A música na Antiga Roma

Não sabemos ao certo se foram os romanos os responsáveis por "trazer para nós" informações sobre a música, quer tocada ou escrita. Ou seja, em alguns casos, não se sabe ao certo quais as verdadeiras origens de determinadas informações e dados. Os instrumentos musicais usados na Antiga Roma eram, o aulo e a tíbia que exerciam papéis importantes nos ritos religiosos (música religiosa), na música militar e no teatro. Seus tocadores eram chamados de tibicinos. A tuba também era usada em cerimônias estatais e militares; a trompa em forma da letra G chamava-se corno e buzina se em tamanhos menores. A música estava sempre presente em manifestações públicas, em diversões particulares e na formação do caráter individual. Quintiliano afirma que a música era considerada parte da educação do indivíduo, tão essencial quanto o aprendizado da língua grega , como se nos dias de hoje a música fizesse parte da grade curricular de um aluno junto às disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática, por exemplo. Os primeiros séculos da era cristã foram os tempos áureos do Império Romano. Eles absorveram da Grécia Antiga sua arte, arquitetura, música, filosofia, novos ritos religiosos e bens culturais (costumes). Foi esse o período em que os romanos foram mais fortemente influenciados pela cultura grega. Muitos imperadores, como Nero, desejaram alcançar fama como músicos e não com seus ofícios. Porém, no século III e IV d.C., o Império Romano começou a se enfraquecer economicamente e esse desejo, essa aspiração em se tornar músico acabou por desaparecer. Em resumo,segundo Palisca, tem-se: A) a idéia musical; a acepção romana de música era “despojada”, uma vez que estes absorveram grande parte das concepções da Grécia Antiga; B) a melodia das músicas era relacionada às palavras também no tocante à métrica e à rítmica; C) a interpretação musical possuía como base o improviso, pois o intérprete executava uma mesma música cada vez de uma forma um pouco diferente, porém, sem fugir de algumas "regras musicais" já existentes; D) a música não era considerada só arte, e sim capaz de afetar o pensamento do homem (como Nero afirmava, por exemplo); E) a música como uma seqüência de sons, bem alicerçada, com um fundamento; F) a música romana deu origem às escalas com base nos tetracordes; G) termos musicais (nomenclatura) As idéias da música foram transmitidas ao Ocidente, embora de forma incompleta e incerta, pela igreja cristã e garças a uma série de tratados feitos no início da Idade Média.

Nasce o Cristianismo
Começou a surgir depois da invasão da Grécia pelos romanos e tem como primórdios os judeus, os 12 apóstolos. Cristianismo é o conjunto de religiões cristãs: o catolicismo, o protestantismo e as ortodoxias orientais. É baseado nos ensinamentos, na pessoa e na vida de Jesus Cristo, cuja prédica era o Reino de Deus, a justiça, igualdade, perdão etc.Os judeus não acreditavam que Ele era o Messias prometido e então o denunciaram às autoridades romanas, permitindo assim que depois fosse crucificado; porém alguns crêem que ressuscitou ao terceiro dia. Esta religião se expandiu por meio dos apóstolos que saíram pelo Império Romano aprimorando seus ensinamentos.

Os primeiros séculos da Igreja Cristã
Algumas características da música grega foram absorvidas pela igreja cristã, mas alguns aspectos foram rejeitados, por exemplo, a visão da música como uma arte que proporciona prazer pessoal e, principalmente, os tipos de música tocados em público como nos festivais, concursos e representações teatrais. Esta rejeição se deu pelo número crescente de convertidos e porque certas atitudes, lembravam de seu passado pagão.Carregamos com isso uma herança judaica, que temos até hoje. Para a entendermos é necessário esclarecer o que é (ou era) o Templo e a Sinagoga. O Templo foi um edifício construído por Salomão no monte Moriá, na cidade de Jerusalém no ano de 959 a.C. Foi destruído pelos Babilônios em 586 a.C. (II Reis 25.8-17). A construção do segundo Templo foi ordenada pelo rei Dario no ano de 538 até 516 a.C. (Esdras 6). A partir do ano 20 a.C. o rei Herodes reformou este templo cujas obras perduraram até 64 d.C. No ano 70 d.C. um soldado romano contrariou as ordens de um general chamado Tito, este incendiou o Templo e nunca mais foi reconstruído. Hoje, no lugar do Templo se encontra a mesquita de Al Acsa. Palisca afirma que o segundo Templo ficava no mesmo lugar que o primeiro e que sua destruição aconteceu no ano de 70 d.C. pelos Romanos. O culto consistia no sacrifício de um cordeiro , realizado pelos sacerdotes (mediadores entre Deus e o povo) e assistido por levitas (que ajudavam os sacerdotes nos serviços do Templo) e leigos israelitas. Havia vários músicos e um coro de levitas que cantavam durante o sabbath (sacrifícios) acompanhados por

instrumentos de corda e, em seguida, um instrumento de sopro acompanhava os instrumentos de corda. Em importantes festas como a Páscoa cantavam-se Salmos com refrões em aleluia, especialmente 113 a 118. Faziam-se orações, sendo estas tanto no Templo, em casa ou nas ruas. A Sinagoga era o local de reunião dos judeus (israelitas) onde estes liam as Escrituras, a Bíblia, e faziam pregações e orações. A ênfase musical aqui é o canto cotidiano dos Salmos e Hinos realizados principalmente depois que o Cristianismo ganhou extensão. De acordo com o crescimento do Cristianismo alguns elementos musicais foram sendo carregados, principalmente os cantos religiosos.

"O canto dos hinos é a primeira atividade musical documentada pela igreja cristã." Mateus 26.30 Marcos 14.26
Bizâncio

Devido ao crescimento do Cristianismo, as igrejas orientais acabaram por desenvolver liturgias, cultos diferentes das igrejas do Ocidente, pois não havia entre elas alguém superior que exercesse determinada autoridade (um Papa, por exemplo). Só há registros musicais destas igrejas do século IX em diante. Bizâncio é o nome de uma cidade oriental que foi reconstruída por Constantino; ela também é conhecida como Constantinopla e hoje é a região de Istambul. No ano de 330 d.C. ela foi a capital do "Império Constantino" e em 395 foi promulgada a divisão entre Império do Ocidente e do Oriente. Após um período de quase mil anos ela permaneceu como capital até a invasão dos turcos nesta região em 1453. As práticas musicais nesta cidade e nas igrejas deixaram marcas no cantochão ocidental: mais tarde viriam os oito modos e depois cânticos trazidos pelo Ocidente nos séculos VI até IX (lembrando que não há registros históricos deste período). Outra importante atividade musical era os hinos e o principal é o kontakion. O kontakion era uma elaboração poética sobre um texto bíblico. O mais importante "autor" é um judeu chamado Romano Melódio.Os outros tipos de hinos tiveram suas origens nos responsos. Os versículos dos Salmos eram recitados e entre eles se cantavam os hinos que ganharam gêneros musicais vindos da Síria ou da Palestina. Esse tipo de hino ganhou independência tendo 2 principais: os Stichera e os Kanones. Os Stichera eram hinos cantados entre os versículos dos Salmos. Os Kanones eram hinos compostos por 9 partes, baseados nos 9 cânticos da Bíblia. Cada parte do hino era uma ode (verso cantado). Cada ode tinha várias estrofes com a mesma melodia (troparia). A primeira estrofe chama-se heirmos e as demais foram reunidas num livro chamado de hermologia. Alguns textos e melodias eram "colados" dos cânticos. A melodia se apresentava com breves motivos e continha melismas. Os tipos de melodias do kanon possuem traços regionais culturais. Recebiam diferentes nomes nas diversas línguas: rága _ _ _ _ _ _ música hindu maqam _ _ _ _ música árabe echos _ _ _ _ _ grega bizantina modo _ _ _ _ _ hebraico No geral, a música bizantina reunia melodias para kanones num sistema de oito echoi. Estes se juntavam em 4 pares de notas: RÉ, MI, FÁ e SOL. Com isso pode se dizer que os modos tiveram origem oriental, embora, mais tarde, fossem transmitidos por Boécio no Ocidente.

Liturgias Ocidentais
É provável que as igrejas do Ocidente tenham recebido influência das do Oriente nas diferentes formas de canto litúrgico. Essas diferenças acabaram por se identificar em alguns aspectos e, com isso, deu-se origem a vários cultos e cantos litúrgicos novos, diferentes. A maioria dos litúrgicos orientais desapareceu e os da Ocidental acabou se romanizando, cada vez mais. Entre os séculos VII e VIII a Europa Ocidental estava dividida entre Lombardos, Francos e Godos e cada repartição tinha seus cânticos: • na Gália (França atual) havia o canto galicano; • no sul da Itália o benaventino;

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em Roma o canto romano antigo; na Espanha o visigótico ou moçárabe; em Milão o ambrosiano. No canto litúrgico da França temos Carlos Magno impondo o canto gregoriano em seu domínio. Na Espanha temos a liturgia moçárabe devido à conquista dos muçulmanos neste território no século VIII ; e em toda Itália temos um grande repertório de cantos em manuscritos de Roma com datas dos séculos XI ao XIII. É possível que algumas melodias mais antigas tenham-se conservado nos manuscritos do canto romano antigo. Podemos deduzir que este tipo de música sofreu alterações antes de ser registrada sob a forma em que a encontramos. O cantochão que temos hoje provém das zonas francesas baseados em versões romanas com correções por músicos locais. Voltando um pouco na linha do tempo, depois de Constantino temos no ano de 374 a 397 d.C. um bispo de Milão chamado Santo Ambrósio. Este era responsável pelas igrejas e trouxe do Oriente diversos Salmos e no Ocidente introduziu os seus – usados para a sua igreja – conhecidos como Salmos Ambrosianos ou Canto Ambrosiano.

A preeminência de Roma
Constantino em 313 estabeleceu o Cristianismo como religião oficial do Império Romano. Com o passar do tempo, seu prestígio como imperador declinou enquanto os bispos de Roma ganhavam respaldo. Logo houve um número crescente de adeptos e a Igreja começou a construir grandes basílicas. Entre os séculos V e VIII muitos Papas se empenharam em revisar a liturgia e a música (ver como "andavam" os cultos). Então nasceu um conjunto de instruções para organização dos mosteiros, a Regra de S. Bento C.520. No século XIII existia já em Roma uma "Schola Cantorum" que era uma escola de cantores e professores incumbidos de formar rapazes e homens para músicos de igreja. Em essência, os cânticos da igreja romana são preciosíssimos por contribuírem para boa parte da música Ocidental até o século XVI. São os repertórios vocais em uso mais antigos no mundo inteiro e nas realizações melódicas de todos os tempos.

