ESTUDO DO COMPORTAMENTO DINÂMICO “IN LINE” E

TRANSVERSAL DE “RISER” RÍGIDO DE PRODUÇÃO
Fernanda Pinheiro Martins
1
, Hélio Y. Kubota
1
, Celso K. Morooka
1
, João Alfredo Ferrari Jr.
2
, Elton
J. B. Ribeiro
2
1
Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP/FEM/DEP, C.P.-6122, 13083-970
Campinas-SP, fernanda@dep.fem.unicamp.br
2
Petróleo Brasileiro AS, PETROBRAS, jferrari@petrobras.com.br
Resumo – Tendo em vista o grande número de campos de petróleo descobertos, principalmente em águas
profundas, no Brasil tem sido abordadas diferentes fronteiras de estudos em análise do comportamento de sistemas
marítimos de produção. No presente trabalho é analisado o comportamento de um “riser” rígido vertical de produção,
tubulação de conexão do fundo do mar a uma instalação de produção com completação seca (plataforma flutuante)
localizado na superfície do mar. São apresentados os fundamentos do comportamento “in-line” e transversal do “riser”.
Os resultados obtidos ilustram os deslocamentos do “riser” submetido à ação direta das ondas do mar, correnteza e
movimentos da plataforma flutuante na superfície do mar. É estudada a influência dos diferentes parâmetros do sistema
nos deslocamentos do “riser”, comparando-se estes resultados com dados experimentais e outros disponíveis na
literatura.
Palavras-Chave: sistemas marítimos de produção; “riser” rígido de produção; correnteza; ondas

Abstract –Due to the great number of petroleum reserves discovered, principally at deep water, in Brazil has
been broached different frontiers of studies in analysis of the offshore production systems. In the present work is
analyzed the behavior of a vertical rigid production riser, pipeline connection from the bottom of the sea to a production
installation with dry completion (floating platform) at the sea surface. It is presented fundamentals of the inline and
transversal riser behavior. The results obtained show the riser displacements under the direct action of the waves sea,
current and motions of floating platform at the sea surface. It is studied the influence of different system parameters on
the riser displacements, and this results are compared with experimental data and others available from the literature.
Keywords: offshore production systems; rigid production riser; current; waves
2
o
CONGRESSO BRASILEIRO DE
P&D EM PETRÓLEO & GÁS
2
o
Congresso Brasileiro de P&D em Petróleo & Gás
1. Introdução
Em sistemas marítimos flutuantes de produção com completação seca, o “riser” rígido vertical surge como
uma alternativa ao “riser” flexível, particularmente para instalações de produção de petróleo em águas profundas. No
entanto, o seu comportamento mecânico deve ser analisado exaustivamente, tendo em vista a possibilidade de sua
aplicação em águas ultraprofundas, com mais de 1500 metros de lâmina d’água. Os deslocamentos e esforços máximos
ao longo do “riser”, assim como a redução da vida útil (fadiga) causada pelos carregamentos alternados são pontos
fundamentais a serem investigados para diversas condições ambientais de operação do sistema.
A modelagem matemática adotada para o “riser” rígido neste trabalho considera um elemento tubular esbelto
sob a ação direta dos movimentos induzidos pelo navio ou plataforma flutuante no topo, e com a ação direta de ondas
marítimas e correntezas. A ação da onda, no presente trabalho, é considerada unidirecional, ou seja, assume-se que as
ondas atingem a estrutura segundo uma única direção de propagação, na qual se concentra toda a energia (Batelochi,
2000).
Em geral os modelos matemáticos disponíveis na literatura consideram apenas o comportamento
bidimensional do “riser”. Um modelo mais realista considera a tridimensionalidade do problema abordado, isto é,
consideram-se as forças hidrodinâmicas em cada secção do “riser” ao longo do seu comprimento, tanto as co-lineares
como as transversais em relação à direção do carregamento ambiental, agindo no “riser” a cada instante. O presente
trabalho tem como base, o modelo de Ferrari&Bearman (1999) para a solução numérica do problema do escoamento 3-
D levando-se em consideração a interação fluido-estrutura ao longo do “riser”.
2. “Riser” Rígido de Produção
O “riser” rígido de produção é um elemento tubular esbelto que interliga o poço no fundo marinho à
embarcação de processo na superfície do mar, para fins de escoamento da produção de óleo e gás do reservatório de
petróleo, ou ainda, utilizado para conduzir a água de injeção ao reservatório, como ilustrado na Figura 1.
Figura 1. Típica configuração de “riser” e plataforma
O seu projeto é diretamente dependente de fatores como condições operacionais e ambientais, profundidade,
diâmetros e pressão interna de trabalho. Todos estes componentes têm de ser considerados no projeto dos vários
componentes de sistemas de “riser” incluindo o tubo principal, as linhas auxiliares, os conectores, a distribuição dos
módulos de flutuação, e eventuais sistemas de tensionamento. Dentre vários fatores que influenciam o comportamento
do “riser”, talvez o mais importante seja a ação das forças de correnteza e de onda agindo diretamente, e o movimento
induzido pela embarcação sob o efeito de ondas. Além disso, as propriedades mecânicas do “riser”, assim como a
pressão hidrostática do fluido interno e externo tem efeitos que não podem ser desprezados.
2.1. Mecânica do “Riser” Rígido
As equações de equilíbrio para um segmento tubular inclinado (Figura 2) e os carregamentos estaticamente
equivalentes em seu centro, resultantes de pressão interna e externa do fluido, e do peso do segmento são derivadas e
acopladas de forma a resultarem na seguinte equação final governante do movimento de um “riser” rígido:
| | | | | | ) 1 ( ) , , ( ) ) ( ) ( ) , , ( ) ( ) ( ( ( )) ( ) ( ) ( ) ( ) ( (
0 0 0
2
2
0
0
2
2
2
2
t z x f x m
z
x
z A z A t z x f z A z A
z
x
z P z A z P z A z T
z
x
EI
z
XS X I I ZS I S
I
I
= +


