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Direito das Obrigações

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  • 1. DIREITO DAS OBRIGAÇÕES
  • 2. IMPORTÂNCIA
  • 3. OBRIGAÇÃO
  • 3.1. Caracteres
  • 3.1.1. Caráter Transitório
  • 3.1.2. Caráter Bilateral
  • 3.1.3. Caráter Econômico
  • 3.1.4. Caráter Pessoal
  • 4. ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DA OBRIGAÇÃO
  • 4.1. Elemento Pessoal ou Subjetivo: Duplo Sujeito
  • 4.1.1. Credor ou Parte Ativa
  • 4.1.2. Devedor ou Parte Passiva
  • 4.2. Elemento Material: Objeto
  • 4.2.1. Caracteres do Objeto
  • 4.2.1.1. Possibilidade do Objeto:
  • 4.2.1.1.1. Impossibilidade material ou física
  • 4.2.1.1.2. Impossibilidade Jurídica ou legal:
  • 4.2.1.2. Licitude do Objeto:
  • 4.2.1.3. Determinação do Objeto:
  • 4.2.1.4. Apreciação Econômica:
  • 4.3. Elemento de Conexão: Vínculo Jurídico
  • 4.3.1. Teorias a Respeito do Vínculo Jurídico Obrigacional
  • 4.3.1.1. Teoria Monista
  • 4.3.1.2. Teoria Dualista ou Teoria do Débito e da Responsabilidade
  • 4.3.1.3. Teoria Eclética
  • 5. FONTES DAS OBRIGAÇÕES
  • 5.1. Obrigações no Direito Romano
  • 5.2. Obrigações no Direito Francês
  • 5.3. Obrigações no Direito Italiano
  • 5.4. Obrigações no Direito Brasileiro
  • 5.4.1. Fonte Imediata:
  • 5.4.2. Fonte Mediata
  • 5.4.3. Classificação Analítica
  • 5.4.4. Classificação Sintética
  • a) Negócios Jurídicos:
  • b) Atos Jurídicos Não-negociais:
  • 6. CLASSIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES
  • 6.1. Classificação das Obrigações no Direito Romano
  • 6.2. Classificação das Obrigações no Direito Brasileiro
  • 6.2.1. Obrigação de Não Fazer Geral e Especial
  • 6.3. Classificação Especial das Obrigações
  • 6.3.1. Quanto ao Vínculo
  • 6.3.1.1. Obrigação Civil e Empresarial
  • 6.3.1.2. Obrigação Moral
  • 6.3.1.3. Obrigação Natural
  • 6.3.1.3.1. Caracteres da Obrigação Natural
  • 6.3.1.3.2. Efeitos da Obrigação Natural
  • 6.3.1.3.3. Obrigação Natural no Código Civil
  • 6.3.2. Quanto à Liquidez
  • 6.3.2.1. Obrigação Líquida
  • 6.3.2.2. Obrigação Ilíquida
  • 6.3.3. Quanto ao Modo de Execução
  • 6.3.3.1. Obrigação Simples e Cumulativa (ou Conjunta)
  • 6.3.3.2. Obrigação Alternativa (ou Disjuntiva)
  • 6.3.3.2.1. Características:
  • 6.3.3.2.2. Concentração do Débito
  • 6.3.3.2.3. Conseqüências da Inexequibilidade da Obrigação:
  • a) Inexequibilidade Superveniente decorrente de caso fortuito ou força Maior
  • b) Inexequibilidade por Culpa do Devedor
  • c) Inexequibilidade por Culpa do Credor
  • 6.3.3.3. Obrigação Facultativa
  • 6.3.3.3.1. Conseqüências da Inexequibilidade da Obrigação:
  • a) Inexequibilidade decorrente de caso fortuito ou força maior
  • b) Inexequibilidade por culpa do devedor
  • 6.3.4. Quanto ao Tempo
  • 6.3.4.1. Instantâneas:
  • 6.3.5. Quanto aos Elementos Acidentais
  • 6.3.5.1. Elementos Constitutivos do Negócio Jurídico
  • 6.3.5.1.2. Elementos Naturais:
  • 6.3.5.1.3. Elementos Acidentais:
  • 6.3.5.2. Obrigação Pura e Simples
  • 6.3.5.3. Obrigação Condicional
  • 6.3.5.3.1. Requisitos:
  • a) Evento futuro:
  • b) Evento incerto:
  • 6.3.5.3.2. Geralidades:
  • 6.3.5.4. Obrigação Modal
  • 6.3.5.5. Obrigação a termo
  • 6.3.6. Quanto ao Sujeito
  • 6.3.6.1. Única:
  • 6.3.6.2. Múltipla:
  • 6.3.6.2.1. Obrigações Divisíveis e Indivisíveis
  • a) Espécies de Indivisibilidade:
  • 6.3.6.2.2. Obrigações Solidárias
  • a) Caracteres
  • b) Classificação:
  • b.1. Solidariedade Ativa:
  • b.2) Solidariedade Passiva:
  • b.3) Recíproca ou Mista:
  • c) Princípios da Solidariedade:
  • 6.3.6.2.2.1. Solidariedade Ativa
  • a) Inconveniências:
  • b) Efeitos Jurídicos:
  • 6.3.6.2.2.2. Solidariedade Passiva
  • a) Efeitos Jurídicos:
  • 6.3.7. Quanto ao Conteúdo
  • 6.3.7.1. Obrigação de Meio
  • 6.3.7.2. Obrigação de Resultado
  • 6.3.7.3. Obrigação de Garantia
  • 7. MODALIDADES DAS OBRIGAÇÕES
  • 7.1. Obrigações de Dar
  • 7.1.1. Conteúdo
  • 7.1.2. Do Princípio “aliud pro alio”14
  • 7.1.3. Classificação das Obrigações de Dar
  • 7.1.3.1. Quanto à Propriedade
  • 7.1.3.2. Obrigação de Dar Coisa Certa
  • 7.1.3.2.1. Noção e Compreensão
  • 7.1.3.2.2. Compreensão dos Acessórios
  • 7.1.3.2.3. Da Perda e da Deterioração da Coisa
  • 7.1.3.2.4. Do Direito às Melhorias e Acréscimos
  • 7.1.3.3. Obrigação de Restituir Coisa Certa
  • 7.1.3.3.1. Noção e Compreensão
  • 7.1.3.3.2. Da Perda e da Deterioração da Coisa
  • 7.1.3.3.3. Do Direito às Melhorias e Acréscimos
  • 7.1.3.4. Obrigação de Contribuir
  • 7.1.3.5. Obrigação Pecuniária
  • 7.1.3.5.1. Curso Forçado
  • 7.1.3.5.2. Princípio do Nominalismo
  • 7.1.3.6. Obrigação de Dar Coisa Incerta
  • 7.1.3.6.1. Noção e Compreensão
  • 7.1.3.6.2. Preceitos Legais que Regulam as Obrigações Genéricas:
  • 7.1.3.6.2.1. Gênero Limitado e Ilimitado
  • 7.2. Obrigações de Fazer
  • 7.2.1. Conceito
  • 7.2.2. Diferenças para as Obrigações de Dar
  • 7.2.3. Espécies de Obrigações de Fazer
  • 7.2.4. Pacto de Contrahendo
  • 7.2.5. Consequências do Inadimplemento
  • 7.2.6. Cumprimento In Natura
  • 7.3. Obrigações de Não Fazer
  • 7.3.1. Preceitos Legais

DIREITO DAS OBRIGAÇÕES 1. 2. 3. DIREITO DAS OBRIGAÇÕES.....................................................................................................................4 IMPORTÂNCIA........................................................................

.................................................................5 OBRIGAÇÃO...........................................................................................................................................6 3.1. Caracteres .....................................................................................................................................7 3.1.1. Caráter Transitório. .........................................................................................................7 3.1.2. Caráter Bilateral. .............................................................................................................7 3.1.3. Caráter Econômico. ........................................................................................................8 3.1.4. Caráter Pessoal. .............................................................................................................8 4. ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DA OBRIGAÇÃO. ........................................................................................8 4.1. Elemento Pessoal ou Subjetivo: Duplo Sujeito.........................................................................8 4.1.1. Credor ou Parte Ativa. ....................................................................................................9 4.1.2. Devedor ou Parte Passiva. .............................................................................................9 4.2. Elemento Material: Objeto .........................................................................................................10 4.2.1. Caracteres do Objeto....................................................................................................11 4.2.1.1. Possibilidade do Objeto:...........................................................................................11 4.2.1.1.1. Impossibilidade material ou física. .....................................................................11 4.2.1.1.2. Impossibilidade Jurídica ou legal: ......................................................................11 4.2.1.2. Licitude do Objeto:....................................................................................................12 4.2.1.3. Determinação do Objeto:..........................................................................................12 4.2.1.4. Apreciação Econômica: ............................................................................................13 4.3. Elemento de Conexão: Vínculo Jurídico..................................................................................13 4.3.1. Teorias a Respeito do Vínculo Jurídico Obrigacional...................................................14 4.3.1.1. Teoria Monista. .........................................................................................................14 4.3.1.2. Teoria Dualista ou Teoria do Débito e da Responsabilidade ...................................14 4.3.1.3. Teoria Eclética. .........................................................................................................15 5. FONTES DAS OBRIGAÇÕES. ..................................................................................................................16 5.1. Obrigações no Direito Romano.................................................................................................16 a) Contrato ........................................................................................................................17 b) Quase-contrato .............................................................................................................17 c) Delito .............................................................................................................................17 d) Quase-delito..................................................................................................................17 5.2. Obrigações no Direito Francês. ................................................................................................17 5.3. Obrigações no Direito Italiano...................................................................................................17 5.4. Obrigações no Direito Brasileiro. .............................................................................................18 5.4.1. Fonte Imediata: .............................................................................................................18 5.4.2. Fonte Mediata ...............................................................................................................19 5.4.3. Classificação Analítica ..................................................................................................19 5.4.4. Classificação Sintética. .................................................................................................20 a) Negócios Jurídicos: ...............................................................................................................20 b) Atos Jurídicos Não-negociais:...............................................................................................20 6. CLASSIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES.......................................................................................................21 6.1. Classificação das Obrigações no Direito Romano. ................................................................21 a) Dare: .............................................................................................................................21 b) Facere: ..........................................................................................................................21 c) Praestare.......................................................................................................................21 6.2. Classificação das Obrigações no Direito Brasileiro. ..............................................................21 6.2.1. Obrigação de Não Fazer Geral e Especial. ..................................................................22 6.3. Classificação Especial das Obrigações ...................................................................................22 6.3.1. Quanto ao Vínculo. .......................................................................................................23 6.3.1.1. Obrigação Civil e Empresarial. .................................................................................23 6.3.1.2. Obrigação Moral. ......................................................................................................23 6.3.1.3. Obrigação Natural.....................................................................................................24 6.3.1.3.1. Caracteres da Obrigação Natural.......................................................................24 6.3.1.3.2. Efeitos da Obrigação Natural. ............................................................................25 6.3.1.3.3. Obrigação Natural no Código Civil. ....................................................................25 6.3.2. Quanto à Liquidez. ........................................................................................................26 6.3.2.1. Obrigação Líquida ....................................................................................................26 6.3.2.2. Obrigação Ilíquida. ...................................................................................................27 6.3.3. Quanto ao Modo de Execução. ....................................................................................27 6.3.3.1. Obrigação Simples e Cumulativa (ou Conjunta) ......................................................27 6.3.3.1.1. Simples ...............................................................................................................27 6.3.3.1.2. Cumulativas: .......................................................................................................27 6.3.3.2. Obrigação Alternativa (ou Disjuntiva) .......................................................................27

6.3.3.2.1. Características:...................................................................................................27 6.3.3.2.2. Concentração do Débito.....................................................................................27 6.3.3.2.3. Conseqüências da Inexequibilidade da Obrigação: ...........................................28 a) Inexequibilidade Superveniente decorrente de caso fortuito ou força Maior. ....28 b) Inexequibilidade por Culpa do Devedor .............................................................29 c) Inexequibilidade por Culpa do Credor................................................................29 6.3.3.3. Obrigação Facultativa. ..................................................................................................30 6.3.3.3.1. Conseqüências da Inexequibilidade da Obrigação: ...........................................30 a) Inexequibilidade decorrente de caso fortuito ou força maior. ...............................30 b) Inexequibilidade por culpa do devedor..................................................................30 6.3.4. Quanto ao Tempo. ........................................................................................................30 6.3.4.1. Instantâneas: ......................................................................................................30 6.3.4.2. Periódicas ...........................................................................................................30 6.3.5. Quanto aos Elementos Acidentais................................................................................31 6.3.5.1. Elementos Constitutivos do Negócio Jurídico ..........................................................31 6.3.5.1.1. Elementos Essenciais ........................................................................................31 6.3.5.1.2. Elementos Naturais: ...........................................................................................31 6.3.5.1.3. Elementos Acidentais: ........................................................................................31 6.3.5.2. Obrigação Pura e Simples........................................................................................32 6.3.5.3. Obrigação Condicional. ............................................................................................32 6.3.5.3.1. Requisitos: ..........................................................................................................32 a) Evento futuro: ........................................................................................................32 b) Evento incerto:.......................................................................................................32 6.3.5.3.2. Geralidades: .......................................................................................................32 6.3.5.4. Obrigação Modal. .....................................................................................................33 6.3.5.5. Obrigação a termo. ...................................................................................................33 6.3.6. Quanto ao Sujeito .........................................................................................................34 6.3.6.1. Única:........................................................................................................................34 6.3.6.2. Múltipla: ....................................................................................................................34 6.3.6.2.1. Obrigações Divisíveis e Indivisíveis. ..................................................................35 Obrigações divisíveis .....................................................................................................35 Obrigações Indivisíveis ..................................................................................................35 a) Espécies de Indivisibilidade: .....................................................................................36 6.3.6.2.2. Obrigações Solidárias. .......................................................................................36 a) Caracteres .............................................................................................................36 b) Classificação:.........................................................................................................37 b.1. Solidariedade Ativa:.................................................................................................37 b.2) Solidariedade Passiva:............................................................................................37 b.3) Recíproca ou Mista:.................................................................................................37 c) Princípios da Solidariedade:..................................................................................37 6.3.6.2.2.1. Solidariedade Ativa. ....................................................................................37 a) Inconveniências:..................................................................................................37 b) Efeitos Jurídicos:.................................................................................................38 6.3.6.2.2.2. Solidariedade Passiva.................................................................................38 a) Efeitos Jurídicos:.................................................................................................39 6.3.7. Quanto ao Conteúdo.....................................................................................................39 6.3.7.1. Obrigação de Meio. ..................................................................................................39 6.3.7.2. Obrigação de Resultado...........................................................................................39 6.3.7.3. Obrigação de Garantia. ............................................................................................39 7. MODALIDADES DAS OBRIGAÇÕES .........................................................................................................40 7.1. Obrigações de Dar......................................................................................................................40 7.1.1. Conteúdo.......................................................................................................................40 7.1.2. Do Princípio “aliud pro alio”...........................................................................................41 7.1.3. Classificação das Obrigações de Dar...........................................................................42 7.1.3.1. Quanto à Propriedade. .............................................................................................42 7.1.3.2. Obrigação de Dar Coisa Certa. ................................................................................43 7.1.3.2.1. Noção e Compreensão.......................................................................................43 7.1.3.2.2. Compreensão dos Acessórios. ..........................................................................44 7.1.3.2.3. Da Perda e da Deterioração da Coisa. ..............................................................44 7.1.3.2.4. Do Direito às Melhorias e Acréscimos. ..............................................................46 7.1.3.3. Obrigação de Restituir Coisa Certa..........................................................................46 7.1.3.3.1. Noção e Compreensão.......................................................................................46 7.1.3.3.2. Da Perda e da Deterioração da Coisa. ..............................................................47 7.1.3.3.3. Do Direito às Melhorias e Acréscimos. ..............................................................48 7.1.3.4. Obrigação de Contribuir. ..........................................................................................49

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7.2.

7.3.

