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Michael Odoul - Diga-Me Onde Dói e Eu Te Direi Por rev

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Os problemas do quadril, dores, tensões, bloqueios, artroses etc. nos
mostram que atravessamos uma situação em que a "base" das nossas
crenças profundas está sendo recolocada em questão. Quando essa
articulação, que é o apoio primordial e fundamental da perna, se rompe, isso
significa que os nossos suportes interiores principais, as nossas crenças mais
enraizadas em relação à vida também se rompem por sua vez. Nós nos
encontramos exatamente no campo das noções de traição ou de abandono,
sejam elas realizadas por nós ou pelos outros.
Se for o quadril esquerdo, estamos diante do caso de uma vivência de
traição ou de abandono de simbólica Yang (paterna). Tenho em mente um
caso em particular: o de uma pessoa que se chama Sylvie, e que veio me
consultar a respeito de um caso de artrose do quadril esquerdo, pouco antes
de se submeter a uma cirurgia. Depois de deixá-la falar do seu sofrimento
"mecânico", eu a conduzi ao fundo do problema e a me falar um pouco
mais sobre a sua vida fazendo perguntas: "Que homem a havia traído ou
abandonado nos últimos meses?". Apesar de surpresa, ela me confidenciou
que havia perdido o seu marido três anos antes, mas que não via relação
alguma entre os dois fatos. Eu fui lhe explicando progressivamente o
processo inconsciente que tinha levado todo esse tempo para então se
liberar dessa forma. Ela reconheceu, en-

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tão, que havia realmente vivido o desaparecimento do seu marido como se
fosse um abandono e algo injusto. Após duas sessões de massagem de
Harmonização e de trabalho sobre essa memória, o seu quadril se liberou a
tal ponto que, durante a segunda semana, houve dois dias inteiros em que
ela não teve o menor sofrimento. Os seus medos, as suas "obrigações"
profissionais, no entanto, a fizeram tomar, apesar de tudo, a decisão de se
submeter à cirurgia e, naturalmente, eu a deixei livre para fazer essa
escolha. A cirurgia foi "bem-sucedida" e calou a sua dor.
Um ano e meio depois, ela voltou para me ver com o mesmo
problema, mas dessa vez no quadril direito. Estava claro que ela não havia
eliminado, de maneira alguma, a tensão interior. A ferida na alma não
cicatrizava de jeito algum e procurava um outro ponto do corpo para se
exprimir. Eu fiz com que fosse mais longe na expressão da sua vivência e
ela terminou "confessando" que, além de tudo, após o desaparecimento do
seu marido, restavam sérias dúvidas sobre a sua fidelidade, que ela achava
que ele a havia enganado. Ela se sentia traída na sua condição de esposa.
Não era então de se espantar que o Não-Consciente tenha necessidade de
expulsar, através do quadril, essa ferida que estava longe de se fechar, pois
sustentava a dúvida. Foi o quadril direito porque a feminilidade estava
certamente envolvida, mas sobretudo porque o esquerdo não podia mais
"falar".

Se for o quadril direito, estamos diante do caso de uma vivência de
traição ou de abandono de simbólica Yin (materna). Deixando o exemplo
anterior de lado, vou me referir aqui ao meu próprio pai. Ele trabalhava em
um escritório público onde as coisas e os comportamentos se tomavam cada
vez mais difíceis de serem tolerados, pois "traíam" a idéia que ele fazia do
serviço público. Mas como fazer para sair dessa situação? Um dia, ele
sofreu uma queda em que machucou seriamente o quadril direito. Pouco a
pouco, a dor foi aumentando até que foi ficando fisicamente impossível que
ele pudesse fazer o seu trabalho corretamente. Sendo de origem camponesa
e tendo o senso do dever e do respeito com os compromissos, ele ficou
ainda mais "contrariado" quando lhe aconselharam a "se fazer de doente".
"Eu não posso aceitar tal coisa pois isso significaria que os outros deverão
trabalhar por mim", dizia na época. Isso teria sido uma traição a mais,
porém da sua

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parte agora. Ele pediu então aposentadoria antecipada para evitá-la, embora
isso fizesse com que perdesse muito financeiramente, pois o vencimento da
sua aposentadoria não estava tão longe assim. No entanto, ele não podia
compreender toda a significação inconsciente do que estava acontecendo.
Passou então a ajudar uma pessoa que ele conhecia a cuidar de uma criação
de trutas. O início foi promissor mas a experiência da traição se renovou. A
pessoa aparecia cada dia com uma "história" diferente que reduzia cada vez
mais o trabalho que ele próprio realizava. Até o dia em que uma gota d'água
mais forte do que as outras (destruição acidental) fez o balde transbordar. A
dor no quadril esquerdo, que havia tomado a forma de uma coxartrose,
aumentou e, logo após haver deixado esse patrão que havia traído a sua
confiança, ele teve que se submeter a uma cirurgia.
Talvez, se eu tivesse "sabido" na época (há 25 anos), nós pode-riamos
ter evocado a necessidade que ele tinha de experimentar a traição ou o
abandono simbólico. Aliás, ele já a havia encontrado mais jovem, quando,
ao voltar do cativeiro após a guerra, constatou que o seu pai havia
abandonado uma bela fazenda na qual eles viviam antes da guerra. Ora, ele
o havia expressamente aconselhado a não fazê-lo. Ao constatar que o seu
pai a havia vendido, apesar de tudo, para comprar uma outra em outro
lugar, decidiu deixar a fazenda da família para trabalhar na indústria. Eu
digo "talvez", pois nem sempre estamos prontos para "entender" algumas
coisas e ninguém pode viver ou mudar a Lenda Pessoal do outro.

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