+ − − − −


− + −
(
(
¸
(

¸

|
|
.
|

\
|




• •
γ γ γ
PERNAS
ATIRANTADAS
“RISERS” RÍGIDOS
ÁRVORE DE NATAL
SECA E SISTEMA DE
PROCESSO NO
CONVÉS
NÍVEL DO MAR
(ONDAS E VENTOS)
FUNDO DO MAR
CORRENTEZA
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o
Congresso Brasileiro de P&D em Petróleo & Gás
Figura 2. Diagrama de equilíbrio estático para um elemento de “riser”
A resolução para o carregamento do “riser” pode ser obtida através da resolução da equação acima, acoplada
às condições de contorno e à previsão correta dos carregamentos de ondas e correnteza (
XS
f e
ZS
f ). A variação da
tensão ao longo do comprimento do “riser” é assumida constante. Desta forma, temos:
| |
XS X I I ZS I S
I
I
f x m A A f A A
ds
d
P A P A T
ds
d
EI
s d
d
= + + − − − −
(
¸
(

¸

− + − |
.
|

\
|
• •
) ) ( ( tan sec ) (
0 0 0
0
0 2
2
γ γ γ θ θ
θ θ
(2)
2.2. Equação de Morison
Adotou-se a aplicação da equação de Morison para a descrição das forças hidrodinâmicas de correnteza e de
ondas, agindo perpendicularmente ao “riser” vertical, considerado como um elemento cilíndrico. A força hidrodinâmica
total que ondas exercem sobre um elemento é compostas de duas partes, inercial e de arraste.
A força de inércia refere-se à aceleração e posterior desaceleração de uma determinada partícula de água ao
passar pela superfície de um cilindro, sobre um pequeno segmento, dl, deste. Para que tal aceleração ocorra, é
necessário que uma força aplicada na superfície gere trabalho. O aumento de tal força em um pequeno segmento (dl), é
proporcional à aceleração da partícula de água ao centro do cilindro. Em fluxos permanentes, o coeficiente de arrasto
(C
D
) é dependente do número de Reynolds. Além disso, o aumento da rugosidade contribui para o aumento do C
D
.
Para descrever a força por unidade de comprimento do cilindro temos a seguinte equação (Ferrari, 1998):
u u A C
t
u
A C f
D D I M
+


= (3)
Foi utilizada a teoria de onda de Stokes de 5
a
ordem para a obtenção dos termos de velocidade.
2.3. Definição do Modelo Hidrodinâmico “Inline”
Para o deslocamento in-line a equação da força externa agente tem a forma:
.. .
. ) ( | | . . x A C x u V A C
t
u
A C F
I A r D D I M x
− − +


