MINISTÉRIO DA SAÚDE

SAÚDE DA CRIANÇA: Nutrição Infantil
Aleitamento Materno e Alimentação Complementar

Caderno de Atenção Básica, nº 23

Brasília – DF 2009

MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria de Atenção à Saúde Departamento de Atenção Básica

SAÚDE DA CRIANÇA: Nutrição Infantil
Aleitamento Materno e Alimentação Complementar

Série A. Normas e Manuais Técnicos Cadernos de Atenção Básica – n.º 23

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Brasília – DF 2009

saude.6º andar. I. desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. – Brasília : Editora do Ministério da Saúde.Saúde Integral da Criança. lotes 540/610 Tels. Normas e Manuais Técnicos Cadernos de Atenção Básica. Título. na Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde: http://www. 4. É permitida a reprodução total ou parcial ou total desta obra. n. 23 Tiragem: 1. Departamento de Atenção Básica. Série.br Documentação e Informação CEP: 71200-040. Aleitamento Materno. sala 605 CEP: 70058-900 – Brasília – DF Fone: (61)3315-2850 Supervisão Geral: Claunara Schilling Mendonça Coordenação Técnica: Ana Beatriz Pinto de Almeida Vasconcellos Nulvio Lermen Junior Elaboração Técnica: Antonio Garcia Reis Junior Elsa Regina Justo Giugliani Gisele Ane Bortolini Ficha Catalográfica Brasil.br Série A.gov.© 2009 Ministério da Saúde Todos os direitos reservados.95 Catalogação na fonte – Coordenação-Geral de Documentação e Informação – Editora MS – OS 2009/ 0092 Em inglês: Child Health: Infant nutrition: breastfeeding and complementary feeding Em espanhol: Salud en la Niñez: nutrición del lactante: lactancia materna y alimentación complementaria Colaboradores: Helen Altoé Duar Janaína Rodrigues Cardoso Lílian Cordova do Espírito Santo Lilian Mara Consolin Poli de Castro Lylian Dalete Soares de Araújo Patrícia Chaves Gentil Sérgio Roberto Barbosa de Jesus Revisão Técnica: Armando Henrique Norman Elisabeth Susana Wartchow Fotos: Créditos cedidos ao Departamento de Atenção Básica EDITORA MS SIA.gov. Saúde da criança: nutrição infantil: aleitamento materno e alimentação complementar / Ministério da Saúde.ª edição – 2009 – 35. distribuição e informações: MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria de Atenção à Saúde Departamento de Atenção Básica Esplanada dos Ministérios. Bloco G.saude. 6º andar.br/editora Normalização: Valéria Gameleira da Mota Revisão: Eric Alves e Mara Pamplona Capa e Diagramação: Renato Barbosa . – (Série A.br/dab Departamento de Ações Programáticas Estratégicas Esplanada dos Ministérios. 23) ISBN 978-85-334-1561-4 1. II. 2.: (61) 3233-1774/2020 E-mail: editora. : il.saude. n. 112 p.gov. 2009. Ministério da Saúde. na íntegra. Normas e Manuais Técnicos) (Cadernos de Atenção Básica. Alimentação Complementar Adequada e Oportuna. trecho 4. sala 655 CEP: 70058-900 – Brasília – DF Fone: (61)3315-2497 Fone: (61)3315-2850 Home page: http://www. Departamento de Atenção Básica. Secretaria de Atenção à Saúde. A coleção institucional do Ministério da Saúde pode ser acessada. 3. CDU 613. A responsabilidade pelos direitos autorais de textos e imagens desta obra é da área técnica.000 exemplares Elaboração. Bloco G. Brasília – DF Fax: (61) 3233-9558 http://www.gov. Secretaria de Atenção à Saúde. Atenção Básica.ms@saude.

...............................................................................................................................................3 Duração da Amamentação...17 1.............................................................9 Melhor desenvolvimento da cavidade bucal .............21 1.....4......15 1..............................................10 Proteção contra câncer de mama ..............................................................37 1..............................................................................................14 1..............5 Produção do Leite Materno..37 1.............1 Bebê que não suga ou tem sucção fraca ......................................9 Prevenção e Manejo dos Principais Problemas Relacionados à Amamentação ................................38 .....11 Evita nova gravidez ..9......................................................................1 Pré-natal ............................................................17 1..............................................................................26 1.....................4......................8 Aconselhamento em Amamentação nos Diferentes Momentos..........6 Reduz a chance de obesidade .........3 Evita infecção respiratória ..................14 1................4............................8.................................8 Efeito positivo na inteligência ...........................13 1..............................................1 Introdução .2 Início da amamentação .......17 1..........4...................29 1...... colesterol alto e diabetes............8.........................12 Menores custos financeiros..................13 Promoção do vínculo afetivo entre mãe e filho ......................18 1..........14 Melhor qualidade de vida .............................16 1...20 1.......................11 1.....4 Diminui o risco de alergias ..........16 1.....2 Tipos de Aleitamento Materno ...............................................................................................................................4.....................15 1....................15 1.....4......9 1 ALEITAMENTO MATERNO ...............................................SUMÁRIO APRESENTAÇÃO ...........................................................5 Diminui o risco de hipertensão.....7 Melhor nutrição .......12 1..9.................................................2 Demora na “descida do leite” ...........11 1........................................................4 Importância do Aleitamento Materno ..........7 Técnica de Amamentação ........................................................17 1................................18 1.......1 Evita mortes infantis ......6 Características e Funções do Leite Materno ...13 1............4.............................4.......4..........12 1.....28 1.....4...2 Evita diarréia ..................4.....4....................4..4.18 1.........

...72 2...............................................................................6 Candidíase (monilíase)..........42 1.....9...11 Galactocele ........8 Bloqueio de ductos lactíferos ..............38 1...............51 1....................75 .....43 1................................9...44 1..........10......2 Problemas Nutricionais mais Prevalentes na Infância ................................................................72 2.......9..............................48 1..............................5 Refluxo gastroesofágico .........................10..............6 Mãe com necessidades especiais ............................39 1.............4............................48 1...............3 Mamilos planos ou invertidos ....................................40 1...............................4 Ingurgitamento mamário..1.....................................12 Apoio dos Serviços de Saúde à Amamentação .................55 1.....................9..........................13..9..1 Nova gravidez ........................................7 Fenômeno de Raynaud .....................................62 1....10..........................12 Reflexo anormal de ejeção do leite .....60 1...........10.........4..........................4 Alimentação Complementar Saudável .48 1...........66 2............5 Dor nos mamilos/mamilos machucados ......50 1.............................54 1...............................9...............3 Formação dos Hábitos Alimentares ..............11 Situações em que há Restrições ao Aleitamento Materno......10 Abscesso mamário..............................69 2.....2 Como orientar para que a criança receba alimentação complementar saudável ...........................................................56 1........44 1.....9..63 2 ALIMENTAÇÃO COMPLEMENTAR PARA CRIANÇAS MENORES DE DOIS ANOS ..........1 Os atributos da alimentação saudável .............2 Gemelaridade.....10...................13 Pouco leite ...........1 Importância ................67 2................9...........................13 A Importância da Família e da Comunidade no Processo da Amamentação .............................................9 Mastite .....59 1....................................................................................................................10 Como Manejar o Aleitamento Materno em Situações Especiais? ...................55 1...........9........1 Quais os instrumentos de proteção do aleitamento materno no Brasil? .........................................50 1............................9.................................................................56 1.......4 Crianças portadoras de distúrbios neurológicos ........................66 2.............................................................................................46 1..............................3 Crianças com más formações orofaciais ...14 Ajuda à Dupla Mãe/Bebê no Processo do Desmame.....................10....................9.......................................................................................

..89 2...............1 Programa Nacional de Suplementação de Ferro (PNSF) ..................90 2..................6 Ações do Serviço de Saúde que Podem Fortalecer a Alimentação Complementar................93 2............3 Informações sobre outros micronutrientes ..........................10 Dez Passos para uma Alimentação Saudável: Guia Alimentar para Crianças Menores de dois anos .85 2....8 Orientações Importantes de Acordo com a Idade da Criança ...................................92 2...................................................... 108 ANEXO B – Marcadores Dietéticos para Avaliação do Consumo Alimentar ...................................................... 108 ANEXO A – Receitas de Papas para Crianças ................................................................................................................................................87 2......................................6......90 2.........................7 Alimentação para Crianças não Amamentadas .............................................................................................................5 Alimentos Processados ..........6.6.....2 Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A.94 REFERÊNCIAS .........................2.........................................87 2.........97 ANEXOS ....................... 110 .............9 Indicadores para Avaliar as Práticas Alimentares nos Dois Primeiros Anos de Vida ...

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numa perspectiva de abordagem integral e humanizada. vem se consolidando como um dos eixos estruturantes do Sistema Único de Saúde (SUS). Se a manutenção do aleitamento materno é vital.APRESENTAÇÃO A infância é um período em que se desenvolve grande parte das potencialidades humanas. afeto. Recentemente. em época oportuna e de forma adequada. Segundo dados do Unicef. reconheceu a Estratégia Saúde da Família como uma das principais políticas adotadas pelo País responsável pela redução da mortalidade infantil nos últimos anos. desde a sua criação. Porém. econômica e eficaz intervenção para redução da morbimortalidade infantil. o Pacto pela Redução da Mortalidade Materna e Neonatal. O Brasil apresentou expressiva evolução na redução da mortalidade na infância entre 1990 e 2006. Nos últimos 30 anos. 9 CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA . para a promoção da alimentação saudável em consonância com os direitos humanos fundamentais e para a prevenção de distúrbios nutricionais de grande impacto em Saúde Pública. mas houve pouco e incipiente estímulo para estabelecer essas ações no âmbito da Atenção Básica. Permite ainda um grandioso impacto na promoção da saúde integral da dupla mãe/bebê e regozijo de toda a sociedade. no ano de 1993. o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking de países capazes de atingir a meta de redução da mortalidade infantil em dois terços. por meio de um movimento de expressiva expansão de cobertura populacional. da Organização Mundial da Saúde. a implementação das ações de proteção e promoção do aleitamento materno e da adequada alimentação complementar depende de esforços coletivos intersetoriais e constitui enorme desafio para o sistema de saúde. o Pacto pela Vida e a Política Nacional de Atenção Básica vieram para contribuir como instrumentos para o fortalecimento da Saúde da Família no âmbito do SUS. as políticas nacionais de apoio ao aleitamento materno se basearam eminentemente na perspectiva hospitalar ou no apoio legal. Os distúrbios que incidem nessa época são responsáveis por graves consequências para indivíduos e comunidades. aceitos atualmente. a introdução de alimentos seguros. a Estratégia Saúde da Família. o Unicef. em sua publicação “Situação Mundial da Infância 2008 – Sobrevivência Infantil”. o que permite prever o cumprimento da meta muito antes do pactuado. Na área da Atenção Básica à Saúde. Dentro desse processo. O aleitamento materno é a mais sábia estratégia natural de vínculo. proteção e nutrição para a criança e constitui a mais sensível. a Política Nacional de Alimentação e Nutrição encerra uma lacuna de informação e amparo legal entre hábitos considerados inadequados até então e corrobora para a concepção de novos padrões. acessíveis e culturalmente aceitos na dieta da criança. é de notória importância para o desenvolvimento sustentável e eqüitativo de uma nação. aprimorando em muito o acesso da população às ações de saúde. de acordo com os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Da mesma forma.

Coincide com novas estratégias de abordagem do aleitamento materno e alimentação complementar num contexto de redes de atenção a partir da Atenção Básica. Ministério da Saúde CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA . visa a potencializar ações de promoção da alimentação saudável e de apoio ao aleitamento materno.10 Este Caderno faz parte de um trabalho que o Ministério da Saúde vem desenvolvendo no sentido de sensibilizar e dar subsídio aos profissionais da Atenção Básica. Dessa forma. numa linha de cuidado integral à Saúde da Criança.

a rede social de apoio à mulher. sempre levando em consideração os aspectos emocionais. estão bastante aquém do recomendado. as taxas de aleitamento materno no Brasil. pois. (CASTRO. valorizando-a. O profissional precisa estar preparado para prestar uma assistência eficaz. As mães que estão amamentando querem suporte ativo (inclusive o emocional). dificuldades e inseguranças. 11 CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA . Esse olhar necessariamente deve reconhecer a mulher como protagonista do seu processo de amamentar. cuidar tanto da dupla mãe/bebê como de sua família. para se sentirem confiantes. É um processo que envolve interação profunda entre mãe e filho. que respeite o saber e a história de vida de cada mulher e que a ajude a superar medos. 2006) Apesar de a maioria dos profissionais de saúde considerar-se favorável ao aleitamento materno. bem como informações precisas. cabe ao profissional de saúde identificar e compreender o processo do aleitamento materno no contexto sociocultural e familiar e. precisam ou esperam dele.1 ALEITAMENTO MATERNO 1.1 INTRODUÇÃO Amamentar é muito mais do que nutrir a criança. mas o suporte oferecido pelos profissionais costuma ser mais passivo. ele precisa entender que tipo de apoio. reativo. além de ter implicações na saúde física e psíquica da mãe. o seu trabalho de promoção e apoio ao aleitamento materno não será bem sucedido se ele não tiver um olhar atento. É necessário que busque formas de interagir com a população para informá-la sobre a importância de adotar uma prática saudável de aleitamento materno. a cultura familiar. por mais competente que ele seja nos aspectos técnicos relacionados à lactação. muitas mulheres se mostram insatisfeitas com o tipo de apoio recebido. abrangente. ARAÚJO. em sua fisiologia e no seu desenvolvimento cognitivo e emocional. Se o profissional de saúde realmente quer apoiar o aleitamento materno. entre outros . Apesar de todas as evidências científicas provando a superioridade da amamentação sobre outras formas de alimentar a criança pequena. a partir dessa compreensão. integral e contextualizada. com repercussões no estado nutricional da criança. solidária. e o profissional de saúde tem um papel fundamental na reversão desse quadro. informação e interação as mães desejam. Mas para isso ele precisa estar preparado. Portanto. Isso pode ser devido às discrepâncias entre percepções do que é apoio na amamentação. escutando-a e empoderando-a. e apesar dos esforços de diversos organismos nacionais e internacionais. em especial as de amamentação exclusiva. em sua habilidade de se defender de infecções.

Aleitamento materno complementado – quando a criança recebe. considerando a possibilidade do uso de fluidos rituais com finalidade de cura dentro de um contexto intercultural e valorizando as diversas práticas integrativas e complementares. desde que utilizados em volumes reduzidos. água ou bebidas à base de água (água adocicada. mas este não é considerado alimento complementar.12 1. suplementos minerais ou medicamentos. 2007a). infusões). apóia a inclusão de fluidos rituais na definição de aleitamento materno exclusivo. outro tipo de leite. de dois a três anos. Aleitamento materno misto ou parcial – quando a criança recebe leite materno e outros tipos de leite. líquidos ou misturas utilizadas em ritos místicos ou religiosos) como exceção possível inserida na definição de aleitamento materno exclusivo. Embora a OMS não reconheça os fluidos rituais (poções. sem outros líquidos ou sólidos. Nessa categoria a criança pode receber. de forma a não concorrer com o leite materno. inclusive. Assim. o Ministério da Saúde. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde recomendam aleitamento materno exclusivo por seis meses e complementado até os dois anos ou mais. . o aleitamento materno costuma ser classificado em: • Aleitamento materno exclusivo – quando a criança recebe somente leite materno. 2005). qualquer alimento sólido ou semi-sólido com a finalidade de complementá-lo. em média.2 TIPOS DE ALEITAMENTO MATERNO É muito importante conhecer e utilizar as definições de aleitamento materno adotadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e reconhecidas no mundo inteiro (WORLD HEALTH ORGANIZATION. além do leite materno. CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA • • • • 1. haver prejuízos à saúde da criança. com exceção de gotas ou xaropes contendo vitaminas. Aleitamento materno – quando a criança recebe leite materno (direto da mama ou ordenhado). e não de substituí-lo. além do leite materno. Aleitamento materno predominante – quando a criança recebe.3 DURAÇÃO DA AMAMENTAÇÃO Vários estudos sugerem que a duração da amamentação na espécie humana seja. podendo. ou leite humano de outra fonte. Não há vantagens em se iniciar os alimentos complementares antes dos seis meses. direto da mama ou ordenhado. além do leite materno. sais de reidratação oral. independentemente de receber ou não outros alimentos. idade em que costuma ocorrer o desmame naturalmente (KENNEDY. pois a introdução precoce de outros alimentos está associada a: • 1 Maior número de episódios de diarréia. chás. sucos de frutas e fluidos rituais1.

ocorrem menos mortes entre as crianças amamentadas. Uma análise de estudos realizados em três continentes concluiu que quando as crianças não eram amamentadas no segundo ano de vida elas tinham uma chance quase duas vezes maior de morrer por doença infecciosa quando comparadas com crianças amamentadas. No Brasil. enquanto a proteção contra mortes por diarréia diminui com CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA Menor duração do aleitamento materno. com variações entre os municípios de 3. 2000). o leite materno continua sendo importante fonte de nutrientes. São vários os argumentos em favor do aleitamento materno. diminuindo à medida que a criança cresce. a mortalidade por doenças infecciosas é seis vezes maior em crianças menores de 2 meses não amamentadas. Nenhuma outra estratégia isolada alcança o impacto que a amamentação tem na redução das mortes de crianças menores de 5 anos. Além disso. 2003). (ESCUDER. o leite materno continua protegendo contra doenças infecciosas. em torno de seis milhões de vidas de crianças estão sendo salvas a cada ano por causa do aumento das taxas de amamentação exclusiva. 2003) A proteção do leite materno contra mortes infantis é maior quanto menor é a criança. por estudos científicos.3%. 13 • • • 1. a superioridade do leite materno sobre os leites de outras espécies. Menor absorção de nutrientes importantes do leite materno. Risco de desnutrição se os alimentos introduzidos forem nutricionalmente inferiores ao leite materno. 1. VENÂNCIO.4 IMPORTÂNCIA DO ALEITAMENTO MATERNO Já está devidamente comprovada.6% a 13%.• • Maior número de hospitalizações por doença respiratória. 38% das de proteína e 31% do total de energia. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Unicef.1 Evita mortes infantis Graças aos inúmeros fatores existentes no leite materno que protegem contra infecções. Estima-se que dois copos (500ml) de leite materno no segundo ano de vida fornecem 95% das necessidades de vitamina C. 45% das de vitamina A. por causas preveníveis (JONES et al. a estimativa média de impacto da amamentação sobre o Coeficiente de Mortalidade Infantil foi de 9. quando os alimentos são muito diluídos. É importante ressaltar que. porém ainda é o dobro no segundo ano de vida (WORLD HEALTH ORGANIZATION. Assim. como o ferro e o zinco.. em 14 municípios da Grande São Paulo. Menor eficácia da lactação como método anticoncepcional. PEREIRA. No segundo ano de vida. 2000) .4. (WORLD HEALTH ORGANIZATION. como. Estima-se que o aleitamento materno poderia evitar 13% das mortes em crianças menores de 5 anos em todo o mundo. por exemplo.

2004) Um estudo demonstrou que a amamentação na primeira hora de vida pode ser um fator de proteção contra mortes neonatais.4. mas ainda significativos (3. POPKIN et al. 1987) A amamentação previne mais mortes entre as crianças de menor nível socioeconômico.6 vezes maior (WORLD HEALTH ORGANIZATION. Em Pelotas (RS).. 2000). (ALBERNAZ. Mas mesmo nos países mais desenvolvidos o aleitamento materno previne mortes infantis. 1992) Além de evitar a diarréia. Além disso.14 a idade. Enquanto para os bebês de mães com maior escolaridade o risco de morrerem no primeiro ano de vida era 3. (CHEN.. a proteção contra mortes por infecções respiratórias se mantém constante nos primeiros dois anos de vida.. quando comparadas com as amamentadas. ROGAN. Assim como ocorre com a diarréia.2 Evita diarréia Há fortes evidências de que o leite materno protege contra a diarréia. a cada ano. 1989) CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA .3 vezes maior de morrer por doença respiratória. por exemplo.5 vezes maior em crianças não amamentadas. (VICTORIA et al.3 Evita infecção respiratória A proteção do leite materno contra infecções respiratórias foi demonstrada em vários estudos realizados em diferentes partes do mundo. a amamentação também exerce influência na gravidade dessa doença. Em Pelotas (RS). Oferecer à criança amamentada água ou chás. (BROWN et al. KLEIN. Nos Estados Unidos. (EDMOND et al. a amamentação diminui a gravidade dos episódios de infecção respiratória. 1999). calcula-se que o aleitamento materno poderia evitar. respectivamente) para as crianças entre 2 e 12 meses. 720 mortes de crianças menores de um ano. CESAR. MENEZES. as crianças menores de 2 meses que não recebiam leite materno tiveram uma chance quase 25 vezes maior de morrer por diarréia e 3. (VICTORIA et al.. Já o risco de hospitalização por bronquiolite foi sete vezes maior em crianças amamentadas por menos de um mês. ROSNER. 2006) 1. Crianças não amamentadas têm um risco três vezes maior de desidratarem e de morrerem por diarréia quando comparadas com as amamentadas.. 1989. Esses riscos foram menores. inclusive no Brasil. quando comparadas com as crianças em aleitamento materno que não recebiam outro tipo de leite.4. prática considerada inofensiva até pouco tempo atrás.5 e 2 vezes. para as crianças de mães com menor escolaridade. 2003) O aleitamento materno também previne otites. É importante destacar que essa proteção pode diminuir quando o aleitamento materno deixa de ser exclusivo. pode dobrar o risco de diarréia nos primeiros seis meses. 1992) 1.. esse risco era 7. principalmente em crianças mais pobres. a chance de uma criança não amamentada internar por pneumonia nos primeiros três meses foi 61 vezes maior do que em crianças amamentadas exclusivamente (CESAR et al. (TEELE. a proteção é maior quando a amamentação é exclusiva nos primeiros seis meses.

de dermatite atópica e de outros tipos de alergias. A exposição precoce ao leite de vaca (antes dos quatro meses) é considerada um importante determinante do Diabetes mellitus Tipo I. alterando. Foi constatado que o leite de vaca altera a taxa metabólica durante o sono de crianças amamentadas. 1994) 1. A OMS publicou importante revisão sobre evidências desse efeito (HORTA et al. níveis menores de colesterol total (-0. Atribui-se essa proteção a uma melhor homeostase da glicose em mulheres que amamentam. É possível também que haja uma relação dose/resposta com a duração do aleitamento materno. Na revisão da OMS sobre evidências do efeito do aleitamento materno em longo prazo.6 Reduz a chance de obesidade A maioria dos estudos que avaliaram a relação entre obesidade em crianças maiores de 3 anos e tipo de alimentação no início da vida constatou menor freqüência de sobrepeso/obesidade em crianças que haviam sido amamentadas.. podendo aumentar o risco de seu aparecimento em 50%. colesterol alto e diabetes Há evidências sugerindo que o aleitamento materno apresenta benefícios em longo prazo. mas também a mulher que amamenta.4. os indivíduos amamentados tiveram uma chance 22% menor de vir a apresentar sobrepeso/obesidade (DEWEY. respectivamente). 2007). ou seja.4. encontram-se um melhor desenvolvimento da auto-regulação de ingestão de alimentos das crianças amamentadas e a composição única do leite materno participando no processo de “programação metabólica”.. podendo esse fato estar associado com a “programação metabólica” e o desenvolvimento de obesidade. quanto maior o tempo em que o indivíduo foi amamentado. principalmente naquelas com histórico familiar positivo para essas doenças. Foi descrita uma redução de 15% na incidência de diabetes tipo 2 para cada ano de lactação (STUEBE et al. Entre os possíveis mecanismos implicados a essa proteção.5 Diminui o risco de hipertensão. Por isso é importante evitar o uso desnecessário de fórmulas lácteas nas maternidades. 2005) 15 CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA .18mmol/L) e risco 37% menor de apresentar diabetes tipo 2.5mmHg. Assim.4.2mmHg e -0. (HAISMA et al. A exposição a pequenas doses de leite de vaca nos primeiros dias de vida parece aumentar o risco de alergia ao leite de vaca. incluindo asma e sibilos recorrentes (VAN ODIJK et al. (GERSTEIN.. 2005). 2003). Não só o indivíduo que é amamentado adquire proteção contra diabetes.. por exemplo. retardar a introdução de outros alimentos na dieta da criança pode prevenir o aparecimento de alergias. menor será a chance de ele vir a apresentar sobrepeso/obesidade.4 Diminui o risco de alergias Estudos mostram que a amamentação exclusiva nos primeiros meses de vida diminui o risco de alergia à proteína do leite de vaca. o número e/ou tamanho das células gordurosas ou induzindo o fenômeno de diferenciação metabólica. 1.1. Essa revisão concluiu que os indivíduos amamentados apresentaram pressões sistólica e diastólica mais baixas (-1. Estima-se que 30% dos casos poderiam ser prevenidos se 90% das crianças até três meses não recebessem leite de vaca. 2003).

principalmente as com baixo peso de nascimento. especialmente de proteínas.16 1.4. além de ser mais bem digerido. localizada no Mato Grosso do Sul CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA "A mãe coloca o bebê no colo. quando comparado com leites de outras espécies.8 Efeito positivo na inteligência Há evidências de que o aleitamento materno contribui para o desenvolvimento cognitivo.7 Melhor nutrição Por ser da mesma espécie. (ANDERSON. o leite materno contém todos os nutrientes essenciais para o crescimento e o desenvolvimento ótimos da criança pequena. JOHNSTONE. O leite materno é capaz de suprir sozinho as necessidades nutricionais da criança nos primeiros seis meses e continua sendo uma importante fonte de nutrientes no segundo ano de vida. Essa vantagem foi observada em diferentes idades. sempre que o bebê quiser. da o peito diariamente. Ilustração da etnia Guarani/Kaiowá. A maioria dos estudos conclui que as crianças amamentadas apresentam vantagem nesse aspecto quando comparadas com as não amamentadas. REMLEY. passando amor e carinho. gorduras e vitaminas.4." 1. 1999) inclusive em adultos (HORTENSEN et .