Os Padres da Igreja
Eles acreditavam firmemente que a música poderia influenciar o caráter de quem a ouvia; que ela era serva da religião. A princípio, os padres excluíram a música instrumental do culto público, (mais tarde debateu-se acerca desta imposição) pois no livro dos Salmos havia várias referências ao saltério, à harpa, ao órgão e a outros intrumentos musicais. Em 387 d.C. Santo Agostinho escreve um tratado "Da Música" reunindo seis livros onde os cinco primeiros tratam da métrica e do ritmo; o sexto aborda a psicologia, a ética e a estética da música e do ritmo. Além disso, Agostinho difunde os salmos ambrosianos e "determina" como deveria ser executado o canto litúrgico.

Boécio
A música no mundo antigo continuou acessível no ocidente ao longo dos primeiros séculos da era cristã, embora ela fora sendo resumida e modificada. Os autores mais importantes foram Martianus Cappella em seu tratado enciclopédico "As Núpcias de Mercúrio e da Folologia" e Anicius Manlius Severinus Boetius em seu tratado "De Institutione Música". A obra de Martianus era um pequeno livro sobre as 7 artes liberais: 1) gramática 2) dialética TRIVIUM = triplo caminho 3) retórica 4) geometria 5) aritimética QUADRIVIUM = quádruplo caminho 6) harmonia ↓ 7) música designado por Boécio Nos primeiros capítulos do tratado de Boécio, ele divide a música em 3 gêneros: 1) música mundana (cósmica): harmonia no macrocosmo; 2) música humana: união do corpo e alma no microcosmo; 3) música instrumental. Boécio foi a autoridade mais respeitada e mais influente na Idade Média no domínio da música, o primeiro a tratar a música como ciência. Algumas de suas frases:

"A música é a disciplina que se ocupa a encaminhar minusciosamente a diversidade dos sons agudos e graves por meio da razão e dos sentidos." "O verdadeiro músico não é o cantor ou aquele que faz canções por instinto sem cohecer o sentido daquilo que faz, mas o filósofo, o crítico..."

A liturgia católica romana
A palavra liturgia (do grego λειτουργία, "serviço" ou "trabalho público") é uma cerimônia religiosa prédefinida, de acordo com as tradições de uma religião em particular; pode incluir ou referir-se a um ritual formal e elaborado (como a Missa Católica) A Liturgia é o ambiente natural para o canto gregoriano. Consiste em leituras, orações e certas ações. Foi organizada em um sistema de práticas diárias. O momento mais importante do dia litúrgico é obviamente a Missa, também chamada de Eucaristia. Trata-se de uma celebração para todos os fiéis que dela participam. A essência é a refeição simbólica de vinho e pão, comemorando e simbolizando o sacrifício de Jesus Cristo, que segundo os católicos, morreu na Cruz para salvar a todos. A Missa em si é parte de uma estrutura maior. Sua contrapartida é o Ofício Divino. Este consiste em um determinado número de momentos de oração, pré-estabelecidos para o decorrer do dia, em que os monges e monjas oram a Deus. A Missa e o Ofício Divino são parte do ano litúrgico. Este ano tem dois calendários separados: um estruturado com relação às festas principais (Natal, Páscoa e Pentecostes), e o outro que comemora os Santos. Na Igreja Primitiva, os bispos locais possuíam muita liberdade para organizar a liturgia de acordo com suas próprias idéias. Entretanto, dois elementos emergiram em grande parte das tradições locais, já num estágio precoce: a oração e a pregação. O Papa Gregório Magno (540-604) foi o primeiro a dar alguma unidade a esta diversidade. Este estágio preliminar do Ordo romano foi a Idade de Ouro do Canto Gregoriano. Na Idade Média, quando se instalou a decadência, apareceram tropas e seqüências, junto com os dramas litúrgicos (peças religiosas sobre os temas de Natal ou Páscoa, levadas ao palco dentro ou fora da Igreja). O Concílio de Trento (1545-1553) deu parecer contrário a estas práticas consideradas extravagantes e restaurou tanto quanto possível as regras do Ordo romano. Havia e ainda há, um competidor importante para esta tradição romana: a liturgia tridentina que tem outras práticas. O Papa Pio X fez uma tentativa de restaurar a liturgia em 1911, mudando radicalmente o Ofício Divino. Em 1955, a liturgia da Semana Santa (a semana que antecede a Páscoa, comemorando os últimos dias de Cristo) foi “enxugada”. Finalmente, no começo da década de 60, o Concílio Vaticano II (1962-1965) impôs um novo ordo, embora a Congregação da Divina Liturgia logo tenha permitido o uso da liturgia tridentina em certos casos (1984). Muitas pessoas pensam que o Vaticano II aboliu completa ou parcialmente, o canto gregoriano, mas isto não é verdade.

Santa Missa
A Eucaristia é o ponto alto da prática litúrgica diária. Sua estrutura atual é resultado de um longo desenvolvimento. A Missa tal como a conhecemos hoje, tem uma estrutura muito rígida, que consiste de uma parte permanente, também chamada de Ordinário, e de uma parte variável, o Próprio. Muitos dos textos do ordinário datam dos primeiros dias do Cristianismo, consistindo em aclamações, orações e do Credo dos Apóstolos. O Próprio retirou muito de seus textos direto da Bíblia.

O Ofício Divino
O Ofício é o ciclo diário de louvor, realizado por monges e monjas. Consiste do Ofício diurno e do noturno. A idéia subjacente é a de que Deus deveria ser louvado dia e noite. Os padres de Paróquia também têm o dever do ofício, que eles fazem rezando o breviário em silêncio. Mas o mais antigo é a versão em gregoriano. Infelizmente, muitas comunidades monásticas substituíram nas suas horas canônicas o latim pelo vernáculo, ou simplesmente recitam os textos latinos em recto tono, isto é, numa única nota. Outras limitaram ao uso do gregoriano às festas ou outras ocasiões importantes. Entretanto, algumas abadias ainda usam o canto gregoriano no Ofício todos os dias.

O Ano da Igreja
O ano litúrgico tem dois calendários paralelos. O mais importante deles é o Proprium de Tempore, sendo as ocasiões específicas do dia dispostas em torno de três festas mais importantes: o Natal, a Páscoa e Pentecostes. O segundo, que corre através do ano, é chamado Proprium de sanctis e fornece a liturgia específica para os santos específicos que são comemorados num certo dia. Os dois calendários podem interferir ou complementar-se um ao outro. Nem todo santo ou santa tem uma liturgia específica. Se não se dispõem de cantos específicos, usa-se o Commune Sanctorum, que serve para todos.

A Salmodia (*)
A salmodia é uma forma de cantar os Salmos nas diversas liturgias cristãs e judaicas. Posteriormente, as liturgias cristãs adaptaram esta forma para os cantos das orações neotestamentárias (Magnificat, Benedictus, etc) e para alguns hinos. Este canto se realizava em forma recitada e alternada entre um solista e um coro, ou entre dois coros. A salmodia tem uma estruturação silábica, segundo cada sílaba do texto corresponde um som da melodia. A estrutura responsorial dos salmos vem de sua estrutura textual: cada salmo se organiza em versículos, e cada versículo é composto por dois hemistíquios (sessões iguais). Na forma habitual do canto salmódico, o primeiro hemistíquio de cada versículo é entoado pelo solista (ou primeiro coro) a quem o coro (ou segundo coro) responde com o segundo hemistíquio. Nos ritos cristãos, cada um dos outros modos eclesiásticos têm uma fórmula especial que se repete em cada versículo. Uma fórmula salmódica completa consiste em: • Entonação (Initium). Normalmente, cada salmo é precedido de uma antífona, que se canta no mesmo modo que o salmo. A partir desta antífona se introduz o initium, pequeno inciso de várias notas, separadas ou formando neumas, correspondentes a duas ou três sílabas do princípio do salmo que une a antífona com a corda recitativa (tenor). A entonação do solo se canta no primeiro versículo do salmo. Os demais versículos começam com o tenor. Quando se cantam vários salmos com uma só antífona, se dá a entonação do princípio de cada um dos elos, sempre que terminarem com o Gloria Patri. Tenor (nota dominante da linha recitativa). A partir desta nota fundamental se organizam as diversas cadências: variantes de tom para indicar acentuação no final de cada hemistíquio ou pontuação. Cadências. Podem ser de um acento (cuja fórmula melódica se adapta ao último acento principal ou secundário) ou de dois (cuja fórmula melódica se adapta aos últimos acentos principais ou secundários). Cada cadência pode levar uma ou várias notas preparatórias que se desviam da tônica. o Flexa (no primeiro hemistíquio). É uma cadência sempre de um tom descendente -salvo quando a tenor está imediatamente sobre o semitom, e é de tom e médio-e sempre de um acento. Ao canta-la, sempre é preciso fazer uma pausa, ou considerar a última nota larga. o Mediante (no médio do versículo, mediatio). Pode ser de um acento ou de dois. o Terminação (no final do mesmo, terminatio). Pode ser de um acento ou de dois.

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* Texto original em espanhol, disponível em http://es.wikipedia.org/wiki/Salmodia. Tradução feita pelo grupo.

Cantochão
Cantochão é o canto litúrgico da Igreja Católica do Ocidente, essencialmente monódico e cujo ritmo, ou ausência do mesmo, baseia-se apenas na acentuação e nas divisões do fraseado.

Está presente em centenas de manuscritos que datam do século IX em diante. É freqüente encontrar a mesma melodia em manuscritos diversos, pois podem ter sido transmitido oralmente e registrado em momentos diferentes. São caracterizados como música sem ênfase, sem ornamento e com rara repetição de palavras, pois o objetivo não é emocionar, e sim, propiciar meditação. O Papa Gregório Magno (590 a 604) compilou o livro litúrgico ou sacramentário, isto é, reuniu os manuscritos num único livro. Diz a lenda que uma pomba (Espírito Santo) ditava as melodias para o Papa e este as falava ao escriba. A notação era composta em parte pela memória da pessoa e parte por meio da improvisação dos ensaios.

Formas de Classificação do Cantochão
Por texto: As peças de cantochão se dividem em textos bíblicos e não bíblicos, ambas subdivididas em prosa e texto poético. Exemplo de texto bíblico em prosa: Ofício e Epístola. Exemplo de texto bíblico em texto poético: Salmos e Canticos. Exemplo de texto não bíblico em prosa: Te Deum e Antífonas. Exemplo de texto não bíblico em texto poético: Hinos e Seqüências. Por forma de cantos: -Antífonal: Coros se alteram; -Responsorial: Solista e coro se alteram; -Directo: Ninguém altera; Por notas e sílabas: -Silábicos: Uma nota em cada sílaba; -Neumáticos: Algumas notas na mesma sílaba; -Melismáticos: Muitas notas na mesma sílaba; Por tipo: -Formas exemplificadas nos tons de salmodia (duas frases equilibradas); -Forma estrófica (hinos): Mesma melodia para vários textos; -Forma livre (engloba todos os tipos).