=
(4)
A precisão dos resultados obtidos com a utilização da Equação 3 depende da escolha dos coeficientes
hidrodinâmicos (C
D
, C
M
, C
A
), os quais são normalmente determinados empiricamente como pode ser visto em Sarpkaya
& Isaacson (1981).
Em termos gerais, as forças hidrodinâmicas são funções do número de Reynolds, rugosidade superficial do
“riser” e do número de Keulegan-Carpenter (KC). A força por unidade de comprimento devido a ação da onda no
“riser” definido pela dimensão característica D (diâmetro do “riser”) pode ser escrita na forma de
) , , , , , , , , (
0 0
ν ρ ψ v u k L D T t F = . Através da análise dimensional, considerando-se apenas o efeito de onda, chega-se a
seguinte expressão adimensional:

|
|
.
|

\
|
=
L
D
v
u D u
D
T u
D
k
T
t
D u
F
, , , , ,
0
0 0 0
2
0
ν
ψ
ρ
(5)
Assim sendo, KC e Re estão relacionados com a importância da força de arrasto viscoso, enquanto que o
parâmetro de difração determina a importância do efeito da difração da onda. Nota-se que quando o KC é grande, o
parâmetro de difração é pequeno e vice-versa, isso significa que para grandes efeitos de difração necessariamente a
componente de arrasto é pequena, e inversamente quando a componente de arrasto é grande a difração pode ser
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Congresso Brasileiro de P&D em Petróleo & Gás
desprezada. E, portanto, para o caso particular do “riser”, a componente de arrasto é predominante na força
hidrodinâmica agente.
Estudos mostraram que a freqüência de vibração do “riser” na direção “inline” é normalmente menor do que
na direção transversal, no entanto, com o deslocamento ocorre o inverso, como pode ser observado nos gráficos de
deslocamentos máximos e mínimos (Figura 4).
2.4. Definição do Modelo Transversal
Assim como na solução do deslocamento in-line, utiliza-se a Equação de Morison na obtenção do modelo
hidrodinâmico trasversal, desde que se conheça a forma para a estimativa de forças VIV. As matrizes básicas podem ser
estimadas da mesma forma que foi feito para a direção in-line. O coeficiente de massa adicionada, necessário para
estimar-se a matriz de amortecimento estrutural, terá que ser consistente com o comportamento transversal (Ferrari,
Bearman 1999).
Figura 3. Formação de vórtices devido à onda em função de KC (Chakrabarti, 1987)
De acordo com (Kubota, Morooka e Ferrari, 2002) no escoamento ao redor de um cilindro ocorre diferença de
pressão na sua superfície o que promove a separação do fluxo e a formação de vórtices em ambos os lados do cilindro,
formando camadas cisalhantes que se opõem ao fluxo gerando os vórtices. A Figura 3 mostra esquematicamente o
fenômeno de formação de vórtices em função do KC. A formação alternada de vórtices gera forças assimétricas em
cada lado do cilindro que podem causar o deslocamento do cilindro causando o efeito de vibração induzida por vórtice
(VIV). Particularmente, estruturas esbeltas, tais como o “riser” rígido de produção e perfuração, condutores e linhas em
geral, estão sujeitas ao VIV. A conseqüência mais importante do VIV é a elevação dos níveis de tensão na estrutura
contribuindo para redução de sua vida operacional. Assim sendo, a equação a seguir governa a força causada pelo VIV.
) ´ 2 cos( ) ) ((
2
1
_ _
2
.
ϕ π ρ + + − = t f C D U x u F
S t C VIV
(6)
Aplicando a Equação de Morison para a direção transversal, obtém-se a seguinte equação (Ferrari, 1998):
.. .
. | | y A C y V A C F F
I A r D D VIV y
− − = (7)
onde F
y
é a força transversal devido à onda e F
VIV
= Força devido à vibração induzida por vórtices (VIV).
As vibrações axiais são um produto de vibrações transversais ao fluxo e são observadas quando a deformação
axial devida às vibrações axiais de fluido em um nodo de ressonância axial.
3. Deslocamentos do “Riser” Rígido de Produção
A Equação de Morison utilizada para estruturas livres, oscilando sob a ação de ondas e correntezas,
corresponde a um acoplamento entre as equações que descrevem: a oscilação do cilindro na presença de correntezas e
na presença de ondas. Tal equação pode ser escrita somando-se as Equações 4 e 7:
) ( | | y x A C V V A C F
t
u
A C F
I A r r D D VIV I M r
r
& &
r
& &
r r r
r
r
+ − + +


