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7 “Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, Tendes canteiros
Tentes pátrias, tentes tetos,
E tendes regras, e tratados, e flósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a como um facho a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...”
José Rigio
8 “As quaresmas abriam a for depois do carnaval, os ipês em junho.”
Raquel de Queiroz
9 “Boi bem bravo, bate baixo, bota baba, boi berrando.”
10 “Na terra, tanta guerra, tanto engano”
Camões
11 “Gente inimiga era tanta,
tantas bandeiras no céu,
que o sol baixando atrás delas,
Como que se escureceu...”
Camões
O b arrOcO
O fnal do século XVI, em Portugal, era vivido num clima de insatis-
fação e intranqüilidade. A Igreja, inconformada com a expansão do pro-
testantismo, se armou para contra-atacar com a contra-Reforma. O Esta-
do português, que no início do século vivera seu período de maior glória
com as conquistas ultramarinas e o sucesso do comércio com o Oriente,
via-se, nessa época, em plena
decadência, no período mais
negro de sua história.
É nesse período de
inquietações e tensões que
veremos surgir o Barroco,
estilo que será praticado por
todas as formas de arte.
Em Portugal, o Barro-
co teve início em 1580, com
a unifcação da Península
Ibérica em razão do desapa-
recimento de D. Sebastião,
rei de Portugal, na batalha
de Alcácer-Quibir, no nor-
te da África. O Barroco se
estenderá até 1756, com a
fundação da Arcádia Lusita-
na em pleno século XVIII.
No Brasil, o Barroco
teve início com a publica-
ção de Prosopopéia, de
Bento Teixeira, em 1601,
uma das muitas imitações
de Camões na literatura
brasileira. O fnal do
Barroco ocorrerá em
1768 com a fundação
da Arcádia Ultrama-
rina e a publicação do
livro Obras Poéticas,
de Cláudio Manuel
da Costa. O barroco,
portanto, foresceu
entre dois classicis-
mos: o do século XVI
(Renascimento) e o do século XVIII (Arcadismo).
Desde o começo da reforma luterana, a Europa vivia em permanente
tensão. Nunca as questões religiosas tiveram tanta importância. Foi uma
época em que muitos morreram perseguidos por crenças e religiões.
Os países que adotaram outras religiões romperam com a Igreja
Católica, interessados não apenas nas questões religiosas, mas, tam-
bém, na econômia. Ao manifestarem sua independência, eles puseram
as mãos em muitos dos bens da Igreja em seu território.
A Igreja, que já perdia infuência desde o Renascimento comercial,
resolveu não tolerar mais esta afronta e contra-atacou em duas frentes:
no Concílio de Trento (1545 a 1563) e com a Companhia de Jesus (1534).
A Companhia de Jesus, por meio de seus jesuítas, tornou-se inimiga da
sociedade burguesa, das monarquias absolutas, dos protestantes e judeus.
Foram cem anos de batalhas religiosas em que muitos foram mortos em
revoltas e nas fogueiras da Inquisição. O comércio português com as Índias
encontrava-se em declínio e Portugal, que se endividara pensando exclusi-
vamente nessas conquistas, não tinha outra atividade que lhe rendesse o
necessário (a agricultura tinha sido completamente abandonada).
Para piorar ainda mais o quadro econômico, surgiu um problema
político: D. Sebastião, rei de Portugal, desaparecera em Alcácer-Qui-
bir, deixando o trono sem herdeiros portugueses que o substituíssem.
Temos, então, a unifcação da Península Ibérica sob o comando do rei
espanhol Henrique II.
Sob o domínio da Espanha, rapidamente chegava a Portugal e ao
Brasil a infuência da Escola Espanhola ou Barroca.
No Brasil, aconteciam a invasão dos holandeses, o apogeu e a de-
cadência do ciclo da cana-de-açúcar.
Marcado pelas lutas religiosas e pela crise econômica, surgia o
Barroco, combatendo a forma abstrata, idealizadora e equilibrada do
Renascimento e colocando em cena a luta entre pólos opostos: o ho-
mem e Deus, o pecado e o perdão, a religiosidade medieval e o paganis-
mo renascentista, o material e o espiritual. Tentando fugir da realida-
de, o autor barroco sobrecarrega a poesia de fguras como a metáfora, a
antítese, a hipérbole e a alegoria. A arte assume, então, uma tendência
sensualista, que se traduz num exagerado rebuscamento.
O termo barroco denominou todas as manifestações artísticas do sécu-
lo XVII e XVIII: a literatura, a música, a pintura, a escultura e a arquitetura.
A origem da palavra remete-nos a vários sentidos:
• Forma de raciocínio em que, de duas premissas iniciais, se in-
fere uma conclusão;
Ex. I) todos os homens são mortais
II) Pedro é homem
III) logo, Pedro é mortal.
• Pérola defeituosa, de formação irregular;
• Terreno desigual, assimétrico.
Nossa Senhora das Dores –
Aleijadinho
Igreija do Interior de Minas Gerais, estilo Barroco
Nossa Senhora das Dores – Aleijadinho
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Qualquer desses signifcados é bom e estabelece relações com a esté-
tica barroca, a qual apresenta jogo de idéias, rebuscamento, assimetria.
Mesmo considerando o Barroco como o primeiro movimento literá-
rio e Gregório de Matos nosso primeiro poeta realmente brasileiro, ainda
não se pode isolar o Brasil de Portugal. Como afrma Alfredo Bosi: “No
Brasil, houve ecos do Barroco europeu durante os séculos XVII e XVIII:
Gregório de Matos, Botelho de Oliveira, Frei Itaparica e as primeiras aca-
demias repetiram motivos e formas do barroquismo ibérico e italiano”.
Além disso, os dois principais autores do Barroco, Gregório de Matos e Pa-
dre Vieira, tiveram a vida dividida entre Portugal e Brasil. Por essas razões,
não estudaremos separadamente o Barroco português e brasileiro.
Cul ti smo e concepti smo
Podemos notar dois estilos no barroco literário: o Cultismo
e o Conceptismo.
Cultismo é o estilo barroco caracterizado pela linguagem re-
buscada, culta, extravagante; pela valorização do pormenor mediante
jogos de palavras, com visível infuência do poeta espanhol Luís de
Gongora; daí o estilo ser conhecido, também, por Gongorismo. Eis o
soneto mais famoso desse estilo:
“Enquanto, em vão, de ouro bunido brilhar
O sol já suplantado em seu cabelo,
E tua branca fronte, enquanto a um lírio
Ardente mira ao prado, mas sem vê-lo,
E enquanto aos lábios teus seguindo vão
Mais do n´alva ao cravo muitos olhos,
E enquanto anula com desdém loução
Cristais sem par seu desdenhoso colo,
Goza o cabelo, o colo, o lábio, a fronte,
Antes que enfm não só tua era dourada,
Tu também, mais cravo e sol luzente
Em prata se envelheçam, for de ontem
E disso ainda caias transformada
Em fumo, em terra, em pó, em sombra, em nada”
Luís de Gongora
Paráf rase
“Enquanto o sol brilha tentando competir com seus cabelos;
Enquanto a brancura do teu rosto olha com desprezo a brancura
do lírio, porque o seu rosto é mais branco;
Enquanto teus lábios vermelhos são cobiçados por mil olhares e
dão inveja ao cravo da manhã que ninguém vê;
Enquanto teu colo ofusca o brilho do cristal
Enquanto, moça, tens toda essa beleza, aproveita antes que te
transformes em terra, em fumo, em pó, em sombra, em nada.”
Conceptismo é o estilo barroco marcado pelo jogo de idéias, de
conceitos, seguindo um raciocínio lógico, racionalista, que utiliza uma
retórica aprimorada. Um dos principais seguidores do Conceptismo
foi o espanhol Quevedo.
uma CrítiCa ConCePtista ao estiLo CuLtista
“Se gostas da afetação e pompa de palavras e do estilo que chamam
de culto, não me leias.
Quando este estilo forescia, nasceram as primeiras verduras do meu;
mas valeu-me tanto sempre a clareza, que só porque me entendiam comecei
a ser ouvido. (...) Este desventurado estilo que hoje se usa, os que o querem
honrar chamam-lhe de culto, os que o condenam chamam-lhe de escuro,
mas ainda lhe fazem muita honra. O estilo culto não é escuro, é negro, e ne-
gro boçal e muito cerrado. É possível que somos portugueses, e havemos de
ouvir um pregador em português, e não havemos de entender o que diz?!”
Padre Antonio Vieira
A t i v i d A d e s
Sobre o Barroco, responda:
1 A inquietação e o inconformismo do Barroco eram um refexo do
que acontecia na sociedade da época. O que acontecia na sociedade
da época do Barroco?
2 Por que o Barroco penetrou facilmente em Portugal?
3 O Barroco, como manifestação artística, aplicava-se unicamente à
Literatura? Justifque.
4 Dê os limites temporais (início e fm) do Barroco em Portugal e no
Brasil.
5 Podemos identifcar dois estilos no Barroco literário. Que estilos
são esses? Caracterize-os.
6 Quais foram os grandes representantes do Barroco português e
brasileiro?
7 Indique as principais características do Barroco literário.
Gregório de Matos Guerra foi a fgura mais importante do Bar-
roco colonial. Escreveu poesia lírica, religiosa e satírica. Cultivou tanto
o estilo cultista como o conceptista, apresentando jogos de palavras e
raciocínios sutis, além do uso abusivo de fguras de linguagem.
Nasceu na Bahia, provavelmente a 20 de dezembro de 1633, e foi
o primeiro poeta brasileiro. Após os primeiros estudos no Colégio dos
Jesuítas, vai para Coimbra, onde se forma em Direito. Vive, depois de
formado, alguns anos em Lisboa, exercendo a profssão. Por causa de
suas sátiras, é obrigado a voltar para a Bahia, onde passa a trabalhar
com os jesuítas como tesoureiro-mor. Novamente, por causa de suas
sátiras, é degredado para Angola. Anos mais tarde, já muito doente,
volta ao Brasil sob duas condições: não pisar na Bahia e não fazer mais
sátiras. Morreu no Recife em 1696.
Sobre Gregório de Matos, José Miguel Wisnik diz o seguinte: “Há
quem insista em fxar alguns gestos como imagem da sua exorbitância:
uma cabeleira postiça, um colete de pelica, uma vontade de fcar nu,
um escritório adornado de bananas.”
Gregório de Matos fcou conhecido como “Boca do Inferno” por
causa de suas sátiras. Assim se defniu na poesia “Aos vícios”:
“Eu sou aquele que os passados anos
Cantei na minha lira maldizente
Torpezas do Brasil vícios e enganos.”
Seus versos satíricos atacavam padres, políticos, portugueses, frei-
ras e a elite baiana. Rebaixando os outros, também se dizia um rebaixado.
É visível, em seus poemas, um sentimento nativista, de orgulho do Brasil,
quando ele separa o que é brasileiro do que é exploração lusitana.
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Na poesia lírica e religiosa, deixa claro um certo idealismo re-
nascentista ao lado do confito entre o pecado e o perdão, ao mesmo
tempo buscando a pureza da fé e se entregando à vida mundana, per-
feitamente identifcado com a estética barroca.
Lei tura
a Jesus Cristo nosso senhor
“Pequei, Senhor; mas não porque hei pecado,
Da vossa alta clemência me despido
Porque, quanto mais tenho delinqüido,
Vos tenho a perdoar mais empenhado.
Se basta a vos irar tanto pecado,
A abrandar-vos sobeja um só gemido:
Que a mesma culpa, que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.
Se uma ovelha perdida e já cobrada
Glória tal e prazer tão repentino
Vos deu, como afrmais na sacra história,
Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada,
Cobrai-a; e não queirais, pastor divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória.”
Gregório de Matos, In: Wisnik, José Miguel, org.
Poemas escolhidos. São Paulo, Cultrix, 1976.p.297.
8 Transcreva algumas expressões religiosas do poema.
9 Por que o poeta espera ser perdoado?
10 Por que razão o poema é conceptista?
11 Aponte três antíteses usadas por Gregório de Matos.
12 O homem barroco vive em confito. Justifque essa afrmação com
elementos presentes no soneto acima.
13 Há, no poema, um jogo de raciocínio que brinca com uma concep-
ção religiosa. Explique-a.
Padre antôni O vi e i r a
Vieira foi um escritor cuja genialidade assombra até mesmo os leito-
res de hoje. Foi um homem do seu tempo, participante não só dos proble-
mas da religião, mas, também, da política e dos acontecimentos em geral.
Nasceu em Lisboa, em 1608, e morreu em Salvador em 1697.
Com sete anos veio para a Bahia. Entrou para a Companhia de Jesus.
Foi pregador régio, conselheiro de D. João IV, embaixador na França,
na Holanda e em Roma. Para defender o capitalismo judaico e os cris-
tãos-novos, tinha contra si a pequena burguesia cristã e a Inquisição;
por defender o monopólio comercial, irritou os pequenos comercian-
tes; por defender os índios, teve que ir contra os administradores e
colonos. Pela defesa dos judeus e cristãos novos foi condenado pela
Inquisição e fcou preso de 1665 a 1667.
Vieira falava para o mundo e seu estilo estava ainda acima do barro-
quismo de seus contemporâneos. Ele via a história como ela deveria ser...
“A defnição do Pregador é a vida, e o exemplo. Ter nome de Pregador ou
ser Pregador de nome não importa nada: as ações, a vida, o exemplo, as obras,
são as que convertem o mundo. O melhor conceito que o Pregador leva ao púl-
pito, qual cuidais que é? É o conceito que de sua vida têm os ouvintes. Antiga-
mente, convertia-se o mundo: hoje, por que não se converte ninguém? Porque
hoje pregam-se palavras e pensamentos, antigamente pregavam-se palavras e
obras. Palavras sem obras são tiros sem bala, atiram mas não ferem.”
Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda.
Vieira escreveu profecias, entre elas a que previa o retorno de
D.Sebastião a Portugal; Cartas sobre o relacionamento entre Portugal
e Holanda, sobre os cristãos – novos, a Inquisição e a situação da Colô-
nia; e os sermões, suas melhores obras.
Seus melhores sermões foram:
• o Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de
Holanda;
• o Sermão de Santo Antonio aos peixes;
• e o Sermão da Sexagésima.
Lei tura
sermão da sexagésima
“Será porventura o estilo que hoje se usa nos púlpitos? Um es-
tilo tão difcultoso, um estilo tão afetado, um estilo tão encontrado a
toda arte e a toda natureza? Boa razão é também esta. O estilo há de
ser muito fácil e muito natural. Por isso, Cristo comparou o pregar ao
semear. Compara Cristo o pregar ao semear, porque semear é uma arte
que tem mais de natureza do que de arte.
Já que falo contra os estilos modernos, quero alegar por mim o
estilo do mais antigo pregador que houve no Mundo. E qual foi ele?
O mais antigo pregador que houve no Mundo foi o Céu. Suposto que
o Céu é pregador, deve ter sermões e deve ter palavras. E quais são
estes sermões e estas palavras do Céu? _ As palavras são as estrelas,
os sermões são a composição, a ordem, a harmonia e o curso delas.
O pregar há de ser como quem semeia, e não como quem ladrilha ou
azuleja. Não fez Deus o céu em xadrez de estrelas, como os pregadores
fazem o xadrez de palavras. Se de uma parte está branco, de outra há
de estar negro; se de uma parte está dia, de outra há de estar noite? Se
de uma parte dizem luz; da outra hão de dizer sombra; se de uma parte
dizem desceu, da outra hão de dizer subiu. Basta que não havemos de
ver num sermão duas palavras em paz? Todas hão de estar sempre em
fronteiras com o seu contrário?
Mas dir-me-eis: Padre, os pregadores de hoje não pregam do
Evangelho, não pregam das Sagradas Escrituras? Pois como não pre-
gam a palavra de Deus: _ Esse é o mal. Pregam palavras de Deus, mas
não pregam a Palavra de Deus.”
Padre Antônio Vieira, Vieira – Sermões.
2ªed. Rio de Janeiro, Agir, 1960. p.107.
A t i v i d A d e s P r o b l e m A t i z A d o r A s
1 Observe o estilo utilizado pelo Padre Vieira no desenvolvimen-
to do seu sermão: constantes interrogações para permitir-lhe as
várias respostas, encadeando as idéias; a adequação de passagens
bíblicas ao tema do sermão; uma retórica aprimorada. Como era
chamado este estilo no período barroco?
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2 “Não fez Deus o céu em xadrez de estrelas, como os pregadores
fazem o sermão em xadrez de palavras.” Qual o estilo criticado por
Vieira na frase acima? Justifque sua resposta.
3 Dia x noite; luz x sombra; branco x negro; subiu x desceu. Vieira
está criticando o uso de qual fgura?
4 Observa-se que, em todo o fragmento apresentado, Vieira critica
o jogo de palavras, mas, ao fnal, quando mais contundente é a sua
crítica, ele faz um jogo de palavras com a palavra palavra (usada
com maiúscula e com minúscula). Explique.
5 “Que os brasileiros são bestas,
e estarão a trabalhar
toda a vida por manter
manganos de Portugal.”
Comente a visão de Gregório de Matos sobre a colonização por-
tuguesa no Brasil.
6 “me falou que o mal é bom e o bem cruel”
Qual a fgura usada por Caetano Veloso no verso acima?
7 Justifque o cognome de “Boca do Inferno”, dado a Gregório de
Matos Guerra.
8 (FAAP-SP)
“Eu sou aquele que os passados anos
cantei na minha lira maldizente
torpezas do Brasil, vícios e enganos”
Assim se apresenta na sua obra satírica esse poeta baiano do sé-
culo XVII, autor também de poesia lírica e de poesia sacra. Trata-se de
...., cuja obra ilustra bem o estilo de época.........
9 “Duas atitudes diferentes, dois diferentes processos: a atitude sensual
de rebuscado mais pulcro e fulgurante para o encanto dos olhos; a atitu-
de intelectual, que formula o conceito engenhoso, para deliciado pasmo
do espírito dialético.
De comum, apenas o objetivo de surpreender pela singularidade espantosa.”
Hernani Cidade
Quais são os dois processos a que se refere o crítico português,
respectivamente? Explique-os.
10 (F.C.Cahgas – BA) Assinale o texto que, pela linguagem e pelas idéias,
pode ser considerado como representante da corrente barroca:
a) Brando e meigo sorriso se deslizava em seus lábios; os negros cara-
cóis de suas belas madeixas brincavam, mercê do zéfro, sobre suas
faces... e ela também suspirava.”
b) “Estradas amáveis iluminavam instantes de céus, ruas molhadas
de pipilos nos arbustos dos squares. Mas a abóbada de garoa desa-
bava os quarteirões.”
c) “Os sinos repicavam numa impaciência alegre. Padre Antônio con-
tinuou a caminhar lentamente, pensando que cem vezes estivera a
cair, cedendo à fatalidade da herança e à infuência do meio que o
arrastavam para o pecado.”
d) “De súbito, porém, as lancinantes incertezas, as brumosas noites pe-
sadas de tanta agonia, de tanto pavor de morte, desfaziam-se, desa-
pareciam completamente como os tênues vapores de um letargo...”
e) “Ah! Peixes, quantas invejas vos tenho a essa natural irregularidade! A
vossa bruteza é melhor que o um alvedrio. Eu falo, mas vós não ofen-
deis a Deus com as palavras: eu lembro-me, mas vós não ofendeis a
Deus com a memória: eu discorro, mas vos não ofendeis a Deus com o
entendimento: eu quero, mas vós não ofendeis a Deus com a vontade.”
11 “Que és terra homem, e em terra hás de tornar-te
Te lembra hoje Deus por sua Igreja
De pó te faz espelho, em que se veja
A vil matéria de que quis formar-te.”
Pelas características do quarteto acima, podemos dizer que ele
se enquadra no:
a) Barroco
b) Arcadismo
c) Romantismo
d) Parnasianismo
e) Modernismo
12 (FUVEST-SP) A respeito do Padre Antônio Vieira, pode-se afrmar:
a) Embora vivesse no Brasil, por sua formação lusitana não se ocu-
pou de problemas locais.
b) Procurava adequar os textos bíblicos às realidades de que tratava.
c) Dada a sua espiritualidade, demonstrava desinteresse por assun-
tos mundanos.
d) Em função de seu zelo para com Deus, utilizava-o para justifcar
todos os acontecimentos políticos e sociais.
e) Mostrou-se tímido diante dos interesses dos poderosos.
13 Por suas atividades literárias, Gregório de Matos faz parte do se-
guinte grupo:
a) Grupo Mineiro
b) Grupo Pernambucano
c) Grupo Baiano
d) Grupo do Norte
e) Grupo do Sul
14 Assinale a incorreta:
O Barroco surgiu como reação aos ideais da Idade Média e à valoriza-
ção demasiada da Antigüidade Clássica, apresentando:
a) a fusão do teocentrismo com o antropocentrismo
b) predomínio do equilíbrio em todas as formas artísticas
c) estilo rebuscado como manifestação de angústia
d) predomínio de forma, cor e riqueza, em detrimento do conteúdo
e) a fusão do pecado com o perdão
15 O barroco literário apresenta, basicamente, dois estilos: Cultismo
e Conceptismo. Associe:
(1) Cultismo ( ) raciocínio lógico
(2) Conceptismo ( ) linguagem rebuscada
( ) retórica aprimorada
( ) estilo utilizado por Vieira
( ) valorização do pormenor
( ) estilo utilizado por Gregório de Matos
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16 (FUVEST-SP)
“Nasce o sol, e não duras mais que um dia,
Depois da luz, se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas, a alegria.”
Assinale a alternativa que indica o nome do autor dos versos aci-
ma e uma fgura literária característica do movimento a que pertence:
a) Cláudio Manuel da Costa / aliteração
b) Frei José de Santa Rita Durão / elipse
c) Tomás Antônio Gonzaga / hipérbato
d) Gregório de Matos Guerra / antítese
e) Antônio Gonçalves Dias / onomatopéia
17 Aponte a alternativa incorreta sobre o Sermão da Sexagésima:
a) O autor desenvolve dialeticamente a seguinte tese: “A semente é a
palavra de Deus”.
b) O estilo é barroco e privilegia a corrente conceptista de composição.
c) O orador discute, no sermão, cinco causas possíveis que não permiti-
ram a entrada da palavra de Deus no coração dos homens.
d) Vieira baseia-se em parábolas bíblicas, e sua linguagem se vale de
estruturas retóricas clássicas.
e) Pela sua capacidade de argumentação, Vieira consegue, neste ser-
mão, convencer os indígenas a se converterem.
arc adi s mO Ou ne Oc L as s i c i s mO
O século XVIII vem mani-
festar um cansaço enorme em
relação ao Barroco, arte ligada à
Contra-Reforma e à aristocracia
decadente e inútil. A arte barroca
parecia, agora, escura e asfxiante,
de um rebuscamento que beirava
o mau gosto e em tudo lembrava a
inutilidade da nobreza.
A burguesia, fnalmente,
se cansara de sustentar o luxo
de uma nobreza que não servia
para nada e exercia, na socieda-
de, um papel meramente deco-
rativo. Agora consciente da sua
força, a burguesia passava a lu-
tar pelo poder político, ainda em mãos da nobreza. Donos do dinheiro
e já muito instruídos, lutavam para ocupar espaços na sociedade e nas
artes. A frivolidade aristocrática dava lugar ao gosto burguês.
Surge, então, o Arcadismo ou Neoclassicismo nas artes, com um
espírito nitidamente reformista, pretendendo reformular o ensino, os
hábitos, as atitudes sociais. Entrava em cena a manifestação artística
de um novo tempo, uma nova ideologia. No século XVI, Portugal foi in-
fuenciado pela cultura italiana, no século XVII pela cultura espanhola,
no século XVIII a inferência vinha da França, cuja burguesia havia se
emancipado com a Revolução Francesa.
O desenvolvimento do comércio e da indústria, principalmente na
França e na Inglaterra, transformara as cidades em locais desagradáveis, agi-
tados, sujos e poluídos. A ordem, agora, era voltar-se para a natureza tran-
qüila e serena dos campos, onde reinavam a paz, a justiça e a harmonia.
As atividades religiosas foram
revistas sob a ótica utilitarista da bur-
guesia. Os colégios da Companhia de
Jesus foram fechados em vários países.
Em Portugal, os jesuítas saíram das
cátedras diretamente para o cárcere ou
para o exílio. O ministro Marquês de
Pombal expulsou os jesuítas também
das colônias. Promovia-se uma reforma
no ensino, agora defnitivamente desli-
gado da infuência jesuítica.
Essa nova ideologia obrigou a
poesia a realizar seu papel na nova
sociedade que se pretendia cons-
truir. A poesia tinha que ser nítida
(como a lógica), útil (como a técnica) e racional (como a natureza).
Devia-se exaltar o trabalho e a natureza.
Na base do arcadismo está um quadro geral da cultura européia:
• Novos pensadores: Montesquieu, Voltaire e Rousseau;
• A edição da Enciclopédia (1751-80);
• A Revolução Francesa (1789);
• A Revolução Industrial na Inglaterra;
• A fundação das Arcádias ou Academias Neoclássicas;
• O despotismo esclarecido;
• A independência dos Estados Unidos (1776);
• A conjuração mineira (1789);
• A volta das regras de Aristóteles (384 a.C. – 322 a. C.);
• O marquês de Pombal torna-se ministro de D.José I;
No Brasil, ocorre uma importante mudança: o centro econômico
transfere-se do nordeste para a região das Minas Gerais e do Rio de Ja-
neiro. Junto com as mudanças econômicas vêm as mudanças políticas,
sociais e culturais. Minas Gerais, particularmente Vila Rica, torna-se o
palco dos mais importantes acontecimentos no século XVIII: a minera-
ção, a Inconfdência, os poetas do Arcadismo e o gênio de Aleijadinho.
Os poetas reuniram-se nas Arcádias, segundo o modelo da Aca-
demia da Arcádia, criada na Itália em 1690. A Arcádia era uma região
da Grécia onde viviam pastores. Seguindo as regras aristotélicas, pro-
curavam, na poesia, imitar a natureza, que era um mundo justo, real e
bom. A poesia tornava-se agrária, bucólica, com pastores num idílio
amoroso, cercados por ovelhas e cabras, ao som de sanfonas. O novo
estilo é árcade. O arcadismo era clássico, opunha-se ao Barroco,
complicado, imperfeito e falso; e apoiava-se nos seguintes princípios:
• Fugere urbem (evitar o mundo urbano);
• Inutilia truncal (cortar o que é supérfuo);
• aurea mediocritas (o meio–termo é de ouro);
• locus amoenus (lugar prazeroso);
Os poetas fliados ao novo estilo tinham que assumir o compro-
misso ético-estético dos árcades: adotar os campos, as ninfas, os rega-
tos, as fautas e os amores campestres e os nomes de pastores. Em
Portugal, Bocage será Elmano Sadino: no Brasil, Tomás Antônio Gon-
zaga será Dirceu e Critelo; Cláudio Manuel da Costa será o Glauceste
Saturnio e o Doroteu; Basílio da Gama, o Termindo Sipílio.
Constrangidos pelas regras de ferro do arcadismo, muitos poetas
fcaram divididos entre o disfarce e a rebeldia, como foi o caso dos poetas
inconfdentes: Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga.
O arcadismo, em Portugal e no Brasil, seguiu a infuência euro-
péia: a volta aos padrões clássicos da Antigüidade e do Renascimento;
A Familia do Duke de Osuna
Goya, Francisco de
The Canary Jean-Baptiste-Siméon chardin,
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a simplicidade; a poesia bucólica, pastoril; o fngimento poético e o uso
de pseudônimos. Quanto à forma, tivemos o soneto, os versos decassí-
labos, a rima optativa e a tradição da poesia épica.
Dentre os autores árcades, os mais importantes foram: Manuel
Maria du Bocage, Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga
e Basílio da Gama.
Manuel Mari a Barbosa du Bocage
Foi o mais importante poeta português do Arcadismo, sendo o
mais lido e o mais admirado. Nasceu em 1765 e teve uma vida muito
agitada, com lances dramáticos. Aos catorze anos, estava na Marinha,
desertou em 1789. Foi preso e, na cadeia, traduziu poetas franceses e
latinos. Durante alguns anos, viveu nas colônias, percorrendo quase
que o mesmo caminho de Camões. Adotou o pseudônimo pastoril de
Elmano Sadino (Elmano é anagrama de Manuel e Sadino é relativo ao
rio Sado, que corta Setúbal, terra natal do poeta). Bocage escreveu poe-
sia lírica e satírica. Como poeta lírico, adotou o Arcadismo apenas como
postura, pois, de fato, foi um poeta pré-romântico. Bocage foi árcade
no apuro formal (foi excelente sonetista).
Num certo gosto pelo Renascimento (notadamente por Camões,
que considerava seu mestre) e na postura pastoril (daí seu pseudônimo
Elmano Sadino), seu tom refetia a sua vida boêmia. Ao contrário dos
árcades que têm voz discreta, Bocage é oratório, exclamativo, incorpo-
rando aos seus poemas seu modo de ser turbulento e desatinado.
Como poeta pré-romântico, debate-se entre a Razão e o Sen-
timento:
“Razão, de que me serve o teu sorriso?
Mandas-me amar, eu ardo, eu amo;
Dizes-me que sossegue, eu penso, eu morro.”
Noutros momentos, compõe uma poesia confessional de um so-
frimento profundo de abandono... Usa, então, um tom noturno, for-
mas macabras em busca da morte como solução para os problemas.
Antecipava o que fariam os românticos tempos depois.
“Ah! Não me roubou tudo a negra sorte:
Inda tenho este abrigo, ainda me resta
O pranto, a queixa, a solidão e a morte.”
Ou ainda:
“O retrato da Morte, ó morte amiga
Por cuja escuridão suspiro a tanto!”
Como poeta satírico, Bocage ironizava do clero à nobreza deca-
dente. Elogiado pelo estilo repentista, era muito criticado pelo modo
obsceno com que ridicularizava seus desafetos.

“Um escrivão fez um roubo:
Diz-lhe o juiz: Que razão
Teve para fazer isto?
Responde: Ser escrivão.”
“A morte foi sensual
Quando ainda era menina:
Co pecado original
Teve cópula carnal
E pariu a Medicina!”
Lei tura
Texto 1 (*)
“Meu ser evaporei na lida insana
Do tropel das paixões, que me arrastava;
Ah! Cego eu cria, ah! Núsero eu sonhava
Em mim quase imortal a essência humana.
De que inúmeros sóis a mente ufava
Existência falaz me não dourava!
Mas eis sucumbe Natureza escrava
Ao mal que a vida em sua origem dana.
Prazeres, sócios meus e meus tiranos!
Esta alma que sedenta em si não coube,
No abismo vos sumiu dos desenganos.
Deus, oh! Deus! ... Quando a morte a luz me roube,
Ganhe um momento o que perderam anos,
Saiba morrer o que viver não soube.
M.M. Barbosa. Op.cit. p.207
(*) segundo os biógrafos de Bocage, este texto foi escrito momentos antes de sua morte.
Texto 2 (**)
“Camões, grande Camões, quão semelhante
Acho teu falado ao meu, quando os cotejo!
Igual causa no fez, perdendo o Tejo,
Arrostar co’o sacrílego gigante;
Como tu, junto ao Ganges sussurrante,
Da penúria cruel no horror me vejo;
Como tu, gostos vãos, que em vão desejo,
Também carpindo estou, saudoso amante.
Ludíbrio como tu, da sorte dura
Meu fm demando ao Céu, pela certeza
De que só terei paz na sepultura.
Modelo meu tu és... Mas, oh tristeza!...
Se te imito nos transes da Ventura,
Não te imito nos dons da Natureza.”
Bocage – M.M. Barbosa du. Op.cit, p.117
(**) Sobre este soneto e a relação Camões/Bocage, assim escreve Eloy do Amaral em seu livro Bocage (Ed.
Ulisseia, Lisboa, 1965, p.150-1):
“Camões e Bocage. Neste soneto o poeta faz o paralelo de suas vidas.
Na realidade podemos encontrar nelas uma curiosa semelhança: gênio, in-
fortúnio e miséria. Foram soldados, entraram numa batalha, tiveram nos
seus amores uma Natércia. Sofreram por muito amar. Foram à Índia, a Ma-
cau, conheceram a prisão e o terrível Adamastor. Sofreram um naufrágio,
salvaram a nado os seus versos...”
Texto 3 (***)
“Eu deliro, Gertrúria, eu desespero
No inferno de suspeitas e temores.
Eu da morte as angústias e os horrores
Por mil vezes sem morrer tolero.
Pelo céu, por teus olhos te assevero
Que ferve esta alma em cândidos amores;
Longe o prazer de ilícitos favores!
Quero o teu coração, mais nada quero.
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Ah! Não sejas também qual é comigo
A cega divindade, a sorte dura,
A vária Deusa que me nega abrigo!
Tudo perdi: mas valha-me a ternura
Amor me valha, e pague-me contigo
Os roubos que me fez a má ventura.”
Bocage, M.M. Barbosa du. Sonetos. Lisboa, Livraria Bertrand, s/d. p.67
(***) Gertrúria: pseudônimo de Gertrudes, segundo seus biógrafos o verdadeiro amor do poeta. Ao que
parece, Bocage tinha uma relação amorosa com Gertrudes, anterior à sua viagem ao Oriente. Ao voltar, con-
sumido pela saudade e vivendo em um inferno de suspeitas e temores, encontra-a casada com seu próprio
irmão, Gil Francisco Barbosa du Bocage.
c L áudi O manue L da cOs ta
( GL auc e s t e s at úrni O / dOrOt e u)
Cláudio Manuel da Costa nasceu nas proximidades de Mariana, Minas
Gerais, em 1729; realizou seus primeiros estudos com os jesuítas, no Brasil,
e, depois, foi à Coimbra (Portugal) para estudar Direito. Vive algum tempo
em Lisboa, depois de formado, e lá entra em contato com a poesia árcade.
Em 1768, volta a Vila Rica e lança seu livro Obras Poéticas – funda a Arcádia
Ultramarina nos mesmos moldes da Arcádia Lusitana em Portugal. Embora
seus sonetos fossem perfeitos na forma, eram superfciais no conteúdo. Per-
cebe-se neles uma certa infuência de Camões quando faz refexões morais
ou trata das contradições da vida. Fiel ao estilo árcade, cultivou a poesia pas-
toril, em que a natureza aparece como um refúgio.
Foi preso como um dos participantes da Inconfdência Mineira e
morreu na prisão.
“Quem deixa o trato pastoril amado
Pela ingrata civil correspondência,
Ou do retiro a paz não tem provado.
Que bem é ver nos campos transladado
No gênio do pastor, o da inocência!
E que mal é no trato, e na aparência
Ver sempre o cortesão dissimulado!
Ali respira amor, sinceridade;
Aqui sempre a traição seu rosto encobre;
Um só trata a mentira, outro a verdade.
Ali não há fortuna que soçobre;
Aqui quanto se observa é variedade:
Oh ventura do rico! Oh bem do pobre!”
A t i v i d A d e s
1 Faça uma análise do soneto a partir das antíteses apresentadas.
Como sugestão, faça uma coluna relacionando as palavras que
caracterizam o campo, e outra para as que caracterizam a cidade.
Comente todas as oposições.
2 Diga qual é a medida dos versos deste poema e se as rimas no fnal
dos versos são paralelas ou intercaladas.
3 Este poema é um soneto. Por quê?
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1 (FUVEST)
Profissão de fé
“Torce, aprimora, alteia, lima,
A frase; e, enfm,
No verso de ouro engasta a rima,
Como um rubim.
Quero que a estrofe cristalina,
Dobrada ao jeito
Do ourives, saia da ofcina
Sem um defeito.”
(Olavo Bilac)
Nos versos acima, a atividade poética é comparada ao lavor do
ourives porque, para o autor:
a) a poesia é preciosa como um rubi.
b) o poeta é um burilador.
c) na poesia não pode faltar rima.
d) o poeta não se assemelha a um artesão.
e) o poeta emprega a chave de ouro.
2 (FUVEST) –
Uma andorinha não faz verão.
Nem tudo que reluz é ouro.
Quem semeia ventos colhe tempestades.
Quem não tem cão caça com gatos.
As idéias centrais dos provérbios acima são, na ordem:
a) solidariedade – aparência – vingança – dissimulação.
b) cooperação – aparência – punição – adaptação.
c) egoísmo – ambição – vingança – falsifcação.
d) cooperação – ambição – conseqüência – dissimulação.
e) solidão – prudência – punição – adaptação.
3 (UFSC) – Leia os textos a seguir, assinale as alternativas corretas
e, depois, some os valores atribuídos:
a) “Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não teus motivo nenhum de pranto.”
(Manuel Bandeira)
b) “Recebi os trocados a que tinha direito e fquei procurando um
novo emprego, noutro ramo.”
(Bento Silvério)
c) “Um primeiro sobressalto de pânico apertou-lhe a garganta...
— Padre Estevão! — falou, alto, pensando que talvez houvesse
alguém ali, em alguma parte.”
(Antônio Callado)
01. Os versos do fragmento a apresentam características líricas.
02. O fragmento b está escrito em prosa, que tem, como unidade de
composição básica, o parágrafo.
04. O fragmento c está impregnado de características dramáticas.
08. A estrofe é a unidade de composição básica da prosa.
16. A prosa presta-se para a confssão amorosa, pessoal... e a poesia, para
a criação de personagens e a estruturação de longas narrativas.
4 (FUVEST) Qual a diferença mais signifcativa entre a poesia lírica e a épi-
ca. O tipo de verso empregado ou o conteúdo? Justifque sua resposta.
As próximas 3 questões tomam por base uma cantiga do
trovador galego Airas Nunes, de Santiago (século XIII), e o poe-
ma Confessor Medieval, de Cecília Meireles (1901-1964).
Cantiga
Bailemos nós já todas três, ai amigas,
So aquestas avelaneiras frolidas,
E quem for velida, como nós,velidas,
Se amigo amar,
So aquestas avelaneiras frolidas
Verrá bailar.
Bailemos nós já todas três, ai irmanas,
So aqueste ramo destas avelanas,
E quem for louçana, como nós, louçanas,
Se amigo amar,
So aqueste ramo destas avelanas
Verrá bailar:
Por Deus, ai amigas, mentr’al non fazemos,
So aqueste ramo frolido bailemos,
E quem bem parecer, como nós parecemos
Se amigo amar,
So aqueste ramo so lo que bailemos
Verrá bailar.
(Airas Nunes, de Santiago. In: SPINA, Segismundo. Presença da
Literatura Portuguesa – I. Era Medieval. 2ª ed. São Paulo:
Difusão Européia do livro, 1966.)
(frolidas = fotidas)
(velida = formosa)
(aquestas = estas)
(verrá = virá)
(irmanas = irmãs)
(aqueste = este)
(louçana = formosa)
(avelanas = avelaneiras)
(mentr’al = enquanto outras coisas)
(bem parecer = tiver belo aspecto)
Confessor medieVaL (1960)
Irias à bailia com teu amigo,
Se ele não te dera saia de sirgo?
Se te dera apenas um anel de vidro
Irias com ele por sombra e perigo?
Irías à bailia sem teu amigo,
Se ele não pudesse ir bailar contigo?
(sirgo = seda)
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5 UNESP-SP – Tanto na cantiga como no poema de Cecília Meireles
verifcam-se diferentes personagens: um eu-poemático, que assu-
me a palavra, e um interlocutor ou interlocutores a quem se dirige.
Com base nesta informação, releia os dois poemas e, a seguir,
a) indique o interlocutor ou interlocutores do eu-poemático em cada
um dos textos.
b) identifque, em cada poema, com base na fexão dos verbos, a
pessoa gramatical utilizada pelo eu-poemático para dirigir-se ao
interlocutor ou interlocutores.
6 UNESP-SP – A leitura da cantiga de Airas Nunes e do poema
Confessor Medieval, de Cecília Meireles, revela que este poema,
mesmo tendo sido escrito por uma poeta modernista, apresenta
intencionalmente algumas características da poesia trovadoresca,
como o tipo de verso e a construção baseada na repetição e no pa-
ralelismo. Releia com atenção os dois textos e, em seguida,
a) considerando que o efeito de paralelismo em cada poema se torna
possível a partir da retomada, estrofe a estrofe, do mesmo tipo de fra-
se adotado na estrofe inicial (no poema de Airas Nunes, por exemplo,
a retomada da frase imperativa), aponte o tipo de frase que Cecília
Meireles retomou de estrofe a estrofe para possibilitar tal efeito.
b) estabeleça as identidades que há entre o terceiro verso da cantiga
de Airas Nunes e o terceiro verso do poema de Cecília Meireles no
que diz respeito ao número de sílabas e às posições dos acentos.
7 UNESP-SP – As cantigas que focalizam temas amorosos
apresentam-se em dois gêneros na poesia trovadoresca: as
“cantigas de amor”, em que o eu-poemático representa a fi-
gura do namorado (o “amigo”), e as “cantigas de amigo”, em
que o eu-poemático representa a figura da mulher amada (a
“amiga”) falando de seu amor ao “amigo”, por vezes dirigin-
do-se a ele ou dialogando com ele, com outras “amigas” ou,
mesmo, com um confidente (a mãe, a irmã, etc.). De posse
desta informação,
a) classifque a cantiga de Airas Nunes em um dos dois gêneros, apre-
sentando a justifcativa dessa resposta.
b) identifque, levando em consideração o próprio título, a fgura que
o eu-poemático do poema de Cecília Meireles representa.
8 (MACK-SP) – Marque a alternativa incorreta a respeito do Huma-
nismo:
a) Época de transição entre a Idade Média e o Renascimento.
b) O teocentrismo cede lugar ao antropocentrismo.
c) Fernão Lopes é o grande cronista da época.
d) Garcia de Resende coletou as poesias da época, publicadas em
1516 com o nome de Cancioneiro Geral.
e) A Farsa de Inês Pereira é a obra de Gil Vicente cujo assunto é reli-
gioso, desprovido de crítica social.
9 (FUVEST-SP) – Aponte a alternativa correta em relação a Gil Vi-
cente:
a) Compôs peças de caráter sacro e satírico.
b) Introduziu a lírica trovadoresca em Portugal.
c) Escreveu a novela Amadis de Gaula.
d) Só escreveu peças em português.
e) Representa o melhor do teatro clássico português
10 UNICAMP - SP – Leia agora as seguintes estrofes, que se encontram
em passagens diversas de A farsa de Inês Pereira de Gil Vicente: Inês:
Andar! Pero Marques seja!
Quero tomar por esposo
quem se tenha por ditoso
de cada vez que me veja.
Por usar de siso mero,
asno que leve quero,
e não cavalo folão;
antes lebre que leão,
antes lavrador que Nero.
(nota: folão, no caso, signifca “bravo”, “fogoso”)
Pero:
I onde quiserdes ir
vinde quando quiserdes vir,
estai quando quiserdes estar.
Com que podeis vós folgar
que eu não deva consentir?
a) A fala de Inês ocorre no momento em que aceita casar-se com Pero
Marques, após o malogrado matrimônio com o escudeiro.Há um
trecho nessa fala que se relaciona literalmente com o fnal da peça.
Que trecho é esse? Qual é o pormenor da cena fnal da peça que ele
está antecipando?
b) A fala de Pero, dirigida a Inês, revela uma atitude contrária a uma
característica atribuída ao seu primeiro marido. Qual é essa carac-
terística?
c) Considerando o desfecho dos dois casamentos de Inês, explique por
que essa peça de Gil Vicente pode ser considerada uma sátira moral.
11 UNICAMP – Leia os diálogos abaixo da peça ‘‘O velho da Horta’’
de Gil Vicente:
(Mocinha) — Estás doente, ou que haveis?
(Velho) — Ai! não sei, desconsolado,
Que nasci desventurado.
(Mocinha) — Não choreis;
mais mal fadada vai aquela.
(Velho) — Quem?
(Mocinha) — Branca Gil.
(Velho) — Como?
(Mocinha) — Com cent´açoutes no lombo,
e uma corocha por capela*.
E ter mão:
leva tão bom coração,**
como se fosse em folia.
Ó que grandes que lhos dão!***
* (corocha) cobertura para a cabeça própria das alcoviteiras;
(por capela) por grinalda.
** caminha tão corajosa
*** Ó que grandes açoites que lhe dão!
a) A qual desventura refere-se o Velho neste diálogo com a Mocinha?
b) A que se deve o castigo imposto a Branca Gil?
c) Diante do castigo, Branca Gil adota uma atitude paradoxal. Por quê?
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12 (FESL-SP) – Em Os Lusíadas, Camões:
a) narra a viagem de Vasco da Gama às Índias.
b) tem por objetivo criticar a ambição dos navegantes portugueses
que abandonam a pátria à mercê dos inimigos para buscar ouro e
glória em terras distantes.
c) afasta-se dos modelos clássicos, criando a epopéia lusitana, um
gênero inteiramente original na época.
d) lamenta que, apesar de ter domado os mares e descoberto novas
terras, Portugal acabe subjugado pela Espanha.
e) tem como objetivo elogiar a bravura dos portugueses e o faz através
da narração dos episódios mais valorosos da colonização brasileira.
13 (UFPa-PA) – Pode-se afrmar que o velho do Restelo é:
a) personagem central de Os Lusíadas.
b) o mais fervoroso defensor da viagem de Gama.
c) símbolo dos que valorizam a cobiça e a ambição.
d) símbolo das forças contrárias às investidas marítimas lusas.
e) a fgura que incentiva a ideologia expansionista.
INSTRUÇÃO: As próximas 3 questões tomam por base um poe-
ma do clássico português Luís Vaz de Camões (1524?-1580) e a letra
do foxtrote Você só... mente, escrita pelo músico brasileiro Noel de
Medeiros Rosa (1910-1937).
troVas
a uma fama que lhe jurara
sempre por seu olhos.
Quando me quer enganar
a minha bela perjura,
para mais me confrmar
o que quer certifcar;
05 pelos seus olhos mo jura.
Como meu contentamento
todo se rege por eles,
imagina o pensamente
que se faz agravo a eles
10 não crer tão grão juramento.
Porém, como em casos tais
ando já visto e corrente,
sem outros certos sinais,
quanto me ela jura mais
15 tanto mais cuido que mente.
Então, vendo-lhe ofender
uns tais olhos como aqueles,
deixo-me antes tudo crer,
só pela não constranger
20 a jurar falso por eles.
(CAMÕES, Luís de. Lírica. Belo Horizonte: Editora Itatiaia;
São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1982, p. 56-57.)
VoCê só... mente
Não espero mais você,
Pois voçê não aparece,
Creio que você se esquece
Das promessas que me faz...
05 E depois vem dar desculpas
Inocentes e banais.
É porque voçê bem sabe
Que em você desculpo
Muito coisa mais...
10 O que sei somente
É que você é um ente
Que mente inconscientemente,
Mas fnalmente,
Não sei por que
15 Eu gosto imensamente de você.
E invariavelmente,
Sem ter o menos motivo,
Em um tom de voz altivo,
Você, quando fala, mente
20 Mesmo involuntariamente,
Faço cara de contente,
Pois sua maior mentira
É dizer à gente
Que você não mente.
25 O que sei somente
É que você é um ente
Que mente inconscientemente,
Mas fnalmente,
Não sei por que
30 Eu gosto imensamente de você.
(In: Noel pela primeira vez. Coleção organizada por Miguel Jubran.
São Paulo: MEC/FUNARTE/VELAS, 2000, Vol. 4, CD 7, faixa 01.)
14 UNESP – SP – A “mentira” constitui um dos temas mais recor-
rentes nos poemas de amor de todos os tempos, variando porém
o modo como os poetas a focalizam, negando-a, rejeitando-a ou
aceitando-a “em nome do amor”. Em Trovas e em Você só... mente
é abordado o tema da “mentira no amor”. Depois de observar o
desenvolvimento desse tema em ambos os poemas,
a) apresente a justifcativa lógica da conclusão a que chega o eu-poe-
mático nos últimos cinco versos do poema de Camões;
b) demonstre o caráter irônico do emprego do vocábulo “inocentes”
no sexto verso da letra de Noel Rosa.
15 UNESP – SP – Os homônimos homófonos e homógrafos, ou seja,
vocábulos que apresentam a mesma pronúncia e a mesma grafa,
são comuns na Língua Portuguesa. No verso “pelos seus olhos
mo jura”, o vocábulo jura é um verbo empregado como núcleo
do predicado verbal; mas podemos construir a frase “Ele que-
brou sua jura e foi para longe” em que o homônimo jura é em-
pregado como substantivo em função de núcleo do objeto direto.
Com base nesta informação, releia os dois poemas e, em seguida,
a) estabeleça a classe de palavra a que pertence “grão”, no dé-
cimo verso do poema de Camões e escreva uma frase em que
apareça um homônimo homófono e homógrafo dessa palavra;
b) aponte o efeito expressivo, relacionado com o tema e com a
rima, que o emprego de advérbios como somente, inconsciente-
mente, etc., produz na letra de Noel Rosa.
16 UNESP – SP Além do eu-poemático, que se revela formalmente
pelo emprego do pronome pessoal do caso reto “eu” e correspon-
dentes pronomes oblíquos, como também pelas fexões verbais de
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primeira pessoa do singular, surge em Trovas e em Você só... men-
te outra personagem: a pessoa amada. Depois de observar atenta-
mente as marcas da presença desta personagem nos dois textos,
a) demonstre, com base em exemplos, como a pessoa amada se revela
formalmente em Trovas;
b) explique por que razão não se pode determinar o sexo da pes-
soa amada em Você só... mente
17 FUVEST-SP –
Tu, só tu, puro amor, com força crua,
Que os corações humanos tanto obriga,
Deste causa à molesta morte sua,
Como se fora pérfda inimiga.
Se dizem, fero Amor, que a sede tua
Nem com lágrimas tristes se mitiga,
É porque queres, áspero e tirano,
Tuas aras banhar em sangue humano.
(Camões, Os Lusíadas — episódio de Inês de Castro)
Molesta = lastimosa; funesta.
Pérfda = desleal; traidora.
Fero = feroz; sanguinário; cruel.
Mitiga = alivia; suaviza; aplaca.
Ara = altar; mesa para sacrifícios religiosos.
a) Considerando-se a forte presença da cultura da Antigüi-
dade Clássica em Os Lusíadas, a que se pode referir o
vocábulo “Amor”, grafado com maiúscula, no 5º verso?
b) Explique o verso “Tuas aras banhar em sangue humano”, relacio-
nando-o à história de Inês de Castro.
18 FUVEST-SP – Entende-se por literatura informativa no Brasil:
a) o conjunto de relatos de viajantes e missionários europeus sobre a
natureza e o homem brasileiros;
b) a história dos jesuítas que aqui estiveram no século XVI;
c) as obras escritas com a fnalidade de catequese do indígena;
d) os poemas do Padre José de Anchieta;
e) os sonetos de Gregório de Matos.
19 (UFPI-PI) – Quando se fala em “literatura colonial”, o período
abarcado por essa expressão corresponde:
a) ao século XVI, quando se escreveram os primeiros relatos sobre a
terra a ser colonizada;
b) ao século XVII, quando se intensifcou a produção de uma literatu-
ra voltada para a catequese dos índios e colonos;
c) ao século XVIII, quando se tornou presente em muitas obras um
sentimento de revolta contra a condição colonial;
d) sobretudo aos três primeiros séculos de nossa História, já que no
início do século XIX o Brasil se tornou independente;
e) sobretudo aos dois primeiros séculos de nossa História, já que
no século XVIII a literatura brasileira estava livre de infuências
externas.
20 (ESAM-RN) – As manifestações literárias nos três primeiros sécu-
los da nossa História sugerem uma lenta passagem:
a) da pura intenção informativa para a expressão nativista;
b) da pura expressão nativista para uma literatura de informação;
c) da pura expressão nativista para a propagação dos ideais nacio-
nalistas;
d) da propagação dos ideais nacionalistas para uma completa eman-
cipação cultural.
e) da pura intenção informativa para uma completa emancipação
cultural.
21 ESAL-MG – Assinale a alternativa que contém características in-
compatíveis com o estilo de época conhecido por Barroco:
a) contradições, sobrenatural humanizado, céu e terra ligados.
b) gosto pela polêmica, pelo panfeto, colisão de cores e excesso de
relevos.
c) sentido de universalidade, racionalismo e objetividade.
d) as coisas, pessoas e ações não são descritas mas apenas evocadas e
refetidas através da visão das personagens.
e) largo sentimento de grandiosidade e esplendor, de pompa e grande-
za heróica, expressos na tendência ao exagero e nos hiperbólico.
22 (UFU-MG) – Leia o soneto a seguir, de autoria de Gregório de
Mattos:
Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado,
Da vossa piedade me despido,
Porque quanto mais tenho delinqüido,
Vos tenho a perdoar mais empenhado.
Se basta a vos irar tanto pecado,
A abrandar-vos sobeja um só gemido,
Que a mesma culpa, que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.
Se uma ovelha perdida, e já cobrada
Glória tal e prazer tão repentino
vos deu, como afrmais na Sacra História:
Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada,
Cobrai-a, e não queiras, Pastor divino,
Perder na nossa ovelha a vossa glória.
(Gregório de Matos Guerra)
Assinale a alternativa INCORRETA:
a) No jogo de antíteses, o poeta vê-se como culpado, mas também
ovelha indispensável ao Pastor Divino.
b) O argumento do poeta, arrependido, contrói-se pelo jogo de idéias,
ou seja, o cultismo.
c) O poeta recorre ao texto bíblico para justifcar, perante Deus, a
necessidade de ser perdoado.
d) Segundo o poeta, o perdão de sua culpa favorecia a ambos: tanto
ao culpado, quanto ao Pastor Divino.
e) O poeta busca, em sua linguagem dualista, conciliar, poeticamen-
te, fé e razão.
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a maria dos PoVos, sua futura esPosa
Discreta, e formosíssima Maria,
Enquanto estamos vendo a qualquer hora,
Em tuas faces a rosada Aurora,
Em teus olhos e boca o Sol, e o dia:
Enquanto com gentil descortesia
O ar, que fresco Adônis te namora,
Te espalha a rica trança voadora,
Quando vem passear-te pela fria:
Goza, goza da for da mocidade,
Que o tempo trata a toda ligeireza,
E imprime em toda for sua pisada.
Oh não aguardes, que a madura idade,
Te converta essa for, essa beleza,
Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada.
(MATOS, Gregório de. Poemas escolhidos - Seleção de José Miguel
Wisnik. 2a ed. São Paulo: Cultrix, [s.d.])
23 Ufrj – 2006 – O poema se constrói por meio da oposição en-
tre dois campos semânticos, especialmente no contraste entre
a primeira e a última estrofes. Explicite essa oposição e retire,
dessas estrofes, dois vocábulos com valor substantivo – um de
cada campo semântico –, identifcando a que campo cada vocá-
bulo pertence.
24 Ufrj – 2006 – O primeiro verso da 3ª estrofe apresenta-se como
conseqüência de um aspecto central da visão de mundo barroca.
Justifque essa afrmativa com suas próprias palavras.
25 (UFU-MG) – Considere os fragmentos e as afrmativas que se
seguem:
“a maria dos PoVos, sua futura esPosa
Discreta, e formosíssima Maria,
Enquanto estamos vendo a qualquer hora,
Em tuas faces a rosada Aurora,
Em teus olhos e boca o Sol, e o dia:
Goza, goza da for da mocidade,
Que o tempo trata a toda ligeireza,
E imprime em toda a for sua pisada”.
(Gregório de Matos, Poesias selecionadas)
“Canção
Não te fes do tempo nem da eternidade
que as nuvens me puxam pelos vestidos,
que os ventos me arrastam contra o meu desejo!
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã morro e não te vejo!
(Cecília Meireles, Poesia completa)
I. Embora traço nítido e o mais distintivo do espírito barroco, a
consciência da transitoriedade da vida aponta em todas as épocas
literárias.
II. Nos versos de Cecília Meireles percebe-se o aspecto da ansiedade, que
está relacionado à insegurança do ser humano quanto ao amanhã.
III. Gregório de Matos fala do tempo que passa e destrói a beleza, con-
vidando a amada a desfrutar do amor sem demora.
IV. Nos versos de Gregório de Matos a natureza entra como metáfora da
beleza feminina; nos versos de Cecília Meireles não há metáforas.
V. Cecília Meireles e Gregório de Matos fazem parte de uma mesma
época literária.
Assinale:
a) Se todas as afrmativas forem corretas.
b) Se apenas as afrmativas I, II e III forem corretas.
c) Se apenas I for correta.
d) Se apenas I e IV forem corretas.
e) Se apenas I e V forem corretas
26 (FUVEST-SP) – A respeito de Pe. Antônio Vieira, pode-se afrmar:
a) Embora vivesse no Brasil, por sua formação lusitana não se ocu-
pou de problemas locais.
b) Procurava adequar os textos bíblicos às realidades de que tratava.
c) Dada sua espiritualidade, demonstrava desinteresse por assuntos
mundanos.
d) Em função de seu zelo para com Deus, utilizava-o para justifcar
todos os acontecimentos políticos e sociais.
e) Mostrou-se tímido diante dos interesses dos poderosos.
27 PUC-RIO julho 2006 –
Texto 1:
1 Navegava Alexandre em uma poderosa armada pelo Mar Eritreu a
conquistar a Índia, e como fosse trazido à sua presença um pirata
que por ali andava roubando os pescadores, repreendeu-o muito
Alexandre de andar em tão mau ofício; porém, ele, que não era
medroso nem lerdo, respondeu assim. — Basta, senhor, que eu,
porque roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubais em
uma armada, sois imperador? —
8 Assim é. O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza; o
roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito, os
lexandres. Mas Sêneca, que sabia bem distinguir as qualidades e
interpretar as signifcações, a uns e outros defniu com o mesmo
nome: Eodem loco pone latronem et piratam, quo regem
animum latronis et piratae habentem. Se o Rei de Mace-
dônia, ou qualquer outro, fzer o que faz o ladrão e o pirata, o
ladrão, o pirata e o rei, todos têm o mesmo lugar, e merecem o
mesmo nome.
[fragmento do sermão do bom ladrão, de Pe. antónio Vieira]
28 PUC-RIO – julho 2006 – Uma das mais importantes característi-
cas da obra do Padre António Vieira refere-se à presença constante
em seus sermões das dimensões social e política, somadas à reli-
giosa. Comente esta afrmativa em função do texto acima.
29 PUC-RIO – julho 2006 –
a) Em seu livro Introdução à Retórica, Olivier Reboul defne
fgura de sentido como um recurso de estilo que consiste em
“empregar um termo (ou vários) com um sentido que não lhe é
habitual”. Explique por que o emprego do termo Alexandres, na
linha 6, pode ser considerado uma fgura de sentido de acordo
com essa defnição.
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I V – Conati va ou apel ati va:
A intenção do emissor é fazer um apelo, infuenciar o comporta-
mento do receptor.
Ao elaborar uma mensagem com função conativa, além de o
emissor utilizar verbos no modo imperativo (modo que expressa or-
dem, desejo, convite, apelo), vale-se do vocativo para chamar a aten-
ção do receptor.
Observe a função conativa no último quadrinho abaixo:
COMPRE!
A função conativa ou apelativa é predominante nas mensagens
publicitárias, cujo objetivo é apelar, infuenciar o comportamento do
consumidor para adquirir o produto.
Veja o texto abaixo.
V – Poéti ca:
O emissor não se preocupa apenas com o signifcado da men-
sagem, ele enfatiza a construção, a elaboração, para impressionar o
receptor.
Na mensagem com função poética, o emissor utiliza rimas, ritmo
e sonoridade, enfm, a linguagem é cuidadosamente elaborada para
transmitir uma mensagem ao receptor.
Observe os textos:
“Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.”
Dito popular
erro de Português
“Quando o português chegou
Debaixo duma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português.”
Oswald de Andrade
Nas mensagens não-verbais, a função poética ocorre principal-
mente nas artes plásticas. Observe a imagem da fgura a seguir:
Modernismo: choque em obras
como O Homem Amarelo, de
Anita Malfatti.
VI – Metal i ngüí sti ca
No texto com função metalingüística, o código (língua portu-
guesa) é utilizado como assunto ou explicação do próprio código (a
palavra).
Essa função é utilizada pelos dicionários. Neles são obtidos, em
língua portuguesa, os signifcados das palavras da mesma língua.
São exemplos de metalinguagem:
1 — Mãe, o que é desumano?
— Desumano é seu pai, moleque!
2 “Faço versos como quem chora”
Manoel Bandeira
3 “Escrever e coçar é só começar”
Dito Popular
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1 Identifque as funções de linguagem predominantes nos textos
abaixo e classifque-as.
Sou doida
por esse
rapaz!
a)
b) “Olá, como vai?
Eu vou indo, e você, tudo bem?
Tudo bem, eu vou indo correndo
Pegar meu lugar no futuro
E você?”
Paulinho da Viola

