P. 1
MONOGRAFIA - Direito Ambiental - Responsabilidade Civil Por Danos Ao Meio Ambiente e Sua Reparaca

MONOGRAFIA - Direito Ambiental - Responsabilidade Civil Por Danos Ao Meio Ambiente e Sua Reparaca

4.75

|Views: 19,527|Likes:
Published by api-3731219

More info:

Published by: api-3731219 on Oct 15, 2008
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as DOC, PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

03/18/2014

pdf

text

original

Entre as diversas funções desempenhadas pela ciência do Direito, na busca dos
objetivos de preservação da vida e de suas condições de desenvolvimento pode-se observar
primeiramente o estabelecimento de normas que prevejam e desencorajem condutas nocivas
aos fins propostos de proteção e recuperação do meio ambiente e de sua compatibilização
com as atividades cotidianas do homem.

Ainda, deve criar, através de dispositivos legais, formas de estimular o
desenvolvimento de ações e condutas que contribuam para o alcance dos fins considerados de

17

CUSTÓDIO, Helita Barreira. Responsabilidade civil por danos ao meio ambiente. Tese apresentada ao
Concurso de Livre-Docente para o Departamento de Direito Civil da Faculdade de Direito da Universidade de
São Paulo, São Paulo, 1983, pp. 16-17.

14

interesse público, no que se refere à melhoria de condições ambientais e da qualidade de
vida.18

Cabe todavia, em virtude do caráter coercitivo de que se revestem as normas
jurídicas, estabelecer mecanismos para a sanção das condutas comissivas e omissivas que
infrinjam ou desrespeitem os comandos legais erigidos com vistas aos fins de interesses
públicos anteriormente mencionados. Assim, esta última função equivale a promover a
responsabilização dos agentes infratores da lei.19
Para Helita Barreira Custódio:

“Em princípio, a responsabilidade exprime a obrigação de
determinada pessoa responder por um fato ou ato ofensivo e reparar o
prejuízo dele decorrente do lesado.”20

A responsabilidade civil é, dentro das diversas espécies do gênero, a que visa à
reconstituição da situação existente antes da ocorrência do fato causador do dano. Nesse
ponto reside sua importância para a preservação do meio ambiente, sobressaindo sua
relevância que é possível verificar que melhores serão as condições desse meio ambiente
quanto mais eficazes forem os mecanismos utilizados para evitar que os danos ocorram e para
promover a recuperação sempre que sua integridade for lesada.
Nas palavras de Aguiar Dias:

“A responsabilidade civil visa, primordialmente, à reposição da
situação resultante do evento danoso ao estado em que se encontrava
antes de o dano vir a ocorrer.”21

O desenvolvimento da responsabilidade civil deu-se a partir do principio da
culpa, consolidado no direito romano, que originou tantos institutos hoje presentes no
chamado “Mundo Ocidental”.

Do estudo da teoria da culpa, juntamente com o pleno respeito ao comando
legal, a autonomia da vontade, não é admitida obrigação de reparar dano sem que haja culpa
do agente que ao causou.

18

SAMPAIO, Francisco José Marques. O dano ambiental e a responsabilidade. In: Revista Forense. V. 317. Rio
de Janeiro: Forense, 1992, p. 115.

19

SAMPAIO, Francisco José Marques. Obra citada, p. 115.

20

CUSTÓDIO, Helita Barreira. Responsabilidade civil por danos ao meio ambiente. Tese apresentada ao
concurso de Livre-Docente para o Departamento de Direito Civil da Faculdade de Direito da Universidade de
São Paulo. São Paulo, 1983, pp. 16-17.

21

SAMPAIO, Francisco José Marques. Obra citada, p. 115.

15

Nesse sentido, a doutrina manifesta-se de forma a considerar a culpa em sentido
amplo, abrangendo o dolo, a imperícia, a imprudência e a negligência.
Caio Mário da Silva Pereira observa que :

“O conceito de culpa é um dos pontos mais delicados que se
apresentam no defrontar o problema da responsabilidade civil”22

Ainda observa o mesmo autor:

“A culpa é a inexecução de um dever que o agente podia conhecer e
observar. Se o conhecia efetivamente e o violou deliberadamente, há
delito civil ou, em matéria de contrato, dolo contratual. Se a violação
foi involuntária, podendo conhecê-la e evitá-la, há culpa simples; fora
destas matérias contratuais denomina-se quase-delito”.23

Dessa forma, na responsabilidade subjetiva, a comprovação da culpa do agente
causador do dano é indispensável, configurando-se sua responsabilidade somente se agiu com
culpa ou dolo.

A teoria subjetiva da responsabilidade civil é fundamentalmente seguida pelo
Código Civil brasileiro, baseando-se na existência da culpa por parte do agente, cabendo ao
legislador especificar os casos em que se admite a obrigação reparatória independente de
culpa.24

You're Reading a Free Preview

Download
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->