= (8)
sendo que
2 2
) ( | | y x u V
r
& & + − = , e
2 2
| |
y x r
F F F + =
r
.
Neste trabalho aplicou-se a solução no domínio do tempo, utilizando-se a integração numérica direta das
equações de movimento, com a inclusão de todas as não-linearidades presentes no modelo. A análise no domínio do
tempo consiste basicamente na solução das equações de equilíbrio estático do “riser”, incluindo parcelas inerciais, de
amortecimento e cargas aplicadas, em pontos particulares do “riser”. Neste procedimento de solução, a estabilidade e a
precisão da integração no tempo devem ser cuidadosamente estudadas. Em geral, todos os métodos requerem que o
intervalo de tempo seja pequeno o suficiente para representar corretamente as freqüências contidas nos carregamentos
ou nas respostas. Grandes intervalos de tempo resultam em análises mais rápidas e precisas para as freqüências
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representadas, mas podem estar perdendo contribuições importantes de freqüências mais altas (Souza, Veritas e Estefen,
2002). Assim sendo, os métodos de integração no tempo têm como característica fundamental aproximar as derivadas
que aparecem, no sistema de equações do movimento e gerar uma solução passo a passo com intervalos de tempo ∆t e a
solução dos deslocamentos, no final de cada intervalo, fornece as condições iniciais para o intervalo seguinte. No
presente trabalho, foi aplicado o Método de Newmark- β , com β =1/4.
4. Resultados
Além da análise para o “riser” em toda a sua extensão, foi feito um estudo para o comportamento de três nós
distintos, correspondentes a 30m, 60m e 90m de profundidade, sob períodos de onda variados. Os parâmetros
analisados para cada nó são os comportamentos hidrodinâmicos “inline” e transversal.
Para esta análise, considerou-se uma onda com a altura de 2m e um “riser” de 120m de comprimento. A
Figura 5 mostra o histórico de deslocamentos para ondas com períodos (T) de 4s, 6s e 8s, respectivamente.
Figura 4. Deslocamentos “inline” e transversal em função da profundidade
Figura 6. Gráficos dos deslocamentos para os três casos de períodos analisados
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5. Conclusões
Verificou-se em testes realizados com o simulador numérico desenvolvido para calcular o comportamento
dinâmico do “riser”, que os resultados estão compatíveis com os disponíveis na literatura. Uma verificação mais
completa do programa está apresentada em Kubota et al (2002).
De uma forma geral, através da observação dos resultados obtidos neste estudo, os deslocamentos “inline”
apresentam uma ordem de grandeza maior em relação aos transversais. Entretanto, o estudo do comportamento
transversal é importante, pois a vibração transversal causada pelo VIV tende a diminuir a vida útil do “riser” devido a
efeitos de fadiga.
Como era esperada, a análise dos históricos temporais demonstra que os deslocamentos diminuem com a
profundidade, acompanhando a tendência da energia da onda que diminui com o aumento da profundidade, para os
casos analisados.
Nomenclatura
EI = Rigidez à flexão da estrutura
T= Tensão axial na parede do “riser”
P
0
= Pressão externa
P
i
= Pressão interna
A
0
= Área transversal interna do
“riser” e espessura
A
i
= Área transversal do furo do
“riser”
A
S
= Área transversal da parede do
“riser”
γ
0
= Peso específico do fluido
externo
γ
i
= Peso específico do fluido interno
γ
S
= Peso específico do material do
“riser”
N = Força resultante
θ = ângulo de deflexão
t= tempo
D= Diâmetro do “riser”
L= comprimento da onda
k= Dimensão característica de
rugosidade
ρ= densidade da água
ν= viscosidade cinemática
F
x
= Força “inline” devido à onda
C
M
= Coeficiente de inércia
C
D
= Coeficiente de arrasto
C
A
= Coeficiente de massa adicional
u
0
D/ν = numero de Reynolds
u
0
/v
0
= parâmetro de velocidade da
partícula de onda
D/L = parâmetro de difração
ρ = Densidade do fluido
U
c
= Velocidade da correnteza
_
t
C = Amplitude média do
coeficiente transversal de força.
D
St U
f
S
| |


= =Freqüência média dos
vórtices
ϕ = Diferença de fase entre a
resposta do “riser” e a força
transversal.
St = Número de Strouhal
t
dt U
U
t

=
0
_
= Velocidade média do
fluxo oscilatório.
U = Velocidade instantânea do
fluxo oscilatório.
A
D
= ρπD
2
/4
A
I
= ρD/2
t / T = tempo adimensional
k / D = parâmetro de rugosidade
V
r
= Velocidade relativa
u
0
T/D = KC
u
0
= máxima velocidade horizontal
da partícula de água
v
0
= máxima velocidade vertical da
partícula de água
Agradecimentos

