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Iniciação à Aritmética
Abramo Hefez
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Sobre o Autor
Abramo Hefez nasceu no Egito, mas é brasileiro por opção e ca-
rioca de coração. Cursou o ginasial e científico no Rio de Janeiro,
graduou-se na PUC-Rio em Matemática e prosseguiu seus estudos
na Universidade de Pisa, Itália e nos Estados Unidos, doutorando-se,
em Geometria Algébrica no Massachusetts Institute of Technology. É
Professor Titular no Instituto de Matemática da Universidade Federal
Fluminense, onde exerce docência na graduação e na pós-graduação
e desenvolve atividade de pesquisa.
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Prefácio
O nosso objeto de estudo neste pequeno livro, aos alunos premia-
dos que participam do Programa de Iniciação Científica da OBMEP,
é o conjunto dos números inteiros e algumas de suas propriedades.
Os números inteiros são obtidos estendendo os números naturais e
esses são os mais simples de todos os números, mas ao mesmo tempo
muito ricos em problemas. Você verá ao longo do texto alguns desses
problemas, muito fáceis de enunciar, mas ainda não resolvidos e com
certeza se maravilhará de como, apesar do ser humano estar estu-
dando os números naturais há vários milênios, eles ainda encerrem
grandes mistérios a serem desvendados.
Nessas notas, além de possivelmente estar vendo pela primeira
vez a noção de congruência, você revisitará as noções de múltiplo,
de divisor, de número primo, de mínimo múltiplo comum e de má-
ximo divisor comum, e estudará algumas de suas propriedades. Muito
provavelmente você ainda não estudou esses conceitos com o grau de
formalização que encontrará aqui, mas que ainda não representa o
maior rigor possível, pois nos permitiremos fazer deduções por analo-
gia e por indução empírica (isto é, estabelecer regras gerais através
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da análise de um número finito de casos). Essas deduções podem se
transformar em verdadeiras demonstrações utilizando-se o Princípio
de Indução Matemática, que é assunto de um outro texto do autor,
publicado nesta coleção e destinado aos alunos do nível III.
Este texto não existiria não fosse o desafio lançado por Suely
Druck, Diretora Acadêmica da OBMEP, a quem agradeço calorosa-
mente pela preciosa oportunidade de me dirigir aqui a vocês.
Agradeço também ao colega Dinamérico Pombo por sua leitura cuida-
dosa do manuscrito original.
Finalmente, espero que você aprecie o material aqui apresentado
e que faça de seu estudo uma atividade prazerosa. Bom divertimento!
Niterói, março de 2009.
O Autor
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Sumário
1 Os Números Naturais 1
1.1 Os Naturais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1
1.2 Ordem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2
1.3 Adição . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
1.4 Subtração . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
1.5 Múltiplos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
1.6 Multiplicação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
1.7 Múltiplos Comuns . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
1.8 Potenciação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21
2 Representação dos Naturais 23
2.1 O Sistema Decimal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
2.2 Critérios de Multiplicidade de 2, 5 e 10 . . . . . . . . . 26
2.3 Critérios de Multiplicidade de 9 e de 3 . . . . . . . . . 29
2.4 Números Primos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31
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2.5 O Crivo de Eratóstenes . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33
2.6 Teorema Fundamental da Aritmética . . . . . . . . . . 38
3 Os Inteiros e suas Propriedades 42
3.1 Os Inteiros . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
3.2 Múltiplos Inteiros de um Número . . . . . . . . . . . . 45
3.3 Divisores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
3.4 Algoritmo da Divisão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53
3.5 Par ou Ímpar? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58
3.6 Zero, Um ou Dois? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60
3.7 Mínimo Múltiplo Comum . . . . . . . . . . . . . . . . 62
3.8 Algoritmo do mdc de Euclides . . . . . . . . . . . . . . 66
3.9 Aplicações da Relação de Bézout . . . . . . . . . . . . 70
3.10 Equações Diofantinas Lineares . . . . . . . . . . . . . . 75
4 A Aritmética dos Restos 81
4.1 Congruências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 81
4.2 Critérios de Multiplicidade e Restos . . . . . . . . . . 84
4.3 Congruências e Somas . . . . . . . . . . . . . . . . . . 85
4.4 Congruências e Produtos . . . . . . . . . . . . . . . . . 87
4.5 Algumas Aplicações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 90
4.6 Aritmética Modular . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 96
5 Problemas Suplementares 99
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Capítulo 1
Os Números Naturais
1.1 Os Naturais
Os números naturais formam um conjunto cujos elementos são
descritos de modo ordenado como segue:
1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, . . .
ou ainda, de modo mais sugestivo:
_
1
- _
2
- _
3
- _
4
- _
5
- _
6
- _
7
- _
8
- _
9
- _
10
-
. . .
Essa descrição não é completa, pois só explicitamos alguns poucos
de seus elementos, guardando o restante na nossa imaginação.
No entanto, todos nós sabemos perfeitamente do que estamos fa-
lando. Tudo começa com o número um, simbolizado por 1, que repre-
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2 CAP. 1: OS NÚMEROS NATURAIS
senta a unidade, e com uma lei, simbolizada pelas flechas, que a cada
número, começando pelo 1, fornece o seu sucessor, isto é, o número
que lhe segue.
Sabemos também que esta sequência nunca termina; ou seja, os
números naturais são em quantidade infinita.
Cada elemento desse conjunto tem de ser obviamente represen-
tado por um símbolo distinto. Como fazer isto de modo a poder
memorizar todos esses símbolos? A resposta, muito engenhosa, é
dada pela adoção de um sistema de numeração, que no nosso caso
é o sistema decimal posicional, que será descrito no próximo capítulo.
Assim, por exemplo, sabemos que nesse sistema sucedendo o 10 vem
o 11 e sucedendo o 999 vem o 1 000 etc.
Os números naturais permitem contar objetos, inclusive subcon-
juntos do próprio conjunto dos naturais. Por exemplo, de 1 a n,
inclusive, existem exatamente n números naturais.
1.2 Ordem
Quando um número a aparece na sequência, acima mencionada,
antes do número b, ou seja, à esquerda de b, escrevemos a < b e
dizemos que a é menor do que b, ou ainda, escrevemos b > a e dizemos
que b é maior do que a.
. . .
- _
a
-
. . .
- _
b
-
. . .
Por exemplo, 1 < 2, 5 < 7, 9 > 6 etc.
Essa relação que ordena os números naturais tem claramente a
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SEC. 1.2: ORDEM 3
seguinte propriedade transitiva:
Se a aparece antes de b e b aparece antes de c, então a aparece
antes de c.
. . .
- _
a
-
. . .
- _
b
-
. . .
- _
c
-
. . .
Em símbolos:
Se a < b e b < c, então a < c.
Escreveremos também a ≤ b para representar a situação:
a < b ou a = b.
Por exemplo, temos que 2 ≤ 3 e também que 2 ≤ 2.
A ordem nos naturais é total, o que significa que dados dois
números naturais a e b temos verificada uma e apenas uma das três
seguintes possibilidades (tricotomia):
a < b, a = b, ou a > b.
Sejam dados dois números naturais a e b com a < b. Definimos os
seguintes conjuntos:
[a, b] o conjunto dos números naturais x tais que a ≤ x ≤ b,
(a, b) o conjunto dos números naturais x tais que a < x < b,
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4 CAP. 1: OS NÚMEROS NATURAIS
(a, b] o conjunto dos números naturais x tais que a < x ≤ b,
[a, b) o conjunto dos números naturais x tais que a ≤ x < b.
O primeiro e o segundo conjunto são chamados, respectivamente,
de intervalo fechado e intervalo aberto. Os dois outros conjuntos
são chamados indiferentemente de intervalos semiabertos, ou semife-
chados.
Exemplos:
O intervalo (2, 5) = {3, 4}:
_
1
- _
2
- ___
3
- ___
4
- _
5
- _
6
- _
7
- _
8
- _
9
- _
10
-
O intervalo (2, 5] = {3, 4, 5}:
_
1
- _
2
- ___
3
- ___
4
- __ _
5
- _
6
- _
7
- _
8
- _
9
- _
10
-
O intervalo [2, 5) = {2, 3, 4}:
_
1
- ___
2
- ___
3
- ___
4
- _
5
- _
6
- _
7
- _
8
- _
9
- _
10
-
O intervalo [2, 5] = {2, 3, 4, 5}:
_
1
- ___
2
- ___
3
- ___
4
- __ _
5
- _
6
- _
7
- _
8
- _
9
- _
10
-
Problema 1.1. Determine os elementos dos seguintes intervalos:
(2, 3), (2, 3], [2, 3), [2, 3], (3, 7), (3, 7], [3, 7) e [3, 7].
Uma propriedade característica e fundamental do conjunto dos
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SEC. 1.3: ADIÇÃO 5
números naturais, que não procuraremos justificar por parecer tão
óbvia, é a seguinte:
Princípio da Boa Ordem. Todo subconjunto não vazio do conjunto
dos números naturais possui um menor elemento.
A afirmação acima significa que dado um subconjunto A de N, não
vazio, existe um elemento a de A tal que a ≤ b, para todo elemento b
de A.
Problema 1.2. Determine o menor elemento de cada um dos seguin-
tes conjuntos: [2, 8], (2, 8], (3, 5), (3, 4), [3, 7] ∩[2, 5], [3, 7] ∪[2, 5].
1.3 Adição
Vamos a seguir introduzir a operação básica nos naturais.
Seja dado um número natural a, o sucessor de a será também
representado por a + 1:
. . .
-
`

a
-
`

a + 1
-
. . .
Sejam dados dois números naturais a e b, quaisquer. Podemos
deslocar a de b posições para a direita, obtendo um número que será
denotado por a+b. Essa operação entre números naturais é chamada
de adição e o número a + b é chamado soma de a e b.
. . .
-
`

a
-
`

a + 1
-
`

a + 2
- . . . -
`

a + b
-
. . .
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6 CAP. 1: OS NÚMEROS NATURAIS
Por exemplo, dados a = 2 e b = 3, ao deslocarmos a de três
posições para a direita, obtemos a sequência
2, 2 + 1 = 3, 3 + 1 = 4, 4 + 1 = 5,
obtendo assim o número 2 + 3 = 5.
Agora, suponha que deslocamos b = 3 de a = 2 posições para a
direita, obtemos
3, 3 + 1 = 4, 3 + 2 = 5,
logo, também, 3 + 2 = 5.
Portanto,
2 + 3 = 3 + 2 = 5.
Este fato não é uma mera coincidência, ocorre sempre!
Propriedade comutativa da adição. Quaisquer que sejam os nú-
meros naturais a e b, temos que
a + b = b + a.
Esse fato, devido à nossa experiência com os números, nos parece
óbvio, mas você teria alguma ideia de como mostrar que ao deslocar a
para a direita de b posições alcança-se o mesmo número que deslocar
b para a direita de a posições?
Vamos agora introduzir um símbolo para representar o não deslo-
camento de um número. Diremos que deslocamos um número a de
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SEC. 1.3: ADIÇÃO 7
zero posições para a direita quando não o movemos do seu lugar.
Escreveremos, neste caso,
a + 0 = a.
Vamos colocar o símbolo 0, chamado zero, à esquerda de todos os
números naturais, obtendo o conjunto ordenado:
_
0
- _
1
- _
2
- _
3
- _
4
- _
5
- _
6
- _
7
- _
8
- _
9
-
. . .
Portanto, consideraremos 0 < a, para todo número natural a.
Denotaremos o conjunto acima por N, continuando a chamá-lo de
conjunto (ampliado) dos números naturais.
Se deslocarmos agora 0 de 1 posição para a direita, obtemos o
número 1, se o deslocarmos de 2 posições à direita, obtemos 2, se o
deslocarmos de 3 posições à direita obtemos 3. Portanto, é intuitivo
aceitar que se deslocarmos 0 de a posições à direita obtemos o número
a. Finalmente, é claro que 0 + 0 = 0, pois ao não deslocarmos o zero
nos mantemos no zero. Portanto, para todo a no conjunto N, temos
que
0 + a = a = a + 0.
Assim, quaisquer que sejam a e b no conjunto N (incluindo agora
o elemento 0), temos que a + b = b + a.
Podemos estender a soma para uma quantidade de números maior
do que dois. Por exemplo, para somar três números a, b e c, podemos
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8 CAP. 1: OS NÚMEROS NATURAIS
proceder da seguinte forma: somamos inicialmente a e b, formando o
número (a + b), depois somamos esse novo número com c, obtendo o
número (a+b) +c. Por exemplo dados 3, 5 e 6, formaríamos 3+5 = 8
e o somaríamos com 6 obtendo (3 + 5) + 6 = 8 + 6 = 14.
Por outro lado, poderíamos somar a com (b+c), obtendo o número
a+(b+c). No exemplo acima, isso nos daria 3+(5+6) = 3+11 = 14.
Acontece que a adição tem também a seguinte propriedade:
Propriedade associativa da adição. Quaisquer que sejam os nú-
meros a, b e c de N, tem-se
(a + b) + c = a + (b + c).
Problema 1.3. Utilizando as propriedades comutativa e associativa
da adição, mostre que os 12 modos de somar três números a, b e c:
(a+b) +c, a+(b +c), (a+c) +b, a+(c +b), (b +a) +c, b +(a+c),
(b +c) +a, b +(c +a), c +(b +a), (c +a) +b, c +(a +b), (c +b) +a,
dão o mesmo resultado.
Adição e Ordem. Há uma relação de compatibilidade entre a ordem
e a adição de números naturais, que é a seguinte:
Dados três números naturais a, b e c quaisquer,
se a < b, então a + c < b + c.
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SEC. 1.3: ADIÇÃO 9
De fato, se a está à esquerda de b, então ao deslocarmos a e b
simultaneamente de c posições à direita, não é difícil aceitar que a+c
se mantém à esquerda de b + c.
. . .
-
`

a
-
`

a + 1
-
`

a + 2
-
. . .
-
`

b
-
`

b + 1
-
`

b + 2
-
. . .
A propriedade acima admite uma recíproca, ou seja:
Dados três números naturais a, b e c, quaisquer,
se a + c < b + c, então a < b.
Prova-se esta propriedade utilizando a tricotomia. De fato, su-
ponhamos que a + c < b + c. Pela tricotomia, temos uma das três
possibilidades:
b < a, b = a, ou a < b.
A primeira possibilidade não pode ser verificada, pois se b < a,
teríamos b + c < a + c, pela propriedade já provada, o que está em
contradição com a nossa hipótese a + c < b + c.
A segunda possibilidade também não pode ser verificada, pois se
a = b, teríamos a+c = b +c, o que também está em contradição com
a nossa hipótese.
Só resta portanto a única possibilidade: a < b.
Você percebeu que utilizamos a tricotomia diversas vezes na prova
acima?
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10 CAP. 1: OS NÚMEROS NATURAIS
Problema 1.4. Mostre que dados três números naturais a, b e c,
quaisquer,
se a + c = b + c, então a = b.
Problema 1.5. Usando a propriedade de compatibilidade da adição
com a ordem e a transitividade da ordem, mostre que:
Se a < b e c < d, então a + c < b + d.
Vale a recíproca dessa propriedade?
Sugestão: Usando a compatibilidade da adição com a ordem, some c
a ambos os lados da primeira desigualdade, some b a ambos os lados da
segunda desigualdade. Finalmente, compare as novas desigualdades
assim obtidas.
1.4 Subtração
Dados dois números naturais a e b tais que a ≤ b, o número
de deslocamentos para a direita partindo de a para atingir b será
representado por b −a e será chamado de diferença entre b e a.
Por exemplo, dados a = 3 e b = 7, é preciso deslocar 3 para a
direita de 4 posições para alcançar 7, logo 7 −3 = 4.
Portanto, pela definição de b −a, temos que
a + (b −a) = b. (1.1)
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SEC. 1.4: SUBTRAÇÃO 11
O número b − a é também o quanto devemos deslocar b para a
esquerda para alcançar a.
Devido à equação (1.1), o número b−a pode ser interpretado como
o quanto falta a a para atingir b.
Portanto, da equação (1.1) e do Problema 1.4, seque que se tiver-
mos uma igualdade entre números naturais do tipo a + c = b, então
c = b −a.
Problema 1.6. Tenho 50 reais, mas uma bicicleta custa 200 reais,
quanto falta para eu poder comprar a bicicleta?
Problema 1.7. Mostre que se c ≤ a < b, então a −c < b −c.
Note que a −a = 0, pois devemos deslocar a de zero para atingir
a; ou seja não falta nada a a para atingir a.
Note também que a −0 = a, pois devemos deslocar 0 de a para a
direita para atingir a; ou seja, falta a a zero para atingir a.
Observe que, no contexto dos números naturais, só faz sentido
formar a diferença b − a quando b ≥ a: caso contrário, isto é, se
b < a,
. . .
- _
b
-
. . .
- _
a
-
. . .
não há como deslocar b para a esquerda para alcançar a, ou o que é
o mesmo, não há como deslocar a para a direita para atingir b.
Quando a ≤ b, a diferença b −a, entre b e a, define uma operação
sobre pares de números naturais (a, b), que chamaremos de subtração.
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12 CAP. 1: OS NÚMEROS NATURAIS
A subtração é a operação inversa da adição, pois ao deslocarmos a
para a direita de b posições encontramos a+b, depois ao deslocarmos
a + b para a esquerda de b posições voltamos para a. Em símbolos:
(a + b) −b = a.
Reciprocamente, se deslocarmos b para a esquerda de a posições
encontramos b − a, depois ao deslocarmos b − a para a direita de a
posições encontramos b. Em símbolos:
(b −a) + a = b.
Quando b > a, o número b−a nos auxilia na contagem de quantos
números inteiros maiores ou iguais a a e menores ou iguais a b existem.
Para contar esses números considere a sequência:
a + 0, a + 1, a + 2, a + 3, . . . , a + (b −a) = b,
cujo número de elementos é igual ao número de naturais entre 0 e
b −a, inclusive, o que nos dá exatamente b −a + 1 números.
Portanto,
se a < b, o intervalo [a, b] possui b −a + 1 elementos.
Problema 1.8. Quantos números naturais existem maiores ou iguais
a 37 e menores ou iguais a 72?
Problema 1.9. Quantos números naturais existem em cada um dos
intervalos (32, 75], [32, 75) e (32, 75)?
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SEC. 1.5: MÚLTIPLOS 13
Problema 1.10. Se a < b, quantos números naturais existem nos
intervalos (a, b], [a, b) e (a, b)?
1.5 Múltiplos
Dado a ∈ N, podemos considerar os múltiplos de a:
0 vezes a (nenhuma vez a), uma vez a, duas vezes a, três vezes a
etc., obtendo assim a sequência:
0 ×a = 0, 1 ×a = a, 2 ×a = a + a, 3 ×a = a + a + a, . . .
Por exemplo, 0 dúzias, uma dúzia, duas dúzias, três dúzias etc.,
são os múltiplos de 12.
Outro exemplo é dado pelos múltiplos de 2:
0, 2, 4, 6, 8, 10, · · ·
que são chamados de números pares. Um número que não é par é
chamado de ímpar.
Problema 1.11. Os números ímpares são múltiplos de algum número
fixado maior do que 1? Você seria capaz de justificar de modo con-
vincente a sua resposta?
Problema 1.12. Liste os 10 primeiros múltiplos de 5.
Problema 1.13. Descubra quantos múltiplos de 7 existem entre 14
e 63, inclusive.
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14 CAP. 1: OS NÚMEROS NATURAIS
Solução: O modo mais direto de proceder é listar esses números para
depois contá-los:
14, 21, 28, 35, 42, 49, 56, 63.
Assim, concluímos que esses são 8 em número.
Problema 1.14. Descubra quantos múltiplos de 7 existem entre 14
e 7 000, inclusive.
Solução: Resolver o problema listando todos esses números, como na
solução do Problema 1.13, seria muito trabalhoso. Podemos abor-
dar o problema fazendo-o recair num caso já considerado e de fácil
resolução:
2 ×7 (= 14), 3 ×7, 4 ×7, . . . , 1 000 ×7 (= 7 000).
Agora é só contar quantos são os números de 2 a 1 000, que sabe-
mos serem 1 000 −2 + 1 = 999.
Note que o único múltiplo de 0 é apenas o 0. Todos os números
são múltiplos de 1 e de si próprios. Note também que, pela definição
de múltiplo, um múltiplo não nulo, isto é diferente de zero, de um
número a > 0 é sempre maior ou igual do que a.
Assim, temos a seguinte propriedade importante:
Se a ×b = 0, então a = 0 ou b = 0.
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SEC. 1.5: MÚLTIPLOS 15
Problema 1.15.
(a) Quantos múltiplos de 8 existem entre 32 e 8 000, inclusive?
(b) Quantos números pares existem entre 3 211 e 6 321?
(c) Quantas dúzias podemos formar com 180 laranjas? E com 220
laranjas?
(d) Quantas semanas formam 280 dias? E 360 dias?
Problema 1.16. Seja c = 0.
(a) Mostre que
0 < c < 2 ×c < 3 ×c < 4 ×c < 5 ×c.
Fica assim “bastante evidente”, por analogia, ou por indução empírica,
que se a < b, então a ×c < b ×c (uma prova rigorosa disto pode ser
dada usando Indução Matemática).
(b) Mostre que vale a recíproca da propriedade acima, isto é que se
a ×c < b ×c, então a < b.
Sugestão: Mostre que qualquer uma das opções, a = b ou b < a,
implica numa contradição, restando assim, por tricotomia (recorde
que a ordem é total), a única possibilidade: a < b.
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16 CAP. 1: OS NÚMEROS NATURAIS
1.6 Multiplicação
Tomar múltiplos define uma operação nos números naturais, a×b,
que se lê a vezes b, representando o múltiplo a vezes b de b. Assim,
a ×b =









0, se a = 0,
b, se a = 1,
b + b +· · · + b

a parcelas
, se a > 1.
O número a×b será chamado o produto de a por b e será também
denotado por ab, quando não houver risco de confusão.
Exemplos: 2 × 3 = 3 + 3 = 6, 3 × 2 = 2 + 2 + 2 = 6,
5 ×2 = 2 + 2 + 2 + 2 + 2 = 10, 2 ×5 = 5 + 5 = 10 etc.
Dos exemplos acima temos que
2 ×3 = 6 = 3 ×2 e 5 ×2 = 10 = 2 ×5.
De novo, isto não é mera coincidência, pois ocorre sempre. Vamos
admitir que a multiplicação possua a seguinte propriedade:
Propriedade comutativa da multiplicação. Quaisquer que sejam
os números naturais a e b, temos que
a ×b = b ×a.
De modo semelhante à adição, a multiplicação também possui a
seguinte propriedade:
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SEC. 1.6: MULTIPLICAÇÃO 17
Propriedade associativa da multiplicação. Quaisquer que sejam
os números naturais a, b e c, temos que
a ×(b ×c) = (a ×b) ×c.
Problema 1.17. Mostre que ser múltiplo é uma relação transitiva,
isto é, se c é múltiplo de b e b é múltiplo de a, então c é múltiplo de
a.
Recorde que definimos a multiplicação nos números naturais
através da noção de múltiplo, que em última análise se reduz a ir
somando, sucessivamente, a cópias de um mesmo número b. É por-
tanto natural esperar que as operações de adição e de multiplicação
tenham uma forte relação. Uma dessas relações se dá através da pro-
priedade distributiva que passamos a discutir.
Propriedade distributiva da multiplicação com relação à
adição. Considere dois múltiplos de um mesmo número natural, por
exemplo 6 ×12 e 3 ×12, somando esses números obtemos
6 ×12 + 3 ×12 = 6 ×12 + (1 ×12 + 2 ×12)
= (6 ×12 + 1 ×12) + 2 ×12
= 7 ×12 + (1 ×12 + 1 ×12)
= (7 ×12 + 1 ×12) + 1 ×12
= 8 ×12 + 1 ×12
= 9 ×12 = (6 + 3) ×12.
Um procedimento como o acima, mais um argumento de indução
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18 CAP. 1: OS NÚMEROS NATURAIS
que não queremos explicitar agora, permitiria mostrar que, em geral,
dados números naturais a, b e c, tem-se que
(a + b) ×c = a ×c + b ×c.
Problema 1.18. Mostre que
c ×(a + b) = c ×a + c ×b.
Problema 1.19. Mostre que a soma de dois múltiplos de um mesmo
número é múltiplo desse número.
Propriedade distributiva da multiplicação com relação à sub-
tração. Podemos agora mostrar que se a < b, então
c ×(b −a) = c ×b −c ×a.
De fato, temos que
c ×a + c ×(b −a) = c ×[a + (b −a)] = c ×b.
Assim, pela definição da subtração, temos que
c ×(b −a) = c ×b −c ×a.
Problema 1.20. Mostre que a diferença de dois múltiplos de um
mesmo número, quando faz sentido, é múltiplo desse número.
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SEC. 1.7: MÚLTIPLOS COMUNS 19
Problema 1.21. Sejam dados números naturais a, b e c tais que a é
múltiplo de c. Mostre que a + b é múltiplo de c se, e somente se, b é
múltiplo de c.
Multiplicação e Ordem. A relação entre a adição e a ordem se
reflete numa relação entre a multiplicação e a ordem que já tivemos
oportunidade de abordar no Problema 1.16:
Se a < b e c > 0, então c ×a < c ×b.
Problema 1.22. Mostre que o menor elemento do conjunto dos
múltiplos não nulos de um número natural a > 0 é o próprio a.
1.7 Múltiplos Comuns
Um conceito importante é o de múltiplo comum de dois números.
Por exemplo, considere a sequência dos múltiplos de 3:
0, 3, 6, 9, 12, 15, 18, 21, 24, 27, 30, 33, 36, 39, 42, 45, . . .
e a sequência dos múltiplos de 5:
0, 5, 10, 15, 20, 25, 30, 35, 40, 45, . . .
Assim, a sequência dos números que são simultaneamente múlti-
plos de 3 e de 5 é:
0, 15, 30, 45, . . .
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20 CAP. 1: OS NÚMEROS NATURAIS
Você saberia continuar a sequência acima? Aparentemente, trata-
se da sequência dos múltiplos de 15, ou seja, os múltiplos do menor
múltiplo comum não nulo de 3 e de 5, que é 15.
Isso é absolutamente correto e é um resultado geral que provare-
mos a seu tempo.
Problema 1.23. Determine os dois primeiros múltiplos comuns de
4 e 14. Como você continuaria esta sequência?
Se a e b são números naturais não nulos, sabemos por definição
que o número a×b é um múltiplo não nulo de b. Por outro lado, pela
propriedade comutativa da multiplicação, tem-se que ele é também
um múltiplo de a. Assim, o conjunto dos múltiplos comuns de a e b,
além de conter o número 0, contém também o número a ×b = 0.
Definição. O menor múltiplo comum não nulo de dois números na-
turais não nulos a e b é denotado por mmc(a, b) e será chamado de
mínimo múltiplo comum
1
de a e b (ou abreviadamente mmc).
Problema 1.24. Ache o mmc dos seguintes pares de números:
3 e 4; 6 e 11; 6 e 8; 3 e 9.
Voce percebeu que algumas vezes mmc(a, b) = a × b e outras
vezes não? Qual será a razão? Desvendaremos mais este mistério no
Capítulo 3.
1
Este número existe em função da observação acima e do Princípio da Boa
Ordem.
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SEC. 1.8: POTENCIAÇÃO 21
1.8 Potenciação
Dados dois números naturais a = 0 e n qualquer, definimos a
operação de potenciação como segue:
a
n
=









1, se n = 0,
a, se n = 1,
a ×a ×· · · ×a

n fatores
, se n > 1.
Define-se também 0
n
= 0, para todo n = 0.
Exemplo: 2
0
= 1, 2
1
= 2, 2
2
= 2 ×2 = 4, 2
3
= 8, 0
2
= 0 etc.
Observação. Fica de fora 0
0
, que não é definido.
Problema 1.25. Convença-se de que a potenciação possui as seguin-
tes propriedades:
(a) 1
n
= 1; (b) a
n
a
m
= a
n+m
;
(c) (a
n
)
m
= a
nm
; (d) a
n
b
n
= (ab)
n
.
Existem também fórmulas para escrever a potência de uma soma.
Por exemplo,
(a + b)
2
= a
2
+ 2ab + b
2
,
(a + b)
3
= a
3
+ 3a
2
b + 3ab
2
+ b
3
,
(a + b)
4
= a
4
+ 4a
3
b + 6a
2
b
2
+ 4ab
3
+ b
4
.
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22 CAP. 1: OS NÚMEROS NATURAIS
Em geral, (a+b)
n
se escreve como a soma dos produtos de potên-
cias a
i
b
j
, onde i + j = n, multiplicados por certos números naturais.
Esta fórmula geral que não apresentaremos aqui é chamada de fór-
mula do binômio de Newton. Para maiores informações sobre esta
fórmula, veja o texto sobre indução do autor, já citado anteriormente
e listado na bibliografia no final do livro.
Problema 1.26. Desenvolva (a + b)
5
.
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Capítulo 2
Representação dos Naturais
2.1 O Sistema Decimal
Os números naturais foram representados ao longo da história de
vários modos distintos. O modo universalmente utilizado na atuali-
dade é a representação decimal posicional. Esse sistema, variante do
sistema sexagesimal utilizado pelos babilônios há cerca de 1 700 anos
antes de Cristo, foi desenvolvido na China e na Índia. Nesse sistema,
todo número natural é representado por uma sequência formada pelos
algarismos
0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9.
Por serem 10 esses algarismos, o sistema é chamado de decimal.
O sistema é também dito posicional, pois cada algarismo, além de seu
valor intrínseco, possui um peso que lhe é atribuído em função de sua
posição dentro da sequência. Esse peso é uma potência de 10 e varia
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24 CAP. 2: REPRESENTAÇÃO DOS NATURAIS
do seguinte modo:
O algarismo da extrema direita tem peso 10
0
= 1; o seguinte,
sempre da direita para a esquerda, tem peso 10
1
= 10; o seguinte tem
peso 10
2
= 100; o seguinte tem peso 10
3
= 1 000 etc.
Assim, o número 1 458, no sistema decimal representa o número
1 ×10
3
+ 4 ×10
2
+ 5 ×10 + 8.
Os zeros à esquerda em um número são irrelevantes, pois por exem-
plo,
0231 = 0 ×10
3
+ 2 ×10
2
+ 3 ×10 + 1 = 2 ×10
2
+ 3 ×10 + 1 = 231.
Cada algarismo de um número possui uma ordem, contada da
direita para a esquerda. Assim, no exemplo acima, o 8 é de primeira
ordem, o 5 de segunda ordem, o 4 de terceira ordem e o 1 de quarta
ordem.
Cada três ordens, também contadas da direita para a esquerda,
constituem uma classe. As classes são usualmente separadas por um
ponto. A seguir, damos os nomes das primeiras classes e ordens:
Classe das Unidades





unidades 1
a
ordem
dezenas 2
a
ordem
centenas 3
a
ordem
Classe do Milhar





unidades de milhar 4
a
ordem
dezenas de milhar 5
a
ordem
centenas de milhar 6
a
ordem
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SEC. 2.1: O SISTEMA DECIMAL 25
Classe do Milhão





unidades de milhão 7
a
ordem
dezenas de milhão 8
a
ordem
centenas de milhão 9
a
ordem
Problema 2.1. Determine a soma de todos os múltiplos de 6 que se
escrevem no sistema decimal com dois algarismos.
Problema 2.2. Fixe três algarismos distintos e diferentes de zero.
Forme os seis números com dois algarismos distintos tomados dentre
os algarismos fixados. Mostre que a soma desses números é igual a 22
vezes a soma dos três algarismos fixados.
Problema 2.3. Nos tempos de seus avós não existiam as calculadoras
eletrônicas e por isso eram ensinadas várias regras de cálculo mental.
Uma delas era a seguinte:
Seja a um número natural cujo algarismo da unidade é 5,
ou seja, a = 10q + 5, com q um número natural. Mostre que
a
2
= 100q(q + 1) + 25. Com isto, ache uma regra para calcular
mentalmente o quadrado de a. Aplique a sua regra para calcular os
quadrados dos números; 15, 25, 35, 45, 55, 65, 75, 85, 95, 105
e 205.
Problema 2.4. Qual é o menor número de dois algarismos? E qual
é o maior? Quantos são os números de dois algarismos? Quantos
algarismos precisa-se para escrevê-los?
Problema 2.5. Quantos algarismos são usados para numerar um
livro de 300 páginas? Quantas vezes usa-se cada algarismo?
Curiosidade. Existe uma fórmula interessante para descrever o nú-
mero Q(x) de algarismos necessários para escrever todos os números
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26 CAP. 2: REPRESENTAÇÃO DOS NATURAIS
naturais de 0 a x, no sistema decimal:
Q(x) = n(x + 1) −(10
n−1
+· · · + 10),
onde n é o número de algarismos de x (cf. Revista do Professor de
Matemática, n. 5, p. 32).
Utilize esta fórmula para conferir a sua resposta ao Problema 2.5.
2.2 Critérios de Multiplicidade de 2, 5 e 10
Critérios de multiplicidade são alguma regras práticas para decidir
se um dado número é múltiplo de algum outro prefixado.
A seguir, veremos alguns desses critérios.
Seja dado um número n escrito no sistema decimal como
n = n
r
· · · n
1
n
0
= n
r
10
r
+· · · + n
1
10 + n
0
.
Podemos então escrever
n = (n
r
10
r−1
+· · · + n
1
)10 + n
0
,
onde n
0
é o algarismo das unidades de n.
Reciprocamente, se n é da forma n = 10m+n
0
, onde n
0
é um dos
algarismos de 0 a 9, então n
0
é o algarismo das unidades de n.
Problema 2.6. Mostre que o algarismo das unidades de um quadrado
perfeito, isto é, um número da forma a
2
, onde a é um número natural,
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SEC. 2.2: CRITÉRIOS DE MULTIPLICIDADE DE 2, 5 E 10 27
só pode ser 0, 1, 4, 5, 6 ou 9.
Critério de multiplicidade de 2.
Inicialmente, consideremos a tabela:
2 ×0 = 0 2 ×5 = 10 = 10 + 0
2 ×1 = 2 2 ×6 = 12 = 10 + 2
2 ×2 = 4 2 ×7 = 14 = 10 + 4
2 ×3 = 6 2 ×8 = 16 = 10 + 6
2 ×4 = 8 2 ×9 = 18 = 10 + 8
Note que todo número acima é um múltiplo de 10 somado com
um dos números: 0, 2, 4, 6, ou 8.
Suponha agora que um dado número natural n seja par, ou seja,
n = 2m, onde m é um número natural. Escrevendo m da forma
m

10 + m
0
, onde m
0
é o algarismo das unidades de m, temos
n = 2(m

10 + m
0
) = 2m

10 + 2m
0
.
Sendo 2m
0
um dos números da tabela, temos que ele é um múl-
tiplo de 10 somado com um dos números: 0, 2, 4, 6, ou 8. Logo,
n = 2m

10 +2m
0
é um múltiplo de 10 somado com um dos números:
0, 2, 4, 6, ou 8, e, portanto, o seu algarismo das unidades é 0, 2, 4, 6,
ou 8.
Problema 2.7. Mostre a recíproca do que provamos acima, ou seja,
mostre que é par um número cujo algarismo das unidades é um dos
algarismos 0, 2, 4, 6 ou 8.
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28 CAP. 2: REPRESENTAÇÃO DOS NATURAIS
Juntando essas informações temos o seguinte resultado:
Teorema (Critério de Multiplicidade de 2)
Um número é múltiplo de 2 se, e somente se, o seu algarismo das
unidades é par.
Critério de multiplicidade de 5 e de 10.
Seja n um número natural escrito na forma n = 10m + n
0
, onde
n
0
é o algarismo das unidades de n. Como 10m é múltiplo de 5 e de
10, temos que n é múltiplo de 5 ou de 10 se, e somente se, n
0
é múl-
tiplo de 5 ou de 10, respectivamente (cf. Problema 1.21). Isto ocorre
se, e somente se, n
0
= 0 ou n
0
= 5, no primeiro caso; e n
0
= 0, no
segundo. Assim, provamos o seguinte resultado:
Teorema (Critério de Multiplicidade de 5 ou de 10)
Um número é múltiplo de 5 se, e somente se, o seu algarismo das
unidades for 0 ou 5. Um número é múltiplo de 10 se, e somente se,
o seu algarismo das unidades for 0.
Problema 2.8. Determine se é múltiplo de 2, de 5 ou de 10 cada
número a seguir:
17, 22, 25, 28, 30, 35 420, 523 475.
Problema 2.9. Com a informação de que 100 é múltiplo de 4 e de
25, você seria capaz de achar um critério de multiplicidade de 4 ou de
25?
Sugestão: Note que um número n = n
r
· · · n
2
n
1
n
0
pode ser escrito
na forma n = n
r
· · · n
2
×100 + n
1
n
0
.
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SEC. 2.3: CRITÉRIOS DE MULTIPLICIDADE DE 9 E DE 3 29
Problema 2.10. Com a informação de que 1 000 é múltiplo de 8
(respectivamente de 125), você seria capaz de achar um critério de
multiplicidade de 8? (respectivamente de 125?)
Sugestão: Note que um número n = n
r
· · · n
3
n
2
n
1
n
0
pode ser escrito
na forma n = n
r
· · · n
3
×1 000 + n
2
n
1
n
0
.
2.3 Critérios de Multiplicidade de 9 e de 3
Inicialmente note os seguintes fatos:
10 −1 = 9 = 1 ×9,
10
2
−1 = 100 −1 = 99 = 11 ×9,
10
3
−1 = 1.000 −1 = 999 = 111 ×9,
10
4
−1 = 10 000 −1 = 9 999 = 1 111 ×9.
Em geral, para n um número natural não nulo, temos
10
n
−1 = 11 · · · 1

n vezes
×9.
Portanto, todos os números da forma 10
n
− 1 são múltiplos de 9
e também de 3, já que 9 é múltiplo de 3.
Seja dado agora um número n escrito no sistema decimal como
n = n
r
· · · n
1
n
0
= n
r
10
r
+· · · + n
1
10 + n
0
.
Subtraiamos a soma n
r
+· · ·+n
1
+n
0
, dos algarismos que compõem
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30 CAP. 2: REPRESENTAÇÃO DOS NATURAIS
o número n, de ambos os lados da igualdade acima:
n −(n
r
+· · · + n
1
+ n
0
) = n
r
10
r
−n
r
+· · · + n
1
10 −n
1
+ n
0
−n
0
= (10
r
−1)n
r
+· · · + (10 −1)n
1
.
Note agora que a última expressão é sempre múltiplo de 9 (logo, de
3). Portanto, pelo Problema 1.21, temos que n é múltiplo de 9 ou de
3 se, e somente se, o número n
r
+· · · +n
1
+n
0
é múltiplo de 9 ou de
3. Assim, obtemos o seguinte resultado:
Teorema (Critério de Multiplicidade de 9 ou de 3)
Um número n = n
r
· · · n
1
n
0
é múltiplo de 9 ou de 3 se, e somente se,
o número n
r
+· · · +n
1
+n
0
for múltiplo de 9 ou de 3, respectivamente.
O teorema acima reduz o problema de saber se um dado número é
múltiplo de 9 ou de 3 ao problema de saber se um outro número obtido
a partir desse é múltiplo de 9 ou de 3. O que ganhamos com isto?
Bem, o número n
r
+· · · +n
1
+n
0
é consideravelmente menor do que
n e se ele ainda for grande podemos aplicar o teorema a ele obtendo
um número ainda menor e assim, sucessivamente, até encontrar um
número para o qual seja fácil decidir se é múltiplo de 9 ou de 3.
Por exemplo, dado o número 257 985 921, somando os seus alga-
rismos obtemos 2 + 5 + 7 + 9 + 8 + 5 + 9 + 2 + 1 = 48. Repetindo o
mesmo procedimento para o número 48, obtemos 4 + 8 = 12, o qual
é múltiplo de 3 mas não de 9. Logo, o número dado inicialmente é
múltiplo de 3, mas não múltiplo de 9.
Problema 2.11. Determine se é múltiplo de 3 ou de 9 cada um dos
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SEC. 2.4: NÚMEROS PRIMOS 31
números a seguir:
108, 111, 225, 328, 930, 35 424, 523 476.
2.4 Números Primos
Os números primos são números especiais que desempenham um
papel importante dentro da teoria e entre outras coisas os seus pro-
dutos representam todos os números naturais, como veremos ainda
nesta seção.
Definição. Um número natural diferente de 0 e de 1 e que é apenas
múltiplo de 1 e de si próprio é chamado de número primo. Um número
diferente de 0 e de 1 que não é primo é chamado de número composto.
Por exemplo, 2, 3, 5 e 7 são números primos, enquanto 4, 6 e 8
são números compostos, por serem múltiplos de 2.
Mais geralmente, todo número par maior do que 2 não é primo,
ou seja, é composto (justifique).
Note que a definição acima não classifica os números 0 e 1 nem
como primos nem como compostos. Exceto esses dois números, todo
número natural ou é primo ou é composto.
Problema 2.12. Diga quais dos seguintes números são primos e quais
são compostos:
9, 10, 11, 12, 13, 15, 17, 21, 23, 47, 49.
Certamente, os números compostos são em número infinito, pois
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32 CAP. 2: REPRESENTAÇÃO DOS NATURAIS
já os números pares diferentes de 2 são em número infinito (justifique).
Uma pergunta que surge espontaneamente é a seguinte: Quantos
são os números primos?
Euclides de Alexandria, em 300 a.C., ou seja, há mais de 2 300
anos, mostrou que existem infinitos números primos.
Como terá Euclides feito isto? Será que ele exibiu todos os núme-
ros primos? Seria isto possível? Veremos na próxima seção como ele
realizou esta façanha.
Determinar se um dado número é primo ou composto pode ser
uma tarefa muito árdua. Para se ter uma ideia da dificuldade, você
saberia dizer se o número 241 é primo?
Muito mais difícil é decidir se o número 4 294 967 297 é primo ou
composto. O matemático francês Pierre de Fermat (1601-1655) afir-
mou que esse número é primo, enquanto o matemático suíço Leonhard
Euler (1707-1783) afirmou que é composto. Qual deles estava com a
razão? Daremos a resposta na Seção 4.5.
A tarefa de decidir se um número é primo ou múltiplo de outro
pode ser ligeiramente auxiliada com critérios de multiplicidade, como
os que vimos nas Seções 2.2 e 2.3.
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SEC. 2.5: O CRIVO DE ERATÓSTENES 33
2.5 O Crivo de Eratóstenes
Um método muito antigo para se obter de modo sistemático
números primos é o chamado Crivo de Eratóstenes,
1
devido ao
matemático grego Eratóstenes.
A eficiência do método é baseada na observação bem simples a
seguir.
Se um número natural a > 1 é composto, então ele é múltiplo de
algum número primo p tal que p
2
≤ a. Equivalentemente, é primo
todo número a que não é múltiplo de nenhum número primo p tal que
p
2
< a.
De fato, se a é composto e p é o menor número primo do qual
a é múltiplo, então a = p × b, onde p e b são menores do que a.
De todo modo, sendo b primo ou composto, ele será múltiplo de um
número primo q. Como a é múltiplo de b e b é múltiplo de q, pela
transitividade da relação de ser múltiplo (Problema 1.17), temos que
a é também múltiplo de q e sendo p o menor primo do qual a é
múltiplo, temos p ≤ q. Logo, p
2
≤ p ×q ≤ a.
Por exemplo, para mostrar que o número 221(= 13 ×17), é com-
posto, bastaria testar se ele é múltiplo de algum dos números pri-
mos p = 2, 3, 5, 7, 11 ou 13, já que o próximo primo 17 é tal que
17
2
= 289 > 221.
Para se obter os números primos até uma certa ordem n, escreva
os números de 2 até n em uma tabela.
1
A palavra crivo significa peneira. O método consiste em peneirar os números
naturais em um intervalo [2, n], jogando fora os números que não são primos.
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34 CAP. 2: REPRESENTAÇÃO DOS NATURAIS
O primeiro desses números, o 2, é primo, pois não é múltiplo de
nenhum número anterior. Risque todos os demais múltiplos de 2 na
tabela, pois esses não são primos.
O primeiro número não riscado nessa nova tabela é o 3 que é
primo, pois não é múltiplo de nenhum número anterior diferente de 1.
Risque todos os demais múltiplos de 3 na tabela, pois esses não são
primos.
O primeiro número maior que 3 e não riscado na tabela é o 5 que
é um número primo, pois não é múltiplo de nenhum número anterior
diferente de 1. Risque os demais múltiplos de 5 na tabela.
O primeiro número maior do que 5 e que não foi riscado é o 7, que
é primo. Risque os demais múltiplos de 7 na tabela.
Ao término desse procedimento, os números não riscados são todos
os primos menores ou iguais a n.
Note que o procedimento termina assim que atingirmos um
número primo p tal que p
2
≥ n, pois, pela observação que fizemos
acima, já teríamos riscado todos os números compostos menores ou
iguais a n.
Exibimos a seguir o resultado do crivo para n = 250. Note que,
neste caso, o procedimento termina tão logo cheguemos ao número
primo p = 17.
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2
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3
4
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5
6
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7
8 9 10
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11
12
_
13
14 15 16
_
17
18
_
19
20 21 22
_
23
24
25 26 27 28
_
29
30
_
31
32 33 34 35 36
_
37
38 39 40
_
41
42
_
43
44 45 46
_
47
48
49 50 51 52
_
53
54 55 56 57 58
_
59
60
_
61
62 63 64 65 66
_
67
68 69 70
_
71
72
_
73
74 75 76 77 78
_
79
80 81 82
_
83
84
85 86 87 88
_
89
90 91 92 93 94 95 96
_
97
98 99 100


