Guia de Planejamento e Orientações Didáticas

Professor Alfabetizador – 1º ano

governo do estado de são paulo secretaria da educação fundação para o desenvolvimento da educação

Guia de Planejamento e Orientações Didáticas
Professor Alfabetizador – 1o ano

PROFESSOR(A): ____________________________________________________________ TURMA: ____________________________________________________________________

São Paulo, 2011

Governo do Estado de São Paulo Governador Geraldo Alckmin Vice-Governador Guilherme Afif Domingos Secretário da Educação Herman Jacobus Cornelis Voorwald Secretário-Adjunto João Cardoso Palma Filho Chefe de Gabinete Fernando Padula Coordenadora de Estudos e Normas Pedagógicas Maria de Lourdes Rocha Coordenador de Ensino da Região Metropolitana da Grande São Paulo José Benedito de Oliveira Coordenador de Ensino do Interior Rubens Antônio Mandetta de Souza Presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Educação José Bernardo Ortiz Diretora de Projetos Especiais da FDE Claudia Rosenberg Aratangy

Agradecimentos

Esta publicação contou com a preciosa participação de autores, editores e colaboradores que cederam seu trabalho sem ônus algum para a SEE. Gostaríamos de agradecer: À equipe do ISA – Instituto Socioambiental, pelos diversos textos de seu site que aqui reproduzimos; À editora Terceiro Nome e Renata Meirelles, por seu texto e foto sobre piões dos Galibis do Oiapoque do livro Giramundo e outros brinquedos e brincadeiras dos meninos do Brasil. À editora Peirópolis e Adelsin pelos textos e ilustrações de Barangandão Arco-íris – 36 brinquedos inventados por meninos e meninas. Editora Berlendis Vertechia, Bruno Berlendis Vertechia e Luiz Donizete Grupioni, por autorizarem a reprodução de trechos do livro Viagem ao mundo indígena. À Revista Ciência Hoje e Carlos Fausto, por ceder o texto A outra história do descobrimento do Brasil. Ao escritor Waldemar de Andrade e Silva, pelos textos Mandioca – o pão indígena, Mavutsinim, o primeiro homem, Guaraná, a essência dos frutos e Mumuru, a estrela dos lagos. À Secretaria Municipal de Educação de São José do Rio Preto, por ter cedido trechos do seu material de 1o ano para compor o presente Guia.

Este material foi impresso pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, por meio da Fundação para o Desenvolvimento da Educação, para uso da rede estadual de ensino e das prefeituras integrantes do Programa de Integração Estado/Município – Ler e Escrever, com base em convênios celebrados nos termos do Decreto Estadual 54.553 de 15/07/2009 e alterações posteriores.

Catalogação na Fonte: Centro de Referência em Educação Mario Covas São Paulo (Estado) Secretaria da Educação. Ler e escrever: guia de planejamento e orientações didáticas; professor alfabetizador – 1o ano / Secretaria da Educação, Fundação para o Desenvolvimento da Educação; concepção e elaboração, Claudia Rosenberg Aratangy... [e outros]. - São Paulo : FDE, 2011. 208 p. : il. 1. Ensino Fundamental 2. Ciclo I 3. Leitura 4. Atividade Pedagógica 5. Programa Ler e Escrever 6. São Paulo I. Título. II. Fundação para o Desenvolvimento da Educação. III. Aratangy, Claudia Rosenberg. CDU: 372.4(815.6)

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principalmente. para as crianças pequenas. Isso requer um compromisso da rede pública e seus gestores para oferecer acesso a um maior número de crianças à escolaridade e para construção de uma educação de qualidade para todos os cidadãos. Bom trabalho! Secretaria do Estado da Educação . A terceira parte traz os projetos e atividades que concretizam as expectativas de aprendizagem em situações didáticas. conviver com leituras. torna-o mais fácil e natural. e sim. Tanto a primeira quanto a segunda partes já são conhecidas de muitos educadores. num ambiente estimulante e convidativo. Sabemos que. o Ensino Fundamental passou a ter 9 anos. Entendemos que todo processo de mudança requer um esforço adicional da equipe escolar na adaptação de tempos e espaços para melhor atender as crianças. não “apressa” a aprendizagem da leitura e da escrita. incluindo-se assim as crianças de 6 anos no Ciclo I. a implantação ocorreu em alguns municípios. mas. a organização da rotina. revistas. o modelo de ensino e a concepção de aprendizagem. prezado professor De acordo com a Lei no 11. participar das práticas sociais de leitura e escrita. em 2011. com a publicação do presente Guia. Na rede pública de São Paulo. os professores e alunos de 1o ano passam a fazer parte do Programa Ler e Escrever. Ao incluir o 1o ano no Ler e Escrever estamos dando um importante passo na melhoria do processo de alfabetização. a tornar este primeiro ano da escolaridade obrigatória um ano de experiências de sucesso que torne as crianças confiantes na sua capacidade de aprender e os professores seguros em suas competências de ensinar.Prezada professora. abordando as características das crianças desta faixa etária. informações. Esperamos que este material ajude não apenas a planejar seu dia a dia com seus alunos. pois estiveram disponíveis em versão eletrônica. em 2010 toda a Rede recebeu alunos no 1o ano do Ensino Fundamental e. A primeira parte deste texto traz orientações gerais sobre o primeiro ano. a deliberação CEE no 73/2008 regulamentou a implantação do Ensino Fundamental de 9 anos. Na segunda parte encontra-se o quadro com tudo que se espera que as crianças aprendam ao longo deste ano. Em 2009. livros. histórias. agora.274/2006.

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CALENDáRIO ESCOLAR 2011 D 2 9 16 23 30 S 3 10 17 24 31 JANEIRO T Q Q 4 11 18 25 5 12 19 26 6 13 20 27 S 7 14 21 28 S 1 8 15 22 29 D 6 13 20 27 S 7 14 21 28 FEVEREIRO T Q Q 1 2 3 8 9 10 15 16 17 22 23 24 S 4 11 18 25 S 5 12 19 26 D 6 13 20 27 S 7 14 21 28 MARÇO T Q Q 1 2 3 8 9 10 15 16 17 22 23 24 29 30 31 S 4 11 18 25 S 5 12 19 26 D 3 10 17 24 S 4 11 18 25 T 5 12 19 26 ABRIL Q Q 6 13 20 27 7 14 21 28 S 1 8 15 22 29 S 2 9 16 23 30 D 1 8 15 22 29 S 2 9 16 23 30 T 3 10 17 24 31 MAIO Q 4 11 18 25 Q 5 12 19 26 S 6 13 20 27 S 7 14 21 28 D 5 12 19 26 S 6 13 20 27 JUNHO Q Q 1 2 7 8 9 14 15 16 21 22 23 28 29 30 T S 3 10 17 24 S 4 11 18 25 D 3 10 17 24 31 S 4 11 18 25 T JULHO Q Q 6 13 20 27 7 14 21 28 5 12 19 26 S 1 8 15 22 29 S 2 9 16 23 30 D 7 14 21 28 S 1 8 15 22 29 AGOSTO T Q Q 2 3 4 9 10 11 16 17 18 23 24 25 30 31 S 5 12 19 26 S 6 13 20 27 D 4 11 18 25 S 5 12 19 26 SETEMBRO T Q Q 1 6 7 8 13 14 15 20 21 22 27 28 29 S 2 9 16 23 30 S 3 10 17 24 D 2 9 16 23 30 S 3 10 17 24 31 OUTUBRO T Q Q 4 11 18 25 5 12 19 26 6 13 20 27 S 7 14 21 28 S 1 8 15 22 29 D 6 13 20 27 NOVEMBRO T Q Q 1 2 3 7 8 9 10 14 15 16 17 21 22 23 24 28 29 30 S S 4 11 18 25 S 5 12 19 26 D 4 11 18 25 DEZEMBRO T Q Q 1 5 6 7 8 12 13 14 15 19 20 21 22 26 27 28 29 S S 2 9 16 23 30 S 3 10 17 24 31 CALENDáRIO ESCOLAR 2012 D 1 8 15 22 29 S 2 9 16 23 30 JANEIRO T Q Q 3 4 5 10 11 12 17 18 19 24 25 26 31 S 6 13 20 27 S 7 14 21 28 D 5 12 19 26 S 6 13 20 27 FEVEREIRO T Q Q 1 2 7 8 9 14 15 16 21 22 23 28 29 S 3 10 17 24 S 4 11 18 25 D 4 11 18 25 S 5 12 19 26 MARÇO Q Q 1 6 7 8 13 14 15 20 21 22 27 28 29 T S 2 9 16 23 30 S 3 10 17 24 31 D 1 8 15 22 29 S 2 9 16 23 30 T 3 10 17 24 ABRIL Q 4 11 18 25 Q 5 12 19 26 S 6 13 20 27 S 7 14 21 28 D 6 13 20 27 S 7 14 21 28 T 1 8 15 22 29 MAIO Q 2 9 16 23 30 Q 3 10 17 24 31 S 4 11 18 25 S 5 12 19 26 D 3 10 17 24 S 4 11 18 25 T JUNHO Q Q 6 13 20 27 7 14 21 28 5 12 19 26 S 1 8 15 22 29 S 2 9 16 23 30 D 1 8 15 22 29 S 2 9 16 23 30 JULHO T Q Q 3 4 5 10 11 12 17 18 19 24 25 26 31 S 6 13 20 27 S 7 14 21 28 D 5 12 19 26 S 6 13 20 27 AGOSTO T Q Q 1 2 7 8 9 14 15 16 21 22 23 28 29 30 S 3 10 17 24 31 S 4 11 18 25 D 2 9 16 23 30 S 3 10 17 24 SETEMBRO T Q Q 4 11 18 25 5 12 19 26 6 13 20 27 S 7 14 21 28 S 1 8 15 22 29 D 7 14 21 28 S 1 8 15 22 29 OUTUBRO T Q Q 2 3 4 9 10 11 16 17 18 23 24 25 30 31 S 5 12 19 26 S 6 13 20 27 D 4 11 18 25 NOVEMBRO T Q Q 1 5 6 7 8 12 13 14 15 19 20 21 22 26 27 28 29 S S 2 9 16 23 30 S 3 10 17 24 D 2 9 16 23 30 S 3 10 17 24 31 DEZEMBRO T Q Q 4 11 18 25 5 12 19 26 6 13 20 27 S 7 14 21 28 S 1 8 15 22 29 Feriados Dia Mundial da Paz __________________________________ 1o janeiro Aniversário de São Paulo ____________________________ 25 janeiro Carnaval ____________________________8 de março | 21 de fevereiro Paixão __________________________________22 de abril | 6 de abril Páscoa __________________________________24 de abril | 8 de abril Tiradentes __________________________________________ 21 abril Dia do Trabalho ______________________________________ 1o maio Corpus Christi __________________________23 de junho | 7 de junho 2011 | 2012 Revolução Constitucionalista_____________________________ 9 julho Independência do Brasil ____________________________ 7 setembro Nossa Senhora Aparecida____________________________12 outubro Finados _________________________________________ 2 novembro Proclamação da República _________________________ 15 novembro Dia da Consciência Negra __________________________ 20 novembro Natal __________________________________________25 dezembro .

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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Expectativas de aprendizagem abordadas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40 MOdELO dE AtividAdE: Ler nomes dos colegas da classe . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45 45 46 47 48 . . . . . . . . . Modelo de ensino e aprendizagem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Língua Portuguesa . . . . . . . . . . . . . . MOdELO dE AtividAdE . . . . Avaliação das aprendizagens . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12 12 13 15 15 16 18 20 20 24 26 29 30 32 35 35 37 37 39 Condições didáticas para as situações de leitura e escrita de nomes dos colegas da classe . . . . . . . . . . . . . . .Sumário Calendário Escolar de 2011/2012 . . . . . . . . . . . . . . . . . A ação do professor . . . . Expectativas de aprendizagem abordadas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . jogar e brincar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Organização da rotina e as modalidades organizativas do tempo didático . . . . . . . . . . Condições didáticas para as situações de escrita pelo aluno . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Os cantos de atividades diversificadas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Conteúdos e expectativas de aprendizagem . . . . . . . Geografia e Ciências Naturais) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Ciências Naturais e Sociais (História. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Ler os nomes dos colegas da classe – dicas . . . . 41 Situações de escrita pelo aluno . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . O que os alunos aprendem nas situações em que escrevem por si mesmos . . . . . . . . . . . . . Escrever os nomes dos colegas da classe – dicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . O que os alunos aprendem nas situações de leitura e escrita de nomes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Artes . . . . . . . . . . . Expectativas de aprendizagem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Matemática . . . . . . Movimento. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Situações de leitura e escrita de nomes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . A criança e suas especificidades . . . .

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Acompanhar a leitura do professor – dicas . . . . . . . . Condições didáticas para as situações de leitura do professor . . . . . . . . . . . Condições didáticas para as situações de leitura do aluno . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . O que os alunos aprendem nas aulas de leitura por si mesmos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Ler. . . . . . . Expectativas de aprendizagem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Produzir textos escritos ainda que não saiba escrever convencionalmente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . O resgate das brincadeiras infantis e a aprendizagem da língua . . . . . . . . . Conhecer diferentes gêneros textuais . . Expectativas de aprendizagem abordadas . . . . . . . . . . . . . . . . 65 MOdELO dE AtividAdE: ditado para o professor de um bilhete para os pais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65 Condições didáticas para as situações de ditado para o professor ou produção oral com destino escrito . . . . . . . . . MOdELO dE AtividAdE: Organizar os versos de uma parlenda conhecida . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64 Expectativas de aprendizagem abordadas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63 O que os alunos aprendem nas situações em que ditam um texto para o professor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53 54 55 56 58 59 Situações de ditado para o professor – produzir textos antes de saber escrever . 66 Situações de leitura pelo professor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70 71 74 75 76 77 PROJETO DIDáTICO Brincadeiras tradicionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Uso de texto fonte para escrever de próprio punho . . 83 85 86 86 86 87 87 87 87 . . . . . . . . . .Situações de leitura pelo aluno . . . . . antes que leiam convencionalmente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Ler antes de saber ler convencionalmente – dicas . . . . . . . . . 81 Por que realizar um projeto de resgate das brincadeiras tradicionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Comunicar-se no cotidiano . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . MOdELO dE AtividAdE: Leitura de conto pelo professor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Produto final . . . . . . . . . . O que os alunos aprendem nas situações em que o professor lê para eles . . . . . . . . . . . . ainda que não convencionalmente . . . . Expectativas de aprendizagem abordadas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

. . . . . . . . . . . 117 Atividade 4A: Escolha da brincadeira que será apresentada pelos alunos . . . . . . . . . . . . . . . . . 106 Etapa 3: Aprender novas brincadeiras a partir do relato oral de diferentes convidados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 91 Atividade 1C: Elaboração de convites aos familiares que queiram ensinar uma das brincadeiras aos alunos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 117 Atividade 4B: Escrita da ficha de uma das brincadeiras aprendidas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .Organização geral do projeto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 125 Nunca três . . . . . . . . . 95 Atividade 2A: Escrita do título de uma brincadeira. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 119 Atividade 4C: Ensaios para a “tarde de brincadeiras” . . . . . . . 103 Atividade 2E: Leitura de texto instrucional para confecção de um brinquedo e escrita em duplas de uma das instruções . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 115 Etapa 4: Preparação dos produtos finais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 90 Atividade 1B: Preparação de entrevistas sobre brincadeiras conhecidas dos familiares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 123 Coelhinho sai da toca . . . . . . . . 89 Atividade 1A: Apresentação do projeto . . . 124 Mãe da rua . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 112 Atividade 3d: ditado ao professor da brincadeira aprendida com um dos convidados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 109 Atividade 3A: Aprender uma brincadeira a partir do relato de um convidado . . . . . 101 Atividade 2d: Leitura de texto instrucional para confecção de um brinquedo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 126 . . 96 Atividade 2B: Leitura do professor das regras de uma nova brincadeira . . . . . . . . . 111 Atividade 3C: Escrita em duplas de uma das regras da brincadeira (letras móveis) e desenho do jogo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . com análise coletiva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 125 Fugi fugi . . . . . . . . . . 94 Etapa 2: Aprender brincadeiras a partir da leitura do professor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 124 Pega-pega corrente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 123 Cabra-cega . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 121 ANEXO 1 (para ser lido pelo professor na atividade 2B) . . . . . . . . 98 Atividade 2C: desenho e legenda em duplas da brincadeira aprendida na aula anterior . . . . . . . . 109 Atividade 3B: ditado para o professor das opiniões a respeito da brincadeira . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 88 Etapa 1: Apresentação do projeto e do produto final . . . . . . . . . . . . . . .

. . . . . . . . . Geografia e Ciências Naturais) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .PROJETO DIDáTICO Índios do Brasil: conhecendo algumas etnias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 132 Ciências Naturais e Sociais (História. . . . . . . . . . . . . . . . . . 145 Atividade 2C: Escrita do aluno – informações sobre diferentes nações (ditadas pelo professor) . . . . 152 Atividade 3A: Leitura do professor de texto sobre o cotidiano dos índios Xikrins-Kaiapós . . . . . 141 Atividade 2A: Leitura do professor e anotação das informações relevantes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . crianças e mitos em diferentes nações indígenas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 133 Artes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 138 Etapa 2: Aprender sobre aspectos gerais das nações indígenas brasileiras . . . . . . . . . 136 Atividade 1B: Levantamento do que já sabem sobre o tema a partir da leitura de imagens . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 134 Atividade permanente . . . . . . . . . . . . . . . 132 Língua Portuguesa . . . . . . . . . . . . . 133 Organização geral do projeto . . . . . 129 A formação de estudantes . . . 141 Atividade 2B: Elaboração coletiva e reflexão sobre características das legendas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 130 Aprender sobre a linguagem escrita e sobre a escrita no contexto de um projeto . . . . . . . . . . . . . . . 133 Produto final . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 159 Atividade 4A: Comparar a relação entre a alimentação dos povos indígenas e a dos alunos . . . . . . . . . . . . . . 152 Atividade 3B: Leitura de legenda sobre os Yanomamis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 136 Etapa 1: Apresentação do projeto e do produto final . . . . . . . . . . . . . . . . . 131 Expectativas de aprendizagem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 153 Atividade 3C: Escrita de legenda sobre o povo estudado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 157 Etapa 4: Aprender sobre alimentação. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 127 Por que realizar um projeto que envolva o estudo dos povos indígenas brasileiros . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 147 Etapa 3: Aprender sobre uma nação indígena – Xikrins-Kaiapós . . . . . . . . . 136 Atividade 1A: Compartilhar o projeto com os alunos e fazer levantamento do que já sabem sobre o tema . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 159 10 Guia de Planejamento e orientações didáticas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 170 Atividade 4F: Como as crianças índias aprendem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 184 Atividade 6B: Preparação de materiais para exposição . . . . . . . . . . 168 Atividade 4E: ditado ao professor de uma das brincadeiras apresentadas na aula anterior . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 172 Atividade 4G: Mitos de origem de dois povos indígenas . . . . . . . . que vai expor informações na Atividade 4d . . . . . . 176 Atividade 4H: ditado ao professor do mito de origem dos índios desanas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 177 Etapa 5: Aspectos históricos . . . . . . .Atividade 4B: discussão em quartetos sobre os hábitos alimentares dos povos indígenas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 190 ANEXO 2A: texto para Atividade 2A . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 178 Atividade 5B: Ouvir e cantar uma canção sobre o descobrimento . . . . . . . . . . . . . . . . . . 184 Atividade 6A: divisão dos grupos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 180 Etapa 6: Preparação do produto final . . . . . . . . . 187 Atividade 6d: Revisão das legendas que acompanham o material de apoio para a exposição . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 205 Guia de Planejamento e orientações didáticas 11 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 197 ANEXO 4da . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 188 Atividade 6E: Ensaios para a apresentação . . . . . . 167 Atividade 4d: Brincadeiras e brinquedos indígenas . . .Relato de brincadeira. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 192 ANEXO 3A: texto para ser lido pelo professor para os alunos . . . . . . . . . .texto que será lido para os alunos na Atividade 4F . . . . . . . . . . 198 ANEXO 4F – texto que será lido para os alunos na Atividade 4F . . . 201 ANEXO 4Ga: Será lido para os alunos durante a Atividade 4G . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 186 Atividade 6C: Escrita de legendas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 178 Atividade 5A: Leitura pelo professor de matéria sobre o descobrimento do Brasil . . . . . . . . . . . . . será lido para os alunos na Atividade 4C . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 193 ANEXO 4d: texto de apoio para o professor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 163 Atividade 4C: Escrita de legendas sobre hábitos alimentares dos povos indígenas . 199 ANEXO 4Fa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 202 ANEXO 5A: texto sobre o descobrimento do Brasil para ser lido na Atividade 5A . . . . . . 203 ANEXO 6: Lendas e mitos indígenas para serem lidos no momento da atividade habitual de leitura pelo professor . . . . . . . . . . . . . . 200 ANEXO 4G: Será lido para os alunos durante a Atividade 4G . . . . . . . . . . . . .

da imaginação.Introdução A frequência neste primeiro ano configura-se em uma transição. imagens e conceitos para mediar sua relação com a realidade e o mundo social. assegurar um trabalho pedagógico que envolva experiências em diferentes linguagens e suas expressões. ou garantir àqueles que nunca frequentaram a escola um início de escolaridade tranquilo e promissor. Cabe ressaltar que a ampliação do Ensino Fundamental visa dar continuidade ao trabalho desenvolvido nas escolas de Educação Infantil. é necessário assegurar-lhes o direito à infância. e se manifesta por meio da linguagem. inclusive da alfabetização. seja para aquele aluno que entrará na escola pela primeira vez. considerando as características de sua faixa etária. signos. Nesta perspectiva. buscando uma metodologia que favoreça o desenvolvimento social. A criança e suas especificidades A criança dessa faixa etária possui um grande repertório de conhecimentos construídos a partir das experiências cotidianas que vivenciou. Pode estabelecer novos e diferentes vínculos afetivos e se interessa cada vez mais pelas atividades em grupo. a ampliação do Ciclo I do Ensino Fundamental de quatro para cinco anos assegura às crianças um período maior para as aprendizagens próprias desta fase. pois os alunos não deixarão de ser crianças pelo simples fato de estarem regularmente matriculados no Ensino Fundamental. o que amplia suas habilidades sociais. A unidade escolar deverá. A capacidade de simbolização está bem estabelecida nesta fase. seja para aquele que vem da Educação Infantil. integrando o cuidar e o educar. afetivo e cognitivo dessas crianças. a capacidade de conceituação 12 Guia de Planejamento e orientações didáticas . A criança faz uso de um repertório cada vez mais rico de símbolos. da imitação e da brincadeira em situações diversas. A criança do 1o ano deve ter garantido seu direito à educação em ambiente próprio e com rotinas adequadas que possibilitem a construção de conhecimentos. Embora seja um processo longo. Em qualquer um dos casos. Cuidar e educar são princípios básicos da educação nesta faixa etária. permitindo que elas avancem para os anos seguintes de forma segura e confiante em relação aos seus processos de construção de conhecimento. então.

A curiosidade e a necessidade de saber sobre e compreender o mundo são visíveis.1 A consideração desse modo peculiar de pensar o mundo. propiciar uma produção infantil rica e original e ampliar seus conhecimentos.. O modelo de ensino relacionado a essa concepção de aprendizagem é o da resolução de problemas. à seguinte pergunta: “Por que a Lua não cai em cima da Terra?” – A Lua. Há um desenvolvimento acentuado de habilidades.. – E como é que ela foi impedida? – Impedida por a mãe do Sol. como a atenção e a memória. Neste modelo. que se tornam mais conscientes e intencionais. a especificidade de cada conteúdo a ser aprendido e a intervenção didática. daí por isso que a Lua foi pra cima.. que compreende situações em que o aluno.. Porque. ela já foi impedida várias vezes.. construindo relações entre eles. de Regina Scarpa e Priscila Monteiro.. Modelo de ensino e aprendizagem A concepção de aprendizagem que embasa este e os demais documentos orientadores da rede estadual pressupõe que o conhecimento não é concebido como uma cópia do real e assimilado pela relação direta do sujeito com o objeto de conhecimento. a Lua já tinha nascido antes do Sol. no entanto. aí a Lua se machucou e não pode mais andar.. que organiza e integra informações e novos conhecimentos aos já existentes. Guia de Planejamento e orientações didáticas 13 . 1 Fala extraída da fita de vídeo Do outro lado da Lua. ainda que as associações e as relações sejam regidas por critérios subjetivos. com o Sol. quando incorporada pelos educadores.. planejar atividades significativas. aí começou uma briga de quem era mais velho. né. assim... confere originalidade e poesia ao pensamento infantil.. falou que ele era mais velho e aí a mãe do Sol arrastou muitas vezes a Lua...... mas. possibilita conhecer a criança. Uma menina já próxima aos seis anos respondeu. é. né.. permitindo que a criança estabeleça relações e generalizações. Aí a Lua fica mais alta que o Sol pra poder os dois não brigar..já aparece nesta fase. Essa forma de pensar. produto de uma atividade mental por parte de quem aprende. o trabalho pedagógico promove a articulação entre a ação do aprendiz. é.... como vemos no exemplo abaixo. precisa pôr em jogo o que sabe para aprender o que não sabe.. no esforço de realizar a tarefa proposta. aí ela ficou lá no mesmo lugar.

Conforme Zabalza: “O peso do componente das relações [pessoais] é muito forte. provavelmente. infantilizando conteúdos que se quer ensinar. do outro e do ambiente poderá exigir do professor novas competências e habilidades. O papel de mediador das aprendizagens. das interações e dos cuidados de si. portanto é necessário um trabalho pedagógico intencional e competente. A ação do professor Considerar as crianças como seres únicos.O senso comum repete desde sempre que a criança aprende brincando. Outro aspecto importante dessa atuação profissional é a inclusão das famílias como parceiras da ação educativa. de um educador que aposta nas crianças e confia em suas capacidades. As propostas pedagógicas devem reconhecer as crianças como seres íntegros. com necessidades e jeitos próprios de se desenvolver e aprender. implica um professor conhecedor do desenvolvimento e das aprendizagens infantis. o recurso fundamental na hora de trabalhar com crianças pequenas”. elas também aprendem a interagir. a partir daí. E. p. o que tem gerado inúmeras atividades equivocadas. com os demais e com o ambiente de maneira articulada e gradual. O brincar é sim atividade importantíssima na infância. Mas a aprendizagem de conteúdos envolve muito pensamento. o que significa ir além de respeitar a di- 14 Guia de Planejamento e orientações didáticas . O desafio de possibilitar aprendizagens desafiantes. Considerar a criança dessa faixa etária competente e capaz é requisito fundamental para uma ação educativa de qualidade. Devem organizar atividades intencionais que possibilitem a interação entre as diversas áreas de conhecimento e os diferentes aspectos da vida cidadã em momentos de ações ora estruturadas. a raciocinar. contribuindo assim com o provimento de conteúdos básicos para constituição de novos conhecimentos e valores. além dos conhecimentos didáticos imprescindíveis a uma boa atuação pedagógica. na qual as crianças criam por conta própria enredos e ensaiam papéis sociais. Ao jogar com regras. pressupõe um profissional flexível. o que certamente envolve muita aprendizagem relativa à sociedade em que vivem. principalmente. ora espontâneas e livres. enquanto a criança desenvolve autoconfiança em suas capacidades e relações positivas com seus pares e os adultos. Essas crianças. (1998. trabalho investigativo e esforço. 27). que aprendem a ser e conviver consigo próprios. tendo frequentado ou não a Educação Infantil. As relações constituem. observador. chegarão ao 1o ano com uma bagagem de conhecimentos sobre a qual o professor terá que se debruçar para. provenientes de diferentes famílias. basear suas ações pedagógicas. capaz de ter empatia com os alunos e suas famílias.

Os eventos da rotina podem se organizar em: j atividades permanentes (por exemplo: brincadeiras no espaço interno. sugere-se que o tempo escolar para o 1o ano seja intencionalmente planejado para proporcionar os cuidados de higiene cotidianos. por exemplo. sequências de atividades para promover entre as crianças as discussões sobre como se organizam os números e como aparecem no mundo.”2. para conhecer um artista cujas obras serão visitadas no passeio ao museu etc. “a valorização e o conhecimento das características étnicas e culturais dos diferentes grupos sociais que compõem a nossa sociedade. roda de leitura etc. Organização da rotina e as modalidades organizativas do tempo didático Considerando que não é indicado atuar com as crianças desta faixa etária em aulas estanques de 50 minutos com alguns poucos minutos de recreio. acima de tudo. mundo!: criança. o registro sistemático. cantos de atividades diversificadas. para buscar informações específicas sobre um fenômeno da natureza noticiado pelos jornais. (RCNEI) Pode-se pensar.versidade. Guia de Planejamento e orientações didáticas 15 . Bem-vindo. indicam que novos caminhos devem ser trilhados na relação entre as instituições de Educação Infantil e as famílias”. considerá-las competentes e interlocutoras em diferentes situações de aprendizagem propostas para as crianças. ateliês de artes visuais. Adriana Klisys e Silvana Augusto. 2006. o planejamento coletivo e a autoavaliação efetuada por todos da equipe escolar relativa à qualidade educativa oferecida aos alunos. Segundo o RCNEI. e a crítica às relações sociais discriminatórias e excludentes. será necessário organizar uma rotina mais flexível. pressupõe. Incorporando a nomenclatura do RCNEI. j sequência de atividades “planejadas e orientadas com o objetivo de promover uma aprendizagem específica e definida. São Paulo: Peirópolis. Esses novos desafios ao papel do professor demonstram a importância da reflexão sobre a prática pedagógica por meio dos instrumentos metodológicos. 2 Silvia Pereira de Carvalho. São sequenciadas com a intenção de oferecer desafios com graus diferentes de complexidade para que as crianças possam ir paulatinamente resolvendo problemas a partir das diferentes proposições”. as brincadeiras e as situações de aprendizagem orientadas. tais como: a observação atenta. no externo.). cultura e formação de educadores.

(RCNEI) (grifos nossos) Os cantos de atividades diversificadas A introdução da proposta de cantos de atividades diversificadas.. Delia Lerner acrescenta outra característica: para ela. exercitando a autonomia e buscando conhecer as próprias necessidades. Os cantos devem possibilitar: j participação em situações de brincadeiras e jogos nas quais se pode esco- lher parceiros. pela produção artística e pelo conhecimento acumulado sobre a natureza e sociedade. pode colaborar para uma rotina mais apropriada à faixa etária atendida. escolhendo. cuja função social torna as situações de aprendizagem mais atuais. preferências e desejos ligados à construção de conhecimento e relacionamento interpessoal. suas dificuldades. uma vez que prescinde de um controle direto do professor. comprometidos com propósitos educativos bastante claros. por exemplo. Como exemplo de proposta compartilhada com as crianças (propósito social). permite que ele observe mais atentamente os problemas enfrentados pelas crianças. Os projetos também contribuem para aprimorar as relações em grupo e a organização de um trabalho cada vez mais autônomo. Em geral. É importante que esse tipo de organização favoreça o acesso aos mais variados bens culturais. são formas de organizar o tempo de modo a articular propósitos didáticos e comunicativos. brinquedos etc. montar coletâneas de contos favoritos. gravar fitas com poesias declamadas pelo grupo etc. Desse modo. livre do controle do professor. os projetos articulam objetivos das crianças com os dos professores. os projetos. produzir e colecionar álbuns de figurinhas. gostos e interesses. Essa proposta tem função decisiva na formação pessoal e social e na construção da autonomia da criança. como os proporcionados pela produção literária. Por outro lado. possuem duração de várias semanas.Outra modalidade de organização do tempo didático que tem especial interesse para crianças de 6 anos são os projetos didáticos. que se caracterizam por serem conjuntos de atividades envolvendo uma ou mais linguagens e possuem um produto final que será socializado para um público externo à sala de aula. mais do que métodos. materiais. A isto. Com essa modalidade de organização as crianças podem vivenciar diferentes situações de aprendizagem. na qual as crianças em um determinado período do dia podem escolher entre os cantos de livros e o de jogo simbólico e de artes visuais. o que muito o auxiliará no replanejamento pedagógico. informativa e comunicativa. j participação em situações que envolvam a combinação de algumas regras 16 Guia de Planejamento e orientações didáticas . aprendizagens. objetivos de realização em conjunto com objetivos didáticos. correspondentes às que são vivenciadas fora da escola.

tomar conhecimento das ofertas e decidir por uma delas para começar. em uma ou outra ocasião. – e organiza a sala em cantos. j valorização do diálogo como forma de lidar com os conflitos. fazer as adaptações necessárias não é tão difícil.de convivência em grupo e aquelas referentes ao uso dos materiais e do espaço. Reorganização do espaço físico O espaço organizado de maneira flexível e desafiante é considerado por estudiosos como um segundo educador na educação das crianças no início da escolaridade. tais como: j diversificar propostas a cada dia a fim de que as crianças tenham maiores possibilidades de escolha. j manter algumas propostas durante um tempo a fim de que as crianças aprofundem conhecimentos e se apropriem dos conteúdos apresentados. registros de jogos etc. leitura de livros e gibis etc. facilitando o acesso aos materiais para quem está no canto de pintura. O que fazer então quando há um prédio escolar pronto que não é adequado ao funcionamento de uma proposta que amplie as competências infantis em vez de as limitar? Se a equipe tem uma proposta que realmente está bem construída em direção à autonomia e expressão da criança. faz-de-conta. cantos de atividades diversificadas não é tão difícil quando há boa vontade de todos os Guia de Planejamento e orientações didáticas 17 . à lousa e ao giz para quem vai fazer placares. por exemplo. mas isso não o libera de tomar decisões de caráter didático. j decidir possíveis agrupamentos entre as crianças. j disponibilizar materiais de apoio e suporte para as atividades das crianças. Modificar a organização da sala para incluir. durante o tempo previsto para a atividade. por exemplo. de forma que as crianças possam percorrer o espaço. As crianças podem ajudar o professor a organizar a sala em cantos. como alguns jogos. por outro lado. podendo ainda desenvolver outras propostas. jogos de regras. um outro mais aberto e livre para atividades que pressupõem maior movimentação. j valorização dos cuidados com os materiais de uso individual e coletivo. quando perceber que alguém precisa de ajuda e. j organizar o espaço em função do que espera que as crianças desempenhem: um canto mais aconchegante e acolhedor para atividades que exigem maior concentração. j fazer intervenções ajustadas às possibilidades e necessidades das crianças.. desenho. reconhecer quem pode ajudar. Organizando os cantos de atividades diversificadas O professor programa diferentes propostas – jogos de construção.

mesmo com os prédios existentes. cognitivas e sociais. roupas.. jogos os mais diversos.. de maneira que as crianças tenham autonomia no uso. é possível. massa de modelar. incluem-se nas expectativas de aprendizagem dois eixos que não figuram com destaque nas séries iniciais do Ensino Fundamental: Movimento. para refeitórios. enfim. jogar e brincar/Cuidar de si. e tenha a oportunidade de brincar expressando suas emoções. panos para brincar etc. (RCNEI) Acrescenta-se. brinquedos. conhecimento e imaginação. se há uma proposta educativa coesa. que possa descobrir e conhecer progressivamente suas potencialidades físicas.. a acessibilidade aos materiais. como cita o RCNEI. espelhos. tintas. os recursos materiais entendidos como mobiliários. do outro Entende-se neste documento que os conteúdos são um meio para que a criança se desenvolva. tesouras.. pincéis. lápis. argila. é preciso que o espaço seja versátil e permeável à sua ação. Conteúdos e expectativas de aprendizagem Considerando que dos objetivos gerais para essa faixa etária faz parte a necessidade de a criança desenvolver uma imagem positiva de si. .envolvidos. . blocos para construções. livros. construir novos ambientes.. material de sucata. aprenda. bem fundamentada. sujeito às modificações propostas pelas crianças e pelos professores em função das ações desenvolvidas. são: . além de cuidados de conservação e substituição regular. cola. (RCNEI) Muito importante também. ainda.. adquira confiança em suas capacidades e se expresse em diferentes linguagens advindas das seguintes áreas: 18 Guia de Planejamento e orientações didáticas . Descobrir outros usos para área externa.

É uma ação pedagógica que integra conhecimentos advindos de diferentes áreas do conhecimento. Geografia e Ciências) n Movimento. brincar/Cuidar de si e do outro n Artes Os conhecimentos advindos principalmente das ciências. história e geografia serão desenvolvidos como temas das sequências de atividades e dos projetos didáticos.n Língua Portuguesa n Matemática n Ciências Sociais e Naturais (História. jogar. Guia de Planejamento e orientações didáticas 19 .

Solicitar relatos sobre episódios do cotidiano. Comunicar-se no cotidiano Relata fatos que compõem episódios cotidianos. nas rodas de conversa. Escuta atentamente o que os colegas falam em uma roda de conversa. em ler e escrever de acordo com suas hipóteses. ideias e pensamentos. Fonte: RCNEI – MEC – Diretrizes Nacionais para a Educação Infantil Expectativas de aprendizagem Condições didáticas e atividades Criar situações em que as crianças possam expressar-se oralmente. sentimentos. é necessário que a escola de Ensino Fundamental promova oportunidades e experiências variadas para que elas desenvolvam com confiança crescente todo o seu potencial na área e possam se expressar com propriedade por meio da linguagem oral e da escrita. ouvindo com atenção. Para isso. atentando para os comportamentos necessários à interlocução.Expectativas de aprendizagem Língua Portuguesa As crianças do 1o ano têm o direito de aprender e desenvolver competências em comunicação oral. ocupando seu turno de fala adequadamente. 20 Guia de Planejamento e orientações didáticas . Criar situações em que a criança tenha que ouvir os colegas. por exemplo. ainda que com apoio de recursos e/ou do professor. Observar se o aluno Expressa oralmente seus desejos. respeitando opiniões. considerando a criança um interlocutor real.

Localiza um nome específico numa lista de palavras do mesmo campo semântico (nomes. Oferecer oportunidades frequentes de contato com diferentes suportes de texto.Ler para crianças notícias interessantes e solicitar comentários pessoais. adivinhas e outros textos de tradição oral apresentados pelo professor. quadrinhas. Reconhece e utiliza rimas em suas brincadeiras. Ajusta o falado ao escrito a partir dos textos já memorizados. quadrinhas. ingredientes de uma receita. tais como as brincadeiras cantadas. tais como parlendas. Comunicar-se no cotidiano Ler e ensinar para os alunos parlendas. usando práticas sociais tais como chamadas. estruturais e função social. TV. quadrinhas. Tornar observável para as crianças as rimas e repetições. Identifica parlendas. tais como parlendas. adivinhas etc. Localiza palavras num texto que sabe de memória. tornando observáveis as características linguísticas. para brincar e jogar. Guia de Planejamento e orientações didáticas 21 . jornais. parlendas e demais textos do repertório da tradição oral. adivinhas. Efetuar atividades que envolvam a identificação de nomes das crianças da sala e de nomes em diferentes listas. Comenta notícias veiculadas em diferentes mídias: rádio. Usa o repertório de textos de tradição oral.). internet. peças do jogo etc. revistas etc. ainda que não convencionalmente Propor atividades solicitando que a criança diga onde está escrita determinada expressão e/ou palavra em textos conhecidos. quadrinhas e adivinhas. elaboração de lista de material para festa etc. quadrinhas e outros do repertório de tradição oral. Ler.

Diferencia tipos de livros.Tornar observável a relação entre imagem e texto. Ler. conhecendo seus usos. Identifica legendas e levanta hipóteses sobre seu significado. chamando a atenção para os recursos que o ilustrador usou para transmitir ideias. cartazes. tornando observáveis os procedimentos de leitura para cada tipo de suporte de texto. textos publicitários etc. os personagens e cenários. Manifestar às crianças suas preferências e escolhas em relação às leituras. ainda que não convencionalmente Ler para as crianças diferentes tipos de livros e textos. Diferencia publicações tais como jornais. literários. e sabe nomeá-los. Criar situações em que as crianças possam antecipar os sentidos do conteúdo dos textos olhando as imagens. Escuta atentamente. Antecipa significados de um texto escrito a partir das imagens/ilustrações que o acompanham ou marcadores característicos de cada gênero. explicitando os comportamentos e procedimentos leitores. Consegue relacionar as ilustrações com trechos da história. Aprecia a leitura e comenta suas preferências. 22 Guia de Planejamento e orientações didáticas . Apreciar textos literários Ler narrativas e contos para as crianças. Relembra trechos. folhetos. Lê legendas ou partes delas a partir das imagens e de outros índices gráficos. informativos e demais suportes de texto. Faz comentários sobre a trama. tornando observáveis as linguagens próprias a este tipo de texto. Distingue algumas características básicas dos textos informativos e jornalísticos e conhece os diferentes usos e funções desses portadores.

Usa conhecimentos sobre as características estruturais das narrativas clássicas ao produzir um texto. Usa conhecimentos sobre as características estruturais dos bilhetes. Criar oportunidades de escrever coletivamente contos. cartas e textos instrucionais. tornando observáveis suas características gráficas. das cartas. tornando observáveis suas características. Apresenta diferentes gêneros por meio da leitura.Ler para crianças com regularidade textos narrativos literários. Reconta histórias conhecidas. recuperando algumas características da linguagem do texto lido pelo professor. ditando ao professor. Solicitar que as crianças recontem após ouvir leituras de contos. recupera trechos da história usando expressões ou termos do texto escrito. apontando diferentes funções e organizações discursivas. Produção oral com destino escrito. ditando ao professor. estruturais e função social. respeitando as normas da linguagem que se escreve. Apreciar textos literários Roda de biblioteca. tornando-os familiares. Produzir textos escritos ainda que não saiba escrever convencionalmente Criar oportunidades de escrita coletiva de bilhetes. Antecipa significados de um texto escrito. e-mails ao produzir um texto. Emite comentários pessoais e opinativos sobre o texto lido. Consegue recontar uma história que ouviu mantendo uma sequência. Guia de Planejamento e orientações didáticas 23 .

dicionários. contar. enciclopédias etc. Apresentar e disponibilizar o alfabeto em letra bastão (sem enfeites e desenhos). Criar oportunidades diárias para que as crianças escrevam seus nomes. raciocinar. Criar oportunidades para que os alunos escrevam listas com função social real. listas diversas etc. Matemática As crianças do 1o ano têm o direito de usar seus conhecimentos e habilidades para resolver problemas. localizar-se. medir. Recorre ao alfabeto exposto na sala. é necessário que a escola de Ensino Fundamental promova oportunidades e experiências variadas para que elas desenvolvam com confiança crescente todo o seu potencial na área. Para isso. para apoiar a pesquisa gráfica da criança para escrever de próprio punho. para escrever em situações de prática social. lista de nomes etc. RCNEI. Produz listas em contextos necessários a uma comunicação social: lista de ingredientes para uma receita. títulos de histórias lidas. Fazer atividades em que os alunos tenham necessidade de utilizar a ordem alfabética em algumas de suas aplicações sociais. Matemática é D+ FVC 24 Guia de Planejamento e orientações didáticas . Associa as letras ao próprio nome e aos dos colegas. Fontes: PCNs. Arrisca-se a escrever segundo suas hipóteses. quadro de presença. brincadeiras preferidas etc. apontando-as. Recita o nome de todas as letras. como no uso de agenda telefônica. calcular. ainda que não o façam convencionalmente. Escreve o nome próprio e o de seus colegas onde isto se faz necessário.Uso de texto fonte para escrever de próprio punho Propor jogos nos quais as crianças precisam achar as letras. estabelecer relações entre objetos e formas.

Possibilitar o uso de jogos de tabuleiro e de regras que necessitem marcar pontos. de acordo com suas hipóteses. Indica o número que será obtido se forem retirados objetos de uma coleção dada. auxiliando para que se tornem observáveis as regularidades. telefone. Criar oportunidades de contagens em situações de práticas sociais reais. Indica o número de objetos que é preciso acrescentar a uma coleção para que ela tenha tantos elementos quanto os de outra coleção dada. utilizando linguagem oral. peso. por exemplo. produz e opera números em situações diversas.Expectativas de aprendizagem Condições didáticas e atividades Propor atividades que envolvam o sistema de numeração e o uso dos números em diferentes situações. Comunica quantidades. Sabe ouvir as explicações de seus colegas. Usar números no cotidiano e efetuar operações Criar situações em que as crianças ouçam as soluções que os colegas acharam para os problemas e reavaliem suas soluções. caso seja apropriado. para expor o que pensam e fazem. notação numérica ou registros não convencionais. Garantir que todas as crianças tenham espaço. Incorpora soluções quando pertinente. Criar situações-problema envolvendo ações de transformar e acrescentar. idade. Verificar como as crianças fazem contagens e que estratégias usam. usando coleções de objetos de interesse das crianças. Constrói procedimentos de agrupamentos a fim de facilitar a contagem e a comparação entre duas coleções. Propor problemas que envolvam somar e subtrair. Observar se o aluno Atribui significado. Criar oportunidades nas quais as crianças tenham que comparar quantidades de forma contextualizada. Realiza contagens orais de objetos usando a sequência numérica. Promover sequências didáticas e/ou projetos didáticos nos quais as crianças precisem escrever os números (por exemplo. em algum momento. altura etc. Guia de Planejamento e orientações didáticas 25 .). Produz escritas numéricas. respeitando as diferentes soluções encontradas. numeração do calçado. ainda que não seja registro convencional. Reflete acerca das regularidades do sistema numérico.

Utiliza expressões que denotam altura. suas hipóteses. quantos passos é preciso dar para chegar a um determinado local etc. por meio de desenhos. Indica o caminho para se movimentar no espaço escolar e chegar a um determinado local da escola e representa a trajetória. horas. PCNS 26 Guia de Planejamento e orientações didáticas . deslocar-se nele. o bem-estar do outro e os cuidados com o ambiente. Propor atividades nas quais as crianças tenham que medir e/ou pesar usando instrumentos não convencionais e convencionais. para que pesquise com sentido e significado e desenvolva ações para garantir seu bem-estar. a escola de Ensino Fundamental precisa oferecer diferentes oportunidades para que a criança pense. Identifica pontos de referência para indicar sua localização na sala de aula. régua. estabelece relações. estabeleça relações entre o ambiente. balança etc. conhecendo a vida dos seres vivos e sua relação com o ambiente. objetos. Identifica dias da semana. Indica oralmente a posição onde se encontra no espaço escolar e a representa por meio de desenhos. Ciências Naturais e Sociais (História. Trabalhar diariamente com o calendário para identificar o dia do mês e registrar a data.Estabelecer relações entre espaço. meses do ano. tais como fita métrica. Pensa e desenvolve estratégias próprias e/ ou com colegas para medir. Propor atividades nas quais as crianças tenham que construir utilizando desenhos de seu itinerário. Oferecer atividades em que as crianças precisem calcular. Para isso. Geografia e Ciências Naturais) As crianças do 1o ano do Ensino Fundamental têm o direito de exercer seu pensamento. pessoas e forma Propor situações em que a criança tenha que se situar no espaço. os seres vivos e os fenômenos naturais e sociais. os fenômenos naturais e sociais e as transformações que deles decorrem. dar e receber instruções de localização. tamanho etc. Propor atividades em que as crianças possam representar a posição de um objeto e/ ou pessoa estática ou em movimento. valorize as diferenças entre os povos. por exemplo. Fontes: RCNEI. Explorar diferentes procedimentos para medir objetos e tempo Compara tamanhos. peso. pesar e produzir representações dos dados encontrados. solicitando pontos de referência.

Expectativas de aprendizagem

Condições didáticas e atividades Propor sequências de atividades e/ou projetos didáticos que envolvam estabelecer relações entre o ambiente e os seres vivos, seus modos de vida e as transformações pelas quais passam. Saber elaborar perguntas instigantes que despertam a curiosidade dos alunos. Considerar o conhecimento das crianças acerca dos assuntos em estudo. Fomentar, entre as crianças, curiosidade sobre a diversidade de hábitos, modos de vida e costumes de diferentes épocas, lugares e povos. Apresentar às crianças diferentes fontes para buscar informações, como objetos, fotografias, documentários, relatos de pessoas, livros, mapas etc. Estimular o respeito às diferenças existentes entre os costumes, valores e hábitos das diversas famílias e grupos, e o reconhecimento de semelhanças. Proporcionar atividades que envolvam histórias, brincadeiras, jogos e canções que digam respeito às tradições culturais de sua comunidade e de outras. Criar, a partir de questões instigantes, situações para que as crianças observem a paisagem e suas variações, construam novos conhecimentos e os registrem. Utilizar como suporte fotografias, cartões-postais, documentários, filmes, entrevistas, mapas, que retratem as variações da paisagem.

Observar se o aluno

Interessar-se e demonstrar curiosidade pelo mundo social e natural .

Acompanha com interesse, participando ativamente das etapas do projeto e/ou sequência. Busca responder às perguntas, pensando, criando hipóteses. Expõe suas ideias e modos de resolver problemas. Interessa-se pela maneira de viver de diferentes grupos.

Estabelecer relações entre o modo de vida de seu grupo social e de outros grupos no presente e ou passado .

Utiliza, com ajuda do professor, diferentes fontes para buscar informações. Demonstra respeito em relação às diferenças. Interage com as diferentes tradições culturais e as utiliza em suas brincadeiras, jogos e apresentações. Estabelece relações entre os fenômenos da natureza de diferentes regiões (relevo, rios, chuvas, secas etc.) e as formas de vida dos grupos sociais que ali vivem.

Utiliza, com ajuda dos adultos, fotos, relatos e outros registros para a observação de mudanças ocorridas nas paisagens ao longo do tempo. Registra e representa de diferentes maneiras os conhecimentos construídos.

Guia de Planejamento e orientações didáticas

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Identificar paisagens e fenômenos da natureza e sua relação com a vida dos animais e das pessoas .

Partir do interesse das crianças e/ou instigá-las por meio de questões a observar e conhecer formas de vida de animais e pequenos seres vivos presentes no cotidiano que despertem a curiosidade dos alunos. Oferecer oportunidades para que as crianças possam expor o que sabem sobre os seres vivos que conhecem.

Utiliza a observação direta e com uso de instrumentos, como binóculos, lupas, microscópios etc., para obtenção de dados e informações. Registra informações utilizando diferentes formas: desenhos, textos orais ditados ao professor, comunicação oral registrada em gravador etc. Valoriza e desenvolve atitudes de manutenção e preservação dos espaços coletivos e do meio ambiente. Estabelece algumas relações entre algumas espécies vegetais e suas necessidades vitais. Conhece os cuidados básicos para o crescimento dos vegetais, por meio da sua criação e cultivo. Conhece algumas propriedades dos objetos: refletir, ampliar ou inverter as imagens, produzir, transmitir ou ampliar sons, propriedades ferromagnéticas etc. Identifica necessidades físicas e sabe satisfazê-las com independência. Exemplos: sede, frio, calor etc. Aprende cuidados básicos de higiene. Exemplo: lavar as mãos após a ida ao banheiro e antes de comer. Movimenta-se com segurança, identificando situações cotidianas de risco contra sua integridade física. Oferece ajuda a um colega quando se faz necessário. Desenvolve hábitos de cuidados com o ambiente, separação de lixo, economia de água etc.

Estabelecer relações entre os seres vivos e seu ambiente .

Oferecer oportunidades para que as crianças, a partir de questões instigantes sobre a relação entre luz, nutrientes, água e crescimento de vegetais, acompanhem e cuidem de pequenos vasos na sala ou do cultivo de hortaliças no espaço externo da instituição.

Aprender a cuidar de si no cotidiano, com segurança e autoconfiança, cuidar do outro e do ambiente .

Criar condições para que as crianças possam atender às necessidades físicas com independência. Ensinar e oferecer condições para o autoaprendizado dos cuidados de saúde. Tornar observável para a criança possíveis áreas de risco, auxiliá-la a identificá-las com códigos identificadores de perigo. Estimular as crianças a auxiliarem os colegas em situações cotidianas. Estimular as crianças a economizarem água. Introduzir hábito de separação de lixo nas salas e na escola.

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Guia de Planejamento e orientações didáticas

Artes
As crianças do 1o ano têm o direito de conhecer a produção artística e expressar sua criatividade compartilhando pensamentos, ideias e sentimentos também por meio de atividades de exploração envolvendo artes visuais e música, reconhecidas como linguagem e conhecimento. Para isso, a escola de Ensino Fundamental deverá oferecer diferentes situações de contato com a produção artística, possibilitando o fazer e o apreciar. Fontes: RCNEI

Expectativas de aprendizagem

Condições didáticas e atividades Oferecer diversidade de produções artísticas para que a criança as aprecie. Instigar, na observação das obras, a descoberta e o interesse das crianças. Escolher artistas cujas obras sejam significativas para as crianças, quer pelo uso de temas, quer pelas técnicas e suportes. Pesquisar, junto com as crianças, em livros, internet, museus e ao vivo, com artistas locais, informações interessantes sobre os artistas e as obras analisadas. Organizar um espaço para dispor os materiais e suportes necessários à produção e criar sistemática de uso. Promover situações em que as crianças possam produzir em argila, massa de modelar e demais recursos que permitam a tridimensionalidade. Expor, com estética e cuidado, as produções das crianças, socializar em roda de conversa, por exemplo, as soluções encontradas para produzir com singularidade.

Observar se o aluno

Reconhecer elementos básicos da linguagem visual .

Identifica algumas técnicas e procedimentos artísticos presentes nas obras visuais. Aprecia, externando opiniões, sentimentos, reproduções de obra de arte em livros, internet, documentário, museus, casas de cultura, ateliês.

Utilizar elementos da linguagem visual para expressar-se .

Desenha, pinta, esculpe, produz colagens, etc., transformando, produzindo novas formas, pesquisando materiais, pensando sobre o que produz. Explora espaços e materiais bidimensionais e tridimensionais em suas produções. Valoriza suas produções e as de seus colegas.

Guia de Planejamento e orientações didáticas

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Reconhecer elementos básicos da linguagem musical .

Oferecer diversidade de produções musicais para que a criança as aprecie, por meio de CDs e/ou DVDs de apresentações musicais. Quando possível, oferecer música ao vivo. Instigar, na observação das obras, a descoberta e o interesse das crianças por detalhes sonoros, identificação de instrumentos etc. Escolher artistas cujas obras sejam significativas para as crianças, quer pelo uso de temas, quer pela intencionalidade, diversidade regional. Pesquisar, junto com as crianças, em livros, internet e com o próprio (em caso de artista local), informações interessantes sobre o artista e sua produção. Organizar um espaço para dispor os materiais sonoros necessários à experimentação e improvisações etc. Propor a construção de objetos sonoros. Propor atividades que tornem observáveis altura, timbre, intensidade. Promover situações em que as crianças apresentem para públicos diversos as canções que aprenderam e as produções sonoras.

Conhece um bom repertório de músicas, não só infantis, mas populares, clássicas etc.

Utilizar-se dos elementos básicos da linguagem para expressar-se musicalmente .

Identifica detalhes sonoros nas composições musicais. Reconhece diferenças nos ritmos, sons, estilos. Faz arranjos sonoros simples, interpreta, utilizando a voz, sons feitos com o corpo, materiais sonoros convencionais e não convencionais, instrumentos musicais e tecnologia. Explora as diferentes propriedades do som.

Movimento, jogar e brincar
As crianças do 1o ano do Ensino Fundamental têm o direito a se movimentar cada vez mais com propriedade e segurança, utilizando o corpo para se expressar, a brincar criando enredos e papéis e a jogar cotidianamente na escola. Para isso, a escola de Ensino Fundamental precisa oferecer diferentes oportunidades para que a criança se exercite, valorize a atividade física, adquira autoconfiança, brinque só ou com seus pares e jogue em diferentes momentos. Fontes: RCNEI, PCNS, OCPMSP

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Guia de Planejamento e orientações didáticas

Brincar por conta própria e interagir com os colegas . só ou com seus pares. escolhendo temas. limites e potencialidades de seu corpo. Fornecer materiais que favoreçam jogos de construção. limites e potencialidades de seu corpo. materiais e tempo para que a criança brinque diariamente. pular e jogar nos espaços externos e internos. tacos etc. a velocidade. papelão. coopera e é respeitoso durante os jogos. apoiando a descoberta e o interesse das crianças. quando possível. Brincar de jogos de construção . incentivar as habilidades motoras. cordas.Expectativas de aprendizagem Condições didáticas e atividades Propor atividades físicas que envolvam correr. Apropriar-se progressivamente da imagem global de seu corpo. Brinca de faz-de-conta. DVDs. filmes que envolvam a dança para que a criança aprecie. tais como retalhos de madeira. Valorizar as conquistas corporais. a força. Ampliar as possibilidades expressivas do próprio movimento . Tornar observáveis para a criança modificações corporais após exercícios mais intensos e mais calmos. Instigar a observação de diferentes tipos de danças. o equilíbrio. papéis. Usa estruturas rítmicas para expressar-se por meio da dança e outros movimentos. CDs. Organizar espaço. Explorar diferentes qualidades e dinâmicas do movimento . imitação e reconhecimento de partes do corpo. Cumpre os combinados. Oportunizar apresentações ao vivo. Propor jogos que envolvam interação. construindo autoconfiança em suas habilidades físicas . Observar as brincadeiras para registrar as capacidades infantis ligadas à linguagem oral. intervindo apenas quando necessário. a resistência e a flexibilidade. Constrói. Percebe e identifica sensações físicas. Percebe e identifica sensações físicas. enredos. material de sucata etc. para brincar de temas variados. a desenvolverem atitudes de respeito e cooperação. Ensinar a jogar com regras jogos tradicionais usando bolas. Guia de Planejamento e orientações didáticas 31 . às interações e socialização. Ajudar os alunos a combinarem e cumprirem as regras. estruturas de blocos de madeira. Oferecer diversidade de mídias. só ou com amigos. Observar se o aluno Desenvolve progressivamente a coordenação. pano etc.

organizamos um quadro semanal para servir como sugestão para seu trabalho. legendas e outros textos previamente combinados ou pequenos textos memorizados): propor atividades em que os alunos escrevam de acordo com suas hipóteses de escrita é fundamental para que possam refletir sobre o sistema alfabético. Saber reconhecer os nomes é importante. particularmente o avanço dos alunos em relação às expectativas de aprendizagem. o que aqui se apresentou são alguns critérios para que os professores possam melhor analisar e avaliar o que se passa na escola. procurando fazer a correspon- 32 Guia de Planejamento e orientações didáticas . Nesse sentido. contínuo. acompanhar a leitura de textos que se conhece de memória): nessas atividades de leitura. n Atividades envolvendo a escrita de próprio punho pelos alunos (escrita de listas. Portanto. que não necessita de situações distintas das cotidianas. tais propostas favorecem os avanços na compreensão desse sistema. A rotina do primeiro ano e as atividades para ampliar os conhecimentos sobre a linguagem escrita Nas classes de Ciclo I. n Atividades envolvendo nomes dos alunos: nessas atividades os alunos serão desafiados a ler e escrever seus nomes ou dos colegas da classe. pois tais palavras servirão como modelo para apoiar a escrita de outras palavras. organize todos os dias momentos em que você escolhe um livro para ler para seus alunos. que serão detalhadas nos textos seguintes. É interessante que.Avaliação das aprendizagens A avaliação deve ser um processo formativo. você reserve momentos para as seguintes atividades: n Leitura de contos pelo professor: para aproximar as crianças do universo literário. sempre lembrando que deve haver flexibilidade na duração das atividades. os alunos serão desafiados a localizar palavras ou acompanhar a leitura de textos conhecidos de memória. é importante que a rotina semanal contemple atividades que favoreçam a aprendizagem de diferentes conteúdos: aqueles que contribuem para o avanço no conhecimento dos alunos sobre a linguagem escrita e aqueles voltados à reflexão sobre o sistema de escrita. títulos. Nele aparecem indicadas algumas atividades permanentes. Pela troca de informações com os colegas e contando com intervenções do professor. em sua rotina semanal. n Atividades envolvendo a leitura dos alunos (localizar palavras em listas.

dência entre o que está escrito e o que dizem em voz alta enquanto recitam. Tais atividades permitem que as crianças se utilizem do conhecimento sobre as letras para antecipar o que pode estar escrito em cada parte do texto e verificar se tais antecipações são pertinentes. São importantes para ampliar conhecimentos sobre o sistema de escrita, bem como favorecer que aprendam a ler, sem ter de decodificar letra por letra. n Atividades de produção de textos a partir do ditado para o professor: é interessante que os alunos, mesmo antes de dominarem o sistema de escrita alfabético, sejam desafiados a produzir textos completos, que cumpram diferentes funções sociais. Ao propor que os alunos ditem um texto para que você o escreva, os alunos compartilham conhecimentos sobre a organização dos diferentes gêneros textuais e, além disso, aprendem importantes procedimentos relacionados à composição de textos, tais como planejar previamente o que se quer escrever e revisar aquilo que já foi escrito para tornar seu texto melhor.

Essas atividades podem ter a seguinte distribuição em sua rotina semanal: No 1o semestre:
2a feira Atividades diversificadas 3a feira Atividades diversificadas 4a feira Atividades diversificadas 5a feira Atividades diversificadas 6a feira Atividades diversificadas Produção de texto por meio do ditado ao professor: escrita de bilhetes

Leitura pelo aluno (listas, textos memorizados)

Projeto: brincadeiras

Projeto: brincadeiras

RECREIO Leitura de contos pelo professor Atividades de escrita ou leitura de nomes dos colegas Leitura de contos pelo professor Leitura de contos pelo professor Leitura de contos pelo professor Atividades de escrita ou leitura de nomes dos colegas Leitura de contos pelo professor

Escrita pelo aluno: listas, títulos e outros textos.

Guia de Planejamento e orientações didáticas

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No 2o semestre:
2a feira 3a feira 4a feira 5a feira 6a feira

Atividades diversificadas

Atividades diversificadas

Atividades diversificadas

Atividades diversificadas

Atividades diversificadas

Leitura pelo aluno (listas)

Projeto Índios do Brasil: conhecendo algumas etnias

Leitura pelo aluno (parlendas, poemas ou outros textos memorizados) RECREIO

Projeto Índios do Brasil: conhecendo algumas etnias

Produção de texto por meio do ditado ao professor: escrita de cartas

Leitura de contos pelo professor

Leitura de contos pelo professor

Leitura de contos pelo professor

Leitura de contos pelo professor

Leitura de contos pelo professor

Atividades com nomes dos colegas (escrita ou leitura)

Escrita pelo aluno: listas, títulos.

Escrita pelo aluno: textos memorizados (adivinhas, parlendas etc.)

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Guia de Planejamento e orientações didáticas

Situações de leitura e escrita de nomes
Mesmo que os alunos ainda não saibam ler e escrever convencionalmente, as situações de leitura e escrita de nomes (o próprio nome ou dos colegas da classe) devem estar presentes na rotina. As situações de leitura de nomes envolvem propostas em que os alunos são colocados diante de uma lista de nomes de crianças da classe e precisam localizar o seu ou o de algum colega. Nas propostas de escrita, espera-se que escrevam convencionalmente seus próprios nomes ou o de colegas da classe. No entanto, é importante evitar que essas atividades sejam momentos sem sentido, em que se lê ou escreve sem outro objetivo que a memorização da escrita do nome. É fundamental inserir a escrita ou leitura de nomes em propostas significativas para os alunos, ou seja, que ao realizá-las as crianças tenham objetivos claros e compartilhados entre todos. Escrever seu nome para:
j identificar uma atividade; j marcar na lista de presença os nomes das crianças que faltaram naquele dia; j escrever seu nome na ficha de um livro retirado na biblioteca da escola.

Esses são exemplos de situações que fazem sentido para os alunos, o que é uma condição para que contribuam para o avanço dos seus conhecimentos.

O que os alunos aprendem nas situações de leitura e escrita de nomes
O nome é parte da identidade de cada um e, como tal, tem valor intrínseco. Por isso, ler e escrever o próprio nome e o de alguns colegas da classe são aprendizagens que carregam um significado emocional importante. Além disso, os nomes assumem grande valor para a aprendizagem do sistema alfabético, pois, a partir de situações em que é preciso ler ou escrever seu próprio nome (ou de algum colega), colocam-se problemas interessantes que contribuem para ampliar os conhecimentos dos alunos sobre a organização do sistema de escrita alfabético. Várias pesquisas comprovam que a lista de nomes dos colegas da classe é uma valiosa fonte de informação para a criança:

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j elas indicam que, para a escrita de determinado nome, é preciso um con-

junto de letras específico; j ao considerar o conjunto de nomes dos colegas, as crianças observam que todos eles são escritos somente com as letras do alfabeto, não há grafismos inventados para cada nome; j é possível observar que as letras não são partes exclusivas de um único nome: as mesmas letras podem estar presentes em diferentes nomes de colegas; j os nomes também tornam explícito que a ordem das letras nas palavras não é aleatória e que existe um sentido convencional para a leitura; j a leitura e escrita de nomes ajudam a compreender, também, o valor sonoro convencional das letras; j ao analisar as semelhanças e diferenças entre os nomes dos colegas, as crianças aprendem que um mesmo conjunto de letras, na mesma ordem, remete a determinado nome, ao passo que pequenas diferenças entre os nomes podem remeter a nomes diferentes (como ocorre em FERNANDO e FERNANDA); j ao observar essas diferenças, os alunos aprendem a considerar indícios variados para realizar a leitura dos nomes: podem usar a quantidade de letras para diferenciar nomes (por exemplo, se há poucas letras é mais provável que seja o nome do PEDRO do que de RONALDO), a quantidade de palavras (MARIA LUÍSA tem duas partes e MARIANA só uma), a diferença entre as letras (para diferenciar FERNANDO de FERNANDA, por exemplo, é preciso observar a letra final). Tais situações também são produtivas por problematizar os conhecimentos dos alunos: como devem escrever convencionalmente, a partir delas eles têm a oportunidade de confrontar suas hipóteses com a escrita correta. Por exemplo, uma criança colocaria apenas uma letra para cada sílaba do nome RODRIGO; no entanto, ao escrever esse nome convencionalmente (por conhecer a palavra de memória ou por tê-la consultado na lista de nomes da classe), observa que há mais letras do que espontaneamente colocaria. Esse conflito entre o que deve estar escrito e as ideias das crianças favorece avanços, pois a própria criança procura compreender o que significam as letras que excedem o que inicialmente previra. Além de fonte de conflito, esse conjunto de palavras conhecidas funciona como um importante “material de consulta”: ao escrever determinada palavra, as crianças aprendem a buscar na lista de nomes dos colegas informações que lhes permitam escrever de maneira mais próxima da convencional outras palavras cuja escrita não dominam. Por exemplo, ao escrever uma lista de frutas, o nome de MANUEL poderá ser consultado para a escrita da palavra MAÇÃ, uma

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Com isso. A atividade permite desenvolver as seguintes competências: n Associar as letras ao próprio nome e aos dos colegas. e sim um desafio para que as crianças. algumas crianças observam que o nome de MARIA LÚCIA Guia de Planejamento e orientações didáticas 37 . antes mesmo de dominar o funcionamento do sistema alfabético de escrita.vez que as crianças observam que ambas as palavras se iniciam pelo mesmo som e. aos poucos. Tal material deve estar em tamanho legível. n Localizar o nome de um colega (ou o seu próprio) na lista de alunos da classe. espera-se que as crianças contem apenas com a diferença entre as letras que compõem cada nome para apoiá-las em atividades em que terão de localizar seu próprio nome ou o de algum colega. mas tais cuidados visam garantir que a localização rápida dos nomes não se torne o objetivo. Nesse caso. Numa determinada classe. pois na mesma classe há também MARINA e MARIA ISABEL. fotos ou outros materiais de identificação não devem ser incluídos a esses cartões ou à lista de nomes). sem outros símbolos que discriminem um nome do outro (desenhos. espera-se que os alunos usem as letras como indícios ou pistas que lhes permitam ler os nomes. pode parecer que isso dificulta o trabalho das crianças. Resolvendo o problema. por exemplo. as crianças observam que o único nome da classe a se iniciar pela letra R é o do colega RENATO. Já a leitura de MARIA LÚCIA não é tão simples. n Escrever o nome próprio e o de seus colegas onde isto se faz necessário. se expostas à necessidade de ler os nomes dos colegas. a letra inicial permite localizar os nomes dessas meninas. portanto. Dito de outra forma. Ler os nomes dos colegas da classe – dicas Desde o início do ano é importante que os alunos tenham contato com a lista de nomes dos colegas na forma de um cartaz em que constem todos os nomes e na forma de cartões individuais para cada nome. Expectativas de aprendizagem abordadas Essa situação didática favorece avanços dos alunos relacionados à seguinte expectativa: Uso de texto fonte para escrever de próprio punho . utilizem as letras para diferenciar um nome do outro. Também não é necessário mudar a cor da letra para diferenciar nomes de meninos e meninas. mesmo a distância (sugerimos o uso da letra de forma maiúscula). sendo esse um indício eficiente para localizá-lo. À primeira vista. devem ter a(s) mesma(s) letra(s) inicial(is). mas não é suficiente para saber qual é qual.

j propõe momentos coletivos em que pede ao grupo que encontre. você pede ao próprio que diga se a palavra escolhida é. as crianças observam essas pistas escritas antes mesmo de compreender que tais diferenças se relacionam ao som associado a cada letra. expliquem no que se basearam para descobrir que em determinado cartão está escrito o nome de certo colega). o nome de determinado colega. autonomamente. outras letras podem ser consideradas (por exemplo. Se no início do ano as crianças não contam com essas pistas de leitura. Esse encaminhamento é mais frequente no início do trabalho. Muitas vezes. No entanto. Por exemplo. construam tais índices. é suficiente observar a última letra ou a primeira letra da segunda parte (ou palavra) de cada um dos nomes. deixa claro que não se trata de uma escolha aleatória. justifiquem suas escolhas de maneira adequada (ou seja. ao mesmo tempo. tal como o Y no nome de MAYRA). Em alguns casos. que tais momentos sejam mesclados com 38 Guia de Planejamento e orientações didáticas . o que o diferencia do nome de MARIANA. Por exemplo. mas faz parte apenas do nome de uma criança. localizar os nomes na lista e. Ao mesmo tempo. ou não. Para que consigam. a partir da indicação de um colega. seu nome. uma letra que aparece na posição central. dizendo “Por que você acha que aí está escrito MANUEL? O que fez você pensar que nessa palavra pode estar escrito esse nome?” Com esse encaminhamento.tem duas partes. para que. que diz que em determinado cartão deve constar o nome do Manuel. tal possibilidade de discriminação entre palavras contribui para associações entre sons e letras. mas de usar letras como pistas que permitam localizar o referido nome. faz perguntas como “Onde vocês acham que pode estar escrito o nome do Manuel?” Para cada resposta das crianças peça justificativas para aquela suposição. vou dar esse cartão ao Manuel para que ele possa escrever seu nome na atividade”. na lista. para diferenciar o nome de uma e outra colega. em que todos trocam informações sobre índices eficientes para localizar os nomes dos colegas. é preciso um trabalho constante. Observam também que a primeira parte se repete no nome de MARIA ISABEL e. aos poucos. é preciso que diferentes situações ocorram. porém. Nesse momento. É interessante. A colaboração entre os alunos pode dar-se em momentos coletivos. porém. Muitas vezes. intencional e cuidadoso desde o princípio. pede que Manuel ajude os colegas a encontrar boas pistas para localizar seu nome. j propõe que uma criança confirme a suposição de outra. Você: j lê em voz alta o que está escrito nos cartões de nomes. a letra inicial é um bom indício para isso. pois as crianças ainda não contam com elementos que lhes permitam diferenciar um nome do outro. diz “aqui está escrito MANUEL. uma adivinhação.

há um procedimento que deve ser aprendido aos poucos e com seu apoio. da escrita convencional. No início. mas que sejam capazes de. ou seja. cada vez mais. não se espera que memorizem todas as escritas. Em outros. é preciso que os alunos tenham muitas oportunidades de escrita do próprio nome ou do nome dos colegas para que possam fazê-lo com autonomia. espera-se que. numa primeira cópia. Se. com lápis e papel. tanto no sentido de oferecer as condições necessárias para que essa escrita seja possível. os alunos dominem de memória a escrita convencional. contando com a lista de colegas da classe para consulta. Como se trata de uma cópia. ainda. Essa escrita pode ser proposta de diferentes maneiras: usando letras móveis. é importante que os alunos sejam desafiados a realizar tais leituras individualmente. especialmente organizados de acordo com os conhecimentos dos alunos em relação ao sistema de escrita. para identificar objetos que lhes pertencem. as crianças necessitarão de muito apoio do professor. o que lhes permitirá utilizar tais palavras em contextos em que a escrita correta se faz necessária: para personalizar suas lições ou desenhos. o quanto antes. pedindo à criança que o compare à sua produção. você pode propor que observe algumas características de cada vez. localizar cada um deles na lista para copiá-los adequadamente. No que se refere à escrita do próprio nome. As situações de escrita do nome diferenciam-se de outras em que as crianças escrevem de acordo com suas hipóteses de escrita (as situações de escrita espontânea). para assinalar sua presença etc. O modelo escrito é fundamental nesses momentos Guia de Planejamento e orientações didáticas 39 . Inicialmente. Por exemplo. com autonomia. quanto para que a produção se aproxime. escolhendo-as entre todas as letras do alfabeto ou contando apenas com as letras que serão usadas. cada criança precisa ter a oportunidade de arriscar a ler seu nome ou o nome dos colegas. determinada criança não consulta o modelo e escolhe letras aleatoriamente para compor seu nome.outros em que a colaboração se dá em pequenos grupos (em quartetos ou duplas). é você que oferece os cartões a cada criança para que copiem seus nomes. Em relação à escrita do nome dos colegas. chama a atenção para o número de letras do modelo. Escrever os nomes dos colegas da classe – dicas Assim como ocorre com a leitura. fazendo as duas coisas (primeiro organizar o nome com as letras móveis para em seguida grafar com o lápis). a partir das discussões anteriores.

j todos os nomes devem estar alinhados à esquerda (pois isso facilita a com- paração entre a quantidade de letras de cada nome). 40 Guia de Planejamento e orientações didáticas . Com o passar do tempo. A lista de crianças da classe deve estar afixada em um local acessível e organizada de maneira bastante legível. ao perceber que determinada criança inverteu a ordem das letras ao escrever seu nome. vai propondo a observação do modelo e a comparação com aquilo que a criança foi capaz de produzir. quando se trata de escrever o nome de um colega (que não o seu próprio) inicialmente você oferece o cartão com o nome específico daquela criança. mas é comum que você necessite ainda intervir para garantir que a produção dos alunos esteja de acordo com a escrita convencional. algumas considerações são importantes: j cada nome deve constar em uma linha. j apenas os nomes escritos devem constar da lista (evite o uso de fotos. gradativamente. Além da lista. os alunos precisam contar com materiais em que tais palavras estejam escritas convencionalmente. bem como sua intervenção que. o modelo torna-se desnecessário. você a remete novamente ao modelo. Quando são capazes dessa escrita. Da mesma forma. os alunos adquirem maior autonomia e conseguem localizar na lista o nome do referido colega para poder copiá-lo. mais facilmente. além de ser um material útil em propostas em que os alunos tenham de ler. em que os mesmos cuidados assinalados acima sejam observados. Condições didáticas para as situações de leitura e escrita de nomes dos colegas da classe Em todas as situações em que a proposta é ler ou escrever seu próprio nome ou de colegas da classe. para que observe o que deve ser corrigido em sua produção. pois esse material pode. espera-se que as crianças dominem a escrita de seus nomes de memória. Para isso. também é interessante.iniciais. j o tamanho da letra utilizada deve ser grande o suficiente para facilitar a consulta (a letra de forma maiúscula é a mais indicada). Com o passar do tempo. fazer cartões de nomes. ser levado à mesa do aluno para servir de modelo nas situações de escrita. por exemplo. Para isso. desenhos e outros indícios que tornariam desnecessário usar as letras como forma de discriminar cada um dos nomes). se tais atividades forem frequentes.

pois a lista com os nomes vai se tornar cada vez mais conhecida por todos. permitem realizar as leituras propostas. ou seja. LUCAS MATEUS JOÃO BRUNA MARIA JOANA Para saber mais sobre esta situação didática. No início.No entanto. página 77. você pode se encarregar de ler ou oferecer o nome necessário para a cópia. oferecidas pelas letras. é preciso deixar claro que os alunos somente ganharão autonomia para ler e escrever seus nomes se: j houver um trabalho em que frequentemente tenham de ler e escrever nomes. mas façam sentido. as crianças colaboram umas com as outras. Guia de Planejamento e orientações didáticas 41 . j você planejar situações considerando a autonomia já conquistada pelos alunos para enfrentar os desafios. há um motivo claro e compartilhado entre todos para realizar as atividades. modelo de atividade ler nomes dos colegas da classe Objetivos n Usar indícios de leitura fornecidos pelas letras para ler seu próprio nome e os nomes dos colegas. j as atividades propostas não forem meros exercícios de identificação de no- mes ou de cópia. j em todas as situações propostas. quando os alunos são menos autônomos. delegue a leitura para as crianças. leia também o Guia de planejamento e orientações didáticas – Professor alfabetizador – 2o ano. enumerando quais pistas. pistas essas que devem também ser justificadas pelos alunos. Aos poucos. volume 1.

n Duração: 20 minutos. n Como organizar os alunos: a atividade é coletiva. solicite a cada uma que justifique sua resposta a partir de perguntas como: “Por que você acha que aqui está escrito o nome deste colega?” ou “O que nesta palavra fez você pensar que está escrito o nome desse colega?” 42 Guia de Planejamento e orientações didáticas . você mostrará um cartão em que está escrito o nome de uma das crianças. num tamanho legível mesmo a distância). n Peça às crianças cujo nome for apresentado para que não se manifestem e deixem que os colegas descubram de quem é o cartão. n Que materiais são necessários: cartões com nomes de todas as crianças da classe (apenas o primeiro nome. Oriente-as para que falem uma de cada vez.n Familiarizar-se com a lista de colegas da classe. Independente de a resposta estar correta. em letra de forma maiúscula. Todos devem descobrir a quem pertence e dizer se a criança veio ou não naquele dia. Encaminhamento n Organize os cartões de nomes em ordem aleatória (não os utilize na mesma ordem em que aparecem no cartaz de nomes). n Provavelmente. as crianças indicarão alguns nomes. MARIA LúCIA MARCELO LUCAS JOSé CARLOS n Explique a atividade: para marcar na lista de presença os nomes das crian- ças que não vieram. as crianças podem ficar em seus lugares ou numa roda no chão. n Mostre o primeiro nome e pergunte às crianças se sabem de quem é. Planejamento n Quando realizar: todas as semanas (a leitura e escrita de nomes dos cole- gas da classe é uma atividade permanente nas classes de 1o ano).

?” ou “Você acha que esse nome é do ... Alguém pode ajudá-lo a explicar por que esse nome pode estar escrito aqui?” ou “Vocês concordam que o nome do .. como justificativa. use um indício errado (no exemplo citado.um dos alunos utilizar um indício errado para justificar sua resposta? é possível que uma criança diga que em determinado cartão está escrito o nome de uma criança (por exemplo. propondo perguntas que a ajudem nesse sentido.. n Marque na lista de presença o nome das crianças que faltaram. Como podemos ter certeza de que aqui está escrito mesmo o nome da .. que deverá ficar afixada na classe.. explicite que ela não é correta (no exemplo citado. mas há outros nomes na classe que também terminam com A. se concordarem com tal resposta. o nome Guia de Planejamento e orientações didáticas 43 . ela acha que é o nome da MARIA) e.. Se a atividade começar a ficar longa e cansativa... mas na nossa classe há outras crianças cujo nome também se inicia por essa letra. porque termina com A. . está escrito neste cartão.. porque começa com P. como saber se é mesmo o nome do . abrevie escolhendo somente os cartões das crianças que não compareceram à aula e propondo que descubram a quem pertence.. para que as marcas referentes às faltas que ocorrerem a cada dia estejam acessíveis aos alunos. É interessante fazer uma lista de presença grande. se a criança não disser nada para justificar sua resposta.?” n Quando a justificativa de uma criança não puder ser problematizada porque ela usou as pistas que permitem antecipar o nome. procure ajudá-la para que o faça.... como sugere o Renato? quem concordar pode ajudar explicando como é possível descobrir isso?” . a criança diz saber que é o nome da Maria porque começa com S)..n Mesmo que a resposta esteja correta.. O qUE fAzER SE.. peça ajuda aos demais: “Renato disse que aqui está escrito o nome do ..um aluno indicar o nome de um colega. problematize a justificativa oferecida pela criança. a partir de novas perguntas como “Você disse que é o nome da. pergunte aos demais se concordam com o colega e. mas não utilizar as letras como indício para justificar sua resposta? Independente de o nome estar realmente escrito. o professor pode dizer “Realmente. Além disso. pergunte à criança cujo nome está no cartão se confirma que ali está escrito seu nome. n Faça isso com os demais nomes dos colegas. Nessa situação.

Nesse caso. mas não nomear nenhuma letra para justificar sua resposta (por exemplo. da próxima vez que virem esse cartão. . informando o nome da letra (o professor pode dizer “Renato diz que este é o nome da Maria porque começa com essa letra.escrito nesse cartão se inicia pela letra S. Para isso deverão observar os nomes escritos no material para identificar a quem pertence.. o que está escrito ali. Para finalizar. é interessante que cada criança explique como fez para localizar seu nome no meio dos demais. você pode mostrar outras letras para que tenham cada vez mais elementos para dizer. Os cartões daqueles que faltaram. n Quando os alunos já contarem com bons indícios para localizar todos os nomes. Na coletânea de atividades você encontra algumas variações de atividades com nomes. Essa letra é o M”). é importante complementar a informação. proponha aos alunos que observem características da palavra escrita que os ajudem a realizar essa leitura (podem observar que é um nome de cinco letras. de quem é aquele nome. mas o nome da Maria não começa com essa letra”). Variações da atividade n No início do ano. um aluno diz “Sei que é o nome da Maria porque começa com essa letra” e apontar para a primeira letra do nome escrito no cartão). sobrarão. você pode propor a um pequeno grupo de crianças (um quarteto) que preencha a lista de crianças presentes em cada dia. uma atividade realizada em outro dia e que precisa ser retomada). espalhe os cartões pelo chão e sugira que cada um encontre o seu. Nesse caso. com certeza.). 44 Guia de Planejamento e orientações didáticas . n Uma variação da atividade é não mostrar o nome escrito no cartão. talvez seja difícil reconhecer os nomes dos colegas.. que se inicia pelo M e termina com A etc. Outra possibilidade é a criança usar uma pista correta. é interessante propor que os alunos distribuam materiais aos colegas (os cadernos.os alunos não descobrirem o nome indicado num dos cartões? Se os alunos não souberem o nome indicado. Para facilitar. você pode dizer qual é e propor que pensem em formas de não esquecer. somente uma das letras (a inicial ou final) e deixar que tentem descobrir a partir desses indícios. Em seguida. n Além da lista de presença.

em situações de escrita de próprio punho. nesses agrupamentos. procurando aproximar-se ao máximo da escrita convencional. os alunos têm a oportunidade de se aproximar da linguagem própria a cada gênero discursivo. Nessas atividades. favorecendo assim que os alunos lidem com o desafio de colocar em jogo seus conhecimentos sobre o sistema de escrita e produzam da melhor forma possível. permitem conhecer aquilo que já foi possível. Quando propostas individualmente. mas não por isso o aluno estará sozinho nessa situação. Além da colaboração dos colegas. Nesses casos. ao escrever por si mesmos os alunos também podem contar com sua ajuda. ou seja. os alunos construíram sobre a organização do sistema de escrita alfabético. além de ter informações para avaliar o avanço de cada um em determinado período. Em outros momentos. como não se trata de uma cópia. Mesmo quando você se abstém de mostrar a escrita correta. você não precisa informar a escrita correta. organizadas em duplas ou quartetos previamente formados por você. Conhecer o proces- Guia de Planejamento e orientações didáticas 45 . O que os alunos aprendem nas situações em que escrevem por si mesmos Tais atividades são extremamente valiosas.Situações de escrita pelo aluno Para aprender a escrever. os alunos assumem o controle. Trata-se de uma escrita de próprio punho. as propostas de escrita pelo aluno podem envolver situações de trabalho colaborativo. há momentos em que se propõe aos alunos que ditem um texto para que você escreva. contando somente com aquilo que já sabe. garantir parcerias produtivas. No entanto. ou seja. parcerias em que a troca de informações favoreça o avanço de todos os integrantes. nem por isso se torna um mero espectador da produção dos alunos: você pode realizar intervenções que contribuam para problematizar ou ampliar os conhecimentos deles. para cada aluno. aprender sobre o funcionamento do sistema de escrita alfabético. espera-se que as produções finais sejam escritas não convencionais que corresponderão às hipóteses que. Para que cumpram seus objetivos. que deve buscar. até aquele momento.

no fim da palavra).so de cada criança ajuda a identificar as crianças que necessitam de um apoio mais próximo. para a escrita da palavra LOBO. devem ser periódicas. especialmente quando ambas as possibilidades são válidas (por exemplo. para irem além daquilo que produziram espontaneamente. um aluno sugere usar o O e outro considera que o L é a letra adequada. palavras que tenham o mesmo som daquela que as crianças desejam escrever (por exemplo. se os alunos querem escrever a palavra MORANGO. No entanto. É interessante propor situações como essa de tempos em tempos (por exemplo. bem como com suas intervenções. 46 Guia de Planejamento e orientações didáticas . você diz que ambas as letras são possíveis e sugere que os alunos pesquisem na palavra PAULO (nome de um dos colegas) como observam que foi grafada a sílaba LO. o objetivo da atividade é favorecer o avanço dos alunos em relação ao sistema de escrita. nas quais tenham a colaboração de colegas com quem possam trocar informações. como tais. j questionar determinada escrita. para que se apoiem nessa lista e pesquisem as letras com que iniciarão a escrita da palavra desejada). remeter à lista de nomes para que encontrem o nome de um colega cuja escrita compartilha algum som com aquele que se deseja escrever). à vista dos alunos. você pode escrever MÔNICA. MONTANHA e MOSCA. Nesse caso. Elas são bons momentos de avaliação e. Você pode: j remeter as crianças a diferentes materiais de consulta para que se apoiem em palavras já conhecidas para escrever outras palavras (por exemplo. que sabe estar aquém daquilo que os alunos são capazes. é importante que os alunos contem com situações variadas em que escrevam por si mesmos. permite que se organizem parcerias produtivas de trabalho. Em todas essas situações. as situações de escrita individual não devem ser as mais frequentes. dá oportunidade para que se realizem intervenções mais ajustadas para cada aluno e. bimestralmente) para levantar as informações sobre o processo de construção da compreensão do sistema de escrita realizado por cada criança. j escrever. também. Na rotina semanal. Expectativas de aprendizagem abordadas Essa situação didática favorece avanços dos alunos relacionados ao seguinte objetivo: Uso de texto fonte para escrever de próprio punho . j confrontar ideias diferentes dos integrantes do grupo e oferecer informações que os ajudem a superar o dilema.

para que providencie os ingredientes necessários para a classe preparar determinado alimento. escritas na lousa. para escrever em situações de prática social. Para que os alunos possam delimitar sua atenção às questões relacionadas à escrita. j a escrita do nome de uma brincadeira para. títulos de histórias lidas. Ou seja.n Recorrer ao alfabeto exposto na sala. quadro de presença. os alunos escreverão considerando uma finalidade conhecida e compartilhada por todos: j uma lista para ser enviada à merendeira da escola. o texto é memorizado antes de ser escrito. listas diversas etc. Dessa forma. é fundamental: j listas com nomes dos colegas afixadas nas paredes. ou seja. contar com um repertório considerável de “palavras confiáveis”. em votação.. é importante que o texto seja breve e que possa ser combinado previamente entre os autores (os integrantes do agrupamento que realiza a escrita). ao máximo. Os alunos necessitam contar com fontes de informação para que sua escrita se aproxime. da escrita convencional. j a legenda que acompanha um desenho. Condições didáticas para as situações de escrita pelo aluno Para que as situações de escrita pelo aluno façam sentido. mostrando o que foi aprendido num estudo realizado em classe e compartilhado com outros colegas. Dessa forma. a atenção das crianças se volte para os aspectos notacionais. palavras cuja escrita convencional seja conhecida de memória ou que estejam facilmente acessíveis na classe. para que. ou seja. Guia de Planejamento e orientações didáticas 47 . é importante que as propostas tenham um propósito claro. as questões discursivas são combinadas antes da escrita. para quantas e quais letras serão utilizadas na escrita. brincadeiras preferidas etc. n Produzir listas em contextos necessários a uma comunicação social: lista de ingredientes para uma receita. j plaquinhas sinalizadoras de onde se guarda cada material na classe. escolher aquela de que o grupo vai brincar no recreio etc. j as atividades realizadas diariamente. aos quais os alunos têm fácil acesso. durante a produção. n Arriscar-se a escrever segundo suas hipóteses. j títulos dos contos nas capas de livros que foram lidos recentemente.

páginas 33 a 35. num primeiro momento. os alunos realizem tais pesquisas autonomamente. a partir de propostas em que leiam e escrevam tais palavras. modelo de atividade Objetivos n Ampliar conhecimentos sobre o sistema de escrita alfabético. volume 1. n Trabalhar colaborativamente com sua dupla de trabalho. o que lhes permite escrever melhor aquilo que ainda não sabem escrever convencionalmente. considerando os conhecimentos dos alunos sobre o sistema de escrita alfabético. considerando características desse tipo de texto. As palavras estáveis são acessíveis aos alunos.Todas essas são valiosas fontes de pesquisa para a escrita que ocupará as crianças. volume 2. Porém. n Produzir uma lista. leia também o Guia de planejamento e orientações didáticas – Professor alfabetizador – 2o ano. Para saber mais sobre esta situação didática. n Duração: 50 minutos. Se. sugere buscar o nome de um dos colegas ou um dos itens que compõem a rotina escrita na lousa para saber que letra deve ser usada para iniciar determinada palavra. n Que materiais são necessários: lápis e papel. Ver também o Guia de planejamento e orientações didáticas – Professor alfabetizador – 2o ano. 48 Guia de Planejamento e orientações didáticas . espera-se que. pois eles sabem recorrer a elas como fonte de consulta. É preciso que os alunos saibam o que está escrito em cada um. páginas 90 e 91 (sobre o trabalho com listas). é você quem convida os alunos a consultarem essas palavras. Planejamento n Quando realizar: atividades de escrita como essa devem ocorrer semanal- mente na rotina das classes de 1o ano. aos poucos. n Como organizar os alunos: em duplas previamente organizadas pelo professor. todo esse material não deve apenas ficar exposto na classe.

Esse levantamento tem o objetivo de garantir que contem com boas sugestões do que pode ser incluído em sua lista. Guia de Planejamento e orientações didáticas 49 . faça um levantamento oral dos itens que podem compor a lista. sendo que a produção final deve considerar aquilo que as duas crianças pensam. Leia para os alunos a pequena biografia sobre ele.Encaminhamento n Planeje a organização das duplas antes de começar a atividade. ou j alunos silábico-alfabéticos com alunos alfabéticos. bolinha de gude etc. n Não escreva as brincadeiras na lousa (mesmo que seja para apagar no momento em que os alunos estiverem escrevendo). conversar sobre as letras necessárias para a escrita de cada brincadeira. além disso. para saber em que momento da aprendizagem da escrita se encontra cada um deles. n Forme as duplas e explique a atividade: deverão escrever uma lista de brincadeiras presentes no quadro do artista plástico Ivan Cruz. Procure ampliar o repertório das crianças. considere que podem ser agrupados assim: j alunos com escritas pré-silábicas com alunos com escrita silábica sem valor sonoro convencional. n Explique também como será o trabalho com o colega da dupla: ambos devem decidir o que será escrito e. propondo que observem o quadro. Em relação a suas hipóteses. Para a palavra seguinte. circule entre as duplas e faça intervenções que ajudem a melhorar o que escreveram. considerando os conhecimentos dos alunos sobre o sistema de escrita. Faça a sondagem periodicamente. A cada palavra. n Enquanto os alunos trabalham. Nesse caso. considerando seus valores sonoros. cinco-marias. j alunos com escrita silábica que utilizam algumas consoantes com seus valores sonoros com alunos silábico-alfabéticos. uma das crianças escreve e a outra ajuda a pensar nas letras que é necessário incluir.). os papéis se invertem. n Antes de iniciar a escrita. há crianças brincando de pula-sela. ou j alunos alfabéticos com alunos alfabéticos. j alunos com escrita silábica que utilizam as vogais com seus valores sonoros com alunos com escrita silábica que utilizam algumas consoantes. chamando a atenção para brincadeiras desconhecidas. informe seus nomes (por exemplo.

procurando corresponder a primeira sílaba à primeira letra e o resto é lido de uma vez. fazem a leitura. Existe alguma criança em nossa classe cujo nome se inicie pelo mesmo som?” As crianças respondem: “A Paula!” Vão à lista de nomes para ver como se escreve o nome da Paula. Se acharem necessário. O professor vai ajudar outras crianças. a pedido do professor.Alguns exemplos de intervenções: INTERVENÇÃO 1 Uma dupla de crianças escreve AIET O professor se aproxima e propõe às crianças que leiam o que escreveram. após observar o conjunto de nomes. acompanha as crianças discutindo. Uma acha que deve incluir a letra O para escrever BOLINHA DE GUDE. O professor diz: “Será que precisamos de todas essas letras? Vamos observar a lista de nomes para ver se aparecem desenhos como esses que vocês incluíram (apontando para os grafismos que não representam letras)”. Elas o fazem assim: A pa I ti E ne T te O professor diz: “Vocês disseram que essa brincadeira se escreve assim. INTERVENÇÃO 3 Ao se aproximar de outra dupla. quando volta para essa dupla observa que alteraram a escrita inicial para: PIET e agora atribuem ao P o som da sílaba PA. INTERVENÇÃO 2 Outra dupla escreve: BζIODξMOδΩNVPЖ Elas explicam que aí está escrito PIÃO. As crianças apagam algumas e. mudam o que escreveram. 50 Guia de Planejamento e orientações didáticas . Uma delas começa a silabar a palavra. elas substituem os grafismos por novas letras. Além disso. Sua escrita ficou assim: BRIODAMO.

