PARENTALIDADE

MATERNIDADE /maternalidade E PATERNIDADE/paternalidade

Paula Pinto de Freitas ICBAS

O desejo de ter um filho o desejo de um bebé
As forças biológicas e ambientais que levam homens e mulheres a desejar ter filhos e as fantasias nascidas desse desejo podem encarar-se como a Pré-história da Vinculação Há que entender o desejo de um bebé no contexto do desenvolvimento psicossexual do homem e da mulher

Maternalidade / Paternalidade
• Acentua a dimensão psico-afectiva de um estado em “devir” • Um aspecto da dimensão da personalidade do sujeito • Menos estudado o aspecto da paternalidade • Os aspectos culturais? Clivagem que acentua o afectivo para o lado da mãe (maternalidade/paternalidade) e delega o poder no pai (paternalismo/maternalismo)

Tornar-se uma mãe tornar-se um pai
J. Begoin (2001)

• Criar uma criança é tb e simultaneamente criar um pai e criar uma mãe • A procriação trata de facto da criação de uma relação totalmente nova de 3 pessoas entre elas • Situação única e excepcional que comporta uma enorme força poterncial pela intensidade das reacções emocionais que provoca, não só entre os três protagonistas mas tb à sua volta, nomeada/ no meio familiar e social (pessoal médico e paramédico incluido)

O desejo de ter um filho na mulher
• • • • • • • Identificação com a mãe O desejo de ser completo e omnipotente (d.narcísico) O desejo de fusão e união com o outro O desejo de se rever no filho Realização de ideais e oportunidades perdidas O desejo de renovar velhas relações Dupla oportunidade de substituição e separação da própria mãe

Psicologia da Gravidez
• A gravidez como crise de desenvolvimento
(H.Deutch; G.Bibring; G.Caplan)

• A gravidez como início da Ligação MãeBebé (T. Brazelton; B.Cramer)

Paula Pinto de Freitas ICBAS Universidade do Porto

A Experiência de Ser Mãe é marcada por:
• • • • • • História pessoal da mulher Qualidade da relação no casal Expectativas em torno do bebé Qualidade da relação com a família e amigos Posição da mulher na sociedade Factores sociais económicos e culturais
Paula Pinto de Freitas ICBAS Universidade do Porto

A LIGAÇÃO MÃE - BEBÉ NA GRAVIDEZ COMO UM PROCESSO DE AJUSTAMENTO FÍSICO E PSICOLÓGICO AO FETO EM CRESCIMENTO

intimidade psicobiológica que torna indissociáveis aspectos biológicos e psicológicos
Paula Pinto de Freitas ICBAS Universidade do Porto

Nasce uma Ligação
1ª fase - adaptação à notícia de gravidez - ambivalência / Dúvidas 2ª fase - 1ºs movimentos fetais - reconhecimento do feto como um Ser separado da mãe - fantasias mais focadas no bebé - bebé perfeito / bebé anormal 3ª fase - progressiva individualização do feto - medos e fantasias acerca do parto
Paula Pinto de Freitas ICBAS Universidade do Porto

Movimentos Identificatórios da Grávida
• Identificação à mãe (movimento de aproximação à
própria mãe- identificação voltada para o passado)

• Identificação ao bebé (identificação voltada para o
futuro)

No desenrolar deste duplo processo identificatório desenvolve-se a capacidade da mulher ser mãe, ou seja, de responder às necessidades do seu bebé

3 BEBÉS no momento do nascimento
- o bebé imaginário - o feto invisível mas real - o recém-nascido real

Gravidez / Maternidade Tarefas desenvolvimentais
1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. Aceitação da notícia Aceitação do feto como um ser separado Reavaliação /reestruruação da relação com os pais Reavaliação/reestruturação da relação com o conjuge/companheiro Redefinição da sua própria identidade (integrando a identidade materna) Aprofundar o conhecimento do futuro bebé Reavaliação /reestruturação da relação com os outros filhos

