Instituto de Matem´atica

Universidade Federal do Rio de Janeiro
curso de
an´alise
real
δδδεεε
Cassio Neri e Marco Cabral
Curso de An´alise Real
Segunda Edi¸c˜ao V2.3
Julho de 2010
Cassio Neri
Marco Cabral
Professores do Instituto de Matem´atica - UFRJ
Rio de Janeiro - RJ - Brasil
Copyright c _ 2006 de Cassio Neri Moreira
Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610 de 19/02/1998. O autor e titular
dos direitos autorais desta obra, permite a reprodu¸c˜ao e distribui¸c˜ao da mesma, total ou
parcial, exclusivamente para fins n˜ao comerciais desde que a autoria seja citada.
Primeira edi¸ c˜ao de 2006. Segunda edi¸ c˜ao com adi¸c˜ao de exerc´ıcios e modifica¸c˜ao do texto
em julho de 2008, por Marco Cabral, ap´ os autoriza¸c˜ao de Cassio Neri. Vers˜ao 2.3 de julho de
2010.
C577c
CDD 515
Neri, Cassio
Curso de An´alise Real / Cassio Neri - 1 ed - Rio de Janeiro.
163p.
Inclui Bibliografia
ISBN: 85-906720-0-X
ISBN: 978-85-906720-0-5
1. An´alise Real I. Neri, Cassio 1973.
´
INDICE REMISSIVO 191
de Lebesgue, 156
de Lindel¨ of, 98
de Peano, 173
de Pit´agoras, 35
de Rolle, 126
de Tietze, 114
de Weierstrass, 110
do Ponto Fixo
de Banach, 113
de Brouwer, 112
do Sandu´ıche, 70, 114
do Valor Intermedi´ario, 109
do Valor M´edio, 126
dos Extremos Locais, 125
dos Intervalos Encaixantes, 48
Fundamental
da
´
Algebra, 135
da Aritm´etica, 20
do C´alculo, 150
Termo geral
de uma s´erie, 63
de uma sequˆencia, 53
Terra, 89
Teste
da Raiz, 68
da Raz˜ao, 66
de Cauchy, 68
de d’Alembert, 66
M de Weierstrass, 179
Toeplitz, 74
Topologia, 89
Transcendentes, 52
Tricotomia da Cardinalidade, 19, 30
Tripla ordenada, 4
Uni˜ao, 3
distributividade, 10
Valor de aderˆencia, 63
Vandermonde, 11
Viagem, 5
Vitali, 86
Vizinhan¸ ca, 90
Volterra, 150
Weierstrass, 57, 59, 63, 179, 181
Z, 15, 83
Zermelo, 21
Zero, 23
190
´
INDICE REMISSIVO
de Cauchy, 172
de Valor Inicial, 172
Produto
cartesiano, 4
de cortes, 40
de sequˆencias, 60
em um corpo, 23
escalar, 87
vetorial, 87
Progress˜ao
Aritm´etica, 53
Geom´etrica, 60
Proje¸c˜ao estereogr´afica, 28
Q, 23, 83
QED, 103
Qtp, 162, 164
Quat´ernios, 84, 86
R, 45, 46, 84
Raiz
de dois, 47
m-´esima, 75, 118
Raz˜ao ´aurea, 73
Regra
da Cadeia, 123
de l’Hospital, 131, 132
Rela¸c˜ao de equivalˆencia, 82
Restri¸c˜ao, 7
Reta tangente, 122
Reticulados, 31
Reuni˜ao, 3
Riemann, 79, 139, 142
Rolle, 126
Rudin, 174
S´erie, 63
absolutamente convergente, 63
convergente, 63
de Fourier, 161
divergente, 63
Geom´etrica, 64
Harmˆonica, 31, 65, 78, 80
Schr¨ oder, 18
Seno, 176
Sequˆencia, 9, 53
constante, 53
convergente, 54, 55
em C(K), 168
crescente, 53
das somas, 60
das somas parciais, 63
de Cauchy, 58
de varia¸c˜ao limitada, 80
decrescente, 53
divergente, 55
dos inversos, 60
dos produtos, 60
por constante, 60
dos quocientes, 70
limitada, 53
mon´otona, 53
Sobolev, 161
Sol, 89
Soma
de cortes, 38
de sequˆencias, 60
em um corpo, 23
inferior, 140
superior, 140
Spdg, 162
Sse, 4
Stirling, 72
Subconjunto, 1
pr´ oprio, 2
Subsequˆencia, 53
Supremo, 44, 45
Taylor, 127–129
Teorema
da condensa¸ c˜ao de Cauchy, 80
da Contra¸c˜ao, 114
de Arzel´a-Ascoli, 169
de Bolzano-Weierstrass, 57, 59, 63
de Cantor-Bernstein-Schr¨ oder, 18
de Cauchy, 127
de Darboux, 136
de Dini, 165
de Heine-Borel, 93
Sai che ti avverr`a,
praticando il disegnare di penna?
che ti far`a sperto, pratico,
e capace di molto disegno entro la testa tua.
Sabe o que te acontecer´a, praticando o desenho a pena?
tornar-te-´as perito, pr´atico,
e capaz de muitos desenhos dentro de tua mente.
- Cennino Cennini da Colle di Valdelsa
Il Libro dell’arte (1437) - Cap. XIII.
´
INDICE REMISSIVO 189
de Euler, 172
de Newton, 130
de Picard, 114
M´ odulo
de um corte, 40
de um n´umero real, 50
Malha, 172
Matriz de
Toeplitz, 74
Vandermonde, 11
Medida nula, 154
Membro, 3
de uma fam´ılia, 9
Morgan, Lei de, 10
Multiplica¸c˜ao
de cortes, 40
em um corpo, 23
Mutatis mutandis, 124
N, 15, 83
n-uplas ordenadas, 4
N´umero
alg´ebrico, 52
complexo, 84, 86
de elementos, 17
inteiro, 15, 83
irracional, 46
natural, 15, 83
octˆonio, 84
primo, 26
quat´ernio, 84, 86
racional, 23, 83
real, 36, 45, 84
transcendente, 52
Newton, 26, 130
Niter´ oi, 89
Norma, 168
C
0
, 168
da convergˆencia uniforme, 168
do sup, 168
infinito, 168
L

, 161, 168
L
p
, 161, 164
Octˆonios, 84
Olhos, 19
Oposto, 23
de um corte, 39
Ordem, 25
Oscila¸c˜ao, 108, 156
Par ordenado, 4
Paradoxo de Russel, 5
Parti¸ c˜ao, 139
Peano
axiomas de, 27, 83
resto de, 128
Teorema de, 173
Perdoar, 9
Perto, 89
π, 68, 78, 79, 152, 178
Picard, 114
Pit´agoras, 35
Pitoresca, 137
Polinˆomio de Taylor, 127
Ponto
de acumula¸ c˜ao, 93
de aderˆencia, 91
de extremo
global, 110
local, 124
de m´ınimo
global, 110
local, 124
de m´aximo
global, 110
local, 124
fixo, 18, 112, 113
interior, 90
isolado, 93
Porta, vii
Portas, 48, 92
Pr´e-imagem, 7
Primitiva, 151
Princ´ıpio
da Boa Ordem, 15, 16
da Indu¸c˜ao (finita), 15, 16
da Indu¸c˜ao transfinita, 29
Problema
188
´
INDICE REMISSIVO
sobrejetiva, 7
soma, 24
uniformemente cont´ınua, 111
Fun¸ c˜ oes
iguais quase todo ponto, 162
G¨ odel, 21
Galois, 152
γ, 73
Gauss, 49
H¨older, 118
Halmos, 4
Hamilton, 86
Hausdorff, 55
Heine, 93
Hermite, 152
Hilbert, 21
Hip´otese do cont´ınuo, 21
Homomorfismo de corpos ordenados, 43
i, 67
Imagem, 6, 7
direta, 7
inversa, 7
Incomensurabilidade, 35
´
Indice, 9
Indu¸c˜ao
finita, 15, 16, 51, 58, 75, 83, 91, 113,
128, 136, 138, 159, 161
transfinita, 29
´
Infimo, 46
Infinit´esimo de ordem n, 129
Infinito, 9
Inje¸c˜ao, 8
Integral, 142, 149
indefinida, 151
Interior, 90
Interse¸c˜ao, 3
distributividade, 10
Intervalo, 47, 90
(s) encaixantes, 48
aberto, 47
degenerado, 47
fechado, 47
n˜ao degenerado, 47
Inverso, 23
de um corte, 42
Ipanema, 89
Jensen, 135, 160
Lagrange, 129
Lattices, 31
Lebesgue, 94, 156
Lei de Morgan, 10
Leibniz, 78
Lema da Contra¸c˜ao, 114
Limite
da diferen¸ca, 70, 104
da soma, 60, 104
de fun¸c˜ao, 101
de uma s´erie, 63
de uma sequˆencia, 55
em C(K), 168
do produto, 60, 104
por constante, 60, 104
do quociente, 70, 104
inferior, 61–63
infinito
de fun¸c˜ao, 104
de sequˆencia, 59
lateral, 104
no infinito, 104
superior, 61–63
Lindel¨ of, 98
Liouville, 49
Lipschitz, 112
Logaritmo, 175
Longe, 89
M´ınimo
global, 110
local, 124
M´aximo
global, 110
local, 124
M´etodo
da Exaust˜ao, 79, 139
das Aproxima¸c˜ oes Sucessivas, 114
Sobre os Autores
Cassio Neri fez Bacharelado em Matem´atica na UFRJ, o Mestrado em Matem´atica Apli-
cada na UFRJ e o doutorado em Matem´atica em Paris IX (Fran¸ca). Trabalha com equa¸ c˜ oes
diferenciais parciais e finan¸cas.
´
E professor licenciado do Instituto de Matem´atica na UFRJ.
Marco Cabral fez o Bacharelado em Inform´atica na UFRJ, o Mestrado em Matem´atica
Aplicada na UFRJ e o doutorado em Matem´atica na Indiana University (EUA). Trabalha com
equa¸ c˜ oes diferenciais parciais e An´alise Num´erica.
´
E professor no Instituto de Matem´atica na
UFRJ.
v
vi SOBRE OS AUTORES
´
INDICE REMISSIVO 187
e, 67, 72
EDO, 171
Elemento, 1
de uma fam´ılia, 9
m´ınimo, 15
neutro
da adi¸c˜ao, 23
da multiplica¸c˜ao, 23
Equa¸c˜ oes diferenciais ordin´arias, 171
Erd¨os, 69
Esp´ırito, 145
Espa¸co vetorial, 144, 167
Euclides, 26, 36
Eudoxo, 36, 139
Euler, 69, 172
Exponencial, 174, 175
Extens˜ao, 7
Extremo
global, 110
local, 124
F´ ormula
de Stirling, 72
de Taylor com resto
de Lagrange, 129
de Peano, 128
Fam´ılia, 3, 9
Fecho, 91
Φ, 73
Fibonacci, 73
Fourier, 161
Fra¸ c˜ oes continuadas, 76
Fraenkel, 21
Fronteira, 97
Fun¸ c˜ao, 6
afim, 119
anal´ıtica, 137
antiderivada, 151
bijetiva, 8
caracter´ıstica, 7, 11
composta, 8
constante, 31
cont´ınua, 101, 106
em um ponto, 89, 106
contradom´ınio, 6
convexa, 135
cosseno, 176
crescente, 25
decrescente, 25
deriv´avel, 122
em um ponto, 121
derivada, 122
diferen¸ca, 24
dom´ınio, 6
escada, 160
estranha, 98, 115
estritamente
crescente, 25
decrescente, 25
mon´otona, 25
exponencial, 171, 174, 175
extens˜ao, 7
fatorial, 72
fatorial generalizada, 161
gama de Euler, 161
H¨older cont´ınua, 118
identidade, 18
ilimitada, 25
imagem, 6
indicadora, 7, 11
injetiva, 8
integr´avel, 142
inversa, 8
invert´ıvel, 8
limitada, 25
inferiormente, 25
superiormente, 25
Lipschitz cont´ınua, 112
localmente limitada, 98
logaritmo, 175
mon´otona, 25
oscila¸ c˜ao, 108, 156
parte inteira, 51, 56, 57
primitiva, 151
produto, 24
quociente, 24
restri¸c˜ao, 7
seno, 176
186
´
INDICE REMISSIVO
fechado, 92
finito, 17
fronteira, 97
ilimitado, 25
inferiormente, 25
superiormente, 25
imagem, 7
infinito, 17, 28
interse¸ c˜ao, 3
distributividade da, 10
limitado, 25
inferiormente, 25
superiormente, 25
quociente, 82
uni˜ao, 3
distributividade da, 10
vazio, 2
Constante
π, 68, 78, 79, 152, 178
e, 67, 72
Φ (de Fibonacci) ou raz˜ao ´aurea, 73
γ (de Euler), 73
Contra¸c˜ao, 113, 131
Contradi¸ c˜ao, 2, 16, 38, 40, 47, 55, 67, 69, 92,
94, 96, 110, 111, 114, 153
Contradom´ınio, 6
Convergˆencia
L
p
, 164
integral, 164
pontual, 163
quase todo ponto (qtp), 164
simples, 163
uniforme, 164
Coordenada, 4
Corpo, 24
arquimediano, 25
dos n´umeros
racionais, 24
reais, 46
ordenado, 25
completo, 44, 46
Corte, 37
inverso, 42
m´odulo, 40
oposto, 39
racional, 37
Cosseno, 176
Cota
inferior, 25
superior, 25
Crit´erio
da Compara¸ c˜ao, 66
de Leibniz, 78
D’Alembert, 66
Darboux, 136, 139
Dedekin, 28
Dedekind, 36
Demonstra¸c˜ao
por absurdo ou contradi¸c˜ao, 2, 16, 38, 40,
47, 55, 67, 69, 92, 94, 96, 110, 111,
114, 153
por indu¸c˜ao, 15, 16, 51, 58, 75, 83, 91,
113, 128, 136, 138, 159, 161
Denso, 95, 99
Derivada
da diferen¸ca, 122
da soma, 122
de uma fun¸c˜ao, 122
em um ponto, 122
do produto, 122
por constante, 122
do quociente, 122
Descontinuidade
remov´ıvel, 116
Desigualdade
de Bernoulli, 26, 71
de Cauchy-Schwarz, 79
de Jensen, 135, 160
triangular, 50, 168
Diferen¸ca
de dois conjuntos, 4
de sequˆencias, 70
sim´etrica de dois conjuntos, 10
Dini, 165
Distributividade, 23
da uni˜ao e da interse¸ c˜ao, 10
Dom´ınio, 6
Pref´acio
Porque estudar an´alise?
Al´em da raz˜ao ´obvia, ser muito legal e divertido:
(a) para desenvolver habilidade anal´ıtica e de resolu¸c˜ao de problemas (no sentido amplo,
de qualquer problema do mundo real): quais as hip´ oteses envolvidas, quais as ferramentas
que podem ser utilizadas;
(b) para se preparar para entendimento s´olido de probabilidade (teoria dos conjuntos,
integra¸ c˜ao);
(c) para se preparar para entendimento s´olido de equa¸ c˜ oes diferenciais e an´alise num´erica
(fun¸c˜ oes cont´ınuas, derivadas);
(d) para se acostumar com espa¸cos abstratos envolvidos em modelagem matem´atica de
fenˆ omenos.
Aos alunos
As Se¸ c˜ oes e as demonstra¸ c˜ oes de Teoremas e Proposi¸c˜ oes marcadas com ⋆ podem ser
omitidas em uma primeira leitura.
O livro possui cerca de 380 exerc´ıcios.
´
E parte fundamental do curso resolvˆe-los, tantos
quanto for poss´ıvel. Existe uma grande integra¸ c˜ao entre o texto e os exerc´ıcios, com diversas
referˆencias cruzadas. Para ajudar na tarefa de escolha de quais devem ser feitos, eles s˜ao
divididos em:
(a) Lista recomendada de exerc´ıcios a serem feitos, indicados por =⇒;
(b) Lista complementar: ap´ os serem feitos os da lista recomendada, indicados por −→;
(c) Lista de exerc´ıcios extras, que expandem a teoria (n˜ao s˜ao necessariamente mais
dif´ıceis), que podem ser omitidos em primeira leitura, indicados por ⋆ (extra);
(d) Exerc´ıcios dif´ıceis, que podem expandir a teoria ou n˜ao, indicados por ♯ (dif´ıcil).
O ´ındice do livro ´e bem completo e ´e ´otima porta de entrada para os curiosos. Foram
indexados tamb´em t´opicos abordados somente nos exerc´ıcios.
Modifica¸c˜ oes da segunda edi¸ c˜ao
Este livro foi escrito originalmente por Cassio Neri e publicado em 2006. Em julho de
2008 foi modificado por Marco Cabral em diversos pontos, com os seguintes destaques:
vii
viii PREF
´
ACIO
(a) acrescentado cap´ıtulo de classes de equivalˆencia e constru¸c˜ao dos n´umeros reais por
sequˆencias de Cauchy;
(b) reescrito o cap´ıtulo de integra¸ c˜ao, com utiliza¸ c˜ao de imagem direta e inversa para
simplificar as demonstra¸ c˜ oes;
(c) acr´escimo de 260 exerc´ıcios ao livro, com indica¸c˜ao de quais devem ser feitos.
(d) reescrito o in´ıcio do cap´ıtulo de n´umeros reais, tornando-o auto contido e com de-
fini¸c˜ oes mais claras;
(e) introduzida, no cap´ıtulo de topologia, a nota¸ c˜ao B
ε
(x) para intervalos;
(f) reescrito parte do cap´ıtulo de fun¸c˜ oes cont´ınuas para conect´a-lo diretamente com
conceitos do cap´ıtulo de topologia: abertos, conexos e compactos;
(g) modificado o nome e reduzido n´umero de diversas se¸ c˜ oes;
(h) introduzido nome para quase todo Teorema, Lema e Proposi¸c˜ao.
Na Vers˜ao 2.1 (julho de 2009), al´em de pequenas corre¸c˜ oes:
(i) Adequamos o livro ao recente acordo ortogr´afico (sequˆencias perderam parte do charme);
(j) Acrescentamos cerca de 30 exerc´ıcios;
(k) Inclu´ımos como Proposi¸c˜ao (na p´agina 20) o argumento diagonal de Cantor.
(l) Colorimos todas as defini¸c˜ oes, teoremas, proposi¸c˜ oes, lemas e princ´ıpios.
(m) Reescrevemos v´arias frases do livro, introduzindo de forma expl´ıcita algumas defini¸c˜ oes
e observa¸c˜ oes novas.
Agradecimentos
Aos alunos do curso de An´alise Real do IM - UFRJ que ajudarem a melhorar o texto e
retirar erros dos exerc´ıcios, em especial aos alunos de 2008 Hugo Tremonte de Carvalho e
Renata Stella Khouri. Agrade¸ co tamb´em ao aluno Gabriel de Oliveira Martins de 2009.
´
Indice Remissivo
Abel, 152
Aberto, 90, 91
Abracadabra, 103
Absurdo, 2, 16, 38, 40, 47, 55, 67, 69, 92, 94,
96, 110, 111, 114, 153
Adi¸ c˜ao
de cortes, 38
em um corpo, 23
Alg´ebricos, 52
Alto-falante, 22
Antiderivada, 151
Aquecimento, 139, 144
Argumento diagonal de Cantor, 13, 20, 27,
49, 51
Armadilha, 8, 101
Arquimedes, 139
Arzel`a, 169
Ascoli, 169
Associatividade, 23
Banach, 113
Bernoulli, 26
Bernstein, 18
Bije¸c˜ao, 8
Binˆ omio de Newton, 26
Bola, 90
Bolzano, 57, 59, 63
Boot strap, 172
Borel, 93
Brouwer, 112
C, 84, 86
Cantor, 18
argumento diagonal, 13, 20, 27, 49, 51
conjunto de, 99, 162
Cardinalidade, 17, 18
Cataldi, 76
Cauchy, 58, 68, 127, 172
Ces´aro som´avel, 74
Classe, 3
de equivalˆencia, 82
Cobertura aberta, 94
Cohen, 21
Cole¸c˜ao, 3
Comensur´aveis, 35
Compacto, 93
Complementar, 4
Completeza, 44, 46
Comutatividade, 23
Conjunto, 1
aberto, 90, 91
compacto, 93
complementar, 4
conexo, 91, 97
das partes, 3
de ´ındices, 9
de fun¸c˜ oes, 7
de medida nula, 154
denso, 95, 99
diˆametro, 108
diferen¸ca, 4
sim´etrica, 10
discreto, 93
dos n´umeros
complexos, 84, 86
inteiros, 15, 83
naturais, 15, 83
racionais, 23, 83
reais, 45, 84
dos pontos
de aderˆencia, 91
interiores, 90
enumer´avel, 17
185
184 REFER
ˆ
ENCIAS BIBLIOGR
´
AFICAS
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[Sp] Spivak, M.; Calculus; W. A. Benjamin; 1967 (first edition).
[St] Stark, H. M.; An Introduction to Number Theory; MIT Press 1978.
[T] Torchinsky, A.; Real Variables; Adisson-Wesley Pub Co; 1988.
[Vo] Volterra, V., Sui principii del calcolo integrale. Giornale di Matematiche 19 (1881),
333-372.
Sum´ario
Sobre os Autores v
Pref´acio vii
1 No¸c˜ oes de Teoria dos Conjuntos 1
1.1 Conjuntos e opera¸ c˜ oes. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1
1.2 ⋆ Teoria dos conjuntos ´e f´acil? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
1.3 Fun¸c˜ oes. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
1.4 Fam´ılias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9
1.5 Exerc´ıcios. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
1.5.1 Conjuntos e opera¸ c˜ oes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
1.5.2 Fun¸c˜ oes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
1.5.3 Fun¸c˜ oes entre conjuntos de fun¸c˜ oes . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12
2 N´ umeros naturais, inteiros e racionais 15
2.1 Naturais, inteiros e indu¸c˜ao. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
2.2 Cardinalidade. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
2.3 ⋆ O Hotel de Hilbert . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
2.4 Racionais: opera¸ c˜ oes, enumerabilidade e ordem. . . . . . . . . . . . . . . . 23
2.5 ⋆ Corpos Arquimedianos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
2.6 Exerc´ıcios. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26
2.6.1 Naturais, inteiros e indu¸c˜ao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26
2.6.2 Cardinalidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
2.6.3 Racionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31
3 N´ umeros reais 35
3.1 Descoberta dos irracionais. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35
3.2 ⋆ Cortes de Dedekind. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36
3.3 N´umeros reais. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45
3.4 Exerc´ıcios. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49
3.4.1 Irracionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49
3.4.2 ⋆ Cortes de Dedekind . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50
3.4.3 N´umeros reais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50
ix
x SUM
´
ARIO
4 Sequˆencias e s´eries 53
4.1 Sequˆencias convergentes e subsequˆencias. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53
4.2 Sequˆencias mon´otonas, limitadas e de Cauchy. . . . . . . . . . . . . . . . . 57
4.3 Limites infinitos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59
4.4 Opera¸ c˜ oes com limites. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60
4.5 Limite superior e limite inferior. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61
4.5.1 Defini¸ c˜ao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61
4.5.2 ⋆ Quase Cota . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 62
4.5.3 ⋆ Valor de Aderˆencia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63
4.6 S´eries. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63
4.7 ⋆ A s´erie dos inversos dos primos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69
4.8 Exerc´ıcios. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70
4.8.1 Sequˆencias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70
4.8.2 S´eries . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 77
5 Constru¸c˜ao dos conjuntos num´ericos 81
5.1 Rela¸c˜ao de equivalˆencia. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 81
5.2 Constru¸ c˜ao dos conjuntos num´ericos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 83
5.2.1 Constru¸ c˜ao de N. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 83
5.2.2 Constru¸ c˜ao de Z. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 83
5.2.3 Constru¸ c˜ao de Q. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 83
5.2.4 Constru¸ c˜ao de R. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 84
5.2.5 Constru¸ c˜ao de C. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 84
5.2.6 Outros corpos (quat´ernios e octˆonios). . . . . . . . . . . . . . . . . 84
5.3 Exerc´ıcios. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 85
6 Topologia de R 89
6.1 Introdu¸c˜ao. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 89
6.2 Conjuntos abertos e conexos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 90
6.3 Conjuntos fechados e discretos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 91
6.4 Conjuntos compactos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 93
6.5 Conjuntos densos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 95
6.6 Exerc´ıcios. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 96
6.6.1 Conjuntos abertos, conexos, fechados e discretos . . . . . . . . . . . 96
6.6.2 Conjuntos compactos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 98
6.6.3 Conjuntos densos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 99
7 Limite e continuidade 101
7.1 Limite de fun¸c˜ oes. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 101
7.2 Fun¸c˜ oes cont´ınuas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 106
7.3 Fun¸c˜ oes cont´ınuas em conexos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 109
7.4 Fun¸c˜ oes cont´ınuas em compactos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 110
7.5 ⋆ Pontos fixos para fun¸c˜ oes cont´ınuas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 112
7.6 Exerc´ıcios. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 114
Referˆencias Bibliogr´aficas
[Ap] Apostol,T. M.; Chrestenson,H. E.; Ogilvy,C. S.; Richmond, D. E. and
Schoonmaker, N. J. (eds); Selected papers on calculus. Reprinted from the
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[Bo] Boyer, C. B., Hist´ oria da Matem´atica, Editora Edigard Bl¨ucher ltda, 9
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[Eu] Euler, L., Introductio in Analysin Infinitorum, Tomus Primis, Lausanne, 1748; Opera
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[Fe] Felicio, J. R. ; F´ ormula de Stirling em tempos de Maple; Revista de Matem´atica
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[Fel] Felzenszwalb, B.;
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[Fi1] Figueiredo, D.; An´alise I; Editora de UNB; 1975.
[Fi2] Figueiredo, D.; N´umeros Irracionais e Transcendentes; SBM; 1980.
[Ga] Garcia, A.;
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[Gi] Giraldo, V., Descri¸ c˜ oes e conflitos computacionais: o caso da derivada, Tese de
Doutorado, COPPE-UFRJ, 2004.
[Go] G¨ odel, J., The Consistency of the Continuum-Hypothesis, Princeton University Press
- Princeton, N.J, 1940.
183
182 CAP
´
ITULO 10. SEQU
ˆ
ENCIAS DE FUNC¸
˜
OES
♯ 24. (dif´ıcil) Defina f(x) =

n=1
cos(n!x)
(n!)
n
([J] p.69, no.4). Prove que:
(a) f ∈ C

(R) e tem per´ıodo 2π; (b) f n˜ao ´e anal´ıtica em x = 0;
(c) f n˜ao ´e anal´ıtica para qualquer x.
Dica: f(x + 2πn/m) −f(x) ´e anal´ıtica para inteiros n, m com m ,= 0.
SUM
´
ARIO xi
7.6.1 Limite de fun¸c˜ oes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 114
7.6.2 Fun¸c˜ oes cont´ınuas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 114
7.6.3 Fun¸c˜ oes cont´ınuas em conexos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 117
7.6.4 Fun¸c˜ oes cont´ınuas em compactos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 118
8 Derivada 119
8.1 Derivada e propriedades. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 119
8.2 Extremos locais e o Teorema do Valor M´edio. . . . . . . . . . . . . . . . . . 124
8.3 F´ ormulas de Taylor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 127
8.4 ⋆ M´etodo de Newton. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 130
8.5 ⋆ Regras de l’Hospital. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 131
8.6 Exerc´ıcios. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 133
8.6.1 Derivada e propriedades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 133
8.6.2 Extremos locais, TVM e Taylor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 136
8.6.3 ⋆ Newton e l’Hospital . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 138
9 Integral de Riemann 139
9.1 Somas superiores e inferiores. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 139
9.2 Integral e propriedades. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 142
9.3 Teoremas Fundamentais do C´alculo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 150
9.4 ⋆ A constante π. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 152
9.5 Mudan¸ca de vari´aveis e integra¸ c˜ao por partes. . . . . . . . . . . . . . . . . 153
9.6 Medida nula e Teorema de Lebesgue. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 154
9.7 Exerc´ıcios. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 158
9.7.1 Integral e propriedades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 158
9.7.2 Teoremas Fundamentais do C´alculo . . . . . . . . . . . . . . . . . . 161
9.7.3 Medida nula e Teorema de Lebesgue . . . . . . . . . . . . . . . . . 162
10 Sequˆencias de fun¸c˜ oes 163
10.1 Convergˆencia simples e uniforme. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 163
10.2 Continuidade, integral e derivada de sequˆencias de fun¸c˜ oes. . . . . . . . . . 165
10.3 Espa¸co C(K) e equicontinuidade. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 167
10.4 ⋆ Equa¸c˜ oes diferenciais. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 171
10.5 ⋆ Logaritmo e exponencial. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 174
10.6 ⋆ Seno e cosseno. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 176
10.7 Exerc´ıcios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 179
10.7.1 Convergˆencia simples e uniforme . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 179
10.7.2 Equicontinuidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 180
10.7.3 Outros . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 181
Bibliografia 183
xii SUM
´
ARIO 10.7. EXERC
´
ICIOS 181
19. Suponha que f
n
: [0, 1] → R ´e uniformemente α-H¨ older cont´ınua com mesma cons-
tante K e f
n
(0) = a para todo n ∈ N. Prove que (f
n
) tem subsequˆencia uniformemente
convergente em [0, 1].
Dica: Aplique Arzel´a-Ascoli.
10.7.3 Outros
⋆ 20. (extra) Prove que a fun¸c˜ao seno ([Sp] p.274 no.29):
(a) n˜ao ´e uma fun¸c˜ao racional (quociente de dois polinˆomios);
Dica: seno possui uma propriedade que fun¸c˜ao racional n˜ao possui.
(b) n˜ao pode ser definida implicitamente por uma equa¸ c˜ao alg´ebrica, i.e., n˜ao existem
fun¸c˜ oes racionais f
0
, . . . , f
n−1
tais que
(sen(x))
n
+f
n−1
(x)(sen(x))
n−1
+ + f
0
(x) = 0 para todo x.
Dica: Prove que f
0
= 0 e fatore sen(x). O outro fator deve ser zero em m´ultiplos de 2π
e portanto identicamente nulo. Complete por indu¸c˜ao o argumento.
⋆ 21. (extra) Prove que
(a) log(xy) = log(x) + log(y) para x, y > 0;
(b) log(x
α
) = αlog(x) para x > 0 e α ∈ R;
(c) exp(x +y) = exp(x) exp(y) para x, y ∈ R;
(d) a
x+y
= a
x
a
y
para a > 0 e x, y ∈ R;
(e) (a
x
)
y
= a
xy
para a > 0 e x, y ∈ R.
⋆ 22. (extra) Dado a > 0 definimos log
a
: (0, +∞) →R por
log
a
(x) =
log(x)
log a
∀x ∈ (0, +∞).
Prove que
(a) log
a
(a
x
) = x para todo x ∈ R;
(b) a
log
a
(x)
= x para todo x ∈ (0, +∞);
(c) log
a
(xy) = log
a
(x) + log
a
(y) para x, y ∈ (0, +∞);
(d) log
a
(x
α
) = αlog
a
(x) para x ∈ (0, +∞) e α ∈ R.
♯ 23. (dif´ıcil) Defina ψ(x) como a distˆancia de x at´e o inteiro mais pr´ oximo. De forma precisa,
ψ(x) = min(⌈x⌉ −x, x −⌊x⌋). Agora defina f(x) =

n=1
1
10
n
ψ(10
n
x). Prove que:
(a) f ´e cont´ınua; (b) f n˜ao possui derivada em ponto algum.
Dica: O item (a) ´e f´acil. O item (b) ´e bastante dif´ıcil, vide o teorema em [Sp] p.422.
Obs: A existˆencia de fun¸c˜ao cont´ınua sem derivada em ponto algum ´e atribu´ıda a Weiers-
trass, que provou isto para f(x) =

n=1
b
n
cos(a
n
x) para certos a, b ∈ R. A fun¸c˜ao ψ acima
´e uma “caricatura” de cos.
180 CAP
´
ITULO 10. SEQU
ˆ
ENCIAS DE FUNC¸
˜
OES
a
n
x
2
+ b
n
x + c
n
converge para o polinˆomio p(x) = ax
2
+ bx + c uniformemente em cada
intervalo [a, b] ([L] p.333 no.4).
8. Seja f
n
(x) = x
n
para x ∈ [0, 1], f
n
(x) = 1 se x > 1 e f
n
(x) = 0 se x < 0. Seja
h = I
{x>1}
.
(a) Prove que
_
[f
n
−h[ converge para zero quando n → +∞;
(b) Considere y
n
a solu¸ c˜ao de dy
n
/dx = f
n
(x). Determine o limite de y
n
quando n →
+∞. Defina esta fun¸c˜ao limite y como a solu¸c˜ao fraca de dy/dx = h. Note que y n˜ao ´e
diferenci´avel e portanto a equa¸ c˜ao diferencial n˜ao faz sentido.
9. Seja f : [0, 1] → R uma fun¸c˜ao cont´ınua e defina a sequˆencia (f
n
) por f
0
= f e
f
n+1
(x) =
_
x
0
f
n
(s) ds para n ∈ N. Prove que (f
n
) converge para g ≡ 0 uniformemente
([Fi1] p.205 no.9).
10. Seja f : I → R uma fun¸c˜ao cont´ınua em todos os pontos de I menos um. Prove
que existe sequˆencia de fun¸c˜ oes cont´ınuas em I convergindo para f simplesmente ([L] p.334
no.12).
11. Suponha que f
n
→ f e g
n
→ g uniformemente em X ([L] p.333 no.7).
(a) Prove que f
n
+g
n
converge uniformemente em X para f +g;
(b) Suponha mais ainda que exista c > 0 tal que [f
n
(x)[ + [g
n
(x)[ ≤ c para todo n e
x ∈ X. Prove que f
n
g
n
→ f g uniformemente em X.
10.7.2 Equicontinuidade
12. Prove que a sequˆencia f
n
(x) = sen(nx) n˜ao ´e equicont´ınua em [0, 1].
13. Prove que se f
n
converge uniformemente para f ent˜ao (f
n
) ´e equicont´ınua e limitada.
14. Prove que se f
n
´e Lipschitz cont´ınua com a mesma constante K independente de n
ent˜ao (f
n
) ´e equicont´ınua.
15. O exerc´ıcio anterior implica uma condi¸c˜ao suficiente (muito utilizada) para a equiconti-
nuidade: [f

n
(x)[ ≤ c para todo n ∈ N.
´
E verdade que se f
n
´e suave ent˜ao (f
n
) ´e equicont´ınua
se, e somente se, [f

n
(x)[ ≤ c?
16. Sejam (f
n
)
n∈N
uma sequˆencia de fun¸c˜ oes de A em R e f : A ⊂ R → R. Prove que
(f
n
)
n∈N
n˜ao ´e uniformemente convergente para f se, e somente se, existe (x
n
)
n∈N
∈ A e
ε > 0 tais que
[f
n
(x
n
) −f(x
n
)[ ≥ ε ∀n ∈ N.
17. Prove que, na demonstra¸ c˜ao do Teorema de Arzel´a-Ascoli, podemos supor, sem perda
de generalidade, que
(a) (f
n
)
n∈N
n˜ao tem subsequˆencia constante;
(b) se m ,= n, ent˜ao f
n
,= f
m
.
Conclua que isto conserta a demonstra¸ c˜ao.
18. Prove que se f
n
´e α-H¨ older cont´ınua para todo n ∈ N e converge uniformemente para
f ent˜ao f ´e α-H¨ older cont´ınua. Isto significa que este espa¸co ´e completo.
Cap´ıtulo 1
No¸c˜ oes de Teoria dos Conjuntos
1.1 Conjuntos e opera¸ c˜ oes.
A no¸c˜ao intuitiva que se tem da palavra conjunto nos ´e satisfat´ oria e uma apresenta¸c˜ao
rigorosa da Teoria dos Conjuntos ´e dif´ıcil e al´em dos objetivos do curso. Para detalhes leia o
cl´assico [Ha].
DEFINIC¸
˜
AO 1. Um conjunto ´e constitu´ıdo de objetos chamados elementos. Usamos a
nota¸ c˜ao x ∈ A (lˆe-se x pertence a A) para dizer que x ´e um elemento do conjunto A. Se x
n˜ao ´e um elemento de A, ent˜ao escrevemos x / ∈ A (lˆe-se x n˜ao pertence a A).
Uma forma de caracterizar um conjunto ´e atrav´es da lista dos seus elementos, escrevendo-
os separados por v´ırgulas “,” no interior de duas chaves “¦” e “¦”.
Exemplo 1.1. Seja A o conjunto cujos elementos s˜ao os n´umeros 1, 2, 3, 4, 5 e 6.
Escrevemos A = ¦1, 2, 3, 4, 5, 6¦. Temos 1 ∈ A, 2 ∈ A e 7 / ∈ A.
Outra maneira de caracterizar um conjunto ´e atrav´es de uma propriedade P possu´ıda por
todos os seus elementos e apenas por estes (na Se¸ c˜ao 1.2 faremos mais considera¸ c˜ oes sobre
isto). Escrevemos neste caso ¦x ; P(x)¦, ¦x [ P(x)¦ ou ¦x : P(x)¦ (lˆe-se o conjunto dos
elementos x tais que P(x) ´e verdadeira, ou ainda, dos elementos x que possuem a propriedade
P). Salientamos que a letra x ´e arbitr´aria de modo que ¦x ; P(x)¦ = ¦y ; P(y)¦.
Exemplo 1.2. Seja P a propriedade “´e um n´umero presente na face de um dado” e seja
A =
_
x ; P(x)
_
. Ent˜ao A = ¦1, 2, 3, 4, 5, 6¦, i.e.
1
, A ´e o mesmo conjunto do Exemplo 1.1.
DEFINIC¸
˜
AO 2. Dizemos que A ´e um subconjunto de B ou que A ´e uma parte de B, ou
ainda, que A est´a contido em B e escrevemos A ⊂ B se todo elemento de A pertence a
B. Dizemos tamb´em que B cont´em A e escrevemos B ⊃ A.
1
i.e., abrevia¸c˜ao de “id est” que, em latim, significa “isto ´e”.
1
2 CAP
´
ITULO 1. NOC¸
˜
OES DE TEORIA DOS CONJUNTOS
DEFINIC¸
˜
AO 3. Quando A ⊂ B e B ⊂ A, os conjuntos A e B s˜ao ditos iguais e escrevemos
A = B. Caso contr´ario eles s˜ao diferentes e escrevemos A ,= B. A nota¸ c˜ao A B (ou
B A) ´e uma abrevia¸ c˜ao para A ⊂ B com A ,= B, neste caso dizemos que A ´e um
subconjunto pr´ oprio de B.
Observa¸c˜ao 1.1 Para provar que dois conjuntos A e B s˜ao iguais deve-se provar que
A ⊂ B e depois que B ⊂ A.
Exemplo 1.3. Sejam A = ¦2, 4, 6¦ e B = ¦1, 2, 3, 4, 5, 6¦. Temos que A B.
Exemplo 1.4. Sejam A o conjunto dos n´umeros inteiros m´ultiplos de 4 e B o conjunto dos
n´umeros pares.
´
E ´obvio que A ⊂ B por´em, vamos demonstrar esta afirma¸c˜ao. O primeiro
passo consiste em interpretar a defini¸c˜ao do conjunto A. Um n´umero inteiro n ´e m´ultiplo de
4 se n/4 ´e inteiro, ou equivalentemente, se existe um inteiro m tal que n = 4m. Logo,
A = ¦n ; existe um inteiro m tal que n = 4m¦.
Analogamente,
B = ¦n ; existe um inteiro m tal que n = 2m¦.
Estamos preparados para a demonstra¸ c˜ao. Seja n ∈ A. Ent˜ao existe um inteiro m tal que
n = 4m = 2(2m). Como m ´e inteiro, 2m tamb´em ´e. Conclu´ımos que n ∈ B.
Como n ´e um elemento arbitr´ario de A (al´em de n ∈ A n˜ao fizemos nenhuma hip´ otese
sobre n) conclu´ımos que qualquer que seja n ∈ A temos n ∈ B, i.e, que todo elemento de A
pertence a B, ou seja, que A ⊂ B. Isto termina a demonstra¸ c˜ao.
Exemplo 1.5. Sejam A = ¦0, 1, 2¦ e B = ¦1, 2, 3, 4¦. Pergunta: A ⊂ B? Por quˆe?
Resposta: N˜ao, pois 0 ∈ A e 0 / ∈ B.
De maneira geral, se A n˜ao ´e um subconjunto de B significa que existe pelo menos um
elemento de A que n˜ao pertence a B.
DEFINIC¸
˜
AO 4. O conjunto vazio, denotado por ∅, ´e um conjunto que n˜ao possui nenhum
elemento, ou seja, n˜ao existe x tal que x ∈ ∅.
Uma propriedade interessante do conjunto vazio ´e que ele ´e subconjunto de qualquer
conjunto. Vejamos isto mais precisamente. Suponhamos que exista um conjunto A tal que
∅ n˜ao seja subconjunto de A. Pelo que vimos anteriormente, isto significa que existe algum
elemento x ∈ ∅ tal que x / ∈ A. Mas, por defini¸c˜ao de vazio, n˜ao podemos ter x ∈ ∅.
Esta contradi¸c˜ao nos obriga a concluir que ∅ ⊂ A pois, sen˜ao, chegar´ıamos a uma conclus˜ao
absurda.
Acabamos de mostrar que ∅ ⊂ A usando um argumento do tipo “demonstra¸ c˜ao por
absurdo” ou “demonstra¸ c˜ao por contradi¸ c˜ao”. Neste tipo de argumento supomos inicial-
mente que a conclus˜ao desejada seja falsa e, a partir desta hip´ otese, chegamos a um absurdo.
Desta forma, somos obrigados a admitir que a suposi¸c˜ao ´e falsa e, portanto, que a conclus˜ao
desejada ´e verdadeira.
Existem conjuntos cujos elementos s˜ao conjuntos como mostra o pr´ oximo exemplo.
10.7. EXERC
´
ICIOS 179
0
π
2
1
−1
cos sen
(a) Em
_
0,
π
2
¸
.
0
π
2
π 3π
2

1
−1
cos sen
(b) Em [0, 2π].
Figura 10.1: Gr´aficos das fun¸c˜ oes seno e cosseno.
10.7 Exerc´ıcios
10.7.1 Convergˆencia simples e uniforme
=⇒ 1. Prove que f
n
converge uniformemente para g em [0, 1] se:
(a) f
n
(x) = sen(x/n) e g ≡ 0; (b) f
n
(x) = nx
2
/(1 +nx) e g(x) = x;
(c) f
n
(x) = sen(x)/n e g ≡ 0.
=⇒ 2. Prove que f
n
converge simplesmente, mas n˜ao uniformemente, para g ≡ 0 em [0, 1] se:
(a) f
n
(x) = nxe
−nx
; (b) f
n
(x) = nx(1 −x)
n
.
Dica: Fa¸ca os gr´aficos no computador.
=⇒ 3. Seja f
n
=
n
2
I
[−1/n,1/n]
. Prove que lim
n→+∞
__
f
n
(s) ds
_
,=
_ _
lim
n→+∞
f
n
(s)
_
ds.
→ 4. Seja a ∈ (0, 1). Considere f
n
: [0, a] → R dada por f(x) = x
n
para n ∈ N e x ∈ [0, a].
Prove que (f
n
)
n∈N
converge uniformemente para a fun¸c˜ao nula usando:
(a) diretamente a defini¸c˜ao de convergˆencia uniforme; (b) o Teorema de Dini;
→ 5. (teste M de Weierstrass) Seja (f
n
) uma sequˆencia de fun¸c˜ oes cont´ınuas em [a, b] e
suponha que exista uma sequˆencia num´erica (M
n
) tal que:
(a) [f
n
(x)[ ≤ M
n
para todo x ∈ [a, b] e n ∈ N e (b)

n=1
M
n
< ∞.
Prove que a s´erie de fun¸c˜ oes

n=1
f
n
converge uniformemente em [a, b].
→ 6. Prove que uma sequˆencia mon´otona de fun¸c˜ oes ´e uniformemente convergente caso possua
uma subsequˆencia com esta propriedade ([L] p.335 no.22).
7. Se lim
n→+∞
a
n
= a, lim
n→+∞
b
n
= b e lim
n→+∞
c
n
= c ent˜ao a sequˆencia de polinˆomios p
n
(x) =
178 CAP
´
ITULO 10. SEQU
ˆ
ENCIAS DE FUNC¸
˜
OES
TEOREMA 243. (defini¸c˜ao de π) Existe uma constante c > 0 tal que sen ´e crescente e
cos ´e decrescente em [0, c] com sen(c) = 1 e cos(c) = 0. Al´em disto, para todo x ∈ R temos,
sen(c +x) = cos(x) e cos(c +x) = −sen(x).
Demonstra¸c˜ao. Como cos ´e cont´ınuo e cos(0) = 1, existe a > 0 tal que cos(x) > 1/2
para todo x ∈ [0, a]. Logo, neste intervalo, sen ´e estritamente crescente. Em particular,
sen(x) > sen(0) = 0 para todo x ∈ [0, a].
Vejamos que existe x > a tal que cos(x) < 0. Suponhamos que n˜ao. Neste caso, sen ´e
crescente em [0, +∞).
Seja x > a, pelo Teorema do Valor M´edio, existe x ∈ (a, x) tal que cos(x) − cos(a) =
−sen(x)(x − a) ≤ −sen(a)(x − a). Segue que cos(x) → −∞ quando x → +∞, que ´e
absurdo.
Pelo que foi demonstrado, o conjunto ¦b ∈ (0, +∞) ; cos(x) ≥ 0 ∀x ∈ [0, b]¦ ´e n˜ao vazio
(cont´em a) e limitado superiormente. Seja c > 0 o seu supremo.
A fun¸c˜ao cos ´e positiva em [0, c] e, portanto, sen ´e crescente neste intervalo. Mas sen(0) =
0, logo, a fun¸c˜ao sen ´e positiva em [0, c] e, como cos

= −sen, temos que cos ´e decrescente
neste intervalo.
Da defini¸c˜ao de c e da continuidade da fun¸c˜ao sen obtemos cos(c) = 0. Do item (iii) do
Teorema 241, obtemos [ sen(c)[ = 1. Por´em, sen(c) ≥ sen(0) = 0, logo, sen(c) = 1.
Considere as fun¸c˜ oes s, c : R → R dadas por s(x) = −cos(c + x) e c(x) = sen(c + x),
para todo x ∈ R. Vemos facilmente que s

= c, c

−s, s(0) = 0, e c(0) = 1. Pela Proposi¸c˜ao
242, obtemos que s = sen e c = cos, completando a demonstra¸ c˜ao.
DEFINIC¸
˜
AO 244. π = 2c, sendo c a constante dada pelo teorema anterior.
Podemos definir π tamb´em atrav´es do exerc´ıcio 58, p.79 ou da Defini¸ c˜ao 112, p.68.
COROL
´
ARIO 245. As fun¸c˜ oes sen e cos s˜ao peri´odicas de per´ıodo 2π.
Demonstra¸c˜ao. Seja x ∈ R. Pelo teorema temos
sen(π/2 +x) = cos(x) e cos(π/2 +x) = −sen(x).
Trocando x por π/2 +x, obtemos
sen(π +x) = cos(π/2 +x) = −sen(x).
Agora, trocando x por π +x, conclu´ımos
sen(2π +x) = −sen(π +x) = sen(x).
Finalmente, cos(2π +x) = sen(π/2 + 2π +x) = sen(π/2 +x) = cos(x).
De acordo com o Teorema 243, no intervalo [0, π/2] as fun¸c˜ oes sen e cos tˆem gr´aficos
semelhantes ao esbo¸ cados na Figura 10.1(a). Usando iteradamente as rela¸c˜ oes sen(π/2+x) =
cos(x) e cos(π/2 + x) = −sen(x), como na demonstra¸ c˜ao do Corol´ario 245, estendemos o
gr´afico at´e o intervalo [0, 2π] obtendo a Figura 10.1(b).
1.1. CONJUNTOS E OPERAC¸
˜
OES. 3
Exemplo 1.6. Sejam A = ¦1, 2¦, B = ¦3¦ e ( = ¦A, B¦. Tente se convencer de que todas
as afirmativas abaixo s˜ao verdadeiras.
A ∈ (, B ∈ (, ¦A¦ ⊂ (, ¦B¦ ⊂ (, 1 / ∈ (, 2 / ∈ (, 3 / ∈ (.
Perceba ainda que ´e errado dizer ¦2¦ ⊂ (, ¦3¦ ⊂ ( ou
_
¦2¦
_
⊂ (. Entretanto, ´e verdade
que
_
¦3¦
_
⊂ ( (esta ´e simplesmente a quarta das afirma¸c˜ oes acima).
DEFINIC¸
˜
AO 5. Quando ( ´e um conjunto de conjuntos (para simplificar a linguagem)
dizemos que ( ´e uma cole¸ c˜ao, uma classe ou uma fam´ılia de conjuntos. Elementos de (
s˜ao comumente chamados de membros.
Para fam´ılias utiliza-se tamb´em nota¸ c˜ao especial (como veremos na Se¸ c˜ao 1.4, p.9). Por
falar em conjuntos de conjuntos...
DEFINIC¸
˜
AO 6. Seja A um conjunto. A cole¸ c˜ao de todos os subconjuntos de A ´e dita
conjunto das partes de A e ´e denotada por T(A) ou por 2
A
. Em s´ımbolos,
T(A) = ¦B ; B ⊂ A¦.
Portanto, B ∈ T(A) se, e somente se, B ⊂ A.
Exemplo 1.7. Temos que T(∅) = ¦∅¦. Note que ∅ ,= T(∅) (porque?). Se A = ¦1¦,
ent˜ao T(A) =
_
∅, ¦1¦
_
.
DEFINIC¸
˜
AO 7. Sejam A e B dois conjuntos. Existe um conjunto, chamado uni˜ao ou
reuni˜ao de A e B (denotado por A∪ B), cujos elementos pertencem a A ou a B. Tamb´em
existe um conjunto chamado interse¸ c˜ao de A e B (denotado por A ∩ B) cujos elementos
pertencem a A e a B. Em outros termos
A∪ B = ¦x ; x ∈ A ou x ∈ B¦ e A∩ B = ¦x ; x ∈ A e x ∈ B¦.
De maneira geral, fazemos a seguinte defini¸c˜ao.
DEFINIC¸
˜
AO 8. Se ( ´e uma cole¸ c˜ao n˜ao vazia de conjuntos, ent˜ao a uni˜ao ou reuni˜ao
da cole¸ c˜ao ( ´e formado pelos elementos que pertencem a pelo menos um membro de (. Em
s´ımbolos,
_
A∈C
A = ¦x ; existe A ∈ ( tal que x ∈ A¦.
A interse¸ c˜ao da cole¸ c˜ao ( ´e constitu´ıda pelos elementos que pertencem a todos os membros
de (. Em s´ımbolos,

A∈C
A = ¦x ; x ∈ A para todo A ∈ (¦.
Por defini¸c˜ao A∩B∩C = ¦x ; x ∈ A e x ∈ B e x ∈ C¦. Neste caso podemos substituir
o conectivo “e” por uma v´ırgula “,” escrevendo A∩B ∩C = ¦x ; x ∈ A, x ∈ B e x ∈ C¦.
Por´em, o conectivo “ou” ´e sempre preservado.
4 CAP
´
ITULO 1. NOC¸
˜
OES DE TEORIA DOS CONJUNTOS
Exemplo 1.8. Sejam A = ¦1, 2, 3¦ e B = ¦1, 2, 4, 8¦. Temos A ∪ B = ¦1, 2, 3, 4, 8¦ e
A∩ B = ¦1, 2¦.
DEFINIC¸
˜
AO 9. Sejam A e B conjuntos. O conjunto diferen¸ca entre A e B (denotado por
A¸ B ou A−B) ´e constitu´ıdo pelos elementos de A que n˜ao pertencem a B. Em s´ımbolos,
A¸ B = ¦x ; x ∈ A e x / ∈ B¦.
DEFINIC¸
˜
AO 10. Quando trabalhamos apenas com subconjuntos de um determinado con-
junto X (subentendido no contexto) definimos o complementar de A por X ¸ A e o deno-
tamos A

.
Dissemos anteriormente que um conjunto pode ser definido pela lista de seus elementos.
Devemos ressaltar que a ordem dos elementos na lista n˜ao importa e que repeti¸ c˜ oes s˜ao
irrelevantes. Desta forma, ¦a, b, c¦ = ¦b, a, c¦ = ¦c, a, b¦ = ¦a, a, b, c¦. Quando queremos
que a ordem ou repeti¸ c˜ oes sejam relevantes usamos o conceito de par ordenado.
DEFINIC¸
˜
AO 11. Dados dois objetos a e b definimos o par ordenado (a, b) cuja primeira
coordenada ´e a e a segunda ´e b. Dois pares ordenados (a, b) e (c, d) s˜ao iguais se eles forem
iguais coordenada por coordenada, i.e.,
(a, b) = (c, d) se, e somente se, a = c e b = d.
Repare que (a, b) ,= (b, a) salvo se a = b e que (a, a) ,= a. De maneira an´aloga definimos
triplas ordenadas (a, b, c) ou n-uplas ordenadas (a
1
, . . . , a
n
).
DEFINIC¸
˜
AO 12. Dados dois conjuntos A e B existe um conjunto chamado de produto
cartesiano de A e B (denotado AB) formado pelos pares ordenados (a, b) tais que a ∈ A
e b ∈ B. Em s´ımbolos: AB = ¦(a, b) ; a ∈ A e b ∈ B¦.
Em particular, podemos definir A A e, por simplicidade, o denotamos A
2
. De maneira
an´aloga definimos A B C = ¦(a, b, c) ; a ∈ A, b ∈ B e c ∈ C¦, A
3
= A A A,
A
n
= A A (n vezes).
Observa¸c˜ao 1.2 Repetidas vezes usamos express˜oes do tipo “existe”, “para todo”, “qual-
quer que seja”, etc. Para simplificar a escrita destas express˜oes introduziremos alguns
s´ımbolos que as representam, a saber:
∃ significa “existe”;
∃! significa “existe um ´unico”;
∀ significa “para todo” ou “qualquer que seja”;
=⇒ significa “se ... ent˜ao ...” ou “implica que”;
⇐⇒ ou “sse”
1
significa “se, e somente se,”.
Desta maneira, podemos escrever que, por defini¸c˜ao, A ⊂ B sse x ∈ A =⇒ x ∈ B.
1
Este neologismo ´e derivado de outro em inglˆes iff que significa if and only if. Foi o matem´atico Halmos
que o inventou. A ele devemos tamb´em o pequeno quadrado que indica final de demonstra¸c˜ao.
Paul Richard Halmos: ⋆ 03/03/1916, Budapeste, Hungria.
10.6. ⋆ SENO E COSSENO. 177
Estas fun¸c˜ oes est˜ao bem definidas (i.e., as s´eries convergem) pelo Teste da Raz˜ao (confira).
TEOREMA 241. (propriedades de seno e cosseno) Temos
i. As fun¸c˜ oes sen e cos s˜ao deriv´aveis com sen

= cos e cos

= −sen;
ii. sen(0) = 0 e cos(0) = 1;
iii.
_
sen(x)
_
2
+
_
cos(x)
_
2
= 1 para todo x ∈ R. Em particular, sen(x), cos(x) ∈ [−1, 1]
para todo x ∈ R.
Demonstra¸c˜ao. (i) Dado N ∈ N, definimos S
n
, C
N
: R →R, para cada x ∈ R, por
S
N
(x) =
N

n=0
(−1)
n
x
2n+1
(2n + 1)!
e C
N
(x) = 1 +
N

n=1
(−1)
n
x
2n
(2n)!
.
Temos que (S
N
)
N∈N
e (C
N
)
N∈N
convergem simplesmente para sen e cos, respectivamente.
Fixado M > 0, mostraremos que a convergˆencia de (C
N
)
N∈N
´e uniforme em [−M, M].
Seja ε > 0. Como

M
n
/n! converge (veja Exemplo 4.17, p.67), existe N
0
∈ N tal que
N ≥ N
0
=⇒
+∞

n=2N+2
M
n
n!
< ε.
Ent˜ao, para x ∈ [−M, M] e N ≥ N
0
, temos
[C
N
(x) −cos(x)[ =
¸
¸
¸
¸
¸
+∞

n=N+1
(−1)
n
x
2n
(2n)!
¸
¸
¸
¸
¸

+∞

n=N+1
M
2n
(2n)!

+∞

n=2N+2
M
n
n!
< ε.
Verifica-se facilmente que S

N
= C
N
para todo N ∈ N. Logo, (S

N
)
N∈N
converge unifor-
memente para cos em [−M, M].
Gra¸cas `a Proposi¸c˜ao 226, (S
N
)
N∈N
converge para uma primitiva da fun¸c˜ao cos em
[−M, M], ou seja, sen

(x) = cos(x) para todo x ∈ [−M, M]. Como M ´e arbitr´ario, se-
gue que sen

(x) = cos(x) para todo x ∈ R.
Analogamente, mostra-se que cos

= −sen.
(ii) Trivial.
(iii) Seja F : R →R dada por F(x) =
_
sen(x))
2
+
_
cos(x)
_
2
, para todo x ∈ R. Temos
F

(x) = 2 sen(x) sen

(x) + 2 cos(x) cos

(x) = 2 sen(x) cos(x) −2 cos(x) sen(x) = 0.
Portanto, F ´e constante. Como F(0) = 1, conclu´ımos a prova.
Da segunda propriedade do teorema anterior obtemos sen, cos ∈ C

_
R
_
. As propriedades
(i) e (ii) caracterizam sen e cos. Mais precisamente, temos o seguinte resultado.
PROPOSIC¸
˜
AO 242. (caracteriza¸ c˜ao do seno e cosseno) Sejam s, c : R →R deriv´aveis
tais que s

= c, c

= −s, s(0) = 0 e c(0) = 1. Ent˜ao s = sen e c = cos.
Demonstra¸c˜ao. Procedemos como na prova do item (iii) do teorema anterior. Definimos
F : R →R por F(x) =
_
sen(x) −s(x))
2
+
_
cos(x) −c(x)
_
2
, para todo x ∈ R, e mostramos
que F

= 0. Portanto, F ´e constante. De F(0) = 0, conclu´ımos.
176 CAP
´
ITULO 10. SEQU
ˆ
ENCIAS DE FUNC¸
˜
OES
Ent˜ao, para x ∈ [−M, M] e N ≥ N
0
, temos
[F
N
(x) −exp(x)[ =
¸
¸
¸
¸
¸
+∞

n=N+1
x
n
n!
¸
¸
¸
¸
¸

+∞

n=N+1
[x[
n
n!

+∞

n=N+1
M
n
n!
= [F
N
(M) −exp(M)[ < ε.
Verifica-se facilmente que F

N+1
= F
N
para todo N ∈ N. Logo, (F

N
)
N∈N
converge
uniformemente para exp em [−M, M].
Gra¸cas `a Proposi¸c˜ao 226, p.167, (F
N
)
N∈N
converge para uma primitiva da fun¸c˜ao exp em
[−M, M], ou seja, exp

(x) = exp(x) para todo x ∈ [−M, M]. Como M ´e arbitr´ario, segue
que exp

(x) = exp(x) para todo x ∈ R.
Vejamos agora a rela¸c˜ao entre as fun¸c˜ oes logaritmo e exponencial.
PROPOSIC¸
˜
AO 238. (rela¸c˜ao log e exponencial) Temos:
i. exp
_
log(x)
_
= x ∀x ∈ (0, +∞). ii. log
_
exp(x)
_
= x ∀x ∈ R;
Demonstra¸c˜ao. (i) Seja f : (0, +∞) → R dada por f(x) =
exp
_
log(x)
_
x
∀x ∈ (0, +∞).
Basta mostrar que f(x) = 1 para todo x ∈ (0, +∞). Derivando obtemos
f

(x) =
xexp
_
log(x)
_
/x −exp
_
log(x)
_
x
2
= 0 ∀x ∈ (0, +∞).
Portanto f ´e constante, isto ´e, f(x) = f(1) = 1 para todo x ∈ (0, +∞).
(ii) Como no item anterior, mostra-se que g : R →R dada por g(x) = log
_
exp(x)
_
−x,
para todo x ∈ R, ´e identicamente nula.
Sejam n ∈ N e a > 0. Gra¸cas `as propriedades da exponencial e do logaritmo, temos:
exp
_
nlog(a)
_
= exp
_
log(a
n
)
_
= a
n
= a a
. ¸¸ .
n vezes
.
A quantidade acima `a direita tem sentido apenas para n ∈ N enquanto que aquela `a
esquerda faz sentido para n ∈ R. Motivados por este fato, fazemos a seguinte defini¸c˜ao.
DEFINIC¸
˜
AO 239. Dado a > 0 e x ∈ R, definimos a
x
= exp
_
xlog(a)
_
.
Consideremos expoentes racionais. Dados m ∈ Z, n ∈ N e a > 0, gra¸cas ao exerc´ıcio 21(e),
p.181, temos
_
a
m
n
_
n
= a
m
n
n
= a
m
. Portanto, a
m
n =
n

a
m
.
Como e = exp(1) (veja Defini¸ c˜ao 110, p.67, log(e) = log
_
exp(1)
_
= 1. Assim, para
x ∈ R temos e
x
= exp
_
xlog(e)
_
= exp(x).
10.6 ⋆ Seno e cosseno.
DEFINIC¸
˜
AO 240. As fun¸c˜ oes sen, cos : R →R s˜ao definidas por
sen(x) =
+∞

n=0
(−1)
n
x
2n+1
(2n + 1)!
e cos(x) = 1 +
+∞

n=1
(−1)
n
x
2n
(2n)!
∀x ∈ R.
1.2. ⋆ TEORIA DOS CONJUNTOS
´
E F
´
ACIL? 5
1.2 ⋆ Teoria dos conjuntos ´e f´acil?
N˜ao entramos nos fundamentos l´ ogicos da Teoria dos Conjuntos e tudo parece trivial e
familiar. Mas (in)felizmente a Teoria dos Conjuntos n˜ao ´e t˜ao f´acil como possa parecer. Por
exemplo, nossa exposi¸c˜ao apresenta uma inconsistˆencia l´ ogica, ou paradoxo, conhecido como
Paradoxo de Russel
1
.
Logo na primeira se¸ c˜ao dissemos que dada uma propriedade P podemos definir, ou melhor,
existe o conjunto A dos elementos que possuem a propriedade P e escrevemos
A =
_
x ; P(x)
_
.
Ora, n˜ao h´a nada mais razo´avel.
Nada nos impede de considerar conjuntos cujos elementos s˜ao conjuntos (como j´a fizemos
ao introduzir cole¸ c˜ oes) e de questionar se um conjunto ´e elemento dele mesmo. Como
exemplo, considere o conjunto C de todos objetos que n˜ao s˜ao bolas. Ora, C n˜ao ´e uma
bola, logo, C ∈ C. Vejamos como isto gera um paradoxo.
Diremos que um conjunto X ´e normal se ele n˜ao pertence a si pr´ oprio, i.e., se X / ∈ X.
Seja N o conjunto dos conjuntos normais:
N = ¦X ; X ´e normal¦ = ¦X ; X / ∈ X¦.
Perguntamo-nos se N ´e normal. Existem duas respostas poss´ıveis: sim ou n˜ao. Vamos
analisar cada uma delas.
1
a
possibilidade: N ´e normal. Por defini¸c˜ao, N ´e o conjunto dos conjuntos normais e,
sendo ele pr´ oprio normal, temos que N ∈ N. Isto implica, por defini¸c˜ao de conjunto normal,
que N n˜ao ´e normal. Temos ent˜ao uma contradi¸c˜ao! Pode-se pensar que este argumento seja
apenas uma demonstra¸ c˜ao por absurdo que mostra que a primeira possibilidade n˜ao funciona
e ent˜ao devemos concluir que ´e a segunda que ´e a boa. Vejamos.
2
a
possibilidade: N n˜ao ´e normal. Pela defini¸c˜ao de N, e como N n˜ao ´e normal, de-
vemos ter N / ∈ N. Logo, por defini¸c˜ao de conjunto normal, conclu´ımos que N ´e normal.
Novamente temos uma contradi¸c˜ao. Nenhuma das duas possibilidades ´e poss´ıvel - paradoxo!
Para eliminar este paradoxo da Teoria dos Conjuntos (que ´e o pilar de toda a Matem´atica)
uma solu¸ c˜ao ´e a seguinte. Ao inv´es de admitir que dada uma propriedade P existe o conjunto
dos elementos que possuem a propriedade P, admitimos que dada uma propriedade P e
um conjunto A existe o subconjunto dos elementos de A que possuem a propriedade P.
Escrevemos
_
x ∈ A ; P(x)
_
. Feito isto o argumento usado no Paradoxo de Russel se
transforma em um teorema (veja exerc´ıcio 7, p.10) segundo o qual n˜ao existe o conjunto de
todas as coisas ou, de forma mais “po´etico-filos´ofica”, “nada cont´em tudo”. Boa viagem!
1.3 Fun¸ c˜ oes.
Todos sabemos que o valor da presta¸ c˜ao de uma televis˜ao comprada em 12 parcelas iguais
e sem juros depende do seu pre¸ co `a vista. Por isto, dizemos que o valor da presta¸ c˜ao ´e fun¸c˜ao
1
Bertrand Arthur William Russell, ⋆ 18/05/1872, Ravenscroft, Pa´ıs de Gales - † 02/02/1970, Penrhyn-
deudraeth, Pa´ıs de Gales
6 CAP
´
ITULO 1. NOC¸
˜
OES DE TEORIA DOS CONJUNTOS
do pre¸ co `a vista. Neste caso, se x ´e o pre¸ co `a vista, ent˜ao o valor da presta¸ c˜ao ´e x/12. A
fun¸c˜ao “valor da presta¸ c˜ao” a cada “valor `a vista” x associa o “valor da presta¸ c˜ao”, dado por
x/12. De maneira geral, uma fun¸c˜ao associa, atrav´es de uma regra precisa, cada elemento de
um conjunto a um ´unico elemento de outro conjunto (os dois conjuntos em quest˜ao podem
ser iguais).
O exemplo anterior ´e de uma fun¸c˜ao num´erica definida atrav´es de uma f´ormula, mas nem
toda fun¸c˜ao ´e deste tipo. Por exemplo, cada pessoa possui um ´unico tipo sangu´ıneo, logo,
podemos considerar a fun¸c˜ao que a cada elemento do conjunto das pessoas associa o seu tipo
sangu´ıneo que ´e um elemento do conjunto ¦A, B, AB, O¦. Mudando a regra a fun¸c˜ao muda.
Assim, a fun¸c˜ao anterior ´e diferente da fun¸c˜ao que a cada pessoa associa o tipo sangu´ıneo do
pai.
DEFINIC¸
˜
AO 13. Sejam A e B dois conjuntos n˜ao vazios. Uma fun¸c˜ao f : A → B (lˆe-se
fun¸c˜ao f de A em B) ´e definida por uma regra de associa¸c˜ao, ou rela¸c˜ao, entre elementos de
A e B que a cada x ∈ A associa um ´unico elemento f(x) (lˆe-se f de x) em B, dito imagem
de x por f. O conjunto A ´e o dom´ınio de f enquanto que B ´e o contradom´ınio de f.
Note que n˜ao pode haver exce¸ c˜ao `a regra: todo x ∈ A possui uma imagem f(x) ∈ B. Por
outro lado, pode existir y ∈ B que n˜ao seja imagem de nenhum x ∈ A. Note tamb´em que,
dado x ∈ A, n˜ao pode haver ambiguidade com respeito a f(x). Entretanto, o mesmo elemento
y ∈ B pode ser imagem de mais de um elemento de A, i.e., pode ocorrer f(x
1
) = f(x
2
) com
x
1
,= x
2
.
Exemplo 1.9. Sejam A = ¦alunos da UFRJ¦, B = ¦n´umeros inteiros¦. Como exemplo de
fun¸c˜ao, temos f : A → B que a cada x ∈ A associa seu ano de nascimento. Outro exemplo
´e a fun¸c˜ao g : A → B que a cada x ∈ A associa seu ano de entrada na UFRJ.
Exemplo 1.10. Seja A = ¦pessoas¦. Se a cada x ∈ A fazemos corresponder f(x) ∈ A de
maneira que f(x) seja irm˜ao de x, ent˜ao f n˜ao ´e uma fun¸c˜ao por duas raz˜ oes. Primeiro por
exce¸ c˜ao pois nem toda pessoa tem irm˜ao. Segundo por ambiguidade pois existem pessoas
que tˆem mais de um irm˜ao.
DEFINIC¸
˜
AO 14. Sejam f, g : A → B duas fun¸c˜ oes. Dizemos que f e g s˜ao iguais se s˜ao
dadas pela mesma regra de associa¸c˜ao, ou seja, se
f(x) = g(x) ∀x ∈ A.
A condi¸c˜ao acima s´o tem sentido (podendo ser falsa) se f e g tiverem o mesmo dom´ınio (no
caso A). No entanto, ´e dispens´avel que f e g tenham o mesmo contradom´ınio. Por esta
raz˜ao, podemos considerar iguais duas fun¸c˜ oes de contradom´ınios diferentes. Desta forma, a
fun¸c˜ao
h : ¦alunos da UFRJ¦ → ¦n´umeros inteiros positivos¦,
que a cada x ∈ ¦alunos da UFRJ¦ associa seu ano de entrada na UFRJ ´e igual a fun¸c˜ao g
do Exemplo 1.9. Mais delicado ´e considerar que fun¸c˜ oes de dom´ınios diferentes sejam iguais.
Entretanto, cometemos este abuso quando, por exemplo, o dom´ınio de uma fun¸c˜ao cont´em o
dom´ınio da outra. Quando a prudˆencia mandar, devemos lidar com os conceitos de restri¸c˜ao
e extens˜ao.
10.5. ⋆ LOGARITMO E EXPONENCIAL. 175
DEFINIC¸
˜
AO 234. A fun¸c˜ao logaritmo log : (0, +∞) →R ´e definida por
log(x) =
_
x
1
1
s
ds ∀x ∈ (0, +∞).
Vejamos algumas propriedades fundamentais da fun¸c˜ao logaritmo. No exerc´ıcio 13, p.135
deduzimos propriedades das fun¸c˜ oes logar´ıtmica e exponencial de outro modo.
PROPOSIC¸
˜
AO 235. (propriedades do log) Temos:
i. log(1) = 0; ii. log

(x) = 1/x para todo x ∈ (0, +∞);
iii. log(x
n
) = nlog(x) para x ∈ (0, +∞) e n ∈ N.
Demonstra¸c˜ao. (i) Trivial.
(ii) Segue do Segundo Teorema Fundamental do C´alculo.
(iii) Seja n ∈ N fixo e considere a fun¸c˜ao f : (0, +∞) →R dada por
f(x) = log(x
n
) −nlog(x) ∀x ∈ (0, +∞).
Basta mostrar que f ´e identicamente nula. Derivando obtemos
f

(x) =
nx
n−1
x
n

n
x
= 0 ∀x ∈ (0, +∞).
Portanto f ´e constante, isto ´e, f(x) = f(1) = 0 para todo x ∈ (0, +∞).
DEFINIC¸
˜
AO 236. A fun¸c˜ao exponencial exp : R →R ´e definida por
exp(x) =
+∞

n=0
x
n
n!
∀x ∈ (0, +∞).
A s´erie acima ´e (absolutamente) convergente gra¸cas ao Teste da Raz˜ao (veja Exemplo
4.17, p.67).
Dentre as propriedades da fun¸c˜ao exponencial, a proposi¸c˜ao seguinte tem importˆancia
especial para a An´alise.
PROPOSIC¸
˜
AO 237. (propriedades da exponencial) Temos:
i. exp(0) = 1; ii. exp

(x) = exp(x) para todo x ∈ R;
Demonstra¸c˜ao. (i) Trivial.
(ii) Para cada N ∈ N, definimos F
N
: R → R por F
N
(x) =
N

n=0
x
n
n!
∀x ∈ R. Por
defini¸c˜ao, (F
N
)
N∈N
converge simplesmente para exp. Fixado M > 0, mostraremos que a
convergˆencia ´e uniforme em [−M, M].
Seja ε > 0. Como (F
N
(M))
N∈N
converge para exp(M), existe N
0
∈ N tal que
N ≥ N
0
=⇒ [F
N
(M) −exp(M)[ < ε.
174 CAP
´
ITULO 10. SEQU
ˆ
ENCIAS DE FUNC¸
˜
OES
Usando esta rela¸c˜ao, (10.13) e supondo que n ∈ N seja suficientemente grande de modo
que M(b −a)/n < δ e |f
n
−f| < δ, obtemos
[f
n
(x) −
˜
f(x)[ ≤
_
x
a
¸
¸
f

n
(s) −g
_
f(s)

¸
ds ≤
n

i=1
_
xi
xi−1
¸
¸
f

n
(s) −g
_
f(s)

¸
ds
=
n

i=1
_
xi
xi−1
¸
¸
g
_
f
n
(x
i−1
)
_
−g
_
f(s)

¸
ds

n

i=1
_
xi
xi−1
_
¸
¸
g
_
f
n
(x
i−1
)
_
−g
_
f
n
(s)

¸
+
¸
¸
g
_
f
n
(s)
_
−g
_
f(s)

¸
_
ds

n

i=1
_
xi
xi−1
2εds = 2(b −a)ε.
O que conclui a demonstra¸ c˜ao.
O Teorema de Peano n˜ao garante a unicidade da solu¸ c˜ao. Considere, por exemplo, [a, b] =
[0, 1], y
0
= 0 e g(y) =
_
[y[ para todo y ∈ R. Verifica-se facilmente que, dado qualquer
c ∈ (0, 1), a fun¸c˜ao f
c
: [0, 1] → R dada por f
c
(x) = 0, se x ≤, c e f
c
(x) = (x − c)
2
/4,
se x > c, ´e solu¸ c˜ao do PVI correspondente. Sob hip´ oteses adicionais sobre g (pertencer a
C
1
(R), por exemplo) ´e poss´ıvel demonstrar a unicidade de solu¸ c˜ao (ver [He]).
´
E poss´ıvel retirar a hip´ otese sobre a limita¸ c˜ao de g mas paga-se um pre¸ co por isto. Neste
caso, a solu¸ c˜ao f estar´a definida numa vizinhan¸ca de a que, possivelmente, n˜ao cont´em b.
Considere, por exemplo, [a, b] = [0, 2], y
0
= 1 e g(y) =
_
[y[
3
para todo y ∈ R. Neste caso,
a ´unica solu¸ c˜ao ´e dada por f(x) = 4/(2 −x)
2
que n˜ao est´a definida em b = 2
Perceba que na demonstra¸ c˜ao do Teorema de Peano usamos o M´etodo de Euler de um
modo muito particular supondo que as parti¸ c˜ oes eram uniformes. Al´em disto, da sequˆencia de
aproxima¸c˜ oes dada pelo M´etodo de Euler, mostramos apenas que uma subsequˆencia converge
para a solu¸ c˜ao. Isto inviabiliza o C´alculo Num´erico aproximado da solu¸ c˜ao pois n˜ao sabemos
qual ´e a sequˆencia dos ´ındices que deve ser usada. Felizmente, sob condi¸c˜ oes suplementares
sobre g ´e poss´ıvel mostrar que a sequˆencia converge (ver [He]). Este fato est´a intimamente
ligado a quest˜ao da unicidade da solu¸ c˜ao. Reflita a respeito.
Um ´ultimo coment´ario: apresentamos o chamado m´etodo expl´ıcito. H´a tamb´em o M´etodo
de Euler Impl´ıcito que tem vantagens sobre o expl´ıcito. Na verdade existem outros m´etodos
num´ericos mais vantajosos que o de Euler. O leitor interessado poder´a consultar [He].
10.5 ⋆ Logaritmo e exponencial.
No pr´ ologo de [Ru2] Rudin
1
afirma que “a fun¸c˜ao exponencial ´e a mais importante da
Matem´atica”. H´a v´arias maneiras de definir esta fun¸c˜ao. A mais popular, nos livros de C´alculo
I e An´alise Real, define a exponencial como inversa da fun¸c˜ao logaritmo. Apresentaremos outra
abordagem e provaremos este fato.
1
Walter Rudin: ⋆ 02/05/1921, Viena,
´
Austria.
1.3. FUNC¸
˜
OES. 7
DEFINIC¸
˜
AO 15. Sejam f : A → B e g : C → D. Dizemos que f ´e uma restri¸ c˜ao de
g ou que g ´e uma extens˜ao de f se A ⊂ C e f(x) = g(x) para todo x ∈ A. Neste caso
escrevemos f = g
|A
.
DEFINIC¸
˜
AO 16. Dados dois conjuntos A e B, denotamos por T(A; B) o conjunto de todas
as fun¸c˜ oes f : A → B.
DEFINIC¸
˜
AO 17. Dado A ⊂ C, definimos a fun¸c˜ao caracter´ıstica ou indicadora de A
por I
A
: C → ¦0, 1¦ (tamb´em denotada por χ
A
) por I
A
(x) = 1, se x ∈ A, e I
A
(x) = 0, se
x / ∈ A.
A fun¸c˜ao indicadora (ou caracter´ıstica) ´e muito utilizada em teoria da integra¸ c˜ao e em pro-
babilidade. Podemos escrever que I : T(C) → T(C; ¦0, 1¦) ou I ∈ T(T(C); T(C; ¦0, 1¦)),
pois I associa a cada subconjunto A ∈ T(C) a fun¸c˜ao I
A
.
DEFINIC¸
˜
AO 18. Seja f : A → B. Definimos
¯
f : T(A) → T(B) para cada C ∈ T(A) (ou,
o que ´e a mesma coisa, para cada C ⊂ A) por
¯
f(C) =
_
y ∈ B ; ∃x ∈ C tal que f(x) = y¦ = ¦f(x) ; x ∈ C
_
,
a imagem ou imagem direta de C por f. Abusamos a nota¸ c˜ao e escrevemos simplesmente
f(C) (sem o til). Em particular, o conjunto f(A) ´e chamado de imagem de f.
DEFINIC¸
˜
AO 19. Seja f : A → B. Definimos
¯
f
−1
: T(B) → T(A) para cada C ∈ T(B)
(ou, o que ´e a mesma coisa, para cada C ⊂ B) por
¯
f
−1
(C) =
_
x ∈ A ; f(x) ∈ C
_
,
a imagem inversa ou pr´e-imagem de C por f. Abusamos a nota¸ c˜ao e escrevemos simples-
mente f
−1
(C) (sem o til). Outros abusos s˜ao: f
−1
(y) (em vez de
¯
f
−1
(¦y¦)) e x = f
−1
(C)
(em vez de
¯
f
−1
(C) = ¦x¦).
Exemplo 1.11. Considere f : R → R definido por f(x) = [x[. Ent˜ao f([−2, 2]) =
[0, 2], f([−5, 1)) = [0, 5]. Al´em disso, f
−1
((1, 2)) = (1, 2) ∪ (−2, −1), f
−1
(3) = ¦3, −3¦,
f
−1
((−3, −1)) = ∅, f
−1
(0) = 0.
DEFINIC¸
˜
AO 20. Uma fun¸c˜ao f : A → B ´e dita sobrejetiva se f(A) = B, ou seja, se
qualquer que seja y ∈ B, existe x ∈ A tal que f(x) = y.
Ao se verificar a sobrejetividade de uma fun¸c˜ao, deve estar claro qual conjunto est´a sendo
considerado como contradom´ınio. Modificando-o, uma fun¸c˜ao que n˜ao ´e sobrejetiva pode
passar a ser.
Exemplo 1.12. Seja A = ¦a, b¦. A fun¸c˜ao f, definida por f(x) = x para todo x ∈ A, n˜ao ´e
sobrejetiva de A em ¦a, b, c¦ mas ´e sobrejetiva de A em ¦a, b¦. De modo geral, toda fun¸c˜ao
´e sobrejetiva na sua imagem.
8 CAP
´
ITULO 1. NOC¸
˜
OES DE TEORIA DOS CONJUNTOS
DEFINIC¸
˜
AO 21. Uma fun¸c˜ao f : A → B ´e dita injetiva ou inje¸c˜ao se para quaisquer
x, y ∈ A tais que x ,= y temos f(x) ,= f(y), ou equivalentemente, se x, y ∈ A s˜ao tais que
f(x) = f(y), ent˜ao x = y; ou ainda, se para todo y ∈ f(A) existe um ´unico x ∈ A tal que
f(x) = y.
DEFINIC¸
˜
AO 22. Dizemos que a fun¸c˜ao f tem a propriedade P em A se f
|A
tem a propri-
edade P.
Por exemplo, dizer que f ´e injetiva em A significa que f
|A
´e injetiva. Isto ´e muito usual,
sobretudo em conversas informais entre matem´aticos. Entretanto, isto deve ser usado com
cuidado para n˜ao cairmos em armadilhas (veja exerc´ıcio 10, p.115).
DEFINIC¸
˜
AO 23. Uma fun¸c˜ao f : A → B ´e dita bijetiva ou bije¸c˜ao se ela ´e injetiva e
sobrejetiva.
Exemplo 1.13. Sejam A = ¦1, 2, 3¦, B = ¦2, 4, 6¦ e C = ¦1, 4, 9, 16¦. Consideremos as
fun¸c˜ oes f : A → B, g : A → C e h : A → A definidas por
f(x) = 2x, g(x) = x
2
, h(x) = 2 ∀x ∈ A.
Temos que f ´e injetiva e sobrejetiva e, portanto, bijetiva. Temos ainda que g ´e injetiva mas
n˜ao ´e sobrejetiva e h n˜ao ´e injetiva e nem sobrejetiva.
DEFINIC¸
˜
AO 24. Sejam f : A → B e g : C → D tais que f(A) ⊂ C. Definimos a fun¸c˜ao
composta g ◦ f : A → D que a cada x ∈ A associa g
_
f(x)
_
∈ D.
A defini¸c˜ao anterior faz sentido pois dado x ∈ Atemos que f(x) ∈ f(A) e como f(A) ⊂ C
temos f(x) ∈ C. Neste caso podemos aplicar g e encontrar g(f(x)) ∈ D.
Observamos ainda que a opera¸ c˜ao de composi¸c˜ao de fun¸c˜ oes ´e associativa, i.e., se f :
A → B, g : C → D e h : E → F com f(A) ⊂ C e g(C) ⊂ E, ent˜ao temos
_
(h ◦ g) ◦ f
_
(x) = (h ◦ (g ◦ f))(x) = h(g(f(x))) ∀x ∈ A.
DEFINIC¸
˜
AO 25. Para f : A → A definimos f
n
: A → A por f
n
= f ◦ ◦ f (n vezes).
DEFINIC¸
˜
AO 26. Sejam f : A → B e g : B → A tais que (g ◦ f)(x) = x para todo x ∈ A
e (f ◦ g)(y) = y para todo y ∈ B. Dizemos que f ´e invert´ıvel, que g ´e a inversa de f e
escrevemos g = f
−1
.
N˜ao devemos confundir f
−1
da defini¸c˜ao acima com
¯
f
−1
da Defini¸ c˜ao 19. Sempre que
aplicamos f
−1
em conjuntos est´a subentendido que trata-se da imagem inversa. Quando
se aplica f
−1
num elemento y, pode-se entender como f
−1
(y), caso a inversa exista, ou
¯
f
−1
(¦y¦), a imagem inversa de um conjunto unit´ario.
Repare que intercambiando f com g, A com B e x com y as hip´ oteses da Defini¸ c˜ao 26
n˜ao mudam, por´em a conclus˜ao dir´a que f ´e a inversa de g. Conclu´ımos que f ´e a inversa
de g se, e somente se, g ´e a inversa de f.
Se f : A → B ´e injetiva, ent˜ao mesmo quando ela n˜ao for sobrejetiva, ainda poderemos
considerar sua fun¸c˜ao inversa f
−1
ficando subentendido que o dom´ınio de f
−1
´e f(A) (e n˜ao
B). Desta forma (f
−1
◦ f)(x) = x para todo x ∈ A e (f ◦ f
−1
)(y) = y para todo y ∈ f(A).
10.4. ⋆ EQUAC¸
˜
OES DIFERENCIAIS. 173
aproximado pela fun¸c˜ao φ que ´e afim em cada intervalo [x
i−1
, x
i
], i ∈ ¦1, . . . , n¦, e que vale
y
i−1
e y
i
em x
i−1
e x
i
, respectivamente. Mais precisamente, φ : [a, b] →R ´e dada por
φ(x) =
_
¸
¸
_
¸
¸
_
y
0
se x = a,
_
y
i
−y
i−1
x
i
−x
i−1
_
(x −x
i−1
) +y
i−1
se x
i−1
< x ≤ x
i
.
(10.10)
O M´etodo de Euler est´a na base da demonstra¸ c˜ao do Teorema de Peano.
TEOREMA 233. (Peano) Seja g ∈ C(R) limitada. Ent˜ao, para todo y
0
∈ R, existe
f ∈ C
1
_
[a, b]
_
satisfazendo (10.8).
Demonstra¸c˜ao. Seja M > 0 tal que [g[ ≤ M. Dado n ∈ N, considere a parti¸ c˜ao uniforme
P = ¦x
0
, . . . , x
n
¦ do intervalo [a, b]. Ou seja,
[x
i
−x
i−1
[ =
b −a
n
, ∀i ∈ ¦1, . . . , n¦.
Definimos y
1
, . . . , y
n
por (10.9) e f
n
= φ dada em (10.10). Segue que se x ∈ (x
i−1
, x
i
),
ent˜ao f
n
´e deriv´avel em x e f

n
(x) = g
_
y
i−1
_
= g
_
f
n
(x
i−1
)
_
. Logo, [f

n
(x)[ ≤ M.
Usando o Primeiro Teorema Fundamental do C´alculo (Teorema 207, p.150) temos
f
n
(x) = f
n
(a) +
_
x
a
f

n
(s)ds = y
0
+
_
x
a
f

n
(s)ds ∀x ∈ [a, b]. (10.11)
Da Proposi¸c˜ao 202, p.146, obtemos
[f
n
(x)[ ≤ [y
0
[ +
_
x
a
[f

n
(s)[ds ≤ [y
0
[ +M(b −a) = L ∀x ∈ [a, b]. (10.12)
Logo, (f
n
)
n∈N
´e limitada.
Com argumento an´alogo mostra-se que para a ≤ y ≤ x ≤ b temos
[f
n
(x) −f
n
(y)[ ≤
_
x
y
[f

n
(s)[ds ≤ M(x −y). (10.13)
Segue, imediatamente, que (f
n
)
n∈N
´e equicont´ınua. Gra¸cas ao Teorema de Arzel`a-Ascoli,
(f
n
)
n∈N
tem subsequˆencia (tamb´em denotada (f
n
)
n∈N
) convergente para f em C
_
[a, b]
_
.
Vamos mostrar que f ´e solu¸ c˜ao de (10.8). De acordo com o Segundo Teorema Fundamental
do C´alculo (Teorema 208, p.150), basta mostrar que f =
˜
f, sendo
˜
f : [a, b] → R definida
por
˜
f(x) = y
0
+
_
x
a
g
_
f(s)
_
ds ∀x ∈ [a, b].
Faremos isto mostrando que (f
n
)
n∈N
converge para
˜
f. Seja ε > 0. De (10.12) obtemos que
[f[ ≤ L. Como g ´e uniformemente cont´ınua no compacto [−L, L], existe δ > 0 tal que
y, z ∈ [−L, L], [y −z[ < δ =⇒ [g(y) −g(z)[ < ε.
172 CAP
´
ITULO 10. SEQU
ˆ
ENCIAS DE FUNC¸
˜
OES
perdemos fazendo isto. De fato, se f ´e deriv´avel e f

= f, ent˜ao f

´e cont´ınua pois f
´e cont´ınua. Conclu´ımos que f ∈ C
1
(R). Ora, como f ∈ C
1
(R) e f

= f temos que
f

∈ C
1
(R), isto ´e, f ∈ C
2
(R). Continuando o argumento (chamado de boot strap)
conclu´ımos que f ∈ C

(R).
Nas aplica¸ c˜ oes de EDO’s em ´areas externas `a Matem´atica saber que determinado problema
tem solu¸ c˜ao, ´unica e regular (C
1
ou C

, por exemplo) ´e quase sempre in´util. O que se espera,
de fato, ´e encontrar tal solu¸ c˜ao. N˜ao existem m´etodos gerais para encontrar express˜oes
de solu¸ c˜ oes de EDO’s. H´a apenas uma quantidade pequena de “receitas” cada uma delas
aplic´avel a um tipo particular de equa¸ c˜ao. O problema ´e mais s´erio do que o leitor, talvez,
possa imaginar. Na maioria dos casos, as solu¸ c˜ oes de EDO’s n˜ao podem ser escritas em
termos das fun¸c˜ oes elementares comumente usadas! (O exemplo cl´assico ´e a fun¸c˜ao f tal
que f

(x) = e
−x
2
para todo x ∈ R.) Neste caso, devemos usar esquemas num´ericos para a
resolu¸c˜ao de EDO’s.
De maneira geral estamos interessados no seguinte problema. Dada g : R →R e y
0
∈ R,
queremos encontrar f : [a, b] →R deriv´avel e tal que
_
_
_
f

(x) = g
_
f(x)
_
∀x ∈ [a, b],
f(a) = y
0
.
(10.8)
Frequentemente, a vari´avel x ´e substitu´ıda por t e interpretada como tempo e a ´e con-
siderado o tempo inicial. Por essa raz˜ao (10.8) ´e chamado de Problema de Valor Inicial
(PVI) ou de Problema de Cauchy.
Para encontrar uma solu¸ c˜ao, ou melhor, uma aproxima¸c˜ao para a solu¸ c˜ao de (10.8) o
m´etodo num´erico mais simples ´e o M´etodo de Euler. A ideia deste m´etodo ´e a seguinte.
Sejam f solu¸ c˜ao do PVI e x
0
= a. Se x
1
> x
0
´e pr´ oximo de x
0
, ent˜ao
f

(x
0
) ≈
f(x
1
) −f(x
0
)
x
1
−x
0
=⇒ f(x
1
) ≈ f(x
0
) +f

(x
0
)(x
1
−x
0
) = y
0
+g(y
0
)(x
1
−x
0
).
Assim, y
1
= y
0
+ g(y
0
)(x
1
− x
0
) ´e uma aproxima¸c˜ao para f(x
1
) que ser´a usada para obter
uma aproxima¸c˜ao para f(x
2
), sendo x
2
> x
1
pr´ oximo de x
1
. Temos
f

(x
1
) ≈
f(x
2
) −f(x
1
)
x
2
−x
1
=⇒ f(x
2
) ≈ f(x
1
) +f

(x
1
)(x
2
−x
1
) ≈ y
1
+g(y
1
)(x
1
−x
2
).
Ou seja y
2
= y
1
+g(y
1
)(x
2
−x
1
) ´e uma aproxima¸c˜ao para f(x
2
). Continuamos o processo da
seguinte maneira. Dada uma parti¸ c˜ao (ou malha, como ´e chamada no contexto da An´alise
Num´erica) P = ¦x
0
, . . . , x
n
¦ de [a, b], definimos y
1
, . . . , y
n
, indutivamente, por
y
i
= y
i−1
+g(y
i−1
)(x
i
−x
i−1
) ∀i ∈ ¦1, . . . , n¦. (10.9)
´
E razo´avel esperar que y
i
seja uma boa aproxima¸c˜ao para f(x
i
) tanto melhor quanto menor
for max
_
[x
i
−x
i−1
[ ; i ∈ ¦1, . . . , n¦
_
. Nos outros pontos de [a, b] ¸ P o valor da fun¸c˜ao f ´e
1.4. FAM
´
ILIAS 9
1.4 Fam´ılias
Dissemos anteriormente (Defini¸c˜ao 5, p.3) que a palavra fam´ılia pode ser usada para
designar conjuntos de conjuntos. De fato, este ´e o principal uso da palavra fam´ılia mas n˜ao
o ´unico. Na verdade, uma fam´ılia ´e uma fun¸c˜ao para a qual usamos uma nota¸ c˜ao especial.
DEFINIC¸
˜
AO 27. Sejam I e C conjuntos n˜ao vazios. Uma fam´ılia (A
i
)
i∈I
de elementos
de C ´e uma fun¸c˜ao A : I → C para a qual denotamos por A
i
(em vez de A(i)) a imagem
de i por A. Dizemos que a fam´ılia est´a indexada pelo ´ındice i ∈ I, que I ´e o conjunto de
´ındices e que A
i
´e o i-´esimo elemento (ou membro) da fam´ılia. Quando I ´e o conjunto dos
n´umeros naturais substitu´ımos a palavra fam´ılia por sequˆencia.
Os gram´aticos que nos perdoem (:-)) mas usamos o sufixo “´esimo” em i-´esimo mesmo
quando i n˜ao ´e um n´umero cardinal.
Observe que na nota¸ c˜ao (A
i
)
i∈I
n˜ao aparece o contradom´ınio C da fun¸c˜ao. Por isto,
ao introduzirmos uma fam´ılia, ´e obrigat´orio dizer que tipo de objetos constituem o seu con-
tradom´ınio. Por exemplo, uma fam´ılia de pessoas ´e uma fun¸c˜ao cujo contradom´ınio ´e um
conjunto de pessoas. Da mesma forma, uma fam´ılia de macacos ´e uma fun¸c˜ao cujo contra-
dom´ınio ´e um conjunto de macacos (agora s˜ao os bi´ologos que h˜ao de nos perdoar).
Como dito anteriormente, o uso mais frequente do termo fam´ılia ´e quando o contradom´ınio
´e uma cole¸ c˜ao de conjuntos. Trata-se, ent˜ao, de uma fam´ılia de conjuntos. Neste caso,
existem nota¸ c˜ oes especiais para a uni˜ao e a interse¸ c˜ao da cole¸ c˜ao. Se (A
i
)
i∈I
´e uma fam´ılia
de conjuntos, ent˜ao a uni˜ao e a interse¸ c˜ao da fam´ılia s˜ao definidas, respectivamente, por
_
i∈I
A
i
= ¦x ; existe i ∈ I tal que x ∈ A
i
¦ e

i∈I
A
i
= ¦x ; x ∈ A
i
para todo i ∈ I¦.
Exemplo 1.14. Sejam A
i
= (i, i + 1) e B
i
= (−i
2
−1, i
2
). Ent˜ao:
_
i∈Q
A
i
= R,

i∈Q
B
i
= (−1, 0),

i∈Q
A
i
= ∅,
_
i∈Q
B
i
= R,
_
i∈Z
A
i
= R −Z.
Se I ´e o conjunto dos n´umeros inteiros de m at´e n, ent˜ao tamb´em ´e usual escrever
n
_
i=m
A
i
= A
m
∪ ∪ A
n
e
n

i=m
A
i
= A
m
∩ ∩ A
n
.
Se I ´e o conjunto de todos os inteiros positivos, ent˜ao as nota¸ c˜ oes usuais s˜ao
+∞
_
i=1
A
i
=
_
i∈N
A
i
= A
1
∪ A
2
∪ e
+∞

i=1
A
i
=

i∈N
A
i
= A
1
∩ A
2
∩ .
O s´ımbolo ∞ (infinito) que aparece nas nota¸ c˜ oes anteriores n˜ao ´e um n´umero. Ele ´e
apenas um s´ımbolo tipogr´afico cujo papel ´e dizer que tanto a uni˜ao quanto a interse¸ c˜ao da
fam´ılia (A
i
)
i∈I
s˜ao tomadas para todo i ∈ ¦1, 2, 3, . . . ¦. Este mesmo s´ımbolo aparecer´a em
v´arias nota¸ c˜ oes ao longo do texto sendo que em cada uma delas seu papel ser´a diferente.
Por´em, sempre devemos ter em mente que infinito n˜ao ´e n´umero!
10 CAP
´
ITULO 1. NOC¸
˜
OES DE TEORIA DOS CONJUNTOS
1.5 Exerc´ıcios.
1.5.1 Conjuntos e opera¸ c˜oes
→ 1. Calcule:
(a)

x∈[1,+∞)
_

1
x
,
1
x
_
; (b)
_
x∈[1,2]
_
1
x + 1
,
1
x
_
; (c)

x>2
_
0,
1
x
_
;
(d)
_
x∈Q
_
x −
1
2
, x +
1
2
_
; (e)

ε>0
(x
0
−ε, x
0
+ε); (f)
_
x∈R−Q
_
1
x
_
.
=⇒ 2. Sejam A, B e C subconjuntos de um conjunto X. Prove que
(a) A ∪ ∅ = A; (b) A ∩ ∅ = ∅; (c) A∪ X = X;
=⇒(d) A∩ X = A; (e) ∅

= X; (f) X

= ∅;
(g) A ⊂ B e B ⊂ C implica que A ⊂ C; =⇒(h) A ⊂ B implica que B

⊂ A

.
→ 3. Prove que as seguintes afirma¸c˜ oes s˜ao equivalentes.
(a) A ⊂ B; (b) A∩ B = A; (c) A∪ B = B.
4. Sejam A, B e C subconjuntos de um conjunto X. Prove que:
(a) A ∩ (B ∪ C) = (A∩ B) ∪ (A∩ C) (distributividade da interse¸ c˜ao);
(b) A∪ (B ∩ C) = (A ∪ B) ∩ (A∪ C) (distributividade da uni˜ao);
(c) (A∪ B)

= A

∩ B

(lei de Morgan
1
); (d) (A∩ B)

= A

∪ B

(lei de Morgan).
Estas leis de distributividade e leis de Morgan podem ser generalizadas. Seja (A
i
)
i∈I
uma fam´ılia de subconjuntos de X. Prove que:
(e) A∩
_
_
i∈I
A
i
_
=
_
i∈I
(A
i
∩ A); (f) A ∪
_

i∈I
A
i
_
=

i∈I
(A
i
∪ A);
=⇒(g)
_

i∈I
A
i
_

=
_
i∈I
A

i
; (h)
_
_
i∈I
A
i
_

=

i∈I
A

i
.
5. A diferen¸ca sim´etrica entre dois conjuntos A e B ´e definida por A△B := (A −B) ∪
(B −A). Nos itens abaixo ⊕ representa uni˜ao, intersec¸ c˜ao, diferen¸ca ou diferen¸ca sim´etrica
entre conjuntos ([L] p.23 no.10 e 11).
(a) prove que (A⊕B) C = (AC) ⊕(B C) (propriedade distributiva);
(b) Examine a validade da lei de cancelamento “A⊕B = A⊕C implica B = C”.
6. Seja (A
n
)
n∈N
uma fam´ılia de conjuntos e A =

n∈N
A
n
. Prove que existe uma fam´ılia
(B
n
)
n∈N
com B
n
⊂ B
n+1
e A =

n∈N
B
n
([T] p.11 no.5.1).
⋆ 7. (extra) Usando o argumento do Paradoxo de Russel, prove que dado um conjunto A,
existe um conjunto N tal que N / ∈ A. Conclua que n˜ao existe o conjunto de todas as coisas,
nem o conjunto de todos os conjuntos.
♯ 8. (dif´ıcil) Defina Z =
_
X,Y ∈P(R)
X Y . Determine se Z = T(R R).
1
Augustus De Morgan: ⋆ 27/06/1806, Madura,
´
India - † 18/03/1871, Londres, Inglaterra.
10.4. ⋆ EQUAC¸
˜
OES DIFERENCIAIS. 171
Como exemplo, considere que (f
n
)
n∈N
seja constante. Neste caso, qualquer (n
k
)
k∈N
satisfaz
as condi¸c˜ oes da demonstra¸ c˜ao! Este erro pode ser corrigido sem muito esfor¸ co (exerc´ıcio 17,
p.180).
10.4 ⋆ Equa¸ c˜ oes diferenciais.
Muitas situa¸c˜ oes f´ısicas, econˆ omicas, biol´ogicas, . . . s˜ao modeladas por equa¸c˜ oes di-
ferenciais ordin´arias (comumente abreviadas pela sigla EDO). Neste tipo de equa¸ c˜ao a
inc´ ognita ´e uma fun¸c˜ao (n˜ao um n´umero). O termo “diferenciais” vem do fato que na equa¸ c˜ao
aparece a derivada (de alguma ordem) da fun¸c˜ao inc´ ognita. Nesta se¸ c˜ao abordaremos apenas
algumas quest˜oes referentes `as equa¸ c˜ oes diferenciais. Como aplica¸ c˜ao do Teorema de Arzel´a-
Ascoli mostraremos a existˆencia de solu¸ c˜ao de uma classe de EDO’s. O leitor interessado
em se aprofundar no assunto poder´a consultar algum dos v´arios livros dispon´ıveis como, por
exemplo, [Ros].
Exemplo 10.8. Seja g ∈ C
_
[a, b]
_
. Procuramos f ∈ C
1
_
[a, b]
_
tal que
f

(x) = g(x) ∀x ∈ [a, b]. (10.6)
Este ´e um exemplo muito simples de EDO. A existˆencia de solu¸ c˜ao ´e consequˆencia imediata
do Segundo Teorema Fundamental do C´alculo. Observe que se f satisfaz (10.6), ent˜ao isto
tamb´em ocorre com f +c, qualquer que seja c ∈ R. Desta forma, existem infinitas solu¸ c˜ oes.
Por´em, se impusermos que f assuma um dado valor no ponto a, ent˜ao o Corol´ario 178,
p.126 (vi) garante a unicidade. Resumindo, dados g ∈ C
_
[a, b]
_
e y
0
∈ R, existe uma ´unica
f ∈ C
1
_
[a, b]
_
tal que
_
_
_
f

(x) = g(x) ∀x ∈ [a, b],
f(a) = y
0
.
Uma situa¸c˜ao pouco mais complicada que a do exemplo anterior ocorre quando do lado
direito da equa¸ c˜ao aparece a pr´ opria inc´ ognita. Vejamos um exemplo.
Exemplo 10.9. Procuramos f ∈ C
1
_
R
_
tal que
_
_
_
f

(x) = f(x) ∀x ∈ R,
f(0) = 1.
(10.7)
J´a vimos (exerc´ıcio 14(c), p.135) que existe no m´aximo uma solu¸ c˜ao de (10.7). Mostrar que
existe alguma solu¸ c˜ao ´e tarefa mais elaborada que ser´a deixada para depois. Por hora, diremos
apenas que existe tal f, a chamada fun¸c˜ao exponencial, denotada por f(x) = exp(x) ou
f(x) = e
x
para todo x ∈ R. Agora vamos abordar outra quest˜ao relevante no estudo de
solu¸ c˜ oes de equa¸ c˜ oes diferenciais: a regularidade. De acordo com o enunciado, procuramos
solu¸ c˜ao f na classe C
1
(R). Poder´ıamos ter sido menos exigentes, procurando f no conjunto
das fun¸c˜ oes deriv´aveis (com derivadas n˜ao necessariamente cont´ınuas). Nada ganhamos ou
170 CAP
´
ITULO 10. SEQU
ˆ
ENCIAS DE FUNC¸
˜
OES
Demonstra¸c˜ao. Para cada m ∈ N, da equicontinuidade de (f
n
)
n∈N
, obtemos δ
m
> 0 tal
que se x, y ∈ K e [x −y[ < δ
m
, ent˜ao [f
n
(x) −f
n
(y)[ < 1/m, para todo n ∈ N.
Como K ´e compacto e K ⊂

z∈K
(z −δ
m
, z +δ
m
), existe D
m
⊂ K, finito, tal que
K ⊂
_
z∈Dm
(z −δ
m
, z +δ
m
). (10.4)
O conjunto D =

+∞
m=1
D
m
´e enumer´avel (pois ´e uni˜ao enumer´avel de conjuntos finitos) e,
portanto, podemos escrever D = ¦x
1
, x
2
, . . . ¦.
Seja M > 0 tal que |f
n
| < M para todo n ∈ N. Para x ∈ K e n ∈ N temos [f
n
(x)[ ≤
|f
n
| < M de modo que (f
n
(x))
n∈N
´e limitada. Em particular, (f
n
(x
1
))
n∈N
´e limitada, logo,
pelo Teorema de Bolzano-Weierstrass (Teorema 89, p.57), ela tem subsequˆencia (g
1,k
(x
1
))
n∈N
convergente. Agora, usando que (g
1,n
(x
2
))
n∈N
tamb´em ´e limitada obtemos subsequˆencia
(g
2,n
(x
2
))
n∈N
convergente. Pela limita¸ c˜ao de (g
2,n
(x
3
))
n∈N
existe subsequˆencia (g
3,n
(x
3
))
n∈N
convergente. Repetindo o processo, constru´ımos uma sequˆencia
_
(g
i,n
)
n∈N
_
i∈N
de sequˆencias
tais que, se i ≥ j, ent˜ao (g
i,n
)
n∈N
´e subsequˆencia de (g
j,n
)
n∈N
e (g
j,n
(x
j
))
n∈N
converge.
Definimos (f
n
k
)
k∈N
por f
n
k
= g
k,k
para todo k ∈ N.
Afirmamos que, se y ∈ D, ent˜ao (f
n
k
(y))
k∈N
´e convergente. De fato, seja j ∈ N tal que
y = x
j
. Se k ≥ j, ent˜ao f
n
k
= g
k,k
´e um termo de (g
j,n
)
n∈N
. Como (g
j,n
(x
j
))
n∈N
converge,
conclu´ımos a afirma¸c˜ao.
Mostremos que (f
n
k
)
k∈N
converge simplesmente. Sejam x ∈ K, ε > 0 e m ∈ N tal que
m > 3/ε. De (10.4), obtemos que existe y ∈ D
m
tal que [x −y[ < δ
m
e, portanto,
[f
n
(x) −f
n
(y)[ <
1
m
<
ε
3
, ∀n ∈ N.
Em particular, para k, l ∈ N, temos que
[f
n
k
(x) −f
n
l
(x)[ ≤ [f
n
k
(x) −f
n
k
(y)[ +[f
n
k
(y) −f
n
l
(y)[ +[f
n
l
(y) −f
n
l
(x)[
≤ [f
n
k
(y) −f
n
l
(y)[ +

3
. (10.5)
Mas y ∈ D, logo, (f
n
k
(y))
k∈N
´e convergente e, portanto, de Cauchy. Segue de (10.5) que
(f
n
k
(x))
k∈N
tamb´em ´e de Cauchy e, portanto, convergente. Seja f(x) = lim
k→+∞
f
n
k
(x).
Falta mostrar que a convergˆencia ´e uniforme. Seja ε > 0 e m > 3/ε. Escrevemos
D
m
= ¦y
1
, . . . , y
p
¦. Como D
m
´e finito, existe k
0
∈ N tal que se k ≥ k
0
, ent˜ao
k ≥ k
0
=⇒ [f
n
k
(y) −f(y)[ ≤
ε
3
, ∀y ∈ D
m
.
Qualquer que seja x ∈ K, j´a vimos que existe y ∈ D
m
para o qual vale (10.5). Fazendo
l → +∞, obtemos
[f
n
k
(x) −f(x)[ ≤ [f
n
k
(y) −f(y)[ +

3
≤ ε.
O que conclui a demonstra¸ c˜ao.
H´a um pequeno erro na demonstra¸ c˜ao acima: n˜ao ´e poss´ıvel demonstrar que a sequˆencia
(n
k
)
k∈N
´e estritamente crescente e, portanto, que (f
n
k
)
k∈N
´e uma subsequˆencia de (f
n
)
n∈N
.
1.5. EXERC
´
ICIOS. 11
1.5.2 Fun¸c˜oes
=⇒ 9. Para cada um dos itens abaixo, defina (indicando dom´ınio e contradom´ınio) e determine
se ´e injetiva, sobrejetiva ou bijetiva uma fun¸c˜ao que a cada:
=⇒(a) dois n´umeros naturais associa seu MDC;
=⇒(b) matriz associa a sua matriz a sua matriz transposta;
(c) matriz associa seu determinante;
=⇒(d) polinˆomio p(x) de grau 0, 1 ou 2 associa (p(1), p(2), p(3));
(e) subconjunto de R associa seu complementar;
(f) subconjunto n˜ao vazio de N associa seu menor elemento;
(g) fun¸c˜ao deriv´avel f : R →R associa sua derivada;
=⇒(h) fun¸c˜ao integr´avel f : [0, 1] →R associa o valor de sua integral.
→ 10. Dado um polinˆomio p(x) de grau menor ou igual a n defina uma fun¸c˜ao que associa a p
seu valor nos pontos 1, 2, . . . , m. Determine condi¸c˜ oes em n e m para que esta fun¸c˜ao seja:
(a) injetiva; (b) sobrejetiva; (c) bijetiva.
Dica: Fa¸ca o caso n = 1 (retas) e n = 2 (par´abolas). Monte sistema linear. Para o caso
geral utilize matriz de Vandermonde.
=⇒ 11. Sejam A, B ⊂ C e fun¸c˜ oes indicadoras (ou caracter´ısticas) I
A
, I
B
. Prove que
(a) A ⊂ B se, e somente se, I
A
≤ I
B
;
(b) I
A∪B
≤ I
A
+I
B
, valendo a igualdade se, e somente se, A ∩ B = ∅.
12. Determine as fun¸c˜ oes indicadoras I
A∪B
, I
A∩B
e I
A
∁ em termos de I
A
e I
B
.
13. Seja f : X →R. Prove que f = f
2
sse f = I
A
para algum A ⊂ X ([Sp] p.48 no.9).
=⇒ 14. Considere f : R →R definida por f(x) = x
2
−9. Determine f(X) para:
=⇒(a) X = (−4, 4); (b) X = [1, 9]; (c) X = [−2, −1] ∪ [2, 3]; (d) X = ¦5¦.
=⇒ 15. Considere f : R →R definida por f(x) = x
2
. Determine f
−1
(Y ) para:
(a) Y = (−4, 4); (b) Y = [1, 9]; (c) Y = [−1, 0]; (d) Y = ¦5¦.
16. Considere f : R →R definida por f(x) = sen(x). Determine f
−1
(Y ) para:
(a) Y = ¦−1¦; (b) Y = (0, 1); (c) Y = [1, 9]; (d) Y = (−4, 0).
→ 17. Considere f : N ¸ ¦1¦ →N. Determine f
−1
(¦3¦), f
−1
(¦5, 6, 7¦), f
−1
(¦2¦) para:
(a) f(n) igual ao maior fator primo de n;
(b) f(n) igual a soma dos expoentes na decomposi¸c˜ao em primos de n.
=⇒ 18. Considere f : A → B qualquer e b ∈ B. O que se pode afirmar sobre f
−1
(¦b¦) (imagem
inversa do conjunto unit´ario ¦b¦) sabendo que:
(a) f ´e injetiva? (b) f ´e sobrejetiva?
19. Considere f : R
2
→R definida por f(x, y) = xy. Determine f
−1
(Y ) para:
(a) Y = ¦1¦; (b) Y = ¦0¦; (c) Y = (−∞, 0); (d) Y = [0, 1].
→ 20. Considere f : R
2
→R definida por f(x, y) = x
2
+y
2
. Determine f
−1
(Y ) e f(X) para:
(a) X = ¦(x, y) ∈ R
2
; x
2
/9 +y
2
/4 = 1¦ e Y = [4, 9];
(b) X = ¦(x, y) ∈ R
2
; [x[ +[y[ ≤ 1¦ e Y = [−4, −1];
(c) X = ¦(x, y) ∈ R
2
; x
2
−4x + 7 +y
2
+ 4y = 0¦ e Y = [−1, 1].
12 CAP
´
ITULO 1. NOC¸
˜
OES DE TEORIA DOS CONJUNTOS
→ 21. Considere f : A → B qualquer. Prove que:
(a) se Y ⊂
¯
Y ⊂ B ent˜ao f
−1
(Y ) ⊂ f
−1
(
¯
Y );
(b) se Y ⊂ B ent˜ao f
−1
(Y

) = [f
−1
(Y )]

;
→(c) se Y ⊂ B ent˜ao f(f
−1
(Y )) ⊂ Y ;
→(d) se X ⊂ A ent˜ao X ⊂ f
−1
(f(X));
(e) a igualdade ocorre em cada um dos 2 itens anteriores se, e somente se, f for injetiva
ou sobrejetiva. Determine a condi¸c˜ao exata para cada item;
(f) se
¯
Y , Y ⊂ B ent˜ao f
−1
(
¯
Y −Y ) = f
−1
(
¯
Y ) −f
−1
(Y ).
Obs: f
−1
tem o sentido da Defini¸ c˜ao 19, p.7 (imagem inversa) e f da Defini¸ c˜ao 18, p.7
(imagem direta).
→ 22. Seja f : R →R definida por f(x) = [x[, X = [−2, 3] e Y = [−5, −1]. Determine:
(a) f(X ∪ Y ) e compare com f(X) ∪ f(Y ): qual conjunto ´e maior?
(b) f(X ∩ Y ) e compare com f(X) ∩ f(Y ): qual conjunto ´e maior?
(c) fa¸ca (a) e (b) utilizando g(x) = 3x + 1 ao inv´es de f;
(d) fa¸ca (a) e (b) utilizando f
−1
(imagem inversa) ao inv´es de f.
=⇒ 23. Considere f : A → B. Prove que:
(a) f(X ∪
¯
X) = f(X) ∪ f(
¯
X) para todo X,
¯
X ⊂ A;
(b) f(X ∩
¯
X) ⊂ f(X) ∩ f(
¯
X) para todo X,
¯
X ⊂ A;
=⇒(c) f ´e injetiva se, e somente se, f(X ∩
¯
X) = f(X) ∩ f(
¯
X) para todo X,
¯
X ⊂ A;
(d) f ´e injetiva se, e somente se, f(X

) ⊂ [f(X)]

para todo X ⊂ A;
(e) f ´e sobrejetiva se, e somente se, [f(X)]

⊂ f(X

) para todo X ⊂ A. Conclua que a
igualdade ocorre se, e somente se, f for bijetiva;
(f) f ´e injetiva se, e somente se, f(A−X) = f(A) −f(X) para todo X ⊂ A;
Dica: Utilize os itens (c) e (d).
(g) f ´e injetiva se, e somente se, f(
¯
X −X) = f(
¯
X) −f(X) para todo
¯
X, X ⊂ A.
=⇒ 24. Sejam f : A → B, (B
i
)
i∈I
uma fam´ılia de subconjuntos de B e C, D ⊂ B. Prove que:
=⇒(a) f
−1
(C ∪ D) = f
−1
(C) ∪ f
−1
(D); =⇒(b) f
−1
(C ∩ D) = f
−1
(C) ∩ f
−1
(D);
(c) f
−1
_
i∈I
B
i
_
=

i∈I
f
−1
(B
i
); (d) f
−1
_
i∈I
B
i
_
=

i∈I
f
−1
(B
i
).
Obs: f
−1
tem o sentido da Defini¸ c˜ao 19, p.7 (imagem inversa).
=⇒ 25. Seja f restri¸c˜ao da fun¸c˜ao g. Prove que:
(a) se g ´e injetiva ent˜ao f ´e injetiva; (b) a rec´ıproca ´e falsa.
26. Seja f : A → B. Prove que f ´e invert´ıvel se e somente se f ´e bijetiva.
=⇒ 27. Prove que existe f : A → B injetiva se, e somente se, existe g : B → A sobrejetiva.
28. Prove que dados dois conjuntos A e B existem
¯
A e
¯
B disjuntos tais que existe bije¸c˜ao
de A com
¯
A e bije¸c˜ao de B com
¯
B.
Dica: Tome x ,∈ A ∪ B e considere o produto cartesiano de ¦x¦ com A e B.
1.5.3 Fun¸c˜oes entre conjuntos de fun¸ c˜oes
=⇒ 29. Determine se existe inje¸c˜ao, sobreje¸c˜ao ou bije¸c˜ao de T(X; Y ) em T(X; W) se:
10.3. ESPAC¸O C(K) E EQUICONTINUIDADE. 169
PROPOSIC¸
˜
AO 230. Sejam f ∈ C(K) e (f
n
)
n∈N
⊂ C(K). Ent˜ao f
n
→ f se, e somente
se, (f
n
)
n∈N
converge uniformemente para f.
Demonstra¸c˜ao. Suponhamos que f
n
→ f. Dado ε > 0 existe N ∈ N tal que se n ≥ N,
ent˜ao |f
n
−f| < ε. Ora, para todo x ∈ K, temos [f
n
(x) −f(x)[ ≤ |f
n
−f| < ε. Portanto,
(f
n
)
n∈N
converge uniformemente para f.
Suponhamos agora que (f
n
)
n∈N
seja uniformemente convergente para f. Dado ε > 0,
existe N ∈ N tal que se n ≥ N, ent˜ao [f
n
(x) − f(x)[ < ε para todo x ∈ K. Por defini¸c˜ao
de supremo, |f
n
−f| = sup¦[f
n
(x) −f(x)[ ; x ∈ K¦ ≤ ε. Portanto, f
n
→ f.
Procuramos um resultado sobre sequˆencia de fun¸c˜ oes que tenha papel semelhante ao do
Teorema de Bolzano-Weierstrass (Teorema 89, p.57) para as sequˆencias num´ericas. Algo que
diga que sequˆencias limitadas em C(K) tem subsequˆencias convergentes em C(K). A rigor,
antes de poder enunciar tal teorema, ser´a necess´ario definir:
i. sequˆencia limitada em C(K);
ii. subsequˆencia de (f
n
)
n∈N
⊂ C(K).
O item (ii) ´e imediato: na Defini¸ c˜ao 82, p.53, a condi¸c˜ao que define subsequˆencia de uma
sequˆencia de n´umeros reais, n˜ao considera a natureza dos elementos da sequˆencia. Ou seja,
ela ignora que s˜ao n´umeros reais e considera apenas os ´ındices. Portanto, a mesma defini¸c˜ao
tem sentido para sequˆencias em C(K).
Para a limita¸ c˜ao, lembremos que uma sequˆencia (x
n
)
n∈N
de n´umeros reais ´e limitada
quando existe M > 0 tal que [x
n
[ ≤ M para todo n ∈ N. Inspirados no que j´a fizemos,
trocamos valor absoluto por norma.
DEFINIC¸
˜
AO 231. Uma sequˆencia (f
n
)
n∈N
⊂ C(K) ´e limitada se existe M > 0 tal que
|f
n
| ≤ M para todo n ∈ N.
Cabe agora perguntar se toda sequˆencia limitada em C(K) tem subsequˆencia convergente
em C(K). Infelizmente a resposta ´e n˜ao. Consideremos novamente a sequˆencia (f
n
)
n∈N
do
Exemplo 10.2.
´
E imediato que [f(x)[ = [x
n
[ ≤ 1 para todo x ∈ [0, 1] e para todo n ∈ N.
Logo, |f
n
| ≤ 1 para todo n ∈ N e, portanto, (f
n
)
n∈N
´e limitada. Se ela tivesse subsequˆencia
convergente para f em C(K), ent˜ao esta seria uniformemente convergente para f e, portanto,
simplesmente convergente para f. Concluir´ıamos que f(x) = 0, se x ∈ [0, 1), e f(x) = 1, se
x = 1. Contrariando a continuidade de f.
Precisamos de uma hip´ otese adicional para obter o resultado requerido.
TEOREMA 232. (Arzel`a
1
-Ascoli
2
) Se (f
n
)
n∈N
⊂ C(K) ´e limitada e equicont´ınua, i.e.,
∀ε > 0, ∃δ > 0 tal que x, y ∈ K, [x −y[ < δ =⇒ [f
n
(x) −f
n
(y)[ < ε, ∀n ∈ N,
ent˜ao (f
n
)
n∈N
tem subsequˆencia convergente em C(K).
1
Cesare Arzel`a: ⋆ 06/03/1847, La Spezia, It´alia - † 15/03/1912, La Spezia, It´alia.
2
Guido Ascoli: ⋆ 12/12/1887, Livorno, It´alia - † 10/05/1957, Torino, It´alia.
168 CAP
´
ITULO 10. SEQU
ˆ
ENCIAS DE FUNC¸
˜
OES
DEFINIC¸
˜
AO 227. Seja f ∈ C(K). Definimos a norma de f por
|f| = sup¦[f(x)[ ; x ∈ K¦.
Pelo Teorema de Weierstrass (Corol´ario 159, p.110), toda f ∈ C(K) ´e limitada e, por-
tanto, o supremo que define |f| ´e finito.
As principais propriedades da norma s˜ao dadas na proposi¸c˜ao a seguir.
PROPOSIC¸
˜
AO 228. (norma) Sejam f, g ∈ C(K) e c ∈ R. Temos que
i. |f| ≥ 0; ii. se |f| = 0, ent˜ao f(x) = 0 para todo x ∈ K;
iii. |cf| = [c[|f|; iv. |f +g| ≤ |f| +|g|.
Demonstra¸c˜ao. As propriedades (i) e (ii) s˜ao ´obvias. O item (iii) segue de
|cf| = sup¦[c[[f(x)[ ; x ∈ K¦ = [c[ sup¦[f(x) [; x ∈ K¦ = [c[|f|.
Finalmente,
|f +g| = sup¦[f(x) +g(x)[ ; x ∈ K¦ ≤ sup¦[f(x)[ +[g(x)[ ; x ∈ K¦
≤ sup¦[f(x)[; x ∈ K¦ + sup¦[g(x)[; x ∈ K¦ = |f| +|g|
demonstra (iv).
Repare na semelhan¸ ca entre a propriedade (iv) e a desigualdade triangular. N˜ao por acaso,
ela tamb´em ´e chamada de Desigualdade triangular.
Quando se deseja distinguir entre os v´arios tipos de norma, v´arios nomes s˜ao usados para a
norma aqui definida: norma do sup, norma C
0
, norma infinito, norma L

, etc. As raz˜ oes
para os dois primeiros nomes s˜ao ´obvias (lembre-se que C(K) tamb´em ´e denotado C
0
(K)).
As duas ´ultimas nomenclaturas s˜ao explicadas no exerc´ıcio 18, p.161. Outro nome bastante
usado ´e norma da convergˆencia uniforme. A raz˜ao ser´a explicada pela Proposi¸c˜ao 230.
DEFINIC¸
˜
AO 229. Uma sequˆencia (f
n
)
n∈N
⊂ C(K) ´e dita convergente em C(K) se existe
f ∈ C(K) de modo que
∀ε > 0, ∃N ∈ N tal que n ≥ N =⇒ |f
n
−f| < ε.
Neste caso, escrevemos f
n
→ f e dizemos que f ´e o limite da sequˆencia (f
n
)
n∈N
ou que f
n
converge para (ou tende a) f em C(K) quando n tende a mais infinito (n → +∞).
Repare na grande semelhan¸ ca entre esta defini¸c˜ao e a Defini¸ c˜ao 83, p.55. Excluindo as
diferen¸cas de nota¸ c˜ao (x
n
ou f
n
) e a natureza dos elementos das sequˆencias (em R ou C(K)),
a diferen¸ca not´avel ´e que, aqui, aparece a norma (em |f
n
−f|) e l´a aparece o valor absoluto
(em [x
n
−x[).
Apesar desta diferen¸ca, como a norma tem propriedades semelhantes a do valor absoluto
(notadamente, vale a desigualdade triangular), muitos dos resultados sobre sequˆencias em R
tˆem correspondentes para sequˆencias em C(K). Como exerc´ıcio, baseie-se na demonstra¸ c˜ao
da Proposi¸c˜ao 94, p.60 para mostrar que se f
n
→ f e g
n
→ g, ent˜ao f
n
+g
n
→ f +g.
A pr´ oxima proposi¸c˜ao esclarece a raz˜ao do nome norma da convergˆencia uniforme.
1.5. EXERC
´
ICIOS. 13
=⇒(a) Y ⊂ W; (b) existe inje¸c˜ao de Y em W;
(c) existe sobreje¸c˜ao de Y em W; (d) existe bije¸c˜ao de Y em W.
=⇒ 30. Determine se existe inje¸c˜ao, sobreje¸c˜ao ou bije¸c˜ao de T(X; W) em T(Y ; W) se:
=⇒(a) X ⊂ Y ; (b) existe inje¸c˜ao de X em Y ;
(c) existe sobreje¸c˜ao de X em Y ; (d) existe bije¸c˜ao de X em Y .
=⇒ 31. Seja X um conjunto n˜ao vazio. Determine uma bije¸c˜ao entre:
=⇒(a) T(¦1, 2¦; X) e X X;
(b) T(A; X) e X
N
=

N
n=1
X = X X (N vezes), se A ´e finito com N elementos;
=⇒(c) T(X) e T(X; ¦0, 1¦).
Dica para (c): Associe a f o conjunto f
−1
(¦1¦) ou a A ⊂ X a fun¸c˜ao caracter´ıstica I
A
.
32. Suponha que B∩C = ∅. Prove que existe uma bije¸c˜ao entre T(B∪C; A) e T(B; A)
T(C; A) ([T] p.11 no.5.5).
→ 33. Estabele¸ca uma bije¸c˜ao entre T(AB; C) e T(A; T(B; C)) ([L] p.24 no.21).
34. (argumento diagonal de Cantor)
(a) Prove que nenhuma fun¸c˜ao ϕ : N → T(N; ¦0, 1¦) ´e sobrejetiva.
Generalize este resultado: Seja X um conjunto n˜ao-vazio qualquer e Y um conjunto com
pelo menos 2 elementos. Prove que nenhuma fun¸c˜ao:
(b) ϕ : X → T(X; Y ) ´e sobrejetiva; (c) ψ : X → T(X) ´e sobrejetiva.
Dica: Argumento diagonal de Cantor da Proposi¸c˜ao 38, p.20. Ver tamb´em Dica1 do
exerc´ıcio 8, p.27.
14 CAP
´
ITULO 1. NOC¸
˜
OES DE TEORIA DOS CONJUNTOS 10.3. ESPAC¸O C(K) E EQUICONTINUIDADE. 167
Portanto (f
n
)
n∈N
converge uniformemente f = 0. Por outro lado, a sequˆencia (f

n
)
n∈N
n˜ao
converge para f

= 0, pois, por exemplo,
f

n
(0) = cos(n 0) = 1 ∀n ∈ N.
PROPOSIC¸
˜
AO 226. Seja (f
n
)
n∈N
⊂ C
1
_
[a, b]). Se existe x
0
∈ [a, b] tal que (f
n
(x
0
))
n∈N
converge e se (f

n
)
n∈N
converge uniformemente para g : [a, b] →R, ent˜ao (f
n
)
n∈N
converge
uniformemente para uma primitiva de g.
Demonstra¸c˜ao. Dado x ∈ [a, b], pelo Primeiro Teorema Fundamental do C´alculo, podemos
escrever
f
n
(x) = f
n
(x
0
) +
_
x
x0
f

(s)ds.
Como (f
n
(x
0
))
n∈N
´e convergente para, digamos, c e como (f

n
)
n∈N
´e uniformemente conver-
gente para g, obtemos que (f
n
(x))
n∈N
converge para
f(x) = c +
_
x
x0
g(s)ds.
Mas g ´e cont´ınua (pois ´e limite uniforme de uma sequˆencia de fun¸c˜ oes cont´ınuas), logo, do
Corol´ario 209, p.151, segue que f ´e uma primitiva de g.
Para concluir que (f
n
)
n∈N
converge uniformemente para f, tome ε > 0 e escolha N ∈ N
tal que para n ≥ N tenhamos
[f
n
(x
0
) −c[ < ε e [f

n
(s) −g(s)[ < ε, ∀s ∈ [a, b].
Obtemos ent˜ao que
[f
n
(x) −f(x
0
)[ ≤ [f
n
(x
0
) −c[ +
¸
¸
¸
¸
_
x
x0
_
f

(s) −g(s)
_
ds
¸
¸
¸
¸
< ε +
¸
¸
¸
¸
_
x
x0
εds
¸
¸
¸
¸
= (1 +[x −x
0
[)ε ≤ (1 +b −a)ε.
10.3 Espa¸ co C(K) e equicontinuidade.
Nesta se¸ c˜ao K representar´a um subconjunto compacto n˜ao vazio de R. Lembramos que
C(K) = ¦f : K →R ; f ´e cont´ınua ¦.
A Proposi¸c˜ao 147, p.108 nos d´a que se f, g ∈ C(K) e c ∈ R, ent˜ao f + g ∈ C(K) e
cf ∈ C(K). Por esta raz˜ao, C(K) ´e um espa¸ co vetorial. Como em outros espa¸cos vetoriais
(R
n
, por exemplo), em C(K) definimos o conceito de norma.
166 CAP
´
ITULO 10. SEQU
ˆ
ENCIAS DE FUNC¸
˜
OES
Segue que [f
n
(x)−f(x)[ < ε para x ∈ K e n ≥ N, ou seja, (f
n
)
n∈N
converge uniformemente
para f.
A convergˆencia simples n˜ao se comporta muito bem com respeito a integral, como mostra
o exemplo a seguir.
Exemplo 10.6. Como Q∩ [0, 1] ´e enumer´avel, podemos escrever Q∩ [0, 1] = ¦x
1
, x
2
, . . . ¦.
Considere a sequˆencia (f
n
)
n∈N
dada por
f
n
(x) =
_
_
_
1 se x ∈ ¦x
1
, . . . , x
n
¦,
0 sen˜ao.
Para cada n ∈ N, o conjunto dos pontos de descontinuidade de f
n
´e finito e, portanto, de
medida nula. Logo, f
n
´e integr´avel (e sua integral ´e nula).
´
E f´acil perceber que (f
n
)
n∈N
converge para a fun¸c˜ao que vale um nos racionais e zero no irracionais que, como sabemos,
n˜ao ´e integr´avel.
Novamente, este ´e um problema da convergˆencia simples, inexistente para a convergˆencia
uniforme.
TEOREMA 225. Seja (f
n
)
n∈N
uma sequˆencia de fun¸c˜ oes integr´aveis no intervalo [a, b]
convergente uniformemente para f. Ent˜ao f ´e integr´avel e
lim
n→+∞
_
b
a
f
n
(x) dx =
_
b
a
f(x) dx.
Demonstra¸c˜ao. Para cada n ∈ N, seja D
n
= ¦x ∈ [a, b] ; f
n
´e descont´ınua em x¦.
Como f
n
´e integr´avel, D
n
tem medida nula. Portanto, tamb´em tem medida nula o conjunto
D =

+∞
n=1
D
n
. Para todo n ∈ N e x ∈ [a, b] ¸D temos que f
n
´e cont´ınua em x. Logo, gra¸cas
`a convergˆencia uniforme, f ´e cont´ınua em x. Conclu´ımos que D cont´em todos os pontos de
descontinuidade de f e que, portanto, f ´e integr´avel.
Seja ε > 0 e tome N ∈ N tal que [f
n
(x) −f(x)[ < ε para x ∈ A e n ≥ N. Temos ent˜ao
¸
¸
¸
¸
_
b
a
f
n
(x) dx −
_
b
a
f(x) dx
¸
¸
¸
¸

_
b
a
[f
n
(x) −f(x)[dx ≤
_
b
a
εdx = (b −a)ε.
De onde segue o resultado.
Como uma sequˆencia de fun¸c˜ oes cont´ınuas pode convergir simplesmente para uma fun¸c˜ao
descont´ınua, n˜ao ´e de se esperar que este tipo de convergˆencia se comporte bem com deri-
vadas. Neste caso, mesmo a convergˆencia uniforme n˜ao ´e muito satisfat´ oria, como mostra o
pr´ oximo exemplo.
Exemplo 10.7. Seja f
n
: R → R dada por f
n
(x) = sen(nx)/n. Dado ε > 0, se N > 1/ε,
ent˜ao, para n ≥ N e x ∈ R, temos
[ sen(nx)[
n

1
n
<
1
N
< ε.
Cap´ıtulo 2
N´ umeros naturais, inteiros e racionais
2.1 Naturais, inteiros e indu¸c˜ao.
O conjunto N = ¦1, 2, 3, . . . ¦ ´e usado para contagens. De t˜ao natural, N ´e chamado de
conjunto dos n´ umeros naturais, o primeiro conjunto num´erico que aparece na hist´oria de
qualquer civiliza¸ c˜ao ou em qualquer tratado sobre os fundamentos da Matem´atica.
Admitiremos conhecidos os conjunto N e Z = ¦. . . , −2, −1, 0, 1, 2, . . . ¦ (dos n´ umeros
inteiros) bem como suas propriedades alg´ebricas de soma e multiplica¸c˜ao e sua rela¸c˜ao de
ordem ≤. Para um esbo¸ co da constru¸c˜ao de N e Z leia as Se¸ c˜ oes 5.2.1 e 5.2.2 na p.83.
No conjunto N valem dois princ´ıpios fundamentais: o “Princ´ıpio da Boa Ordem” e o
“Princ´ıpio da Indu¸c˜ao”. Vamos provar mais adiante que s˜ao equivalentes.
PRINC
´
IPIO 28. (Da Indu¸ c˜ao (finita)) Seja A ⊂ N satisfazendo as seguintes propriedades:
1 ∈ A; (2.1)
n ∈ A implica que n + 1 ∈ A. (2.2)
Ent˜ao A = N.
PRINC
´
IPIO 29. (Da Boa Ordem) Todo subconjunto n˜ao vazio de N possui elemento
m´ınimo, ou seja, se B ⊂ N com B ,= ∅, ent˜ao existe n ∈ B tal que n ≤ m para todo
m ∈ B.
O Princ´ıpio da Indu¸c˜ao (e suas variantes) ´e usado para demonstrar que certas propriedades
s˜ao verdadeiras para todo n´umero natural. A estrat´egia ´e a seguinte. Definimos o conjunto A
constitu´ıdo pelos n´umeros naturais que possuem uma certa propriedade P. A seguir, mostra-
se que A satisfaz (2.1) e (2.2). Da´ı, conclu´ımos que A = N e, portanto, que P ´e verificada por
todo n´umero natural. Este tipo de argumento ´e chamado de demonstra¸ c˜ao por indu¸c˜ao.
´
E conhecido por indu¸c˜ao finita pois existe a indu¸c˜ao transfinita (veja exerc´ıcio 32, p.29).
Exemplo 2.1. Vamos demonstrar, por indu¸c˜ao, a conhecida f´ormula 1+ +n = n(n+1)/2
v´alida para todo n ∈ N. Seja A o conjunto dos n ∈ N para os quais a f´ormula ´e valida, i.e.,
A =
_
n ∈ N 1 + +n =
n(n + 1)
2
_
.
15
16 CAP
´
ITULO 2. N
´
UMEROS NATURAIS, INTEIROS E RACIONAIS
Pelo Princ´ıpio da Indu¸c˜ao, basta mostrar que A satisfaz (2.1) e (2.2) para concluir que A = N,
ou seja, que f´ormula acima ´e v´alida para todo n ∈ N.
Evidentemente, 1 ∈ A pois 1 = 1(1 + 1)/2. Tomemos n ∈ A e mostremos que m =
n + 1 ∈ A. Como n ∈ A temos 1 + +n = n(n + 1)/2. Segue que
1 + +m = 1 + +n + (n + 1) =
n(n + 1)
2
+ (n + 1) =
(n + 1)(n + 2)
2
=
m(m + 1)
2
.
TEOREMA 30. (Boa Ordem = Indu¸ c˜ao) Vale o Princ´ıpio da Boa Ordem se, e somente
se, vale o Princ´ıpio da Indu¸c˜ao.
Demonstra¸c˜ao. Suponha v´alido o Princ´ıpio da Boa Ordem. Seja A ⊂ N satisfazendo (2.1)
e (2.2). Suponhamos, por absurdo, que A ,= N. Isto significa que existe algum elemento
de N que n˜ao pertence a A e, portanto, o conjunto B = A

´e n˜ao vazio. Pelo Princ´ıpio da
Boa Ordem, B possui um elemento m´ınimo m ∈ B. Com certeza m > 1 pois como 1 ∈ A,
1 / ∈ B = A