A esse gasto devem-se acrescentar custos com mamadeiras. Quando o palato é empurrado para cima. desde que a mãe esteja amamentando exclusiva ou predominantemente e ainda não tenha menstruado (GRAY et al. bicos e gás de cozinha. paridade e presença ou não de menopausa.4. prejudicando a respiração nasal. 1.10 Proteção contra câncer de mama Já está bem estabelecida a associação entre aleitamento materno e redução na prevalência de câncer de mama. outros acreditam que fatores comportamentais ligados ao ato de amamentar e à escolha do modo como alimentar a criança são os responsáveis. respiração bucal e alteração motora-oral. além de eventuais gastos decorrentes de doenças. Alguns defendem a presença de substâncias no leite materno que otimizam o desenvolvimento cerebral.4. assim.. o que é fundamental para o alinhamento correto dos dentes e uma boa oclusão dentária.3% a cada 12 meses de duração de amamentação. 17 CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA . o gasto médio mensal com a compra de leite para alimentar um bebê nos primeiros seis meses de vida no Brasil variou de 38% a 133% do salário-mínimo. o assoalho da cavidade nasal se eleva. Assim.11 Evita nova gravidez A amamentação é um excelente método anticoncepcional nos primeiros seis meses após o parto (98% de eficácia).al. 1.9 Melhor desenvolvimento da cavidade bucal O exercício que a criança faz para retirar o leite da mama é muito importante para o desenvolvimento adequado de sua cavidade oral. que são mais comuns em crianças não amamentadas. ocasionar má-oclusão dentária. as mulheres que ovulam antes do sexto mês após o parto em geral amamentam menos vezes por dia que as demais. o desmame precoce pode levar à ruptura do desenvolvimento motor-oral adequado. podendo prejudicar as funções de mastigação. 1990). (COLLABORATIVE GROUP ON HORMONAL FACTORS IN BREAST CANCER.12 Menores custos financeiros Não amamentar pode significar sacrifícios para uma família com pouca renda. o que ocorre com o uso de chupetas e mamadeiras. 1.4. Estima-se que o risco de contrair a doença diminua 4. Em 2004.4.. respiração e articulação dos sons da fala. deglutição. Estudos comprovam que a ovulação nos primeiros seis meses após o parto está relacionada com o número de mamadas. propiciando uma melhor conformação do palato duro. com diminuição do tamanho do espaço reservado para a passagem do ar. 1. 2002). Os mecanismos envolvidos na possível associação entre aleitamento materno e melhor desenvolvimento cognitivo ainda não são totalmente conhecidos. etnia. 2002) Essa proteção independe de idade. dependendo da marca da fórmula infantil.

oportunizando intimidade.13 Promoção do vínculo afetivo entre mãe e filho Acredita-se que a amamentação traga benefícios psicológicos para a criança e para a mãe.5 PRODUÇÃO DO LEITE MATERNO .4. bem como menos gastos e situações estressantes. na qualidade de vida dessas famílias. Além disso. os olhos nos olhos e o contato contínuo entre mãe e filho certamente fortalecem os laços afetivos entre eles. necessitam de menos atendimento médico. quando a amamentação é bem sucedida. mães e crianças podem estar mais felizes. hospitalizações e medicamentos.4. com repercussão nas relações familiares e. o que pode implicar menos faltas ao trabalho dos pais. troca de afeto e sentimentos de segurança e de proteção na criança e de autoconfiança e de realização na mulher. conseqüentemente. Amamentação é uma forma muito especial de comunicação entre a mãe e o bebê e uma oportunidade de a criança aprender muito cedo a se comunicar com afeto e confiança. 1. uma vez que as crianças amamentadas adoecem menos. CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA 1.14 Melhor qualidade de vida O aleitamento materno pode melhorar a qualidade de vida das famílias.18 1. Uma amamentação prazerosa.

o desconforto. o medo. estão as células mioepiteliais e. menor que 100ml/ dia. tecido conjuntivo. o estresse. pode haver uma diminuição na produção do leite. iniciando a lactogênese fase II e a secreção do leite. prolactina e gonadotrofina coriônica. prejudicando a saída do leite da mama. tais como visão. Por outro lado. Quando. A sua remoção contínua com o esvaziamento da mama garante a reposição total do leite removido. A mama. Estes. O leite contém os chamados “peptídeos supressores da lactação”. que são glândulas túbulo-alveolares constituídas. Para cada lobo mamário há um seio lactífero. pela formação dos lóbulos. Envolvendo os alvéolos. 600ml de leite. mas já no quarto dia a nutriz é capaz de produzir. a mama não secreta leite nesse período graças a sua inibição pelo lactogênio placentário. e o progestogênio. A ocitocina. há uma queda acentuada nos níveis sanguíneos maternos de progestogênio. Há também a liberação de ocitocina durante a sucção. vasos sangüíneos. expulsando o leite neles contido. é preparada para a amamentação (lactogênese fase I) sob a ação de diferentes hormônios. Apesar de a secreção de prolactina estar muito aumentada na gestação. Nos primeiros dias após o parto. liberada principalmente pelo estímulo provocado pela sucção da criança. Os mais importantes são o estrogênio. hormônio produzido pela hipófise posterior. em cada mama. A produção do leite logo após o nascimento da criança é controlada principalmente por hormônios e a “descida do leite”. Grande parte do leite de uma mamada é produzida enquanto a criança mama. 19 CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA . por inibição mecânica e química. por 20 a 40 lóbulos. entre os lobos mamários. a secreção de leite é pequena. autoconfiança e tranqüilidade. como motivação. cada uma. há tecido adiposo. Após a “descida do leite”. e a fatores de ordem emocional. que costuma ocorrer até o terceiro ou quarto dia pós-parto. Essa fase. são formados por 10 a 100 alvéolos. depende principalmente da sucção do bebê e do esvaziamento da mama. com uma saída independente no mamilo. O leite produzido nos alvéolos é levado até os seios lactíferos por uma rede de ductos. por qualquer motivo. inicia-se a fase III da lactogênese. também é disponibilizada em resposta a estímulos condicionados. que são substâncias que inibem a produção do leite. entre 15 e 25 lobos mamários. a ansiedade. a dor. a insegurança e a falta de autoconfiança podem inibir a liberação da ocitocina. responsável pela ramificação dos ductos lactíferos. que tem a capacidade de contrair as células mioepiteliais que envolvem os alvéolos. sob o estímulo da prolactina. ocorre mesmo se a criança não sugar o seio. na gravidez. cheiro e choro da criança. o esvaziamento das mamas é prejudicado. com conseqüente liberação de prolactina pela hipófise anterior. tecido nervoso e tecido linfático.As mulheres adultas possuem. também denominada galactopoiese. Com o nascimento da criança e a expulsão da placenta. tais como lactogênio placentário. Outros hormônios também estão envolvidos na aceleração do crescimento mamário. que se mantém por toda a lactação. por sua vez. em média.

o leite materno. 1. o leite materno é chamado colostro.20 Na amamentação. Veja na Tabela 1 as diferenças entre colostro e leite maduro. apresenta composição semelhante para todas as mulheres que amamentam do mundo. surpreendentemente.3 4.8 Colostro (3–5 dias) Nutriente A termo Calorias (kcal/dL) Lipídios (g/dL) Proteínas (g/dL) Lactose (g/dL) 48 1. O leite de mães de recém-nascidos prematuros é diferente do de mães de bebês a termo. Nos primeiros dias. Este tem muito mais proteínas que o leite humano e essas proteínas são diferentes das do leite materno. Uma nutriz que amamenta exclusivamente produz. Tabela 1 – Composição do colostro e do leite materno maduro de mães de crianças a termo e pré-termo e do leite de vaca Leite Maduro (26–29 dias) A termo 62 3.9 5.6 CARACTERÍSTICAS E FUNÇÕES DO LEITE MATERNO CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA Apesar de a alimentação variar enormemente. Apenas as com desnutrição grave podem ter o seu leite afetado na sua qualidade e quantidade. Quanto mais volume de leite e mais vezes a criança mamar.5 Pré-termo 70 4. de difícil digestão para a espécie humana.0 69 3. 800ml por dia no sexto mês.1 5.8 1. Assim. daí a importância de a criança esvaziar bem a mama.4 6. dependendo do quanto a criança mama e da freqüência com que mama. em média. o volume de leite produzido varia. uma nutriz é capaz de produzir mais leite do que a quantidade necessária para o seu bebê.7 3. O leite humano possui numerosos fatores imunológicos que protegem a criança contra infecções. A principal proteína do leite materno é a lactoalbumina e a do leite de vaca é a caseína.3 6. maior será a produção de leite.0 1. o leite secretado a partir do sétimo ao décimo dia pós-parto.1 Pré-termo 58 3. Em geral.0 Leite de vaca A concentração de gordura no leite aumenta no decorrer de uma mamada. atuando contra microorganis- . que contém mais proteínas e menos gorduras do que o leite maduro. o leite do final da mamada (chamado leite posterior) é mais rico em energia (calorias) e sacia melhor a criança. entre o leite de mães de prematuros e de bebês a termo e entre o leite materno e o leite de vaca. ou seja.1 1. A IgA secretória é o principal anticorpo.0 2.

A técnica de amamentação. neutrófilos. ou seja. garantindo a formação do vácuo. o leite da mama e também para não machucar os mamilos. lactoferrina. levando a uma diminuição da produção do leite. estabelecendo o padrão normal de respiração nasal. dificultando a instalação de bactérias que causam diarréia. indispensável para que o mamilo e a aréola se mantenham dentro da boca do bebê. proporcionando. ele precisa aprender a retirar o leite do peito de forma eficiente. tais como Shigella. para cima e para trás) promove o crescimento harmônico da face do bebê. o bebê respira pelo nariz.7 TÉCNICA DE AMAMENTAÇÃO Apesar de a sucção do bebê ser um ato reflexo. macrófagos. resultando no que se denomina de “má pega”. Os anticorpos IgA no leite humano são um reflexo dos antígenos entéricos e respiratórios da mãe. dessa maneira. O ciclo de movimentos mandibulares (para baixo. uma bactéria não patogênica que acidifica as fezes. abocanhando não apenas o mamilo. Muitas vezes. forma-se um lacre perfeito entre a boca e a mama. Salmonella e Escherichia coli. para a frente.mos presentes nas superfícies mucosas. o bebê com pega inadequada não CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA . ativando o reflexo de deglutição. lisosima e fator bífido. proteção à criança contra os germens prevalentes no meio em que a mãe vive. 21 1. que comprime suavemente o mamilo. formando uma concha (canolamento) que leva o leite até a faringe posterior e esôfago. o leite materno contém outros fatores de proteção. Além da IgA. A língua eleva suas bordas laterais e a ponta. linfócitos B e T. a maneira como a dupla mãe/bebê se posiciona para amamentar/mamar e a pega/sucção do bebê são muito importantes para que o bebê consiga retirar. Uma posição inadequada da mãe e/ou do bebê na amamentação dificulta o posicionamento correto da boca do bebê em relação ao mamilo e à aréola. tais como anticorpos IgM e IgG. A concentração de IgA no leite materno diminui ao longo do primeiro mês.5 oC por 30 minutos) não tem o mesmo valor biológico que o leite cru. Alguns dos fatores de proteção do leite materno são total ou parcialmente destruídos pelo calor. Este favorece o crescimento do Lactobacilus bifidus. de maneira eficiente. razão pela qual o leite humano pasteurizado (submetido a uma temperatura de 62. mas também parte da aréola –. ou seja. A retirada do leite (ordenha) é feita pela língua. permanecendo relativamente constante a partir de então. ela produz anticorpos contra agentes infecciosos com os quais já teve contato. Enquanto mama no peito. Quando o bebê pega a mama adequadamente – o que requer uma abertura ampla da boca. A má pega dificulta o esvaziamento da mama. graças a um movimento peristáltico rítmico da ponta da língua para trás.

mais calórico. assim. nessa situação. o mamilo fica em uma posição dentro da boca da criança que o protege da fricção e compressão. mas tem dificuldade de retirar o leite posterior. Isso ocorre porque. Pega adequada ou boa pega CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA Pega inadequada ou má pega Além de dificultar a retirada do leite.22 ganha o peso esperado apesar de permanecer longo tempo no peito. ele é capaz de obter o leite anterior. Quando o bebê tem uma boa pega. . lesões mamilares. a má pega machuca os mamilos. prevenindo.

A seguir são apresentados os diversos itens que os profissionais de saúde devem conferir na observação de uma mamada: Posição da Mãe – A mãe escolhe uma posição 23 Posição de Jogador de Futebol Americano CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA .Todo profissional de saúde que faz assistência a mães e bebês deve saber observar criticamente uma mamada.

A língua do bebê encontra-se sobre a gengiva inferior? Algumas vezes a língua é visível. O queixo do bebê toca a mama? As narinas do bebê estão livres? O bebê mantém a boca bem aberta colada na mama. parte da aréola (aproximadamente 2cm além do mamilo)? É importante lembrar que o bebê retira o leite comprimindo os seios lactíferos com as gengivas e a língua. no entanto. sem apertar os lábios? Os lábios do bebê estão curvados para fora. sem restringir movimentos? Recomenda-se que as mamas estejam completamente expostas. barriga com barriga? O corpo e a cabeça do bebê estão alinhados (pescoço não torcido)? O braço inferior do bebê está posicionado de maneira que não fique entre o corpo do bebê e o corpo da mãe? O corpo do bebê está curvado sobre a mãe. bem apoiada. com as nádegas firmemente apoiadas? O pescoço do bebê está levemente estendido? A mãe segura a mama de maneira que a aréola fique livre? Não se recomenda que os dedos da mãe sejam colocados em forma de tesoura. O corpo do bebê se encontra bem próximo do da mãe. A cabeça do bebê está no mesmo nível da mama. sempre que possível. não curvada para trás nem para a frente? O apoio dos pés acima do nível do chão é aconselhável (uma banquetinha pode ser útil). todo voltado para ela. relaxada. além do mamilo. formando um lacre? Para visualizar o lábio inferior do bebê. e o bebê vestido de maneira que os braços fiquem livres. na maioria das vezes. A mãe está confortavelmente posicionada.24 • As roupas da mãe e do bebê são adequadas. é necessário abaixar suavemente o lábio inferior para visualizar a língua. A língua do bebê está curvada para cima nas bordas laterais? O bebê mantém-se fixado à mama. com o nariz na altura do mamilo? A mãe espera o bebê abrir bem a boca e abaixar a língua antes de colocá-lo no peito? O bebê abocanha. sem escorregar ou largar o mamilo? As mandíbulas do bebê estão se movimentando? A deglutição é visível e/ou audível? • • CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA • • • • • • • • • • • • • • • • • . pois dessa maneira podem servir de obstáculo entre a boca do bebê e a aréola. muitas vezes é necessário pressionar a mama com as mãos.

CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA 1. Mais aréola visível acima da boca do bebê. Rosto do bebê de frente para a mama. Boca bem aberta. . Bebê com cabeça e tronco alinhados (pescoço não torcido). Mama aparentando estar esticada ou deformada durante a mamada. 3. 2. 4. Queixo tocando a mama.É sempre útil lembrar a mãe de que é o bebê que vai à mama e não a mama que vai ao bebê. com um rápido movimento. Para isso. levar o bebê ao peito quando ambos estiverem prontos. Pontos-chave da pega adequada 1. Corpo do bebê próximo ao da mãe. 4. 3. Bebê bem apoiado. 25 Os seguintes sinais são indicativos de técnica inadequada de amamentação: • • • Bochechas do bebê encovadas a cada sucção. Ruídos da língua. a mãe pode. com nariz na altura do mamilo. Lábio inferior virado para fora. A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca quatro pontos-chave que caracterizam o posicionamento e pega adequados: Pontos-chave do posicionamento adequado 2.

26 • • Mamilos com estrias vermelhas ou áreas esbranquiçadas ou achatadas quando o bebê solta a mama. Quando a mama está muito cheia. Para isso. No aconselhamento. Remover barreiras como mesa. Usar linguagem simples. expressão facial). o aconselhamento. Dar espaço para a mulher falar. é importante que as mulheres sintam que o profissional se interessa pelo bem-estar delas e de seus filhos para que elas adquiram confiança e se sintam apoiadas e acolhidas. o profissional pode fazer a mãe falar • • • . Ele precisa ter também competência para se comunicar com eficiência.. recomenda-se. retirar manualmente um pouco de leite da aréola ingurgitada. dando mais espaço para a mulher se expressar. Aha!” Algumas mulheres têm dificuldades de se expressar. Dor na amamentação. Em tais casos. Em outras palavras. por meio do diálogo. significa ajudá-la a tomar decisões. quando apropriado. Por exemplo. perguntar como ela está alimentando o bebê. tocar na mulher ou no bebê.8 ACONSELHAMENTO EM AMAMENTAÇÃO NOS DIFERENTES MOMENTOS Não basta ao profissional de saúde ter conhecimentos básicos e habilidades em aleitamento materno. em vez de perguntar se o bebê está sendo amamentado. não só em amamentação. a aréola pode estar tensa. endurecida. sorrir. prestando atenção no que a mãe está dizendo e no significado de suas falas. Aconselhar não significa dizer à mulher o que ela deve fazer. é necessário dedicar tempo para ouvir. papéis. ajuda a mulher a tomar decisões. balançar a cabeça afirmativamente. Os seguintes recursos são muito utilizados no aconselhamento. como sinal de interesse. podem ser utilizadas expressões como: “Ah é? Mmm. além de desenvolver sua confiança no profissional. antes da mamada. como sinal de empatia.. acessível a quem está ouvindo. após ouvi-la. Nesse caso. dificultando a pega. tais como fazer perguntas abertas. se a mãe relata que a criança chora muito à noite. Por exemplo. promovendo uma maior aproximação entre a mulher e o profissional de saúde. mas em diversas circunstâncias: • Praticar a comunicação não-verbal (gestos. algumas técnicas são úteis. CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA 1. como sinal de acolhimento. entendê-la e dialogar com ela sobre os prós e contras das opções. Como sinal de interesse. Outra técnica que pode incentivar as mulheres a falarem mais é devolver o que a mãe diz. o que se consegue mais facilmente usando a técnica do aconselhamento em amamentação. Essas perguntas em geral começam por: Como? O quê? Quando? Onde? Por quê? Por exemplo.

E pode complementar dizendo que o leite materno pode parecer ralo no começo da mamada. o profissional pode responder dizendo que entende a sua preocupação. . A ênfase dada a determinados tópicos durante um aconselhamento em amamentação pode variar de acordo com a época e o momento em que é feito. quando a mãe diz que está muito cansada porque o bebê quer mamar com muita freqüência. ou mesmo elogiá-la por ter vindo à Unidade Básica de Saúde. 27 • Aceitar e respeitar os sentimentos e as opiniões das mães. Oferecer ajuda prática como. seria mais apropriado perguntar como o bebê mama. • Demonstrar empatia. no entanto. por exemplo. o profissional pode comentar que entende porque a mãe está se sentindo tão cansada. se uma mãe afirma que o seu leite é fraco. como. Por exemplo. A seguir são abordados alguns tópicos importantes relacionados à amamentação em diferentes momentos e circunstâncias. precisar concordar ou discordar do que ela pensa. mostrar à mãe que os seus sentimentos são compreendidos. Por exemplo. mas contém muitos nutrientes. certo.mais sobre isso perguntando: “O seu bebê faz você ficar acordada à noite porque chora muito?”. quando o bebê está ganhando peso ou sugando bem. sem. por exemplo. por exemplo. • • • • • Conversar com as mães sobre as suas condições de saúde e as do bebê. Essa atitude aumenta a confiança da mãe. CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA • Evitar palavras que soam como julgamentos. Fazer sugestões em vez de dar ordens. errado. explicando-lhes todos os procedimentos e condutas. ou seja. bem. mal etc. Reconhecer e elogiar aquilo em que a mãe e o bebê estão indo bem. as mais importantes para a situação do momento. se for o caso. Oferecer poucas informações em cada aconselhamento. em vez de perguntar se o bebê mama bem. segurar o bebê por alguns minutos e ajudá-la a encontrar uma posição confortável para amamentar. encoraja-a a manter práticas saudáveis e facilita a sua aceitação a sugestões. colocando-a no centro da situação e da atenção do profissional. Por exemplo.

comprovadamente. Muitas mulheres “idealizam” a amamentação e se frustram ao se depararem com a realidade. como. Manobras para aumen- . medos. Importância do aleitamento materno. Vantagens e desvantagens do uso de leite não humano.28 1. é importante dialogar com as mulheres. O exame das mamas é fundamental. quer seja em grupo. como companheiro e mãe.8. Possíveis dificuldades na amamentação e meios de preveni-las. quer seja no atendimento individual. em especial entre as primíparas. mitos.1 Pré-natal A promoção da amamentação na gestação. do alojamento conjunto e da técnica (posicionamento e pega) adequada na prevenção de complicações relacionadas à lactação. É importante que pessoas significativas para a gestante. pois por meio dele podem-se detectar situações que poderão exigir uma maior assistência à mulher logo após o nascimento do bebê. Comportamento normal do recém-nascido. preocupações e fantasias relacionados com o aleitamento materno. assim como experiências prévias. Importância da amamentação logo após o parto. sejam incluídas no aconselhamento. • • • • • • Vantagens e desvantagens do uso da chupeta. tem impacto positivo nas prevalências de aleitamento materno. Durante o acompanhamento pré-natal. a presença de mamilos muito planos ou invertidos e cicatriz de cirurgia de redução de mamas. não tem sido recomendada de rotina. por exemplo. tão difundida no passado. A gravidez se encarrega disso. A “preparação” das mamas para a amamentação. O acompanhamento pré-natal é uma excelente oportunidade para motivar as mulheres a amamentarem. abordando os seguintes aspectos: CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA • Planos da gestante com relação à alimentação da criança. suas crenças.

incluindo adaptação à vida extra-uterina e tensão no ambiente.Se ao longo da gravidez a mulher não notou aumento nas suas mamas. Os seguintes aspectos devem ser discutidos com as mães que planejam amamentar os seus filhos: 1. personalidade e sensibilidade do bebê. O comportamento dos recém-nascidos é muito variável e depende de vários fatores. respondendo de maneiras diferentes às diversas experiências. Nos casos de mamilos planos ou invertidos.2 Início da amamentação Os primeiros dias após o parto são fundamentais para o sucesso da amamentação. 29 . vivências do parto e diversos fatores ambientais. As mães que ficam CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA tar e fortalecer os mamilos durante a gravidez. pois é possível tratar-se de insuficiência de tecido mamário. Essas crianças. pois na gestação elas apresentam o primeiro aumento de volume. incluindo o estado emocional da mãe. sem nenhum tratamento. É um período de intenso aprendizado para a mãe e o bebê. como idade gestacional. A maioria dos mamilos curtos apresenta melhora com o avançar da gravidez. pois na maioria das vezes não funcionam e podem ser prejudiciais.1 Comportamento normal do bebê O entendimento da mãe e das pessoas que vão conviver com o bebê sobre as necessidades deste é fundamental para a tranqüilidade de todos os membros da família. experiências intrauterinas. As mães. com freqüência.8. Na maioria das vezes os bebês se acalmam se aconchegados ou se colocados no peito. 1. Comparações com filhos anteriores ou com outras crianças podem atrapalhar a interação entre a mãe e o bebê. Elas devem ser esclarecidas que existem muitas razões para o choro. esfregá-los com buchas ou toalhas ásperas. O uso de conchas ou sutiãs com um orifício central para alongar os mamilos também não tem se mostrado eficaz. É importante lembrar à mãe que cada bebê é único. Os mamilos costumam ganhar elasticidade durante a gravidez e o grau de inversão dos mamilos invertidos tende a diminuir em gravidezes subseqüentes.8. como esticar os mamilos com os dedos. que responde aumentando ainda mais a demanda. a intervenção logo após o nascimento do bebê é mais importante e efetiva do que intervenções no período pré-natal. com freqüência. não são recomendadas.2. podendo inclusive induzir o trabalho de parto. Algumas crianças demandam (choram) mais que outras e apresentam maiores dificuldades na passagem da vida intra-uterina para a vida extra-uterina. frustram as expectativas maternas (a de ter um bebê “bonzinho”) e essa frustração muitas vezes é percebida pela criança. Uma importante causa de desmame é o choro do bebê. o que reforça a sua necessidade de se sentirem seguros e protegidos. O uso de sutiã adequado ajuda na sustentação das mamas. o interpretam como fome ou cólicas. é importante fazer um acompanhamento rigoroso do ganho de peso da criança após o nascimento.

CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA Muitas mães queixam-se de que os seus bebês “trocam o dia pela noite”. causando mais choro. favorecendo a interação. podendo instalar-se um ciclo vicioso. que ocorre em média aos 40 minutos de vida. e sim como vivenciando uma experiência difícil em alguns momentos. favorecendo a sua independência em tempo apropriado. como se estivesse prestando atenção.30 tensas. se colocados no tórax dela. Uma atitude de solidariedade e entendimento das necessidades dos seus bebês traria mais tranqüilidade a ambos. são capazes de: • Ir ao encontro da mama da mãe por si próprios logo após o nascimento. Portanto. Reconhecer a face da mãe após algumas horas de vida. • . os bebês necessitam de freqüentes períodos de repouso. o pai e outros familiares saibam que alguns recém-nascidos a termo. por períodos curtos. é interessante que a mãe. não mais o rotulando de “bravo”. as mães devem ser tranqüilizadas quanto a esse eventual comportamento do bebê. esse estado de consciência predomina. A interação entre a mãe e o bebê nos primeiros dias é muito importante para o sucesso da amamentação e uma futura relação harmônica. Carinho. Durante e após intensa interação. as crianças que no útero costumavam ser mais ativas à noite vão necessitar de alguns dias para se adaptarem ao ciclo dia/noite. o ritmo ao qual estavam acostumados dentro do útero. com os olhos bem abertos. O melhor momento de interagir com a criança é quando ela se encontra no estado quieto-alerta. Dessa maneira eles decidem por si o momento da primeira mamada. É comum algumas mães rotularem os seus bebês de “bravos”. A mãe deve ser orientada a responder prontamente às necessidades do seu bebê. em situações especiais (principalmente no estado quieto-alerta). Nesse estado o bebê encontra-se quieto. proteção e pronto atendimento das necessidades do bebê só tendem a aumentar a sua confiança. mas alerta. frustradas e ansiosas com o choro dos bebês tendem a transmitir esses sentimentos a eles. a mesma que separa os olhos do bebê e o rosto da mãe durante as mamadas. não temendo que isso vá deixá-lo “manhoso” ou “superdependente” mais tarde. Hoje se sabe que os bebês têm competências que antes eram ignoradas. O bebê enxerga melhor a uma distância de 20 a 25cm. Na primeira hora de vida. A separação da mãe e do bebê e a sedação da mãe logo após o parto privam a dupla desse momento tão especial. Ao longo do dia e da noite a criança encontra-se no estado quieto-alerta várias vezes. A mãe provavelmente passaria a olhar de um modo diferente o seu bebê. além de tornar a interação mais gratificante. e as mães (e pais e familiares) devem saber disso para melhor interagirem com eles. nos primeiros dias. Para uma melhor interação com o bebê. Assim. Os recém-nascidos costumam manter.

virar a cabeça na sua direção. Seguir um objeto com os olhos e. é normal que a criança mame com freqüência e sem horários regulares. azul e amarelo. que é mais calórico. o que pode resultar na introdução precoce e desnecessária de suplementos. a criança recebe o leite do final da mamada. 1. Reconhecer e mostrar interesse por cores primárias – vermelho. O mais importante é que a mãe dê tempo suficiente à criança para ela esvaziar adequadamente a mama. maior espaçamento entre CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA .3 Duração das mamadas O tempo de permanência na mama em cada mamada não deve ser fixado. Em geral.8. do intervalo transcorrido desde a última mamada e do volume de leite armazenado na mama. As mulheres com mamas mais volumosas têm uma maior capacidade de armazenamento de leite e por isso podem ter mais flexibilidade com relação à freqüência das mamadas (DALY. Reconhecer e distinguir diferentes cheiros. Distinguir tipos de sons.2. em especial a da mãe. Alcançar objetos. o tamanho da mama não tem relação com a produção do leite.• • • • • • • • • Ter contato olho a olho. Imitar expressões faciais logo após o nascimento. Já as mulheres com mamas pequenas podem necessitar amamentar com mais freqüência devido a sua pequena capacidade de armazenamento do leite. HARTMANN. No entanto. às vezes. Muitas mães. tendo preferência pela voz humana. com um ou dois dias de vida reconhece o cheiro da mãe. É o que se chama de amamentação em livre demanda. numa mesma dupla. leite fraco ou pouco leite. 31 1. promovendo a sua saciedade e. Dessa maneira.2. principalmente as que estão inseguras e as com baixa auto-estima. pode variar dependendo da fome da criança. O tamanho das mamas pode exercer alguma influência no número de mamadas da criança por dia. 1995). entre outros. Nos primeiros meses. um bebê em aleitamento materno exclusivo mama de oito a 12 vezes ao dia. tendo preferência por doces.2 Número de mamadas por dia Recomenda-se que a criança seja amamentada sem restrições de horários e de tempo de permanência na mama.8. e pelos sons agudos. costumam interpretar esse comportamento normal como sinal de fome do bebê. as mamas grandes e pequenas em geral têm a capacidade de secretarem o mesmo volume de leite em um dia. Reconhecer sabores. haja vista que o tempo necessário para esvaziar uma mama varia para cada dupla mãe/bebê e. ou seja. conseqüentemente. Determinar a direção do som.

. 1998) . Alguns autores denominam essa dificuldade de “confusão de bicos”. (PALMER. em geral. Como o leite na mamadeira flui abundantemente desde a primeira sucção. o uso de chupeta está associado a uma maior ocorrência de candidíase oral (sapinho). Crianças que chupam chupetas.4 Uso de mamadeira CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA Água. Nesses casos. recém-nascidos normais não necessitam de líquidos adicionais além do leite materno.8. chás e principalmente outros leites devem ser evitados. pois há evidências de que o seu uso está associado com desmame precoce e aumento da morbimortalidade infantil. são amamentadas com menos freqüência. pode influenciar negativamente a amamentação. Mesmo ingerindo pouco colostro nos primeiros dois a três dias de vida.8.2.2. Não restam mais dúvidas de que a suplementação do leite materno com água ou chás nos primeiros seis meses é desnecessária. de otite média e de alterações do palato.. A mamadeira. gerada pela diferença marcante entre a maneira de sugar na mama e na mamadeira. passam a apresentar dificuldade quando vão mamar no peito. após alguns segundos. É possível que o uso da chupeta seja um sinal de que a mãe está tendo dificuldades na amamentação ou de que tem menor disponibilidade para amamentar. 1997) Além de interferir no aleitamento materno. a chupeta tem sido desaconselhada pela possibilidade de interferir negativamente na duração do aleitamento materno. 1993). a criança pode estranhar a demora de um fluxo maior de leite no peito no início da mamada. pois o reflexo de ejeção do leite leva aproximadamente um minuto para ser desencadeado e algumas crianças podem não tolerar essa espera. além de ser uma importante fonte de contaminação.32 as mamadas. Embora não haja dúvidas de que o desmame precoce ocorre com mais freqüência entre as crianças que usam chupeta. porém. é comum o bebê começar a mamar no peito. ainda não são totalmente conhecidos os mecanismos envolvidos nessa associação.5 Uso de chupeta Atualmente. A comparação de crânios de pessoas que viveram antes da existência dos bicos de borracha com crânios mais modernos sugere o efeito nocivo dos bicos na formação da cavidade oral. entre outros motivos. O esvaziamento das mamas é importante também para o ganho adequado de peso do bebê e para a manutenção da produção de leite suficiente para atender às demandas do bebê. largar a mama e chorar. (VICTORA et al. o que pode comprometer a produção de leite. 1. depois de experimentarem a mamadeira. Observa-se que algumas crianças. pois nascem com níveis de hidratação tecidual relativamente altos. 1. mesmo em locais secos e quentes (ASHRAF et al.

legumes.1 Alimentação da nutriz 33 Para a produção do leite. durante o período de amamentação. derivados do leite e carnes.6 Aspecto do leite Muitas mulheres se preocupam com o aspecto de seu leite. Evitar dietas e medicamentos que promovam rápida perda de peso (mais de 500g por semana).8. Consumir três ou mais porções de derivados do leite por dia. frutas. pelo seu alto teor de água. O leite pode ter aspecto azulado ou esverdeado quando a mãe ingere grande quantidade de vegetais verdes. tem aspecto semelhante ao da água de coco. costuma haver um aumento do apetite e da sede da mulher e também algumas mudanças nas preferências alimentares.8. provenientes da dieta da mãe. pois a maioria das mulheres armazena. desde que o sangue não provoque náuseas ou vômitos na criança. Não é rara a presença de sangue no leite. incluindo pães e cereais. durante a gravidez.1. É mais comum em primíparas adolescentes e mulheres com mais de 35 anos e deve-se ao rompimento de capilares provocado pelo aumento súbito da pressão dentro dos alvéolos mamários na fase inicial da lactação. Por isso.3. Acredita-se que um consumo extra de 500 calorias por dia seja o suficiente. Porém. verduras. dando a ele uma cor amarronzada. o chamado leite posterior. por ser transparente em algumas ocasiões. Fazem parte das recomendações para uma alimentação adequada durante a lactação os seguintes itens: • • • • • • Consumir dieta variada. Certificar-se de que a sede está sendo saciada. CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA . O leite do início da mamada. é mais amarelado devido à presença de betacaroteno. Acham que.3 Manutenção da amamentação 1. é importante que as mulheres saibam que a cor do leite varia ao longo de uma mamada e também com a dieta da mãe. de 2kg a 4kg para serem usados na lactação. Por isso. pigmento lipossolúvel presente na cenoura. o chamado leite anterior. Esforçar-se para consumir frutas e vegetais ricos em vitamina A. o leite é fraco e não sustenta a criança. ele é muito rico em anticorpos. Esse fenômeno é passageiro e costuma ocorrer nas primeiras 48 horas após o parto. Já o leite do meio da mamada tende a ter uma coloração branca opaca devido ao aumento da concentração de caseína. 1.2. E o leite do final da mamada. a amamentação pode ser mantida. abóbora e vegetais de cor laranja. Nesses casos. Consumir com moderação café e outros produtos cafeinados.8. é necessária a ingestão de calorias e de líquidos além do habitual.

É preciso estar atento para o risco de hipovitaminose B em crianças amamentadas por mães vegetarianas. das orientações dos profissionais de saúde para a manutenção do aleitamento materno em situações que exigem a separação física entre mãe e bebê.34 A alimentação ideal de uma nutriz pode não ser acessível para muitas mulheres de famílias com baixa renda. do suporte ao aleitamento materno na família. líquidos em excesso devem ser evitados. As mulheres que amamentam devem ser encorajadas a ingerir líquidos em quantidades suficientes para saciar a sua sede. das leis e de relações trabalhistas. pode-se indicar a prova terapêutica: retirar o alimento da dieta por algum tempo e reintroduzi-lo. Entretanto. do número de horas no trabalho. ele deve ser evitado. Entretanto. além das preferências e dos hábitos culturais. geladeira. haja vista que essa vitamina não é encontrada em vegetais. a dividir as tarefas domésticas com a nutriz e oriente a mãe trabalhadora quanto a algumas medidas que facilitam a manutenção do aleitamento materno. pois não aumentam a produção de leite. . Praticar a ordenha do leite (de preferência manualmente) e congelar o leite para usar no futuro. Caso os sinais e/ou sintomas da criança melhorem substancialmente com a retirada do alimento e piorem com a sua reintrodução. É importante lembrar que as mulheres produzem leite de boa qualidade mesmo consumindo dietas subótimas. Iniciar o estoque de leite 15 dias antes do retorno ao trabalho. a acessibilidade aos alimentos.3. se elas perceberem algum efeito na criança de algum componente de sua dieta. É importante também certificar-se de que as nutrizes vegetarianas estão ingerindo quantidade suficiente de proteínas.8. O leite de vaca é um dos principais alimentos implicados no desenvolvimento de alergias alimentares.2 Retorno da mãe ao trabalho CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA O trabalho materno fora do lar pode ser um importante obstáculo à amamentação. podendo até diminuí-la. A manutenção da amamentação nesse caso depende do tipo de ocupação da mãe. Por isso. horários). o que pode desestimulá-las a amamentar seus filhos. observando atentamente a reação da criança. listadas a seguir: Antes do retorno ao trabalho • • • Manter o aleitamento materno exclusivo. quando presente. Para as mães manterem a lactação após retornarem ao trabalho. em especial o companheiro. é importante que o profissional de saúde estimule os familiares. a orientação alimentar de cada nutriz deve ser feita levando-se em consideração. as mulheres que amamentam não necessitam evitar determinados alimentos. Como regra geral. Conhecer as facilidades para a retirada e armazenamento do leite no local de trabalho (privacidade. na comunidade e no ambiente de trabalho e. em especial. 1. em especial a exclusiva.

Usar máscara ou evitar falar. esvaziar as mamas por meio de ordenha e guardar o leite em geladeira. Ter à mão pano úmido limpo e lenços de papel para limpeza das mãos. Evitar mamadeiras. preferencialmente vidros de boca larga com tampas plásticas que possam ser submetidos à fervura durante mais ou menos 20 minutos. Uma vez descongelado. Levar para casa e oferecer à criança no mesmo dia ou no dia seguinte ou congelar. o leite deve ser aquecido em banho-maria fora do fogo. este deve ser descongelado. por 15 dias. Realizar ordenha. oferecer a alimentação por meio de copo e colher. de preferência manual. ele deve ser agitado suavemente para homogeneizar a gordura. espirrar ou tossir enquanto estiver ordenhando o leite. Procurar um local tranqüilo para esgotar o leite. da seguinte maneira. Prender os cabelos.Após o retorno ao trabalho • • • Amamentar com freqüência quando estiver em casa. no freezer ou congelador. de preferência dentro da geladeira. Leite cru (não pasteurizado) pode ser conservado em geladeira por 12 horas e. Durante as horas de trabalho. • • • • CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA . Para alimentar o bebê com leite ordenhado congelado. Antes de oferecê-lo à criança. Lavar cuidadosamente as mãos e antebraços. Não há necessidade de lavar os seios freqüentemente. 35 • • • Dispor de vasilhame de vidro esterilizado para receber o leite. inclusive à noite.

repetindo a massagem e o ciclo várias vezes.36 • • • • Secar as mãos e antebraços com toalha limpa ou de papel. Alternar a mama quando o fluxo de leite diminuir. assim. especialmente nos primeiros dias. Massagear delicadamente a mama como um todo com movimentos circulares da base em direção à aréola. Pressionar e soltar. • . na posição sentada ou semi-sentada. Com os dedos da mão em forma de “C”. A princípio o leite pode não fluir. é necessário que o profissional de saúde demonstre como oferecer o leite à criança. em posição confortável. sendo que a cabeça forme um ângulo de 90º com o pescoço. ou usar as duas mãos simultaneamente (uma em cada mama ou as duas juntas na mesma mama – técnica bimanual). caneca ou vidro de boca larga) próximo ao seio. quando apenas uma pequena quantidade de leite pode ser produzida. em cada mama. Para isso. e levemente para dentro em direção à parede torácica. Posicionar o recipiente onde será coletado o leite materno (copo. sustentando o seio com os outros dedos. O leite ordenhado deve ser oferecido à criança de preferência utilizando-se copo. para facilitar a saída do leite e aumentar o fluxo. Curvar o tórax sobre o abdômen. em oposição ao polegar. Pressionar suavemente o polegar e o dedo indicador. A manobra não deve doer se a técnica estiver correta. mas depois de pressionar algumas vezes o leite começará a pingar. sentada ou em pé. Mudar a posição dos dedos ao redor da aréola para esvaziar todas as áreas. colocar o polegar na aréola ACIMA do mamilo e o dedo indicador ABAIXO do mamilo na transição aréolamama. um em direção ao outro. Pensar no bebê pode auxiliar na ejeção do leite. pressionar e soltar. Lembrar que ordenhar leite de peito adequadamente leva mais ou menos 20 a 30 minutos. pois pode bloquear os ductos lactíferos. colocados um embaixo de cada mama. Desprezar os primeiros jatos. xícara ou colher. xícara. Evitar pressionar demais. CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA • • • • • • • • Podem ser ordenhados os dois seios simultaneamente em um único vasilhame de boca larga ou em dois vasilhames separados. Procurar estar relaxada. Usar preferencialmente a mão esquerda para a mama esquerda e a mão direita para a mama direita. melhora a qualidade do leite pela redução dos contaminantes microbianos. A técnica recomendada é a seguinte: • Acomodar o bebê desperto e tranqüilo no colo. Poderá fluir em jorros se o reflexo de ocitocina for ativo.

Além disso. e a mãe deseja amamentá-lo.9. A seguir são abordadas as principais dificuldades e seu manejo. O manejo vai depender do problema detectado. O manejo desses casos se restringe a acalmar a mãe e o bebê. 37 • 1. por exemplo). ingurgitadas. ela deve ser orientada a estimular a sua mama regularmente (no mínimo cinco vezes ao dia) por meio de ordenha manual ou por bomba de sucção. porque ele sente dor numa determinada posição (fratura de clavícula. Isso garantirá a produção de leite. ingurgitamento) ou porque a mãe não consegue posicioná-lo adequadamente em um dos lados ou. Alguns bebês não conseguem pegar a aréola adequadamente ou não conseguem manter a pega. O bebê fará movimentos de lambida do leite.• Encostar a borda do copo no lábio inferior do bebê e deixar o leite materno tocar o lábio. é o uso da posição “jogador de futebol americano” (bebê apoiado no braço do mesmo lado da CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA . Nesses casos ele pode estar mal posicionado. podem ser importantes causas de interrupção da amamentação. Em algumas situações o bebê começa a mamar. suspender o uso de bicos e chupetas quando presentes e insistir nas mamadas por alguns minutos cada vez. ainda. Não despejar o leite na boca do bebê. Alguns bebês resistem às tentativas de serem amamentados e com freqüência não se descobre a causa dessa resistência inicial. fluxo de leite. o fluxo de leite ser muito forte. ter adquirido preferência pela mamadeira ou.9 PREVENÇÃO E MANEJO DOS PRINCIPAIS PROBLEMAS RELACIONADOS À AMAMENTAÇÃO Alguns problemas enfrentados pelas nutrizes durante o aleitamento materno. ainda. Algumas vezes ela pode estar associada ao uso de bicos artificiais ou chupetas ou ainda à presença de dor quando o bebê é posicionado para mamar. o bebê não estiver sugando ou a sucção é ineficaz. Os profissionais de saúde têm um papel importante na prevenção e no manejo dessas dificuldades. não abre a boca suficientemente ou está sendo exposto à mamadeira e/ou chupeta. ou os mamilos são invertidos ou muito planos. porém após alguns segundos larga a mama e chora. o bebê pode não abocanhar adequadamente a mama porque elas estão muito tensas. Não é raro o bebê ter dificuldade para sugar em uma das mamas porque existe alguma diferença entre elas (mamilos. seguidos de deglutição. 1. muitas vezes com sucesso. se não forem precocemente identificados e tratados.1 Bebê que não suga ou tem sucção fraca Quando. Um recurso que se utiliza para fazer o bebê mamar na mama “recusada”. Isso pode ocorrer porque o bebê não está bem posicionado. por alguma razão.

em copinho. pressiona-se a aréola entre o polegar e o dedo indicador: se o mamilo for invertido. é possível manter aleitamento materno exclusivo utilizando apenas uma das mamas. se houver desconforto. corpo da criança mantido na lateral. A criança. além de orientar medidas de estimulação da mama. recebe o suplemento. que consiste em um recipiente (pode ser um copo ou uma xícara) contendo leite (de preferência leite humano pasteurizado). caso contrário. Tentar diferentes posições para ver em qual delas a mãe e o bebê adaptamse melhor.2 Demora na “descida do leite” Em algumas mulheres a “descida do leite” ou apojadura só ocorre alguns dias após o parto. é fundamental que ela receba ajuda logo após o nascimento do bebê. Mostrar à mãe manobras que podem ajudar a aumentar o mamilo antes das mamadas. ao sugar o mamilo. Nesses casos. A sucção não deve ser muito vigorosa para não causar dor ou mesmo machucar os mamilos.9.9. o profissional de saúde deve desenvolver confiança na mãe. pois o bebê faz o “bico” com a aréola. 1. Dessa maneira o bebê continua a estimular a mama e sente-se gratificado ao sugar o seio da mãe e ser saciado. não é mamilo invertido. Orientar as mães a ordenhar o seu leite enquanto o bebê não sugar efetivamente – isso ajuda a manter a produção do leite e deixa as mamas macias. como simples estímulo (toque) do mamilo. 1. colocado entre as mamas da mãe e conectado ao mamilo por meio de uma sonda. É muito útil o uso de um sistema de nutrição suplementar (translactação). Se o bebê continuar a recusar uma das mamas. Para fazer o diagnóstico de mamilos invertidos. Ajudar a mãe a favorecer a pega do bebê – a mãe pode precisar de ajuda para fazer com que o bebê abocanhe o mamilo e parte da aréola se ele. mão da mãe apoiando a cabeça da criança.3 Mamilos planos ou invertidos Mamilos planos ou invertidos podem dificultar o início da amamentação. que consiste em: • Promover a confiança e empoderar a mãe – deve ser transmitido a ela que com paciência e perseverança o problema poderá ser superado e que com a sucção do bebê os mamilos vão se tornando mais propícios à amamentação. ele se retrai. Recomenda-se essa técnica antes das mamadas e nos intervalos se assim a mãe o desejar. Para uma mãe com mamilos planos ou invertidos amamentar com sucesso. inicialmente. facilitando a pega. de preferência.38 mama a ser oferecida. mas não necessariamente a impedem. compressas frias nos mamilos e sucção com bomba manual ou seringa de 10ml ou 20ml adaptada (cortada para eliminar a saída estreita e com o êmbolo inserido na extremidade cortada). O mamilo deve ser mantido em sucção por 30 a 60 segundos. CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA • • • . não conseguir. como sucção freqüente do bebê e ordenha. é muito importante que a aréola esteja macia. abaixo da axila). o leite ordenhado deve ser oferecido ao bebê. ou menos.

Paracetamol ou Dipirona podem ser usados como alternativas. chás e outros leites) são medidas eficazes na prevenção do ingurgitamento. Portanto. particularmente nas regiões mais afetadas pelo ingurgitamento. amamentação em livre demanda. Pode haver áreas difusas avermelhadas. Massagens delicadas das mamas. há três componentes básicos: (1) congestão/aumento da vascularização da mama. em situações de maior gravidade. a pega adequada do bebê. Não havendo alívio. para aliviar a dor e manter os ductos em posição anatômica. não sendo necessária qualquer intervenção.4. sem horários preestabelecidos (livre demanda). É importante diferenciar o ingurgitamento fisiológico. e com técnica correta. facilitando a retirada do leite. Já no ingurgitamento patológico. edemaciadas e brilhantes. há a compressão dos ductos lactíferos. Os mamilos ficam achatados. se ela estiver tensa. Leite em abundância. mamadas infreqüentes. dificultando a pega do bebê. preferencialmente logo após o parto. daí a origem do termo “leite empedrado”. Uso de analgésicos sistêmicos/antiinflamatórios. com o uso ininterrupto de sutiã com alças largas e firmes. facilitando. o que causa grande desconforto. auxiliando também na redução da inflamação e do edema. podem ser feitas de duas em duas horas.4 Ingurgitamento mamário No ingurgitamento mamário. e o leite muitas vezes não flui com facilidade. Importante: o tempo de aplicação das • • • CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA . às vezes acompanhado de febre e mal-estar. antes da mamada. o que dificulta ou impede a saída do leite dos alvéolos. e o não uso de complementos (água. assim. para que ela fique macia. em intervalos regulares após ou nos intervalos das mamadas. (2) retenção de leite nos alvéolos. restrição da duração e freqüência das mamadas e sucção ineficaz do bebê favorecem o aparecimento do ingurgitamento. 1. elas fluidificam o leite viscoso acumulado. pois promovem a síntese de ocitocina. do patológico.1 Manejo 39 Se o ingurgitamento mamário patológico não pode ser evitado. e (3) edema decorrente da congestão e obstrução da drenagem do sistema linfático. a mama fica excessivamente distendida. que é normal. com movimentos circulares.9. Como resultado. aproximadamente três a cinco dias após o parto. a produção do leite pode ser interrompida. com posterior reabsorção do leite represado.1. Compressas frias (ou gelo envolto em tecido). O ingurgitamento patológico ocorre com mais freqüência entre as primíparas. Mamadas freqüentes. recomendam-se as seguintes medidas: • • • Ordenha manual da aréola. O leite acumulado na mama sob pressão torna-se mais viscoso. Suporte para as mamas. Ibuprofeno é considerado o mais efetivo. O primeiro é discreto e representa um sinal positivo de que o leite está “descendo”. início tardio da amamentação. iniciada o mais cedo possível.9. e são importantes estímulos do reflexo de ejeção do leite.

a sua prevenção é muito importante. 1.40 compressas frias não deve ultrapassar 20 minutos devido ao efeito rebote. hematomas ou equimoses. expondo-os ao ar livre ou à luz solar e trocas freqüentes dos forros utilizados quando há vazamento de leite. Trauma mamilar. As compressas frias provocam vasoconstrição temporária pela hipotermia. O mito de que mulheres de pele clara são mais vulneráveis a lesões mamilares que mulheres com pele escura nunca se confirmou. uso impróprio de bombas de extração de leite.5 Dor nos mamilos/mamilos machucados É comum a mulher sentir dor discreta ou mesmo moderada nos mamilos no começo das mamadas. A causa mais comum de dor para amamentar se deve a lesões nos mamilos por posicionamento e pega inadequados. o que pode ser conseguido com as seguintes medidas: • • Amamentação com técnica adequada (posicionamento e pega adequados). é uma importante causa de desmame e. amarelas ou escuras. álcool ou qualquer produto secante. não interrupção adequada da sucção da criança quando for necessário retirá-la do peito. No entanto. traduzido por eritema. a mama deve ser ordenhada manualmente ou com bomba de sucção. uso de protetores de mamilo (intermediários) e exposição prolongada a forros úmidos. como sabões. disfunções orais na criança. devido à forte sucção deles e da aréola. edema. “marcas” brancas. aumento da drenagem linfática e menor produção do leite. o que leva à redução do fluxo sangüíneo. uso de cremes e óleos que causam reações alérgicas nos mamilos. Não uso de produtos que retiram a proteção natural do mamilo. O esvaziamento da mama é essencial para dar alívio à mãe. CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA • . Outras causas incluem mamilos curtos. • Se o bebê não sugar. ter os mamilos muito doloridos e machucados. fissuras. com conseqüente redução do edema. freio de língua excessivamente curto. não é normal e requer intervenção. sucção não nutritiva prolongada. planos ou invertidos. apesar de muito comuns. bolhas. por isso.9. devida à redução da oferta de substratos necessários à produção do leite. um aumento de fluxo sanguíneo para compensar a redução da temperatura local. Essa dor pode ser considerada normal e não deve persistir além da primeira semana. ou seja. Cuidados para que os mamilos se mantenham secos. diminuir a pressão dentro dos alvéolos. aumentar a drenagem da linfa e do edema e não comprometer a produção do leite. além de prevenir a ocorrência de mastite.

além de corrigir o problema que está causando a dor mamilar (na maioria das vezes a má pega).• Amamentação em livre demanda – a criança que é colocada no peito assim que dá os primeiros sinais de que quer mamar vai ao peito com menos fome. são a porta de entrada para bactérias. 41 • • • • Não uso de protetores (intermediários) de mamilo. se for preciso interromper a mamada. . permitindo uma pega adequada. o que aumenta a sua flexibilidade. de maneira que a sucção seja interrompida antes de a criança ser retirada do seio. Ordenha manual da aréola antes da mamada se ela estiver ingurgitada. Por isso. o suficiente para desencadear o reflexo de ejeção de leite. com freqüência.5. CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA Introdução do dedo indicador ou mínimo pela comissura labial (canto) da boca do bebê. Lesão mamilar por má pega 1.1 Manejo As lesões mamilares são muito dolorosas e. pois eles. faz-se necessário intervir para aliviar a dor e promover a cicatrização das lesões o mais rápido possível. podem ser a causa do trauma mamilar. Em primeiro lugar. Evitar ingurgitamento mamário. evitando dessa maneira que a criança tenha que sugar muito forte no início da mamada para desencadear o reflexo. além de não serem eficazes.9. com menos chance de sugar com força excessiva. que visam a minimizar o estímulo aos receptores da dor localizados na derme do mamilo e da aréola: • • Início da mamada pela mama menos afetada. Ordenha de um pouco de leite antes da mamada. podem-se sugerir as seguintes medidas de conforto.

essa recomendação deve ser avaliada em cada caso. pode-se recomendar o uso do próprio leite materno ordenhado nas fissuras. óleos e loções. favorece a drenagem espontânea de leite. Uso de “conchas protetoras” (alternativamente pode-se utilizar um coador de plástico pequeno. não tem sido mais recomendado porque acredita-se que a cicatrização de feridas é mais eficiente se as camadas internas da epiderme (expostas pela lesão) se mantiverem úmidas. contraceptivos orais e esteróides. Por isso. . mesmo quando a doença não seja aparente. com o objetivo de formar uma camada protetora que evite a desidratação das camadas mais profundas da epiderme. Têm sido utilizados dois tipos de tratamento para acelerar a cicatrização das lesões mamilares: tratamento seco e tratamento úmido. Para isso. A infecção pode atingir só a pele do mamilo e da aréola ou comprometer os ductos lactíferos. brilhante ou apenas irritada ou com fina descamação. São fatores predisponentes a umidade e lesão dos mamilos e uso. eventualmente. sem o cabo) entre as mamadas. como o uso de chá e casca de banana ou mamão.9. É muito comum a criança apresentar crostas brancas orais. A casca de banana. pois eles podem causar alergias e. Essas práticas devem ser evitadas até que haja estudos indicando a sua eficácia e inocuidade. bastante popular nas últimas décadas. (NOVAK. A pele dos mamilos e da aréola pode apresentar-se avermelhada. É preciso ter cautela ao recomendar cremes. 2003) 1.6 Candidíase (monilíase) A infecção da mama no puerpério por Candida sp (candidíase ou monilíase) é bastante comum. por exemplo. no entanto. sensação de queimadura e dor em agulhadas nos mamilos que persiste após as mamadas. pesando-se os riscos e os benefícios. Algumas mães queixam-se de ardência e dor em agulhada dentro das mamas. É importante ressaltar que limitar a duração das mamadas não tem efeito na prevenção ou tratamento do trauma mamilar. o que torna o tecido aréolo-mamilar mais vulnerável a macerações. raramente se observam placas esbranquiçadas. CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA • Analgésicos sistêmicos por via oral se houver dor importante. SILVA. Por isso. banho de sol. eliminando o contato da área machucada com a roupa. causar obstrução de poros lactíferos.42 • • Uso de diferentes posições para amamentar. Na maioria das vezes é a criança quem transmite o fungo. ALMEIDA. Existem muitas práticas de uso popular que visam a aliviar o sofrimento materno causado por machucadura de mamilos. pode causar reação alérgica e ser fonte de contaminação. pela mulher. A infecção por Candida sp costuma manifestar-se por coceira. entre outras. secador de cabelo). de antibióticos. atualmente tem-se recomendado o tratamento úmido das lesões mamilares. O tratamento seco (banho de luz. Esse artifício. que devem ser distinguidas das crostas de leite (essas últimas são removidas sem machucar a língua ou gengivas). reduzindo a pressão nos pontos dolorosos ou áreas machucadas.