7.1.3.5. Obrigação Pecuniária. ..............................................................................................50 7.1.3.5.1. Curso Forçado. ...................................................................................................51 7.1.3.5.2. Princípio do Nominalismo...................................................................................51 7.1.3.6. Obrigação de Dar Coisa Incerta. ..............................................................................52 7.1.3.6.1. Noção e Compreensão.......................................................................................52 7.1.3.6.2. Preceitos Legais que Regulam as Obrigações Genéricas:................................53 7.1.3.6.2.1. Gênero Limitado e Ilimitado. .......................................................................55 Obrigações de Fazer. .................................................................................................................56 7.2.1. Conceito..............................................................................................................................56 7.2.2. Diferenças para as Obrigações de Dar. .............................................................................56 7.2.3. Espécies de Obrigações de Fazer. ....................................................................................58 7.2.4. Pacto de Contrahendo........................................................................................................58 7.2.5. Consequências do Inadimplemento. ..................................................................................58 7.2.6.Cumprimento In Natura. ......................................................................................................60 Obrigações de Não Fazer..........................................................................................................60 7.3.1. Preceitos Legais. ................................................................................................................62

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seja qual for sua natureza. ou. na ordem civil. O estudo do Direito das Obrigações. verificamos que toda pessoa é capaz não apenas de direitos. têm um sentido mais restrito. que têm por objeto prestações de um sujeito em relação a outro”. natural ou jurídica como sendo. como antítese natural”. 233. Resulta concluir que a todo direito corresponde uma obrigação. Em uma primeira análise é possível verificar que o homem pode relacionar-se apenas com um objeto. Maria Helena – Curso de Direito Civil Brasileiro – Vol. Assim diziam os romanos: ius et obligatio sunt correlata. encerra sempre uma idéia de obrigação. desse modo. 4 . Cuidou-se a seguir das classes de bens. perecer ou modificar os direitos. No estudo do negócio jurídico sedimentou-se a idéia de relação jurídica que. DIREITO DAS OBRIGAÇÕES. cuidando de normatizar as relações obrigacionais decorrentes de declarações de vontade emitidas por pessoas entre si. A obrigação é. 03 – Saraiva . relaciona as pessoas e os objetos.1. como também de direitos. se assentam os direitos da pessoa. seguindo a orientação do Código Civil disciplinadas a partir do art. no mais das vezes. pela vontade humana. Na ordem do estudo do Direito Civil viu-se em primeiro lugar a pessoa. e em especial estabelece vínculos entre estas pessoas e os seus respectivos direitos. 1º do Código Civil. um dever.2008 Diniz. o oposto natural do direito. (direito e obrigação são correlatos). Washington de Barros – Curso de Direito Civil – Vol. 02 – Pág. No dizer de Washigton de Barros Monteiro1 “todo direito. na forma do art. 04 – pág. como preferem alguns autores a irradiação do direito para o mundo. sendo estes sobre os quais. Retornando á redação do art. 1º do Código Civil. capaz de direitos e deveres na ordem civil. Maria Helena Diniz2 afirma que “o direito das obrigações consiste num complexo de normas que regem as relações jurídicas de ordem patrimonial. naturais ou humanas que faziam nascer. Logo a seguir tratamos das circunstâncias. 03 – Saraiva – 2003. tendo-o como seu e dele extraindo o proveito 1 2 Monteiro.

A obriga-se quanto ao pagamento do valor correspondente ao serviço prestado ao passo em que B obriga-se a prestar o trabalho. De outro lado está aquele que. Orlando – Obrigações – pág. transmitindo a propriedade ou o uso das coisas ou então realizando serviços que lhe permitam fruir de seus próprios. pois é a partir desses vínculos que ocorre a circulação de riquezas e a distribuição da renda.que lhe interesse. mas para poder aproveitar-se de atos alheios. Nasce aí a relação jurídica entre pessoas. 3 Gomes. Como se disse. em que a reunião de pessoas. sendo ao mesmo tempo credores e devedores. para a satisfação de seus interesses não bastará ao homem a utilização direta dos seus bens. havida a manifestação de vontade. sem que necessite estabelecer relações negociais com outras pessoas. B obriga-se ao pagamento do valor correspondente. o homem. as relações jurídicas obrigacionais são a base da economia. para dispor de seus bens não precisa da intervenção de terceiros. é indispensável que alguém os realize. A contrata B para realizar um trabalho de plantio de sementes na sua propriedade. nasce a obrigação quanto ao cumprimento da prestação. É a essência da atividade econômica que remonta aos tempos mais longínquos. Ou seja. 5 . necessita ele que também outras pessoas realizem atos que de algum modo atendam aos interesses deste e pelos quais de algum modo este deverá dar a devida contraprestação. não possuindo bens é dotado de talentos ou capacidade para auxiliar a outro na fruição de seus bens. Porém. o momento em que se estabelecem vínculos recíprocos de obrigações. 06 – Forense – 2007. Relaciona-se com a própria idéia de sociedade. 2. que se realiza pela disposição das coisas e do aproveitamento de serviços3. cada qual cumprindo o seu papel naquele contexto faz resultar um meio mais adequado às necessidades de cada um e a todos os seus membros. Ambos têm a um só tempo obrigações recíprocas. Ou seja. Em uma relação de direito. Veja-se que no exemplo na medida em que B se compromete a cumprir uma tarefa. IMPORTÂNCIA.

se incumba de dotar o direito de instrumentos legais capazes de regular essas relações de modo a fomentar o estabelecimento destas na medida em que confere segurança às partes envolvidas quanto à satisfação de seus créditos. fazer ou não fazer alguma coisa economicamente apreciável. Não há dúvida que a economia tem como fundamento a confiança. como o nascimento dos títulos de crédito. Segundo Clóvis Beviláqua “obrigação é a relação transitória de direito. no cumprimento de seu dever precípuo que é estabelecer a ordem social. Deriva do latim credere que significa acreditar. que. o devedor inadimplente tornava-se escravo de seu credor. mediante o império da lei o direito e as ferramentas necessárias para lhe fazer cumprir. O direito das obrigações se apresenta como atividade estatal essencial para a realização das relações jurídicas e por conseguinte da atividade econômica. dar crédito significa confiar.Tendo essa importância para a sociedade. ou de alguém conosco juridicamente relacionado. 3. adquiriu o direito de exigir de nós essa ação ou omissão”. tudo como forma garantir segurança às relações comerciais. Assim. OBRIGAÇÃO. tendo o credor. em aproveitamento de alguém. O crédito na relação obrigacional assenta. Portanto. ou em virtude da lei. essencial que o estado. 6 . Durante o mercantilismo na Europa do cuidado do homem com a relação obrigacional levou ao surgimento de várias figuras societárias até hoje utilizadas. se a relação jurídica é a essência da economia. manifestada a vontade obriga-se o agente ao seu cumprimento. como também na existência de mecanismos jurídicos de garantia que se prestam a cingir este a cumprir com a vontade manifestada. por ato nosso. Tendo a obrigação uma relação de débito e crédito. que nos constrange a dar. não somente no caráter pessoal da pessoa do creditado. O vocábulo confiança tem como sinônimo crédito. o direito as obrigações é o esteio da economia. Em Roma. Desde há muito o homem preocupa-se com o vínculo obrigacional.

como também lhe é conferido o instituto da prescrição.2. estabelecida entre credor e devedor e cujo objeto consiste numa prestação pessoal. 4 5 Washington de Barros Monteiro – Ob. proveniente verbo solvere: desatar. Não existem obrigações perpétuas. econômica. Desse modo toda obrigação está fadada a extinção no menor ou maior espaço de tempo. positiva ou negativa.1. Gomes. 16. Washington de Barros Monteiro4 define a obrigação como “relação jurídica de caráter transitório. Cit. Caracteres. pois vincula credor e devedor. garantindo-lhe o adimplemento através de seu patrimônio” Orlando Gomes5 prefere a simplicidade do conceito romano: “Obligatio est juris vinculum. quo necesitae adstringimur alicujus solvendae rei”. Caráter Bilateral. trata a obrigação como relação unilateral.1. casa qual ocupando um dos pólos opostos da relação jurídica. Toda obrigação é bilateral.1. porque assim como ao credor é assegurado o direito de exigir o cumprimento da obrigação. 3.Ob. A obrigação tem caráter transitório. ou seja. soltar. O conceito adotado por Orlando Gomes peca pela omissão do caráter de transitoriedade a que se referiram Clóvis e Monteiro 3. Cit. 08.A crítica que se faz à definição de Clóvis é a ausência da responsabilidade correlata. Daí porque ao devedor são conferidos meios de obrigar o credor ao recebimento. – Pág. ao devedor é garantido o direito ao seu pagamento. com a satisfação do crédito. em vernáculo: “Obrigação é vínculo jurídico em virtude do qual uma pessoa fica adstrita a satisfazer uma prestação em proveito da outra”. daí porque o caráter transitório Afirmam os autores que a obligatio tem como contraponto obrigatório a solutio. devida pelo primeiro ao segundo. pois cumprida a prestação. 7 . Orlando . Caráter Transitório. 3.1. – Pág. encerrase a relação jurídica.

a pretensão ou o poder do credor assenta sobre o bem. ausente um. credor e devedor. Não se confunde com direito real porque a obrigação não assenta sobre o patrimônio do devedor. a obrigação manterá seu caráter pessoal. não haverá relação obrigacional. Ainda que ao exigir o cumprimento da obrigação o credor requeira e o juiz defira a constrição de bens do devedor. De modo que. como dizia Clóvis. Tendo a obrigação caráter pessoal. Caráter Econômico. ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DA OBRIGAÇÃO. 4. ao credor somente cabe pretender a solução da pessoa obrigada ou daquela que sub-rogar-se na obrigação. Elemento Pessoal ou Subjetivo: Duplo Sujeito Toda obrigação é bilateral. Também nos casos de garantia real a obrigação manterá se caráter pessoal. Quanto à prestação ela poderá ser positiva (dar e fazer) ou negativa (não fazer). Obrigação tem caráter econômico.3. Sem qualquer deles a relação obrigacional não existirá 4. pois encerra sempre a idéia de que o bem jurídico tutelado pelo direito das obrigações compreende aquilo que é economicamente apreciável. 8 . assitindo-lhe o direito de exigi-lo contra qualquer pessoa que o detenha.1.4. imprescindível a existência da obrigação sem que ali estejam presentes duas partes ocupando pólos opostos da relação.Obrigação constitui-se em um binômio. Nos direitos reais. por meio do objeto. pois esta garantia é meramente substitutiva à obrigação principal. portanto. Caráter Pessoal. A caracterização de uma relação jurídica obrigacional exige a presença concorrente de vários elementos. mas quando ao dever deste em entregar o objeto ao credor. entendido como uma relação de dois elementos. 3. pis relaciona as pessoas.1.1. 3. Obrigação é direito pessoal.

ou seja. Credor é a pessoa que tem o direito de exigir o cumprimento da obrigação. ao tempo da manifestação de vontade. De um lado está a parte ativa da relação. ou seja. dívida. cada um ocupando um dos pólos da relação jurídica obrigacional. toda pessoa é capaz para ocupar o pólo ativo da relação obrigacional. maior. Credor ou Parte Ativa.: promessa de recompensa.1. aquela de quem o credor poderá exigir o cumprimento da vontade manifestada.2. Na forma do art.1. duplo sujeito. de direito interno ou externo poderão ocupar o pólo ativo da relação. nacional ou estrangeiro. passando esta a ocupar o pólo ativo com os mesmos direitos do credor primitivo. Sendo assim. capaz ou incapaz. casado ou solteiro. O pólo ativo pode ser individual ou coletivo. que poderá ser identificado somente quando da quitação (ex. 1º do Código Civil. Trata-se da pessoa obrigada. menor. sorteio).1. a fim de liberar-se da obrigação consigná-la em juízo. toda pessoa é capaz de direitos. pois a obrigação poderá ser transferida de uma pessoa para outra. eventuais exceções oponíveis ao credor originário podem não acompanhar a obrigação. Todavia.A Obrigação requer. sujeição. Devedor ou Parte Passiva. o credor. 9 . neste caso. Poderá ser pessoa determinada ou determinável. o devedor. Nos casos em que não se puder determinar quem é o credor ao tempo do cumprimento da obrigação. 4. A palavra devedor deriva do latim debitor que designa carga. Também a pessoa jurídica pública ou privada. assiste ao devedor. poderá haver mais de uma pessoa ocupando o pólo ativo da relação Admite-se a substituição do credor. 4. Isto é. assim. pode-se não saber com precisão quem será o credor.

Elemento Material: Objeto Clóvis disse que por conta da relação jurídica. Em todos os casos se observa que por conta da relação jurídica obrigacional. Este algo é o objeto da relação obrigacional. poderá ser qualquer pessoa. Já Washington de Barros afirmou que o objeto da relação obrigacional consiste numa prestação pessoal.A exemplo do credor. se diz que ele estará obrigado a uma prestação. fazer ou não fazer alguma coisa economicamente apreciável. terá o direito de regresso quando aos demais co-obrigados. 4. Nas institutas a que se referiu Orlando Gomes encontramos a expressão alicujus solvendae rei. quando se diz que o devedor está adstrito a dar.2. fazer ou deixar de fazer algo em favor do credor. Havendo solidariedade. 1º do Código Civil que diz que qualquer pessoa é capaz de deveres na ordem civil. Desse modo. adequado chamar de prestação. a parte passiva estará adstrita a entregar. assim o objeto da obrigação é uma prestação devida pela parte passiva à parte ativa. em favor do credor. 10 . positiva ou negativa. Não se confunde o objeto da obrigação com o objeto do contrato. alguém estará obrigado a dar. Havendo mais de um devedor. Igualmente poderá ser único ou plural. econômica. Não havendo soldar Também poderá ser pessoa determinada ou determinável. é aquilo a que o devedor está obrigado. Não havendo solidariedade. cada devedor responderá pela fração que lhe compete. fazer ou não fazer. cada qual responderá por uma fração da prestação. aquele que for compelido a prestá-la no todo. também na forma do art. positiva ou negativa. Para que a idéia de objeto da obrigação não se resuma a pagamento.

mas sua ocorrência decorre de lógica jurídica como. pelo marido. nestes casos vedação específica quanto ao objeto em especial. Consiste na circunstância. ou seja.2. Impossibilidade Jurídica ou legal: Diz respeito à estipulação de obrigação que contrarie a lei.2. Impossibilidade material ou física. da fração da mulher. própria do objeto que contraria as leis da natureza (trazer o monte Everest para o Brasil). cessão de herança de pessoa viva ou loteria não autorizada. pois a alienação de bens ou a cessão de herança ou até mesmo a exploração de loterias são condutas lícitas. 11 .1. 4.2. Caracteres do Objeto O objeto da obrigação deverá ser possível. o devedor estará desonerado de seu cumprimento. para o que o locador se obriga ao pagamento dos alugueres que é a prestação. 4.1. ocorrem. objeto do contrato é a operação que as partes pretendem realizar. sua natureza ou estado.2. Em um contrato de locação. como a alienação de bens públicos. 4.1. não haverá a obrigação. Possibilidade do Objeto: Trata-se da possibilidade de realização da obrigação. 4. Veja-se que não são objetos ilícitos em sua essência.Objeto da obrigação é a prestação devida ao credor por conta da obrigação. Há casos em que essa vedação nem está prevista na lei. o objeto da obrigação.1.1.1. o objeto do contrato consiste na ocupação e o uso pacífico do imóvel. quando casados sob o regime de comunhão de bens. lícito determinado ou determinável e economicamente mensurável. a aquisição. Se a obrigação não se puder realizar. por exemplo. ultrapasse a força humana (uma viagem a outras galáxias) ou ser irreal em sua essência (a entrega de um unicórnio).1. São duas as espécies de impossibilidade: a impossibilidade física ou material ou a impossibilidade jurídica ou lega.2.1.

4. Cumpre ao devedor provar a impossibilidade do objeto. tráfico. Se no ato da manifestação da vontade seu objeto era impossível a obrigação será inexistente. Ou imóvel situado na rua tal com as seguintes características. Licitude do Objeto: O objeto da obrigação precisa ser lícito. do loteamento tal. não admitindo escusar o devedor a mera dificuldade. Se a impossibilidade diz respeito somente ao devedor. a impossibilidade do objeto. permanecerá vinculado. ou seja. embora não vedada em lei tampouco crime. porém se esta impossibilidade cessar antes do tempo em que deverá ser cumprida.2. nula (ad impossibilia nulla obligatio). ou seja. haverá a desobrigação do devedor. Assim. são objetos ilícitos a usura.3. Também. haverá sua perfeita identificação: imóvel composto pelo lote nº. para o fim de desobrigar o devedor deverá ser superveniente. sob pena de invalidade. porque penalmente proibidos. da quadra nº. Se a impossibilidade decorrer de fato posterior.A impossibilidade do objeto há que ser real e absoluta.2. não poderá consistir em prestação que contrarie texto expresso de lei. remanescerá a obrigação.2. se foi o próprio devedor quem deu causa à impossibilidade. sendo que. podendo-se alterar o conteúdo. A alcovitagem é moralmente inaceitável e por isso ilícita. qualquer obstáculo que possa ser superado com maior esforço ou dispêndio.1. ela será relativa e não o desobrigará. ou seja superveniente. 12 . Poderá ser ainda determinável o objeto quando ao tempo do cumprimento da obrigação se puder individualizá-lo por meio de critérios técnicos. 4. posterior ao tempo da manifestação da vontade. contrabando. Determinação do Objeto: A validade da obrigação requer sua perfeita individualização.1. Na compra e venda de um imóvel. a moral os bons costumes.