101
102


103
104 105 106


107
108


109
110 111 112


113
114 115 116 117 118 119 120
121 122 123 124 125 126


127
128 129 130


131
132
133 134 135 136


137
138


139
140 141 142 143 144
145 146 147 148


149
150


151
152 153 154 155 156


157
158 159 160 161 162


163
164 165 166


167
168
169 170 171 172


173
174 175 176 177 178


179
180


181
182 183 184 185 186 187 188 189 190


191
192


193
194 195 196


197
198


199
200 201 202 203 204
205 206 207 208 209 210


211
212 213 214 215 216
217 218 219 220 221 222


223
224 225 226


227
228


229
230 231 232


233
234 235 236 237 238


239
240


241
242 243 244 245 246 247 248 249 250
Consultando a tabela acima temos que o número 241 é primo,
respondendo à pergunta que formulamos anteriormente.
Da tabela acima, extraímos todos os números primos até 250:
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36 CAP. 2: REPRESENTAÇÃO DOS NATURAIS
2 3 5 7 11 13 17 19 23 29
31 37 41 43 47 53 59 61 67 71
73 79 83 89 97 101 103 107 109 113
127 131 137 139 149 151 157 163 167 173
179 181 191 193 197 199 211 223 227 229
233 239 241
Note que a diferença de dois números primos consecutivos, exce-
tuando 2 e 3 (que diferem de 1) é de no mínimo 2 (justifique).
Dois primos consecutivos são chamados primos gêmeos se eles
diferem de 2.
Assim, consultando a tabela dos primos acima, os seguintes são
pares de primos gêmeos:
(3, 5), (5, 7), (11, 13), (17, 19), (29, 31), (41, 43), (59, 61), (71, 73),
(101, 103), (107, 109), (137, 139), (149, 151), (179, 181), (191, 193),
(197, 199), (227, 229), (239, 241).
O que é surpreendente é que até o presente momento os matemáti-
cos ainda não saibam dizer se os pares de primos gêmeos formam um
conjunto finito ou infinito.
Três primos consecutivos serão chamados primos trigêmeos se a
diferença entre cada dois primos consecutivos da terna é 2.
Por exemplo, (3, 5, 7) é uma terna de primos trigêmeos. Você seria
capaz de exibir outra terna de primos trigêmeos?
Ao contrário dos pares de primos gêmeos, vamos mais adiante ver
que será muito fácil responder à questão da finitude ou não dessas
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SEC. 2.5: O CRIVO DE ERATÓSTENES 37
ternas.
Outro problema muito simples de ser enunciado, mas que ainda
não tem resposta, é a chamada Conjectura de Goldbach.
2
O matemático prussiano
3
Christian Goldbach, numa carta de 7 de
junho de 1742 endereçada a Leonhard Euler, o maior matemático da
época e um dos maiores matemáticos de todos os tempos, propôs que
se provasse que todo número maior do que 5 é a soma de três primos.
Por exemplo, 6 = 2 + 2 + 2, 7 = 3 + 2 + 2, 8 = 3 + 3 + 2,
9 = 5 + 2 + 2, 10 = 5 + 3 + 2, 11 = 5 + 3 + 3 = 7 + 2 + 2,
12 = 5 + 5 + 2 = 3 + 7 + 2 etc.
Euler respondeu que acreditava nessa conjectura, porém não sabia
demonstrá-la, mas que ela era equivalente a mostrar que todo número
par maior ou igual do que 4 era soma de dois números primos.
Por exemplo, 4 = 2+2, 6 = 3+3, 8 = 5+3, 10 = 3+7 = 5+5,
12 = 5 + 7 etc.
Pois bem, esta conjectura, até o presente momento, não foi
provada, nem desmentida.
Problema 2.13. Teste a Conjectura de Goldbach e a versão de Euler
para os números de 14 a 40. Você acredita que esta conjectura seja
verdadeira?
2
O termo conjectura numa linguagem mais coloquial significa palpite, chute.
3
A Prússia tem uma história muito rica dentro do contexto europeu dos séculos
18, 19 e 20, marcado por guerras intermináveis. No tempo de Goldbach a Prússia
era um reino muito pobre, mas que posteriormente tornou-se um potente império
chegando a ocupar grande parte da Europa do Norte. Para saber mais consulte o
seu professor de História.
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38 CAP. 2: REPRESENTAÇÃO DOS NATURAIS
Um outro problema proposto em 1845 pelo matemático francês
Joseph Bertrand (1822-1900) foi que, dado um número natural n > 3,
sempre existe um número primo p no intervalo (n, 2n−2). Cinco anos
depois, o matemático russo Pafnuti Chebyshev (1821-1894) provou de
modo surpreendentemente elementar, mas não o suficiente para que
o façamos aqui, que a afirmação era verdadeira.
Problema 2.14. Usando a nossa tabela de primos, verifique o Pos-
tulado de Bertrand para n ≤ 125.
Há uma conjectura semelhante ao Postulado de Bertrand, pro-
posta anteriormente pelo matemático francês Adrien-Marie Legendre
(1752-1833), mas que ainda não foi provada nem desmentida, que é a
seguinte:
Dado um número natural n sempre existe um número primo no
intervalo (n
2
, (n + 1)
2
).
Problema 2.15. Usando a nossa tabela de primos, verifique a Con-
jectura de Legendre para n ≤ 15.
2.6 Teorema Fundamental da Aritmética
O método do Crivo de Eratóstenes nos mostra que dado um
número natural a, existe um número primo p
0
tal que ou a = p
0
, ou
a é um múltiplo não trivial de p
0
; isto é, a = p
0
a
1
, com 1 < a
1
< a.
Se a segunda possibilidade é verificada, segue que existe um
número primo p
1
, tal que ou a
1
= p
1
, ou a
1
= p
1
a
2
, onde
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SEC. 2.6: TEOREMA FUNDAMENTAL DA ARITMÉTICA 39
1 < a
2
< a
1
< a. Assim,
a = p
0
p
1
, ou a = p
0
p
1
a
2
.
Continuando a argumentação para a
2
, temos a = p
0
p
1
p
2
, ou
a = p
0
p
1
p
2
a
3
, para algum primo p
2
e 1 < a
3
< a
2
< a
1
< a.
Note que desigualdades como a acima não podem continuar in-
definidamente (justifique). Logo, para algum r, o número a
r
é um
primo p
r
, obtendo desse modo uma decomposição de a em fatores
primos:
a = p
1
p
2
· · · p
r
.
Obtemos, assim, o seguinte resultado que se encontra no livro Os
Elementos de Euclides de Alexandria.
Proposição (Euclides)
Todo número natural a > 1, ou é primo, ou se escreve como produto
de números primos.
Prova-se com um pouco mais de trabalho, que faremos na Seção
3.9, que esta escrita é única a menos da ordem dos fatores. Com esta
informação adicional, o resultado de Euclides pode ser reformulado
do seguinte modo:
Teorema Fundamental da Aritmética
Dado um número natural a ≥ 2, existem um número r > 0, números
primos p
1
< · · · < p
r
e números naturais não nulos n
1
, . . . , n
r
tais
que
a = p
n
1
1
· · · p
n
r
r
;
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40 CAP. 2: REPRESENTAÇÃO DOS NATURAIS
além disso, esta escrita é única.
4
Problema 2.16. Decomponha em produtos de primos os seguintes
números: 4, 6, 8, 28, 36, 84, 320 e 2 597.
Sugestão: Para o número 2 597, note que se esse número é com-
posto há certamente um número primo p < 51 que o divide, pois
51
2
> 2 597 (veja a observação que fizemos ao descrevermos o Crivo
de Eratóstenes).
Vamos aproveitar que já temos os ingredientes para dar a demons-
tração de Euclides de que existem infinitos números primos.
Suponha por absurdo que os números primos sejam em número
finito e seja a o produto de todos eles. O número a+1 não seria primo
pois ele seria maior do que qualquer número primo. Logo, a+1 sendo
composto, ele seria múltiplo de algum número primo q. Mas sendo
a também múltiplo de q, teríamos, pelo Problema 1.21, que 1 seria
múltiplo do número primo q, o que é um absurdo.
E foi assim que o astuto Euclides provou que existem infinitos
números primos, sem ter o trabalho de exibi-los todos. O método
utilizado na prova acima é chamado de redução ao absurdo e consiste
em negar a afirmação que se quer provar e mostrar que isto leva a uma
contradição. Assim, mostra-se que a negação da afirmação é falsa e,
portanto, a própria afirmação é verdadeira.
4
Observe que ordenamos os primos que intervêm na fatoração de a por ordem
crescente, daí a unicidade da escrita. Esta parte do teorema não se encontra
nos Elementos de Euclides, apesar daquela obra conter todos os ingredientes para
prová-la. A prova completa foi dada por Gauss mais de dois séculos depois e
acredita-se que Euclides não a fez por falta de notações adequadas.
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SEC. 2.6: TEOREMA FUNDAMENTAL DA ARITMÉTICA 41
Os números primos se distribuem dentro de N de modo bastan-
te irregular. Já vimos que existem primos consecutivos cuja diferença
é 2: são os primos gêmeos. Por outro lado, dado um número n arbi-
trário, existem dois primos consecutivos cuja diferença é maior do
que n.
De fato, dado n, considere o número a = 1×2×3×· · · ×n. Assim,
a + 2, a + 3, a + 4, . . . , a + n,
são inteiros consecutivos todos compostos, pois a +2 é múltiplo de 2,
a + 3 é múltiplo de 3, . . ., a + n é múltiplo de n. Sejam p o maior
primo menor do que a + 2 e q o menor primo maior do que a + n
(que existe pois os primos são infinitos); logo p e q são dois primos
consecutivos, com q −p > n.
Alguns dos problemas mais profundos ainda por resolver estão
relacionados com a distribuição dos números primos dentro da se-
quência dos números naturais.
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Capítulo 3
Os Inteiros e suas
Propriedades
3.1 Os Inteiros
Dados dois números naturais a e b, até o momento, o número
b −a só foi definido quando b ≥ a. Como remediar esta situação? O
jeito que os matemáticos encontraram para que seja sempre definido
o número b − a foi o de ampliar o conjunto dos números naturais
formando um novo conjunto Z chamado de conjunto dos números
inteiros, cujos elementos são dados ordenadamente como segue:
. . .
-
`

−3
-
`

−2
-
`

−1
-
`

0
-
`

1
-
`

2
-
`

3
-
. . .
Os números à esquerda do zero são chamados de números nega-
tivos e os à direita são chamados de números positivos. Os pares
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SEC. 3.1: OS INTEIROS 43
de números 1 e −1, 2 e −2, 3 e −3 etc., são chamados de números
simétricos. O elemento 0, que não é nem positivo, nem negativo, é o
seu próprio simétrico.
Em Z temos uma relação de ordem que estende a relação de ordem
de N, onde declaramos a < b quando a se encontra à esquerda de b.
Esta relação continua transitiva e total (i.e., satisfazendo à tricoto-
mia). Os intervalos emZ são definidos de modo análogo aos intervalos
de N.
Representando por −a o simétrico de a, seja ele positivo, negativo
ou nulo, temos sempre que
−(−a) = a.
No conjunto Z, temos definida a adição como segue:
Para todo número inteiro a, definimos a+b como sendo o número
obtido pelo deslocamento de a para a direita de b posições, se b ≥ 0 ou
de −b posições para a esquerda se b < 0. A adição no conjunto Z con-
tinua tendo as propriedades comutativa e associativa e é compatível
com a relação de ordem.
Definimos a diferença b − a como sendo o número obtido deslo-
cando b para a esquerda a posições, se a > 0; e deslocando b para a
direita −a posições, se a < 0. Isto define uma operação em Z, sem
restrições, chamada de subtração. Assim, temos que a subtração é a
operação inversa da adição e
b −a = b + (−a).
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44 CAP. 3: OS INTEIROS E SUAS PROPRIEDADES
Problema 3.1. Mostre que em Z continua valendo a propriedade do
Problema 1.4.
Problema 3.2. Mostre que em Z continua valendo que (b−a)+a = b
e que (a + b) −b = a.
Problema 3.3. Mostre com exemplos que a subtração não é uma
operação nem comutativa nem associativa.
Problema 3.4. Mostre que em Z um intervalo [a, b], onde a ≤ b,
tem b −a + 1 elementos.
A multiplicação nos inteiros é definida como segue: Se a, b ≥ 0,
sabemos o que é a ×b. Definimos
(−a) ×b = a ×(−b) = −(a ×b),
e
(−a) ×(−b) = a ×b.
Assim, a × b está definido para quaisquer inteiros a e b. A mul-
tiplicação em Z continua sendo comutativa, associativa e distributiva
com relação à adição e à subtração.
Tem-se também que se a ×b = 0, com a e b inteiros, então a = 0
ou b = 0.
Problema 3.5. Mostre que se a ×c = b ×c, com c = 0, então a = b.
A multiplicação também continua compatível com a ordem, no
seguinte sentido:
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SEC. 3.2: MÚLTIPLOS INTEIROS DE UM NÚMERO 45
Se a < b e c > 0, então c ×a < c ×b.
Problema 3.6. Mostre com um exemplo que em Z não vale a pro-
priedade:
Se a < b, então a ×c < b ×c, qualquer que seja c.
Nem a sua recíproca:
Se a ×c < b ×c, então a < b, qualquer que seja c.
3.2 Múltiplos Inteiros de um Número
Dado um inteiro a, consideremos o conjunto dos múltiplos inteiros
de a:
aZ = {a ×d; d ∈ Z}.
Problema 3.7. Mostre que os múltiplos inteiros de um elemento a
possuem as seguintes propriedades:
(i) 0 é múltiplo de a.
(ii) Se m é um múltiplo de a, então −m é múltiplo de a.
(iii) Um múltiplo de um múltiplo de a é um múltiplo de a.
(iv) Se m e m

são múltiplos de a, então m+m

e m−m

são também
múltiplos de a.
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46 CAP. 3: OS INTEIROS E SUAS PROPRIEDADES
(v) Se m e m

são múltiplos de a, então e × m + f × m

é múltiplo
de a, quaisquer que sejam os inteiros e e f (note que (iv) é um caso
particular da presente propriedade).
(vi) Se m+m

ou m−m

é múltiplo de a e m é múltiplo de a, então
m

é múltiplo de a.
O mesmo resultado vale para os múltiplos comuns de dois inteiros
a e b. De fato, o seguinte problema lida com esta situação.
Problema 3.8. Mostre que os múltiplos inteiros comuns de dois ele-
mentos a e b possuem as seguintes propriedades:
(i) 0 é múltiplo comum de a e b.
(ii) Se m é um múltiplo comum de a e b, então −m é múltiplo comum
de a e b.
(iii) Um múltiplo de um múltiplo comum de a e b é um múltiplo
comum de a e b.
(iv) Se m e m

são múltiplos comuns de a e b, então m+m

e m−m

são também múltiplos comuns de a e b.
(v) Se m e m

são múltiplos comuns de a e b, então e ×m+f ×m

é
múltiplo comum de a e b, quaisquer que sejam os inteiros e e f (note
que (iv) é um caso particular da presente propriedade).
(vi) Se m + m

ou m−m

é múltiplo comum de a e b e m é múltiplo
comum de a e b, então m

é múltiplo comum de a e b.
Vimos que dois números naturais a e b possuem sempre um mmc
que é um número natural. Se um dos números a ou b é nulo e o outro
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SEC. 3.3: DIVISORES 47
é um inteiro qualquer, então esses números só admitem o zero como
múltiplo comum (justifique), que será chamado do mínimo múltiplo
comum (mmc) de a e b. Se a e b são ambos não nulos, mesmo que
não sejam ambos positivos, então define-se o mínimo múltiplo comum
(mmc) de a e b como sendo o menor múltiplo comum positivo; ou seja,
o menor elemento positivo do conjunto
aZ ∩ bZ.
Problema 3.9. Suponha que os números 216 e 144 sejam múlti-
plos comuns de um determinado par de números a e b. Mostre que
mmc(a, b) ≤ 72.
Sugestão: Utilize a propriedade (iv) do Problema 3.8.
3.3 Divisores
Nesta seção olharemos a noção de múltiplo sob outro ponto de
vista.
Definição. Diremos que um número inteiro d é um divisor de outro
inteiro a, se a é múltiplo de d; ou seja, se a = d×c, para algum inteiro
c.
Quando a é múltiplo de d dizemos também que a é divisível por
d ou que d divide a.
Representaremos o fato de um número d ser divisor de um número
a, ou d dividir a, pelo símbolo d | a. Caso d não divida a, escrevemos
d a.
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48 CAP. 3: OS INTEIROS E SUAS PROPRIEDADES
Assim, por exemplo, temos que
1 | 6, 2 | 6, 3 | 6, 6 | 6, −6 | 6, −3 | 6, −2 | 6, −1 | 6.
Além disso, se d ∈ {−6, −3, −2, −1, 1, 2, 3, 6}, então d 6.
Temos também que 1 | a e d | 0, para todo d, inclusive quando
d = 0, pois 0 é múltiplo de qualquer número
1
.
Note também que se d | a, então −d | a, d | −a e −d | −a
Note que se a e d são números naturais, com a = 0, e se d | a,
então d ≤ a. De fato, sendo a um múltiplo natural não nulo do
número natural d, sabemos que a ≥ d.
Problema 3.10. Mostre que das duas propriedades acima segue que,
se a é um inteiro não nulo, os divisores de a são em número finito.
Problema 3.11. Mostre que se a e b são números naturais não nulos,
então a | b e b | a se, e somente se, a = b.
Os critérios de multiplicidade podem ser reenunciados como
critérios de divisibilidade.
Por exemplo, dado um número n = n
r
. . . n
1
n
0
na sua represen-
tação decimal, temos o resultado:
n é divisível por 2 (ou seja múltiplo de 2) se e somente se n
0
é um
número par.
1
Isto absolutamente não quer dizer que podemos dividir zero por zero, pois
como 0 = c×0 para todo c, o “quociente” de 0 por 0 poderia ser qualquer número,
logo não estaria bem definido.
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SEC. 3.3: DIVISORES 49
Problema 3.12. Enuncie critérios de divisibilidade por 3, 4, 5, 8, 9
e 10.
Utilizando a noção de divisor, podemos também redefinir a noção
de número primo como sendo um número p > 1 que só possui 1 e o
próprio p como divisores positivos.
A divisibilidade possui várias propriedades importantes decor-
rentes das propriedades dos múltiplos e cuja utilização vai nos facilitar
a vida.
A relação de divisibilidade é transitiva, ou seja, se a | b e b | c,
então a | c.
De fato, isto é o mesmo que a transitividade da relação de ser
múltiplo (veja Problema 1.17).
Problema 3.13. Mostre as seguintes propriedades importantes da
divisibilidade:
(a) Se d | a e d | b, então d | (b + a) e d | (b −a).
(b) Se d | (b + a) ou d | (b −a) e d | a, então d | b.
(c) Conclua que d é um divisor comum de a e de b se e somente se d
é um divisor comum de a e de b −a.
Definição. Dados dois números inteiros a e b não simultaneamente
nulos, o maior divisor comum de a e b será chamado de máximo divisor
comum de a e b e denotado por mdc(a, b).
Note que
mdc(a, b) = mdc(b, a).
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50 CAP. 3: OS INTEIROS E SUAS PROPRIEDADES
Problema 3.14.
(a) Mostre que mdc(0, 0) não existe.
(b) Mostre que
mdc(0, b) =

b, se b > 0
−b, se b < 0.
(c) Mostre que se a = 0 ou b = 0, então
mdc(a, b) = mdc(−a, b) = mdc(a, −b) = mdc(−a, −b).
O problema de determinar o mdc de dois números é bem simples
quando os números são pequenos, pois neste caso podemos listar todos
os divisores comuns desses números e escolher o maior deles, que será
o seu mdc.
Por exemplo, para calcular mdc(12, 18), determinamos os divisores
de 12, que são:
±1, ±2, ±3, ±4, ±6, ±12;
e os divisores de 18, que são:
±1, ±2, ±3, ±6, ±9, ±18.
Tomando o maior divisor comum, obtemos: mdc(12, 18) = 6.
No entanto, quando um dos dois números for grande, esse método
fica impraticável, pois achar os divisores de um número grande é muito
complicado. O que fazer então? Euclides, três séculos antes de Cristo,
nos dá uma solução para este problema descrevendo um algoritmo
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SEC. 3.3: DIVISORES 51
muito eficiente para fazer este cálculo. O Algoritmo de Euclides, como
é conhecido o método por ele desenvolvido, será descrito no próximo
capítulo e repousa numa generalização da propriedade do Problema
3.13(c) que recordamos abaixo:
Um número d é divisor comum de a e b, não ambos nulos, se, e
somente se, ele é um divisor comum de a e b −a.
Tomando o máximo divisor comum, obtemos a seguinte identi-
dade:
mdc(a, b) = mdc(a, b −a),
que permite ir reduzindo sucessivamente o cálculo do mdc de dois
números ao cálculo do mdc de números cada vez menores.
Como exemplo de aplicação, vejamos como isto vai permitir o
cálculo de mdc(3 264, 1 234):
mdc(3 264, 1 234) = mdc(1 234, 3 264 −1 234) =
mdc(1 234, 2 030) = mdc(1 234, 2 030 −1 234) =
mdc(1 234, 796) = mdc(796, 1 234 −796) =
mdc(796, 438) = mdc(796 −438, 438) =
mdc(358, 438) = mdc(358, 438 −358) =
mdc(358, 80) = mdc(358 −80, 80) =
mdc(278, 80) = mdc(198, 80) =
mdc(118, 80) = mdc(38, 80) =
mdc(38, 42) = mdc(38, 4) =
mdc(34, 4) = mdc(30, 4) =
mdc(26, 4) = mdc(22, 4) =
mdc(18, 4) = mdc(14, 4) =
mdc(10, 4) = mdc(6, 4) = 2
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52 CAP. 3: OS INTEIROS E SUAS PROPRIEDADES
As contas anteriores serão abreviadas de modo drástico com o
algoritmo de Euclides para o cálculo do mdc que iremos apresentar
na Seção 3.8.
Problema 3.15. Sejam a e b dois números com um divisor comum
d. Mostre que d divide a×n+b×m, quaisquer que sejam os números
inteiros n e m.
Dois números inteiros, não ambos nulos, serão ditos primos entre
si se não forem múltiplos de um mesmo número diferente de 1 e de
−1.
Portanto, dois inteiros a e b, não ambos nulos, são primos entre
si se os únicos divisores comuns de a e b são 1 e −1, o que equivale a
dizer que mdc(a, b) = 1.
Exemplos de pares de inteiros primos entre si são: 2 e 3; 4 e 15; 9
e 7. Não são primos entre si os pares: 2 e 4; 3 e 6; 9 e 12.
Dois números primos distintos são sempre primos entre si.
Dois números consecutivos são sempre primos entre si. De fato,
podemos escrever os dois números na forma n e n + 1, logo
mdc(n, n + 1) = mdc(n, n + 1 −n) = mdc(n, 1) = 1.
Problema 3.16.
(a) Mostre que dois números inteiros da forma n e 2n +1 são sempre
primos entre si.
(b) Mostre que se n é um número ímpar, então mdc(n, 2n + 2) = 1.
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SEC. 3.4: ALGORITMO DA DIVISÃO 53
(c) Mostre que se n é um número par, então mdc(n, 2n + 2) = 2.
Problema 3.17. Sejam a e b dois números naturais não ambos nulos
e seja d = mdc(a, b). Se a

e b

são os dois números naturais tais que
a = a

×d e b = b

×d, mostre que mdc(a

, b

) = 1.
3.4 Algoritmo da Divisão
Uma das propriedades mais importantes dos números naturais é
a possibilidade de dividir um número por outro com resto pequeno.
Essa é a chamada divisão euclidiana.
Sejam dados dois números naturais a e b, com a > 0 e b qualquer.
Queremos comparar o número natural b com os múltiplos do número
a. Para isto, considere todos os intervalos da forma [na, (n + 1)a),
para n um número natural qualquer. Isto nos dá uma partição de N,
ou seja,
N = [0, a) ∪ [a, 2a) ∪ [2a, 3a) ∪ · · · ∪ [na, (n + 1) a) ∪ · · ·
e os intervalos acima são dois a dois sem elementos em comum.
Portanto, o número b estará em um e apenas um dos intervalos
acima. Digamos que b pertença ao intervalo
[qa, (q + 1) a).
Logo, existem dois números naturais q e r, unicamente determi-
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54 CAP. 3: OS INTEIROS E SUAS PROPRIEDADES
nados, tais que
b = aq + r, com 0 ≤ r < a.
O número b é chamado dividendo, o número a divisor, os números
q e r são chamados, respectivamente, quociente e resto da divisão de
b por a.
Note que dados dois números naturais a e b, nem sempre b é
múltiplo de a, este será o caso se, e somente se, r = 0.
Como determinar os números q e r na divisão euclidiana?
Caso b < a Como b = 0 ×a + b, temos que q = 0 e r = b.
Caso b = a Neste caso, tomamos q = 1 e r = 0.
Caso b > a Podemos considerar a sequência:
b −a, b −2a, . . . , b −na,
até encontrar um número natural q tal que b − (q + 1)a < 0, com
b −qa ≥ 0. Assim, obtemos b = qa + r, onde r = b −qa e, portanto,
0 ≤ r < a.
Por exemplo, para dividir o número 54 por 13, determinamos os
resultados da subtração de 54 pelos múltiplos de 13:
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SEC. 3.4: ALGORITMO DA DIVISÃO 55
54 −13 = 41,
54 −2 ×13 = 28,
54 −3 ×13 = 15,
54 −4 ×13 = 2
54 −5 ×13 = −11 < 0.
Assim, a divisão euclidiana de 54 por 13 se expressa como:
54 = 4 ×13 + 2.
Problema 3.18. Efetue a divisão euclidiana nos seguintes casos:
(a) de 43 por 3 (b) de 43 por 5 (c) de 233 por 4
(d) de 1 453 por 10, por 100, por 1 000 e por 10 000.
Problema 3.19. Mostre o chamado Algoritmo da Divisão Euclidiana
nos inteiros:
Dados inteiros a e b, com a > 0, existe um único par de inteiros q
e r tal que
b = aq + r, com 0 ≤ r < a.
Sugestão: Considere os intervalos da forma [na, (n + 1) a), com n
em Z.
Problema 3.20. Efetue a divisão euclidiana nos seguintes casos:
(a) de −43 por 3 (b) de −43 por 5 (c) de −233 por 4
(d) de −1 453 por 10, por 100, por 1 000 e por 10 000.
Pelo Problema 3.19, se a > 0, os possíveis restos da divisão de um
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56 CAP. 3: OS INTEIROS E SUAS PROPRIEDADES
número qualquer por a são os números 0, 1, . . . , a −1.
Por exemplo, os possíveis restos da divisão de um número inteiro
por 2 são r = 0 ou r = 1.
Se um dado número quando divido por 2 deixa resto r = 0, ele é
divisível por 2, ou seja, ele é par.
Se, ao contrário, esse número deixa resto 1 quando dividido por
2, ele é ímpar.
Assim, um número é par se é da forma 2q e é ímpar se é da forma
2q + 1, para algum inteiro q.
Problema 3.21. Mostre que dentre dois inteiros consecutivos um
deles é par e o outro ímpar.
Problema 3.22. Mostre que um número n escrito no sistema deci-
mal como n
r
. . . n
1
n
0
deixa resto n
0
quando dividido por 10. Como
se relacionam os restos da divisão de n por 2 ou 5 com os restos da
divisão de n
0
por 2 ou 5?
Um número quando dividido por 3 pode deixar restos r = 0, r = 1
ou r = 2.
Problema 3.23. Mostre que de três inteiros consecutivos um e ape-
nas um deles é múltiplo de 3.
Solução: Suponha que os três inteiros consecutivos sejam a, a + 1
e a + 2. Temos as seguintes possibilidades: a deixa resto 0, 1 ou 2
quando dividido por 3.
1) Suponha que a deixe resto 0 quando dividido por 3, ou seja, a = 3q.
Logo, a + 1 = 3q + 1 e a + 2 = 3q + 2. Assim, um e apenas um dos
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SEC. 3.4: ALGORITMO DA DIVISÃO 57
três números é múltiplo de 3, a saber, a.
2) Suponha que a deixe resto 1 quando dividido por 3, ou seja,
a = 3q + 1. Logo, a + 1 = 3q + 2 e a + 2 = 3q + 3 = 3(q + 1).
Assim, um e apenas um dos três números é múltiplo de 3, a saber,
a + 2.
3) Suponha que a deixe resto 2 quando dividido por 3, ou seja,
a = 3q+2. Logo, a+1 = 3q+3 = 3(q+1) e a+2 = 3q+4 = 3(q+1)+1.
Assim, um e apenas um dos três números é múltiplo de 3, a saber,
a + 1.
Problema 3.24. Mostre que dados três números a, a + 2 e a + 4,
um e apenas um deles é múltiplo de 3. Usando este fato, mostre que
a única terna de primos trigêmeos é (3, 5, 7).
Problema 3.25. Mostre que dados três números 2a, 2(a + 1) e
2(a + 2), um e apenas um deles é múltiplo de 3.
Problema 3.26.
(a) Mostre que a soma de três inteiros consecutivos é sempre múltiplo
de 3.
(b) Dados três inteiros consecutivos, mostre que um deles é múltiplo
de 3 e a soma dos outros dois também.
Dividir por a > 0 é agrupar em conjuntos com a elementos. Por
exemplo, para saber quantas dúzias de ovos temos no quintal, temos
que dividir o número de ovos por 12, a divisão podendo ser exata ou
não. Se tivermos 36 ovos, teremos 3 dúzias exatas, mas se tivermos
38 ovos, teremos ainda 3 dúzias de ovos e sobrariam 2 ovos.
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58 CAP. 3: OS INTEIROS E SUAS PROPRIEDADES
Problema 3.27. Uma fábrica produz chicletes que são embalados em
pacotes de cinco unidades cada. Quantos pacotes serão produzidos
com 3 257 unidades?
3.5 Par ou Ímpar?
Nesta seção veremos, em um caso bem simples, como lidar com os
restos da divisão de números inteiros por um número natural dado,
introduzindo uma nova aritmética chamada aritmética residual ou
aritmética modular.
A soma de dois números pares é par. De fato, os dois números
podem ser escritos na forma 2a e 2b, cuja soma é 2(a + b), logo par.
A soma de dois números ímpares é par. De fato, os números são
da forma 2a + 1 e 2b + 1, cuja soma é 2(a + b + 1), logo par.
A soma de um número par com um número ímpar é ímpar. De
fato, um dos números é da forma 2a e o outro 2b + 1, cuja soma é
2(a + b) + 1, logo ímpar.
A paridade, isto é, a qualidade de ser par ou ímpar, da soma de
dois números só depende da paridade de cada um dos números e não
dos números em si.
O produto de dois números pares é par. De fato, os números sendo
da forma 2a e 2b, temos que o seu produto é 4ab e, portanto, múltiplo
de 4, logo par.
O produto de um número par por um número ímpar é par. De
fato, um número da forma 2a e um número da forma 2b + 1 têm um
produto igual a 2a(2b + 1), que é par.
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SEC. 3.5: PAR OU ÍMPAR? 59
O produto de dois números ímpares é ímpar. De fato, sendo os
números da forma 2a +1 e 2b +1, o seu produto é 2(2ab +a +b) +1,
logo ímpar.
Novamente, como no caso da soma, temos que a paridade do pro-
duto de dois números só depende da paridade desses números e não
dos números em si.
Assim, podemos decidir a paridade de uma expressão complexa
envolvendo produtos e somas de inteiros do modo a seguir.
Atribuindo o símbolo 0 aos números pares e o símbolo 1 aos
números ímpares, as observações acima nos fornecem as seguintes
tabelas que regem a paridade das somas e produtos dos números in-
teiros.
+ 0 1
0 0 1
1 1 0
× 0 1
0 0 0
1 0 1
Por exemplo, se quisermos saber a paridade do número
20
10
× 11
200
+ 21
19
não será necessário desenvolver as contas indi-
cadas para saber se o resultado final é par ou ímpar. O que fazemos
é substituir na expressão acima o número 20 por 0, por ser par; e
os números 11 e 21 por 1, por serem ímpares. Obtemos, assim, a
expressão
0
10
×1
200
+ 1
19
,
que operada segundo as tabelas acima nos dá 1 como resultado. Por-
tanto, o número dado é ímpar.
2
2
Tente explicar por que não substituímos os expoentes 10, 200 e 19 pelos
símbolos 0 e 1, segundo a sua paridade.
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60 CAP. 3: OS INTEIROS E SUAS PROPRIEDADES
O método acima pode ser generalizado para controlar os restos da
divisão dos números inteiros por qualquer número natural fixado m.
Veremos na próxima seção mais um caso especial, o caso m = 3.
No próximo capítulo analisaremos o caso geral. Esse método foi idea-
lizado pelo matemático alemão Carl Friedrich Gauss (1777-1855), con-
siderado o maior matemático de todos os tempos, quando tinha perto
de 17 anos.
Problema 3.28. Mostre que o dobro de um número ímpar é par mas
nunca múltiplo de 4.
Problema 3.29. Determine a paridade do seguinte número:
(123 275 + 346 231)
234
+ (3 451 + 4 532)
542
.
Problema 3.30. Mostre que para todos a inteiro e n natural não
nulos, os números a e a
n
têm mesma paridade.
Problema 3.31. Dado um número inteiro a e dados dois números
naturais n e m, não nulos, mostre que são sempre pares os números
a
n
+ a
m
e a
n
−a
m
.
Problema 3.32. Qual é a paridade da soma dos números naturais
de um a 10? E de seu produto?
3.6 Zero, Um ou Dois?
Nesta seção analisaremos a aritmética dos restos da divisão por 3.
Vamos organizar os números inteiros numa tabela como segue:
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SEC. 3.6: ZERO, UM OU DOIS? 61
.
.
.
.
.
.
.
.
.
−9 −8 −7
−6 −5 −4
−3 −2 −1
0 1 2
3 4 5
6 7 8
9 10 11
.
.
.
.
.
.
.
.
.
Note que os números da primeira coluna são os múltiplos de 3,
ou seja, os números que deixam resto nulo quando divididos por 3.
Os números da segunda e da terceira coluna são, respectivamente,
aqueles que deixam resto 1 e 2 quando divididos por 3.
Fazendo uma análise semelhante àquela feita na seção anterior,
nota-se que o resto da divisão por 3 da soma ou do produto de dois
números só depende da coluna ocupada por esses números, ou seja só
depende dos restos da divisão desses números por 3 e não dos números
em si.
Assim, atribuindo o símbolo 0 aos números da primeira coluna
(que são os múltiplos de 3) e os símbolos 1 e 2, respectivamente, aos
números que ocupam a segunda e terceira coluna (que são os números
que deixam restos 1 e 2, quando divididos por 3), obtemos as seguintes
tabelas que regem os restos da divisão por 3 das somas e produtos
dos números naturais:
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62 CAP. 3: OS INTEIROS E SUAS PROPRIEDADES
+ 0 1 2
0 0 1 2
1 1 2 0
2 2 0 1
× 0 1 2
0 0 0 0
1 0 1 2
2 0 2 1
Problema 3.33. Usando as tabelas acima, ache o resto da divisão
por 3 do número 4
100
+ 32
30
.
3.7 Mínimo Múltiplo Comum
Sabemos que todo múltiplo do mmc de dois inteiros é um
múltiplo comum desses inteiros (Problema 3.8(iii)). Mostraremos no
próximo resultado que vale a recíproca desse fato.
Teorema 3.1. Todo múltiplo comum de dois inteiros a e b é múltiplo
de mmc(a, b).
Demonstração. Seja m = mmc(a, b). Suponha que m

seja um múlti-
plo comum de a e b. Se m

= 0, nada temos a provar, pois 0 é múltiplo
de qualquer inteiro, inclusive de m. Suponha que m