c) “Boi, boi, boi,
Boi da cara preta,
Pega esse menino
Que tem medo de careta!”
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d) “Todo dia ela faz tudo sempre igual
Me sacode às seis horas da manhã
E sorri um sorriso sensual
E me beija com a boca de hortelã!”
Chico Buarque
e) Touro é o nome de um animal e um signo do zodíaco.
f) “Em cima do meu telhado,
Pirulin lulin lulin,
Um anjo todo molhado
Soluça no meu fautim”
Mário Quintana
g) “Os índios acham que o mundo está repleto de espíritos que ajudam a
ajeitar o caos (...)”
Revista Veja
F Oné t i c a: F One mas, L e t r as e
s í L ab as
Fonética, na gramática, é o estudo dos sons da fala.
Quando falamos, emitimos sons. Esses sons são chamados de
fonemas.
Então:
Fonema é o som que emitimos quando falamos.
Na linguagem escrita, os fonemas são representados por letras.
Logo,
Letra é a representação gráfca do fonema.
Se pronunciarmos pausadamente uma palavra, vamos perceber
que há nela grupos sonoros. São as sílabas! Cada sílaba é formada por
uma ou mais letras.
Então:
Sílaba é um fonema ou grupos de fonemas
emitidos de uma só vez.
Nem sempre a cada fonema corresponde uma letra, ou seja, nem
sempre o número de sons é igual ao número de letras.
Vejamos:
I) Na palavra “enchente”:
a) Há três grupos sonoros – três sílabas: en – chen – te.
b) Há oito letras: e – n – c – h – e – n – t – e.
c) Há cinco fonemas: / e // ch // e // t // e/.
Observação:
Costuma-se representar o fonema entre barras oblíquas (//).
II) Na palavra tórax:
a) Há dois grupos sonoros, duas sílabas – tó – rax.
b) Há cinco letras: t – ó – r – a – x.
c) Há seis fonemas: /t/ /o/ /r/ /a/ /k/ /s/.
Uma mesma letra pode representar mais de um fonema.
Ex.: sonho - /s/ - lê-se: sê.
Casa - /s/ - lê-se: zê.
A t i v i d A d e s
1 Explique a diferença entre fonema e letra.
2 Indique o número de fonemas, letras e sílabas das palavras seguintes:
a) História: e) Crucifxo:
b) Socorro: f) Além:
c) Inocente: g) Guerrinha:
d) Telhado: h) Agüenta:
3 Assinale a alternativa correta.
a) No vocábulo pezinho há 6 fonemas.
b) No vocábulo agulha há 5 fonemas.
c) No vocábulo hora há 4 fonemas.
d) No vocábulo brinquedo há 8 fonemas.
d) No vocábulo chuva há 5 fonemas.
4 Siga o modelo:
A palavra gente tem: 5 letras
4 fonemas
2 sílabas
a) leque: b) espelho:
c) carroça: d) lanchonete:
e) sombra:
5 (Cefet - PR) Ambivalência possui:
a) 11 fonemas e 12 letras.
b) 12 fonemas e 12 letras.
c) 9 fonemas e 11 letras.
d) 10 fonemas e 12 letras.
e) 10 fonemas e 10 letras.
c L as s i F i c açãO dOs F One mas,
e ncOnt rOs vOc áL i cOs, e ncOnt rO
cOns OnantaL e dí Gr aF O
De acordo com a pronúncia, os fonemas são classifcados em: vo-
gais, semivogais e consoantes.
VOGAIS - São os sons que chegam livremente
ao meio exterior: a, e, i, o, u. O som é mais forte.
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A vogal é sempre a base sonora da sílaba; não existe sílaba sem
vogal, nunca há mais de uma vogal em uma sílaba.
Observe:
pro – mes – sa
  
vogais
SEMIVOGAIS – Dá-se o nome de semivogais
ao i e ao u quando aparecem ligados a uma vogal,
formando uma sílaba com ela. O som é mais fraco.
Exemplo:
ca – dei – ra


semivogal
vogal
Lou – co


semivogal
vogal
Consoantes – São os sons produzidos quando a corrente de ar
vinda dos pulmões sofre alguma interrupção em sua trajetória em di-
reção ao meio exterior.
São consoantes: b, c, d, f, g, h, j etc.
Veja:
ca – dei – ra
  
consoantes
Lou – co
 
consoantes
enContro VoCáLiCo
Quando, em uma palavra, aparecem sons vocálicos um imediata-
mente após o outro, ocorre um encontro vocálico. Esses encontros
classifcam-se em: hiato, ditongo e tritongo.
I- Hiato é o encontro de duas vogais pronunciadas
separadamente
Exemplo:
ra – i – nha
  
vogais

hiato
sa – ú – de
  
vogais

hiato
II - Ditongo é o encontro de dois sons vocálicos emiti-
dos de uma só vez.
Exemplo:
Lou – co
 
vogal semivo-
gal
ditongo
Os ditongos apresentam a
seguinte formação:
a) Ditongo crescente – quando a semivogal (som mais fraco) an-
tecede a vogal (som mais forte).
Exemplo:
Má – rio
 
semivo-
gal
vogal
Ditongo crescente
Sé – rie
 
semivo-
gal
vogal
Ditongo crescente
b) Ditongo decrescente: quando a semivogal (som mais fraco)
vem depois da vogal (som mais forte).
Exemplo:
Pai
 
vogal semivogal
Ditongo
Vai – da – de
 
vogal semivogal
Ditongo
c) Ditongo oral: pronunciado somente pela boca.
Exemplo: caixa, história
d) Ditongo nasal: pronunciado parte pelo nariz e parte pela boca.
Exemplo: colchão, – mãe.
e) Ditongo aberto: troféu, lençóis.
f) Ditongo fechado: foi, nasceu.
Observação: Há ditongos que aparecem somente na pronúncia
e não na escrita.
Exemplo:
a – mém (a - mei)
o – lham (o - lhão)
III – Tritongo: é o encontro de uma
semivogal + uma vogal + uma semivogal
enContro ConsonantaL
É um grupo de duas ou mais consoantes no corpo da palavra, sem
nenhuma vogal intermediária.
Exemplo: cobra, crime, problema, substantivo, adjetivo.
Dí graf o
É um único fonema representado por duas letras.
São dígrafos:
gu – dengue, alguém.
qu – leque, aquilo.
rr – arreio, terra.
ss – passado, missa.
ch – chapéu, cheio.
nh – lenha, ninho.
lh – milho, calha.
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– para isso, o escritor pode usar e abusar das descrições.
Os elementos da narrativa são cinco e, com certeza, conhecido
de vocês:
PERSONAGEM: os personagens da narrativa estão envolvidos
com a história. Podem ser principais – quando diretamente partici-
pam da trama – ou secundários – quando participam de forma pouco
intensa da história, aparecem nas margens da trama. É importante
lembrar que os personagens devem ser caracterizados física e psico-
logicamente.
• ESPAÇO: o espaço da narrativa é o local onde se desenvolve a
história, o cenário. Já vimos que a descrição do espaço serve para
criar o clima que envolve o leitor nos acontecimentos. Também
a descrição do espaço pode caracterizar, de maneira indireta, um
personagem.
• TEMPO: o tempo da narrativa é quando acontece a história,
a data dos fatos e o desenrolar deles no tempo. Uma narrati-
va pode apresentar um enredo linear – quando os fatos vão se
desenrolando um depois do outro, em ordem cronológica de
tempo – ou um enredo não linear – quando a história começa e
é interrompida por uma volta ao passado para algo ser lembra-
do, é o que chamamos de fash-back, muito comum em flmes.
• NARRADOR: é quem conta a história, narra os fatos. O narrador
pode ser:
a) em 1ª pessoa, nesse caso ele é narrador personagem, conta
algo de que tenha participado. Ex: Eu fui à mercearia e lá pude
ver tudo que aconteceu, eu me assustei.
b) Em 3ª pessoa, nesse caso ele é narrador observador, não
participa da história, conta algo que aconteceu com os
outros, algo que viu ou fcou sabendo. Ex: Ele foi à mer-
cearia e lá pôde ver tudo que aconteceu, ele se assustou.
• Observação: em uma narrativa, só se admite a presença de um
tipo de narrador, ou em 1ª ou em 3ª pessoa, jamais um texto
apresentará os dois ao mesmo tempo.
• ENREDO: o enredo da narrativa é a história em si, a trama, os
acontecimentos.
A t i v i d A d e s
Algumas propostas de narrativas para você soltar a imaginação e
criar textos gostosos de serem lidos.
1 Continue a frase abaixo e desenvolva sua narrativa:
“A noite estava escura. Ela estava só, em seu quarto,
deitada na cama. Ao seu lado, um flete de sangue...”
2 Construa uma narrativa cujo personagem principal seja um palha-
ço triste.
3 Elabore um texto narrativo em prosa que contenha um enredo não
linear e que o espaço seja marcado por muitos móveis antigos, es-
curos, mas conservados.
4 Escreva uma narrativa cujo enredo gire em torno de um homem de
meia idade que não consegue, há 3 anos, arrumar um emprego. Dê
um fnal emocionante para sua história.
O e nre dO da narr at i va
Para entender melhor o enredo de uma narrativa, vamos ler o
texto abaixo:
o BiLhete do amor
“Logo que colocou os objetos embaixo da carteira, Pitu encon-
trou um bilhete. Leu, fcou vermelho, colocou no bolso, não mostrou
pra ninguém. De vez em quando, mordia-lhe uma curiosidade grande,
uma vontade de reler pra ter certeza. Era uma revelação que ele não
estava esperando. Não podia dizer que estivesse achando ruim, pelo
contrário... Ele estava com vontade de olhar pra trás, para as últimas
carteiras, e procurar uma resposta com o olhar. Era um tímido e não se
encorajava. A professora explicava num mapa as regiões do Brasil e ele
viajava em rumo diferente.
Ainda bem que ela não estava olhando pra ele, nem fazendo pergun-
tas, só estava expondo a matéria. Na hora da verifcação, acabaria sain-
do-se mal. Não gostava de ignorar as coisas perguntadas. Só não se saía
muito bem quando se tratava de fazer contas de números fracionários. A
professora mesma dizia-lhe que em Português e matéria de leitura e enten-
dimento ele se saía bem; em poesias românticas, em música sentimental.
Estava meio perdido nos pensamentos confusos. O bilhete queimando no
bolso. Uma vontade de relê-lo, palavra por palavra. Interessante, não era
um bilhete bem escrito, tinha até erro de Português – por que a curiosi-
dade? Só ele sabia dele, não foi como no dia do correio-elegante, pai, mãe
e seu Francisco do armazém querendo saber, dando palpites. Agora, tinha
um bilhete e era diferente. Tinha um bilhete que trazia uma declaração de
amor e uma assinatura. Trazia mais: trazia um convite para um bate-papo
na praça, às duas horas, se ele quisesse namorar de verdade.
Marina era bonitinha, ele queria. Faltava-lhe jeito de dizer, tinha
que escrever um bilhetinho respondendo, era mais fácil. No intervalo,
escreveu o bilhete, fechado no banheiro.
Quando ela chegou, a resposta a esperava na carteira. Quase no
fm da aula, ele criou força e olhou pra trás. Marina sorria, confrman-
do. Ele sorria também. Diversas vezes, ele olhou pra trás e a encontrou
olhando. Trocaram sorrisos e olhares. Os dois estavam vivendo uma
ternura primeira e não sabiam escondê-la mais. Tanto assim que a
professora pediu que virasse para frente, observasse o que ela estava
pedindo pra pesquisa do fm de semana. Naquele fm de semana, ele
iria pesquisar alguma coisa nova que não tinha experimentado, como
alguns outros de sua idade e turma.”
Elias José
Completa a narrativa, não é? Possui todos os elementos e muito
bem trabalhados; além disso, a história prende a atenção do leitor. Vo-
cês já aprenderam que uma história bem narrada tem que ter:
1- personagens bem descritos;
2- espaço bem descrito;
3- tempo bem trabalhado;
4- narrador em primeira ou terceira pessoa.
Pois bem, falta apenas vocês aprenderem uma coisa da narrativa:
o enredo. O enredo é a história em si, o que acontece com os persona-
gens. Por exemplo, o enredo do texto “O Bilhete do Amor” é a história
de um garoto que recebe um bilhete de uma menina; responde a este
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bilhete e vê seu amor correspondido.
Mas há algo mais. Para o enredo fcar bem trabalhado, nós temos
que pensar bem nele, em como narrá-lo, para prender a atenção do
leitor. Para que o enredo fque bom, vocês têm que observar as etapas
dele. Vejam a curva:
Vamos entender esta curva agora. Tudo começa com o surgimen-
to do problema. Em toda história, há um problema que acontece com
os personagens. No texto “O Bilhete do Amor”, o problema é o bilhete
que o personagem encontra embaixo de sua carteira. O problema que
surge tira os personagens do cotidiano. Por exemplo, o menino, se não
tivesse recebido o bilhete, estaria prestando atenção na aula.
Surgido o problema, ele não pode ser resolvido logo, o problema
tem que aumentar, gerando outros problemas. É essa demora e essa
complicação que gera a tensão do texto. É a tensão que faz com que o
leitor fque atento, preso ao texto, envolvido na narrativa.
O problema vai aumentando, aumentando, até que chega ao clí-
max. O clímax é o momento de maior tensão do texto, é o momento
em que algo acontece para solucionar o problema. O clímax do texto
“O bilhete do Amor” acontece no último parágrafo, quando o garoto
olha para trás e vê o sorriso de Marina.
Depois disso vem o desfecho da história, o fnal, e os personagens
retornam ao cotidiano pois o problema é resolvido. No texto que nós
lemos, o fnal é feliz, tudo acaba bem e os dois meninos vão namorar.
Agora vocês podem pensar bem no enredo das histórias de vocês.
A t i v i d A d e s
Agora que vocês já conhecem bem todos os elementos da narra-
tiva, vamos escrever histórias.
1 Escreva uma narrativa que termine com a frase: “Ele fnalmente ha-
via conseguido, estava com aquele sorrido ensolarado no rosto.”
2 Relacione os elementos abaixo e crie uma narrativa:
a) personagens: Juca, Cecília e os pais deles;
b) espaço: uma praia e um deserto;
c) tempo: enredo não linear;
d) narrador: em 1ª pessoa;
e) enredo: uma história de amor.
Observação: caso queira, pode incluir mais elementos – o que não
pode é deixar de usar algum desses dados acima.
3 Produza uma narrativa com o título: “A Surpresa Desagradável”.
t i P Os de de s F e c HO
As narrativas podem apresentar vários tipos de desfecho – ape-
sar do mais praticado ser o feliz. Vamos conhecer alguns desses fnais
para enriquecer ainda mais os textos que estamos produzindo.
• Final feliz: é aquele em que o problema é solucionado e os
personagens voltam ao cotidiano – esse é o tipo de fnal mais
comum, o exemplo clássico é o desfecho de uma novela, ele
sempre é feliz. Em uma história de amor com fnal feliz, os
amantes vencem todos os obstáculos e conseguem fcar juntos.
• Final triste: no fnal triste o problema não é solucionado e os
personagens não conseguem retornar ao cotidiano. Em uma
história de amor com fnal triste, os amantes não superam os
obstáculos e, mesmo apaixonados, não fcam juntos.
• Final trágico: é aquele fnal que envolve morte, sangue, enfm,
uma tragédia. Todo fnal trágico é triste, mas nem todo fnal
triste é trágico. Em uma história de amor com fnal trágico, os
amantes superam os obstáculos, mas, quando fnalmente vão
fcar juntos, um deles morre.
• Final cômico: é o fnal que gera risos no leitor – uma comédia,
portanto. Em uma história de amor com fnal cômico, os aman-
tes, após vencerem todos os obstáculos, estão em uma canoa,
num lago lindo, quase se beijando. Nesse momento, a canoa vira
e eles caem na água.
• Final aberto: é aquele em que o autor somente sugere o que vai
acontecer e o leitor deve imaginar o fnal. Esse recurso é muito
usado em cenas de sexo, em flmes. Vemos os atores se beijando e
deitando na cama; nesse momento, a cena é cortada e temos que
imaginar o que acontecerá depois. Percebam que, no fnal aberto,
o leitor não imagina o que quiser, o escritor dá todas as pistas
do que vai acontecer. Em uma história de amor com fnal aberto,
os amantes vencem todos os obstáculos e, na cena fnal, estão
sozinhos. Um olha para o outro e vão aproximando os lábios. O
texto pára aí, o leitor deve imaginar o beijo, ele não é narrado.
• Final inusitado: é o fnal inesperado, que surpreende o leitor. É,
com certeza, o desfecho que, às vezes, chega a irritar e despertar
ódio do leitor, que esperava algo totalmente diferente. Em uma
história de amor com fnal inusitado, os amantes vencem todos
os obstáculos e, quando fnalmente podem fcar juntos, perce-
bem que já não se amam mais.
A t i v i d A d e s
1 Escreva uma narrativa cujo enredo gire em torno da violência
urbana e produza, para a mesma história, pelo menos 3 tipos de
fnais diferentes.
2 Leia sua narrativa para toda a turma e discuta os fnais elaborados.
narr at i va
Vamos produzir uma narrativa relacionando todos os elementos
dados a seguir. Todos os elementos dados devem ser utilizados em sua
história – se quiser, pode criar outros mais. Não se esqueça de usar
bem as descrições, envolver o leitor na história e criar um fnal bem
legal para a narrativa.
• personagens: Fátima Zoraide – dona de uma banca de revistas,
vidente nas horas vagas e viciada em bombons.
• espaço: um sítio, uma banca de revistas, uma delegacia.
• tempo: enredo linear.
• narrador: 3ª pessoa.
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• enredo: um seqüestro.
t e x tO di s s e rtat i vO1- P OntO de
vi s ta e arGume ntO
Como já vimos, o texto dissertativo apresenta um ponto de vista
e argumentos. Mas o que seria exatamente isto?
Toda vez que você for solicitado a produzir um texto dissertativo,
será proposto um tema. Pois bem, a primeira coisa que você deve fa-
zer é interrogar este tema para saber seu ponto de vista sobre ele. Por
exemplo, vamos supor que o tema sugerido para sua dissertação seja
“Imunidade Parlamentar.”
O que você pensa sobre isto? É contra? A favor? Depende?
Sua resposta será seu ponto de vista. A princípio, você tem liber-
dade de ter qualquer ponto de vista sobre o problema. Não interessa
aos corretores de redação o que você pensa, mas sim como você defen-
de o que pensa. Portanto, bem mais importante que seu ponto de vista
são os argumentos que você apresentará para defender e justifcar suas
opiniões. Tudo tem que ser argumentado.
NÃO EXISTEM VERDADES NA DISSERTAÇÃO
Os argumentos são as bases de seu texto, você precisa pensar
bem antes de os apresentar. São os porquês, as justifcativas que leva-
rão seu leitor a entender seu ponto de vista. Portanto, a partir de hoje,
não existe opinião sem argumento – detalhe: brasileiro adora falar o
que pensa sem justifcar, deixe isso de lado, pelo amor de Deus! Você
deve mesmo fcar neurótico com argumentos, para tudo tente achar
um porquê.
Além de encontrar argumentos, você deve ter o cuidado de eleger
os que são bons. Lembre-se de que argumentos têm de ser racionais e
factuais. Pense no seguinte: “ FHC não é um bom presidente porque
ele é corrupto.”
O que é ponto de vista e o que é argumento na frase?
Com certeza você deve ter respondido que “FHC não é um bom
presidente” é ponto de vista e que “porque ele é corrupto” é argumen-
to. Mas está errado. Preste atenção. Dizer que FHC não é bom presi-
dente é expressar uma opinião, portanto, é um ponto de vista. Porém,
justifcar isto dizendo que ele é corrupto não é argumento, pois isto
também é uma opinião. Portanto, a frase apresenta como argumento
um outro ponto de vista. Argumento para a opinião de que FHC não é
um bom presidente seria apresentar a crescente taxa de desemprego.
Ninguém pode negar números, mas pode negar que ele seja corrupto.
Preste muita atenção ao selecionar seus argumentos, pense bem e
veja se são argumentos mesmo e não outros pontos de vista disfarçados.
A t i v i d A d e s
1 Para cada tema sugerido apresente, em forma de esquema, seu
ponto de vista e três argumentos:
a) Pena de morte
b) Racismo
c) Casamento gay
d) Aborto
e) Violência policial
f) Fome
2 Escolha um dos temas acima e desenvolva sua dissertação.
t e x tO di s s e rtat i vO2- O L e i tOr da
di s s e rtaçãO
Sempre que você escreve algo é para um leitor. Se você deixa um bi-
lhete, é para alguém ler, correto? No caso do bilhete, você conhece o leitor
e sabe como escrever para ele. Por exemplo, em um bilhete para uma mãe
preocupada, você explica direitinho onde está e pode até deixar um telefo-
ne para contato. Se o bilhete é para um amigo, você poderá ser informal,
mas se for para seu chefe, você, obrigatoriamente, deverá ser formal. E o
leitor de sua dissertação, como você deve imaginá-lo?
O leitor de sua dissertação é um desconhecido, portanto nem pense
em ser informal com ele, sua linguagem deve ser culta e, de maneira ne-
nhuma, você deve conversar com ele, praticar interlocução em seu texto
ou fazer alguma gracinha. Ele também sempre será contra seu ponto de
vista, daí a necessidade de você argumentar muito bem suas opiniões. E,
fnalmente, o mais importante: o leitor da dissertação é burro, não enten-
de nada, portanto tudo que você terá que explicar – e bem explicado –,
para ele nada é óbvio, tudo tem que ser detalhado.
Você já deve ter percebido que, para este leitor, não bastará apre-
sentar seus argumentos, você deverá explicá-los, detalhá-los exausti-
vamente, não deixando nenhum raciocínio encoberto. Pense que ele
veio de Marte e nada entende. Se você diz que o Brasil é um país cheio
de problemas, terá que explicar isso, por mais óbvio que pareça.
A t i v i d A d e s
1 Escolha três argumentos do exercício acima e desenvolva-os para
este leitor que nada entende.
2 Reescreva a dissertação que você fez agora pensando na questão
do leitor.
t e x tO di s s e rtat i vO3- L e i t ur a
dO t e ma
Um bom escritor é, antes de tudo, um bom leitor. Normalmente,
diante da proposta de redação, os alunos, ansiosos para terminarem,
mal prestam atenção no tema e já partem para a escrita. Erro fatal.
Você deve “perder tempo” lendo, com atenção, o tema, tem que o
entender bem, pensar sobre ele. Quando o examinador elabora uma
prova, ele já tem em mente exatamente o que quer testar no aluno.
Você tem que descobrir isso por meio da leitura atenta.
Os temas apresentam difculdades normalmente não percebidas
pelo aluno. Antes de partir para a escrita, há várias etapas que você
tem que cumprir e uma delas é pensar muito sobre o tema. Vamos a
um exemplo prático. Imagine que, em uma proposta, o tema fosse:
O JOVEM LÊ POUCO HOJE
Com certeza, acreditando no que é senso comum, todo aluno
partiria da “verdade” de que realmente o jovem lê pouco e começaria
rapidamente a escrever seu texto, feliz pois acha que o tema é fácil.
A partir daí encheria as páginas com colocações tais como: o jovem
é alienado, só pensa em TV, vídeo game, surf, coca-cola; os livros são
desinteressantes, não tratam de assuntos que atraiam os jovens; o pro-
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cOnj untOs numé ri cOs
F undame ntai s ( i )
• Conjunto dos Números Naturais:
N = {0, 1, 2, 3, 4, ... }
• Conjunto dos Números Naturais Não-Nulos
N* = {1, 2, 3, 4, 5, ... }
A t i v i d A d e s
1 Calcular:
a) 5 + 15 x 8 = ......
b) 72 : 12 x 3 = ......
c) 72 : (12 x 3) = ......
d) 5
6
: 5
3
= ......
e) 0
3
: 30 = ......
f) (2
3
)
2
= ......
g) 2
3
2
= ......
h) 144 81 - ·
i) (33 + 67) x 100 = ......
2 Assinale com V as sentenças verdadeiras, e com F as falsas:
a) ( ) 3 + 7 x 9 = 66
b) ( ) (3 + 7)
2
= 3
2
+ 7
2

c) ( ) 5
7
: (5
2
x 5
3
) = 25
d) ( ) (5
2
)
3
= 5
2
x 5
2
x 5
2

e) ( ) 33 x 97 + 67 x 97 = 9700
f) ( ) (33+67) x 97 = 9700
• Conjunto dos Números Inteiros: Z
= { ..., -3, -2, -1, 0, 1, 2, 3, ...}
• Conjunto dos Números Inteiros Não-Nulos
Z* = Z – {0}
• Conjunto dos Números Inteiros Não-Negativos
Z+ = {0, 1, 2, 3, 4, ...} = N
• Conjunto dos Números Inteiros Negativos Z
= { ..., -3, -2, -1}
• Qual é nome do conjunto indicado pelo símbolo Z–?
• E por Z ?
A t i v i d A d e s
1 Calcular:
a) (-3) – (-10) x 2 = ......
b) (-8) :(-4) = ......
c) 5 + 15 x (-2)
d) (-9)3 : 34 = ......
e) –1 x 102 = ......
f) –102 = ......
g) (-2)3 x (-3)2 = ......
h) (3 + 7)3 : (-10)2 = ......
2 Calcular o valor da expressão literal y = (m
2
– n
2
): (5m + 5n):
a) para m = 7 e n = -3
b) para m = n = -5
P r o b l e m A s
1 Uma fazenda retangular, que possui 10 km de largura por 20 km
de comprimento, foi desapropriada para reforma agrária. Se a fa-
zenda deve ser dividida para 200 famílias, de modo que todas rece-
bam a mesma área, então cada família receberá um lote de quantos
metros quadrados?
a) 1.000.000
b) 100.000
c) 5.000
d) 1.000
e) 10.000
2 Para fazer 12 bolinhos, preciso exatamente de 100g de açúcar,
50g de manteiga, meio litro de leite e 400g de farinha. A maior
quantidade desses bolinhos que serei capaz de fazer com 500g
de açúcar, 300g de manteiga, 4 litros de leite e 5kg de farinha é:
a) 48
b) 60
c) 72
d) 54
e) 42
3 João brinca de formar quadrados com palitos de fósforo como na
fgura a seguir:
Qual a quantidade de palitos para fazer 100 quadrados iguais a
estes?
a) 296
b) 293
c) 297
d) 301
e) 28
4 O alfabeto usado no planeta X tem somente duas letras: X e x. O
sobrenome (nome de família) de cada um de seus habitantes é
uma seqüência formada por 4 letras. Por exemplo, xXxx é um
possível sobrenome utilizado nesse planeta. O maior número
de sobrenomes diferentes que podem ser dados no planeta X é:
a) 12
b) 14
c) 15
d) 16
e) 18
5 Hoje é sábado. Daqui a 99 dias será:
a) segunda-feira
b) sábado
c) domingo
d) sexta-feira
e) quinta-feira
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cOnj untOs numé ri cOs
F undame ntai s ( i i )
Conjunto dos Números Racionais: é o conjunto dos números
que podem ser escritos sob a forma de fração, cujo numerador seja
um número inteiro e cujo denominador seja inteiro e diferente de zero.
Em símbolos: Q = {x|x =
a
b
coma Ze b Z , * ∈ ∈ }.
(O símbolo | é lido “tal que”)
A t i v i d A d e s
1 Calcule:
a)
12
20
5
20
- =
b)
3
5
1
4
- =
c)
5
12
5
4
10
12
¸
¸

-
¸
,
(
: =
d) −
¸
¸

¸
,
(

¸
¸

¸
,
(
3
4
1
2
3 5
: =
2 Assinale com V ou F:
a) ( ) Todo número inteiro é racional
b) ( ) O conjunto dos números inteiros (Z) está contido em Q
c) ( ) O número 0,7777... é uma dízima periódica simples
d) ( ) 0,7777... =
7
9
e) ( ) O número 0,252525... é uma dízima periódica simples
f) ( ) 0,252525... =
25
99
g) ( ) O número 0,277777... é uma dízima periódica composta
h) ( ) 0,277777... = 0,2 + 0,077777... = 0,2 + 0,7777... : 10
i) ( ) Toda dízima periódica simples ou composta é número racional
OP e r açõe s cOm núme rOs
r ac i Onai s
A t i v i d A d e s
1 Calcular:
a) 0,25 + 120 x 0,01
b) 5,25 – 1,7 x 2,5
c) 3 : 0,5 – 0,75 : 3
d) (0,2)
3
x 25 +
3
5
0 001 500 × × ,
e) (4,32 + 1,18) x 0,14
f) (8,75 : 0,14) : 0,25
g) (0,2401 : 7) : 0,07
2 Desafo: Uma bola de futebol é feita com 32 peças de couro. Doze
delas são pentágonos regulares e as outras 20 são hexágonos tam-
bém regulares. Os lados dos pentágonos têm a mesma medida
que os lados dos hexágonos, de forma que possam ser costurados.
Cada costura une dois lados de duas dessas peças. Quantas são as
costuras feitas na fabricação de uma bola de futebol?
a) 60
b) 64
c) 90
d) 120
e) 180
P r o b l e m A s
1 Queremos retirar uma única fração da soma
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2
1
4
1
6
1
8
1
10
1
12
- - - - -
1
2
1
4
1
6
1
8
1
10
1
12
- - - - -

para que a soma das restantes seja igual a
1. Isso é possível?
2 Uma peça de fazenda, ao ser molhada, encolhe
1
5
de seu compri-
mento, fcando com 28m. Quantos metros tinha a peça e quanto
custou se R$ 2,20 é o preço do metro?
3 Um trabalhador recebe um adiantamento de R$ 120,00, correspon-
dente a
3
8
de seu salário. Quanto ainda tem a receber?
4 Uma família gasta
1
5
de sua renda em alimentação e metade do
restante em manutenção da casa. Qual é a renda da família, saben-
do-se que, após estes gastos, sobra R$ 120,00?
5 Um ônibus faz sempre um determinado trajeto, demorando 6h e
gastando exatamente um tanque de diesel. Com um furo no tan-
que de combustível, ele gastou o mesmo tanque de combustível
em 2h 24min. Quanto de diesel do tanque escorreria se o ônibus
fcasse parado meia hora?
cOnj untOs numé ri cOs
F undame ntai s ( i i i )
Existem números que possuem parte decimal infnita e
não-periódica. Por exemplo: 2,01001000100001.... Este núme-
ro não pode ser transformado em fração, com numerador inteiro
e denominador diferente de zero. Números assim são chamados
de números irracionais. Outros exemplos de números irracionais:
2 5 45 3
3
10
2 2
, , , sen , log , π
o
etc.
Conjunto dos Números Reais (R): é o conjunto formado pela
reunião do conjunto dos números racionais e pelo conjunto dos nú-
meros irracionais. Outros subconjuntos de R:
R
*
= R – {0} R
+
= {x ∈ R| x ≥ 0} R
*

= {x ∈ R| x < 0}
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9
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5
m a t e m á t i c a
L i v r o 1
A t i v i d A d e s
1 Calcular:
a) 5 3 3 3 8 3 - − =
b) 5 3 3 3 .( ) − =
c)
( ) ( ) 2 32
3 6
-
=
d) 3 2 8
2
-
( )
=
e) 3 2 3 3 2 3 -
( )

) (
. =
f) 3 2 3
2

)
(
=
2 Assinale com V ou F:
a) ( ) A soma de dois números racionais é sempre um número racional
b) ( ) O produto de dois números irracionais pode ser um nú-
mero racional
c) ( ) 5 20 . = 10
d) ( ) 9 16 25 - ·
e) ( ) 5 5 2 5 - ·
f) ( ) – 10 > –100
g) ( ) 1 2 2 < <
h) ( ) 1,414
2
< 2 < 1,415
2
3 Calcular o valor numérico da expressão y = 3x
2
+5x +2
a) para x = – 1
b) para x = –
2
3
4 Calcular o valor numérico da expressão literal y = 100x
2
– 30x – 10:
a) para x = – 0,2
b) para x =
1
2
P r o b l e m A s
1 Uma linha de transmissão de energia elétrica possui 12 torres,
todas elas guardando a mesma distância entre si. Sabe-se que a
distância entre a terceira e a sexta torres é igual a 3.300m. Qual é
(em km) o comprimento desta linha?
2 O quociente de 50
50
por 25
25
é igual a
a) 25
25

b) 10
25

c) 100
25

d) 2
25

e) 2 x 25
25
3 No planeta Z todos os habitantes possuem 3 pernas e cada carro
possui 5 rodas. Em uma pequena cidade desse planeta, existem,
ao todo, 97 pernas e rodas. Então podemos afrmar (uma única
alternativa é correta):
a) É possível que existam 19 carros nessa cidade.
b) Existem no máximo 16 carros nessa cidade.
c) Essa cidade tem 9 habitantes e 14 carros.
d) Essa cidade possui no máximo 17 carros.
e) Nessa cidade existem mais carros do que pessoas.
4 Pedro e Maria formam um estranho casal. Pedro mente às quar-
tas, quintas e sextas-feiras, dizendo a verdade no resto da semana.
Maria mente aos domingos, segundas e terças-feiras, dizendo a
verdade nos demais dias. Certo dia, ambos dizem: “Amanhã é dia
de mentir”. O dia em que foi feita esta afrmação é:
a) Segunda-feira
b) Terça-feira
c) Domingo
d) Sexta-feira
e) Quinta-feira
5 Observe as igualdades a seguir:
Observe que x
2
– y
2
= (x + y)(x – y)
3
2
= 5
2
– 4
2
5
2
= 13
2
– 12
2

7
2
= 25
2
– 24
2
9
2
= 41
2
– 40
2

Considere a igualdade 17
2
+ x
2
= y
2
, e com base nos exemplos
acima dados, determine o valor de x + y:
a) 289
b) 121
c) 81
d) 144
e) 196
e quaçãO dO 2
O
Gr au ( i )
É toda equação da forma a.x
2
+ b.x + c = 0, onde b e c são números
reais quaisquer e a é um número real diferente de zero.
Uma equação do segundo grau pode ser completa (quando a, b e
c são todos números reais diferentes de zero), ou incompleta (quando
b e/ou c são nulos).
Exemplos de equações incompletas: 3x
2
= 0; 7x
2
– 6x = 0; –x
2
+ 49 = 0.
São equações completas do 2
o
grau: 3x
2
– x +
2
3
= 0; 7x
2
– 6x + 2
= 0; – x
2
+0,01x – 9 = 0
A t i v i d A d e s
1 Completar o seguinte quadro, determinando os valores dos coe-
fcientes das equações do 2
o
grau. Assinale ainda se são equações
completas ou incompletas:
a b c completa incompleta
3x
2
= 0
7x
2
– 6x = 0
–x
2
+ 49 = 0
3x
2
– 0x + 9 = 0
7x
2
– 6x + 2 = 0
–x
2
+ 0,01x – 9 = 0
R
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c u r s o p r é - v e s t i b u l a r
L i v r o 1
m a t e m á t i c a
2 Um número real r é solução (raiz ou zero) de uma equação do 2
o

grau ax
2
+ bx + c = 0, se ar
2
+ br + c = 0. Assim, –3 é raiz de 3x
2
+ 5x
– 12 = 0 porque 3(–3)
2
+ 5(–3) – 12 = 0. Assinale com V ou F:
a) ( ) Tanto –2 quanto 5 são raízes da equação x
2
–3x – 10 =0
b) ( ) Tanto 0,2 quanto – 0,5 são zeros da equação 100x
2
– 30x – 10 = 0
c) ( )
3
5
é solução da equação 9x
2
–30x + 25 = 0
d) ( ) Tanto – 5 quanto 5 são raízes da equação – x
2
– 25 = 0
e) ( ) Tanto – 5 quanto 5 são raízes da equação – x
2
+ 25 = 0
Obs.: – x
2
= (–1).x
2
e quaçãO dO 2
O
Gr au ( i i )
Uma equação do 2
o
grau, quando resolvida no conjunto dos nú-
meros reais, pode apresentar duas raízes reais (distintas ou iguais en-
tre si), ou não possuir solução real. Por exemplo:
• x
2
– 5x + 6 = 0 raízes: x’ = 2 e x” = 3 V = {2, 3}
• x
2
– 2x + 1 = 0 raízes: x’ = x” = 1 V = {1}
• x
2
+ 1 = 0 raízes: não existe raiz real V = ∅
De fato, a expressão x
2
não assume valores menores que zero,
qualquer que seja o número real x. Logo, x
2
+ 1 não pode ser igual a
zero, pois não é menor que 1.
Existem três tipos de equações incompletas do 2
o
grau:
I) a.x
2
= 0 II) a.x
2
+ b.x = 0 III) a.x
2
+ c = 0

Ti po I ) Resol ução de equações i ncompl etas:
Resolver, supondo x ∈ R, a equação 5x
2
= 0
5 0
0
5
0 0 0
2 2
x x x x · ⇒ · ⇒ ⇒ · ± ⇒ · V = {0}
Toda equação do tipo I possui apenas o número real zero como
raiz (dupla): x’ = x” = 0.
3x
2
+ 6x = 0 ⇒ 3.x.x + 2.3.x = 0 (3.x é fator comum, e pode ser
colocado em evidência)
⇒ 3.x.(x + 2) = 0 ⇒
(*)
x
ou
x x
·
- · ⇒ ·−
¸
¸

0
2 0 2
(*) Um produto de três números reais só é igual a zero se pelo
menos um deles for igual a zero.
a) Resolver, supondo x ∈ R, a equação – 3x
2
+ 7x = 0
– 3x
2
+ 7x = 0 ⇒ –3.x.x + 7.x = 0 (x é fator comum, e pode ser
colocado em evidência)
⇒ x.(–3x + 7) = 0 ⇒
x
ou
x x x x
·
− - · ⇒− ·− ⇒ · ⇒ ·
¸
¸

0
3 7 0 3 7 3 7
7
3

V = 0
7
3
,
¦
¦
'
'
b) Resolver, supondo x ∈ R, a equação – x
2
+ x = 0
c) Resolver, supondo x ∈ R, a equação –3x
2
– 6x = 0
A t i v i d A d e s
1 Resolver, no conjunto dos números reais, as seguintes equações do
2
o
grau:
a)
0 01
1 2
,
-
x
2
= 0

b) 5x
2
+ 25x = 0
c) (x + 2)
2
– 3x – 4 = 0
d) (2x – 1)
2
– (1 – 3x)
2
= x
e) (3x + 1)(3x – 1) +1 = 18x

f)
x
2
2
2
-
¸
¸

¸
,
(
+ (x + 2)(x – 2) = 2x
2 Quando um produto de dois ou mais fatores reais é igual a zero,
pelo menos um dos fatores deste produto é zero. Resolva as equa-
ções a seguir, sem efetuar os produtos indicados:
a) (x + 2)(x – 3) = 0
b) (x –1)(x – 2)(x – 3) = 0
c) x(3x – 6)(2x + 3) = 0
d) 3x
2
(x – 2)
2
(x + 1)
3
= 0
e quaçãO dO 2
O
Gr au ( i i i )
Ti po I I ) Resol ução de equações i ncompl et as:
a) Resolver, supondo x ∈ R, a equação x
2
– 25 = 0
x
2
– 25 = 0 (com não há fator comum que possa ser colocado em
evidência, x
2
é isolado) ⇒ · ⇒ x
2
25

x
ou
x
x
ou
x
·-
·−

·
·−
¦
'
¦
'
¦
¦
'
¦
'
¦
25
25
5
5

V = {– 5, 5}
b) Resolver, supondo x ∈ R, a equação –9 x
2
+ 50 = 0
–9 x
2
+ 50 = 0 ⇒
− ( ) 1
9x
2
= 50 ⇒


·-
·−

·
·−
¦
'
¦
¦
¦
'
¦
¦
¦
¦
'
¦
¦
¦
'
¦
¦
¦
x
ou
x
x
ou
x
50
9
50
9
5 2
3
5 2
3

V =

± ¦
'
'
¦
`
'
5 2
3



c) Resolver, supondo x ∈ R, a equação 9 x
2
+ 25 = 0
9x
2
+ 25 = 0 ⇒ 9x
2
= – 25 ⇒