Desenvolvimentos anteriores do cantochão
Os povos do norte e ocidente da Europa se converteram ao cristianismo e às doutrinas e ritos da igreja romana entre os séculos V e IX .O canto gregoriano já estava implantado antes do século IX no império franco. O deslocamento do centro musical da Europa deveu-se em parte às condições políticas. As conquistas que os mulçumanos fizeram na Síria, na África e na península hispânica deixou as regiões autrais da cristandade nas mãos dos infiéis e sob qualquer ameaça ou ataque. Ao longo dos séculos VI VII missionários dos mosteiros fundam suas próprias escolas especialmente na Alemanha e na Suíça. Uma das influências nórdicas no cantochão traduziu-se no fato da linha melódica ter sido modificada, através da introdução de um maior número de saltos, nomeadamente o intervalo de terceira . Todos esses desenvolvimentos coincidiram no tempo com a emergência da monodia secular e com as primeiras experiências de polifonia. Tropos- Os tropos tinham geralmente um estilo neumático e com um texto poético. Os tropos serviam de introdução a um cântico regular ou constituíam interpolações no seu texto e na sua música. Um dos centros mais importante da composição de tropos foi o mosteiro de S. Galo, onde o monge Tuotilo (915) se destacou com esse tipo de composição. Os tropos “floresceram” especialmente nas igrejas monásticas nos séculos X e XI, no século XII começaram a desaparecer. Seqüências- Nos primeiros manuscritos de cantochão encontram-se às vezes certas passagens melódicas muito longas que se repetem,quase sem modificações, algumas vezes como parte de um canto litúrgico regular, outras vezes incluídas numa coletânea diferente, ora com letras ora sem. A seqüência respeita o fato de que cada estrofe do texto é imediatamente seguida por outra com o mesmo número de sílabas e mesma acentuação. Essas duas são cantadas com igual segmento melódico, as únicas exceções são o primeiro e o último verso pois no geral não possuem paralelos, embora as estrofes de cada par sejam idênticas.

A estrutura típica das seqüências pode ser representada do seguinte modo: a bb cc dd...n. Isso representa um número indefinido de pares de estrofes e a e n os versos desemparelhados. As prosas do século XII de Adão de S.Vitor ilustram um estágio mais tardio desta evolução, no qual o texto já era versificado e rimado, as formas de estrutura mudaram para aa bb cc, tal como a melodia de um hino que se repete nas sucessivas estrofes. A maior parte dessas seqüências foi banida pela igreja católica através da reforma litúrgica do Conciílio de Trento (1543-1563) somente quatro delas continuaram sendo usadas uma na Páscoa, no domingo de Pentecostes, para a festa de Corpus Christi, uma atribuída a S.Tomas de Aquino. Havia uma quinta seqüência que era atribuída a Jacopo da Todi, monge franciscano do século XIII,e foi acrescentada à liturgia em 1727. Drama litúrgico - baseavam-se em um diálogo ou em um tropo do século X que antecedia o intróito da missa da Páscoa. Em certos manuscritos surgiu um elemento que incluía procissões nas quais os fiéis iam de igreja em igreja; outros manuscritos consistiam em um tropo que antecedia o intróito de páscoa ou intróito da terceira missa do dia de Natal. Os mistérios do Natal e da Páscoa eram os mais comuns e se representavam em toda a Europa. Algumas peças teatrais do século XII são muito complexas e representam um interesse especial para quem procura material para as interpretações modernas. Uma das mais populares é o mistério de Daniel e a outra o mistério de Herodes, que consistem em encadeamentos de muitos cânticos. Embora não fossem teatro de fato, se aproximam daquilo que designamos hoje por esse nome. No entanto as rubricas de algumas das peças mostram que eram utilizados um palco, cenário, trajes próprios e clérigos atores. A música era o principal embelezamento e recurso expressivo complementar dos textos litúrgicos.

Categorias do canto usado na missa e nos ofícios OFÍCIO
O repertório de cantos para o ofício divino consta de: -Antífonas -Salmos -Recitativos simples de leituras e orações -Hinos -Responsório -Te Deum -Cantos do Antigo e Novo Testamento: Benedictus, Magnificat, Nunc Dimittis Antífonas: São numerosas. Iniciam e concluem a salmodia. Recorrem ao mesmo tipo melódico da salmodia introduzindo apenas variantes para se adaptarem ao texto. As antífonas dos cânticos são menos elaboradas que os salmos. Salmodia Antifonal: Os versículos dos salmos na missa são ligeiramente mais elaborados do que os tons dos salmos no ofício. O intróito é bastante animado e era originalmente um salmo completo com a respectiva antífona, entoado no início da missa. O comúnio é um canto breve, geralmente um único versículo das Escrituras entoado quase no final da missa. Recitação e tons de salmodia: cantos para recitação de orações e leituras da Bíblia. Consiste em uma única nota de recitação. A nota de recitação é também chamada de Tenor e pode ser precedida por uma introdução de duas ou três notas, chamada Initium. Depois se segue a linha do Tenor, mediatio (meia cadência no meio do versículo) e Terminátio (cadência final). Hino - canto versificado, estrófico, sem refrão e regular. O hino é normalmente silábico e respeita uma estrutura métrica fixa. A simplicidade da forma explica, de um lado, a sua origem popular e, de outro, contribuiu para a sua fácil difusão. Os hinos litúrgicos encontram-se reunidos no hinário, livro normalmente anexado ao saltério (conjunto de salmos bíblicos). Os hinos são normalmente cantados por toda a assembléia ou pelo coro. Os versos dos hinos na liturgia católica não são tirados da Bíblia, tendo sido compostos por poetas como Santo Ambrósio e Santo Hilário de Poitiers. Responsório ou Responso: Antes de uma oração ou breve passagem das Escrituras, um versículo curto é cantado pelo solista e repetido pelo coro. São os cantos que correspondem às leituras da Bíblia e dos Padres durante o ofício noturno. É alternadoentre a estrofe cantada pelo solista e o refrão cantado pelo coro (responsa). A forma musical que o caracteriza é ABA: refrão, estrofe e refrão.

A MISSA
A Missa (ou Eucaristia) se divide em duas partes: O Ordinário, que é a parte fixa, e o Próprio, que como o nome diz, é próprio daquele dia. Cantos do ordinário eram melodias silábicas muito simples cantadas pela congregação. Foram sendo substituídas por outras composições a partir do século IX. Os que continuaram com o estilo silábico foram o gloria e o credo, enquanto o kyrie, o sanctus e o agnus dei foram mais ornamentados. O Ordinario é composto por: -Kyrie (Ato Penitencial) -Gloria -Credo -Sanctus (Santo) -Agnus Dei (Cordeiro de Deus)

O Kyrie tem uma formação específica: é um arranjo tripartido. A Kyrie eleison B Christe eleison A Kyrie eleison Uma vez que cada exclamação è repetida três vezes, poderá surgir uma forma (aba) dentro de cada uma das três partes principais. As versões mais modernas do Kyrie podem apresentar uma estrutura (abc). O Próprio é constituído por peças que cantam segundo o tempo litúrgico ou segundo a festa que se celebra (Páscoa, Natal), e é composto por: -Introito (Procissão de entrada) - Epistola (leitura das cartas) -Gradual (antes das leituras) - Gradual (Salmo Responsorial) -Aleluia ou Tracto (Tracto substitui o Aleluia na quaresma, isto é, quatro domingos antes do Natal, o nascimento de Jesus) -Evangelho -Ofertório Prefacio (preparação da comunhào) Comúnio (comunhão) Pós Comunio (oração depois da comunhão) Intróito: acompanha a entrada do celebrante até ao altar, e ajuda a criar o ambiente propício à celebração. Pode utilizar-se a antífona própria, alternando-a com os versículos do respectivo Salmo. Epístola: Assim se chama cada uma das 21 cartas que formam o terceiro grupo de livros do Novo Testamento, sendo as 13 primeiras atribuídas a S. Paulo ou escritas em seu nome por discípulos seus; a carta aos Hebreus; e as chamadas 7 epístolas católicas, atribuídas aos apóstolos Tiago, Pedro (1.ª e 2.ª), João (1.ª, 2.ª e 3.ª) e Judas. Dado o carácter circunstancial e a diversidade dos destinatários, as cartas ou epístolas do Novo Testamento pertencem a gêneros literários bastante diversos, que vão do tratado teológico a simples bilhetes de recomendação. Na liturgia, assim se chamava à primeira leitura da missa, antes da reforma litúrgica, por freqüentemente ser tirada de uma das epístolas do Novo Testamento. Na celebração de costas para o povo, o celebrante lia-a do lado direito do altar (o “lado da epístola”), após o que lia o evangelho, do outro lado (o “lado do evangelho”). Gradual: É o atual Salmo Responsorial que se segue à primeira leitura da missa. Melodias mais ornamentadas do que os Tractos. O moderno livro de cantochão é o responsório abreviado. Inicia-se com o refrão pelo solista e continua-se com o coro. O versículo é cantado pelo solista acompanhado pelo coro na última frase. Existem graduais dos sete aos oito modos. Aleluia: Aclamação de alegria própria do Tempo Pascal, mas que se prolonga ao longo do ano, com excepção do Tempo da Quaresma

é um refrão que utiliza a palavra “aleluia” e um versículo dos salmos. Um ou mais solistas cantam o vocábulo “aleluia” com alguns ornamentos e o coro repete com o jubilus (melisma sobre o “-ia” de “aleluia”); em seguida o versículo é cantado com melismas curtos e longos sendo acompanhado pelo coro na útlima frase, em seguida o “aleluia” com jubilus é repetido pelo coro. Alleluia allelu-ia (jubilus) Solista______coro_____________ versículo Allelu-ia (jubilus) solista_________coro