Os autores agradecem a PRH-ANP, Petrobrás e Finep/CTPetro pelo apoio à presente pesquisa.
Referências
CHAKRABARTI, S. K. , FRAMPTON, R. E., Review of “Riser” Analysis Techniques, Chicago Bridge and
Iron Co, Plainfield , IL 60544, USA
CHAKRABARTI, S. K., Hydrodynamics of Offshore Structures, Computational Mechanics Publications,
Springer-Verlag, 1987
DE A. E SOUZA, L. F. , VERITAS, D. N. , ESTEFEN, S. F., “Risers” Rígidos em Catenária: Aspectos da
Verificação à Fadiga, SOBENA 2002.
FERRARI, J. A , BEARMAN, P. W. , A Quasi 3-D Model for the Hydrodynamic Loading and Response of
Offshore “risers” Proceedings of the 9
th
International Conference of Offshore and Polar Engineering, Brest, France,
June 1999.
KUBOTA, H. Y. , MOROOKA, C. K. , JR FERRARI, J. A. , NISHIMOTO, K., Cálculo Quase 3D do
Comportamento de “Riser” Rígido de Produção, SOBENA 2002
GUESSNON, J. , GAILLARD,CH. , RICHARD, F.: Ultra Deep Water Drilling “Riser” Design and Relative
Technology

consideram-se as forças hidrodinâmicas em cada secção do “riser” ao longo do seu comprimento. o “riser” rígido vertical surge como uma alternativa ao “riser” flexível. utilizado para conduzir a água de injeção ao reservatório.2o Congresso Brasileiro de P&D em Petróleo & Gás 1. Dentre vários fatores que influenciam o comportamento do “riser”. 2. Além disso. Um modelo mais realista considera a tridimensionalidade do problema abordado. diâmetros e pressão interna de trabalho. no presente trabalho. resultantes de pressão interna e externa do fluido. os conectores. tendo em vista a possibilidade de sua aplicação em águas ultraprofundas. profundidade. para fins de escoamento da produção de óleo e gás do reservatório de petróleo. tanto as co-lineares como as transversais em relação à direção do carregamento ambiental.1. e o movimento induzido pela embarcação sob o efeito de ondas. 2. 2000). o modelo de Ferrari&Bearman (1999) para a solução numérica do problema do escoamento 3D levando-se em consideração a interação fluido-estrutura ao longo do “riser”. A modelagem matemática adotada para o “riser” rígido neste trabalho considera um elemento tubular esbelto sob a ação direta dos movimentos induzidos pelo navio ou plataforma flutuante no topo. assume-se que as ondas atingem a estrutura segundo uma única direção de propagação. assim como a pressão hidrostática do fluido interno e externo tem efeitos que não podem ser desprezados. e com a ação direta de ondas marítimas e correntezas. com mais de 1500 metros de lâmina d’água. é considerada unidirecional. Típica configuração de “riser” e plataforma O seu projeto é diretamente dependente de fatores como condições operacionais e ambientais. Introdução Em sistemas marítimos flutuantes de produção com completação seca. como ilustrado na Figura 1. z. No entanto. z. ou seja. isto é. na qual se concentra toda a energia (Batelochi. ou ainda. as linhas auxiliares. talvez o mais importante seja a ação das forças de correnteza e de onda agindo diretamente. t ) − A0 ( z)γ 0 + AI ( z)γ I )] + mX x = f XS ( x. e eventuais sistemas de tensionamento. as propriedades mecânicas do “riser”. ÁRVORE DE NATAL SECA E SISTEMA DE PROCESSO NO CONVÉS PERNAS ATIRANTADAS NÍVEL DO MAR (ONDAS E VENTOS) “RISERS” RÍGIDOS FUNDO DO MAR CORRENTEZA Figura 1. Mecânica do “Riser” Rígido As equações de equilíbrio para um segmento tubular inclinado (Figura 2) e os carregamentos estaticamente equivalentes em seu centro. a distribuição dos módulos de flutuação. assim como a redução da vida útil (fadiga) causada pelos carregamentos alternados são pontos fundamentais a serem investigados para diversas condições ambientais de operação do sistema. agindo no “riser” a cada instante. t )  ∂z ∂z ∂ z  ∂ z     [ ] (1) . particularmente para instalações de produção de petróleo em águas profundas. A ação da onda. e do peso do segmento são derivadas e acopladas de forma a resultarem na seguinte equação final governante do movimento de um “riser” rígido: ••  ∂ 2  ∂ 2 x  ∂2 x ∂x  2  EI 2  − (T ( z) + A0 ( z)P 0 ( z) − AI ( z)P I ( z)) 2 − [(γ S ([A0 ( z) − AI ( z)] − f ZS ( x. o seu comportamento mecânico deve ser analisado exaustivamente. O presente trabalho tem como base. Os deslocamentos e esforços máximos ao longo do “riser”. Todos estes componentes têm de ser considerados no projeto dos vários componentes de sistemas de “riser” incluindo o tubo principal. “Riser” Rígido de Produção O “riser” rígido de produção é um elemento tubular esbelto que interliga o poço no fundo marinho à embarcação de processo na superfície do mar. Em geral os modelos matemáticos disponíveis na literatura consideram apenas o comportamento bidimensional do “riser”.