As chupetas e bicos de mamadeira são fontes importantes de reinfecção. As mulheres podem aplicar o creme após cada mamada e ele não precisa ser removido antes da próxima mamada. por uma ou duas semanas CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA Mãe e bebê devem ser tratados simultaneamente. . Um grande número de espécies de cândida é resistente à nistatina. Muitas mulheres relatam dor em “fisgadas” ou sensação de queimação enquanto o mamilo está pálido e por isso muitas vezes essa condição é confundida com candidíase. Miconazol ou Cetoconazol tópicos por duas semanas.9.5% pode ser usada nos mamilos/aréolas e na boca da criança uma vez por dia por três a quatro dias. 1. 1.1 Manejo Deve-se buscar identificar e tratar a causa básica que está contribuindo para a isquemia do mamilo e melhorar a técnica de amamentação (pega). caso não seja possível eliminá-los.1 Manejo 43 Além do tratamento específico contra o fungo.7. Porém. Se o tratamento tópico não for eficaz. uma isquemia intermitente causada por vasoespasmo. deve-se utilizar a Nifedipina 5mg. 1.9.9. por 10 a 20 dias. O tratamento inicialmente é local. A palidez é seguida de cianose e finalmente o mamilo se torna avermelhado. É comum haver uma seqüência de espasmos com repousos curtos. três vezes ao dia. também pode acometer os mamilos. provavelmente porque em geral o ar é mais frio que a boca da criança. eles devem ser fervidos por 20 minutos pelo menos uma vez ao dia. com Nistatina. são medidas preventivas contra a instalação de cândida manter os mamilos secos e arejados e expô-los à luz por alguns minutos ao dia. Quando a dor é importante e não houver melhora com as medidas já citadas (o que é raro). por isso. Em geral ocorre em resposta à exposição ao frio. mas é mais comum depois das mamadas. mesmo que a criança não apresente sinais evidentes de candidíase. algumas medidas gerais são úteis durante o tratamento. com a dor característica.Uma vez que o fungo cresce em meio úmido. como enxaguar os mamilos e secá-los ao ar após as mamadas e expô-los à luz por pelo menos alguns minutos por dia.6. duram segundos ou minutos. mas a dor pode durar uma hora ou mais. que usualmente ocorre nos dedos das mãos e dos pés. quente e escuro. compressão anormal do mamilo na boca da criança ou trauma mamilar importante. Clotrimazol. recomenda-se Cetoconazol 200mg/dia. Violeta de Genciana a 0. Algumas medicações como Fluconazol e contraceptivos orais podem agravar os vasoespasmos. Manifesta-se inicialmente por palidez dos mamilos (por falta de irrigação sangüínea) e dor importante antes. durante ou depois das mamadas. Compressas mornas ajudam a aliviar a dor na maioria das vezes. quando esta for inadequada. nem sempre é possível encontrar a causa.7 Fenômeno de Raynaud O fenômeno de Raynaud. Os espasmos.

esfregando-o com uma toalha ou utilizando uma agulha esterilizada. para que o processo não evolua para mastite. por alguma razão. a mulher com bloqueio de ductos lactíferos apresenta nódulos localizados. um sutiã muito apertado.8. As seguintes medidas são necessárias para o desbloqueio de um ducto lactífero: • • Mamadas freqüentes. Calor local (compressas mornas) e massagens suaves na região atingida. quase imperceptível. que pode ser muito doloroso durante as mamadas. isso ocorre quando a mama não está sendo esvaziada adequadamente. com o queixo do bebê direcionado para a área afetada. a febre não faz parte do quadro clínico. geralmente unilateral. Em geral.9. essa condição está associada a um pequeno. Com freqüência. por exemplo. ou como conseqüência do uso de cremes nos mamilos. caso esteja presente. Utilização de distintas posições para amamentar. 1. tais como cafeína e nicotina. antes e durante as mamadas. Ordenha manual da mama ou com bomba de extração de leite caso a criança não esteja conseguindo esvaziá-la. acompanhados de dor. Às vezes. sensíveis e dolorosos. Tipicamente. técnica correta de amamentação e mamadas freqüentes reduzem a chance dessa complicação. As mulheres com essa condição devem evitar uso de drogas vasoconstritoras. 1. obstruindo os poros de saída do leite. 1.9. uma vez ao dia. Assim. Qualquer medida que favoreça o esvaziamento completo da mama irá atuar na prevenção do bloqueio de ductos lactíferos. como.1 Manejo CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA O tratamento dessa condição deve ser instituído precoce e energicamente. para a formulação de liberação lenta. ponto branco na ponta do mamilo. o que pode acontecer quando a amamentação é infreqüente ou quando a criança não está conseguindo remover o leite da mama de maneira eficiente. não é drenado adequadamente. Ela ocorre mais comumente na segun- . oferecendo primeiramente a mama afetada. como também o uso de sutiã que não bloqueie a drenagem do leite e a restrição ao uso de cremes nos mamilos. que pode progredir ou não para uma infecção bacteriana.9 Mastite Mastite é um processo inflamatório de um ou mais segmentos da mama (o mais comumente afetado é o quadrante superior esquerdo). vermelhidão e calor na área envolvida. o que facilita a retirada do leite do local. na direção do mamilo.9. • • • Remoção do ponto esbranquiçado na ponta do mamilo.44 ou 30–60mg.8 Bloqueio de ductos lactíferos O bloqueio de ductos lactíferos ocorre quando o leite produzido numa determinada área da mama. Pode ser causado também quando existe pressão local em uma área.

diminuição das concentrações de lactose ou dano do tecido alveolar. Quando há infecção. A produção do leite pode ser afetada na mama comprometida. Mastite 45 CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA . O leite acumulado. uso de chupetas ou mamadeiras. do bloqueio de ductos lactíferos e das fissuras. As medidas de prevenção da mastite são as mesmas do ingurgitamento mamário. criança com sucção fraca. freio de língua curto. produção excessiva de leite. bem como nos dias subseqüentes. bem como manejo precoce desses problemas. Em ambas. a parte afetada da mama encontra-se dolorosa. redução súbita no número de mamadas. tornando-se mais salgado devido a um aumento dos níveis de sódio e uma diminuição dos níveis de lactose. Tal alteração de sabor pode ocasionar rejeição do leite pela criança. separação entre mãe e bebê e desmame abrupto. comumente pelo Staphylococcus (aureus e albus) e ocasionalmente pela Escherichia coli e Streptococcus (α-. A estase do leite é o evento inicial da mastite e o aumento de pressão intraductal causado por ela leva ao achatamento das células alveolares e formação de espaços entre as células. As mulheres que já tiveram mastite na lactação atual ou em outras lactações têm mais chance de desenvolver outras mastites por causa do rompimento da integridade da junção entre as células alveolares. causando uma resposta inflamatória. na maioria das vezes. a resposta inflamatória e o dano tecidual resultante favorecem a instalação da infecção. Isso se deve à diminuição de sucção da criança na mama afetada. Qualquer fator que favoreça a estagnação do leite materno predispõe ao aparecimento de mastite. com diminuição do volume secretado durante o quadro clínico. O sabor do leite materno costuma alterar-se nas mastites. não esvaziamento completo das mamas. A fadiga materna é tida como um facilitador para a instalação da mastite. costuma haver mal-estar importante.e não hemolítico). sendo as fissuras. edemaciada e quente. longo período de sono do bebê à noite. a porta de entrada da bactéria. incluindo mamadas com horários regulares.β. vermelha. febre alta (acima de 38 oC) e calafrios.da e terceira semanas após o parto e raramente após a 12a semana. Por esse espaço passam alguns componentes do plasma para o leite e do leite para o tecido intersticial da mama. Nem sempre é fácil distinguir a mastite infecciosa da não-infecciosa apenas pelos sinais e sintomas.

fissura mamilar e ausência de melhora dos sintomas após 12–24 horas da remoção efetiva do leite acumulado. os antibióticos devem ser utilizados por. de seis em seis horas. por via oral. é importante que o profissional agende retorno da mãe à unidade de saúde e que a unidade ofereça acesso sob demanda espontânea. apesar de ser muito importante. por via oral. Amoxicilina 500mg ou Amoxicilina associada ao Ácido Clavulânico (500mg/125mg). pois sem o tratamento adequado e em tempo oportuno a mastite pode evoluir para abscesso mamário. A retirada manual do leite após as mamadas pode ser necessária se não houve um esvaziamento adequado. de oito em oito horas. apesar da presença de bactérias no leite materno. 1. analgésicos ou antiinflamatórios não-esteróides. Em todos os casos. com comprometimento do estado geral. Se não houver regressão dos sintomas após 48 horas do início da antiobioticoterapia. e usar sutiã bem firme.46 1. no mínimo. a manutenção da amamentação está indicada por não oferecer riscos ao recém-nascido a termo sadio (AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRICS.10 Abscesso mamário O abscesso mamário. pois tratamentos mais curtos apresentam alta incidência de recorrência. febre. É comum após a interrupção da amamentação na mama afetada pela mastite sem o esvaziamento adequado do leite por ordenha . mal-estar. líquidos abundantes. pois. como ibuprofeno. por via oral. quando há mastite. Diante dessa situação. de seis em seis horas. para garantir a continuidade do cuidado. O tratamento inclui os seguintes componentes: • Esvaziamento adequado da mama: esse é o componente mais importante do tratamento da mastite. As opções são: Cefalexina 500mg. 10 dias. No diagnóstico . para eventual avaliação diagnóstica especializada e revisão da antibioticoterapia. Antibioticoterapia: indicada quando houver sintomas graves desde o início do quadro. está indicada a Eritromicina 500mg. deve ser considerada a possibilidade de abscesso mamário e de encaminhamento para unidade de referência. Suporte emocional: esse componente do tratamento da mastite é muitas vezes negligenciado. CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA • • • Outras medidas de suporte: repouso da mãe (de preferência no leito).9.9.9. uma complicação grave. em geral.1 Manejo O tratamento da mastite deve ser instituído o mais precocemente possível. 2000). é causado por mastite não tratada ou com tratamento iniciado tardiamente ou ineficaz. calafrios e presença de áreas de flutuação à palpação no local afetado. iniciar a amamentação na mama não afetada. Em pacientes alérgicas a essas drogas. Preferencialmente a mama deve ser esvaziada pelo próprio recém-nascido. pois essa condição é muito dolorosa. O diagnóstico é feito basicamente pelo quadro clínico: dor intensa.

diferencial do abscesso, devem-se considerar a galactocele, a fibroadenoma e o carcinoma da mama. Todo esforço deve ser feito para prevenir abscesso mamário, já que essa condição pode comprometer futuras lactações em aproximadamente 10% dos casos. Qualquer medida que previna o aparecimento de mastite conseqüentemente vai prevenir o abscesso mamário, assim como a instituição precoce do tratamento da mastite se ela não puder ser prevenida.

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1.9.10.1 Manejo

O abscesso mamário exige intervenção rápida e compreende as seguintes medidas: • • • Drenagem cirúrgica, de preferência sob anestesia local, com coleta de secreção purulenta para cultura e teste de sensibilidade a antibióticos; Demais condutas indicadas no tratamento da mastite infecciosa, sobretudo a antibioticoterapia e o esvaziamento regular da mama afetada; Interrupção da amamentação na mama afetada até que o abscesso tenha sido drenado e a antibioticoterapia iniciada. Essa é uma recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS); Manutenção da amamentação na mama sadia.

CADERNOS DE

ATENÇÃO BÁSICA

Abscesso Mamário

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Os abscessos mamários não adequadamente tratados podem evoluir para drenagem espontânea, necrose e perda do tecido mamário. Abscessos muito grandes podem necessitar de ressecções extensas, podendo resultar em deformidades da mama, bem como comprometimento funcional. O uso de drogas para supressão da lactação não está indicado nos casos em que as mães desejem continuar a amamentação. 1.9.11 Galactocele Galactocele é uma formação cística nos ductos mamários contendo líquido leitoso, que no início é fluido, adquirindo posteriormente aspecto viscoso, que pode ser exteriorizado por meio do mamilo. Acredita-se que a galactocele seja causada por um bloqueio de ducto lactífero. Ela pode ser palpada como uma massa lisa e redonda, mas o diagnóstico é feito por aspiração ou ultra-sonografia. O tratamento é feito com aspiração. No entanto, com freqüência, a formação cística deve ser extraída cirurgicamente porque o cisto enche novamente após a aspiração. 1.9.12 Reflexo anormal de ejeção do leite Algumas mulheres têm o reflexo de ejeção do leite exacerbado, o que pode provocar engasgos na criança. Ordenhar um pouco de leite antes da mamada até que o fluxo diminua geralmente é suficiente no manejo do problema. 1.9.13 Pouco leite A grande maioria das mulheres tem condições biológicas para produzir leite suficiente para atender à demanda de seu filho. No entanto, uma queixa comum durante a amamentação é “pouco leite” ou “leite fraco”. Muitas vezes, essa percepção é o reflexo da insegurança materna quanto a sua capacidade de nutrir plenamente o seu bebê. Essa insegurança, com freqüência reforçada por pessoas próximas, faz com que o choro do bebê e as mamadas freqüentes (que fazem parte do comportamento normal em bebês pequenos) sejam interpretados como sinais de fome. A ansiedade que tal situação gera na mãe e na família pode ser transmitida à criança, que responde com mais choro. A suplementação com outros leites muitas vezes alivia a tensão materna e essa tranqüilidade é repassada ao bebê, que passa a chorar menos, vindo a reforçar a idéia de que a criança estava passando fome. Uma vez iniciada a suplementação, a criança passa a sugar menos o peito e, como conseqüência, vai haver menor produção de leite, processo que com freqüência culmina com a interrupção da amamentação. Por isso, a queixa de “pouco leite” ou “leite fraco” deve ser valorizada e adequadamente manejada. Até a “descida do leite”, que costuma ocorrer até o terceiro ou quarto dia após o parto, a produção do leite se dá por ação de hormônios e ocorre mesmo que a criança não esteja sugando. A partir de então, a produção do leite depende basicamente do esvaziamento da mama, ou seja, é o número de vezes que a criança mama ao dia e a sua capacidade de esvaziar com eficiência a mama que vão determinar o quanto de leite materno é produzido.

CADERNOS DE

ATENÇÃO BÁSICA

O volume de leite produzido na lactação já estabelecida varia de acordo com a demanda da criança. Em média, uma mulher amamentando exclusivamente produz 800ml de leite por dia. No entanto, a capacidade de produção de leite das mulheres costuma ser maior que as necessidades de seus filhos, o que explica a possibilidade de amamentação exclusiva de gêmeos e o leite extra produzido pelas mulheres que doam leite humano aos bancos de leite. O bebê dá sinais quando há insuficiência de leite, tais como não ficar saciado após as mamadas, chorar muito, querer mamar com freqüência e ficar muito tempo no peito nas mamadas. O número de vezes que a criança urina ao dia (menos que seis a oito) e evacuações infreqüentes, com fezes em pequena quantidade, secas e duras, são indicativos indiretos de pouco volume de leite ingerido. Porém, o melhor indicativo de que a criança não está recebendo volume adequado de leite é a constatação, por meio do acompanhamento de seu crescimento, de que ela não está ganhando peso adequadamente. Existem no leite materno substâncias específicas que inibem a produção do leite (peptídeos inibidores da lactação), e a sua retirada, por meio do esvaziamento da mama, é que garante a reposição total do leite removido. Qualquer fator materno ou da criança que limite o esvaziamento das mamas pode causar diminuição na produção do leite. A má pega é a principal causa de remoção ineficiente do leite. Mamadas infreqüentes e/ ou curtas, amamentação com horários preestabelecidos, ausência de mamadas noturnas, ingurgitamento mamário, uso de complementos e uso de chupetas e protetores de mamilo também podem levar a um esvaziamento inadequado das mamas. Outras situações menos freqüentes associadas com sucção ineficiente do bebê, como lábio/palato leporino, freio da língua muito curto, micrognatia, macroglossia, uso de medicamentos na mãe ou na criança que deixe a criança sonolenta ou que reduza a produção de leite (bromocriptina, cabergolina, estrogênios, progetogênios, pseudoefedrina e, em menor grau, álcool e nicotina), asfixia neonatal, prematuridade, síndrome de Down, hipotireoidismo, disfunção neuromuscular, doenças do sistema nervoso central, padrão de sucção anormal, problemas anatômicos da mama (mamilos muito grandes, invertidos ou muito planos), doenças maternas (infecção, hipotireoidismo, diabetes não tratada, síndrome de Sheehan, tumor hipofisário, doença mental), retenção de restos placentários, fadiga materna, distúrbios emocionais, uso de medicamentos que provocam diminuição da síntese do leite, restrição dietética importante (perda de peso maior que 500g por semana), redução cirúrgica das mamas, fumo e gravidez são possíveis determinantes de baixa produção de leite. Portanto, é fundamental uma história detalhada e uma observação cuidadosa das mamadas para se descartar tais problemas.
1.9.13.1 Manejo

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Para aumentar a produção de leite, as seguintes medidas são úteis: • • Melhorar o posicionamento e a pega do bebê, quando não adequados; Aumentar a freqüência das mamadas;

CADERNOS DE

ATENÇÃO BÁSICA

CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA • Repousar. Consumir dieta balanceada.10. Contudo. é importante orientá-la que ela deve dar prioridade à criança mais nova no que diz respeito à amamentação. O desmame pode ocorrer pela diminuição da produção de leite. com menos efeitos colaterais. Se a mãe optar por continuar amamentando o filho mais velho após o nascimento do bebê. Evitar o uso de mamadeiras.1 Nova gravidez É possível manter a amamentação em uma nova gravidez se for o desejo da mulher e se a gravidez for normal. 1. sente necessidade de indicar alguma droga. Trocar de mama várias vezes numa mamada se a criança estiver sonolenta ou se não sugar vigorosamente. .10 COMO MANEJAR O ALEITAMENTO MATERNO EM SITUAÇÕES ESPECIAIS? 1. chupetas e protetores (intermediários) de mamilos. podendo ser utilizada por tempo indeterminado. Apesar de haver controvérsias sobre o uso de medicamentos para o estímulo da lactação. Na ameaça de parto prematuro é indicado interromper a lactação. perda do espaço destinado ao colo com o avanço da gravidez ou aumento da sensibilidade dos mamilos durante a gravidez. Ingerir líquidos em quantidade suficiente (lembrar que líquidos em excesso não aumentam a produção de leite. Dar tempo para o bebê esvaziar bem as mamas. A Domperidona tem a vantagem de não atravessar a barreira hemato-encefálica. em casos selecionados e quando as medidas citadas não produziram o efeito desejado. muitas vezes o profissional de saúde. Nesse caso.50 • • • • • • Oferecer as duas mamas em cada mamada. o que a torna mais segura do que a Metoclopramida. não é raro as crianças interromperem a amamentação espontaneamente quando a mãe engravida. podendo até diminuí-la). as mais utilizadas são: Domperidona (30mg três vezes ao dia) e Metoclopramida (10mg três vezes ao dia por aproximadamente uma ou duas semanas). alteração no gosto do leite (mais salgado. por maior conteúdo de sódio e cloreto).

que pode ser mais bem enfrentado se a família. mas a indisponibilidade da mulher. pelo risco de parto prematuro. inclusive dos profissionais de saúde. pois por mais boa vontade que ela tenha. principalmente após o nascimento das crianças. as quais exigem cuidados intensificados. Estes devem estar preparados para aconselhar as famílias nas diversas situações envolvendo gêmeos. por outro é um grande desafio. Ter alguém para ajudar nas tarefas de casa antes e após o nascimento de gêmeos não é um luxo. Se por um lado o nascimento de gêmeos é uma dádiva. Assim. já que o aleitamento materno previne doenças. uma vez que as mamas são capazes de responder às demandas nutricionais das crianças. 51 CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA .10. haja vista o gasto com outros leites ser o dobro (ou mais) caso as crianças não sejam amamentadas. o nascimento de múltiplas crianças se tornou mais freqüente. não é a quantidade de leite que pode ser produzida. Há séculos se sabe que é possível uma mãe amamentar plenamente dois ou mais bebês. receber ajuda. auxiliar no atendimento das necessidades dos bebês com relação à atenção e ao afeto da mãe. É importante discutir com a gestante a necessidade de ajuda. são úteis para mulheres que estão esperando gêmeos. espera-se que ela produza leite suficiente para cada uma delas. Algumas orientações. ela não tem condições de atender duas ou mais crianças da mesma maneira que atenderia uma só. é fundamental que as mães de parto múltiplo tenham suporte adicional. facilitar os cuidados de gêmeos. A “preparação física” das mamas (estimulação de qualquer tipo dos mamilos). Se há duas ou mais crianças sugando o peito da mãe. e contribuir para o reconhecimento das necessidades individuais de cada gêmeo. mas uma necessidade. O maior obstáculo à amamentação de bebês múltiplos.1. Além de todos os benefícios já amplamente reconhecidos do aleitamento materno. a amamentação de crianças gemelares tem vantagens adicionais tais como: maior economia. não mais recomendada em qualquer gestação. incluindo o aleitamento materno. na realidade.2 Gemelaridade Com o advento da inseminação artificial. acelerando o processo de enxergar cada criança como um indivíduo. em especial a mãe. além das habituais para qualquer gestante. deve ser particularmente desaconselhada em gestações múltiplas.

mas após um período de aprendizagem (que pode durar meses). Mães de gêmeos tendem a usar uma das seguintes variações para amamentar os seus bebês: • Alternância de bebês e mamas em cada mamada. O período de “aprendizagem” compreensivelmente é maior na amamentação de gêmeos quando comparado ao de recém-nascidos únicos. especialmente se um dos bebês tem sucção menos eficiente ou quando um ou mais bebês querem mamar nas duas mamas. na gestação. o bebê “A” inicia todas as mamadas do dia em uma determinada mama e. estabeleçam como meta inicial para a duração da amamentação das suas crianças pelo menos seis semanas. Se um ou mais bebês não está em condições de ser amamentado. pode haver diferença no tamanho das mamas. Somente haverá produção de leite suficiente para cada uma das crianças se a mãe amamentar (ou retirar leite) com freqüência e em livre demanda. se o bebê “A” começou a mamar na mama direita em uma mamada. a mulher deve iniciar a extração manual ou com bomba de sucção o mais precocemente possível. Para isto. Muitas mães gostam deste método por acharem mais fácil lembrar quem mamou. sempre que possível. é necessário fazer o esvaziamento das mamas no mínimo 8 a 9 vezes ao dia. Por mais difícil que possa ser. Uma variação deste método é oferecer o peito mais cheio ao primeiro bebê que mostrar interesse em mamar. na próxima ele deverá iniciá-la na mama esquerda. No caso de extração do leite. diminuição da produção leite se uma das crianças não sugar eficientemente e recusa dos bebês em mamar na mama CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA • • . Coordenar as mamadas de duas ou mais crianças pode parecer uma tarefa quase impossível. A alternância de bebês e mamas em cada mamada é muito utilizada nas primeiras semanas após o parto. no dia seguinte. Após o período estipulado (que pode ser maior ou menor) a situação deve ser reavaliada e nova meta estipulada. Nesta circunstância.52 Mães de gêmeos sugerem que as mulheres. totalizando 100 a 120 minutos. cada mama se adapta às necessidades de cada bebê. Porém. independentemente se os bebês mamarem em uma só mama ou nas duas. Alternância de bebês e mamas a cada 24 horas. onde e quando. é muito importante que as crianças sejam amamentadas em livre demanda. muitas mulheres se surpreendem com a sua extraordinária capacidade de adaptação. tempo mínimo necessário para que a mulher se recupere do parto e que todas as pessoas envolvidas aprendam e se adaptem à situação especial que é amamentar duas ou mais crianças. Escolha de uma mama específica para cada bebê. Neste caso. desenvolver uma rotina que mimetize as mamadas dos bebês é útil. O melhor momento de iniciar o aleitamento materno de gêmeos é logo após o nascimento. Desta maneira. inicia as mamadas na outra mama.