Ele escreve BOLACHA e BONECA. Uma das crianças sugere que também escreva BOCA e ele acrescenta essa palavra à lista. as intervenções não visam fazer com que a produção das crianças fique correta. . Deixa as crianças refletindo e. com perguntas do tipo: “O que podemos escrever agora? Com que letra vocês acham que começa o nome dessa brincadeira?” Guia de Planejamento e orientações didáticas 51 .A outra acha que. mas fazê-las refletir... da escrita convencional. O qUE fAzER. O professor diz: “Vocês dois estão certos. devem colocar o B. aproximem-se ao máximo.. considerando suas hipóteses de escrita. interfira sugerindo que cada um dos alunos: • Dê sugestões para acrescentar à lista..? Você concorda que é com essa letra. n Como a proposta é de escrita espontânea. em sua produção. em vez do O. se for o caso. Pergunte. observa que escreveram assim: BOINADUD.. quando volta a essa dupla. Verifique se o trabalho está sendo produtivo e. Como ocorreu nos exemplos dados. por exemplo: “Com que letra se escreve. cada uma de acordo com seus conhecimentos. observe especialmente as duplas de alunos que ainda não escrevem convencionalmente. dê dicas que os ajudem a continuar o trabalho. ofereça as informações necessárias.. como disse seu colega?” Se perceber que têm dificuldade para refletir sobre as letras.para atender o maior número de crianças que necessitam de ajuda? Circule pela classe. basta que as crianças. vou escrever várias palavras que se iniciem com o mesmo som”. para que avancem em relação ao que sabem. Pergunte. por exemplo: “Que outras brincadeiras há no quadro?” • Opine em relação à escrita. Vejam.

para oferecer desafios também aos alunos alfabéticos? Os alunos alfabéticos terão desafios relacionados à ortografia e à separação entre palavras. você pode propor que utilizem as letras móveis. explique que. Variações da atividade n Além das listas.Siga também as sugestões de intervenções contidas nos exemplos apresentados. adivinhas e outros textos que sejam fáceis de guardar na memória. é importante que discutam entre si sobre a melhor maneira de escrever determinado item. Como têm mais facilidade para escrever. De maneira geral. legendas com informações aprendidas num estudo. para que possam voltar sua atenção. à reflexão de quais e quantas letras usar. é preciso que seja um texto curto e que as crianças possam formulá-lo antes de se dedicar à sua escrita. n Em vez de se revezarem para escrever. na produção final. espera-se que incluam mais elementos em suas listas. para favorecer a troca de informações. circule e oriente outros alunos. Enquanto isso. Na coletânea de atividades você encontra variações da atividade de escrita pelo aluno. ou seja. você pode pedir que as crianças escrevam títulos de histórias (títulos conhecidos ou inventar um título para uma história lida em classe). mas não se esqueça de voltar para certificar-se de que cada uma das duplas utilizou a ajuda fornecida por você. você pode propor que as duas crianças escrevam e. Nesse caso. Enquanto escrevem. dedique mais tempo a eles. Por outro lado. Recomendamos que você faça pequenas intervenções e deixe as crianças buscarem sozinhas as soluções.. n Em vez de usar o lápis para escrever. Isso dará maior mobilidade para a escrita e favorecerá a discussão entre as crianças da dupla. é importante que já tenham claro o que escrever. 52 Guia de Planejamento e orientações didáticas . Em qualquer caso. evite ficar muito tempo com a mesma dupla. .. devem estar escritos com as mesmas letras. totalmente. ambos os escritos devem estar iguais. sabemos também que alguns alunos necessitam de nossa ajuda.

provavelmente. estará escrito num texto. Assim. as informações não verbais que acompanham o texto escrito (imagens. poemas e outros textos organizados em versos). o processo de construir o sentido de um texto é favorecido quando. além de serem textos simples. porém não indica a ordem em que estão dispostos. se observadas algumas condições. seja nos textos memorizados. diagramação). a clareza do leitor quanto àquilo que espera realizar (seus objetivos de leitura) fará com que a atividade seja mais ou menos complexa. em que ele informa todos os itens que a compõem. arriscando diferentes possibilidades de leitura. no sentido convencional. Tudo isso contribui para que o leitor construa o significado do texto. o autor. definirá a profundidade da leitura. informações de pessoas próximas que já o leram etc.Situações de leitura pelo aluno Em qualquer ato de leitura. se conta com várias informações diferentes: tudo o que se sabe antes da leitura (onde o texto foi publicado. é possível propor a realização de atividades relacionadas à leitura.). Em determinadas circunstâncias. onde está escrita cada parte. Além disso. o desafio de leitura proposto aos alunos é o de descobrir “onde está escrito” aquilo que se sabe estar escrito. Em outros. Guia de Planejamento e orientações didáticas 53 . Porém. as informações textuais que ajudam a delimitar cada parte do texto (títulos e subtítulos). o conteúdo de um texto já pode ser bem conhecido das crianças. no texto escrito. É o caso das listas. Em todos os casos. tais condições permitem que as crianças coordenem as informações prévias que possuem (o texto memorizado ou os itens que já sabem constar de uma lista) para tentar identificar. favorecendo o processamento das informações obtidas pela exploração daquilo que está escrito. Em alguns casos. sobre ele. o leitor conta com informações prévias que lhe permitem antecipar o que. seja nas listas. o professor traz várias informações sobre aquilo que contêm. sua organização favorece a memorização (como ocorre com as parlendas. As crianças que ainda não dominam o sistema alfabético de escrita não são capazes de ler com autonomia. Mesmo que ainda não saibam ler.

Eu sei onde está escrito A BELA ADORMECIDA. todas as vezes em que ela perguntou “o que está escrito aqui?”. 54 Guia de Planejamento e orientações didáticas . uma menina de cinco anos. Precisou contar com a ajuda de leitores que. a menina já sabe várias informações sobre o texto. sabe o que está escrito na capa. mas não conseguiria chegar sozinha a essa conclusão. Vamos acompanhar Maria lendo o título de sua história predileta Maria. ela adora ouvir histórias. mas Maria tem um que é seu preferido: De tanto observar as pessoas lendo e manuseando o livro. No entanto. não sabe ler. por exemplo.O que os alunos aprendem nas aulas de leitura por si mesmos. Seu professor costuma ler muitos livros. antes que leiam convencionalmente Um exemplo nos ajudará a compreender melhor o que se aprende numa situação como a que foi descrita acima. AqUI Maria sabe exatamente o que está escrito no título. informaram-lhe sempre da mesma forma: A BELA ADORMECIDA.

j sobre o sistema de escrita alfabético. Assim como ocorreu nesse exemplo. Ao ler o título. na palavra BELA encontra o L de LARISSA. Maria também reconhece. da amiga DANIELA. E na palavra ADORMECIDA identifica o D. mas descobriu algumas coisas: j assim como seu nome. Depois de algumas tentativas de leitura. j em sua classe há muitas crianças e há várias brincadeiras em que precisam ler os nomes dos colegas.Como se trata de um texto curto. tanto em seu nome como no título. j o texto escrito propriamente. Maria começou a fazer uma brincadeira fundamental para ampliar seus conhecimentos sobre a escrita: ler. a menina conseguiu memorizá-lo e. Além disso. buscando relacionar o que dizia às partes escritas. novas oportunidades de contato com a escrita e acesso a outras informações). quadrinhas e outros do repertório de tradição oral. elas coordenam várias informações. mas na verdade uma investigação: tentava compreender a que parte do falado correspondia cada letra ou sequência de letras. Nessa coordenação do que sabem antes da leitura com o texto. considera que ali pode estar escrita essa palavra. mas não sabe bem onde termina. A BELA ADORMECIDA termina com a letra A. Maria não chegou a desvendar o mistério (ela ainda precisava de tempo. o som do A final. observa que a letra inicial do nome da colega aparece no título (o B). Aquilo que sabem e observam: j sobre o texto. Com essas pistas. j como o professor faz muitas brincadeiras com os nomes dos colegas da classe. tais como parlendas. Expectativas de aprendizagem abordadas Essa situação didática favorece avanços dos alunos relacionados ao seguinte objetivo: ler. percebe a semelhança sonora entre o início do nome de sua amiga Beatriz com a parte do título que diz BELA. ou seja. quando contam com muitas informações sobre aquilo que está escrito num texto as crianças podem realizar algumas atividades de leitura. Ela já consegue reconhecer o nome de vários colegas. as atividades de leitura pelo aluno contribuem para aprender a ler. ainda que não convencionalmente. A atividade permite desenvolver as seguintes habilidades: j ajustar o falado ao escrito a partir dos textos já memorizados. inclusive o de suas melhores amigas: LARISSA e DANIELA. Guia de Planejamento e orientações didáticas 55 . Ao fazer isso. as crianças ampliam seu conhecimento sobre o funcionamento do sistema de escrita. Aparentemente um simples “faz de conta”. sabendo o que está escrito.

antes de propor a atividade. ingredientes de uma receita. a atividade proposta é bem diferente: o problema dos alunos não é mais descobrir “o que está escrito”. propor a leitura de uma lista de títulos de contos será inviável para crianças que ainda não dominam a leitura convencional se elas não tiverem acesso a informações sobre os títulos que compõem essa lista. Localizar uma informação que se sabe constar no texto é um desafio possível. pois essa informação já lhes foi dada por você. os alunos contarão com informações que lhes permitirão realizar antecipações pertinentes. entre dois itens de uma lista. também nessa situação. Ler antes de saber ler convencionalmente – dicas Para que realizem atividades desse tipo. peças do jogo etc. ou seja. os conhecimentos já construídos sobre o sistema de escrita. quadrinhas. as crianças descubram o que diz em cada um. Algumas atividades de leitura são mais viáveis que outras para crianças que ainda não dominam o sistema de escrita alfabético. Nesse caso. sem dizer onde se encontra cada um.). utilizando. mesmo para crianças que não leem com autonomia. qual é qual?” Essa é uma variação que torna a atividade possível para as crianças que encontrarem dificuldades em localizar um item entre várias opções da lista. Perguntar a crianças que ainda não leem convencionalmente “o que está escrito em cada item da lista?” será uma atividade difícil demais para elas. poemas. parlendas e demais textos do repertório da tradição oral. no entanto. Se. No caso de atividades realizadas a partir de textos memorizados (parlendas. j localizar um nome específico numa lista de palavras do mesmo campo semântico (nomes. o outro é ‘Os três porquinhos’.). pois elas podem se basear em seus conhecimentos das letras (a letra inicial ou final. Outra proposta que pode ser realizada nas classes de alfabetização é propor que. entre outros) para antecipar o que pode estar escrito em cada um dos itens. Trata-se de saber “onde está escrito” cada título.j localizar palavras num texto que se sabe de memória. j ler legendas ou partes delas a partir das imagens e de outros índices gráficos. é preciso que os alunos sintam-se à vontade para “arriscar”. você informar quais são os títulos que constam da lista. tais como as brinca- deiras cantadas. 56 Guia de Planejamento e orientações didáticas . adivinhas. adivinhas etc. você diz “um destes títulos é ‘Chapeuzinho Vermelho’. o conhecimento prévio do texto faz com que os alunos tenham as informações necessárias sobre “o que está escrito” e possam se dedicar a buscar “onde está escrita cada parte do texto”. Por exemplo.

ainda não sabem ler. mas não sabendo a ordem em que aparecem. inicialmente. Algumas dessas perguntas são: n Com que letra começa determinada palavra que devem buscar numa lista? n Com que letra termina? n Há algum colega na classe cujo nome se inicie pelo mesmo som que a pa- lavra que deve ser buscada? Para facilitar tais leituras. À medida que os alunos se familiarizam com atividades desse tipo. em que as letras iniciais sejam diferentes entre si. uma lista de frutas pode contar com itens como: ABACAXi ABACAtE MORANGO MANGA MAÇÃ MELANCiA 57 Guia de Planejamento e orientações didáticas . é interessante que inicialmente essa lista contenha apenas os seguintes itens: BORRACHA LÁPiS APONtAdOR Sabendo quais são os itens. assim. os desafios podem aumentar. Essas primeiras tentativas não podem ser consideradas leituras. Por exemplo. Outra reação possível é tentar adivinhar onde estão as informações solicitadas por você. intervir propondo perguntas que ajudem as crianças a considerar critérios que apoiem sua leitura. ao propor a leitura de uma lista dos materiais escolares. Por exemplo. propor inicialmente listas compostas por poucos itens. forçando. tanto ao incluir um número maior de itens na lista como ao inserir palavras que se iniciem e/ou terminem pelas mesmas letras. afinal. também. devem localizar a palavra APONTADOR. as crianças a considerar novos indícios além daqueles que já consideram. é interessante. a reação inicial das crianças é a perplexidade. É preciso.Das primeiras vezes em que atividades como essas são propostas. pois as crianças não se basearam em nenhuma informação do texto escrito para antecipar determinado conteúdo.

poemas. Condições didáticas para as situações de leitura do aluno Para que os alunos tenham a possibilidade de ler. que as adivinhas façam parte do repertório do grupo (se houve uma proposta anterior de aprender adivinhas para propor para os familiares. que expliquem os critérios utilizados para antecipar que. Em todas as situações. é importante que já os tenham aprendido de memória. bem como o conhecimento das letras que compõem tais palavras. cantigas.É interessante que as atividades de leitura pelos alunos sejam propostas coletivamente. especialmente quando se dedicam a ler e escrever as palavras cuja forma convencional já é conhecida. Esse conhecimento permitirá que façam antecipações pertinentes sobre o que pode estar escrito e verifiquem se tais antecipações são adequadas. que procurarão coordenar aquilo que dizem em voz alta (o texto decorado) com o texto que está escrito. Ver também o Guia de planejamento e orientações didáticas – Professor alfabetizador – 2o ano. adivinhas). Para saber mais sobre esta situação didática. é preciso garantir situações variadas em que as crianças reflitam sobre a escrita. sem que ainda tenham o domínio da leitura convencional. ou seja. Além de antecipar o que deve estar escrito. é preciso que contem com o máximo de informações sobre o texto proposto para a leitura. por exemplo). Essa memorização viabilizará a leitura de tais textos por parte das crianças. em determinada palavra ou verso (num texto memorizado. as propostas em pequenos grupos (quartetos ou duplas) ou individualmente também podem ser feitas. 58 Guia de Planejamento e orientações didáticas . é produtivo realizar intervenções em que você solicita aos alunos que justifiquem suas escolhas. No caso dos textos organizados em versos (parlendas. A memorização se dá naturalmente. páginas 35 a 45 e 48 a 53. 90 e 91 (sobre o trabalho com listas). num primeiro momento. Para isso. Quando já estiverem familiarizadas com atividades desse tipo. pode-se ler determinado conteúdo. para que todos possam observar as pistas escritas utilizadas por algumas crianças em suas tentativas de localizar as palavras solicitadas. páginas 70. volume 1. volume 2. pois é comum que as parlendas sejam recitadas durante as brincadeiras. por exemplo) e que os poemas tenham sido previamente aprendidos (um poema que foi escolhido como o preferido pelos alunos). leia também o Guia de planejamento e orientações didáticas – Professor alfabetizador – 2o ano. os alunos também devem contar com recursos que lhes permitam verificar se determinada antecipação é realmente pertinente.

n Como organizar os alunos: em duplas. n Quando esse texto já for conhecido de memória pelas crianças. Guia de Planejamento e orientações didáticas 59 . Para isso. e sim próximos. n Antes de realizar a proposta. organize as duplas de crianças. Planejamento n Quando realizar: é importante que atividades de leitura pelo aluno (como essa) ocorram semanalmente. recite-a algumas vezes e peça que repitam. garanta que saibam como se inicia cada um dos versos (devem saber que o primeiro verso é REI CAPITÃO. É interessante agrupar alunos que não leem convencionalmente e que tenham hipóteses de leitura semelhantes. Organize várias brincadeiras em que tenham de recitá-la: você diz um verso e as crianças dizem o que vem a seguir. para localizar cada um dos versos de uma parlenda. n Utilizar estratégias de seleção. que o segundo é SOLDADO LADRÃO. ensine a parlenda às crianças. n Que materiais são necessários: atividade da página 17 da Coletânea de Atividades. procurando organizar duplas produtivas de trabalho. n Num primeiro momento. considerando o que os alunos já sabem sobre o sistema de escrita alfabético. n Duração: 40 minutos. e assim por diante). Encaminhamento n Antes da aula. o que significa que os níveis de conhecimentos de ambos os integrantes não sejam idênticos. antecipação e verificação. proponha a atividade de leitura em que têm de organizar seus versos. identificar as palavras que rimam nos versos da parlenda. desenhar a parlenda etc. os meninos dizem um dos versos e as meninas dizem o seguinte.modelo de atividade: organizar os versos de uma parlenda conhecida Objetivos n Aprender uma nova parlenda. substituir palavras por outras parecidas (que também rimem).

No entanto. Vejam na lista como começa o nome dela. O importante é não cortar nenhum pedaço de palavra.n Explique a atividade: os versos da parlenda se encontram fora de lugar. reproduza os versos na lousa. uma dupla de crianças escolheu DO MEU CORAÇÃO. solicitando que digam se concordam ou não com o que foi dito pelos colegas e se poderiam sugerir outras pistas para ter certeza de que cada verso está realmente escrito onde foi indicado. . Oriente-as a cortar primeiro em partes maiores e depois fazer o contorno de cada pedaço sem precisar caprichar muito. e assim por diante.. quando chegarem àquele que está fora de lugar. circule entre as duplas para fazer intervenções e ajudar os alunos que necessitarem do seu apoio. como é o caso dos nomes dos colegas. para crianças pequenas. Para isso. Estimule a participação daqueles que foram chamados à lousa. considerando as palavras conhecidas pelo grupo. esta pode ser uma tarefa difícil. aí então eles podem colar os versos na ordem correta. O qUE fAzER. 60 Guia de Planejamento e orientações didáticas . Enquanto trabalham. ou que MOÇA BONITA termina com A e é o único verso com esse som final). Por exemplo. Chame uma das duplas para que explique aos demais qual o primeiro verso e como fizeram para descobrir. O foco da atividade não é o recorte mas.. oriente-as a somente colar os versos no final da atividade. propondo que troquem informações sobre como fizeram para descobrir qual verso é o primeiro. Essa pista lhes indica qual verso deve ser substituído. faça perguntas como “Com que letra vocês acham que se inicia esse verso?” ou “Por que vocês acham que aí está escrito esse verso?” Se tais perguntas não ajudarem as crianças. se os alunos errarem a ordem dos versos? Peça que releiam cada um dos versos. socialize o trabalho de cada dupla.. solicite aos alunos que compartilhem com os colegas aquilo que os levou a descobrir a resposta (por exemplo. se inicia por R. do primeiro verso. Depois de socializar o que cada dupla pensou. você pode dar algumas pistas. Mesmo tendo indicado o verso correto. Terminado o tempo estipulado para a proposta.. na mesma disposição em que estavam na folha. As n n n n crianças devem recortá-los e organizá-los na ordem correta. fazendo o mesmo para os versos seguintes. sabem que a palavra REI. O professor diz aos alunos: MOÇA BONITA se inicia com a mesma letra de Mônica. para o verso MOÇA BONITA. o segundo.

exatamente. mesmo que tenham localizado cada um dos versos corretamente? Enquanto circula pelas duplas. Para isso.. é interessante que você questione os alunos: “O que vocês acham que está escrito aqui?” (apontando para um dos versos). cantigas ou quadrinhas que já conheçam de memória. onde está escrito cada item) – atividades em que os alunos devem descobrir onde está escrito cada um dos itens. ofereça as informações necessárias e dê dicas para ajudá-los a continuar o trabalho. desde que já saibam seu conteúdo (mas não sabendo.” ou “tem o som da letra. “Como faremos para localizar esse verso?” ou “Como podemos saber se aí está escrito. para problematizar aquilo que sabem. ou seja... j encontrar a resposta escrita para adivinhas lidas pelo professor entre várias possibilidades – essas adivinhas devem ser conhecidas. procurando ajustar o que é dito em voz alta àquilo que é apontado com o dedo. Aproxime-se delas e faça perguntas para que deem sugestões para localizar cada um dos versos: “Onde você acha que pode estar escrito REI CAPITÃO?” ou “Por que você acha que aí está escrito.?” . concorda com seu colega?” Se perceber que estão tendo dificuldades para refletir sobre as letras.. você também pode realizar as seguintes propostas: j propor que os alunos leiam poemas.” Variações da atividade Além das atividades em que necessitam localizar os versos de uma parlenda para organizá-los corretamente. explicando... faça perguntas do tipo: “Com que letra vocês acham que começa?”. pergunte: “Como vocês sabem que está escrito isso? Vocês têm certeza?” Espera-se que assim os alunos busquem outros indicadores para justificar suas escolhas. Mesmo que respondam corretamente. parlendas..?" "E você... os Guia de Planejamento e orientações didáticas 61 ... j preencher cruzadinhas em que se conte com um banco de palavras para consulta... por exemplo: “termina por. j ler listas. para atender o maior número de crianças que necessitam de ajuda? Observe quais duplas de alunos não estão trabalhando produtivamente.

Para isso. as atividades de leitura podem ganhar complexidade ao se introduzir.alunos sabem qual a resposta. Aos poucos. nas listas. ABACATE ABACAXI AMEIXA BANANA LARANJA MAMÃO MELANCIA MORANGO PERA UVA Nesse caso. como ocorre no exemplo abaixo: Faça um traço unindo as imagens aos nomes das frutas . você pode intervir sugerindo que as crianças observem que não podem se apoiar somente na letra inicial para localizar cada palavra. mas precisam localizar a palavra que corresponde a ela. Como fazer para descobrir?” Na coletânea de atividades você encontra variações das atividades de leitura pelo aluno. cruzadinhas ou respostas das adivinhas. faça perguntas como: “Como você sabe que aí está escrito MELANCIA? Essa outra palavra também se inicia por M. 62 Guia de Planejamento e orientações didáticas . o que desafiará as crianças a buscarem outros indícios para localizar cada um dos itens. palavras que se iniciem e terminem pelas mesmas letras.

ou seja. sem reorganizá-lo ou traduzi-lo para suas próprias palavras. Mas. Envolve também dominar algumas práticas comuns aos escritores. ele coordena a produção. escrever interrompendo sua escrita para reler o que já foi produzido até aquele momento. transmite-se uma ideia empobrecida do que seja o processo de escrita. se desde o início os alunos forem colocados ante situações em que tenham de produzir textos complexos. como se a única habilidade necessária fosse a correspondência entre sons e letras. Escrever envolve dominar o processo de produção de um texto. que considerem propósitos comunicativos variados e que se dirijam a leitores reais. revisar seus escritos para aprimorá-los consultar outros textos para ampliar suas ideias a respeito do que se quer comunicar. O professor. nesse caso. o grupo de alunos todo é autor do texto.Situações de ditado para o professor – produzir textos antes de saber escrever Para aprender a escrever. limita-se a escrever o texto que foi considerado mais adequado pelas crianças. dependendo daquilo que se tem a intenção de comunicar e para quem. tais como planejar o que vai escrever. o que implica conhecer as diferentes possibilidades da linguagem. num processo de discussão e troca de experiências em que cada um tem a oportunidade de aprender com as sugestões dos colegas. o que significa que todos contribuem para decidir o que será escrito e como. Além disso. para esclarecer pontos que Guia de Planejamento e orientações didáticas 63 . enquanto enfrentam os problemas próprios aos escritores. não basta compreender o sistema de escrita alfabético. os alunos podem produzir textos se contarem com o professor como escriba daquilo que ditam. Caso as atividades propostas aos alunos no início de sua escolaridade fiquem restritas àquelas que favorecem a reflexão sobre o sistema de escrita. propondo momentos em que o que já foi escrito seja relido. as habilidades necessárias para lidar com textos. torna-se possível tanto que aprendam o que significa escrever. sugerindo que o texto seja revisado para acrescentar dados que foram esquecidos numa primeira escrita. Tal produção costuma ser coletiva. Quando ainda não dominam o funcionamento do sistema de escrita alfabético. quanto desenvolvam.

ficaram confusos, para rever trechos que apresentem problemas, convidando o grupo a refletir sobre formas que permitam superá-los.

O que os alunos aprendem nas situações em que ditam um texto para o professor
Quando produzem um texto por meio do ditado para o professor, os alunos aprendem especialmente o que significa o processo de elaboração de um texto em toda a sua complexidade: aprendem que cada gênero textual tem características que lhe são próprias, características essas importantes para que cumpram determinados propósitos comunicativos. Outra aprendizagem propiciada por essa atividade é a diferenciação entre o conteúdo que se deseja incluir no texto e a forma como será expresso tal conteúdo. Assim, quando vão produzir um texto, é comum que as crianças se contentem em listar as informações que desejam incluir. Por exemplo, se ditam um texto informativo sobre o lobo-guará, dizem: “Vamos escrever que ele come frutas e pequenos roedores, que tem o pelo avermelhado e que precisa de territórios grandes para se locomover” sem se preocuparem com o modo como cada uma dessas informações será expressa no texto. No contato com os colegas, que sugerem formas diferentes de expressar o mesmo conteúdo, as crianças aprendem que a linguagem tem várias possibilidades. Em cada momento, um escritor deve fazer escolhas para que seu texto concretize exatamente aquilo que foi sua intenção dizer, considerando, também, a linguagem mais adequada (a linguagem deverá ser mais ou menos formal, dependendo do tipo de relação existente entre aquele que escreve e seu destinatário). Além disso, sob a orientação do professor, essa situação didática também permite que os alunos aprendam que a produção de um texto requer diferentes momentos: há um momento inicial para planejar o que será escrito, há o momento da produção propriamente, marcado por várias interrupções em que se relê o que se escreveu, para avaliar se está bem escrito, se faltam informações importantes, e para decidir o que será escrito a seguir. Além da textualização, é comum que o escritor se dedique a revisar o texto, fazendo mudanças na maneira de se expressar, visando melhorar o que escreve, ou seja, a revisão contribui para o aprimoramento da produção. Todos esses diferentes momentos da escrita, bem como os problemas que os escritores enfrentam em cada um deles, são colocados aos alunos quando se dedicam a situações como essa. Para enfrentá-los, contam com a colaboração dos colegas, a ajuda do professor, que aponta os problemas, propõe ao grupo a

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reflexão sobre possibilidades de resolvê-los e indica algumas saídas. Contam, também, com textos bem escritos, lidos em momentos anteriores, e que, nesse momento, são revisitados para analisar as soluções encontradas por seus autores para lidar com determinadas dificuldades enfrentadas pelas crianças enquanto se dedicam à produção. Mesmo que o foco da atividade não seja este, enquanto observam o professor escrevendo, os alunos têm a oportunidade de observar aspectos relacionados ao sistema de escrita. Para alguns, a variedade de letras utilizadas pelo professor enquanto escreve chama a atenção, pois acreditam que se escreve com símbolos inventados em cada momento, outros ficam intrigados com os espaços incluídos entre as palavras, outros ainda observam que há alguns símbolos que não são letras e são incluídos pelo professor enquanto escreve (os sinais de pontuação, por exemplo).

Expectativas de aprendizagem abordadas
Essa situação didática favorece avanços dos alunos relacionados ao seguinte objetivo: produzir textos escritos ainda que não saibam escrever convencionalmente. A atividade permite desenvolver as seguintes habilidades:
j usar conhecimentos sobre as características estruturais dos bilhetes, das

cartas, e-mails ao produzir um texto, ditando-o ao professor; j antecipar significados de um texto escrito.

Condições didáticas para as situações de ditado para o professor ou produção oral com destino escrito
É importante que, antes de se propor que produzam determinado texto, os alunos já tenham familiaridade com ele como leitores. Se vão produzir bilhetes ou cartas, é importante garantir momentos em que já tenham lido bilhetes ou cartas. Além da experiência como leitores, é interessante propor momentos em que conversem sobre a organização dos textos, sobre aquilo que deve constar, sobre o tipo de informação que pode neles constar. Para que seja produtiva, é importante que, antes de se dedicarem à situação de produção, os alunos conheçam a situação comunicativa em que está inserida, definindo a quem se dirige o texto e qual o objetivo que se tem ao escrevê-lo. Saber sobre o gênero textual e suas características, sobre o destinatário a quem se dirige e os propósitos que se espera alcançar com a escrita contribui
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para que os alunos decidam quais informações são pertinentes e como serão expressas no texto. Para saber mais sobre esta situação didática, leia também o Guia de planejamento e orientações didáticas – Professor alfabetizador – 2o ano, volume 1, páginas 87 e 88.

modelo de atividade: ditado para o proFessor de um bilhete para os pais
Objetivos
n Escrever, por meio do ditado para o professor, um bilhete incluindo todas as

informações necessárias para que se garanta seu propósito. n Controlar o ritmo do ditado considerando o escritor. n Utilizar comportamentos de escritor, planejando o que vai escrever e revisando o que foi escrito.

Planejamento
n Quando realizar: em qualquer momento. É interessante que as propostas

de ditado de um bilhete ao professor ocorram permanentemente na rotina do primeiro semestre. n Como organizar os alunos: a atividade é coletiva. As crianças podem permanecer em seus lugares. n Que materiais são necessários: giz e lousa. n Duração: 40 minutos.

Encaminhamento
n Antes da aula, providencie alguns bilhetes que já foram lidos para os alu-

nos: bilhetes enviados por você aos pais de uma criança ou ao professor de outra classe ou bilhetes enviados a você pelos pais. n Explique a atividade: as crianças escreverão um bilhete aos familiares, convidando-os para vir à escola ver os belos desenhos e legendas produzidos pelos alunos após aprenderem sobre o modo de vida de um animal estudado em classe.

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n Antes de propor que iniciem o texto, leia alguns dos bilhetes que trouxe e

n n n

n

n

n n

discuta com os alunos: Para quem foi enviado? Como sabem disso? Quem o enviou? Como, nesse bilhete, aparece a informação sobre quem o escreveu (espera-se que as crianças digam que a pessoa que escreveu sempre coloca seu nome no fim do texto)? Para que esse bilhete foi enviado? Proponha uma nova discussão sobre as informações que deverão constar no bilhete que escreverão. Depois dessa conversa inicial, proponha que ditem o que deve ser escrito, considerando tudo que foi conversado nesses momentos iniciais. Quando determinado enunciado for sugerido por uma criança, peça que outras sugiram opções e, em seguida, discutam qual delas ficará mais interessante. Por exemplo, um aluno sugere iniciar o convite assim: PAIS. Outra criança considera que ficará melhor se escreverem QUERIDOS PAIS. Para outra, porém, será melhor dizer AOS PAIS E MÃES DO 1o ANO A. Todas essas opções são possíveis, mas o grupo deve definir qual delas é a melhor. Para cada trecho elaborado oralmente e discutido pelo grupo, peça que ditem para que você escreva na lousa (escreva exatamente o que foi dito pelos alunos). Se ditarem rápido demais, explique o que você já escreveu até aquele momento e peça que repitam, mais vagarosamente, considerando seu ritmo de escrita. Enquanto escreve, interrompa algumas vezes a escrita para reler em voz alta aquilo que já foi escrito. Pergunte, então, o que ainda falta escrever. Quando os alunos considerarem o texto terminado, proponha a revisão logo após a escrita (como se trata de um texto curto, é possível que a revisão ocorra na mesma aula): leia em voz alta e pergunte se acham que está claro e bem escrito. Pergunte também se falta alguma informação importante.

UM EXEMPLO POSSÍVEL DE BILHETE:
AOS PAIS E MÃES DO 1o ANO A VENHAM VER OS DESENHOS E LEGENDAS QUE FIZEMOS. VOCÊS PODEM VIR ANTES DE COMEÇAR A AULA OU QUANDO TERMINAR A AULA. VOCÊS VÃO GOSTAR MUITO! ASSINADO: ALUNOS DO 1o ANO A DATA: 24 DE ABRIL DE 2010

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VOCÊS PODEM VIR ANTES DE COMEÇAR A AULA OU QUANDO TERMINAR A AULA. VOCÊS PODEM VIR ANTES DE COMEÇAR A AULA OU QUANDO TERMINAR A AULA. VOCÊS VÃO GOSTAR MUITO! ASSINADO: ALUNOS DO 1o ANO A DATA: 24 DE ABRIL DE 2010 n Após essa alteração. 68 Guia de Planejamento e orientações didáticas . A produção final. VOCÊS VÃO GOSTAR MUITO! ASSINADO: ALUNOS DO 1o ANO A DATA: 24 DE ABRIL DE 2010 n Terminada a revisão do que precisa ser alterado. ficou assim: AOS PAIS E MÃES DO 1o ANO A VENHAM VER OS DESENHOS E LEGENDAS QUE FIZEMOS. os alunos se deram conta de que é preciso incluir a informação do local onde os desenhos e legendas estarão afixados. ao reler. incorpore as mudanças sugeridas e providencie cópias para que todos as alunos encaminhem o bilhete para seus pais. O professor propôs então que decidissem onde incluir tal informação e como expressá-la. ELES ESTARÃO NO MURAL qUE fICA NA fRENTE DA NOSSA CLASSE. Após discutirem. então. As crianças voltam a refletir sobre o que fazer. a produção ficou assim: AOS PAIS E MÃES DO 1o ANO A VENHAM VER OS DESENHOS E LEGENDAS QUE FIZEMOS. o professor indica que no trecho “VOCÊS PODEM VIR ANTES DE COMEÇAR A AULA OU QUANDO TERMINAR A AULA” a palavra AULA foi repetida e isso faz com que o texto não esteja tão bom. NO HORÁRIO DA SAÍDA. até que uma delas resolve o problema sugerindo que se escreva “NO HORÁRIO DA SAÍDA” em vez de “QUANDO TERMINAR A AULA”. ELES ESTARÃO NO MURAL qUE fICA NA fRENTE DA NOSSA CLASSE.n Nesse exemplo.

Variações da atividade Você pode variar os propósitos comunicativos desses bilhetes. Algumas sugestões: n Carta para o autor de um livro lido em classe n Carta para a redação de uma revista sugerindo que publiquem uma matéria ou indicando um livro lido em classe n Carta para a diretora da escola solicitando a organização do recreio n Carta para colegas de outra escola ou classe n Carta a um colega que está faltando às aulas Guia de Planejamento e orientações didáticas 69 . perguntando-lhes o que acham de determinado enunciado sugerido pelo colega ou propondo que pensem numa forma de incluir a informação sugerida.O qUE fAzER SE … … muitos alunos falarem ao mesmo tempo? Relembre que é preciso respeitar a vez de falar de cada um. é possível propor novos desafios aos alunos: em vez de bilhetes. escreverão cartas. levantando a mão quando tiver alguma ideia. bem como seus destinatários. … houver alunos que se dispersam em atividades coletivas? Procure fazer com que os alunos que têm essa característica ocupem lugares mais próximos de você. nas situações de ditado ao professor. Algumas sugestões: n Bilhete pedindo ajuda aos pais para organizar o estojo dos alunos n Bilhete para convidar para uma festa na escola n Bilhete para comunicar uma reunião de pais n Bilhete para contar aos familiares aquilo que foi aprendido num projeto n Bilhete sobre os cuidados com um livro da biblioteca que foi levado para casa n Bilhete pedindo colaboração dos familiares num estudo No segundo semestre. Valorize sua contribuição. Comente a importância de ouvir os colegas.

considerando diferentes situações comunicativas em que um leitor pode se envolver. mas ao modo como cada um se organiza. pois. Também no caso da leitura. em seguida. ao dar voz aos textos. É preciso que saiba como se organizam as cartas e. ele pode escrever uma carta a um amigo e. escrever uma carta a uma autoridade. O fascínio que despertam nelas os contos tradicionais faz com que esse seja um canal privilegiado para garantir uma aproximação favorável entre os pequenos e o mundo dos livros. Já é sabido que o domínio do sistema alfabético de escrita é necessário para formar leitores e escritores autônomos. que tal domínio não é suficiente para formar bons usuários da escrita. espera-se um modo mais formal de dirigir-se ao destinatário). já na segunda situação. os alunos ainda não conseguiriam ou teriam muita dificuldade de ler sozinhos. Ao 70 Guia de Planejamento e orientações didáticas . especialmente aqueles voltados à cultura da infância. deve escolher o melhor registro a utilizar em cada caso (no primeiro. autonomamente. No entanto. além disso.Situações de leitura pelo professor Ler para as crianças desde o início da escolaridade é fundamental: é por meio dessa atividade que elas têm acesso à cultura escrita. Saber ler e escrever envolve conhecer as maneiras mais adequadas de se expressar por escrito. Bons leitores sabem a que textos recorrer. O professor pode (e deve) oferecer-se como leitor em todos os momentos em que houver a necessidade ou o desejo de ter acesso a textos que. Por exemplo. antes mesmo de estar alfabetizadas. permite não apenas que as crianças tenham acesso à história lida. dependendo de seus objetivos em cada momento. pode escrever de maneira mais coloquial. é preciso um bom conhecimento sobre os diferentes gêneros textuais. A leitura do professor não envolve apenas a leitura de textos literários e não se restringe às classes de crianças que ainda não leem autonomamente. é cada vez mais evidente. É pela voz de um professor que as crianças se transportam ao mundo mágico da literatura. enquanto ainda não podem enfrentar os textos por sua própria conta. num mundo marcado pelos textos de maneira tão complexa como o nosso. é uma excelente maneira de aproximar as crianças do universo da escrita. E é pela voz do professor que se começa a construir um leitor. O contato com textos literários.

você torna concreto o que significa ler em toda a sua complexidade. projetos editoriais inovadores. porque as letras “instruem” a voz para que se lhes diga exatamente na mesma ordem. por participarem de momentos em que você desvenda o mistério para elas. ao propor aos alunos a releitura de um trecho para esclarecer uma dúvida. sempre as mesmas. as possibilidades da leitura do professor no sentido de promover a aproximação das crianças ao universo literário.dar voz a determinado texto. rechear a imaginação de seres maravilhosos. Pela leitura do professor. reler trechos que considerou especialmente belos ou engraçados. você pode também comentar a história com os alunos. Lê-se em determinado sentido (da esquerda para a direita. pois os alunos necessitam que se diferencie o que é ler e o que é comentar o que foi lido. compartilhando suas impressões. as crianças entram em contato com um universo mágico. além de comunicar o que está escrito. formando assim uma bagagem comum de vivências suscitadas pela leitura. as palavras são ditas a partir de determinado jogo de olhar. pensamento e voz. personagens encantados. a experiência da leitura pode ser compartilhada. Ler envolve uma determinada atitude. ao realizá-las na presença dos alunos. o professor garante que os alunos tenham acesso ao conteúdo e à forma como foi construído. Como modelo de leitora. além de propiciar uma experiência de construção compartilhada de significado: como o professor lê para um grupo de alunos. O que os alunos aprendem nas situações em que o professor lê para eles Ao ler um texto para as crianças. voltar a determinado trecho para esclarecer dúvidas sobre o que se lê adiante. Guia de Planejamento e orientações didáticas 71 . ilustrações cheias de humor e desafios estéticos. Vamos nos restringir à leitura de contos para explorar. São ações realizadas por qualquer leitor (sem que se dê conta de que são estratégias para compreender melhor o texto). A rica literatura infantil. que trazem a vida em realidades muito diferentes daquela vivida pela criança que acompanha tais narrativas. mais detidamente. em que as fronteiras geográficas se dissipam e é possível penetrar mundos distantes. Por exemplo. uma forma de lidar com as páginas. em geral originados na tradição oral de diferentes povos. As crianças aprendem sobre a leitura. convive com os contos tradicionais. de cima para baixo). é importante que você diga que fará isso e por que o fará. é interessante que todas essas ações sejam assinaladas. em todas as suas sutilezas. no entanto. que a cada dia ganha novos autores.

há aqueles que consideramos mais adequados para a faixa etária em questão. pois. ardilosos. permite que tenham acesso à história. tão conhecidos de todos. por parte dos professores. como se vê a seguir. a literatura permite que as crianças. onde pode estar escondido o mistério. por meio da leitura feita por você os alunos têm a oportunidade de conhecer os recursos textuais utilizados pelos autores para organizar as diferentes partes da história no tempo. em apresentar os termos difíceis presentes nos contos. Os escritores utilizam recursos para indicar a passagem do tempo. ao contrário. Todos esses recursos. além de colocar as crianças em contato com determinado gênero textual. mais presente nas conversas cotidianas. Como qualquer leitor. as crianças aproveitam tais sobrevoos por uma linguagem mais rebuscada e. que se diferencia daquele que se usa no cotidiano. Os contos clássicos. propiciando novas experiências linguísticas para os pequenos. incluam em seu cotidiano o encantamento das histórias. passam a ser familiares aos alunos. permitindo que cada evento se relacione aos demais de maneira compreensível. recheando-a de seres mágicos. Existem diversos tipo de contos. em geral. assim como os adultos. usando o próprio contexto da história para ajudá-las. diferenciando-as daquilo que foi apresentado pelo narrador. ingênuos. engraçados. imaginando que isso possa gerar desinteresse. aterrorizadores. ao aproximá-las dessas narrativas curtas.Quando você dá voz a um texto que as crianças não teriam condições de ler sozinhas. malvados. A experiência mostra que. Há um receio. criam recursos para lidar com as palavras difíceis. O vocabulário mais amplo e a forma de construir as orações. próprios aos textos escritos. você ofereça também modelos de organização para o discurso delas. também. enriquecendo assim seus conhecimentos de outras épocas e lugares. corajosos. Abrir as portas da imaginação. Além de conhecer a história. as crianças entram em contato com realidades distintas que lhes permitem relativizar seu próprio modo de vida. Ao ouvir histórias. as partes que compõem um conto. se tiverem a oportunidade de ouvir várias narrativas. de maneira descontextualizada. E entre eles. belos. para descrever personagens e cenários. ao mesmo tempo em que se observam pequenos detalhes. as crianças têm a oportunidade de acessar um novo modo de construir a linguagem. por meio da leitura que você faz. para apresentar as falas dos personagens. se diferenciam da linguagem oral. 72 Guia de Planejamento e orientações didáticas . É interessante que. ampliando assim suas possibilidades de organizar em relatos aquilo que vivem em seu dia a dia. Pela literatura. elas constroem estratégias que lhes permitam inferir o significado do que não se compreende. apaixonam as crianças e. Não é necessário ensinar as crianças. esse encadeamento é observado implicitamente. encantadores. conheçam seus personagens e vivam com eles todos os eventos que a compõem. ampliar olhares para grandes aventuras. bondosos.

Guia de Planejamento e orientações didáticas 73 . Perrault e Andersen são os contadores que colocaram por escrito essas histórias repetidas de geração a geração. No entanto. Só um minutinho: um conto de esperteza num livro de contar (contado por Ana Maria Machado. a cada vez. que faz parte de um dos acervos que o MEC enviou às escolas. São histórias que criam momentos em que o grupo de alunos recita em coro os trechos que se repetem. os irmãos Grimm. livros que constam dos acervos do MEC enviados às escolas. Os contos de enganação (ou contos de esperteza) envolvem histórias engraçadas. envolvendo. Ao perceber que o personagem diz algo. frequentes entre os contos que têm origem na tradição oral. mas o faz para enganar o outro. Os contos de acúmulo. O urso que queria ser pai (de Wolf Erlbruch) e O macaco danado (de Julia Donaldson e Axel Sheffer). cada novo personagem que aparece na história é acrescentado aos que vieram anteriormente. as crianças começam a diferenciar esses dois níveis das narrativas. Nesse sentido. novos personagens. com ilustrações de Yuyi Morales). aquele que engana é o mais fraco e lida com outro personagem que aterroriza por sua força). um desafio à memória dos alunos que se divertem ao conseguir repetir toda a sequência de personagens.como descrito pela psicanálise. nesses contos. são exemplos desses contos. ou seja. elas sabem exatamente o que será dito em cada novo encontro. Essas histórias são interessantes porque permitem explicitar às crianças que. São histórias engraçadas em que a malandragem do personagem principal conquista a audiência por sua leveza e capacidade de se safar de apuros. uma missão ou vários desafios que não só ajudam a construir o imaginário como também ampliam o repertório dos alunos com relação às formas que os autores usam para prender a atenção dos leitores. criando uma lista cada vez mais longa. chamam a atenção das crianças exatamente pela possibilidade de antecipar o que virá a seguir. Isso contradiz o que inicialmente se apresenta (em geral. fontes de angústia e medo. A rígida separação entre o bem e o mal é uma fonte de tranquilidade. Os contos de repetição. um conflito. ajudam-na a lidar com diferentes sentimentos infantis. pois permite lidar melhor com algumas das vivências internas infantis. há uma diferença entre as ações dos personagens e suas intenções. Além disso. aqueles em que um evento ou fala se repete durante toda a história. é um exemplo. em que um dos personagens consegue enganar outro. Pela repetição. geralmente têm uma trama envolvente. levando a melhor. nos contos. também compartilham com os contos de repetição os eventos que se repetem ao longo da narrativa.