. Assim, m−1 ´e um natural menor que m. Pela minimalidade de m, temos que
m−1 / ∈ B e portanto m−1 ∈ A. De (2.2) conclu´ımos que m = (m−1) + 1 ∈ A, o que ´e
absurdo.
Suponha v´alido o Princ´ıpio da Indu¸c˜ao. Seja B ⊂ N n˜ao vazio. Suponhamos por absurdo
que B n˜ao possua elemento m´ınimo. Em particular, 1 / ∈ B (sen˜ao 1 seria elemento m´ınimo
de B). Seja
A = ¦n ∈ N ; n < m ∀m ∈ B¦.
Observamos inicialmente que A∩B = ∅. De fato, se A∩B ,= ∅, ent˜ao existe n ∈ A∩B.
Tendo n ∈ A temos tamb´em n < m qualquer que seja m ∈ B, em particular, tomando
m = n ∈ B obtemos n < n o que ´e absurdo. Conclu´ımos que A∩ B = ∅.
Mostraremos a seguir que A = N. Vejamos agora que isto ´e suficiente para concluir a
demonstra¸ c˜ao. Neste caso temos ∅ = A∩B = N∩B = B contradizendo a hip´ otese B ,= ∅.
Mostremos, por indu¸c˜ao, que A = N. J´a sabemos que 1 / ∈ B e portanto 1 < m qualquer
que seja m ∈ B, ou seja, 1 ∈ A. Tomemos n ∈ A. Por defini¸c˜ao de A temos n < m qualquer
que seja m ∈ B, logo n+1 ≤ m para todo m ∈ B. Se n+1 ∈ B ent˜ao n+1 ´e um elemento
m´ınimo de B. Como, por hip´ otese, B n˜ao possui elemento m´ınimo, segue que n + 1 / ∈ B e
portanto n + 1 < m para qualquer m ∈ B. Conclu´ımos que n + 1 ∈ A. Pelo Princ´ıpio da
Indu¸c˜ao A = N.
2.2 Cardinalidade.
Como dissemos na Se¸ c˜ao 2.1 o conjunto N ´e o conjunto usado para contagens. Quando
queremos contar, por exemplo, o n´umero de integrantes do grupo The Beatles procedemos
da seguinte maneira. A cada m´usico associamos um elemento do conjunto N seguindo a sua
ordem usual: Paul 1, John 2, George 3 e Ringo 4.
Acabamos de definir uma fun¸c˜ao injetiva f do conjunto A = ¦Beatles¦ no conjunto N,
de modo que f(Paul) = 1, f(John) = 2, f(George) = 3 e f(Ringo) = 4. Bastava tomar
o conjunto B = ¦1, 2, 3, 4¦ como contradom´ınio que f ainda seria injetiva. Por´em, isto n˜ao
seria poss´ıvel se B fosse ¦1, 2, 3¦ pois, neste caso, pelo menos um elemento de B estaria
10.2. CONTINUIDADE, INTEGRAL E DERIVADA DE SEQU
ˆ
ENCIAS DE FUNC¸
˜
OES. 165
10.2 Continuidade, integral e derivada de sequˆencias de
fun¸c˜ oes.
No Exemplo 10.2 apresentamos uma sequˆencia de fun¸c˜ oes cont´ınuas que converge sim-
plesmente para uma fun¸c˜ao descont´ınua. A pr´ oxima proposi¸c˜ao diz que este inconveniente
n˜ao ocorre se a convergˆencia for uniforme.
PROPOSIC¸
˜
AO 223. Seja (f
n
)
n∈N
uma sequˆencia de fun¸c˜ oes de A ⊂ R em R convergente
uniformemente para f : A → R. Se f
n
´e cont´ınua em x
0
∈ A para todo n ∈ N, ent˜ao f ´e
cont´ınua em x
0
.
Demonstra¸c˜ao. Seja x
0
∈ A. Dado ε > 0, existe n ∈ N tal que
x ∈ A =⇒ [f
n
(x) −f(x)[ < ε.
Como f
n
´e cont´ınua em x
0
, existe δ > 0 tal que
x ∈ A, [x −x
0
[ < δ =⇒ [f
n
(x) −f
n
(x
0
)[ < ε.
Destas duas rela¸c˜ oes obtemos que se x ∈ A e [x −x
0
[ < δ, ent˜ao
[f(x) −f(x
0
)[ ≤ [f(x) −f
n
(x)[ +[f
n
(x) −f
n
(x
0
)[ +[f
n
(x
0
) −f(x
0
)[ < 3ε.
Segue que f ´e cont´ınua em x
0
.
Exemplo 10.5. Da proposi¸c˜ao anterior podemos concluir que a convergˆencia do Exemplo
10.2 n˜ao ´e uniforme, pois, sen˜ao, o limite seria cont´ınuo em x
0
= 1. Entretanto, se a ∈
(0, 1), ent˜ao a sequˆencia (f
n
[
[0,a]
)
n∈N
´e uniformemente convergente. Isto pode ser verificado
diretamente ou usando o pr´ oximo teorema (ver exerc´ıcio 4, p.179).
TEOREMA 224. (Dini
1
) Sejam K ⊂ R compacto e (f
n
)
n∈N
⊂ C(K). Se (f
n
)
n∈N
´e
mon´otona e convergente simplesmente para f ∈ C(K), ent˜ao a convergˆencia ´e uniforme.
Demonstra¸c˜ao. Suponhamos que (f
n
)
n∈N
seja decrescente (se for crescente, procedemos
de modo an´alogo), ou seja, f ≤ f
n+1
≤ f
n
para todo n ∈ N.
Para cada n ∈ N, f
n
− f ∈ C(K) e, como K ´e compacto, existe x
n
∈ K tal que
M
n
= f
n
(x
n
) −f(x
n
) ´e o valor m´aximo de f
n
−f.
´
E f´acil ver que (M
n
)
n∈N
´e decrescente e
positiva e, portanto, convergente para c ≥ 0. Mostremos que c = 0.
Da compacidade de K, obtemos subsequˆencia (x
n
k
)
k∈N
convergente para x
0
∈ K. Para
k, m ∈ N com n
k
≥ m, temos M
n
k
= f
n
k
(x
n
k
) − f(x
n
k
) ≤ f
m
(x
n
k
) − f(x
n
k
). Fazendo
k → +∞, obtemos c ≤ f
m
(x
0
) − f(x
0
). Tomando o limite quando m → +∞, conclu´ımos
que c ≤ 0 e, portanto, c = 0.
Dado ε > 0, tomemos N ∈ N tal que M
N
< ε. Assim, se n ≥ N e x ∈ K, ent˜ao
0 ≤ f
n
(x) −f(x) ≤ f
N
(x) −f(x) ≤ M
N
< ε.
1
Ulisse Dini: ⋆ 14/11/1845, Pisa, It´alia - † 28/10/1918, Pisa, It´alia
164 CAP
´
ITULO 10. SEQU
ˆ
ENCIAS DE FUNC¸
˜
OES
Salientamos que, na Defini¸ c˜ao 219, o valor de N depende de x e ε. Quando N n˜ao
depende de x, mas apenas de ε, temos outro sentido de convergˆencia, assunto da pr´ oxima
defini¸c˜ao.
DEFINIC¸
˜
AO 220. Seja (f
n
)
n∈N
uma sequˆencia de fun¸c˜ oes de A em R. Dizemos que
(f
n
)
n∈N
converge uniformemente para f : A →R se
∀ε > 0, ∃N ∈ N tal que n ≥ N =⇒ [f
n
(x) −f(x)[ < ε, ∀x ∈ A. (10.2)
´
E imediato que a convergˆencia uniforme implica na convergˆencia simples. A rec´ıproca,
entretanto, ´e falsa como veremos no Exemplo 10.5.
Exemplo 10.3. Para cada n ∈ N, seja f
n
: [0, 1] → R dada por f
n
(x) = x/n para todo
x ∈ [0, 1]. Dado ε > 0, tomemos N ∈ N tal que N > 1/ε. Assim, se n ≥ N e x ∈ [0, 1],
ent˜ao
¸
¸
¸
x
n
−0
¸
¸
¸ =
[x[
n

1
N
< ε.
Portanto, (f
n
)
n∈N
converge uniformemente para a fun¸c˜ao nula.
Salientamos novamente a diferen¸ca entre convergˆencia simples e uniforme atrav´es da
compara¸ c˜ao dos exemplos 10.1 e 10.3. No primeiro exemplo o valor de N depende de x e de
ε (N > [x[/ε), enquanto que no segundo ele s´ o depende de ε (N > 1/ε).
Terminamos esta Se¸ c˜ao com duas defini¸c˜ oes de convergˆencia muito utilizadas em Proba-
bilidade.
DEFINIC¸
˜
AO 221. Seja (f
n
)
n∈N
uma sequˆencia de fun¸c˜ oes de A em R. Dizemos que
(f
n
)
n∈N
converge quase todo ponto (qtp) para f : A →R se
lim
n→+∞
f
n
(x) = f(x) ∀x ∈ A ¸ K, onde K tˆem medida nula.
Exemplo 10.4. A sequˆencia f
n
(x) = I
[0,1]
x
n
n˜ao converge simplesmente para h ≡ 0 mas
converge qtp para h (veja Exemplo 10.2).
DEFINIC¸
˜
AO 222. Seja (f
n
)
n∈N
uma sequˆencia de fun¸c˜ oes integr´aveis de A em R. Dizemos
que (f
n
)
n∈N
converge na norma L
p
(A) (p ∈ R, p ≥ 1) para f : A →R se
_
A
[f
n
(x) −f(x)[
p
dx → 0 quando n → ∞. (10.3)
A rela¸c˜ao entre convergˆencia em norma e quase todo ponto ´e delicada. Deixamos para
um curso de Teoria da Medida.
2.2. CARDINALIDADE. 17
associado a mais de um m´usico (e portanto f n˜ao seria injetiva). De fato, 4 ´e o menor
n´umero n tal que o conjunto ¦1, . . . , n¦ possa ser contradom´ınio sem que f deixe de ser
injetiva. Estas considera¸ c˜ oes nos levam `as seguintes defini¸c˜ oes:
DEFINIC¸
˜
AO 31. Dizemos que um conjunto A ´e enumer´avel se ele ´e vazio ou se existe
uma fun¸c˜ao injetiva f : A →N. Caso contr´ario dizemos que A ´e n˜ao-enumer´avel.
DEFINIC¸
˜
AO 32. Seja A um conjunto n˜ao vazio. Se existe n ∈ N e uma fun¸c˜ao injetiva
g : A → ¦1, . . . , n¦ diremos que A ´e finito, caso contr´ario, A ´e infinito. O menor n´umero
n que verifica esta propriedade ´e dito n´ umero de elementos de A. Escrevemos #A = n.
Diremos tamb´em que o conjunto vazio ´e finito e que seu n´umero de elementos ´e 0.
Observamos que o n´umero de elementos de um conjunto finito A n˜ao vazio ´e bem definido
gra¸cas ao Princ´ıpio da Boa Ordem. De fato, o conjunto dos n´ umeros n ∈ N que verificam a
propriedade “existe fun¸c˜ao injetiva g : A → ¦1, . . . , n¦” ´e um subconjunto n˜ao vazio (pois A
´e finito) de N e portanto possui um elemento m´ınimo.
Vejamos outro exemplo de contagem. Um professor vai aplicar uma prova e n˜ao tem
certeza se a sala destinada a este efeito tem um n´umero suficiente de cadeiras para acomodar
os alunos. Ele pode contar as cadeiras e os alunos e comparar os resultados para obter a
resposta. Uma alternativa ´obvia a este m´etodo ´e pedir aos alunos que se acomodem e trˆes
coisas podem acontecer ao final do processo:
i. existem alunos de p´e e todas as cadeiras est˜ao ocupadas;
ii. existem cadeiras livres e todos os alunos est˜ao sentados;
iii. todos os alunos est˜ao sentados e todas as cadeiras est˜ao ocupadas.
No primeiro caso temos que o n´umero de alunos ´e maior que o de cadeiras, no segundo
caso ocorre o contr´ario e, finalmente, no terceiro eles s˜ao iguais. Obtemos assim a resposta
`a pergunta “qual conjunto tem mais elementos?” sem necessariamente conhecer os n´umeros
de elementos dos conjuntos envolvidos. Estas considera¸ c˜oes motivam a seguinte defini¸c˜ao.
DEFINIC¸
˜
AO 33. Sejam A e B dois conjuntos n˜ao vazios. Dizemos que A e B tˆem a mesma
cardinalidade ou que a cardinalidade de A ´e igual `a de B e escrevemos #A = #B, se existe
uma bije¸c˜ao f : A → B. Caso contr´ario dizemos que eles n˜ao tˆem a mesma cardinalidade ou
que suas cardinalidades s˜ao diferentes e escrevemos #A ,= #B.
A defini¸c˜ao anterior faz sentido mesmo se os conjuntos A e B s˜ao infinitos. Nela o s´ımbolo
#A isoladamente n˜ao tem nenhum sentido. Apenas as express˜oes #A = #B e #A ,= #B
tˆem. Por outro lado, se A ´e finito ent˜ao #A ´e um n´umero natural e tendo eles a mesma
cardinalidade temos que #A = #B e esta “igualdade” tem dois sentidos distintos: como
igualdade de n´umeros naturais e como apresentado na Defini¸c˜ao 33. Por´em a “igualdade”
ocorre num sentido se, e somente se, ocorre no outro. Por esta raz˜ao, podemos pensar no
conceito de cardinalidade como generaliza¸ c˜ao do conceito de n´umero de elementos.
18 CAP
´
ITULO 2. N
´
UMEROS NATURAIS, INTEIROS E RACIONAIS
DEFINIC¸
˜
AO 34. Sejam A e B conjuntos n˜ao vazios. Se existe fun¸c˜ao injetiva f : A → B,
ent˜ao dizemos que a cardinalidade de A ´e menor ou igual `a de B e escrevemos #A ≤ #B.
Se existe uma fun¸c˜ao sobrejetiva g : A → B, ent˜ao dizemos que a cardinalidade de A ´e
maior ou igual a de B e escrevemos #A ≥ #B. Se #A ≤ #B e #A ,= #B, ent˜ao
escrevemos #A < #B (lˆe-se a cardinalidade de A ´e menor que a de B). Analogamente, se
#A ≥ #B e #A ,= #B, ent˜ao escrevemos #A > #B (lˆe-se a cardinalidade de A ´e maior
que a de B).
Feita esta defini¸c˜ao, temos que A ,= ∅ ´e enumer´avel se, e somente se, #A ≤ #N.
Exemplo 2.2. Seja A um conjunto n˜ao vazio.
´
E evidente que #A = #A pois a fun¸c˜ao
identidade Id : A → A dada por Id(x) = x para todo x ∈ A ´e uma bije¸c˜ao.
Exemplo 2.3. Sejam A e B dois conjuntos n˜ao vazios com A ⊂ B. Obviamente #A ≤ #B
pois a fun¸c˜ao Id : A → B dada por Id(x) = x para todo x ∈ A ´e injetiva.
PROPOSIC¸
˜
AO 35. Sejam A e B dois conjuntos n˜ao vazios. Ent˜ao #A ≤ #B se, e
somente se, #B ≥ #A.
Demonstra¸c˜ao. Consequˆencia do exerc´ıcio 27, p.12: “Prove que existe f : A → B injetiva
se, e somente se, existe g : B → A sobrejetiva.”
Outra propriedade que se espera do s´ımbolo ≤ ´e dada pelo teorema seguinte.
⋆ TEOREMA 36. (De Cantor
1
-Bernstein
2
-Schr¨oder
3
)
Se #A ≤ #B e #B ≤ #A, ent˜ao #A = #B.
Antes de apresentar a demonstra¸ c˜ao, vamos comentar a ideia da prova.
O objetivo ´e construir uma bije¸c˜ao h de A em B. Est˜ao `a nossa disposi¸c˜ao dois ingre-
dientes: uma fun¸c˜ao f de A em B e uma fun¸c˜ao g de B em A, ambas injetivas. Existem,
portanto, dois “caminhos” naturais que v˜ao de A at´e B: f e g
−1
. Considerando isto na de-
fini¸c˜ao de h, o problema resume-se a decidir quais pontos de A seguir˜ao o primeiro caminho
e quais seguir˜ao o segundo. Ou seja, dividimos A em duas partes complementares, X
0
e X

0
,
e fazemos h = f em X
0
e h = g
−1
em X

0
.
A fun¸c˜ao h ser´a bijetiva se, e somente se, as imagens de X
0
e X

0
forem complementares
(em B). Ou seja, devemos escolher X
0
de modo que f (X
0
)

= g
−1
_
X

0
_
ou, de modo
equivalente, g
_
f(X
0
)

_
= X

0
. A ´ultima equa¸ c˜ao ´e reescrita como F(X
0
) = X
0
, sendo F
definida por: F(X) = g
_
f(X)

_

.
Por verificar F(X
0
) = X
0
, X
0
´e dito ponto fixo de F. Argumentos de ponto fixo
s˜ao bastante usuais em An´alise. A ideia, intuitiva, ´e a seguinte. Considere uma fun¸c˜ao
F : Y → Y para a qual queremos encontrar um ponto fixo. Tomamos y ∈ Y e iteramos F
1
Georg Ferdinand Ludwig Philipp Cantor: ⋆ 03/03/1845, S˜ao Petersburgo, R´ussia - † 06/01/1918 Halle,
Alemanha.
2
Felix Bernstein: ⋆ 24/02/1878, Halle, Alemanha - † 03/12/1956, Zurique, Su´ı¸ca.
3
Friedrich Wilhelm Karl Ernst Schr¨ oder: ⋆ 25/11/1841, Mannheim, Alemanha - † 16/07/1902, Karlsruhe,
Alemanha.
Cap´ıtulo 10
Sequˆencias de fun¸ c˜ oes
10.1 Convergˆencia simples e uniforme.
Considere, para cada n ∈ N, uma fun¸c˜ao f
n
: A → R. Neste cap´ıtulo estudaremos em
que sentido a sequˆencia (f
n
)
n∈N
converge para uma fun¸c˜ao f : A → R. Existem muitos
modos de se definir convergˆencia de fun¸c˜ oes: simples ou pontual, uniforme, em L
p
, etc.
DEFINIC¸
˜
AO 219. Seja (f
n
)
n∈N
uma sequˆencia de fun¸c˜ oes de A em R. Dizemos que
(f
n
)
n∈N
converge simplesmente ou converge pontualmente para f : A →R se
lim
n→+∞
f
n
(x) = f(x) ∀x ∈ A.
Em outras palavras, para todo x ∈ A, a sequˆencia (num´erica) (f
n
(x))
n∈N
converge para
f(x). Segundo a defini¸c˜ao de sequˆencia convergente, temos
∀x ∈ A, ∀ε > 0, ∃N ∈ N tal que n ≥ N =⇒ [f
n
(x) −f(x)[ < ε. (10.1)
Exemplo 10.1. Seja f
n
: R →R dada por f
n
(x) = x/n para n ∈ N e x ∈ R. Dados ε > 0
e x ∈ R, tomemos N ∈ N tal que N > [x[/ε. Assim, se n ≥ N, ent˜ao
¸
¸
¸
x
n
−0
¸
¸
¸ =
[x[
n

[x[
N
< ε.
Portanto, (f
n
)
n∈N
converge simplesmente para a fun¸c˜ao nula.
Exemplo 10.2. Seja f
n
: [0, 1] → R dada por f
n
(x) = x
n
para n ∈ N e x ∈ [0, 1]. Se
x ∈ [0, 1), ent˜ao x
n
→ 0 e se x = 1, ent˜ao x
n
→ 1. Portanto, a sequˆencia (f
n
)
n∈N
´e
simplesmente convergente para f : [0, 1] →R dada por
f(x) =
_
_
_
0 se x ,= 1,
1 se x = 1.
163
162 CAP
´
ITULO 9. INTEGRAL DE RIEMANN
Dica: Para (b) integre por partes e prove que Γ(z + 1) = zΓ(z).
Obs: Este exerc´ıcio mostra que podemos estender a fun¸c˜ao fatorial para n´umeros n˜ao-
inteiros: x! = Γ(x+1). Pode-se considerar inclusive n´umeros complexos se Re(z) > 0 (parte
real). Podemos, utilizando a propriedade (b) acima, ampli´a-la para z ∈ C qualquer contanto
que Re(z) ,∈ Z −N (inteiros negativos ou zero).
Obs: Γ

(1) = −γ (constante gama de Euler, vide exerc´ıcio 23, p.73). Pode-se provar
tamb´em que Γ(3/2) = (1/2)! =

π/2. ([Sp] p.327 no.25)
9.7.3 Medida nula e Teorema de Lebesgue
25. Sejam a, b ∈ R, com a ≤ b, e (I
n
)
n∈N
uma sequˆencia de intervalos abertos e limitados
tais que [a, b] ⊂
+∞
_
n=1
I
n
.
(a) Prove que existem n
1
, . . . , n
j
∈ N tais que [a, b] ⊂ I
n1
∪ ∪ I
nj
.
(b) Prove que b −a <

j
i=1
[I
ni
[.
(c) Conclua que se a < b, ent˜ao [a, b] n˜ao tem medida nula.
Sugest˜ao: Em 25(b) considere as fun¸c˜ oes indicadoras (ou caracter´ısticas) dos intervalos
[a, b], I
n1
, . . . , I
nj
e use o exerc´ıcio 5, p.159 e o exerc´ıcio 11, p.11.
=⇒ 26. Prove que se A tem medida nula ent˜ao interior de A ´e vazio.
=⇒ 27. Considere f : [a, b] → R e X ⊂ [a, b] com medida nula. Prove que f(X) tem medida
nula se f ´e Lipschitz ou H¨older cont´ınua.
Dica: estime diam(f(I)) para I um intervalo qualquer.
=⇒ 28. Sejam f, g fun¸c˜ oes integr´aveis. Se o conjunto ¦x; f(x) ,= g(x)¦ tem medida nula
dizemos que f = g qtp (quase todo ponto).
(a) dˆe um exemplo de f ,= g com f = g qtp;
(b) prove que a rela¸c˜ao f = g qtp no conjunto das fun¸c˜ oes integr´aveis ´e de equivalˆencia;
(c) prove que se f = g qtp ent˜ao
_
b
a
f(x) dx =
_
b
a
g(x) dx;
Dica: prove que se h = 0 qtp ent˜ao
_
b
a
h(x) dx = 0. Para isto suponha que
_
h ,= 0 e
portanto existe I tal que inf I > 0 (spdg= sem perda de generalidade).
(d) se g = 0 qtp ent˜ao
_
b
a
f(x)g(x) dx = 0 para toda f integr´avel;
(e) se g ≥ 0 e
_
b
a
g(x) dx = 0 ent˜ao g = 0 qtp em [a, b].
29. Prove que o conjunto de Cantor (que ´e n˜ao-enumer´avel) possui medida nula.
2.2. CARDINALIDADE. 19
“infinitas” vezes obtendo o resultado y
0
. Aplicando F a y
0
, teremos como resultado F iterada
“infinitas” vezes, a partir de y, ou seja, encontraremos novamente y
0
. Portanto, F(y
0
) = y
0
.
A descri¸c˜ao dada aqui foge aos padr˜ oes de rigor da Matem´atica. A ideia de iterar “infinitas”
vezes ´e formalizada tomando a sequˆencia F(y), F(F(y)), F(F(F(y))), . . . e verificando se
ela tende a algum elemento que, naturalmente, esperamos ser ponto fixo de F.
Demonstra¸c˜ao. Por hip´ otese, existem f : A → B e g : B → A injetivas. Considere
F : T(A) → T(A) dada por
F(X) = g
_
f(X)

_

∀X ⊂ A.
Seja X
0
=
+∞

i=0
F
i
(A) (convencionando que F
0
(A) = A). Como f ´e injetiva, temos
f(X
0
) = f
_
+∞

i=0
F
i
(A)
_
=
+∞

i=0
f
_
F
i
(A)
_
.
Portanto,
F(X
0
) = g
_
_
_
+∞

i=0
f
_
F
i
(A)
_
_

_
_

= g
_
+∞
_
i=0
f
_
F
i
(A)
_

_

=
_
+∞
_
i=0
g
_
f
_
F
i
(A)
_

_
_

=
+∞

i=0
g
_
f
_
F
i
(A)
_

_

=
+∞

i=0
F
_
F
i
(A)
_
=
+∞

i=1
F
i
(A) =
+∞

i=0
F
i
(A) = X
0
.
Segue que X

0
= F(X
0
)

= g
_
f(X
0
)

_
. Conclu´ımos que g ´e uma bije¸c˜ao de f(X
0
)

em X

0
,
logo, g
−1
´e uma bije¸c˜ao de X

0
em f(X
0
)

. Tamb´em temos que f ´e uma bije¸c˜ao de X
0
em
f(X
0
). Destas observa¸c˜ oes segue que h : A → B dada por
h(x) =
_
f(x) se x ∈ X
0
,
g
−1
(x) se x ∈ X

0
,
´e bijetiva.
Na demonstra¸ c˜ao anterior n˜ao foi necess´ario considerar limites pois ´e natural dizer que
uma sequˆencia de conjuntos encaixantes: A
1
⊃ A
2
⊃ A
3
⊃ . . . “converge” para
+∞

n=1
A
n
. Veja
o exerc´ıcio 28, p.73 para defini¸c˜ao de limite de sequˆencias de conjuntos.
Observa¸c˜ao 2.1 Outra propriedade que se espera do s´ımbolo <, = e > entre cardinalida-
des ´e que, dados A e B dois conjuntos quaisquer vale (um resultado dif´ıcil) a tricotomia
da cardinalidade: #A = #B ou #A > #B ou #A < #B. Veja exerc´ıcio 36, p.30.
Exemplo 2.4. #Z = #N. Escrevendo Z = ¦0, 1, −1, 2, −2, 3, −3, . . . ¦ uma bije¸c˜ao de
f : N → Z nos salta aos olhos. Ela ´e dada por f(1) = 0, f(2) = 1, f(3) = −1, f(4) =
2, f(5) = −2, f(6) = 3, . . . , mais precisamente,
f(n) =
_
m se n = 2m, m = 1, 2, 3, . . .
−m se n = 2m+ 1, m = 0, 1, 2, . . .
20 CAP
´
ITULO 2. N
´
UMEROS NATURAIS, INTEIROS E RACIONAIS
PROPOSIC¸
˜
AO 37. N
2
´e enumer´avel.
Demonstra¸c˜ao. Pela unicidade da fatora¸ c˜ao de naturais como produto de primos, (Teorema
Fundamental da Aritm´etica) temos que a fun¸c˜ao g : N
2
→ N dada por g(m, n) = 2
m
3
n
´e
injetiva.
Exemplo 2.5. #N
2
= #N. De fato, #N ≤ #N
2
pois a fun¸c˜ao f : N → N
2
dada por
f(n) = (n, n) ´e claramente injetiva. Por outro lado, pela Proposi¸c˜ao 37, #N
2
≤ #N. Pelo
Teorema 36 (Cantor-Bernstein-Sch¨oreder), #N
2
= #N.
Outra demonstra¸ c˜ao que #N
2
= #N, bastante popular e de car´ater geom´etrico, ´e obtida
atrav´es do esquema mostrado na Figura 2.1. Uma bije¸c˜ao h : N → N
2
´e definida seguindo
(1,1) (1,2) (1,3) (1,4) (1,5)
(2,1) (2,2) (2,3) (2,4)
.
.
.
(3,1) (3,2) (3,3)
.
.
.
(4,1) (4,2)
.
.
.
(5,1)
.
.
.
.
.
.
Figura 2.1: Bije¸c˜ao de N em N
2
.
as setas da seguinte maneira: h(1) = (1, 1), h(2) = (1, 2), h(3) = (2, 1), h(4) =
(1, 3), h(5) = (2, 2), . . .
PROPOSIC¸
˜
AO 38. (argumento diagonal de Cantor) T(N) ´e n˜ao-enumer´avel.
Demonstra¸c˜ao. Pela Proposi¸c˜ao 35 basta mostrar que, dada uma fun¸c˜ao g : N → T(N)
qualquer, g n˜ao pode ser sobrejetiva.
IDEIA: Considere a lista de conjuntos g(1), g(2), g(3), . . . Construa conjunto A tal que:
• 1 ∈ A sse 1 ,∈ g(1);
• 2 ∈ A sse 2 ,∈ g(2);
• 3 ∈ A sse 3 ,∈ g(3);

.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
. .
Assim, por constru¸c˜ao, A ,= g(1), A ,= g(2), A ,= g(3), . . . Portanto A ,= g(n) para todo
n e g n˜ao ´e sobrejetiva. Isto ´e conhecido como argumento diagonal de Cantor.
9.7. EXERC
´
ICIOS. 161
Dica: Ver livro de c´alculo III. Distribui¸ c˜ao normal em probabilidade.
→ 17. (teste da integral para s´eries) Seja f : [1, +∞) →R uma fun¸c˜ao positiva e decrescente.
Prove que
_

1
f(x) dx < ∞ se, e somente se,

n=1
f(n) < ∞ ([Fi1] p.199 no.3).
18. Definimos em C([a, b]) a norma L
p
de f por |f|
p
:=
__
b
a
[f[
p
_
1/p
para p ≥ 1.
Prove que lim
p→+∞
|f|
p
= max
x∈[a,b]
[f(x)[ (o lado direito serve de defini¸c˜ao para norma L

).
9.7.2 Teoremas Fundamentais do C´alculo
=⇒ 19. Seja f : R →R tal que f

= f. Prove que existe C ∈ R tal que f(x) = C exp(x) para
todo x ∈ R;
Dica: Considere h(x) = f(x)/ exp(x).
→ 20. Defina F(x, λ) =
_
x
a
f(s, λ) ds. Suponha que f ´e deriv´avel com rela¸c˜ao a λ. Prove
que F ´e deriv´avel com rela¸c˜ao a λ e que
∂F
∂λ
=
_
x
a
∂f
∂λ
(s, λ) ds
21. Seja f cont´ınua tal que f(x) =
_
x
0
f(s) ds. Prove que f ≡ 0 ([Fi1] p.179 no.2).
Dica: derivada.
⋆ 22. (extra) (Lema de Riemann-Lebesgue) Prove que lim
n→∞
_
b
a
f(x) sen(nx) dx = 0 se f ´e
integr´avel.
Dica: Prove para fun¸c˜ oes escada e e use densidade das fun¸c˜ oes escada nas integr´aveis
(exerc´ıcio 10, p.160).
´
E v´alido um resultado an´alogo para cos. Este ´e um resultado funda-
mental na teoria da s´erie de Fourier, pois prova que os coeficientes da s´erie de Fourier de uma
fun¸c˜ao integr´avel convergem para zero.
⋆ 23. (extra) Defina a
n
=
_

0
f(x) sen(nx) dx. Prove que se f ∈ C
1
([0, 2π]) ent˜ao
lim
n→∞
na
n
= 0. Prove, por indu¸c˜ao, que se f ∈ C
k
([0, 2π]) ent˜ao lim
n→∞
n
k
a
n
= 0.
Dica: Integra¸ c˜ao por partes e exerc´ıcio anterior. Este resultado caracteriza o decaimento
dos coeficientes da s´erie de Fourier para fun¸c˜ oes suaves. Mostra, em particular, que se f for
C

os coeficientes v˜ao para zero mais r´apido que qualquer polinˆomio. Existe, ampliando C
k
para os espa¸cos de Sobolev
1
H
k
, uma rec´ıproca deste resultado: se os coeficientes decaem
“rapidamente” ent˜ao a fun¸c˜ao est´a em H
k
.
→ 24. (Fun¸ c˜ao Gama de Euler
2
, generaliza¸ c˜ao de fatorial para n˜ao-inteiros e complexos)
Defina Γ(z) =
_

0
e
−t
t
z−1
dt. Prove que:
(a) a integral converge para z > 0; (b) Γ(n) = (n −1)! para n ∈ N.
1
Sergei Lvovich Sobolev: ⋆ 06/10/1908, S˜ao Petesburgo, R´ussia – † 03/01/1989, Leningrado, R´ussia.
2
Leonhard Euler: ⋆ 15/04/1707, Basel, Su´ı¸ca – † 18/09/1783, S˜ao Petesburgo, R´ussia.
160 CAP
´
ITULO 9. INTEGRAL DE RIEMANN
=⇒(a)
_
b
a
[f(x)[ dx = 0;
=⇒(b) (Lema de du Bois-Reymond
1
)
_
y
x
f(s) ds = 0 para todo x, y ∈ [a, b];
(c)
_
b
a
f(x)g(x) dx = 0 para toda g;
(d)
_
b
a
f(x)g(x) dx = 0 para toda g que satisfaz g(a) = g(b) = 0. ([Sp] p.237 no.23)
Obs: resultado importante para o c´alculo das varia¸c˜ oes.
Dica (para todos itens): suponha por contradi¸c˜ao que f(x
0
) ,= 0 para x
0
∈ [a, b] e use
permanˆencia de sinal de fun¸c˜ao cont´ınua.
→ 10. Uma fun¸c˜ao h ´e chamada de escada se existe uma parti¸ c˜ao tal que h ´e constante em
cada intervalo da parti¸ c˜ao, i.e., h =
n

i=1
c
i
I
[xi−1,xi]
([Sp] p.235 no.17).
(a) Prove que se f ´e integr´avel em [a, b] ent˜ao para todo ε > 0 existe uma fun¸c˜ao escada
h ≤ f tal que
_
b
a
(f − h) < ε. De forma an´aloga existe uma fun¸c˜ao escada m ≥ f tal que
_
b
a
(m−f) < ε;
Dizemos que as fun¸c˜ oes escada s˜ao densas no espa¸co das fun¸c˜ oes integr´aveis.
(b) Suponha que para todo ε > 0 existam k
1
e k
2
fun¸c˜ oes escadas com k
1
≤ f ≤ k
2
tais
que
_
b
a
(k
2
−k
1
) < ε. Prove que f ´e integr´avel.
⋆ 11. (extra) Prove que se f ´e integr´avel em [a, b] ent˜ao dado ε > 0 qualquer existe uma
fun¸c˜ao cont´ınua g ≤ f com
_
b
a
[f −g[ < ε ([Sp] p.236 no.18).
Dica: Primeiro determine uma fun¸c˜ao escada com esta propriedade depois ligue com retas
para ficar cont´ınua. Dizemos que as fun¸c˜ oes escada e cont´ınuas s˜ao densas no espa¸co das
fun¸c˜ oes integr´aveis.
♯ 12. (dif´ıcil) (desigualdade de Jensen, utilizada em probabilidade) Prove que se ϕ ´e
convexa e g ´e integr´avel ent˜ao ϕ
__
1
0
g(x) dx
_

_
1
0
ϕ(g(x)) dx.
Dica: Prove para fun¸c˜ oes escada usando exerc´ıcio 15, p.135 e use densidade das fun¸c˜ oes
escada nas integr´aveis (exerc´ıcio 10, p.160).
13. Suponha que f ´e cont´ınua e lim
x→+∞
f(x) = a. Prove que lim
x→+∞
1
x
_
x
0
f(t) dt = a ([Sp]
p.239 no.34).
14. Seja f cont´ınua e peri´odica de per´ıodo T > 0, isto ´e, f(x+T) = f(x) para todo x ∈ R.
Prove que
_
a+T
a
f(x) dx =
_
T
0
f(s) ds para todo a ∈ R ([Fi1] p.179 no.3).
=⇒ 15. Prove que se f ´e cont´ınua e limitada em [a, b] ent˜ao F(x) =
_
x
a
f(s) ds ´e Lipschitz
cont´ınua.
⋆ 16. (extra) Prove que
_

0
e
−x
2
dx =

π/2.
1
Paul David Gustav du Bois-Reymond: ⋆ 02/12/1831, Berlim, Alemanha – † 07/04/1889, Freiburg,
Alemanha.
2.2. CARDINALIDADE. 21
Mais formalmente, defina A =
_
n ∈ N ; n / ∈ g(n)
_
∈ T(N). Como n ∈ A se, e somente
se, n ,∈ g(n), conclu´ımos que g(n) ,= A para todo n ∈ N. Logo g n˜ao pode ser sobrejetiva.
O argumento diagonal de Cantor usado na Proposi¸c˜ao 38 lembra muito o Paradoxo de
Russel. Georg Cantor foi o primeiro matem´atico a se interessar pelas quest˜oes de cardinalidade.
A ele devemos este conceito. Ele procurou, sem sucesso, um conjunto A tal que #N < #A <
#T(N). Finalmente ele conjeturou que n˜ao existia tal conjunto: a chamada “Hip´ otese do
Cont´ınuo”. Demonstr´a-la ou encontrar contraexemplo foi o primeiro da lista de 16 problemas
n˜ao resolvidos no s´eculo XIX que, segundo Hilbert
1
, seriam os principais a serem estudados
no s´eculo XX. A quest˜ao foi totalmente resolvida em 1963. Numa primeira etapa, em 1940,
G¨ odel
2
[Go] mostrou que ele era consistente com os axiomas de Teoria dos Conjuntos propostos
por Zermelo
3
e Fraenkel
4
, ou seja, G¨ odel mostrou que n˜ao era poss´ıvel demonstrar que a
Hip´otese do Cont´ınuo era falsa. Finalmente, em 1963, Cohen
5
[Co] mostrou que, por outro
lado, n˜ao era poss´ıvel mostrar que ela era verdadeira! Desta forma demonstrou-se que a
Hip´otese do Cont´ınuo ´e independente dos axiomas da Teoria dos Conjuntos. Um exemplo do
uso desta hip´ otese ´e o exerc´ıcio 35, p.30.
PROPOSIC¸
˜
AO 39. (uni˜ao de enumer´aveis ´e enumer´avel) Se A e B s˜ao enumer´aveis,
ent˜ao A∪ B ´e enumer´avel.
Demonstra¸c˜ao. Se A = ∅ ou B = ∅, ent˜ao a proposi¸c˜ao ´e imediata. Suponhamos que
ambos sejam n˜ao vazios. Ent˜ao, existem fun¸c˜ oes injetivas f : A →N e g : B →N. Definimos
h : A∪ B →N da seguinte maneira:
h(x) =
_
2f(x) se x ∈ A,
2g(x) + 1 se x ∈ B ¸ A.
Temos que h ´e bem definida e ´e, claramente, injetiva (observe que h(A) ∩h(B) = ∅ pois os
elementos de h(A) s˜ao n´umeros pares enquanto que os de h(B ¸ A) s˜ao ´ımpares).
Esta Proposi¸c˜ao ´e generalizada pela pr´ oxima Proposi¸c˜ao.
PROPOSIC¸
˜
AO 40. (uni˜ao enumer´avel de enumer´aveis ´e enumer´avel) Se, para cada
n ∈ N, A
n
´e enumer´avel, ent˜ao

+∞
n=1
A
n
´e enumer´avel.
Demonstra¸c˜ao. Sem perda de generalidade, podemos supor que A
n
,= ∅ para todo n ∈ N.
Seja A =

+∞
n=1
A
n
. Por hip´ otese, para cada n ∈ N, temos que A
n
´e enumer´avel, logo, existe
f
n
: N → A
n
sobrejetiva. Vamos mostrar que a fun¸c˜ao
f : N N −→ A
(n, m) −→ f
n
(m)
1
David Hilbert: ⋆ 23/01/1862, Kaliningrad, R´ussia - † 14/02/1943, G¨ ottingen, Alemanha.
2
Kurt G¨ odel: ⋆ 28/04/1906, Brno, Rep´ublica Tcheca - † 14/01/1978, Princeton, Estados Unidos.
3
Ernst Friedrich Ferdinand Zermelo: ⋆ 27/07/1871, Berlim, Alemanha - † 21/05/1953, Freiburg, Alema-
nha.
4
Adolf Abraham Halevi Fraenkel: ⋆ 17/02/1891, Munique, Alemanha - † 15/10/1965, Jerusal´em, Israel.
5
Paul Joseph Cohen: ⋆ 02/04/1934, Long Branch, Estados Unidos.
22 CAP
´
ITULO 2. N
´
UMEROS NATURAIS, INTEIROS E RACIONAIS
´e sobrejetiva. De fato, se x ∈ A, ent˜ao existe n ∈ N tal que x ∈ A
n
. Como f
n
´e sobrejetiva,
existe m ∈ N tal que f
n
(m) = x. Segue que f(n, m) = f
n
(m) = x. Na Proposi¸c˜ao 37
vimos que #N = #N
2
. Portanto, existe g : N →N
2
sobrejetiva. Segue que f ◦ g : N → A ´e
sobrejetiva.
2.3 ⋆ O Hotel de Hilbert
David Hilbert foi grande entusiasta das descobertas de Cantor, chegando a afirmar que
“ningu´em nos expulsar´a do para´ıso que Cantor criou para n´os”. Para ilustrar o conceito de
infinitude e enumerabilidade, Hilbert imaginou um hotel de infinitos quartos. Vamos explorar
a ideia de Hilbert com uma dose (extra) de fic¸ c˜ao.
O Hotel de Hilbert fica ao bordo do Mar Mediterrˆaneo, em Saint Tropez, na badalada Cote
d’Azur. Seu edif´ıcio, cinza e branco, constru´ıdo em 1925 ´e um belo exemplo do estilo art-d´eco
dos anos 20 e 30 do s´eculo XX. Grande e confort´avel, o hotel tem uma infinidade enumer´avel
de quartos suficientes para hospedar clientes dos mais diversos gostos. Desde aqueles em
busca de dias tranquilos e ensolarados aos que preferem noites em boˆıtes agitadas. O gerente,
o pr´ oprio David Hilbert, ´e um homem muito gentil, de barba bem tratada que nunca ´e visto
sem seus ´oculos e chap´eu branco.
Como ´e alta temporada, o hotel est´a lotado. Por´em, o painel localizado em sua entrada
informa que h´a vagas dispon´ıveis! Chega um homem de camiseta florida, carregando uma
pequena e elegante valise marrom. Ele pede um quarto a Hilbert que responde:
– Apesar do hotel estar completamente lotado, providenciarei um quarto vazio para o
senhor. Aguarde um minuto, por favor.
Aproveitando que os h´ospedes s˜ao muito sol´ıcitos, pelo alto-falante, Hilbert se dirige a
eles:
– Perdoem-me por incomod´a-los. Gostaria de pedir a cada um de vocˆes que troque de
quarto. Quem est´a ocupando o quarto n passar´a ao quarto n + 1. Grato pela compreens˜ao.
E o cliente, satisfeito, se instala no quarto n´umero 1.
A ´epoca ´e de muita procura. Chega um ˆonibus de excurs˜ao com uma infinidade enumer´avel
de cadeiras. Todas est˜ao ocupadas mas, de acordo com as estritas normas de seguran¸ca do
lugar, ningu´em viaja em p´e. O animador do grupo, facilmente reconhec´ıvel por sustentar uma
pequena flˆamula vermelha com a marca da agˆencia, dirige-se a Hilbert solicitando os quartos
que havia reservados para seus clientes.
Confirmando a reserva, Hilbert solicita um minuto para providenciar os quartos. Nova-
mente pelo alto-falante, dirige-se aos h´ospedes:
– Perdoem-me por incomod´a-los outra vez. Pe¸ co novamente que troquem de quarto,
desta vez, obedecendo a seguinte regra: quem estiver ocupando o quarto n mudar´a para o
quarto 2n. Mais uma vez, agrade¸ co a compreens˜ao.
Hilbert informa ao animador que ele seu grupo podem acomodar-se. Quem est´a na cadeira
m ocupar´a o quarto 2m−1.
Fim do ver˜ao e o hotel se esvazia. Outra excurs˜ao chega. O animador, com bandeira
amarela, ´e menos experiente que seu colega e n˜ao reservou os quartos antecipadamente pois
acreditava em baixa ocupa¸ c˜ao no outono. O ˆonibus est´a cheio mas, novamente, n˜ao h´a
9.7. EXERC
´
ICIOS. 159
(a) se c ≥ 0, ent˜ao S(cf; P) = cS(f; P) e I(cf; P) = cI(f; P);
(b) se c ≤ 0, ent˜ao S(cf; P) = cI(f; P) e I(cf; P) = cS(f; P).
=⇒ 2. Sejam P, Q ∈ T[a, b] e f uma fun¸c˜ao limitada em [a, b]. Prove que se P ⊂ Q, ent˜ao
I(f; P) ≤ I(f; Q) ≤ S(f; Q) ≤ S(f; P).
=⇒ 3. Este exerc´ıcio mostra que podemos alterar uma fun¸c˜ao integr´avel em um ponto sem
perder a integrabilidade nem alterar a integral. Sejam c ∈ [a, b] e f uma fun¸c˜ao limitada e
integr´avel em [a, b]. Suponhamos que g ´e uma fun¸c˜ao definida em [a, b] e tal que f(x) = g(x)
para todo x ∈ [a, b] ¸ ¦c¦. Prove que g ´e limitada e integr´avel em [a, b] e
_
b
a
g(x)dx =
_
b
a
f(x)dx.
Sugest˜ao: Para simplificar a demonstra¸ c˜ao, considere inicialmente os casos c = a e c = b.
Depois use a Proposi¸c˜ao 204 para concluir o caso geral.
→4. O objetivo deste exerc´ıcio ´e generalizar o resultado do exerc´ıcio anterior. Sejamc
1
, . . . , c
n

[a, b] e f uma fun¸c˜ao limitada e integr´avel em [a, b]. Suponhamos que g ´e uma fun¸c˜ao definida
em [a, b] e tal que f(x) = g(x) para todo x ∈ [a, b] ¸ ¦c
1
, . . . , c
n
¦. Prove que g ´e limitada e
integr´avel em [a, b] e
_
b
a
g(x)dx =
_
b
a
f(x)dx.
Sugest˜ao: Proceda por indu¸c˜ao e use o resultado do exerc´ıcio anterior.
=⇒ 5. Sejam a, b, c, d ∈ R tais que c ≤ a ≤ b ≤ d. Prove que I
(a,b)
(fun¸c˜ao indicadora ou
caracter´ıstica), e I
[a,b]
s˜ao integr´aveis em [c, d] e
_
d
c
I
(a,b)
(x)dx =
_
d
c
I
[a,b]
(x)dx = b −a.
⋆ 6. (extra) Determine, utilizando a defini¸c˜ao:
(a)
_
a
0
x
n
dx para n = 1 e 2; (b)
_
a
0
sen(x) dx
Dica: Para o item (b) ver [C].
=⇒ 7. Determine a integrabilidade a Riemann, utilizando S(f, P) e I(f, P), de:
(a) f(x) = x/[x[ para x ,= 0 e f(0) = 0; (b) f = I
Q
;
(c) f(x) = sen(1/x) para x ,= 0 e f(0) = 0;
(d) f : R → R definida por f(x) = 0 se x ∈ R − Q, f(p/q) = 1/q se p/q ´e fra¸c˜ao
irredut´ıvel com q > 0 e f(0) = 0.
Dica: Para (d), veja exerc´ıcio 17(f), p.115.
=⇒ 8. Prove que se modificarmos uma fun¸c˜ao integr´avel f num conjunto enumer´avel a integral
pode deixar de existir.
Dica: I
Q
.
=⇒ 9. Sejam f, g : [a, b] →R cont´ınuas. Prove que f ≡ 0 em [a, b] se:
158 CAP
´
ITULO 9. INTEGRAL DE RIEMANN
Aplicando (9.16) e (9.17) em (9.15), obtemos que S(f, P) − I(f, P) ≤ ε, concluindo a
primeira parte.
Suponha agora que f ´e integr´avel .
Seja A = [a, b] e w(f; a) a oscila¸ c˜ao da fun¸c˜ao f em a, definida por
w(f; a) = inf¦diam(f(B
δ
(a) ∩ A)) ; δ > 0¦.
Defina
D
m
= ¦x ∈ [a, b]; w(f; x) > 1/m¦.
Pelo Lema 152, p.108, se f ´e descont´ınua em x ent˜ao w(f; x) > 0. Logo D =
_
m∈N
D
m
. Pelo
Lema 217, ´e suficiente mostrar que D
m
tem medida nula para cada m.
Fixado m, como f ´e integr´avel, dado ε > 0, existe P = ¦x
0
, . . . , x
n
¦ tal que
S(f; P) −I(f; P) <
ε
m
. (9.18)
Defina I
i
= [x
i−1
, x
i
] e
J = ¦k ∈ ¦1, . . . , n¦; diam(f(I
k
)) > 1/m¦. (9.19)
Vamos verificar que D
m

_
i∈J
I
i
(estes intervalos fechados cobrem D
m
). De fato seja x ∈ D
m
.
Por defini¸c˜ao w(f, x) > 1/m e, como x ∈ [a, b], cujo intervalo foi particionado, x ∈ I
i
para
algum i. Vamos mostrar que x ∈ I
i
com i ∈ J.
(a) se x ∈ I

i
(interior do intervalo), ´e claro que diam(f(I
i
)) ≥ w(f, x) > 1/m pois
w(f, x) ´e o ´ınfimo dos diˆametros de f aplicado em intervalos contendo x. Logo x ∈ I
i
com
i ∈ J.
(b) se x = x
i
(extremo do intervalo) ent˜ao das duas uma: diam(f(I
i
)) ≥ w(f, x) > 1/m
ou diam(f(I
i+1
)) ≥ w(f, x) > 1/m pela mesma raz˜ao. Logo x ∈ I
i
com i ∈ J ou x ∈ I
i+1
com i + 1 ∈ J.
Finalmente, usando (9.18) e (9.19),
1
m

i∈J
[I
i
[ <

i∈J
diam(f(I
i
))[I
i
[ ≤
n

i=1
diam(f(I
i
))[I
i
[ = S(f, P) −I(f, P) <
ε
m
.
Conclu´ımos que D
m

_
i∈J
I
i
(intervalos fechados) e

i∈J
[I
i
[ < ε. Segue do Lema 216 que
D
m
tem medida nula.
9.7 Exerc´ıcios.
9.7.1 Integral e propriedades
=⇒ 1. Sejam c ∈ R, P ∈ T[a, b] e f uma fun¸c˜ao limitada em [a, b]. Prove que
2.4. RACIONAIS: OPERAC¸
˜
OES, ENUMERABILIDADE E ORDEM. 23
pessoas em p´e. Al´em disto, para cada n´umero real h´a uma cadeira no ˆonibus com aquele
n´umero! Surpreendentemente, Hilbert informa que, apesar do hotel estar completamente
vazio, n˜ao h´a vagas suficientes para acomodar a todos. E, amavelmente, sugere o Hotel
Real que ´e maior que o seu.
No pr´ oximo cap´ıtulo veremos porque Hilbert n˜ao podia receber o ´ultimo grupo.
2.4 Racionais: opera¸ c˜ oes, enumerabilidade e ordem.
Lembramos que um n´ umero racional ´e aquele que pode ser expresso como raz˜ao entre
dois inteiros m, n ∈ Z, com n ,= 0, i.e.,
∀x ∈ Q, ∃m ∈ Z, n ∈ N tais que x =
m
n
.
Q ´e o conjunto dos n´ umeros racionais. Como m/1 = m para todo m ∈ Z temos que
Z ⊂ Q.
Como fizemos com N e Z admitiremos neste curso que o leitor j´a est´a familiarizado
com as propriedades b´asicas do conjunto Q. Para um esbo¸ co da constru¸c˜ao de Q leia a
Se¸ c˜ao 5.2.3, p.83. Nesta e nas pr´ oximas duas se¸ c˜ oes revisaremos algumas destas propriedades
e estudaremos outras menos familiares.
PROPOSIC¸
˜
AO 41. Q ´e enumer´avel e #N = #Q.
Demonstra¸c˜ao. Como N ⊂ Z ⊂ Q, temos que #N ≤ #Q. Vamos mostrar que #N ≥ #Q.
A defini¸c˜ao de n´umero racional diz que a fun¸c˜ao f : ZN →Q dada por f(m, n) = m/n ´e
sobrejetiva. Vimos no Exemplo 2.4 que Z ´e enumer´avel. Segue do exerc´ıcio 7, p.27 que ZN
tamb´em ´e enumer´avel. Logo existe g : N →Z N sobrejetiva. Terminamos a demonstra¸ c˜ao
observando que f ◦ g : N →Q ´e sobrejetiva. Para outra prova ver exerc´ıcio 13, p.28.
As opera¸ c˜ oes de adi¸c˜ao e multiplica¸c˜ao de n´umeros racionais verificam certas propriedades
alg´ebricas que definem o conceito de corpo.
DEFINIC¸
˜
AO 42. Seja K um conjunto munido de duas opera¸ c˜ oes bin´arias chamadas adi¸ c˜ao
e multiplica¸c˜ao da seguinte maneira: a cada par x, y ∈ K a adi¸c˜ao e a multiplica¸c˜ao fazem
corresponder, respectivamente, a sua soma x + y ∈ K e o seu produto x y ∈ K (por
simplicidade, `as vezes omitimos o “”). Dizemos que o terno (K, +, ) ´e um corpo se valem
as seguintes propriedades.
i. x +y = y +x e x y = y x ∀x, y ∈ K (comutatividade).
ii. (x +y) +z = x + (y +z) e (x y) z = x (y z) ∀x, y, z ∈ K (associatividade).
iii. ∃!x ∈ K tal que x + y = y ∀y ∈ K (existˆencia do elemento neutro da adi¸c˜ao). O
elemento neutro x ser´a denotado 0 e chamado de zero.
iv. ∀x ∈ K, ∃!y ∈ K tal que x +y = 0 (existˆencia de oposto). O elemento y que ´e
o oposto de x ser´a denotado por −x.
v. ∃!x ∈ K ¸ ¦0¦ tal que x y = y ∀y ∈ K (existˆencia do elemento neutro da
multiplica¸c˜ao). O elemento neutro x ser´a denotado 1 e chamado de um.
vi. ∀x ∈ K ¸ ¦0¦, ∃!y ∈ K tal que x y = 1 (existˆencia de inverso). O elemento y
que ´e o inverso de x ser´a denotado por x
−1
.
vii. x (y +z) = (x y) + (x z) ∀x, y, z ∈ K (distributividade).
24 CAP
´
ITULO 2. N
´
UMEROS NATURAIS, INTEIROS E RACIONAIS
A multiplica¸c˜ao tem prioridade sobre a soma: x y +x z significa (x y) + (x z).
Exemplo 2.6. O terno (Q, +, ), onde + e s˜ao as opera¸ c˜ oes usuais de adi¸c˜ao e multiplica¸c˜ao
(de n´umeros racionais), ´e um corpo.
A Propriedade (iii) nos diz que zero existe e ´e ´unico. Na verdade a unicidade do zero pode
ser demonstrada a partir de sua existˆencia, i.e., poder´ıamos substituir o s´ımbolo “∃!” por “∃”
que n˜ao faria diferen¸ca. De fato, suponhamos que 0 e 0

sejam dois zeros, ou melhor, dois
elementos neutros da adi¸c˜ao. Mostraremos que 0 = 0

. Como 0 ´e elemento neutro da adi¸c˜ao,
0 + y = y para todo y ∈ K. Em particular, para y = 0

, temos 0 + 0

= 0

. Da mesma
maneira, obtemos que 0

+ 0 = 0. Portanto, 0

= 0 + 0

= 0

+ 0 = 0.
Analogamente a existˆencia do oposto de x implica a sua unicidade. De fato, suponhamos
que y e z s˜ao opostos de x. Isto significa que x + y = 0 e x + z = 0, logo x + y = x + z.
Adicionando y aos dois lados da equa¸ c˜ao obtemos
y+x+y = y+x+z =⇒ (y+x)+y = (y+x)+z =⇒ 0+y = 0+z =⇒ y = z.
Cabe ao leitor a tarefa de verificar as unicidades de 1 e do inverso.
Da defini¸c˜ao de oposto e da comutatividade da soma, temos que x ´e o oposto de y se, e
somente se, y ´e o oposto de x. Em outros termos, o oposto de −x ´e x, ou ainda −(−x) = x.
Observa¸ c˜ao an´aloga vale para o inverso.
Para simplificar a escrita, usaremos as seguintes conven¸ c˜oes:
x −y = x + (−y) e
x
y
= x/y = x y
−1
.
Observa¸c˜ao 2.2 Al´em dos corpos famosos como Q, R, C, existem outros: extens˜ oes de
Q (exerc´ıcio 51, p.32), corpo dos n´umeros alg´ebricos (exerc´ıcio 32, p.52), corpos finitos
(exerc´ıcio 52, p.33), quat´ernios (exerc´ıcio 16, p.86).
As opera¸ c˜ oes de um corpo podem ser estendidas `as fun¸c˜ oes com contradom´ınio neste
corpo. Este ´e o objeto da pr´ oxima defini¸c˜ao.
DEFINIC¸
˜
AO 43. Sejam (K, +, ) um corpo e f, g : A → K. As fun¸c˜ oes soma, produto,
diferen¸ca e quociente de f e g s˜ao definidas e denotadas, respectivamente, por
i. (f +g)(x) = f(x) +g(x) para todo x ∈ A;
ii. (f g)(x) = f(x) g(x) para todo x ∈ A;
iii. (f −g)(x) = f(x) −g(x) para todo x ∈ A;
iv. (f/g)(x) = f(x)/g(x) para todo x ∈ A tal que g(x) ,= 0.
Dado c ∈ K definimos ainda (c f)(x) = c f(x) para todo x ∈ A.
No conjunto dos n´umeros racionais est´a definida uma rela¸c˜ao de ordem completa.
9.6. MEDIDA NULA E TEOREMA DE LEBESGUE. 157
Como diam(B
ε
(f(y))) = 2¯ ε,
diam
_
f(B
2δy
(y) ∩ [a, b])
_
≤ 2¯ ε =
ε
2(b −a)
. (9.14)
Pelas defini¸c˜ oes ´e claro que a uni˜ao das cole¸ c˜ oes de abertos ¦I
n
¦
n∈N
(que cobrem D)
e ¦B
δy
(y)¦
y∈[a,b]\D
(que cobrem o complementar de D em [a, b]) cobrem o compacto [a, b].
Pelo Teorema 136, p.94 (Borel-Lebesgue), existe subcobertura finita:
[a, b] ⊂
_
q
_
k=1
I
n
k
_

_
p
_
k=1
B
δy
k
(y
k
)
_
.
O extremos destes intervalos que estiverem contidos em [a, b] junto com ¦a, b¦ formam
uma parti¸ c˜ao de [a, b] P = ¦a = x
0
, . . . , x
n
= b¦. Defina J
i
= [x
i−1
, x
i
]. Queremos escrever
¦1, . . . , n¦ = U ∪V (pode ser que U ∩V ,= ∅) com U e V apropriados para fazer estimativas
distintas em J
i
. Como cada ponto extremo de J
i
´e ponto extremo de I
n
k
ou B
δy
k
(y
k
) para
algum k (fa¸ca uma figura), cada intervalo fechado J
i
est´a contido em:
(a) I
n
k
, para algum k ∈ ¦1, . . . , p¦, ou,
(b) B
δy
k
(y
k
), para algum k ∈ ¦1, . . . , q¦. Portanto, definimos
U = ¦i; J
i
⊂ I
n
k
para algum k¦ e V = ¦i; J
i
⊂ B
k
para algum k¦.
Como, por constru¸c˜ao, U ∪ V = ¦1, . . . , n¦,
S(f, P) −I(f, P) =
n

i=1
diam(f(J
i
))[J
i
[

i∈U
diam(f(J
i
))[J
i
[ +

i∈V
diam(f(J
i
))[J
i
[.
(9.15)
Para i ∈ U, como J
i
⊂ I
n
k
, por (9.12) e (9.13),
diam(f(J
i
)) ≤ 2M e

i∈U
[J
i
[ ≤

k∈N
[I
n
k
[ ≤
ε
4M
,
e portanto,

i∈U
diam(f(J
i
))[J
i
[ ≤
2Mε
4M
=
ε
2
. (9.16)
Para i ∈ V , como J
i
⊂ B
δy
k
(y
k
) ⊂ B
2δy
k
(y
k
) e J
i
⊂ [a, b], por (9.14),
diam(f(J
i
)) ≤
ε
2(b −a)
e

i∈V
[J
i
[ ≤
n

i=1
[J
i
[ ≤ b −a,
e portanto,

i∈V
diam(f(J
i
))[J
i
[ ≤
ε
2(b −a)
(b −a) =
ε
2
. (9.17)
156 CAP
´
ITULO 9. INTEGRAL DE RIEMANN
Demonstra¸c˜ao. Sejam ε > 0 e A =
+∞
_
n=1
A
n
. Para cada n ∈ N, temos que A
n
tem medida
nula. Logo, existe uma sequˆencia
_
I
(n)
m
_
m∈N
de intervalos abertos e limitados tal que
A
n

+∞
_
m=1
I
(n)
m
e
+∞

m=1
[I
(n)
m
[ ≤
ε
2
n
.
Como N
2
´e enumer´avel, os intervalos I
(n)
m podem ser substitu´ıdos por J

i
s com ´ındice i ∈ N.
Logo
A =
+∞
_
n=1
A
n

+∞
_
n=1
+∞
_
m=1
I
(n)
m
=
+∞
_
i=1
J
i
com (a s´erie ´e absolutamente convergente pois todos os termos s˜ao positivos; portanto n˜ao
interessa a ordem da soma)
+∞

i=1
[J
i
[ =
+∞

n=1
+∞

m=1
[I
(n)
m
[ ≤
+∞

n=1
ε
2
n
= ε.
Para a demonstra¸ c˜ao do Teorema de Lebesgue vamos utilizar o conceito de diˆametro de
um conjunto limitado (veja Defini¸ c˜ao 150, p.108). Do exerc´ıcio 19(c), p.115, diam(X) =
sup(X) − inf(X). Logo, diam(f(X)) = sup(f(X)) − inf(f(X)). Tomando X = I
i
, e
utilizando a nota¸ c˜ao [I
i
[ = ∆x
i
, conclu´ımos que
S(f, P) −I(f, P) =
n

i=1
diam(f(I
i
))[I
i
[.
Pode-se definir a oscila¸ c˜ao de f em X por diam(f(X)).
⋆ TEOREMA 218. (Lebesgue) Seja f limitada em [a, b]. Ent˜ao, f ´e integr´avel em [a, b]
se, e somente se, o conjunto D = ¦x ∈ [a, b] ; f ´e descont´ınua em x¦ tem medida nula.
Demonstra¸c˜ao. Suponha que D tem medida nula .
Como f ´e limitada em [a, b], existe M > 0 tal que
diam(f(J)) ≤ 2M para todo J ⊂ [a, b]. (9.12)
Fixe ε > 0. Como D tem medida nula, existe uma sequˆencia (I
i
)
i∈N
de intervalos abertos
e limitados tal que
D ⊂
_
i∈N
I
i
e

i∈N
[I
i
[ =

i∈N
[I
i
[ ≤
ε
4M
. (9.13)
Como, por defini¸c˜ao de D, f ´e cont´ınua em y ∈ [a, b] ¸ D, fixado ¯ ε =
ε
4(b −a)
, existe
δ
y
> 0 (depende de y pois n˜ao temos continuidade uniforme) tal que
f(B
2δy
(y) ∩ [a, b]) ⊂ B
ε
(f(y)).
2.5. ⋆ CORPOS ARQUIMEDIANOS. 25
DEFINIC¸
˜
AO 44. Uma rela¸c˜ao ≤ num corpo (K, +, ) ´e dita ordem total ou, simplesmente,
ordem se valem as seguintes propriedades.
i. se x ≤ y e y ≤ z, ent˜ao x ≤ z (transitiva).
ii. se x ≤ y e y ≤ x, ent˜ao x = y (antissim´etrica).
iii. ∀x, y ∈ K temos x ≤ y ou y ≤ x (completa).
iv. se x ≤ y, ent˜ao x +z ≤ y +z ∀z ∈ K (adi¸ c˜ao ´e mon´otona).
v. se x ≤ y, ent˜ao x z ≤ y z quando 0 ≤ z e y z ≤ x z quando z ≤ 0 (multiplica¸ c˜ao
´e mon´otona).
Neste caso, dizemos que (K, +, , ≤) ´e um corpo ordenado.
DEFINIC¸
˜
AO 45. Seja (K, +, , ≤) um corpo ordenado e sejam x, y ∈ K. Se x ≤ y, ent˜ao
dizemos que x ´e menor ou igual a y, ou ainda, que y ´e maior ou igual a x e tamb´em
escrevemos y ≥ x. Se x ≤ y e x ,= y, ent˜ao dizemos que x ´e menor que y e escrevemos
x < y, ou ainda, que y ´e maior que x e escrevemos y > x.
DEFINIC¸
˜
AO 46. Sejam (K, +, , ≤) um corpo ordenado e A ⊂ K. Dizemos que A ´e
limitado superiormente pela cota superior s ∈ K se a ≤ s para todo a ∈ A. Caso
contr´ario, A ´e ilimitado superiormente. De modo an´alogo define-se conjunto limitado
inferiormente, cota inferior e conjunto ilimitado inferiormente. Finalmente, A ´e dito
limitado se ele ´e limitado superior e inferiormente. Caso contr´ario, A ´e ilimitado.
DEFINIC¸
˜
AO 47. Sejam (K, +, , ≤) um corpo ordenado e f : A → K. Dizemos que f ´e
limitada superiormente se f(A) ´e limitado superiormente. Analogamente define-se fun¸c˜ao
limitada inferiormente, fun¸c˜ao limitada e fun¸c˜ao ilimitada.
DEFINIC¸
˜
AO 48. Sejam (K, +, , ≤) um corpo ordenado, A ⊂ K e f : A →K.
i. f ´e crescente quando x < y implica que f(x) ≤ f(y).
ii. f ´e decrescente quando x < y implica que f(y) ≤ f(x).
iii. f ´e mon´otona quando ´e crescente ou decrescente.
iv. f ´e estritamente crescente quando x < y implica que f(x) < f(y).
v. f ´e estritamente decrescente quando x < y implica que f(x) > f(y).
vi. f ´e estritamente mon´otona quando ´e estritamente crescente ou estritamente de-
crescente.
2.5 ⋆ Corpos Arquimedianos.
Uma importante propriedade do corpo ordenado (Q, +, , ≤) ´e ser arquimediano. Para
isto, dado um corpo qualquer K com 1 elemento neutro da multiplica¸c˜ao, definimos por
¯
N o
conjunto ¦1, 1 + 1, 1 + 1 + 1, . . .¦.
´
E claro que para K = Q ou R,
¯
N = N.
DEFINIC¸
˜
AO 49. Dizemos que um corpo ordenado (K, +, , ≤) ´e arquimediano se
¯
N ´e um
subconjunto de K ilimitado superiormente, ou seja, para todo x ∈ K existe m ∈
¯
N tal que
x < m.
26 CAP
´
ITULO 2. N
´
UMEROS NATURAIS, INTEIROS E RACIONAIS
De fato, (Q, +, , ≤) ´e arquimediano pois se x ∈ Q, com x > 0, ent˜ao, existem m ∈ Z
e n ∈ N tais que x = m/n. Como x > 0, temos m ∈ N. Conclu´ımos observando que
x = m/n ≤ m < m + 1 ∈ N. Um exemplo de corpo n˜ao-arquimediano ´e o corpo Z
p
com p
primo (veja exerc´ıcio 52, p.33).
2.6 Exerc´ıcios.
2.6.1 Naturais, inteiros e indu¸ c˜ao
=⇒ 1. Prove que o conjunto dos n´umeros primos ´e infinito.
Dica1: Suponha, por absurdo, que N ´e o maior primo. Prove que N! + 1 tamb´em ser´a
primo.
Dica2: Suponha, por absurdo, que exista um n´umero finito de primos. Tome m o MMC
destes n´umeros. Agora m + 1 tamb´em ser´a primo. Prova apresentada por Euclides
1
no livro
IX, proposi¸c˜ao 20. Em particular, isto mostra que nos Elementos de Euclides tˆem, al´em de
Geometria,
´
Algebra.
Obs: Seja π(n) o n´umero de primos menores que n. Provamos que lim
n→∞
π(n) = +∞. Um
problema dif´ıcil (que pertence a teoria anal´ıtica dos n´umeros) ´e estimar π(n) para n grande.
Foi provado em 1896 por Hadamard
2
e Vall´ee-Poussin
3
o teorema dos n´umeros primos:
lim
n→∞
π(n)
n/ log(n)
= 1. Isto mostra que π(n) ≈ n/ log(n) para n grande ([O] p.75).
=⇒ 2. Prove por indu¸c˜ao que
n

i=1
_
0,
1
i
_
´e n˜ao-vazio. Podemos utilizar indu¸c˜ao para concluir
que

i=1
_
0,
1
i
_
´e n˜ao-vazio?
=⇒ 3. Prove por indu¸c˜ao que, para todo n ∈ N:
→(a) n! > 2
n
(para n ≥ 4); (b) 1
2
+ +n
2
= n(n + 1)(2n + 1)/6;
(c) (a −1)
n

i=1
a
i
= a
n+1
−1; =⇒(d) 1
3
+ 2
3
+ +n
3
= (1 + 2 + +n)
2
;
(e) (a +b)
n
=
n

i=0
(
n
i
)a
i
b
n−i
(binˆ omio de Newton).=⇒(f)
1
n
+
1
n + 1
+ +
1
2n

1
2
;
=⇒(g) (1 +a)
n
≥ 1 +na (desigualdade de Bernoulli),
4
com a ≥ −1.
(h)

n <
n

i=1
1

i
para n ≥ 2.
1
Euclides da Alexandria: ⋆ 325 AC, Gr´ecia – † 265 AC, Alexandria, Egito.
2
Jacques Salomon Hadamard: ⋆ 08/12/1865, Versailles, Fran¸ ca – † 17/10/1963, Paris, Fran¸ ca.
3
Charles Jean Gustave Nicolas Baron de la Vall´ee Poussin: ⋆ 14/08/1866, Louvain, B´elgica – † 02/03/1962,
Louvain, B´elgica.
4
Jacques Bernoulli: ⋆ 27/12/1654, Basileia, Su´ı¸ca - † 16/08/1705, Basileia, Su´ı¸ca.
9.6. MEDIDA NULA E TEOREMA DE LEBESGUE. 155
Exemplo 9.7. Seja A = ¦x
1
, . . . , x
m
¦. Dado ε > 0, para cada n ∈ N, definimos
I
n
=
_
x
n

ε
2m
, x
n
+
ε
2m
_
,
se n ≤ m, ou I
n
= ∅, se n > m.
´
E imediato que A ⊂

+∞
n=1
I
n
. Al´em disto,
+∞

n=1
[I
n
[ =
m

n=1
[I
n
[ =
m

n=1
ε
m
= ε.
Portanto, A tem medida nula.
O argumento do pr´ oximo exemplo ´e uma pequena sofistica¸ c˜ao do anterior.
Exemplo 9.8. Seja A = ¦x
1
, x
2
, ¦. Dado ε > 0, para cada n ∈ N, definimos
I
n
=
_
x
n

ε
2
n+1
, x
n
+
ε
2
n+1
_
.
´
E imediato que A ⊂

+∞
n=1
I
n
. Al´em disto,
+∞

n=1
[I
n
[ =
+∞

n=1
ε
2
n
= ε.
Portanto, A tem medida nula.
Podemos adaptar este argumento para provar que na defini¸c˜ao de medida nula podemos
utilizar intervalos fechados.
LEMA 216. (medida nula e intervalos fechados) O conjunto A ⊂ R tem medida nula
se, e somente se, para todo ε > 0, existe uma sequˆencia (I
n
)
n∈N
de intervalos fechados e
limitados tal que (9.11) ´e v´alido com [I[ = b −a se I = [a, b].
Demonstra¸c˜ao. Dado ε > 0 qualquer, podemos substituir cada intervalo fechado I
n
=
[a
n
, b
n
] pelo intervalo aberto J
n
= (a
n

ε
2
n+1
, b
n
+
ε
2
n+1
).
´
E claro que
+∞

n=1
[J
n
[ =
+∞

n=1
[I
n
[ +ε.
Deixamos o leitor completar o resultado.
´
E f´acil perceber que o intervalo [a, b], com a < b, n˜ao tem medida nula (pense nisto). A
demonstra¸ c˜ao mais natural deste fato, na opini˜ao do autor, ´e tediosa, ou ent˜ao, repleta de
afirma¸c˜ oes, sem prova, do tipo “´e f´acil ver que”. Outra demonstra¸ c˜ao menos natural, por´em
mais elegante, ´e indicada no exerc´ıcio 25, p.162.
LEMA 217. (uni˜ao enumer´avel de conjuntos de medida nula tem medida nula) Se
(A
n
)
n∈N
´e uma sequˆencia de conjuntos de medida nula, ent˜ao
+∞
_
n=1
A
n
tem medida nula.
154 CAP
´
ITULO 9. INTEGRAL DE RIEMANN
F em [c, d]. Pela Regra da Cadeia, para todo x ∈ [a, b], temos (F ◦g)

(x) = F

_
g(x)
_
g

(x) =
f
_
g(x)
_
g

(x).
Pelo Teorema Fundamental do C´alculo, temos
F
_
g(b)
_
−F
_
g(a)
_
=
_
g(b)
g(a)
F

(x)dx =
_
g(b)
g(a)
f(x)dx
e
F
_
g(b)
_
−F
_
g(a)
_
= (F ◦ g)(b) −(F ◦ g)(a) =
_
b
a
f
_
g(x)
_
g

(x)dx.
Da´ı segue o resultado.
PROPOSIC¸
˜
AO 214. (integra¸ c˜ao por partes) Sejam f e g fun¸c˜ oes deriv´aveis em [a, b]
com f

e g

integr´aveis. Ent˜ao
_
b
a
f(x)g

(x)dx = f(b)g(b) −f(a)g(a) −
_
b
a
f

(x)g(x)dx.
Demonstra¸c˜ao. Pelo Teorema Fundamental do C´alculo temos
f(b)g(b) −f(a)g(a) =
_
b
a
(fg)

(x)dx =
_
b
a
_
f

(x)g(x) +f(x)g

(x)
_
dx.
O resultado segue da´ı, observando que f

g e fg

s˜ao integr´aveis (Proposi¸c˜ao 203) e usando
a Proposi¸c˜ao 199 (i).
9.6 Medida nula e Teorema de Lebesgue.
J´a vimos que fun¸c˜ oes cont´ınuas s˜ao integr´aveis e comentamos que a integrabilidade est´a
relacionada com a continuidade, ou melhor, com a descontinuidade. De fato, o Teorema de
Lebesgue, que veremos nesta se¸ c˜ao, nos diz que uma fun¸c˜ao f limitada em [a, b] ´e integr´avel
neste intervalo se, e somente se, ela n˜ao ´e “muito” descont´ınua a´ı, ou, em outros termos, se
o conjunto dos pontos de [a, b] onde f ´e descont´ınua ´e “pequeno”.
Come¸camos por precisar o que queremos dizer por “pequeno” no par´agrafo anterior.
DEFINIC¸
˜
AO 215. Dizemos que A ⊂ R tem medida (de Lebesgue) nula se para todo
ε > 0, existe uma sequˆencia (I
n
)
n∈N
de intervalos abertos e limitados tal que
A ⊂
+∞
_
n=1
I
n
e
+∞

n=1
[I
n
[ ≤ ε, (9.11)
sendo que [I[ representa o comprimento do intervalo I, ou seja, [I[ = b −a se I = (a, b).
Conjuntos finitos ou, mais geralmente, enumer´aveis tem medida nula como veremos nos
dois exemplos a seguir.
2.6. EXERC
´
ICIOS. 27
(i)
n

i=1
i i! = (n + 1)! −1 para n ≥ 1.
4. Seja f
0
(x) = x/(x + 1) e f
n
definida de forma indutiva por f
n
(x) = f
0
(f
n−1
(x)). Prove
que f
n
(x) = x/((n + 1)x + 1).
⋆ 5. (extra) Os axiomas de Peano que definem N podem ser apresentados da seguinte
forma: Seja A um conjunto e s : A → A uma fun¸c˜ao injetiva (a fun¸c˜ao sucessor) com
A−s(A) = ¦a¦ (conjunto unit´ario) e A =

_
n=0
s
(n)
(a). Ent˜ao este A ser´a o N. Prove que:
(a) se eliminarmos a condi¸c˜ao A−s(A) unit´ario ent˜ao A pode ser um conjunto finito;
(b) podemos substituir a condi¸c˜ao A −s(A) unit´ario pela existˆencia de um ´unico a ∈ A
tal que A =

_
n=0
s
(n)
(a);
(c) se a n˜ao for ´unico ent˜ao A ser´a finito;
Defina a opera¸ c˜ao bin´aria (soma) + : AA → A por m, n ∈ A: i. m+a = m e
ii. m +s(n) = s(m+n).
(d) Prove que a soma est´a definida para todos elementos de A. Prove que a + m = m
para todo m ∈ A. Pode-se provar que a soma ´e associativa e comutativa.
2.6.2 Cardinalidade
6. Seja X ⊂ N infinito. Prove que existe uma ´unica bije¸c˜ao crescente f : N → X.
=⇒ 7. Prove que se A
1
e A
2
s˜ao enumer´aveis, ent˜ao A
1
A
2
´e enumer´avel. Prove, por indu¸c˜ao,
que se A
1
, . . . , A
n
s˜ao enumer´aveis, ent˜ao A
1
A
n
´e enumer´avel.
=⇒ 8. Prove que T(N; N) ´e n˜ao-enumer´avel.
Dica1: (argumento diagonal de Cantor da Proposi¸ c˜ao 38, p.20) Dada Φ : N →
T(N; N), construa uma f
Φ
∈ T(N; N) que n˜ao esteja na imagem de Φ (por exemplo com
f
Φ
(i) ,= (Φ(i))(i) para todo i.
Dica2: ¦0, 1¦ ⊂ N, exerc´ıcio 30, p.13 e exerc´ıcio 31(c), p.13.
9. Suponha que X ,= ∅ e #Y > 1. Prove que #X < #T(X; Y ).
Dica: ver Dica1 do exerc´ıcio anterior.
→ 10. Suponha que X ,= ∅. Prove que #X < #T(X).
Dica: Argumento diagonal de Cantor da Proposi¸c˜ao 38, p.20 e tricotomia da cardinali-
dade (exerc´ıcio 36, p.30). Conclu´ımos que existem infinitas cardinalidades infinitas: #X <
#T(X) < #T(T(X)) etc.
→ 11. Seja A um conjunto infinito enumer´avel. Prove que o conjunto ¦B ∈ T(A); #B <
#N¦ ´e enumer´avel. Note que T(A) ´e n˜ao-enumer´avel!
12. Use a Proposi¸c˜ao 39 para provar, de maneira diferente do Exemplo 2.4, que Z ´e
enumer´avel.
28 CAP
´
ITULO 2. N
´
UMEROS NATURAIS, INTEIROS E RACIONAIS
=⇒ 13. (Q ´e enumer´avel) Defina A
j
= ¦m/n; m ∈ Z, n ∈ N com [m[ + n = j¦ para cada
j ∈ N. Prove que:
(a) #A
j
= 2j −1; (b) Q =
_
j∈N
A
j
; (c) Q ´e enumer´avel.
Obs: Definindo a norma de q = m/n por [m[ + [n[ (chamado de norma l
1
), A
j
´e um
“c´ırculo” de raio j.
=⇒ 14. Baseado no exerc´ıcio anterior, escreva um programa de computador que imprima todos
os n´umeros racionais.
15. Sejam X e Y conjuntos finitos. Prove que:
(a) #(X ∪ Y ) = #X + #Y −#(X ∩ Y ); (b) #(X Y ) = #X #Y ;
(c) #T(X) = 2
#X
; (d) #T(X; Y ) = #Y
#X
;
(e) o conjunto das bije¸c˜ oes de X em X possui (#X)! elementos.
→ 16. Seja A ⊂ R
2
tal que a distˆancia d(x, y) ∈ Q para todo x, y ∈ A. Prove que A ´e
enumer´avel (ou finito). O resultado continua v´alido para A ⊂ R
n
? ([T] p.13 no.5.35)
Dica: fixe 3 pontos n˜ao-colineares de A e escolha sistema de coordenadas.
17. Construa uma bije¸c˜ao de N N em N tomando d´ıgitos de forma intercalada: (por
exemplo f(13, 24) = (1234), e de forma geral, f(a
k
a
0
, b
k
b
0
) = a
k
b
k
a
1
b
1
a
0
b
0
).
=⇒ 18. Prove que se X ´e finito e Y ´e enumer´avel ent˜ao T(X; Y ) ´e enumer´avel ([L] p.45 no.20).
Generalizado no exerc´ıcio 33, p.29
19. Considere X ⊂ T(N; N) o conjunto das fun¸c˜ oes que valem 1 em todos os pontos menos
num conjunto finito. Portanto se f ∈ X ent˜ao f(x) = 1 para todo x ∈ N a menos de
um conjunto finito (ou ainda, gastando nota¸ c˜ao de teoria de conjuntos, f
−1
(¦1¦

) ´e finito).
Prove que X ´e enumer´avel (adaptado de [L] p.45 no.20).
♯ 20. (dif´ıcil) Defina f : N → N tal que para todo n ∈ N, f
−1
(n) seja infinito ([L] p.44
no.15).
Dica: Decomponha em fatores primos.
=⇒ 21. Um conjunto X ´e infinito se, e somente se, existe uma bije¸c˜ao dele com uma parte
pr´ opria Y ⊂ X, Y ,= X.
Obs: Esta foi a defini¸c˜ao dada por Dedekind para conjunto infinito.
22. Considere o conjunto das sequˆencias de inteiros n˜ao-negativos ¦(n
i
); n
i
∈ Z, n
i
≥ 0¦.
Determine se ´e enumer´avel o subconjunto das sequˆencias:
(a) que s˜ao zero a partir de um certo termo ([T] p.13 no.5.29);
(b) que s˜ao decrescentes (n
1
≥ n
2
≥ n
3
≥ ≥ 0);
(c) que s˜ao estritamente crescentes (n
1
< n
2
< n
3
< ) ([L] p.45 no.26).
23. Construa uma bije¸c˜ao entre (−1, 1) e R. Note que existe uma bije¸c˜ao (simples) entre
S
1
−¦N¦ (circunferˆencia sem um ponto) e (−1, 1).
→ 24. Construa uma bije¸c˜ao entre S
2
−¦N¦ (esfera sem o polo norte) e R
2
.
Dica: proje¸c˜ao estereogr´afica.
=⇒ 25. Considere os intervalos (0, 1] e (0, 1).
9.5. MUDANC¸A DE VARI
´
AVEIS E INTEGRAC¸
˜
AO POR PARTES. 153
TEOREMA 212. O n´umero π
2
´e irracional e, portanto, π tamb´em ´e.
Demonstra¸c˜ao. Suponhamos, por absurdo, que existem p, q ∈ N tais que π
2
= p/q.
No Exemplo 4.17, p.67, vimos que p
n
/n! → 0 quando n → +∞. Assim, podemos escolher
n ∈ N, suficientemente grande, para que p
n
/n! < 1/π.
Seja f o polinˆomio de grau 2n do lema anterior e considere as fun¸c˜ oes F e G definidas,
para cada x ∈ R, por
F(x) = q
n
_
π
2n
f(x) −π
2n−2
f
(2)
(x) + + (−1)
n−1
π
4
f
(2n−2)
(x) + (−1)
n
π
2
f
(2n)
(x)
_
G(x) = F

(x) sen(πx) −πF(x) cos(πx).
Para k ∈ ¦1, . . . , n¦, temos que q
n
π
2k
= q
n−k
p
n
∈ N. Disto e do lema anterior, con-
clu´ımos que F(0), F(1) ∈ Z. Tamb´em temos G(0) = −πF(0) e G(1) = πF(1).
Derivando G uma vez e F duas vezes, obtemos
G

(x) = F
′′
(x) sen(πx) +πF

(x) cos(πx) −πF

(x) cos(πx) +πF(x) sen(πx),
=
_
F
′′
(x) +π
2
F(x)
_
sen(πx),
F
′′
(x) = q
n
_
π
2n
f
(2)
(x) −π
2n−2
f
(4)
(x) + + (−1)
n−1
π
4
f
(2n)
(x)
_
= −π
2
q
n
_
−π
2n−2
f
(2)
(x) +π
2n−4
f
(4)
(x) + + (−1)
n
π
2
f
(2n)
(x)
_
= −π
2
_
F(x) −q
n
π
2n
f(x)
_
= −π
2
F(x) +π
2
p
n
f(x).
Portanto, G

(x) = π
2
p
n
f(x) sen(πx). Segue do Primeiro Teorema Fundamental do C´alculo
que
π
_
1
0
p
n
f(x) sen(x)dx =
G(1) −G(0)
π
= F(1) +F(0) ∈ Z.
Por outro lado,
0 < π
_
1
0
p
n
f(x) sen(x)dx ≤
πp
n
n!
< 1.
Ou seja, F(0) +F(1) ∈ Z ∩ (0, 1) = ∅. Absurdo!
9.5 Mudan¸ca de vari´aveis e integra¸c˜ao por partes.
PROPOSIC¸
˜
AO 213. (mudan¸ ca de vari´avel) Seja g deriv´avel em [a, b] com g

integr´avel
neste intervalo. Se f ´e cont´ınua em g
_
[a, b]
_
, ent˜ao
_
g(b)
g(a)
f(x)dx =
_
b
a
f
_
g(x)
_
g

(x)dx.
Demonstra¸c˜ao. A fun¸c˜ao f ´e cont´ınua e, portanto, integr´avel. Tamb´em ´e integr´avel o
produto das fun¸c˜ oes integr´aveis f ◦ g e g

(observe que f ◦ g ´e cont´ınua).
Pelos Teoremas de Weierstrass (Corol´ario 159, p.110) e do Valor Intermedi´ario (Teo-
rema 154, p.109), temos que g
_
[a, b]
_
´e o intervalo fechado [c, d], sendo c e d, respectiva-
mente, os valores m´ınimo e m´aximo de g em [a, b]. Assim, a fun¸c˜ao cont´ınua f tem primitiva
152 CAP
´
ITULO 9. INTEGRAL DE RIEMANN
O Corol´ario 209 diz que se f ∈ C
_
[a, b]
_
, ent˜ao F ´e uma primitiva de f em [a, b].
Observa¸c˜ao 9.2 Embora a integral de fun¸c˜ao cont´ınua sempre exista, F(x) =
_
x
0
exp(−s
2
)ds n˜ao pode ser expresso por meio de fun¸c˜ oes elementares (sen, cos, etc.).
Existe uma teoria an´aloga (Abel) `a teoria de Galois para integrais que determina quando
uma fun¸c˜ao possui primitiva expressa por meio de fun¸c˜ oes elementares.
A teoria de Galois determina quando a raiz de um polinˆomio pode ser expressa por meio
de opera¸ c˜ oes elementares (soma, multiplica¸c˜ao, divis˜ao, ra´ızes, etc.).
9.4 ⋆ A constante π.
Nesta se¸ c˜ao mostraremos que a constante π ´e irracional. Para cumprir esta tarefa ´e,
obviamente, necess´ario definir π. Ora, todos sabem que π ´e a raz˜ao entre o comprimento da
circunferˆencia e seu diˆametro. Por´em, estes s˜ao conceitos geom´etricos e necessitamos de uma
defini¸c˜ao anal´ıtica. Da mesma forma, precisamos de defini¸c˜ oes anal´ıticas para as principais
fun¸c˜ oes trigonom´etricas: seno e cosseno.
Na Se¸ c˜ao 10.6, p.176 apresentaremos as defini¸c˜ oes anal´ıticas das fun¸c˜ oes seno e cosseno
(Defini¸c˜ao 240) e da constante π (Defini¸c˜ao 244). Por hora, apenas citamos algumas destas
propriedades que ser˜ao utilizadas na prova da irracionalidade de π. S˜ao elas.
i. As fun¸c˜ oes sen e cos s˜ao deriv´aveis com sen

= cos e cos

= −sen;
ii. sen(0) = sen(π) = 0 e cos(0) = −cos(π) = 1.
iii. 0 ≤ sen(x) ≤ 1 para todo x ∈ [0, π];
A demonstra¸ c˜ao ´e devida, essencialmente, a Charles Hermite.
1
Ela ´e t˜ao surpreendente
que come¸ ca por um lema que, aparentemente, n˜ao tem rela¸c˜ao com o problema!
LEMA 211. Dado n ∈ N, seja f : R →R dada por f(x) =
x
n
(1−x)
n
n!
∀x ∈ R; Temos:
i. 0 < f(x) < 1/n! para todo x ∈ [0, 1];
ii. existem c
n
, c
n+1
, . . . , c
2n
∈ Z tais que
f(x) =
1
n!
_
c
n
x
n
+c
n+1
x
n+1
+ +c
2n
x
2n
_
∀x ∈ R;
iii. dado k ∈ N temos f
(k)
(0), f
(k)
(1) ∈ Z.
Demonstra¸c˜ao. (i) Trivial.
(ii) Basta observar que x
n
(1 −x)
n
´e um polinˆomio em x, de coeficientes inteiros, grau 2n
e m´ultiplo de x
n
.
(iii) As derivadas at´e a ordem n − 1 s˜ao polinˆomios m´ultiplos de x, logo, se anulam em
x = 0. As derivadas de ordem superior a 2n s˜ao identicamente nulas. Logo, f
(k)
(0) ∈ Z para
k < n ou k > 2n. Para n ≤ k ≤ 2n, temos que f
(k)
(0) = k!c
k
/n! ∈ Z. Finalmente, como
f(x) = f(1 −x) temos f
(k)
(x) = (−1)
(k)
f(1 −x), logo, f
(k)
(1) = (−1)
k
f
(k)
(0) ∈ Z.
1
Charles Hermite: ⋆ 24/12/1822, Dieuze, Fran¸ ca - † 14/01/1901, Paris, Fran¸ ca.
2.6. EXERC
´
ICIOS. 29
(a) prove que existe uma bije¸c˜ao entre eles utilizando o Teorema 36 (Cantor-Bernstein-
Schr¨ oder);
(b) construa uma bije¸c˜ao entre eles (note que a existˆencia ´e mais f´acil do que a constru¸c˜ao).
Dica1: Defina f : (0, 1] → (0, 1) por: f(1) = 1/2, f(1/2) = 1/3, f(1/3) = 1/4, etc.
Nos outros pontos, f ´e a identidade.
Dica2: Aplique a demonstra¸ c˜ao do teorema de Cantor-Bernstein-Schr¨ oder (caminho dif´ıcil).
26. Construa uma bije¸c˜ao entre (0, 1) e (0, 1) ∪ ¦1, 2, . . . , k¦.
Dica: exerc´ıcio anterior.
=⇒ 27. Construa uma bije¸c˜ao entre (0, 1) e (0, 1) ∪ N.
Dica: exerc´ıcio anterior.
→ 28. Prove que o conjunto dos c´ırculos no plano com raio racional e com centro com
coordenadas racionais ´e enumer´avel ([T] p.13 no.5.26).
→ 29. Considere os seguintes subconjuntos do plano (R
2
):
A = ¦(x, y); x
2
+y
2
< 1¦ (disco aberto), B = ¦(x, y); x
2
+y
2
≤ 1¦ (disco fechado),
C = ¦(x, y); 0 < x
2
+y
2
< 1¦ (disco furado), D = ¦(x, y); 1/2 < x
2
+y
2
< 1¦ (anel
aberto).
Construa bije¸c˜ oes entre cada um deste conjuntos.
=⇒ 30. Aqui generalizamos os resultados apresentados na sequˆencia de exerc´ıcios anteriores.
Considere X um conjunto infinito e Y ⊂ X finito. Prove que:
(a) #X = #(X −Y ); (b) #X = #(X ∪ N).
Dica: Extraia de X um subconjunto com cardinalidade igual a N. Note que usando (a)
podemos provar (b).
=⇒ 31. Prove que um conjunto qualquer B ⊂ T(R) de intervalos n˜ao-degenerados (n˜ao pode
ter comprimento zero) disjuntos dois a dois ´e enumer´avel ([T] p.13 no.5.26).
Dica: Use enumerabilidade de Q para montar fun¸c˜ao injetiva de B em Q.
♯ 32. (dif´ıcil) Se X e Y s˜ao conjuntos infinitos ent˜ao:
(a) #(X X) = #X; (b) #(X ∪ Y ) = max(#X, #Y ).
Dica:
´
E surpreendentemente dif´ıcil. Precisamos de mais teoria do que aprendemos. Po-
demos fazer por indu¸c˜ao transfinita. Remeto os curiosos para [Ha].
Obs: Este exerc´ıcio generaliza o fato que #(N
k
) = #(N). Implica que #(C) = #(R
2
) =
#(R
3
) = #(R). Veja exerc´ıcio 28, p.51.
♯ 33. (dif´ıcil) Prove que se X ´e infinito e A finito com #A = N ent˜ao #T(A; X) = #X.
Dica: Use exerc´ıcio 31(b), p.13 para provar que #T(A; X) = #(X
N
) e exerc´ıcio 32, p.29
(a).
♯ 34. (dif´ıcil) Suponha que A ´e infinito. Prove que possuem a mesma cardinalidade:
(a) T(A; A); (b) T(A); (c) T(A, T(A)).
Dica: Use p´agina 13: exerc´ıcios 33, 30 e 31(c) e exerc´ıcio 32 (a).
Obs: Isto mostra que n˜ao obtemos cardinalidades mais altas tomando conjunto de fun¸c˜ oes.
De fato, a forma de aumentar a cardinalidade ´e tomando conjunto das partes.
30 CAP
´
ITULO 2. N
´
UMEROS NATURAIS, INTEIROS E RACIONAIS
♯ 35. (dif´ıcil) Suponha que A ou B ´e infinito (caso contr´ario ´e exerc´ıcio de combinat´ oria
calcular cardinalidade). Prove que:
(a) se #B = 1 ent˜ao #T(A; B) = #A;
(b) Se #B > 1 ent˜ao #T(A; B) = max(#T(A), #B).
Dica: Item (a) ´e f´acil. Para o item (b) existem dois casos. Se #T(A) ≥ #B use dicas
do exerc´ıcio anterior. Se #T(A) < #B temos dois casos. Se A for finito use exerc´ıcio
no. 33. Se A for infinito (B tamb´em ser´a infinito) use hip´ otese do cont´ınuo generalizado:
#B = #T
(k)
(A) para algum k ∈ N. Defina C = T
(k−1)
(A). Conclua que #T(A; B) =
#T(A; T(C)). Usando exerc´ıcio anterior e suas dicas podemos limitar #T(A; T(C)) por
#T(C) = #B. Por outro lado #B = #T(¦1¦; B) ≤ #T(A; B).
♯ 36. (dif´ıcil) Dados A e B dois conjuntos, ent˜ao ´e verdade que (tricotomia da cardinali-
dade): #A = #B ou #A > #B ou #A < #B.
Obs: Precisamos do lema da boa ordena¸ c˜ao (teoria dos conjuntos) como em [Ha].
⋆ 37. (extra) Considere X
0
e F definidos na demonstra¸ c˜ao do Teorema 36 (Cantor-Bernstein-
Schr¨ oder) na p. 18. Defina Z
0

+∞
_
i=0
F
i
(∅).
(a) Prove que Z
0
´e ponto fixo de F.
(b) Prove que X
0
´e o maior e Z
0
´e o menor ponto fixo de F, ou seja: • F(X
0
) = X
0
,
• F(Z
0
) = Z
0
, e • se F(Y
0
) = Y
0
(Y
0
´e ponto fixo de F), ent˜ao Z
0
⊂ Y
0
⊂ X
0
.
(c) Prove que F(X) = (g ◦ f)(X) ∪ g(B)

.
(d) Prove que (o menor ponto fixo de F) Z
0
=
+∞
_
i=0
(g◦f)
(i)
[g(B)

]. Note que esta f´ormula
´e bem mais f´acil de calcular do que a dada originalmente para X
0
.
(e) Utilize a f´ormula em (d) para explicitar uma bije¸c˜ao entre [0, 1] e (0, 1).
Dica: (a) siga prova de C-S-B; (b) ∅ ⊂ Y
0
⊂ A. Aplique F
n
em todos os termos.
(c) use fato que se h ´e injetiva, h(X − Y ) = h(X) − h(Y ). (d) Verifique que F
(i)
(∅) =
i−1
_
n=0
(g ◦ f)
(n)
[g(B)

].
OBS 1: Existe um argumento informal que Z
0
definido pelo item (d) ´e o menor ponto
fixo. Elementos que n˜ao est˜ao na imagem de g (isto ´e, elementos de g(B)

) tem que estar em
Z
0
pois s´o poder˜ao ir para B com f (imposs´ıvel ir com g
−1
!). Consequentemente, elementos
de g(f(g(B)

)) s´o poder˜ao ir para B com f (Porque n˜ao poder˜ao ir para B com g
−1
?).
Prosseguindo de forma indutiva chegaremos ao conjunto Z
0
.
OBS 2: Existe uma demonstra¸ c˜ao de C-S-B aparentemente diferente que pode ser vista
em Halmos (Naive Set Theory). Ela utiliza a linguagem de descendentes e ancestrais de
elementos para particionar A em trˆes partes (disjuntas) de acordo com a origem da “fam´ılia”
do elemento: A
A
, A
B
, A

. Ficar´a claro numa leitura atenta que: A
A
= Z
0
(o menor ponto
fixo) e A
A
∪ A

= X
0
(o maior ponto fixo).
Assim como A
A
= Z
0
(menor ponto fixo) ´e mais f´acil de se calcular que X
0
, B
B
tamb´em
´e mais f´acil, bastando inverter papel de f e g no item (d): B
B
=
+∞
_
i=0
(f ◦ g)
(i)
[f(A)

]. Como
9.3. TEOREMAS FUNDAMENTAIS DO C
´
ALCULO. 151
Demonstra¸c˜ao. Sejam x, y ∈ [a, b] com y < x. Seja ainda M ∈ R tal que [f(s)[ ≤ M para
todo s ∈ [a, b]. Temos
[F(x) −F(y)[ =
¸
¸
¸
¸
_
x
a
f(s)ds −
_
y
a
f(s)ds
¸
¸
¸
¸
=
¸
¸
¸
¸
_
x
a
f(s)ds +
_
a
y
f(s)ds
¸
¸
¸
¸
=
¸
¸
¸
¸
_
x
y
f(s)ds
¸
¸
¸
¸

_
x
y
[f(s)[ds ≤
_
x
y
Mds = M[x −y[.
Isto demonstra a primeira parte do teorema.
Suponhamos que f seja cont´ınua em x
0
. Dado ε > 0, tomemos δ > 0 tal que
s ∈ [a, b] e [s −x
0
[ < δ =⇒ [f(s) −f(x
0
)[ < ε.
Assim, para todo x ∈ [a, b], com 0 < [x −x
0
[ < δ, temos
F(x) −F(x
0
)
x −x
0
=
1
x −x
0
__
x
a
f(s)ds −
_
x0
a
f(s)ds
_
=
1
x −x
0
_
x
x0
f(s)ds.
Subtraindo f(x
0
) na equa¸ c˜ao anterior e observando que
f(x
0
) =
1
x −x
0
_
x
x0
f(x
0
)ds,
obtemos
¸
¸
¸
¸
F(x) −F(x
0
)
x −x
0
−f(x
0
)
¸
¸
¸
¸
=
¸
¸
¸
¸
1
x −x
0
_
x
x0
f(s)ds −
1
x −x
0
_
x
x0
f(x
0
)ds
¸
¸
¸
¸
=
¸
¸
¸
¸
1
x −x
0
_
x
x0
_
f(s) −f(x
0
)
_
ds
¸
¸
¸
¸

1
x −x
0
_
x
x0
[f(s) −f(x
0
)[ds

1
x −x
0
_
x
x0
εds = ε.
Da´ı segue o resultado.
COROL
´
ARIO 209. Sejam f ∈ C
_
[a, b]
_
, c ∈ R e F : [a, b] →R dada por
F(x) = c +
_
x
a
f(s)ds ∀x ∈ [a, b].
Ent˜ao F

= f.
Demonstra¸c˜ao. Trivial.
DEFINIC¸
˜
AO 210. Se F ´e deriv´avel em [a, b] com F

= f, ent˜ao dizemos que F ´e uma
primitiva, antiderivada ou integral indefinida de f em [a, b].
150 CAP
´
ITULO 9. INTEGRAL DE RIEMANN
9.3 Teoremas Fundamentais do C´alculo.
TEOREMA 207. (TFC: integral da derivada) Se F ´e deriv´avel em [a, b], e f = F

´e
integr´avel em [a, b], ent˜ao
F(b) −F(a) =
_
b
a
f(x)dx.
Demonstra¸c˜ao. Seja P = ¦x
0
, . . . , x
n
¦, parti¸ c˜ao de [a, b], qualquer. Temos
F(b) −F(a) = F(x
n
) −F(x
0
) =
n

i=1
_
F(x
i
) −F(x
i−1
)
¸
.
Para cada i ∈ ¦1, . . . , n¦, aplicando o Teorema do Valor M´edio a F em [x
i−1
, x
i
], obtemos a
existˆencia de y
i
∈ (x
i−1
, x
i
) tal que F(x
i
) − F(x
i−1
) = F

(y
i
)(x
i
− x
i−1
). Substituindo na
rela¸c˜ao acima obtemos
F(b) −F(a) =
n

i=1
F

(y
i
)(x
i
−x
i−1
) =
n

i=1
f(y
i
)∆x
i
.
Como y
i
∈ (x
i−1
, x
i
), temos inf(f(I
i
)) ≤ f(y
i
) ≤ sup(f(I
i
)). Portanto,
I(f; P) ≤ F(b) −F(a) ≤ S(f; P).
Tomando sup do lado esquerdo e inf do lado direito,
sup I(f, P) ≤ F(b) −F(a) ≤ inf S(f, P).
Como f ´e integr´avel, os extremos valem a mesma coisa:
_
b
a
f(x)dx. Conclu´ımos o resultado
pois
_
b
a
f(x)dx ≤ F(b) −F(a) ≤
_
b
a
f(x)dx.
Cuidado! O teorema anterior n˜ao diz que se F ´e deriv´avel, ent˜ao f = F

´e integr´avel. De
fato, Volterra
1
[Vo] encontrou um exemplo de fun¸c˜ao deriv´avel com derivada limitada, por´em,
n˜ao integr´avel.
TEOREMA 208. (TFC: derivada da integral) Se f ´e integr´avel em [a, b], ent˜ao F :
[a, b] →R definida por
F(x) =
_
x
a
f(s)ds ∀x ∈ [a, b].
´e Lipschitz cont´ınua. Al´em disto, se f ´e cont´ınua em x
0
∈ [a, b], ent˜ao F ´e deriv´avel em x
0
e F

(x
0
) = f(x
0
).
1
Vito Volterra: ⋆ 03/05/1860, Ancona, It´alia - † 11/10/1940, Roma, It´alia.
2.6. EXERC
´
ICIOS. 31
g(B
B
) = A
B
e A

B
= A
A
∪ A

= X
0
(maior ponto fixo) ´e mais dif´ıcil de ser calculado pela
f´ormula original, podemos calcular mais facilmente por
X
0
=
_
g
_
+∞
_
i=0
(f ◦ g)
(i)
[f(A)

]
__

.
OBS 3: Esta prova utilizando ponto fixo ´e caso particular do Teorema do ponto fixo para
reticulados (em inglˆes lattices) de Tarski-Davis.
OBS 4: Se A = B, f = g = Id, A
A
= A
B
= ∅ e A

= A: menor atrator ´e o ∅, maior
´e o A.
2.6.3 Racionais
=⇒ 38. Seja (K, +, , ≤) um corpo ordenado.
(a) Prove que 0 ≤ x x para todo x ∈ K e conclua que 0 < 1.
(b) Prove que se 0 ≤ x, ent˜ao −x ≤ 0 e conclua que −1 < 0. (Aten¸ c˜ao: desigualdade
estrita).
=⇒(c) Diga porque ´e imposs´ıvel definir uma rela¸c˜ao de ordem no conjunto dos complexos de
modo que (C, +, , ≤) seja um corpo ordenado.
Sugest˜ao: Em 38(a) considere separadamente os casos 0 ≤ x e x ≤ 0 e utilize a
monotonia de ≤ para a multiplica¸c˜ao. Em 38(b) use a monotonia de ≤ para a adi¸c˜ao. Em
38(c) use 38(a) e 38(b) e considere x = i.
39. Seja f : A → B uma fun¸c˜ao crescente e decrescente ao mesmo tempo. Prove que f ´e
constante, i.e., f(x) = f(y) quaisquer que sejam x, y ∈ A.
⋆ 40. (extra) Prove que um n´umero possui d´ızima com m > 0 termos na parte n˜ao-peri´odica
se, e somente se, o denominador da fra¸c˜ao irredut´ıvel possui fator 2
m
ou 5
m
mas n˜ao possui
fator 2
m+1
nem 5
m+1
.
⋆ 41. (extra) Seja α = m/n ∈ Qcomm, n ∈ N uma fra¸c˜ao positiva irredut´ıvel (MDC(m, n) =
1). Prove que s˜ao equivalentes:
(a) α possui expans˜ao decimal finita; (b) 10
s
´e m´ultiplo de n para algum s ∈ N;
(c) n = 2
α
5
β
.
⋆ 42. (extra) Formule (e resolva) um exerc´ıcio semelhante ao anterior por´em para expans˜ao
de α na base 6. E na base k?
♯ 43. (dif´ıcil) Prove que qualquer racional positivo pode ser escrito como a soma finita de
n´umeros distintos da forma 1/n com n ∈ N ([Sp] p.411 no.22). Um corol´ario ´e que a s´erie
harmˆonica (veja p´agina 65) diverge.
Dica: se p/q estiver estritamente entre 1/n e 1/(n + 1) ent˜ao o numerador de p/q −
1/(n + 1) ´e menor que p.
♯ 44. (dif´ıcil) (teoria da expans˜ao decimal, vide [O] p.319 e [Hd]) Seja m/n ∈ Q com m, n ∈ N
uma fra¸c˜ao positiva irredut´ıvel, isto ´e, MDC(m, n) = 1. Sejam s, p ∈ N m´ınimos com p ≥ 1
32 CAP
´
ITULO 2. N
´
UMEROS NATURAIS, INTEIROS E RACIONAIS
tais que 10
s+p
− 10
s
´e m´ultiplo de n. Ent˜ao a expans˜ao decimal de m/n possui uma d´ızima
peri´odica de per´ıodo p que come¸ ca ap´ os s d´ıgitos `a direita da casa decimal.
Mais ainda, se n = 2
α
5
β
Q com MDC(Q, 10) = 1 ent˜ao s = max(α, β).
Obs: Como consequˆencia, a caracter´ıstica da d´ızima de m/n depende SOMENTE de n.
Podemos calcular a tabela abaixo. Assim, por exemplo, se n = 3, toda fra¸c˜ao m/3 irredut´ıvel
possuir´a d´ızima peri´odica come¸ cando imediatamente ap´ os a casa decimal (s = 0) com per´ıodo
1 (p = 1). Se n = 18 toda fra¸c˜ao m/18 irredut´ıvel possuir´a d´ızima peri´odica come¸ cando ap´os
uma (s = 1) casa decimal com per´ıodo 1 (p = 1). Quando a expans˜ao decimal ´e finita (1/2
por exemplo) podemos interpretar como uma d´ızima com o algarismo 0 se repetindo (p = 1).
n 2 3 4 5 6 7 8 9 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20
s 1 0 2 1 1 0 3 0 0 2 0 1 1 4 0 1 0 2
p 1 1 1 1 1 6 1 1 2 1 6 6 1 1 16 1 18 1
Obs: Esta teoria pode ser facilmente generalizada para outras bases. Basta modificar o
10 que aparece acima pela outra base.
Obs: Podemos determinar s e p do seguinte modo. Calcule 10
i
mod n (resto da divis˜ao
por n) para i = 0, 1, 2, . . . , n. Como s˜ao no m´aximo n restos distintos (0 at´e n − 1), eles
se repetir˜ao. Isto ´e, existem 0 ≤ s < j ≤ n tais que 10
j
mod n = 10
s
mod n. Portanto,
tomando p = j −s, teremos que 10
s+p
−10
s
mod n = 0.
⋆ 45. (extra) Dado um corpo K qualquer existe um conjunto M ⊂ K homeomorfo a Z, isto
´e, existe f : M→Z tal que f preserva as opera¸ c˜ oes de soma e produto.
Dica: Identifique o elemento neutro da soma com o 0, o neutro do produto com 1 e
obtenha os outros elementos de M atrav´es da soma (ou subtra¸c˜ao) do elemento identidade
do produto.
⋆ 46. (extra) Prove a unicidade de 1 a partir de sua existˆencia e da comutatividade da
multiplica¸c˜ao, ou seja, prove que se a opera¸ c˜ao ´e comutativa em K e existe x ∈ K tal que
x y = y qualquer que seja y ∈ K, ent˜ao ele ´e ´unico.
⋆ 47. (extra) Prove a unicidade do inverso de x ∈ K − ¦0¦ a partir de sua existˆencia e da
comutatividade da opera¸ c˜ao de multiplica¸c˜ao.
⋆ 48. (extra) Sejam (K, +, ) um corpo e x, y ∈ K. Prove que
(a) x 0 = 0; (b) (−x) y = −(x y); (c) (−x) (−y) = x y.
Dica: (a) use 0 = 0 + 0; (b) use (a); (c) use (b) duas vezes.
⋆ 49. (extra) Seja (K, +, , ≤) um corpo ordenado. Sejam x, y ∈ K. Prove que
(a) se x < 0, ent˜ao x
−1
< 0; (b) se 0 < x < y, ent˜ao 0 < y
−1
< x
−1
.
(c) se x ≥ 0 e y ≤ 0, ent˜ao x y ≤ 0; (d) se x < 0 e y < 0, ent˜ao x y > 0.
⋆ 50. (extra) Sejam (K, +, , ≤) um corpo ordenado e x, y, z ∈ K. Prove que
(a) se x < y, ent˜ao x +z < y +z;
(b) se x < y, ent˜ao x z < y z quando 0 < z e y z < x z quando z < 0.
⋆ 51. (extra) Para cada K definido abaixo, determine se ´e corpo e, neste caso, determine a
f´ormula do inverso aditivo e do inverso multiplicativo:
(a) K = ¦a +b

2; a, b ∈ Q¦; (b) K = ¦a +b

n; a, b ∈ Q¦, com n ∈ N;
9.2. INTEGRAL E PROPRIEDADES. 149
Somando, obtemos
_
c
a
f(x)dx +
_
b
c
f(x)dx −2ε ≤ I(f; P
1
) +I(f; P
2
) ≤ S(f; P
1
) +S(f; P
2
)

_
c
a
f(x)dx +
_
b
c
f(x)dx + 2ε.
Portanto, para P = P
1
∪ P
2
, temos
_
c
a
f(x)dx +
_
b
c
f(x)dx −2ε ≤ I(f; P) ≤ S(f; P) ≤
_
c
a
f(x)dx +
_
b
c
f(x)dx + 2ε.
Segue da´ı que S(f; P) −I(f; P) ≤ 4ε. Conclu´ımos que f ´e integr´avel em [a, b]. Al´em disto,
da rela¸c˜ao acima obtemos,
_
c
a
f(x)dx +
_
b
c
f(x)dx −2ε ≤
_
b
a
f(x)dx ≤
_
c
a
f(x)dx +
_
b
c
f(x)dx + 2ε.
Terminamos a demonstra¸ c˜ao tomando o limite ε → 0.
Seja f uma fun¸c˜ao limitada e integr´avel em [0, b]. Se 0 < a < b, ent˜ao, pela proposi¸c˜ao
anterior,
_
b
0
f(x)dx =
_
a
0
f(x)dx +
_
b
a
f(x)dx. (9.10)
Do resultado obtido no Exemplo 9.3 obtemos que (9.10) tamb´em vale para a = 0 ou a = b.
Suponhamos agora que 0 < b < a. Neste caso, (9.10) perde o sentido pois o segundo termo
do lado direito n˜ao est´a definido. Entretanto, se f ´e limitada e integr´avel em [0, a], ent˜ao,
novamente pela proposi¸c˜ao anterior, podemos dizer que
_
b
0
f(x)dx =
_
a
0
f(x)dx −
_
a
b
f(x)dx.
Comparando a igualdade acima com (9.10) conclu´ımos que s´ o existe uma forma de definir
a integral de a at´e b, com b < a, para que (9.10) fa¸ca sentido. Esta ´e a motiva¸c˜ao para a
pr´ oxima defini¸c˜ao.
DEFINIC¸
˜
AO 205. Seja f integr´avel em [a, b]. A integral de f de b at´e a ´e definida por
_
a
b
f(x)dx = −
_
b
a
f(x)dx.
Feita esta defini¸c˜ao, temos a seguinte generaliza¸ c˜ao para (9.9).
PROPOSIC¸
˜
AO 206. Seja f integr´avel em [A, B]. Ent˜ao
_
b
a
f(x)dx =
_
c
a
f(x)dx +
_
b
c
f(x)dx,
quaisquer que sejam a, b, c ∈ [A, B].
Demonstra¸c˜ao.
´
E consequˆencia da Proposi¸c˜ao 204 e da Defini¸ c˜ao 205 (verifique).
148 CAP
´
ITULO 9. INTEGRAL DE RIEMANN
O leitor deve perceber que ´e errado afirmar que a integral do produto ´e o produto das
integrais (procure um contraexemplo).
PROPOSIC¸
˜
AO 204. Seja c ∈ (a, b). Uma fun¸c˜ao f ´e integr´avel em [a, b] se, e somente se,
ela ´e integr´avel em [a, c] e em [c, b]. Neste caso,
_
b
a
f(x)dx =
_
c
a
f(x)dx +
_
b
c
f(x)dx. (9.9)
Demonstra¸c˜ao. Fica (mais uma vez) para o leitor a tarefa de provar que f ´e limitada em
[a, b] se, e somente se, f ´e limitada em [a, c] e em [c, b].
Sejam P ∈ T[a, b], P
1
∈ T[a, c] e P
2
∈ T[c, b] tais que P = P
1
∪P
2
. Mais precisamente,
podemos escrever
P
1
= ¦x
0
, . . . , x
n
¦, P
2
= ¦x
n
, . . . , x
m
¦ e P = ¦x
0
, . . . , x
n
, . . . , x
m
¦.
Para cada i ∈ ¦1, . . . , m¦ temos que
S(f; P) =
m

i=1
sup(f(I
i
))∆x
i
=
n

i=1
sup(f(I
i
))∆x
i
+
m

i=n+1
sup(f(I
i
))∆x
i
= S(f; P
1
) +S(f; P
2
).
Do mesmo modo, mostra-se que I(f; P) = I(f; P
1
) +I(f; P
2
).
Se f ´e integr´avel em [a, b], ent˜ao, dado ε > 0, existe P ∈ T[a, b] tal que S(f; P) −
I(f; P) ≤ ε. Gra¸cas `a Proposi¸c˜ao 194 podemos supor que c ∈ P. Tomando P
1
e P
2
como
antes, obtemos
_
S(f; P
1
) −I(f; P
1
)
¸
+
_
S(f; P
2
) −I(f; P
2
)
¸
= S(f; P) −I(f; P) ≤ ε.
As quantidades entre colchetes s˜ao positivas e tˆem soma inferior ou igual a ε, logo, cada uma
delas ´e inferior ou igual a ε. Portanto, f ´e integr´avel em [a, c] e em [c, b].
Reciprocamente, se f ´e integr´avel em [a, c] e em [c, b], ent˜ao, dado ε > 0, existem
P
1
∈ T[a, c] e P
2
∈ T[c, b] tais que
_
c
a
f(x)dx −ε ≤ I(f; P
1
) ≤ S(f; P
1
) ≤
_
c
a
f(x)dx +ε
e
_
b
c
f(x)dx −ε ≤ I(f; P
2
) ≤ S(f; P
2
) ≤
_
b
c
f(x)dx +ε.
2.6. EXERC
´
ICIOS. 33
(c) K = ¦a+b
3

2; a, b ∈ Q¦; (d) K = ¦a+b
4

3+c
4

9+d
4

27; a, b, c, d ∈ Q¦.
⋆ 52. (extra) Z
n
´e o conjunto formado por ¦0, 1, . . . , n−1¦ cujas opera¸ c˜ oes s˜ao feitas m´odulo
n. Por exemplo, em Z
3
temos que 2 2 = 1; 2 +1 = 0; −2 = 1. Prove que todos elementos
de Z
n
possuem inverso multiplicativo se, e somente se, n ´e primo. Conclua que, neste caso,
Z
n
´e corpo n˜ao-arquimediano. Um contraexemplo ´e Z
4
, pois 22 = 0, o que implica (porque?)
que 2 n˜ao tem inverso multiplicativo em Z
4
.
⋆ 53. (extra) Sejam (K, +, , ≤) um corpo ordenado arquimediano, e a ∈ K com a > 0. Prove
que se b ∈ K e b > 1, ent˜ao existe n ∈ N tal que a < b
n
.
⋆ 54. (extra) Prove que um corpo ordenado K ´e arquimediano (i.e. N ⊂ K ´e ilimitado
superiormente) se, e somente se ([L] p.59 e p.72 no.25), dados a, b ∈ K com a > 0 existe
n ∈ N tal que:
(a) n a > b; (b) 0 <
1
n
< a; (c) 0 <
1
2
n
< a.
34 CAP
´
ITULO 2. N
´
UMEROS NATURAIS, INTEIROS E RACIONAIS 9.2. INTEGRAL E PROPRIEDADES. 147
Da´ı obtemos a conclus˜ao final.
Para provar que M
i
−m
i
≤ M
i
−m
i
, dividimos em trˆes casos:
(a) se f ≥ 0 em I
i
, ent˜ao m
i
= m
i
e M
i
= M
i
e, portanto, M
i
−m
i
= M
i
−m
i
;
(b) se f ≤ 0 em I
i
, 0 ≥ M
i
≥ m
i
, e portanto, M
i
= −m
i
e m
i
= −M
i
e, portanto,
M
i
−m
i
= −m
i
−(−M
i
) = M
i
−m
i
;
(c) caso contr´ario, M
i
≥ 0 ≥ m
i
.
´
E claro que (porque?) M
i
= max(M
i
, −m
i
) ≤ M
i
−m
i
(como os dois termos s˜ao positivos, a soma deles ´e maior que o m´aximo entre os dois). Por
outro lado, m
i
≥ 0. Logo, M
i
−m
i
≤ M
i
= max(M
i
, −m
i
) ≤ M
i
−m
i
.
A rec´ıproca da proposi¸c˜ao anterior ´e falsa. Ou seja, [f[ pode ser limitada e integr´avel em
[a, b], sem que f seja integr´avel neste intervalo. Por exemplo, considere a fun¸c˜ao f dada por
f(x) = 1, se x ∈ Q, e f(x) = −1 se x / ∈ Q. J´a vimos que f n˜ao ´e integr´avel em [0, 1].
Por´em, a fun¸c˜ao [f[ ´e constante (igual a 1) e, portanto, integr´avel neste intervalo. Este ´e um
exemplo de desvantagem da integral de Riemann em rela¸c˜ao a de Lebesgue: f ´e integr´avel a
Lebesgue se, e somente se, [f[ tamb´em ´e.
PROPOSIC¸
˜
AO 203. (fun¸c˜ oes integr´aveis formam uma ´algebra) Se f e g s˜ao in-
tegr´aveis em [a, b], ent˜ao fg ´e integr´avel em [a, b].
Demonstra¸c˜ao. Aqui tamb´em fica a cargo do leitor a demonstra¸ c˜ao de que fg ´e limitada
em [a, b].
Inicialmente, vamos considerar o caso particular em que f = g, limitada pela cota superior
M > 0. Dado ε > 0, existe uma parti¸ c˜ao P = ¦x
0
, . . . , x
n
¦ de [a, b] tal que
S(f; P) −I(f; P) ≤
ε
2M
.
Para cada i ∈ ¦1, , n¦, denotamos
m
i
= inf(f(I
i
)), M
i
= sup(f(I
i
)), q
i
= inf(f
2
(I
i
)), Q
i
= sup(f
2
(I
i
)).
Desta forma, para todo x ∈ [x
i−1
, x
i
], temos m
2
i
≤ f(x)
2
≤ M
2
i
. Portanto,
m
2
i
≤ q
i
≤ f(x)
2
≤ Q
i
≤ M
2
i
.
Conclu´ımos da´ı que
S(f
2
; P) −I(f
2
; P) =
n

i=1
(Q
i
−q
i
)∆x
i

n

i=1
(M
2
i
−m
2
i
)∆x
i
=
n

i=1
(M
i
+m
i
)(M
i
−m
i
)∆x
i
≤ 2M
n

i=1
(M
i
−m
i
)∆x
i
= 2M
_
S(f; P) −I(f; P)
¸
≤ ε.
Pelo Lema 197 obtemos que f
2
´e integr´avel.
O caso geral segue imediatamente do caso particular j´a demonstrado, da Proposi¸c˜ao 199
e da igualdade
fg =
(f +g)
2
−(f −g)
2
4
.
146 CAP
´
ITULO 9. INTEGRAL DE RIEMANN
PROPOSIC¸
˜
AO 200. (monotonia da integral) Se f ´e integr´avel em [a, b] com 0 ≤ f(x)
para todo x ∈ [a, b], ent˜ao
0 ≤
_
b
a
f(x)dx.
Demonstra¸c˜ao. Seja P = ¦x
0
, . . . , x
n
¦ uma parti¸ c˜ao de [a, b]. Como 0 ≤ f, 0 ≤
sup(f(I
i
)). Multiplicando por ∆x
i
e somando de i = 1 at´e i = n obtemos
0 ≤ S(f; P) ∀P ∈ T[a, b].
Tomando inf dos dois lados, obtemos
0 ≤ inf
_
S(f; P) ; P ∈ T[a, b]
_
=
_
b
a
f(x)dx.
Que ´e a conclus˜ao desejada.
COROL
´
ARIO 201. Sejam f e g integr´aveis em [a, b]. Se f ≤ g em [a, b], ent˜ao
_
b
a
f(x)dx ≤
_
b
a
g(x)dx.
Demonstra¸c˜ao. Aplique a Proposi¸c˜ao 200 a fun¸c˜ao g −f e use a Proposi¸c˜ao 199.
PROPOSIC¸
˜
AO 202. (integral do m´ odulo) Se f ´e integr´avel em [a, b], ent˜ao [f[ ´e in-
tegr´avel em [a, b] e
¸
¸
¸
¸
_
b
a
f(x)dx
¸
¸
¸
¸

_
b
a
[f(x)[dx.
Demonstra¸c˜ao. Como f ´e integr´avel, ´e limitada em [a, b]. Mais uma tarefa para o leitor:
mostrar que isto implica que [f[ ´e limitada em [a, b].
Dado ε > 0, seja P = ¦x
0
, . . . , x
n
¦ uma parti¸ c˜ao de [a, b] tal que S(f; P) −I(f; P) ≤ ε.
Para cada i ∈ ¦1, . . . , n¦, denotamos:
m
i
= inf(f(I
i
)), M
i
= sup(f(I
i
)), m
i
= inf([f[(I
i
)), M
i
= sup([f[(I
i
)).
Com esta nota¸ c˜ao, S(f; P) −I(f; P) =
n

i=1
(M
i
−m
i
)∆x
i
≤ ε. Resta provar que
M
i
−m
i
≤ M
i
−m
i
, pois isto implicar´a que
S([f[; P) −I([f[; P) =
n

i=1
(M
i
−m
i
)∆x
i

n

i=1
(M
i
−m
i
)∆x
i
≤ ε.
Do Lema 197 conclu´ımos que [f[ ´e integr´avel. Como f ≤ [f[ e −f ≤ [f[, temos que
_
b
a
f(x)dx ≤
_
b
a
[f(x)[dx;

_
b
a
f(x)dx =
_
b
a
_
−f(x)
_
dx ≤
_
b
a
[f(x)[dx.
Cap´ıtulo 3
N´ umeros reais
3.1 Descoberta dos irracionais.
Uma das figuras mais importantes da Matem´atica grega foi Pit´agoras
1
. Nascido em
Samos, uma das ilhas do Dodecaneso, ele viajou pelo Egito e Babilˆonia antes de se estabelecer
em Crotona (atualmente na It´alia) e l´a fundar a chamada Escola Pitag´ orica. Mais do que
uma escola matem´atica ela era uma sociedade secreta dotada de v´arias doutrinas cient´ıficas,
filos´oficas, pol´ıticas e morais. Uma delas dizia que o conhecimento era um bem comum `a
sociedade, e por isso, a atribui¸c˜ao de descobertas n˜ao era feita a nenhum membro espec´ıfico
da escola. Por esta raz˜ao, ´e melhor n˜ao falar da obra de Pit´agoras mas sim da obra dos
pitag´oricos.
O famoso Teorema de Pit´agoras j´a era conhecido, provavelmente, por outras civiliza¸ c˜ oes
mas imagina-se que foram os pitag´oricos os primeiros a demonstr´a-lo.
Segundo outra doutrina pitag´orica “tudo ´e n´umero”, ou seja, tudo podia ser explicado
atrav´es dos n´umeros (inteiros) e suas raz˜ oes (n´umeros racionais). Acreditava-se tamb´em
que dados dois segmentos quaisquer eles eram sempre comensur´aveis, i.e., que existia um
terceiro segmento, menor que os dois primeiros, tal que cada um deles era m´ultiplo inteiro
do menor. Em termos modernos, se a e b s˜ao os comprimentos dos dois segmentos, ent˜ao
existe um segmento de comprimento c e dois inteiros m e n tais que a = mc e b = nc. Da´ı
conclui-se que a/b = m/n. Muitas das demonstra¸ c˜ oes da ´epoca eram baseadas neste fato.
Vejamos o que, junto com o Teorema de Pit´agoras, isto acarreta.
Consideremos um quadrado de lado 1 e seja d o comprimento de sua diagonal. Pelo
Teorema de Pit´agoras d
2
= 1
2
+ 1
2
= 2. Pela comensurabilidade entre a diagonal e o lado,
existem inteiros m e n tais que d/1 = m/n. Podemos supor, sem perda de generalidade, que
m e n n˜ao tˆem divisor comum maior que 1. Assim, 2 = d
2
= m
2
/n
2
. Segue que m
2
= 2n
2
e, portanto, m
2
´e par, o que implica que m tamb´em ´e. Logo, existe um inteiro p tal que
m = 2p. Temos ent˜ao 2n
2
= m
2
= 4p
2
e, portanto, n
2
= 2p
2
. Da´ı conclu´ımos que n
2
´e par
e, logo, n tamb´em ´e. Provamos que tanto m quanto n s˜ao pares contradizendo o fato que
eles n˜ao possuem divisor comum maior que 1. Isto mostra que 1 e d s˜ao incomensur´aveis.
A comensurabilidade entre dois segmentos quaisquer ´e equivalente ao fato que todo
1
Pit´agoras de Samos: ⋆ ≈ 569 A.C., Samos, Gr´ecia - † ≈ 475 A.C., ?.
35
36 CAP
´
ITULO 3. N
´
UMEROS REAIS
n´umero ´e racional! A incomensurabilidade entre 1 e d significa que d =

2 n˜ao ´e racio-
nal. Isto mostrou aos Pitag´ oricos que, ao contr´ario do que eles preconizavam, os n´umeros
(inteiros) e suas raz˜ oes n˜ao eram capazes de explicar tudo. Acredita-se este resultado foi
descoberto e revelado por Hippasus de Metapontum
1
que, por este motivo, foi expulso da
confraria (pior, segundo a lenda, ele foi jogado ao mar).
Foi Eudoxo
2
quem resolveu a crise surgida com a descoberta dos incomensur´aveis intro-
duzindo uma nova defini¸c˜ao de propor¸ c˜ao de segmentos tal como ela aparece no livro V de
“Os Elementos” de Euclides
3
.
Como os n´umeros racionais s˜ao insuficientes para representar todos os segmentos devemos
complet´a-los. Isto ´e feito introduzindo o corpo ordenado (R, +, , ≤) dos n´umeros reais, que
cont´em o conjunto dos n´umeros racionais.
Com certeza o leitor est´a habituado a trabalhar com n´umeros reais. Por´em, se este ´e
seu primeiro Curso de An´alise, ´e muito prov´avel que ele nunca tenha visto a constru¸c˜ao do
conjunto dos n´umeros reais. Existem v´arias maneiras de construir este corpo ordenado. Neste
texto, apresentamos:
(a) na Se¸ c˜ao 3.2 deste Cap´ıtulo, a constru¸c˜ao atrav´es de cortes de Dedekind
4
[De] (ver
tamb´em [Hd]) que pode ser vista como uma moderniza¸c˜ao da ideia de Eudoxo;
(b) na Se¸ c˜ao 5.2.4, a constru¸c˜ao como classes de equivalˆencia de sequˆencias de Cauchy
de n´umeros racionais;
(c) no exerc´ıcio 17, p.87, a constru¸c˜ao como decimais infinitas, como costuma ser ensinado
no ensino fundamental e m´edio.
3.2 ⋆ Cortes de Dedekind.
Os gregos da ´epoca pitag´orica conheciam e manipulavam n´umeros racionais e apenas
eles. Suas demonstra¸ c˜ oes eram baseadas nas propriedades dos racionais e somente nelas. Por
outro lado, eles sabiam que existiam outros “n´umeros” (por exemplo

2) e, pelo fato de n˜ao
saberem como eles eram, os gregos eram incapazes de manipul´a-los. Este foi o motivo da
crise descrita na se¸ c˜ao precedente.
Pe¸ co ao leitor que se comporte, simultaneamente, com duas posturas diferentes. Deve
esquecer tudo o que conhece sobre n´umeros reais - at´e mesmo a existˆencia. Deve admitir, neste
momento, que conhece, al´em de Teoria dos Conjuntos, apenas fun¸c˜ oes, n´umeros racionais e
suas propriedades (operat´ orias, ordem, etc). Por outro lado, o leitor deve manter em mente
o conjunto dos n´umeros reais pois a experiˆencia adquirida com ele nos guiar´a para a sua
constru¸c˜ao. Sabendo onde se deve chegar fica mais f´acil percorrer o caminho ate l´a.
A mesma tipografia usada para as defini¸c˜ oes, exemplos, teoremas, etc ser´a usada, e iden-
tificada pela palavra IDEIA, para explicar a ideia intuitiva sobre os n´umeros reais que estar´a
por tr´as das demonstra¸ c˜ oes e defini¸c˜ oes que a seguir˜ao. Por´em, elas servem apenas para isto
e n˜ao podem ser usadas como fato constatado. Come¸camos por uma destas ideias.
1
Hippasus de Metapontum: ⋆ ≈ 500 A.C., Metapontum, It´alia - † ?
2
Eudoxo de Cnido: ⋆ 408 A.C., Cnido, Turquia - † 355 A.C., Cnido, Turquia.
3
Euclides de Alexandria: ⋆ ≈ 325 A.C., ? - † ≈ 265 A.C., Alexandria, Egito.
4
Julius Wihelm Richard Dedekind: ⋆ 06/10/1831, Braunschweig, Alemanha - † Braunschweig, Alemanha.
9.2. INTEGRAL E PROPRIEDADES. 145
Demonstra¸c˜ao. Deixo a cargo do leitor a prova (se ele ainda n˜ao a fez) de que f +g, cf e
f −g s˜ao limitadas em [a, b].
Dado ε > 0, como f e g s˜ao integr´aveis, existe P = ¦x
0
, . . . , x
n
¦ parti¸ c˜ao de [a, b] tal
que
_
b
a
f(x)dx −ε < I(f; P) ≤ S(f; P) <
_
b
a
f(x)dx +ε. (9.7)
e
_
b
a
g(x)dx −ε < I(g; P) ≤ S(g; P) <
_
b
a
g(x)dx +ε. (9.8)
Mostremos que f + g ´e integr´avel sobre [a, b] e que vale (i). Para cada i ∈ ¦1, . . . , n¦,
temos
sup((f +g)(I
i
)) ≤ sup(f(I
i
)) + sup(g(I
i
)).
Multiplicando por ∆x
i
e somando de i = 1 at´e i = n obtemos
S(f +g; P) ≤ S(f; P) +S(g; P).
Desta desigualdade, de (9.7) e de (9.8) segue que
S(f +g; P) <
_
b
a
f(x)dx +
_
b
a
g(x)dx + 2ε.
Analogamente, mostra-se que
_
b
a
f(x)dx +
_
b
a
g(x)dx −2ε < I(f +g; P).
Das duas ´ultimas desigualdades conclu´ımos que S(f +g; P) −I(f +g; P) < 4ε. Como ε > 0
´e arbitr´ario, segue do Lema 197 que f +g ´e integr´avel. Al´em disto,
_
b
a
f(x)dx +
_
b
a
g(x)dx −2ε <
_
b
a
_
f(x) +g(x)
_
dx <
_
b
a
f(x)dx +
_
b
a
g(x)dx + 2ε.
Finalmente, fazendo ε → 0, conclu´ımos (i).
Mostremos agora que cf ´e integr´avel sobre [a, b] e que vale (ii). Suponhamos c ≥ 0 (o
caso c < 0 ´e tratado de modo an´alogo). Multiplicando (9.7) por c e usando o resultado do
exerc´ıcio 1, p.158, obtemos
c
_
b
a
f(x)dx −cε ≤ I(cf; P) ≤
_
b
a
cf(x)dx ≤ S(cf; P) ≤ c
_
b
a
f(x)dx +cε.
Segue que S(cf; P) − I(cf; P) ≤ 2cε. Novamente, como ε > 0 ´e arbitr´ario, do Lema 197,
obtemos que cf ´e integr´avel. Tomando o limite quando ε → 0 conclu´ımos (ii).
Obtemos que f −g ´e integr´avel em [a, b] e que vale (iii) como consequˆencia imediata dos
resultados j´a demonstrados.
No esp´ırito da proposi¸c˜ao anterior, o leitor pode perguntar sobre o produto e o quociente
de fun¸c˜ oes integr´aveis. Observamos, desde j´a, que o quociente de fun¸c˜ oes limitadas pode n˜ao
ser limitado (quando o denominador tende a zero em algum ponto). Sobre o produto, ser´a
prefer´ıvel adiar um pouco esta quest˜ao. Antes disto demonstraremos duas proposi¸c˜ oes.
144 CAP
´
ITULO 9. INTEGRAL DE RIEMANN
Portanto, tomando
ε =
inf
_
S(f; Q) ; Q ∈ T[a, b]
_
−sup
_
I(f; Q) ; Q ∈ T[a, b]
_
2
> 0,
obtemos que S(f; P) −I(f; P) > ε, contrariando (9.5).
Reportamo-nos mais uma vez `a Figura 9.1. Veja que a quantidade S(f; P) − I(f; P)
corresponde `a ´area pintada de cinza e que n˜ao est´a riscada. O lema anterior nos diz que
esta quantidade ser´a arbitrariamente pequena (bastando tomar uma parti¸ c˜ao adequada) se, e
somente se, f for integr´avel.
TEOREMA 198. (fun¸c˜ oes cont´ınuas s˜ao integr´aveis) Se f ´e cont´ınua em [a, b], ent˜ao
f ´e integr´avel em [a, b].
Demonstra¸c˜ao. Sabemos que f ´e limitada em [a, b], gra¸cas ao Teorema de Weierstrass
(Corol´ario 159, p.110). Mostremos que f ´e integr´avel.
Dado ε > 0, usando que f ´e uniformemente cont´ınua em [a, b], existe δ > 0 tal que
x, y ∈ [a, b] e [x −y[ < δ =⇒ [f(x) −f(y)[ < ε. (9.6)
Seja P = ¦x
0
, . . . , x
n
¦ uma parti¸ c˜ao de [a, b] tal que ∆x
i
= x
i
− x
i−1
< δ, para todo
i ∈ ¦1, . . . , n¦. Definindo,
m
i
= inf(f(I
i
)) e M
i
= sup(f(I
i
)),
de (9.6), obtemos M
i
−m
i
≤ ε. Portanto,
S(f; P) −I(f; P) =
n

i=1
(M
i
−m
i
)∆x
i
≤ ε
n

i=1
∆x
i
= ε(b −a).
O Teorema 198 e o Exemplo 9.6 s˜ao duas faces da mesma moeda (perceba que a fun¸c˜ao
vista naquele exemplo ´e descont´ınua em todo ponto). De fato, existe uma rela¸c˜ao estreita
entre a integrabilidade e continuidade dada pelo Teorema de Lebesgue (a seguir) do qual o
Teorema 198 ´e um simples corol´ario. Outros resultados sobre integrabilidade a serem vistos
nesta se¸ c˜ao tamb´em o s˜ao. Preferimos, no entanto, dar demonstra¸ c˜ oes particulares para cada
um deles como forma de aquecimento `a intui¸ c˜ao.
PROPOSIC¸
˜
AO 199. (fun¸c˜ oes integr´aveis formam espa¸ co vetorial) Seja c ∈ R. Se f
e g s˜ao integr´aveis em [a, b], ent˜ao f +g, cf e f −g s˜ao integr´aveis em [a, b] e
i.
_
b
a
_
f(x) +g(x)
_
dx =
_
b
a
f(x)dx +
_
b
a
g(x)dx;
ii.
_
b
a
cf(x)dx = c
_
b
a
f(x)dx;
iii.
_
b
a
_
f(x) −g(x)
_
dx =
_
b
a
f(x)dx −
_
b
a
f(x)dx.
3.2. ⋆ CORTES DE DEDEKIND. 37
IDEIA. Seja A um intervalo (de n´umeros reais) aberto, ilimitado inferiormente e limitado
superiormente. Claramente, existe a ∈ R tal que A = (−∞, a). Reciprocamente, dado um
n´umero real a o intervalo (−∞, a) ´e aberto, ilimitado inferiormente e limitado superiormente.
Desta forma, existe uma correspondˆencia biun´ıvoca entre n´umeros reais e intervalos abertos,
ilimitados inferiormente e limitados superiormente. A nossa constru¸c˜ao ser´a baseada nesta
correspondˆencia: consideraremos intervalos do tipo (−∞, a) e no conjunto de tais intervalos
definiremos uma rela¸c˜ao de ordem assim como opera¸ c˜ oes de soma e multiplica¸c˜ao. Ao final
diremos que cada intervalo destes ´e um n´umero real. O nosso trabalho consiste ent˜ao
em definir um intervalo aberto, ilimitado inferiormente e limitado superiormente, i.e., um
intervalo do tipo (−∞, a) sem considerar o n´umero a que, rigorosamente falando, n˜ao existe!
A defini¸c˜ao seguinte cumpre este objetivo.
DEFINIC¸
˜
AO 50. Dizemos que A ⊂ Q ´e um corte se valem as seguintes propriedades.
i. A ,= ∅ e A ,= Q.
ii. Se p ∈ A e q < p ent˜ao q ∈ A.
iii. Para todo p ∈ A existe q ∈ A tal que p < q.
Denotamos o conjunto de todos os cortes por Ω.
IDEIA. As duas primeiras condi¸c˜ oes da Defini¸ c˜ao 50 implicam que A ´e um conjunto da forma
(−∞, a) ∩ Q ou (−∞, a] ∩ Q. A terceira condi¸c˜ao exclui a segunda possibilidade (quando
a ∈ Q) dizendo que A n˜ao tem m´aximo.
Exemplo 3.1. Seja r ∈ Q. O conjunto Z(r) = ¦p ∈ Q ; p < r¦ ´e um corte. De fato, ´e f´acil
ver que Z(r) satisfaz as duas primeiras propriedades da defini¸c˜ao de corte. Falta mostrar que
ele satisfaz a terceira. Seja p ∈ Z(r) e tomemos q = (p + r)/2. Claramente temos p < q e
q < r (logo q ∈ Z(r)). Definimos desta maneira uma fun¸c˜ao Z : Q → Ω que ´e claramente
injetiva. Veremos, posteriormente, outras de suas importantes propriedades.
O exemplo anterior ´e fundamental. Para destac´a-lo, fazemos a seguinte defini¸c˜ao.
DEFINIC¸
˜
AO 51. O cortes da forma Z(r) = ¦p ∈ Q ; p < r¦, com r ∈ Q, s˜ao ditos cortes
racionais.
IDEIA. Sejam a e b dois n´umeros reais. Temos que a ≤ b se, e somente se, (−∞, a) ⊂
(−∞, b). Isto nos indica que a rela¸c˜ao de inclus˜ao entre cortes ´e a maneira natural de definir
uma rela¸c˜ao de ordem no conjunto Ω. J´a sabemos que a rela¸c˜ao de inclus˜ao ´e transitiva
e antissim´etrica. Por´em, ela n˜ao ´e completa pois existem A ⊂ Q e B ⊂ Q que n˜ao s˜ao
compar´aveis, i.e., nem A ⊂ B nem B ⊂ A. Entretanto se A e B s˜ao cortes uma destas
inclus˜oes deve ser verdadeira. Este ´e o assunto do pr´ oximo teorema.
TEOREMA 52. Sejam A, B ∈ Ω. Temos A ⊂ B ou B ⊂ A.
Demonstra¸c˜ao. Se A = B, ent˜ao n˜ao h´a nada a ser demonstrado. Suponhamos que A ,= B.
Ent˜ao, existe p ∈ B tal que p / ∈ A ou existe q ∈ A tal que q / ∈ B.
No primeiro caso devemos ter A ⊂ B. De fato, qualquer que seja r ∈ A temos r < p
(pois sen˜ao, se fosse p ≤ r, ent˜ao, como A ´e corte, ter´ıamos p ∈ A) e, como B ´e corte,
r ∈ B.
De maneira an´aloga, conclu´ımos que no segundo caso temos B ⊂ A.
38 CAP
´
ITULO 3. N
´
UMEROS REAIS
PROPOSIC¸
˜
AO 53. Seja A, B ∈ Ω. O conjunto
C = ¦r ∈ Q ; r = p +q com p ∈ A e q ∈ B¦
´e corte.
Demonstra¸c˜ao. Claramente C ,= ∅. Sejam p
0
∈ A

e q
0
∈ B

. Vamos mostrar que
p
0
+q
0
/ ∈ C (e portanto que C

,= ∅). Suponhamos, por absurdo, que p
0
+q
0
∈ C. Ent˜ao,
existem p ∈ A e q ∈ B tais que p
0
+ q
0
= p + q. N˜ao podemos ter p
0
≤ p (sen˜ao ter´ıamos
p
0
∈ A) nem q
0
≤ q (sen˜ao ter´ıamos q
0
∈ B). Logo p < p
0
e q < q
0
. Pela monotonia da
adi¸c˜ao p +q < p +q
0
< p
0
+q
0
, que ´e absurdo.
Sejam r ∈ C e s < r. Existem p ∈ A e q ∈ B tais que r = p + q. Seja t = s − p.
Mostremos que t ∈ B. De fato, devemos ter t < q pois sen˜ao, se q ≤ t, ent˜ao p +q ≤ p +t,
i.e., r ≤ s. Portanto t < q e, como B ´e corte, segue que t ∈ B. Conclu´ımos que s = p + t
com p ∈ A e t ∈ B e, portanto, s ∈ C.
Finalmente, seja r ∈ C e mostremos que existe s ∈ C tal que r < s. Ora, r ∈ C significa
que r = p +q com p ∈ A e q ∈ B. Existe t ∈ A tal que p < t, logo, r = p +q < t +q. Para
concluir, basta tomarmos s = t +q.
DEFINIC¸
˜
AO 54. Sejam A, B ∈ Ω. O corte C dado na Proposi¸c˜ao 53 ´e denotado A⊕B ´e
chamado de soma ou adi¸ c˜ao de A e B.
Observa¸c˜ao 3.1
´
E f´acil ver que se A, B ∈ Ω s˜ao tais que Z(0) ⊂ A ∩ B, ent˜ao Z(0) ⊂
A⊕B.
Fica assim definida uma opera¸ c˜ao de adi¸c˜ao entre cortes. Mostraremos que esta opera¸ c˜ao
satisfaz algumas das propriedades da adi¸c˜ao em um corpo.
TEOREMA 55. Sejam A, B, C ∈ Ω. Temos que:
i. A⊕B = B ⊕A; ii. (A⊕B) ⊕C = A ⊕(B ⊕C); iii. A⊕Z(0) = A.
Demonstra¸c˜ao. (i) Seja r ∈ A ⊕ B. Podemos escrever r = p + q com p ∈ A e q ∈ B.
Pela comutatividade da soma de n´umeros racionais, temos r = q + p com q ∈ B e p ∈ A.
Conclu´ımos que r ∈ B ⊕ A e, portanto, A ⊕ B ⊂ B ⊕ A. Da mesma maneira mostra-se a
inclus˜ao contr´aria.
(ii) Esta propriedade ´e consequˆencia imediata da associatividade da soma de n´umeros
racionais (assim como (i) ´e da comutatividade).
(iii) Seja r ∈ A ⊕ Z(0). Escrevemos r = p + q com p ∈ A e q ∈ Z(0). Ora q ∈ Z(0)
significa q < 0, logo, p+q < p+0, i.e., r < p. Como A ´e corte, segue que r ∈ A. Mostramos
assim que A ⊕Z(0) ⊂ A. Reciprocamente, seja r ∈ A. Tomemos p ∈ A tal que r < p. Se
q = r −p, ent˜ao q < 0 e, portanto, q ∈ Z(0). Conclu´ımos que r = p +q ∈ A⊕Z(0).
IDEIA. Para cada a ∈ R est´a associado o intervalo A = (−∞, a) e ao seu oposto −a est´a
associado o intervalo B = (−∞, −a). Devemos ser capazes de definir B em termos de A sem
considerar o n´umero a. Inicialmente observamos que p ∈ B se, e somente se, −p ∈ (a, +∞).
Mas A