·-

∉ℜ
·−

∉ℜ
¦
'
¦
¦
¦
'
¦
¦
¦
x
ou
x
25
9
25
9
V = ∅
R
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Q u e s t Õ e s v e s t i b u l a r • m a t e m á t i c a
zes e assim sucessivamente, sempre aumentando em 4 unidades
o número de convites feitos na semana anterior. Imediatamente
após ter feito o último dos 492 convites, o número de semanas já
decorridas desde o primeiro convite era igual a:
a) 10.
b) 12.
c) 14.
d) 16.
24 UNEB – BA Sabe-se que a progressão aritmética (1, 4, 7, 10,...)
possui x termos com três dígitos. Assim sendo, pode-se concluir
que x é igual a:
a) 299
b) 300
c) 301
d) 305
e) 308
25 UFBA 1996 – Numa progressão geométrica, o primeiro termo é
igual a 7500, e o quarto termo é igual a 20% do terceiro. Determi-
ne o quinto termo da progressão.
26 UCS – RS Um empresário queria fabricar um brinquedo que per-
mitisse formar “pirâmides” de bolinhas como a que é mostrada na
fgura.
Sua primeira idéia foi produzir caixas com a quantidade de boli-
nhas sufciente para formar uma pirâmide com 10 “andares”. No
entanto, o empresário desistiu da idéia quando percebeu que, para
construir apenas a base da pirâmide de 10 “andares”, seriam ne-
cessárias:
a) 35 bolinhas.
b) 45 bolinhas.
c) 55 bolinhas.
d) 65 bolinhas.
e) 75 bolinhas.
27 UEFS – BA – Os números que expressam os ângulos de um qua-
drilátero, estão em progressão geométrica de razão 2. Um desses
ângulos mede:
a) 28°
b) 32°
c) 36°
d) 48°
e) 50°
28 UFRN–RN – Um fazendeiro dividiu 30 km
2
de suas terras entre
seus 4 flhos, de idades distintas, de modo que as áreas dos ter-
renos recebidos pelos flhos estavam em progressão geométrica,
de acordo com a idade, tendo recebido mais quem era mais velho.
Ao flho mais novo coube um terreno com 2 km
2
de área. O flho
que tem idade imediatamente superior à do mais novo recebeu um
terreno de área igual a:
a) 10 km
2
b) 8 km
2

c) 4 km
2
d) 6 km
2
29 UEL–PR – Tome um quadrado de lado 20 cm (Figura 1) e retire sua
metade (Figura 2). Retire depois um terço do resto (Figura 3). Con-
tinue o mesmo procedimento, retirando um quarto do que restou,
depois um quinto do novo resto e assim por diante. Desse modo,
qual será a área da Figura 100?
Figura 1 Figura 2 Figura 3
a) 0
b) 2 cm
2
c) 4 cm
2
d) 10 cm
2
e) 40 cm
2
30 PUC-RIO – Uma carteira de investimento rende 2% ao mês. De-
pois de três meses, R$ 1.500,00 aplicados cumulativamente nesta
carteira valem aproximadamente:
a) R$ 1.550,00
b) R$ 1.590,00
c) R$ 1.690,00
d) R$ 1.750,00
e) R$ 1.900,00
31 UFF-RJ – Certas imagens captadas por satélites espaciais, quan-
do digitalizadas, são representadas por formas geométricas de
aspecto irregular ou fragmentado, conhecidas por fractais. Po-
dem-se obter tais fractais pela alteração da forma original de
uma curva por meio de um processo em que os resultados de uma
etapa são utilizados como ponto de partida para a etapa seguinte.
Considere o processo tal que, em todas as etapas, cada segmento
de reta é transformado em uma poligonal cujo comprimento é
quatro vezes a terça parte do segmento original, como ilustrado
na fgura a seguir:
Por esse processo, a partir de um quadrado com 1 metro de lado,
obtém-se a seqüência de fguras:
c u r s o p r é - v e s t i b u l a r
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MAT L i v r o 1
Q u e s t Õ e s v e s t i b u l a r • m a t e m á t i c a
O perímetro, em metro, do quinto polígono dessa seqüência é:
a)
4
3
4
4
b)
4
3
4
5
c)
4
3
5
4
d)
3
4
5
5
e)
3
4
4
4
32 UERGS-RS – O valor de x na expressão logarítmica
z
log
3
6
8
1
6
x
log log
2 6
=
a) 0.
b) 1/3
c) 3.
d) 3
3
e) 3
33 FAVIC – Se x = log
2
96, então x está compreendido entre:
a) 6 e 7
b) 10 e 11
c) 12 e 13
d) 20 e 21
e) 96 e 97
34 UNEB–BA – Sabendo-se que log
2
x = 3 log
2
27 + log
2
(1/9), pode-se
concluir que log
3
x é igual a:
a) -1
b) 0
c) 3
d) 9
e) 7
35 UFG-GO – Se a curva da fgura representa o gráfco da função y = log
x, onde x é um número positivo, calcule o valor da área hachurada.
36 UFES-ES – Sabe-se que log
10
3 = 0,477, aproximado até a terceira
casa decimal. O número de algarismos do inteiro N = 30
30
é igual a :
a) 43
b) 44
c) 45
d) 46
e) 47
37 UFRN-RN – A acidez de uma solução depende da sua concentração
de íons hidrogênio [H
+
]. Tal acidez é medida por uma grandeza de-
nominada pH, expressa em escala logarítmica de base 10
-1
. Assim,
quando dizemos que o pH de uma solução é x, signifca que a con-
centração de íons hidrogênio é 10
–x
Mol/L. O pH do café é 5 e o do
leite de magnésia é 10. Podemos dizer que o café, em relação ao leite
de magnésia, apresenta uma concentração de íons hidrogênio:
a) 100 vezes maior.
b) 1 000 vezes maior.
c) 10 000 vezes maior.
d) 100 000 vezes maior.
38 UFRN-RN – Na década de 30 do século passado, Charles F. Richter
desenvolveu uma escala de magnitude de terremotos - conhecida
hoje em dia por escala Richter -, para quantifcar a energia, em
Joules, liberada pelo movimento tectônico. Se a energia liberada
nesse movimento é representada por E e a magnitude medida em
grau Richter é representada por M, a equação que relaciona as duas
grandezas é dada pela seguinte equação logarítmica:
log
10
E = 1,44 +1,5 M
Comparando o terremoto de maior magnitude ocorrido no Chi-
le em 1960, que atingiu 9.0 na escala Richter, com o terremoto
ocorrido em San Francisco, nos EUA, em 1906, que atingiu 8.0,
podemos afrmar que a energia liberada no terremoto do Chile é
aproximadamente:
a) 10 vezes maior que a energia liberada no terremoto dos EUA.
b) 15 vezes maior que a energia liberada no terremoto dos EUA.
c) 21 vezes maior que a energia liberada no terremoto dos EUA.
d) 31 vezes maior que a energia liberada no terremoto dos EUA.
39 UFF-RJ – No dia 6 de junho de 2000, um terremoto atingiu a cidade
de Ancara, na Turquia, com registro de 5,9 graus na escala Richter e
outro terremoto atingiu o oeste do Japão, com registro de 5,8 graus
na escala Richter. Considere que m
1
e m
2
medem a energia liberada
sob a forma de ondas que se propagam pela crosta terrestre por ter-
remotos com registros, na escala Richter, r
1
e r
2
, respectivamente.
Sabe-se que estes valores estão relacionados pela fórmula
r
1
– r
2
= log
10
(m
1
- m
2
)
Considerando-se que r
1
seja o registro do terremoto da Turquia e r
2
o
registro do terremoto do Japão, pode-se afrmar que (m
1
/m
2
) é igual a:
a) 10
–1
b) 10
0,1
c) (0,1)
10
d) 10/0,1
e) 1/0,1
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Q u e s t Õ e s v e s t i b u l a r • m a t e m á t i c a
40 UFPR-PR – O nível sonoro de um som de intensidade I, medido
em decibéis, é calculado pela fórmula
10
0
×log
l
l
, onde log re-
presenta o logaritmo na base 10 e Io é um valor de referência, que
corresponde aproximadamente à menor intensidade de som audível
ao ouvido humano. Com base nestas informações, é correto afrmar:
(1) Se um som tem intensidade I
0
, então o seu nível sonoro é igual a
zero.
(2) Um som de 1 decibel tem intensidade igual a 10 x I
0
.
(4) Um som de 40 decibéis tem intensidade igual a 10000 x I
0
.
(8) Se um som tem nível sonoro de 10 decibéis, então outro som que
é dez vezes mais intenso que aquele tem nível sonoro igual a 100
decibéis.
(16) Se três sons têm níveis sonoros de 50, 60 e 70 decibéis, e suas
intensidades são, respectivamente, I
1
, I
2
, e I
3
, então esses números
formam, nessa ordem, uma progressão geométrica.
41 UFF–RJ – A automedicação é considerada um risco, pois, a uti-
lização desnecessária ou equivocada de um medicamento pode
comprometer a saúde do usuário: substâncias ingeridas difunde-
se pelos líquidos e tecidos do corpo, exercendo efeito benéfco ou
maléfco. Depois de se administrar determinado medicamento a
um grupo de indivíduos, verifcou-se que a concentração (y) de
certa substância em seus organismos alterava-se em função do
tempo decorrido (t), de acordo com a expressão
y = y
0
x 2
-0,5t
em que y
0
é a concentração inicial e t é o tempo em hora. Nessas
circunstâncias, pode-se afrmar que a concentração da substância
tornou-se a quarta parte da concentração inicial após:
a) 1/4 de hora.
b) meia hora.
c) 1 hora.
d) 2 horas.
e) 4 horas.
42 PUC-RIO – Os valores de x, tais que o logaritmo de (2x² + 1) na
base 10 é igual a 1, são:
a) 1 e –1
b)
1
2
1
2
e −
c) 3 e –3
d)
3
2
3
2
e −
e) 1 e –2
43 CEFET-PR – Dados log 2 = 0,301 e log 3 = 0,477, o valor mais
próximo de x real na equação 3 + 6
x
. 4 = 183 é:
a) 1,93.
b) 2,12.
c) 2,57.
d) 2,61.
e) 2,98.
44 UFPB – O conjunto solução da equação log
x-2
(7-2x)=2 é:
a) S={3,-1}
b) S={1,-3}
c) S={1}
d) S={3}
e) S={-1}
45 UFPB-PB – Em uma comunidade de bactérias, há inicialmente 10
6

indivíduos. Sabe-se que após t horas (ou fração de hora) haverá
Q(t)= 10
6
x 3
2t
indivíduos. Neste caso, para que a população seja o
triplo da inicial, o tempo, em minutos, será:
a) 10
b) 20
c) 30
d) 40
e) 50
46 FTE-PR – Visando atingir uma meta de produção, uma em-
presa usa a função f(t) = 135 - 135.3
-0,2t
como parâmetro para
estabelecer o número mínimo de peças a serem produzidas
por seus funcionários a cada dia t, a partir da data de sua ad-
missão. Nessas condições, espera-se que a produção mínima
de 130 peças seja alcançada por funcionários trabalhando, no
máximo, há:
a) 5 dias.
b) 8 dias.
c) 10 dias.
d) 15 dias.
e) 20 dias.
47 UFSCar-SP – A altura média do tronco de certa espécie de árvore,
que se destina à produção de madeira, evolui, desde que é planta-
da, segundo o seguinte modelo matemático:
h(t) = 1,5 + log
3
(t+1),
com h(t) em metros e t emanos. Se uma dessas árvores foi corta-
da quando seu tronco atingiu 3,5 m de altura, o tempo (em anos)
transcorrido do momento da plantação até o do corte foi de:
a) 9
b) 8
c) 5
d) 4
e) 2
48 UFMG-MG – Seja
n =

8
2 2
15 45 log log
Então, o valor de n é:
a) 5
2
b) 8
3
c) 2
5
d) 5
3
49 PUC-SP – A energia nuclear, derivada de isótopos radiativos, pode
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cOmO s ãO Os s e re s vi vOs?
Chamamos de seres vivos o conjunto muito diversifcado de estru-
turas encontradas em quase toda a extensão da superfície terrestre, que
realizam continuamente uma série de atividades para obter energia, cres-
cer e reproduzir-se, perpetuando, dessa maneira, sua existência na Terra.
Leia atentamente os comentários a seguir, que lhe darão uma
noção da diversidade do que chamamos de “seres vivos”.
1. Os corais são organismos que vivem sempre em colônias, por vezes
de centenas de quilômetros de extensão, em águas quentes e rasas,
e que produzem uma secreção calcária com função de esqueleto de
sustentação. Ao morrerem, estes esqueletos servem de base sobre a
qual se apóiam as gerações seguintes. O acúmulo sucessivo destes
esqueletos forma depósitos de centenas de metros de profundidade,
os famosos recifes de corais, típicos do Nordeste brasileiro.
2. A medusa irukandji, pertencente ao mesmo flo dos corais, é uma
espécie de “vespa do mar”, que, tendo apenas o tamanho de um
amendoim, produz em seus tentáculos um veneno potente, capaz
de matar um banhista incauto em apenas 5 minutos.
3. Os dinofagelados são unicelulares, de hábitat marinho, dotados
de pigmentos alaranjados ou avermelhados e que eventualmente
proliferam rapidamente, sofrendo uma verdadeira explosão popu-
lacional conhecida como forada, que tinge as águas de laranja ou
vermelho: são as chamadas Marés Vermelhas. Tais protistas pro-
duzem toxinas que atacam o sistema nervoso dos peixes, causando
uma mortandade generalizada de peixes e lagostas.
4. Algumas espécies de ostras perlíferas, quando um elemento estra-
nho penetra abaixo de sua concha, produzem uma secreção que se
deposita em camadas concêntricas em torno do corpo estranho,
formando, assim, a pérola.
5. Os flhotes de gambá, ao nascerem, medem apenas 1cm e fcam na
bolsa da mãe por 70 dias, onde se prendem a uma glândula mamária
até que se desenvolvam e tenham condições de enfrentar o meio.
6. O maior cajueiro do mundo encontra-se na praia de Pirangi, litoral do
Rio Grande do Norte, e tem mais de 400 metros quadrados de área.
7. As grandes árvores de climas temperados apresentam dois períodos
de crescimento em espessura anuais: na primavera e após o inverno,
quando se formam anéis mais largos e claros, e no outono, durante
a estação seca, com anéis mais estreitos e escuros. Os anéis mais
velhos são os mais internos; os mais novos, os mais externos. A aná-
lise dos anéis de crescimento para o estabelecimento da idade de um
bristlecone, pinheiro dos EUA, indicou 9.000 anos.
8. Embora as algas sejam basicamente organismos unicelulares mi-
croscópicos, são elas, e não as grandes árvores das forestas, res-
ponsáveis pela produção de 90% do oxigênio atmosférico.
9. Você sabia que a cidade mais verde do mundo é Paris, capital da Fran-
ça? E a segunda cidade mais verde do mundo é João Pessoa, capital do
estado da Paraíba – sendo esta, ainda, a cidade mais verde das Améri-
cas. Esses dados são reconhecidos ofcialmente pela ONU.
10. Os tubarões atacam surfstas, pois estes, aguardando por uma
onda, fcam deitados sobre a prancha e com os braços e as pernas
soltos na água, o que dá a impressão, ao tubarão, de tratar-se de
uma tartaruga. Ele, então, abocanha sua presa. Ao notar que o sa-
bor não corresponde ao de uma tartaruga, o tubarão larga a presa
e desaparece, sendo este, portanto, o motivo de não devorar o sur-
fsta por inteiro. Órgãos arrancados de surfstas incautos na praia
da Boa Viagem, em Pernambuco, foram encontrados após ataques
em pontos diversos do litoral de Recife.
11. Alguns tubarões têm uma gestação de nove meses, como os seres
humanos. Há certos ratos cuja gestação é de apenas 15 dias; a ele-
fante fêmea carrega o flhote no ventre por dois anos.
12. Alguns animais, como o elefante, pressentem sua morte e, então,
se separam do grupo para morrerem em um lugar isolado.
13. O lugar mais seco do mundo é o deserto do Atacama, no Chile. Não
houve chuvas lá entre os anos 400 e 1971.
14. Um camelo consegue beber 120 litros de água em dez minutos. Ele
retém água por dias. Pode andar de 200 a 270 Km por dia. As gira-
fas e os ratos podem viver sem água mais tempo que o camelo.
15. Os dinossauros dominaram a Terra durante 140 milhões de anos. A
família dos cães existe há, aproximadamente, 15 milhões de anos. O
homem está na Terra há apenas dois milhões e meio de anos!
16. No inverno, algumas borboletas do hemisfério Norte voam mais
de 3.500km em direção ao sul, para temperaturas mais amenas. Já
as baleias Jubartes migram da Antártida para as águas quentes do
Nordeste brasileiro, para darem à luz em águas quentes.
17. Os animais mais abundantes do planeta são os insetos. Calcula-se
em acima de 3 milhões o número de espécies, das quais cerca de
um milhão já foram catalogadas.
18. A barata é um dos campeões de velocidade do reino animal. Pode
percorrer um metro por segundo, considerando-se o seu tamanho
– proporcionalmente, para um homem equivaleria a correr 150
quilômetros por hora. A barata é, também, campeã de dribles, ca-
paz de desviar o rumo, em plena corrida, 25 vezes por segundo.
19. A harpia é uma ave de rapina que paira a centenas de metros de
altura e campeã em vôo de mergulho, desce em picada a uma velo-
cidade superior a cem quilômetros por hora.
20. As preguiças não bebem água; retiram-na do próprio alimento. São
folívoros. A seletividade alimentar das preguiças é notavelmente
alta. As preguiças alimentam-se de folhas novas de um número
restrito de árvores. Por meio do olfato, selecionam a folha ou par-
te da folha que preferem para se alimentar. É provável que elas
precisem ingerir folhas de mais de uma espécie de árvore para sa-
tisfazer plenamente as suas necessidades nutricionais.
21. Na Amazônia, existe uma espécie de escorpião cuja picada causa
espasmos semelhantes a choques elétricos. Durante 24 horas após
a picada, a vítima sofre espasmos musculares generalizados, como
se tivesse enfado os dedos em uma tomada de 220 volts.
22. Os jacarés e os crocodilos não mastigam, apesar da queixada pode-
rosa e de toda aquela dentadura aparente. Apenas arrancam a car-
ne das presas aos pedaços e os engolem por inteiro, por isso fcam
entorpecidos e indefesos durante largo tempo, até que o estômago
tenha conseguido digerir a refeição.
23. O avestruz é o animal mais medroso da natureza. Ele se assusta
até com uma simples borboleta. Muito veloz, chega a correr 65
quilômetros por hora, mas, quando se vê encurralado, simples-
mente esconde a cabeça em um buraco na terra.
24. O peixe elétrico mais potente é a enguia elétrica ou poraquê (Elec-
trophorus electricus), existentes nos rios da Bacia Amazônica no
Brasil, Colômbia, Venezuela e Peru. Um exemplar de tamanho
médio tem capacidade para descarregar de 1 ampére a 400 volts,
carga elétrica sufciente para derrubar um cavalo.
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1 Associe as fguras a seguir aos itens do texto, enumerando-as de
acordo com o número dos itens do texto.
12
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as c ar ac t e rí s t i c as dOs
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Os seres vivos constituem um grupo extraordinariamente hete-
rogêneo e diversifcado, mas com um conjunto de características em
comum e que não ocorrem na matéria bruta. Estas propriedades cons-
tituem as características gerais dos seres vivos.
• Composição química muito complexa, com a presença de molécu-
las orgânicas exclusivas dos seres vivos, como as proteínas, os
lipídeos, os carboidratos e os ácidos nucléicos.
• Organização celular, isto é, as moléculas que constituem a matéria
viva estão organizadas em estruturas muito complexas chama-
das células.
• Capacidade de nutrição, absorvendo matéria e energia do ambien-
te para manter suas funções vitais, bem como para seu desenvol-
vimento.
• Capacidade de reações a estímulos do ambiente.
O cachorro reage aos estí-
mulos com agressividade ou
submissão.
A planta Mimosa pudica
reage ao toque recolhendo
os folíolos.
• Capacidade de manter seu meio interno em condições adequadas,
independentemente dos fatores externos, como calor e frio.
• Capacidade de crescimento e reprodução, originando descenden-
tes semelhantes.
• Capacidade de modifcar-se ao longo do tempo, por meio do pro-
cesso de evolução, desenvolvendo adaptações adequadas à sobre-
vivência.
Esse conjunto de características depende do controle interno exer-
cido pelo material genético, constituído por moléculas de ácido nucléi-
co, mais particularmente do ácido desoxirribonucléico ou DNA. É esta
substância, presente apenas nos seres vivos e produzida em cada uma
das células, que determina as semelhanças e as diferenças entre os seres
vivos que habitam com exclusividade o nosso planeta Terra.
A t i v i d A d e s
1 Releia os itens da aula anterior e associe cada uma das proprieda-
des aqui enunciadas aos itens mencionados anteriormente.
Exemplo: O item 24 refere-se à capacidade de reações ao meio
ambiente, como também o fazem os itens 14 e 16
2 Como você explicaria a causa da diferença entre o cajueiro de Pi-
rangi e o pinheiro dos EUA?
cOmP Os i çãO quí mi c a
Toda matéria existente no universo é feita de átomos. No centro
do átomo há partículas com carga elétrica positiva, os prótons, e par-
tículas sem carga elétrica, os nêutrons. Girando com rapidez ao redor
dessa região central, encontramos os elétrons, com carga elétrica ne-
gativa. Como o número de prótons é igual ao número de elétrons, o
átomo é eletricamente neutro.
A principal diferença entre dois átomos está no número de pró-
tons. Esse número é chamado número atômico e identifca cada tipo
de átomo. Assim, todos os átomos de hidrogênio têm um próton em
seu núcleo (número atômico 1); todos os átomos de carbono têm seis
prótons (número atômico 6); e assim por diante. O número atômico
explica as diferentes propriedades físicas e químicas de cada átomo.
Os átomos se ligam uns aos outros e formam as moléculas. A mo-
lécula da água, por exemplo, é formada por dois átomos de hidrogênio
ligados a um átomo de oxigênio. A força que mantém os átomos unidos
é chamada ligação química.
Na matéria bruta, os átomos estão agrupados em compostos re-
lativamente simples, formando as substâncias inorgânicas (também
chamadas substâncias minerais), como a água, vários sais e gases e
os cristais de rocha. Nos seres vivos, além de substâncias inorgânicas,
encontramos substâncias orgânicas. As substâncias orgânicas são for-
madas por átomos de carbono que se unem, podendo formar longas
cadeias contendo outros átomos, como os de oxigênio, nitrogênio e,
obrigatoriamente, de hidrogênio.
A matéria viva apresenta composição química mais complexa do
que a matéria bruta: enquanto um grão de areia é formado apenas por
um tipo de substância – a sílica –, uma bactéria, apesar de ser bem
menor do que um grão de areia, possui água, sais minerais e inúmeras
substâncias orgânicas, como proteínas, açúcares, gorduras, ácidos nu-
cléicos, entre outras.
Organi zação cel ul ar
Nos seres vivos, uma enorme quantidade de moléculas inorgâni-
cas e orgânicas se reúne, formando a célula. A célula é a unidade funda-
mental dos seres vivos, sendo capaz, por exemplo, de se nutrir, crescer
e reproduzir. Muito pequena – possui, aproximadamente, a centésima
parte de um milímetro –, só pode ser vista pelo microscópio.
As bactérias, os protozoários e alguns outros tipos de seres vivos
são unicelulares; mas a maioria é pluricelular. O corpo humano, por
exemplo, contém mais ou menos 60 trilhões de células.
As células semelhantes, nos seres pluricelulares, se reúnem com
o mesmo tipo de função, formando um tecido. Tecidos semelhantes
formam um órgão. Órgãos com funções semelhantes se organizam em
sistemas ou aparelhos. O conjunto de sistemas forma um organismo.
Células – tecidos – órgãos – sistemas – organismos.
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No corpo humano, por exemplo, o conjunto de células nervosas
forma o tecido nervoso. O encéfalo, a medula e os nervos formam o
sistema nervoso, responsável pela coordenação entre diferentes par-
tes do corpo e pela integração do organismo com o ambiente.
Mas a organização dos seres vivos não termina com a formação de
um organismo. Sabemos que os seres vivos interagem com o ambiente,
inclusive com os outros seres vivos. Organismos da mesma espécie agru-
pam-se numa determinada região, formando uma população. A popula-
ção mantém relações com populações de outras espécies que habitam o
mesmo local, formando uma comunidade. Uma comunidade representa o
conjunto de todas as espécies vivas que habitam determinado ambiente,
como uma foresta. A comunidade infui nos fatores físicos e químicos do
ambiente – como chuva, o solo e a temperatura – e esses fatores também
infuem na comunidade.
O conjunto constituí-
do por seres vivos, fatores
físicos e fatores químicos
é chamado de ecossistema,
por exemplo, uma foresta.
E a soma de todos os ecos-
sistemas do planeta forma
a biosfera.
Os s e re s vi vOs e O me tabOL i s mO
Nutri ção Autotróf i ca e Heterotróf i ca
Nutrição é o conjunto de processos que garante ao ser vivo o
suprimento de todas as substâncias necessárias ao seu metabolismo.
Basicamente, há dois processos de nutrição:
Nutrição autotrófca
(auto = próprio; trofo = alimento)
Realizada apenas pelas plantas, algas e por certas bactérias.
Nesta modalidade, o organismo é capaz de produzir todas as mo-
léculas orgânicas do seu corpo a partir de substâncias inorgânicas
que retira do ambiente, como o gás carbônico, água e sais minerais.
O organismo vegetal usa a energia do Sol, que é absorvida pela clo-
rofla. Esse fenômeno, chamado fotossíntese, produz substâncias
orgânicas para o organismo e libera oxigênio na atmosfera. Algumas
bactérias usam energia química proveniente de outras reações inor-
gânicas para fazer a síntese de suas moléculas orgânicas, num pro-
cesso chamado quimiossíntese. Na quimiossíntese não há liberação
de oxigênio para o meio.
Nutrição heterotrófca (hetero = diferente):
Os animais, os protozoários, os fungos e a maioria das bactérias
não são capazes de realizar fotossíntese. Esses seres precisam ingerir
moléculas orgânicas prontas, retiradas de vegetais, de algas, de outros
heterótrofos ou de seus produtos. São os vários processos de nutrição
dos diferentes organismos das diferentes espécies que explicam e jus-
tifcam as relações ecológicas entre eles. Ex: as abelhas se alimentam
de néctar e pólen e, ao fazê-lo, fecundam a planta.
Respi ração aeróbi ca ou anaeróbi ca
Respiração celular é o processo da quebra da molécula de gli-
cose para a obtenção da energia para as atividades vitais nela acu-
muladas. Todas as células
são capazes de desmontar
a molécula de glicose, mas
podem fazê-lo de duas ma-
neiras diferentes.
Respiração aeróbica:
A respiração aeróbica
celular tem como objetivo
principal produzir energia a
partir da decomposição de
carboidratos e gorduras, uti-
lizando, para tal, o oxigênio.
Ocorre as mitocôndrias.
Nas reações químicas de decomposição envolvidas com a produ-
ção de energia para a célula está o oxigênio, que funciona como um
reagente responsável pelo transporte de elétrons, garantindo que al-
gumas substâncias recebam elétrons e outras, os percam .
Uma vez iniciadas essas reações, a energia liberada é imediata-
mente armazenada em moléculas contendo, como elemento principal,
o fósforo. São as famosas moléculas de ATP. A produção de ATP na pre-
sença de oxigênio denomina-se fosforilação oxidativa.A fosforilação
oxidativa é responsável pela produção de 90% do ATP dos organismos
aeróbicos.
Respi ração anaeróbi ca
A respiração anaeróbica ocorre nas células ou nos organismos
que vivem em baixa concentração de oxigênio e que são desprovidas
de organelas respiratórias próprias, como as mitocôndrias. Neste caso,
não ocorre degradação total da glicose a dióxido de carbono e água,
pois o oxigênio não é o aceptor fnal do hidrogênio. No processo de
respiração anaeróbica, também chamado de fermentação, formam-
se moléculas mais simples do que a glicose, mas que ainda encerram
parte de energia. As substâncias produzidas como subprodutos da de-
gradação parcial da glicose podem ser principalmente o ácido lático,
na fermentação lática, ou o álcool, na fermentação alcoólica. O rendi-
mento energético para a célula também é bem menor. Ao invés das 38
moléculas de ATP produzidas na degradação total de uma molécula de
glicose pelo processo aeróbico, na fermentação da glicose, cada molé-
cula rende apenas 2 ATP.
s e ns i bi L i dade e HOme Os tas e
Reações a estí mul os do ambi ente
Todos os seres vivos são capazes de reagir a estímulos ou modi-
fcações do ambiente. Entre os estímulos do meio ambiente, citamos
a luz, radiações, som, pressão atmosférica, pressão hidrostática, calor,
substâncias químicas. Esta capacidade de reagir a mudanças do meio,
modifcando seu funcionamento, chama-se irritabilidade. Todos os se-
res vivos possuem irritabilidade.
Nos vegetais, as reações aos estímulos costumam ser mais len-
tas do que nos animais, por exemplo, pelo crescimento do caule em
direção à luz ou pelo crescimento das raízes em direção ao solo. Esse
fenômeno de irritabilidade nos vegetais é chamado tropismo.
Mortandade de peixes, devido à poluição, na lagoa
Rodrigo de Freitas
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Em algumas plantas, como a sensitiva ou dormideira, a reação
pode ser mais rápida: um simples contato externo provoca o fecha-
mento das folhas em segundos. Esse fechamento se deve à diminuição
na pressão da água existente numa dilatação na base das folhas. Me-
canismos semelhantes ocorrem com plantas carnívoras, que capturam
pequenos animais e recebem o nome de tactismos.
Todos os seres vivos têm irritabilidade, mas só os animais pos-
suem sensibilidade. Sensibilidade é a capacidade de reagir de diferen-
tes formas aos estímulos ambientais.
As formas que os seres vivos têm de reagir ao ambiente são deno-
minadas adaptativas, isto é, são formas que contribuem para a sobre-
vivência ou a reprodução da espécie.
Nos vegetais, as reações aos estímulos costumam ser mais len-
tas do que nos animais, por exemplo, pelo crescimento do caule em
direção à luz ou pelo crescimento das raízes em direção ao solo. Esse
fenômeno de irritabilidade nos vegetais é chamado tropismo.
Em algumas plantas, como a sensitiva ou dormideira, a reação
pode ser mais rápida: um simples contato externo provoca o fecha-
mento das folhas em segundos. Esse fechamento se deve à diminuição
na pressão da água existente numa dilatação na base das folhas. Me-
canismos semelhantes ocorrem com plantas carnívoras, que capturam
pequenos animais e recebem o nome de tactismos.
Todos os seres vivos têm irritabilidade, mas só os animais pos-
suem sensibilidade. Sensibilidade é a capacidade de reagir de diferen-
tes formas aos estímulos ambientais.
As formas que os seres vivos têm de reagir ao ambiente são deno-
minadas adaptativas, isto é, são formas que contribuem para a sobre-
vivência ou a reprodução da espécie.
Homeostase
A propriedade do ser vivo de manter relativamente constante
seu meio interno é chamada homeostase. O ser vivo não muda drasti-
camente sua composição química e suas características físicas.
Assim, por exemplo, a temperatura, a quantidade de água no
organismo e a concentração de diversas substâncias são constantes
ao longo da vida das células e são mantidas constantes por meio de
processos homeostáticos.
A homeostase é importante para a manutenção da vida. Se o
nosso ambiente interno mudar muito, fcando, por exemplo, excessi-
vamente quente ou muito frio ou demasiadamente ácido, as reações
químicas podem parar e o indivíduo morre.
Se a temperatura do corpo começa a aumentar muito, uma men-
sagem do cérebro estimula a produção de suor pelas glândulas sudo-
ríparas.
Quando o suor evapora na superfície da pele, perdemos calor. O
cérebro também promove a dilatação dos vasos sangüíneos da pele.
Isto aumenta o volume de sangue na superfície do corpo e uma perda
de calor mais rápida.
Os s e re s vi vOs, a rePrOduçãO e a
Hereditariedade
Reprodução e heredi tari edade
Todo ser vivo justifca a sua existência na biosfera por meio da
reprodução: por um lado, foi produzido por este processo; por outro,
por meio da reprodução, participa do processo de perpetuação da es-
pécie. É o material genético que se recebe e se transmite, assegurando
a continuidade da vida. Hereditariedade é o fenômeno que assegura
as semelhanças entre indivíduos da mesma espécie e a diferença entre
uma espécie e outra.
Quanto à reprodução, ela pode ser assexuada ou sexuada.
O gene e o Control e das Caracterí sti cas Heredi tári as
A reprodução e a hereditariedade depen-
dem do DNA (ácido desoxirribonucléico). O
DNA se localiza em flamentos chamados cro-
mossomos, no interior das células.
A estrutura conhecida como gene corres-
ponde a um segmento ou pedaço da molécula
de DNA. Os genes contêm as informações res-
ponsáveis pelas características do indivíduo. O
organismo dos seres vivos trabalha de acordo
com as ordens do DNA.
As características de um organismo não
dependem apenas do DNA. O meio ambiente
também é importante. As características são o
resultado de um trabalho conjunto do gene e do
meio ambiente.
Outra propriedade do DNA, da qual a
hereditariedade depende, é a sua capacidade
de se duplicar, formando cópias exatamente
iguais.
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Reprodução assexuada
Nessa reprodução, um pedaço do corpo do ser vivo se separa,
cresce e origina um novo indivíduo. Na reprodução assexuada, os
descendentes recebem cópias iguais do DNA do indivíduo original e,
conseqüentemente, possuem as mesmas características, são idênticos,
verdadeiros clones.
A reprodução assexuada é muito comum nos seres mais simples, principalmente
nos unicelulares, como podemos observar nessas figuras: a ameba e o paramécio
se reproduzem por divisão simples; a hidra, um pequeno animal aquático,
apresenta reprodução por brotamento.
Reprodução sexuada
É o tipo de reprodução realizada pela união de células especiali-
zadas, os gametas. Na maioria dos casos, a produção de gametas está
ligada a uma diferença de sexo nos indivíduos adultos: o sexo feminino
produz o gameta feminino, chamado óvulo; o sexo masculino produz o
gameta masculino, denominado espermatozóide.
Nos vegetais, os nomes são diferentes: o gameta feminino é a
oosfera; e o masculino é o anterozóide.
Quando ocorre a fecundação – união do espermatozóide com
o óvulo –, forma-se o zigoto ou célula-ovo. O zigoto se divide várias
vezes formando, assim, um novo indivíduo. Esse indivíduo possuirá
genes da mãe e do pai; suas características serão resultado de uma
combinação das características paternas e maternas.
Evol ução
É o processo pelo qual os seres vivos se transformam ao longo do
tempo, originando novas espécies. A evolução depende essencialmen-
te de alguns fatores, a saber:
Mutação
o mecanismo de heredita-
riedade garante que os flhos se-
jam semelhantes aos pais. Mas,
se esse mecanismo fosse infalível,
as espécies não se modifcariam
ao longo do tempo. As espécies
hoje existentes são resultantes de
espécies que existiram no passado
e que sofreram transformações.
Isso acontece porque, às vezes, o
DNA produz cópias com erro, que
pode ser causado tanto por uma
falha durante a duplicação como
pela exposição do organismo à ra-
diatividade ou a certos produtos
químicos. Surge, assim, uma molécula-flha, diferente da original. Isto
se chama Mutação. Uma vez que todo o controle celular é exercido por
proteínas especiais, fabricadas sobre um molde de DNA, modifcando-
se este, mudam, também, aquelas, alterando estruturas e metabolis-
mo dos portadores das cópias modifcadas, dos mutantes.
Sel eção natural
Quando a mutação é vantajosa, ela tende a se fxar e disseminar
na população. Mas, quando ela é desvantajosa, continua rara e pode
desaparecer. O processo pelo qual o ambiente determina quais os or-
ganismos com maior possibilidade de sobrevivência é chamado de se-
leção natural. A idéia de seleção natural foi desenvolvida pelo cientista
Charles Darwin.
Adaptações de
ani mai s e pl antas
Os vegetais são orga-
nismos que se originaram
de seres que, no passado,
tinham nutrição autotróf-
ca. O corpo ramifcado das
plantas, principalmente ár-
vores, com a grande super-
fície de folhas funcionando
como coletoras de energia
solar, é uma adaptação ao
modo autotrófco de vida.
Já os animais se di-
ferenciaram pelo processo evolutivo de seres primitivos que tinham
nutrição heterotrófca. O corpo compacto, os músculos e o sistema
nervoso e sensorial são adaptações que facilitam o deslocamento do
animal em busca de alimento e de
parceiro para a reprodução.
Existe um grande número de
espécies que não podem ser classi-
fcadas como animais ou vegetais,
pois pouco se diferenciaram das
formas ancestrais e nunca che-
garam a desenvolver estruturas
características de animais ou ve-
getais. Esses organismos estão re-
presentados pelas bactérias, pelos
protistas e por alguns fungos.
A t i v i d A d e s
1 Faça uma relação de organismos autótrofos e heterótrofos da
aula 1.
Organismos autótrofos Organismos heterótrofos
Fóssil do Archaeopteryx, estágio
de transição entre réptil e ave
Fóssil do Archaeopteryx, estágio
de transição entre réptil e ave
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2 Preencha a tabela com dados referentes ao Metabolismo.
Metabolismo
Conjunto de atividades químicas das células
Tipos de
metabolismo
Estruturas
celulares
responsáveis
Substâncias
principais
responsáveis
3 Explique a maneira com que o suor ajuda a manter a temperatura
do corpo.
4 Observando as características de um camelo, aponte as adaptações
que apresenta na vida animal.
5 Observando as características do mandacaru, explique suas adap-
tações como planta.
6 O que vem a ser um fóssil? Qual o seu signifcado no estudo da
Biologia?
7 A sudorese, em dia de calor, o lacrimejamento dos olhos, quando
se descasca cebola, a germinação da semente após a chuva, que
característica dos seres vivos representam?
8 Como se explica resumidamente o câncer de pulmão no fumante?
9 Como as células usam o alimento?
10 Algumas bactérias, como, por exemplo, o bacilo do tétano, são
anaeróbicas. O que isto signifca?
11 Qual a relação entre gene e DNA?
12 Por que existem plantas e animais num ecossistema?
13 Como estão organizados os seres vivos do átomo ao organismo?
14 Explique os diferentes tipos de reprodução dos seres vivos.
a c é LuL a
Em 1665, o cientista inglês Robert Hooke publicou um trabalho
intitulado Micrografa. Contendo 37 ilustrações feitas com cobre, o tra-
balho relatava, entre outros, estudos microscópios sobre observações
de cortes feitos a partir da casca de uma árvore vulgarmente conhecida
como sobreiro, cujo nome científco é Quercus suber. Essa casca nada
mais é do que o material que denominamos cortiça.
Utilizando um microscópio muito rudimentar, Hooke obteve
imagens de uma estrutura semelhante a favos de mel, composta de
inúmeros compartimentos vazios unidos. Em função do que observou
e seguindo as normas científcas da época, que exigiam o uso do latim
nos relatórios, o cientista empregou o termo cellula, diminutivo de
cella que signifca “espaço vazio”, para denominar estas estruturas.
Observações semelhantes às de Hooke foram feitas, posterior-
mente, por Grew e Malpighi, a partir de amostras de outros vegetais.
Em 1674, Leeuwenhöek, observando uma outra classe de célu-
las, notou que elas não eram exatamente vazias. Havia, nelas, certo
padrão de organização, muitas vezes evidenciado por uma estrutura
esférica em seu interior.
No entanto, a confrmação da existência de um núcleo deu-se
somente um século mais tarde,
graças a estudos realizados por
Fontana com células vegetais.
Em 1831, Robert Brown confr-
mava a presença dessa estrutu-
ra também em células animais.
Esses estudos, associados
aos trabalhos publicados em
1838 por Mathias Schleiden e
em 1839 por Teodor Schwann,
contribuíram para que se esta-
belecesse o que fcou conhecido
como Teoria Celular. Segundo
ela, todos o seres vivos, animais
ou vegetais, são constituídos por
unidades vivas chamadas células.
A partir de então, a célula,
como unidade viva, deixou de
ser vista como um espaço vazio,
passando a ser considerada uma
massa de protoplasma, limitada
por membrana e dotada de nú-
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cleo. O espaço existente entre a membrana e o núcleo seria preenchido
pelo citoplasma. Apesar de todas essas evidências, o termo “célula” foi
mantido e continua em uso até os dias de hoje.
A Teoria Celular Moderna considera que a menor unidade de vida
é a célula.
As propriedades de um organismo dependem das atividades e
características de suas células. Por exemplo, quando um atleta está
correndo, toda a atividade ocorre no interior das células dos órgãos e
sistemas envolvidos.
As células são as unidades morfológicas e fsiológicas, isto é, es-
truturais e funcionais, de todos os organismos vivos. Cada uma delas é
capaz de sintetizar seus componentes, crescer e multiplicar-se.
As células originam-se de outras células e a continuidade é asse-
gurada e mediada pelo material genético.
As células, geralmente, não podem ser vistas a olho nu, porque
suas dimensões são muito pequenas. Os conhecimentos de biologia
celular e de histologia (dos tecidos) baseiam-se, principalmente,
no estudo das estruturas e processos celulares sob as microscopias
óticas (MO) e eletrônica (ME), permitindo o reconhecimento da cé-
lula como um componente dinâmico e participante do metabolismo
corporal. Basicamente, estes estudos utilizam, como ferramentas,
lâminas com colorações histológicas e histoquímicas, para o estudo
ao MO, e telas de cobre contrastadas por metais pesados, para o estu-
do à ME. Usa-se, normalmente, um aparelho chamado microscópio
ótico para se ampliar a imagem da célula ou do tecido e visualizá-los,
pois aumenta a imagem em aproximadamente até 20.00 vezes. As
células podem ser observadas em cortes vivos, fxados pelo formol ou
pelo álcool ou corados por corantes que evidenciam suas estruturas
internas. Os corantes podem ser vitais quando preservam a integri-
dade das células.
Para a observação das estruturas internas da célula, usa-se, pre-
ferencialmente, o microscópio eletrônico (M.E.), que aumenta a ima-
gem em até 160.000 vezes. A estrutura da célula, habitualmente ob-
servada ao ME, logicamente com muito mais detalhes, é denominada
ultra-estrutura celular.
As unidades de medida atualmente usadas em biologia celular e
em histologia são as seguintes:
Unidade de
medida
Símbolo Valor
Micrômetro µm 0,001mm (milésima parte do milímetro)
Nanômetro nm 0,001 µm (milésima parte do micrômetro)
A unidade de medida usada em
citologia para ex-
pressar o tama-
nho da célula e
de suas estruturas
maiores é o micrômetro,
µm, que corresponde à milé-
sima parte do milímetro: 1mi-
crômetro = 0,001 mm. Para
estruturas observadas apenas
ao ME, adota-se o nanômetro, a
milésima parte do micrômetro
ou a milionésima parte do mi-
límetro: 1nm = 0,001 µm, ou
0,000001 mm. Estruturas me-
nores ainda são medidas em An-
gström. O Å é a décima parte do nm.,
portanto a décima milésima parte
do µm, e a décima milionésima
parte do mm.
A t i v i d A d e s
1 Escolha, entre os seguintes nomes próprios, os que preenchem
corretamente as lacunas:
Hooke – Weismann – Schwann – Malpighi – Virchow
Schleiden – Angström
A descoberta da célula foi feita em 1665 por __________________;
em 1838 e 1839, __________________e ____________________,
através de observações de estruturas de muitas plantas e animais,
concluíram que todos os seres vivos são constituídos por células.
2 A Teoria Celular, que constitui um grande avanço para a Biologia,
afrma que:
I. Todos os seres vivos, desde os unicelulares até os pluricelulares,
são constituídos por células.
II. Todas as células são constituídas por membranas, citoplasma e núcleo.
III. A presença do núcleo é essencial para a vida da célula.
Assinale:
a) se apenas a afrmação I for correta.
b) se as afrmações I e II forem corretas.
c) se apenas a afrmação II for correta.
d) se apenas as afrmações II e III forem corretas.
e) se apenas a afrmação III for correta.
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3 Qual a origem do nome da “célula”? Seria ele o nome mais adequa-
do para designar a unidade da vida tal qual ela é conhecida atual-
mente?
4 Na observação de células, é comum utilizarmos corantes vitais
como o azul-de-metileno. O que é um corante vital?
5 Assinale corretamente a alternativa que indica quantos micrôme-
tros, nanômetros e angströms existem em 3 milímetros.
micrômetros nanômetros angströms
3 3.00 3.000
3.000 3.000.000 30.000.000
30.000 3.000.000 3.000
3.000 30.000 300

a me mbr ana P L as mát i c a e a Pare de
c e LuL ar
O ramo da Biologia que se dedica ao estudo da célula é a citologia
(do grego Kytos, “célula”; logos, “estudos”, “tratados”)
Célula é a menor unidade viva capaz de manifestar as proprieda-
des de um ser vivo: ela sintetiza seus próprios componentes, cresce e
se multiplica. A célula é a sede das atividades químicas do organismo.
Nosso estudo da célula começa pela estrutura que delimita o con-
teúdo celular separando-o do meio externo: a membrana plasmática,
plasmalema ou simplesmente membrana celular.
Trata-se de uma película bastante delgada, cuja espessura varia
de 6nm a 10nm. Com dimensões tão reduzidas, a membrana plasmáti-
ca só pode ser vista ao microscópio eletrônico.
Os primeiros dados a respeito da composição química da mem-
brana plasmática foram obtidos por volta de 1902, quando Overton
observou que as substâncias lipossolúveis penetram na célula mais
facilmente do que as hidrossolúveis. Como a membrana representa a
barreira entre o conteúdo celular e o meio externo, Overton concluiu
que a facilidade de penetração estaria relacionada com uma afnidade
química entre ela e as substâncias que a atravessavam. Assim, propôs
que a membrana plasmática seria composta por uma camada lipídica
dupla. Mais tarde, Davson e Danielli, baseando-se nas informações
anteriores e em diversas propriedades da membrana plasmática, pro-
puseram que ela deveria estar organizada em uma estrutura “em san-
duíche” e que a dupla camada lipídica estaria revestida por proteínas
em ambas as superfícies.
O aprimoramento do microscópio eletrônico, o progresso das
técnicas para análise química e estudos de biofísica levaram à proposi-
ção de novos modelos para a estrutura da membrana.
O modelo mais aceito atualmente considera a membrana plas-
mática sendo formada por uma camada lipídica dupla, constituída por
fosfolipídios, glicolipídios e colesterol e atravessada por várias classes
de proteínas, entre elas as glicoproteínas.
Osmose
Além de proteger, a membrana plasmática controla a entrada e
a saída de substâncias da célula. Isso se deve à permeabilidade que ela
apresenta. O movimento da água através da membrana plasmática é
chamado osmose.
Por meio da osmose, a água pode entrar na célula e sair dela atra-
vés da membrana. No entanto, ele não acontece aleatoriamente, mas
na dependência de certas condições.
Observe atentamente as fguras que representam o movimento
da água através de uma película semi, permeável que separa dois meios
de concentrações distintas:
A B
A B
Esquema de parede celular
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O movimento da água se dá sempre no sentido da solução menos
concentrada para a mais concentrada. Isto signifca que, se houver pro-
porcionalmente maior quantidade de substâncias dissolvidas dentro
da célula, do que fora dela, a água entra e vice-versa. Após certo tempo,
as concentrações tendem a se igualar, já que a maior quantidade de
soluto em um dos meios foi compensada por proporcional aumento
de solvente.
É esse movimento da água, resultante da diferença do gradiente
de concentração, que recebe o nome de osmose.
E a célula? o que aconteceria com ela se fosse mergulhada numa
solução hipotônica? E se a solução fosse hipertônica?
Hipertônico é o meio que contém maior quantidade de subs-
tâncias dissolvidas, sendo, portanto, mais concentrada. Ex.
Em relação à água dos rios, a água do mar é mais concentra-
da, ou hipertônica.
Em relação ao alto mar, a água das baías é hipertônica.
Quando duas soluções têm a mesma concentração, dizemos
que são isotônicas. Ex: soro fsiológico e sangue; água de
coco e esperma.
Para responder a essas perguntas, acompanhe o experimento
descrito a seguir.
Cinco tubos de ensaio receberam soluções de diferentes con-
centrações. A cada um deles foram acrescentadas algumas gotas de
sangue. Os tubos foram agitados cuidadosamente. Após 5 minutos,
uma gota de cada uma das soluções foi depositada sobre uma lâmina e
observada ao microscópio sob aumento de 400 vezes.
As imagens obtidas foram as seguintes:
Baseando-nos nestas informações, podemos concluir que, em re-
lação aos glóbulos vermelhos, as soluções 1, 2, e 3 são hipertônicas; a
solução 4 é isotônica; e a solução 5 é hipertônica.
Di f usão si mpl es
O transporte de solutos através da membrana plasmática pode
ocorrer por difusão. Neste tipo de transporte, a substância passa de
um meio a outro (do intracelular para o extracelular ou do extracelular
para o intracelular) simplesmente devido ao movimento aleatório e
contínuo da substância nos líquidos corporais, devido a uma energia
cinética da própria matéria. Nesta forma de transporte não ocorre
gasto de energia. Gases como oxigênio ou dióxido de carbono atra-
vessam a membrana celular com grande facilidade, simplesmente se
dissolvendo na matriz lipídica desta membrana (oxigênio e dióxido de
carbono são lipossolúveis).
Dizemos que ocorre difusão quando as moléculas se movem livre-
mente do meio de maior concentração para o meio menos concentrado.
Nas células, tanto a osmose quanto a difusão são mecanismos
de grande importância. Eles garantem o equilíbrio necessário entre os
meios intra e extracelular e, conseqüentemente, a manutenção da vida.
Os principais solutos que entram na célula e saem dela por di-
fusão são os íons provenientes dos sais. Como a concentração deles
está diretamente relacionada com a osmose, fenômeno que tem par-
ticipação da água, dizemos que água e os sais são responsáveis pela
manutenção do equilíbrio osmótico da célula.
O transporte de substância através da membrana não é decorrente so-
mente de diferenças de concentrações entre os meios intra e extracelular.
A membrana plasmática, como componente de uma estrutura
viva, possui complexos mecanismos para selecionar as substâncias que
a atravessam, quer num sentido, quer noutro. Por esse motivo, dize-
mos que a membrana celular é dotada de permeabilidade seletiva.
Endoci tose e exoci tose
A ingestão de partículas e substâncias insolúveis ocorre por fago-
citose e pinocitose, respectivamente.
Algumas vezes, certas partículas sólidas e determinadas substân-
cias insolúveis não são capazes de atravessar a membrana plasmática em
virtude de suas grandes dimensões. Nesses casos, elas podem ser inge-
ridas por um mecanismo de englobamento chamado genericamente de
endocitose (do grego endon, “dentro”). O englobamento das partículas
sólidas é denominado fagocitose e compreende dois estágios:
• a adsorção (aderência) da partícula à célula;
• o englobamento, propriamente dito, por evaginação (dobra para
fora) da membrana.
A fagocitose, bas-
tante comum em alguns
seres unicelulares, é usa-
da como mecanismo de
apreensão e ingestão de
alimentos. Também é re-
alizada por certos glóbu-
los brancos do sangue como função de defesa contra partículas ou seres
estranhos ao organismo, tais como bactérias, vírus e partículas de poeira.
Quando o material a ser incorporado à célula são substâncias
solúveis como, por exemplo, as prote-
ínas, ocorre um fenômeno chamado
pinocitose.
Diferentemente do processo ante-
rior, na pinocitose há uma invaginação
da membrana e posterior englobamento
do material.
É importante destacar que ambos
os tipos de endocitose ocorrem com dis-
pêndio de energia por parte da célula,
fato que os torna processos ativos.
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Cl asmoci tose
A célula pode realizar um processo inverso ao da endocitose (fa-
gocitose e pinocitose), eliminando de seu interior material envolvido
por membrana. Nesse caso, fala-se em exocitose (do grego exo, “para
fora”) ou clasmocitose.
Algumas células estabelecem comunicação direta entre si por
meio de canais que interligam os citoplasmas adjacentes. Isso propor-
ciona contato muito mais íntimo entre elas, porque permite a livre
movimentação de íons e moléculas pequenas, tais como nucleotídeos,
glicídios e vitaminas, representando uma verdadeira cooperação em
termos metabólicos. Nas células vegetais, estas pontes citoplasmáticas
denominam-se plasmodesmos.
A membrana pl asmáti ca e a i denti dade cel ul ar
Certamente você já ouvir falar no risco de rejeição que correm as
pessoas que recebem transplantes de órgãos. Trata-se de uma reação
do organismo do receptor, que identifca o órgão doado como estranho
ou invasor.
Mas o que faz com que organismos humanos rejeitem órgãos
vindos de outros humanos, muitas vezes até de mãe, pai ou irmão?
A resposta está em uma camada com 10nm a 20nm de espessura,
que é freqüentemente encontrada revestindo a superfície externa da
membrana plasmática das células animais. Seu nome: glicocálix, por-
que as moléculas que a constituem são glicolipídios e glicoproteínas. O
glicocálix é responsável pelo que poderíamos chamar de identidade
celular. Esta corresponde, na verdade, a uma identidade molecular. A
identidade molecular deve-se ao fato de os componentes do glicocálix
não serem exatamente iguais em todas as células, muito embora per-
tençam à mesma classe de compostos químicos. Assim, para evitar que
um órgão seja rejeitado, é necessário que as células que o compõem pos-
suam um glicocálix de composição o mais semelhante possível ao das
células do receptor. Do contrário, este último reconhecerá o novo órgão
como estranho e acionará mecanismos de defesa para combatê-lo.
A parede cel ul ar
Nas células vegetais e também em algumas bactérias, existe um
revestimento externo à membrana plasmática, cujo nome é parede
celular.
Constituída por celulose, pectina ou lignina, dependendo do ser
vivo ao qual a célula pertence, a parede celular desempenha funções de
proteção e suporte mecânico.
Apesar da estrutura espessa e resistente que a parede celular
confere às células, estas não são privadas de um contato maior quan-
do da constituição dos tecidos vegetais. Graças aos plasmodesmos, os
citoplasmas de células vegetais adjacentes podem manter-se em per-
manente contato, garantindo cooperação mútua.
Em relação ao alto mar, a água das baias é hipertônica.
Quando duas soluções têm a mesma concentração, dizemos
que são isotônicas. Ex: soro fsiológico e sangue; água de
coco e esperma.
A t i v i d A d e s
1 Todas as células possuem uma membrana plasmática ou plasmale-
ma, que separa o conteúdo citoplasmático ou meio intracelular do
meio ambiente. A existência e integridade da membrana é impor-
tante porque:
a) regula as trocas entre a célula e o meio, só permitindo a passagem
de moléculas de fora para dentro da célula e impedindo a passagem
em sentido inverso.
b) possibilita à célula manter a composição intracelular diferente da
do meio ambiente.
c) impede a penetração de substâncias existentes em excesso no
meio ambiente.
d) torna desnecessário o consumo energético para a captação de me-
tabólitos do meio externo.
e) impede a saída de água do citoplasma.
2 O citoplasma das hemácias contém quantidades muito maiores de
potássio e menores de sódio do que as do plasma sangüíneo. No
entanto, íons de potássio e de sódio estão, constante e respecti-
vamente, sendo introduzidos e removidos através da membrana
plasmática das hemácias. A entrada de potássio e a remoção do
sódio nessas/dessas células, através da membrana, são determina-
das por transporte ativo.
certo errado
3 De acordo com o conceito moderno de sua ultra-estrutura, a mem-
brana plasmática é constituída por: uma camada bimolecular de li-
pídios, com proteínas variando de posição, de acordo com o estado
funcional da membrana.
certo errado
4 O que é osmose?
5 Qual a relação existente entre os processos de fagocitose, pinocito-
se e exocitose?
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6 Explique endocitose.
7 Por que se diz que a membrana plasmática é seletivamente permeável?
8 A membrana plasmática de todas as células é igual? Explique.
9 Por que pessoas que recebem órgãos podem sofrer com a rejeição
deles?
O c i tOP L as ma c e LuL ar
Todo o conteúdo celular, exceto o núcleo e seus componentes,
constitui o citoplasma. Nele distinguem-se duas partes: o sistema
de endomembranas, composto por uma rede de canais que divide
o espaço citoplasmático em vários compartimentos e subcomparti-
mentos, e a matriz citoplasmática, na qual estão mergulhadas to-
das as estruturas e organelas celulares. O sistema de endomembranas
compreende o envoltório nuclear, o retículo endoplasmático e os
complexo de Golgi.
Todas as funções – como a produção de energia, formação de
proteínas e lipídeos, reprodução e armazenamento e secreção de com-
postos orgânicos – estão inter-relacionadas, sendo essenciais à própria
célula, bem como ao organismo, e ocorrem no citoplasma.
A matriz citoplasmática, também denominada citoplasma
fundamental ou hialoplasma, é uma solução coloidal composta por
água, proteínas e diversos íons.
O caráter coloidal do hialoplasma permite que ele apareça no es-
tado sol, mais fuido, e no estado gel, mais viscoso. De fato, em sua
porção mais externa, ou no ectoplasma, o hialoplasma apresenta-se
no estado gel, enquanto a região mais interna, ou endoplasma, en-
contra-se no estado sol.
No entanto, o colóide não é sufciente para manter a forma das
células.
Com a microscopia eletrônica, fcou confrmada a existência de
um citoesqueleto responsável por funções ligadas à forma, à susten-
tação e ao movimento das células. Ele seria composto basicamente por
dois tipos de estrutura: os microtúbulos e os microflamentos, de
natureza protêica. Os movimentos celulares devem-se ao microfla-
mento.
As proteínas que compõem os microflamentos estendem-se
desde a membrana, formando extensa rede em toda a matriz citoplas-
mática. As ligações estabelecidas entre essas proteínas são de caráter
reversível; isso permite à célula realizar determinados movimentos.
Entre esses se distinguem dois tipos:
• Corrente citoplasmática ou ciclose. Movimento de todo o ci-
toplasma, mais facilmente observado em células vegetais – isso
porque o citoplasma dessas células confna-se numa pequena re-
gião bem próxima à parede celular.
• Movimento amebóide. Caracteriza-se por alteração do “forma-
to celular” mediante a emissão de expansões ou projeções cito-
plasmáticas temporárias denominada pseudópodes, os “falsos
pés”. Além de permitir o deslocamento da célula, essas projeções
também podem estar envolvidas com o mecanismo de fagocito-
se. O movimento amebóide recebe este nome por ser aquele que
permite o deslocamento e a ingestão de alimento pelas amebas,
onde foi primeiramente estudado. No nosso organismo, princi-
palmente os macrófagos realizam ativamente o movimento ame-
bóide.
No citoplasma são distintas duas partes: o hialoplasma e o sis-
tema de endomembranas. Este compreende o envoltório nuclear, o
retículo endoplasmático e os sistema de Golgi.
O retí cul o endopl asmáti co pode ser l i so ou rugoso
O retículo endoplas-
mático só foi descoberto e
estudado após a invenção
do microscópio eletrônico.
Sua estrutura é como uma
extensa rede de túbulos
membranosos que apare-
ce em toda célula.
Dependendo da fun-
ção desempenhada pela
célula, o retículo endoplas-
mático pode corresponder
à porção mais desenvol-
vida de todo o sistema de
endomembranas.
Ao longo da face
citoplasmática, podem
aparecer inúmeros grânu-
los, os ribossomos. Essa
característica permite
diferenciar o retículo en-
doplasmático rugoso ou
granular do retículo endoplasmático liso ou agranular.
No retículo endoplasmático liso também ocorrem mecanismos
bioquímicos extremamente importantes para a vida. Entre eles desta-
cam-se a transformação de substâncias tóxicas em inócuas; a síntese
de lipídios; e a conversão de glicogênio em glicose, processo conhecido
como glicogenólise.
Além disso, todo o conjunto de túbulos que compõe os retículos
endoplasmáticos liso e rugoso contribui, juntamente com os microtú-
bulos e microflamentos, para o suporte mecânico da célula.
Os ribossomos fabricam as proteínas e estão presentes em todas
as células. São corpúsculos esféricos, não membranosos, com diâme-
tro aproximado de 150 A, compostos por proteínas e um tipo especial
de RNA, o RNA ribossômico ou rRNA, produzido no nucléolo.
Além de aderidos ao retículo endoplasmático, os ribossomos
também podem ser encontrados isolados ou agrupados no hialoplas-
ma. Quando agrupados, constituem os polirribossomos ou simples-
mente polissomos. Qualquer que seja a situação, o papel dos ribosso-
mos é sintetizar proteínas
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O sistema de Golgi, também denominado sistema golgiense,
aparelho ou complexo, foi visto, pela primeira vez, em 1898. No entan-
to, os detalhes dessa estrutura só foram observados após a invenção
do microscópio eletrônico, mais de meio século depois.
Presente tanto em células animais quanto vegetais, o sistema de
Golgi é um componente diferenciado do sistema de endomembranas;
localizado entre o retículo endoplasmático e a membrana celular.
Ao microscópio eletrônico, o sistema de Golgi revela-se compos-
to por várias pilhas. Cada pilha recebe o nome de dictiossomo e é
constituída por quatro ou cinco sáculos achatados, dispostos paralela-
mente e separados entre si por um espaço.
Cada dictiossomo, geralmente, apresenta duas faces, uma conve-
xa e outra côncava.
Situado entre o retículo endoplasmático e a membrana celular, o
sistema de Golgi ocupa uma posição estratégica. É passagem obriga-
tória para as substâncias produzidas em outros locais da célula e que
podem ou não ser transformadas em seu interior. Dessa forma, esse
imenso conjunto de cisternas desempenha importante papel na trans-
formação e no transporte de substâncias, principalmente as que irão
para fora da célula, fenômeno conhecido como secreção. A saliva, o
leite, a lágrima e a insulina são exemplos típicos de secreções.
O sistema golgiense faz o endereçamento das substâncias
produzidas pelo retículo endoplasmático.
A t i v i d A d e s
1 Na matriz citoplasmática está presente uma extensa rede de en-
domembranas que, em conjunto, compõe o chamado retículo en-
doplasmático. Este, por sua vez, pode ser classifcado em liso ou
rugoso. Que critério é utilizado para essa classifcação? Explique.

2 No núcleo da célula, alguns cromossomos apresentam duas cons-
trições, uma das quais está encarregada de sintetizar um tipo es-
pecial de RNA, que irá compor o nucléolo. De que tipo de RNA se
trata? Que estruturas citoplasmáticas estão a cargo do nucléolo?
3 De que forma os ribossomos podem ser encontrados no interior da
célula?
4 Numa célula de glândula salivar, a quantidade de ribossomos é
muito maior do que numa célula do epitélio de revestimento. Por
quê?
5 Quais as funções principais que ocorrem dentro do citoplasma?
6 Uma das características dos mamíferos é a de possuir glându-
las mamárias, responsáveis pela secreção de leite a partir do
nascimento de um filhote. Esta secreção se processa no inte-
rior das células que compõem o tecido secretor dessas glân-
dulas. Qual a estrutura celular responsável por esta secreção?
Explique-a.
Os L i s Os s OmOs
A autodestrui ção de cél ul as e teci dos
e a conser vação dos al i mentos
Os lisossomos são as organelas responsáveis pela digestão intra-
celular. Entenda-se daí a digestão de partículas fagocitadas e pinocita-
das pela própria célula, bem como a digestão das próprias organelas
celulares quando da necessidade de sua renovação. Os lisossomos
foram descobertos com os estudos das enzimas hidrolíticas em célu-
las de fígado. Constatou-se que essas enzimas estariam empacotadas
numa membrana. Atualmente estão descritas cinqüenta enzimas hi-
drolíticas diferentes.
Enzimas hidrolíticas são enzimas responsáveis pela decomposi-
ção de substâncias biológicas. Como essas reações só ocorrem em pre-
sença de água, tais enzimas são denominadas enzimas hidrolíticas.
Os lisossomos estão presentes em todas as células animais, com
algumas exceções, como as hemácias de mamíferos. Em algumas célu-
las vegetais, os vacúolos, que estão cheios de hidrolases ácidas, podem
ser identifcados como lisossomos. Os lisossomos tem um tamanho
médio de 0,5nm, e sua origem pode estar relacionada com a formação
de vesículas do sistema de Golgi. Normalmente, as células não sofrem
a ação das enzimas contidas nos lisossomos. Isso porque as enzimas
se acham confnadas no interior deles, o que impede o seu contato
com o restante da célula. Caso contrário, não haveria como garantir a
estabilidade da matéria viva; as células se “desmanchariam” pela ação
lisossômica.
Os l i sossomos têm como f unção
a di gestão i ntracel ul ar
O material a ser digerido pode entrar na célula por duas vias, a
fagocitose e a pinocitose.
Concomitantemente a estes dois processos, enzimas lisossômi-
cas fabricadas nos ribossomos serão enviadas para o retículo endo-
plasmático e deste empacotadas nas vesículas do sistema de Golgi,
as quais se destacam para formar os lisossomos primários. Poste-
riormente, esses lisossomos se fundem aos vacúolos de fagocitose ou
pinocitose, que já estão no interior da célula, onde liberam suas en-
zimas; agora recebendo o nome de vacúolos digestivos ou lisossomos
secundários. As moléculas digeridas passam, então, para o citoplas-
ma através da membrana do lisossomo secundário. Já as moléculas
não digeridas fcam acumuladas nesta organela, a qual, agora, recebe
o nome de corpo residual. O corpo residual caminha em direção à
membrana plasmática, fundindo-se a esta e eliminando os resíduos
no meio externo. Este processo é denominado de clasmocitose ou
excocitose.
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Há, po-
rém, situação
em que a célula
necessita reno-
var as organelas
mais velhas e
inativas. Para
isso, digere-as
usando os lisos-
somos e permi-
tindo o reapro-
veitamento das
substâncias que
as compunham. Esse processo é denominado autofagia e, também, pode
ocorrer quando o organismo fca privado de alimento. Nesses casos, de-
terminadas células, como as do fígado, por exemplo, realizam autofagia
a fm de providenciar os nutrientes necessários ao organismo.
Na doença chamada silicose, comum entre trabalhadores de
indústrias de cerâmicas, partículas de sílica inaladas, verdadeiras mi-
croagulhas de vidro, depositam-se nos alvéolos pulmonares, sendo
fagocitadas. Essas partículas perfuram as vesículas lisossômicas das
células pulmonares provocando o extravasamento das enzimas pre-
sentes, levando à morte celular inevitável e à conseqüente destruição
dos alvéolos. Isso causa prejuízos sérios e irreversíveis à atividade res-
piratória do individuo.
Nas articulações, o derramamento do conteúdo lisossômico nas
células provoca uma dolorosa infamação chamada artrite reumatóide.
No caso dos sapos e das rãs, a ação enzimática do conteúdo lisos-
sômico é indispensável ao seu ciclo vital. Nos girinos, que são as larvas
dos sapos e das rãs, a cauda regride durante o processo de transforma-
ção pelo qual passam esses animais para habitar o ambiente terrestre.
Essa regressão é resultado da gradativa autofagia das células que com-
põem a cauda por ação das enzimas lisossômicas.
Logo após o parto, o útero humano tem cerca de 2kg de massa.
Graças à ação lisossômica, grande parte das células, agora excedentes,
que compõem o órgão é destruída, fazendo-o voltar ao normal. Em
nove dias, volta-se aos 50g originais!
Ao germinar, a semente é a única fonte de alimento para o pe-
queno vegetal. São as enzimas lisossômicas extravasadas que digerem
as substâncias de reserva presentes na semente. Convertendo-as em
produtos assimiláveis.
Percebe-se pois, que a célula carrega dentro de si os elementos
para sua autodestruição, tal qual um arsenal de guerra. Se o con-
trole de tais mecanismos for adequado e eficiente, não há por que
temê-los.
A t i v i d A d e s
1 Os fungos fazem digestão extracelular, isto é, suas enzimas hidro-
líticas são lançadas para fora da célula, portanto sobre o substrato
do qual se nutrem. Tente explicar por que frutas, cascas, cadáveres
“desaparecem” rapidamente sob a ação dos fungos decompositores.
2 Quando congelamos a carne, por exemplo, a água contida nas
células congela, formando pequenos cristais de gelo, verdadeiras
agulhinhas, capazes de perfurar as delicadas estruturas celulares.
Este fato tem alguma relação com a recomendação de se usar o
alimento logo depois de descongelado, não podendo ser reconge-
lado? Explique.
3 Explique como as reservas contidas na semente se tornam úteis ao
embrião.
4 Um glóbulo branco fagocitou uma bactéria. De que modo ele apro-
veita o alimento que a bactéria representa para ele?
5 Escreva o que você sabe sobre silicose e artrite reumatóide.
O núc L e O cOOrde na tOdas as
at i vi dade s quí mi c as da c é LuL a
O conjunto de características, que identifca a célula ou o indiví-
duo, depende do controle interno exercido pelo seu material genético,
constituído por moléculas de ácido nucléico, mais particularmente do
ácido desoxirribonucléico ou DNA. É esta substância, presente apenas
nos seres vivos e produzida em cada uma das células, que determina
as semelhanças e as diferenças entre os seres vivos que habitam com
exclusividade o nosso planeta Terra.
Nos organismos classifcados como eucariotas, é o núcleo o depo-
sitário deste material genético.
O núcleo das células é delimitado pelo envoltório nuclear ou
carioteca, cuja composição e estrutura são semelhantes às da mem-
brana plasmática. Geralmente esférico e central, nem sempre o núcleo
é único. Distinguimos, assim, células mononucleadas, binucleadas
e multinucleadas.
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O envoltório nuclear, ou carioteca, é composto de duas membra-
nas, apresentando poros, cujo diâmetro mede entre 50nm e 80nm.
Através dos poros são realizadas trocas entre o núcleo e o citoplasma.
No interior do núcleo encontramos o nucleoplasma, a cromatina
e o nucléolo.
O espaço nuclear é preenchido pelo nucleoplasma ou cariolinfa,
um gel protéico claro composto por água, DNA e proteínas, entre as
quais aparecem as histonas.
A cromatina pode ser encontrada dispersa ou condensada no
núcleo. No primeiro caso, denomina-se eucromatina (Ec) e, no segun-
do, heterocromatina (Hc). Esta última é, geralmente, encontrada
muito próxima do envoltório nuclear, ligando-se, também, a uma ou-
tra estrutura, o nucléolo.
O nucléolo é um corpúsculo denso, com 1 a 3 micrômetros
de diâmetro, que aparece imerso no citoplasma, formado por acú-
mulo de grãos constituídos por um tipo especial de RNA, o RNA
ribossômico, associado a proteínas. O nucléolo é a estrutura celular
responsável pela formação de uma importante estrutura presente
no citoplasma, o ribossomo. Uma célula pode conter de um a vários
nucléolos. Tal como a membrana nuclear, o nucléolo desaparece
logo no início da divisão celular, reaparecendo no final, durante a
telófase.
Os cromossomos representam os flamentos de cromatina con-
densados.
As células têm a propriedade de se dividir por um processo bas-
tante preciso e complexo, produzindo outras idênticas à célula mãe.
Isso nada mais é do que uma forma de reprodução. Em 1876, Balbiani
observou estruturas semelhantes a bastões no núcleo das células em
processo de divisão.
Sabe-se, hoje, que os tais bastões, batizados de cromossomos,
correspondem à cromatina extremamente condensada. O grau de con-
densação sofrido pela cromatina é tão grande que o maior cromosso-
mo humano, medindo 10mm, contém cerca de 7,2cm (72.000 mm!) de
DNA altamente compactado.
Se pudéssemos alinhar todo DNA contido em um espermatozóide
humano, o comprimento chegaria bem próximo a 1 metro. Guardados
os devidos limites, pode-se imaginar que essa compactação equivale a
concentrar 100 metros de linha em um carretel de 3cm.
Cada cromossomo apresenta uma região estrangulada, mais fna
que as demais, que o divide em duas partes e que serve para a fxa-
ção dos cromossomos nas fbras do fuso, durante a mitose, chamada
centrômero, ou constrição primária. O centrômero é uma região de
heterocromatina, sendo, portanto, aparentemente desprovido de
importância como material gené-
tico. O centrômero divide o cromos-
somo em dois braços, que podem ter
ou não o mesmo tamanho. A partir da
posição de centrômero podemos dis-
tinguir quatro tipos de cromossomo:
metacêntrico, submetacêntrico,
acrocêntrico e telocêntrico.
Certos cromossomos apresen-
tam uma outra porção aflada de
heterocromatina. Essa região é de-
nominada constrição secundária
e é responsável pela síntese de RNA.
O RNA produzido é acumulado e dá origem aos nucléolos. Por esse
motivo, essa estrutura recebe o nome de organizador nucleolar ou
região organizadora do nucléolo.
A porção arredondada do cromossomo, que fca separada pela
constrição secundária, recebe o nome de satélite ou SAT.
Nos seres humanos, que possuem 23 pares de cromossomos,
os organizadores nucleolares aparecem nos cromossomos 13, 14,
15, 21 e 22. Ainda nos seres humanos, o sexo é determinado pelo
23
o
par. Este par, chamado de par sexual ou heterocromossomo, é
constituído de dois cromossomos diferentes, X e Y. O cromossomo
X ocorre em dose dupla nos indivíduos de sexo feminino. Um deles
aparece inativado, sob a forma de um corpúsculo no núcleo das cé-
lulas femininas e recebeu o nome de cromatina sexual ou corpúsculo
de Barr. Já nos homens, nunca ocorre a cromatina sexual, pois exis-
te apenas um único cromossomo X; o outro cromossomo do par se-
xual responsável pela determinação do sexo é o cromossoma Y, que
ocorre apenas nos indivíduos do sexo masculino. Podemos, então,
dizer que, sob o ponto de vista de sua constituição genética, o sexo
masculino é XY e o feminino, XX.
A figura compara o núcleo de uma célula do epitélio bucal e de um neutrófilo,
mostrando a concentração de cromatina em ambos os casos, indicativo de um
cromossomo X inativo.
O número de cromossomos nas di f erentes espéci es
O número de cromossomos é constante para cada espécie. As-
sim, as células de qualquer ser humano (Homo sapiens) possuem 46
cromossomos, da mesma forma que as células de qualquer cão (Canis
familiaris) apresentam
78 cromossomos. Porém,
muito cuidado com con-
fusões. Apesar de cons-
tante para cada espécie, o
número de cromossomos
não é exclusivo: assim
como o cão, o galo (Gallus
domesticus) também
possui 78 cromossomos
em suas células. Algo se-
melhante ocorre com o
feijão (Phaseolus vulga-
ris) e com o sapo (Bufo
arenarum), ambos
apresentando células que
contêm 22 cromossomos.
Isso signifca que somen-
te a quantidade não é
A figura representa o cariótipo humano (homem normal XY)
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critério sufciente para conhecer a que ser vivo pertence determinada
célula. Alterações no número e na forma dos cromossomos provocam
anomalias nos seus portadores, como, por exemplo, a Síndrome de
Down (47 cromossomos).
Eucari otas e procari otas
A presença de um envoltório delimitando uma região chamada
núcleo caracteriza uma classe de célula denominada eucariontes. Seres
vivos constituídos por células desse tipo são chamados eucariotas.
Certas células não apresentam cromossomos. Nelas aparece um
longo flamento enovelado composto por DNA que não se encontra
associado a proteínas. Além disso, esse flamento está disperso no ci-
toplasma, não havendo nenhum tipo de organização que sugira a exis-
tência de um núcleo. Esse flamento de DNA é denominado nucleóide.
Células com essa estrutura são chamadas procariontes, enquanto os
seres por elas constituídos denominam-se procariotas. As bactérias
são procariotas.
Apesar de anucleado, o glóbulo vermelho de mamíferos não deve
ser confundido com célula procarionte. Ele perdeu o núcleo durante o
seu desenvolvimento.
A t i v i d A d e s
1 A presença da carioteca defne os seres:
a) Procariontes
b) Autótrofos
c) Eucariontes
d) Heterótrofos
e) Unicelulares
2 Podemos afrmar que o nucléolo é uma estrutura:
a) intranuclear, visível apenas ao microscópio eletrônico.
b) intracelular, rica em RNA, presente em alguns vírus.
c) intranuclear, rica em DNA, presente em células eucariontes.
d) citoplasmática, rica em RNA, presente em células de eucariotas.
3 A cromatina sexual corresponde à condensação:
a) dos dois cromossomos X em células femininas.
b) dos dois cromossomos X em células masculinas.
c) de um cromossomo X em células masculinas.
d) de um cromossomo X em células femininas.
4 O que se pode dizer sobre o número de cromossomos:
a) em todas as células de um mesmo indivíduo?
b) em células de indivíduos da mesma espécie?
c) nas células de indivíduos de espécies diferentes?
5 Use as seguintes pistas para iniciar sua resposta:
a) é igual em todas.
b) varia de uma para outra.
c) é diferente de uma para outra.
6 Qual a diferença entre eucromatina e heterocromatina?
7 Suponha que, num laboratório, perderam-se as etiquetas que iden-
tifcavam as lâminas que continham amostras de células de um ca-
sal de irmãos, as quais passariam por um exame. O laboratorista
conseguiria resolver o problema da identifcação sem necessitar
chamar os irmãos para nova coleta de amostras? Explique.
8 Seria correto afrmar que: “células procariontes são células sem
núcleo”? Explique.
a di vi s ãO c e LuL ar
Como unidade estrutural e funcional dos seres vivos, a célula
também passa por um ciclo vital. Ele é composto por quatro etapas
básicas: nascimento, crescimento, reprodução e morte. Na verdade,
como cada célula provém sempre de outra célula pre-existente, estas
etapas básicas da vida celular confundem-se com seu processo de re-
produção.
A reprodução da célula é feita por meio de um processo de divisão
celular que garante sua continuidade.
O mecanismo reprodutivo é o mesmo para qualquer célula, inde-
pendentemente da fnalidade desse processo.
Nos seres unicelulares, por exemplo, a divisão celular não é só
uma forma de perpetuação da espécie, mas, também, uma maneira de
garantir a sobrevivência.
Nos seres pluricelulares, a divisão celular pode estar relacionada
com o seu crescimento ou pode ter função reparadora, como nos ca-
sos de cortes e fraturas. Algumas células especiais multiplicam-se em
situações típicas de sua função: os glóbulos brancos, células de defesa,
em caso de invasão do organismo por agentes patogênicos; a muco-
sa uterina, durante o ciclo menstrual; o tecido secretor glandular das
glândulas mamárias, durante a amamentação; ou, ainda, na reposição
das células velhas, de hemácias, o que representa em torno de 1% a
2% diariamente. Também o crescimento de tumores está ligado à mul-
tiplicação celular, neste caso, desencadeada por fatores “anormais”,
oncogênicos.
Qualquer que seja o caso, o processo de divisão das células eu-
cariotas é sempre o mesmo: a MITOSE. A mitose foi observada, pela
primeira vez, em 1875, por
Flemming e Strasburger,
e recebeu este nome por
causa da evidenciação dos
cromossomos em forma de
flamentos, que então se
verifca. É desencadeado
por um desequilíbrio no
volume celular/superfície
celular. Atuam, ainda, algu-
mas substâncias, como os
A meiose determina o crescimento A meiose determina o crescimento
Ciclo Mitótico Ciclo Mitótico
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fatores de crescimento,
por exemplo, como es-
timuladores da mitose.
Determinados trechos
do próprio DNA que
compõe os cromosso-
mos podem, também,
estimular esse fenôme-
no.
Existem, pois, fato-
res inerentes ao próprio
patrimônio genético,
atuando na multiplica-
ção celular, seja ela den-
tro dos parâmetros normais, ou não, como no caso dos tumores.
Todo o processo da mitose gira em torno da duplicação e distri-
buição eqüitativa do material genético (dos cromossomos) da célula.
Você já sabe que o número de cromossomos é constante para
uma determinada espécie e que esses cromossomos encontram-se aos
pares. Os cromossomos que compõem um mesmo par são chamados
cromossomos homólogos.
Ao se divi-
dir, uma célula
origina duas ou-
tras idênticas a
ela. Isso signifca
que, se possuir
quatro cromos-
somos – ou dois
pares de homó-
logos –, ao so-
frer mitose, essa
célula originará
duas outras, também com quatro cromossomos. Não só o número de
cromossomos permanece idêntico de uma geração celular à outra, como
também seu conteúdo. O processo ocorre em etapas bem defnidas e
contínuas, denominadas fases da mitose: intérfase, prófase, metáfase,
anáfase e telófase.
A intérfase é o período que decorre entre uma mitose e outra.
Nele não se detectam fenômenos microscopicamente visíveis. Com
duração bastante variável – dependendo do tipo de célula e do or-
ganismo envolvido –, essa fase de aparente repouso representa uma
etapa de intensa atividade celular, cujo objetivo é o preparo para uma
nova divisão. Esse preparo consiste em um conjunto de fenômenos
que foram agrupados em três períodos distintos denominados G1,
S e G2
O período G1 está compreendido entre o fm da mitose e o ini-
cio do período S. Trata-se de um período marcado por intensa sín-
tese de RNA, que, rumando para o citoplasma, comandará a síntese
protéica.
No período S, ocorre duplicação do DNA e dos centríolos. Estes
últimos possuem importante papel na divisão celular.
No período G2, ocorre nova síntese de proteínas, dessa vez so-
mente as necessárias à divisão celular. Terminado esse período, quan-
do a célula contém o dobro de DNA que apresenta no inicio, a mitose
propriamente dita está prestes a começar.
O ciclo celular pode ser interrompido temporária ou permanen-
temente, fcando a célula retida no período G0. A passagem para os pe-
ríodos subseqüentes poderá ser restabelecida, dependendo da própria
célula e das condições internas e externas, como é o caso das células
dos ossos e do fígado. Já células como os neurônios permanecem inde-
fnidamente na intérfase e não se dividem nem podem ser repostas.
As fases da mi tose são prófase,
metáfase, anáfase e tel ófase
Na prófase acon-
tece a desintegração do
nucléolo e da carioteca,
fazendo com que o mate-
rial nuclear se misture ao
citoplasma. Os pares de
centríolos migram para
pólos opostos da célula.
Originam os ásteres e o fuso, gra-
ças à polimerização das proteínas
componentes do microtúbulos. A
cromatina sofre um processo de
condensação tornando visíveis os
cromossomos. Eles já estão dupli-
cados desde a intérfase e aparecem
formados por duas cromátides ou
cromátide-irmãs, que permanecem
unidas pelo centrômero.
Estabelecidas as ligações, os
cromossomos distribuem-se na re-
gião equatorial da célula, formando o que se denomina placa equato-
rial. Nessa fase, a condensação cromossômica é máxima.
O óvulo é uma célula produzida por meiose
Na anáfase, as cromátides-irmãs separam-se, passando a cons-
tituir cada uma um único cromossomo. Ao mesmo tempo, os micro-
túbulos ligados aos centrômeros sofrem uma despolimerização, o que
provoca seu encurtamento. Esse fenômeno faz com que os cromosso-
mos, já individualizados, migrem para os pólos opostos das células.
Note que, para cada pólo, segue apenas uma das antigas cromátides.
Nas células animais, o citoplasma sofre estrangulamento e pos-
terior separação em duas metades. O processo de separação do cito-
plasma é conhecido como citocinese ou citodiérese: distribuição eqüi-
tativa de componentes e organelas entre as células-flhas, cada uma
Na metáfase os microtúbulos do fuso mitótico
chegam à região central e ligam-se aos centrô-
meros dos cromossomos duplicados.
Na metáfase os microtúbulos do fuso mitótico
chegam à região central e ligam-se aos centrô-
meros dos cromossomos duplicados.
Podemos considerar a telófase como
sendo uma prófase ao contrário, pois
inicia-se o processo de descondensação
dos cromossomos até atingir o estado
de fibras de cromatina, reconstitui-se a
carioteca e refazem-se os nucléolos.
Podemos considerar a telófase como
sendo uma prófase ao contrário, pois
inicia-se o processo de descondensação
dos cromossomos até atingir o estado
de fibras de cromatina, reconstitui-se a
carioteca e refazem-se os nucléolos.
critério sufciente para conhecer a que ser vivo pertence determinada
célula. Alterações no número e na forma dos cromossomos provocam
anomalias nos seus portadores, como, por exemplo, a Síndrome de
Down (47 cromossomos).
Eucari otas e procari otas
A presença de um envoltório delimitando uma região chamada
núcleo caracteriza uma classe de célula denominada eucariontes. Seres
vivos constituídos por células desse tipo são chamados eucariotas.
Certas células não apresentam cromossomos. Nelas aparece um
longo flamento enovelado composto por DNA que não se encontra
associado a proteínas. Além disso, esse flamento está disperso no ci-
toplasma, não havendo nenhum tipo de organização que sugira a exis-
tência de um núcleo. Esse flamento de DNA é denominado nucleóide.
Células com essa estrutura são chamadas procariontes, enquanto os
seres por elas constituídos denominam-se procariotas. As bactérias
são procariotas.
Apesar de anucleado, o glóbulo vermelho de mamíferos não deve
ser confundido com célula procarionte. Ele perdeu o núcleo durante o
seu desenvolvimento.
A t i v i d A d e s
1 A presença da carioteca defne os seres:
a) Procariontes
b) Autótrofos
c) Eucariontes
d) Heterótrofos
e) Unicelulares
2 Podemos afrmar que o nucléolo é uma estrutura:
a) intranuclear, visível apenas ao microscópio eletrônico.
b) intracelular, rica em RNA, presente em alguns vírus.
c) intranuclear, rica em DNA, presente em células eucariontes.
d) citoplasmática, rica em RNA, presente em células de eucariotas.
3 A cromatina sexual corresponde à condensação:
a) dos dois cromossomos X em células femininas.
b) dos dois cromossomos X em células masculinas.
c) de um cromossomo X em células masculinas.
d) de um cromossomo X em células femininas.
4 O que se pode dizer sobre o número de cromossomos:
a) em todas as células de um mesmo indivíduo?
b) em células de indivíduos da mesma espécie?
c) nas células de indivíduos de espécies diferentes?
5 Use as seguintes pistas para iniciar sua resposta:
a) é igual em todas.
b) varia de uma para outra.
c) é diferente de uma para outra.
6 Qual a diferença entre eucromatina e heterocromatina?
7 Suponha que, num laboratório, perderam-se as etiquetas que iden-
tifcavam as lâminas que continham amostras de células de um ca-
sal de irmãos, as quais passariam por um exame. O laboratorista
conseguiria resolver o problema da identifcação sem necessitar
chamar os irmãos para nova coleta de amostras? Explique.
8 Seria correto afrmar que: “células procariontes são células sem
núcleo”? Explique.
a di vi s ãO c e LuL ar
Como unidade estrutural e funcional dos seres vivos, a célula
também passa por um ciclo vital. Ele é composto por quatro etapas
básicas: nascimento, crescimento, reprodução e morte. Na verdade,
como cada célula provém sempre de outra célula pre-existente, estas
etapas básicas da vida celular confundem-se com seu processo de re-
produção.
A reprodução da célula é feita por meio de um processo de divisão
celular que garante sua continuidade.
O mecanismo reprodutivo é o mesmo para qualquer célula, inde-
pendentemente da fnalidade desse processo.
Nos seres unicelulares, por exemplo, a divisão celular não é só
uma forma de perpetuação da espécie, mas, também, uma maneira de
garantir a sobrevivência.
Nos seres pluricelulares, a divisão celular pode estar relacionada
com o seu crescimento ou pode ter função reparadora, como nos ca-
sos de cortes e fraturas. Algumas células especiais multiplicam-se em
situações típicas de sua função: os glóbulos brancos, células de defesa,
em caso de invasão do organismo por agentes patogênicos; a muco-
sa uterina, durante o ciclo menstrual; o tecido secretor glandular das
glândulas mamárias, durante a amamentação; ou, ainda, na reposição
das células velhas, de hemácias, o que representa em torno de 1% a
2% diariamente. Também o crescimento de tumores está ligado à mul-
tiplicação celular, neste caso, desencadeada por fatores “anormais”,
oncogênicos.
Qualquer que seja o caso, o processo de divisão das células eu-
cariotas é sempre o mesmo: a MITOSE. A mitose foi observada, pela
primeira vez, em 1875, por
Flemming e Strasburger,
e recebeu este nome por
causa da evidenciação dos
cromossomos em forma de
flamentos, que então se
verifca. É desencadeado
por um desequilíbrio no
volume celular/superfície
celular. Atuam, ainda, algu-
mas substâncias, como os
A meiose determina o crescimento A meiose determina o crescimento
Ciclo Mitótico Ciclo Mitótico
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com 50% do volume
da célula-mãe.
Devido à ine-
xistência de áster,
centríolos e impossi-
bilidade de constrição
do citoplasma, respec-
tivamente, a mitose
das células vegetais é
anastral, acêntrica e
com formação da la-
mela média na região
do Equador.
A di f erenci ação cel ul ar é o processo
responsável pel a especi al i zação das cél ul as
As células que compõem um organismo não são todas iguais. Elas po-
dem diferir quanto ao aspecto e quanto à função. Isso porque há uma relação
estreita entre a forma e o trabalho desempenhado por determinada célula.
Apesar disso, nos seres pluricelulares, todos os diferentes tipos
celulares originam-se de uma única célula, o zigoto, que é o resultado
da fecundação do gameta feminino pelo gameta masculino. Por meio
de mitoses sucessivas, ele originará o novo ser com seus vários tipos de
células. No ser humano, por exemplo, existem cerca de duzentos tipos
distintos de células, cada qual com sua função.
O surgimento de células tão diferentes originadas de mitose é
decorrente de um fenômeno chamado diferenciação celular. Graças a
ele, a célula passa por uma série de alterações morfológicas que a torna
mais especializada na realização de determinada função.
Câncer, a mul ti pl i cação desordenada das cél ul as
Câncer é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças que
têm em comum o crescimento desordenado (maligno) de células que
invadem os tecidos e órgãos, podendo espalhar-se (metástase) para
outras regiões do corpo.
Dividindo-se rapidamente, estas células tendem a ser muito
agressivas e incontroláveis, determinando a formação de tumores
(acúmulo de células cancerosas) ou neoplasias malignas. Por outro
lado, um tumor benigno signifca simplesmente uma massa localizada
de células que se multiplicam vagarosamente e se assemelham ao seu
tecido original, raramente constituindo um risco de vida.
Os diferentes tipos de câncer correspondem aos vários tipos de
células do corpo. Por exemplo, existem diversos tipos de câncer de pele
porque a pele é formada de mais de um tipo de célula.
Uma célula normal pode sofrer alterações no DNA dos ge-
nes. É o que chamamos mutação genética. As células cujo ma-
terial genético foi alterado passam a receber instruções erradas
para as suas atividades. As alterações podem ocorrer em genes
especiais, denominados protooncogenes, que, a princípio, são
inativos em células normais. Quando ativados, os protooncogenes
transformam-se em oncogenes, responsáveis pela malignização
(cancerização) das células normais. Essas células diferentes são
denominadas cancerosas. O fumo é um agente carcinógeno com-
pleto, pois possui componentes que atuam em todos os estágios
da carcinogênese.
tumor benigno de
epitélio
tecido conjuntivo
lâmina basal transpondo a lâmina basal invasão dos capilares
capilares
disseminação para a corrente sangüí-
nea ( menos de uma em 1.000 células
sobrevive para formar metástase)
no fígado, adere à pare-
de capilar
saída dos capilares e invasão
de tecido
proliferação e metástase no
fígado
A t i v i d A d e s
1 O que é mitose?
2 Explique:
a) intérfase
b) prófase
c) metáfase
d) anáfase
e) telófase
3 Conceitue diferenciação celular.
4 O que é um câncer?
5 Qual a diferença entre um tumor benigno e um tumor maligno?
Aspectos da mitose em células vegetais
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at i vi dade s quí mi c as
A matéria, seja ela viva ou inanimada, é sempre constituída por
moléculas. Uma pedra, a água de um rio, o vinho, um prego, uma
bala, uma caixa de sapato, um sapato de couro, um lagarto ou um
mandacaru têm moléculas na sua constituição. Muitas moléculas en-
contradas nos seres vivos também existem na matéria não-viva e são
muito simples. Há, por exemplo, uma grande quantidade de água em
qualquer organismo, substância abundante na natureza. Há, ainda,
sais minerais, todos eles encontrados na água ou nas rochas. No en-
tanto, os seres vivos apresentam, também, moléculas maiores, mais
complexas, “exclusivas”, que não costumam aparecer na natureza
inanimada. São os compostos orgânicos, produzidos, armazenados
ou consumidos dentro dos sistemas vivos. As moléculas orgânicas
mais importantes são os carboidratos, também chamados açúcares,
os lipídios, isto é, óleos e gorduras, as proteínas e os ácidos nucleicos
DNA ou RNA. Substâncias desse tipo são quase sempre provenientes
de organismos vivos.
As moléculas são, na verdade, um dos níveis de organização
dos seres vivos. Nos seres vivos, a organização não se limita ao nível
molecular: um organismo é composto de vários sistemas, conjuntos
de órgãos que, por sua vez, são formados por tecidos. Os tecidos são
reuniões de células com funções semelhantes; as células contêm orgâ-
nulos, cada um deles realizando um determinado papel. Cada orgânulo
é composto de moléculas, e estas são constituídas por átomos.
As moléculas que fazem parte dos organismos vivos não estão
“paradas”, estáticas: elas estão constantemente reagindo umas com as
outras, transportando-se o tempo todo, sendo que, nesses processos,
algumas são constituídas, e outras, destruídas. Essa atividade quími-
ca, típica dos organismos vivos, é chamada de metabolismo. Assim,
cada um dos tipos de moléculas que compõem os seres vivos tem o seu
papel biológico, ou seja, age dentro dos organismos de uma maneira
especial e insubstituível.
De forma muito simplifcada, podemos identifcar três proble-
mas básicos dos organismos, que são:
• Obter energia;
• Construir mais matéria viva;
• Controlar todos os processos.
Esses problemas, numa outra escala, são, também, os das células
que constituem um organismo. Todo o metabolismo celular, ou seja, a
atividade química desempenhada por uma célula, destina-se a resolver
esses três problemas básicos. Vamos exemplifcar.
• Obtenção de energia: para funcionar, as máquinas necessitam
de uma fonte de energia; o motor de um carro, por exemplo,
queima gasolina, e a energia liberada é transformada em movi-
mento. Os organismos também utilizam combustíveis especiais
e, dessa forma, obtêm energia para se movimentar, crescer, se
reproduzir, enfm, para desempenhar suas atividades. Quando
açúcares ou gorduras são “queimados” numa célula, é obtida a
energia para que ela funcione.
• Construir mais matéria viva: máquinas sofrem desgaste e têm,
muitas vezes, peças que necessitam de substituição. Os organis-
mos têm problemas semelhantes. Precisam, o tempo todo, cons-
truir mais matéria viva para repor aquela que se desgastou e para
crescer. Por exemplo, os glóbulos vermelhos do sangue duram, em
média, 120 dias; depois disso, são substituídos por células novas.
A fabricação de proteínas, no interior da célula, seja para repo-
sição de matéria viva, seja para o crescimento, é um importante
momento do processo de construção da matéria viva.
• Controlar os processos: o funcionamento de um motor de auto-
móvel, por exemplo, é controlado pelo acelerador, que injeta mais
ou menos gasolina para ser queimada. Nos organismos vivos, um
controle é também absolutamente necessário. Por exemplo, o
sistema nervoso e o sistema hormonal aceleram, retardam e in-
tensifcam as atividades. Em nível celular, o núcleo e seus compo-
nentes, principalmente os ácidos nucleicos, têm essa importante
função de controle. Na realidade, os ácidos nucleicos decidem, em
última análise, todas as etapas do metabolismo celular.
Há pois três modalidades de metabolismo:
• Metabolismo energético: são todas as reações celulares rela-
cionadas à obtenção e à utilização de energia. Quando uma célula
“queima” açúcares em suas mitocôndrias, para obter energia para
suas necessidades, na respiração celular, trata-se de uma faceta
do metabolismo energético. Quando uma célula vegetal absorve
luz do sol e produz alimento nos seus cloroplastos, no processo
de fotossíntese, é, também, um processo de metabolismo ener-
gético.
• Metabolismo plástico, ou estrutural: também chamado de
metabolismo de construção. Está, normalmente, relacionado à
produção celular de proteínas, em orgânulos chamados ribosso-
mos. A produção de mais matéria viva está ligada, como já vimos,
não apenas à reposição de material desgastado, mas, também, ao
crescimento dos organismos.
• Metabolismo de controle: aqui, as reações químicas da célula
estão todas relacionadas a uma “fscalização”, um controle bioló-
gico de tudo que a célula faz. São normalmente os componentes
do núcleo, principalmente os ácidos nucléicos (DNA e RNA), que
realizam essa tarefa.
Afnal, quais são, de fato, os tipos de moléculas que compõem um
organismo? Em organismos diferentes, as moléculas são as mesmas ou
são diferentes?
Na verdade, em qualquer tipo de organismo, seja ele um mico-
leão-dourado ou um pé de milho, uma ameba ou um cogumelo, exis-
tem as mesmas categorias de substâncias; em outras palavras, os tipos
substâncias encontradas são os mesmos. Isso não quer dizer que as
substâncias encontradas sejam idênticas. Proteínas existem em to-
dos os tipos de organismo. Porém, há diferentes tipos de proteínas
possíveis na natureza. Assim, embora existam proteínas tanto num
pé de milho como num mico-leão-dourado, elas podem ser de tipos
diferentes. O mesmo se aplica aos lipídios, aos açúcares e aos ácidos
nucleicos.
Os químicos classifcam as substâncias em orgânicas e inorgâ-
nicas. As substâncias inorgânicas, como a água e os sais minerais, são
mais simples, geralmente de molécula menor, e freqüentemente se en-
contram na natureza inanimada, como a água do mar e as rochas. Já
as substâncias ditas orgânicas são de moléculas complexas, maiores, e
constituídas por cadeias de vários átomos de carbono. Açúcares, gor-
duras, proteínas e ácidos nucléicos são substâncias orgânicas, normal-
mente encontradas em associação com organismos vivos.
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As quantidades médias das substâncias constituintes dos seres
vivos, comparando-se as células animais com as vegetais:
Constituintes
Células
animais
Células
vegetais
Substâncias
Inorgânicas
Água 60,0 75,0
Substâncias
Orgânicas
Substâncias Minerais 4,3 2,45
Carboidratos 6,2 18,0
Lipídios 1,7 0,5
Proteínas 17,8 4,0
Observe a grande porcentagem de água tanto nas células animais
como nas vegetais. A maioria de carboidratos nas células vegetais é
decorrência da presença, em todas elas, de uma parede de celulose,
carboidrato produzido a partir da glicose no processo da fotossíntese.
A t i v i d A d e s
1 Dentro de um mesmo organismo, quais são os fatores que podem
determinar diferenças de composição química das células?
Preencha a tabela
Constituintes
Células
animais
Células
vegetais
Água 60,0 75,0
Substâncias
Orgânicas
Substâncias Minerais 4,3 2,45
Carboidratos
Lipídios
17,8 4,0
2 Quais os papéis biológicos desempenhados pelas substâncias abaixo:
Substância Papel Biológico na Célula
Ácidos Nucleicos
Carboidratos
Proteína
Lipídios
3 O que se entende por metabolismo celular?
4 Comente o metabolismo de construção. O que são substâncias
plásticas na célula?
s ó Há vi da Onde HOuve r áGua
A água é o componente mais abundante na composição dos or-
ganismos vivos. E é um ótimo solvente para uma grande quantidade
de substâncias, diz-se que é o solvente universal – e, por esse motivo,
as transporta com muita facilidade. Por outro lado, quando evapora na
superfície de vegetais ou animais, a superfície é “resfriada”, uma vez
que há a retirada de calor. De forma geral, podemos resumir os princi-
pais papéis da água nos organismos da seguinte maneira:
• Por ser um ótimo solvente, ela constitui o dispersante,
dentro da célula, tanto de substâncias inorgânicas, como sais mi-
nerais, oxigênio, gás carbônico, como das substâncias orgânicas da
vida, carboidratos, aminoácidos, proteínas etc. Assim sendo, é na água
da célula que ocorrem as reações químicas do metabolismo, uma vez
que as moléculas nela dissolvidas estão em constante agitação e têm
“oportunidades” de se encontrarem e, portanto, de reagirem.
• Dentro e fora das células, todas as substâncias importantes
acham-se dissolvidas na água, então ela tem um papel importan-
te no transporte de substâncias, tanto no interior da célula como
entre uma célula e outra; e, também, entre o organismo e o meio
externo. Dessa forma, alimentos, gases da respiração e excretas
se dissolvem na água, e por elas são transportados.
• A água tem grande papel na regularização do equilíbrio
térmico. Afnal, ao evaporar-se na superfície dos organismos,
no processo da transpiração, ela retira calor. Nos mamíferos, que
são homeotermos (animais que mantêm sua temperatura cons-
tante), a transpiração está relacionada à manutenção da tempe-
ratura. Nos demais, atua na distribuição do calor.
• A água age, ainda, como lubrifcante, estando presente em re-
giões onde há atritos, como, por exemplo, nas articulações entre
ossos e também entre os órgãos.
Vários fatores estão relacionados com a variação da taxa de água.
• A atividade metabólica: quanto maior for o metabolismo de
um tecido, maior será, em geral, a taxa de água nele encontra-
da. Observando-se a tabela abaixo, percebemos que os músculos
humanos, muito ativos, têm maior taxa de água do que os ossos
e a dentina, material constituinte dos dentes, que são metaboli-
camente pouco ativos.
Quantidade de água, em porcentagem do peso total, em
alguns órgãos humanos.
Encéfalo de embrião
Músculos
Cérebro
Pulmões
Coração
Ossos
Dentina
92,0
83,4
77,8
70.9
70,9
48,2
12,0
• A idade: Observe, ainda na tabela, que o encéfalo do embrião
humano tem 92% de água, enquanto o cérebro do adulto apenas
77,8%. É interessante lembrar que a atividade metabólica geral,
em pessoas com mais idade, é menor do que em jovens. Isto é
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fácil de entender, quando
se compara o aumento de
tamanho de um bebê, nos
primeiros meses de exis-
tência, e depois, na puber-
dade!
• A espécie: em média, há
65% de água na espécie hu-
mana; porém encontra-se 94% nas melancias e 98% nas águas-vivas!
A matéria viva mais “seca” é representada por sementes e esporos
de vegetais, uma vez que possuem entre 10% e 20% de água. Nessas con-
dições, no entanto, sua atividade metabólica é extremamente baixa, pois
só voltam a ter uma atividade
normal quando há um aumen-
to na disponibilidade da água,
como, por exemplo, quando
embebemos uma semente de
feijão e, em conseqüência dis-
so, ela germina. Muitos ovos
de insetos permanecem “pa-
rados”, enquanto não houver
disponibilidade de água, e só voltam a se desenvolver por ocasião das chu-
vas. Este fenômeno é particularmente observado no semi-árido brasileiro,
quando, após as chuvas, ocorre uma verdadeira explosão de vida.
Está claro que animais
e vegetais que vivem no am-
bienta seco, fora da água, estão
sendo ameaçados, constante-
mente, pelo perigo da desidra-
tação. Afnal, o tempo todo eles
perdem água pelas suas super-
fícies, por evaporação. Está cla-
ro que, para um organismo estar bem adaptado à vida em ambiente
seco, algumas adaptações lhe serão necessárias, como um tegumento
impermeabilizado, estruturas respiratórias internas, como pulmões,
um tipo de reprodução es-
pecial. A conquista do meio
ambiente terrestre só foi
possível, para animais e
plantas, a partir de profun-
das adaptações, que permi-
tiram, por um lado, prote-
ção contra as perdas, por outro, formas mais econômicas de excreção
dos resíduos. Veja, particularmente, os répteis: sua pele é seca, sem
glândulas mucosas, impermeável, reproduzem-se por meio de ovos,
que são enterrados, seus excretas são
constituídos de cristais de ácido úrico
etc. Também os vegetais de ambientes
terrestres secos exibem adaptações
extremas que vão desde um ciclo ve-
getativo extremamente rápido, em
alguns casos de uma semana apenas,
até perda total de folhas, casca muito
grossa, revestimento de cera, folhas
transformadas em espinhos, parên-
quima aqüífero, entre outros.
A t i v i d A d e s
1 Leia o texto:
PantanaL troCa de rouPa Com ass ChuVas
Do jornal a Folha de São Paulo
...Quem viaja ao Pantanal na seca leva o maior susto. O que era
verde, fca marrom. O que tinha folhas, fca desfolhado. O que não ti-
nha fores, fca forido.
Entre maio e setembro, muitas árvores perdem suas folhas. Por
fcarem secas, as plantas ganham a coloração amarelada ou amarron-
zada. É a melhor época para caminhar no Pantanal e observar o que os
cientistas chamam adaptação: a cortiça das árvores, uma casca grossa
que ajuda a proteger do fogo, e as folhas grossas, peludas e ásperas,
que impedem excessiva perda de água, rara durante o período.
...Com a cheia, o Pantanal troca de roupa. Os campos cobertos
por grama somem sob a água, restando alguns pontos de mata fecha-
da, chamados cordilheiras...
...Nesse período aparecem as plantas aquáticas, como o aguapé,
a orelha-de-onça.
...É um bom momento para a observação das aves aquáticas, que
migram de várias partes do País e do exterior, como dos EUA e da Ar-
gentina, como garças, cegonhas e frangos d’água.
Baseado no texto
a) Explique qual a diferença de paisagem que a abundância de água
ou a sua falta determina no Pantanal.
b) E no semi-árido brasileiro, o que acontece na ausência ou presença
de água?
c) Como se explica o aparecimento do águapé nas cheias?
d) As plantas, que são fxas, perdem sua parte vegetativa, isto é, raiz,
caule, folhas etc. em função da disponibilidade de água ou não. E
os animais? O que ocorre com eles?
2 Por que a água é tão importante para os seres vivos?
3 Por que as pessoas que se alimentam de mais sal bebem mais
água?
de Onde ve m a e ne rGi a Par a a
c é LuL a?
Todas as células realizam uma
série de atividades, as quais objetivam,
sempre, manter sua vida. Estas ativi-
dades compõem o seu metabolismo.
Vimos que o metabolismo pode ser
construtivo, energético e de controle.
Falamos em metabolismo energético,
referindo-nos aos processos que visam
a fornecer energia para os trabalhos
celulares.
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Sabemos que são os alimentos as substâncias que fornecem ener-
gia às células. Sabemos, também, que, entre estes alimentos, são os
carboidratos ou açúcares as moléculas energéticas por excelência, das
quais apenas os monossacarídeos são moléculas sufcientemente pe-
quenas para atravessarem a membrana plasmática da célula e serem
utilizadas no seu interior. Moléculas de carboidratos como a sacaro-
se, a lactose, o amido ou a celulose, embora ricos em energia, devem,
anteriormente, ser hidrolisados a monossacarídeos para poderem ser
utilizados pelas células nos seus processos de “queima”.
Sempre que queimamos um combustível, como gasolina ou ál-
cool, ocorre libertação de energia. No caso da gasolina queimada no
motor de um carro, a energia “escondida” na molécula é “liberada” com
uma parte dela transformada em energia de movimento, que faz o car-
ro andar; e outra parte, em calor.
Nos organismos vivos, os açúcares funcionam como combus-
tíveis: no interior das células, ocorrem “queimas” dos açúcares, que
liberam a energia necessária para o seu funcionamento.
Um combustível celular – por exemplo, a glicose, representado
na parte alta do esquema –, por “conter” muita energia de ligação
entre suas moléculas, está sendo transformado em resíduos “pobres”
em energia (com menos ligação das moléculas). Assim sendo, há li-
beração de energia, que será utilizada no trabalho das células. Os
dois processos são praticamente universais, ocorrendo em animais
e plantas.
Respiração e fermentação são processos muito semelhantes; di-
ferem entre si nos produtos fnais e na quantidade de energia liberada.
Compare as equações simplifcadas:
fermentação
C
6
H
12
O
6
2