Seja porque dada a sua insignificância. encontramos na definição dada por Clóvis a expressão: obrigação é a relação de direito. Nas institutas.2. em caso de inadimplemento.Os tesouros de um navio naufragado. Já Washington de Barros afirma que a Obrigação é relação jurídica.3. O ar atmosférico. seja porque inestimável ou porque abunda de tal maneira que não é capaz de atribuição de valor Um único grão de areia é de tamanha insignificância que não pode ser aferido economicamente. poderá lhe exigir o cumprimento. ou entregar aos investidores da expedição. não ser possível aferir a extensão dos danos. Interessa analisar que vínculo é este e qual a sua natureza. 4. depreende-se que a obrigação é relação que liga a parte ativa à parte passiva. a que se refere Orlando Gomes encontra-se a expressão: Obligatio est juris vinculum. porém havendo critérios técnicos para a sua divisão. de sua conversão em moeda. haverá obrigação quando a parte passiva haja manifestado validamente o desejo de prestar o objeto determinado à parte credora que. existe em tal abundância que é acessível a todos e portanto não há como he atribuir valor econômico e até mesmo os deveres dos cônjuges. por isso.1. estabelece um liame à partir da manifestação da vontade e que somente se desfaz com a prestação do objeto. ou seja Obrigação é vínculo jurídico. apurado o seu valor. Importa dizer. porque inestimável. Novamente reportando aos conceitos antes transcritos. não podem ser estimados antes de recolhidos. que nos constrange.4. sob pena de. 13 . À luz dos ensinamentos. se saberá o quanto deverá aquele que o achou devolver ao estado. estabelecida entre credor e devedor. Elemento de Conexão: Vínculo Jurídico A existência da relação obrigacional exige que as partes estejam vinculadas entre si quanto ao objeto. Apreciação Econômica: Essencial á validade do negócio jurídico que seu objeto seja passível de avaliação. 4.

caracterizando-se em um binômio. ou monista. uma expressão de dois termos. correspondendo ao obligatio ou “Haftung”. 14 . inerente à relação. há para a parte passiva o dever de prestar. pela qual responderá com seu patrimônio. o debitum ou o shuld. o obligatio ou haftung. Teoria Monista. Para a doutrina tradicional. O outro vínculo de ordem material consiste no direito ou no poder do credor de exigir o cumprimento da obrigação ou sua responsabilização. um de caráter espiritual outro de caráter material. de acordo com esta teoria. concretizada a obrigação desaparece o débito.1. Teoria Dualista ou Teoria do Débito e da Responsabilidade Nascida a partir do Século XIX a doutrina dualista afirma que são dois os vínculos que integram a obrigação. com duas faces opostas. alternatum non laedere e summ cuique tribuendi.2. está fora dela.1. Porém se não cumprida a prestação.3. Assim. segundo esta teoria. fundado nos princípios de justiça de Justiniano: honeste vivere.1.4. conquanto para a parte ativa o direito de exigir o seu cumprimento. O vínculo espiritual reside na própria vontade do devedor em cumprir com o dever empenhado em favor do credor. existe apenas um vínculo. ou seja. Porém. no caso de inadimplemento.3.1. Consiste no débito que os doutrinadores italianos chamaram de debitum e os alemães de “shuld”. na relação obrigacional. porém correlatas. 4. o dever de exigir inerente ao dever de prestar. Teorias a Respeito do Vínculo Jurídico Obrigacional Várias teorias se propõem a explicar o vínculo jurídico obrigacional 4. estabelecida a relação.3. Nesse caso o vínculo primário é o dever. o credor tem o direito de lhe exigir o cumprimento. Outros autores entendem que o direito de exigir não integra a relação jurídica. surgindo somente quando o devedor se torna inadimplente. nascendo a responsabilidade.

dever é o vínculo social ao passo em que a responsabilidade o vínculo jurídico. Não nos filiamos a essa teoria haja vista que nos parece de uma primeira vista um retrocesso à teoria monista. mas apenas ao devedor o sentimento de debitum. ainda que assuma contornos dualistas ao afirmar a existência de vínculos de natureza diversa. Ademais. É o que ocorre nas obrigações naturais. o haftung.1. Dessa teoria são adeptos Orlando Gomes e Washington de Barros Monteiro. a teoria dualista peca pelo fato de evidenciar o obligatio em detrimento do debitum. Segundo aquilo que expõe a autora. olvidando que o dever é a regra a responsabilidade a exceção. havendo o inadimplemento por parte deste. Teoria Eclética. este espontâneo. são dois os vínculos. Segundo esta autora. não tem a obrigação quanto a prestação. aquele coativo. Também ocorrem circunstâncias em que há o elemento volitivo. portanto. aquele se insere diretamente na relação obrigacional para responsabilizar-se. mas tendo naturezas diversas e de ocorrência sucessiva na relação jurídica obrigacional. débitum e obligatio. o garantidor não é devedor. sendo ambos essenciais. partem de um único fato gerador assim que a existência do débito induz à da responsabilidade. não em sentidos opostos. porém. a teoria dualista não poderia se aplicar nos casos em que existe a responsabilidade sem haver o dever. traz uma terceira teoria acerca do vínculo jurídico a Teoria Eclética.3. o dever sem a responsabilidade. com seu patrimônio. em que não existe para o credor o poder de exigir. Segundo esta teoria. Maria Helena Diniz.3. 15 . por seu cumprimento ou seus efeitos. Difere. 4. Nestes.Assim. da doutrina monista na medida em que entende os dois vínculos coexistindo. ambos os vínculos nascem em um só momento. que se reúnem e se completam resultando em uma unidade porque correlatos. como ocorre no caso do aval e da fiança.

Constitui. o ato ou fato que dá ensejo ao dever de alguém em favor de outro. Finalmente. na medida em que ao afirmar que toda a obrigação contém dever e obrigação estaria excluindo aquelas hipóteses de que se valeu para se contrapor à teoria dualista. não haveria obrigação pelo garantidor. por ser ilícito ou juridicamente impossível. assim novas causas para as obrigações além do contrato e do delito peça expressão variis causarum figuris.1. quasi contractu. nas Institutas de Justiniano se destaca a expressão omnis vero obligatio vel ex contractu nascitur vel ex delicto. Em direito a expressão é usada em caráter metafórico. De onde de extrai que as fontes da obrigação seriam o contrato e o delito. aquilo que contrário ao ordenamento não gerará obrigação. em outro texto se destacou a expressão: “Obligatio ex contractu. Todavia. a tradução das reiterações dos entendimentos que se verificaram adiante.Segundo porque. ao passo em que as demais eram resultantes de uma interpolação. Segundo Gaio. nos parece que a própria autora se contradiz. ex delicto quasi ex delicto”. o ato ou fato idôneo a criar obrigações em conformidade com o ordenamento jurídico. Utiliza-se a expressão fonte em lugar de causa. ou seja. ou. objetivando indicar o lugar se onde as obrigações se originam. A expressão fonte designa origem de um curso de água. porque lhe faltaria o dever ao passo em que não existiria a obrigação natural por não haver responsabilidade. como vimos. 16 . como prefere Washington. 5. no Digesto se destaca a expressão: “obligationis aut ex contractu nascuntur aut ex malefício aut proprio quodam iure ex variis causarum figuris” acrescentando. o nascedouro deste. Segundo os estudiosos do direito romano. FONTES DAS OBRIGAÇÕES. Porque esta é mais tradicional e não conflita com a expressão causa enquanto elemento integrante das obrigações. Obrigações no Direito Romano. 5. seu elemento genético. Se diz em conformidade com o ordenamento jurídico porque. portanto. a expressão trazida por Gaio continha as fontes do direito em sua forma tradicional. originária. e portanto. ou seja.

Alguns autores afirmam que se tratavam de relações obrigacionais contratuais porém não chanceladas pelo direito romano. como fontes do direito. 5. sendo as demais resultado de construção doutrinária pósclássica. Somente com a reforma do Código Civil Italiano em 1942 é que a divisão foi suprimida. ou seja. não existia enquanto fonte das obrigações. Afirmavam os autores do projeto que a validade de toda obrigação exige a chancela da Lei. as fontes das obrigações no direito romano seriam apenas o contrato e o delito. o autor do projeto não rejeita a divisão quadripartida romana. quando da Edição do Código de Napoleão. seriam as fontes das Obrigações: a) Contrato: O acordo de Vontades. d) Quase-delito: atos danosos ao direito de terceiro. Assim. 17 . porém de forma não consciente. equiparáveis aos contratos. De todo modo a forma mais difundida veio a ser a divisão quadripartida que incluía o quase-contrato e o quase-delito ao lado do contrato e do delito. b) Quase-contrato: situações jurídicas assemelhadas aos contratos. mas lhe acrescenta a Lei como fonte das obrigações. não haveria obrigação se o objeto fosse ilícito ou juridicamente impossível. Obrigações no Direito Italiano. para outros tratavam-se de atos humanos lícitos mas em que ausente a convenção. autonomamente. (ato ilícito culposo) Destaque-se que a lei. a convenção firmada entre as duas partes. 5. Obrigações no Direito Francês. Pothier. que causa prejuízo outrem. atos humanos lícitos. quando passou a conceber a Lei como a única fonte das obrigações. A divisão quadripartida do direito romano resistiu até o Século XIX. assumindo a Lei como fonte do direito. c) Delito: o ato doloso.2.3.Assim. consciente da ilicitude. O Código Civil Italiano de 1865 absorve a concepção de Pothier.

que lhe confere validade. Estabelece-se a divisão em fonte imediata e fonte mediata das obrigações. a lei. 5. Portanto. há que se buscar qual o fato jurídico previsto no ordenamento que lhe dá origem. o ato ou fato idôneo a criar obrigações em conformidade com o ordenamento jurídico. se remeteria obrigatoriamente ao direito. em sendo assim. que impregna qualquer obrigação.4. afirmar que a lei é a fonte única do direito resulta inconcludente. Consiste naquele elemento fundamental. Fonte Imediata: Aquilo que Orlando Gomes chama também de causa eficiente da obrigação. ou seja. recepciona no mundo do direito e outroga o credor de provocar a Tutela do Estado para forçar o devedor ao seu cumprimento. Desse modo se perderia no vazio qualquer indagação quanto às fontes porque em qualquer análise que se fizesse. 18 . sua fonte há que ser necessariamente a lei. A Lei é a causa primaz. Isto porque é o direito que confere validade ao à obrigação. Istpo porque há situações em que a obrigação não provem de qualquer ato mas unicamente da lei. segundo aquela concepção dada pelo Código italiano de 1942.1. Orlando Gomes leciona que toda obrigação é uma relação jurídica e. essencial à todas as obrigações.4. e como na obrigação tributária. ou seja. nas obrigações propter rem e até mesmo na obrigação alimentar.5. Assim. consoante a lição de Washignton: seu elemento genético. A solução da questão resulta em uma divisão que contemple os fatos ou atos geradores da obrigação sem excluir a lei como fonte primária. Obrigações no Direito Brasileiro. quando se interessa perquirir qual a fonte da obrigação.

Classificação Analítica O Código Civil Italiano vigente. mas se a lei e a única fonte das obrigações. o contrato e o ato ilícito como fontes das obrigações.4. Assim a condição determinante da obrigação será o fato gerador. libertando-se das idéias romanescas acerca das fontes da obrigações como também rendendo-se à impossibilidade de classificação absoluta das obrigações. admite a forma empregada e reconhece a personalidade e a capacidade das partes. deixando àquilo que se denominou de grupo heterogêneo a reunião dos fatos idôneos a produzir obrigação. Ora. a circunstância real que dá ensejo à obrigação. com base no princípio da isonomia. 5.2. o direito do estado de exigir o comprimento da obrigação assenta na hipótese de incidência prevista na lei. Ou então a lei. se teria a obrigação tributária igual a todos. neste e em outros casos em que a obrigação provém dela diretamente seria ao mesmo tempo fonte imediata e mediata.4. que consiste na ocorrência de fato ou a prática de ato conforme a hipótese de incidência. a obrigação existe porque a lei recepciona seu objeto enquanto lícito. haja vista que o fato jurídico (strictu sensu) não gera obrigação dada a ausência da intervenção humana. Há sempre um fato ou uma situação que a lei leva em conta para que surja a obrigação. Assim. A própria legislação tributária resolve a questão quando remete a obrigação tributária ao implemento do fato gerador. Importaria em um retrocesso à forma do Código de Napoleão.3. 19 .5. e é nela que origina a obrigação. Na obrigação tributaria. Fonte Mediata Ou condição determinante. Mas a fonte mediata ou condição determinante será a vontade manifestada pelas partes. resume-se às categorias fundamentais. no caso do contrato. A solução resulta na redução ao ato jurídico e à lei como fontes do direito. consiste no fato ou ato.

fatos materiais. o ato ilícito. Desse modo as fontes da obrigações teriam duas categorias: a) Negócios Jurídicos: Contratos. Existem obrigações reconhecidas pela lei em razão da proteção jurídica dada à autonomia da vontade ao passo em que outros fatos humanos. essas condições determinantes seriam correspondentes aos fatos jurídicos em sentido amplo. No universo dos atos jurídicos voluntários estão os negócios jurídicos. a declaração unilateral de vontade. assim tanto os fatos naturais quanto os humanos. materiais e materiais aos quais a lei também contempla eficácia. Essa divisão. Para a classificação sintética. como fonte da obrigação apenas aqueles que contém a conduta humana. promessas unilaterais e atos coletivos. embora provoquem modificação no mundo jurídico não poderão ser imputados à ninguém. abuso acontecimentos naturais. contemplando. o pagamento indevido. o fator capacidade será irrelevante. ainda que voluntários.4. 20 . Os demais. Classificação Sintética. embora não estejam fundadas na manifestação de vontade. b) Atos Jurídicos Não-negociais: Atos jurídicos strictu sensu.4. embora não esgote a classificação das fontes do direito. 5.São eles: o contrato. o abuso de direito e certas situações de fato. definir os fatos voluntários que produzam efeitos conforme a vontade manifestada pelo agente. Todos essas figuras podem se considerar condição determinante para a geração de uma obrigação. consoante a vontade em voluntários e involuntários. resultará. atos voluntários. Assim. os atos jurídicos em sentido estrito e os atos ilícitos. isolam aqueles acontecimentos que têm capacidade de gerar efeitos jurídicos. o enriquecimento sem causa. À exceção dos atos lícitos e os atos ilícitos as demais espécies estão enquadradas naquilo que Gaio chamou de variis causarum figurae. como o efeito não decorre diretamente da vontade manifestada. o abuso de direito. o enriquecimento sem causa. atos ilícitos. as situações especiais de direito. importa isolar. Tendo em vista que os fatos naturais. negócios unilaterais. os atos coletivos. hipótese em que a capacidade do agente será relevante para a sua validade.