= [a, +∞), logo, p ∈ B se, e somente se, −p ∈ A

e −p ,= a. Para dizer que
−p ,= a, evitando usar o n´umero a, basta dizer que −p n˜ao ´e m´ınimo de A

.
9.2. INTEGRAL E PROPRIEDADES. 143
Exemplo 9.6. Considere a fun¸c˜ao f dada por f(x) = 1, se x ∈ Q, e f(x) = −1, se x / ∈ Q.
Vejamos que f n˜ao ´e integr´avel em nenhum intervalo [a, b] n˜ao degenerado. Como Q e Q

s˜ao
densos em R, qualquer intervalo aberto intercepta estes conjuntos. Portanto, para qualquer
P = ¦x
0
, . . . , x
n
¦ parti¸ c˜ao de [a, b] com x
0
< < x
n
, temos
inf(f(I
i
)) = −1 e sup(f(I
i
)) = 1 ∀i ∈ ¦1, . . . , n¦.
Logo, I(f; P) = a −b e S(f; P) = b −a para toda P ∈ T[a, b]. Segue que
sup¦I(f; P) ; P ∈ T[a, b]¦ = a −b < 0 < b −a = inf¦S(f; P) ; P ∈ T[a, b]¦.
Conclu´ımos que f n˜ao ´e integr´avel em [a, b].
No contexto da Integral de Lebesgue, a fun¸c˜ao do exemplo anterior ´e integr´avel e sua
integral em [a, b] ´e a mesma da fun¸c˜ao constante igual a −1. Isto ocorre porque o conjunto
onde f difere da fun¸c˜ao constante −1 (no caso, Q) ´e, em certo sentido, “pequeno”. Em
outras palavras, estas duas fun¸c˜ oes s˜ao iguais “em quase todo ponto”, logo, ´e razo´avel que
tenham a mesma integral.
Observa¸c˜ao 9.1 O sentido de “pequeno” e “quase todo ponto” n˜ao ´e o de cardinalidade
mas estes est˜ao relacionados, conforme Lema 217, p.155.
Vejamos algumas propriedades importantes das fun¸c˜ oes integr´aveis. Come¸camos por um
lema ´util que ser´a usado muitas vezes sem ser explicitamente mencionado. Portanto, ´e muito
importante que o leitor memorize-o.
LEMA 197. (caracterizacao de fun¸c˜ oes integr´aveis) Seja f uma fun¸c˜ao limitada em
[a, b]. Ent˜ao, f ´e integr´avel em [a, b] se, e somente se,
∀ε > 0, ∃P ∈ T[a, b] tal que S(f; P) −I(f; P) ≤ ε. (9.5)
Demonstra¸c˜ao. Suponhamos que f seja integr´avel e seja s a sua integral, i.e.,
sup
_
I(f; P) ; P ∈ T[a, b]
_
= s = inf
_
S(f; P) ; P ∈ T[a, b]
_
.
Dado ε > 0, da defini¸c˜ao de s segue que existem P
1
, P
2
∈ T[a, b] tais que
s −
ε
2
< I(f; P
1
) ≤ s ≤ S(f; P
2
) < s +
ε
2
.
Tomando P = P
1
∪ P
2
, pela Proposi¸c˜ao 194, temos
s −
ε
2
< I(f; P
1
) ≤ I(f; P) ≤ S(f; P) ≤ S(f; P
2
) < s +
ε
2
.
e, portanto, S(f; P) −I(f; P) < ε.
Reciprocamente, suponhamos que f n˜ao seja integr´avel. Para toda P ∈ T[a, b] temos
I(f; P) ≤ sup
_
I(f; Q) ; Q ∈ T[a, b]
_
< inf
_
S(f; Q) ; Q ∈ T[a, b]
_
≤ S(f; P)
142 CAP
´
ITULO 9. INTEGRAL DE RIEMANN
9.2 Integral e propriedades.
DEFINIC¸
˜
AO 196. Dizemos que f ´e (Riemann) integr´avel em [a, b] se ´e limitada em [a, b]
e
sup
_
I(f; P) ; P ∈ T[a, b]
_
= inf
_
S(f; P) ; P ∈ T[a, b]
_
.
Neste caso, a integral de f em [a, b] ´e definida por
_
b
a
f(x)dx = inf
_
S(f; P) ; P ∈ T[a, b]
_
.
Neste texto, ao dizer que uma fun¸c˜ao ´e integr´avel ficar´a subentendido que ela ´e limitada.
Exemplo 9.3. Sejam f e a como no Exemplo 9.1. Temos f ´e integr´avel em ¦a¦ e
_
a
a
f(x)dx = 0.
Exemplo 9.4. Considere uma fun¸c˜ao f constante, igual a c, em [a, b]. Vimos no Exemplo
9.2 que I(f; P) = S(f; P) = c(b − a) para toda P ∈ T[a, b]. Segue da´ı que f ´e integr´avel
em [a, b] e
_
b
a
f(x)dx = c(b −a).
Exemplo 9.5. Considere a fun¸c˜ao f dada por f(x) = x para todo x ∈ R. Vamos mostrar
que f ´e integr´avel em [0, 1] e que sua integral, neste intervalo, vale 1/2. Para isto, tomemos
n ∈ N e consideremos a parti¸ c˜ao P
n
= ¦x
0
, . . . , x
n
¦, sendo
x
i
=
i
n
∀i ∈ ¦0, . . . , n¦.
Para cada i ∈ ¦0, . . . , n¦ temos
∆x
i
= x
i
−x
i−1
=
i
n

i −1
n
=
1
n
e M
i
= sup(f(I
i
)) = sup(I
i
) = x
i
=
i
n
.
Portanto, S(f; P
n
) =
n

i=1
M
i
∆x
i
=
n

i=1
i
n
2
=
n + 1
2n
.
Analogamente obtemos I(f; P
n
) = (n −1)/2n. Conclu´ımos que
n −1
2n
≤ sup¦I(f; P) ; P ∈ T[0, 1]¦ ≤ inf¦S(f; P) ; P ∈ T[0, 1]¦ ≤
n + 1
2n
∀n ∈ N.
Tomando o limite quando n → +∞ obtemos o resultado desejado.
3.2. ⋆ CORTES DE DEDEKIND. 39
PROPOSIC¸
˜
AO 56. Seja A ∈ Ω. O conjunto
B = ¦p ∈ Q ; −p ∈ A

e ∃q ∈ A

tal que q < −p¦
´e corte.
Demonstra¸c˜ao. Sejam p ∈ A e q ∈ A

.
´
E f´acil ver que −(q +1) ∈ B e −p ∈ B

. Portanto,
B ,= ∅ e B

,= ∅.
Sejam p ∈ B e q < p. Temos que −p < −q. Como −p ∈ A

, segue que −q ∈ A

e que
−q n˜ao ´e m´ınimo de A

. Conclu´ımos que q ∈ B.
Seja p ∈ B. Por defini¸c˜ao de B, existe q ∈ A

tal que q < −p. Tomando r = (p −q)/2
temos que p < r e tamb´em que q < −r, logo, r ∈ B.
DEFINIC¸
˜
AO 57. O corte B da Proposi¸c˜ao 56 ´e denotado ⊖A e chamado oposto de A.
Observa¸c˜ao 3.2 Seja A ∈ Ω.
´
E f´acil ver que:
i. A = Z(0) ⇐⇒ ⊖A = Z(0); ii. A ,= Z(0) ⇐⇒ ⊖A ,= Z(0);
iii. A ⊃ Z(0) ⇐⇒ ⊖A ⊂ Z(0); iv. A Z(0) ⇐⇒ ⊖A Z(0).
O teorema justifica porque chamamos o corte ⊖A de oposto de A.
TEOREMA 58. Seja A ∈ Ω. Temos que A⊕(⊖A) = Z(0).
Demonstra¸c˜ao. Seja r ∈ A ⊕ (⊖A). Ent˜ao existem s ∈ A, p ∈ ⊖A e q ∈ A

tais que
r = s + p e q < −p. Como s ∈ A e q ∈ A

, temos s < q. De q < −p segue que p < −q e,
pela monotonia da adi¸c˜ao, s +p < s −q. Portanto, r = s +p < s −q < 0. Conclu´ımos que
r ∈ Z(0).
Finalmente, seja r ∈ Z(0), i.e., r < 0. Sejam ainda s ∈ A e n o menor natural tal que
s −nr/2 ∈ A

. Tomemos
p = s −
(n −1)r
2
, t = s −
nr
2
e q = s −
(n + 1)r
2
.
´
E f´acil ver que t, q ∈ A

e t < q, logo, −q ∈ ⊖A. Tamb´em temos p ∈ A e r = p −q. Segue
que r ∈ A ⊕(⊖A).
IDEIA. Queremos definir multiplica¸c˜ao de cortes. A primeira ideia ´e imitar a defini¸c˜ao da
soma. Definimos o conjunto C, produto dos cortes A e B, formado pelos produtos p q sendo
p ∈ A e q ∈ B. Por´em, isto n˜ao funciona pois o conjunto C n˜ao ´e corte. Para ver isto,
considere o exemplo A = B = Z(2). Neste caso, C = Q. De fato, −1, 1 ∈ A e se r < 0,
ent˜ao r ∈ B. Segue que −r, r ∈ C e, portanto, C = Q.
Vamos adaptar esta ideia inicialmente para cortes “positivos”. Posteriormente, estende-
remos a defini¸c˜ao para todos os cortes. Como vimos no exerc´ıcio 49, p.32, o produto de
n´umeros positivos ´e positivo. Portanto, tomando apenas os racionais positivos nos cortes A
e B obteremos apenas os racionais positivos de C. Para que C seja corte, faltar´a incluir os
racionais negativos.
40 CAP
´
ITULO 3. N
´
UMEROS REAIS
PROPOSIC¸
˜
AO 59. Sejam A, B ∈ Ω tais que Z(0) ⊂ A e Z(0) ⊂ B. O conjunto
C = ¦r ∈ Q ; r < 0 ou r = p q com p ∈ A, q ∈ B, p ≥ 0 e q ≥ 0¦
´e corte.
Demonstra¸c˜ao. Claramente −1 ∈ C. Sejam p
0
∈ A

e q
0
∈ B

. Vamos mostrar que
p
0
q
0
/ ∈ C (e, portanto, que C

,= ∅). Suponhamos, por absurdo, que p
0
q
0
∈ C. Ent˜ao,
existem p ∈ A e q ∈ B tais que p
0
q
0
= p q. N˜ao podemos ter p
0
≤ p (sen˜ao ter´ıamos
p
0
∈ A) nem q
0
≤ q (sen˜ao ter´ıamos q
0
∈ B). Logo, p < p
0
e q < q
0
. Pela monotonia da
multiplica¸c˜ao, p q ≤ p q
0
< p
0
q
0
, que ´e absurdo.
Sejam r ∈ C e s < r. Se s < 0, ent˜ao ´e imediato que s ∈ C. Suponhamos s ≥ 0 e,
portanto, r > 0. Da defini¸c˜ao de C, segue que existem p ∈ A e q ∈ B tais que r = pq, p ≥ 0
e q ≥ 0. Como r > 0, segue que p > 0. Seja t = s/p. Mostremos que t ∈ B. De fato,
devemos ter t < q pois sen˜ao, se q ≤ t, ent˜ao p q ≤ p t, i.e., r ≤ s. Portanto, t < q e,
como B ´e corte, segue que t ∈ B. Conclu´ımos que s = p t com p ∈ A e t ∈ B e, portanto,
s ∈ C.
Finalmente, seja r ∈ C e mostremos que existe s ∈ C tal que r < s. Se r < 0, ent˜ao
basta tomar s = r/2. Suponhamos r ≥ 0. Neste caso, r ∈ C significa que r = p q com
p ∈ A, q ∈ B, p ≥ 0 e q ≥ 0. Existem t ∈ A e u ∈ B tal que p < t e q < u, logo
r = p q ≤ t q < t u. Para concluir, basta tomarmos s = t u.
DEFINIC¸
˜
AO 60. Sejam A, B ∈ Ω tais que Z(0) ⊂ A e Z(0) ⊂ B. O corte C dado na
Proposi¸c˜ao 59 e denotado A⊙B ´e chamado de produto ou multiplica¸c˜ao de A e B.
Observa¸c˜ao 3.3 Da Defini¸ c˜ao 60 segue-se imediatamente que se Z(0) ⊂ A e Z(0) ⊂ B,
ent˜ao Z(0) ⊂ A ⊙B.
IDEIA. Para estender a defini¸c˜ao de produto para cortes n˜ao positivos, procedemos como
quando aprendemos a multiplicar n´umeros negativos pela primeira vez (no Ensino Fundamen-
tal). Fazemos o produto dos m´odulos e ao resultado impomos o sinal de acordo com a regra
dos sinais. Vejamos a defini¸c˜ao de m´odulo de um corte e, em seguida, a defini¸c˜ao geral do
produto.
DEFINIC¸
˜
AO 61. Dado A ∈ Ω, o m´ odulo de A, denotado por [A[, ´e definido por
[A[ =
_
_
_
A se Z(0) ⊂ A,
⊖A se A Z(0).
Em vista da Observa¸ c˜ao 3.2, p.39 temos que [A[ ⊃ Z(0) para todo A ∈ Ω.
9.1. SOMAS SUPERIORES E INFERIORES. 141
PROPOSIC¸
˜
AO 194. (uni˜ao de parti¸ c˜ oes) Seja f uma fun¸c˜ao limitada em [a, b]. Temos:
I(f; P) ≤ I
_
f; P ∪ Q
_
≤ S
_
f; P ∪ Q
_
≤ S(f; Q) ∀P, Q ∈ T[a, b].
Demonstra¸c˜ao. Sejam P = ¦x
0
, . . . , x
n
¦ e Q = ¦y
0
, . . . , y
m
¦, parti¸ c˜ oes de [a, b], e j ∈
¦1, . . . , n¦ tal que y
1
∈ [x
j−1
, x
j
]. Escrevemos
I(f; P) =
n

i=1
m
i
∆x
i
=
n

i=1
i=j
m
i
(x
i
−x
i−1
) +m
j
(x
j
−x
j−1
)
=
n

i=1
i=j
m
i
(x
i
−x
i−1
) +m
j
(x
j
−y
1
) +m
j
(y
1
−x
j−1
). (9.1)
Tomando p = inf(f([y
1
, x
j
]) e q = inf(f([x
j−1
, y
1
]), temos
I
_
f; P ∪ ¦y
1
¦
_
=
n

i=1
i=j
m
i
(x
i
−x
i−1
) + p(x
j
−y
1
) +q(y
1
−x
j−1
). (9.2)
Ora, [x
j−1
, y
1
] ∪ [y
1
, x
j
] = [x
j−1
, x
j
], logo, m
j
≤ p e m
j
≤ q. De (9.1) e de (9.2), obtemos
I(f; P) ≤ I
_
f; P ∪ ¦y
1
¦
_
. (9.3)
Analogamente, mostra-se que
S
_
f; Q∪ ¦x
1
¦
_
≤ S(f; Q). (9.4)
Usando (9.3), m−1 vezes, e (9.4), n −1 vezes, conclu´ımos que
I(f; P) ≤ I
_
f; P ∪ ¦y
1
¦
_
≤ ≤ I
_
f; P ∪ ¦y
1
, . . . , y
m−1
¦
_
= I
_
f; P ∪ Q
_
≤ S
_
f; P ∪ Q
_
= S
_
f; Q∪ ¦x
1
, . . . , x
n−1
¦
_
≤ ≤ S
_
f; Q∪ ¦x
1
¦
_
≤ S(f; Q).
COROL
´
ARIO 195. Seja f uma fun¸c˜ao limitada em [a, b]. Ent˜ao
_
I(f; P) ; P ∈ T[a, b]
_
´e limitado superiormente e
_
S(f; P) ; P ∈ T[a, b]
_
´e limitado inferiormente. Al´em disto,
sup
_
I(f; P) ; P ∈ T[a, b]
_
≤ inf
_
S(f; P) ; P ∈ T[a, b]
_
.
Demonstra¸c˜ao. Gra¸cas `a proposi¸c˜ao anterior temos
I(f; P) ≤ S(f; Q) ∀P, Q ∈ T[a, b].
Ou seja, I(f; P) ´e cota inferior para
_
S(f; Q) ; Q ∈ T[a, b]
_
. Como o ´ınfimo ´e a maior cota
inferior, temos
I(f; P) ≤ inf
_
S(f; Q) ; Q ∈ T[a, b]
_
∀P ∈ T[a, b].
Portanto, inf
_
S(f; Q) ; Q ∈ T[a, b]
_
´e cota superior de
_
I(f; P) ; P ∈ T[a, b]
_
. Final-
mente, usando que o supremo e a menor cota inferior obtemos o resultado.
140 CAP
´
ITULO 9. INTEGRAL DE RIEMANN
DEFINIC¸
˜
AO 193. Definimos a soma inferior e a soma superior de f com rela¸c˜ao a P,
respectivamente, por
I(f; P) =
n

i=1
m
i
∆x
i
=
n

i=1
inf(f(I
i
))∆x
i
e S(f; P) =
n

i=1
M
i
∆x
i
=
n

i=1
sup(f(I
i
))∆x
i
.
A interpreta¸ c˜ao geom´etrica de I(f; P) e S(f; P) para uma fun¸c˜ao f cont´ınua e positiva
´e dada na Figura 9.1. A ´area pintada de cinza (riscada ou n˜ao) corresponde a S(f; P)
enquanto que a ´area riscada corresponde a I(f; P). Vemos ent˜ao que S(f; P) e I(f; P)
s˜ao aproxima¸c˜ oes por excesso e por falta, respectivamente, para a ´area
1
da regi˜ao delimitada
pelo gr´afico de f, o eixo x, a reta x = a e a reta x = b. Observamos ainda que a ´area riscada
est´a contida na ´area cinza, refletindo o fato que I(f; P) ≤ S(f; P).
x
0
=
a
x
1
x
i−1
x
i
x
i+1
x
n−1
x
n
=
b
Figura 9.1: Interpreta¸ c˜ao geom´etrica soma superior e inferior para uma fun¸c˜ao cont´ınua e
positiva.
Exemplo 9.1. Se a ´e um elemento do dom´ınio de f, ent˜ao f ´e limitada em ¦a¦ e I
_
f; ¦a¦
_
=
S
_
f; ¦a¦
_
= 0.
Exemplo 9.2. Consideremos uma fun¸c˜ao f constante, igual a c, em um intervalo [a, b].
Seja P = ¦x
0
, . . . , x
n
¦ uma parti¸ c˜ao de [a, b]. Temos m
i
= inf(f(I
i
)) = c. Portanto,
I(f; P) =
n

i=1
m
i
∆x
i
= c
n

i=1
∆x
i
= c(b −a). Analogamente obtemos S(f; P) = c(b −a).
´
E f´acil ver que I(f; P) ≤ S(f; P). A proposi¸c˜ao a seguir ´e uma generaliza¸ c˜ao deste
resultado.
1
O que ´e ´area de uma regi˜ao delimitada por linhas tortas?
3.2. ⋆ CORTES DE DEDEKIND. 41
DEFINIC¸
˜
AO 62. Sejam A, B ∈ Ω. Definimos A ⊙B por
A ⊙B =
_
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
_
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
_
[A[ ⊙[B[ se Z(0) ⊂ A e Z(0) ⊂ B,
⊖([A[ ⊙[B[) se Z(0) ⊂ A e B Z(0),
⊖([A[ ⊙[B[) se A Z(0) e Z(0) ⊂ B,
[A[ ⊙[B[ se A Z(0) e B Z(0).
(3.1)
TEOREMA 63. Sejam A, B, C ∈ Ω. Temos que:
i. A⊙B = B ⊙A; ii. (A⊙B) ⊙C = A ⊙(B ⊙C); iii. A⊙Z(1) = A.
Onde Z(1) = ¦p ∈ Q ; p < 1¦ (conforme a Defini¸ c˜ao 51).
Demonstra¸c˜ao. Suponhamos, inicialmente, que Z(0) ⊂ A∩ B ∩ C.
(i) Seja r ∈ A ⊙ B. Se r < 0, ent˜ao ´e imediato que r ∈ B ⊙ A. Suponhamos r ≥ 0.
Podemos escrever r = p q com p ∈ A, q ∈ B, p ≥ 0 e q ≥ 0. Pela comutatividade
do produto de n´umeros racionais, temos r = q p com q ∈ B, p ∈ A, q ≥ 0 e p ≥ 0.
Conclu´ımos que r ∈ B ⊙ A e, portanto, A ⊙ B ⊂ B ⊙ A. Da mesma maneira mostra-se a
inclus˜ao contr´aria.
(ii) Esta propriedade ´e consequˆencia imediata da associatividade do produto de n´umeros
racionais (assim como (i) ´e da comutatividade).
(iii) Observamos inicialmente que Z(0) ⊂ Z(1). Seja r ∈ A ⊙ Z(1). Novamente, se
r < 0, ent˜ao ´e imediato que r ∈ Z(0) ⊂ A. Suponhamos r ≥ 0. Escrevemos r = p q com
p ∈ A, q ∈ Z(1) e p ≥ 0. Ora q ∈ Z(1) significa q < 1, logo, p q ≤ p 1, i.e., r ≤ p.
Como A ´e corte, segue que r ∈ A. Mostramos assim que A ⊙ Z(1) ⊂ A. Reciprocamente,
seja r ∈ A. Se r < 0, ent˜ao r ∈ A ⊙ Z(1). Suponhamos r ≥ 0. Tomemos p ∈ A tal
que 0 ≤ r < p. Se q = r/p, ent˜ao 0 ≤ q < 1 e, portanto, q ∈ Z(1). Conclu´ımos que
r = p q ∈ A ⊙Z(1).
O caso geral ´e consequˆencia da parte j´a demonstrada. Por exemplo, vamos mostrar (i)
para A Z(0) ⊂ B. Neste caso, A⊙B = ⊖([A[ ⊙[B[) = ⊖([B[ ⊙[A[) = B⊙A. A primeira
igualdade segue da terceira linha de (3.1), a segunda igualdade ´e a parte j´a demonstrada do
teorema e a terceira igualdade segue da segunda linha de (3.1). Deixo para o leitor a tarefa
de terminar a prova do teorema.
PROPOSIC¸
˜
AO 64. Seja A ∈ Ω tal que Z(0) A. O conjunto
B = ¦p ∈ Q ; p ≤ 0 ou p
−1
∈ A

e ∃q ∈ A

tal que q < p
−1
¦
´e corte.
Demonstra¸c˜ao. Claramente temos −1 ∈ B. Seja p ∈ A tal que p > 0. Temos que
p
−1
∈ B

. De fato, se fosse p
−1
∈ B, ent˜ao ter´ıamos p = (p
−1
)
−1
∈ A

, que ´e absurdo.
Sejam p ∈ B e q < p. Se q ≤ 0, ent˜ao trivialmente temos q ∈ B. Suponhamos q > 0 e,
portanto, p > q > 0. Temos p
−1
< q
−1
. Como p
−1
∈ A

, segue que q
−1
∈ A

e que q
−1
n˜ao
´e m´ınimo de A

. Conclu´ımos que q ∈ B.
42 CAP
´
ITULO 3. N
´
UMEROS REAIS
Seja p ∈ B. Vamos mostrar que existe q ∈ B tal que p < q. Claramente existe q ∈ B
com q > 0, logo, se p ≤ 0, ent˜ao n˜ao h´a nada a ser demonstrado. Suponhamos p > 0. Por
defini¸c˜ao de B, existe r ∈ A

tal que r < p
−1
. Tomando s = (r +p
−1
)/2 temos r < s < p
−1
e, portanto, s ∈ A

. Tomando q = s
−1
temos p < q e tamb´em q ∈ B pois q
−1
∈ A

e
r < q
−1
.
DEFINIC¸
˜
AO 65. Seja A ∈ Ω tal que A ,= Z(0). Se Z(0) A ent˜ao o corte B da
Proposi¸c˜ao 64 ´e denotado A
⊖1
e chamado inverso de A. Se A Z(0), ent˜ao definimos
A
⊖1
= ⊖([A[
⊖1
).
O teorema a seguir justifica porque chamamos o corte A
⊖1
de inverso de A.
TEOREMA 66. Seja A ∈ Ω tal que A ,= Z(0). Temos A⊙(A
⊖1
) = Z(1).
Demonstra¸c˜ao. Suponhamos inicialmente que Z(0) A.
Seja r ∈ A ⊙ (A
⊖1
). Se r ≤ 0, ent˜ao r ∈ Z(1). Suponhamos r > 0. Ent˜ao existem
s ∈ A, p ∈ A
⊖1
e q ∈ A

tais que r = s p, s > 0, p > 0 e q < p
−1
. Como s ∈ A e q ∈ A

,
temos s < q. De q < p
−1
segue que p < q
−1
e, pela monotonia da multiplica¸c˜ao, s p < s/q.
Portanto, r = s p < s/q < 1. Conclu´ımos que r ∈ Z(1).
Reciprocamente, seja r ∈ Z(1). Como antes, se r < 0, ent˜ao ´e imediato que r ∈ A ⊙
(A
⊖1
). Por outro lado, se r = 0, ent˜ao, como 0 ∈ A e 0 ∈ A
⊖1
, temos r = 0 0 ∈ A⊙(A
⊖1
).
Suponhamos r > 0. Seja s ∈ A com s > 0 e n o menor natural tal que s (r
−1
)
n
∈ A

(tal
n existe pois r < 1 e, portanto, r
−1
> 1). Tomemos
p
1
= s (r
−1
)
n−1
e t = s (r
−1
)
n
.
Pela escolha de n, temos p
1
∈ A e t ∈ A

. Seja p ∈ A tal que p
1
< p e tomemos
q = t
−1
p
−1
p
1
. De p
1
< p segue que t < t p p
−1
1
= q
−1
. Obtemos assim que q ∈ A

e
da´ı que q ∈ A
⊖1
. Temos ainda
p q = p t
−1
p
−1
p
1
= s
−1
r
n
s (r
−1
)
n−1
= r.
Conclu´ımos que r ∈ A⊙A
⊖1
.
Consideremos o caso A Z(0). Temos trivialmente que A
⊖1
Z(0). Da defini¸c˜ao de
produto de cortes e da parte j´a demonstrada do teorema obtemos
A⊙(A
⊖1
) = [A[ ⊙[A
⊖1
[ = [A[ ⊙ [ ⊖([A[
⊖1
)[ = [A[ ⊙([A[
⊖1
) = Z(1).
TEOREMA 67. Sejam A, B, C ∈ Ω. Temos que (A ⊕B) ⊙C = (A⊙C) ⊕(B ⊙C).
Demonstra¸c˜ao. Suponhamos inicialmente Z(0) ⊂ A∩ B ∩ C.
Seja r ∈ (A ⊕ B) ⊙ C. Vamos mostrar que r ∈ (A ⊙ C) ⊕ (B ⊙ C). Em vista das
observa¸c˜ oes 3.1 e 3.3 temos Z(0) ⊂ (A ⊙ C) ⊕ (B ⊙ C) e, portanto, basta considerar o
caso r ≥ 0. Podemos supor ainda que r > 0 pois, neste caso, se r ´e elemento do corte
(A ⊙ C) ⊕ (B ⊙ C), ent˜ao 0 tamb´em ´e. Neste caso, existem p ∈ A ⊕ B e q ∈ C tais que
Cap´ıtulo 9
Integral de Riemann
9.1 Somas superiores e inferiores.
O conceito de integral tem suas origens no M´etodo da Exaust˜ao devido, provavelmente,
a Eudoxo e que teve Arquimedes
1
como um dos seus grandes desenvolvedores. A motiva¸c˜ao
deste m´etodo foi o c´alculo de ´areas e volumes de figuras com fronteiras curvas.
Apresentaremos aqui a integral de Riemann
2
usando a defini¸c˜ao devida a Darboux
3
[Da].
Para o autor, a importˆancia da integral de Riemann ´e, sobretudo, hist´orica. A integral de
Lebesgue generaliza este conceito com muitas vantagens anal´ıticas. Por´em, a sua defini¸c˜ao
exige ferramental muito mais complicado e abstrato. Portanto, a integral de Riemann tamb´em
tem importˆancia did´atica. Ela serve de aquecimento `a intui¸ c˜ao para o estudo posterior da
integral de Lebesgue. O leitor interessado no assunto poder´a consultar [Ru1].
DEFINIC¸
˜
AO 191. Chamamos parti¸ c˜ao de [a, b] qualquer P ⊂ [a, b] finito tal que a, b ∈ P.
O conjunto das parti¸ c˜ oes de [a, b] ´e denotado T[a, b].
A defini¸c˜ao anterior n˜ao exclui a possibilidade a = b. Neste caso, a ´unica parti¸ c˜ao do
intervalo (degenerado) ¦a¦ ´e P = ¦a¦.
´
E imediato que se P, Q ∈ T[a, b], ent˜ao P ∪ Q ∈
T[a, b]. Se P ∈ T[a, b], ent˜ao ao escrever P = ¦x
0
, . . . , x
n
¦, deixaremos subentendido que
a = x
0
≤ ≤ x
n
= b.
DEFINIC¸
˜
AO 192. Seja f uma fun¸c˜ao limitada em [a, b] e P = ¦x
0
, . . . , x
n
¦ uma parti¸ c˜ao
de [a, b]. Para cada i ∈ ¦1, . . . , n¦, definimos
I
i
= [x
i−1
, x
i
], ∆x
i
= x
i
−x
i−1
, m
i
= inf (f(I
i
)) e M
i
= sup(f(I
i
)).
Note que
n

i=1
∆x
i
= b −a.
1
Arquimedes: ⋆ 287 A.C., Siracusa, It´alia - † 212 A.C., Siracusa, It´alia.
2
Georg Friedrich Bernhard Riemann: ⋆ 17/09/1826, Breselenz, Alemanha - † 20/07/1866, Selasca, It´alia.
3
Jean Gaston Darboux: ⋆ 14/08/1842, Nimes, Fran¸ ca - † 23/02/1917, Paris, Fran¸ ca.
139
138 CAP
´
ITULO 8. DERIVADA
Dica: para (b) use (a) ou se o m´ınimo ocorre emx
0
considere o conjunto ¦x ∈ [x
0
, b]; f(y) =
f(x
0
) para todo y ∈ [x
0
, x]¦.
8.6.3 ⋆ Newton e l’Hospital
⋆ 32. (extra) Sejam m ∈ N e a ≥ 0. Escreva a defini¸c˜ao da sequˆencia (x
n
)
n∈N
de aproxima¸c˜ oes
dada pelo M´etodo de Newton para a raiz da fun¸c˜ao f : [0, +∞) → R definida por f(x) =
x
m
−a para todo x ≥ 0 (compare com a sequˆencia do Exerc´ıcio 39 do Cap´ıtulo 4).
⋆ 33. (extra) Prove que para a convergˆencia do M´etodo de Newton (Teorema 186) a hip´ otese
de continuidade de f
′′
em a pode ser substitu´ıda pela limita¸ c˜ao de f
′′
em (a −ε, a +ε).
⋆ 34. (extra) Suponha que f ´e suave e que [f

(c)[ < 1.
(a) Prove que existe ε > 0 tal que o m´etodo x
n+1
= f(x
n
) converge para todo x
0

(c −ε, c +ε);
Dica: x
n+1
−x
n
= f(x
n
) −f(x
n−1
)
(b) Seja a = lim
n→+∞
x
n
. Prove que f(a) = a;
(c) Prove que [x
n+1
−a[ < ρ
n
para algum ρ ∈ (0, 1).
→ 35. Seja p um polinˆomio n˜ao constante. Prove que
(a) lim
x→+∞
e
x
[p(x)[
= +∞; (b) lim
x→+∞
ln x
[p(x)[
= 0.
→ 36. Prove que 1 +x+x
2
/2! +x
3
/3! + +x
n
/n! ≤ e
x
para x ≥ 0. Utilize isto para provar
que lim
x→+∞
e
x
x
n
= +∞ ([Sp] p.298 no.21).
Dica: Use indu¸c˜ao e compare derivadas.
⋆ 37. (extra) Indetermina¸c˜ oes: Porque ∞
0
,= 1? (Ver [Ap] p.209–210) De forma geral os
problemas envolvendo limites do tipo ∞
0
d˜ao 1.
(a) Prove que lim
x→∞
(e
x
+x)
1/x
= e; (b) Determine lim
x→0
x
α/ log x
;
Suponha que f(x) satisfaz f(0) = 0 e possui derivada numa vizinhan¸ca da origem.
(c) Prove que se o limite lim
x→0
f(x)/f

(x) existe ent˜ao vale 0;
(d) Conclua que neste caso lim
x→0
x
f(x)
= 1;
(e) Porque (a) e (b) n˜ao satisfazem (d)?
⋆ 38. (extra) Defina f(y) =
_
b
a
t
y
dt. para 0 < a < b fixos. Prove que f ´e cont´ınua em −1.
Dica: Use l’Hospital para determinar lim
y→−1
f(y) = ln(b) −ln(a) ([Ap] p.309).
3.2. ⋆ CORTES DE DEDEKIND. 43
r = p q, p > 0 e q > 0. Ora p ∈ A ⊕ B, logo, podemos escrever p = s + t com s ∈ A e
t ∈ B. Vamos mostrar que s q ∈ A⊙C (da mesma maneira mostra-se que t q ∈ B⊙C). Se
s q < 0, ent˜ao, novamente gra¸cas `as observa¸c˜ oes 3.1 e 3.3, ´e imediato que s q ∈ A⊙C. Por
outro lado, se 0 ≤ s q, ent˜ao, como q > 0, temos que s ≥ 0 e da´ı segue que s q ∈ A⊙C.
Tendo r = s q+t q com s q ∈ A⊙C e t q ∈ B⊙C, conclu´ımos que r ∈ (A⊙C)⊕(B⊙C).
Seja r ∈ (A ⊙ C) ⊕ (B ⊙ C) e mostremos que r ∈ (A ⊕ B) ⊙ C. Como antes, basta
considerar o caso r > 0. Existem p ∈ A⊙C e q ∈ B ⊙C tais que r = p +q. Como 0 < r,
temos p > 0 ou q > 0. Para fixar as ideias, suponhamos p > 0. Neste caso, existem s ∈ A
e t ∈ C tais que p = s t, s > 0 e t > 0. Vamos considerar separadamente os casos q > 0,
q = 0 e q < 0.
q > 0 . Existem u ∈ B e v ∈ C tais que q = u v, u > 0 e v > 0. Suponhamos v ≤ t (o
caso v > t se trata analogamente). Temos r = s t +u v = (s +u v/t) t. Como v/t ≤ 1
temos que u v/t ∈ B. Segue que r ∈ (A⊕B) ⊙C.
q = 0 . Tomemos q

∈ B ⊙ C tal que q < q

. Como r = p + q < p + q

e, pelo caso
anterior, p +q

∈ (A⊕B) ⊙C, conclu´ımos que r ∈ (A⊕B) ⊙C.
q < 0 . Escrevemos r = (s + q t
−1
) t. Como q t
−1
< 0, segue que q t
−1
∈ B.
Conclu´ımos que r ∈ (A⊕B) ⊙C (observe que s +q t
−1
> 0).
Cada um dos outros casos (para os quais n˜ao vale Z(0) ⊂ A, Z(0) ⊂ B e Z(0) ⊂ C) ´e
tratado de maneira an´aloga ou ´e consequˆencia deste que acabamos de demonstrar.
Os teoremas 55, 58, 63, 66 e 67 nos dizem que (Ω, ⊕, ⊙) ´e um corpo. Al´em disto, a rela¸c˜ao
de inclus˜ao ⊂ ´e uma rela¸c˜ao transitiva, antissim´etrica e completa em Ω. Para concluirmos
que (Ω, ⊕, ⊙, ⊂) ´e um corpo ordenado falta estabelecer a monotonia das opera¸ c˜ oes. Este ´e
o assunto do pr´ oximo teorema.
TEOREMA 68. Sejam A, B, C ∈ Ω. Temos:
i. se A ⊂ B, ent˜ao A ⊕C ⊂ B ⊕C;
ii. se A ⊂ B e Z(0) ⊂ C, ent˜ao A⊙C ⊂ B ⊙C;
iii. se A ⊂ B e C ⊂ Z(0), ent˜ao B ⊙C ⊂ A⊙C.
Demonstra¸c˜ao. Seja r ∈ A ⊕ C. Ent˜ao existem p ∈ A e q ∈ C tais que r = p + q. Ora,
A ⊂ B e, portanto, p ∈ B. Segue que A⊕C ⊂ B ⊕C.
Do item (i), tomando C = ⊖A, obtemos Z(0) ⊂ B ⊕ (⊖A). Gra¸cas `a Observa¸ c˜ao 3.3,
p.40 temos Z(0) ⊂ (B ⊕(⊖A)) ⊙C = (B ⊙C) ⊕(⊖A) ⊙C. Somando A⊙C, novamente
do item (i), obtemos (ii).
O ´ultimo item se demonstra de maneira an´aloga a (ii).
Terminaremos esta se¸ c˜ao com uma importante proposi¸c˜ao sobre a fun¸c˜ao Z.
PROPOSIC¸
˜
AO 69. A fun¸c˜ao Z ´e injetiva. Al´em disto Z ´e um homomorfismo de corpos
ordenados, i.e., para todo p, q ∈ Q temos:
i. p ≤ q se, e somente se, Z(p) ⊂ Z(q);
ii. Z(p +q) = Z(p) ⊕Z(q);
iii. Z(p q) = Z(p) ⊙Z(q).
Demonstra¸c˜ao. A injetividade de Z e a Propriedade (i) s˜ao triviais.
44 CAP
´
ITULO 3. N
´
UMEROS REAIS
Vamos mostrar (ii). Seja r ∈ Z(p +q), i.e., r < p +q. Temos
r =
_
p +
r −p −q
2
_
+
_
q +
r −p −q
2
_
.
Vemos que r−(p+q) < 0 e, portanto, p+(r−p−q)/2 < p. Segue que p+(r−p−q)/2 ∈ Z(p).
Analogamente, q +(r −p −q)/2 ∈ Z(q). Conclu´ımos que r ∈ Z(p) ⊕Z(q). Tomemos agora
r ∈ Z(p) ⊕ Z(q) e sejam s ∈ Z(p) e t ∈ Z(q) tais que r = s + t. Como s < p e t < q,
temos r = s +t < p +q. Conclu´ımos que r ∈ Z(p +q).
Note que aplicando o item (ii) a q = −p obtemos Z(0) = Z(p) ⊕ Z(−p) e, portanto,
⊖Z(p) = Z(−p).
(iii) Suponhamos inicialmente p ≥ 0 e q ≥ 0, de modo que Z(0) ⊂ Z(p) ∩ Z(q). Seja
r ∈ Z(p q), i.e., r < p q. Se r < 0, ent˜ao temos imediatamente r ∈ Z(p) ⊙ Z(q).
Suponhamos r ≥ 0. Teremos ent˜ao p > 0 e q > 0. Seja s = (r + p q)/2, de modo
que r < s < p q. Temos r =
_
p
r
s
_

_
q
s
p q
_
. Vemos que r/s < 1 e, portanto,
pr/s < p. Segue que pr/s ∈ Z(p). Da mesma maneira q s/(p q) ∈ Z(q). Conclu´ımos
que r ∈ Z(p) ⊙ Z(q). Seja agora r ∈ Z(p) ⊙ Z(q). Se r < 0, ent˜ao trivialmente temos
r ∈ Z(p q). Suponhamos r ≥ 0. Existem s ∈ Z(p) e t ∈ Z(q) tais que r = s t, s ≥ 0
e t ≥ 0. De 0 ≤ s < p e 0 ≤ t < q, gra¸cas `a monotonia da multiplica¸c˜ao, obtemos
s t ≤ p t < p q. Conclu´ımos que r ∈ Z(p q).
O caso geral (p e q n˜ao necessariamente positivos) segue do que acabamos de demonstrar
usando a regra dos sinais e o fato que ⊖Z(p) = Z(−p).
Uma propriedade fundamental de (Ω, ⊕, ⊙, ⊂) e a chamada completeza. Antes de
enunci´a-la precisamente, vamos interpretar a Defini¸ c˜ao 46 de subconjunto limitado superi-
ormente em (Ω, ⊕, ⊙, ⊂). Um conjunto Γ ⊂ Ω ´e limitado superiormente pela cota superior
S ∈ Ω se A ⊂ S para todo A ∈ Γ.
A pr´ oxima defini¸c˜ao, com adapta¸c˜ao ´obvia, tem sentido em qualquer corpo ordenado.
Por´em, nos limitaremos a (Ω, ⊕, ⊙, ⊂).
DEFINIC¸
˜
AO 70. Seja Γ ⊂ Ω, n˜ao vazio. Se existir S ∈ Ω que seja a menor cota superior
de Γ, isto ´e,
i. A ⊂ S para todo A ∈ Γ; ii. se R ´e cota superior de Γ, ent˜ao S ⊂ R;
ent˜ao dizemos que S ´e supremo (finito) de Γ, e escrevemos sup Γ = S. Quando Γ ´e ilimitado
superiormente (n˜ao existe cota superior para Γ), dizemos que o supremo de Γ ´e mais infinito
e escrevemos sup Γ = +∞.
Exemplo 3.2. Seja Γ = ¦A ∈ Ω ; A ⊂ Z(0)¦.
´
E imediato que Z(0) ´e cota superior de Γ e,
portanto, Γ ´e limitado superiormente. Tamb´em ´e imediato que Z(0) ´e o supremo de Γ.
TEOREMA 71. O corpo ordenado (Ω, ⊙, ⊕, ⊂) ´e completo, i.e., todo subconjunto de Ω
n˜ao vazio e limitado superiormente tem supremo finito.
Demonstra¸c˜ao. Seja Γ ⊂ Ω n˜ao vazio e limitado superiormente e seja S a uni˜ao de todos
os elementos de Γ, i.e., S =
_
A∈Γ
A.
´
E imediato que A ⊂ S para todo A ∈ Γ e tamb´em que
8.6. EXERC
´
ICIOS. 137
23. Suponha que f ∈ (
1
(R; R) e f

(a) > 0. Prove que existe δ > 0 tal que f ´e estritamente
crescente em I = B
δ
(a). A hip´ otese da continuidade da derivada ´e fundamental. Confronte
com exerc´ıcio 2, p.133.
=⇒ 24. Suponha que f ∈ (
2
(R; R). Prove que o conjunto dos pontos cr´ıticos de f:
(a) ´e fechado; (b) n˜ao-degenerados (f
′′
,= 0) ´e isolado; (c) n˜ao-degenerados ´e
enumer´avel.
Dica: Use a enumerabilidade dos racionais e defina uma fun¸c˜ao sobrejetiva de Q nos
pontos cr´ıticos n˜ao-degenerados.
=⇒ 25. (modifica¸c˜ oes do Teorema de Rolle) Seja f : R →R deriv´avel. Prove que existe c ∈ R
tal que f

(c) = 0 se:
(a) f(0) = lim
x→+∞
f(x) = 0; (b) f ´e um polinˆomio de grau par;
(c) lim
x→−∞
f(x) = lim
x→+∞
f(x) = π.
26. N´os provamos que o Teorema 176 (Teorema de Rolle) implica no Corol´ario 177 (Teorema
do Valor M´edio). Prove a rec´ıproca e a equivalˆencia com o Teorema 179 (Teorema de Cauchy).
=⇒ 27. Dizemos que f : I → R ´e anal´ıtica num intervalo aberto I se para cada a ∈ I existe
ε > 0 tal que a s´erie de Taylor

n=0
f
(n)
(a)
n!
h
n
= f(a+h) para todo [h[ < ε. Prove que se f e
g s˜ao anal´ıticas num intervalo aberto I e coincidem, juntamente com todas as suas derivadas
no ponto a ent˜ao:
(a) f(x) = g(x) para todo x numa vizinhan¸ca de a;
(b) f(x) = g(x) para todo x ∈ I ([L] p.236 no.45).
28. Calcule a s´erie de Taylor de f(x) = e
−1/x
2
em x = 0. Observe que a s´erie n˜ao converge
para a fun¸c˜ao em vizinhan¸ca alguma do zero, isto ´e, a fun¸c˜ao n˜ao ´e anal´ıtica em zero.
⋆ 29. (extra) Suponha que f ´e α-H¨ older cont´ınua (ver exerc´ıcio 48, p.118) com α > 1. Prove
que:
(a)f ´e deriv´avel; (b) f ´e constante.
♯ 30. (dif´ıcil) Prove que se f pode ser diferenciada duas vezes em [0, 1] com f(0) = 0,
f(1) = 1 e f

(0) = f

(1) = 0 ent˜ao [f
′′
(x)[ ≥ 4 para algum x ∈ [0, 1]. Em linguagem
mais pitoresca: Se uma part´ıcula percorre uma unidade em um instante de tempo e come¸ ca e
termina com velocidade zero ent˜ao em algum instante ela possui acelera¸ c˜ao ≥ 4 ([Sp] p.184
no.25).
Dica: Prove que a acelera¸ c˜ao ´e maior que 4 em algum instante na primeira metade do
tempo ou que ´e menor que −4 em algum instante na segunda metade do tempo.
♯ 31. (dif´ıcil) Suponha que todo ponto de [a, b] ´e um ponto de m´aximo local de f.
(a) Prove que o conjunto f([a, b]) ´e enumer´avel ([Sp] p.371 no.8).
Dica: Para cada x escolha n´umeros racionais a
x
e b
x
tais que x ´e m´aximo no intervalo
(a
x
, b
x
).
(b) Prove que se f ´e cont´ınua em [a, b] e todo ponto de [a, b] ´e um ponto de m´aximo
local ent˜ao f ´e constante ([Sp] p.190 no.50).
(c) Refa¸ca (a) e (b) supondo que todo ponto ´e de m´aximo ou m´ınimo local.
136 CAP
´
ITULO 8. DERIVADA
(a) Prove que se f : R → R ´e deriv´avel e tem n ra´ızes, ent˜ao f

tem pelo menos n − 1
ra´ızes.
(b) Prove a vers˜ao real do Teorema Fundamental da
´
Algebra.
Sugest˜ao: Em 16(b) proceda por indu¸c˜ao e use 16(a).
⋆ 17. (extra) (Princ´ıpio do M´aximo em R) Suponha que u : R →R ´e uma fun¸c˜ao suave que
satisfaz u
′′
(x) + g(x)u

(x) ≥ 0 para todo x ∈ [a, b]. Prove que o m´aximo de u ocorre em a
ou b, isto ´e, na fronteira de [a, b].
Dica: Prove por contradi¸c˜ao, supondo que m´aximo est´a no interior. Comece com desi-
gualdade estrita. Depois tome v(x) = u(x) +εx
2
, use desigualdade estrita e fa¸ca ε → 0.
♯ 18. (dif´ıcil) (Teorema de Darboux) Seja f : R →R cont´ınua e diferenci´avel (com derivada
n˜ao necessariamente cont´ınua). Prove que g = f

satisfaz o TVI em qualquer intervalo [a, b]:
Dado c entre g(a) e g(b) existe um x ∈ [a, b] tal que g(x) = f

(x) = c.
Dica: Ver wikipedia.
♯ 19. (dif´ıcil) Seja f
t
: (0, 1) →R definido por f(x) = 1/q
t
se x = p/q ∈ Q fra¸c˜ao irredut´ıvel
n˜ao nula e f(x) = 0 caso contr´ario. Prove que:
(a) se t ≤ 2 ent˜ao f
t
n˜ao ´e diferenci´avel em ponto algum;
(b) se t > 2 ent˜ao f
t
´e diferenci´avel nos irracionais.
8.6.2 Extremos locais, TVM e Taylor
20. Seja f : [−1, 2] →R dada por f(x) = x
3
−x. Determine os conjuntos
A = ¦x ∈ [−1, 2] ; x ´e m´ınimo global de f¦,
B = ¦x ∈ [−1, 2] ; x ´e m´aximo global de f¦,
C = ¦x ∈ [−1, 2] ; x ´e m´ınimo local de f¦,
D = ¦x ∈ [−1, 2] ; x ´e m´aximo local de f¦.
21. Se a
1
< < a
n
, encontre o m´ınimo global de ([Sp] p.181 no.3):
(a) f(x) =
n

i=1
(x −a
i
)
2
; ⋆ (b) g(x) =
n

i=1
[x −a
i
[.
Dica para (b): como a fun¸c˜ao ´e linear entre os intervalos, o m´ınimo ocorre em um dos
a
i
’s. Considere como g(x) se modifica quando se passa de um intervalo a outro.
22. Determine todos os m´aximos e m´ınimos locais e globais de ([Sp] p.181 no.4):
(a) f(x) = 1/x
2
se x ,= 0, f(0) = 0; (b) f(x) = xI
Q
(x);
(c) f = I
A
, onde A = ¦1/n; n ∈ N¦; (d) f = I
[0,+∞)
;
(e) f(x) = 0 se x ∈ Q

, f(p/q) = 1/q se p/q ´e fra¸c˜ao irredut´ıvel com q > 0 e f(0) = 0;
(f) f(x) = 0 se x ∈ Q

, f(p/q) = (−1)
p
q se p/q ´e fra¸c˜ao irredut´ıvel com q > 0 e
f(0) = 0;
(g) f(x) = 1 se 5 aparece na expans˜ao decimal de x e f(x) = 0 caso contr´ario.
Dica: Para (e) e (f), veja exerc´ıcio 17(f), p.115.
3.3. N
´
UMEROS REAIS. 45
S ⊂ M quando M ∈ Ω que ´e cota superior de Γ. Logo, basta mostrar que S ´e corte para
concluir que S ´e o supremo de Γ.
Claramente S ,= ∅. Seja M ∈ Ω uma cota superior de Γ. Temos que S ⊂ M e, portanto,
que M

⊂ S

. Em particular, temos que S

,= ∅.
Seja p ∈ S e r ∈ Q tal que r < p. Sendo p ∈ S temos que existe A ∈ Γ tal que p ∈ A.
Ora, A ´e corte, logo, r ∈ A e existe q ∈ A tal que p < q. Como A ⊂ S, temos r ∈ S e
q ∈ S. Conclu´ımos a prova de que S ´e corte.
Terminamos nossa tarefa de mostrar que (Ω, ⊕, ⊙, ⊂) ´e um corpo ordenado completo.
A partir de agora, vamos mudar as nota¸ c˜ oes e nomenclaturas. Um corte ser´a chamado de
n´ umero real, o conjunto Ω passa a ser denotado R e ser´a chamado de conjunto dos
n´ umeros reais. Os s´ımbolos ⊕ e ⊙ ser˜ao substitu´ıdos por + e respectivamente. E,
em se tratando de cortes, passamos a escrever x ≤ y ao inv´es de x ⊂ y. Observamos
que, rigorosamente falando, um n´umero racional n˜ao ´e n´umero real. De fato, um n´umero
racional ´e um elemento do conjunto Q enquanto que um n´umero real ´e um subconjunto de
Q. No entanto, atrav´es da fun¸c˜ao Z (Defini¸c˜ao 51) passamos de um n´umero racional r ao
n´umero real Z(r). Sendo Z injetiva (ver Proposi¸c˜ao 69) temos que o conjunto Z(Q) ´e um
subconjunto de R que ´e uma esp´ecie de “c´opia” ou “clone” de Q. Esta no¸c˜ao ´e precisada
matematicamente pelo fato de Z ser um homomorfismo injetivo (ver Proposi¸c˜ao 69). Por
esta raz˜ao, podemos, e faremos, os seguintes abusos de nota¸ c˜ao e de linguagem: “Q ⊂ R”
ou “todo n´umero racional ´e n´umero real”. E ainda, Z(0) passa a ser notado 0, Z(1) passa a
ser notado 1, etc.
3.3 N´ umeros reais.
Neste ponto assumimos que constru´ımos o corpo ordenado (R, +, , ≤) dos n´umeros reais.
Vamos definir o supremo (simbolizado por sup) e ´ınfimo (simbolizado por inf) de subcon-
juntos n˜ao-vazios de R. Para isto primeiro introduzimos os conceitos de cota superior e
cota inferior.
DEFINIC¸
˜
AO 72. Seja A ⊂ R, n˜ao vazio. Dizemos que:
i. r ´e cota superior de A se a ≤ r para todo a ∈ A;
ii. r ´e cota inferior de A se r ≤ a para todo a ∈ A.
DEFINIC¸
˜
AO 73. Seja A ⊂ R, n˜ao vazio. Se existir s ∈ R que seja a menor cota superior
de A, isto ´e,
i. a ≤ s para todo a ∈ A (s ´e cota superior);
ii. se r ´e cota superior de A, ent˜ao s ≤ r (s ´e a menor cota superior);
ent˜ao dizemos que s ´e supremo (finito) de A, e escrevemos sup A = s. Quando A ´e ilimitado
superiormente (n˜ao existe cota superior para A) dizemos que o supremo de A ´e mais infinito
e escrevemos sup A = +∞.
46 CAP
´
ITULO 3. N
´
UMEROS REAIS
DEFINIC¸
˜
AO 74. Seja A ⊂ R, n˜ao vazio. Se existir i ∈ R que seja a maior cota inferior de
A, isto e,
i. i ≤ a para todo a ∈ A (s ´e cota inferior);
ii. se r ´e cota inferior de A, ent˜ao r ≤ i (s ´e a maior cota inferior);
ent˜ao dizemos que i ´e ´ınfimo (finito) de A, e escrevemos inf A = i. Quando A ´e ilimitado
inferiormente (n˜ao existe cota inferior para A), dizemos que o ´ınfimo de A ´e menos infinito
e escrevemos inf A = −∞.
Agora introduzimos a propriedade que distingue Q de R.
DEFINIC¸
˜
AO 75. Dizemos que um corpo ordenado (K, +, , ≤) ´e completo se todo sub-
conjunto de K n˜ao-vazio limitado superiormente tem supremo (finito).
´
E parte fundamental nas constru¸c˜ oes dos n´umeros reais apresentadas na p´agina 36 que R
´e completo e cont´em Q.
TEOREMA 76. (R ´e completo) Seja A ⊂ R, n˜ao vazio. Se A ´e limitado superiormente,
ent˜ao A tem supremo finito. Se A ´e limitado inferiormente, ent˜ao A tem ´ınfimo finito.
Demonstra¸c˜ao. Para a constru¸c˜ao feita na Se¸ c˜ao 3.2, observamos que as defini¸c˜ oes 73 e
70 s˜ao equivalentes, diferindo apenas na nota¸ c˜ao. Da mesma forma, a primeira afirma¸c˜ao do
Teorema 76 ´e uma nova vers˜ao do Teorema 71.
A segunda afirma¸c˜ao do Teorema 76 ´e consequˆencia da primeira (independente da cons-
tru¸ c˜ao dos reais que foi feita). De fato, verifica-se facilmente que se A´e limitado inferiormente,
ent˜ao B = ¦−x ; x ∈ A¦ ´e limitado superiormente e inf A = −sup B.
Daqui por diante n˜ao precisaremos saber da constru¸c˜ao do conjunto de n´umeros reais.
Tudo que precisamos saber ´e que (R, +, , ≤) ´e um corpo ordenado completo, isto ´e:
i. (R, +, ) satisfaz as propriedades da Defini¸ c˜ao 42, p.23 (´e corpo);
ii. a rela¸c˜ao ≤ em R satisfaz as condi¸c˜ oes da Defini¸ c˜ao 44, p.25 (ordenado);
iii. R ´e completo conforme Defini¸ c˜ao 75, p.46.
Num certo sentido R ´e o ´ unico corpo ordenado completo (veja exerc´ıcio 31, p.52 para
detalhes). Outros exemplos de corpos s˜ao:
• C, que n˜ao pode ser ordenado pelo exerc´ıcio 38(c), p.31;
• o conjunto dos n´umeros alg´ebricos, introduzido no exerc´ıcio 30, p.52, que est´a contido
em R e cont´em Q mas n˜ao ´e completo, e ´e corpo pelo exerc´ıcio 32, p.52;
• quat´ernios e octˆonios, generaliza¸ c˜ oes dos complexos, apresentados na Se¸ c˜ao 5.2.6;
• outras extens˜ oes de Q, apresentadas no exerc´ıcio 51, p.32;
• corpos finitos (Z
p
) apresentados no exerc´ıcio 52, p.33.
Um n´umero real que n˜ao ´e racional ´e dito n´ umero irracional. Al´em disso, no exerc´ıcio 30,
p.52, definimos n´ umeros alg´ebricos e transcendentes.
8.6. EXERC
´
ICIOS. 135
11. Seja f : R → R deriv´avel, com derivada limitada. Prove que existe c > 0 tal que a
fun¸c˜ao g : R →R, dada por g(x) = x + cf(x) para todo x ∈ R, ´e uma bije¸ c˜ao com inversa
deriv´avel.
12. Seja p(x) = x
3
+ ax
2
+ bx + c. Prove que p : R → R ´e uma bije¸ c˜ao com inversa
cont´ınua se, e somente se, a
2
≤ 3b ([L] p.231 no.6).
⋆ 13. (extra) Vamos deduzir a derivada de log e exp utilizando somente propriedades b´asicas
destas fun¸c˜ oes e supondo que elas s˜ao diferenci´aveis.
(a) Partindo da propriedade log(bx) = log(x) + log(b) e derivando obtemos log

(bx) =
b log

(bx) = log

(x). Tome x = 1 e conclua que log

(b) = log

(1)/b.
(b) Partindo da propriedade exp(x+b) = exp(x) exp(b) e derivando obtemos exp

(x+b) =
exp

(x) exp(b). Tome x = 0 e conclua que exp

(b) = exp

(0) exp(b).
Obs: Para provar que log

(1) = exp

(0) = 1 precisamos do limite fundamental. Note
que para provar (a) e (b) n˜ao utilizamos a base e, cuja defini¸c˜ao ´e motivada por simplificar o
c´alculo de derivada.
⋆ 14. (extra) Sejam f, g ∈ C
1
_
R
_
tais que f

= f, g

= g e f(0) = g(0) = 1. Prove que:
(a) f(x)f(−x) = 1 para todo x ∈ R; (b) g(x)f(−x) = 1 para todo x ∈ R;
(c) f = g.
→ 15. Dizemos que f ´e convexa em (a, b) se
f(λx + (1 −λ)y) ≤ λf(x) + (1 −λ)f(y) ∀λ ∈ [0, 1], ∀x, y ∈ (a, b).
Suponha que f ´e convexa. Prove que:
(a) (desigualdade de Jensen
1
) se λ
i
> 0 com
n

i=1
λ
i
= 1 ent˜ao f
_
n

i=1
λ
i
x
i
_

n

i=1
λ
i
f(x
i
).
(b) se a < b < c,
f(b) −f(a)
b −a

f(c) −f(b)
c −b
. Qual interpreta¸ c˜ao geom´etrica?
(c) se f ´e crescente em (x, y) ent˜ao ´e crescente em (y, +∞). Vale formula¸c˜ao an´aloga
se f for decrescente em (x, y). Qual?
(d) f ´e cont´ınua.
Dica: Dado α < c < x < β, aplique (b) em torno de c e de x. Depois passe ao limite
com x → c
+
para provar que f(c) −f(x) e f(x) −f(c) v˜ao para zero.
(e) se f ´e deriv´avel em (a, b) ent˜ao f ´e convexa se, e somente se, f
′′
(x) ≥ 0 para todo
x ∈ (a, b).
Dica: Prove que f

´e mon´otona n˜ao-decrescente.
(f) e
x
´e convexa. Conclua que dados α, β, a, b ≥ 0, com α +β = 1, a
α
b
β
≤ αa +βb.
⋆ 16. (extra) O objetivo deste exerc´ıcio ´e demonstrar a vers˜ao real do (Teorema Fundamental
da
´
Algebra): todo polinˆomio de grau n tem no m´aximo n ra´ızes.
1
Johan Ludwig William Valdemar Jensen: ⋆ 08/05/1859, Nakskov, Dinamarca – † 05/03/1925, Copenha-
gen, Dinamarca.
134 CAP
´
ITULO 8. DERIVADA
⋆ (c) Considere h(x) = βx + x
2
sen(1/x) (generaliza¸ c˜ao de (a)), com β > 0. Prove que
h

(0) > 0 mas que h n˜ao ´e crescente numa vizinhan¸ca de 0.
Dica: para β < 1 ´e f´acil, para β ≥ 1 ver [Sp] p.188 no.48.
=⇒ 3. Dizemos que f ´e estritamente crescente em a se existe δ > 0 tal que f(x) < f(a) <
f(y) para todo x, y ∈ B
δ
(a) com x < a < y. Suponha que f ´e estritamente crescente em a
([Sp] p.189 no.49).
(a) Isto implica que f ´e crescente em B
δ
(a)?
Dica: veja exerc´ıcio anterior.
(b) Prove que se f ´e diferenci´avel em a ent˜ao f

(a) ≥ 0.
(c) Suponha g

(a) > 0. Prove que g ´e estritamente crescente em a.
♯ 4. (dif´ıcil) Suponha que f ´e estritamente crescente em a para todo a ∈ [0, 1] ([Sp] p.189
no.49).
(a) Supondo que f ´e cont´ınua, prove que f ´e estritamente crescente em [0, 1].
Dica: para 0 < b < 1, prove que o m´ınimo de f em [b, 1] tem que estar em b.
(b) Prove (sem supor que f ´e cont´ınua) que f ´e estritamente crescente em [0, 1].
Dica: considere, para cada b ∈ [0, 1] o conjunto S
b
= ¦x; f(y) ≥ f(b) para todo y ∈
[b, x]¦. Prove que S
b
= [b, 1] tomando o sup S
b
.
(c) Prove, sem usar o teorema do valor m´edio, que se a derivada ´e estritamente positiva
em todos os pontos de um intervalo a fun¸c˜ao ´e estritamente crescente neste intervalo.
Dica: item (a) deste exerc´ıcio e item (a) do exerc´ıcio anterior.
(c) Prove, sem usar o teorema do valor m´edio, que se a derivada ´e zero em todos os
pontos de um intervalo a fun¸c˜ao ´e constante neste intervalo.
Dica: ver [Sp] p.190.
=⇒ 5. Seja f : R → R cont´ınua e deriv´avel em x
0
∈ R. Determine o valor de a ∈ R de modo
que seja cont´ınua em R a fun¸c˜ao F(x) =
_
¸
¸
_
¸
¸
_
f(x) −f(x
0
)
x −x
0
se x ,= x
0
,
a se x = x
0
.
=⇒ 6. Seja f : I →R deriv´avel em I

, sendo I um intervalo. Prove que f ´e Lipschitz cont´ınua
em I se, e somente se, f

´e limitada em I

.
=⇒ 7. Seja f : R →R deriv´avel. Prove que f

(a) = lim
h→0
f(a +h) −f(a −h)
2h
. Este ´e m´etodo
da diferen¸ca centrada utilizado em an´alise num´erica.
=⇒8. Prove que o limite do exerc´ıcio anterior existe para f(x) = [x[ embora f n˜ao seja deriv´avel.
→ 9. Seja f : A →R duas vezes deriv´avel no ponto a ∈ A

.
Prove que f
′′
(a) = lim
h→0
f(a +h) +f(a −h) −2f(a)
h
2
. Dˆe um exemplo em que o limite acima
existe mas f n˜ao ´e deriv´avel em a.
10. Seja f : (0, +∞) → R uma fun¸c˜ao deriv´avel tal que f

(x) → β quando x → +∞.
Prove que:
(b) se f(x) → α quando x → +∞, ent˜ao β = 0 ([Fi1] p.89 no.14);
(a) f(x)/x → β ([Fi1] p.89 no.15).
3.3. N
´
UMEROS REAIS. 47
Exemplo 3.3. Sejam A = ¦p ∈ R ; p < 0 ou p
2
< 2¦ e B = ¦q ∈ R ; q > 0 e q
2
> 2¦.
Claramente, A e B s˜ao n˜ao vazios.
Segue facilmente das defini¸c˜ oes que A ´e limitado superiormente e que B ´e limitado in-
feriormente. Mais precisamente, qualquer elemento de A ´e menor que qualquer elemento de
B.
Pelo Teorema 76 existem r, s ∈ R com r = sup A e s = inf B.
´
E imediato que r, s ≥ 0.
Como p ≤ q para todo p ∈ A e q ∈ B, temos que r ≤ s e, portanto, r
2
≤ s
2
.
Vamos mostrar que B n˜ao possui elemento m´ınimo. Seja q ∈ B. Temos q > 0 e
q
2
−2 > 0, de modo que podemos tomar h ∈ R tal que h < q e
0 < h <
q
2
−2
2q
.
Temos 2qh −h
2
< 2qh < q
2
−2 e, portanto, (q −h)
2
> 2. Logo, q −h ´e um elemento de B
estritamente menor que q. Em particular, q n˜ao ´e elemento m´ınimo de B. De modo an´alogo,
mostra-se que A n˜ao possui elemento m´aximo.
Temos que s
2
≤ 2 pois, sen˜ao, s seria elemento m´ınimo de B. Analogamente, mostra-se
que r
2
≥ 2. Conclu´ımos que r
2
= s
2
= 2.
Este exemplo mostra que, gra¸cas `a completeza, existe r ∈ R tal que r > 0 e r
2
= 2.
Veremos posteriormente, que existe um ´unico n´umero com esta propriedade (chamado raiz
de 2 e denotado por

2). Por´em, como n˜ao existe nenhum racional com esta propriedade
(

2 ´e irracional) conclu´ımos que (Q, +, , ≤) n˜ao ´e completo.
PROPOSIC¸
˜
AO 77. (R, +, , ≤) ´e arquimediano.
Demonstra¸c˜ao. Suponhamos, por absurdo, que N seja limitado superiormente e seja s =
sup N. Temos que n ≤ s para todo n ∈ N. Segue que n + 1 ≤ s para todo n ∈ N. Logo,
n ≤ s−1 para todo n ∈ N, ou seja, s−1 ´e cota superior para N que ´e menor que s = sup N.
Absurdo.
DEFINIC¸
˜
AO 78. Sejam a, b ∈ R com a ≤ b. Um intervalo ´e um subconjunto de R de
qualquer uma das formas abaixo:
i. [a, b] = ¦x ∈ R ; a ≤ x ≤ b¦; ii. [a, b) = ¦x ∈ R ; a ≤ x < b¦;
iii. (a, b) = ¦x ∈ R ; a < x < b¦; iv. (a, b] = ¦x ∈ R ; a < x ≤ b¦;
v. [a, +∞) = ¦x ∈ R ; a ≤ x¦; vi. (a, +∞) = ¦x ∈ R ; a < x¦;
vii. (−∞, b] = ¦x ∈ R ; x ≤ b¦; viii. (−∞, b) = ¦x ∈ R ; x < b¦;
ix. (−∞, +∞) = R.
Quando a = b, temos [a, a] = ¦a¦ e [a, a) = (a, a) = (a, a] = ∅. Logo, o conjunto vazio
e conjuntos unit´arios s˜ao intervalos. Estes dois tipos de intervalo s˜ao ditos degenerados
enquanto que os outros s˜ao ditos n˜ao degenerados.
O intervalo ∅ e os intervalos dos tipos (iii), (vi), (viii) e (ix) s˜ao ditos abertos. O intervalo
∅ e os intervalos dos tipos (i), (v), (vii), (ix) s˜ao ditos fechados.
Sejam a, b ∈ R com a ≤ b. O s´ımbolo (a, b) ´e amb´ıguo pois representa ao mesmo
tempo um intervalo e um par ordenado. Isto poderia ser fonte de confus˜ao (por isto alguns
48 CAP
´
ITULO 3. N
´
UMEROS REAIS
autores usam a nota¸ c˜ao ]a, b[ para intervalos). Por´em, fazendo as coisas como elas devem
ser feitas, isto ´e, sendo preciso nas argumenta¸ c˜ oes, de acordo com o contexto entende-se
imediatamente qual das duas possibilidades ´e a correta. Por exemplo, na afirma¸c˜ao 1 ∈ (0, 1)
fica claro que (0, 1) representa um intervalo, mesmo sendo falsa a afirma¸c˜ao. Por outro lado,
ao considerarmos (0, 1) como um par ordenado, ambas as afirma¸c˜ oes 1 ∈ (0, 1) e 1 / ∈ (0, 1)
n˜ao tˆem sentido e, portando, n˜ao cabe a quest˜ao de saber qual delas ´e correta.
Observa¸c˜ao 3.4 De acordo com a Defini¸ c˜ao 78, os conjunto R e ∅ s˜ao intervalos abertos
e fechados ao mesmo tempo. Isto n˜ao deve causar nenhuma confus˜ao j´a que R e ∅ n˜ao
s˜ao portas. Acabamos de ver as defini¸c˜ oes matem´aticas de intervalo aberto e de intervalo
fechado. Mesmo se as palavras “aberto” e “fechado” tˆem outros sentidos na vida comum,
s˜ao os sentidos da Defini¸ c˜ao 78 que ser˜ao usados ao longo de todo o texto. Observe que,
por defini¸c˜ao, R e ∅ s˜ao os ´unicos intervalos que possuem esta propriedade. Perceba
tamb´em que existem intervalos que n˜ao s˜ao abertos nem fechados.
O pr´ oximo teorema ´e outra consequˆencia da completeza.
TEOREMA 79. (dos intervalos encaixantes) Se
_
[a
n
, b
n
]
_
n∈N
´e uma sequˆencia de inter-
valos encaixantes, i.e., [a
n
, b
n
] ⊃ [a
n+1
, b
n+1
] para todo n ∈ N, ent˜ao
+∞

n=1
[a
n
, b
n
] ,= ∅.
Demonstra¸c˜ao. Seja A = ¦a
m
; m ∈ N¦. De [a
n
, b
n
] ⊃ [a
n+1
, b
n+1
] obtemos que a
n

a
n+1
≤ b
n+1
≤ b
n
. Da´ı, segue facilmente que a
m
≤ b
n
quaisquer que sejam m, n ∈ N.
Em outras palavras, qualquer b
n
´e cota superior de A. Pelo Teorema 76 existe s = sup A.
Mostremos que s ∈
+∞

n=1
[a
n
, b
n
]. Seja n ∈ N. Temos que s ´e cota superior de A, logo, s ≥ a
n
.
Al´em disto, s ´e a menor cota superior de A, portanto, s ≤ b
n
. Conclu´ımos que a
n
≤ s ≤ b
n
,
ou seja, s ∈ [a
n
, b
n
].
J´a vimos que

2 ´e um n´umero irracional. Vamos mostrar agora que na verdade “exis-
tem mais n´umeros irracionais do que racionais”. Mais precisamente, na pr´ oxima proposi¸c˜ao
mostraremos que #N < #R. Como consequˆencia, obtemos #Q < #(R ¸ Q). De fato, se
fosse #(R ¸ Q) ≤ #Q = #N, ent˜ao, como R = Q ∪ (R ¸ Q), ter´ıamos #R ≤ #N (veja a
Proposi¸c˜ao 39).
PROPOSIC¸
˜
AO 80. O conjunto R ´e n˜ao-enumer´avel, ou seja, #N < #R.
Demonstra¸c˜ao. Devemos mostrar que n˜ao existe fun¸c˜ao sobrejetiva de N em R ou, de
maneira equivalente, que qualquer fun¸c˜ao f : N →R n˜ao ´e sobrejetiva.
Seja f : N →R e seja I
1
= [a
1
, d
1
] um intervalo fechado tal que f(1) / ∈ I
1
. Dividimos este
intervalo em trˆes partes da seguinte maneira: tomamos b
1
, c
1
∈ I
1
tais que a
1
< b
1
< c
1
< d
1
e assim obtemos I
1
= [a
1
, b
1
] ∪ [b
1
, c
1
] ∪ [c
1
, d
1
]. Certamente f(2) n˜ao pertence a algum
destes trˆes intervalos que denotaremos I
2
. Repetimos o processo com o intervalo I
2
: o
dividimos em trˆes partes e definimos I
3
como sendo uma destas partes tal que f(3) / ∈ I
3
.
Continuando indefinidamente este processo, constru´ımos uma fam´ılia (I
n
)
n∈N
de intervalos
fechados e limitados tais que I
n
⊃ I
n+1
e f(n) / ∈ I
n
qualquer que seja n ∈ N. Pelo Teorema
8.6. EXERC
´
ICIOS. 133
Como lim
x→a
+
f(x) = lim
x→a
+
g(x) = +∞, existe δ > 0 (que podemos supor menor que y − a)
tal que
a < x < a +δ =⇒ 1 −ε <
1 −g(y)/g(x)
1 −f(y)/f(x)
< 1 +ε. (8.5)
Seja x ∈ (a, a +δ) ⊂ (a, y). Gra¸cas ao Teorema 179, existe z ∈ (x, y) ⊂ (a, y) tal que
f(x)
_
1 −f(y)/f(x)
_
g(x)
_
1 −g(y)/g(x)
_ =
f(x) −f(y)
g(x) −g(y)
=
f

(z)
g

(z)
.
Da´ı segue que
f(x)
g(x)
=
f

(z)
g

(z)

1 −g(y)/g(x)
1 −f(y)/f(x)
. Da´ı e das rela¸c˜ oes (8.4) e (8.5) obtemos
(k −ε)(1 −ε) <
f(x)
g(x)
< (k +ε)(1 +ε),
se f

(z)/g

(z) ≥ 0 (caso contr´ario, basta inverter as desigualdades acima). A conclus˜ao segue
imediatamente.
Pequenas adapta¸c˜ oes na demonstra¸ c˜ao anterior mostram que a proposi¸c˜ao tamb´em ´e
v´alida nos casos x → b

e x → a. O pr´ oximo corol´ario trata do caso x → +∞(analogamente,
trata-se o caso x → −∞). A demonstra¸ c˜ao ´e uma adapta¸c˜ao da ideia usada na demonstra¸ c˜ao
do Corol´ario 188 que, por esta raz˜ao, ´e deixada a cargo do leitor.
COROL
´
ARIO 190. Sejam f e g fun¸c˜ oes deriv´aveis em (a, +∞). Se lim
x→+∞
f(x) =
lim
x→+∞
g(x) = +∞, g

n˜ao se anula em (a, +∞) e existe lim
x→+∞
f

(x)/g

(x), ent˜ao existe
lim
x→+∞
f(x)/g(x) e lim
x→+∞
f(x)
g(x)
= lim
x→+∞
f

(x)
g

(x)
.
Demonstra¸c˜ao. Deixada para o leitor.
8.6 Exerc´ıcios.
8.6.1 Derivada e propriedades
=⇒ 1. Determine f

(x) para:
(a) f(x) = ⌈x⌉; (b) f(x) = 1/⌈1/x⌉; (c) f(x) = x
2
I
Q
(x).
=⇒ 2. Considere f(x) = x/2 +x
2
sen(1/x) para x ,= 0 e f(0) = 0 (veja [Sp] p.188 no.47 e [L]
p.209).
(a) Prove que f

(0) > 0 mas que f n˜ao ´e crescente numa vizinhan¸ca de 0. Confronte
com o exerc´ıcio 23, p.137.
Dica: se g(x) = x
2
sen(1/x), existem n´umeros pr´ oximos 0 com g

(x) = 1 e g

(x) = −1.
(b) Visualize a fun¸c˜ao f com aux´ılio de um software.
132 CAP
´
ITULO 8. DERIVADA
Demonstra¸c˜ao. Como lim
x→a
+
f(x) = 0, modificando ou estendendo f, se necess´ario, podemos
supor que f(a) = 0. Analogamente, g(a) = 0. Desta forma f e g s˜ao cont´ınuas em [a, b).
Seja x ∈ (a, b). Aplicando o Teorema 179 `as fun¸c˜ oes f e g sobre o intervalo [a, x],
encontramos y ∈ (a, x) tal que
f(x)
g(x)
=
f(x) −f(a)
g(x) −g(a)
=
f

(y)
g

(y)
. O resultado segue da igualdade
acima observando que y → a
+
quando x → a
+
.
Pequenas adapta¸c˜ oes na demonstra¸ c˜ao anterior mostram que a proposi¸c˜ao tamb´em ´e
valida quando no seu enunciado substitu´ımos x → a
+
por x → b

. Da mesma forma, a
Regra de l’Hospital vale para limites do tipo x → a. O pr´ oximo corol´ario trata do caso
x → +∞ (o caso x → −∞ ´e an´alogo).
COROL
´
ARIO 188. Sejam f e g fun¸c˜ oes deriv´aveis em (a, +∞). Se lim
x→+∞
f(x) =
lim
x→+∞
g(x) = 0, g

n˜ao se anula em (a, +∞) e existe lim
x→+∞
f

(x)/g

(x) (finito ou n˜ao),
ent˜ao existe lim
x→+∞
f(x)/g(x) e lim
x→+∞
f(x)
g(x)
= lim
x→+∞
f

(x)
g

(x)
.
Demonstra¸c˜ao. Considere a fun¸c˜ao F definida sobre um intervalo (0, b) por F(y) = f(1/y).
Analogamente definimos G(y) = g(1/y). Os seguintes fatos s˜ao de verifica¸ c˜ao imediata:
i. F e G s˜ao deriv´aveis com F

(y) = −f

(1/y)/y
2
e G

(y) = −g

(1/y)/y
2
(segue que G

n˜ao se anula);
ii. lim
y→0
+
F(y) = lim
y→0
+
f(1/y) = lim
x→+∞
f(x) = 0;
iii. lim
y→0
+
G(y) = lim
y→0
+
g(1/y) = lim
x→+∞
g(x) = 0;
iv. lim
y→0
+
F

(y)/G

(y) = lim
y→0
+
f

(1/y)/g

(1/y) = lim
x→+∞
f

(x)/g

(x).
Pela Proposi¸c˜ao anterior, lim
y→0
+
F(y)/G(y) = lim
x→+∞
f

(x)/g

(x). Ent˜ao,
lim
x→+∞
f(x)
g(x)
= lim
y→0
+
f(1/y)
g(1/y)
= lim
y→0
+
F(y)
G(y)
= lim
x→+∞
f

(x)/g

(x).
PROPOSIC¸
˜
AO 189. (regra de l’Hospital “∞/∞”) Sejam f e g fun¸c˜ oes deriv´aveis em
(a, b). Se lim
x→a
+
f(x) = lim
x→a
+
g(x) = +∞, g

n˜ao se anula em (a, b) e existe lim
x→a
+
f

(x)/g

(x)
(finito ou n˜ao), ent˜ao existe lim
x→a
+
f(x)/g(x) e lim
x→a
+
f(x)
g(x)
= lim
x→a
+
f

(x)
g

(x)
.
Demonstra¸c˜ao. Seja ε > 0. Suponhamos que lim
x→a
+
f

(x)/g

(x) seja finito e igual a k (no
caso infinito, a demonstra¸ c˜ao ´e an´aloga). Sabemos que existe y > a tal que
z ∈ (a, y) =⇒ k −ε <
f

(z)
g

(z)
< k +ε. (8.4)
3.4. EXERC
´
ICIOS. 49
79 existe s tal que s ∈ I
n
para todo n ∈ N. Segue imediatamente que s ,= f(n) qualquer
que seja n ∈ N e portanto f n˜ao ´e sobrejetiva.
Outra prova que R´e n˜ao-enumer´avel ´e pelo argumento diagonal de Cantor (ver exerc´ıcio 24,
p.51).
3.4 Exerc´ıcios.
3.4.1 Irracionais
=⇒ 1. Prove que r ∈ Q se, e somente se a expans˜ao decimal peri´odica de r ´e finita ou peri´odica.
Dica: Se r = p/q ent˜ao o resto da divis˜ao por q possui no m´aximo q elementos distintos.
Note que isto ser´a verdade em qualquer base.
=⇒ 2. Prove que α =

n=1
10
−n!
(n´umero de Liouville
1
) ´e irracional.
3. Considere a sequˆencia (a
i
) definida indutivamente por: a
1
= 1 e a
n
= a
n−1
+ n. Prove
que α =

n=1
10
−an
´e irracional.
=⇒ 4. Prove que s˜ao irracionais: (a)

3; (b)
3

2; (c)
3

4; (d)

21.
→ 5. Dados m, n ∈ N prove que
n

m ou ´e um inteiro ou ´e um irracional.
Dica: Generalize argumento do exerc´ıcio anterior.
6. Prove que se x satisfaz x
n
+a
n−1
x
n−1
+ +a
0
= 0 para inteiros a

i
s ent˜ao x ´e irracional a
n˜ao ser que x seja um inteiro ([Sp] p.31 no.17). Note que isto generaliza o exerc´ıcio anterior.
Dica: veja dica do pr´ oximo exerc´ıcio.
→ 7. (Teorema de Gauss
2
segundo [Hd] p.7) Seja f(x) = a
0
+ a
1
x + + a
n
x
n
um
polinˆomio com coeficientes inteiros ([L] p.73, no.42).
(a) Se um racional p/q (p e q primos entre si) ´e raiz do polinˆomio, prove que p divide a
0
e q divide a
n
.
Dica: Substitua p/q no polinˆomio e multiplique tudo por q
n
;
(b) Determine todas as poss´ıveis ra´ızes racionais de 21x
4
−4x
3
−8x
2
+ 13x + 10 = 0;
(c) Prove que se a
0
= a
n
= 1 as ´unicas poss´ıveis ra´ızes racionais s˜ao 1 e −1;
(d) Se a
n
= 1 as ra´ızes s˜ao inteiras ou irracionais; Corol´ario: Dados m, n ∈ N prove que
n

m ou ´e um inteiro ou ´e um irracional (outra prova do exerc´ıcio anterior).
(e) Prove que

2 +
3

2 ´e irracional.
8. Sejam a, b racionais positivos. Prove que

a +

b ´e racional se, e somente se,

a e

b
forem ambos racionais ([L] p.72 no.30).
Dica: Multiplique pelo conjugado.
1
Joseph Liouville: ⋆ 24/03/1809, Saint-Omer, Fran¸ ca – † 08/09/1882, Paris, Fran¸ ca.
2
Johann Carl Friedrich Gauss: ⋆ 30/04/1777, Brunswick, Alemanha – † 23/02/1855, G¨ ottingen, Alemanha.
50 CAP
´
ITULO 3. N
´
UMEROS REAIS
→ 9. Sejam q ,= 0 racional e x, y irracionais. Determine se s˜ao racionais ou irracionais:
(a) 1/x; (b) q +x; (c) qx; (d) x +y; (e) xy.
3.4.2 ⋆ Cortes de Dedekind
⋆ 10. (extra) Seja A = ¦p ∈ Q ; p < 0 ou p
2
< 2¦. Prove que
(a) A ´e corte; (b) A ⊙A ⊂ Z(2); (c) N˜ao existe r ∈ Q tal que Z(r) = A.
Dica: 10(a) Seja p ∈ A tal que p ≥ 0. Prove que se h < 1 ´e bem escolhido, ent˜ao
tomando q = p + h teremos q ∈ A e p < q. 10(c) Proceda por absurdo e, usando a
Proposi¸c˜ao 69, conclua que se Z(r) = A com r ∈ Q ent˜ao r
2
= 2.
⋆ 11. (extra) O objetivo deste exerc´ıcio ´e dar outra demonstra¸ c˜ao para o Teorema 71. Seja
Γ ⊂ Ω n˜ao vazio e limitado superiormente e seja S a interse¸ c˜ao de todas as cotas superiores
de Γ, i.e., S =

M∈Σ
M, sendo Σ = ¦M ∈ Ω ; M ´e cota superior de Γ¦. Sem usar o Teorema
71, prove que S ´e:
(a) corte; (b) cota superior de Γ; (c) subconjunto de toda cota superior de Γ.
Conclua que S ´e o supremo de Γ.
⋆ 12. (extra) Prove que:
(a) ⊖Z(0) = Z(0); (b) A ⊃ Z(0) sse ⊖A ⊂ Z(0); (c) [A[ = A sse A ∈ Ω
+
.
3.4.3 N´umeros reais
=⇒ 13. Lembremos que o m´ odulo de x ∈ R, denotado por [x[, ´e definido por
[x[ =
_
_
_
x se x ≥ 0,
−x se x < 0.
Prove que se x, y, z, ε ∈ R, sendo ε > 0, ent˜ao:
(a) [x[ = max¦x, −x¦; (b) [xy[ = [x[[y[; (c) [x −y[ < ε sse x ∈ (y −ε, y +ε);
(d) [x +y[ ≤ [x[ +[y[; (e) [x −y[ ≤ [x −z[ +[z −y[; (f) [ [x[ −[y[ [ ≤ [x −y[.
Cada uma das trˆes desigualdades acima ´e conhecida como Desigualdade Triangular.
=⇒ 14. Determine o sup e o inf de ([Sp] p.117 no.1):
(a)
_
1
n
+ (−1)
n
; n ∈ N
_
; (b) ¦1/n; n ∈ N¦; (c) ¦sen(1/x); x ∈ R −¦0¦¦;
(d) ¦1/n; n ∈ Z −¦0¦¦; (e) ¦x ∈ R; x
2
+x −1 < 0¦; (f)
_
(−1)
n
_
1 +
1
n
_
; n ∈ N
_
;
(g)
_
1
2
,
1
3
,
2
3
,
1
4
,
2
4
,
3
4
,
1
5
,
2
5
,
3
5
,
4
5
,
1
6
, . . . ,
_
; (h) ¦cos(n + 1); n ∈ N¦.
=⇒ 15. Suponha que a = sup A ,∈ A. Prove que ∀ε > 0 o conjunto (a −ε, a) ∩ A ´e infinito.
=⇒ 16. Seja A ⊂ R, n˜ao vazio e limitado superiormente por s ∈ R (s ´e cota superior de A).
Prove que s = sup A se, e somente se:
(a) se r < s ent˜ao existe x ∈ A tal que r < x ≤ s;
(b) para todo ε > 0 existe x ∈ A tal que s −ε < x.
8.5. ⋆ REGRAS DE L’HOSPITAL. 131
f(x
n−1
)
x
n−1
x
n
a
f

(x
n−1
) =
f(x
n−1
)
x
n
−x
n−1
.
Figura 8.2: Itera¸ c˜ao do M´etodo de Newton.
Demonstra¸c˜ao. Segue imediatamente das hip´ oteses que, no intervalo (a−ε, a+ε), a fun¸c˜ao
dada por g(x) = x −
f(x)
f

(x)
est´a bem definida e ´e deriv´avel. Derivando g obtemos,
g

(x) = 1 −
f

(x)
2
−f(x)f
′′
(x)
f

(x)
2
=
f(x)f
′′
(x)
f

(x)
2
.
Segue que g

´e cont´ınua em a e que g

(a) = 0. Portanto, existe δ ∈ (0, ε) tal que [g

(x)[ ≤ 1/2
para todo x ∈ X = [a −δ, a +δ].
Vamos mostrar que g
|X
´e uma contra¸c˜ao. Sejam x, y ∈ X. Suponhamos, sem perda de
generalidade, que x < y. Pelo Teorema do Valor M´edio, existe z ∈ (x, y) ⊂ X tal que
[g(x) −g(y)[ = [g

(z)[ [x −y[ ≤
1
2
[x −y[.
Temos ainda que g(X) ⊂ X. De fato, se x ∈ X ent˜ao,
[g(x) −g(a)[ ≤
1
2
[x −a[ < [x −a[ ≤ δ.
Como g(a) = a temos [g(x) − a[ < δ e, portanto, g(x) ∈ X. Em particular, se x
0
∈ X,
ent˜ao (x
n
)
n∈N
⊂ X. Pelo Teorema do Ponto Fixo de Banach (Teorema 167, p.113), (x
n
)
n∈N
converge para o ´unico ponto fixo de g em X. Ou seja, (x
n
)
n∈N
converge para a.
8.5 ⋆ Regras de l’Hospital.
PROPOSIC¸
˜
AO 187. (regra de l’Hospital
1
“0/0”) Sejam f e g fun¸c˜ oes deriv´aveis em
(a, b). Se lim
x→a
+
f(x) = lim
x→a
+
g(x) = 0, g

n˜ao se anula em (a, b) e existe lim
x→a
+
f

(x)/g

(x)
(finito ou n˜ao), ent˜ao existe lim
x→a
+
f(x)/g(x) e lim
x→a
+
f(x)
g(x)
= lim
x→a
+
f

(x)
g

(x)
.
1
Guillaume Fran¸ cois Antoine Marquis de l’Hospital: ⋆ 1661, Paris, Fran¸ ca - † 02/02/1704, Paris, Fran¸ ca.
130 CAP
´
ITULO 8. DERIVADA
Como exemplo de aplica¸ c˜ao da F´ ormula de Taylor temos a seguinte proposi¸c˜ao sobre
extremos locais.
PROPOSIC¸
˜
AO 185. Seja f uma fun¸c˜ao definida num intervalo I e n vezes deriv´avel em
x
0
∈ I com f

(x
0
) = = f
(n−1)
(x
0
) = 0 e f
(n)
(x
0
) ,= 0. Temos:
i. se n ´e par e f
(n)
(x
0
) > 0, ent˜ao x
0
´e m´ınimo local de f;
ii. se n ´e par e f
(n)
(x
0
) < 0, ent˜ao x
0
´e m´aximo local de f;
iii. se n ´e ´ımpar, ent˜ao x
0
n˜ao ´e extremo local de f.
Demonstra¸c˜ao. Seja x ∈ I. Como as derivadas de f se anulam at´e a ordem n−1, tomando
h = x −x
0
na F´ ormula de Taylor com resto de Peano obtemos
f(x) −f(x
0
) = p
n
(x) −f(x
0
) +r(h) =
f
(n)
(x
0
)
n!
h
n
+r(h) com lim
h→0
r(h)
h
n
= 0.
(8.2)
Deste modo, existe δ > 0 tal que se x ∈ I com 0 < [x −x
0
[ < δ, ent˜ao
[r(h)[ <
¸
¸
¸
¸
f
(n)
(x
0
)
n!
h
n
¸
¸
¸
¸
. (8.3)
De (8.2) e (8.3), obtemos que o sinal de f(x) −f(x
0
) ´e o mesmo de
f
(n)
(x
0
)
n!
h
n
=
f
(n)
(x
0
)
n!
(x −x
0
)
n
.
Da´ı seguem imediatamente as trˆes afirma¸c˜ oes da proposi¸c˜ao.
8.4 ⋆ M´etodo de Newton.
No exerc´ıcio 39, p.75 mostramos que, dados m ∈ N e a ≥ 0, existe x ≥ 0 tal que
x
m
= a, ou de modo equivalente, que existe raiz para a fun¸c˜ao f : [0, +∞) → R dada por
f(x) = x
m
− a para todo x ≥ 0. Nosso m´etodo consistiu em definir recursivamente uma
sequˆencia (x
n
)
n∈N
que era convergente para a raiz da fun¸c˜ao f acima.
O m´etodo empregado ´e um caso particular do chamado M´etodo de Newton
1
, muito
usado para calcular aproxima¸c˜ oes (t˜ao boa quanto quisermos) de ra´ızes de fun¸c˜ oes. A Figura
8.2 d´a uma ideia geom´etrica do m´etodo. O pr´ oximo teorema garante o seu funcionamento.
TEOREMA 186. (m´etodo de Newton) Seja f : A ⊂ R → R e a ∈ A com f(a) = 0.
Suponhamos que exista ε > 0 tal que
i. f ´e duas vezes diferenci´avel em (a −ε, a +ε) e f
′′
´e cont´ınua em a;
ii. f

n˜ao se anula em (a −ε, a +ε).
Ent˜ao, existe δ > 0 tal que para qualquer x
0
∈ [a −δ, a +δ], a sequˆencia definida recursiva-
mente por x
n
= x
n−1

f(x
n−1
)
f

(x
n−1
)
∀n ∈ N. ´e convergente para a.
1
Sir Isaac Newton: ⋆ 04/05/1643, Woolsthorpe, Inglaterra - † 31/03/1727, Londres, Inglaterra.
3.4. EXERC
´
ICIOS. 51
Obs: Trata-se, portanto, de outra defini¸c˜ao para o supremo.
→ 17. Seja a ∈ R.
(a) Defina ⌊a⌋ = sup¦x ∈ Z; x ≤ a¦, chamada de floor (ch˜ao) em inglˆes ou fun¸c˜ao
parte inteira (Defini¸c˜ao 86). Porque?
(b) Defina ⌈a⌉ = inf¦x ∈ Z; x ≥ a¦, chamada de ceiling (teto) em inglˆes. Porque?
(c) Para quais a ∈ R, ⌊a⌋ = ⌈a⌉?
18. Suponha que β > 0. Prove que todo n´umero x ∈ R pode ser escrito de forma ´unica na
forma x = kβ +y onde k ∈ Z e 0 ≤ y < β ([Sp] p.119 no.10).
Dica: k = ⌊x/β⌋.
=⇒ 19. Sejam A ⊂ B ⊂ R n˜ao vazios. Prove que inf B ≤ inf A ≤ sup A ≤ sup B.
20. Seja −A := ¦−x; x ∈ A¦. Prove que sup(−A) = −inf(A).
=⇒ 21. Dados A, B ⊂ R, investigue a rela¸c˜ao entre:
(a) sup(A+B) e sup A + sup B; (b) λ sup A e sup(λA) para λ ∈ R.
Dica: (a) Tente alguns intervalos; (b) vale igualdade dependendo de sinal de λ. Veja
exerc´ıcio 20.
=⇒22. Sejam ([a
n
, b
n
])
n∈N
intervalos encaixantes comA = ¦a
m
; m ∈ N¦ e B = ¦b
m
; m ∈ N¦.
Prove que

n∈N
[a
n
, b
n
] = [sup A, inf B].
Obs: O intervalo pode degenerar em um ´unico ponto.
=⇒ 23. Sejam f, g : A ⊂ R →R limitadas e tais que f(x) ≤ g(x) para todo x ∈ A. Prove:
(a) sup¦f(x) ; x ∈ A¦ ≤ sup¦g(x) ; x ∈ A¦;
(b) inf¦f(x) ; x ∈ A¦ ≤ inf¦g(x) ; x ∈ A¦;
=⇒(c) sup¦−f(x) ; x ∈ A¦ = −inf¦f(x) ; x ∈ A¦;
(d) inf¦−f(x) ; x ∈ A¦ = −sup¦f(x) ; x ∈ A¦.
=⇒ 24. Prove que R ´e n˜ao-enumer´avel pelo argumento diagonal de Cantor (veja Proposi¸c˜ao 38,
p.20): suponha que exista uma lista com todos n´umeros reais no intervalo (0, 1). Construa
um novo n´umero em (0, 1) que n˜ao est´a nesta lista (outra prova da Proposi¸c˜ao 80).
Dica: Veja, por exemplo [Sp] p.370 no.6 ou [L] p.42.
=⇒ 25. Prove que o conjunto dos n´umeros irracionais ´e n˜ao-enumer´avel.
→26. Se X ⊂ R´e enumer´avel ent˜ao X

´e n˜ao-enumer´avel (generaliza¸ c˜ao do exerc´ıcio anterior).
=⇒ 27. Prove que #R = #T(Z; ¦0, 1¦) (sequˆencias de 0’s e 1’s). Conclua que #R = T(Z).
Dica: base 2 e exerc´ıcio 31(c), p.13.
=⇒ 28. Prove que #(R R) = #R. Prove (por indu¸c˜ao) que #R
n
= #R.
Dica: Dados a, b ∈ R construa c ∈ R intercalando os d´ıgitos da representa¸c˜ao decimal de
a e b. Com isto defina fun¸c˜ao injetiva. Este ´e um caso particular do exerc´ıcio 32, p.29.
29. Prove que #R < #T(R; R).
Dica: exerc´ıcio 31(c), p.13, exerc´ıcio 29, p.12, exerc´ıcio 10, p.27.
52 CAP
´
ITULO 3. N
´
UMEROS REAIS
→ 30. (N´ umeros alg´ebricos e transcendentes) Um n´umero real ´e alg´ebrico quando ´e raiz
de um polinˆomio n˜ao-trivial p ,≡ 0 com coeficientes inteiros. Denotamos o conjunto dos
alg´ebricos por /. Alguns exemplos s˜ao:

2,
7
_
3 +
3
_
2/3 +

2 (porque?).
(a) Prove que Q ⊂ /. Conclua que os alg´ebricos generalizam o conceito de racional.
(b) Prove que o conjunto dos polinˆomios com coeficientes inteiros ´e enumer´avel.
(c) Dada uma enumera¸ c˜ao destes polinˆomios, o conjunto A
n
de ra´ızes de p
n
´e finito.
Como / =
_
n∈N
A
n
, conclua que / ´e enumer´avel.
(d) Prove que T = R −/ (chamados de transcendentes) ´e n˜ao-enumer´avel.
Obs: Isto mostra a existˆencia de n´umeros transcendentes. O Teorema 111 mostra que
e ´e irracional e o Teorema 212 que π ´e irracional.
´
E dif´ıcil provar que π e e s˜ao n´umeros
transcendentes.
♯ 31. (dif´ıcil) Seja K um corpo ordenado completo. Prove que existe f : R →K bije¸c˜ao que
preserva as opera¸ c˜ oes de soma e produto. Isto prova que todo corpo ordenado completo pode
ser identificado a R ([L] p.75 no.55, [Sp] p.509).
Dica: Atrav´es do neutro da soma e produto de K podemos identificar Z com Z

⊂ K (ver
exerc´ıcio 45, p.32). Denotamos por p

o inteiro correspondente a p ∈ Z, isto ´e, f(p) = p

.
Definimos f em Q por f(p/q) = f(p)/f(q) = p

/q

. Finalmente para x ∈ R qualquer n´os
definimos f(x) = sup¦p

/q

∈ K, p/q < x¦.
♯ 32. (dif´ıcil) (precisa de
´
Algebra; Veja [Fi2]) Sejam x, y ∈ /, o conjunto dos alg´ebricos.
Prove que:
(a) x +y ∈ / (fechado para soma);
(b) x y ∈ / (fechado para produto);
(c) Existe z ∈ / tal que x +z = 0 (inverso aditivo);
(d) Existe z ∈ / tal que x z = 1 (inverso multiplicativo).
Obs: Isto prova que os alg´ebricos formam um corpo (subcorpo de R).
8.3. F
´
ORMULAS DE TAYLOR. 129
O teorema anterior diz que, numa vizinhan¸ca de x
0
, podemos aproximar uma fun¸c˜ao f
pelo seu Polinˆomio de Taylor de grau n. Ao fazˆe-lo, no ponto x
0
+ h, cometemos um erro
r(h) = f(x
0
+ h) − p
n
(x
0
+ h) que ´e um infinit´esimo de ordem n, i.e., que tende a zero
mais r´apido que h
n
quando h tende a 0. Este fato ´e, muitas vezes expresso, com a seguinte
frase: “r ´e o(h
n
) quando h → 0”. Ou ainda, ´e usado o abuso de nota¸ c˜ao “r = o(h
n
)”.
O teorema seguinte fornece uma forma mais explicita para o erro da aproxima¸c˜ao. Ele
tamb´em pode ser visto como uma generaliza¸ c˜ao do Teorema do Valor M´edio.
TEOREMA 184. (f´ ormula de Taylor com resto de Lagrange
1
) Se f ∈ C
n
_
[a, b]
_
(com
a < b, o caso b < a ´e an´alogo) e f ´e n + 1 vezes deriv´avel em (a, b), ent˜ao existe c ∈ (a, b)
tal que
f(b) = p
n
(b) +
f
(n+1)
(c)
(n + 1)!
(b −a)
n+1
,
sendo p
n
o polinˆomio de Taylor de ordem n de f em torno de a.
Demonstra¸c˜ao. Seja g definida sobre [a, b] dada por
g(x) = f(x) +f

(x)(b −x) +
f
′′
(x)
2!
(b −x)
2
+ +
f
(n)
(x)
n!
(b −x)
n
+
A
(n + 1)!
(b −x)
n+1
=
n

i=0
f
(i)
(x)
i!
(b −x)
i
+
A
(n + 1)!
(b −x)
n+1
,
sendo A uma constante escolhida de modo que g(a) = f(b) e, portanto,
f(b) = p
n
(b) +
A
(n + 1)!
(b −x)
n+1
.
Devemos mostrar que existe c ∈ (a, b) tal que f
(n+1)
(c) = A. Temos que g ∈ C
_
[a, b]
_
e
´e deriv´avel em (a, b). Al´em disto, g(b) = f(b) = g(a). Gra¸cas ao Teorema de Rolle, existe
c ∈ (a, b) tal que g

(c) = 0. Por outro lado,
g

(c) =
n

i=0
f
(i+1)
(c)
i!
(b−c)
i

n

i=1
f
(i)
(c)
(i −1)!
(b−c)
i−1

A
n!
(b−c)
n
=
_
f
(n+1)
(c) −A
_
n!
(b−c)
n
.
Segue que f
(n+1)
(c) = A.
Observa¸c˜ao 8.3 Tomando a = x
0
e b = x
0
+ h no Teorema 184 (para compar´a-lo com
o Teorema 183) obtemos de forma expl´ıcita o erro:
f(x
0
+h) = p
n
(x
0
+h) +r(h) com r(h) =
f
(n+1)
(c)
(n + 1)!
h
n+1
,
onde c ∈ B
h
(x
0
). Desta forma, c depende de h mas se f
(n+1)
for limitada nesta bola por
C ent˜ao
[r(h)[
[h[
n

C
(n + 1)!
[h[, e portanto, lim
h→0
r(h)
h
n
= 0.
1
Joseph-Louis Lagrange: ⋆ 25/01/1736, Turim, It´alia - † 10/04/1813, Paris, Fran¸ ca.
128 CAP
´
ITULO 8. DERIVADA
Tomando h = x − x
0
, o polinˆomio de Taylor de ordem n de f em torno de x
0
pode ser
escrito como
p
n
(x
0
+h) = f(x
0
) +f

(x
0
)h +
f
′′
(x
0
)
2!
h
2
+
f
′′′
(x
0
)
3!
h
3
+ +
f
(n)
(x
0
)
n!
h
n
.
Observe ainda que no ponto x
0
as derivadas at´e a ordem n de f e de p coincidem.
⋆ TEOREMA 183. (f´ ormula de Taylor com resto de Peano
1
) Seja f uma fun¸c˜ao n−1
vezes deriv´avel no intervalo I (se n = 1 esta hip´ otese ´e eliminada), e n vezes deriv´avel em
x
0
∈ I. Se x
0
+h ∈ I, ent˜ao escrevendo
f(x
0
+h) = p
n
(x
0
+h) +r(h),
sendo p
n
o polinˆomio de Taylor de grau n de f em torno de x
0
, temos que
lim
h→0
r(h)
h
n
= 0.
Demonstra¸c˜ao. Observamos inicialmente que a rela¸c˜ao f(x
0
+h) = p
n
(x
0
+h) −r(h) deve
ser vista como a defini¸c˜ao de r(h), i.e., r(h) = f(x
0
+h) −p
n
(x
0
+h).
Procedemos por indu¸c˜ao em n. Para n = 1 temos p
1
(x
0
+h) = f(x
0
) +f

(x
0
)h. Segue
que
r(h)
h
=
f(x
0
+h) −f(x
0
) −f

(x
0
)h
h
.
O resultado segue imediatamente da Defini¸ c˜ao 168 e da Proposi¸c˜ao 169.
Suponhamos n > 1. Observamos que f

´e n − 2 vezes deriv´avel em I e n − 1 vezes
deriv´avel em x
0
. Um c´alculo simples mostra que o polinˆomio de Taylor de grau n −1 de f

em torno de x
0
´e dado por p

n
. Da´ı e da hip´ otese de indu¸c˜ao, obtemos
lim
h→0
f

(x
0
+h) −p

n
(x
0
+h)
h
n−1
= 0.
Seja ε > 0. Da igualdade acima, conclu´ımos que existe δ > 0 tal que
x
0
+h ∈ I, 0 < [h[ < δ =⇒
¸
¸
¸
¸
f

(x
0
+h) −p

n
(x
0
+h)
h
n−1
¸
¸
¸
¸
< ε.
Seja h ∈ (0, δ) tal que x
0
+ h ∈ I (o caso h ∈ (−δ, 0) ´e an´alogo). As fun¸c˜ oes dadas por
r(t) = f(x
0
+ t) − p
n
(x
0
+ t) e g(t) = t
n
s˜ao deriv´aveis em [0, h] e se anulam em 0. Al´em
disto, g

n˜ao se anula em (0, h). Pelo Teorema de Cauchy (Teorema 179), obtemos que existe
t ∈ (0, h) tal que
¸
¸
¸
¸
r(h)
h
n
¸
¸
¸
¸
=
¸
¸
¸
¸
r(h) −r(0)
g(h) −g(0)
¸
¸
¸
¸
=
¸
¸
¸
¸
r

(t)
g

(t)
¸
¸
¸
¸
=
1
n
¸
¸
¸
¸
f

(x
0
+t) −p

(x
0
+t)
t
n−1
¸
¸
¸
¸
<
ε
n
< ε.
1
Giuseppe Peano: ⋆ 27/08/1858, Piemonte, It´alia - † 20/04/1932, Turim, It´alia.
Cap´ıtulo 4
Sequˆencias e s´eries
4.1 Sequˆencias convergentes e subsequˆencias.
A Defini¸ c˜ao 27, p.9 tratou do conceito de sequˆencias, em geral, e de sequˆencias de n´umeros
reais, em particular. A pr´ oxima defini¸c˜ao ´e apenas uma revis˜ao.
DEFINIC¸
˜
AO 81. Uma sequˆencia de n´ umeros reais ´e uma fun¸c˜ao x : N →R para a qual
denotamos o valor de x em n por x
n
em vez de x(n).
Geralmente usamos a nota¸ c˜ao (x
n
)
n∈N
para representar uma sequˆencia x : N → R.
`
As
vezes a denotamos tamb´em por (x
1
, x
2
, . . . , x
n
, . . . ). Dizemos que x
n
´e o termo de ordem
n ou que x
n
´e o n-´esimo termo da sequˆencia.
Quando quisermos explicitar que a imagem da sequˆencia (x
n
)
n∈N
est´a contida em A ⊂ R
escreveremos (x
n
)
n∈N
⊂ A.
Como sequˆencias s˜ao fun¸c˜ oes, as defini¸c˜ oes de fun¸c˜ao limitada, crescente, decrescente,
mon´otona, etc, tamb´em fazem sentido para sequˆencias.
Exemplo 4.1. Seja a ∈ R e tomemos x
n
= a para todo n ∈ N. A sequˆencia (x
n
)
n∈N
´e
constante.
´
E imediato que (x
n
)
n∈N
´e limitada.
Exemplo 4.2. A sequˆencia (1, 0, 1, 0, 1, 0, . . . ) ´e limitada mas n˜ao ´e mon´otona.
Exemplo 4.3. Sejam a, r ∈ N. Considere x
1
= a, x
2
= a + r, x
3
= a + 2r, de maneira
geral, x
n
= a + (n − 1)r. A sequˆencia (x
n
)
n∈N
´e uma Progress˜ao Aritm´etica de primeiro
termo a e raz˜ao r. Se r = 0, ent˜ao (x
n
)
n∈N
´e constante e, portanto, limitada. Se r > 0,
ent˜ao (x
n
)
n∈N
´e estritamente crescente e, portanto, limitada inferiormente. Finalmente, se
r < 0, ent˜ao (x
n
)
n∈N
´e estritamente decrescente e, portanto, limitada superiormente.
DEFINIC¸
˜
AO 82. Dizemos que (y
k
)
k∈N
´e uma subsequˆencia de (x
n
)
n∈N
se existe uma
sequˆencia (n
k
)
k∈N
⊂ N estritamente crescente tal que y
k
= x
n
k
para todo k ∈ N.
53
54 CAP
´
ITULO 4. SEQU
ˆ
ENCIAS E S
´
ERIES
Exemplo 4.4. Seja (x
n
)
n∈N
a Progress˜ao Aritm´etica de termo inicial a e raz˜ao r. A Pro-
gress˜ao Aritm´etica (y
k
)
k∈N
de termo inicial a e raz˜ao 2r ´e uma subsequˆencia de (x
n
)
n∈N
. De
fato, tomando n
k
= 2k −1 (k ∈ N) obtemos
x
n
k
= a + (n
k
−1)r = a + (2k −2)r = a + (k −1)(2r) = y
k
.
Intuitivamente, uma sequˆencia (x
n
)
n∈N
´e convergente para x se seus termos se aproximam
de x quando n cresce. Esta ideia n˜ao est´a de todo errada. Por´em, ela pode induzir a uma ideia
equivocada de convergˆencia. Somos tentados a dizer que (x
n
)
n∈N
converge para x quando a
distˆancia entre x
n
e x diminui `a medida que n cresce, ou seja, a fun¸c˜ao f(n) = [x
n
− x[ ´e
decrescente. N˜ao ´e bem assim. Veja a Figura 4.1. Ela foge um pouco do assunto “sequˆencias
de n´umeros reais” mas ilustra bem o que queremos dizer por “se aproximar”. Imagine que,
partindo do ponto A, percorremos no sentido anti-hor´ario o caminho desenhado como indicado
pelas setas. Ningu´em duvida, e com raz˜ao, de que estaremos assim nos aproximando do ponto
O. Por´em, a ideia de que a nossa distˆancia ao ponto O decresce com o tempo mostra-se
errada. Conven¸ca-se disto percebendo que passamos primeiro por B antes de chegar a C e,
entretanto, o segmento BO ´e menor que o segmento CO. De fato, a distˆancia a O cresce
quando percorremos o segmento BC. Podemos perceber que existem muitos trechos do
caminho sobre os quais a distˆancia a O ´e crescente com o tempo, de modo que n˜ao existe
nenhum ponto a partir do qual a distˆancia a O passe a ser decrescente com o tempo.
A
B C
D
O
1
Figura 4.1: Espiral da convergˆencia
Continuemos analisando a Figura 4.1 em busca da boa defini¸c˜ao de convergˆencia. Obser-
vamos que nossa distˆancia a O fica t˜ao pequena quanto quisermos, bastando para isto que
continuemos andando por um tempo suficientemente longo. Por exemplo, nossa distˆancia a
O ser´a menor que 1 depois que passarmos pelo ponto D. Ou seja, em certo instante entramos
na bola de raio 1 centrada em O e dela n˜ao sa´ımos mais. Da mesma forma, a partir de outro
instante (futuro) entramos na bola de raio 1/2, centrada em O, e a´ı ficamos. De modo geral,
dado qualquer n´umero positivo ε, existe um instante a partir do qual nossa distˆancia a O ser´a
menor que ε. A´ı est´a a defini¸c˜ao. Para sequˆencias de n´umeros reais ela ´e expressa da seguinte
maneira.
8.3. F
´
ORMULAS DE TAYLOR. 127
⋆ TEOREMA 179. (de Cauchy) Se f, g ∈ C
_
[a, b]
_
(com a < b) s˜ao deriv´aveis em (a, b)
e g

n˜ao se anula em (a, b), ent˜ao g(a) ,= g(b) e existe c ∈ (a, b) tal que
f(b) −f(a)
g(b) −g(a)
=
f

(c)
g

(c)
.
Demonstra¸c˜ao. Observamos inicialmente que g(a) ,= g(b), pois sen˜ao, pelo Teorema de
Rolle, g

se anularia em algum ponto de (a, b). Considere a fun¸c˜ao h, definida sobre [a, b],
dada por
h(x) = f(x) −f(a) −
f(b) −f(a)
g(b) −g(a)
_
g(x) −g(a)
_
.
´
E f´acil ver que h satisfaz as hip´ oteses do Teorema de Rolle, logo existe c ∈ (a, b) tal que
h

(c) = 0, ou seja,
f

(c) −
f(b) −f(a)
g(b) −g(a)
g

(c) = 0.
Da´ı segue imediatamente o resultado.
8.3 F´ormulas de Taylor.
A ideia que motivou a defini¸c˜ao da derivada foi a de aproximar uma fun¸c˜ao arbitr´aria por
uma fun¸c˜ao afim, isto ´e, por uma fun¸c˜ao polinomial de grau menor ou igual a 1. Veremos
nesta se¸ c˜ao, que podemos fazer aproxima¸c˜ oes melhores se tomarmos polinˆomios de graus
maiores que 1. Para isto ser´a necess´ario exigir mais de f.
DEFINIC¸
˜
AO 180. Sejam I um intervalo e f : I → R deriv´avel. Dizemos que f ´e duas
vezes deriv´avel em x
0
∈ I se f

´e deriv´avel em x
0
. A segunda derivada de f em x
0
´e
definida por (f

)

(x
0
) e denotada por f
′′
(x
0
).
Analogamente, definimos a terceira derivada, quarta derivada, etc. De modo geral, a n-´esima
derivada de f em x
0
´e denotada por f
(n)
(x
0
). Convencionamos ainda que f
(0)
= f.
DEFINIC¸
˜
AO 181. Se f ´e n vezes deriv´avel e f
(n)
∈ C(I), ent˜ao dizemos que f ´e de classe
C
n
em I, e escrevemos f ∈ C
n
(I). Finalmente, se f ∈ C
n
(I) para todo n ∈ N, ent˜ao
dizemos que f ´e de classe C

em I e escrevemos f ∈ C

(I).
DEFINIC¸
˜
AO 182. Seja f uma fun¸c˜ao n vezes deriv´avel em x
0
. Definimos o polinˆomio de
Taylor
1
de f de ordem n em torno de x
0
por
p
n
(x) = f(x
0
)+f

(x
0
)(x−x
0
)+
f
′′
(x
0
)
2!
(x−x
0
)
2
+
f
′′′
(x
0
)
3!
(x−x
0
)
3
+ +
f
(n)
(x
0
)
n!
(x−x
0
)
n
.
1
Brook Taylor: ⋆ 18/08/1685, Edmonton, Inglaterra - † 29/12/1731, Londres, Inglaterra.
126 CAP
´
ITULO 8. DERIVADA
TEOREMA 176. (de Rolle
1
) Se f ∈ C
_
[a, b]
_
(com a < b) ´e deriv´avel em (a, b) com
f(a) = f(b), ent˜ao existe c ∈ (a, b) tal que f

(c) = 0.
Demonstra¸c˜ao. Se f for constante, ent˜ao n˜ao h´a mais nada a ser demonstrado. Suponhamos
que f n˜ao seja constante. Gra¸cas ao Corol´ario 159, p.110 (Weierstrass), f tem extremos
globais em [a, b]. Como f n˜ao ´e constante, um destes extremos, denotado c, ´e tal que
f(c) ,= f(a) = f(b) e portanto c ∈ (a, b). Do Teorema 175 (Extremos Locais) segue que
f

(c) = 0.
COROL
´
ARIO 177. (Teorema do Valor M´edio) Se f ∈ C
_
[a, b]
_
(com a < b) ´e deriv´avel
em (a, b), ent˜ao existe c ∈ (a, b) tal que f(b) = f(a) +f

(c)(b −a).
Demonstra¸c˜ao. Considere a fun¸c˜ao g definida sobre [a, b] dada por
g(x) = f(x) −f(a) −
f(b) −f(a)
b −a
(x −a).
Temos que g ∈ C
_
[a, b]
_
e g ´e deriv´avel em (a, b) com
g

(x) = f

(x) −
f(b) −f(a)
b −a
.
Para terminar a demonstra¸ c˜ao, basta mostrar que existe c ∈ (a, b) tal que g

(c) = 0. Como
g(a) = g(b) = 0, podemos aplicar o Teorema 176 (Rolle) para concluir a demonstra¸ c˜ao.
Em particular temos o seguinte corol´ario.
COROL
´
ARIO 178. Sejam I ⊂ R um intervalo n˜ao degenerado e f, g ∈ C(I), deriv´aveis
em I

. Se, para todo x ∈ I

:
i. f

(x) ≥ 0, ent˜ao f ´e crescente em I;
ii. f

(x) > 0, ent˜ao f ´e estritamente crescente em I;
iii. f

(x) ≤ 0, ent˜ao f ´e decrescente em I;
iv. f

(x) < 0, ent˜ao f ´e estritamente decrescente em I;
v. f

(x) = 0, ent˜ao f ´e constante em I;
vi. f

(x) = g

(x), ent˜ao f −g ´e constante em I.
Demonstra¸c˜ao. (i) Sejam a, b ∈ I com a < b. Aplicando o Teorema do Valor M´edio a
f
|[a,b]
, obtemos que existe c ∈ (a, b) tal que
f(b) −f(a)
b −a
= f

(c) ≥ 0.
Segue que f(b) ≥ f(a). Logo f ´e crescente. Deixamos os outros itens para os leitores.
Observa¸c˜ao 8.2 A hip´ otese da derivada ser positiva num intervalo ´e fundamental para
se concluir que a fun¸c˜ao ´e crescente neste intervalo. A derivada ser positiva em um ponto
a n˜ao implica que ela ´e crescente numa vizinhan¸ca de a (ver exerc´ıcio 2, p.133).
Terminamos a se¸ c˜ao com uma aparente generaliza¸ c˜ao do Teorema do Valor M´edio, o
Teorema de Cauchy. Na realidade (prove!) s˜ao equivalentes os Teoremas de Rolle, do valor
m´edio e de Cauchy (ver exerc´ıcio 26, p.137).
1
Michel Rolle: ⋆ 21/04/1652, Ambert, Fran¸ ca - † 08/11/1719, Paris, Fran¸ ca.
4.1. SEQU
ˆ
ENCIAS CONVERGENTES E SUBSEQU
ˆ
ENCIAS. 55
DEFINIC¸
˜
AO 83. Uma sequˆencia (x
n
)
n∈N
´e dita convergente se existe x ∈ R de modo
que
∀ε > 0, ∃N ∈ N tal que n ≥ N implica que [x
n
−x[ < ε.
Neste caso, escrevemos x
n
→ x e dizemos que x ´e limite da sequˆencia (x
n
)
n∈N
ou que x
n
converge para (ou tende a) x quando n tende a mais infinito (n → +∞). Se (x
n
)
n∈N
n˜ao
´e convergente, ent˜ao dizemos que ela ´e divergente.
Exemplo 4.5. Seja x ∈ R e considere a sequˆencia dada por x
n
= x para todo n ∈ N. Temos
que x
n
→ x. De fato, [x
n
−x[ = 0 para todo n ∈ N. Portanto, podemos escrever
∀ε > 0, n ≥ 1 =⇒ [x
n
−x[ < ε.
Exemplo 4.6. Considere a sequˆencia x
n
= 1/n para todo n ∈ N. Vamos mostrar que
x
n
→ 0. Dado ε > 0, tomemos N ∈ N tal que N > 1/ε. Temos ent˜ao 0 < 1/N < ε. Mas
se n ∈ N e n ≥ N, ent˜ao x
n
= 1/n ≤ 1/N = x
N
. Logo, podemos escrever
∀ε > 0, ∃N ∈ N tal que n ≥ N =⇒ [x
n
−0[ < ε.
O leitor talvez conhe¸ca a nota¸ c˜ao lim
n→+∞
x
n
= x para x
n
→ x. Vamos refletir sobre ela.
Por enquanto, fa¸camos de conta que n˜ao conhecemos a defini¸c˜ao de limite. Suponhamos que
ao abrir um livro de An´alise, pela primeira vez, encontremos as seguintes inscri¸c˜ oes:
x
n
→ 0 e x
n
→ 1.
N˜ao ficar´ıamos chocados. Por´em, se estivesse escrito
lim
n→+∞
x
n
= 0 e lim
n→+∞
x
n
= 1.
Ser´ıamos levados a concluir que 0 = 1. Ora, ´e o sinal de igual “=” que nos leva a esta
confus˜ao. Se n˜ao tivermos a unicidade do limite, ent˜ao a nota¸ c˜ao lim
n→+∞
x
n
= x ´e fortemente
enganosa. Apenas para constar, informo ao leitor interessado a defini¸c˜ao de convergˆencia num
contexto mais geral (de espa¸cos topol´ogicos), do qual a nossa ´e um caso particular, permite
a n˜ao unicidade do limite (isto ocorre em espa¸cos que n˜ao s˜ao de Hausdorff
1
). Entretanto, a
pr´ oxima proposi¸c˜ao nos dar´a direito ao uso da nota¸ c˜ao lim
n→+∞
x
n
= x.
PROPOSIC¸
˜
AO 84. (unicidade do limite) Sejam (x
n
)
n∈N
uma sequˆencia e x, y ∈ R tais
que x
n
→ x e x
n
→ y. Ent˜ao x = y.
Demonstra¸c˜ao. Suponhamos, por absurdo, que x ,= y. Seja ε = [x − y[/2 > 0. Como
x
n
→ x, existe N ∈ N tal que
n ≥ N =⇒ [x
n
−x[ < ε.
1
Felix Hausdorff: ⋆ 08/11/1868, Wroclaw, Polˆonia - † 02/01/1942, Bonn, Alemanha.
56 CAP
´
ITULO 4. SEQU
ˆ
ENCIAS E S
´
ERIES
Tamb´em temos x
n
→ y. Logo, existe N

∈ N tal que
n ≥ N

=⇒ [x
n
−y[ < ε.
Seja n o maior dos n´umeros N e N

. Para tal n as duas conclus˜ oes anteriores s˜ao v´alidas.
Temos ent˜ao
[x −y[ ≤ [x −x
n
[ +[x
n
−y[ < ε +ε = 2ε = [x −y[.
Conclu´ımos que [x −y[ < [x −y[, o que ´e absurdo.
PROPOSIC¸
˜
AO 85. Uma sequˆencia (x
n
)
n∈N
tende a x se, e somente se, toda subsequˆencia
de (x
n
)
n∈N
tende a x.
Demonstra¸c˜ao. Suponhamos que exista x ∈ R tal que x
n
→ x. Seja (y
k
)
k∈N
uma sub-
sequˆencia de (x
n
)
n∈N
, i.e., y
k
= x
n
k
(∀k ∈ N) para alguma sequˆencia (n
k
)
k∈N
⊂ N estrita-
mente crescente. Mostremos que y
k
→ x. Seja ε > 0. Como x
n
→ x, existe N ∈ N tal que
se n ≥ N, ent˜ao [x
n
− x[ < ε. Como (n
k
)
k∈N
⊂ N ´e estritamente crescente, existe K ∈ N
tal que se k ≥ K, ent˜ao n
k
≥ N. Segue que
k ≥ K =⇒ [y
k
−x[ < ε.
Portanto (y
k
)
k∈N
converge para x. A rec´ıproca ´e imediata (basta observar que (x
n
)
n∈N
´e
subsequˆencia de si mesma).
Exemplo 4.7. A sequˆencia (1, 0, 1, 0, 1, 0, . . . ) ´e divergente. De fato, se ela fosse conver-
gente, ent˜ao pela proposi¸c˜ao anterior todas as suas subsequˆencias seriam convergentes para o
mesmo limite. Por´em, (1, 1, 1, . . . ) e (0, 0, 0, . . . ) s˜ao duas de suas subsequˆencias sendo que
a primeira converge para 1 enquanto que a segunda converge para 0.
Como corol´ario da proposi¸c˜ao anterior, obtemos que se x
n
tende a x, ent˜ao x
n+2006
tende
a x. N˜ao h´a nada de especial com o n´umero 2006. Mais geralmente, fixado p ∈ N, temos que
se x
n
tende a x, ent˜ao x
n+p
tende a x.
´
E f´acil perceber que a rec´ıproca tamb´em ´e verdadeira,
ou seja, se para algum p ∈ N temos que x
n+p
tende a x, ent˜ao ´e porque x
n
tende a x.
Verifique! A importˆancia deste fato ´e a seguinte. Se conhecermos alguma propriedade que
garanta a convergˆencia de uma sequˆencia e soubermos que tal propriedade s´o ´e valida a partir
do seu p-´esimo termo ent˜ao, ainda sim, podemos concluir que a sequˆencia ´e convergente.
Vejamos um exemplo esclarecedor, mas antes de apresent´a-lo fa¸camos uma defini¸c˜ao.
DEFINIC¸
˜
AO 86. A fun¸c˜ao Parte Inteira ´e definida, para todo x ∈ R, por
⌊x⌋ = n se n ∈ Z e n ≤ x < n + 1.
Veja exerc´ıcio 17, p.51 para outra defini¸c˜ao.
Exemplo 4.8. Temos ⌊1⌋ = 1, ⌊1.4⌋ = 1 e ⌊−1.5⌋ = −2.
8.2. EXTREMOS LOCAIS E O TEOREMA DO VALOR M
´
EDIO. 125
TEOREMA 175. (dos extremos locais) Seja f : A ⊂ R →R. Se x
0
∈ A ´e um extremo
local de f tal que x
0
∈ A

e f ´e deriv´avel em x
0
, ent˜ao f

(x
0
) = 0.
Demonstra¸c˜ao. Suponhamos que x
0
´e um ponto de m´aximo local de f (a demonstra¸ c˜ao
´e an´aloga para ponto de m´ınimo local). Como x
0
´e ponto de m´aximo local no interior de
A, existe δ > 0 tal que se [x − x
0
[ < δ, ent˜ao x ∈ A e f(x) ≤ f(x
0
). Portanto para
x
0
< x < x
0
+δ temos
_
f(x) −f(x
0
)
_
/(x −x
0
) ≤ 0. Segue que
lim
x→x
+
0
f(x) −f(x
0
)
x −x
0
≤ 0.
Por outro lado, para x
0
−δ < x < x
0
temos
_
f(x) −f(x
0
)
_
/(x −x
0
) ≥ 0. Portanto
lim
x→x

0
f(x) −f(x
0
)
x −x
0
≥ 0.
Como dissemos anteriormente, o Teorema dos Extremos Locais ´e ´util na determina¸ c˜ao dos
extremos globais de uma fun¸c˜ao f : A ⊂ R →R. De fato, temos as seguintes implica¸ c˜ oes:
x
0
´e extremo global =⇒ x
0
´e extremo local
x
0
∈ A

e f ´e deriv´avel em x
0
_
_
_
=⇒ f

(x
0
) = 0.
Observa¸c˜ao 8.1 Conclu´ımos que se x
0
´e extremo global, ent˜ao x
0
pertence a algum dos
trˆes conjuntos abaixo:
¦x ∈ A

; f ´e deriv´avel em x e f

(x) = 0¦, A ¸ A

ou ¦x ∈ A

; f n˜ao ´e deriv´avel em x¦.
Exemplo 8.5. Seja f : [0, 4] → R dada por f(x) = [x − 1[(5 − x) para todo x ∈ [0, 4].
Como f ´e cont´ınua e A = [0, 4] ´e compacto, f tem extremos globais. Vamos determin´a-los.
´
E imediato que
f(x) =
_
_
_
(1 −x)(5 −x) se 0 ≤ x ≤ 1,
(x −1)(5 −x) se 1 < x ≤ 4.
Segue facilmente (verifique) que f ´e deriv´avel em todo ponto x ∈ A ¸ ¦1¦. Al´em disto,
f

(x) =
_
_
_
2x −6 se 0 ≤ x < 1,
6 −2x se 1 < x ≤ 4.
Assim, todo extremo global pertence a algum dos trˆes conjuntos abaixo:
¦x ∈ A

; f ´e deriv´avel em x e f

(x) = 0¦ = ¦3¦,
A¸ A

= ¦0, 4¦,
¦x ∈ A

; f n˜ao ´e deriv´avel em x¦ = ¦1¦.
Uma simples verifica¸ c˜ao nos d´a f(0) = 5, f(1) = 0, f(3) = 4 e f(4) = 3. Portanto, 0 ´e o
ponto de m´aximo global e 1 ´e o ponto de m´ınimo global de f.
124 CAP
´
ITULO 8. DERIVADA
temos que
_
f(x
n
)
_
n∈N
⊂ B ¸ ¦y
0
¦. Al´em disto, da continuidade de f segue que f(x
n
) → y
0
e, portanto, y
0
∈ B ¸ ¦y
0
¦.
Seja (y
n
)
n∈N
⊂ B ¸ ¦y
0
¦ convergente para y
0
. Vamos mostrar que
lim
n→+∞
f
−1
(y
n
) −f
−1
(y
0
)
y
n
−y
0
=
1
f

(x
0
)
.
O resultado seguir´a da Proposi¸c˜ao 140, p.103.
Definindo x
n
= f
−1
(y
n
) para todo n ∈ N, temos que (x
n
)
n∈N
⊂ A¸ ¦x
0
¦ e, como f
−1
´e
cont´ınua em y
0
, (x
n
)
n∈N
converge para x
0
. Segue que
f
−1
(y
n
) −f
−1
(y
0
)
y
n
−y
0
=
x
n
−x
0
f(x
n
) −f(x
0
)

1
f

(x
0
)
quando n → +∞.
Exemplo 8.3. No exerc´ıcio 41, p.118 vimos que a fun¸c˜ao f : [0, +∞) → [0, +∞) dada por
f(x) = x
2
para todo x ≥ 0 tem inversa cont´ınua. Como a derivada de f s´ o se anula em 0,
a Proposi¸c˜ao 173 implica que f
−1
´e deriv´avel em f(x) se x > 0, ou seja, f
−1
´e deriv´avel em
(0, +∞). Al´em disto, em y = f(x) > 0, a derivada de f
−1
´e dada por
_
f
−1
_

(y) =
1
f

(x)
=
1
2x
=
1
2

y
.
A hip´ otese de continuidade de f
−1
´e essencial como mostra o pr´ oximo exemplo.
Exemplo 8.4. Seja f : [0, 1] ∪ (2, 3] → [0, 2] definida por f(x) = x se x ∈ [0, 1] e
f(x) = x − 1, se x ∈ (2, 3]. Temos que f ´e deriv´avel com f

(x) = 1 para todo x no
dom´ınio de f. Vimos no exerc´ıcio 8, p.114 que f ´e uma bije¸ c˜ao com inversa descont´ınua em
1. Portanto, f
−1
n˜ao ´e deriv´avel em 1.
8.2 Extremos locais e o Teorema do Valor M´edio.
Em paralelo ao conceito de extremo (m´aximo ou m´ınimo) global (veja Defini¸ c˜ao 158,
p.110) existe o conceito de extremo local.
DEFINIC¸
˜
AO 174. Seja f : A ⊂ R → R. Dizemos que x
0
∈ A ´e um ponto de m´aximo
local de f se x
0
´e ponto de m´aximo de f na interse¸ c˜ao de A com uma vizinhan¸ca de x
0
.
Mutatis mutandis
1
define-se ponto de m´ınimo local e ponto de extremo local.
´
E imediato que todo extremo global ´e extremo local.
Veremos a seguir como a derivada pode ser ´util na determina¸ c˜ao de extremos locais
(e a posteriori de extremos globais). O resultado importante neste sentido ´e o Teorema
dos Extremos Locais. Al´em de ser um resultado de uso bastante pr´atico ele tamb´em tem
importˆancia te´orica. Por exemplo, usaremos o Teorema dos Extremos Locais para demonstrar
o Teorema do Valor M´edio. Este ´ultimo ´e um dos teoremas mais fundamentais da An´alise
Real.
1
Express˜ao latina que significa “modificando onde tiver que ser modificado”
4.2. SEQU
ˆ
ENCIAS MON
´
OTONAS, LIMITADAS E DE CAUCHY. 57
Exemplo 4.9. Sabemos que sequˆencias constantes s˜ao convergentes. Considere a sequˆencia
(n˜ao constante) dada por x
n
= ⌊1000/n⌋, sendo ⌊x⌋ a fun¸c˜ao Parte Inteira de x, definida
abaixo:
⌊x⌋ = m se m ∈ Z e m ≤ x < m + 1.
´
E f´acil ver que x
n
= 0 para todo n > 1000. Ou seja, (x
n
)
n∈N
´e constante a partir do seu
mil´esimo-primeiro termo. Conclu´ımos que ela ´e convergente.
TEOREMA 87. Toda sequˆencia convergente ´e limitada.
Demonstra¸c˜ao. Seja (x
n
)
n∈N
uma sequˆencia convergente para x ∈ R. Tomando ε = 1 na
defini¸c˜ao de sequˆencia convergente, conclu´ımos que existe N ∈ N tal que se n ≥ N, ent˜ao
[x
n
−x[ < 1, i.e., x
n
∈ (x −1, x + 1). Tomando
a = min¦x
1
, . . . , x
N
, x −1¦ e b = max¦x
1
, . . . , x
N
, x + 1¦
temos imediatamente que x
n
∈ [a, b] para todo n ∈ N. Portanto (x
n
)
n∈N
´e limitada.
4.2 Sequˆencias mon´otonas, limitadas e de Cauchy.
A rec´ıproca do Teorema 87 ´e falsa como mostra o Exemplo 4.7. Por´em, existem algumas
rec´ıprocas parciais que veremos nesta se¸ c˜ao. Muitos dos resultados aqui apresentados utilizam,
em sua demonstra¸ c˜ao, a caracteriza¸c˜ao do supremo vista no exerc´ıcio 16, p.50.
PROPOSIC¸
˜
AO 88. (sequˆencia mon´otona limitada converge) Se (x
n
)
n∈N
´e crescente
e limitada superiormente, ent˜ao x
n
→ sup¦x
n
; n ∈ N¦. Da mesma forma, se (x
n
)
n∈N
´e
decrescente e limitada inferiormente, ent˜ao x
n
→ inf¦x
n
; n ∈ N¦.
Demonstra¸c˜ao. Vamos provar apenas a primeira parte da proposi¸c˜ao j´a que a segunda se
demonstra de modo an´alogo. Seja s = sup¦x
n
; n ∈ N¦. Dado ε > 0, tome N ∈ N tal que
s − ε < x
N
≤ s. Logo, para n ≥ N, temos s − ε < x
N
≤ x
n
≤ s. Conclu´ımos da´ı que
[x
n
−s[ < ε.
TEOREMA 89. (Bolzano
1
-Weierstrass
2
) Toda sequˆencia limitada possui subsequˆencia
convergente.
Demonstra¸c˜ao. Sejam (x
n
)
n∈N
uma sequˆencia limitada. Considere o seguinte conjunto:
M = ¦n ∈ N ; x
n
> x
m
, ∀m > n¦.
Existem duas possibilidades: M ´e infinito ou M ´e finito.
1
Bernard Placidus Johann Nepomuk Bolzano: ⋆ 05/10/1781, Praga, Rep´ublica Tcheca - † 18/12/1848,
Praga, Rep´ublica Tcheca.
2
Karl Theodor Wilhelm Weierstrass: ⋆ 31/10/1815, Ostenfelde, Alemanha - † 19/02/1897, Berlim, Ale-
manha.
58 CAP
´
ITULO 4. SEQU
ˆ
ENCIAS E S
´
ERIES
M ´e infinito. Escrevamos M = ¦n
1
, n
2
, n
3
, . . . ¦ com n
1
< n
2
< n
3
< . . . Assim, se
i < j ent˜ao n
i
< n
j
e, como n
i
∈ M, obtemos que x
ni
> x
nj
. Conclu´ımos que a subsequˆencia
(x
n
k
)
k∈N
´e decrescente. Sendo ela limitada obtemos, finalmente, que ela ´e convergente.
M ´e finito. Como M ´e finito, existe n
1
∈ N¸M cota superior de M. Ora, n
1
/ ∈ M logo,
existe n
2
> n
1
(e portanto n
2
/ ∈ M) tal que x
n1
≤ x
n2
. Mas de n
2
/ ∈ M segue que existe
n
3
> n
2
(e portanto n
3
/ ∈ M) tal que x
n2
≤ x
n3
. Por indu¸c˜ao, definimos uma subsequˆencia
(x
n
k
)
k∈N
que ´e crescente e, portanto, convergente (pois ela ´e limitada).
Para uma demonstra¸ c˜ao geom´etrica, utilizando a ideia de bisse¸ c˜ao, veja exerc´ıcio 26, p.73.
Vale a pena ver outra demonstra¸ c˜ao pois ideia semelhante surge na demonstra¸ c˜ao do Teorema
de 136.
DEFINIC¸
˜
AO 90. Uma sequˆencia (x
n
)
n∈N
´e dita de Cauchy
1
se
∀ε > 0, ∃N ∈ N tal que n, m ≥ N implica que [x
n
−x
m
[ < ε.
Uma sequˆencia ´e de Cauchy se seus termos se aproximam uns dos outros. Repare que n˜ao
apenas termos consecutivos mas sim todos eles.
´
E natural acreditar que qualquer sequˆencia
convergente ´e de Cauchy e vice-versa. Vamos admitir, por hora, que sequˆencias convergentes
s˜ao de Cauchy (este fato ser´a demonstrado a seguir). Fa¸camos alguns coment´arios sobre a
rec´ıproca.
Considere uma sequˆencia (x
n
)
n∈N
de n´umeros racionais convergente para, por exemplo,