ou seja. após conseguir manejar algumas dificuldades iniciais tais como problemas de posicionamento e técnica. Assim. No entanto. essa pessoa deve receber orientação prévia e periódica da equipe de profissionais. Em geral ocorrem três episódios de aceleração do crescimento antes dos 4 meses: o primeiro entre 10 e 14 dias de vida. pode ser mais prolongado em gêmeos. com as nádegas firmemente apoiadas. o que pode significar reforço na ajuda. ao vivenciarem esta situação. que dura de 2 a 3 dias. Se a mãe opta por esta modalidade. Pode-se sugerir que a mãe ou outra pessoa anote as mamadas e o número de fraldas molhadas e sujas de cada criança. Uma variante desta posição é a do cavaleiro. Isto pode ajudar a mãe a ter uma idéia se a criança está recebendo leite suficiente. de frente para ela. as crianças ficam sentadas nas pernas da mãe. Toda criança experimenta períodos de aceleração do crescimento. algumas mães (ou bebês) só se sentem prontas para praticar amamentação simultânea algumas semanas depois do parto. a mãe apóia a cabeça de cada criança no antebraço do mesmo lado da mama a ser oferecida e os corpos dos bebês ficam curvados sobre a mãe. o que se manifesta por um aumento da demanda por leite. Na posição de jogador de futebol americano as crianças ficam apoiadas no braço do mesmo lado da mama a ser oferecida. CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA do “outro” em caso de necessidade. jogador de futebol americano e combinação de ambas. abaixo das axilas. com a mão da mãe apoiando as cabeças das crianças e os corpos mantidos na lateral. 53 . há evidências de que a mulher produz mais leite quando amamenta simultaneamente dois bebês.Há basicamente três posições para a amamentação simultânea: tradicional. A mãe pode amamentar uma das crianças na posição tradicional e a outra na posição de jogador de futebol americano (posições combinadas). a mãe pode precisar de uma pessoa para lhe ajudar no posicionamento adequado das crianças. A amamentação simultânea. Principalmente nos primeiros dias ou semanas. Na posição tradicional. Bebês prematuros podem experimentar vários períodos de aceleração do crescimento nos primeiros meses. pensam que não estão sendo capazes de produzir leite suficiente para os bebês e tendem a suplementar com outros leites. Além disso. outro entre 4 e 6 semanas e um terceiro em torno dos 3 meses. Esse período. Muitas vezes as mães de gêmeos. Estes períodos podem ser antecipados. a amamentação de dois bebês ao mesmo tempo economiza tempo e permite satisfazer as demandas dos bebês imediatamente. ou seja. então se recomenda que ela alterne posições de vez em quando para que os olhos da criança ao mamar recebam estímulos semelhantes ao se ela mamasse nas duas mamas. diminuindo a ansiedade das mães e preparando-as para uma maior demanda.

sobretudo. respeitar as opções das mães são condições indispensáveis para o sucesso do aconselhamento. pode envolver o palato duro. tanto com relação à técnica da amamentação quanto a aspectos emocionais. refluxo de leite pelas narinas. nariz e boca apresentarem dificuldades para amamentar. vergonha e frustração. As fendas labiais bilaterais são responsáveis pela perda de continuidade do músculo orbicular dos lábios. acarretando conseqüências emocionais. CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA . podendo passar despercebidas por vários dias. A amamentação também promove o equilíbrio da musculatura orofacial. entender. o palato mole ou ambos. é possível e desejável a amamentação plena de múltiplas crianças. que estão afetadas nessas crianças. O profissional de saúde pode auxiliar a mãe nesta tarefa. Crianças com fissuras que não envolvem o palato têm um grau de dificuldade menor para mamar do que as que possuem fissura palatal. dificultando a amamentação.54 Amamentar plenamente um dos bebês e dar exlusivamente leite artificial ao outro deve ser evitado. favorecendo o adequado desenvolvimento das estruturas do sistema motor-oral. ser empático.3 Crianças com más formações orofaciais É importante que as crianças com más formações orais sejam amamentadas porque o aleitamento materno diminui as infecções do ouvido médio e reduz a inflamação da mucosa nasal causada por refluxo do leite. pode-se recomendar o Método Canguru. Mãe. comportamentais e cognitivas. 1. além da possibilidade de ter refluxo de leite para as narinas. a mãe deve ser orientada a aumentar o contato físico com esta criança. comprometendo o vedamento anterior durante a amamentação. Já nas fissuras palatais mais extensas a língua não encontra apoio para compressão do mamilo e da aréola. limitando a compressão dos seios lactíferos para extração do leite. Quando um dos filhos não puder ser amamentado. Para isto a mãe deve estar preparada e receber auxílio adicional. pois a aparência da criança pode resultar em sentimentos de culpa. As fissuras posteriores pequenas muitas vezes não causam problemas para a amamentação. dificuldade de pega. por alguma condição que impossibilite o aleitamento materno.10. O aleitamento materno favorece um maior contato entre mãe e filho. colaborando para estreitar o vínculo entre ambos. independente da idade gestacional da criança. Em resumo. também chamada de “goela de lobo”. comum nessas crianças. aconselhando-a desde o pré-natal até o desmame. Tal atitude pode contribuir para diferenças de sentimentos maternos com relação aos seus filhos. A fissura somente palatal. bebê e família necessitam de auxílio para que a amamentação seja bem sucedida. É comum as crianças com más formações de mandíbula. As incertezas da mãe quanto a sua capacidade de cuidar do filho com dificuldades também podem afetar o vínculo com o bebê. Saber ouvir. oferecer orientações úteis e. As principais dificuldades na amamentação relatadas pelas mães de bebês com más formações orofaciais são: sucção fraca. A criança com fissura labial que envolve narinas e arcada dentária tem dificuldade de realizar a pega do mamilo e aréola.

55 CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA . a equipe pode iniciar precocemente a orientação aos pais. ganho de peso insuficiente. Assim. Freqüentemente elas têm incoordenação motora-oral. com diversos tipos de infecções congênitas e com más formações do sistema nervoso central podem ter distúrbios neurológicos. refluxo gastroesofágico.4 Crianças portadoras de distúrbios neurológicos Crianças que sofreram asfixia perinatal grave. Quando a mãe recebe apoio efetivo nos primeiros dias de vida. oclusão da fenda com o dedo da mãe. Assim como nos diferentes distúrbios neurológicos. Tais dificuldades podem ser minimizadas com a expressão manual do leite para amaciar mamilo e aréola. Se a criança estabelecer coordenação entre sucção. durante a mamada.10. nos primeiros meses de vida. GIUGLIANI. Quando a má formação é identificada durante a gestação. além de eventualmente não aceitarem a alimentação. devido à posição supina do bebê para mamar e aos vigorosos movimentos peristálticos da língua durante a sucção. e utilização do bebê em posição semi-sentada para evitar refluxo de leite pelas narinas. deglutição e respiração. aplicação de compressas mornas nas mamas para facilitar a saída do leite. a dupla mãe/bebê necessita de orientação constante e de muito apoio por parte de equipe multiprofissional especializada. a mãe deve ser orientada a realizar ordenha com freqüência e oferecer o leite ordenhado. além de estimular a região perioral da criança e incentivar a sucção introduzindo o dedo mínimo na sua cavidade oral. (GARCEZ. 2005) 1. Os episódios de regurgitação são mais freqüentes em lactentes com aleitamento artificial quando comparados a bebês amamentados no peito (GIOVANNI et al. portadoras de síndromes genéticas. a duração da amamentação da criança com fenda labial é a mesma do que a das crianças sem esse tipo de má formação. com supervisão profissional. Na presença de fissuras labiopalatais. dificuldades na deglutição e na sucção. com risco de se desnutrirem.10. o acompanhamento cuidadoso da dupla mãe/bebê por equipe multiprofissional. Muitas vezes essa condição se resolve espontaneamente com a maturação do mecanismo de funcionamento do esfíncter esofágico inferior. a mãe pode oferecer cuidadosamente o seio. ingurgitamento mamário e trauma mamilar. A hipotonia característica das crianças portadoras de síndrome de Down costuma ser um dos fatores que dificultam o aleitamento materno. 2000). é recomendado que a criança com refluxo gastroesofágico receba aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses e complementado até os dois anos ou mais.. favorece o estabelecimento e a manutenção do aleitamento materno.engasgos do bebê. Quando a criança não tem condições de sugar a mama ou tem sucção fraca. posicionamento do mamilo em direção ao lado oposto à fenda. Nas crianças amamentadas no peito. pouco leite. os efeitos do refluxo gastroesofágico costumam ser mais brandos do que nas alimentadas com leite não humano. somado a orientações adequadas e ajuda efetiva. 1. na coordenação de ambas com a respiração.5 Refluxo gastroesofágico Uma das manifestações gastrointestinais mais comuns na infância é o refluxo gastroesofágico.

Essas situações exigem maior habilidade em relação à comunicação em saúde e maior suporte por parte da família e dos profissionais em relação às eventuais dificuldades inerentes ao manejo do aleitamento. limitações físicas. Traduzida para a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). O apoio do serviço de saúde também nessas circunstâncias concorre para o aumento do vínculo entre os profissionais e a dupla mãe-bebê e a família. como por exemplo os antineoplásicos e radiofármacos. por exemplo. Alguns fármacos são citados como contra-indicações absolutas ou relativas ao aleitamento. CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA Expressão "Aleitamento Materno Exclusivo". Como essas infor- .56 1.10.11 SITUAÇÕES EM QUE HÁ RESTRIÇÕES AO ALEITAMENTO MATERNO São poucas as situações em que pode haver indicação médica para a substituição parcial ou total do leite materno. Nas seguintes situações o aleitamento materno não deve ser recomendado: • • • Mães infectadas pelo HIV. 1.6 Mãe com necessidades especiais Em algumas ocasiões o profissional de saúde pode se deparar com mães com necessidades especiais como. bem como consolidam direitos humanos de forma inclusiva. Mães infectadas pelo HTLV1 e HTLV2. auditivas ou visuais que dificultem certas técnicas de amamentação. Uso de medicamentos incompatíveis com a amamentação.

crack Etanol Heroína. de acordo com a tabela 2. recomenda-se a interrupção temporária da amamentação: • 57 • Varicela: se a mãe apresentar vesículas na pele cinco dias antes do parto ou até dois dias após o parto. O tempo recomendado de interrupção da amamentação varia dependendo da droga. A amamentação deve ser mantida na mama sadia. recomenda-se o isolamento da mãe até que as lesões adquiram a forma de crosta. Doença de Chagas. recomenda-se que previamente à prescrição de medicações a nutrizes se consulte o manual "Amamentação e uso de drogas". com ordenha do leite. aplicada o mais precocemente possível. • • • Tabela 2 – Recomendação quanto ao tempo de interrupção do aleitamento materno após consumo de drogas de abuso. disponível em <http://bvsms2.ph p?long=pt&component=51&item=26.saude.mações sofrem freqüentes atualizações. Criança portadora de galactosemia.gov. ecstasy Barbitúricos Cocaína. disponível nos Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais (CRIES) (BRASIL. quando há vesículas localizadas na pele da mama. morfina LSD Maconha Fenciclidina Fonte: hale e hall (2005) Período recomendado de interrupção da amamentação 24–36 horas 48 horas 24 horas 1 hora por dose ou até estar sóbria 24 horas 48 horas 24 horas 1–2 semanas CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA • Infecção herpética. Consumo de drogas de abuso: recomenda-se interrupção temporária do aleitamento materno. que deve ser administrada em até 96 horas do nascimento. 2006a). Droga Anfetamina. que deve ser desprezado. Já nas seguintes situações maternas.br/php/level. na fase aguda da doença ou quando houver sangramento mamilar evidente. Abscesso mamário. doença rara em que ela não pode ingerir leite humano ou qualquer outro que contenha lactose. . A amamentação deve ser mantida na mama sadia. A criança deve receber Imunoglobulina Humana Antivaricela Zoster (Ighavz). até que o abscesso tenha sido drenado e a antibioticoterapia iniciada.

avaliar.58 Em todos esses casos. procurar fumar após as mamadas) e a não fumarem no mesmo ambiente onde está a criança. Hepatite B: a vacina e a administração de imunoglobulina específica (HBIG) após o nascimento praticamente eliminam qualquer risco teórico de transmissão da doença via leite materno. especialmente em relação ao acometimento pulmonar. aconselhar. CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA • • • • • . o profissional deve alertar sobre os possíveis efeitos deletérios do cigarro para o desenvolvimento da criança. Por isso. em caso contrário. as mulheres que não conseguirem parar de fumar devem ser orientadas a reduzirem o máximo possível o número de cigarros (se não possível a cessação do tabagismo. deve-se manter isoniazida por mais três meses. deve-se estimular a produção do leite com ordenhas regulares e freqüentes. uma vez que não se sabe se o contato da criança com sangue materno favorece a transmissão da doença. e a eventual diminuição da produção e da ejeção do leite. se o teste tuberculínico for não reator. o cigarro não é uma contra-indicação à amamentação. Para minimizar os efeitos do cigarro para a criança. a doença deve ser pesquisada. preparar e acompanhar a mãe fumante (BRASIL. deve-se manter a amamentação e iniciar tratamento da mãe. e a criança deve receber a vacina BCG. Consumo de cigarros: acredita-se que os benefícios do leite materno para a criança superem os possíveis malefícios da exposição à nicotina via leite materno. até que a mãe possa amamentar o seu filho. pode-se suspender a medicação. Hepatite C: a prevenção de fissuras mamilares em lactantes HCV positivas é importante. se a criança tiver contraído a doença. Nas seguintes condições maternas. que dura em média de três a cinco minutos e que consiste em perguntar. a terapêutica deve ser reavaliada. Nesse caso. pois há no leite materno um fator antidengue que protege a criança. Hanseníase: por se tratar de doença cuja transmissão depende de contato prolongado da criança com a mãe sem tratamento. Dengue: não há contra-indicação da amamentação em mães que contraem dengue. Após esse período deve-se fazer teste tuberculínico (PPD): se reator. o aleitamento materno não deve ser contra-indicado: • Tuberculose: recomenda-se que as mães não tratadas ou ainda bacilíferas (duas primeiras semanas após início do tratamento) amamentem com o uso de máscaras e restrinjam o contato próximo com a criança por causa da transmissão potencial por meio das gotículas do trato respiratório. e. o recém-nascido deve receber isoniazida na dose de 10mg/kg/dia por três meses. No aconselhamento. e considerando que a primeira dose de Rifampicina é suficiente para que a mãe não seja mais bacilífera. O profissional de saúde deve realizar abordagem cognitiva comportamental básica. 2001).

é importante que se converse com a gestante e seu acompanhante a respeito de sua intenção de amamentar. deve-se desestimular as mulheres que estão amamentando a ingerirem álcool. orientar tanto a gestante quanto seus familiares sobre vantagens da amamentação. do pai e da criança e estimular o parto normal. produção do leite e manutenção da lactação. assim como seja evitado o uso de analgésicos e anestésicos que possam comprometer o estado de consciência da mãe ou do bebê. enfatizando que o leite materno protege o bebê de infecções e alergias. CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA . amamentação precoce ainda na sala de parto. importância do alojamento conjunto. inclusive grupos de sala de espera. tempo ideal de aleitamento materno. 59 1. direitos da mãe. pode-se estimular a formação de grupos de apoio à gestante com a participação dos familiares. é importante que sejam evitadas cesáreas desnecessárias. deve-se ressaltar a importância do aleitamento materno exclusivo até os seis meses e complementado até dois anos ou mais. tanto em atendimentos individuais quanto em visitas domiciliares. No entanto. Na maternidade.5g de álcool por quilo de peso da mãe por dia. técnica de amamentação. Durante as ações educativas dirigidas à mulher e à criança.12 APOIO DOS SERVIÇOS DE SAÚDE À AMAMENTAÇÃO O apoio dos serviços e profissionais de saúde é fundamental para que a amamentação tenha sucesso. o que corresponde a aproximadamente um cálice de vinho ou duas latas de cerveja) é considerado compatível com a amamentação.• Consumo de álcool: assim como para o fumo. problemas e dificuldades. consumo eventual moderado de álcool (0. Nos atendimentos individuais. conseqüências do desmame precoce. dificultando o aleitamento materno. enumerando as demais vantagens do aleitamento para o bebê e a mãe. os profissionais de saúde devem estar preparados para acompanhar o processo da amamentação e o crescimento e desenvolvimento da criança. Durante o acompanhamento pré-natal. No período pós-parto.

Os pais têm sido identificados como importante fonte de apoio à amamentação. CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA Além dos pais. provavelmente por falta de informação. a mãe necessita de constante incentivo e suporte não só dos profissionais de saúde. mas da sua família e da comunidade. muitos deles não sabem de que maneira podem apoiar as mães. os profissionais de saúde devem tentar envolver as pessoas que têm uma participação importante no dia-a-dia das mães e das crianças. Muitas avós transmitem às suas filhas ou noras as suas experiências com amamentação. sobretudo os maridos/companheiros.60 1. Não basta que ela opte pelo aleitamento materno. mas também nos cuidados com a mãe. Portanto. em especial as adolescentes. não apenas nos cuidados com o bebê.13 A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA E DA COMUNIDADE NO PROCESSO DA AMAMENTAÇÃO A prática da amamentação é fortemente influenciada pelo meio onde está inserida a nutriz. o que pode favorecer ou dificultar a amamentação. Para uma amamentação bem-sucedida. cabe ao profissional de saúde dar atenção ao novo pai e estimulálo a participar desse período vital para a família. Elas costumam exercer grande influência sobre as mães. mesmo em populações urbanas. Ela deve estar inserida em um ambiente que a apóie na sua opção. Alguns sentimentos negativos dos pais. outros parentes etc. A figura da avó é bastante presente na cultura brasileira. poderiam ser aliviados se eles estivessem conscientes da importância do seu papel. No entanto. como as avós das crianças. que em . as avós da criança e outras pessoas significativas para a mãe são de extrema importância. comuns após o nascimento de um filho. A opinião e o incentivo das pessoas que cercam a mãe.

Com informação adequada e diálogo que permitam às avós expor as suas experiências. como latas de leite. chás e outros leites nos primeiros seis meses. da casa. Por isso. Os profissionais de saúde podem contribuir para que as escolas apóiem as mães a manterem a lactação. elas podem exercer influência positiva para uma amamentação bem-sucedida de suas filhas ou noras. desde cedo. CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA . Também é papel da família não levar para casa produtos que prejudicam a amamentação. No período de amamentação é difícil para a mulher cuidar do bebê. como por exemplo o uso de água. A família deve se reunir e procurar ajudar a mãe nas tarefas de casa para que ela possa se dedicar ao recém-nascido. Os outros filhos também podem ser envolvidos nos momentos da amamentação aprendendo. é importante incluir as avós no aconselhamento em amamentação. para que práticas nocivas à criança não continuem sendo transmitidas às novas gerações de mães. crenças e sentimentos com relação à amamentação. 61 Muitas mães que estão amamentando estão na escola. que o aleitamento materno é a forma mais natural e ideal de alimentar a criança pequena. mamadeiras e chupetas.muitos casos são contrárias às recomendações atuais das práticas alimentares de crianças. do marido e de outros filhos.

letra b). como SESI. mantidas diretamente ou mediante convênios com outras entidades públicas ou privadas. Direito à garantia no emprego – é vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa da mulher trabalhadora durante o período de gestação e lactação. cria o Programa Empresa Cidadã. Essa exigência poderá ser suprida por meio de creches distritais. inciso XVIII).770. denunciando as irregularidades. a dois descansos. artigo 389.62 1. A empregada deve requerer a licença até o final do primeiro mês após o parto e o benefício também se aplica à empregada que adotar ou obtiver guarda judicial para fins de adoção de criança. ou entidades sindicais (Consolidação das Leis do Trabalho. SESC. Além de conhecer e divulgar os instrumentos de proteção da amamentação. Pausas para amamentar – para amamentar o próprio filho.13. Direito à creche – todo estabelecimento que empregue mais de 30 mulheres com mais de 16 anos de idade deverá ter local apropriado onde seja permitido às empregadas guardar sob vigilância e assistência os seus filhos no período de amamentação. durante a jornada de trabalho. artigo 7º. o período de seis meses poderá ser dilatado a critério da • • • . a mulher terá direito. As empresas tributadas com base no lucro real que aderirem ao Programa terão dedução do imposto devido ao conceder os 60 dias de prorrogação da licença às suas servidoras. salvo antecipação por prescrição médica (Constituição Federal de 1988. sem prejuízo do emprego e da remuneração. Quando a saúde do filho exigir. é importante que o profissional de saúde respeite a legislação e monitore o seu cumprimento. A Lei Federal nº. de meia hora cada um. parágrafos 1º e 2º). que visa a prorrogar para 180 dias a licença maternidade prevista na Constituição. LBA. É importante lembrar que muitos estados e municípios já concedem licençamaternidade de 6 meses. podendo ter início no primeiro dia do nono mês de gestação. até que ele complete seis meses de idade. 11.1 Quais os instrumentos de proteção do aleitamento materno no Brasil? A legislação do Brasil de proteção ao aleitamento materno é uma das mais avançadas do mundo. inciso II. mediante incentivo fiscal às empresas. CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA A seguir são apresentados alguns direitos da mulher que direta ou indiretamente protegem o aleitamento materno: • Licença-maternidade – à empregada gestante é assegurada licença de 120 dias consecutivos. com o objetivo de fortalecer suas políticas de promoção e proteção do aleitamento materno. desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto (Ato das disposições constitucionais transitórias – artigo 10. de 09 de setembro de 2008. É muito importante que o profissional de saúde conheça as leis e outros instrumentos de proteção do aleitamento materno para que possa informar às mulheres que estão amamentando e suas famílias os seus direitos.

org. Bicos.265. parágrafo único). dois a três anos de amamentação). a RDC n° 221/2002 e a RDC n° 222/2002) e Lei n° 11. o que pode ocorrer em diferentes idades. na íntegra.php>. Os instrumentos de proteção legal ao aleitamento materno no Brasil podem ser encontrados.ibfan. ao contrário do que ocorreu ao longo da evolução da espécie humana. próprios e conveniados. 63 Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância. a mulher opta (ou não) pela amamentação e decide por quanto tempo vai (ou pode) amamentar. A amamentação na espécie humana é fortemente influenciada por múltiplos fatores socioculturais. bicos e chupetas ou a sua venda em serviços públicos de saúde. amamentação de curta duração) entram em conflito com a expectativa da espécie (em média. em média entre dois e quatro anos e raramente antes de um ano. o uso de termos que lembrem o leite materno em rótulos de alimentos preparados para bebês e fotos ou desenhos que não sejam necessários para ilustrar métodos de preparação do produto. torna obrigatório que as embalagens dos leites destinados às crianças tragam inscrição advertindo que o produto deve ser incluído na alimentação de menores de um ano apenas com indicação expressa de médico. artigo 396. obriga hospitais e maternidades vinculados ao SUS. Além disso. Chupetas e Mamadeiras – NBCAL (Portaria MS/GM n° 2. assim como os riscos do preparo inadequado do produto. exceto em casos de necessidade individual ou coletiva.br/legislacao/index. Esses instrumentos regulamentam a comercialização de alimentos para lactentes e crianças de primeira infância (até os 3 anos de idade) e produtos de puericultura correlatos. O desmame não é um evento. Nessa lógica. Costuma CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA . Muitas vezes.016/2003. No desmame natural a criança se autodesmama.051/2001 e duas Resoluções da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. • 1. no sítio: <http://www. Hoje. o desmame deveria ocorrer naturalmente. 24 horas por dia).autoridade competente. de 3 de janeiro de 2006. na medida em que a criança vai adquirindo competências para tal. e sim um processo que faz parte da evolução da mulher como mãe e do desenvolvimento da criança. (Consolidação das Leis do Trabalho. A lei também proíbe doações de mamadeiras.14 AJUDA À DUPLA MÃE/BEBÊ NO PROCESSO DO DESMAME O homem é o único mamífero em que o desmame (aqui definido como a cessação do aleitamento materno) não é determinado somente por fatores genéticos e pelo instinto. a implantarem alojamento conjunto (mãe e filho juntos no mesmo quarto. as preferências culturais (não-amamentação. • Alojamento Conjunto – a Portaria MS/GM nº 1. A legislação traz regras como a proibição de propagandas de fórmulas lácteas infantis.