= 0, logo a = 0
e b = 0, o que mostra que m = mmc(a, b) > 0. Pelo algoritmo da
divisão euclidiana, podemos escrever
m

= mq + r, com 0 ≤ r < m.
Logo, r = m

− mq e, sendo m

e mq múltiplos comuns de a e b,
segue do Problema 3.8(iv) que r é múltiplo de comum de a e b. Mas
então r = 0, pois caso contrário teríamos um múltiplo comum r de a
e b, tal que 0 < r < m, contradizendo a definição de mmc.
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SEC. 3.7: MÍNIMO MÚLTIPLO COMUM 63
O Teorema acima nos fornece a seguinte relação:
aZ ∩ bZ = mmc(a, b)Z.
Problema 3.34. Mostre que um número é múltiplo de 6 se, e somente
se, ele é simultaneamente múltiplo de 2 e de 3.
Problema 3.35. Baseado no problema anterior, dê um critério de
multiplicidade de 6, conhecendo os critérios de multiplicidade de 2 e
de 3.
Problema 3.36. Sendo n um número inteiro qualquer, mostre que
o número n(n + 1)(2n + 1) é sempre múltiplo de 6.
Problema 3.37. Utilizando os critérios de multiplicidade de 3 e de
4, enuncie um critério de multiplicidade de 12.
Problema 3.38. Enuncie critérios de multiplicidade de 15, de 20 e
de 45.
Dados três números inteiros a, b e c, não nulos, podemos nos
perguntar como calcular o seu mínimo múltiplo comum mmc(a, b, c),
ou seja, o menor elemento positivo do conjunto dos múltiplos comuns
de a, b e c.
Portanto, queremos determinar o menor elemento positivo do con-
junto
aZ ∩ bZ ∩ cZ = (aZ ∩ bZ) ∩ cZ = mmc(a, b)Z ∩ cZ.
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64 CAP. 3: OS INTEIROS E SUAS PROPRIEDADES
Isto nos mostra que
mmc(a, b, c) = mmc (mmc(a, b), c) .
Assim, para calcular o mmc de três números recai-se no cálculo
de dois mmc de dois números.
Problema 3.39. Calcule mmc(4, 6, 9).
Você deve ter notado que calcular o mmc de dois números é ainda
uma tarefa muito trabalhosa, pois o que aprendemos até o momento
foi escrever ordenadamente os múltiplos de cada um dos números até
encontrarmos o menor múltiplo comum positivo. Com este método,
é praticamente impossível calcular o mmc de dois números quando
um deles for bastante grande. Na próxima seção finalizaremos um
método muito mais eficiente para se determinar o mmc, baseado no
Algoritmo do mdc de Euclides e no teorema a seguir.
Problema 3.40. Sejam a, b, d e m quatro inteiros positivos tais que
a × b = m× d. Mostre que m é um múltiplo comum de a e b se, e
somente se, d é um divisor comum de a e b.
Teorema 3.2. Sejam a e b dois inteiros positivos. Tem-se a seguinte
identidade:
mmc(a, b) ×mdc(a, b) = a ×b.
Demonstração. Como a é um múltiplo de mdc(a, b), segue que a × b
é múltiplo de mdc(a, b). Logo, a × b = m × mdc(a, b), para algum
inteiro positivo m. Pelo Problema 3.40, temos que m é um múltiplo
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SEC. 3.7: MÍNIMO MÚLTIPLO COMUM 65
comum de a e b e, consequentemente, pelo Teorema 3.1 temos que
m = mmc(a, b) ×c, para algum c positivo. Assim,
a ×b = mmc(a, b) ×(c ×mdc(a, b)). (3.1)
Novamente, pelo Problema 3.40, segue que c ×mdc(a, b) é um divisor
comum de a e b, logo sendo o mdc o maior dentre esses divisores,
segue que
c ×mdc(a, b) ≤ mdc(a, b). (3.2)
Como c ≥ 1, temos que
mdc(a, b) ≤ c ×mdc(a, b),
o que juntamente com a desigualdade (3.2) implica que c = 1. Agora,
o resultado segue da equação (3.1).
Podemos agora esclarecer o mistério a que nos referimos na Se-
ção 1.7:
O mmc de dois números é igual ao seu produto se, e somente se, os
dois números são primos entre si.
Problema 3.41. Seja n um número natural não nulo. Calcule
mmc(n, 2n + 1).
Problema 3.42. Suponha que n seja um número natural divisível
por a e por b. Sabendo que mdc(a, b) = 1, mostre que n é divisível
por a ×b.
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66 CAP. 3: OS INTEIROS E SUAS PROPRIEDADES
3.8 Algoritmo do mdc de Euclides
O Lema de Euclides: Dados inteiros a e b, os divisores comuns de
a e b são os mesmos que os divisores comuns de a e b − c × a, para
todo número inteiro c fixado.
Demonstração. Se d é um divisor comum de a e b, é claro que d é
divisor comum de a e de b −c ×a.
Reciprocamente, suponha que d seja divisor comum de a e de
b −c ×a. Logo, d é divisor comum de b −c ×a e de c ×a e, portanto,
pelo Problema 3.13(c), tem-se que d é divisor de b. Assim, d é divisor
comum de a e b.
Esta simples observação, que generaliza a relação do Problema
3.13(c), vai nos dar um modo prático para calcular o mdc de dois
números, mais eficiente do que o utilizado na Seção 3.3.
O Lema de Euclides nos diz que os divisores de comuns de a e
b são os mesmos divisores comuns de a e b − a × c, logo tomando o
maior divisor comum em ambos os casos, obtemos a fórmula:
mdc(a, b) = mdc(a, b −a ×c),
o que permite ir diminuindo passo a passo a complexidade do pro-
blema, até torná-lo trivial.
Algoritmo de Euclides para o cálculo do mdc
Nada melhor do que um exemplo para entender o método.
Vamos calcular mdc(a, b), onde a = 162 e b = 372.
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SEC. 3.8: ALGORITMO DO MDC DE EUCLIDES 67
Pelo Lema de Euclides, sabemos que o mdc de a e b é o mesmo
que o de a e de b menos um múltiplo qualquer de a. Otimizamos
os cálculos ao tomarmos o menor dos números da forma b menos um
múltiplo de a e isto é realizado pelo algoritmo da divisão:
372 = 162 ×2 + 48.
Assim,
mdc(372, 162) = mdc(372 −162 ×2, 162) = mdc(48, 162).
Apliquemos o mesmo argumento ao par a
1
= 48 e b
1
= 162:
162 = 48 ×3 + 18.
Assim,
mdc(372, 162) = mdc(162, 48)
= mdc(162 −48 ×3, 48)
= mdc(18, 48).
Apliquemos novamente o mesmo argumento ao par a
2
= 18 e
b
2
= 48:
48 = 18 ×2 + 12.
Assim,
mdc(372, 162) = mdc(48, 18) = mdc(48 −18 ×2, 18) = mdc(12, 18).
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68 CAP. 3: OS INTEIROS E SUAS PROPRIEDADES
Novamente, o mesmo argumento para o par a
3
= 18 e b
3
= 12 nos dá:
18 = 12 ×1 + 6.
Assim,
mdc(372, 162) = mdc(18, 12) = mdc(18 −12 ×1, 12) = mdc(6, 12).
Finalmente, obtemos
mdc(372, 162) = mdc(12, 6) = mdc(12 −6 ×2, 6) = mdc(0, 6) = 6.
Logo,
mdc(372, 162) = 6.
O procedimento acima pode ser sistematizado como segue:
2 3 2 1 2
372 162 48 18 12 6=mdc
48 18 12 6 0
O Algoritmo de Euclides usado de trás para frente nos dá uma
informação adicional fundamental.
Das igualdades acima podemos escrever:
_
6 = 18 −12 ×1
12 = 48 −18 ×2
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SEC. 3.8: ALGORITMO DO MDC DE EUCLIDES 69
18 = 162 −48 ×3
48 = 372 −162 ×2
Donde,
_
6 = 18 −12 ×1 = 18 −(48 −18 ×2)
= 18 ×3 −48
= (162 −48 ×3) ×3 −48
= 162 ×3 −48 ×10
= 162 −(372 −162 ×2) ×10
= 162 ×23 −372 ×10.
Assim, podemos escrever:
_
6
= mdc(372, 162) = 162 ×23 + 372 ×(−10).
Este método sempre se aplica conduzindo ao seguinte importante
resultado:
Teorema 3.3 (Relação de Bézout). Dados inteiros a e b, quaisquer,
mas não ambos nulos, existem dois inteiros n e m tais que
mdc(a, b) = a ×n + b ×m.
Problema 3.43. Determine mdc(a, b), mmc(a, b) e inteiros n e m
tais que mdc(a, b) = a×n+b ×m para os seguintes pares de números
a e b.
(a) a = 728 e b = 1 496 (b) a = 108 e b = 294.
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70 CAP. 3: OS INTEIROS E SUAS PROPRIEDADES
3.9 Aplicações da Relação de Bézout
Esta seção pode ser omitida sem prejuízo na primeira leitura, ex-
ceto a Proposição 3.3 que será utilizada na Seção 3.10.
Uma propriedade notável do máximo divisor comum que decorre
da Relação de Bézout é a seguinte:
Se d é um divisor comum de dois números a e b, não simultanea-
mente nulos, então d divide mdc(a, b).
De fato, sendo d um divisor de a e de b, temos que d é um divisor
de todo número da forma a × n + b × m, logo, em particular, de
mdc(a, b).
Definindo
aZ + bZ = {a ×n + b ×m; n, m ∈ Z},
temos o seguinte resultado:
Proposição 3.1. Dados dois inteiros a e b, não ambos nulos, o menor
elemento positivo do conjunto aZ + bZ é mdc(a, b).
Demonstração. De fato, ponhamos d = mdc(a, b). Como d | a e d | b,
temos que d divide todo elemento de aZ + bZ, logo d é menor ou
igual do que qualquer elemento positivo de aZ+bZ. Pela Relação de
Bézout, temos que d ∈ aZ + bZ, logo d é o menor elemento positivo
do conjunto aZ + bZ.
Daí decorre um importante critério para que dois números sejam
primos entre si.
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SEC. 3.9: APLICAÇÕES DA RELAÇÃO DE BÉZOUT 71
Proposição 3.2. Dois números inteiros a e b são primos entre si se,
e somente se, existem inteiros m e n tais que a ×n + b ×m = 1.
Demonstração. Suponhamos que a e b sejam primos entre si, isto é,
mdc(a, b) = 1. Como, pela Relação de Bézout, existem inteiros n e m
tais que a ×n + b ×m = mdc(a, b), segue que a ×n + b ×m = 1.
Reciprocamente, se existem n e m tais que a × n + b × m = 1,
segue que 1 é o menor elemento positivo do conjunto aZ + bZ, logo
ele é o mdc de a e b. Portanto, a e b são primos entre si.
Problema 3.44. Sejam a e b dois números naturais não ambos nulos
e c um terceiro número natural não nulo. Mostre que
mdc(c ×a, c ×b) = c ×mdc(a, b).
Problema 3.45. Sejam a, b e c três números naturais não nulos.
Mostre que
mmc(c ×a, c ×b) = c ×mmc(a, b).
Outra propriedade fundamental que decorre da Relação de Bézout
é o resultado a seguir:
Proposição 3.3. Sejam a, b e c três inteiros tais que a divide b ×c
e a e b são primos entre si, então a divide c.
Demonstração. Como a | b × c, então existe um inteiro e tal que
b × c = a × e. Como a e b são primos entre si, então existem in-
teiros n e m tais que a × n + b × m = 1. Multiplicando esta última
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72 CAP. 3: OS INTEIROS E SUAS PROPRIEDADES
igualdade por c obtemos
a ×n ×c + b ×m×c = c.
Substituindo aí b ×c por a ×e, temos que
c = a ×n ×c + a ×e ×m = a ×(n ×c + e ×m),
mostrando que a | c.
A série de problemas a seguir nos permitirá deduzir a unicidade
referida no Teorema Fundamental da Aritmética.
Problema 3.46. Sejam a um número inteiro qualquer e p um número
primo. Mostre que uma das seguintes possibilidades acontece: p | a
ou mdc(a, p) = 1.
Problema 3.47. Sejam a e b dois inteiros e p um número primo.
Mostre que se p | a ×b, então p | a ou p | b.
Problema 3.48. Sejam p, p
1
e p
2
três números primos. Mostre que
se p | p
1
×p
2
, então p = p
1
ou p = p
2
.
A propriedade acima pode se generalizar como segue:
Se p, p
1
, p
2
, . . . , p
r
são números primos e se p | p
1
×p
2
×· · · ×p
r
,
então para algum índice i tem-se que p = p
i
.
Problema 3.49. Mostre que se p
1
, . . . , p
r
e q
1
, . . . , q
s
são duas cole-
ções de números primos e se
p
1
×· · · ×p
r
= q
1
×· · · ×q
s
,
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SEC. 3.9: APLICAÇÕES DA RELAÇÃO DE BÉZOUT 73
então r = s e reordenando q
1
, . . . q
r
, se necessário, tem-se que
p
1
= q
1
, . . . , p
r
= q
r
.
Este último problema é a prova da unicidade da escrita como pro-
duto de primos de qualquer número natural maior do que 1, contida
no enunciado do Teorema Fundamental da Aritmética.
Seja n um número natural escrito na sua decomposição em fatores
primos como
n = p
a
1
1
×· · · ×p
a
r
r
,
e seja n

um divisor positivo de n. Logo na decomposição de n

em
fatores primos só podem aparecer os fatores primos p
1
, . . . , p
r
, com
expoentes b
1
, . . . , b
r
, respectivamente, satisfazendo
0 ≤ b
1
≤ a
1
, . . . , 0 ≤ b
r
≤ a
r
. (3.3)
Note que permitimos que alguns dos b
i
sejam nulos, pois o cor-
respondente primo p
i
pode não constar da fatoração de n

.
Por exemplo, os divisores positivos de 60 = 2
2
×3 ×5 são:
2
0
×3
0
×5
0
= 1, 2
0
×3
1
×5
0
= 3, 2
0
×3
0
×5
1
= 5
2
0
×3
1
×5
1
= 15, 2
1
×3
0
×5
0
= 2, 2
1
×3
1
×5
0
= 6,
2
1
×3
0
×5
1
= 10, 2
1
×3
1
×5
1
= 30, 2
2
×3
0
×5
0
= 4,
2
2
×3
1
×5
0
= 12, 2
2
×3
0
×5
1
= 20, 2
2
×3
1
×5
1
= 60.
O número de divisores de n = p
a
1
1
× · · · × p
a
r
r
é exatamente o
número de números inteiros b
1
, . . . , b
r
satisfazendo às desigualdades
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74 CAP. 3: OS INTEIROS E SUAS PROPRIEDADES
(3.3), logo esse número é
(a
1
+ 1) ×· · · ×(a
r
+ 1).
Problema 3.50. Ache os divisores positivos de 40 e de 120. Quais
são todos os divisores?
Problema 3.51. Quantos divisores positivos tem o número 6
3
×25?
É fácil determinar o mdc e o mmc de dois números decompostos
em fatores primos.Por exemplo, se
a = 2
3
×3
5
×7
3
×17 e b = 3
4
×7
5
×19,
temos que mdc(a, b) = 2
0
×3
4
×7
3
, enquanto
mmc(a, b) = 2
3
×3
5
×7
5
×17 ×19.
Os números a e b acima podem ser representados como produ-
tos de potências dos mesmos primos, com o artifício de introduzir
fatores extras da forma p
0
(= 1) para certos números primos p. Mais
precisamente, podemos escrever
a = 2
3
×3
5
×7
3
×17 ×19
0
e b = 2
0
×3
4
×7
5
×17
0
×19.
Problema 3.52. Ache o mdc e mmc dos números a = 1 080 e b = 210.
Problema 3.53. Dados a = p
a
1
1
× · · · × p
a
r
r
e b = p
b
1
1
× · · · × p
b
r
r
dois números decompostos em fatores primos, escritos ambos como
produtos de potências dos mesmos primos, onde a
1
≥ 0, . . . , a
r
≥ 0 e
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SEC. 3.10: EQUAÇÕES DIOFANTINAS LINEARES 75
b
1
≥ 0, . . . , b
r
≥ 0, mostre que
mdc(a, b) = p
c
1
1
×· · · ×p
c
r
r
e mmc(a, b) = p
d
1
1
×· · · ×p
d
r
r
,
onde
c
i
= min{a
i
, b
i
} e d
i
= max{a
i
, b
i
}, i = 1, . . . , r.
Mostre como obter disto uma nova prova da igualdade
mdc(a, b)mmc(c, b) = ab.
O leitor não deve se iludir sobre a facilidade em calcular o mdc e o
mmc com o método acima, pois para utilizá-lo é necessário que os dois
números estejam decompostos em fatores primos. Se os dois números
são grandes e não são dados na forma fatorada, é muito trabalhoso
fatorá-los para calcular o mdc ou o mmc, sendo, nesse caso, muito
mais eficiente o Algoritmo de Euclides.
3.10 Equações Diofantinas Lineares
A resolução de muitos problemas de aritmética depende da re-
solução de equações do tipo ax + by = c, onde a, b e c são números
inteiros dados e x e y são incógnitas a serem determinadas em Z. Um
exemplo típico de um problema modelado por este tipo de equação é
o seguinte:
Problema 3.54. De quantos modos podemos comprar selos de cinco
e de três reais, de modo a gastar cinquenta reais?
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76 CAP. 3: OS INTEIROS E SUAS PROPRIEDADES
Dada uma equação, as perguntas naturais que se colocam são as
seguintes:
1) Quais são as condições para que a equação possua solução?
2) Quantas são as soluções?
3) Como calcular as soluções, caso existam?
Daremos a seguir respostas a essas perguntas no caso das equações
em questão.
A primeira pergunta admite a resposta a seguir.
Teorema 3.4. A equação diofantina ax + by = c admite solução se,
e somente se, mdc(a, b) divide c.
Demonstração. Suponha que a equação admita uma solução x
0
, y
0
.
Então vale a igualdade ax
0
+ by
0
= c. Como mdc(a, b) divide a e
divide b, segue que ele divide ax
0
+ by
0
, logo divide c.
Reciprocamente, suponha que mdc(a, b) divida c, ou seja
c = mdc(a, b) × d, para algum inteiro d. Por outro lado, sabemos
que existem inteiros n e m tais que
mdc(a, b) = a ×n + b ×m.
Multiplicando ambos os lados da igualdade acima por d, obtemos
c = mdc(a, b) ×d = a ×(n ×d) + b ×(m×d).
Logo, a equação diofantina ax + by = c admite pelo menos a
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SEC. 3.10: EQUAÇÕES DIOFANTINAS LINEARES 77
solução
x = n ×d e y = m×d.
Problema 3.55. Diga quais são as equações diofantinas a seguir que
possuem pelo menos uma solução:
(a) 3x +5y = 223 (b) 5x +15y = 33 (c) 2x +16y = 2 354
(d) 3x + 12y = 312 (e) 23x + 150y = 12 354 f) 7x + 14y = 77
Problema 3.56. Mostre que se a e b são números inteiros tais que
mdc(a, b) = 1, então toda equação diofantina ax + by = c possui
solução, independentemente do valor de c.
Problema 3.57. Para quais valores de c, onde c é inteiro, a equação
30x + 42y = c admite soluções inteiras?
Se a equação ax + by = c admite uma solução, então o número
d = mdc(a, b) divide c e, portanto, temos que a = a

×d, b = b

×d e
c = c

×d, onde mdc(a

, b

) = 1 (Problema 3.17).
Assim, é imediato verificar que x
0
, y
0
é uma solução da equação
ax+by = c se, e somente se, é solução da equação a

x+b

y = c

, onde
agora mdc(a

, b

) = 1.
Portanto, toda equação diofantina linear que possui solução é
equivalente a uma equação reduzida, ou seja, da forma
ax + by = c, com mdc(a, b) = 1.
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78 CAP. 3: OS INTEIROS E SUAS PROPRIEDADES
O próximo resultado nos dará uma fórmula para resolver a equação
diofantina linear ax + by = c, onde mdc(a, b) = 1, conhecida uma
solução particular x
0
e y
0
da equação.
Teorema 3.5. Seja x
0
e y
0
uma solução particular, arbitrariamente
dada, da equação ax +by = c, onde mdc(a, b) = 1. Então as soluções
da equação são da forma x = x
0
+ tb e y = y
0
− ta, para t variando
em Z.
Demonstração. Se x, y é uma solução qualquer da equação, temos que
ax + by = ax
0
+ by
0
= c,
donde
a(x −x
0
) = b(y
0
−y). (3.4)
Daí segue que a | b(y
0
− y) e b | a(x − x
0
). Como mdc(a, b) = 1,
da Proposição 3.3 segue que a | (y
0
−y) e b | (x −x
0
). Assim,
y
0
−y = ta e x −x
0
= sb, (3.5)
para alguns inteiros t e s. Substituindo esse valores em (3.4), obtemos
asb = bta,
o que implica que s = t. Logo, de (3.5), temos que a solução é dada
por x = x
0
+ tb e y = y
0
−ta.
Reciprocamente, se x = x
0
+ bt e y = y
0
− at, substituindo esses
valores na equação ax + by = c, obtemos
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SEC. 3.10: EQUAÇÕES DIOFANTINAS LINEARES 79
a(x
0
+ bt) + b(y
0
−at) = ax
0
+ by
0
+ abt −bat = ax
0
+ by
0
= c.
Por exemplo, a equação 3x +5y = 50 admite a solução particular
x
0
= 0 e y
0
= 10. Assim, a solução geral dessa equação é dada
por x = 0 + 5t e y = 10 − 3t. Se estivermos à procura de soluções
não negativas então deveríamos ter 10 − 3t ≥ 0, o que implica que
t = 0, 1, 2 ou 3. Assim, o Problema 3.54 admite as seguintes soluções:
(a) 10 selos de 5 reais.
(b) 5 selos de 3 reais e 7 selos de 5 reais.
(c) 10 selos de 3 reais e 4 selos de 5 reais.
(d) 15 selos de 3 reais e um selo de 5 reais.
O único verdadeiro trabalho que se tem para resolver uma equação
diofantina linear ax + by = c é calcular mdc(a, b) para verificar se
divide ou não c e descobrir uma solução particular x
0
, y
0
. O primeiro
problema se resolve utilizando o algoritmo de Euclides para o cálculo
do mdc. Quanto ao segundo, o de determinar uma solução particular
da equação, procede-se por inspeção se a e b são números pequenos.
Caso a ou b seja grande, podemos usar o algoritmo de Euclides de
trás para a frente para determinar inteiros n e m tais que
an + bm = mdc(a, b) = 1,
e depois multiplicar ambos os membros da equação acima por c, ob-
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80 CAP. 3: OS INTEIROS E SUAS PROPRIEDADES
tendo
a(nc) + b(mc) = c,
dando-nos a solução particular x
0
= nc e y
0
= mc.
Problema 3.58. De que maneiras podemos comprar selos de cinco
e de sete reais, de modo a gastar cem reais?
Problema 3.59. Se um macaco sobe uma escada de dois em dois
degraus, sobra um degrau; se ele sobe de três em três degraus, sobram
dois degraus. Quantos degraus a escada possui, sabendo que o número
de degraus é múltiplo de sete e está compreendido entre 40 e 100.
Problema 3.60. Mostre que nenhum número pode deixar resto 5
quando dividido por 12 e resto 4 quando dividido por 15.
Problema 3.61. Ache todos os números naturais que quando dividi-
dos por 18 deixam resto 4 e quando divididos por 14 deixam resto 6.
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Capítulo 4
A Aritmética dos Restos
4.1 Congruências
Vamos agora introduzir a grande ideia de Gauss de desenvolver
uma aritmética dos restos da divisão por um certo número fixado, o
que já foi explorado nas Seções 2.2 e 2.3.
Definição. Seja dado um número inteiro m maior do que 1. Dire-
mos que dois números inteiros a e b são congruentes módulo m se
a e b possuírem mesmo resto quando divididos por m. Neste caso,
simbolizaremos esta situação como segue:
a ≡ b mod m.
Quando a e b não são congruentes módulo m, escreve-se
a ≡ b mod m.
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82 CAP. 4: A ARITMÉTICA DOS RESTOS
Exemplos:
1) 15 ≡ 8 mod 7, pois o restos das divisões de 15 e de 8 por 7 são os
mesmos (iguais a 1).
2) 27 ≡ 32 mod 5, pois os restos das divisões de 27 e 32 por 5 são os
mesmos (iguais a 2).
3) 31 ≡ 29 mod 3, pois o resto da divisão de 31 por 3 é 1, enquanto
o resto da divisão de 29 por 3 é 2.
Para mostrar que a ≡ b mod m não é necessário efetuar a divisão
de a e de b por m, como mostrado a seguir.
Proposição 4.1. Tem-se que a ≡ b mod m se e somente se m divide
b −a.
Demonstração. De fato, pelo algoritmo da divisão, podemos escrever
a = mq
1
+ r
1
e b = mq
2
+ r
2
,
onde 0 ≤ r
1
< m e 0 ≤ r
2
< m. Sem perda de generalidade, podemos
supor que r
1
≤ r
2
(se o contrário ocorrer, basta trocar os papéis de
r
1
e r
2
). Assim, podemos escrever
b −a = m(q
2
−q
1
) + r
2
−r
1
.
Logo, m divide b − a se, e somente se, m divide r
2
− r
1
. Por ser
0 ≤ r
2
−r
1
< m, segue que m divide b −a se e somente se r
2
−r
1
= 0,
ou seja, se e somente se r
2
= r
1
.
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SEC. 4.1: CONGRUÊNCIAS 83
Problema 4.1. Verifique se são verdadeiras ou falsas as seguintes
afirmações:
35 ≡ 27 mod 4; 72 ≡ 32 mod 5; 83 ≡ 72 mod 5; 78 ≡ 33 mod 9.
Problema 4.2. Se a ≡ b mod 4, mostre que a ≡ b mod 2.
Problema 4.3. Mostre que 10
n
≡ 1 mod 9, para todo número natu-
ral n.
Sugestão: Veja o início da Seção 2.3.
Problema 4.4. Dados a, b e c inteiros quaisquer e m um inteiro maior
do que 1, mostre as seguintes afirmações:
(a) a ≡ a mod m.
(b) Se a ≡ b mod m, então b ≡ a mod m.
(c) Se a ≡ b mod m e b ≡ c mod m, então a ≡ c mod m.
Pela definição, as congruências módulo m tem tudo a ver com
os restos da divisão por m. A seguir exploramos mais a fundo esta
relação.
Segue-se, da definição de congruência módulo m e das proprie-
dades do problema acima, o seguinte fato:
Todo número inteiro a é congruente módulo m a um e somente um
dos números 0, 1, . . . , m−1.
De fato, os possíveis restos da divisão de a por m são precisamente
os números 0, 1, . . . , m − 1, cujos restos da divisão por m são eles
próprios, logo dois a dois não congruentes módulo m.
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84 CAP. 4: A ARITMÉTICA DOS RESTOS
Problema 4.5. Sejam a um número inteiro qualquer e m um in-
teiro maior do que 1. Suponha que r seja um número inteiro tal que
0 ≤ r < m e a ≡ r mod m. Mostre que r é o resto da divisão de a
por m.
Sugestão: Utilize a unicidade da escrita no Algoritmo da Divisão.
4.2 Critérios de Multiplicidade e Restos
É fácil determinar o resto da divisão de um inteiro n por 2, pois
esse é 0 ou 1, dependendo de n ser par ou ímpar.
Para facilitar a determinação do resto da divisão de um inteiro
n por 3 ou por 9, podemos utilizar os conhecimentos já adquiridos,
evitando o trabalho de efetuar a divisão em questão.
De fato, sabemos da Seção 2.3 que se n
r
. . . n
1
n
0
é a escrita de n
no sistema decimal, então
n −(n
r
+· · · + n
1
+ n
0
) = (10
r
−1)n
r
+· · · + (10 −1)n
1
.
Como o segundo membro da igualdade acima é divisível por 3 e
por 9, o mesmo ocorre com o primeiro membro, logo
n ≡ (n
r
+· · · + n
1
+ n
0
) mod 3; e mod 9.
Assim, pela definição de congruência, temos os seguintes fatos:
O resto da divisão por 3 (respectivamente por 9) de um número
n = n
r
. . . n
1
n
0
, escrito no sistema decimal, é igual ao resto da divisão
por 3 (respectivamente por 9) do número n
r
+· · · + n
1
+ n
0
.
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SEC. 4.3: CONGRUÊNCIAS E SOMAS 85
Problema 4.6. Determine os restos da divisão por 3 e por 9 dos
números: 3 254, 12 736, 54 827, 33 875 435, 57 612 510.
Da Seção 2.2 também sabemos que todo número n é da forma
n = n
0
+ 10m, onde n
0
é o algarismo das unidades de n. Assim,
n ≡ n
0
mod 5 e n ≡ n
0
mod 10. Isto acarreta que:
Os restos da divisão de n por 5 e por 10 são, respectivamente, os
restos da divisão de n
0
por 5 e por 10.
Problema 4.7. Determine os restos da divisão por 5 e por 10 dos
números: 3 254, 12 736, 54 827, 33 875 435, 57 612 510.
Problema 4.8. Descreva critérios semelhantes aos estabelecidos aci-
ma para determinar os restos da divisão de um número por 4, 8, 25 e
125.
Problema 4.9. Determine os restos da divisão por 4, 8, 25 e 125 dos
números: 3 254, 12 736, 54 827, 33 875 435, 57 612 510.
As congruências possuem propriedades operatórias notáveis que
exploraremos a seguir.
4.3 Congruências e Somas
Proposição 4.2. Sejam a
1
, a
2
, b
1
, b
2
inteiros quaisquer e seja m um
inteiro maior do que 1. Se a
1
≡ b
1
mod m e a
2
≡ b
2
mod m, então
a
1
±a
2
≡ b
1
±b
2
mod m.
Demonstração. De fato, como a
1
≡ b
1
mod m e a
2
≡ b
2
mod m, então
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m divide b
1
−a
1
e divide b
2
−a
2
. Logo
m divide (b
1
−a
1
) ±(b
2
−a
2
) = (b
1
±b
2
) −(a
1
±a
2
),
mostrando que b
1
±b
2
≡ a
1
±a
2
mod m.
Conclui-se que as congruências de mesmo módulo somam-se e
subtraem-se membro a membro tal qual as igualdades.
Problema 4.10. Suponha que a ≡ b mod m. Mostre que
a ±c ≡ b ±c mod m,
qualquer que seja o inteiro c.
Problema 4.11. Suponha que a ± c ≡ b ± c mod m, mostre que
a ≡ b mod m.
Considere agora dois inteiros a e b cujos restos na divisão por m
sejam respectivamente r
1
e r
2
.
Então temos que
a ≡ r
1
mod m e b ≡ r
2
mod m.
Assim,
a + b ≡ r
1
+ r
2
mod m.
Seja r o resto da divisão de r
1
+ r
2
por m; logo
a + b ≡ r
1
+ r
2
≡ r mod m, com 0 ≤ r < m.
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SEC. 4.4: CONGRUÊNCIAS E PRODUTOS 87
Logo, pelo Problema 4.5, o resto da divisão de a + b por m é o
número r.
Assim, acabamos de verificar o seguinte fato:
O resto da divisão da soma a +b de dois números a e b por um outro
número m > 1 depende apenas dos restos da divisão de a e de b por
m e não desses números em si.
Esse fato generaliza o que foi dito nas Seções 3.5 e 3.6, onde os
casos m = 2 e m = 3 foram analisados.
Problema 4.12. Sejam a e b dois números inteiros cujos restos da
divisão por 7 são respectivamente 6 e 2. Determine os restos da divisão
de a + b, a −b e de b −a por 7
Sugestão: Para o último resto, observe que −4 ≡ 3 mod 7.
Problema 4.13. Sem efetuar as somas e subtrações indicadas, de-
termine os restos da divisão por 2, 3, 4, 5, 8, 9, 10, 25 e 125 do número
3 534 785 + 87 538 −9 535 832.
4.4 Congruências e Produtos
Proposição 4.3. Sejam a
1
, a
2
, b
1
, b
2
inteiros quaisquer e seja m um
inteiro maior do que 1. Se a
1
≡ b
1
mod m e a
2
≡ b
2
mod m, então
a
1
×a
2
≡ b
1
×b
2
mod m.
Demonstração. De fato, como a
1
≡ b
1
mod m e a
2
≡ b
2
mod m, então
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88 CAP. 4: A ARITMÉTICA DOS RESTOS
m divide a
1
−b
1
e a
2
−b
2
. Por outro lado, como
a
1
×a
2
−b
1
×b
2
= a
1
×(a
2
−b
2
) + b
2
×(a
1
−b
1
),
segue que m divide a
1
×a
2
−b
1
×b
2
, o que prova o resultado.
Conclui-se que as congruências de mesmo módulo multiplicam-se
membro a membro tal qual as igualdades.
Problema 4.14. Suponha que a ≡ b mod m. Mostre que
a ×c ≡ b ×c mod m,
qualquer que seja o inteiro c.
Repetidas aplicações da Proposição 4.3 fornecem o seguinte resul-
tado:
Se a ≡ b mod m, então a
n
≡ b
n
mod m, para todo n natural.
Sejam a e b dois inteiros cujos restos da divisão por m sejam
respectivamente r
1
e r
2
.
Então temos que
a ≡ r
1
mod m e b ≡ r
2
mod m.
Assim,
a ×b ≡ r
1
×r
2
mod m.
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Seja r o resto da divisão de r
1
×r
2
por m; logo
a ×b ≡ r
1
×r
2
≡ r mod m, com 0 ≤ r < m.
Logo, pelo Problema 4.5, o resto da divisão de a × b por m é o
número r.
Assim, acabamos de verificar que, como no caso da adição, vale
também seguinte fato para a multiplicação:
O resto da divisão do produto a × b de dois números a e b por um
outro número m > 1 depende apenas dos restos da divisão de a e de
b por m e não desses números em si.
Isso também generaliza para a multiplicação o que foi dito nas
Seções 3.5 e 3.6, onde os casos m = 2 e m = 3 foram analisados.
Problema 4.15. Sejam a e b dois números inteiros cujos restos da
divisão por 7 são respectivamente 6 e 2. Determine o resto da divisão
de a ×b por 7.
Problema 4.16. Sem efetuar as multiplicações indicadas, determi-
ne os restos da divisão por 2, 3, 4, 5, 8, 9, 10, 25 e 125 do número
5 327 834
3
×3 842 536
2
×9 369 270 001
20
.
Note que 2 × 3 ≡ 2 × 6 mod 6, mas no entanto 3 ≡ 6 mod 6.
Portanto, no caso das congruências não vale um cancelamento análogo
ao caso da igualdade.
Problema 4.17. Sejam a, b, c e m números inteiros e com
m > 1. Mostre que se a ×c ≡ b ×c mod m e se mdc(c, m) = 1, então
a ≡ b mod m.
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90 CAP. 4: A ARITMÉTICA DOS RESTOS
Sugestão: Utilize a Proposição 3.3.
4.5 Algumas Aplicações
1. Um critério de divisibilidade por 6
Observe inicialmente que
10 ≡ 4 mod 6,
10
2
≡ 4
2
≡ 4 mod 6,
10
3
≡ 10
2
×10 ≡ 4 ×4 ≡ 4 mod 6,
10
4
≡ 10
3
×10 ≡ 4 ×4 ≡ 4 mod 6.
Você tem ainda alguma dúvida de que 10
i
≡ 4 mod 6, para todo
número natural i > 0?
Assim, se um número natural n é escrito no sistema decimal como
n
r
. . . n
1
n
0
, temos que
n = n
0
+10n
1
+10
2
n
2
+· · ·+10
r
n
r
≡ n
0
+4n
1
+4n
2
+· · ·+4n
r
mod 6.
Com isto, temos que o resto da divisão de n por 6 é igual ao resto da
divisão de n
0
+ 4n
1
+ 4n
2
+· · · + 4n
r
por 6.
Logo, provamos que:
Um número n = n
r
. . . n
1
n
0
é divisível por 6 se e somente se
n
0
+ 4n
1
+ 4n
2
+· · · + 4n
r
é divisível por 6.
Problema 4.18. Ache o resto da divisão por 6 do número 3 215 529.
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SEC. 4.5: ALGUMAS APLICAÇÕES 91
2. Um critério de divisibilidade por 7, 11 e 13
Note que 7 ×11 ×13 = 1 001. Logo,
1 000 ≡ −1 mod 7, 1 000 ≡ −1 mod 11 e 1 000 ≡ −1 mod 13.
Assim, módulo 7, 11 e 13, temos que
10
3
≡ −1,
10
6
≡ (−1)
2
≡ 1,
10
9
≡ (−1)
3
≡ −1,
10
12
≡ (−1)
4
≡ 1,
etc.
Escrevendo um número n na representação decimal como
n
r
. . . n
2
n
1
n
0
, temos, módulo 7, 11 ou 13, que
n = n
0
n
1
n
2
+ n
3
n
4
n
5
×10
3
+ n
6
n
7
n
8
×10
6
+· · ·
≡ n
0
n
1
n
2
−n
3
n
4
n
5
+ n
6
n
7
n
8
−· · · .
Assim, o resto da divisão de n por 7,11 ou 13 é igual ao resto da
divisão de n
0
n
1
n
2
−n
3
n
4
n
5
+n
6
n
7
n
8
−· · · por 7, 11 ou 13, respecti-
vamente.
Desse modo, obtemos o seguinte critério de divisibilidade por 7,
11 ou 13:
O número n
r
. . . n
2
n
1
n
0
é divisível por 7, 11 ou 13 se, e somente se,
o número n
0
n
1
n
2
−n
3
n
4
n
5
+n
6
n
7
n
8
−· · · é divisível por 7, 11 ou 13,
respectivamente.
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92 CAP. 4: A ARITMÉTICA DOS RESTOS
Problema 4.19. Ache o resto da divisão por 7, 11 e 13 do número
3 215 529.
Problema 4.20. Mostre que 10
i
≡ (−1)
i
mod 11, para todo natural
i. Deduza este outro critério de divisibilidade por 11:
Um número n
r
. . . n
2
n
1
n
0
é divisível por 11 se, e somente se, o número
n
0
−n
1
+ n
2
−· · · é divisível por 11.
3. Os restos da divisão das potências de 2 por 7
Observe que
2
1
≡ 2 mod 7,
2
2
≡ 4 mod 7,
2
3
≡ 1 mod 7.
Dado um número inteiro n, pelo algoritmo da divisão, podemos
escrevê-lo na forma n = 3q + r, onde r = 0, 1 ou 2.
Assim,
2
n
= 2
3q+r
= (2
3
)
q
×2
r
≡ 2
r
mod 7.
Por exemplo, se n = 132 = 3 × 44, então 2
132
≡ 1 mod 7, pois
r = 0.
Se n = 133 = 3 ×44 + 1, então 2
133
≡ 2 mod 7, pois r = 1.
Se n = 134 = 3 ×44 + 2, então 2
134
≡ 4 mod 7, pois r = 2.
Problema 4.21. Ache o resto da divisão por 7 dos seguintes números:
2
5 345
, 2
3 765 839
, 2
10
10
.
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SEC. 4.5: ALGUMAS APLICAÇÕES 93
Problema 4.22. Sabendo que 2
4
= 16 ≡ −1 mod 17, ache o resto
da divisão de 2
30
por 17.
Problema 4.23. Determine o resto da divisão de 2
325
por 17.
4. A equação diofantina x
3
−117y
3
= 5
Esta equação possui uma história curiosa que é relatada no livro
de S. Collier citado na bibliografia.
Vamos mostrar que esta equação não possui soluções inteiras. De
fato, suponhamos, por absurdo, que x
0
, y
0
seja uma solução inteira
da equação. Então
x
3
0
≡ 5 mod 9, (4.1)
já que 117 ≡ 0 mod 9.
Mas, sendo x
0
congruente a 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 ou 8 módulo 9, segue
por contas elementares que x
3
0
é congruente a 0, 1 ou 8, módulo 9.
Logo, a congruência (4.1) não possui solução, o que fornece uma con-
tradição.
Problema 4.24. Mostre que a equação diofantina
x
2
+ y
2
+ z
2
= 8w + 7
não possui soluções x, y, z, w inteiros.
Sugestão: Reduza a equação módulo 8 e mostre que
x
2
0
+ y
2
0
+ z
2
0
≡ 7 mod 8
nunca ocorre.
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94 CAP. 4: A ARITMÉTICA DOS RESTOS
5. Os números da forma 3
6n
−2
6n
são divisíveis por 35
Temos que
3
6
= 3
3
×3
3
≡ (−1) ×(−1) ≡ 1 mod 7,
2
6
= 2
3
×2
3
≡ 1 ×1 ≡ 1 mod 7.
Por outro lado,
3
6
= 3
3
×3
3
≡ 2 ×2 ≡ −1 mod 5,
2
6
= 2
3
×2
3
≡ 3 ×3 ≡ −1 mod 5.
Logo, 3
6n
−2
6n
≡ 0 mod 7 e 3
6n
−2
6n
≡ 0 mod 5.
Assim, 3
6n
− 2
6n
é divisível por 5 e por 7 e como mdc(5, 7) = 1,
segue, do Problema 3.42, que 3
6n
−2
6n
é divisível por 35.
Problema 4.25. Mostre que todo número da forma 19
8n
− 1 é di-
visível por 17.
Problema 4.26. Mostre que todo número da forma 13
3n
+ 17
3n
é
divisível por 45, quando n é ímpar.
6. Euler tinha razão, Fermat estava enganado!
Na Seção 2.4 nos perguntamos se o número 4 294 967 297 era primo
ou composto?
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SEC. 4.5: ALGUMAS APLICAÇÕES 95
De fato, esse número corresponde a n = 5 dos chamados números
de Fermat que são da forma:
F
n
= 2
2
n
+ 1.
Fermat afirmou que esses números, para qualquer valor natural
de n, eram primos e dava como exemplos F
0
= 3, F
1
= 5, F
2
= 17,
F
3
= 257 e F
4
= 65 537, que são efetivamente primos.
No entanto, o número F
5
= 2
2
5
+ 1 = 4 294 967 297 era muito
grande para se poder verificar se era primo ou não.
Euler, estudando a forma dos divisores de um número do tipo de
F
n
, chegou à conclusão de que se F
5
fosse composto, ele deveria ser
divisível pelo primo 641.
Euler, um exímio calculista, mostrou que 641 divide F
5
com uma
verificação semelhante a que segue:
1
Observemos inicialmente que 641 = 5 ×2
7
+ 1, logo
5 ×2
7
≡ −1 mod 641.
Elevando à quarta potência ambos os membros da congruência acima,
obtemos
5
4
×2
28
≡ 1 mod 641. (4.2)
Por outro lado, da igualdade 641 = 5
4
+ 2
4
(verifique!), obtemos
que
5
4
≡ −2
4
mod 641. (4.3)
1
Fizemos uma adaptação do argumento de Euler, pois no seu tempo ainda não
existia a noção de congruência.
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96 CAP. 4: A ARITMÉTICA DOS RESTOS
Juntando (4.2) e (4.3), obtemos que −2
32
≡ 1 mod 641, o que
implica F
5
= 2
32
+ 1 ≡ 0 mod 641, donde 641 divide F
5
. Portanto,
F
5
não é primo.
4.6 Aritmética Modular
A Aritmética Modular foi introduzida por Gauss no seu livro
Disquisitiones Aritmeticae publicado em 1801.
Fixado um número inteiro m > 1, vamos associar a um número
inteiro a qualquer o símbolo a representando o resto da sua divisão
por m, tal qual fizemos nas Seções 3.5 e 3.6, nos casos m = 2 e m = 3.
Portanto, dados dois números a e b tem-se que a = b se, e somente
se, os restos da divisão de a e de b por m são iguais, ou seja,
a = b se, e somente se, a ≡ b mod m.
Sendo todos os possíveis restos da divisão por m os números
0, 1, 2, . . . , m − 1, temos qualquer a é igual a um dos seguintes:
0, 1, . . . , m−1.
Nas Seções 4.3 e 4.4 observamos que os restos da divisão da soma
e do produto de dois números não dependem dos números em si, mas
apenas dos restos da divisão desses números. Sendo assim, para achar
(a + b) e (a ×b) só precisamos saber como operar aditivamente e mul-
tiplicativamente com os símbolos a e b, que são justamente elementos
da forma 0, 1, . . . , m−1, a exemplo do que fizemos nas seções 3.5 e
3.6, nos casos m = 2 e m = 3.
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SEC. 4.6: ARITMÉTICA MODULAR 97
Aritmética módulo m = 4
Para efeito de ilustração, tomemos o caso m = 4. Neste caso, te-
mos apenas os símbolos 0, 1, 2 e 3 a considerar.
Pede-se ao leitor verificar as seguintes tabelas:
+ 0 1 2 3
0 0 1 2 3
1 1 2 3 0
2 2 3 0 1
3 3 0 1 2
× 0 1 2 3
0 0 0 0 0
1 0 1 2 3
2 0 2 0 2
3 0 3 2 1
Note que diferentemente da aritmética dos números inteiros, surge
um novo fenômeno: 2 = 0 e, no entanto, 2 ×2 = 0.
Problema 4.27. Mostre que se i = 0, 1, 2, 3, então −i = 4 −i.
Problema 4.28. Determine o resto da divisão por 4 do número:
45 769 834
532
×63 876
1 654
+ 87 987 545
1 345 874
−95 973 434
Aritmética módulo m = 5
Analisaremos agora o caso m = 5. Neste caso, temos apenas os
símbolos 0, 1, 2, 3 e 4 a considerar.
Pede-se ao leitor verificar as seguintes tabelas:
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98 CAP. 4: A ARITMÉTICA DOS RESTOS
+ 0 1 2 3 4
0 0 1 2 3 4
1 1 2 3 4 0
2 2 3 4 0 1
3 3 4 0 1 2
4 4 0 1 2 3
× 0 1 2 3 4
0 0 0 0 0 0
1 0 1 2 3 4
2 0 2 4 1 3
3 0 3 1 4 2
4 0 4 3 2 1
Note que aqui volta a valer a regra: se a = 0 e b = 0, então
a ×b = 0.
Problema 4.29. Mostre que se i = 0, 1, 2, 3, 4, então −i = 5 −i.
Problema 4.30. Determine o resto da divisão por 5 do número:
45 769 834
532
×63 876
1 654
+ 87 987 545
1 345 874
−95 973 434
Problema 4.31. Determine as tabelas da adição e da multiplicação
para m = 6 e para m = 7. Que diferenças você nota entre os dois
casos?
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Capítulo 5
Problemas Suplementares
Apresentaremos neste capítulo uma lista de problemas mais de-
safiadores do que aqueles que se encontram no texto, cujo objetivo se
restringia a complementá-lo, além de testar a compreensão do leitor
nos conceitos apresentados.
Nos dois primeiros capítulos apresentamos a linguagem básica e
os resultados fundamentais, sem os quais não seria possível enunciar,
muito menos resolver, problemas mais elaborados. Os problemas pro-
postos a seguir dizem respeito ao material exposto nos Capítulos 3 e
4. Os problemas marcados com asterisco têm um grau de dificuldade
maior que os demais.
Antes porém de iniciar os problemas propriamente ditos, rela-
cionamos a seguir algumas identidades muito úteis na resolução de
alguns dos problemas.
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100 CAP. 5: PROBLEMAS SUPLEMENTARES
Expressões do tipo a
n
−1, com n qualquer
a
2
−1 = (a −1)(a + 1)
a
3
−1 = (a −1)(a
2
+ a + 1)
a
4
−1 = (a −1)(a
3
+ a
2
+ a + 1)
a
5
−1 = (a −1)(a
4
+ a
3
+ a
2
+ a + 1)
Em geral,
a
n
−1 = (a −1)(a
n−1
+ a
n−2
+· · · + a + 1).
Expressões do tipo a
m
−1, com m par
a
2
−1 = (a + 1)(a −1)
a
4
−1 = (a + 1)(a
3
−a
2
+ a −1)
a
6
−1 = (a + 1)(a
5
−a
4
+ a
3
−a
2
+ a −1)
Em geral,
a
2n
−1 = (a + 1)(a
2n−1
−a
2n−2
+· · · + a −1).
Expressões do tipo a
m
+1, com m ímpar
a
3
+ 1 = (a + 1)(a
2
−a + 1)
a
5
+ 1 = (a + 1)(a
4
−a
3
+ a
2
−a + 1)
a
7
+ 1 = (a + 1)(a
6
−a
5
+ a
4
−a
3
+ a
2
−a + 1)
Em geral,
a
2n+1
+ 1 = (a + 1)(a
2n
−a
2n−1
+· · · −a + 1).
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Problemas sobre o Capítulo 3
S-3.1 Mostre que todo número inteiro não nulo a se escreve de modo
único na forma a = 2
r
b, onde r ∈ N e b é um número ímpar. O número
2
r
é a maior potência de 2 que divide a. Generalize esta propriedade
para um primo p qualquer no lugar de 2.
S-3.2
(a) Quantos múltiplos de 5 existem no intervalo [1, 120]? e no in-
tervalo [1, 174]?
(b) Quantos múltiplos de 7 existem em cada um dos intervalos
[70, 342] e [72, 342]?
S-3.3 Dados 0 < a ≤ n < m, mostre que no intervalo [1, n] existem
q múltiplos de a, onde q é o quociente da divisão de n por q. Quantos
são os múltiplos de a no intervalo [n, m]? (Na última situação, divida
a análise em dois casos: n múltiplo de a e o contrário.)
S-3.4 Mostre que dados m inteiros consecutivos um, e apenas um,
deles é múltiplo de m.
S-3.5 Com quantos zeros termina o número 2 ×3 ×4 ×· · · ×120? E
o número 2 ×3 ×4 ×· · · ×174?
S-3.6 Mostre que o produto de quatro números inteiros consecutivos,
quaisquer, é sempre múltiplo de 24.
S-3.7
(a) Mostre que se n é ímpar, então n
2
−1 é múltiplo de 8.
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102 CAP. 5: PROBLEMAS SUPLEMENTARES
(b) Mostre que se n é ímpar, então n(n
2
−1) é múltiplo de 24.
(c) Mostre que se n não é múltiplo de 2 nem de 3, então n
2
− 1 é
múltiplo de 24. Mostre que o mesmo vale para n
2
+ 23.
S-3.8
(a) Mostre que se um número a não é divisível por 3, então o resto
da divisão de a
2
por 3 é 1.
(b) A partir desse dado, mostre que se um inteiro da forma a
2
+ b
2
é múltiplo de 3, então a e b são ambos múltiplos de 3.
S-3.9 Mostre que se n > 1, então o número n
4
+ 4 é composto.
S-3.10
(a) Mostre que o único número primo da forma n
3
+ 1 é 2.
(b) Mostre que o único número primo da forma n
3
−1 é 7.
S-3.11* Mostre que, dado n > 2, entre n e 2 × 3 × · · · × n existe
sempre um número primo. (Note que esta afirmação é bem mais fraca
do que o Postulado de Bertrand.)
S-3.12
(a) Ache o menor inteiro positivo n tal que o número 4n
2
+ 1 seja
divisível por 65.
(b) Mostre que existem infinitos múltiplos de 65 da forma 4n
2
+ 1.
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(c) Mostre que se um dado número divide um número da forma
4n
2
+ 1, ele dividirá uma infinidade desses números.
(d) Para este último resultado, existe algo de especial nos números
da forma 4n
2
+1?Teste o seu resultado para números da forma
an
2
+ bn + c, onde a, b, c ∈ Z, com a e b não simultaneamente
nulos.
(e) Mostre que existem infinitos múltiplos de 7 da forma 8n
2
+3n+4.
S-3.13
(a) Sejam dados os dois números a = 10c + r e b = c − 2r, com
c, r ∈ Z. Mostre que a é múltiplo de 7 se, e somente se, b é
múltiplo de 7.
(b) Deduza o seguinte critério de multiplicidade de 7:
O número n = a
r
· · · a
1
a
0
é múltiplo de 7 se, e somente se, o
número a
r
· · · a
1
−2a
0
é múltiplo de 7.
(c) Utilize repetidas vezes o critério acima para verificar se 2 368 é
ou não múltiplo de 7.
Um número inteiro n é dito um quadrado se existe a ∈ Z tal que
n = a
2
. Dizemos que n é uma potência m-ésima quando n = a
m
.
S-3.14
(a) Mostre que o algarismo das unidades de um quadrado só pode
ser um dos seguintes: 0, 1, 4, 5, 6 e 9.
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104 CAP. 5: PROBLEMAS SUPLEMENTARES
(b) Mostre que nenhum dos números 22, 222, 2 222, . . ., ou
33, 333, 3 333, . . ., ou 77, 777, 7 777, . . ., ou ainda
88, 888, 8 888, . . . pode ser um quadrado.
S-3.15
(a) Mostre que todo quadrado ímpar é da forma 4n + 1.
(b) Mostre que nenhum número na sequência 11, 111, 1 111, 11 111
etc., é um quadrado.
(c) Mostre que nenhum número na sequência 44, 444, 4 444, 44 444
etc., é um quadrado.
(d) Mostre que nenhum número na sequência 99, 999, 9 999, 99 999
etc., é um quadrado.
(e) Mostre que nenhum número na sequência 55, 555, 5 555, 55 555
etc., é um quadrado.
S-3.16
(a) Mostre que nenhum número da forma 4n + 2 é um quadrado.
(b) Mostre que nenhum dos números 66, 666, 6 666, . . . é um
quadrado.
S-3.17
(a) Mostre que a soma de quatro inteiros consecutivos nunca é um
quadrado.
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(b) Mostre que a soma dos quadrados de quatro inteiros consecu-
tivos nunca é um quadrado. Faça o mesmo para a soma dos
quadrados de três inteiros consecutivos.
S-3.18
(a) Mostre que todo quadrado é da forma 8n, 8n + 1 ou 8n + 4.
(b) Mostre que nenhum número na sequência 3, 11, 19, 27 etc., é
um quadrado.
S-3.19 Mostre que numa sequência de inteiros da forma
a, a + d, a + 2d, a + 3d, . . .
se existir algum número que é quadrado, existirão infinitos números
que são quadrados.
S-3.20*
(a) Mostre que todo número inteiro ímpar pode ser representado
como diferença de dois quadrados.
(b) Mostre que se p = 1 ou se p > 2 é um número primo, então p
se escreve de modo único como diferença de dois quadrados de
números naturais.
(c) Mostre que todo número da forma 4
k
n, onde n é ímpar se escreve
como diferença de dois quadrados.
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106 CAP. 5: PROBLEMAS SUPLEMENTARES
(d) Mostre que se um número par é diferença de dois quadrados,
então ele é múltiplo de 4.
S-3.21 Mostre que todo cubo é diferença de dois quadrados, ou seja,
dado a ∈ Z, existem x, y ∈ Z tais que a
3
= x
2
−y
2
.
S-3.22* Ache os números n para os quais o número n(n + 14) seja
um quadrado.
Um número inteiro m = 0 é dito livre de quadrados, quando não
houver nenhum número a = ±1 tal que a
2
divide m.
Diremos que m = 0 é livre de cubos quando não houver nenhum
número a = ±1 tal que a
3
divide m.
S-3.23
(a) Mostre que m é livre de quadrados se, e somente se, a decom-
posição de m em fatores primos é da forma ±p
1
· · · p
r
, onde
p
1
, . . . , p
r
são primos distintos.
(b) Mostre que m é livre de cubos se, e somente se, a decomposição
de m em fatores primos é da forma ±p
n
1
1
· · · p
n
r
r
, onde p
1
, . . . , p
r
são primos distintos e n
i
≤ 2, para todo i = 1, . . . , r.
S-3.24 Qual é o maior número de inteiros positivos consecutivos
livres de quadrados? E livres de cubos? Generalize.
S-3.25 Mostre que 5 é o único número primo que pertence a dois
pares distintos de primos gêmeos.
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S-3.26 Mostre que se n é composto, então n divide o produto
1 ×2 ×3 ×· · · ×(n −1).
S-3.27 Dados dois inteiros a e b distintos, mostre que existem infini-
tos números n para os quais mdc(a + n, b + n) = 1.
S-3.28 Calcule mdc(n + 1, n
2
+ 1), para n ∈ Z.
S-3.29 Mostre que se a e b são dois números naturais tais que
mdc(a, b) = mmc(a, b), então a = b.
S-3.30 Resolva o seguinte sistema de equações:

mdc(x, y) = 6
mmc(x, y) = 60
S-3.31 Observe que mdc(x, y) divide mmc(x, y), quaisquer que sejam
x, y ∈ Z, não nulos.
Mostre que se no seguinte sistema:

mdc(x, y) = d
mmc(x, y) = m
d m, ele não admite solução. Mostre que se d | m, o sistema sempre
admite solução.
S-3.32 Observe que [mdc(x, y)]
2
divide xy, quaisquer que sejam
x, y ∈ Z, não nulos.
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108 CAP. 5: PROBLEMAS SUPLEMENTARES
Mostre que se o seguinte sistema:

mdc(x, y) = d
xy = m
é tal que d
2
m, ele não admite solução. Mostre que se d
2
| m, o sis-
tema sempre admite solução.
S-3.33
(a) Ache os números primos da forma a
2
−1.
(b) Existem primos da forma a
3
−1? E a
4
−1?
(c) Mostre que se a > 2 e n > 1, então a
n
−1 é composto.
(d) Mostre que se n é composto, então 2
n
−1 é composto.
Portanto, se 2
n
−1 é primo, então n é primo. Números primos da
forma 2
p
−1, onde p é primo são chamados primos de Mersenne.
S-3.34
(a) Mostre que todo cubo que é também um quadrado é da forma
5n, 5n+1 ou 5n+4 (ou seja, nunca é da forma 5n+2 ou 5n+3).
(b) Mostre que todo cubo que é também um quadrado é da forma
7n, 7n + 1.
S-3.35
(a) Mostre que todo primo maior do que 3 é da forma 3n + 1 ou
3n + 2.
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(b) Mostre que qualquer número da forma 3n + 2 tem um fator
primo da mesma forma.
(c*) Mostre que existem infinitos primos da forma 3n + 2.
(d) Existem infinitos primos da forma 3n + 1, mas a prova disso é
mais sutil.
S-3.36
(a) Mostre que todo primo maior do que 3 é da forma 4n + 1 ou
4n + 3.
(b) Mostre que qualquer número da forma 4n + 3 tem um fator
primo da mesma forma.
(c*) Mostre que existem infinitos primos da forma 4n + 3.
(d) Existem infinitos primos da forma 4n + 1, mas a prova disso é
um pouco mais sutil (veja Elementos de Aritmética, Proposição
8.1.4).
S-3.37 Mostre que todo número primo da forma 3k + 1 é da forma
6n + 1.
S-3.38
(a) Mostre que todo primo maior do que 3 é da forma 6n + 1 ou
6n −1.
(b) Mostre que qualquer número da forma 6n − 1 tem um fator
primo da mesma forma.
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110 CAP. 5: PROBLEMAS SUPLEMENTARES
(c*) Mostre que existem infinitos primos da forma 6n −1.
(d) Mostre que existem infinitos primos da forma 6n+1 (Utilize os
Problemas S-3.37 e S-3.35 (d)).
As propriedades enunciadas nos Problemas S-3.35 (c) e (d),
S-3.36 (c) e (d) e S-3.38 (c) e (d) são casos particulares de um teorema
profundo e de difícil demonstração do matemático Alemão Lejeune-
Dirichlet (1805-1859), que afirma que se a e b são dois números primos
entre si, então há infinitos números primos da forma an + b.
S-3.39 Verifique caso a caso que p divide 2
p
−2 para p primo e p ≤ 7.
S-3.40
(a) Mostre que em geral p divide a
p
− a, para todo a ∈ Z e para
todo p primo p ≤ 7.
(b) Verifique que se p não divide a, com p nas condições de (a),
então p divide a
p−1
−1, para todo a ∈ Z.
(c) Ache o resto da divisão por 7 do número 1
6
+2
6
+3
6
+· · · +15
6
.
(d) Mostre que se a e b são primos com 7, então b
6
−a
6
é múltiplo
de 7. Em particular, 23
6
−18
6
é múltiplo de 7.
Os problemas S-3.39 e S-3.40 são casos particulares de um resul-
tado geral chamado Pequeno Teorema de Fermat, cujo enunciado é:
Para todo primo p e todo inteiro a tem-se que p divide a
p
−a. Além
disso, se p não divide a, então p divide a
p−1
−1.
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Para uma prova, consulte o livro Elementos de Aritmética, Teo-
rema 7.3.1 e o seu corolário.
S-3.41
(a) Mostre que 30 divide n
5
−n.
(b) Mostre que n
5
e n têm sempre o mesmo algarismo das unidades.
(c) Mostre que o número
1
5
n
5
+
1
3
n
3
+
7
15
n é um inteiro para todo
inteiro n.
S-3.42 Mostre que 42 divide n
7
−n.
S-3.43 Utilizando o Pequeno Teorema de Fermat, enunciado acima,
mostre que se p um número primo, com p = 2, 5, então p divide
infinitos elementos da sequência 9, 99, 999, 9999, . . . Mostre também
que p divide infinitos elementos da sequência 1, 11, 111, 1111, . . .
S-3.44 Quantos divisores positivos tem um número primo p? E p
n
?
E p
n
×q
m
, com p e q primos distintos?
S-3.45 Ache o menor número natural que possui exatamente seis
divisores positivos. Faça o mesmo para 15 divisores e para 100 divi-
sores.
S-3.46 Mostre que se mdc(a, c) = 1 e mdc(b, c) = 1, então
mdc(ab, c) = 1.
S-3.47 Mostre que
(a) mdc(a
2
, b
2
) = [mdc(a, b)]
2
. (b) mmc(a
2
, b
2
) = [mmc(a, b)]
2
.
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112 CAP. 5: PROBLEMAS SUPLEMENTARES
(c) Generalize.
S-3.48 Sejam a e b inteiros e n um número natural. Mostre que
se a × b é uma potência n-ésima e mdc(a, b) = 1, então a e b são
potências n-ésimas.
S-3.49 (Esse é um problema proposto no século 16) Um total de
41 pessoas entre homens, mulheres e crianças foram a um banquete
e juntos gastaram 40 patacas. Cada homem pagou 4 patacas, cada
mulher 3 patacas e cada criança um terço de pataca. Quantos homens,
quantas mulheres e quantas crianças havia no banquete?
S-3.50 (Proposto por Euler) Um grupo de homens e mulheres gas-
taram numa taberna 1 000 patacas. Cada homem pagou 19 patacas
e cada mulher 13. Quantos eram os homens e quantas eram as mu-
lheres?
S-3.51 (Proposto por Euler) Uma pessoa comprou cavalos e bois.
Foram pagos 31 escudos por cavalo e 20 por boi e sabe-se que todos
os bois custaram 7 escudos a mais do que todos os cavalos. Quantos
cavalos e quantos bois foram comprados?
S-3.52
(a) Dados a e b inteiros fixados, quando é que os números da forma
ax + by, com x, y ∈ Z representam todos os inteiros?
(b) Quais são os números representados por 2x + 3y?
(c) Quais são os números representados por 6x + 9y?
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S-3.53 Em um certo país, as cédulas são de $4 e $7. Quais das afir-
mações a seguir são verdadeiras? Com elas é possível pagar, sem tro-
co, qualquer quantia inteira
(a) a partir de $11, inclusive.
(b) a partir de $18, inclusive.
(c) ímpar, a partir de $7, inclusive.
(d) que seja $1 maior do que um múltiplo de $3.
(e) que seja $1 menor do que um múltiplo de $3.
S-3.54 Em um quintal onde são criados coelhos e galinhas contaram-
se 400 pés. Quantas são as galinhas e quantos são os coelhos, sabendo
que diferença entre esses dois números é a menor possível.
S-3.55 Vimos no Problema S-3.16 que um quadrado nunca é da for-
ma 4n +2. Usando este fato, mostre que a equação x
2
+y
2
= z
2
não
admite nenhuma solução em x, y e z, com x e y ímpares.
S-3.56 Mostre que a equação x
2
+ y
2
= z
2
não admite nenhuma so-
lução em x, y e z, com x e y ambos primos com 3.
S-3.57 Mostre que se m e n são números inteiros, então x = 2mn,
y = m
2
− n
2
e z = m
2
+ n
2
são soluções da equação pitagórica
x
2
+ y
2
= z
2
.
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114 CAP. 5: PROBLEMAS SUPLEMENTARES
Problemas sobre o Capítulo 4
S-4.1
(a) Mostre que os restos da divisão de n inteiros consecutivos são
os números 1, 2, . . . , n em alguma ordem.
(b) Utilizando a fórmula:
1 + 2 +· · · + n =
n(n + 1)
2
,
conclua que a soma de n inteiros consecutivos quando dividida
por n deixa resto zero se n é ímpar e metade de n, se n é par.
(c) Ache os restos da divisão de 2 356+2 357+2 358+2 359+2 360
por 5 e de 32 141+32 142+· · · +32 149+32 150+32 151+32 152
por 12.
S-4.2 Mostre que, para todo n ∈ N,
(a) 7 divide 3
2n+1
+ 2
n+2
.
(b) 9 divide 10
n
+ 3 ×4
n+2
+ 5.
(c) 24 divide 2 ×7
n
+ 3 ×5
n
−5.
(d) 35 divide 3
6n
−2
6n
.
(e) 64 divide 7
2n
+ 16n −1.
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S-4.3 Sabendo que 7
4
= 2 401, ache os últimos dois dígitos de 7
99 999
.
S-4.4 Ache o resto da divisão de 2
1 000 000
por 77.
S-4.5 Mostre que 143
6
+ 91
10
+ 77
12
−1 é múltiplo de 1 001.
S-4.6 Mostre que 2 222
5 555
+ 5 555
2 222
é múltiplo de 7.
S-4.7 Mostre que 19 nunca divide um número da forma 4n
2
+ 4.
S-4.8 Quais são os dois últimos algarismos na representação no sis-
tema decimal do número 3
400
? E do número 2
400
?
S-4.9 Qual é o algarismo da unidade na representação decimal do
número 9
9
9
? E do número 7
7
7
?
S-4.10 Ache os algarismos das centenas e das unidades na represen-
tação decimal dos números 7
999 999
e 7
7
1 000
.
S-4.11 Ache o resto da divisão
(a) de 5
60
por 26. (b) de 3
100
por 34 (c) de 2
1 000 000
por 77.
S-4.12 Determine os restos da divisão por 4 dos números:
(a) 1 + 2 + 2
2
+ 2
3
+· · · + 2
100
(b) 1
5
+ 2
5
+ 3
5
+· · · + 20
5
.
S-4.13 Mostre que a congruência x
2
+ 1 ≡ 0 mod 7 não possui so-
luções. Conclua que a equação x
2
−6x−77 = 7y não admite soluções
inteiras.
S-4.14 Mostre que a equação x
2
− 13y
2
= 275 não admite soluções
inteiras.
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116 CAP. 5: PROBLEMAS SUPLEMENTARES
S-4.15 Mostre que se um número da forma 7n − 5 é múltiplo de 5,
então o número 12n
2
+ 19n −19 é múltiplo de 25.
S-4.16 Mostre que se um número da forma 2n + 1 é múltiplo de 3,
então o número 28n
2
−13n −5 é múltiplo de 9.
S-4.17 Mostre que valem as seguintes congruências:
(a) n
13
≡ n mod p, para p = 2, 3, 5, 7 e 13, e para todo n ∈ Z.
(b) Se mdc(n, p) = 1, mostre que n
12
≡ 1 mod p, para p = 2, 3, 5, 7
e 13.
Partes do problema acima são casos particulares do Pequeno Teo-
rema de Fermat, que pode ser reenunciado como segue:
Para todo primo p e todo inteiro a tem-se que a
p
≡ a mod p. Além
disso, se p não divide a, então a
p−1
≡ 1 mod p.
S-4.18 Resolva a congruência 3x ≡ 5 mod 11.
S-4.19 Determine os inteiros que deixam restos 1, 2 e 3, quando di-
vididos respectivamente por 3, 4 e 5.
S-4.20 Mostre que nenhum número da forma 4n+3 pode ser escrito
como soma de dois quadrados.
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Soluções e Respostas
Problemas do Capítulo 1
1.1 ∅, {3}, {2}, {2, 3}, {4, 5, 6}, {4, 5, 6, 7}, {3, 4, 5, 6} e {3, 4, 5, 6, 7}.
1.2 2, 3, 4, não tem, 3 e 2.
1.3 Por causa da comutatividade da adição pode-se separar essas 12
expressões em três grupos:
(a + b) + c = (b + a) + c = c + (a + b) = c + (b + a),
a + (b + c) = a + (c + b) = (b + c) + a = (c + b) + a,
(a + c) + b = b + (a + c) = b + (c + a) = (c + a) + b.
Portanto, novamente, pela comutatividade da adição, temos
(a + b) + c = a + (b + c) = a + (c + b) = (a + c) + b,
e, consequentemente, os 12 números listados acima são iguais.
1.6 Faltam 200 −50 = 150 reais.
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1.7 Pela tricotomia, temos três possibilidades:
a −c > b −c, a −c = b −c ou a −c < b −c.
Somando c a ambos os lados da primeira e da segunda possibilidade
obtemos uma contradição, logo só resta a terceira possibilidade.
1.8 São 72 −37 + 1 = 36 números.
1.9 São 75 −32 = 43 números, tanto no intervalo (32, 75], quanto no
intervalo [32, 75) e 75 −32 −1 = 42 números no intervalo (32, 35).
1.10 b −a nos dois primeiros casos e b −a −1 no último.
1.11 Não são. Se fossem, teríamos 1 = la, com a > 1, o que não é
possível.
1.12 5, 10, 15, 20, 25, 30, 35, 40, 45, 50.
1.15
(a) Considerando a sequência 32 = 8 ×4, 8 ×5, . . . , 8 ×1 000, segue
que o número de múltiplos de 8 é 1 000 −4 + 1 = 997.
(b) Considerando a sequência 1 606 × 2, . . . , 3 160 × 2, segue que o
número de números pares é 3 160 −1 606 + 1 = 1 555.
(c) 15 e 18 dúzias, respectivamente.
(d) 40 e 51 semanas, respectivamente.
1.23 28, 56, 84, . . .
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1.24 12, 66, 24 e 9.
1.26 (a + b)
5
= a
5
+ 5a
4
b + 10a
3
b
2
+ 10a
2
b
3
+ 5ab
4
+ b
5
.
Problemas do Capítulo 2
2.1 Os números são
2 ×6, 3 ×6, . . . , 16 ×6,
cuja soma é
(2 + 3 +· · · + 16) ×6 = 135 ×6 = 810.
2.2 Se os algarismos são a, b e c, os seis números são ab = 10a + b,
ba = 10b +a, ac = 10a +c, ca = 10c +a, bc = 10b +c e cb = 10c +b,
logo a sua soma é
10a+b +10b +a+10a+c +10c +a+10b +c +10c +b = 22(a+b +c).
2.4 10; 99; 99 −10 + 1 = 90; 2 ×90 = 180.
2.5 São necessários 792 algarismos. Ao confrontar com a fórmula
Q(x) não se esqueça que não existe página 0.
2.6 Seja n
0
, onde 0 ≤ n
0
≤ 9, o algarismo das unidades de a. Escreva
a na forma 10m + n
0
, e o eleve ao quadrado.
2.16 4 = 2
2
, 6 = 2 × 3, 8 = 2
3
, 36 = 2
2
× 3
2
, 84 = 2
2
× 3 × 7,
320 = 2
6
×5 e 2.597 = 7
2
×53.
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Problemas do Capítulo 3
3.9 Pela propriedade sugerida, tem-se que 216 − 144 = 72 é um
múltiplo comum, logo mmc(a, b) ≤ 72.
3.16
(a) mdc(n, 2n + 1) = mdc(n, 2n + 1 −2n) = mdc(n, 1) = 1.
(b) e (c) mdc(n, 2n + 2) = mdc(n, 2n + 2 −2n) = mdc(n, 2), que é 1 ou
2 segundo se n é ímpar ou par.
3.17 Se mdc(a

, b

) = d

> 1, então a = a

d

d e b = b

d

d, logo dd

seria um divisor comum de a e b maior do que d, absurdo.
3.18 43 = 3 × 14 + 1, 43 = 5 × 8 + 3, 233 = 4 × 58 + 1,
1 453 = 10 ×145 + 3, 1 453 = 100 ×14 + 53, 1 453 = 1 000 ×1 + 453
e 1 453 = 10 000 ×0 + 1 453.
3.20 −43 = 3(−15) + 2, −43 = 5(−9) + 2 −233 = 4(−59) + 3,
−1 453 = 10 × (−146) + 7, −1 453 = 100(−15) + 47, −1 453 =
1 000(−2) + 547, −1 453 = 10 000(−1) + 8 547.
3.24 Um número a é da forma 3q +i, onde i = 0, 1, 2. Agora analise
cada caso separadamente. Se a, a + 2 e a + 4 são primos trigêmeos,
um deles é divisível por 3 e sendo um número primo, ele é igual a
3. Analisando as três possibilidades conclui-se que a = 3 e, portanto,
3, 5 e 7 é a única terna de primos trigêmeos.
3.25 e 3.26 Escreva a na forma 3q + i, i = 0, 1, 2.
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3.27 3 257 = 5 × 651 + 2. Logo são produzidos 651 pacotes de chi-
cletes.
3.28 Escrevamos o número ímpar na forma 2n + 1, logo
2(2n + 1) = 4n + 2,
que não é múltiplo de 4.
3.29 A paridade é determinada por
(1 + 1)
234
+ (1 + 0)
542
= 0
234
+ 1
542
= 1,
logo é ímpar.
3.33 O resto da divisão por 3 se calcula como segue:
1
100
+ (2
2
)
15
= 1 + 1
15
= 1 + 1 = 2.
Portanto, o resto é 2.
3.34 Um múltiplo de 6 é obviamente múltiplo de 2 e de 3. Recipro-
camente, todo múltiplo de 2 e de 3 é múltiplo do mmc desses números
que é 6.
3.35 Um número é múltiplo de 6 se, e somente se, o seu algarismo
das unidades é par e a soma de seus algarismos é múltiplo de 3.
3.36 Podemos escrever
n(n + 1)(2n + 1) = n(n + 1)(n −1 + n + 2)
= (n −1)n(n + 1) + n(n + 1)(n + 2).
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Agora note que cada parcela na última linha é múltiplo de 2 e de
3, donde o resultado segue levando em conta o Problema 3.34.
3.39 mmc(4, 6, 9) = mmc(mmc(4, 6), 9) = mmc(12, 9) = 36.
3.40 Se m é múltiplo comum de a e b, temos m = r ×a e m = s ×b.
Logo, a×b = r ×a×d e a×b = s×b ×d. Assim, temos que b = r ×d
e a = s ×d, mostrando que d é divisor comum de a e b.
Reciprocamente, se d é divisor comum de a e b temos que b = r×d
e a = s ×d. Logo de a ×b = m×d, obtemos s ×b = m e r ×a = m.
Concluímos assim que m é múltiplo comum de a e b.
3.41 Como mdc(n, 2n+1) = 1, segue que mmc(n, 2n+1) = n(2n+1).
3.42 Sendo n múltiplo de a e de b, ele é múltiplo de seu mmc. Por
outro lado, sendo mdc(a, b) = 1, temos que mmc(a, b) = a ×b, logo n
é múltiplo de a ×b, logo divisível por ele.
3.43
(a) 8 = 728 ×37 + 1 496 ×(−1).
(b) 6 = 108 ×(−15) + 294 ×7.
3.44 Denotemos por min A o menor elemento de um conjunto de
números naturais A. Sabemos da Proposição 3.1 que
mdc(a, b) = min{x ∈ aZ + bZ; x > 0}.
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Portanto,
mdc(ca, cb) = min{x ∈ acZ + bcZ; x > 0}
= c min{x ∈ aZ + bZ; x > 0}
= c ×mdc(a, b).
3.45 O resultado segue da fórmula do Teorema 3.2:
mdc(a, b) ×mmc(a, b) = a ×b,
e do Problema 3.44.
3.46 Como p é primo, os seus únicos divisores são ±1 e ±p. Logo
mdc(a, p) = 1 ou mdc(a, p) = p. Na segunda possibilidade teremos
p | a.
3.47 Do exercício anterior, temos que p | a ou mdc(a, p) = 1. No
primeiro caso, nada temos a provar. No segundo caso, como p | a ×b,
segue da Proposição 3.3 que p | b.
3.48 Sendo p primo, se p | p
1
×p
2
, pelo problema anterior, p | p
1
ou
p | p
2
. Como p
1
e p
2
são primos, isto acarreta que p = p
1
ou p = p
2
.
3.49 Suponhamos que p
1
× · · · × p
r
= q
1
× · · · × q
s
. Portanto, p
1
divide q
1
×· · · q
s
, logo p
1
é igual a um dos q
i
, que após reordenamento
podemos supor ser q
1
. Assim, p
1
× · · · × p
r
= p
1
× · · · × q
s
, logo
p
2
× · · · × p
r
= q
2
× · · · × q
s
. Continuando desse modo, se r = s,
a demonstração está completa. Suponhamos s > r (o outro caso é
semelhante) temos que 1 = q
r+1
×· · · ×q
s
, o que não é possível.
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3.50 1, 2, 4, 8, 5, 10, 20, 40 e 1, 2, 4, 8, 5, 10, 20, 40, 3, 6, 12, 24,
15, 30, 60, 120.
3.51 Tem 48 divisores.
3.52 Sendo 1 080 = 2
3
×3
3
×5 ×7
0
e 210 = 2 ×3 ×5 ×7, temos que
mdc(1 080, 210) = 2 ×3 ×5 e mmc(1 080, 210) = 2
3
×3
3
×5 ×7.
3.55 (a) tem solução (b) não tem solução (c) tem solução
(d) tem solução (e) tem solução (f) tem solução.
3.56 mdc(a, b) = 1 divide qualquer número c.
3.57 Quando c for múltiplo de mdc(30, 42) = 6.
3.58 A equação a ser resolvida é 5x + 7y = 100, que possui solução
pois 5 e 7 são primos entre si. Uma solução particular é dada por
x
0
= 20 e y
0
= 0. Logo a solução geral é da forma: x = 20 − 7t e
y = 5t, com t número natural e 20 − 7t ≥ 0 para que as soluções
sejam não negativas. Assim obtemos as seguintes possibilidades:
x = 20, y = 0; x = 13, y = 5 e x = 6, y = 10.
3.59 Se D é o número de degraus, temos D = 2x + 1 e D = 3y + 2.
Assim, temos que 2x − 3y = 1, da qual uma solução particular é
x
0
= 2 e y
0
= 1. Portanto, x = 2 + 3t e y = 1 + 2t. Por outro lado,
40 ≤ D ≤ 100 e é múltiplo de 7. Isto implica que 6 ≤ t ≤ 15, e para
que D seja múltiplo de 7, é preciso que t = 12, ou seja, D = 77.
3.60 O problema conduz à equação 15x − 12y = 1, que não possui
soluções, pois mdc(15, 12) = 3 não divide 1.
3.61 Temos n = 18x + 4 e n = 14y + 6, o que nos conduz à equação
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9x − 7y = 1. Uma solução particular é x
0
= −3 e y
0
= −4. Assim,
x = −3 + 7t, logo n = 18(−3 + 7t) + 4, que é natual quando t ≥ 1.
Logo os números são da forma n = 126t −50, onde t ≥ 1.
Problemas do Capítulo 4
4.3 Já vimos que 10
n
− 1 = 99 · · · 9, logo 9 divide 10
n
− 1, donde
segue o resultado.
4.6 3 254 deixa resto 2 e 5, quando dividido por 3 e 9, respectiva-
mente. 12 736 deixa resto 1, quando dividido por 3 e 9. 54 827 deixa
resto 2 e 8, quando dividido por 3 e 9, respectivamente. 33 875 435
deixa resto 2, quando dividido por 3 e 9. 57 612 510 deixa resto 0,
quando dividido por 3 e 9.
4.7 3 254 deixa resto 4 quando dividido por 5 e 10. 12 736 deixa resto
1 e 6, quando dividido por 5 e 10, respectivamente. 54 827 deixa resto
2 e 7, quando dividido por 5 e 10, respectivamente. 33 875 435 deixa
resto 0 e 5, quando dividido por 5 e 10, respectivamente. 57 612 510
deixa resto 0 quando dividido por 5 e 10.
4.12 1, 4 e 3.
4.15 O resto é 5.
4.18 O resto é 3.
4.19 O resto da divisão por 7 é 2. O resto da divisão por 11 é 9 e o
resto da divisão por 13 é 5.
4.21 Os restos da divisão por 3 de 5 345, 3 765 839 e 10
10
são,
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respectivamente, 2, 2 e 1, logo 2
5 345
≡ 2
2
mod 7, 2
3 765 839
≡ 2
2
mod 7
e 2
10
10
≡ 2 mod 7.
4.22 Temos que 30 = 4 ×7 + 2, logo
2
30
= (2
4
)
7
×2
2
≡ (−1)
7
×4 ≡ 3 mod 17.
Logo o resto da divisão é 3.
4.23 Temos que 325 = 4 ×81 + 1, logo 2
325
≡ −2 ≡ 15 mod 17.
4.25 19 ≡ 2 mod 17, logo 19
4n
= (19
4
)
2n
≡ (−1)
2n
= 1 mod 17.
Assim, 19
4n
−1 é divisível por 17.
4.26 Observe que se tem
13
3
= 2 197 ≡ 37 ≡ −8 mod 45,
e que
17
3
= 4 913 ≡ 8 mod 45,
dos quais o resultado segue.
4.28 O resto é 3.
4.30 O resto é 2.
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Para Aprender Mais
COUTINHO, S. C. Números Inteiros e Criptografia RSA. Rio de
Janeiro: IMPA, [s.d.]. (Série de Computação e Matemática.)
HEFEZ, A. Elementos de Aritmética. [S.l.: s.n., s.d.] (Série Textos
Universitários, Sociedade Brasileira de Matemática.)
HEFEZ, A. Indução Matemática. Em http://www.obmep.org.br
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Texto já revisado pela nova ortografia.

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Sobre o Autor Abramo Hefez nasceu no Egito, mas é brasileiro por opção e carioca de coração. Cursou o ginasial e científico no Rio de Janeiro, graduou-se na PUC-Rio em Matemática e prosseguiu seus estudos na Universidade de Pisa, Itália e nos Estados Unidos, doutorando-se, em Geometria Algébrica no Massachusetts Institute of Technology. É Professor Titular no Instituto de Matemática da Universidade Federal Fluminense, onde exerce docência na graduação e na pós-graduação e desenvolve atividade de pesquisa.

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i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 4 Estilo OBMEP i i i i i .

i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page i Estilo OBMEP i Prefácio O nosso objeto de estudo neste pequeno livro. aos alunos premiados que participam do Programa de Iniciação Científica da OBMEP. Nessas notas. Muito provavelmente você ainda não estudou esses conceitos com o grau de formalização que encontrará aqui. Você verá ao longo do texto alguns desses problemas. de divisor. de mínimo múltiplo comum e de máximo divisor comum. mas que ainda não representa o maior rigor possível. além de possivelmente estar vendo pela primeira vez a noção de congruência. e estudará algumas de suas propriedades. de número primo. é o conjunto dos números inteiros e algumas de suas propriedades. apesar do ser humano estar estudando os números naturais há vários milênios. mas ao mesmo tempo muito ricos em problemas. Os números inteiros são obtidos estendendo os números naturais e esses são os mais simples de todos os números. eles ainda encerrem grandes mistérios a serem desvendados. muito fáceis de enunciar. mas ainda não resolvidos e com certeza se maravilhará de como. estabelecer regras gerais através i i i i i . você revisitará as noções de múltiplo. pois nos permitiremos fazer deduções por analogia e por indução empírica (isto é.

que é assunto de um outro texto do autor. Bom divertimento! Niterói. Finalmente. a quem agradeço calorosamente pela preciosa oportunidade de me dirigir aqui a vocês. março de 2009. Diretora Acadêmica da OBMEP. Essas deduções podem se transformar em verdadeiras demonstrações utilizando-se o Princípio de Indução Matemática. Este texto não existiria não fosse o desafio lançado por Suely Druck.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page ii Estilo OBMEP i ii da análise de um número finito de casos). espero que você aprecie o material aqui apresentado e que faça de seu estudo uma atividade prazerosa. publicado nesta coleção e destinado aos alunos do nível III. O Autor i i i i . Agradeço também ao colega Dinamérico Pombo por sua leitura cuidadosa do manuscrito original.

. . . .1 2. . . .1 1. . . . . . . . . . . . Ordem . . . . Multiplicação . . . . . . . . . Múltiplos Comuns . . . . . . . . . . Critérios de Multiplicidade de 9 e de 3 . . Números Primos . . . . .i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page iii Estilo OBMEP i Sumário 1 Os Números Naturais 1. . . . . . . Múltiplos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1 1 2 5 10 13 16 19 21 23 23 26 29 31 2 Representação dos Naturais 2. . . . . .2 2. . . . . . . . . . . . . . Critérios de Multiplicidade de 2. . . . . . . .3 1. . . . . . . . .6 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . iii i i i i . . . . 5 e 10 . . . . . . . Adição . . . . . . . . . . Subtração . . . . . . . . Potenciação . . . . . . . . . . .4 O Sistema Decimal . . . . . . . . . .2 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .7 1. .4 1. . .3 2. . . . . . . . . .8 Os Naturais . . . . . . .5 1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

. . . . . . . Teorema Fundamental da Aritmética . . . Zero. . .1 3. . . . . . . Aritmética Modular . . . . . .6 3.9 Os Inteiros . . . . . . . . . . . . . . Congruências e Produtos . . . . . . . Algoritmo da Divisão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Mínimo Múltiplo Comum . . . . . . . . . . . . . . . . . .5 4. . . . . . . . Aplicações da Relação de Bézout . .4 3. . . . . . . . Algumas Aplicações . . . . . . . 3.7 3. . . . . .5 3. . . . .8 3. . . . . Algoritmo do mdc de Euclides . . . . . . . . . .6 Congruências . . .10 Equações Diofantinas Lineares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .6 O Crivo de Eratóstenes . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 3.4 4. . Par ou Ímpar? . . . Um ou Dois? . . . 4 A Aritmética dos Restos 4. Múltiplos Inteiros de um Número . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33 38 42 42 45 47 53 58 60 62 66 70 75 81 81 84 85 87 90 96 99 3 Os Inteiros e suas Propriedades 3. . . . . . . . .3 4. Critérios de Multiplicidade e Restos . . . . . . . . . . Divisores . . . . . . . . . . 5 Problemas Suplementares i i i i . . . . .1 4.2 4. . . . .5 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Congruências e Somas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 3. . . . . . .i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page iv Estilo OBMEP i iv 2. . . .

1 Os Naturais Os números naturais formam um conjunto cujos elementos são descritos de modo ordenado como segue: 1. ou ainda.9 .10 . guardando o restante na nossa imaginação. . No entanto. 4. . 10.7 . 5.4 . todos nós sabemos perfeitamente do que estamos falando. .5 .6 . 9. Tudo começa com o número um. simbolizado por 1.. 2. Essa descrição não é completa. pois só explicitamos alguns poucos de seus elementos. 6.8 .2 . .3 . de modo mais sugestivo: n n n n n n n n n n 1 .i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 1 Estilo OBMEP i Capítulo 1 Os Números Naturais 1. . 3. 8. que repre1 i i i i . 7.

Cada elemento desse conjunto tem de ser obviamente representado por um símbolo distinto. ou seja. à esquerda de b. por exemplo. começando pelo 1. que será descrito no próximo capítulo. . acima mencionada. 1 < 2.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 2 Estilo OBMEP i 2 CAP. escrevemos b > a e dizemos que b é maior do que a. 5 < 7. de 1 a n.b . Como fazer isto de modo a poder memorizar todos esses símbolos? A resposta. ou ainda... os números naturais são em quantidade infinita.. Por exemplo. Assim.. n ..a . o número que lhe segue. inclusive. ou seja. fornece o seu sucessor. . sabemos que nesse sistema sucedendo o 10 vem o 11 e sucedendo o 999 vem o 1 000 etc. muito engenhosa. isto é. 9>6 etc. e com uma lei.. simbolizada pelas flechas. é dada pela adoção de um sistema de numeração. Sabemos também que esta sequência nunca termina. antes do número b..2 Ordem Quando um número a aparece na sequência. 1: OS NÚMEROS NATURAIS senta a unidade.. que no nosso caso é o sistema decimal posicional. inclusive subconjuntos do próprio conjunto dos naturais. Essa relação que ordena os números naturais tem claramente a i i i i . Os números naturais permitem contar objetos. 1. existem exatamente n números naturais. n Por exemplo. escrevemos a < b e dizemos que a é menor do que b. que a cada número.

b ... b] o conjunto dos números naturais x tais que a ≤ x ≤ b. o que significa que dados dois números naturais a e b temos verificada uma e apenas uma das três seguintes possibilidades (tricotomia): a < b. Escreveremos também a ≤ b para representar a situação: a<b ou a = b. ... Sejam dados dois números naturais a e b com a < b... então a aparece antes de c.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 3 Estilo OBMEP i SEC. n Em símbolos: Se a < b e b < c.c . a = b. temos que 2 ≤ 3 e também que 2 ≤ 2. n . . ou a > b. i i i i . n ..2: ORDEM 3 seguinte propriedade transitiva: Se a aparece antes de b e b aparece antes de c... Definimos os seguintes conjuntos: [a. 1. b) o conjunto dos números naturais x tais que a < x < b. Por exemplo.a . A ordem nos naturais é total. então a < c. (a...

[2.3 .4 .6 .7 . (2. 3]. 7].2 . 4}: n n n n n n n n n n l m m m l l 1 .9 .8 . 7]. 3.6 .5 . respectivamente.9 . b) o conjunto dos números naturais x tais que a ≤ x < b.4 .3 . (3. 5) = {2. O primeiro e o segundo conjunto são chamados. (3.3 .3 . [2. 7) e [3. ou semifechados. 4.10 - O intervalo (2.1. 4. 5] = {2.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 4 Estilo OBMEP i 4 CAP. 3).8 .5 .2 .4 .6 .7 . 1: OS NÚMEROS NATURAIS (a.10 - Problema 1. 3). Exemplos: O intervalo (2. b] o conjunto dos números naturais x tais que a < x ≤ b.2 . [a.6 .7 . 7).8 .9 . 5] = {3.8 .5 .5 .9 . 3. 4}: n n n n n n n n n n l m m l 1 . Determine os elementos dos seguintes intervalos: (2.7 . 5}: n n n n n n n n n n l m m m l l l m 1 .2 .10 - O intervalo [2. de intervalo fechado e intervalo aberto.4 .10 - O intervalo [2. 5) = {3. Os dois outros conjuntos são chamados indiferentemente de intervalos semiabertos. [3. Uma propriedade característica e fundamental do conjunto dos i i i i . 5}: n n n n n n n n n n l m m l l m 1 . 3].

existe um elemento a de A tal que a ≤ b. Todo subconjunto não vazio do conjunto dos números naturais possui um menor elemento. (3.    . 8]. é a seguinte: Princípio da Boa Ordem.. 7] ∪ [2. que não procuraremos justificar por parecer tão óbvia.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 5 Estilo OBMEP i SEC...a+b . [3.   Sejam dados dois números naturais a e b.. Determine o menor elemento de cada um dos seguintes conjuntos: [2. 8]. . quaisquer..3 Adição Vamos a seguir introduzir a operação básica nos naturais. o sucessor de a será também representado por a + 1: ...  i i i i .. (3. Problema 1..   . 7] ∩ [2.. Essa operação entre números naturais é chamada de adição e o número a + b é chamado soma de a e b. 5). 1.2. Seja dado um número natural a.     . Podemos deslocar a de b posições para a direita. 1. A afirmação acima significa que dado um subconjunto A de N. 5].a -a+1 -a+2 ... 5]. [3. (2. obtendo um número que será denotado por a + b. 4). não vazio. para todo elemento b de A..a -a+1 .3: ADIÇÃO 5 números naturais.

3 + 2 = 5. Agora. obtemos 3. 3 + 1 = 4. nos parece óbvio. 2 + 3 = 3 + 2 = 5. 3 + 1 = 4. ocorre sempre! Propriedade comutativa da adição. Este fato não é uma mera coincidência. ao deslocarmos a de três posições para a direita. Diremos que deslocamos um número a de i i i i . devido à nossa experiência com os números. 2 + 1 = 3. 1: OS NÚMEROS NATURAIS Por exemplo.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 6 Estilo OBMEP i 6 CAP. mas você teria alguma ideia de como mostrar que ao deslocar a para a direita de b posições alcança-se o mesmo número que deslocar b para a direita de a posições? Vamos agora introduzir um símbolo para representar o não deslocamento de um número. logo. Quaisquer que sejam os números naturais a e b. Portanto. 3 + 2 = 5. dados a = 2 e b = 3. Esse fato. 4 + 1 = 5. obtemos a sequência 2. obtendo assim o número 2 + 3 = 5. suponha que deslocamos b = 3 de a = 2 posições para a direita. temos que a + b = b + a. também.

4 . Portanto. Vamos colocar o símbolo 0. chamado zero. Denotaremos o conjunto acima por N. obtendo o conjunto ordenado: n n n n n n n n n n 0 . para todo número natural a. temos que a + b = b + a.. é intuitivo aceitar que se deslocarmos 0 de a posições à direita obtemos o número a.7 . neste caso. 1. Portanto.8 . à esquerda de todos os números naturais..9 . se o deslocarmos de 3 posições à direita obtemos 3. Portanto. para todo a no conjunto N. a + 0 = a.2 . Finalmente. é claro que 0 + 0 = 0. obtemos o número 1. continuando a chamá-lo de conjunto (ampliado) dos números naturais. Por exemplo. Escreveremos.5 .3 . quaisquer que sejam a e b no conjunto N (incluindo agora o elemento 0).. para somar três números a. podemos i i i i . obtemos 2.3: ADIÇÃO 7 zero posições para a direita quando não o movemos do seu lugar. consideraremos 0 < a.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 7 Estilo OBMEP i SEC. temos que 0 + a = a = a + 0. b e c.6 .1 . pois ao não deslocarmos o zero nos mantemos no zero. Se deslocarmos agora 0 de 1 posição para a direita. Assim. se o deslocarmos de 2 posições à direita. Podemos estender a soma para uma quantidade de números maior do que dois.

que é a seguinte: Dados três números naturais a. 1: OS NÚMEROS NATURAIS proceder da seguinte forma: somamos inicialmente a e b. Por exemplo dados 3. (c + a) + b. 5 e 6. b + (a + c). Há uma relação de compatibilidade entre a ordem e a adição de números naturais. b e c: (a + b) + c. (a + c) + b. então a + c < b + c. i i i i . b + (c + a). No exemplo acima. (b + c) + a. tem-se (a + b) + c = a + (b + c).i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 8 Estilo OBMEP i 8 CAP. Utilizando as propriedades comutativa e associativa da adição. isso nos daria 3+(5+6) = 3+11 = 14.3. poderíamos somar a com (b+c). b e c de N. (b + a) + c. b e c quaisquer. a + (b + c). Adição e Ordem. Por outro lado. formando o número (a + b). obtendo o número (a + b) + c. dão o mesmo resultado. (c + b) + a. depois somamos esse novo número com c. a + (c + b). mostre que os 12 modos de somar três números a. c + (a + b). c + (b + a). formaríamos 3 + 5 = 8 e o somaríamos com 6 obtendo (3 + 5) + 6 = 8 + 6 = 14. obtendo o número a+(b+c). Problema 1. Acontece que a adição tem também a seguinte propriedade: Propriedade associativa da adição. se a < b. Quaisquer que sejam os números a.

. o que também está em contradição com a nossa hipótese. ou seja: Dados três números naturais a.. Você percebeu que utilizamos a tricotomia diversas vezes na prova acima? i i i i . .b . . pela propriedade já provada. . não é difícil aceitar que a + c se mantém à esquerda de b + c. Só resta portanto a única possibilidade: a < b. Pela tricotomia.b + 2 .i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 9 Estilo OBMEP i SEC.. b e c. . A primeira possibilidade não pode ser verificada. . se a está à esquerda de b..a + 1 . 1. . b = a. Prova-se esta propriedade utilizando a tricotomia. ou a < b.3: ADIÇÃO 9 De fato. teríamos b + c < a + c. pois se b < a.      . então ao deslocarmos a e b simultaneamente de c posições à direita. De fato. pois se a = b.b + 1 .a + 2 . quaisquer. se a + c < b + c. temos uma das três possibilidades: b < a. o que está em contradição com a nossa hipótese a + c < b + c. A segunda possibilidade também não pode ser verificada. a       A propriedade acima admite uma recíproca. então a < b. suponhamos que a + c < b + c. teríamos a + c = b + c.

1: OS NÚMEROS NATURAIS Problema 1. então a = b.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 10 Estilo OBMEP i 10 CAP. quaisquer. se a + c = b + c. (1. então a + c < b + d.4.1) i i i i . o número de deslocamentos para a direita partindo de a para atingir b será representado por b − a e será chamado de diferença entre b e a. temos que a + (b − a) = b. Vale a recíproca dessa propriedade? Sugestão: Usando a compatibilidade da adição com a ordem.5. compare as novas desigualdades assim obtidas.4 Subtração Dados dois números naturais a e b tais que a ≤ b. Problema 1. logo 7 − 3 = 4. some b a ambos os lados da segunda desigualdade. é preciso deslocar 3 para a direita de 4 posições para alcançar 7. Por exemplo. some c a ambos os lados da primeira desigualdade. b e c. pela definição de b − a. Portanto. Finalmente. mostre que: Se a < b e c < d. Mostre que dados três números naturais a. 1. Usando a propriedade de compatibilidade da adição com a ordem e a transitividade da ordem. dados a = 3 e b = 7.

Mostre que se c ≤ a < b. ou seja não falta nada a a para atingir a... seque que se tivermos uma igualdade entre números naturais do tipo a + c = b. Problema 1. só faz sentido formar a diferença b − a quando b ≥ a: caso contrário. a diferença b − a. . b). Note também que a − 0 = a. que chamaremos de subtração. 1.4. então a − c < b − c.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 11 Estilo OBMEP i SEC.. quanto falta para eu poder comprar a bicicleta? Problema 1.. mas uma bicicleta custa 200 reais.a .7. ou seja. entre b e a. falta a a zero para atingir a.b . n não há como deslocar b para a esquerda para alcançar a.4: SUBTRAÇÃO 11 O número b − a é também o quanto devemos deslocar b para a esquerda para alcançar a... o número b−a pode ser interpretado como o quanto falta a a para atingir b. da equação (1. no contexto dos números naturais. pois devemos deslocar a de zero para atingir a.. então c = b − a.6. i i i i . pois devemos deslocar 0 de a para a direita para atingir a. Note que a − a = 0. . n .1) e do Problema 1. não há como deslocar a para a direita para atingir b. define uma operação sobre pares de números naturais (a. se b < a. Portanto. Observe que. isto é. Devido à equação (1. Tenho 50 reais.1). Quando a ≤ b. ou o que é o mesmo..

Para contar esses números considere a sequência: a + 0. . . Quantos números naturais existem maiores ou iguais a 37 e menores ou iguais a 72? Problema 1. [32. cujo número de elementos é igual ao número de naturais entre 0 e b − a. . se a < b. a + 1. o número b − a nos auxilia na contagem de quantos números inteiros maiores ou iguais a a e menores ou iguais a b existem. Problema 1. 75) e (32. Reciprocamente. pois ao deslocarmos a para a direita de b posições encontramos a + b. Em símbolos: (b − a) + a = b. se deslocarmos b para a esquerda de a posições encontramos b − a. b] possui b − a + 1 elementos. Em símbolos: (a + b) − b = a.9. Portanto. depois ao deslocarmos a + b para a esquerda de b posições voltamos para a. Quantos números naturais existem em cada um dos intervalos (32.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 12 Estilo OBMEP i 12 CAP. 1: OS NÚMEROS NATURAIS A subtração é a operação inversa da adição. 75]. inclusive. a + 2. a + 3. 75)? i i i i . Quando b > a. o que nos dá exatamente b − a + 1 números. a + (b − a) = b. depois ao deslocarmos b − a para a direita de a posições encontramos b. . o intervalo [a.8.

4. 10.. uma dúzia. 2 × a = a + a.. 8.11.5: MÚLTIPLOS 13 Problema 1. 6.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 13 Estilo OBMEP i SEC. · · · que são chamados de números pares.13.10. Problema 1. Outro exemplo é dado pelos múltiplos de 2: 0. uma vez a. 1.5 Múltiplos Dado a ∈ N. b)? 1. i i i i . b) e (a. duas vezes a. três dúzias etc. 0 dúzias.12. . três vezes a etc. . Os números ímpares são múltiplos de algum número fixado maior do que 1? Você seria capaz de justificar de modo convincente a sua resposta? Problema 1. podemos considerar os múltiplos de a: 0 vezes a (nenhuma vez a). quantos números naturais existem nos intervalos (a. b]. [a. Se a < b. duas dúzias. inclusive. 2. . Um número que não é par é chamado de ímpar. são os múltiplos de 12. 1 × a = a. Descubra quantos múltiplos de 7 existem entre 14 e 63. Por exemplo. Problema 1. 3 × a = a + a + a. Liste os 10 primeiros múltiplos de 5. obtendo assim a sequência: 0 × a = 0.

de um número a > 0 é sempre maior ou igual do que a. 4 × 7. Problema 1. . Note que o único múltiplo de 0 é apenas o 0. 28. 42. isto é diferente de zero. . como na solução do Problema 1. 3 × 7. Descubra quantos múltiplos de 7 existem entre 14 e 7 000. 49. 35. Podemos abordar o problema fazendo-o recair num caso já considerado e de fácil resolução: 2 × 7 (= 14). Agora é só contar quantos são os números de 2 a 1 000. . Assim. 21. Assim. i i i i . 1: OS NÚMEROS NATURAIS Solução: O modo mais direto de proceder é listar esses números para depois contá-los: 14. 1 000 × 7 (= 7 000). 56. um múltiplo não nulo. temos a seguinte propriedade importante: Se a × b = 0. inclusive. pela definição de múltiplo.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 14 Estilo OBMEP i 14 CAP. concluímos que esses são 8 em número. Solução: Resolver o problema listando todos esses números.14. que sabemos serem 1 000 − 2 + 1 = 999. então a = 0 ou b = 0. Note também que.13. Todos os números são múltiplos de 1 e de si próprios. 63. seria muito trabalhoso. .

Sugestão: Mostre que qualquer uma das opções. i i i i . por analogia. então a < b. (b) Mostre que vale a recíproca da propriedade acima. por tricotomia (recorde que a ordem é total). Seja c = 0. (a) Mostre que 0 < c < 2 × c < 3 × c < 4 × c < 5 × c. (a) Quantos múltiplos de 8 existem entre 32 e 8 000.5: MÚLTIPLOS 15 Problema 1. ou por indução empírica. a = b ou b < a.16. isto é que se a × c < b × c. implica numa contradição.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 15 Estilo OBMEP i SEC. que se a < b. 1. Fica assim “bastante evidente”. a única possibilidade: a < b. restando assim. então a × c < b × c (uma prova rigorosa disto pode ser dada usando Indução Matemática). inclusive? (b) Quantos números pares existem entre 3 211 e 6 321? (c) Quantas dúzias podemos formar com 180 laranjas? E com 220 laranjas? (d) Quantas semanas formam 280 dias? E 360 dias? Problema 1.15.

3 × 2 = 2 + 2 + 2 = 6. se a > 1. De novo. Exemplos: 2 × 3 = 3 + 3 = 6.  se a = 0. representando o múltiplo a vezes b de b. a×b=   b + b + · · · + b. 1: OS NÚMEROS NATURAIS 1. a×b. Quaisquer que sejam os números naturais a e b. Dos exemplos acima temos que 2 × 3 = 6 = 3 × 2 e 5 × 2 = 10 = 2 × 5. pois ocorre sempre. se a = 1.   a parcelas O número a × b será chamado o produto de a por b e será também denotado por ab. quando não houver risco de confusão. 5 × 2 = 2 + 2 + 2 + 2 + 2 = 10.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 16 Estilo OBMEP i 16 CAP. Vamos admitir que a multiplicação possua a seguinte propriedade: Propriedade comutativa da multiplicação. isto não é mera coincidência. Assim.6 Multiplicação Tomar múltiplos define uma operação nos números naturais. que se lê a vezes b. De modo semelhante à adição. 2 × 5 = 5 + 5 = 10 etc. a multiplicação também possui a seguinte propriedade: i i i i .  0. temos que a × b = b × a.    b.

Mostre que ser múltiplo é uma relação transitiva. somando esses números obtemos 6 × 12 + 3 × 12 = = = = = = 6 × 12 + (1 × 12 + 2 × 12) (6 × 12 + 1 × 12) + 2 × 12 7 × 12 + (1 × 12 + 1 × 12) (7 × 12 + 1 × 12) + 1 × 12 8 × 12 + 1 × 12 9 × 12 = (6 + 3) × 12.17. Considere dois múltiplos de um mesmo número natural. É portanto natural esperar que as operações de adição e de multiplicação tenham uma forte relação. Propriedade distributiva da multiplicação com relação à adição. Problema 1. a cópias de um mesmo número b. isto é.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 17 Estilo OBMEP i SEC. por exemplo 6 × 12 e 3 × 12. sucessivamente. temos que a × (b × c) = (a × b) × c. Uma dessas relações se dá através da propriedade distributiva que passamos a discutir. b e c. mais um argumento de indução i i i i . Recorde que definimos a multiplicação nos números naturais através da noção de múltiplo.6: MULTIPLICAÇÃO 17 Propriedade associativa da multiplicação. Quaisquer que sejam os números naturais a. que em última análise se reduz a ir somando. 1. então c é múltiplo de a. Um procedimento como o acima. se c é múltiplo de b e b é múltiplo de a.

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CAP. 1: OS NÚMEROS NATURAIS

que não queremos explicitar agora, permitiria mostrar que, em geral, dados números naturais a, b e c, tem-se que (a + b) × c = a × c + b × c.

Problema 1.18. Mostre que c × (a + b) = c × a + c × b. Problema 1.19. Mostre que a soma de dois múltiplos de um mesmo número é múltiplo desse número. Propriedade distributiva da multiplicação com relação à subtração. Podemos agora mostrar que se a < b, então c × (b − a) = c × b − c × a.

De fato, temos que c × a + c × (b − a) = c × [a + (b − a)] = c × b. Assim, pela definição da subtração, temos que c × (b − a) = c × b − c × a. Problema 1.20. Mostre que a diferença de dois múltiplos de um mesmo número, quando faz sentido, é múltiplo desse número.

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SEC. 1.7: MÚLTIPLOS COMUNS

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Problema 1.21. Sejam dados números naturais a, b e c tais que a é múltiplo de c. Mostre que a + b é múltiplo de c se, e somente se, b é múltiplo de c. Multiplicação e Ordem. A relação entre a adição e a ordem se reflete numa relação entre a multiplicação e a ordem que já tivemos oportunidade de abordar no Problema 1.16:

Se a < b e c > 0, então c × a < c × b.

Problema 1.22. Mostre que o menor elemento do conjunto dos múltiplos não nulos de um número natural a > 0 é o próprio a.

1.7

Múltiplos Comuns

Um conceito importante é o de múltiplo comum de dois números. Por exemplo, considere a sequência dos múltiplos de 3: 0, 3, 6, 9, 12, 15, 18, 21, 24, 27, 30, 33, 36, 39, 42, 45, . . . e a sequência dos múltiplos de 5: 0, 5, 10, 15, 20, 25, 30, 35, 40, 45, . . . Assim, a sequência dos números que são simultaneamente múltiplos de 3 e de 5 é: 0, 15, 30, 45, . . .

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CAP. 1: OS NÚMEROS NATURAIS

Você saberia continuar a sequência acima? Aparentemente, tratase da sequência dos múltiplos de 15, ou seja, os múltiplos do menor múltiplo comum não nulo de 3 e de 5, que é 15. Isso é absolutamente correto e é um resultado geral que provaremos a seu tempo. Problema 1.23. Determine os dois primeiros múltiplos comuns de 4 e 14. Como você continuaria esta sequência? Se a e b são números naturais não nulos, sabemos por definição que o número a × b é um múltiplo não nulo de b. Por outro lado, pela propriedade comutativa da multiplicação, tem-se que ele é também um múltiplo de a. Assim, o conjunto dos múltiplos comuns de a e b, além de conter o número 0, contém também o número a × b = 0. Definição. O menor múltiplo comum não nulo de dois números naturais não nulos a e b é denotado por mmc(a, b) e será chamado de mínimo múltiplo comum1 de a e b (ou abreviadamente mmc). Problema 1.24. Ache o mmc dos seguintes pares de números: 3 e 4; 6 e 11; 6 e 8; 3 e 9.

Voce percebeu que algumas vezes mmc(a, b) = a × b e outras vezes não? Qual será a razão? Desvendaremos mais este mistério no Capítulo 3.

Este número existe em função da observação acima e do Princípio da Boa Ordem.

1

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Convença-se de que a potenciação possui as seguintes propriedades: (a) 1n = 1.8 Potenciação Dados dois números naturais a = 0 e n qualquer. (b) an am = an+m . se n = 0. que não é definido. Exemplo: 20 = 1. Existem também fórmulas para escrever a potência de uma soma. 22 = 2 × 2 = 4. (a + b)4 = a4 + 4a3 b + 6a2 b2 + 4ab3 + b4 . definimos a operação de potenciação como segue:   1. Por exemplo. Problema 1. Observação. 23 = 8. para todo n = 0. Fica de fora 00 . (c) (an )m = anm . se n > 1. (a + b)2 = a2 + 2ab + b2 . i i i i . 02 = 0 etc. an =  a × a × · · · × a. se n = 1.8: POTENCIAÇÃO 21 1. 1. 21 = 2.    n fatores Define-se também 0n = 0. (d) an bn = (ab)n .    a.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 21 Estilo OBMEP i SEC. (a + b)3 = a3 + 3a2 b + 3ab2 + b3 .25.

26. 1: OS NÚMEROS NATURAIS Em geral. multiplicados por certos números naturais.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 22 Estilo OBMEP i 22 CAP. Esta fórmula geral que não apresentaremos aqui é chamada de fórmula do binômio de Newton. i i i i . Desenvolva (a + b)5 . veja o texto sobre indução do autor. Para maiores informações sobre esta fórmula. (a + b)n se escreve como a soma dos produtos de potências ai bj . Problema 1. onde i + j = n. já citado anteriormente e listado na bibliografia no final do livro.

6. O sistema é também dito posicional.1 O Sistema Decimal Os números naturais foram representados ao longo da história de vários modos distintos. variante do sistema sexagesimal utilizado pelos babilônios há cerca de 1 700 anos antes de Cristo. Esse sistema. todo número natural é representado por uma sequência formada pelos algarismos 0. possui um peso que lhe é atribuído em função de sua posição dentro da sequência. 7. 9. o sistema é chamado de decimal. Nesse sistema. além de seu valor intrínseco. 2.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 23 Estilo OBMEP i Capítulo 2 Representação dos Naturais 2. pois cada algarismo. Por serem 10 esses algarismos. 4. 5. foi desenvolvido na China e na Índia. O modo universalmente utilizado na atualidade é a representação decimal posicional. 8. Esse peso é uma potência de 10 e varia 23 i i i i . 1. 3.

também contadas da direita para a esquerda. o seguinte. contada da direita para a esquerda. Os zeros à esquerda em um número são irrelevantes. Cada algarismo de um número possui uma ordem. pois por exemplo. o 8 é de primeira ordem. 2: REPRESENTAÇÃO DOS NATURAIS O algarismo da extrema direita tem peso 100 = 1. o 4 de terceira ordem e o 1 de quarta ordem. no sistema decimal representa o número 1 × 103 + 4 × 102 + 5 × 10 + 8. tem peso 101 = 10. As classes são usualmente separadas por um ponto. constituem uma classe. o 5 de segunda ordem. Assim.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 24 Estilo OBMEP i 24 do seguinte modo: CAP. sempre da direita para a esquerda. no exemplo acima. Assim. o seguinte tem peso 102 = 100. damos os nomes das primeiras classes e ordens:   unidades 1a ordem  Classe das Unidades dezenas 2a ordem   centenas 3a ordem   unidades de milhar 4a ordem  Classe do Milhar dezenas de milhar 5a ordem   centenas de milhar 6a ordem i i i i . o número 1 458. o seguinte tem peso 103 = 1 000 etc. Cada três ordens. 0231 = 0 × 103 + 2 × 102 + 3 × 10 + 1 = 2 × 102 + 3 × 10 + 1 = 231. A seguir.

95. Uma delas era a seguinte: Seja a um número natural cujo algarismo da unidade é 5. com q um número natural. Mostre que a2 = 100q(q + 1) + 25. Com isto. Forme os seis números com dois algarismos distintos tomados dentre os algarismos fixados.5.1: O SISTEMA DECIMAL 25 Classe do Milhão   unidades de milhão 7a ordem  dezenas de milhão 8a ordem   centenas de milhão 9a ordem Problema 2. Nos tempos de seus avós não existiam as calculadoras eletrônicas e por isso eram ensinadas várias regras de cálculo mental. ou seja. Aplique a sua regra para calcular os quadrados dos números. Qual é o menor número de dois algarismos? E qual é o maior? Quantos são os números de dois algarismos? Quantos algarismos precisa-se para escrevê-los? Problema 2. 75. Problema 2. Mostre que a soma desses números é igual a 22 vezes a soma dos três algarismos fixados. 105 e 205. Quantos algarismos são usados para numerar um livro de 300 páginas? Quantas vezes usa-se cada algarismo? Curiosidade. a = 10q + 5. 2.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 25 Estilo OBMEP i SEC.2. 55. Existe uma fórmula interessante para descrever o número Q(x) de algarismos necessários para escrever todos os números i i i i . Problema 2. 85. 45. Determine a soma de todos os múltiplos de 6 que se escrevem no sistema decimal com dois algarismos. ache uma regra para calcular mentalmente o quadrado de a. 65. 35.4. 15. 25. Problema 2. Fixe três algarismos distintos e diferentes de zero.3.1.

onde a é um número natural. 32). Mostre que o algarismo das unidades de um quadrado perfeito. veremos alguns desses critérios. i i i i . 2.6. Utilize esta fórmula para conferir a sua resposta ao Problema 2. onde n0 é o algarismo das unidades de n.5. onde n0 é um dos algarismos de 0 a 9. isto é. se n é da forma n = 10m + n0 . n. A seguir. Reciprocamente. 5. p. onde n é o número de algarismos de x (cf. um número da forma a2 . Problema 2. no sistema decimal: Q(x) = n(x + 1) − (10n−1 + · · · + 10). então n0 é o algarismo das unidades de n.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 26 Estilo OBMEP i 26 CAP. 2: REPRESENTAÇÃO DOS NATURAIS naturais de 0 a x. Revista do Professor de Matemática. Seja dado um número n escrito no sistema decimal como n = nr · · · n1 n0 = nr 10r + · · · + n1 10 + n0 . Podemos então escrever n = (nr 10r−1 + · · · + n1 )10 + n0 .2 Critérios de Multiplicidade de 2. 5 e 10 Critérios de multiplicidade são alguma regras práticas para decidir se um dado número é múltiplo de algum outro prefixado.

6 ou 9. temos que ele é um múltiplo de 10 somado com um dos números: 0. 4. 6. Suponha agora que um dado número natural n seja par. Inicialmente. 2. e. 5 E 10 27 só pode ser 0. 1. 6. ou seja. n = 2m.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 27 Estilo OBMEP i SEC. consideremos a tabela: 2×0=0 2×1=2 2×2=4 2×3=6 2×4=8 2 × 5 = 10 = 10 + 0 2 × 6 = 12 = 10 + 2 2 × 7 = 14 = 10 + 4 2 × 8 = 16 = 10 + 6 2 × 9 = 18 = 10 + 8 Note que todo número acima é um múltiplo de 10 somado com um dos números: 0. 2. portanto. onde m é um número natural. Problema 2. 5. ou 8. 6 ou 8.7. 4. 2. Escrevendo m da forma m 10 + m0 . mostre que é par um número cujo algarismo das unidades é um dos algarismos 0. i i i i . Logo. n = 2m 10 + 2m0 é um múltiplo de 10 somado com um dos números: 0. 4. o seu algarismo das unidades é 0. Critério de multiplicidade de 2. 2. ou 8. ou 8. 2. 6. 4. temos n = 2(m 10 + m0 ) = 2m 10 + 2m0 . Mostre a recíproca do que provamos acima. 6. onde m0 é o algarismo das unidades de m. 2. 4. ou 8. Sendo 2m0 um dos números da tabela.2: CRITÉRIOS DE MULTIPLICIDADE DE 2. 4. ou seja.

e somente se. Assim. Problema 2. Critério de multiplicidade de 5 e de 10. Um número é múltiplo de 10 se. 22. Como 10m é múltiplo de 5 e de 10. e somente se. i i i i . 523 475. 30. Com a informação de que 100 é múltiplo de 4 e de 25. o seu algarismo das unidades é par. no segundo. no primeiro caso.9. o seu algarismo das unidades for 0. 35 420. o seu algarismo das unidades for 0 ou 5. n0 = 0 ou n0 = 5. Seja n um número natural escrito na forma n = 10m + n0 . e somente se. de 5 ou de 10 cada número a seguir: 17. e somente se. n0 é múltiplo de 5 ou de 10. respectivamente (cf. Determine se é múltiplo de 2. 28. provamos o seguinte resultado: Teorema (Critério de Multiplicidade de 5 ou de 10) Um número é múltiplo de 5 se. onde n0 é o algarismo das unidades de n. 2: REPRESENTAÇÃO DOS NATURAIS Juntando essas informações temos o seguinte resultado: Teorema (Critério de Multiplicidade de 2) Um número é múltiplo de 2 se.21). 25. você seria capaz de achar um critério de multiplicidade de 4 ou de 25? Sugestão: Note que um número n = nr · · · n2 n1 n0 pode ser escrito na forma n = nr · · · n2 × 100 + n1 n0 .i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 28 Estilo OBMEP i 28 CAP.8. Problema 1. e somente se. Isto ocorre se. Problema 2. e n0 = 0. temos que n é múltiplo de 5 ou de 10 se.

i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 29 Estilo OBMEP i SEC. 2.3: CRITÉRIOS DE MULTIPLICIDADE DE 9 E DE 3 29 Problema 2. temos 10n − 1 = 11 · · · 1 ×9. para n um número natural não nulo. Com a informação de que 1 000 é múltiplo de 8 (respectivamente de 125). 2.3 Critérios de Multiplicidade de 9 e de 3 Inicialmente note os seguintes fatos: 10 − 1 = 9 = 1 × 9. Subtraiamos a soma nr +· · ·+n1 +n0 . n vezes Portanto. 104 − 1 = 10 000 − 1 = 9 999 = 1 111 × 9. Em geral. já que 9 é múltiplo de 3. dos algarismos que compõem i i i i . 102 − 1 = 100 − 1 = 99 = 11 × 9.10.000 − 1 = 999 = 111 × 9. você seria capaz de achar um critério de multiplicidade de 8? (respectivamente de 125?) Sugestão: Note que um número n = nr · · · n3 n2 n1 n0 pode ser escrito na forma n = nr · · · n3 × 1 000 + n2 n1 n0 . 103 − 1 = 1. Seja dado agora um número n escrito no sistema decimal como n = nr · · · n1 n0 = nr 10r + · · · + n1 10 + n0 . todos os números da forma 10n − 1 são múltiplos de 9 e também de 3.

o qual é múltiplo de 3 mas não de 9. respectivamente. O que ganhamos com isto? Bem. de 3). Portanto. O teorema acima reduz o problema de saber se um dado número é múltiplo de 9 ou de 3 ao problema de saber se um outro número obtido a partir desse é múltiplo de 9 ou de 3.11. o número nr + · · · + n1 + n0 é múltiplo de 9 ou de 3. de ambos os lados da igualdade acima: n − (nr + · · · + n1 + n0 ) = nr 10r − nr + · · · + n1 10 − n1 + n0 − n0 = (10r − 1)nr + · · · + (10 − 1)n1 . dado o número 257 985 921. Repetindo o mesmo procedimento para o número 48. Note agora que a última expressão é sempre múltiplo de 9 (logo. e somente se. o número dado inicialmente é múltiplo de 3. e somente se. Por exemplo. Logo. mas não múltiplo de 9.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 30 Estilo OBMEP i 30 CAP. obtemos 4 + 8 = 12. pelo Problema 1. Problema 2. temos que n é múltiplo de 9 ou de 3 se. obtemos o seguinte resultado: Teorema (Critério de Multiplicidade de 9 ou de 3) Um número n = nr · · · n1 n0 é múltiplo de 9 ou de 3 se. 2: REPRESENTAÇÃO DOS NATURAIS o número n. até encontrar um número para o qual seja fácil decidir se é múltiplo de 9 ou de 3.21. somando os seus algarismos obtemos 2 + 5 + 7 + 9 + 8 + 5 + 9 + 2 + 1 = 48. o número nr + · · · + n1 + n0 é consideravelmente menor do que n e se ele ainda for grande podemos aplicar o teorema a ele obtendo um número ainda menor e assim. o número nr +· · ·+n1 +n0 for múltiplo de 9 ou de 3. Assim. Determine se é múltiplo de 3 ou de 9 cada um dos i i i i . sucessivamente.