2
(existe tal sequˆencia?). Sendo convergente ela ´e de Cauchy. Como a defini¸c˜ao de sequˆencia
de Cauchy n˜ao faz men¸ c˜ao ao limite, mesmo se s´o conhecˆessemos n´umeros racionais ainda
estar´ıamos de acordo que (x
n
)
n∈N
´e de Cauchy. Por´em, neste caso, n˜ao ser´ıamos capazes de
mostrar a existˆencia do limite. Ou seja, se consider´assemos apenas n´umeros racionais, n˜ao
seria poss´ıvel mostrar que toda sequˆencia de Cauchy ´e convergente.
J´a que sequˆencias de Cauchy s˜ao convergentes em R mas n˜ao em Q, isto deve estar rela-
cionado `a completeza. De fato, podemos usar (ver constru¸c˜ao de R na p´agina 84) sequˆencias
de Cauchy de n´umeros racionais para construir R. A vantagem desta constru¸c˜ao ´e que ela
pode ser empregada para “completar” outros conjuntos (ou melhor, espa¸cos m´etricos) que
n˜ao sejam corpos ordenados.
TEOREMA 91. (sequˆencias de Cauchy) Uma sequˆencia ´e convergente se, e somente se,
ela ´e de Cauchy.
Demonstra¸c˜ao. Seja (x
n
)
n∈N
uma sequˆencia convergente para o limite x. Dado ε > 0,
existe N ∈ N tal que se n ≥ N, ent˜ao [x
n
−x[ < ε/2. Portanto, se m, n ≥ N temos
[x
n
−x
m
[ ≤ [x
n
−x[ +[x −x
m
[ <
ε
2
+
ε
2
= ε.
Conclu´ımos que (x
n
)
n∈N
´e uma sequˆencia de Cauchy.
Reciprocamente, suponhamos que (x
n
)
n∈N
´e de Cauchy. Um argumento an´alogo ao da
demonstra¸ c˜ao do Teorema 87 mostra que (x
n
)
n∈N
´e limitada (verifique). Pelo Teorema
1
Augustin Louis Cauchy: ⋆ 21/08/1789, Paris, Fran¸ ca - † 23/05/1857, Sceaux, Fran¸ ca.
8.1. DERIVADA E PROPRIEDADES. 123
Demonstra¸c˜ao. Deixamos como exerc´ıcio (i), (ii) e (iii). Da Proposi¸c˜ao 141, p.104 e das
identidades
(fg)(x) −(fg)(x
0
)
x −x
0
=
f(x) −f(x
0
)
x −x
0
g(x
0
) + f(x)
g(x) −g(x
0
)
x −x
0
e
(f/g)(x) −(f/g)(x
0
)
x −x
0
=
1
g(x)g(x
0
)
_
f(x) −f(x
0
)
x −x
0
g(x
0
) −f(x
0
)
g(x) −g(x
0
)
x −x
0
_
,
obtemos (iv) e (v).
PROPOSIC¸
˜
AO 172. (regra da cadeia) Sejam f : A ⊂ R → R e g : B ⊂ R → R com
f(A) ⊂ B (segue que g ◦ f est´a bem definida). Se f ´e deriv´avel em x
0
∈ A e g ´e deriv´avel
em f(x
0
) ∈ B, ent˜ao g ◦ f ´e deriv´avel em x
0
e, al´em disto,
(g ◦ f)

(x
0
) = g

_
f(x
0
)
_
f

(x
0
).
Demonstra¸c˜ao. Seja r : B →R dada por
r(y) =
_
¸
¸
_
¸
¸
_
g
_
y
_
−g
_
f(x
0
)
_
y −f(x
0
)
−g

_
f(x
0
)
_
se y ,= f(x
0
),
0 se y = f(x
0
).
´
E imediato que lim
y→f(x0)
r(y) = 0 = r
_
f(x
0
)
_
. Se y ∈ B e y ,= f(x
0
), ent˜ao
g
_
y
_
−g
_
f(x
0
)
_
= g

_
f(x
0
)
__
y −f(x
0
)
_
+r(y)
_
y −f(x
0
)
_
.
Como a equa¸ c˜ao acima ´e, trivialmente, verdadeira para y = f(x
0
) temos que ela ´e v´alida para
todo y ∈ B. Fazendo y = f(x) com x ∈ A, x ,= x
0
, na equa¸ c˜ao acima e dividindo-a por
x −x
0
, obtemos
g
_
f(x)
_
−g
_
f(x
0
)
_
x −x
0
= g

_
f(x
0
)
_
f(x) −f(x
0
)
x −x
0
+r
_
f(x)
_
f(x) −f(x
0
)
x −x
0
.
Como f ´e cont´ınua em x
0
e r ´e cont´ınua em f(x
0
), da Proposi¸c˜ao 148, p.108 obtemos que
lim
x→x0
r
_
f(x)
_
= 0. Conclu´ımos a demonstra¸ c˜ao, fazendo x → x
0
na equa¸ c˜ao acima e usando
a Proposi¸c˜ao 141, p.104.
PROPOSIC¸
˜
AO 173. (derivada da inversa) Sejam A, B ⊂ R e f : A → B invert´ıvel. Se
f ´e deriv´avel em x
0
∈ A com f

(x
0
) ,= 0 e f
−1
´e cont´ınua em f(x
0
), ent˜ao f
−1
´e deriv´avel
em f(x
0
) e, al´em disto,
_
f
−1
_

_
f(x
0
)
_
=
_
f

(x
0
)
_
−1
.
Demonstra¸c˜ao. Seja y
0
= f(x
0
). Como f ´e deriv´avel em x
0
temos que x
0
∈ A ¸ ¦x
0
¦ e,
portanto, existe uma sequˆencia (x
n
)
n∈N
⊂ A¸ ¦x
0
¦ convergente para x
0
. Como f ´e injetiva
122 CAP
´
ITULO 8. DERIVADA
DEFINIC¸
˜
AO 170. Seja f : A → R. Se f ´e deriv´avel em x
0
∈ A, ent˜ao a derivada de f
em x
0
´e denotada por f

(x
0
) e definida por
f

(x
0
) = lim
x→x0
f(x) −f(x
0
)
x −x
0
.
Se f ´e deriv´avel em todo ponto do seu dom´ınio, ent˜ao dizemos simplesmente que f ´e de-
riv´avel. A fun¸c˜ao f

, definida no conjunto dos pontos onde f ´e deriv´avel, que a cada x
associa f

(x) ´e chamada de derivada de f.
Se f ´e deriv´avel em x
0
, ent˜ao a reta de equa¸ c˜ao g(x) = f(x
0
) +f

(x
0
)(x −x
0
) ´e a reta
que melhor aproxima o gr´afico de f numa vizinhan¸ca de x
0
. Tal reta ´e chamada de tangente
ao gr´afico de f no ponto x
0
.
Exemplo 8.1. Seja f : R → R dada por f(x) = ax + b para todo x ∈ R com a e b
constantes. Perguntamos se f ´e deriv´avel num ponto x
0
∈ R e, no caso afirmativo, quanto
vale f

(x
0
)? Determinar se f ´e deriv´avel em x
0
corresponde a determinar se f pode ser
bem aproximada por uma fun¸c˜ao afim numa vizinhan¸ca de x
0
. Neste exemplo, f j´a ´e afim e
portanto pode ser muito bem aproximada por ela mesma. Al´em disto, sendo a derivada igual
ao coeficiente do termo em x da aproxima¸c˜ao, temos imediatamente que f

(x
0
) = a qualquer
que seja x
0
∈ R. Vamos verificar isto rigorosamente a partir da defini¸c˜ao. Temos
lim
x→x0
f(x) −f(x
0
)
x −x
0
= lim
x→x0
ax +b −ax
0
−b
x −x
0
= a.
Segue que f ´e deriv´avel em todo ponto x
0
∈ R com f

(x
0
) = a. Em particular, se f ´e
constante (a = 0), obtemos que f

(x
0
) = 0 para todo x
0
∈ R.
Exemplo 8.2. Vamos verificar que a fun¸c˜ao dada por f(x) = x
n
para todo x ∈ R (n ∈ N)
´e deriv´avel em qualquer ponto x
0
∈ R com f

(x
0
) = nx
n−1
0
. Temos
lim
x→x0
x
n
−x
n
0
x −x
0
= lim
x→x0
(x
n−1
+x
n−2
x
0
+ + xx
n−2
0
+x
n−1
0
) = nx
n−1
0
.
Outros exemplos podem ser vistos em qualquer livro de C´alculo I. Vamos admitir conheci-
das v´arias fun¸c˜ oes e suas derivadas. Em qualquer curso de An´alise o enfoque n˜ao deve estar
no c´alculo de derivadas mas sim no estudo rigoroso de suas principais propriedades.
As propriedades operat´ orias das derivadas s˜ao, em sua maioria, consequˆencias imediatas
das propriedades an´alogas sobre limites.
PROPOSIC¸
˜
AO 171. (propriedades da derivada) Sejam f, g : A ⊂ R → R deriv´aveis
em x
0
∈ A e seja c ∈ R. Temos:
i. f +g ´e deriv´avel em x
0
e (f +g)

(x
0
) = f

(x
0
) +g

(x
0
);
ii. cf ´e deriv´avel em x
0
e (cf)

(x
0
) = cf

(x
0
);
iii. f −g ´e deriv´avel em x
0
e (f −g)

(x
0
) = f

(x
0
) −g

(x
0
);
iv. fg ´e deriv´avel em x
0
e (fg)

(x
0
) = f

(x
0
)g(x
0
) +f(x
0
)g

(x
0
);
v. se g(x
0
) ,= 0, ent˜ao f/g ´e deriv´avel em x
0
e
_
f
g
_

(x
0
) =
f

(x
0
)g(x
0
) −f(x
0
)g

(x
0
)
g(x
0
)
2
.
4.3. LIMITES INFINITOS. 59
de Bolzano-Weierstrass, (x
n
)
n∈N
tem subsequˆencia (x
n
k
)
k∈N
convergente para o limite x.
Mostremos que x
n
→ x. Seja ε > 0. Como (x
n
)
n∈N
´e de Cauchy, existe N ∈ N tal que
n, m ≥ N implica que [x
n
−x
m
[ <
ε
2
. (4.1)
Como x
n
k
→ x, existe k ∈ N tal que n
k
≥ N e [x
n
k
− x[ < ε/2. Da´ı e de (4.1) segue
que, se n ≥ N, ent˜ao
[x
n
−x[ ≤ [x
n
−x
n
k
[ +[x
n
k
−x[ <
ε
2
+
ε
2
= ε.
4.3 Limites infinitos.
Existem sequˆencias divergentes que possuem limite! Isto ´e apenas um jogo de palavras.
A defini¸c˜ao seguinte diz que certas sequˆencias tˆem limites que n˜ao s˜ao n´umeros reais. N˜ao
diremos que tais sequˆencias s˜ao convergentes.
DEFINIC¸
˜
AO 92. Seja (x
n
)
n∈N
uma sequˆencia. Dizemos que x
n
tende a mais infinito
quando n tende a mais infinito ou que mais infinito ´e limite da sequˆencia e escrevemos
x
n
→ +∞ ou lim
n→+∞
x
n
= +∞ se,
∀M ∈ R, ∃N ∈ N tal que n ≥ N implica que x
n
> M.
DEFINIC¸
˜
AO 93. Seja (x
n
)
n∈N
uma sequˆencia. Dizemos que x
n
tende a menos infinito
quando n tende a mais infinito ou que menos infinito ´e limite da sequˆencia e escrevemos
x
n
→ −∞ ou lim
n→+∞
x
n
= −∞ se,
∀M ∈ R, ∃N ∈ N tal que n ≥ N implica que x
n
< M.
Insistimos no fato que se x
n
→ +∞ ou x
n
→ −∞, ent˜ao n˜ao podemos dizer que a
sequˆencia ´e convergente. Uma sequˆencia ´e dita convergente exclusivamente quando satisfaz a
condi¸c˜ao da Defini¸ c˜ao 83. Al´em disto, se x
n
→ +∞, ent˜ao (x
n
)
n∈N
´e ilimitada superiormente
e, portanto, ´e divergente. Da mesma forma, se x
n
→ −∞, ent˜ao (x
n
)
n∈N
´e ilimitada
inferiormente e, portanto, ´e divergente.
Observa¸c˜ao 4.1 Com estas conven¸ c˜ oes sobre uso dos termos “sequˆencia convergente”
e de “limite de sequˆencia” a Proposi¸c˜ao 85 tamb´em ´e v´alida (obviamente com outra
demonstra¸ c˜ao) se substituirmos x por +∞ ou por −∞.
Como x
n
> M ´e equivalente a −x
n
< −M, temos que x
n
→ +∞ se, e somente se,
−x
n
→ −∞. Portanto toda afirma¸c˜ao sobre limite mais infinito tem uma an´aloga para limite
menos infinito.
60 CAP
´
ITULO 4. SEQU
ˆ
ENCIAS E S
´
ERIES
4.4 Opera¸ c˜ oes com limites.
Temos a seguir algumas propriedades aritm´eticas de limites finitos.
PROPOSIC¸
˜
AO 94. (propriedades do limite) Sejam (x
n
)
n∈N
e (y
n
)
n∈N
convergentes para
x e y, respectivamente, e c ∈ R. Temos:
i. x
n
+y
n
→ x +y; ii. x
n
y
n
→ x y; iii. c x
n
→ cx;
iv. se y ,= 0, ent˜ao y
−1
n
→ y
−1
.
Demonstra¸c˜ao. (i) Seja ε > 0. Gra¸cas `as convergˆencias de (x
n
)
n∈N
e (y
n
)
n∈N
, existem N

e N
′′
tais que, se n ≥ N

, ent˜ao [x
n
− x[ < ε/2, e se n ≥ N
′′
, ent˜ao [y
n
− y[ < ε/2. Seja
N = max¦N

, N
′′
¦. Assim, se n ≥ N, ent˜ao n ≥ N

e n ≥ N
′′
e, da´ı,
[(x
n
+y
n
) −(x +y)[ = [(x
n
−x) + (y
n
−y)[ ≤ [x
n
−x[ +[y
n
−y[ <
ε
2
+
ε
2
= ε.
Mostramos assim que x
n
+y
n
→ x +y.
(ii) Seja ε > 0. Como (x
n
)
n∈N
´e convergente, ela ´e limitada. Logo, existe C > 0 tal que
[x
n
[ < C para todo n ∈ N. Seja N ∈ N tal que se n ≥ N, ent˜ao [x
n
−x[ < ε e [y
n
−y[ < ε.
Desta forma, para n ≥ N, temos
[x
n
y
n
−x y[ ≤ [x
n
y
n
−x
n
y[ +[x
n
y −x y[ = [x
n
[ [y
n
−y[ +[y[ [x
n
−x[
≤ C [y
n
−y[ +[y[ [x
n
−x[ < (C +[y[)ε.
Isto mostra que x
n
y
n
converge para x y.
(iii)
´
E consequˆencia do item anterior, tomando y
n
= c para todo n ∈ N.
(iv) Seja ε > 0 e N

∈ N tal que, se n ≥ N

, ent˜ao [y
n
− y[ < ε. Temos ainda que
y ,= 0, consequentemente, existe N
′′
∈ N tal que, [y
n
[ > [y[/2, i.e., [y
n
[
−1
< 2[y[
−1
, quando
n ≥ N
′′
. Tomando N = max¦N

, N
′′
¦, para todo n ≥ N, temos que
¸
¸
¸
¸
1
y
n

1
y
¸
¸
¸
¸
=
[y −y
n
[
[y
n
[ [y[
<
2
[y[
2
ε.
Isto conclui a demonstra¸ c˜ao.
Exemplo 4.10. Considere (r
n
)
n∈N
uma Progress˜ao Geom´etrica de raz˜ao r.
Se [r[ < 1, ent˜ao multiplicando por [r
n
[ ≥ 0, obtemos 0 ≤ [r
n+1
[ ≤ [r
n
[. Logo,
([r
n
[)
n∈N
´e decrescente, limitada inferiormente e, portanto, convergente para, digamos, l.
Ora, [r
n+1
[ = [r[[r
n
[, ent˜ao, passando o limite, obtemos l = [r[l. Como [r[ ,= 1, temos l = 0.
Segue, finalmente, que (r
n
)
n∈N
converge para 0 (exerc´ıcio 4(a), p.70).
Se [r[ > 1, ent˜ao [r[ = 1 + h com h > 0. Pela desigualdade de Bernoulli, [r
n
[ = [r[
n

1 +nh e, portanto, [r
n
[ → +∞. Em particular, (r
n
)
n∈N
´e divergente (exerc´ıcio 4(b), p.70).
Deixamos para o leitor o estudo dos casos r = 1 e r = −1.
Vejamos agora as propriedades “aritm´eticas” de limites infinitos.
8.1. DERIVADA E PROPRIEDADES. 121
r
1
(x) = f(x)−g
1
(x) olhando para o extremo direito de cada um dos intervalos, i.e., tomando
x = 1 +h. Percebemos que r
1
(1 +h) se aproxima de zero, mas comparado com h n˜ao ´e t˜ao
pequeno. De fato, r
1
(1+h)/h tende a 1 quando h → 0. Por outro lado, r
2
(1+h) ´e pequeno
mesmo quando comparado com h j´a que r
2
(1 + h)/h tende a zero quando h → 0.
´
E esta
propriedade que formaliza o fato de g
2
ser a melhor aproxima¸c˜ao afim de f numa vizinhan¸ca
de 1.
´
E ela tamb´em que nos indica qual deve ser o coeficiente angular da melhor aproxima¸c˜ao.
Fazemos a seguinte defini¸c˜ao.
DEFINIC¸
˜
AO 168. Sejam f : A ⊂ R → R e x
0
um ponto de acumula¸ c˜ao de A. Dizemos
que f ´e deriv´avel em x
0
∈ A se existe a ∈ R tal que
lim
x→x0
f(x) −
_
f(x
0
) + a(x −x
0
)
_
x −x
0
= 0, (8.1)
ou, de forma equivalente (troque x −x
0
por h),
lim
h→0
f(x) −
_
f(x
0
) +ah
_
h
= 0.
A discuss˜ao anterior mostra que se f ´e deriv´avel em x
0
ent˜ao f ´e cont´ınua neste ponto.
O leitor que j´a estudou C´alculo I, pode estranhar esta defini¸c˜ao, pois ela difere daquela
cl´assica presente na maioria (sen˜ao todos) os livros. A proposi¸c˜ao seguinte resolve esta
confus˜ao mostrando que as duas defini¸c˜ oes s˜ao equivalentes. A escolha pela Defini¸ c˜ao 168
se deve ao fato que ela pode ser facilmente generalizada para fun¸c˜ oes de mais vari´aveis
(inclusive infinitas!). O autor espera, com isto, suavizar as dificuldades que o leitor possa ter
com defini¸c˜ao de derivabilidade para fun¸c˜ oes de duas ou mais vari´aveis. Reflita bastante sobre
a Defini¸ c˜ao 168 e a proposi¸c˜ao seguinte.
PROPOSIC¸
˜
AO 169. Uma fun¸c˜ao f : A → R ´e deriv´avel em x
0
, ponto de acumula¸ c˜ao de
A, se, e somente se, o limite abaixo existe e ´e finito.
lim
x→x0
f(x) −f(x
0
)
x −x
0
.
Neste caso, a constante a em (8.1) ´e ´unica e igual ao limite acima.
Demonstra¸c˜ao. Observamos que
f(x) −
_
f(x
0
) +a(x −x
0
)
_
x −x
0
=
f(x) −f(x
0
)
x −x
0
−a.
Portanto, lim
x→x0
f(x) −
_
f(x
0
) +a(x −x
0
)
_
x −x
0
= 0 ⇐⇒ lim
x→x0
f(x) −f(x
0
)
x −x
0
= a.
120 CAP
´
ITULO 8. DERIVADA
escrever a fun¸c˜ao g na forma g(x) = a(x −x
0
) +b (conven¸ca-se que toda fun¸c˜ao afim pode
ser escrita desta forma).
Como proceder? A resposta depende, ´e claro, do que se entende por “aproximar uma
fun¸c˜ao”. Devemos precisar o que significa g ser a fun¸c˜ao afim que mais se parece com f na
vizinhan¸ca de um ponto.
´
E natural exigir que a fun¸c˜ao g satisfa¸ca as seguintes condi¸c˜ oes:
i. g(x
0
) = f(x
0
); ii. lim
x→x0
_
f(x) −g(x)
_
= 0.
´
E f´acil ver que a condi¸c˜ao (i) ´e equivalente a b = f(x
0
). A condi¸c˜ao (ii) significa que o
erro r(x) = f(x) −g(x) cometido ao aproximar f por g no ponto x fica t˜ao pequeno quanto
quisermos bastando para isto tomar x suficientemente pr´ oximo de x
0
. Substituindo g por sua
express˜ao em (ii) obtemos
lim
x→x0
_
f(x) −
_
a(x−x
0
) +f(x
0
)

= 0 ⇐⇒ lim
x→x0
f(x) = lim
x→x0
_
f(x
0
) +a(x−x
0
)
_
= f(x
0
).
Ou seja, (ii) ´e equivalente `a continuidade de f em x
0
. Veja que este resultado (in)felizmente
n˜ao implica nada sobre a constante a. Ser´a que existe algum valor para a que dˆe a melhor
aproxima¸c˜ao?
Consideremos um exemplo que ser´a esclarecedor. Veja a figura 8.1(a). Ela mostra duas
aproxima¸c˜ oes afins para a fun¸c˜ao f(x) = x
2
em trˆes vizinhan¸cas de x
0
= 1, cada vez menores.
0 1 2
0
1
2
3
4
f
g
1
g
2
h
r
1
r
2
(a) h = 1.
0.5 1.0 1.5
0.5
1.0
1.5
2.0
2.5
f
g
1
g
2
h
r
1
r
2
(b) h = 0, 5.
0.9 1.0 1.1
0.9
1.0
1.1
1.2
1.3
f
g
1
g
2
h
r
1
r
2
(c) h = 0, 1.
Figura 8.1: Aproxima¸c˜ oes afins para f(x) = x
2
no intervalo [1 −h, 1 +h].
Observe que o gr´afico da fun¸c˜ao f ´e mais parecido com o gr´afico de g
2
(x) = 2(x−1) +1,
do que com o de g
1
(x) = (x − 1) + 1. Fazendo um zoom (tomando valores menores de h),
percebemos que quanto mais perto do ponto (1, 1) olharmos, maior ser´a a semelhan¸ ca entre
os gr´aficos de f e g
2
. Podemos ter uma ideia dos valores dos erros r
2
(x) = f(x) − g
2
(x) e
4.5. LIMITE SUPERIOR E LIMITE INFERIOR. 61
PROPOSIC¸
˜
AO 95. (propriedades do limite) Sejam (x
n
)
n∈N
e (y
n
)
n∈N
duas sequˆencias
e c > 0. Suponhamos que x
n
→ +∞. Temos:
i. se (y
n
)
n∈N
´e limitada inferiormente, ent˜ao x
n
+y
n
→ +∞;
ii. se y
n
≥ c para todo n ∈ N, ent˜ao x
n
y
n
→ +∞;
iii. c x
n
→ +∞;
iv. x
−1
n
→ 0.
Demonstra¸c˜ao. (i) Seja a ∈ R tal que a ≤ y
n
para todo n ∈ N. Dado M ∈ R, como
x
n
→ +∞, existe N ∈ N tal que se n ≥ N, ent˜ao x
n
> M −a. Segue que se n ≥ N, ent˜ao
x
n
+y
n
≥ x
n
+a > M. Conclu´ımos que x
n
+y
n
→ +∞.
(ii) Dado M ∈ R, podemos tomar N ∈ N tal que se n ≥ N, ent˜ao x
n
> [M[/c. Desta
forma, se n ≥ N, ent˜ao x
n
y
n
≥ x
n
c > [M[ ≥ M. Portanto x
n
y
n
→ +∞.
(iii)
´
E consequˆencia do item anterior, tomando y
n
= c para todo n ∈ N.
(iv) Dado ε > 0, tomemos N ∈ N tal que se n ≥ N, ent˜ao x
n
> ε
−1
. Segue que se
n ≥ N, ent˜ao [x
−1
n
−0[ = x
−1
n
< ε. Conclu´ımos que x
−1
n
→ 0.
4.5 Limite superior e limite inferior.
4.5.1 Defini¸c˜ao
Nem toda sequˆencia possui limite. Podemos, no entanto, introduzir uma extens˜ao do con-
ceito de limite que far´a com que toda sequˆencia possua limite. Existem outras possibilidades
de extens˜ao (ver exerc´ıcio 34, p.74).
DEFINIC¸
˜
AO 96. Dada uma sequˆencia (x
n
)
n∈N
, se ela for limitada superiormente, definimos
a sequˆencia X
n
= sup¦x
n
, x
n+1
, x
n+2
, . . .¦, que ´e mon´otona decrescente (porque?) e
portanto possui limite (pode ser −∞). O limite superior de (x
n
)
n∈N
´e definido por
limsup
n→+∞
x
n
=
_
+∞, se (x
n
)
n∈N
´e ilimitada superiormente;
lim
n→+∞
X
n
, se (x
n
)
n∈N
´e limitada superiormente.
DEFINIC¸
˜
AO 97. Dada uma sequˆencia (x
n
)
n∈N
, se ela for limitada inferiormente, definimos
a sequˆencia X
n
= inf¦x
n
, x
n+1
, x
n+2
, . . .¦, que ´e mon´otona crescente (porque?) e portanto
possui limite (pode ser +∞). O limite inferior de (x
n
)
n∈N
´e definido por
liminf
n→+∞
x
n
=
_
−∞, se (x
n
)
n∈N
´e ilimitada inferiormente;
lim
n→+∞
X
n
, se (x
n
)
n∈N
´e limitada inferiormente.
Exemplo 4.11. Considere a sequˆencia (1, 1, 2, 1/2, 3, 1/3, . . . , n, 1/n, . . .). Seu liminf
´e 0 e seu limsup ´e +∞.
Exemplo 4.12. Considere a sequˆencia (0, 1, −1, 0, 1, −2, 0, 1, −3, . . . , 0, 1, −n, . . .).
Seu liminf ´e −∞ e seu limsup ´e 1.
62 CAP
´
ITULO 4. SEQU
ˆ
ENCIAS E S
´
ERIES
Exemplo 4.13. Considere a sequˆencia (−1, −2, −3, . . . , −n, . . .). Seu liminf =
limsup = −∞.
LEMA 98. Considere (x
n
)
n∈N
uma sequˆencia de n´umeros reais.
i. liminf
n→+∞
x
n
≤ limsup
n→+∞
x
n
;
ii. o limite lim
n→+∞
x
n
existe se, e somente se, liminf
n→+∞
x
n
= limsup
n→+∞
x
n
.
Demonstra¸c˜ao. Vamos provar somente quando (x
n
)
n∈N
for limitada (superiormente e infe-
riormente). Deixamos para o leitor completar a prova para o caso geral.
Tomando o limite nos dois lados da desigualdade X
n
≤ X
n
obtemos (i).
Suponha que limsup = liminf.
´
E claro que X
n
≤ x
n
≤ X
n
. Portanto, se os limites dos
extremos s˜ao iguais, o limite do meio vai existir e ser´a igual ao dos extremos (conhecido como
Teorema do Sandu´ıche, ver exerc´ıcio 7, p.70). Agora suponha que lim existe. Logo (x
n
)
n∈N
´e
Cauchy e, portanto, para todo ε > 0 existe N > 0 tal que [x
n+k
−x
n
[ < ε se n > N, para todo
k > 0. Como x
n
≤ X
n
, 0 ≤ X
n
−x
n
= sup¦0, x
n+1
−x
n
, x
n+2
−x
n
, . . . , x
n+k
−x
n
, . . .¦ < ε
se n > N. Logo a sequˆencia X
n
−x
n
→ 0. Portanto lim = limsup. Argumento similar vale
para o liminf.
Veja no exerc´ıcio 28, p.73 como definir liminf e limsup de sequˆencias de conjuntos.
4.5.2 ⋆ Quase Cota
Vamos definir liminf e limsup de outra forma.
DEFINIC¸
˜
AO 99. Denotamos por
¯
R = ¦−∞¦ ∪ R ∪ ¦+∞¦, o conjunto R mais os pontos
no infinito. Em
¯
R estendemos a rela¸c˜ao de ordem usual em R convencionando que −∞ <
x < +∞ para todo x ∈ R.
Pode-se estender a Defini¸ c˜ao 73, p.45 para se definir sup e inf de subconjuntos de
¯
R:
menor das cotas superiores ou maior das cotas inferiores, onde maior e menor ´e dada pela
rela¸c˜ao de ordem acima. Assim, se +∞ ∈ A, sup A = +∞ e se −∞ ∈ A, inf A = −∞.
DEFINIC¸
˜
AO 100. Dizemos que r ∈
¯
R ´e quase cota superior de uma sequˆencia (x
n
)
n∈N
se existe somente um n´umero finito de termos x
n
com x
n
≥ r e quase cota inferior se
existe somente um n´umero finito de termos x
n
com x
n
≤ r.
Note que +∞ ´e sempre quase cota superior e −∞ ´e sempre quase cota inferior. Logo os
conjuntos de quase cotas superiores e inferiores s˜ao sempre n˜ao-vazios.
DEFINIC¸
˜
AO 101. Dada uma sequˆencia (x
n
)
n∈N
, seja A o conjunto de quase cota superiores
e B o conjunto de quase cota inferiores. O limite superior de (x
n
)
n∈N
´e definido por
limsup
n→+∞
x
n
= inf A.
O limite inferior de (x
n
)
n∈N
´e definido por
liminf
n→+∞
x
n
= sup B.
Cap´ıtulo 8
Derivada
8.1 Derivada e propriedades.
O autor gostaria muito de ver a discuss˜ao que segue nos livros de C´alculo I. Como n˜ao a
encontrou, ele a far´a aqui
1
.
Partimos da seguinte observa¸c˜ao. As fun¸c˜ oes afins (fun¸c˜ oes g : R → R da forma
g(x) = ax+b, sendo a e b constantes, i.e., fun¸c˜ oes cujos gr´aficos s˜ao retas) s˜ao mais simples
de serem manipuladas do que outras fun¸c˜ oes (cujos gr´aficos s˜ao curvas). Por isto, pode ser
´util saber se ´e poss´ıvel (e em caso afirmativo, de que modo) aproximar uma fun¸c˜ao qualquer
por outra que seja afim. Intuitivamente, dada a fun¸c˜ao f, queremos encontrar uma fun¸c˜ao
afim g que mais se pare¸ ca com f. Vejamos um exemplo que foge um pouco do contexto mas
que ´e suficientemente familiar para auxiliar nossa intui¸ c˜ao.
Consideremos a Terra. Durante muitos milhares de anos, pensou-se que a superf´ıcie
terrestre era plana. A raz˜ao ´e que o planeta era visto de muito perto. S´ o quando nos
afastamos dele, vemos que na realidade a sua superf´ıcie ´e mais parecida com uma esfera do
que com um plano. Diz-se que que Arist´oteles
2
reparou isto vendo a sombra da Terra sobre a
Lua durante um eclipse. De certa forma, Arist´oteles precisou recorrer `a imagem da Terra vista
da Lua para poder perceber que a Terra n˜ao era plana. Ora, se a Terra parece (ou parecia)
plana significa que existe um plano que se parece muito com a Terra, certo? Na verdade,
sabemos que n˜ao ´e um plano, mas sim v´arios planos. Para um habitante de T´oquio, o plano
que mais parece com a Terra n˜ao ´e o mesmo que para n´os. Isto nos indica que esta no¸c˜ao de
aproxima¸c˜ao ´e local, isto ´e, dependendo do ponto onde nos colocamos percebemos de modo
diferente o objeto simples (reta, plano, etc) que mais parece com o objeto original (curva,
esfera, etc).
Voltando ao caso de uma fun¸c˜ao real. Dada a fun¸c˜ao f definida numa vizinhan¸ca de x
0
queremos determinar a fun¸c˜ao afim g, dada por g(x) = ax + b, que mais se pare¸ ca com f
na vizinhan¸ca de x
0
(lembre-se que esta semelhan¸ ca ´e local, i.e., perto de x
0
). Determinar g
significa determinar as constantes a e b. Ser´a mais conveniente, modificando a constante b,
1
Agrade¸co ao colega Prof. Victor Giraldo pelas proveitosas discuss˜oes sobre o assunto e indico ao leitor
interessado a referˆencia [Gi].
Victor Giraldo: ⋆ 05/01/1969, Rio de Janeiro, Brasil.
2
Arist´ oteles: ⋆ 384 A.C., Stagirus, Gr´ecia - † 322 A.C., Chalcis, Gr´ecia.
119
118 CAP
´
ITULO 7. LIMITE E CONTINUIDADE
(e) se f ´e mon´otona ent˜ao (a), (b) e (d) s˜ao verdadeiros.
Dica: (c) #A
ε
≤ (f(1) −f(0))/ε; (d) Este conjunto pode ser escrito como
_
n∈N
A
1/n
.
♯ 40. (dif´ıcil) Prove que se f satisfaz a conclus˜ao do TVI, e assume cada valor uma ´unica vez,
ent˜ao f ´e cont´ınua. Generalize para o caso em que f assume cada valor um n´umero finito de
vezes ([Sp] p.109 no.13).
Dica: Por contradi¸c˜ao: suponha f descont´ınua.
⋆ 41. (extra) O objetivo deste exerc´ıcio ´e mais ambicioso do que o do Exerc´ıcio 39 do Cap´ıtulo
4. Sejam m ∈ N e f : [0, +∞) → [0, +∞) dada por f(x) = x
m
para todo x ≥ 0. Prove que
(a) f ´e cont´ınua e injetiva; (b) lim
x→+∞
f(x) = +∞;
(c) existe e ´e cont´ınua a fun¸c˜ao f
−1
: [0, +∞) → [0, +∞). A fun¸c˜ao f
−1
´e chamada de
raiz m-´esima e ´e denotada por f
−1
(y) =
m

y para todo y ∈ [0, +∞) (ou, simplesmente,

y quando m = 2).
7.6.4 Fun¸c˜ oes cont´ınuas em compactos
=⇒42. Seja p uma fun¸c˜ao polinomial qualquer. Prove que existe x
0
∈ R tal que [p(x
0
)[ ≤ [p(x)[
para todo x ∈ R ([Sp] p.109 no.16).
=⇒ 43. Suponha que f ´e cont´ınua com f(x) > 0 para todo x e lim
x→+∞
f(x) = 0 = lim
x→−∞
f(x).
Prove que existe x
0
∈ R tal que f(x
0
) ≥ f(x) para todo x ∈ R ([Sp] p.109 no.17).
Dica: Desenhe uma figura.
→ 44. Prove que:
(a) se f ´e Lipschitz cont´ınua, ent˜ao f ´e uniformemente cont´ınua. Em particular, toda
contra¸c˜ao ´e uniformemente cont´ınua.
(b) f(x) =

x n˜ao ´e Lipschitz cont´ınua (perto do zero) mas ´e uniformemente cont´ınua
em [0, 1].
45. Prove que f(x) = x
n
´e Lipschitz cont´ınua num intervalo limitado mas n˜ao ´e uniforme-
mente cont´ınua em R ([L] p.197 no.37).
=⇒ 46. Seja f : R →R cont´ınua e suponha que lim
x→−∞
f(x) e lim
x→+∞
f(x) existem e s˜ao finitos.
Prove que
(a) f ´e limitada; (b) f ´e uniformemente cont´ınua.
⋆ 47. (extra) Prove que se f(X) ´e limitado para toda f cont´ınua ent˜ao X ´e compacto ([L]
p.196 no.27).
⋆ 48. (extra) Dizemos que f : X → R ´e α-H¨ older
1
cont´ınua se existem α, M > 0 tais
que [f(x) −f(y)[ ≤ M[x −y[
α
para todo x, y ∈ X. Isto generaliza o conceito de Lipschitz
cont´ınua (α = 1). Veja no exerc´ıcio 29, p.137 porque supomos que α ≤ 1.
Prove que:
(a) se f ´e α-H¨ older cont´ınua ent˜ao f ´e uniformemente cont´ınua;
(b) f(x) =
_
[x[ ´e
1
2
-H¨ older cont´ınua mas n˜ao ´e Lipschitz cont´ınua (perto do zero).
1
Otto Ludwig H¨ older: ⋆ 22/12/1859, Stuttgart, Alemanha – † 29/08/1937, Leipzig, Alemanha.
4.6. S
´
ERIES. 63
4.5.3 ⋆ Valor de Aderˆencia
Vamos definir liminf e limsup de uma terceira forma.
DEFINIC¸
˜
AO 102. Dizemos que x ∈ R ´e valor de aderˆencia de (x
n
)
n∈N
se existe sub-
sequˆencia de (x
n
)
n∈N
convergente para x. Dizemos que y ∈
¯
R ´e valor de aderˆencia
generalizado de (x
n
)
n∈N
se existe subsequˆencia de (x
n
)
n∈N
convergente para y.
Utilizando estas defini¸c˜ oes, o Teorema de Bolzano-Weierstrass garante que toda sequˆencia
limitada possui valor de aderˆencia em R. Por outro lado, se a sequˆencia for ilimitada ela
possuir´a +∞ ou −∞ como valor de aderˆencia. Desta forma, o conjunto de valores de
aderˆencia generalizados de uma sequˆencia ser´a sempre n˜ao-vazio.
DEFINIC¸
˜
AO 103. Seja A o conjunto dos valores de aderˆencia generalizados de (x
n
)
n∈N
. O
limite superior de (x
n
)
n∈N
´e definido por
limsup
n→+∞
x
n
= sup A.
O limite inferior de (x
n
)
n∈N
´e definido por
liminf
n→+∞
x
n
= inf A.
Essencialmente, o limite superior de uma sequˆencia ´e o seu maior valor de aderˆencia
generalizado, enquanto que o limite inferior ´e seu menor valor de aderˆencia generalizado.
4.6 S´eries.
DEFINIC¸
˜
AO 104. Considere uma sequˆencia (x
n
)
n∈N
. Para cada n ∈ N definimos
S
n
=
n

i=1
x
i
= x
1
+ +x
n
.
A sequˆencia (S
n
)
n∈N
´e dita das somas parciais da s´erie

x
n
e x
n
´e o n-´esimo termo ou
termo geral da s´erie. Escrevemos
+∞

n=1
x
n
= lim
n→+∞
S
n
quando o limite acima existe e, neste caso, ele ´e dito limite da s´erie. Dizemos que

x
n
´e convergente ou divergente se (S
n
)
n∈N
´e convergente ou divergente, respectivamente.
Finalmente, dizemos que

x
n
´e absolutamente convergente se a s´erie

[x
n
[ ´e conver-
gente.
64 CAP
´
ITULO 4. SEQU
ˆ
ENCIAS E S
´
ERIES
Exemplo 4.14. Considere a S´erie Geom´etrica de termo geral x
n
= r
(n−1)
. Temos
S
n
= 1 +r +r
2
+ +r
n−2
+r
n−1
.
Se r = 1, ent˜ao ´e imediato que S
n
= n. Segue que (S
n
)
n∈N
diverge e, portanto,

x
n
diverge. Suponhamos r ,= 1. Multiplicando por S
n
por r obtemos
rS
n
= r +r
2
+r
3
+ +r
n−1
+r
n
= 1 +r +r
2
+r
3
+ +r
n−1
+r
n
−1
= S
n
+r
n
−1.
Portanto, S
n
= (r
n
− 1)/(r − 1). Assim,

x
n
converge se, e somente se, [r[ < 1 e, neste
caso,
+∞

n=1
x
n
=
1
1 −r
.
A pr´ oxima proposi¸c˜ao ´e uma vers˜ao da Proposi¸c˜ao 94 para s´eries.
PROPOSIC¸
˜
AO 105. (propriedades de s´eries) Sejam

x
n
e

y
n
duas s´eries conver-
gentes e c ∈ R. Temos que
i.

(x
n
+y
n
) ´e convergente para

x
n
+

y
n
;
ii.

(c x
n
) ´e convergente para c

x
n
.
Demonstra¸c˜ao. A demonstra¸ c˜ao ´e trivial: basta aplicar a Proposi¸c˜ao 94 para as sequˆencias
das somas parciais de

x
n
e de

y
n
.
Observamos que, em geral,
+∞

n=1
(x
n
y
n
) ,=
+∞

n=1
x
n

+∞

n=1
y
n
.
Passamos ao estudo da natureza de s´eries, i.e., estamos interessados em crit´erios que
determinem se uma s´erie ´e convergente ou divergente.
TEOREMA 106.
i.

x
n
converge se, e somente se,
∀ε > 0, ∃N ∈ N tal que n ≥ m ≥ N implica que
¸
¸
¸
¸
¸
n

i=m
x
i
¸
¸
¸
¸
¸
< ε.
ii. Se

x
n
converge, ent˜ao x
n
→ 0.
iii. Toda s´erie absolutamente convergente ´e convergente.
Demonstra¸c˜ao. (i) O crit´erio dado diz simplesmente que a sequˆencia das somas parciais ´e
de Cauchy. O resultado segue do Teorema 91.
(ii) Segue de (i), tomando m = n.
(iii) Observamos que para todo m, n ∈ N temos
¸
¸
¸
¸
¸
m

i=n
x
i
¸
¸
¸
¸
¸

m

i=n
[x
i
[ =
¸
¸
¸
¸
¸
m

i=n
[x
i
[
¸
¸
¸
¸
¸
7.6. EXERC
´
ICIOS. 117
Dica: Quanto vale f(0) e f(1)? Prove para x ∈ Q e utilize a densidade de Q em R.
♯ 30. (dif´ıcil) Prove que se f ´e cont´ınua e f(x + y) = f(x)f(y) para todo x, y ∈ R, ent˜ao
f ≡ 0 ou f(x) = a
x
(com a > 0) para todo x ∈ R ([Sp] p.300 no.27).
Dica: Quanto vale f(0) e f(1)? Prove para x ∈ Q e utilize a densidade de Q em R.
♯ 31. (dif´ıcil) Seja f : R →R tal que f(x +y) = f(x) +f(y) para todo x, y ∈ R e f(x) ≥ 0
para todo x ≥ 0. Prove que existe a ∈ R tal que f(x) = ax ([Fi1] p.73 no.2).
⋆ 32. (extra) (vers˜ao abstrata do exerc´ıcio 17(f), p.115) Seja A
n
⊂ [0, 1] conjunto finito para
cada n ∈ N com A
n
∩ A
m
= ∅ para n ,= m. Defina f(x) = 1/n para x ∈ A
n
e f(x) = 0
caso contr´ario. Prove que lim
x→a
f(x) = 0 para todo a ∈ [0, 1]. ([Sp] p.91 no.22)
→ 33. Uma fun¸c˜ao ϕ : [a, b] → R ´e linear por partes se existe subdivis˜ao finita do intervalo
[a, b] tal que ϕ ´e linear em cada subdivis˜ao. Prove que se g : [a, b] → R ´e cont´ınua ent˜ao
dado ε > 0 existe ϕ linear por partes tal que [g(x) − ϕ(x)[ < ε para todo x ∈ [a, b] ([L]
p.197 no.44). Dizemos que as fun¸c˜ oes lineares por partes s˜ao densas no conjunto das fun¸c˜ oes
cont´ınuas.
34. Dada f : X →R, suponha que para cada ε > 0 se possa obter g : X →R cont´ınua tal
que [f(x) −g(x)[ < ε para todo x ∈ X. Prove que f ´e cont´ınua ([L] p.197 no.46).
♯ 35. (dif´ıcil) Prove que n˜ao existe fun¸c˜ao cont´ınua em R que assuma cada valor ([Sp] p.110
no.20):
(a) exatamente duas vezes; (b) zero ou duas vezes; (c) n vezes, com n ´e par.
(d) Encontre uma fun¸c˜ao cont´ınua que assuma cada valor exatamente trˆes vezes. De
forma geral, encontre uma que assuma exatamente n vezes, com n ´ımpar;
7.6.3 Fun¸c˜ oes cont´ınuas em conexos
=⇒ 36. Seja p(x) = x
n
+a
n−1
x
n−1
+ +a
1
x +a
0
, com n par. Prove que existe x
0
∈ R que
´e ponto de m´ınimo global de p. Prove ainda que se p(x
0
) < 0, ent˜ao p tem pelo menos duas
ra´ızes.
Dica: a
0
´e menor ou igual ao m´ınimo global. (ver [Sp] p.105) Se M = max(1, 2n[a
n−1
[, . . . , 2n[a
0
[),
[x[ ≥ M implica que x
n
/2 ≤ p(x).
→ 37. Seja p(x) = x
n
+a
n−1
x
n−1
+ +a
1
x +a
0
, com n ´ımpar. Prove que:
(a) lim
x→+∞
p(x) = +∞; (b) lim
x→−∞
p(x) = −∞; (c) existe x
0
∈ R tal que p(x
0
) = 0.
=⇒ 38. Seja f : R →Q cont´ınua. Prove que f ´e constante.
→ 39. Seja f : [0, 1] →R crescente. Prove que ([Sp] p.119 no.8 e p.370 no.7 e 8):
(a) os limites laterais existem em todos os pontos;
(b) se f satisfaz a conclus˜ao do Teorema do valor intermedi´ario (TVI) ent˜ao f ´e cont´ınua;
Obs: Note que f(x) = sen(1/x) (defina f(0) = 0) satisfaz a conclus˜ao do TVI mas n˜ao
´e cont´ınua.
(c) A
ε
= ¦a ∈ [0, 1]; lim
x→a
+
f(x) − lim
x→a

f(x) > ε¦, para ε > 0, ´e finito;
(d) o conjunto dos pontos de descontinuidade de f ´e enumer´avel (ou finito);
116 CAP
´
ITULO 7. LIMITE E CONTINUIDADE
(a) se f ´e cont´ınua em A ent˜ao ∀ε > 0 ∃δ > 0 tal que diam(f(B
δ
(x
0
) ∩ A)) ≤ ε;
(b) w(f; x) = 0 para todo x ∈ A se, e somente se, f ´e cont´ınua em A;
(c) pode-se trocar inf por lim
δ→0
+
na defini¸c˜ao de oscila¸ c˜ao.
21. (Teorema da mudan¸ ca de vari´aveis no limite)
(a) Prove que lim
x→0
f(a +x) = lim
h→a
f(h);
(b) Generalize (a): Seja g uma fun¸c˜ao cont´ınua em a. Ent˜ao lim
x→a
f(g(x)) = lim
h→g(a)
f(h)
caso os limites existam.
⋆ 22. (extra) Suponha que a ´e ponto interior de A. Suponha que os limites laterais em a
existem para uma fun¸c˜ao f. Prove que w(f; a) ´e a maior diferen¸ca entre os n´umeros: f(a),
lim
x→a
+
f(x), lim
x→a

f(x). Prove que de forma geral (sem assumir existˆencia de limites) ´e a maior
diferen¸ca entre os n´umeros: f(a), limsup
x→a
f(x), liminf
x→a
f(x).
♯ 23. (dif´ıcil) Seja D
m
= ¦x ∈ [a, b]; w(f; x) ≥ 1/m¦. Prove que:
(a) D
m
´e fechado (e limitado, e portanto, compacto);
(b) o conjunto dos pontos de descontinuidade de uma fun¸c˜ao ´e a uni˜ao enumer´avel de
fechados;
(c) uma fun¸c˜ao real n˜ao pode ser descont´ınua somente nos irracionais (mas pode ser
descont´ınua somente nos racionais: vide exerc´ıcio 17(f), p.115).
♯ 24. (dif´ıcil) Dizemos que f tem uma descontinuidade remov´ıvel em a se o limite lim
x→a
f(x)
existe mas ´e diferente de f(a). Neste caso basta redefinir a f em a para que ela seja cont´ınua
neste ponto. O objetivo deste exerc´ıcio ´e investigar se existe uma fun¸c˜ao que ´e descont´ınua
em todos os pontos mas que possui somente descontinuidades remov´ıveis ([Sp] p.99 no.16(e)
e p.387 no.24). Seja f definida em [0, 1] tal que o limite lim
x→a
f(x) existe para todo a ∈ [0, 1].
Prove que:
(a) Dado ε > 0 existe um n´umero finito de pontos a ∈ [0, 1] com [ lim
x→a
f(x) −f(a)[ > ε.
Dica: Se fosse infinito, existiria um ponto limite k ∈ [0, 1] tal que lim
x→k
f(x) n˜ao existiria.
(b) o conjunto dos pontos onde f ´e descont´ınua ´e enumer´avel.
→ 25. Prove que se f e g s˜ao fun¸c˜ oes continuas tais que f(x) = g(x) para todo x ∈ Q ent˜ao
f ≡ g. Conclua que basta conhecer uma fun¸c˜ao cont´ınua nos racionais para determinar seu
valor em todos os pontos.
♯ 26. (dif´ıcil) Use o exerc´ıcio anterior para provar que a cardinalidade do conjunto das fun¸c˜ oes
cont´ınuas f : R → R ´e igual a cardinalidade de R (e portanto estritamente menor que a
cardinalidade do conjunto das fun¸c˜ oes).
⋆ 27. (extra) Seja f : R → R cont´ınua. Se, para todo A ⊂ R, f(A) for aberto ent˜ao f ´e
injetiva e portanto mon´otona ([L] p.196 no.25).
28. Seja f : R → R tal que f(x + y) = f(x) + f(y) para todo x, y ∈ R. Prove que f ´e
cont´ınua em zero se, e somente se, f ´e cont´ınua em R ([Sp] p.98 no.7).
⋆ 29. (extra) Seja f : R → R cont´ınua tal que f(x + y) = f(x) + f(y) para todo x, y ∈ R.
Prove que existe a ∈ R tal que f(x) = ax ([Fi1] p. 73 no.1).
4.6. S
´
ERIES. 65
Portanto, por (i), a convergˆencia de

[x
n
[ implica a de

x
n
.
O item (iii) do teorema anterior est´a intimamente ligado ao fato de R ser completo.
Devemos ressaltar ainda que a sua rec´ıproca n˜ao ´e verdadeira, ou seja, existem s´eries que s˜ao
convergentes mas n˜ao absolutamente convergentes. Veremos um exemplo posteriormente.
Exemplo 4.15. Pelo item (ii), a condi¸c˜ao x
n
→ 0 ´e necess´aria para a convergˆencia da
s´erie

x
n
por´em ela n˜ao ´e suficiente. A S´erie Harmˆ onica

1/n ´e o contraexemplo mais
famoso. De fato, agrupando de 1 em 1, 2 em 2, 4 em 4, . . . , 2
k
em 2
k
termos e estimando
por baixo temos que
S
2
n = 1 +
_
1
2
+
1
3
_
+
_
1
4
+
1
5
+
1
6
+
1
7
_
+ +
_
1
2
n−1
+ +
1
2
n
−1
_
+
1
2
n
> 1 + 2
_
1
4
_
+ 4
_
1
8
_
+ + 2
n−1
_
1
2
n
_
+
1
2
n
> 1 +
1
2
+
1
2
+ +
1
2
.
Contando o n´umero de vezes que 1/2 aparece, obtemos que S
2
n ≥ 1 + (n − 1)/2. Da´ı,
segue que lim
n→+∞
S
2
n = +∞. Conclu´ımos que a s´erie diverge. Podemos obter o mesmo
resultado (utilizando outras t´ecnicas) pelo exerc´ıcio 43, p.31 ou pelo exerc´ıcio 68, p.80 ou
pelo exerc´ıcio 3(f), p.26 ou pela Proposi¸c˜ao 114, p.69.
Vamos tratar agora de alguns crit´erios de convergˆencia para s´eries de termos positivos.
Claramente, todos os crit´erios aqui expostos podem ser adaptados para s´eries de termos
negativos. De fato, se

x
n
´e uma s´erie de termos negativos, ent˜ao

(−x
n
) ´e uma s´erie de
termos positivos e, al´em disto, a primeira converge se, e somente se, a segunda converge.
Eventualmente, podemos usar tamb´em crit´erios sobre s´eries de termos positivos para uma
s´erie

x
n
que tenha termos de sinais vari´aveis. Ora, se ao aplicarmos algum destes crit´erios
para a s´erie

[x
n
[ concluirmos que ela ´e convergente, ent˜ao, como toda s´erie absolutamente
convergente ´e convergente, concluiremos que

x
n
converge. Por outro lado, se o crit´erio
nada disser, ou mesmo se ele nos informar que

[x
n
[ ´e divergente, em geral, nada poderemos
afirmar sobre a convergˆencia da s´erie

x
n
.
Observamos tamb´em o seguinte fato, j´a mencionado no caso de sequˆencias. Os primeiros
termos de uma s´erie nada influem na sua natureza. De fato, a s´erie

x
n
converge se, e
somente se, a s´erie

x
n+2006
converge. De maneira geral, fixado p ∈ N a s´erie

x
n
´e
convergente se, e somente se, a s´erie

x
n+p
´e convergente. Desta forma, todos os crit´erios
que determinam a natureza de uma s´erie atrav´es de alguma propriedade verificada por todos
os seus termos continuam v´alidos se a tal propriedade ´e verificada `a partir de algum termo
(por exemplo, 2006). Por outro lado, n˜ao podemos desprezar nenhum termo de uma s´erie
convergente quando estamos interessados em determinar o valor do seu limite.
PROPOSIC¸
˜
AO 107. Uma s´erie de termos positivos ´e convergente se, e somente se, a
sequˆencia de suas somas parciais ´e limitada superiormente.
66 CAP
´
ITULO 4. SEQU
ˆ
ENCIAS E S
´
ERIES
Demonstra¸c˜ao. Por defini¸c˜ao,

x
n
´e convergente se, e somente se, a sequˆencia de suas
somas parciais (S
n
)
n∈N
´e convergente. Como x
n
≥ 0, temos imediatamente que (S
n
)
n∈N
´e
crescente. Logo, (S
n
)
n∈N
´e convergente se, e somente se, ela ´e limitada superiormente (ver
proposi¸c˜ oes 87 e 88)
TEOREMA 108. (Crit´erio da Compara¸c˜ao) Sejam (x
n
)
n∈N
e (y
n
)
n∈N
tais que 0 ≤ x
n

y
n
para todo n ∈ N.
i. Se

y
n
converge, ent˜ao

x
n
converge.
ii. Se

x
n
diverge, ent˜ao

y
n
diverge.
Demonstra¸c˜ao. Sejam (S
n
)
n∈N
e (T
n
)
n∈N
as sequˆencias de somas parciais de

x
n
e

y
n
,
respectivamente. De x
n
≤ y
n
segue imediatamente que S
n
≤ T
n
para todo n ∈ N. Assim,
se (S
n
)
n∈N
´e ilimitada superiormente, ent˜ao (T
n
)
n∈N
tamb´em ´e. Por outro lado, se (T
n
)
n∈N
´e limitada superiormente, ent˜ao (S
n
)
n∈N
tamb´em ´e. Conclu´ımos gra¸cas `a Proposi¸c˜ao 107.
Exemplo 4.16. Vamos estudar a natureza da s´erie

1/n
p
segundo os valores de p.
´
E claro
que se p ≤ 0, ent˜ao ela diverge pois neste caso lim
n→+∞
x
n
,= 0.
Suponhamos 0 ≤ p ≤ 1. Temos 1/n ≤ 1/n
p
para todo n ∈ N. Portanto, por compara¸ c˜ao
com a S´erie Harmˆonica, conclu´ımos que a s´erie diverge.
Finalmente, consideremos o caso p > 1. Vamos utilizar t´ecnica similar a utilizada no
estudo da s´erie harmˆonica para mostrar que a s´erie converge. Seja (S
n
)
n∈N
a sequˆencia das
somas parciais. Agrupando de 1 em 1, 2 em 2, 4 em 4, . . . , 2
k
em 2
k
termos e estimando
por cima obtemos que
S
n
= 1 +
1
2
p
+
1
3
p
+ +
1
n
p
≤ 1 +
1
2
p
+
1
3
p
+ +
1
n
p
+ +
1
(2
n
−1)
p
= 1 +
_
1
2
p
+
1
3
p
_
+
_
1
4
p
+
1
5
p
+
1
6
p
+
1
7
p
_
+ +
_
1
(2
n−1
)
p
+ +
1
(2
n
−1)
p
_
≤ 1 +
2
2
p
+
4
4
p
+ +
2
n−1
(2
n−1
)
p
=
n

i=1
(2
1−p
)
(i−1)
.
Como p > 1 temos 2
1−p
< 1 e, portanto, a S´erie Geom´etrica de raz˜ao 2
1−p
converge. Segue
que (S
n
)
n∈N
´e limitada superiormente e portanto

1/n
p
´e convergente.
TEOREMA 109. (Teste da Raz˜ao, ou de d’Alembert
1
) Seja (x
n
)
n∈N
uma sequˆencia de
n´umeros estritamente positivos.
i. Se lim
n→+∞
x
n+1
/x
n
< 1, ent˜ao

x
n
´e convergente.
ii. Se lim
n→+∞
x
n+1
/x
n
> 1, ent˜ao

x
n
´e divergente.
1
Jean Le Rond d’Alembert: ⋆ 17/11/1717, Paris, Fran¸ ca - † 29/10/1783, Paris, Fran¸ ca.
7.6. EXERC
´
ICIOS. 115
→ 9. Prove que se f : A →R ´e cont´ınua, ent˜ao [f[ ´e cont´ınua. A rec´ıproca ´e verdadeira? Ou
seja, podemos afirmar que se [f[ ´e cont´ınua, ent˜ao f ´e cont´ınua?
⋆ 10. (extra) Sejam f : R →R e A ⊂ R. Considere a seguinte defini¸c˜ao: f ´e cont´ınua em A
se f ´e cont´ınua em todos os elementos de A.
(a) Prove que se f ´e cont´ınua em A, ent˜ao f
|A
´e cont´ınua.
(b) Encontre um exemplo onde f
|A
´e cont´ınua mas f ´e n˜ao ´e cont´ınua em A.
Dica: A = Q, f = I
Q
.
=⇒ 11. Prove que se f e g s˜ao cont´ınuas ent˜ao:
(a) h = max(f, g) ´e cont´ınua; (b) l = max(f
1
, . . . , f
n
) ´e cont´ınua.
Dica: max(a, b) = (a +b +[a −b[)/2.
→ 12. (colando fun¸c˜ oes cont´ınuas) Suponha que f ´e cont´ınua em [a, b] e g ´e continua em [b, c]
com f(b) = g(b). Defina h em [a, c] por h(x) = f(x) para x ∈ [a, b] e h(x) = g(x) para
x ∈ (b, c]. Prove que h ´e cont´ınua em [a, c] ([Sp] p.98 no.14).
=⇒13. Seja A um conjunto discreto (i.e., todos seus pontos s˜ao isolados). Prove que T(A; R) =
C(A; R), i.e., que toda fun¸c˜ao de A em R ´e cont´ınua.
14. Seja f : R →R cont´ınua e A um conjunto aberto. Dˆe um exemplo onde f(A) n˜ao ´e um
conjunto aberto. Conclua que fun¸c˜ao cont´ınua n˜ao leva, necessariamente, aberto em aberto.
15. Encontre uma fun¸c˜ao f que seja descont´ınua nos seguintes pontos, mas cont´ınua em
todos os outros ([Sp] p.98 no.6):
(a) 1,
1
2
,
1
3
,
1
4
, . . .; (b) 0, 1,
1
2
,
1
3
,
1
4
, . . .
=⇒16. Prove que f : A →R ´e cont´ınua sse ∀ε > 0, ∃δ > 0 tal que f(B
δ
(x
0
)∩A) ⊂ B
ε
(f(x
0
)).
=⇒ 17. Determine w(f; x) (oscila¸ c˜ao de f) e os pontos de descontinuidade, de:
(a) f(x) = x/[x[ para x ,= 0 e f(0) = 0; (b) f = I
Q
;
(c) f(x) = xI
Q
(x); (d) f(x) = sen(1/x) para x ,= 0 e f(0) = 0;
(e) f(x) = sen(x)/[ sen(x)[ para sen(x) ,= 0, f(x) = 0 caso contr´ario;
(f) f : R → R definida por f(x) = 0 se x ∈ R − Q, f(p/q) = 1/q se p/q ´e fra¸c˜ao
irredut´ıvel com q > 0 e f(0) = 0;
Dica: esboce o gr´afico para q = 2, 3, . . .
(g) f(x) igual ao primeiro algarismo da expans˜ao decimal de x ([Sp] p.70 no.17);
(h) f(x) = 0 se 1 n˜ao aparece na expans˜ao decimal de x e f(x) = n se 1 aparece na
n-´esima posi¸c˜ao([Sp] p.70 no.17).
18. Esboce o gr´afico e determine os pontos de descontinuidade de ([Sp] p.70 no.17):
(a) f(x) igual ao segundo algarismo da expans˜ao decimal de x;
(b) f(x) igual ao n´umero de 7’s da expans˜ao decimal de x se este n´umero ´e finito e zero
caso contr´ario.
19. Prove que:
(a) se X ⊂ Y ent˜ao diam(X) ≤ diam(Y ); (b) diam(X) = sup(X) −inf(X);
(c) diam(X) = diam(X); (d) diam([X[) ≤ diam(X) onde [X[ = ¦[x[; x ∈ X¦.
(e) Determine diam(Q

∩ [0, 1]) e diam(B
ε
(x)).
→ 20. Prove que:
114 CAP
´
ITULO 7. LIMITE E CONTINUIDADE
Mostremos agora a unicidade. Suponhamos por absurdo, que existe b ∈ X ponto fixo de
f diferente de a. Temos
[b −a[ = [f(b) −f(a)[ ≤ α[b −a[ < [b −a[.
Absurdo.
Observa¸c˜ao 7.1 O Teorema 167 do Ponto fixo de Banach tamb´em ´e conhecido como
M´etodo das Aproxima¸c˜ oes Sucessivas de Picard
1
ou Lema da Contra¸c˜ao.
7.6 Exerc´ıcios.
7.6.1 Limite de fun¸ c˜ oes
1. Prove (por contradi¸c˜ao) que lim
x→0
1
x
n˜ao existe.
→ 2. Para f : A →R, dˆe as defini¸c˜ oes rigorosas de lim
x→+∞
f(x) = k e lim
x→−∞
f(x) = +∞.
=⇒ 3. (Teorema do Sandu´ıche) Sejam f, g, h : A → R. Prove que se f(x) ≤ g(x) ≤ h(x)
para todo x ∈ A e lim
x→x0
f(x) = lim
x→x0
h(x) = k, ent˜ao lim
x→x0
g(x) = k.
→ 4. Nos exerc´ıcios abaixo, ⌊x⌋ denota a parte inteira de x ∈ R (veja a Defini¸ c˜ao 86).
Determine:
(a) lim
x→+∞
x⌊1/x⌋; (b) lim
x→0
x⌊1/x⌋.
7.6.2 Fun¸c˜ oes cont´ınuas
=⇒ 5. Seja f cont´ınua definida em [a, b]. Prove que existe h cont´ınua com dom´ınio igual a R
que seja uma extens˜ao de f (caso particular do (Teorema de extens˜ao de Tietze). Dˆe
um exemplo que prove que isto ´e falso se substituirmos [a, b] por (a, b).
=⇒ 6. Sejam f, g, h : R → R cont´ınua. Prove que Z = ¦x ∈ R ; f(x) = 0¦ (zeros de f) ´e
fechado. Conclua que C = ¦x ∈ R ; f(x) = g(x)¦ ´e fechado.
=⇒ 7. Sejam T

os transcendentes negativos e /
+
os alg´ebricos positivos.
Defina f : T

∪ /
+
→ [0, +∞) por f(x) = x
2
.
(a) Prove que f ´e uma bije¸ c˜ao cont´ınua cuja a inversa ´e descont´ınua em todos os pontos
menos no zero ([L] p.195 no.21).
(b) Determine a oscila¸ c˜ao w(f
−1
; π
2
).
(c) Determine a oscila¸ c˜ao w(f
−1
; y
0
) para cada y
0
∈ [0, +∞).
→ 8. Seja f : [0, 1) ∪ [2, 3] → [0, 2] dada por f(x) = x se x ∈ [0, 1) ou f(x) = x − 1 se
x ∈ [2, 3]. Prove que f ´e uma bije¸ c˜ao cont´ınua com inversa dada por f
−1
(y) = y se y ∈ [0, 1)
ou f
−1
(y) = y + 1 se y ∈ [1, 2]. Conclua que f
−1
´e descont´ınua em 1.
1
Charles Emile Picard: ⋆ 24/07/1856, Paris, Fran¸ ca - † 11/12/1941, Paris, Fran¸ ca.
4.6. S
´
ERIES. 67
Demonstra¸c˜ao. (i) Tomemos r ∈ R tal que lim
n→+∞
x
n+1
/x
n
< r < 1. O resultado do
exerc´ıcio 6(a), p.70 garante que existe N ∈ N tal que x
n+1
/x
n
< r para todo n ≥ N. Temos
ent˜ao
x
N+1
< rx
N
;
x
N+2
< rx
N+1
< r
2
x
N
;
x
N+3
< rx
N+2
< r
3
x
N
;
.
.
.
De maneira geral, x
n
< r
n−N
x
N
, para todo n ≥ N. Tomando y
n
= r
n−N
x
N
(para todo
n ∈ N) temos que x
n
≤ y
n
para todo n ≥ N. Como

y
n
´e uma S´erie Geom´etrica de raz˜ao
r ∈ (0, 1), ela ´e convergente. O resultado segue do Crit´erio de Compara¸ c˜ao.
(ii) Usando o resultado do exerc´ıcio 6(b), p.70 conclu´ımos que existe N ∈ N tal que
x
n+1
/x
n
≥ 1 para todo n ≥ N. Portanto, x
n+1
≥ x
n
para todo n ≥ N. Segue que a
sequˆencia dos termos gerais da s´erie ´e crescente a partir do N-´esimo termo e, portanto, n˜ao
converge para zero. Logo, a s´erie ´e divergente.
Exemplo 4.17. A s´erie

1/n! ´e convergente pois
lim
n→+∞
1/(n + 1)!
1/n!
= lim
n→+∞
n!
(n + 1)!
= lim
n→+∞
1
n + 1
= 0.
Analogamente, dado x ∈ R, mostra-se que

x
n
/n! ´e (absolutamente) convergente e, em
particular, x
n
/n! → 0. Para outra prova ver exerc´ıcio 19, p.72. Esta s´erie ser´a revista na
Se¸ c˜ao 10.5.
Definiremos a seguir as constantes e e π, que est˜ao entre as cinco principais da An´alise.
As outras trˆes s˜ao 0, 1, e i (a ´ultima aparece na An´alise Complexa). Bem menos conhecida ´e
a constante γ (gamma) de Euler (ver exerc´ıcio 23, p.73) e a raz˜ao ´aurea Φ (ver exerc´ıcio 24,
p.73).
DEFINIC¸
˜
AO 110. e =

n=0
1
n!
.
Podemos definir e tamb´em atrav´es do exerc´ıcio 19, p.72.
TEOREMA 111. O n´umero e ´e irracional.
Demonstra¸c˜ao. Suponhamos por absurdo que e ∈ Q. Ent˜ao, existem p, q ∈ N tais que
e = p/q, ou seja,
p
q
=
+∞

n=0
1
n!
. Multiplicando por q! e rearranjando obtemos
p(q −1)! −
q

n=0
q!
n!
=
+∞

n=q+1
q!
n!
.
68 CAP
´
ITULO 4. SEQU
ˆ
ENCIAS E S
´
ERIES
Claramente o termo do lado esquerdo da igualdade ´e inteiro. Concluiremos a prova mostrando
que o termo do lado direito n˜ao ´e inteiro. De fato,
0 <
+∞

n=q+1
q!
n!
=
1
q + 1
+
1
(q + 2)(q + 1)
+
1
(q + 3)(q + 2)(q + 1)
+. . .
<
1
2
+
1
4
+
1
8
+ = 1.
Observa¸c˜ao 4.2 A prova que e ´e transcendente pode ser vista em [Sp] cap´ıtulo 20.
DEFINIC¸
˜
AO 112. π = 4
_
1 −
1
3
+
1
5

1
7
+
1
9

_
.
Para justificar a defini¸c˜ao, fa¸ca exerc´ıcio 57, p.78. Podemos definir π tamb´em atrav´es do
exerc´ıcio 58, p.79 ou da Defini¸ c˜ao 244, p.178. A irracionalidade de π ´e provada na Se¸ c˜ao 9.4,
p.152.
Quando lim
n→+∞
x
n+1
/x
n
= 1, o Teste da Raz˜ao nada permite concluir (nem convergˆencia
nem divergˆencia). H´a outras vers˜ oes do Teste da Raz˜ao. A aqui apresentada n˜ao ´e a mais
geral delas. Por exemplo, no Teorema 109 (i), podemos substituir o s´ımbolo de limite pelo
s´ımbolo de limite superior que a afirma¸c˜ao continua v´alida. Analogamente, a conclus˜ao do
Teorema 109 (ii), permanece v´alida ao substituirmos o s´ımbolo de limite pelo de limite inferior.
Exemplo 4.18. Vejamos exemplos para os quais o Teste da Raz˜ao n˜ao ´e conclusivo. Consi-
dere as s´eries

1/n e

1/n
2
. J´a vimos que a primeira ´e divergente enquanto que a segunda
´e convergente. Por´em, para ambas temos que lim
n→+∞
x
n+1
/x
n
= 1. De fato,
lim
n→+∞
1/(n + 1)
1/n
= lim
n→+∞
n
n + 1
= 1 e lim
n→+∞
1/(n + 1)
2
1/n
2
= lim
n→+∞
n
2
(n + 1)
2
= 1.
TEOREMA 113. (Teste da Raiz, ou de Cauchy) Seja (x
n
)
n∈N
uma sequˆencia de n´umeros
positivos.
i. Se lim
n→+∞
n

x
n
< 1, ent˜ao

x
n
´e convergente.
ii. Se lim
n→+∞
n

x
n
> 1, ent˜ao

x
n
´e divergente.
Demonstra¸c˜ao. (i) Seja r ∈ R tal que lim
n→+∞
n

x
n
< r < 1. Do resultado do exerc´ıcio 6(a),
p.70 obtemos que existe N ∈ N tal que
n

x
n
< r, ou seja, x
n
< r
n
para todo n ≥ N. O
resultado segue por compara¸ c˜ao com a S´erie Geom´etrica

r
n
.
(ii) An´alogo ao item anterior.
Quando lim
n→+∞
n

x
n
= 1, o Teste da Raiz nada permite concluir (nem convergˆencia nem
divergˆencia). Tamb´em h´a outras vers˜ oes do Teste da Raiz. A apresentada acima n˜ao ´e a
mais geral de todas. Por exemplo, (i) se generaliza ao substituirmos o s´ımbolo de limite pelo
s´ımbolo de limite superior. Analogamente, em (ii), podemos substituirmos o s´ımbolo de limite
pelo de limite inferior.
7.5. ⋆ PONTOS FIXOS PARA FUNC¸
˜
OES CONT
´
INUAS. 113
Demonstra¸c˜ao. Seja g : [0, 1] → [0, 1] dada por g(x) = f(x) − x para todo x ∈ [0, 1].
Observamos que x ´e ponto fixo de f se, e somente se, x ´e raiz de g. Vamos ent˜ao mostrar
que g tem raiz.
Ora, g(0) = f(0) − 0 ≥ 0 e g(1) = f(1) − 1 ≤ 0. Se g(0) = 0 ou g(1) = 0, ent˜ao n˜ao
h´a nada mais a ser demonstrado. Suponhamos agora que g(0) > 0 e g(1) < 0. Neste caso,
como g ´e cont´ınua, o Teorema do Valor Intermedi´ario garante a existˆencia de uma raiz de g
no intervalo (0, 1).
Vejamos outro teorema de ponto fixo que ´e ´util mesmo nesta sua vers˜ao mais simples.
Como preliminar, definimos contra¸c˜ao.
DEFINIC¸
˜
AO 166. Seja f : A ⊂ R → R. Dizemos que f ´e uma contra¸c˜ao se existe
α ∈ (0, 1) tal que
[f(x) −f(y)[ ≤ α[x −y[ ∀x, y ∈ A.
´
E f´acil ver que se f ´e uma contra¸c˜ao, ent˜ao f ´e uniformemente cont´ınua (veja Lema 163).
TEOREMA 167. (Do Ponto Fixo de Banach
1
) Sejam f : A ⊂ R → R contra¸c˜ao e
X ⊂ A fechado, n˜ao vazio e tal que f(X) ⊂ X. Ent˜ao existe um ´unico a ∈ X que ´e ponto
fixo de f. Mais precisamente, dado x
0
∈ X a sequˆencia (x
n
)
n∈N
definida recursivamente por
x
n
= f(x
n−1
) ∀n ∈ N. (7.6)
converge para a.
Demonstra¸c˜ao. Vamos mostrar que a sequˆencia (x
n
)
n∈N
´e de Cauchy. Seja ε > 0.
Por defini¸c˜ao de contra¸c˜ao, existe α ∈ (0, 1) tal que
[f(x) −f(y)[ ≤ α[x −y[ ∀x, y ∈ A.
Como α ∈ (0, 1), existe N ∈ N tal que
n ≥ N =⇒
[x
1
−x
0

n
1 −α
< ε.
Por indu¸c˜ao, mostra-se facilmente que [x
n+1
− x
n
[ ≤ α
n
[x
1
− x
0
[ para todo n ∈ N.
Usando este fato, obtemos que se m > n ≥ N, ent˜ao
[x
m
−x
n
[ =
¸
¸
¸
¸
¸
m−1

i=n
(x
i+1
−x
i
)
¸
¸
¸
¸
¸

m−1

i=n
[x
i+1
−x
i
[ ≤
m−1

i=n
α
i
[x
1
−x
0
[
≤ [x
1
−x
0
[
+∞

i=n
α
i
=
[x
1
−x
0

n
1 −α
< ε.
Conclu´ımos que a sequˆencia (x
n
)
n∈N
´e de Cauchy e, portanto, convergente para algum
a ∈ R. Como X ´e fechado obtemos que a ∈ X. Tomando o limite quando n → +∞ em
(7.6), da continuidade de f segue que a = f(a), ou seja, que a ´e ponto fixo de f.
1
Stefan Banach: ⋆ 30/03/1892, Krak´ow, Polˆonia - † 31/08/1945, Lvov, Ucrˆania.
112 CAP
´
ITULO 7. LIMITE E CONTINUIDADE
DEFINIC¸
˜
AO 162. Uma fun¸c˜ao f : A ⊂ R →R ´e dita Lipschitz
1
cont´ınua se existe K > 0
tal que [f(x) −f(y)[ ≤ K[x −y[ para todo x, y ∈ A.
A classe das fun¸c˜ oes Lipschitz cont´ınuas ´e importante em aplica¸ c˜ oes de an´alise como
por exemplo equa¸ c˜ oes diferenciais. Esta classe de fun¸c˜oes est´a relacionada com a classe
das fun¸c˜ oes deriv´aveis pelo exerc´ıcio 6, p.134.
´
E generalizada pela classe de fun¸c˜ oes H¨older
cont´ınua pelo exerc´ıcio 48, p.118.
LEMA 163. (Lipschitz e uniformemente cont´ınua) Se f ´e Lipschitz cont´ınua em A,
ent˜ao f ´e uniformemente cont´ınua em A.
Demonstra¸c˜ao. Veja exerc´ıcio 44, p.118.
7.5 ⋆ Pontos fixos para fun¸c˜ oes cont´ınuas.
Fa¸camos a seguinte defini¸c˜ao para, em seguida, explicar sua importˆancia.
DEFINIC¸
˜
AO 164. Seja f : A ⊂ R →R. Dizemos que x ´e ponto fixo de f se f(x) = x.
O leitor j´a deve ter percebido que em Matem´atica ´e importante resolver equa¸ c˜ oes, ou pelo
menos, mostrar a existˆencia de solu¸ c˜ oes. Por exemplo, o exerc´ıcio 39, p.75 tratava de mostrar
que a equa¸ c˜ao (em x)
x
m
= a (7.5)
tem ´unica solu¸ c˜ao positiva se m ∈ N e a ≥ 0. De fato, o que se demonstra ´e que a fun¸c˜ao
F : [0, +∞) → [0, +∞) dada por
F(x) = x −
x
m
−a
mx
m−1
tem ponto fixo e que este ´e a solu¸ c˜ao procurada para a equa¸ c˜ao (7.5). Como neste exem-
plo, frequentemente ´e conveniente transformar um problema de resolver uma equa¸ c˜ao num
problema de encontrar um ponto fixo para alguma fun¸c˜ao. Por esta raz˜ao, teoremas sobre
existˆencia ou unicidade de pontos fixos podem ser interessantes.
O pr´ oximo teorema ´e uma consequˆencia simples do Teorema do Valor Intermedi´ario. Ele
se generaliza para dimens˜ oes maiores e, de fato, s˜ao estas generaliza¸ c˜ oes que tˆem importˆancia.
Mas n˜ao custa nada demonstr´a-lo aqui.
TEOREMA 165. (do ponto fixo de Brouwer
2
) Se f : [0, 1] → [0, 1] ´e cont´ınua, ent˜ao f
tem ponto fixo.
1
Rudolf Otto Sigismund Lipschitz: ⋆ 14/05/1832, Kaliningrado, R´ ussia - † 07/10/1903, Bonn, Alemanha.
2
Luitzen Egbertus Jan Brouwer: ⋆ 27/02/1881, Rotterdam, Holanda - † 02/12/1966, Blaricum, Holanda.
4.7. ⋆ A S
´
ERIE DOS INVERSOS DOS PRIMOS. 69
Exemplo 4.19. Considere a sequˆencia (x
n
)
n∈N
dada por (1/2, 1/3, 1/2
2
, 1/3
2
, 1/2
3
, 1/3
3
, . . . ).
O que os testes da Raz˜ao e da Raiz nos dizem sobre a natureza da s´erie

x
n
? Vejamos.
Temos que
x
2n
x
2n−1
=
1/3
n
1/2
n
=
_
2
3
_
n
e
x
2n+1
x
2n
=
1/2
n+1
1/3
n
=
1
2
_
3
2
_
n
.
Segue que limsup
n→+∞
x
n+1
/x
n
= +∞ e liminf
n→+∞
x
n+1
/x
n
= 0. Portanto o Teste da Raz˜ao nada
diz. Temos ainda
2n

x
2n
=
1

3
e
2n−1

x
2n−1
=
1

2

1
2n−1

2
.
Portanto limsup
n→+∞
n

x
n
= 1/

2 < 1. Pelo Teste da Raiz, a s´erie converge.
No exemplo anterior o Teste da Raz˜ao n˜ao permitiu concluir, enquanto que o da raiz
sim. Isto n˜ao ´e uma simples coincidˆencia. O Teste da Raiz ´e mais eficiente que o da Raz˜ao.
Mais precisamente, em todos os casos nos quais o Teste da Raz˜ao permite concluir (seja por
convergˆencia ou por divergˆencia) o Teste da Raiz tamb´em ser´a concludente. Entretanto, o
Teste da Raz˜ao ´e, em geral, mais f´acil de ser aplicado.
4.7 ⋆ A s´erie dos inversos dos primos.
Terminamos o cap´ıtulo com um interessante resultado sobre a s´erie dos inversos dos primos.
O primeiro a demonstr´a-lo foi Euler
1
[Eu]. A demonstra¸ c˜ao que apresentaremos aqui ´e mais
uma das preciosidades de Erd¨os
2
[Er]. O argumento ´e do tipo combinat´ orio. Um corol´ario
imediato ´e a divergˆencia da s´erie harmˆonica.
PROPOSIC¸
˜
AO 114. Seja (p
n
)
n∈N
a sequˆencia estritamente crescentes dos n´umeros primos
(p
1
= 2, p
2
= 3, p
3
= 5, . . . ). A s´erie

1/p
n
diverge.
Demonstra¸c˜ao. Suponhamos por absurdo que

1/p
n
converge. Portanto existe N ∈ N
tal que
+∞

n=N
1
p
n
<
1
2
.
Seja M = 2
2N
. Temos que M = #A+ #B, sendo
A =
_
m ∈ ¦1, . . . , M¦ ; m ´e m´ultiplo de algum dos primos p
N
, p
N+1
, . . .
_
,
B =
_
m ∈ ¦1, . . . , M¦ ; m n˜ao ´e m´ultiplo de nenhum dos primos p
N
, p
N+1
, . . .
_
.
Vamos mostrar que #A < M/2 e #B ≤ M/2 chegando assim a uma contradi¸c˜ao.
1
Leonhard Euler: ⋆ 15/04/1707, Basileia, Su´ı¸ca - † 18/09/1783 - S˜ao Petersburgo, R´ussia.
2
Paul Erd¨os: ⋆ 26/03/1913, Budapeste, Hungria - † 20/09/1996, Warsaw, Polˆonia.
70 CAP
´
ITULO 4. SEQU
ˆ
ENCIAS E S
´
ERIES
O n´umero de m´ultiplos do primo p que s˜ao menores que M ´e ⌊M/p⌋ (ver Defini¸ c˜ao 86
desta fun¸c˜ao). Segue que
#A ≤
+∞

n=N
_
M
p
n
_

+∞

n=N
M
p
n
<
M
2
.
Tamb´em ´e f´acil ver que todo m ∈ B pode ser escrito como m = a b
2
sendo a um produto
de primos distintos, todos menores que p
N
, e b
2
um produto de quadrados de primos, tamb´em
menores que p
N
. Existem exatamente 2
N−1
n´umeros nas condi¸c˜ oes de a. Temos ainda que
b
2
≤ m ≤ M e portanto b ≤

M = 2
N
. Segue que existem, no m´aximo, 2
N
n´umeros nas
condi¸c˜ oes de b. Portanto #B ≤ 2
N−1
2
N
= 2
2N−1
= M/2.
4.8 Exerc´ıcios.
4.8.1 Sequˆencias
=⇒ 1. Prove, utilizando a defini¸c˜ao que:
(a) lim
n→∞
1/

n + 1 = 0; (b) lim
n→+∞
(n + 1)
2
= +∞.
2. Considere a sequˆencia
1
2
,
1
3
,
2
3
,
1
4
,
2
4
,
3
4
,
1
5
,
2
5
,
3
5
,
4
5
,
1
6
, . . .. Para quais β ∈ R existe sub-
sequˆencia convergindo para β? ([Sp] p.380 no.2)
3. Identifique a fun¸c˜ao f(x) = lim
n→+∞
( lim
k→+∞
(cos(n!πx))
2k
). ([Sp] p.381 no. 5 e [Hd])
=⇒ 4. Seja (x
n
)
n∈N
uma sequˆencia. Prove que
(a) se [x
n
[ → 0, ent˜ao x
n
→ 0; (b) se x
n
→ x, ent˜ao [x
n
[ → [x[;
(c) prove que a rec´ıproca de (b) ´e falsa.
=⇒ 5. Sejam (x
n
)
n∈N
e (y
n
)
n∈N
convergentes para x e y, respectivamente. Prove que
=⇒(a) x
n
−y
n
→ x −y; (b) se y ,= 0, ent˜ao x
n
/y
n
→ x/y;
→(c) (x
n
)
k
→ (x)
k
qualquer que seja k ∈ N.
=⇒ 6. Sejam y ∈ R e (x
n
)
n∈N
uma sequˆencia convergente para x ∈ R.
=⇒(a) Prove que se y < x, ent˜ao existe N ∈ N tal que y < x
n
para todo n ≥ N.
(b) Prove que se x < y, ent˜ao existe N ∈ N tal que x
n
< y para todo n ≥ N.
(c) Prove que se x
n
≥ y para todo n ∈ N, ent˜ao x ≥ y;
(d) Se y < x
n
para todo n ∈ N, ent˜ao podemos afirmar que y < x?
=⇒ 7. Sejam (x
n
)
n∈N
e (y
n
)
n∈N
sequˆencias convergentes para x e y, respectivamente. Supo-
nhamos que x
n
≤ z
n
≤ y
n
para todo n ∈ N. Prove que
(a) x ≤ y; (b) (Teorema do Sandu´ıche) se x = y, ent˜ao z
n
→ x.
8. Prove que se x
n
→ a ent˜ao existe subsequˆencia mon´otona x
n
k
→ a.
Dica: ¦n; x
n
≥ a¦ ou ¦n; x
n
≤ a¦ ´e infinito.
9. Sejam (n
k
)
k∈N
, (m
k
)
k∈N
⊂ N estritamente crescentes e tais que
_
n
k
; k ∈ N
_

_
m
k
; k ∈
N
_
= N. Prove que (x
n
)
n∈N
converge para x se, e somente se, as subsequˆencias (x
n
k
)
k∈N
e
(x
m
k
)
k∈N
convergem para x.
7.4. FUNC¸
˜
OES CONT
´
INUAS EM COMPACTOS. 111
DEFINIC¸
˜
AO 160. Seja f : A ⊂ R →R. Dizemos que f ´e uniformemente cont´ınua se
∀ε > 0, ∃δ > 0 tal que x, y ∈ A, [x −y[ < δ implica que [f(x) −f(y)[ < ε.
Observe bem a diferen¸ca entre as defini¸c˜ oes de continuidade (veja (7.4)) e continuidade
uniforme. Apenas trocamos a express˜ao “y ∈ A” de lugar. Isto ´e realmente uma grande
diferen¸ca. A defini¸c˜ao de continuidade diz que, dado ε > 0 e y ∈ A, existe δ > 0, dependente
de ε e de y tal que se x ∈ A e [x − y[ < δ ent˜ao [f(x) − f(y)[ < ε. A defini¸c˜ao de
continuidade uniforme nos diz mais que isto: ´e poss´ıvel encontrar δ, independente de y.
Vejamos um exemplo de fun¸c˜ao cont´ınua que n˜ao ´e uniformemente cont´ınua.
Exemplo 7.9. J´a vimos que f : R →R, dada por f(x) = x
2
para todo x ∈ R, ´e cont´ınua.
Mostremos que ela n˜ao ´e uniformemente cont´ınua. Tome x = n e y = n − δ. Ent˜ao, como
[f(x) −f(y)[ = 2nδ +δ
2
, por menor que seja δ, podemos fazer o lado direito ser t˜ao grande
quanto quisermos tomando n grande. Isto mostra que f n˜ao ´e uniformemente cont´ınua.
TEOREMA 161. (fun¸c˜ao cont´ınua em compacto ´e uniformemente cont´ınua) Seja
K ⊂ R um compacto e f : K →R cont´ınua. Ent˜ao f ´e uniformemente cont´ınua em K.
Demonstra¸c˜ao. Vamos apresentar duas provas.
Prova 1: direta por coberturas Dado ε > 0, para cada x ∈ K, como f ´e cont´ınua, existe
δ
x
> 0 tal que [x −y[ < δ, y ∈ K, implica que [f(x) −f(y)[ < ε/2. Tome cobertura aberta
B
δx/2
(x) de K. Como K ´e compacto, existe subcobertura finita B
δx
i
/2
(x
i
) para i = 1, . . . , n.
Defina δ = min¦δ
xi
/2; i = 1, . . . , n¦. Dado x ∈ K, x ∈ B
δx
i
/2
(x
i
), para algum i e, pela
continuidade,
[f(x) −f(x
i
)[ < ε/2. (⋆)
Dado y ∈ K com [x−y[ < δ, [y−x
i
[ ≤ [y−x[+[x−x
i
[ < δ+δ
xi
/2 ≤ δ
xi
/2+δ
xi
/2 = δ
xi
.
Logo y ∈ B
δx
i
(x
i
) e, pela continuidade,
[f(y) −f(x
i
)[ < ε/2. (⋆⋆)
Juntado (⋆) e (⋆⋆) e utilizando desigualdade triangular conclu´ımos que [f(x) −f(y)[ < ε.
Prova 2: por absurdo com sequˆencias Suponhamos, por absurdo, que f n˜ao ´e uniforme-
mente cont´ınua. Ent˜ao, existe ε > 0 tal que
∀δ > 0, ∃x, y ∈ K tais que [x −y[ < δ e [f(x) −f(y)[ ≥ ε.
Tomando, para cada n ∈ N, δ = 1/n constru´ımos duas sequˆencias (x
n
)
n∈N
⊂ K e
(y
n
)
n∈N
⊂ K tais que [x
n
−y
n
[ < 1/n e [f(x
n
)−f(y
n
)[ ≥ ε para todo n ∈ N. Podemos extrair
uma subsequˆencia de (x
n
)
n∈N
(ainda denotada (x
n
)
n∈N
) convergente para x ∈ K. Como
lim
n→+∞
(x
n
− y
n
) = 0, obtemos que (y
n
)
n∈N
tamb´em converge para x. Como f ´e cont´ınua,
temos lim
n→+∞
f(x
n
) = lim
n→+∞
f(y
n
) = f(x). Conclu´ımos que lim
n→+∞
(f(x
n
) − f(y
n
)) = 0,
contrariando [f(x
n
) −f(y
n
)[ ≥ ε para todo n ∈ N.
110 CAP
´
ITULO 7. LIMITE E CONTINUIDADE
Demonstra¸c˜ao. (i) Suponhamos, por absurdo, que f n˜ao seja mon´otona. Ent˜ao existem
x
1
< x
2
< x
3
∈ I tais que f(x
1
) < f(x
2
) > f(x
3
) ou f(x
1
) > f(x
2
) < f(x
3
). Consideremos
o primeiro caso (o segundo ´e an´alogo). Seja k ∈
_
f(x
1
), f(x
2
)
_
∩ (f(x
3
), f(x
2
)
_
. Pelo
Teorema 154 (do Valor Intermedi´ario) existem s ∈ (x
1
, x
2
) e t ∈ (x
2
, x
3
) tais que f(s) =
f(t) = k, contrariando a injetividade de f.
(ii) J´a sabemos que f ´e mon´otona. Para fixar as ideias, suponhamos que f ´e crescente.
Seja y ∈ J e (y
n
)
n∈N
⊂ J tal que y
n
→ y. Vamos mostrar que f
−1
(y
n
) → f
−1
(y).
Dado ε > 0, se r, t ∈ I s˜ao tais que f
−1
(y) − ε < s < f
−1
(y) < t < f
−1
(y) + ε, ent˜ao
f(s) < y < f(t). Como y
n
→ y, existe n
0
∈ N tal que f(s) < y
n
< f(t) se n ≥ n
0
. Neste
caso, f
−1
(y) − ε < s < f
−1
(y
n
) < t < f
−1
(y) + ε. Portanto
¸
¸
f
−1
(y
n
) − f
−1
(y)
¸
¸
< ε se
n ≥ n
0
.
7.4 Fun¸ c˜ oes cont´ınuas em compactos.
Vamos apresentar o terceiro Teorema que faz a conex˜ao entre topologia e fun¸c˜ oes cont´ınuas:
fun¸c˜ao cont´ınua leva compacto (compactos em R s˜ao limitados e fechados, conforme Teo-
rema 133, p.93) em compacto.
´
E um exemplo de como a compacidade pode ser bem explo-
rada. A sua demonstra¸ c˜ao ´e bastante simples, por´em, as ideias nela presentes s˜ao usuais (e
poderosas) no C´alculo de Varia¸c˜ oes e em Equa¸c˜ oes Diferenciais Parciais.
TEOREMA 157. (imagem de compacto ´e compacto) Seja K ⊂ R um compacto e
f : K →R cont´ınua. Ent˜ao f(K) ´e um compacto.
Demonstra¸c˜ao. Seja y
n
∈ f(K) qualquer. Queremos provar que existe subsequˆencia con-
vergente para algum elemento de f(K).
Por defini¸c˜ao, y
n
∈ f(K) implica que existe x
n
∈ K com y
n
= f(x
n
). Como K ´e
compacto, existe subsequˆencia, x
n
k
→ x
0
∈ K. Definindo y
n
k
= f(x
n
k
), pela continuidade
da f, y
n
k
→ f(x
0
) ∈ f(K).
Vamos apresentar um corol´ario muito utilizado (em C´alculo por exemplo) mas precisamos
antes algumas defini¸c˜ oes.
DEFINIC¸
˜
AO 158. Sejam f : A ⊂ R → R e B ⊂ A. Se f(x
0
) ≥ f(x) para todo x ∈ B,
ent˜ao dizemos que x
0
´e um ponto de m´aximo de f em B. Neste caso, f(x
0
) ´e o valor
m´aximo de f em B. Se f(x
0
) ≤ f(x) para todo x ∈ B, ent˜ao x
0
´e dito ponto de m´ınimo
de f em B e f(x
0
) ´e o valor m´ınimo de f em B. Se x
0
´e ponto de m´aximo ou de m´ınimo
em B, ent˜ao x
0
´e chamado de extremo em B. Em particular, quando B = A trata-se de
m´aximo global ou m´ınimo global ou extremo global de f.
COROL
´
ARIO 159. (Weierstrass) Se f : [a, b] → R ´e cont´ınua, ent˜ao f tem pontos de
m´aximo e de m´ınimo em [a, b].
Demonstra¸c˜ao. O conjunto [a, b] ´e conexo e compacto. Como f ´e cont´ınua, pelos Teore-
mas 155 e 157, f([a, b]) ´e conexo e compacto, ou seja, ´e um intervalo fechado e limitado.
Logo (veja as op¸c˜ oes para intervalos na Defini¸ c˜ao 78, p.47) f([a, b]) = [c, d]. Logo o m´ınimo
de f ´e c e o m´aximo ´e d.
4.8. EXERC
´
ICIOS. 71
10. Seja (n
k
)
k∈N
⊂ N uma sequˆencia crescente. Prove que
(a) se (n
k
)
k∈N
´e limitada superiormente, ent˜ao ela ´e constante a partir de um certo termo;
(b) se (n
k
)
k∈N
´e estritamente crescente, ent˜ao n
k
≥ k para todo k ∈ N. Conclua que
(n
k
)
k∈N
n˜ao ´e limitada superiormente.
11. Seja (x
n
)
n∈N
a sequˆencia definida indutivamente por x
1
= 0 e
x
n+1
=

2 +x
n
∀n ∈ N.
Prove que
(a) (x
n
)
n∈N
´e crescente; (b) x
n
≤ 2 ∀n ∈ N; (c) (x
n
)
n∈N
´e convergente.
Determine lim
n→+∞
x
n
.
=⇒ 12. Considere a
n
=
n

a com a > 0. Prove que:
(a) ´e decrescente se a > 1 e crescente caso contr´ario;
(b) ´e limitada e portanto convergente;
(c) o limite ´e um.
Dica: ([C] cap.I, parag.5, p.31) Forma direta de provar que o limite ´e 1 ´e escrever
n

a =
1 + h
n
(p/ a > 1) com h
n
> 0 e utilizar a desigualdade de Bernoulli (1 + h
n
)
n
≥ 1 + nh
n
.
Se a < 1 escrever
n

a = 1/(1 +h
n
).
→ 13. Considere a
n
=
n

n. Prove que:
(a) ´e mon´otona decrescente limitada inferiormente e portanto converge;
Dica: Para provar que ´e decrescente precisamos provar que n
n+1
> (n + 1)
n
ou seja, que
n > (1 +1/n)
n
o que ´e verdade pois (1 +1/n)
n
< 3. Desta forma a sequˆencia ´e decrescente
para n ≥ 3.
(b) converge para 1.
Dica1: Tome n = 2
k
e prove que a subsequˆencia b
k
:= a
2
k converge para 1.
Dica2: ([C] cap.I, parag.7, p.35) Forma direta de provar que o limite ´e 1 ´e escrever
n

n = 1 +h
n
e usar a desigualdade (1 +h
n
)
n
≥ n(n −1)h
2
/2.
14. Prove que a sequˆencia a
n
=
n

n
2
+n converge para 1.
Dica: Veja dica2 do exerc´ıcio anterior.
=⇒ 15. Dado v = (a, b) ∈ R
2
definimos |v|
p
=
p
_
[a[
p
+[b[
p
. Prove que lim
p→∞
|v|
p
=
max([a[, [b[). Isto justifica a defini¸c˜ao |v|

= max([a[, [b[).
16. Prove que ([Sp] p.380 no.1):
(a) lim
n→∞
8

n
2
+ 1 −
4

n + 1 = 0; (b) lim
n→∞
n

k=1
k
p
n
p+1
=
1
p + 1
; (c) lim
n→∞
n!
n
n
= 0;
(d) lim
n→∞
α(n)
n
= 0, onde α(n) ´e o n´umero de primos que dividem n.
Dica: (a) Prove que o limite de
8

n
2
+ 1−
8

n
2
´e 0. (c) n! = n(n−1) k! para k < n/2.
=⇒ 17. Seja c = sup X. Prove que:
(a) existe (x
n
)
n∈N
⊂ X tal que x
n
→ c;
72 CAP
´
ITULO 4. SEQU
ˆ
ENCIAS E S
´
ERIES
(b) podemos tomar uma sequˆencia mon´otona no item (a).
Dica: exerc´ıcio 16, p.50.
=⇒ 18. Uma defini¸c˜ao poss´ıvel para o n´umero “e” pode ser feita atrav´es do limite da sequˆencia
a
n
=
n

i=0
1
i!
quando n vai para o infinito. Prove que esta sequˆencia ´e mon´otona crescente e
limitada e portanto converge pela Proposi¸c˜ao 88.
Dica: Para provar que ´e limitada use o fato que i! > 2
i
para todo i ≥ 4.
=⇒ 19. Uma defini¸c˜ao poss´ıvel para o n´umero “e” pode ser feita atrav´es do limite da sequˆencia
b
n
= (1+1/n)
n
quando n vai para o infinito. Prove que esta sequˆencia ´e mon´otona crescente
e limitada e portanto converge pela Proposi¸c˜ao 88.
Dica: ([C]) Utilize o binˆ omio de Newton e fatore adequadamente para obter que:
b
n
= 1+1+
1
2!
(1−1/n)+
1
3!
(1−1/n)(1−2/n)+ +
1
n!
(1−1/n)(1−2/n) (1−(n−1)/n).
⋆ 20. (extra) Prove que as duas defini¸c˜ oes acima para “e” determinam o mesmo n´umero real.
Dica:
´
E claro que b
n
≤ a
n
. Portanto limb
n
≤ lima
n
. Para p ∈ N fixo,
b
n
≥ 1+1+
1
2!
(1−1/n)+
1
3!
(1−1/n)(1−2/n)+ +
1
p!
(1−1/n)(1−2/n) (1−(p−1)/n).
Fazendo n → ∞ (e mantendo p fixo) o segundo membro tende a a
p
. Logo limb
n
≥ a
p
.
Passando o limite em p conclu´ımos a desigualdade contr´aria.
⋆ 21. (extra) Prove que o n´umero “e” definido nos exerc´ıcios acima ´e o ´unico numero real
cuja ´area entre [1, e] e o gr´afico da fun¸c˜ao 1/x ´e igual a 1.
Dica: Isto implica que log(e) = 1. Da defini¸c˜ao de derivada, 1/x = lim
h→0
1/h log(1 +h/x).
Tomando z = 1/x e exponenciando, e
z
= lim
h→0
(1 + zh)
1/h
. Para z = 1 obtemos o resultado
([C]).
⋆ 22. (extra) Objetivo desta atividade ´e aproximar a fun¸c˜ao fatorial.
´
E f´acil ver que (:-))
n! = (1/2)(2/3)
2
(3/4)
3
((n −1)/n)
n−1
n
n
.
Logo n! = n
n
n−1

j=1
_
j
j + 1
_
j
= n
n
/
n−1

j=1
(1 + 1/j)
j
. J´a sabemos que o termo (1 + 1/j)
j
tende para “e” quando j tende para infinito. Portanto n! ≈ n
n
/e
n−1
= e(n/e)
n
(vide [Fe]).
Utilizando esta aproxima¸c˜ao, determine os limites, quando n vai para infinito, de:
(a) n/n!; (b) n
5
/n!; (c) e
n
/n!; (d) n
n/2
/n!; (e) n
3n
/n!; (f) n
n
/n!.
Obs: Podemos definir “fatorial” de n˜ao-inteiros (e at´e mesmo de complexos) com a fun¸c˜ao
gama de Euler definida no exerc´ıcio 24, p.161.
Obs: Utilizando outro caminho (vide [C] p.361–364 ou [Sp] p.483) obtemos a f´ ormula
de Stirling
1
: n! =

2πn(n/e)
n
e
θn
com [θ[ ≤ 1/12.
1
James Stirling: ⋆ 05/1692, Garden, Esc´ocia – † 05/12/1770, Edinburgh, Esc´ocia.
7.3. FUNC¸
˜
OES CONT
´
INUAS EM CONEXOS. 109
lados, que x
0
∈ B
δ
(x
0
) ∩ A ⊂ f
−1
(B). Como A ´e aberto, B
δ
(x
0
) ∩ A ´e aberto (interse¸ c˜ao
de abertos) que cont´em x
0
. Logo f
−1
(B) ´e aberto.
Suponha agora que f
−1
(B) ´e aberto para todo aberto B. Tome x
0
∈ A (se A for vazio
n˜ao h´a nada para ser provado) e y
0
= f(x
0
). Isto implica que para todo ε > 0, f
−1
(B
ε
(y
0
))
´e aberto. Logo existe δ > 0 tal que B
δ
(x
0
) ⊂ f
−1
(B
ε
(y
0
)). Aplicando f dos dois lados,
f(B
δ
(x
0
)) ⊂ B
ε
(y
0
). Logo f(B
δ
(x
0
) ∩ A) ⊂ f(B
δ
(x
0
)) ⊂ B
ε
(y
0
), isto ´e, f ´e cont´ınua em
x
0
.
Este resultado ´e utilizado em cursos de Topologia para definir fun¸c˜ao cont´ınua utilizando
somente abertos, sem utilizar ´epsilons e deltas!
7.3 Fun¸ c˜ oes cont´ınuas em conexos.
Conforme vimos na Defini¸ c˜ao 125, p.91, A ⊂ R ´e um conjunto conexo se A ´e um dos
intervalos da Defini¸ c˜ao 78, p.47. Vamos apresentar o segundo Teorema que faz a conex˜ao
entre topologia e fun¸c˜ oes cont´ınuas: fun¸c˜ao cont´ınua leva conexo em conexo. Precisamos
antes de famoso resultado do C´alculo.
TEOREMA 154. (do valor intermedi´ario) Se f ∈ C
_
[a, b]
_
e f(a) < k < f(b), ent˜ao
existe c ∈ (a, b) tal que f(c) = k. A mesma conclus˜ao vale quando f(a) > k > f(b).
Demonstra¸c˜ao. Seja S = ¦x ∈ [a, b] ; f(x) ≤ k¦.
´
E imediato que S ´e n˜ao vazio (a ∈ S)
e limitado superiormente (b ´e cota superior de S). Sejam c = sup S e (x
n
)
n∈N
⊂ S tal que
x → c. Temos que f(x
n
) ≤ k para todo n ∈ N e como f ´e cont´ınua em c temos
lim
n→+∞
f(x
n
) = f(c).
Portanto, f(c) ≤ k e, logo, c < b.
Suponhamos que f(c) < k. Gra¸cas `a Proposi¸c˜ao 149 existe δ > 0 tal que se x ∈ [a, b] e
[x −c[ < δ, ent˜ao f(x) < k. Como c < b podemos tomar x ∈ [a, b] com c < x < c +δ para
obter que f(x) < k. Isto implica que x ∈ S e x > c = sup S, o que ´e absurdo.
TEOREMA 155. (imagem de conexo ´e conexo) Seja I ⊂ R um conexo e f : I → R
cont´ınua. Ent˜ao f(I) ´e um conexo.
Demonstra¸c˜ao. Seja J = f(I). Para mostrar que J ´e um intervalo vamos mostrar que
dados y
1
, y
2
∈ J, com y
1
< y
2
, [y
1
, y
2
] ⊂ J. Para isto tome y ∈ (y
1
, y
2
) qualquer. Como
J = f(I), existem x
1
, x
2
∈ I tais que f(x
1
) = y
1
< y
2
= f(x
2
). Como f(x
1
) ,= f(x
2
),
obtemos que x
1
,= x
2
. Suponhamos, por simplicidade, que x
1
< x
2
. Aplicando o Teorema 154
(do Valor Intermedi´ario) `a fun¸c˜ao f no intervalo [x
1
, x
2
] conclu´ımos que existe x ∈ (x
1
, x
2
)
tal que f(x) = y. Segue que y ∈ J.
O pr´ oximo Teorema ´e leitura opcional.
⋆ TEOREMA 156. Seja I um intervalo n˜ao degenerado e f : I →R cont´ınua. Temos:
i. Se f ´e injetiva, ent˜ao f ´e mon´otona;
ii. Se f ´e injetiva, ent˜ao a fun¸c˜ao f
−1
: J → I ´e cont´ınua.
108 CAP
´
ITULO 7. LIMITE E CONTINUIDADE
PROPOSIC¸
˜
AO 147. (conjunto de fun¸c˜ oes cont´ınuas forma espa¸ co vetorial e
´algebra) Sejam f, g : A ⊂ R → R cont´ınuas e c ∈ R, ent˜ao cf, f + g, f − g e fg
s˜ao cont´ınuas. Al´em disto, a fun¸c˜ao f/g est´a definida e ´e cont´ınua nos pontos de A onde g
n˜ao se anula.
PROPOSIC¸
˜
AO 148. (compostas de fun¸c˜ oes cont´ınuas) Sejam f : A ⊂ R → R e
g : B ⊂ R → A tais que f(A) ⊂ B. Se f ´e cont´ınua em x
0
e g ´e cont´ınua em y
0
= f(x
0
),
ent˜ao g ◦ f ´e cont´ınua em x
0
. Segue que se f e g s˜ao cont´ınuas, ent˜ao g ◦ f ´e cont´ınua.
Demonstra¸c˜ao. Seja (x
n
)
n∈N
⊂ A convergente para x
0
. Como f ´e cont´ınua temos que
f(x
n
) → f(x
0
) = y
0
, e como g ´e cont´ınua em y
0
temos que g(f(x
n
)) → g(y
0
) = g
_
f(x
0
)
_
.
Segue que g ◦ f ´e cont´ınua em x
0
.
PROPOSIC¸
˜
AO 149. (permanˆencia de sinal) Seja f : A ⊂ R →R cont´ınua em x
0
∈ A.
Se f(x
0
) < k ∈ R, ent˜ao existe δ > 0 tal que f(x) < k para todo x ∈ A tal que [x−x
0
[ < δ.
Temos uma conclus˜ao an´aloga se f(x
0
) > k.
Vamos ver o conceito de continuidade utilizando a ideia de oscila¸ c˜ao de uma fun¸c˜ao.
DEFINIC¸
˜
AO 150. Dado um conjunto limitado X definimos seu diˆametro
diam(X) = sup¦[x −y[, x, y ∈ X¦.
Note que este conceito est´a bem definido em R
n
, bastando trocar [x − y[ por |x − y|.
De forma ainda mais geral, se tivermos uma distˆancia d(x, y) bem definida, podemos trocar
[x −y[ por d(x, y).
DEFINIC¸
˜
AO 151. Considere f uma fun¸c˜ao limitada. Definimos a oscila¸ c˜ao de f : A →R
em x ∈ A por
w(f; x) = inf¦diam(f(B
δ
(x) ∩ A)) ; δ > 0¦.
LEMA 152. (fun¸c˜ao cont´ınua e oscila¸ c˜ao) Considere f : A →R. A fun¸c˜ao f ´e cont´ınua
em A se, e somente se, w(f; x) = 0 para todo x ∈ A.
Demonstra¸c˜ao. Ver exerc´ıcio 20, p.115.
Vamos apresentar o primeiro de trˆes Teoremas que fazem a conex˜ao entre topologia e
fun¸c˜ oes cont´ınuas. Essencialmente diz que a imagem inversa de aberto ´e um aberto se a
fun¸c˜ao ´e cont´ınua.
TEOREMA 153. (imagem inversa de aberto ´e aberto) Seja A ⊂ R aberto. Ent˜ao
f : A →R ´e cont´ınua se, e somente se, para todo aberto B, f
−1
(B) ´e aberto.
Demonstra¸c˜ao. Nesta demonstra¸ c˜ao vamos utilizar a Defini¸ c˜ao 145 de continuidade.
Suponha f cont´ınua. Se f
−1
(B) = ∅ ent˜ao ´e aberto. Caso contr´ario temos que provar
que f
−1
(B) ´e aberto. Considere x
0
∈ f
−1
(B), que implica que f(x
0
) ∈ B, com B aberto
por hip´ otese. Logo existe ε > 0 tal que B
ε
(f(x
0
)) ⊂ B. Pela continuidade da f em A,
existe δ > 0 tal que f(B
δ
(x
0
) ∩ A) ⊂ B
ε
(f(x
0
)) ⊂ B. Isto implica, aplicando f
−1
dos dois
4.8. EXERC
´
ICIOS. 73
→ 23. Considere a sequˆencia a
n
=
n

i=1
1
i
− ln(n). Prove que ela ´e mon´otona, decrescente
e limitada inferiormente. Seu limite ´e chamado de constante gama de Euler, que vale
aproximadamente 0.5772156649.
´
E um problema aberto se γ ´e racional ou irracional.
Dica: Use a defini¸c˜ao de log atrav´es da integral ln(x) =
_
x
1
dx/x e prove que
1
n + 1
<
ln(n + 1) −ln(n) <
1
n
.
Obs: A constante gama de Euler est´a relacionada com a fun¸c˜ao gama de Euler, conforme
exerc´ıcio 24, p.161.
⋆ 24. (extra) A sequˆencia de Fibonacci
1
a
n+2
= a
n+1
+ a
n
modela o crescimento no
n´umero de casais de coelhos (sem mortes). Cada casal, ap´ os 1 ano de matura¸c˜ao, d´a origem
a um novo casal. A popula¸c˜ao que nasce num instante de tempo ´e igual a popula¸c˜ao que
havia 2 anos antes devido ao tempo de matura¸c˜ao. Dividindo tudo por a
n+1
chegamos a
rela¸c˜ao entre as raz˜ oes das popula¸c˜ oes em anos sucessivos r
k
= 1 + 1/r
k−1
. Normalmente
assumimos que a
0
= a
1
= 1 mas, de todo modo, como trate-se de popula¸c˜ao podemos supor
somente que a
0
, a
1
> 0
(a) Prove que (r
k
) converge;
Dica: Prove que 1 < r
k
< 2. Al´em disso, para k par (ou´ımpar), r
k
´e mon´otona. Expresse
r
k+2
−r
k
em fun¸c˜ao de r
k+1
e r
k−1
. Defina c
k
= [r
k+1
−r
k
[, prove que c
k
≤ c
k−1
/(1 +ε).
(b) Determine, analiticamente (isto ´e, de forma exata), o limite desta sequˆencia.
Dica: Passe ao limite dos dois lados e resolva a equa¸ c˜ao resultante. Encontraremos a
famosa raz˜ao ´aurea Φ = (1 +

5)/2 ≈ 1, 618, que aparece em Artes e em Biologia.
Conclu´ımos que a
n
≈ a
0
Φ
n
.
→ 25. Aplica¸c˜ao de exponencial: Juros compostos cont´ınuos. Suponha um capital c investido
com juros anuais de k por cento ao ano. Colocando α = k/100, ap´ os m anos, o valor total
ser´a c(1 +α)
m
(porque?). Agora se os juros forem computados mensalmente, a taxa mensal
ser´a de α/12 e o total ser´a, ap´ os um ano, c(1 +α/12)
12
. E se quisermos computar por dia:
c(1 +α/365)
365
. Finalmente podemos computar por hora, minuto, segundo, etc. Qual ser´a o
total ap´ os um ano se computarmos juros compostos cont´ınuos?
=⇒ 26. Demonstre o Teorema 89, p.57 (Bolzano-Weierstrass) de outra forma. Como a
n
´e
limitada, existe M ∈ R tal que [a
n
[ ≤ M. Divida o intervalo [−M, M] ao meio. Existir´a
uma infinidade de elementos da sequˆencia em uma das metades. Proceda desta maneira para
construir uma sequˆencia de intervalos encaixantes cujo diˆametro vai para zero.
⋆ 27. (extra) Prove a vers˜ao 2D do Teorema de Bolzano: Toda sequˆencia limitada no plano
possui uma subsequˆencia convergente.
Dica: Assuma, sem perda de generalidade, que a regi˜ao ´e um quadrado. Divida a regi˜ao
em quatro e prove que em pelo menos uma delas existe um n´umero infinito de termos.
⋆ 28. (extra) Definimos o limsup e o liminf de uma sequˆencia de conjuntos por:
A
sup
= limsup
n→∞
A
n
=

n=1
_

_
i=n
A
i
_
e A
inf
= liminf
n→∞
A
n
=

_
n=1
_

i=n
A
i
_
.
1
Leonardo Pisano Fibonacci: ⋆ 1170, Pisa, It´alia – † 1250, Pisa, It´alia
74 CAP
´
ITULO 4. SEQU
ˆ
ENCIAS E S
´
ERIES
Caso A
sup
= A
inf
definimos
lim
n→∞
A
n
= A
sup
(= A
inf
).
Calcule limsup e liminf para:
(a) A
n
= (0, n); (b) B
n
= (n, ∞); (c) C
n
= ¦(−1)
n
¦;
(d) D
n
= (−1/n, 1/n); (e) E
n
= (0, n mod 3); (f) F
n
= (n mod 4, n mod 6]
Obs: N˜ao ´e necess´ario topologia (no¸ c˜ao de convergˆencia) para estas defini¸c˜ oes.
⋆ 29. (extra) Prove que:
(a) A
inf
⊂ A
sup
;
=⇒(b) A
sup
= ¦x; x ∈ A
n
para uma infinidade de n’s¦;
(c) A
inf
= ¦x; x ∈ A
n
para todo n > N
0
¦;
→(d) se A
n
⊂ A
n+1
ent˜ao A
sup
= A
inf
=


n=1
A
n
;
(e) se A
n+1
⊂ A
n
ent˜ao A
sup
= A
inf
=


n=1
A
n
.
30. Seja (x
n
)
n∈N
uma sequˆencia limitada superiormente e que n˜ao tem valor de aderˆencia.
Prove que x
n
→ −∞.
♯ 31. (dif´ıcil) Seja G = ¦n

2 mod 1; n ∈ N¦. Prove que:
(a) se a, b ∈ G com a > b ent˜ao a −b ∈ G; (b) #G = #N;
(c) existe g
n
∈ G com g
n
→ g
0
;
Dica: Aplique o Teorema de Bolzano-Weierstrass.
(d) existe h
n
∈ G com h
n
→ 0; (e) inf G = 0;
(f) G ´e denso em [0, 1], isto ´e, para todo ε > 0 e x ∈ [0, 1] existe m ∈ N tal que
[m

2 mod 1 −x[ < ε.
Obs: Podemos trocar

2 por α ∈ R −Q qualquer. Ver exerc´ıcio 32, p.99.
♯ 32. (dif´ıcil) Prove que o conjunto dos valores de aderˆencia da sequˆencia a
n
= sen(n) ´e
[−1, 1].
Dica: n mod 2π ´e denso em [0, 2π] pelo exerc´ıcio anterior.
⋆ 33. (extra) Seja (a
n
) uma sequˆencia. Defina b
n
= (1/n)
n

i=1
a
i
(a m´edia dos n primeiros
termos da sequˆencia).
(a) Prove que se (a
n
) ´e convergente ent˜ao (b
n
) converge para mesmo limite que (a
n
);
(b) Seja a
n
= (−1)
n+1
. Prove que b
n
→ 0;
(c) Seja a
n
= n mod 2. Prove que b
n
→ 1/2;
(d) Seja (a
n
) = (0, 1, 1, 0, 1, 1, . . . , ). Prove que b
n
→ 2/3.
Obs: Desta forma generalizamos o conceito de sequˆencia convergente (no sentido de
Ces´aro
1
, dita c´esaro som´avel). Uma aplica¸ c˜ao importante ´e na convergˆencia da s´erie de
Fourier.
♯ 34. (dif´ıcil) Generalizando o exerc´ıcio anterior, podemos tomar m´edias ponderadas com pesos
distintos (ver [L] p.124 no.26). Mais precisamente (matriz de Toeplitz
2
) sejam q
in
∈ (0, 1)
para i, n ∈ N com
1
Ernesto Ces´aro: ⋆ 02/03/1859, N´apoles, It´alia – † 12/09/1906, Torre Annunziata, It´alia.
2
Otto Toeplitz: ⋆ 01/08/1881, Breslau (agora Wroclaw, Polˆonia), Alemanha – † 15/02/1940, Jerusal´em,
Israel.
7.2. FUNC¸
˜
OES CONT
´
INUAS. 107
Alguns autores costumam denotar por C
0
(A), em vez de C(A), ao conjunto das fun¸c˜ oes
cont´ınuas em A.
Vamos introduzir a defini¸c˜ao de fun¸c˜ao cont´ınua na linguagem de conjuntos do Cap´ıtulo 1,
utilizando a nota¸ c˜ao da Defini¸ c˜ao 122, p.90. A demonstra¸c˜ao da equivalˆencia com a defini¸c˜ao
anterior ´e o exerc´ıcio 16, p.115.
DEFINIC¸
˜
AO 145. Sejam f : A ⊂ R →R e x
0
∈ A. Dizemos f ´e cont´ınua em x
0
se
∀ε > 0, ∃δ > 0 tal que f(B
δ
(x
0
) ∩ A) ⊂ B
ε
(f(x
0
)).
Observe que a defini¸c˜ao de continuidade tem (como esper´avamos) uma rela¸c˜ao muito
grande com a defini¸c˜ao de limite. Por esta raz˜ao, podemos facilmente adaptar os argumentos
dos exemplos 7.2, 7.3 e 7.4 para mostrar que s˜ao cont´ınuas as fun¸c˜ oes f, g, h : A ⊂ R →R
dadas por f(x) = c, g(x) = x e h(x) = x
2
para todo x ∈ A.
Exemplo 7.7. Este exemplo pretende acabar com o mito, geralmente apresentado nos cursos
de C´alculo I, que diz que fun¸c˜ oes cont´ınuas s˜ao aquelas cujos gr´aficos s˜ao tra¸cados sem tirar
o l´apis do papel. Considere a fun¸c˜ao g : N → R dada por g(n) = n para todo n ∈ N. Fa¸ca
um esbo¸ co do gr´afico de g e conven¸ ca-se que n˜ao ´e poss´ıvel desenh´a-lo sem tirar o l´apis do
papel. Ora, a fun¸c˜ao g ´e a mesma do par´agrafo anterior (com A = N) que, como j´a sabemos,
´e cont´ınua! Vocˆe est´a duvidando? Vejamos com mais detalhes. Sejam ε > 0 e n ∈ N. Se
x ∈ N e [x −n[ < 1/2, ent˜ao x = n e, portanto, [g(x) −g(n)[ = 0 < ε. Conclu´ımos que g
´e cont´ınua em n e, como n ´e arbitr´ario, que g ´e cont´ınua!
Observe que tomamos δ = 1/2 independente de ε e de n. Mais que isto, nem a defini¸c˜ao
de g foi necess´aria na demonstra¸ c˜ao. Moral da hist´oria: fun¸c˜ oes definidas em N s˜ao sempre
cont´ınuas.
Passemos imediatamente `as proposi¸c˜ oes que nos poupam, em muitos casos, o trabalho
com ε’s e δ’s. Todas elas tˆem demonstra¸ c˜ oes an´alogas `aquelas encontradas na Se¸ c˜ao 7.1.
Por esta raz˜ao omitiremos suas provas.
PROPOSIC¸
˜
AO 146. Sejam f : A ⊂ R →R e x
0
∈ A. A fun¸c˜ao f ´e cont´ınua em x
0
se, e
somente se, lim
n→+∞
f(x
n
) = f(x
0
) para toda sequˆencia (x
n
)
n∈N
⊂ A convergente para x
0
.
A proposi¸c˜ao anterior, essencialmente, nos diz que fun¸c˜ oes cont´ınuas s˜ao aquelas que
comutam com o s´ımbolo de limite, ou seja, f ´e cont´ınua se, e somente se,
lim
n→+∞
f(x
n
) = f
_
lim
n→+∞
x
n
_
,
desde que a sequˆencia (x
n
)
n∈N
esteja contida no dom´ınio de f e seja convergente para um
ponto deste conjunto.
Exemplo 7.8. Seja f : R →R, dada por f(x) =
_
_
_
1 se x ∈ Q,
0 se x / ∈ Q.
Dado x
0
∈ R arbitr´ario,
tomando sequˆencias (x
n
)
n∈N
⊂ Q e (y
n
)
n∈N
⊂ Q

convergentes para x
0
, obtemos que
f(x
n
) → 1 e f(y
n
) → 0. Conclu´ımos que f ´e descont´ınua em qualquer ponto.
106 CAP
´
ITULO 7. LIMITE E CONTINUIDADE
x → +∞ Lˆe-se x tende a mais infinito. Significa que que a condi¸c˜ao sobre x ´e
x > N para N suficientemente grande.
´
E necess´ario que A seja ilimitado
superiormente.
x → −∞ Lˆe-se x tende a menos infinito. Significa que que a condi¸c˜ao sobre x ´e
x < −N para N suficientemente grande.
´
E necess´ario que A seja ilimitado
inferiormente.
Por exemplo, lim
x→x

0
f(x) = +∞ deixa subentendido que x
0
∈ A∩ (−∞, x
0
) e significa:
∀M > 0, ∃δ > 0 tal que x ∈ A, 0 < x
0
−x < δ =⇒ f(x) > M.
Para cada um dos quinze tipos de limite existem vers˜ oes das proposi¸c˜ oes 140 e 142. A
Proposi¸c˜ao 141 tem uma vers˜ao quase idˆentica para limites da primeira coluna da Tabela 7.1.
Entretanto, para os outros tipos devemos tomar cuidado pois +∞ e −∞ n˜ao s˜ao n´umeros
reais, e por isto, n˜ao podem ser operados como se fossem: (+∞) + (+∞) = 2 (+∞), ou
ainda, (+∞) + (−∞) = 0. Isto n˜ao faz sentido! Uma compara¸ c˜ao entre as proposi¸c˜ oes 94,
p.60 e 95, p.61 pode ajudar ao leitor a entender estas diferen¸cas.
7.2 Fun¸ c˜ oes cont´ınuas.
Como j´a antecipamos, intuitivamente, uma fun¸c˜ao f ´e cont´ınua em um ponto x
0
do
seu dom´ınio se f(x) est´a pr´ oximo de f(x
0
) quando x est´a pr´ oximo de x
0
. Induzidos pela
discuss˜ao que precedeu a defini¸c˜ao de limite de fun¸c˜ oes, somos tentados a dizer que f : A →R
´e cont´ınua em x
0
quando
lim
x→x0
f(x) = f(x
0
). (7.3)
´
E quase isto, mas n˜ao exatamente. O problema ´e um “detalhe t´ecnico”. A defini¸c˜ao de
lim
x→x0
f(x) exige que x
0
seja ponto de acumula¸ c˜ao de A. Por outro lado, para que f(x
0
) tenha
sentido devemos ter x
0
∈ A. Estas duas condi¸c˜ oes podem ser incompat´ıveis (veremos no
exemplo 7.7). Entretanto, quando x
0
verificar ambas as condi¸c˜ oes a defini¸c˜ao que faremos
ser´a equivalente a (7.3).
Exemplo 7.6. Seja A = [0, 1) ∪ ¦2¦. Temos que 2 ∈ A mas 2 / ∈ A¸ ¦2¦ = [0, 1].
Dada f : A → R, f(2) tem sentido ao contr´ario de lim
x→2
f(x). Por outro lado, 1 / ∈ A e
1 ∈ A¸ ¦1¦ = [0, 1]. Logo, n˜ao existe f(1), por´em, pode existir lim
x→1
f(x).
DEFINIC¸
˜
AO 143. Sejam f : A ⊂ R →R e x
0
∈ A. Dizemos que f ´e cont´ınua em x
0
se
∀ε > 0, ∃δ > 0 tal que x ∈ A, [x −x
0
[ < δ implica que [f(x) −f(x
0
)[ < ε.
DEFINIC¸
˜
AO 144. Dizemos que f ´e cont´ınua em A se f ´e cont´ınua em todo ponto de A
e escrevemos f ∈ C(A). Mais precisamente, f ∈ C(A) se
∀y ∈ A, ∀ε > 0, ∃δ > 0 tal que x ∈ A, [x −y[ < δ =⇒ [f(x) −f(y)[ < ε. (7.4)
4.8. EXERC
´
ICIOS. 75
(a) lim
n→+∞
q
in
= 0; (b)
n

i=1
q
in
= 1.
Defina b
n
=
n

i=1
q
in
a
i
. Prove que se (a
n
) ´e convergente ent˜ao (b
n
) converge para mesmo
limite que (a
n
).
Dica: Assuma que a sequˆencia converge para zero.
Obs: Caso (b
n
) convirja dizemos que (a
n
) ´e Toeplitz-convergente mesmo que (a
n
) n˜ao
convirja no sentido cl´assico.
♯ 35. (dif´ıcil) Generalizando o exerc´ıcio anterior (vide [R]) sejam q
in
∈ R (podem ser negativos)
para i, n ∈ N e M > 0 independente de n tais que:
(a) lim
n→+∞
q
in
= 0; (b)

i=1
[q
in
[ < M; (c) lim
n→+∞

i=1
q
in
= 1.
Defina b
n
=

i=1
q
in
a
i
. Prove que se (a
n
) ´e convergente ent˜ao (b
n
) converge para mesmo
limite que (a
n
).
Obs: Foi demonstrado por Steinhaus (veja [R]) que para (q
in
) qualquer existe uma
sequˆencia limitada (a
n
) tal que (b
n
) n˜ao converge.
⋆ 36. (extra) Prove que se omitirmos o primeiro termo da sequˆencia (a
n
) nos exerc´ıcios
anteriores, construindo uma sequˆencia (¯a
n
), ent˜ao (b
n
) converge para o mesmo valor que
(
¯
b
n
). Por indu¸c˜ao podemos omitir um n´umero finito de elementos da sequˆencia.
⋆ 37. (extra) (outra prova da Proposi¸c˜ao 94 ii) Prove que se [x−x
0
[ < min
_
ε
2([y
0
[ + 1)
, 1
_
e [y −y
0
[ <
ε
2([x
0
[ + 1)
ent˜ao [xy −x
0
y
0
[ < ε ([Sp] p.19 no.20).
⋆ 38. (extra) (outra prova da Proposi¸c˜ao 94 iv) Prove que se y
0
,= 0 e [y−y
0
[ < min
_
[y
0
[
2
,
ε[y
0
[
2
2
_
ent˜ao y ,= 0 e
¸
¸
¸
1
y

1
y
0
¸
¸
¸ < ε ([Sp] p.19 no.21).
⋆ 39. (extra) O objetivo deste exerc´ıcio ´e provar o seguinte resultado: para todo m ∈ N e
a ∈ R com m ≥ 2 e a ≥ 0, existe um ´unico x ∈ R tal que x ≥ 0 e x
m
= a. Tal x ´e dito raiz
m-´esima de a e ´e denotado
m

a (ou simplesmente

a no caso m = 2). Para isto considere
a sequˆencia (x
n
)
n∈N
definida indutivamente por x
1
= 1 e
x
n+1
= x
n

x
m
n
−a
mx
m−1
n
∀n ∈ N.
Prove que
(a) a fun¸c˜ao f : R → R dada por f(x) = x
m
´e estritamente crescente em [0, +∞).
Conclua a unicidade da raiz m-´esima de a;
(b) y
m
≥ x
m
+mx
m−1
(y −x) ∀x, y ≥ 0; (c) x
n
> 0 ∀n ∈ N;
(d) x
m
n+1
≥ a ∀n ∈ N; (e) x
n+2
≤ x
n+1
∀n ∈ N;
(f) (x
n
)
n∈N
converge e o seu limite x verifica x ≥ 0 e x
m
= a.
76 CAP
´
ITULO 4. SEQU
ˆ
ENCIAS E S
´
ERIES
Sugest˜ao: Em 39(b) use 39(a) e considere separadamente os casos x < y, x > y e x = y.
Use ainda a seguinte igualdade:
y
m
−x
m
y −x
= y
m−1
+y
m−2
x + +yx
m−2
+x
m−1
.
Em 39(c) proceda por indu¸c˜ao. Em 39(d) use 39(b) e em 39(e) use 39(d). Finalmente use a
Proposi¸c˜ao 88 em 39(f).
⋆ 40. (extra) (Fra¸c˜ oes continuadas
1
Parte I: vide [St]) Considere uma sequˆencia (a
i
) tal
que a
i
≥ 1 para i > 0 (a
0
pode ser zero). Denotamos por ¸a
0
, . . . , a
k
¸ a express˜ao
¸a
0
, . . . , a
k
¸ := a
0
+
1
a
1
+
1
a2+
1
a
3
+
1
.
.
.
1
a
k
.
Seja b
k
= ¸a
0
, . . . , a
k
¸, definimos α = ¸a
0
, a
1
, . . . , ¸ atrav´es do limite α = lim
k→+∞
b
k
=
lim
k→+∞
¸a
0
, . . . , a
k
¸. Prove que:
(a) ¸1, 1, 1, . . . , ¸ = (1 +

5)/2 ≈ 1, 618 (a chamada raz˜ao ´aurea);
Dica: Defina f(x) = 1 + 1/x e prove que se α ´e a fra¸c˜ao continuada, f(α) = α.
(b)

2 = ¸1, 2, 2, 2, . . . , ¸; (c)

3 = ¸1, 1, 2, 1, 2, 1, 2, . . . , ¸.
Obs1: Obtemos a sequˆencia de d´ıgitos da fra¸c˜ao continuada de a > 0 atrav´es do algoritmo:
0. Inicialize a com o n´umero que queremos expandir em fra¸c˜ oes continuadas;
1. Prove ⌊a⌋ (parte inteira do n´umero a);
2. Se a ∈ Z ent˜ao v´a para o passo 3. Sen˜ao a := 1/(a −⌊a⌋) e v´a para o passo 1;
3. Prove a e pare. Neste caso a fra¸c˜ao N
˜
AO ´e continuada, e sim finita, pois a ∈ Q.
Fazendo isto obtemos que π = ¸3, 7, 15, 1, 292, 1, 1, 1, 2, 1, 3, 1, 14, . . . , ¸
γ = ¸0, 1, 1, 2, 1, 2, 1, 4, 3, 13, 5, 1, 1, . . . , ¸ e = ¸2, 1, 2, 1, 1, 4, 1, 1, 6, 1, 1, 8, . . . , ¸.
Observe que destes, somente e possui um padr˜ao.
Obs2: Truncamentos da fra¸c˜ao continuadas fornecem a melhor aproxima¸c˜ao racional com o
menor denominador poss´ıvel. Assim, como π = ¸3, 7, 15, 1, . . . , ¸, obtemos que π ≈ 3+1/7 =
22/7 ou 3+1/(7+1/15) = 333/106 ou 3+1/(7+1/(15+1/1)) = 355/113 (erro de 10
−6
!).
Obs3: A fra¸c˜ao obtida satisfaz [α−p/q[ < 1/q
2
, isto ´e, o erro cometido pela aproxima¸c˜ao ´e
menor que 1/q
2
. Assim, com erro menor que 10
−2
,

2 ≈ 17/12,

3 ≈ 19/11, e ≈ 19/7,
γ ≈ 4/7.
Obs4: A expans˜ao em fra¸c˜ oes continuadas ´e peri´odica se, e somente se, o n´umero ´e raiz
de uma equa¸ c˜ao do segundo grau com coeficientes inteiros.
⋆ 41. (extra) (Fra¸ c˜ oes continuadas Parte II) Seja b
k
= ¸a
0
, . . . , a
k
¸ (fra¸ c˜ao continuada) com
a
i
≥ 1 para i > 0 (a
0
pode ser zero). Nosso objetivo nesta sequˆencia de exerc´ıcios ´e provar
que a sequˆencia b
k
´e convergente. Para isto ´e conveniente definir b
k
e α
k
m
de forma indutiva
por: b
k
= α
k
0
e
_
α
k
m
= a
m
+
1
α
k
m+1
; m < k
α
k
k
= a
k
.
1
Introduzidas em 1613 por Pietro Antonio Cataldi: ⋆ 15/04/1548, Bologna, It´alia – † 11/02/1626, Bo-
logna, It´alia.
7.1. LIMITE DE FUNC¸
˜
OES. 105
lim
x→x0
f(x) = k lim
x→x0
f(x) = +∞ lim
x→x0
f(x) = −∞
lim
x→x
+
0
f(x) = k lim
x→x
+
0
f(x) = +∞ lim
x→x
+
0
f(x) = −∞
lim
x→x

0
f(x) = k lim
x→x

0
f(x) = +∞ lim
x→x

0
f(x) = −∞
lim
x→+∞
f(x) = k lim
x→+∞
f(x) = +∞ lim
x→+∞
f(x) = −∞
lim
x→−∞
f(x) = k lim
x→−∞
f(x) = +∞ lim
x→−∞
f(x) = −∞
Tabela 7.1: Os quinze tipos de limite.
O limite que aparece na primeira linha e primeira coluna j´a foi definido. Os outros s˜ao
definidos com pequenas adapta¸c˜ oes. O importante ´e entender o que significam limites iguais
a k, +∞ ou −∞ (cada um destes corresponde a um coluna da tabela), bem como o que
representam os s´ımbolos x → x
0
, x → x
+
0
, x → x

0
, x → +∞e x → +∞(que correspondem
`as linhas). Fa¸camos alguns coment´arios a este respeito.
limf(x) = k Como j´a vimos, isto significa que, por menor que seja ε > 0, podemos
concluir que [f(x) −l[ < ε desde que x que verifique certa condi¸c˜ao.
limf(x) = +∞ Significa que, por maior que seja M > 0, podemos concluir que f(x) > M
desde que x que verifique certa condi¸c˜ao.
limf(x) = −∞ Significa que, por maior que seja M > 0, podemos concluir que f(x) <
−M desde que x que verifique certa condi¸c˜ao.
x → x
0
Como j´a vimos, isto significa que a condi¸c˜ao sobre x ´e 0 < [x − x
0
[ < δ
para δ suficientemente pequeno.
´
E necess´ario que x
0
∈ A¸ ¦x
0
¦.
x → x
+
0
Lˆe-se x tende a x
0
pela direita. Significa que que a condi¸c˜ao sobre x
´e 0 < x − x
0
< δ para δ suficientemente pequeno.
´
E necess´ario que
x
0
∈ A∩ (x
0
, +∞).
x → x