é importante lembrar que o desmame provavelmente não vai mudar a personalidade da criança. teoricamente. dentição. • É segura na sua relação com a mãe. • Aceita não ser amamentada em certas ocasiões e locais. constam: • Idade maior que um ano. Essa condição usualmente não dura mais que 2–4 dias. sente-se pressionada a desmamar. mas às vezes pode ser súbito. menos estressante para a mãe e a criança. muitas vezes contra a sua vontade e sem ela e o bebê estarem prontos para tal. muitas vezes. É importante que a mãe não confunda o autodesmame natural com a chamada “greve de amamentação” do bebê. a criança parece insatisfeita e em geral é possível identificar uma causa: doença. • Menos interesse nas mamadas. é de início súbito e inesperado. Na mãe. No entanto. ela pode se sentir rejeitada pela mãe. Existem vários mitos relacionados à amamentação dita “prolongada”. • Aceita variedade de outros alimentos. que a amamentação prolongada é um sinal de problema sexual ou necessidade materna e não da criança. Esta ocorre principalmente em crianças menores de um ano. A mulher. se a criança não está pronta. desmamam para promover a independência da criança. • Às vezes prefere brincar ou fazer outra atividade com a mãe em vez de mamar. • Mostra pouca ansiedade quando encorajada a não amamentar. e o volume. diminuição do volume ou sabor do leite. estresse e excesso de mamadeira ou chupeta. Entre os sinais indicativos de que a criança está madura para o desmame. o desmame forçado pode gerar insegurança nela. • Às vezes dorme sem mamar no peito. • Aceita outras formas de consolo. O desmame abrupto deve ser desencorajado. em uma nova gravidez da mãe (a criança pode estranhar o gosto do leite.64 ser gradual. Muitas vezes a amamentação é interrompida apesar do desejo da mãe em mantêla. Além disso. CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA . imunológicas e psicológicas) até ela estar madura para tal e. sugerindo passos quando a criança estiver pronta para aceitá-los e impondo limites adequados à idade. com freqüência. preenche as necessidades da criança (fisiológicas. por exemplo. que se altera. além de tristeza ou depressão. gerando insegurança e. o que dificulta o processo de independização. O desmame natural proporciona uma transição mais tranqüila. de fato. e luto pela perda da amamentação ou por mudanças hormonais. como. que diminui). A mãe também participa ativamente no processo. e que a criança que mama fica muito dependente. fortalece a relação mãe– filho. Algumas mães. estase do leite e mastite. que uma criança jamais desmama por si própria. tais como as crenças de que aleitamento materno além do primeiro ano é danoso para a criança sob o ponto de vista psicológico. As razões mais freqüentes alegadas para a interrupção precoce são: leite insuficiente. pois. o desmame abrupto pode precipitar ingurgitamento mamário. rebeldia.

também. Entre os fatores que facilitam o processo do desmame. separações. Se a criança for maior. As mulheres devem estar preparadas para as mudanças físicas e emocionais que o desmame pode desencadear. se possível. mudança de peso e sentimentos diversos como alívio. sociais.rejeição do seio pela criança. 65 Sempre que possível. entretendo a criança com algo que lhe prenda a atenção. Cabe ao profissional de saúde ouvir a mãe e ajudá-la a tomar uma decisão. fazer o desmame gradual. pois o curso do processo é imprevisível. oferecer uma recompensa e até mesmo uma festa. paz. culpa e luto pela perda da amamentação ou por mudanças hormonais. A decisão da mãe deve ser respeitada e apoiada. Pode também encurtar as mamadas e adiá-las. Ausência de outras mudanças. cabe a cada dupla mãe/bebê e sua família a decisão de manter a amamentação. Muitos desses problemas podem ser evitados ou manejados. mudanças de residência. A técnica utilizada para fazer a criança desmamar varia de acordo com a idade. em primeiro lugar. optar por restringir as mamadas a certos horários e locais. trabalho da mãe fora do lar. entre outras. sempre que possível. depressão. A mãe pode. Muitos são os fatores envolvidos nessa decisão: circunstanciais. tais como: mudança de tamanho das mamas. Paciência (dar tempo à criança) e compreensão. retirando uma mamada do dia a cada 1–2 semanas. Flexibilidade. CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA . ocorrendo por exemplo controle dos esficteres. é importante. A participação do pai no processo. Suporte e atenção adicionais à criança – mãe deve evitar se afastar nesse período. Quando o profissional de saúde se depara com a situação de a mulher querer ou ter que desmamar antes de a criança estar pronta. até que a criança a abandone espontaneamente. econômicos e culturais. Pode-se propor uma data. chamando amiguinhos. Concluindo. o desmame pode ser planejado com ela. A mãe pode começar não oferecendo o seio. como não sentar na poltrona em que costuma amamentar. Mamadas podem ser suprimidas distraindo a criança com brincadeiras. encontram-se os seguintes: • • • • • • • Mãe estar segura de que quer (ou deve) desmamar. Entendimento da mãe de que o processo pode ser lento e demandar energia. pesando os prós e os contras. que ele respeite o desejo da mãe e a apóie nesse processo. tristeza. hospitalização da criança e problemas nas mamas. ou interrompê-la em um determinado momento. é importante. Algumas vezes. “leite fraco”. mas também não recusando. A mãe pode também evitar certas atitudes que estimulam a criança a mamar. tanto maior quanto menos pronta estiver a criança. o desmame forçado gera tanta ansiedade na mãe e no bebê que é preferível adiar um pouco mais o processo.

conhecimentos prévios e também os êxitos. A partir do sexto mês a criança desenvolve ainda mais o paladar e. O sucesso da alimentação complementar depende de muita paciência. cores. já que muitas inseguranças no cuidado com a criança não têm “hora agendada” para ocorrer e isso exige sensibilidade e vigilância adicional não só do profissional procurado. e estar atento às necessidades da criança. dificuldades. O grande desafio do profissional de saúde é conduzir adequadamente esse processo. processo que a acompanha até a vida adulta. Tal interação deve ser ainda mais valorizada em situações em que a mãe. Além de suprir as necessidades nutricionais. o profissional de saúde também CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA . preocupações. Além disso.66 2 ALIMENTAÇÃO COMPLEMENTAR PARA CRIANÇAS MENORES DE DOIS ANOS 2. Assim. mas de todos os profissionais da equipe. e tem-se o início da erupção dos primeiros dentes. não é a principal provedora da alimentação à criança. afeto e suporte por parte da mãe e de todos os cuidadores da criança. facilitando a alimentação oferecida por colher. situação em que não só a criança aprende a comer. mas também toda a família aprende a cuidar. a alimentação complementar permite maior interação do pai. começa a estabelecer preferências alimentares. da mãe e da família. a partir dos seis meses a introdução da alimentação complementar aproxima progressivamente a criança aos hábitos alimentares de quem cuida dela e exige todo um esforço adaptativo a uma nova fase do ciclo de vida. para garantir o vínculo e a continuidade do cuidado. na qual lhe são apresentados novos sabores. já manifesta excitação à visão do alimento. já que antes desse período o leite materno é capaz de suprir todas as necessidades nutricionais da criança. o que facilita na mastigação. dos avôs e avós. já sustenta a cabeça. como o reflexo lingual. Considera-se atualmente que o período ideal para a introdução de alimentos complementares é após o sexto mês de vida.1 IMPORTÂNCIA A introdução de alimentos na dieta da criança após os seis meses de idade deve complementar as numerosas qualidades e funções do leite materno. a empatia e a disponibilidade do profissional são decisivas. conseqüentemente. Toda a família deve ser estimulada a contribuir positivamente nessa fase. acolhendo dúvidas. que são tão importantes quanto o conhecimento técnico para garantir o sucesso de uma alimentação complementar saudável. aromas. dos outros irmãos e familiares. Para tal. auxiliando a mãe e os cuidadores da criança de forma adequada. texturas e saberes. no sexto mês de vida a criança já tem desenvolvidos os reflexos necessários para a deglutição. Se durante o aleitamento materno exclusivo a criança é mais intensamente ligada à mãe. por qualquer motivo. que deve ser mantido preferencialmente até os dois anos de vida ou mais.

Esse período pode ser dividido em duas fases: antes dos seis meses e após os seis meses. energia. que visa a revitalizar os esforços no sentido de promover. A partir de seis meses a criança deve receber outros alimentos. pelo menos. na orientação de uma dieta para a criança. proteínas. como conseqüência da má alimentação e repetidas infecções. levando ao melhor estado nutricional. por meio de alimentos seguros. No primeiro semestre de vida objetivase que a criança mame por seis meses exclusivamente ou que. Em todo o mundo cerca de 30% das crianças menores de cinco anos apresentam baixo peso. economicamente acessíveis e que sejam agradáveis à criança. Mesmo em países em desenvolvimento. o que evita. 2003). a ênfase em ações de orientação alimentar pode conduzir a melhores práticas alimentares. A alimentação complementar deve prover suficientes quantidades de água. de forma prática. avançou-se muito nas evidências das necessidades biológicas das crianças. tem a função de complementar a energia e micronutrientes necessários para o crescimento saudável e pleno desenvolvimento das crianças. 67 As práticas alimentares no primeiro ano de vida constituem marco importante na formação dos hábitos alimentares da criança. retarde pelo maior tempo possível a introdução de outros alimentos. à comunidade que assiste. recebam orientações para a adequada introdução dos alimentos complementares. com escassez de recursos. nesse período. demonstrar interesse e orientar todos os cuidadores da criança. proteger e apoiar adequadamente a alimentação das crianças. por exemplo. devese levar em conta conceitos adequados de preparo. culturalmente aceitos. Nas últimas décadas. A partir dos seis meses de idade. a alimentação complementar. excesso de peso e desnutrição. . Assim é de fundamental importância que as mães e a família. precocemente. conforme o nome sugere. objetivo principal a ser trabalhado neste Caderno. 2. CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA O profissional de saúde torna-se promotor da alimentação saudável quando consegue traduzir os conceitos. vitaminas e minerais. noções de consistência e quantidades ideais das refeições e opções de diversificação alimentar que contemplem as necessidades nutricionais para cada fase do desenvolvimento. Assim. para que ela se sinta amada e encorajada a entender sua alimentação como ato prazeroso. o aparecimento de possíveis transtornos psíquicos e distúrbios nutricionais. o que possibilita recomendar práticas alimentares que propiciam o crescimento adequado das crianças (WORLD HEALTH ORGANIZATION. As situações mais comuns relacionadas à alimentação complementar oferecida de forma inadequada são: anemia. gorduras.deve ser hábil em reconhecer novas formas de organização familiar e ouvir.2 PROBLEMAS NUTRICIONAIS MAIS PREVALENTES NA INFÂNCIA A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou a estratégia global para alimentação de lactentes e crianças pequenas. além do leite materno. em linguagem simples e acessível.

evidencia-se a diminuição da desnutrição infantil. 2003). 2005a. A desnutrição pode ocorrer precocemente na vida intra-uterina (baixo peso ao nascer) e freqüentemente cedo na infância.. Estudo avaliou crianças menores de cinco anos. 2002).. 2005b). RISSIN. 2004) e quatro vezes mais prevalente em crianças com baixo peso ao nascimento (DRASCHLER et al..6% (SALDIVA et al. durante a Campanha Nacional de Imunização. CORSO et al. a tendência da criança é rejeitar outras formas de preparação do alimento (SULLIVAN. em muito.8% e excesso de peso é de 7. POPKIN. baixa estatura para a idade é de 6. e mostrou a baixa estatura em 9. 2003).6%. 2008).1 % das crianças e o excesso de peso em 9.8% (VITOLO et al. 2003). 2002). Uma vez habituada a grande concentração de açúcar ou sal. O deficit estatural é melhor que o ponderal como indicador de influências ambientais negativas sobre a saúde da criança. A mobilidade social dessa condição constitui na característica epidemiológica mais marcante do processo de transição nutricional da população brasileira (BATISTA FILHO. associada. Sendo assim. A baixa estatura é mais freqüente nas áreas de piores condições socioeconômicas (GUIMARÃES.. muitas vezes. 2003).68 A Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (2006) divulgada no ano de 2008 mostrou que a prevalência de baixo peso para a estatura em crianças menores de 5 anos no Brasil é de 1. Em estudo realizado com crianças menores de cinco anos. MONTEIRO. A ingestão de alimentos com alta densidade energética pode prejudicar a qualidade da dieta. sendo o indicador mais sensível de má nutrição nos países... o baixo peso para estatura no Brasil (POST et al. 1998. 2001). MONTEIRO.. 1990).. a prevenção desde o nascimento é necessária. 2003. 1999. STRUFALDI et al. sendo um problema de saúde pública que tende a se manter em todas as fases da vida. O desenvolvimento precoce da obesidade vem apresentando cifras alarmantes entre crianças e adolescentes em todo o mundo. A obesidade infantil pode gerar conseqüências no curto e longo prazos e é importante preditivo da obesidade na vida adulta (AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRICS. BIRCH. 1998) e em outros países (POPKIN. KIM. 2000b. tendo em vista que os hábitos alimentares são formados nos primeiros anos de vida (SKINNER et al. em decorrência da interrupção precoce do aleitamento materno exclusivo e alimentação complementar inadequada nos primeiros dois anos de vida. na cidade de São Leopoldo (RS). Dados de Pelotas (RS) mostraram que a prevalência de excesso de peso dobrou entre 1986 e 1993 nas crianças com quatro anos (GIGANTE et al. HORTON. CONDE. 2004). O excesso de peso como problema de saúde pública tem suplantado. SALDIVA et al. à privação alimentar ao longo da vida e à ocorrência de repetidos episódios de doenças infecciosas diarréicas e respiratórias (BRASIL. sendo que pesquisas populacionais brasileiras mostram que a prevalência de obesidade em crianças de seis a nove anos triplicou entre 1974 e 1997 (WANG.. resul- CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA . a prevalência de obesidade em cinco cidades do interior de São Paulo foi de 6. BARROS. Em comparação aos dados de 1996.4%. Estudos em crianças de diferentes municípios e regiões brasileiras têm sugerido baixa prevalência de baixo peso em crianças (VICTORA et al. 2003).. LATORRE.

DOMELLOF et al. A África é o continente que apresenta a mais elevada prevalência de anemia (64. LIRA. SALMENPERA. ocorre gradualmente o esgotamento das reservas de ferro. KOVALSYS. LOZOFF.tando no aumento do peso e na ingestão deficiente de micronutrientes (OVERBY et al. WOLF. 1983. DEWEY et al.. 2004. 1996).6%). No Brasil se conhece bem a prevalência de anemia em crianças menores de 5 anos. 2005. ANI. Por esse motivo. 2005.. Diversos estudos isolados mostram que as prevalências variam de 30% a 70% dependendo da região e estrato socioeconômico (MONTEIRO. OSÓRIO. DUBOIS et al.4% e. KRANZ et al. 2007).. 1984. O leite materno oferece diferentes experiências de sabores e aromas que vão refletir os hábitos alimentares maternos e a cultura alimentar (MENNELLA. na América Latina e no Caribe. crianças que mamam no peito aceitam melhor a introdução da alimentação complementar (SULLIVAN. 1989. SMITH. e a alimentação passa a ter papel predominante no atendimento às necessidades desse nutriente. 2007).3 FORMAÇÃO DOS HÁBITOS ALIMENTARES Os hábitos alimentares são formados por meio de complexa rede de influências genéticas e ambientais. SPECTER.4%) (KRAEMER. 2007). 2001). não necessitando de qualquer forma de complementação nem de introdução de alimentos sólidos (SIIMES. DREWNOWSKI et al. 2003. GRANTHAMMCGREGOR. A anemia por deficiência de ferro.. WALTER et al. BIRCH. 2007) e que parecem não ser revertidos mesmo após a suplementação medicamentosa com ferro (LOZOFF et al. JIMENEZ. e as menores prevalências são observadas na Europa (16. 1998. 2004. Estima-se que a prevalência global de anemia em crianças menores de cinco anos é de 47. LOZOFF. ASSUNÇÃO et al. Entre os quatro e seis meses de idade. 2006. atendem às necessidades fisiológicas. SPINELLI et al. WALTER. JIMENEZ. nos seis primeiros meses de idade. 2001. 2007). STEKEL. MONDINI. 1993a.. 1995). ASHWORTH. Assim. 1994). é na atualidade o principal problema em escala de saúde pública do mundo. considera-se a mudança de comportamento alimentar um desafio para os profissionais de saúde.7%) e na América do Norte (3. 2000. CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA . Parece que os sabores e aromas de alimentos consumidos pelas nutrizes têm uma via pelo leite materno e acabam sendo transmitidos para o lactente. PERHEENTUPA.. em termos de magnitude. A anemia causa prejuízos e atrasos no desenvolvimento motor e cognitivo em crianças (WALTER. GRANTHAM-MCGREGOR et al..... 69 2.. é de 39.5%. É necessário que o consumo de ferro seja adequado à demanda requerida para essa fase etária. O consumo desses alimentos é facilitado na população de baixa renda pela correlação negativa entre preço e densidade energética demonstrada em estudos (DREWNOWSKI. As reservas de ferro da criança que recebe com exclusividade o leite materno. 2000. SZARFARC. ZIMMERMANN.

Assim como o cheiro da mãe e do leite materno durante o período de amamentação ajudam a criança a identificar a mãe. 2006. Outro dado importante é que a restrição dos alimentos preferidos das crianças vai fazer com que elas os consumam exageradamente em situações de “liberdade” e que as mães que amamentaram seus filhos por mais tempo apresentaram menor comportamento restritivo (TAVERAS et al. boa luminosidade e conforto à criança. pois. Essa influência genética vai sendo moldada por experiências adquiridas ao longo da vida.70 O olfato deve ser estimulado como adjuvante no reconhecimento dos alimentos. desde que os alimentos não ofereçam riscos nutricionais ou de saúde às crianças. FISHER. e diferenças nas sensibilidades para alguns gostos e sabores herdados dos pais. e a criança é responsável por quanto e quando comer. são submetidos à chantagem ou coação ou premiação (BIRCH. se a visão da mãe durante a amamentação transmite segurança à criança. HENDERSON. 2005). o semblante alegre de quem oferece o alimento também pode influenciar na aceitação do alimento. Também foi demonstrado que as crianças têm autocontrole no consumo energético e que os pais devem ser orientados quanto a essa capacidade e que muitas vezes os próprios pais ou familiares a prejudicam. As crianças tendem a não gostar de alimentos quando. Os pais podem ainda contribuir positivamente para a aceitação alimentar por meio da estimulação dos sentidos. ROTTER. MAIER. BIRCH. parece que a preferência se perpetua (LEATHWOOD. CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA .. mas parece não prevalecerem isoladamente (BARTOSHUK. 1984). Essa posição é pertinente. HANN. a criança aos poucos vai aprendendo a reconhecer suas preferências alimentares e a estimular seu apetite também de acordo com o aroma dos alimentos. 2000. 1998). Existem predisposições genéticas para gostar ou não gostar de determinados gostos. O contato visual entre a criança e quem oferece o alimento é outro estímulo importante. Uma vez que o alimento se torna familiar nessa fase. com pouco ruído. MARLIN. BIRCH. Isso pode ser feito por meio de palavras elogiosas e incentivadoras. Os pais são responsáveis pelo que é oferecido à criança. 2004. 1999b). com práticas coercivas ou de restrição (FOZ et al. 2000). para ingeri-los. 1999a. O comportamento dos pais em relação à alimentação infantil pode gerar repercussões duradouras no comportamento alimentar de seus filhos até a vida adulta. DREWNOWSKI. Sensibilidades específicas a algum gosto ou sabor podem influenciar preferências e escolhas alimentares.. Sabores vivenciados nos primeiros meses de vida podem influenciar as preferências alimentares subseqüentes. com o toque carinhoso e permitindo ambiente acolhedor.

Muitos pais. talvez por falta de informação. podendo ser incorporados à dieta da criança (ROZIN. 1997). ela não se constitui em rejeição permanente. os alimentos novos passam a ser aceitos. não entendem esse comportamento como sendo normal e interpretam a rejeição inicial pelo alimento como uma aversão permanente. Porém. desistindo de oferecê-lo à criança. CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA . Apesar de a aversão ao alimento poder ser um motivo de frustração entre os pais. 1977. com exposições freqüentes. MARLIN. 1982. Em média são necessárias de oito a dez exposições a um novo alimento para que ele seja aceito pela criança.71 Em geral as crianças tendem a rejeitar alimentos que não lhe são familiares (BIRCH. 1997) e esse tipo de comportamento manifesta-se precocemente. BIRCH. BIRCH.

pois é e precisa ser necessariamente saborosa. veiculada principalmente pela mídia. são importantes alternativas não somente para a melhoria da qualidade da alimentação. A família deve resgatar o sabor como um atributo fundamental para a promoção da alimentação saudável. A alimentação das crianças deve ser composta por alimentos básicos e devem ser evitados alimentos processados nos primeiros anos de vida. leguminosas.1 Os atributos da alimentação saudável CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA A alimentação saudável deve contemplar os seguintes pontos básicos. por meio de informação equivocada.4.72 2. tendem a se acostumar com os alimentos na forma como são inicialmente oferecidos. são eles: • Acessibilidade física e financeira: ao contrário do que tem sido construída socialmente. • . mas também para estimular a geração de renda em pequenas comunidades. além de sinalizar para a integração com as políticas públicas de produção de alimentos. legumes e verduras. As crianças. como. como grãos. As práticas de marketing muitas vezes vinculam a alimentação saudável ao consumo de alimentos industrializados especiais para crianças e não privilegiam os alimentos naturais e menos refinados. ao receberem a alimentação complementar. a alimentação saudável não é cara. frutas. pois se baseia em alimentos in natura e produzidos regionalmente.4 ALIMENTAÇÃO COMPLEMENTAR SAUDÁVEL 2. Sabor: o argumento da ausência de sabor da alimentação saudável é outro tabu a ser desmistificado. O apoio e o fomento aos agricultores familiares e às cooperativas para a produção e a comercialização de produtos saudáveis.

alimentos que são recomendados para as crianças após os seis meses de vida.por exemplo. grãos e tubérculos em geral. estado de saúde. sendo necessárias. considerando que tais fatores variam de acordo com a fase do curso da vida e outros fatores. legumes e verduras. que limita a disponibilidade de nutrientes necessários para atender a uma alimentação adequada. tubérculos. o que agrada aos sentidos e estimula o consumo de alimentos saudáveis. idade. Vale ainda ressaltar que. ocorrem interações que podem ser benéficas. como estado nutricional. Cor: a alimentação saudável contempla uma ampla variedade de grupos de alimentos com múltiplas colorações. legumes e verduras e grãos variados – alimentos saudáveis. culturalmente valiosos. Essa variedade de coloração torna a refeição atrativa. evitando a monotonia alimentar. sexo. mais rica é em termos de vitaminas e minerais. nutritivos. 73 • • Harmonia: essa característica da alimentação se refere especificamente à garantia do equilíbrio em quantidade e em qualidade dos alimentos consumidos para o alcance de uma nutrição adequada. como frutas. • Variedade: o consumo de vários tipos de alimentos fornece os diferentes nutrientes necessários. entre os vários nutrientes. CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA . típicos e de produção factível em várias regiões brasileiras. frutas. às vezes. grau de atividade física. inclusive e principalmente por pequenos agricultores familiares. estado fisiológico. Sabe-se que quanto mais colorida é a alimentação. as crianças devem ser expostas a diferentes alimentos. o que implica necessidade de harmonia e equilíbrio entre os alimentos consumidos. saborosos. diversas exposições ao mesmo alimento para a sua aceitação. mas também prejudiciais ao estado nutricional.

Assim. devem ser adotadas em toda a cadeia de alimentos. os quais respondem a uma demanda de praticidade. desde a sua origem até o preparo para o consumo em domicílio. quando a mulher assume uma vida profissional extradomicílio e continua acumulando a responsabilidade sobre a alimentação da família e. A estratégia para a promoção da alimentação saudável também deve levar em consideração modificações históricas importantes que contribuíram para a transição nutricional em que as crianças pequenas são inseridas. a orientação da população sobre práticas adequadas de manipulação dos alimentos deve ser uma das ações contempladas nas políticas públicas de promoção da alimentação saudável. A vigilância sanitária deve executar ações de controle e fiscalização para verificar a adoção dessas medidas por parte das indústrias de alimentos. A modificação dos espaços físicos para o compartilhamento das refeições e nas práticas cotidianas para a preparação dos alimentos. Os alimentos consumidos pelas crianças são aqueles disponíveis para o consumo da família em nível domiciliar. incluindo as boas práticas de higiene. A perda da identidade cultural no ato das preparações e receitas com a chegada do “evento social” da urbanização/globalização. A desagregação de valores sociais e coletivos que vêm culturalmente sendo perdidos em função das modificações acima referidas. com o objetivo de redução dos riscos à saúde. que não tem criado mecanismos de suporte social para a desconcentração dessa atribuição como exclusivamente feminina. As mudanças ocorridas nas relações familiares e pessoais com a diminuição da freqüência de compartilhamento das refeições em família (ou grupos de convívio). O crescente consumo de alimentos industrializados. As crianças são vulneráveis e constituem grupo de risco para a ocorrência de doenças em função da falta de segurança sanitária. em restaurante e em outros locais que comercializam alimentos. medidas preventivas e de controle. CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA • • • • • .74 Segurança sanitária: os alimentos devem ser seguros para o consumo. das crianças pequenas. Assim. física ou química ou outros perigos que comprometam a saúde do indivíduo ou da população.A atribuição de atividades à mulher no ambiente do trabalho remunerado e no espaço doméstico se coloca como um novo paradigma da sociedade moderna. a garantia da segurança alimentar dos alimentos é de extrema importância. dos serviços de alimentação e das unidades de comercialização de alimentos. ou seja. não devem apresentar contaminantes de natureza biológica. em especial. pré-preparados ou prontos. tais como: • • O papel do gênero nesse processo. Além disso.