Certamente. os números compostos são em número infinito. Exceto esses dois números. ou seja. todo número natural ou é primo ou é composto. Mais geralmente.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 31 Estilo OBMEP i SEC. enquanto 4. 35 424.4 Números Primos Os números primos são números especiais que desempenham um papel importante dentro da teoria e entre outras coisas os seus produtos representam todos os números naturais.12. Um número diferente de 0 e de 1 que não é primo é chamado de número composto. como veremos ainda nesta seção. Definição. Um número natural diferente de 0 e de 1 e que é apenas múltiplo de 1 e de si próprio é chamado de número primo. 225. 2. 930. 6 e 8 são números compostos. Diga quais dos seguintes números são primos e quais são compostos: 9. 13. Por exemplo. é composto (justifique). Problema 2. 23. por serem múltiplos de 2. 12. 17. 15. 21. 3. 111. 5 e 7 são números primos. 47. 328. pois i i i i . todo número par maior do que 2 não é primo. 2. 10.4: NÚMEROS PRIMOS 31 números a seguir: 108. 523 476. Note que a definição acima não classifica os números 0 e 1 nem como primos nem como compostos. 11. 2. 49.

i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 32 Estilo OBMEP i 32 CAP. você saberia dizer se o número 241 é primo? Muito mais difícil é decidir se o número 4 294 967 297 é primo ou composto. Para se ter uma ideia da dificuldade. 2: REPRESENTAÇÃO DOS NATURAIS já os números pares diferentes de 2 são em número infinito (justifique). Como terá Euclides feito isto? Será que ele exibiu todos os números primos? Seria isto possível? Veremos na próxima seção como ele realizou esta façanha. como os que vimos nas Seções 2. ou seja. em 300 a. Uma pergunta que surge espontaneamente é a seguinte: Quantos são os números primos? Euclides de Alexandria.3.C.2 e 2.. i i i i . Determinar se um dado número é primo ou composto pode ser uma tarefa muito árdua.5. Qual deles estava com a razão? Daremos a resposta na Seção 4. A tarefa de decidir se um número é primo ou múltiplo de outro pode ser ligeiramente auxiliada com critérios de multiplicidade. há mais de 2 300 anos. O matemático francês Pierre de Fermat (1601-1655) afirmou que esse número é primo. enquanto o matemático suíço Leonhard Euler (1707-1783) afirmou que é composto. mostrou que existem infinitos números primos.

se a é composto e p é o menor número primo do qual a é múltiplo. Como a é múltiplo de b e b é múltiplo de q. é primo todo número a que não é múltiplo de nenhum número primo p tal que p2 < a. então a = p × b. Para se obter os números primos até uma certa ordem n. Por exemplo. 7. bastaria testar se ele é múltiplo de algum dos números primos p = 2. já que o próximo primo 17 é tal que 172 = 289 > 221. n]. temos que a é também múltiplo de q e sendo p o menor primo do qual a é múltiplo. 3. sendo b primo ou composto. A palavra crivo significa peneira. é composto.17). Equivalentemente. temos p ≤ q. 2. A eficiência do método é baseada na observação bem simples a seguir. 1 i i i i .5: O CRIVO DE ERATÓSTENES 33 2. ele será múltiplo de um número primo q. Se um número natural a > 1 é composto. p2 ≤ p × q ≤ a. De todo modo. escreva os números de 2 até n em uma tabela. então ele é múltiplo de algum número primo p tal que p2 ≤ a.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 33 Estilo OBMEP i SEC. De fato. para mostrar que o número 221(= 13 × 17). onde p e b são menores do que a.5 O Crivo de Eratóstenes Um método muito antigo para se obter de modo sistemático números primos é o chamado Crivo de Eratóstenes.1 devido ao matemático grego Eratóstenes. jogando fora os números que não são primos. 11 ou 13. O método consiste em peneirar os números naturais em um intervalo [2. pela transitividade da relação de ser múltiplo (Problema 1. 5. Logo.

pois não é múltiplo de nenhum número anterior diferente de 1. Exibimos a seguir o resultado do crivo para n = 250. pois esses não são primos. é primo. 2: REPRESENTAÇÃO DOS NATURAIS O primeiro desses números. já teríamos riscado todos os números compostos menores ou iguais a n. Note que o procedimento termina assim que atingirmos um número primo p tal que p2 ≥ n. Risque todos os demais múltiplos de 3 na tabela. i i i i . O primeiro número não riscado nessa nova tabela é o 3 que é primo. Note que. Risque os demais múltiplos de 5 na tabela. pela observação que fizemos acima. Risque todos os demais múltiplos de 2 na tabela. Risque os demais múltiplos de 7 na tabela. os números não riscados são todos os primos menores ou iguais a n. o procedimento termina tão logo cheguemos ao número primo p = 17. O primeiro número maior do que 5 e que não foi riscado é o 7. pois esses não são primos. Ao término desse procedimento. o 2.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 34 Estilo OBMEP i 34 CAP. pois. que é primo. pois não é múltiplo de nenhum número anterior. neste caso. O primeiro número maior que 3 e não riscado na tabela é o 5 que é um número primo. pois não é múltiplo de nenhum número anterior diferente de 1.

2.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 35 Estilo OBMEP i SEC.5: O CRIVO DE ERATÓSTENES 35 n 8 7 n 20 19 n 32 31 n 44 43 55 56 n 68 67 n 80 79 91 92 .

103 104  115 116 .

127 128  .

139 140  .

151 152  .

163 164  175 176 187 188 .

199 200  .

211 212  .

223 224  235 247 236 248 9 21 33 45 57 69 81 93 105 117 129 141 153 165 177 189 201 213 225 237 249 10 22 34 46 58 70 82 94 106 118 130 142 154 166 178 190 202 214 226 238 250 n 12 11 n 24 23 35 36 n 48 47 n 60 59 n 72 71 n 84 83 95 96 .

107 108  119 120 .

131 132  143 144 155 156 .

167 168  .

179 180  .

191 192  203 204 215 216 .

227 228  .

239 240  n 3 n 4 2 n 14 13 25 26 n 38 37 49 50 n 62 61 n 74 73 85 86 n 98 97 .

109 110  121 133 122 134 15 27 39 51 63 75 87 99 111 123 135 147 159 171 183 195 207 219 231 243 16 28 40 52 64 76 88 100 112 124 136 148 160 172 184 196 208 220 232 244 n 6 5 n 18 17 n 30 29 n 42 41 n 54 53 65 66 77 78 n 90 89 .

101 102  .

113 114  125 126 .

137 138  .

149 150  161 162 .

173 174  185 186 .

197 198  209 210 221 222 .

233 234  245 246

145 146 

157 158  169 170 

181 182  

193 194  205 206 217 218 .

229 230  .

extraímos todos os números primos até 250: i i i i . 241 242  Consultando a tabela acima temos que o número 241 é primo. Da tabela acima. respondendo à pergunta que formulamos anteriormente.

103). 5. Por exemplo. 43). (29. (227. (197. 73). 31). 19). 241). consultando a tabela dos primos acima. 13). 7). (41. (191. Assim. 7) é uma terna de primos trigêmeos. 2: REPRESENTAÇÃO DOS NATURAIS 13 53 101 151 199 17 59 103 157 211 19 61 107 163 223 23 67 109 167 227 29 71 113 173 229 Note que a diferença de dois números primos consecutivos. Você seria capaz de exibir outra terna de primos trigêmeos? Ao contrário dos pares de primos gêmeos. (101. 5). 193). (5. (71. (11.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 36 Estilo OBMEP i 36 2 31 73 127 179 233 3 37 79 131 181 239 5 41 83 137 191 241 7 43 89 139 193 11 47 97 149 197 CAP. Dois primos consecutivos são chamados primos gêmeos se eles diferem de 2. (137. O que é surpreendente é que até o presente momento os matemáticos ainda não saibam dizer se os pares de primos gêmeos formam um conjunto finito ou infinito. 151). 61). 139). (149. (239. os seguintes são pares de primos gêmeos: (3. 229). excetuando 2 e 3 (que diferem de 1) é de no mínimo 2 (justifique). 199). (107. Três primos consecutivos serão chamados primos trigêmeos se a diferença entre cada dois primos consecutivos da terna é 2. vamos mais adiante ver que será muito fácil responder à questão da finitude ou não dessas i i i i . (59. 181). (179. 109). (17. (3.

numa carta de 7 de junho de 1742 endereçada a Leonhard Euler. mas que posteriormente tornou-se um potente império chegando a ocupar grande parte da Europa do Norte. No tempo de Goldbach a Prússia era um reino muito pobre. esta conjectura.2 O matemático prussiano3 Christian Goldbach. 10 = 3 + 7 = 5 + 5. Para saber mais consulte o seu professor de História. Teste a Conjectura de Goldbach e a versão de Euler para os números de 14 a 40. 19 e 20. Por exemplo. 7 = 3 + 2 + 2. A Prússia tem uma história muito rica dentro do contexto europeu dos séculos 18.5: O CRIVO DE ERATÓSTENES 37 ternas. 9 = 5 + 2 + 2. Você acredita que esta conjectura seja verdadeira? O termo conjectura numa linguagem mais coloquial significa palpite. o maior matemático da época e um dos maiores matemáticos de todos os tempos. porém não sabia demonstrá-la. Problema 2. mas que ela era equivalente a mostrar que todo número par maior ou igual do que 4 era soma de dois números primos. propôs que se provasse que todo número maior do que 5 é a soma de três primos. 6 = 3 + 3. é a chamada Conjectura de Goldbach. marcado por guerras intermináveis. Por exemplo. 10 = 5 + 3 + 2.13. não foi provada. Euler respondeu que acreditava nessa conjectura. 4 = 2 + 2. 12 = 5 + 5 + 2 = 3 + 7 + 2 etc. 11 = 5 + 3 + 3 = 7 + 2 + 2.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 37 Estilo OBMEP i SEC. 3 2 i i i i . mas que ainda não tem resposta. 12 = 5 + 7 etc. Pois bem. 6 = 2 + 2 + 2. nem desmentida. chute. 8 = 5 + 3. 8 = 3 + 3 + 2. até o presente momento. Outro problema muito simples de ser enunciado. 2.

isto é. 2n−2). ou a1 = p1 a2 . (n + 1)2 ). existe um número primo p0 tal que ou a = p0 . o matemático russo Pafnuti Chebyshev (1821-1894) provou de modo surpreendentemente elementar. Há uma conjectura semelhante ao Postulado de Bertrand.14. segue que existe um número primo p1 . onde i i i i . Usando a nossa tabela de primos. Problema 2. Se a segunda possibilidade é verificada. proposta anteriormente pelo matemático francês Adrien-Marie Legendre (1752-1833). sempre existe um número primo p no intervalo (n. a = p0 a1 . verifique a Conjectura de Legendre para n ≤ 15. verifique o Postulado de Bertrand para n ≤ 125. que é a seguinte: Dado um número natural n sempre existe um número primo no intervalo (n2 . Cinco anos depois. com 1 < a1 < a. mas não o suficiente para que o façamos aqui. que a afirmação era verdadeira. mas que ainda não foi provada nem desmentida.6 Teorema Fundamental da Aritmética O método do Crivo de Eratóstenes nos mostra que dado um número natural a.15. dado um número natural n > 3. Usando a nossa tabela de primos. ou a é um múltiplo não trivial de p0 . 2. 2: REPRESENTAÇÃO DOS NATURAIS Um outro problema proposto em 1845 pelo matemático francês Joseph Bertrand (1822-1900) foi que. Problema 2.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 38 Estilo OBMEP i 38 CAP. tal que ou a1 = p1 .

obtendo desse modo uma decomposição de a em fatores primos: a = p1 p2 · · · pr . o resultado de Euclides pode ser reformulado do seguinte modo: Teorema Fundamental da Aritmética Dado um número natural a ≥ 2. . ou se escreve como produto de números primos. Proposição (Euclides) Todo número natural a > 1. para algum primo p2 e 1 < a3 < a2 < a1 < a. ou é primo. existem um número r > 0. assim. o número ar é um primo pr . r 1 i i i i . Logo. nr tais que a = pn1 · · · pnr . a = p0 p1 . . Obtemos. . Note que desigualdades como a acima não podem continuar indefinidamente (justifique). Assim. 2. Com esta informação adicional. que esta escrita é única a menos da ordem dos fatores. temos a = p0 p1 p2 . que faremos na Seção 3. números primos p1 < · · · < pr e números naturais não nulos n1 .i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 39 Estilo OBMEP i SEC.9. ou a = p0 p1 p2 a3 . Prova-se com um pouco mais de trabalho. para algum r. Continuando a argumentação para a2 . . o seguinte resultado que se encontra no livro Os Elementos de Euclides de Alexandria. ou a = p0 p1 a2 .6: TEOREMA FUNDAMENTAL DA ARITMÉTICA 39 1 < a2 < a1 < a.

A prova completa foi dada por Gauss mais de dois séculos depois e acredita-se que Euclides não a fez por falta de notações adequadas.16. Vamos aproveitar que já temos os ingredientes para dar a demonstração de Euclides de que existem infinitos números primos. que 1 seria múltiplo do número primo q. Observe que ordenamos os primos que intervêm na fatoração de a por ordem crescente. Logo. 28.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 40 Estilo OBMEP i 40 além disso. teríamos. 8. 2: REPRESENTAÇÃO DOS NATURAIS Problema 2. a própria afirmação é verdadeira. esta escrita é única. 6. note que se esse número é composto há certamente um número primo p < 51 que o divide. 84. daí a unicidade da escrita. Decomponha em produtos de primos os seguintes números: 4. Sugestão: Para o número 2 597. 4 i i i i . Esta parte do teorema não se encontra nos Elementos de Euclides.21. O número a+1 não seria primo pois ele seria maior do que qualquer número primo. 36. apesar daquela obra conter todos os ingredientes para prová-la. Suponha por absurdo que os números primos sejam em número finito e seja a o produto de todos eles. pois 512 > 2 597 (veja a observação que fizemos ao descrevermos o Crivo de Eratóstenes). 320 e 2 597. O método utilizado na prova acima é chamado de redução ao absurdo e consiste em negar a afirmação que se quer provar e mostrar que isto leva a uma contradição. o que é um absurdo. pelo Problema 1. mostra-se que a negação da afirmação é falsa e. E foi assim que o astuto Euclides provou que existem infinitos números primos. portanto. ele seria múltiplo de algum número primo q.4 CAP. sem ter o trabalho de exibi-los todos. a + 1 sendo composto. Mas sendo a também múltiplo de q. Assim.

pois a + 2 é múltiplo de 2. dado um número n arbitrário. a + 3. Por outro lado. a + 4. . i i i i . . a + n. Sejam p o maior primo menor do que a + 2 e q o menor primo maior do que a + n (que existe pois os primos são infinitos). a + 3 é múltiplo de 3. são inteiros consecutivos todos compostos. a + 2. com q − p > n. . 2. . Já vimos que existem primos consecutivos cuja diferença é 2: são os primos gêmeos. De fato. Assim. . considere o número a = 1×2×3×· · ·×n. .. existem dois primos consecutivos cuja diferença é maior do que n. a + n é múltiplo de n. logo p e q são dois primos consecutivos. Alguns dos problemas mais profundos ainda por resolver estão relacionados com a distribuição dos números primos dentro da sequência dos números naturais. . dado n.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 41 Estilo OBMEP i SEC.6: TEOREMA FUNDAMENTAL DA ARITMÉTICA 41 Os números primos se distribuem dentro de N de modo bastante irregular.

o número b − a só foi definido quando b ≥ a.−3 ...     Os números à esquerda do zero são chamados de números negativos e os à direita são chamados de números positivos. .0     .−1 .−2 .2 . cujos elementos são dados ordenadamente como segue: . Como remediar esta situação? O jeito que os matemáticos encontraram para que seja sempre definido o número b − a foi o de ampliar o conjunto dos números naturais formando um novo conjunto Z chamado de conjunto dos números inteiros. . Os pares 42 i i i i .i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 42 Estilo OBMEP i Capítulo 3 Os Inteiros e suas Propriedades 3.1 . ..3 .1 Os Inteiros Dados dois números naturais a e b. até o momento.

onde declaramos a < b quando a se encontra à esquerda de b.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 43 Estilo OBMEP i SEC. satisfazendo à tricotomia). No conjunto Z. são chamados de números simétricos. temos definida a adição como segue: Para todo número inteiro a. se a > 0. 3 e −3 etc. Os intervalos em Z são definidos de modo análogo aos intervalos de N. é o seu próprio simétrico. se a < 0. Assim. que não é nem positivo. e deslocando b para a direita −a posições. chamada de subtração. negativo ou nulo. O elemento 0. Em Z temos uma relação de ordem que estende a relação de ordem de N. A adição no conjunto Z continua tendo as propriedades comutativa e associativa e é compatível com a relação de ordem. sem restrições. Representando por −a o simétrico de a.1: OS INTEIROS 43 de números 1 e −1. se b ≥ 0 ou de −b posições para a esquerda se b < 0.. i i i i . definimos a + b como sendo o número obtido pelo deslocamento de a para a direita de b posições. Esta relação continua transitiva e total (i. seja ele positivo.e. 3. 2 e −2. temos sempre que −(−a) = a. temos que a subtração é a operação inversa da adição e b − a = b + (−a). nem negativo. Definimos a diferença b − a como sendo o número obtido deslocando b para a esquerda a posições.. Isto define uma operação em Z.

Problema 3. Mostre que em Z continua valendo a propriedade do Problema 1. Mostre com exemplos que a subtração não é uma operação nem comutativa nem associativa. com c = 0. e (−a) × (−b) = a × b.5. então a = 0 ou b = 0.3. no seguinte sentido: i i i i . A multiplicação também continua compatível com a ordem. Mostre que em Z continua valendo que (b−a)+a = b e que (a + b) − b = a. Problema 3. A multiplicação em Z continua sendo comutativa. b ≥ 0. então a = b. com a e b inteiros. Problema 3.4. Mostre que em Z um intervalo [a.2. associativa e distributiva com relação à adição e à subtração.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 44 Estilo OBMEP i 44 CAP. Problema 3. tem b − a + 1 elementos.1. 3: OS INTEIROS E SUAS PROPRIEDADES Problema 3. sabemos o que é a × b.4. Assim. Definimos (−a) × b = a × (−b) = −(a × b). b]. a × b está definido para quaisquer inteiros a e b. Mostre que se a × c = b × c. A multiplicação nos inteiros é definida como segue: Se a. onde a ≤ b. Tem-se também que se a × b = 0.

Nem a sua recíproca: Se a × c < b × c. 3. então c × a < c × b. consideremos o conjunto dos múltiplos inteiros de a: aZ = {a × d. (iii) Um múltiplo de um múltiplo de a é um múltiplo de a. então −m é múltiplo de a. Problema 3.6.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 45 Estilo OBMEP i SEC. então m + m e m − m são também múltiplos de a. i i i i . (iv) Se m e m são múltiplos de a.2: MÚLTIPLOS INTEIROS DE UM NÚMERO 45 Se a < b e c > 0. então a × c < b × c. então a < b. Mostre que os múltiplos inteiros de um elemento a possuem as seguintes propriedades: (i) 0 é múltiplo de a. d ∈ Z}.7. Problema 3. qualquer que seja c. qualquer que seja c. 3.2 Múltiplos Inteiros de um Número Dado um inteiro a. Mostre com um exemplo que em Z não vale a propriedade: Se a < b. (ii) Se m é um múltiplo de a.

O mesmo resultado vale para os múltiplos comuns de dois inteiros a e b. o seguinte problema lida com esta situação. (iv) Se m e m são múltiplos comuns de a e b. então m é múltiplo comum de a e b. quaisquer que sejam os inteiros e e f (note que (iv) é um caso particular da presente propriedade). então e × m + f × m é múltiplo de a. (iii) Um múltiplo de um múltiplo comum de a e b é um múltiplo comum de a e b. então m é múltiplo de a. Problema 3. (vi) Se m + m ou m − m é múltiplo comum de a e b e m é múltiplo comum de a e b.8. Se um dos números a ou b é nulo e o outro i i i i . 3: OS INTEIROS E SUAS PROPRIEDADES (v) Se m e m são múltiplos de a. então m + m e m − m são também múltiplos comuns de a e b. então −m é múltiplo comum de a e b. (v) Se m e m são múltiplos comuns de a e b. (ii) Se m é um múltiplo comum de a e b. De fato. quaisquer que sejam os inteiros e e f (note que (iv) é um caso particular da presente propriedade). Mostre que os múltiplos inteiros comuns de dois elementos a e b possuem as seguintes propriedades: (i) 0 é múltiplo comum de a e b.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 46 Estilo OBMEP i 46 CAP. Vimos que dois números naturais a e b possuem sempre um mmc que é um número natural. então e × m + f × m é múltiplo comum de a e b. (vi) Se m + m ou m − m é múltiplo de a e m é múltiplo de a.

Diremos que um número inteiro d é um divisor de outro inteiro a.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 47 Estilo OBMEP i SEC. i i i i . para algum inteiro c. Se a e b são ambos não nulos. escrevemos d a. Caso d não divida a.8. Suponha que os números 216 e 144 sejam múltiplos comuns de um determinado par de números a e b.3 Divisores Nesta seção olharemos a noção de múltiplo sob outro ponto de vista. Mostre que mmc(a. então define-se o mínimo múltiplo comum (mmc) de a e b como sendo o menor múltiplo comum positivo. Representaremos o fato de um número d ser divisor de um número a. então esses números só admitem o zero como múltiplo comum (justifique). que será chamado do mínimo múltiplo comum (mmc) de a e b. pelo símbolo d | a. ou seja. o menor elemento positivo do conjunto aZ ∩ bZ. Sugestão: Utilize a propriedade (iv) do Problema 3. ou seja. 3. Definição. ou d dividir a. Quando a é múltiplo de d dizemos também que a é divisível por d ou que d divide a.3: DIVISORES 47 é um inteiro qualquer. se a = d×c. se a é múltiplo de d.9. mesmo que não sejam ambos positivos. b) ≤ 72. 3. Problema 3.

pois 0 é múltiplo de qualquer número1 . −6 | 6. então −d | a. . por exemplo. −2 | 6. −3. 6 | 6. Problema 3. Temos também que 1 | a e d | 0. o “quociente” de 0 por 0 poderia ser qualquer número. n1 n0 na sua representação decimal. e somente se. −1 | 6. dado um número n = nr . Os critérios de multiplicidade podem ser reenunciados como critérios de divisibilidade. Problema 3. 2. para todo d. . d | −a e −d | −a Note que se a e d são números naturais. temos o resultado: n é divisível por 2 (ou seja múltiplo de 2) se e somente se n0 é um número par. 1. Além disso. −1. Mostre que das duas propriedades acima segue que. sendo a um múltiplo natural não nulo do número natural d. 1 Isto absolutamente não quer dizer que podemos dividir zero por zero. Por exemplo. sabemos que a ≥ d. i i i i .i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 48 Estilo OBMEP i 48 CAP. −2. a = b. 3. De fato. se a é um inteiro não nulo. então d ≤ a. se d ∈ {−6.10. temos que 1 | 6. 3: OS INTEIROS E SUAS PROPRIEDADES Assim. então a | b e b | a se. os divisores de a são em número finito. Mostre que se a e b são números naturais não nulos. inclusive quando d = 0. 3 | 6. e se d | a. 2 | 6. 6}. pois como 0 = c × 0 para todo c. então d 6.11. com a = 0. Note também que se d | a. logo não estaria bem definido. −3 | 6.

podemos também redefinir a noção de número primo como sendo um número p > 1 que só possui 1 e o próprio p como divisores positivos. (c) Conclua que d é um divisor comum de a e de b se e somente se d é um divisor comum de a e de b − a. 3. Definição. o maior divisor comum de a e b será chamado de máximo divisor comum de a e b e denotado por mdc(a. então a | c. 4. 8. Problema 3. b) = mdc(b. A divisibilidade possui várias propriedades importantes decorrentes das propriedades dos múltiplos e cuja utilização vai nos facilitar a vida. Enuncie critérios de divisibilidade por 3.3: DIVISORES 49 Problema 3. se a | b e b | c. a). 9 e 10. (b) Se d | (b + a) ou d | (b − a) e d | a.13. A relação de divisibilidade é transitiva. 5.12. Mostre as seguintes propriedades importantes da divisibilidade: (a) Se d | a e d | b. Note que mdc(a. b). De fato. então d | b. Utilizando a noção de divisor. ou seja. isto é o mesmo que a transitividade da relação de ser múltiplo (veja Problema 1. i i i i . então d | (b + a) e d | (b − a).17).i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 49 Estilo OBMEP i SEC. Dados dois números inteiros a e b não simultaneamente nulos.

18) = 6. se b < 0. O que fazer então? Euclides.14. quando um dos dois números for grande. ±6. b) = mdc(a. Por exemplo. esse método fica impraticável. CAP. ±3. No entanto. ±2. que será o seu mdc. nos dá uma solução para este problema descrevendo um algoritmo i i i i . três séculos antes de Cristo. ±12. ±3. para calcular mdc(12. −b) = mdc(−a. pois neste caso podemos listar todos os divisores comuns desses números e escolher o maior deles. (b) Mostre que mdc(0. ±18. 0) não existe. e os divisores de 18. determinamos os divisores de 12. que são: ±1. então mdc(a. ±4. (c) Mostre que se a = 0 ou b = 0. se b > 0 −b. O problema de determinar o mdc de dois números é bem simples quando os números são pequenos. b) = mdc(−a. ±2. ±9.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 50 Estilo OBMEP i 50 Problema 3. −b). 18). 3: OS INTEIROS E SUAS PROPRIEDADES (a) Mostre que mdc(0. b) = b. pois achar os divisores de um número grande é muito complicado. que são: ±1. ±6. obtemos: mdc(12. Tomando o maior divisor comum.

80) = mdc(38. 80) = mdc(198. 4) = mdc(18. 80) = mdc(118. que permite ir reduzindo sucessivamente o cálculo do mdc de dois números ao cálculo do mdc de números cada vez menores. será descrito no próximo capítulo e repousa numa generalização da propriedade do Problema 3. vejamos como isto vai permitir o cálculo de mdc(3 264. 4) = mdc(26. se. ele é um divisor comum de a e b − a. Tomando o máximo divisor comum. 4) = mdc(6. 42) = mdc(38. 3 264 − 1 234) = mdc(1 234.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 51 Estilo OBMEP i SEC. não ambos nulos. e somente se. 4) = mdc(14. 80) = mdc(278. 1 234 − 796) = mdc(796. 4) = mdc(22. 796) = mdc(796. b) = mdc(a. 438) = mdc(358. 4) = mdc(34. 2 030 − 1 234) = mdc(1 234. como é conhecido o método por ele desenvolvido.3: DIVISORES 51 muito eficiente para fazer este cálculo. 4) = mdc(30. 1 234): mdc(3 264. 3. obtemos a seguinte identidade: mdc(a. 4) = 2 i i i i . 438 − 358) = mdc(358. 4) = mdc(10. 80) = mdc(358 − 80. 2 030) = mdc(1 234. 438) = mdc(796 − 438. 80) = mdc(38. 438) = mdc(358. b − a). O Algoritmo de Euclides. 1 234) = mdc(1 234. Como exemplo de aplicação.13(c) que recordamos abaixo: Um número d é divisor comum de a e b.

Sejam a e b dois números com um divisor comum d. são primos entre si se os únicos divisores comuns de a e b são 1 e −1.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 52 Estilo OBMEP i 52 CAP. dois inteiros a e b. então mdc(n. 4 e 15. não ambos nulos. Mostre que d divide a × n + b × m. Portanto. n + 1 − n) = mdc(n. podemos escrever os dois números na forma n e n + 1. (b) Mostre que se n é um número ímpar. Dois números consecutivos são sempre primos entre si. 3: OS INTEIROS E SUAS PROPRIEDADES As contas anteriores serão abreviadas de modo drástico com o algoritmo de Euclides para o cálculo do mdc que iremos apresentar na Seção 3. 9 e 7. serão ditos primos entre si se não forem múltiplos de um mesmo número diferente de 1 e de −1. Exemplos de pares de inteiros primos entre si são: 2 e 3. o que equivale a dizer que mdc(a. Problema 3. Dois números primos distintos são sempre primos entre si. 9 e 12. 1) = 1. Dois números inteiros. 2n + 2) = 1. logo mdc(n. De fato. b) = 1. Problema 3.16. quaisquer que sejam os números inteiros n e m. não ambos nulos.8.15. (a) Mostre que dois números inteiros da forma n e 2n + 1 são sempre primos entre si. Não são primos entre si os pares: 2 e 4. 3 e 6. i i i i . n + 1) = mdc(n.

b). ou seja. com a > 0 e b qualquer. o número b estará em um e apenas um dos intervalos acima. 3a) ∪ · · · ∪ [na. Portanto. (n + 1)a). Digamos que b pertença ao intervalo [qa. 3. Sejam dados dois números naturais a e b. a) ∪ [a. Logo. considere todos os intervalos da forma [na. 2n + 2) = 2.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 53 Estilo OBMEP i SEC. mostre que mdc(a .17. Se a e b são os dois números naturais tais que a = a × d e b = b × d. Essa é a chamada divisão euclidiana. (n + 1) a) ∪ · · · e os intervalos acima são dois a dois sem elementos em comum. então mdc(n. 3. b ) = 1.4 Algoritmo da Divisão Uma das propriedades mais importantes dos números naturais é a possibilidade de dividir um número por outro com resto pequeno. N = [0. (q + 1) a). Para isto. para n um número natural qualquer.4: ALGORITMO DA DIVISÃO 53 (c) Mostre que se n é um número par. 2a) ∪ [2a. unicamente determi- i i i i . Queremos comparar o número natural b com os múltiplos do número a. Isto nos dá uma partição de N. existem dois números naturais q e r. Problema 3. Sejam a e b dois números naturais não ambos nulos e seja d = mdc(a.

tais que b = aq + r. temos que q = 0 e r = b. onde r = b − qa e. obtemos b = qa + r. b − na. respectivamente. 3: OS INTEIROS E SUAS PROPRIEDADES com 0 ≤ r < a. Assim.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 54 Estilo OBMEP i 54 nados. até encontrar um número natural q tal que b − (q + 1)a < 0. Por exemplo. com b − qa ≥ 0. determinamos os resultados da subtração de 54 pelos múltiplos de 13: i i i i . Note que dados dois números naturais a e b. e somente se. nem sempre b é múltiplo de a. . os números q e r são chamados. portanto. b − 2a. Caso b = a Neste caso. . 0 ≤ r < a. CAP. r = 0. Como determinar os números q e r na divisão euclidiana? Caso b < a Como b = 0 × a + b. tomamos q = 1 e r = 0. Caso b > a Podemos considerar a sequência: b − a. quociente e resto da divisão de b por a. . . O número b é chamado dividendo. este será o caso se. para dividir o número 54 por 13. o número a divisor.

Mostre o chamado Algoritmo da Divisão Euclidiana nos inteiros: Dados inteiros a e b. se a > 0.20. Problema 3.19. 54 − 2 × 13 = 28. os possíveis restos da divisão de um i i i i . por 100. a divisão euclidiana de 54 por 13 se expressa como: 54 = 4 × 13 + 2.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 55 Estilo OBMEP i SEC.19.4: ALGORITMO DA DIVISÃO 55 54 − 13 = 41. existe um único par de inteiros q e r tal que b = aq + r. Problema 3.18. por 100. 54 − 3 × 13 = 15. Problema 3. Assim. (n + 1) a). por 1 000 e por 10 000. 54 − 4 × 13 = 2 54 − 5 × 13 = −11 < 0. Pelo Problema 3. 3. por 1 000 e por 10 000. Sugestão: Considere os intervalos da forma [na. com 0 ≤ r < a. com a > 0. Efetue a divisão euclidiana nos seguintes casos: (a) de 43 por 3 (b) de 43 por 5 (c) de 233 por 4 (d) de 1 453 por 10. com n em Z. Efetue a divisão euclidiana nos seguintes casos: (a) de −43 por 3 (b) de −43 por 5 (c) de −233 por 4 (d) de −1 453 por 10.

Problema 3.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 56 Estilo OBMEP i 56 CAP.21. Como se relacionam os restos da divisão de n por 2 ou 5 com os restos da divisão de n0 por 2 ou 5? Um número quando dividido por 3 pode deixar restos r = 0. r = 1 ou r = 2. Mostre que dentre dois inteiros consecutivos um deles é par e o outro ímpar. 1 ou 2 quando dividido por 3. 3: OS INTEIROS E SUAS PROPRIEDADES número qualquer por a são os números 0. 1) Suponha que a deixe resto 0 quando dividido por 3. os possíveis restos da divisão de um número inteiro por 2 são r = 0 ou r = 1. Mostre que de três inteiros consecutivos um e apenas um deles é múltiplo de 3. . Se um dado número quando divido por 2 deixa resto r = 0. a = 3q. a − 1.22. um número é par se é da forma 2q e é ímpar se é da forma 2q + 1. a + 1 = 3q + 1 e a + 2 = 3q + 2. ao contrário. Temos as seguintes possibilidades: a deixa resto 0. esse número deixa resto 1 quando dividido por 2. . Problema 3. ele é divisível por 2. Se. . ou seja. . Mostre que um número n escrito no sistema decimal como nr . Solução: Suponha que os três inteiros consecutivos sejam a. Assim. . Por exemplo. a + 1 e a + 2. Logo. para algum inteiro q. n1 n0 deixa resto n0 quando dividido por 10. . ele é par. um e apenas um dos i i i i . Problema 3. ele é ímpar.23. ou seja. Assim. 1.

a + 2. um e apenas um deles é múltiplo de 3. a. Logo. 5. um e apenas um dos três números é múltiplo de 3. 2) Suponha que a deixe resto 1 quando dividido por 3. mas se tivermos 38 ovos. Dividir por a > 0 é agrupar em conjuntos com a elementos. Mostre que dados três números a. a + 1 = 3q + 2 e a + 2 = 3q + 3 = 3(q + 1). a + 2 e a + 4. para saber quantas dúzias de ovos temos no quintal. Assim. a+1 = 3q+3 = 3(q+1) e a+2 = 3q+4 = 3(q+1)+1. 2(a + 1) e 2(a + 2). Se tivermos 36 ovos. i i i i .26. a saber. Usando este fato. ou seja. teremos ainda 3 dúzias de ovos e sobrariam 2 ovos.4: ALGORITMO DA DIVISÃO 57 três números é múltiplo de 3. temos que dividir o número de ovos por 12. a saber. Logo. 7).i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 57 Estilo OBMEP i SEC. (b) Dados três inteiros consecutivos. Problema 3. 3. a + 1. mostre que um deles é múltiplo de 3 e a soma dos outros dois também.25. a saber. um e apenas um dos três números é múltiplo de 3. 3) Suponha que a deixe resto 2 quando dividido por 3. a = 3q + 1. Mostre que dados três números 2a.24. mostre que a única terna de primos trigêmeos é (3. teremos 3 dúzias exatas. a divisão podendo ser exata ou não. ou seja. Assim. (a) Mostre que a soma de três inteiros consecutivos é sempre múltiplo de 3. um e apenas um deles é múltiplo de 3. Problema 3. a = 3q+2. Problema 3. Por exemplo.

logo par. logo par. múltiplo de 4. isto é. A soma de dois números pares é par. cuja soma é 2(a + b). De fato. i i i i .27.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 58 Estilo OBMEP i 58 CAP. A soma de um número par com um número ímpar é ímpar. De fato. cuja soma é 2(a + b + 1). cuja soma é 2(a + b) + 1. um dos números é da forma 2a e o outro 2b + 1. da soma de dois números só depende da paridade de cada um dos números e não dos números em si. os dois números podem ser escritos na forma 2a e 2b. A soma de dois números ímpares é par. Uma fábrica produz chicletes que são embalados em pacotes de cinco unidades cada. portanto. que é par. um número da forma 2a e um número da forma 2b + 1 têm um produto igual a 2a(2b + 1). A paridade. os números sendo da forma 2a e 2b. os números são da forma 2a + 1 e 2b + 1. introduzindo uma nova aritmética chamada aritmética residual ou aritmética modular. De fato. Quantos pacotes serão produzidos com 3 257 unidades? 3. O produto de dois números pares é par. temos que o seu produto é 4ab e. a qualidade de ser par ou ímpar. em um caso bem simples. logo par. De fato.5 Par ou Ímpar? Nesta seção veremos. De fato. O produto de um número par por um número ímpar é par. logo ímpar. como lidar com os restos da divisão de números inteiros por um número natural dado. 3: OS INTEIROS E SUAS PROPRIEDADES Problema 3.

5: PAR OU ÍMPAR? 59 O produto de dois números ímpares é ímpar. temos que a paridade do produto de dois números só depende da paridade desses números e não dos números em si. por serem ímpares. Assim. Obtemos. sendo os números da forma 2a + 1 e 2b + 1. o seu produto é 2(2ab + a + b) + 1. + 0 1 0 0 1 1 1 0 × 0 1 0 0 0 1 0 1 Por exemplo. De fato.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 59 Estilo OBMEP i SEC. como no caso da soma. O que fazemos é substituir na expressão acima o número 20 por 0. podemos decidir a paridade de uma expressão complexa envolvendo produtos e somas de inteiros do modo a seguir. 2010 que operada segundo as tabelas acima nos dá 1 como resultado. e os números 11 e 21 por 1. segundo a sua paridade. 2 i i i i . Atribuindo o símbolo 0 aos números pares e o símbolo 1 aos números ímpares. 3. por ser par.2 Tente explicar por que não substituímos os expoentes 10. assim. logo ímpar. as observações acima nos fornecem as seguintes tabelas que regem a paridade das somas e produtos dos números inteiros. Novamente. o número dado é ímpar. se quisermos saber a paridade do número × 11200 + 2119 não será necessário desenvolver as contas indicadas para saber se o resultado final é par ou ímpar. Portanto. a expressão 10 200 19 0 ×1 +1 . 200 e 19 pelos símbolos 0 e 1.

Dado um número inteiro a e dados dois números naturais n e m. Problema 3. Mostre que para todos a inteiro e n natural não nulos.28. Problema 3. Esse método foi idealizado pelo matemático alemão Carl Friedrich Gauss (1777-1855). No próximo capítulo analisaremos o caso geral. Problema 3. 3: OS INTEIROS E SUAS PROPRIEDADES O método acima pode ser generalizado para controlar os restos da divisão dos números inteiros por qualquer número natural fixado m. Mostre que o dobro de um número ímpar é par mas nunca múltiplo de 4. Vamos organizar os números inteiros numa tabela como segue: i i i i . Determine a paridade do seguinte número: (123 275 + 346 231)234 + (3 451 + 4 532)542 . quando tinha perto de 17 anos. Problema 3.31.6 Zero. considerado o maior matemático de todos os tempos. Um ou Dois? Nesta seção analisaremos a aritmética dos restos da divisão por 3. mostre que são sempre pares os números an + am e an − am . o caso m = 3.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 60 Estilo OBMEP i 60 CAP. Veremos na próxima seção mais um caso especial.32. Problema 3. os números a e an têm mesma paridade. Qual é a paridade da soma dos números naturais de um a 10? E de seu produto? 3.29.30. não nulos.