0
Lˆe-se x tende a x
0
pela esquerda. Significa que que a condi¸c˜ao sobre x
´e 0 < x
0
− x < δ para δ suficientemente pequeno.
´
E necess´ario que
x
0
∈ A∩ (−∞, x
0
).
104 CAP
´
ITULO 7. LIMITE E CONTINUIDADE
Exemplo 7.5. Sejam f : R → R, dada por f(x) = x
2
para todo x ∈ R, a ∈ R e
(x
n
)
n∈N
⊂ R ¸ ¦a¦ convergente para a. Temos ent˜ao que f(x
n
) = x
2
n
→ a
2
. Como a
sequˆencia (x
n
)
n∈N
´e arbitr´aria, conclu´ımos que lim
x→a
f(x) = a
2
.
Aplicando a Proposi¸c˜ao 140 e a Proposi¸c˜ao 94, p.60 bem como o resultado do exerc´ıcio 5,
p.70 demonstra-se facilmente a pr´ oxima proposi¸c˜ao.
PROPOSIC¸
˜
AO 141. (propriedades do limite) Sejam f, g : A ⊂ R → R e c ∈ R. Se
lim
x→x0
f(x) = k ∈ R e lim
x→x0
g(x) = m ∈ R, ent˜ao:
i. lim
x→x0
_
f(x) +g(x)
_
= k +m; ii. lim
x→x0
_
cf(x)
_
= ck;
iii. lim
x→x0
_
f(x) −g(x)
_
= k −m; iv. lim
x→x0
_
f(x)g(x)
_
= km;
v. se m ,= 0, ent˜ao lim
x→x0
f(x)/g(x) = k/m.
Demonstra¸c˜ao. Deixamos para o leitor.
Terminamos esta se¸ c˜ao com uma propriedade ´util sobre limites.
PROPOSIC¸
˜
AO 142. (permanˆencia do sinal) Seja f : A ⊂ R → R. Se lim
x→a
f(x) = k <
m, ent˜ao existe δ > 0 tal que f(x) < m para todo x ∈ A tal que 0 < [x − a[ < δ. Uma
conclus˜ao an´aloga vale quando k > m.
Demonstra¸c˜ao. Tomando ε = m − k > 0 na defini¸c˜ao de limite, obtemos δ > 0 tal que
[f(x) −k[ < m−k se x ∈ A e 0 < [x −x
0
[ < δ. Ora
f(x) −k ≤ [f(x) −k[ < m−k =⇒ f(x) < m.
J´a vimos um tipo de limite (a saber, lim
x→x0
f(x) = k). Veremos os outros quatorze. Todos
eles est˜ao presentes na Tabela 7.1 (onde x
0
e k denotam n´umeros reais e f ´e uma fun¸c˜ao
real de dom´ınio A ⊂ R).
4.8. EXERC
´
ICIOS. 77
Prove que:
(a) Para todo k, j > m, α
j
m
−α
k
m
=
α
k
m+1
−α
j
m+1
α
j
m+1
α
k
m+1
;
(b) b
k+2
−b
k
= (−1)
k
α
k+2
k
−α
k
k
α
k+2
1
α
k
1
α
k+2
2
α
k
2
α
k+2
k
α
k
k
;
(c) [b
k+1
−b
k
[ =
(a
k+1
)
−1
α
k+2
1
α
k
1
α
k+2
2
α
k
2
α
k+1
k
α
k
k
;
Dica: Para (a) utilize a defini¸c˜ao de α
k
m
. Para (b) e (c) utilize o item (a).
(d) 0 < b
k
< a
0
+ 1, isto ´e, (b
k
) ´e limitada;
(e) A sequˆencia b
2k
´e crescente e b
2k+1
´e decrescente;
(f) Quando k vai para infinito, b
k+1
−b
k
→ 0;
Dica: Considere o conjunto A = ¦m ∈ N; a
m
> 2¦. Este conjunto pode ser finito ou
infinito.
(g) Conclua que b
k
´e convergente.
Obs: Para provar a convergˆencia n˜ao ´e necess´ario supor que a
i
∈ N, embora isto ocorra
na expans˜ao em fra¸c˜ oes continuadas.
4.8.2 S´eries
=⇒ 42. Determine se converge ou diverge cada uma das s´eries abaixo:
(a)

1
n
n
; (b)

n!
n
n
; (c)

1
_
n(n + 1)
; (d)

1
1 +n
2
;
(e)

n
2
n
; (f)

n + 2
n(n + 1)
; (g)

1
(log(n))
α
para α ∈ R;
(h)

1
log n
; (i)

1
n
2
log n
; (j)

1
(log n)
n
;
(k)

sen
2
(π(1 + 1/n)); (l)

1
(log n)
log n
; (m)

log n
n
.
Dica: (b) ≤ 2/n
2
; (k) use teorema do valor m´edio; (l) (log n)
log n
= n
log(log n)
que ´e maior
que 2 para n grande.
43. (representa¸c˜ao decimal) Seja a
n
sequˆencia de inteiros entre 0 e 9. Prove que

n=1
a
n
10
−n
existe (e est´a entre 0 e 1) ([Sp] p.407 no.4(a)).
♯ 44. (dif´ıcil) Determine se converge ou diverge cada uma das s´eries abaixo ([Sp] p.406 no.2):
(a)

n=1
2
n
n!
n
n
; (b)

n=1
3
n
n!
n
n
; (c)

n=1
a
n
n!
n
n
.
Dica: (c) converge se a < e, diverge se a > e.
45. Determine, segundo o valor do parˆametro a > 0, a natureza da s´erie

(n!)
2
(2n)!
a
n
.
78 CAP
´
ITULO 4. SEQU
ˆ
ENCIAS E S
´
ERIES
=⇒ 46. Seja

x
n
uma s´erie convergente de termos positivos. Prove que
=⇒(a)

(x
2
n
) ´e convergente; (b) se liminf
n→+∞
y
n
> 0, ent˜ao

x
n
y
n
´e convergente.
→ 47. Use o resultado do exerc´ıcio 3(f), p.26 para provar que a s´erie harmˆonica diverge.
→48. Prove que o teste da raz˜ao e o teste da raiz n˜ao servem para decidir a convergˆencia/divergˆencia
da s´erie

1/n
p
para qualquer p.
→ 49. Suponha que x
n
=
p(n)n
r
q(n)
com p e q polinˆomios e r ∈ R.
(a) Prove que o crit´erio da raz˜ao e da raiz n˜ao decidem convergˆencia de

x
n
;
(b) Enuncie e prove um teorema que garanta a convergˆencia ou divergˆencia de

x
n
em
fun¸c˜ao dos graus dos polinˆomios e de r.
Dica: use crit´erio da compara¸ c˜ao.
→ 50. Prove que se

x
n
´e absolutamente convergente e (y
n
)
n∈N
´e limitada, ent˜ao

(x
n
y
n
)
´e absolutamente convergente.
51. Prove que se

a
n
´e absolutamente convergente ([Sp] p.409 no.10 e 11):
(a) e b
n
´e subsequˆencia de a
n
ent˜ao

b
n
´e absolutamente convergente;
(b) [

a
n
[ ≤

[a
n
[.
=⇒ 52. Prove que

sen n
n
2
´e convergente. Vocˆe consegue generalizar este resultado para s´eries
do tipo

f(n)
n
2
, sob que hip´ otese sobre f : R →R?
=⇒ 53. Sejam (x
n
)
n∈N
e (y
n
)
n∈N
duas sequˆencias positivas tais que
lim
n→+∞
x
n
y
n
= c ∈ R ¸ ¦0¦.
Prove que

x
n
converge se, e somente se,

y
n
converge.
=⇒ 54. O objetivo deste exerc´ıcio ´e provar o Crit´erio de Leibniz
1
que diz: se (x
n
)
n∈N
´e uma
sequˆencia decrescente de n´umeros positivos convergente para 0, ent˜ao a s´erie

(−1)
n+1
x
n
´e
convergente. Considere a sequˆencia de somas parciais (S
n
)
n∈N
da s´erie

(−1)
n+1
x
n
. Prove
que
(a) (S
n
)
n∈N
´e limitada;
(b) (S
2n−1
)
n∈N
e (S
2n
)
n∈N
s˜ao mon´otonas. Conclua que estas sequˆencias s˜ao convergentes
para o mesmo limite s;
(c)

(−1)
n+1
x
n
´e convergente.
=⇒ 55. Use o Crit´erio de Leibniz para dar um exemplo de uma s´erie que ´e convergente mas n˜ao
´e absolutamente convergente.
56. Prove que a s´erie 1 −
1
2
+
1
3

1
4
+
1
5
´e convergente.
Obs: Est´a s´erie converge para ln(2). Expanda ln(x + 1) utilizando s´erie de Taylor.
=⇒ 57. Considere a s´erie 1 −
1
3
+
1
5

1
7
+
1
9
. Prove que:
1
Gottfried Wilhelm von Leibniz: ⋆ 01/07/1646, Leipzig, Alemanha - † 14/11/1716, Hannover, Alemanha.
7.1. LIMITE DE FUNC¸
˜
OES. 103
QED
1
.
Exemplo 7.4. Sejam f : R → R, dada por f(x) = x
2
para todo x ∈ R, e x
0
∈ R.
Mostremos que lim
x→x0
f(x) = x
2
0
. Fixado ε > 0, tomamos δ = min¦1, ε/(2[x
0
[ + 1)¦. Desta
forma, se 0 < [x −x
0
[ < δ, ent˜ao [x[ < [x
0
[ +δ ≤ [x
0
[ + 1. Al´em disto,
[f(x) −x
2
0
[ = [x
2
−x
2
0
[ = [x −x
0
[ [x +x
0
[ < δ([x[ +[x
0
[) < δ(2[x
0
[ + 1) ≤ ε.
O exemplo anterior pode induzir o leitor a pensar que achar δ em fun¸c˜ao de ε e de x
0
´e uma tarefa sobrenatural. Normalmente, rascunha-se a demonstra¸ c˜ao de tr´as para frente:
sabendo que devemos obter [f(x) −k[ < ε, procuramos saber qu˜ao grande pode ser [x −x
0
[
(i.e., qual deve ser o valor de δ) para que cheguemos a esta conclus˜ao. Em seguida, passamos
a limpo a demonstra¸ c˜ao e, j´a sabendo qual ´e o valor de δ, simplesmente dizemos: “seja
δ =Abracadabra. . . ” Por´em, dependendo da fun¸c˜ao, mesmo que achar o valor de δ n˜ao seja
m´agica, tal tarefa pode ser bastante enfadonha. Uma alternativa ´e fazer uso das proposi¸c˜ oes a
seguir. Elas facilitam as demonstra¸ c˜ oes de existˆencia e os c´alculos dos limites, sem necessidade
de manipular ε’s e δ’s.
PROPOSIC¸
˜
AO 140. (limites por sequˆencias) Sejam f : A ⊂ R → R e x
0
∈ A¸ ¦x
0
¦.
Ent˜ao, lim
x→x0
f(x) = k se, e somente se, lim
n→+∞
f(x
n
) = k para toda sequˆencia (x
n
)
n∈N

A¸ ¦x
0
¦ convergente para x
0
.
Demonstra¸c˜ao. Suponhamos que lim
x→x0
f(x) = k e mostremos que se (x
n
)
n∈N
⊂ A ¸ ¦x
0
¦
e x
n
→ x
0
, ent˜ao f(x
n
) → k. Seja ε > 0. Por hip´ otese, existe δ > 0 tal que
x ∈ A, 0 < [x −x
0
[ < δ =⇒ [f(x) −k[ < ε. (7.1)
Ora, x
n
→ x
0
, logo, existe N ∈ N tal que se n ≥ N, ent˜ao [x
n
− x
0
[ < δ. Assim, para
n ≥ N, ao tomar x = x
n
em (7.1) obtemos [f(x
n
) −k[ < ε. Conclu´ımos que f(x
n
) → k.
Reciprocamente, suponhamos que seja falso que lim
x→x0
f(x) = k. Isto significa que existe
ε > 0 tal que
∀δ > 0, ∃x ∈ A tal que 0 < [x −x
0
[ < δ e [f(x) −k[ ≥ ε. (7.2)
Para cada n ∈ N, ao tomar δ = 1/n em (7.2) obtemos x
n
∈ A tal que
0 < [x
n
−x
0
[ <
1
n
e [f(x
n
) −k[ ≥ ε.
Constr´oi-se desta maneira uma sequˆencia (x
n
)
n∈N
⊂ A ¸ ¦x
0
¦ convergente para x
0
sem que
f(x
n
) → k. Absurdo!
Vejamos como esta proposi¸c˜ao facilita o c´alculo de limites. Retomemos o Exemplo 7.4,
mostrando o mesmo resultado sem manipular ε’s e δ’s.
1
QED, abrevia¸ c˜ao de “quod erat demonstrandum” que, em latim, significa “como quer´ıamos demonstrar”.
102 CAP
´
ITULO 7. LIMITE E CONTINUIDADE
Coment´ario an´alogo ao que fizemos sobre a nota¸ c˜ao de limite de sequˆencias (em particular
sobre o sinal de igual nela presente) e a unicidade do limite tamb´em se aplica aqui. Querendo,
o leitor poder´a demonstrar a unicidade do limite. N´os n˜ao a faremos aqui pois ela ser´a uma
consequˆencia da Proposi¸c˜ao 140.
S´ o faz sentido considerar o limite de f(x) quando x tende a x
0
quando x
0
´e ponto de
acumula¸ c˜ao do dom´ınio de f. Daqui por diante, esta condi¸c˜ao ficar´a subentendida quando
estivermos considerando limites.
Aten¸ c˜ao: a nega¸c˜ao de lim
x→x0
f(x) = k diz que o limite, se existir, ´e diferente de k mas
n˜ao diz que ele existe. Portanto, para negar esta condi¸c˜ao, se n˜ao tivermos de antem˜ao a
existˆencia do limite, ent˜ao n˜ao podemos supor que lim
x→x0
f(x) ,= k. Neste caso, devemos tomar
a nega¸c˜ao l´ ogica da condi¸c˜ao que define que lim
x→x0
f(x) = k. Isto ser´a feito, por exemplo, na
demonstra¸ c˜ao da Proposi¸c˜ao 140.
Exemplo 7.1. Seja f : R ¸ ¦0¦ →R, dada por f(x) =
_
_
_
1 se x > 0,
−1 se x < 0.
´
E f´acil ver que 0 ´e ponto de acumula¸ c˜ao de R¸¦0¦. Suponhamos que lim
x→0
f(x) = k. Tomando
ε = 1 na defini¸c˜ao de limite, obtemos a existˆencia de δ > 0 tal que [f(x) − k[ < 1 quando
0 < [x[ < δ. Portanto,
2 = [1 −(−1)[ = [f(δ/2) −f(−δ/2)[ ≤ [f(δ/2) −k[ +[f(−δ/2) −k[ < 1 + 1 = 2.
Absurdo!
Exemplo 7.2. Seja f : (0, 1] → R dada por f(x) = 1 para todo x ∈ (0, 1]. Observe que
0 n˜ao est´a no dom´ınio de f mas ´e ponto de acumula¸ c˜ao deste. Logo, faz sentido perguntar
se existe o limite de f(x) quando x tende a 0 e, no caso afirmativo, determinar o valor
do limite. Mostraremos que ele existe e vale 1. Seja ε > 0. Para todo x ∈ (0, 1] temos
[f(x) −1[ = [1 −1[ = 0 < ε. Portanto, tomando qualquer δ > 0, temos
x ∈ A, 0 < [x −0[ < δ =⇒ [f(x) −1[ < ε.
Conclu´ımos que lim
x→0
f(x) = 1. Da mesma maneira mostra-se que se g : A ⊂ R → R ´e
constante igual a c e x
0
∈ A¸ ¦x
0
¦, ent˜ao lim
x→x0
g(x) = c.
O exemplo anterior ´e at´ıpico. Se x
0
, ε e δ s˜ao como na Defini¸ c˜ao 139, ent˜ao, geralmente,
δ depende de ε e de x
0
. Muitas vezes esta dependˆencia ´e indicada na nota¸ c˜ao δ = δ(ε, x
0
).
Os exemplos a seguir ilustram esta dependˆencia. No primeiro deles δ depende apenas de ε e,
no segundo, δ depende tanto de ε quanto de x
0
.
Exemplo 7.3. Sejam f : R →R, dada por f(x) = x para todo x ∈ R, e x
0
∈ R. Mostremos
que lim
x→x0
f(x) = x
0
. Dado ε > 0, tomando δ = ε, obtemos
x ∈ R, 0 < [x −x
0
[ < δ =⇒ [f(x) −x
0
[ = [x −x
0
[ < δ = ε.
4.8. EXERC
´
ICIOS. 79
(a) ´e convergente;
(b) converge para
π
4
.
Dica:
_
1
0
1
1+x
2
dx = arctan(1) =
π
4
e integre termo a termo a s´erie
1
1+x
2
= 1 −t
2
+ t
4

t
6
+ +.
⋆ 58. (extra) Podemos definir π como a ´area do c´ırculo unit´ario (veja [C]). Podemos calcular
seu valor atrav´es de um limite, utilizando o m´etodo da exaust˜ao de Arquimedes da Se¸ c˜ao 9.1.
Seja a
m
a ´area do pol´ıgono regular de m lados inscrito no c´ırculo unit´ario.
(a) Prove que a
2m
=
2
m
¸
¸
¸
_
2 −2
¸
1 −
_
2a
m
m
_
2
;
(b) Prove que esta sequˆencia ´e limitada e mon´otona (e portanto convergente);
(c) Utilize-a para aproximar π (comece com m = 4);
(d) Prove que os lados do pol´ıgono regular de 2
n
lados circunscrito ao c´ırculo unit´ario
´e relacionado aos lados do inscrito pelo fator cos(π/2
n−1
). Conclua que vale a estimativa:
a
2
n < π < a
2
n/
_
cos(π/2
n−1
)
_
2
.
→ 59. (Riemann) Seja

a
n
uma s´erie condicionalmente convergente. Prove que existem
reordena¸ c˜ oes (b
n
) e (c
n
) dos termos desta s´erie tais que:
(a)

b
n
= +∞; (b) Dado α ∈ R qualquer,

c
n
= α.
Dica: Divida a s´erie em termos positivos e negativos. O somat´orio dos termos positivos
(negativos) converge para +∞ (−∞) e estes termos convergem para zero. No item (a)
coloque termos positivos o suficiente para ultrapassar N e depois negativos que n˜ao deixem
a soma menor que N −1. Para o (b) fa¸ca a s´erie alternar em torno de α.
→ 60. Seja x
n
uma sequˆencia positiva n˜ao-crescente tal que

x
n
converge. Prove que
nx
n
→ 0 quando n → ∞ ([Fi1] p.39, no.6. e [Sp] p.411 no.20).
Dica: x
2n
+ +x
n+1
≥ nx
2n
= 1/2(2nx
2n
).
♯ 61. (dif´ıcil) Suponha que

a
2
n
e

b
2
n
convergem. Prove que ([Sp] p.411 no.19 e [C]
p.383):
(a)

a
n
b
n
converge; (b)

a
n
n
converge.
62. Prove que se

x
n
converge com x
n
> 0 ent˜ao


x
n
n
converge ([Fi1] p.39, no.9).
Dica: ab ≤ a
2
/2 +b
2
/2 (desigualdade de Cauchy-Schwarz).
63. Suponha x
n
> 0. Prove que se

x
n
converge (ou diverge) se

x
n
1 +x
n
converge (ou
diverge) ([Fi1] p.40, no.17).
⋆ 64. (extra) (generalize o teste da raz˜ao) Suponha que limsup
n→∞
x
n+1
x
n
= r < 1. Prove que

x
n
´e convergente.
Obs: Pode-se provar que se liminf
n→∞
x
n+1
x
n
> 1 ent˜ao

x
n
diverge. Existem crit´erio
semelhantes para o teste da raiz.
⋆ 65. (extra) Suponha x
n
> 0. Prove que se lim
n→∞
x
n+1
x
n
existe ent˜ao lim
n→∞
n

x
n
existe.
80 CAP
´
ITULO 4. SEQU
ˆ
ENCIAS E S
´
ERIES
Obs: A rec´ıproca ´e falsa. Isto mostra que o teste da raiz ´e melhor que o teste da raz˜ao.
→ 66. Vamos ver que para s´eries divergentes n˜ao vale a associatividade.
(a) Considere a s´erie S = 1 −1 + 1 −1 + 1 . Associe os termos dois a dois de forma
distinta para “provar” que S = 0 e S = 1 ao mesmo tempo. Por outro lado verifique que
(S-1) + S=0. Conclua que S = 1/2. Explique.
(b) Determine (como em (a)) L = 1 −2 + 3 −4 + 5 −6 + +.
Dica: Calcule (L −1) +L e use o exerc´ıcio anterior para concluir que L = 1/4.
♯ 67. (dif´ıcil) Uma sequˆencia (a
n
) ´e dita de varia¸c˜ao limitada se

n=1
[a
n+1
−a
n
[ < ∞. Prove
que se (a
n
) for de varia¸c˜ao limitada ent˜ao (a
n
) converge ([Fi1] p.214, no.1).
Dica: Prove que (a
n
) ´e Cauchy usando que o rabo da s´erie ´e menor que ε.
♯ 68. (dif´ıcil) (Teorema da condensa¸ c˜ao de Cauchy) Seja x
n
uma sequˆencia positiva
decrescente. Ent˜ao

x
n
converge se, e somente se,

2
n
x
2n
converge. Aplique-o para
provar que ([Sp] p.410 no.18 e [Fi1] p.36, teorema 1.11):
(a)

n
−p
converge; (b) a s´erie harmˆonica diverge.
Cap´ıtulo 7
Limite e continuidade
7.1 Limite de fun¸c˜ oes.
Dada uma fun¸c˜ao real f estamos interessados em saber o que acontece com o valor de
f(x) quando x se aproxima de um ponto x
0
sem, entretanto, assumir este valor. Este ´e o
assunto desta se¸ c˜ao. Muitas vezes f(x) se aproximar´a de f(x
0
), por´em, isto s´ o ocorre para
uma classe de fun¸c˜ oes, ditas cont´ınuas. Trataremos desta quest˜ao posteriormente.
Iniciamos nossa discuss˜ao precisando o que quisemos dizer, no par´agrafo anterior, com
“x se aproxima de um ponto x
0
sem, entretanto, assumir este valor”. Ora, se estamos
interessados no valor de f(x) ´e preciso que x esteja no dom´ınio de f mas, como x n˜ao
assume o valor x
0
, n˜ao ´e necess´ario que f(x
0
) esteja definido. Ou seja, n˜ao ´e necess´ario que
x
0
perten¸ca ao dom´ınio de f. Por´em, ´e preciso que seja poss´ıvel “se aproximar de x
0
” por
pontos do dom´ınio de f. Rigorosamente falando, se A ´e o dom´ınio de f, ent˜ao a no¸c˜ao de
limite de fun¸c˜ oes ter´a sentido se, e somente, x
0
´e ponto de acumula¸ c˜ao de A. Lembramos
que esta condi¸c˜ao significa que x
0
∈ A ¸ ¦x
0
¦, i.e., existe uma sequˆencia (x
n
)
n∈N
⊂ A¸ ¦x
0
¦
convergente para x
0
.
Sejam f : A ⊂ R →R e x
0
um ponto de acumula¸ c˜ao de A. Como expressar de maneira
rigorosa que f(x) se aproxima de k ∈ R quando x se aproxima de x
0
? A experiˆencia com limite
de sequˆencias nos indica que deve ser errado pensar que a distˆancia de f(x) a k decresce
junto com a distˆancia de x a x
0
. A armadilha explicada na Figura 4.1, p.54 tamb´em se
apresenta neste contexto. Para armadilhas semelhantes usamos escapat´ orias semelhantes. A
ideia intuitiva correta ´e dizer que f(x) ´e t˜ao pr´ oximo de k quanto quisermos, bastando para
isto tomar x suficientemente pr´ oximo de x
0
. Vejamos a defini¸c˜ao rigorosa.
DEFINIC¸
˜
AO 139. Sejam f : A ⊂ R → R e x
0
um ponto de acumula¸ c˜ao de A. Dizemos
que existe o limite de f(x) quando x tende a x
0
∈ R e ele vale k ∈ R se
∀ε > 0, ∃δ > 0 tal que para todo x ∈ A, se 0 < [x −x
0
[ < δ ent˜ao [f(x) −k[ < ε.
Neste caso, escrevemos lim
x→x0
f(x) = k.
Neste momento, o leitor j´a pode apreciar a capa do livro.
101
100 CAP
´
ITULO 6. TOPOLOGIA DE R
Cap´ıtulo 5
Constru¸ c˜ao dos conjuntos num´ericos
5.1 Rela¸ c˜ao de equivalˆencia.
Antes da defini¸c˜ao formal vamos explorar o conceito de forma intuitiva. A met´afora que
utilizaremos ser´a a de uma prato, representando um conjunto, onde seus elementos s˜ao os
´atomos que o constituem. Joguemos este prato no ch˜ao para quebr´a-lo! Ele se partir´a e
teremos cacos de diversos tamanhos no ch˜ao.
Pensemos agora neste novo conjunto, onde cada elemento ´e um caco (ao inv´es de um
´atomo). Denotaremos por C este conjunto dos cacos do prato, e por P o conjunto de ´atomos
do prato. A ideia importante ´e ver que o conjunto P foi partido, formando um novo conjunto
C, onde os elementos s˜ao cacos.
P C
Agora temos que para quaisquer ´atomos a, b e c pertencentes ao prato P:
i. Cada ´atomo pertence a um caco.
ii. Se a pertence a um mesmo caco que b ent˜ao b pertence ao mesmo caco que a.
iii. Se a pertence ao mesmo caco que b, b pertence ao mesmo caco que c, ent˜ao a pertence
ao mesmo caco que c.
Agora come¸ caremos a definir os termos t´ecnicos associados a estas ideias intuitivas. Uma
rela¸c˜ao ´e uma propriedade que dois elementos de um conjunto podem ter entre si. No caso
em estudo a propriedade ´e pertencer ao mesmo caco. Denotaremos a ∼ b para dizer que o
´atomo a pertence ao mesmo caco que o ´atomo b.
DEFINIC¸
˜
AO 115. Uma rela¸ c˜ao (bin´aria) num conjunto A ´e um subconjunto ! ⊂ AA.
Dados a, b ∈ A, dizemos que a e b est˜ao relacionados se (a, b) ∈ !, denotado por a ∼ b.
Exemplo 5.1. Alguns exemplos de rela¸c˜ oes (verifique!). Defina (a, b) ∈ ! se:
• a ≤ b para a, b ∈ R;
0
Retirado de
´
ALGEBRA: Um Guia de Estudo. Marco Cabral, 1991. Vers˜ao completa na internet.
81
82 CAP
´
ITULO 5. CONSTRUC¸
˜
AO DOS CONJUNTOS NUM
´
ERICOS
• b = f(a) para a, b ∈ R e alguma f;
• a divide b para a, b ∈ N.
DEFINIC¸
˜
AO 116. Uma rela¸c˜ao “∼” num conjunto A ser´a dita rela¸ c˜ao de equivalˆencia
quando respeitar as seguintes propriedades para todo a, b, c ∈ A:
i. a ∼ a (reflexiva);
ii. a ∼ b implica que b ∼ a (sim´etrica);
iii. a ∼ b e b ∼ c implica que a ∼ c (transitiva).
Leia novamente os itens (i), (ii) e (iii) relativos a ´atomo e caco dados acima e compare
com a defini¸c˜ao de rela¸c˜ao de equivalˆencia.
Exemplo 5.2. A rela¸c˜ao definida no conjunto das retas em R
2
, r ∼ s se, e somente se r e
s s˜ao retas paralelas, ´e rela¸c˜ao de equivalˆencia (verifique!).
Vamos denotar para cada ´atomo a ∈ P, o caco a que o ´atomo pertence por ¯ a ∈ C. Este
caco ser´a chamado classe de equivalˆencia de a.
DEFINIC¸
˜
AO 117. Seja a ∈ A, ¯ a = ¦b ∈ A; a ∼ b¦ ⊂ A ser´a a classe de equivalˆencia
de a ∈ A.
DEFINIC¸
˜
AO 118. O conjunto quociente ´e o conjunto das classes de equivalˆencia de um
conjunto, denotado por A/∼= ¦¯ a; a ∈ A¦ (lˆe-se A dividido pela rela¸c˜ao de equivalˆencia).
Na nossa analogia, cada classe de equivalˆencia de P (o prato) ´e um caco e o conjunto
quociente ´e o conjunto dos cacos C, ou seja, P/∼= C. Note a mudan¸ ca de ponto de
vista: cada elemento de P ´e um ´atomo e cada elemento de C ´e um caco. Embora cada caco
seja composto de ´atomos, os elementos de P e de C s˜ao distintos. Assim n˜ao ´e verdade que
C ⊂ P ou P ⊂ C.
Deste modo, o conjunto A e A/∼ n˜ao est´a contido um no outro, nem vice-versa pois seus
elementos s˜ao distintos, conforme indicado na figura abaixo.
A A/∼
Exemplo 5.3. (fra¸ c˜ oes e Q) Seja F = ¦a/b; a, b ∈ Z, b ,= 0¦, o conjunto das fra¸c˜ oes. S˜ao
elementos de F: 2/3, 7/4, 10/5, 3/2, . . . Elementos distintos de F podem representar o
mesmo elemento de Q. Por exemplo, 10/5 ,= 2/1 (em F) mas 10/5 = 2/1 (em Q).
Dado um elemento de F podemos corresponder um ´unico elemento de Q de maneira
´obvia, no entanto um elemento de Q possui infinitas representa¸c˜ oes em F. Exemplo: 0.5 ∈ Q:
1/2, 2/4, 3/6, . . . Queremos que estes elementos de F sejam considerados equivalentes.
Definimos a seguinte rela¸c˜ao de equivalˆencia (verifique!) em F: a/b ∼ c/d se, e somente
se ad = bc (em Z). Desta forma definimos Q por F/ ∼. Ver detalhes na Se¸ c˜ao 5.2.3.
Exemplos de elementos de F/∼: ¦7/3, 14/6, 21/9, . . .¦, ¦2/3, 4/6, 6/9, . . .¦.
6.6. EXERC
´
ICIOS. 99
♯ 28. (dif´ıcil) Consulte na internet (ou em algum livro) a defini¸c˜ao do conjunto de Cantor.
Prove que:
(a) ´e n˜ao-enumer´avel; (b) tem interior vazio; (c) ´e compacto;
(d) na base 3 os pontos n˜ao possuem o d´ıgito 1 exceto quando ele se repete infinitamente
ao final, pois por exemplo 0, 202022222 . . . = 0, 20210000 . . .
6.6.3 Conjuntos densos
=⇒ 29. Prove que se A ⊂ R ´e enumer´avel, ent˜ao A

´e denso em R. Conclua que irracionais e
transcendentes s˜ao densos em R.
→ 30. Seja A o conjunto dos n´umeros reais da forma m/2
n
com m ∈ Z e n ∈ N. Prove que
A ´e denso em R.
31. Prove que A ´e denso sse A

tem interior vazio ([L] p.149 no.25).
♯ 32. (dif´ıcil) Prove que se α ∈ R − Q ent˜ao A = ¦m + nα; m, n ∈ Z¦ (em
´
Algebra
denotamos A por Z[α]) ´e denso em R ([L] p.76 no.58).
Dica: Ver exerc´ıcio 31, p.74.
98 CAP
´
ITULO 6. TOPOLOGIA DE R
(a) s˜ao desconexos: Z, Q, R −Z e R −Q; (b) se J ´e conexo ent˜ao J ´e um intervalo;
(c) se J e K s˜ao conexos ent˜ao J ∩ K ´e conexo; (d) se J ´e conexo ent˜ao J ´e conexo;
(e) Dˆe exemplo em que A ´e conexo mas A n˜ao ´e conexo.
Dica: (a) obtenha cis˜oes n˜ao-triviais; (b) a = inf J e b = sup J.
6.6.2 Conjuntos compactos
=⇒ 20. Sejam K
i
⊂ R compactos para i ∈ N e F fechado. Prove que:
(a)

i∈N
K
i
´e compacto; (b)
n
_
i=1
K
i
´e compacto; (c) F ∩ K
1
´e compacto.
21. Sejam F
n
⊂ R uma sequˆencia de conjuntos n˜ao-vazios satisfazendo F
n
⊂ F
n−1
. Dˆe
exemplos mostrando que

i∈N
F
i
pode ser vazia se ([L] p.148 no.22):
(a) os F
i
’s s˜ao apenas fechados; (b) os F
i
’s s˜ao apenas limitados.
=⇒ 22. Para cada um dos conjuntos abaixo, dˆe um exemplo de uma cobertura aberta que n˜ao
possua subcobertura finita:
(a) (0, 1]; (b) [0, +∞); (c) Z; (d) Q∩ [0, 1].
→ 23. Seja q
i
enumera¸ c˜ao de Q. Prove que as bolas B 1
2
i
(q
i
) cobrem Q mas n˜ao cobrem R.
→ 24. Seja ( uma cole¸ c˜ao de abertos de R disjuntos dois a dois, i.e., se A, B ∈ ( ent˜ao A e
B s˜ao abertos e A∩ B = ∅. Prove que ( ´e enumer´avel.
Dica: Para cada A ∈ ( existe um racional q ∈ A. Veja exerc´ıcio 31, p.29.
25. Sejam A ⊂ R e f : A → R. Dizemos que f ´e localmente limitada em x se existe
ε > 0 tal que f restrita a B
ε
(x) ∩ A ´e limitada.
(a) para A = (0, 1) dˆe exemplo de f localmente limitada que n˜ao seja limitada em A;
(b) prove que se A´e aberto, o conjunto dos pontos x ∈ A tais que f ´e localmente limitada
em x ´e aberto;
(c) prove que se A ´e compacto e f localmente limitada para todo x ∈ A ent˜ao f ´e
limitada em A
→ 26. Seja f : R → R definida por f(x) = x se x ∈ R − Q, f(p/q) = q se p/q ´e
fra¸c˜ao irredut´ıvel com p > 0 e f(0) = 0. Prove que f ´e ilimitada em qualquer intervalo
n˜ao-degenerado ([L] p.172 no.17).
Dica: Veja exerc´ıcio 17(f), p.115.
♯ 27. (dif´ıcil) Seja A ⊂ R qualquer. Prove que toda cobertura de A por abertos possui uma
subcobertura enumer´avel (Teorema de Lindel¨of
1
) ([L] p.150 no.44).
Dica: Considere ( a cole¸ c˜ao de bolas com centro em q
i
∈ Q e raio racional contida em
algum elemento da cobertura. Prove que se x ∈ A ∩ Q

, x ∈ B ∈ ( e portanto existe δ
(podemos assumir δ ∈ Q) tal que B
δ
(x) ⊂ B. Por densidade, x ∈ B
δ/2
(q
i
) para algum q
i
.
1
Ernst Leonard Lindel¨of: ⋆ 07/03/1870, Helsingfors, Imp´erio Russo (agora Helsinki, Finlˆandia) – †
04/06/1946, Helsinki, Finlˆandia.
5.2. CONSTRUC¸
˜
AO DOS CONJUNTOS NUM
´
ERICOS. 83
5.2 Constru¸ c˜ao dos conjuntos num´ericos.
5.2.1 Constru¸ c˜ao de N.
N˜ao procederemos a esta constru¸c˜ao b´asica, que consiste em axiomatizar os inteiros N
com os axiomas de Peano. Para detalhes veja exerc´ıcio 5, p.27. Destes decorrem todas as
propriedades de N. Para isto consulte [Ha] p.. 46.
O mais importante na constru¸c˜ao de Peano ´e a fun¸c˜ao sucessor, que a cada elemento de
N associa o pr´ oximo. Seria como somar “mais um”. Define-se a soma por indu¸c˜ao com a
fun¸c˜ao sucessor, e o produto atrav´es da soma. Define-se tamb´em uma rela¸c˜ao de ordem.
5.2.2 Constru¸ c˜ao de Z.
Dada a existˆencia de N podemos construir Z do seguinte modo:
1. Defina o conjunto Z

= N N.
2. Defina em Z

a rela¸c˜ao (a, b) ∼ (c, d) se, e somente se a + d = b + c. Prove que ´e
rela¸c˜ao de equivalˆencia.
3. Defina Z = Z

/∼.
4. Defina soma e produto em Z utilizando soma e produto em N: (a, b) +

(c, d) =
(a +c, b +d) e (a, b) ∗

(c, d) = (a ∗ c +b ∗ d, b ∗ c +a ∗ d) Verifique que as opera¸ c˜ oes est˜ao
bem definidas e que o elemento neutro da soma ´e (0, 0).
5. Verifique que, ao contr´ario de N, todo elemento ter´a inverso aditivo: dado (a, b) o
inverso aditivo ´e (b, a).
6. Verifique, utilizando propriedades correspondentes em N, que valem as propriedades:
Comutatividade, associatividade, distributividade etc.
5.2.3 Constru¸ c˜ao de Q.
Dada a existˆencia de Z podemos construir Q do seguinte modo:
1. Defina o conjunto Q

= ZZ

, onde Z

= Z¸¦0¦. Q

´e formado por pares ordenados
(a, b) que ser˜ao denotados por a/b.
2. Defina em Q

a rela¸c˜ao (a/b) ∼ (c/d) se, e somente se a ∗ d = b ∗ c Prove que ´e
rela¸c˜ao de equivalˆencia.
3. Defina Q = Q

/∼.
4. Defina soma e produto em Q utilizando soma e produto em Z: a/b∗

c/d = (a∗c)/(b∗d)
e a/b +

c/d = (a ∗ d +b ∗ c)/(b ∗ d).
5. Verifique se as opera¸ c˜ oes est˜ao bem definidas, isto ´e, tomando x
1
, x
2
, y
1
, y
2
∈ Q

, com
¯ x
1
= ¯ x
2
e ¯ y
1
= ¯ y
2
, verificar se ¯ x
1
+

¯ y
1
= ¯ x
2
+

¯ y
2
(mesmo para o produto). N˜ao procederemos
com esta verifica¸ c˜ao, mas o leitor poder´a recorrer a [Ga], p.38.
Observa¸c˜ao 5.1 Quando falamos que ¯ x
1
= ¯ x
2
queremos dizer que tomamos dois repre-
sentantes da mesma classe de equivalˆencia, ou seja, x
1
= a/b, x
2
= c/d, com a∗ d = b ∗ c.
Por exemplo x
1
= 9/6 e x
2
= 18/12.
84 CAP
´
ITULO 5. CONSTRUC¸
˜
AO DOS CONJUNTOS NUM
´
ERICOS
6. Verifique que, ao contr´ario de Z, todo elemento n˜ao nulo ter´a inverso multiplicativo:
dado a/b ∈ Q

, a ,= 0, o inverso multiplicativo ´e b/a.
7. Verifique, utilizando propriedades correspondentes em Z, que (Q, +

, ∗

) ´e um corpo.
5.2.4 Constru¸ c˜ao de R.
1. Defina o conjunto R

das sequˆencias de Cauchy de n´umeros racionais. Vamos denotar
seus elementos por (a
n
), a
n
∈ Q. Note que R

⊂ T(N; Q).
2. Defina em R

a rela¸c˜ao (a
n
) ∼ (b
n
) se, e somente se lim
n→∞
(a
n
−b
n
) = 0. Prove que ´e
rela¸c˜ao de equivalˆencia.
3. Defina R = R

/∼.
4. Defina soma e produto em R utilizando soma e produto em Q: (a
n
)+

(b
n
) = (a
n
+b
n
)
e (a
n
) ∗

(b
n
) = (a
n
∗ b
n
).
5. Podemos definir uma rela¸c˜ao de ordem em R `a partir da rela¸c˜ao de ordem em Q, que
por sua vez ´e definida `a partir da rela¸c˜ao de ordem de N.
6. Resta verificar que estas opera¸ c˜ oes est˜ao bem definidas e que R ´e um corpo completo.
Observa¸c˜ao 5.2 A ´unica raz˜ao para uma sequˆencia de Cauchy n˜ao convergir ´e a existˆencia
de um “buraco” no espa¸co. Esta mesma constru¸c˜ao ´e feita para se completar um espa¸co
m´etrico qualquer.
Podemos resumir o que fizemos com a seguinte defini¸c˜ao.
DEFINIC¸
˜
AO 119. O conjunto R ´e formado por classes de equivalˆencia de sequˆencias de
Cauchy de n´umeros racionais. Para se fazer opera¸ c˜ oes (soma, produto, potencia¸ c˜ao, raiz,
etc) deve-se fazer opera¸ c˜ oes correspondentes nas sequˆencias de racionais para se obter nova
sequˆencia.
Existem outras duas maneiras de construir R:
(a) atrav´es de cortes de Dedekind, feito na Se¸ c˜ao 3.2, p.36;
(b) como decimais infinitas, como costuma ser ensinado no ensino fundamental e m´edio,
apresentado no exerc´ıcio 17, p.87.
5.2.5 Constru¸ c˜ao de C.
Definir em R R as opera¸ c˜ oes de soma e produto destes pares de forma apropriada.
Depois introduzir a nota¸ c˜ao a +bi.
Para outra constru¸c˜ao ver exerc´ıcio 15, p.86.
5.2.6 Outros corpos (quat´ernios e octˆ onios).
Seguindo o caminho de obter C a partir de R, um corpo de dimens˜ao 2 sobre R, podemos
ser tentados a obter corpos que contenham R, por´em de dimens˜ao maior que 2. Podemos
provar que isto ´e imposs´ıvel para dimens˜ao 3 (ver [Fel] p.3).
6.6. EXERC
´
ICIOS. 97
(a) A ´e uni˜ao de bolas abertas;
=⇒(b) ∀a ∈ A e toda sequˆencia x
n
→ a existe N ∈ N tal que x
n
∈ A para todo n > N.
Obs: Desta forma podemos definir conjunto aberto atrav´es de sequˆencias.
→ 7. Seja X ⊂ R. Prove que (X

)

= X

.
=⇒ 8. Defina a distˆancia de a ∈ R at´e um conjunto n˜ao-vazio X por
d(a, X) = inf¦[x −a[; x ∈ X¦. Prove que ([L] p.149 no.29):
(a) d(a, X) = 0 sse a ∈ X;
(b) Se X ´e fechado ent˜ao para todo a ∈ R existe x ∈ X tal que d(a, X) = [a −x[.
9. Prove que se A ´e limitado ent˜ao A ´e limitado e sup(A) = sup(A).
10. Prove os itens (ii) e (iii) da Observa¸ c˜ao 6.2, p.92 a partir das defini¸c˜ oes de conjunto
fechado e ponto de aderˆencia.
11. Prove que A ´e discreto sse ∀x ∈ A, existe ε > 0 tal que B
ε
(x) ∩ A = ¦x¦;
⋆ 12. (extra) Suponha que A ´e discreto. Prove que:
(a) A = A (A ´e fechado); (b) A ´e enumer´avel.
Dica: Para todo a, b ∈ A existem ε
a
, ε
b
da defini¸c˜ao de discreto. Agora verifique que a
bola B
εa/3
(a) ´e disjunta com B
ε
b
/3
(b) para a ,= b ∈ A. Agora veja exerc´ıcio acima.
=⇒ 13. Dˆe um exemplo de fam´ılia de abertos cuja interse¸ c˜ao n˜ao ´e aberta. Dˆe um exemplo de
fam´ılia de fechados cuja uni˜ao n˜ao ´e fechada.
→ 14. Sejam X ⊂ R e x ∈ R. Prove que s˜ao equivalentes:
(a) para todo conjunto aberto A tal que x ∈ A, temos que X ∩ A ,= ∅;
(b) para todo intervalo aberto I tal que x ∈ I, temos X ∩ I ,= ∅;
(c) para todo ε > 0, existe y ∈ X tal que [x −y[ < ε;
(d) x ∈ X.
15. Investigue (prove ou dˆe um contraexemplo) se:
(a) (A ∪ B) = A ∪ B; (b) (A∪ B)

= A

∪ B

.
=⇒ 16. Prove que se A ⊂ R ´e aberto ent˜ao:
(a) A −Z ´e aberto; (b) A−F ´e aberto se F ´e fechado.
⋆ 17. (extra) Em topologia definimos a fronteira de um conjunto A por ∂A = A − A

.
Calcule:
(a) ∂Z; (b) ∂Q; (c) ∂(R −Z).
⋆ 18. (extra) Prove que:
(a) A ´e aberto sse ∂A ∩ A = ∅; (b) A ´e fechado sse ∂A ⊂ A;
(c) ∂A ´e um conjunto fechado; (d) A = A∪ ∂A; (e) A

= A −∂A;
(f) x ∈ ∂A sse toda bola B contendo x, B ∩ A ,= ∅ e B ∩ A

,= ∅.
⋆ 19. (extra) (defini¸c˜ao de conexo) A defini¸c˜ao mais geral de conjunto conexo ´e a seguinte.
Dizemos que A, B ´e uma cis˜ao de J se:
(i) A, B s˜ao abertos; (ii) J ⊂ A∪ B; (iii) A∩ B = ∅.
Dizemos que a cis˜ao A, B ´e trivial se J ∩ A = ∅ ou J ∩ B = ∅. Dizemos que J ´e
conexo se toda cis˜ao de J ´e trivial. Prove que:
96 CAP
´
ITULO 6. TOPOLOGIA DE R
cont´em algum ponto x
n
∈ A. Definimos desta maneira uma sequˆencia (x
n
)
n∈N
⊂ A tal que
x
n
→ x. Segue que x ∈ A. Logo, B ⊂ A.
Vejamos um dos exemplos mais importantes de conjuntos densos em R.
Exemplo 6.5. Q ´e denso em R. De fato, sejam a, b ∈ R com a < b. Mostremos que
(a, b) ∩ Q ,= ∅. Se 0 ∈ (a, b), ent˜ao n˜ao h´a mais nada a ser demonstrado. Se 0 / ∈ (a, b),
ent˜ao 0 ≤ a ou b ≤ 0. Consideremos o caso a ≥ 0 (o caso b ≤ 0 ´e an´alogo). Como R ´e
arquimediano, existe n ∈ N tal que n > 1/(b − a). Seja m ∈ N o menor natural tal que
m > na, ou seja, m ∈ N satisfaz
m−1
n
< a <
m
n
.
Para concluir que m/n ∈ (a, b) ∩ Q basta mostrar que m/n < b. Suponhamos, por absurdo,
que m/n > b. Neste caso,
m−1
n
< a < b <
m
n
=⇒ b −a <
m
n

m−1
n
=⇒ b −a <
1
n
.
Contradizendo n > 1/(b −a).
Todos os conceitos b´asicos de topologia podem ser definidos utilizando somente o conceito
de conjunto aberto. De fato, um conjunto ´e:
(a) fechado, pelo Teorema 128, se seu complementar ´e aberto;
(b) compacto, pelo Teorema 135, se toda cobertura aberta possui subcobertura finita;
(c) denso em B, pela Proposi¸c˜ao 138, se todo aberto que intercepta B tamb´em intercepta
o conjunto;
(b) conexo, pelo exerc´ıcio 19, p.97, se n˜ao ´e uni˜ao disjunta de abertos n˜ao-vazios.
Este ´e um ponto de vista mais avan¸cado: introduzir conjuntos abertos e definir fechado,
compacto, denso e conexo diretamente, sem usar, por exemplo, sequˆencias.
6.6 Exerc´ıcios.
6.6.1 Conjuntos abertos, conexos, fechados e discretos
=⇒ 1. Seja A = [0, 1) ∪ (1, 2] ∪ ¦3¦. Determine: (a) A; (b) A

; (c) A

; (d)
_
A

_

.
=⇒ 2. Determine: (a) Q; (b) (Q∩ [0, 1])

; (c) N

; (d) /

(alg´ebricos); (e) /.
3. Sejam X ⊂ R e A a uni˜ao de todos os subconjuntos abertos de X. Prove que A = X

.
→ 4. Prove que X

´e o maior subconjunto aberto de X, ou seja, prove que:
(a) X

´e aberto; (b) para todo aberto A tal que A ⊂ X, temos A ⊂ X

.
5. Prove que X ´e o menor subconjunto fechado de X, ou seja, prove que:
(a) X ´e fechado; (b) para todo fechado F tal que X ⊂ F, temos X ⊂ F.
=⇒ 6. Prove que A ⊂ R ´e aberto se, e somente se:
5.3. EXERC
´
ICIOS. 85
Hamilton conseguiu, em 1843, uma generaliza¸ c˜ao dos n´umeros complexos: Os Quat´ernios.
Eles s˜ao um corpo (na verdade s˜ao somente an´eis de divis˜ao, pois num corpo o produto deve
ser comutativo – vamos no entanto utilizar o termo corpo para os quat´ernios e os octˆonios)
de dimens˜ao 4 sobre os reais onde a multiplica¸c˜ao n˜ao ´e comutativa. Para detalhes fa¸ca o
exerc´ıcio 16, p.86.
Logo ap´ os Hamilton, Cayley obteve, n˜ao exigindo comutatividade nem associatividade, os
octˆonios (ou Bi-Quat´ernios), corpo de dimens˜ao 8 sobre os Reais.
Ainda houveram muitas tentativas frustradas de se obter corpos com outras dimens˜ oes
sobre os reais. Em 1877 Frobenius provou que exigindo-se associatividade os ´unicos corpos
s˜ao: R, C e Quat´ernios. Restou o problema para as n˜ao associativas, resolvidas em 1957 por
Bott e Milnor e Kervaire : R, C, Quat´ernios e octˆonios. Mais detalhes em [Fel].
5.3 Exerc´ıcios.
→ 1. Para um conjunto A com dez elementos, defina uma rela¸c˜ao de equivalˆencia tal que:
(a) A/∼ seja um conjunto unit´ario; (b) A/∼ tenha a mesma cardinalidade que A;
(c) A/∼ tenha 3 elementos.
=⇒ 2. Seja f : A → B qualquer. Prove que a rela¸c˜ao em A x ∼ y se f(x) = f(y) ´e de
equivalˆencia.
=⇒ 3. Cada uma das f : R
2
→ R abaixo define uma rela¸c˜ao (de equivalˆencia pelo exerc´ıcio
anterior) (a, b) ∼ (x, y) se f(a, b) = f(x, y). Identifique (geometricamente) as classes de
equivalˆencia de cada item. Em todos os itens as classes possuem a mesma cardinalidade?
(a) f(x, y) = y + 2x; (b) f(x, y) = x; (c) f(x, y) = y −x
2
; (d) f(x, y) = x
2
+ 3y
2
.
4. Dados dois S, T triˆangulos defina a rela¸c˜ao S ∼ T se S ´e congruente a T. Prove que
esta rela¸c˜ao ´e de equivalˆencia.
5. A rela¸c˜ao em R
2
, x e y retas , x ∼ y se, e somente se, x | y (x e y s˜ao retas paralelas)
´e rela¸c˜ao de equivalˆencia (verifique !).
6. Considere uma fun¸c˜ao f : A −→ B sobrejetiva, e a seguinte rela¸c˜ao de equivalˆencia em
A, x ∼ y se, e somente se, f(x) = f(y). Defina uma nova g : A/∼−→ B da seguinte
forma: g(¯ a) = f(a). Verifique que por constru¸c˜ao g ´e injetiva, e portanto bijetiva.
7. Defina em R
2
a seguinte rela¸c˜ao de equivalˆencia: (x, y) ∼ (a, b) se, e somente se, x = ±a.
(a) Prove que “∼” ´e uma rela¸c˜ao de equivalˆencia;
(b) Calcule a classe de equivalˆencia de (1, 0);
(c) Descreva o espa¸co quociente R
2
/∼.
8. Considere a rela¸c˜ao em Z: a ∼ b se, e somente se, [a[ = [b[.
(a) Prove que ´e de equivalˆencia; (b) Determine as classes; (c) Descreva Z/∼.
=⇒ 9. Dados x, y ∈ Z e n ∈ N, defina a rela¸c˜ao x ∼ y se x−y ´e m´ultiplo de n. Prove que esta
rela¸c˜ao ´e de equivalˆencia.
Obs: Quando x ∼ y denotamos por x
n
≡ y (x ´e cˆ ongruo m´odulo n a y). O conjunto Z/∼
´e denotado por Z
n
. Este ´e o chamado conjunto dos inteiros m´odulo n.
86 CAP
´
ITULO 5. CONSTRUC¸
˜
AO DOS CONJUNTOS NUM
´
ERICOS
→ 10. Considere a rela¸c˜ao em R: a ∼ b se, e somente se, a −b ∈ Z. Prove que:
(a) ´e de equivalˆencia; (b) R/Z = S
1
(c´ırculo).
→ 11. Considere a rela¸c˜ao em RR: (a, b) ∼ (c, d) se, e somente se, (a −c, b −d) ∈ Z Z.
Prove que:
(a) ´e de equivalˆencia; (b) (R R)/(Z Z) = T
1
= S
1
S
1
(toro).
=⇒ 12. Explique como efetuar as seguintes opera¸ c˜ oes envolvendo n´umeros reais:
(a) 2
π
. Mais precisamente, devemos multiplicar 2 por si mesmo quantas vezes e tirar
quantas ra´ızes depois?
(b) π +

2. Como efetuar a soma? qual o algoritmo? Alinhe os n´umeros pela casa
decimal e . . .
13. Seja K ⊂ R. Considere a rela¸c˜ao em R: a ∼ b se, e somente se, a −b ∈ K.
(a) Prove que se K ´e um conjunto limitado superiormente ou inferiormente ent˜ao a rela¸c˜ao
N
˜
AO ´e de equivalˆencia;
(b) Prove que se a rela¸c˜ao ´e de equivalˆencia ent˜ao: 0 ∈ K e se k ∈ K ent˜ao −k ∈ K.
⋆ 14. (extra) Considere a rela¸c˜ao em R: a ∼ b se, e somente se, a −b ∈ Q.
(a) Prove que ´e de equivalˆencia.
(b) Defina 1 (conjunto de Vitali
1
definido em 1905) como o conjunto formado por um
elemento de cada classe de [0, 1]/Q. Seja 1
q
= q + 1. Prove que se q ,= q

(com q, q

∈ Q)
ent˜ao 1
q
∩ 1

q
= ∅.
(c) Prove que R =
_
q∈Q
1
q
. (d) Prove que 1 ´e n˜ao-enumer´avel.
(e) Prove que [0, 1] ⊂
_
q ∈[−1,1] ∪Q
1
q
⊂ [−1, 2].
(f) Prove que 1 n˜ao pode ser medido (dizemos que n˜ao ´e mensur´avel).
Dica: Como 1
q
´e transla¸c˜ao de 1, ambos possuem mesma medida. Como por (b) os 1
q
s˜ao disjuntos, a medida da uni˜ao ´e igual a soma das medidas. Por (e) a medida da uni˜ao
dos conjuntos de Vitali estaria entre 1 e 3. A medida de 1 n˜ao pode ser zero nem positiva!
Contradi¸ c˜ao. Ver Wikipedia, Vitali set.
⋆ 15. (extra) Seja T[x] o espa¸co dos polinˆomios com coeficientes em R. Prove que dados
p, q ∈ T[x], a rela¸c˜ao p ∼ q se p − q ´e divis´ıvel pelo polinˆomio x
2
+ 1 ´e de equivalˆencia.
Exemplo: x
3
+ 3x
2
+ 5 e x
3
+ x
2
+ 3. O quociente T[x]/∼ pode ser identificado com os
n´umeros complexos! (vide livro de ´algebra).
⋆ 16. (extra) (corpo dos quat´ernios) Considere os “n´umeros” (quat´ernios, generaliza¸ c˜ao
dos complexos feita por Hamilton
2
em 1843) da forma a + bi + cj + dk com a, b, c, d ∈ R.
Definimos a soma de dois quat´ernios atrav´es da soma dos coeficientes reais. O produto, que
n˜ao ´e comutativo, ´e definido atrav´es da propriedade distributiva e das regras: i
2
= j
2
= k
2
=
ijk = −1.
(a) Prove que ij = k, jk = i e ki = j.
Dica: Multiplique ijk = −1 nos dois lados por k com cuidado (produto n˜ao ´e comutativo).
1
Giuseppe Vitali: ⋆ 26/08/1875, Ravenna, It´alia – † 29/02/1932, Bologna, It´alia.
2
Sir William Rowan Hamilton: ⋆ 04/08/1805, Dublin, Irlanda – † 02/09/1865, Dublin, Irlanda.
6.5. CONJUNTOS DENSOS. 95
Ora, x ∈ [a, b], logo, existe A ∈ ( tal que x ∈ A. Como A ´e aberto, existe ε > 0 tal que
B
ε
(x) ⊂ A. Tomando N ∈ N, suficientemente grande, de modo que b
N
− a
N
< ε temos
[a
N
, b
N
] ⊂ B
ε
(x) ⊂ A. Portanto, tomando (

= ¦A¦, temos que (

´e uma subcobertura
finita de ( para [a
N
, b
N
]. Absurdo!
Demonstra¸c˜ao. (do Teorema 135) Suponhamos que K seja compacto (portanto limitado
e fechado). Seja ( uma cobertura aberta de K. Como K ´e limitado podemos tomar a, b ∈ R
tais que K ⊂ [a, b]. Como K ´e fechado, o conjunto K

´e aberto. Temos claramente que
( ∪ ¦K

¦ ´e uma cobertura aberta de [a, b]. Pelo Teorema de Borel-Lebesgue, existe (

⊂ (
finita tal que K ⊂ [a, b] ⊂
_
A∈C

A∪ ¦K

¦. Da´ı, conclu´ımos que K ⊂
_
A∈C

A.
Suponhamos agora que toda cobertura aberta de K possua subcobertura finita. Para
todo x ∈ K definimos A
x
= B
1
(x). A cole¸ c˜ao ¦A
x
; x ∈ K¦ ´e uma cobertura aberta
de K. Por hip´ otese, existem x
1
< < x
n
∈ K tais que K ⊂ A
x1
∪ ∪ A
xn
. Logo,
K ⊂ (x
1
−1, x
n
+ 1) e, portanto, K ´e limitado.
Vamos mostrar que K

´e aberto para concluir que K ´e fechado e, portanto, compacto
(pois j´a sabemos que ele ´e limitado). Seja y ∈ K

. Para todo x ∈ K definimos
A
x
=
_
x −
[x −y[
2
, x +
[x −y[
2
_
.
Temos que (A
x
)
x∈K
´e uma cobertura aberta de K tal que y / ∈ A
x
qualquer que seja x ∈ K.
Por hip´ otese, existem x
1
, . . . , x
n
∈ K tais que K ⊂ A
x1
∪ ∪ A
xn
. Tomando
ε =
1
2
min¦[x
1
−y[, . . . , [x
n
−y[¦,
´e f´acil ver que B
ε
(y) ⊂ K

. Mostramos que y ∈ (K

)

e, portanto, K

´e aberto.
6.5 Conjuntos densos.
DEFINIC¸
˜
AO 137. Sejam A, B ⊂ R com A ⊂ B. Dizemos que A ´e denso em B se B ⊂ A.
Em outros termos, se A ⊂ B, ent˜ao A ´e denso em B se, e somente se, para todo
x ∈ B, existe (x
n
)
n∈N
⊂ A tal que x
n
→ x. A pr´ oxima proposi¸c˜ao nos fornece uma condi¸c˜ao
necess´aria e suficiente para a densidade.
PROPOSIC¸
˜
AO 138. (densos e abertos) Sejam A, B ⊂ R. Temos que A ´e denso em B
se, e somente se, todo aberto que cont´em algum ponto de B tamb´em cont´em algum ponto
de A.
Demonstra¸c˜ao. Suponhamos que A seja denso em B. Sejam x ∈ B e (x
n
)
n∈N
⊂ A
convergente para x. Se I um aberto contendo x, ent˜ao para n ∈ N suficientemente grande
temos x
n
∈ I. Portanto I ∩ A ,= ∅.
Por outro lado, suponhamos que todo aberto que intercepta B tamb´em intercepte A. Seja
x ∈ B. Para todo n ∈ N, o intervalo aberto (x −1/n, x + 1/n) cont´em x ∈ B e, portanto,
94 CAP
´
ITULO 6. TOPOLOGIA DE R
Suponhamos, por absurdo, que K n˜ao seja limitado, digamos, superiormente. Ent˜ao, para
cada n ∈ N existe x
n
∈ K tal que x
n
> n. Temos que (x
n
)
n∈N
⊂ K e x
n
→ +∞. Portanto,
todas as suas subsequˆencias tendem a +∞ (veja a Observa¸ c˜ao 4.1, p.59) e, portanto, n˜ao
s˜ao convergentes. Isto contradiz a compacidade de K.
A ´ultima demonstra¸ c˜ao (sobretudo a primeira parte) ´e digna de um livro de Topologia
Geral. Em v´arios destes livros as demonstra¸ c˜ oes usam muito texto e poucos s´ımbolos (alga-
rismos, em particular). Na opini˜ao do autor, al´em da importˆancia incontest´avel da Topologia
Geral, estes livros tamb´em s˜ao referˆencias perfeitas para mostrar aos leigos em Matem´atica
que, ao contr´ario do que eles pensam, n´os n˜ao somos pessoas que trabalham fazendo contas
com algarismos (n´umeros, como eles dizem)! :-)
Terminamos esta se¸ c˜ao com outra caracteriza¸c˜ao de compactos. Mesmo n˜ao sendo ´util
neste curso, tal caracteriza¸c˜ao ´e important´ıssima. Em Topologia Geral, esta caracteriza¸c˜ao ´e
a defini¸c˜ao de compacidade. Antes, definiremos cobertura aberta.
DEFINIC¸
˜
AO 134. Uma cobertura aberta para K ´e uma cole¸ c˜ao ( de conjuntos abertos
tais que
K ⊂
_
A∈C
A
TEOREMA 135. (caracteriza¸ c˜ao de compactos por cobertura) Um conjunto K ´e
compacto se, e somente se, toda cobertura aberta ( para K tem subcobertura finita, ou seja,
existe (

⊂ ( finita que ´e cobertura para K.
Antes de demonstrar este teorema, em toda sua generalidade, mostraremos um caso
particular.
TEOREMA 136. (Borel-Lebesgue
1
) Se ( ´e um cobertura aberta para [a, b], ent˜ao ela
tem subcobertura finita.
Demonstra¸c˜ao. Note a semelhan¸ ca desta prova com a apresentada no exerc´ıcio 26, p.73.
Procedemos por absurdo, supondo que ( n˜ao tenha subcobertura finita.
Dividindo o intervalo [a, b] no seu ponto m´edio obtemos dois intervalos de comprimento
(b − a)/2. Para pelo menos um destes intervalos, que denotaremos [a
1
, b
1
], n˜ao existe sub-
cobertura de ( finita. De fato, se existissem (

, (
′′
⊂ ( finitas que fossem coberturas para o
primeiro e para o segundo intervalo, respectivamente, ent˜ao (

∪ (
′′
seria uma subcobertura
finita de ( para [a, b]. Aplicamos o procedimento anterior ao intervalo [a
1
, b
1
]. Continuando
indefinidamente este processo constru´ımos uma sequˆencia
_
[a
n
, b
n
]
_
n∈N
de intervalos encai-
xantes. Al´em disto, qualquer que seja n ∈ N, b
n
−a
n
= (a−b)/2
n
e n˜ao existe subcobertura
finita de ( para [a
n
, b
n
].
Gra¸cas ao Teorema dos Intervalos Encaixantes, temos que

+∞
n=1
[a
n
, b
n
] ,= ∅. Mais preci-
samente, esta interse¸ c˜ao s´ o tem um elemento x. De fato, suponhamos que exista y ,= x tal
que y ∈ [a
n
, b
n
] para todo n ∈ N. Segue 0 < [x − y[ ≤ b
n
− a
n
para todo n ∈ N. Isto ´e
absurdo j´a que b
n
−a
n
→ 0.
1
Henri L´eon Lebesgue: ⋆ 28/05/1875, Beauvais, France - † 26/07/1941, Paris, Fran¸ ca.
5.3. EXERC
´
ICIOS. 87
(b) Prove que se associarmos o vetor (b, c, d) ∈ R
3
com o quat´ernio bi + cj + dk ent˜ao
o produto de dois quat´ernios desta forma vai ter como parte real menos o produto escalar e
como parte n˜ao-real o produto vetorial.
(c) Prove que x
2
= −1 possui infinitas solu¸ c˜ oes nos quat´ernios.
(d) Dado um quat´ernio n˜ao-nulo determine a f´ormula do seu inverso multiplicativo.
Dica: N´umeros complexos e conjugado.
♯ 17. (dif´ıcil) (constru¸c˜ao dos n´ umeros reais do ensino m´edio) Defina um n´umero real
como o par (a, (b
n
)
n∈N
), onde a ∈ Z e b
n
∈ ¦0, . . . 9¦ mas n˜ao existe M tal que b
n
= 9 para
todo m > M (a sequˆencia N
˜
AO ´e constante igual a 9 para ´ındices grandes). Intuitivamente
o par representa o n´umero a +

n∈N
b
n
10
−n
.
(a) Podemos definir uma rela¸c˜ao de ordem no conjunto dos pares do seguinte modo.
Dizemos que (a, (b
n
)) < (c, (d
n
)) se a < c ou, se a = c e para algum n b
n
< d
n
mas b
j
= d
j
para 1 ≤ j < n. Com esta defini¸c˜ao prove que todo conjunto limitado possui supremum.
(b) Atrav´es do supremum definimos as opera¸ c˜ oes (ver [Sp] p.505 no.2.).
88 CAP
´
ITULO 5. CONSTRUC¸
˜
AO DOS CONJUNTOS NUM
´
ERICOS 6.4. CONJUNTOS COMPACTOS. 93
DEFINIC¸
˜
AO 129. Dizemos que x ∈ R ´e ponto de acumula¸c˜ao de F ⊂ R se existe uma
sequˆencia (x
n
)
n∈N
⊂ F ¸ ¦x¦ tal que x
n
→ x, ou, em outros termos, se x ∈ F ¸ ¦x¦.
A ideia desta defini¸c˜ao ´e que se x ´e ponto de acumula¸ c˜ao de F ent˜ao x pode ser “apro-
ximado” por elementos de F, diferentes de x.
Segue imediatamente da defini¸c˜ao que todo ponto de acumula¸ c˜ao ´e tamb´em ponto de
aderˆencia. Por´em, a rec´ıproca n˜ao ´e verdadeira. Por isto, consideramos tamb´em a seguinte
defini¸c˜ao.
DEFINIC¸
˜
AO 130. Se x ´e ponto de aderˆencia de F e n˜ao ´e ponto de acumula¸ c˜ao, ent˜ao x
´e dito ponto isolado de F.
DEFINIC¸
˜
AO 131. Um conjunto ´e discreto se todos os seus pontos s˜ao isolados.
Tente entender o porquˆe desta nomenclatura.
6.4 Conjuntos compactos.
A pr´ oxima defini¸c˜ao ´e apenas uma entre v´arias maneiras de se definir conjuntos compactos
em R. Estas v´arias defini¸c˜ oes, dependendo do contexto (i.e., do espa¸co topol´ogico), podem
n˜ao ser equivalentes (neste caso, a defini¸c˜ao dada neste texto ´e a da chamada compacidade
sequencial). Por´em, como j´a dissemos anteriormente, a topologia da reta ´e bastante simples
e neste contexto tais defini¸c˜ oes s˜ao equivalentes.
Dependendo dos objetivos de cada um, pode-se usar uma ou outra forma de compacidade.
A escolha pela defini¸c˜ao seguinte ´e, de certa maneira, uma escolha pessoal do autor baseada
em sua pr´ opria experiˆencia em Matem´atica.
´
E prov´avel que outro autor, mais interessado em
Geometria do que em Equa¸c˜ oes a Derivadas Parciais, prefira outra defini¸c˜ao.
DEFINIC¸
˜
AO 132. Um conjunto K ⊂ R ´e compacto se toda sequˆencia de pontos de K
tem uma subsequˆencia convergente para um ponto de K.
Vejamos uma caracteriza¸c˜ao bem simples e de uso pr´atico para conjuntos compactos.
TEOREMA 133. (Heine
1
-Borel
2
) Um subconjunto de R ´e compacto se, e somente se, ele
´e fechado e limitado.
Demonstra¸c˜ao. Pelo Teorema de Bolzano-Weierstrass, toda sequˆencia num conjunto limi-
tado tem subsequˆencia convergente. Se al´em de limitado o conjunto ´e fechado, ent˜ao o limite
desta subsequˆencia ser´a um elemento do conjunto. Isto mostra que todo fechado e limitado
´e compacto.
Suponhamos agora que K ⊂ R seja compacto e mostremos que ele ´e limitado e fechado.
Sejam x ∈ K e (x
n
)
n∈N
⊂ K convergente para x. Como qualquer subsequˆencia de (x
n
)
n∈N
tende a x (Proposi¸c˜ao 85), gra¸cas `a compacidade, temos x ∈ K. Segue que K ´e fechado.
1
Heinrich Eduard Heine: ⋆ 16/03/1821, Berlim, Alemanha - † 21/10/1881, Halle, Alemanha.
2
F´elix Edouard Justin Emile Borel: ⋆ 07/01/1871, Saint Affrique, Fran¸ ca - † 03/02/1956, Paris, Fran¸ ca.
92 CAP
´
ITULO 6. TOPOLOGIA DE R
´
E f´acil ver que x ´e ponto de aderˆencia de F se, e somente se, dado qualquer ε > 0, B
ε
(x)
tem pontos de F.
Temos sempre F ⊂ F. Por´em a inclus˜ao inversa n˜ao ´e necessariamente verdadeira.
Tomemos, por exemplo, F = [0, 1). Temos 1 ∈ F pois a sequˆencia x
n
= 1 − 1/n ´e
convergente para 1 e al´em disto x
n
∈ F para todo n ∈ N.
Seja (x
n
)
n∈N
uma sequˆencia convergente para x. Sabemos que se x
n
≥ a para todo
n ∈ N, ent˜ao x ≥ a. Do mesmo modo, se x
n
≤ b para todo n ∈ N, ent˜ao x ≤ b. Conclui-
se que uma sequˆencia convergente de pontos em um intervalo fechado tem o seu limite no
intervalo. Ou seja, se F ´e um intervalo fechado e n˜ao vazio, ent˜ao F = F.
DEFINIC¸
˜
AO 127. Um conjunto F ´e fechado se todos os seus pontos de aderˆencia perten-
cem a F, ou seja, se F ⊂ F (que neste caso implica F = F).
Exemplo 6.3. O conjunto vazio ´e fechado! De fato, negar esta afirma¸c˜ao significa admitir
que ∅ ∅ e, em particular, admitir que existe (x
n
)
n∈N
⊂ ∅.
Exemplo 6.4. O conjunto [0, 1) n˜ao ´e fechado pois, como j´a vimos, 1 ∈ (0, 1). Da mesma
maneira 0 ∈ (0, 1). Por outro lado, se (x
n
)
n∈N
⊂ (0, 1) ´e convergente para x ent˜ao x ∈ [0, 1].
Segue que (0, 1) = [0, 1].
O conjunto vazio (e tamb´em R) s˜ao exemplos de conjuntos que s˜ao abertos e fechados
simultaneamente. Isto nos mostra, que ao contr´ario do que podem sugerir as palavras “aberto”
e “fechado”, estes dois conceitos n˜ao s˜ao excludentes. Al´em disso um conjunto pode n˜ao ser
aberto nem fechado. Refraseando Observa¸ c˜ao 3.4, p.48, conjuntos n˜ao s˜ao portas. Por´em,
existe uma rela¸c˜ao estreita entre conjuntos abertos e conjuntos fechados.
PROPOSIC¸
˜
AO 128. (aberto ´e complementar de fechado) Um conjunto ´e aberto se, e
somente se, seu complementar ´e fechado.
Demonstra¸c˜ao. Seja A ⊂ R e F = A

.
Suponhamos que A seja aberto e mostremos que F ´e fechado. Para isto, devemos mostrar
que F ⊂ F. Se, por absurdo, existir uma sequˆencia (x
n
)
n∈N
⊂ F convergente para x / ∈ F
(i.e., x ∈ A), ent˜ao, como A ´e aberto, existe ε > 0 tal que B
ε
(x) ⊂ A. Desta maneira, para
n suficientemente grande, temos que x
n
∈ B
ε
(x) ⊂ A. Isto ´e absurdo pois x
n
∈ F = A

para todo n ∈ N.
Suponhamos agora que F seja fechado e mostremos que A ´e aberto. Se A n˜ao for aberto,
ent˜ao existir´a x ∈ A tal que x / ∈ A

. Assim, qualquer que seja ε > 0, B
ε
(x) n˜ao estar´a
contido em A. Em particular, para cada n ∈ N, tomando ε = 1/n conclu´ımos que existe
x
n
∈ B
1/n
(x) tal que x
n
/ ∈ A, ou seja, x
n
∈ F. Vemos facilmente que x
n
→ x e, portanto,
x ∈ F. Como F ´e fechado, temos x ∈ F, o que ´e absurdo pois x ∈ A = F

.
Observa¸c˜ao 6.2 Tomando complementares, o Teorema 124 nos diz que
i. os conjuntos ∅ e R s˜ao fechados;
ii. toda uni˜ao finita de fechados ´e fechada;
iii. toda interse¸ c˜ao de fechados ´e fechada.
Um conceito relacionado ao de ponto de aderˆencia e de muita importˆancia ´e dado na
defini¸c˜ao seguinte.
Cap´ıtulo 6
Topologia de R
6.1 Introdu¸ c˜ao.
A seguinte frase ´e facilmente aceita pela nossa intui¸ c˜ao: “se x ´e um n´umero pr´ oximo de 2,
ent˜ao x
2
´e um n´umero pr´ oximo de 4”. Outra, “x
2
estar´a cada vez mais pr´ oximo de 4 quanto
mais pr´ oximo x estiver de 2”. Por esta raz˜ao dizemos que a fun¸c˜ao f(x) = x
2
(para todo
x ∈ R) ´e cont´ınua no ponto 2. Muitas das fun¸c˜ oes que encontramos na An´alise s˜ao fun¸c˜ oes
cont´ınuas. Queremos precisar o conceito de continuidade. Observe que para isto ´e necess´ario
estabelecer o que queremos dizer com “x ´e um n´umero pr´ oximo de 2”.
Inicialmente, observe que a no¸c˜ao de “estar pr´ oximo” usada cotidianamente ´e uma no¸c˜ao
subjetiva. Por exemplo, um aluno, morador de Niter´ oi-RJ, que est´a no P˜ao-de-a¸ c´ucar, pergun-
tado onde ´e a Praia de Ipanema, possivelmente responder´a: “fica longe, vocˆe tem que pegar
um ˆonibus”. Por outro lado, se o mesmo aluno viaja para Ribeir˜ao Preto e l´a o perguntarem
em qual cidade ele mora, ent˜ao, temendo que os ribeirenses n˜ao conhe¸cam Niter´ oi, ele resolve
precisar sua resposta dizendo: “fica perto da cidade do Rio de Janeiro”. Finalmente, o mesmo
aluno numa viagem espacial, perguntado onde mora, responder´a: “no planeta Terra, perto da
Estrela Sol”. Na primeira frase, o longe significa uns 4 km, na segunda frase o perto significa
uns 15 km e, na terceira, o perto significa uns 10
5
km.
Em Matem´atica, como em qualquer outra ciˆencia, as ideias intuitivas e subjetivas s˜ao
muito bem vindas para ajudar a tornar conceitos abstratos em objetos mais “palp´aveis”.
Tais ideias facilitam a compreens˜ao e o desenvolvimento do conhecimento. Entretanto, em
defini¸c˜ oes e demonstra¸ c˜ oes, devemos lidar apenas com conceitos e fatos rigorosos e objetivos.
Ideias que dependam de interpreta¸ c˜ao do leitor, de acordo com sua opini˜ao, n˜ao fazem parte
de nenhuma teoria matem´atica.
´
E claro que, mesmo em Matem´atica, opini˜ oes e divergˆencias
de opini˜ oes existem. Por´em, uma demonstra¸ c˜ao (ou contraexemplo) acaba com qualquer
polˆemica sobre a veracidade de uma afirma¸c˜ao.
Para evitar esta subjetividade no conceito de proximidade, podemos refrasear o exemplo
dizendo que “a medida que x se aproxima de 2, x
2
se aproxima de 4”, ou “se x tende a 2,
ent˜ao x
2
tende a 4”. O verbo tender nos faz pensar imediatamente no conceito de limite que
j´a foi explorado no cap´ıtulo anterior. Resumindo: os conceitos de proximidade e limite est˜ao
intimamente relacionados.
A Topologia ´e o ramo da Matem´atica que trata destas quest˜oes de limite (e/ou proximi-
89
90 CAP
´
ITULO 6. TOPOLOGIA DE R
dade). A Topologia da Reta, isto ´e, a Topologia de R, ´e bem simples, para n˜ao dizer pobre.
Nela, os abstratos conceitos da Topologia Geral ganham formas mais concretas e compre-
ens´ıveis. Poder´ıamos usar estas formas simplificadas em nossa exposi¸c˜ao por´em, preferimos
argumentos mais gerais para facilitar a (futura) passagem do leitor ao estudo da Topologia em
contextos mais gerais. Mesmo que o leitor n˜ao venha a se especializar em Topologia, para se
aprofundar em An´alise ou Geometria ser˜ao necess´arios outros conhecimentos que ultrapassam
os da Topologia da Reta.
6.2 Conjuntos abertos e conexos.
Intuitivamente, x ´e um ponto no interior de um conjunto A se os pontos vizinhos a x
(tanto `a esquerda quanto `a direita) tamb´em est˜ao em A. Mais precisamente temos:
DEFINIC¸
˜
AO 120. Dizemos que x ∈ R ´e ponto interior de A ⊂ R (ou que A ´e vizinhan¸ca
de x) se A cont´em um intervalo aberto do qual x ´e elemento. Neste caso, escrevemos x ∈ A

,
ou seja, A

´e o conjunto dos pontos interiores de A, denominado interior de A.
Observa¸c˜ao 6.1
´
E f´acil ver que na defini¸c˜ao anterior podemos substituir, sem perda de
generalidade, o intervalo aberto arbitr´ario por um intervalo da forma (x − ε, x + ε) com
ε > 0. Ou, em outros termos, x ∈ A

se, e somente se,
∃ε > 0 tal que [y −x[ < ε =⇒ y ∈ A.
Temos sempre A

⊂ A. Por´em a inclus˜ao inversa n˜ao ´e necessariamente verdadeira.
Tomemos, por exemplo, A = [0, 1]. Temos que 1 / ∈ A

pois todo intervalo aberto que
cont´em 1 tem elementos maiores que 1 e portanto n˜ao est´a contido em A.
´
E trivial que todo ponto de um intervalo aberto pertence ao interior do intervalo. Ou seja,
se A ´e um intervalo aberto e n˜ao vazio, ent˜ao A

= A. De maneira geral temos a seguinte
defini¸c˜ao.
DEFINIC¸
˜
AO 121. Um conjunto A ´e aberto se todos os seus pontos s˜ao interiores, ou seja,
se A ⊂ A

(neste caso, A

= A).
Como na Observa¸ c˜ao 6.1, p.90 temos que A ´e aberto se, e somente se,
∀x ∈ A, ∃ε > 0 tal que [y −x[ < ε =⇒ y ∈ A.
Vamos introduzir aqui a nota¸ c˜ao de conjuntos para denotar intervalos. Ela ´e importante
pois ´e mais compacta e generaliza os conceitos topol´ogicos para o R
n
.
DEFINIC¸
˜
AO 122. Dado x
0
∈ R e ε > 0 qualquer, denotamos por B
ε
(x
0
) o conjunto (um
intervalo aberto) ¦x ∈ R; [x −x
0
[ < ε¦. Assim B
ε
(x
0
) = (x
0
−ε, x
0
+ε).
6.3. CONJUNTOS FECHADOS E DISCRETOS. 91
Desta forma, B
ε
(x
0
) ´e um intervalo centrado em x
0
de raio ε. Em R
n
, B
ε
(x
0
) ´e uma
bola centrada em x
0
de raio ε. Com esta nota¸ c˜ao podemos redefinir conjunto aberto de tal
forma que a mesma defini¸c˜ao seja v´alida em R
n
.
DEFINIC¸
˜
AO 123. Um conjunto A ´e aberto se
∀x ∈ A, ∃ε > 0 tal que B
ε
(x) ⊂ A.
Exemplo 6.1. O conjunto vazio ´e aberto! De fato, negar esta afirma¸c˜ao significa admitir
que ∅

∅ e, em particular, admitir que existe x ∈ ∅.
Exemplo 6.2. O conjunto [0, 1] n˜ao ´e aberto pois, como j´a vimos, 1 / ∈ [0, 1]

. Da mesma
maneira, 0 / ∈ [0, 1]

. Por outro lado, qualquer x ∈ (0, 1) ´e interior de [0, 1] ou seja [0, 1]

=
(0, 1).
As propriedades mais importantes dos conjuntos abertos s˜ao dadas no teorema abaixo.
TEOREMA 124. (propriedades de abertos) Temos:
i. os conjuntos ∅ e R s˜ao abertos;
ii. toda uni˜ao de abertos ´e aberta;
iii. toda interse¸ c˜ao finita de abertos ´e aberta.
Demonstra¸c˜ao. (i) J´a foi provado.
(ii) Sejam (A
i
)
i∈I
uma fam´ılia de abertos e A =

i∈I
A
i
. Se x ∈ A, ent˜ao existe i ∈ I
tal que x ∈ A
i
. Como A
i
´e aberto, existe ε > 0 tal que B
ε
(x) ⊂ A
i
⊂ A. Segue que A ´e
aberto.
(iii) Basta mostrar que se A
1
e A
2
s˜ao dois conjuntos abertos ent˜ao A = A
1
∩ A
2
tamb´em ´e aberto (o caso geral segue por indu¸c˜ao). Se A = ∅, ent˜ao n˜ao h´a nada mais a
ser demonstrado. Suponhamos A ,= ∅ e seja x ∈ A. Temos que x ∈ A
1
e x ∈ A
2
, logo,
existem ε
1
, ε
2
> 0 tais que B
εi
(x) ⊂ A
i
(i = 1, 2). Tomando ε = min¦ε
1
, ε
2
¦ obtemos que
B
ε
(x) ⊂ A, ou seja, A ´e aberto.
DEFINIC¸
˜
AO 125. Dizemos que A ⊂ R ´e um conjunto conexo se A ´e um dos intervalos
da Defini¸ c˜ao 78, p.47.
Em Topologia mais geral (em R
n
por exemplo), definimos conjunto conexo utilizando
apenas conjuntos abertos. Para detalhes ver exerc´ıcio 19, p.97.
6.3 Conjuntos fechados e discretos.
DEFINIC¸
˜
AO 126. Dizemos que x ∈ R ´e ponto de aderˆencia de F ⊂ R se existe uma
sequˆencia (x
n
)
n∈N
⊂ F tal que x
n
→ x. Neste caso, escrevemos x ∈ F, ou seja, F ´e o
conjunto dos pontos de aderˆencia de F e tamb´em ´e chamado de fecho de F.

Curso de An´lise Real a
Segunda Edi¸˜o V2.3 ca Julho de 2010

Cassio Neri Marco Cabral
Professores do Instituto de Matem´tica - UFRJ a

Rio de Janeiro - RJ - Brasil

66 M de Weierstrass. O autor e titular dos direitos autorais desta obra. 179 Toeplitz. 110 do Ponto Fixo de Banach. 89 Teste da Raiz. 4 Uni˜o. 21 Zero. 74 Topologia. 20 e do C´lculo. 135 da Aritm´tica. 59. 125 dos Intervalos Encaixantes. 126 de Tietze.´ INDICE REMISSIVO Copyright c 2006 de Cassio Neri Moreira Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9. de Lebesgue. 63 e Vandermonde. An´lise Real I. permite a reprodu¸˜o e distribui¸˜o da mesma. 23 191 C577c Neri. 3 a distributividade. 150 a Termo geral de uma s´rie. 10 Valor de aderˆncia. 30 Tripla ordenada. 15. Vers˜o 2. a 163p. 89 Transcendentes. Neri. 70. ap´s autoriza¸˜o de Cassio Neri. a CDD 515 . 11 Viagem. 86 Vizinhan¸a. 109 a do Valor M´dio. 53 e Terra. Segunda edi¸˜o com adi¸˜o de exerc´ ca ca ca ıcios e modifica¸˜o do texto ca em julho de 2008. 150 Weierstrass. 90 c Volterra. 114 de Weierstrass. 57. 5 Vitali. por Marco Cabral. Cassio Curso de An´lise Real / Cassio Neri . 63 e de uma sequˆncia. 68 da Raz˜o. 35 a de Rolle. 63. 126 e dos Extremos Locais. 156 de Lindel¨f. 112 do Sandu´ ıche. 48 Fundamental ´ da Algebra. 83 Zermelo. a Primeira edi¸˜o de 2006. 98 o de Peano. Inclui Bibliografia ISBN: 85-906720-0-X ISBN: 978-85-906720-0-5 1. Cassio 1973. 19. 179. total ou ca ca parcial.3 de julho de o ca a 2010. 181 Z.610 de 19/02/1998.Rio de Janeiro.1 ed . 68 de d’Alembert. exclusivamente para fins n˜o comerciais desde que a autoria seja citada. 52 Tricotomia da Cardinalidade. 173 de Pit´goras. 66 a de Cauchy. 114 do Valor Intermedi´rio. 113 de Brouwer.

47 m-´sima. 131. 4 de cortes.Cennino Cennini da Colle di Valdelsa Il Libro dell’arte (1437) . 53 convergente. 40 de sequˆncias. 89 Soma de cortes. 127 de Darboux. 60 das somas parciais. 55 dos inversos.190 de Cauchy. 93 Sai che ti avverr`. 60 por constante. . 63 Geom´trica. a e capace di molto disegno entro la testa tua. 54. 87 vetorial. 126 Rudin. 28 ca a Q. 123 de l’Hospital. 142 Rolle. 165 de Heine-Borel. 60 e Proje¸˜o estereogr´fica. XIII. 44. 23 escalar. 65. 132 Rela¸˜o de equivalˆncia. 31. 172 Produto cartesiano. 58 de varia¸˜o limitada. 4 Stirling. 162. 60 dos produtos. 136 de Dini. 127–129 Teorema da condensa¸˜o de Cauchy. 172 de Valor Inicial. Sabe o que te acontecer´. 103 Qtp. 53 das somas. 18 o Seno. 176 ´ INDICE REMISSIVO Sequˆncia. 83 QED. 38 de sequˆncias. 140 Spdg. 53 mon´tona. . 78. 174 S´rie. 53 e constante. 7 ca Reta tangente. 87 Progress˜o a Aritm´tica. 2 o Subsequˆncia. 9. pr´tico. 63 convergente. 73 a a Regra da Cadeia. 60 dos quocientes. 118 e Raz˜o ´urea. 60 e em um corpo. 64 e Harmˆnica. 140 superior. 169 a de Bolzano-Weierstrass. 84. 162 Sse. 3 a Riemann. 84 Raiz de dois. 60 e em um corpo. 53 divergente. 72 Subconjunto. 59. 55 em C(K). 161 divergente. 53 e Geom´trica. 18 o de Cauchy. 139. 164 Quat´rnios. 122 Reticulados. 75. 70 limitada. 46. 168 crescente. 31 Reuni˜o. praticando o desenho a pena? a tornar-te-´s perito. 79. a a e capaz de muitos desenhos dentro de tua mente. 86 e R. 63 de Fourier. 63 de Cauchy. 161 Sol. 45 Taylor. 63 e absolutamente convergente. 80 ca decrescente. 1 pr´prio. 45. 23. 57. 53 o Sobolev. 80 o Schr¨der. 63 de Cantor-Bernstein-Schr¨der. 80 ca da Contra¸˜o. a praticando il disegnare di penna? che ti far` sperto. 53 e Supremo. pratico. 114 ca de Arzel´-Ascoli.Cap. 23 inferior. 82 ca e Restri¸˜o.

168 e do sup. 68. 9 Perto. 19 Oposto. 52 Newton. 178 Picard. 36. 124 de m´ximo a global. 90 isolado. Morgan. 74 Vandermonde. 108. 26. 16 da Indu¸˜o (finita). 7 e Primitiva. 83 n-uplas ordenadas. 93 Porta. 23 Mutatis mutandis. 151 Princ´ ıpio da Boa Ordem. 127 o Ponto de acumula¸˜o. 15.´ INDICE REMISSIVO de Euler. 15. 83 resto de. 48. 89 o Norma. 139 ca Peano axiomas de. 110 local. 10 Multiplica¸˜o ca de cortes. 40 em um corpo. 86 de elementos. 89 π. 114 Pit´goras. 23 de um corte. 50 u Malha. vii Portas. 152. 113 interior. 173 Perdoar. 18. 23. 17 inteiro. 110 local. 4 N´mero u alg´brico. 40 de um n´mero real. 5 Parti¸˜o. 4 Paradoxo de Russel. 91 e de extremo global. 92 Pr´-imagem. 26 quat´rnio. 15. 156 ca Par ordenado. 137 Polinˆmio de Taylor. 84 transcendente. 168 C 0 . 110 local. 112. 52 e complexo. 86 e racional. 124 N. 130 de Picard. 84 o primo. 27. 164 Octˆnios. 130 Niter´i. 154 Membro. 46 natural. 161. 79. 84 o Olhos. 93 ca de aderˆncia. 16 ca da Indu¸˜o transfinita. Lei de. 172 Matriz de Toeplitz. 84. 29 ca Problema 189 . 124 fixo. 83 irracional. 15. 83 real. 84. 168 L∞ . 168 Lp . 11 Medida nula. 15. 45. 3 de uma fam´ 9 ılia. 83 octˆnio. 124 de m´ ınimo global. 39 Ordem. 78. 161. 168 infinito. 114 M´dulo o de um corte. 128 Teorema de. 172 de Newton. 25 Oscila¸˜o. 168 da convergˆncia uniforme. 35 a Pitoresca.

104 Hermite. 9 de sequˆncia. Trabalha com a ´ equa¸oes diferenciais parciais e An´lise Num´rica. 151 M´ ınimo Interior. 9 Logaritmo. 70. 78 Halmos. 35 de fun¸˜o. 55 e Homomorfismo de corpos ordenados. 110 (s) encaixantes. 89 Integral. 104 c Heine. 23 de um corte. 86 Limite Hausdorff. 129 Lattices. 4 Lema da Contra¸˜o. 21 o Galois. 104 finita. 142. 43 em C(K). 152 de fun¸˜o. 175 Inje¸˜o. 51. 63 e Hilbert. no infinito. o Mestrado em Matem´tica Aplia a cada na UFRJ e o doutorado em Matem´tica em Paris IX (Fran¸a). 139 a fechado. 104 Imagem. 42 Ipanema. 91. 149 indefinida. 10 H¨lder. 138. 79. 49 n˜o degenerado. 118 o Leibniz. 10 M´ximo a Intervalo. 3 ca local. 90 global. 7 infinito Incomensurabilidade. c Marco Cabral fez o Bacharelado em Inform´tica na UFRJ. 7 soma. 136. 90 global. E professor licenciado do Instituto de Matem´tica na UFRJ. 60. 101 ca de uma s´rie. 46 Liouville. 47 M´todo e degenerado. Trabalha com equa¸oes a c c˜ ´ a diferenciais parciais e finan¸as. v . E professor no Instituto de Matem´tica na c˜ a e a UFRJ. 93 da soma. 61–63 inversa. 111 Fun¸oes c˜ iguais quase todo ponto. 156 Lei de Morgan. 47 das Aproxima¸oes Sucessivas. 73 Gauss. 21 Hip´tese do cont´ o ınuo. 31 Lebesgue. 114 ca Hamilton. 8 ca Longe. 104 ca ´ Indice. 83. 47 da Exaust˜o. 6. o Mestrado em Matem´tica a a Aplicada na UFRJ e o doutorado em Matem´tica na Indiana University (EUA). 61–63 transfinita. 48 local. 29 Lindel¨f. 159. 98 o ´ Infimo. 129 e Lipschitz. 112 Infinito. 47. 58. 152 γ. 135. 124 aberto. 104 i. 104 128. 49 Infinit´simo de ordem n. 168 do produto. 59 e Indu¸˜o ca lateral. 70. 55 da diferen¸a. 161 superior. 15. 104 direta. 21 de uma sequˆncia.188 sobrejetiva. 60. 162 G¨del. 124 distributividade. 110 Interse¸˜o. 60. 75. 89 Jensen. 24 uniformemente cont´ ınua. 114 c˜ Sobre os Autores Cassio Neri fez Bacharelado em Matem´tica na UFRJ. 160 ´ INDICE REMISSIVO Lagrange. 94. 113. 67 por constante. 7 do quociente. 7 inferior. 47 a Inverso. 16.

24 restri¸˜o. 135 cosseno. 25 imagem. 9 ılia. 139 Euler. 161 gama de Euler. 67. 23 ca Equa¸oes diferenciais ordin´rias. 175 Extens˜o. 7.vi SOBRE OS AUTORES ´ INDICE REMISSIVO e. 73 Fibonacci. 72 fatorial generalizada. 129 de Peano. 25 decrescente. 119 anal´ ıtica. 76 c˜ Fraenkel. 7. 51. 73 Fourier. 11 composta. 7 a fatorial. 161 Fra¸oes continuadas. 24 quociente. 72 EDO. 25 o exponencial. 36. 8 invert´ ıvel. 24 c dom´ ınio. 69 o Esp´ ırito. 176 crescente. 142 a inversa. 124 F´rmula o de Stirling. 115 estritamente crescente. 160 estranha. 167 c Euclides. 137 antiderivada. 7 ca seno. 11 injetiva. 18 ilimitada. 106 contradom´ ınio. 15 neutro da adi¸˜o. 174. 25 deriv´vel. 7 a Extremo global. 69. 25 decrescente. 171 c˜ a Erd¨s. 176 187 . 6 indicadora. 122 diferen¸a. 174. 121 derivada. 118 identidade. 101. 8 constante. 156 ca parte inteira. Fecho. 25 superiormente. 6 ca afim. 1 de uma fam´ 9 ılia. 98 logaritmo. 8 caracter´ ıstica. m´ ınimo. 57 primitiva. 89. 98. 8 limitada. 112 localmente limitada. 175 extens˜o. 72 de Taylor com resto de Lagrange. 106 em um ponto. 8 integr´vel. 25 Lipschitz cont´ ınua. 25 inferiormente. 21 Fronteira. 36 Eudoxo. 56. 110 local. 6 escada. 151 bijetiva. 6 convexa. 122 a em um ponto. 128 Fam´ 3. 151 produto. 25 mon´tona. 161 H¨lder cont´ o ınua. 171 Elemento. 97 Fun¸˜o. 31 cont´ ınua. 108. 25 o oscila¸˜o. 172 Exponencial. 144. 91 Φ. 175 mon´tona. 171. 145 Espa¸o vetorial. 26. 23 ca da multiplica¸˜o.

122 Descontinuidade remov´ ıvel. 2. 66 ca de Leibniz. ca 47. 94. 75. E parte fundamental do curso resolvˆ-los. 25 superiormente. 122 por constante. 67. eles s˜o e a divididos em: (a) Lista recomendada de exerc´ ıcios a serem feitos. 153 por indu¸˜o. quais as ferramentas o que podem ser utilizadas. 110. 28 Dedekind. 91. 25 superiormente. 78 ´ INDICE REMISSIVO Pref´cio a Porque estudar an´lise? a Al´m da raz˜o ´bvia. 164 simples. 163 uniforme. 25 imagem. 95. 69. 122 ca em um ponto. ca de qualquer problema do mundo real): quais as hip´teses envolvidas. 71 de Cauchy-Schwarz. Foram e eo indexados tamb´m t´picos abordados somente nos exerc´ e o ıcios. Em julho de 2008 foi modificado por Marco Cabral em diversos pontos. 4 Corpo. 96. 70 e sim´trica de dois conjuntos. 78. que podem expandir a teoria ou n˜o. que expandem a teoria (n˜o s˜o necessariamente mais a a dif´ ıceis). a ıcil). 136. (b) para se preparar para entendimento s´lido de probabilidade (teoria dos conjuntos. 16. 37 Cosseno. ser muito legal e divertido: e a o (a) para desenvolver habilidade anal´ ıtica e de resolu¸˜o de problemas (no sentido amplo. ca 113. 16. 16. 82 uni˜o. ´ O livro possui cerca de 380 exerc´ ıcios. 160 triangular. 25 inferiormente. 17 fronteira. ca 94. 26. Para ajudar na tarefa de escolha de quais devem ser feitos. 122 do quociente. 66 Darboux. indicados por −→. 36 Demonstra¸˜o ca por absurdo ou contradi¸˜o. 50. Modifica¸oes da segunda edi¸˜o c˜ ca Este livro foi escrito originalmente por Cassio Neri e publicado em 2006. 114. 23 da uni˜o e da interse¸˜o. com diversas referˆncias cruzadas. ca (c) para se preparar para entendimento s´lido de equa¸oes diferenciais e an´lise num´rica o c˜ a e (fun¸oes cont´ c˜ ınuas. 2 Constante π. 10 vazio. 38. 4 de sequˆncias. 10 e Dini. 46 ordenado. 58. 139 Dedekin. 10 limitado. 25 dos n´meros u racionais. indicados por ♯ (dif´ O´ ındice do livro ´ bem completo e ´ ´tima porta de entrada para os curiosos. com os seguintes destaques: vii . 73 a a γ (de Euler). 69. 2. 135. 51. 46 Corte. 25 superior. 159. 6 Convergˆncia e Lp . 55. 3 a distributividade da. 165 Distributividade. 176 Cota inferior. 153 Contradom´ ınio.186 fechado. 15. 25 quociente. 113. 24 reais. 83. 10 a ca Dom´ ınio. 122 de uma fun¸˜o. 40 o oposto. 128. o (c) Lista de exerc´ ıcios extras. indicados por ⋆ (extra). 67. 44. 25 completo. (b) Lista complementar: ap´s serem feitos os da lista recomendada. 25 inferiormente. 28 interse¸˜o. 111. derivadas). 164 integral. 38. 40. 168 Diferen¸a c de dois conjuntos. 47. 79 de Jensen. 164 pontual. 42 m´dulo. 114. 17. 111. 72 Φ (de Fibonacci) ou raz˜o ´urea. o D’Alembert. 131 ca Contradi¸˜o. tantos e quanto for poss´ ıvel. 3 ca distributividade da. 122 c da soma. 6 Aos alunos As Se¸oes e as demonstra¸oes de Teoremas e Proposi¸oes marcadas com ⋆ podem ser c˜ c˜ c˜ omitidas em uma primeira leitura. 161 Denso. (d) Exerc´ ıcios dif´ ıceis. Existe uma grande integra¸˜o entre o texto e os exerc´ ca ıcios. que podem ser omitidos em primeira leitura. 79. 97 ilimitado. 138. 96. 92 finito. 178 e. 7 infinito. 152. 40. 122 do produto. 55. o integra¸˜o). 136. indicados por =⇒. 39 racional. 164 Coordenada. 67. 24 arquimediano. (d) para se acostumar com espa¸os abstratos envolvidos em modelagem matem´tica de c a fenˆmenos. 110. 73 Contra¸˜o. 25 Crit´rio e da Compara¸˜o. 116 Desigualdade de Bernoulli. 163 quase todo ponto (qtp). 92. 37 inverso. 68. 92. 99 Derivada da diferen¸a.

90 Bolzano. 49. 114. 162 Cardinalidade. 92. ca Na Vers˜o 2. 4 c sim´trica. com indica¸˜o de quais devem ser feitos. a e (j) Acrescentamos cerca de 30 exerc´ ıcios. 27. 59. 103 Absurdo. 144 Argumento diagonal de Cantor. 67. Lema e Proposi¸˜o. 69. 23 Alg´bricos.viii ´ PREFACIO (a) acrescentado cap´ ıtulo de classes de equivalˆncia e constru¸˜o dos n´meros reais por e ca u sequˆncias de Cauchy. 8 ca Binˆmio de Newton. 99. 58. 13. 86 inteiros. a nota¸˜o Bε (x) para intervalos. 51 conjunto de. 111. 152 Aberto. 9 de fun¸oes. 94 Cohen. 23. ca a (l) Colorimos todas as defini¸oes. 83 naturais. 26 o Bola. 23 Conjunto. 83 racionais. 63 Boot strap. 90. 154 denso. 3 ca Comensur´veis.UFRJ que ajudarem a melhorar o texto e a retirar erros dos exerc´ ıcios. 113 Bernoulli. 139. 57. 3 de equivalˆncia.1 (julho de 2009). 26 Bernstein. 153 Adi¸˜o ca de cortes. 55. 84 dos pontos de aderˆncia. com utiliza¸˜o de imagem direta e inversa para ca ca simplificar as demonstra¸oes. 20. 7 c˜ de medida nula. c e 185 . Agrade¸o tamb´m ao aluno Gabriel de Oliveira Martins de 2009. tornando-o auto contido e com deu fini¸oes mais claras. 84. 91 e interiores. ca (f) reescrito parte do cap´ ıtulo de fun¸oes cont´ c˜ ınuas para conect´-lo diretamente com a conceitos do cap´ ıtulo de topologia: abertos. 40. 139 Arzel`. lemas e princ´ c˜ c˜ ıpios. 38 em um corpo. 52 e Alto-falante. 18 Cataldi. 151 Aquecimento. 74 a a Classe. 76 Cauchy. 90. 91 compacto. proposi¸oes. 47. 27. 17. al´m de pequenas corre¸oes: a e c˜ (i) Adequamos o livro ao recente acordo ortogr´fico (sequˆncias perderam parte do charme). 94. c˜ (e) introduzida. 110. 95. 51 Armadilha. 49. 22 Antiderivada. 8. 93 Complementar. 84. 93 Brouwer. 4 Completeza. u c˜ (h) introduzido nome para quase todo Teorema. teoremas. 2. 1 aberto. 23 Banach. 15. 91. 90 enumer´vel. 83 reais. 13. (m) Reescrevemos v´rias frases do livro. ca (d) reescrito o in´ do cap´ ıcio ıtulo de n´meros reais. 169 Associatividade. 35 a Compacto. 10 e discreto. 82 e Cobertura aberta. 3 de ´ ındices. no cap´ ıtulo de topologia. 93 dos n´meros u complexos. 97 das partes. 45. em especial aos alunos de 2008 Hugo Tremonte de Carvalho e Renata Stella Khouri. 68. 20. e (b) reescrito o cap´ ıtulo de integra¸˜o. 15. (g) modificado o nome e reduzido n´mero de diversas se¸oes. 127. 44. conexos e compactos. 99 diˆmetro. 86 Cantor. 108 a diferen¸a. 112 C. 38. 18 Bije¸˜o. 4 conexo. 172 Borel. c˜ ´ Indice Remissivo Abel. 96. 101 Arquimedes. c˜ (c) acr´scimo de 260 exerc´ e ıcios ao livro. 17 a Agradecimentos Aos alunos do curso de An´lise Real do IM . 16. introduzindo de forma expl´ a ıcita algumas defini¸oes c˜ e observa¸oes novas. 46 Comutatividade. 91 Abracadabra. 21 Cole¸˜o. 172 Ces´ro som´vel. 169 a Ascoli. (k) Inclu´ ımos como Proposi¸˜o (na p´gina 20) o argumento diagonal de Cantor. 93 complementar. 18 argumento diagonal.

. . Real Variables. 1976. . ca 2.L. . F. . . . . . . . . . . . A Course of Pure Mathematics. . 1. . [He] Henrici. . . . McGraw-Hill Book Company Inc. . Discrete Variable Methods in Ordinary Differential Equations. . .G. . . [St] Stark. .. . . . . General topology. c˜ 1. de fun¸oes c˜ . . . . . . . . . . . 1. . .5. . . . . . . . . . . .4 Racionais: opera¸oes. .L. . . .1 Naturais. . . . .2 ⋆ Cortes de Dedekind 3. Vol. Van Nostrand Co. On generalized limits and linear functionals. . . . . . 2 N´meros naturais. 1967 (first edition).-TorontoLondon-New York. . . . . . . E. .6. . . IMPA. . . . . e a 1. Topology. . .. . . .5 ⋆ Corpos Arquimedianos. .. http://turnbull. . . . . . . . . . . . . . . 1991. . . . 1988. . . [Sp] Spivak. . . . Naive set theory. . . .. . . . . . 1962. J. . . . . . . . . . enumerabilidade e ordem. . 1. inteiros e racionais u 2. . c˜ 1. . . . . inteiros e indu¸˜o . . . . . Partial Differential Equations. . . . . . . . . . .4. O. 3. 1. . . Rio de Janeiro. . G. . . . .3 N´meros reais . .. . . . .1 Descoberta dos irracionais. . . [Ru2] Rudin. . N. . . . . 2. . . . . . . . . . P.R. . . .. . . . . . . . New York. . . . . [L] Lima. . . .3 Racionais .S. . . .1 Naturais. . . . .L. . . . . . New York-Toronto-London. . . . . . . . . . . . [J] John. . . . . . . . . . W. New YorkToronto-London. . W. . . . u 3. .4 Exerc´ ıcios. V. . . Springer-Verlag. . . .mcs.. . . . . . . . . . . . .3 ⋆ O Hotel de Hilbert . . . . . . . . . 1988. . . . . . . An´lise real. . . . . . H. . 1960. . . . . . . . . . . . Rio de Janeiro. . . . . . . . . . . . . . . MIT Press 1978. . . 3. . . . . . . . [Ros] Rosa. . . . . . a a e [Ru1] Rudin. . . . . . 1989. M. 3. .5. . .J.6 Exerc´ ıcios. . . . . 2. . . . . . . . . .. . . . 2. . . . 2.. . . . . John Wiley & Sons Inc. .. . . McGraw-Hill Co.2 Cardinalidade . Springer-Verlag Inc. . . . Real and Complex Analysis. . . . . . .5.4 Fam´ ılias .1 Irracionais . . . . . . . . .4. . . . . . . . a [M] The MacTutor History of Mathematics archive. . . . . . u . . . . . . . . . . . . .. . .uk/~history/ [O] [R] Ore. .st-and. . . . . . . .. . . . Princ´ 1971. . . . . . . . . . . 1967. . . . New York. . . .2 Fun¸oes . . . Tradu¸˜o de Principles of mathematical analysis. . . . . .. . a ser publicado. New York. . [Ho] Hocking. . . . . [Vo] Volterra. . . . . a [L2] Lima. . . . .. . E. . . . . . . . . . S. . . Giornale di Matematiche 19 (1881). . . . . . . . . . . . D. . . . . . . . . . .. H. . . .1 Conjuntos e opera¸oes. c˜ 1. . . c˜ 2. . .2 Cardinalidade. ca 2. Dover Publications Inc. . . . . c˜ ıpios de an´lise matem´tica. . McGraw-Hill Book Company ca Inc. . . . . . . . . . . . and Young. . ..3 Fun¸oes. . . . . 1948. . . . . Ao Livro T´cnico S. . M. [T] Torchinsky. Princeton. . . . . 333-372. . 269–283. . . .4. . . Calculus.. . . . . . . . 1974. . . . . Cambridge University Press. . . . .1 Conjuntos e opera¸oes . .3 Fun¸oes entre conjuntos c˜ v vii 1 1 5 5 9 10 10 11 12 15 15 16 22 23 25 26 26 27 31 35 35 36 45 49 49 50 50 Sum´rio a [Ke] Kelley. . . . . . . . .184 ˆ ´ REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS [Ha] Halmos. . IMPA. . . 3. Math. .. . . . . Robinson. MR 0164235. . . W. . . . .2 ⋆ Teoria dos conjuntos ´ f´cil? . . . . . ix . . . . A. . . Adisson-Wesley Pub Co. . . . Vol. inteiros e indu¸˜o. . . . . . . . . . Number Theory and its History. . . . . . . P. [Hd] Hardy. . . . R. . . . . . . 14 (1964). . Sobre os Autores Pref´cio a 1 No¸oes de Teoria dos Conjuntos c˜ 1. . . . c˜ 1. . 2. . . .2 ⋆ Cortes de Dedekind. J.6. . . . . . . . An Introduction to Number Theory. . . . . . . . . .. . . .. .. . . . . . . . . . . . . Curso de an´lise. .. . . 1985. . . A. . . . Equa¸oes Diferenciais. . . .6. . A. Benjamin. .ac. . . . . . . .3 N´meros reais. . . M. . 1953. . 3 N´meros reais u 3. . . . . . .. . . . .. . . Rio de Janeiro. . . . . . . G. . . . . . . . . Sui principii del calcolo integrale. . .A. . Pacific J. . . . . . . .5 Exerc´ ıcios. . . . .

. . . ca 5. . . .5. . . . . . . . . . . . . . J. . . Editora Edigard Bl¨cher ltda. .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6. . . . . . . .1 Introdu¸˜o. . . . . . Revista de Matem´tica o a Universit´ria. . . . . . . . . . . . . . . . . 1998. . . . . . . B. . .2. . . . . . . . 6. Selected papers on calculus. . . 2004. . . Opera Omnia. . . . . . 1975.6 Exerc´ ıcios. e 5 Constru¸˜o dos conjuntos num´ricos ca e 5.6. . . . . . D. .2. . . Descri¸oes e conflitos computacionais: o caso da derivada. .H. . . . . . . Differential and Integral Calculus Vol. . . . N´meros Irracionais e Transcendentes. . N. . . . . . . . . . . . . 6. . e 4.3 Constru¸˜o de Q. F´rmula de Stirling em tempos de Maple. . . . . . . . . . . 183 . e 2 4 (1875) 57–112.6 Outros corpos (quat´rnios e octˆnios). Ann. .2 Sequˆncias mon´tonas. . . . . . . . . . . . . . . . and Schoonmaker. . . (1994). . . . . discretos . . . ´ [Da] Darboux. . . . . . . New York. . . . . . . . . . . . conexos. . . . 7. . . . Sci. . a ´ [Fel] Felzenszwalb. . . . . . 1934. . . . .2. .1 Conjuntos abertos. 1143–1148. 1979. . . . . . . . . . . . . l’Ecole Normale. . A. . 12◦ Col´quio. . . . . . . . . . c˜ 7. . SBM. . . . .1 Constru¸˜o de N. . . . . ca 5. . .1 Limite de fun¸oes. . . . S. 7. . . . . .. . 6 Topologia de R 6. e e 4. .5. . . .2 Constru¸˜o de Z. ca e 5. . . . . . . . . . . . . Nat. . . . 1984. . . . . . . . . . . . . . . . . .5 Limite superior e limite inferior.T. . .3 ⋆ Valor de Aderˆncia . .7 ⋆ A s´rie dos inversos dos primos. . . . . N. . 6. . ca 5. . Algebra: um curso de introdu¸˜o. . .x 4 Sequˆncias e s´ries e e 4. . . . Editora de UNB. . . S. . . . .5 ⋆ Pontos fixos para fun¸oes cont´ c˜ ınuas. . . . . . . . . . . limitadas e de Cauchy. J. . . . . . . . .4 Constru¸˜o de R. . . . . . . . .-G. . . . . . . . . . . D. . . 1. . M´moire sur les fonctions discontinues. ´ ca [Ga] Garcia. e . . . . . .2 S´ries . . . . . . . . . . . . . . . . . . . fechados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ..3 Fun¸oes cont´ c˜ ınuas em conexos.4 Conjuntos compactos. . Proc. . Buffalo. . . . . . . . . . . . . . . . . .2 Constru¸˜o dos conjuntos num´ricos. COPPE-UFRJ. . . . 50 (1963). 1980. .. . Ser. . . . . . . . [Eu] Euler. . Referˆncias Bibliogr´ficas e a [Ap] Apostol. . . D. . . . Chrestenson. . . The Mathematical Association of America. . . . . . . . . . . . . . . L.. . . . .2. . .8.3 Conjuntos fechados e discretos. . .8. . R. e 4. . . .. . . . . . . .Princeton.1 Defini¸˜o . . . . . C. . . e o 5. . . . . [Co] Cohen. . . I. . . IMPA. . . . . .2 ⋆ Quase Cota . . . ca 4. . 17. . . . . . . . J. . . . . . . . . 9a ed.2 Conjuntos abertos e conexos. . E. . . . . . . . . . .5 Conjuntos densos. . . . . Richmond. . . . . . [Di] Dixmier. . . Uber die Reihe 1/p. . . . . . . . . . . . . . . ca 6. . . . 1991. . . . . . . . . . . . . . . . . . U. . . . . . . c˜ 4. . . . . . .2 Fun¸oes cont´ c˜ ınuas. . . . .. Ser. .4 Fun¸oes cont´ c˜ ınuas em compactos. . 8. . . . . . . . . 6. . . Mathematica. ca e 5. . . . IMPA. Algebras de Dimens˜o Finitas. . . .Y. .C.2. . . . 4. . . . . 4. . Ogilvy. ¨ [Go] Godel. . . . . . . Hist´ria da Matem´tica. . . . . . . . . . . . . . . J. . . . 4. . Stetigkeit und irrationale Zahlen (1872). . . . . . . .2. . Zutphen B 7 (1938). . . . . . . .. B. . . . . . . ca 5. . . Reprinted from the American Mathematical Monthly (Volumes 1–75) and from the Mathematics Magazine (Volumes 1–40). . Tomus Primis.. . . . ´ SUMARIO 53 53 57 59 60 61 61 62 63 63 69 70 70 77 81 81 83 83 83 83 84 84 84 85 89 89 90 91 93 95 96 96 98 99 101 101 106 109 110 112 114 . (eds). . . Vol. . . R. . . . . . . . . . Lausanne. . . . . . .1 Sequˆncias convergentes e subsequˆncias. . . . .. . . . .1 Sequˆncias . .6. . J. N. . . . . . . . . . Princeton University Press . . . P. . . . . . o a u [C] Courant. . Interscience. . . . . . . . . . 7. . . . . . . . .2 Conjuntos compactos . . . . . .5 Constru¸˜o de C. . . . . . . . . . . . .. The Consistency of the Continuum-Hypothesis. . . . . . . . . . . .J. . . . . . . e 4. . . . . . .. Introductio in Analysin Infinitorum. . . . . . . .3 Limites infinitos. . . . . . [Bo] Boyer. a o [Fi1] Figueiredo. . . . . .6. . . . . . . . . . . . . . . 1–2. . . . . . 4. . . . . . . . . . . . . . . .8 Exerc´ ıcios. . . . . . . . . . 1748.1 Rela¸˜o de equivalˆncia. . . 6. . V. . . . .3 Conjuntos densos . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . M. . . . .. . . . . . . . . . . .. . . .5. . . . . . . . e 4. . . ¨ ¨ [Er] Erdos. . a [Fi2] Figueiredo. . . . . . . . . .4 Opera¸oes com limites. u 7 Limite e continuidade 7. . . 6. . . . . . ... . . . . . . . [De] Dedekind. . . . .6 Exerc´ ıcios. . . . . . . . . . . . . . . . . . R. Springer-Verlag Inc. . . . . . . . . . [Gi] Giraldo. . . . . . . . . . . . . .6 S´ries. . 1969. . . . . . . [Fe] Felicio. . . 1940. . ca 5. . . . . . . . . An´lise I. . . . . . . . .J. . e o 4. . . . . General Topology. 7. . A. . . . . . . . Tese de c˜ Doutorado. . . E. Acad. . . . The Independence of the Continuum Hypothesis. . . P. . .3 Exerc´ ıcios. . .

. . . . . . . . . . . . . (dif´ Defina f (x) = ıcil) cos(n!x) ([J] p. . . . . .7 Exerc´ ıcios. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .6. . . .5 ⋆ Regras de l’Hospital. . . . . . . . . . . . Bibliografia . . . c˜ 10. . . . . . . . . . . . . . 9. . . . . . . . . . . . . .4 ⋆ M´todo de Newton. . e 8. . . . . .1 Derivada e propriedades. . . . . . . de fun¸oes. . . . . . . . 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . c˜ . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 ⋆ Equa¸oes diferenciais. . . . . . 8 Derivada 8. . . . . e 8. . . 10 Sequˆncias de fun¸oes e c˜ 10. . . . . . .6. . . . . . . . . . . . . .4 ⋆ A constante π. .2 Continuidade. . . . .1 Convergˆncia simples e uniforme. . . . . . . . . . . . . . .6. . . . . . a 9. .5 ⋆ Logaritmo e exponencial. . . . xi 114 114 117 118 119 119 124 127 130 131 133 133 136 138 139 139 142 150 152 153 154 158 158 161 162 163 163 165 167 171 174 176 179 179 180 181 183 ♯ 24. . . . . . . . . . . . . .3 F´rmulas de Taylor. . . . . . . . . . . . . .5 Mudan¸a de vari´veis e integra¸˜o por partes. . no. . . . . . .3 ⋆ Newton e l’Hospital . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 Extremos locais e o Teorema do Valor M´dio. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 Limite de fun¸oes c˜ Fun¸oes cont´ c˜ ınuas Fun¸oes cont´ c˜ ınuas Fun¸oes cont´ c˜ ınuas . . . . .3 Outros . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 7. . .182 ∞ ˆ CAP´ ITULO 10. . . . . . . . . . . . .6 Exerc´ ıcios. . . . e 10. . . . . . . . . . . 9 Integral de Riemann 9. . . em conexos . . . . . . 10. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .6. . . . . . .7. . . . . . . . . 10. . . . . . . . . . . 9. em compactos . . . . . . . 9. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .7. . . . .2 Teoremas Fundamentais do C´lculo . . . . . . . . . . . . . . . . . . .7. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 Teoremas Fundamentais do C´lculo. . . . . .3 Espa¸o C(K) e equicontinuidade. Dica: f (x + 2πn/m) − f (x) ´ anal´ e ıtica para inteiros n. . . . . . .7 Exerc´ ıcios . . . . m com m = 0. . . . . 10. . . . 9. . . . . . . . . . e 10. .2 Extremos locais. 8. . . . . . . . . . . . . . . . .2 Integral e propriedades. .4). . . . . . . . . . . . . . . . . .6 Medida nula e Teorema de Lebesgue.7. . . . . . . .1 7. . . . . . . . . . . .69. . . .1 Convergˆncia simples e uniforme . . .6 ⋆ Seno e cosseno. . .6. . . . . . . . . . . . . 8. . . . . . . . . . .6. . . . . (b) f n˜o ´ anal´ a e ıtica em x = 0. . . . .1 Somas superiores e inferiores. . . . . . . (c) f n˜o ´ anal´ a e ıtica para qualquer x.2 Equicontinuidade . . .7. . . . . . . . . 8. . . . . 9. TVM e Taylor . . . . . . .1 Integral e propriedades . . . . . . . . . . o 8. . .2 7. .7. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8.3 Medida nula e Teorema de Lebesgue . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . SEQUENCIAS DE FUNCOES ¸˜ ´ SUMARIO 7. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8. . . Prove que: (n!)n n=1 (a) f ∈ C ∞ (R) e tem per´ ıodo 2π.6. a 9. . . . . . . . . . . . . . . c 10. . . . . . . . . . . . .1 Derivada e propriedades . . . . . . . . . c a ca 9. . . . . . integral e derivada de sequˆncias e 10. . . . . . . . 10. . . . . . . . . . . . . . . . . .

. y ∈ R.. e n=1 bn cos(an x) para certos a. +∞). (extra) Dado a > 0 definimos loga : (0. ⋆ 22. . e a e ıcil. y > 0. ♯ 23. EXERC´ ICIOS 181 19. Prove que (fn ) tem subsequˆncia uniformemente e convergente em [0. i. Obs: A existˆncia de fun¸˜o cont´ e ca ınua sem derivada em ponto algum ´ atribu´ a Weierse ıda ∞ trass. +∞).3 Outros ⋆ 20. a e ca o Dica: seno possui uma propriedade que fun¸˜o racional n˜o possui. O item (b) ´ bastante dif´ vide o teorema em [Sp] p.422. y ∈ (0.xii ´ SUMARIO 10. Complete por indu¸˜o o argumento. +∞). +∞) e α ∈ R. ca a (b) n˜o pode ser definida implicitamente por uma equa¸˜o alg´brica. fn−1 tais que c˜ (sen(x))n + fn−1 (x)(sen(x))n−1 + · · · + f0 (x) = 0 para todo x.29): ca (a) n˜o ´ uma fun¸˜o racional (quociente de dois polinˆmios). Suponha que fn : [0. Agora defina f (x) = ψ(10 x).7. Prove que (a) loga (ax ) = x para todo x ∈ R. De forma precisa. (b) aloga (x) = x para todo x ∈ (0. b ∈ R. (extra) Prove que (a) log(xy) = log(x) + log(y) para x. x − ⌊x⌋). Dica: Aplique Arzel´-Ascoli. (b) log(xα ) = α log(x) para x > 0 e α ∈ R. a 10. (c) loga (xy) = loga (x) + loga (y) para x. (b) f n˜o possui derivada em ponto algum. 1] → R ´ uniformemente α-H¨lder cont´ e o ınua com mesma constante K e fn (0) = a para todo n ∈ N. y ∈ R. +∞) → R por loga (x) = log(x) log a ∀x ∈ (0. (dif´ Defina ψ(x) como a distˆncia de x at´ o inteiro mais pr´ximo. n˜o existem a ca e a fun¸oes racionais f0 . (d) ax+y = ax ay para a > 0 e x. (d) loga (xα ) = α loga (x) para x ∈ (0. Dica: Prove que f0 = 0 e fatore sen(x). que provou isto para f (x) = ´ uma “caricatura” de cos. ıcil) a e o ∞ 1 n ψ(x) = min(⌈x⌉ − x. . . (extra) Prove que a fun¸˜o seno ([Sp] p.274 no. O outro fator deve ser zero em m´ltiplos de 2π u e portanto identicamente nulo.7. (e) (ax )y = axy para a > 0 e x. A fun¸˜o ψ acima ca . 1].e. (c) exp(x + y) = exp(x) exp(y) para x. ca ⋆ 21. Prove que: 10n n=1 (a) f ´ cont´ e ınua. a Dica: O item (a) ´ f´cil. y ∈ R.

7. / Outra maneira de caracterizar um conjunto ´ atrav´s de uma propriedade P possu´ por e e ıda todos os seus elementos e apenas por estes (na Se¸˜o 1. 6}. em latim. 8. abrevia¸˜o de “id est” que. 15.9). 4. Note que y n˜o ´ diferenci´vel e portanto a equa¸˜o diferencial n˜o faz sentido. P (x) . Exemplo 1. (b) Considere yn a solu¸˜o de dyn /dx = fn (x).1 . Seja fn (x) = xn para x ∈ [0.333 no. dos elementos x que possuem a propriedade e P ). significa “isto ´”. Seja h = I{x>1} . fn (x) = 1 se x > 1 e fn (x) = 0 se x < 0. 17. b] ([L] p. 14. Prove que e c˜ (fn )n∈N n˜o ´ uniformemente convergente para f se. (a) Prove que fn + gn converge uniformemente em X para f + g. ou ¸˜ e e ainda. P (x)}. Salientamos que a letra x ´ arbitr´ria de modo que {x .1. Prove que se fn converge uniformemente para f ent˜o (fn ) ´ equicont´ a e ınua e limitada. 5. a ca a 9. 1]. (a) Prove que |fn − h| converge para zero quando n → +∞. 4. A ´ o mesmo conjunto do Exemplo 1. sem perda ca a de generalidade. 5 e 6. e a Exemplo 1. 2. Dizemos que A ´ um subconjunto de B ou que A ´ uma parte de B. Prove que. c˜ A no¸˜o intuitiva que se tem da palavra conjunto nos ´ satisfat´ria e uma apresenta¸˜o ca e o ca rigorosa da Teoria dos Conjuntos ´ dif´ e al´m dos objetivos do curso. ent˜o escrevemos x ∈ A (lˆ-se x n˜o pertence a A). a DEFINICAO 1. Prove que se fn ´ α-H¨lder cont´ e o ınua para todo n ∈ N e converge uniformemente para f ent˜o f ´ α-H¨lder cont´ a e o ınua. Prove que existe sequˆncia de fun¸oes cont´ e c˜ ınuas em I convergindo para f simplesmente ([L] p. O exerc´ anterior implica uma condi¸˜o suficiente (muito utilizada) para a equicontiıcio ca ′ ´ nuidade: |fn (x)| ≤ c para todo n ∈ N. 5. escrevendoe e os separados por v´ ırgulas “. e e 1 10.e. Seja P a propriedade “´ um n´mero presente na face de um dado” e seja e u A = x . Se x ca e e n˜o ´ um elemento de A. Um conjunto ´ constitu´ de objetos chamados elementos. c e i. a e a / e a Uma forma de caracterizar um conjunto ´ atrav´s da lista dos seus elementos. Temos 1 ∈ A. 2 ∈ A e 7 ∈ A. Prove que fn · gn → f · g uniformemente em X. 2. i. ca e 1 . SEQUENCIAS DE FUNCOES ¸˜ an x2 + bn x + cn converge para o polinˆmio p(x) = ax2 + bx + c uniformemente em cada o intervalo [a.12). |fn (x)| ≤ c? 16. existe (xn )n∈N ∈ A e a e ε > 0 tais que |fn (xn ) − f (xn )| ≥ ε ∀n ∈ N. Prove que (fn ) converge para g ≡ 0 uniformemente ([Fi1] p. Prove que a sequˆncia fn (x) = sen(nx) n˜o ´ equicont´ e a e 13. Defina esta fun¸˜o limite y como a solu¸˜o fraca de dy/dx = h. Usamos a ¸˜ e ıdo nota¸˜o x ∈ A (lˆ-se x pertence a A) para dizer que x ´ um elemento do conjunto A. 3. 2. 1] → R uma fun¸˜o cont´ ca ınua e defina a sequˆncia (fn ) por f0 = f e e x fn+1 (x) = 0 fn (s) ds para n ∈ N. 1].4).1 Conjuntos e opera¸oes.333 no. a Conclua que isto conserta a demonstra¸˜o. a u Escrevemos A = {1. e somente se. Suponha que fn → f e gn → g uniformemente em X ([L] p. que (a) (fn )n∈N n˜o tem subsequˆncia constante. a e (b) se m = n.1. (b) Suponha mais ainda que exista c > 0 tal que |fn (x)| + |gn (x)| ≤ c para todo n e x ∈ X. a e DEFINICAO 2. na demonstra¸˜o do Teorema de Arzel´-Ascoli. P (y)}. Escrevemos neste caso {x . 6}. Seja A o conjunto cujos elementos s˜o os n´meros 1. 3. e somente se. Seja f : [0. P (x)} = {y . Para detalhes leia o e ıcil e cl´ssico [Ha]. ent˜o fn = fm . E verdade que se fn ´ suave ent˜o (fn ) ´ equicont´ e a e ınua ′ se. ou ainda. ca 18.. 12. Dizemos tamb´m que B cont´m A e escrevemos B ⊃ A. Sejam (fn )n∈N uma sequˆncia de fun¸oes de A em R e f : A ⊂ R → R.e.2. podemos supor. Prove que se fn ´ Lipschitz cont´ e ınua com a mesma constante K independente de n ent˜o (fn ) ´ equicont´ a e ınua. Isto significa que este espa¸o ´ completo.2 Equicontinuidade ınua em [0. 10. Seja f : I → R uma fun¸˜o cont´ ca ınua em todos os pontos de I menos um. {x | P (x)} ou {x : P (x)} (lˆ-se o conjunto dos elementos x tais que P (x) ´ verdadeira. que A est´ contido em B e escrevemos A ⊂ B se todo elemento de A pertence a a B. Determine o limite de yn quando n → ca ca ca a e +∞.2 faremos mais considera¸oes sobre ca c˜ e isto). 11.205 no. 4.180 ˆ CAP´ ITULO 10. Cap´ ıtulo 1 No¸oes de Teoria dos Conjuntos c˜ 1.7). 3. Ent˜o A = {1.” no interior de duas chaves “{” e “}”.334 no.

1] se: a (a) fn (x) = nxe−nx . e A = {n .335 no. Conclu´ e e e ımos que n ∈ B.7.22). 2.2 CAP´ ITULO 1.5. Suponhamos que exista um conjunto A tal que ∅ n˜o seja subconjunto de A. 3. ´ um conjunto que n˜o possui nenhum ¸˜ e a elemento. Prove que uma sequˆncia mon´tona de fun¸oes ´ uniformemente convergente caso possua e o c˜ e uma subsequˆncia com esta propriedade ([L] p. somos obrigados a admitir que a suposi¸˜o ´ falsa e.7. Mas. 2π].4.3. 1 cos sen 1 cos sen 0 π 2 0 π 2 π 3π 2 2π Exemplo 1. b] e n ∈ N ∞ e (b) n=1 Mn < ∞. mas n˜o uniformemente. ca Exemplo 1. Pergunta: A ⊂ B? Por quˆ? e Resposta: N˜o. Neste tipo de argumento supomos inicialca ca mente que a conclus˜o desejada seja falsa e. 6} e B = {1. (b) fn (x) = nx(1 − x)n . a o Desta forma. a DEFINICAO 4. neste caso dizemos que A ´ um e ca e subconjunto pr´prio de B. a Uma propriedade interessante do conjunto vazio ´ que ele ´ subconjunto de qualquer e e conjunto. → 6. portanto. → 5. 4}. que A ⊂ B. Caso contr´rio eles s˜o diferentes e escrevemos A = B. ca e (b) o Teorema de Dini. a c˜ 10. Exemplo 1. Figura 10. 1. 1). Dica: Fa¸a os gr´ficos no computador. 4. vamos demonstrar esta afirma¸˜o. Sejam A = {0. Ent˜o existe um inteiro m tal que ca a n = 4m = 2(2m). Logo. a partir desta hip´tese. 2} e B = {1. e Existem conjuntos cujos elementos s˜o conjuntos como mostra o pr´ximo exemplo. b]. isto significa que existe algum a elemento x ∈ ∅ tal que x ∈ A. Um n´mero inteiro n ´ m´ltiplo de ca u e u 4 se n/4 ´ inteiro. que todo elemento de A pertence a B. Seja n ∈ A. para g ≡ 0 em [0. NOCOES DE TEORIA DOS CONJUNTOS ¸˜ 10.1 Para provar que dois conjuntos A e B s˜o iguais deve-se provar que ca a A ⊂ B e depois que B ⊂ A. os conjuntos A e B s˜o ditos iguais e escrevemos ¸˜ a A = B. Prove que fn converge simplesmente. n˜o existe x tal que x ∈ ∅.e. Isto termina a demonstra¸˜o. 3. E ´bvio que A ⊂ B por´m. 2. O primeiro u e ca passo consiste em interpretar a defini¸˜o do conjunto A. pois 0 ∈ A e 0 ∈ B. (teste M de Weierstrass) Seja (fn ) uma sequˆncia de fun¸oes cont´ e c˜ ınuas em [a. (c) fn (x) = sen(x)/n e g ≡ 0.1/n] . existe um inteiro m tal que n = 4m}. Acabamos de mostrar que ∅ ⊂ A usando um argumento do tipo “demonstra¸˜o por ca absurdo” ou “demonstra¸˜o por contradi¸˜o”. Seja fn = n I[−1/n. ou seja. Prove que a s´rie de fun¸oes e c˜ n=1 fn converge uniformemente em [a. Prove que fn converge uniformemente para g em [0. O conjunto vazio. existe um inteiro m tal que n = 2m}.7 10. a o B = {n . π 2 −1 .1: Gr´ficos das fun¸oes seno e cosseno. Quando A ⊂ B e B ⊂ A. (b) Em [0. lim bn = b e lim cn = c ent˜o a sequˆncia de polinˆmios pn (x) = a e o n→+∞ n→+∞ n→+∞ . Prove que lim 2 n→+∞ fn (s) ds = n→+∞ lim fn (s) ds. EXERC´ ICIOS 179 DEFINICAO 3. −1 (a) Em 0. ou equivalentemente. 4. a / De maneira geral. denotado por ∅.1 Exerc´ ıcios Convergˆncia simples e uniforme e =⇒ 1. chegamos a um absurdo. 1] se: (a) fn (x) = sen(x/n) e g ≡ 0. que a conclus˜o ca e a desejada ´ verdadeira. 2m tamb´m ´. chegar´ ca a ıamos a uma conclus˜o a absurda. 6}. (b) fn (x) = nx2 /(1 + nx) e g(x) = x. Sejam A o conjunto dos n´meros inteiros m´ltiplos de 4 e B o conjunto dos u u ´o n´meros pares. n˜o podemos ter x ∈ ∅. Se lim an = a. Como m ´ inteiro. c a =⇒ 3. a] → R dada por f (x) = xn para n ∈ N e x ∈ [0. Considere fn : [0. ou seja. Estamos preparados para a demonstra¸˜o. Como n ´ um elemento arbitr´rio de A (al´m de n ∈ A n˜o fizemos nenhuma hip´tese e a e a o sobre n) conclu´ ımos que qualquer que seja n ∈ A temos n ∈ B. se existe um inteiro m tal que n = 4m. Vejamos isto mais precisamente. Pelo que vimos anteriormente. e 7. Seja a ∈ (0. Sejam A = {2. 5. a]. o Observa¸˜o 1. se A n˜o ´ um subconjunto de B significa que existe pelo menos um a e elemento de A que n˜o pertence a B. A nota¸˜o A a a ca B (ou B A) ´ uma abrevia¸˜o para A ⊂ B com A = B. i. Prove que (fn )n∈N converge uniformemente para a fun¸˜o nula usando: ca (a) diretamente a defini¸˜o de convergˆncia uniforme. =⇒ 2. / ca a Esta contradi¸˜o nos obriga a concluir que ∅ ⊂ A pois. Analogamente. por defini¸˜o de vazio. b] e suponha que exista uma sequˆncia num´rica (Mn ) tal que: e e ∞ (a) |fn (x)| ≤ Mn para todo x ∈ [a. → 4. Temos que A B. sen˜o.

A cole¸˜o de todos os subconjuntos de A ´ dita ¸˜ ca e conjunto das partes de A e ´ denotada por P(A) ou por 2A . Quando C ´ um conjunto de conjuntos (para simplificar a linguagem) ¸˜ e dizemos que C ´ uma cole¸˜o. P(A) = {B . Agora. B ∈ P(A) se. Seja A um conjunto. / 2 ∈ C. Se C ´ uma cole¸˜o n˜o vazia de conjuntos. ¸˜ Podemos definir π tamb´m atrav´s do exerc´ 58. e c(0) = 1.178 ˆ CAP´ ITULO 10. existe a > 0 tal que cos(x) > 1/2 para todo x ∈ [0. e sen(x) > sen(0) = 0 para todo x ∈ [0. a A ∈ C. {3} ⊂ C ou {2} ⊂ C. A∈C Por defini¸˜o A ∩ B ∩ C = {x .” escrevendo A ∩ B ∩ C = {x . s(0) = 0. sendo c a constante dada pelo teorema anterior. Em particular. De acordo com o Teorema 243. Pelo que foi demonstrado.6. DEFINICAO 6. As fun¸oes sen e cos s˜o peri´dicas de per´ c˜ a o ıodo 2π. x ∈ A e x ∈ B e x ∈ C}. Entretanto. estendemos o ca a gr´fico at´ o intervalo [0. x ∈ B e x ∈ C}. 2π] obtendo a Figura 10. neste intervalo. logo. no intervalo [0. logo. Elementos de C e ca ılia s˜o comumente chamados de membros. Da defini¸˜o de c e da continuidade da fun¸˜o sen obtemos cos(c) = 0. trocando x por π + x. e somente se. sen ´ estritamente crescente. Se A = {1}. ca DEFINICAO 244. Segue que cos(x) → −∞ quando x → +∞. portanto. existe A ∈ C tal que x ∈ A}.1(b). Temos que P(∅) = {∅}. uma classe ou uma fam´ de conjuntos. Existe um conjunto.. obtemos sen(π + x) = cos(π/2 + x) = − sen(x). Note que ∅ = P(∅) (porque?). a fun¸˜o sen ´ positiva em [0. Suponhamos que n˜o. Sejam A = {1. x ∈ A e x ∈ B}. / 3 ∈ C. a]. c] e. Seja x ∈ R. 2}. cos(x) ≥ 0 ∀x ∈ [0. Pelo teorema temos ca sen(π/2 + x) = cos(x) e Trocando x por π/2 + x. Por e ca ca falar em conjuntos de conjuntos. B = {3} e C = {A. a DEFINICAO 7. Seja c > 0 o seu supremo. sen(c) ≥ sen(0) = 0. Em outros termos A ∪ B = {x . Por´m. o conectivo “ou” ´ sempre preservado. Al´m disto. e e ıcio ca ´ COROLARIO 245. Usando iteradamente as rela¸oes sen(π/2+x) = c c˜ cos(x) e cos(π/2 + x) = − sen(x). o conjunto {b ∈ (0. a e cos(π/2 + x) = − sen(x). p. B ⊂ A. pelo Teorema do Valor M´dio. B ∈ C. Tamb´m a e existe um conjunto chamado interse¸˜o de A e B (denotado por A ∩ B) cujos elementos ca pertencem a A e a B. π = 2c. b]} ´ n˜o vazio e a (cont´m a) e limitado superiormente. +∞). ent˜o P(A) = ∅. A = {x . que ´ e absurdo. a Para fam´ ılias utiliza-se tamb´m nota¸˜o especial (como veremos na Se¸˜o 1. temos que cos ´ decrescente ca e e neste intervalo. Tente se convencer de que todas as afirmativas abaixo s˜o verdadeiras. c˜ para todo x ∈ R. Exemplo 1.9). ´ verdade e e c˜ que {3} ⊂ C (esta ´ simplesmente a quarta das afirma¸oes acima). A = {x . Mas sen(0) = ca e e 0. c′ − s. cos(2π + x) = sen(π/2 + 2π + x) = sen(π/2 + x) = cos(x). x ∈ A. como cos′ = − sen. Vejamos que existe x > a tal que cos(x) < 0.4. para todo x ∈ R temos. ent˜o a uni˜o ou reuni˜o ¸˜ e ca a a a a da cole¸˜o C ´ formado pelos elementos que pertencem a pelo menos um membro de C. sen ´ a e crescente em [0. π/2] as fun¸oes sen e cos tˆm gr´ficos c˜ e a semelhantes ao esbo¸ados na Figura 10. ¸˜ 3 TEOREMA 243. {B} ⊂ C. p. completando a demonstra¸˜o. (defini¸˜o de π) Existe uma constante c > 0 tal que sen ´ crescente e ca e cos ´ decrescente em [0. Portanto. Por´m. Neste caso.68. {A} ⊂ C. SEQUENCIAS DE FUNCOES ¸˜ 1. conclu´ ımos sen(2π + x) = − sen(π + x) = sen(x). cujos elementos pertencem a A ou a B. c] com sen(c) = 1 e cos(c) = 0. a]. De maneira geral. e Perceba ainda que ´ errado dizer {2} ⊂ C. obtemos | sen(c)| = 1. A∈C A interse¸˜o da cole¸˜o C ´ constitu´ pelos elementos que pertencem a todos os membros ca ca e ıda de C. como na demonstra¸˜o do Corol´rio 245. Sejam A e B dois conjuntos. sen(c) = 1. chamado uni˜o ou ¸˜ a reuni˜o de A e B (denotado por A ∪ B). {1} . Em s´ e ımbolos. e Considere as fun¸oes s. fazemos a seguinte defini¸˜o. Finalmente.7. Em s´ ımbolos. Neste caso podemos substituir ca o conectivo “e” por uma v´ ırgula “. sen ´ crescente neste intervalo. Pela Proposi¸˜o ca 242. Do item (iii) do ca ca Teorema 241. / Demonstra¸˜o.1(a).. obtemos que s = sen e c = cos. ca DEFINICAO 8. x ∈ A para todo A ∈ C}. e e . Logo. c : R → R dadas por s(x) = − cos(c + x) e c(x) = sen(c + x). DEFINICAO 5. Exemplo 1. Seja x > a. B}. Como cos ´ cont´ ca e ınuo e cos(0) = 1. 1 ∈ C. x) tal que cos(x) − cos(a) = e − sen(x)(x − a) ≤ − sen(a)(x − a). p. existe x ∈ (a. e e sen(c + x) = cos(x) e cos(c + x) = − sen(x).1. +∞) . CONJUNTOS E OPERACOES. Vemos facilmente que s′ = c. Em ca e s´ ımbolos.79 ou da Defini¸˜o 112. Demonstra¸˜o. c] e. B ⊂ A}. e A fun¸˜o cos ´ positiva em [0. x ∈ A ou x ∈ B} e A ∩ B = {x .