4. HENDRICKS. 1990). aprendendo a distinguir as sensações de fome.2. por sua vez. com o apoio da comunidade. 2006c). 1991). 75 .2 Como orientar para que a criança receba alimentação complementar saudável 2. nos primeiros anos de vida. Essa capacidade permite à criança. a criança vai se adaptando física e fisiologicamente para uma alimentação mais variada quanto a consistência e textura (PIPES et al. e de saciedade. Com a aproximação do sexto mês de vida. podem ser indutores e estimuladores de políticas públicas que garantam o acesso à alimentação saudável. considerando as especificidades culturais. a aceitação e tolerância da alimentação pastosa melhoram sensivelmente não só em função do desaparecimento do reflexo de protrusão da língua. 1992). Portanto. de modo geral. como também pela maturação da função gastrointestinal e renal e também do desenvolvimento neuromuscular (BARNESS. Por volta do quarto ao sexto mês de vida. em função dessas limitações funcionais. deve prever escopo amplo de ações que contemplem a formação de hábitos alimentares saudáveis desde a infância. BADRUDDIN. a promoção da alimentação saudável. ALLAIRE. 1993. durante o jejum. após a alimentação. afastando a cabeça ou jogando-a para trás. As crianças menores de seis meses que recebem com exclusividade o leite materno já muito cedo começam a desenvolver a capacidade de autocontrole da ingestão. com a introdução da alimentação complementar em tempo oportuno e de qualidade. Até os quatro meses de idade. em especial os das equipes de Saúde da Família.1 Idade de introdução e freqüência A definição do período adequado para iniciar a introdução dos alimentos deve levar em consideração a maturidade fisiológica e neuromuscular da criança e as necessidades nutricionais. regionais e locais (BRASIL.. nessa fase ela está preparada para receber basicamente refeição líquida (leite materno somente) (STEVENSON. a criança ainda não atingiu o desenvolvimento fisiológico necessário para que possa receber alimentos sólidos.2. Apesar de o reflexo de protrusão (que faz com que o bebê jogue para fora tudo que é colocado em sua boca) estar desaparecendo. respeitando as identidades cultural e alimentar das diversas regiões. a criança ainda não senta sem apoio e não obtém o controle neuromuscular da cabeça e do pescoço para mostrar desinteresse ou saciedade. dos Conselhos de Saúde e em articulação com outros setores da sociedade. assumir autocontrole sobre o volume de alimento que consome em cada refeição e CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA Assim. o grau de tolerância gastrointestinal e a capacidade de absorção de nutrientes atingem um nível satisfatório e. Os profissionais da Atenção Básica.4.

a criança não se satisfaz mais em apenas olhar e em receber passivamente a alimentação. texturas e consistências são muito diferentes do leite materno. segundo suas necessidades. É importante que se dê liberdade para que ela explore o ambiente e tudo que a cerca. Deve-se sempre pesquisar a história familiar de reações alérgicas antes da introdução de novos alimentos.76 os intervalos entre as refeições. não é preciso se preocupar com a quantidade de comida ingerida. inclusive os alimentos. cujos sabores. legumes e verduras). o mais importante é proporcionar introdução lenta e gradual dos novos alimentos para que a criança se acostume aos poucos. Além disso. Expressões como "papa de vegetais com carne" ou outra que dê idéia de consistência (de papa) e variedade também podem ser empregadas como outras estratégias para uma boa comunicação em saúde. CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA 1 Embora a expressão "papa salgada" seja utilizada diversas vezes ao longo do texto. é importante salientar que o objetivo do uso do termo "salgada" não é adjetivar a expressão. a criança amamentada deve receber três refeições ao dia (duas papas de fruta e uma papa salgada1/comida de panela). feijão. Receitas de papas podem ser encontradas no anexo A. FISHER. Após os seis meses. . 1995). Posteriormente esse autocontrole sofrerá influência de outros fatores. como o cultural e social (BIRCH. Entre os seis aos 12 meses de vida. como conseqüência do seu desenvolvimento e controle sobre os movimentos e da fase exploratória em que se encontra. Durante essa fase. carne. É comum querer colocar as mãos na comida. permitindo que tome iniciativas. a criança necessita se adaptar aos novos alimentos. respeitando-se a evolução da criança. por ser conhecida e de fácil tradução para os pais na orientação da composição da dieta da criança e para diferenciá-la da papa de frutas. a segunda papa salgada/comida de panela pode ser introduzida (arroz. induzindo ao entendimento de que a papa tenha muito sal. Após completar sete meses de vida.

Embora a amamentação deva continuar em livre demanda após o sexto mês de vida. elaborado a partir das recomendações atuais. Esse esquema não é rígido. de forma a aproximar gradativamente os horários da criança aos da família. fruta com aveia) • 1 fruta • 1 refeição básica da família no final da manhã • 1 fruta • 1 refeição básica da família no final da tarde 77 O leite materno deve ser oferecido em livre demanda. apresenta-se uma proposta de esquema alimentar para crianças menores de dois anos de idade.No quadro a seguir. Quadro 1 – Esquema alimentar para crianças menores de dois anos que estão em aleitamento materno Após completar 6 meses • Aleitamento materno sob livre demanda • 1 papa de frutas no meio da manhã • 1 papa salgada no final da manhã • 1 papa de frutas no meio da tarde Após completar 7 meses • Aleitamento materno sob livre demanda • 1 papa de frutas no meio da manhã • 1 papa salgada no final da manhã • 1 papa de frutas no meio da tarde • 1 papa salgada no final da tarde Após completar 12 meses • Aleitamento materno sob livre demanda • 1 refeição pela manhã (pão. é possível estabelecer um esquema para a administração da alimentação complementar. apenas serve de guia para a orientação das mães quanto à época e freqüência de introdução da alimentação complementar. CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA . respeitando assim os sinais de fome e saciedade da criança. porém o intervalo entre a mamada que antecede as principais refeições deve ser espaçado. oriente em tempo oportuno e de forma adequada a alimentação da criança. Na impossibilidade do aleitamento materno. de acordo com o preconizado na página 91.

em países em desenvolvimento. custo. é de aproximadamente 200kcal por dia de seis a oito meses de idade. Lembrando que a criança passa a aceitar de forma lenta e gradual porções maiores.2 Composição e consistência Deve-se procurar variar ao máximo a dieta para que a criança receba todos os nutrientes de que necessita e. Em crianças em aleitamento materno. Tal refeição deve conter alimentos dos seguintes grupos: cereais e tubérculos. 379kcal/dia. BROWN. 346kcal/dia nas idades de seis a oito meses. lembrando que nenhuma fruta é contra-indicada. 2006). 2003). em países em desenvolvimento. A energia total requerida para o crescimento saudável em criança em aleitamento é de 615kcal/dia de seis a oito meses. As frutas devem ser oferecidas após os seis meses de idade. Porções recomendadas nas páginas 81 a 83. nunca liquidificados ou peneirados. Nos intervalos é preciso oferecer água tratada. Na idade de oito a dez meses. O óleo vegetal deve ser usado em pequena quantidade. 1998). Os alimentos devem ser cozidos em pouca água e amassados com o garfo. em média o leite materno fornece 413kcal/dia. 2002b. a criança já pode receber os alimentos da família. A primeira papa salgada deve ser oferecida no sexto mês. CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA . 686kcal/ dia de nove a 11 meses e 894kcal/dia de 12 a 23 meses (DEWEY. 300kcal/dia de nove a 11 meses de idade e 550kcal/dia de 12 a 23 meses. THE UNITED NATIONS CHILDREN'S FUND. sempre em colheradas. para contribuir com a formação dos hábitos alimentares. (WORLD HEALTH ORGANIZATION. filtrada ou fervida para a criança. estação do ano e a presença de fibras. além de evitar a monotonia alimentar. respectivamente.2. O tipo de fruta a ser oferecido deve respeitar as características regionais.4. leguminosas. evitando-se. desde que não muito condimentados ou com grandes quantidades de sal. Os sucos naturais podem ser usados preferencialmente após as refeições principais. O ovo cozido e as carnes devem fazer parte das refeições desde os seis meses de idade. A consistência dos alimentos deve aumentar gradativamente e a textura deve ser apropriada à idade. A energia requerida pela alimentação complementar para as crianças em aleitamento materno. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. nove a 11 meses e 12 a 23 meses. a administração de alimentos muito diluídos.78 2. em uma dose pequena. A energia necessária proveniente de alimentos complementares é estimada pela subtração da energia média proveniente do leite materno da energia total requerida. propiciando oferta calórica adequada. no horário de almoço (BRASIL. 2002a. também. preferencialmente sob a forma de papas. os alimentos não precisam ser muito amassados. carnes e hortaliças (verduras e legumes). dessa forma. e não em substituição a elas. Assim que possível.

carnes). a idade da criança exposta e. mandioca/macaxeira/aipim. especialmente fígado de boi. frutas. • O profissional deve insistir na utilização de miúdos uma vez por semana. Importante: • Estimular o consumo de alimentação básica e alimentos regionais (arroz. a exposição às proteínas alergênicas da dieta. 2006). O desenvolvimento da alergia alimentar depende de diversos fatores. pelo seu alto poder alergênico e pela precocidade de uso por crianças não amamentadas ou em aleitamento misto (leite materno e outro leite). incluindo a hereditariedade. a quantidade ingerida. legumes. A amamentação é bastante eficiente na prevenção à alergia ao leite de vaca e também para o desenvolvimento da tolerância oral aos alimentos (SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. A mais freqüente é em relação à proteína do leite de vaca. batata.79 A alergia alimentar ou alergia à proteína heteróloga pode ser desenvolvida a qualquer proteína introduzida na dieta habitual da criança. pois são fontes importantes de ferro. ainda. o desenvolvimento da tolerância. • A carne deve fazer parte das refeições desde os seis meses de idade. feijão. a freqüência. • Crianças que recebem outro leite que não o materno devem consumir no máximo 500ml por dia. CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA .

Por . Os que pertencem ao mesmo grupo podem ser fontes de diferentes nutrientes. A espécie humana necessita de dieta variada para garantir a nutrição adequada. carne Segunda papa salgada Gradativamente passar para alimentação da família Comida da família CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA Fonte: Adaptação da Sociedade Brasileira de Pediatria (2006) 2. Ao orientar o planejamento da alimentação da criança. ovo. deve-se procurar respeitar os hábitos alimentares e as características socioeconômicas e culturais da família.3 Alimentação variada: garantir os grupos de alimentos A garantia do suprimento adequado de nutrientes para o crescimento e desenvolvimento da criança após o sexto mês depende da disponibilidade de nutrientes no leite materno e na alimentação complementar. de acordo com o nutriente que se apresenta em maior quantidade. bem como priorizar a oferta de alimentos regionais. levando em consideração a disponibilidade local de alimentos. Estes são classificados em grupos.2. papa salgada.80 Tabela 3 – Esquema para introdução dos alimentos complementares Faixa etária Até completar 6 meses Ao completar 6 meses Ao completar 7 meses Ao completar 8 meses Ao completar 12 meses Tipo de alimento Aleitamento materno exclusivo Leite materno. papa de fruta.4. pois os nutrientes estão distribuídos em quantidades diferentes nos alimentos.

pães e tubérculos: Cinco porções Arroz (60g) – 2 colheres das de sopa Mandioca (70g) – 1 colher das de servir Batata (100g) – 1 unidade média Macarrão (50g) – 2 colheres das de sopa Amido de milho/farinhas (20g) – 1 colher das de sopa de amido de milho Pão francês (25g) – ½ unidade Pão de forma (25g) – 1 fatia Verduras e legumes: Alimentos ricos em vitaminas. As folhas verde-escuras possuem. 2002b). Cereais. pois porções existem diferentes fontes de vitaminas nesse mesmo grupo. Então. além de fornecer proteínas. Devem ser variados. ferro não heme.exemplo. mineTrês rais e fibras. grupo das frutas: o mamão é fonte de vitamina A e o caju é fonte de vitamina C. que é mais absorvido quando oferecido junto com alimentos com fonte de vitamina C. além de betacaroteno. principalmente nas papas. além de consumir alimentos de todos os grupos. pois aumentam a densidade energética. 2002a. é importante a variedade de cada grupo (BRASIL. Os alimentos de coloração alaranjada são fonte de betacaroteno (pró-vitamina A). Quadro 2 – Descrição dos grupos de alimentos Recomendação diária 6–12 meses Recomendação diária 12–24 meses 81 Grupo equivale a Alimentos ricos em carboidratos Três devem aparecer em quantidades porções maiores nas refeições. Três porções Legumes (20g) – 1 colher das de sopa do alimento picado Verduras (30g) – 2 folhas médias ou 4 pequenas Exemplos: Cenoura – 4 fatias Couve picada – 1 colher das de sopa Abobrinha picada – 1 ½ colher das de sopa Brócolis picado – 1 ½ colher das de sopa Chuchu picado – 1 ½ colher das de sopa Continua CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA Importância Uma porção .

gado. não se recomenda a oferta de leite de vaca (ou outro) na forma pura. O cálcio é fundamental para o desenvolvimento ósseo da criança. Frutas: Três porções Quatro porções 60 a 80g (½ unidade média) Exemplos: Banana nanica – ½ unidade Maçã – ½ unidade Laranja – 1 unidade Mamão papaia – 1/3 unidade Abacaxi – ½ fatia Para crianças menores de dois anos. portanto. Fornece cálcio e proteína. minerais e fibras. As carnes são oferecidas trituradas. Esse grupo é fonte de proteína de origem animal (carne e ovos). miúdos e ovos: Continua . A oferta desses alimentos deve fazer parte da papa oferecida para a criança. Após o sexto mês. São também importante fonte de energia. a criança deve receber duas frutas por dia e nenhuma fruta é contra-indicada.) e miúdos (50g) – 2 colheres das de sopa Ovo (50g) – 1 unidade Carnes. Os miúdos contêm grande quantidade de ferro e devem ser recomendados para consumo no mínimo uma vez por semana. o Três leite materno pode ser o único alimen. Não existem restrições para carnes e ovos a partir dos seis meses de idade.porções to desse grupo. e sim adicionado a cereais. Para crianças maiores de quatro meses totalmente desmamadas.Continuação 82 Grupo Importância Recomendação diária 6–12 meses Recomendação diária 12–24 meses Uma porção equivale a CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA Alimentos ricos em vitaminas. porco etc. Duas porções Três porções Leite materno: LIVRE DEMANDA Leite artificial – 150ml (1 copo americano) Iogurte (150g) – 1 pote Queijo (30g) – 1 fatia fina Leites e produtos lácteos: Duas porções Carnes (frango. peixe. Esse grupo é básico para crianças menores de um ano e complementar para crianças maiores de um ano. desfiadas ou cortadas em pedaços pequenos. As carnes possuem ferro de alta biodisponibilidade e. tubérculos e frutas. previnem a anemia.

1997). quanto pelo risco de sua contaminação devido à manipulação/preparo inadequados. Uma porção Descrição: antes do primeiro ano de vida não é recomendado o oferecimento de açúcar. 1985) e suas conseqüentes repercussões negativas para o estado nutricional das crianças (GOVE. e um alimento rico em vitamina C. podem ser comparáveis ao valor protéico das carnes. tanto pela oferta de alimentos inadequados.Continuação Grupo Importância Recomendação diária 6–12 meses Recomendação diária 12–24 meses Uma porção equivale a 83 Óleos e gorduras: A gordura está presente naturalmente nas carnes e no preparo das refeições salgadas. CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA Esses alimentos são fonte de proteína. é de fundamental importância e essa tarefa deve ser realizada por profissionais de saúde. pois a criança está formando seus hábitos alimentares. WORLD HEALTH ORGANIZATION.4. como por exemplo o arroz.2. favorecendo a ocorrência de doença diarréica e desnutrição. que perpetuarão para a vida toda. Duas porções Duas porções Óleo vegetal (5g) – 1 colher das de sobremesa Manteiga (5g) – 1 colher das de chá Antes do primeiro ano de vida não Nenhuma é recomendado o oferecimento de porção açúcar. 1984. com freqüência. Alimentos industrializados podem conter açúcares. Quando combinados com o cereal. devendo ser evitado o excesso e as frituras antes de dois anos de idade. Oferecer adequada orientação para as mães. passam a fazer parte do hábito alimentar. Açúcar (10g) – 1 colher das de sobremesa Açúcares e doces: 2. Sabe-se que os alimentos oferecidos nos primeiros anos de vida. Uma porção Uma porção Grãos cozidos – 1 colher das de sopa Leguminosas: . durante esse período. Práticas alimentares de higiene dos alimentos complementares são um importante componente para a prevenção e redução da ocorrência das doenças diarréicas (FEACHEM. KOBLINSKI.4 Cuidados de higiene O período de introdução da alimentação complementar é de elevado risco para a criança. além de oferecerem quantidades importantes de ferro não heme e de carboidratos.

Orientar à higienização adequada. com fralda de pano limpa umedecida em água filtrada ou fervida. antes de serem descascadas. Os pais e responsáveis devem higienizar a cavidade bucal da criança até que ela aprenda a escovar corretamente e saiba cuspir o creme dental. Igualmente importante é recomendar que. mesmo aquelas que não sejam consumidas com casca.2. . A sobra do prato não deve ser oferecida novamente. 2. é recomendada a higiene bucal com escova dental de cabeça pequena. Apesar de ser uma medida de difícil adoção pelos pais. CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA Os alimentos contidos nas papas salgadas devem ser bem cozidos. tão bem como a sobra da mamadeira.4. com a finalidade de se criarem hábitos de higienização. A mamadeira é o maior veículo de contaminação. Quando começarem a nascer os dentes decíduos (de leite) da frente. Todo utensílio que vai ser utilizado para oferecer a alimentação à criança precisa ser lavado e enxaguado com água limpa. As frutas devem ser bem lavadas. a escovação dos dentes com cremes dentais (dentifrício) fluoretados e o hábito alimentar saudável constituem as melhores medidas para prevenção de cáries e outros problemas bucais nas crianças. Quando nascerem os dentes decíduos de trás. independentemente do horário. cabo longo e cerdas macias após cada refeição. após cada refeição e uso de xaropes e outros medicamentos (que são adocicados). em água própria. Lavar as mãos em água corrente e sabão antes de preparar e oferecer a alimentação para a criança. é interessante recomendar a higiene da cavidade bucal da boca do bebê desde o nascimento. já que o excesso pode provocar a fluorose (manchas esbranquiçadas que aparecem nos dentes por excesso de flúor). deve-se fazer a higienização dos dentes. orientando utilizar quantidade de creme dental (dentifrício) não superior a um grão de arroz cru. aumentando o risco de infecções e diarréia.84 Tabela 4 – Práticas que devem ser repassadas para as mães: A água deve ser tratada. a limpeza também é feita com fralda de pano limpa umedecida em água filtrada ou fervida.5 Higiene e saúde bucal A fluoração da água. fervida ou filtrada.

KRANZ et al. KRANZ et al.. 2003.. verduras e legumes. 2005. 2007). biscoitos recheados e outros alimentos com grandes quantidades de açúcar. 2002a.85 2..5 ALIMENTOS PROCESSADOS A criança aprende a gostar de alimentos que lhe são oferecidos com freqüência e passam a gostar da maneira com que eles foram introduzidos inicialmente. (SKINNER et al. portanto. As crianças já nascem com preferência ao sabor doce. 2003. frituras. 2007) CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA . por volta de dois a três anos.. verduras e legumes na sua forma natural. condições que podem perdurar até a idade adulta. 2002b). As versões doces ou mais condimentadas dos alimentos fazem com que as crianças não se interessem por consumir frutas. salgadinhos. DUBOIS et al. DUBOIS et al. enlatados. 2002) Açúcar. além de provocarem dislipidemias e alteração da pressão arterial (OVERBY et al. É desejável que ela ingira alimentos com baixos teores de açúcar e sal. café. gordura e corantes devem ser evitados especialmente nos primeiros anos de vida (BRASIL. 2005.. refrigerantes.. oferecer alimentos adicionados de açúcar ou alimentos com grandes quantidades de energia faz com que a criança se desinteresse pelos cereais. de modo que esse hábito se mantenha na sua fase adulta. Já foi demonstrado que o consumo desses tipos de alimentos está associado ao excesso de peso e à obesidade ainda na infância. Foi constatado que o estabelecimento dos hábitos alimentares acontece durante os primeiros anos de vida.. É comum mães e cuidadores oferecerem a elas alimentos de sua preferência e que são desaconselhados para crianças menores de dois anos. balas. São também causa de anemia e alergias. alimentos que têm outros sabores e são fontes de nutrientes importantes (OVERBY et al.

A oferta de bebidas e líquidos açucarados deve ser desencorajada. tais como salsichas. cebola. O consumo do mel contaminado pode levar ao botulismo. já que oferecem maior risco de transmissão de botulismo de origem alimentar. Seu valor histórico e cultural é inquestionável. e os alimentos embutidos. 1997). (ARNON. conservantes. As crianças devem receber suco de fruta natural após as principais refeições e. Apesar de suas excelentes propriedades medicinais e de seu valor calórico. HU. salsa. cominho. endro. e conseqüente aumento no risco cardiovascular. 2006. o consumo precoce de sal está associado ao aparecimento de hipertensão arterial. laranja. começa a desenvolver interesse por alimentos salgados. observando a aceitação da criança. já que foi demonstrada também a associação entre o consumo desses alimentos e o excesso de peso (MALIK.86 Os sucos artificiais não devem ser oferecidos ao lactente. corantes. o que estimula a redução do uso do sal e evita a “necessidade” de adição de condimentos prontos. Os alimentos em conserva. tomate. ligeiramente adocicado nesse período. coentro. inclusive na infância. 1996). gergelim. Alguns exemplos de temperos naturais que podem ser utilizados: alho. devido às condições apropriadas no intestino da criança para germinação e produção da toxina. pimentão. canela. cebolinha. páprica. e que apresentam em suas composições elevado teor salino e de gorduras.. é recomendável sugerir a quem os prepara que administre quantidade mínima de sal. Há diversas opções de ervas e vegetais que podem ser utilizados para temperar as refeições. manjerona. 2007) e com o surgimento precoce de cáries. O consumo de mel deve ser evitado no primeiro ano de vida. (CERESER. A quantidade inicialmente oferecida tende a ser memorizada e induz a criança a aceitar no mínimo as mesmas quantidades em suas próximas refeições. tem sido implicado em fonte alimentar que pode conter esporos de Clostridium botulinum. ao passo que. Além disso. alecrim. louro. HURTANEN. tais como palmito e picles. hortelã. 1979. é importante lembrar que a criança nos primeiros três meses demonstra maior predileção por alimentos doces. a partir do quarto mês. DECENTORBI et al. orégano. SCHULZE. portanto não são destruídos pelos métodos usuais de processamento do mel. salames. SWINBURN. freqüentemente industrializados. também constituem fontes potenciais de contaminação por esporos de C. CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA . manjericão. como o gosto por alimentos salgados é um aprendizado que se adquire. 1979. que são extremamente prejudiciais à saúde e podem causar alergias. SHIMANUKI. durante o dia. KNOX. Entretanto. em virtude da modificação da composição do leite humano gradativamente mais salgado em função de quantidades maiores de cloretos (MENELLA. Esses esporos são extremamente resistentes ao calor. adoçantes e outros aditivos que deveriam ser evitados. botulinum e devem ser evitados. quando adulta. limão. WOOD. Assim. noz-moscada. essências e corantes artificiais. presuntos e patês. SANIGORSKI. BELL. pelo fato de não oferecerem nada além de açúcar. 2008). apenas água. MIDURA et al. O sal é tradicionalmente o tempero mais lembrado e utilizado no preparo das refeições para crianças e adultos. DAMOS. 1981. entre outros. em virtude da familiaridade com o leite materno..

1978. para crianças de um a três anos. após o almoço e jantar. 87 CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA . ROSSANDER. que possui quantidades semelhantes. 1998b). cálcio e fosfatos. As carnes apresentam cerca de 2. Como o PNSF prevê. Mais informações podem ser obtidas na publicação Manual Operacional do Programa Nacional de Suplementação de Ferro e no Caderno de Atenção Básica intitulado Carências de Micronutrientes. uma vez que ela tem papel importante no suprimento de ferro durante a infância. diminuindo a sua absorção. beterraba). é absorvido de 2% a 10% pelo organismo. leguminosas (ex.. Ele pode ter suas taxas de absorção aumentadas pela presença de agentes facilitadores da sua absorção. ou agentes que diminuem sua absorção (MONSEN et al.6 AÇÕES DO SERVIÇO DE SAÚDE QUE PODEM FORTALECER A ALIMENTAÇÃO COMPLEMENTAR 2. 1990). A necessidade diária de ferro em crianças de seis a 12 meses é de 11mg/dia e. BORTOLINI. 2001). HALLBERG. não estando exposto a fatores inibidores. ao contrário do ferro animal. 1988. ROSSANDER-HULTHEN. 2001) e a vitamina A (GARCIA-CASAL et al. fonte de vitamina C. O ferro apresenta-se nos alimentos sob duas formas: heme e não heme. Atenção especial deve ser dada às crianças com idade entre 6 a 12 meses. cereais. por outro lado. pois a biodisponibilidade permite a absorção de 50% do ferro presente. pois a recomendação de ferro é elevada e difícil de ser consumida apenas pela alimentação normal. Três potentes facilitadores da absorção do ferro não heme são as carnes (ENGELMANN et al. a introdução da alimentação complementar deve ser orientada de forma adequada. que prejudica o seu crescimento e desenvolvimento. Fitatos. disponíveis no sítio <http://www. para aumentar a absorção do ferro não heme. sendo absorvidos em torno de 20% a 30% desse nutriente (MONSEN et al. REDDY. o ácido ascórbico – vitamina C – (COOK. tem maior biodisponibilidade. 1997). 1998). Por isso os esforços devem ser centrados na recomendação de alimentos que são fonte de ferro. 1998a. com consumo diário de carne. Assim. o Ministério da Saúde desenvolve o Programa Nacional de Suplementação de Ferro. presente na hemoglobina e mioglobina das carnes e vísceras. que se destina à suplementação preventiva de todas as crianças de 6 a 18 meses com sulfato ferroso. HURREL. Deve ser reforçada a recomendação da ingestão máxima de 500ml de leite por dia. 2007). BRUNE...1 Programa Nacional de Suplementação de Ferro (PNSF) Além da fortificação das farinhas de trigo e de milho e das ações educativas. miúdos (no mínimo uma vez por semana) e suco de fruta natural.. possuem efeito inibidor.8mg de ferro por 100g do alimento.6. Crianças de 6 a 18 meses devem receber o suplemento de ferro disponível nas unidades básicas de saúde de forma preventiva.. apesar da sua baixa quantidade de ferro. 1978. contido no ovo. taninos. é de 10%. é de 7mg/dia (INSTITUTE OF MEDICINE. A seguir estão listados alimentos comumente consumidos pelas crianças e fonte de ferro. HALLBERG. a criança fica vulnerável ao desenvolvimento de anemia por deficiência de ferro.br/nutricao>.gov. É indiscutível que o leite materno nos primeiros seis meses de vida da criança previne anemia. ENGELMANN et al. contribuindo para diminuir a prevalência de anemia (VITOLO.2. O ferro não heme. enquanto a absorção do ferro do leite de vaca. feijão) e hortaliças (ex.saude. O ferro heme. GLEERUP.

5 1. até a confirmação do diagnóstico.9 2.9 5.5 0.5 0.4 1.4 3. .5 1.0 0. Havendo suspeita dessas doenças. a suplementação não deve ser iniciada.8 0.8 9.0 0.88 Tabela 5 – Alimentos que são fonte de ferro Alimentos Quantidade (100g) Fontes de ferro heme Carne de gado cozida (lagarto) 1 bife médio 1 bife médio 1 bife médio 2 unidades grandes 1 pedaço médio 2 unidades pequenas 12 unidades grandes 1 filé médio 1 pedaço médio 1 pedaço médio 1 bife médio 2 unidades médias Fontes de ferro não heme Ovo Feijão preto cozido Beterraba cozida Beterraba crua Fonte: Taco (2006) e Philippi (1996) Ferro (mg) 1.3 CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA Carne de gado cozida (contrafilé sem gordura) Carne de gado cozida (patinho sem gordura) Frango cozido (coxa sem pele) Frango cozido (peito sem pele) Frango cozido (sobrecoxa sem pele) Coração de frango cozido Peixe cozido Carne de porco (bisteca grelhada) Carne de porco (costela assada) Fígado de boi cozido Fígado de galinha 2 unidades 1 concha média 4 fatias grandes 5 colheres das de sopa cheias de beterraba ralada Atenção! Crianças que apresentam doenças que cursam com o acúmulo de ferro.2 0. como a hemossiderose e anemia falciforme.2 6. não devem ser suplementadas com ferro.3 1. ressalvadas aquelas que tenham a indicação de profissional.