. . . Fazendo uma análise semelhante àquela feita na seção anterior. Note que os números da primeira coluna são os múltiplos de 3.6: ZERO. os números que deixam resto nulo quando divididos por 3. aos números que ocupam a segunda e terceira coluna (que são os números que deixam restos 1 e 2. −8 −5 −2 1 4 7 10 . nota-se que o resto da divisão por 3 da soma ou do produto de dois números só depende da coluna ocupada por esses números. . respectivamente. . . atribuindo o símbolo 0 aos números da primeira coluna (que são os múltiplos de 3) e os símbolos 1 e 2.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 61 Estilo OBMEP i SEC. Os números da segunda e da terceira coluna são. respectivamente. . −7 −4 −1 2 5 8 11 . aqueles que deixam resto 1 e 2 quando divididos por 3. −9 −6 −3 0 3 6 9 . quando divididos por 3). . . Assim. . . . ou seja. ou seja só depende dos restos da divisão desses números por 3 e não dos números em si. . 3. UM OU DOIS? 61 . . obtemos as seguintes tabelas que regem os restos da divisão por 3 das somas e produtos dos números naturais: i i i i .

pois caso contrário teríamos um múltiplo comum r de a e b. b).8(iv) que r é múltiplo de comum de a e b. sendo m e mq múltiplos comuns de a e b. Se m = 0.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 62 Estilo OBMEP i 62 + 0 1 2 0 0 1 2 1 1 2 0 2 2 0 1 CAP. Teorema 3. Seja m = mmc(a.1. pois 0 é múltiplo de qualquer inteiro. ache o resto da divisão por 3 do número 4100 + 3230 . b). contradizendo a definição de mmc. 3: OS INTEIROS E SUAS PROPRIEDADES × 0 1 2 0 0 0 0 1 0 1 2 2 0 2 1 Problema 3. r = m − mq e. Usando as tabelas acima. Suponha que m = 0. Todo múltiplo comum de dois inteiros a e b é múltiplo de mmc(a.8(iii)). nada temos a provar. Mas então r = 0. 3. com 0 ≤ r < m. inclusive de m. segue do Problema 3. logo a = 0 e b = 0. Mostraremos no próximo resultado que vale a recíproca desse fato. podemos escrever m = mq + r. Demonstração. tal que 0 < r < m. Suponha que m seja um múltiplo comum de a e b. o que mostra que m = mmc(a. i i i i . Logo.33.7 Mínimo Múltiplo Comum Sabemos que todo múltiplo do mmc de dois inteiros é um múltiplo comum desses inteiros (Problema 3. b) > 0. Pelo algoritmo da divisão euclidiana.

Problema 3. Portanto. b)Z. Enuncie critérios de multiplicidade de 15. ou seja. Mostre que um número é múltiplo de 6 se. enuncie um critério de multiplicidade de 12.7: MÍNIMO MÚLTIPLO COMUM 63 O Teorema acima nos fornece a seguinte relação: aZ ∩ bZ = mmc(a. Dados três números inteiros a. ele é simultaneamente múltiplo de 2 e de 3. o menor elemento positivo do conjunto dos múltiplos comuns de a.35. Problema 3. podemos nos perguntar como calcular o seu mínimo múltiplo comum mmc(a. Problema 3. e somente se. Problema 3.36. mostre que o número n(n + 1)(2n + 1) é sempre múltiplo de 6. não nulos. b.34. de 20 e de 45. 3. b)Z ∩ cZ. c). Sendo n um número inteiro qualquer. Baseado no problema anterior. b e c. i i i i . Problema 3.37. Utilizando os critérios de multiplicidade de 3 e de 4. dê um critério de multiplicidade de 6.38. b e c. conhecendo os critérios de multiplicidade de 2 e de 3.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 63 Estilo OBMEP i SEC. queremos determinar o menor elemento positivo do conjunto aZ ∩ bZ ∩ cZ = (aZ ∩ bZ) ∩ cZ = mmc(a.

Problema 3. 9). b). b). b) × mdc(a. baseado no Algoritmo do mdc de Euclides e no teorema a seguir. Teorema 3. 6. d é um divisor comum de a e b. Problema 3.39. Tem-se a seguinte identidade: mmc(a. b) = a × b. para calcular o mmc de três números recai-se no cálculo de dois mmc de dois números. segue que a × b é múltiplo de mdc(a.40. e somente se. Mostre que m é um múltiplo comum de a e b se. b). b. Logo. Assim. c) . Sejam a e b dois inteiros positivos.40. Calcule mmc(4. temos que m é um múltiplo i i i i . a × b = m × mdc(a. d e m quatro inteiros positivos tais que a × b = m × d. Sejam a. b). pois o que aprendemos até o momento foi escrever ordenadamente os múltiplos de cada um dos números até encontrarmos o menor múltiplo comum positivo. Na próxima seção finalizaremos um método muito mais eficiente para se determinar o mmc. Você deve ter notado que calcular o mmc de dois números é ainda uma tarefa muito trabalhosa. Com este método.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 64 Estilo OBMEP i 64 Isto nos mostra que CAP. é praticamente impossível calcular o mmc de dois números quando um deles for bastante grande. b. c) = mmc (mmc(a.2. 3: OS INTEIROS E SUAS PROPRIEDADES mmc(a. Demonstração. Pelo Problema 3. para algum inteiro positivo m. Como a é um múltiplo de mdc(a.

e somente se.1). Problema 3. o resultado segue da equação (3.7: O mmc de dois números é igual ao seu produto se. 3. Assim.7: MÍNIMO MÚLTIPLO COMUM 65 comum de a e b e. Agora. 2n + 1). consequentemente. mostre que n é divisível por a × b. o que juntamente com a desigualdade (3.2) Como c ≥ 1.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 65 Estilo OBMEP i SEC.42. b) ≤ c × mdc(a. b) é um divisor comum de a e b.2) implica que c = 1. Problema 3. i i i i . logo sendo o mdc o maior dentre esses divisores. b). para algum c positivo. (3. Calcule mmc(n. b) × (c × mdc(a. a × b = mmc(a. Seja n um número natural não nulo. b) × c.1) Novamente. os dois números são primos entre si.1 temos que m = mmc(a. Sabendo que mdc(a. pelo Problema 3. segue que c × mdc(a. b). segue que c × mdc(a.41. pelo Teorema 3. b)). temos que mdc(a. Suponha que n seja um número natural divisível por a e por b. b) ≤ mdc(a. b) = 1.40. (3. Podemos agora esclarecer o mistério a que nos referimos na Seção 1.

vai nos dar um modo prático para calcular o mdc de dois números. para todo número inteiro c fixado.13(c). Assim. Reciprocamente. até torná-lo trivial.13(c). o que permite ir diminuindo passo a passo a complexidade do problema. d é divisor comum de b − c × a e de c × a e. b). pelo Problema 3. Vamos calcular mdc(a. portanto. obtemos a fórmula: mdc(a.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 66 Estilo OBMEP i 66 CAP. d é divisor comum de a e b. i i i i . Se d é um divisor comum de a e b. tem-se que d é divisor de b.8 Algoritmo do mdc de Euclides O Lema de Euclides: Dados inteiros a e b. b − a × c).3. 3: OS INTEIROS E SUAS PROPRIEDADES 3. O Lema de Euclides nos diz que os divisores de comuns de a e b são os mesmos divisores comuns de a e b − a × c. os divisores comuns de a e b são os mesmos que os divisores comuns de a e b − c × a. suponha que d seja divisor comum de a e de b − c × a. Logo. que generaliza a relação do Problema 3. onde a = 162 e b = 372. b) = mdc(a. Esta simples observação. Algoritmo de Euclides para o cálculo do mdc Nada melhor do que um exemplo para entender o método. logo tomando o maior divisor comum em ambos os casos. é claro que d é divisor comum de a e de b − c × a. mais eficiente do que o utilizado na Seção 3. Demonstração.

18) = mdc(48 − 18 × 2. 48). 162) = mdc(372 − 162 × 2. 48) = mdc(162 − 48 × 3. sabemos que o mdc de a e b é o mesmo que o de a e de b menos um múltiplo qualquer de a. mdc(372. mdc(372. Assim. Assim. 162) = mdc(48. 18) = mdc(12. Otimizamos os cálculos ao tomarmos o menor dos números da forma b menos um múltiplo de a e isto é realizado pelo algoritmo da divisão: 372 = 162 × 2 + 48.8: ALGORITMO DO MDC DE EUCLIDES 67 Pelo Lema de Euclides. 3. 18). Assim.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 67 Estilo OBMEP i SEC. 162). 48) = mdc(18. i i i i . mdc(372. Apliquemos o mesmo argumento ao par a1 = 48 e b1 = 162: 162 = 48 × 3 + 18. 162) = mdc(162. 162) = mdc(48. Apliquemos novamente o mesmo argumento ao par a2 = 18 e b2 = 48: 48 = 18 × 2 + 12.

162) = mdc(18. mdc(372. Finalmente. 6) = mdc(12 − 6 × 2. 162) = mdc(12. O procedimento acima pode ser sistematizado como segue: 2 372 48 162 18 3 48 12 2 18 6 1 12 0 2 6=mdc O Algoritmo de Euclides usado de trás para frente nos dá uma informação adicional fundamental. o mesmo argumento para o par a3 = 18 e b3 = 12 nos dá: 18 = 12 × 1 + 6. obtemos mdc(372. 6) = mdc(0. 12) = mdc(18 − 12 × 1. Logo. Das igualdades acima podemos escrever: n 6 = 18 − 12 × 1 12 = 48 − 18 × 2 i i i i . 12).i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 68 Estilo OBMEP i 68 CAP. 162) = 6. 6) = 6. Assim. 12) = mdc(6. mdc(372. 3: OS INTEIROS E SUAS PROPRIEDADES Novamente.

quaisquer. podemos escrever: n 6 = mdc(372. Problema 3. Dados inteiros a e b. b) = a × n + b × m para os seguintes pares de números a e b. Este método sempre se aplica conduzindo ao seguinte importante resultado: Teorema 3. i i i i . (a) a = 728 e b = 1 496 (b) a = 108 e b = 294. 162) = 162 × 23 + 372 × (−10). b) e inteiros n e m tais que mdc(a. n 6 = 18 − 12 × 1 = 18 − (48 − 18 × 2) = 18 × 3 − 48 = (162 − 48 × 3) × 3 − 48 = 162 × 3 − 48 × 10 = 162 − (372 − 162 × 2) × 10 = 162 × 23 − 372 × 10. mas não ambos nulos. mmc(a. Determine mdc(a.3 (Relação de Bézout). b) = a × n + b × m. Assim.43. b). 3.8: ALGORITMO DO MDC DE EUCLIDES 69 18 = 162 − 48 × 3 48 = 372 − 162 × 2 Donde. existem dois inteiros n e m tais que mdc(a.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 69 Estilo OBMEP i SEC.

De fato. Uma propriedade notável do máximo divisor comum que decorre da Relação de Bézout é a seguinte: Se d é um divisor comum de dois números a e b. o menor elemento positivo do conjunto aZ + bZ é mdc(a. sendo d um divisor de a e de b. de mdc(a. não simultaneamente nulos. logo d é o menor elemento positivo do conjunto aZ + bZ. m ∈ Z}.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 70 Estilo OBMEP i 70 CAP. b). Daí decorre um importante critério para que dois números sejam primos entre si. b). Como d | a e d | b. Definindo aZ + bZ = {a × n + b × m. em particular.3 que será utilizada na Seção 3. b). então d divide mdc(a. i i i i . temos que d divide todo elemento de aZ + bZ. ponhamos d = mdc(a. exceto a Proposição 3. 3: OS INTEIROS E SUAS PROPRIEDADES 3. logo.1.10.9 Aplicações da Relação de Bézout Esta seção pode ser omitida sem prejuízo na primeira leitura. temos o seguinte resultado: Proposição 3. Dados dois inteiros a e b. não ambos nulos. Pela Relação de Bézout. logo d é menor ou igual do que qualquer elemento positivo de aZ + bZ. temos que d é um divisor de todo número da forma a × n + b × m. n. temos que d ∈ aZ + bZ. De fato. Demonstração. b).

Dois números inteiros a e b são primos entre si se. Demonstração. Mostre que mdc(c × a. segue que a × n + b × m = 1. então existem inteiros n e m tais que a × n + b × m = 1. Portanto. mdc(a. existem inteiros m e n tais que a × n + b × m = 1. b) = 1. b). Demonstração. Como. Problema 3. existem inteiros n e m tais que a × n + b × m = mdc(a. 3. Como a | b × c. e somente se. segue que 1 é o menor elemento positivo do conjunto aZ + bZ. Sejam a. c × b) = c × mmc(a.45. Outra propriedade fundamental que decorre da Relação de Bézout é o resultado a seguir: Proposição 3.2.9: APLICAÇÕES DA RELAÇÃO DE BÉZOUT 71 Proposição 3. Reciprocamente. isto é. então a divide c. se existem n e m tais que a × n + b × m = 1.44. então existe um inteiro e tal que b × c = a × e. Sejam a. c × b) = c × mdc(a. b). Sejam a e b dois números naturais não ambos nulos e c um terceiro número natural não nulo. Mostre que mmc(c × a. b e c três números naturais não nulos. a e b são primos entre si. Multiplicando esta última i i i i . Como a e b são primos entre si. Suponhamos que a e b sejam primos entre si. pela Relação de Bézout. b e c três inteiros tais que a divide b × c e a e b são primos entre si. b). logo ele é o mdc de a e b.3.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 71 Estilo OBMEP i SEC. Problema 3.

pr e q1 . Substituindo aí b × c por a × e. i i i i . Sejam a um número inteiro qualquer e p um número primo. p) = 1. A propriedade acima pode se generalizar como segue: Se p. então para algum índice i tem-se que p = pi . .i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 72 Estilo OBMEP i 72 igualdade por c obtemos CAP. pr são números primos e se p | p1 × p2 × · · · × pr . Mostre que se p | p1 × p2 . . Problema 3. . Problema 3. mostrando que a | c. . . . A série de problemas a seguir nos permitirá deduzir a unicidade referida no Teorema Fundamental da Aritmética.49. Mostre que se p1 .48. Mostre que uma das seguintes possibilidades acontece: p | a ou mdc(a.47. então p | a ou p | b. temos que c = a × n × c + a × e × m = a × (n × c + e × m). . . . Problema 3. p1 e p2 três números primos. . qs são duas coleções de números primos e se p1 × · · · × pr = q1 × · · · × qs . p1 . Mostre que se p | a × b. Sejam p. então p = p1 ou p = p2 . 3: OS INTEIROS E SUAS PROPRIEDADES a × n × c + b × m × c = c. Problema 3. . Sejam a e b dois inteiros e p um número primo. p2 . .46.

. os divisores positivos de 60 = 22 × 3 × 5 são: 20 × 30 × 50 20 × 31 × 51 21 × 30 × 51 22 × 31 × 50 = 1. Seja n um número natural escrito na sua decomposição em fatores primos como n = pa1 × · · · × par . . . = 2. . . contida no enunciado do Teorema Fundamental da Aritmética.9: APLICAÇÕES DA RELAÇÃO DE BÉZOUT 73 então r = s e reordenando q1 . qr . = 4. Logo na decomposição de n em fatores primos só podem aparecer os fatores primos p1 .i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 73 Estilo OBMEP i SEC. . . O número de divisores de n = pa1 × · · · × par é exatamente o r 1 número de números inteiros b1 . = 12. . se necessário. . . 0 ≤ br ≤ ar . . = 15. . . (3. . Este último problema é a prova da unicidade da escrita como produto de primos de qualquer número natural maior do que 1. tem-se que p1 = q1 . = 10. respectivamente. 20 × 30 × 51 21 × 31 × 50 22 × 30 × 50 22 × 31 × 51 =5 = 6. r 1 e seja n um divisor positivo de n. . br satisfazendo às desigualdades i i i i . . pr . . = 30. . .3) Note que permitimos que alguns dos bi sejam nulos. . = 60. . br . Por exemplo. . = 20. pois o correspondente primo pi pode não constar da fatoração de n . com expoentes b1 . . pr = qr . 20 × 31 × 50 21 × 30 × 50 21 × 31 × 51 22 × 30 × 51 = 3. satisfazendo 0 ≤ b1 ≤ a1 . 3.

Problema 3. com o artifício de introduzir fatores extras da forma p0 (= 1) para certos números primos p. Os números a e b acima podem ser representados como produtos de potências dos mesmos primos. . enquanto mmc(a. escritos ambos como produtos de potências dos mesmos primos. se a = 23 × 35 × 73 × 17 e b = 34 × 75 × 19.50.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 74 Estilo OBMEP i 74 (3. Quantos divisores positivos tem o número 63 × 25? É fácil determinar o mdc e o mmc de dois números decompostos em fatores primos.Por exemplo. Dados a = pa1 × · · · × par e b = pb1 × · · · × pbr r r 1 1 dois números decompostos em fatores primos. temos que mdc(a. Problema 3. Mais precisamente. . ar ≥ 0 e i i i i .52. Quais são todos os divisores? Problema 3.53. b) = 23 × 35 × 75 × 17 × 19. onde a1 ≥ 0. podemos escrever a = 23 × 35 × 73 × 17 × 190 e b = 20 × 34 × 75 × 170 × 19. Ache o mdc e mmc dos números a = 1 080 e b = 210.51. . Problema 3. . Ache os divisores positivos de 40 e de 120. logo esse número é CAP.3). b) = 20 × 34 × 73 . 3: OS INTEIROS E SUAS PROPRIEDADES (a1 + 1) × · · · × (ar + 1).

b) = ab. mostre que mdc(a. r. . é muito trabalhoso fatorá-los para calcular o mdc ou o mmc. onde a. Se os dois números são grandes e não são dados na forma fatorada. e mmc(a. pois para utilizá-lo é necessário que os dois números estejam decompostos em fatores primos. b) = pc1 × · · · × pcr r 1 onde ci = min{ai . de modo a gastar cinquenta reais? i i i i . De quantos modos podemos comprar selos de cinco e de três reais. muito mais eficiente o Algoritmo de Euclides. b) = pd1 × · · · × pdr .10: EQUAÇÕES DIOFANTINAS LINEARES 75 b1 ≥ 0. . O leitor não deve se iludir sobre a facilidade em calcular o mdc e o mmc com o método acima.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 75 Estilo OBMEP i SEC. br ≥ 0. . i = 1. nesse caso. bi }. sendo. r 1 3.54. . Mostre como obter disto uma nova prova da igualdade mdc(a. . .10 Equações Diofantinas Lineares A resolução de muitos problemas de aritmética depende da resolução de equações do tipo ax + by = c. Um exemplo típico de um problema modelado por este tipo de equação é o seguinte: Problema 3. b)mmc(c. 3. b e c são números inteiros dados e x e y são incógnitas a serem determinadas em Z. bi } e di = max{ai . . .

Multiplicando ambos os lados da igualdade acima por d. ou seja c = mdc(a. A equação diofantina ax + by = c admite solução se. Então vale a igualdade ax0 + by0 = c. Teorema 3. A primeira pergunta admite a resposta a seguir. logo divide c. Suponha que a equação admita uma solução x0 . sabemos que existem inteiros n e m tais que mdc(a. Logo. as perguntas naturais que se colocam são as seguintes: 1) Quais são as condições para que a equação possua solução? 2) Quantas são as soluções? 3) Como calcular as soluções. a equação diofantina ax + by = c admite pelo menos a i i i i . e somente se. Demonstração. b) = a × n + b × m. b) × d.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 76 Estilo OBMEP i 76 CAP. para algum inteiro d. b) divide c. y0 . Reciprocamente. mdc(a. obtemos c = mdc(a. segue que ele divide ax0 + by0 . suponha que mdc(a. Como mdc(a.4. b) divide a e divide b. caso existam? Daremos a seguir respostas a essas perguntas no caso das equações em questão. b) divida c. 3: OS INTEIROS E SUAS PROPRIEDADES Dada uma equação. b) × d = a × (n × d) + b × (m × d). Por outro lado.

Diga quais são as equações diofantinas a seguir que possuem pelo menos uma solução: (a) 3x + 5y = 223 (d) 3x + 12y = 312 (b) 5x + 15y = 33 (e) 23x + 150y = 12 354 (c) 2x + 16y = 2 354 f) 7x + 14y = 77 Problema 3.10: EQUAÇÕES DIOFANTINAS LINEARES 77 solução x=n×d e y = m × d. Portanto. b) divide c e. b ) = 1. onde mdc(a . Assim. Mostre que se a e b são números inteiros tais que mdc(a. Para quais valores de c. da forma ax + by = c. 3. com mdc(a. onde agora mdc(a . onde c é inteiro. Problema 3. então toda equação diofantina ax + by = c possui solução. independentemente do valor de c. Problema 3. y0 é uma solução da equação ax + by = c se. portanto. a equação 30x + 42y = c admite soluções inteiras? Se a equação ax + by = c admite uma solução. i i i i . b ) = 1 (Problema 3. b) = 1. b) = 1. toda equação diofantina linear que possui solução é equivalente a uma equação reduzida.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 77 Estilo OBMEP i SEC.17).55. ou seja.57. b = b × d e c = c × d. é solução da equação a x + b y = c .56. é imediato verificar que x0 . e somente se. temos que a = a × d. então o número d = mdc(a.

5). Assim. Substituindo esse valores em (3. b) = 1. b) = 1. y0 − y = ta e x − x0 = sb. (3. Como mdc(a. Teorema 3. se x = x0 + bt e y = y0 − at. substituindo esses valores na equação ax + by = c. Demonstração. (3. Reciprocamente. o que implica que s = t. y é uma solução qualquer da equação. conhecida uma solução particular x0 e y0 da equação.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 78 Estilo OBMEP i 78 CAP.5. temos que a solução é dada por x = x0 + tb e y = y0 − ta. Seja x0 e y0 uma solução particular. donde a(x − x0 ) = b(y0 − y). obtemos i i i i . b) = 1. para t variando em Z. onde mdc(a. onde mdc(a.5) para alguns inteiros t e s. temos que ax + by = ax0 + by0 = c. de (3. Logo.3 segue que a | (y0 − y) e b | (x − x0 ). Então as soluções da equação são da forma x = x0 + tb e y = y0 − ta. 3: OS INTEIROS E SUAS PROPRIEDADES O próximo resultado nos dará uma fórmula para resolver a equação diofantina linear ax + by = c. arbitrariamente dada. da Proposição 3.4). Se x. da equação ax + by = c.4) Daí segue que a | b(y0 − y) e b | a(x − x0 ). obtemos asb = bta.

Por exemplo. a solução geral dessa equação é dada por x = 0 + 5t e y = 10 − 3t. Assim. Assim. (d) 15 selos de 3 reais e um selo de 5 reais. e depois multiplicar ambos os membros da equação acima por c. podemos usar o algoritmo de Euclides de trás para a frente para determinar inteiros n e m tais que an + bm = mdc(a. ob- i i i i . y0 . procede-se por inspeção se a e b são números pequenos. b) = 1. o de determinar uma solução particular da equação. 1. Quanto ao segundo. (c) 10 selos de 3 reais e 4 selos de 5 reais. O único verdadeiro trabalho que se tem para resolver uma equação diofantina linear ax + by = c é calcular mdc(a. 2 ou 3. b) para verificar se divide ou não c e descobrir uma solução particular x0 . o que implica que t = 0.10: EQUAÇÕES DIOFANTINAS LINEARES 79 a(x0 + bt) + b(y0 − at) = ax0 + by0 + abt − bat = ax0 + by0 = c. O primeiro problema se resolve utilizando o algoritmo de Euclides para o cálculo do mdc. (b) 5 selos de 3 reais e 7 selos de 5 reais.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 79 Estilo OBMEP i SEC. o Problema 3. Caso a ou b seja grande. 3.54 admite as seguintes soluções: (a) 10 selos de 5 reais. a equação 3x + 5y = 50 admite a solução particular x0 = 0 e y0 = 10. Se estivermos à procura de soluções não negativas então deveríamos ter 10 − 3t ≥ 0.

dando-nos a solução particular x0 = nc e y0 = mc. Ache todos os números naturais que quando divididos por 18 deixam resto 4 e quando divididos por 14 deixam resto 6. se ele sobe de três em três degraus. i i i i . sobra um degrau.58.60. Se um macaco sobe uma escada de dois em dois degraus.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 80 Estilo OBMEP i 80 tendo CAP. sabendo que o número de degraus é múltiplo de sete e está compreendido entre 40 e 100.59. Problema 3.61. Problema 3. Quantos degraus a escada possui. 3: OS INTEIROS E SUAS PROPRIEDADES a(nc) + b(mc) = c. Problema 3. de modo a gastar cem reais? Problema 3. De que maneiras podemos comprar selos de cinco e de sete reais. Mostre que nenhum número pode deixar resto 5 quando dividido por 12 e resto 4 quando dividido por 15. sobram dois degraus.

simbolizaremos esta situação como segue: a ≡ b mod m. Seja dado um número inteiro m maior do que 1. 81 i i i i . o que já foi explorado nas Seções 2.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 81 Estilo OBMEP i Capítulo 4 A Aritmética dos Restos 4. Diremos que dois números inteiros a e b são congruentes módulo m se a e b possuírem mesmo resto quando divididos por m. escreve-se a ≡ b mod m.1 Congruências Vamos agora introduzir a grande ideia de Gauss de desenvolver uma aritmética dos restos da divisão por um certo número fixado.2 e 2. Neste caso. Definição. Quando a e b não são congruentes módulo m.3.

Por ser 0 ≤ r2 − r1 < m.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 82 Estilo OBMEP i 82 Exemplos: CAP. i i i i . pois o resto da divisão de 31 por 3 é 1. pois os restos das divisões de 27 e 32 por 5 são os mesmos (iguais a 2). pois o restos das divisões de 15 e de 8 por 7 são os mesmos (iguais a 1). Demonstração. Assim. 4: A ARITMÉTICA DOS RESTOS 1) 15 ≡ 8 mod 7. onde 0 ≤ r1 < m e 0 ≤ r2 < m. Logo. podemos escrever b − a = m(q2 − q1 ) + r2 − r1 . e somente se. Tem-se que a ≡ b mod m se e somente se m divide b − a. 2) 27 ≡ 32 mod 5. pelo algoritmo da divisão. m divide b − a se. De fato. Sem perda de generalidade. ou seja. basta trocar os papéis de r1 e r2 ). como mostrado a seguir. podemos supor que r1 ≤ r2 (se o contrário ocorrer. Proposição 4. segue que m divide b − a se e somente se r2 − r1 = 0. 3) 31 ≡ 29 mod 3. enquanto o resto da divisão de 29 por 3 é 2. se e somente se r2 = r1 . Para mostrar que a ≡ b mod m não é necessário efetuar a divisão de a e de b por m.1. m divide r2 − r1 . podemos escrever a = mq1 + r1 e b = mq2 + r2 .

. para todo número natural n. mostre que a ≡ b mod 2. Pela definição. Mostre que 10n ≡ 1 mod 9. logo dois a dois não congruentes módulo m.4. m − 1. Se a ≡ b mod 4. De fato. Segue-se. Problema 4. . i i i i . as congruências módulo m tem tudo a ver com os restos da divisão por m. os possíveis restos da divisão de a por m são precisamente os números 0.1: CONGRUÊNCIAS 83 Problema 4.3. Sugestão: Veja o início da Seção 2. 4.3. m − 1. Dados a. . Verifique se são verdadeiras ou falsas as seguintes afirmações: 35 ≡ 27 mod 4. . 83 ≡ 72 mod 5. A seguir exploramos mais a fundo esta relação. Problema 4.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 83 Estilo OBMEP i SEC. .2. cujos restos da divisão por m são eles próprios. 78 ≡ 33 mod 9.1. b e c inteiros quaisquer e m um inteiro maior do que 1. da definição de congruência módulo m e das propriedades do problema acima. então a ≡ c mod m. Problema 4. (c) Se a ≡ b mod m e b ≡ c mod m. 1. 1. 72 ≡ 32 mod 5. então b ≡ a mod m. o seguinte fato: Todo número inteiro a é congruente módulo m a um e somente um dos números 0. . mostre as seguintes afirmações: (a) a ≡ a mod m. . . (b) Se a ≡ b mod m.

escrito no sistema decimal. dependendo de n ser par ou ímpar. n1 n0 é a escrita de n no sistema decimal. i i i i . . evitando o trabalho de efetuar a divisão em questão. e mod 9. 4. podemos utilizar os conhecimentos já adquiridos. Assim.2 Critérios de Multiplicidade e Restos É fácil determinar o resto da divisão de um inteiro n por 2. . pois esse é 0 ou 1. 4: A ARITMÉTICA DOS RESTOS Problema 4. Mostre que r é o resto da divisão de a por m. n1 n0 . pela definição de congruência. De fato. temos os seguintes fatos: O resto da divisão por 3 (respectivamente por 9) de um número n = nr .i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 84 Estilo OBMEP i 84 CAP. Sugestão: Utilize a unicidade da escrita no Algoritmo da Divisão. Para facilitar a determinação do resto da divisão de um inteiro n por 3 ou por 9. o mesmo ocorre com o primeiro membro.3 que se nr . . . sabemos da Seção 2. logo n ≡ (nr + · · · + n1 + n0 ) mod 3. então n − (nr + · · · + n1 + n0 ) = (10r − 1)nr + · · · + (10 − 1)n1 . é igual ao resto da divisão por 3 (respectivamente por 9) do número nr + · · · + n1 + n0 . Suponha que r seja um número inteiro tal que 0 ≤ r < m e a ≡ r mod m.5. Como o segundo membro da igualdade acima é divisível por 3 e por 9. Sejam a um número inteiro qualquer e m um inteiro maior do que 1.

57 612 510.3: CONGRUÊNCIAS E SOMAS 85 Problema 4. então i i i i . Isto acarreta que: Os restos da divisão de n por 5 e por 10 são. b1 . 12 736. De fato. Determine os restos da divisão por 3 e por 9 dos números: 3 254. os restos da divisão de n0 por 5 e por 10. 54 827.2. respectivamente. Determine os restos da divisão por 5 e por 10 dos números: 3 254. n ≡ n0 mod 5 e n ≡ n0 mod 10.3 Congruências e Somas Proposição 4. 33 875 435. 57 612 510. 12 736. então a1 ± a2 ≡ b1 ± b2 mod m. Problema 4. As congruências possuem propriedades operatórias notáveis que exploraremos a seguir. Assim. a2 . 54 827. onde n0 é o algarismo das unidades de n.9. 12 736. Problema 4. 25 e 125.8. como a1 ≡ b1 mod m e a2 ≡ b2 mod m. 25 e 125 dos números: 3 254. Problema 4. 4. b2 inteiros quaisquer e seja m um inteiro maior do que 1. Sejam a1 . Se a1 ≡ b1 mod m e a2 ≡ b2 mod m. 33 875 435. 33 875 435.2 também sabemos que todo número n é da forma n = n0 + 10m. 8.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 85 Estilo OBMEP i SEC. 54 827.7. Determine os restos da divisão por 4. 4. 57 612 510. 8.6. Demonstração. Descreva critérios semelhantes aos estabelecidos acima para determinar os restos da divisão de um número por 4. Da Seção 2.

Considere agora dois inteiros a e b cujos restos na divisão por m sejam respectivamente r1 e r2 . Problema 4. i i i i .10. Suponha que a ≡ b mod m. Logo m divide (b1 − a1 ) ± (b2 − a2 ) = (b1 ± b2 ) − (a1 ± a2 ). 4: A ARITMÉTICA DOS RESTOS m divide b1 − a1 e divide b2 − a2 . Então temos que a ≡ r1 mod m e b ≡ r2 mod m. mostre que a ≡ b mod m. Conclui-se que as congruências de mesmo módulo somam-se e subtraem-se membro a membro tal qual as igualdades.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 86 Estilo OBMEP i 86 CAP. Assim. qualquer que seja o inteiro c. mostrando que b1 ± b2 ≡ a1 ± a2 mod m. Problema 4. Suponha que a ± c ≡ b ± c mod m. a + b ≡ r1 + r2 mod m. logo a + b ≡ r1 + r2 ≡ r mod m.11. com 0 ≤ r < m. Mostre que a ± c ≡ b ± c mod m. Seja r o resto da divisão de r1 + r2 por m.

Demonstração.13. 4. 4. 9. observe que −4 ≡ 3 mod 7. 4. acabamos de verificar o seguinte fato: O resto da divisão da soma a + b de dois números a e b por um outro número m > 1 depende apenas dos restos da divisão de a e de b por m e não desses números em si. Sem efetuar as somas e subtrações indicadas. Se a1 ≡ b1 mod m e a2 ≡ b2 mod m.4: CONGRUÊNCIAS E PRODUTOS 87 Logo. então i i i i .6. a − b e de b − a por 7 Sugestão: Para o último resto. 10. Assim. Esse fato generaliza o que foi dito nas Seções 3. o resto da divisão de a + b por m é o número r. determine os restos da divisão por 2. Problema 4. a2 . 5. b2 inteiros quaisquer e seja m um inteiro maior do que 1.3.5 e 3. Problema 4.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 87 Estilo OBMEP i SEC. De fato. como a1 ≡ b1 mod m e a2 ≡ b2 mod m.4 Congruências e Produtos Proposição 4. 8. Sejam a1 .12. Sejam a e b dois números inteiros cujos restos da divisão por 7 são respectivamente 6 e 2. Determine os restos da divisão de a + b. então a1 × a2 ≡ b1 × b2 mod m. onde os casos m = 2 e m = 3 foram analisados.5. pelo Problema 4. b1 . 3. 25 e 125 do número 3 534 785 + 87 538 − 9 535 832.

i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 88 Estilo OBMEP i 88 CAP. qualquer que seja o inteiro c. Mostre que a × c ≡ b × c mod m. a × b ≡ r1 × r2 mod m. o que prova o resultado. segue que m divide a1 × a2 − b1 × b2 . Suponha que a ≡ b mod m. Sejam a e b dois inteiros cujos restos da divisão por m sejam respectivamente r1 e r2 . Problema 4. Conclui-se que as congruências de mesmo módulo multiplicam-se membro a membro tal qual as igualdades. para todo n natural. como a1 × a2 − b1 × b2 = a1 × (a2 − b2 ) + b2 × (a1 − b1 ). Por outro lado. Então temos que a ≡ r1 mod m e b ≡ r2 mod m. Repetidas aplicações da Proposição 4. Assim.3 fornecem o seguinte resultado: Se a ≡ b mod m. 4: A ARITMÉTICA DOS RESTOS m divide a1 − b1 e a2 − b2 .14. i i i i . então an ≡ bn mod m.

como no caso da adição. i i i i . Sejam a e b dois números inteiros cujos restos da divisão por 7 são respectivamente 6 e 2. 10. Problema 4.5. Determine o resto da divisão de a × b por 7. no caso das congruências não vale um cancelamento análogo ao caso da igualdade.4: CONGRUÊNCIAS E PRODUTOS 89 Seja r o resto da divisão de r1 × r2 por m. c e m números inteiros e com m > 1. onde os casos m = 2 e m = 3 foram analisados. b. logo a × b ≡ r1 × r2 ≡ r mod m. mas no entanto 3 ≡ 6 mod 6. o resto da divisão de a × b por m é o número r.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 89 Estilo OBMEP i SEC. determine os restos da divisão por 2.6. com 0 ≤ r < m.17. Problema 4.5 e 3. Mostre que se a × c ≡ b × c mod m e se mdc(c. Portanto. vale também seguinte fato para a multiplicação: O resto da divisão do produto a × b de dois números a e b por um outro número m > 1 depende apenas dos restos da divisão de a e de b por m e não desses números em si. então a ≡ b mod m. Problema 4. Assim.15. 4. Isso também generaliza para a multiplicação o que foi dito nas Seções 3. Note que 2 × 3 ≡ 2 × 6 mod 6. 3. Sejam a. 8. Logo. 4. 5. acabamos de verificar que.16. 9. pelo Problema 4. m) = 1. Sem efetuar as multiplicações indicadas. 25 e 125 do número 5 327 8343 × 3 842 5362 × 9 369 270 00120 .

se um número natural n é escrito no sistema decimal como nr . . Logo. i i i i . Ache o resto da divisão por 6 do número 3 215 529. temos que n = n0 +10n1 +102 n2 +· · ·+10r nr ≡ n0 +4n1 +4n2 +· · ·+4nr mod 6. provamos que: Um número n = nr . temos que o resto da divisão de n por 6 é igual ao resto da divisão de n0 + 4n1 + 4n2 + · · · + 4nr por 6. n1 n0 . Um critério de divisibilidade por 6 Observe inicialmente que 10 ≡ 4 mod 6.18.5 Algumas Aplicações 1. 4: A ARITMÉTICA DOS RESTOS 4. Problema 4. . Você tem ainda alguma dúvida de que 10i ≡ 4 mod 6. Com isto. . 102 ≡ 42 ≡ 4 mod 6. para todo número natural i > 0? Assim. n1 n0 é divisível por 6 se e somente se n0 + 4n1 + 4n2 + · · · + 4nr é divisível por 6.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 90 Estilo OBMEP i 90 Sugestão: Utilize a Proposição 3.3. . 103 ≡ 102 × 10 ≡ 4 × 4 ≡ 4 mod 6. CAP. 104 ≡ 103 × 10 ≡ 4 × 4 ≡ 4 mod 6.

temos que 103 ≡ −1. 11 ou 13: O número nr . 11 ou 13 se.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 91 Estilo OBMEP i SEC. . Desse modo. Assim. obtemos o seguinte critério de divisibilidade por 7. módulo 7. n2 n1 n0 é divisível por 7. 11 ou 13. Um critério de divisibilidade por 7.5: ALGUMAS APLICAÇÕES 91 2. 4. 11 ou 13.11 ou 13 é igual ao resto da divisão de n0 n1 n2 − n3 n4 n5 + n6 n7 n8 − · · · por 7. 109 ≡ (−1)3 ≡ −1. respectivamente. e somente se. o número n0 n1 n2 − n3 n4 n5 + n6 n7 n8 − · · · é divisível por 7. que n = n0 n1 n2 + n3 n4 n5 × 103 + n6 n7 n8 × 106 + · · · ≡ n0 n1 n2 − n3 n4 n5 + n6 n7 n8 − · · · . temos. o resto da divisão de n por 7. 11 ou 13. 11 e 13. i i i i . . 1012 ≡ (−1)4 ≡ 1. 1 000 ≡ −1 mod 11 e 1 000 ≡ −1 mod 13. . módulo 7. Logo. 106 ≡ (−1)2 ≡ 1. n2 n1 n0 . respectivamente. . Assim. Escrevendo um número n na representação decimal como nr . 11 e 13 Note que 7 × 11 × 13 = 1 001. etc. 1 000 ≡ −1 mod 7.

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CAP. 4: A ARITMÉTICA DOS RESTOS

Problema 4.19. Ache o resto da divisão por 7, 11 e 13 do número 3 215 529. Problema 4.20. Mostre que 10i ≡ (−1)i mod 11, para todo natural i. Deduza este outro critério de divisibilidade por 11: Um número nr . . . n2 n1 n0 é divisível por 11 se, e somente se, o número n0 − n1 + n2 − · · · é divisível por 11. 3. Os restos da divisão das potências de 2 por 7 Observe que 21 ≡ 2 mod 7, 22 ≡ 4 mod 7, 23 ≡ 1 mod 7. Dado um número inteiro n, pelo algoritmo da divisão, podemos escrevê-lo na forma n = 3q + r, onde r = 0, 1 ou 2. Assim, 2n = 23q+r = (23 )q × 2r ≡ 2r mod 7. Por exemplo, se n = 132 = 3 × 44, então 2132 ≡ 1 mod 7, pois r = 0. Se n = 133 = 3 × 44 + 1, então 2133 ≡ 2 mod 7, pois r = 1. Se n = 134 = 3 × 44 + 2, então 2134 ≡ 4 mod 7, pois r = 2. Problema 4.21. Ache o resto da divisão por 7 dos seguintes números: 10 25 345 , 23 765 839 , 210 .

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SEC. 4.5: ALGUMAS APLICAÇÕES

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Problema 4.22. Sabendo que 24 = 16 ≡ −1 mod 17, ache o resto da divisão de 230 por 17. Problema 4.23. Determine o resto da divisão de 2325 por 17. 4. A equação diofantina x3 − 117y3 = 5 Esta equação possui uma história curiosa que é relatada no livro de S. Collier citado na bibliografia. Vamos mostrar que esta equação não possui soluções inteiras. De fato, suponhamos, por absurdo, que x0 , y0 seja uma solução inteira da equação. Então x3 ≡ 5 mod 9, (4.1) 0 já que 117 ≡ 0 mod 9. Mas, sendo x0 congruente a 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 ou 8 módulo 9, segue por contas elementares que x3 é congruente a 0, 1 ou 8, módulo 9. 0 Logo, a congruência (4.1) não possui solução, o que fornece uma contradição. Problema 4.24. Mostre que a equação diofantina x2 + y 2 + z 2 = 8w + 7 não possui soluções x, y, z, w inteiros. Sugestão: Reduza a equação módulo 8 e mostre que
2 2 x2 + y0 + z0 ≡ 7 mod 8 0

nunca ocorre.

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CAP. 4: A ARITMÉTICA DOS RESTOS

5. Os números da forma 36n − 26n são divisíveis por 35 Temos que 36 = 33 × 33 ≡ (−1) × (−1) ≡ 1 mod 7, 26 = 23 × 23 ≡ 1 × 1 ≡ 1 mod 7.

Por outro lado, 36 = 33 × 33 ≡ 2 × 2 ≡ −1 mod 5, 26 = 23 × 23 ≡ 3 × 3 ≡ −1 mod 5.