A repetição do aleluia e do jubilus é uma estrutura que se divide em 3 partes (aba) ou mais precisamente (aa+bb) esse é o esquema quando se incorporam no versículo frases melódicas do refrão.Nos versículos de um modo geral muitas vezes a ultima parte do versículo retoma,em parte ou na totalidade, a melodia do refrão.A forma do aleluia è totalmente diferente de todos os outros tipos de canto pré-francos por que a sua forma musical assenta na repetição sistemática de secções diferentes.Os aleluias continuaram a ser escritos ate o final da idade media, e do século IX em diante desenvolveu-se a partir deles novas e importantes formas musicais. Tracto: Salmo executado continuadamente depois da segunda leitura da Missa, quando se não cantava o Aleluia. Na reforma litúrgica pós-conciliar é quase sempre substituído pelo versículo do Evangelho, normalmente enquadrado por uma aclamação. São os cânticos mais longos da liturgia. Consistem em longos textos e melodias com figuras melismáticas. As melodias podem ser do segundo ou oitavo modo. O primeiro versículo geralmente começa com uma entonação melismática. O restante começa por melismas e termina com um melisma ornamentado. A segunda metade do versículo inicia-se com uma entoação ornamentada e prossegue com uma recitação e termina como um melisma. O último versículo poderá ter um melisma final longo. Evangelho: livros que narram qualquer parte a vida de Jesus Cristo ou conta sobre seus ensinamentos Ofertório: Nome impropriamente dado ao rito preparatório da liturgia eucarística (na missa), o qual, na forma mais solene, inclui: o cortejo das oferendas, o cântico do “ofertório”, a preparação das oblatas (pão e vinho) sobre o altar e a oração “sobre as oblatas”. O verdadeiro ofertório (oferecimento) do sacrifício de Jesus, faz-se na Oração Eucarística, no decorrer da qual esse sacrifício se atualiza sacramentalmente para os fiéis nele participarem mais ao vivo. No entanto, a oferta das oblatas já significa o desejo dos fiéis se unirem ao sacrifício de Jesus, embora a expressão mais forte desta união seja a da comunhão sacramental. Tradicionalmente, além do pão e o vinho, os fiéis contribuem para a ajuda aos necessitados, sustento do clero e despesas da Igreja (as oferendas que levam ao altar). Eram cânticos longos cantados pelas congregações e pelos clérigos durante a cerimônia do pão e vinho; quando o tempo dessa cerimônia foi diminuído o ofertório se viu igualmente abreviado. Os ofertórios acabaram ficando iguais ao “aleluia”, pois tinham as mesmas técnicas de repetição de motivos e rima musical. Os melismas e ofertórios têm uma relação íntima com o texto porque desempenham uma função expressiva e não decorativa. Prefácio: É o hino de louvor e ação de graças que introduz a Oração Eucarística, a parte central e mais importante da Missa. Comunio: Comunhão. É quando é oferecida a hóstia, que simboliza o corpo (a hóstia) e o sangue (vinho) de Cristo. Pos Comunio: É a oração presidencial de ação de graças na missa, depois da comunhão e de um tempo de recolhimento. Nela se faz em geral referência ao mistério/sacramento celebrado

Notação
O sistema de notação sofreu muitas alterações significativas no curso dos séculos. A princípio, era meramente uma combinação de linhas e de curvas escritas sobre o texto. A informação que elas continham se perdeu por muitos séculos até que estudiosos contemporâneos a redescobriram: os neumas indicam o ritmo dos cantos. A informação melódica contida dentro dos neumas é um pouco menos acurada, mas a maioria dos cantores conhecia os cantos de cor, portanto isto não era problema. A evolução na notação se estende desde os manuscritos do século X como St.-Gallen ou Laon até as edições contemporâneas Lagal ou Fluxus. Para ilustrar o desenvolvimento dos neumas para notas, tomemos o ofertório Illumina do 101º Domingo. A primeira versão pode ser achada no manuscrito de Mont-Renaud de Noyon (século X). Esta notação contém só uma pequena informação melódica relativa (meramente indica se a melodia sobe ou desce), o que chamamos adiastemática.

Laon 239 de Metz (cerca de 930) nos dá um pouco mais de informação quanto à melodia

e Chartres 47

Einsiedeln 121 de Sankt-Gallen (970) acrescentou letras, abreviações de certos termos musicais (como o t para tenere, segurar, e l para levare: subir).

Benevento 33 é um exemplo claro da transição para manuscritos diastemáticos

A primeira geração de manuscritos realmente diastemáticos, tais como o Paris B.N. 776 (de Albi, provavelmente antes de 1079) ainda com os neumas in campo aperto (em campo aberto), em relação gráfica entre os neumas.

Manuscritos diastemáticos tardios, como o Paris B.N. 903 (de Saint-Yrieix) agrupam os neumas em torno de uma linha.

Benevento 34 (término do século XI) é o primeiro manuscrito onde descobrimos linhas e claves indicando os semitons (C e F)

Graz 807 foi um passo além: 4 linhas, 2 claves.

O manuscrito mais extraordinário de todos é sem dúvida o Montpellier H159, tanto com neumas quanto letras representando as notas.

O golpe final contra qualquer tipo de sutileza foi levado a efeito pela edição Pustet em 1871, também chamada Neomedicea (do nome de uma edição vienense infame de 1614). Contudo, foi aprovada pelo Vaticano e os editores ainda ganharam o monopólio papal de imprimir música de Igreja por 30 anos.

Em 1883, Dom Pothier publicou seu Liber Gradualis. A evolução mais notável foi o modo como as notas foram agrupadas. Pothier baseou suas edições nos primeiros achados da pesquisa semiológica.

Em 1908, o Graduale renasceu na Editio Vaticana, principalmente sob a direção de Dom Pothier. A despeito do grande progresso da Semiologia, o Vaticano se recusou a mudar as prescrições sobre a posição das notas, grupos e pausas. Este é o motivo pelo qual a última edição (1974) tem o mesmo padrão do Graduale de 1908.

Os Neumas (**)
A escrita do canto gregoriana é feita por meio de neumas, com as notas cantadas numa única simples sílaba. Ela não possui métrica, mas ritmo em grupos de 2 a 3 notas.

Linhas verticais separam frases musicais e permitem uma pausa para respirar, como Não existe tom maior ou menor, mas sim modos (alguns modos que podem soar como uma escala moderna.). A escrita é em pautas de 4 linhas (tetragrama), ao invés de 5, como é escrito atualmente.

: Marca onde o Do está no tetragrama. Aqui ele está na terceira linha de cima, então, se o Do está na terceira linha, as notas são, da linha inferior para a superior, Fá, Lá, Dó e Mi.

: Significa que o Do está na linha superior, então, a seqüência de notas da linha inferior para a superior é Ré, Fá, Lá e Dó.

: É uma clave de Fá, e indica onde o Fá está no tetragrama. Aqui, Do está no espaço superior.

Relação dos neumas com as notas atuais
Notação gregoriana está na esquerda. A escrita moderna está à direita.

Punctum Esta é uma nota simples Virga Mesmo que um punctum. Podatus (pes) Quando uma nota é escrita em cima de outra, a nota de baixo é cantada primeiro, depois a de cima. Clivis (flexa) Quando a nota de cima deve ser canta primeiro. Scandicus 3 ou mais notas subindo. Salicus 3 ou mais notas subindo, mas no meio há um episema vertical: esta nota é suavemente aumentada. Climacus 3 ou mais notas descendo. Torculus (pes flexus) 3 notas que sobem e depois descem. Porrectus (flexus resupinus) Uma nota alta e lenta. A linha começa com a primeira nota e desce para o meio da nota (não é um portamento) Scandicus flexus 4 notas subindo e depois descendo. Porrectus flexus Um porrectus com uma longa nota no final.

Climacus resupinus O oposto de scandicus flexus. Torculus resupinus Lento -para cima - para baixo - para cima. Pes subbipunctus uma nota para cima de duas para baixo.

Virga subtripunctis quatro notas em seqüência, descendo.

Virga praetripunctis quatro notas em seqüência, subindo.
Liquescent Neumas

Epiphonus (liquescent podatus) Pequenas notas perdem sua potência porque elas são cantadas sobre uma sílaba complicada. Cephalicus (liquescent flexa) Em liquescent neumas parecem como estes, a nota de cima é entoada antes da nota de baixo Pinnosa (liquescent torculus) Novamente, a nota de cima vem antes da nota de baixo. Porrectus liquescens a pequena nota sempre vai por último. Scandicus liquescens A pequena nota é a mais aguda. Quilisma Isto é marcado por uma linha em zigue-zague no meio. A primeira nota é mais longa do que a do meio.

Existem outras formas de segurar a nota:

Um deles é colocando um ponto (punctum-mora) depois da nota.

É um começo para se

transformar na nota pontuada que usamos hoje em dia.

Um segundo meio de segurar a nota é ter a mesma nota mais de uma vez na pauta, para uma mesma

sílaba. Isto é chamado de repurcussive Neuma. A linha horizontal (episema) em cima de um neuma significa para segurar a nota, ou ralentar, como

usamos atualmente rit. Uma linha vertical (episema) escrita embaixo da nota significa uma pequena ênfase,como uma marca de

acentuação.

Existe um acidente que pode ser usado na notação, é o B-móvel

que parece com o atual Bemol

Algumas vezes o bemol pode ser escrito no começo em vez de ser na frente da nota. Então será como uma armadura de clave. Senão será válido somente para aquela palavra No final da linha da Pauta, uma pequenina nota (custos) é escrita para indicar qual será a primeira nota

da pauta seguinte.

* texto originalmente escrito em inglês por Rick Kephart em http://lphrc.org/Chant/index.html, traduzido por este grupo.

TEORIA E PRÁTICA NA IDADE MÉDIA
A contribuição de Boécio continuou a constituir a base da construção de escalas e da especulação acerca dos intervalos, porém seus escritos não resolviam os problemas emergentes de notação para registro do cantochão ou do organum. Nessa época, os tratados musicais eram predominantemente voltados à prática. Enquanto os cantos eram transmitidos oralmente, não era necessário mais do que um ou outro símbolo, destinado a lembrar a configuração genérica da melodia. A partir do século Vl começaram a serem colocados sinais chamados neumas acima das palavras. Neumas eram sinais cuja significação não indicava um som preciso, determinado. Alguns representavam sons isolados ou grupos de sons, outros designavam o movimento dos sons, ora subindo, ora descendo, conforme a melodia. Os nomes dos sinais neumáticos eram latinos.