T . AI x ∂t (4) A precisão dos resultados obtidos com a utilização da Equação 3 depende da escolha dos coeficientes hidrodinâmicos (CD. A força hidrodinâmica total que ondas exercem sobre um elemento é compostas de duas partes. chega-se a seguinte expressão adimensional:  t k u T u D u D F =ψ  . as forças hidrodinâmicas são funções do número de Reynolds.3.2. inercial e de arraste. A força de inércia refere-se à aceleração e posterior desaceleração de uma determinada partícula de água ao passar pela superfície de um cilindro. dl. AI . A variação da tensão ao longo do comprimento do “riser” é assumida constante. isso significa que para grandes efeitos de difração necessariamente a componente de arrasto é pequena. 1998): ∂u f = C M AI (3) + C D AD u u ∂t Foi utilizada a teoria de onda de Stokes de 5a ordem para a obtenção dos termos de velocidade. Em fluxos permanentes. k . Para descrever a força por unidade de comprimento do cilindro temos a seguinte equação (Ferrari. o aumento da rugosidade contribui para o aumento do CD. agindo perpendicularmente ao “riser” vertical. Desta forma.ν ) .. 2. O aumento de tal força em um pequeno segmento (dl). ρ . KC e Re estão relacionados com a importância da força de arrasto viscoso. rugosidade superficial do “riser” e do número de Keulegan-Carpenter (KC).  2 T D D ν v L  ρu 0 D 0   (5) Assim sendo. v 0 . Equação de Morison Adotou-se a aplicação da equação de Morison para a descrição das forças hidrodinâmicas de correnteza e de ondas. A força por unidade de comprimento devido a ação da onda no “riser” definido pela dimensão característica D (diâmetro do “riser”) pode ser escrita na forma de F = ψ (t . acoplada às condições de contorno e à previsão correta dos carregamentos de ondas e correnteza ( f XS e f ZS ). 0 . sobre um pequeno segmento. considerado como um elemento cilíndrico. Além disso. o coeficiente de arrasto (CD) é dependente do número de Reynolds. Para que tal aceleração ocorra. Através da análise dimensional. e inversamente quando a componente de arrasto é grande a difração pode ser .2o Congresso Brasileiro de P&D em Petróleo & Gás Figura 2. CA). Definição do Modelo Hidrodinâmico “Inline” Para o deslocamento in-line a equação da força externa agente tem a forma: Fx = C M . temos: ••  d 2  dθ  dθ   − (T + A0 P 0 − AI P I )  2  EI  sec θ − tan θ [(γ S ( A0 − AI ) − f ZS − A0γ 0 + AI γ I ) ] + m X x = f XS ds  ds  d s  (2) 2. . . Nota-se que quando o KC é grande. considerando-se apenas o efeito de onda. 0 . é proporcional à aceleração da partícula de água ao centro do cilindro. 0 . . Diagrama de equilíbrio estático para um elemento de “riser” A resolução para o carregamento do “riser” pode ser obtida através da resolução da equação acima. u 0 . o parâmetro de difração é pequeno e vice-versa. é necessário que uma força aplicada na superfície gere trabalho. enquanto que o parâmetro de difração determina a importância do efeito da difração da onda. L. os quais são normalmente determinados empiricamente como pode ser visto em Sarpkaya & Isaacson (1981). D. CM. Em termos gerais. ∂u + C D AD | Vr | (u − x) − C A . deste.