C
2
H
5
O H + 2 C

O
2
glicose álcool etílico gás carbônico
resPiração
C
6
H
12
O
6
+ 6 O
2
6 C

O
2
+ 6 H
2
O
Glicose oxigênio gás carbônico água
Em ambos os processos, o combustível utilizado pelas células é
a glicose.
Na respiração, ocorre necessidade da presença de oxigênio livre;
na fermentação, não há a necessidade da presença do oxigênio do ar.
Na fermentação, não há decomposição total da molécula de
glicose: resultam como subprodutos moléculas ainda relativamente
grandes e que têm, ainda, um residual de energia. Como não ocorre a
“quebra” total da molécula de glicose, uma parte da energia continua
armazenada na molécula de álcool.
Na respiração, são fabricadas 6 moléculas de gás carbônico, que
possuem apenas um átomo de carbono e nenhum átomo de hidrogê-
nio ligado, signifcando, então, que não há mais energia a ser liberta-
da. Em termos de quantidade de energia, a respiração é muito mais
efciente.
Admite-se que os primeiros seres vivos tenham sido fermenta-
dores: não havia ainda organismos autótrofos fotossintetizantes, a
atmosfera ainda não continha moléculas de O
2
livre, os organismos
que habitavam as águas eram extremamente simples. Com o surgi-
mento dos primeiros organismos autotrófcos fotossintetizadores,
desenvolvem-se os respiradores. Nestes, o processo evolui mais, à
medida que o sistema de endomembranas do citoplasma evolui, iso-
lando uma organela celular exclusiva para a respiração, a mitocôn-
dria. Hoje, a maioria das células e dos organismos é aeróbia. Caso
ocorra uma situação de premência, de falta de oxigênio, muito deles
são capazes de fermentar.
Um exemplo bastante comum é o da fermentação láctica.
Neste processo, ocorre quebra da molécula de glicose em duas
moléculas de ácido láctico, com liberação de 2 moléculas de ATP,
mas sem a formação do gás carbônico. As bactérias do gênero
Lactobacillus obtêm sua energia desta forma. Ao realizarem a
fermentação da glicose da lactose, produzem ácido láctico que
azeda o leite e provoca a coagulação de suas proteínas, fazendo-
o “talhar”.
Nossos músculos também são capazes de realizar a fermen-
tação láctica em condições de escassez de oxigênio. Por exemplo,
se nossos músculos realizarem um trabalho excessivo, como du-
rante uma corrida, a quantidade de oxigênio que chega às células
não é suficiente para as necessidades energéticas da célula. Neste
caso, as células apelarão para a fermentação, quebrando simples-
mente as moléculas de glicose em ácido lático. O resíduo produ-
zido, que é o ácido láctico, se acumula no músculo, provocando o
fenômeno da fadiga muscular, que acaba por impedir a contração
muscular propriamente dita. O excesso de ácido láctico é o res-
ponsável pelas câimbras, que acometem o atleta após exercícios
extenuantes.
Combustível celular
(rico em energia)
Liberação de energia
química para o
trabalho celular
Quantidade
de energia
química das
substâncias
Substância com
pouca energia
química
Combustível celular
(rico em energia)
Liberação de energia
química para o
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Quantidade
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química das
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Substância com
pouca energia
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No caso do
homem, portanto,
a fermentação não
substitui a respiração
celular: apenas auxilia
na produção de ener-
gia, em condições nas
quais o oxigênio não
seria sufciente, para
que toda a energia
consumida fosse ob-
tida pelo processo
aeróbio.
Nas células, tanto a respiração quanto a fermentação liberam
energia. Contudo, esta energia não é utilizada diretamente no tra-
balho celular. Antes de ser usada, ela é armazenada numa substância
chamada ATP, que, oportunamente, a transfere ao trabalho celular.
Esta substância representa, na verdade, uma forma bastante prática
de se armazenar e distribuir energia dentro da célula. Sendo ele, o ATP,
solúvel em água, difunde-se facilmente até qualquer ponto da célula,
onde a energia estiver sendo necessitada. É como se fosse, por exem-
plo, um farolete que se leva até onde se quiser, para iluminar, quando
necessário, ou, ainda, um liquidifcador, uma enceradeira, uma faca
elétrica etc. Na verdade, não a faca, o liquidifcador, mas sim a pilha
que fornece a energia. Poderíamos dizer que o ATP é uma pílula de
energia, ou uma pilha que se carrega com a energia da respiração ou
fermentação e se descarrega no trabalho de digestão ou síntese das
moléculas orgânicas.
De uma forma bem simples, o ATP existe sob duas formas: car-
regado de energia ou com menos energia, sob a forma de ADP (adeno-
sina difosfato).
Veja a fgura a seguir:
Quando o ATP se transforma em ADP dentro da célula, um grupo
fosfato da molécula se desprende e a energia é cedida às atividades
celulares. No entanto, ocorre também o inverso: havendo energia dis-
ponível (da respiração ou da fotossíntese), a molécula de ADP se liga a
um fosfato e se transforma em ATP.
A t i v i d A d e s
1 Preencha a tabela abaixo:
Das seguintes moléculas, que fornecem energia para o trabalho
celular, glicose, lactose, sacarose, amido, maltose, frutose, (escreva o
nome das substâncias no espaço adequado )
Fornecem energia sem
necessidade de hidrólise prévia
Fornecem energia após
hidrólise
2 Lendo atentamente o texto, preencha a tabela a seguir, usando os
seguintes conceitos:
(escreva cada um deles dentro da tabela, no campo adequado, ou
em ambos)
• os produtos fnais são moléculas mais simples
• os seres vivos mais primitivos a realizavam
• ocorre apenas na presença de oxigênio livre do ar
• quando realizada pelas células musculares, seus produtos provo-
cam a fadiga muscular
• ocorre no interior de mitocôndrias
• liberta apenas parcialmente a energia contida na molécula de
glicose
• ocorre com a molécula de glicose
• produz moléculas orgânicas ainda complexas
• produz apenas moléculas simples de um carbono só
• libera a energia armazenada nas ligações químicas das moléculas
energéticas
• fornece ATP para o trabalho celular
• fornece ácido láctico ou álcool etílico
Fermentação Respiração
i nt rOduçãO aO e s t udO
da e cOLOGi a
A palavra “ecologia” deriva do grego oikos, como sentido de
“casa”, e logos, que signifca “estudo”.
Então, quando nos referimos ao estudo do “ambiente da casa”,
obrigatoriamente nos referimos a todos os seus “habitantes” e todos
os processos funcionais que a tornam habitável. Literalmente, enfm, a
ecologia é o estudo do “lugar onde se vive”, com ênfase sobre “a totali-
dade ou padrão de relações entre os organismos e o seu ambiente”.
Oxigênio! Oxigênio!
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b i o l o g i a
A palavra “economia” tam-
bém deriva da raiz grega oikos.
Já que nomia signifca “manejo,
gerenciamento”, a economia tra-
duz-se como “o mando da casa”;
conseqüentemente, a ecologia e
a economia deveriam ser discipli-
nas companheiras; infelizmente, o
ponto de vista de muitas pessoas é
que os ecologistas são retrógrados,
quando confrontados com os eco-
nomistas; ambos são adversários,
sendo que os ecologistas culpam
os economistas, aos quais atribuem
visões e atitudes antitéticas. Talvez
isto nos ensine que os limites de cada disciplina não devam ser inter-
pretados muito estreitamente, que o seu assunto deva ser analisado à
luz de outras disciplinas e que cabe a cada um de nós, bem como aos
cientistas, fazer um esforço especial que leve à compreensão de que da
administração efciente de cada uma das casas de cada um dos grupos
de seres vivos pode surgir, também, a harmonia da sociedade que in-
clui a espécie humana.
As subdi vi sões da ecol ogi a
Distinguimos, em ecologia, três grandes subdivisões: a auto-eco-
logia, a dinâmica das populações e a sinecologia. Estas distinções são
um pouco arbitrárias, mas têm a
vantagem de ser cômodas para uma
exposição introdutória.
A auto-ecologia estuda as
relações de uma única espécie
com seu meio. Define, essencial-
mente, os limites de tolerância e
as preferências das espécies em
face dos diversos fatores ecoló-
gicos e examina as adaptações
morfológicas, fisiológicas e eto-
lógicas (isto é, comportamen-
tais) ao meio em que se encontra.
Assim definida, a auto-ecologia
tem evidentemente correlaciona-
mentos com a fisiologia e a morfologia. Mas tem, também, seus
próprios objetivos: por exemplo, a determinação das preferências
térmicas de uma espécie permitirá explicar (ao menos em parte)
sua localização nos diversos meios, sua distribuição geográfica,
abundância e atividade.
A dinâmica das populações, ou demoecologia, estuda as varia-
ções da abundância das diversas espécies e procura as causas dessas
variações.
A sinecologia analisa as relações entre os indivíduos pertencen-
tes às diversas espécies de um grupo e seu meio. O estudo sinecológico
pode adotar dois pontos de vista.

l i t e r a t u r a
Qualquer desses significados é bom e estabelece relações com a estética barroca, a qual apresenta jogo de idéias, rebuscamento, assimetria. Mesmo considerando o Barroco como o primeiro movimento literário e Gregório de Matos nosso primeiro poeta realmente brasileiro, ainda não se pode isolar o Brasil de Portugal. Como afirma Alfredo Bosi: “No Brasil, houve ecos do Barroco europeu durante os séculos XVII e XVIII: Gregório de Matos, Botelho de Oliveira, Frei Itaparica e as primeiras academias repetiram motivos e formas do barroquismo ibérico e italiano”. Além disso, os dois principais autores do Barroco, Gregório de Matos e Padre Vieira, tiveram a vida dividida entre Portugal e Brasil. Por essas razões, não estudaremos separadamente o Barroco português e brasileiro. honrar chamam-lhe de culto, os que o condenam chamam-lhe de escuro, mas ainda lhe fazem muita honra. O estilo culto não é escuro, é negro, e negro boçal e muito cerrado. É possível que somos portugueses, e havemos de ouvir um pregador em português, e não havemos de entender o que diz?!”
Padre Antonio Vieira

AtividAdes

Sobre o Barroco, responda: 1 A inquietação e o inconformismo do Barroco eram um reflexo do que acontecia na sociedade da época. O que acontecia na sociedade da época do Barroco? 2 Por que o Barroco penetrou facilmente em Portugal? 3 O Barroco, como manifestação artística, aplicava-se unicamente à Literatura? Justifique. 4 Dê os limites temporais (início e fim) do Barroco em Portugal e no Brasil. 5 Podemos identificar dois estilos no Barroco literário. Que estilos são esses? Caracterize-os. 6 Quais foram os grandes representantes do Barroco português e brasileiro? 7 Indique as principais características do Barroco literário. Gregório de Matos Guerra foi a figura mais importante do Barroco colonial. Escreveu poesia lírica, religiosa e satírica. Cultivou tanto o estilo cultista como o conceptista, apresentando jogos de palavras e raciocínios sutis, além do uso abusivo de figuras de linguagem. Nasceu na Bahia, provavelmente a 20 de dezembro de 1633, e foi o primeiro poeta brasileiro. Após os primeiros estudos no Colégio dos Jesuítas, vai para Coimbra, onde se forma em Direito. Vive, depois de formado, alguns anos em Lisboa, exercendo a profissão. Por causa de suas sátiras, é obrigado a voltar para a Bahia, onde passa a trabalhar com os jesuítas como tesoureiro-mor. Novamente, por causa de suas sátiras, é degredado para Angola. Anos mais tarde, já muito doente, volta ao Brasil sob duas condições: não pisar na Bahia e não fazer mais sátiras. Morreu no Recife em 1696. Sobre Gregório de Matos, José Miguel Wisnik diz o seguinte: “Há quem insista em fixar alguns gestos como imagem da sua exorbitância: uma cabeleira postiça, um colete de pelica, uma vontade de ficar nu, um escritório adornado de bananas.” Gregório de Matos ficou conhecido como “Boca do Inferno” por causa de suas sátiras. Assim se definiu na poesia “Aos vícios”: “Eu sou aquele que os passados anos Cantei na minha lira maldizente Torpezas do Brasil vícios e enganos.” Seus versos satíricos atacavam padres, políticos, portugueses, freiras e a elite baiana. Rebaixando os outros, também se dizia um rebaixado. É visível, em seus poemas, um sentimento nativista, de orgulho do Brasil, quando ele separa o que é brasileiro do que é exploração lusitana.
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Cultismo e conceptismo

Reprodução Proibida. Art. 184 do código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Podemos notar dois estilos no barroco literário: o Cultismo e o Conceptismo. Cultismo é o estilo barroco caracterizado pela linguagem rebuscada, culta, extravagante; pela valorização do pormenor mediante jogos de palavras, com visível influência do poeta espanhol Luís de Gongora; daí o estilo ser conhecido, também, por Gongorismo. Eis o soneto mais famoso desse estilo: “Enquanto, em vão, de ouro bunido brilhar O sol já suplantado em seu cabelo, E tua branca fronte, enquanto a um lírio Ardente mira ao prado, mas sem vê-lo, E enquanto aos lábios teus seguindo vão Mais do n´alva ao cravo muitos olhos, E enquanto anula com desdém loução Cristais sem par seu desdenhoso colo, Goza o cabelo, o colo, o lábio, a fronte, Antes que enfim não só tua era dourada, Tu também, mais cravo e sol luzente Em prata se envelheçam, flor de ontem E disso ainda caias transformada Em fumo, em terra, em pó, em sombra, em nada”

Paráfrase

Luís de Gongora

“Enquanto o sol brilha tentando competir com seus cabelos; Enquanto a brancura do teu rosto olha com desprezo a brancura do lírio, porque o seu rosto é mais branco; Enquanto teus lábios vermelhos são cobiçados por mil olhares e dão inveja ao cravo da manhã que ninguém vê; Enquanto teu colo ofusca o brilho do cristal Enquanto, moça, tens toda essa beleza, aproveita antes que te transformes em terra, em fumo, em pó, em sombra, em nada.” Conceptismo é o estilo barroco marcado pelo jogo de idéias, de conceitos, seguindo um raciocínio lógico, racionalista, que utiliza uma retórica aprimorada. Um dos principais seguidores do Conceptismo foi o espanhol Quevedo.
uma CrítiCa ConCePtista ao estiLo CuLtista

“Se gostas da afetação e pompa de palavras e do estilo que chamam de culto, não me leias. Quando este estilo florescia, nasceram as primeiras verduras do meu; mas valeu-me tanto sempre a clareza, que só porque me entendiam comecei a ser ouvido. (...) Este desventurado estilo que hoje se usa, os que o querem

2

c u r s o

p r é - v e s t i b u l a r
Vieira falava para o mundo e seu estilo estava ainda acima do barroquismo de seus contemporâneos. Ele via a história como ela deveria ser... “A definição do Pregador é a vida, e o exemplo. Ter nome de Pregador ou ser Pregador de nome não importa nada: as ações, a vida, o exemplo, as obras, são as que convertem o mundo. O melhor conceito que o Pregador leva ao púlpito, qual cuidais que é? É o conceito que de sua vida têm os ouvintes. Antigamente, convertia-se o mundo: hoje, por que não se converte ninguém? Porque hoje pregam-se palavras e pensamentos, antigamente pregavam-se palavras e obras. Palavras sem obras são tiros sem bala, atiram mas não ferem.”
Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda.

Na poesia lírica e religiosa, deixa claro um certo idealismo renascentista ao lado do conflito entre o pecado e o perdão, ao mesmo tempo buscando a pureza da fé e se entregando à vida mundana, perfeitamente identificado com a estética barroca.

Leitura
a Jesus Cristo nosso senhor

“Pequei, Senhor; mas não porque hei pecado, Da vossa alta clemência me despido Porque, quanto mais tenho delinqüido, Vos tenho a perdoar mais empenhado. Se basta a vos irar tanto pecado, A abrandar-vos sobeja um só gemido: Que a mesma culpa, que vos há ofendido, Vos tem para o perdão lisonjeado. Se uma ovelha perdida e já cobrada Glória tal e prazer tão repentino Vos deu, como afirmais na sacra história, Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada, Cobrai-a; e não queirais, pastor divino, Perder na vossa ovelha a vossa glória.”

Leitura
sermão da sexagésima

Gregório de Matos, In: Wisnik, José Miguel, org. Poemas escolhidos. São Paulo, Cultrix, 1976.p.297.

8 Transcreva algumas expressões religiosas do poema. 9 Por que o poeta espera ser perdoado? 10 Por que razão o poema é conceptista? 11 Aponte três antíteses usadas por Gregório de Matos. 12 O homem barroco vive em conflito. Justifique essa afirmação com elementos presentes no soneto acima. 13 Há, no poema, um jogo de raciocínio que brinca com uma concepção religiosa. Explique-a.

Padre antôniO vieir a
Vieira foi um escritor cuja genialidade assombra até mesmo os leitores de hoje. Foi um homem do seu tempo, participante não só dos problemas da religião, mas, também, da política e dos acontecimentos em geral. Nasceu em Lisboa, em 1608, e morreu em Salvador em 1697. Com sete anos veio para a Bahia. Entrou para a Companhia de Jesus. Foi pregador régio, conselheiro de D. João IV, embaixador na França, na Holanda e em Roma. Para defender o capitalismo judaico e os cristãos-novos, tinha contra si a pequena burguesia cristã e a Inquisição; por defender o monopólio comercial, irritou os pequenos comerciantes; por defender os índios, teve que ir contra os administradores e colonos. Pela defesa dos judeus e cristãos novos foi condenado pela Inquisição e ficou preso de 1665 a 1667.

“Será porventura o estilo que hoje se usa nos púlpitos? Um estilo tão dificultoso, um estilo tão afetado, um estilo tão encontrado a toda arte e a toda natureza? Boa razão é também esta. O estilo há de ser muito fácil e muito natural. Por isso, Cristo comparou o pregar ao semear. Compara Cristo o pregar ao semear, porque semear é uma arte que tem mais de natureza do que de arte. Já que falo contra os estilos modernos, quero alegar por mim o estilo do mais antigo pregador que houve no Mundo. E qual foi ele? O mais antigo pregador que houve no Mundo foi o Céu. Suposto que o Céu é pregador, deve ter sermões e deve ter palavras. E quais são estes sermões e estas palavras do Céu? _ As palavras são as estrelas, os sermões são a composição, a ordem, a harmonia e o curso delas. O pregar há de ser como quem semeia, e não como quem ladrilha ou azuleja. Não fez Deus o céu em xadrez de estrelas, como os pregadores fazem o xadrez de palavras. Se de uma parte está branco, de outra há de estar negro; se de uma parte está dia, de outra há de estar noite? Se de uma parte dizem luz; da outra hão de dizer sombra; se de uma parte dizem desceu, da outra hão de dizer subiu. Basta que não havemos de ver num sermão duas palavras em paz? Todas hão de estar sempre em fronteiras com o seu contrário? Mas dir-me-eis: Padre, os pregadores de hoje não pregam do Evangelho, não pregam das Sagradas Escrituras? Pois como não pregam a palavra de Deus: _ Esse é o mal. Pregam palavras de Deus, mas não pregam a Palavra de Deus.”
Padre Antônio Vieira, Vieira – Sermões. 2ªed. Rio de Janeiro, Agir, 1960. p.107.

AtividAdes ProblemAtizAdorAs

1 Observe o estilo utilizado pelo Padre Vieira no desenvolvimento do seu sermão: constantes interrogações para permitir-lhe as várias respostas, encadeando as idéias; a adequação de passagens bíblicas ao tema do sermão; uma retórica aprimorada. Como era chamado este estilo no período barroco?

30

L i v r o

1

Reprodução Proibida. Art. 184 do código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Vieira escreveu profecias, entre elas a que previa o retorno de D.Sebastião a Portugal; Cartas sobre o relacionamento entre Portugal e Holanda, sobre os cristãos – novos, a Inquisição e a situação da Colônia; e os sermões, suas melhores obras. Seus melhores sermões foram: • o Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda; • o Sermão de Santo Antonio aos peixes; • e o Sermão da Sexagésima.

l i t e r a t u r a
2 “Não fez Deus o céu em xadrez de estrelas, como os pregadores fazem o sermão em xadrez de palavras.” Qual o estilo criticado por Vieira na frase acima? Justifique sua resposta. 3 Dia x noite; luz x sombra; branco x negro; subiu x desceu. Vieira está criticando o uso de qual figura? 4 Observa-se que, em todo o fragmento apresentado, Vieira critica o jogo de palavras, mas, ao final, quando mais contundente é a sua crítica, ele faz um jogo de palavras com a palavra palavra (usada com maiúscula e com minúscula). Explique. 5 “Que os brasileiros são bestas, e estarão a trabalhar toda a vida por manter manganos de Portugal.” Comente a visão de Gregório de Matos sobre a colonização portuguesa no Brasil.
Reprodução Proibida. Art. 184 do código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

d) “De súbito, porém, as lancinantes incertezas, as brumosas noites pesadas de tanta agonia, de tanto pavor de morte, desfaziam-se, desapareciam completamente como os tênues vapores de um letargo...” e) “Ah! Peixes, quantas invejas vos tenho a essa natural irregularidade! A vossa bruteza é melhor que o um alvedrio. Eu falo, mas vós não ofendeis a Deus com as palavras: eu lembro-me, mas vós não ofendeis a Deus com a memória: eu discorro, mas vos não ofendeis a Deus com o entendimento: eu quero, mas vós não ofendeis a Deus com a vontade.” 11 “Que és terra homem, e em terra hás de tornar-te Te lembra hoje Deus por sua Igreja De pó te faz espelho, em que se veja A vil matéria de que quis formar-te.” Pelas características do quarteto acima, podemos dizer que ele se enquadra no: a) Barroco b) Arcadismo c) Romantismo d) Parnasianismo e) Modernismo 12 (FUVEST-SP) A respeito do Padre Antônio Vieira, pode-se afirmar: a) Embora vivesse no Brasil, por sua formação lusitana não se ocupou de problemas locais. b) Procurava adequar os textos bíblicos às realidades de que tratava. c) Dada a sua espiritualidade, demonstrava desinteresse por assuntos mundanos. d) Em função de seu zelo para com Deus, utilizava-o para justificar todos os acontecimentos políticos e sociais. e) Mostrou-se tímido diante dos interesses dos poderosos. 13 Por suas atividades literárias, Gregório de Matos faz parte do seguinte grupo: a) Grupo Mineiro b) Grupo Pernambucano c) Grupo Baiano d) Grupo do Norte e) Grupo do Sul 14 Assinale a incorreta: O Barroco surgiu como reação aos ideais da Idade Média e à valorização demasiada da Antigüidade Clássica, apresentando: a) a fusão do teocentrismo com o antropocentrismo b) predomínio do equilíbrio em todas as formas artísticas c) estilo rebuscado como manifestação de angústia d) predomínio de forma, cor e riqueza, em detrimento do conteúdo e) a fusão do pecado com o perdão 15 O barroco literário apresenta, basicamente, dois estilos: Cultismo e Conceptismo. Associe: (1) Cultismo ( ) raciocínio lógico (2) Conceptismo ( ) linguagem rebuscada ( ) retórica aprimorada ( ) estilo utilizado por Vieira ( ) valorização do pormenor ( ) estilo utilizado por Gregório de Matos
L i v r o 1

6 “me falou que o mal é bom e o bem cruel” Qual a figura usada por Caetano Veloso no verso acima? 7 Justifique o cognome de “Boca do Inferno”, dado a Gregório de Matos Guerra. 8 (FAAP-SP) “Eu sou aquele que os passados anos cantei na minha lira maldizente torpezas do Brasil, vícios e enganos” Assim se apresenta na sua obra satírica esse poeta baiano do século XVII, autor também de poesia lírica e de poesia sacra. Trata-se de ...., cuja obra ilustra bem o estilo de época......... 9 “Duas atitudes diferentes, dois diferentes processos: a atitude sensual de rebuscado mais pulcro e fulgurante para o encanto dos olhos; a atitude intelectual, que formula o conceito engenhoso, para deliciado pasmo do espírito dialético. De comum, apenas o objetivo de surpreender pela singularidade espantosa.”
Hernani Cidade

Quais são os dois processos a que se refere o crítico português, respectivamente? Explique-os. 10 (F.C.Cahgas – BA) Assinale o texto que, pela linguagem e pelas idéias, pode ser considerado como representante da corrente barroca: a) Brando e meigo sorriso se deslizava em seus lábios; os negros caracóis de suas belas madeixas brincavam, mercê do zéfiro, sobre suas faces... e ela também suspirava.” b) “Estradas amáveis iluminavam instantes de céus, ruas molhadas de pipilos nos arbustos dos squares. Mas a abóbada de garoa desabava os quarteirões.” c) “Os sinos repicavam numa impaciência alegre. Padre Antônio continuou a caminhar lentamente, pensando que cem vezes estivera a cair, cedendo à fatalidade da herança e à influência do meio que o arrastavam para o pecado.”

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• A independência dos Estados Unidos (1776). cuja burguesia havia se emancipado com a Revolução Francesa. Constrangidos pelas regras de ferro do arcadismo. um papel meramente decorativo. convencer os indígenas a se converterem. 32 L i v r o 1 Reprodução Proibida. A burguesia. • A volta das regras de Aristóteles (384 a. no sermão. arte ligada à Contra-Reforma e à aristocracia decadente e inútil. no século XVIII a inferência vinha da França. • A edição da Enciclopédia (1751-80). Portugal foi influenciado pela cultura italiana. Os colégios da Companhia de Jesus foram fechados em vários países. imperfeito e falso. Entrava em cena a manifestação artística de um novo tempo. os hábitos. Essa nova ideologia obrigou a poesia a realizar seu papel na nova A Familia do Duke de Osuna sociedade que se pretendia consGoya. particularmente Vila Rica. que era um mundo justo. a Inconfidência. e não duras mais que um dia. principalmente na França e na Inglaterra. era voltar-se para a natureza tranqüila e serena dos campos. agora. as flautas e os amores campestres e os nomes de pastores. • aurea mediocritas (o meio–termo é de ouro). seguiu a influência européia: a volta aos padrões clássicos da Antigüidade e do Renascimento. O ministro Marquês de Pombal expulsou os jesuítas também das colônias. . ao som de sanfonas. e sua linguagem se vale de estruturas retóricas clássicas. – 322 a. o Arcadismo ou Neoclassicismo nas artes. cercados por ovelhas e cabras. No século XVI. Os poetas reuniram-se nas Arcádias. segundo o modelo da Academia da Arcádia. escura e asfixiante. ocorre uma importante mudança: o centro econômico transfere-se do nordeste para a região das Minas Gerais e do Rio de Janeiro. Vieira consegue. Promovia-se uma reforma no ensino. sujos e poluídos. na poesia. Em Portugal. No Brasil. Em tristes sombras morre a formosura. C. torna-se o palco dos mais importantes acontecimentos no século XVIII: a mineração. procuravam. Bocage será Elmano Sadino: no Brasil. imitar a natureza. neste sermão. sociais e culturais. • A fundação das Arcádias ou Academias Neoclássicas. 184 do código Penal e Lei 9. finalmente. A poesia tinha que ser nítida (como a lógica). Em contínuas tristezas. b) O estilo é barroco e privilegia a corrente conceptista de composição. • O marquês de Pombal torna-se ministro de D. Tomás Antônio Gonzaga será Dirceu e Critelo. se segue a noite escura.C. uma nova ideologia. arcadismO Ou neOcLassicismO O século XVIII vem manifestar um cansaço enorme em relação ao Barroco. Devia-se exaltar o trabalho e a natureza. pretendendo reformular o ensino.José I. então. com pastores num idílio amoroso. muitos poetas ficaram divididos entre o disfarce e a rebeldia. Os poetas filiados ao novo estilo tinham que assumir o compromisso ético-estético dos árcades: adotar os campos. no século XVII pela cultura espanhola. força. Francisco de truir.c u r s o 16 (FUVEST-SP) “Nasce o sol. útil (como a técnica) e racional (como a natureza). Minas Gerais. Agora consciente da sua The Canary Jean-Baptiste-Siméon chardin. Cláudio Manuel da Costa será o Glauceste Saturnio e o Doroteu. Na base do arcadismo está um quadro geral da cultura européia: • Novos pensadores: Montesquieu. Junto com as mudanças econômicas vêm as mudanças políticas. criada na Itália em 1690. onde reinavam a paz. o Termindo Sipílio. • A Revolução Francesa (1789). a justiça e a harmonia. complicado. as atitudes sociais. opunha-se ao Barroco. O novo estilo é árcade. Seguindo as regras aristotélicas. com um espírito nitidamente reformista. O arcadismo. Assinale a alternativa que indica o nome do autor dos versos acima e uma figura literária característica do movimento a que pertence: a) Cláudio Manuel da Costa / aliteração b) Frei José de Santa Rita Durão / elipse c) Tomás Antônio Gonzaga / hipérbato d) Gregório de Matos Guerra / antítese e) Antônio Gonçalves Dias / onomatopéia 17 Aponte a alternativa incorreta sobre o Sermão da Sexagésima: a) O autor desenvolve dialeticamente a seguinte tese: “A semente é a palavra de Deus”. agora definitivamente desligado da influência jesuítica. O desenvolvimento do comércio e da indústria. transformara as cidades em locais desagradáveis. de um rebuscamento que beirava o mau gosto e em tudo lembrava a inutilidade da nobreza. cinco causas possíveis que não permitiram a entrada da palavra de Deus no coração dos homens. Donos do dinheiro e já muito instruídos. agitados. c) O orador discute. na sociedade. real e bom. Voltaire e Rousseau. Basílio da Gama. os regatos. os jesuítas saíram das cátedras diretamente para o cárcere ou para o exílio. como foi o caso dos poetas inconfidentes: Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga. • A conjuração mineira (1789). O arcadismo era clássico. • Inutilia truncal (cortar o que é supérfluo). d) Vieira baseia-se em parábolas bíblicas. A poesia tornava-se agrária. Art. a burguesia passava a lutar pelo poder político.” p r é . lutavam para ocupar espaços na sociedade e nas artes. se cansara de sustentar o luxo de uma nobreza que não servia para nada e exercia. e) Pela sua capacidade de argumentação. A ordem. • locus amoenus (lugar prazeroso). as ninfas. Em Portugal. • A Revolução Industrial na Inglaterra. a alegria.). em Portugal e no Brasil. Depois da luz. e apoiava-se nos seguintes princípios: • Fugere urbem (evitar o mundo urbano).v e s t i b u l a r As atividades religiosas foram revistas sob a ótica utilitarista da burguesia. ainda em mãos da nobreza. A arte barroca parecia. Surge. os poetas do Arcadismo e o gênio de Aleijadinho. • O despotismo esclarecido.610 de 19 de fevereiro de 1998. agora. A Arcádia era uma região da Grécia onde viviam pastores. bucólica. A frivolidade aristocrática dava lugar ao gosto burguês.

eu amo. Ludíbrio como tu. Saiba morrer o que viver não soube. Manuel Maria Barbosa du Bocage Foi o mais importante poeta português do Arcadismo. incorporando aos seus poemas seu modo de ser turbulento e desatinado. infortúnio e miséria. L i v r o 1 33 . Arrostar co’o sacrílego gigante.cit. tivemos o soneto. Não te imito nos dons da Natureza. de que me serve o teu sorriso? Mandas-me amar. Modelo meu tu és. os mais importantes foram: Manuel Maria du Bocage. o fingimento poético e o uso de pseudônimos. oh! Deus! . Eu da morte as angústias e os horrores Por mil vezes sem morrer tolero. Op.” Noutros momentos. seu tom refletia a sua vida boêmia.. Nasceu em 1765 e teve uma vida muito agitada. a Macau. Foram à Índia.l i t e r a t u r a a simplicidade. Ulisseia. Dizes-me que sossegue. este texto foi escrito momentos antes de sua morte.. conheceram a prisão e o terrível Adamastor. Prazeres. Bocage é oratório.. gostos vãos. Longe o prazer de ilícitos favores! Quero o teu coração.150-1): “Camões e Bocage. que corta Setúbal. Dentre os autores árcades. Da penúria cruel no horror me vejo.. No abismo vos sumiu dos desenganos. pastoril.. Aos catorze anos. por teus olhos te assevero Que ferve esta alma em cândidos amores. M. pela certeza De que só terei paz na sepultura. De que inúmeros sóis a mente ufava Existência falaz me não dourava! Mas eis sucumbe Natureza escrava Ao mal que a vida em sua origem dana. ainda me resta O pranto. exclamativo.. Pelo céu. Como tu. da sorte dura Meu fim demando ao Céu.207 (*) segundo os biógrafos de Bocage. estava na Marinha. a poesia bucólica. p. a queixa. Art. debate-se entre a Razão e o Sentimento: “Razão.117 (**) Sobre este soneto e a relação Camões/Bocage. que me arrastava. formas macabras em busca da morte como solução para os problemas. Elogiado pelo estilo repentista.. com lances dramáticos. tiveram nos seus amores uma Natércia. Sofreram por muito amar. salvaram a nado os seus versos. Ganhe um momento o que perderam anos. compõe uma poesia confessional de um sofrimento profundo de abandono. na cadeia. Lisboa. a rima optativa e a tradição da poesia épica.” Texto 3 (***) “Eu deliro. perdendo o Tejo. Quando a morte a luz me roube. terra natal do poeta). Como poeta pré-romântico. Gertrúria. Mas.M. de fato. Tomás Antônio Gonzaga e Basílio da Gama. p. assim escreve Eloy do Amaral em seu livro Bocage (Ed. sendo o mais lido e o mais admirado. quão semelhante Acho teu falado ao meu. Como poeta lírico. que em vão desejo. Deus.” “A morte foi sensual Quando ainda era menina: Co pecado original Teve cópula carnal E pariu a Medicina!” Reprodução Proibida. um tom noturno. eu morro. 184 do código Penal e Lei 9. eu ardo. eu penso.cit.. Ah! Cego eu cria. foi um poeta pré-romântico. era muito criticado pelo modo obsceno com que ridicularizava seus desafetos. Cláudio Manuel da Costa. então. Barbosa. p. Texto 2 (**) “Camões.610 de 19 de fevereiro de 1998. Bocage ironizava do clero à nobreza decadente. que considerava seu mestre) e na postura pastoril (daí seu pseudônimo Elmano Sadino). percorrendo quase que o mesmo caminho de Camões. Também carpindo estou. Como tu. Op. Foi preso e.” Bocage – M. pois. Ao contrário dos árcades que têm voz discreta. saudoso amante. Adotou o pseudônimo pastoril de Elmano Sadino (Elmano é anagrama de Manuel e Sadino é relativo ao rio Sado. mais nada quero. Bocage escreveu poesia lírica e satírica. Quanto à forma. Na realidade podemos encontrar nelas uma curiosa semelhança: gênio. sócios meus e meus tiranos! Esta alma que sedenta em si não coube.. a solidão e a morte. os versos decassílabos. Antecipava o que fariam os românticos tempos depois. Foram soldados. Num certo gosto pelo Renascimento (notadamente por Camões. ó morte amiga Por cuja escuridão suspiro a tanto!” Como poeta satírico. Neste soneto o poeta faz o paralelo de suas vidas. grande Camões. quando os cotejo! Igual causa no fez. Bocage foi árcade no apuro formal (foi excelente sonetista). Usa.. junto ao Ganges sussurrante. 1965. traduziu poetas franceses e latinos. eu desespero No inferno de suspeitas e temores. “Um escrivão fez um roubo: Diz-lhe o juiz: Que razão Teve para fazer isto? Responde: Ser escrivão. “Ah! Não me roubou tudo a negra sorte: Inda tenho este abrigo. Barbosa du. Leitura Texto 1 (*) “Meu ser evaporei na lida insana Do tropel das paixões. Durante alguns anos. viveu nas colônias. Se te imito nos transes da Ventura. entraram numa batalha. ah! Núsero eu sonhava Em mim quase imortal a essência humana. desertou em 1789. Sofreram um naufrágio. adotou o Arcadismo apenas como postura. oh tristeza!.” Ou ainda: “O retrato da Morte.M.

“Quem deixa o trato pastoril amado Pela ingrata civil correspondência. Gil Francisco Barbosa du Bocage. Lisboa. eram superficiais no conteúdo. Percebe-se neles uma certa influência de Camões quando faz reflexões morais ou trata das contradições da vida. Que bem é ver nos campos transladado No gênio do pastor. Um só trata a mentira. A vária Deusa que me nega abrigo! Tudo perdi: mas valha-me a ternura Amor me valha. e. Por quê? 3 L i v r o 1 . Aqui quanto se observa é variedade: Oh ventura do rico! Oh bem do pobre!” AtividAdes 1 Faça uma análise do soneto a partir das antíteses apresentadas. 184 do código Penal e Lei 9. depois. outro a verdade. Vive algum tempo em Lisboa. Bocage tinha uma relação amorosa com Gertrudes. depois de formado. em que a natureza aparece como um refúgio. faça uma coluna relacionando as palavras que caracterizam o campo. no Brasil.” p r é . M. cLáudiO manueL da cOsta (GLauceste satúrniO / dOrOteu) Reprodução Proibida. Como sugestão. 2 Diga qual é a medida dos versos deste poema e se as rimas no final dos versos são paralelas ou intercaladas.610 de 19 de fevereiro de 1998. Ou do retiro a paz não tem provado. a sorte dura. Sonetos. p. Ao que parece. Comente todas as oposições. Livraria Bertrand.c u r s o Ah! Não sejas também qual é comigo A cega divindade. Ao voltar. Foi preso como um dos participantes da Inconfidência Mineira e morreu na prisão. encontra-a casada com seu próprio irmão. e pague-me contigo Os roubos que me fez a má ventura. e na aparência Ver sempre o cortesão dissimulado! Ali respira amor.v e s t i b u l a r Bocage. em 1729. Em 1768. Art. anterior à sua viagem ao Oriente. Aqui sempre a traição seu rosto encobre.67 (***) Gertrúria: pseudônimo de Gertrudes.M. Ali não há fortuna que soçobre. e outra para as que caracterizam a cidade. s/d. cultivou a poesia pastoril. Embora seus sonetos fossem perfeitos na forma. o da inocência! E que mal é no trato. volta a Vila Rica e lança seu livro Obras Poéticas – funda a Arcádia Ultramarina nos mesmos moldes da Arcádia Lusitana em Portugal. Fiel ao estilo árcade. consumido pela saudade e vivendo em um inferno de suspeitas e temores. 3 Este poema é um soneto. e lá entra em contato com a poesia árcade. sinceridade. realizou seus primeiros estudos com os jesuítas. foi à Coimbra (Portugal) para estudar Direito. Minas Gerais. segundo seus biógrafos o verdadeiro amor do poeta. Cláudio Manuel da Costa nasceu nas proximidades de Mariana. Barbosa du.

de Santiago. Como um rubim. Era Medieval. As próximas 3 questões tomam por base uma cantiga do trovador galego Airas Nunes. Dobrada ao jeito Do ourives. a atividade poética é comparada ao lavor do ourives porque. 2ª ed. So aquestas avelaneiras frolidas Verrá bailar. Nos versos acima. Cantiga (Olavo Bilac) “Torce. — Padre Estevão! — falou. de desencanto.” (Bento Silvério) (frolidas = flotidas) (velida = formosa) (aquestas = estas) (verrá = virá) (irmanas = irmãs) (aqueste = este) (louçana = formosa) (avelanas = avelaneiras) (mentr’al = enquanto outras coisas) (bem parecer = tiver belo aspecto) Confessor medieVaL (1960) c) “Um primeiro sobressalto de pânico apertou-lhe a garganta. A estrofe é a unidade de composição básica da prosa. Fecha o meu livro.) 3 (UFSC) – Leia os textos a seguir. Bailemos nós já todas três. solidão – prudência – punição – adaptação.. Se amigo amar. Se ele não pudesse ir bailar contigo? (sirgo = seda) L i v r o 1 01. b) o poeta é um burilador. depois. louçanas. pensando que talvez houvesse alguém ali. e o poema Confessor Medieval. ai amigas.. de Cecília Meireles (1901-1964). que tem.. So aqueste ramo frolido bailemos. A frase. A prosa presta-se para a confissão amorosa. Quero que a estrofe cristalina. 16. Quem semeia ventos colhe tempestades. d) o poeta não se assemelha a um artesão. (Airas Nunes. pessoal. So aqueste ramo destas avelanas Verrá bailar: Por Deus. egoísmo – ambição – vingança – falsificação. saia da oficina Sem um defeito.610 de 19 de fevereiro de 1998. 2 (FUVEST) – Uma andorinha não faz verão. cooperação – ambição – conseqüência – dissimulação. LIT . para o autor: a) a poesia é preciosa como um rubi. No verso de ouro engasta a rima.” (Manuel Bandeira) b) “Recebi os trocados a que tinha direito e fiquei procurando um novo emprego. some os valores atribuídos: a) “Eu faço versos como quem chora De desalento. Se amigo amar. So aqueste ramo so lo que bailemos Verrá bailar. Segismundo. Art. O tipo de verso empregado ou o conteúdo? Justifique sua resposta. So aqueste ramo destas avelanas. de Santiago (século XIII). 4 (FUVEST) Qual a diferença mais significativa entre a poesia lírica e a épica. 1966. como unidade de composição básica. E quem bem parecer. noutro ramo. Se ele não te dera saia de sirgo? Se te dera apenas um anel de vidro Irias com ele por sombra e perigo? Irías à bailia sem teu amigo.” Reprodução Proibida. e. o parágrafo. e) o poeta emprega a chave de ouro.” (Antônio Callado) Irias à bailia com teu amigo. Nem tudo que reluz é ouro. 02. e a poesia. mentr’al non fazemos. Quem não tem cão caça com gatos. assinale as alternativas corretas e. para a criação de personagens e a estruturação de longas narrativas. na ordem: solidariedade – aparência – vingança – dissimulação. cooperação – aparência – punição – adaptação. a) b) c) d) e) As idéias centrais dos provérbios acima são. ai amigas..velidas. 04. alteia. como nós parecemos Se amigo amar.. como nós.Q u e s t Õ e s 1 (FUVEST) v e s t i b u l a r • l i t e r a t u r a Profissão de fé 08. 184 do código Penal e Lei 9.. em alguma parte. ai irmanas. Os versos do fragmento a apresentam características líricas. In: SPINA. enfim. Presença da Literatura Portuguesa – I. alto. se por agora Não teus motivo nenhum de pranto. lima. So aquestas avelaneiras frolidas. O fragmento b está escrito em prosa.. São Paulo: Difusão Européia do livro. O fragmento c está impregnado de características dramáticas. E quem for velida. E quem for louçana.. Bailemos nós já todas três. como nós. aprimora. c) na poesia não pode faltar rima.

(Velho) — Como? (Mocinha) — Com cent´açoutes no lombo. e) Representa o melhor do teatro clássico português LIT L i v r o 1 Reprodução Proibida. b) Introduziu a lírica trovadoresca em Portugal. 184 do código Penal e Lei 9. do mesmo tipo de frase adotado na estrofe inicial (no poema de Airas Nunes. (Velho) — Quem? (Mocinha) — Branca Gil. desprovido de crítica social. ou que haveis? (Velho) — Ai! não sei. em que o eu-poemático representa a figura da mulher amada (a “amiga”) falando de seu amor ao “amigo”. apresenta intencionalmente algumas características da poesia trovadoresca. b) identifique. c) Escreveu a novela Amadis de Gaula. releia os dois poemas e. significa “bravo”. estrofe a estrofe. levando em consideração o próprio título. mesmo tendo sido escrito por uma poeta modernista. aponte o tipo de frase que Cecília Meireles retomou de estrofe a estrofe para possibilitar tal efeito. apresentando a justificativa dessa resposta. b) O teocentrismo cede lugar ao antropocentrismo. revela uma atitude contrária a uma característica atribuída ao seu primeiro marido. e não cavalo folão.** como se fosse em folia. após o malogrado matrimônio com o escudeiro. a pessoa gramatical utilizada pelo eu-poemático para dirigir-se ao interlocutor ou interlocutores. com base na flexão dos verbos.). a retomada da frase imperativa). a) classifique a cantiga de Airas Nunes em um dos dois gêneros. que se encontram em passagens diversas de A farsa de Inês Pereira de Gil Vicente: Inês: Andar! Pero Marques seja! Quero tomar por esposo quem se tenha por ditoso de cada vez que me veja.v e s t i b u l a r 10 UNICAMP . b) estabeleça as identidades que há entre o terceiro verso da cantiga de Airas Nunes e o terceiro verso do poema de Cecília Meireles no que diz respeito ao número de sílabas e às posições dos acentos. (por capela) por grinalda. Qual é essa característica? c) Considerando o desfecho dos dois casamentos de Inês. com um confidente (a mãe. em cada poema. de Cecília Meireles. a seguir. a) indique o interlocutor ou interlocutores do eu-poemático em cada um dos textos. 6 UNESP-SP – A leitura da cantiga de Airas Nunes e do poema Confessor Medieval.Há um trecho nessa fala que se relaciona literalmente com o final da peça. 11 UNICAMP – Leia os diálogos abaixo da peça ‘‘O velho da Horta’’ de Gil Vicente: (Mocinha) — Estás doente. com outras “amigas” ou. Branca Gil adota uma atitude paradoxal. d) Só escreveu peças em português. em seguida. etc. d) Garcia de Resende coletou as poesias da época. em que o eu-poemático representa a figura do namorado (o “amigo”). e) A Farsa de Inês Pereira é a obra de Gil Vicente cujo assunto é religioso. Por usar de siso mero. dirigida a Inês.610 de 19 de fevereiro de 1998. c) Fernão Lopes é o grande cronista da época. Ó que grandes que lhos dão!*** * (corocha) cobertura para a cabeça própria das alcoviteiras. publicadas em 1516 com o nome de Cancioneiro Geral. antes lebre que leão. 8 (MACK-SP) – Marque a alternativa incorreta a respeito do Humanismo: a) Época de transição entre a Idade Média e o Renascimento. revela que este poema. “fogoso”) Pero: I onde quiserdes ir vinde quando quiserdes vir. Releia com atenção os dois textos e. E ter mão: leva tão bom coração. a) considerando que o efeito de paralelismo em cada poema se torna possível a partir da retomada. Com base nesta informação. 7 UNESP-SP – As cantigas que focalizam temas amorosos apresentam-se em dois gêneros na poesia trovadoresca: as “cantigas de amor”. e uma corocha por capela*. . mais mal fadada vai aquela. 9 (FUVEST-SP) – Aponte a alternativa correta em relação a Gil Vicente: a) Compôs peças de caráter sacro e satírico. Art. (Mocinha) — Não choreis. asno que leve quero. que assume a palavra. De posse desta informação. Que trecho é esse? Qual é o pormenor da cena final da peça que ele está antecipando? b) A fala de Pero. desconsolado. por exemplo. ** caminha tão corajosa *** Ó que grandes açoites que lhe dão! a) A qual desventura refere-se o Velho neste diálogo com a Mocinha? b) A que se deve o castigo imposto a Branca Gil? c) Diante do castigo. a irmã. e as “cantigas de amigo”. (nota: folão. a figura que o eu-poemático do poema de Cecília Meireles representa. b) identifique. antes lavrador que Nero. mesmo. por vezes dirigindo-se a ele ou dialogando com ele. estai quando quiserdes estar. explique por que essa peça de Gil Vicente pode ser considerada uma sátira moral.c u r s o p r é . e um interlocutor ou interlocutores a quem se dirige. Que nasci desventurado. no caso.SP – Leia agora as seguintes estrofes. como o tipo de verso e a construção baseada na repetição e no paralelismo. Com que podeis vós folgar que eu não deva consentir? a) A fala de Inês ocorre no momento em que aceita casar-se com Pero Marques. Por quê? 5 UNESP-SP – Tanto na cantiga como no poema de Cecília Meireles verificam-se diferentes personagens: um eu-poemático.

São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo. a) estabeleça a classe de palavra a que pertence “grão”. E invariavelmente. em seguida. No verso “pelos seus olhos mo jura”.. Em Trovas e em Você só. 1982. Belo Horizonte: Editora Itatiaia. faixa 01. ou seja. Art. 13 (UFPa-PA) – Pode-se afirmar que o velho do Restelo é: a) personagem central de Os Lusíadas. só pela não constranger a jurar falso por eles. c) afasta-se dos modelos clássicos.610 de 19 de fevereiro de 1998. produz na letra de Noel Rosa. b) aponte o efeito expressivo.) VoCê só. vendo-lhe ofender uns tais olhos como aqueles. são comuns na Língua Portuguesa. a uma fama que lhe jurara sempre por seu olhos. b) demonstre o caráter irônico do emprego do vocábulo “inocentes” no sexto verso da letra de Noel Rosa. 16 UNESP – SP Além do eu-poemático. e) a figura que incentiva a ideologia expansionista. Depois de observar o desenvolvimento desse tema em ambos os poemas. Você. que se revela formalmente pelo emprego do pronome pessoal do caso reto “eu” e correspondentes pronomes oblíquos. escrita pelo músico brasileiro Noel de Medeiros Rosa (1910-1937)... INSTRUÇÃO: As próximas 3 questões tomam por base um poema do clássico português Luís Vaz de Camões (1524?-1580) e a letra do foxtrote Você só. mente Não espero mais você. 4. 15 UNESP – SP – Os homônimos homófonos e homógrafos. Mas finalmente. quanto me ela jura mais tanto mais cuido que mente. e) tem como objetivo elogiar a bravura dos portugueses e o faz através da narração dos episódios mais valorosos da colonização brasileira. d) lamenta que. para mais me confirmar o que quer certificar.Q u e s t Õ e s v e s t i b u l a r • l i t e r a t u r a 12 (FESL-SP) – Em Os Lusíadas. Não sei por que 30 Eu gosto imensamente de você. c) símbolo dos que valorizam a cobiça e a ambição. É porque voçê bem sabe Que em você desculpo Muito coisa mais. (In: Noel pela primeira vez. Sem ter o menos motivo. Coleção organizada por Miguel Jubran. mente é abordado o tema da “mentira no amor”. que o emprego de advérbios como somente. deixo-me antes tudo crer. como também pelas flexões verbais de L i v r o 1 (CAMÕES. 184 do código Penal e Lei 9. Creio que você se esquece Das promessas que me faz.. troVas 05 10 15 20 Quando me quer enganar a minha bela perjura.. Com base nesta informação. um gênero inteiramente original na época. 56-57. etc. Luís de. apesar de ter domado os mares e descoberto novas terras. CD 7. Mas finalmente. Como meu contentamento todo se rege por eles. Porém. o vocábulo jura é um verbo empregado como núcleo do predicado verbal.. como em casos tais ando já visto e corrente. d) símbolo das forças contrárias às investidas marítimas lusas. imagina o pensamente que se faz agravo a eles não crer tão grão juramento. Em um tom de voz altivo. Não sei por que 15 Eu gosto imensamente de você. Camões: a) narra a viagem de Vasco da Gama às Índias. 05 E depois vem dar desculpas Inocentes e banais. Vol.. Pois voçê não aparece. mente. rejeitando-a ou aceitando-a “em nome do amor”. relacionado com o tema e com a rima. releia os dois poemas e. no décimo verso do poema de Camões e escreva uma frase em que apareça um homônimo homófono e homógrafo dessa palavra. mas podemos construir a frase “Ele quebrou sua jura e foi para longe” em que o homônimo jura é empregado como substantivo em função de núcleo do objeto direto. Reprodução Proibida.) 14 UNESP – SP – A “mentira” constitui um dos temas mais recorrentes nos poemas de amor de todos os tempos. Faço cara de contente. b) o mais fervoroso defensor da viagem de Gama. inconscientemente.. variando porém o modo como os poetas a focalizam.. vocábulos que apresentam a mesma pronúncia e a mesma grafia. Lírica. sem outros certos sinais. p. 10 O que sei somente É que você é um ente Que mente inconscientemente. Portugal acabe subjugado pela Espanha. São Paulo: MEC/FUNARTE/VELAS. a) apresente a justificativa lógica da conclusão a que chega o eu-poemático nos últimos cinco versos do poema de Camões. criando a epopéia lusitana. mente 20 Mesmo involuntariamente. 2000. Então. negando-a. 25 O que sei somente É que você é um ente Que mente inconscientemente. b) tem por objetivo criticar a ambição dos navegantes portugueses que abandonam a pátria à mercê dos inimigos para buscar ouro e glória em terras distantes. LIT ... quando fala. pelos seus olhos mo jura. Pois sua maior mentira É dizer à gente Que você não mente.