punctum

virga

pes

clivis

torculus

porrectus

climacus candicus

Esse sistema sofreu melhorias com o passar dos séculos, por exemplo com Hucbald (840-930 - monge do mosteiro de Santo Amando). Este, resolveu denominar os sons pitagóricos (simplificando, são as teclas brancas do piano) da mesma forma que faziam os gregos, mas obviamente, usando o alfabeto ocidental: A (lá) B (si) C (dó) D (ré) E (mi) F (fá) G (sol) No século X os escribas colocavam neumas a uma altura variável acima do texto para indicar mais claramente a configuração da melodia; eram chamados neumas elevados ou diastemáticos. Registrou-se um progresso decisivo quando um escriba traçou uma linha horizontal vermelha para representar a nota fá e agrupou os neumas em torno desta. Mais tarde, uma segunda linha, geralmente amarela foi acrescentada, representando dó. Hermann elaborou, no século XI, um sistema de notação que indicava o intervalo exato que ia de um som a outro. Neste mesmo século surgiu a revolução mais significativa de representação da altura relativa dos sons com Guido d’Arezzo. Guido d’Arezzo (995-1050) era um monge italiano regente do coral de Arezzo (Toscana). Ele descrevia uma pauta já com quatro linhas, indicando as letras às quais se faziam corresponder fá e dó e, por vezes, sol - f, c e g - letras que deram origem às nossas claves. Em seu Tratado, Micrologus, Guido atribuiu a Boécio a exposição dos quocientes numéricos dos intervalos. Elaborou um monocórdio e o dividiu à maneira de Boécio. O monocórdio compunha-se de uma corda esticada entre dois cavaletes fixos em ambos os extremos de uma comprida caixa de ressonância de madeira, com um cavalete móvel para fazer variar o comprimento da corda que emitia o som. Guido, porém, expôs um método mais fácil de aprender, que deu origem à mesma escala diatônica, afinada de forma a produzir quartas, quintas e oitavas puras. Guido afastou-se da teoria grega pelo fato de construir uma escala que não se baseava no tetracorde e de propor uma série de modos que não têm nenhuma relação com os tonoi ou harmoniai dos antigos. Por esses modos pode-se compor melodias e combinar duas ou mais vozes cantando simultaneamente.Ele encontrou em parte o modelo dessa diafonia ou organum num tratado anônimo do século lX, conhecido por Musica enchiriadis. Para memorização da seqüência de tons e semitons das escalas que começam em sol e dó, Guido d’Arezzo musicou o texto de uma oração a São João, de modo que cada uma das frases do hino começava com uma das notas da seqüência, por ordem ascendente. As sílabas iniciais destas seis frases passaram a ser os nomes das notas: ut, re, mi, fá, sol, lá. Tradução: “Para que nós, teus servos, possamos elogiar claramente o milagre e a força dos teus atos, absolve nossos lábios impuros, ó São João”. Estas escalas de seis notas (solmizaçâo), tinham a vantagem de incluir apenas um semitom e, mais tarde, deram origem ao sistema de hexacordes. O hexacorde, ou seqüência de seis notas de ut a lá, podia encontrar-se em diversos pontos da escala; começando em dó, em sol, ou em fá (com si bemol),. O hexacorde em sol usava o si natural, designado por um ‘b’ quadrado (b quadrum), o hexacorde de fá usava o si bemol, designado por um ‘b’ redondo (b rotundum). Embora estes sinais fossem os modelos do bequadro, sustenido e bemol, a sua finalidade original não era a mesma de hoje: serviam para indicar as sílabas mi e fá. Como a forma quadrada do si era chamada “dura” e a forma redonda era chamada “mole”, os hexacordes de sol e fá eram chamados, respectivamente, hexacorde ‘duro e ‘mole’; o de dó era chamado hexacorde ‘natural’. Mais tarde com o acréscimo de um sétimo som à escala fundamental, firmou-se a sílaba si, por serem as iniciais das palavras Sancte Johanes, últimas palavras do referido hino. Em meados do século XVII, um músico italiano, Doni, substituiu a sílaba ut, incômoda para o solfejo, pela sílaba dó, primeira de seu nome. Para se aprender uma melodia que excedesse o âmbito de seis notas, mudava-se de um hexacorde para outro, através da mutança. Por exemplo, começando uma melodia no hexacorde de dó, onde a sexta nota é lá e a melodia continua subindo, passa-se para o hexacorde de sol, onde esta nota lá será agora representada pelo nome da nota ré, fazendo-se o inverso se a melodia voltar a descer. A Mão Guidoniana foi um recurso pedagógico utilizado para cantar os intervalos desse sistema que compreendia vinte notas, representadas por cada uma das articulações da mão esquerda aberta, que eram indicadas pela mão direita.

OS MODOS ECLESIÁSTICOS
Os modos eram um meio de classificar os cânticos e de os ordenar nos livros litúrgicos. Muitos cânticos já existiam antes de se desenvolver a teoria dos modos. Este sistema se desenvolveu de forma gradual, sendo impossível reconstituir claramente todas as etapas. Por volta do século XI, o sistema incluía oito modos, diferenciados segundo a posição dos tons e semitons numa oitava diatônica construída a partir da finalis, geralmente a última nota da melodia. Os modos eram identificados por números e agrupados aos pares. Os modos ímpares eram designados autênticos (originais) e os pares por plagais (colaterais). Os modos autênticos foram atribuídos a Santo Ambrósio. As duas principais notas de cada modo eram denominadas: final (ou tônica) e dominante.

Seguindo apenas as teclas brancas de um teclado moderno, começando por exemplo pela nota ré, atingindo uma oitava, teremos os semitons em uma determinada ordem. Esta ordem será alterada se tocarmos de mi a mi, de fá a fá ou de sol a sol. O modo em que a melodia está escrita é identificado pela sua final, isto é pela nota que começa e termina. Estes são os modos autênticos. Para conseguirmos os modos plagais é só iniciarmos as séries uma quarta abaixo. As finales dos pares de modos, um plagal e um autêntico, são as mesmas, mas a dominante ou tenores são diferentes. Nos modos autênticos o tenor situa-se uma quinta acima da final e nos modos plagais o tenor fica uma terça abaixo do tenor do modo autêntico correspondente, porém sempre que um tenor coincidir na nota si subirá para dó. Os três elementos que contribuem para caracterizarem um modo são: a final, o ternor e o âmbito da melodia. O único acidente legitimamente usado na notação do cantochão era o si bemol. Ele podia ser usado no primeiro e segundo modos e também ocasionalmente no quinto e sexto. Estes eram os prenúncios das modernas escalas naturais, respectivamente, maior e menor. Se uma melodia modal for transposta, o acidente se tornará necessário. O teórico suíço Glarean concebeu em 1547 um sistema de 12 modos, acrescentando aos oito originais, 2 modos em lá e 2 em dó, designados respectivamente como eólico e hipeólico, jônico e hipojônico. Alguns teóricos mais recentes reconhecem também o modo lócrio em si, mas este raramente é usado.

MONODIA NÃO-LITÚRGICA E SECULAR
A princípio a Igreja era contra os costumes musicais que emanavam de leigos, condenando quaisquer iniciativas musicais pagãs. Advertia seus fiéis a respeito das músicas de entretenimento e das práticas coreográficas, pois estas ameaçavam a integridade e atacavam a moral dos homens de fé. As canções com textos latinos são as formas musicais mais antigas que se conservaram. Como exemplo, há as “canções dos goliardos” datadas dos séculos XI e XII. A denominação tem origem no provavelmente mítico bispo Golias. Trata-se de um grupo de estudantes e clérigos que compuseram canções

cujo tema era voltado a criticar a Igreja tendo o vinho, as mulheres e a sátira como seus principais temas. O assunto preferido das composições era toda a espécie de prazeres sensuais e o amor, em especial o amor que não respeita convenções sociais nem qualquer moral estabelecida. Quase todas as composições são hinos à livre expressão sexual ou à tirania ideológica, religiosa e moral da Igreja, sem esquecer o poder papal e exaltando o carpe diem (Termo latino que significa “aproveite o dia”). Gradualmente, os privilégios clericais dos goliardos foram-lhes sendo retirados, até se perder inclusive a própria designação de goliardos, o que aconteceu no século XIV. Uma de suas coletâneas manuscritas intitula-se “Carmina Burana” e contem cerca de 200 canções profanas encontradas em 1803 em Beuron, abadia beneditina da Baviera, Alemanha. Foram, em sua maioria, escritas em latim e alemão antigo, mas também apresentam-se em inglês e francês. Em 1884 foram traduzidas por John Addington Symonds com o título de “Wine, Women and Song”. Este manuscrito abrange todos os gêneros, de versificação erudita a paródias de textos sacros, incluindo canções de amor e melodias irreverentes e até grosseiras. Ficaram célebres goliardos como Huoh Primas of Orleans, Pierre de Blois, Gautier de Châtillon e Phillipe the Chancellor. Porém, estes manuscritos compõem uma pequena parcela do que pode ter sido o repertório goliardo e, mesmo assim, estão registrados em neumas sem pauta, portanto as transcrições feitas após a descoberta desta obra possivelmente não são precisas. As canções latinas foram parcialmente editadas e musicadas por Carl Orff (1895-1982) na obra homônima datada de 1937. Esta obra de Orff é uma das cantatas da trilogia intitulada “Trionfi”, composta também por “Catuli Carmina” (1943) e “Trionfi dell’Afrodite” (1952). Esta cantata de Orff é emoldurada por um símbolo da Antigüidade, o conceito da Roda da Fortuna, eternamente girando, trazendo alternadamente boa e má sorte. É uma parábola da vida humana exposta a constante mudança. E assim o apelo em coral à Deusa da Fortuna (O Fortuna, Velut Luna) tanto introduz quanto conclui a obra, que se divide em três seções: o encontro do Homem com a Natureza, particularmente com a Natureza despertando na primavera (Veris eta facies). Seu encontro com os dons da Natureza, culminando com o dom do vinho (In taberna); e seu encontro com o Amor (Amor volat undique). Outro tipo de canção mofônica em latim era o conductus, cântico de procissão praticado dos séculos XI ao XIII. Eram entoados nos momentos em que o celebrante de um ofício litúrgico se dirigia de um local para outro durante o serviço religioso, estavam sendo “conduzidos”. Eram textos em metro regular mas tinham relação tênue com a liturgia. No século XII, o termo “conductus” passou a ser utilizado para designar quaisquer canções latinas de caráter sério e metro regular, abordassem temas sagrados ou profanos e ganhou mais vozes. Há também os textos em língua vernácula (o idioma de um país) como a chanson de geste, ou canções de gesta: poemas épicos que narravam feitos heróicos exaltando o espírito guerreiro e lendas do norte da França e da Inglaterra, posteriormente difundidas por jograis peninsulares; eram cantadas com estruturas melódicas bem simples. Do ponto de vista da Literatura, sabe-se que a forma poética precede a produção literária em prosa, isso porque era a tradição oral que permitia a propagação dos textos e obras. Era a mais corrente forma de comunicação pois a parcela da população que dominava a escrita consistia em um número bastante reduzido. Os textos poéticos são de mais fácil memorização e por causa desta tradição oral, precederam a prosa. Características da tradição oral, as canções de gesta, só foram registradas graficamente um bom tempo depois, portanto muito pouco chegou até os dias de hoje. Um exemplo de canção de gesta que foi preservada é a francesa “Canção de Rolando”, datada do século XI. Com a estabilização da Europa cristã, essas narrativas foram se cristalizando em lendas, deixando de ser expressas em versos para o serem em prosa, passaram a ser lidas ao invés de cantadas, transformando-se assim nas novelas ou romances de cavalaria, características da prosa medieval, primórdios da Literatura. As canções de gesta eram cantadas pelos jograis ou menestréis. O termo “jogral” se aplicava originalmente aos que ganhavam a vida atuando perante um público recreando-o com música, literatura, mímica, acrobacias,etc. Eram considerados uma categoria de músicos profissionais por sobreviverem de seu entretenimento, porém não eram poetas nem compositores, apresentavam cantigas de domínio popular ou de autoria de outras pessoas, criando apenas novas versões conforme visitavam novos locais. A partir do século XIV, “jogral” e “menestrel” ganharam acepções distintas. O termo “jogral” adquiriu caráter pejorativo. Foi neste período que termo menestrel passou a designar os músicos da corte. “Menestrel” deriva do latim “minister”, que significa “servo, criado”. Os menestréis eram cantores ou músicos das casas senhoriais e agregavam-se a elas como os outros serviçais. Tais tradições profissionais contribuíram para o desenvolvimento das cantigas conhecidas atualmente como música dos trovadores e troveiros.