. A ⊂ B sse x ∈ A ca 1 Estas fun¸oes est˜o bem definidas (i. temos a |CN (x) − cos(x)| = Mn M 2n (−1)n x2n ≤ < ε. temos o seguinte resultado. mostra-se que cos′ = − sen. b. Como F (0) = 1. c) ou n-uplas ordenadas (a1 . a saber: ∃ significa “existe”. b) e (c. c˜ a a ii. M]. c} = {c. CN : R → R. Em particular. para cada x ∈ R. A3 = A × A × A. 177 Exemplo 1.2 Repetidas vezes usamos express˜es do tipo “existe”. 8} e A ∩ B = {1. d) se.. De maneira an´loga definimos A × B × C = {(a. c) . conclu´ e ımos. b) = (b. a Demonstra¸˜o. “para todo”. Desta maneira. b} = {a. a ∈ A e b ∈ B}. as s´ries convergem) pelo Teste da Raz˜o (confira). Portanto. M]. 2}. As propriedades (i) e (ii) caracterizam sen e cos. Dados dois conjuntos A e B existe um conjunto chamado de produto ¸˜ cartesiano de A e B (denotado A × B) formado pelos pares ordenados (a. definimos Sn . 2. A \ B = {x . sen(x) + cos(x) = 1 para todo x ∈ R. ou seja.. Dois pares ordenados (a. {a. c}. Gra¸as ` Proposi¸˜o 226. Este neologismo ´ derivado de outro em inglˆs iff que significa if and only if. c˜ a Devemos ressaltar que a ordem dos elementos na lista n˜o importa e que repeti¸oes s˜o a irrelevantes. sen(x).e. 1] para todo x ∈ R. F ´ constante. (SN )N ∈N converge para uma primitiva da fun¸˜o cos em c a ca ca [−M. ent˜o . Procedemos como na prova do item (iii) do teorema anterior.. Da segunda propriedade do teorema anterior obtemos sen. d) s˜o iguais se eles forem e e a iguais coordenada por coordenada. b ∈ B e c ∈ C}. podemos definir A × A e. Quando trabalhamos apenas com subconjuntos de um determinado con¸˜ junto X (subentendido no contexto) definimos o complementar de A por X \ A e o denotamos A∁ .. b) .. Em s´ ımbolos: A × B = {(a. o denotamos A2 . por defini¸˜o. a) salvo se a = b e que (a. Ent˜o s = sen e c = cos. M]. i. c} = {b. . sen(0) = 0 e cos(0) = 1. b. c : R → R deriv´veis ¸˜ ca a tais que s′ = c.4 CAP´ ITULO 1. 2 2 iii. para todo x ∈ R. e ca Paul Richard Halmos: ⋆ 03/03/1916. Definimos ca 2 F : R → R por F (x) = sen(x) − s(x))2 + cos(x) − c(x) .8. ∃! significa “existe um ´nico”. DEFINICAO 12. c˜ DEFINICAO 11.. F ´ constante. Como M n /n! converge (veja Exemplo 4. Desta forma. As fun¸oes sen e cos s˜o deriv´veis com sen′ = cos e cos′ = − sen. see a gue que sen′ (x) = cos(x) para todo x ∈ R. a.e. M] e N ≥ N0 . Dados dois objetos a e b definimos o par ordenado (a. (i) Dado N ∈ N. para x ∈ [−M. Em s´ e ıdo a ımbolos. 8}. 2. Demonstra¸˜o. ≤ (2n)! (2n)! n=2N +2 n! n=N +1 n=N +1 +∞ +∞ +∞ ′ Verifica-se facilmente que SN = CN para todo N ∈ N. (2n)! Temos que (SN )N ∈N e (CN )N ∈N convergem simplesmente para sen e cos. a An = A × · · · × A (n vezes). b. Em particular. (ii) Trivial. 2. Portanto. . e mostramos ′ que F = 0. p. =⇒ significa “se . u ∀ significa “para todo” ou “qualquer que seja”. De F (0) = 0. cos ∈ C ∞ R . mostraremos que a convergˆncia de (CN )N ∈N ´ uniforme em [−M. Temos F ′ (x) = 2 sen(x) sen′ (x) + 2 cos(x) cos′ (x) = 2 sen(x) cos(x) − 2 cos(x) sen(x) = 0. Analogamente. a.”. etc. a = c e b = d. por simplicidade. Hungria.67). cos(x) ∈ [−1. a. DEFINICAO 9. M]. para todo x ∈ R. 2 (iii) Seja F : R → R dada por F (x) = sen(x))2 + cos(x) . Logo. e e Seja ε > 0. respectivamente. NOCOES DE TEORIA DOS CONJUNTOS ¸˜ 10. O conjunto diferen¸a entre A e B (denotado por ¸˜ c A \ B ou A − B) ´ constitu´ pelos elementos de A que n˜o pertencem a B. e somente se. A ele devemos tamb´m o pequeno quadrado que indica final de demonstra¸˜o. podemos escrever que. s(0) = 0 e c(0) = 1. Para simplificar a escrita destas express˜es introduziremos alguns s´ ımbolos que as representam.6. (propriedades de seno e cosseno) Temos i. (S ′ N )N ∈N converge uniformemente para cos em [−M. c′ = −s. c˜ a e a TEOREMA 241. Temos A ∪ B = {1. b) cuja primeira ¸˜ coordenada ´ a e a segunda ´ b. Foi o matem´tico Halmos e e a que o inventou. sen′ (x) = cos(x) para todo x ∈ [−M. a) = a. . por ca N SN (x) = n=0 (−1)n x2n+1 (2n + 1)! N e CN (x) = 1 + n=1 (−1)n x2n . Sejam A e B conjuntos. 3. (caracteriza¸˜o do seno e cosseno) Sejam s. existe N0 ∈ N tal que N ≥ N0 =⇒ Mn < ε. 4. (a. . Repare que (a. 3} e B = {1. n! n=2N +2 +∞ Ent˜o. Dissemos anteriormente que um conjunto pode ser definido pela lista de seus elementos. Observa¸˜o 1. x ∈ A e x ∈ B}. an ). a ⇐⇒ ou “sse”1 significa “se. Como M ´ arbitr´rio. Sejam A = {1. 4. PROPOSICAO 242.” ou “implica que”. “qualca o o quer que seja”. b) = (c. Fixado M > 0. conclu´ e ımos a prova. Quando queremos que a ordem ou repeti¸oes sejam relevantes usamos o conceito de par ordenado. / DEFINICAO 10. e somente se. b.17. b) tais que a ∈ A e b ∈ B. Mais precisamente. =⇒ x ∈ B. Budapeste. De maneira an´loga definimos a triplas ordenadas (a. a ∈ A. ⋆ SENO E COSSENO.

e Novamente temos uma contradi¸˜o. n c ıcio m n m m p. ⋆ TEORIA DOS CONJUNTOS E FACIL? 5 1. sendo ele pr´prio normal. C ∈ C.167. Seja N o conjunto dos conjuntos normais: N = {X . e Sejam n ∈ N e a > 0. Logo na primeira se¸˜o dissemos que dada uma propriedade P podemos definir. Gra¸as `s propriedades da exponencial e do logaritmo. +∞). definimos ax = exp x log(a) . Derivando obtemos x exp log(x) /x − exp log(x) = 0 ∀x ∈ (0.paradoxo! ca e ıvel Para eliminar este paradoxo da Teoria dos Conjuntos (que ´ o pilar de toda a Matem´tica) e a uma solu¸˜o ´ a seguinte. Por isto. Motivados por este fato. Demonstra¸˜o. ca DEFINICAO 239. Por a e a a exemplo. exp log(x) = x ∀x ∈ (0. isto ´. Assim. Feito isto o argumento usado no Paradoxo de Russel se transforma em um teorema (veja exerc´ 7. Ora.√ ∈ N e a > 0. Gra¸as ` Proposi¸˜o 226. P (x) . x2 Portanto f ´ constante. nossa exposi¸˜o apresenta uma inconsistˆncia l´gica. ¸˜ Consideremos expoentes racionais. N ´ o conjunto dos conjuntos normais e. ii. Dado a > 0 e x ∈ R. 10. +∞). temos a n = a n n = am . 1 Bertrand Arthur William Russell. Como e = exp(1) (veja Defini¸˜o 110. Pa´ de Gales . Ao inv´s de admitir que dada uma propriedade P existe o conjunto ca e e dos elementos que possuem a propriedade P . de forma mais “po´tico-filos´fica”. Portanto. e como N n˜o ´ normal. p. dizemos que o valor da presta¸˜o ´ fun¸˜o c a ca e ca ∀x ∈ R. segue e a que exp′ (x) = exp(x) para todo x ∈ R. c˜ DEFINICAO 240. conhecido como ca e o Paradoxo de Russel1 . admitimos que dada uma propriedade P e um conjunto A existe o subconjunto dos elementos de A que possuem a propriedade P . ca c˜ PROPOSICAO 238. Como M ´ arbitr´rio.176 Ent˜o. Como c˜ e exemplo. P (x) . dea e ca a e vemos ter N ∈ N. a n = n am . Dados m ∈ Z. a e e 2a possibilidade: N n˜o ´ normal. a a a Nada nos impede de considerar conjuntos cujos elementos s˜o conjuntos (como j´ fizemos a a ao introduzir cole¸oes) e de questionar se um conjunto ´ elemento dele mesmo. ou melhor. mostra-se que g : R → R dada por g(x) = log exp(x) − x. e a o / Diremos que um conjunto X ´ normal se ele n˜o pertence a si pr´prio. ¸˜ sen(x) = Todos sabemos que o valor da presta¸˜o de uma televis˜o comprada em 12 parcelas iguais ca a e sem juros depende do seu pre¸o ` vista. Logo. log exp(x) = x ∀x ∈ R. As fun¸oes sen. Vejamos. +∞). SEQUENCIAS DE FUNCOES ¸˜ ´ ´ 1. temos: c a exp n log(a) = exp log(an ) = an = a · · · a . p. e / Perguntamo-nos se N ´ normal. Pela defini¸˜o de N.3 +∞ Fun¸oes. x Basta mostrar que f (x) = 1 para todo x ∈ (0. f (x) = f (1) = 1 para todo x ∈ (0. M].10) segundo o qual n˜o existe o conjunto de ıcio a todas as coisas ou.e. considere o conjunto C de todos objetos que n˜o s˜o bolas. ⋆ 18/05/1872. Pa´ de Gales ıs n=0 (−1)n x2n+1 (2n + 1)! e cos(x) = 1 + n=1 (−1)n x2n (2n)! .181. (F ′ N )N ∈N converge uniformemente para exp em [−M. Vamos a analisar cada uma delas. Escrevemos x ∈ A . Boa viagem! e o e Vejamos agora a rela¸˜o entre as fun¸oes logaritmo e exponencial. fazemos a seguinte defini¸˜o. M]. conclu´ / ca ımos que N ´ normal. ou seja. ca existe o conjunto A dos elementos que possuem a propriedade P e escrevemos A = x . Existem duas respostas poss´ e ıveis: sim ou n˜o. X ∈ X}. n vezes A quantidade acima ` direita tem sentido apenas para n ∈ N enquanto que aquela ` a a esquerda faz sentido para n ∈ R. para x ∈ [−M. por defini¸˜o de conjunto normal. +∞). o ca que N n˜o ´ normal. cos : R → R s˜o definidas por c˜ a +∞ 1. X ´ normal} = {X . M]. temos que N ∈ N.6 ⋆ Seno e cosseno. p. ou paradoxo.2. e ca e 1a possibilidade: N ´ normal. Mas (in)felizmente a Teoria dos Conjuntos n˜o ´ t˜o f´cil como possa parecer. Logo. ≤ n! n! n! n=N +1 n=N +1 n=N +1 +∞ +∞ ′ Verifica-se facilmente que FN +1 = FN para todo N ∈ N. M] e N ≥ N0 . +∞). (FN )N ∈N converge para uma primitiva da fun¸˜o exp em c a ca ca [−M. n˜o h´ nada mais razo´vel. para ca x ∈ R temos ex = exp x log(e) = exp(x). Ora. C n˜o ´ uma a a a e bola. Por defini¸˜o.. por defini¸˜o de conjunto normal. e e (ii) Como no item anterior. Penrhynıs deudraeth. ´ identicamente nula. Ravenscroft. exp′ (x) = exp(x) para todo x ∈ [−M. +∞) → R dada por f (x) = ca f ′ (x) = exp log(x) ∀x ∈ (0. gra¸as ao exerc´ 21(e). log(e) = log exp(1) = 1.2 +∞ ⋆ Teoria dos conjuntos ´ f´cil? e a Mn |x|n xn ≤ = |FN (M) − exp(M)| < ε. se X ∈ X. “nada cont´m tudo”. Isto implica. Nenhuma das duas possibilidades ´ poss´ . Temos ent˜o uma contradi¸˜o! Pode-se pensar que este argumento seja a e a ca apenas uma demonstra¸˜o por absurdo que mostra que a primeira possibilidade n˜o funciona ca a e ent˜o devemos concluir que ´ a segunda que ´ a boa. Vejamos como isto gera um paradoxo. N˜o entramos nos fundamentos l´gicos da Teoria dos Conjuntos e tudo parece trivial e a o familiar.† 02/02/1970. (rela¸˜o log e exponencial) Temos: ¸˜ ca i. i. temos a |FN (x) − exp(x)| = ˆ CAP´ ITULO 10. (i) Seja f : (0. para todo x ∈ R.67. logo.

a fun¸˜o anterior ´ diferente da fun¸˜o que a cada pessoa associa o tipo sangu´ ca e ca ıneo do pai. f (x) = f (1) = 0 para todo x ∈ (0. +∞). devemos lidar com os conceitos de restri¸˜o ınio e ca e extens˜o. Por exemplo. PROPOSICAO 235. +∞) → R ´ definida por ¸˜ ca e x 175 do pre¸o ` vista. B = {n´meros inteiros}. Desta forma. Primeiro por a a a e ca o exce¸˜o pois nem toda pessoa tem irm˜o. cometemos este abuso quando. No exerc´ 13. se ca f (x) = g(x) ∀x ∈ A. DEFINICAO 13. Uma fun¸˜o f : A → B (lˆ-se ¸˜ a ca e fun¸˜o f de A em B) ´ definida por uma regra de associa¸˜o. Fixado M > 0. definimos FN : R → R por FN (x) = N ≥ N0 =⇒ |FN (M) − exp(M)| < ε. log(1) = 0. ent˜o f n˜o ´ uma fun¸˜o por duas raz˜es. +∞) → R dada por ca f (x) = log(xn ) − n log(x) ∀x ∈ (0. B. ⋆ LOGARITMO E EXPONENCIAL. atrav´s de uma regra precisa. Quando a prudˆncia mandar. u Demonstra¸˜o. No entanto. NOCOES DE TEORIA DOS CONJUNTOS ¸˜ 10. (FN )N ∈N converge simplesmente para exp. Se a cada x ∈ A fazemos corresponder f (x) ∈ A de maneira que f (x) seja irm˜o de x. Dizemos que f e g s˜o iguais se s˜o ¸˜ c˜ a a dadas pela mesma regra de associa¸˜o. (propriedades da exponencial) Temos: ¸˜ i.e.10. Demonstra¸˜o. a PROPOSICAO 237. e ca Exemplo 1. Por n! n=0 defini¸˜o. a A condi¸˜o acima s´ tem sentido (podendo ser falsa) se f e g tiverem o mesmo dom´ (no ca o ınio caso A). ´ dispens´vel que f e g tenham o mesmo contradom´ e a ınio. N que a cada x ∈ {alunos da UFRJ} associa seu ano de entrada na UFRJ ´ igual a fun¸˜o g e ca do Exemplo 1. a fun¸˜o ca h : {alunos da UFRJ} → {n´meros inteiros positivos}. Sejam A e B dois conjuntos n˜o vazios.9. ca (ii) Segue do Segundo Teorema Fundamental do C´lculo. a e dado x ∈ A. +∞). DEFINICAO 234. +∞). e ca Assim. pode ocorrer f (x1 ) = f (x2 ) com x1 = x2 . ii. a (iii) Seja n ∈ N fixo e considere a fun¸˜o f : (0. Dentre as propriedades da fun¸˜o exponencial. n˜o pode haver ambiguidade com respeito a f (x). log(x) = 1 1 ds s ∀x ∈ (0. AB. Mudando a regra a fun¸˜o muda. se x ´ o pre¸o ` vista. Outro exemplo ca ´ a fun¸˜o g : A → B que a cada x ∈ A associa seu ano de entrada na UFRJ. Exemplo 1. Segundo por ambiguidade pois existem pessoas ca a que tˆm mais de um irm˜o. e o O exemplo anterior ´ de uma fun¸˜o num´rica definida atrav´s de uma f´rmula. M]. ent˜o o valor da presta¸˜o ´ x/12. A fun¸˜o exponencial exp : R → R ´ definida por ¸˜ ca e +∞ exp(x) = n=0 xn n! ∀x ∈ (0. log′ (x) = 1/x para todo x ∈ (0. p. e e DEFINICAO 236. g : A → B duas fun¸oes. Entretanto. e a DEFINICAO 14. ii. n iii. cada pessoa possui um ´nico tipo sangu´ ca e u ıneo. Note que n˜o pode haver exce¸˜o ` regra: todo x ∈ A possui uma imagem f (x) ∈ B. exp′ (x) = exp(x) para todo x ∈ R. Entretanto.135 ca ıcio deduzimos propriedades das fun¸oes logar´ c˜ ıtmica e exponencial de outro modo. +∞) e n ∈ N. temos f : A → B que a cada x ∈ A associa seu ano de nascimento. O conjunto A ´ o dom´ e ınio de f enquanto que B ´ o contradom´ e ınio de f . (i) Trivial. mostraremos que a ca convergˆncia ´ uniforme em [−M. podemos considerar iguais duas fun¸oes de contradom´ a c˜ ınios diferentes. Mais delicado ´ considerar que fun¸oes de dom´ e c˜ ınios diferentes sejam iguais. isto ´. mas nem e ca e toda fun¸˜o ´ deste tipo. (i) Trivial. e e Seja ε > 0. A s´rie acima ´ (absolutamente) convergente gra¸as ao Teste da Raz˜o (veja Exemplo e e c a 4. Por esta raz˜o. Como exemplo de u fun¸˜o. Note tamb´m que. Derivando obtemos e f ′ (x) = nxn−1 n − = 0 ∀x ∈ (0. +∞). p. xn x Portanto f ´ constante. De maneira geral.17. o dom´ de uma fun¸˜o cont´m o ınio ca e dom´ da outra. existe N0 ∈ N tal que (ii) Para cada N ∈ N. Como (FN (M))N ∈N converge para exp(M). podemos considerar a fun¸˜o que a cada elemento do conjunto das pessoas associa o seu tipo ca sangu´ ıneo que ´ um elemento do conjunto {A. A c a e c a a ca e fun¸˜o “valor da presta¸˜o” a cada “valor ` vista” x associa o “valor da presta¸˜o”. a proposi¸˜o seguinte tem importˆncia ca ca a especial para a An´lise. +∞). dado por ca ca a ca x/12.. cada elemento de ca e um conjunto a um ´nico elemento de outro conjunto (os dois conjuntos em quest˜o podem u a ser iguais). Neste caso. Sejam f. (propriedades do log) Temos: ¸˜ i. +∞). uma fun¸˜o associa. logo. ca xn ∀x ∈ R. O}.5.9. i. . Vejamos algumas propriedades fundamentais da fun¸˜o logaritmo. o mesmo elemento a y ∈ B pode ser imagem de mais de um elemento de A. pode existir y ∈ B que n˜o seja imagem de nenhum x ∈ A.6 CAP´ ITULO 1. exp(0) = 1.67). Por a ca a outro lado. Seja A = {pessoas}. entre elementos de ca e ca ca A e B que a cada x ∈ A associa um ´nico elemento f (x) (lˆ-se f de x) em B. ou rela¸˜o. ou seja. log(x ) = n log(x) para x ∈ (0. A fun¸˜o logaritmo log : (0. Basta mostrar que f ´ identicamente nula. dito imagem u e de x por f . Sejam A = {alunos da UFRJ}. por exemplo.

H´ tamb´m o M´todo a e e de Euler Impl´ ıcito que tem vantagens sobre o expl´ ıcito. define a exponencial como inversa da fun¸˜o logaritmo. o conjunto f (A) ´ chamado de imagem de f . ou seja. sob condi¸oes suplementares c˜ sobre g ´ poss´ mostrar que a sequˆncia converge (ver [He]). pois I associa a cada subconjunto A ∈ P(C) a fun¸˜o IA . Apresentaremos outra a ca abordagem e provaremos este fato. e f −1 ((−3. f −1 ((1. Na verdade existem outros m´todos e num´ricos mais vantajosos que o de Euler. [a. Sejam f : A → B e g : C → D. No pr´logo de [Ru2] Rudin1 afirma que “a fun¸˜o exponencial ´ a mais importante da o ca e Matem´tica”. y0 = 1 e g(y) = |y|3 para todo y ∈ R.5 ⋆ Logaritmo e exponencial. b}. se x ∈ A. 1})). a solu¸˜o f estar´ definida numa vizinhan¸a de a que. b. obtemos ˜ |fn (x) − f (x)| ≤ = i=1 n xi−1 xi xi−1 xi xi−1 x a n ′ fn (s) − g f (s) ds ≤ xi n xi xi−1 ′ fn (s) − g f (s) ds DEFINICAO 15. ¸˜ 7 Usando esta rela¸˜o. Seja A = {a. ca O Teorema de Peano n˜o garante a unicidade da solu¸˜o. A fun¸˜o f . Ao se verificar a sobrejetividade de uma fun¸˜o. A mais popular. e i=1 g fn (xi−1 ) − g f (s) ds g fn (xi−1 ) − g fn (s) 2εds = 2(b − a)ε. Al´m disso. −1). H´ v´rias maneiras de definir esta fun¸˜o. 2]. 1 ´ Walter Rudin: ⋆ 02/05/1921. ca se x > c. Neste ıvel o ca c a c a e caso. c e fc (x) = (x − c)2 /4. b}. 2]. Uma fun¸˜o f : A → B ´ dita sobrejetiva se f (A) = B. c˜ DEFINICAO 17. [a. n˜o cont´m b. DEFINICAO 20. ¸˜ o que ´ a mesma coisa. ´ solu¸˜o do PVI correspondente. se e x ∈ A. nos livros de C´lculo a a a ca a I e An´lise Real. Exemplo 1. 1). a imagem ou imagem direta de C por f . por exemplo) ´ poss´ demonstrar a unicidade de solu¸˜o (ver [He]).174 ˆ CAP´ ITULO 10. a ´nica solu¸˜o ´ dada por f (x) = 4/(2 − x)2 que n˜o est´ definida em b = 2 u ca e a a e Perceba que na demonstra¸˜o do Teorema de Peano usamos o M´todo de Euler de um ca modo muito particular supondo que as parti¸oes eram uniformes. 2]) = a [0. se ¸˜ ca e qualquer que seja y ∈ B. c} mas ´ sobrejetiva de A em {a. toda fun¸˜o e ca ´ sobrejetiva na sua imagem. −3}. b] = [0. 2)) = (1.13) e supondo que n ∈ N seja suficientemente grande de modo ca que M(b − a)/n < δ e fn − f < δ. Seja f : A → B. Reflita a respeito. Dizemos que f ´ uma restri¸˜o de ¸˜ e ca g ou que g ´ uma extens˜o de f se A ⊂ C e f (x) = g(x) para todo x ∈ A. Modificando-o. se x ≤. para cada C ⊂ A) por e f (C) = y ∈ B . Neste caso. f (x) ∈ C . Neste caso e a escrevemos f = g|A . DEFINICAO 16. Considere f : R → R definido por f (x) = |x|. De modo geral. Seja f : A → B. {0. mostramos apenas que uma subsequˆncia converge c˜ e e para a solu¸˜o. / A fun¸˜o indicadora (ou caracter´ ca ıstica) ´ muito utilizada em teoria da integra¸˜o e em proe ca babilidade. f −1 (3) = {3. ca Considere. e DEFINICAO 19. ca DEFINICAO 18. (10.11. 1] → R dada por fc (x) = 0. Em particular. Exemplo 1. 1} (tamb´m denotada por χA ) por IA (x) = 1. e IA (x) = 0. a fun¸˜o fc : [0. O leitor interessado poder´ consultar [He]. Dado A ⊂ C. possivelmente. y0 = 0 e g(y) = |y| para todo y ∈ R. a ca Um ´ltimo coment´rio: apresentamos o chamado m´todo expl´ u a e ıcito. {0. existe x ∈ A tal que f (x) = y. Definimos f −1 : P(B) → P(A) para cada C ∈ P(B) ¸˜ (ou.12. e a 10. Dados dois conjuntos A e B. Abusamos a nota¸˜o e escrevemos simplesmente ca f (C) (sem o til). n˜o ´ ca a e sobrejetiva de A em {a. Abusamos a nota¸˜o e escrevemos simplese ca mente f −1 (C) (sem o til). f −1 (0) = 0. Ent˜o f ([−2. SEQUENCIAS DE FUNCOES ¸˜ 1. f ([−5. 5]. Viena. Felizmente. deve estar claro qual conjunto est´ sendo ca a considerado como contradom´ ınio. ∃x ∈ C tal que f (x) = y} = {f (x) . 1]. definida por f (x) = x para todo x ∈ A. Este fato est´ intimamente e ıvel e a ligado a quest˜o da unicidade da solu¸˜o. Isto inviabiliza o C´lculo Num´rico aproximado da solu¸˜o pois n˜o sabemos ca a e ca a qual ´ a sequˆncia dos ´ e e ındices que deve ser usada. Definimos f : P(A) → P(B) para cada C ∈ P(A) (ou. b] = a ca [0. 2) ∪ (−2. o que ´ a mesma coisa. Podemos escrever que I : P(C) → F (C. Verifica-se facilmente que. + g fn (s) − g f (s) ds ≤ ≤ i=1 n i=1 O que conclui a demonstra¸˜o. dado qualquer c ∈ (0. Outros abusos s˜o: f −1 (y) (em vez de f −1 ({y})) e x = f −1 (C) a (em vez de f −1 (C) = {x}).3. 1}) ou I ∈ F (P(C). da sequˆncia de c˜ e e aproxima¸oes dada pelo M´todo de Euler. FUNCOES. −1)) = ∅. . por exemplo. B) o conjunto de todas ¸˜ as fun¸oes f : A → B. 1)) = [0. por exemplo. a imagem inversa ou pr´-imagem de C por f . Austria. para cada C ⊂ B) por e f −1 (C) = x ∈ A . definimos a fun¸˜o caracter´ ¸˜ ca ıstica ou indicadora de A por IA : C → {0. denotamos por F (A. e ıvel ca ´ E poss´ retirar a hip´tese sobre a limita¸˜o de g mas paga-se um pre¸o por isto. Sob hip´teses adicionais sobre g (pertencer a e ca o C 1 (R). x ∈ C . F (C. Al´m disto. uma fun¸˜o que n˜o ´ sobrejetiva pode ca a e passar a ser. Considere.

L]. . y ∈ A s˜o tais que a f (x) = f (y). a e a Usando o Primeiro Teorema Fundamental do C´lculo (Teorema 207. se para todo y ∈ f (A) existe um ´nico x ∈ A tal que a u f (x) = y. φ : [a. (10. 4.10)  yi − yi−1  · (x − xi−1 ) + yi−1 se xi−1 < x ≤ xi .12) obtemos que |f | ≤ L. n}.  xi − xi−1 O M´todo de Euler est´ na base da demonstra¸˜o do Teorema de Peano. Isto ´ muito usual. b]. Sempre que a ca ca aplicamos f −1 em conjuntos est´ subentendido que trata-se da imagem inversa. 2 aproximado pela fun¸˜o φ que ´ afim em cada intervalo [xi−1 . . Definimos a fun¸˜o ¸˜ ca composta g ◦ f : A → D que a cada x ∈ A associa g f (x) ∈ D. Consideremos as fun¸oes f : A → B. g : A → C e h : A → A definidas por c˜ f (x) = 2x. .8). e somente se. y ∈ A tais que x = y temos f (x) = f (y). g(x) = x . Entretanto. pode-se entender como f −1 (y). Seja M > 0 tal que |g| ≤ M. c a (fn )n∈N tem subsequˆncia (tamb´m denotada (fn )n∈N ) convergente para f em C [a. h(x) = 2 ∀x ∈ A. . xi ). Sejam f : A → B e g : B → A tais que (g ◦ f )(x) = x para todo x ∈ A ¸˜ e (f ◦ g)(y) = y para todo y ∈ B. Uma fun¸˜o f : A → B ´ dita injetiva ou inje¸˜o se para quaisquer ¸˜ ca e ca x. Por exemplo. . b] satisfazendo (10. Temos que f ´ injetiva e sobrejetiva e. f (x) = y0 + a ˜ Faremos isto mostrando que (fn )n∈N converge para f . Dado n ∈ N. caso a inversa exista. Dizemos que f ´ invert´ e ıvel. Quando a se aplica f −1 num elemento y. Exemplo 1. a e a e DEFINICAO 24. Definimos y1 . i ∈ {1. N˜o devemos confundir f −1 da defini¸˜o acima com f −1 da Defini¸˜o 19. g : C → D e h : E → F com f (A) ⊂ C e g(C) ⊂ E. fn (x) = fn (a) + a (10. . . bijetiva.13) Segue. |fn (x)| ≤ M. ou equivalentemente. se x. p.115). Gra¸as ao Teorema de Arzel`-Ascoli. xi ].8). . considere a parti¸˜o uniforme ca ca P = {x0 . |y − z| < δ =⇒ |g(y) − g(z)| < ε. Conclu´ a e a a e ımos que f ´ a inversa e de g se. z ∈ [−L. A defini¸˜o anterior faz sentido pois dado x ∈ A temos que f (x) ∈ f (A) e como f (A) ⊂ C ca temos f (x) ∈ C. yn por (10. . B = {2. .10). 16}. p. b].e. Como g ´ uniformemente cont´ e ınua no compacto [−L. De (10. Observamos ainda que a opera¸˜o de composi¸˜o de fun¸oes ´ associativa. a imagem inversa de um conjunto unit´rio. ¸˜ DEFINICAO 26.150) temos a x x ′ fn (s)ds = y0 + a ′ fn (s)ds ∀x ∈ [a. Para f : A → A definimos f n : A → A por f n = f ◦ · · · ◦ f (n vezes). basta mostrar que f = f . imediatamente. Segue que se x ∈ (xi−1 .  y0   φ(x) = (10. p. . Logo. b]. e Com argumento an´logo mostra-se que para a ≤ y ≤ x ≤ b temos a x |fn (x) − fn (y)| ≤ y ′ |fn (s)|ds ≤ M(x − y). 6} e C = {1. Ent˜o. existe a f ∈ C 1 [a. e Se f : A → B ´ injetiva. Mais precisamente. obtemos ca x |fn (x)| ≤ |y0 | + a ′ |fn (s)|ds ≤ |y0 | + M(b − a) = L ∀x ∈ [a.13. Demonstra¸˜o. b]. Dizemos que a fun¸˜o f tem a propriedade P em A se f|A tem a propri¸˜ ca edade P . L]. ⋆ EQUACOES DIFERENCIAIS. A com B e x com y as hip´teses da Defini¸˜o 26 o ca n˜o mudam. se f : ca ca c˜ e A → B. e que vale ca e yi−1 e yi em xi−1 e xi . n ∀i ∈ {1. e e Vamos mostrar que f ´ solu¸˜o de (10. DEFINICAO 25. existe δ > 0 tal que y. ′ ′ ent˜o fn ´ deriv´vel em x e fn (x) = g yi−1 = g fn (xi−1 ) . e e e sobretudo em conversas informais entre matem´ticos. . xn } do intervalo [a. portanto. g ´ a inversa de f . a ıcio DEFINICAO 23. 9. . Desta forma (f −1 ◦ f )(x) = x para todo x ∈ A e (f ◦ f −1 )(y) = y para todo y ∈ f (A). Ou seja. De acordo com o Segundo Teorema Fundamental e ca ˜ ˜ do C´lculo (Teorema 208. Uma fun¸˜o f : A → B ´ dita bijetiva ou bije¸˜o se ela ´ injetiva e ¸˜ ca e ca e sobrejetiva. ¸˜ 173 DEFINICAO 21. Seja ε > 0. 4. . |xi − xi−1 | = b−a . Sejam f : A → B e g : C → D tais que f (A) ⊂ C. ent˜o mesmo quando ela n˜o for sobrejetiva.4. a Repare que intercambiando f com g.11) Da Proposi¸˜o 202. (fn )n∈N ´ limitada.9) e fn = φ dada em (10. b] → R definida a por x ˜ g f (s) ds ∀x ∈ [a. ent˜o temos a (h ◦ g) ◦ f (x) = (h ◦ (g ◦ f ))(x) = h(g(f (x))) ∀x ∈ A.8 CAP´ ITULO 1. ent˜o x = y. 3}. ou ainda. . ainda poderemos e a a considerar sua fun¸˜o inversa f −1 ficando subentendido que o dom´ de f −1 ´ f (A) (e n˜o ca ınio e a B). e a ca TEOREMA 233. dizer que f ´ injetiva em A significa que f|A ´ injetiva. Neste caso podemos aplicar g e encontrar g(f (x)) ∈ D. ou f −1 ({y}). sendo f : [a.12) Logo. que (fn )n∈N ´ equicont´ e ınua. 2. que g ´ a inversa de f e e escrevemos g = f −1 .146.. isto deve ser usado com a cuidado para n˜o cairmos em armadilhas (veja exerc´ 10. . para todo y0 ∈ R. NOCOES DE TEORIA DOS CONJUNTOS ¸˜ 10. b] . respectivamente. n}. Temos ainda que g ´ injetiva mas e e n˜o ´ sobrejetiva e h n˜o ´ injetiva e nem sobrejetiva. por´m a conclus˜o dir´ que f ´ a inversa de g.150). . p. (10. DEFINICAO 22. b] → R ´ dada por e  se x = a. i. Sejam A = {1. (Peano) Seja g ∈ C(R) limitada.

3) que a palavra fam´ pode ser usada para ca ılia designar conjuntos de conjuntos.172 ˆ CAP´ ITULO 10. Dada g : R → R e y0 ∈ R. existe i ∈ I tal que x ∈ Ai } e Ai = {x . p. como ´ chamada no contexto da An´lise ca e a Num´rica) P = {x0 . . Se I ´ o conjunto dos n´meros inteiros de m at´ n. Se x1 > x0 ´ pr´ximo de x0 . xn } de [a. i∈Q i∈Q i∈Q i∈Q i∈Z Ai = R − Z. Nos outros pontos de [a. SEQUENCIAS DE FUNCOES ¸˜ 1. i2 ). a c˜ a Por´m. Ai = ∅. Continuando o argumento (chamado de boot strap) e conclu´ ımos que f ∈ C ∞ (R). ent˜o. (10. Continuamos o processo da e ca seguinte maneira. sempre devemos ter em mente que infinito n˜o ´ n´mero! e a e u . ent˜o a uni˜o e a interse¸˜o da fam´ s˜o definidas. Quando I ´ o conjunto dos e n´meros naturais substitu´ u ımos a palavra fam´ por sequˆncia. Conclu´ ımos que f ∈ C 1 (R). Na maioria dos casos. por a a ca ılia a Ai = {x . H´ apenas uma quantidade pequena de “receitas” cada uma delas c˜ a aplic´vel a um tipo particular de equa¸˜o. uma fam´ de macacos ´ uma fun¸˜o cujo contraılia e ca dom´ ´ um conjunto de macacos (agora s˜o os bi´logos que h˜o de nos perdoar). Bi = (−1. u ılia e ca ca DEFINICAO 27. n} . O problema ´ mais s´rio do que o leitor. Ele ´ c˜ a e u e apenas um s´ ımbolo tipogr´fico cujo papel ´ dizer que tanto a uni˜o quanto a interse¸˜o da a e a ca fam´ (Ai )i∈I s˜o tomadas para todo i ∈ {1. x ∈ Ai para todo i ∈ I}. por exemplo) ´ quase sempre in´til. Ora. Dizemos que a fam´ est´ indexada pelo ´ ılia a ındice i ∈ I. queremos encontrar f : [a. Sejam I e C conjuntos n˜o vazios. uma aproxima¸˜o para a solu¸˜o de (10. Da mesma forma. por e yi = yi−1 + g(yi−1)(xi − xi−1 ) ∀i ∈ {1. Nas aplica¸oes de EDO’s em ´reas externas ` Matem´tica saber que determinado problema c˜ a a a tem solu¸˜o. . e ca a ılia existem nota¸oes especiais para a uni˜o e a interse¸˜o da cole¸˜o. i∈I i∈I Exemplo 1. de uma fam´ de conjuntos. . f ′ (x1 ) ≈ x2 − x1 Ou seja y2 = y1 + g(y1)(x2 − x1 ) ´ uma aproxima¸˜o para f (x2 ). . O que se espera. este ´ o principal uso da palavra fam´ mas n˜o e ılia a o ´nico. (10.4 Fam´ ılias Dissemos anteriormente (Defini¸˜o 5. Dada uma parti¸˜o (ou malha. as solu¸oes de EDO’s n˜o podem ser escritas em c˜ a termos das fun¸oes elementares comumente usadas! (O exemplo cl´ssico ´ a fun¸˜o f tal c˜ a e ca 2 e que f ′ (x) = e−x para todo x ∈ R. f ∈ C 2 (R). i + 1) e Bi = (−i2 − 1. Uma fam´ (Ai )i∈I de elementos ¸˜ a ılia de C ´ uma fun¸˜o A : I → C para a qual denotamos por Ai (em vez de A(i)) a imagem e ca de i por A. uma fam´ de pessoas ´ uma fun¸˜o cujo contradom´ ´ um ılia e ca ınio e conjunto de pessoas. Se (Ai )i∈I ´ uma fam´ c˜ a ca ca e ılia de conjuntos. b] \ P o valor da fun¸˜o f ´ ca e O s´ ımbolo ∞ (infinito) que aparece nas nota¸oes anteriores n˜o ´ um n´mero. b]. ınio e a o a Como dito anteriormente. . Ai = R. .8) o ca ca ca m´todo num´rico mais simples ´ o M´todo de Euler. 3. Neste caso. ca De maneira geral estamos interessados no seguinte problema. indutivamente. Na verdade. FAM´ ILIAS 9 perdemos fazendo isto. ou melhor. }. se f ´ deriv´vel e f ′ = f . e o tradom´ ınio. De fato. ent˜o ca e o a f ′ (x0 ) ≈ f (x1 ) − f (x0 ) =⇒ f (x1 ) ≈ f (x0 ) + f ′ (x0 )(x1 − x0 ) = y0 + g(y0)(x1 − x0 ). . A ideia deste m´todo ´ a seguinte. y1 = y0 + g(y0)(x1 − x0 ) ´ uma aproxima¸˜o para f (x1 ) que ser´ usada para obter e ca a uma aproxima¸˜o para f (x2 ). ca u e u de fato. . . ´ encontrar tal solu¸˜o.8)  f (a) = y0 . Sejam Ai = (i. b] → R deriv´vel e tal que a  ′  f (x) = g f (x) ∀x ∈ [a. ent˜o f ′ ´ cont´ e a a e ınua pois f ´ cont´ e ınua. . Este mesmo s´ ılia a ımbolo aparecer´ em a v´rias nota¸oes ao longo do texto sendo que em cada uma delas seu papel ser´ diferente. ılia e Os gram´ticos que nos perdoem (:-)) mas usamos o sufixo “´simo” em i-´simo mesmo a e e quando i n˜o ´ um n´mero cardinal. b]. . isto ´.) Neste caso. Temos ca o f (x2 ) − f (x1 ) =⇒ f (x2 ) ≈ f (x1 ) + f ′ (x1 )(x2 − x1 ) ≈ y1 + g(y1)(x1 − x2 ). Por essa raz˜o (10. como f ∈ C 1 (R) e f ′ = f temos que f ′ ∈ C 1 (R). ca ao introduzirmos uma fam´ ´ obrigat´rio dizer que tipo de objetos constituem o seu conılia. definimos y1 . . Frequentemente.8) ´ chamado de Problema de Valor Inicial a e (PVI) ou de Problema de Cauchy. ent˜o tamb´m ´ usual escrever e u e a e e n n Assim. . .9) i=m Ai = Am ∪ · · · ∪ An e i=m Ai = Am ∩ · · · ∩ An . yn . 0). n}. que I ´ o conjunto de e ´ ındices e que Ai ´ o i-´simo elemento (ou membro) da fam´ e e ılia. ´ E razo´vel esperar que yi seja uma boa aproxima¸˜o para f (xi ) tanto melhor quanto menor a ca for max |xi − xi−1 | . ´nica e regular (C 1 ou C ∞ . a vari´vel x ´ substitu´ por t e interpretada como tempo e a ´ cona e ıda e siderado o tempo inicial. Ent˜o: a Bi = R. respectivamente. N˜o existem m´todos gerais para encontrar express˜es e ca a e o de solu¸oes de EDO’s. uma fam´ ´ uma fun¸˜o para a qual usamos uma nota¸˜o especial. e e e e e e Sejam f solu¸˜o do PVI e x0 = a. talvez. Trata-se.14. . 2.4. x1 − x0 1. o uso mais frequente do termo fam´ ´ quando o contradom´ ılia e ınio ´ uma cole¸˜o de conjuntos. . i ∈ {1. sendo x2 > x1 pr´ximo de x1 . . a ca e e possa imaginar. Por isto. ent˜o as nota¸oes usuais s˜o e a c˜ a +∞ +∞ Ai = i=1 i∈N Ai = A1 ∪ A2 ∪ · · · e i=1 Ai = i∈N Ai = A1 ∩ A2 ∩ · · · . Por exemplo. Para encontrar uma solu¸˜o. Se I ´ o conjunto de todos os inteiros positivos. devemos usar esquemas num´ricos para a resolu¸˜o de EDO’s. . De fato. a e u Observe que na nota¸˜o (Ai )i∈I n˜o aparece o contradom´ ca a ınio C da fun¸˜o. .

procurando f no conjunto das fun¸oes deriv´veis (com derivadas n˜o necessariamente cont´ c˜ a a ınuas). c˜ a (a) A ⊂ B. Vejamos um exemplo. b]. ca o o Exemplo 10. (c) A ∪ B = B. Por hora. → 3. (f) X ∁ = ∅. Londres. biol´gicas. =⇒(d) A ∩ X = A. ⋆ EQUACOES DIFERENCIAIS. Nada ganhamos ou . b] .10 CAP´ ITULO 1. e c˜ Por´m.  f (a) = y0 . intersec¸˜o. denotada por f (x) = exp(x) ou ca f (x) = ex para todo x ∈ R. e a a p. se impusermos que f assuma um dado valor no ponto a. Neste caso. b] tal que  ′  f (x) = g(x) ∀x ∈ [a.11 no. B e C subconjuntos de um conjunto X. Inglaterra. Prove que as seguintes afirma¸oes s˜o equivalentes. (b) A ∩ B = A. (dif´ Defina Z = ıcil) X. ¸˜ 171 1. Exemplo 10. Como aplica¸˜o do Teorema de Arzel´o a c˜ ca a Ascoli mostraremos a existˆncia de solu¸˜o de uma classe de EDO’s.8. =⇒(g) i∈I Ai i∈I ∁ i∈I i∈I = i∈I A∁ . =⇒(h) A ⊂ B implica que B ∁ ⊂ A∁ . Nesta se¸˜o abordaremos apenas ca o ca algumas quest˜es referentes `s equa¸oes diferenciais. diferen¸a ou diferen¸a sim´trica a ca c c e entre conjuntos ([L] p. ca (b) A ∪ (B ∩ C) = (A ∪ B) ∩ (A ∪ C) (distributividade da uni˜o). Procuramos f ∈ C 1 [a.† 18/03/1871. Augustus De Morgan: ⋆ 27/06/1806. De acordo com o enunciado.23 no. Prove que: ılia (e) A ∩ Ai = (Ai ∩ A). Conclua que n˜o existe o conjunto de todas as coisas. (e) ∅∁ = X. Nos itens abaixo ⊕ representa uni˜o.4.180).7). Poder´ ca ıamos ter sido menos exigentes.  f (0) = 1. [Ros]. Calcule: (a) x∈[1. i Este ´ um exemplo muito simples de EDO. b] tal que f ′ (x) = g(x) ∀x ∈ [a. Seja (Ai )i∈I uma fam´ de subconjuntos de X. Agora vamos abordar outra quest˜o relevante no estudo de a solu¸oes de equa¸oes diferenciais: a regularidade. Conjuntos e opera¸˜es co 1 1 . ´ India . procuramos c˜ c˜ solu¸˜o f na classe C 1 (R). Determine se Z = P(R × R). qualquer (nk )k∈N satisfaz as condi¸oes da demonstra¸˜o! Este erro pode ser corrigido sem muito esfor¸o (exerc´ 17. existem infinitas solu¸oes. x x 1 1 . Seja (An )n∈N uma fam´ de conjuntos e A = n∈N An . a (c) (A ∪ B)∁ = A∁ ∩ B ∁ (lei de Morgan1 ). . x Como exemplo. ⋆ 7. Prove que existe uma fam´ ılia ılia (Bn )n∈N com Bn ⊂ Bn+1 e A = n∈N Bn ([T] p. b]. Uma situa¸˜o pouco mais complicada que a do exemplo anterior ocorre quando do lado ca direito da equa¸˜o aparece a pr´pria inc´gnita. .10 e 11).6) 4.5.5. dados g ∈ C [a. ♯ 8.1 Exerc´ ıcios. . considere que (fn )n∈N seja constante.4 ⋆ Equa¸oes diferenciais. Sejam A.7) X × Y . / a nem o conjunto de todos os conjuntos. (g) A ⊂ B e B ⊂ C implica que A ⊂ C. NOCOES DE TEORIA DOS CONJUNTOS ¸˜ 10. Desta forma. p.+∞) (b) x∈[1. Estas leis de distributividade e leis de Morgan podem ser generalizadas. existe uma ´nica u f ∈ C 1 [a. Seja g ∈ C [a. ent˜o o Corol´rio 178.2] (c) x>2 0. A existˆncia de solu¸˜o ´ consequˆncia imediata e e ca e e do Segundo Teorema Fundamental do C´lculo. x − . (a) prove que (A ⊕ B) × C = (A × C) ⊕ (B × C) (propriedade distributiva). 5.6). b] e y0 ∈ R. O termo “diferenciais” vem do fato que na equa¸˜o o e ca a u ca aparece a derivada (de alguma ordem) da fun¸˜o inc´gnita. x0 + ε). 10. Resumindo. existe um conjunto N tal que N ∈ A. (extra) Usando o argumento do Paradoxo de Russel. → 1. (f) x∈R−Q =⇒ 2. x+1 x 1 . . qualquer que seja c ∈ R.x+ 2 2 (e) ε>0 (x0 − ε. Procuramos f ∈ C 1 R tal que  ′  f (x) = f (x) ∀x ∈ R. c˜ ca c ıcio p.135) que existe no m´ximo uma solu¸˜o de (10. Muitas situa¸oes f´ c˜ ısicas. O leitor interessado e ca em se aprofundar no assunto poder´ consultar algum dos v´rios livros dispon´ a a ıveis como. x 1 . a chamada fun¸˜o exponencial.Y ∈P(R) 1 (10.1).126 (vi) garante a unicidade. Prove que (a) A ∪ ∅ = A. Sejam A. B e C subconjuntos de um conjunto X. (10. c˜ (d) x∈Q 1 1 . (c) A ∪ X = X. (d) (A ∩ B)∁ = A∁ ∪ B ∁ (lei de Morgan). Prove que: (a) A ∩ (B ∪ C) = (A ∩ B) ∪ (A ∩ C) (distributividade da interse¸˜o). Neste tipo de equa¸˜o a a ca inc´gnita ´ uma fun¸˜o (n˜o um n´mero). (b) A ∩ ∅ = ∅. − . J´ vimos (exerc´ 14(c). prove que dado um conjunto A.5 1. Madura. econˆmicas. 6. Mostrar que a ıcio a ca existe alguma solu¸˜o ´ tarefa mais elaborada que ser´ deixada para depois. ent˜o isto a a tamb´m ocorre com f + c. (b) Examine a validade da lei de cancelamento “A ⊕ B = A ⊕ C implica B = C”. A diferen¸a sim´trica entre dois conjuntos A e B ´ definida por A△B := (A − B) ∪ c e e (B − A). (f) A ∪ Ai = (Ai ∪ A). i (h) i∈I Ai i∈I ∁ = i∈I A∁ . diremos ca e a apenas que existe tal f . s˜o modeladas por equa¸oes dio o a c˜ ferenciais ordin´rias (comumente abreviadas pela sigla EDO). Observe que se f satisfaz (10.9. por exemplo.

=⇒ 15. 4). Considere f : R → R definida por f (x) = x2 − 9. Seja f : X → R.5) que e (fnk (x))k∈N tamb´m ´ de Cauchy e. ca H´ um pequeno erro na demonstra¸˜o acima: n˜o ´ poss´ demonstrar que a sequˆncia a ca a e ıvel e (nk )k∈N ´ estritamente crescente e. (d) X = {5}. . p(2). o (e) subconjunto de R associa seu complementar. e e k→+∞ =⇒ 9. usando que (g1. IB . da equicontinuidade de (fn )n∈N . (b) IA∪B ≤ IA + IB . a (g) fun¸˜o deriv´vel f : R → R associa sua derivada. (d) Y = (−4. ca Mostremos que (fnk )k∈N converge simplesmente. De fato. a e conclu´ ımos a afirma¸˜o.n (x2 ))n∈N tamb´m ´ limitada obtemos subsequˆncia e e e (g2. x2 . 11 Demonstra¸˜o. seja j ∈ N tal que a e y = xj .2 Fun¸˜es co (z − δm . Em particular. Considere f : R2 → R definida por f (x. Como Dm ´ finito. logo. Determine f −1 (Y ) e f (X) para: (a) X = {(x. a e e Definimos (fnk )k∈N por fnk = gk. 1). sobrejetiva ou bijetiva uma fun¸˜o que a cada: e ca =⇒(a) dois n´meros naturais associa seu MDC. e e pelo Teorema de Bolzano-Weierstrass (Teorema 89. existe Dm ⊂ K. Como (gj. x2 /9 + y 2 /4 = 1} e Y = [4. ε > 0 e m ∈ N tal que m > 3/ε. . a Como K ´ compacto e K ⊂ z∈K (z − δm . =⇒ 11. p. Fazendo a l → +∞.n (x2 ))n∈N convergente. logo. Seja f (x) = lim fnk (x).48 no. Sejam A. Dado um polinˆmio p(x) de grau menor ou igual a n defina uma fun¸˜o que associa a p seu valor nos pontos 1.170 ˆ CAP´ ITULO 10. existe k0 ∈ N tal que se k ≥ k0 . 0).4) O conjunto D = +∞ Dm ´ enumer´vel (pois ´ uni˜o enumer´vel de conjuntos finitos) e. Considere f : N \ {1} → N. para k. para todo n ∈ N. 6.57). . . Considere f : A → B qualquer e b ∈ B. Determine f −1 (Y ) para: (a) Y = {1}. u =⇒(b) matriz associa a sua matriz a sua matriz transposta. Determine f −1 (Y ) para: (a) Y = {−1}. Monte sistema linear. portanto. B ⊂ C e fun¸oes indicadoras (ou caracter´ c˜ ısticas) IA .9).n )n∈N ´ subsequˆncia de (gj.n (x3 ))n∈N existe subsequˆncia (g3. obtemos 2ε ≤ ε.5) 3 Mas y ∈ D. 3]. constru´ ımos uma sequˆncia (gi. Determine f −1 ({3}). p(3)). (c) X = {(x. Para x ∈ K e n ∈ N temos |fn (x)| ≤ fn < M de modo que (fn (x))n∈N ´ limitada. Afirmamos que. podemos escrever D = {x1 . 12. 9]. Repetindo o processo. ∀n ∈ N. y) = x2 + y 2. Agora. e somente se. (c) X = [−2. ca a o ca → 10. ent˜o fnk = gk. 0]. z + δm ). Qualquer que seja x ∈ K. (c) bijetiva. m. |x| + |y| ≤ 1} e Y = [−4. temos que |fnk (x) − fnl (x)| ≤ |fnk (x) − fnk (y)| + |fnk (y) − fnl (y)| + |fnl (y) − fnl (x)| 2ε ≤ |fnk (y) − fnl (y)| + . 1].n(xj ))n∈N converge. e e e =⇒ 18. ca 16. se i ≥ j. ent˜o e a k ≥ k0 =⇒ ε |fnk (y) − f (y)| ≤ . que (fnk )k∈N ´ uma subsequˆncia de (fn )n∈N . obtemos que existe y ∈ Dm tal que |x − y| < δm e. EXERC´ ICIOS.4). Falta mostrar que a convergˆncia ´ uniforme. y) ∈ R2 . portanto. A ∩ B = ∅. =⇒(d) polinˆmio p(x) de grau 0. Determine as fun¸oes indicadoras IA∪B . Considere f : R → R definida por f (x) = sen(x). (f) subconjunto n˜o vazio de N associa seu menor elemento. . =⇒ 14. Prove que f = f 2 sse f = IA para algum A ⊂ X ([Sp] p. (b) X = [1. valendo a igualdade se. (b) sobrejetiva. f −1 ({2}) para: (a) f (n) igual ao maior fator primo de n. (b) Y = [1. Para cada um dos itens abaixo. Determine condi¸oes em n e m para que esta fun¸˜o seja: c˜ ca (a) injetiva. . x2 − 4x + 7 + y 2 + 4y = 0} e Y = [−1. −1] ∪ [2. 9]. SEQUENCIAS DE FUNCOES ¸˜ 1.n (xj ))n∈N converge. defina (indicando dom´ e contradom´ ınio ınio) e determine se ´ injetiva. (10. IA∩B e IA∁ em termos de IA e IB .5. }. Seja M > 0 tal que fn < M para todo n ∈ N. (b) Y = (0. 1] → R associa o valor de sua integral. Pela limita¸˜o de (g2. (c) matriz associa seu determinante. Determine f −1 (Y ) para: (a) Y = (−4. (c) Y = [1. Considere f : R → R definida por f (x) = x2 .5. Prove que (a) A ⊂ B se. De (10.n )n∈N e (gj. Considere f : R2 → R definida por f (x. Dica: Fa¸a o caso n = 1 (retas) e n = 2 (par´bolas). (10. .5). Escrevemos e e Dm = {y1 . c˜ 13. ent˜o (fnk (y))k∈N ´ convergente. (c) Y = [−1. se y ∈ D. O que se pode afirmar sobre f −1 ({b}) (imagem inversa do conjunto unit´rio {b}) sabendo que: a (a) f ´ injetiva? e (b) f ´ sobrejetiva? e 19. 9]. obtemos δm > 0 tal ca que se x. tal que e K⊂ z∈Dm 1. (fnk (y))k∈N ´ convergente e.k para todo k ∈ N. finito. → 20. (c) Y = (−∞. ca a =⇒(h) fun¸˜o integr´vel f : [0. (b) f (n) igual a soma dos expoentes na decomposi¸˜o em primos de n. Se k ≥ j. .n )n∈N . Para cada m ∈ N. z + δm ). 1]. . (fn (x1 ))n∈N ´ limitada.n )n∈N i∈N de sequˆncias e e tais que. j´ vimos que existe y ∈ Dm para o qual vale (10. ent˜o (gi. (b) Y = {0}. y) ∈ R2 . convergente. 9]. → 17. IA ≤ IB . ent˜o |fn (x) − fn (y)| < 1/m. (d) Y = [0. f −1 ({5. 1 ou 2 associa (p(1). de Cauchy. y ∈ K e |x − y| < δm . portanto. ela tem subsequˆncia (g1. |fnk (x) − f (x)| ≤ |fnk (y) − f (y)| + 3 O que conclui a demonstra¸˜o. Determine f (X) para: =⇒(a) X = (−4. y) = xy. Seja ε > 0 e m > 3/ε. 4). e somente se. Sejam x ∈ K. ε 1 < .n (x3 ))n∈N ca e convergente. 7}). 2. l ∈ N. Para o caso c a geral utilize matriz de Vandermonde. portanto. 3 ∀y ∈ Dm . 0). . . y) ∈ R2 . . −1].k ´ um termo de (gj. (b) X = {(x. e a e a a m=1 portanto. |fn (x) − fn (y)| < m 3 Em particular. Segue de (10. (d) Y = {5}. yp }.k (x1 ))n∈N e convergente.

→ 22. Prove que: (a) se Y ⊂ Y ⊂ B ent˜o f −1 (Y ) ⊂ f −1 (Y ). Por defini¸˜o a ca de supremo. e somente se. =⇒(c) f ´ injetiva se. Seja f : R → R definida por f (x) = |x|. (fn )n∈N ´ limitada. e somente ¸˜ a se. f (X − X) = f (X) − f (X) para todo X. a simplesmente convergente para f . f (A − X) = f (A) − f (X) para todo X ⊂ A. ca (f) se Y . a a . a condi¸˜o que define subsequˆncia de uma e ca ca e sequˆncia de n´meros reais.2. Cabe agora perguntar se toda sequˆncia limitada em C(K) tem subsequˆncia convergente e e em C(K). ESPACO C(K) E EQUICONTINUIDADE. ∀ε > 0. a Obs: f −1 tem o sentido da Defini¸˜o 19. Determine se existe inje¸˜o. Y ) em F (X.7 ca ca (imagem direta). ca Dica: Tome x ∈ A ∪ B e considere o produto cartesiano de {x} com A e B. =⇒ 27. X ⊂ A. e Dica: Utilize os itens (c) e (d). It´lia. fn − f = sup{|fn (x) − f (x)| .. 1). Torino. ∃δ > 0 tal que x. subsequˆncia de (fn )n∈N ⊂ C(K). sequˆncia limitada em C(K). f for bijetiva. A rigor. It´lia. e ıvel e 26. =⇒(a) f −1 (C ∪ D) = f −1 (C) ∪ f −1 (D). e somente se. e somente se. e e antes de poder enunciar tal teorema. ¸ 169 → 21. y ∈ K. a (b) se Y ⊂ B ent˜o f −1 (Y ∁ ) = [f −1 (Y )]∁ . a →(d) se X ⊂ A ent˜o X ⊂ f −1 (f (X)). ∀n ∈ N. Portanto. It´lia . =⇒ 25. X ⊂ A. i. e somente se. se x ∈ [0. sobreje¸˜o ou bije¸˜o de F (X. Seja f : A → B. Ent˜o fn → f se. Seja f restri¸˜o da fun¸˜o g. temos |fn (x) − f (x)| ≤ fn − f < ε. Ora. e somente se. La Spezia. ca ent˜o fn − f < ε. X ⊂ A. Infelizmente a resposta ´ n˜o. e f (x) = 1. W ) se: ca ca ca Cesare Arzel`: ⋆ 06/03/1847. Logo. Contrariando a continuidade de f . La Spezia. Prove que: ılia =⇒(b) f −1 (C ∩ D) = f −1 (C) ∩ f −1 (D). Precisamos de uma hip´tese adicional para obter o resultado requerido. Determine a condi¸˜o exata para cada item. Procuramos um resultado sobre sequˆncia de fun¸oes que tenha papel semelhante ao do e c˜ Teorema de Bolzano-Weierstrass (Teorema 89. Prove que f ´ invert´ se e somente se f ´ bijetiva. It´lia . trocamos valor absoluto por norma. Portanto.7 (imagem inversa) e f da Defini¸˜o 18. ser´ necess´rio definir: a a i. Y ⊂ B ent˜o f −1 (Y − Y ) = f −1 (Y ) − f −1 (Y ). Ou seja. portanto. i∈I Bi = i∈I f i∈I Bi = i∈I f ca Obs: f −1 tem o sentido da Defini¸˜o 19. fn ≤ 1 para todo n ∈ N e. (b) f (X ∩ X) ⊂ f (X) ∩ f (X) para todo X. Sejam f ∈ C(K) e (fn )n∈N ⊂ C(K). f (X ∩ X) = f (X) ∩ f (X) para todo X. (Bi )i∈I uma fam´ de subconjuntos de B e C. c e e (d) fa¸a (a) e (b) utilizando f −1 (imagem inversa) ao inv´s de f . p.53. 1] e para todo n ∈ N. p. D ⊂ B. Portanto.7 (imagem inversa). e somente se. p. (fn )n∈N converge uniformemente para f . Considere f : A → B. E imediato que |f (x)| = |xn | ≤ 1 para todo x ∈ [0. portanto. Suponhamos que fn → f . x ∈ K} ≤ ε. f for injetiva ou sobrejetiva. ent˜o esta seria uniformemente convergente para f e. a (e) a igualdade ocorre em cada um dos 2 itens anteriores se.12 CAP´ ITULO 1. lembremos que uma sequˆncia (xn )n∈N de n´meros reais ´ limitada ca e u e a quando existe M > 0 tal que |xn | ≤ M para todo n ∈ N. ent˜o |fn (x) − f (x)| < ε para todo x ∈ K. (d) f −1 (Bi ). Suponhamos agora que (fn )n∈N seja uniformemente convergente para f .5. o TEOREMA 232.3. (g) f ´ injetiva se. Consideremos novamente a sequˆncia (fn )n∈N do e a e ´ Exemplo 10. e O item (ii) ´ imediato: na Defini¸˜o 82. 3] e Y = [−5. Se ela tivesse subsequˆncia e e convergente para f em C(K). Sejam f : A → B. c =⇒ 23. fn → f . DEFINICAO 231. |x − y| < δ =⇒ |fn (x) − fn (y)| < ε. e (d) f ´ injetiva se. e ii. e somente se. e =⇒ 24. a →(c) se Y ⊂ B ent˜o f (f −1 (Y )) ⊂ Y . e somente se.† 15/03/1912. e a e (b) a rec´ ıproca ´ falsa. Inspirados no que j´ fizemos. se x = 1. para todo x ∈ K. a mesma defini¸˜o ca tem sentido para sequˆncias em C(K). Livorno. X ⊂ A.† 10/05/1957. p. (Arzel`1 -Ascoli2 ) Se (fn )n∈N ⊂ C(K) ´ limitada e equicont´ a e ınua. Prove que: ca ca (a) se g ´ injetiva ent˜o f ´ injetiva. e u a e ela ignora que s˜o n´meros reais e considera apenas os ´ a u ındices. Prove que existe f : A → B injetiva se. X = [−2. Conclua que a igualdade ocorre se. Prove que dados dois conjuntos A e B existem A e B disjuntos tais que existe bije¸˜o ca de A com A e bije¸˜o de B com B. 28. Uma sequˆncia (fn )n∈N ⊂ C(K) ´ limitada se existe M > 0 tal que ¸˜ e e fn ≤ M para todo n ∈ N. Concluir´ ıamos que f (x) = 0. 1. a a a Guido Ascoli: ⋆ 12/12/1887. a (fn )n∈N converge uniformemente para f . existe g : B → A sobrejetiva. a e 1 2 =⇒ 29. (f) f ´ injetiva se. e Para a limita¸˜o. Algo que e e diga que sequˆncias limitadas em C(K) tem subsequˆncias convergentes em C(K). −1 −1 −1 (c) f (Bi ). Prove que: (a) f (X ∪ X) = f (X) ∪ f (X) para todo X. Determine: (a) f (X ∪ Y ) e compare com f (X) ∪ f (Y ): qual conjunto ´ maior? e (b) f (X ∩ Y ) e compare com f (X) ∩ f (Y ): qual conjunto ´ maior? e (c) fa¸a (a) e (b) utilizando g(x) = 3x + 1 ao inv´s de f . [f (X)]∁ ⊂ f (X ∁ ) para todo X ⊂ A. NOCOES DE TEORIA DOS CONJUNTOS ¸˜ 10. Dado ε > 0. Dado ε > 0 existe N ∈ N tal que se n ≥ N.57) para as sequˆncias num´ricas. p. Considere f : A → B qualquer.3 Fun¸˜es entre conjuntos de fun¸˜es co co ent˜o (fn )n∈N tem subsequˆncia convergente em C(K). f (X ∁ ) ⊂ [f (X)]∁ para todo X ⊂ A. n˜o considera a natureza dos elementos da sequˆncia.e. e e (e) f ´ sobrejetiva se. e PROPOSICAO 230. Demonstra¸˜o. −1]. existe N ∈ N tal que se n ≥ N.

e (c) ψ : X → P(X) ´ sobrejetiva. c ca → 33. norma C 0 . Excluindo as c ca ca diferen¸as de nota¸˜o (xn ou fn ) e a natureza dos elementos das sequˆncias (em R ou C(K)). X) e X N = N X = X × · · · × X (N vezes). Determine uma bije¸˜o entre: a ca =⇒(a) F ({1. Apesar desta diferen¸a. e As principais propriedades da norma s˜o dadas na proposi¸˜o a seguir. ca DEFINICAO 227. f + g = sup{|f (x) + g(x)| . ca =⇒ 31. etc.168 ˆ CAP´ ITULO 10. W ) em F (Y .60 para mostrar que se fn → f e gn → g. Determine se existe inje¸˜o. x ∈ K} = f + g demonstra (iv). muitos dos resultados sobre sequˆncias em R e tˆm correspondentes para sequˆncias em C(K). A) e F (B. Repare na grande semelhan¸a entre esta defini¸˜o e a Defini¸˜o 83. {0. =⇒(a) Y ⊂ W . As raz˜es o para os dois primeiros nomes s˜o ´bvias (lembre-se que C(K) tamb´m ´ denotado C 0 (K)). Prove que nenhuma fun¸˜o: ca (b) ϕ : X → F (X. F (B. p. Pelo Teorema de Weierstrass (Corol´rio 159.27.21).110). x ∈ K} ≤ sup{|f (x)|. como a norma tem propriedades semelhantes a do valor absoluto c (notadamente. p. (c) existe sobreje¸˜o de Y em W . o supremo que define f ´ finito. {0. Dica para (c): Associe a f o conjunto f −1 ({1}) ou a A ⊂ X a fun¸˜o caracter´ 32. Seja X um conjunto n˜o vazio. Estabele¸a uma bije¸˜o entre F (A × B. Finalmente. vale a desigualdade triangular). A) ([T] p. baseie-se na demonstra¸˜o ca da Proposi¸˜o 94. iv. se f = 0. e Dica: Argumento diagonal de Cantor da Proposi¸˜o 38. C)) ([L] p. pora e tanto. Repare na semelhan¸a entre a propriedade (iv) e a desigualdade triangular. (norma) Sejam f. 34. aparece a norma (em fn − f ) e l´ aparece o valor absoluto c a e a (em |xn − x|). Uma sequˆncia (fn )n∈N ⊂ C(K) ´ dita convergente em C(K) se existe ¸˜ e e f ∈ C(K) de modo que ∀ε > 0. x ∈ K}. O item (iii) segue de ca a o cf = sup{|c||f (x)| . As propriedades (i) e (ii) s˜o ´bvias. a iii.55. toda f ∈ C(K) ´ limitada e. e n=1 =⇒(c) P(X) e F (X. x ∈ K} ≤ sup{|f (x)| + |g(x)| . ıcio Neste caso. 2}. p.20. sobreje¸˜o ou bije¸˜o de F (X. c a ela tamb´m ´ chamada de Desigualdade triangular. 1}) ´ sobrejetiva.24 no.161. e e a a ca DEFINICAO 229. A) × ca F (C. e e Quando se deseja distinguir entre os v´rios tipos de norma. ca a A pr´xima proposi¸˜o esclarece a raz˜o do nome norma da convergˆncia uniforme. cf = |c| f .5.5). se A ´ finito com N elementos. ca e Generalize este resultado: Seja X um conjunto n˜o-vazio qualquer e Y um conjunto com a pelo menos 2 elementos. A raz˜o ser´ explicada pela Proposi¸˜o 230. (b) F (A. ent˜o fn + gn → f + g. c ca e a diferen¸a not´vel ´ que. ca (d) existe bije¸˜o de Y em W . Ver tamb´m Dica1 do ca e exerc´ 8. Suponha que B ∩ C = ∅. escrevemos fn → f e dizemos que f ´ o limite da sequˆncia (fn )n∈N ou que fn e e converge para (ou tende a) f em C(K) quando n tende a mais infinito (n → +∞). C) e F (A. g ∈ C(K) e c ∈ R. ca (d) existe bije¸˜o de X em Y . ca ıstica IA . f + g ≤ f + g . ent˜o f (x) = 0 para todo x ∈ K. aqui. p. Y ) ´ sobrejetiva. Como exerc´ e e ıcio. (argumento diagonal de Cantor) (a) Prove que nenhuma fun¸˜o ϕ : N → F (N. (b) existe inje¸˜o de X em Y . 1}). Seja f ∈ C(K). Prove que existe uma bije¸˜o entre F (B ∪ C. norma infinito. =⇒ 30. Temos que ¸˜ i.11 no. X) e X × X. ca 13 (b) existe inje¸˜o de Y em W . p. Definimos a norma de f por ¸˜ f = sup{|f (x)| . W ) se: ca ca ca =⇒(a) X ⊂ Y . o ca a e . N˜o por acaso. p. ca (c) existe sobreje¸˜o de X em Y . EXERC´ ICIOS. Outro nome bastante u a ıcio usado ´ norma da convergˆncia uniforme. x ∈ K} = |c| sup{|f (x) |. ii. x ∈ K} = |c| f . v´rios nomes s˜o usados para a a a a norma aqui definida: norma do sup. x ∈ K} + sup{|g(x)|. SEQUENCIAS DE FUNCOES ¸˜ 1. Demonstra¸˜o. a o e e As duas ´ltimas nomenclaturas s˜o explicadas no exerc´ 18. f ≥ 0. ∃N ∈ N tal que n ≥ N =⇒ fn − f < ε. a ca PROPOSICAO 228.5. norma L∞ .

em C(K) definimos o conceito de norma. segue que f ´ uma primitiva de g. c C(K) = {f : K → R . Lembramos que ca a a A Proposi¸˜o 147.151. pelo Primeiro Teorema Fundamental do C´lculo. Por outro lado. C(K) ´ um espa¸o vetorial. digamos. b]. b]). tome ε > 0 e escolha N ∈ N tal que para n ≥ N tenhamos |fn (x0 ) − c| < ε Obtemos ent˜o que a x e ′ |fn (s) − g(s)| < ε.3.14 CAP´ ITULO 1. logo. Como em outros espa¸os vetoriais a e c c (Rn . ¸ 167 ′ Portanto (fn )n∈N converge uniformemente f = 0. g ∈ C(K) e c ∈ R.108 nos d´ que se f. Se existe x0 ∈ [a. b] tal que (fn (x0 ))n∈N ¸˜ converge e se (f ′ n )n∈N converge uniformemente para g : [a. por exemplo. c e como (f ′ n )n∈N ´ uniformemente convere e gente para g. a e Para concluir que (fn )n∈N converge uniformemente para f . pois. podemos ca a escrever x fn (x) = fn (x0 ) + x0 f ′ (s)ds. b]. ent˜o f + g ∈ C(K) e ca a a cf ∈ C(K). por exemplo). PROPOSICAO 226. p. Nesta se¸˜o K representar´ um subconjunto compacto n˜o vazio de R. NOCOES DE TEORIA DOS CONJUNTOS ¸˜ 10. b] → R. ∀s ∈ [a. ′ fn (0) = cos(n · 0) = 1 ∀n ∈ N. obtemos que (fn (x))n∈N converge para x f (x) = c + x0 g(s)ds. Dado x ∈ [a. 10. Seja (fn )n∈N ⊂ C 1 [a. . f ´ cont´ e ınua }. Demonstra¸˜o. |fn (x) − f (x0 )| ≤ |fn (x0 ) − c| + x x0 f ′ (s) − g(s) ds <ε+ x0 εds = (1 + |x − x0 |)ε ≤ (1 + b − a)ε. ESPACO C(K) E EQUICONTINUIDADE. e ınua (pois ´ limite uniforme de uma sequˆncia de fun¸oes cont´ e e c˜ ınuas). p. a sequˆncia (fn )n∈N n˜o e a converge para f ′ = 0. do Mas g ´ cont´ Corol´rio 209. Como (fn (x0 ))n∈N ´ convergente para. Por esta raz˜o. ent˜o (fn )n∈N converge a uniformemente para uma primitiva de g.3 Espa¸o C(K) e equicontinuidade.

fn (x) =  0 sen˜o. fn ´ integr´vel (e sua integral ´ nula). seja Dn = {x ∈ [a. portanto. tamb´m tem medida nula o conjunto e a e e ınua em x. portanto. (Da Boa Ordem) Todo subconjunto n˜o vazio de N possui elemento a m´ ınimo. x2 . 1] ´ enumer´vel. Dado ε > 0. A convergˆncia simples n˜o se comporta muito bem com respeito a integral. Definimos o conjunto A a u e e constitu´ pelos n´meros naturais que possuem uma certa propriedade P . portanto. Vamos demonstrar. Portanto.29). podemos escrever Q ∩ [0. Para cada n ∈ N. . b] . (Da Indu¸˜o (finita)) Seja A ⊂ N satisfazendo as seguintes propriedades: ca 1 ∈ A. e a Considere a sequˆncia (fn )n∈N dada por e   1 se x ∈ {x1 . inteiros e racionais u 2. se N > 1/ε. De t˜o natural. o Exemplo 10. b] e c˜ a convergente uniformemente para f . Neste caso. Este tipo de argumento ´ chamado de demonstra¸˜o por indu¸˜o. TEOREMA 225. e a a Seja ε > 0 e tome N ∈ N tal que |fn (x) − f (x)| < ε para x ∈ A e n ≥ N. Ent˜o f ´ integr´vel e a e a b n→+∞ b Cap´ ıtulo 2 N´meros naturais. n˜o ´ de se esperar que este tipo de convergˆncia se comporte bem com deria e e vadas. A estrat´gia ´ a seguinte. b] \ D temos que fn ´ cont´ n=1 ` convergˆncia uniforme. . ımos que A = N e. . fn ´ descont´ ca Como fn ´ integr´vel. de e ´ a medida nula. N ´ chamado de e a e conjunto dos n´meros naturais. a e a Novamente. Seja (fn )n∈N uma sequˆncia de fun¸oes integr´veis no intervalo [a. 1. . por indu¸˜o. De onde segue o resultado. ou seja. A seguir. .2.2) e ınua em x}. ent˜o. a conhecida f´rmula 1+· · ·+n = n(n+1)/2 ca o v´lida para todo n ∈ N. } (dos n´meros inteiros) bem como suas propriedades alg´bricas de soma e multiplica¸˜o e sua rela¸˜o de e ca ca ordem ≤. −2. 1] = {x1 .2 na p. ıpio ca a PRINC´ IPIO 28. Como Q ∩ [0. . . a PRINC´ IPIO 29. como mostra o e a e o pr´ximo exemplo. 2. . SEQUENCIAS DE FUNCOES ¸˜ Segue que |fn (x)−f (x)| < ε para x ∈ K e n ≥ N. n ∈ A implica que n + 1 ∈ A. Da´ conclu´ ı. gra¸as c D = +∞ Dn . que P ´ verificada por e todo n´mero natural. Logo.2). .166 ˆ CAP´ ITULO 10. .1 Naturais. . i. .1) (2. 0. Dn tem medida nula.7. Para todo n ∈ N e x ∈ [a. f ´ cont´ a e e ınua em x. mesmo a convergˆncia uniforme n˜o ´ muito satisfat´ria. E f´cil perceber que (fn )n∈N e a e converge para a fun¸˜o que vale um nos racionais e zero no irracionais que.1. inteiros e indu¸˜o. ca ca ıcio Exemplo 2. ca lim fn (x) dx = a a f (x) dx. o primeiro conjunto num´rico que aparece na hist´ria de u e o qualquer civiliza¸˜o ou em qualquer tratado sobre os fundamentos da Matem´tica. xn }. Temos ent˜o b a b b b fn (x) dx − a f (x) dx ≤ a |fn (x) − f (x)|dx ≤ a εdx = (b − a)ε. mostraıdo u se que A satisfaz (2. . }. u e ca ca ´ E conhecido por indu¸˜o finita pois existe a indu¸˜o transfinita (veja exerc´ 32. . . (2. temos a 1 1 | sen(nx)| ≤ < < ε. a Para cada n ∈ N.1 e 5. p. este ´ um problema da convergˆncia simples.e. n n N O Princ´ da Indu¸˜o (e suas variantes) ´ usado para demonstrar que certas propriedades ıpio ca e s˜o verdadeiras para todo n´mero natural. . Exemplo 10. ent˜o existe n ∈ B tal que n ≤ m para todo a m ∈ B. Vamos provar mais adiante que s˜o equivalentes. a o e A= n ∈ N 1+···+n = 15 n(n + 1) 2 .6. Para um esbo¸o da constru¸˜o de N e Z leia as Se¸oes 5. Conclu´ ımos que D cont´m todos os pontos de e descontinuidade de f e que. } ´ usado para contagens. 2. Como uma sequˆncia de fun¸oes cont´ e c˜ ınuas pode convergir simplesmente para uma fun¸˜o ca descont´ ınua. f ´ integr´vel. . para n ≥ N e x ∈ R. −1. como mostra e a o exemplo a seguir. ca a u Admitiremos conhecidos os conjunto N e Z = {. Demonstra¸˜o. se B ⊂ N com B = ∅. Ent˜o A = N.. Seja fn : R → R dada por fn (x) = sen(nx)/n. c ca c˜ No conjunto N valem dois princ´ ıpios fundamentais: o “Princ´ ıpio da Boa Ordem” e o “Princ´ da Indu¸˜o”.1) e (2. o conjunto dos pontos de descontinuidade de fn ´ finito e. Logo. ou seja. Seja A o conjunto dos n ∈ N para os quais a f´rmula ´ valida. como sabemos. (fn )n∈N converge uniformemente para f .2. 3. inexistente para a convergˆncia e e e uniforme. ca n˜o ´ integr´vel.83. O conjunto N = {1.

De fato. (Dini1 ) Sejam K ⊂ R compacto e (fn )n∈N ⊂ C(K). Da compacidade de K.2 Continuidade. Segue que f ´ cont´ e ınua em x0 . por hip´tese. Dado ε > 0.1) ca a ıpio e (2. se n ≥ N e x ∈ K.2 apresentamos uma sequˆncia de fun¸oes cont´ e c˜ ınuas que converge simplesmente para uma fun¸˜o descont´ ca ınua. 1 ∈ A. Vejamos agora que isto ´ suficiente para concluir a e demonstra¸˜o. n < m ∀m ∈ B}. Seja x0 ∈ A. o conjunto B = A∁ ´ n˜o vazio. ent˜o a 0 ≤ fn (x) − f (x) ≤ fN (x) − f (x) ≤ MN < ε. (Boa Ordem = Indu¸˜o) Vale o Princ´ da Boa Ordem se. que A = N. procedemos ca de modo an´logo). se a ∈ (0. se A∩B = ∅. NUMEROS NATURAIS. ou seja. f ≤ fn+1 ≤ fn para todo n ∈ N. ou seja. Se n + 1 ∈ B ent˜o n + 1 ´ um elemento a e m´ ınimo de B. Segue que 1 + · · · + m = 1 + · · · + n + (n + 1) = n(n + 1) (n + 1)(n + 2) m(m + 1) + (n + 1) = = . Suponhamos por absurdo a ıpio ca a que B n˜o possua elemento m´ a ınimo. Por´m. portanto. sen˜o. George 3 e Ringo 4. tomando e m = n ∈ B obtemos n < n o que ´ absurdo. It´lia a a . pois. Demonstra¸˜o. =⇒ |fn (x) − fn (x0 )| < ε. Assim. INTEGRAL E DERIVADA DE SEQUENCIAS DE FUNCOES. o ıcio TEOREMA 224.2 n˜o ´ uniforme. segue que n + 1 ∈ B e / portanto n + 1 < m para qualquer m ∈ B.† 28/10/1918. Tomemos n ∈ A. Suponha v´lido o Princ´ da Boa Ordem. Seja A = {n ∈ N . ca Destas duas rela¸oes obtemos que se x ∈ A e |x − x0 | < δ. 4} como contradom´ que f ainda seria injetiva. f (George) = 3 e f (Ringo) = 4. e somente ca ıpio se. obtemos c ≤ fm (x0 ) − f (x0 ). ent˜o f ´ a e cont´ ınua em x0 . Conclu´ ımos que n + 1 ∈ A. J´ sabemos que 1 ∈ B e portanto 1 < m qualquer ca a / que seja m ∈ B. portanto. Seja (fn )n∈N uma sequˆncia de fun¸oes de A ⊂ R em R convergente ¸˜ e c˜ uniformemente para f : A → R. Pela minimalidade de m. Acabamos de definir uma fun¸˜o injetiva f do conjunto A = {Beatles} no conjunto N. fn − f ∈ C(K) e. 1 ∈ B (sen˜o 1 seria elemento m´ / a ınimo de B). isto n˜o ınio e a seria poss´ se B fosse {1. pelo menos um elemento de B estaria ıvel Ulisse Dini: ⋆ 14/11/1845.1) e (2. o limite seria cont´ a e a ınuo em x0 = 1. ıpio ca Demonstra¸˜o. tomemos N ∈ N tal que MN < ε. em particular. por absurdo. o n´mero de integrantes do grupo The Beatles procedemos u da seguinte maneira. m − 1 ´ um natural menor que m. A pr´xima proposi¸˜o diz que este inconveniente o ca n˜o ocorre se a convergˆncia for uniforme. Assim.5. m ∈ N com nk ≥ m.2). Conclu´ e ımos que A ∩ B = ∅. Seja B ⊂ N n˜o vazio. A cada m´sico associamos um elemento do conjunto N seguindo a sua u ordem usual: Paul 1. 1 ∈ B = A∁ . E f´cil ver que (Mn )n∈N ´ decrescente e e a e positiva e. Tomando o limite quando m → +∞. temos que / e m − 1 ∈ B e portanto m − 1 ∈ A. INTEIROS E RACIONAIS ˆ 10.16 ´ CAP´ ITULO 2. Como fn ´ cont´ e ınua em x0 . convergente para c ≥ 0. existe xn ∈ K tal que e ´ a Mn = fn (xn ) − f (xn ) ´ o valor m´ximo de fn − f . p. neste caso. como K ´ compacto. Bastava tomar o conjunto B = {1. 2 2 2 10. Mostremos que c = 0. ent˜o a convergˆncia ´ uniforme. c = 0. B n˜o possui elemento m´ o a ınimo. Pisa. existe n ∈ N tal que ca x∈A x ∈ A. =⇒ |fn (x) − f (x)| < ε. 3} pois. ca de modo que f (P aul) = 1. ent˜o existe n ∈ A∩B. Para e k.2) conclu´ / ımos que m = (m − 1) + 1 ∈ A. B possui um elemento m´ ınimo m ∈ B. Se (fn )n∈N ´ e mon´tona e convergente simplesmente para f ∈ C(K). ıpio ca ou seja. que f´rmula acima ´ v´lida para todo n ∈ N. Suponhamos. Se fn ´ cont´ e ınua em x0 ∈ A para todo n ∈ N. 2. portanto. que A = N. Fazendo k → +∞.2) para concluir que A = N. obtemos subsequˆncia (xnk )k∈N convergente para x0 ∈ K.2 Cardinalidade. 165 ¸˜ Pelo Princ´ da Indu¸˜o. temos Mnk = fnk (xnk ) − f (xnk ) ≤ fm (xnk ) − f (xnk ). Quando ca e queremos contar. vale o Princ´ da Indu¸˜o. c˜ No Exemplo 10. a e PROPOSICAO 223. Pelo Princ´ da a e a ıpio Boa Ordem. Isto pode ser verificado a e e diretamente ou usando o pr´ximo teorema (ver exerc´ 4. conclu´ ımos que c ≤ 0 e. por exemplo. o a e e Demonstra¸˜o. Como. f (John) = 2. 1 2. CONTINUIDADE. Dado ε > 0. Isto significa que existe algum elemento de N que n˜o pertence a A e. o e a Evidentemente. ent˜o c˜ a |f (x) − f (x0 )| ≤ |f (x) − fn (x)| + |fn (x) − fn (x0 )| + |fn (x0 ) − f (x0 )| < 3ε. basta mostrar que A satisfaz (2. Como n ∈ A temos 1 + · · · + n = n(n + 1)/2. It´lia . Neste caso temos ∅ = A ∩ B = N ∩ B = B contradizendo a hip´tese B = ∅. Observamos inicialmente que A∩B = ∅. John 2. ca o Mostremos. Entretanto. Suponhamos que (fn )n∈N seja decrescente (se for crescente. existe δ > 0 tal que |x − x0 | < δ TEOREMA 30. Em particular. Mostraremos a seguir que A = N.1 o conjunto N ´ o conjunto usado para contagens. Com certeza m > 1 pois como 1 ∈ A. 1 ∈ A pois 1 = 1(1 + 1)/2. a Para cada n ∈ N. Da proposi¸˜o anterior podemos concluir que a convergˆncia do Exemplo ca e 10. 2. Como dissemos na Se¸˜o 2.179). Pelo Princ´ da ıpio Indu¸˜o A = N. o que ´ e absurdo.a] )n∈N ´ uniformemente convergente. Tomemos n ∈ A e mostremos que m = n + 1 ∈ A. 3. Pisa. Seja A ⊂ N satisfazendo (2. por indu¸˜o. 1). integral e derivada de sequˆncias de e fun¸oes. logo n + 1 ≤ m para todo m ∈ B. Suponha v´lido o Princ´ da Indu¸˜o. ent˜o a sequˆncia (fn |[0. Exemplo 10. De (2.2. Por defini¸˜o de A temos n < m qualquer ca que seja m ∈ B. a Tendo n ∈ A temos tamb´m n < m qualquer que seja m ∈ B.

o Terminamos esta Se¸˜o com duas defini¸oes de convergˆncia muito utilizadas em Probaca c˜ e bilidade. Assim. o valor de N depende de x e ε. . ∃N ∈ N tal que n ≥ N =⇒ |fn (x) − f (x)| < ε. tomemos N ∈ N tal que N > 1/ε. Estas considera¸oes nos levam `s seguintes defini¸oes: c˜ a c˜ DEFINICAO 31. n} possa ser contradom´ u ınio sem que f deixe de ser injetiva. Caso contr´rio dizemos que A ´ n˜o-enumer´vel. no segundo u e caso ocorre o contr´rio e. seja fn : [0. no terceiro eles s˜o iguais. Um professor vai aplicar uma prova e n˜o tem a certeza se a sala destinada a este efeito tem um n´mero suficiente de cadeiras para acomodar u os alunos. . co ca DEFINICAO 33. 1]. Dizemos que A e B tˆm a mesma ¸˜ a e cardinalidade ou que a cardinalidade de A ´ igual ` de B e escrevemos #A = #B. n}” ´ um subconjunto n˜o vazio (pois A ca e a ´ finito) de N e portanto possui um elemento m´ e ınimo. Sejam A e B dois conjuntos n˜o vazios. 17 Salientamos que. temos outro sentido de convergˆncia. existem cadeiras livres e todos os alunos est˜o sentados. 1] → R dada por fn (x) = x/n para todo x ∈ [0. A ´ infinito. Nela o s´ ca a ımbolo #A isoladamente n˜o tem nenhum sentido. ´ falsa como veremos no Exemplo 10. (10. Dizemos que ¸˜ e c˜ (fn )n∈N converge uniformemente para f : A → R se ∀ε > 0. a A defini¸˜o anterior faz sentido mesmo se os conjuntos A e B s˜o infinitos. n n N Portanto. .2. a iii. . . se A ´ finito ent˜o #A ´ um n´mero natural e tendo eles a mesma e e a e u cardinalidade temos que #A = #B e esta “igualdade” tem dois sentidos distintos: como igualdade de n´meros naturais e como apresentado na Defini¸˜o 33. Obtemos assim a resposta a a ` pergunta “qual conjunto tem mais elementos?” sem necessariamente conhecer os n´meros a u de elementos dos conjuntos envolvidos. finalmente. e a ii. Quando N n˜o ca a depende de x. e u Diremos tamb´m que o conjunto vazio ´ finito e que seu n´mero de elementos ´ 0. . ocorre no outro. . CARDINALIDADE. e somente se. (10. Ele pode contar as cadeiras e os alunos e comparar os resultados para obter a resposta. e e u e Observamos que o n´mero de elementos de um conjunto finito A n˜o vazio ´ bem definido u a e gra¸as ao Princ´ da Boa Ordem.1 e 10. Se existe n ∈ N e uma fun¸˜o injetiva ¸˜ a ca g : A → {1. na Defini¸˜o 219. . podemos pensar no a conceito de cardinalidade como generaliza¸˜o do conceito de n´mero de elementos. Por´m a “igualdade” u ca e ocorre num sentido se. No primeiro exemplo o valor de N depende de x e de ca ε (N > |x|/ε). se existe e a uma bije¸˜o f : A → B. DEFINICAO 221. caso contr´rio. p ≥ 1) para f : A → R se A |fn (x) − f (x)|p dx → 0 quando n → ∞. n} diremos que A ´ finito. assunto da pr´xima e o defini¸˜o. Seja (fn )n∈N uma sequˆncia de fun¸oes de A em R. ent˜o a 1 |x| x −0 = ≤ < ε. DEFINICAO 222. Apenas as express˜es #A = #B e #A = #B a o tˆm. enquanto que no segundo ele s´ depende de ε (N > 1/ε). Escrevemos #A = n. O menor n´mero e a e u n que verifica esta propriedade ´ dito n´mero de elementos de A. se n ≥ N e x ∈ [0. ca u ´ E imediato que a convergˆncia uniforme implica na convergˆncia simples. . Dado ε > 0.3) A rela¸˜o entre convergˆncia em norma e quase todo ponto ´ delicada. o conjunto dos n´meros n ∈ N que verificam a c ıpio u propriedade “existe fun¸˜o injetiva g : A → {1. . onde K tˆm medida nula. Dizemos ¸˜ e c˜ a que (fn )n∈N converge na norma Lp (A) (p ∈ R.164 ˆ CAP´ ITULO 10. A sequˆncia fn (x) = I[0. Uma alternativa ´bvia a este m´todo ´ pedir aos alunos que se acomodem e trˆs o e e e coisas podem acontecer ao final do processo: i. e Exemplo 10. (fn )n∈N converge uniformemente para a fun¸˜o nula. ca DEFINICAO 220. entretanto. Vejamos outro exemplo de contagem.4. SEQUENCIAS DE FUNCOES ¸˜ 2.3. Estas considera¸˜es motivam a seguinte defini¸˜o. e Exemplo 10. A rec´ e e ıproca. Seja (fn )n∈N uma sequˆncia de fun¸oes de A em R. Dizemos que um conjunto A ´ enumer´vel se ele ´ vazio ou se existe ¸˜ e a e uma fun¸˜o injetiva f : A → N.3.5. . Dizemos que ¸˜ e c˜ (fn )n∈N converge quase todo ponto (qtp) para f : A → R se n→+∞ lim fn (x) = f (x) ∀x ∈ A \ K. Por esta raz˜o. Deixamos para ca e e um curso de Teoria da Medida. . Caso contr´rio dizemos que eles n˜o tˆm a mesma cardinalidade ou ca a a e que suas cardinalidades s˜o diferentes e escrevemos #A = #B. a a No primeiro caso temos que o n´mero de alunos ´ maior que o de cadeiras. Seja (fn )n∈N uma sequˆncia de fun¸oes integr´veis de A em R. . 1]. todos os alunos est˜o sentados e todas as cadeiras est˜o ocupadas.1] xn n˜o converge simplesmente para h ≡ 0 mas e a converge qtp para h (veja Exemplo 10. mas apenas de ε.2) associado a mais de um m´sico (e portanto f n˜o seria injetiva). 4 ´ o menor u a e n´mero n tal que o conjunto {1. Por outro lado. De fato.2). ca a e a a DEFINICAO 32. De fato. Para cada n ∈ N. ca Salientamos novamente a diferen¸a entre convergˆncia simples e uniforme atrav´s da c e e compara¸˜o dos exemplos 10. existem alunos de p´ e todas as cadeiras est˜o ocupadas. Seja A um conjunto n˜o vazio. ∀x ∈ A.

Assim. A ideia. ∃N ∈ N tal que n ≥ N =⇒ |fn (x) − f (x)| < ε. S˜o Petersburgo. 1] → R dada por fn (x) = xn para n ∈ N e x ∈ [0. Considere uma fun¸˜o a e ca queremos encontrar um ponto fixo. R´ssia . #A ≤ #N. para todo x ∈ A. e somente se. Segundo a defini¸˜o de sequˆncia convergente. uma fun¸˜o fn : A → R. Em outras palavras. A ´ltima equa¸˜o ´ reescrita como F (X0 ) = X0 . as imagens de X0 e X0 forem complementares ca a ∁ (em B). se e e #A ≥ #B e #A = #B. NUMEROS NATURAIS. Alemanha . ∁ A fun¸˜o h ser´ bijetiva se. X0 e X0 . 1] → R dada por   0 se x = 1. ca Exemplo 10. de modo ∁ ∁ equivalente. ent˜o xn → 0 e se x = 1. ent˜o escrevemos #A > #B (lˆ-se a cardinalidade de A ´ maior a e e que a de B). Sejam A e B conjuntos n˜o vazios. Obviamente #A ≤ #B a e pois a fun¸˜o Id : A → B dada por Id(x) = x para todo x ∈ A ´ injetiva. 1). Demonstra¸˜o. Seja A um conjunto n˜o vazio.12: “Prove que existe f : A → B injetiva ca e ıcio se. a u Alemanha.2. Consequˆncia do exerc´ 27. Dizemos que ¸˜ e c˜ (fn )n∈N converge simplesmente ou converge pontualmente para f : A → R se n→+∞ lim fn (x) = f (x) ∀x ∈ A.2. g f (X0 ) = X0 . Alemanha . intuitiva. tomemos N ∈ N tal que N > |x|/ε. Seja (fn )n∈N uma sequˆncia de fun¸oes de A em R. Existem muitos e ca modos de se definir convergˆncia de fun¸oes: simples ou pontual. X0 ´ dito ponto fixo de F . Ou seja. Argumentos de ponto fixo e An´lise. etc.1 Convergˆncia simples e uniforme. Considerando isto na dea e fini¸˜o de h. e Considere. devemos escolher X0 de modo que f (X0 )∁ = g −1 X0 ou. (fn )n∈N converge simplesmente para a fun¸˜o nula.1. ent˜o #A = #B. Zurique. a sequˆncia (fn )n∈N ´ a a e e simplesmente convergente para f : [0. ´ a seguinte. ent˜o dizemos que a cardinalidade de A ´ ca a e maior ou igual a de B e escrevemos #A ≥ #B. Portanto. Seja fn : R → R dada por fn (x) = x/n para n ∈ N e x ∈ R. Est˜o ` nossa disposi¸˜o dois ingree ca a a ca dientes: uma fun¸˜o f de A em B e uma fun¸˜o g de B em A. f (x) =  1 se x = 1. ent˜o a x |x| |x| −0 = ≤ < ε. ı¸ 3 Friedrich Wilhelm Karl Ernst Schr¨der: ⋆ 25/11/1841. p. a sequˆncia (num´rica) (fn (x))n∈N converge para e e f (x). Se #A ≤ #B e #A = #B. ca e a ´ Exemplo 2. temos ca e ∀x ∈ A. 1].” Outra propriedade que se espera do s´ ımbolo ≤ ´ dada pelo teorema seguinte. 2 Felix Bernstein: ⋆ 24/02/1878. uniforme. = X0 . ambas injetivas. E evidente que #A = #A pois a fun¸˜o a ca identidade Id : A → A dada por Id(x) = x para todo x ∈ A ´ uma bije¸˜o. dividimos A em duas partes complementares. Ent˜o #A ≤ #B se.1) Exemplo 10. Existem. existe g : B → A sobrejetiva. (10. ∀ε > 0. dois “caminhos” naturais que v˜o de A at´ B: f e g −1 . Se existe fun¸˜o injetiva f : A → B.3. sendo F u ca e definida por: F (X) = g Por verificar F (X0 ) s˜o bastante usuais em a F : Y → Y para a qual f (X)∁ . ent˜o a escrevemos #A < #B (lˆ-se a cardinalidade de A ´ menor que a de B). Karlsruhe. n n N Portanto. Seja fn : [0. e somente se. ca O objetivo ´ construir uma bije¸˜o h de A em B. em Lp . INTEIROS E RACIONAIS DEFINICAO 34. e ca Exemplo 2. e c˜ DEFINICAO 219.18 ´ CAP´ ITULO 2. a Antes de apresentar a demonstra¸˜o. Analogamente. Sejam A e B dois conjuntos n˜o vazios. Su´ca. a e a Se existe uma fun¸˜o sobrejetiva g : A → B. ca ca portanto. ca PROPOSICAO 35. . e ¸˜ a a somente se. Halle. Feita esta defini¸˜o. ¸˜ a ca ent˜o dizemos que a cardinalidade de A ´ menor ou igual ` de B e escrevemos #A ≤ #B.† 16/07/1902. (De Cantor1 -Bernstein2 -Schr¨der3) o Se #A ≤ #B e #B ≤ #A. se n ≥ N. Mannheim. ent˜o xn → 1. Neste cap´ ca ıtulo estudaremos em que sentido a sequˆncia (fn )n∈N converge para uma fun¸˜o f : A → R.† 06/01/1918 Halle. o Alemanha. e ⋆ TEOREMA 36. para cada n ∈ N. Sejam A e B dois conjuntos n˜o vazios com A ⊂ B. Ou seja. 163 1 Georg Ferdinand Ludwig Philipp Cantor: ⋆ 03/03/1845. Dados ε > 0 e x ∈ R. e somente se. Tomamos y ∈ Y e iteramos F ∁ Cap´ ıtulo 10 Sequˆncias de fun¸oes e c˜ 10. vamos comentar a ideia da prova.† 03/12/1956. #B ≥ #A. temos que A = ∅ ´ enumer´vel se. o problema resume-se a decidir quais pontos de A seguir˜o o primeiro caminho ca a ∁ e quais seguir˜o o segundo. a −1 ∁ e fazemos h = f em X0 e h = g em X0 . Se x ∈ [0.

ıcio ca e An . b] → R e X ⊂ [a.25) e “infinitas” vezes obtendo o resultado y0 . teremos como resultado F iterada “infinitas” vezes. A ideia de iterar “infinitas” ca o a vezes ´ formalizada tomando a sequˆncia F (y). Ela ´ dada por f (1) = 0. . com a ≤ b. e (b) prove que a rela¸˜o f = g qtp no conjunto das fun¸oes integr´veis ´ de equivalˆncia. F (y0) = y0 . . Portanto. . (b) Prove que b − a < j |Ini |. INTEGRAL DE RIEMANN 2. . . e ca Segue que X0 = F (X0 )∁ = g f (X0 )∁ . encontraremos novamente y0 . b]. Prove que se A tem medida nula ent˜o interior de A ´ vazio. mais precisamente. f (x) = g(x)} tem medida nula c˜ a dizemos que f = g qtp (quase todo ponto). n=1 e F i (A) (convencionando que F 0 (A) = A).4. . a 29. g −1 ´ uma bije¸˜o de X0 em f (X0 )∁ .73 para defini¸˜o de limite de sequˆncias de conjuntos. “converge” para e o exerc´ 28. b]. Por hip´tese. . . m = 0. i=0 ∁ = i=0 F F i (A) = i=1 F i (A) = ∁ ∁ ımos que g ´ uma bije¸˜o de f (X0 )∁ em X0 . Considere f : [a.11. . e f (x) se x ∈ X0 . p. . a a b (e) se g ≥ 0 e a g(x) dx = 0 ent˜o g = 0 qtp em [a. = e > entre cardinalidades ´ que. Veja exerc´ 36. . . naturalmente. . Tamb´m temos que f ´ uma bije¸˜o de X0 em e ca e ca e f (X0 ). i=1 (c) Conclua que se a < b. e (In )n∈N uma sequˆncia de intervalos abertos e limitados e tais que [a. . g fun¸oes integr´veis. A descri¸˜o dada aqui foge aos padr˜es de rigor da Matem´tica. b (d) se g = 0 qtp ent˜o a f (x)g(x) dx = 0 para toda f integr´vel. #Z = #N. . f (4) = e 2. dados A e B dois conjuntos quaisquer vale (um resultado dif´ a tricotomia e ıcil) ıcio da cardinalidade: #A = #B ou #A > #B ou #A < #B. . esperamos ser ponto fixo de F . . . Na demonstra¸˜o anterior n˜o foi necess´rio considerar limites pois ´ natural dizer que ca a a e +∞ uma sequˆncia de conjuntos encaixantes: A1 ⊃ A2 ⊃ A3 ⊃ . ent˜o [a. vide exerc´ 23.3 Medida nula e Teorema de Lebesgue Seja X0 = +∞ ∀X ⊂ A. b] ⊂ In . . . (a) dˆ um exemplo de f = g com f = g qtp. Pode-se provar ıcio √ tamb´m que Γ(3/2) = (1/2)! = π/2. Pode-se considerar inclusive n´meros complexos se Re(z) > 0 (parte u real).30. Dica: estime diam(f (I)) para I um intervalo qualquer. F (F (y)). 19 Dica: Para (b) integre por partes e prove que Γ(z + 1) = zΓ(z). Veja n=1 Observa¸˜o 2. ca c˜ a e e b b (c) prove que se f = g qtp ent˜o a f (x) dx = a g(x) dx. ıcio ıcio =⇒ 26. p. Prove que f (X) tem medida nula se f ´ Lipschitz ou H¨lder cont´ e o ınua. Destas observa¸oes segue que h : A → B dada por c˜ h(x) = ´ bijetiva. Escrevendo Z = {0. Considere ca o F : P(A) → P(A) dada por F (X) = g f (X)∁ ∁ +∞ 9. } uma bije¸˜o de ca f : N → Z nos salta aos olhos. . f (6) = 3. Como f ´ injetiva. existem f : A → B e g : B → A injetivas. b] ⊂ In1 ∪ · · · ∪ Inj . p. −m se n = 2m + 1. nj ∈ N tais que [a. f (5) = −2. ou seja. p. 3. 1. Inj e use o exerc´ 5. a e =⇒ 27. temos i=0 +∞ +∞ f (X0 ) = f i=0 F i (A) = i=0 f F i (A) . Se o conjunto {x. Podemos.159 e o exerc´ 11. −2. F (F (F (y))). e verificando se e e ela tende a algum elemento que. −1. 1.2. Exemplo 2. ∁ g −1(x) se x ∈ X0 . f (3) = −1. . . Obs: Este exerc´ mostra que podemos estender a fun¸˜o fatorial para n´meros n˜oıcio ca u a inteiros: x! = Γ(x + 1). 2. p. Obs: Γ′ (1) = −γ (constante gama de Euler.1 Outra propriedade que se espera do s´ ca ımbolo <. Prove que o conjunto de Cantor (que ´ n˜o-enumer´vel) possui medida nula. ampli´-la para z ∈ C qualquer contanto a que Re(z) ∈ Z − N (inteiros negativos ou zero). 2. a b Dica: prove que se h = 0 qtp ent˜o a h(x) dx = 0. b] n˜o tem medida nula. −3. f (n) = m se n = 2m. Aplicando F a y0 . a a Sugest˜o: Em 25(b) considere as fun¸oes indicadoras (ou caracter´ a c˜ ısticas) dos intervalos [a. CARDINALIDADE. a partir de y. . . 3. Sejam f. Sejam a. b] com medida nula.7. Para isto suponha que h = 0 e a portanto existe I tal que inf I > 0 (spdg= sem perda de generalidade). (a) Prove que existem n1 . 25. Conclu´ ∁ logo. =⇒ 28.162 CAP´ ITULO 9.327 no. m = 1. ([Sp] p. . F (X0 ) = g  +∞  +∞ ∁ f F (A) i=0 ∁ ∁ i ∁ +∞ ∁ = i=0 g f F i (A)  =g +∞ f F i (A) i=0 +∞ ∁ +∞ ∁ = i=0 +∞ g f F i (A) F i (A) = X0 .73). f (2) = 1. b ∈ R. 2. utilizando a propriedade (b) acima. Demonstra¸˜o. . In1 . e a a Portanto.

→ 17. Existe. 9. h(2) = (1. N2 ´ enumer´vel. •. n) = 2m 3n ´ e ca e injetiva. em particular. ´ obtida ca a e e atrav´s do esquema mostrado na Figura 2. . 2). INTEIROS E RACIONAIS 9.1) (4. g n˜o pode ser sobrejetiva. . 2π]) ent˜o a → 24.3) (1.4) (1. b]) a norma Lp de f por f p→+∞ := a Prove que lim f p = max |f (x)| (o lado direito serve de defini¸˜o para norma L∞ ). λ) = f (s. Figura 2. .2) (2.. a IDEIA: Considere a lista de conjuntos g(1).. ca a 2π as setas da seguinte maneira: h(1) = (1.1) . ca x∈[a. e somente se. Este resultado caracteriza o decaimento ca ıcio dos coeficientes da s´rie de Fourier para fun¸oes suaves. . 1 2 Sergei Lvovich Sobolev: ⋆ 06/10/1908. 1). uma rec´ c ıproca deste resultado: se os coeficientes decaem “rapidamente” ent˜o a fun¸˜o est´ em H k . x 0 ∂F = ∂λ x a ∂f (s. #N2 = #N. ca a n→∞ Dica: Integra¸˜o por partes e exerc´ anterior. . que se f ∈ C k ([0. a ca 161 PROPOSICAO 37.199 no. g(3). . n=1 f (n) < ∞ ([Fi1] p. . . Pela Proposi¸˜o 35 basta mostrar que. Prove que f ≡ 0 ([Fi1] p. (teste da integral para s´ries) Seja f : [1.5.3) (2. (extra) (Lema de Riemann-Lebesgue) Prove que lim f (x) sen(nx) dx = 0 se f ´ e a integr´vel. A = g(1). Prove e a ca a que F ´ deriv´vel com rela¸˜o a λ e que e a ca 21.b] |f |p para p ≥ 1. por indu¸˜o. De fato. Dica: Ver livro de c´lculo III. S˜o Petesburgo. a ca a (Fun¸˜o Gama de Euler2 . o Outra demonstra¸˜o que #N2 = #N. EXERC´ ICIOS. Basel. • 2 ∈ A sse 2 ∈ g(2). Pela unicidade da fatora¸˜o de naturais como produto de primos. .1) (3. a Dica: Prove para fun¸oes escada e e use densidade das fun¸oes escada nas integr´veis c˜ c˜ a ´ a (exerc´ 10. Mostra. λ) ds. . Portanto A = g(n) para todo ca n e g n˜o ´ sobrejetiva. Este ´ um resultado fundaıcio a e mental na teoria da s´rie de Fourier. . b n→∞ ⋆ 22. A = g(3). Suponha que f ´ deriv´vel com rela¸˜o a λ.2) (5. x → 20. Pelo e ca Teorema 36 (Cantor-Bernstein-Sch¨reder)..7. Dica: Considere h(x) = f (x)/ exp(x).4) (3. pois prova que os coeficientes da s´rie de Fourier de uma e e fun¸˜o integr´vel convergem para zero. generaliza¸˜o de fatorial para n˜o-inteiros e complexos) ca ca a ∞ f (x) sen(nx) dx. Prove que se f ∈ C 1 ([0. Prove que: (b) Γ(n) = (n − 1)! para n ∈ N. . . +∞) → R uma fun¸˜o positiva e decrescente. Seja f : R → R tal que f ′ = f .2) (3. . 3). (Teorema ca ca Fundamental da Aritm´tica) temos que a fun¸˜o g : N2 → N dada por g(m.160). ampliando C k a a o para os espa¸os de Sobolev1 H k . #N2 ≤ #N. Isto ´ conhecido como argumento diagonal de Cantor. bastante popular e de car´ter geom´trico. Defina F (x. Uma bije¸˜o h : N → N2 ´ definida seguindo e ca e (1.3). Seja f cont´ ınua tal que f (x) = Dica: derivada. R´ssia. NUMEROS NATURAIS. Por outro lado. Construa conjunto A tal que: • 1 ∈ A sse 1 ∈ g(1). pela Proposi¸˜o 37. h(3) = (2. b 1/p p 18. λ) ds ∂λ f (s) ds. (1.1) (1. ¸˜ e a a Demonstra¸˜o. a u u Leonhard Euler: ⋆ 15/04/1707. 2). Prove. (extra) Defina an = 0 n→∞ PROPOSICAO 38. a e e lim nan = 0. 1). . e ca ∞ ∞ Prove que 1 f (x) dx < ∞ se. Defina Γ(z) = 0 e−t tz−1 dt. p. . . . n) ´ claramente injetiva. ı¸ a u .179 no. . Leningrado.20 ´ CAP´ ITULO 2. .1. • 3 ∈ A sse 3 ∈ g(3). dada uma fun¸˜o g : N → P(N) ca ca ca qualquer.1: Bije¸˜o de N em N2 . ca . por constru¸˜o. .7.3) (4. #N ≤ #N2 pois a fun¸˜o f : N → N2 dada por ca f (n) = (n. . .2 Teoremas Fundamentais do C´lculo a =⇒ 19. Definimos em C([a. (a) a integral converge para z > 0. R´ssia. . #N2 = #N. . Exemplo 2. S˜o Petesburgo. A = g(2). 2π]) ent˜o lim nk an = 0. que se f for e c˜ C ∞ os coeficientes v˜o para zero mais r´pido que qualquer polinˆmio.2). Distribui¸˜o normal em probabilidade. R´ssia – † 03/01/1989. (argumento diagonal de Cantor) P(N) ´ n˜o-enumer´vel.1) (2.5) · · · (2. .2) (1. . g(2). . h(5) = (2. h(4) = ⋆ 23.. ¸˜ e a Demonstra¸˜o. Assim. . E v´lido um resultado an´logo para cos. Prove que existe C ∈ R tal que f (x) = C exp(x) para todo x ∈ R. Su´ca – † 18/09/1783. .

Princeton.2. R´ssia . G¨del mostrou que n˜o era poss´ demonstrar que a o a ıvel Hip´tese do Cont´ o ınuo era falsa.e. a o A ele devemos este conceito. Jerusal´m. claramente. Alemanha . A quest˜o foi totalmente resolvida em 1963. defina A = n ∈ N . Ent˜o. segundo Hilbert1 . e 5 Paul Joseph Cohen: ⋆ 02/04/1934. Ele procurou.239 no. b] ent˜o para todo ε > 0 existe uma fun¸˜o escada e a a ca b a ca h ≤ f tal que a (f − h) < ε.18). Se A = ∅ ou B = ∅. Alemanha. Prove que se f ´ cont´ e ınua e limitada em [a. Por hip´tese. Prove que f ´ integr´vel. p. b]. Numa primeira etapa. e somente / se. existem fun¸oes injetivas f : A → N e g : B → N. o u Ernst Friedrich Ferdinand Zermelo: ⋆ 27/07/1871. ∞ √ 2 ⋆ 16. Dizemos que as fun¸oes escada e cont´ c˜ ınuas s˜o densas no espa¸o das a c fun¸oes integr´veis. para cada ¸˜ a a a e a e a n ∈ N. em 1940. (uni˜o enumer´vel de enumer´veis ´ enumer´vel) Se. Suponhamos que ca a ca e ambos sejam n˜o vazios. ca o e a Seja A = +∞ An . ¸˜ a a e a a a ent˜o A ∪ B ´ enumer´vel. b] e use ca permanˆncia de sinal de fun¸˜o cont´ e ca ınua. Estados Unidos. b] ent˜o dado ε > 0 qualquer existe uma e a a b fun¸˜o cont´ ca ınua g ≤ f com a |f − g| < ε ([Sp] p. a c˜ Dica (para todos itens): suponha por contradi¸˜o que f (x0 ) = 0 para x0 ∈ [a. ou seja. Alemanha – † 07/04/1889.34). Finalmente. u o Kurt G¨del: ⋆ 28/04/1906. o e ıcio PROPOSICAO 39. Um exemplo do e uso desta hip´tese ´ o exerc´ 35. p. f (x)g(x) dx = 0 para toda g que satisfaz g(a) = g(b) = 0. ent˜o +∞ An ´ enumer´vel. Freiburg. n˜o era poss´ mostrar que ela era verdadeira! Desta forma demonstrou-se que a a ıvel Hip´tese do Cont´ o ınuo ´ independente dos axiomas da Teoria dos Conjuntos.135 e use densidade das fun¸oes c˜ ıcio c˜ escada nas integr´veis (exerc´ 10. e a convexa e g ´ integr´vel ent˜o ϕ e a a 0 g(x) dx ≤ ϕ(g(x)) dx. f (x)g(x) dx = 0 para toda g. para cada n ∈ N.3). seriam os principais a serem estudados a e no s´culo XX. logo. n ∈ g(n). por outro lado. Sem perda de generalidade. 21 =⇒(a) a y =⇒(b) (Lema de du Bois-Reymond1 ) (c) a b Mais formalmente. utilizada em probabilidade) Prove que se ϕ ´ e 1 1 (a) Prove que se f ´ integr´vel em [a.30. O argumento diagonal de Cantor usado na Proposi¸˜o 38 lembra muito o Paradoxo de ca Russel. Munique. y ∈ [a.† 14/02/1943.179 no. Rep´blica Tcheca . (uni˜o de enumer´veis ´ enumer´vel) Se A e B s˜o enumer´veis. (extra) Prove que se f ´ integr´vel em [a.† 21/05/1953. temos que An ´ enumer´vel. 0 Temos que h ´ bem definida e ´. Berlim. David Hilbert: ⋆ 23/01/1862. 0 1 f (s) ds ´ Lipschitz e Paul David Gustav du Bois-Reymond: ⋆ 02/12/1831. Uma fun¸˜o h ´ chamada de escada se existe uma parti¸˜o tal que h ´ constante em n cada intervalo da parti¸˜o. e a G¨del2 [Go] mostrou que ele era consistente com os axiomas de Teoria dos Conjuntos propostos o por Zermelo3 e Fraenkel4 . 2 3 1 . Kaliningrad. b x 2. a f (s) ds = 0 para todo x. em 1963.23) a (d) Obs: resultado importante para o c´lculo das varia¸oes. CARDINALIDADE. e a a n=1 Dica: Prove para fun¸oes escada usando exerc´ 15.236 no. Brno. m) −→ fn (m) =⇒ 15. Definimos a a c˜ h : A ∪ B → N da seguinte maneira: h(x) = 2f (x) se x ∈ A. injetiva (observe que h(A) ∩ h(B) = ∅ pois os e e elementos de h(A) s˜o n´meros pares enquanto que os de h(B \ A) s˜o ´ a u a ımpares). Como n ∈ A se. a Dizemos que as fun¸oes escada s˜o densas no espa¸o das fun¸oes integr´veis. h = ca i=1 ci I[xi−1 . e a+T T Prove que a f (x) dx = 0 f (s) ds para todo a ∈ R ([Fi1] p. Georg Cantor foi o primeiro matem´tico a se interessar pelas quest˜es de cardinalidade. Finalmente ele conjeturou que n˜o existia tal conjunto: a chamada “Hip´tese do a o Cont´ ınuo”. ⋆ 11.. Alemanha.17). Suponha que f ´ cont´ f (t) dt = a ([Sp] x→+∞ x→+∞ x 0 p. ca e o ca PROPOSICAO 40. Estados Unidos. Alemanha. p. podemos supor que An = ∅ para todo n ∈ N.160 b CAP´ ITULO 9. Logo g n˜o pode ser sobrejetiva.xi ] ([Sp] p. c˜ a c c˜ a (b) Suponha que para todo ε > 0 existam k1 e k2 fun¸oes escadas com k1 ≤ f ≤ k2 tais c˜ b que a (k2 − k1 ) < ε. Israel. ca e ca e → 10. 4 Adolf Abraham Halevi Fraenkel: ⋆ 17/02/1891.160). Seja f cont´ ınua e peri´dica de per´ o ıodo T > 0. 14. um conjunto A tal que #N < #A < #P(N).237 no. sem sucesso. Demonstr´-la ou encontrar contraexemplo foi o primeiro da lista de 16 problemas a n˜o resolvidos no s´culo XIX que. Dica: Primeiro determine uma fun¸˜o escada com esta propriedade depois ligue com retas ca para ficar cont´ ınua. isto ´.† 15/10/1965. ([Sp] p.† 14/01/1978. Long Branch. conclu´ ımos que g(n) = A para todo n ∈ N. Esta Proposi¸˜o ´ generalizada pela pr´xima Proposi¸˜o. Alemanha . b] ent˜o F (x) = a cont´ ınua. Prove que lim 13. De forma an´loga existe uma fun¸˜o escada m ≥ f tal que b (m − f ) < ε. Cohen5 [Co] mostrou que. An ´ enumer´vel. n ∈ g(n) ∈ P(N). G¨ttingen. (extra) Prove que e−x dx = π/2. x a Demonstra¸˜o. Freiburg. c˜ a ♯ 12. a e a Demonstra¸˜o. Berlim. existe n=1 fn : N → An sobrejetiva. a ıcio 1 x e ınua e lim f (x) = a. ent˜o a proposi¸˜o ´ imediata. (dif´ ıcil) (desigualdade de Jensen. i. INTEGRAL DE RIEMANN |f (x)| dx = 0.235 no. Vamos mostrar que a fun¸˜o ca f : N × N −→ A (n. 2g(x) + 1 se x ∈ B \ A. f (x + T ) = f (x) para todo x ∈ R.

´ menos experiente que seu colega e n˜o reservou os quartos antecipadamente pois e a acreditava em baixa ocupa¸˜o no outono. com bandeira a a amarela. b] se: . P ). P ) = cS(f . Grande e confort´vel. c a Hilbert informa ao animador que ele seu grupo podem acomodar-se. n˜o h´ ca o a a a g(x)dx = a a f (x)dx. Sejam f. b] e tal que f (x) = g(x) a e ca para todo x ∈ [a. cn }. facilmente reconhec´ por sustentar uma e e ıvel pequena flˆmula vermelha com a marca da agˆncia. dirige-se a Hilbert solicitando os quartos a e que havia reservados para seus clientes. d ∈ R tais que c ≤ a ≤ b ≤ d. . e a e existe m ∈ N tal que fn (m) = x. b]. Dica: IQ . Este exerc´ mostra que podemos alterar uma fun¸˜o integr´vel em um ponto sem ıcio ca a perder a integrabilidade nem alterar a integral. u A ´poca ´ de muita procura. c. =⇒ 2. =⇒ 9. Hilbert solicita um minuto para providenciar os quartos. p. b] e f uma fun¸˜o limitada em [a. Prove que se P ⊂ Q.b) (x)dx = c c I[a. .115. utilizando S(f. b] e a b b g(x)dx = a a f (x)dx.22 ´ CAP´ ITULO 2. . b] e e a b b 2. utilizando a defini¸˜o: ca a a (a) 0 xn dx para n = 1 e 2. Pe¸o novamente que troquem de quarto. ıcio =⇒ 8. Na Proposi¸˜o 37 ca vimos que #N = #N2 . Grato pela compreens˜o. (b) f = IQ . Prove que g ´ limitada e e integr´vel em [a. P ).7. Sejam P. . de: (a) f (x) = x/|x| para x = 0 e f (0) = 0. Sugest˜o: Proceda por indu¸˜o e use o resultado do exerc´ anterior. por favor. agrade¸o a compreens˜o. veja exerc´ 17(f). Confirmando a reserva. existe g : N → N2 sobrejetiva. . a ca ıcio =⇒ 5. Hilbert se dirige a eles: – Perdoem-me por incomod´-los. a c desta vez. Quem est´ na cadeira a m ocupar´ o quarto 2m − 1. pelo alto-falante. Segue que f ◦ g : N → A ´ e sobrejetiva. o e Como ´ alta temporada. o hotel est´ lotado. e I[a. satisfeito. a (b) se c ≤ 0. O animador. Prove que I(a. b] \ {c1 . =⇒ 7. Prove que g ´ limitada e integr´vel em [a. f (p/q) = 1/q se p/q ´ fra¸˜o e ca irredut´ com q > 0 e f (0) = 0.b] (x)dx = b − a. P ). Sejam a. De fato. b] → R cont´ ınuas. O ˆnibus est´ cheio mas. b] \ {c}. ıtes o pr´prio David Hilbert. b]. Sugest˜o: Para simplificar a demonstra¸˜o. Ele pede um quarto a Hilbert que responde: – Apesar do hotel estar completamente lotado. se x ∈ A. (a) se c ≥ 0. O objetivo deste exerc´ ´ generalizar o resultado do exerc´ anterior. Sejam c1 . de acordo com as estritas normas de seguran¸a do a c lugar. P ) = cI(f . a a a E o cliente. Q) ≤ S(f . P ) e I(f. ⋆ 6. ent˜o existe n ∈ N tal que x ∈ An . se instala no quarto n´mero 1. Seu edif´ ıcio. de barba bem tratada que nunca ´ visto o e e sem seus ´culos e chap´u branco. Quem est´ ocupando o quarto n passar´ ao quarto n + 1. O gerente. Gostaria de pedir a cada um de vocˆs que troque de a e quarto. (b) 0 sen(x) dx Dica: Para o item (b) ver [C]. . constru´ em 1925 ´ um belo exemplo do estilo art-d´co ıdo e e dos anos 20 e 30 do s´culo XX. b] e tal que f (x) = g(x) para todo x ∈ [a. ent˜o ca a I(f . m) = fn (m) = x. ´ um homem muito gentil. b]. considere inicialmente os casos c = a e c = b. Desde aqueles em busca de dias tranquilos e ensolarados aos que preferem noites em boˆ agitadas. Novamente pelo alto-falante.b) (fun¸˜o indicadora ou ca caracter´ ıstica). ca → 4.3 ⋆ O Hotel de Hilbert David Hilbert foi grande entusiasta das descobertas de Cantor. ent˜o S(cf . P ). a Fim do ver˜o e o hotel se esvazia. P ) = cI(f . P ) = cS(f . dirige-se aos h´spedes: o – Perdoem-me por incomod´-los outra vez. (d) f : R → R definida por f (x) = 0 se x ∈ R − Q. P ) e I(cf . P ) ≤ I(f . NUMEROS NATURAIS. chegando a afirmar que “ningu´m nos expulsar´ do para´ que Cantor criou para n´s”. Para ilustrar o conceito de e a ıso o infinitude e enumerabilidade. O animador do grupo. na badalada Cote a d’Azur. Como fn ´ sobrejetiva. ent˜o S(cf . cinza e branco. EXERC´ ICIOS. Outra excurs˜o chega. Sejam c ∈ [a. ıvel Dica: Para (d). Aproveitando que os h´spedes s˜o muito sol´ o a ıcitos. . Prove que f ≡ 0 em [a. b] e f uma fun¸˜o limitada e integr´vel em [a. (extra) Determine. b] e f uma fun¸˜o limitada e ca integr´vel em [a. g : [a. . Por´m. a 159 ´ sobrejetiva. a ca Depois use a Proposi¸˜o 204 para concluir o caso geral. (c) f (x) = sen(1/x) para x = 0 e f (0) = 0.b] s˜o integr´veis em [c. Chega um ˆnibus de excurs˜o com uma infinidade enumer´vel e e o a a de cadeiras. novamente. Aguarde um minuto. b. Q ∈ P[a. Hilbert imaginou um hotel de infinitos quartos. Q) ≤ S(f . carregando uma pequena e elegante valise marrom. obedecendo a seguinte regra: quem estiver ocupando o quarto n mudar´ para o a quarto 2n. Portanto. Mais uma vez. ningu´m viaja em p´. Vamos explorar a ideia de Hilbert com uma dose (extra) de fic¸˜o. ca O Hotel de Hilbert fica ao bordo do Mar Mediterrˆneo. em Saint Tropez. o painel localizado em sua entrada e a e informa que h´ vagas dispon´ a ıveis! Chega um homem de camiseta florida. INTEIROS E RACIONAIS 9. Todas est˜o ocupadas mas. providenciarei um quarto vazio para o senhor. cn ∈ ıcio e ıcio [a. =⇒ 3. P ) e I(cf . Prove que se modificarmos uma fun¸˜o integr´vel f num conjunto enumer´vel a integral ca a a pode deixar de existir. d] e a a d d I(a. Segue que f (n. o hotel tem uma infinidade enumer´vel e a a de quartos suficientes para hospedar clientes dos mais diversos gostos. Suponhamos que g ´ uma fun¸˜o definida ca a e ca em [a. Determine a integrabilidade a Riemann. Suponhamos que g ´ uma fun¸˜o definida em [a.

n˜o h´ vagas suficientes para acomodar a todos. cujo intervalo foi particionado. P ) − I(f. 1 m n i∈J |Ii | < i∈J diam(f (Ii ))|Ii | ≤ i=1 diam(f (Ii ))|Ii | = S(f. Pelo Lema 152. x · (y + z) = (x · y) + (x · z) ∀x. definida por ca ca w(f . n) = m/n ´ ca u ca e sobrejetiva. amavelmente. P ) ≤ ε. y. p. x) > 1/m e. O elemento neutro x ser´ denotado 1 e chamado de um. Segue do exerc´ 7.19) Lembramos que um n´mero racional ´ aquele que pode ser expresso como raz˜o entre u e a dois inteiros m. . P ) < ε . ·) ´ um corpo se valem a e as seguintes propriedades. ENUMERABILIDADE E ORDEM.7. e a vii. . dado ε > 0. Logo D = a Lema 217. iii. (x + y) + z = x + (y + z) e (x · y) · z = x · (y · z) ∀x. xn } tal que e a S(f . Para outra prova ver exerc´ 13. n ∈ Z. Vamos mostrar que #N ≥ #Q. P ) < Defina Ii = [xi−1 . Logo existe g : N → Z × N sobrejetiva. ´ suficiente mostrar que Dm tem medida nula para cada m. ∀x ∈ K. Como fizemos com N e Z admitiremos neste curso que o leitor j´ est´ familiarizado a a c ca com as propriedades b´sicas do conjunto Q. concluindo a primeira parte. z ∈ K (associatividade). e ıcio As opera¸oes de adi¸˜o e multiplica¸˜o de n´meros racionais verificam certas propriedades c˜ ca ca u alg´bricas que definem o conceito de corpo. como f ´ integr´vel. Terminamos a demonstra¸˜o e e a ca observando que f ◦ g : N → Q ´ sobrejetiva. e a Seja A = [a.4 Dm . Para um esbo¸o da constru¸˜o de Q leia a a Se¸˜o 5. `s vezes omitimos o “·”). se f ´ descont´ e ınua em x ent˜o w(f . ∃!y ∈ K tal que x · y = 1 (existˆncia de inverso).17) em (9. p. obtemos que S(f. x) > 1/m pois w(f. diam(f (Ik )) > 1/m}. usando (9. De fato seja x ∈ Dm .3. x) ´ o ´ e ınfimo dos diˆmetros de f aplicado em intervalos contendo x. Vamos verificar que Dm ⊂ i∈J m∈N pessoas em p´. .27 que Z × N e a ıcio tamb´m ´ enumer´vel. ´ claro que diam(f (Ii )) ≥ w(f. c˜ ε . Finalmente. a) = inf{diam (f (Bδ (a) ∩ A)) . xi ] e J = {k ∈ {1. e No pr´ximo cap´ o ıtulo veremos porque Hilbert n˜o podia receber o ´ltimo grupo. ca A defini¸˜o de n´mero racional diz que a fun¸˜o f : Z × N → Q dada por f (m. Nesta e nas pr´ximas duas se¸oes revisaremos algumas destas propriedades ca o c˜ e estudaremos outras menos familiares. sugere o Hotel a a Real que ´ maior que o seu. Pelo Racionais: opera¸oes. e (a) se x ∈ Ii◦ (interior do intervalo). +. n Q ´ o conjunto dos n´meros racionais. .16) e (9. ∃m ∈ Z. . ¸˜ e a Demonstra¸˜o. p. respectivamente. para cada n´mero real h´ uma cadeira no ˆnibus com aquele e e u a o n´mero! Surpreendentemente. z ∈ K (distributividade). Seja K um conjunto munido de duas opera¸oes bin´rias chamadas adi¸˜o ¸˜ c˜ a ca e multiplica¸˜o da seguinte maneira: a cada par x. a e v.4 que Z ´ enumer´vel. x + y = y + x e x · y = y · x ∀x. a iv.15). Suponha agora que f ´ integr´vel .19). Q ´ enumer´vel e #N = #Q. ∀x ∈ K \ {0}. a sua soma x + y ∈ K e o seu produto x · y ∈ K (por simplicidade. b]. (b) se x = xi (extremo do intervalo) ent˜o das duas uma: diam(f (Ii )) ≥ w(f..108. Al´m disto. .83. x ∈ Ii para ca algum i. RACIONAIS: OPERACOES. E.7 9. m ∀x ∈ Q. b] e f uma fun¸˜o limitada em [a. x) > 1/m}. enumerabilidade e ordem. P ) − I(f . a) a oscila¸˜o da fun¸˜o f em a. Logo x ∈ Ii com a i ∈ J. INTEGRAL DE RIEMANN 2. i. b]. ∃!x ∈ K \ {0} tal que x · y = y ∀y ∈ K (existˆncia do elemento neutro da multiplica¸˜o). O elemento y que ´ e e o oposto de x ser´ denotado por −x.18) (9. b]. Vamos mostrar que x ∈ Ii com i ∈ J. n}. b] e w(f . ∃!y ∈ K tal que x + y = 0 (existˆncia de oposto).4. Sejam c ∈ R. Vimos no Exemplo 2. O elemento y e que ´ o inverso de x ser´ denotado por x−1 . . ∃!x ∈ K tal que x + y = y ∀y ∈ K (existˆncia do elemento neutro da adi¸˜o). Logo x ∈ Ii com i ∈ J ou x ∈ Ii+1 a com i + 1 ∈ J. O e ca elemento neutro x ser´ denotado 0 e chamado de zero. existe P = {x0 . i. Prove que ca DEFINICAO 42. Dizemos que o terno (K. Segue do Lema 216 que 9. apesar do hotel estar completamente u vazio. Como m/1 = m para todo m ∈ Z temos que e u Z ⊂ Q.18) e (9. Por defini¸˜o w(f. x) > 1/m pela mesma raz˜o. x) > 0. w(f . P ∈ P[a. y ∈ K (comutatividade). Ii (intervalos fechados) e i∈J i∈J |Ii | < ε. Hilbert informa que. com n = 0. m (9. e Fixado m. ii. ¸˜ 23 Aplicando (9.1 Exerc´ ıcios. ca a vi. n ∈ N tais que x = . P ) − I(f. a u 2. como x ∈ [a. x) > 1/m a ou diam(f (Ii+1 )) ≥ w(f. Defina Dm = {x ∈ [a. temos que #N ≤ #Q. y. p. .28. PROPOSICAO 41. . e Ii (estes intervalos fechados cobrem Dm ). m Conclu´ ımos que Dm ⊂ Dm tem medida nula.158 CAP´ ITULO 9. Como N ⊂ Z ⊂ Q. δ > 0}.e.2. Integral e propriedades =⇒ 1. y ∈ K a adi¸˜o e a multiplica¸˜o fazem ca ca ca corresponder.

b]\D (que cobrem o complementar de D em [a. obtemos que 0′ + 0 = 0.6. o oposto de −x ´ x. ou.32). i. e o ca DEFINICAO 43. diam(f (Ji )) ≤ e portanto. ca a Para simplificar a escrita. 0′ = 0 + 0′ = 0′ + 0 = 0. (f + g)(x) = f (x) + g(x) para todo x ∈ A. iii. e e Observa¸˜o an´loga vale para o inverso. diam(f (Ji )) ≤ 2M e portanto. 2(b − a) 2 (9. De fato. . q}. U ∪ V = {1. P ) − I(f. p. Da mesma maneira.52). corpos finitos ıcio u e ıcio (exerc´ 52. b] ⊂ In k k=1 ∪ Bδyk (yk ) . por (9.12) e (9. O terno (Q. u e A Propriedade (iii) nos diz que zero existe e ´ ´nico. Analogamente a existˆncia do oposto de x implica a sua unicidade. ´ um corpo. . +. cada intervalo fechado Ji est´ contido em: a (a) Ink . logo x + y = x + z. Ji ⊂ Bk para algum k}. como Ji ⊂ Bδyk (yk ) ⊂ B2δyk (yk ) e Ji ⊂ [a.16) Para i ∈ V . p. . 4M diam(f (Ji ))|Ji | ≤ 2Mε ε = . Dado c ∈ K definimos ainda (c · f )(x) = c · f (x) para todo x ∈ A. temos 0 + 0′ = 0′ .86). Como cada ponto extremo de Ji ´ ponto extremo de Ink ou Bδyk (yk ) para e c algum k (fa¸a uma figura). u a ca Para i ∈ U. +. iv.94 (Borel-Lebesgue). Na verdade a unicidade do zero pode eu ser demonstrada a partir de sua existˆncia.24 ´ CAP´ ITULO 2. onde + e · s˜o as opera¸oes usuais de adi¸˜o e multiplica¸˜o (de n´meros racionais). ¸˜ c˜ diferen¸a e quociente de f e g s˜o definidas e denotadas. ca e ca 0 + y = y para todo y ∈ K. ou ainda −(−x) = x. i∈U e i∈U |Ji | ≤ k∈N |Ink | ≤ ε . a Adicionando y aos dois lados da equa¸˜o obtemos ca y +x+y = y +x+z =⇒ (y +x)+y = (y +x)+z =⇒ 0+y = 0+z =⇒ y = z. Da defini¸˜o de oposto e da comutatividade da soma. . Portanto. b]. Defina Ji = [xi−1 . . . (f − g)(x) = f (x) − g(x) para todo x ∈ A. suponhamos e que y e z s˜o opostos de x. ii. respectivamente. y ´ o oposto de x. . p}. De fato. n}. Em particular. Observa¸˜o 2. b] junto com {a. diam(f (Ji ))|Ji | ≤ ε ε (b − a) = .14). b]) cobrem o compacto [a.15) diam(f (Ji ))|Ji |. ou melhor. ca 9. Pelo Teorema 136. i∈V ε 2(b − a) n e i∈V |Ji | ≤ i=1 |Ji | ≤ b − a. existem outros: extens˜es de ca e o Q (exerc´ 51.e. C. por constru¸˜o. . No conjunto dos n´meros racionais est´ definida uma rela¸˜o de ordem completa.. como Ji ⊂ Ink . para algum k ∈ {1. . b] P = {a = x0 . xn = b}. . Como. corpo dos n´meros alg´bricos (exerc´ 32. Este ´ o objeto da pr´xima defini¸˜o. . por (9. (9. temos que x ´ o oposto de y se. Portanto.17) . dois a c elementos neutros da adi¸˜o. . para algum k ∈ {1. R. usaremos as seguintes conven¸˜es: co x − y = x + (−y) e x = x/y = x · y −1 . . b]. MEDIDA NULA E TEOREMA DE LEBESGUE. definimos U = {i. b} formam uma parti¸˜o de [a. quat´rnios (exerc´ 16.33). . (b) Bδyk (yk ). n} = U ∪ V (pode ser que U ∩ V = ∅) com U e V apropriados para fazer estimativas distintas em Ji . b]) ≤ 2ε = ε . xi ]. .2 Al´m dos corpos famosos como Q. e ca e somente se.6.14) Pelas defini¸oes ´ claro que a uni˜o das cole¸oes de abertos {In }n∈N (que cobrem D) c˜ e a c˜ e {Bδy (y)}y∈[a. p. Isto significa que x + y = 0 e x + z = 0. . existe subcobertura finita: q p [a. ca n S(f. NUMEROS NATURAIS. Em outros termos. (f · g)(x) = f (x) · g(x) para todo x ∈ A. . (f /g)(x) = f (x)/g(x) para todo x ∈ A tal que g(x) = 0. ·). por c a i. ıcio e ıcio As opera¸oes de um corpo podem ser estendidas `s fun¸oes com contradom´ c˜ a c˜ ınio neste corpo. P ) = ≤ i=1 i∈U diam(f (Ji ))|Ji | diam(f (Ji ))|Ji | + i∈V (9. Como diam(Bε (f (y))) = 2ε. g : A → K. p. k=1 Cabe ao leitor a tarefa de verificar as unicidades de 1 e do inverso. poder´ e ıamos substituir o s´ ımbolo “∃!” por “∃” que n˜o faria diferen¸a. p. Mostraremos que 0 = 0′ . INTEIROS E RACIONAIS A multiplica¸˜o tem prioridade sobre a soma: x · y + x · z significa (x · y) + (x · z). produto. . Sejam (K. Queremos escrever ca {1. 4M 2 (9. para y = 0′ . 2(b − a) 157 a c˜ ca ca Exemplo 2. Como 0 ´ elemento neutro da adi¸˜o. diam f (B2δy (y) ∩ [a. As fun¸oes soma. y O extremos destes intervalos que estiverem contidos em [a.13). . Ji ⊂ Ink para algum k} e V = {i. suponhamos que 0 e 0′ sejam dois zeros. ·) um corpo e f. .