Logo, 36n − 26n ≡ 0 mod 7 e 36n − 26n ≡ 0 mod 5. Assim, 36n − 26n é divisível por 5 e por 7 e como mdc(5, 7) = 1, segue, do Problema 3.42, que 36n − 26n é divisível por 35. Problema 4.25. Mostre que todo número da forma 198n − 1 é divisível por 17. Problema 4.26. Mostre que todo número da forma 133n + 173n é divisível por 45, quando n é ímpar. 6. Euler tinha razão, Fermat estava enganado! Na Seção 2.4 nos perguntamos se o número 4 294 967 297 era primo ou composto?

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o número F5 = 22 + 1 = 4 294 967 297 era muito grande para se poder verificar se era primo ou não. um exímio calculista. (4. Fermat afirmou que esses números. 4. 1 5 n (4. Euler. F2 = 17. F1 = 5. logo 5 × 27 ≡ −1 mod 641.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 95 Estilo OBMEP i SEC. obtemos 54 × 228 ≡ 1 mod 641. ele deveria ser divisível pelo primo 641.2) Por outro lado. que são efetivamente primos. obtemos que 54 ≡ −24 mod 641.3) Fizemos uma adaptação do argumento de Euler. mostrou que 641 divide F5 com uma verificação semelhante a que segue:1 Observemos inicialmente que 641 = 5 × 27 + 1. pois no seu tempo ainda não existia a noção de congruência. Elevando à quarta potência ambos os membros da congruência acima. No entanto. Euler.5: ALGUMAS APLICAÇÕES 95 De fato. da igualdade 641 = 54 + 24 (verifique!). esse número corresponde a n = 5 dos chamados números de Fermat que são da forma: Fn = 22 + 1. i i i i . chegou à conclusão de que se F5 fosse composto. para qualquer valor natural de n. F3 = 257 e F4 = 65 537. estudando a forma dos divisores de um número do tipo de Fn . eram primos e dava como exemplos F0 = 3.

. . m − 1. i i i i . dados dois números a e b tem-se que a = b se. temos qualquer a é igual a um dos seguintes: 0. vamos associar a um número inteiro a qualquer o símbolo a representando o resto da sua divisão por m. Nas Seções 4. mas apenas dos restos da divisão desses números. m − 1. ou seja. . e somente se.3). .6. donde 641 divide F5 . Portanto. . 4: A ARITMÉTICA DOS RESTOS Juntando (4. 2. . m − 1. Sendo todos os possíveis restos da divisão por m os números 0. o que implica F5 = 232 + 1 ≡ 0 mod 641. 1. Sendo assim.6 Aritmética Modular A Aritmética Modular foi introduzida por Gauss no seu livro Disquisitiones Aritmeticae publicado em 1801. a = b se. tal qual fizemos nas Seções 3. Portanto.4 observamos que os restos da divisão da soma e do produto de dois números não dependem dos números em si. nos casos m = 2 e m = 3. Fixado um número inteiro m > 1. e somente se. .6. 1. . F5 não é primo. para achar (a + b) e (a × b) só precisamos saber como operar aditivamente e multiplicativamente com os símbolos a e b. nos casos m = 2 e m = 3. . a ≡ b mod m.5 e 3. obtemos que −232 ≡ 1 mod 641. os restos da divisão de a e de b por m são iguais. . 4.5 e 3.3 e 4. a exemplo do que fizemos nas seções 3. .i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 96 Estilo OBMEP i 96 CAP. 1. .2) e (4. que são justamente elementos da forma 0.

Pede-se ao leitor verificar as seguintes tabelas: i i i i . surge um novo fenômeno: 2 = 0 e.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 97 Estilo OBMEP i SEC. temos apenas os símbolos 0. 1.28. tomemos o caso m = 4. 2 × 2 = 0. 2. Pede-se ao leitor verificar as seguintes tabelas: + 0 1 2 3 0 0 1 2 3 1 1 2 3 0 2 2 3 0 1 3 3 0 1 2 × 0 1 2 3 0 0 0 0 0 1 0 1 2 3 2 0 2 0 2 3 0 3 2 1 Note que diferentemente da aritmética dos números inteiros. 3 e 4 a considerar. 1. 3. então −i = 4 − i. no entanto. 4. Neste caso. 1.6: ARITMÉTICA MODULAR 97 Aritmética módulo m = 4 Para efeito de ilustração. Neste caso. Problema 4.27. Determine o resto da divisão por 4 do número: 45 769 834532 × 63 8761 654 + 87 987 5451 345 874 − 95 973 434 Aritmética módulo m = 5 Analisaremos agora o caso m = 5. 2 e 3 a considerar. Problema 4. Mostre que se i = 0. 2. temos apenas os símbolos 0.

2.30. Determine o resto da divisão por 5 do número: 45 769 834532 × 63 8761 654 + 87 987 5451 345 874 − 95 973 434 Problema 4. Determine as tabelas da adição e da multiplicação para m = 6 e para m = 7. 4: A ARITMÉTICA DOS RESTOS × 0 1 2 3 4 0 0 0 0 0 0 1 0 1 2 3 4 2 0 2 4 1 3 3 0 3 1 4 2 4 0 4 3 2 1 Note que aqui volta a valer a regra: se a = 0 e b = 0. 4. Problema 4. Que diferenças você nota entre os dois casos? i i i i . 1. Mostre que se i = 0. 3.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 98 Estilo OBMEP i 98 + 0 1 2 3 4 0 0 1 2 3 4 1 1 2 3 4 0 2 2 3 4 0 1 3 3 4 0 1 2 4 4 0 1 2 3 CAP. então a × b = 0. Problema 4.29.31. então −i = 5 − i.

Antes porém de iniciar os problemas propriamente ditos. Os problemas marcados com asterisco têm um grau de dificuldade maior que os demais.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 99 Estilo OBMEP i Capítulo 5 Problemas Suplementares Apresentaremos neste capítulo uma lista de problemas mais desafiadores do que aqueles que se encontram no texto. Nos dois primeiros capítulos apresentamos a linguagem básica e os resultados fundamentais. 99 i i i i . além de testar a compreensão do leitor nos conceitos apresentados. relacionamos a seguir algumas identidades muito úteis na resolução de alguns dos problemas. problemas mais elaborados. muito menos resolver. sem os quais não seria possível enunciar. cujo objetivo se restringia a complementá-lo. Os problemas propostos a seguir dizem respeito ao material exposto nos Capítulos 3 e 4.

com m ímpar a3 + 1 = (a + 1)(a2 − a + 1) a5 + 1 = (a + 1)(a4 − a3 + a2 − a + 1) a7 + 1 = (a + 1)(a6 − a5 + a4 − a3 + a2 − a + 1) Em geral. com n qualquer a2 − 1 = (a − 1)(a + 1) a3 − 1 = (a − 1)(a2 + a + 1) a4 − 1 = (a − 1)(a3 + a2 + a + 1) a5 − 1 = (a − 1)(a4 + a3 + a2 + a + 1) Em geral. a2n+1 + 1 = (a + 1)(a2n − a2n−1 + · · · − a + 1). an − 1 = (a − 1)(an−1 + an−2 + · · · + a + 1). a2n − 1 = (a + 1)(a2n−1 − a2n−2 + · · · + a − 1). 5: PROBLEMAS SUPLEMENTARES Expressões do tipo a n − 1. Expressões do tipo a m + 1. i i i i .i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 100 Estilo OBMEP i 100 CAP. com m par a2 − 1 = (a + 1)(a − 1) a4 − 1 = (a + 1)(a3 − a2 + a − 1) a6 − 1 = (a + 1)(a5 − a4 + a3 − a2 + a − 1) Em geral. Expressões do tipo a m − 1.

) S-3. Generalize esta propriedade para um primo p qualquer no lugar de 2. 342]? S-3. n] existem q múltiplos de a.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 101 Estilo OBMEP i 101 Problemas sobre o Capítulo 3 S-3. quaisquer.1 Mostre que todo número inteiro não nulo a se escreve de modo único na forma a = 2r b. m]? (Na última situação.3 Dados 0 < a ≤ n < m.4 Mostre que dados m inteiros consecutivos um.7 (a) Mostre que se n é ímpar. 120]? e no intervalo [1. mostre que no intervalo [1. então n2 − 1 é múltiplo de 8. Quantos são os múltiplos de a no intervalo [n. onde q é o quociente da divisão de n por q. i i i i . é sempre múltiplo de 24.2 (a) Quantos múltiplos de 5 existem no intervalo [1. deles é múltiplo de m. 342] e [72. S-3. S-3. O número 2r é a maior potência de 2 que divide a. onde r ∈ N e b é um número ímpar. 174]? (b) Quantos múltiplos de 7 existem em cada um dos intervalos [70.5 Com quantos zeros termina o número 2 × 3 × 4 × · · · × 120? E o número 2 × 3 × 4 × · · · × 174? S-3. S-3. divida a análise em dois casos: n múltiplo de a e o contrário.6 Mostre que o produto de quatro números inteiros consecutivos. e apenas um.

i i i i . então o número n4 + 4 é composto. (c) Mostre que se n não é múltiplo de 2 nem de 3. dado n > 2. S-3. S-3. (Note que esta afirmação é bem mais fraca do que o Postulado de Bertrand. entre n e 2 × 3 × · · · × n existe sempre um número primo.12 (a) Ache o menor inteiro positivo n tal que o número 4n2 + 1 seja divisível por 65.10 (a) Mostre que o único número primo da forma n3 + 1 é 2. (b) Mostre que existem infinitos múltiplos de 65 da forma 4n2 + 1.11* Mostre que. mostre que se um inteiro da forma a2 + b2 é múltiplo de 3. S-3.8 (a) Mostre que se um número a não é divisível por 3. então o resto da divisão de a2 por 3 é 1. (b) Mostre que o único número primo da forma n3 − 1 é 7. Mostre que o mesmo vale para n2 + 23.9 Mostre que se n > 1. (b) A partir desse dado.) S-3. então n2 − 1 é múltiplo de 24. 5: PROBLEMAS SUPLEMENTARES (b) Mostre que se n é ímpar.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 102 Estilo OBMEP i 102 CAP. então a e b são ambos múltiplos de 3. então n(n2 − 1) é múltiplo de 24. S-3.

e somente se. ele dividirá uma infinidade desses números. i i i i . onde a. b é múltiplo de 7. (c) Utilize repetidas vezes o critério acima para verificar se 2 368 é ou não múltiplo de 7. r ∈ Z. com a e b não simultaneamente nulos. 6 e 9. (e) Mostre que existem infinitos múltiplos de 7 da forma 8n2 +3n+4. Um número inteiro n é dito um quadrado se existe a ∈ Z tal que n = a2 .14 (a) Mostre que o algarismo das unidades de um quadrado só pode ser um dos seguintes: 0. (b) Deduza o seguinte critério de multiplicidade de 7: O número n = ar · · · a1 a0 é múltiplo de 7 se. com c. S-3. 5. 1. c ∈ Z. e somente se. S-3. o número ar · · · a1 − 2a0 é múltiplo de 7. (d) Para este último resultado.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 103 Estilo OBMEP i 103 (c) Mostre que se um dado número divide um número da forma 4n2 + 1. existe algo de especial nos números da forma 4n2 + 1?Teste o seu resultado para números da forma an2 + bn + c. b. Mostre que a é múltiplo de 7 se.13 (a) Sejam dados os dois números a = 10c + r e b = c − 2r. Dizemos que n é uma potência m-ésima quando n = am . 4.

ou 33. (b) Mostre que nenhum dos números 66. ou ainda 88. 4 444. . S-3. 9 999. . . (e) Mostre que nenhum número na sequência 55. ou 77. S-3. 8 888. 111.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 104 Estilo OBMEP i 104 CAP.. 1 111. . . é um quadrado.. . é um quadrado. 55 555 etc.. 999. ..16 (a) Mostre que nenhum número da forma 4n + 2 é um quadrado. 2 222. . 5: PROBLEMAS SUPLEMENTARES (b) Mostre que nenhum dos números 22. 44 444 etc. é um quadrado. . . 5 555. i i i i . . . . é um quadrado.. 333.15 (a) Mostre que todo quadrado ímpar é da forma 4n + 1. 555. 99 999 etc. é um quadrado.. 666. . 444. S-3. . (d) Mostre que nenhum número na sequência 99.17 (a) Mostre que a soma de quatro inteiros consecutivos nunca é um quadrado. 3 333. 888. 6 666. pode ser um quadrado. 7 777. 777. (b) Mostre que nenhum número na sequência 11. 11 111 etc. 222. (c) Mostre que nenhum número na sequência 44..

S-3. é um quadrado. (b) Mostre que se p = 1 ou se p > 2 é um número primo. onde n é ímpar se escreve como diferença de dois quadrados.19 Mostre que numa sequência de inteiros da forma a. a + 3d. Faça o mesmo para a soma dos quadrados de três inteiros consecutivos. 11. (c) Mostre que todo número da forma 4k n.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 105 Estilo OBMEP i 105 (b) Mostre que a soma dos quadrados de quatro inteiros consecutivos nunca é um quadrado. . S-3. . a + 2d.20* (a) Mostre que todo número inteiro ímpar pode ser representado como diferença de dois quadrados. 8n + 1 ou 8n + 4. i i i i . (b) Mostre que nenhum número na sequência 3. S-3. 19. existirão infinitos números que são quadrados. 27 etc. a + d. . então p se escreve de modo único como diferença de dois quadrados de números naturais.18 (a) Mostre que todo quadrado é da forma 8n. se existir algum número que é quadrado..

ou seja. i i i i . então ele é múltiplo de 4. S-3.23 (a) Mostre que m é livre de quadrados se. onde p1 . r. S-3. existem x. . pr r 1 são primos distintos e ni ≤ 2.24 Qual é o maior número de inteiros positivos consecutivos livres de quadrados? E livres de cubos? Generalize. dado a ∈ Z. Diremos que m = 0 é livre de cubos quando não houver nenhum número a = ±1 tal que a3 divide m. . a decomposição de m em fatores primos é da forma ±pn1 · · · pnr . onde p1 . (b) Mostre que m é livre de cubos se. S-3. e somente se. y ∈ Z tais que a3 = x2 − y 2 . . Um número inteiro m = 0 é dito livre de quadrados. .25 Mostre que 5 é o único número primo que pertence a dois pares distintos de primos gêmeos. e somente se. . . . quando não houver nenhum número a = ±1 tal que a2 divide m.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 106 Estilo OBMEP i 106 CAP. a decomposição de m em fatores primos é da forma ±p1 · · · pr .22* Ache os números n para os quais o número n(n + 14) seja um quadrado. .21 Mostre que todo cubo é diferença de dois quadrados. 5: PROBLEMAS SUPLEMENTARES (d) Mostre que se um número par é diferença de dois quadrados. . . . pr são primos distintos. para todo i = 1. S-3. . S-3.

o sistema sempre admite solução. y)]2 divide xy. S-3.27 Dados dois inteiros a e b distintos. b + n) = 1.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 107 Estilo OBMEP i 107 S-3. não nulos.32 Observe que [mdc(x. então n divide o produto 1 × 2 × 3 × · · · × (n − 1).30 Resolva o seguinte sistema de equações: mdc(x. S-3.31 Observe que mdc(x.26 Mostre que se n é composto. S-3. y). y) = d mmc(x. então a = b. ele não admite solução. y) = 6 mmc(x. i i i i . S-3. mostre que existem infinitos números n para os quais mdc(a + n. y) = m d m. quaisquer que sejam x.28 Calcule mdc(n + 1.29 Mostre que se a e b são dois números naturais tais que mdc(a. não nulos. b). y) divide mmc(x. Mostre que se d | m. S-3. b) = mmc(a. Mostre que se no seguinte sistema: mdc(x. n2 + 1). y) = 60 S-3. quaisquer que sejam x. y ∈ Z. para n ∈ Z. y ∈ Z.

i i i i . Números primos da forma 2p − 1. S-3. Mostre que se d2 | m. 5: PROBLEMAS SUPLEMENTARES Mostre que se o seguinte sistema: mdc(x. S-3. se 2n − 1 é primo. onde p é primo são chamados primos de Mersenne. (d) Mostre que se n é composto. ele não admite solução. Portanto. então 2n − 1 é composto. nunca é da forma 5n+2 ou 5n+3). o sistema sempre admite solução. S-3.34 (a) Mostre que todo cubo que é também um quadrado é da forma 5n. 5n+1 ou 5n+4 (ou seja. então an − 1 é composto. (b) Existem primos da forma a3 − 1? E a4 − 1? (c) Mostre que se a > 2 e n > 1.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 108 Estilo OBMEP i 108 CAP. então n é primo. (b) Mostre que todo cubo que é também um quadrado é da forma 7n.33 (a) Ache os números primos da forma a2 − 1. 7n + 1. y) = d xy = m é tal que d2 m.35 (a) Mostre que todo primo maior do que 3 é da forma 3n + 1 ou 3n + 2.

38 (a) Mostre que todo primo maior do que 3 é da forma 6n + 1 ou 6n − 1.37 Mostre que todo número primo da forma 3k + 1 é da forma 6n + 1.4). mas a prova disso é um pouco mais sutil (veja Elementos de Aritmética.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 109 Estilo OBMEP i 109 (b) Mostre que qualquer número da forma 3n + 2 tem um fator primo da mesma forma. S-3. mas a prova disso é mais sutil. S-3. (c*) Mostre que existem infinitos primos da forma 3n + 2. (b) Mostre que qualquer número da forma 4n + 3 tem um fator primo da mesma forma. S-3. (d) Existem infinitos primos da forma 4n + 1. Proposição 8.1. (c*) Mostre que existem infinitos primos da forma 4n + 3.36 (a) Mostre que todo primo maior do que 3 é da forma 4n + 1 ou 4n + 3. (b) Mostre que qualquer número da forma 6n − 1 tem um fator primo da mesma forma. (d) Existem infinitos primos da forma 3n + 1. i i i i .

37 e S-3. Em particular. então há infinitos números primos da forma an + b. para todo a ∈ Z. cujo enunciado é: Para todo primo p e todo inteiro a tem-se que p divide ap − a. então p divide ap−1 − 1. Os problemas S-3. S-3. (b) Verifique que se p não divide a. (c) Ache o resto da divisão por 7 do número 16 + 26 + 36 + · · · + 156 . As propriedades enunciadas nos Problemas S-3.35 (d)).36 (c) e (d) e S-3. S-3.40 (a) Mostre que em geral p divide ap − a. (d) Mostre que existem infinitos primos da forma 6n + 1 (Utilize os Problemas S-3.38 (c) e (d) são casos particulares de um teorema profundo e de difícil demonstração do matemático Alemão LejeuneDirichlet (1805-1859). para todo a ∈ Z e para todo p primo p ≤ 7. 5: PROBLEMAS SUPLEMENTARES (c*) Mostre que existem infinitos primos da forma 6n − 1. S-3.39 e S-3. Além disso. então p divide ap−1 − 1. com p nas condições de (a). se p não divide a. então b6 − a6 é múltiplo de 7. (d) Mostre que se a e b são primos com 7. que afirma que se a e b são dois números primos entre si.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 110 Estilo OBMEP i 110 CAP. i i i i . 236 − 186 é múltiplo de 7.39 Verifique caso a caso que p divide 2p −2 para p primo e p ≤ 7.35 (c) e (d).40 são casos particulares de um resultado geral chamado Pequeno Teorema de Fermat.

com p e q primos distintos? S-3. então p divide infinitos elementos da sequência 9. c) = 1.46 Mostre que se mdc(a.3. b)]2 . com p = 2. S-3. c) = 1. . 1111. S-3. então mdc(ab.41 (a) Mostre que 30 divide n5 − n. (c) Mostre que o número 1 n5 + 1 n3 + 5 3 inteiro n. (b) mmc(a2 . . 9999.43 Utilizando o Pequeno Teorema de Fermat. . S-3. . S-3.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 111 Estilo OBMEP i 111 Para uma prova.1 e o seu corolário. 99. 111.47 Mostre que (a) mdc(a2 . c) = 1 e mdc(b. .45 Ache o menor número natural que possui exatamente seis divisores positivos. 11. mostre que se p um número primo.44 Quantos divisores positivos tem um número primo p? E pn ? E pn × q m . Faça o mesmo para 15 divisores e para 100 divisores. b)]2 . consulte o livro Elementos de Aritmética. 999. S-3. enunciado acima. . S-3. 5. 7 15 n é um inteiro para todo i i i i .42 Mostre que 42 divide n7 − n. b2 ) = [mdc(a. b2 ) = [mmc(a. (b) Mostre que n5 e n têm sempre o mesmo algarismo das unidades. Teorema 7. Mostre também que p divide infinitos elementos da sequência 1.

Quantos cavalos e quantos bois foram comprados? S-3.51 (Proposto por Euler) Uma pessoa comprou cavalos e bois. Quantos eram os homens e quantas eram as mulheres? S-3.48 Sejam a e b inteiros e n um número natural.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 112 Estilo OBMEP i 112 (c) Generalize. então a e b são potências n-ésimas.49 (Esse é um problema proposto no século 16) Um total de 41 pessoas entre homens. Mostre que se a × b é uma potência n-ésima e mdc(a. CAP. mulheres e crianças foram a um banquete e juntos gastaram 40 patacas. Cada homem pagou 4 patacas. 5: PROBLEMAS SUPLEMENTARES S-3.50 (Proposto por Euler) Um grupo de homens e mulheres gastaram numa taberna 1 000 patacas. Quantos homens. cada mulher 3 patacas e cada criança um terço de pataca. S-3. Foram pagos 31 escudos por cavalo e 20 por boi e sabe-se que todos os bois custaram 7 escudos a mais do que todos os cavalos. Cada homem pagou 19 patacas e cada mulher 13. y ∈ Z representam todos os inteiros? (b) Quais são os números representados por 2x + 3y? (c) Quais são os números representados por 6x + 9y? i i i i . quantas mulheres e quantas crianças havia no banquete? S-3. b) = 1.52 (a) Dados a e b inteiros fixados. quando é que os números da forma ax + by. com x.

com x e y ambos primos com 3.56 Mostre que a equação x2 + y 2 = z 2 não admite nenhuma solução em x. inclusive. S-3. sem troco. inclusive. Quantas são as galinhas e quantos são os coelhos. mostre que a equação x2 + y 2 = z 2 não admite nenhuma solução em x. S-3. (d) que seja $1 maior do que um múltiplo de $3. Quais das afirmações a seguir são verdadeiras? Com elas é possível pagar.55 Vimos no Problema S-3. Usando este fato. sabendo que diferença entre esses dois números é a menor possível. i i i i . y e z. (b) a partir de $18. inclusive. as cédulas são de $4 e $7. (c) ímpar. y e z. S-3. a partir de $7. y = m2 − n2 e z = m2 + n2 são soluções da equação pitagórica x2 + y 2 = z 2 .54 Em um quintal onde são criados coelhos e galinhas contaramse 400 pés. então x = 2mn. (e) que seja $1 menor do que um múltiplo de $3. qualquer quantia inteira (a) a partir de $11. com x e y ímpares.53 Em um certo país.16 que um quadrado nunca é da forma 4n + 2.57 Mostre que se m e n são números inteiros.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 113 Estilo OBMEP i 113 S-3. S-3.

. .1 CAP. para todo n ∈ N. .2 Mostre que. (e) 64 divide 72n + 16n − 1. se n é par. (a) 7 divide 32n+1 + 2n+2 . 2 conclua que a soma de n inteiros consecutivos quando dividida por n deixa resto zero se n é ímpar e metade de n. (b) 9 divide 10n + 3 × 4n+2 + 5. 2. . S-4.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 114 Estilo OBMEP i 114 Problemas sobre o Capítulo 4 S-4. n em alguma ordem. i i i i . 5: PROBLEMAS SUPLEMENTARES (a) Mostre que os restos da divisão de n inteiros consecutivos são os números 1. (b) Utilizando a fórmula: 1 + 2 + ··· + n = n(n + 1) . (d) 35 divide 36n − 26n . (c) 24 divide 2 × 7n + 3 × 5n − 5. (c) Ache os restos da divisão de 2 356 + 2 357 + 2 358 + 2 359 + 2 360 por 5 e de 32 141+32 142+· · ·+32 149+32 150+32 151+32 152 por 12.

12 Determine os restos da divisão por 4 dos números: (a) 1 + 2 + 22 + 23 + · · · + 2100 (b) 15 + 25 + 35 + · · · + 205 .3 Sabendo que 74 = 2 401. Conclua que a equação x2 − 6x − 77 = 7y não admite soluções inteiras. S-4.11 Ache o resto da divisão (a) de 560 por 26. S-4.6 Mostre que 2 2225 555 + 5 5552 222 é múltiplo de 7. S-4. S-4. S-4. S-4. ache os últimos dois dígitos de 799 999 .10 Ache os algarismos das centenas e das unidades na represen1 000 tação decimal dos números 7999 999 e 77 .i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 115 Estilo OBMEP i 115 S-4.5 Mostre que 1436 + 9110 + 7712 − 1 é múltiplo de 1 001. i i i i .9 Qual é o algarismo da unidade na representação decimal do 9 7 número 99 ? E do número 77 ? S-4. (b) de 3100 por 34 (c) de 21 000 000 por 77. S-4.8 Quais são os dois últimos algarismos na representação no sistema decimal do número 3400 ? E do número 2400 ? S-4.7 Mostre que 19 nunca divide um número da forma 4n2 + 4.4 Ache o resto da divisão de 21 000 000 por 77.14 Mostre que a equação x2 − 13y 2 = 275 não admite soluções inteiras. S-4.13 Mostre que a congruência x2 + 1 ≡ 0 mod 7 não possui soluções. S-4.

para p = 2.20 Mostre que nenhum número da forma 4n + 3 pode ser escrito como soma de dois quadrados. 5.18 Resolva a congruência 3x ≡ 5 mod 11. S-4. e para todo n ∈ Z. então o número 12n2 + 19n − 19 é múltiplo de 25. 3. 7 e 13.19 Determine os inteiros que deixam restos 1. 4 e 5.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 116 Estilo OBMEP i 116 CAP. que pode ser reenunciado como segue: Para todo primo p e todo inteiro a tem-se que ap ≡ a mod p. S-4. S-4. se p não divide a. 3. então o número 28n2 − 13n − 5 é múltiplo de 9. 5: PROBLEMAS SUPLEMENTARES S-4.16 Mostre que se um número da forma 2n + 1 é múltiplo de 3. 2 e 3.15 Mostre que se um número da forma 7n − 5 é múltiplo de 5. mostre que n12 ≡ 1 mod p. S-4.17 Mostre que valem as seguintes congruências: (a) n13 ≡ n mod p. quando divididos respectivamente por 3. Partes do problema acima são casos particulares do Pequeno Teorema de Fermat. 7 e 13. (b) Se mdc(n. 5. Além disso. p) = 1. para p = 2. S-4. i i i i . então ap−1 ≡ 1 mod p.

{2}. 6}. {3. 117 i i i i . novamente. 5.2 2. 7}. 1. 4. Portanto.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 117 Estilo OBMEP i Soluções e Respostas Problemas do Capítulo 1 1. temos (a + b) + c = a + (b + c) = a + (c + b) = (a + c) + b. (a + c) + b = b + (a + c) = b + (c + a) = (c + a) + b. e. {3}. 5. a + (b + c) = a + (c + b) = (b + c) + a = (c + b) + a. 5. 1. 4. 4.3 Por causa da comutatividade da adição pode-se separar essas 12 expressões em três grupos: (a + b) + c = (b + a) + c = c + (a + b) = c + (b + a).6 Faltam 200 − 50 = 150 reais. os 12 números listados acima são iguais. 6. 3. 3 e 2. 3}. consequentemente. {2. não tem. {4. {4. 7}.1 ∅. 6. 6} e {3. 5. 1. pela comutatividade da adição.

tanto no intervalo (32. quanto no intervalo [32. temos três possibilidades: a − c > b − c. . . . 1. 40. respectivamente.11 Não são. Somando c a ambos os lados da primeira e da segunda possibilidade obtemos uma contradição.8 São 72 − 37 + 1 = 36 números. . respectivamente. 25. 30.10 b − a nos dois primeiros casos e b − a − 1 no último. 50. (c) 15 e 18 dúzias. i i i i . . (d) 40 e 51 semanas. 1. . 75) e 75 − 32 − 1 = 42 números no intervalo (32. 8 × 1 000. 15. 1. . . . 35. 20.9 São 75 − 32 = 43 números. com a > 1. a − c = b − c ou a − c < b − c. 35). logo só resta a terceira possibilidade. 3 160 × 2. Se fossem. segue que o número de números pares é 3 160 − 1 606 + 1 = 1 555. (b) Considerando a sequência 1 606 × 2. segue que o número de múltiplos de 8 é 1 000 − 4 + 1 = 997.23 28. 1. o que não é possível.7 Pela tricotomia. .12 5. 1. 56. 84.15 (a) Considerando a sequência 32 = 8 × 4. 1. 1. . 45. teríamos 1 = la. 75].i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 118 Estilo OBMEP i 118 1. 8 × 5. 10.

bc = 10b + c e cb = 10c + b. 320 = 26 × 5 e 2. 84 = 22 × 3 × 7. . . 36 = 22 × 32 . 3 × 6. 2.2 Se os algarismos são a.26 (a + b)5 = a5 + 5a4 b + 10a3 b2 + 10a2 b3 + 5ab4 + b5 . 24 e 9. ac = 10a + c. os seis números são ab = 10a + b. Ao confrontar com a fórmula Q(x) não se esqueça que não existe página 0. 16 × 6. e o eleve ao quadrado.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 119 Estilo OBMEP i 119 1. 6 = 2 × 3. 99 − 10 + 1 = 90. .24 12.6 Seja n0 . cuja soma é (2 + 3 + · · · + 16) × 6 = 135 × 6 = 810. logo a sua soma é 10a + b + 10b + a + 10a + c + 10c + a + 10b + c + 10c + b = 22(a + b + c). i i i i . 99. 1. 2 × 90 = 180.5 São necessários 792 algarismos. b e c. 8 = 23 . Escreva a na forma 10m + n0 . 2. onde 0 ≤ n0 ≤ 9. ba = 10b + a.597 = 72 × 53.16 4 = 22 . o algarismo das unidades de a. 2. 66. . Problemas do Capítulo 2 2.1 Os números são 2 × 6.4 10. 2. 2. ca = 10c + a.

2n + 1 − 2n) = mdc(n. ele é igual a 3. 3. 1 453 = 1 000 × 1 + 453 e 1 453 = 10 000 × 0 + 1 453.9 Pela propriedade sugerida. portanto. 1) = 1. 1. a + 2 e a + 4 são primos trigêmeos. 1. 3. −43 = 5(−9) + 2 −233 = 4(−59) + 3.25 e 3. que é 1 ou 2 segundo se n é ímpar ou par. 3. i i i i . Agora analise cada caso separadamente. −1 453 = 100(−15) + 47. 2n + 1) = mdc(n. logo dd seria um divisor comum de a e b maior do que d.26 Escreva a na forma 3q + i. b) ≤ 72. absurdo. b ) = d > 1.17 Se mdc(a . 5 e 7 é a única terna de primos trigêmeos. 233 = 4 × 58 + 1. −1 453 = 10 000(−1) + 8 547. 43 = 5 × 8 + 3. onde i = 0. 3.24 Um número a é da forma 3q + i. −1 453 = 1 000(−2) + 547.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 120 Estilo OBMEP i 120 Problemas do Capítulo 3 3. então a = a d d e b = b d d. 3. 2). 2n + 2 − 2n) = mdc(n. 3. Se a. −1 453 = 10 × (−146) + 7.20 −43 = 3(−15) + 2. i = 0. tem-se que 216 − 144 = 72 é um múltiplo comum. um deles é divisível por 3 e sendo um número primo. (b) e (c) mdc(n. 2. 2n + 2) = mdc(n.16 (a) mdc(n. logo mmc(a. 1 453 = 10 × 145 + 3. 1 453 = 100 × 14 + 53. 2. Analisando as três possibilidades conclui-se que a = 3 e.18 43 = 3 × 14 + 1. 3.

3. que não é múltiplo de 4.29 A paridade é determinada por (1 + 1)234 + (1 + 0)542 = 0 logo é ímpar. o seu algarismo das unidades é par e a soma de seus algarismos é múltiplo de 3.28 Escrevamos o número ímpar na forma 2n + 1. + (2 )15 = 1 + 1 2 15 = 1 + 1 = 2.35 Um número é múltiplo de 6 se.34 Um múltiplo de 6 é obviamente múltiplo de 2 e de 3.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 121 Estilo OBMEP i 121 3. Portanto. 3. i i i i . e somente se. logo 2(2n + 1) = 4n + 2. 3. todo múltiplo de 2 e de 3 é múltiplo do mmc desses números que é 6. Logo são produzidos 651 pacotes de chicletes. o resto é 2. 3. Reciprocamente. 3.36 Podemos escrever n(n + 1)(2n + 1) = n(n + 1)(n − 1 + n + 2) = (n − 1)n(n + 1) + n(n + 1)(n + 2).33 O resto da divisão por 3 se calcula como segue: 1 100 234 +1 542 = 1. 3.27 3 257 = 5 × 651 + 2.

Por outro lado. Reciprocamente. a × b = r × a × d e a × b = s × b × d. temos que mmc(a. b) = min{x ∈ aZ + bZ. 3.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 122 Estilo OBMEP i 122 Agora note que cada parcela na última linha é múltiplo de 2 e de 3. Assim. sendo mdc(a. 9) = mmc(mmc(4. segue que mmc(n.42 Sendo n múltiplo de a e de b. se d é divisor comum de a e b temos que b = r ×d e a = s × d. b) = 1.39 mmc(4. obtemos s × b = m e r × a = m. Sabemos da Proposição 3.1 que mdc(a. Concluímos assim que m é múltiplo comum de a e b. 2n+1) = n(2n+1).41 Como mdc(n. b) = a × b. temos que b = r × d e a = s × d. 2n+1) = 1.40 Se m é múltiplo comum de a e b.43 (a) 8 = 728 × 37 + 1 496 × (−1). mostrando que d é divisor comum de a e b. 6. (b) 6 = 108 × (−15) + 294 × 7.44 Denotemos por min A o menor elemento de um conjunto de números naturais A. Logo. temos m = r × a e m = s × b. 3.34. 6). 9) = 36. ele é múltiplo de seu mmc. 3. 3. i i i i . logo divisível por ele. logo n é múltiplo de a × b. Logo de a × b = m × d. donde o resultado segue levando em conta o Problema 3. x > 0}. 3. 3. 9) = mmc(12.

3. Como p1 e p2 são primos. que após reordenamento podemos supor ser q1 .47 Do exercício anterior.49 Suponhamos que p1 × · · · × pr = q1 × · · · × qs . p1 divide q1 × · · · qs . e do Problema 3. se r = s. 3. logo p2 × · · · × pr = q2 × · · · × qs . segue da Proposição 3. No segundo caso. Suponhamos s > r (o outro caso é semelhante) temos que 1 = qr+1 × · · · × qs . Portanto. b) = a × b. 3. pelo problema anterior.48 Sendo p primo. b). cb) = min{x ∈ acZ + bcZ.45 O resultado segue da fórmula do Teorema 3. 3. mdc(ca. 3. temos que p | a ou mdc(a.2: mdc(a. os seus únicos divisores são ±1 e ±p.44. Continuando desse modo. isto acarreta que p = p1 ou p = p2 . i i i i . p) = 1 ou mdc(a. o que não é possível. x > 0} = c min{x ∈ aZ + bZ. b) × mmc(a. Assim. Na segunda possibilidade teremos p | a. a demonstração está completa.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 123 Estilo OBMEP i 123 Portanto. Logo mdc(a. p | p1 ou p | p2 . p) = 1. p1 × · · · × pr = p1 × · · · × qs . nada temos a provar. No primeiro caso.46 Como p é primo. logo p1 é igual a um dos qi .3 que p | b. p) = p. como p | a × b. se p | p1 × p2 . x > 0} = c × mdc(a.

3. 3. o que nos conduz à equação i i i i . 5.51 Tem 48 divisores. 12. 3. 40. 5. Assim obtemos as seguintes possibilidades: x = 20. 6. Uma solução particular é dada por x0 = 20 e y0 = 0. 4. 3. x = 13. 3. D = 77. 3. 40 e 1. 210) = 23 × 33 × 5 × 7. 30. 15. Assim. 3. Portanto. 3.55 (a) tem solução (b) não tem solução (c) tem solução (d) tem solução (e) tem solução (f) tem solução. que não possui soluções. 120. 60. ou seja. temos que 2x − 3y = 1. 20. 2. 12) = 3 não divide 1. da qual uma solução particular é x0 = 2 e y0 = 1. com t número natural e 20 − 7t ≥ 0 para que as soluções sejam não negativas. 10. temos que mdc(1 080. 24.59 Se D é o número de degraus. 20. 2. é preciso que t = 12. x = 2 + 3t e y = 1 + 2t. temos D = 2x + 1 e D = 3y + 2. e para que D seja múltiplo de 7. pois mdc(15. 3.61 Temos n = 18x + 4 e n = 14y + 6. y = 10.50 1. Isto implica que 6 ≤ t ≤ 15. 8. 42) = 6.57 Quando c for múltiplo de mdc(30.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 124 Estilo OBMEP i 124 3. que possui solução pois 5 e 7 são primos entre si. b) = 1 divide qualquer número c. 210) = 2 × 3 × 5 e mmc(1 080. 8.60 O problema conduz à equação 15x − 12y = 1. 4. Por outro lado.52 Sendo 1 080 = 23 × 33 × 5 × 70 e 210 = 2 × 3 × 5 × 7. y = 5 e x = 6. y = 0. 3. 40 ≤ D ≤ 100 e é múltiplo de 7. 10. Logo a solução geral é da forma: x = 20 − 7t e y = 5t.56 mdc(a.58 A equação a ser resolvida é 5x + 7y = 100.

quando dividido por 3 e 9. Assim. respectivamente. i i i i . quando dividido por 5 e 10.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 125 Estilo OBMEP i 125 9x − 7y = 1. quando dividido por 5 e 10. 54 827 deixa resto 2 e 8. onde t ≥ 1. O resto da divisão por 11 é 9 e o resto da divisão por 13 é 5.18 O resto é 3. 12 736 deixa resto 1 e 6. 33 875 435 deixa resto 0 e 5. quando dividido por 3 e 9. quando dividido por 3 e 9. quando dividido por 3 e 9. 57 612 510 deixa resto 0. 12 736 deixa resto 1.7 3 254 deixa resto 4 quando dividido por 5 e 10. respectivamente. 4. 57 612 510 deixa resto 0 quando dividido por 5 e 10. donde segue o resultado. respectivamente. Uma solução particular é x0 = −3 e y0 = −4. 3 765 839 e 1010 são. Problemas do Capítulo 4 4. respectivamente. quando dividido por 5 e 10. logo n = 18(−3 + 7t) + 4.6 3 254 deixa resto 2 e 5. 4. respectivamente.3 Já vimos que 10n − 1 = 99 · · · 9. x = −3 + 7t. 4. 4 e 3.21 Os restos da divisão por 3 de 5 345. 4. 4. quando dividido por 3 e 9. 4. Logo os números são da forma n = 126t − 50.19 O resto da divisão por 7 é 2. 33 875 435 deixa resto 2.12 1. 54 827 deixa resto 2 e 7. que é natual quando t ≥ 1.15 O resto é 5. logo 9 divide 10n − 1. 4.

logo 194n = (194 )2n ≡ (−1)2n = 1 mod 17.22 Temos que 30 = 4 × 7 + 2. 2. 4. 4. 2 e 1.25 19 ≡ 2 mod 17. e que 173 = 4 913 ≡ 8 mod 45. logo 2325 ≡ −2 ≡ 15 mod 17.30 O resto é 2. Logo o resto da divisão é 3. 4. 194n − 1 é divisível por 17.26 Observe que se tem 133 = 2 197 ≡ 37 ≡ −8 mod 45. logo 25 345 ≡ 22 mod 7. dos quais o resultado segue. 4.23 Temos que 325 = 4 × 81 + 1. 23 765 839 ≡ 22 mod 7 10 e 210 ≡ 2 mod 7. 4. i i i i . logo 230 = (24 )7 × 22 ≡ (−1)7 × 4 ≡ 3 mod 17.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 126 Estilo OBMEP i 126 respectivamente.28 O resto é 3. 4. Assim.

S. Números Inteiros e Criptografia RSA.d. Rio de Janeiro: IMPA.. (Série de Computação e Matemática. C.l.obmep. A.d.].: s.n. Indução Matemática. Sociedade Brasileira de Matemática. A.i i “Aritmetica” 2009/6/29 i page 127 Estilo OBMEP i Para Aprender Mais COUTINHO. Elementos de Aritmética. [s.] (Série Textos Universitários.br 127 i i i i .) HEFEZ. [S. Em http://www. s.) HEFEZ.org.

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