BREVE PANORAMA HISTÓRICO A CIVILIZAÇÃO ROMANA
Realeza: 735 a.C. a 509 a.C. República: 509 a.C. a 27 a.C. Império: 27 a.C. a 476 d.C. Durante o período da Realeza (753 a.C. a 509 a.C.) Roma possuía um regime monárquico-aristocrático com a economia baseada na agricultura e no pastoreio e a sociedade dividida entre patrícios (grandes proprietários), clientes (parentes pobres dos patrícios) e plebeus (estrangeiros, artesãos, comerciantes, pequenos proprietários e trabalhadores rurais). Roma era governada por soberanos que dependiam do Conselho dos Anciãos, órgão formado por patrícios. Com o advento dos reis etruscos , o Conselho foi marginalizado de maneira despótica. Com isso, os patrícios depuseram o rei e implantaram a República (509 a.C. a 27 a.C.). Durante este período de caráter essencialmente aristocrático, em que o poder concentrava-se nas mãos dos patrícios, a guerra era uma forma de obter terras e escravos. Em virtude dessa expansão imperialista, tiveram início as Guerras Púnicas. Por meio delas Roma anexou diversos territórios, dentre eles a Grécia em 146 a.C. Com o tempo, porém, a agricultura romana entrou em crise em virtude dos campos incultos e subocupados. Assim os patrícios foram empobrecendo e surgiram os chamados homens novos ou cavaleiros (comerciantes, banqueiros e cobradores de impostos). A plebe passou a ser sustentada por essa nova classe porque foi marginalizada pelo aumento do número de escravos. Os plebeus que recebiam apoio e proteção dos mais ricos passaram a ser chamados clientes. Sucederam-se junto à crise da República, as guerras civis pelo poder político entre patrícios, clientes , cavaleiros e o Exército. Primeiro os irmãos Tibério e Caio Graco tentaram realizar uma reforma agrária mas foram impedidos pelos nobres e cavaleiros. Em seguida, por volta de 60 a.C., os generais César, Pompeu e Crasso formaram o Primeiro Triunvirato, impondo-o perante o Senado. Crasso morreu na Pérsia, Pompeu foi vencido por César e assassinado. César então assumiu o poder como forma de ditadura, porém ele queria o título de rei. Por isso, foi assassinado por um grupo de senadores liderados por Brutus e Cássio. Lépido, Marco Antonio (amigo de César) e Caio Otávio (sobrinho de César), formaram o Segundo Triunvirato. Otávio afastou Lépido, venceu Marco Antonio e apoderou-se do Egito. Quando retornou a Roma, foi aclamado salvador da República e se estabeleceu o Alto Império. O Senado concedeu títulos que lhe permitiram ter seu poder legalizado: cônsul vitalício, censor, imperador, príncipe de Senado e Augusto. Este último era um título até então somente atribuído aos deuses e que permitia que Otávio Augusto escolhesse seu sucessor. Seu poder apoiava-se no imperium (comando do Exército), poder proconsular (direito de indicar os governadores da província) e poder tribunício (poder de interpretar a plebe).As províncias foram reorganizadas e divididas em imperiais (militares) e senatoriais (civis).Criou um sistema de arrecadação estatal de impostos, impedindo assim a cobrança por parte dos publicanos. Dividiu a sociedade de acordo com a renda: a Ordem Senatorial (com renda acima de 1 milhão de sestércios) vestia-se de púrpura, a Ordem Eqüestre (acima de 400 mil sestércios) possuía menos direitos políticos e trajava azul, já a Ordem Inferior não gozava de nenhum direito político. Augusto tentou reavivar os valores morais da Antiga Roma agrária em vão, também buscou conter a influência das culturas oriental e grega (helenística) mas também fracassou.

O Baixo Império Romano
No século III, o império entrou em crise por causa dos problemas políticos, econômicos, religiosos e militares. Essa fase foi posteriormente denominada Baixo Império. Com o fim das guerras de conquista, o número de escravos diminuiu assim a arrecadação de riquezas, com isso as despesas aumentaram e conseqüentemente os impostos.Os preços se elevaram, o mercado retraiuse e a produção caiu. A concentração humana passou a se dar em vilas caracterizadas pela economia agrária de consumo. Agravou-se nessa época também a crise religiosa. O Cristianismo se difundiu pelo Império logo após o martírio de Cristo, durante o reinado de Tibério, genro de Augusto que assumiu o poder logo após este. Os Apóstolos iniciaram sua difusão e o imperador Nero foi o primeiro a perseguir os cristãos. Os cristãos eram acusados de não cultuar os deuses pagãos nem o imperador, que passou a ser visto como representante divino desde que Otávio recebeu o título de Augusto. As causas das grandes calamidades como pestes e incêndios eram atribuídas a tais atitudes cristãs. Os imperadores costumavam buscar apoio da plebe pagã, colocando o povo contra os cristãos.

Diante da firmeza e da resignação dos cristãos durante as perseguições, grande parcela da população acabou se convertendo. Como o efeito foi o contrário do desejado, que era colocar o povo contra os cristãos, em 313 Constantino baixou o Edito de Milão, que proibia a perseguição aos cristãos e lhes dava liberdade de culto, assim legitimando -o como religião oficial do Império. Com isso, a difusão do Cristianismo ganhou impulso. Nessa época, o clero cristão já estava bem organizado e hierarquizado. A autoridade do papa foi oficializada em 445 por Valentiniano III. Havia o clero secular (que vivia em contato com o saeculum, mundo nãoeclesiástico) e o clero regular (monges que viviam isolados), assim denominado por obedecerem à “regra” que pregava castidade,pobreza e caridade, propondo afastamento das coisas mundanas e materiais. Durante o fim do império, o Cristianismo enfraquecia o poder imperial e se tornava o próprio detentor do mesmo. O imperador Diocleciano (284-304) – último a perseguir os cristãos – dividiu o império em quatro partes visando amenizar a crise, mas com sua morte as disputas sucessórias ressurgiram pois Constantino reunificou o Império . Em 395, Teodósio criou o Império Romano do Ocidente (Roma) e Império Romano do Oriente (Constantinopla). Após esta divisão, o Império não mais tornou a se unificar. No século IV, os bárbaros (eram denominados assim todos os povos que não falavam latim) germânicos começaram suas invasões contra o Império Romano do Ocidente: visigodos, vândalos, francos, anglos e saxões dominaram vários territórios. Este foi o estopim para a queda do Império Romano do Ocidente em 476.

A religião em Roma: da Realeza ao Império
A religião romana tinha como práticas o culto aos antepassados, aos deuses públicos e a crença nas manifestações divinas da natureza (auspícios e prodígios); não possuía dogmas. Com as conquistas da Grécia e do Oriente Próximo por parte dos romanos, houve introdução de divindades orientais. O Cristianismo substituiu todos estes cultos “pagãos” mas se estabeleceu de fato no século IV. Na época em que Cristo nasceu, as terras dos arredores do Mediterrâneo estavam sob domínio romano. A unidade do Império Romano se mantinha graças ao sistema militar e à lealdade ao imperador. Roma evitava suprimir as instituições locais, portanto as províncias acabavam governando a si mesmas no tocante às questões internas; as práticas religiosas eram respeitadas, assim como os costumes, as línguas e a cultura dos povos das províncias. A influência da cultura grega dentro do Império era muito forte, porém restrita às camadas mais cultas da população. Por isso, a diversidade em Roma era muito vigente. A Terra era considerada o centro do universo e ao redor dela estavam o sol, os outros planetas e estrelas. Acima dela, havia o céu e abaixo, a morada dos espíritos já mortos ou dos maus. Tudo o que acontecia na natureza era obra dos poderes invisíveis do bem e do mal, que governavam o mundo. O povo acreditava em vários deuses e que o culto a todos eles era essencial para manter a segurança e prosperidade do estado. Se esses cultos não fossem praticados, os deuses se vingariam trazendo aos homens algum tipo de calamidade. Isso deu origem a muitas perseguições movidas contra o cristianismo. O modo divino de enxergar o imperador iniciou-se no Alto Império com Otávio Augusto, uma vez que ele representava o estado, que possuía tinha origens divinas. Porém, a crença e fidelidade a Cristo eram irreconciliáveis com a adoração ao imperador. Durante os três primeiros séculos da nossa era, houve forte influência das crenças orientais sobre o Cristianismo. Uma dessas crenças era o judaísmo. Um culto oriental de grande participação no mundo romano era chamado Grande Mãe (Cibele), e chegou em Roma no ano de 204 a.C. Era basicamente um culto em homenagem à natureza e foi o primeiro a se fixar no Ocidente em larga escala. O culto de Ísis e Sérapis estabeleceu-se em Roma por volta de 80 a.C. e consistia na ênfase da regeneração e da vida futura. O culto de Mitras tornou-se importante em Roma aproximadamente em 100 d.C. e era o preferido dos soldados: Mitras era o Sol, visto como divindade. Todas essas religiões pregavam um deus-redentor e o culto à natureza. Sua mitologia variava, mas no geral, falava de um Deus que morria e ressuscitava, celebrava o ciclo natural do nascimento e da morte. Também afirmava que os iniciados participavam de modo simbólico das experiências do Deus, morrendo, ressuscitando, participando da natureza junto com ele. Os sacramentos existentes nessas crenças influenciaram enormemente a formação dos ritos cristãos, como por exemplo, o batismo, que se crê poder ter sido influenciado pelo banho em águas sagradas que purificava os pecados, pregado pelo culto a Ísis e Sérapis. Em suma, o mundo na época do nascimento de Cristo trazia consigo a certas necessidades religiosas por parte dos homens. Conviviam as idéias de que havia um Deus único, mas inúmeros espíritos bons e maus. A princípio, o cristianismo era considerado um ramo do judaísmo, o qual contava com proteção legal. Porém, a hostilidade dos próprios judeus com relação a essa nova crença chamou a atenção às diferenças. Os cristãos eram acusados de serem anarquistas e ateus. Ateus porque rejeitavam os antigos deuses, anarquistas porque o fato de recusarem-se a participar do culto ao imperador parecia traição. A acusação freqüente era a de canibalismo por causa da interpretação feita com relação à santa ceia, e de licenciosidade (sensualidade, indisciplina) pelo fato de ser realizado secretamente à noite. Muitas perseguições se realizaram por causa de levantes populares contra cristãos ou por iniciativas militares desejando reprimir uma suposta desordem.

Por causa das perseguições contra o Cristianismo, surgiram os chamados apologistas, que defendiam esta nova corrente religiosa fazendo uso da Literatura. O aparecimento desses escritores demonstrava que a Igreja estava conquistando alguns dos elementos mais intelectuais da sociedade. Não há grandes indícios de que os apologistas tenham influenciado muito a opinião pagã da época, mas fortaleceram a fé e a fidelidade dos cristãos. É um grande problema delinear a origem e o desenvolvimento da Igreja Cristã devido ao reduzido número de provas, mas é provável que o desenvolvimento da organização tenha sido diferente nas diversas localidades, as congregações cristãs não possuíam todas formas idênticas, mas a partir do século II nota-se uma similaridade mais fortemente substancial.