O poeta busca. Como se fora pérfida inimiga. quanto ao Pastor Divino. 184 do código Penal e Lei 9. quando se intensificou a produção de uma literatura voltada para a catequese dos índios e colonos. d) as coisas. puro amor. poeticamente. Fero = feroz. racionalismo e objetividade. Perder na nossa ovelha a vossa glória. a necessidade de ser perdoado. Que os corações humanos tanto obriga. colisão de cores e excesso de relevos. Porque quanto mais tenho delinqüido. sanguinário. Tuas aras banhar em sangue humano. quando se tornou presente em muitas obras um sentimento de revolta contra a condição colonial. contrói-se pelo jogo de idéias. Os Lusíadas — episódio de Inês de Castro) Molesta = lastimosa. Se dizem. . mente 17 FUVEST-SP – Tu.v e s t i b u l a r 20 (ESAM-RN) – As manifestações literárias nos três primeiros séculos da nossa História sugerem uma lenta passagem: a) da pura intenção informativa para a expressão nativista. céu e terra ligados. Pastor divino. b) da pura expressão nativista para uma literatura de informação. 21 ESAL-MG – Assinale a alternativa que contém características incompatíveis com o estilo de época conhecido por Barroco: a) contradições. c) da pura expressão nativista para a propagação dos ideais nacionalistas. áspero e tirano. o poeta vê-se como culpado.. c) sentido de universalidade. com força crua. funesta. d) da propagação dos ideais nacionalistas para uma completa emancipação cultural. como afirmais na Sacra História: Eu sou. e) os sonetos de Gregório de Matos. Vos tem para o perdão lisonjeado. fero Amor. O poeta recorre ao texto bíblico para justificar. aplaca. Segundo o poeta. de pompa e grandeza heróica. pelo panfleto. surge em Trovas e em Você só. (Gregório de Matos Guerra) a) b) c) d) e) Assinale a alternativa INCORRETA: No jogo de antíteses. Mitiga = alivia.. o perdão de sua culpa favorecia a ambos: tanto ao culpado. ou seja. em sua linguagem dualista. conciliar. 22 (UFU-MG) – Leia o soneto a seguir. b) gosto pela polêmica.c u r s o p r é . Cobrai-a. e) sobretudo aos dois primeiros séculos de nossa História. Se basta a vos irar tanto pecado. a ovelha desgarrada. como a pessoa amada se revela formalmente em Trovas. primeira pessoa do singular. d) sobretudo aos três primeiros séculos de nossa História. suaviza. Que a mesma culpa. Deste causa à molesta morte sua. Senhor. a) Considerando-se a forte presença da cultura da Antigüidade Clássica em Os Lusíadas. relacionando-o à história de Inês de Castro. 18 FUVEST-SP – Entende-se por literatura informativa no Brasil: a) o conjunto de relatos de viajantes e missionários europeus sobre a natureza e o homem brasileiros. Art. grafado com maiúscula. O argumento do poeta. de autoria de Gregório de Mattos: Pequei. A abrandar-vos sobeja um só gemido. mesa para sacrifícios religiosos. fé e razão. que a sede tua Nem com lágrimas tristes se mitiga. e não queiras. a) demonstre. que vos há ofendido. pessoas e ações não são descritas mas apenas evocadas e refletidas através da visão das personagens. c) as obras escritas com a finalidade de catequese do indígena. traidora. d) os poemas do Padre José de Anchieta. b) explique por que razão não se pode determinar o sexo da pessoa amada em Você só. mas não porque hei pecado. Pérfida = desleal..610 de 19 de fevereiro de 1998. Depois de observar atentamente as marcas da presença desta personagem nos dois textos. b) ao século XVII. sobrenatural humanizado. Vos tenho a perdoar mais empenhado. o período abarcado por essa expressão corresponde: a) ao século XVI. no 5º verso? b) Explique o verso “Tuas aras banhar em sangue humano”. só tu. e) da pura intenção informativa para uma completa emancipação cultural. LIT L i v r o 1 Reprodução Proibida. (Camões. mente outra personagem: a pessoa amada. b) a história dos jesuítas que aqui estiveram no século XVI. Da vossa piedade me despido.. 19 (UFPI-PI) – Quando se fala em “literatura colonial”. c) ao século XVIII. com base em exemplos. mas também ovelha indispensável ao Pastor Divino. Senhor. o cultismo. a que se pode referir o vocábulo “Amor”. arrependido. e já cobrada Glória tal e prazer tão repentino vos deu. quando se escreveram os primeiros relatos sobre a terra a ser colonizada. e) largo sentimento de grandiosidade e esplendor. perante Deus. já que no século XVIII a literatura brasileira estava livre de influências externas. Ara = altar. expressos na tendência ao exagero e nos hiperbólico. cruel. já que no início do século XIX o Brasil se tornou independente. É porque queres. Se uma ovelha perdida.

2a ed. todos têm o mesmo lugar. que não era medroso nem lerdo. Justifique essa afirmativa com suas próprias palavras. Antônio Vieira. a uns e outros definiu com o mesmo nome: Eodem loco pone latronem et piratam. antónio Vieira] Discreta. identificando a que campo cada vocábulo pertence.Q u e s t Õ e s v e s t i b u l a r • l i t e r a t u r a a maria dos PoVos. sua futura esPosa III. 24 Ufrj – 2006 – O primeiro verso da 3ª estrofe apresenta-se como conseqüência de um aspecto central da visão de mundo barroca. [s. pode ser considerado uma figura de sentido de acordo com essa definição. Que o tempo trata a toda ligeireza.]) Reprodução Proibida. 29 PUC-RIO – julho 2006 – a) Em seu livro Introdução à Retórica. 184 do código Penal e Lei 9. “Canção (Gregório de Matos. que eu. — Basta. ou qualquer outro. [fragmento do sermão do bom ladrão. e merecem o mesmo nome. e o dia: Enquanto com gentil descortesia O ar. época literária. em sombra. Explicite essa oposição e retire. senhor. os lexandres. ele. Poemas escolhidos . Enquanto estamos vendo a qualquer hora. amor. Se apenas I e IV forem corretas. que sabia bem distinguir as qualidades e interpretar as significações. II e III forem corretas. que os ventos me arrastam contra o meu desejo! Apressa-te. Quando vem passear-te pela fria: Goza. que está relacionado à insegurança do ser humano quanto ao amanhã. Se apenas I e V forem corretas a) b) c) d) e) (MATOS. que amanhã morro e não te vejo! 28 PUC-RIO – julho 2006 – Uma das mais importantes características da obra do Padre António Vieira refere-se à presença constante em seus sermões das dimensões social e política. c) Dada sua espiritualidade. Em teus olhos e boca o Sol. Enquanto estamos vendo a qualquer hora. L i v r o 1 (Cecília Meireles. Nos versos de Gregório de Matos a natureza entra como metáfora da V. repreendeu-o muito Alexandre de andar em tão mau ofício. e vós. O roubar pouco é culpa. por sua formação lusitana não se ocupou de problemas locais. Gregório de. que fresco Adônis te namora. respondeu assim. demonstrava desinteresse por assuntos mundanos. d) Em função de seu zelo para com Deus. 25 (UFU-MG) – Considere os fragmentos e as afirmativas que se seguem: “a maria dos PoVos. 27 PUC-RIO julho 2006 – Texto 1: 1 Navegava Alexandre em uma poderosa armada pelo Mar Eritreu a conquistar a Índia. fizer o que faz o ladrão e o pirata. Se o Rei de Macedônia. Oh não aguardes. Em teus olhos e boca o Sol. Em terra. utilizava-o para justificar todos os acontecimentos políticos e sociais. Olivier Reboul define figura de sentido como um recurso de estilo que consiste em “empregar um termo (ou vários) com um sentido que não lhe é habitual”. Te espalha a rica trança voadora. e) Mostrou-se tímido diante dos interesses dos poderosos. sou ladrão. Poesias selecionadas) Não te fies do tempo nem da eternidade que as nuvens me puxam pelos vestidos. a consciência da transitoriedade da vida aponta em todas as épocas literárias. São Paulo: Cultrix. LIT . conIV. em nada. Poesia completa) I. II. Que o tempo trata a toda ligeireza. nos versos de Cecília Meireles não há metáforas. Mas Sêneca.610 de 19 de fevereiro de 1998. e como fosse trazido à sua presença um pirata que por ali andava roubando os pescadores.Seleção de José Miguel Wisnik. porque roubo em uma barca. quo regem animum latronis et piratae habentem. dessas estrofes. porém. Se apenas I for correta. Em tuas faces a rosada Aurora. porque roubais em uma armada. goza da flor da mocidade. E imprime em toda a flor sua pisada”. Embora traço nítido e o mais distintivo do espírito barroco. e formosíssima Maria. Em tuas faces a rosada Aurora. pode-se afirmar: a) Embora vivesse no Brasil. em pó. Explique por que o emprego do termo Alexandres. e formosíssima Maria. o roubar com pouco poder faz os piratas. essa beleza. Gregório de Matos fala do tempo que passa e destrói a beleza. Cecília Meireles e Gregório de Matos fazem parte de uma mesma Discreta. b) Procurava adequar os textos bíblicos às realidades de que tratava. Comente esta afirmativa em função do texto acima. e o dia: Goza.d. Se apenas as afirmativas I. Te converta essa flor. de Pe. goza da flor da mocidade. dois vocábulos com valor substantivo – um de cada campo semântico –. o pirata e o rei. sois imperador? — 8 Assim é. especialmente no contraste entre a primeira e a última estrofes. somadas à religiosa. Art. Nos versos de Cecília Meireles percebe-se o aspecto da ansiedade. vidando a amada a desfrutar do amor sem demora. na linha 6. o ladrão. sua futura esPosa 26 (FUVEST-SP) – A respeito de Pe. 23 Ufrj – 2006 – O poema se constrói por meio da oposição entre dois campos semânticos. beleza feminina. o roubar com muito. que a madura idade. Assinale: Se todas as afirmativas forem corretas. E imprime em toda flor sua pisada. em cinza. que amanhã eu morro. o roubar muito é grandeza.

VI – Metalingüística A função conativa ou apelativa é predominante nas mensagens publicitárias. Pega esse menino Que tem medo de careta!” L i v r o 1  . influenciar o comportamento do consumidor para adquirir o produto. ritmo e sonoridade. tudo bem? Tudo bem. o emissor utiliza rimas. Art. desejo. para impressionar o receptor. boi. vale-se do vocativo para chamar a atenção do receptor. Ao elaborar uma mensagem com função conativa.” Dito popular erro de Português “Quando o português chegou Debaixo duma bruta chuva Vestiu o índio Que pena! Fosse uma manhã de sol O índio tinha despido O português. moleque! 2 “Faço versos como quem chora” Manoel Bandeira Dito Popular Reprodução Proibida. ele enfatiza a construção. Veja o texto abaixo. a elaboração. boi. o que é desumano? — Desumano é seu pai. além de o emissor utilizar verbos no modo imperativo (modo que expressa ordem. 184 do código Penal e Lei 9. apelo). Na mensagem com função poética. Observe a função conativa no último quadrinho abaixo: COMPRE! Modernismo: choque em obras como O Homem Amarelo. de Anita Malfatti. a função poética ocorre principalmente nas artes plásticas. São exemplos de metalinguagem: 1 — Mãe. cujo objetivo é apelar. enfim.610 de 19 de fevereiro de 1998. Observe os textos: AtividAdes 1 Identifique as funções de linguagem predominantes nos textos abaixo e classifique-as. o código (língua portuguesa) é utilizado como assunto ou explicação do próprio código (a palavra). em língua portuguesa. Neles são obtidos. os significados das palavras da mesma língua. 3 “Escrever e coçar é só começar” V – Poética: O emissor não se preocupa apenas com o significado da mensagem. convite. como vai? Eu vou indo. influenciar o comportamento do receptor. a) Sou doida por esse rapaz! “Água mole em pedra dura tanto bate até que fura. No texto com função metalingüística. Observe a imagem da figura a seguir: c) “Boi. e você. Essa função é utilizada pelos dicionários.g r a m á t i c a IV – Conativa ou apelativa: A intenção do emissor é fazer um apelo. Boi da cara preta. a linguagem é cuidadosamente elaborada para transmitir uma mensagem ao receptor. eu vou indo correndo Pegar meu lugar no futuro E você?” Paulinho da Viola Oswald de Andrade Nas mensagens não-verbais.” b) “Olá.

Esses sons são chamados de fonemas. 2 a) b) c) d) 3 a) b) c) d) d) Indique o número de fonemas. f) “Em cima do meu telhado. 9 fonemas e 11 letras. os fonemas são classificados em: vogais. Então: Fonema é o som que emitimos quando falamos. Ex. ou seja. vamos perceber que há nela grupos sonoros. 4 Siga o modelo: A palavra gente tem: 5 letras 4 fonemas 2 sílabas a) leque: c) carroça: e) sombra: 5 a) b) c) d) e) b) espelho: d) lanchonete: Letra é a representação gráfica do fonema. Logo. No vocábulo agulha há 5 fonemas. encOntrOs vOcáLicOs./s/ . Vejamos: (Cefet . u. b) Há cinco letras: t – ó – r – a – x. Se pronunciarmos pausadamente uma palavra. i. FOnética: FOnemas.c u r s o d) “Todo dia ela faz tudo sempre igual Me sacode às seis horas da manhã E sorri um sorriso sensual E me beija com a boca de hortelã!” e) Touro é o nome de um animal e um signo do zodíaco.São os sons que chegam livremente ao meio exterior: a.v e s t i b u l a r II) Na palavra tórax: a) Há dois grupos sonoros. 10 fonemas e 10 letras. Costuma-se representar o fonema entre barras oblíquas (//). letras e sílabas das palavras seguintes: História: e) Crucifixo: Socorro: f) Além: Inocente: g) Guerrinha: Telhado: h) Agüenta: Assinale a alternativa correta.610 de 19 de fevereiro de 1998. Nem sempre a cada fonema corresponde uma letra.lê-se: zê.. Art.lê-se: sê. duas sílabas – tó – rax. Letr as e síLab as .: sonho . 12 fonemas e 12 letras. os fonemas são representados por letras.. g) “Os índios acham que o mundo está repleto de espíritos que ajudam a ajeitar o caos (. na gramática. No vocábulo hora há 4 fonemas. VOGAIS . b) Há oito letras: e – n – c – h – e – n – t – e. Um anjo todo molhado Soluça no meu flautim” p r é . AtividAdes Mário Quintana Chico Buarque 1 Explique a diferença entre fonema e letra. Na linguagem escrita. c) Há cinco fonemas: / e // ch // e // t // e/. emitimos sons.)” Revista Veja Fonética. Quando falamos. semivogais e consoantes. e.PR) Ambivalência possui: 11 fonemas e 12 letras. Casa . L i v r o 1 cLassiFicaçãO dOs FOnemas. c) Há seis fonemas: /t/ /o/ /r/ /a/ /k/ /s/. Então: Sílaba é um fonema ou grupos de fonemas emitidos de uma só vez. 184 do código Penal e Lei 9. No vocábulo brinquedo há 8 fonemas. o. I) Na palavra “enchente”: a) Há três grupos sonoros – três sílabas: en – chen – te. encOntrO cOnsOnantaL e díGr aFO De acordo com a pronúncia. No vocábulo chuva há 5 fonemas. Observação:  Reprodução Proibida. São as sílabas! Cada sílaba é formada por uma ou mais letras. O som é mais forte. Uma mesma letra pode representar mais de um fonema. é o estudo dos sons da fala. nem sempre o número de sons é igual ao número de letras. No vocábulo pezinho há 6 fonemas. Pirulin lulin lulin./s/ . 10 fonemas e 12 letras.

184 do código Penal e Lei 9. f. c. Exemplo: pro – mes – sa    vogais SEMIVOGAIS – Dá-se o nome de semivogais ao i e ao u quando aparecem ligados a uma vogal. Exemplo: – rio   semivovogal gal Ditongo crescente Má – rie   semivovogal gal Ditongo crescente Sé b) Ditongo decrescente: quando a semivogal (som mais fraco) vem depois da vogal (som mais forte). I. Esses encontros classificam-se em: hiato. – mãe. calha. ditongo e tritongo. L i v r o 1  . Exemplo: ca – dei – ra   semivogal vogal Reprodução Proibida. Exemplo: cobra. em uma palavra. formando uma sílaba com ela. rr – arreio. problema. cheio. Observação: Há ditongos que aparecem somente na pronúncia e não na escrita. sem nenhuma vogal intermediária. substantivo. f) Ditongo fechado: foi. aparecem sons vocálicos um imediatamente após o outro. j etc. ss – passado. Exemplo: É um grupo de duas ou mais consoantes no corpo da palavra. ocorre um encontro vocálico. ninho. aquilo. São consoantes: b. adjetivo. Observe: a) Ditongo crescente – quando a semivogal (som mais fraco) antecede a vogal (som mais forte). Art.Hiato é o encontro de duas vogais pronunciadas separadamente Exemplo: a – mém (a . h. Lou – co   semivogal vogal Consoantes – São os sons produzidos quando a corrente de ar vinda dos pulmões sofre alguma interrupção em sua trajetória em direção ao meio exterior.lhão) III – Tritongo: é o encontro de uma semivogal + uma vogal + uma semivogal enContro ConsonantaL ra – i – nha    vogais  hiato sa – ú – de    vogais  hiato II . lençóis.g r a m á t i c a A vogal é sempre a base sonora da sílaba. terra. não existe sílaba sem vogal. Veja:  vogal Pai  semivogal  vogal Vai – da – de  semivogal Ditongo Ditongo c) Ditongo oral: pronunciado somente pela boca. missa. d. crime.610 de 19 de fevereiro de 1998. g. nh – lenha. ch – chapéu. qu – leque. história d) Ditongo nasal: pronunciado parte pelo nariz e parte pela boca. Dígrafo  vogal Lou – co  semivogal ditongo Os ditongos apresentam a seguinte formação: É um único fonema representado por duas letras.Ditongo é o encontro de dois sons vocálicos emitidos de uma só vez. Exemplo: ca – dei – ra    consoantes Lou – co   consoantes enContro VoCáLiCo Quando. Exemplo: caixa. Exemplo: colchão. e) Ditongo aberto: troféu. lh – milho. alguém. São dígrafos: gu – dengue. nunca há mais de uma vogal em uma sílaba. O som é mais fraco. nasceu.mei) o – lham (o .

deitada na cama. Agora. a trama. O enredo é a história em si. Podem ser principais – quando diretamente participam da trama – ou secundários – quando participam de forma pouco intensa da história. Os elementos da narrativa são cinco e. em poesias românticas. só estava expondo a matéria. a história prende a atenção do leitor. A professora mesma dizia-lhe que em Português e matéria de leitura e entendimento ele se saía bem. jamais um texto apresentará os dois ao mesmo tempo. mãe e seu Francisco do armazém querendo saber. para as últimas carteiras. em música sentimental. Art. ele olhou pra trás e a encontrou olhando. Uma narrativa pode apresentar um enredo linear – quando os fatos vão se desenrolando um depois do outro. • Observação: em uma narrativa. No intervalo. a resposta a esperava na carteira. um filete de sangue. colocou no bolso. conta algo que aconteceu com os outros. o enredo do texto “O Bilhete do Amor” é a história de um garoto que recebe um bilhete de uma menina. Ex: Ele foi à mercearia e lá pôde ver tudo que aconteceu. Tinha um bilhete que trazia uma declaração de amor e uma assinatura. Pitu encontrou um bilhete. não era um bilhete bem escrito. 1 Continue a frase abaixo e desenvolva sua narrativa: “A noite estava escura. é o que chamamos de flash-back. Por exemplo.. 3. palavra por palavra. É importante lembrar que os personagens devem ser caracterizados física e psicologicamente. o cenário. ficou vermelho. eu me assustei. tinha um bilhete e era diferente. e procurar uma resposta com o olhar. Marina era bonitinha. Vocês já aprenderam que uma história bem narrada tem que ter: 1. se ele quisesse namorar de verdade. uma vontade de reler pra ter certeza. escuros.narrador em primeira ou terceira pessoa. ou em 1ª ou em 3ª pessoa. o que acontece com os personagens. Ela estava só. 184 do código Penal e Lei 9. Pois bem. aparecem nas margens da trama. Quase no fim da aula. Quando ela chegou. Ele estava com vontade de olhar pra trás. • TEMPO: o tempo da narrativa é quando acontece a história. às duas horas. em ordem cronológica de tempo – ou um enredo não linear – quando a história começa e é interrompida por uma volta ao passado para algo ser lembrado. acabaria saindo-se mal. Na hora da verificação. Era uma revelação que ele não estava esperando. De vez em quando. O enredO da narr ativa Para entender melhor o enredo de uma narrativa.espaço bem descrito. Diversas vezes. com certeza. Leu. Interessante. só se admite a presença de um tipo de narrador. responde a este L i v r o 1 1 . confirmando. • NARRADOR: é quem conta a história. além disso. 4. Faltava-lhe jeito de dizer. tinha até erro de Português – por que a curiosidade? Só ele sabia dele. Os dois estavam vivendo uma ternura primeira e não sabiam escondê-la mais. Uma vontade de relê-lo. os acontecimentos. Completa a narrativa. O bilhete queimando no bolso. tinha que escrever um bilhetinho respondendo. nesse caso ele é narrador observador. falta apenas vocês aprenderem uma coisa da narrativa: o enredo. Estava meio perdido nos pensamentos confusos.. O narrador pode ser: a) em 1ª pessoa. • ENREDO: o enredo da narrativa é a história em si. Dê “Logo que colocou os objetos embaixo da carteira. AtividAdes um final emocionante para sua história. Marina sorria..personagens bem descritos. um personagem. pai. 2. Não podia dizer que estivesse achando ruim. Tanto assim que a professora pediu que virasse para frente. 4 Escreva uma narrativa cujo enredo gire em torno de um homem de meia idade que não consegue. nesse caso ele é narrador personagem.” 2 Construa uma narrativa cujo personagem principal seja um palhaço triste. dando palpites. vamos ler o texto abaixo: o BiLhete do amor Algumas propostas de narrativas para você soltar a imaginação e criar textos gostosos de serem lidos. Naquele fim de semana. de maneira indireta. conhecido de vocês: PERSONAGEM: os personagens da narrativa estão envolvidos com a história.. Não gostava de ignorar as coisas perguntadas. algo que viu ou ficou sabendo.610 de 19 de fevereiro de 1998. Ex: Eu fui à mercearia e lá pude ver tudo que aconteceu. observasse o que ela estava pedindo pra pesquisa do fim de semana. Ele sorria também. a data dos fatos e o desenrolar deles no tempo. arrumar um emprego. era mais fácil. ele iria pesquisar alguma coisa nova que não tinha experimentado. em seu quarto. Trocaram sorrisos e olhares. mordia-lhe uma curiosidade grande. conta algo de que tenha participado. narra os fatos. A professora explicava num mapa as regiões do Brasil e ele viajava em rumo diferente. nem fazendo perguntas. ele queria. muito comum em filmes. não é? Possui todos os elementos e muito bem trabalhados.tempo bem trabalhado. mas conservados. b) Em 3ª pessoa. não participa da história. ele se assustou. Também a descrição do espaço pode caracterizar. não mostrou pra ninguém. não foi como no dia do correio-elegante. Ao seu lado. como alguns outros de sua idade e turma. Já vimos que a descrição do espaço serve para criar o clima que envolve o leitor nos acontecimentos.r e d a ç ã o – para isso. escreveu o bilhete. Era um tímido e não se encorajava. ele criou força e olhou pra trás. fechado no banheiro. Ainda bem que ela não estava olhando pra ele. 3 Elabore um texto narrativo em prosa que contenha um enredo não linear e que o espaço seja marcado por muitos móveis antigos. • ESPAÇO: o espaço da narrativa é o local onde se desenvolve a história. o escritor pode usar e abusar das descrições. há 3 anos. pelo contrário. Trazia mais: trazia um convite para um bate-papo na praça. Só não se saía muito bem quando se tratava de fazer contas de números fracionários.” Elias José Reprodução Proibida.

Por exemplo. vocês têm que observar as etapas dele. espaço: uma praia e um deserto. Art. Observação: caso queira. após vencerem todos os obstáculos. mas nem todo final triste é trágico. Vemos os atores se beijando e deitando na cama. Tudo começa com o surgimento do problema. Para que o enredo fique bom. na cena final. envolver o leitor na história e criar um final bem legal para a narrativa. tiPOs de desFecHO As narrativas podem apresentar vários tipos de desfecho – apesar do mais praticado ser o feliz. nesse momento. gerando outros problemas. pode incluir mais elementos – o que não pode é deixar de usar algum desses dados acima. É essa demora e essa complicação que gera a tensão do texto. num lago lindo. estão em uma canoa. até que chega ao clímax. e os personagens retornam ao cotidiano pois o problema é resolvido. AtividAdes bilhete e vê seu amor correspondido. uma tragédia. • tempo: enredo linear. Em uma história de amor com final triste. enredo: uma história de amor. aumentando. • Final aberto: é aquele em que o autor somente sugere o que vai acontecer e o leitor deve imaginar o final. • espaço: um sítio. os amantes. não ficam juntos. se não tivesse recebido o bilhete. narr ativa Vamos produzir uma narrativa relacionando todos os elementos dados a seguir. que surpreende o leitor. narrador: em 1ª pessoa. É. uma delegacia. • Final inusitado: é o final inesperado. é o momento em que algo acontece para solucionar o problema. O problema vai aumentando. Vamos entender esta curva agora. Vamos conhecer alguns desses finais 2 L i v r o 1 Reprodução Proibida. Mas há algo mais. Nesse momento. em como narrá-lo. Percebam que. às vezes. mesmo apaixonados. o leitor não imagina o que quiser. no final aberto. o escritor dá todas as pistas do que vai acontecer. para a mesma história. estava com aquele sorrido ensolarado no rosto. Surgido o problema. O clímax é o momento de maior tensão do texto. pelo menos 3 tipos de finais diferentes. em filmes. um deles morre. É a tensão que faz com que o leitor fique atento. Um olha para o outro e vão aproximando os lábios. os amantes vencem todos os obstáculos e conseguem ficar juntos. Em uma história de amor com final cômico. ele não pode ser resolvido logo. estão sozinhos. ele não é narrado. sangue. . O clímax do texto “O bilhete do Amor” acontece no último parágrafo. envolvido na narrativa. • Final cômico: é o final que gera risos no leitor – uma comédia. Agora vocês podem pensar bem no enredo das histórias de vocês. percebem que já não se amam mais. uma banca de revistas. Em uma história de amor com final feliz. o leitor deve imaginar o beijo. os amantes vencem todos os obstáculos e. tempo: enredo não linear. o menino. • Final feliz: é aquele em que o problema é solucionado e os personagens voltam ao cotidiano – esse é o tipo de final mais comum. Para o enredo ficar bem trabalhado. Vejam a curva: AtividAdes Agora que vocês já conhecem bem todos os elementos da narrativa. o desfecho que. • personagens: Fátima Zoraide – dona de uma banca de revistas. ele sempre é feliz. tudo acaba bem e os dois meninos vão namorar. 3 Produza uma narrativa com o título: “A Surpresa Desagradável”. quando finalmente podem ficar juntos.v e s t i b u l a r para enriquecer ainda mais os textos que estamos produzindo. • Final triste: no final triste o problema não é solucionado e os personagens não conseguem retornar ao cotidiano. vamos escrever histórias. Em uma história de amor com final inusitado. O problema que surge tira os personagens do cotidiano. • narrador: 3ª pessoa. estaria prestando atenção na aula. o problema é o bilhete que o personagem encontra embaixo de sua carteira. 1 Escreva uma narrativa que termine com a frase: “Ele finalmente havia conseguido. Esse recurso é muito usado em cenas de sexo. O texto pára aí. portanto. No texto que nós lemos. • Final trágico: é aquele final que envolve morte. Em toda história.610 de 19 de fevereiro de 1998. 184 do código Penal e Lei 9. a cena é cortada e temos que imaginar o que acontecerá depois. os amantes não superam os obstáculos e.” 2 a) b) c) d) e) Relacione os elementos abaixo e crie uma narrativa: personagens: Juca. o final. nós temos que pensar bem nele. os amantes vencem todos os obstáculos e. quando finalmente vão ficar juntos. Depois disso vem o desfecho da história. Todos os elementos dados devem ser utilizados em sua história – se quiser. Em uma história de amor com final trágico. quase se beijando. Cecília e os pais deles. preso ao texto. há um problema que acontece com os personagens. a canoa vira e eles caem na água. chega a irritar e despertar ódio do leitor. No texto “O Bilhete do Amor”. com certeza. que esperava algo totalmente diferente. mas. o problema tem que aumentar. Não se esqueça de usar bem as descrições. 1 Escreva uma narrativa cujo enredo gire em torno da violência urbana e produza. enfim. os amantes superam os obstáculos. Em uma história de amor com final aberto. o final é feliz. Todo final trágico é triste. 2 Leia sua narrativa para toda a turma e discuta os finais elaborados. o exemplo clássico é o desfecho de uma novela.c u r s o p r é . para prender a atenção do leitor. quando o garoto olha para trás e vê o sorriso de Marina. vidente nas horas vagas e viciada em bombons. pode criar outros mais.

E. Pense que ele veio de Marte e nada entende. a frase apresenta como argumento um outro ponto de vista. mas sim como você defende o que pensa. o proL i v r o 1 1 Para cada tema sugerido apresente. 184 do código Penal e Lei 9. Tudo tem que ser argumentado. o texto dissertativo apresenta um ponto de vista e argumentos. Você já deve ter percebido que. pois isto também é uma opinião. os livros são desinteressantes. como você deve imaginá-lo? O leitor de sua dissertação é um desconhecido. pelo amor de Deus! Você deve mesmo ficar neurótico com argumentos. AtividAdes Reprodução Proibida. as justificativas que levarão seu leitor a entender seu ponto de vista. Os temas apresentam dificuldades normalmente não percebidas pelo aluno.POntO de vista e arGumentO Como já vimos. bem mais importante que seu ponto de vista são os argumentos que você apresentará para defender e justificar suas opiniões. mal prestam atenção no tema e já partem para a escrita. um bom leitor. Quando o examinador elabora uma prova. Se você diz que o Brasil é um país cheio de problemas. daí a necessidade de você argumentar muito bem suas opiniões. Se o bilhete é para um amigo. por mais óbvio que pareça. finalmente. Portanto. todo aluno partiria da “verdade” de que realmente o jovem lê pouco e começaria rapidamente a escrever seu texto. Erro fatal. seu ponto de vista e três argumentos: a) Pena de morte b) Racismo c) Casamento gay d) Aborto e) Violência policial f) Fome 3 . para tudo tente achar um porquê. será proposto um tema. Pense no seguinte: “ FHC não é um bom presidente porque ele é corrupto.” O que é ponto de vista e o que é argumento na frase? Com certeza você deve ter respondido que “FHC não é um bom presidente” é ponto de vista e que “porque ele é corrupto” é argumento.O LeitOr da dissertaçãO Sempre que você escreve algo é para um leitor. em forma de esquema. você explica direitinho onde está e pode até deixar um telefone para contato. Ele também sempre será contra seu ponto de vista. justificar isto dizendo que ele é corrupto não é argumento. 1 Escolha três argumentos do exercício acima e desenvolva-os para este leitor que nada entende. Ninguém pode negar números. com atenção. Dizer que FHC não é bom presidente é expressar uma opinião. em um bilhete para uma mãe preocupada.610 de 19 de fevereiro de 1998. diante da proposta de redação. em uma proposta. coca-cola. antes de tudo. Pois bem. AtividAdes tex tO dissertativO2. pense bem e veja se são argumentos mesmo e não outros pontos de vista disfarçados. você conhece o leitor e sabe como escrever para ele. para ele nada é óbvio. é um ponto de vista. terá que explicar isso. acreditando no que é senso comum. não deixando nenhum raciocínio encoberto. vamos supor que o tema sugerido para sua dissertação seja “Imunidade Parlamentar. Por exemplo. surf. portanto. o tema fosse: O JOVEM LÊ POUCO HOJE Com certeza. o mais importante: o leitor da dissertação é burro. portanto nem pense em ser informal com ele. sua linguagem deve ser culta e. praticar interlocução em seu texto ou fazer alguma gracinha. Porém. você. detalhá-los exaustivamente. São os porquês. Vamos a um exemplo prático. obrigatoriamente. Mas o que seria exatamente isto? Toda vez que você for solicitado a produzir um texto dissertativo. A princípio. Portanto. você deve conversar com ele. tem que o entender bem. Lembre-se de que argumentos têm de ser racionais e factuais. 2 Reescreva a dissertação que você fez agora pensando na questão do leitor. correto? No caso do bilhete. Imagine que. Preste atenção. Se você deixa um bilhete. Não interessa aos corretores de redação o que você pensa. há várias etapas que você tem que cumprir e uma delas é pensar muito sobre o tema. deverá ser formal. deixe isso de lado. não entende nada.Leitur a dO tema Um bom escritor é. Além de encontrar argumentos. você precisa pensar bem antes de os apresentar. Antes de partir para a escrita. Argumento para a opinião de que FHC não é um bom presidente seria apresentar a crescente taxa de desemprego. Você deve “perder tempo” lendo. vídeo game. tex tO dissertativO3. não existe opinião sem argumento – detalhe: brasileiro adora falar o que pensa sem justificar. o tema. não tratam de assuntos que atraiam os jovens. tex tO dissertativO1. E o leitor de sua dissertação. Art. feliz pois acha que o tema é fácil. para este leitor.” O que você pensa sobre isto? É contra? A favor? Depende? Sua resposta será seu ponto de vista. a partir de hoje.r e d a ç ã o • enredo: um seqüestro. você deve ter o cuidado de eleger os que são bons. pensar sobre ele. ansiosos para terminarem. a primeira coisa que você deve fazer é interrogar este tema para saber seu ponto de vista sobre ele. Preste muita atenção ao selecionar seus argumentos. ele já tem em mente exatamente o que quer testar no aluno. Portanto. é para alguém ler. você deverá explicá-los. de maneira nenhuma. você poderá ser informal. você tem liberdade de ter qualquer ponto de vista sobre o problema. mas se for para seu chefe. Por exemplo. Você tem que descobrir isso por meio da leitura atenta. os alunos. 2 Escolha um dos temas acima e desenvolva sua dissertação. NÃO EXISTEM VERDADES NA DISSERTAÇÃO Os argumentos são as bases de seu texto. Mas está errado. Normalmente. A partir daí encheria as páginas com colocações tais como: o jovem é alienado. portanto tudo que você terá que explicar – e bem explicado –. não bastará apresentar seus argumentos. mas pode negar que ele seja corrupto. só pensa em TV. tudo tem que ser detalhado.

O sobrenome (nome de família) de cada um de seus habitantes é uma seqüência formada por 4 letras. 4... (-8) :(-4) = . -3.. Se a fazenda deve ser dividida para 200 famílias. 2 23 = ... 3. (3 + 7)3 : (-10)2 = ....000. 5 + 15 x (-2) (-9)3 : 34 = . O maior número de sobrenomes diferentes que podem ser dados no planeta X é: a) 12 b) 14 c) 15 d) 16 e) 18 5 a) b) c) d) e) Hoje é sábado...... xXxx é um possível sobrenome utilizado nesse planeta. 2...000 e) 10.. Por exemplo. -3.. (23)2 = . . Art....... preciso exatamente de 100g de açúcar. que possui 10 km de largura por 20 km de comprimento.......000 2 Para fazer 12 bolinhos.... 4.. 1. .. 03 : 30 = . então cada família receberá um lote de quantos metros quadrados? a) 1. A maior quantidade desses bolinhos que serei capaz de fazer com 500g de açúcar.000 d) 1. 3..... 3.... 5. meio litro de leite e 400g de farinha.... Assinale com V as sentenças verdadeiras. -1. 2. 72 : 12 x 3 = . 1..m a t e m á t i c a cOnjuntOs numéricOs Fundamentais (i) • Conjunto dos Números Naturais: N = {0... 50g de manteiga. (-2)3 x (-3)2 = ..000 c) 5. e com F as falsas: ( ) 3 + 7 x 9 = 66 ( ) (3 + 7)2 = 32 + 72 ( ) 57 : (52 x 53) = 25 ( ) (52)3 = 52 x 52 x 52 ( ) 33 x 97 + 67 x 97 = 9700 ( ) (33+67) x 97 = 9700 Z 1 Uma fazenda retangular. . 4 O alfabeto usado no planeta X tem somente duas letras: X e x. .... –1 x 102 = . Daqui a 99 dias será: segunda-feira sábado domingo sexta-feira quinta-feira L i v r o 1 3 ... -1} • Qual é nome do conjunto indicado pelo símbolo Z–? • E por Z ? AtividAdes Z a) b) c) d) e) 296 293 297 301 28 1 a) b) c) d) e) f) g) h) Calcular: (-3) – (-10) x 2 = . 2..610 de 19 de fevereiro de 1998. } • Conjunto dos Números Naturais Não-Nulos N* = {1.. 184 do código Penal e Lei 9.000 b) 100......... 1. 0. -2. 2...... 56 : 53 = .. 144 + 81 = (33 + 67) x 100 = . foi desapropriada para reforma agrária.. 4 litros de leite e 5kg de farinha é: a) 48 b) 60 c) 72 d) 54 e) 42 3 João brinca de formar quadrados com palitos de fósforo como na figura a seguir: Qual a quantidade de palitos para fazer 100 quadrados iguais a estes? • Conjunto dos Números Inteiros: = { .. 4. } AtividAdes 2 Calcular o valor da expressão literal y = (m2 – n2): (5m + 5n): a) para m = 7 e n = -3 b) para m = n = -5 ProblemAs Reprodução Proibida....... 300g de manteiga....} • Conjunto dos Números Inteiros Não-Nulos Z* = Z – {0} • Conjunto dos Números Inteiros Não-Negativos Z+ = {0.. –102 = . -2...} = N • Conjunto dos Números Inteiros Negativos = { ..... 1 a) b) c) d) e) f) g) h) i) 2 a) b) c) d) e) f) Calcular: 5 + 15 x 8 = . de modo que todas recebam a mesma área... 3. 72 : (12 x 3) = .

077777. = 0.c u r s o p r é .. ao ser molhada. encolhe custou se R$ 2.75 : 3 3 d) (0.. Doze delas são pentágonos regulares e as outras 20 são hexágonos também regulares.75 : 0..π .. 001 × 500 5 e) (4. é uma dízima periódica composta ( ) 0. Quantas são as costuras feitas na fabricação de uma bola de futebol? a) 60 b) 64 c) 90 d) 120 e) 180 ProblemAs cOnjuntOs numéricOs Fundamentais (ii) Conjunto dos Números Racionais: é o conjunto dos números que podem ser escritos sob a forma de fração..32 + 1.14) : 0. Por exemplo: 2. Cada costura une dois lados de duas dessas peças. 3 5 . = 99 ( ) O número 0.277777.7777. Quantos metros tinha a peça e quanto Reprodução Proibida. com numerador inteiro e denominador diferente de zero.14 f) (8. a Em símbolos: Q = {x|x = .. b (O símbolo | é lido “tal que”) AtividAdes 1 Calcule: a) 12 5 + = 20 20 3 1 b) + = 5 4 5 5 10 c)  +  : =    12 4  12 3 5 1 1 1 1 1 1 1 Queremos retirar uma única fração da soma + + + + + 2 4 6 8 10 12 1 1 1 1 1 1 + + + + + para que a soma das restantes seja igual a 2 4 6 8 10 12 1. Art. Números assim são chamados de números irracionais. demorando 6h e gastando exatamente um tanque de diesel.log 2 .5 – 0.00? 1 de seu compri5 mento.2 + 0. 3 2 etc.25 + 120 x 0. = 0. sabendo-se que. 10 Conjunto dos Números Reais (R): é o conjunto formado pela reunião do conjunto dos números racionais e pelo conjunto dos números irracionais.252525.. ele gastou o mesmo tanque de combustível em 2h 24min....18) x 0.2 + 0..2)3 x 25 + × 0. Outros subconjuntos de R: R* = R – {0} R+ = {x ∈ R| x ≥ 0} R–* = {x ∈ R| x < 0} 1 a) b) c) Calcular: 0.25 – 1. cujo numerador seja um número inteiro e cujo denominador seja inteiro e diferente de zero.20 é o preço do metro? 3 Um trabalhador recebe um adiantamento de R$ 120.v e s t i b u l a r 2 Desafio: Uma bola de futebol é feita com 32 peças de couro. Outros exemplos de números irracionais: 2 .7777. Com um furo no tanque de combustível.01001000100001.5 3 : 0. coma ∈ Z e b ∈ Z * }. de forma que possam ser costurados.7 x 2. Os lados dos pentágonos têm a mesma medida que os lados dos hexágonos... Quanto de diesel do tanque escorreria se o ônibus ficasse parado meia hora? OPer ações cOm númerOs r aciOnais AtividAdes cOnjuntOs numéricOs Fundamentais (iii) Existem números que possuem parte decimal infinita e não-periódica.00.277777. correspon3 dente a de seu salário.25 g) (0. : 10 ( ) Toda dízima periódica simples ou composta é número racional 5 Um ônibus faz sempre um determinado trajeto. 184 do código Penal e Lei 9.sen 45o . Quanto ainda tem a receber? 8 4 Uma família gasta 1 de sua renda em alimentação e metade do 5 restante em manutenção da casa. após estes gastos. = 9 ( ) O número 0.7777. é uma dízima periódica simples 7 ( ) 0.01 5...07  L i v r o 1 . Qual é a renda da família. 3 1 d)  −  :  −  =      4  2 2 a) b) c) d) e) f) g) h) i) Assinale com V ou F: ( ) Todo número inteiro é racional ( ) O conjunto dos números inteiros (Z) está contido em Q ( ) O número 0. é uma dízima periódica simples 25 ( ) 0. ficando com 28m.610 de 19 de fevereiro de 1998.. sobra R$ 120...252525. Isso é possível? 2 Uma peça de fazenda.2401 : 7) : 0.. Este número não pode ser transformado em fração.

Maria mente aos domingos. existem. Uma equação do segundo grau pode ser completa (quando a. Em uma pequena cidade desse planeta. Exemplos de equações incompletas: 3x2 = 0. e) Nessa cidade existem mais carros do que pessoas. ambos dizem: “Amanhã é dia de mentir”. 2= 0 –x2 + 0. 7x2 – 6x = 0. todas elas guardando a mesma distância entre si. –x2 + 49 = 0. e com base nos exemplos acima dados. 20 = 10 c) ( ) 9 + 16 = 25 d) ( ) e) ( ) 5 + 5 =2 5 f) ( ) – 10 > –100 g) ( ) 1 < 2 < 2 h) ( ) 1.4152 3 Calcular o valor numérico da expressão y = 3x2 +5x +2 a) para x = – 1 2 b) para x = – 3 4 Calcular o valor numérico da expressão literal y = 100x2 – 30x – 10: a) para x = – 0. b e c são todos números reais diferentes de zero). Qual é (em km) o comprimento desta linha? 2 a) b) c) d) e) O quociente de 5050 por 2525 é igual a 2525 1025 10025 225 2 x 2525 1 Completar o seguinte quadro. d) Essa cidade possui no máximo 17 carros. – x2 +0. c) Essa cidade tem 9 habitantes e 14 carros. Pedro mente às quartas. Art.610 de 19 de fevereiro de 1998. ou incompleta (quando b e/ou c são nulos).4142 < 2 < 1. determinando os valores dos coeficientes das equações do 2o grau. Certo dia.x + c = 0.01x – 9 = 0 AtividAdes 1 Uma linha de transmissão de energia elétrica possui 12 torres. Sabe-se que a distância entre a terceira e a sexta torres é igual a 3.m a t e m á t i c a AtividAdes 1 Calcular: a) 5 3 + 3 3 − 8 3 = b) 5 3 . 2 Assinale com V ou F: a) ( ) A soma de dois números racionais é sempre um número racional b) ( ) O produto de dois números irracionais pode ser um número racional 5 . 3 2− 3 = 2 )( 3) = ) 4 Pedro e Maria formam um estranho casal. segundas e terças-feiras. ao todo. O dia em que foi feita esta afirmação é: a) Segunda-feira b) Terça-feira c) Domingo d) Sexta-feira e) Quinta-feira 5 Observe as igualdades a seguir: Observe que x2 – y2 = (x + y)(x – y) 32 = 52 – 42 52 = 132 – 122 72 = 252 – 242 92 = 412 – 402 Considere a igualdade 172 + x2 = y2. b) Existem no máximo 16 carros nessa cidade. 7x2 – 6x + 2 3 = 0.300m.2 1 b) para x = 2 ProblemAs equaçãO dO 2 O Gr au (i) É toda equação da forma a. 2 São equações completas do 2o grau: 3x2 – x + = 0.01x – 9 = 0 L i v r o 1 5 .( −3 3 ) = c) ( 3 2 )6 ÷ ( 32 ) = 2 d) 3 2 + 8 = e) f) ( (3 ) (3 2 − 2+ 3 . 184 do código Penal e Lei 9. 97 pernas e rodas. determine o valor de x + y: a) 289 b) 121 c) 81 d) 144 e) 196 Reprodução Proibida. onde b e c são números reais quaisquer e a é um número real diferente de zero.x2 + b. dizendo a verdade nos demais dias. Assinale ainda se são equações completas ou incompletas: a 3x2 = 0 7x2 – 6x = 0 –x2 + 49 = 0 3x2 – 0x + 9 = 0 7x2 – 6x + b c completa incompleta 3 No planeta Z todos os habitantes possuem 3 pernas e cada carro possui 5 rodas. Então podemos afirmar (uma única alternativa é correta): a) É possível que existam 19 carros nessa cidade. dizendo a verdade no resto da semana. quintas e sextas-feiras.

pelo menos um dos fatores deste produto é zero.x + 7.(–3x + 7) = 0 ⇒   7  −3x + 7 = 0 ⇒− 3x =− 7 ⇒ 3x = 7 ⇒ x = 3  equaçãO dO 2 O Gr au (iii) Tipo II) Resolução de equações incompletas: a) Resolver.  3 b) Resolver.x é fator comum. as seguintes equações do 2o grau: a) b) c) d) e) 0. Por exemplo: • x2 – 5x + 6 = 0 raízes: x’ = 2 e x” = 3 V = {2.x2 } 1 Resolver. a equação 5x2 = 0 0 5 x 2 = 0 ⇒ x 2 = ⇒ 0 ⇒ x = ± 0 ⇒ x = 0 V = {0} 5 Toda equação do tipo I possui apenas o número real zero como raiz (dupla): x’ = x” = 0. a equação – 3x2 + 7x = 0 – 3x2 + 7x = 0 ⇒ –3. quando resolvida no conjunto dos números reais. sem efetuar os produtos indicados: a) (x + 2)(x – 3) = 0 b) (x –1)(x – 2)(x – 3) = 0 c) x(3x – 6)(2x + 3) = 0 d) 3x2(x – 2)2(x + 1)3 = 0 Tipo I) Resolução de equações incompletas: Resolver.5 são zeros da equação 100x2 – 30x – 10 = 0 3 c) ( ) é solução da equação 9x2 –30x + 25 = 0 5 d) ( ) Tanto – 5 quanto 5 são raízes da equação – x2 – 25 = 0 e) ( ) Tanto – 5 quanto 5 são raízes da equação – x2 + 25 = 0 Obs. supondo x ∈ R.c u r s o p r é .x. a expressão x não assume valores menores que zero. supondo x ∈ R. Existem três tipos de equações incompletas do 2o grau: 2 I) a. Resolva as equações a seguir.x2 = 0 II) a. e pode ser colocado em evidência)   x =0  ou ⇒ x. Assinale com V ou F: a) ( ) Tanto –2 quanto 5 são raízes da equação x2 –3x – 10 =0 b) ( ) Tanto 0. Assim.x. 3} • x2 – 2x + 1 = 0 raízes: x’ = x” = 1 V = {1} • x2 + 1 = 0 raízes: não existe raiz real V = ∅ De fato.x = 0 (3. pois não é menor que 1. 01 2 x =0 1+ 2 5x2 + 25x = 0 (x + 2)2 – 3x – 4 = 0 (2x – 1)2 – (1 – 3x)2 = x (3x + 1)(3x – 1) +1 = 18x 2 equaçãO dO 2 O Gr au (ii) Uma equação do 2o grau. 184 do código Penal e Lei 9.x.x2 + b. a equação x2 – 25 = 0 x2 – 25 = 0 (com não há fator comum que possa ser colocado em evidência.x2 + c = 0 2 Quando um produto de dois ou mais fatores reais é igual a zero. 3x2 + 6x = 0 ⇒ 3. a) Resolver. supondo x ∈ R.(x + 2) = 0 ⇒   x + 2 = 0 ⇒ x =− 2 (*)  (*) Um produto de três números reais só é igual a zero se pelo menos um deles for igual a zero.x = 0 (x é fator comum. –3 é raiz de 3x2 + 5x – 12 = 0 porque 3(–3)2 + 5(–3) – 12 = 0. x2 + 1 não pode ser igual a zero.x + 2. a equação –9 x2 + 50 = 0 –9 x2 + 50 = 0 ⇒ 9x2 = 50 ⇒   50 ( −1) 5 2  x =+  x= 9  3     ±5 2  ⇒  ou ⇒  ou V=      3   x =− 50  x =− 5 2   9  3  c) Resolver. a equação 9 x2 + 25 = 0 9x2 + 25 = 0 ⇒ 9x2 = – 25 ⇒  −25 V=∅ ∉ℜ  x =+ 9   ⇒ ou   x =− −25 ∉ℜ  9   L i v r o 1 Reprodução Proibida. supondo x ∈ R.v e s t i b u l a r  7 V = 0. supondo x ∈ R. se ar2 + br + c = 0. Art. qualquer que seja o número real x.3. Logo. 5}   x =− 5  x =− 25  b) Resolver. pode apresentar duas raízes reais (distintas ou iguais entre si).x = 0 III) a.2 quanto – 0. supondo x ∈ R. x  f)  + 2  + (x + 2)(x – 2) = 2x 2  . a equação –3x2 – 6x = 0 AtividAdes 2 Um número real r é solução (raiz ou zero) de uma equação do 2o grau ax2 + bx + c = 0. no conjunto dos números reais.: – x2 = (–1). ou não possuir solução real. supondo x ∈ R.610 de 19 de fevereiro de 1998. x2 é isolado) ⇒ x 2 = 25 ⇒  x =+ 25  x = 5    ou ⇒  ou V = {– 5. e pode ser colocado em evidência) x =0   ou ⇒ 3. a equação – x2 + x = 0 c) Resolver.

tendo recebido mais quem era mais velho. sempre aumentando em 4 unidades o número de convites feitos na semana anterior.00 c) R$ 1.00 d) R$ 1. 14.500. Depois de três meses. seriam necessárias: 35 bolinhas. Assim sendo. depois um quinto do novo resto e assim por diante. 4.590.. Retire depois um terço do resto (Figura 3).c u r s o p r é . o empresário desistiu da idéia quando percebeu que.690.900. 12.) possui x termos com três dígitos. 65 bolinhas..750. .00 aplicados cumulativamente nesta carteira valem aproximadamente: a) R$ 1.00 b) R$ 1. pode-se concluir que x é igual a: a) 299 b) 300 c) 301 d) 305 e) 308 25 UFBA 1996 – Numa progressão geométrica.. Ao filho mais novo coube um terreno com 2 km2 de área. 16. qual será a área da Figura 100? Figura 1 Figura 2 Figura 3 26 UCS – RS Um empresário queria fabricar um brinquedo que permitisse formar “pirâmides” de bolinhas como a que é mostrada na figura. 10. 184 do código Penal e Lei 9. Um desses ângulos mede: a) 28° b) 32° c) 36° d) 48° e) 50° 28 UFRN–RN – Um fazendeiro dividiu 30 km2 de suas terras entre seus 4 filhos. Continue o mesmo procedimento. 75 bolinhas. Art. para construir apenas a base da pirâmide de 10 “andares”. 30 PUC-RIO – Uma carteira de investimento rende 2% ao mês.00 e) R$ 1. quando digitalizadas.550.00 31 UFF-RJ – Certas imagens captadas por satélites espaciais. a) b) c) d) 29 UEL–PR – Tome um quadrado de lado 20 cm (Figura 1) e retire sua metade (Figura 2). como ilustrado na figura a seguir: 27 UEFS – BA – Os números que expressam os ângulos de um quadrilátero. retirando um quarto do que restou. 55 bolinhas. em todas as etapas. cada segmento de reta é transformado em uma poligonal cujo comprimento é quatro vezes a terça parte do segmento original. Determine o quinto termo da progressão. Imediatamente após ter feito o último dos 492 convites. Desse modo. Considere o processo tal que. estão em progressão geométrica de razão 2. e o quarto termo é igual a 20% do terceiro. Podem-se obter tais fractais pela alteração da forma original de uma curva por meio de um processo em que os resultados de uma etapa são utilizados como ponto de partida para a etapa seguinte. 24 UNEB – BA Sabe-se que a progressão aritmética (1. obtém-se a seqüência de figuras: MAT L i v r o 1 Reprodução Proibida. são representadas por formas geométricas de aspecto irregular ou fragmentado.610 de 19 de fevereiro de 1998. conhecidas por fractais. No entanto.v e s t i b u l a r renos recebidos pelos filhos estavam em progressão geométrica. o número de semanas já decorridas desde o primeiro convite era igual a: 10. de modo que as áreas dos ter- Por esse processo. o primeiro termo é igual a 7500. a partir de um quadrado com 1 metro de lado. a) b) c) d) e) 0 2 cm2 4 cm2 10 cm2 40 cm2 a) b) c) d) e) Sua primeira idéia foi produzir caixas com a quantidade de bolinhas suficiente para formar uma pirâmide com 10 “andares”. de idades distintas. de acordo com a idade. O filho que tem idade imediatamente superior à do mais novo recebeu um terreno de área igual a: 10 km2 8 km2 4 km2 6 km2 a) b) c) d) zes e assim sucessivamente. 45 bolinhas. R$ 1. 7.