A formação alternada de vórtices gera forças assimétricas em cada lado do cilindro que podem causar o deslocamento do cilindro causando o efeito de vibração induzida por vórtice (VIV). utiliza-se a Equação de Morison na obtenção do modelo hidrodinâmico trasversal. para o caso particular do “riser”.. de amortecimento e cargas aplicadas. Deslocamentos do “Riser” Rígido de Produção A Equação de Morison utilizada para estruturas livres. tais como o “riser” rígido de produção e perfuração. A análise no domínio do tempo consiste basicamente na solução das equações de equilíbrio estático do “riser”. 2002) no escoamento ao redor de um cilindro ocorre diferença de pressão na sua superfície o que promove a separação do fluxo e a formação de vórtices em ambos os lados do cilindro. desde que se conheça a forma para a estimativa de forças VIV. (8) Neste trabalho aplicou-se a solução no domínio do tempo.4. Grandes intervalos de tempo resultam em análises mais rápidas e precisas para as freqüências . As matrizes básicas podem ser estimadas da mesma forma que foi feito para a direção in-line. incluindo parcelas inerciais. A conseqüência mais importante do VIV é a elevação dos níveis de tensão na estrutura contribuindo para redução de sua vida operacional. Formação de vórtices devido à onda em função de KC (Chakrabarti. a componente de arrasto é predominante na força hidrodinâmica agente. com a inclusão de todas as não-linearidades presentes no modelo. e | Fr |= Fx2 + F y2 . necessário para estimar-se a matriz de amortecimento estrutural. portanto. como pode ser observado nos gráficos de deslocamentos máximos e mínimos (Figura 4). As vibrações axiais são um produto de vibrações transversais ao fluxo e são observadas quando a deformação axial devida às vibrações axiais de fluido em um nodo de ressonância axial. 2. O coeficiente de massa adicionada. Neste procedimento de solução. Bearman 1999). 3. estão sujeitas ao VIV. Estudos mostraram que a freqüência de vibração do “riser” na direção “inline” é normalmente menor do que na direção transversal. a equação a seguir governa a força causada pelo VIV. todos os métodos requerem que o intervalo de tempo seja pequeno o suficiente para representar corretamente as freqüências contidas nos carregamentos ou nas respostas. Definição do Modelo Transversal Assim como na solução do deslocamento in-line. oscilando sob a ação de ondas e correntezas. formando camadas cisalhantes que se opõem ao fluxo gerando os vórtices. Assim sendo. utilizando-se a integração numérica direta das equações de movimento. 1987) De acordo com (Kubota. Figura 3.2o Congresso Brasileiro de P&D em Petróleo & Gás desprezada. 1 ρ ((u − x ) + U C ) 2 D C t cos( 2π f S t´+ϕ ) 2 (6) Aplicando a Equação de Morison para a direção transversal. y . obtém-se a seguinte equação (Ferrari. estruturas esbeltas. FVIV = _ _ . a estabilidade e a precisão da integração no tempo devem ser cuidadosamente estudadas. corresponde a um acoplamento entre as equações que descrevem: a oscilação do cilindro na presença de correntezas e na presença de ondas. (7) onde Fy é a força transversal devido à onda e FVIV = Força devido à vibração induzida por vórtices (VIV). E. Em geral. terá que ser consistente com o comportamento transversal (Ferrari. com o deslocamento ocorre o inverso. em pontos particulares do “riser”. Morooka e Ferrari. 1998): F y = FVIV − C D AD | Vr | y − C A AI . Tal equação pode ser escrita somando-se as Equações 4 e 7: r r r r r r ∂u r Fr = C M AI x y + FVIV + C D AD | V r | V r − C A AI ( && + &&) ∂t r & & sendo que | Vr |= (u − x) 2 + y 2 . no entanto. A Figura 3 mostra esquematicamente o fenômeno de formação de vórtices em função do KC. Particularmente. . condutores e linhas em geral.