Classificação das Obrigações no Direito Brasileiro. sendo que somente quanto a esta última deixou de lado a formula romana. ao mesmo tempo. As obrigações de fazer compreendiam as obrigações de non facere. Assim sendo. fazer e não fazer.6. permuta. Classificação das Obrigações no Direito Romano. classificando as obrigações em 3 (três) grupos: dar. b) Facere: todas as obrigações em que o devedor se comprometia a fazer certo trabalho ou a cumprir certa tarefa em favor do credor. outros afirmam que se tratavam de obrigações ex-delicto. sem importar em transferência de propriedade ou de direito. CLASSIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES. Locação de serviço. c) Praestare: não há uniformidade quando à conceituação dessa espécie de obrigação. fazer e não fazer. requerendo além da dação. dada a sua imprecisão. 6. alguns autores afirmam tratar-se de obrigações que importavam. a transferir a propriedade ou outro direito real. quando na verdade não se trataria de uma divisão dos objetos. Inspirado totalmente do direito romano o Código Civil brasileiro adotou divisão semelhante. 6. a tradição que consiste na transferência da propriedade (tradiotionibus et usucapionibus domina rerum. Afirmam esses doutrinadores que a metodologia empregada se revela imprecisa na medida em que a divisão tricotômica não é capaz de criar espécies 21 . mandado ou empreitada. dação em pagamento). para assumir a obrigação de não fazer como uma espécie autônoma.1. Criticas que se fazem à essa divisão tricotômica se deve ao fato de esta colocar em um mesmo nível as obrigações de dar. classificou as obrigações em 3 (três) categorias: a) Dare: correspondia àquela prestação em que o devedor estava comprometido à entrega de uma coisa ou valor. e finalmente a corrente que diz tratar-se de uma obrigação de garantia quanto a uma indenização. Entretanto não contemplava outros direitos reais que exigiam maior formalidade e não apenas a entrega da coisa. em dare e facere. de modo que seria mais adequado reparti-los em duas classes: obrigações positivas e obrigações negativas. O direito romano adotou classificação que toma por base apenas o objeto da prestação. non nudis pactis transferentur). (compra e venda.2. doação.

estanques, dada a existência de obrigações que podem a um só tempo compreender dar e fazer, ou dar e não fazer e assim por diante. Tem-se adotado a divisão dual das obrigações, por ser esta capaz de delimitar as espécies de obrigações. Conforme esta classificação, as obrigações positivas são as de dar e de fazer, ao passo em que as negativas a obrigação de não fazer. Porém a classificação tricotômica não perde sua importância pois tais espécies compreendem todas as obrigações, nesse sentido a afirmação de Washington de Barros Monteiro6:
“todas as obrigações que se constituam ou venham a se constituir na vida jurídica, na sua infinita variedade, compreenderão sempre alguns desses fatos, que resumem o invariável objeto da prestação: dar, fazer ou não fazer.

6.2.1. Obrigação de Não Fazer Geral e Especial. Importante diferenciar as obrigações de não fazer de caráter geral, das obrigações de não fazer de caráter especial. O ordenamento jurídico estabelece certas limitações à atividade do cidadão, que dizem respeito à toda coletividade indistintamente. Sendo assim, havendo vedação legal, todos estaremos obrigados à abstenção daquela conduta, de tal modo que não existe elemento volitivo mas a obediência ao império da lei. Por outro lado, poderão as partes convencionar quanto à limitação da atividade de uma ou de outra, ou seja, a pessoa manifesta a vontade de abster-se da prática de um ato tolerado pela lei, um ato que, normalmente poderia praticar livremente. 6.3. Classificação Especial das Obrigações

Antes de ingressar no estudo das obrigações de Dar, Fazer e não Fazer, a que alguns autores chamam de modalidades das obrigações a fim de diferenciá-la desta, convém trabalhar a assim chamada classificação especial. São várias as formas de se classificar as obrigações, não havendo unanimidade dos autores quanto à sistemática.

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Monteiro Washington de Barros – Ob. Cit. – Pág. 52

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Orlando Gomes7, classifica as obrigações quanto ao sujeito e quanto ao objeto. Washington da Barros Monteiro prefere uma sistemática mais direta, não se atendo a uma divisão por categorias, ao passo em que Maria Helena Diniz8 faz uma sistematização mais ampla, classificando as obrigações quanto ao vínculo, objeto, modo de execução, tempo, elementos acidentais, sujeito e conteúdo. Por razões didáticas, utilizaremos a sistemática adotada por Maria Helena Diniz. 6.3.1. Quanto ao Vínculo. 6.3.1.1. Obrigação Civil e Empresarial. Obrigação Civil é obrigação completa, ou seja, em que estão presentes todos os seus elementos, e portanto apta a cingir o devedor ao seu cumprimento, e dotada de potencialidade ao credor para lhe exigir o cumprimento. É aquela obrigação em que o devedor se sente intimamente obrigado ao cumprimento (debitum, dever, shuld) e em que o credor poderá responsabilizá-lo em caso se descumprimento (obligatio, responsabilidade, haftung). Obrigação Empresarial é obrigação características próprias da atividade mercantil. 6.3.1.2. Obrigação Moral. Consiste em uma obrigação que se situa tão somente no foro íntimo do devedor (shuld), porém não dotada de exigibilidade (haftung). Falta-lhe, portanto, o vínculo obrigacional. Se diz obrigação moral porque neste caso o débito não existe de direito, porém o agente se sente moralmente obrigado ao seu cumprimento e o faz por mera liberalidade, como no cumprimento de disposição de última vontade não inscrita em testamento. Assim, em caso de inadimplemento, não poderá o devedor ser compelido ao seu cumprimento, porque não é dotado de ação. civil, porém dotada de

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Gomes, Orlando - Ob. Cit. – Pág.74 Diniz, Maria Helena. - Ob. Cit. – Pág. 59

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Porém, se o fizer, não poderá pretender a restituição da prestação, porque o direito confere ao beneficiário a soluti retentio (solução de retenção) Assenta no brocardo cuius per errorem dati repetitio est, eius consulto dati donatio ou seja, a prestação consciente ou intencional de um indevido absoluto não pode ser repetida, constituindo mera liberalidade. Porém, podendo o devedor provar que o fez em erro, poderá exigir-lhe a devolução. 6.3.1.3. Obrigação Natural. Ocorre a obrigação natural quando existente o vínculo, porém perdeu o credor o direito de ação. É uma obrigação incompleta: existem o credor, o devedor e objeto, mas falta ao credor a capacidade de exigir o seu cumprimento (haftung), por não haver meio para lhe exigir a execução forçada. Também neste caso, havido o pagamento, torna-se irrepetível. Diferentemente da obrigação moral o pagamento, neste caso, não se considera mera liberalidade, mas efetivo cumprimento da obrigação, podendo, por isso, o credor reter a prestação a título de pagamento efetivo. Assim se conceitua a obrigação natural: “aquela em que o credor não pode exigir do devedor uma certa prestação, embora, em caso de seu adimplemento espontâneo ou voluntário, possa retê-la a título de pagamento e não de liberalidade”. 6.3.1.3.1. Caracteres da Obrigação Natural. a) b) c) d) e) não se trata de obrigação moral; a prestação é inexigível cumprida espontaneamente por pessoa capaz, o pagamento é válido; dado o pagamento válido, é irrepetível; seus efeitos dependem de previsão normativa.

A validade do pagamento exige espontaneidade, isenta de vícios de consentimento. Não valerá o pagamento se obtido por dolo ou coação, como também não valerá se feito por incapaz, por se entender que este não pode consentir. Igualmente não valerá o pagamento se feito por terceira pessoa, porém sem o consentimento do devedor.

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c) Não pode ser compensada: a compensação exige que as dívidas estejam vencidas e exigíveis. Efeitos da Obrigação Natural. b) Não enseja novação: o pagamento da obrigação natural não se constitui em um novo pacto. ainda que em caso de ingratidão. 6. 814. Não se revogam por ingratidão: III . de modo que seu pagamento. a) Doação a Título de Obrigação Natural. 25 .3.as que se fizerem em cumprimento de obrigação natural As doações poderão ser revogadas em caso de ato atentatório contra a pessoa do doador. ou se o perdente é menor ou interdito. ainda que parcial.1. b) Dívida de Jogo. sendo inexigível a obrigação natural.3. Art. mas não se pode recobrar a quantia.1. pelo donatário.3. e) Não admite evicção ou vício redibitório: no caso de a coisa ter sido dada em pagamento de obrigação natural. igualmente não poderá alcançar o fiador. não se torna exigível o saldo remanescente que permanecerá incompleto. As dívidas de jogo ou de aposta não obrigam a pagamento. ao sabor da sorte. Não é considerado um ato jurídico exigível. Art. (art 555 e seguintes) Contudo se a doação se fez a título de obrigação natural.2. carecendo. pois o credor do direito de ação. ocorrendo evicção ou vício redibitório não poderá o credor exigir seus efeitos em relação ao devedor.3. não poderá ela ser revogada. 6. espontaneidade e capacidade daquele que pagou. não se torna exigível o saldo remanescente que permanecerá incompleto. portanto liberdade. d) Não comporta fiança: se a obrigação não vale para o devedor principal.Exige. impossível sua prática. não transforma a obrigação natural em obrigação civil bem assim que no caso de pagamento parcial de obrigação natural. O jogo é considerado contrato aleatório.3. salvo se foi ganha por dolo. Obrigação Natural no Código Civil. que voluntariamente se pagou. a) É Irrepetível: o pagamento feito a título de obrigação natural poderá ser retido a título de pagamento efetivo. No caso de pagamento parcial de obrigação natural. portanto. 564.

882. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero. O mútuo feito a pessoa menor. Obrigação Líquida É certa quanto à sua existência e determinada quanto ao objeto9. 6. c) Dívida Prescrita. nem de seus fiadores. Quanto à Liquidez. Igualmente não terá o direito de exigir o pagamento aquele que emprestou para favorecer ou permitir sua prática Art. Não se pode exigir reembolso do que se emprestou para jogo ou aposta. Baseada no direito consuetudinário. f) Gorjetas e Comissões Eventuais. 9 Monteiro Washington de Barros – Ob. poderá ser reclamada por meio de execução forçada. Atinge a ação e não o direito de crédito. 883. as gorjetas pagas as garçons e as comissões pagas a alguém que eventualmente intermédia um negócio caracterizam-se obrigações morais e por isso são irrepetíveis. eis porque o pagamento é válido. ou cumprir obrigação judicialmente inexigível. sendo exigível. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. 6. portanto obrigação cujo pagamento não requer qualquer apuração. são ambos os apostadores delinqüentes.2. 57 26 . Não terá direito à repetição aquele que deu alguma coisa para obter fim ilícito. qualidade e quantidade.1. Art. É. – Pág. Cit. no ato de apostar ou jogar. 815. Art. Não se pode repetir o que se pagou para solver dívida prescrita.3. pelo que a dívida se torna inexigível.3. ou proibido por lei.Porém. A prescrição é a perda do direito de ação pelo credor. não pode ser reavido nem do mutuário. imoral. Art. Assim porque o pagamento espontâneo dela é válido. e. 586. sem prévia autorização daquele sob cuja guarda estiver. d) Dação para Fim Ilícito. no caso do jogo. Art.2. 588. e) Mútuo Feito a Menor.

Cumulativas: quando a obrigação recai sobre mais de um objeto.1. mas individualizável.2.2.2.6.3. Quanto ao Modo de Execução. 6. escolhendo uma. 6.1. 2.1.3. de tal modo que não se considerará cumprida a obrigação até a execução de todas as prestações prometidas.1. com prestação não individualizada.3. Simples as obrigações quando o seu objeto consiste em uma só coisa ou ato.1.3. Concentração do Débito. 6. entre as alternativas existentes.3. Obrigação Simples e Cumulativa (ou Conjunta) 6. Obrigação Ilíquida.3. Obrigação Alternativa (ou Disjuntiva) Embora haja uma pluralidade de prestações.3. sem exclusão de uma só. É obrigação única. A cobrança da obrigação ilíquida requer.3. 6. 27 . Consiste em um vínculo jurídico pelo qual o devedor se compromete a realizar diversas prestações. ocorre a exoneração do devedor com a entrega de apenas uma delas. o procedimento de apuração do quantum debeatur. singular ou coletivo. para a quitação da obrigação. É aquela incerta quanto à quantidade. 6.2.3.2.2. o devedor se exonera cumprindo apenas uma delas.3.3.3. 6. Características: 1. Consiste na conversão da obrigação múltipla e indeterminada em obrigação simples e determinada.2.3. Ocorre quando aquele a quem é dado o direito de eleger a prestação exerce esse direito. há dualidade ou multiplicidade de prestações heterogêneas. podendo ser de classes diferentes e todas deverão ser cumpridas.3.3. antes.

252. Dada a concentração. Feita a escolha estará o devedor obrigado a cumpri-la integralmente na forma eleita. esta se tornará obrigatória para ambas as partes não podendo qualquer delas pretender o pagamento de modo diverso. § 2º. Art. 252. Se uma das prestações se tornar inexeqüível. ou mesmo por sorteio. Conseqüências da Inexequibilidade da Obrigação: a) Inexequibilidade Superveniente decorrente de caso fortuito ou força Maior. seguida da oferta do pagamento. subsistirá o débito quanto à outra. mesmo que o fato da impossibilidade decorra de caso fortuito ou 28 . 252. sem culpa do devedor. 256. estará ele exonerado da obrigação.3.3. 252 do Código Civil: Art. Exceção à essa regra se encontra estampada no art. ao passo em que a escolha in petitione exige que o devedor tome conhecimento da mesma para que se dê a concentração.É a disposição do art. remanescerá o débito quanto à outra. sem culpa do devedor e desde que este não esteja em mora. cabendo ao credor ocorre a escolha in petitione. Art. estando em mora o devedor. se outra coisa não se estipulou. Diferem estas espécies em razão de que a escolha in solutione ocorre pala simples manifestação de vontade do devedor. mediante a expressa vedação do § 1º do art.3. 253. Cabendo ao devedor a escolha esta se dará in solutione. responderá ele pela impossibilidade. Se todas as prestações se tornarem impossíveis sem culpa do devedor. dando-se a concentração automática. Se após o estabelecimento do vínculo obrigacional uma das prestações se tornar impossível. quando se tratar de obrigações periódicas. Admite a lei que a escolha seja conferida a terceira pessoa. assistindo o direito de concentração a cada uma das prestações. a escolha cabe ao devedor. se todas as prestações se tornarem inexeqüíveis. porém ainda restarem outras ainda alternativas. subsistirá o direito de escolha quanto às formas remanescentes. Nas obrigações alternativas. Se uma das duas prestações não puder ser objeto de obrigação ou se tornada inexeqüível. Por outro lado. 6. Contudo. extinguir-se-á a obrigação.2.

salvo se provar que a mora não era culposa ou que o dano subsistiria ainda que houvesse o cumprimento pontual da prestação. Se todas as prestações perecerem por culpa do devedor. se a escolha couber ao devedor. ou que o dano sobreviria ainda quando a obrigação fosse oportunamente desempenhada. e a escolha não coubesse ao credor. que nesse caso se torna simples e determinada. o credor terá direito de exigir a prestação subsistente ou o valor da outra. ambas as prestações se tornarem inexeqüíveis. 254. Quando a escolha couber ao credor e uma das prestações tornarse impossível por culpa do devedor. Art.força maior. o credor terá direito de exigir a prestação subsistente ou o valor da outra. O entendimento é que se a escolha competir ao devedor. aquele poderá exigir a prestação remanescente ou o valor da outra. O devedor em mora responde pela impossibilidade da prestação. e por culpa do credor uma se tornar impossível. pois a ele assistia o direito de escolha e o perecimento de uma consistiu em violação dessa faculdade. acrescida de perdas e danos. embora essa impossibilidade resulte de caso fortuito ou de força maior. poderá o credor reclamar o valor de qualquer das duas. por culpa do devedor. se estes ocorrerem durante o atraso. ocorre a concentração automática da obrigação assentada na prestação remanescente. este ficará obrigado ao pagamento do valor correspondente àquela que se perdeu por último. Art. se. além das perdas e danos. b) Inexequibilidade por Culpa do Devedor Se uma das prestações se tornar impossível por culpa do devedor. se. Art. porque antes de seu perecimento teria ocorrido a concentração automática da obrigação nesta. c) Inexequibilidade por Culpa do Credor Não existe norma jurídica que trate da impossibilidade das obrigações alternativas por culpa do credo. por culpa do devedor. com perdas e danos. ficará aquele obrigado a pagar o valor da que por último se impossibilitou. além da indenização por perdas e danos. além da indenização por perdas e danos. mais as perdas e danos que o caso determinar. com perdas e danos. 255. por culpa do devedor. poderá este reclamar o valor correspondente a qualquer delas. salvo se provar isenção de culpa. não competindo ao credor a escolha. Art. não se puder cumprir nenhuma das prestações. este estará desobrigado caso não prefira efetuar o 29 . Se. poderá o credor reclamar o valor de qualquer das duas. Quando a escolha couber ao credor e uma das prestações tornarse impossível por culpa do devedor. 399. além das perdas e danos. Se a escolha coubesse ao credor. e coubesse ao credor a escolha. Contudo. 255. ambas as prestações se tornarem inexeqüíveis.