0. na Turquia.477. Charles F. c) 10 000 vezes maior. para quantificar a energia. em metro. apresenta uma concentração de íons hidrogênio: a) 100 vezes maior. d) 100 000 vezes maior. com registro de 5. significa que a concentração de íons hidrogênio é 10 –x Mol/L. 15 vezes maior que a energia liberada no terremoto dos EUA. 184 do código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. a) b) c) d) 39 UFF-RJ – No dia 6 de junho de 2000. que atingiu 8.1 (0. O número de algarismos do inteiro N = 3030 é igual a : a) 43 b) 44 c) 45 d) 46 e) 47 37 UFRN-RN – A acidez de uma solução depende da sua concentração de íons hidrogênio [H+]. a equação que relaciona as duas grandezas é dada pela seguinte equação logarítmica: log10 E = 1. onde x é um número positivo. quando dizemos que o pH de uma solução é x.9 graus na escala Richter e outro terremoto atingiu o oeste do Japão. Sabe-se que estes valores estão relacionados pela fórmula r1 – r2 = log10(m1 .m2) Considerando-se que r1 seja o registro do terremoto da Turquia e r2 o registro do terremoto do Japão. Considere que m1 e m2 medem a energia liberada sob a forma de ondas que se propagam pela crosta terrestre por terremotos com registros. podemos afirmar que a energia liberada no terremoto do Chile é aproximadamente: 10 vezes maior que a energia liberada no terremoto dos EUA. O pH do café é 5 e o do leite de magnésia é 10.conhecida hoje em dia por escala Richter -. em Joules. Richter desenvolveu uma escala de magnitude de terremotos . r1 e r2.1 L i v r o 1 a) b) c) d) e) MAT . calcule o valor da área hachurada. d) 3 3 e) 3 33 FAVIC – Se x = log296. 21 vezes maior que a energia liberada no terremoto dos EUA. em relação ao leite de magnésia. b) 1 000 vezes maior. com o terremoto ocorrido em San Francisco. 32 UERGS-RS – O valor de x na expressão logarítmica log 3 x 1 = 6 z log 2 8 log 6 6 a) 0. então x está compreendido entre: a) 6 e 7 b) 10 e 11 c) 12 e 13 d) 20 e 21 e) 96 e 97 34 UNEB–BA – Sabendo-se que log2x = 3 log227 + log2 (1/9).8 graus na escala Richter. do quinto polígono dessa seqüência é: 44 34 44 35 45 34 35 45 34 44 36 UFES-ES – Sabe-se que log10 3 = 0.Q u e s t Õ e s v e s t i b u l a r • m a t e m á t i c a a) b) c) d) e) Reprodução Proibida. em 1906. Art. respectivamente. Assim. na escala Richter. Podemos dizer que o café. 31 vezes maior que a energia liberada no terremoto dos EUA. 38 UFRN-RN – Na década de 30 do século passado. b) 1/3 c) 3. Tal acidez é medida por uma grandeza denominada pH. aproximado até a terceira casa decimal. nos EUA. que atingiu 9. liberada pelo movimento tectônico. com registro de 5. pode-se concluir que log3x é igual a: a) -1 b) 0 c) 3 d) 9 e) 7 35 UFG-GO – Se a curva da figura representa o gráfico da função y = log x.1)10 10/0.1 1/0.0 na escala Richter.5 M Comparando o terremoto de maior magnitude ocorrido no Chile em 1960. expressa em escala logarítmica de base 10-1.44 +1. O perímetro. pode-se afirmar que (m1/m2) é igual a: 10–1 100. um terremoto atingiu a cidade de Ancara. Se a energia liberada nesse movimento é representada por E e a magnitude medida em grau Richter é representada por M.

4 = 183 é: a) 1. 4 horas. verificou-se que a concentração (y) de certa substância em seus organismos alterava-se em função do tempo decorrido (t). a utilização desnecessária ou equivocada de um medicamento pode comprometer a saúde do usuário: substâncias ingeridas difundese pelos líquidos e tecidos do corpo. o valor mais próximo de x real na equação 3 + 6x .c u r s o p r é . então esses números formam.98. pode-se afirmar que a concentração da substância tornou-se a quarta parte da concentração inicial após: 1/4 de hora. uma progressão geométrica.5t em que y0 é a concentração inicial e t é o tempo em hora. I1. d) 2. e suas intensidades são.57. evolui. para que a população seja o triplo da inicial. medido l em decibéis. o valor de n é: a) 52 b) 83 c) 25 d) 53 49 PUC-SP – A energia nuclear. Nessas circunstâncias. pode MAT L i v r o 1 . c) 10 dias. Neste caso. derivada de isótopos radiativos. 46 FTE-PR – Visando atingir uma meta de produção. são: a) 1 e –1 b) 1 e 2 c) 3 e –3 d) 3 2 e 1 − 2 − 3 2 a) b) c) d) e) e) 1 e –2 43 CEFET-PR – Dados log 2 = 0. Art. meia hora. espera-se que a produção mínima de 130 peças seja alcançada por funcionários trabalhando. 2 horas. então outro som que é dez vezes mais intenso que aquele tem nível sonoro igual a 100 decibéis. (4) Um som de 40 decibéis tem intensidade igual a 10000 x I0. I2.2t como parâmetro para estabelecer o número mínimo de peças a serem produzidas por seus funcionários a cada dia t. tais que o logaritmo de (2x² + 1) na base 10 é igual a 1. exercendo efeito benéfico ou maléfico. é calculado pela fórmula 10 × log .5 + log3 (t+1). Nessas condições. é correto afirmar: (1) Se um som tem intensidade I0. b) 8 dias. 1 hora. será: a) 10 b) 20 c) 30 d) 40 e) 50 Reprodução Proibida. b) 2.v e s t i b u l a r 44 UFPB – O conjunto solução da equação log x-2 (7-2x)=2 é: a) S={3. que se destina à produção de madeira. pois. onde log rel0 presenta o logaritmo na base 10 e Io é um valor de referência. o tempo (em anos) transcorrido do momento da plantação até o do corte foi de: 9 8 5 4 2 a) b) c) d) e) 42 PUC-RIO – Os valores de x. 40 UFPR-PR – O nível sonoro de um som de intensidade I. (16) Se três sons têm níveis sonoros de 50. a partir da data de sua admissão. 41 UFF–RJ – A automedicação é considerada um risco. há inicialmente 106 indivíduos.3-0.-1} b) S={1. em minutos. respectivamente. uma empresa usa a função f(t) = 135 . 47 UFSCar-SP – A altura média do tronco de certa espécie de árvore. Sabe-se que após t horas (ou fração de hora) haverá Q(t)= 106 x 32t indivíduos. e I3.-3} c) S={1} d) S={3} e) S={-1} 45 UFPB-PB – Em uma comunidade de bactérias.61. Depois de se administrar determinado medicamento a um grupo de indivíduos. com h(t) em metros e t emanos. (8) Se um som tem nível sonoro de 10 decibéis. e) 2. Com base nestas informações. Se uma dessas árvores foi cortada quando seu tronco atingiu 3. 184 do código Penal e Lei 9. então o seu nível sonoro é igual a zero. (2) Um som de 1 decibel tem intensidade igual a 10 x I0.12. c) 2. desde que é plantada. no máximo. 60 e 70 decibéis. há: a) 5 dias.5 m de altura. de acordo com a expressão y = y0 x 2-0. e) 20 dias. nessa ordem.93. 48 UFMG-MG – Seja n = 8 log2 15− log2 45 Então.610 de 19 de fevereiro de 1998. o tempo. segundo o seguinte modelo matemático: h(t) = 1.301 e log 3 = 0.477. que corresponde aproximadamente à menor intensidade de som audível ao ouvido humano.135. d) 15 dias.

são elas. O avestruz é o animal mais medroso da natureza. de hábitat marinho. Por meio do olfato. em plena corrida. As grandes árvores de climas temperados apresentam dois períodos de crescimento em espessura anuais: na primavera e após o inverno.610 de 19 de fevereiro de 1998. Os dinossauros dominaram a Terra durante 140 milhões de anos. 3. Os tubarões atacam surfistas. abocanha sua presa. com anéis mais estreitos e escuros. 5. por vezes de centenas de quilômetros de extensão. 2. A barata é. 15. ao nascerem. como o elefante. A seletividade alimentar das preguiças é notavelmente alta. a vítima sofre espasmos musculares generalizados. produzem uma secreção que se deposita em camadas concêntricas em torno do corpo estranho. desce em picada a uma velocidade superior a cem quilômetros por hora. para temperaturas mais amenas. Um camelo consegue beber 120 litros de água em dez minutos. ao tubarão. como os seres humanos. assim. crescer e reproduzir-se. a pérola. Ao notar que o sabor não corresponde ao de uma tartaruga. Muito veloz. selecionam a folha ou parte da folha que preferem para se alimentar. Os dinoflagelados são unicelulares. Tais protistas produzem toxinas que atacam o sistema nervoso dos peixes. ficam deitados sobre a prancha e com os braços e as pernas soltos na água.500km em direção ao sul. 20. Os anéis mais velhos são os mais internos. sofrendo uma verdadeira explosão populacional conhecida como florada. capaz de matar um banhista incauto em apenas 5 minutos. 6. Colômbia. 12 . capital do estado da Paraíba – sendo esta. aguardando por uma onda. Há certos ratos cuja gestação é de apenas 15 dias. causando uma mortandade generalizada de peixes e lagostas. 11. Os filhotes de gambá. 184 do código Penal e Lei 9. Na Amazônia. retiram-na do próprio alimento. A família dos cães existe há. e no outono. quando um elemento estranho penetra abaixo de sua concha. O acúmulo sucessivo destes esqueletos forma depósitos de centenas de metros de profundidade. Venezuela e Peru. por isso ficam entorpecidos e indefesos durante largo tempo. Um exemplar de tamanho médio tem capacidade para descarregar de 1 ampére a 400 volts. e tem mais de 400 metros quadrados de área. carga elétrica suficiente para derrubar um cavalo. 7. pois estes. apesar da queixada poderosa e de toda aquela dentadura aparente. perpetuando. No inverno. Leia atentamente os comentários a seguir. campeã de dribles. que. também. se separam do grupo para morrerem em um lugar isolado. Alguns animais. Ele retém água por dias. que realizam continuamente uma série de atividades para obter energia. e não as grandes árvores das florestas. existentes nos rios da Bacia Amazônica no Brasil. dessa maneira. As preguiças alimentam-se de folhas novas de um número restrito de árvores. Ao morrerem. Os jacarés e os crocodilos não mastigam. O homem está na Terra há apenas dois milhões e meio de anos! 16. Os animais mais abundantes do planeta são os insetos. 18. 1. Já as baleias Jubartes migram da Antártida para as águas quentes do Nordeste brasileiro. sua existência na Terra. os mais novos. A barata é um dos campeões de velocidade do reino animal. Não houve chuvas lá entre os anos 400 e 1971. o que dá a impressão. chega a correr 65 quilômetros por hora. L i v r o 1 Reprodução Proibida. os famosos recifes de corais. 4. em águas quentes e rasas. aproximadamente. 25 vezes por segundo. ainda. O lugar mais seco do mundo é o deserto do Atacama. a elefante fêmea carrega o filhote no ventre por dois anos. que tinge as águas de laranja ou vermelho: são as chamadas Marés Vermelhas. 12. 10. Durante 24 horas após a picada. para darem à luz em águas quentes. 17. o motivo de não devorar o sur- fista por inteiro. 13. 8. 24. capital da França? E a segunda cidade mais verde do mundo é João Pessoa. Esses dados são reconhecidos oficialmente pela ONU. A análise dos anéis de crescimento para o estabelecimento da idade de um bristlecone. algumas borboletas do hemisfério Norte voam mais de 3. os mais externos. Calcula-se em acima de 3 milhões o número de espécies. das quais cerca de um milhão já foram catalogadas. litoral do Rio Grande do Norte. quando se vê encurralado. 19. onde se prendem a uma glândula mamária até que se desenvolvam e tenham condições de enfrentar o meio. durante a estação seca. no Chile. produz em seus tentáculos um veneno potente. considerando-se o seu tamanho – proporcionalmente. A medusa irukandji. indicou 9. responsáveis pela produção de 90% do oxigênio atmosférico. Você sabia que a cidade mais verde do mundo é Paris. Órgãos arrancados de surfistas incautos na praia da Boa Viagem. em Pernambuco. Ele se assusta até com uma simples borboleta. 15 milhões de anos. Pode andar de 200 a 270 Km por dia. Art. existe uma espécie de escorpião cuja picada causa espasmos semelhantes a choques elétricos. 23. O peixe elétrico mais potente é a enguia elétrica ou poraquê (Electrophorus electricus). quando se formam anéis mais largos e claros. então. 9. que lhe darão uma noção da diversidade do que chamamos de “seres vivos”. Algumas espécies de ostras perlíferas.b i o l o g i a cOmO sãO Os seres vivOs? Chamamos de seres vivos o conjunto muito diversificado de estruturas encontradas em quase toda a extensão da superfície terrestre. mas. tendo apenas o tamanho de um amendoim. sendo este. Apenas arrancam a carne das presas aos pedaços e os engolem por inteiro. 22. 21. Embora as algas sejam basicamente organismos unicelulares microscópicos. o tubarão larga a presa e desaparece. Pode percorrer um metro por segundo. Ele. simplesmente esconde a cabeça em um buraco na terra. típicos do Nordeste brasileiro. São folívoros. A harpia é uma ave de rapina que paira a centenas de metros de altura e campeã em vôo de mergulho. As preguiças não bebem água.000 anos. O maior cajueiro do mundo encontra-se na praia de Pirangi. de tratar-se de uma tartaruga. dotados de pigmentos alaranjados ou avermelhados e que eventualmente proliferam rapidamente. pinheiro dos EUA. formando. a cidade mais verde das Américas. como se tivesse enfiado os dedos em uma tomada de 220 volts. pressentem sua morte e. 14. medem apenas 1cm e ficam na bolsa da mãe por 70 dias. até que o estômago tenha conseguido digerir a refeição. portanto. As girafas e os ratos podem viver sem água mais tempo que o camelo. então. capaz de desviar o rumo. foram encontrados após ataques em pontos diversos do litoral de Recife. e que produzem uma secreção calcária com função de esqueleto de sustentação. É provável que elas precisem ingerir folhas de mais de uma espécie de árvore para satisfazer plenamente as suas necessidades nutricionais. para um homem equivaleria a correr 150 quilômetros por hora. pertencente ao mesmo filo dos corais. estes esqueletos servem de base sobre a qual se apóiam as gerações seguintes. Alguns tubarões têm uma gestação de nove meses. é uma espécie de “vespa do mar”. Os corais são organismos que vivem sempre em colônias.

610 de 19 de fevereiro de 1998.v e s t i b u l a r 1 Associe as figuras a seguir aos itens do texto. . 184 do código Penal e Lei 9. 12 130 L i v r o 1 Reprodução Proibida. Art. enumerando-as de acordo com o número dos itens do texto.c u r s o AtividAdes p r é .

• Organização celular. os átomos estão agrupados em compostos relativamente simples. sendo capaz. bem como para seu desenvolvimento. vários sais e gases e os cristais de rocha. açúcares. e assim por diante. todos os átomos de hidrogênio têm um próton em seu núcleo (número atômico 1). Assim. A molécula da água. gorduras. obrigatoriamente. além de substâncias inorgânicas. As bactérias. de se nutrir. Muito pequena – possui. • Composição química muito complexa. Órgãos com funções semelhantes se organizam em sistemas ou aparelhos. A matéria viva apresenta composição química mais complexa do que a matéria bruta: enquanto um grão de areia é formado apenas por um tipo de substância – a sílica –. A célula é a unidade fundamental dos seres vivos. cOmPOsiçãO química Toda matéria existente no universo é feita de átomos. L i v r o 1 1 Releia os itens da aula anterior e associe cada uma das propriedades aqui enunciadas aos itens mencionados anteriormente. e partículas sem carga elétrica. sais minerais e inúmeras substâncias orgânicas. mas com um conjunto de características em comum e que não ocorrem na matéria bruta. aproximadamente. O número atômico explica as diferentes propriedades físicas e químicas de cada átomo. • Capacidade de reações a estímulos do ambiente. por exemplo. apesar de ser bem menor do que um grão de areia. todos os átomos de carbono têm seis prótons (número atômico 6). os prótons. Como o número de prótons é igual ao número de elétrons. Na matéria bruta. A planta Mimosa pudica reage ao toque recolhendo os folíolos. Esse conjunto de características depende do controle interno exercido pelo material genético. formando a célula. como os de oxigênio. como a água. As substâncias orgânicas são formadas por átomos de carbono que se unem. Art. mas a maioria é pluricelular. nitrogênio e. a centésima parte de um milímetro –. AtividAdes Organização celular Nos seres vivos. por exemplo. nos seres pluricelulares. crescer e reproduzir. independentemente dos fatores externos. As células semelhantes. encontramos os elétrons. Nos seres vivos. os protozoários e alguns outros tipos de seres vivos são unicelulares. originando descendentes semelhantes. se reúnem com o mesmo tipo de função. • Capacidade de nutrição. como proteínas. contém mais ou menos 60 trilhões de células. por meio do processo de evolução. de hidrogênio.b i o l o g i a as car acterísticas dOs seres vivOs Os seres vivos constituem um grupo extraordinariamente heterogêneo e diversificado. absorvendo matéria e energia do ambiente para manter suas funções vitais. os carboidratos e os ácidos nucléicos. uma bactéria. desenvolvendo adaptações adequadas à sobrevivência. A principal diferença entre dois átomos está no número de prótons. que determina as semelhanças e as diferenças entre os seres vivos que habitam com exclusividade o nosso planeta Terra. O conjunto de sistemas forma um organismo. Os átomos se ligam uns aos outros e formam as moléculas. como também o fazem os itens 14 e 16 2 Como você explicaria a causa da diferença entre o cajueiro de Pirangi e o pinheiro dos EUA? 131 . Reprodução Proibida. os lipídeos. O cachorro reage aos estímulos com agressividade ou submissão. entre outras. • Capacidade de modificar-se ao longo do tempo. formando as substâncias inorgânicas (também chamadas substâncias minerais). Esse número é chamado número atômico e identifica cada tipo de átomo. constituído por moléculas de ácido nucléico.610 de 19 de fevereiro de 1998. O corpo humano. No centro do átomo há partículas com carga elétrica positiva. presente apenas nos seres vivos e produzida em cada uma das células. • Capacidade de crescimento e reprodução. Tecidos semelhantes formam um órgão. É esta substância. as moléculas que constituem a matéria viva estão organizadas em estruturas muito complexas chamadas células. uma enorme quantidade de moléculas inorgânicas e orgânicas se reúne. Exemplo: O item 24 refere-se à capacidade de reações ao meio ambiente. com a presença de moléculas orgânicas exclusivas dos seres vivos. o átomo é eletricamente neutro. Células – tecidos – órgãos – sistemas – organismos. isto é. A força que mantém os átomos unidos é chamada ligação química. é formada por dois átomos de hidrogênio ligados a um átomo de oxigênio. só pode ser vista pelo microscópio. como as proteínas. ácidos nucléicos. os nêutrons. podendo formar longas cadeias contendo outros átomos. mais particularmente do ácido desoxirribonucléico ou DNA. como calor e frio. Estas propriedades constituem as características gerais dos seres vivos. formando um tecido. por exemplo. encontramos substâncias orgânicas. 184 do código Penal e Lei 9. Girando com rapidez ao redor dessa região central. com carga elétrica negativa. possui água. • Capacidade de manter seu meio interno em condições adequadas.

num processo chamado quimiossíntese. pelo crescimento do caule em direção à luz ou pelo crescimento das raízes em direção ao solo. utilizando. o solo e a temperatura – e esses fatores também influem na comunidade. como elemento principal. água e sais minerais. . chama-se irritabilidade. há dois processos de nutrição: Nutrição autotrófica (auto = próprio. Nutrição heterotrófica (hetero = diferente): sensibiLidade e HOmeOstase Reações a estímulos do ambiente Todos os seres vivos são capazes de reagir a estímulos ou modificações do ambiente. os percam . por exemplo. responsável pela coordenação entre diferentes partes do corpo e pela integração do organismo com o ambiente. garantindo que algumas substâncias recebam elétrons e outras. Sabemos que os seres vivos interagem com o ambiente. E a soma de todos os ecossistemas do planeta forma a biosfera. substâncias químicas. na fermentação alcoólica. que funciona como um reagente responsável pelo transporte de elétrons. por exemplo. No processo de respiração anaeróbica. Uma vez iniciadas essas reações. radiações. Esses seres precisam ingerir moléculas orgânicas prontas. para tal. chamado fotossíntese. como o gás carbônico. Organismos da mesma espécie agrupam-se numa determinada região. Rodrigo de Freitas Nas reações químicas de decomposição envolvidas com a produção de energia para a célula está o oxigênio. Algumas bactérias usam energia química proveniente de outras reações inorgânicas para fazer a síntese de suas moléculas orgânicas. a medula e os nervos formam o sistema nervoso. O rendimento energético para a célula também é bem menor. Na quimiossíntese não há liberação de oxigênio para o meio. o oxigênio. citamos a luz. também chamado de fermentação. Respiração aeróbica: A respiração aeróbica celular tem como objetivo principal produzir energia a partir da decomposição de carboidratos e gorduras. Basicamente. os protozoários. devido à poluição. formando uma população. Os seres vivOs e O metabOLismO Nutrição Autotrófica e Heterotrófica Nutrição é o conjunto de processos que garante ao ser vivo o suprimento de todas as substâncias necessárias ao seu metabolismo. não ocorre degradação total da glicose a dióxido de carbono e água. ao fazê-lo. o organismo é capaz de produzir todas as moléculas orgânicas do seu corpo a partir de substâncias inorgânicas que retira do ambiente. Os animais. Todos os seres vivos possuem irritabilidade. Esse fenômeno. Entre os estímulos do meio ambiente. ou o álcool. na fermentação lática. mas que ainda encerram parte de energia. retiradas de vegetais. Realizada apenas pelas plantas. a energia liberada é imediatamente armazenada em moléculas contendo. Todas as células são capazes de desmontar a molécula de glicose. São os vários processos de nutrição dos diferentes organismos das diferentes espécies que explicam e justificam as relações ecológicas entre eles. A produção de ATP na presença de oxigênio denomina-se fosforilação oxidativa. como uma floresta. produz substâncias orgânicas para o organismo e libera oxigênio na atmosfera. por exemplo. fatores físicos e fatores químicos é chamado de ecossistema. pois o oxigênio não é o aceptor final do hidrogênio. cada molécula rende apenas 2 ATP. o conjunto de células nervosas forma o tecido nervoso. de outros heterótrofos ou de seus produtos. Ao invés das 38 moléculas de ATP produzidas na degradação total de uma molécula de glicose pelo processo aeróbico.v e s t i b u l a r muladas. fecundam a planta. pressão hidrostática. A comunidade influi nos fatores físicos e químicos do ambiente – como chuva. Mas a organização dos seres vivos não termina com a formação de um organismo. os fungos e a maioria das bactérias não são capazes de realizar fotossíntese. Ex: as abelhas se alimentam de néctar e pólen e. 184 do código Penal e Lei 9.A fosforilação oxidativa é responsável pela produção de 90% do ATP dos organismos aeróbicos. Nesta modalidade. uma floresta. inclusive com os outros seres vivos. Neste caso. formando uma comunidade.610 de 19 de fevereiro de 1998. São as famosas moléculas de ATP. as reações aos estímulos costumam ser mais lentas do que nos animais. Mortandade de peixes. A população mantém relações com populações de outras espécies que habitam o mesmo local. som. formamse moléculas mais simples do que a glicose. na fermentação da glicose. modificando seu funcionamento. As substâncias produzidas como subprodutos da degradação parcial da glicose podem ser principalmente o ácido lático. O conjunto constituído por seres vivos. de algas. mas podem fazê-lo de duas maneiras diferentes. como as mitocôndrias. Uma comunidade representa o conjunto de todas as espécies vivas que habitam determinado ambiente. trofo = alimento) Respiração anaeróbica A respiração anaeróbica ocorre nas células ou nos organismos que vivem em baixa concentração de oxigênio e que são desprovidas de organelas respiratórias próprias. algas e por certas bactérias. O organismo vegetal usa a energia do Sol.c u r s o p r é . pressão atmosférica. na lagoa Ocorre as mitocôndrias. Esse fenômeno de irritabilidade nos vegetais é chamado tropismo. Nos vegetais. Art. No corpo humano. Respiração aeróbica ou anaeróbica Respiração celular é o processo da quebra da molécula de glicose para a obtenção da energia para as atividades vitais nela acu- 132 L i v r o 1 Reprodução Proibida. O encéfalo. que é absorvida pela clorofila. Esta capacidade de reagir a mudanças do meio. calor. o fósforo.

Esse fechamento se deve à diminuição na pressão da água existente numa dilatação na base das folhas.610 de 19 de fevereiro de 1998. excessivamente quente ou muito frio ou demasiadamente ácido. Sensibilidade é a capacidade de reagir de diferentes formas aos estímulos ambientais. Nos vegetais. a reação pode ser mais rápida: um simples contato externo provoca o fechamento das folhas em segundos. Isto aumenta o volume de sangue na superfície do corpo e uma perda de calor mais rápida. A homeostase é importante para a manutenção da vida. por exemplo. por outro. L i v r o 1 133 . da qual a hereditariedade depende. O cérebro também promove a dilatação dos vasos sangüíneos da pele. Esse fechamento se deve à diminuição na pressão da água existente numa dilatação na base das folhas. O organismo dos seres vivos trabalha de acordo com as ordens do DNA. Em algumas plantas. foi produzido por este processo. participa do processo de perpetuação da espécie. As formas que os seres vivos têm de reagir ao ambiente são denominadas adaptativas. que capturam pequenos animais e recebem o nome de tactismos. Todos os seres vivos têm irritabilidade. é a sua capacidade de se duplicar. Mecanismos semelhantes ocorrem com plantas carnívoras. Reprodução Proibida. O meio ambiente também é importante. mas só os animais possuem sensibilidade. O DNA se localiza em filamentos chamados cromossomos. são formas que contribuem para a sobrevivência ou a reprodução da espécie. É o material genético que se recebe e se transmite. perdemos calor. O ser vivo não muda drasticamente sua composição química e suas características físicas. como a sensitiva ou dormideira. Em algumas plantas. as reações químicas podem parar e o indivíduo morre. isto é. As formas que os seres vivos têm de reagir ao ambiente são denominadas adaptativas. Se a temperatura do corpo começa a aumentar muito. Hereditariedade é o fenômeno que assegura as semelhanças entre indivíduos da mesma espécie e a diferença entre uma espécie e outra. Assim. a rePrOduçãO e a Hereditariedade Reprodução e hereditariedade Todo ser vivo justifica a sua existência na biosfera por meio da reprodução: por um lado.b i o l o g i a Homeostase A propriedade do ser vivo de manter relativamente constante seu meio interno é chamada homeostase. isto é. por meio da reprodução. no interior das células. Esse fenômeno de irritabilidade nos vegetais é chamado tropismo. ela pode ser assexuada ou sexuada. por exemplo. são formas que contribuem para a sobrevivência ou a reprodução da espécie. Quanto à reprodução. As características de um organismo não dependem apenas do DNA. Os genes contêm as informações responsáveis pelas características do indivíduo. a temperatura. a reação pode ser mais rápida: um simples contato externo provoca o fechamento das folhas em segundos. Os seres vivOs. A estrutura conhecida como gene corresponde a um segmento ou pedaço da molécula de DNA. 184 do código Penal e Lei 9. As características são o resultado de um trabalho conjunto do gene e do meio ambiente. Mecanismos semelhantes ocorrem com plantas carnívoras. mas só os animais possuem sensibilidade. ficando. pelo crescimento do caule em direção à luz ou pelo crescimento das raízes em direção ao solo. que capturam pequenos animais e recebem o nome de tactismos. as reações aos estímulos costumam ser mais lentas do que nos animais. a quantidade de água no organismo e a concentração de diversas substâncias são constantes ao longo da vida das células e são mantidas constantes por meio de processos homeostáticos. Sensibilidade é a capacidade de reagir de diferentes formas aos estímulos ambientais. Todos os seres vivos têm irritabilidade. Quando o suor evapora na superfície da pele. Se o nosso ambiente interno mudar muito. por exemplo. O gene e o Controle das Características Hereditárias A reprodução e a hereditariedade dependem do DNA (ácido desoxirribonucléico). assegurando a continuidade da vida. Art. uma mensagem do cérebro estimula a produção de suor pelas glândulas sudoríparas. formando cópias exatamente iguais. Outra propriedade do DNA. como a sensitiva ou dormideira.

Na maioria dos casos. um novo indivíduo. diferente da original. modificandose este. se esse mecanismo fosse infalível. cresce e origina um novo indivíduo. Organismos autótrofos Organismos heterótrofos Fóssil do Archaeopteryx. apresenta reprodução por brotamento. ela tende a se fixar e disseminar na população. que pode ser causado tanto por uma falha durante a duplicação como pela exposição do organismo à radiatividade ou a certos produtos 1 Os vegetais são organismos que se originaram de seres que. Mas. como podemos observar nessas figuras: a ameba e o paramécio se reproduzem por divisão simples. os nomes são diferentes: o gameta feminino é a oosfera. Já os animais se diferenciaram pelo processo evolutivo de seres primitivos que tinham nutrição heterotrófica. Esses organismos estão representados pelas bactérias. a saber: Mutação o mecanismo de hereditariedade garante que os filhos sejam semelhantes aos pais. Seleção natural Quando a mutação é vantajosa. principalmente árvores. principalmente nos unicelulares. os músculos e o sistema nervoso e sensorial são adaptações que facilitam o deslocamento do animal em busca de alimento e de parceiro para a reprodução. Art. mudam. assim. Reprodução sexuada É o tipo de reprodução realizada pela união de células especializadas. Esse indivíduo possuirá genes da mãe e do pai. e o masculino é o anterozóide. um pedaço do corpo do ser vivo se separa. aquelas. A idéia de seleção natural foi desenvolvida pelo cientista Charles Darwin. tinham nutrição autotrófica. Nessa reprodução.610 de 19 de fevereiro de 1998. possuem as mesmas características.c u r s o Reprodução assexuada p r é . originando novas espécies. pois pouco se diferenciaram das formas ancestrais e nunca chegaram a desenvolver estruturas características de animais ou vegetais. dos mutantes. a produção de gametas está ligada a uma diferença de sexo nos indivíduos adultos: o sexo feminino produz o gameta feminino. AtividAdes 1 Faça uma relação de organismos autótrofos e heterótrofos da aula 1. conseqüentemente. O processo pelo qual o ambiente determina quais os organismos com maior possibilidade de sobrevivência é chamado de seleção natural. assim. O corpo ramificado das plantas. alterando estruturas e metabolismo dos portadores das cópias modificadas. Isto se chama Mutação. forma-se o zigoto ou célula-ovo. A reprodução assexuada é muito comum nos seres mais simples. o sexo masculino produz o gameta masculino. Nos vegetais. a hidra. suas características serão resultado de uma combinação das características paternas e maternas. denominado espermatozóide. fabricadas sobre um molde de DNA. Surge. quando ela é desvantajosa. o DNA produz cópias com erro. uma molécula-filha. às vezes. as espécies não se modificariam ao longo do tempo. Na reprodução assexuada. Adaptações de animais e plantas Reprodução Proibida. O corpo compacto. Evolução É o processo pelo qual os seres vivos se transformam ao longo do tempo.v e s t i b u l a r químicos. continua rara e pode desaparecer. verdadeiros clones. Existe um grande número de espécies que não podem ser classificadas como animais ou vegetais. os descendentes recebem cópias iguais do DNA do indivíduo original e. pelos protistas e por alguns fungos. Isso acontece porque. estágio de transição entre réptil e ave 13 L i v r o . com a grande superfície de folhas funcionando como coletoras de energia solar. Mas. Quando ocorre a fecundação – união do espermatozóide com o óvulo –. Uma vez que todo o controle celular é exercido por proteínas especiais. As espécies hoje existentes são resultantes de espécies que existiram no passado e que sofreram transformações. são idênticos. também. A evolução depende essencialmente de alguns fatores. no passado. 184 do código Penal e Lei 9. um pequeno animal aquático. os gametas. O zigoto se divide várias vezes formando. é uma adaptação ao modo autotrófico de vida. chamado óvulo.

610 de 19 de fevereiro de 1998. entre outros. Em 1674. Essa casca nada mais é do que o material que denominamos cortiça. Em 1831. a confirmação da existência de um núcleo deu-se somente um século mais tarde. No entanto. A partir de então. deixou de ser vista como um espaço vazio. quando se descasca cebola. composta de inúmeros compartimentos vazios unidos. passando a ser considerada uma massa de protoplasma. O que isto significa? 11 Qual a relação entre gene e DNA? 12 Por que existem plantas e animais num ecossistema? 13 Como estão organizados os seres vivos do átomo ao organismo? 14 Explique os diferentes tipos de reprodução dos seres vivos. o lacrimejamento dos olhos. como unidade viva. Utilizando um microscópio muito rudimentar. Observações semelhantes às de Hooke foram feitas. associados aos trabalhos publicados em 1838 por Mathias Schleiden e em 1839 por Theodor Schwann. limitada por membrana e dotada de núL i v r o 1 a céLuLa Em 1665. como. Contendo 37 ilustrações feitas com cobre. muitas vezes evidenciado por uma estrutura esférica em seu interior. diminutivo de cella que significa “espaço vazio”. a germinação da semente após a chuva. Havia. que característica dos seres vivos representam? 8 Como se explica resumidamente o câncer de pulmão no fumante? 9 Como as células usam o alimento? 10 Algumas bactérias. Esses estudos. em dia de calor. animais ou vegetais. para denominar estas estruturas. explique suas adaptações como planta. Robert Brown confirmava a presença dessa estrutura também em células animais. o cientista inglês Robert Hooke publicou um trabalho intitulado Micrografia. nelas. a partir de amostras de outros vegetais. Segundo ela. cujo nome científico é Quercus suber. Leeuwenhöek. que exigiam o uso do latim nos relatórios. a célula. Hooke obteve imagens de uma estrutura semelhante a favos de mel. 3 Explique a maneira com que o suor ajuda a manter a temperatura do corpo. são anaeróbicas. Metabolismo Conjunto de atividades químicas das células Estruturas Substâncias Tipos de celulares principais metabolismo responsáveis responsáveis de cortes feitos a partir da casca de uma árvore vulgarmente conhecida como sobreiro. Art. 184 do código Penal e Lei 9. 6 O que vem a ser um fóssil? Qual o seu significado no estudo da Biologia? 7 A sudorese. Em função do que observou e seguindo as normas científicas da época. observando uma outra classe de células. aponte as adaptações que apresenta na vida animal. posteriormente.b i o l o g i a 2 Preencha a tabela com dados referentes ao Metabolismo. certo padrão de organização. todos o seres vivos. 5 Observando as características do mandacaru. o trabalho relatava. notou que elas não eram exatamente vazias. o cientista empregou o termo cellula. o bacilo do tétano. estudos microscópios sobre observações 135 . são constituídos por unidades vivas chamadas células. por Grew e Malpighi. 4 Observando as características de um camelo. graças a estudos realizados por Fontana com células vegetais. por exemplo. Reprodução Proibida. contribuíram para que se estabelecesse o que ficou conhecido como Teoria Celular.

e a décima milionésima parte do mm. preferencialmente. Apesar de todas essas evidências. pois aumenta a imagem em aproximadamente até 20. Por exemplo. concluíram que todos os seres vivos são constituídos por células. Os corantes podem ser vitais quando preservam a integridade das células. lâminas com colorações histológicas e histoquímicas.c u r s o p r é . que corresponde à milésima parte do milímetro: 1micrômetro = 0. no estudo das estruturas e processos celulares sob as microscopias óticas (MO) e eletrônica (ME). e) se apenas a afirmação III for correta. isto é. __________________e ____________________. é denominada ultra-estrutura celular. que constitui um grande avanço para a Biologia. 13 L i v r o 1 Reprodução Proibida.000001 mm. porque suas dimensões são muito pequenas. o microscópio eletrônico (M. habitualmente observada ao ME. estes estudos utilizam. 2 A Teoria Celular. III. Estruturas menores ainda são medidas em Angström. Para estruturas observadas apenas ao ME.001 µm. Basicamente. d) se apenas as afirmações II e III forem corretas. As propriedades de um organismo dependem das atividades e características de suas células. µm. são constituídos por células.00 vezes. afirma que: I.). As unidades de medida atualmente usadas em biologia celular e em histologia são as seguintes: AtividAdes 1 Escolha. ou 0. citoplasma e núcleo.610 de 19 de fevereiro de 1998. através de observações de estruturas de muitas plantas e animais.001 mm. c) se apenas a afirmação II for correta. usa-se. toda a atividade ocorre no interior das células dos órgãos e sistemas envolvidos. não podem ser vistas a olho nu. geralmente. um aparelho chamado microscópio ótico para se ampliar a imagem da célula ou do tecido e visualizá-los. As células são as unidades morfológicas e fisiológicas. normalmente. Todas as células são constituídas por membranas. que aumenta a imagem em até 160. A presença do núcleo é essencial para a vida da célula. O Å é a décima parte do nm. A unidade de medida usada em citologia para expressar o tamanho da célula e de suas estruturas maiores é o micrômetro. As células originam-se de outras células e a continuidade é assegurada e mediada pelo material genético. Para a observação das estruturas internas da célula.001 µm (milésima parte do micrômetro) cleo. O espaço existente entre a membrana e o núcleo seria preenchido pelo citoplasma.E. permitindo o reconhecimento da célula como um componente dinâmico e participante do metabolismo corporal. e telas de cobre contrastadas por metais pesados. crescer e multiplicar-se. Cada uma delas é capaz de sintetizar seus componentes. estruturais e funcionais.v e s t i b u l a r Unidade de medida Micrômetro Nanômetro Símbolo µm nm Valor 0. As células. Usa-se. logicamente com muito mais detalhes. adota-se o nanômetro. Assinale: a) se apenas a afirmação I for correta. II. desde os unicelulares até os pluricelulares. entre os seguintes nomes próprios.. portanto a décima milésima parte do µm. As células podem ser observadas em cortes vivos. como ferramentas. A Teoria Celular Moderna considera que a menor unidade de vida é a célula. principalmente. de todos os organismos vivos. o termo “célula” foi mantido e continua em uso até os dias de hoje.001mm (milésima parte do milímetro) 0. . quando um atleta está correndo. 184 do código Penal e Lei 9. em 1838 e 1839. Art. Todos os seres vivos. os que preenchem corretamente as lacunas: Hooke – Weismann – Schwann – Malpighi – Virchow Schleiden – Angström A descoberta da célula foi feita em 1665 por __________________. Os conhecimentos de biologia celular e de histologia (dos tecidos) baseiam-se. para o estudo ao MO. a milésima parte do micrômetro ou a milionésima parte do milímetro: 1nm = 0. b) se as afirmações I e II forem corretas. A estrutura da célula. fixados pelo formol ou pelo álcool ou corados por corantes que evidenciam suas estruturas internas. para o estudo à ME.000 vezes.

000 30. Como a membrana representa a barreira entre o conteúdo celular e o meio externo.b i o l o g i a 3 Qual a origem do nome da “célula”? Seria ele o nome mais adequado para designar a unidade da vida tal qual ela é conhecida atualmente? 4 Na observação de células. Trata-se de uma película bastante delgada. propôs que a membrana plasmática seria composta por uma camada lipídica Além de proteger. Os primeiros dados a respeito da composição química da membrana plasmática foram obtidos por volta de 1902. Nosso estudo da célula começa pela estrutura que delimita o conteúdo celular separando-o do meio externo: a membrana plasmática.00 3. baseando-se nas informações anteriores e em diversas propriedades da membrana plasmática. nanômetros e angströms existem em 3 milímetros. ele não acontece aleatoriamente.000 300 dupla. nanômetros 3. permeável que separa dois meios de concentrações distintas: A B A B Esquema de parede celular L i v r o 1 13 . O que é um corante vital? 5 Assinale corretamente a alternativa que indica quantos micrômetros. Art. cuja espessura varia de 6nm a 10nm. logos. a água pode entrar na célula e sair dela através da membrana. O modelo mais aceito atualmente considera a membrana plasmática sendo formada por uma camada lipídica dupla.000 angströms 3.000 3. a membrana plasmática só pode ser vista ao microscópio eletrônico. é comum utilizarmos corantes vitais como o azul-de-metileno.000 3. “célula”.000 30.000. Osmose a membr ana PLasmática e a Parede ceLuLar O ramo da Biologia que se dedica ao estudo da célula é a citologia (do grego Kytos.610 de 19 de fevereiro de 1998. Observe atentamente as figuras que representam o movimento da água através de uma película semi. “tratados”) Célula é a menor unidade viva capaz de manifestar as propriedades de um ser vivo: ela sintetiza seus próprios componentes. Isso se deve à permeabilidade que ela apresenta.000 3. Overton concluiu que a facilidade de penetração estaria relacionada com uma afinidade química entre ela e as substâncias que a atravessavam.000 30. 184 do código Penal e Lei 9. plasmalema ou simplesmente membrana celular. glicolipídios e colesterol e atravessada por várias classes de proteínas. o progresso das técnicas para análise química e estudos de biofísica levaram à proposição de novos modelos para a estrutura da membrana. Davson e Danielli. quando Overton observou que as substâncias lipossolúveis penetram na célula mais facilmente do que as hidrossolúveis. mas na dependência de certas condições. O aprimoramento do microscópio eletrônico. a membrana plasmática controla a entrada e a saída de substâncias da célula. Assim. A célula é a sede das atividades químicas do organismo. Com dimensões tão reduzidas. No entanto.000 Reprodução Proibida. constituída por fosfolipídios.000. Mais tarde.000. Por meio da osmose. propuseram que ela deveria estar organizada em uma estrutura “em sanduíche” e que a dupla camada lipídica estaria revestida por proteínas em ambas as superfícies. cresce e se multiplica. micrômetros 3 3. “estudos”. O movimento da água através da membrana plasmática é chamado osmose. entre elas as glicoproteínas.

Também é realizada por certos glóbulos brancos do sangue como função de defesa contra partículas ou seres estranhos ao organismo. a água do mar é mais concentrada. por exemplo. Difusão simples O transporte de solutos através da membrana plasmática pode ocorrer por difusão. fenômeno que tem participação da água. dizemos que água e os sais são responsáveis pela manutenção do equilíbrio osmótico da célula. . Após certo tempo. É esse movimento da água. Quando o material a ser incorporado à célula são substâncias solúveis como. Nesses casos.c u r s o p r é . dizemos que a membrana celular é dotada de permeabilidade seletiva. simplesmente se dissolvendo na matriz lipídica desta membrana (oxigênio e dióxido de carbono são lipossolúveis). sendo.610 de 19 de fevereiro de 1998. uma gota de cada uma das soluções foi depositada sobre uma lâmina e observada ao microscópio sob aumento de 400 vezes. Isto significa que. A cada um deles foram acrescentadas algumas gotas de sangue. devido a uma energia cinética da própria matéria. a substância passa de um meio a outro (do intracelular para o extracelular ou do extracelular para o intracelular) simplesmente devido ao movimento aleatório e 13 L i v r o 1 Reprodução Proibida. Gases como oxigênio ou dióxido de carbono atravessam a membrana celular com grande facilidade. bastante comum em alguns seres unicelulares. Ex: soro fisiológico e sangue. A membrana plasmática. É importante destacar que ambos os tipos de endocitose ocorrem com dispêndio de energia por parte da célula. Ex. Algumas vezes. as proteínas. podemos concluir que. Diferentemente do processo anterior. possui complexos mecanismos para selecionar as substâncias que a atravessam. ou hipertônica. Os tubos foram agitados cuidadosamente. a solução 4 é isotônica. certas partículas sólidas e determinadas substâncias insolúveis não são capazes de atravessar a membrana plasmática em virtude de suas grandes dimensões. se houver proporcionalmente maior quantidade de substâncias dissolvidas dentro da célula. O englobamento das partículas sólidas é denominado fagocitose e compreende dois estágios: • a adsorção (aderência) da partícula à célula.v e s t i b u l a r contínuo da substância nos líquidos corporais. Art. Neste tipo de transporte. elas podem ser ingeridas por um mecanismo de englobamento chamado genericamente de endocitose (do grego endon. as concentrações tendem a se igualar. as soluções 1. Em relação ao alto mar. conseqüentemente. Como a concentração deles está diretamente relacionada com a osmose. mais concentrada. Nesta forma de transporte não ocorre gasto de energia. ocorre um fenômeno chamado pinocitose. Para responder a essas perguntas. respectivamente. E a célula? o que aconteceria com ela se fosse mergulhada numa solução hipotônica? E se a solução fosse hipertônica? Hipertônico é o meio que contém maior quantidade de substâncias dissolvidas. A fagocitose. a água das baías é hipertônica. Os principais solutos que entram na célula e saem dela por difusão são os íons provenientes dos sais. e a solução 5 é hipertônica. resultante da diferença do gradiente de concentração. Em relação à água dos rios. propriamente dito. em relação aos glóbulos vermelhos. Por esse motivo. do que fora dela. quer num sentido. água de coco e esperma. acompanhe o experimento descrito a seguir. As imagens obtidas foram as seguintes: Endocitose e exocitose A ingestão de partículas e substâncias insolúveis ocorre por fagocitose e pinocitose. a água entra e vice-versa. quer noutro. por evaginação (dobra para fora) da membrana. O movimento da água se dá sempre no sentido da solução menos concentrada para a mais concentrada. Cinco tubos de ensaio receberam soluções de diferentes concentrações. Dizemos que ocorre difusão quando as moléculas se movem livremente do meio de maior concentração para o meio menos concentrado. 2. Baseando-nos nestas informações. já que a maior quantidade de soluto em um dos meios foi compensada por proporcional aumento de solvente. fato que os torna processos ativos. é usada como mecanismo de apreensão e ingestão de alimentos. vírus e partículas de poeira. Nas células. dizemos que são isotônicas. que recebe o nome de osmose. O transporte de substância através da membrana não é decorrente somente de diferenças de concentrações entre os meios intra e extracelular. Quando duas soluções têm a mesma concentração. e 3 são hipertônicas. Eles garantem o equilíbrio necessário entre os meios intra e extracelular e. • o englobamento. portanto. tais como bactérias. na pinocitose há uma invaginação da membrana e posterior englobamento do material. 184 do código Penal e Lei 9. tanto a osmose quanto a difusão são mecanismos de grande importância. como componente de uma estrutura viva. a manutenção da vida. “dentro”). Após 5 minutos.

certo errado 3 De acordo com o conceito moderno de sua ultra-estrutura. “para fora”) ou clasmocitose. só permitindo a passagem de moléculas de fora para dentro da célula e impedindo a passagem em sentido inverso. constante e respectivamente. existe um revestimento externo à membrana plasmática. através da membrana. No entanto. dizemos que são isotônicas. porque permite a livre movimentação de íons e moléculas pequenas. de acordo com o estado funcional da membrana. estas não são privadas de um contato maior quando da constituição dos tecidos vegetais. a parede celular desempenha funções de proteção e suporte mecânico. os citoplasmas de células vegetais adjacentes podem manter-se em permanente contato. Algumas células estabelecem comunicação direta entre si por meio de canais que interligam os citoplasmas adjacentes. Trata-se de uma reação do organismo do receptor. certo errado 4 O que é osmose? 5 Qual a relação existente entre os processos de fagocitose. muito embora pertençam à mesma classe de compostos químicos. que identifica o órgão doado como estranho ou invasor. que é freqüentemente encontrada revestindo a superfície externa da membrana plasmática das células animais.610 de 19 de fevereiro de 1998. é necessário que as células que o compõem possuam um glicocálix de composição o mais semelhante possível ao das células do receptor. pectina ou lignina. com proteínas variando de posição. na verdade. Nesse caso. garantindo cooperação mútua. Ex: soro fisiológico e sangue. Constituída por celulose. fala-se em exocitose (do grego exo. água de coco e esperma. O glicocálix é responsável pelo que poderíamos chamar de identidade celular. são determinadas por transporte ativo. que separa o conteúdo citoplasmático ou meio intracelular do meio ambiente. Apesar da estrutura espessa e resistente que a parede celular confere às células. representando uma verdadeira cooperação em termos metabólicos. Graças aos plasmodesmos. 184 do código Penal e Lei 9. Esta corresponde. íons de potássio e de sódio estão. b) possibilita à célula manter a composição intracelular diferente da do meio ambiente. cujo nome é parede celular. eliminando de seu interior material envolvido por membrana. a água das baias é hipertônica. Art.b i o l o g i a A parede celular Nas células vegetais e também em algumas bactérias. muitas vezes até de mãe. Nas células vegetais. A existência e integridade da membrana é importante porque: a) regula as trocas entre a célula e o meio. c) impede a penetração de substâncias existentes em excesso no meio ambiente. sendo introduzidos e removidos através da membrana plasmática das hemácias. glicídios e vitaminas. Reprodução Proibida. d) torna desnecessário o consumo energético para a captação de metabólitos do meio externo. para evitar que um órgão seja rejeitado. Quando duas soluções têm a mesma concentração. Seu nome: glicocálix. este último reconhecerá o novo órgão como estranho e acionará mecanismos de defesa para combatê-lo. 1 Todas as células possuem uma membrana plasmática ou plasmalema. Assim. a uma identidade molecular. tais como nucleotídeos. 2 O citoplasma das hemácias contém quantidades muito maiores de potássio e menores de sódio do que as do plasma sangüíneo. Do contrário. Mas o que faz com que organismos humanos rejeitem órgãos vindos de outros humanos. A entrada de potássio e a remoção do sódio nessas/dessas células. A membrana plasmática e a identidade celular Certamente você já ouvir falar no risco de rejeição que correm as pessoas que recebem transplantes de órgãos. estas pontes citoplasmáticas denominam-se plasmodesmos. pai ou irmão? A resposta está em uma camada com 10nm a 20nm de espessura. dependendo do ser vivo ao qual a célula pertence. Em relação ao alto mar. A identidade molecular deve-se ao fato de os componentes do glicocálix não serem exatamente iguais em todas as células. Isso proporciona contato muito mais íntimo entre elas. porque as moléculas que a constituem são glicolipídios e glicoproteínas. a membrana plasmática é constituída por: uma camada bimolecular de lipídios. e) impede a saída de água do citoplasma. AtividAdes Clasmocitose A célula pode realizar um processo inverso ao da endocitose (fagocitose e pinocitose). pinocitose e exocitose? L i v r o 1 13 .