Gráficos dos deslocamentos para os três casos de períodos analisados . Veritas e Estefen. Figura 4. 6s e 8s. 4. considerou-se uma onda com a altura de 2m e um “riser” de 120m de comprimento. Deslocamentos “inline” e transversal em função da profundidade Figura 6. correspondentes a 30m. Assim sendo. sob períodos de onda variados. no final de cada intervalo. 2002). foi aplicado o Método de Newmark. mas podem estar perdendo contribuições importantes de freqüências mais altas (Souza. fornece as condições iniciais para o intervalo seguinte. respectivamente. os métodos de integração no tempo têm como característica fundamental aproximar as derivadas que aparecem. A Figura 5 mostra o histórico de deslocamentos para ondas com períodos (T) de 4s. No presente trabalho. no sistema de equações do movimento e gerar uma solução passo a passo com intervalos de tempo ∆t e a solução dos deslocamentos.β . Os parâmetros analisados para cada nó são os comportamentos hidrodinâmicos “inline” e transversal. Resultados Além da análise para o “riser” em toda a sua extensão.2o Congresso Brasileiro de P&D em Petróleo & Gás representadas. Para esta análise. foi feito um estudo para o comportamento de três nós distintos. 60m e 90m de profundidade. com β =1/4.

. NISHIMOTO. Review of “Riser” Analysis Techniques. U = Velocidade instantânea do fluxo oscilatório. Chicago Bridge and Iron Co. ESTEFEN. J. Plainfield . SOBENA 2002. Cálculo Quase 3D do Comportamento de “Riser” Rígido de Produção. A . VERITAS. S. . = Velocidade média do t fluxo oscilatório. . RICHARD.. . para os casos analisados. . Y. Springer-Verlag. . que os resultados estão compatíveis com os disponíveis na literatura. J. GAILLARD. De uma forma geral. através da observação dos resultados obtidos neste estudo. pois a vibração transversal causada pelo VIV tende a diminuir a vida útil do “riser” devido a efeitos de fadiga. Nomenclatura EI = Rigidez à flexão da estrutura T= Tensão axial na parede do “riser” P0 = Pressão externa Pi = Pressão interna A0 = Área transversal interna do “riser” e espessura Ai = Área transversal do furo do “riser” AS = Área transversal da parede do “riser” γ0 = Peso específico do fluido externo γi = Peso específico do fluido interno γS = Peso específico do material do “riser” N = Força resultante θ = ângulo de deflexão t= tempo D= Diâmetro do “riser” L= comprimento da onda k= Dimensão característica de rugosidade ρ= densidade da água ν= viscosidade cinemática Fx = Força “inline” devido à onda CM = Coeficiente de inércia CD = Coeficiente de arrasto CA = Coeficiente de massa adicional u0D/ν = numero de Reynolds u0/v0 = parâmetro de velocidade da partícula de onda D/L = parâmetro de difração ρ = Densidade do fluido Uc = Velocidade da correnteza St = Número de Strouhal _ t Ct = − − _ Amplitude média do coeficiente transversal de força. C. K. France. IL 60544. Uma verificação mais completa do programa está apresentada em Kubota et al (2002). Brest. “Risers” Rígidos em Catenária: Aspectos da Verificação à Fadiga. Hydrodynamics of Offshore Structures.. F. Computational Mechanics Publications. J. USA CHAKRABARTI. A. A Quasi 3-D Model for the Hydrodynamic Loading and Response of Offshore “risers” Proceedings of the 9th International Conference of Offshore and Polar Engineering. E SOUZA. R.CH. F. MOROOKA. a análise dos históricos temporais demonstra que os deslocamentos diminuem com a profundidade. acompanhando a tendência da energia da onda que diminui com o aumento da profundidade. Referências CHAKRABARTI. o estudo do comportamento transversal é importante. FRAMPTON. Entretanto. N.2o Congresso Brasileiro de P&D em Petróleo & Gás 5. BEARMAN. K. June 1999. P. os deslocamentos “inline” apresentam uma ordem de grandeza maior em relação aos transversais. D. Petrobrás e Finep/CTPetro pelo apoio à presente pesquisa. AD = ρπD2/4 AI = ρD/2 t / T = tempo adimensional k / D = parâmetro de rugosidade Vr = Velocidade relativa u0T/D = KC u0= máxima velocidade horizontal da partícula de água v0= máxima velocidade vertical da partícula de água U= ∫ U dt 0 Agradecimentos Os autores agradecem a PRH-ANP. KUBOTA. JR FERRARI. . Como era esperada.. . .: Ultra Deep Water Drilling “Riser” Design and Relative Technology . | U | St fS = =Freqüência média dos D vórtices ϕ = Diferença de fase entre a resposta do “riser” e a força transversal. FERRARI. S. E. SOBENA 2002 GUESSNON. S. K. K. . 1987 DE A. W. Conclusões Verificou-se em testes realizados com o simulador numérico desenvolvido para calcular o comportamento dinâmico do “riser”. H. L. F.

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