estará o devedor desobrigado do pagamento.1.3. 30 .4. estará desonerado da obrigação.2. Tornado impossível o objeto da obrigação. caso o devedor não queira prestá-la em lugar da que desapareceu. Conseqüências da Inexequibilidade da Obrigação: a) Inexequibilidade decorrente de caso fortuito ou força maior. Instantâneas: Aquela que se exaure em um único ato. 6. 6.3. porém encontra-se regulada no Código Civil argentino.3.3. poderá o credor exigir apenas o valor da que se perdeu. hipótese em que poderá exigir perdas e danos por parte do credor. Obrigação Facultativa. 6. Trata-se de obrigação que possui apenas uma espécie de prestação. mais perdas e danos. b) Inexequibilidade por culpa do devedor. salvo o devedor não queira entregar a prestação facultativa. porém que a lei ou o contrato permitem ao devedor substituí-la por outra para lhe facilitar o pagamento. se a escolha fosse do credor.4. ou as perdas e danos.3. não se encontra prevista no nosso Código Civil. de modo que de modo algum poderá o credor lhe exigir o pagamento.3. este poderá exigir o equivalente a qualquer uma delas. e por sua culpa uma das prestações se tornar impossível.pagamento por meio da outra. com culpa do devedor.1. em seu artigo 643. e sendo a prestação facultativa uma liberdade exclusiva do deste e que não integra a relação jurídica obrigacional.4. A obrigação facultativa.3. Quanto ao Tempo. 6. e ao devedor cabia a escolha.3. Periódicas ou de execução continuada. Diferencia das obrigações alternativas. na medida em que nesta a prestação facultativa não integra a relação jurídica. 6. Tendo o objeto da prestação se tornado impossível sem culpa do devedor. Finalmente. salvo se o credor preferir a outra.3. Se todas as prestações se tornarem impossíveis por culpa do credor. mais perdas e danos.

imprevisível e que importe em substancial desequilíbrio contratual. Essa classificação é fundamental quanto à aplicação da cláusula rebus sic standibus.5. que tem direito anterior). Elementos Naturais: São as conseqüências naturais elementares do negócio jurídico. 6.3. o credor não poderá reclamar quanto às prestações pretéritas.3. o preço e o consentimento. 6. é fracionada e cumprida em parcelas. ou seja.1.5. 6. Quanto aos Elementos Acidentais.3.1.5.O cumprimento da obrigação ocorre por sucessivos pagamentos periódicos e em um espaço razoável de tempo. que é simples. ou seja. Elementos Acidentais: São estipulações que facultativamente se adicionam ao contrato modificando suas conseqüências naturais: condição. Ex: Vício Redibitório e Evicção (perda total ou parcial da coisa adquirida em favor de terceiro. 31 . conforme as estipulações especiais do contrato que modificam os efeitos dos elementos naturais. Ocorre a quitação parcial da obrigação a cada pagamento. Trata-se das obrigações classificadas quanto aos elementos acidentais do negócio jurídico. Ex.5.1.: na compra e venda. termo.3. decorrendo. 6. Em geral.1. da lei. baseada na teoria da imprevisão.3. afetando o princípio do pacta sunt servanda. Elementos Constitutivos do Negócio Jurídico 6. Elementos Essenciais (essencialia negotii): São aqueles elementos que pertencem à estrutura do negócio e sem os quais este não pode existir.2. a coisa.1. a prestação. encargo ou a exclusão da responsabilidade pelo vício redibitório ou evicção. de modo que havendo o inadimplemento. que permite a modificação da prestação em razão de fato superveniente.3.5. que ocorrem independentemente de manifestação da vontade das partes.

3. 123.5. Art.3. que poderá aproveitar a ambas as partes. b) Evento incerto: Não se admite. São lícitas. hipótese em que se terá uma obrigação a termo.2. ou o sujeitarem ao puro arbítrio de uma das partes.1.3. 121. enquanto cláusula condicional. Obrigação cuja eficácia não está subordinada a qualquer modalidade dos atos jurídicos. a vinculação da obrigação a evento futuro certo.5. em geral. derivando exclusivamente da vontade das partes. naquela a incerteza não afeta a existência do negócio.as condições física ou juridicamente impossíveis. modais e a termo. a nenhuma condição.3. Aquela que contém cláusula que subordina o efeito do negócio a evento futuro e incerto. Geralidades: Admite-se a vinculação da obrigação a mais de uma condição. a existência do vínculo depende de acontecimento futuro e incerto. Aplica-se às obrigações condicionais as regras alusivas aos negócios jurídicos condicionais.5.6. Considera-se condição a cláusula que. 6. Não se confunde com obrigação aleatória. à ordem pública ou aos bons costumes. Obrigação Pura e Simples. esta não terá o condão de condicionar o evento.5. todas as condições não contrárias à lei. Art. deverão todas ocorrerem para o implemento do negócio. quando suspensivas. mas apenas a extensão do resultado.3. 32 . caso em que se forem cumulativas. Requisitos: a) Evento futuro: Se a condição estabelecida disser respeito a evento presente ou pretérito. ou seja. subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto. Nesta.2. Se a condição já houver ocorrido ou estiver ocorrendo ao tempo da celebração do negócio. 122. a obrigação será pura e simples.3. entre as condições defesas se incluem as que privarem de todo efeito o negócio jurídico. dependerão da ocorrência de apenas uma delas.3. ao passo em que se alternativas. modo ou termo. 6. Invalidam os negócios jurídicos que lhes são subordinados: I . pois não haverá circunstância que poderá modificar seus efeitos. 6. Art. Obrigação Condicional.

enquanto esta se não realizar. se aposta a um negócio de execução continuada ou periódica. a sua realização. salvo disposição em contrário. salvo se constituir o motivo determinante da liberalidade. enquanto esta se não verificar. realizada a condição. ou de fazer coisa ilícita. um ônus à pessoa sendo a eficácia do ato subordinada ao seu cumprimento. Têm-se por inexistentes as condições impossíveis. se com ela forem incompatíveis. estas não terão valor. Art. 126. e. Sobrevindo a condição resolutiva. Obrigação Modal. desde que compatíveis com a natureza da condição pendente e conforme aos ditames de boa-fé. caso em que se invalida o negócio jurídico. ao contrário. podendo exercer-se desde a conclusão deste o direito por ele estabelecido. o direito a que ela se opõe. a que ele visa. Art. e as de não fazer coisa impossível. Obrigação a termo. fizer quanto àquela novas disposições. 6. pendente esta. Ao titular do direito eventual.3. Considera-se não escrito o encargo ilícito ou impossível. quando resolutivas. não se terá adquirido o direito. 124. 128. Art. mas subordina sua permanência ao cumprimento do encargo. 125. III . é permitido praticar os atos destinados a conservá-lo. 127. para todos os efeitos. 6. 130. Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva. Art. Art. vigorará o negócio jurídico. nos casos de condição suspensiva ou resolutiva.4. pelo disponente.3. mas.as condições incompreensíveis ou contraditórias. Se alguém dispuser de uma coisa sob condição suspensiva. considerando-se. não verificada a condição maliciosamente levada a efeito por aquele a quem aproveita o seu implemento. Se o encargo for ilícito ou impossível. 137. 136.5.as condições ilícitas. como condição suspensiva.II . Reputa-se verificada. Obrigação modal é aquela em que se impõe um encargo. considera-se não escrito. salvo quando expressamente imposto no negócio jurídico. não tem eficácia quanto aos atos já praticados. Art. Art. Art. Aquela em que a eficácia do ato está subordinada a um acontecimento futuro e certo. O encargo não suspende a aquisição nem o exercício do direito. a condição cujo implemento for maliciosamente obstado pela parte a quem desfavorecer. quanto aos efeitos jurídicos. Essa espécie de obrigação não suspende a aquisição do bem o exercício do direito. 129. senão quando expressamente disposto: Art.5. Se for resolutiva a condição. 33 .5. extingue-se.

quanto a esses. 131. em proveito do devedor. ou das circunstâncias. Art. sem prazo. § 3º Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início. serem únicas ou múltiplas. Art. resultar que se estabeleceu a benefício do credor. excluído o dia do começo. O termo inicial suspende o exercício. 134.6. Art. no que couber. e. salvo. não podendo o credor exigir de cada devedor mais do que a cota a esse correspondente e cada devedor não responderá senão pela parte que lhe cabe. ou de ambos os contratantes. Art. Os negócios jurídicos entre vivos.2. 1317. as obrigações admitem pluralidade de pessoas tanto no pólo ativo quanto no pólo passivo. § 4º Os prazos fixados por hora contar-se-ão de minuto a minuto. Quanto ao Sujeito Como antes visto.3. são exeqüíveis desde logo. Termo final ou resolutivo determina o fim da eficácia da relação obrigacional. em qualquer mês. computam-se os prazos.Termo é. 6. mas não a aquisição do direito. o acontecimento que marca o início ou o fim da eficácia da obrigação. Nos testamentos. podendo.6. § 1º Se o dia do vencimento cair em feriado. as disposições relativas à condição suspensiva e resolutiva. se do teor do instrumento. Termo Inicial ou suspensivo impede a exigibilidade da obrigação até a sua verificação. assim. Única: Quanto se tem apenas um credor e um devedor. Ao termo inicial e final aplicam-se.6. 132. considerar-se-á prorrogado o prazo até o seguinte dia útil. Art. 6. 6. Salvo disposição legal ou convencional em contrário. Múltipla: Quando existem mais de uma pessoa quer no pólo ativo quer o no passivo.3. o seu décimo quinto dia.3. nem se estipular 34 . 133. presume-se o prazo em favor do herdeiro. Art. Quando a dívida houver sido contraída por todos os condôminos. 135. Nas obrigações múltiplas a obrigação se desdobra em tantas quantos forem os devedores ou os credores. nos contratos. salvo se a execução tiver de ser feita em lugar diverso ou depender de tempo. ou no imediato.1. se faltar exata correspondência. § 2º Meado considera-se. portanto. sem se discriminar a parte de cada um na obrigação. e incluído o do vencimento.

serão as despesas rateadas entre os respectivos donos. Maria Helena. exonera-se da obrigação. Contudo. Em ambas. a classificação adquire extrema relevância prática. quantos os credores ou devedores.1. No silêncio do testamento. em se tratando de obrigações com pluralidade de credores ou devedores.6.solidariedade. tratou de definir as obrigações indivisíveis: 10 Diniz. na proporção do que herdaram. O dono de uma servidão pode fazer todas as obras necessárias à sua conservação e uso. pois a obrigação será exigida por inteiro salvo se estipularam as partes de modo diverso. Obrigações Divisíveis e Indivisíveis. 257. Porém a regra não é absoluta. divisíveis são aquelas cujas prestações admitem Obrigações Indivisíveis somente podem ser cumpridas por inteiro. Maria Helena Diniz10 as define como aquelas cuja prestação é suscetível de cumprimento parcial. esta presume-se dividida em tantas obrigações. limitando-se a referi-las como no caso do art. não os havendo. No entanto. Cit. Art. . Havendo mais de um devedor ou mais de um credor em obrigação divisível. Obrigações cumprimento parcial. Tanto assim que o Código Civil sequer cuidou de conceituar as obrigações divisíveis. sem prejuízo de sua substância e de seu valor. 258. 145 35 . pois comporta duas exceções que são as obrigações indivisíveis e as obrigações solidárias. independentemente dos demais co-obrigados. 6. entende-se que cada qual se obrigou proporcionalmente ao seu quinhão na coisa comum. no art. se um devedor pagar a sua cota. o cumprimento dos legados incumbe aos herdeiros e. se a servidão pertencer a mais de um prédio. 257. cada credor terá o direito de exigir a obrigação por inteiro e cada devedor responde igualmente pela totalidade da obrigação. Essa classificação tem pouca ou nenhuma importância quanto tratamos de uma obrigação única.2. aos legatários.Ob. Art. 1380. 1934. Art.3. e. Neste caso. iguais e distintas. embora haja o concurso de pessoas. – Pág.

Obrigações Solidárias.1) Pluralidade de Sujeitos ativos ou passivos: mais de um credor ou mais de um devedor.2. a.) Judicial: quando a indivisibilidade é determinada pelos tribunais como nos casos da obrigação de indenizar pelo acidente de trabalho 6. As obrigações solidárias compreendem um feixe de relações obrigacionais pois nelas.3) Unicidade de prestação: cada devedor responde pelo objeto todo e cada credor possa exigi-lo por inteiro. por motivo de ordem econômica.1) Física: a indivisibilidade assenta sobre a natureza da coisa a ser prestada.3. a. à dívida toda. a) Caracteres.6. por sua natureza. ou tem direito. bem como de apenas um dos devedores poderá ser exigida a totalidade da obrigação.4. além das relações entre credores e devedores. que não admite entrega fracionada. 264. a. ou mais de um devedor. a. cada um com direito. ou seja. Há solidariedade. ou dada a razão determinante do negócio jurídico. 36 . cada credor mantém relação obrigacional quanto aos demais concredores. A obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma coisa ou um fato não suscetíveis de divisão. isoladamente. ainda que seja materialmente divisível. Art.2. como os direitos reais de garantia. ao passo em que cada devedor relaciona-se quanto aos seus. como a entrega de um cavalo. a. ou obrigado. a. Nas obrigações solidárias cada credor poderá exigir a obrigação como um todo. Aquelas em que cada titular. 258. ressalvado a casa um deles o direito ou a obrigação de resolver-se quanto aos demais.2) Multiplicidade de Vínculos: relacionando cada um dos credores a cada um dos devedores.Art. a exibição de um documento ou a entrega de coisa alugada. quando na mesma obrigação concorre mais de um credor. encontramse as relações entre os credores e as relações entre os devedores entre si. à totalidade da prestação.2) Legal: a indivisibilidade decorre de lei. responde.3) Convencional: a indivisibilidade decorre da vontade das partes que expressamente pactuam a impossibilidade de prestação fracionada. a) Espécies de Indivisibilidade: a.

2. resulta da lei (solidariedade imprópria) ou da vontade das partes. Facilita a liquidação do débito e a extinção da obrigação.3) Recíproca ou Mista: ocorre simultaneamente a pluralidade ativa e passiva. b.1. pagando o débito a qualquer dos co-credores11.2) Solidariedade Passiva: Ocorre a pluralidade de devedores.1) Variabilidade do modo de ser: as obrigações solidárias admitem ser a obrigação condicional modal ou a termo para um dos devedores e pura e simples para outro c. . Relação jurídica entre vários credores de uma obrigação. em que cada credor tem o direito de exigir do devedor a realização da prestação por inteiro. – Pág. isoladamente exigir do devedor o cumprimento integral da obrigação.a.1.3. Maria Helena. Cada co-credor pode exigir a dívida por inteiro. não podendo qualquer deles recusar-se ao recebimento.) Não Presunção da Solidariedade: a solidariedade não se presume. 161 37 .2. podendo cada um deles. Solidariedade Ativa. Caberá ao devedor a escolha do credor caso nenhum deles tenha proposto ação de cobrança. respondendo cada um deles pela totalidade da obrigação.6.Ob.4) Co-responsabilidade dos interessados: o pagamento feito a qualquer dos credores exonera a todos os devedores. O devedor se exonera entregando a prestação a qualquer dos credores solidários. b.2. e o devedor se exonera do vínculo obrigacional. 6. Cit. Aumenta a garantia o adimplemento. Solidariedade Ativa: Contém plúrimos credores. a) Inconveniências: 11 Diniz. ainda que aquele que pagou possa reclamar quanto aos demais b) Classificação: b. c) Princípios da Solidariedade: c.

os demais não ficarão inibidos de acionar o devedor. Relação obrigacional com multiplicidade de devedores.2. Se um dos credores decai da ação. A constituição em mora do credor solidário afeta a todos. O devedor poderá opor compensação a qualquer um dos credores e esta afetará o crédito por inteiro. Cada co-credor responde aos demais quanto àquilo que houver recebido 6. O pagamento feito a qualquer um dos credores extingue a dívida por inteiro.3. Havendo confusão esta afetará o crédito até o limite do quinhão. 201). 204. o devedor poderá pagar a qualquer dos credores (art. não afetará a solidariedade. Enquanto não houver demanda. seus herdeiros não poderá exigir mais que a respectiva cota parte na razão de seus quinhões. A conversão em perdas e danos não afeta a solidariedade. A interrupção da prescrição por um aproveita aos demais (art. (art 267). 38 • • . conferindo maior segurança ao credor no recebimento de seu crédito. Solidariedade Passiva.• Cada credor fica à mercê do outro. Ocorre. Tem importância no direito comercial ou empresarial. § 1º). • Impossibilidade de revogação da solidariedade por improbidade.2. Falecendo um dos credores. portanto a unificação dos devedores. A suspensão da prescrição em favor de um dos credores aproveita aos demais se a obrigação for indivisível (art. em que cada um responde pela totalidade da obrigação como se fosse ele o único devedor. Qualquer dos credores pode tomar providências para proteger o crédito. no caso das contas conjuntas b) Efeitos Jurídicos: • • • • • • • • • • • • • • • Cada um dos credores poderá exigir a prestação por inteiro. Se um dos credores se tornar incapaz. Qualquer dos credores poderá demandar contra o devedor. 268).2. A renúncia da prescrição em favor de um se estende aos demais. Cada um dos credores pode constitui em mora o devedor. Melhor que a solidariedade ativa é a outorga de procurações recíprocas que poderão ser revogadas. salvo se a prestação for indivisível.6. desonra ou insolvência.