22 402. Nos seis primeiros meses de vida a quantidade de vitamina A presente no leite materno supera as necessidades da criança (INSTITUTE OF MEDICINE.6.75 89 Fonte: Taco (2006) e Philippi (1996) Para prevenir e controlar a deficiência de vitamina A.70µmol/L). na idade de um a três anos. 2. desde 1983 o Ministério da Saúde distribui cápsulas de 100. icterícia (cor amarelada identificada na esclerótica ou “branco do olho” e em outras partes do corpo). Dos seis aos 12 meses.7 2455. mas estudos isolados demonstram que há prevalência maiores de 10% de crianças com níveis de retinol sérico abaixo de 20µg/dL (>0. que ocorre naturalmente nos alimentos de origem animal. em grandes proporções no fígado de boi. a criança deve receber acompanhamento clínico. Tabela 6 – Alimentos que são fonte de vitamina A Alimento Abóbora cozida Mamão papaIa Manga Cenoura crua Cenoura cozida Brócolis Couve Espinafre Batata doce cozida Fígado bovino cru Quantidade (100g) 4 colheres das de sopa ½ unidade média ½ unidade média 1 unidade média 1 unidade média 3 ramos médios 4 colheres das de sopa 4 colheres das de sopa 3 colheres das de sopa 1 bife médio Vitamina A (µg) 108 31.000UI para crianças de 12 a 59 meses de idade nos Estados da Região CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA .2 Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A A magnitude do problema de deficiência de vitamina A no Brasil ainda não tem dados nacionais.25 10318. 2001).000UI dessa vitamina para crianças de seis a 11 meses de idade e de 200. O valor de vitamina A em equivalente de retinol (EqR) representa o consumo das duas formas dessa vitamina.25 139 72 819 1790. condição que caracteriza a hipovitaminose A como problema de saúde pública.Sinais e sintomas observados em pessoas que têm anemia falciforme: anemia crônica.12 2813. palidez. cansaço constante. feridas nas pernas. 300µg. Na tabela a seguir estão listados alimentos comumente consumidos pelas crianças e fonte de vitamina A. Caso apresente tais sinais e sintomas. constantes infecções e febres e inchaço muito doloroso nas mãos e nos pés. crises dolorosas no corpo. as crianças devem consumir 500µg de vitamina A e. as quais são representadas pelos carotenóides presentes nos vegetais e a vitamina A propriamente dita. segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Essa distribuição é feita associada às campanhas de vacinação. Porém. disponíveis no sítio <http://www. Maiores informações podem ser obtidas na publicação Manual Operacional do Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A e no Caderno de Atenção Básica intitulado Carências de Micronutrientes.7 ALIMENTAÇÃO PARA CRIANÇAS NÃO AMAMENTADAS Quando o desmame não pôde ser revertido após orientações e acompanhamento dos profissionais ou em situações em que a mãe não está recomendada a amamentar. como no caso da mãe soropositiva para o vírus HIV e HTLV-1 e HTLV-2. por meio da oferta de leite humano pasteurizado proveniente de Banco de Leite Humano. niacina.br/nutricao>. o qual primordialmente depende da exposição direta da pele à luz solar. Portanto. assim como o de vitamina E.6.2 Outras vitaminas O suprimento de vitaminas como riboflavina.3.1 Vitamina D CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA É pequena a contribuição do leite materno e dos alimentos complementares para o suprimento das necessidades de vitamina D. mas não há evidência de benefício da indicação de suplementação dessas vitaminas de forma rotineira (MONTE. 2. se o bebê estiver usando apenas fraldas – produzem vitamina D suficiente para evitar deficiência por vários meses. GIUGLIANI. a melhor opção para crianças totalmente desmamadas com idade inferior a 4 meses é a alimentação láctea. Crianças com pigmentação escura da pele podem requerer três a seis vezes o tempo de exposição de bebês de pigmentação clara para produzir a mesma quantidade de vitamina D (MONTE. com exposição apenas da face e mãos do bebê. 2. . os estoques de vitamina D existentes ao nascimento provavelmente seriam depletados em oito semanas. 2. O uso de leite de vaca e/ou fórmula infantil deve ser avaliado pelo profissional de saúde. não há recomendação de rotina de suplementação oral dessa vitamina em virtude das necessidades diárias serem facilmente atingidas pela exposição solar.6. 2004).3. na rotina das unidades básicas de saúde.90 Nordeste e no Estado de Minas Gerais (Vale do Jequitinhonha e Vale Mucuri). umas poucas horas de exposição à luz solar no verão – 30 minutos a 2 horas por semana (17 minutos por dia). Em bebês amamentados exclusivamente ao seio e não expostos à luz solar. no Brasil. tiamina.saude. GIUGLIANI. folato e vitamina C pode ser baixo em algumas populações. e 30 minutos por semana (4 minutos por dia). ou ainda em visitas domiciliares feitas pelos Agentes Comunitários de Saúde. 2004).gov. quando disponível.3 Informações sobre outros micronutrientes 2.6.

saude.br/nutricao>. e pelo risco maior de desenvolvimento de alergia alimentar. disponível em <http://www.gov. Quadro 4 – Volume e número de refeições lácteas por faixa etária no primeiro ano de vida para as crianças que não podem ser amamentadas Idade Do nascimento a 30 dias 30 a 60 dias 2 a 3 meses 3 a 4 meses > 4 meses Volume/Refeição 60 – 120ml 120 – 150ml 150 –180ml 180 – 200ml 180 – 200ml Número de refeições/dia 6a8 6a8 5a6 4a5 2a3 CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA . distúrbios hidroeletrolíticos e predisposição futura para excesso de peso e suas complicações.É conveniente evitar o leite de vaca não modificado no primeiro ano de vida em razão do pobre teor e baixa disponibilidade de ferro. o que pode predispor anemia. as crianças não amamentadas devem receber outros alimentos segundo o esquema abaixo: Quadro 3 – Esquema alimentar para crianças menores de dois anos não amamentadas Menores de 4 meses Alimentação láctea Alimentação láctea Alimentação láctea Alimentação láctea Alimentação láctea Alimentação láctea 4–8 meses Leite + cereal ou tubérculo Papa de fruta Papa salgada Papa de fruta Papa salgada Leite + cereal ou tubérculo Maiores de 8 meses Leite + cereal ou tubérculo Fruta Papa salgada ou refeição básica da família Fruta ou pão Papa salgada ou refeição básica da família Leite + cereal ou tubérculo 91 O Ministério da Saúde publicou em 2006 o Guia Prático de Preparo de Alimentos para crianças menores de 12 meses que não podem ser amamentadas. Após os 4 meses de idade.

Preparo do leite em pó: primeiro. O quadro 6 sumariza as principais orientações e condutas que devem ser preconizadas de acordo com a idade da criança.92 Quadro 5 – Reconstituição do leite para crianças menores de quatro meses Leite em pó integral: 1 colher das de sobremesa rasa para 100ml de água fervida. adicionar a água restante necessária. sobrepeso e baixo peso. diluir o leite em pó em um pouco de água fervida e. o leite integral líquido não deverá ser diluído e deve ser oferecido com outros alimentos. Leite integral fluido: 2/3 de leite fluido + 1/3 de água fervida 70ml de leite + 30ml de água = 100ml 100ml de leite + 50ml de água = 150ml 130ml de leite + 70ml de água = 200ml Os valores indicados acima são aproximados. Após os quatro meses de idade. o sucesso final da ação depende também da definição de políticas governamentais adequadas e da participação e apoio de toda a sociedade civil. Embora seja atribuição dos profissionais de saúde a sua promoção e da família a sua execução. 2. . A adequação nutricional dos alimentos oferecidos para as crianças após o sexto mês de vida é fundamental para a prevenção de anemia. CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA 2 colheres das de sobremesa rasas para 200ml de água fervida. O preparo de fórmulas infantis deve seguir as recomendações do rótulo do produto. 1 ½ colher das de sobremesa rasa para 150ml de água fervida. Nesse contexto.8 ORIENTAÇÕES IMPORTANTES DE ACORDO COM A IDADE DA CRIANÇA A alimentação da criança desde o nascimento e nos primeiros anos de vida tem repercussões ao longo de toda a vida do indivíduo. em seguida. atingir a alimentação ótima para as crianças pequenas deve ser um componente essencial da estratégia global para assegurar a segurança alimentar e nutricional de uma população. de acordo com a variação de peso corporal da criança nas diferentes idades.

O questionário que está no anexo B é o instrumento atualmente disponibilizado pela Coordenação-Geral da Política Nacional de Alimentação e Nutrição (CGPAN). chocolates. não pretendendo quantificar a dieta em termos de calorias e nutrientes. Se houve intervalo de seis meses ou mais. e tem por objetivos: CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA . Verificar se a criança está recebendo o suplemento de ferro. Orientar para que não sejam oferecidos para criança açúcar. Para as regiões do Programa Nacional de Suplementação de vitamina A. Em regiões cobertas pelo programa. chocolates. Após completar seis meses de vida: Entre nove e dez meses de vida: Dos 12 aos 18 meses de vida: 2. filtrada ou fervida. Estimular a prática do aleitamento materno até dois anos de idade. Orientar o consumo de alimentos que são fontes de ferro e vitamina A. Orientar o consumo de alimentos fontes de ferro e vitamina A. Sem chá. doces. Orientar que a partir do 10º mês de vida a criança já pode receber a comida preparada para a família. fornecer a megadose de vitamina A do Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A (ver regiões página 89). Orientar a introdução da água tratada.9 INDICADORES PARA AVALIAR AS PRÁTICAS ALIMENTARES NOS DOIS PRIMEIROS ANOS DE VIDA A vigilância alimentar e nutricional é uma forma de manter um olhar atento sobre o estado nutricional e o consumo alimentar da população brasileira. São identificados os chamados “marcadores do consumo alimentar”. que indicam a qualidade da alimentação em suas características tanto positivas como negativas. • • • • • • • • • • • • • • • • • Orientar a introdução dos alimentos complementares. doces. Estimular a prática do aleitamento materno até dois anos de idade. Orientar práticas de higiene no preparo da alimentação complementar. Verificar se a criança está recebendo o suplemento de ferro. água ou qualquer outro alimento. verificar se a criança recebeu a dose referente ao período de seis a 11 meses. fornecer a megadose. refrigerantes e frituras. Para as regiões do Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A.Quadro 6 – Principais condutas de acordo com a idade da criança Período Até os seis meses de vida: 93 Orientações Orientar para o aleitamento materno exclusivo até o sexto mês. Orientar para que não sejam oferecidos para criança açúcar. verificar a data da última dosagem. por meio do SISVAN. O SISVAN (Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional) recomenda a adoção de questionário que irá caracterizar de forma ampla o padrão alimentar das crianças. Estimular a prática do aleitamento materno até dois anos. refrigerantes e frituras. Fornecer o suplemento de ferro do Programa Nacional de Suplementação de Ferro e orientar a forma de oferecer à criança.

fundamentadas nos anais da reunião da Organização Mundial da Saúde/Fundo das Nações Unidas para a Infância sobre alimentação complementar.10 DEZ PASSOS PARA UMA ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL: GUIA ALIMENTAR PARA CRIANÇAS MENORES DE DOIS ANOS O Guia Alimentar para Crianças Menores de Dois Anos é uma iniciativa do Ministério da Saúde (Áreas Técnicas de Alimentação e Nutrição e da Saúde da Criança e Aleitamento Materno) e do Programa de Promoção e Proteção à Saúde da Organização PanAmericana da Saúde (Opas/Brasil). que deve ocorrer a partir dos 6 meses de idade. e publicadas em 1998 (WORLD HEALTH ORGANIZATION. a identificação dos problemas existentes e. Esse guia foi elaborado após amplo levantamento de dados existentes no País e complementado com a realização de estudos qualitativos. 1997). assim. os prioritários para intervenção. foram elaboradas recomendações para uma alimentação saudável. O estudo foi desenvolvido com o objetivo de avaliar o impacto da implementação dos dez passos da alimentação saudável para crianças menores de dois anos nas práticas alimentares no primeiro ano de vida (VITOLO et al. baseadas no documento publicado pela OPAS/Brasil (GIUGLIANI. deve-se enfatizar que muitas questões referem-se ao dia anterior à data do inquérito. sendo que o grupo de intervenção recebeu orientações dietéticas. na França.94 Para crianças menores de seis meses: O formulário para essa faixa etária tem como objetivo identificar o tipo de alimentação que a criança recebe (aleitamento materno exclusivo ou predominante. 1998). como para o desenvolvimento de excesso de peso. e a adoção de comportamento de risco tanto para a ocorrência de deficiência de ferro. CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA 2. garantindo-se. 2005). entre eles. alimentação complementar ou não recebe leite materno). As bases científicas descritas no guia constituem sumário de ampla revisão da literatura internacional. expressas em Dez passos para uma alimentação saudável: guia alimentar para crianças menores de dois anos. Deve-se enfatizar que o período que está sendo avaliado corresponde à prática alimentar do dia anterior à data do inquérito. Novamente. VICTORA. durante visitas domiciliares . realizada em Montpellier. A partir desse estudo. Para crianças entre seis meses e até dois anos: O objetivo das questões para essa fase da vida é caracterizar a introdução de alimentos. de acordo com o que é preconizado e recomendado nos Dez passos. publicadas em um manual técnico para subsidiar os profissionais de saúde a promover práticas alimentares saudáveis para a criança pequena.. O conhecimento dessas informações subsidia profissionais que atuam na Atenção Básica e os gestores em diferentes esferas de governo na implantação e implementação de estratégias para a promoção de melhorias das condições de saúde relacionadas com a alimentação e nutrição. em dezembro de 1995.

desde que os profissionais de saúde passem a priorizar essas orientações na atenção primária. sem oferecer água. refrigerante. a seguir. 2007). se a criança receber leite materno.” Dica ao profissional e à equipe: Antes de dar a orientação desse passo. em intervalos regulares e de forma a respeitar o apetite da criança. Ao final do estudo observou-se que a intervenção associou-se a maior proporção de aleitamento materno exclusivo aos quatro e seis meses e amamentadas aos 12 meses e a menor proporção de crianças que apresentaram diarréia. • Passo 4: “A alimentação complementar deve ser oferecida de acordo com os horários de refeição da família. o mesmo estudo mostrou que a intervenção baseada na orientação dos Dez passos é capaz de reduzir o número de crianças que receberam bala. tubérculos. carnes. 2008). de forma prática e com linguagem simples.” Dica ao profissional e à equipe: Sugerir receitas de papas. mantendo o leite materno até os dois anos de idade ou mais. dar alimentos complementares (cereais. portanto. não há limitações para serem alcançadas no curto prazo imediato. ao mesmo tempo. chocolate e salgadinho na faixa etária de 12 a 16 meses. DRACHLER. biscoitos do tipo recheado. 2002a. Os autores enfatizam que as orientações contidas nos Dez passos da alimentação saudável: guia alimentar para crianças menores de dois anos não requerem mudanças estruturais no âmbito econômico e social e. VITOLO. mel. perguntar à mãe/cuidador como ela (ele) imagina ser a alimentação correta da criança e. • Passo 2: “A partir dos seis meses. o grupo controle. 2002b): • Passo 1: “Dar somente leite materno até os seis meses. se estiver desmamada. frutas. ajudar a família a adotar os dez passos. introduzir de forma lenta e gradual outros alimentos.” Dica ao profissional e à equipe: Rever se as orientações sobre aleitamento materno são fornecidas desde o acompanhamento pré-natal até a época da alimentação complementar. de forma elogiosa e incentivadora. legumes) três vezes ao dia. pensando na integralidade e interdisciplinaridade do cuidado e. Eis algumas orientações (REIS JUNIOR. e cinco vezes ao dia. com base nos Dez Passos (BRASIL. A intervenção associou-se também a menor prevalência de cárie dentária nas crianças que receberam a intervenção (FELDENS. leguminosas.Os profissionais e as equipes de Saúde da Família podem estabelecer estratégias para sensibilizar e avaliar sua prática profissional. 95 .” CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA sistemáticas no primeiro ano de vida e visitas para coleta de dados aos seis e 12 meses. • Passo 3: “Após seis meses. convidá-la(lo) a complementar seus conhecimentos. tentando dar idéia de proporcionalidade. chás ou qualquer outro alimento. somente as visitas para coletas de dados. Em relação ao consumo de alimentos de baixo valor nutricional. problemas respiratórios e uso de medicamentos na faixa etária de 12 a 16 meses.

• Passo 6: “Oferecer à criança diferentes alimentos ao dia. enlatados. gradativamente. balas. • Passo 7: “Estimular o consumo diário de frutas. Uma alimentação variada é uma alimentação colorida. em parceria com a comunidade. Usar sal com moderação. frituras.” Dica ao profissional e à equipe: Pedir à mãe que faça uma lista das hortaliças mais utilizadas. verduras e legumes nas refeições. Convidar famílias com crianças sob risco nutricional.” Dica ao profissional e à equipe: Articular com a comunidade e outros setores uma campanha sobre alimentação saudável. destacando alimentos regionais e típicos da estação. café. Passo 5: “A alimentação complementar deve ser espessa desde o início e oferecida de colher. aumentar a consistência até chegar à alimentação da família. Depois.96 • Dica ao profissional e à equipe: Uma visita domiciliar pode ser uma estratégia interessante para aumentar o vínculo e orientar toda a família sobre alimentação saudável. oferecendo sua alimentação habitual e seus alimentos preferidos. • Passo 10: “Estimular a criança doente e convalescente a se alimentar. salgadinhos e outras guloseimas nos primeiros anos de vida. oficinas de preparação de alimentos seguros e/ou cozinhas comunitárias. • Passo 8: “Evitar açúcar. CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA . respeitando a sua aceitação. • Passo 9: “Cuidar da higiene no preparo e manuseio dos alimentos: garantir o seu armazenamento e conservação adequados. aumentar essa lista acrescentando outras opções não lembradas.” Dica ao profissional e à equipe: Realizar grupo com pais.” Dica ao profissional e à equipe: Organizar.” Dica ao profissional e à equipe: Conversar sobre a estimulação dos sentidos enfocando que a alimentação deve ser um momento de troca afetuosa entre a criança e a família. avós e/ou crianças sobre cuidados de higiene geral.” Dica ao profissional e à equipe: Avaliar em equipe como está a acessibilidade da criança doente ao serviço de saúde. refrigerantes. alimentar e bucal. começar com consistência pastosa (papas/purês) e.

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colocar os pedaços de jerimum e a carne moída e acrescentar dois copos de água. Quando a papa estiver com consistência pastosa e com pouca água. de acordo com a cultura alimentar regional. desligar. ou reproduzir e ser entregue. Colocar o óleo em uma panela pequena e refogar . Deixar cozinhar até o jerimum ficar macio. Lavar bem as folhas de taioba e picar. cenoura e galinha Ingredientes • 1 batata média (100g) • ½ cenoura (50g) • 1 colher das de sopa cheia picada de espinafre (ou outra folha verde escura) • 2 colheres das de sopa cheias de galinha desfiada ou 1 coxa (50g) • 1 colher pequena de óleo • 1 colher das de café rasa de sal • 1 colher das de chá de cebola ralada • 1 colher das de chá de tomate picado Modo de preparo Descascar a batata e cortá-la em pedaços pequenos. Picar a cenoura. Outras receitas podem ser acrescentadas. Antes de a água secar.108 ANEXOS ANEXO A – RECEITAS DE PAPAS PARA CRIANÇAS As receitas de papas apresentadas a seguir são alguns exemplos que podem ser utilizados em oficinas sobre alimentação complementar com as mães e/ou responsáveis. Papa de batata. Lavar bem as folhas de espinafre e picar. adicionar a taioba picada e o orégano. Colocar o óleo em uma panela pequena e refogar a cebola. Papa de abóbora (jerimum). folha de taioba e carne Ingredientes • • • • • • • 1 pedaço médio de jerimum (150g) 1 colher das de sopa cheia picada de taioba (ou outra folha verde escura) 2 colheres das de sopa cheias de carne moída (50g) 1 colher das de chá de óleo 1 colher das de café rasa de sal 1 colher das de chá de cebola ralada 1 pitada de orégano CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA Modo de preparo Descascar o jerimum e cortá-lo em pedaços pequenos. espinafre.

desligar. Antes de a água secar. beterraba e fígado Ingredientes • • • • • • • • ½ mandioca média (150g) 2 ramos de brócolis 2 fatias de beterraba 2 colheres das de sopa cheias de fígado picado (50g) 1 colher pequena de óleo 1 colher das de café rasa de sal 1 colher das de chá de cebola ralada 1 colher das de chá de cheiro verde picado 109 Modo de preparo Descascar a mandioca e a beterraba e cortá-las em pedaços pequenos. Colocar os pedaços de batata. espinafre e ovo Ingredientes • • • • • • • • ½ concha com feijão 3 colheres das de sopa cheias de arroz 1 colher de sopa cheia picada de espinafre (ou outra folha verde escura) 1 ovo (50g) 1 colher pequena de óleo 1 colher das de café rasa de sal 1 colher das de chá de cebola ralada 1 dente de alho picado Modo de preparo Lavar bem as folhas e talhos do espinafre e picá-los. Colocar o óleo em uma panela pequena e refogar a cebola. Deixar cozinhar até a batata ficar macia. e acrescentar dois copos de água. Papa de feijão. colocar os pedaços de mandioca. Quando a papa estiver com consistência pastosa e com pouca água. Lavar bem os brócolis e picar. brócolis. Quando a papa estiver com consistência pastosa e com pouca água. cenoura e galinha desfiada e acrescentar dois copos de água. adicionar o espinafre picado. Deixar cozinhar até que a mandioca e a beterraba fiquem macias. desligar. Amassar CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA . arroz. adicionar os brócolis picados. Antes de a água secar. o alho e o arroz.a cebola e o tomate. desligar e adicionar o feijão e o ovo cozido. Antes de a água secar. Acrescentar o cheiro verde e dois copos de água. Papa de mandioca/macaxeira/aipim. Colocar o óleo em uma panela pequena e refogar a cebola. Deixar cozinhar até que o arroz esteja quase pronto. Quando a papa estiver com consistência pastosa e com pouca água. acrescentar as folhas e talos picados de espinafre. beterraba e fígado.

encontra-se o formulário atualmente adotado pela CGPAN para avaliação das práticas alimentares de crianças menores de dois anos. A criança ontem recebeu leite do peito? � Sim (pule para a pergunta 3) � Não 2.110 ANEXO B – MARCADORES DIETÉTICOS PARA AVALIAÇÃO DO CONSUMO ALIMENTAR Abaixo.gov.saude. água. outras bebidas ou alimentos) � Ainda mama no peito � <1 mês ou nunca � até 1 mês � até 2 meses � até 3 meses � até 4 meses � até 5 meses 4. A criança ontem recebeu: (ler as alternativas para o entrevistado – pode marcar mais de uma alternativa)� Leite do peito � Chá/água � Leite de vaca � Fórmula infantil � Suco de fruta � Fruta � Papa salgada � Outros . MINISTÉRIO DA SAÚDE/SAS/DAB/CGPAN SISTEMA DE VIGILÂNCIA ALIMENTAR E NUTRICIONAL Estabelecimento de Saúde Nome ou matrícula do profissional de saúde Nome completo* Endereço completo* Documentação (tipo. Até que idade seu filho ficou em aleitamento materno exclusivo? (ler para o entrevistado: aleitamento exclusivo é só leite do peito. leites. sem chá. número e outras especificações)* * Campos de preenchimento obrigatório (fundo cinza).br/nutricao>. até que idade seu filho mamou no peito? � Nunca ____meses OU_ dias 3. Mais informações podem ser obtidas pelo endereço <http://www. CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA Nº CNES* Data de nascimento:* / / Data de preenchimento: / / FORMULÁRIO DE MARCADORES DO CONSUMO ALIMENTAR – CRIANÇAS MENORES DE DOIS ANOS DE IDADE – CRIANÇAS MENORES DE SEIS MESES 1. Se não.

leites. peixe. 6. até que idade seu filho mamou no peito? � Nunca ____meses OU ___ dias Até que idade seu filho ficou em aleitamento materno exclusivo? (ler para o entrevistado: aleitamento exclusivo é só leite do peito. 7.CRIANÇAS COM IDADE ENTRE SEIS MESES E MENOS DE DOIS ANOS 1. 13. porco. mandioca. miúdos ou outras)? � Sim � Não Ontem a criança comeu feijão? � Sim � Não Ontem a criança comeu assistindo à televisão? � Sim � Não Ontem a criança comeu comida de panela (comida da casa. 11. 10. nem batata. 9. 2. comida da família) antes de seis meses de idade? � Sim � Não A criança tomou suco industrializado ou refresco em pó (de saquinho) no último mês? � Sim � Não A criança tomou refrigerante no último mês? � Sim � Não A criança tomou mingau com leite ou leite engrossado com farinha ontem? � Sim � Não A criança ontem recebeu leite do peito? �Sim (pule para a pergunta 3) �Não 111 5. água. . cará e inhame)? � Sim � Não Ontem a criança comeu fruta? � Sim � Não Ontem a criança comeu carne (boi. 3. 14. 15. outras bebidas ou alimentos) � <1 mês ou nunca � até 1 mês � até 2 meses � até 3 meses � até 4 meses � até 5 meses � até 6 meses �> 6 meses � Ainda mama no peito Ontem quantas preparações (copos/mamadeiras) de leite a criança tomou? (qualquer tipo de leite animal: pó/fluido) � Não tomou � Até 2 (copos/mamadeiras) � Mais que 2 (copos/mamadeiras) Ontem a criança comeu verduras/legumes (não considerar os utilizados como temperos. CADERNOS DE ATENÇÃO BÁSICA 4. 12. comida da família) no jantar? � Sim � Não A criança recebeu mel/melado/açúcar/rapadura antes de seis meses de idade consumido com outros alimentos ou utilizado para adoçar líquidos e preparações? � Sim � Não A criança recebeu papa salgada/comida de panela (comida da casa. sem chá. frango. 8. Se não.

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