DEFINICAO 49. f ´ estritamente mon´tona quando ´ estritamente crescente ou estritamente decrescente. ≤) um corpo ordenado. que y ´ maior ou igual a x e tamb´m e e e escrevemos y ≥ x. (9. existe uma sequˆncia (Ii )i∈N de intervalos abertos e e limitados tal que ε |Ii | ≤ |Ii | = Ii e D⊂ .156 +∞ CAP´ ITULO 9. portanto n˜o e e interessa a ordem da soma) +∞ +∞ +∞ +∞ (n) |Im | ≤ i=1 |Ji | = n=1 m=1 n=1 ε = ε. ⋆ CORPOS ARQUIMEDIANOS. ent˜o dizemos que x ´ menor que y e escrevemos a e x < y. b] . Logo. Caso contr´rio. dado um corpo qualquer K com 1 elemento neutro da multiplica¸˜o. A ´ dito e limitado se ele ´ limitado superior e inferiormente. Dizemos que A ´ ¸˜ e limitado superiormente pela cota superior s ∈ K se a ≤ s para todo a ∈ A. DEFINICAO 45. f ´ descont´ e ınua em x} tem medida nula. f ´ estritamente decrescente quando x < y implica que f (x) > f (y). Seja (K. ca Pode-se definir a oscila¸˜o de f em X por diam(f (X)). f ´ integr´vel em [a. N = N. e v. se x ≤ y e y ≤ z.12) Fixe ε > 0. se x ≤ y. e DEFINICAO 46. +. e ii. definimos por N o ca ´ conjunto {1. De modo an´logo define-se conjunto limitado a e a inferiormente. e o e iv. iv. 1 + 1 + 1. Do exerc´ 19(c). que y ´ maior que x e escrevemos y > x. +. Demonstra¸˜o.5 ⋆ Corpos Arquimedianos. Caso contr´rio. a ii. P ) = i=1 diam(f (Ii ))|Ii |. A ´ ilimitado superiormente. existe uma sequˆncia Im e +∞ n=1 (n) m∈N An . Uma importante propriedade do corpo ordenado (Q. Para e isto. Logo. +. Como D tem medida nula. Ent˜o. ou ainda. e iii. ou ainda. e o e Neste caso. se x ≤ y.13) 4M i∈N i∈N i∈N Como. 2n Para a demonstra¸˜o do Teorema de Lebesgue vamos utilizar o conceito de diˆmetro de ca a um conjunto limitado (veja Defini¸˜o 150. f ´ mon´tona quando ´ crescente ou decrescente. +. Se x ≤ y e x = y. ·. ent˜o x = y (antissim´trica). temos que An tem medida de intervalos abertos e limitados tal que +∞ An ⊂ (n) Im m=1 (n) Im e m=1 (n) |Im | ≤ ε . ·) ´ dita ordem total ou. b]) ⊂ Bε (f (y)). ≤) ´ um corpo ordenado. ent˜o x · z ≤ y · z quando 0 ≤ z e y · z ≤ x · z quando z ≤ 0 (multiplica¸˜o a ca ´ mon´tona). ≤) ´ arquimediano se N ´ um ¸˜ e e subconjunto de K ilimitado superiormente. Sejam (K. +. f ´ decrescente quando x < y implica que f (y) ≤ f (x). ent˜o x ≤ z (transitiva). 2n Como N2 ´ enumer´vel. P ) − I(f. +. por defini¸˜o de D. ε . A ´ ilimitado. ≤) um corpo ordenado e A ⊂ K. Dizemos que um corpo ordenado (K. existe M > 0 tal que e diam(f (J)) ≤ 2M para todo J ⊂ [a. Para cada n ∈ N. ∀x. b] \ D. e utilizando a nota¸˜o |Ii | = ∆xi .5. y ∈ K. simplesmente. . . conclu´ ca ımos que n S(f. b]. b] a e a se. existe 4(b − a) 2. Finalmente. Sejam ε > 0 e A = ca nula. f ´ crescente quando x < y implica que f (x) ≤ f (y). ≤) um corpo ordenado e sejam x. Analogamente define-se fun¸˜o e ca limitada inferiormente. ⋆ TEOREMA 218. ·. cota inferior e conjunto ilimitado inferiormente.115. . E claro que para K = Q ou R. b]. e e o e vi. +. dizemos que (K.}. +∞ +∞ +∞ (n) Im = n=1 m=1 i=1 DEFINICAO 44. +. para todo x ∈ K existe m ∈ N tal que x < m. ·. ·. Sejam (K. Uma rela¸˜o ≤ num corpo (K. INTEGRAL DE RIEMANN 2. ≤) um corpo ordenado e f : A → K. p. i. e a e DEFINICAO 47. A= n=1 An ⊂ Ji a a com (a s´rie ´ absolutamente convergente pois todos os termos s˜o positivos. y ∈ K temos x ≤ y ou y ≤ x (completa). se x ≤ y e y ≤ x. os intervalos e a Logo +∞ podem ser substitu´ ıdos por Ji′ s com ´ ındice i ∈ N. ·. ent˜o ¸˜ a dizemos que x ´ menor ou igual a y. ·. ≤) ´ ser arquimediano. b]. . diam(X) = ca ıcio sup(X) − inf(X). a e iii. A ⊂ K e f : A → K. ¸˜ ca e ordem se valem as seguintes propriedades. (9. ou seja. ca Como f ´ limitada em [a. fun¸˜o limitada e fun¸˜o ilimitada. f ´ cont´ ca e ınua em y ∈ [a. Tomando X = Ii . Dizemos que f ´ ¸˜ e limitada superiormente se f (A) ´ limitado superiormente. e somente se. o conjunto D = {x ∈ [a. f ´ estritamente crescente quando x < y implica que f (x) < f (y). ent˜o x + z ≤ y + z ∀z ∈ K (adi¸˜o ´ mon´tona). ca ca DEFINICAO 48. ¸˜ i.108). Suponha que D tem medida nula . a ca e o v. Se x ≤ y. Sejam (K. 25 Demonstra¸˜o. 1 + 1. ·. diam(f (X)) = sup(f (X)) − inf(f (X)). p. (Lebesgue) Seja f limitada em [a. fixado ε = δy > 0 (depende de y pois n˜o temos continuidade uniforme) tal que a f (B2δy (y) ∩ [a.

p. O argumento do pr´ximo exemplo ´ uma pequena sofistica¸˜o do anterior. Provamos que lim π(n) = +∞. Prova apresentada por Euclides1 no livro u e a IX. B´lgica.6. na opini˜o do autor. .1 Exerc´ ıcios. B´lgica – † 02/03/1962. Fran¸a. Dado ε > 0.162. Su´ca. 2n Portanto. Podemos utilizar indu¸˜o para concluir e a ca que i=1 0. ent˜o. b]. Basileia. . (e) (a + b)n = i=0 (n )ai bn−i i 1 1 1 1 +···+ ≥ . u e Foi provado em 1896 por Hadamard 2 e Vall´e-Poussin 3 o teorema dos n´meros primos: e u π(n) = 1. ent˜o e e a n=1 An tem medida nula. x2 . para cada n ∈ N. INTEIROS E RACIONAIS 9. (Q. proposi¸˜o 20. Prove que N! + 1 tamb´m ser´ e e a primo. NUMEROS NATURAIS. 1 i ´ n˜o-vazio? e a =⇒ 3. A tem medida nula. se n > m. Basileia. que exista um n´mero finito de primos. ´ indicada no exerc´ 25. Exemplo 9. xm }. e Jacques Salomon Hadamard: ⋆ 08/12/1865. LEMA 216. (h) n < i i=1 Euclides da Alexandria: ⋆ 325 AC. . Su´ca . Em particular. podemos substituir cada intervalo fechado In = ca ε ε ´ [an . =⇒ 1. ıcio ´ se n ≤ m. =⇒(g) (1 + a)n ≥ 1 + na (desigualdade de Bernoulli). bn ] pelo intervalo aberto Jn = (an − 2n+1 .7. que N ´ o maior primo. (binˆmio de Newton). Dado ε > 0.6. c c Charles Jean Gustave Nicolas Baron de la Vall´e Poussin: ⋆ 14/08/1866. Obs: Seja π(n) o n´mero de primos menores que n.=⇒(f) + o n n+1 2n 2 n=1 |Jn | = n=1 |In | + ε. com a < b. xn + . com x > 0. Prove que o conjunto dos n´meros primos ´ infinito. Prove por indu¸˜o que ca ∞ i=1 0. bn + 2n+1 ). .8. 1 i ´ n˜o-vazio. n √ 1 √ para n ≥ 2. e 4 Jacques Bernoulli: ⋆ 27/12/1654. Como x > 0. MEDIDA NULA E TEOREMA DE LEBESGUE. · · · }. n =⇒(d) 13 + 23 + · · · + n3 = (1 + 2 + · · · + n)2 . isto mostra que nos Elementos de Euclides tˆm. e ıcio LEMA 217. A tem medida nula. e +∞ +∞ problema dif´ (que pertence a teoria anal´ ıcil ıtica dos n´meros) ´ estimar π(n) para n grande. Naturais. ou ent˜o. Versailles.11) ´ v´lido com |I| = b − a se I = [a. +. inteiros e indu¸˜o ca +∞ m m n=1 |In | = n=1 |In | = n=1 ε = ε. temos m ∈ N. (c) (a − 1) i=1 ai = an+1 − 1. b].† 16/08/1705. ou In = ∅. definimos In = xn − ε ε .26 ´ CAP´ ITULO 2. por absurdo. para todo ε > 0. m Portanto.75). 2m 2m 155 De fato. lim n→∞ n/ log(n) n n=1 |In | = n=1 ε = ε. o e ca Exemplo 9. e somente se. e e Louvain. n (b) 12 + · · · + n2 = n(n + 1)(2n + 1)/6. . definimos In = xn − ´ E imediato que A ⊂ +∞ n=1 In . e a Demonstra¸˜o. Fran¸a – † 17/10/1963. E claro que +∞ +∞ =⇒ 2. Conclu´ ımos observando que x = m/n ≤ m < m + 1 ∈ N. Algebra. ´ tediosa. repleta de ca a e a afirma¸oes. por absurdo. para todo n ∈ N: ca →(a) n! > 2n (para n ≥ 4). para cada n ∈ N. Podemos adaptar este argumento para provar que na defini¸˜o de medida nula podemos ca utilizar intervalos fechados.33). u e Dica1: Suponha. xn + n+1 . Seja A = {x1 . Dica2: Suponha. A a demonstra¸˜o mais natural deste fato. Louvain. existem m ∈ Z e a e n ∈ N tais que x = m/n. Alexandria. (uni˜o enumer´vel de conjuntos de medida nula tem medida nula) Se a a +∞ (An )n∈N ´ uma sequˆncia de conjuntos de medida nula. Um exemplo de corpo n˜o-arquimediano ´ o corpo Zp com p a e primo (veja exerc´ 52. Gr´cia – † 265 AC.6 2. n˜o tem medida nula (pense nisto). Um u n→∞ ε ε . Outra demonstra¸˜o menos natural. al´m de ca e e ´ Geometria. ı¸ ı¸ 2 3 1 Deixamos o leitor completar o resultado. ´ a E f´cil perceber que o intervalo [a. e 2. p. ≤) ´ arquimediano pois se x ∈ Q. por´m c˜ e a ca e mais elegante.4 com a ≥ −1. Paris. sem prova. ·. existe uma sequˆncia (In )n∈N de intervalos fechados e e limitados tal que (9. Isto mostra que π(n) ≈ n/ log(n) para n grande ([O] p. (medida nula e intervalos fechados) O conjunto A ⊂ R tem medida nula se. Prove por indu¸˜o que. Agora m + 1 tamb´m ser´ primo. Egito. Tome m o MMC u destes n´meros. Al´m disto. Seja A = {x1 . do tipo “´ f´cil ver que”. Dado ε > 0 qualquer. 2n+1 2 Al´m disto. E imediato que A ⊂ +∞ n=1 In .

Prove que #X < #F (X.154 CAP´ ITULO 9. b] onde f ´ descont´ e ınua ´ “pequeno”. p. n ∈ A: ca a i. ıcio ıcio Dica2: {0.6. EXERC´ ICIOS. Conclu´ ıcio ımos que existem infinitas cardinalidades infinitas: #X < #P(X) < #P(P(X)) etc.6 Medida nula e Teorema de Lebesgue.20 e tricotomia da cardinalica dade (exerc´ 36. . ca a a (b) podemos substituir a condi¸˜o A − s(A) unit´rio pela existˆncia de um ´nico a ∈ A ca a e u ∞ tal que A = n=0 s(n) (a). ou seja. por indu¸˜o. com a descontinuidade. temos (F ◦ g)′(x) = F ′ g(x) g ′ (x) = f g(x) g ′(x). que Z ´ ca e enumer´vel.4. f (x)g ′ (x)dx = f (b)g(b) − f (a)g(a) − b b f ′ (x)g(x)dx. Seja f0 (x) = x/(x + 1) e fn definida de forma indutiva por fn (x) = f0 (fn−1 (x)).11) sendo que |I| representa o comprimento do intervalo I. a #N} ´ enumer´vel. Dica: Argumento diagonal de Cantor da Proposi¸˜o 38. N) ´ n˜o-enumer´vel. construa uma fΦ ∈ F (N. (extra) Os axiomas de Peano que definem N podem ser apresentados da seguinte ca ca forma: Seja A um conjunto e s : A → A uma fun¸˜o injetiva (a fun¸˜o sucessor) com ∞ F g(b) − F g(a) = (F ◦ g)(b) − (F ◦ g)(a) = Da´ segue o resultado. Conjuntos finitos ou.2 Cardinalidade 6. e Come¸amos por precisar o que queremos dizer por “pequeno” no par´grafo anterior. m + s(n) = s(m + n). 1} ⊂ N. N) que n˜o esteja na imagem de Φ (por exemplo com a fΦ (i) = (Φ(i))(i) para todo i. b]. Prove que F (N. Pelo Teorema Fundamental do C´lculo temos ca a f (b)g(b) − f (a)g(a) = (f g)′(x)dx = a a f ′ (x)g(x) + f (x)g ′ (x) dx. Suponha que X = ∅ e #Y > 1. p. a A − s(A) = {a} (conjunto unit´rio) e A = a a a s(n) (a). Seja A um conjunto infinito enumer´vel. exerc´ 30. (integra¸˜o por partes) Sejam f e g fun¸oes deriv´veis em [a. p. existe uma sequˆncia (In )n∈N de intervalos abertos e limitados tal que e +∞ +∞ A⊂ In n=1 e n=1 |In | ≤ ε. para todo x ∈ [a. de maneira diferente do Exemplo 2. Prove que existe uma ´nica bije¸˜o crescente f : N → X. b). Pode-se provar que a soma ´ associativa e comutativa. d]. a u a a Defina a opera¸˜o bin´ria (soma) + : A × A → A por m. Prove. De fato. b] ¸˜ ca c˜ a com f ′ e g ′ integr´veis. a a a e a =⇒ 8. m + a = m e ii. em outros termos. 9. ı f g(x) g ′ (x)dx. e somente se. se ı. p. Prove que: n=0 PROPOSICAO 214. → 11. Prove que fn (x) = x/((n + 1)x + 1). a a ca a Proposi¸˜o 199 (i). Ent˜o este A ser´ o N. . o conjunto dos pontos de [a. Pela Regra da Cadeia. Pelo Teorema Fundamental do C´lculo.13. Use a Proposi¸˜o 39 para provar. Y ). ⋆ 5. . a Demonstra¸˜o. Prove que #X < #P(X). temos a g(b) g(b) (i) i=1 i · i! = (n + 1)! − 1 para n ≥ 1. . Note que P(A) ´ n˜o-enumer´vel! e a e a a #B < 9. Prove que a + m = m a para todo m ∈ A. u ca =⇒ 7. An s˜o enumer´veis. a . enumer´veis tem medida nula como veremos nos a dois exemplos a seguir. J´ vimos que fun¸oes cont´ a c˜ ınuas s˜o integr´veis e comentamos que a integrabilidade est´ a a a relacionada com a continuidade. b] ´ integr´vel ca ca e a neste intervalo se. Ent˜o a a b a b (a) se eliminarmos a condi¸˜o A − s(A) unit´rio ent˜o A pode ser um conjunto finito. mais geralmente. (c) se a n˜o for ´nico ent˜o A ser´ finito. e a a Dica1: (argumento diagonal de Cantor da Proposi¸˜o 38. ela n˜o ´ “muito” descont´ a e ınua a´ ou. e O resultado segue da´ observando que f ′ g e f g ′ s˜o integr´veis (Proposi¸˜o 203) e usando ı. ou melhor. Dica: ver Dica1 do exerc´ anterior.13 e exerc´ 31(c). a a a e a ca que se A1 . o Teorema de Lebesgue. ent˜o A1 × · · · × An ´ enumer´vel. INTEGRAL DE RIEMANN 2. F g(b) − F g(a) = e F (x)dx = g(a) g(a) b ′ f (x)dx 4. N). Prove que o conjunto {B ∈ P(A). c a DEFINICAO 215. p. |I| = b − a se I = (a. ıcio → 10. n 27 F em [c. Suponha que X = ∅. 12. ent˜o A1 × A2 ´ enumer´vel. ca 2. (9. (d) Prove que a soma est´ definida para todos elementos de A. Prove que se A1 e A2 s˜o enumer´veis. nos diz que uma fun¸˜o f limitada em [a. Dizemos que A ⊂ R tem medida (de Lebesgue) nula se para todo ¸˜ ε > 0.20) Dada Φ : N → ca F (N. que veremos nesta se¸˜o.6.30). Seja X ⊂ N infinito.

110) e do Valor Intermedi´rio (Teoa a rema 154. π tamb´m ´. podemos escolher n ∈ N. Construa uma bije¸˜o entre S − {N} (esfera sem o polo norte) e R . por F (x) = q n π 2n f (x) − π 2n−2 f (2) (x) + · · · + (−1)n−1 π 4 f (2n−2) (x) + (−1)n π 2 f (2n) (x) G(x) = F ′ (x) sen(πx) − πF (x) cos(πx). (dif´ ıcil) Defina f : N → N tal que para todo n ∈ N. p. b] com g ′ integr´vel ¸˜ c a a a neste intervalo. . Dica: Decomponha em fatores primos. Se f ´ cont´ e ınua em g [a. (c) #P(X) = 2#X . u e e e 153 =⇒ 13. Absurdo! 9. bk · · · b0 ) = ak bk · · · a1 b1 a0 b0 ).28 ´ CAP´ ITULO 2.29 ıcio 19. b]. f −1 ({1}∁ ) ´ finito). Seja A ⊂ R2 tal que a distˆncia d(x. Para k ∈ {1. Demonstra¸˜o. f −1 (n) seja infinito ([L] p.45 no. (b) #(X × Y ) = #X · #Y . a (c) que s˜o estritamente crescentes (n1 < n2 < n3 < · · · ) ([L] p. ca e Prove que X ´ enumer´vel (adaptado de [L] p. m ∈ Z. 24) = (1234). =⇒ 21. Prove que A ´ e enumer´vel (ou finito). INTEIROS E RACIONAIS ´ 9. (c) Q ´ enumer´vel. vimos que pn /n! → 0 quando n → +∞.109). os valores m´ ınimo e m´ximo de g em [a. gastando nota¸˜o de teoria de conjuntos. Y ) ´ enumer´vel ([L] p. respectivae mente. Considere o conjunto das sequˆncias de inteiros n˜o-negativos {(ni ). obtemos G′ (x) = F ′′ (x) sen(πx) + πF ′ (x) cos(πx) − πF ′ (x) cos(πx) + πF (x) sen(πx).5. ent˜o a g(b) b f (x)dx = g(a) a f g(x) g ′(x)dx. . Pelos Teoremas de Weierstrass (Corol´rio 159. (d) #F (X. ca a =⇒ 25. Assim. =⇒ 18.13 no. o Obs: Esta foi a defini¸˜o dada por Dedekind para conjunto infinito.45 no. N) o conjunto das fun¸oes que valem 1 em todos os pontos menos c˜ num conjunto finito. Construa uma bije¸˜o entre (−1. n}. Aj ´ um e “c´ ırculo” de raio j. Note que existe uma bije¸˜o (simples) entre ca ca S 1 − {N} (circunferˆncia sem um ponto) e (−1. temos que q n π 2k = q n−k pn ∈ N. Disto e do lema anterior. Segue do Primeiro Teorema Fundamental do C´lculo a que 1 G(1) − G(0) = F (1) + F (0) ∈ Z.5 Mudan¸a de vari´veis e integra¸˜o por partes. O resultado continua v´lido para A ⊂ Rn ? ([T] p. Baseado no exerc´ anterior. 2 2 Demonstra¸˜o. G′ (x) = π 2 pn f (x) sen(πx). p. c a ca PROPOSICAO 213. conclu´ ımos que F (0). (Q ´ enumer´vel) Defina Aj = {m/n. F (x) = q n π 2n f (2) (x) − π 2n−2 f (4) (x) + · · · + (−1)n−1 π 4 f (2n) (x) = −π 2 F (x) − q n π 2n f (x) = −π 2 F (x) + π 2 pn f (x). n! Ou seja. temos que g [a. 1) e R. o c˜ para cada x ∈ R. (mudan¸a de vari´vel) Seja g deriv´vel em [a. ca No Exemplo 4. e e a a e a Generalizado no exerc´ 33.44 no. Tamb´m temos G(0) = −πF (0) e G(1) = πF (1). O n´mero π 2 ´ irracional e. u 15.26). Seja f o polinˆmio de grau 2n do lema anterior e considere as fun¸oes F e G definidas. Considere X ⊂ F (N. p. Construa uma bije¸˜o de N × N em N tomando d´ ca ıgitos de forma intercalada: (por exemplo f (13. a 17.5. (e) o conjunto das bije¸oes de X em X possui (#X)! elementos. Suponhamos. e a ♯ 20. ¸ ¸˜ TEOREMA 212. y) ∈ Q para todo x. 1). a fun¸˜o cont´ a ca ınua f tem primitiva . integr´vel. Tamb´m ´ integr´vel o a e e a produto das fun¸oes integr´veis f ◦ g e g ′ (observe que f ◦ g ´ cont´ c˜ a e ınua). F (1) ∈ Z. NUMEROS NATURAIS. . 0<π 0 1 pn f (x) sen(x)dx ≤ πpn < 1. Sejam X e Y conjuntos finitos. (b) Q = j∈N Obs: Definindo a norma de q = m/n por |m| + |n| (chamado de norma l1 ). π pn f (x) sen(x)dx = π 0 Por outro lado.13 no. A fun¸˜o f ´ cont´ ca ca e ınua e. c˜ a → 16. ca 22. e de forma geral. sendo c e d. y ∈ A. portanto. Assim. Portanto se f ∈ X ent˜o f (x) = 1 para todo x ∈ N a menos de a um conjunto finito (ou ainda. f (ak · · · a0 . b] ´ o intervalo fechado [c. MUDANCA DE VARIAVEIS E INTEGRACAO POR PARTES. ′′ = −π 2 q n −π 2n−2 f (2) (x) + π 2n−4 f (4) (x) + · · · + (−1)n π 2 f (2n) (x) Portanto.45 no.67. d]. a (b) que s˜o decrescentes (n1 ≥ n2 ≥ n3 ≥ · · · ≥ 0). n ∈ N com |m| + n = j} para cada e a j ∈ N. q ∈ N tais que π 2 = p/q. existe uma bije¸˜o dele com uma parte e ca pr´pria Y ⊂ X. 1) = ∅. para que pn /n! < 1/π. 1). que existem p. F (0) + F (1) ∈ Z ∩ (0.15). ni ∈ Z. escreva um programa de computador que imprima todos ıcio os n´meros racionais. Um conjunto X ´ infinito se. Prove que: (a) #(X ∪ Y ) = #X + #Y − #(X ∩ Y ). e somente se. . p.20). =⇒ 14.35) a a Dica: fixe 3 pontos n˜o-colineares de A e escolha sistema de coordenadas. Prove que se X ´ finito e Y ´ enumer´vel ent˜o F (X.20). b] . e → 24.29). Considere os intervalos (0.5. e Derivando G uma vez e F duas vezes. Y ) = #Y #X . ca Dica: proje¸˜o estereogr´fica. e a (a) #Aj = 2j − 1. Prove que: Aj . suficientemente grande. a 23. ni ≥ 0}. por absurdo. = F ′′ (x) + π 2 F (x) sen(πx).17. Y = X. portanto. e a Determine se ´ enumer´vel o subconjunto das sequˆncias: e a e (a) que s˜o zero a partir de um certo termo ([T] p. 1] e (0.

f (k) (0) ∈ Z para a k < n ou k > 2n. Remeto os curiosos para [Ha]. EXERC´ ICIOS. Fran¸a . ca e e obviamente. todos sabem que π ´ a raz˜o entre o comprimento da a e a circunferˆncia e seu diˆmetro. 1) e (0. B = {(x. y). ıcil) e ♯ 34.152 CAP´ ITULO 9. Dica: Use p´gina 13: exerc´ a ıcios 33.). 1] → (0. n˜o tem rela¸˜o com o problema! c a ca LEMA 211. (dif´ Suponha que A ´ infinito. 1) por: f (1) = 1/2. f (k) (1) = (−1)k f (k) (0) ∈ Z. Por hora.5. As derivadas de ordem superior a 2n s˜o identicamente nulas. sen(0) = sen(π) = 0 e cos(0) = − cos(π) = 1.1 Ela ´ t˜o surpreendente ca e e a que come¸a por um lema que. f (1/3) = 1/4. (b) #(X ∪ Y ) = max(#X. Prove que o conjunto dos c´ ırculos no plano com raio racional e com centro com coordenadas racionais ´ enumer´vel ([T] p. . c˜ =⇒ 30. . 1 n n ′ ′ Charles Hermite: ⋆ 24/12/1822. cn+1 . As fun¸oes sen e cos s˜o deriv´veis com sen = cos e cos = − sen. Para n ≤ k ≤ 2n.13 no. ca Dica: exerc´ anterior. f (k)(1) ∈ Z. x2 + y 2 ≤ 1} (disco fechado). y).26). Nesta se¸˜o mostraremos que a constante π ´ irracional. 0 < f (x) < 1/n! para todo x ∈ [0. a a i. a Charles Hermite. etc. Ora. (dif´ Se X e Y s˜o conjuntos infinitos ent˜o: (a) #(X × X) = #X. a forma de aumentar a cardinalidade ´ tomando conjunto das partes. logo. .26).4 ⋆ A constante π. e Dica2: Aplique a demonstra¸˜o do teorema de Cantor-Bernstein-Schr¨der (caminho dif´ ca o ıcil). etc. 2.13 para provar que #F (A. Implica que #(C) = #(R2 ) = ıcio #(R3 ) = #(R). etc. Paris.). multiplica¸˜o. dado k ∈ N temos f (k) (0). 1]. cos. iii. ent˜o F ´ uma primitiva de f em [a. estes s˜o conceitos geom´tricos e necessitamos de uma e a e a e defini¸˜o anal´ ca ıtica. 1) e (0. Precisamos de mais teoria do que aprendemos. b] . o (b) construa uma bije¸˜o entre eles (note que a existˆncia ´ mais f´cil do que a constru¸˜o). 1/2 < x2 + y 2 < 1} (anel aberto). . (c) F (A. 30 e 31(c) e exerc´ 32 (a). F (x) = x exp(−s2 )ds n˜o pode ser expresso por meio de fun¸oes elementares (sen. k}. logo. Construa uma bije¸˜o entre (0. apenas citamos algumas destas ca propriedades que ser˜o utilizadas na prova da irracionalidade de π. ca e e a ca Dica1: Defina f : (0. D = {(x. aparentemente. ıcio ıcil) e a ♯ 33. . Para cumprir esta tarefa ´. (dif´ Prove que se X ´ infinito e A finito com #A = N ent˜o #F (A. 0 < x2 + y 2 < 1} (disco furado). =⇒ 31. f (x) = n! iii. u (iii) As derivadas at´ a ordem n − 1 s˜o polinˆmios m´ltiplos de x. S˜o elas. X) = #(X N ) e exerc´ 32. Considere X um conjunto infinito e Y ⊂ X finito. b]. Dieuze. Demonstra¸˜o. c˜ a a ii. ca ıcil) a a ♯ 32. 1) ∪ {1.† 14/01/1901. Veja exerc´ 28. Dica: Extraia de X um subconjunto com cardinalidade igual a N. Por´m. (i) Trivial. . ıcio Dica: Use exerc´ 31(b). ıcio =⇒ 27. p. Considere os seguintes subconjuntos do plano (R2 ): A = {(x. seja f : R → R dada por f (x) = x (1−x) ∀x ∈ R. Logo. a c˜ De fato. (b) P(A). Fran¸a.51.2 Embora a integral de fun¸˜o cont´ ca ca ınua sempre exista. c˜ e Na Se¸˜o 10. π]. Dado n ∈ N. ra´ c˜ ca a ızes. 29 O Corol´rio 209 diz que se f ∈ C [a.176 apresentaremos as defini¸oes anal´ ca c˜ ıticas das fun¸oes seno e cosseno c˜ ca (Defini¸˜o 240) e da constante π (Defini¸˜o 244). . Prove que possuem a mesma cardinalidade: (a) F (A.29 ıcio (a). a a e Observa¸˜o 9. ca c˜ A teoria de Galois determina quando a raiz de um polinˆmio pode ser expressa por meio o de opera¸oes elementares (soma. f ´ a identidade.5. . Prove que um conjunto qualquer B ⊂ P(R) de intervalos n˜o-degenerados (n˜o pode a a ter comprimento zero) disjuntos dois a dois ´ enumer´vel ([T] p. 1) ∪ N. ´ Dica: E surpreendentemente dif´ ıcil. ca (ii) Basta observar que xn (1 − x)n ´ um polinˆmio em x. Construa bije¸oes entre cada um deste conjuntos. Finalmente. e a → 29. X) = #X. 26. Temos: n! i. ii. f (1/2) = 1/3. e a Dica: Use enumerabilidade de Q para montar fun¸˜o injetiva de B em Q. Da mesma forma. temos que f (k) (0) = k!ck /n! ∈ Z. Aqui generalizamos os resultados apresentados na sequˆncia de exerc´ e ıcios anteriores. x2 + y 2 < 1} (disco aberto). p. existem cn . C = {(x. ıcio Obs: Isto mostra que n˜o obtemos cardinalidades mais altas tomando conjunto de fun¸oes. p. c2n ∈ Z tais que 1 cn xn + cn+1 xn+1 + · · · + c2n x2n ∀x ∈ R.13 no. y). e 9. c c .6. A demonstra¸˜o ´ devida. de coeficientes inteiros. Note que usando (a) podemos provar (b). Prove que: (a) #X = #(X − Y ). essencialmente. precisamos de defini¸oes anal´ c˜ ıticas para as principais fun¸oes trigonom´tricas: seno e cosseno. Nos outros pontos. (b) #X = #(X ∪ N). se anulam em e a o u x = 0. p. ca Dica: exerc´ anterior. P(A)). divis˜o. Construa uma bije¸˜o entre (0. como f (x) = f (1 − x) temos f (k) (x) = (−1)(k) f (1 − x). INTEGRAL DE RIEMANN 2. ca Obs: Este exerc´ generaliza o fato que #(Nk ) = #(N). a c˜ Existe uma teoria an´loga (Abel) ` teoria de Galois para integrais que determina quando a a uma fun¸˜o possui primitiva expressa por meio de fun¸oes elementares. 0 ca (a) prove que existe uma bije¸˜o entre eles utilizando o Teorema 36 (Cantor-BernsteinSchr¨der). A). ıcio → 28. necess´rio definir π. grau 2n e o e m´ltiplo de xn . y). Podemos fazer por indu¸˜o transfinita. 0 ≤ sen(x) ≤ 1 para todo x ∈ [0. #Y ).6.

Isto demonstra a primeira parte do teorema. (b) ∅ ⊂ Y0 ⊂ A. com 0 < |x − x0 | < δ. Usando exerc´ anterior e suas dicas podemos limitar #F (A. INTEIROS E RACIONAIS ´ 9. b]. Sejam f ∈ C [a. Para o item (b) existem dois casos. ent˜o dizemos que F ´ uma ¸˜ e a a e primitiva. B). 1] e (0. b] e |s − x0 | < δ =⇒ |f (s) − f (x0 )| < ε. (dif´ ıcil) Suponha que A ou B ´ infinito (caso contr´rio ´ exerc´ de combinat´ria e a e ıcio o calcular cardinalidade). Se #P(A) < #B temos dois casos. 18. ca ca ⋆ 37. Ela utiliza a linguagem de descendentes e ancestrais de elementos para particionar A em trˆs partes (disjuntas) de acordo com a origem da “fam´ e ılia” do elemento: AA . OBS 2: Existe uma demonstra¸˜o de C-S-B aparentemente diferente que pode ser vista ca em Halmos (Naive Set Theory). Se A for finito use exerc´ ıcio ıcio no. (c) use fato que se h ´ injetiva. #B). bastando inverter papel de f e g no item (d): BB = e a i=0 (f ◦ g)(i) [f (A)∁ ]. A∞ . Seja ainda M ∈ R tal que |f (s)| ≤ M para ca todo s ∈ [a. o a a a Prosseguindo de forma indutiva chegaremos ao conjunto Z0 . OBS 1: Existe um argumento informal que Z0 definido pelo item (d) ´ o menor ponto e fixo. ent˜o Z0 ⊂ Y0 ⊂ X0 . Trivial. 1). e e • F (Z0 ) = Z0 . P(C)) por #P(C) = #B. b]. 1 x − x0 x x0 |f (s) − f (x0 )|ds (g ◦ f )(n) [g(B)∁ ]. AB . B) = ıcio #F (A. Elementos que n˜o est˜o na imagem de g (isto ´. antiderivada ou integral indefinida de f em [a. P(C)). elementos de g(B)∁ ) tem que estar em a a e o a Z0 pois s´ poder˜o ir para B com f (imposs´ ir com g −1!). b] . ca DEFINICAO 210.30 ´ CAP´ ITULO 2. Se F ´ deriv´vel em [a. 33. ou seja: • F (X0 ) = X0 . a Demonstra¸˜o. Defina C = P (k−1) (A). para todo x ∈ [a. (extra) Considere X0 e F definidos na demonstra¸˜o do Teorema 36 (Cantor-Bernstein+∞ Demonstra¸˜o. ´ mais f´cil. tomemos δ > 0 tal que s ∈ [a. b] com y < x. a Dica: Item (a) ´ f´cil. x0 (d) Prove que (o menor ponto fixo de F ) Z0 = i=0 (g ◦f )(i) [g(B)∁ ]. b]. ı ´ COROLARIO 209. a (b) Se #B > 1 ent˜o #F (A. Dado ε > 0. h(X − Y ) = h(X) − h(Y ). Prove que: (a) se #B = 1 ent˜o #F (A. Obs: Precisamos do lema da boa ordena¸˜o (teoria dos conjuntos) como em [Ha]. temos 1 F (x) − F (x0 ) = x − x0 x − x0 x a x0 Schr¨der) na p. Se #P(A) ≥ #B use dicas e a do exerc´ anterior.3. Note que esta f´rmula o ´ bem mais f´cil de calcular do que a dada originalmente para X0 . BB tamb´m e a e +∞ F (x) = c + a f (s)ds ∀x ∈ [a. e a (c) Prove que F (X) = (g ◦ f )(X) ∪ g(B)∁ . Assim como AA = Z0 (menor ponto fixo) ´ mais f´cil de se calcular que X0 . Ficar´ claro numa leitura atenta que: AA = Z0 (o menor ponto a fixo) e AA ∪ A∞ = X0 (o maior ponto fixo). ♯ 36. B) = max(#P(A). Por outro lado #B = #F ({1}. e a (e) Utilize a f´rmula em (d) para explicitar uma bije¸˜o entre [0. c ∈ R e F : [a. +∞ Subtraindo f (x0 ) na equa¸˜o anterior e observando que ca f (x0 ) = obtemos 1 F (x) − F (x0 ) − f (x0 ) = x − x0 x − x0 1 = x − x0 1 ≤ x − x0 Da´ segue o resultado. i f (s)ds − f (s)ds = a 1 x − x0 x f (s)ds. Se A for infinito (B tamb´m ser´ infinito) use hip´tese do cont´ e a o ınuo generalizado: #B = #P (k) (A) para algum k ∈ N. elementos ıvel de g(f (g(B)∁)) s´ poder˜o ir para B com f (Porque n˜o poder˜o ir para B com g −1 ?). Assim. Temos x y x a |F (x) − F (y)| = = a x y f (s)ds − f (s)ds ≤ f (s)ds = a x y a f (s)ds + y x f (s)ds |f (s)|ds ≤ y Mds = M|x − y|. o ca Dica: (a) siga prova de C-S-B. b] com F ′ = f . Defina Z0 o i=0 F (∅). 151 ♯ 35. e • se F (Y0 ) = Y0 (Y0 ´ ponto fixo de F ). Conclua que #F (A. Consequentemente. Aplique F n em todos os termos. Suponhamos que f seja cont´ ınua em x0 . b]. NUMEROS NATURAIS. TEOREMAS FUNDAMENTAIS DO CALCULO. ent˜o ´ verdade que (tricotomia da cardinalia e dade): #A = #B ou #A > #B ou #A < #B. Como . Ent˜o F ′ = f . B) = #A. Sejam x. (d) Verifique que F (i) (∅) = e i−1 n=0 f (s)ds − 1 x − x0 x f (x0 )ds x0 f (s) − f (x0 ) ds ≤ εds = ε. y ∈ [a. x0 (a) Prove que Z0 ´ ponto fixo de F . (dif´ ıcil) Dados A e B dois conjuntos. e (b) Prove que X0 ´ o maior e Z0 ´ o menor ponto fixo de F . B) ≤ #F (A. b] → R dada por x x x0 x x0 x x0 1 x − x0 x f (x0 )ds.

(extra) Formule (e resolva) um exerc´ semelhante ao anterior por´m para expans˜o ıcio e a de α na base 6. b].6.3 Teoremas Fundamentais do C´lculo. xn }.3 Racionais F (b) − F (a) = i=1 F ′ (yi )(xi − xi−1 ) = f (yi )∆xi . a a TEOREMA 208. parti¸˜o de [a. (Aten¸˜o: desigualdade a ca estrita). ca a e n˜o integr´vel.e. f (x) = f (y) quaisquer que sejam x. qualquer. e ♯ 44. Sugest˜o: Em 38(a) considere separadamente os casos 0 ≤ x e x ≤ 0 e utilize a a monotonia de ≤ para a multiplica¸˜o. ⋆ 41. . n) = 1.† 11/10/1940. b]. ⋆ 40. P ). a a . xi ). e Para cada i ∈ {1. ent˜o f = F ′ ´ integr´vel. e OBS 4: Se A = B.150 CAP´ ITULO 9. Seja (K. f = g = Id. 31 9. o denominador da fra¸˜o irredut´ possui fator 2m ou 5m mas n˜o possui ca ıvel a fator 2m+1 nem 5m+1 . n ∈ N ıcil) a uma fra¸˜o positiva irredut´ ca ıvel. n ∈ N uma fra¸˜o positiva irredut´ (MDC(m. ≤) um corpo ordenado. a (b) 10s ´ m´ltiplo de n para algum s ∈ N. ent˜o F : e a a [a.319 e [Hd]) Seja m/n ∈ Q com m. vide [O] p. Substituindo na e rela¸˜o acima obtemos ca n n 2. Roma. Demonstra¸˜o. Sejam s. . EXERC´ ICIOS. Volterra1 [Vo] encontrou um exemplo de fun¸˜o deriv´vel com derivada limitada. ent˜o F ´ deriv´vel em x0 a e a e F ′ (x0 ) = f (x0 ). =⇒(c) Diga porque ´ imposs´ definir uma rela¸˜o de ordem no conjunto dos complexos de e ıvel ca modo que (C. e somente se. 1 Vito Volterra: ⋆ 03/05/1860. Seja P = {x0 . temos inf(f (Ii )) ≤ f (yi ) ≤ sup(f (Ii )). It´lia.411 no. Temos ca ca n F (b) − F (a) = F (xn ) − F (x0 ) = i=1 F (xi ) − F (xi−1 ) . ent˜o −x ≤ 0 e conclua que −1 < 0. se f ´ cont´ e e ınua em x0 ∈ [a. ·. i. xi ) tal que F (xi ) − F (xi−1 ) = F ′ (yi )(xi − xi−1 ). Conclu´ ımos o resultado f (x)dx ≤ F (b) − F (a) ≤ f (x)dx. INTEGRAL DE RIEMANN 2. Prove que s˜o equivalentes: a (a) α possui expans˜o decimal finita. Ancona. n}. obtemos a e existˆncia de yi ∈ (xi−1 . P ) ≤ F (b) − F (a) ≤ S(f . ca e 39. . +. ·. Como f ´ integr´vel. (dif´ (teoria da expans˜o decimal. (TFC: derivada da integral) Se f ´ integr´vel em [a. e f = F ′ ´ e a e integr´vel em [a. . P ) ≤ F (b) − F (a) ≤ inf S(f. ≤) seja um corpo ordenado. por´m. AA = AB = ∅ e A∞ = A: menor atrator ´ o ∅. os extremos valem a mesma coisa: e a pois b a b a b =⇒ 38. b]. Seja f : A → B uma fun¸˜o crescente e decrescente ao mesmo tempo. +. a Cuidado! O teorema anterior n˜o diz que se F ´ deriv´vel. b]. (a) Prove que 0 ≤ x · x para todo x ∈ K e conclua que 0 < 1. . De a e a a e a fato. ent˜o a a F (b) − F (a) = f (x)dx. Um corol´rio ´ que a s´rie u a e e harmˆnica (veja p´gina 65) diverge. . E na base k? ♯ 43. p ∈ N m´ e ınimos com p ≥ 1 f (x)dx. aplicando o Teorema do Valor M´dio a F em [xi−1 . (extra) Prove que um n´mero possui d´ u ızima com m > 0 termos na parte n˜o-peri´dica a o se. b]. a g(BB ) = AB e A∁ = AA ∪ A∞ = X0 (maior ponto fixo) ´ mais dif´ de ser calculado pela e ıcil B f´rmula original. MDC(m. ⋆ 42. (dif´ ıcil) Prove que qualquer racional positivo pode ser escrito como a soma finita de n´meros distintos da forma 1/n com n ∈ N ([Sp] p. podemos calcular mais facilmente por o +∞ ∁ X0 = g i=0 (f ◦ g)(i) [f (A)∁ ] . . i=1 Como yi ∈ (xi−1 . o a Dica: se p/q estiver estritamente entre 1/n e 1/(n + 1) ent˜o o numerador de p/q − a 1/(n + 1) ´ menor que p. ´ Lipschitz cont´ e ınua. OBS 3: Esta prova utilizando ponto fixo ´ caso particular do Teorema do ponto fixo para e reticulados (em inglˆs lattices) de Tarski-Davis. It´lia . a b TEOREMA 207. (TFC: integral da derivada) Se F ´ deriv´vel em [a.6. (b) Prove que se 0 ≤ x. b]. (extra) Seja α = m/n ∈ Q com m. P ). Al´m disto. Prove que f ´ constante. isto ´. . sup I(f. maior e ´ o A. y ∈ A. I(f . Em 38(b) use a monotonia de ≤ para a adi¸˜o.. n) = ca ıvel 1). e u α β (c) n = 2 5 . Em ca ca 38(c) use 38(a) e 38(b) e considere x = i. b] → R definida por x F (x) = a f (s)ds ∀x ∈ [a.22). xi ]. Portanto. Tomando sup do lado esquerdo e inf do lado direito.

a eu ⋆ 47. Isto ´. (c) use (b) duas vezes. INTEIROS E RACIONAIS 9. Neste caso. a (d) se x < 0 e y < 0. ent˜o 0 < y −1 < x−1 . Se 0 < a < b. a e tomando p = j − s. Seja f integr´vel em [a. a]. a (c) se x ≥ 0 e y ≤ 0. ca ca ⋆ 48. Ent˜o a expans˜o decimal de m/n possui uma d´ e u a a ızima peri´dica de per´ o ıodo p que come¸a ap´s s d´ c o ıgitos ` direita da casa decimal. ⋆ 45. Demonstra¸˜o. ent˜o x−1 < 0. ent˜o. Como s˜o no m´ximo n restos distintos (0 at´ n − 1). ·. Obs: Podemos determinar s e p do seguinte modo. y. quaisquer que sejam a. (extra) Sejam (K. Basta modificar o 10 que aparece acima pela outra base. ≤) um corpo ordenado e x. ent˜o x + z < y + z. Prove que (a) se x < y. pela proposi¸˜o ca a a ca anterior. a Obs: Como consequˆncia. se n = 3. ca ´ e ca ca . determine se ´ corpo e. (extra) Sejam (K. ≤) um corpo ordenado. NUMEROS NATURAIS. y ∈ K. P ) ≤ S(f . Al´m disto. se n = 2α 5β Q com MDC(Q. Se n = 18 toda fra¸˜o m/18 irredut´ possuir´ d´ ca ıvel a ızima peri´dica come¸ando ap´s o c o uma (s = 1) casa decimal com per´ ıodo 1 (p = 1). f (x)dx + a c f (x)dx − 2ε ≤ I(f . Quando a expans˜o decimal ´ finita (1/2 a e por exemplo) podemos interpretar como uma d´ ızima com o algarismo 0 se repetindo (p = 1). Esta ´ a motiva¸˜o para a e c e ca pr´xima defini¸˜o.2. Portanto. (b) (−x) · y = −(x · y). Prove que (a) x · 0 = 0. a caracter´ e ıstica da d´ ızima de m/n depende SOMENTE de n. Dica: (a) use 0 = 0 + 0. c b f (x)dx + a c f (x)dx − 2ε ≤ I(f . eles a a e se repetir˜o. .9). a. b. B]. e a e da rela¸˜o acima obtemos.3 obtemos que (9. . β). temos a seguinte generaliza¸˜o para (9. B]. Entretanto. b]. Sejam x. . y ∈ K. ca c b b c b f (x)dx + a c f (x)dx − 2ε ≤ a f (x)dx ≤ f (x)dx + a c f (x)dx + 2ε. 2. b ∈ Q}. c ∈ [A. o neutro do produto com 1 e obtenha os outros elementos de M atrav´s da soma (ou subtra¸˜o) do elemento identidade e ca do produto. E consequˆncia da Proposi¸˜o 204 e da Defini¸˜o 205 (verifique). Prove que (a) se x < 0. Segue da´ que S(f . a. ent˜o x · y ≤ 0. P ) − I(f . (b) use (a). INTEGRAL E PROPRIEDADES. 10) = 1 ent˜o s = max(α. Seja f integr´vel em [A. +. ·) um corpo e x. ⋆ 51. (c) (−x) · (−y) = x · y. existe f : M → Z tal que f preserva as opera¸oes de soma e produto. P1) + I(f . z ∈ K. o ca DEFINICAO 205. (extra) Seja (K. toda fra¸˜o m/3 irredut´ ca ıvel possuir´ d´ a ızima peri´dica come¸ando imediatamente ap´s a casa decimal (s = 0) com per´ o c o ıodo 1 (p = 1). existem 0 ≤ s < j ≤ n tais que 10j mod n = 10s mod n. para P = P1 ∪ P2 . ca b a Seja f uma fun¸˜o limitada e integr´vel em [0. f (x)dx = − f (x)dx. (extra) Dado um corpo K qualquer existe um conjunto M ⊂ K homeomorfo a Z. a ⋆ 50. isto ´. ca ca PROPOSICAO 206. prove que se a opera¸˜o · ´ comutativa em K e existe x ∈ K tal que ca ca e x · y = y qualquer que seja y ∈ K. P2 ) ≤ S(f . e c˜ Dica: Identifique o elemento neutro da soma com o 0.10) conclu´ ımos que s´ existe uma forma de definir o a integral de a at´ b. . Calcule 10i mod n (resto da divis˜o a por n) para i = 0. podemos dizer que ca b a a f (x)dx = 0 0 f (x)dx − f (x)dx. ent˜o x · y > 0. ·. +.32 ´ CAP´ ITULO 2. com n ∈ N. por exemplo. e Suponhamos agora que 0 < b < a. Terminamos a demonstra¸˜o tomando o limite ε → 0. P2 ) c b ≤ Portanto.10) fa¸a sentido. ⋆ 46. P ) ≤ f (x)dx + a c f (x)dx + 2ε. Ent˜o ¸˜ a a b c b f (x)dx = a a f (x)dx + c f (x)dx. P ) ≤ 4ε. a (b) se 0 < x < y.10) tamb´m vale para a = 0 ou a = b. b]. obtemos c b 149 tais que 10s+p − 10s ´ m´ltiplo de n. b ∈ Q}.10) Do resultado obtido no Exemplo 9. (extra) Prove a unicidade do inverso de x ∈ K − {0} a partir de sua existˆncia e da e comutatividade da opera¸˜o de multiplica¸˜o. Somando. (9. ent˜o x · z < y · z quando 0 < z e y · z < x · z quando z < 0. +. ent˜o. b]. (9.10) perde o sentido pois o segundo termo do lado direito n˜o est´ definido. Assim. b Comparando a igualdade acima com (9. b f (x)dx = 0 0 f (x)dx + a f (x)dx. ou seja. Conclu´ ı ımos que f ´ integr´vel em [a. temos c b f (x)dx + a c f (x)dx + 2ε. n. P1) + S(f . determine a e f´rmula do inverso √ o aditivo e do inverso multiplicativo: √ (a) K = {a + b 2. Podemos calcular a tabela abaixo. n 2 3 4 5 6 7 8 9 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 s 1 0 2 1 1 0 3 0 0 2 0 1 1 4 0 1 0 2 p 1 1 1 1 1 6 1 1 2 1 6 6 1 1 16 1 18 1 Obs: Esta teoria pode ser facilmente generalizada para outras bases. teremos que 10s+p − 10s mod n = 0. (extra) Para cada K definido abaixo. (b) K = {a + b n. A integral de f de b at´ a ´ definida por ¸˜ a e e a b b ⋆ 49. a a (b) se x < y. se f ´ limitada e integr´vel em [0. 1. ent˜o ele ´ ´nico. (extra) Prove a unicidade de 1 a partir de sua existˆncia e da comutatividade da e multiplica¸˜o. com b < a. para que (9. a a e a a novamente pela proposi¸˜o anterior. a Feita esta defini¸˜o. neste caso. a Mais ainda.

148 CAP´ ITULO 9. e e a e Zn ´ corpo n˜o-arquimediano. n ´ primo. xn }. 1.25). P ) − I(f . P1) + S(f . P2) = S(f . c] e P2 ∈ P[c. 33 a. c] e em [c. b]. b]. existe P ∈ P[a. e a b c b ⋆ 52. (c) 0 < n < a. EXERC´ ICIOS. P1 ) ≤ f (x)dx + ε a e c b b f (x)dx − ε ≤ I(f . Conclua que. e somente se. P2 = {xn . P1 ∈ P[a. O leitor deve perceber que ´ errado afirmar que a integral do produto ´ o produto das e e integrais (procure um contraexemplo).9) Demonstra¸˜o. ent˜o. Portanto. . em Z3 temos que 2 · 2 = 1. . . c . INTEGRAL DE RIEMANN 2. e a ∈ K com a > 0. f ´ integr´vel em [a. b]. P2 ) ≤ S(f . Prove que se b ∈ K e b > 1. c] e P2 ∈ P[c. dados a. . b] tal que S(f . . ≤) um corpo ordenado arquimediano. ¸˜ ca e a ela ´ integr´vel em [a. c. a ⋆ 53.59 e p. a f (x)dx = a a f (x)dx + c f (x)dx. P ) ≤ ε. P1) + I(f . . . d ∈ Q}. existem e a a P1 ∈ P[a. √ (c) K = {a + b 3 2. As quantidades entre colchetes s˜o positivas e tˆm soma inferior ou igual a ε. b ∈ Q}. dado ε > 0. b]. e somente se ([L] p. Neste caso. (extra) Sejam (K. P1) − I(f . P ) = i=1 n sup(f (Ii ))∆xi m = i=1 sup(f (Ii ))∆xi + i=n+1 sup(f (Ii ))∆xi = S(f . . PROPOSICAO 204. . ⋆ 54. e somente se. . Prove que todos elementos de Zn possuem inverso multiplicativo se. +. pois 2·2 = 0. mostra-se que I(f . Tomando P1 e P2 como c a ca antes. c] e em [c. Do mesmo modo. Uma fun¸˜o f ´ integr´vel em [a. b]. P1) ≤ S(f . . xm } e P = {x0 . m} temos que m S(f . P2) ≤ f (x)dx + ε. Por exemplo. P ) − e a a I(f .72 no. ent˜o existe n ∈ N tal que a < bn . ent˜o. (extra) Prove que um corpo ordenado K ´ arquimediano (i. P ) = I(f . e e a Reciprocamente. b] se. b. P2) − I(f . P2). e somente se. xm }. Mais precisamente.e. e Sejam P ∈ P[a. b] se. (extra) Zn ´ o conjunto formado por {0. −2 = 1. . . f ´ limitada em [a. √ √ √ (d) K = {a + b 4 3 + c 4 9 + d 4 27. a. xn . . obtemos S(f . b). Seja c ∈ (a. .6. . Um contraexemplo ´ Z4 . b] tais que c a c f (x)dx − ε ≤ I(f . N ⊂ K ´ ilimitado e e superiormente) se. Fica (mais uma vez) para o leitor a tarefa de provar que f ´ limitada em ca e [a. cada uma a e delas ´ inferior ou igual a ε. logo. c] e em [c. . ·. . . (b) 0 < < a. . . Se f ´ integr´vel em [a. . neste caso. 2 + 1 = 0. podemos escrever P1 = {x0 . se f ´ integr´vel em [a. (9. n − 1} cujas opera¸oes s˜o feitas m´dulo e c˜ a o n. o que implica (porque?) que 2 n˜o tem inverso multiplicativo em Z4 . b]. P2 ). . P1 ) + S(f . . b] tais que P = P1 ∪ P2 . n 2 Para cada i ∈ {1. dado ε > 0. c] e em [c. P ) ≤ ε. b ∈ K com a > 0 existe n ∈ N tal que: 1 1 (a) n · a > b. Gra¸as ` Proposi¸˜o 194 podemos supor que c ∈ P .

portanto. ı a e Para provar que M i − mi ≤ Mi − mi . Inicialmente. Pelo Lema 197 obtemos que f 2 ´ integr´vel. xi ]. portanto. · · · . Mi = sup(f (Ii )). Desta forma. a (b) se f ≤ 0 em Ii . b]. −mi ) ≤ Mi −mi a (como os dois termos s˜o positivos. Qi = sup(f 2 (Ii )). a fun¸˜o |f | ´ constante (igual a 1) e. Ou seja. (fun¸oes integr´veis formam uma ´lgebra) Se f e g s˜o in¸˜ c˜ a a a tegr´veis em [a. n}. existe uma parti¸˜o P = {x0 . i m2 ≤ qi ≤ f (x)2 ≤ Qi ≤ Mi2 . denotamos mi = inf(f (Ii )). M i = −mi e mi = −Mi e. . / a a e a Por´m. integr´vel neste intervalo. b]. e e PROPOSICAO 203. ent˜o f g ´ integr´vel em [a. P ) − I(f . M i − mi = Mi − mi . a a e a Demonstra¸˜o. se x ∈ Q.34 ´ CAP´ ITULO 2.2. Por exemplo. b] tal que ca S(f . J´ vimos que f n˜o ´ integr´vel em [0. ent˜o mi = mi e Mi = M i e. A rec´ ıproca da proposi¸˜o anterior ´ falsa. vamos considerar o caso particular em que f = g. e f (x) = −1 se x ∈ Q. ´ (c) caso contr´rio. . INTEIROS E RACIONAIS 9. M i − mi ≤ M i = max(Mi . −mi ) ≤ Mi − mi . P ) − I(f 2 . qi = inf(f 2 (Ii )). da Proposi¸˜o 199 a ca e da igualdade (f + g)2 − (f − g)2 . |f | tamb´m ´. sem que f seja integr´vel neste intervalo. Este ´ um e ca e a e exemplo de desvantagem da integral de Riemann em rela¸˜o a de Lebesgue: f ´ integr´vel a ca e a Lebesgue se. P ) ≤ ε. Por a e a outro lado. limitada pela cota superior M > 0. Mi ≥ 0 ≥ mi . 147 Da´ obtemos a conclus˜o final. temos m2 ≤ f (x)2 ≤ Mi2 . . Logo. Dado ε > 0. para todo x ∈ [xi−1 . i Conclu´ ımos da´ que ı n S(f 2. e a O caso geral segue imediatamente do caso particular j´ demonstrado. fg = 4 . considere a fun¸˜o f dada por a ca f (x) = 1. e somente se. P ) − I(f . mi ≥ 0. NUMEROS NATURAIS. portanto. b]. b]. dividimos em trˆs casos: (a) se f ≥ 0 em Ii . a soma deles ´ maior que o m´ximo entre os dois). 0 ≥ Mi ≥ mi . P ) = ≤ i=1 n (Qi − qi )∆xi n i=1 (Mi2 − m2 )∆xi = i n i=1 (Mi + mi )(Mi − mi )∆xi ≤ 2M i=1 (Mi − mi )∆xi = 2M S(f . INTEGRAL E PROPRIEDADES. M i − mi = −mi − (−Mi ) = Mi − mi . Aqui tamb´m fica a cargo do leitor a demonstra¸˜o de que f g ´ limitada ca e ca e em [a. 1]. E claro que (porque?) M i = max(Mi . . e portanto. |f | pode ser limitada e integr´vel em ca e a [a. Portanto. 2M Para cada i ∈ {1. P ) ≤ ε . xn } de [a.

(monotonia da integral) Se f ´ integr´vel em [a. Pit´goras de Samos: ⋆ ≈ 569 A. a 3. n}. Se f ≤ g em [a. (integral do m´dulo) Se f ´ integr´vel em [a. logo. xn } uma parti¸˜o de [a. Sejam f e g integr´veis em [a. denotamos: mi = inf(f (Ii )). S(f . o O famoso Teorema de Pit´goras j´ era conhecido. Como f ´ integr´vel. filos´ficas. junto com o Teorema de Pit´goras. Podemos supor.146 CAP´ ITULO 9. .1 b a b Descoberta dos irracionais. que m e n n˜o tˆm divisor comum maior que 1.. pol´ o ıticas e morais. se a e b s˜o os comprimentos dos dois segmentos. P ) = i=1 (M i − mi )∆xi ≤ i=1 (Mi − mi )∆xi ≤ ε. Acreditava-se tamb´m e u o u e que dados dois segmentos quaisquer eles eram sempre comensur´veis. n2 = 2p2 . a Demonstra¸˜o. Por esta raz˜o.e. e a f (x)dx. Gr´cia . P ) − I(f . . existe um inteiro p tal que e e e a m = 2p. Uma delas dizia que o conhecimento era um bem comum ` a sociedade. ele viajou pelo Egito e Babilˆnia antes de se estabelecer em Crotona (atualmente na It´lia) e l´ fundar a chamada Escola Pitag´rica. Logo. P ∈ P[a. P ) = ca M i − mi ≤ Mi − mi . ?. tudo podia ser explicado o e u atrav´s dos n´meros (inteiros) e suas raz˜es (n´meros racionais). 2 = d2 = m2 /n2 . ent˜o a a f (x)dx ≤ g(x)dx. Tomando inf dos dois lados. ent˜o a b 0≤ f (x)dx. Muitas das demonstra¸oes da ´poca eram baseadas neste fato. o Segundo outra doutrina pitag´rica “tudo ´ n´mero”. mi = inf(|f |(Ii )). portanto. temos que e a b a b b f (x)dx ≤ f (x)dx = a b a |f (x)|dx. Mais do que a a o uma escola matem´tica ela era uma sociedade secreta dotada de v´rias doutrinas cient´ a a ıficas. Da´ conclu´ ı ımos que n2 ´ par e e. i. Como f ≤ |f | e −f ≤ |f |. Assim. b]. obtemos b Cap´ ıtulo 3 N´meros reais u 0 ≤ inf S(f . . b]. b]. Multiplicando por ∆xi e somando de i = 1 at´ i = n obtemos e 0 ≤ S(f . menor que os dois primeiros. Em termos modernos. pois isto implicar´ que a n i=1 (Mi − mi )∆xi ≤ ε. Segue que m2 = 2n2 a e e. Pelo Teorema de Pit´goras d2 = 12 + 12 = 2. ent˜o |f | ´ in¸˜ o e a a e tegr´vel em [a. . Mi = sup(f (Ii )). Demonstra¸˜o. m2 ´ par. . ca ca ca ca PROPOSICAO 202. Temos ent˜o 2n2 = m2 = 4p2 e. Seja P = {x0 . ´ melhor n˜o falar da obra de Pit´goras mas sim da obra dos a e a a pitag´ricos. por outras civiliza¸oes a a c˜ a mas imagina-se que foram os pitag´ricos os primeiros a demonstr´-lo. b]. P ) − I(f . ent˜o a a existe um segmento de comprimento c e dois inteiros m e n tais que a = mc e b = nc. ´ COROLARIO 201. Como 0 ≤ f . tal que cada um deles era m´ltiplo inteiro u do menor. . que existia um a terceiro segmento. b]. portanto. provavelmente. b] com 0 ≤ f (x) ¸˜ e a para todo x ∈ [a. 0 ≤ ca ca sup(f (Ii )). ´ limitada em [a. a e 35 . b]. n Com esta nota¸˜o. Nascido em a a o Samos. b] e a b a b f (x)dx ≤ a |f (x)|dx. Isto mostra que 1 e d s˜o incomensur´veis.C. isto acarreta. Da´ ı conclui-se que a/b = m/n. . c˜ e Vejamos o que. a Demonstra¸˜o. M i = sup(|f |(Ii )). b] tal que S(f . P ) . ou seja.† ≈ 475 A. Provamos que tanto m quanto n s˜o pares contradizendo o fato que e e a eles n˜o possuem divisor comum maior que 1. ca Para cada i ∈ {1. seja P = {x0 . Aplique a Proposi¸˜o 200 a fun¸˜o g − f e use a Proposi¸˜o 199. Pela comensurabilidade entre a diagonal e o lado. a atribui¸˜o de descobertas n˜o era feita a nenhum membro espec´ ca a ıfico da escola. e por isso. P ) ∀P ∈ P[a. xn } uma parti¸˜o de [a. b] = Que ´ a conclus˜o desejada. . Mais uma tarefa para o leitor: ca e a e mostrar que isto implica que |f | ´ limitada em [a. Samos. o que implica que m tamb´m ´. uma das ilhas do Dodecaneso. b]. . a Consideremos um quadrado de lado 1 e seja d o comprimento de sua diagonal.. Do Lema 197 conclu´ ımos que |f | ´ integr´vel.. b]. P ) ≤ ε. . P ) − I(|f |. b Uma das figuras mais importantes da Matem´tica grega foi Pit´goras1 . Resta provar que n S(|f |.C. a a a A comensurabilidade entre dois segmentos quaisquer ´ equivalente ao fato que todo e 1 − a − f (x) dx ≤ a |f (x)|dx. n tamb´m ´. sem perda de generalidade. . e Dado ε > 0. . a existem inteiros m e n tais que d/1 = m/n. INTEGRAL DE RIEMANN PROPOSICAO 200.

Como ε > 0 ´ arbitr´rio. o leitor pode perguntar sobre o produto e o quociente ca de fun¸oes integr´veis. segue do Lema 197 que f + g ´ integr´vel. simultaneamente.7) (9.7) por c e usando o resultado do e a exerc´ 1. P ) ≤ c f (x)dx + cε. obtemos ıcio b b b c a f (x)dx − cε ≤ I(cf . Por´m..2 ⋆ Cortes de Dedekind. se este ´ a u seu primeiro Curso de An´lise. a constru¸˜o atrav´s de cortes de Dedekind4 [De] (ver ca e tamb´m [Hd]) que pode ser vista como uma moderniza¸˜o da ideia de Eudoxo. e a temos sup((f + g)(Ii )) ≤ sup(f (Ii )) + sup(g(Ii )). . Suas demonstra¸oes eram baseadas nas propriedades dos racionais e somente nelas. como costuma ser ensinado ıcio ca no ensino fundamental e m´dio. It´lia . que a e u cont´m o conjunto dos n´meros racionais. e ca (b) na Se¸˜o 5.C. e idenc˜ a tificada pela palavra IDEIA. ·. P ) ≤ S(g..7) e de (9. Braunschweig. etc ser´ usada. .C. 3 Euclides de Alexandria: ⋆ ≈ 325 A. Cnido. do Lema 197. P ) ≤ 2cε.. Alemanha. Multiplicando (9. Isto mostrou aos Pitag´ricos que. P ). existe P = {x0 . Desta desigualdade. Por´m. . pelo fato de n˜o u saberem como eles eram. u (c) no exerc´ 17. . p. b] e que vale (ii). P ) < 4ε. que o quociente de fun¸oes limitadas pode n˜o c˜ a a c˜ a ser limitado (quando o denominador tende a zero em algum ponto). P ) − I(cf . Sobre o produto. al´m de Teoria dos Conjuntos. b]. +. teoremas. P ) ≤ a cf (x)dx ≤ S(cf .C. etc). Cnido. Deve c esquecer tudo o que conhece sobre n´meros reais .† ? a Eudoxo de Cnido: ⋆ 408 A. por este motivo. xn } parti¸˜o de [a. ordem. Deixo a cargo do leitor a prova (se ele ainda n˜o a fez) de que f + g.2. de (9. a Multiplicando por ∆xi e somando de i = 1 at´ i = n obtemos e Mostremos que f + g ´ integr´vel sobre [a. Deve admitir. .C. a constru¸˜o como classes de equivalˆncia de sequˆncias de Cauchy ca ca e e de n´meros racionais. Come¸amos por uma destas ideias. Acredita-se este resultado foi o a descoberto e revelado por Hippasus de Metapontum1 que. Egito. eles sabiam que existiam outros “n´meros” (por exemplo 2) e. como ε > 0 ´ arbitr´rio. Alemanha . Turquia . para explicar a ideia intuitiva sobre os n´meros reais que estar´ u a por tr´s das demonstra¸oes e defini¸oes que a seguir˜o. como f e g s˜o integr´veis. p. elas servem apenas para isto a c˜ c˜ a e e n˜o podem ser usadas como fato constatado. Como os n´meros racionais s˜o insuficientes para representar todos os segmentos devemos u a complet´-los. 2 1 Das duas ´ltimas desigualdades conclu´ u ımos que S(f + g. a No esp´ ırito da proposi¸˜o anterior. a Dado ε > 0. e Demonstra¸˜o. Analogamente. neste u e e momento. exemplos.. ≤) dos n´meros reais.8) segue que b b S(f + g. . os n´meros o a u (inteiros) e suas raz˜es n˜o eram capazes de explicar tudo. Obtemos que f − g ´ integr´vel em [a. o leitor deve manter em mente o o conjunto dos n´meros reais pois a experiˆncia adquirida com ele nos guiar´ para a sua u e a constru¸˜o. ıvel a c˜ . Para cada i ∈ {1. Mostremos agora que cf ´ integr´vel sobre [a. P ) ≤ S(f . Observamos. b] e que vale (iii) como consequˆncia imediata dos e a e resultados j´ demonstrados. Foi Eudoxo2 quem resolveu a crise surgida com a descoberta dos incomensur´veis introa duzindo uma nova defini¸˜o de propor¸˜o de segmentos tal como ela aparece no livro V de ca ca “Os Elementos” de Euclides3 . Neste u a texto. Suponhamos c ≥ 0 (o e a caso c < 0 ´ tratado de modo an´logo). e a obtemos que cf ´ integr´vel. Antes disto demonstraremos duas proposi¸oes..† 355 A. b] tal a a ca que b b a f (x)dx − ε < I(f . Existem v´rias maneiras de construir este corpo ordenado. Turquia.† ≈ 265 A. P ) < b f (x)dx + ε. ´ muito prov´vel que ele nunca tenha visto a constru¸˜o do a e a ca conjunto dos n´meros reais. Por outro lado. P ) ≤ S(f . ao contr´rio do que eles preconizavam. ca Pe¸o ao leitor que se comporte. n´meros racionais e e c˜ u suas propriedades (operat´rias. Sabendo onde se deve chegar fica mais f´cil percorrer o caminho ate l´. P ) + S(g. Novamente. P ) < a f (x)dx + a g(x)dx + 2ε. a a g(x)dx − 2ε < I(f + g.158. apenas fun¸oes. desde j´. e a e a e b b b b b f (x)dx + a a g(x)dx − 2ε < f (x) + g(x) dx < a a f (x)dx + a g(x)dx + 2ε.36 ´ CAP´ ITULO 3. Al´m disto.at´ mesmo a existˆncia. Os gregos da ´poca pitag´rica conheciam e manipulavam n´meros racionais e apenas e o u eles. mostra-se que b b f (x)dx + 3. cf e ca a f − g s˜o limitadas em [a. 4 Julius Wihelm Richard Dedekind: ⋆ 06/10/1831. os gregos eram incapazes de manipul´-los. . a c Hippasus de Metapontum: ⋆ ≈ 500 A.C.4. conclu´ ımos (i). Isto ´ feito introduzindo o corpo ordenado (R. Este foi o motivo da a crise descrita na se¸˜o precedente. P ). que conhece.87. S(f + g. foi expulso da confraria (pior. e u e e Com certeza o leitor est´ habituado a trabalhar com n´meros reais. com duas posturas diferentes. Tomando o limite quando ε → 0 conclu´ e a ımos (ii). a constru¸˜o como decimais infinitas. b] e que vale (i). ser´ a prefer´ adiar um pouco esta quest˜o.2.8) e a g(x)dx − ε < I(g. a b (9. Finalmente. Por c˜ √ a outro lado. Metapontum. apresentamos: (a) na Se¸˜o 3.† Braunschweig. Alexandria. a Segue que S(cf . ele foi jogado ao mar). ? . fazendo ε → 0. INTEGRAL E PROPRIEDADES.2 deste Cap´ ca ıtulo. segundo a lenda. P ) < g(x)dx + ε. NUMEROS REAIS 9. P ) − I(f + g. 145 √ n´mero ´ racional! A incomensurabilidade entre 1 e d significa que d = 2 n˜o ´ raciou e a e nal. n}. . ca a a A mesma tipografia usada para as defini¸oes.

b). b] e a a a a a b b b i. qualquer que seja r ∈ A temos r < p (pois sen˜o. Q) . Outros resultados sobre integrabilidade a serem vistos e a nesta se¸˜o tamb´m o s˜o. b]. cf e f − g s˜o integr´veis em [a. Se A = B. b]. Sejam a e b dois n´meros reais. (9. mi = inf(f (Ii )) e Mi = sup(f (Ii )). ilimitado inferiormente e limitado u superiormente. a / / No primeiro caso devemos ter A ⊂ B.6) obtemos que S(f . dar demonstra¸oes particulares para cada ca e a c˜ um deles como forma de aquecimento ` intui¸˜o. fazemos a seguinte defini¸˜o. Claramente temos p < q e q < r (logo q ∈ Z(r)).2. a a Exemplo 3. de (9. IDEIA. a ca PROPOSICAO 199. Reciprocamente. Denotamos o conjunto de todos os cortes por Ω.6). P ) − I(f . . s˜o ditos cortes ¸˜ a racionais. Se f ¸˜ c˜ a c e g s˜o integr´veis em [a. . existe δ > 0 tal que x. a) ⊂ u (−∞. a b f (x) + g(x) dx = b a f (x)dx + a g(x)dx. b]. i. u ilimitados inferiormente e limitados superiormente. a . existe a ∈ R tal que A = (−∞. ilimitado inferiormente e limitado superiormente. existe uma correspondˆncia biun´ e ıvoca entre n´meros reais e intervalos abertos. Claramente. nem A ⊂ B nem B ⊂ A. Temos que a ≤ b se. xn } uma parti¸˜o de [a. e u O nosso trabalho consiste ent˜o a em definir um intervalo aberto. b]. A = ∅ e A = Q. Sabemos que f ´ limitada em [a. com r ∈ Q. ii. u e Desta forma. Falta mostrar que ca ele satisfaz a terceira. P ) > ε. A nossa constru¸˜o ser´ baseada nesta ca a correspondˆncia: consideraremos intervalos do tipo (−∞. como B ´ corte. Para todo p ∈ A existe q ∈ A tal que p < q. IDEIA. obtemos Mi − mi ≤ ε. a f (x) − g(x) dx = f (x)dx − f (x)dx. B ∈ Ω. Isto nos indica que a rela¸˜o de inclus˜o entre cortes ´ a maneira natural de definir ca a e uma rela¸˜o de ordem no conjunto Ω. e somente se. Ao final ca c˜ ca diremos que cada intervalo destes ´ um n´mero real. O cortes da forma Z(r) = {p ∈ Q . 37 inf S(f . As duas primeiras condi¸oes da Defini¸˜o 50 implicam que A ´ um conjunto da forma c˜ ca e (−∞. O lema anterior nos diz que a a a a esta quantidade ser´ arbitrariamente pequena (bastando tomar uma parti¸˜o adequada) se. Demonstra¸˜o. (−∞. p < r}. b] > 0. Sejam A. conclu´ a ımos que no segundo caso temos B ⊂ A. De fato. Veja que a quantidade S(f . b a b iii. Suponhamos que A = B. A terceira condi¸˜o exclui a segunda possibilidade (quando ca a ∈ Q) dizendo que A n˜o tem m´ximo. . posteriormente. a] ∩ Q. P ) = i=1 (Mi − mi )∆xi ≤ ε i=1 ∆xi = ε(b − a). b]. P ) a corresponde ` ´rea pintada de cinza e que n˜o est´ riscada. Este ´ o assunto do pr´ximo teorema. ¸˜ e i. Preferimos. Portanto. b] e |x − y| < δ =⇒ |f (x) − f (y)| < ε. o e o TEOREMA 52. a) sem considerar o n´mero a que. e a ca DEFINICAO 51. IDEIA. .e. Temos A ⊂ B ou B ⊂ A. Q ∈ P[a. outras de suas importantes propriedades. INTEGRAL DE RIEMANN 3. n˜o existe! u a A defini¸˜o seguinte cumpre este objetivo. Veremos. usando que f ´ uniformemente cont´ e ınua em [a. (fun¸oes integr´veis formam espa¸o vetorial) Seja c ∈ R.e. como A ´ corte. O exemplo anterior ´ fundamental. b] − sup I(f . a cf (x)dx = c b a f (x)dx. a). . no entanto. tomando ε= CAP´ ITULO 9. ´ f´cil e e a ver que Z(r) satisfaz as duas primeiras propriedades da defini¸˜o de corte. . O Teorema 198 e o Exemplo 9. n n S(f . O conjunto Z(r) = {p ∈ Q . Q) . Q ∈ P[a. ⋆ CORTES DE DEDEKIND. a e a Dado ε > 0. P ) − I(f . y ∈ [a. rigorosamente falando. . ca a a a Ent˜o. a TEOREMA 198. gra¸as ao Teorema de Weierstrass ca e c (Corol´rio 159. contrariando (9. e a ca somente se. se fosse p ≤ r. a) ∩ Q ou (−∞. P ) − I(f .110).1. . Seja r ∈ Q. e r ∈ B. a iii. i. ca DEFINICAO 50. ent˜o f + g. Mostremos que f ´ integr´vel. De fato.144 Portanto. ent˜o.. (fun¸oes cont´ c˜ ınuas s˜o integr´veis) Se f ´ cont´ a a e ınua em [a. existe uma rela¸˜o estreita ca entre a integrabilidade e continuidade dada pelo Teorema de Lebesgue (a seguir) do qual o Teorema 198 ´ um simples corol´rio. Entretanto se A e B s˜o cortes uma destas a a inclus˜es deve ser verdadeira. ent˜o n˜o h´ nada a ser demonstrado. J´ sabemos que a rela¸˜o de inclus˜o ´ transitiva ca a ca a e e antissim´trica.5). ilimitado inferiormente e limitado superiormente. ter´ a a e ıamos p ∈ A) e. Definimos desta maneira uma fun¸˜o Z : Q → Ω que ´ claramente ca e injetiva. Seja P = {x0 . 2 Reportamo-nos mais uma vez ` Figura 9. Para destac´-lo. De fato. De maneira an´loga. ii. Definindo. a) ´ aberto. ent˜o a f ´ integr´vel em [a.1. Por´m. a) e no conjunto de tais intervalos e definiremos uma rela¸˜o de ordem assim como opera¸oes de soma e multiplica¸˜o. dado um n´mero real a o intervalo (−∞. n}. Se p ∈ A e q < p ent˜o q ∈ A. b] tal que ∆xi = xi − xi−1 < δ. ela n˜o ´ completa pois existem A ⊂ Q e B ⊂ Q que n˜o s˜o e e a e a a compar´veis. Seja A um intervalo (de n´meros reais) aberto.6 s˜o duas faces da mesma moeda (perceba que a fun¸˜o a ca vista naquele exemplo ´ descont´ e ınua em todo ponto). existe p ∈ B tal que p ∈ A ou existe q ∈ A tal que q ∈ B. para todo ca i ∈ {1. p. Dizemos que A ⊂ Q ´ um corte se valem as seguintes propriedades.. e a Demonstra¸˜o. um intervalo do tipo (−∞. p < r} ´ um corte. Seja p ∈ Z(r) e tomemos q = (p + r)/2. f for integr´vel.

segue que r ∈ A. Podemos escrever r = p + q com p ∈ A e q ∈ B.e. Q) . r ∈ C significa que r = p + q com p ∈ A e q ∈ B. P ) = a − b e S(f . IDEIA. e (iii) Seja r ∈ A ⊕ Z(0). como B ´ corte. ca ´ a Observa¸˜o 3. r < p. portanto. a Vejamos algumas propriedades importantes das fun¸oes integr´veis. por absurdo. se q ≤ t. −a). Demonstra¸˜o. r = p + q com p ∈ A e q ∈ B} ´ corte. Reciprocamente. Da mesma maneira mostra-se a inclus˜o contr´ria. P ∈ P[a. Ora q ∈ Z(0) significa q < 0. −p ∈ A∁ e −p = a. se x ∈ Q. S(f . Ora. xn } parti¸˜o de [a. b] . logo. +∞). que ´ absurdo. b] n˜o degenerado.6. Suponhamos que f seja integr´vel e seja s a sua integral. logo. O conjunto ¸˜ ´ CAP´ ITULO 3. Isto ocorre porque o conjunto e ca onde f difere da fun¸˜o constante −1 (no caso. Ent˜o. se x ∈ Q. Dado ε > 0. b] tais que ca s− ε ε < I(f . p+q < p+0. ent˜o Z(0) ⊂ ca a a A ⊕ B. e somente se. B. 2 2 Tomando P = P1 ∪ P2 . Seja A. suponhamos que f n˜o seja integr´vel. . Para dizer que −p = a. r ≤ s. P1) ≤ s ≤ S(f . conforme Lema 217. pela Proposi¸˜o 194.e. Observa¸˜o 9. f ´ integr´vel em [a. “pequeno”. Ent˜o. . NUMEROS REAIS 9. ent˜o q < 0 e. a e a ∀ε > 0. Q) . Mostramos e assim que A ⊕ Z(0) ⊂ A. b]..5) Demonstra¸˜o. Logo. ca e Sejam r ∈ C e s < r. P ) ≤ ε. b] se. P ) − I(f . P2 ) < s + . portanto. seja r ∈ A. Sejam A. Temos que: i. B ∈ Ω. a a i. De fato. Segue que sup{I(f . Considere a fun¸˜o f dada por f (x) = 1. e Demonstra¸˜o. ca TEOREMA 55. b] = s = inf S(f . LEMA 197.e. P ) ≤ S(f . n}.2. P ∈ P[a. da defini¸˜o de s segue que existem P1 . N˜o podemos ter p0 ≤ p (sen˜o ter´ a a ıamos p0 ∈ A) nem q0 ≤ q (sen˜o ter´ a ıamos q0 ∈ B). Como Q e Q∁ s˜o a e a a a densos em R. (caracterizacao de fun¸oes integr´veis) Seja f uma fun¸˜o limitada em c˜ a ca [a. . P ) . Para concluir. Vamos mostrar que ca a p0 + q0 ∈ C (e portanto que C ∁ = ∅). I(f . segue que t ∈ B.1 E f´cil ver que se A. Para toda P ∈ P[a. a fun¸˜o do exemplo anterior ´ integr´vel e sua ca e a integral em [a. P ) . Seja t = s − p. P ) . b] ´ a mesma da fun¸˜o constante igual a −1. (A ⊕ B) ⊕ C = A ⊕ (B ⊕ C).. b]. P ) = b − a para toda P ∈ P[a. ca Pela comutatividade da soma de n´meros racionais. ´ razo´vel que c˜ a e a tenham a mesma integral. O corte C dado na Proposi¸˜o 53 ´ denotado A ⊕ B ´ ¸˜ ca e e chamado de soma ou adi¸˜o de A e B.155. temos ca s− ε ε < I(f . u Mas A∁ = [a. u Conclu´ ımos que r ∈ B ⊕ A e. P ∈ P[a. P ) ≤ S(f .. A ⊕ B = B ⊕ A. +∞). b] com x0 < · · · < xn . Portanto. portanto. . estas duas fun¸oes s˜o iguais “em quase todo ponto”. (i) Seja r ∈ A ⊕ B. Se q = r − p. iii. evitando usar o n´mero a. r = p + q < t + q. Sejam p0 ∈ A∁ e q0 ∈ B ∁ . P2 ∈ P[a. b]. Mostremos que t ∈ B. Q ∈ P[a. Escrevemos r = p + q com p ∈ A e q ∈ Z(0). P ) . P ) − I(f . / existem p ∈ A e q ∈ B tais que p0 + q0 = p + q. i. ca a sup I(f . A ⊕ Z(0) = A. Portanto t < q e.38 PROPOSICAO 53. P1 ) ≤ I(f . Exemplo 9. b] tal que S(f . P2) < s + . Tomemos p ∈ A tal que r < p. ii. a) e ao seu oposto −a est´ a a associado o intervalo B = (−∞. portanto. P ) < ε. devemos ter t < q pois sen˜o. −p ∈ (a. logo. C ∈ Ω. P ) ≤ sup I(f . temos r = q + p com q ∈ B e p ∈ A. A ⊕ B ⊂ B ⊕ A. e f (x) = −1. INTEGRAL E PROPRIEDADES. a e a No contexto da Integral de Lebesgue. Suponhamos. P ∈ P[a. Existe t ∈ A tal que p < t. a a (ii) Esta propriedade ´ consequˆncia imediata da associatividade da soma de n´meros e e u racionais (assim como (i) ´ da comutatividade). Existem p ∈ A e q ∈ B tais que r = p + q. em certo sentido. i. Claramente C = ∅. B ∈ Ω. logo. B ∈ Ω s˜o tais que Z(0) ⊂ A ∩ B. que p0 + q0 ∈ C. temos ca inf(f (Ii )) = −1 e sup(f (Ii )) = 1 ∀i ∈ {1. qualquer intervalo aberto intercepta estes conjuntos. Mostraremos que esta opera¸˜o ca ca ca satisfaz algumas das propriedades da adi¸˜o em um corpo. Logo p < p0 e q < q0 . Q) ´. ´ muito u a e importante que o leitor memorize-o. b] temos a a I(f . Reciprocamente. b] < inf S(f . . P ) . b]}. s ∈ C. . ent˜o p + q ≤ p + t. b] ≤ S(f . p. para qualquer P = {x0 . seja r ∈ C e mostremos que existe s ∈ C tal que r < s. Devemos ser capazes de definir B em termos de A sem considerar o n´mero a. Conclu´ e ımos que s = p + t com p ∈ A e t ∈ B e. Conclu´ a ımos que r = p + q ∈ A ⊕ Z(0). .1 O sentido de “pequeno” e “quase todo ponto” n˜o ´ o de cardinalidade ca a e mas estes est˜o relacionados. q ∈ Z(0). basta dizer que −p n˜o ´ m´ u a e ınimo de A∁ . Finalmente. e somente se. . Sejam A. ca / Vejamos que f n˜o ´ integr´vel em nenhum intervalo [a. DEFINICAO 54. Q ∈ P[a. p ∈ B se. basta tomarmos s = t + q. Come¸amos por um c˜ a c lema ´til que ser´ usado muitas vezes sem ser explicitamente mencionado. Conclu´ ımos que f n˜o ´ integr´vel em [a. Para cada a ∈ R est´ associado o intervalo A = (−∞. Inicialmente observamos que p ∈ B se. Portanto. 143 C = {r ∈ Q . b]} = a − b < 0 < b − a = inf{S(f . (9. Pela monotonia da adi¸˜o p + q < p + q0 < p0 + q0 . Em ca e outras palavras. Fica assim definida uma opera¸˜o de adi¸˜o entre cortes. ∃P ∈ P[a. e somente se. Como A ´ corte. 2 2 e.

A Z(0) ⇐⇒ ⊖A Z(0). . b] ¸˜ e a e e sup I(f . Pn ) = (n − 1)/2n. ao dizer que uma fun¸˜o ´ integr´vel ficar´ subentendido que ela ´ limitada. A ⊃ Z(0) ⇐⇒ ⊖A ⊂ Z(0). Sejam ainda s ∈ A e n o menor natural tal que s − nr/2 ∈ A∁ .2 Integral e propriedades.2. IDEIA.142 CAP´ ITULO 9. Sejam p ∈ A e q ∈ A∁ . ¸˜ ca e ´ a Observa¸˜o 3.2 Seja A ∈ Ω. De fato. Exemplo 9. INTEGRAL DE RIEMANN 3. . Para ver isto. produto dos cortes A e B. P ∈ P[0. n}. existe q ∈ A∁ tal que q < −p. faltar´ incluir os a racionais negativos. E f´cil ver que −(q + 1) ∈ B e −p ∈ B ∁ . 2 f (x)dx = c(b − a). PROPOSICAO 56. b] ´ definida por e b a f (x)dx = inf S(f .2 que I(f . iv. 1]} ≤ 2n 2n Tomando o limite quando n → +∞ obtemos o resultado desejado. Posteriormente. P ) = c(b − a) para toda P ∈ P[a. a integral de f em [a. . Temos que A ⊕ (⊖A) = Z(0). igual a c. Sejam p ∈ B e q < p. Vamos mostrar ca que f ´ integr´vel em [0. Demonstra¸˜o. P ∈ P[a. Segue que −r. Para isto. r = s + p < s − q < 0. Seja r ∈ A ⊕ (⊖A). xn }. ⋆ CORTES DE DEDEKIND. −p ∈ A∁ e ∃q ∈ A∁ tal que q < −p} ´ corte. iii. Conclu´ ımos que Mi ∆xi = ∀n ∈ N. O corte B da Proposi¸˜o 56 ´ denotado ⊖A e chamado oposto de A. O conjunto ¸˜ B = {p ∈ Q . A = Z(0) ⇐⇒ ⊖A = Z(0). n+1 n−1 ≤ sup{I(f . o produto de ca ıcio n´meros positivos ´ positivo.1. DEFINICAO 57. a Vamos adaptar esta ideia inicialmente para cortes “positivos”. logo. Seja A ∈ Ω. . s + p < s − q. Finalmente. b] se ´ limitada em [a. Sejam f e a como no Exemplo 9. DEFINICAO 196. estenderemos a defini¸˜o para todos os cortes. O teorema justifica porque chamamos o corte ⊖A de oposto de A. q ∈ A∁ e t < q. Portanto. r ∈ B. . e Mi = sup(f (Ii )) = sup(Ii ) = xi = i . i. tomando apenas os racionais positivos nos cortes A u e e B obteremos apenas os racionais positivos de C. Definimos o conjunto C. Considere uma fun¸˜o f constante. ca B = ∅ e B ∁ = ∅. logo. b]. Conclu´ −q n˜o ´ m´ ımos que q ∈ B. b] . . P ∈ P[0. P ) . Segue da´ que f ´ integr´vel ı e a em [a. −q ∈ ⊖A.. r ∈ C e. f (x)dx = 0. r < 0. P ) = S(f . . C = Q. Como vimos no exerc´ 49. Pn ) = i n+1 = . . ´ a E f´cil ver que t. b] . Como −p ∈ A∁ . Vimos no Exemplo ca 9. −1. b]. seja r ∈ Z(0). Portanto. Ent˜o existem s ∈ A. Neste caso. ent˜o r ∈ B. S(f . Temos f ´ integr´vel em {a} e e a a ´ a Demonstra¸˜o. E f´cil ver que: ca i. Tomando r = (p − q)/2 ca e temos que p < r e tamb´m que q < −r. A = Z(0) ⇐⇒ ⊖A = Z(0). isto n˜o funciona pois o conjunto C n˜o ´ corte. P ) . ca e a a e Exemplo 9. Por defini¸˜o de B. Como s ∈ A e q ∈ A∁ . Conclu´ ca ımos que r ∈ Z(0). b] = inf S(f . b] e b a ii. P ∈ P[a. vale 1/2. P ) . 1]} ≤ inf{S(f . P ) . Por´m. De q < −p segue que p < −q e. p. n} temos ∆xi = xi − xi−1 = i−1 1 i − = n n n n n i n ∀i ∈ {0. . em [a. sendo ca xi = Para cada i ∈ {0. neste intervalo. 1] e que sua integral.3. a Exemplo 9. C = Q. Dizemos que f ´ (Riemann) integr´vel em [a.4. e 39 9. Para que C seja corte. n2 2n i=1 i=1 Analogamente obtemos I(f .e. tomemos e a n ∈ N e consideremos a parti¸˜o Pn = {x0 . formado pelos produtos p · q sendo p ∈ A e q ∈ B.32. p ∈ ⊖A e q ∈ A∁ tais que ca a r = s + p e q < −p.5. segue que −q ∈ A∁ e que a e ınimo de A∁ . Considere a fun¸˜o f dada por f (x) = x para todo x ∈ R. Temos que −p < −q. Neste texto. A primeira ideia ´ imitar a defini¸˜o da ca e ca soma. P ) . Segue e que r ∈ A ⊕ (⊖A). . 2 t=s− nr 2 e q =s− (n + 1)r . Seja A ∈ Ω. . temos s < q. Tamb´m temos p ∈ A e r = p − q. . . 1 ∈ A e se r < 0. e a a e considere o exemplo A = B = Z(2). Queremos definir multiplica¸˜o de cortes. portanto. Tomemos p=s− (n − 1)r . n Portanto. Seja p ∈ B. P ∈ P[a. Neste caso. TEOREMA 58. pela monotonia da adi¸˜o. Portanto.

ca ca ent˜o Z(0) ⊂ A ⊙ B. Analogamente. . y1] ∪ [y1 . b]. e e e sup I(f . Portanto. P ) ≤ S(f . procedemos como ca a quando aprendemos a multiplicar n´meros negativos pela primeira vez (no Ensino Fundamenu tal). Existem t ∈ A e u ∈ B tal que p < t e q < u. Sejam A. o m´dulo de A. Vamos mostrar que ca p0 · q0 ∈ C (e. Ou seja. i. . a IDEIA. Mostremos que t ∈ B. . Em vista da Observa¸˜o 3.40 ´ CAP´ ITULO 3. b]. [xj−1 . N˜o podemos ter p0 ≤ p (sen˜o ter´ a a ıamos p0 ∈ A) nem q0 ≤ q (sen˜o ter´ a ıamos q0 ∈ B). Sejam p0 ∈ A∁ e q0 ∈ B ∁ . Q) . I(f . Escrevemos n n I(f . P ) ≤ I f . Q ∈ P[a. por absurdo. r ∈ C significa que r = p · q com p ∈ A. Portanto. Dado A ∈ Ω.3). xn } e Q = {y0. Tomando p = inf(f ([y1. P ) = i=1 n mi ∆xi = i=1 i=j mi (xi − xi−1 ) + mj (xj − xj−1 ) (9. P ∈ P[a. b] ≤ inf S(f . Suponhamos s ≥ 0 e. Q) ∀P. Suponhamos. r ≤ s.4). Para estender a defini¸˜o de produto para cortes n˜o positivos. b] ´ limitado inferiormente. e j ∈ ca c˜ {1. Q ∈ P[a. / a existem p ∈ A e q ∈ B tais que p0 · q0 = p · q. portanto. segue que existem p ∈ A e q ∈ B tais que r = p·q. De fato. s ∈ C. r > 0. P ∈ P[a. ca e ca Observa¸˜o 3. mj ≤ p e mj ≤ q. Seja f uma fun¸˜o limitada em [a. b] ´ cota superior de I(f .2. ent˜o p · q ≤ p · t. Como r > 0. P ) . P ∪ Q = S f . que C ∁ = ∅). p < p0 e q < q0 . usando que o supremo e a menor cota inferior obtemos o resultado. que ´ absurdo. b].4) (9. temos n I f . 141 PROPOSICAO 59. b] . ´ definido por ¸˜ o e   A se Z(0) ⊂ A. mostra-se que S f . conclu´ ımos que I(f . Finalmente. Q).3 Da Defini¸˜o 60 segue-se imediatamente que se Z(0) ⊂ A e Z(0) ⊂ B. p ≥ 0 e q ≥ 0} ´ corte. . ent˜o a basta tomar s = r/2. Fazemos o produto dos m´dulos e ao resultado impomos o sinal de acordo com a regra o dos sinais. logo. . (9. ent˜o ´ imediato que s ∈ C. P ) . Q ∪ {x1 . B ∈ Ω tais que Z(0) ⊂ A e Z(0) ⊂ B. Demonstra¸˜o. xj ]) e q = inf(f ([xj−1 . ca e Sejam r ∈ C e s < r. Sejam A. Q). . xj ] = [xj−1 . Para concluir. . denotado por |A|.e. b]. q ∈ B. Q ∈ P[a. P ∈ P[a. Temos: ¸˜ a c˜ ca I(f . b]. Q) . De (9. Q) ∀P. DEFINICAO 61.. P ∪ {y1 .2) Ora. Q ∪ {x1 } ≤ S(f . a e portanto. P ∪ Q ≤ S f . P ) ≤ I f .1) e de (9. Al´m disto. P ∪ {y1 } ≤ · · · ≤ I f . Seja t = s/p. segue que t ∈ B. devemos ter t < q pois sen˜o. Suponhamos r ≥ 0. P ∈ P[a. Como o ´ e ınfimo ´ a maior cota e inferior. obtemos I(f . . . O conjunto ¸˜ C = {r ∈ Q . (9. Sejam P = {x0 . ca PROPOSICAO 194. xj ]. . NUMEROS REAIS 9. . Neste caso. . P ) . Q ∈ P[a.39 temos que |A| ⊃ Z(0) para todo A ∈ Ω.1. temos I(f . p. P ∪ {y1 } = i=1 i=j mi (xi − xi−1 ) + p(xj − y1 ) + q(y1 − xj−1 ). Logo. ym }. (uni˜o de parti¸oes) Seja f uma fun¸˜o limitada em [a. ym−1 } = I f . e (9. P ) . portanto. parti¸oes de [a. Q ∪ {x1 } ≤ S(f . DEFINICAO 60.1) = i=1 i=j mi (xi − xi−1 ) + mj (xj − y1 ) + mj (y1 − xj−1 ). SOMAS SUPERIORES E INFERIORES. Conclu´ e ımos que s = p · t com p ∈ A e t ∈ B e. Q) . Gra¸as ` proposi¸˜o anterior temos ca c a ca I(f . P ∪ Q ≤ S(f . P ∈ P[a. Usando (9. . Se s < 0. basta tomarmos s = t · u.3) ´ COROLARIO 195. P ) ≤ inf S(f . t < q e. P ) . b] ∀P ∈ P[a. . y1 ]). . Pela monotonia da multiplica¸˜o. . Q ∈ P[a. logo r = p · q ≤ t · q < t · u. a a como B ´ corte. B ∈ Ω tais que Z(0) ⊂ A e Z(0) ⊂ B. Demonstra¸˜o. p ≥ 0 e q ≥ 0. n − 1 vezes. P ) ≤ I f . xj ]. p · q ≤ p · q0 < p0 · q0 . . P ) ´ cota inferior para S(f . a defini¸˜o geral do ca o ca produto. em seguida. b] . inf S(f . r < 0 ou r = p · q com p ∈ A. se q ≤ t. xn−1 } ≤ · · · ≤ S f . |A| =  ⊖A se A Z(0). que p0 · q0 ∈ C. . Ent˜o. . O corte C dado na ¸˜ Proposi¸˜o 59 e denotado A ⊙ B ´ chamado de produto ou multiplica¸˜o de A e B. seja r ∈ C e mostremos que existe s ∈ C tal que r < s. P ∪ {y1 } . P ∪ Q ≤ S f . m − 1 vezes. . b]. Claramente −1 ∈ C. Ent˜o I(f . n} tal que y1 ∈ [xj−1 . b] . . Finale mente. q ∈ B. p ≥ 0 ca e q ≥ 0. Se r < 0. b] ca a ´ limitado superiormente e S(f . segue que p > 0. e Demonstra¸˜o.2). Vejamos a defini¸˜o de m´dulo de um corte e. Da defini¸˜o de C.

ent˜o trivialmente temos q ∈ B. Como p−1 ∈ A∁ . (3. a reta x = a e a reta x = b. P ) e I(f . A⊙B = ⊖(|A| ⊙|B|) = ⊖(|B| ⊙|A|) = B ⊙A. C ∈ Ω. Definimos a soma inferior e a soma superior de f com rela¸˜o a P . .140 CAP´ ITULO 9. ⋆ CORTES DE DEDEKIND. a a (ii) Esta propriedade ´ consequˆncia imediata da associatividade do produto de n´meros e e u racionais (assim como (i) ´ da comutatividade). refletindo o fato que I(f . P ). p < 1} (conforme a Defini¸˜o 51). Sejam A. u Conclu´ ımos que r ∈ B ⊙ A e. respectivamente. P ) = i=1 mi ∆xi = i=1 inf(f (Ii ))∆xi e S(f . B ∈ Ω. P ) ≤ S(f . . e (iii) Observamos inicialmente que Z(0) ⊂ Z(1). Suponhamos r ≥ 0. Como A ´ corte. Sejam A. a e Podemos escrever r = p · q com p ∈ A. O conjunto TEOREMA 63. Vemos ent˜o que S(f . Seja A ∈ Ω tal que Z(0) ¸˜ A. {a} = 0. P ) = i=1 mi ∆xi = c i=1 ´ a E f´cil ver que I(f . Escrevemos r = p · q com a e p ∈ A. Seja r ∈ A ⊙ Z(1). . Conclu´ ımos que q ∈ B. Temos mi = inf(f (Ii )) = c. ii. segue que q −1 ∈ A∁ e que q −1 n˜o a ´ m´ e ınimo de A∁ . para a ´rea1 da regi˜o delimitada a c˜ a a pelo gr´fico de f . Consideremos uma fun¸˜o f constante. I(f . e seja r ∈ A. ∆xi = c(b − a). P ) para uma fun¸˜o f cont´ ca e ca ınua e positiva ´ dada na Figura 9. ¸˜ ca respectivamente. P ) e S(f .1). A ⊙ B = B ⊙ A. P ) a corresponde a I(f .2. Onde Z(1) = {p ∈ Q . Suponhamos q > 0 e. A ⊙ B ⊂ B ⊙ A. Suponhamos r ≥ 0. P ) a enquanto que a ´rea riscada a s˜o aproxima¸oes por excesso e por falta. . Tomemos p ∈ A tal a que 0 ≤ r < p. A primeira igualdade segue da terceira linha de (3. se fosse p−1 ∈ B. b]. portanto. Suponhamos r ≥ 0. ca n n = x0 x1 · · · xi−1 xi xi+1 · · · xn−1 xn b Demonstra¸˜o. Neste caso.1). q ∈ B. Definimos A ⊙ B por ¸˜  |A| ⊙ |B| se Z(0) ⊂ A         ⊖(|A| ⊙ |B|) se Z(0) ⊂ A  A⊙B =   ⊖(|A| ⊙ |B|) se A Z(0)        |A| ⊙ |B| se A Z(0) 41 DEFINICAO 193. Ora q ∈ Z(1) significa q < 1. P ) = i=1 Mi ∆xi = i=1 sup(f (Ii ))∆xi . O caso geral ´ consequˆncia da parte j´ demonstrada. Portanto. q ∈ Z(1). I(f . inicialmente. p > q > 0. Observamos ainda que a ´rea riscada a a est´ contida na ´rea cinza.1) e Z(0) ⊂ B.2. PROPOSICAO 64. q ∈ Z(1) e p ≥ 0. por n n n n e Z(0) ⊂ B. A ´rea pintada de cinza e a (riscada ou n˜o) corresponde a S(f . Se a ´ um elemento do dom´ de f . Reciprocamente. A interpreta¸˜o geom´trica de I(f . e Demonstra¸˜o. DEFINICAO 62. ent˜o 0 ≤ q < 1 e. Claramente temos −1 ∈ B. Se q = r/p. B. 1 O que ´ ´rea de uma regi˜o delimitada por linhas tortas? ea a = B = {p ∈ Q . A proposi¸˜o a seguir ´ uma generaliza¸˜o deste ca e ca resultado. Deixo para o leitor a tarefa de terminar a prova do teorema. {a} = e ınio a e S f . ent˜o f ´ limitada em {a} e I f . Pela comutatividade do produto de n´meros racionais. eB Z(0). Da mesma maneira mostra-se a inclus˜o contr´ria. Se r < 0. b]. ent˜o r ∈ A ⊙ Z(1). p ≥ 0 e q ≥ 0. P ) = c(b − a).1: Interpreta¸˜o geom´trica soma superior e inferior para uma fun¸˜o cont´ ca e ca ınua e positiva. De fato. Novamente. temos r = q · p com q ∈ B. ent˜o ter´ a ıamos p = (p−1 )−1 ∈ A∁ .1. que ´ absurdo. Analogamente obtemos S(f . p · q ≤ p · 1. Temos que ca p−1 ∈ B ∁ . Temos p−1 < q −1 . vamos mostrar (i) e e a para A Z(0) ⊂ B. o eixo x. se r < 0. P ).e. Seja p ∈ A tal que p > 0. ca Exemplo 9. P ) ≤ S(f . igual a c. r ≤ p. portanto.1. Se q ≤ 0. ent˜o ´ imediato que r ∈ Z(0) ⊂ A. ca iii. . ca (i) Seja r ∈ A ⊙ B. Mostramos assim que A ⊙ Z(1) ⊂ A. xn } uma parti¸˜o de [a. p ∈ A. Conclu´ a ımos que r = p · q ∈ A ⊙ Z(1). ent˜o ´ imediato que r ∈ B ⊙ A. Seja P = {x0 . P ). a a a Figura 9. p ≤ 0 ou p−1 ∈ A∁ e ∃q ∈ A∁ tal que q < p−1 } ´ corte.. eB Z(0). (A ⊙ B) ⊙ C = A ⊙ (B ⊙ C). Se r < 0. INTEGRAL DE RIEMANN 3. Suponhamos. Exemplo 9. em um intervalo [a. a segunda igualdade ´ a parte j´ demonstrada do e a teorema e a terceira igualdade segue da segunda linha de (3. portanto. e a Sejam p ∈ B e q < p. A ⊙ Z(1) = A. i. logo. segue que r ∈ A. Por exemplo. Temos que: i. q ≥ 0 e p ≥ 0. que Z(0) ⊂ A ∩ B ∩ C.

b] finito tal que a. a DEFINICAO 191. ca Seja r ∈ (A ⊕ B) ⊙ C. Por a a a defini¸˜o de B. Paris. se r < 0. Podemos supor ainda que r > 0 pois. . DEFINICAO 65. Siracusa. Tomando s = (r + p−1 )/2 temos r < s < p−1 ca e. Selasca. De p1 < p segue que t < t · p · p−1 = q −1 . s · p < s/q. c c 139 . Por outro lado. Chamamos parti¸˜o de [a. Obtemos assim que q ∈ A∁ e 1 da´ que q ∈ A⊖1 . DEFINICAO 192. It´lia. portanto.3 temos Z(0) ⊂ (A ⊙ C) ⊕ (B ⊙ C) e. O conceito de integral tem suas origens no M´todo da Exaust˜o devido. ∆xi = xi − xi−1 . ca a a Seja r ∈ A ⊙ (A⊖1 ). e a a Eudoxo e que teve Arquimedes1 como um dos seus grandes desenvolvedores. ¸˜ ca O conjunto das parti¸oes de [a. . ent˜o ao escrever P = {x0 . xn }. se r = 0. Sejam A. basta considerar o c˜ caso r ≥ 0. Seja p ∈ A tal que p1 < p e tomemos q = t−1 · p−1 · p1 . a ´nica parti¸˜o do ca a u ca ´ intervalo (degenerado) {a} ´ P = {a}. .† 20/07/1866. Breselenz. pela monotonia da multiplica¸˜o. TEOREMA 66. s > 0. . b] e P = {x0 . . A motiva¸˜o ca deste m´todo foi o c´lculo de ´reas e volumes de figuras com fronteiras curvas. Neste caso. Temos A ⊙ (A⊖1 ) = Z(1). ent˜o. Reciprocamente. existe r ∈ A∁ tal que r < p−1 . Conclu´ ımos que r ∈ A ⊙ A⊖1 . Vamos mostrar que existe q ∈ B tal que p < q.C. r = s · p < s/q < 1.42 ´ CAP´ ITULO 3. Demonstra¸˜o. Ent˜o existem s ∈ A. ca Portanto. Suponhamos inicialmente que Z(0) A. . B. Q ∈ P[a. C ∈ Ω. a 3 Jean Gaston Darboux: ⋆ 14/08/1842. Portanto. Se P ∈ P[a. Neste caso. Suponhamos r > 0. b]. Nimes. Da defini¸˜o de ca A ⊙ (A⊖1 ) = |A| ⊙ |A⊖1 | = |A| ⊙ | ⊖ (|A|⊖1)| = |A| ⊙ (|A|⊖1 ) = Z(1). n}. Se r ≤ 0. Alemanha . b]. . . c˜ e A defini¸˜o anterior n˜o exclui a possibilidade a = b. . b]. deixaremos subentendido que a a = x0 ≤ · · · ≤ xn = b. seja r ∈ Z(1). temos p1 ∈ A e t ∈ A∁ . Consideremos o caso A Z(0). O leitor interessado no assunto poder´ consultar [Ru1]. sobretudo. Tomemos p1 = s · (r −1 )n−1 e t = s · (r −1 )n .C. ent˜o ´ imediato que r ∈ A ⊙ a e (A⊖1 ). De q < p−1 segue que p < q −1 e. Se Z(0) ¸˜ Proposi¸˜o 64 ´ denotado A⊖1 e chamado inverso de A. . Conclu´ ımos que r ∈ Z(1). It´lia . Em vista das observa¸oes 3. r −1 > 1). se r ´ elemento do corte e (A ⊙ C) ⊕ (B ⊙ C). ent˜o n˜o h´ nada a ser demonstrado.† 23/02/1917. neste caso. p > 0 e q < p−1 . Seja f uma fun¸˜o limitada em [a. . Temos ainda ı p · q = p · t−1 · p−1 · p1 = s−1 · r n · s · (r −1 )n−1 = r. logo. Como antes. temos r = 0 · 0 ∈ A ⊙ (A⊖1 ). Como s ∈ A e q ∈ A∁ .1 e 3. Demonstra¸˜o. A integral de a e o Lebesgue generaliza este conceito com muitas vantagens anal´ ıticas. n Note que i=1 1 ∆xi = b − a. b]. xn } uma parti¸˜o ¸˜ ca ca de [a. Por´m. portanto. se p ≤ 0. p ∈ A⊖1 e q ∈ A∁ tais que r = s · p. b ∈ P . mi = inf (f (Ii )) e Mi = sup(f (Ii )). definimos Ii = [xi−1 . a integral de Riemann tamb´m e tem importˆncia did´tica. existem p ∈ A ⊕ B e q ∈ C tais que a e e TEOREMA 67. a sua defini¸˜o e ca exige ferramental muito mais complicado e abstrato. s ∈ A∁ . Pela escolha de n. O teorema a seguir justifica porque chamamos o corte A⊖1 de inverso de A.† 212 A. Temos trivialmente que A⊖1 produto de cortes e da parte j´ demonstrada do teorema obtemos a Z(0). temos s < q.. Temos que (A ⊕ B) ⊙ C = (A ⊙ C) ⊕ (B ⊙ C).. a importˆncia da integral de Riemann ´. Se A ca e A⊖1 = ⊖(|A|⊖1 ). hist´rica. ent˜o 0 tamb´m ´. It´lia.1 Somas superiores e inferiores. A ent˜o o corte B da a Z(0). ent˜o r ∈ Z(1). ent˜o definimos a Cap´ ıtulo 9 Integral de Riemann 9. 2 Arquimedes: ⋆ 287 A. Tomando q = s−1 temos p < q e tamb´m q ∈ B pois q −1 ∈ A∁ e e r < q −1 . Para o autor. provavelmente. Vamos mostrar que r ∈ (A ⊙ C) ⊕ (B ⊙ C). Suponhamos p > 0. Suponhamos inicialmente Z(0) ⊂ A ∩ B ∩ C. Siracusa. b]. Seja A ∈ Ω tal que A = Z(0). Seja A ∈ Ω tal que A = Z(0). Claramente existe q ∈ B com q > 0. ent˜o P ∪ Q ∈ e a P[a. E imediato que se P. Seja s ∈ A com s > 0 e n o menor natural tal que s · (r −1 )n ∈ A∁ (tal n existe pois r < 1 e. b] qualquer P ⊂ [a. a a Georg Friedrich Bernhard Riemann: ⋆ 17/09/1826. como 0 ∈ A e 0 ∈ A⊖1 . NUMEROS REAIS Seja p ∈ B. portanto. e a a ca Apresentaremos aqui a integral de Riemann2 usando a defini¸˜o devida a Darboux3 [Da]. Para cada i ∈ {1. Fran¸a. b] ´ denotado P[a. . Fran¸a . a Suponhamos r > 0. Ela serve de aquecimento ` intui¸˜o para o estudo posterior da a a a ca integral de Lebesgue. xi ].

209–210) De forma geral os c˜ problemas envolvendo limites do tipo ∞0 d˜o 1. x→+∞ |p(x)| x→+∞ |p(x)| 2 3 n r = p · q. a + ε). c a ca p.21). para todo p. a ı Tendo r = s·q +t·q com s·q ∈ A⊙C e t·q ∈ B ⊙C. p + q ′ ∈ (A ⊕ B) ⊙ C. se 0 ≤ s · q. Seja r ∈ (A ⊙ C) ⊕ (B ⊙ C) e mostremos que r ∈ (A ⊕ B) ⊙ C. ent˜o B ⊙ C ⊂ A ⊙ C. se A ⊂ B e C ⊂ Z(0). Seja p um polinˆmio n˜o constante. c (c) Prove que se o limite lim f (x)/f ′ (x) existe ent˜o vale 0. ca ca ca PROPOSICAO 69. A injetividade de Z e a Propriedade (i) s˜o triviais. o TEOREMA 68. a (a) Prove que lim (ex + x)1/x = e.298 no. Z(0) ⊂ B e Z(0) ⊂ C) ´ a e tratado de maneira an´loga ou ´ consequˆncia deste que acabamos de demonstrar. (extra) Indetermina¸oes: Porque ∞0 = 1? (Ver [Ap] p. ent˜o A ⊙ C ⊂ B ⊙ C. (extra) Prove que para a convergˆncia do M´todo de Newton (Teorema 186) a hip´tese e e o de continuidade de f ′′ em a pode ser substitu´ pela limita¸˜o de f ′′ em (a − ε. ⊂) ´ um corpo ordenado falta estabelecer a monotonia das opera¸oes. pelo caso anterior.40 temos Z(0) ⊂ (B ⊕ (⊖A)) ⊙ C = (B ⊙ C) ⊕ (⊖A) ⊙ C. Prove que f (a) = a. Do item (i). conclu´ ımos que r ∈ (A ⊕ B) ⊙ C. portanto. temos que s ≥ 0 e da´ segue que s · q ∈ A ⊙ C. q = 0 . ⊙. q > 0 . s > 0 e t > 0.3 ⋆ Newton e l’Hospital ⋆ 32. basta considerar o caso r > 0. obtemos Z(0) ⊂ B ⊕ (⊖A). f (y) = f (x0 ) para todo y ∈ [x0 . Seja r ∈ A ⊕ C. Gra¸as ` Observa¸˜o 3. ent˜o.6. novamente do item (i). Temos r = s · t + u · v = (s + u · v/t) · t. logo. Al´m disto Z ´ um homomorfismo de corpos ¸˜ ca e e e ordenados. Prove que o a ex ln x (a) lim = +∞. e somente se. a x→0 (d) Conclua que neste caso lim xf (x) = 1. ⊕. x]}. Z(p · q) = Z(p) ⊙ Z(q). Prove que 1 + x + x /2! + x /3! + · · · + x /n! ≤ e para x ≥ 0. existem s ∈ A e t ∈ C tais que p = s · t. Como 0 < r. ⊕. (extra) Defina f (y) = a ty dt.3. (extra) Suponha que f ´ suave e que |f ′ (c)| < 1. temos p > 0 ou q > 0. x→0 (e) Porque (a) e (b) n˜o satisfazem (d)? a ⋆ 38. obtemos (ii). i. 1). b]. Prove que f ´ cont´ e ınua em −1. a iii. tomando C = ⊖A. xm − a para todo x ≥ 0 (compare com a sequˆncia do Exerc´ 39 do Cap´ ⋆ 33.e. Ora p ∈ A ⊕ B. (b) lim = 0. Escrevemos r = (s + q · t−1 ) · t. Se s · q < 0. ca ⋆ 37. c + ε). ent˜o A ⊕ C ⊂ B ⊕ C. Por a c a c˜ e outro lado. Este ´ e c˜ e o assunto do pr´ximo teorema. C ∈ Ω. Z(p) ⊂ Z(q). u > 0 e v > 0. B. a Demonstra¸˜o. 43 Dica: para (b) use (a) ou se o m´ ınimo ocorre em x0 considere o conjunto {x ∈ [x0 . a e e Os teoremas 55. a rela¸˜o e e ca de inclus˜o ⊂ ´ uma rela¸˜o transitiva. (c) Prove que |xn+1 − a| < ρn para algum ρ ∈ (0. novamente gra¸as `s observa¸oes 3.138 CAP´ ITULO 8.309). ca a A ⊂ B e. 66 e 67 nos dizem que (Ω. Neste caso. a ii. y→−1 b . Como antes. p ∈ B. Como r = p + q < p + q ′ e. Sejam A. Ent˜o existem p ∈ A e q ∈ C tais que r = p + q.2. ⊙) ´ um corpo. Z(p + q) = Z(p) ⊕ Z(q). Vamos mostrar que s · q ∈ A⊙C (da mesma maneira mostra-se que t· q ∈ B ⊙C). como q > 0. Existem p ∈ A ⊙ C e q ∈ B ⊙ C tais que r = p + q. 8. 63. Demonstra¸˜o. n→+∞ → 35. Para fixar as ideias. antissim´trica e completa em Ω. Utilize isto para provar ex que lim n = +∞ ([Sp] p. Dica: Use l’Hospital para determinar lim f (y) = ln(b) − ln(a) ([Ap] p. Como q · t−1 < 0. segue que q · t−1 ∈ B. podemos escrever p = s + t com s ∈ A e t ∈ B. Cada um dos outros casos (para os quais n˜o vale Z(0) ⊂ A. (extra) Sejam m ∈ N e a ≥ 0. p > 0 e q > 0. para 0 < a < b fixos. Temos: i.1 e 3. ´ imediato que s · q ∈ A ⊙ C. e (a) Prove que existe ε > 0 tal que o m´todo xn+1 = f (xn ) converge para todo x0 ∈ e (c − ε. Somando A ⊙ C. se A ⊂ B. p ≤ q se. (b) Determine lim xα/ log x . q = 0 e q < 0. 58. Existem u ∈ B e v ∈ C tais que q = u · v. ⋆ CORTES DE DEDEKIND. conclu´ ımos que r ∈ (A⊙C)⊕(B ⊙C). Dica: xn+1 − xn = f (xn ) − f (xn−1 ) (b) Seja a = lim xn . Como v/t ≤ 1 temos que u · v/t ∈ B. q ∈ Q temos: i. DERIVADA 3. Ora. ca a → 36. Tomemos q ′ ∈ B ⊙ C tal que q < q ′ . Vamos considerar separadamente os casos q > 0. ent˜o. x→+∞ x Dica: Use indu¸˜o e compare derivadas. iii. Segue que r ∈ (A ⊕ B) ⊙ C. O ´ltimo item se demonstra de maneira an´loga a (ii). Segue que A ⊕ C ⊂ B ⊕ C. suponhamos p > 0.. Suponhamos v ≤ t (o caso v > t se trata analogamente). A fun¸˜o Z ´ injetiva. q < 0 . Al´m disto. Conclu´ ımos que r ∈ (A ⊕ B) ⊙ C (observe que s + q · t−1 > 0). ii. u a Terminaremos esta se¸˜o com uma importante proposi¸˜o sobre a fun¸˜o Z. se A ⊂ B e Z(0) ⊂ C.3. +∞) → R definida por f (x) = e ca e ıcio ıtulo 4). Escreva a defini¸˜o da sequˆncia (xn )n∈N de aproxima¸oes ca e c˜ dada pelo M´todo de Newton para a raiz da fun¸˜o f : [0. ıda ca ⋆ 34. Para concluirmos a e ca e que (Ω. x→∞ x→0 x Suponha que f (x) satisfaz f (0) = 0 e possui derivada numa vizinhan¸a da origem.

45). gra¸as ` monotonia da multiplica¸˜o. e (c) lim f (x) = lim f (x) = π. Seja s = (r + p · q)/2.25). Seja Γ = {A ∈ Ω . (iii) Suponhamos inicialmente p ≥ 0 e q ≥ 0. Segue que pr/s ∈ Z(p). i. Prove que se f e ε > 0 tal que a s´rie de Taylor e n! n=0 g s˜o anal´ a ıticas num intervalo aberto I e coincidem. e escrevemos sup Γ = S. a e (c) n˜o-degenerados ´ a e enumer´vel. Quando Γ ´ ilimitado a e e superiormente (n˜o existe cota superior para Γ). EXERC´ ICIOS. Observe que a s´rie n˜o converge e ca a e ıtica em zero. ⊖Z(p) = Z(−p). Prove que existe c ∈ R c˜ a tal que f ′ (c) = 0 se: (a) f (0) = lim f (x) = 0. A ⊂ Z(0)}. ⊕. b]) ´ enumer´vel ([Sp] p. Seja Γ ⊂ Ω.50). f (1) = 1 e f ′ (0) = f ′ (1) = 0 ent˜o |f ′′ (x)| ≥ 4 para algum x ∈ [0. Seja Γ ⊂ Ω n˜o vazio e limitado superiormente e seja S a uni˜o de todos ca a a ´ os elementos de Γ. Confronte o e com exerc´ 2. 1] com f (0) = 0. Prove que existe δ > 0 tal que f ´ estritamente e crescente em I = Bδ (a). dizemos que o supremo de Γ ´ mais infinito a e e escrevemos sup Γ = +∞. ⊂). ⊙. (b) f ´ constante. A pr´xima defini¸˜o.184 a ca no. tem sentido em qualquer corpo ordenado. O caso geral (p e q n˜o necessariamente positivos) segue do que acabamos de demonstrar a usando a regra dos sinais e o fato que ⊖Z(p) = Z(−p). b] e todo ponto de [a.118) com α > 1. 8. a =⇒ 25. portanto.371 no. ent˜o trivialmente temos a r ∈ Z(p · q). ⊕. i. temos r = s + t < p + q. Segue que p+(r−p−q)/2 ∈ Z(p).8). e (b) n˜o-degenerados (f ′′ = 0) ´ isolado. Tomemos agora r ∈ Z(p) ⊕ Z(q) e sejam s ∈ Z(p) e t ∈ Z(q) tais que r = s + t. q + (r − p − q)/2 ∈ Z(q). De 0 ≤ s < p e 0 ≤ t < q. · q· que r < s < p · q. e o x→+∞ Vemos que r−(p+q) < 0 e. nos limitaremos a (Ω. Existem s ∈ Z(p) e t ∈ Z(q) tais que r = s · t. Uma propriedade fundamental de (Ω. s ≥ 0 e t ≥ 0.6. p+(r−p−q)/2 < p. Suponha que f ∈ C 2 (R. Se r < 0. ⊙. vamos interpretar a Defini¸˜o 46 de subconjunto limitado superia ca ormente em (Ω. 137 23. A ⊂ S para todo A ∈ Γ. 1]. todo subconjunto de Ω e n˜o vazio e limitado superiormente tem supremo finito. a fun¸˜o n˜o ´ anal´ ca c e 2 ⋆ 29. a Dica: Use a enumerabilidade dos racionais e defina uma fun¸˜o sobrejetiva de Q nos ca pontos cr´ ıticos n˜o-degenerados.. e i. (b) f ´ um polinˆmio de grau par. e DEFINICAO 70. ent˜o temos imediatamente r ∈ Z(p) ⊙ Z(q). Antes de enunci´-la precisamente. Teremos ent˜o p > 0 e q > 0. com adapta¸˜o ´bvia.44 ´ CAP´ ITULO 3. Um conjunto Γ ⊂ Ω ´ limitado superiormente pela cota superior e S ∈ Ω se A ⊂ S para todo A ∈ Γ. ´ Exemplo 3. ⊂) e a chamada completeza. (b) Prove que se f ´ cont´ e ınua em [a. e portanto.e. Γ ´ limitado superiormente. se R ´ cota superior de Γ. b] ´ um ponto de m´ximo e a local ent˜o f ´ constante ([Sp] p. e a Dica: Para cada x escolha n´meros racionais ax e bx tais que x ´ m´ximo no intervalo u e a (ax . Como s < p e t < q. n˜o vazio. ⊕. Se r < 0. para a fun¸˜o em vizinhan¸a alguma do zero. Calcule a s´rie de Taylor de f (x) = e−1/x em x = 0. O corpo ordenado (Ω. Temos r = p · s p·q pr/s < p. juntamente com todas as suas derivadas no ponto a ent˜o: a (a) f (x) = g(x) para todo x numa vizinhan¸a de a. obtemos c a ca s · t ≤ p · t < p · q. Conclu´ ımos que r ∈ Z(p) ⊙ Z(q). Tamb´m ´ imediato que Z(0) ´ o supremo de Γ. de modo que Z(0) ⊂ Z(p) ∩ Z(q). Da mesma maneira q · s/(p · q) ∈ Z(q). b] ´ um ponto de m´ximo local de f . portanto. i. Dizemos que f : I → R ´ anal´ e ıtica num intervalo aberto I se para cada a ∈ I existe ∞ f (n) (a) n h = f (a + h) para todo |h| < ε. a Suponhamos r ≥ 0. ⊂). Prove ıcio que: (a)f ´ deriv´vel. r < p + q. Temos r= p+ r−p−q 2 + q+ r−p−q 2 . ıcio =⇒ 24. S = A. Dica: Prove que a acelera¸˜o ´ maior que 4 em algum instante na primeira metade do ca e tempo ou que ´ menor que −4 em algum instante na segunda metade do tempo. R). Seja r ∈ Z(p · q). Conclu´ ımos que r ∈ Z(p + q).236 no.e. e a e ♯ 30. Conclu´ ımos que r ∈ Z(p) ⊕ Z(q). x→−∞ x→+∞ 26. o ca ca o Por´m. Em linguagem a mais pitoresca: Se uma part´ ıcula percorre uma unidade em um instante de tempo e come¸a e c termina com velocidade zero ent˜o em algum instante ela possui acelera¸˜o ≥ 4 ([Sp] p. ıcil) e a (a) Prove que o conjunto f ([a. Seja r ∈ Z(p + q).2. Vemos que r/s < 1 e. e a ent˜o dizemos que S ´ supremo (finito) de Γ. e =⇒ 27.e. (modifica¸oes do Teorema de Rolle) Seja f : R → R deriv´vel. N´s provamos que o Teorema 176 (Teorema de Rolle) implica no Corol´rio 177 (Teorema o a do Valor M´dio).. e a 28. r < p · q.. Conclu´ ımos que r ∈ Z(p · q).190 no. A hip´tese da continuidade da derivada ´ fundamental. (extra) Suponha que f ´ α-H¨lder cont´ e o ınua (ver exerc´ 48. ⊙.133. c (b) f (x) = g(x) para todo x ∈ I ([L] p. i. ⊂) ´ completo. Analogamente. NUMEROS REAIS Vamos mostrar (ii). ⊕. Prove a rec´ e ıproca e a equivalˆncia com o Teorema 179 (Teorema de Cauchy). ⊙. Suponha que f ∈ C 1 (R. p. isto ´. portanto.. E imediato que A ⊂ S para todo A ∈ Γ e tamb´m que e A∈Γ ♯ 31. bx ). de modo a s r . ii. isto ´. p. Note que aplicando o item (ii) a q = −p obtemos Z(0) = Z(p) ⊕ Z(−p) e. E imediato que Z(0) ´ cota superior de Γ e. (dif´ ıcil) Prove que se f pode ser diferenciada duas vezes em [0. a Demonstra¸˜o. Prove que o conjunto dos pontos cr´ ıticos de f : (a) ´ fechado. R) e f ′ (a) > 0. Se existir S ∈ Ω que seja a menor cota superior ¸˜ a de Γ.e. a e (c) Refa¸a (a) e (b) supondo que todo ponto ´ de m´ximo ou m´ c e a ınimo local. . Suponhamos r ≥ 0. Seja agora r ∈ Z(p) ⊙ Z(q). (dif´ Suponha que todo ponto de [a. e e e e TEOREMA 71. ent˜o S ⊂ R.

⊕. n˜o vazio. x ´ m´ximo local de f}. x ´ m´ximo global de f}. temos que S ∁ = ∅. logo. r ∈ A e existe q ∈ A tal que p < q.3 N´meros reais. passamos a escrever x ≤ y ao inv´s de x ⊂ y. r ´ cota superior de A se a ≤ r para todo a ∈ A. o conjunto Ω passa a ser denotado R e ser´ chamado de conjunto dos u a n´meros reais. (e) f (x) = 0 se x ∈ Q∁ . (dif´ Seja ft : (0. supondo que m´ximo est´ no interior. Como A ⊂ S. e a . Sendo p ∈ S temos que existe A ∈ Γ tal que p ∈ A. x ´ m´ e ınimo local de f}. Z(0) passa a ser notado 0. a e a (b) se t > 2 ent˜o ft ´ diferenci´vel nos irracionais. De fato. r ´ cota inferior de A se r ≤ a para todo a ∈ A. A ´ corte. e i.3): n (a) f (x) = i=1 (x − ai )2 . Determine todos os m´ximos e m´ a ınimos locais e globais de ([Sp] p. um n´mero racional n˜o ´ n´mero real. 2] C = {x ∈ [−1. 2] n . e ca ıvel (f) f (x) = 0 se x ∈ Q∁ . Seja A ⊂ R. 22. e a 3. (d) f = I[0.136 CAP´ ITULO 8. e A partir de agora. ♯ 19. Temos que S ⊂ M e. que M ∁ ⊂ S ∁ . Se existir s ∈ R que seja a menor cota superior ¸˜ a de A. use desigualdade estrita e fa¸a ε → 0. e DEFINICAO 73. se r ´ cota superior de A. Prove que o m´ximo de u ocorre em a a ou b. DEFINICAO 72. basta mostrar que S ´ corte para e e concluir que S ´ o supremo de Γ.2 Extremos locais. n ∈ N}. E. u Neste ponto assumimos que constru´ ımos o corpo ordenado (R. f (p/q) = 1/q se p/q ´ fra¸˜o irredut´ com q > 0 e f (0) = 0.+∞) . e a e ent˜o dizemos que s ´ supremo (finito) de A. ıcio . 2] → R dada por f (x) = x3 − x. Os s´ u ımbolos ⊕ e ⊙ ser˜o substitu´ a ıdos por + e · respectivamente. c ♯ 18. b]. atrav´s da fun¸˜o Z (Defini¸˜o 51) passamos de um n´mero racional r ao e ca ca u n´mero real Z(r). isto ´. . Seja M ∈ Ω uma cota superior de Γ. ent˜o f ′ tem pelo menos n − 1 a ra´ ızes. Prove que g = f ′ satisfaz o TVI em qualquer intervalo [a.4): (a) f (x) = 1/x2 se x = 0. e ii. e ii. rigorosamente falando. TVM e Taylor 20. Comece com desica a a gualdade estrita. 8. encontre o m´ ınimo global de ([Sp] p. No entanto.6. e Claramente S = ∅. e Dica: Prove por contradi¸˜o. um n´mero u a e u u racional ´ um elemento do conjunto Q enquanto que um n´mero real ´ um subconjunto de e u e Q. Seja p ∈ S e r ∈ Q tal que r < p. a e a S ⊂ M quando M ∈ Ω que ´ cota superior de Γ. Dica para (b): como a fun¸˜o ´ linear entre os intervalos. E ainda. b]: Dado c entre g(a) e g(b) existe um x ∈ [a. p. b] tal que g(x) = f ′ (x) = c. a ≤ s para todo a ∈ A (s ´ cota superior). na fronteira de [a. vamos mudar as nota¸oes e nomenclaturas. ·. Quando A ´ ilimitado a e e superiormente (n˜o existe cota superior para A) dizemos que o supremo de A ´ mais infinito a e e escrevemos sup A = +∞. Em particular. Z(1) passa a u e u ser notado 1. Sendo Z injetiva (ver Proposi¸˜o 69) temos que o conjunto Z(Q) ´ um u ca e subconjunto de R que ´ uma esp´cie de “c´pia” ou “clone” de Q. Determine os conjuntos A = {x ∈ [−1. x ´ m´ e ınimo global de f}. Um corte ser´ chamado de c˜ a n´mero real. o m´ ca e ınimo ocorre em um dos ai ’s. a ca ⋆ 17. f (p/q) = (−1)p q se p/q ´ fra¸˜o irredut´ com q > 0 e e ca ıvel f (0) = 0.181 no. ⋆ (b) g(x) = i=1 |x − ai |. e faremos. Depois tome v(x) = u(x) + εx2 . isto ´. 1) → R definido por f (x) = 1/q t se x = p/q ∈ Q fra¸˜o irredut´ ıcil) ca ıvel a n˜o nula e f (x) = 0 caso contr´rio. onde A = {1/n. etc. Seja A ⊂ R. DERIVADA ´ 3. Observamos que. +. ⊙.181 no. ⊂) ´ um corpo ordenado completo. 21. e em se tratando de cortes. NUMEROS REAIS. ´ (b) Prove a vers˜o real do Teorema Fundamental da Algebra. Esta no¸˜o ´ precisada e e o ca e matematicamente pelo fato de Z ser um homomorfismo injetivo (ver Proposi¸˜o 69). veja exerc´ 17(f). e escrevemos sup A = s. b]. 45 (a) Prove que se f : R → R ´ deriv´vel e tem n ra´ e a ızes. 2] D = {x ∈ [−1. Considere como g(x) se modifica quando se passa de um intervalo a outro. a a Dica: Para (e) e (f).3. e Terminamos nossa tarefa de mostrar que (Ω. Dizemos que: ¸˜ a i. Para isto primeiro introduzimos os conceitos de cota superior e a cota inferior. Prove que: a a (a) se t ≤ 2 ent˜o ft n˜o ´ diferenci´vel em ponto algum. ≤) dos n´meros reais. (g) f (x) = 1 se 5 aparece na expans˜o decimal de x e f (x) = 0 caso contr´rio. temos r ∈ S e e q ∈ S. Dica: Ver wikipedia. u Vamos definir o supremo (simbolizado por sup) e ´ ınfimo (simbolizado por inf) de subconjuntos n˜o-vazios de R. Ora. podemos. (b) f (x) = xIQ (x). .115. Logo. (dif´ (Teorema de Darboux) Seja f : R → R cont´ ıcil) ınua e diferenci´vel (com derivada a n˜o necessariamente cont´ a ınua). (extra) (Princ´ do M´ximo em R) Suponha que u : R → R ´ uma fun¸˜o suave que ıpio a e ca satisfaz u′′ (x) + g(x)u′ (x) ≥ 0 para todo x ∈ [a. Seja f : [−1. f (0) = 0. Se a1 < · · · < an . a Sugest˜o: Em 16(b) proceda por indu¸˜o e use 16(a). (c) f = IA . os seguintes abusos de nota¸˜o e de linguagem: “Q ⊂ R” a ca ou “todo n´mero racional ´ n´mero real”. n˜o vazio. Conclu´ ımos a prova de que S ´ corte. portanto. Por ca esta raz˜o. ent˜o s ≤ r (s ´ a menor cota superior). 2] B = {x ∈ [−1.

⋆ 16. • quat´rnios e octˆnios. observamos que as defini¸oes 73 e ca ca ca c˜ 70 s˜o equivalentes. ∀x. p. (extra) O objetivo deste exerc´ ´ demonstrar a vers˜o real do (Teorema Fundamental ıcio e a ´ da Algebra): todo polinˆmio de grau n tem no m´ximo n ra´ o a ızes. +. e (b) se a < b < c. Tome x = 0 e conclua que exp′ (b) = exp′ (0) exp(b). (b) Partindo da propriedade exp(x+b) = exp(x) exp(b) e derivando obtemos exp′ (x+b) = exp′ (x) exp(b). Dinamarca – † 05/03/1925.32. ent˜o A tem ´ a e a ınfimo finito. Outros exemplos de corpos s˜o: a • C. isto ´: e e e i. Demonstra¸˜o. a ca u Tudo que precisamos saber ´ que (R. ⋆ 13. i ≤ a para todo a ∈ A (s ´ cota inferior). f ′′ (x) ≥ 0 para todo e a a e x ∈ (a. ıcio Um n´mero real que n˜o ´ racional ´ dito n´mero irracional. aα bβ ≤ αa + βb. ·. cuja defini¸˜o ´ motivada por simplificar o a ca e c´lculo de derivada. e ca Num certo sentido R ´ o unico corpo ordenado completo (veja exerc´ 31. a ıcio • o conjunto dos n´meros alg´bricos. a rela¸˜o ≤ em R satisfaz as condi¸oes da Defini¸˜o 44.31. β. +. ·) satisfaz as propriedades da Defini¸˜o 42. x ∈ A} ´ limitado superiormente e inf A = − sup B. (b) g(x)f (−x) = 1 para todo x ∈ R. p. e somente se. Se A ´ limitado inferiormente. g ∈ C 1 R tais que f ′ = f . ca c˜ ca iii. Da mesma forma. a ´ E parte fundamental nas constru¸oes dos n´meros reais apresentadas na p´gina 36 que R c˜ u a ´ completo e cont´m Q. 135 DEFINICAO 74. Dizemos que um corpo ordenado (K. a.52. De fato. introduzido no exerc´ 30. Dizemos que f ´ convexa em (a. no exerc´ 30.33. Prove que: e n n (a) (desigualdade de Jensen1 ) se λi > 0 com n i=1 λi = 1 ent˜o f a i=1 λi xi ≤ λi f (xi ). ´ uma bije¸˜o com inversa ca e ca deriv´vel.46. Se A ´ limitado superiormente. b). a primeira afirma¸˜o do a ca ca Teorema 76 ´ uma nova vers˜o do Teorema 71. se r ´ cota inferior de A. aplique (b) em torno de c e de x.6. y). definimos n´meros alg´bricos e transcendentes. Qual? (d) f ´ cont´ e ınua.6. DEFINICAO 75. (extra) Sejam f. Quando A ´ ilimitado e inferiormente (n˜o existe cota inferior para A). p. Dica: Prove que f ′ ´ mon´tona n˜o-decrescente. i. u e 11. Prove que p : R → R ´ uma bije¸˜o com inversa e ca cont´ ınua se. ca e ent˜o B = {−x . n˜o vazio. ca e ii. y ∈ (a. e somente se.52 para e ´ ıcio detalhes). que n˜o pode ser ordenado pelo exerc´ 38(c). p. Seja p(x) = x3 + ax2 + bx + c. Dica: Dado α < c < x < β.6). dizemos que o ´ a ınfimo de A ´ menos infinito e e escrevemos inf A = −∞.23 (´ corpo). apresentadas no exerc´ 51. Nakskov. ·. Note que para provar (a) e (b) n˜o utilizamos a base e. p. Seja f : R → R deriv´vel.2. e escrevemos inf A = i. c˜ a a (a) Partindo da propriedade log(bx) = log(x) + log(b) e derivando obtemos log′ (bx) = b log′ (bx) = log′ (x). b) se e f (λx + (1 − λ)y) ≤ λf (x) + (1 − λ)f (y) ∀λ ∈ [0. 1]. e ´ corpo pelo exerc´ 32. ≤) ´ um corpo ordenado completo.46 ´ CAP´ ITULO 3. e a e ent˜o dizemos que i ´ ´ a e ınfimo (finito) de A. ≤) ´ completo se todo sub¸˜ e conjunto de K n˜o-vazio limitado superiormente tem supremo (finito). Prove que: (a) f (x)f (−x) = 1 para todo x ∈ R. Prove que existe c > 0 tal que a a fun¸˜o g : R → R. e e TEOREMA 76. +∞). Conclua que dados α. e ii. a 12. n˜o vazio. a ⋆ 14. p. b ≥ 0. p. Tome x = 1 e conclua que log′ (b) = log′ (1)/b. (c) f = g. i=1 f (b) − f (a) f (c) − f (b) ≤ . b).52. (extra) Vamos deduzir a derivada de log e exp utilizando somente propriedades b´sicas a destas fun¸oes e supondo que elas s˜o diferenci´veis. p. NUMEROS REAIS 8. (R. 1 Johan Ludwig William Valdemar Jensen: ⋆ 08/05/1859. generaliza¸oes dos complexos.25 (ordenado). apresentados na Se¸˜o 5. diferindo apenas na nota¸˜o. Obs: Para provar que log′ (1) = exp′ (0) = 1 precisamos do limite fundamental. e a A segunda afirma¸˜o do Teorema 76 ´ consequˆncia da primeira (independente da consca e e tru¸˜o dos reais que foi feita). +. EXERC´ ICIOS. com α + β = 1. Agora introduzimos a propriedade que distingue Q de R. isto e. e a e ent˜o A tem supremo finito. que est´ contido u e ıcio a e a e e ıcio em R e cont´m Q mas n˜o ´ completo. u a e e u e ıcio p. verifica-se facilmente que se A ´ limitado inferiormente. → 15.2. com derivada limitada.52. e o a (f) ex ´ convexa. o ıcio • corpos finitos (Zp ) apresentados no exerc´ 52. Seja A ⊂ R. p. a2 ≤ 3b ([L] p. ent˜o r ≤ i (s ´ a maior cota inferior). b) ent˜o f ´ convexa se. a e Daqui por diante n˜o precisaremos saber da constru¸˜o do conjunto de n´meros reais. Vale formula¸˜o an´loga e a e ca a se f for decrescente em (x.231 no. Al´m disso. Se existir i ∈ R que seja a maior cota inferior de ¸˜ a A. y) ent˜o ´ crescente em (y. Dinamarca. R ´ completo conforme Defini¸˜o 75. Suponha que f ´ convexa. Para a constru¸˜o feita na Se¸˜o 3. Depois passe ao limite com x → c+ para provar que f (c) − f (x) e f (x) − f (c) v˜o para zero. Copenhagen. g ′ = g e f (0) = g(0) = 1. e o c˜ ca • outras extens˜es de Q. a (e) se f ´ deriv´vel em (a. (R ´ completo) Seja A ⊂ R. . Qual interpreta¸˜o geom´trica? ca e b−a c−b (c) se f ´ crescente em (x. dada por g(x) = x + cf (x) para todo x ∈ R.