PATERNIDADE
Pré-história da ligação - “paradoxo da masculinidade”(Bell, 1984) como conciliar um primeiro movimento identificatório à mãe com o novo movimento identificatório ao pai e ao comportamento masculino? O desejo de um bebé: ser completo/omnipotente/rever-se no bebé desejo de continuidade, transpor para o bebé ideais, oportunidades perdidas; renovar velhas relações; oportunidade de igualar o pai A Gravidez - proximidade/distância em relação à grávida (amostras transculturais:4% proximidade pai/bebé; 79% pai e mãe dormem separados durante amamentação) - O Síndroma de Couvade - A aproximação do pai do bebé ao próprio pai tem função protectora - Transição da relação dual para relação triangular - Preocupação com a saúde da grávida e feto

PARENTALIDADE E FAMÍLIA
• Na perspectiva da família Nuclear: O nascimento do primeiro filho marca o nascimento da família nuclear, acarretando mudanças estruturais e funcionais, com diferenciação dos sub-sistemas parental e filial. (com o nascimento de segundos filhos diferencia-se o subsistema fraternal) Na perspectiva da família alargada (o bebé concretiza a ligação entre as duas famílias de origem e cria novos laços de parentesco (avós, tios primos...) Acarreta uma reorganização das relações entre a família nuclear e as famílias de origem Introduz novas dimensões na relação família - sociedade

• •

MATERNIDADE E SAÚDE MENTAL
• • • • • • 15 a 20% das pacientes vistas nos serviços de saúde materna têm problemas de saúde mental mais de 10% poderiam ser considerados casos de depressão, mesmo que só uma pequena percentagem seja diagnosticada como tal no decurso do 1º ano após o parto, 10 a 20% das mulheres serão casos de depressão e 2% serão enviadas ao psiquiatra 2 por 1000 necessitarão de internamento psiquiátrico 10% das mulheres enviadas aos serviços de psiquiatria têm um filho com menos de um ano e 25% têm um filho com menos de 5 anos nos primeiros 30 dias após o parto, as mulheres têm um rico 16 vezes superior de internamento psiquiátrico. Após parto por cesariana o risco é 35 vezes superior

Perturbações Emocionais Pós-natais
Blues (50 a 70% das mães) labilidade emocional nos primeiros dias após o parto, duração 24-48h. Causas: biológicas+++ psicossociais+

Depressão pós-parto (10-20% das mães) causas: socio-demográficas(idade,classe social, conjugais, familiares,acontecimentos de vida/suporte social), obstétricas (infertilidade, abortos, planeamento da gravidez/intenção de interromper...), psiquiátricas (história pessoal e familiar), biológicas (aparentemente pouca relevância)

Perturbações Emocionais Pós-natais
Psicose puerperal (2 /1000 mães) ocorre nas primeiras 2-4 semanas após o parto causas: doença psiquiátrica anterior (mulheres com PMD terão 30% de risco de psicose puerperal); história familiar( maior incidência de doença psiquiátrica nos familiares em 1º grau); paridade (primiparidade, psicose puerperal em gravidez anterior); factores hormonais e bioquímicos (pouca relevância?)

GRAVIDEZ E SAÚDE MENTAL aspectos positivos
• • • • • 1º trimestre prazer/realização no papel reprodutivo ser valorizada e ter atenção da família sentimento de bem estar partilhar a experiência com a própria mãe

/
• • • • • • •

aspectos negativos
1º trimestre regeição/ambivalência face à gravidez percepção .do feto como invasivo, mal recebido adopt. papel de doente medos de anomalia fetal; culpabilidade ansiedade morte/feto rivalidade c/ p.mãe

GRAVIDEZ E SAÚDE MENTAL aspectos positivos
2º trimestre • > ligação ao feto • prazer nos mov. fetais • alhear-se do trabalho • aceitação pelas outras mães • preparar-se para o parto • • • • • • •

aspectos negativos
2º trimestre não gostar do corpo dificuldade c/ sexual. Sentir-se pouco atraente, < amor próprio desinvestir o feto sentir-se limitada profissionalmente sentir-se isolada do marido /amigos

GRAVIDEZ E SAÚDE MENTAL aspectos positivos / aspectos negativos
• • • • • 3º trimestre ansiedade e prazer relativa/ parto reforço das ligações c/outras mães reforça a ligação à própria mãe actividades de preparação do “ninho” • • • • • • • 3º trimestre ansiedade fóbica do parto, dor e hospitais medo de perder controlo no parto medo de anomalia fetal, morte RN preocupação c/ o sexo do bebé diminui act. sexual e teme perder companh. Preocupação devida a depressão pós-natal em grav. anterior ansiedade qt às competências parent.