IMPÉRIO BIZANTINO
Apesar do fim do Império do Ocidente em 476, o Império Romano do Oriente ou Império Bizantino (Bizâncio era o antigo nome de Constantinopla) sobreviveu graças ao comércio internacional que foi mantido e continuou apegado à cultura grega e ao orientalismo. O Império Bizantino atingiu seu auge com Justiniano (527-565), que empreendeu a reconquista do antigo Império do Ocidente. Porém, só conseguiu recuperar parte do território. Com sua morte,o Império foi perdendo boa parte de suas terras.

A religião no Império Bizantino
Havia no Império do Oriente, o chamado cesaropapismo: submissão da Igreja ao Estado, pois a autoridade temporal (ou seja, política) do imperador sobrepunha-se à autoridade espiritual (religiosa). Justiniano defendia a ortodoxia cristã e com o tempo, ficou mais difícil para o papa (em Roma) impor sua autoridade sobre a Igreja do Oriente. Em 1054 ocorreu a Cisma do Oriente, quando as autoridades religiosas bizantinas negaram-se a acatar a autoridade papal, originando a Igreja Católica Ortodoxa, cuja doutrina é basicamente igual à Igreja Católica, porém com diferenças no ritual e na organização eclesiástica. Somente em 1453, com a conquista dos turcos otomanos sobre os bizantinos, o Império Romano do Oriente chegou a seu fim.

OS REINOS BÁRBAROS
Os vândalos se fixaram no Norte da África mas este território foi anexado pelo império Bizantino durante a Reconquista de Justiniano no século VI. Os ostrogodos se estabeleceram na Península Itálica, mas também os bizantinos dominaram esta região, posteriormente tomada pelos lombardos. Os visigodos fixaram-se na Espanha e no sul da Gália, sendo posteriormente expulsos pelos francos. A Britânia foi ocupada pelos jutos, saxões e anglos. Da unificação dos sete pequenos Estados deste território, surgiu em 902 a Inglaterra.

Reino Franco e Império Carolíngio
Merovíngios (481-751) O fundador da Dinastia dos Merovígios foi Clóvis, primeiro rei dos francos (481-511). Havia dois grupos de francos: os sálios e os ripuários, sobre os quais Clóvis conseguiu assumir chefia. Anexou também vários territórios bárbaros na Gália. A maioria da população desta região era cristã, portanto Clóvis se converteu como forma de obter adesão, aliando-se assim à Igreja. Esta,apoiou-o quando de suas guerras para unificar a Gália uma vez que os visigodos e borgúndios haviam adotado o arianismo, considerado uma heresia que a Igreja queria suprimir. As divisões do reino dos Francos (511-687) Após a morte de Clóvis, de acordo com o costume de divisão de propriedades entre os filhos homens independentemente da primogenitura, o Reino dos Francos foi dividido em quatro partes. Porém, houve constantes conflitos entre os herdeiros pela posse dos territórios. De 629 a 639, Dagoberto conseguiu governar sozinho, mas após sua morte o poder dos merovíngios entrou em declínio. A figura do prefeito de paço ou major domus assumiu o poder e os reis, denominados reis indolentes, foram marginalizados. Prefeitos do palácio (640-751) Da unificação da Austrásia e da Nêustria, (dois Estados francos) promovida por Carlos Martelo, surgiu o que futuramente seria a França.

Após a morte de Carlos Martelo, seu filho Pepino, o Breve, assumiu o cargo de prefeito do paço em 740. Em 751 internou o último Merovíngio em um convento e se fez aclamar rei, sendo coroado pelo papa Estevão II para enfatizar a origem divina do poder real.Em retribuição, Pepino organizou uma expedição à Itália para conquistar as terras dos lombardos, já que estes ameaçavam Roma e o Papado. Após obter domínio desse território, doou-os à Igreja, compondo o chamado Patrimônio de São Pedro. Império Carolíngio (800-843) Pepino faleceu em 768 e seu filho Carlos Magno assumiu o poder. Com o pretexto de querer expandir a fé cristã, guerreou contra os mulçumanos da Espanha e os pagãos da Germânia, obtendo assim vários territórios, como as atuais Alemanha, Áustria e Itália.Tais conquistas expandiram o cristianismo e ampliaram a área de influência da Igreja. Como forma de gratidão, o Papa Leão III coroou Carlos Magno imperador dos romanos no ano de 800. Havia ele, portanto, sido tomado como sucessor de Constantino. Dessa forma, estava dando continuidade ao extinto Império Romano do Ocidente, porém com diferenças territoriais e por isso, chamado Império Carolíngio. Carlos Magno incentivou as atividades intelectuais, gerando um florescimento cultural posteriormente chamado Renascimento Carolíngio: abriram-se escolas destinadas a ensinar os filhos de nobres a ler e escrever, religiosos foram convidados a lecionar e produziram grande parte da literatura da época. Luis, o Piedoso, filho e sucessor de Carlos Magno, faleceu em 840 e sua morte foi a marca da desintegração do Império, pois seus três filhos passaram a lutar pelo poder: Lotário, Luis e Carlos. Em 843, o Tratado de Verdun estabeleceu uma divisão dos territórios entre os três sucessores: França Oriental para Luis, França Ocidental para Carlos e Lotaríngia para Lotário. Houve ainda uma série de conflitos pelo poder deste último território após a morte de Lotário . A França Ocidental originou a então França, e a Oriental, a Alemanha. Em 987, quando o último Carolíngio francês morreu, Hugo Capeto foi aclamado rei instaurando a Dinastia dos Capetíngios. Já na França Oriental (ou Germânia), o último Carolíngio germânico faleceu em 911 sem deixar sucessores. Assim foi fundado o Reino da Germânia, monarquia eletiva e não hereditária, cujo primeiro rei foi Conrado, sucedido por Henrique em 916. Oto I, que assumiu poder após Henrique, recebeu do papa João XII o título de imperador, dando início ao Sacro Império Romano-Germânico.

A IGREJA E O SACRO IMPÉRIO Organização eclesiástica
Durante a Alta Idade Média, o clero se encontrava dividido entre secular (presbíteros, diáconos, bispos, metropolitanos, patriarcas e papa) e regular (monges), sendo que este último surgiu depois daquele. O clero regular era formado por monges ou frades, que viviam em mosteiros ou conventos.Os mosteiros menores obedeciam a um maior, dirigido por um abade. O clero regular compunha várias ordens ou congregações, cada uma com sua regra (regulamento). A primeira regra para monges na Europa foi elaborada por São Bento, fundador da ordem dos beneditinos.Os primeiros monges apareceram por volta do século III, mas foi São Bento quem organizou o primeiro mosteiro no Monte Cassino (Itália): era a regra beneditina, pela qual os monges deveriam obedecer o abade, chefe do mosteiro, escolhidos por eles mesmos. O clero secular era formado por arcebispos (chefes das províncias eclesiásticas ou arquidioceses), bispos (chefes das dioceses) e padres comuns. Abaixo dos bispos e acima dos padres havia os curas, que administravam as paróquias, que eram igreja locais, construídas em aldeias ou bairros de cidades menores. Em termos sociais, havia o alto clero, composto por nobres que ingressavam na vida religiosa, e o baixo clero, de origem mais modesta.Qualquer cristão podia ingressar no clero, exceto os servos, por estarem presos à terra. Os abades deveriam ser escolhidos pelos monges e os bispos, pelos presbíteros; porém, nem sempre isso acontecia. Muitos bispos foram escolhidos por duques, reis, condes e imperadores, podendo ser muitas vezes, senhores eclesiásticos (arcebispos, bispos e adabes) que usufruíam os rendimentos das abadias e dos bispados. Essa era a chamada investidura leiga, que teve repercussões negativas sobre o clero, levando por exemplo, monges a manterem relacionamentos amorosos.Tal desregramento moral do clero recebeu a denominação de nicolaísmo (casamento e concubinato de membros do clero; recebeu este nome porque um bispo chamado Nicolau pregou o direito de casamento entre os clérigos). Também nessa época, ocorreram casos de simonia (comercialização de objetos sagrados e cargos eclesiásticos).

A cristianização da Europa
A fase de cristianização da Europa foi um processo lento, estendendo-se do século V ao XI e dividindose em duas etapas: batismo e conversão. A primeira consistia em batizar chefes de tribos germânicas, e a segunda em ensinar a doutrina.

O papel do Papado foi fundamental para tais empreendimentos religiosos. O primeiro verdadeiro chefe político e religioso de Roma foi o papa Gregório Magno (540-604), que procurou reaproximar as igrejas cristãs e os mosteiros de todo o mundo ocidental que sofreram separações após as invasões do século V. Este papa estimulou a fé dos clérigos e a conversão dos pagãos e dos adeptos da seita ariana. Esta tinha como base a afirmação do bispo Ário de que Cristo era uma criatura de natureza somente humana e não divina. Graças ao estímulo de Gregório, muitos monges seguiram para regiões como a Britânia (que contou com a liderança de Santo Agostinho- não confundir com teólogo de mesmo nome), onde converteram alguns povos bárbaros ao Cristianismo. As ligações do Estado Franco em ascensão com a Igreja fortaleceram o Papado, mas também a colocou em situação de dependência do poder temporal dos Carolíngios.Carlos Magno, por exemplo, interveio freqüentemente na escolha dos bispos. Tal relação tinha seus pontos positivos e negativos para a Igreja: por um lado o Estado leigo passava a se interessar pela difusão do cristianismo entre os pagãos, mas submetia o Papado à autoridade temporal e estimulava a investidura leiga, desencadeando simonia e nicolaísmo. No século X, o clero regular organizou-se em um movimento moralizador que culminou com a criação da Ordem de Cluny. Esta visava estimular o clero a adotar os princípios da regra de São Bento (castidade, pobreza, caridade, obediência, orações e trabalho) dando ela própria o exemplo. Assim, incitava-se o afastamento da influência temporal sobre a Igreja. Mas esta ordem acabou caindo no mesmo desregramento moral que pretendia combater, o que gerou novas organizações reformistas, que também acabaram cometendo as mesmas faltas. Uma das regras mais rigorosas foi a Ordem de Cister, fundada por São Bernardo Claraval. No século XIII surgiram novas ordens que promoveram uma inovação considerável dentro do clero regular: ordens mendicantes, que pregavam a pobreza absoluta, vivendo da caridade dos fiéis; franciscanos inspirados por São Francisco de Assis, que em 1210 se desfez de seus bens materiais; dominicanos oriundos de São Domingos, nobre espanhol que visava fortalecer a fé católica.