• O Credor poderá exigir o cumprimento total ou parcial da obrigação. Obrigação de Resultado. 6. • A confusão extingue a obrigação na proporção do crédito. embora o devedor não possa de per si efetuar o pagamento parcial. ainda que a hipótese não se verifique.3. (Art. • A transação somente terá efeito quanto àqueles que dela tomam parte. • O estabelecimento de cláusula aditiva entre um dos co-devedores e o credor não afetará os demais se deles não houver anuência. • O devedor solidário somente poderá compensar com o credor o que este deve ao seu coobrigado. limitado ao quinhão deste. 764) 39 .3. • Havendo pagamento parcial a quitação correspondente aproveita a todos. sem vincular-se com o resultado colimado. caracteriza-se pela simples assunção de responder pelo risco.1. 6.7.7.a) Efeitos Jurídicos: • O credor tem o direito de exigir do devedor que escolher o cumprimento sem que perca ele o direito de demandar contra os demais quanto ao remanescente (não ocorre concentração da dívida).7. • Pode o credor renunciar a um. O devedor obriga-se pelo resultado. 6. Visa eliminar o risco que pende sobre o credor.3. somente se desonerando quando este alcançar a plenitude do desiderato. • A novação entre credor e um dos co-devedores faz recair os efeitos somente sobre o patrimônio do novado. 276). Obrigação de Garantia. • A morte de um dos co-devedores não encerra a solidariedade passiva (art. 282).3.2. Quanto ao Conteúdo.3. mais de um ou a todos quanto á solidariedade art. Obrigação de Meio. caso em que aquele beneficiado com a renuncia responderá ao credor apenas por sua respectiva cota parte.7. 6. Aquela em que o devedor se obriga apenas pela prudência e diligência normais à prestação de certo serviço. • A interrupção da prescrição a um dos devedores se estende a todos e a seus herdeiros. respondendo os herdeiros unicamente pela respectiva cota parte. liberando os demais quanto àquela.

importante acentuar que não importa em um direito real sobre a coisa (jus in re). A obrigação de dar gera apenas um crédito. não ocorrendo desde logo a tradição. Embora a obrigação de dar compreenda a transferência de um bem do devedor para o credor.1. pois sobre ela não detém qualquer direito. é aquela cujo objeto consiste em uma coisa. 389. 389 do Código Civil: Art. Saraiva – 2005. 40 . antes da qual o objeto continua a pertencer ao alienante. falta-lhe o elemento essencial: o domínio. A propriedade das coisas não se transfere pelos negócios jurídicos antes da tradição. Não basta a assunção da obrigação de dar para que se transfira o domínio que se dá unicamente pela tradição. 02 – Pág. não havendo o cumprimento do pacto. responde o devedor por perdas e danos.7. Conteúdo. . Ao credor resta apenas o direito de promover ação objetivando a resolução do contrato em perdas e danos. É o que dispõe o art. ainda que o credor tenha pago o preço todo. Maria Helena. 1267 do Código Civil: Art. Assim. 7. na forma do art. O ato translativo da propriedade é a tradição. – Pág. Coelho. e honorários de advogado. MODALIDADES DAS OBRIGAÇÕES 7. consoante a disposição do art.Ob. Também denominada prestação de coisa12. Não cumprida a obrigação. 79. Obrigações de Dar. 237 do Código Civil: 12 13 Diniz. Isto porque esta obrigação consiste em um “compromisso”.1.1. No dizer de Fábio Ulhôa Coelho13: “prestação devida pelo sujeito passivo consiste em entregar alguma coisa para o sujeito ativo”. que poderá ser certa ou incerta e cuja prestação consiste na entrega de um bem pelo devedor ao credor. 1267. uma promessa da entrega da coisa. 40 – 2ª Ed. Fábio Ulhôa – Curso de Direito Civil – Vol. mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos. não caberá ao credor o direito de reivindicar a coisa. mas tão somente em um direito pessoal (jus in rem). e não um direito real. Cit.

pelo devedor ao credor. Algumas legislações como a da Bélgica. 356 do Código Civil: Art. 313. ou seja. Romênia e Itália. mas a solução da dívida. No mesmo sentido. poderá o devedor resolver a obrigação. Compreende a idéia de que não lhe compete tampouco substituir o objeto prometido pelo seu respectivo valor. a título de determinação da natureza jurídica do pagamento. de tal sorte que para esses sistemas.1. pelos quais poderá exigir aumento no preço. portanto não ocorre modificação unilateral. 356. que encerra a idéia de que o credor não poderá ser obrigado a receber coisa diversa da pactuada. torna-se este o proprietário. 313 do Código Civil: Art. somente poderá o devedor liberar-se entregando uma coisa pela outra se houver a anuência do credor. entre tantas. mesmo que seja divisível a prestação. embora com a dação em pagamento também se dê a exoneração da obrigação. se assim não se convencionou. se o credor não anuir. ainda que mais valiosa. e. mas in solutione. 237. não caracteriza o efetivo adimplemento da obrigação. eis que não realizada na forma contratada. de acordo com a disposição do art. o contrato gera a obrigação e transfere o direito real. não poderá o devedor entregar a prestação de modo fracionado. Do Princípio “aliud pro alio”14. que se encontra prevista no art. Assim. haja vista que a dação em pagamento ocorre mediante o consentimento. se diz que ocorre não in obrigatione. 7. Polônia. entendem reunidas as obrigações de dar e de transferir. 14 “uma coisa pela outra” 41 . Até a tradição pertence ao devedor a coisa. Vigora no direito brasileiro o princípio romano: “tradiotionibus et iusucapionibus dominia rerum non nudis pactis transferuntur” Operada a tradição. O direito brasileiro adota o principio romano “nemo aluid pro alio invito creditore solvere potest”. Não caracteriza ofensa ou exceção ao princípio “nemo aliud pro alio”.Art. O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida. O credor pode consentir em receber prestação diversa da que lhe é devida. com os seus melhoramentos e acrescidos. Assenta na idéia de que ao devedor não é lícito modificar unilateralmente o objeto a prestação. ainda que mais valiosa.2. Assim.

Ex. Quanto à Propriedade. recebe tratamento jurídico idêntico ao das obrigações de dar. 61 42 . Como antes dito. na pretensão quanto ao objeto que poderá se realizar ou não. Ainda que a obrigação tenha por objeto prestação divisível. mas numa concessão para uso. o bem pertence ao credor. Contratos de Compra e Venda.1. em caráter temporário. por partes.1. a obrigação de dar (em sentido estrito) consiste na promessa de transferência do direito real sobre a coisa. Na extinção da locação. não importa na transferência do direito real. 7. a obrigação de dar consiste em mero direito pessoal. não pode o credor ser obrigado a receber. fruição ou posse.3. se assim não se ajustou. haja vista que embora a legislação às vezes faça referência à entrega da coisa. A obrigação de restituir importa na devolução do bem entregue. nem o devedor a pagar. 15 Monteiro Washington de Barros – Ob. 7. porque não importa em transferência da propriedade até a tradição. Ex. gozo ou fruição. Cit. A diferenciação entre as obrigações de dar e de restituir tem grande importância prática. do comodato ou mútuo. A obrigação de entregar. A doutrina admite que a obrigação de dar (em sentido amplo) compreende três espécies de obrigações distintas cuja diferença reside no aspecto que concerne à propriedade. o direito do credor assenta apenas no crédito. Nas obrigações de restituir. 314 do Código Civil: Art. – Pág. Já as obrigações de restituir mereceram tratamento pelo legislador do código de 2002. Segundo a doutrina. razão pela qual.3. todavia. locação comodato e mútuo. que o entregou.É a disposição do art. até esta. em caráter temporário. para uso. Classificação das Obrigações de Dar. ex. do devedor ao credor.1. especialmente no Direito Processual Civil. Washington de Barros Monteiro15 refere essa classificação acentuando que tal tem apenas importância acadêmica. 314.

43 .1. 625 do Código de Processo Civil.2. 59 – Atlas – 2008. “Temos obrigação de dar coisa certa quando seu objeto é constituído por um corpo certo e determinado.16 Por objeto perfeitamente individuado entende-se aquele que possa ser distinguido. 356 do Código Civil: Art. na forma do art. na forma do art.1. p. O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida. – Pág. por meio de traços característicos que o tornem único.18 Somente admitirá a dação de coisa diversa em pagamento mediante a celebração de novo pacto. estabelecendo entre as partes da relação obrigacional um vínculo que em nome do devedor deverá entregar ao credor uma coisa individuada como. 313 do Código Civil encerra a consagração do princípio do pacta sunt servanda.. 16 17 Monteiro Washington de Barros – Ob. 74 – Saraiva 2008. Cit. 7. ainda que mais valiosa. 18 Venosa. 02 – pág. trata-se de obrigação de dar coisa certa a entrega do quadro “Guernica” de Pablo Picasso ou os “Girassóis” de Van Gogh. Igualmente não poderá o devedor efetuar o cumprimento da prestação em partes se assim não se pactuou. 02 – Pág.Desse modo. Estabelecida a obrigação de dar coisa certa. Noção e Compreensão. senão com a entrega da coisa pactuada. 313 do Código Civil: Art. ex. Obrigação de Dar Coisa Certa. perfeitamente individuado. Consiste no vínculo jurídico pelo qual o devedor fica adstrito a fornecer ao credor determinado bem.17 Assim. Silvio – Direito Civil – Vol. o iate Cristina ou o Cavalo Odorico”.1. – Curso de Direito Civil Brasileiro – Vol. 7.3. 356: o credor pode consentir em receber prestação diversa da que lhe é devida.2. destacando-se de outros da mesma espécie. que tanto pode ser móvel como imóvel. por exemplo. O art. 313.3. não poderá o devedor liberar-se da obrigação. 58 Diniz. o inadimplemento da obrigação de restituir admite a busca e apreensão da coisa. Maria Helena. Tem aplicação direta a disposição do art.

2. que trata das letras de Câmbio. Essa obrigação compreende não só o armazenamento cuidadoso mas também a defesa do objeto quanto a terceiros. Pode-se o bem se perder ou avariar-se. 7. 233 do Código Civil: Art. Uma vez obrigado à entrega de coisa certa o devedor está obrigado também a guardá-la com zelo e dedicação até a tradição. Aplica-se a regra do art. 492. como o conhecimento prévio do vício pelo comprador que impede a redibição do negócio. § 1º do Decreto 2. Compreensão dos Acessórios. os riscos da coisa correm por conta do vendedor. O acessório somente não acompanhará o principal na hipótese de pacto expresso das partes nesse sentido. Da Perda e da Deterioração da Coisa. 7. Deve-se ao fato de que.Essa regra admite exceção pelo que dispõe o art. como visto.3.3. mas que devam voltar a integrar a coisa principal. e os do preço por conta do comprador. Perda consiste no desaparecimento da coisa por completo. ao tempo do vencimento. pelo que não possuem autonomia jurídica. apesar de todos os cuidados do devedor. A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela embora não mencionados. Art. 233 ainda que os acessórios hajam sido separados temporariamente da coisa. É a aplicação da regra geral de que o acessório segue o principal.044/1908. o acessório não existir sem o principal. 22. que obriga ao portador receber o pagamento parcial. Até o momento da tradição. Dispõe o art. 44 . salvo se o contrário resultar do título ou das circunstâncias do caso. 233.2. enquanto a deterioração afeta parcialmente.1.2. ou por circunstâncias próprias do caso que evidenciem a exclusão.1.3. inclusive com a utilização dos meios judiciais adequados.

Se houver culpa do devedor. 234. 492. sem culpa do devedor. no caso do artigo antecedente. ou aceitar a coisa. quando postas à sua disposição no tempo. Deteriorada a coisa. em um ou em outro caso. responderá pelo equivalente e mais as perdas e danos. suportará apenas o prejuízo. com direito a reclamar. sem culpa do devedor. • Perdendo-se a coisa. § 2º Correrão também por conta do comprador os riscos das referidas coisas. e a coisa perder-se ou deteriorar-se em seguida. Posta a coisa à disposição do credor e este não comparecendo para receber ou se recusando a fazê-lo. se estiver em mora de as receber. a coisa se perder. antes da tradição. • Importa dizer que. poderá o credor enjeitá-la. o devedor fica seguro de todo risco. não sendo o devedor culpado. § 2º do Código Civil. Cumpre verificar o tratamento dado pela lei aos casos de perda e deterioração: Art. passará ele a correr os riscos pela perda da coisa. Se. poderá o credor resolver a obrigação. responderá este pelo equivalente e mais perdas e danos. no caso da perda culposa. lugar e pelo modo ajustados. motivando o desaparecimento do objeto da prestação antes da tradição. entendendo mais adequado falar-se em perda total e parcial do objeto. abatendo-se proporcionalmente o preço. Deteriorando-se a coisa. Sendo culpado o devedor. 236. ou pendente condição suspensiva. imprudência ou imperícia) ou se teve a intenção de prejudicar (dolo). 45 . sem direito às perdas e danos. conforme a disposição do art. A escolha é do credor porque a coisa foi alterada. já não é a mesma. salvo em caso de fraude. ou seja.Venosa entende imprópria a nomenclatura. abatido de seu preço o valor que perdeu. o mesmo responde por perdas e danos. sem culpa do devedor. antes da tradição. poderá o credor exigir o equivalente. ou pendente a condição suspensiva. Diferente a aplicação ocorre no caso de deterioração da coisa. porém se não culposa. E o credor poderá optar entre: a) exigir o equivalente mais a indenização por perdas e danos. o prejuízo será suportado pelo credor. 235. ou aceitar a coisa no estado em que se acha. se a perda resultar de culpa do devedor. indenização das perdas e danos Operada a tradição. fica resolvida a obrigação para ambas as partes. resolvendo a obrigação ou aceitá-la no estado em que se encontrar. pois operada a entrega. haja vista que no caso de deterioração a parte afetada torna-se absolutamente imprópria para o uso a que se destinava. • Se o devedor agiu com culpa (exteriorizada através de negligência. Art. Art. fica resolvida a obrigação para ambas as partes. o devedor suportará os prejuízos e responderá pelas perdas e danos. b) aceitar a coisa no estado em que se acha e reclamar a indenização pelas perdas e danos.

36 e 39 do Código Civil. a lei lhe confere o direito a exigir a diferença ou resolver o negócio. entretanto. Consiste na obrigação do devedor de devolver coisa que pertence ao credor e que foi recebida em caráter temporário. Como já exposto.7. 237 do Código Civil.1. mas somente uma restauração do estado natural da coisa. não sendo este. na forma do art. como nos casos de reaparecimento do ausente. Dado à circunstância característica de que não existe transferência da propriedade. encontram-se as obrigações de restituir. o tratamento dispensado pelo Código Civil. 7. Noção e Compreensão Inserida no Código Civil entre as obrigações de Dar coisa certa. 238. assistindolhe o direito de exigir o preço pelas melhorias que sobrevierem ao bem desde a realização do negócio jurídico e até a tradição.3. Importante anotar que em tal caso. até a tradição a coisa pertence ao devedor.3.4.3. s obrigação do credor quirografário de devolver ao monte aquilo que recebeu de devedor insolvente quando não vencida a dívida. se o credor não anuir. resolvendo-se o negócio não sobrevirá a qualquer das partes o direito às perdas e danos. com os seus melhoramentos e acrescidos. Do Direito às Melhorias e Acréscimos.1. aproveitam as melhorias. Cumpre anotar que neste caso. 237. Art. Muitas são as hipóteses legais de Obrigações de Restituir. entre tantas 46 . Assenta na idéia de que àquele a quem pertence o bem e bem assim suportava os riscos.3. havendo a valorização do bem. pelos quais poderá exigir aumento no preço. poderá o devedor resolver a obrigação.1. independentemente do esforço do devedor. 7. De Page prefere colocá-la entre as obrigações de fazer. disciplinada à partir do art.3. Neste caso.2. cabe ao devedor restituir exatamente aquilo que recebeu. arts. Obrigação de Restituir Coisa Certa. pelo reencontro do objeto com o seu legítimo titular.1. não o seu equivalente. bem assim que ao credor não assistirá o direito de reivindicar o objeto. Até a tradição pertence ao devedor a coisa.

1. 7. resolver-se-á a obrigação. mais perdas e danos. Note-se que ora. Veja-se que neste caso a norma obriga o credor a receber a coisa deteriorada. mais perdas e danos. responderá este pelo equivalente. como ela se encontra. tal qual se ache. por sua natureza. o credor deverá recebê-la. mas afetará o patrimônio do credor. O artigo 238 do Código Civil determina que se a coisa a ser restituída se perder sem culpa do devedor. Se a coisa se deteriorou por culpa do devedor. e a obrigação se resolverá. 238. responderá também pelo preço da coisa. porque a ele pertencia o bem perdido. o depósito. Se a coisa se perder por culpa do devedor. ressalvados os seus direitos até o dia da perda. suportando o credor os prejuízos. não mais lhe conferindo a faculdade de receber ou enjeitar. além dos outros danos que este experimentar. vai além do eventual inadimplemento. podendo este enjeitá-la e exigir as perdas e danos. este além das perdas e danos. o credor não está mais obrigado a receber a coisa em restituição.3. 240. sem direito a indenização. recompondo o prejuízo do credor. e esta. sem direito à indenização alguma consoante prevê o artigo 240 do Código Civil. o comodato. Não se inclui entre as hipóteses de obrigação de restituir coisa certa o contrato de mútuo que. Art. Da Perda e da Deterioração da Coisa. sofrerá o credor a perda. 239. Art. compreende o empréstimo de coisas fungíveis. observar-se-á o disposto no art. sem culpa do devedor. Na hipótese de ocorrência de deterioração da coisa a ser devolvida. Art. Se tratando de obrigação de restituir. porém com a ressalva de seus direitos até o dia da perda.Em linhas gerais são exemplos clássicos de obrigação de restituir a locação. sem que haja culpa do devedor. 239. Perdendo-se a coisa por culpa do devedor.3. tendo em vista que o bem pertence ao credor. se por culpa do devedor.2. responderá este pelo equivalente. 47 . que novamente compreenderão ao equivalente ao preço da coisa. se perder antes da tradição. Se a obrigação for de restituir coisa certa. recebêla-á o credor. Se a coisa restituível se deteriorar sem culpa do devedor. dada a culpa do devedor. o penhor. a perda do objeto sua perda ou deterioração enquanto na posse do devedor. Liberando-se o devedor da obrigação de restituir.

Art. ou aumento. Aquele que. receber por elas caracterizaria enriquecimento sem causa. se para esse fim o devedor efetuou despesas. Para outros. Assim. empregou o devedor trabalho ou dispêndio. lucrará o credor. se o bem sofreu melhorias. o caso se regulará pelas normas deste Código atinentes às benfeitorias realizadas pelo possuidor de boa-fé ou de má-fé 48 . sobrevier melhoramento ou acréscimo à coisa. 884. assentando. sendo na verdade sanção imposta ao devedor pela inexecução. se enriquecer à custa de outrem. feita a atualização dos valores monetários. reparar não significa cumprir o contrato. se a obrigação de reparar equivale à obrigação de restituir. 7. assim.3. ou seja. 238. Para uns. Isto ocorre porque o bem pertence ao credor e se acha em mãos do devedor em caráter precário. Art. sem justa causa. Do Direito às Melhorias e Acréscimos. Se. sem indenização ao devedor. trata-se de obrigações diversas porque têm origem diferente.1. se a coisa receber melhorias sem que para elas o devedor haja despendido. quanto aquilo que razoavelmente deixou de ganhar (lucro cessante). o credor estará obrigado a pagá-las. mas no ato ilícito como fonte da obrigação. por que foi a ele entregue não transferido. Em se tratando de obrigação de restituir. Assim é que as perdas e danos compreendem tanto a perda efetivamente sofrida pela parte lesada (dano emergente). será obrigado a restituir o indevidamente auferido. 241. a conversão em perdas e danos não descaracteriza a obrigação porque de qualquer maneira sua fonte é o contrato e não a sua inexecução. no caso do art. Porém. Se para o melhoramento. em benefício do credor.3. não no contrato. porém sem que este tenha contribuído para tanto.3. Assenta divergência acerca da natureza jurídica da prestação no caso de conversão em perdas e danos.Responder pelo equivalente significa responder pelo valor que a coisa tinha no momento em que se perdeu. Nesse sentido dispõe o art. ainda que em mãos do devedor. 884 do Código Civil: Art. sem despesa ou trabalho do devedor. 242. desobrigado de indenização. Segundo essa corrente. estas acrescerão ao bem.

bem como. Portanto lhe incumbe pagar pelas melhorias introduzidas pelo devedor. verbis: Art. se o credor a receber. O comodatário não poderá jamais recobrar do comodante as despesas feitas com o uso e gozo da coisa emprestada O tratamento diferenciado se deve ao fato de que na vigência do comodato pôde o comodatário usar e fruir da coisa sem que para tanto fosse obrigado a qualquer pagamento. quando o puder sem detrimento da coisa. 7.4. Art. 1220. pelo que conferir-lhe o direito à receber afetaria o equilíbrio contratual.Situação diametralmente oposta ocorre no caso de a coisa houver recebido melhorias com o empenho do devedor. Alguns dispositivos do Código Civil referem-se à obrigação de contribuir. bem como pelas que tratam do pagamento em dinheiro. 1331 do Código Civil. se não lhe forem pagas. como nos casos dos artigos 1315. O melhoramento ou aumento decorrente do esforço do devedor corresponde para os efeitos legais à benfeitoria. não lhe assiste o direito de retenção pela importância destas.3. Neste caso. 584 do Código Civil que veda ao comodatário o direito a receber pelo que contribuiu para o aumento de valor da coisa. Obrigação de Contribuir. O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis. 584. Assim. e poderá exercer o direito de retenção pelo valor das benfeitorias necessárias e úteis. acrescida dessas melhorias. sem que por elas fosse obrigado a pagar. quanto às voluptuárias. o aumento da qualidade ou do preço da coisa decorre do trabalho ou do dispêndio do devedor. Exceção à essa regra se encontra disciplinada no art. assistindo ao devedor o direito àquilo com que contribuiu para tal resultado. na forma estatuída pelo artigo 1219 do Código Civil: Art. nem o de levantar as voluptuárias. razão pela qual é regulada pelas normas gerais referentes às obrigações de dar. a levantá-las. 49 . Ao possuidor de má-fé serão ressarcidas somente as benfeitorias necessárias. 1219. entre outros.1. estaria ele enriquecendo sem causa. A obrigação de Contribuir constitui-se em uma modalidade das obrigações de dar. porém não mereceu tratamento especial por parte da legislação.

bastando a entrega da prestação em moeda com poder liberatório. a obrigação do vendedor é a entrega da coisa determinada. A moeda não consiste na obrigação principal. papel este desempenhado.5. A expressão pecúnia origina-se do latim pecus nome dado ao gado ma antiga Roma.3. Não é qualquer obrigação que tenha por objeto a entrega de moeda que se caracteriza de obrigação pecuniária. portanto. mas do pagamento de uma soma correspondente a certo valor. 50 . dívidas de valor e a dívida remuneratória. atualmente. no qual este não passa de um meio para o cumprimento da prestação efetiva que será a reparação do dano ou a remuneração do capital. Obrigação Pecuniária. Se. certa. Não se cuida. nos casos das obrigações originalmente pecuniárias. determinada e imutável.7. entretanto de obrigação de dar coisa incerta pois. Também chamada de “Obrigação de Solver Dívida em Dinheiro” é espécie de obrigação de dar cuja prestação consiste na entrega ao credor de certa soma em dinheiro. o valor da prestação é certo quanto ao montante e determinado quanto à forma de pagamento. • Dívida Remuneratória: o devedor está obrigado a pagar ao credor uma renda por conta da utilização de determinado bem ou dinheiro. pela moeda. de modo que a moeda não representa exatamente o conteúdo da dívida. Desse modo o dinheiro poderá constituir-se na obrigação em si. em que pese a ausência de individualização do objeto. individuada. Na obrigação pecuniária a prestação consiste na entrega de soma em dinheiro. por exemplo. Incluem. como ainda em valor quantitativo. contemplando na apenas os contratos cuja prestação ab ovo seja o pagamento em dinheiro como ainda as prestações a título de reparação de danos como também os juros. pagamento dos títulos de crédito) • Dívida de Valor: o débito não é de certo número de unidades monetárias. composta exatamente pelas moedas aquiridas. peças de coleção. mas apenas no meio empregado para o pagamento de uma remuneração. tratar-se da compra de algumas moedas raras. uma obrigação de dar coisa certa. (ex. dada sua fácil mobilidade. mas uma simples medida de valor.1. este que naquele tempo era utilizado como meio usual de troca. • Dívida de Dinheiro: obrigação cuja prestação consiste originalmente na entrega de soma em dinheiro. neste caso. não havendo qualquer individuação do objeto. sendo. portanto as chamadas dívidas de dinheiro.

3.5. Pelo princípio no nominalismo. ainda que se tenha referenciado pela moeda o pagamento de bens ou serviços. capacidade esta que é determinada pela lei.3. se aplica tão somente às obrigações originalmente pecuniárias. ter-se-ia verdadeira incerteza a todas as relações jurídicas que tivessem por objeto prestação pecuniária. é obrigatória e estipulação em moeda corrente nacional. Não estão compreendidas pelo princípio do nominalismo as obrigações de valor e as obrigações remuneratórias. Princípio do Nominalismo. ou moeda. Significa que a moeda há que ser dotada de capacidade para a quitação dos haveres. no ato da emissão ou cunhagem. com poder liberatório que se define pela “Capacidade da cédula. de liberar débitos. o valor publice impositus determina o poder aquisitivo da moeda. mas o câmbio. cumulando de nulidade as estipulações que não a contemple ou a repudie. Se o valor da moeda não fosse o legal. como ainda a estipulação da Cláusula Ouro. Curso Forçado. Segundo este princípio a moeda terá sempre o valor legal outrogado pelo Estado. de tal modo quem em não se tratando de operação ali contemplada. o Governo impõe curso forçado da moeda nacional para a quase totalidade dos contratos. Sendo este o seu poder liberatório.1.5. Pelo princípio do nominalismo.2. em não se admitindo o emprego da moeda senão pelo valor nela estampado. 2º do referido decreto-lei lista as exceções a esta regra geral. O princípio do nominalismo. 7. de efetuar pagamentos”. com o advento do Decreto-lei nº 857/69. considera-se como valor da moeda o valor nominal que lhe atribuiu o estado. Nas obrigações pecuniárias a prestação há que ser cumprida por meio da entrega de soma em dinheiro.7. O art. À partir de 1969. No passado a legislação brasileira admitia a estipulação do pagamento em moeda nacional ou estrangeira.1. as obrigações de dinheiro. 51 .1. o valor estaria à mercê do sabor da economia podendo sofrer enorme variação para mais ou para menos de acordo com os rumos desta.

6. Trata-se de modalidade de obrigação de dar cuja prestação consiste na entrega de um objeto indicado de forma genérica no início da relação obrigacional e cuja determinação dar-se-á na oportunidade do pagamento. dotou a economia de mecanismos de correção monetária que se constituem em verdadeiras exceções ao princípio do nominalismo. determinável. Procedida a escolha.A legislação brasileira em virtude principalmente do processo inflacionário brutal experimentado especialmente nas décadas de 1980 e 1990. mas que visam atenuar os efeitos corrosivos da inflação à moeda. logo. que se fará por um ato de escolha. porém agrupados segundo esses traços comuns e conformes àqueles caracteres.1.1. naquelas maior é o 52 . Para tanto. porém recebe informações que permitem sua oportuna determinação. conhecer perfeitamente o objeto a ser entregue. o objeto adquire individualidade. 7. sendo que cada qual desses seres denomina-se espécie (specie). mas determinável. Noção e Compreensão. transmudando-se a obrigação em prestação de coisa certa. Obrigação de Dar Coisa Incerta. De modo que gênero é a reunião de espécies semelhantes. não é uma coisa qualquer. Portanto o objeto da obrigação de dar coisa incerta. Notável que nestas o devedor se encontra em posição mais favorável haja vista poder liberar-se com a entrega de um objeto que poderá ser destacado entre uma universalidade dentro do gênero indicado no contrato.1.3.6. coisa indeterminada. Em linguagem jurídica genus ou gênero é o conjunto de seres semelhantes. Diferencia das obrigações de dar coisa certa pois naquelas o objeto é certo e determinado desde o ato de celebração do contrato.3. nestas a prestação não é determinada. a coisa é referida no contrato segundo caracteres genéricos e comuns a certa categoria de coisas ou de objetos que formam um conjunto de seres semelhantes. mas coisa passível de determinação. 7. Também chamada de Obrigações Genéricas. A prestação é indeterminada ao tempo da celebração do pacto. de modo a permitir às partes ao tempo do adimplemento. A coisa não é designada por sua individualidade (specie) mas por caracteres genéricos genus.

pelo gênero e pela quantidade. Todavia. acompanhada pela determinação numérica permite às partes conhecer o mínimo necessário para saber qual e quantos objetos perfazem a prestação. Logo. sem o que não se terá a obrigação.3.2.6. a determinação genérica. ao passo em que nesta. posto que genéricos e comuns. como no caso de uma ou mais prestações se impossibilitarem. de sorte que para estas. Dispõe o art. Além disso. 200 cabeças de gado. correm por sua conta os riscos. 243. ao menos. 243: Art. o perecimento do objeto não tem relevância jurídica. ou um livro de uma certa estante).risco do devedor pois até a entrega do objeto único e individualizado. nas obrigações de dar coisa incerta. quando o genus corresponde a um número limitado de objetos (um quadro de uma certa galeria. 243 do Código Civil. ter-se-á que avaliar se se trata de uma ou outra espécie conforme as estipulações próprias de cada contrato. Preceitos Legais que Regulam as Obrigações Genéricas: As obrigações de dar coisa incerta encontram-se disciplinadas a partir do art. Diferem das obrigações alternativas pois naquelas o credor dispõe de uma multiplicidade de prestações heterogêneas podendo liberar-se mediante a entrega de uma delas. Essa indeterminação não poderá ser absoluta nem elástica demais de modo a permitir que o devedor se exonere entregando coisa sem valor ou sem utilidade para o credor.1. a indeterminação do objeto é maior do que nas alternativas. o objeto é único. embora não individualizada. 7. 53 . pois sua caracterização se dá pelo gênero da coisa e este nunca perece (genus nunquam perit). As obrigações genéricas exigem no mínimo que a indicação do gênero e da quantidade do objeto da prestação ex: 10 sacas de soja. já quanto às Genéricas isso não poderá jamais ocorrer. A coisa incerta será indicada. nas obrigações alternativas o ato de concentração poderá ocorrer independentemente da vontade das partes. mas determinável segundo elementos específicos. Embora não haja a individuação do objeto.

Cabendo a escolha ao credor.Será nula a obrigação: a) quanto o objeto da obrigação esteja determinado por um genus amplo demais. mas não poderá dar a coisa pior. 244. 245. e o contrato não o esclarece: a entrega de arroz. de modo que o devedor se exoneraria com a entrega de animal sem valor algum ou até mesmo nocivo. como a promessa de entregar um animal sem referir sua espécie. 54 . quanto à qualidade. que consiste na individuação da coisa. Se a escolha da coisa indeterminada competir ao credor. Pois. A exemplo das obrigações alternativas. O ato de concentração. b) quando a coisa for daquelas que somente são úteis quando em quantidade. será ele citado para esse fim. Cientificado da escolha o credor. Feita a escolha o devedor dará ciência ao credor. se o contrário não resultar do título da obrigação. 244 do Código Civil estabelece a regra para a concentração Art. 244 que a coisa a ser entregue deverá situar-se. permitiria ao devedor exonerar-se entregando apenas um grão. transmudando-se em obrigação de dar coisa certa e se aplicando as regras a elas pertinentes: Art. vigorará o disposto na Seção antecedente. este. sob cominação de perder o direito e de ser depositada a coisa que o devedor escolher. salvo disposição contratual em contrário. Estabelece ainda o art. feita a escolha pelo devedor. nem será obrigado a prestar a melhor. a esse ato de escolha se denomina concentração. O art. para o efetivo cumprimento é necessário que a coisa indeterminada se determine por meio de um ato de escolha. a escolha pertence ao devedor. cabe ao devedor. se não o fizer. poderá ser constituído em mora. Este estado de indeterminação é transitório. 342. Art. proceder-se-á como no artigo antecedente. pela simples notificação. dentro da média entre aquelas de mesma espécie. Nas coisas determinadas pelo gênero e pela quantidade. sem determinação do número.

Neste caso. pode vir a se perder. estando as obrigações genéricas regidas pelo princípio do (genus nunquam perit). Antes da escolha.3. Contudo essa regra admite interpretação restrita.1. 246.6. Se o objeto da prestação são cem sacas de café e todas as sacas da fazenda do devedor se perderem. não se pode confundir o genus ilimitatum com o genus summum. hipótese em que se teria amplitude tão ampla do genus que se cairia em uma situação de indeterminação quase absoluta. aos livros de uma certa biblioteca. Gênero Limitado e Ilimitado. 55 . não poderá o devedor alegar perda ou deterioração da coisa. Outra corrente afirma que deve tratar-se os contratos isoladamente. não poderá o devedor. por sua limitação. antes da escolha. Quando o genus é ilimitado aplica-se sem restriçoes a regra do genus nunquam perit. Art. Isto ocorre quando o genus está circunscrito aos bens de uma patrimônio específico. Quando o gênero se limita a um número muito restrito de objetos. Outro problema a ser enfrentado se dá quando o número de objetos que compõem o genus é insuficiente para atender a todas as obrigações assumidas. Havendo tal delimitação é admissível que haja o perecimento de todos os objetos que o integram e. alegar o perecimento do objeto. Como se disse. Contudo. pois podem haver situações em que o genus indicado no contrato.7. A expressão “antes da escolha” referida na parte inicial do art. efetuando-se a entrega conforme a regra da prevenção (ordem de chegada). sendo este sem culpa do devedor. tornando inexistente a obrigação. de coisas que se achem em um determinado lugar. 246 é imprecisa e pode levar a interpretação equivocada. independentemente de culpa.2. não podendo servir-se da perda para desobrigar-se sem o cumprimento. recomenda parte da doutrina que se faça o rateio eqüitativo dos objetos. caberá a ele adquirir outras para entregar ao credor.1. caberá a exoneração. a obrigação deixará de ser genérica para tornar-se alternativa recebendo então o tratamento legal a estas dispensado. ainda que por força maior ou caso fortuito.

intelectuais. trabalhos manuais. pois. 7. consistem em ações que aproveitam ao credor. renunciar a uma herança. embora não contenham a realização de um trabalho pelo devedor. havida a perda ou deterioração não culposas. 56 . ou sujeitar-se a ajuízo arbitral.2. Obrigações de Fazer. porém de um modo particular. 7. aplicando-se a ela as regras a ela pertinentes na forma do art. além da escolha. A melhor interpretação do dispositivo faz exigir que o credor. Compreende todas as espécies de atividade humana. de locar um imóvel. que será enfim uma obrigação de fazer.2. Nas obrigações de dar o objeto consiste na entrega de uma coisa. ao passo em que nas de fazer. Obrigação de fazer é aquela cuja prestação consiste em um ato do devedor que deverá ser praticado em proveito do credor.2. 245 e em conseqüência. coloque o bem à disposição do credor. Conceito. estaria ele desobrigado. artísticos ou científicos. para alguns. a de prestar fiança. 7. sem o que o ato de escolha não servirá para tornar certa a coisa. Diferenças para as Obrigações de Dar. obrigação de quitar. ou se a tarefa de entregar não é resultado da obrigação de dar. Alguns autores afirmam que não existe qualquer diferença entre as obrigações de dar e de fazer.2.1. bastaria ao devedor escolher o objeto para que a obrigação se transmude em obrigação de dar coisa certa. haja a tarefa de entregar. em sua forma literal. ainda que nas obrigações de dar.Pela leitura do dispositivo. O elemento essencial de diferenciação reside em verificar se o dar ou o entregar não é conseqüência de fazer. umas estão compreendidas nas outras. que justifica o estudo em separado. chegando a afirmar a inexistência de aplicação prática para a distinção. como promessa de recompensa. Compreendem também outros atos que. Outros afirmam que as obrigações são também obrigações de fazer. a prestação é uma tarefa.

havendo recusa ou mora deste. nas obrigações de fazer. temos uma obrigação de dar. Nas obrigações de dar a prestação poderá ser dada por terceiro.concerne à identidade ou à qualidade essencial da pessoa a quem se refira a declaração de vontade. se compromete a fornecer o materiais. Por ser assim o erro quanto á pessoa raramente nulifica a obrigação de dar. mas podendo ela ser executada por terceiro. pois o interesse do credor recai sobre a coisa que foi objeto do negócio. resolvendo-se em perdas e danos. 139. Alguns autores recomendam tratar as obrigações numa relação de acessoriedade. nas obrigações de fazer. A solução.Se o devedor tem que entregar alguma coisa. ou seja. Há casos. Ainda. recai sobre a pessoa do devedor. não cumprindo o devedor a tarefa. ao final. outros recomendam avaliar segundo o valor econômico destas. desde que tenha influído nesta de modo relevante. poderá o credor mandar fazê-la às expensas do devedor. teremos uma obrigação de fazer que determina. sendo a natureza jurídica da obrigação aquela de maior valor. sem prejuízo da indenização cabível As Obrigações de fazer comportam as astreíntes. poderá o credor exigir que seja prestada pela pessoa do devedor. Nas obrigações de dar a pessoa do devedor tem caráter secundário. 57 . mais apropriada é a de admitir a existência de duas obrigações distintas em um único ato. 305. mas não está obrigado a confeccioná-la antes. entendendo pela existência de uma obrigação cumulativa e lhe aplicando as regras pertinentes. Se o fato puder ser executado por terceiro. O terceiro não interessado. a de dar. Art. porém essa fórmula não resolve totalmente as equações. ao passo em que quase sempre é considerado vício de consentimento das obrigações de fazer: Art. ao passo em que as de dar não comportam. será livre ao credor mandá-lo executar à custa do devedor. ao passo em que nas de fazer. que paga a dívida em seu próprio nome. no entanto. no entanto. Art. como no caso da empreitada em que o empreiteiro (devedor) além da obra em si. se não. não cumprida a obrigação. não poderá o credor forçar-lhe ao cumprimento. nas obrigações de dar. no mais das vezes a obrigação é intuitu personae. que as duas espécies se acham entrelaçadas no mesmo ato jurídico. tem direito a reembolsar-se do que pagar. mas não se sub-roga nos direitos do credor. O erro é substancial quando: II . dado o seu renome. 249.

mas na pessoa a quem a tarefa incumbe. É o Contrato preliminar ou o pré-contrato. Nas obrigações de fazer. como no caso de um conserto de um relógio ou a pintura de uma parede. pois o que importa é o resultado. 7. Pacto de Contrahendo. 58 . Isto porque nas obrigações de fazer a pessoa do devedor é de grande importância. Temos uma obrigação fungível quando a pessoa que realiza a tarefa é irrelevante. mas quanto à sua celebração. devendo restabelecer-se o status quo ante.4.2. ou seja. dadas certas características pessoais que o distinguem. restaurar as coisas ao seu estado original. resultando nas chamadas “obrigações de fazer intuitu personae”. Estabelecida a relação jurídica obrigacional nasce para o devedor o dever de cumprir a tarefa que consiste no objeto do contrato. o credor não pode ser obrigado a aceitar o cumprimento da obrigação por terceira pessoa. resolver-se-á a obrigação. o pacto de contrahendo se constitui em uma obrigação de fazer.3. Se a obrigação se tornar impossível. responderá por perdas e danos. resolve-se a obrigação.2. Seja qual a natureza do contrato definitivo.7. existe quando as partes se obrigam à celebração de contrato futuro e definitivo. 248. chamadas também de infungíveis. sem culpa do devedor. São nesses casos que poderá o credor requerer que o trabalho seja realizado por outro às expensas do devedor. Espécies de Obrigações de Fazer. Art. quando o contrato estabelecer que o devedor deverá cumpri-la pessoalmente. 7.5.2. pois o devedor não se obriga quanto ao objeto do contrato definitivo. Consequências do Inadimplemento. Note-se que a infungibilidade não assenta no objeto. Se a prestação do fato tornar-se impossível sem culpa do devedor. se por culpa dele.

Não se admite a execução forçada no sentido de impor a solução pela prestração in natura. mas pelo juízo. em uma outorga. será livre ao credor mandá-lo executar à custa do devedor. se por culpa dele. senão em casos de urgência. Incorre na obrigação de indenizar perdas e danos o devedor que recusar a prestação a ele só imposta. às custas do devedor. no entanto. Ocorre naqueles casos em que a prestação consiste em uma manifestação. resolver-se-á a obrigação. 249. 248.Assim. se o devedor nada recebeu pelo trabalho. Em caso de urgência. 247 do Código Civil: Art. manda ao Oficial do Registro civil que proceda à averbação da venda. Se a prestação do fato tornar-se impossível sem culpa do devedor. ou só por ele exeqüível. a lei faculta ao credor mandar executar o serviço por terceiro. executar ou mandar executar o fato. deverá restituir aquilo que recebeu sob pena de se caracterizar o enriquecimento ilícito. Porém se recebeu. estará liberado do cumprimento sem o pagamento de qualquer quantia. sem prejuízo da indenização cabível Esse direito não pode ser exercido pelo credor sem autorização judicial. Se o fato puder ser executado por terceiro. sem prejuízo do direito de exigir ainda as perdas e danos. sendo depois ressarcido. razão pela qual a prestação se converte em pecúnia. consoante a disposição do parágrafo único desse artigo: Parágrafo único. Pode o comprador promover ação de adjudicação compulsória em que o juiz. Art. 247. Se a prestação for fungível. obrigando-se o devedor ao seu pagamento. Pode ocorrer que o devedor. se decorre de culpa. por exemplo. porque ninguém poderá forçado a fazer coisa impossível. 59 . são duas as hipóteses cabíveis: Em se tratando de obrigação infungível. suprindo o devedor. que a prestação poderá ser cumprida não por ordem do juízo. havendo recusa ou mora deste. nesse caso. independentemente de outorga de escritura. responderá por perdas e danos. pode o credor. dar-se-á a aplicação do art. a outorga de escritura definitiva ao comprador de um imóvel. mesmo podendo cumprir a obrigação não o faça ou se recuse a fazê-lo. Há circunstâncias. responderá ele pelas perdas e danos: Art. Entretanto. como. independentemente de autorização judicial.

pois não admitirá suprir as prestações infungíveis como ainda não poderá ocorrer se houver constrangimento corporal ou coação material à liberdade física do devedor. 466-A. 7. Evidentemente que o permissivo do art. uma vez transitada em julgado. importa.6. é possível verificar que essa regra admite exceções.3. prestar ato ou entregar coisa. Trata-se de disposição de alcance limitado. 287. assim.12. no que toca às obrigações de fazer é a da impossibilidade de obrigar o devedor ao cumprimento da prestação in natura. É portanto obrigação negativa. não alcança as prestações infungíveis. a sentença. produzirá todos os efeitos da declaração não emitida. No entanto. que subordina o devedor a um non faciendum. É aquilo do que trata o art. mediante as disposições dos artigos 249 do Código Civil e 466-A do Código de Processo Civil. Condenado o devedor a emitir declaração de vontade. Figura inexistente no Direito Romano. confere ao juiz poderes de suprir a manifestação de vontade da parte que a isto se obrigou. 287 do Código de Processo Civil.232. aplicável também às obrigações de fazer: Art. em uma abstenção. 466-A.O Código de Processo Civil. 7. recentemente acrescentado pela Lei nº pela Lei nº 11.2. poderá requerer cominação de pena pecuniária para o caso de descumprimento da sentença ou da decisão antecipatória de tutela. e que a prestação in natura está introduzida no direito brasileiro. Se o autor pedir que seja imposta ao réu a abstenção da prática de algum ato. ou seja. 466-A. forçá-lo ao cumprimento de obrigação mediante o emprego da força. no art.2005. Importante relembrar a diferença das obrigações de não fazer de caráter geral. 60 . Obrigação de não fazer é aquela em que o devedor se compromete a não praticar certo ato que poderia livremente praticar. limitando-se àquilo que poderá se realizar pala simples manifestação de vontade. Cumprimento In Natura. Art. de 22. Obrigações de Não Fazer. A regra geral. das obrigações de não fazer de caráter especial. tolerar alguma atividade. caso não houvesse o estabelecimento dessa relação.

Sendo assim. Assim. Portanto. mas não incorpora ao imóvel. A servidão proporciona utilidade para o prédio dominante. que dizem respeito à toda coletividade indistintamente. havendo vedação legal. Ocorre. nas servidões. ao contrário. Deixando ele de ser o proprietário. e grava o prédio serviente. Por outro lado. porque naquelas o ônus é pessoal. e constitui-se mediante declaração expressa dos proprietários. não o proíbe desse ato. poderão as partes convencionar quanto à limitação da atividade de uma ou de outra. obriga apenas a pessoa. Portanto. O não fazer é então voluntário. que pertence a diverso dono. ou por testamento. Porém. normalmente poderia praticar livremente. de tal modo que não existe elemento volitivo mas a obediência ao império da lei. o ônus não é pessoal. com elas não se confundem. não se admitem estipulações que proíbam o devedor de casar-se ou o pacto absoluto de não alienar certo bem. porque a pessoa do proprietário somente estará obrigada enquanto permanecer nesta condição. as obrigações de não fazer não poderão ser exageradamente limitativas da liberdade. o elemento que caracteriza as obrigações de não fazer de Caráter Especial é a manifestação de vontade quanto ao non facere de “ato que poderia livremente praticar”. e subseqüente registro no Cartório de Registro de Imóveis Importante destacar que no caso da servidão predial. mas real. quando isso resultar da manifestação de vontade das partes. por exemplo. um ato que. todos estaremos obrigados à abstenção daquela conduta. 61 .O ordenamento jurídico estabelece certas limitações à atividade do cidadão. obrigação de não fazer embora traga grande analogia com as servidões. contudo a obrigação transmite-se àquele que o substituiu. ou seja. a pessoa manifesta a vontade de abster-se da prática de um ato tolerado pela lei. 1378. em que o proprietário de um prédio é obrigado a tolerar que o proprietário de outro se utilize deste para fim determinado: Art. Assim é que o proprietário de um prédio que se obriga a não estabelecer naquele endereço determinada atividade que conflite com a do locatário. sua pessoa estará liberada. independe do império da lei que.

que se obrigou a não praticar. No entanto. Assim. Não poderá o credor derrubar manu militari.3. 390: Art. em se tratando de medida de urgência. não poderá o ato ser desfeito. tornando-se impossível tal fato. extinguese a obrigação sem qualquer outra conseqüência. ressarcindo o culpado perdas e danos No caso do art. Nas obrigações negativas o devedor é havido por inadimplente desde o dia em que executou o ato de que se devia abster 62 . poderá o credor exigir o desfazimento do ato. o credor pode exigir dele que o desfaça. se está ele obrigado à abstenção e sponte própria age em desconformidade com a obrigação. independentemente de autorização judicial. Praticado pelo devedor o ato. unicamente.1. A regulamentação das obrigações de não fazer se econcontram no Código Civil a partir do art. 250. Quanto contagem do tempo destas. 250 Art. em contrariedade à manifestação expressa em contrato. 390. sem culpa do devedor. Não poderá o devedor ser obrigado a fechar estabelecimento que abriu em prédio próprio. muro construído e que lhe impede a visão. sem prejuízo do ressarcimento devido. não admitirá violência física contra a pessoa do devedor. poderá o credor desfazer ou mandar desfazer. resolvendo-se unicamente pelas perdas e danos. Preceitos Legais. Nas cláusulas de sigilo.7. sem que para isso tenha ele concorrido. sem prejuízo das perdas e danos: Art. Este ato. resolvendo-se em perdas e danos. 251. Em caso de urgência. dispõe o art. sob pena de se desfazer à sua custa. 251. poderá o credor praticar o ato independentemente de ordem judicial: Parágrafo único. Extingue-se a obrigação de não fazer. estando imposta ao devedor a abstenção de certa conduta. uma vez violadas. a cuja abstenção se obrigara. senão por ordem judicial. ou em caso de urgência. se lhe torne impossível abster-se do ato. sob pena de que este seja desfeito ás suas custas. desde que. desde que não haja violência física.

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