O s´ ımbolo (a. que existe um ´nico n´mero com esta propriedade (chamado raiz u u √ de 2 e denotado por 2). sen˜o. Estes dois tipos de intervalo s˜o ditos degenerados a a a enquanto que os outros s˜o ditos n˜o degenerados. 1] ([Sp] p. a ≤ x}.189 e no. a < x}. c a e → 9. Prove que f ′ (a) = lim a . a (a) f (x)/x → β ([Fi1] p. (R. portanto.14). DERIVADA ´ 3. ¸˜ e =⇒ 6. Sejam A = {p ∈ R . a) = (a. ıcio ıcio (c) Prove. 1] tem que estar em b.190. Dizemos que f ´ estritamente crescente em a se existe δ > 0 tal que f (x) < f (a) < e f (y) para todo x. vii. a mostra-se que A n˜o possui elemento m´ximo. e a a (c) Suponha g ′ (a) > 0. por absurdo. x < b}. ·. Logo. como n˜o existe nenhum racional com esta propriedade e a √ e ımos que (Q. Seja f : (0. +.49). com β > 0. Seja f : I → R deriv´vel em I ◦ . ou seja.89 no. Seja f : R → R cont´ ınua e deriv´vel em x0 ∈ R. s ≥ 0. a ≤ x < b}. e somente se. Logo. a e c Dica: para β < 1 ´ f´cil. ii. (a) Supondo que f ´ cont´ e ınua. a] = {a} e [a. (b) Prove (sem supor que f ´ cont´ e ınua) que f ´ estritamente crescente em [0. (q − h)2 > 2. Seja f : A → R duas vezes deriv´vel no ponto a ∈ A◦ . Determine o valor de a ∈ R de modo a   f (x) − f (x0 )  se x = x0 . a ≤ x ≤ b}. Analogamente. [a. x]}. b ∈ R com a ≤ b. temos [a. que N seja limitado superiormente e seja s = ca sup N. e Dica: considere. Isto poderia ser fonte de confus˜o (por isto alguns a PROPOSICAO 77. Em particular. sem usar o teorema do valor m´dio. a e ( 2 ´ irracional) conclu´ Demonstra¸˜o. Temos q > 0 e q 2 − 2 > 0. b] = {x ∈ R . +. De modo an´logo. (a. de modo que podemos tomar h ∈ R tal que h < q e 0<h< q2 − 2 . Dˆ um exemplo em que o limite acima e h→0 h2 existe mas f n˜o ´ deriv´vel em a. c a Veremos posteriormente. E imediato que r. viii. q > 0 e q 2 > 2}. b) ´ amb´ e ıguo pois representa ao mesmo tempo um intervalo e um par ordenado. ix. O intervalo a ∅ e os intervalos dos tipos (i). e e Absurdo. Logo. a f (a + h) + f (a − h) − 2f (a) ′′ Prove que f (a) = lim . Como p ≤ q para todo p ∈ A e q ∈ B. 2q Temos 2qh − h2 < 2qh < q 2 − 2 e.48. 1] tomando o sup Sb . v. ⋆ (c) Considere h(x) = βx + x2 sen(1/x) (generaliza¸˜o de (a)). ´ Pelo Teorema 76 existem r. ca e Dica: item (a) deste exerc´ e item (a) do exerc´ anterior. b) = {x ∈ R . Claramente. e f (a + h) − f (a − h) =⇒ 7. existe r ∈ R tal que r > 0 e r 2 = 2.15). iii.89 no. (a) Isto implica que f ´ crescente em Bδ (a)? e Dica: veja exerc´ anterior. (−∞. qualquer elemento de A ´ menor que qualquer elemento de B. Suponhamos. que se a derivada ´ zero em todos os e e pontos de um intervalo a fun¸˜o ´ constante neste intervalo. q − h ´ um elemento de B e estritamente menor que q. . Este ´ m´todo e e h→0 2h da diferen¸a centrada utilizado em an´lise num´rica. r 2 ≤ s2 . prove que f ´ estritamente crescente em [0. a a Temos que s2 ≤ 2 pois. p < 0 ou p2 < 2} e B = {q ∈ R . Seja q ∈ B.3. b ∈ R com a ≤ b.3.189 no. sendo I um intervalo. b) = {x ∈ R . s ∈ R com r = sup A e s = inf B. Prove que ca h (0) > 0 mas que h n˜o ´ crescente numa vizinhan¸a de 0. Sejam a. [a. que se a derivada ´ estritamente positiva e e em todos os pontos de um intervalo a fun¸˜o ´ estritamente crescente neste intervalo. o conjunto vazio e conjuntos unit´rios s˜o intervalos. (−∞. b] = {x ∈ R . para β ≥ 1 ver [Sp] p. a Sejam a. (v). ≤) n˜o ´ completo. Mais precisamente. 1].134 CAP´ ITULO 8. Prove que Sb = [b. sem usar o teorema do valor m´dio. Suponha que f ´ estritamente crescente em a e ([Sp] p. ıcio (b) Prove que se f ´ diferenci´vel em a ent˜o f ′ (a) ≥ 0. Conclu´ ımos que r 2 = s2 = 2. a e a ıcio a a =⇒ 8. gra¸as ` completeza. para cada b ∈ [0. mostra-se que r 2 ≥ 2. f ′ ´ limitada em I ◦ . Quando a = b. a) = (a. ent˜o β = 0 ([Fi1] p.  x − x0 que seja cont´ ınua em R a fun¸˜o F (x) = ca    a se x = x0 . A e B s˜o n˜o vazios.49). (vii). Um intervalo ´ um subconjunto de R de ¸˜ e qualquer uma das formas abaixo: i. (dif´ ıcil) Suponha que f ´ estritamente crescente em a para todo a ∈ [0. 1] o conjunto Sb = {x. (viii) e (ix) s˜o ditos abertos. (vi). ca e Dica: ver [Sp] p. +∞) = {x ∈ R . Prove que f ´ Lipschitz cont´ a e ınua em I se. a a Segue facilmente das defini¸oes que A ´ limitado superiormente e que B ´ limitado inc˜ e e e feriormente. temos que r ≤ s e. +∞) = {x ∈ R . Por´m.188 no. q n˜o ´ elemento m´ a e ınimo de B. x ≤ b}. (ix) s˜o ditos fechados. Vamos mostrar que B n˜o possui elemento m´ a ınimo. Este exemplo mostra que. a] = ∅. f (y) ≥ f (b) para todo y ∈ [b. (a. 1]. Seja f : R → R deriv´vel. DEFINICAO 78. Temos que n ≤ s para todo n ∈ N. a < x ≤ b}. Prove que o limite do exerc´ anterior existe para f (x) = |x| embora f n˜o seja deriv´vel. ≤) ´ arquimediano. prove que o m´ ınimo de f em [b. +∞) → R uma fun¸˜o deriv´vel tal que f ′ (x) → β quando x → +∞. s seria elemento m´ a ınimo de B. ·. Segue que n + 1 ≤ s para todo n ∈ N. b) = {x ∈ R . Prove que g ´ estritamente crescente em a. n ≤ s − 1 para todo n ∈ N. portanto. [a. a a O intervalo ∅ e os intervalos dos tipos (iii). =⇒ 5. e a ′ Exemplo 3. e ♯ 4. iv. 10. a < x < b}. (c) Prove. NUMEROS REAIS. 47 =⇒ 3. (a. vi. (−∞. +∞) = R. s − 1 ´ cota superior para N que ´ menor que s = sup N. ca a Prove que: (b) se f (x) → α quando x → +∞. b] = {x ∈ R . e Dica: para 0 < b < 1. y ∈ Bδ (a) com x < a < y.

´ deixada a cargo do leitor. c1 ∈ I1 tais que a1 < b1 < c1 < d1 e e assim obtemos I1 = [a1 . Por´m. De [an . Observe que. Como consequˆncia. basta inverter as desigualdades acima). a ca a por defini¸˜o. ıcio Dica: se g(x) = x2 sen(1/x). se e fosse #(R \ Q) ≤ #Q = #N. constru´ ımos uma fam´ (In )n∈N de intervalos ılia fechados e limitados tais que In ⊃ In+1 e f (n) ∈ In qualquer que seja n ∈ N. e a a O pr´ximo teorema ´ outra consequˆncia da completeza. na afirma¸˜o 1 ∈ (0. logo. bn+1 ] obtemos que an ≤ ca an+1 ≤ bn+1 ≤ bn . c˜ a x→+∞ Se Mostremos que s ∈ Al´m disto. g(x) 1 − g(y)/g(x) < 1 + ε. Mais precisamente. bn ]. ent˜o existe a a x→+∞ lim f (x) = f ′ (x) f (x) = lim ′ . Seja A = {am . (a) Prove que f ′ (0) > 0 mas que f n˜o ´ crescente numa vizinhan¸a de 0. n˜o cabe a quest˜o de saber qual delas ´ correta.48 ´ CAP´ ITULO 3. Da´ segue facilmente que am ≤ bn quaisquer que sejam m. d1 ] um intervalo fechado tal que f (1) ∈ I1 ..5) obtemos ı c˜ g(x) g (z) 1 − f (y)/f (x) (k − ε)(1 − ε) < f (x) < (k + ε)(1 + ε). Pelo Teorema / n=1 e [an . 1) representa um intervalo. lim g(x) = +∞.137. como R = Q ∪ (R \ Q). e / Continuando indefinidamente este processo. s ´ a menor cota superior de A. EXERC´ ICIOS. b1 ] ∪ [b1 . ca 8. Temos que s ´ cota superior de A. lim f (x)/g(x) e lim x→+∞ g (x) x→+∞ x→+∞ g(x) Demonstra¸˜o. ca a e Seja f : N → R e seja I1 = [a1 . O pr´ximo corol´rio trata do caso x → +∞ (analogamente. A conclus˜o segue a a imediatamente. Conclu´ e e ımos que an ≤ s ≤ bn . Repetimos o processo com o intervalo I2 : o e dividimos em trˆs partes e definimos I3 como sendo uma destas partes tal que f (3) ∈ I3 . 1 − f (y)/f (x) (8. Por exemplo. bn ] = ∅. +∞) e existe lim f ′ (x)/g ′(x). bn ] n∈N tal que Como lim+ f (x) = lim+ g(x) = +∞. m ∈ N}. bn ]. Certamente f (2) n˜o pertence a algum a destes trˆs intervalos que denotaremos I2 . a a e ´ COROLARIO 190. obtemos #Q < #(R \ Q). bn+1 ] para todo n ∈ N. existem n´meros pr´ximos 0 com g ′(x) = 1 e g ′ (x) = −1. Por outro lado. y) tal que c f (x) 1 − f (y)/f (x) f (x) − f (y) f ′ (z) = = ′ . Devemos mostrar que n˜o existe fun¸˜o sobrejetiva de N em R ou. fazendo as coisas como elas devem ca e ser feitas. De fato. n=1 Demonstra¸˜o. ent˜o. a e a a Observa¸˜o 3.188 no. existe z ∈ (x. portanto. NUMEROS REAIS 8. Acabamos de ver as defini¸oes matem´ticas de intervalo aberto e de intervalo a c˜ a e fechado.6. bn ] ⊃ [an+1 . qualquer bn ´ cota superior de A. Derivada e propriedades (b) f (x) = 1/⌈1/x⌉. na pr´xima proposi¸˜o u o ca mostraremos que #N < #R. por esta raz˜o. (c) f (x) = x2 IQ (x). Pequenas adapta¸oes na demonstra¸˜o anterior mostram que a proposi¸˜o tamb´m ´ c˜ ca ca e e v´lida nos casos x → b− e x → a. p. s ≤ bn . A demonstra¸˜o ´ uma adapta¸˜o da ideia usada na demonstra¸˜o ca e ca ca do Corol´rio 188 que. portando. ı. de acordo com o contexto entende-se e c˜ imediatamente qual das duas possibilidades ´ a correta. y) ⊂ (a. 1) e 1 ∈ (0. 133 autores usam a nota¸˜o ]a. x→+∞ valos encaixantes. u o (b) Visualize a fun¸˜o f com aux´ de um software. . Considere f (x) = x/2 + x2 sen(1/x) para x = 0 e f (0) = 0 (veja [Sp] p.209). Dividimos este / intervalo em trˆs partes da seguinte maneira: tomamos b1 . n ∈ N.6. O conjunto R ´ n˜o-enumer´vel. c1 ] ∪ [c1 . s ≥ an . ca ılio =⇒ 1. Deixada para o leitor. bn ] ⊃ [an+1 . 1) e ca fica claro que (0. R e ∅ s˜o os ´nicos intervalos que possuem esta propriedade. d1 ]. ou seja. 1) como um par ordenado.e. Vamos mostrar agora que na verdade “exisa e u tem mais n´meros irracionais do que racionais”. i. sendo preciso nas argumenta¸oes. ca PROPOSICAO 80.6 8. +∞). a + δ) ⊂ (a. #N < #R. Seja n ∈ N.47 e [L] p.5) ´ uma sequˆncia de intere e +∞ se f ′ (z)/g ′ (z) ≥ 0 (caso contr´rio. e +∞ Sejam f e g fun¸oes deriv´veis em (a. Perceba ca a u tamb´m que existem intervalos que n˜o s˜o abertos nem fechados. Da´ e das rela¸oes (8. Em outras palavras. ambas as afirma¸oes 1 ∈ (0. s ∈ [an . de ca a ca maneira equivalente. Mesmo se as palavras “aberto” e “fechado” tˆm outros sentidos na vida comum. Pelo Teorema 76 existe s = sup A. que qualquer fun¸˜o f : N → R n˜o ´ sobrejetiva. ca ao considerarmos (0. g ′ n˜o se anula em (a. existe δ > 0 (que podemos supor menor que y − a) x→a x→a a<x<a+δ =⇒ 1−ε< Seja x ∈ (a. ter´ a ıamos #R ≤ #N (veja a Proposi¸˜o 39).1 Exerc´ ıcios. isto ´. (dos intervalos encaixantes) Se [an . o e e TEOREMA 79. ent˜o a [an .4) e (8. [an . √ J´ vimos que 2 ´ um n´mero irracional. mesmo sendo falsa a afirma¸˜o. Gra¸as ao Teorema 179. Determine f ′ (x) para: (a) f (x) = ⌈x⌉. 1) c˜ / e n˜o tˆm sentido e. y). g(x) − g(y) g (z) g(x) 1 − g(y)/g(x) Da´ segue que ı f ′ (z) 1 − g(y)/g(x) f (x) = ′ · . os conjunto R e ∅ s˜o intervalos abertos ca ca a e fechados ao mesmo tempo. Isto n˜o deve causar nenhuma confus˜o j´ que R e ∅ n˜o a a a a s˜o portas. ou seja. =⇒ 2. Confronte a e c com o exerc´ 23. a o a trata-se o caso x → −∞). s˜o os sentidos da Defini¸˜o 78 que ser˜o usados ao longo de todo o texto. b[ para intervalos).4 De acordo com a Defini¸˜o 78. ¸˜ e a a Demonstra¸˜o.

b). EXERC´ ICIOS. + + y→0 y→0 x→+∞ =⇒ 2. Alemanha – † 23/02/1855. Dica: Substitua p/q no polinˆmio e multiplique tudo por q n . Note que isto generaliza o exerc´ anterior. Sejam a. Seja ε > 0.4 3. b) e existe lim+ f ′ (x)/g ′(x) a (finito ou n˜o). u e 3. o (a) Se um racional p/q (p e q primos entre si) ´ raiz do polinˆmio. x→a g (x) x→a x→a g(x) Demonstra¸˜o. 79 existe s tal que s ∈ In para todo n ∈ N. F e G s˜o deriv´veis com F ′ (y) = −f ′ (1/y)/y 2 e G′ (y) = −g ′ (1/y)/y 2 (segue que G′ a a n˜o se anula).4) Joseph Liouville: ⋆ 24/03/1809. (regra de l’Hospital “∞/∞”) Sejam f e g fun¸oes deriv´veis em ¸˜ c˜ a (a. Paris. a ii. se necess´rio. Corol´rio: Dados m. Da mesma forma. n ∈ N prove que n m ou ´ um inteiro ou ´ um irracional. → 7.4. prove que p divide a0 e o e q divide an . Se lim+ f (x) = lim+ g(x) = +∞. a ıcio Dica: veja dica do pr´ximo exerc´ o ıcio. o . x→+∞ 3. √ √ √ √ 8.42). Considere a fun¸˜o F definida sobre um intervalo (0. (c) 3 4. Considere a sequˆncia (ai ) definida indutivamente por: a1 = 1 e an = an−1 + n. e a ´ COROLARIO 188. +∞). a Regra de l’Hospital vale para limites do tipo x → a. b). e ´ e ıcio √ e (e) Prove que 2 + 3 2 ´ irracional. ızes (c) Prove que se a0 = an = 1 as ´nicas poss´ u ıveis ra´ racionais s˜o 1 e −1. o (b) Determine todas as poss´ ıveis ra´ racionais de 21x4 − 4x3 − 8x2 + 13x + 10 = 0. Os seguintes fatos s˜o de verifica¸˜o imediata: a ca ent˜o existe lim f (x)/g(x) e lim a i. (Teorema de Gauss2 segundo [Hd] p. Prove que a + b ´ racional se. Como lim+ f (x) = 0. O pr´ximo corol´rio trata do caso o a x → +∞ (o caso x → −∞ ´ an´logo).132 CAP´ ITULO 8. + + y→0 y→0 x→+∞ a e 6.51). modificando ou estendendo f . e somente se a expans˜o decimal peri´dica de r ´ finita ou peri´dica. e somente se. DERIVADA 3. g ′ n˜o se anula em (a.17). Prove que α = n=1 10−n! (n´mero de Liouville1 ) ´ irracional. ca a + y→0 x→+∞ x→+∞ lim f (x) f (1/y) F (y) = lim = lim = lim f ′ (x)/g ′ (x). Irracionais Sejam f e g fun¸oes deriv´veis em (a. podemos ca x→a supor que f (a) = 0. Prove que se x satisfaz xn +an−1 xn−1 +· · ·+a0 = 0 para inteiros a′i s ent˜o x ´ irracional a n˜o ser que x seja um inteiro ([Sp] p. Dica: Multiplique pelo conjugado. no. g(a) = 0. y) =⇒ k−ε < f ′ (z) < k + ε.30). a √ → 5. Dados m.31 no. =⇒ 4. ızes a ızes a a √ (d) Se an = 1 as ra´ s˜o inteiras ou irracionais. x]. +∞) e existe lim f ′ (x)/g ′ (x) (finito ou n˜o). iii. a ∞ f (x) f ′ (x) = lim ′ . Analogamente. a a x→+∞ lim f (x) = =⇒ 1. ent˜o existe lim+ f (x)/g(x) e lim+ a a f ′ (x) f (x) = lim+ ′ . f (x) − f (a) f ′ (y) f (x) = = ′ . g ′ n˜o se anula em (a. Aplicando o Teorema 179 `s fun¸oes f e g sobre o intervalo [a. c˜ a x→+∞ Se lim g(x) = 0.4. (d) √ 21. a o e o a a a Dica: Se r = p/q ent˜o o resto da divis˜o por q possui no m´ximo q elementos distintos. Sabemos que existe y > a tal que ca e a z ∈ (a. + + y→0 y→0 x→+∞ √ √ √ (b) 3 2. b) por F (y) = f (1/y). lim F ′ (y)/G′(y) = lim f ′ (1/y)/g ′(1/y) = lim f ′ (x)/g ′ (x).72 no. Pequenas adapta¸oes na demonstra¸˜o anterior mostram que a proposi¸˜o tamb´m ´ c˜ ca ca e e valida quando no seu enunciado substitu´ ımos x → a+ por x → b− . Alemanha.7) Seja f (x) = a0 + a1 x + · · · + an xn um polinˆmio com coeficientes inteiros ([L] p. O resultado segue da igualdade encontramos y ∈ (a. a e Outra prova que R ´ n˜o-enumer´vel ´ pelo argumento diagonal de Cantor (ver exerc´ 24. 49 a Demonstra¸˜o.1 Exerc´ ıcios. lim G(y) = lim g(1/y) = lim g(x) = 0. lim F (y) = lim f (1/y) = lim f (x) = 0. e a a e ıcio p. Fran¸a – † 08/09/1882. Suponhamos que lim+ f ′ (x)/g ′ (x) seja finito e igual a k (no ca x→a x→a x→a x→a caso infinito. Prove que r ∈ Q se. Prove que s˜o irracionais: (a) 3. Brunswick. lim F (y)/G(y) = lim f ′ (x)/g ′(x). x→+∞ x→+∞ g(x) x→+∞ g (x) Demonstra¸˜o. G¨ttingen. Segue imediatamente que s = f (n) qualquer que seja n ∈ N e portanto f n˜o ´ sobrejetiva. Fran¸a. a demonstra¸˜o ´ an´loga). a e b e forem ambos racionais ([L] p. Saint-Omer. Note que isto ser´ verdade em qualquer base. Desta forma f e g s˜o cont´ a ınuas em [a. Prove e ∞ que α = n=1 e 10−an ´ irracional. a c˜ Seja x ∈ (a. ca ca Analogamente definimos G(y) = g(1/y). ıcio iv. 1 2 Pela Proposi¸˜o anterior. x) tal que g(x) g(x) − g(a) g (y) acima observando que y → a+ quando x → a+ . b). g(x) y→0+ g(1/y) y→0+ G(y) x→+∞ PROPOSICAO 189. n ∈ N prove que n m ou ´ um inteiro ou √um irracional (outra prova do exerc´ anterior). c c Johann Carl Friedrich Gauss: ⋆ 30/04/1777. b racionais positivos. g ′ (z) (8.73. e e Dica: Generalize argumento do exerc´ anterior. Ent˜o.

Vamos mostrar que g|X ´ uma contra¸˜o. ca ıcio e ca ⋆ 11. ⋆ REGRAS DE L’HOSPITAL. a fun¸˜o ca o ca f (x) est´ bem definida e ´ deriv´vel. ′ (x)2 f f ′ (x)2 (b) A ⊃ Z(0) sse ⊖A ⊂ Z(0). (b) cota superior de Γ. sendo ε > 0. (b) {1/n. y irracionais. no intervalo (a−ε. 3. 3. Cada uma das trˆs desigualdades acima ´ conhecida como Desigualdade Triangular. (e) {x ∈ R. Determine se s˜o racionais ou irracionais: a (a) 1/x. =⇒ 15. Portanto. a+ε). ent˜o existe lim+ f (x)/g(x) e lim+ a a x→a g (x) x→a x→a g(x) 1 Guillaume Fran¸ois Antoine Marquis de l’Hospital: ⋆ 1661. Pelo Teorema do Ponto Fixo de Banach (Teorema 167. prove que S ´: e (a) corte. (extra) Prove que: (a) ⊖Z(0) = Z(0). u Prove que se x. a + δ]. 4 . S = 71. Segue que g ′ ´ cont´ e ınua em a e que g ′ (a) = 0. Determine o sup e o inf de ([Sp] p. Paris. (c) {sen(1/x). (f) (−1)n 1 + n . Suponha que a = sup A ∈ A. Suponhamos. ε) tal que |g ′(x)| ≤ 1/2 para todo x ∈ X = [a − δ. |x| =  −x se x < 0. (xn )n∈N converge para a.5. a Dica: 10(a) Seja p ∈ A tal que p ≥ 0. (e) |x − y| ≤ |x − z| + |z − y|. sem perda de e ca generalidade. n ∈ Z − {0}}. Se lim+ f (x) = lim+ g(x) = 0. . Sejam q = 0 racional e x. (extra) Seja A = {p ∈ Q . Pelo Teorema do Valor M´dio. que x < y. 4 . (xn )n∈N a converge para o ´nico ponto fixo de g em X. e 8. . −x}. z. Seja Γ ⊂ Ω n˜o vazio e limitado superiormente e seja S a interse¸˜o de todas as cotas superiores a ca M. sendo Σ = {M ∈ Ω . (c) qx.. Paris. e ⋆ 12. 1 . x→a x→a x→a PROPOSICAO 187. se x0 ∈ X. 6 .113). a e a f ′ (x) g ′ (x) = 1 − f (x)f ′′ (x) f ′ (x)2 − f (x)f ′′ (x) = . a 1 |g(x) − g(a)| ≤ |x − a| < |x − a| ≤ δ. dada por g(x) = x − Demonstra¸˜o. (b) q + x. M ´ cota superior de Γ}. ´ definido por o e   x se x ≥ 0. g ′ n˜o se anula em (a. x + x − 1 < 0}.4. a) ∩ A ´ infinito.4. n ∈ N}. conclua que se Z(r) = A com r ∈ Q ent˜o r 2 = 2. Sejam x. i. Conclua que S ´ o supremo de Γ. e somente se: (a) se r < s ent˜o existe x ∈ A tal que r < x ≤ s. Prove que ∀ε > 0 o conjunto (a − ε. (finito ou n˜o). 1 2 1 2 3 2 4 1 (g) 1 . De fato. b). Sem usar o Teorema e de Γ. a e Prove que s = sup A se. 5 . y. c c c . (f) | |x| − |y| | ≤ |x − y|. (extra) O objetivo deste exerc´ ´ dar outra demonstra¸˜o para o Teorema 71.† 02/02/1704. (c) |A| = A sse A ∈ Ω+ . p < 0 ou p < 2}. xn − xn−1 (c) subconjunto de toda cota superior de Γ. 5 . Ou seja. ent˜o (xn )n∈N ⊂ X. g(x) ∈ X. se x ∈ X ent˜o. ent˜o e a tomando q = p + h teremos q ∈ A e p < q. existe δ ∈ (0. b) e existe lim+ f ′ (x)/g ′(x) a f ′ (x) f (x) = lim+ ′ .5 ⋆ Regras de l’Hospital. portanto.3 N´meros reais u =⇒ 13. ε ∈ R. 4 . e e =⇒ 14. (h) {cos(n + 1). Lembremos que o m´dulo de x ∈ R. 2 5 5 =⇒ 16. Prove que se h < 1 ´ bem escolhido. p. Fran¸a .1): 1 + (−1)n . 2 Como g(a) = a temos |g(x) − a| < δ e. Derivando g obtemos. n ∈ N}. n ∈ N . denotado por |x|. Seja A ⊂ R. (c) N˜o existe r ∈ Q tal que Z(r) = A. (regra de l’Hospital1 “0/0”) Sejam f e g fun¸oes deriv´veis em ¸˜ c˜ a (a. . Segue imediatamente das hip´teses que. (a) n 1 2 (d) {1/n. (d) x + y. (e) xy. . (b) |xy| = |x||y|. NUMEROS REAIS 8. e (b) A ⊙ A ⊂ Z(2).e. ent˜o: a (a) |x| = max{x.50 ´ CAP´ ITULO 3. x ∈ R − {0}}. M ∈Σ f ′ (xn−1 ) = a xn xn−1 Figura 8. y) ⊂ X tal que e 1 |g(x) − g(y)| = |g ′(z)| · |x − y| ≤ |x − y|.117 no. (d) |x + y| ≤ |x| + |y|.2 ⋆ Cortes de Dedekind f (xn−1 ) 2 ⋆ 10. (c) |x − y| < ε sse x ∈ (y − ε. Fran¸a.2: Itera¸˜o do M´todo de Newton. existe z ∈ (x. 3 . ca e f (xn−1 ) . usando a a Proposi¸˜o 69. n ∈ N . 3 . 10(c) Proceda por absurdo e. 3 . Prove que (a) A ´ corte. y + ε). 131 → 9. 2 Temos ainda que g(X) ⊂ X. n˜o vazio e limitado superiormente por s ∈ R (s ´ cota superior de A). Em particular. . a (b) para todo ε > 0 existe x ∈ A tal que s − ε < x. y ∈ X.

x ∈ A}. 1). (d) inf{−f (x) . Este ´ um caso particular do exerc´ 32. B ⊂ R. e No exerc´ 39.370 no. Prove que sup(−A) = − inf(A). R). Sejam f. Dados A. exerc´ 29. p. Porque? e (c) Para quais a ∈ R. chamada de ceiling (teto) em inglˆs. e a a ca p. ent˜o a |r(h)| < f (n) (x0 ) n h .2) Deste modo. Seja a ∈ R. p. Temos: i. Seja x ∈ I. f ′ n˜o se anula em (a − ε. g : A ⊂ R → R limitadas e tais que f (x) ≤ g(x) para todo x ∈ A. +∞) → R dada por ca f (x) = xm − a para todo x ≥ 0. 1}) (sequˆncias de 0’s e 1’s). Suponha que β > 0. x ≤ a}. m ∈ N} e B = {bm . se n ´ ´ e ımpar. dados m ∈ N e a ≥ 0.13. b ∈ R construa c ∈ R intercalando os d´ ıgitos da representa¸˜o decimal de ca a e b. p. Porque? ca (b) Defina ⌈a⌉ = inf{x ∈ Z. x ∈ A} ≤ sup{g(x) . ent˜o x0 ´ m´ximo local de f . p. EXERC´ ICIOS. x ∈ A}. Obs: Trata-se. Prove que #(R × R) = #R. ´ convergente para a. Inglaterra. Inglaterra . Dica: k = ⌊x/β⌋. u =⇒ 23. Seja f uma fun¸˜o definida num intervalo I e n vezes deriv´vel em ¸˜ ca a x0 ∈ I com f ′ (x0 ) = · · · = f (n−1) (x0 ) = 0 e f (n) (x0 ) = 0. Conclua que #R = P(Z).75 mostramos que. ca Dica: Dados a. m ∈ N}. ıcio ıcio ıcio 8. Prove que R ´ n˜o-enumer´vel pelo argumento diagonal de Cantor (veja Proposi¸˜o 38.20): suponha que exista uma lista com todos n´meros reais no intervalo (0. ou de modo equivalente. Dica: (a) Tente alguns intervalos. a + ε) e f ′′ ´ cont´ e a e ınua em a. Como as derivadas de f se anulam at´ a ordem n − 1. ii. PROPOSICAO 185. e a a e a a ca ıcio =⇒ 27. ca e ıcio 29. chamada de floor (ch˜o) em inglˆs ou fun¸˜o a e ca parte inteira (Defini¸˜o 86). . Com isto defina fun¸˜o injetiva.12. x ∈ A} = − sup{f (x) . x ≥ a}. Nosso m´todo consistiu em definir recursivamente uma e sequˆncia (xn )n∈N que era convergente para a raiz da fun¸˜o f acima.4. ı e c˜ ca Obs: O intervalo pode degenerar em um ´nico ponto. e ca O m´todo empregado ´ um caso particular do chamado M´todo de Newton1 . (b) λ sup A e sup(λA) para λ ∈ R. Sejam ([an .42.2) e (8. x ∈ A} = − inf{f (x) . (m´todo de Newton) Seja f : A ⊂ R → R e a ∈ A com f (a) = 0. tomando ca e h = x − x0 na F´rmula de Taylor com resto de Peano obtemos o f (x) − f (x0 ) = pn (x) − f (x0 ) + r(h) = f (n) (x0 ) n h + r(h) n! com h→0 → 17.3). que existe raiz para a fun¸˜o f : [0. =⇒ 21. (b) inf{f (x) . e mente por xn = xn−1 − ′ f (xn−1 ) 1 Sir Isaac Newton: ⋆ 04/05/1643. (b) vale igualdade dependendo de sinal de λ. Prove que inf B ≤ inf A ≤ sup A ≤ sup B. =⇒(c) sup{−f (x) . inf B]. A Figura c˜ a ızes c˜ 8.10). =⇒ 25. DERIVADA 3. Prove que todo n´mero x ∈ R pode ser escrito de forma ´nica na u u forma x = kβ + y onde k ∈ Z e 0 ≤ y < β ([Sp] p. bn ])n∈N intervalos encaixantes com A = {am . Se X ⊂ R ´ enumer´vel ent˜o X ∁ ´ n˜o-enumer´vel (generaliza¸˜o do exerc´ anterior). x ∈ A}. p. Veja exerc´ 20. Prove que o conjunto dos n´meros irracionais ´ n˜o-enumer´vel. n∈N lim r(h) = 0.6 ou [L] p. x ∈ A} ≤ inf{g(x) . a + δ]. x ∈ A}. x ∈ A}. a a e Demonstra¸˜o. n! (8. {0. Prove que [an . a 20.119 no. Sejam A ⊂ B ⊂ R n˜o vazios. Prove: (a) sup{f (x) . obtemos que o sinal de f (x) − f (x0 ) ´ o mesmo de e f (n) (x0 ) n f (n) (x0 ) h = (x − x0 )n . Woolsthorpe. existe δ > 0 tal que para qualquer x0 ∈ [a − δ. 1) que n˜o est´ nesta lista (outra prova da Proposi¸˜o 80). existe δ > 0 tal que se x ∈ I com 0 < |x − x0 | < δ. e Suponhamos que exista ε > 0 tal que i. Prove que #R < #F (R. se n ´ par e f (n) (x0 ) > 0. u e a a → 26. exerc´ 10. (a) Defina ⌊a⌋ = sup{x ∈ Z. Prove (por indu¸˜o) que #Rn = #R. bn ] = [sup A. se n ´ par e f (n) (x0 ) < 0. ıcio =⇒ 28.27.13. O pr´ximo teorema garante o seu funcionamento. ent˜o x0 n˜o ´ extremo local de f . ent˜o x0 ´ m´ e a e ınimo local de f . p. a + ε). u a a ca Dica: Veja.4 ⋆ M´todo de Newton. Dica: exerc´ 31(c). f ´ duas vezes diferenci´vel em (a − ε.130 CAP´ ITULO 8. ii. =⇒ 19. portanto. Londres. Seja −A := {−x. ca 51 Como exemplo de aplica¸˜o da F´rmula de Taylor temos a seguinte proposi¸˜o sobre ca o ca extremos locais. Construa u um novo n´mero em (0. e a e a iii. a sequˆncia definida recursivaa e f (xn−1 ) ∀n ∈ N. e Dica: base 2 e exerc´ 31(c). investigue a rela¸˜o entre: ca (a) sup(A + B) e sup A + sup B. ıcio =⇒ 22. n! n! Da´ seguem imediatamente as trˆs afirma¸oes da proposi¸˜o. muito e e e usado para calcular aproxima¸oes (t˜o boa quanto quisermos) de ra´ de fun¸oes.2 d´ uma ideia geom´trica do m´todo. a Ent˜o. hn (8. de outra defini¸˜o para o supremo.† 31/03/1727. por exemplo [Sp] p. existe x ≥ 0 tal que ıcio xm = a. =⇒ 24. Prove que #R = #F (Z.3) De (8. ⌊a⌋ = ⌈a⌉? 18. a e e o TEOREMA 186.29.

b). e a a Obs: Isto mostra a existˆncia de n´meros transcendentes. Alguns exemplos s˜o: 2. o caso b < a ´ an´logo) e f ´ n + 1 vezes deriv´vel em (a.3 Tomando a = x0 e b = x0 + h no Teorema 184 (para compar´-lo com ca a o Teorema 183) obtemos de forma expl´ ıcita o erro: f (x0 + h) = pn (x0 + h) + r(h) com r(h) = f (n+1) (c) n+1 h . 3 + 3 2/3 + 2 (porque?).55. Ou ainda. Observa¸˜o 8. Seja g definida sobre [a. lim r(h) = 0. Ao fazˆ-lo. NUMEROS REAIS ´ 8. e ca e TEOREMA 184. e An . (b) x · y ∈ A (fechado para produto). que tende a zero e e mais r´pido que hn quando h tende a 0. o Demonstra¸˜o. p. Denotamos por p′ o inteiro correspondente a p ∈ Z. (n + 1)! Devemos mostrar que existe c ∈ (a. no ponto x0 + h.3. muitas vezes expresso. (c) Existe z ∈ A tal que x + z = 0 (inverso aditivo). C ent˜o a ≤ n |h|n (n + 1)! h→0 h 1 Joseph-Louis Lagrange: ⋆ 25/01/1736. (n + 1)! onde c ∈ Bh (x0 ).75 no. a c . c depende de h mas se f (n+1) for limitada nesta bola por |r(h)| C |h|.32). Por outro lado. ♯ 31. Desta forma. b) e a e a a tal que f (n+1) (c) f (b) = pn (b) + (b − a)n+1 . Obs: Isto prova que os alg´bricos formam um corpo (subcorpo de R). numa vizinhan¸a de x0 . (N´meros alg´bricos e transcendentes) Um n´mero real ´ alg´brico quando ´ raiz u e u e e e de um polinˆmio n˜o-trivial p ≡ 0 com coeficientes inteiros. o a Denotamos o conjunto dos √ √ 7 alg´bricos por A. Dica: Atrav´s do neutro da soma e produto de K podemos identificar Z com Z′ ⊂ K (ver e exerc´ 45. y ∈ A. e Prove que: (a) x + y ∈ A (fechado para soma). e a Como A = n∈N O teorema anterior diz que. b] (com o a < b. ent˜o existe c ∈ (a. Veja [Fi2]) Sejam x. e portanto. b) tal que g ′(c) = 0.e. ıcio e Definimos f em Q por f (p/q) = f (p)/f (q) = p′ /q ′ . i! (i − 1)! n! n! i=1 n Segue que f (n+1) (c) = A.† 10/04/1813. portanto. (dif´ Seja K um corpo ordenado completo.52 ´ CAP´ ITULO 3. Fran¸a. podemos aproximar uma fun¸˜o f c ca pelo seu Polinˆmio de Taylor de grau n. existe e a e c c ∈ (a. It´lia . Al´m disto. ´ usado o abuso de nota¸˜o “r = o(hn )”. Conclua que os alg´bricos generalizam o conceito de racional. cometemos um erro o e r(h) = f (x0 + h) − pn (x0 + h) que ´ um infinit´simo de ordem n. b) tal que f (n+1) (c) = A. n g ′ (c) = i=0 f (n+1) (c) − A f (i+1) (c) f (i) (c) A (b − c)i − (b − c)i−1 − (b − c)n = (b − c)n . p/q < x}.509). com a seguinte a e frase: “r ´ o(hn ) quando h → 0”.. o conjunto An de ra´ ca o ızes de pn ´ finito. g(b) = f (b) = g(a). isto ´. b). f (p) = p′ . Turim. Gra¸as ao Teorema de Rolle. e (b) Prove que o conjunto dos polinˆmios com coeficientes inteiros ´ enumer´vel. Temos que g ∈ C [a. e e ca ca O teorema seguinte fornece uma forma mais explicita para o erro da aproxima¸˜o. E dif´ provar que π e e s˜o n´meros e e a u transcendentes. i! (n + 1)! sendo A uma constante escolhida de modo que g(a) = f (b) e. O Teorema 111 mostra que e u ´ ıcil e ´ irracional e o Teorema 212 que π ´ irracional. i. (f´rmula de Taylor com resto de Lagrange1 ) Se f ∈ C n [a. o conjunto dos alg´bricos. Prove que existe f : R → K bije¸˜o que ıcil) ca preserva as opera¸oes de soma e produto. conclua que A ´ enumer´vel. (n + 1)! sendo pn o polinˆmio de Taylor de ordem n de f em torno de a. Finalmente para x ∈ R qualquer n´s o definimos f (x) = sup{p′ /q ′ ∈ K. FORMULAS DE TAYLOR. Este fato ´. 129 → 30. b] dada por ca g(x) = f (x) + f ′ (x)(b − x) + n (d) Prove que T = R − A (chamados de transcendentes) ´ n˜o-enumer´vel. e f ′′ (x) f (n) (x) A (b − x)2 + · · · + (b − x)n + (b − x)n+1 2! n! (n + 1)! = i=0 A f (i) (x) (b − x)i + (b − x)n+1 . ´ ♯ 32. (d) Existe z ∈ A tal que x · z = 1 (inverso multiplicativo). Ele tamb´m pode ser visto como uma generaliza¸˜o do Teorema do Valor M´dio. Isto prova que todo corpo ordenado completo pode c˜ ser identificado a R ([L] p. (dif´ ıcil) (precisa de Algebra. f (b) = pn (b) + A (b − x)n+1 . o e a (c) Dada uma enumera¸˜o destes polinˆmios. b] e ´ deriv´vel em (a. e a (a) Prove que Q ⊂ A. [Sp] p. Paris.

. A sequˆncia (xn )n∈N ´ uma Progress˜o Aritm´tica de primeiro e e a e termo a e raz˜o r. portanto. conclu´ ımos que existe δ > 0 tal que x0 + h ∈ I. x2 . As ca e vezes a denotamos tamb´m por (x1 . p. Considere x1 = a. a e DEFINICAO 82. obtemos e f ′ (x0 + h) − p′n (x0 + h) = 0. Se r > 0. r ∈ N. o sendo pn o polinˆmio de Taylor de grau n de f em torno de x0 . e 53 Seja h ∈ (0.2. crescente. .128 CAP´ ITULO 8. etc. a a e ent˜o (xn )n∈N ´ estritamente crescente e. 0. 1.e. e h) − p′n (x0 hn−1 + h) < ε. temos que r(h) = 0. Observamos inicialmente que a rela¸˜o f (x0 + h) = pn (x0 + h) − r(h) deve ca ca ser vista como a defini¸˜o de r(h). ent˜o (xn )n∈N ´ estritamente decrescente e. It´lia . . 0) ´ an´logo). tamb´m fazem sentido para sequˆncias. It´lia.1 Sequˆncias convergentes e subsequˆncias. ca Procedemos por indu¸˜o em n. i. 0 < |h| < δ =⇒ f (x0 + ′ 1 Cap´ ıtulo 4 Sequˆncias e s´ries e e 4. (f´rmula de Taylor com resto de Peano ) Seja f uma fun¸˜o n − 1 o ca vezes deriv´vel no intervalo I (se n = 1 esta hip´tese ´ eliminada). A pr´xima defini¸˜o ´ apenas uma revis˜o. h h O resultado segue imediatamente da Defini¸˜o 168 e da Proposi¸˜o 169. limitada inferiormente. h) tal que r(h) 1 f ′ (x0 + t) − p′ (x0 + t) ε r ′ (t) r(h) − r(0) = ′ = = < < ε.9 tratou do conceito de sequˆncias. . e e A Defini¸˜o 27. as defini¸oes de fun¸˜o limitada. Da igualdade acima. Piemonte. 0. Al´m a a e disto.3. e e a e o Exemplo 4. Pelo Teorema de Cauchy (Teorema 179). hn g(h) − g(0) g (t) n tn−1 n 1 Giuseppe Peano: ⋆ 27/08/1858. Uma sequˆncia de n´meros reais ´ uma fun¸˜o x : N → R para a qual ¸˜ e u e ca denotamos o valor de x em n por xn em vez de x(n). e ⋆ TEOREMA 183. As fun¸oes dadas por e a c˜ r(t) = f (x0 + t) − pn (x0 + t) e g(t) = tn s˜o deriv´veis em [0. portanto. 1. se a e r < 0. obtemos que existe a t ∈ (0. o ca e a DEFINICAO 81. e a c˜ c˜ ca mon´tona. Dizemos que xn ´ o termo de ordem e e n ou que xn ´ o n-´simo termo da sequˆncia. r(h) = f (x0 + h) − pn (x0 + h). 0. em geral.. . lim h→0 hn Demonstra¸˜o. de maneira geral. Exemplo 4. . DERIVADA Tomando h = x − x0 . em particular. . limitada superiormente. ent˜o (xn )n∈N ´ constante e. δ) tal que x0 + h ∈ I (o caso h ∈ (−δ. Seja a ∈ R e tomemos xn = a para todo n ∈ N. portanto. 2! 3! n! Observe ainda que no ponto x0 as derivadas at´ a ordem n de f e de p coincidem. decrescente.1. A sequˆncia (xn )n∈N ´ e e ´ constante. Observamos que f ′ ´ n − 2 vezes deriv´vel em I e n − 1 vezes e a deriv´vel em x0 . ) ´ limitada mas n˜o ´ mon´tona. o e e Exemplo 4. Se x0 + h ∈ I. Um c´lculo simples mostra que o polinˆmio de Taylor de grau n − 1 de f ′ a a o ı o ca em torno de x0 ´ dado por p′n . Da´ e da hip´tese de indu¸˜o. ` Geralmente usamos a nota¸˜o (xn )n∈N para representar uma sequˆncia x : N → R. E imediato que (xn )n∈N ´ limitada. h] e se anulam em 0. Sejam a. x2 = a + r. ent˜o escrevendo a f (x0 + h) = pn (x0 + h) + r(h). g ′ n˜o se anula em (0. Dizemos que (yk )k∈N ´ uma subsequˆncia de (xn )n∈N se existe uma ¸˜ e e sequˆncia (nk )k∈N ⊂ N estritamente crescente tal que yk = xnk para todo k ∈ N. ). Como sequˆncias s˜o fun¸oes. e e e Quando quisermos explicitar que a imagem da sequˆncia (xn )n∈N est´ contida em A ⊂ R e a escreveremos (xn )n∈N ⊂ A. Segue ca que r(h) f (x0 + h) − f (x0 ) − f ′ (x0 )h = . Se r = 0. . h→0 hn−1 lim Seja ε > 0. x3 = a + 2r. a a . limitada.† 20/04/1932. e de sequˆncias de n´meros ca e e u reais. h). A sequˆncia (1. . o polinˆmio de Taylor de ordem n de f em torno de x0 pode ser o escrito como pn (x0 + h) = f (x0 ) + f ′ (x0 )h + f (n) (x0 ) n f ′′ (x0 ) 2 f ′′′ (x0 ) 3 h + h +···+ h . Turim. xn . xn = a + (n − 1)r. e n vezes deriv´vel em a o e a x0 ∈ I. ca ca Suponhamos n > 1. . Finalmente. Para n = 1 temos p1 (x0 + h) = f (x0 ) + f ′ (x0 )h.

Edmonton. b). ent˜o g(a) = g(b) e existe c ∈ (a. De modo geral. b]. e com raz˜o. (de Cauchy) Se f. Podemos perceber que existem muitos trechos do caminho sobre os quais a distˆncia a O ´ crescente com o tempo. Para isto ser´ necess´rio exigir mais de f . Por´m. nossa distˆncia a a O ser´ menor que 1 depois que passarmos pelo ponto D. FORMULAS DE TAYLOR.1: Espiral da convergˆncia e Continuemos analisando a Figura 4. b] (com a < b) s˜o deriv´veis em (a. g(b) − g(a) ´ a E f´cil ver que h satisfaz as hip´teses do Teorema de Rolle. percorremos no sentido anti-hor´rio o caminho desenhado como indicado a pelas setas. a n-´sima e derivada de f em x0 ´ denotada por f (n) (x0 ). A segunda derivada de f em x0 ´ a e a e definida por (f ′ )′ (x0 ) e denotada por f ′′ (x0 ). ı 8. Ela foge um pouco do assunto “sequˆncias a e e de n´meros reais” mas ilustra bem o que queremos dizer por “se aproximar”. Observamos inicialmente que g(a) = g(b). Dizemos que f ´ duas ¸˜ a e vezes deriv´vel em x0 ∈ I se f ′ ´ deriv´vel em x0 . u partindo do ponto A. g ∈ C [a. Analogamente. Definimos o polinˆmio de ¸˜ ca a o Taylor1 de f de ordem n em torno de x0 por pn (x) = f (x0 )+f ′(x0 )(x−x0 )+ 1 A Figura 4. pois sen˜o. isto ´. a distˆncia a O cresce quando percorremos o segmento BC. A Proa e a gress˜o Aritm´tica (yk )k∈N de termo inicial a e raz˜o 2r ´ uma subsequˆncia de (xn )n∈N . por uma fun¸˜o polinomial de grau menor ou igual a 1. a partir de outro instante (futuro) entramos na bola de raio 1/2. f (b) − f (a) ′ f ′ (c) − g (c) = 0.4. A´ est´ a defini¸˜o. Considere a fun¸˜o h. SEQUENCIAS E SERIES ´ 8. Inglaterra. tomando nk = 2k − 1 (k ∈ N) obtemos xnk = a + (nk − 1)r = a + (2k − 2)r = a + (k − 1)(2r) = yk . a ⋆ TEOREMA 179. g ′ se anularia em algum ponto de (a. Veja a Figura 4. e escrevemos f ∈ C n (I). Para sequˆncias de n´meros reais ela ´ expressa da seguinte ı a ca e u e maneira. g(b) − g(a) g (c) Demonstra¸˜o. em certo instante entramos a na bola de raio 1 centrada em O e dela n˜o sa´ a ımos mais. Imagine que.1 em busca da boa defini¸˜o de convergˆncia. 127 Exemplo 4. etc. ı dado qualquer n´mero positivo ε. e DEFINICAO 181.3. ent˜o dizemos que f ´ de classe ¸˜ e a a e Cn em I. De a e a e e fato. Somos tentados a dizer que (xn )n∈N converge para x quando a e distˆncia entre xn e x diminui ` medida que n cresce. Seja (xn )n∈N a Progress˜o Aritm´tica de termo inicial a e raz˜o r. Conven¸a-se disto percebendo que passamos primeiro por B antes de chegar a C e. Da mesma forma. Se f ´ n vezes deriv´vel e f (n) ∈ C(I). Ningu´m duvida. Esta ideia n˜o est´ de todo errada. Veremos ca e ca nesta se¸˜o.54 ˆ ´ CAP´ ITULO 4. ou seja. e DEFINICAO 182.3 F´rmulas de Taylor. Por´m. c e a entretanto. existe um instante a partir do qual nossa distˆncia a O ser´ u a a menor que ε. De modo geral. se f ∈ C n (I) para todo n ∈ N. a fun¸˜o f (n) = |xn − x| ´ a a ca e decrescente. e a´ ficamos. o segmento BO ´ menor que o segmento CO. b) tal que o h′ (c) = 0. definida sobre [a. Sejam I um intervalo e f : I → R deriv´vel. a a D 1 O DEFINICAO 180. a ideia de que a nossa distˆncia ao ponto O decresce com o tempo mostra-se e a errada. o C B A ideia que motivou a defini¸˜o da derivada foi a de aproximar uma fun¸˜o arbitr´ria por ca ca a uma fun¸˜o afim. Londres. ent˜o a dizemos que f ´ de classe C∞ em I e escrevemos f ∈ C ∞ (I). logo existe c ∈ (a.† 29/12/1731. Finalmente. ca dada por f (b) − f (a) h(x) = f (x) − f (a) − g(x) − g(a) . centrada em O. quarta derivada. bastando para isto que a a continuemos andando por um tempo suficientemente longo. pelo Teorema de ca a Rolle. Intuitivamente. de modo que n˜o existe a e a nenhum ponto a partir do qual a distˆncia a O passe a ser decrescente com o tempo. Por exemplo. Ou seja. de que estaremos assim nos aproximando do ponto e a O. ela pode induzir a uma ideia a a e equivocada de convergˆncia. De fato. Inglaterra . que podemos fazer aproxima¸oes melhores se tomarmos polinˆmios de graus ca c˜ o maiores que 1. uma sequˆncia (xn )n∈N ´ convergente para x se seus termos se aproximam e e de x quando n cresce. f ′′′ (x0 ) f (n) (x0 ) f ′′(x0 ) (x−x0 )2 + (x−x0 )3 +· · ·+ (x−x0 )n .1. . b) tal que a a f ′ (c) f (b) − f (a) = ′ . definimos a terceira derivada. Seja f uma fun¸˜o n vezes deriv´vel em x0 . 2! 3! n! Brook Taylor: ⋆ 18/08/1685. ou seja. N˜o ´ bem assim. b). g(b) − g(a) Da´ segue imediatamente o resultado. b) a a e g ′ n˜o se anula em (a. Convencionamos ainda que f (0) = f . Obserca e vamos que nossa distˆncia a O fica t˜o pequena quanto quisermos.

126

CAP´ ITULO 8. DERIVADA

ˆ ˆ 4.1. SEQUENCIAS CONVERGENTES E SUBSEQUENCIAS.

55

TEOREMA 176. (de Rolle1 ) Se f ∈ C [a, b] (com a < b) ´ deriv´vel em (a, b) com e a f (a) = f (b), ent˜o existe c ∈ (a, b) tal que f ′ (c) = 0. a Demonstra¸˜o. Se f for constante, ent˜o n˜o h´ mais nada a ser demonstrado. Suponhamos ca a a a que f n˜o seja constante. Gra¸as ao Corol´rio 159, p.110 (Weierstrass), f tem extremos a c a globais em [a, b]. Como f n˜o ´ constante, um destes extremos, denotado c, ´ tal que a e e f (c) = f (a) = f (b) e portanto c ∈ (a, b). Do Teorema 175 (Extremos Locais) segue que f ′ (c) = 0. ´ COROLARIO 177. (Teorema do Valor M´dio) Se f ∈ C [a, b] (com a < b) ´ deriv´vel e e a em (a, b), ent˜o existe c ∈ (a, b) tal que f (b) = f (a) + f ′ (c)(b − a). a Demonstra¸˜o. Considere a fun¸˜o g definida sobre [a, b] dada por ca ca f (b) − f (a) (x − a). g(x) = f (x) − f (a) − b−a g ′ (x) = f ′ (x) −

DEFINICAO 83. Uma sequˆncia (xn )n∈N ´ dita convergente se existe x ∈ R de modo ¸˜ e e que ∀ε > 0, ∃N ∈ N tal que n ≥ N implica que |xn − x| < ε. Neste caso, escrevemos xn → x e dizemos que x ´ limite da sequˆncia (xn )n∈N ou que xn e e converge para (ou tende a) x quando n tende a mais infinito (n → +∞). Se (xn )n∈N n˜o a ´ convergente, ent˜o dizemos que ela ´ divergente. e a e Exemplo 4.5. Seja x ∈ R e considere a sequˆncia dada por xn = x para todo n ∈ N. Temos e que xn → x. De fato, |xn − x| = 0 para todo n ∈ N. Portanto, podemos escrever ∀ε > 0, n≥1 =⇒ |xn − x| < ε.

Temos que g ∈ C [a, b] e g ´ deriv´vel em (a, b) com e a

f (b) − f (a) . b−a Para terminar a demonstra¸˜o, basta mostrar que existe c ∈ (a, b) tal que g ′ (c) = 0. Como ca g(a) = g(b) = 0, podemos aplicar o Teorema 176 (Rolle) para concluir a demonstra¸˜o. ca Em particular temos o seguinte corol´rio. a ´ COROLARIO 178. Sejam I ⊂ R um intervalo n˜o degenerado e f, g ∈ C(I), deriv´veis a a em I ◦ . Se, para todo x ∈ I ◦ : i. f ′ (x) ≥ 0, ent˜o f ´ crescente em I; a e ii. f ′ (x) > 0, ent˜o f ´ estritamente crescente em I; a e iii. f ′ (x) ≤ 0, ent˜o f ´ decrescente em I; a e iv. f ′ (x) < 0, ent˜o f ´ estritamente decrescente em I; a e v. f ′ (x) = 0, ent˜o f ´ constante em I; a e vi. f ′ (x) = g ′(x), ent˜o f − g ´ constante em I. a e Demonstra¸˜o. (i) Sejam a, b ∈ I com a < b. Aplicando o Teorema do Valor M´dio a ca e f|[a,b] , obtemos que existe c ∈ (a, b) tal que f (b) − f (a) = f ′ (c) ≥ 0. b−a Segue que f (b) ≥ f (a). Logo f ´ crescente. Deixamos os outros itens para os leitores. e

Exemplo 4.6. Considere a sequˆncia xn = 1/n para todo n ∈ N. Vamos mostrar que e a xn → 0. Dado ε > 0, tomemos N ∈ N tal que N > 1/ε. Temos ent˜o 0 < 1/N < ε. Mas se n ∈ N e n ≥ N, ent˜o xn = 1/n ≤ 1/N = xN . Logo, podemos escrever a ∀ε > 0, ∃N ∈ N tal que n ≥ N
n→+∞

=⇒

|xn − 0| < ε.

Por enquanto, fa¸amos de conta que n˜o conhecemos a defini¸˜o de limite. Suponhamos que c a ca ao abrir um livro de An´lise, pela primeira vez, encontremos as seguintes inscri¸oes: a c˜ xn → 0 e xn → 1. N˜o ficar´ a ıamos chocados. Por´m, se estivesse escrito e
n→+∞

O leitor talvez conhe¸a a nota¸˜o lim xn = x para xn → x. Vamos refletir sobre ela. c ca

lim xn = 0 e

n→+∞

lim xn = 1.

Ser´ ıamos levados a concluir que 0 = 1. Ora, ´ o sinal de igual “=” que nos leva a esta e confus˜o. Se n˜o tivermos a unicidade do limite, ent˜o a nota¸˜o lim xn = x ´ fortemente a a a ca e
n→+∞

enganosa. Apenas para constar, informo ao leitor interessado a defini¸˜o de convergˆncia num ca e contexto mais geral (de espa¸os topol´gicos), do qual a nossa ´ um caso particular, permite c o e a n˜o unicidade do limite (isto ocorre em espa¸os que n˜o s˜o de Hausdorff1 ). Entretanto, a a c a a pr´xima proposi¸˜o nos dar´ direito ao uso da nota¸˜o lim xn = x. o ca a ca
n→+∞

Observa¸˜o 8.2 A hip´tese da derivada ser positiva num intervalo ´ fundamental para ca o e se concluir que a fun¸˜o ´ crescente neste intervalo. A derivada ser positiva em um ponto ca e a n˜o implica que ela ´ crescente numa vizinhan¸a de a (ver exerc´ 2, p.133). a e c ıcio Terminamos a se¸˜o com uma aparente generaliza¸˜o do Teorema do Valor M´dio, o ca ca e Teorema de Cauchy. Na realidade (prove!) s˜o equivalentes os Teoremas de Rolle, do valor a m´dio e de Cauchy (ver exerc´ 26, p.137). e ıcio
1

PROPOSICAO 84. (unicidade do limite) Sejam (xn )n∈N uma sequˆncia e x, y ∈ R tais ¸˜ e que xn → x e xn → y. Ent˜o x = y. a Demonstra¸˜o. Suponhamos, por absurdo, que x = y. Seja ε = |x − y|/2 > 0. Como ca xn → x, existe N ∈ N tal que n≥N
1

=⇒ |xn − x|

< ε.

Michel Rolle: ⋆ 21/04/1652, Ambert, Fran¸a - † 08/11/1719, Paris, Fran¸a. c c

Felix Hausdorff: ⋆ 08/11/1868, Wroclaw, Polˆnia - † 02/01/1942, Bonn, Alemanha. o

56

ˆ ´ CAP´ ITULO 4. SEQUENCIAS E SERIES

´ 8.2. EXTREMOS LOCAIS E O TEOREMA DO VALOR MEDIO.

125

Tamb´m temos xn → y. Logo, existe N ′ ∈ N tal que e n ≥ N′ =⇒ |xn − y| < ε.

Seja n o maior dos n´meros N e N ′ . Para tal n as duas conclus˜es anteriores s˜o v´lidas. u o a a Temos ent˜o a |x − y| ≤ |x − xn | + |xn − y| < ε + ε = 2ε = |x − y|. Conclu´ ımos que |x − y| < |x − y|, o que ´ absurdo. e PROPOSICAO 85. Uma sequˆncia (xn )n∈N tende a x se, e somente se, toda subsequˆncia ¸˜ e e de (xn )n∈N tende a x. Demonstra¸˜o. Suponhamos que exista x ∈ R tal que xn → x. Seja (yk )k∈N uma subca sequˆncia de (xn )n∈N , i.e., yk = xnk (∀k ∈ N) para alguma sequˆncia (nk )k∈N ⊂ N estritae e mente crescente. Mostremos que yk → x. Seja ε > 0. Como xn → x, existe N ∈ N tal que se n ≥ N, ent˜o |xn − x| < ε. Como (nk )k∈N ⊂ N ´ estritamente crescente, existe K ∈ N a e tal que se k ≥ K, ent˜o nk ≥ N. Segue que a k≥K =⇒ |yk − x| < ε.

TEOREMA 175. (dos extremos locais) Seja f : A ⊂ R → R. Se x0 ∈ A ´ um extremo e local de f tal que x0 ∈ A◦ e f ´ deriv´vel em x0 , ent˜o f ′ (x0 ) = 0. e a a Demonstra¸˜o. Suponhamos que x0 ´ um ponto de m´ximo local de f (a demonstra¸˜o ca e a ca ´ an´loga para ponto de m´ e a ınimo local). Como x0 ´ ponto de m´ximo local no interior de e a A, existe δ > 0 tal que se |x − x0 | < δ, ent˜o x ∈ A e f (x) ≤ f (x0 ). Portanto para a x0 < x < x0 + δ temos f (x) − f (x0 ) /(x − x0 ) ≤ 0. Segue que
x→x+ 0

lim

f (x) − f (x0 ) ≤ 0. x − x0 f (x) − f (x0 ) ≥ 0. x − x0

Por outro lado, para x0 − δ < x < x0 temos f (x) − f (x0 ) /(x − x0 ) ≥ 0. Portanto
x→x− 0

lim

Portanto (yk )k∈N converge para x. A rec´ ıproca ´ imediata (basta observar que (xn )n∈N ´ e e subsequˆncia de si mesma). e Exemplo 4.7. A sequˆncia (1, 0, 1, 0, 1, 0, . . . ) ´ divergente. De fato, se ela fosse convere e gente, ent˜o pela proposi¸˜o anterior todas as suas subsequˆncias seriam convergentes para o a ca e mesmo limite. Por´m, (1, 1, 1, . . . ) e (0, 0, 0, . . . ) s˜o duas de suas subsequˆncias sendo que e a e a primeira converge para 1 enquanto que a segunda converge para 0. Como corol´rio da proposi¸˜o anterior, obtemos que se xn tende a x, ent˜o xn+2006 tende a ca a a x. N˜o h´ nada de especial com o n´mero 2006. Mais geralmente, fixado p ∈ N, temos que a a u ´ a se xn tende a x, ent˜o xn+p tende a x. E f´cil perceber que a rec´ a ıproca tamb´m ´ verdadeira, e e ou seja, se para algum p ∈ N temos que xn+p tende a x, ent˜o ´ porque xn tende a x. a e Verifique! A importˆncia deste fato ´ a seguinte. Se conhecermos alguma propriedade que a e garanta a convergˆncia de uma sequˆncia e soubermos que tal propriedade s´ ´ valida a partir e e oe do seu p-´simo termo ent˜o, ainda sim, podemos concluir que a sequˆncia ´ convergente. e a e e Vejamos um exemplo esclarecedor, mas antes de apresent´-lo fa¸amos uma defini¸˜o. a c ca DEFINICAO 86. A fun¸˜o Parte Inteira ´ definida, para todo x ∈ R, por ¸˜ ca e ⌊x⌋ = n se n ∈ Z e n ≤ x < n + 1. Veja exerc´ 17, p.51 para outra defini¸˜o. ıcio ca Exemplo 4.8. Temos ⌊1⌋ = 1, ⌊1.4⌋ = 1 e ⌊−1.5⌋ = −2.

Como dissemos anteriormente, o Teorema dos Extremos Locais ´ ´til na determina¸˜o dos eu ca extremos globais de uma fun¸˜o f : A ⊂ R → R. De fato, temos as seguintes implica¸oes: ca c˜  x0 ´ extremo global =⇒ x0 ´ extremo local  e e =⇒ f ′ (x0 ) = 0.  x0 ∈ A◦ e f ´ deriv´vel em x0 e a Observa¸˜o 8.1 Conclu´ ca ımos que se x0 ´ extremo global, ent˜o x0 pertence a algum dos e a trˆs conjuntos abaixo: e {x ∈ A◦ ; f ´ deriv´vel em x e f ′ (x) = 0}, A \ A◦ ou {x ∈ A◦ ; f n˜o ´ deriv´vel em x}. e a a e a Exemplo 8.5. Seja f : [0, 4] → R dada por f (x) Como f ´ cont´ e ınua e A = [0, 4] ´ compacto, f tem e ´ E imediato que   (1 − x)(5 − x) f (x) =  (x − 1)(5 − x) = |x − 1|(5 − x) para todo x ∈ [0, 4]. extremos globais. Vamos determin´-los. a se 0 ≤ x ≤ 1, se 1 < x ≤ 4.

Assim, todo extremo global pertence a algum dos trˆs conjuntos abaixo: e {x ∈ A◦ ; f ´ deriv´vel em x e f ′ (x) = 0} = {3}, e a {x ∈ A◦ ; f n˜o ´ deriv´vel em x} = {1}. a e a A \ A◦ = {0, 4},

Segue facilmente (verifique) que f ´ deriv´vel em todo ponto x ∈ A \ {1}. Al´m disto, e a e   2x − 6 se 0 ≤ x < 1, f ′ (x) =  6 − 2x se 1 < x ≤ 4.

Uma simples verifica¸˜o nos d´ f (0) = 5, f (1) = 0, f (3) = 4 e f (4) = 3. Portanto, 0 ´ o ca a e ponto de m´ximo global e 1 ´ o ponto de m´ a e ınimo global de f .

124

CAP´ ITULO 8. DERIVADA

ˆ ´ 4.2. SEQUENCIAS MONOTONAS, LIMITADAS E DE CAUCHY.

57

temos que f (xn ) n∈N ⊂ B \ {y0 }. Al´m disto, da continuidade de f segue que f (xn ) → y0 e e, portanto, y0 ∈ B \ {y0}. Seja (yn )n∈N ⊂ B \ {y0 } convergente para y0 . Vamos mostrar que 1 f −1 (yn ) − f −1 (y0 ) = ′ . n→+∞ yn − y0 f (x0 ) lim

Exemplo 4.9. Sabemos que sequˆncias constantes s˜o convergentes. Considere a sequˆncia e a e (n˜o constante) dada por xn = ⌊1000/n⌋, sendo ⌊x⌋ a fun¸˜o Parte Inteira de x, definida a ca abaixo: ⌊x⌋ = m se m∈Z e m ≤ x < m + 1.

O resultado seguir´ da Proposi¸˜o 140, p.103. a ca Definindo xn = f −1 (yn ) para todo n ∈ N, temos que (xn )n∈N ⊂ A \ {x0 } e, como f −1 ´ e cont´ ınua em y0 , (xn )n∈N converge para x0 . Segue que 1 xn − x0 f −1 (yn ) − f −1 (y0 ) → ′ = yn − y0 f (xn ) − f (x0 ) f (x0 ) quando n → +∞.

´ a E f´cil ver que xn = 0 para todo n > 1000. Ou seja, (xn )n∈N ´ constante a partir do seu e mil´simo-primeiro termo. Conclu´ e ımos que ela ´ convergente. e

TEOREMA 87. Toda sequˆncia convergente ´ limitada. e e Demonstra¸˜o. Seja (xn )n∈N uma sequˆncia convergente para x ∈ R. Tomando ε = 1 na ca e defini¸˜o de sequˆncia convergente, conclu´ ca e ımos que existe N ∈ N tal que se n ≥ N, ent˜o a |xn − x| < 1, i.e., xn ∈ (x − 1, x + 1). Tomando a = min{x1 , . . . , xN , x − 1} e b = max{x1 , . . . , xN , x + 1} temos imediatamente que xn ∈ [a, b] para todo n ∈ N. Portanto (xn )n∈N ´ limitada. e

Exemplo 8.3. No exerc´ 41, p.118 vimos que a fun¸˜o f : [0, +∞) → [0, +∞) dada por ıcio ca f (x) = x2 para todo x ≥ 0 tem inversa cont´ ınua. Como a derivada de f s´ se anula em 0, o a Proposi¸˜o 173 implica que f −1 ´ deriv´vel em f (x) se x > 0, ou seja, f −1 ´ deriv´vel em ca e a e a (0, +∞). Al´m disto, em y = f (x) > 0, a derivada de f −1 ´ dada por e e f −1 (y) =

1 1 1 = = √ . f ′ (x) 2x 2 y

4.2

Sequˆncias mon´tonas, limitadas e de Cauchy. e o

A hip´tese de continuidade de f −1 ´ essencial como mostra o pr´ximo exemplo. o e o Exemplo 8.4. Seja f : [0, 1] ∪ (2, 3] → [0, 2] definida por f (x) = x se x ∈ [0, 1] e f (x) = x − 1, se x ∈ (2, 3]. Temos que f ´ deriv´vel com f ′ (x) = 1 para todo x no e a dom´ de f . Vimos no exerc´ 8, p.114 que f ´ uma bije¸˜o com inversa descont´ ınio ıcio e ca ınua em 1. Portanto, f −1 n˜o ´ deriv´vel em 1. a e a

A rec´ ıproca do Teorema 87 ´ falsa como mostra o Exemplo 4.7. Por´m, existem algumas e e rec´ ıprocas parciais que veremos nesta se¸˜o. Muitos dos resultados aqui apresentados utilizam, ca em sua demonstra¸˜o, a caracteriza¸˜o do supremo vista no exerc´ 16, p.50. ca ca ıcio PROPOSICAO 88. (sequˆncia mon´tona limitada converge) Se (xn )n∈N ´ crescente ¸˜ e o e e limitada superiormente, ent˜o xn → sup{xn ; n ∈ N}. Da mesma forma, se (xn )n∈N ´ a e decrescente e limitada inferiormente, ent˜o xn → inf{xn ; n ∈ N}. a Demonstra¸˜o. Vamos provar apenas a primeira parte da proposi¸˜o j´ que a segunda se ca ca a demonstra de modo an´logo. Seja s = sup{xn ; n ∈ N}. Dado ε > 0, tome N ∈ N tal que a s − ε < xN ≤ s. Logo, para n ≥ N, temos s − ε < xN ≤ xn ≤ s. Conclu´ ımos da´ que ı |xn − s| < ε. TEOREMA 89. (Bolzano1 -Weierstrass2 ) Toda sequˆncia limitada possui subsequˆncia e e convergente. Demonstra¸˜o. Sejam (xn )n∈N uma sequˆncia limitada. Considere o seguinte conjunto: ca e M = {n ∈ N ; xn > xm , ∀m > n}. Existem duas possibilidades: M ´ infinito ou M ´ finito. e e
1 Bernard Placidus Johann Nepomuk Bolzano: ⋆ 05/10/1781, Praga, Rep´blica Tcheca - † 18/12/1848, u Praga, Rep´blica Tcheca. u 2 Karl Theodor Wilhelm Weierstrass: ⋆ 31/10/1815, Ostenfelde, Alemanha - † 19/02/1897, Berlim, Alemanha.

8.2

Extremos locais e o Teorema do Valor M´dio. e

Em paralelo ao conceito de extremo (m´ximo ou m´ a ınimo) global (veja Defini¸˜o 158, ca p.110) existe o conceito de extremo local. DEFINICAO 174. Seja f : A ⊂ R → R. Dizemos que x0 ∈ A ´ um ponto de m´ximo ¸˜ e a local de f se x0 ´ ponto de m´ximo de f na interse¸˜o de A com uma vizinhan¸a de x0 . e a ca c Mutatis mutandis1 define-se ponto de m´ ınimo local e ponto de extremo local. ´ E imediato que todo extremo global ´ extremo local. e Veremos a seguir como a derivada pode ser ´til na determina¸˜o de extremos locais u ca (e a posteriori de extremos globais). O resultado importante neste sentido ´ o Teorema e dos Extremos Locais. Al´m de ser um resultado de uso bastante pr´tico ele tamb´m tem e a e importˆncia te´rica. Por exemplo, usaremos o Teorema dos Extremos Locais para demonstrar a o o Teorema do Valor M´dio. Este ´ltimo ´ um dos teoremas mais fundamentais da An´lise e u e a Real.
1

Express˜o latina que significa “modificando onde tiver que ser modificado” a

Portanto. Seja r : B → R dada por ca   g y − g f (x0 )   − g ′ f (x0 ) y − f (x0 ) r(y) =    0 y→f (x0 ) Uma sequˆncia ´ de Cauchy se seus termos se aproximam uns dos outros.104 e das ca ıcio ca identidades f (x) − f (x0 ) g(x) − g(x0 ) (f g)(x) − (f g)(x0 ) = g(x0 ) + f (x) x − x0 x − x0 x − x0 1 (f /g)(x) − (f /g)(x0) = x − x0 g(x)g(x0 ) e obtemos (iv) e (v). e Demonstra¸˜o. definimos uma subsequˆncia / ca e (xnk )k∈N que ´ crescente e. . Repare que n˜o e e a ´ apenas termos consecutivos mas sim todos eles. e e Reciprocamente. Fa¸amos alguns coment´rios sobre a a a c a rec´ ıproca.108 obtemos que ca ımos a demonstra¸˜o. Se f ´ deriv´vel em x0 ∈ A e g ´ deriv´vel a e a e a em f (x0 ) ∈ B. Pelo Teorema ca e 1 PROPOSICAO 173. . se m. Se f ´ deriv´vel em x0 ∈ A com f ′ (x0 ) = 0 e f −1 ´ cont´ e a e ınua em f (x0 ). e existe n2 > n1 (e portanto n2 ∈ M) tal que xn1 ≤ xn2 . al´m disto. Sendo convergente ela ´ de Cauchy. n1 ∈ M logo. al´m disto. da Proposi¸˜o 148. e somente se. Seja (xn )n∈N uma sequˆncia convergente para o limite x. Um argumento an´logo ao da e a demonstra¸˜o do Teorema 87 mostra que (xn )n∈N ´ limitada (verifique). g(x) − g(x0 ) f (x) − f (x0 ) . Mas de n2 ∈ M segue que existe / / n3 > n2 (e portanto n3 ∈ M) tal que xn2 ≤ xn3 . p. Seja y0 = f (x0 ). isto deve estar relaa e a a cionado ` completeza. existe uma sequˆncia (xn )n∈N ⊂ A \ {x0 } convergente para x0 . p. m ≥ N implica que |xn − xm | < ε. e e e / M ´ finito. Como a defini¸˜o de sequˆncia e e ca e de Cauchy n˜o faz men¸˜o ao limite. mesmo se s´ conhecˆssemos n´meros racionais ainda a ca o e u estar´ ıamos de acordo que (xn )n∈N ´ de Cauchy. Por indu¸˜o. se y = f (x0 ). Ou seja. De fato. espa¸os m´tricos) que c e n˜o sejam corpos ordenados. por exemplo. trivialmente. SEQUENCIAS E SERIES 8. n˜o e a seria poss´ mostrar que toda sequˆncia de Cauchy ´ convergente. que sequˆncias convergentes e e s˜o de Cauchy (este fato ser´ demonstrado a seguir). Como f ´ injetiva e e Augustin Louis Cauchy: ⋆ 21/08/1789. n ≥ N temos a |xn − xm | ≤ |xn − x| + |x − xm | < ε ε + = ε. se e i < j ent˜o ni < nj e. Como f ´ deriv´vel em x0 temos que x0 ∈ A \ {x0 } e. ent˜o a g y − g f (x0 ) = g ′ f (x0 ) y − f (x0 ) + r(y) y − f (x0 ) .73. ent˜o f −1 ´ deriv´vel a e a ′ −1 em f (x0 ) e.1. . Como M ´ finito. por hora. como ni ∈ M. n2 . . Fran¸a. Dado ε > 0. Demonstra¸˜o. c c . Ora. p. Fran¸a . a TEOREMA 91. (regra da cadeia) Sejam f : A ⊂ R → R e g : B ⊂ R → R com ¸˜ f (A) ⊂ B (segue que g ◦ f est´ bem definida). ent˜o |xn − x| < ε/2. DEFINICAO 90. ca e existe N ∈ N tal que se n ≥ N. ca Como f ´ cont´ e ınua em x0 e r ´ cont´ e ınua em f (x0 ). obtemos que xni > xnj . n3 . veja exerc´ 26. existe n1 ∈ N \ M cota superior de M. verdadeira para y = f (x0 ) temos que ela ´ v´lida para ca e e a todo y ∈ B. na equa¸˜o acima e dividindo-a por ca x − x0 . Sendo ela limitada obtemos. se consider´ssemos apenas n´meros racionais. Fazendo y = f (x) com x ∈ A. Se y ∈ B e y = f (x0 ). 2 e u (existe tal sequˆncia?). ca e ca ıcio Vale a pena ver outra demonstra¸˜o pois ideia semelhante surge na demonstra¸˜o do Teorema ca ca de 136. ca e a portanto.58 ˆ ´ CAP´ ITULO 4. obtemos g f (x) − g f (x0 ) f (x) − f (x0 ) f (x) − f (x0 ) = g ′ f (x0 ) + r f (x) .104. utilizando a ideia de bisse¸˜o. Da Proposi¸˜o 141. e Demonstra¸˜o. A vantagem desta constru¸˜o ´ que ela u ca e pode ser empregada para “completar” outros conjuntos (ou melhor. p. Escrevamos M = {n1 . √ Considere uma sequˆncia (xn )n∈N de n´meros racionais convergente para. e e Para uma demonstra¸˜o geom´trica. x − x0 x − x0 x − x0 x→x0 a Proposi¸˜o 141. que ela ´ convergente. convergente (pois ela ´ limitada). x = x0 . Paris. (derivada da inversa) Sejam A. neste caso. E natural acreditar que qualquer sequˆncia e convergente ´ de Cauchy e vice-versa. e e e ela ´ de Cauchy. suponhamos que (xn )n∈N ´ de Cauchy. Conclu´ a ımos que a subsequˆncia e (xnk )k∈N ´ decrescente. ıvel e e J´ que sequˆncias de Cauchy s˜o convergentes em R mas n˜o em Q. (ii) e (iii). 123 M ´ infinito. fazendo x → x0 na equa¸˜o acima e usando ca ca lim r f (x) = 0. podemos usar (ver constru¸˜o de R na p´gina 84) sequˆncias a ca a e de Cauchy de n´meros racionais para construir R. } com n1 < n2 < n3 < . Uma sequˆncia (xn )n∈N ´ dita de Cauchy1 se ¸˜ e e ∀ε > 0. Conclu´ Conclu´ ımos que (xn )n∈N ´ uma sequˆncia de Cauchy. ´ E imediato que lim r(y) = 0 = r f (x0 ) . n˜o ser´ e e a ıamos capazes de u a mostrar a existˆncia do limite. Deixamos como exerc´ (i). g(x0 ) − f (x0 ) x − x0 x − x0 PROPOSICAO 172. (sequˆncias de Cauchy) Uma sequˆncia ´ convergente se.† 23/05/1857. Como a equa¸˜o acima ´. Vamos admitir. B ⊂ R e f : A → B invert´ ¸˜ ıvel. f −1 f (x0 ) = f ′ (x0 ) . . Sceaux. finalmente. ent˜o g ◦ f ´ deriv´vel em x0 e. Assim. DERIVADA E PROPRIEDADES. a e a e (g ◦ f )′ (x0 ) = g ′ f (x0 ) f ′ (x0 ). portanto. ∃N ∈ N tal que n. 2 2 se y = f (x0 ). Por´m. Demonstra¸˜o.

122

CAP´ ITULO 8. DERIVADA

4.3. LIMITES INFINITOS.

59

DEFINICAO 170. Seja f : A → R. Se f ´ deriv´vel em x0 ∈ A, ent˜o a derivada de f ¸˜ e a a em x0 ´ denotada por f ′ (x0 ) e definida por e f ′ (x0 ) = lim f (x) − f (x0 ) . x→x0 x − x0

de Bolzano-Weierstrass, (xn )n∈N tem subsequˆncia (xnk )k∈N convergente para o limite x. e Mostremos que xn → x. Seja ε > 0. Como (xn )n∈N ´ de Cauchy, existe N ∈ N tal que e n, m ≥ N ε implica que |xn − xm | < . 2 (4.1)

Se f ´ deriv´vel em todo ponto do seu dom´ e a ınio, ent˜o dizemos simplesmente que f ´ dea e riv´vel. A fun¸˜o f ′ , definida no conjunto dos pontos onde f ´ deriv´vel, que a cada x a ca e a associa f ′ (x) ´ chamada de derivada de f . e a ca Se f ´ deriv´vel em x0 , ent˜o a reta de equa¸˜o g(x) = f (x0 ) + f ′ (x0 )(x − x0 ) ´ a reta e a e que melhor aproxima o gr´fico de f numa vizinhan¸a de x0 . Tal reta ´ chamada de tangente a c e ao gr´fico de f no ponto x0 . a Exemplo 8.1. Seja f : R → R dada por f (x) = ax + b para todo x ∈ R com a e b constantes. Perguntamos se f ´ deriv´vel num ponto x0 ∈ R e, no caso afirmativo, quanto e a e a vale f ′ (x0 )? Determinar se f ´ deriv´vel em x0 corresponde a determinar se f pode ser bem aproximada por uma fun¸˜o afim numa vizinhan¸a de x0 . Neste exemplo, f j´ ´ afim e ca c ae portanto pode ser muito bem aproximada por ela mesma. Al´m disto, sendo a derivada igual e ao coeficiente do termo em x da aproxima¸˜o, temos imediatamente que f ′ (x0 ) = a qualquer ca que seja x0 ∈ R. Vamos verificar isto rigorosamente a partir da defini¸˜o. Temos ca ax + b − ax0 − b f (x) − f (x0 ) = lim = a. lim x→x0 x→x0 x − x0 x − x0 Segue que f ´ deriv´vel em todo ponto x0 ∈ R com f ′ (x0 ) = a. Em particular, se f ´ e a e constante (a = 0), obtemos que f ′ (x0 ) = 0 para todo x0 ∈ R.

Como xnk → x, existe k ∈ N tal que nk ≥ N e |xnk − x| < ε/2. Da´ e de (4.1) segue ı que, se n ≥ N, ent˜o a |xn − x| ≤ |xn − xnk | + |xnk − x| < ε ε + = ε. 2 2

4.3

Limites infinitos.

Existem sequˆncias divergentes que possuem limite! Isto ´ apenas um jogo de palavras. e e A defini¸˜o seguinte diz que certas sequˆncias tˆm limites que n˜o s˜o n´meros reais. N˜o ca e e a a u a diremos que tais sequˆncias s˜o convergentes. e a DEFINICAO 92. Seja (xn )n∈N uma sequˆncia. Dizemos que xn tende a mais infinito ¸˜ e quando n tende a mais infinito ou que mais infinito ´ limite da sequˆncia e escrevemos e e xn → +∞ ou lim xn = +∞ se,
n→+∞

Exemplo 8.2. Vamos verificar que a fun¸˜o dada por f (x) = xn para todo x ∈ R (n ∈ N) ca ´ deriv´vel em qualquer ponto x0 ∈ R com f ′ (x0 ) = nxn−1 . Temos e a 0 xn − xn 0 n−1 n−2 lim = lim (x + x x0 + · · · + xxn−2 + xn−1 ) = nxn−1 . 0 0 0 x→x0 x − x0 x→x0 Outros exemplos podem ser vistos em qualquer livro de C´lculo I. Vamos admitir conhecia das v´rias fun¸oes e suas derivadas. Em qualquer curso de An´lise o enfoque n˜o deve estar a c˜ a a no c´lculo de derivadas mas sim no estudo rigoroso de suas principais propriedades. a As propriedades operat´rias das derivadas s˜o, em sua maioria, consequˆncias imediatas o a e das propriedades an´logas sobre limites. a PROPOSICAO 171. (propriedades da derivada) Sejam f, g : A ⊂ R → R deriv´veis ¸˜ a em x0 ∈ A e seja c ∈ R. Temos: i. f + g ´ deriv´vel em x0 e (f + g)′(x0 ) = f ′ (x0 ) + g ′ (x0 ); e a ii. cf ´ deriv´vel em x0 e (cf )′ (x0 ) = cf ′ (x0 ); e a iii. f − g ´ deriv´vel em x0 e (f − g)′(x0 ) = f ′ (x0 ) − g ′(x0 ); e a iv. f g ´ deriv´vel em x0 e (f g)′(x0 ) = f ′ (x0 )g(x0 ) + f (x0 )g ′(x0 ); e a v. se g(x0 ) = 0, ent˜o f /g ´ deriv´vel em x0 e a e a f g

∀M ∈ R,

∃N ∈ N tal que n ≥ N

implica que xn > M.

DEFINICAO 93. Seja (xn )n∈N uma sequˆncia. Dizemos que xn tende a menos infinito ¸˜ e quando n tende a mais infinito ou que menos infinito ´ limite da sequˆncia e escrevemos e e xn → −∞ ou lim xn = −∞ se,
n→+∞

∀M ∈ R,

∃N ∈ N tal que n ≥ N

implica que xn < M.

a a Insistimos no fato que se xn → +∞ ou xn → −∞, ent˜o n˜o podemos dizer que a sequˆncia ´ convergente. Uma sequˆncia ´ dita convergente exclusivamente quando satisfaz a e e e e condi¸˜o da Defini¸˜o 83. Al´m disto, se xn → +∞, ent˜o (xn )n∈N ´ ilimitada superiormente ca ca e a e e, portanto, ´ divergente. Da mesma forma, se xn → −∞, ent˜o (xn )n∈N ´ ilimitada e a e inferiormente e, portanto, ´ divergente. e Observa¸˜o 4.1 Com estas conven¸oes sobre uso dos termos “sequˆncia convergente” ca c˜ e e de “limite de sequˆncia” a Proposi¸˜o 85 tamb´m ´ v´lida (obviamente com outra e ca e e a demonstra¸˜o) se substituirmos x por +∞ ou por −∞. ca Como xn > M ´ equivalente a −xn < −M, temos que xn → +∞ se, e somente se, e −xn → −∞. Portanto toda afirma¸˜o sobre limite mais infinito tem uma an´loga para limite ca a menos infinito.

f ′ (x0 )g(x0 ) − f (x0 )g ′(x0 ) . (x0 ) = g(x0 )2

60

ˆ ´ CAP´ ITULO 4. SEQUENCIAS E SERIES

8.1. DERIVADA E PROPRIEDADES.

121

4.4

Opera¸oes com limites. c˜

Temos a seguir algumas propriedades aritm´ticas de limites finitos. e PROPOSICAO 94. (propriedades do limite) Sejam (xn )n∈N e (yn )n∈N convergentes para ¸˜ x e y, respectivamente, e c ∈ R. Temos: i. xn + yn → x + y; ii. xn · yn → x · y; iii. c · xn → cx; iv. se y = 0, ent˜o yn → y −1 . a −1 Demonstra¸˜o. (i) Seja ε > 0. Gra¸as `s convergˆncias de (xn )n∈N e (yn )n∈N , existem N ′ ca c a e e N ′′ tais que, se n ≥ N ′ , ent˜o |xn − x| < ε/2, e se n ≥ N ′′ , ent˜o |yn − y| < ε/2. Seja a a a N = max{N ′ , N ′′ }. Assim, se n ≥ N, ent˜o n ≥ N ′ e n ≥ N ′′ e, da´ ı, |(xn + yn ) − (x + y)| = |(xn − x) + (yn − y)| ≤ |xn − x| + |yn − y| < ε ε + = ε. 2 2

r1 (x) = f (x) − g1 (x) olhando para o extremo direito de cada um dos intervalos, i.e., tomando x = 1 + h. Percebemos que r1 (1 + h) se aproxima de zero, mas comparado com h n˜o ´ t˜o a e a pequeno. De fato, r1 (1 + h)/h tende a 1 quando h → 0. Por outro lado, r2 (1 + h) ´ pequeno e ´ mesmo quando comparado com h j´ que r2 (1 + h)/h tende a zero quando h → 0. E esta a propriedade que formaliza o fato de g2 ser a melhor aproxima¸˜o afim de f numa vizinhan¸a ca c ´ ca de 1. E ela tamb´m que nos indica qual deve ser o coeficiente angular da melhor aproxima¸˜o. e Fazemos a seguinte defini¸˜o. ca DEFINICAO 168. Sejam f : A ⊂ R → R e x0 um ponto de acumula¸˜o de A. Dizemos ¸˜ ca que f ´ deriv´vel em x0 ∈ A se existe a ∈ R tal que e a
x→x0

lim

f (x) − f (x0 ) + a(x − x0 ) = 0, x − x0 f (x) − f (x0 ) + ah = 0. h

(8.1)

Mostramos assim que xn + yn → x + y. (ii) Seja ε > 0. Como (xn )n∈N ´ convergente, ela ´ limitada. Logo, existe C > 0 tal que e e |xn | < C para todo n ∈ N. Seja N ∈ N tal que se n ≥ N, ent˜o |xn − x| < ε e |yn − y| < ε. a Desta forma, para n ≥ N, temos |xn · yn − x · y| ≤ |xn · yn − xn · y| + |xn · y − x · y| = |xn | · |yn − y| + |y| · |xn − x| ≤ C · |yn − y| + |y| · |xn − x| < (C + |y|)ε. Isto mostra que xn · yn converge para x · y. ´ (iii) E consequˆncia do item anterior, tomando yn = c para todo n ∈ N. e (iv) Seja ε > 0 e N ′ ∈ N tal que, se n ≥ N ′ , ent˜o |yn − y| < ε. Temos ainda que a y = 0, consequentemente, existe N ′′ ∈ N tal que, |yn | > |y|/2, i.e., |yn |−1 < 2|y|−1, quando n ≥ N ′′ . Tomando N = max{N ′ , N ′′ }, para todo n ≥ N, temos que |y − yn | 1 2 1 = − < ε. yn y |yn | · |y| |y|2 Isto conclui a demonstra¸˜o. ca Exemplo 4.10. Considere (r n )n∈N uma Progress˜o Geom´trica de raz˜o r. a e a Se |r| < 1, ent˜o multiplicando por |r n | ≥ 0, obtemos 0 ≤ |r n+1 | ≤ |r n |. Logo, a (|r n |)n∈N ´ decrescente, limitada inferiormente e, portanto, convergente para, digamos, l. e Ora, |r n+1| = |r||r n|, ent˜o, passando o limite, obtemos l = |r|l. Como |r| = 1, temos l = 0. a Segue, finalmente, que (r n )n∈N converge para 0 (exerc´ 4(a), p.70). ıcio Se |r| > 1, ent˜o |r| = 1 + h com h > 0. Pela desigualdade de Bernoulli, |r n | = |r|n ≥ a 1 + nh e, portanto, |r n | → +∞. Em particular, (r n )n∈N ´ divergente (exerc´ 4(b), p.70). e ıcio Deixamos para o leitor o estudo dos casos r = 1 e r = −1. Vejamos agora as propriedades “aritm´ticas” de limites infinitos. e

ou, de forma equivalente (troque x − x0 por h),
h→0

lim

A discuss˜o anterior mostra que se f ´ deriv´vel em x0 ent˜o f ´ cont´ a e a a e ınua neste ponto. O leitor que j´ estudou C´lculo I, pode estranhar esta defini¸˜o, pois ela difere daquela a a ca cl´ssica presente na maioria (sen˜o todos) os livros. A proposi¸˜o seguinte resolve esta a a ca confus˜o mostrando que as duas defini¸oes s˜o equivalentes. A escolha pela Defini¸˜o 168 a c˜ a ca se deve ao fato que ela pode ser facilmente generalizada para fun¸oes de mais vari´veis c˜ a (inclusive infinitas!). O autor espera, com isto, suavizar as dificuldades que o leitor possa ter com defini¸˜o de derivabilidade para fun¸oes de duas ou mais vari´veis. Reflita bastante sobre ca c˜ a a Defini¸˜o 168 e a proposi¸˜o seguinte. ca ca PROPOSICAO 169. Uma fun¸˜o f : A → R ´ deriv´vel em x0 , ponto de acumula¸˜o de ¸˜ ca e a ca A, se, e somente se, o limite abaixo existe e ´ finito. e
x→x0

lim

f (x) − f (x0 ) . x − x0

Neste caso, a constante a em (8.1) ´ ´nica e igual ao limite acima. eu Demonstra¸˜o. Observamos que ca f (x) − f (x0 ) + a(x − x0 ) f (x) − f (x0 ) = − a. x − x0 x − x0 Portanto, lim
x→x0

f (x) − f (x0 ) + a(x − x0 ) f (x) − f (x0 ) = 0 ⇐⇒ lim = a. x→x0 x − x0 x − x0

120

CAP´ ITULO 8. DERIVADA

4.5. LIMITE SUPERIOR E LIMITE INFERIOR.

61

escrever a fun¸˜o g na forma g(x) = a(x − x0 ) + b (conven¸a-se que toda fun¸˜o afim pode ca c ca ser escrita desta forma). Como proceder? A resposta depende, ´ claro, do que se entende por “aproximar uma e ca fun¸˜o”. Devemos precisar o que significa g ser a fun¸˜o afim que mais se parece com f na ca ´ vizinhan¸a de um ponto. E natural exigir que a fun¸˜o g satisfa¸a as seguintes condi¸oes: c ca c c˜ i. g(x0 ) = f (x0 ); ii. lim f (x) − g(x) = 0.
x→x0

´ a E f´cil ver que a condi¸˜o (i) ´ equivalente a b = f (x0 ). A condi¸˜o (ii) significa que o ca e ca erro r(x) = f (x) − g(x) cometido ao aproximar f por g no ponto x fica t˜o pequeno quanto a quisermos bastando para isto tomar x suficientemente pr´ximo de x0 . Substituindo g por sua o express˜o em (ii) obtemos a
x→x0

lim f (x) − a(x − x0 ) + f (x0 )

= 0 ⇐⇒ lim f (x) = lim f (x0 ) + a(x − x0 ) = f (x0 ).
x→x0 x→x0

Ou seja, (ii) ´ equivalente ` continuidade de f em x0 . Veja que este resultado (in)felizmente e a n˜o implica nada sobre a constante a. Ser´ que existe algum valor para a que dˆ a melhor a a e aproxima¸˜o? ca Consideremos um exemplo que ser´ esclarecedor. Veja a figura 8.1(a). Ela mostra duas a aproxima¸oes afins para a fun¸˜o f (x) = x2 em trˆs vizinhan¸as de x0 = 1, cada vez menores. c˜ ca e c

Demonstra¸˜o. (i) Seja a ∈ R tal que a ≤ yn para todo n ∈ N. Dado M ∈ R, como ca xn → +∞, existe N ∈ N tal que se n ≥ N, ent˜o xn > M − a. Segue que se n ≥ N, ent˜o a a xn + yn ≥ xn + a > M. Conclu´ ımos que xn + yn → +∞. (ii) Dado M ∈ R, podemos tomar N ∈ N tal que se n ≥ N, ent˜o xn > |M|/c. Desta a forma, se n ≥ N, ent˜o xn · yn ≥ xn · c > |M| ≥ M. Portanto xn · yn → +∞. a ´ (iii) E consequˆncia do item anterior, tomando yn = c para todo n ∈ N. e (iv) Dado ε > 0, tomemos N ∈ N tal que se n ≥ N, ent˜o xn > ε−1 . Segue que se a ımos que x−1 → 0. n ≥ N, ent˜o |x−1 − 0| = x−1 < ε. Conclu´ a n n n

PROPOSICAO 95. (propriedades do limite) Sejam (xn )n∈N e (yn )n∈N duas sequˆncias ¸˜ e e c > 0. Suponhamos que xn → +∞. Temos: i. se (yn )n∈N ´ limitada inferiormente, ent˜o xn + yn → +∞; e a ii. se yn ≥ c para todo n ∈ N, ent˜o xn · yn → +∞; a iii. c · xn → +∞; iv. x−1 → 0. n

4.5
4.5.1

Limite superior e limite inferior.
Defini¸˜o ca

4 r2

2.5 r2

1.3

Nem toda sequˆncia possui limite. Podemos, no entanto, introduzir uma extens˜o do cone a ceito de limite que far´ com que toda sequˆncia possua limite. Existem outras possibilidades a e de extens˜o (ver exerc´ 34, p.74). a ıcio
f g2 r2 r1

3

f g2

r1

2.0

f g2

1.2 r1 1.1 g1

DEFINICAO 96. Dada uma sequˆncia (xn )n∈N , se ela for limitada superiormente, definimos ¸˜ e a sequˆncia Xn = sup{xn , xn+1 , xn+2 , . . .}, que ´ mon´tona decrescente (porque?) e e e o portanto possui limite (pode ser −∞). O limite superior de (xn )n∈N ´ definido por e lim sup xn =
n→+∞

2 g1 1 h 0 0 1 (a) h = 1. 2

1.5

g1 1.0

+∞, lim Xn ,
n→+∞

se (xn )n∈N ´ ilimitada superiormente; e se (xn )n∈N ´ limitada superiormente. e

1.0 h 0.5 0.5 1.0 (b) h = 0, 5.
2

h 0.9 1.5 0.9 1.0 (c) h = 0, 1. 1.1

DEFINICAO 97. Dada uma sequˆncia (xn )n∈N , se ela for limitada inferiormente, definimos ¸˜ e a sequˆncia Xn = inf{xn , xn+1 , xn+2 , . . .}, que ´ mon´tona crescente (porque?) e portanto e e o possui limite (pode ser +∞). O limite inferior de (xn )n∈N ´ definido por e lim inf xn =
n→+∞

Figura 8.1: Aproxima¸oes afins para f (x) = x no intervalo [1 − h, 1 + h]. c˜ Observe que o gr´fico da fun¸˜o f ´ mais parecido com o gr´fico de g2 (x) = 2(x − 1) + 1, a ca e a do que com o de g1 (x) = (x − 1) + 1. Fazendo um zoom (tomando valores menores de h), percebemos que quanto mais perto do ponto (1, 1) olharmos, maior ser´ a semelhan¸a entre a c os gr´ficos de f e g2 . Podemos ter uma ideia dos valores dos erros r2 (x) = f (x) − g2 (x) e a

n→+∞

−∞, lim Xn ,

se (xn )n∈N ´ ilimitada inferiormente; e se (xn )n∈N ´ limitada inferiormente. e

Exemplo 4.11. Considere a sequˆncia (1, 1, 2, 1/2, 3, 1/3, . . . , n, 1/n, . . .). Seu lim inf e ´ 0 e seu lim sup ´ +∞. e e Exemplo 4.12. Considere a sequˆncia (0, 1, −1, 0, 1, −2, 0, 1, −3, . . . , 0, 1, −n, . . .). e Seu lim inf ´ −∞ e seu lim sup ´ 1. e e

4. Ser´ mais conveniente. Por isto.e. Em R estendemos a rela¸˜o de ordem usual em R convencionando que −∞ < ca x < +∞ para todo x ∈ R. Gr´cia. Intuitivamente. Gr´cia . Seu lim inf = e lim sup = −∞. Voltando ao caso de uma fun¸˜o real. S´ quando nos a e o afastamos dele. inf A = −∞. se os limites dos extremos s˜o iguais. Arist´teles precisou recorrer ` imagem da Terra vista o a da Lua para poder perceber que a Terra n˜o era plana. Chalcis. Portanto. As fun¸oes afins (fun¸oes g : R → R da forma ca c˜ c˜ c˜ a a a g(x) = ax + b. para todo ε > 0 existe N > 0 tal que |xn+k −xn | < ε se n > N. lim inf xn = lim sup xn . Determinar g c significa determinar as constantes a e b. o conjunto R mais os pontos ¸˜ no infinito. Logo (xn )n∈N ´ ıcio e Cauchy e.e. xn+k −xn . . −n. . portanto. sup A = +∞ e se −∞ ∈ A. E claro que Xn ≤ xn ≤ Xn .. Denotamos por R = {−∞} ∪ R ∪ {+∞}. . e u i.C.13. Argumento similar vale e para o lim inf. certo? Na verdade.62 ˆ ´ CAP´ ITULO 4. para todo k > 0. . ver exerc´ 7. . e Victor Giraldo: ⋆ 05/01/1969. p.† 322 A. Durante muitos milhares de anos. SEQUENCIAS E SERIES LEMA 98. Vamos provar somente quando (xn )n∈N for limitada (superiormente e infeca riormente). dada por g(x) = ax + b. Como n˜o a a a a encontrou. Ora. . A raz˜o ´ que o planeta era visto de muito perto..1 Derivada e propriedades. Dada uma sequˆncia (xn )n∈N . o limite do meio vai existir e ser´ igual ao dos extremos (conhecido como a a Teorema do Sandu´ ıche. i. Stagirus. Logo a sequˆncia Xn − xn → 0. se +∞ ∈ A. modificando a constante b.5. e ca ıcie Consideremos a Terra. Assim. Tomando o limite nos dois lados da desigualdade Xn ≤ Xn obtemos (i). −3.. queremos encontrar uma fun¸˜o ca ca c afim g que mais se pare¸a com f . e somente se. o plano a e a que mais parece com a Terra n˜o ´ o mesmo que para n´s. ele a far´ aqui1 . Diz-se que que Arist´teles2 reparou isto vendo a sombra da Terra sobre a o Lua durante um eclipse. mas sim v´rios planos. Rio de Janeiro. fun¸oes cujos gr´ficos s˜o retas) s˜o mais simples de serem manipuladas do que outras fun¸oes (cujos gr´ficos s˜o curvas). n→+∞ 119 . Isto nos indica que esta no¸˜o de a e o ca aproxima¸˜o ´ local. Para um habitante de T´quio. ca DEFINICAO 100. O limite superior de (xn )n∈N ´ definido por e lim sup xn = inf A. o sabemos que n˜o ´ um plano. u Note que +∞ ´ sempre quase cota superior e −∞ ´ sempre quase cota inferior. onde maior e menor ´ dada pela e rela¸˜o de ordem acima. De certa forma. Brasil. o e e O limite inferior de (xn )n∈N ´ definido por e lim inf xn = sup B. dada a fun¸˜o f . perto de x0 ). n→+∞ Demonstra¸˜o. p. Como xn ≤ Xn . lim inf xn ≤ lim sup xn . xn+2 −xn . Deixamos para o leitor completar a prova para o caso geral. Considere (xn )n∈N uma sequˆncia de n´meros reais.73 como definir lim inf e lim sup de sequˆncias de conjuntos. plano.2 ⋆ Quase Cota Vamos definir lim inf e lim sup de outra forma. xn+1 −xn . .70). Veja no exerc´ 28. . pode ser c˜ a a u ´til saber se ´ poss´ (e em caso afirmativo. a a DEFINICAO 101. se a Terra parece (ou parecia) a plana significa que existe um plano que se parece muito com a Terra.. Dizemos que r ∈ R ´ quase cota superior de uma sequˆncia (xn )n∈N ¸˜ e e se existe somente um n´mero finito de termos xn com xn ≥ r e quase cota inferior se u existe somente um n´mero finito de termos xn com xn ≤ r. . dependendo do ponto onde nos colocamos percebemos de modo ca e e diferente o objeto simples (reta. p. n→+∞ O autor gostaria muito de ver a discuss˜o que segue nos livros de C´lculo I. a 1 Agrade¸o ao colega Prof.45 para se definir sup e inf de subconjuntos de R: ca menor das cotas superiores ou maior das cotas inferiores. ´ Suponha que lim sup = lim inf. .} < ε se n > N. −2. vemos que na realidade a sua superf´ ´ mais parecida com uma esfera do ıcie e que com um plano. o limite lim xn existe se. Considere a sequˆncia (−1. Victor Giraldo pelas proveitosas discuss˜es sobre o assunto e indico ao leitor c o interessado a referˆncia [Gi]. Dada a fun¸˜o f definida numa vizinhan¸a de x0 ca ca c queremos determinar a fun¸˜o afim g. Vejamos um exemplo que foge um pouco do contexto mas que ´ suficientemente familiar para auxiliar nossa intui¸˜o.C. sendo a e b constantes. Pode-se estender a Defini¸˜o 73. 0 ≤ Xn −xn = sup{0. . DEFINICAO 99. 2 Arist´teles: ⋆ 384 A. etc). n→+∞ n→+∞ n→+∞ n→+∞ Exemplo 4. de que modo) aproximar uma fun¸˜o qualquer e ıvel ca por outra que seja afim. etc) que mais parece com o objeto original (curva. Logo os e e conjuntos de quase cotas superiores e inferiores s˜o sempre n˜o-vazios. . . isto ´. ii. i. pensou-se que a superf´ terrestre era plana. ıcio e Cap´ ıtulo 8 Derivada 8. Portanto lim = lim sup. a Partimos da seguinte observa¸˜o.). . seja A o conjunto de quase cota superiores ¸˜ e e B o conjunto de quase cota inferiores. esfera. Agora suponha que lim existe. que mais se pare¸a com f ca c c e na vizinhan¸a de x0 (lembre-se que esta semelhan¸a ´ local.

37). ⋆ 48. ınua mas n˜o ´ Lipschitz cont´ a e ınua (perto do zero). ıcio Prove que: (a) se f ´ α-H¨lder cont´ e o ınua ent˜o f ´ uniformemente cont´ a e ınua. (b) lim f (x) = +∞. Escrevemos e +∞ xn = lim Sn n=1 n→+∞ Otto Ludwig H¨lder: ⋆ 22/12/1859. neste caso. o limite superior de uma sequˆncia ´ o seu maior valor de aderˆncia e e e generalizado. Prove que f (x) = x ´ Lipschitz cont´ e ınua num intervalo limitado mas n˜o ´ uniformea e mente cont´ ınua em R ([L] p. Desta forma. Isto generaliza o conceito de Lipschitz cont´ ınua (α = 1). +∞). (d) Este conjunto pode ser escrito como 4. . Prove que: e ınua. ıcil) a u ent˜o f ´ cont´ a e ınua. (dif´ Prove que se f satisfaz a conclus˜o do TVI.17). DEFINICAO 102. Dica: Desenhe uma figura. p.6.5. enquanto que o limite inferior ´ seu menor valor de aderˆncia generalizado. LIMITE E CONTINUIDADE ´ 4. Alemanha – † 29/08/1937. 1]. xn e xn ´ o n-´simo termo ou e e (b) f ´ uniformemente cont´ e ınua. e xi = x1 + · · · + xn . n∈N ⋆ Valor de Aderˆncia e Vamos definir lim inf e lim sup de uma terceira forma. Suponha que f ´ cont´ e ınua com f (x) > 0 para todo x e lim f (x) = 0 = lim f (x). dizemos que xn ´ absolutamente convergente se a s´rie e e |xn | ´ convere gente. Dizemos que y ∈ R ´ valor de aderˆncia e e e generalizado de (xn )n∈N se existe subsequˆncia de (xn )n∈N convergente para y. n→+∞ ♯ 40. Seja p uma fun¸˜o polinomial qualquer. (extra) Prove que se f (X) ´ limitado para toda f cont´ e ınua ent˜o X ´ compacto ([L] a e p. o quando o limite acima existe e.27). Stuttgart.118 CAP´ ITULO 7. Dizemos que e e xn ´ convergente ou divergente se (Sn )n∈N ´ convergente ou divergente. +∞) dada por f (x) = xm para todo x ≥ 0. +∞) → [0.6 S´ries. (extra) Dizemos que f : X → R ´ α-H¨lder1 cont´ e o ınua se existem α. ent˜o f ´ uniformemente cont´ a e ınua. =⇒ 46.197 no. e e 4. ele ´ dito limite da s´rie. Considere uma sequˆncia (xn )n∈N . Sejam m ∈ N e f : [0. respectivamente. O limite inferior de (xn )n∈N ´ definido por e lim inf xn = inf A.109 no.4 Fun¸oes cont´ c˜ ınuas em compactos =⇒ 43. Alemanha. M > 0 tais que |f (x) − f (y)| ≤ M|x − y|α para todo x. Prove que existe x0 ∈ R tal que |p(x0 )| ≤ |p(x)| ca para todo x ∈ R ([Sp] p.13). e e a DEFINICAO 103. Dica: Por contradi¸˜o: suponha f descont´ ca ınua. e o a a Dica: (c) #Aε ≤ (f (1) − f (0))/ε. o Teorema de Bolzano-Weierstrass garante que toda sequˆncia c˜ e limitada possui valor de aderˆncia em R. √ a e ınua (perto do zero) mas ´ uniformemente cont´ e ınua (b) f (x) = x n˜o ´ Lipschitz cont´ em [0. Para cada n ∈ N definimos ¸˜ e Sn = i=1 Prove que (a) f ´ limitada.16). +∞) (ou. se a sequˆncia for ilimitada ela e e possuir´ +∞ ou −∞ como valor de aderˆncia. (extra) O objetivo deste exerc´ ´ mais ambicioso do que o do Exerc´ 39 do Cap´ ıcio e ıcio ıtulo 4. 63 (e) se f ´ mon´tona ent˜o (a). Prove que existe x0 ∈ R tal que f (x0 ) ≥ f (x) para todo x ∈ R ([Sp] p. ⋆ 47. O ¸˜ e limite superior de (xn )n∈N ´ definido por e lim sup xn = sup A. y ∈ X. Prove que e ınua e injetiva. Dizemos que x ∈ R ´ valor de aderˆncia de (xn )n∈N se existe sub¸˜ e e sequˆncia de (xn )n∈N convergente para x. n→+∞ → 44. e n DEFINICAO 104. x→+∞ x→−∞ =⇒ 42.109 no.109 no. e assume cada valor uma ´nica vez. Generalize para o caso em que f assume cada valor um n´mero finito de u vezes ([Sp] p. (b) e (d) s˜o verdadeiros. ⋆ 41. Seja A o conjunto dos valores de aderˆncia generalizados de (xn )n∈N . A fun¸˜o f −1 ´ chamada de ca ca √ raiz m-´sima e ´ denotada por f −1 (y) = m y para todo y ∈ [0. e e √ y quando m = 2). toda (a) se f ´ Lipschitz cont´ contra¸˜o ´ uniformemente cont´ ca e ınua. a x→−∞ x→+∞ n Essencialmente. Veja no exerc´ 29.196 no. e Utilizando estas defini¸oes. SERIES. Leipzig. (a) f ´ cont´ x→+∞ e (c) existe e ´ cont´ e ınua a fun¸˜o f −1 : [0. e e Finalmente.3 A1/n .6. +∞) → [0. 7. (b) f (x) = |x| ´ 2 -H¨lder cont´ e 1 o 1 A sequˆncia (Sn )n∈N ´ dita das somas parciais da s´rie e e e termo geral da s´rie.137 porque supomos que α ≤ 1. 45. Por outro lado. o conjunto de valores de a e a aderˆncia generalizados de uma sequˆncia ser´ sempre n˜o-vazio. Seja f : R → R cont´ ınua e suponha que lim f (x) e lim f (x) existem e s˜o finitos. Em particular. simplesmente.

b] tal que ϕ ´ linear em cada subdivis˜o. estamos interessados em crit´rios que e e determinem se uma s´rie ´ convergente ou divergente. Segue que (Sn )n∈N diverge e. ii.91 no. Prove que existe x0 ∈ R que ´ ponto de m´ e ınimo global de p.6. ´ finito. ⋆ 32. Prove que lim f (x) = 0 para todo a ∈ [0.119 no. para ε > 0. (extra) (vers˜o abstrata do exerc´ 17(f). (c · xn ) ´ convergente para c · xn . e somente se. Multiplicando por Sn por r obtemos rSn = r + r 2 + r 3 + · · · + r n−1 + r n = 1 + r + r 2 + r 3 + · · · + r n−1 + r n − 1 = Sn + r n − 1.3 Fun¸oes cont´ c˜ ınuas em conexos =⇒ 36. Uma fun¸˜o ϕ : [a.300 no. 1−r → 33.105) Se M = max(1. (b) lim p(x) = −∞. Dica: Quanto vale f (0) e f (1)? Prove para x ∈ Q e utilize a densidade de Q em R. o ca e a ca e PROPOSICAO 105. suponha que para cada ε > 0 se possa obter g : X → R cont´ ınua tal que |f (x) − g(x)| < ε para todo x ∈ X. n ∈ N temos m m m =⇒ 38. portanto. e → 39. (dif´ Seja f : R → R tal que f (x + y) = f (x) + f (y) para todo x. Dada f : X → R. 2n|a0 |). i. .e.110 no. Prove que existe a ∈ R tal que f (x) = ax ([Fi1] p. (ii) Segue de (i).197 no. +∞ +∞ +∞ Observamos que. ♯ 31.7 e 8): (a) os limites laterais existem em todos os pontos.22) a x→a xn converge se. Dica: Quanto vale f (0) e f (1)? Prove para x ∈ Q e utilize a densidade de Q em R. Prove que f ´ cont´ e ınua ([L] p. b] → R ´ cont´ e a e ınua ent˜o a dado ε > 0 existe ϕ linear por partes tal que |g(x) − ϕ(x)| < ε para todo x ∈ [a. e x→a x→a i=n xi ≤ i=n |xi | = i=n |xi | (d) o conjunto dos pontos de descontinuidade de f ´ enumer´vel (ou finito). +∞ n=1 xn ♯ 30. 1]. com n par. Temos e e Sn = 1 + r + r 2 + · · · + r n−2 + r n−1 . e e TEOREMA 106. encontre uma que assuma exatamente n vezes. Prove que f ´ constante. i=m ii. com n ´ par. e somente se. Assim. neste xn = 1 . → 37.46). Se xn converge. . .2). Dica: a0 ´ menor ou igual ao m´ |x| ≥ M implica que xn /2 ≤ p(x). A demonstra¸˜o ´ trivial: basta aplicar a Proposi¸˜o 94 para as sequˆncias ca ca e ca e das somas parciais de xn e de yn . O resultado segue do Teorema 91. e a . (c) Aε = {a ∈ [0. y ∈ R e f (x) ≥ 0 ıcil) para todo x ≥ 0. ent˜o ´ imediato que Sn = n. com n ´ ımpar. 117 Exemplo 4.14. ent˜o p tem pelo menos duas a ra´ ızes. (dif´ Prove que n˜o existe fun¸˜o cont´ ıcil) a ca ınua em R que assuma cada valor ([Sp] p. n=1 (xn · yn ) = Passamos ao estudo da natureza de s´ries. x→+∞ x→−∞ ∀ε > 0. Seja f : [0. (b) se f satisfaz a conclus˜o do Teorema do valor intermedi´rio (TVI) ent˜o f ´ cont´ a a a e ınua. caso. (i) O crit´rio dado diz simplesmente que a sequˆncia das somas parciais ´ ca e e e de Cauchy. Obs: Note que f (x) = sen(1/x) (defina f (0) = 0) satisfaz a conclus˜o do TVI mas n˜o a a ´ cont´ e ınua. .64 ˆ ´ CAP´ ITULO 4. EXERC´ ICIOS.20): (a) exatamente duas vezes. (propriedades de s´ries) Sejam ¸˜ e gentes e c ∈ R. 1] conjunto finito para a ıcio cada n ∈ N com An ∩ Am = ∅ para n = m. e e Demonstra¸˜o. ♯ 35. (c) n vezes. xn converge se. De e forma geral.115) Seja An ⊂ [0. Temos que i. (iii) Observamos que para todo m. em geral. com n ´ ımpar. Dizemos que as fun¸oes lineares por partes s˜o densas no conjunto das fun¸oes c˜ a c˜ cont´ ınuas. e (d) Encontre uma fun¸˜o cont´ ca ınua que assuma cada valor exatamente trˆs vezes. e ınimo global. Seja p(x) = xn + an−1 xn−1 + · · · + a1 x + a0 . Prove que se g : [a. ent˜o a f ≡ 0 ou f (x) = ax (com a > 0) para todo x ∈ R ([Sp] p. Defina f (x) = 1/n para x ∈ An e f (x) = 0 caso contr´rio. Seja f : R → Q cont´ ınua. 2n|an−1|. lim+ f (x) − lim− f (x) > ε}. Prove que ([Sp] p. Prove que: (a) lim p(x) = +∞. 34. Se r = 1.73 no. b] → R ´ linear por partes se existe subdivis˜o finita do intervalo ca e a [a. SEQUENCIAS E SERIES 7. Sn = (r n − 1)/(r − 1).370 no. p. (xn + yn ) ´ convergente para e xn + yn .197 no. (ver [Sp] p. Portanto.. b] ([L] p. a iii. ([Sp] p.6. 1]. n=1 7. A pr´xima proposi¸˜o ´ uma vers˜o da Proposi¸˜o 94 para s´ries. y ∈ R. (b) zero ou duas vezes. Seja p(x) = xn + an−1 xn−1 + · · · + a1 x + a0 . Toda s´rie absolutamente convergente ´ convergente. e xn e yn duas s´ries convere Demonstra¸˜o. (c) existe x0 ∈ R tal que p(x0 ) = 0. i. Suponhamos r = 1. tomando m = n. |r| < 1 e. ∃N ∈ N tal que n ≥ m ≥ N implica que xi < ε.27). a e diverge. Prove ainda que se p(x0 ) < 0. (dif´ ıcil) Prove que se f ´ cont´ e ınua e f (x + y) = f (x)f (y) para todo x. 1] → R crescente. n n=1 xn · yn .8 e p.44). Considere a S´rie Geom´trica de termo geral xn = r (n−1) . ent˜o xn → 0.

p. ♯ 26. Prove que de forma geral (sem assumir existˆncia de limites) ´ a maior x→ a x→ a diferen¸a entre os n´meros: f (a). (c) pode-se trocar inf por lim na defini¸˜o de oscila¸˜o. todos os crit´rios e e que determinam a natureza de uma s´rie atrav´s de alguma propriedade verificada por todos e e os seus termos continuam v´lidos se a tal propriedade ´ verificada ` partir de algum termo a e a (por exemplo.98 no. a s´rie e e xn converge se. x) = 0 para todo x ∈ A se. Prove que se f e g s˜o fun¸oes continuas tais que f (x) = g(x) para todo x ∈ Q ent˜o a c˜ a f ≡ g. f ´ cont´ e ınua em A. lim sup f (x).16(e) e p. Ora. segue que lim S2n = +∞. se ao aplicarmos algum destes crit´rios a e |xn | concluirmos que ela ´ convergente.24). Conclu´ ımos que a s´rie diverge. ent˜o (−xn ) ´ uma s´rie de e e a e e termos positivos e. 2 em 2. Suponha que os limites laterais em a e existem para uma fun¸˜o f . p. (dif´ Dizemos que f tem uma descontinuidade remov´ em a se o limite lim f (x) ıcil) ıvel x→a Contando o n´mero de vezes que 1/2 aparece.26 ou pela Proposi¸˜o 114. 2006). . Portanto. a condi¸˜o xn → 0 ´ necess´ria para a convergˆncia da ca e a e s´rie e xn por´m ela n˜o ´ suficiente. Da´ u ı. p. (extra) Seja f : R → R cont´ ınua. ca e c u e e lim+ f (x). x→a Prove que: (a) Dado ε > 0 existe um n´mero finito de pontos a ∈ [0. ıcio ♯ 24. w(f . x) ≥ 1/m}. e Eventualmente.387 no. ⋆ 22. Os primeiros e a e termos de uma s´rie nada influem na sua natureza. 2k em 2k termos e estimando por baixo temos que S2n = 1 + 1 1 1 1 1 1 + + + + + 2 3 4 5 6 7 1 1 +4 + · · · + 2n−1 >1+2 4 8 1 1 1 > 1+ + +···+ . lim− f (x). A S´rie Harmˆnica e a e e o 1/n ´ o contraexemplo mais e famoso. e a (b) o conjunto dos pontos onde f ´ descont´ → 25. ou seja. Neste caso basta redefinir a f em a para que ela seja cont´ e ınua neste ponto. a Exemplo 4. para todo A ⊂ R. Por outro lado. (dif´ Use o exerc´ anterior para provar que a cardinalidade do conjunto das fun¸oes ıcil) ıcio c˜ cont´ ınuas f : R → R ´ igual a cardinalidade de R (e portanto estritamente menor que a e cardinalidade do conjunto das fun¸oes).99 no. ıcio ca Vamos tratar agora de alguns crit´rios de convergˆncia para s´ries de termos positivos.69. (extra) Suponha que a ´ ponto interior de A. (Teorema da mudan¸a de vari´veis no limite) c a (a) Prove que lim f (a + x) = lim f (h). p. e somente se. n˜o podemos desprezar nenhum termo de uma s´rie a e convergente quando estamos interessados em determinar o valor do seu limite. se o crit´rio e nada disser. x→0 h→a O item (iii) do teorema anterior est´ intimamente ligado ao fato de R ser completo. fixado p ∈ N a s´rie e xn ´ e convergente se. a convergˆncia de e |xn | implica a de xn . e (b) o conjunto dos pontos de descontinuidade de uma fun¸˜o ´ a uni˜o enumer´vel de ca e a a fechados. SERIES. nada poderemos e afirmar sobre a convergˆncia da s´rie e e xn . Seja f definida em [0. al´m disto. a) ´ a maior diferen¸a entre os n´meros: f (a). c u x→ a x→ a ♯ 23.25). ⋆ 29. Prove que f ´ e cont´ ınua em zero se. b]. (c) uma fun¸˜o real n˜o pode ser descont´ ca a ınua somente nos irracionais (mas pode ser descont´ ınua somente nos racionais: vide exerc´ 17(f).15. a ¸˜ e e sequˆncia de suas somas parciais ´ limitada superiormente. y ∈ R. a x→k e ınua ´ enumer´vel. e somente se. por (i).80 ou e ıcio ıcio pelo exerc´ 3(f). f (A) for aberto ent˜o f ´ a e injetiva e portanto mon´tona ([L] p. De fato. se xn ´ uma s´rie de termos negativos. ent˜o. . Conclua que basta conhecer uma fun¸˜o cont´ ca ınua nos racionais para determinar seu valor em todos os pontos. e somente se. . (extra) Seja f : R → R cont´ ınua tal que f (x + y) = f (x) + f (y) para todo x. concluiremos que e xn converge. (dif´ Seja Dm = {x ∈ [a. a s´rie e xn+p ´ convergente. o 28. 2 2 2 +···+ 1 2n + 1 2n 1 1 +···+ n 2n−1 2 −1 + 1 2n (b) Generalize (a): Seja g uma fun¸˜o cont´ ca ınua em a. c˜ ⋆ 27. existiria um ponto limite k ∈ [0. Ent˜o lim f (g(x)) = lim f (h) a x→a h→g(a) caso os limites existam. a s´rie e xn+2006 converge. existem s´ries que s˜o a e e a convergentes mas n˜o absolutamente convergentes. De fato. . como toda s´rie absolutamente para a s´rie e e a e convergente ´ convergente. De fato. obtemos que S2n ≥ 1 + (n − 1)/2. 1] tal que o limite lim f (x) existe para todo a ∈ [0. u x→a resultado (utilizando outras t´cnicas) pelo exerc´ 43. Por outro lado. p.1). a Devemos ressaltar ainda que a sua rec´ ıproca n˜o ´ verdadeira. . Se. O objetivo deste exerc´ ´ investigar se existe uma fun¸˜o que ´ descont´ ıcio e ca e ınua em todos os pontos mas que possui somente descontinuidades remov´ ıveis ([Sp] p. e somente se. agrupando de 1 em 1.7).115). Veremos um exemplo posteriormente. 65 (a) se f ´ cont´ e ınua em A ent˜o ∀ε > 0 ∃δ > 0 tal que diam (f (Bδ (x0 ) ∩ A)) ≤ ε. 73 no.6. j´ mencionado no caso de sequˆncias.196 no. e somente se. compacto). a segunda converge. ca ca + δ→0 21. e e Dica: Se fosse infinito. y ∈ R. PROPOSICAO 107. todos os crit´rios aqui expostos podem ser adaptados para s´ries de termos e e negativos. Prove que existe a ∈ R tal que f (x) = ax ([Fi1] p. Observamos tamb´m o seguinte fato. a (b) w(f . Desta forma. Uma s´rie de termos positivos ´ convergente se. 4 em 4. f ´ cont´ e ınua em R ([Sp] p. LIMITE E CONTINUIDADE ´ 4. Prove que: ıcil) (a) Dm ´ fechado (e limitado. De maneira geral. 1] com | lim f (x) − f (a)| > ε. 1] tal que lim f (x) n˜o existiria. e portanto. e e e Claramente. 1]. em geral. lim inf f (x). Seja f : R → R tal que f (x + y) = f (x) + f (y) para todo x. a primeira converge se. podemos usar tamb´m crit´rios sobre s´ries de termos positivos para uma e e e s´rie e xn que tenha termos de sinais vari´veis. Podemos obter o mesmo e n→+∞ existe mas ´ diferente de f (a). Pelo item (ii). Prove que w(f .31 ou pelo exerc´ 68. ou mesmo se ele nos informar que |xn | ´ divergente. e somente se.116 CAP´ ITULO 7.

. Seja (Sn )n∈N a sequˆncia das e o e e somas parciais. temos imediatamente que (Sn )n∈N ´ e e crescente. c] por h(x) = f (x) para x ∈ [a. (a) Prove que se f ´ cont´ e ınua em A. ou de d’Alembert1 ) Seja (xn )n∈N uma sequˆncia de a e n´meros estritamente positivos. ela ´ limitada superiormente (ver e e proposi¸oes 87 e 88) c˜ TEOREMA 108. . SEQUENCIAS E SERIES 7. (Crit´rio da Compara¸˜o) Sejam (xn )n∈N e (yn )n∈N tais que 0 ≤ xn ≤ e ca yn para todo n ∈ N. =⇒ 13. 4 .66 ˆ ´ CAP´ ITULO 4. =⇒ 11.6. 2 em 2. e Jean Le Rond d’Alembert: ⋆ 17/11/1717. a n→+∞ → 9. ent˜o (Sn )n∈N tamb´m ´. (b) f = IQ . .70 no. ent˜o ela diverge pois neste caso lim xn = 0. ent˜o (Tn )n∈N tamb´m ´. a (g) f (x) igual ao primeiro algarismo da expans˜o decimal de x ([Sp] p. Dˆ um exemplo onde f (A) n˜o ´ um e a e 14. g) ´ cont´ e ınua. Segue e e a que (Sn )n∈N ´ limitada superiormente e portanto e 1/np ´ convergente. a S´rie Geom´trica de raz˜o 21−p converge. necessariamente. 2 . i. 2 . c]. a 19. respectivamente. ent˜o f|A ´ cont´ a e ınua. i=1 Como p > 1 temos 21−p < 1 e.. Prove que f : A → R ´ cont´ e ınua sse ∀ε > 0.6): 1 1 1 1 1 (b) 0. Se xn diverge. . portanto. c c → 20. A rec´ ıproca ´ verdadeira? Ou e seja. b) = (a + b + |a − b|)/2. de: ca (a) f (x) = x/|x| para x = 0 e f (0) = 0. a 15. ca ca xn ´ convergente se. Prove que se f e g s˜o cont´ a ınuas ent˜o: a (a) h = max(f. e Finalmente. . 4 em 4. Fran¸a. Paris. . (d) diam(|X|) ≤ diam(X) onde |X| = {|x|. E claro que se p ≤ 0. Agrupando de 1 em 1. =⇒ 17. Se lim xn+1 /xn > 1. ıvel Dica: esboce o gr´fico para q = 2.70 no. (e) Determine diam(Q∁ ∩ [0. (b) Encontre um exemplo onde f|A ´ cont´ e ınua mas f ´ n˜o ´ cont´ e a e ınua em A. Por outro lado.16. → 12. . u i. a sequˆncia de suas e e somas parciais (Sn )n∈N ´ convergente. EXERC´ ICIOS. Fran¸a . ∃δ > 0 tal que f (Bδ (x0 )∩A) ⊂ Bε (f (x0 )). . ent˜o a yn diverge. a (f) f : R → R definida por f (x) = 0 se x ∈ R − Q. Considere a seguinte defini¸˜o: f ´ cont´ ca e ınua em A se f ´ cont´ e ınua em todos os elementos de A. ent˜o a n→+∞ 1 xn ´ divergente. Vamos utilizar t´cnica similar a utilizada no e estudo da s´rie harmˆnica para mostrar que a s´rie converge. e n→+∞ ii.17). Assim. (b) l = max(f1 .98 no. fn ) ´ cont´ e ınua. . Portanto. se (Sn )n∈N ´ ilimitada superiormente. Se lim xn+1 /xn < 1. (d) f (x) = sen(1/x) para x = 0 e f (0) = 0. . 1]) e diam(Bε (x)). . a (b) f (x) igual ao n´mero de 7’s da expans˜o decimal de x se este n´mero ´ finito e zero u a u e caso contr´rio. Sejam (Sn )n∈N e (Tn )n∈N as sequˆncias de somas parciais de ca e xn e yn . 1. mas cont´ ınua em todos os outros ([Sp] p. Prove que: (a) se X ⊂ Y ent˜o diam(X) ≤ diam(Y ). Encontre uma fun¸˜o f que seja descont´ ca ınua nos seguintes pontos. (c) f (x) = xIQ (x). (c) diam(X) = diam(X). Prove que F (A. e somente se. Logo. c] ([Sp] p. . aberto em aberto. 3 . Seja A um conjunto discreto (i. . (colando fun¸oes cont´ c˜ ınuas) Suponha que f ´ cont´ e ınua em [a. Determine w(f . (a) 1.e. Demonstra¸˜o. x ∈ X}. Vamos estudar a natureza da s´rie e 1/np segundo os valores de p. 4 .e. ii. consideremos o caso p > 1. x) (oscila¸˜o de f ) e os pontos de descontinuidade. . a a a (h) f (x) = 0 se 1 n˜o aparece na expans˜o decimal de x e f (x) = n se 1 aparece na n-´sima posi¸˜o([Sp] p. Se yn converge. Prove que h ´ cont´ e ınua em [a. Prove que: . . Conclua que fun¸˜o cont´ ca ınua n˜o leva. . Como xn ≥ 0. ent˜o a xn converge. e TEOREMA 109. 2k em 2k termos e estimando por cima obtemos que 1 1 1 Sn = 1 + p + p + · · · + p 2 3 n 1 1 1 1 ≤ 1+ p + p +···+ p +···+ n 2 3 n (2 − 1)p 1 1 1 1 1 1 + +···+ + + + + =1+ 2p 3p 4p 5p 6p 7p ≤1+ 2 4 2n−1 + + · · · + n−1 p = 2p 4p (2 ) n 1 1 +···+ n (2n−1 )p (2 − 1)p (21−p )(i−1) . b] e g ´ continua em [b. e ca 18. Por defini¸˜o. i. (e) f (x) = sen(x)/| sen(x)| para sen(x) = 0. por compara¸˜o ca com a S´rie Harmˆnica.17). a (b) diam(X) = sup(X) − inf(X). Prove que se f : A → R ´ cont´ e ınua. b] e h(x) = g(x) para x ∈ (b. (Teste da Raz˜o. ent˜o a xn ´ convergente. f = IQ .70 no. podemos afirmar que se |f | ´ cont´ e ınua. que toda fun¸˜o de A em R ´ cont´ ca e ınua. se (Tn )n∈N e a e e ´ limitada superiormente.14). ent˜o f ´ cont´ a e ınua? ⋆ 10. R) = a C(A. f (x) = 0 caso contr´rio. 115 Demonstra¸˜o. 3. Esboce o gr´fico e determine os pontos de descontinuidade de ([Sp] p.. Dica: A = Q. Dica: max(a. Paris. 3 =⇒ 16. De xn ≤ yn segue imediatamente que Sn ≤ Tn para todo n ∈ N.. . Conclu´ e a e e ımos gra¸as ` Proposi¸˜o 107.† 29/10/1783. (extra) Sejam f : R → R e A ⊂ R.17): a (a) f (x) igual ao segundo algarismo da expans˜o decimal de x. ınua e A um conjunto aberto. R). Temos 1/n ≤ 1/np para todo n ∈ N. e somente se. ent˜o |f | ´ cont´ a e ınua. c] e com f (b) = g(b). Defina h em [a. todos seus pontos s˜o isolados). f (p/q) = 1/q se p/q ´ fra¸˜o e ca irredut´ com q > 0 e f (0) = 0. (Sn )n∈N ´ convergente se. Suponhamos 0 ≤ p ≤ 1. c a ca ´ Exemplo 4. 1 . conclu´ e o ımos que a s´rie diverge. Seja f : R → R cont´ conjunto aberto.98 no.

n→+∞ (n + 1)! n→+∞ n + 1 1/n! → 4. ca → 8. p. xn < r n−N xN . ent˜o lim g(x) = k.5. Paris. dado x ∈ R.2 Fun¸oes cont´ c˜ ınuas =⇒ 5. Temos ıcio ent˜o a xN +1 < rxN . 1) x ∈ [2. Sejam f. Nos exerc´ ıcios abaixo. Para outra prova ver exerc´ 19. 3]. a a As outras trˆs s˜o 0. Seja f cont´ ınua definida em [a. Prove que se f (x) ≤ g(x) ≤ h(x) a para todo x ∈ A e lim f (x) = lim h(x) = k. Conclua que f −1 ´ descont´ e ınua em 1. 3] → [0. Suponhamos por absurdo. O n´mero e ´ irracional. g. mostra-se que xn /n! ´ (absolutamente) convergente e. Bem menos conhecida ´ e a u a e a constante γ (gamma) de Euler (ver exerc´ 23. O resultado do ca n→+∞ 7. Suponhamos por absurdo que e ∈ Q. 2]. LIMITE E CONTINUIDADE ´ 4. Portanto. e =⇒ 6. e e Exemplo 4. (a) Prove que f ´ uma bije¸˜o cont´ e ca ınua cuja a inversa ´ descont´ e ınua em todos os pontos menos no zero ([L] p. p = q +∞ n=0 1 . h : R → R cont´ ınua. +∞). Multiplicando por q! e rearranjando obtemos n! q Charles Emile Picard: ⋆ 24/07/1856. xN +2 < rxN +1 < r 2 xN . portanto. a x → 2. Temos |b − a| = |f (b) − f (a)| ≤ α|b − a| < |b − a|. Limite de fun¸oes c˜ x→0 1 n˜o existe. ∞ 7. SERIES. (b) lim x⌊1/x⌋. n˜o e e e e a converge para zero. h : A → R. n! n=q+1 n! +∞ . c c p(q − 1)! − n=0 q! q! = .70 conclu´ ıcio ımos que existe N ∈ N tal que xn+1 /xn ≥ 1 para todo n ≥ N. e e ca (ii) Usando o resultado do exerc´ 6(b). Conclua que C = {x ∈ R . Esta s´rie ser´ revista na ıcio e a Se¸˜o 10. O resultado segue do Crit´rio de Compara¸˜o. e i (a ´ltima aparece na An´lise Complexa).73). b). dˆ as defini¸oes rigorosas de lim f (x) = k e lim f (x) = +∞. A s´rie e n→+∞ Demonstra¸˜o. . Como yn ´ uma S´rie Geom´trica de raz˜o e e e a r ∈ (0. +∞) por f (x) = x2 . x→+∞ x→0 lim Analogamente. Fran¸a . Prove que existe h cont´ ınua com dom´ igual a R ınio que seja uma extens˜o de f (caso particular do (Teorema de extens˜o de Tietze). Defina f : T − ∪ A+ → [0. p. p.† 11/12/1941. Prove que Z = {x ∈ R . 1) ∪ [2.6 7.17. p. (Teorema do Sandu´ ıche) Sejam f.6. e = ¸˜ n=0 1 . para todo n ≥ N. Ent˜o. 1) ou f (x) = x − 1 se e ca ınua com inversa dada por f −1 (y) = y se y ∈ [0. 1). e e ıcio TEOREMA 111. e c˜ ca exerc´ 6(a). Segue que a sequˆncia dos termos gerais da s´rie ´ crescente a partir do N-´simo termo e. De maneira geral. b] por (a. u e a Demonstra¸˜o. ⌊x⌋ denota a parte inteira de x ∈ R (veja a Defini¸˜o 86).