Expectativas de aprendizagem abordadas Essa situação didática favorece avanços dos alunos relacionados ao seguinte objetivo: apreciar textos literários. estão cada vez mais próximos dos pequenos leitores. de autores atuais. relembrar trechos. j escutar atentamente. tenham oportunidade de apreciar um livro bem escrito (do ponto de vista literário) e aprendam os diferentes elementos e possibilidades que compõem as narrativas. de maneira bem-humorada. em que diferentes autores e ilustradores abordam. das minorias raciais ou os direitos das pessoas com necessidades especiais. por exemplo). Ao selecionar os livros que serão lidos. fazer comentários sobre a trama. para aproximar as crianças da literatura. j antecipar significados de um texto escrito a partir das imagens/ilustrações que o acompanham ou marcadores característicos de cada gênero. É preciso. ou seja. também estão escritas de maneira interessante. livros mais modernos. Da mesma forma. pois é lidando com um vocabulário mais rico que as crianças realmente ampliarão suas possibilidades linguísticas. É preciso evitar os textos em que a linguagem é empobrecida. buscar selecionar. diferentes questões relacionadas aos interesses e vivências da infância. os personagens e cenários. aqueles que se mantêm comprometidos com a produção de uma literatura de qualidade. que além de contarem com um bom enredo (são engraçadas. mesmo que traduza valores muito prezados atualmente (a defesa da natureza. 74 Guia de Planejamento e orientações didáticas .Todas essas histórias convivem com uma infinidade de possibilidades. conseguir relacionar as ilustrações com trechos da história. Mesmo considerando a importância da formação das crianças. o mais importante é buscar boas histórias. no entanto. favorecer que os alunos construam um repertório amplo de boas histórias. não é possível colocar tais ensinamentos como critério de escolha mais importante do que a qualidade literária (tanto do texto quanto da imagem): tal procedimento compromete o objetivo principal dessa proposta. não é interessante escolher livros pela “mensagem moral” que a história carrega. é importante que você tenha em mente que. no meio dessa grande oferta. A atividade permite desenvolver as seguintes habilidades: j apreciar a leitura e comentar suas preferências. misteriosas ou líricas). Os contos modernos.

como fazer os seus próprios comentários sobre o livro. No entanto. tais comentários são bastante simples. ele a conta do seu ponto de vista). pois isso é natural para elas. Ele tanto pode fazer perguntas que permitam aprofundar o que os alunos disseram inicialmente. explicando também por que o escolheu. É importante também que. os alunos aprendam a observar as ilustrações das histórias. j recontar histórias conhecidas recuperando algumas características da linguagem do texto lido pelo professor.j conseguir recontar uma história que ouviu mantendo uma sequência. ou ler tudo e. também. j emitir comentários pessoais e opinativos sobre o texto lido. recu- perar trechos da história usando expressões ou termos do texto escrito. mostrar todas as ilustrações de uma vez). Acompanhar a leitura do professor – dicas Não é preciso ensinar as crianças a gostar de ouvir histórias. é interessante convidar as crianças a comentarem o que veem e relacionarem àquilo que foi lido. especialmente se contarem para isso com intervenções do professor. Se. evitando ambiguidades que poderiam confundir as crianças. aos poucos. Os personagens. É preciso iniciar pelas histórias com enredos mais fáceis. ao longo de sua participação em situações de leitura pelo professor. mas com o tempo tendem a ganhar qualidade. inicialmente. Após a leitura. como ocorre nas histórias de repetição ou acúmulo. Como há poucos eventos e estes se organizam de maneira simples. é mais fácil aos alunos compreender a relação entre os personagens e os diferentes fatos que ocorrem. histórias com tramas lineares. Já nos referimos ao fato de que um vocabulário rico é necessário para que as crianças tenham um contato mais interessante com a linguagem dos contos. No início. Considerar isso convive com escolher. introduzir tramas mais elaboradas e mais longas. Para tanto. alguns cuidados podem ser considerados ao introduzir a leitura do professor como parte da rotina da sala de aula. para. é importante que os alunos sejam convidados a dizer o que pensaram ou sentiram a partir da história. Guia de Planejamento e orientações didáticas 75 . é interessante trazer contos em que o narrador não se mistura àquilo que acontece. o professor pode combinar como fará para que elas tenham acesso às imagens (isso pode ocorrer antes de virar a página. num primeiro momento. relacionando-as àquilo que foi contado. ao longo do ano é importante trazer histórias em que aquele que conta é um dos personagens da história (ou seja. fazendo interrupções ao longo da atividade. no final. Nesses momentos. são bem caracterizados.

sem omitir trechos ou palavras por considerá-las difíceis para as crianças. o que inclui enfrentar um vocabulário mais amplo do que aquele usado no cotidiano. não se confunde com contar oralmente uma história. É comum. é importante que a leitura do professor tenha espaço garantido no dia a dia: é pela frequência que os alunos aprenderão a ler (mesmo que por meio da leitura do professor) contos. em que o tom de voz. vários momentos em que se lê para os alunos (de preferência no mesmo horário todos os dias. uma escolha em que se considere a qualidade do texto. mesmo que fiel ao texto lido. durante a semana. buscando contemplar as escolhas dos alunos. tal momento deve ser uma situação de leitura.Condições didáticas para as situações de leitura do professor Em primeiro lugar. pois isso permite que antecipem o momento da leitura) é condição para que as crianças realmente se aproximem da linguagem escrita utilizada nesses textos. os alunos não aprenderão a ler. a atividade cumprirá seus objetivos se a escolha dos livros for. inclusive aqueles que são trazidos de casa. Para garantir o bom envolvimento dos alunos. É preciso ler aquilo que está escrito. Se não tiverem oportunidade de entrar em contato com as dificuldades da leitura. A leitura prévia do professor também garante que tal critério se cumpra. em alguns momentos. pelo menos. antes de tudo. Corre-se aí o risco de propor livros de pouca qualidade literária. realizar tais encaminhamentos. a postura e o ritmo contribuam para dar vida ao texto. para que possa desempenhar com qualidade seu papel de modelo de leitor. Para que cumpra sua função de aproximar as crianças do universo dos textos escritos. mesmo que nesta situação se conte com o livro como apoio (com as imagens). conhecerão as regularidades desses textos a aprenderão a lidar com as dificuldades que a leitura muitas vezes coloca. Por isso. 76 Guia de Planejamento e orientações didáticas . Porém. em que a temática ou o modo como o texto é construído é o os mais adequado. é preciso que a leitura do professor seja uma boa leitura. Se o professor quiser. a atividade pressupõe que o texto seja lido e não há possibilidade de substituir tal leitura por uma criação do professor. avalie. Além disso. é importante que. se o livro trazido é realmente indicado para ser compartilhado entre todos. priorizar livros escolhidos pelas crianças. não se deve esquecer que a responsabilidade pelo repertório de histórias conhecidas pelos alunos é do professor. antes do momento de ler. Por fim. recomenda-se que o professor prepare com antecedência aquilo que será lido. Garantir. Outra questão importante a considerar é a fidelidade ao que é lido.

Para saber mais sobre esta situação didática. n Conhecer uma nova história. durante a leitura. só devem interromper se houver dúvidas em relação à história. Com essa informação você terá a oportunidade de compartilhar com as crianças os critérios de escolha que usa para selecionar suas leituras. informe-se sobre seu significado. Guia de Planejamento e orientações didáticas 77 . incluindo a apreciação que faz da história. páginas 63 e 79 a 86. modelo de atividade: leitura de conto pelo proFessor Objetivos n Acompanhar a leitura realizada pelo professor. Explique que. n Explique a atividade: você lerá um conto. leia o texto várias vezes para aprimorar sua leitura e anteci- par possíveis dificuldades dos alunos. volume 1. n Que materiais são necessários: o livro que será lido por você. n Como organizar os alunos: a atividade é coletiva. Encaminhamento n Antes da aula. n Familiarizar-se com algumas das características dos contos. no chão. n Duração: 15 minutos. Se houver palavras que você julgue que serão mais difíceis. leia também o Guia de planejamento e orientações didáticas – Professor alfabetizador – 2o ano. n Informe o título e explique o motivo que levou você a escolher aquela história. os alunos podem estar em seus lugares ou organizados num círculo. Planejamento n Quando realizar: é interessante que a leitura de contos pelo professor ocor- ra diariamente.

propondo perguntas como “O que vocês acharam?”. Tal momento é interessante para instigar a curiosidade das crianças e para que aprendam a realizar antecipações dos textos que leem. Essa é uma estratégia de leitura que você pode ensinar a seus alunos. descobrir o que ela quer dizer. Sempre que perguntarem o 78 Guia de Planejamento e orientações didáticas . com sua ajuda e os comentários dos colegas. ilustradores e editora. as crianças não as percebem como momentos prazerosos. mostre aos alunos as ilustrações (se houver). Terminada a leitura. se os alunos perguntarem pelo significado de palavras que não conhecem? é comum não sabermos o sentido de algumas palavras durante a leitura de um texto. mostre o sumário e também a página em que se encontra aquele que será lido. . Se em todos os momentos lhes é solicitado que façam outras atividades a partir da leitura. As interrupções que você propõe ou são solicitadas pelos alunos não devem ser frequentes nem longas. A primeira reação das crianças é dar respostas pouco elaboradas como “Eu gostei. é legal”. Leia a história. O qUE fAzER. favorecendo que as relacionem às diferentes partes da história e aos personagens.. proponha que voltem aos seus lugares. É importante que as crianças vivam a leitura de histórias como uma atividade que tem interesse em si mesma. ou seja. indicando onde está escrito n n n n n n o título.. mas como preparação para realizar outras propostas. mas isso não costuma ser um empecilho para compreender a leitura. os autores. desenhos sobre a história ou dramatizações. “De que parte mais gostaram e por quê?” Procure explorar esses comentários com novas perguntas. você pode realizar pequenas interrupções para que as crianças digam o que acham que acontecerá. Se for um livro que reúne vários contos. buscando favorecer que os aprofundem. Se for uma história em que ocorram repetições (como ocorre nos contos de acúmulo ou de repetição). mostre a capa do livro. De tempos em tempos. Leia até o final e. Proponha que imaginem sobre o que tratará o conto. essas apreciações tendem a se tornar mais interessantes. Não é necessário propor atividades de reconto. pelo sentido da frase em que está. Finalize a leitura propondo que os alunos comentem suas impressões do texto... em seguida. de fruição.n Antes de iniciar a leitura. evitando assim que as crianças percam a sequência da narrativa. somos capazes de inferir o significado da palavra. incentive as crianças a repetir em voz alta esses trechos. Em geral. mas com o tempo.

. No entanto. qual a passagem que julgaram mais bonita (ou engraçada. Na maioria das vezes será melhor informar o significado da palavra. evite interrupções seguidas. não é uma alternativa interessante. procure chamar sua atenção com comentários sobre passagens interessantes da história.. explicitando de que maneira este as envolveu. em alguns momentos. para estimular a conversa entre os alunos após a leitura? Proponha perguntas diretas: “Do que gostaram na história?”. releia a frase completa. Não se trata de avaliar a compreensão das crianças em relação à história. Variações da atividade n Procure escolher diferentes tipos de contos. proponha que as crianças os explorem livremente.que quer dizer uma palavra. e só então realize esse encaminhamento. a partir de suas impressões pessoais. Guia de Planejamento e orientações didáticas 79 . se houver alunos que se dispersam em atividades coletivas? Procure fazer com que os alunos que têm essa característica ocupem lugares mais próximos de você. variando histórias mais tradi- cionais com os contos de autores atuais. . proponha que levantem os significados possíveis e analisem se “combinam” com a passagem lida. ou triste)?” Levante sempre questões relacionadas ao conto. pois tornaria a atividade longa demais e contribuiria para dispersar a atenção dos alunos. se coloquem sobre o conto.. lidos ao longo de uma semana. proponha uma votação da história que gostariam de ouvir novamente. n Após a leitura de alguns contos. nesse caso. A consulta ao dicionário (com sua ajuda). mas de propiciar que. “Gostariam de reler algum trecho do conto? Por quê?”. n Deixe os livros lidos num cantinho especial da sala e. Avalie se o trecho que está lendo permite esse tipo de inferência... . que prejudicam a atenção à leitura. mas que sejam abrangentes.

80 Guia de Planejamento e orientações didáticas . as diferentes possibilidades podem ser comparadas à história lida. Após a leitura.n Antes da leitura. no pátio. mostre todas as imagens de um livro ilustrado para que os alunos tentem antecipar a história. na biblioteca. num espaço aberto próximo à escola. n Varie o local de leitura: na classe.

PROJETO DIDáTICO Brincadeiras tradicionais Guia de Planejamento e orientações didáticas 81 .

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hoje assistimos a um esvaziamento da presença da infância nesses espaços. Existe também um tipo de classificação que se encontra na memória de cada um de nós: são aqueles jogos que nossos pais e avós brincaram na infância. Estes são os Jogos Tradicionais. é importante considerar que tais atividades são. pela utilização ou não de objetos etc. e que nos transmitiram. Coloca-se. mas sim transmitidos pelas gerações anteriores à nossa ou aprendidos com nossos colegas. tal como era concebido. no parque. quando diferentes idades se associavam para compartilhar momentos de diversão sem outra finalidade do que a de realizar um jogo. Jogos que não foram tirados de livros nem ensinados por um professor. hoje sabemos. dentro de casa ou no recreio da escola.br/pdf/ideias_07_p054-061_c.sp.. a facilidade de acesso a computadores. na praça. Os jogos que aconteciam na rua. a necessidade de refletir a respeito da falta que o brincar em grupo representa na formação das crianças contemporâneas. porque as ruas foram tomadas pelo tráfego de veículos. então. é saudável que o façam por inúmeros motivos. 3 Adriana Friedman. como se brincar fosse uma consequência imediata dessa etapa da vida. televisão e jogos eletrônicos permite que estes ocupem grande parte do tempo livre dos pequenos. em que espontaneamente as crianças aprendiam umas com as outras. Se em algum momento a brincadeira coletiva era a mais comum.pdf Guia de Planejamento e orientações didáticas 83 .gov. Sem entrar na discussão dos ganhos ou perdas resultantes dessa dedicação às diversões citadas. e parques e praças não são mais visitados por grupos de crianças sem a companhia dos pais. por área de desenvolvimento. por tipo de estímulo. Crianças brincam e. tem sofrido transformações relacionadas às mudanças sociais. na grande maioria das vezes. vivemos um momento em que o brincar. Jogos tradicionais.. http://www.crmariocovas. No entanto. pela origem. em que estes são classificados por faixa etária. Além disso. praças e parques eram o cenário mais comum dessas atividades.Por que realizar um projeto de resgate das brincadeiras tradicionais “Existem inúmeras relações de jogos.”3 É comum associarmos a infância ao brincar. individuais. em que a rua.

Além disso. a imaginação. É nesse contexto. ‘Jogo da Amarelinha’. o resgate dos chamados jogos tradicionais. e necessárias para o exercício da brincadeira.org. são interessantes exercícios de socialização. pois a partir das “brincadeiras podem desenvolver-se algumas capacidades importantes.asp 6 Idem citação anterior. coloca que “do ponto de vista histórico. 5 Gisela Wajskop. brincadeiras enfim que a memória nos aguça. Obedecer às regras não tem outro motivo. durante a brincadeira. os objetos. são importantes maneiras de inserir as crianças nos valores de seu meio social. define-se por uma maneira que as crianças têm para interpretar e assimilar o mundo. “Brincar como Conteúdo de Ensino” http://www. enfim. que ao brincar as crianças exploram. a imitação. que se definem como “combinações sensoriomotoras (corridas. que as crianças foram sendo inseridas na cultura geral humana por meio do exercício do faz de conta e da compreensão dos valores e atitudes impregnados em cada brincadeira6”. do que possibilitar o brincar junto com outros. perguntam e refletem sobre as formas culturais nas quais vivem e sobre a realidade circundante. no texto citado acima. xadrez) com competição dos indivíduos e regulamentados por um código transmitido de geração a geração (jogos tradicionais). as 4 Idem. Filhinha’. ‘Mamãe. a cultura. numa perspectiva sociocultural. considerados como construções da cultura. tais como: a atenção. Também é inegável considerar que o brincar é uma importante fonte de desenvolvimento individual. Amadurecem também algumas competências para a vida coletiva. que crianças a partir de 5 ou 6 anos iniciam a vivência do respeito aos companheiros (da própria equipe e dos adversários).ar/infanciaenred/elgloborojo/globo_2008/proyectos-jugados/noviembre/03.Os conhecidos jogos de regras. que desafios são colocados e elas buscam superar a si próprias. É sabido. jogos de bola) ou intelectuais (cartas. ‘Mãe da Rua’. 84 Guia de Planejamento e orientações didáticas . É ainda a mesma pesquisadora que nos chama a atenção para a principal característica do brincar: “O brincar. nesse caso. que a competição se alia à cooperação. na medida em que implicam em ações limitadas por regras acordadas por todos. Gisela Wajskop. através da interação e da utilização e experiência de regras e papéis sociais. foi por meio das brincadeiras tradicionais tais como ‘Senhora Dona Sancha’. válidas também para todos. a memória. desenvolvendo-se psicológica e socialmente5”. ou por acordos momentâneos (em que as regras são combinadas e recombinadas a cada jogada)4”.educared. ‘Polenta’. pelo simples prazer proporcionado pela atividade lúdica.

jogar foi. derecho” retirado de http://www. São textos instrucionais. O resgate das brincadeiras infantis e a aprendizagem da língua Ao longo deste projeto. configurando a escola como espaço possível para essa atividade.org. que os alunos terão possibilidade de organizar autonomamente.ar/infanciaenred/elgloborojo/globo_2009/proyectos-jugados/abril/01. “O brincar na educação infantil” retirado de http://www. com sua moral.asp Guia de Planejamento e orientações didáticas 85 . pelo fato de nascermos crianças. permitem 7 Gisela Wajskop.educared. já que nos é dada desde a concepção. realizam registros dos jogos aprendidos e de como os avaliaram. conversam sobre os desafios envolvidos em cada uma. Compensa-se assim a perda dos espaços tradicionalmente ocupados pelas brincadeiras das crianças. necesidad.fcc. longe de implicar numa sobrecarga curricular. educadores. por outro lado.br/pesquisa/publicacoes/ cp/arquivos/742.relações e os afetos das pessoas. e. ao favorecer a construção de um repertório de brincadeiras que contribui para seu enriquecimento cultural e amplia suas possibilidades de interação. Algumas propostas envolvem a leitura de textos especialmente elaborados para que as crianças aprendam determinado jogo. que também é um comportamento aprendido: “Para o ser humano. cuja organização em campos diferenciados. é preciso ter claro.pdf 8 Maria Borja Sole. No entanto. Propor um projeto que resgate o repertório de brincadeiras tradicionais de nossa cultura é possibilitar que as crianças vivenciem benefícios decorrentes do brincar. se consideramos que brincar é quase “natural” à criança. sem adentrá-lo como partícipe responsável7”. brincam. desde sempre. pois os mesmos jogos aprendidos em classe podem se tornar alternativas de atividades para a hora do recreio. que alternará situações em que as crianças aprendem diferentes brincadeiras. transformou-se no espaço característico da infância para experimentar o mundo adulto. os alunos poderão desenvolver diferentes habilidades relacionadas ao domínio da língua portuguesa. seus valores e formas de entender o mundo8”. destinados aos materiais utilizados em cada brincadeira e à explicação das regras necessárias para brincar. “¿Qué es el juego humano? Capacidad. O que aprendemos são as brincadeiras. permite que nós. resgatemos nosso papel de promotores da sociabilidade dos alunos. Tal possibilidade. Por causa disso. uma capacidade natural que não se aprende.org. Os jogos ensinados e aprendidos nos introduzem na cultura. claro.

respeitando opiniões. realizadas pelo professor. ou seja. as crianças participarão como ouvintes que. As atividades voltadas ao avanço das crianças em relação aos conhecimentos sobre o sistema de escrita propostos no projeto foram planejadas considerando a necessidade de que as crianças aprendam sobre as letras ao mesmo tempo em que observam e compreendem algumas das funções da linguagem escrita. a partir da escuta atenta. ideias e pensamentos. já que passam a ser vistos como colaboradores do trabalho desenvolvido. ainda que não convencionalmente n Localizar palavras num texto que sabem de memória ou sobre o qual con- tam com muitas informações (texto instrucional de regra de jogo). O fato de estarem inseridas em situações em que o aprender a brincar e o registro das impressões da turma sobre a brincadeira orientam a ação favorece uma aproximação significativa desse sistema.que as situações de leitura. Nesse momento. o aprender a escrever faz sentido e pode se dar de maneira contextualizada. tenham objetivos claros. implica valorizá-los como fontes de conhecimento e aproxima-os da vida escolar. relacionadas à linguagem oral. as crianças também produzirão linguagem: registrarão oralmente. serão encaminhadas a partir do relato de pessoas especialmente convidadas para ensinar às crianças os jogos que brincavam na infância (isso pode envolver familiares dos alunos. para a elaboração do produto final. Favorecer a participação dos familiares. sentimentos. dos textos e de seus usos. como se sabe. em sua maioria. n Escutar atentamente o que os colegas falam. No que se refere à aprendizagem do sistema de escrita. funcionários mais velhos da escola ou outros membros da comunidade onde está inserida a escola). a leitura justifica-se porque permite aprender a brincar. Expectativas de aprendizagem Comunicar-se no cotidiano n Expressar oralmente seus desejos. a maneira de brincar dos jogos e suas impressões sobre eles. por escrito e por meio de desenhos. Além de desempenhar o papel de leitoras e ouvintes. aprendem brincadeiras diferentes. ocupan- do seu turno de fala adequadamente. Outras propostas. Ler. diversas situações serão propostas. 86 Guia de Planejamento e orientações didáticas .

peças do jogo etc. para escrever em situações de prática social. j além disso. nas fichas também constarão o título da brincadeira e desenhos acompanhados de legendas. em pequenos grupos e num evento especialmente organizado (uma “tarde de brincadeiras”). Todo esse material será enviado à biblioteca da escola para que outras crianças ou professores possam consultar quando quiserem ideias de brincadeiras. como a lista de brincadeiras preferidas etc. Produto final Os produtos finais sugeridos são os seguintes: j as crianças produzirão fichas das brincadeiras.n Localizar um nome específico numa lista de palavras do mesmo campo se- mântico (nomes. n Arriscar-se a escrever segundo suas hipóteses. listas diversas etc. Uso de texto fonte para escrever de próprio punho n Recorrer ao alfabeto exposto na sala. O modo de brincar será feito por meio de textos ditados ao professor ou utilizando os textos do material de apoio. os alunos se encarregarão de ensinar a outra Guia de Planejamento e orientações didáticas 87 . objetivo do jogo e materiais utilizados). n Produzir listas em contextos necessários a uma comunicação social. quadro de presença. n Antecipar significados de um texto escrito. em que preencherão infor- mações básicas (número de crianças que brincam. ditando ao professor. Conhecer diferentes gêneros textuais n Antecipar significados de um texto escrito a partir das imagens/ilustrações que o acompanham ou marcadores característicos dos textos instrucionais (regras de jogos).). ingredientes de uma receita. n Ler legendas ou partes delas a partir de imagens ou outros índices gráficos. Além do modo de brincar. Produzir textos escritos ainda que não saiba escrever convencionalmente n Usar conhecimentos sobre as características estruturais dos bilhetes e dos textos instrucionais ao produzir um texto.

a elaboração dos produtos finais implicará acionar conhecimentos tanto relacionados à linguagem escrita quanto à oralidade. de Adelsin (Anexo 2). ou ainda. se a escola comportar esse ciclo.classe algumas das brincadeiras aprendidas (os convidados podem ser da Educação Infantil. Atividade 2A: escrita do título de uma brincadeira. Atividade 2C: desenho e legenda em duplas da brincadeira aprendida na aula anterior. Atividade 2D: leitura de texto instrucional para confecção de um brinquedo. de uma das séries posteriores). Material: papel pardo para cartaz das etapas. Material: letras móveis. Atividade 1C: elaboração de convites aos familiares que queiram ensinar uma das brincadeiras aos alunos. Material: regra da brincadeira (Anexo 1). Atividade 2E: leitura de texto instrucional para confecção de um brinquedo e escrita em duplas de uma das instruções. de outra sala de primeiro ano. Etapa 1: Apresentação do projeto e do produto final Etapa 2: Aprender brincadeiras a partir da leitura do professor 88 Guia de Planejamento e orientações didáticas . Material: lista de brincadeiras. Material: cópias das instruções retiradas do livro Barangandão arco-íris. Atividade 2B: leitura do professor das regras de uma nova brincadeira. Material: cópias das instruções retiradas do livro Barangandão arco-íris. de Adelsin (Anexo 3). com análise coletiva. Organização geral do projeto Etapas Atividades e materiais Atividade 1A: apresentação do projeto. Como se vê. Atividade 1B: preparação de entrevistas sobre brincadeiras conhecidas dos familiares.

ler e escrever sobre brincadeiras. necessárias para que o produto final se concretize. quando colocarão em prática o que aprenderam. Etapa 4: Preparação dos produtos finais Etapa 1 Apresentação do projeto e do produto final Nas atividades iniciais. Material: lista das brincadeiras aprendidas. o produto final em função do qual todos trabalharão e as etapas para alcançá-lo. Material: letras móveis. Atividade 3C: escrita em duplas de uma das regras da brincadeira (letras móveis) e desenho do jogo. Como envolve um tema muito querido das crianças. Atividade 3B: ditado para o professor das opiniões a respeito da brincadeira. Guia de Planejamento e orientações didáticas 89 . ouvir. Atividade 3D: ditado ao professor da brincadeira aprendida com um dos convidados. estão previstos momentos de brincar. Material: cópias das fichas de brincadeiras. compartilha-se com os alunos o tema do projeto (as brincadeiras tradicionais). A importância dessa etapa é garantir a adesão de todos e seu compromisso de partilhar a responsabilidade pelas atividades que serão realizadas. além de falar. Atividade 4B: escrita da ficha de uma das brincadeiras aprendidas. Atividade 4A: escolha da brincadeira que será apresentada pelos alunos. Atividade 4C: ensaios para a “tarde de brincadeiras”.Etapa 3: Aprender novas brincadeiras a partir do relato oral de diferentes convidados Atividade 3A: aprender uma brincadeira a partir do relato de um convidado. é importante explicar que.

explicando os produtos fi- nais e cada uma das etapas. Pergunte então às crianças quais as brincadeiras que conhecem. escreva seu nome num cartaz que servirá para que todos possam acompanhar o que já foi realizado e o que ainda falta fazer para chegar à elaboração do produto. volte a ele para avaliar o que já foi feito e aquilo que ainda falta fazer. n Que materiais são necessários: folha grande de papel pardo para elaboração de cartaz com as etapas do projeto. Enquanto descreve cada uma. Antecipe cada uma das etapas necessárias ao trabalho. vão brincar também para avaliar se são divertidas ou não. n Como organizar os alunos: a atividade é coletiva. Esse cartaz procura garantir que todos controlem o andamento do trabalho. Planejamento n Quando realizar: no início do projeto de brincadeiras tradicionais. n Compartilhar algumas brincadeiras conhecidas. Encaminhamento n Inicie a aula explicando o trabalho que será desenvolvido: aprenderão di- n n n n versas brincadeiras a partir de leituras feitas pela professora e pelo relato de alguns convidados. Observe se há brincadeiras conhecidas apenas por parte dos alunos (ou por um deles).atividade 1a: apresentação do projeto Objetivos n Mobilizar os alunos para a realização do projeto. Para que isso realmente ocorra. Explique também qual será o produto final: vão escolher as melhores para reunir em fichas que serão encaminhadas à biblioteca da escola. Os alunos permanecem em seus lugares. Leve os alunos ao pátio ou a outro espaço adequado e proponha que brinquem. ao longo das atividades previstas. Proponha a um dos alunos que ensine aos colegas uma dessas brincadeiras. Faça uma lista a partir das sugestões dos alunos. é importante que você. n Duração: 40 minutos. Guia de Planejamento e orientações didáticas 90 . É interessante escolher uma brincadeira que você também conheça para que possa ajudar a explicar as regras aos demais.

Esse é um importante indicador de que o projeto está cumprindo um de seus objetivos: o de ampliar o repertório de brincadeiras conhecidas dos alunos e de opções para realizarem juntos em seus momentos livres. porém próximos. providencie cópias da atividade e organize os quartetos ga- rantindo que seus integrantes se encontrem em momentos diferentes. Os alunos devem avaliar se ele é divertido. especialmente aqueles gerados pela com- preensão equivocada de alguma das regras. Encaminhamento n Antes da aula. Devem perguntar aos familiares se conhecem cada uma dessas Guia de Planejamento e orientações didáticas 91 . se poderiam brincar em outro momento. Planejamento n Quando realizar: antes de propor a lista de brincadeiras aos familiares. atividade 1b: preparação de entrevistas sobre brincadeiras conhecidas dos Familiares Objetivos n Preparar-se para realizar uma entrevista com os familiares. que tipo de habilidade é preciso desenvolver para brincar. n Duração: 50 minutos. n É importante. n Como organizar os alunos: em quartetos. n Utilizar indícios que permitam a leitura dos itens de uma lista. em relação à leitura.n Enquanto essas atividades ocorrem. proponha uma conversa sobre o jogo. se foi possível aprendê-lo. à medida que novos jogos são aprendidos. j a resolver conflitos entre elas. n No final da atividade. ajude as crianças: j a entender melhor alguma regra que não tenha sido bem compreendida. n Que materiais são necessários: cópias da atividade. que os alunos os considerem como opções para serem realizados nos momentos de recreio. n Explique a atividade: vão levar para casa uma lista com algumas brincadeiras antigas.

faça perguntas como: “É verdade que POLÍCIA E LADRÃO começa com P. Para isso. Espera-se que os alunos saibam. que todos saibam quais são os outros jogos da lista. Fique atento às sugestões dos alunos e confirme as corretas. caminhe entre as crianças. Por exemplo. Reproduza no quadro a mesma lista que será entregue a eles (ver sugestão na página seguinte). precisam saber o que está escrito em cada item.). porém sem saber onde está escrito cada um (nesta atividade de leitura. É necessário. j Algumas crianças podem usar os nomes dos colegas para identificar determinadas letras presentes nos nomes das brincadeiras. a extensão do nome etc. como já foi assinalado. todos os nomes dos jogos representados. Para que fique mais claro. ajude-os a localizar coletivamente um dos jogos. procure favorecer que a criança explique no que pensou para sugerir uma ou outra pista. j É importante garantir que as crianças cheguem à brincadeira usando pistas relativas à escrita (uma letra. Como são as crianças que perguntarão sobre cada brincadeira da lista. proponha que discutam nos grupinhos como farão para descobrir onde estão escritos os nomes das outras brincadeiras. trata-se de propor que os alunos.n n n n n n brincadeiras e marcar somente aquelas que são conhecidas. descubram onde se encontra cada um). utilizando essa letra como indício. por exemplo. mas como fazer para não confundir com PASSA-ANEL. que também se inicia por essa letra?” ou “ALERTA e MAMÃE POLENTA terminam com a mesma letra. Diga todos os jogos que compõem essa lista. numa ordem diferente daquela que está escrita. Para isso. proponha que procurem o jogo PASSA-ANEL. sabendo os jogos que constam da lista. já que se repete somente no nome da brincadeira PASSA-ANEL. de maneira geral. Em cada caso. Enquanto trabalham. para poderem procurar cada um entre os itens da lista. ajude-as a considerar as pistas escritas para localizar as brincadeiras fazendo perguntas como: “Com que letra começa DURO OU MOLE? E como termina?” Ajude-as. saber que a presença do P em PASSA-ANEL indica que a brincadeira ali escrita guarda semelhança com o início do nome da colega PAULA. Quando identificarem onde está escrito PASSA-ANEL. também. Como vocês farão para não confundir as duas?” 92 Guia de Planejamento e orientações didáticas . j Outras podem identificar também o som do S no meio da palavra. discutirão com os colegas indícios que permitam identificar cada um dos jogos. Que pistas podem usar para localizar essa brincadeira? Que letras devem aparecer? Deixe que pensem em possibilidades. a escolher pistas que ajudem a verificar se determinado jogo está escrito naquele lugar.

n Com essa atividade. e marcar somente aquelas que forem conhecidas. lendo-a em voz alta. contribui-se para que os alunos observem a forma es- crita das palavras e escolham indícios que os apoiem para ler esse texto. Deverão perguntar aos familiares sobre cada brincadeira. n Proponha então que levem a lista para casa. Tal situação favorece a ampliação dos conhecimentos sobre o sistema de escrita enquanto propõe a construção de estratégias de leitura tais como a antecipação do que pode estar escrito (isso ocorre quando a criança diz “Aqui deve estar escrito PASSA-ANEL porque começa com P”) e a verificação do que leram (isso ocorre quando a criança diz “Sei que está escrito PASSA-ANEL e não POLÍCIA E LADRÃO porque além de iniciar com P também tem o SS no meio”). NOME: ________________________________________________________________________ DATA: _____ /_______________ TURMA: _________________________________________ LEIA ESTA LISTA DE BRINCADEIRAS PARA ALGUÉM DE SUA FAMÍLIA E MARQUE AQUELAS QUE FOREM CONHECIDAS PASSA-ANEL MAMÃE-POLENTA DURO OU MOLE ALERTA POLÍCIA E LADRÃO MÃE DA RUA MORTO VIVO Guia de Planejamento e orientações didáticas 93 .

94 Guia de Planejamento e orientações didáticas .atividade 1c: elaboração de convites aos Familiares que queiram ensinar uma das brincadeiras aos alunos Objetivos n Elaborar um convite com as informações necessárias para garantir seu pro- pósito. revisando o que foi escrito etc. planejando o que vai escrever. para cada uma das brincadeiras. Para cada trecho elaborado oralmente. peça que ditem para que você escreva na lousa (exatamente como foi dito pelos alunos). copie na lousa a lista de brincadeiras trabalhada na aula anterior. é interessante que você já tenha lido alguns convites (pa- n n n n n n ra uma festa de criança. escolhendo as melhores palavras. Em seguida. se os familiares as conheciam. anote o nome de dois alunos cujos familiares relataram conhecê-la. As crianças podem permanecer em seus lugares. Deixe que as crianças organizem coletivamente a forma como o convite será escrito. Para cada uma. n Que materiais são necessários: lápis e papel. para que as crianças tenham familiaridade com esse tipo de texto. n Como organizar os alunos: a atividade é coletiva. n Utilizar comportamentos de escritor. Antes da aula. n Duração: 50 minutos. n Controlar o ritmo do ditado considerando o escritor. para um evento na escola). Planejamento n Quando realizar: após a atividade em que os alunos leram a lista de brinca- deiras para um dos familiares. Encaminhamento n Antes dessa aula. proponha que os alunos elaborem um convite para que essas pessoas venham à classe e ensinem uma brincadeira aos alunos. Proponha que as crianças digam.

A partir dessas leituras. de escrita ou leitura do aluno (como acontece nas atividades 2A e 2C). Aqueles que concordarem em fazer isso deverão aguardar que você entre em contato para definir a melhor data e horário para que isso ocorra (as aulas destinadas aos relatos de familiares ocorrerão na terceira etapa do projeto). leia o texto em voz alta e per- gunte se acham que está claro e bem escrito. A partir dessas atividades. Pergunte também se falta alguma informação importante. Todas as produções resultantes dessas atividades deverão ser arquivadas para serem retomadas no momento de elaboração do produto final. A atividade 2B (leitura do professor das regras de uma nova brincadeira) poderá ser repetida com diferentes jogos. outras serão propostas em que as crianças terão que ler e escrever por si mesmas. As crianças podem copiar os nomes dessas pessoas nas cópias que receberão. VOCÊ PODERIA VIR À NOSSA CLASSE PARA ENSINAR OS ALUNOS A BRINCAREM DE _________________________ (NOME DA BRINCADEIRA)? SE CONCORDAR. n Quando os alunos considerarem terminado. os alunos realizarão atividades em que aprenderão novas brincadeiras a partir da leitura do professor. podem ser realizadas.n Garanta que. considerando seus conhecimentos sobre o sistema de escrita. providencie cópias dos convites para enviar aos convidados de cada criança. contando para isso com sua ajuda. outras propostas. n Após elaborarem o texto. Etapa 2 Aprender brincadeiras a partir da leitura do professor Nesta etapa. Uma possível produção: QUERIDO SENHOR (OU SENHORA) _____________ (NOME DO CONVIDADO). ou seja. indicamos aqui os encaminhamentos para a realização da atividade em que aprendam uma brincadeira e sugerimos que você também o faça para ensinar outras. n Esse texto é só um convite para que alguns dos familiares venham à classe para explicar aos alunos determinada brincadeira. ASSINADO: ALUNOS DO 1o ANO. além daquele sugerido. as crianças respeitam seu ritmo de escrita. enquanto ditam. Guia de Planejamento e orientações didáticas 95 . MARCAREMOS A DATA E O HORÁRIO.

n Como organizar os alunos: em duplas num primeiro momento. Ou j Alunos alfabéticos com alunos alfabéticos. Ou j Alunos silábico-alfabéticos com alunos alfabéticos. n Explique a atividade aos alunos: usando as letras móveis. considere que podem ser agrupados assim: j Alunos com escritas pré-silábicas com alunos com escrita silábica sem valor sonoro convencional. considerando seus valores sonoros. consideran- do os conhecimentos dos alunos sobre o sistema de escrita. n Que materiais são necessários: letras móveis. co- letivamente. j Alunos com escrita silábica que utilizam algumas consoantes com seus valores sonoros com alunos silábico-alfabéticos. Depois. 96 Guia de Planejamento e orientações didáticas . n Avançar em relação ao conhecimento do sistema de escrita alfabético. Sugerimos que você ensine a brincadeira COELHINHO SAI DA TOCA. Faça a sondagem periodicamente. n Duração: 50 minutos. Planejamento n Quando realizar: durante o projeto de brincadeiras tradicionais. para saber em que momento da aprendizagem da escrita se encontra cada um deles.atividade 2a: escrita do título de uma brincadeira. Em relação a suas hipóteses. deverão escrever o nome da brincadeira que será ensinada na aula seguinte (informe aos alunos qual é). j Alunos com escrita silábica que utilizam as vogais com seus valores sonoros com alunos com escrita silábica que utilizam algumas consoantes. com análise coletiva Objetivos n Arriscar-se a escrever de acordo com suas hipóteses. Encaminhamento n Planeje a organização das duplas antes de começar a atividade.

Quando todos finalizarem sua escrita. O exemplo citado ficará assim: Guia de Planejamento e orientações didáticas 97 . você pode chamar crianças que escrevam pré-silabicamente. chame uma das duplas à lousa para que mostre como escreveu aos colegas. dizendo se concorda ou não com aquilo que o colega sugeriu etc. Observação: cada dupla poderá propor apenas uma alteração à escrita inicial.n Cada dupla deverá escrever esse nome do melhor jeito que conseguir. Por exemplo. Por exemplo. Garanta que cada integrante da dupla contribua com a escrita sugerindo letras. uma dupla de crianças pode sugerir que se retire o M colocado no início da escrita realizada pela primeira dupla e mantenham o O. É interessante chamar crianças que tenham realizado escritas que correspondam a hipóteses mais primitivas em relação ao sistema de escrita. que está escrita na tampa da caixa em que são guardados os papéis coloridos. outra dupla pode propor que se inclua a letra C antes desse O. incluindo. pois observa que o nome deve conter as mesmas letras iniciais que a palavra COLORIDO. Para n n n n esta atividade sugerimos o uso de letras móveis. após a mudança sugerida no passo anterior. Deixe que trabalhem e observe sua produção. trocando ou omitindo letras. o exemplo citado anteriormente ficará assim: n As mudanças são sugeridas pelas duplas que se sucedem para interferir na escrita inicial. apontando com o dedo cada parte da escrita. peça que os alunos leiam. como ocorre abaixo: n Proponha que outras duplas sugiram alterações à escrita inicial. Nesse caso. peça que seus autores as justifiquem. explicando aos demais porque consideram que deva ser feita. mas já utilizem letras em sua produção. n Para cada uma dessas mudanças sugeridas. Por exemplo. porque identificam o som dessa letra no início do nome da brincadeira. Se uma das duplas terminar.

considerando o tempo da brincadeira. quanto à necessidade de respeito e colaboração entre todos. embaixo da escrita final que as crianças alcançaram. n Para terminar. atividade 2b: leitura do proFessor das regras de uma nova brincadeira Objetivos n Aprender uma nova brincadeira. estabeleça regras claras no início da atividade. n A condição para que essa atividade seja realmente produtiva. mas o quanto dela se aproximaram. transcrito na lousa ou projetado no projetor ou no retroprojetor (Anexo 1). n Familiarizar-se com as características dos textos instrucionais. Para isso. é o respeito que todos devem manifestar pelas produções sugeridas pelos colegas. n Que materiais são necessários: o texto com as regras do jogo “Coelhinho sai da toca”. n Como organizar os alunos: a atividade é coletiva. Não se trata aqui de enfatizar o que faltou para chegar a essa produção. Planejamento n Quando realizar: ao longo do projeto de brincadeiras. n Duração: 50 minutos. para que promova a reflexão de cada criança em relação à escrita. Os alunos permanecem em seus lugares. 98 Guia de Planejamento e orientações didáticas . Não se espera que a produção final resulte numa escrita convencional. escreva convencionalmente. n Acompanhar a leitura do professor de um texto instrucional. mesmo aquelas que estão mais distantes da escrita alfabética.n A atividade segue da mesma forma até que todos tenham feito sugestões e elaborado justificativas para elas. o nome da brincadeira e proponha que observem o quanto se aproximaram dela. além de cópias para os alunos. e chame a atenção daqueles que não observarem esses combinados.

anote seu nome em um cartaz que deverá ficar afixado durante toda a realização do projeto. assegure-se de reproduzir a organização do texto e sua diagramação (separando-o em itens com informações iniciais mais gerais sobre o número de participantes e objetivos. Nessas pausas. Além disso. recupere oralmente as regras e proponha a brincadeira considerando a versão lida (no caso de conhecerem outra versão). caso não o conheçam. proponha que discutam os principais desafios da brincadeira e quais as dicas para superá-los. É preciso que fiquem atentos para aprender as regras. n Finalize a aula com o preenchimento da ficha da brincadeira: os alunos deverão ditar a você os dados que preenchem cada um dos itens incluídos na ficha. A cada nova brincadeira aprendida. proponha aos alunos que digam se já conheciam a brincadeira. se determinada regra vale para o jogo já conhecido e. providencie cópias do texto para os alunos. Se for necessário transcrevê-lo. n Proceda assim até o final da leitura. n Para apoiar a compreensão da brincadeira. as crianças podem dizer que é uma brincadeira em que é preciso ficar bem atento e ser rápido na corrida. n No início da aula. organizadas em diferentes parágrafos). se sugerem alterações. é interessante propor a discussão sobre o funcionamento do jogo. n Explique o que será feito: você vai ler o texto que explica a brincadeira para que todos aprendam a brincar. nessas pausas você pode fazer desenhos esquemáticos em que a brincadeira é explicada (por exemplo. garantindo que os alunos saibam o que está escrito em cada item. no caso dessa brincadeira. desenhar o campo onde ela se realiza e as “casinhas” onde cada jogador ficará protegido de ser pego). Guia de Planejamento e orientações didáticas 99 . n Após aprender essa brincadeira. por exemplo. seguido das regras.Encaminhamento n Com antecedência. n Faça a primeira leitura. leia novamente. n Após a brincadeira. transcreva o texto na lousa ou projete-o com auxílio do projetor ou do retroprojetor. sem interromper. Em seguida. se compreenderam como brincar. Por fim. por exemplo. se as regras permitiram que a brincadeira ficasse emocionante. anote seu nome nesse cartaz. desta vez fazendo pausas após a apresentação de cada parágrafo.

MODO DE JOGAR: DENTRO DE UM ESPAÇO DETERMINADO PREVIAMENTE. FAZ-SE UMA “TOCA” A MENOS DO QUE O TOTAL DE PARTICIPANTES. UM. DOIS. QUANDO O DESEMPENHO CORPORAL JÁ FOR MAIS EFICIENTE. NORMALMENTE. SAI DA TOCA. SALTANDO NUM DOS PÉS. ENGATINHANDO. COELHINHO SAI DA TOCA MATERIAL NECESSÁRIO: BAMBOLÊS OU GIZ PARA DESENHAR NO CHÃO. O EDUCADOR DIZ O MOTE DA BRINCADEIRA: “COELHINHO. É POSSÍVEL. AINDA. FICANDO UM DELES SEM “TOCA”. CORRENDO O RISCO DE FICAR SEM NENHUMA. PROPOR QUE AS “TOCAS” SEJAM OCUPADAS POR DUPLAS E TRIOS. TRÊS!” AS CRIANÇAS DEVEM ABANDONAR A SUA POSIÇÃO ORIGINAL E PROCURAR OUTRA TOCA. AS CRIANÇAS SE DISTRIBUEM EM “TOCAS” CONFIGURADAS POR BAMBOLÊS. OU QUICANDO UMA BOLA. FICHA DA BRINCADEIRA TÍTULO: OBJETIVO: NÚMERO DE PARTICIPANTES: MATERIAL NECESSÁRIO PARA BRINCAR: 100 Guia de Planejamento e orientações didáticas .NOME: ________________________________________________________________________ DATA: _____ /_______________ TURMA: _________________________________________ ACOMPANHE A LEITURA QUE SUA PROFESSORA FARÁ PARA APRENDER UMA NOVA BRINCADEIRA. OU POR CÍRCULOS DESENHADOS COM GIZ NO CHÃO. ESSE JOGO FAVORECE OS DESLOCAMENTOS E A PERCEPÇÃO DO ESPAÇO. PODEM-SE VARIAR AS FORMAS DE DESLOCAMENTO.

usem as letras móveis. aquelas que ainda encontram certa dificuldade no reconhecimento das letras. no momento em que estiverem escrevendo. proponha que algumas crianças. n Avançar no conhecimento da escrita ao escrever segundo suas hipóteses. usando o lápis e papel ou.atividade 2c: desenho e legenda em duplas da brincadeira aprendida na aula anterior Objetivos n Arriscar-se a escrever a partir dos conhecimentos já construídos a respeito do sistema de escrita alfabético. Planejamento n Quando realizar: durante o projeto de brincadeiras. os que já escrevem convencionalmente também devem formar duplas e desenvolver a atividade. Se souberem exatamente o que escrever. faça um levantamento oral das regras da brincadeira e proponha que todos escrevam uma delas. n Que materiais são necessários: lápis e papel ou letras móveis. poderão voltar sua atenção à escolha das letras e demais aspectos relacionados ao sistema de escrita. Localize-o no cartaz que contém a lista de brincadeiras aprendidas. Encaminhamento n Organize a turma em duplas. n Proponha que escrevam em duplas. n Como organizar os alunos: em duplas nas quais ambos ainda não dominam o sistema alfabético de escrita e escrevem segundo hipóteses próximas. antes de iniciar sua escrita. Garanta que. se achar conveniente. Guia de Planejamento e orientações didáticas 101 . n O levantamento oral do que será escrito é muito produtivo para que. no conjunto. n Duração: cerca de 40 minutos. dominem o conteúdo do texto. após aprender uma no- va brincadeira. todas as regras estejam escritas e desenhadas para compor um mural. considerando os critérios apresentados na ati- vidade 2A quanto ao domínio do sistema de escrita. n Relembre o título da brincadeira ensinada na aula anterior. com que palavras vão formular o texto. n Em seguida.

até chegarem a um acordo. pode ajudá-los a escrever essa palavra?”. por exemplo: “Como podemos explicar essa parte da brincadeira?”. De maneira geral. nem que seja para apagá-las depois. Por outro lado. n Após a escrita em duplas. circule e oriente outros alunos. o que transformaria a atividade em mera cópia. como disse seu colega?”. 102 Guia de Planejamento e orientações didáticas . se for o caso. ou em exercício de memória. .n A proposta é de escrita espontânea. Recomendamos que você faça pequenas intervenções e deixe-os buscar sozinhos as soluções. Nesse caso. interfira sugerindo que: j cada um dê sugestões para organizar o texto. Verifique se o trabalho está sendo produtivo e. dê dicas que os ajudem a continuar o trabalho. Pergunte... para atender o maior número de crianças que necessitam de ajuda? Circule pela classe. como se trata de uma atividade em duplas. O qUE fAzER .. Nesse momento. Pergunte. Enquanto isso. peça ajuda aos alunos para organizar as regras na ordem em que devem aparecer para que a brincadeira seja compreendida. observe a interação das duplas.. j se perceber que têm dificuldade para refletir sobre as letras. para que os alunos mobilizem tudo o que sabem sobre o funcionamento do sistema de escrita. n Enquanto trabalham. com perguntas do tipo: “O que podemos escrever agora? Com que letra vocês acham que começa? Vocês acham que o nome da colega. por exemplo: “Com que letra se escreve. mas não se esqueça de voltar às mesmas duplas e certificar-se de que utilizaram a ajuda oferecida por você. ofereça as informações necessárias. Assim.. não é o caso de escrever as regras na lousa. evite ficar muito tempo com a mesma dupla. proponha que combinem um desenho relacionado à regra escrita. cada dupla deve ler sua regra para que se possa organizá-las na ordem em que aparecem na brincadeira. j cada um opine em relação à escrita. dedique mais tempo a eles..? Você concorda que é com essa letra. n Quando todos tiverem terminado.. precisam discutir suas ideias com o colega.. considere que alguns alunos necessitam de mais ajuda. circule entre os grupos e faça intervenções quando necessário (ver sugestões no quadro seguinte). n Relembre que.

para problematizar aquilo que sabem. n Ler antes de saber ler convencionalmente. para conferir o que fizeram com a informação que você forneceu. Por exemplo.. proponha que escrevam a lista de materiais necessários para brincar.. é importante que discutam entre si sobre a melhor maneira de escrever. Realização – Casa das cinco pedrinhas. Varie a atividade de escrita após a explicação de diferentes jogos. . Num dos casos. procurando promover avanços? Em duplas que estão trabalhando produtivamente. para oferecer desafios também aos alunos alfabéticos? Os alunos alfabéticos terão desafios relacionados à ortografia e à separação entre palavras.. os alunos podem escrever OEUAIA.. j você pode remetê-los ao nome de um colega que compartilha um dos sons da palavra que escreveram. você pode intervir de forma a problematizar aquilo que sabem: j aponte uma palavra que foi escrita silabicamente. incluindo somente vogais. de Adelsin. em outro. ajude outros alunos e volte mais tarde. nesse caso. escrever uma variação do jogo etc. atividade 2d: leitura de texto instrucional para conFecção de um brinquedo9 Objetivos n Aprender a fazer um brinquedo a partir das instruções contidas em um tex- to instrucional. e peça-lhes que leiam o que quiseram escrever. 9 Sugerimos o uso do livro Barangandão arco-íris. Guia de Planejamento e orientações didáticas 103 .. Por exemplo: para fORME UMA fILA. Enquanto procuram resolver. que tal procurar essas palavras na gaveta onde guardamos essas folhas?”. você pode dizer que fORME UMA fILA “começa com as mesmas letras de fOLHAS COLORIDAS.

seguindo a mesma diagramação das cópias que serão entregues às crianças. Encaminhamento n Providencie cópia do texto para os alunos. transcreva o texto na lousa. PARA FAZER O BRINQUEDO: pedaço de papel grosso. pedaços de barbante e papel colorido. 104 Guia de Planejamento e orientações didáticas . desta vez sugerindo aos alunos que o acompanhem em seus textos. n Quais materiais serão necessários: PARA A ATIVIDADE DE LEITURA: a escrita do texto instrucional (p. devem encontrar onde está escrita a palavra SAPATINHOS). mostre o texto transcrito. como aparece a seguir. Você pode mostrar o livro de onde o texto foi retirado. leia todo o texto em voz alta. proponha que localizem algumas palavras nessa instrução (por exemplo. apontando para cada palavra enquanto a leitura avança. cola.n Ler um texto procurando relacionar aquilo que está sendo lido em voz alta com as palavras escritas. Planejamento n Quando fazer: ao longo do projeto de brincadeiras tradicionais. indique onde se encontra o título (salientando que está em destaque em relação ao restante do texto). e os desenhos incluídos nesses textos para complementar a informação escrita e facilitar a compreensão. Antes da aula. que procurem ler em seus textos. n Quando chegar à 3a instrução (“AGORA COLE A OUTRA PARTE. n Em seguida. fazendo a correspondência entre cada uma das palavras que sabem estar escritas e aquilo que está no texto. n Antes de iniciar a atividade de leitura. leia várias vezes para que os alunos consigam memorizá-la. lápis de cor e/ ou caneta hidrocor. Proponha. indicando os campos que estão sendo lidos a cada vez. então. O texto será copiado na lousa e haverá cópias para cada um dos alunos – mimeografada. voltados para a lousa e para o professor. FAÇA SAPATINHOS E A BONECA FICA PRONTA”). em duplas. na ATIVIDADE DO ALUNO. n Após a leitura geral. fotocopiada ou reproduzida no computador. faça uma nova leitura. Procure relacionar o que você lê. n Como organizar o grupo: alunos sentados nas carteiras. n Duração: cerca de 40 minutos. n Após a leitura. 26 e 27 do livro sugerido). Antecipe uma informação importante: trata-se das instruções para que construam um brinquedo. em cada instrução.

VOCÊ PODE CONSTRUIR CARINAS COM OUTROS MATERIAIS. a letra inicial). MASSINHA DE MODELAR. 3 . PASSE PEDAÇOS DE CORDÃO PARA FAZER BRAÇOS. MASSA DE FARINHA. devem pensar no texto que já conhecem de cor e nas letras que devem aparecer nessa palavra (por exemplo. CRIAR MUITOS PERSONAGENS DE HISTóRIAS. AINDA. VOCÊ PODE. 4 . AGORA COLE A OUTRA PARTE. 2 . SEGURE A LINHA E FAÇA A CARINA ANDAR. DOBRE NO MEIO E DESENHE A BONECA SEM PERNAS NEM BRAÇOS. PERNAS E CABELOS.Para isso. DANÇAR E BRINCAR. PEGUE UM PAPEL GROSSO. CORTE UM PEDAÇO DE UM PALMO DE ALTURA POR TRÊS DEDOS DE LARGURA. DESENHE O OUTRO LADO. n Você pode seguir os mesmos passos para fazer outros brinquedos que constam do livro utilizado. AGORA CORTE COMO NO DESENHO. organize os alunos em quartetos. n Leia então a última instrução e esclareça as dúvidas antes de passar à confecção da boneca. Guia de Planejamento e orientações didáticas 105 . EXPERIMENTE GOMINHAS. COMO NO DESENHO. PONHA A LINHA DE PUXAR. n Para essa etapa da atividade. NOME: ________________________________________________________________________ DATA: _____ /_______________ TURMA: _________________________________________ CARINA 1 . FAÇA SAPATINHOS E A BONECA FICA PRONTA. distribua os materiais e releia cada instrução antes de colocá-la em prática.

n Duração: 50 minutos. n Que materiais são necessários: PARA A ATIVIDADE DE LEITURA: jj Cópias das instruções do brinquedo para todos os alunos (sugerimos o paraquedas de plástico. Para a pro- dução do brinquedo. que será ditada pelo professor. num primeiro momento. PARA FAZER O BRINQUEDO: jj Sacos plásticos de lixo de tamanho grande. Planejamento n Quando realizar: ao longo do projeto de brincadeiras tradicionais. antes de saber ler convencionalmente. é interessante que os alunos estejam agrupados em quartetos. n Ler um texto procurando relacionar aquilo que está sendo lido em voz alta com as palavras escritas. páginas 42 e 43 do livro utilizado na atividade anterior). n Como organizar os alunos: em duplas. 106 Guia de Planejamento e orientações didáticas . linha de empinar pipa ou barbante fino. folhas de jornal. n Ler. n Escrita em duplas de uma das instruções. 10 Sugerimos usar o mesmo livro utilizado na atividade anterior.atividade 2e: leitura de texto instrucional para conFecção de um brinquedo e escrita em duplas de uma das instruções10 Objetivos n Aprender a fazer um brinquedo a partir das instruções contidas em um tex- to instrucional.

n As crianças deverão escrever individualmente de acordo com seus conhecimentos sobre o sistema de escrita alfabético. n Antes de distribuir as cópias faça uma leitura geral do texto que está na lousa.Encaminhamento n Organize as duplas considerando as hipóteses de escrita das crianças (ver as orientações na atividade 2A). esclareça dúvidas quanto ao modo de fazer o brinquedo a partir da leitura de determinados trechos do texto. distribua as cópias e faça uma nova leitura. Procure não silabar ou dar pausas entre palavras. n Indique o espaço em que há linhas (correspondendo à primeira instrução). apesar de ela não aparecer no texto transcrito na lousa. n Enquanto estão fazendo isso. Devem chegar a um consenso em relação à escrita dessas palavras (não se espera que cheguem à escrita convencional. n Após a escrita e revisão dos textos em duplas. n Finalize a aula organizando os quartetos e distribua o material para elaboração do brinquedo. n Ao ditar a instrução. circule entre as duplas e faça intervenções de modo a ajudá-las a refletir sobre as questões de escrita. n Antes da aula. porque depois eles a escreverão. utilizando os desenhos para complementar a explicação do que será feito. você vai ditar cada parte. para ajudá-los a lembrar da instrução. n Enquanto trabalham. n Após o ditado. transcreva o texto na lousa. n Quando todos o conhecerem bem. oriente-os a comparar o que escreveram com o colega da dupla e discutir as palavras que ficaram escritas de maneira diferente. Leia mais de uma vez esse trecho (CORTE UM CÍRCULO DE PLÁSTICO DO MAIOR TAMANHO QUE VOCÊ CONSEGUIR). Esclareça as dúvidas que surgirem quanto à elaboração do brinquedo. leia com naturalidade. mas que troquem informações sobre o modo de escrever). respeitando o ritmo de escrita dos alunos. Explique que você vai ler a primeira instrução. seguindo a mesma diagramação do texto que está nas cópias que serão distribuídas aos alunos. proponha que o escrevam e. n Após a leitura geral. Guia de Planejamento e orientações didáticas 107 . proponha que acompanhem em suas cópias a leitura que você fará das outras instruções. Dite pequenos trechos de cada vez.

NOME: ________________________________________________________________________ DATA: _____ /_______________ TURMA: _________________________________________ PARAQUEDAS ESTE PARA-QUEDAS É CONHECIDO DOS MENINOS DE TODO O BRASIL. DÊ UM Nó BEM FIRME. EXISTE UMA MANEIRA DE SOLTAR ESTE PARAQUEDAS COMO SE FOSSE UM PAPAGAIO. PODE SER SACO DE LIXO OU SACOLA DE SUPERMERCADO. MAS ISSO VOCÊ VAI TER QUE DESCOBRIR SOZINHO. AGORA ENROLE AS LINHAS COM O PARAQUEDAS EM VOLTA DO JORNAL. DOBRE E ENROLE. VOCÊ PODE CRIAR UM BONECO PARAQUEDISTA DE JORNAL. PODE TAMBÉM USAR UM BONECO DE UM BRINQUEDO QUEBRADO. PEGUE O PARAQUEDAS. CORTE UM CÍRCULO DO MAIOR TAMANHO QUE PUDER 2 . MISTURANDO AS BONECAS DA PÁGINA 103. 3 . SEGURE BEM NO CENTRO. JOGUE BEM ALTO E VEJA O PARAQUEDAS ABRIR E CAIR DEVAGARINHO. AS DISTÂNCIAS ENTRE AS LINHAS DEVEM SER IGUAIS. PEGUE UMA FOLHA DE JORNAL. ESTIQUE AS LINHAS E AMARRE NO JORNAL. 108 Guia de Planejamento e orientações didáticas . AMARRE SEIS LINHAS DE PAPAGAIO EM VOLTA DO CÍRCULO. 1 . COM PERNAS E BRAÇOS DE CORDÃO. 4 . A GENTE VAI PRECISAR DE UM PLÁSTICO COM CINCO PALMOS DE LARGURA.

Guia de Planejamento e orientações didáticas 109 . Também repetindo o que ocorreu na etapa 2. por meio do professor (atividades 3B e 3D) ou autônoma (atividade 3C). É interessante repetir essa atividade em diferentes momentos. No entanto.Etapa 3: Aprender novas brincadeiras a partir do relato oral de diferentes convidados Na etapa inicial. Nesta etapa. Planejamento n Quando realizar: após o levantamento feito junto aos familiares sobre brin- cadeiras de sua infância. bem como propostas de escrita semelhantes às sugeridas aqui. n Acompanhar atentamente um relato e compreender as informações trans- mitidas. o mesmo encaminhamento. foi proposta a elaboração de convites aos familiares dos alunos dispostos a vir à escola para ensinar diferentes brincadeiras para eles. a partir dele. Nesse caso. Atividades de escrita a partir desse relato. uma nova brincadeira será aprendida. As crianças acompanharão o relato do convidado e. Da mesma forma que ocorreu com as brincadeiras aprendidas a partir da leitura do professor. que ensinarão as brincadeiras que constam da lista proposta na atividade 1B. há sugestões para o encaminhamento de uma das visitas. com outros convidados. atividade 3a: aprender uma brincadeira a partir do relato de um convidado Objetivos n Aprender uma nova brincadeira. todos os textos e desenhos produzidos nas atividades sugeridas deverão ser arquivados para poderem compor o produto final. deverão ser viabilizadas. espera-se que os alunos possam aprender mais de uma brincadeira com diferentes convidados. detalha-se a aula em que ocorre uma dessas visitas (atividade 3A). também são sugeridas.

n Que materiais são necessários: aqueles que forem necessários para a brin- cadeira. No primeiro caso. O convidado para ensinar o jogo. Nessa situação. combine com os alunos. chega o momento esperado de brincar. os alunos têm a oportunidade de aprender a ocupar o lugar de ouvintes para seguir instruções que. Fale também das atitudes de respeito para com ele. obviamente. Essa combinação é importante porque. é importante que os alunos acompanhem a explicação do convidado e. comparem as regras apresentadas com aquelas que conhecem. n A brincadeira escolhida pode envolver um jogo já conhecido ou outro. organizadas. no momento do jogo. outras preferem que. n Explicado o jogo. é importante que os alunos elaborem questões que permitirão uma melhor compreensão do que é explicado. para acompanhar atentamente a explicação do jogo. Encaminhamento n Combine com antecedência com um dos familiares que aceitou o convite de vir à classe ensinar uma brincadeira a melhor data e horário para que venha à classe. especialmente no momento em que estiver explicando o jogo. Essa é uma situação muito interessante voltada ao desenvolvimento da linguagem oral. ao mesmo tempo. converse com os alunos sobre a importância de se manterem atentos para compreender as regras e poder realizar o jogo.n Como organizar os alunos: em roda ou de frente para o convidado. experimentar colocar em prática as regras trazidas pelo convidado. n Antes da aula. É comum que uma mesma brincadeira apresente regras diferentes. compreendidas todas as regras. 110 Guia de Planejamento e orientações didáticas . é interessante que acompanhe parte de sua realização para esclarecer novas dúvidas que possam surgir. oriente os alunos a ouvir. especialmente por sofrerem modificações com o passar do tempo. de acordo com a preferência do convidado. as dúvidas sejam colocadas. Nela. também será convidado a participar. comparar e. à medida que cada regra é explicada. o melhor momento de colocar as dúvidas: há pessoas que preferem explicar todo o jogo e só depois esclarecer o que ficou confuso. mas. n No início da exposição. se isso não for possível. totalmente novo. jogar). esclarecidas as dúvidas. n Duração: 50 minutos (incluindo o tempo para brincar). permitam realizar algo (no nosso caso.

considerando a necessidade de incluir informações claras e bem organizadas. n Quando concordarem quanto à melhor forma de escrever. Planejamento n Quando realizar: após aprender uma brincadeira.atividade 3b: ditado para o proFessor das opiniões a respeito da brincadeira Objetivos n Participar de uma conversa em que todos colocam sua opinião sobre a brin- cadeira aprendida. Se considerar que há problemas (por exemplo. n À medida que o texto avança. se a brincadeira deu certo e. proponha que ditem para você. n Duração: 40 minutos. n Que materiais são necessários: folha grande de papel pardo para passar a limpo o texto. Encaminhamento n Após a aula em que a brincadeira foi aprendida. se as regras diferentes apresentadas pelo convidado deixaram o jogo mais interessante em relação à versão já conhecida. Aproveite esse momento e vá lendo em voz alta cada palavra que vai escrevendo. proponha que essas informações sejam organizadas num texto que será ditado a você. n Ditar um texto. Converse também sobre o desafio que a brincadeira coloca. proponha aos alunos uma avaliação do jogo. n Em seguida. que letra poderia se acrescentar em seguida ou com que letra pode se finalizar determinada palavra. É preciso que falem de maneira organizada sobre o que incluir em cada parte do texto e como redigir (que palavras usar) para expressar cada uma dessas informações. Proponha também perguntas quanto aos aspectos notacionais: com que letra acham que se inicia determinada palavra. considerando seu ritmo de escrita. as principais dificuldades e como fazer para superá-las. a Guia de Planejamento e orientações didáticas 111 . releia e pergunte se está claro ou se é preciso realizar alguma alteração. no caso de já ser conhecida. discutam se as regras foram observadas. n Como organizar os alunos: a atividade é coletiva. Os alunos permanecem em seus lugares.

n Duração: cerca de 40 minutos. 112 Guia de Planejamento e orientações didáticas . Encaminhamento n Organize a turma em duplas. n No final. mudar uma palavra muito repetida por um pronome que remeta a ela) ou. n Relembre o título da brincadeira ensinada pelo convidado na aula anterior. nas quais ambos ainda não dominam o sistema alfabético de escrita e escrevem segundo hipóteses próximas. sugira formas de superar a questão. n Que materiais são necessários? Lápis e papel ou letras móveis. comprometendo a qualidade do texto). considerando os critérios apresentados na ati- vidade 2A quanto ao domínio do sistema de escrita. Localize-o no cartaz que contém a lista de brincadeiras aprendidas. n Avançar no conhecimento da escrita ao escrever segundo suas hipóteses. n No fim da aula. coloque-os e proponha que as crianças discutam para buscar soluções (por exemplo.repetição excessiva de uma palavra. após aprender uma no- va brincadeira. atividade 3c: escrita em duplas de uma das regras da brincadeira (letras móveis) e desenho do jogo Objetivos n Arriscar-se a escrever a partir dos conhecimentos já construídos a respeito do sistema de escrita alfabético. passe o texto para uma folha de papel pardo (kraft) e deixe-o afixado junto ao cartaz com a lista de brincadeiras. n Como organizar os alunos? Em duplas. os que já escrevem convencionalmente também devem formar duplas e desenvolver a atividade. se isso for difícil. realize uma nova leitura para avaliar se o texto ficou bom. Planejamento n Quando realizar? Durante o projeto de brincadeiras.

dominem o conteúdo do texto. j cada um opine em relação à escrita. faça um levantamento oral das regras da brincadeira e proponha que todos escrevam uma delas. se for o caso. n Quando todos tiverem terminado. Pergunte. se achar conveniente. como se trata de uma atividade em duplas. precisam discutir suas ideias com o colega. n O levantamento oral é muito produtivo para que. para atender o maior número de crianças que necessitam de ajuda? Circule pela classe. interfira sugerindo que: j cada um dê sugestões para organizar o texto. usem as letras móveis.. até chegarem a um acordo. usando lápis e papel ou. como disse seu colega?”. por exemplo: “Como podemos explicar essa parte da brincadeira?”. n A proposta é de escrita espontânea. n Proponha que escrevam em duplas. proponha que combinem um desenho relacionado à regra escrita. não é o caso de escrever as regras na lousa. mesmo que as apague depois. Garanta que. dê dicas que as ajudem a continuar o trabalho. Nesse momento. Verifique se o trabalho está sendo produtivo e. no momento em que estiverem escrevendo.. peça ajuda aos alunos para organizar as regras na ordem em que devem aparecer para que a brincadeira seja compreendida. no conjunto. Se perceber que as crianças têm dificuldade para refletir sobre as letras. ofereça as informações necessárias. com perguntas do tipo: “O que podemos escrever agora? Com que letra vocês acham Guia de Planejamento e orientações didáticas 113 .n Em seguida. proponha que algumas crianças. .. O qUE fAzER .. Pergunte. por exemplo: “Com que letra se escreve. n Relembre a todos que.. pois isso transformaria a atividade em mera cópia ou em exercício de memória. observe a interação das duplas. n Enquanto trabalham.? Você concorda que é com essa letra. todas as regras estejam escritas e desenhadas para compor um mural.. circule entre os grupos e faça intervenções quando necessário (ver sugestões no quadro abaixo). Assim. aquelas que ainda encontram certa dificuldade no reconhecimento das letras. n Após a escrita em duplas. cada dupla deve ler sua regra para que se possa organizá-las na ordem em que aparecem na brincadeira. para que os alunos mobilizem tudo o que sabem sobre o funcionamento do sistema de escrita. podendo dedicar-se somente à escolha das letras e demais aspectos relacionados ao sistema de escrita.

ajude outros alunos e volte mais tarde para conferir o que fizeram com a informação que você forneceu. Recomendamos que você faça pequenas intervenções e deixe-as buscar sozinhas as soluções. Por outro lado. Enquanto isso. em outro. Por exemplo: para fORME UMA fILA. dedique mais tempo a eles.. os alunos podem escrever OEUAIA. procurando promover avanços? Em duplas que estão trabalhando produtivamente.. . Num dos casos. j você pode remetê-los ao nome de um colega que compartilha um dos sons da palavra que escreveram. incluindo somente vogais. mas não se esqueça de voltar às mesmas duplas e certificar-se de que utilizaram a ajuda oferecida por você. circule e oriente outros alunos. proponha que escrevam a lista de materiais necessários para brincar. podem escrever uma variação do jogo. Enquanto procuram resolver. . para problematizar aquilo que sabem.. você pode dizer: “fORME UMA fILA começa com as mesmas letras de fOLHAS COLORIDAS... e peça-lhes que leiam o que quiseram escrever. Nesse caso. pode ajudá-los a escrever essa palavra?” De maneira geral. Varie a atividade de escrita após a explicação de diferentes convidados. é importante que discutam entre si sobre a melhor maneira de escrever. Por exemplo. evite ficar muito tempo com a mesma dupla..que começa? Vocês acham que o nome da colega. que tal procurar essas palavras na gaveta onde guardamos essas folhas?”. 114 Guia de Planejamento e orientações didáticas . você pode intervir de forma a problematizar aquilo que sabem: j aponte uma palavra que foi escrita silabicamente. considere que alguns alunos necessitam de mais ajuda. nesse caso. para oferecer desafios também aos alunos alfabéticos? Os alunos alfabéticos terão desafios relacionados à ortografia e à separação entre palavras.

É interessante deixar um bom espaço entre as linhas. n Material: um pedaço grande de papel (que se transformará num cartaz com as regras da brincadeira). Encaminhamento n Nesta atividade. n Participar de uma situação de escrita de texto instrucional. n Inicie a aula propondo que escolham qual das brincadeiras ensinadas pelos convidados foi mais divertida ou interessante.atividade 3d: ditado ao proFessor da brincadeira aprendida com um dos convidados Objetivos n Perceber a diferença entre linguagem oral e linguagem escrita. n Como organizar os alunos: eles podem ficar sentados em suas carteiras. os alunos farão uma produção oral com destino escrito. n Esse texto deverá ser escrito num pedaço grande de papel. vão ditar um texto para que você escreva. interrompa-a para retomar em outra aula). Planejamento n Quando realizar: pode ser mais de uma vez. A brincadeira escolhida será explicada num texto para que possa constar do produto final deste projeto. n Duração: cerca de 40 minutos (se a atividade exceder esse tempo. rever enquanto escreve. que deverá ser afixado na lousa ou na parede. escolher uma entre várias possibilidades. o professor. Essa escolha pode se dar por meio de uma votação. que possa ocupar o papel de escriba. a organização e as expressões próprias desse gênero. ao longo do projeto de brinca- deiras tradicionais. rever após a escrita etc. É interessante considerar que mesmo as crianças que não dominam a escrita já podem produzir textos e aprender alguns dos comportamentos requeridos nessa situação. ou seja. para que todos possam acompanhar sua escrita. pois isso per- Guia de Planejamento e orientações didáticas 115 . desde que contem com alguém. utilizando a linguagem. n Desenvolver comportamentos de escritor: planejar o que irá escrever. nesse caso.

outro diz o seguinte: “O participante que pegar a bola joga com força. para que observem as diferentes possibilidades da linguagem escrita para exprimir o mesmo conteúdo. aquele de deve ser escrito. você pode dizer “Vou escrever o título no centro da página para que fique destacado do resto do texto”. se diriam aquilo de outra maneira. a fala do aluno é um comentário. Os alunos devem decidir qual das duas redações é a mais adequada ao jogo. Quando isso ocorrer. por exemplo). n À medida que o texto avança. bem diferente de ditar: “O pegador deve ficar de costas para os outros jogadores”. Para a mesma regra. para que se tenha bem claro o conteúdo do que será escrito. Por exemplo: Um dos alunos sugere a seguinte construção para uma regra: “Um dos jogadores joga a bola o mais alto que puder”. principalmente. 116 Guia de Planejamento e orientações didáticas . é importante que você assinale o problema e proponha aos alunos que busquem formas de resolvê-lo. Quando surgir mais de uma forma de escrever. quando for escrever o título. Quando um aluno sugerir determinada redação para uma das regras. um enunciado mais adequado a uma regra de jogo a ser escrita (o que está em jogo aqui é a diferenciação da linguagem oral e da linguagem escrita). O mesmo pode ocorrer quando você resolver mudar de linha. é interessante que você proponha pausas para reler o que já foi escrito. para o alto”. peça aos alunos para ditar o início (que deverá ser o título da brincadeira) e escreva exatamente o que eles ditarem. n É importante começar relembrando oralmente o jogo entre todos.mitirá que. n É importante que. você explicite suas decisões. dizendo “O que exatamente eu devo escrever? Como isso ficará por escrito?” Os alunos precisam aprender a diferenciar comentários sobre o que deve ser escrito do texto propriamente dito. Somente se eles não conseguirem encontrar tais soluções você pode sugerir alguma. por exemplo. Tais pausas servem para avaliar a clareza do texto até aquele ponto e resolver problemas como a repetição excessiva de uma palavra ou a falta de alguma informação que comprometa a explicação do jogo. No exemplo citado. proponha que os alunos escolham aquela que consideram mais interessante. Em seguida. com as palavras deles. a todo momento. para iniciar um novo parágrafo. n Para cada passagem. se houver mudanças (substituições de palavras. n Se um aluno disser: “Agora escreva a parte em que o pegador fica de costas para todos” devolva. mesmo que as duas expressem o mesmo conteúdo. proponha que os alunos pensem em mais de uma forma de elaborar o texto. Tais interrupções podem ocorrer durante e. pergunte aos demais se teriam sugestões diferentes para dizer o mesmo. você possa incluí-las nesses espaços. no final da produção.

atividade 4a: escolha da brincadeira que será apresentada pelos alunos Objetivos n Ler antes da compreensão do sistema de escrita alfabético. Planejamento n Quando realizar: etapa final do projeto de brincadeiras infantis. visando detectar problemas e ser aprimorado. num segundo momento. n Que materiais são necessários: lista elaborada pela professora com os no- mes das brincadeiras aprendidas pelos grupos. A reunião dessas fichas é o produto final escrito deste projeto. ele deverá ficar afixado na classe e. n Quando terminar de elaborar o texto. Etapa 4 Preparação dos produtos finais As atividades sugeridas a partir deste momento destinam-se à produção de mais um texto que comporá a ficha da brincadeira (os demais foram realizados nas atividades que ocorreram no momento em que a brincadeira foi aprendida). n Utilizar estratégias de leitura tais como antecipação e verificação do que está escrito para localizar palavras numa lista. sempre a partir das sugestões dos alunos. n Como organizar os alunos: em quartetos. transcrito na folha que será usada para as fichas de jogos que comporão o produto final. os alunos também se prepararão para a “tarde de brincadeiras”. em que receberão colegas de outra classe e explicarão oralmente as brincadeiras aprendidas. Guia de Planejamento e orientações didáticas 117 . Além dessa atividade. n Escolher a brincadeira que será apresentada pelo quarteto.quando o texto passará por uma última releitura. n Duração: 50 minutos.

.Encaminhamento n Antes da aula. ofereça outras informações. para atender o maior número de crianças que necessitam de ajuda? Circule entre os quartetos. dando especial atenção aos alunos que não escrevem convencionalmente. mas próximas. 118 Guia de Planejamento e orientações didáticas . n Distribua as cópias da atividade e explique o que farão: cada quarteto deve localizar na lista a brincadeira que gostaria de explicar aos colegas a quem se destina a apresentação que finaliza o projeto. concorda com seu colega?” Se perceber que estão tendo dificuldades para refletir sobre as letras. especialmente nas letras que a compõem. uma outra.. circule entre as mesas. Além disso. Aproxime-se destes últimos e faça perguntas para que cada um dê sugestões para localizar aquele item na lista: “Onde você acha que pode estar escrito o nome dessa brincadeira? Por que você acha que aí está escrito. fazendo intervenções que os ajudem a localizar os nomes das brincadeiras escolhidas (ver algumas sugestões no quadro abaixo). todos precisam pensar na forma escrita da palavra.. providencie para todos os alunos cópias da lista de brincadei- ras aprendidas ao longo do projeto (essa lista deve estar organizada numa ordem diferente daquela que foi usada no cartaz onde estão registradas as brincadeiras que fizeram parte desse trabalho).. n Se mais de um grupo escolher a mesma brincadeira. reproduza a lista na lousa. O qUE fAzER . Proponha que cada quarteto venha ao quadro para selecionar a brincadeira escolhida e diga seu nome em voz alta (mesmo que coincida com jogos escolhidos pelos colegas). n Quando todos os grupos chegarem a uma conclusão sobre o jogo escolhido e o tiverem localizado na lista. Para isso. entre as brincadeiras que sobraram. retire o cartaz da parede. Observe quais estão trabalhando produtivamente e quais não estão.? E você. n Proponha que os grupos trabalhem e. .. dê dicas que possam ajudálos a continuar o trabalho. enquanto isso. n Organize os alunos em quartetos buscando garantir que num mesmo grupo encontrem-se crianças com hipóteses de leitura diferentes. faça um sorteio para decidir quem se encarregará de explicá-la e proponha ao grupo que não foi sorteado que escolha..

Você pode fazer perguntas do tipo: “Com que letra vocês acham que começa o nome desse jogo? Como faremos para localizá-lo? Como podemos saber se aí está escrito..?” . pergunte: “Como vocês sabem que está escrito isso?” Se responderem que descobriram porque começa por determinada letra. ou tem o som da letra. mostre outro item com a mesma letra inicial e pergunte: “Vocês têm certeza? Este nome também começa com. Isso é importante.” atividade 4b: escrita da Ficha de uma das brincadeiras aprendidas Objetivos n Desenvolver comportamentos de escritor: planejar o que irá escrever... e confrontar sua produção com a do colega. rever enquanto escreve.. Guia de Planejamento e orientações didáticas 119 . n Arriscar-se a escrever de acordo com suas hipóteses... procure questionar os alunos: “O que vocês acham que está escrito aqui?” Aponte para um dos itens que marcaram. por exemplo: “Termina por. mesmo que respondam corretamente. ao escrever segundo suas hipóteses.” Espera-se que assim os alunos busquem outros indicadores para justificar sua escolha. além da letra inicial e final. rever após a escrita etc... n Avançar em seus conhecimentos sobre a escrita... Enquanto circula pelas duplas. para problematizar aquilo que sabem. em sua lista de brincadeiras. apareçam itens que comecem pela mesma letra. pois favorece a busca de outros indícios. E. mesmo que tenham assinalado a palavra correta? Pode ocorrer que. escolher uma entre várias possibilidades. explicando.

desenhos e opiniões a respeito das brincadeiras aprendidas). é necessário conversar sobre as palavras que usarão para expressar cada uma das informações e sobre as letras usadas para escrevê-las. a atividade é coletiva. n É importante que. n Enquanto trabalham. legendas. Cada um escreverá em sua própria ficha.Planejamento n Quando realizar: na etapa final do projeto de brincadeiras infantis. É importante que você o transcreva (utilizando a escrita convencional) visando garantir que. leia cada um dos itens indicando onde está escrito e levante com eles oralmente os dados de cada brincadeira. n Duração: 50 minutos. 120 Guia de Planejamento e orientações didáticas . os alunos trabalharão em quartetos. o texto das crianças seja recuperado pelos leitores que tiverem acesso a ele. por isso. acompanhado dessa transcrição. escritas dos títulos. Em seguida. mas os textos devem ficar iguais (com as mesmas informações escritas com as mesmas letras). proponha que releiam o que escreveram para analisar se o texto está completo e bem escrito. Para isso. comporão o material que fará parte do produto final escrito (as fichas de brincadeiras que serão encaminhadas à biblioteca da escola). Para isso. n Como organizar os alunos: num primeiro momento. n Quando terminarem. peça a cada quarteto que leia seu texto. n Que materiais são necessários: cópias das fichas das brincadeiras (ver o modelo a seguir). Encaminhamento n Proponha que preencham a ficha da brincadeira que escolheram na aula an- terior (aquela que apresentarão no evento de finalização do projeto). os alunos saibam o que deve constar na ficha de cada uma das brincadeiras. n Essa produção. reproduza a ficha na lousa. antes da elaboração dessa produção. juntamente com o que foi feito ao longo do projeto (produções orais com destino escrito das regras. n No final da produção. fazendo as intervenções necessárias no sentido de favorecer a reflexão dos alunos. n Oriente-os a combinar o que e como escrever. além de buscarem detectar erros de escrita. circule entre os grupos. n A escrita do título deverá ser convencional. proponha que consultem a lista de brincadeiras aprendidas para escrevê-lo corretamente (será uma atividade de leitura de uma lista).

O modelo da ficha da brincadeira é o mesmo que foi utilizado na atividade 2B: FICHA DA BRINCADEIRA TÍTULO: OBJETIVO: NÚMERO DE PARTICIPANTES: MATERIAL NECESSÁRIO PARA BRINCAR: atividade 4c: ensaios para a “tarde de brincadeiras” Objetivos n Preparar-se para a apresentação que finaliza o projeto. Guia de Planejamento e orientações didáticas 121 . coletivamente. Planejamento n Quando realizar: antes da apresentação que finaliza o projeto de brincadei- ras infantis. em quartetos. n Duração: 50 minutos. Em seguida. Encaminhamento n Organize os alunos nos quartetos que trabalharam juntos nas aulas ante- rioes. n Como organizar os alunos: num primeiro momento. n Que materiais são necessários: nenhum. n Desenvolver habilidades de comunicação oral – ensinar uma brincadeira a um grupo de crianças. n Contar com sugestões dos colegas para aprimorar sua apresentação.

no final. explique bem a regra que está sob sua responsabilidade. sugerem o que pode ser melhorado em relação aos seguintes itens: jj Tom de voz. n Isso será feito com todos os grupos. falem entre si como se estivessem falando para o grupo de crianças a quem ensinarão as brincadeiras. é importante assumir um comportamento de coautoria. n Enquanto assistem aos colegas. Ainda nesta etapa vocês poderão decidir juntos sobre: jj melhor local para apresentação e exposição das fichas dos jogos. Proponha que. considerando o modo que escolheram para falar. os alunos podem produzir desenhos ou esquemas que ajudem a apoiar o que será explicado. mas identificando problemas que possam interferir no entendimento daqueles que não conhecem a brincadeira. aproxime-se de cada grupo. jj Clareza e correção das regras de cada brincadeira.n Explique a atividade: eles deverão se organizar para ensinar a brincadeira aos convidados. cada integrante deve ajudar o colega dando sugestões para que fale com clareza. Ao propor sugestões para aprimorar a explicação dos colegas. isto é. Estimule os colegas do quarteto a fazer o mesmo. proponha que os grupos se apresentem para a classe. n No ensaio nos grupinhos. você pode dividi-la de modo que cada quarteto se apresente num momento diferente. e proponha mudanças que ajudem a explicar melhor. os demais acompanham em silêncio e. valorizando o que está adequado. como cada criança expõe sua parte. Se necessário. observe como dividiram as falas. n Enquanto trabalham. Para que a aula não fique cansativa. é importante trabalhar atitudes de respeito com quem está falando. sugerir mudanças que ajudem as crianças responsáveis. definindo que parte das regras será apresentada por cada integrante (estimule a participação oral de todas as crianças). jj melhor maneira de divulgar o evento. considerando sempre a necessidade de respeito e estímulo ao colega cuja participação está sendo criticada. assumindo uma escuta atenta e interessada. a 122 Guia de Planejamento e orientações didáticas . n Após esses pequenos ensaios. que será a chamada para a “tarde a de brincadeiras”. num primeiro momento. Também é preciso cuidado ao criticar. o jj produção de um convite para a classe. Enquanto o fazem.

O educador diz o mote da brincadeira: “Coelhinho sai da toca. correndo o risco de ficar sem nenhuma. É possível. engatinhando ou quicando uma bola. três!” As crianças devem abandonar a sua posição original e procurar outra toca. um. ainda. ficando um deles sem “toca”. quando o desempenho corporal já for mais eficiente. Esse jogo favorece os deslocamentos e a percepção do espaço. Modo de jogar Dentro de um espaço determinado previamente. Podem-se variar as formas de deslocamento: saltando num dos pés. Normalmente. faz-se uma “toca” a menos do que o total de participantes. dois. propor que as “tocas” sejam ocupadas por duplas e trios. as crianças se distribuem em “tocas” configuradas por bambolês ou por círculos desenhados com giz no chão.Jogos do livro de textos dos alunos que podem ser apresentados para leitura do professor (as explicações encontram-se noos anexos deste projeto): n Cabra-cega n Coelhinho sai da toca n Pega-pega corrente n Mãe da rua n Nunca três n Fugi fugi ANEXO 1 (para ser lido pelo professor na atividade 2B) Coelhinho sai da toca Material necessário Bambolês ou giz para desenhar no chão. Guia de Planejamento e orientações didáticas 123 .

e assim sucessivamente.Outros jogos sugeridos para leitura do professor: Cabra-cega Material necessário Uma venda para os olhos. cabe apenas tentar fugir e confundir o pegador. tocá-lo. Quando alguém é pego. Modo de jogar Esse jogo constitui um ótimo recurso para atividades em dias de chuva. Escolhe-se um pegador e os demais se espalham pelo espaço de jogo. Modo de jogar Deve-se delimitar o espaço no qual a brincadeira vai ocorrer antes de o jogo começar. que será declarado vencedor. tem seus olhos vendados e assume o papel de pegador. Em seguida em trio. formando uma “corrente”. tenta pegar os demais utilizando os sentidos do tato e da audição. até que reste apenas um fugitivo. pois pode ser realizado dentro de sala de aula ou em espaços mais restritos. no entanto. Um pegador tem seus olhos vendados por um lenço ou similar. Aos demais. dá a mão para o pegador e passa a atuar em dupla com ele. O interessante da atividade é a utilização de sentidos que normalmente são menos usados no cotidiano. Quando alguém for pego. depois de girar o corpo em torno de si mesmo algumas vezes. sendo proibido. A organização da brincadeira caminha de uma atuação individual para uma atuação coletiva. quarteto. 124 Guia de Planejamento e orientações didáticas . Pega-pega corrente Material necessário Espaço livre para correr.

Pode-se. que passa a fugir. Quando o fugitivo se cansa. Uma variação possível é manter como pegadores todas as crianças que forem sendo pegas. organizados em duplas de braços dados. O jogo consiste em atravessar a rua de uma calçada para a outra. duas calçadas em paralelo. até que reste apenas um “atravessador”. A variação possível para essa atividade é inverter o papel desse componente. neste caso. Escolhe-se um pegador e as demais crianças se posicionam nas calçadas. caso isso aconteça. Modo de jogar O espaço de jogo é dividido como se fosse uma rua. ou em duplas de mãos dadas. São designados um pegador e um fugitivo. ou. os papéis se invertem: o pegador vira fugitivo e o “atravessador” que foi pego vira pegador. ainda. sem ser tocado pelo pegador. ou seja. que será declarado vencedor daquela rodada. procura o “pique” em alguma das duplas espalhadas pelo espaço e entrelaça os braços com um dos componentes da dupla. Nunca três Modo de jogar Os jogadores se distribuem aleatoriamente pelo espaço determinado para o jogo. saltando numa perna só. de fugitivo para pegador. O componente da dupla do lado oposto se solta o mais rapidamente possível e passa a ser o fugitivo. cada criança quicando uma bola. ela deve dar a sua bola ao pegador. ao ser pega. variar a forma de fazer a travessia. ainda. O jogo é disputado individualmente.Mãe da rua Material necessário Giz para demarcar o espaço. Guia de Planejamento e orientações didáticas 125 . divididas por um espaço central correspondente à rua.

Fugi fugi Material necessário Espaço livre para correr. Essas brincadeiras constam do Livro de Textos do Aluno. Modo de jogar Num espaço similar a uma quadra. ou seja. posicionam-se atrás de uma das linhas de fundo. sem. voltados em direção ao campo de jogo. a cada nova corrida podem tentar pegar os demais. fugi!”. O pegador se posiciona atrás da linha de fundo oposta. menos um que será o pegador. Caso isso aconteça. tentando tocá-los. os jogadores correm tentando chegar à linha de fundo oposta sem serem tocados. O pegador inicia cada rodada dizendo: “Lá vou eu!” E corre na direção dos demais jogadores. do Programa Ler e Escrever. também voltado na direção do centro do campo. publicado pela SEE/FDE. todos os jogadores. sair da mesma posição em que foram pegos. o último fugitivo que restar é declarado vencedor e inicia-se uma nova rodada. transformam-se em pegadores fixos. Depois de responderem “Fugi. Ao final. 126 Guia de Planejamento e orientações didáticas . no entanto.

PROJETO DIDáTICO Índios do Brasil: conhecendo algumas etnias Guia de Planejamento e orientações didáticas 127 .

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é interessante que o planejamento das aulas seja compartilhado com o professor dessa disciplina. também se espera favorecer que os alunos identifiquem e valorizem esses povos. busca-se proporcionar às crianças a oportunidade de aproximarem-se da cultura dos povos indígenas brasileiros e de seus valores. os mitos. permitindo assim a construção de uma visão mais real. As escolas indígenas são exemplo disso: os próprios índios reconhecem a importância de contar com escolas. importantes por serem uma das raízes que compõem a identidade cultural do povo brasileiro.Por que realizar um projeto que envolva o estudo dos povos indígenas brasileiros Com este projeto. como a transmissão oral das tradições. conhecer aspectos do modo de vida dos grupos indígenas de hoje. as lendas etc. valorizando-a como é. Não se espera abordar a questão indígena em toda sua complexidade. ela deva conviver com outras formas de ensino arraigadas nas práticas dos povos indígenas. as pinturas corporais. evitando distorções românticas ou pejorativas por serem ambas preconceituosas. relativizando a versão mais conhecida da história. Além dele. mas também reconhecem que. mas partir de questões adequadas aos interesses dos alunos e de informações obtidas em fontes fidedignas para superar preconceitos gerados por visões distorci- Guia de Planejamento e orientações didáticas 129 .) e ao modo de vida de diferentes nações. incluindo suas manifestações artísticas. o que foi preservado de sua cultura e aquilo que mudou em decorrência do contato com os não índios. Pela importância que a arte tem nas comunidades indígenas. como fonte de aprendizagem. feita pelos integrantes mais idosos da aldeia. As atividades propostas darão ênfase especial às produções culturais (os objetos. desconsiderando a presença de culturas milenares que já ocupavam a terra brasileira. na qual nosso país teria sido uma descoberta europeia. Um dos objetivos principais deste trabalho é a aproximação das crianças de uma cultura diferente da sua. também se buscará aproximar as crianças das circunstâncias em que se deram os primeiros contatos com os europeus. A abordagem se dará em duas frentes: numa delas. Em outra frente.

No primeiro ano já é possível propor situações em que os alunos se coloquem como estudantes que se aproximam de um objeto de conhecimento. que compreendam as diferenças como enriquecedoras e. Algumas atitudes que caracterizam estudantes que têm uma boa relação com o trabalho escolar e orientações para atingi-las: n Construir conhecimentos a partir de atividades em que os alunos se sintam instigados. n Trabalhar em grupo: para aprender a trabalhar em grupo é importante que o professor crie situações em que os alunos trabalhem em diferentes agru- 130 Guia de Planejamento e orientações didáticas . a riqueza de suas tradições e de suas produções. para buscar estratégias para favorecê-las. desafiados a aprender mais: o interesse do aluno não é algo que brota dele. O interesse por determinado assunto aumenta porque ele é proposto de maneira instigante. As atitudes de valorização e reconhecimento desses povos devem ser consideradas objetivos fundamentais deste trabalho. para ampliar o que sabem sobre ele. Tratar esse tema não é simples: historicamente. em que o desrespeito por essas culturas foi (e ainda é) uma constante. mas a possibilidade de que aconteça de maneira produtiva está condicionada a um ensino direcionado à construção de algumas habilidades e atitudes. Isso ocorrerá gradualmente. n Garantir o acesso a diferentes fontes de informação: é importante garantir a oportunidade de interagir com fontes variadas.das. injustiças foram cometidas (e ainda são). Nesses momentos. Com eles. O foco principal das atividades visará lançar um olhar para os conhecimentos desses povos. cidadãos que saibam conviver e valorizar a diversidade cultural. A formação de estudantes Ao longo de toda a escolaridade. os alunos realizarão diferentes estudos nas várias disciplinas que compõem o currículo. fica a secreta esperança de contribuir para a formação de cidadãos conscientes e orgulhosos de suas origens. aos poucos. estarão também se constituindo como estudantes. já que o encontro com o europeu marca o início de conflitos. em consequência. mas é construído na interação com bons materiais e num ambiente de trabalho propício. bem como à possibilidade de que a criança. Geografia e Ciências a que terão acesso. além dos conteúdos de História. construa a ideia de que o conhecimento é um valor importante para sua vida. reconheçam a importância de garanti-las como direito de todos. além de contar com a intervenção e orientação do professor para aprender a lidar com elas. É preciso que o professor reflita sobre as atitudes que caracterizam um bom estudante. a partir de diferentes fontes de informação.

maquetes. é possível aos estudantes ampliar seus conhecimentos sobre os mais diversos temas. a linguagem escrita é utilizada nas mais diferentes situações cotidianas: leem-se receitas para o preparo de um alimento. No entanto. É verdade que o domínio das correspondências grafo-fônicas é necessário para o desenvolvimento de um leitor. usar materiais de registro de maneira organizada (folhas. explicar como arquivar materiais de estudo (utilizando pastas. Guia de Planejamento e orientações didáticas 131 . desenhos etc. compartilhar procedimentos simples como incluir a data em que cada informação foi aprendida. É preciso que os alunos tenham diferentes oportunidades de aprender a partir da leitura ao longo do Ensino Fundamental. Mesmo assim. é que ela permite o acesso a novas informações. É também um objetivo complexo. maiores serão as chances de sucesso para os alunos ao longo da escolaridade básica. especialmente na escola.) e guardá-los em locais combinados. Não se espera consolidar tais atitudes no primeiro ano. cadernos etc. Lê-se também para conhecer uma nova história (seja um conto ou romance) ou para emocionar-se com um belo poema. aos poucos.pamentos. restringir o ensino da leitura a esse conhecimento não capacitará nossos alunos a se tornarem usuários capazes de utilizar a linguagem escrita nas mais diversas situações. Um dos propósitos fundamentais da leitura. que não se resume a uma única habilidade. contando com o apoio do professor para que tais práticas possam ser. é ferramenta necessária para formar estudantes nas diversas disciplinas. hoje já se tem claro. dominadas com autonomia. saquinhos). para escolher o melhor horário do cinema ou para conhecer os comentários do jogo de futebol do dia anterior. é possível pensar que se a ação dos professores se direcionar nesse sentido desde o início. A leitura. neste caso. n Organização do material de estudo: é preciso ajudar os pequenos estudantes nessa organização. Aprender sobre a linguagem escrita e sobre a escrita no contexto de um projeto Como sabemos. de maneira compartilhada. discutam e produzam. não se resume à habilidade de transformar letras em sons e vice-versa. conversem. Aprender a ler. ou seja. leem-se jornais para saber mais sobre o que ocorre no mundo. Por meio de textos escritos para divulgar o saber científico. registros de seus conhecimentos (textos. Formar leitores capazes de aprender a partir da leitura é uma das garantias do sucesso da escolaridade.).

É importante ter claro que. n Antecipar significados de um texto escrito a partir das imagens/ilustrações que o acompanham ou marcadores característicos de cada gênero. n Diferenciar tipos de livros. textos retirados de livros etc. n Emitir comentários pessoais e opinativos sobre o texto lido. no contexto das ativida- des do estudo. Leitura Ler. ainda que não convencionalmente n Ler legendas ou partes delas a partir das imagens e de outros índices grá- ficos. respeitando opiniões. n Escutar atentamente a leitura de mitos e lendas. conhecendo seus usos. Escrita Produzir textos escritos ainda que não saiba escrever convencionalmente 132 Guia de Planejamento e orientações didáticas . Relembrar trechos. espera-se favorecer que o aluno seja capaz de: Língua Portuguesa Linguagem oral n Expressar oralmente suas ideias e pensamentos. os personagens e cenários. literários. mesmo antes de dominarem o funcionamento do sistema alfabético de escrita. Relacionar as ilustrações com trechos da história (sobre mitos e lendas). informativos e demais suportes de texto e saber nomeá-los. n Escutar atentamente o que os colegas falam em uma roda de conversa. revistas. recuperando trechos da narrativa e usando expressões ou termos do texto escrito. Isso contribuirá para que o processo de alfabetização se dê de maneira significativa e efetiva. n Apreciar textos literários (considerando aqui a leitura de mitos e lendas). ocupando seu turno de fala adequadamente. Expectativas de aprendizagem A partir desse projeto. entre elas a função de informar. n Comentar matérias veiculadas em diferentes mídias: internet. Fazer comentários sobre a trama. n Conseguir recontar um mito que ouviu mantendo uma sequência. as crianças já têm condições de vivenciar as diferentes funções dos textos.

farão uma apresentação oral do que aprenderam. jogos e apresentações. em cada uma. Guia de Planejamento e orientações didáticas 133 . n Produzir listas nas atividades relacionadas ao estudo (lista de alimentos cultivados pelos povos estudados. n Antecipar significados de um texto escrito. Os convidados (pais e outros membros da comunidade escolar) encontrarão o espaço dividido em diferentes “estações” e. n Demonstrar respeito em relação às diferenças. reproduções de obra de arte em livros. n Usar um texto fonte para escrever de próprio punho. comunicação oral registrada em gravador etc. Ciências Naturais e Sociais (História. produzir colagens transformando. internet. externando opiniões e sentimentos. contando com o apoio de produções visuais (desenhos e maquetes) e pequenos textos (legendas) para apoiar sua exposição. fotos. utilizando diferentes formas: desenhos. n Interagir com as diferentes tradições culturais e utilizá-las em suas brincadeiras. n Interessar-se pela maneira de viver de diferentes grupos. produzindo novas formas. ditando ao professor. pintar. n Desenhar. n Registrar informações. um grupo de alunos se encarregará de explicar o que aprender sobre um dos temas abordados no projeto. Geografia e Ciências Naturais) n Estabelecer relações entre o modo de vida de seu grupo social e de outros grupos no presente e no passado. por exemplo). n Arriscar-se a escrever segundo suas hipóteses. textos orais ditados ao professor. pesquisando materiais. respeitando as normas da linguagem que se escreve.n Usar conhecimentos sobre as características das narrativas míticas ao pro- duzir um texto. organizados em pequenos grupos. Produto final Os alunos. Artes n Apreciar. pensando sobre o que produz. n Valorizar suas produções e de seus colegas.

para convidados diferentes. onde ouvirão outras crianças expondo o que aprenderam a respeito de outro dos temas estudados. os convidados dirigem-se a outra estação. Atividade 2C: escrita do aluno – informações sobre diferentes nações (ditadas pelo professor). Todas as crianças apresentarão suas exposições ao mesmo tempo. Etapa 1: Apresentação do projeto e do produto final Etapa 2: Aprender sobre aspectos gerais das nações indígenas brasileiras 134 Guia de Planejamento e orientações didáticas . de Luís Donizete Benzi Grupioni. Material: papel pardo para produção de desenhos. Material: cópias de foto (ou foto digitalizada). Material: texto retirado do livro Viagem ao mundo indígena. Após ouvir e apreciar as produções desse grupo. para grupos de convidados diferentes. Material: proposta de atividade do aluno. Material: fotos com legendas. Atividade 2B: elaboração coletiva e reflexão sobre características das legendas. as crianças terão exposto várias vezes o mesmo conteúdo. Atividade 2A: leitura do professor e anotação das informações relevantes.Os presentes se distribuirão entre essas estações e acompanharão a apresentação de um dos grupos de alunos. Atividade 1B: levantamento do que já sabem sobre o tema a partir da leitura de imagens. Ao final. Organização geral do projeto Etapas Atividades e materiais Atividade 1A: compartilhar o projeto com os alunos e fazer levantamento do que já sabem sobre o tema.

Atividade 4F: como as crianças índias aprendem. crianças e mitos em diferentes nações indígenas Etapa 5: Aspectos históricos Etapa 6: Preparação do produto final Guia de Planejamento e orientações didáticas 135 . Etapa 4: Aprender sobre alimentação. Atividade 4G: mitos de origem de dois povos indígenas. Atividade 5B: ouvir e cantar uma canção sobre o descobrimento. Atividade 6D: revisão das legendas que acompanham o material de apoio para a exposição. Atividade 4D: brincadeiras e brinquedos indígenas. Material: textos e fotos de apoio. Atividade 4A: comparar a relação entre a alimentação dos povos indígenas e a dos alunos. Atividade 6E: ensaios para a apresentação. Atividade 4B: discussão em quartetos sobre os hábitos alimentares dos povos indígenas. Atividade 3C: escrita de legenda sobre o povo estudado.Etapa 3: Aprender sobre uma nação indígena – Xikrins-Kaiapós Atividade 3A: leitura do professor de texto sobre o cotidiano dos índios Xikrins-Kaiapós. Material: relato escrito e vídeo. Material: letra da música Pindorama. Atividade 4C: escrita de legendas sobre hábitos alimentares dos povos indígenas. Atividade 6C: escrita de legendas. Atividade 4H: ditado ao professor do mito de origem dos índios Desanas. Material: matéria publicada em revista infantil. Material: textos e fotos de apoio. Atividade 4E: ditado ao professor de uma das brincadeiras apresentadas na aula anterior. Atividade 6B: preparação de materiais para exposição. Atividade 3B: leitura de legenda sobre os Yanomamis. Atividade 6A: divisão dos grupos. Material: texto lido pelo professor. Material: textos de apoio. Atividade 5A: leitura pelo professor de matéria sobre o descobrimento do Brasil.

pela qualidade do que será apresentado e produzido em cada momento. Planejamento n Quando realizar: no início do projeto. este momento também é importante para que o grupo traga seus conhecimentos sobre o tema. compartilhando ideias e criando um repertório de conhecimentos do qual se parte e com a intenção de ampliar e transformar. junto com o professor. No Anexo 6 você encontrará algumas lendas. Também se favorece que compreendam cada uma das etapas do trabalho e que se responsabilizem. explicando o produto final e cada uma das etapas. permite-se aos alunos compreender os propósitos que guiarão as atividades a ser realizadas ao longo do projeto. mas utilize os livros da biblioteca que contenham textos desse tipo para compartilhar com os alunos e enriquecer o que aprenderão ao longo do trabalho. atividade 1a: compartilhar o projeto com os alunos e Fazer levantamento do que já sabem sobre o tema Objetivos n Mobilizar os alunos para a realização do projeto.Atividade permanente Durante a realização desse projeto. Etapa 1 Apresentação do projeto e do produto final Ao compartilhar o que será feito e o produto final. Além de compartilhar o que será produzido ao final do projeto. n Compartilhar as ideias que os alunos já têm sobre os índios brasileiros. aproveite para ler mitos e lendas dos povos indígenas no momento da atividade permanente de leitura pelo professor. revendo preconceitos calcados em ideias de senso comum que pouco têm a ver com a realidade. 136 Guia de Planejamento e orientações didáticas .

n Como organizar os alunos: a primeira parte é coletiva. então. Em seguida. falem sobre o que sabem. também. Explique. Nesse momento. Nesse momento. n Que materiais são necessários: folhas de papel pardo para um cartaz em que serão anotadas as etapas do trabalho e para que os alunos realizem um desenho em quartetos. garantindo que todos participem. compartilhe as etapas que serão realizadas para chegar à elaboração do produto final. mesmo que algumas das informações veiculadas não sejam corretas. n Duração: 50 minutos. com o maior detalhamento possível. como são suas casas. Encaminhamento n Proponha uma conversa inicial sobre o tema: pergunte o que sabem sobre os índios brasileiros e deixe que. vestimentas. haverá um momento em que os alunos trabalharão em pequenos grupos (quartetos). o modo de vida etc. É interessante favorecer que troquem informações. circule entre as mesas. desenhos e pequenos textos sobre um dos temas que foram estudados. que discutam entre si sobre o que representarão e favorecendo que todos se encarreguem de representar algo que comporá uma produção coletiva (não é o caso de produzir vários desenhos que não se relacionem entre si). Explique também que esses desenhos serão expostos para o resto da turma e que cada grupo deverá explicar aos demais os detalhes ali representados. registre-as num cartaz que ficará afixado na classe e permitirá que todos tenham claro o que já foi realizado e o que ainda falta. é interessante também trazer alguns dos assuntos que serão abordados: as brincadeiras das crianças indígenas. o importante é uma conversa espontânea. Devem mostrar como vivem. n Em seguida. n Proponha. procurando representá-los em alguma atividade significativa de seu cotidiano ou em uma data especial para aquele grupo. Enquanto explicita essas etapas. que se coloquem sobre o que concordam ou não a respeito da fala de cada um dos colegas. n Enquanto trabalham. Guia de Planejamento e orientações didáticas 137 . as histórias criadas para explicar a origem da humanidade. livre mas organizadamente. o trabalho em grupos: farão um desenho em quartetos que mostre aquilo que sabem dos índios. explicando algumas das atividades. que aquilo que aprenderem será compartilhado com os pais e outras pessoas da escola (funcionários e alunos) num evento em que cada grupo de crianças mostrará maquetes. Essa é uma maneira de permitir que os alunos compartilhem com você o controle do tempo destinado ao projeto. n Explique que o grupo se dedicará ao estudo do modo de vida dos índios brasileiros.

questionar quem vive na mesma casa. chame os integrantes de cada grupo para conversar com os demais sobre aquilo que representaram. é importante que você faça intervenções no sentido de garantir o respeito àqueles que estão apresentando suas produções. n Enquanto ocorre essa socialização. se ocorre uma festa. exponha os desenhos num mural e. tanto no modo de se vestirem. bem como favorecer que estes se coloquem claramente. como nas moradias e em seus hábitos. n Utilizar fotos e legendas como fonte de informação para o estudo. que dependem integralmente do conhecimento dos não índios. Planejamento n Quando realizar: após a aula em que os alunos apresentaram seus conhe- cimentos sobre os índios brasileiros.n Após a produção. 138 Guia de Planejamento e orientações didáticas . com uma única língua e hábitos comuns. n Observe algumas ideias que poderão surgir nesse momento e que deverão ser revistas ao longo do estudo: jj os alunos se referem a algum povo em especial ou se referem aos se índios de maneira genérica. se há uma cena em que as pessoas estão comendo. é interessante fazer perguntas para que aprofundem aquilo que desenharam: se representaram a moradia. atividade 1b: levantamento do que já sabem sobre o tema a partir da leitura de imagens Objetivos n Relativizar os conhecimentos iniciais dos alunos a partir de imagens e pe- quenos textos (legendas). ou como pessoas destituídas de conhecimentos próprios. como se fossem um único povo. num segundo momen- to. Nesse momento. jj observar imagens preconceituosas que colocam os índios como pessoas preguiçosas. questionar o que se comemora e o que acontece. perguntar do que se alimentam e como fizeram para obter esse alimento. que não gostam de trabalhar. jj as referências se aproximam daquilo que se conhece dos índios norse te-americanos. que passam o tempo todo deitados em redes.

faça intervenções para que os demais se posicionem em relação àquilo que foi dito por uma das crianças: concordam? Têm uma ideia diferente do que possa estar ocorrendo naquela imagem ou quanto ao significado de um termo usado na legenda? n Além de propor que observem as fotos. O que está de acordo ou contradiz aquilo que aparece nas imagens? Esse confronto entre o que veem nas imagens e o que imaginavam pode aparecer espontaneamente ou ser apontado por você. Os alunos permanecem em suas mesas. n Após projetar e conversar sobre as imagens e legendas. n Projete as fotos e leia as legendas em que aparecem os nomes das nações indígenas retratadas. n Enquanto falam. proponha que os alunos ditem para você aquilo que pensavam sobre os índios e que se con- Guia de Planejamento e orientações didáticas 139 .n Como organizar os alunos: a discussão é coletiva. n Depois de discutirem sobre o que observaram em cada foto e o que aprenderam pela leitura das legendas. n Duração: 40 minutos. bem como de serem ouvidos pelos colegas. nomes dos lugares em que ocorreram as cenas retratadas ou explicam melhor o que as pessoas que aparecem nas imagens estão fazendo. Além disso. proponha também uma conversa sobre algumas das ideias apresentadas na aula anterior (a partir dos desenhos que produziram). chame a atenção também para o conteúdo das legendas e as informações que nelas aparecem: o que elas acrescentam à imagem? Você pode indicar. é interessante voltar aos desenhos produzidos para explicitar essas diferenças. garantindo que todos que quiserem tenham oportunidade de se colocar. Questione o significado daquele texto. e o que pensaram a respeito dos índios. Encaminhamento n Utilize a sala de informática para projetar as fotos sugeridas. Nesse sentido. que os textos escritos acrescentam às imagens informações como o nome das nações indígenas representadas. providencie cópias da atividade para os alunos. n Que materiais são necessários: fotos com imagens dos índios. acompanhadas de legendas em que se explicita a nação a que pertencem. O que significa WAURÁ ou KAIAPó? Proponha também que observem os detalhes de cada imagem: o que as pessoas estão fazendo? É uma cena cotidiana ou faz parte de um evento especial? Como estão vestidas? Que materiais são utilizados nos adornos? Onde se encontram? n Deixe que os alunos falem livremente. por exemplo.

que eles.firmou (essas informações podem ser expressas em textos como: “Nós achávamos que os índios . CRIANÇA KAIAPó PREPARADA PARA PARTICIPAR DE UM RITUAL DE SEU POVO. LEIA AS LEGENDAS E CONVERSE COM SEUS COLEGAS. NOME: ________________________________________________________________________ DATA: _____ /_______________ TURMA: _________________________________________ OBSERVE AS FOTOS. e. aquilo que não está de acordo com as imagens (“Pensávamos que os índios ... 140 Guia de Planejamento e orientações didáticas .. CASAS NUMA ALDEIA WAURÁ.. CRIANÇAS GUARANIS EM ESCOLA NA ALDEIA KRUKUTU. NO MATO GROSSO... nas fotos e legendas. aprendemos que isso realmente ocorre”). vendo as fotos dos índios.”). mas pelas fotos e legendas aprendemos que isso não é verdade”) e aquilo que não fora levantado antes (“Aprendemos. CADA CASA É OCUPADA POR VÁRIAS FAMÍLIAS..

tendo o cuidado de esclarecer as even- tuais dúvidas que você tiver sobre o conteúdo ou termos utilizados no texto. n Como organizar os alunos: como a atividade é coletiva. os alunos começarão a refletir sobre as características e finalidade de textos como as legendas. n Duração: cerca de 40 minutos. conte para a classe qual é o assunto de que o texto trata – neste caso. Nela serão abordados aspectos mais gerais sobre os povos indígenas. n Que materiais são necessários: texto de apoio. Guia de Planejamento e orientações didáticas 141 . n Antes da leitura.Etapa 2: Aprender sobre aspectos gerais das nações indígenas brasileiras Nessa etapa inicia-se a ampliação de conhecimentos dos alunos sobre o tema. Além disso. informações gerais sobre as nações indígenas brasileiras. n Conhecer aspectos gerais da diversidade de nações indígenas que vivem hoje no Brasil. como as diferenças entre os diversos povos e o que há de comum entre eles. atividade 2a: leitura do proFessor e anotação das inFormações relevantes Objetivos n Acompanhar a leitura que o professor fará com o propósito de aprender so- bre os povos indígenas brasileiros. Planejamento n Quando realizar: no início do estudo sobre os povos indígenas brasileiros (após as atividades em que foram levantados os conhecimentos prévios dos alunos sobre o tema). Encaminhamento n Prepare a leitura antecipadamente. o número de povos e línguas faladas e onde habitam atualmente. eles podem ficar em suas carteiras.

que funcione como um lembrete para recuperar a informação em outro momento.” Depois de ler. de maneira resumida (não é preciso copiar do texto). Para resumir uma informação é preciso compreender o que foi lido. Por exemplo: no início do texto. O que é uma anotação resumida? Não se trata de uma cópia literal. num momento posterior. aí vai a informação: são cerca de 200 sociedades indígenas diferentes. n Faça uma segunda leitura. retomar o conteúdo sem precisar reler todo o texto. quando é preciso reter as informações mais importantes para. n Converse com os alunos sobre aquilo que aprenderam nessa primeira leitura e sobre as informações que mais chamaram sua atenção. 142 Guia de Planejamento e orientações didáticas . Todas essas habilidades são fundamentais em atividades de estudo. n Retome o que foi conversado nas aulas anteriores (os conhecimentos dos alunos sobre os índios) e ressalte a importância de acompanhar a leitura. O resumo pode ficar assim: “Existem mais ou menos 200 povos que falam 170 línguas diferentes”. indique o título do livro onde foi originalmente publicado. selecionar o que é relevante e formular um enunciado breve. para que se possa dar prosseguimento ao estudo desses povos. interrompendo a cada parágrafo para discutir as informações importantes e identificando o assunto principal do parágrafo lido. n Peça ajuda aos alunos para que ditem a você essas informações principais e anote-as na lousa. n Durante a leitura você poderá confrontar algumas das informações que os alunos compartilharam nas aulas anteriores (aquilo que sabiam sobre os índios) e as informações oferecidas pelo texto. você pode pedir que as crianças localizem as informações mais relevantes. Pois bem. você lê o seguinte trecho para os alunos: “Pouca gente sabe quantos grupos indígenas existem hoje no Brasil. mostre-o para os alunos. falando 170 línguas e dialetos conhecidos.Caso você possua o livro onde o texto sugerido foi publicado. Se o imprimiu do material de apoio ao projeto.

ou seja. Pode ser realizada no caso de uma ou duas palavras cujo significado não possa ser inferido pela releitura do trecho. somos capazes de inferir o significado da palavra. releia a frase completa e proponha que tentem descobrir o significado. desde que não torne a atividade longa. daquilo que vocês achavam.n No final da leitura. acredita em lendas e mitos próprios e tem seus rituais e festas. as informações referentes à diversidade de povos indígenas. não está de acordo com o que aprenO demos com esse texto? jj informações que estão de acordo? Há jj Que novas informações aprendemos a partir dessa leitura? n Procure enfatizar. A consulta ao dicionário (com sua ajuda) também é uma alternativa interessante. pois é comum que se tenha a ideia de que há um único povo indígena. Peça que levantem os significados possíveis e analisem se “combinam” com a passagem lida. seus costumes. nessa diversidade. Na maioria das vezes será melhor você dar logo a resposta. Em geral. Mas evite interrupções seguidas. Guia de Planejamento e orientações didáticas 143 . O qUE fAzER SE … … os alunos perguntarem pelo significado de palavras desconhecidas? é comum não sabermos o sentido de algumas palavras que encontramos ao ler um texto. e só então realize esse encaminhamento. Retome também as ideias levantadas nas aulas anteriores e converse: jj que. que cada povo tem sua língua. pelo sentido da frase em que ela se encontra. Avalie se o trecho que está lendo permite esse tipo de interferência. releia tudo que estiver anotado e pergunte aos alunos se ainda há algo que considerem importante incluir. mesmo que isso não seja apontado espontaneamente pelos alunos. fabrica objetos diferentes. mas isso não costuma ser um empecilho para compreender a leitura. Sempre que perguntarem o que quer dizer uma palavra. seu modo de construir suas casas. Saliente. Essa é uma estratégia de leitura que você pode ensinar a seus alunos. descobrir o que ela quer dizer. que atrapalham a compreensão do texto.

mas também se diferenciam entre si: nas tradições. ainda hoje. só agora começam a estabelecer relações. na arte. Como você pode ver. Estima-se que a população indígena atualmente totalize mais de 280 mil indivíduos.) Luís Donizete Benzi Grupioni1 1 Introdução do livro Viagem ao mundo indígena. De norte a sul. Elas não são apenas diferentes da nossa sociedade. outros. existem aldeias indígenas em quase todos os estados que formam o Brasil. Cada uma destas sociedades indígenas tem um modo próprio de ser. É.… houver alunos que se dispersam em atividades coletivas? Procure fazer com que os alunos que têm essa característica fiquem mais próximos de você e chame sua atenção para informações interessantes trazidas pelo texto. 3 e 4. que todos falam tupi e moram em ocas. Pois bem. Alguns desses povos entraram em contato com os brancos há muito tempo. porém. esses dados mostram que os índios não fazem parte só do nosso passado. 1997. falando mais de 170 línguas e dialetos conhecidos. se transformam em função de novos acontecimentos e situações. Mas eles não deixam de ser índios por causa disto. mas não são paradas no tempo. tem muita ideia errada sobre os índios circulando por aí. Ao manterem contato com os brancos. p. Isto ocorre porque as culturas indígenas são antigas. NOME: ________________________________________________________________________ DATA: _____ /_______________ TURMA: _________________________________________ ACOMPANHE A LEITURA QUE SUA PROFESSORA FARÁ DESTE TEXTO APRESENTAÇÃO Muitas pessoas acreditam. (. que os índios são algo do passado ou que eles estão desaparecendo e perdendo suas culturas.. 144 Guia de Planejamento e orientações didáticas . aí vai a informação: são cerca de 200 sociedades indígenas diferentes. de Luís Donizete Benzi Grupioni. Outras imaginam que só há índios na Amazônia. Elas se modificam. São Paulo: Berlendis e Vertecchia. no jeito de ver o mundo e de se relacionar com a natureza. na história.. os índios mudam. Pouca gente sabe quantos grupos indígenas existem hoje no brasil. de leste a oeste. E eles continuam sendo índios. Hoje é comum vermos índios usando relógios. mas também estão aí no nosso presente e vão fazer parte do nosso futuro. roupas. nos conhecimentos. na economia. gravadores e falando português.

os índios de algumas nações pintam seus rostos e corpos usando tintas extraídas de elementos da natureza. n Como organizar os alunos: como a atividade é coletiva. É possí- vel que os alunos estranhem o que a foto mostra. Guia de Planejamento e orientações didáticas 145 . n Duração: cerca de 40 minutos. Escolhida a legenda. Você pode informar que esse é um hábito comum em vários povos indígenas: para se enfeitar ou como parte de rituais. como o jenipapo e o urucum. o que está fazendo e onde está. n Que materiais são necessários: foto digitalizada ou cópias da foto. Devem fazer isso considerando seu ritmo de escrita (esse encaminhamento favorece que os alunos tenham maior controle e observem mais detidamente o que você escreve a partir de cada trecho ditado). oriente-os a ditá-la para que você a escreva na lousa. Planejamento n Quando realizar: no início do estudo sobre os povos indígenas brasileiros (após ler as informações gerais sobre os povos indígenas).atividade 2b: elaboração coletiva e reFlexão sobre características das legendas Objetivos n Aprender sobre os índios a partir da observação de uma foto e leitura de legenda. n Proponha a seguinte discussão: Que informações os alunos poderiam incluir numa legenda que acompanhasse essa foto? Oriente-os a observar quem aparece na foto. eles podem ficar em suas carteiras. Encaminhamento n Proponha aos alunos que observem a foto e conversem sobre ela. n Observar características gerais das legendas e sua função comunicativa. É importante que pensem em diferentes formas de expressar essas informações e escolham a melhor. proponha que criem uma legenda que poderia acompanhar essa foto. n Após o levantamento oral das informações.

TEM O ROSTO PINTADO COM TINTA DE JENIPAPO POR SUA MÃE. DO PARÁ. Converse também sobre as informações acrescentadas à imagem pela legenda lida por você: jj nome do povo indígena a que pertencem as pessoas. NOME: ________________________________________________________________________ DATA: _____ /_______________ TURMA: _________________________________________ OBSERVE A FOTO E DISCUTA COM SEUS COLEGAS UMA LEGENDA PARA ACOMPANHÁ-LA. transcreva na lousa a legenda original: UM JOVEM KAIAPó. mas acrescenta informações a ela. OU É comum.n É possível que os alunos produzam legendas como: Mulher índia pinta o rosto de outra criança. n Em seguida. salientando que escreveram apenas aquilo que aparecia na imagem. o n É interessante que observem que uma legenda não se limita a descrever o que aparece na imagem. 146 Guia de Planejamento e orientações didáticas . Converse sobre os motivos dessa diferença. entre os índios. o jj material de que é feita a tinta. criando uma relação de complementaridade entre imagem e texto (somando ambos. n Espera-se que os alunos percebam que a legenda lida por você tem mais informações do que aquela que produziram. pintar o rosto e corpo para se enfeitar. o jj lugar que essa nação habita. obtêm-se mais informações do que apenas observando a foto ou lendo o escrito).

para saber em que momento da aprendizagem da escrita se encontra cada um deles. jj alunos com escrita silábica que utilizam algumas consoantes com seus valores sonoros com alunos com escrita silábico-alfabética. n Que materiais são necessários: cópias da atividade. segundo suas hipóteses de escrita. Em relação a suas hipóteses. n Como organizar os alunos: em duplas formadas por alunos que não dominam o sistema alfabético de escrita e escrevem segundo hipóteses próximas. Os alunos que já escrevem convencionalmente também trabalharão em duplas. Faça a sondagem periodicamente. n Aprender informações sobre algumas nações indígenas a partir de imagens e do ditado do professor. Planejamento n Quando realizar: após a leitura pelo professor do texto que aborda a diver- sidade de nações indígenas (atividade 2A) e a discussão sobre legendas (atividade 2B). considerando seus valores sonoros.atividade 2c: escrita do aluno – inFormações sobre diFerentes nações (ditadas pelo proFessor) Objetivos n Utilizar seus conhecimentos sobre o sistema de escrita alfabético para es- crever da melhor forma. Guia de Planejamento e orientações didáticas 147 . jj alunos com escrita silábica que utilizam as vogais com seus valores sonoros com alunos com escrita silábica que utilizam algumas consoantes. Encaminhamento n Planeje a organização das duplas antes de começar a atividade. considere que podem ser agrupados assim: jj alunos com escritas pré-silábicas com alunos com escrita silábica sem valor sonoro convencional. ou jj alunos silábico-alfabéticos com alunos alfabéticos. consideran- do os conhecimentos dos alunos sobre o sistema de escrita. n Duração: cerca de 40 minutos.

jj pensar nos nomes dos colegas que podem ajudar a escrever determinada palavra. como se trata de uma atividade em duplas. tais como o K. cartazes. eles precisam conversar entre si e discutir a respeito das letras que vão utilizar. que utiliza enfeites muito coloridos durante suas festas. dentro de suas possibilidades. o Y e o W. anotações). Distribua-as e leia todas as orientações. o que quer dizer: jj incluir todas as letras que julgarem necessárias. cada dupla pode ler no seu ritmo. n Explique que. listas. n Após a leitura dos nomes dos povos. caminhe entre as mesas para ajudar aqueles que necessitarem de seu apoio. n Converse sobre os nomes dos povos a que se refere cada imagem da ficha. Explique o que precisa ser feito: num primeiro momento farão uma leitura compartilhada da legenda referente ao povo Waurá. Leia novamente para que os alunos memorizem esse texto. A legenda que escreverão é ESSE POVO 148 Guia de Planejamento e orientações didáticas . mas o esforço para coordenar o que se diz e o que está escrito é interessante para que aprendam mais sobre as correspondências entre o oral e o escrito. As crianças que não leem convencionalmente provavelmente não farão a correspondência correta. corresponder o que dizem em voz alta (o texto que sabem estar escrito) e a escrita propriamente. procurando apontar para as palavras correspondentes enquanto dizem a legenda em voz alta. n Relembre aos alunos que. informe que é comum os nomes dos povos indígenas incluírem letras pouco utilizadas em português. para saber como escrever. n Explique também que devem escrever do melhor jeito que puderem.ou jj alunos alfabéticos com alunos alfabéticos. n Não se esqueça de providenciar as cópias da atividade antes da aula. n Enquanto se dedicam a ler. Leia os nomes dos povos representados e proponha que observem se aparecem essas letras. Em seguida. para que possam contar com tais informações no local onde serão arquivadas as atividades referentes a esse estudo. escreverão as informações que serão combinadas entre todos sobre os povos que aparecem nas outras imagens. explique que o povo representado na segunda imagem é o Kaiapó. proponha que as crianças leiam. faça uma primeira leitura da legenda que acompanha a imagem do povo Waurá. n Nesse momento. Quando isso estiver garantido. não é preciso que todas estejam recitando o texto ao mesmo tempo. O que se espera é que procurem. para escreverem da melhor forma possível. n Proponha então a escrita da segunda legenda. Antes. poderão consultar todos os materiais disponíveis na sala (livros.

n Proceda da mesma forma para a escrita da legenda referente ao povo Xavante. quando for o caso. no momento da produção.É FAMOSO PELOS BELOS ENFEITES QUE UTILIZA EM SUAS FESTAS. deixando evidente que você não é a única fonte de informação. se alguém solicitar sua ajuda. é importante que todos saibam. procure encaminhar a conversa para que a dupla discuta e troque conhecimentos. ajudando-o a avançar naquilo que sabe sobre a escrita. aproxime-se das duplas para fazer intervenções de modo a favorecer a reflexão sobre as letras a utilizar (veja as sugestões abaixo). O qUE fAzER … … para ajudar os alunos que ainda não escrevem convencionalmente? Caminhe entre as duplas e. A legenda que sugerimos é: SALA DE AULA EM ALDEIA XAVANTE. por exemplo. n Espera-se que os alunos escrevam segundo suas hipóteses de escrita. n Intervenha apenas na medida do necessário para que os alunos avancem – veja algumas sugestões no quadro a seguir –. de memória. deixando-os escrever segundo aquilo que sabem sobre o sistema de escrita. trata-se de uma atividade de escrita espontânea. Você pode. faça intervenções que favoreçam a reflexão sobre o sistema de escrita. faça intervenções como as sugeridas anteriormente. Guia de Planejamento e orientações didáticas 149 . na qual a criança escreve da melhor forma que conseguir. sugerir que observem semelhanças entre o nome de um colega e partes da palavra que devem escrever: “Vocês não acham que fAMOSO começa do mesmo jeito que fÁBIO?” Deixe então que localizem o nome do colega que servirá para escrever a referida palavra. limitando-se a aceitar as sugestões do colega? Aproxime-se dele. para que. Antes de se dedicarem a escrever. possam pensar apenas nas questões relacionadas ao sistema de escrita alfabético. a legenda que será escrita. … se um dos alunos não manifestar aquilo que sabe. NO MATO GROSSO. isto é. n Deixe que se dediquem à escrita. Sendo assim. você não precisa se preocupar em corrigir a produção até ficar correta. Enquanto isso ocorre. sugira que arrisque e diga antes do colega qual é a letra necessária para escrever a palavra.

lendo cada palavra enquanto a escreve) para que eles próprios investiguem e consigam sair do impasse inicial. mas não souberem qual escolher? Por se encontrarem na hipótese silábica (em que utilizam apenas uma letra para representar o som da sílaba) e já identificarem o valor sonoro de algumas letras. 150 Guia de Planejamento e orientações didáticas . sua intervenção é extremamente produtiva. POVO wAURá OS ÍNDIOS WAURÁ SÃO FAMOSOS PELAS BONITAS PEÇAS DE CERÂMICA QUE FABRICAM. Suponhamos uma dupla em que os dois alunos são silábicos. chegam a um impasse. escreva fERA. é comum as crianças discutirem. Para deixar bem claro. informando que ambas as letras estão corretas. você pode escrever algumas palavras (de preferência sugeridas pelos alunos) que se iniciem pela mesma sílaba (no exemplo citado. fEIRA.… se os dois integrantes da dupla sugerirem letras pertinentes. NOME: ________________________________________________________________________ DATA: _____ /_______________ TURMA: _________________________________________ ESCREVA AS INFORMAÇÕES QUE SEU PROFESSOR VAI DITAR. Nesse momento. já que cada uma sugere uma letra diferente para a mesma sílaba. féRIAS. mas um deles utiliza principalmente vogais. Na escrita da palavra fESTAS. pois um deles tem certeza de que é preciso começar com E e o outro acha que é preciso escrever f. enquanto o outro já arrisca o uso de algumas consoantes.

POVO kAIAPó POVO XAVANTE Guia de Planejamento e orientações didáticas 151 .

São Paulo: Berlendis e Vertecchia. 152 Guia de Planejamento e orientações didáticas . Coleção Pawana. Além dele. n Duração: 50 minutos (se não for possível ler o texto todo numa aula. volume 1. os alunos farão um estudo mais aprofundado de uma única cultura. n Como organizar os alunos: os alunos estarão sentados em suas carteiras. conhecer seus costumes e modo de vida.Etapa 3: Aprender sobre uma nação indígena – Xikrins-kaiapós Nesta etapa. Planejamento n Quando realizar: após a etapa 2. atividade 3a: leitura do proFessor de texto sobre o cotidiano dos índios xikrins-kaiapós Objetivos n Acompanhar a leitura do professor de um relato dos costumes de um povo indígena. p. interrompa e continue na aula seguinte). n Aprender sobre um povo indígena. informe-se sobre o modo de vida desse povo indígena (no ANEXO 3A há um texto 2 Grupioni. Luís Donizete Benzi. Encaminhamento n Antes da aula. 15 a 21. Ela será complementada com a seguinte. leia o texto indicado. exemplificando-o em diferentes nações. n Valorizar uma cultura diferente daquela dos alunos. que aborda a diversidade cultural dos ín- dios brasileiros. n Que materiais são necessários: o livro Viagem ao mundo indígena2 ou o texto fornecido como apoio para que o professor leia para os alunos (ANEXO 3A). a partir de um relato em que são apresentados fatos vivenciados em seu cotidiano. em que os alunos aprenderão sobre um mesmo tema. em que se relata a atividade de pintura corporal de um grupo de mulheres numa aldeia Xikrin. 1997. Viagem ao mundo indígena.

o que valorizam. atividade 3b: leitura de legenda sobre os Yanomamis Objetivos n Aprender sobre uma nova nação indígena (os Yanomamis) a partir de in- formações trazidas pelo professor e de fotos acompanhadas de legendas. n Faça essa leitura comentada até o final do texto. discuta com os alunos o que é possível aprender sobre o modo como vivem essas pessoas. inclusive. É interessante que você domine os seguintes assuntos sobre ele: jj organização da aldeia. dê algumas informações sobre como vive esse povo. a cada parágrafo. a jj relação com recursos naturais: cultivo de roças. como se relacionam. caça e pesca. evitando observações pejorativas e buscando enfatizar os conhecimentos que dominam e que podem. jj divisão de trabalho entre homens e mulheres. n Após a leitura. Guia de Planejamento e orientações didáticas 153 . jj como se dá o aprendizado dos saberes tradicionais desse povo. especialmente a divisão das pessoas nas casas a e o uso da casa dos homens. onde ficam suas aldeias. n Ler legendas para familiarizar-se com suas características e finalidade. Lembre-se de propor aos alunos que façam inferências sobre os hábitos do povo a partir daquilo que é dito no relato. Planejamento n Quando realizar: após a aula em que foram abordadas as características dos índios Xikrin-Kaiapós. coleta de materiais e a alimentos na floresta próxima. Antes de iniciar. ensinar aos demais (como é o caso do conhecimento das espécies vegetais de seu ambiente). proponha uma conversa em que as crianças digam o que mais gostaram daquilo que foi lido e o que pensam do modo de vida desses índios. n Inicie a aula explicando o que será feito: você lerá um relato sobre o dia de uma índia Xikrin-Kaiapó.complementar para que você amplie seus conhecimentos sobre este povo). o que comem etc. n Comece a leitura do relato e. É importante valorizar atitudes de respeito em relação a essa cultura. É interessante usar um mapa do Brasil para localizar o Estado do Pará.

socioambiental. disserem que ali está escrita a palavra MANDIOCA. n Planeje previamente a organização das duplas. considerando os conhecimentos dos alunos sobre o sistema de escrita (ver orientações na atividade 2C deste projeto). informe-se sobre os Yanomamis. explique o que farão primeiro: observar as imagens e discutir sobre o que pode estar escrito nas legendas que as acompanham. Essa exposição deverá ser breve (10 a 15 minutos). consulte o site http://pib. “Será que combina com a palavra que vocês estão apontando?” n Com essa atividade. Encaminhamento n Antes da aula. leia a primeira legenda e discuta com os alunos sobre as informações que ela acrescenta àquilo que aparece na imagem. Para que você possa ampliar seus conhecimentos sobre essa nação indígena. Por exemplo. n Que materiais são necessários: cópias da atividade. Oralmente. n Depois de conversarem sobre o possível conteúdo dos textos. espera-se que os alunos reflitam sobre seus conhecimentos a respeito das letras e os sons a elas 154 Guia de Planejamento e orientações didáticas . se uma dupla estiver lendo o texto “Mulher Yanomami prepara um prato com mandioca em forno localizado em sua casa” e. quais as atividades que as pessoas realizam para sobreviver. n Leia várias vezes essa legenda até que os alunos a conheçam de memória. exponha algumas informações sobre esse povo: onde vive. n Enquanto se dedicam a essa leitura. formadas previamente pelo professor. circule entre as duplas e faça intervenções para que a correspondência entre a leitura em voz alta (o texto já conhecido) e o escrito não seja aleatória. proponha que releiam em duplas. n Após distribuir as cópias da atividade para os alunos. n Inicie a aula contando aos alunos que você fará uma breve exposição sobre o modo de vida de outra nação indígena: os Yanomamis. Em seguida. você pode fazer perguntas como: “Com que letra deve começar essa palavra?”. a importância dos rituais.org/pt/povo/yanomami/581. n Providencie as cópias da atividade com antecedência. quando apontarem para a palavra FORNO. procurando apontar com o dedo a palavra escrita que corresponde ao que é dito. n Duração: 50 minutos. mesmo não tendo a expectativa de uma correspondência correta entre o que dizem e o que estão lendo.n Como organizar os alunos: em duplas compostas por crianças que se en- contram em momentos próximos com relação à conceituação da escrita.

NOME: ________________________________________________________________________ DATA: _____ /_______________ TURMA: _________________________________________ APRENDA SOBRE OS YANOMAMIS MULHER YANOMAMI PREPARA UM PRATO COM MANDIOCA EM FORNO LOCALIZADO EM SUA CASA. n Siga o mesmo encaminhamento para a legenda seguinte. e o uso de um grande arco como arma. n Enquanto os alunos escrevem. n Na terceira legenda. OS YANOMAMIS USAM UM GRANDE ARCO.associados e seu conhecimento do texto (que está memorizado). deverão escrevê-la nas linhas indicadas. Uma das duplas pode sugerir escrever: OS YANOMAMIS SÃO UM POVO CAÇADOR. proponha: PARA CAÇAR OS ANIMAIS DE QUE SE ALIMENTAM. talvez. proponha que escolham aquela que consideram a melhor. n Após expor essas informações. Guia de Planejamento e orientações didáticas 155 . como as que foram sugeridas na atividade 2C deste documento. n Depois de levantar as várias sugestões para elaboração da legenda. explique que deverão criar uma legenda que inclua o nome do povo a que se refere (os Yanomamis). Outra. ELES USAM UM GRANDE ARCO NA CAÇA. procurando avançar na correspondência entre o oral e o escrito. a importância da caça. faça intervenções para que sua escrita fique mais próxima da convencional. uma de suas principais fontes de sobrevivência. levante oralmente como essa legenda poderá ser escrita. Quando a conhecerem de memória.

NELA MORAM VÁRIAS FAMÍLIAS. 156 Guia de Planejamento e orientações didáticas .VISTA AÉREA DE UMA CASA DO POVO YANOMAMI.

consideran- do os conhecimentos dos alunos sobre o sistema de escrita (ver orientações na atividade 2C deste projeto). que transformem as informações que sabem sobre cada um desses assuntos em legendas.atividade 3c: escrita de legenda sobre o povo estudado Objetivos n Escrever segundo suas hipóteses. o que ocorrerá numa aula da etapa final. Encaminhamento n Planeje a organização das duplas antes de começar a atividade. n Duração: 50 minutos. Planejamento n Quando realizar: após a leitura de textos que tragam informações sobre uma nação indígena. n Cada dupla escolherá um dos assuntos (procure garantir que haja crianças escrevendo sobre todos os assuntos). n Na primeira parte da atividade. rever após a escrita etc. como as crianças aprendem. Guia de Planejamento e orientações didáticas 157 . n Explique aos alunos que escreverão as informações que aprenderam sobre os Xikrins (povo que foi estudado na atividade 3A). tais como os nomes dos colegas e outros materiais escritos presentes na sala de aula. então. utilizando diferentes fontes de informa- ção. relembre as informações mais marcantes que aprenderam sobre o povo Xikrin. depois de revisadas. Nesse momento. a pintura corporal. No final do projeto. n Proponha. as atividades das mulheres e homens. faça isso oralmente. n Faça uma lista de assuntos sobre os quais os alunos dominam alguma informação. algumas dessas produções serão apresentadas na exposição. escolher uma entre várias possibilidades. Deixe que as crianças falem daquilo que consideraram mais interessante. por exemplo: a organização das casas. n Como organizar os alunos: em duplas compostas por crianças que se encontram em momentos próximos com relação à conceituação da escrita. n Desenvolver comportamentos de escritor: planejar o que irá escrever.

As crianças que ainda não estão à vontade no traçado das letras podem utilizar as letras móveis para a realização dessa proposta. oferecendo-lhes algumas pistas. pois. Para a palavra MULHERES. acrescentaram um P antes da escrita que haviam feito inicialmente. e que a legenda deverá trazer informações complementares àquilo que foi desenhado. já que esses textos costumam ser curtos. As crianças lembraram da porta do banheiro feminino e foram lá para ver como estava escrita a palavra. 158 Guia de Planejamento e orientações didáticas . A professora acompanhou sua produção e decidiu propor que refletissem sobre as seguintes palavras: MULHERES. escrita numa das gavetas do armário. n Acompanhe de perto o trabalho dos alunos que não escrevem alfabeticamente. no local onde se guardam esses materiais. Procure anotar a qual parte da escrita dos alunos corresponde cada parte do texto que se propuseram a escrever (se necessário. Para PINTURA. que grafaram assim: IUA. a professora sugeriu-lhes que pensassem em algum lugar da escola onde poderiam encontrar essa palavra escrita. contendo uma única informação. Saliente que o tema dos desenhos deve se relacionar ao assunto escolhido. n Em relação a essas duas duplas. Isso é possível. que escreveram com as letras ULE. como as sugeridas no exemplo a seguir: Uma dupla de alunos. se propôs a escrever a seguinte informação: “As mulheres xikrins fazem pinturas corporais umas nas outras”. n Escolha duas duplas para acompanhar de perto sua escrita. cada dupla deverá se responsabilizar pela escrita de uma legenda que acompanhará uma ilustração também elaborada pelos alunos. enquanto escrevem. devem estar concentrados na escolha das letras que utilizarão. após a escrita.n Escolhido o assunto. A palavra ficou assim: PIUA. livros e outros textos cujo conteúdo as crianças conheçam). PINTURAS. peça-lhes que leiam o que acabaram de escrever). n Oriente os alunos que não escrevem convencionalmente para que se apoiem nos materiais de consulta presentes na classe (listas com os nomes dos colegas. ambos silábicos. n Procure se assegurar de que todos saibam o que irão escrever. Após a consulta. você pode propor que retomem o que escreveram. a professora sugeriu que olhassem a palavra PINCéIS. já que os demais podem realizar essa atividade de maneira mais autônoma.

não se espera que escrevam convencionalmente. o encaminhamento dado pela professora teve como objetivo levar os alunos a refletir. ampliando o que sabem. n Que materiais são necessários: o texto base e as fotos. e exemplos retirados de diferentes nações. abordando-os de maneira mais geral (comportamentos que são compartilhados por todos os povos). n Acompanhar a leitura de um texto para aprender. pois é a partir da problematização delas que ocorrerão os avanços. É importante aceitar as escritas que produzem. também. n Como organizar os alunos: em quartetos. serão eleitos alguns assuntos sobre o modo de vida dos povos indígenas. Procure. assim. ampliando. Planejamento n Quando realizar: após estudar algumas nações indígenas. n Valorizar hábitos alimentares diferentes dos seus. Etapa 4 Aprender sobre alimentação. crianças e mitos em diferentes nações indígenas Nessa etapa. os alunos escreverão considerando seus conhecimentos sobre a escrita. atividade 4a: comparar a relação entre a alimentação dos povos indígenas e a dos alunos Objetivos n Observar hábitos de diferentes povos e comparar com o seu. No exemplo anterior. n Duração: 50 minutos. Guia de Planejamento e orientações didáticas 159 . que estaria distante daquilo que as crianças são capazes de compreender.n Nessa atividade. Isso não aconteceria se a professora simplesmente mostrasse “o jeito certo”. Encaminhamento n Leia com antecedência o texto de apoio para preparar-se. o panorama de nações conhecidas pelos alunos. assim.

dando espaço para os comentários. no entanto. proponha que alguns quartetos utilizem as letras móveis para a realização dessa proposta. EM ALGUNS CASOS. por exemplo: ALGUNS ALUNOS DISSERAM QUE O ALIMENTO É PREPARADO POR SUAS MÃES. Tal encaminhamento permite que os alunos se envolvam mais efetivamente com a leitura do que se fosse feita de maneira contínua. n Se achar interessante.sanar as dúvidas que você tiver. n Organize previamente os quartetos. EM OUTROS. de modo a garantir grupos produtivos de trabalho. se relacionam com os alimentos que consomem: jj Quem prepara os alimentos consumidos? jj onde vem esse alimento? Como se obtém esse alimento? De jj Como são os utensílios usados para o preparo? Quem os fabricou? n Os alunos devem discutir. n Antes da leitura. É O PAI QUEM O PREPARA. não interromper demais para que não se torne longa e cansativa. em quartetos. 160 Guia de Planejamento e orientações didáticas . n Proponha uma conversa inicial a partir de algumas perguntas sobre o modo como as crianças. n Leia o texto. as respostas a essas perguntas. Deverão observar as principais diferenças entre o modo como as populações indígenas se relacionam com a alimentação e aquilo que discutiram sobre os mesmos comportamentos dos familiares. O ALIMENTO É COMPRADO NO SUPERMERCADO. Procure. proponha que fiquem atentos aos seguintes aspectos: jj onde vêm os alimentos consumidos pelos grupos indígenas? De jj Quem se responsabiliza por conseguir esse alimento? jj Que tipo de utensílio é utilizado e quem o fabrica? n Proponha que as crianças interrompam quando identificarem respostas às questões acima ou quando quiserem enfatizar uma informação interessante. em suas famílias. proponha a socialização das respostas e anote num quadro as informações obtidas. considerando os conhecimentos sobre o sistema de escrita e as características de cada criança. Em seguida. n Após essa conversa. todos devem ficar atentos à leitura que você fará. PARA OUTROS. NA FEIRA OU NO SACOLÃO. Essa anotação pode ser realizada na forma de tópicos breves.

coletar frutos no mato. plantar e colher os produtos da roça etc. Isso porque é preciso obter ou produzir os alimentos: criar animais. ÍNDIAS YANOMAMIS COLHENDO MANDIOCA EM SUA ROÇA. também é preciso construir as ferramentas e os utensílios. A ALIMENTAÇÃO DOS POVOS INDÍGENAS Os povos indígenas dedicam grande parte do seu tempo a atividades relacionadas à alimentação. qual é a época em que os frutos amadurecem. qual é o melhor período para preparar. entre outros. realizar expedições de caça e de pesca. necessários para realizar as tarefas. Além de produzir o alimento. Atividades da roça Entre as diferentes populações indígenas. como armadilhas. eles derrubam um trecho de mato. a roça é uma atividade praticada por homens e mulheres. como é o comportamento de cada animal. as ÍNDIA XAVANTE EM COLETA DE ALIMENTOS NA MATA. como galinhas e porcos. Mas as atividades que realizam não são as mesmas. canoas. Preparar o terreno para a roça é tarefa dos homens. preparar a roça e colher seus produtos. cestos. zarabatanas. pessoas devem conhecer muito bem a região onde vivem: quais são as épocas de chuva e de seca.NOME: ________________________________________________________________________ DATA: _____ /_______________ TURMA: _________________________________________ ACOMPANHE A LEITURA QUE A PROFESSORA FARÁ DESTE TEXTO. Guia de Planejamento e orientações didáticas 161 . Primeiro. arcos e flechas. Para realizar cada uma das atividades.

As outras atividades da roça são realizadas pelas mulheres. onde costumam se esconder. batata. elas plantam espécies como milho. arcos. que prejudicam o desenvolvimento da plantação. as mulheres fazem a colheita e os carregam em cestos de palha até as aldeias. HOMEM XAVANTE COM ANIMAIS E FRUTOS Quando caem as primeiras chuCOLETADOS NA MATA. o que gostam de comer. 162 Guia de Planejamento e orientações didáticas . vas. cará etc.. flechas e tudo o que é importante para garantir uma boa caçada é construído pelos homens no dia a dia. feijão. quando o mato derrubado seca. Os cães também podem ajudar a localizar os animais no mato. tirando os galhos e restos de árvores. é importante conhecer os hábitos dos animais: se são noturnos ou diurnos. amendoim. Para ter sucesso e voltar para casa com muita comida. A CAÇA É UMA IMPORTANTE FONTE DE ALIMENTOS PARA OS ÍNDIOS YANOMAMIS. Quando os alimentos cultivados estão maduros. fica mais fácil encontrá-los. os homens passam dias acampados no mato. As armadilhas. como são os rastros que deixam no chão. que cheiros têm. se andam sozinhos ou em bando. preparar a caçada e fazer armadilhas. Atividades de caça A caça é uma atividade masculina realizada individual ou coletivamente e pode ser feita nas proximidades da aldeia ou em lugares mais distantes. Depois mantêm a roça limpa.. mandioca. Nestas ocasiões. fazem uma limpeza na roça. Dessa forma.Depois de um tempo. colocam fogo para limpar a área e as cinzas são usadas como adubo. retirando as ervas daninhas. Em seguida.

atividade 4b: discussão em quartetos sobre os hábitos alimentares dos povos indígenas Objetivos n Observar hábitos de diferentes povos e comparar com o seu. socioambiental. a pescaria com anzol e linha.. e assim esse trabalho vira uma grande diversão! FONTE: Instituto Socioambiental | Site Povos Indígenas no Brasil Mirim: http://pibmirim. Em algumas comunidades apenas os homens saem para pescar e muitas vezes ficam dias acampados perto de rios e lagoas.. que conhecem e usam diferentes técnicas de pesca. n Registrar informações aprendidas. flechas. uso de armadilhas. ou ser realizada em família. A pescaria também pode ser feita pelas mulheres.Atividades de pesca O peixe é um alimento importante para muitas populações indígenas. As técnicas mais utilizadas pelos diferentes povos são: uso do timbó (um tipo de cipó) e outras plantas venenosas. Guia de Planejamento e orientações didáticas 163 . n Valorizar hábitos alimentares diferentes dos seus.org/como-vivem/alimentacao ÍNDIOS WAURÁ REALIZAM PESCA COM REDE. OS XAVANTES DEFUMAM OS PEIXES PESCADOS PELOS HOMENS PARA CONSERVÁ-LOS POR MAIS TEMPO.

releia algumas passagens do texto utilizado na aula anterior. cestos. n Como organizar os alunos: em quartetos (os mesmos propostos na aula anterior). É interessante reler os seguintes trechos dos textos para que os alunos localizem os itens pertinentes a cada lista: Sobre alimentos cultivados na roça: Quando caem as primeiras chuvas. zarabatanas. organize uma lista coletiva de cada uma das categorias. n Duração: 40 minutos. cará etc. Sobre os utensílios: Além de produzir o alimento. canoas. batata. n Após esse momento. nos mesmos quartetos em que trabalharam na aula anterior. n Após a escrita. mandioca. necessários para realizar as tarefas. Encaminhamento n Relembre as principais informações lidas e conversadas na aula anterior. circule entre os quartetos para ajudar as crianças que tenham dúvidas e para favorecer a participação de todos os integrantes dos quartetos. arcos e flechas. n Como a atividade de escrita será proposta em quartetos. comente e peça aos alunos que contribuam com aquilo que recordam. também é preciso construir as ferramentas e os utensílios. amendoim. como armadilhas. n Enquanto trabalham. Se houver dúvidas. feijão. os alunos organizem duas listas: alimentos obtidos nas roças e utensílios utilizados para obter e transportar alimentos e armas usadas na caça (veja o modelo de atividade). elas (as mulheres) plantam espécies como milho. n Antes de se dedicarem à escrita. n Que materiais são necessários: cópias da atividade. Para isso.Planejamento n Quando realizar: após a leitura sobre a alimentação dos povos indígenas. faça oralmente um levantamento do que pode ser escrito. com itens sugeridos por todos. os alunos deverão discutir tanto os itens que deverão constar em cada uma das listas como as letras que consideram necessárias para grafar cada palavra. proponha que. entre outros. Escreva-a num cartaz com os seguintes títulos: jj ALIMENTOS CULTIVADOS PELOS POVOS INDÍGENAS NAS ROÇAS jj UTENSÍLIOS E ARMAS USADOS PARA OBTER E PREPARAR ALIMENTOS 164 Guia de Planejamento e orientações didáticas .

a partir de suas sugestões. .O qUE fAzER . observe especialmente os grupos de alunos que ainda não escrevem convencionalmente.. Verifique se o trabalho está sendo produtivo e. Se perceber que alguns têm dificuldade para refletir sobre as letras. Por outro lado. Pergunte.. os alunos leram MANDIOCA. dê dicas que ajudem a continuar o trabalho. Por exemplo: para EIOA. Nesse caso. para atender o maior número de crianças que necessitam de ajuda? Circule pela classe.? Você concorda que é com a letra sugerida por seu colega?”. você pode dizer: MANDIOCA tem algumas letras parecidas com AMANDA. se for o caso. procurando promover avanços? Em quartetos que estão trabalhando produtivamente. ofereça as informações necessárias.. por exemplo: “Com que letra se escreve. Por exemplo. interfira sugerindo que: n cada um dê sugestões para acrescentar à lista.. Pergunte.. sabemos também que alguns alunos necessitam mais de nossa ajuda. evite ficar muito tempo com o mesmo grupo. Enquanto isso. dedique mais tempo a eles. Como é que se escreve AMANDA? Guia de Planejamento e orientações didáticas 165 . Recomendamos que faça pequenas intervenções e deixe-os buscar sozinhos as soluções. para problematizar aquilo que sabem.. incluindo somente vogais. Você pode remetê-los ao nome de um colega em que apareça um dos sons da palavra que escreveram. pode ajudá-los a escrever essa palavra?” De maneira geral. . você pode intervir de forma a problematizar aquilo que sabem: aponte uma palavra que foi escrita silabicamente. nesse caso... por exemplo: “O que mais esses povos cultivam? quais são as armas utilizadas?”.. e peça-lhes que leiam o que quiseram escrever. com perguntas do tipo: “O que podemos escrever agora? Com que letra vocês acham que começa? Vocês acham que o nome da colega. circule e oriente outros alunos. n cada aluno opine em relação à escrita. mas não se esqueça de voltar aos mesmos grupos para certificar-se de que utilizaram a ajuda fornecida por você..

espera-se que incluam mais elementos em suas listas. é importante que discutam entre si sobre a melhor maneira de escrever determinado item da lista.. para conferir o que fizeram com a informação que você forneceu. para oferecer desafios também aos alunos alfabéticos? Os alunos alfabéticos terão desafios relacionados à ortografia. .Enquanto procuram resolver.. NOME: ________________________________________________________________________ DATA: _____ /_______________ TURMA: _________________________________________ COMPLETE OS QUADROS COM INFORMAÇÕES SOBRE OS POVOS INDÍGENAS ALIMENTOS CULTIVADOS NAS ROÇAS ARMAS E UTENSÍLIOS USADOS PARA OBTER OU PREPARAR ALIMENTOS 166 Guia de Planejamento e orientações didáticas . Como têm mais facilidade para escrever. ajude outros alunos e volte mais tarde.

consideran- do os conhecimentos dos alunos sobre o sistema de escrita (ver orientações na atividade 2C deste projeto). para garantir que o conheçam bem antes de se dedicarem à escrita. n Com a ajuda do professor. Deixe que as crianças falem daquilo que consideraram mais interessante. rever após a escrita etc. n Na primeira parte da atividade.atividade 4c: escrita de legendas sobre hábitos alimentares dos povos indígenas Objetivos n Escrever segundo suas hipóteses. tais como os nomes dos colegas e outros materiais escritos presentes na sala de aula. visando aprimorar sua escrita. Planejamento n Quando realizar: após a leitura da aula sobre a alimentação dos povos in- dígenas. n Anote os cinco assuntos que consideraram mais interessantes sobre o tema. n Duração: 50 minutos. relembre as informações que foram abordadas na aula anterior sobre os hábitos alimentares dos povos indígenas. participar de uma situação de revisão. n Explique aos alunos que farão desenhos sobre os hábitos alimentares dos povos indígenas e depois escreverão legendas para esses desenhos. em seguida. n Proponha. Encaminhamento n Planeje a organização das duplas antes de começar a atividade. utilizando diferentes fontes de informa- ção. escolher uma entre várias possibilidades. então. Num primeiro momento. elaborem as legendas. Guia de Planejamento e orientações didáticas 167 . que as duplas escolham um desses temas para fazer um desenho e. n Como organizar os alunos: em duplas compostas por crianças que se encontram em momentos próximos com relação à conceitualização da escrita. n Desenvolver comportamentos de escritor: planejar o que irá escrever. cada dupla deve dizer a você esse texto.

ampliando o que sabem. As crianças que ainda não estão à vontade no traçado das letras podem utilizar as letras móveis para a realização dessa proposta. n Aprender uma brincadeira a partir de um vídeo. n Acompanhe de perto o trabalho dos alunos que não escrevem alfabeticamente. durante a escrita. como as sugeridas na atividade 3C (escrita de legenda sobre o povo estudado). Planejamento n Quando realizar: durante o projeto sobre povos indígenas brasileiros. n Nesta atividade. n Procure se assegurar de que todos saibam o que irão escrever. já que os demais podem realizar essa atividade de maneira mais autônoma. n Em relação a essas duas duplas. os alunos escreverão considerando seus conhecimentos sobre a escrita. As intervenções sugeridas têm como objetivo levar os alunos a refletir. devem estar concentrados na escolha das letras que utilizarão. não se espera que escrevam convencionalmente. n Oriente os alunos que não escrevem convencionalmente para que se apoiem nos materiais de consulta presentes na classe (listas com os nomes dos colegas. n Aprender a partir de relatos lidos pela professora. peça-lhes que leiam o que acabaram de escrever). n Aprender a partir da exposição oral da professora.n Relembre a característica das legendas: textos breves que acompanham uma imagem e que acrescentam informações a ela. assim. enquanto escrevem. n Escolha duas duplas para acompanhar de perto sua escrita. 168 Guia de Planejamento e orientações didáticas . pois. você pode propor que retomem o que escreveram. oferecendo-lhes algumas pistas. livros e outros textos cujo conteúdo as crianças conheçam). Procure anotar a qual parte da escrita dos alunos corresponde cada parte do texto que se propuseram a escrever (se necessário. atividade 4d: brincadeiras e brinquedos indígenas Objetivos n Conhecer alguns comportamentos dos povos indígenas para com as crian- ças a partir dos brinquedos e brincadeiras.

também nesse momento.socioambiental. assim como ocorreu antes. na parte inicial da aula. n Comece apresentando as informações gerais. leia o texto que se encontra no Anexo 4D. você exporá algumas informações e. n Duração: 40 minutos. em seguida. Proponha que fiquem atentos para descobrir qual é esse papel. assistirão a um vídeo em que algumas brincadeiras são ensinadas pelos próprios índios. Fazer o brinquedo faz parte da brincadeira. relatos constantes do material de apoio (anexo 4D). n Finalize a aula com o vídeo sobre o jogo Ta e. brincam de casinha como as mulheres. Guia de Planejamento e orientações didáticas 169 . Há brincadeiras de meninos.com/5641782. n Passe à segunda parte da aula. jj brincar também é uma forma de aprender o que precisarão saber quando forem adultos: fazem armas como os homens adultos.org/como-vivem/brincadeiras ou no http://vimeo. além de brincar para se divertir. proponha que as crianças exponham dúvidas e façam comentários. lerá um relato sobre uma brincadeira de um povo indígena. Certifique-se de que o vídeo esteja disponível para exibição. n Deixe que os alunos façam perguntas e comentem as informações que você expôs. Prepare. Antecipe que. Os alunos podem permanecer em suas carteiras. n Compartilhe com as crianças que. também. Para isso. jj existem brinquedos. as brincadeiras têm um papel muito importante para as crianças das culturas indígenas. n Que materiais são necessários: vídeos com as brincadeiras do site do Instituto Socioambiental | Site Povos Indígenas no Brasil http://pibmirim. É importante enfatizar nesse momento que: jj assim como qualquer criança. jj brincadeiras só de crianças e outras das quais os adultos participam há também. as indígenas também brincam e muito. a leitura do relato (Anexo 4Da). Na sequência. Encaminhamento n Antes da aula. com a leitura dos relatos sobre os piões dos Gabilis. prepare-se para expor as informações referentes aos aspec- tos gerais do papel das brincadeiras para os povos indígenas. de meninas e outras em que todos brincam juntos. n Explique aos alunos o tema da aula (as brincadeiras entre os povos indígenas brasileiros). abra um momento para perguntas e comentários. mas estes são fabricados pelas próprias crianças.n Como organizar os alunos: as atividades são coletivas. Após essa leitura.

jj for um brinquedo. Encaminhamento n Explique aos alunos que vocês escreverão um texto para ensinar uma das brincadeiras aprendidas na aula anterior. em seguida.atividade 4e: ditado ao proFessor de uma das brincadeiras apresentadas na aula anterior Objetivos n Perceber a diferença entre linguagem oral e linguagem escrita. se jj for um brinquedo. uma etapa importante para planejar sua produção. 170 Guia de Planejamento e orientações didáticas . indicar também como é feito para. utilizando a linguagem. n Desenvolver comportamentos de escritor: planejar o que irá escrever. n Antes de propor que os alunos ditem. jj citar se o texto se referirá a um brinquedo ou a uma brincadeira. n Como organizar os alunos: eles podem ficar sentados em suas carteiras. indicar o material de que é feito e como é obtido. mas garanta que os seguintes não deixem de aparecer: jj povo indígena que foi referido no momento em que a brincadeira foi o apresentada. rever após a escrita etc. escolher uma entre várias possibilidades. Relembre as que foram apresentadas e organize uma votação daquela que acharam mais interessante para compartilhar. n Duração: cerca de 40 minutos (se a atividade exceder esse tempo. n Participar de uma situação de escrita de texto para ensinar uma brincadeira. É importante que esses temas sejam sugeridos pelos alunos. a organização e as expressões próprias desse gênero. Planejamento n Quando realizar: durante o projeto de estudo dos povos indígenas brasileiros. dedique algum tempo para organizar os assuntos que constarão no texto. exse plicar como se brinca com ele. rever enquanto escreve. inter- rompa-a para retomar em outra aula).

em outro dia. n Quando for retomar. coloque o papel com o trecho já realizado. Alguns problemas que podem surgir: jj repetição excessiva de alguma palavra. converse com as crianças para que elas próprias procurem resolver a questão. as regras para sua realização. também. encaminhe a escrita de cada novo tópico. n Pergunte aos alunos como acham que o texto deve começar e discuta com eles as várias possibilidades. releia o que foi escrito e pergunte aos alunos se consideram que o texto está explicando o que aprenderam sobre a brincadeira. Guia de Planejamento e orientações didáticas 171 . Isso é muito importante. que pode ser resolvida pela supressão ou substituindo-a por um termo equivalente. jj falta de alguma informação relevante que comprometa a compreensão a da brincadeira. se jj for uma brincadeira. Copie em papel pardo o trecho que estiver escrito na lousa e avise. comente o que deve vir em seguida e peça-lhes que ditem o que sabem e expliquem a melhor forma de escrever. explicar os materiais utilizados. volte ao texto ou vídeo em que a brincadeira foi apresen- tada para relembrar algum dos assuntos citados que não tenha ficado claro. n Quando terminar. n Mesmo que não tenham terminado o texto. se achar necessário. pois o modo de ditarem e as opções que cada um deles propõe explicitam as características da linguagem que conseguem utilizar. n Quando perceber que há problemas na linguagem utilizada. quando chegarem a uma conclusão. que continuarão posteriormente. discuta outras possibilidades de escrever a mesma coisa. interrompa a atividade quando perceber que já estão cansados. se necessário. Coloque questões que os façam refletir sobre a linguagem escrita. Por exemplo: jj Esta é a melhor forma de escrevermos isso? jj Será que o leitor vai entender o que queremos dizer? Como podemos fazer para ficar mais claro (ou explicar melhor aquilo que lemos)? jj Falta alguma informação sobre esse assunto? n Após escrever o começo. leia o que foi feito e continue a produção seguindo os mesmos procedimentos. relendo sempre o que já foi escrito e fazendo perguntas como: jj informações estão de acordo com o que aprendemos e com o que As precisamos comunicar? jj algum problema no modo como as informações estão escritas? Há n Terminado um tópico. se n Se for necessário. explicar.jj for uma brincadeira. escreva-a na lousa em letra bastão. n Escreva o que os alunos ditarem.

é mais interessante que a produção resultante dessa atividade seja expressão das possibilidades dos alunos de compor um texto. 172 Guia de Planejamento e orientações didáticas . Comente a importância de ouvir os colegas. No entanto. utilize esse encaminhamento apenas quando absolutamente necessário para facilitar a compreensão do que foi escrito. perguntando-lhes o que acham de determinada informação. levantando a mão quando tiver alguma ideia. Nesse caso. atividade 4F: como as crianças índias aprendem Objetivos n Aprender aspectos da cultura dos povos indígenas: a transmissão de conhe- cimentos e daquilo que é necessário para a participação social. como gostariam de incluí-la no texto e outras solicitações. … os alunos não conseguirem solucionar problemas textuais apontados por você? No encaminhamento foi apontada a possibilidade de propor questões aos alunos para aprimorar o modo de elaborarem o texto. Mas é possível que eles ainda não contem com os conhecimentos necessários para resolver os problemas apontados. … houver alunos que se dispersam em atividades coletivas? Procure fazer com que os alunos que têm essa característica ocupem lugares mais próximos a você. n Aprender por meio da leitura.O qUE fAzER SE … … os alunos falarem ao mesmo tempo? Relembre a todos que é preciso respeitar a vez de falar de cada um. sugira uma alternativa e proponha que avaliem se contribui para melhorar o texto. Valorize sua contribuição. n Valorizar a cultura indígena.

n Duração: 40 minutos. jj uma outra forma de aprender. n Após esses momentos iniciais. rituais. as contas. valorizada entre esses povos. Esse conhecimento é feito em momentos especiais em que os mais novos ouvem atentamente os mais velhos. Enfatize os seguintes aspectos citados no texto: jj escolas que existem nas aldeias. rituais. seus mitos. n Após ouvirem a leitura e comentar a aprendizagem das tradições e hábitos de cada povo. jj também se ensina a língua do povo e os costumes (isso é diferente das escolas não índias). Os alunos podem perma- necer em seus lugares. enfatize os seguintes pontos: jj crianças indígenas aprendem com os adultos tanto as atividades práas ticas do dia a dia. lendos das. n Depois da leitura. passar à leitura do texto sobre escolas indígenas. o tratamento entre as pessoas). jj essa aprendizagem ocorre na prática. Encaminhamento n Explique o tema que será abordado: como as crianças aprendem entre os povos indígenas. Procure intercalar essa leitura com a exibição de fotos relacionadas a cada assunto. n Num primeiro momento. rezas. em que as crianças imitam as atividades dos adultos. Guia de Planejamento e orientações didáticas 173 . jj citam a aprendizagem com as pessoas mais velhas. necessárias à sobrevivência do grupo. a ler e escrever. professores índios ensinam o pornas tuguês. n Como organizar os alunos: a atividade é coletiva. Observe se os alunos: jj citam a presença de escolas nas aldeias indígenas. músicas. n Que materiais são necessários: os textos (Anexos 4F e 4Fa) e fotos. jj retomam o que já foi referido das brincadeiras como formas de aprender as atividades dos adultos. as crianças se inserem nas atividades junto com os adultos e aprendem fazendo. Esse texto também se encontra no material do aluno. é a brincadeira.Planejamento n Quando realizar: durante o projeto de estudo dos povos indígenas. faça a leitura do primeiro texto de apoio sobre a aprendizagem a partir do relato dos mais velhos e da vivência com os adultos. jj mais velhos também aprendem a história do povo. pergunte aos alunos como acham que as crianças indígenas aprendem. como a tradição de seu povo (histórias.

NOME: ________________________________________________________________________ DATA: _____ /_______________ TURMA: _________________________________________ ACOMPANHE A LEITURA QUE A PROFESSORA FARÁ DESTE TEXTO. outras estão relacionadas com as pequenas atividades realizadas no dia a dia. se autodenominam A’uwé. 174 Guia de Planejamento e orientações didáticas . n Para essa escrita. ESCOLA LOCALIZADA NUMA ALDEIA XAVANTE. faça as intervenções já sugeridas nas atividades de escrita pelo aluno (por exemplo. na atividade 2C). Em cada etapa deste longo caminho. JEITOS DE APRENDER Os Xavantes. outras. organize as crianças em duplas e proponha que produzam um desenho e uma legenda em que registrem aquilo que aprenderam. O aprendizado entre os Xavantes é um processo que acontece ao longo de toda a vida. que vivem no estado do Mato Grosso. desde quando se é criança até a velhice. novos conhecimentos são adquiridos nas mais diferentes situações: algumas são entendidas como momentos de aprendizagem (como é o caso dos rituais).n Após a leitura. no cerrado brasileiro. proponha que as duplas se dividam: algumas escrevem sobre a importância das brincadeiras para aprender. Enquanto escrevem. que na língua Akwén quer dizer “gente”. outras escreverão sobre aprender trabalhando junto com os mais velhos. sobre as escolas indígenas.

e aprofunda o conhecimento que tem sobre sua comunidade. as crianças brincam e se divertem. As situações mais cotidianas são momentos de aprendizagem valorizados pelos A’uwé. As crianças xavantes costumam repetir muitas vezes a mesma brincadeira. e é nestas ocasiões que elas aprendem a identificar as regras que orientam sua sociedade. A brincadeira é um jeito de aprender. AS CRIANÇAS APRENDEM A REALIZAR AS ATIVIDADES NECESSÁRIAS À SOBREVIVÊNCIA DO GRUPO. levar e trazer recados. DESDE PEQUENAS. As crianças costumam caminhar livres pela aldeia.ESCOLA NA ALDEIA KRUKUTU – ÍNDIOS GUARANIS. As tarefas domésticas são aprendidas no cotidiano. lavar roupa. além de desenvolverem as habilidades físicas para se tornarem bons caçadores. Dessa forma melhoram suas habilidades e aprendem suas possibilidades e do mundo à sua volta. conseguirão fazer arcos e flechas bonitos e bons para caçar. Ao mesmo tempo em que ajudam seus parentes a tomar conta do irmão. Os meninos. preparar comidas. buscando novas possibilidades e desafios a cada repetição. por exemplo. Assim o aprendizado vai acontecendo aos poucos. Ao construir com o barro uma casa em miniatura. Guia de Planejamento e orientações didáticas 175 . Vão aperfeiçoando a maneira de fazer os objetos e assim. velhos ou adultos) em suas atividades. CRIANÇAS XAVANTES PILANDO ALIMENTOS. Brincar de casinha é um bom exemplo disso. aprendem a fazer arcos e flechas desde pequenos e brincam ao redor da casa imitando caçadores e bichos. acompanhando outras pessoas (sejam crianças. imitam as divisões internas de sua própria casa e assim a criança xavante reflete sobre a organização doméstica e os espaços da aldeia. quando forem adultos.

que conhecem importantes cantos etc. n Duração: 40 minutos. material para desenhar e pintar. de passagem de uma fase da vida para outra. org/como-vivem/aprender atividade 4g: mitos de origem de dois povos indígenas Objetivos n Conhecer mitos de origem de diferentes povos indígenas. da fase de criança para a idade adulta. Têm por objetivo marcar períodos de amadurecimento. Nos rituais de passagem aprende-se como agir socialmente: o que a comunidade espera. os alunos trabalharão em grupos. Na segunda parte.socioambiental. Estes momentos buscam enfatizar as divisões e as regras CRIANÇAS WAURÁS ACOMPANHAM sociais xavantes e fixar os conheSEU PAI EM PESCARIA. princípios e modos de agir do seu grupo e os adultos aprendem com os mais velhos todos os detalhes da realização de um ritual. n Como organizar os alunos: a atividade é coletiva. todo mundo aprende: os jovens aprendem mais sobre os valores. n Acompanhar a leitura do professor.Os rituais são importantes situações de aprendizagem. como demonstrar que aqueles meninos já conseguem enfrentar desafios físicos. quais atitudes se deve ter dali para frente. cimentos sobre as mesmas. por exemplo. n Que materiais são necessários: os textos contendo os mitos de origem (Anexos 4G e 4Ga). FONTE: Instituto Socioambiental | Site Povos Indígenas no Brasil Mirim http://pibmirim. Os alunos podem perma- necer em seus lugares. Planejamento n Quando realizar: durante o projeto de estudo dos povos indígenas brasileiros. 176 Guia de Planejamento e orientações didáticas . Nestes momentos. Os rituais têm objetivos concretos.

n Duração: cerca de 40 minutos. a forma que encontraram para explicar o mistério da origem do mundo. em geral pela tradição oral. mas. atividade 4h: ditado ao proFessor do mito de origem dos índios desanas Objetivos n Perceber a diferença entre a linguagem oral e a linguagem escrita. Metade deles fará um desenho que inclua o maior número de detalhes do primeiro mito. n Terminada essa produção. socialize a criação de cada grupo com os demais. n SUGESTÃO: em vez do desenho. entre um e outro. Guia de Planejamento e orientações didáticas 177 . mas as mais diversas culturas detêm histórias desse tipo. proponha que as crianças se reúnam em quartetos. Esses mitos têm muita força entre os povos que os criaram e são transmitidos de pai para filho. n Leia os dois mitos. Planejamento n Quando realizar: durante o projeto de estudo dos povos indígenas brasileiros. que não apenas os povos indígenas.Encaminhamento n Prepare a leitura dos mitos de origem constantes do material de apoio (ín- dios Desanas e Arawetés). n Explique aos alunos o que são mitos de origem: um determinado povo ou cultura explica a origem do mundo por meio de uma história (narrativa) carregada de símbolos. rever enquanto escreve. n Após a leitura. n Como organizar o grupo: voltados para a lousa. escolher uma entre várias possibilidades. Elas fazem parte da herança cultural de cada povo. n Comportamentos de escritor: planejar o que irá escrever. também. A outra metade se dedicará a fazer o mesmo em relação ao segundo mito. deixe espaço para que as crianças façam perguntas e comentários. Explique. São criações que expressam a crença daquele povo. rever após escrever etc. peça o apoio do professor de artes para a elaboração de maquetes de massinha que representem cada um dos mitos.

Você pode fazer perguntas como: jj Esta é a melhor forma de escrevermos isso? jj Será que o leitor vai entender o que queremos dizer? jj Falta alguma informação neste trecho? n Na hora em que perceber que estão cansados. do grupo Palavra Cantada. n No dia em que continuar. então. Etapa 5: Aspectos históricos Nesta etapa. n Pergunte. interrompa. os alunos terão contato com uma versão do descobrimento do Brasil diferente daquela que é mais difundida. n Aprender a partir da leitura de um texto publicado em revista dedicada à divulgação de informações científicas especialmente voltada para o público infantil.Encaminhamento n Faça uma nova leitura do mito dos índios Desanas. apresentado aos alunos na aula anterior. ou seja. a questão do descobrimento será discutida com os alunos. Discuta com o grupo as várias possibilidades e escreva aquela que o grupo julgar que ficou melhor (em letra bastão). copie o trecho que tiver sido escrito em papel kraft da lousa e avise que continuarão posteriormente. A partir da leitura de uma matéria publicada na revista Ciência Hoje das Crianças e da música Pindorama. do descobrimento do Brasil. coloque o papel com o trecho escrito na lousa. leia o que foi feito e dê prosseguimento à produção procedendo da mesma forma. atividade 5a: leitura pelo proFessor de matéria sobre o descobrimento do brasil Objetivos n Conhecer outra versão. 178 Guia de Planejamento e orientações didáticas . como acham que a história deve começar. eles é que irão contar a história do melhor jeito possível. além da oficial. n Coloque questões que os façam refletir sobre a linguagem escrita. n Avise que você escreverá aquilo que eles ditarem.

comandada por Pedro Álvares Cabral. n Duração: 40 minutos. como estas: jj muito tempo. realizando as pausas para comentários em que os alunos digam o que compreenderam em cada parágrafo. de que os portugueses teriam descoberto o Brasil. n Deixe que os alunos conversem livremente. Espera-se que as crianças entendam que. Os alunos podem perma- necer em seus lugares. n Como organizar os alunos: a atividade é coletiva. n Explique que você lerá um texto em que essa visão. jj início. traga algumas informações sobre o tema. chegou ao Brasil uma esquadra proveniente de Portugal. já que vários povos já haviam chegado antes às terras do Brasil: os povos indígenas habitavam esta terra. o Brasil não era uma terra conhecida há pelos europeus. n Terminada a leitura. o contato entre os europeus e os índios era amistoso em alguns no momentos e conflituoso em outros. Texto publicado na revista Ciência Hoje das Crianças (Anexo 5A). jj nesse ano. jj hoje se diz que os portugueses descobriram o Brasil. Proceda dessa forma até o final do texto. Guia de Planejamento e orientações didáticas 179 . n Transcreva a pergunta na lousa e inicie a leitura. o Brasil não poderia ser descoberto. Os portugueses que estavam nesses navios encontraram índios vivendo por aqui. Explique que devem ficar atentos para responder à seguinte pergunta: jj que o autor do artigo não concorda com a ideia de que foram os porPor tugueses que descobriram o Brasil? n Diga também que haverá pausas ao fim de cada parágrafo para que todos digam o que compreenderam. Após a conversa. antes de 1500. n Que materiais são necessários: papel pardo grande para anotar. é contestada.Planejamento n Quando realizar: durante o projeto sobre os povos indígenas brasileiros. Encaminhamento n Proponha uma conversa informal em que os alunos compartilharão o que sabem sobre o descobrimento do Brasil. e só no final da leitura é que tentarão responder à pergunta colocada. proponha uma discussão sobre o que foi colocado no texto e a pergunta norteadora. na visão do autor do texto.

É importante enfatizar a relação que os portugueses estabeleceram com os povos que aqui habitavam. leia a letra da canção e identifique as referências à história do descobrimento do Brasil. jj Vera Cruz (2a estrofe) – primeiro nome dado pelos portugueses ao Brasil (Ilha de Vera Cruz). Também é importante salientar a diminuição drástica que sofreu a população indígena e os motivos para tal diminuição.br/view/92db81ral8qx/palavra-cantada--pindorama-0402386EC4892366?types=A n Duração: 50 minutos. Veja alguns exemplos: jj Pindorama (1a estrofe) – palavra em tupi que significa “país ou região das palmeiras”. Para a segunda parte da aula. CD do grupo Palavra Cantada ou acesso ao site da UOL Música: http://mais. organizar as crianças em duplas. além disso. visando dominá-los. n Como organizar os alunos: coletivamente. Encaminhamento n Antes da aula. descritos no último parágrafo do texto. n Que materiais são necessários: cópias da letra da canção.com. num primeiro momento. Planejamento n Quando realizar: após a leitura do texto “A outra história do descobrimento do Brasil”.uol. 180 Guia de Planejamento e orientações didáticas . compreenderam e julgaram relevante. jj Dom Manuel (último verso da primeira estrofe) – rei de Portugal em 1500. É como os povos de língua tupi chamavam sua terra. atividade 5b: ouvir e cantar uma canção sobre o descobrimento Objetivos n Aprender uma nova canção.n Peça que coloquem o que. n Relacionar o conteúdo da canção ao estudo dos povos indígenas e à leitura feita na aula anterior (“A outra história do descobrimento do Brasil”).

Para essa atividade. n Em seguida. distribua a letra da canção para os alunos e. Mostre o CD e diga que a música é cantada pelo grupo Palavra Cantada. a quem se deve atribuir o “descobrimento do Brasil”. não têm informações (que foram indicados acima).jj Monte Pascoal (2a estrofe) – primeiro ponto avistado do mar pelas cara- velas. após informar. Conhecido como o Dia do Descobrimento do Brasil. para comunicar o descobrimento de uma nova terra. tinha a intenção de chegar à Índia e que só veio parar no Brasil por acaso (tal versão é considerada discutível pelos historiadores). Enquanto o faz. n Discutido o significado da canção. jj Para as Índias encontrar (último verso da 4a estrofe) – a história conta que Cabral. n Ouça a canção uma vez (sem usar a letra) ou veja o clipe da UOL Música e. explorando também se conhecem outras canções desse mesmo grupo. desembarcaram 22 no Brasil. é interessante que os alunos estejam organizados em duplas. indique no texto transcrito na lousa cada uma das estrofes. Manuel. jj Pero Vaz (3a estrofe) – Pero Vaz de Caminha veio junto com a esquadra de Cabral. Para cada estrofe. antes de chegarem ao Brasil em 1500. ao mesmo tempo. pergunte se os alunos perceberam a brincadeira que há na alternância das estrofes. provavelmente. transcreva a letra da canção no quadro. Cabral teria ido embora para seguir seu caminho para lá. n Inicie a aula explicando que aprenderão uma música que aborda o mesmo tema discutido na aula anterior. proponha aos alunos que procurem acompanhar a letra. D. Guia de Planejamento e orientações didáticas 181 . com seus navios. n Finalize a aula propondo que façam uma ilustração para cada uma das estrofes indicadas. jj de abril – dia em que os navios de Cabral. ou seja. ao mesmo tempo em que ouvem a música. informe alguns dados sobre os quais os alunos. Quem canta a primeira estrofe? E a segunda? Proceda assim para que percebam que o sotaque português indica a visão de Portugal enquanto a outra voz se refere aos índios. n Essas informações deverão ser compartilhadas com os alunos para que possam compreender melhor a letra da canção. Após “descobrir o Brasil”. discuta a posição que cada “voz” está defendendo (índios ou portugueses). n Antes da aula. depois. Era o escrivão e se encarregou de escrever uma carta ao rei. em 1500.

NOME: ________________________________________________________________________ DATA: _____ /_______________ TURMA: _________________________________________ ACOMPANHE A LETRA DA MÚSICA PINDORAMA E. PINDORAMA PALAVRA CANTADA (TERRA À VISTA!) PINDORAMA. MUITO ALÉM DOS DOMÍNIOS DE DOM MANUEL VERA CRUZ. DESCOBRIU TODA A TERRA DO BRASIL PINDORAMA. VÊM VOCÊS QUE FALAVAM TUPI-PORTUGUÊS Só DEPOIS COM VOCÊS NOSSA VIDA MUDOU DE UMA VEZ 182 Guia de Planejamento e orientações didáticas . PINDORAMA MAS OS ÍNDIOS JÁ ESTAVAM AQUI PINDORAMA. FAÇA UMA ILUSTRAÇÃO PARA AS ESTROFES INDICADAS. VERA CRUZ QUEM ACHOU FOI PORTUGAL VERA CRUZ. PINDORAMA É O BRASIL ANTES DE CABRAL PINDORAMA. MUITO ALÉM DO ENCONTRO DO MAR COM O CÉU FICA ALÉM. PINDORAMA JÁ FALAVAM TUPI-TUPI Só DEPOIS. PINDORAMA É TÃO LONGE DE PORTUGAL FICA ALÉM. EM SEGUIDA. VERA CRUZ ATRÁS DO MONTE PASCOAL BEM ALI CABRAL VIU DIA 22 DE ABRIL NÃO Só VIU.

NUM DESVIO VIU A TERRA E DISSE: “UAU!” NÃO FOI NAU. VEM OUVIR É UM PAÍS MUITO SUTIL QUEM QUISER DESCOBRIR Só DEPOIS DO ANO 2000 Guia de Planejamento e orientações didáticas 183 . PARA AS ÍNDIAS MAS AS ÍNDIAS JÁ ESTAVAM AQUI AVISAMOS: “OLHA AS ÍNDIAS!” MAS CABRAL NÃO ENTENDE TUPI SE MUDOU PARA O MAR VER AS ÍNDIAS EM OUTRO LUGAR DEU CHABU. FOI NAVIO FOI UM PLANO IMPERIAL PRA APORTAR SEU NAVIO NUM PAÍS MONUMENTAL AO ÁLVARES CABRAL AO EL REI DOM MANUEL AO ÍNDIO DO BRASIL E AINDA QUEM ME OUVIU VOU DIZER. PERO VAZ DISSE EM UMA CARTA AO REI QUE NUM ALTAR. ENFIM. DEU AZAR MUITAS NAUS NÃO PUDERAM VOLTAR MAS. DESCOBRI O BRASIL TÁ INTEIRINHO NA VOZ QUEM QUISER VAI OUVIR PINDORAMA TÁ DENTRO DE NóS AO ÁLVARES CABRAL AO EL REI DOM MANUEL AO ÍNDIO DO BRASIL E AINDA QUEM ME OUVIU VOU DIZER. SOB A CRUZ REZOU MISSA O NOSSO FREI MAS DEPOIS SEU CABRAL FOI SAINDO DEVAGAR DO PAÍS TROPICAL PARA AS ÍNDIAS ENCONTRAR PARA AS ÍNDIAS. DESCONFIO NÃO FOI NADA OCASIONAL QUE CABRAL.PERO VAZ.

Na segunda parte da aula. nas aulas desta etapa.Etapa 6: Preparação do produto final Nesse momento. com o apoio do professor de artes. do encaminhamento das propostas. n Que materiais são necessários: lápis e papel para anotar os projetos dos alunos. Se possível. atividade 6a: divisão dos grupos Objetivos n Organizar os alunos em grupos para a exposição sobre os povos indígenas brasileiros. procure garantir uma criança com escrita alfabética em cada grupo. Assim como em outros momentos deste estudo. organize os quartetos considerando o momento em que cada aluno se encontra em relação: jj compreensão do sistema de escrita alfabético. 184 Guia de Planejamento e orientações didáticas . tanto para o planejamento das aulas. os alunos deverão estar em suas carteiras. n Discutir em grupo um projeto para apresentação de seu grupo. n Duração: 50 minutos. os alunos serão divididos em grupos e começarão a preparação para a apresentação que finalizará o projeto. Planejamento n Quando realizar: na etapa de preparação do produto final do projeto de es- tudo dos povos indígenas brasileiros. É interessante contar à com crianças que se encontrem em momentos diferentes em relação a esse conhecimento. Encaminhamento n Antes da aula. os alunos se organizarão em quartetos. n Como organizar os alunos: num primeiro momento. é fundamental contar. quanto na intervenção junto aos alunos.

4 jjo grupo: como as crianças e jovens aprendem. 5 jjo grupo: mitos e lendas dos povos indígenas. Por exemplo: jj desenho dos mitos com legendas. as crianças que se encarregarem de explicar os mitos podem se apoiar em desenhos legendados de cada um dos mitos. realize um sorteio. oralmente. que ampliem as produções visuais (maquetes. n No início da aula. escrever os títulos e o nomes dos povos a que pertencem e. O ideal. mas se algum deles contar com a preferência de mais de um grupo e outro ficar vazio. 6 n Proponha que os grupos se juntem e conversem sobre o tema de sua preferência. jjo grupo: características dos índios Xikrin-Kaiapós. proponha que discutam como apresentarão as informações. para poder recuperar o conteúdo do texto nas aulas seguintes. Para cada uma dessas produções é preciso que o grupo escreva pequenas informações. uma das crianças se encarrega de escrever o que ditarem. Se possível. para apoiar o que é dito. Explique que cada grupo fará uma exposição oral. mas é importante que você também anote o que planejaram.jj características de cada um (evite deixar num mesmo grupo crianças às muito agitadas ou muito tímidas). Guia de Planejamento e orientações didáticas 185 . mas deve contar com desenhos. n Proponha que os grupos discutam o que produzirão e como apresentarão cada tema. o grupo pode ditar para um integrante que já escreva alfabeticamente. maquetes etc. jj aprender a contar o mito. contar pequenos resumos de cada um. também em relação ao comportamento dos alunos. É importante que esses projetos sejam organizados numa lista. desenhos etc. explicar o que será feito: você organizará as crianças em grupos para que iniciem a organização da apresentação que farão na finalização do projeto. é compor grupos heterogêneos. na forma de legendas. Se não houver crianças nessa situação. 3 jjo grupo: brincadeiras das crianças indígenas. deixe que escolham seu tema. n Explique que cada grupo se responsabilizará por um dos assuntos estudados: jjo grupo: aspectos gerais das nações indígenas hoje e na época do des1 cobrimento. 2 jjo grupo: alimentação dos povos indígenas brasileiros. n Para essa escrita.). Por exemplo. n Definidos os grupos e os temas sobre os quais falarão. jj escrever o título e nome do povo.

n Que materiais são necessários: material para elaboração dos objetos e desenhos que servirão de apoio à apresentação que finalizará o projeto. de acordo com o que os grupos planejaram produzir. Distribua o material plástico disponível.) contem com a participação de todos.atividade 6b: preparação de materiais para exposição É IMPORTANTE QUE. Encaminhamento n Espalhe pela classe os desenhos e legendas. mesmo que alguns sejam mais habilidosos. isso não justifica que apenas eles elaborem os materiais: é importante que as produções (desenhos. que observem as produções realizadas ao longo do estudo: algumas poderão ser incluídas nas apresentações desde que sejam pertinentes ao tema. escritas etc. circule entre os grupos para incentivar a participação de todos. Planejamento n Quando realizar: após o planejamento da apresentação que finalizará o pro- jeto de estudo dos povos indígenas brasileiros. n Deixe que trabalhem e. n Duração: 50 minutos. n Reúna os quartetos e proponha que se organizem para produzir o material que combinaram na aula anterior. antes de iniciar o trabalho. Objetivo n Preparar o material que será exposto na apresentação que finalizará o pro- jeto de estudo dos povos indígenas do Brasil. considerando o que viram em fotos 186 Guia de Planejamento e orientações didáticas . Mostre também as fotos que foram utilizadas no estudo. n Proponha que. PARA ESTA AULA. n Proponha. orientar sobre o uso dos materiais e sobre a pertinência de algumas representações. também. VOCÊ TRABALHE EM PARCERIA COM O PROFESSOR DE ARTES . enquanto isso. além de outros materiais pro- duzidos nas aulas anteriores. n Como organizar os alunos: nos quartetos formados na aula anterior. dividam tarefas: que parte cada um elaborará? Como se organizarão para que todos contribuam para mostrar o que aprenderam? Explique que.

n Os trabalhos produzidos devem ser guardados para serem utilizados nas aulas seguintes e na apresentação. atividade 6c: escrita de legendas Objetivo n Produzir as legendas que acompanharão o material a ser utilizado na apre- sentação de finalização do projeto. n Como organizar os alunos: nos quartetos que se encarregarão de apresentar cada um dos temas. Encaminhamento n Explique como a atividade vai acontecer: os alunos estarão em quartetos e receberão todo o material que foi produzido para apoiar a apresentação. reveja fotos ou releia trechos dos textos utilizados ao longo do estudo para relembrar (por exemplo. n Um exemplo: o grupo que se encarregará de explicar como as crianças indígenas aprendem poderá escrever AS CRIANÇAS TRABALHAM JUNTO COM OS ADULTOS para acompanhar um desenho que represente uma menina Guia de Planejamento e orientações didáticas 187 . n Que materiais são necessários: os objetos e desenhos produzidos na aula anterior. n Duração: 50 minutos. Planejamento n Quando realizar: após a produção do material que servirá de apoio à apre- sentação oral dos grupos. não há sentido em tomar como modelo as cabanas de índios norte-americanos. Diga que esse texto é breve. pois as explicações mais longas serão feitas oralmente pelos integrantes no momento da apresentação. n Se necessário. que são bem diferentes). o grupo que se encarregou de falar sobre a alimentação indígena pode necessitar que você releia os itens que são cultivados nas roças).(por exemplo. É preciso que cada um desses materiais seja acompanhado de uma legenda que amplie as informações apresentadas nas produções visuais (maquetes. uma vez que viram fotos das casas dos povos indígenas brasileiros. Mas enfatize que cada um dos objetos deverá contar com um desses textos.). desenhos etc.

n Proponha que os alunos iniciem a atividade e. Se nem todos os grupos contarem com crianças que já escrevam alfabeticamente. n Que materiais são necessários: os textos produzidos na aula anterior.trabalhando na roça com outras mulheres adultas. escolha uma delas para ser a escriba. AS CRIANÇAS APRENDEM PORTUGUÊS E A LÍNGUA DE SEU POVO para acompanhar outro desenho em que se represente a escola de uma aldeia. n Duração: 40 minutos. jj propondo que todos participem ativamente do trabalho em grupo. jj relembrando informações estudadas (você pode reler textos ou recuperar imagens). n Valorizar a escrita correta. n Explique que as crianças devem decidir esses textos no grupo todo e ditá-lo para uma criança que já escreva. n Como organizar os alunos: nos mesmos quartetos que trabalharam nas aulas anteriores. Também esceverá NAS ESCOLAS INDÍGENAS. 188 Guia de Planejamento e orientações didáticas . circule pelos grupos oferecendo as ajudas necessárias: jj realizando intervenções para que a escrita se aproxime ao máximo da convencional (sugestões de intervenções na atividade 2C). atividade 6d: revisão das legendas que acompanham o material de apoio para a exposição Objetivos n Aprimorar a escrita para que se aproxime da convencional. enquanto trabalham. você deverá estar mais próxima do grupo para propor que o ditem também para você. Nesse caso. Planejamento n Quando realizar: após a escrita dos textos que acompanharão as imagens e objetos produzidos para a finalização do projeto de estudo. Esse encaminhamento permitirá que os textos sejam recuperados na aula seguinte.

para favorecer a reflexão dos alunos (releia as intervenções sugeridas na atividade 2C). indique materiais de consulta (os nomes dos colegas. Guia de Planejamento e orientações didáticas 189 . Para cada um indique a palavra que você escolheu e proponha que reflitam sobre sua escrita. trabalhe junto com os grupos cuja produção não é alfabética. Nesse caso. por exemplo) ou escreva palavras que compartilhem a sílaba inicial com a que você assinalou. fazer a correção. a partir delas. observar as palavras marcadas e. Os alunos deverão reler. escreva a palavra corretamente. Abaixo do texto. n Diga que você assinalou as palavras que foram escritas incorretamente. n Quando os alunos terminarem a revisão (de acordo com as possibilidades de cada grupo). Para garantir que os leitores compreendam o que o grupo teve a intenção de expressar. distribua papéis especiais. não se espera que as palavras assinaladas fiquem corretas. n Explique aos alunos cuja produção não está alfabética que também passarão a limpo aquilo que escreveram. releia os textos produzidos e assinale as palavras que con- têm erros. n Organize novamente os quartetos e explique que os textos que serão utilizados na apresentação deverão estar escritos corretamente. n Enquanto os grupos de crianças em que havia um escritor alfabético se dedicam à correção. a intervenção será diferente. tornem sua produção mais próxima da convencional. mas que. os alunos incluam ou mudem uma ou outra letra. Faça perguntas que favoreçam essa reflexão. pois essa é uma forma de valorizar a produção dos alunos e demonstrar respeito pelos leitores (as pessoas que visitarão a exposição). n Com essas intervenções. com letra caprichada e legível. apropriados para serem utilizados na exposição. ou seja. além da escrita que produziram você incluirá a transcrição convencional desses textos abaixo da produção deles.Encaminhamento n Antes da aula. consultando a forma correta que aparece abaixo de cada texto. Neles os alunos deverão passar a limpo os textos. n Escolha uma ou duas palavras nos textos de crianças que não escrevem alfabeticamente.

como cada criança expõe sua parte. e proponha mudanças que os 190 Guia de Planejamento e orientações didáticas . observe como dividiram as falas.atividade 6e: ensaios para a apresentação Objetivos n Preparar-se para a apresentação que finaliza o projeto. num primeiro momento. Entregue todo o material produzido para a apresentação. coletivamente. n Enquanto trabalham. Proponha que. em quartetos. n Explique a atividade: eles deverão se organizar. Encaminhamento n Organize os alunos nos quartetos. Em seguida. falem entre si como se estivessem falando para o público que assistirá às apresentações. n No ensaio nos grupinhos. Planejamento n Quando realizar: antes da apresentação que finaliza o estudo de povos in- dígenas brasileiros. cada integrante deve ajudar o colega para que seja claro em sua fala e para que use um tom de voz adequado a uma apresentação em público. definindo que parte será apresentada por cada integrante (estimule a participação oral de todas as crianças). aproxime-se de cada grupo. n Que materiais são necessários: os materiais que foram produzidos para a apresentação. n Duração: 50 minutos. n Como organizar os alunos: num primeiro momento. n Desenvolver habilidades de comunicação oral – expor a um público aquilo que aprendeu no projeto. n Contar com sugestões dos colegas para aprimorar sua apresentação.

objetos. jj clareza e correção das informações apresentadas. se dirige para outro grupo.ajudem a melhorar sua exposição. valorizando o que está adequado e contribuindo com sugestões pertinentes no sentido de aprimorar a atuação que é alvo dessas críticas. Ainda nesta etapa. os demais acompanham em silêncio e. considerando sempre a necessidade de respeito e estímulo ao colega cuja participação está sendo criticada. proponha que os grupos se apresentem para a classe. sugerem o que pode ser melhorado em relação aos seguintes itens: jj tom de voz. textos). a A apresentação se dará da seguinte maneira: jj divida o espaço entre os grupos. Ao propor sugestões para aprimorar as apresentações dos grupos. em seguida. vocês poderão decidir juntos sobre: jj melhor local para a exposição e apresentação. objetos. no final. jj cada grupo de alunos faz sua apresentação para um pequeno grupo de convidados que. como um circuito composto de várias estações (cada estação é representada por um dos grupos que apresentará um dos temas estudado). Guia de Planejamento e orientações didáticas 191 . por meio de uma escuta atenta. textos explios cativos) ficarão no espaço designado para cada grupo. jj quando chegarem. Estimule os colegas do quarteto a fazer o mesmo. n Enquanto assistem aos colegas. jj integrantes e seu material de apoio (desenhos. Para que a aula não fique cansativa. o jj produção de um convite para os pais e demais membros da comunidaa de escolar. é importante trabalhar atitudes de respeito para com eles. jj melhor maneira de divulgar o evento. n Após esses pequenos ensaios. n Enquanto o fazem. uso n Isso será feito com todos os grupos. jj do material de apoio (imagens. você pode propor que os grupos se apresentem em dias diferentes. os convidados serão distribuídos entre os grupos. é importante ter cuidado ao criticar.

Isto ocorre porque as culturas indígenas são antigas. p. na história. que os índios são algo do passado ou que eles estão desaparecendo e perdendo suas culturas.) 3 Introdução do livro Viagem ao mundo indígena. Pouca gente sabe quantos grupos indígenas existem hoje no Brasil.. os índios mudam.. São Paulo: Berlendis e Vertecchia. nos conhecimentos. Cada uma destas sociedades indígenas tem um modo próprio de ser. Elas não são apenas diferentes da nossa sociedade. roupas. de Luís Donizete Benzi Grupioni. 192 Guia de Planejamento e orientações didáticas . gravadores e falando português. É. se transformam em função de novos acontecimentos e situações. porém. ainda hoje. Pois bem. na arte. Outras imaginam que só há índios na Amazônia. mas não são paradas no tempo. Hoje é comum vermos índios usando relógios. aí vai a informação: são cerca de 200 sociedades indígenas diferentes. esses dados mostram que os índios não fazem parte só do nosso passado. Como você pode ver. no jeito de ver o mundo e de se relacionar com a natureza. Elas se modificam. Alguns desses povos entraram em contato com os brancos há muito tempo. 3 e 4. falando mais de 170 línguas e dialetos conhecidos. que todos falam tupi e moram em ocas. só agora começam a estabelecer relações. existem aldeias indígenas em quase todos os estados que formam o Brasil.ANEXO 2A: TEXTO PARA ATIVIDADE 2A Apresentação3 Muitas pessoas acreditam. tem muita ideia errada sobre os índios circulando por aí. de leste a oeste. mas também se diferenciam entre si: nas tradições. Mas eles não deixam de ser índios por causa disto. De norte a sul. Ao manterem contato com os brancos. Estima-se que a população indígena atualmente totalize mais de 280 mil indivíduos. E eles continuam sendo índios. (. mas também estão aí no nosso presente e vão fazer parte do nosso futuro. na economia. 1997. outros.

ANEXO 3A: TEXTO PARA SER LIDO PELO PROFESSOR PARA OS ALUNOS
A arte de pintar4
A algazarra das crianças pequenas e a voz estridente de algumas mulheres Xikrins – índios que habitam o sul do Pará – indicam que o grupo que ontem tinha saído bem cedo para apanhar batata-doce, inhame, banana, milho, mandioca e mamão na roça, hoje está na aldeia. Pouco a pouco um grupo de mulheres vai se reunindo na casa da mulher do chefe, para fazerem juntas a primeira refeição do dia e iniciarem mais uma sessão de pinturas coletivas. Mais ou menos a cada oito dias, as mulheres casadas e que têm filhos se reúnem para se pintar umas às outras, organizando-se em pequenos grupos, de acordo com a idade e com a quantidade de filhos. Num canto da casa, mulheres jovens com um filho ou dois; noutro, as mais velhas, com três ou quatro filhos, todas comendo frutos trazidos da roça. É a primeira vez que Irepu toma parte numa dessas sessões de pintura. Por ter um filho recém-nascido e já haver cumprido o período de resguardo – que pai e mãe devem respeitar após o nascimento dos filhos –, ela pode ingressar na categoria das jovens mulheres com filhos. Assim, Irepu vai participar da sessão, pintando uma companheira e sendo pintada por ela. Ao longo de toda a vida as mulheres Xikrin vão se aperfeiçoando na arte e na técnica de pintar o corpo, uma atividade de grande interesse e importância na sociedade em que vivem. Crianças pequenas pintam abóboras e bonecas de plástico que são levadas para a aldeia. Quando atingem os 10 ou 12 anos, suas mães permitem que pintem seus irmãos menores. Assim, quando uma moça tem seu primeiro filho, ela já sabe pintar. Em sua casa, longe do olhar crítico das mulheres mais velhas, ela embala seu bebê ao som das cantigas de seu povo e de pinceladas de tinta. É pintando o filho e observando as mulheres mais velhas pintando outras mulheres da mesma categoria de idade que uma Xikrin vai se aperfeiçoando no domínio da técnica de pintar. Isto exige muito tempo e prática. É preciso adquirir segurança no uso do pincel e aprender noções de proporção. Pintando regularmente seus filhos, as mulheres vão “treinando a mão” e aprendendo que, para os Xikrins, gastar horas pintando o filho é uma demonstração de carinho e interesse. Na casa da mulher do chefe, as mulheres conversam. O momento da pintura é sempre de descontração, prazer, divertimento e também de muitas fofocas,

4 Introdução do livro Viagem ao mundo indígena, de Luís Donizete Benzi Grupioni. São Paulo: Berlendis e Vertecchia, 1997, p. 3 e 4.

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quando se colocam os assuntos em dia. Discutem sobre vários desenhos possíveis e então se decidem sobre o motivo da pintura que farão hoje. A pintura é igual para todas e o desenho é o mesmo no rosto e no corpo. Formando triângulos, quadrados ou executando linhas retas paralelas, elas elaboram os vários desenhos, que representam animais e plantas. Uma amiga de Irepu começa a pintar seu rosto, usando uma pequena lasca de taquara que lhe serve como pincel. Com traços firmes, fazendo o desenho do jabuti, que foi o escolhido. O deslizar do pincel no rosto produz uma agradável sensação de frescor. Numa pequena cuia de cabaça está a tinta, preparada por algumas mulheres com a mistura de jenipapo mascado, carvão e um pouco de água. Depois de pintar o rosto de Irepu, sua companheira cobre-lhe o corpo todo com tinta aplicada com a mão e, em seguida, passa um pente para formar as listas. Enquanto espera a pintura secar e a volta da companheira que tinha ido em casa buscar um abano de palha, Irepu pega o filho, que estava com sua irmã, para amamentá-lo. Ele rapidamente adormece em seu colo e ela pode então retribuir a pintura na amiga, que já tinha voltado. Terminada a sessão de pintura, as mulheres voltam para suas casas. Algumas continuam tomando conta das crianças, enquanto outras vão preparar comida. Com o entardecer, elas se juntam novamente, agora na frente da casa da mulher do chefe. Dali, observam os jovens trazerem folhas de palmeira-buriti bem verdes, que são colocadas no meio da praça, onde se sentam os rapazes e os mais velhos, formando o conselho dos homens da aldeia. Hoje, Irepu não está prestando atenção ao que é dito no centro da aldeia, mas admirando o filho, todo pintado, que dorme docemente nos seus braços, e escutando os comentários que outras mulheres fazem sobre a pintura que ela realizou em sua amiga. Irepu se sente diferente, pois hoje se iniciou numa nova fase de uma das artes mais apreciadas pelas mulheres Xikrins: a arte de pintar-se. Os Xikrins, com uma população estimada de 555 indivíduos, são um subgrupo do povo Kayapó. Entraram definitivamente em contato com os brancos nos anos 50. Hoje, habitam em uma área de floresta, entre o rio Araguaia e o Xingu, ao sul da Serra de Carajás, no Pará. Falantes de uma língua Jê, eles se autodenominam Put-Karot. São conhecidos por suas pinturas corporais, verdadeiras vestimentas ou “peles sociais”.

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ANEXO 3A: TEXTO COM INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES SOBRE OS kAIAPóS (para ampliar conhecimentos do professor)
Informações sobre os Xikrins
Os Xikrins, grupo de língua Kayapó, enfatizam a audição e a palavra. A fim de aguçar estas qualidades, os Xikrins perfuram, logo na infância, os órgãos correspondentes (orelhas e lábios). Constroem as suas aldeias perto de um rio ou igarapé, mas em terreno seco e bem drenado. O espaço social constitui-se de uma praça central, com um círculo de casas ao redor, e da mata circundante, com pequenas roças circulares. As casas possuem uma localização física certa e obedecem a uma ordem estável, que é mantida quando constroem uma nova aldeia ou acampamento na floresta. No centro da aldeia está situada a Casa dos Homens, espaço masculino, político, jurídico e ritual. O grupo doméstico, constituído por pessoas que vivem sob o mesmo teto, é uma instituição básica. Uma mulher nasce, vive e morre na mesma casa. As casas, assim como as roças, pertencem às mulheres. Após o casamento, o homem vai viver na casa de sua esposa. As mulheres de uma casa desenvolvem atividades em conjunto. Cabe-lhes o trabalho na época do plantio, a colheita diária de tubérculos para a alimentação, o abastecimento de lenha e água, assim como parte da coleta da floresta. São responsáveis pelas tarefas domésticas, como processar e cozinhar os alimentos e cuidar dos filhos. Dedicam também grande tempo à pintura corporal, atividade extremamente desenvolvida, fiam o algodão e desempenham papel importante durante os rituais. Ainda que não participem formalmente do Conselho, opinam sobre as discussões coletivas e decidem sobre os assuntos relacionados à nominação e casamentos. As questões de ordem política são propostas e resolvidas no conselho dos homens, no centro da aldeia, do qual participam todos os homens, desde os mais jovens, testemunhas silenciosas, até os mais idosos, testemunhas mais distantes. A incorporação de um jovem na casa dos homens se dá por volta dos dez anos de idade, por meio de laços de amizade que não têm nada a ver com os laços de parentesco. Desde o momento de sua introdução na casa dos homens até o nascimento de seu primeiro filho um jovem passa por diferentes categorias de idade. O nascimento de um filho marca o momento em que o jovem passa a ser um adulto. A casa dos homens está associada aos grupos masculinos e as atividades tipicamente reservadas aos homens. Nela, diferentes grupos, divididos por categoria de idade, se reúnem, ocupando espaços distin-

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tos. Cada categoria conta com um chefe que atende e expressa os anseios de seu grupo. É muito difícil ter um chefe que administre a aldeia inteira sozinho. A caça e a pesca podem ser atividades individuais ou coletivas. Cabe aos homens a confecção da maior parte dos ornamentos corporais, cestaria, esteiras, instrumentos musicais, bordunas, arcos e flechas. Em certas ocasiões, os grupos de idade se definem de modo mais visível, como durante a vida nômade, quando cada categoria se dedica a atividades específicas, ou durante certos rituais ou competições esportivas. Muitas vezes eles se dividem em metades (jovens versus casados) e desempenham várias atividades econômicas, políticas e cerimoniais. Os Xikrins definem-se como essencialmente caçadores, apesar de sua dependência dos produtos da roça. As caças mais apreciadas são a anta, a queixada, o veado, o caititu, a paca e a cotia. Pegam jabutis em grandes quantidades e desentocam tatu. Ultimamente, algumas aves entraram no cardápio, o que representa uma novidade. Várias espécies de peixes fazem parte da alimentação. Pescam no inverno com linha de nylon e anzol. No verão, prevalece a pesca comunitária com timbó. Atualmente percebe-se uma diminuição significativa dos recursos pesqueiros. Os problemas são causados pelo fato de todas as cabeceiras de rios que banham a Terra Xikrin do Cateté estarem fora da área demarcada. Esses rios passam por área de garimpo, grandes extensões de fazenda onde a proteção da mata ciliar não é respeitada, causando seu assoreamento gradativo. O hábito de perambulação pela área, além de diversificar a dieta, permite um manejo muito bem planejado de diversos ecossistemas. Muitos rituais dependem destas perambulações, essenciais para o aprovisionamento de alimento, para promover as cerimônias e de outros produtos não encontrados no entorno da aldeia. Por exemplo, as coités para confecção de maracás cerimoniais, somente encontradas nos campos da cabeceira do rio Itacaiúnas, plantas medicinais, fibras, cera de abelha, almécega, penas de aves. Da floresta, coletam para o consumo o palmito, a castanha-do-pará, o coco babaçu e cocos menores, diferentes qualidades de mel, frutas silvestres (açaí, bacaba, frutão, cupuaçu, cacau bravo etc.) e larva de coco. Coletam também toda a matéria-prima necessária para a sua cultura material, especialmente madeiras, cipós, palhas, além de conchas, caramujos e sementes diversas. Mas, o que se percebe é que existe uma diminuição quantitativa da matéria-prima utilizada pelos Xikrins no seu cotidiano ou para confecção dos ornamentos e, sendo assim, assistimos à substituição de conchas de itã por botões, sementes diversas por miçangas, unhas de veado e anta por sinos de

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batata doce. mesmo após serem abandonadas para o cultivo. As roças. As meninas aprendem a pintura corporal em casa.socioambiental. inhame. macaxeira. O ensino tradicional dá-se por meio da convivência e da observação participante. Um indivíduo. jenipapo e urucum (utilizado na pintura corporal). Vidal. São Paulo. se juntam para jogar. ANEXO 4D: texto de apoio para o professor. coreografias e sequências rituais a turmas de meninos e meninas. Os adultos orientam. com marcada inclinação para desempenhar uma atividade específica. São Paulo. bananas e algodão. 1977. Apesar das mudanças drásticas e rápidas às quais são submetidos. de diversos produtos. Essa história foi baseada em informações fornecidas pelas antropólogas Lux Vidal e Isabelle Vidal Giannini. milho. Hucitec-Edusp. com parentes adultas. As mulheres Xikrins passaram a produzir uma maior quantidade de óleo de babaçu. As crianças podem passar o dia inteiro brincando e inventando atividades para se divertir. Nobel/Edusp.org/pt/povo/xickrin-kayapo Para saber mais sobre os Xikrins Vidal. Guia de Planejamento e orientações didáticas 197 . 296 p. frutos. a queimada e o plantio (outubro). corrigem e às vezes ensinam. durante um longo período de tempo. cantos. produto trocado por penas de aves com outros Kayapós. 268 p. 1992. Lux B.). babaçu (para óleo) e plantas medicinais. espécies plantadas ao redor das casas. Nota-se a importância pedagógica da repetição e da participação nos diferentes acontecimentos. Lux B. FONTE: Instituto Socioambiental | Site Povos Indígenas no Brasil Mirim http://pibmirim. mamão. sempre que podem. Mas os adultos também gostam de diversão e. como lenha. sob forma de conto. (org. os Xikrins continuam realizando a agricultura de coivara e plantando várias qualidades de batata-doce. Os mitos são contados pelos velhos. são fontes de aprovisionamento. abóbora. que vai expor informações na atividade 4D Brincadeiras Todo mundo gosta de brincar e jogar.metal. Morte e vida de uma sociedade indígena brasileira: os Kayapó-Xikrin do Rio Caeté. de drama ou de discurso político. O preparo do terreno para o cultivo divide-se em três fases sucessivas: a broca e a derrubada (maio e junho). Grafismo indígena: estudos de antropologia estética. de modo mais sistemático. aprende de modo mais contínuo com aquele que é um especialista reconhecido naquela atividade.

cuias. Sem sucesso. que se mostram à vontade com as brincadeiras que 5 Renata Meirelles. que tem oito casas de madeira. analisa o pião dos filhos e anuncia que ensinará novamente. Existem brincadeiras que só as crianças jogam. tucumã. nesse caso. será lido para os alunos na atividade 4C Piões dos Galibis do Oiapoque5 Os Galibis do Oiapoque migraram da Guiana Francesa para o Brasil nos anos 50. inajá. Além disso. Brincar é também uma maneira de aprender! Os índios possuem muitos jogos e brincadeiras. Ali moram poucas crianças. mas o objetivo é sempre desfrutar o momento e a companhia dos amigos. que canta ao girar. Mas. guardam os piões nos bolsos e esperam a chegada da noite. eles passaram a viver na margem direita do Rio Oiapoque. jenipapo. o pião da semente da palmeira tucumã. Já outros são curiosos e originais. antes de o jogo começar. Os meninos galibis. achar o material certo. pois construir o brinquedo também faz parte da brincadeira! Anexo 4Da – Relato de brincadeira. outras que os adultos jogam junto e assim ensinam as melhores técnicas para quem quiser virar um craque! Têm brincadeiras só de menino. deixando-as totalmente ocas. só então. Terceiro Nome. tentam fazer. Valdo e Donato. Originários da região do Rio Mana. Mas isso não é um problema. Existem algumas que. Alguns são bastante conhecidos por vários povos indígenas e outros também são comuns entre os não índios. mas precisam esperar até a tarde do próximo dia.Existem muitos jeitos de brincar. o pai. os jogos ajudam a desenvolver habilidades que serão importantes ao longo da vida. rodeadas de mangueiras. é preciso construir o brinquedo! Bom. Buscam primeiro as melhores sementes. Ed. quando o pai voltará da mata. como a peteca e a perna de pau. como o pai lhes ensinou. goiaba. A maior parte dos Galibis vive na Guiana Francesa e lá são conhecidos como Kaliñas. Miguel. outras só de menina. os piões não giram e muito menos fazem som. Valdo e Donato moram na aldeia São José. 198 Guia de Planejamento e orientações didáticas . infelizmente. é necessário ir até a mata. limpam e raspam toda a parte de dentro. fazem alguns pequenos furos. no norte do Amapá. entre outras plantas. Giramundo e outros brinquedos e brincadeiras dos meninos do Brasil. começar a brincar. aprender a fazer o brinquedo e. cajueiros.

Reúne os meninos ao seu redor e conta como eram as disputas desse brinquedo na sua infância: juntavam várias crianças. velhos ou adultos) em suas atividades e nestas ocasiões elas aprendem a identificar as regras que orientam sua sociedade. Em cada etapa deste longo caminho. ou sem ser lançado para fora da rede. Miguel. cada um com seu fane (nome desse brinquedo na língua Kaliña). faz o seu pião na frente dos meninos. que o observam e vão fazendo seus piões junto com o pai. iniciando um torneio de fane. A algazarra traz de longe o Seu Geraldo. Deu certo! Todos os piões começam a rodar e zunir quase ao mesmo tempo. sem falar. novos conhecimentos são adquiridos nas mais diferentes situações: algumas são entendidas como momentos de aprendizagem (como é o caso dos rituais). Quatro delas seguravam nas pontas da rede. que é passado de geração em geração. mas não deixam de aprender com os mais velhos alguns brinquedos. desde quando se é criança até a velhice. as crianças aprendem a fazer o brinquedo. Guia de Planejamento e orientações didáticas 199 . que não disfarça a alegria de ver seus netos brincando com aquele que era o brinquedo preferido da sua infância. como. Ouvindo as histórias dos mais velhos. As crianças costumam caminhar livres pela aldeia acompanhando outras pessoas (sejam crianças. que vivem no estado do Mato Grosso. se autodenominam A’uwé. o senhor mais velho da aldeia. O aprendizado entre os Xavantes é um processo que acontece ao longo de toda a vida. sem dar explicações. No horário marcado. outras estão relacionadas com as pequenas atividades realizadas no dia a dia. que na língua Akwén quer dizer “gente”. no cerrado brasileiro. ANEXO 4F – Texto que será lido para os alunos na atividade 4F Jeitos de aprender Como aprendem os Xavantes Os Xavantes. O objetivo do jogo era deixar o pião mais tempo rodando sem cair. Brincam com petecas e papagaios. Todas as outras lançavam ao mesmo tempo seus piões em cima da rede. As situações mais cotidianas são momentos de aprendizagem valorizados pelos A’uwé. e uma única rede de dormir. por exemplo. deixando o tecido bem esticado. o pião de tucumã. perguntar ou pedir ajuda.aprendem na cidade de Oiapoque.

por exemplo. ANEXO 4Fa – Texto que será lido para os alunos na atividade 4F Nas escolas indígenas há a preocupação em respeitar as diferentes culturas. preparar comidas. a partir dos anos 90. levar e trazer recados. Dessa forma melhoram suas habilidades e aprendem suas possibilidades e do mundo à sua volta. Ao mesmo tempo em que ajudam seus parentes a tomar conta do irmão. além de desenvolverem as habilidades físicas para se tornarem bons caçadores. Os rituais são importantes situações de aprendizagem. por exemplo. conseguirão fazer arcos e flechas bonitos e bons para caçar. A brincadeira é um jeito de aprender. lavar roupa. Têm por objetivo marcar períodos de amadurecimento. Assim. aprendem a fazer arcos e flechas desde pequenos e brincam ao redor da casa imitando caçadores e bichos. Vão aperfeiçoando a maneira de fazer os objetos e assim. a escola passou a ser um espaço que estimula e fortalece o uso das línguas indígenas. Nestes momentos todo mundo aprende: os jovens aprendem mais sobre os valores. Estes momentos buscam enfatizar as divisões e as regras sociais xavantes e fixar os conhecimentos sobre as mesmas. Nos rituais de passagem aprende-se como agir socialmente: o que a comunidade espera. Assim. Os rituais têm objetivos concretos como demonstrar que aqueles meninos já conseguem enfrentar desafios físicos. as crianças brincam e se divertem. o aprendizado vai acontecendo aos poucos. As crianças Xavantes costumam repetir muitas vezes a mesma brincadeira. Ao construir com o barro uma casa em miniatura. Brincar de casinha é um bom exemplo disso. quais atitudes se deve ter dali para frente. imitam as divisões internas de sua própria casa e assim a criança Xavante reflete sobre a organização doméstica e os espaços da aldeia. e aprofunda o conhecimento que tem sobre sua comunidade.As tarefas domésticas são aprendidas no cotidiano. quando forem adultos. que conhecem importantes cantos etc. de passagem de uma fase da vida para outra. Os meninos. Foi a partir desse momento que os próprios índios se tornaram professores nas escolas das aldeias e a língua indígena passou a ser utilizada em sala de 200 Guia de Planejamento e orientações didáticas . princípios e modos de agir do seu grupo e os adultos aprendem com os mais velhos todos os detalhes da realização de um ritual. da fase de criança para a idade adulta. buscando novas possibilidades e desafios a cada repetição.

também chamada de Canoa de Transformação. quando o mundo não existia. Depois disso. faziam rituais com as riquezas que haviam levado. mas deu origem ao chefe dos Tukano. e na Colômbia. Depois foi Guia de Planejamento e orientações didáticas 201 . conta assim a história da origem da humanidade: Para os Desanas. gerou cinco Homens Trovões. Essas riquezas se transformaram em gente. Os alunos aprendem. Então ela criou o Bisneto do Mundo.aula. e depois seu irmão. no Brasil. que vive no estado do Amazonas. Eles é que deveriam criar a futura humanidade. ou a Avó do Mundo. Eles criaram casas embaixo d’água e. no princípio. A escola indígena. o Bisneto do Mundo. Contam que. a escrever. Foi lá que eles pisaram na terra pela primeira vez.socioambiental. Os dois irmãos e o Terceiro Trovão saíram para criar a futura humanidade e para isso levaram todas as riquezas que possuíam. Na volta. além de ensinar a ler. que foi o primeiro a descer da cobra-canoa.org/como-vivem/aprender ANEXO 4G: Será lido para os alunos durante a atividade 4G A origem do mundo para os índios Desana O povo Desana. seus mitos etc. como usar os recursos naturais e cuidar do ambiente e do território onde vivem. Os conteúdos tratados nos cursos foram adaptados pelos próprios índios para dialogar melhor com a realidade vivida por cada comunidade. Esse novo modelo de educação ajuda a valorizar a língua. não foi à terra. Yebá Gõãmu. Yebá Gõãmu. seu calendário escolar é diferente. em cada lugar que paravam. a Canoa de Transformação levou os humanos até uma cachoeira. por exemplo. aprendem sobre a história de seus antepassados. uma mulher conhecida como Yebá Buró. tinha os dois irmãos como comandantes e se deslocava como um submarino. mas não conseguiram. FONTE: Instituto Socioambiental | Site Povos Indígenas no Brasil Mirim http://pibmirim. Além disso. Essa cobra. isso porque ela aprende conteúdos que se referem à sua vida e à vida de sua comunidade. também passou a incluir os conhecimentos locais na sala de aula. os irmãos criaram as línguas dos diferentes grupos de índios que ainda hoje vivem na região do alto Rio Negro. a humanidade inteira tem a mesma origem. pois respeita as festas e rituais locais. a fazer conta e todos os conteúdos que os não índios aprendem. O Terceiro Trovão se transformou em uma cobra grande e desceu até o fundo do Lago de Leite. Umukomahsu Boreka. e também todo o modo de ser do grupo indígena a que a criança pertence.

O terceiro foi o chefe dos Pyra-Tapuyo. o deus Aranãmi decidiu abandonar a terra. o quinto foi o chefe dos Baniwa e o sexto a sair foi o chefe dos Maku. Junto com Aranãmi e seu sobrinho. o quarto o dos Siriano. subindo num pé de bacaba. FONTE: Instituto Socioambiental | Site Povos Indígenas no Brasil Mirim http://pibmirim. ele tomou seu chocalho de pajé e começou a cantar e a fumar. Yebá Gõãmu não lhe deu bens. em ilhas de um grande rio subterrâneo. onde habitam hoje. fez com que o solo de pedra onde estavam subisse às alturas. mas também sem fogo e sem plantas cultivadas. Habitamos a terra. Apenas dois homens e uma mulher conseguiram se salvar. mas disse que seria uma pessoa sem medo. dizem os Arawetés. As marcas da divisão do cosmos estão em toda parte: os morrotes de pedra que pontuam o território araweté são fragmentos do céu que se ergueu. os humanos e os deuses (os Mai) moravam todos juntos. que fica entre os dois céus e o mundo subterrâneo. O Bisneto do Mundo deu a todos eles alguns objetos e o poder de serem tranquilos. Um dia. que desceu. Assim se formou o firmamento: o céu que se vê hoje é o lado de baixo desta imensa placa de pedra. Os Iwa Pidi Pa (que também são deuses) subiram ainda mais alto. O branco depois de dar um tiro com sua espingarda seguiu em direção ao sul para fazer guerra.socioambiental. de fazerem grandes festas e de conviverem bem com muita gente. as pedras do igarapé Ipixuna ainda guardam as pegadas dos Mai. Para escapar do dilúvio. as moitas de banana-brava espalhadas na mata são as antigas roças dos deuses. a terra se dissolveu sob as águas de um dilúvio: o jacaré e a piranha monstruosos devoravam os humanos.org/como-vivem/mitos ANEXO 4Ga: Será lido para os alunos durante a atividade 4G A origem do mundo. Acompanhado por seu sobrinho Hehede’a. insultado por sua esposa humana. formando um segundo céu. povoados pelos deuses. A separação do céu e da terra causou uma catástrofe. segundo os Arawetés No começo. subiram dezenas de outras raças divinas. “Estamos no meio”. Eles são os ancestrais da humanidade atual.Boreka. o “céu vermelho”. Cantando. O sétimo a sair foi o homem branco que tinha uma espingarda na mão. Este era um mundo sem morte e sem trabalho. As plantas cultivadas e a arte 202 Guia de Planejamento e orientações didáticas . Privada de suas fundações de pedra. que faria guerra para roubar a riqueza dos outros. alguns Mai procuraram escapar dos monstros afundando na água e criando o mundo inferior. o chefe dos Desana.

as panelas. Os historiadores também não costumavam fazer essa pergunta. publicação do CEDI: Centro Ecumênico de Documentação e Informação. A pedra é. isto é. as melhores plantas. Sabiam que os índios viviam aqui antes da chegada de Cabral. Quando falamos em floresta virgem. porém mais altos. os humanos se distinguem dos demais habitantes da Terra porque têm um futuro: eles são “aqueles que irão”. São Paulo. onde já viviam os índios. adornados com penas de cotinga e arara. Mas os Mai são. Os humanos são chamados pelos Arawetés de “os abandonados”. e os homens estarão um dia à altura dos deuses. Tudo que há em nosso mundo do meio é o que foi abandonado. O POVO DO IPIXUNA. Eduardo Viveiros de. imperecível e perfeito: as casas. danças. Será possível que um lugar já habitado possa ser virgem. Ficamos tão acostumados a pensar assim que não nos perguntamos como isso é possível. mas é isso o que aprendemos na escola: os portugueses descobriram o Brasil. os que foram deixados para trás pelos deuses. O mundo celeste é um mundo de caçadas. mais fortes e imponentes. perfumados com a resina da árvore iciri. mas falavam do descobrimento como se o Brasil fosse uma terra virgem. por exemplo. No entanto. Quando afirmamos que “essas terras virgens foram descobertas por Cabral”. Fonte: Castro. só se ele não for habitado por pessoas. maleável como o barro para nós. seus habitantes estão sempre pintados de jenipapo. as ferramentas agrícolas operam por si mesmas. intocado? Bem. mas. A divisão entre o céu e a terra também não é intransponível: os deuses falam com os homens. Tudo que é terrestre está condicionado pelo tempo e sujeito ao envelhecimento e à morte. Lá ninguém trabalha. sim. os machados. acima de tudo. que reencontrarão os Mai no céu. imunes à doença e à morte: eles levaram consigo a ciência da eterna juventude. que ela não foi alterada pelo homem. a mais bela gente – pois os Mai são como a gente. os arcos. festas constantes de cauim de milho. para os deuses.de cozinhar os alimentos foram reveladas aos humanos e aos deuses por um pequeno pássaro vermelho da floresta. após a morte. 1992 ANEXO 5A: Texto sobre o descobrimento do Brasil para ser lido na atividade 5A A outra história do descobrimento do Brasil Parece absurdo. para os céus foram os maiores animais. ARAWETÉ. estamos tratando seus habitan- Guia de Planejamento e orientações didáticas 203 . Tudo no céu é feito de pedra. pois o milho se planta sozinho. não estamos dizendo que ela não é habitada por animais.

uma grande nação. unindo-se a alguns grupos para atacar outros. tecidos trocados por farinha. Até hoje. que dominavam o litoral desde o sul do estado de São Paulo até. como se eles não fossem pessoas. caça. portanto. A aliança entre brancos e índios dava-se pela oferta de presentes (como machados de metal. parte da paisagem natural. muitos grupos indígenas chamam os não índios de Caraíba. cada qual. facas. Mesmo quando os Tupis conseguiam reunir um número considerável de aldeias para atacar áreas sob domínio português. Assim. está no lugar de outro termo que não costumamos utilizar: “conquista”. sim. que os Tupis e os Guaranis formavam. Muitas vezes. eles estavam divididos em diferentes grupos. A palavra “descobrimento”. na bacia dos rios Paraná-Paraguai e em nossa costa meridional. que andavam de aldeia em aldeia. embora fossem maioria. Talvez porque chegassem pelo mar. mas conquistadas pelos portugueses aos povos indígenas. cujos costumes e línguas eram muito parecidos. como armas de fogo e ferramentas de metal. concorriam com os dos pajés. filhotes de animais e madeira). espelhos. Esses pajés eram chamados pelos Tupis de Caraíba e os europeus ficaram conhecidos por esse nome. encontraram diversos grupos indígenas. os Tupis associaram os europeus a seus grandes pajés. No conjunto. pela participação comum em atividades de guerra e pelo casamento de índias com brancos. os índios. embora possamos distinguir dois grandes blocos: os Tupis. as terras que viriam a ser o território do Brasil não foram descobertas. os conquistadores estimulavam a inimizade entre os índios para dominar o território com mais facilidade. Ao contrário. Os jesuítas – padres enviados ao Brasil com a missão de convencer os índios a se tornarem católicos – aproveitaram-se dessa associação do europeu com os grandes pajés nativos para facilitar seu trabalho. curando. em grandes navios. esses grupos ficaram conhecidos como Tupi-Guarani. trazendo objetos desconhecidos. Muitos grupos indígenas foram convencidos a abrigar-se nos aldeamentos jesuítas sob 204 Guia de Planejamento e orientações didáticas . o Ceará. profetizando e falando de uma terra de abundância. pelo menos. E os europeus souberam bem se aproveitar das brigas internas dos Tupi-Guaranis. Quando os europeus chegaram à costa brasileira. geralmente inimigos entre si. mas. Na verdade. O discurso e as práticas dos padres. porém. Não se deve pensar. Não foi só como parceiros na guerra e na troca que os europeus encontraram um lugar no mundo indígena. e os Guaranis. como José de Anchieta. tinham de enfrentar índios fiéis aos colonizadores.tes originais. que viviam mais ao sul. os índios acabaram sendo derrotados.

Deram-lhe o nome de Mandi e na tribo era adorada como uma divindade. desapareceu de seus sonhos como por encanto. embora virgem. deitava-se na rede ao relento e ficava a contemplar a Lua. a filha do cacique. deixando a todos amargurados. manteve-se indiferente. enquanto todos dormiam. não havia na tribo jovem algum a quem daria seu coração. para escapar tanto dos padres como dos soldados portugueses. mas o severo pai. Pouco tempo depois. passou a desprezá-la. Entretanto. não acreditando no que ouvira. a mãe deu-lhe seu apoio.com. Somente seu avô. Mara sepultou a filha em sua oca. Porém. que nunca aceitara a netinha. não o contou a ninguém.a proteção espiritual dos missionários. O jovem. A maior parte morreu nas guerras de conquista. deixando cair 6 Lendas e Mitos dos Índios Brasileiros. filha de um cacique. Contou então a seus pais o que sucedera. deixando-a mergulhada em profunda tristeza. Alguns autores estimam que havia cerca de um milhão de índios na costa brasileira.br/revista/revista-chc-2000/101/500-anos-de-historia-paracontar/a-outra-historia-do-descobrimento-do-brasil/?searchterm=índios Publicado em 12/05/2000 | Atualizado em 11/05/2010 ANEXO 6: Lendas e mitos indígenas para serem lidos no momento da atividade habitual de leitura pelo professor Mandioca – o pão indígena6 Mara era uma jovem índia. por maus-tratos e pelas doenças trazidas pelos conquistadores. depois de haver conquistado seu coração. Desconsolada. que sonhava com o amor e um casamento feliz. alimentando seu desejo de tornar-se esposa e mãe. a menina adoeceu e acabou falecendo. Esse medo tinha razão de existir. Carlos Fausto Departamento de Antropologia Museu Nacional/UFRJ Revista CHC | Edição 500-anos-de-historia-para-contar http://chc. percebeu que esperava um filho. de pele muito alva e cabelos tão loiros quanto a luz do luar. O sonho repetiu-se muitas vezes e ela acabou por apaixonar-se. Em noites quentes. essa população havia praticamente desaparecido. Um século depois. Guia de Planejamento e orientações didáticas 205 . Passado algum tempo.uol.cienciahoje. Mara adormeceu na rede e teve um sonho estranho: um jovem loiro e belo descia da Lua e dizia que a amava. Outros fugiram para o interior. por não querer separar-se dela. Certa noite. Walde-Mar de Andrade e Silva. Mara deu à luz uma linda menina. FTD. em 1500. chorava todos os dias de joelhos diante do local. Para a surpresa de todos.

7 Ibid. Apesar de ninguém haver visto a criança. como Mandi. Mavutsinim. que ao serem raspadas exalavam um aroma agradável. A mãe surpreendeu-se. talvez o corpo da filha desejasse dali sair. Não tendo família nem parentes. desconsolada. o primeiro homem7 Mito da Nação Kamaiurá No princípio existia apenas Mavutsinim. de onde não mais retornaram. Resolveu então remover a terra. o jovem loiro apareceu em sonho ao cacique. transformando-se novamente em concha. os índios acreditam que do filho de Mavutsinim tenham se originado todos os povos indígenas. nasceu seu filho. Alimentava-se somente de frutas e todos os dias saía pela floresta a procura delas. Tempos depois. Guaraná. pois ao cair da noite não conseguira encontrar o caminho de volta. pois Mandi fora sepultada na oca. O novo alimento recebeu o nome de Mandioca. Um dia. por afastar-se demais da aldeia. Aguiry perdeu-se na mata. Usou então de seus poderes sobrenaturais. 206 Guia de Planejamento e orientações didáticas . Naquela mesma noite. Até que um dia surgiu uma fenda na terra de onde brotou um arbusto. transformando uma concha da lagoa em uma linda mulher e casou-se com ela. que vivia sozinho na região do Morená. A mãe. contou a todos o que acontecera. pensava. A criança havia vindo à Terra para ter seu corpo transformado no principal alimento indígena. o cacique reuniu toda a tribo e. Sua filha não mentira. sem nada explicar. Acabou por dormir na mata. O jovem ensinou-lhe como preparar e cultivar o vegetal. a essência dos frutos8 Lenda da Nação Satere-Maué Aguiry era o mais alegre indiozinho de sua tribo. No dia seguinte. Mavutsinim.leite de seus seios na sepultura. muito só. voltou para a lagoa. sentiu-se muito. revelando a razão do nascimento de Mandi. Certo dia. Talvez assim a filhinha voltasse à vida. abraçando a filha. encontrando apenas raízes muito brancas. possuía apenas para si o paraíso inteiro. levou a criança à mata. 8 Ibid. trazendo-as num cesto para distribuí-las entre seus amigos.

não hesitou em atacá-lo. o Deus do Bem.Jurupari. Maraí encantou-se com sua imagem refletida na água. bem no alto. preocupados com o menino. vagava pela floresta. Guia de Planejamento e orientações didáticas 207 . Assim que esta apareceu. o demônio das trevas. sendo atraída para dentro do lago. Ela vive nos lagos e rios da Amazônia. bico de coruja e também se alimentava de frutas. Resolveu então aguardar a chegada da Lua junto aos peixes do lago. Seus amigos deveriam regar o local com lágrimas. até que ali brotasse uma nova planta. da qual nasceria o fruto que conteria a essência de todos os outros. Assim a linda jovem tornou-se a rainha da noite. das aves e dos outros animais. a estrela dos lagos. A planta que brotou dos olhos de Aguiry possui as sementes em forma de olhos. Os índios. Passava seus dias a brincar perto do lago. suplicando que a levasse para o céu. transformava-as em estrelas. uma jovem e bela índia. ao se esconder atrás das montanhas. veio a saber que a Lua ouvia os desejos das moças e. tornando-se amiga dos peixes. À noite. Sua flor se abre sempre à meia-noite e tem o formato de uma estrela. saíram a sua procura. A partir deste instante. a estrela dos lagos9 Lenda da Nação Mundurucu Maraí. 9 Ibid. pássaros e outros animais. A pedido dos peixes. Tinha corpo de morcego. Ao encontrar o índio ao lado do cesto. Tupã. todas as noites Maraí esperava pela Lua. recebendo o nome de Guaraná. de onde não mais voltou. a enfeitar ainda mais a Natureza com sua beleza e seu perfume. ordenou que retirassem os olhos da criança e os plantassem sob uma grande árvore seca. Muitos dias se passaram sem que a jovem realizasse seu sonho. encontrando-o morto ao lado do cesto vazio. com grande alegria. ficava a contemplar a chegada da Lua e das estrelas. Nasceu-lhe então um forte desejo de tornar-se também uma estrela. A lua transformou-a numa bela planta. deixando aqueles que dele comessem mais fortes e mais felizes. muito amava a natureza. Perguntou ao pai como surgem aqueles pontinhos brilhantes no céu e. ganhando o nome de Mumuru. Maraí não foi levada para o céu. a Vitória-Régia. Mumuru.

Esdeva Indústria Gráfica S/A Tiragem 19 .Concepção e elaboração Claudia Rosenberg Aratangy Milou Sequeira Marisa Garcia Elenita Neli Beber Maria José da Silva Gonçalves Irmã Márcia Soares de Araujo Feitosa Neide Nogueira Soraia Calderoni Statonato Vasti Maria Evangelista Consultoria pedagógica (Introdução e Expectativas de aprendizagem) Sílvia Pereira de Carvalho Coordenação gráfica Departamento Editorial da FDE Brigitte Aubert Fotos Studio R Preparação de texto Luiz Thomazi Filho Revisão Monalisa Neves Editoração Daniele Fátima Oliveira CTP impressão e acabamento .000 exemplares .

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