A Questão das Investiduras (1076-1122)
Houve um choque entre Igreja e Estado em fins do século XI porque aquela pretendia eliminar a interferência do poder temporal sobre ela. O ponto culminante destas desavenças ficou conhecido como Questão das Investiduras. Influenciado pelas idéias da Ordem de Cluny, o Papado procurou libertar-se da submissão do Império impedindo-o de indicar o papa e bispos. Criou assim o Colégio dos Cardeais (ou Sacro Colégio), que passaria a eleger o pontífice. Gregório VII foi eleito em 1073, iniciando sua luta contra o imperador, impedindo-o de conceder a investidura leiga aos senhores alemães. O imperador Henrique IV insistiu e foi excomungado, o que significava a ruptura da vassalagem dos senhores alemães com o imperador. Henrique IV implorou perdão ao papa, este concedeu, mas logo em seguida teve que fugir porque o monarca atacou Roma. O imperador nomeou um novo papa, mas os seguidores de Gregório VII se recusaram a reconhecê-lo. Durante um tempo, Henrique IV e seu sucessor Henrique V tentaram impor um pontífice, mas a situação somente se resolveu em 1122 com a Concordata de Worms, quando Henrique V renunciou à pretensão de realizar investidura leiga. Com esse recuo real, a supremacia da Igreja sobre o poder temporal tornou-se evidente. A influência religiosa sobre a sociedade era incontestável e muito forte, ganhando ainda mais projeção com as Cruzadas, organizadas por essa época.

FEUDALISMO
Alta Idade Média: século V ao XI – formação e cristalização do feudalismo Baixa Idade Média: século XI ao XV – decadência do feudalismo e formação do pré-capitalismo Início da Idade Moderna: 1453 – Tomada de Constantinopla pelos turcos otomanos

Alta Idade Média
O feudalismo é um sistema caracterizado pela economia de consumo, trocas in natura, sociedade estática e poder político descentralizado. Todas essas características se devem à influência dos povos romano ocidental e germânico. As principais influências romanas foram: economia agrária e auto-suficiente, distanciamento social entre proprietários e trabalhadores e poder político centralizado. Os fatores germânicos que contribuíram para o desenvolvimento do feudalismo foram: economia agropastoril, regime de trocas naturais, individualismo político, sociedade (os guerreiros se submetiam à autoridade do chefe militar) e autonomia (não havia noção de Estado).

Na sociedade germânica havia uma instituição chamada Comitatus, em que as relações entre comandantes e comandados eram diretas e baseadas em juramentos de fidelidade e lealdade. O processo de integração das estruturas românica e germânica foi bastante lento (do século V ao XI) em virtude das constantes invasões às quais a Europa foi submetida. Durante o século VIII os mulçumanos pregaram a guerra Santa contra os “infiéis” que não acreditavam em Deus como criador dos bens materiais e assim se davam ao direito de saquear muitos povos e conquistar seus territórios.. A pirataria dos mulçumanos impediu as navegações cristãs pelo Mediterrâneo, assim a Europa ficou isolada do Oriente dificultando o comércio. No século IX, os normandos (vikings) vindos da Noruega e Dinamarca invadiram as Ilhas Britânicas e França. Os magiares (húngaros) provenientes da Ásia Central invadiram a Europa, seguidos dos eslavos. Esse quadro de instabilidade possibilitou a consolidação do feudalismo na Europa. Principais características do feudalismo Economia: -trocas comerciais in natura (uma mercadoria era trocada diretamente por outra) -economia de subsistência (produção para auto-suficiência) -obrigações consuetudinárias (costumeiras) que eram devidas pelos servos aos seus senhores -trabalho servil: os servos estavam presos às terras que cultivassem, não podendo abandoná-las; não eram porém, considerados escravos por terem alguns direitos e receberem proteção de seus senhores -corvéia: trabalho agrícola desempenhado pelo servo no manso senhorial (terras do senhor feudal) -talha: entrega de metade do que o servo produzia em sua gleba (manso servil) -banalidades: obrigação paga em produtos pelo uso das instalações do senhor por parte dos servos - mão morta: obrigação paga pelo servo ao herdar a gleba pertencente a seu pai quando do falecimento deste - vintém: pagamento com um vigésimo da produção do manso servil para manutenção da igreja Sociedade: -estamental: a posição do indivíduo era determinada pelo seu nascimento, não havia mobilidade social -senhores -servos: presos à terra e subordinados aos senhores -escravos -vilões: homens livres que trabalhavam no feudo -ministeriais: agentes do senhor feudal encarregados de cobrar obrigações Política: -relações de suserania e vassalagem: suserano era o rei ou nobre que dava a outro nobre um feudo ou benefício em troca de certos compromissos; o que recebia o beneficio era chamado vassalo. Tais relações existiam por causa da insegurança da época, uma vez que o período era cheio de instabilidade. -muitas vezes havia subenfeudação, ou seja, um senhor feudal menor se tornava vassalo de um maior para obter mais proteção e apoio militar. Assim, um senhor podia ser vassalo de um e suserano de outros Instituições religiosas: A Igreja era a única instituição realmente organizada dentro da Europa, influenciando enormemente toda a sociedade, teorizando inclusive a respeito da divisão social. Segundo ela, Deus determinou a sociedade feudal em três categorias: os que lutam (nobreza senhorial), os que rezam (clero) e os que trabalham (servos e vilões). Durante o feudalismo, a Igreja condenava a Usura (cobrança de juros) pois o lucro era pecaminoso. Defendia o justo preço: o comerciante deveria cobrar por uma mercadoria apenas o custo da mesma, acrescido somente do necessário para sua própria manutenção. Tal posição foi bastante favorável ao feudalismo dos séculos IX ao XI, pois a economia era de subsistência e praticamente desmonetizada, havia problemas de escassez e preços altos seriam extremamente prejudiciais. Se alguém precisasse de dinheiro, seria por um motivo muito grave e a Igreja considerava um grande pecado se aproveitar da aflição alheia para cobrar juros. Dos séculos XII a XIV, porém, aconteceu o chamado Renascimento Comercial e Urbano, em que os juros e o lucro voltaram a ser práticas em voga, apesar de a Igreja manter sua posição contra a usura e a favor do justo preço. O clero monopolizava a cultura e o ensino. Os nobres costumavam receber uma educação apenas elementar em mosteiros ou escolas paroquiais. A base do conhecimento estava na Bíblia e os livros pagãos eram proibidos. Após o século XI, as universidades começaram a organizar um currículo básico, denominado Escola de Artes, que compreendia dois graus: o Trivium (Gramática, Dialética e Retórica) e o Quadrivium (Aritmética, Geometria, Astronomia e Música). Trivium, em latim, tem o sentido de três ruas que desembocam em uma praça e Quadrivium, quatro ruas que rumam também para uma praça, como encruzilhadas. Vinham depois os estudos superiores, geralmente dedicados à Teologia (baseado nos pensamentos de Santo Agostinho). Mas houve universidades que também implantaram o estudo de leis e medicina.

Baixa Idade Média
Com o fim das invasões na Europa, houve crescimento populacional durante o século XI e conseqüente incompatibilidade com o sistema de produção feudal, acostumado a uma situação demográfica estável e insuficiente para o consumo crescente. Nesse período, duas entidades lutavam para impor sua supremacia no mundo cristão: o Império (Sacro Império Romano- Germânico) e o Papado. Os papas, para consolidarem sua autoridade, patrocinaram as Cruzadas (1096-1291), cujo objetivo era a conversão dos infiéis e a conquista da Terra Santa (Palestina) e da Cidade Santa (Jerusalém). As Cruzadas permitiram muitas conquistas de territórios e o fim do bloqueio mediterrâneo no século IX. Após a última Cruzada, a ameaça aos mulçumanos não era mais os cristãos e sim os mongóis, oriundos da Ásia Central. Com a pressão mongol, existiu certo caráter pacífico entre cristãos e mulçumanos, estabelecendo-se comércio entre os mesmos. As Cruzadas consolidaram a reabertura do Mediterrâneo e assim a economia européia se dinamizou, houve circulação de mercadorias entre Ocidente e Oriente, as cidades se expandiram e o uso do dinheiro se intensificou. Essas transformações compõem o período denominado Renascimento Comercial e Urbano. Todos esses fatores associados ao crescimento demográfico, ao aumento de mercados e à disponibilidade de mão-de-obra em virtude da marginalização de certas classes sociais com a crise do feudalismo favoreceram o progresso das atividades comerciais. Nessa fase começou a se formar o que mais tarde seria denominada burguesia. As cidades passaram a ser centros de atividades mercantis e industriais (artesanato e manufaturas). Os grandes comerciantes compunham a alta burguesia e organizavam-se em associações chamadas guildas. Havia também a pequena burguesia, os empregados das oficias artesanais, indivíduos sem profissão definida e mendigos. A maior parte da produção era voltada para consumo local ou dos arredores, somente regiões mais desenvolvidas como Flandres e Itália produziam para o mercado internacional. Inicialmente a produção era artesanal, o mestre-artesão era dono de todos os meios de produção e vendia suas mercadorias diretamente para os consumidores. Possuía certa quantidade de empregados remunerados chamados oficiais ou companheiros, e os aprendizes, que trabalhavam entre sete e nove anos sem remuneração. Com a expansão do mercado, houve também aumento da produção e os mestres precisaram de mais empregados, ampliando seus negócios. Com isso, a distância entre empregador e empregados aumentou.Porém, como o mestre-artesão continuava a trabalhar em sua oficina com seus funcionários, a produção manufatureira ainda existia. Apesar disso, o crescimento do mercado alterou a relação direta existente entre produtor e consumidor, havendo necessidade de um intermediário: um comerciante que dispusesse de capital para comprar o produto do mestre-artesão e revendê-lo nos mercados nacionais ou internacionais. Dessa forma, surgiu a produção manufatureira.A figura do mestre- artesão foi substituída pelo proprietário dos meios de produção que contratava e supervisionava seus trabalhadores, não mais participando diretamente da produção junto a seus empregados. Com o tempo, o trabalho passou a ser dividido em tarefas. A diferença entre indústria e manufatura é que na primeira o mesmo trabalhador executa todas as etapas da produção; já na manufatura, cada trabalhador executa apenas uma etapa do processo. Com a expansão das manufaturas, muitos mestres-artesãos não conseguiram concorrer com elas, portanto passaram a trabalhar em suas próprias casas. Com a crise do feudalismo, a Europa Ocidental teve tendência a sofrer uma abertura, ou seja, uma transição para o sistema capitalista. A ruptura das relações servis se deu de várias formas: o senhor vendeu a liberdade de seu servo, expulsou-o da propriedade ou o servo fugiu. Durante o século XIV, o crescimento econômico da Europa sofreu uma crise de retração por causa do crescimento demográfico que exigia mais alimentos e os preços dos gêneros eram altos. Com o Renascimento Comercial e Urbano vieram as universidades: a primeira foi fundada em Bolonha, na Itália, especializada em estudos jurídicos; a Universidade de Paris se dedicava aos estudos teológicos; enquanto a Universidade de Nápoles se especializou em Medicina.Todas elas tinham um curso preparatório chamado Escola das Artes. Em 1453 os turcos otomanos tomaram Constantinopla, dando início ao que hoje é denominado Idade Moderna.

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