Módulo. acompanhando a exuberância gráfica e cromática em seus quadros. por sua vez. em simulacro que adentra e reforça o redemoinho das estruturas construtivas da obra.Distingue-se pela mescla entre referências da história da arte e referências pessoais.. (. 17 18 . Mistura Bispo do Rosário e a fase clínica de Lygia Clark com a literatura de cordel. Stella Teixeira de. cubismo. Louzada. cuja força conta mais que a execução. seus leilões. afirmam que o Brasil entra em sua pintura pelo avesso: 'Não temos nenhuma preocupação em nos afirmarmos 16 brasileiros. nas obras a partir de 1988. p. mas apenas como memória arquetípica. [5-6]. entre representação e ornamentalismo. depreende-se uma idéia de prazer. a imagética religiosa. Nos primeiros trabalhos. prepara imagens sobre plástico que são aplicadas na tela por decalque. há uma barraca de praia. Como emoção. Jorge Guinle (1947 –1987) – Nascido na alta classe. Começam a se apresentar isoladamente. Principais artistas Beatriz Milhazes (1960) .gravura com Sérgio Fingerman.. A figuração de Leda. do grafitista Basquiat. quando se descobre portador de HIV. Os cinco. cabeleiras postiças e até babadinhos de capa de liquidificador. em salões. aproximando-se de artistas como Matisse. Uma composição em negro. Suas obras da década de 1980 revelam uma tensão entre figura e fundo. Aracy Amaral filia-os ao neo-expressionismo alemão. o couro de poltronas desmontadas.

parafina. relação direta com a história da arte e com o universo das imagens. pó de ferro. Ainda em plena atividade. No início. desafiando as classificações habituais. inspirada no quadro A Avenida. Daniel Senise (1955) – Aluno e depois professor do Parque Lage. Interpelam criticamente também o mercado e o sistema de validação da arte. traçando uma imensa arena cultural onde ficam expostos os conflitos. trabalhando atualmente com grandes instalações. diz ele. Não paginado. linhaça. As pinturas de Senise estabelecem. KLABIN. às vezes irônico. ávido pesquisador do uso de diversos materiais. abrindo-se a experiências culturais díspares. Vanda Mangia. As obras articulam diferentes linguagens . No quadro São Sebastião (1991).dança. apesar de distintas.de introversão. música. através do deslocamento constante desses elementos. 19 20 CHAIMOVICH. das novas mídias e tecnologias e de variados atores sociais que aliam política e subjetividade (negros. que comentam a perspectiva da paisagem. Nestas superfícies receptivas a tantos e tantos sentidos. papel. que ocupam a tela em que o artista revela e oculta imagens do cotidiano não facilmente identificados. mulheres. Leonilson. reorganizando e traduzindo certas vivências pictórica e plasticamente. 2000. objetos de chumbo. homossexuais etc.É como se o autor estivesse construindo uma linguagem de iniciados.explode os enquadramentos sociais e artísticos do modernismo. como folhas de um diário de vida. As obras apresentar-se-iam. Geração 80? e desde então faz importantes exposições nacionais e internacionais. sobre o piso. participa de Como Vai Você. assim. sal. colocando em questão o caráter das representações artísticas e a própria definição de arte. o que os afasta.Panorama Contemporâneo A cena contemporânea . Seu discurso quer lembrar o espectador de que o sentido original da obra não deve ser buscado além de tal domínio. enfim.cria uma mistura densa graças à livre disposição de seus elementos constitutivos. A partir da metade da déc. partilham um espírito comum: são. Esta conjugação de elementos difusos forma uma espécie de poema sinfônico contemporâneo de harmonias dissonantes com rápidas alterações de ritmos. em obras como Altivez na Velocidade (1997). . de 1980. 'O jeito de se salvar é se voltar para si mesmo'. A paisagem e a perspectiva são também temas. algumas obras apresentam superfícies densamente trabalhadas enquanto outras possuem camadas de tinta quase etéreas. mas sempre intimista. CAPÍTULO 7 . O trabalho resulta numa espécie de campo ativo. O quadro é então retrabalhado. e incorpora também resquícios de telas anteriores. breu . esmalte sintético. Ao comentar sua própria obra. Suas imagens abrem-se a um vasto campo de experiências e evocações materiais e poéticas. a figura não é mais tão determinante e em muitos trabalhos prepara a tela com pigmentos e a estende. Rio de Janeiro. objetos de uso cotidiano. ao ser retirada do chão. mármore. 1998. pano.que se esboça a partir de um mercado internacionalizado. diz ele. do holandês Hobbema. Apresentação ao catálogo Nuno Ramos.Um dos participantes do Casa 7. corda. terebentina. feltro. teatro. Nuno trabalha com situações de tensão absoluta entre matérias diversas. p 6. pintura. Felipe. à natureza. incompatibilidades e oposições. díptico no qual insere objetos de madeira sobre a tela. 'O que a gente procura está dentro de nós'. sendo às vezes melancólico. Middelharnis. retém na superfície a marca das rugosidades do piso. trespassado de flechas. literatura etc. o que os determina. cera. que não visasse à expressão de vivências universais. sem 20 qualquer centro tonal ou estruturas temáticas. Irrompe-se um espírito romântico que faz uso do bordado para dar matéria ao desenho. escultura.) . cada qual a seu modo. Leonilson descrevia um 19 movimento de isolamento como busca da autenticidade Nuno Ramos (1960) . experiências multidirecionadas. então. vidro. tentativas de dirigir a arte às coisas do mundo. produz obras com formas volumosas. São Paulo: Galeria Thomas Cohn. 'O mundo exterior não existe'. lâmina de alumínio. assim. à realidade urbana e ao mundo da tecnologia. é um dos grandes nomes na arte contemporânea. a corda crivada de pregos é empregada como símbolo do santo. sugerindo uma busca descontínua que progride por dificuldades. As novas orientações artísticas. A complexa utilização dos mais diversos materiais . ficamos sem saber precisar o que os retém. Incorporando à tela a rugosidade do piso. vaselina. Leonilson insiste em remetê-la ao registro de sua vivência privada. o que os amalgama. barro. Suas obras revelam-se.

pessoal e quantas outras houver. devido às novas realidades políticas que provocam um fluxo geográfico internacional. Kátia. entre as décadas de 1990 e 2000 (guardada a facilidade atenuante do maior acesso à informação. 22 21 22 FARIAS. mas incorporadas na busca de um sentido. nenhuma teoria havia sido escrita e ainda não se sabiam quais dos inúmeros pintores que trabalhavam naquele tempo passariam à história. da obra para o autor. econômica. A arte atual é feita por artistas que buscam sentido. cujas obras em construção confirmam a sensação de uma crise aguda ou mesmo do fim da arte moderna. Obras que se opõem ao projeto de uma linguagem universal e da busca metódica da novidade pela ruptura. O mesmo ocorre com quem procura falar da arte realizada nos últimos anos. Agnaldo. porém. mais difícil se torna distinguir vogas passageiras de obras que farão história. a afetividade. agora é instável. É como se o início do século fizesse uma síntese e uma aglutinação das grandes preocupações dos artistas do século XX: a forma.16. formando narrativas desconstruídas. preferindo abandonar os suportes convencionais --pintura.em favor de manifestações híbridas. tanto nas preocupações formais que recendem a modernismo como também na discussão das realidades política. por exemplo. para os da segunda cinquentena. do debate sobre o problema da imagem na vida atual à especulação 21 sobre o corpo e suas pulsões etc. cultural. não com o propósito de negação da tradição inerente às vanguardas. Porém. O que se pode fazer é documentar e analisar os acontecimentos mais recentes e as figuras que se destacam na época em que se escreve. tomamos como fio condutor o barroco: este se apresenta diferentemente em suas manifestações em cada país ou mesmo em cada pintor individualmente. a identidade. fazendo com que os deslocamentos humanos instaurem uma nova noção de identidade e de nacionalidade. A base conceitual está fortemente presente e permeia toda a produção recente. é substituída pela atitude de busca de reconhecimento. quando falamos. porém com a dificuldade agravante da multiplicidade e da efemeridade de tendências): quanto mais próximos estamos da realização artística. Sabemos que características são essas. A relação tempo e espaço. afeta nossa capacidade de lidar com a memória. nas narrativas. Porém. Transfere-se o alvo das preocupações da produção para o produtor. mas a discussão filosófica ou política é dividida com outros focos: Finalmente. CANTON. A busca pela originalidade. tornando-se muitas vezes excessivos. e o conceito. tal qual um hipertexto. escultura etc. Canton lança um olhar sobre a geração de artistas brasileiros atuantes de fim/começo de século em meio a uma sociedade tecnológica em que a virtualização produz uma profunda modificação na maneira como as pessoas se relacionam. das que criticam a idéia de autonomia da arte.As narrativas voltam a ser permeadas de conceitualidade: a idéia sobrepuja os objetos como na década de 1970. São Paulo: Publifolha. que irrompem numa miríade de poéticas originárias das mais diversas matrizes: das que mergulham em referências históricas e pessoais àquelas que parodiam a própria arte e o círculo na qual ela está enredada. São Paulo: Editora Iluminuras. espécies de radares de seu próprio momento histórico.-. e os artistas incorporam e comentam a vida em suas grandezas e pequenezas. fragmentadas e múltiplas em seus sentidos. sobre a pintura no século XVII na arte ocidental. do barroco mineiro à arte popular. ecológica. às aparências e à "atitude" fazem do corpo um campo de experimentações futurísticas. 2002 p. É na figuração. em seus potenciais de estranhamento e em suas banalidades. a memória torna-se um bem maior e a importância dada à moda. um pesquisador que vivesse na época teria imensas dificuldades em traçar um panorama: o termo barroco não havia ainda sido cunhado. mas algumas características manterão a coesão. quais os pintores mais importantes e dispomos de vasta bibliografia para pesquisa. buscando outras fontes. Este cenário. que antes obedecia a uma proporcionalidade. em que tanta coisa acontece rápida e simultaneamente. 2000. àquelas que descartam as respeitáveis heranças do neoconcretismo. A arte não mais redime. estão os artistas da década de 90. . que é o que faremos em sala. o corpo. Novísssima Arte Brasileira. para os da primeira metade. que caracterizava a vanguarda modernista do século 20. a herança maior recebida do modernismo – a exploração dos aspectos formais – é elemento fundamental. e esses então passam a ser os grandes assuntos tratados pelos artistas contemporâneos. Arte Brasileira Hoje. Se os estímulos de informação proliferam sem limites temporais ou espaciais. nas imagens ligadas à própria história de vida do artista e às micropolíticas referentes ao mundo em que vive que está o grande foco da arte contemporânea. de celebridade.