não membranosos.v e s t i b u l a r onde foi primeiramente estudado. o RNA ribossômico ou rRNA. • Movimento amebóide. ficou confirmada a existência de um citoesqueleto responsável por funções ligadas à forma. a síntese de lipídios. e ocorrem no citoplasma. 7 Por que se diz que a membrana plasmática é seletivamente permeável? 8 A membrana plasmática de todas as células é igual? Explique. processo conhecido como glicogenólise. é uma solução coloidal composta por água. o hialoplasma apresenta-se no estado gel. Ele seria composto basicamente por dois tipos de estrutura: os microtúbulos e os microfilamentos. Essa característica permite diferenciar o retículo endoplasmático rugoso ou granular do retículo endoplasmático liso ou agranular. e a conversão de glicogênio em glicose. proteínas e diversos íons. A matriz citoplasmática. constitui o citoplasma. Art. exceto o núcleo e seus componentes. O retículo endoplasmático pode ser liso ou rugoso O retículo endoplasmático só foi descoberto e estudado após a invenção do microscópio eletrônico. Além de aderidos ao retículo endoplasmático. Os movimentos celulares devem-se ao microfilamento. O caráter coloidal do hialoplasma permite que ele apareça no estado sol. Qualquer que seja a situação. o retículo endoplasmático pode corresponder à porção mais desenvolvida de todo o sistema de endomembranas. podem aparecer inúmeros grânulos. e no estado gel. formando extensa rede em toda a matriz citoplasmática. De fato. As proteínas que compõem os microfilamentos estendem-se desde a membrana. o retículo endoplasmático e os complexo de Golgi. No nosso organismo. de natureza protêica. Dependendo da função desempenhada pela célula. os ribossomos. Este compreende o envoltório nuclear. constituem os polirribossomos ou simplesmente polissomos. 184 do código Penal e Lei 9. reprodução e armazenamento e secreção de compostos orgânicos – estão inter-relacionadas. à sustentação e ao movimento das células. p r é . Todas as funções – como a produção de energia. 10 L i v r o 1 . essas projeções também podem estar envolvidas com o mecanismo de fagocitose. No retículo endoplasmático liso também ocorrem mecanismos bioquímicos extremamente importantes para a vida. Entre esses se distinguem dois tipos: • Corrente citoplasmática ou ciclose. produzido no nucléolo. ou endoplasma. Sua estrutura é como uma extensa rede de túbulos membranosos que aparece em toda célula. e a matriz citoplasmática. todo o conjunto de túbulos que compõe os retículos endoplasmáticos liso e rugoso contribui. São corpúsculos esféricos. compostos por proteínas e um tipo especial de RNA. também denominada citoplasma fundamental ou hialoplasma. bem como ao organismo. em sua porção mais externa. Os ribossomos fabricam as proteínas e estão presentes em todas as células. juntamente com os microtúbulos e microfilamentos. mais viscoso. Caracteriza-se por alteração do “formato celular” mediante a emissão de expansões ou projeções citoplasmáticas temporárias denominada pseudópodes. Nele distinguem-se duas partes: o sistema de endomembranas. As ligações estabelecidas entre essas proteínas são de caráter reversível. sendo essenciais à própria célula. 9 Por que pessoas que recebem órgãos podem sofrer com a rejeição deles? O citOPLasma ceLuLar Todo o conteúdo celular. Além de permitir o deslocamento da célula. O sistema de endomembranas compreende o envoltório nuclear. na qual estão mergulhadas todas as estruturas e organelas celulares. formação de proteínas e lipídeos. ou no ectoplasma. composto por uma rede de canais que divide o espaço citoplasmático em vários compartimentos e subcompartimentos.c u r s o 6 Explique endocitose. para o suporte mecânico da célula. Movimento de todo o citoplasma. mais facilmente observado em células vegetais – isso porque o citoplasma dessas células confina-se numa pequena região bem próxima à parede celular. O movimento amebóide recebe este nome por ser aquele que permite o deslocamento e a ingestão de alimento pelas amebas. o retículo endoplasmático e os sistema de Golgi. Entre eles destacam-se a transformação de substâncias tóxicas em inócuas. principalmente os macrófagos realizam ativamente o movimento amebóide. No entanto.610 de 19 de fevereiro de 1998. o colóide não é suficiente para manter a forma das células. No citoplasma são distintas duas partes: o hialoplasma e o sistema de endomembranas. enquanto a região mais interna. mais fluido. Ao longo da face citoplasmática. Com a microscopia eletrônica. os “falsos pés”. Quando agrupados. os ribossomos também podem ser encontrados isolados ou agrupados no hialoplasma. encontra-se no estado sol. com diâmetro aproximado de 150 A. isso permite à célula realizar determinados movimentos. o papel dos ribossomos é sintetizar proteínas Reprodução Proibida. Além disso.

foi visto. Por quê? 11 . O sistema golgiense faz o endereçamento das substâncias produzidas pelo retículo endoplasmático. Os lisossomos foram descobertos com os estudos das enzimas hidrolíticas em células de fígado. Situado entre o retículo endoplasmático e a membrana celular. Cada pilha recebe o nome de dictiossomo e é constituída por quatro ou cinco sáculos achatados. Dessa forma. os vacúolos. É passagem obrigatória para as substâncias produzidas em outros locais da célula e que podem ou não ser transformadas em seu interior.b i o l o g i a O sistema de Golgi. onde liberam suas enzimas. Caso contrário. AtividAdes Os lisossomos têm como função a digestão intracelular O material a ser digerido pode entrar na célula por duas vias. De que tipo de RNA se trata? Que estruturas citoplasmáticas estão a cargo do nucléolo? 3 De que forma os ribossomos podem ser encontrados no interior da célula? 4 Numa célula de glândula salivar. em conjunto. então. a fagocitose e a pinocitose. 5 Quais as funções principais que ocorrem dentro do citoplasma? 6 Uma das características dos mamíferos é a de possuir glândulas mamárias. Esta secreção se processa no interior das células que compõem o tecido secretor dessas glândulas. aparelho ou complexo. 2 No núcleo da célula. Este processo é denominado de clasmocitose ou excocitose. alguns cromossomos apresentam duas constrições. Já as moléculas não digeridas ficam acumuladas nesta organela. bem como a digestão das próprias organelas celulares quando da necessidade de sua renovação. Atualmente estão descritas cinqüenta enzimas hidrolíticas diferentes. esses lisossomos se fundem aos vacúolos de fagocitose ou pinocitose. que estão cheios de hidrolases ácidas. o sistema de Golgi ocupa uma posição estratégica. agora recebendo o nome de vacúolos digestivos ou lisossomos secundários. O corpo residual caminha em direção à membrana plasmática. principalmente as que irão para fora da célula. não haveria como garantir a estabilidade da matéria viva. Isso porque as enzimas se acham confinadas no interior deles.5nm. as células não sofrem a ação das enzimas contidas nos lisossomos. pode ser classificado em liso ou rugoso. que irá compor o nucléolo. Concomitantemente a estes dois processos. Os lisossomos estão presentes em todas as células animais. a qual. o sistema de Golgi é um componente diferenciado do sistema de endomembranas. enzimas lisossômicas fabricadas nos ribossomos serão enviadas para o retículo endoplasmático e deste empacotadas nas vesículas do sistema de Golgi. Que critério é utilizado para essa classificação? Explique. As moléculas digeridas passam. dispostos paralelamente e separados entre si por um espaço. Em algumas células vegetais. fundindo-se a esta e eliminando os resíduos no meio externo. 184 do código Penal e Lei 9. apresenta duas faces. Posteriormente. No entanto. geralmente. mais de meio século depois. uma das quais está encarregada de sintetizar um tipo especial de RNA. por sua vez. pela primeira vez. para o citoplasma através da membrana do lisossomo secundário. fenômeno conhecido como secreção. Reprodução Proibida. localizado entre o retículo endoplasmático e a membrana celular. também denominado sistema golgiense. Normalmente. L i v r o 1 1 Na matriz citoplasmática está presente uma extensa rede de endomembranas que. com algumas exceções. as células se “desmanchariam” pela ação lisossômica. os detalhes dessa estrutura só foram observados após a invenção do microscópio eletrônico. a quantidade de ribossomos é muito maior do que numa célula do epitélio de revestimento. Qual a estrutura celular responsável por esta secreção? Explique-a. e sua origem pode estar relacionada com a formação de vesículas do sistema de Golgi. esse imenso conjunto de cisternas desempenha importante papel na transformação e no transporte de substâncias.610 de 19 de fevereiro de 1998. Como essas reações só ocorrem em presença de água. compõe o chamado retículo endoplasmático. responsáveis pela secreção de leite a partir do nascimento de um filhote. Entenda-se daí a digestão de partículas fagocitadas e pinocitadas pela própria célula. agora. tais enzimas são denominadas enzimas hidrolíticas. Este. recebe o nome de corpo residual. Art. Enzimas hidrolíticas são enzimas responsáveis pela decomposição de substâncias biológicas. Cada dictiossomo. o sistema de Golgi revela-se composto por várias pilhas. Presente tanto em células animais quanto vegetais. como as hemácias de mamíferos. podem ser identificados como lisossomos. Os LisOssOmOs A autodestruição de células e tecidos e a conservação dos alimentos Os lisossomos são as organelas responsáveis pela digestão intracelular. Constatou-se que essas enzimas estariam empacotadas numa membrana. uma convexa e outra côncava. o leite. em 1898. A saliva. as quais se destacam para formar os lisossomos primários. a lágrima e a insulina são exemplos típicos de secreções. que já estão no interior da célula. o que impede o seu contato com o restante da célula. Ao microscópio eletrônico. Os lisossomos tem um tamanho médio de 0.

isto é. É esta substância. Logo após o parto. nem sempre o núcleo é único. Art. digere-as usando os lisossomos e permitindo o reaproveitamento das substâncias que as compunham. é o núcleo o depositário deste material genético. 2 Quando congelamos a carne. Geralmente esférico e central. Isso causa prejuízos sérios e irreversíveis à atividade respiratória do individuo. fazendo-o voltar ao normal. o útero humano tem cerca de 2kg de massa. células mononucleadas. sendo fagocitadas. situação em que a célula necessita renovar as organelas mais velhas e inativas. volta-se aos 50g originais! Ao germinar. que identifica a célula ou o indivíduo. Essa regressão é resultado da gradativa autofagia das células que compõem a cauda por ação das enzimas lisossômicas. 12 L i v r o 1 Reprodução Proibida. cadáveres “desaparecem” rapidamente sob a ação dos fungos decompositores. partículas de sílica inaladas. 1 Os fungos fazem digestão extracelular. comum entre trabalhadores de indústrias de cerâmicas. verdadeiras agulhinhas. agora excedentes. Graças à ação lisossômica. pode ocorrer quando o organismo fica privado de alimento. porém. portanto sobre o substrato do qual se nutrem.610 de 19 de fevereiro de 1998. presente apenas nos seres vivos e produzida em cada uma das células. Nesses casos. o derramamento do conteúdo lisossômico nas células provoca uma dolorosa inflamação chamada artrite reumatóide. como as do fígado. a cauda regride durante o processo de transformação pelo qual passam esses animais para habitar o ambiente terrestre. a ação enzimática do conteúdo lisossômico é indispensável ao seu ciclo vital. determinadas células. grande parte das células. constituído por moléculas de ácido nucléico. não há por que temê-los. a semente é a única fonte de alimento para o pequeno vegetal. O núcLeO cOOrdena tOdas as atividades químicas da céLuLa O conjunto de características. por exemplo. Percebe-se pois. Tente explicar por que frutas. Distinguimos. não podendo ser recongelado? Explique. Convertendo-as em produtos assimiláveis. depositam-se nos alvéolos pulmonares. cuja composição e estrutura são semelhantes às da membrana plasmática. que são as larvas dos sapos e das rãs. O núcleo das células é delimitado pelo envoltório nuclear ou carioteca. Nas articulações. realizam autofagia a fim de providenciar os nutrientes necessários ao organismo. Na doença chamada silicose. De que modo ele aproveita o alimento que a bactéria representa para ele? .c u r s o p r é . São as enzimas lisossômicas extravasadas que digerem as substâncias de reserva presentes na semente. Este fato tem alguma relação com a recomendação de se usar o alimento logo depois de descongelado. assim. depende do controle interno exercido pelo seu material genético. que compõem o órgão é destruída. 3 Explique como as reservas contidas na semente se tornam úteis ao embrião. também. No caso dos sapos e das rãs. Nos organismos classificados como eucariotas. capazes de perfurar as delicadas estruturas celulares. que determina as semelhanças e as diferenças entre os seres vivos que habitam com exclusividade o nosso planeta Terra. cascas. Para isso. verdadeiras microagulhas de vidro. Há. suas enzimas hidrolíticas são lançadas para fora da célula. 4 Um glóbulo branco fagocitou uma bactéria.v e s t i b u l a r AtividAdes 5 Escreva o que você sabe sobre silicose e artrite reumatóide. a água contida nas células congela. por exemplo. mais particularmente do ácido desoxirribonucléico ou DNA. levando à morte celular inevitável e à conseqüente destruição dos alvéolos. binucleadas e multinucleadas. que a célula carrega dentro de si os elementos para sua autodestruição. tal qual um arsenal de guerra. Se o controle de tais mecanismos for adequado e eficiente. formando pequenos cristais de gelo. Em nove dias. Essas partículas perfuram as vesículas lisossômicas das células pulmonares provocando o extravasamento das enzimas presentes. Esse processo é denominado autofagia e. 184 do código Penal e Lei 9. Nos girinos.

o ribossomo. que fica separada pela constrição secundária. Porém. as células de qualquer ser humano (Homo sapiens) possuem 46 cromossomos. o galo (Gallus domesticus) também possui 78 cromossomos em suas células. mostrando a concentração de cromatina em ambos os casos. aparentemente desprovido de importância como material genético. Sabe-se. essa estrutura recebe o nome de organizador nucleolar ou região organizadora do nucléolo. no segundo. o número de cromossomos não é exclusivo: assim como o cão. Balbiani observou estruturas semelhantes a bastões no núcleo das células em processo de divisão. 14. X e Y. medindo 10mm. A figura compara o núcleo de uma célula do epitélio bucal e de um neutrófilo. O centrômero divide o cromossomo em dois braços. que os tais bastões. a cromatina e o nucléolo. Um deles aparece inativado. As células têm a propriedade de se dividir por um processo bastante preciso e complexo. Certos cromossomos apresentam uma outra porção afilada de heterocromatina. O nucléolo é um corpúsculo denso. O nucléolo é a estrutura celular responsável pela formação de uma importante estrutura presente no citoplasma. sob a forma de um corpúsculo no núcleo das células femininas e recebeu o nome de cromatina sexual ou corpúsculo de Barr. Este par. No primeiro caso. mais fina que as demais. Algo semelhante ocorre com o feijão (Phaseolus vulgaris) e com o sapo (Bufo arenarum). submetacêntrico. Cada cromossomo apresenta uma região estrangulada. chamada centrômero. Se pudéssemos alinhar todo DNA contido em um espermatozóide humano. A partir da posição de centrômero podemos distinguir quatro tipos de cromossomo: metacêntrico. da mesma forma que as células de qualquer cão (Canis familiaris) apresentam 78 cromossomos. hoje. ligando-se. Tal como a membrana nuclear. sob o ponto de vista de sua constituição genética. produzindo outras idênticas à célula mãe. Em 1876. Guardados os devidos limites. O número de cromossomos nas diferentes espécies O número de cromossomos é constante para cada espécie. apresentando poros. Essa região é denominada constrição secundária e é responsável pela síntese de RNA. O espaço nuclear é preenchido pelo nucleoplasma ou cariolinfa. nunca ocorre a cromatina sexual. entre as quais aparecem as histonas. reaparecendo no final. também. A cromatina pode ser encontrada dispersa ou condensada no núcleo. Isso significa que somente a quantidade não é A figura representa o cariótipo humano (homem normal XY) L i v r o 1 13 . Nos seres humanos. ou carioteca.610 de 19 de fevereiro de 1998. Apesar de constante para cada espécie. os organizadores nucleolares aparecem nos cromossomos 13. Já nos homens. o comprimento chegaria bem próximo a 1 metro. portanto. O cromossomo X ocorre em dose dupla nos indivíduos de sexo feminino. durante a telófase. ambos apresentando células que contêm 22 cromossomos. DNA e proteínas. encontrada muito próxima do envoltório nuclear. Assim. Reprodução Proibida. O centrômero é uma região de heterocromatina. um gel protéico claro composto por água. durante a mitose. muito cuidado com confusões. geralmente. 184 do código Penal e Lei 9. O grau de condensação sofrido pela cromatina é tão grande que o maior cromossomo humano. sendo. 15. No interior do núcleo encontramos o nucleoplasma. recebe o nome de satélite ou SAT. Os cromossomos representam os filamentos de cromatina condensados. acrocêntrico e telocêntrico. Ainda nos seres humanos.000 mm!) de DNA altamente compactado. o outro cromossomo do par sexual responsável pela determinação do sexo é o cromossoma Y. é composto de duas membranas. o RNA ribossômico. indicativo de um cromossomo X inativo. pois existe apenas um único cromossomo X. é constituído de dois cromossomos diferentes. pode-se imaginar que essa compactação equivale a concentrar 100 metros de linha em um carretel de 3cm. o sexo masculino é XY e o feminino. o sexo é determinado pelo 23o par. batizados de cromossomos. denomina-se eucromatina (Ec) e.2cm (72. dizer que. formado por acúmulo de grãos constituídos por um tipo especial de RNA. o nucléolo desaparece logo no início da divisão celular. O RNA produzido é acumulado e dá origem aos nucléolos. que o divide em duas partes e que serve para a fixação dos cromossomos nas fibras do fuso. Por esse motivo. o nucléolo. Art. correspondem à cromatina extremamente condensada. Através dos poros são realizadas trocas entre o núcleo e o citoplasma. Podemos. heterocromatina (Hc). A porção arredondada do cromossomo. que ocorre apenas nos indivíduos do sexo masculino. a uma outra estrutura. 21 e 22. com 1 a 3 micrômetros de diâmetro. que podem ter ou não o mesmo tamanho. ou constrição primária. que possuem 23 pares de cromossomos.b i o l o g i a O envoltório nuclear. Uma célula pode conter de um a vários nucléolos. Esta última é. contém cerca de 7. que aparece imerso no citoplasma. então. XX. Isso nada mais é do que uma forma de reprodução. associado a proteínas. cujo diâmetro mede entre 50nm e 80nm. chamado de par sexual ou heterocromossomo.

É desencadeado por um desequilíbrio no volume celular/superfície celular. Atuam. 6 Qual a diferença entre eucromatina e heterocromatina? 7 Suponha que. a célula também passa por um ciclo vital. rica em RNA. algumas substâncias. neste caso. 184 do código Penal e Lei 9. A reprodução da célula é feita por meio de um processo de divisão celular que garante sua continuidade. que então se verifica. crescimento. Seres vivos constituídos por células desse tipo são chamados eucariotas. O que se pode dizer sobre o número de cromossomos: em todas as células de um mesmo indivíduo? em células de indivíduos da mesma espécie? nas células de indivíduos de espécies diferentes? L i v r o 1 Como unidade estrutural e funcional dos seres vivos. reprodução e morte. ou. por exemplo. O mecanismo reprodutivo é o mesmo para qualquer célula. Eucariotas e procariotas A presença de um envoltório delimitando uma região chamada núcleo caracteriza uma classe de célula denominada eucariontes. Qualquer que seja o caso. Certas células não apresentam cromossomos. visível apenas ao microscópio eletrônico. independentemente da finalidade desse processo. durante o ciclo menstrual.610 de 19 de fevereiro de 1998. AtividAdes 1 a) b) c) d) e) 2 a) b) c) d) 3 a) b) c) d) 4 a) b) c) A presença da carioteca define os seres: Procariontes Autótrofos Eucariontes Heterótrofos Unicelulares Podemos afirmar que o nucléolo é uma estrutura: intranuclear. não havendo nenhum tipo de organização que sugira a existência de um núcleo. Também o crescimento de tumores está ligado à multiplicação celular. oncogênicos. o processo de divisão das células eucariotas é sempre o mesmo: a MITOSE. por exemplo. Ele é composto por quatro etapas básicas: nascimento. como os 1 Reprodução Proibida. de hemácias. Art. pela primeira vez. a divisão celular não é só uma forma de perpetuação da espécie. varia de uma para outra. Algumas células especiais multiplicam-se em situações típicas de sua função: os glóbulos brancos. Na verdade. mas. a mucosa uterina. ainda. a divisãO ceLuLar . a Síndrome de Down (47 cromossomos). As bactérias são procariotas. Células com essa estrutura são chamadas procariontes. na reposição das células velhas. Alterações no número e na forma dos cromossomos provocam anomalias nos seus portadores. presente em células eucariontes. enquanto os seres por elas constituídos denominam-se procariotas. Nos seres pluricelulares. intranuclear. Nelas aparece um longo filamento enovelado composto por DNA que não se encontra associado a proteínas. Nos seres unicelulares. citoplasmática. o tecido secretor glandular das glândulas mamárias. como nos casos de cortes e fraturas. rica em RNA. em 1875. esse filamento está disperso no citoplasma. uma maneira de garantir a sobrevivência.c u r s o p r é . Apesar de anucleado. num laboratório. presente em células de eucariotas. Além disso. ainda. como. Esse filamento de DNA é denominado nucleóide. por Flemming e Strasburger. presente em alguns vírus. estas etapas básicas da vida celular confundem-se com seu processo de reprodução. perderam-se as etiquetas que identificavam as lâminas que continham amostras de células de um casal de irmãos. rica em DNA. de um cromossomo X em células masculinas. 8 Seria correto afirmar que: “células procariontes são células sem núcleo”? Explique. dos dois cromossomos X em células masculinas. como cada célula provém sempre de outra célula pre-existente. também. em caso de invasão do organismo por agentes patogênicos. o glóbulo vermelho de mamíferos não deve ser confundido com célula procarionte. células de defesa. A cromatina sexual corresponde à condensação: dos dois cromossomos X em células femininas. de um cromossomo X em células femininas. as quais passariam por um exame. e recebeu este nome por causa da evidenciação dos cromossomos em forma de filamentos. intracelular. A mitose foi observada. o que representa em torno de 1% a 2% diariamente.v e s t i b u l a r 5 a) b) c) Use as seguintes pistas para iniciar sua resposta: é igual em todas. critério suficiente para conhecer a que ser vivo pertence determinada célula. a divisão celular pode estar relacionada com o seu crescimento ou pode ter função reparadora. durante a amamentação. é diferente de uma para outra. Ele perdeu o núcleo durante o seu desenvolvimento. O laboratorista conseguiria resolver o problema da identificação sem necessitar chamar os irmãos para nova coleta de amostras? Explique. desencadeada por fatores “anormais”.

cujo objetivo é o preparo para uma nova divisão. Ao se dividir. denominadas fases da mitose: intérfase. Com duração bastante variável – dependendo do tipo de célula e do organismo envolvido –. para cada pólo. O óvulo é uma célula produzida por meiose Na anáfase. os de fibras de cromatina. como no caso dos tumores. anáfase e telófase Na prófase acontece a desintegração do nucléolo e da carioteca. O processo ocorre em etapas bem definidas e contínuas. As fases da mitose são prófase. os microtúbulos ligados aos centrômeros sofrem uma despolimerização. A passagem para os períodos subseqüentes poderá ser restabelecida. Os pares de centríolos migram para pólos opostos da célula. como é o caso das células dos ossos e do fígado. Determinados trechos do próprio DNA que compõe os cromossomos podem. Originam os ásteres e o fuso. quando a célula contém o dobro de DNA que apresenta no inicio. Estes últimos possuem importante papel na divisão celular. essa Ciclo Mitótico célula originará duas outras. dependendo da própria célula e das condições internas e externas. Reprodução Proibida. ficando a célula retida no período G0. No período G2. No período S. Já células como os neurônios permanecem indefinidamente na intérfase e não se dividem nem podem ser repostas. seja ela dentro dos parâmetros normais. migrem para os pólos opostos das células. por exemplo. Art. Trata-se de um período marcado por intensa síntese de RNA. ocorre duplicação do DNA e dos centríolos.b i o l o g i a fatores de crescimento. Nas células animais. passando a constituir cada uma um único cromossomo. que. como estimuladores da mitose. Você já sabe que o número de cromossomos é constante para uma determinada espécie e que esses cromossomos encontram-se aos pares. se possuir quatro cromossomos – ou dois pares de homólogos –. também. o citoplasma sofre estrangulamento e posterior separação em duas metades. Esse preparo consiste em um conjunto de fenômenos que foram agrupados em três períodos distintos denominados G1. rumando para o citoplasma. metáfase. Ao mesmo tempo. Terminado esse período. 184 do código Penal e Lei 9. Não só o número de cromossomos permanece idêntico de uma geração celular à outra. ou não. anáfase e telófase. dos cromossomos até atingir o estado Estabelecidas as ligações. ao sofrer mitose. Eles já estão duplicados desde a intérfase e aparecem formados por duas cromátides ou Podemos considerar a telófase como cromátide-irmãs. pois. S e G2 O período G1 está compreendido entre o fim da mitose e o inicio do período S. cada uma L i v r o 1 15 . dessa vez somente as necessárias à divisão celular. a mitose propriamente dita está prestes a começar. atuando na multiplicaA meiose determina o crescimento ção celular. prófase. O ciclo celular pode ser interrompido temporária ou permanentemente. Esse fenômeno faz com que os cromossomos. essa fase de aparente repouso representa uma etapa de intensa atividade celular. que permanecem sendo uma prófase ao contrário. O processo de separação do citoplasma é conhecido como citocinese ou citodiérese: distribuição eqüitativa de componentes e organelas entre as células-filhas. fatores inerentes ao próprio patrimônio genético. Na metáfase os microtúbulos do fuso mitótico chegam à região central e ligam-se aos centrômeros dos cromossomos duplicados. a condensação cromossômica é máxima. como também seu conteúdo.610 de 19 de fevereiro de 1998. fazendo com que o material nuclear se misture ao citoplasma. Todo o processo da mitose gira em torno da duplicação e distribuição eqüitativa do material genético (dos cromossomos) da célula. A intérfase é o período que decorre entre uma mitose e outra. Os cromossomos que compõem um mesmo par são chamados cromossomos homólogos. reconstitui-se a carioteca e refazem-se os nucléolos. o que provoca seu encurtamento. ocorre nova síntese de proteínas. também com quatro cromossomos. já individualizados. cromossomos distribuem-se na região equatorial da célula. Existem. Nele não se detectam fenômenos microscopicamente visíveis. metáfase. formando o que se denomina placa equatorial. pois inicia-se o processo de descondensação unidas pelo centrômero. Isso significa que. Nessa fase. uma célula origina duas outras idênticas a ela. estimular esse fenômeno. graças à polimerização das proteínas componentes do microtúbulos. comandará a síntese protéica. as cromátides-irmãs separam-se. segue apenas uma das antigas cromátides. A cromatina sofre um processo de condensação tornando visíveis os cromossomos. Note que.

Art. Dividindo-se rapidamente. a mitose das células vegetais é anastral. existem diversos tipos de câncer de pele porque a pele é formada de mais de um tipo de célula. Por outro lado. por exemplo. Graças a ele. A diferenciação celular é o processo responsável pela especialização das células As células que compõem um organismo não são todas iguais.000 células sobrevive para formar metástase) no fígado. Uma célula normal pode sofrer alterações no DNA dos genes. podendo espalhar-se (metástase) para outras regiões do corpo. a célula passa por uma série de alterações morfológicas que a torna mais especializada na realização de determinada função. os protooncogenes transformam-se em oncogenes. nos seres pluricelulares. centríolos e impossibilidade de constrição do citoplasma. a multiplicação desordenada das células Câncer é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum o crescimento desordenado (maligno) de células que invadem os tecidos e órgãos. Devido à inexistência de áster.610 de 19 de fevereiro de 1998. denominados protooncogenes. As alterações podem ocorrer em genes especiais.v e s t i b u l a r Aspectos da mitose em células vegetais com 50% do volume da célula-mãe. No ser humano. existem cerca de duzentos tipos distintos de células. As células cujo material genético foi alterado passam a receber instruções erradas para as suas atividades. a princípio. determinando a formação de tumores (acúmulo de células cancerosas) ou neoplasias malignas. Os diferentes tipos de câncer correspondem aos vários tipos de células do corpo. um tumor benigno significa simplesmente uma massa localizada de células que se multiplicam vagarosamente e se assemelham ao seu tecido original. É o que chamamos mutação genética. 1 O que é mitose? 2 a) b) c) d) e) Explique: intérfase prófase metáfase anáfase telófase 3 Conceitue diferenciação celular. tumor benigno de epitélio lâmina basal transpondo a lâmina basal invasão dos capilares tecido conjuntivo capilares disseminação para a corrente sangüínea ( menos de uma em 1. O fumo é um agente carcinógeno completo. que. 4 O que é um câncer? 5 Qual a diferença entre um tumor benigno e um tumor maligno? 1 L i v r o 1 Reprodução Proibida. adere à parede capilar saída dos capilares e invasão de tecido proliferação e metástase no fígado O surgimento de células tão diferentes originadas de mitose é decorrente de um fenômeno chamado diferenciação celular. que é o resultado da fecundação do gameta feminino pelo gameta masculino. Por meio de mitoses sucessivas. Apesar disso. responsáveis pela malignização (cancerização) das células normais. todos os diferentes tipos celulares originam-se de uma única célula. acêntrica e com formação da lamela média na região do Equador. AtividAdes Câncer. Isso porque há uma relação estreita entre a forma e o trabalho desempenhado por determinada célula. .c u r s o p r é . Elas podem diferir quanto ao aspecto e quanto à função. Quando ativados. o zigoto. raramente constituindo um risco de vida. pois possui componentes que atuam em todos os estágios da carcinogênese. 184 do código Penal e Lei 9. Por exemplo. cada qual com sua função. são inativos em células normais. respectivamente. ele originará o novo ser com seus vários tipos de células. Essas células diferentes são denominadas cancerosas. estas células tendem a ser muito agressivas e incontroláveis.

o motor de um carro. • Metabolismo de controle: aqui. moléculas maiores. um sapato de couro. também. mais complexas. Em nível celular. é controlado pelo acelerador. maiores. Essa atividade química. os das células que constituem um organismo. em orgânulos chamados ribossomos. Por exemplo. um dos níveis de organização dos seres vivos. por sua vez. seja ele um micoleão-dourado ou um pé de milho. conjuntos de órgãos que. seja para reposição de matéria viva. cada um deles realizando um determinado papel. No entanto. Os organismos têm problemas semelhantes. Na realidade.b i o l o g i a a vida dePende de substâncias e atividades químicas A matéria. Substâncias desse tipo são quase sempre provenientes de organismos vivos. também. e estas são constituídas por átomos. gorduras. ou seja. o sistema nervoso e o sistema hormonal aceleram. Assim. as células contêm orgânulos.610 de 19 de fevereiro de 1998. que realizam essa tarefa. como já vimos. as máquinas necessitam de uma fonte de energia. não apenas à reposição de material desgastado. embora existam proteínas tanto num pé de milho como num mico-leão-dourado. “exclusivas”. em última análise. um controle é também absolutamente necessário. é chamada de metabolismo. • Construir mais matéria viva. têm essa importante função de controle. 1 . São normalmente os componentes do núcleo. Assim. também. age dentro dos organismos de uma maneira especial e insubstituível. Os organismos também utilizam combustíveis especiais e. os lipídios. quais são. Há. cada um dos tipos de moléculas que compõem os seres vivos tem o seu papel biológico. Já as substâncias ditas orgânicas são de moléculas complexas. os tipos de moléculas que compõem um organismo? Em organismos diferentes. existem as mesmas categorias de substâncias. que não costumam aparecer na natureza inanimada. o tempo todo. Quando uma célula “queima” açúcares em suas mitocôndrias. todas as etapas do metabolismo celular. depois disso. O mesmo se aplica aos lipídios. de fato. a atividade química desempenhada por uma célula. Os químicos classificam as substâncias em orgânicas e inorgânicas. como a água do mar e as rochas. Há. óleos e gorduras. uma ameba ou um cogumelo. trata-se de uma faceta do metabolismo energético. e outras. De forma muito simplificada. muitas vezes. o núcleo e seus componentes. ou seja. uma bala. sendo que. Precisam. Nos seres vivos. Quando açúcares ou gorduras são “queimados” numa célula. os glóbulos vermelhos do sangue duram. por exemplo. isto é. seja ela viva ou inanimada. aos açúcares e aos ácidos nucleicos. se reproduzir. Açúcares. Os tecidos são reuniões de células com funções semelhantes. uma grande quantidade de água em qualquer organismo. numa outra escala. Art. que são: • Obter energia. destina-se a resolver esses três problemas básicos. as reações químicas da célula estão todas relacionadas a uma “fiscalização”. proteínas e ácidos nucléicos são substâncias orgânicas. ou estrutural: também chamado de metabolismo de construção. seja para o crescimento. estáticas: elas estão constantemente reagindo umas com as outras. os seres vivos apresentam. Porém. geralmente de molécula menor. e freqüentemente se encontram na natureza inanimada. que injeta mais ou menos gasolina para ser queimada. Uma pedra. em média. no interior da célula. todos eles encontrados na água ou nas rochas. armazenados ou consumidos dentro dos sistemas vivos. Cada orgânulo é composto de moléculas. são mais simples. típica dos organismos vivos. crescer. São os compostos orgânicos. elas podem ser de tipos diferentes. Quando uma célula vegetal absorve luz do sol e produz alimento nos seus cloroplastos. a organização não se limita ao nível molecular: um organismo é composto de vários sistemas. em outras palavras. e constituídas por cadeias de vários átomos de carbono. A fabricação de proteínas. obtêm energia para se movimentar. um controle biológico de tudo que a célula faz. é um importante momento do processo de construção da matéria viva. As moléculas orgânicas mais importantes são os carboidratos. na respiração celular. algumas são constituídas. nesses processos. dessa forma. sais minerais. Vamos exemplificar. por exemplo. na verdade. As moléculas que fazem parte dos organismos vivos não estão “paradas”. em qualquer tipo de organismo. As substâncias inorgânicas. as proteínas e os ácidos nucleicos DNA ou RNA. é obtida a energia para que ela funcione. a água de um rio. ao crescimento dos organismos. é. Por exemplo. Afinal. retardam e intensificam as atividades. relacionado à produção celular de proteínas. são. como a água e os sais minerais. • Controlar todos os processos. para obter energia para suas necessidades. normalmente encontradas em associação com organismos vivos. 120 dias. enfim. As moléculas são. são formados por tecidos. substância abundante na natureza. são substituídos por células novas. • Obtenção de energia: para funcionar. • Controlar os processos: o funcionamento de um motor de automóvel. e a energia liberada é transformada em movimento. transportando-se o tempo todo. mas. Há pois três modalidades de metabolismo: • Metabolismo energético: são todas as reações celulares relacionadas à obtenção e à utilização de energia. há diferentes tipos de proteínas possíveis na natureza. um processo de metabolismo energético. destruídas. queima gasolina. Nos organismos vivos. • Construir mais matéria viva: máquinas sofrem desgaste e têm. cons- truir mais matéria viva para repor aquela que se desgastou e para crescer. os ácidos nucleicos decidem. A produção de mais matéria viva está ligada. ainda. peças que necessitam de substituição. também chamados açúcares. Está. os tipos substâncias encontradas são os mesmos. um lagarto ou um mandacaru têm moléculas na sua constituição. produzidos. Muitas moléculas encontradas nos seres vivos também existem na matéria não-viva e são muito simples. podemos identificar três problemas básicos dos organismos. Isso não quer dizer que as substâncias encontradas sejam idênticas. também. • Metabolismo plástico. é sempre constituída por moléculas. Esses problemas. o vinho. principalmente os ácidos nucleicos. uma caixa de sapato. Proteínas existem em todos os tipos de organismo. por exemplo. um prego. as moléculas são as mesmas ou são diferentes? Na verdade. para desempenhar suas atividades. principalmente os ácidos nucléicos (DNA e RNA). normalmente. 184 do código Penal e Lei 9. no processo de fotossíntese. L i v r o 1 Reprodução Proibida. Todo o metabolismo celular.

c u r s o p r é . em pessoas com mais idade. em porcentagem do peso total. por esse motivo.2 12. nas articulações entre ossos e também entre os órgãos. alimentos. que o encéfalo do embrião humano tem 92% de água. Observando-se a tabela abaixo. carboidratos.0 AtividAdes 1 Dentro de um mesmo organismo.v e s t i b u l a r As quantidades médias das substâncias constituintes dos seres vivos. maior será. quais são os fatores que podem determinar diferenças de composição química das células? Preencha a tabela Constituintes Água Substâncias Minerais Substâncias Orgânicas Carboidratos Lipídios 17.7 17. estando presente em regiões onde há atritos. Vários fatores estão relacionados com a variação da taxa de água. em todas elas.3 6. enquanto o cérebro do adulto apenas 77. gás carbônico.2 1. portanto.0 83. É interessante lembrar que a atividade metabólica geral. diz-se que é o solvente universal – e. comparando-se as células animais com as vegetais: Constituintes Substâncias Inorgânicas Água Substâncias Minerais Substâncias Orgânicas Carboidratos Lipídios Proteínas Células animais 60. Observe a grande porcentagem de água tanto nas células animais como nas vegetais. também. é na água da célula que ocorrem as reações químicas do metabolismo. em geral.0 2.0 4. todas as substâncias importantes acham-se dissolvidas na água.5 4.8%. que são homeotermos (animais que mantêm sua temperatura constante). a superfície é “resfriada”. têm maior taxa de água do que os ossos e a dentina. gases da respiração e excretas se dissolvem na água. percebemos que os músculos humanos. O que são substâncias plásticas na célula? Papel Biológico na Célula • A idade: Observe. E é um ótimo solvente para uma grande quantidade de substâncias. ela retira calor. de reagirem. uma vez que há a retirada de calor. proteínas etc. ao evaporar-se na superfície dos organismos. podemos resumir os principais papéis da água nos organismos da seguinte maneira: • Por ser um ótimo solvente. atua na distribuição do calor. Encéfalo de embrião Músculos Cérebro Pulmões Coração Ossos Dentina 92.0 4.45 18. dentro da célula. ela constitui o dispersante. uma vez que as moléculas nela dissolvidas estão em constante agitação e têm “oportunidades” de se encontrarem e.0 0. quando evapora na superfície de vegetais ou animais. Dessa forma. De forma geral. 184 do código Penal e Lei 9. Nos mamíferos. aminoácidos. • A água tem grande papel na regularização do equilíbrio térmico.8 4. oxigênio. entre o organismo e o meio externo. e por elas são transportados. por exemplo. como. ainda. material constituinte dos dentes.8 Células vegetais 75. como lubrificante. • A atividade metabólica: quanto maior for o metabolismo de um tecido. como das substâncias orgânicas da vida.0 Células animais 60. Art. A maioria de carboidratos nas células vegetais é decorrência da presença.8 70.3 Células vegetais 75. como sais minerais. carboidrato produzido a partir da glicose no processo da fotossíntese. as transporta com muita facilidade. tanto no interior da célula como entre uma célula e outra. muito ativos.45 2 Quais os papéis biológicos desempenhados pelas substâncias abaixo: Substância Ácidos Nucleicos Carboidratos Proteína Lipídios 3 O que se entende por metabolismo celular? 4 Comente o metabolismo de construção. Quantidade de água.0 2.4 77. em alguns órgãos humanos. tanto de substâncias inorgânicas.0 só Há vida Onde HOuver áGua A água é o componente mais abundante na composição dos organismos vivos. e. Assim sendo. a transpiração está relacionada à manutenção da temperatura. no processo da transpiração. • A água age. a taxa de água nele encontrada.610 de 19 de fevereiro de 1998. Isto é 1 L i v r o 1 Reprodução Proibida.9 70. então ela tem um papel importante no transporte de substâncias.9 48. de uma parede de celulose. Afinal. . • Dentro e fora das células. que são metabolicamente pouco ativos. Por outro lado. Nos demais. ainda na tabela. é menor do que em jovens.

sem glândulas mucosas. quando embebemos uma semente de feijão e. E os animais? O que ocorre com eles? 2 Por que a água é tão importante para os seres vivos? 3 Por que as pessoas que se alimentam de mais sal bebem mais água? Baseado no texto de Onde vem a enerGia Par a a céLuLa? Todas as células realizam uma série de atividades. que permitiram. Está claro que animais e vegetais que vivem no ambienta seco. energético e de controle..Nesse período aparecem as plantas aquáticas. revestimento de cera. casca muito grossa.. pelo perigo da desidratação. em conseqüência disso. ocorre uma verdadeira explosão de vida. há 65% de água na espécie humana. o tempo todo eles perdem água pelas suas superfícies. caule. para animais e plantas. impermeável. A conquista do meio ambiente terrestre só foi possível. sua atividade metabólica é extremamente baixa. na puberdade! • A espécie: em média. quando. estruturas respiratórias internas. Muitos ovos de insetos permanecem “parados”.É um bom momento para a observação das aves aquáticas. Por ficarem secas. L i v r o 1 1 . por evaporação. como. por um lado. como um tegumento impermeabilizado. referindo-nos aos processos que visam a fornecer energia para os trabalhos celulares. folhas transformadas em espinhos. as quais objetivam. AtividAdes 1 Leia o texto: PantanaL troCa de rouPa Com ass ChuVas Do jornal a Folha de São Paulo Reprodução Proibida.. fica florido. Também os vegetais de ambientes terrestres secos exibem adaptações extremas que vão desde um ciclo vegetativo extremamente rápido. as plantas ganham a coloração amarelada ou amarronzada. b) E no semi-árido brasileiro. Este fenômeno é particularmente observado no semi-árido brasileiro. cegonhas e frangos d’água. reproduzem-se por meio de ovos.. porém encontra-se 94% nas melancias e 98% nas águas-vivas! A matéria viva mais “seca” é representada por sementes e esporos de vegetais. pois só voltam a ter uma atividade normal quando há um aumento na disponibilidade da água. estão sendo ameaçados. Falamos em metabolismo energético. O que era verde. parênquima aqüífero. Os campos cobertos por grama somem sob a água. particularmente. uma casca grossa que ajuda a proteger do fogo. após as chuvas. isto é. Entre maio e setembro. como o aguapé. constantemente. . nos primeiros meses de existência. entre outros. como dos EUA e da Argentina. fora da água. em alguns casos de uma semana apenas. até perda total de folhas. formas mais econômicas de excreção dos resíduos. . Nessas condições. seus excretas são constituídos de cristais de ácido úrico etc. a partir de profundas adaptações. Art.b i o l o g i a fácil de entender. folhas etc. chamados cordilheiras. proteção contra as perdas. que são fixas. fica marrom. É a melhor época para caminhar no Pantanal e observar o que os cientistas chamam adaptação: a cortiça das árvores. no entanto. que impedem excessiva perda de água... perdem sua parte vegetativa..610 de 19 de fevereiro de 1998. . restando alguns pontos de mata fechada. Afinal. por exemplo. Está claro que. sempre. Veja. a orelha-de-onça.. como pulmões. e depois.Quem viaja ao Pantanal na seca leva o maior susto. o que acontece na ausência ou presença de água? c) Como se explica o aparecimento do águapé nas cheias? d) As plantas. uma vez que possuem entre 10% e 20% de água. a) Explique qual a diferença de paisagem que a abundância de água ou a sua falta determina no Pantanal. e só voltam a se desenvolver por ocasião das chuvas.Com a cheia. por outro. 184 do código Penal e Lei 9. enquanto não houver disponibilidade de água. que são enterrados. ela germina. Vimos que o metabolismo pode ser construtivo.. O que não tinha flores. para um organismo estar bem adaptado à vida em ambiente seco. e as folhas grossas. manter sua vida. como garças.. os répteis: sua pele é seca. . quando se compara o aumento de tamanho de um bebê. fica desfolhado. rara durante o período. muitas árvores perdem suas folhas. o Pantanal troca de roupa. um tipo de reprodução especial. algumas adaptações lhe serão necessárias. Estas atividades compõem o seu metabolismo. que migram de várias partes do País e do exterior. O que tinha folhas. raiz. em função da disponibilidade de água ou não. peludas e ásperas.

Um exemplo bastante comum é o da fermentação láctica. Moléculas de carboidratos como a sacarose. as células apelarão para a fermentação. o combustível utilizado pelas células é a glicose. Sempre que queimamos um combustível. de falta de oxigênio. provocando o fenômeno da fadiga muscular. então. das quais apenas os monossacarídeos são moléculas suficientemente pequenas para atravessarem a membrana plasmática da célula e serem utilizadas no seu interior. Ao realizarem a fermentação da glicose da lactose. significando. ocorre libertação de energia. fazendoo “talhar”. a quantidade de oxigênio que chega às células não é suficiente para as necessidades energéticas da célula. 184 do código Penal e Lei 9. ainda. representado na parte alta do esquema –. Hoje.c u r s o p r é . isolando uma organela celular exclusiva para a respiração. que faz o carro andar. Na fermentação.610 de 19 de fevereiro de 1998. produzem ácido láctico que azeda o leite e provoca a coagulação de suas proteínas. Respiração e fermentação são processos muito semelhantes. entre estes alimentos. a respiração é muito mais eficiente. com liberação de 2 moléculas de ATP. Nossos músculos também são capazes de realizar a fermentação láctica em condições de escassez de oxigênio.v e s t i b u l a r Liberação de energia química para o trabalho celular Combustível celular (rico em energia) Quantidade de energia química das substâncias Substância com pouca energia química Sabemos que são os alimentos as substâncias que fornecem energia às células. se nossos músculos realizarem um trabalho excessivo. que liberam a energia necessária para o seu funcionamento. Na respiração. se acumula no músculo. ocorre necessidade da presença de oxigênio livre. que não há mais energia a ser libertada. a atmosfera ainda não continha moléculas de O2 livre. a glicose. os organismos que habitavam as águas eram extremamente simples. que acometem o atleta após exercícios extenuantes. quebrando simplesmente as moléculas de glicose em ácido lático. O excesso de ácido láctico é o responsável pelas câimbras. por “conter” muita energia de ligação entre suas moléculas. e outra parte. Art. Neste caso. Sabemos. que será utilizada no trabalho das células. em calor. que possuem apenas um átomo de carbono e nenhum átomo de hidrogênio ligado. devem. que. não há a necessidade da presença do oxigênio do ar. uma parte da energia continua armazenada na molécula de álcool. há liberação de energia. 150 L i v r o 1 Reprodução Proibida. embora ricos em energia. mas sem a formação do gás carbônico. Por exemplo. Um combustível celular – por exemplo. a maioria das células e dos organismos é aeróbia. Caso ocorra uma situação de premência. não há decomposição total da molécula de glicose: resultam como subprodutos moléculas ainda relativamente grandes e que têm. O resíduo produzido. No caso da gasolina queimada no motor de um carro. Em termos de quantidade de energia. Na respiração. o processo evolui mais. ocorre quebra da molécula de glicose em duas moléculas de ácido láctico. Admite-se que os primeiros seres vivos tenham sido fermentadores: não havia ainda organismos autótrofos fotossintetizantes. também. anteriormente. os açúcares funcionam como combustíveis: no interior das células. à medida que o sistema de endomembranas do citoplasma evolui. Nestes. Assim sendo. Com o surgimento dos primeiros organismos autotróficos fotossintetizadores. Neste processo. a mitocôndria. Nos organismos vivos. que é o ácido láctico. na fermentação. ocorrendo em animais e plantas. um residual de energia. diferem entre si nos produtos finais e na quantidade de energia liberada. a lactose. como durante uma corrida. ocorrem “queimas” dos açúcares. Como não ocorre a “quebra” total da molécula de glicose. As bactérias do gênero Lactobacillus obtêm sua energia desta forma. como gasolina ou álcool. desenvolvem-se os respiradores. o amido ou a celulose. Os dois processos são praticamente universais. está sendo transformado em resíduos “pobres” em energia (com menos ligação das moléculas). . são os carboidratos ou açúcares as moléculas energéticas por excelência. que acaba por impedir a contração muscular propriamente dita. ser hidrolisados a monossacarídeos para poderem ser utilizados pelas células nos seus processos de “queima”. Compare as equações simplificadas: fermentação C6 H12 O6 glicose C6 H12 O6 Glicose + 6 O2 oxigênio 2 C 2 H5 O H álcool etílico resPiração + 2 C O2 gás carbônico + 6 H2 O água 6 C O2 gás carbônico Em ambos os processos. são fabricadas 6 moléculas de gás carbônico. muito deles são capazes de fermentar. a energia “escondida” na molécula é “liberada” com uma parte dela transformada em energia de movimento.

amido. para que toda a energia consumida fosse obOxigênio! Oxigênio! tida pelo processo aeróbio. esta energia não é utilizada diretamente no trabalho celular. com ênfase sobre “a totalidade ou padrão de relações entre os organismos e o seu ambiente”. seus produtos provocam a fadiga muscular • ocorre no interior de mitocôndrias • liberta apenas parcialmente a energia contida na molécula de glicose • ocorre com a molécula de glicose • produz moléculas orgânicas ainda complexas • produz apenas moléculas simples de um carbono só • libera a energia armazenada nas ligações químicas das moléculas energéticas • fornece ATP para o trabalho celular • fornece ácido láctico ou álcool etílico Fermentação Respiração Quando o ATP se transforma em ADP dentro da célula. Sendo ele. onde a energia estiver sendo necessitada. uma faca elétrica etc.b i o l o g i a No caso do homem. mas sim a pilha que fornece a energia. solúvel em água. no campo adequado. um farolete que se leva até onde se quiser. quando nos referimos ao estudo do “ambiente da casa”. Esta substância representa. maltose. como sentido de “casa”. não a faca. 184 do código Penal e Lei 9. quando necessário. frutose. a ecologia é o estudo do “lugar onde se vive”. tanto a respiração quanto a fermentação liberam energia. o liquidificador. Então. em condições nas quais o oxigênio não seria suficiente. preencha a tabela a seguir. que fornecem energia para o trabalho celular. (escreva o nome das substâncias no espaço adequado ) 151 . Veja a figura a seguir: Fornecem energia sem necessidade de hidrólise prévia Fornecem energia após hidrólise Reprodução Proibida. a molécula de ADP se liga a um fosfato e se transforma em ATP. uma forma bastante prática de se armazenar e distribuir energia dentro da célula. uma enceradeira. lactose. AtividAdes intrOduçãO aO estudO da ecOLOGia A palavra “ecologia” deriva do grego oikos. ela é armazenada numa substância chamada ATP. um liquidificador. Art. a fermentação não substitui a respiração celular: apenas auxilia na produção de energia. sob a forma de ADP (adenosina difosfato). ou em ambos) • os produtos finais são moléculas mais simples • os seres vivos mais primitivos a realizavam • ocorre apenas na presença de oxigênio livre do ar • quando realizada pelas células musculares. e logos. ocorre também o inverso: havendo energia disponível (da respiração ou da fotossíntese). para iluminar. ainda. Nas células. a transfere ao trabalho celular. oportunamente. o ATP. um grupo fosfato da molécula se desprende e a energia é cedida às atividades celulares. ou. Na verdade. o ATP existe sob duas formas: carregado de energia ou com menos energia. No entanto. enfim. por exemplo. na verdade. sacarose. 2 Lendo atentamente o texto. Antes de ser usada. Contudo. glicose. usando os seguintes conceitos: (escreva cada um deles dentro da tabela. difunde-se facilmente até qualquer ponto da célula. Poderíamos dizer que o ATP é uma pílula de energia. ou uma pilha que se carrega com a energia da respiração ou fermentação e se descarrega no trabalho de digestão ou síntese das moléculas orgânicas. portanto. que significa “estudo”. De uma forma bem simples.610 de 19 de fevereiro de 1998. É como se fosse. obrigatoriamente nos referimos a todos os seus “habitantes” e todos os processos funcionais que a tornam habitável. que. Literalmente. L i v r o 1 1 Preencha a tabela abaixo: Das seguintes moléculas.

conseqüentemente. essencialmente. infelizmente. a ecologia e a economia deveriam ser disciplinas companheiras. quando confrontados com os economistas. A dinâmica das populações. abundância e atividade. também. Mas tem. Define. três grandes subdivisões: a auto-ecologia. a harmonia da sociedade que inclui a espécie humana. 184 do código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. a economia traduz-se como “o mando da casa”. ou demoecologia. Assim definida. gerenciamento”. os limites de tolerância e as preferências das espécies em face dos diversos fatores ecológicos e examina as adaptações morfológicas. A auto-ecologia estuda as relações de uma única espécie com seu meio. bem como aos cientistas. também.v e s t i b u l a r um pouco arbitrárias. O estudo sinecológico pode adotar dois pontos de vista. aos quais atribuem visões e atitudes antitéticas. fazer um esforço especial que leve à compreensão de que da administração eficiente de cada uma das casas de cada um dos grupos de seres vivos pode surgir. que o seu assunto deva ser analisado à luz de outras disciplinas e que cabe a cada um de nós. comportamentais) ao meio em que se encontra. mas têm a vantagem de ser cômodas para uma exposição introdutória. A palavra “economia” também deriva da raiz grega oikos. ambos são adversários. sua distribuição geográfica. A sinecologia analisa as relações entre os indivíduos pertencentes às diversas espécies de um grupo e seu meio. Talvez isto nos ensine que os limites de cada disciplina não devam ser interpretados muito estreitamente. sendo que os ecologistas culpam os economistas. a dinâmica das populações e a sinecologia. Art. . fisiológicas e etológicas (isto é. o ponto de vista de muitas pessoas é que os ecologistas são retrógrados. a auto-ecologia tem evidentemente correlacionamentos com a fisiologia e a morfologia. Estas distinções são 152 L i v r o 1 Reprodução Proibida. As subdivisões da ecologia Distinguimos. Já que nomia significa “manejo. estuda as variações da abundância das diversas espécies e procura as causas dessas variações. seus próprios objetivos: por exemplo. em ecologia.c u r s o p r é . a determinação das preferências térmicas de uma espécie permitirá explicar (ao menos em parte) sua localização nos diversos meios.

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