MATERNIDADE PATERNIDADE PREMATURA

Paula Pinto de Freitas ICBAS Universidade do Porto

Maternidade Precoce Gravidez na Adolescência
• OMS - gravidez e maternidade abaixo dos 20 anos • Maior morbilidade materna e fetal (grupo com idade <16 anos) • Geralmente não planeada e pré-conjugal • Dificuldades de maturação psicossocial da jovem mãe e do casal parental • Frequente/ associado a baixa escolaridade, desemprego ou emp. precário e pobreza • Filhos de mães adolescentes. Grupo de Risco? • O grupo de grávidas adolescentes é muito heterogéneo

Maternidade Precoce
A nossa Realidade
(Saúde das Mulheres em Portugal. L. Ferreira da Silva 2002)

• 1995 - país europeu com > proporção de nados vivos de mães com menos de 20 anos 7,48% do total • 1981 - 39,6 /10.000 (15-19 anos) 40/10.000 (10-14 anos) • 1997 -21,3/10.000 (15-19 anos) 35/10.000 (10-14 anos) mas:os médicos sentinela registam um número crescente nesta faixa etária <14 anos • mães idade < 20 escolaridade: 62% <6anos; 25% 4 anos • a maternidade precoce (<20 anos) tem vindo a diminuir desde 1980 (educação sexual;contracepção; menor act. sexual por receio de d. infecto-contagiosas)

GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA
Factores Influenciadores Factores Individuais -início precoce da actividade sexual - pobreza - abuso sexual - menor sucesso escolar, menores aspirações académicas - sentimentos de desvalorização, baixa auto-estima - comportamentos problemáticos, abuso de drogas -diferenças étnicas ( etnia cigana, r.negra) - níveis mais elevados de desempenho escolar - menor probabilidade de ser sexual/ activa - maior probabilidade de uso de contraceptivos - maior probabilidade de abortar no caso de gravidez

GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA
Factores Influenciadores Factores familiares - famílias disfuncionais - famílias numerosas, monoparentais, prob. sócio-económicos - filhas, irmãs de mães adolescentes (transgeracionalidade) Factores Relacionais - escolha de parceiro (mais velho 2-4 anos, baixa escola e profissão) - começam a namorar mais cedo - maior número de parceiros - rel. de longa duração com o pai do bebé - idealizam mais a rel. amorosa - percepção mais negativa sobre os homens - valorizam mais a relação com a família do que com os pares - forma de aceder ao grupo dos adultos

Gravidez na Adolescência
Factores de risco para repetição de gravidez
30% das mães adolescentes tem 2º filho nos dois anos após o 1º - menor idade da adolescente no nascimento do 1º - baixo uso de contraceptivos, elevada frequência de rel. sexuais - maior duração de rel. com namorado - relações conflituosas com família de origem - deficiente comunicação na família - cuidados ao bebé a cargo da mãe da adolescente - pouca pressão social para prestação de cuidados parentais - baixo sucesso escolar, não regresso à escola 6 meses após parto - uso de drogas - gravidezes precoces no grupo das amigas

Gravidez na Adolescência papel protector do suporte social
- a mãe da grávida como principal fonte de apoio - melhor ajustamento da mãe e do filho a curto e longo prazo - facilita prosseguimento dos estudos - facilita realização profissional - facilita a estabilidade conjugal - melhora a qualidade dos cuidados parentais

- o suporte do companheiro está menos estudado e os resultados são menos consensuais

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful