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estudo_biblico_ECLucas

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Estudo Bíblico dirigido por
Pe. Mário Zuchetto, CSS
sobre o Evangelho de São Lucas,
versículo a versículo (Lc 1,1 a 24,53)
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de São Lucas

Estudo Bíblico dirigido por

Pe. Mário Zuchetto, CSS
sobre o Evangelho de São Lucas, versículo a versículo (Lc 1,1 a 24,53)

Edição Eletrônica: Janeiro, 2007

Pe. M ário Zuchetto css Pertence à Congregação dos Estigmatinos. Grande parte de sua vida foi dedicada à formação dos seminaristas em Rio Claro - SP, Ribeirão Preto – SP e Campinas – SP. Alé m destas cidades, exerceu o ministério sacerdotal principalmente em Casa Branca – SP, sua terra natal (1918), e na diocese de Almenara, no Vale do Jequitinhonha. Desde 1967, dedica-se inteiramente a retiros espirituais, cursilhos de cristandade em Campinas, assistência à comunidade da Renovação Carismática, às Equipes de Nossa Senhora e, especialmente, aos Encontros de Casais.

EVANGELHO COMPLETADO - SÃO LUCAS

DADOS DO AUTOR

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Dados da Edição Impressa:

Dados para Catalogação: Zuchetto css. Pe. Mário Evangelho Completado Lucas 1,1 a 24,53 Campinas: Editora Komedi, 2006. 496 p. ISBN: 85-7582-263-2

Projeto e Produção Editora Komedi Rua Álvares Machado, 460, 3º andar 13013-070 Centro - Campinas - SP www.komedi.com.br 2006 Impresso no Brasil

***
Dados da Edição Eletrônica:
Digitalização eletrônica: Pe. Ésio Fernando Juncioni css Janeiro, 2007

***

Copyright © by Pe. Mário Zuchetto css, 2006

EVANGELHO COMPLETADO - SÃO LUCAS

DADOS DA OBRA

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Os evangelistas foram sóbrios na transmissão da mensagem cristã. Por isso, nem sempre é fácil compreedê-los. Este livro procura resolver este problema completando o pensamento do autor, Lucas, e deixando-o claro. Este não é um texto oficial; não substitui o Evangelho dos atos litúrgicos. Livro particularmente útil para meditação pessoal, traz sempre lições práticas para a vida e a oração final. Útil para grupos de reflexão bíblica, grupos de oração, catequistas e, para a preparação de palestras sobre a Palavra de Deus.

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CONSIDERAÇÕES INICIAIS

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Razão de Ser Você gostaria de entender bem o Evangelho. Mais de uma vez acabou fechando o livro, insatisfeito por não atinar com o sentido da mensagem sagrada. É natural que seja difícil compreender conceitos, expressões e termos escritos há 2.000 anos. As palavras chegam até a mudar de sentido. Além disso, os evangelistas nos transmitiram apenas o resumo do que Deus disse e fez. Este trabalho pretende ajudá-lo a resolver grande parte do problema. Aqui você encontrará o Evangelho de Lucas em 118 lições apresentadas assim: 1. Um trecho do Evangelho completado com acréscimos históricos, geográficos, literários e lógicos, tornando bem mais compreensível o texto oficial. 2. Um questionário com perguntas e respostas que ampliam e aprofundam o conhecimento da Palavra revelada. Quando o estudo é feito em grupo, tornase mais proveitoso e agradável se cada pessoa procura responder por si mesma às perguntas antes da reunião e antes de ler as respostas. Convém que haja muita troca de idéias no exame das respostas. 3. "Lições de vida" são outras conclusões interessantes que o trecho estudado oferece para as aplicarmos na vida prática. 4. Uma Oração relacionada com o texto meditado. Importante: não se estuda o Evangelho só pelo prazer da cultura, só para conhecêlo teoricamente. Somos convidados a meditá-lo, a assimilá-lo para formar mentalidade e traduzi-lo em vida. O que sacia a pessoa humana não é saber, mas sentir e saborear. Quando você saboreia o Evangelho, sente Jesus Cristo. Pe. Mário Zuchetto css

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RAZÃO DE SER

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Índice
Página 10 10 13 15 18 23 25 27 29 33 33 35 36 37 39 41 41 42 47 47 50 53 55 55 59 62 64 65 67 67 69 71 74 76 79 79 80 82 84 85 86 91

1-4 5-13 14-25 26-38 39-45 46-56 57-66 67-80 1-7 8-20 21 22-24 25-35 36-38 39-40 41-52 1-18 19-22 23-38 1-13 14-30 31-37 38-41 42-44 1-11 12-16 17-26 27-32 33-39 1-5 6-11 12-19 20-26 27-35 36-42 43-49

Capítulo 1 Apresentação Anunciação de João Batista Missão de João. Zacarias duvida O anúncio da Encarnação Maria com Isabel O Cântico de Maria Nascimento de João Cântico Profético de Zacarias Capítulo 2 Nascimento de Jesus Os Pastores Circuncisão Apresentação e purific ação Simeão Ana A Sagrada Família em Nazaré Jesus entre os doutores e na vida oculta Capítulo 3 Missão de João Batista Prisão de João. Batis mo de Jesus Genealogia de Jesus Capítulo 4 Jejum e tentações Ministério de Jesus na Galiléia Em Cafarnaum, um possesso Muitas curas Jesus deixa Cafarnaum Capítulo 5 Pesca milagrosa. Os primeiros discípulos O Leproso O Paralítico Vocação de Levi Jesus. O Evangelho é Vida Nova Capítulo 6 Espigas colhidas no sábado O homem da mão atrofiada Vocação dos 12 apóstolos. Curas Sermão da Montanha. As bem-aventuranças Amar os inimigos Misericórdia. Gratuidade. Julgamento. Hipocrisia A verdadeira espiritualidade. Boas obras

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ÍNDICE

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1-10 11-17 18-35 36-50 1-3 4-15 16-18 19-21 22-25 26-39 40-56 1-6 7-9 10-17 18-21 22 23-27 28-36 37-43a 43b-45 46-48 49-50 51-56 57-62 1-12 13-16 17-20 21-24 25-37 38-42 1-4 5-13 14-26 27-28 29-32 33-36 37-54

Capítulo 7 Fé do centurião O jovem de Naim Jesus e João Batista A Pecadora Capítulo 8 Discípulas de Jesus Parábola do Semeador – Obstáculos para a dilatação do Reino de Deus A luz do mundo Parentes Espir ituais de Jesus Tempestade acalmada O possesso e os porcos Mulher curada. Menina ressuscitada Capítulo 9 Missão dos 12 Herodes perplexo Voltam os apóstolos. Pães multiplicados Jesus é o Messias Primeiro anúncio da morte Para seguir Jesus Transfiguração: novo êxodo Epiléptico endemoninhado Segundo anúncio da morte Questão da preeminência. Infância espiritual Uso do nome de Jesus. Tolerância Mal recebido na Samaria Disposições para ser discípulo de Jesus Capítulo 10 Os 72 discípulos leigos Cidades incrédulas Volta dos missionários Hino de ação de graças O grande mandamento. O bom samaritano Marta e Maria Capítulo 11 Pai- Nosso Parábola da oração perseverante Jesus diante do demônio A verdadeira felicidade O sinal de Jonas Parábola da luz Ai dos hipócritas

94 94 96 98 101 105 105 107 110 111 112 114 117 121 121 121 123 125 126 127 129 131 133 133 133 134 137 140 140 143 143 144 148 152 155 155 157 159 162 162 164 165

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ÍNDICE

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1-12 13-21 22-31 32-34 35-40 41-48 49-59

1-5 6-9 10-17 18-21 22-30 31-33 34-35 1-6 7-11 12-14 15-24 25-35 1-7 8-10 11-32 1-9 10-18 19-31 1-10 11-19 20-21 22-37 1-8 9-14 15-17 18-30 31-34 35-43

Capítulo 12 Autenticidade sem fingimento. Testemunho. Confiança. Pecado contra o Espírito Santo. Confissão da fé Avareza. Perigo da saciedade e da cobiça Confiança na Providência divina. Escolha dos valores Riquezas do céu Atentos à vinda do Senhor Advertência aos chefes religiosos Jesus prevê sua Paixão. Sinal de contradição. Sinais dos tempos. Reconciliação. Capítulo 13 Arrepender-se ou arruinar-se Figueira sem frutos. Paciência de Deus A mulher recurvada A semente de mostarda. O fermento Porta estreita. Número dos salvos Ameaçado por Herodes Jerusalém ingrata Capítulo 14 Cura num sábado Humildade Pobres Todos convidados ao banquete Condição para ser discípulo: abnegação total Capítulo 15 A ovelha perdida. A misericórdia A moeda perdida. A misericórdia O filho pródigo. Coração de pai Capítulo 16 Administrador desonesto Comentário da parábola anterior; contra os fariseus; perenidade da Lei; indissolubilidade do matrimônio O mau rico e Lázaro Capítulo 17 Escândalo. Correção fraterna. Poder da fé. Cumprir o dever com humildade. Os dez leprosos. Ingratidão A vinda do Reino de Deus A volta de Cristo Capítulo 18 Oração confiante. A viúva persistente O fariseu e o publicano. Oração humilde Crianças Um rico. Desprendimento Terceiro anúncio da Paixão O cego de Jer icó

169 169 171 174 175 176 178 180 183 183 184 185 187 188 190 191 193 193 194 195 196 198 201 201 201 203 207 207 209 211 214 214 216 217 219 222 222 224 226 227 230 231

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1-10 11-28 29-40 41-44 45-48 1-8 9-19 20-26 27-40 41-44 45-47 1-4 5-7 8-19 20-24 25-33 34-38 1-6 7-13 14-18 19-20 21-23 24-27 28-30 31-34 35-38 39-46 47-53 54-62 63-65 66-71 1-7 8-12 13-25 26-33 34-43 44-56 1-12 13-35 36-43 44-49 50-53

Capítulo 19 Zaqueu Os dez administradores Entrada messiânica em Jerusalém Chora sobre Jerusalém Pur ifica o templo profanado Capítulo 20 Polêmica sobre a autoridade de Jesus Alegoria dos lavradores homicidas O tributo a César Ressurreição Jesus, o Deus de Davi Orgulho, cobiça e hipocrisia dos fariseus Capítulo 21 A oferta da viúva Anuncia a ruína de Jerusalém Sinais precursores. Perseguição aos discípulos em todos os tempos A ruína Juízo final prefigurado nessa ruína. Sinais premonitórios Vigilância e oração Capítulo 22 Conspiração dos chefes judeus e de Judas. Preparativos da ceia pascal Última ceia pascal judaica A Eucaristia, ceia pascal cristã Anúncio da traição O maior é quem mais serve Prêmio para os apóstolos Prevê a negação de Pedro Prontos para a luta Ora e sua sangue Preso. O beijo da traição Pedro nega Jesus Primeiros ultrajes Perante o Sinédrio proclama-se Deus Capítulo 23 Pilatos inocenta Jesus Herodes escarnece Jesus Pilatos fraqueja. Com Barrabás. Condenação Para o calvário. O cireneu. Mulheres Perdoa. É injuriado. O ladrão Morte e sepultura Capítulo 24 O sepulcro vazio! Anjos. As mulheres. Os apóstolos Com os dois de Emaús Aparece aos apóstolos Últimas instruções Ascensão

234 234 236 239 241 241 244 244 245 247 249 252 252 254 254 255 255 257 258 258 261 261 261 264 264 266 266 267 267 269 270 272 272 273 273 276 276 276 277 279 282 286 290 290 293 296 297 297

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ÍNDICE

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CAPÍTULO 1 Lc 1,1-4 Apresentação
(1)

Excelentíssimo Teófïlo, com todos os amigos de Deus, quem quer que sejam: vários autores resolveram narrar os acontecimentos que se cumpriram entre nós com a vida, as palavras, a paixão, a morte e a ressurreição de Jesus. (2) Escreveram o que antes já nos tinha sido transmitido por aqueles que foram testemunhas oculares desde o princípio do ministério público de Jesus, a partir do seu batismo no Jordão, e que se tornaram ministros da Palavra de Deus anunciando em toda parte sua mensagem. (3) A mim também pareceu bem, depois de ter realizado cuidadoso trabalho de pesquisa desde o princípio, escrever para você, que aceitou Jesus, esses acontecimentos em ordem não bem cronológica, mas didática. (4) Assim você comprovará a verdade e a solidez dos ensinamentos que recebeu e preservar-se-á de falsas doutrinas. Questionário 1a - Quem foi Lucas? Lucas ou Lucano é natural de Antioquia da Síria, de família pagã (Cl 4,11 não está entre os circuncidados judeus). Médico (Cl 4,14). Convertido provavelmente pelos cristãos leigos que fugiram de Jerusalém (At 11,19-21). Tornou-se discípulo de Paulo acompanhando-o desde a 2a viagem missionária do apóstolo, nos anos 49 a 53, de Trôade a Filipos (At 16,10-40), e na 3a viagem, nos anos 53 a 58, de Filipos a Jerusalém (At 20,5s e 21,15). Não abandonou Paulo na prisão dos anos 60 a 62 e de 66 a 67, quando o apóstolo foi decapitado em Roma (At 27,1s). Alguns dos mais antigos escritores cristãos atestam que Lucas não se casou, que se deu inteiramente à evangelização e que morreu em Tebas (Beócia) com 84 anos de idade. É o único escritor não-judeu da Bíblia. Lucas destinou seu Evangelho particularmente aos cristãos convertidos do paganismo. É por isso que ele omite certas frases duras para os pagãos (Mt 10,5: "não tomeis o caminho dos gentios"; Mt 15,24: "fui enviado SÓ às ovelhas de Israel"), e abranda outras (Mt 5,47 compare com Lc 6,33-34 onde não aparece a palavra "pagãos"). Lucas encarece as parábolas da misericórdia, tão favoráveis aos pagãos. O 3º Evangelho é o do universalismo (Jesus veio para ser luz de todas as nações 2,32), da misericórdia, dos pobres que são os prediletos de Deus, da mulher valorizada, da oração, do Espírito Santo, da alegria, do louvor. Dos escritos do Novo Testamento (N.T.) em língua grega, Lucas oferece a linguagem mais apurada e elegante, revelando uma cultura elevada, como médico que era.

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CAPÍTULO 1

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1b - Quem é Teófílo? Não temos condições de sabê-lo com certeza. Trata-se provavelmente de algum benfeitor que talvez financiasse a publicação do livro de Lucas. Mas na pessoa de Teófïlo o evangelista dedica sua obra aos cristãos provindos do paganismo de cultura grega; Teófïlo significa amigo de Deus. 1c - Cite dois autores conhecidos que escreveram antes de Lucas. Mateus e Marcos. 1d - Além desses dois, houve outros que escreveram sob re Jesus antes de Lucas? Outros cristãos escreveram sobre Jesus, mas seus escritos caíram em desuso ou desapareceram como não-inspirados. Assim temos o Evangelho de Tomé encontrado no Egito em 1945. 1e - A que "acontecimentos" se refere Lucas? Refere-se à vida, às palavras, à paixão, à morte e à ressurreição do Senhor. 2a - A primeira fonte da fé nos tempos apostólicos foram os Evangelhos escritos? Não. Aqui Lucas mostra claramente que tudo o que se escreveu foi primeiro por vários anos pregado. A pregação precedeu os Evangelhos escritos e será sempre a primeira forma de suscitar a fé. 2b - Ache em Cl 4 a profissão de Lucas. Em Cl 4,14 é chamado "o caríssimo médico". 2c - Em 2Tm 4 cite as palavras que mostram Lucas como o mais fiel companheiro de Paulo. 2Tm 4,11: "só Lucas está comigo". 2d - Mostre por At 16,10; 21,15; 27,1 e 28,16 os principais lugares onde Lucas acompanhou Paulo viajando. Na 2a viagem de Paulo à Macedônia; na 3a viagem a Jerusalém, à Itália e em Roma. 2e - Quando escreveu Lucas o Evangelho? Antes do ano 70, porque só se refere à Jerusalém destruída como algo do futuro (21,20-34), sem nenhum aceno à Jerusalém já destruída. Provavelmente compôs sua obra entre os anos 62 e 65. Alfred Lapple, em A mensagem dos Evangelhos hoje, pág. 93, afirma que "Lucas redigiu seu Evangelho cerca de 75 d.C.". 2f - Descrentes há que tacham os Evangelhos de imaginários. O que você diz? (v. 3) Dos quatro evangelistas, Mateus e João foram "testemunhas oculares" de tudo o que pregaram e depois escreveram. Marcos escreveu o que ouviu da boca de Pedro, de quem era discípulo. E Lucas atesta que só escreveu após cuidadoso trabalho de investigação "desde o começo" da vida de Jesus. Os Evangelhos estão bem longe de ser imaginários ou romanceados. Os evangelistas escreveram por espírito de fé, sem a mínima intenção de enganar.

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CAPÍTULO 1

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3a - Cite fontes autênticas que Lucas deverá ter consultado. (v. 3) No mínimo ele consultou vários apóstolos, como Pedro em Antioquia, Paulo nas diversas viagens com ele, sempre o ouvindo, Barnabé em Antioquia, Marcos em pessoa e no seu Evangelho já escrito, Tiago em Jerusalém, João, Lázaro e suas irmãs Marta e Maria, parentes de Jesus em Nazaré, não poucos curados por Jesus, e, de modo particular, Maria, a mãe do Senhor. 3b - O Evangelho de Lucas é mesmo inspirado ou é apenas fruto de estudo e pesquisas que ele fez? (v. 3) A inspiração divina dos livros santos não exclui o trabalho pessoal de cada escritor. Portanto, os Evangelhos são fruto da inspiração de Deus mais a contribuição pessoal de cada autor. 3c - Lucas diz que escreveu "em ordem". Seria uma ordem cronológica? Nenhum evangelista cuidou de transmitir-nos os acontecimentos em perfeita ordem cronológica, mas sim em ordem didática e lógica, de acordo com o objetivo que cada autor tinha em mira: Mateus quer provar aos judeus que Jesus é o Messias predito pelos profetas; Marcos, que Jesus é o Filho de Deus; João, a divindade de Jesus; e Lucas, que Jesus é o Salvador de todos os homens e não só dos judeus. 4 - Como você vê essa introdução? Nessa introdução do autor temos em "Teófilo" o destinatário da obra; em "autores", o motivo; em "acontecimentos", o conteúdo; em "testemunhas oculares", as fontes; em "ordem", o método; e em "comprovará a verdade", o objetivo. Lições de vida "A Escritura comunica imutavelmente a Palavra do próprio Deus. É a firmeza da fé. Alimento da alma. Fonte de vida espiritual" (Dei Verbum 21). Nela é que aprendemos a "Eminente ciência de Cristo" (Fl 3,8). "Ignorar as Escrituras é ignorar Cristo" (Dv 25). "Toda a Escritura é divinamente inspirada e útil para ensinar, para convencer, para corrigir, para instruir na santidade a fim de que o homem de Deus seja perfeito e apto para toda a boa obra" (2Tm 3,16-17). Devo fazer da Escritura meu principal estudo, como cristão que sou. Oração Espírito Santo, amor eterno do Pai e do Filho, dai-me um coração grande e aberto à vossa silenciosa e forte Palavra inspiradora. Iluminai minha inteligência para que eu assimile o sentido da Palavra revelada e assim vá crescendo no conhecimento e no amor de Cristo. Fortalecei minha vontade para que eu sempre traduza em vida o que me fazeis compreender do Evangelho. Amém.

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CAPÍTULO 1

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Lc 1,5-13 Anunciação de João Batista
(5)

Herodes, o Grande, não-judeu, filho de pai idumeu (Antípatro) e de mãe árabe (Kypros), governava a Palestina toda com a Iduméia ao sul, com o título que o Senado de Roma lhe conferiu de rei da Judéia. Governou de 40 a 4 antes de Cristo. Nesse tempo havia um sacerdote chamado Zacarias, um dos 800 só do grupo de Abias que era o 8ºdos 24 grupos existentes na tribo de Levi somando ao todo uns 20.000 sacerdotes. Semanalmente eles se revezavam (1Cr 24,7-19) para as funções sacerdotais no templo de Jerusalém. Sua esposa, Isabel, que significa "Deus jurou", era descendente do irmão de Moisés, Aarão, o primeiro sumo sacerdote, cujos descendentes gozavam do direito ao sacerdócio com exclusividade (Ex 28,1-43; 29,1-37; Lc 8,12). (6) O casal era justo diante de Deus observando de maneira irrepreensível todos os mandamentos e leis do Senhor. (7) Eles não tinham filhos pelo fato de Isabel ser estéril, o que era visto como punição divina. E ambos já estavam em idade muito avançada (Jz 13,2; 1Sm 1-2). (8) Chegou a vez de Zacarias exercer as funções sacerdotais no templo de Deus. (9) Para a ordem do serviço diário, foi feito o sorteio, conforme costume estabelecido entre os sacerdotes. Coube a Zacarias, ajudado por outros quatro sacerdotes, entrar no santuário do templo do Senhor, na parte interna chamada Santo, para renovar as brasas e os aromas e deitar incenso nos carvões ardentes, função considerada da mais insigne honra, só inferior à do sumo sacerdote. Havia ali um altar dourado e um braseiro. Antes do sacrifício da manhã e depois do sacrifício da tarde, o sacerdote designado deitava incenso no braseiro em sinal de adoração a Deus; depois saía do Santo e abençoava o povo dizendo: "O Senhor vos abençoe e vos guarde; o Senhor volva sobre vós o seu rosto sereno e vos seja benigno; o Senhor volva os olhos para vós e vos conceda a paz" (Nm 6,24-27). Esses ritos do culto eram exercidos uma só vez na vida de um sacerdote. (10) Enquanto o incenso queimava e a fumaça subia, toda a assembléia se detinha do lado de fora do Santo seguindo a cerimônia em oração. (11) Foi nessa oportunidade que o anjo do Senhor, de nome Gabriel, apareceu de pé a Zacarias à direita do altar onde se queimava o incenso. Era um altar de cedro revestido de ouro (Ex 27,27). (12) Ao vê-lo, Zacarias assustou-se e ficou tomado de medo por um imprevisto contato com o sobrenatural (Dn 8,17. 27). (13) Mas o anjo o tranqüilizou dizendo: - "Não tenha medo, Zacarias, pois sua oração pedindo a vinda do Messias foi ouvida por Deus. Também foi ouvida a oração que você, em vista da idade avançada, cessou de dirigir a Deus pedindo um descendente ligado ao Messias. Ouça então: Isabel, sua esposa, lhe dará um filho que abrirá caminho à obra da redenção; por isso você lhe imporá o nome de João, ou seja, Deus concedeu graça!". Questionário 5a - Que significa Zacarias? E Isabel? Zacarias é "Javé se lembra". Isabel, "Deus jurou" ou "Deus é consumação".

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CAPÍTULO 1

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5b - Que Herodes era esse? Herodes, denominado o grande, não-judeu, filho do idumeu Antípatro e da árabe Kypros. Obteve do Senado romano o título de rei da Judéia, mas tinha sob o seu governo a Palestina toda com a Iduméia ao sul. Governou do ano 40 até 4 antes de Cristo. Foi o que matou as crianças de Belém. Note-se que no cálculo para determinar a data do nascimento de Jesus houve um erro de uns 5 anos. 5c - Diga algo sob re os sacerdotes judeus. O grande templo de Salomão necessitava de muita gente para todos os atos do culto. A tribo de Levi, 3º filho de Jacó e Lia, recebeu o privilégio de tribo sacerdotal (Dt 10,8-9), com direito ao sacerdócio de Aarão. Direito e sacerdócio hereditários. Por isso a tribo de Levi não recebeu um território próprio como as outras, e sim algumas cidades esparsas. Os sacerdotes dividiam-se em 24 turmas que se revezavam nos serviços sagrados. Competia a eles dar instrução em assuntos religiosos, cuidar do culto, administrar o templo e seus bens. Só depois de uma certa idade os sacerdotes tinham direito de participar dos sacrifícios. O grupo de Abias contava com 800 sacerdotes. E os 24 grupos somavam, segundo Flávio Josefo, historiador judeu, 20.000 sacerdotes, sob a chefia do sumo sacerdote que supervisionava tudo e era o presidente do Sinédrio, tornando-se também chefe político da nação. Ele oferecia sacrifício cotidiano e executava os ritos do Dia da Expiação, com função vitalícia. 6 - Quem era considerado justo? (v. 6) Quem observava fielmente a lei de Deus. 7a - O que pensavam da esterilidade? Era vista como um castigo de Deus. 7b - Conhece outras céleb res estéreis do Antigo Testamento? Sara, mulher de Abraão (Gn 11,30), depois foi mãe de Isaac; Rebeca, mulher de Isaac (Gn 25,21), depois mãe de Esaú e Jacó; Raquel, mulher de Jacó (Gn 29,31), depois mãe de José e Benjamim; Ana, mulher de Elcana (1Sm 1,2), depois mãe do profeta Samuel; e Micol, esposa de Davi. 9a - Que era o Santo no templo? Era a 1a das duas salas que compunham o tabernáculo. Aí o sacerdote designado devia, ao lado do altar, renovar as brasas e os perfumes, deitar incenso no braseiro e, saindo do Santo, abençoar solenemente o povo da assembléia. A 2a sala era o Santo dos Santos, ou o lugar Santíssimo da presença de Deus, onde se encontrava uma réplica da Arca da Aliança; ali só o sumo sacerdote entrava uma ve z por ano no Dia da Expiação (Lv 16; Hbr 9). 9b - Que fórmula de bênção usava o sacerdote? (Cf. Nm capítulo 6) "O Senhor vos abençoe e vos guarde. O Senhor volva sobre vós o seu rosto sereno e vos seja benigno. O Senhor volva os olhos sobre vós e vos conceda a paz" (Nm 6,24-27). 9c - Que pediria provavelmente Zacarias em oração?

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CAPÍTULO 1

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Todos os israelitas suplicavam sempre a Deus que apressasse a vinda do Messias libertador. Sem dúvida essa era a oração principal de Zacarias. Mas é claro também que ele e a esposa deviam pedir muito a Deus a graça de um filho. Todavia, depois de certa idade em que por natureza não é mais dado gerar, Zacarias cessou desse pedido. Se ele ainda estivesse rogando por um descendente não teria descrido do anúncio do anjo. 11a - Qual o nome do anjo que apareceu a Zacarias? Ele mesmo se revelou no v. 19: "Sou o anjo Gabriel". É o anjo da Encarnação. Ele anunciou a Daniel (9,21-24) que faltavam 70 semanas de anos (70x7 = 490 anos) para a vinda do Messias. Ele anunciou a Encarnação a Maria (Lc 21,26-33). 11b - Que significa Gab riel? Significa "poder de Deus" ou "Deus é poderoso". 13 - Que significa João? Significa "Deus concedeu graça" ou "Deus tem misericórdia". Lições de vida A oração tem sentido, mesmo que tudo já pareça impossível. Pelas condições naturais da idade avançada, o casal não podia mais esperar um filho. No entanto, os pedidos que pareciam ter sido inúteis foram maravilhosamente ouvidos por Deus, que não se prende ao tempo e para quem a esterilidade não é empecilho. Nossa oração é sempre acolhida, embora muitas vezes não vejamos como. Na oração, Zacarias não foi egoísta. Mesmo crendo que não alcançaria mais um filho tão desejado, ele não cessou de pedir a Deus a graça que mais interessava a todos: a vinda do Messias. Em minha oração devo pôr o bem comum acima do meu interesse particular. Oração Senhor, dai-me o dom da oração. Que eu nunca cesse de vos invocar, adorar, agradecer e pedir perdão, pois toda vez que me dirijo a vós, eu me ultrapasso. E, embora pareça que por vezes minha oração seja estéril, sei que por ela a vossa presença cresce em mim. E isso já me enriquece e me faz ser mais. Amém. Lc 1,14-25 Missão de João. Zacarias duvida
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Ele vai trazer a você regozijo e felicidade. Igualmente muitos outros se alegrarão com o seu nascimento. (15) Será um grande homem diante do Senhor. Como nazireu, consagrado, ele não deverá tomar vinho nem qualquer bebida inebriante: será caracterizado por uma vida de penitência. Mesmo antes de nascer será animado pelo Espírito Santo, que o santificará. (16) Como grande profeta ele reconduzirá ao
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Senhor, seu Deus, muitos filhos do povo de Israel por meio da penitência. (17) Será o mensageiro de Deus e precursor do Messias com a mesma fortaleza e zelo do profeta Elias: restabelecerá a paz no coração de pais e filhos, converterá e trará de volta os incrédulos a uma vida correta, a fim de preparar um povo bem disposto a acolher o Messias.
(18)

Zacarias duvidando perguntou ao anjo:

"Como posso crer nisso? Pois estou velho e minha esposa também com idade avançada".
(19)

Respondeu-lhe o anjo:

"Eu sou Gabriel, o enviado do poder de Deus; vi vo na presença do Senhor. Foi ele quem me mandou trazer-lhe esta boa notícia, da qual não se pode duvidar. (20) Tudo o que anunciei se realizará a seu tempo. Mas por não ter você acreditado em minhas palavras, terá este sinal: ficará mudo até que tudo isto que eu disse aconteça".
(21)

No entanto, o povo no templo esperava por Zacarias e estranhava que estivesse demorando tanto lá no interior do santuário. (22) Quando Zacarias saiu do lugar denominado Santo, onde não podia ser visto pelo povo em oração, e se apresentou aos fiéis, não podia dar-lhes a bênção ritual. Fez sinais com as mãos demonstrando estar completamente mudo. Todos compreenderam que ele havia tido uma visão sobrenatural lá no interior. (23) Completada a semana de seu ministério no templo, voltou a sua casa em Ain Karim, a seis quilômetros a oeste de Jerusalém. (24) Pouco tempo depois sua esposa engravidou. Para fazer de sua alegria uma contínua ação de graças, livremente ela se manteve em casa, isolada da sociedade. (25) Repetia: "Finalmente o Senhor veio em minha ajuda concedendo-me a graça de ser mãe e assim diante dos homens livrou-me da desonra e humilhação de não ter um filho!". Questionário 15a - Que era o nazireato? (Cf. Nm 6) Promessa feita por tempo determinado (mínimo 30 dias) para o período da infância ou da juventude, ou por toda a vida (1Sm 1,11), de não tomar bebida inebriante e de não cortar o cabelo em sinal de fidelidade ao Deus único contra a idolatria (Jz 13,4-14). 15b - No 1º e no 2º capítulos cite os versículos em que Lc mostra o Espírito Santo em ação. 1,15. 35. 41. 67; 2,25. 26. 27. Entre o Ev. e At. aparece 53 vezes o Espírito Santo agindo. 17a - Que significa "no espírito de Elias"? É o mesmo que dizer: terá a força moral de Elias, sua virtude e seu zelo pela causa de Deus; será um novo Elias. 17b - Foi Malaquias que predisse a vinda do novo Elias antes do Messias. Encontre e cite as palavras de Malaquias.

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Ml 3,23: "Eis que vos enviarei o profeta Elias antes que venha o dia grande e terrível de Javé". 17c - Mt 11,14-15: "ele é o Elias que devia vir" e Mt 17,12: "Elias já veio". O espiritismo vê nessas palavras a reencarnação de Elias em João Batista. O que você diz? Percebe-se bem o engano dessa interpretação. Se em Mt 11,14 "ele é o Elias que devia vir" (cf. Mc 9,4-13), aí mesmo Jesus diz: "quem tem ouvidos ouça", como a perguntar: você sabe entender isso como deve ser entendido? Se Elias se tivesse tornado João Batista, como é que em Mt 17,3 o próprio Elias aparece em pessoa? Portanto, deve ser entendido com Lc 1,17 que João terá "o espírito e o poder de Elias", isto é, a virtude e a força como as de Elias, como sempre se entendeu no cristianismo. Elias viveu na Palestina no séc. 9 a.C. nos reinados de Acab e Ocozias (1Rs cap 17 a 19; 2 Rs cap 1 e 2). Ele se opôs fortemente aos erros e abusos de Acab, aos sacerdotes de Baal e aos israelitas apóstatas. João se opôs firmemente a Herodes, escandaloso, aos fariseus hipócritas e aos israelitas afastados da Aliança com Deus. 18 - Também Maria (Lc 1,34) perguntou ao anjo: "como vai ser isso se não conheço homem?". Também Abraão perguntou a Deus (Gn 15,8): "como sab erei que vou possuir esta terra" que o Senhor me promete? E à promessa de um filho: "acaso nascerá um filho a um homem de 100 anos, e Sara, que tem 90 anos, dará ainda à luz?". Sara, por sua vez, perguntou também: "será verdade que vou dar à luz agora que sou velha?" (Gn 18,13). Sara foi repreendida, Zacarias castigado, mas Abraão e Maria não. Por que assim? Abraão nunca duvidou de Deus. O sinal que ele pede é para reconhecer e não deixar passar despercebida a oportunidade em que Deus vai lhe confirmar a doação da terra. Sobre o filho, Abraão pergunta não duvidando, mas impactado e não cabendo em si diante de um prêmio que seria impossível à natureza. Quando o que recebemos é inesperado e por demais grandioso, dizemos sem duvidar: "como é possível? Nem acredito!". Sara, diante da enormidade prometida (Gn 18,12. 15; 21,6), ficou entre a dúvida e a fé. Zacarias permaneceu cético. A mudez que recebeu não é apenas castigo, mas o sinal desejado por ele, sinal diante do qual o povo reconheceu que ele teve uma experiência sobrenatural. Gedeão pediu um sinal sem duvidar (Jz 6,17). Isaías (Is 7,11), porque tinha certeza, propõe que Acaz peça qualquer sinal que quiser. Ezequias pede um sinal sem duvidar (Is 38,7-8) e a sombra do Sol retrocedeu. 20 - Até quando exatamente ficou Zacarias mudo? Até o oita vo dia de vida do menino, quando lhe foi dado o nome de João, indicado pelo anjo (1,13; 59-64). 23 - A tradição aponta a atual Ain Karim como cidade de Zacarias. Localize-a. Situa-se a seis quilômetros a sudoeste de Jerusalém. 24a - Por que ou para que Isab el se ocultou?

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Achou que seria o recolhimento a melhor forma de transformar sua alegria num prolongado tempo de ação de graças a Deus pelo inestimável dom recebido de um filho em sua esterilidade. A mãe do consagrado vive como consagrada! 24b - Por que cinco meses? Simplesmente porque no sexto mês de sua gravidez (1,26. 39-44) chegou sua prima Maria e o acontecimento começou a não ficar oculto. 25 - A que humilhação se refere Isabel? A esterilidade era vista como um castigo de Deus muito humilhante. Lições de vida A vocação de profeta e precursor dada ao Batista foi revelada antes do nascimento dele. Mas cada um de nós também recebe de Deus um chamado à existência e à vida com uma tarefa particular para o bem dos outros. Toda pessoa só se realiza quando abraça e desempenha bem a sua missão. O homem é colaborador de Deus na construção do mundo. Zacarias mudo é a imagem do povo judeu que se conserva mudo diante da Palavra da salvação trazida por Jesus. Assim é também toda pessoa que não dá ouvidos ao Evangelho. Mas a misericórdia de Deus é maior que a oposição dos homens: após ter-se calado, Israel se voltará para Cristo (Rm 11,25-27) quando o Evangelho for acolhido em todas as nações do mundo. Zacarias voltou para casa castigado, mas inundado da certeza do prêmio tão sonhado. Mesmo quando somos castigados, a mão de Deus derrama bênçãos! Oração Senhor, vosso precursor foi santificado desde o ventre materno. Peço que abençoeis todas as mães grávidas e todas as crianças a caminho do nascimento. Santificai-as, Senhor, fazendo que com o tempo tomem consciência de sua missão entre os homens e a abracem com a decisão e a coragem do Batista. Amém. Lc 1,26-38 O anúncio da Encarnação
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Seis meses depois que Isabel engravidou, o anjo Gabriel foi também enviado por Deus até a província romana da Galiléia, norte da Palestina, a uma cidade chamada Nazaré, 375 metros de altitude, (27) a uma virgem desposada com um varão chamado José, mas ainda não coabitando com ele (Mt 1,18), que pertencia à descendência de Davi. O nome dela era Maria. (28) O anjo em forma humana entrou na casa escavada nos flancos do morro e pertencente aos pais de Maria. Enquanto ela orava o anjo a saudou dizendo:

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- "Alegra-te, paz a ti que sempre foste e permaneces cheia da graça de Deus em grau máximo porque o Senhor está contigo na mais íntima união".
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Ao ouvir esse cumprimento, Maria assustou-se pelo elogio de que não se julgava digna, e pôs-se a refletir qual seria o significado dessas palavras, porque não podia supor que se tratasse da Encarnação do Verbo de Deus. (30) Mas o anjo acrescentou: - "Não tenhas medo, Maria: recebeste o favor de Deus e agora és objeto de sua especial predileção e benevolência. (31) Eis que conceberás e darás à luz um Filho de tua natureza humana e o chamarás com o nome de Jesus. (32) Ele será grande porque será chamado Filho do Altíssimo por ser de natureza divina, consubstancial ao Pai, e grande porque o Senhor Deus lhe dará o trono do rei Davi, seu antepassado. (33) Ele reinará para sempre em Israel, o povo de Deus. Portanto, ao contrário dos reinos terrenos, seu reinado não terá fim, será eterno!" (Rm 11,26) Diante do mistério da maternidade que lhe seria dada imediatamente após o anúncio do anjo e sem colaboração masculina, Maria, com grande estupor e admiração, pede esclarecimento humildemente e sem duvidar: - "Como se efetuará tão extraordinária coisa agora que não coabito com homem e me mantenho virgem?!".
(35) (34)

O anjo lhe respondeu: "O Espírito Santo é que virá a ti e o poder sem limites do Altíssimo te envolverá como a nuvem sobre a Arca da Aliança (Ex 24,16; 40,34). Por isso, o Santo que vai nascer de ti por obra do Espírito Santo e não de homem será o Filho de Deus, o Messias. (36) Vou indicar um sinal para o reconhecimento de como Deus cumprirá a sua promessa: Isabel, tua parente, embora em idade já bem avançada, concebeu um filho em sua esterilidade. Já está no sexto mês de gravidez. Deus, que tornou fecundo um ventre estéril, tornará fecundo um ventre virgem, (37) porque a Deus nada é impossível!”.

Maria assim esclarecida pelo anjo, com profunda humildade e disponibilidade, se entrega inteiramente ao projeto de Deus, respondendo: - "Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra". O anjo se retirou e o Verbo se fez carne e montou sua tenda entre nós no seio de Maria! Questionário 26a - Que trib os israelitas ocupavam a Galiléia? As tribos de Zabulon, Neftali, Aser e Issacar. 26b - Qual a distância de Nazaré a Jerusalém? Quase 140 quilômetros; vale dizer, três dias de caminhada para aquele tempo.

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27a - Que significa Maria? Maria, Míriam ou Mariana, nome comum entre os hebreus, significa "exaltada", "amada"; outros dizem "altura", "senhora"... 27b - Maria já era desposada. Como então era virgem? Entre nós há três etapas: o namoro, o noivado e o casamento. Para os judeus não havia o namoro. Celebravam primeiro os esponsais (não um simples noivado) com efeito jurídico de casamento, mas sem o efeito social da convivência. Cada um dos cônjuges voltava para morar com os pais. O rapaz tinha no mínimo um ano de prazo para deixar a própria casa pronta. Celebravam então a solenidade exterior do casamento e passavam a coabitar (Mt 25,1-13). Maria concebeu desposada, mas ainda não vivendo com José. 27c - Que idade teria então Maria? Por costume do tempo achavam conveniente ligar em esponsais as jovens por volta dos 15 anos de idade. 27d - Por que atribuíam tanto valor à descendência de Davi? Porque Davi foi o maior rei de Israel, unificou suas tribos, governou 40 anos (de 1012 a 972 a.C.) e recebeu de Deus a promessa de que um seu descendente seria o Messias Salvador, o Cristo (2Sm 7,12-15; Is 11,1-10; Jr 23,5-6; 30,9; Ez 34,23-31; 37,24-28; Os 3,5). 27e - E Maria descendia de quem? Também de Davi: v. 32; Rm 1,3; 2 Tm 2,8. Filha de Joaquim e Ana. 28 - Qual é a b ase b íblica do dogma católico da Imaculada Conceição? É a declaração solene feita por Deus pela boca do anjo: "CHEIA DE GRAÇ A!", isto é, favorecida por Deus com a plenitude da graça que a torna ao mesmo tempo imune do pecado da raça humana em virtude dos futuros méritos de seu Filho, o Redentor. Maria é a primeira remida. Nessa mesma realidade baseia-se o outro dogma da Assunção de Maria ao céu em corpo e espírito. Ela é a "mulher vestida de sol!" (Ap 12,1). Deus concede as graças de acordo com a missão que confia à pessoa. Maria foi escolhida para a única missão da maternidade divina, que a torna superior aos anjos e santos todos. A Arca da Aliança era feita de madeira incorruptível (Ex 25,10), figura de Maria, a verdadeira Arca da Nova Aliança que nos trouxe o Salvador. O anjo a chama como por nome próprio a "cheia de graça" e ela mesma, aparecendo a Bernadette em Lourdes, no ano de 1858, denominou-se: "Eu sou a Imaculada Conceição!". A outra expressão do anjo "o Senhor é contigo" explica o porquê de Maria ser cheia de graça. 31a - Que profecia anunciou que uma Virgem daria à luz o Messias? Isaías 7,14 citado também por Mt 1,23: "Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um Filho que chamarão com o nome de Emanuel, o que significa Deus está conosco!".

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31b - Que significa a palavra Jesus? Jehoshua = Javé é a salvação. O nome traduzia a missão da pessoa: Salvador. É o mesmo que Josué. 31-32 - Percebe aqui a dupla natureza de Jesus? "Darás à luz um Filho" que terá a mesma natureza humana da mãe. Será "Filho do Altíssimo" com a mesma natureza divina do Pai. A única pessoa de Jesus traz a verdadeira natureza humana e a verdadeira natureza divina: é Deus feito homem. 32a - Protestantes afirmam que Maria só gerou a natureza humana de Jesus, e por isso não é a mãe de Deus. Que diz você? Toda mãe gera não a natureza mas a pessoa do filho. O que Maria gerou foi a pessoa do Verbo Encarnado, a 2a pessoa da Santíssima Trindade, da qual se tornou mãe, e por isso mãe de Deus. O anjo afirmou que o Filho do Altíssimo seria filho de Maria. 32b - "O trono de Davi". Que profecia se cumpre aqui? (Cf. 2Sm 7) 2Sm 7,16: "teu trono será consolidado para sempre", disse Natã a Davi. 33 - Que reino terá o Messias? Não um reino político, mas o reino do amor, da justiça, da verdade, do bem, da fraternidade entre todos os homens. 34 - Era desconhecida a virgindade naquele tempo? Pelos manuscritos descobertos na 1a gruta de Qumram, perto do Mar Morto , tem-se clara notícia de que a virgindade era conhecida e praticada naquele mosteiro e comunidade do mesmo nome (Qumram 7,3-6). Lições de vida 26 - Nazaré, aldeia desprezada, sem renome ("Pode sair algo de bom de Nazaré?" Jo 1,46). O Antigo Testamento nunca a cita. Situada na "Galiléia dos Gentios", isto é, numa terra considerada profana porque habitada por muitos pagãos (Mt 4,15. Is 8,23). Deus escolhe o que é insignificante e desprezado pelos homens para realizar as maravilhas de seu plano de salvação (1Cor 1,27-29). A lei da Encarnação é esta: para se doar a nós, criaturas enfraquecidas, "Jesus despojou-se de sua grandeza" (Fl 2,7). 28 - O anjo não saúda Zacarias; saúda Maria. Para anunciar o Batista, o anjo aparece no templo; para anunciar Jesus, vai à casa de Maria: Deus, no Antigo Testamento, morava no templo; agora, mora "entre nós" (Jo 1,14), melhor, mora "em nós" (Jo 14,23). 30 - "Não tenha medo, Maria." Também os grandes homens como Moisés (Ex 3,1112a) tremiam diante de tarefas importantes que Deus lhes confiava. Necessitavam de encorajamento. Maria também. Deus não escolhe pessoas cheias de si. Quem se sente fraco recorre a Deus e vai em frente apoiado nele. "Quando constato minha fraqueza, então é que me sinto forte" (2Cor 12,10).
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31 - Para anunciar o Batista o anjo falou a Zacarias. Para anunciar Jesus, nenhum homem é mencionado, nenhum pai terreno. É o mistério da concepção virginal. O Espírito Santo depositou em Maria o germe da vida. José terá o nome de pai diante da Lei. Tornada templo vivo de Deus, Maria pôs o pé na cabeça da serpente (Gn 3,15). 34 - Muitos cristãos vêem nessa afirmação de Maria a intenção, inspirada por Deus, de se manter virgem, mesmo casada e com o consentimento do esposo. Isso não aparece claramente nas palavras de Maria. Dizem esses autores: se Maria pretendesse viver normalmente a vida conjugal com José, não teria tido nenhuma dificuldade para entender que iria ser mãe. 35 - A conceição sobrenatural de Jesus, por ser obra do amor, é atribuída ao Espírito Santo, amor consubstanciai do Pai e do Filho. - "Cobrir com a sombra" é figura tirada da nuvem sagrada que cobria a tenda da reunião no deserto (Ex 40,34s), sinal visível da presença de Deus, que fazia da tenda como que sua morada. A fecundidade criadora do Espírito Santo, como nuvem envolvente, faz de Maria a nova tenda onde Deus veio morar. - Pelo Espírito Santo Jesus nascerá de uma criatura humana. Semelhante portento opera Deus em cada um de nós, tornando-nos filhos seus, participantes da natureza divina (2Pd 1 ,4). É a obra do Espírito Santo, força criadora e propulsora de Deus. 38 - Depois da Encarnação não se pode mais falar de Jesus sem lhe associar a mãe que lhe deu a carne de sua carne e o sangue de seu sangue. Jesus nasceu do Espírito Santo e de Maria, que se tornou mãe da Graça porque a maior graça é Jesus Salvador dado a nós (Jo 3,16). Mesmo ouvindo a explicação do anjo, Maria permaneceu no escuro quanto à plena significação e às conseqüências todas da Encarnação do Verbo. Ela se pôs nas mãos de Deus como serva disposta ao que desse e viesse. O seu "faça-se" é entrega alegre e total à vontade e ao plano de Deus como serva ou escrava que executa as disposições da divina providência com amor sem questionamento. Entrou no processo da colaboração mais profunda para a obra da redenção. "A mais humilde e a mais sublime criatura" (Dante, em Paraíso 33,2). Com o "faça-se" de Deus o mundo foi criado; com o "faça-se" de Maria começou a se recuperar da queda, pondo fim a tantos séculos da espera. O ato de fé de Maria (e o nosso) exige superação dos hábitos precedentes de viver e de pensar, para se confiar inteiramente à providência de Deus, enfrentando o desconhecido. E na virgindade fecunda de Maria tem sentido o voto de virgindade ou de castidade de quem se consagra inteiramente a formar Cristo no coração dos homens. Dois fatores são inseparáveis na obra da santificação: a graça de Deus e a nossa colaboração.

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Oração Obrigado, Pai, pela Encarnação do Filho que se tornou nosso irmão, nosso companheiro de jornada e nosso Salvador. Obrigado, porque por ele nos tornamos filhos do mesmo Pai e ganhamos em Maria uma mãe na ordem da graça. Concedei-nos honrar a dignidade de irmãos de Jesus e de filhos de Maria. Que como ela saibamos sempre dizer a Deus: "faça-se em mim segundo a vossa Palavra", para tudo conduzirmos de acordo com o plano do Pai, sempre dóceis às moções do Espírito Santo. Amém. Lc 1,39-45 Maria com Isabel
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Alguns dias depois, Maria pôs-se a caminho com pressa e foi à pequena cidade chamada Ain Karim, na região montanhosa do sul do país, província de Judá. (40) Foram quatro dias de caminhada. Ela entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. (41) Ao ouvir Isabel a saudação de Maria, o filho se agitou de alegria no seio dela, que ficou cheia do Espírito Santo e, (42) iluminada do alto sobre o que acontecera a Maria, ergueu a voz profética nesta exclamação: - "Você é a mais bendita de todas as mulheres porque bendito é o fruto do seu ventre, fruto no qual serão abençoadas todas as nações da terra!" (Gn 22,18). (43) Como posso ter a honra de receber em minha casa a visita da Mãe do meu Senhor!? (44) Assim que sua saudação chegou aos meus ouvidos, meu filho saltou de alegria no meu seio reconhecendo a presença do Messias. (45) Feliz de você por ter acreditado, pois irá cumprir-se tudo o que lhe foi anunciado da parte do Senhor!". Questionário 39a - Quantos quilômetros andou Maria nessa viagem? De Nazaré a Jerusalém são quase 140 quilômetros. Da capital a Ain Karim, outros seis e meio. Quatro dias de caminhada. 39b - Por que a pressa de Maria? Essa pressa revela sua alegria, sua humildade e sua caridade em doar-se. Pois, embora sendo já mãe do Messias e superior a Isabel, toma a iniciativa de ir logo congratular-se com a prima e pôr-se a serviço dela até o nascimento de João. E vai partilhar os mútuos favores recebidos de Deus. 42a - Isab el está vendo que começa a realizar-se a profecia de Gn 22,18. Cite a frase. "Na tua descendência serão benditas todas as nações da terra."

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42b - É lícito o culto a Maria? Foram o anjo (v. 28), por mandado de Deus, e Isabel que inauguraram o culto que prestamos à mãe de Jesus. Eles foram os primeiros a celebrar a grandeza dela com o Fruto de seu ventre. Esse louvor deverá prosseguir até o fim dos tempos em cada Ave-Maria que dirigimos à mãe do Senhor. A 1a parte da Ave-Maria foi composta pelo anjo Gabriel (1,28) e por Isabel (1,42). O culto a Maria conduz a Jesus e celebra os dons de Deus concedidos a ela. Quem o predisse foi ela mesma inspirada por Deus (1,48). Lições de vida 39 - Mesmo sendo superiores em condição social, é gesto dignificante tomarmos a iniciativa de ir ao encontro do inferior. Deus veio ao homem na pessoa de Jesus. Jesus, ao Batista. Maria a Isabel. 41 - As palavras de Maria são o instrumento de que o Verbo Encarnado se utilizou para santificar o Batista ainda no ventre materno dando-lhe o Espírito Santo (v. 15) e enchendo-o de alegria por sentir a presença do Messias! São instrumentos para iluminar sobrenaturalmente Isabel, que reconheceu o mistério da Encarnação em Maria, mãe do Senhor. Pelo próprio Cristo foi feita medianeira (embora secundária) da graça. A graça não vem de Maria, mas por Maria! - "Desde Freud, há um século apenas, todos falam do inconsciente humano. A criança grava inconscientemente as reações da mãe e do pai na vida intra-uterina. Isso não constitui novidade no Evangelho: é uma verdade revelada por Deus há 20 séculos: João Batista saltou de alegria no ventre materno à voz de Maria com a presença de Jesus! Um pai desnaturado pode fazer a criança tremer de medo e nascer com insegurança para a vida toda. A ciência comprova os fundamentos razoáveis do matrimônio como união de amor indissolúvel" (Pe. Denizar). 42 - "Bendita... entre as mulheres" é modo semita de exprimir o superlativo. Significa: a mais bendita das mulheres. Isabel constatou que Maria é de fato cheia da graça, cheia dos favores divinos, indicando a missão de Maria como instrumento dos dons de Deus para o mundo, começando pelo primeiro, que é trazer-nos o Salvador. O nome de Maria na boca do anjo é este: cheia de graça! O nome que Deus dá é a missão que Ele confia: Maria deve levar aos homens a Graça das graças: Jesus Cristo! O Salvador passou de Maria para os outros. Ela é a Nova Arca, o No vo Templo, o Novo Santuário de Deus. 43 - Maria foi a Isabel só com a intenção de servi-la e congratular-se com ela. Não previu que o Batista seria santificado, que Isabel ficaria cheia do Espírito Santo e que conheceria sobrenaturalmente o mistério da Encarnação. Quando nos pomos a serviço dos outros por Deus, Deus vai sempre além de nossas previsões e de nossos horizontes. Faz sempre mais do que prevemos. Ninguém sabe quanto bem faz, quando faz o bem. - O Antigo Testamento não ensina claramente a divindade do futuro Messias. Lucas usa o termo Senhor para Jesus 14 vezes, no sentido de Kyrios para os gregos e de Javé para os hebreus, isto é, o Ser Divino. João usa o termo raramente. Mateus e

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Marcos, nunca. É um dos títulos favoritos de Paulo para Jesus. Percebe-se, portanto, a influência de Paulo em seu fiel companheiro Lucas. 44 - Desde antes de nascermos, Deus já tinha em nós seus olhos de pai. 45 - Com um ato de fé começou a história de Israel em Abraão (Gn 12,1-5). Com outro ato de fé começou a história da salvação do mundo em Maria! Abraão creu que teria um filho da esterilidade. Maria creu que teria um filho da virgindade. A Palavra de Deus nos apresenta Maria: - cheia de graça, com a graça em plenitude, portanto, imaculada (Lc 1,28); - virgem-mãe sem concurso de homem (Lc 1,35; Is 7,14); - sublime instrumento para Jesus comunicar a graça, portanto, medianeira; - foi por meio de Maria que João e Isabel tiveram contato com a salvação messiânica (Lc 1,41; cf. Jo 2,3s); - mãe do Senhor Deus (Lc 1,43). Oração Ave-Maria... Lc 1,46-56 O Cântico de Maria
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Maria então fez ver a Isabel que a razão de exaltá-la está toda em Deus. E exclamou com sentimentos de profunda gratidão: - "A minha alma extasiada engrandece e louva o Senhor, (47) e meu espírito exulta de uma alegria sem fim em Deus, meu Salvador, (48) porque olhou para a pequenez da condição de minha pessoa, sua serva. Em conseqüência disso, de agora em diante, não só você, Isabel, mas todas as gerações fiéis dos tempos futuros me chamarão de mulher feliz e abençoada em vista da maternidade divina, (49) porque o Deus todo-poderoso fez em mim maravilhas; a razão disso é que seu nome é Santo! (50) Seu amor se estende de geração em geração sobre todos aqueles que lhe respeitam a vontade. (51) Agiu com a força de seu braço deixando sem ação os que alimentavam planos orgulhosos em seu coração. (52) Fez cair poderosos de seus tronos e elevou os humildes. (53) Enriqueceu de graças os necessitados que se voltaram para ele, e despediu de mãos vazias os ricos que se julgavam autosuficientes. (54) Pôs debaixo de sua tutela o povo de Israel, seu servo, sempre fiel ao seu amor e misericórdia, (55) conforme prometeu aos nossos antepassados, em favor de Abraão e dos seus descendentes para sempre!".
(56)

Maria permaneceu ajudando Isabel mais ou menos três meses até nascer-lhe o filho João. Depois voltou para a casa de seus pais, pois José ainda não a havia levado consigo.

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Questionário Aprecie o "Cântico de Maria", chamado Magnificat. E um verdadeiro Salmo (não original), que exprime toda a espiritualidade dos pobres de Javé. Salmo de ação de graças e ao mesmo tempo profético. Maria, extasiada ante a imensa bondade de Deus para com sua pequenez, abre o coração num espontâneo hino de amor agradecido. E a resposta inspirada à saudação de Isabel, o mais belo Cântico de Ação de Graças transmitido pela Bíblia. Como se Maria dissesse a Isabel: "tudo isso que você admira em mim deve-se ao poder e à bondade infinita de Deus. Por intermédio de mim, simples criatura, ele começou a cumprir as grandes promessas feitas a Israel e a todos os descendentes da fé de Abraão". Vê-se no "Cântico de Maria" a alegria dos profetas; o amor de quem guardou no coração a fé humilde e forte do povo de Deus esperando o Messias; a gratidão pelos dons de Deus e pelos maravilhosos feitos do passado; a confiança em Deus premiada; a esperança de Salvação estendida a todos os povos do mundo; os sentimentos da humanidade redimida; a ação salvífica de Deus muito acima da maneira humana de agir ("porque ele é Santo!"); afinal, a disposição de total dependência de Deus fortalecendo a confiança no triunfo final. Abraão recebeu a promessa; em Maria deu-se início à realização; o povo receberá os frutos! Podemos dividir assim o Magnificai: 46-48 - louvor a Deus que a fez mãe do Salvador. 49-50 - o poder e o amor de Deus são a razão das maravilhas operadas em Maria, feita mãe virgem e mãe de Deus. A Encarnação é o maior prodígio do amor infinito diante do pecado que se opõe a Deus e que nos escravizou tanto tempo! 51-53 - preferência de Deus pelos pobres e humildes. Um portento do Messias será a vitória sobre a morte e o demônio. 54-55 - na Encarnação, Deus mostrou que é fiel às promessas e à aliança feita com o povo de Israel. Transcreva referências b íblicas que inspiraram o Magnificat. 46 - Principalmente o "Cântico de Ana", mãe de Samuel em 1 Sam 2,1-10. Verso 1: "meu coração exultou no Senhor, a minha força foi exaltada no meu Deus... porque me alegrei na salvação que recebi de ti". 2: "não há quem seja Santo como o Senhor... e não há quem seja forte como nosso Deus...". 4: "o arco dos fortes quebrou-se e os fracos foram revestidos de força". 5: "os que antes estavam cheios de bens entregaram-se para terem pão, e os famintos foram saciados...". 7: "o Senhor é quem empobrece e enriquece, quem humilha e exalta". 48 - Salmo 31,8: "fixarei sobre ti os meus olhos". Gn 30,13: "... as mulheres me chamarão ditosa...". 49 - Jo 5,9: "Deus... faz maravilhas sem-número". 50 - SI 103,17: "A misericórdia do Senhor se estende desde a eternidade e até a eternidade sobre os que o respeitam". 51 - Jo 5,11-12: "exalta os humildes... dissipa os pensamentos dos malignos".

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52 - Eclo 10,17: "destruiu o trono dos príncipes soberbos e em seu lugar colocou os humildes". 53 - SI 107,9: "encheu de bens a alma faminta". 54 - SI 98,30: "nós somos seu povo e ovelhas do seu rebanho". Is 41,8: "Tu, Israel, meu servo, tu Jacó, a quem escolhi, tu, linhagem do meu amigo, Abraão". 55 - Gn 12,3 = 22,18: "Em ti (Abraão) serão abençoadas todas as nações da terra". Lições de vida De Maria aprendemos a ir ao encontro de nosso próximo, principalmente parentes necessitados de nós. O culto iniciado por um anjo e por Isabel não terá mais fim. Com eles louvaremos sempre a Mãe do Senhor em cada Ave-Maria. Todos os dias, na oração da tarde, a Igreja entoa o "Cântico de Maria". Onde entra Maria está Jesus e atua o Espírito Santo. Maria, que cuidou de Jesus, será sempre a Mãe cuidando de nós, seus filhos adotivos. Para executar seus projetos, Deus sempre escolhe pessoas simples e humildes. A verdadeira humildade não consiste em desconhecer ou negar os dons pessoais, mas em atribuí-los unicamente a Deus, seu autor. Ele no-los dá, não porque os mereçamos, mas porque ele é santo. Cada dom corresponde a uma tarefa em vista do bem comum. É nossa pequenez e nossa insuficiência que atraem os olhares do Pai. "Atribuir a si os dons recebidos é um roubo" (S. Gaspar Bertoni). "O 'Cântico de Maria' pôs fim às lágrimas de Eva" (Santo Agostinho). Oração Senhor, também minha alma engrandece e louva-O pelas maravilhas que a liberalidade divina operou em mim, sem levar em consideração meu nada; cumulou-me de bênçãos e tantos favores imerecidos. Tenho mil razões para exultar de uma alegria sem fim e passar a vida cantando glórias ao Senhor. Entre tantas dádivas concedidas à minha alma faminta, deixou-me sua mãe como amparo da minha pequenez, e perfeito modelo de doação a Deus e ao próximo necessitado. Que meu coração não cesse de louvar o Senhor e engrandecer seu santo nome. Amém.

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Lc 1,57-66 Nascimento de João
(57)

Chegou entretanto o dia em que Isabel devia dar à luz, e ela teve um menino. (58) Seus vizinhos e parentes, ouvindo falar que o Senhor havia manifestado nela a sua misericórdia livrando-a da esterilidade, vieram juntar-se a ela na alegria.(59) Quando o menino atingiu oito dias, os parentes, de acordo com a lei (Gn 17,12; Lv 12,3), foram à casa de Zacarias para circuncidá-lo como membro do povo de Deus. Queriam dar-lhe o nome de Zacarias, o pai. (60) Mas a mãe, Isabel, interveio dizendo: - "Não. Ele deve chamar-se João".
(61)

Objetaram-lhe:

- "Não existe ninguém entre os seus com esse nome".
(62)

Resolveram então se dirigir por sinais a Zacarias, que continuava surdo e mudo, para saber como queria que o menino se chamasse. (63) Zacarias pediu uma placa de cedro coberta de uma camadinha de cera, própria para escrever, e, com um estilete de ferro, traçou estas palavras: - "Seu nome é João". Todos os presentes ficaram admirados. (64) Nesse momento foi devolvida a fala a Zacarias, a língua se lhe desprendeu e ele começou a soltar a voz bendizendo a Deus. (65) Os vizinhos todos que viam Zacarias mudo ficaram tomados de espanto, e a notícia desses fatos espalhou-se por toda aquela região montanhosa da Judéia.(66) E quantos a ouviam refletiam seriamente no seu íntimo, perguntando-se: - "Que virá a ser esse menino cercado de sinais tão extraordinários? ". É que se tornara evidente a mão do Senhor sobre ele de modo especial. Questionário 59a - Que era a circuncisão? E porque os cristãos não a temos? Era o rito de agregação ao povo eleito e sinal da aliança com Deus. Consistia na ablação do prepúcio (pele que cobre a glande do pênis) (Gn 17,10-12). Era feita no 8º dia do nascimento do filho homem (Lv 12,3) pelo pai ou por um sacerdote na sinagoga ou em casa. Sendo a circuncisão o sinal exterior da pertença ao povo de Deus, de nada valia se de fato o homem não amasse a Deus como Senhor (Rm 2,25-29); seria o caso do incircunciso de coração, isto é, o homem que fecha a Deus os ouvidos do coração (At 7,51). Jesus aboliu a circuncisão (Rm 3,30), substituindoa pelo batismo, sinal da fé (Mt 28,18-19; Col 2,11-13; 1Cor 7,18-19; Gl 5,6), que justifica inserindo-nos no novo povo de Deus. 59b - Como se pode deduzir que a circuncisão de João se deu na casa de Zacarias e não na sinagoga? Pela presença de Isabel, que interferiu na questão do nome. Por lei, a mãe não podia sair de casa (Lv 12,2-5) antes dos 40 dias de resguardo.

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62 - Como se pode concluir que Zacarias, além de mudo, ficou surdo? Se fosse só mudo, ouviria. Mas aqui tiveram que lhe falar por sinais. Lições de vida 58 - Os benefícios concedidos por Deus alegram quem os recebe e quem os reconhece nos outros: quem os reconhece louva a Deus. 65 - Quem acolhe a mensagem do Evangelho deve difundi-la tornando-se arauto para os outros. Destina-se ela a conquistar o mundo. Oração Senhor, que eu nunca feche os ouvidos do meu coração à sua Palavra. Obrigado pelo sacramento do batismo que, incomparavelmente superior à circuncisão, me justificou e inseriu no Novo Povo de Deus, me fez membro do Corpo Místico de Cristo e galho verde da Videira, cujo tronco é Cristo (Jo 15,5). Para que o Reino de Deus conquiste o mundo, concede-me, Senhor, difundir com ardor apostólico o Evangelho semeado em mim. Amém. Lc 1,67-80 Cântico profético de Zacarias 1a parte: agradece a Deus o Redentor
(67)

Então Zacarias, pai do menino, inspirado pelo Espírito Santo, profetizou acontecimentos futuros referentes ao Messias e ao seu precursor, e agradeceu a Deus nestes termos: (68) - "Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, porque veio em socorro de seu povo e nos mandou o Messias para nos remir da escravidão do pecado: (69) na descendência de Davi, seu servo, concedeu-nos um poderoso Salvador. (70) Tudo conforme havia anunciado pela palavra de seus santos profetas desde os tempos antigos posteriores a Davi, (71) prometendo que o Salvador nos libertaria dos nossos inimigos e do poder de todos que nos odeiam por se oporem ao Reino de Deus no mundo, especialmente da tirania do demônio, cabeça de todo o mal. (72) Assim Deus manifesta hoje a misericórdia prometida aos antigos patriarcas de Israel, cumprindo nos filhos deles as promessas que lhes fizera de um Messias. Assim também Deus mostra que está lembrado de sua santa Aliança (73) concluída com nosso pai Abraão (Gn 12,3; 17,7-8) mediante juramento (74) de nos libertar de nossos inimigos e conceder-nos servi-lo livres de qualquer temor, (75) em santidade cumprindo os deveres com Deus, e em justiça cumprindo os deveres com o próximo diante dele que não se engana em julgar, todos os dias de nossa vida".

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2a parte: missão do precursor
(76)

Você, menino, será reconhecido e chamado por todos profeta do Deus Altíssimo. Porque, como se costuma preparar o caminho de um rei, você irá à frente do Senhor, o Cristo, para lhe preparar o caminho dispondo o coração dos homens a bem recebê-lo. (77) Você ensinará ao povo de Deus como encontrar a salvação que virá não mediante a libertação política do jugo romano, mas pelo perdão dos pecados (78) graças à ternura e à misericórdia do coração de nosso Deus, que, não da terra, mas do alto, fez brilhar sobre nós o Salvador como um Sol Nascente (Nm 24,17; Is 49,6; Ml 3,20) (79) para iluminar os homens que se encontrarem nas trevas do erro e na escuridão da morte espiritual, conseqüência da corrupção moral do paganismo, e para guiar nossos passos no caminho da paz com Deus e com os homens. (80) O menino crescia fisicamente e se fortalecia espiritualmente na santidade. Levava uma vida recolhida e austera em lugar solitário do deserto entre Jerusalém e o Mar Morto, lugar de adestramento de profetas, numa comunidade de tipo monástica semelhante à de Qunram, até o dia de se apresentar publicamente ao povo de Israel, quando atingiu 30 anos de idade. Questionário Transcreva uma profecia clara sob re a descendência davídica do Messias. Is 9,5-6... "um menino nos nasceu"... "seu império será grande sobre o trono de Davi". Em Is 11,1-10 lido no advento, referindo-se ao Reino do Messias, diz o profeta: "um renovo sairá do tronco de Jessé, pai de Davi... sobre ele repousará o Espírito do Senhor"... Jr 23,5-6... "farei brotar de Davi um rebento justo que será rei... sob seu reinado será salvo Judá... e eis o nome com que será chamado: Javé nossa justiça". 72 - Fale sob re a Aliança. Deus tomou a iniciativa de estabelecer uma Aliança perpétua com Abraão e sua descendência: Gn 12,3 - "Todas as famílias da terra serão abençoadas em ti"; Gn 17,7-8 -"Faço aliança contigo e com tua posteridade, uma aliança eterna... Darei a ti Canaã em possessão perpétua e serei o teu Deus". Deus renovou a Aliança com Moisés: Ex 6,7: "tomar-vos-ei para meu povo e serei o vosso Deus... introduzir-vos-ei na terra que jurei dar a Abraão, Isaac e Jacó...". No Sinai: Ex 19,5: "... sereis meu povo particular... um reino de sacerdotes e uma nação consagrada". Ex 34,28: "... o Senhor escreveu nas tábuas o texto da Aliança, as Dez Palavras". Israel violou a Aliança, indo a outros deuses. Os profetas predisseram que Deus faria uma Nova Aliança. Ez 36,25: "Derramarei sobre vós águas puras que vos purificarão de todas as vossas imundícies..."; 26: "Dar-vos-ei um coração novo... um coração de carne"; 27: "Dentro de vós porei o meu Espírito fazendo que obedeçais às minhas leis..."; 28: "Habitareis a terra de que fiz presente a vossos pais; sereis o meu povo e eu serei o vosso Deus". Jesus é reconhecido o "filho de Davi" (Mc 10,47), "o mediador da Nova Aliança" (Hb 7,22). É dele o "sangue da Nova Aliança" (Lc 22,20), continuação da de
EVANGELHO COMPLETADO - SÃO LUCAS CAPÍTULO 1

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Abraão: "A bênção de Abraão se estende aos pagãos em Cristo Jesus e pela fé recebemos o Espírito prometido" (Gl 3,14). 75 - "Servir a Deus em santidade e justiça": que diferença há entre ambas? "Em santidade" refere-se ao cumprimento dos deveres para com Deus; "em justiça", aos deveres para com o próximo. 79a - Transcreva de Nm 24,17; Is 49,6, Ml 3,20 as frases que inspiraram a figura do Sol referindo-se ao Messias. Disse Balaão: "um Astro sai de Jacó" (Nm 24,17); "Vou fa zer de ti a Luz das nações" (Is 49,6); "Sobre vós levantar-se-á o Sol da justiça, que traz a salvação em seus raios" (Ml 3,20). 79b - "Nas trevas e na somb ra da morte": que diferença há entre ambas? "As trevas" são os erros de doutrina; "a escuridão da morte" designa a morte espiritual, conseqüência da corrupção moral do paganismo. 80a - O que você entende por "viveu no deserto"? É a vida recolhida e austera em lugar solitário do deserto de Jerusalém, lugar de adestramento de profetas naquele tempo. 80b - Com que idade o Batista se apresentou como pregador em Israel? No mínimo com 30 anos. Porque abaixo dessa idade não permitiam que ninguém fosse mestre de ensino. Lições de vida 68 - "Visitar" na Escritura designa um ato da presença de Deus tanto para ajudar quanto para repreender ou punir. O Messias é a realização de todas as promessas e aspirações do Antigo Testamento. 69 - Em linguagem semita "chifre" é símbolo da força. Nesse versículo, literalmente "chifre da salvação" é metáfora com sentido de "poderosa salvação" ou "poder de salvar". 70 - Os profetas são chamados santos porque são consagrados de modo especial ao serviço de Deus. Nossa consagração a Deus e a seu serviço vem do batismo. 78 - Os hebreus consideravam as entranhas ou vísceras a sede dos sentimentos mais profundos como a compaixão, a ternura... que hoje atribuímos ao coração. Esse versículo mostra que o perdão dos nossos pecados vem não de merecimentos nossos, mas da pura misericórdia divina que nos mandou o Salvador. O perdão é um dom de Deus que nos salva e nos induz a perdoar de coração.

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CAPÍTULO 1

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Oração Também eu digo com Zacarias: Bendito seja o Senhor nosso Deus, porque veio em socorro de seu povo, mandando-nos, na pessoa do Messias, um poderoso Salvador. Pelos profetas Deus já ha via prometido que o Redentor nos libertaria da tirania do demônio e da escravidão do pecado. Como é grande a misericórdia do nosso Deus ! O homem rompeu a aliança com ele, mas ele não faltou à palavra dada aos patriarcas, de sempre ser o nosso Deus, o nosso Pai. Mil vezes bendito seja o Senhor, nosso Deus, tão cheio de amor e misericórdia para conosco, seus filhos, mesmo ingratos. Amém.

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CAPÍTULO 1

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CAPÍTULO 2 Lc 2,1-7 Nascimento de Jesus
(1)

No tempo subseqüente ao nascimento de João Batista, por volta do ano 747 de Roma, o imperador Otávio César Augusto, que reinou de 31 antes de Cristo até 14 da nossa era, mandou fazer o recenseamento de todas as nações sob o domínio romano. (2) Esse primeiro recenseamento dos judeus foi feito quando Públio Sulpício Quirino governava a Síria por Roma, com jurisdição também sobre a Palestina governada por Herodes, que executou a ordem. (3) Cada cidadão, homem e mulher, completados os 12 anos de vida, devia registrar-se, conforme o costume judeu, na cidade de origem de seus antepassados. No documento oficial constavam o nome, a idade, a profissão e as posses para fins de cobrança de imposto e de serviço militar. (4) Por isso, também José foi da cidade de Nazaré, na província da Galiléia, à província da Judéia, até a cidade natal do rei Davi, chamada Belém, que significa "casa do pão", a mais de 150 quilômetros, por ser ele descendente de Davi, (5) para se inscrever com Maria, sua esposa, que estava no último período de gravidez. E que os romanos submetiam ao imposto pessoal também as mulheres dos 12 anos completos até os 60. (6) Quando já se encontravam em Belém, completou-se o tempo da gestação. (7) Durante a noite Maria deu à luz o seu filho primogênito (Ex 13,2; Nm 3,11-13) e único, entre os anos 747 e 749 de Roma. Ela mesma o enfaixou e o deitou numa manjedoura, o caixote para o capim dos animais, porque, não havendo lugar para eles se hospedarem em pensão, acomodaram-se num estábulo com fundo para uma gruta. Questionário 1-2 - Por que Lucas precisa b em o tempo do nascimento de Jesus? Para mostrar que não é imaginação lendária esse nascimento, mas um fato inserido na história. 4 - Por que é que Maria tamb ém acompanhou José? Os romanos submetiam à lei do imposto pessoal também as mulheres dos 12 aos 60 anos. 6 - Como se conclui que não havia nenhuma outra mulher com Maria? Porque Maria o enfaixou sozinha. Se houvesse outra mulher, seria esta que cuidaria da criança. 7a - "Primogênito" não faz supor que Maria teve mais filhos? Entre os judeus o primeiro filho homem recebia, oficialmente o título jurídico de "primogênito" (Ex 13,2; Nm 3,11-13), nascesse ou não outro filho depois. Pelo primogênito deviam ser oferecidos sacrifícios determinados pela lei e outros deveres. Em 1922, em Tell el Yeduieh, no Egito, foi encontrado este epitáfio numa sepultura: "Arsinoé, falecida ao dar à luz o primogênito".

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CAPÍTULO 2

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7b - Confirma-se a tradição da gruta no fundo dum estábulo como lugar onde nasceu Jesus? O primeiro que no-la transmitiu por escrito foi S. Justino, no ano 150, afirmando que Jesus nasceu numa gruta que servia de abrigo aos animais durante o frio. Adriano, imperador romano, já em 135 havia mandado colocar a estátua do Deus Adônis na gruta onde os cristãos cultuavam o nascimento de Jesus. Constantino Magno retirou essa estátua pagã e construiu no local a grande Basílica da Natividade, restaurada em 550. A cripta, vista até hoje, onde nasceu Jesus corresponde à gruta. O lugar é marcado por uma estrela de prata e a inscrição: "Aqui, da virgem Maria nasceu Jesus Cristo!". S. Gerônimo e S. Ambrósio mencionam o burrinho e a vaca, lembrando Is 1,3: "Conhece o boi seu Dono e o jumento a manjedoura do seu Possuidor, mas Israel não tem conhecimento, o seu povo não entende". É provável ter sido uma cocheira tendo ao fundo uma gruta. 7c - Como se confirma o nascimento à noite e não de dia? Os pastores da guarda noturna é que foram chamados pelo anjo (v. 8). 7d - Por que Lucas deu maior valor que Marcos à narração do nascimento de Jesus? Lucas escreveu anos após Marcos, quando já apareciam as primeiras heresias (o docetismo) negando a verdadeira humanidade de Cristo, heresias ainda não vivas no tempo de Marcos. Lucas necessitava realçar a perfeita humanidade do Senhor, seu nascimento e sua infância. A pregação apostólica de início concentrouse no anúncio do mistério salvífïco da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor. Depois cresceu o interesse humano e natural entre os judeu-cristãos de saber a que tribo pertencia Jesus, quem eram seus pais. É por isso que Mateus começa pela genealogia de Jesus. Lições de vida Fiel cumprimento dos deveres civis mesmo à custa de sacrifícios. Num presépio utilizado para dar alimento aos animais nasceu o Senhor do universo, o Rei dos reis, o Todo-Poderoso. Aquele que foi a maior expectação de Israel, o Salvador do mundo!! Um abismo chama outro (SI 42,8). "Sendo rico, fez-se pobre por vosso amor, a fim de enriquecer-vos com sua pobreza!" (2Cor 8,9 Cf. Lc 9,58; Jo 1,11). Quem sou eu para buscar grandeza nas vaidades e nos bens transitórios do mundo? De Isabel se diz: "deu à luz um menino" (1 ,57); de Maria está escrito: "deu à luz o SEU Filho" (2,7), alusão à concepção virginal de Maria: Jesus é só filho de Maria! Oração Senhor, apesar das dificuldades, José e Maria obedeceram à ordem superior de chegarem a Belém, reconhecendo aí a vontade de Deus (Mq 5,1). Sabiam que vale mais a obediência do que os sacrifícios de animais no

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CAPÍTULO 2

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templo (Ecl 4,17). Ensine-me a obedecer quando me custa, Senhor. Outro pedido. A extrema pobreza com a falta de tudo no presépio não diminuiu a dignidade de Maria e José nem a grandeza do Senhor do universo aí nascido! Peço a graça de nunca desvalorizar quem vive sem bens exteriores, mas que eu saiba avaliar a pessoa pelo que ela é e não pelo que tem. Amém. Lc 2,8-20 Os Pastores
(8)

Nos arredores de Belém, alguns pastores passavam a noite no campo vigiando os seus rebanhos. Por turno faziam a ronda para impedir a chegada de ladrões ou de animais selvagens. (9) Um anjo do Senhor apareceu a eles e o resplendor da luz de Deus os envolveu. Ficaram tomados de medo diante desse fenômeno sobrenatural inesperado.(10) Mas o anjo lhes disse: - "Não tenham medo. Eu lhes trago uma boa notícia, que causará grande alegria a todo o povo a que vocês pertencem. (11) É esta: hoje, em Belém, cidade de Davi, nasceu para vocês o Salvador, o Messias, o esperado rei divino de Israel. (12) Eis o sinal para vocês reconhecerem o menino e confirmar o que estou dizendo: o recémnascido está envolto em faixas e repousa num presépio onde os animais comem!".
(13)

No mesmo instante juntou-se ao anjo uma multidão de outros anjos, que louvaram a Deus celebrando os efeitos da Encarnação:
(14)

”Glória eterna a Deus no mais alto dos céus e, na terra, paz de reconciliação messiânica aos homens tão amados por Ele!".
(15)

Quando os anjos se retiraram para o céu, os pastores disseram entre si:

- "Vamos já a Belém ver esse acontecimento que o Senhor nos revelou pelos anjos".
(16)

Eles partiram bem depressa, encontraram Maria e José e reconheceram o menino deitado numa manjedoura de animais. (17) Logo que o viram, referiram o que o anjo lhes havia dito a respeito dele. (18) E todos que ouviam os pastores falarem do menino admiravam-se muito. (19) Maria, porém, guardava essas palavras dentro de si e as meditava no coração. (20) Os pastores voltaram a seus campos cantando alegres e louvando a Deus pelo que tinham visto com seus próprios olhos e ouvido de Maria e José, e que estava de acordo com o que o anjo lhes anunciara. Questionário Que conceito tinha dos pastores a sociedade de então? Por sua condição humilde; por viverem pobremente e com tanta penúria que não podiam, como os fariseus, jejuar duas vezes por semana; por serem pessoas sem cultura nenhuma e portanto desconhecedores da Lei; por estarem à margem da civilização; por andarem com suas ovelhas em territórios também de pagãos
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vendendo lã e queijo fora do país judeu - por todas essas coisas eles eram julgados pelos fariseus como impuros e indignos de participar dos atos e cerimônias do culto. Lições de vida 10 - Os primeiros a receber a notícia alegre da salvação iniciada foram os pastores, a gente mais humilde de Israel, julgada indigna de participar dos atos religiosos no templo. A eles, como preferidos de Deus, o anjo anuncia o nascimento do Salvador. Com Deus os papéis se invertem: há muita riqueza interior na pobreza externa; há poder na fraqueza; há glória na obscuridade. É que Deus mora no coração simples. 20 - Os pastores tornaram-se também os primeiros anunciadores e mensageiros de Jesus. Não é preciso ser letrado para falar de Cristo. Basta ter tido dele experiência e amá-lo. Quem fala dele estimula o bem e espalha sementes de luz. A oração mais espontânea que deve brotar do coração humano é do agradecimento e do louvor. Oração Mil graças por ter mandado o mensageiro celeste à gente mais humilde daquela sociedade, como preferidos de Deus, e não aos importantes e sábios. Os pastores foram as primeiras testemunhas do tão esperado nascimento do Messias. Começou a acontecer o que custavam a crer, mas que Deus anuncia va pelos profetas: - "O pobre não ficará esquecido para sempre" (SI 9,19); "Os homens mais pobres estarão jubilosos" (Is 29,19). É que "o homem vê a face exterior, enquanto Deus olha o coração" (1Sm 16,7), isto é, o valor interior. Esses pastores, em sua simplicidade, falavam do que viram e ouviram, ensinando que, para falar do Senhor, não é preciso ser letrado; basta tê-lo sentido no coração. Dê-nos, Senhor, a graça de guardar no nosso íntimo, como Maria, as palavras e experiências que temos do Senhor. Amém. Lc 2,21 Circuncisão
(21)

Passados sete dias do nascimento, no oitavo estava completo o tempo para a circuncisão do menino (Gn 17,13), cerimônia e sinal que marcavam os homens descendentes de Abraão, pertencentes a Israel, povo que assumiu a Lei de Deus com a Aliança do Senhor. O ato realizava-se em casa ou na sinagoga, diante de dez testemunhas, segundo o uso dos judeus, pelas mãos de um ministro, que podia ser o pai. Punham dois assentos, um para o padrinho, o outro para o profeta Elias, que acreditavam presidisse invisivelmente a cerimônia da circuncisão. O ministro dizia:

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CAPÍTULO 2

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- "Bendito sejas tu, Senhor nosso Deus, que nos santificaste com teus preceitos e nos deste a Aliança da circuncisão". O pai, se não fosse o oficiante, respondia: - "Bendito sejas tu, Senhor nosso Deus, rei do universo, que nos santificaste com teus preceitos e nos introduziste na Aliança do nosso pai Abraão". Todos os presentes acrescentavam: - "Viva aquele que escolheste por filho". Como Deus mudou o nome de Abraão na sua circuncisão, passaram a dar à criança oficialmente o seu nome nessa oportunidade. Deram-lhe o nome de Jesus, que significa "Deus é salvação", pois foi esse o nome que o anjo lhe havia dado ainda antes de ele ser concebido. E tudo terminava numa refeição. Lc 2,22-24 Apresentação e purificação
(22)

Terminados os outros 33 dias do resguardo de Maria, durante os quais não tocava em coisa sagrada, não entrava no templo e não saía de casa, a mãe devia ser purificada de acordo com a Lei de Moisés (Lv 12,1-8), e o primogênito, consagrado ao Senhor para o serviço sacerdotal do templo (Ex 13,2. 12. 15; Nm 3,13), para logo em seguida ser resgatado, como que recomprado pelo pai por cinco siclos (1 siclo = 6 gramas de prata). Isso em memória da preservação dos primogênitos israelitas e morte dos primogênitos egípcios. Mais tarde os levitas ocuparam o lugar dos primogênitos no serviço do templo (Nm 3,12). Levaram-no então a Jerusalém a fim de apresentá-lo ao Senhor por meio do sacerdote, (23) conforme está prescrito na Lei do Senhor: "Todo primogênito do sexo masculino será consagrado ao Senhor" (Ex 13,1-2).
(24)

Em seguida o sacerdote deu a bênção ritual a Maria e, para que fosse purificada, aspergiu-a com sangue da vítima sacrificada. José e Maria fizeram a oferta, como pobres, de um casal de rolas para esse sacrifício. Os abastados ofereciam um cordeiro. Questionário (Lc 2,21-24) 21 - Quando foi que os apóstolos aboliram em concílio a circuncisão como condição ob rigatória para se ingressar no novo povo de Deus? Foi no ano 50 conforme At 15,1-28. Cf. Gl 5,6 e 6,15. Pedro definiu: "é pela graça do Senhor Jesus que seremos salvos" (At 15,11) e não pela circuncisão. 23 - O que é ser consagrado ao Senhor? A pessoa era declarada possessão de Deus, passava a pertencer de maneira toda particular a Deus para exercer as funções sacerdotais. Essa lei vigorou até que
EVANGELHO COMPLETADO - SÃO LUCAS CAPÍTULO 2

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Deus confiou o sacerdócio aos levitas, os descendentes de Levi (Dt 10,8-9) que formavam a tribo do mesmo nome. Mas todo primogênito de qualquer tribo israelita devia ser consagrado ao Senhor e em seguida resgatado pelos pais (Ex 13,11-15). Jesus aboliu essa prescrição quando escolheu para o sacerdócio elementos de outras tribos. E ele mesmo exerceu o sacerdócio em sumo grau no alto da cruz (Hb 9,11-15), também ao instituir a Eucaristia e o sacerdócio da Nova Aliança. Lições de vida 21 - Submetendo-se à circuncisão, Jesus assumiu as obrigações da Lei de Moisés e nos deixou exemplo de humildade porque se igualou aos homens do pecado (Hbr 2,17) sujeitos à Lei velha para nos remir dela (Gl 4,5). Acreditavam os judeus que a circuncisão remia também do pecado original que trouxe a divisão entre os homens. 22 - Aos olhos dos homens, Maria se apresentava com impureza legal durante sete dias, da qual devia ser purificada. Depois da circuncisão do filho, ela permanecia outros 33 dias sem poder tocar em nada sagrado nem entrar no templo. No 40º dia ela se dirigia ao templo de Jerusalém para pedir a purificação ao sacerdote. Se a criança fosse menina, ficaria 80 dias sujeita à impureza legal. Maria e Jesus não necessitavam de purificação nem de resgate, mas se submeteram à Lei por voluntária humildade e para nos dar exemplo da mais perfeita obediência às leis. Jesus aceitou ser resgatado porque se uniu indissoluvelmente à natureza humana corrompida pelo pecado, do qual devia ser resgatada. Ele é o nosso resgate. 23 - Muito mais do que o fazia a circuncisão, somos consagrados a Deus pelo batismo. Tornamo-nos propriedade sua com exclusividade, reservados unicamente para seu culto e serviço na vida. Ele nos integra na família de Deus como membros vi vos de Cristo e, portanto, membros de sua Igreja. É a nossa maior consagração. 24 -Jesus, Maria e José pertencem à classe pobre! Oração Senhor, peço a graça de tomar consciência de que, em vez da circuncisão superada, no batismo me tornei um consagrado: 1) sou abs oluta mente dependente de Deus para existir; 2) um radical e irreversível necessitado de Deus; 3) tenho para com ele uma dívida insolúvel de louvor e gratidão (culto); 4) não me pertenço, sou obra sua, e apenas administrador dos bens que sou e que tenho; 5) Deus é o único destino e vocação de minha vida; 6) por coerência devo amá-lo acima de tudo que tenho de mais caro; 7) necessito confiar nele como uma criança em seus pais; 8) sou chamado a uma íntima comunhão de vida com a família divina como membro de Cristo e da Igreja; 9) sua vontade será a minha vontade ; 10) vejo seus atributos refletidos em todos os seres criados; 11) devo atribuir a ele a iniciativa de todo bem que consigo realizar; 12) encontro-

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o no fundo do próprio eu e em cada pessoa; 13) devo ter o domínio sobre as coisas criadas e meus instintos; 14) ser dócil aos apelos do Espírito Santo; 15) não posso perder a serenidade interior e a alegria de viver; 16) Jesus é o homem ideal ao qual me devo sempre mais assemelhar; 17) necessito torná-lo conhecido e amado. Assim seja. (De S. Gaspar Bertoni) Lc 2,25-35 Simeão
(25)

Morava em Jerusalém um homem chamado Simeão. Era justo e fiel praticante da religião. Ele esperava a felicidade que o Messias, o consolador por excelência, traria (Is 40,1; 59,13; 61,2). O Espírito Santo estava com ele santificando-o e iluminandolhe a mente. (26) Fora-lhe revelado pelo mesmo Espírito Santo que não morreria antes de ver o Messias enviado por Deus. (27) Inspirado pelo Espírito Santo, ele veio ao templo e entrou no átrio das mulheres, onde tinha lugar a purificação delas. Nessa hora os pais trouxeram o menino Jesus para cumprirem as prescrições da Lei a seu respeito. (28) Simeão reconheceu naquele menino o Messias prometido; tomouo nos braços, bendisse e louvou a Deus dizendo:
(29)

- "Agora, Soberano Senhor, que cumpriste a promessa feita a mim, teu servo, podes despedir-me desta vida em paz e alegria, segundo a tua palavra, (30) porque vi com meus próprios olhos o Messias Salvador,(31) que enviaste para todos os povos (Is 2,2); (32) luz que dissipará as trevas do erro (Is 49,6) e iluminará o caminho a todas as nações, sem distinção de raça, de religião ou de condições sociais (Is 25,7), e será glória especial do povo israelita (Is 46,13), do qual veio (Rm 9,5), no qual passará a vida inteira, no qual operará seus milagres e anunciará por primeiro o Reino de Deus".
(33)

Os pais (3,23) estavam admirados com tudo o que Simeão disse do menino, demonstrando conhecê-lo na mais ampla dimensão. (34) Simeão congratulou-se com eles chamando-os bem-aventurados, e voltando-se para Maria, a mãe de Jesus, exclamou: - "Este menino foi posto por Deus como ocasião de queda pela infidelidade de muitos que não o reconhecerão como Messias, nem lhe prestarão fé (Is 8,14; Mt 11,6; 13,57; Jo 3,19; Rm 9,32),e causa de soerguimento para todos que o aceitarem como Salvador, quer judeus, quer pagãos; ele será um sinal de contradição, porque a humanidade diante dele se dividirá em dois campos: uns por ele, e outros em contínua luta contra ele e seus seguidores; assim, cada qual manifestará os pensamentos íntimos de seu coração, como a perversidade dos chefes contra ele, a hipocrisia dos fariseus e a cegueira voluntária do povo que o condenará; e doutro lado, todo o amor dos que crerão nele. (35) E a ti, mãe, a espada da dor transpassará teu coração ao vê-lo condenado e morto" (Jo 19,25).

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Questionário 25 - Que significa o nome Simeão Deus ouviu-me (Gn 29,33). 29-32a - Traduza com palavras suas o "Cântico de Simeão". Ele diz que a morte lhe será alegre por ter visto o Salvador; que Jesus é luz para o mundo inteiro e salvador universal; finalmente, que tudo reverterá em glória para Israel porque o Salvador veio de Israel. 29-32b - Extraia de Is 40,5; 42,6; 49,6; 52,10 pensamentos renovados no "Cântico de Simeão". Is 40,5: "a glória do Senhor manifestar-se-á; todas as criaturas juntas apreciarão o resplendor". Is 42,6: "pus-te como aliança com os povos, como luz das nações". Is 49,6: "vou fa zer de ti a luz das nações". Is 52,10: "todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus". 34a - Jesus veio salvar. Como pode ser ocasião de perda para muitos? Jesus é a própria salvação. Quem o aceita salva-se. Quem o rejeita perde-se. Ele não condena. O próprio homem, não o aceitando, condena-se a si mesmo (Cf. At 7,51). 34b - Jesus é o sinal de contradição. Como assim? O aparecimento de Jesus na vida humana impõe a todos uma decisão pró ou contra ele. Diante dele não há indiferença. A rejeição começou desde o nascimento, com Herodes, como um prelúdio ao motivo da Paixão. Em todos os tempos haverá quem lhe abre o coração e quem se lhe opõe. Aí está a separação dos dois campos opostos de que fala Jesus em Mt 10,34-35: "vim trazer a espada da divisão entre os homens". 34-35 - Por que Simeão não dirigiu essa profecia tamb ém a José? Quando Jesus começou a ser contradito e depois condenado, José havia morrido. A espada da dor é reservada a Maria. Lições de vida 29 - O "Cântico de Cisne" de Simeão divide-se em duas partes. A primeira (29-30) canta a alegria em ver o Messias, alegria que faz olhar a morte com satisfação. A segunda define como universal a salvação trazida pelo Cristo a partir do povo judeu (31-32). Simeão se põe acima do falso judaísmo que considerava a salvação um privilégio exclusivo dos hebreus. Ele afirma que a salvação dos povos reverterá em glória para Israel, porque Jesus nasceu de Israel, passou em Israel toda a sua vida mortal, operou em Israel os seus milagres e a ele anunciou em primeiro lugar o Reino de Deus. 34 - A perseguição contra Jesus começada por Herodes teve seu epílogo no calvário e hoje continua contra o Corpo Místico de Cristo, que é a sua Igreja. Os dois campos
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opostos continuam através dos séculos: para uns, Cristo é a salvação; para outros, pedra de tropeço (Is 8,14). Praticamente Jesus é já o julgamento da humanidade (Jo 3,18-19). 35 - Maria, verdadeira mãe dolorosa, suportará em seu coração o destino de cruz de seu Filho, alvo de contradição de seu povo ingrato; suportará como a pessoa mais associada à Paixão do Senhor. Ela é inseparável de Jesus, portanto inseparável da Igreja, que é o prolongamento dele. Oração Senhor Jesus, Simeão o chamou "Luz" para as mentes pagãs. A fé é essa luz na qual nasci, e que me faz viver a alegre certeza de um futuro feliz. Simeão testemunhou com ardor esse Cristo que veio ao nosso encontro, e é a solução para todos os males que nos afligem. Que eu o ame a ponto de não guardar para mim o tesouro da fé, mas testemunhar com júbilo a experiência que tenho de Deus. Que eu me faça um prolongamento de Cristo no tempo em que vivo. Amém. Lc 2,36-38 Ana
(36)

Havia também em Jerusalém uma profetisa, isto é, pessoa consagrada a Deus e intérprete de seus desígnios. Chamava-se Ana, que quer dizer "graça", "misericórdia", ou "Deus se compadece". Filha de Fanuel, da tribo de Aser, viúva e de muita idade. Após o casamento, viveu sete anos com seu marido, que então morreu. (37) Não quis contrair novas núpcias e chegou à idade de 84 anos. Passava grande parte do dia no templo devotando-se a Deus com orações e jejuns. (38) Na mesma hora da apresentação do menino Jesus, ela também aí chegou e se pôs a agradecer a Deus, como Simeão, pela ventura do que via. Finda a cerimônia, Ana passou a falar do menino a todos que esperavam a libertação de Jerusalém, centro predestinado da obra da salvação. Lc 2,39-40 A Sagrada Família em Nazaré
(39)

Quando terminaram de cumprir o que a Lei do Senhor prescrevia, José, Maria e o menino voltaram definitivamente para a província da Galiléia e se estabeleceram em Nazaré, onde anteriormente moravam. (40) O menino Jesus crescia em estatura e idade; robustecia-se e manifestava sabedoria infusa e experimental proporcional à idade e à agudeza de suas faculdades naturais; estava com ele a graça de Deus em sua plenitude com as virtudes infusas e adquiridas e todos os dons do Espírito Santo.
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Questionário 36a - Que se entende por profetisa? Com o termo profetisa costumava-se indicar não necessariamente uma anunciadora de acontecimentos futuros, mas a mulher que levava uma vida de união com Deus, prudente e favorecida com o carisma de boa conselheira. Assim foram, por exemplo, Maria, irmã de Moisés (Ex 15,20), e Débora (Jz 4,4-16). 36b - Que significam os nomes Ana, Fanuel e Aser? Ana é "Deus se compadece", "Deus dá a graça, a misericórdia"; Fanuel, "Deus é luz"; Aser, "felicidade" (Gn 30,13). 40 - A sabedoria de Jesus crescia como a nossa? Comparando: o Sol da manhã é mais suave que o do meio-dia somente a nosso modo de ver e receber. Na realidade o Sol é sempre o mesmo, com sua plenitude de luz em qualquer hora. Assim Jesus possuía, por natureza, a sabedoria total, mas a manifestava progressivamente, de acordo com a idade. Aos olhos de todos era como um crescimento. Lições de vida 38 - Ana, desde que encontrou Jesus, tornou-se uma apóstola, falando dele a todos. Normalmente falamos pouco de Jesus. O cristão é chamado a ser profeta de Cristo, isto é, portador, para os outros homens, da mensagem do Evangelho. Ana não se contentou em encontrá-lo e louvá-lo, mas quis torná-lo conhecido de todos. Oração Senhor, que eu sinta a necessidade de tornar Cristo conhecido e amado como fez Ana, e a necessidade de ser profeta falando com naturalidade da sabedoria do Evangelho a quantos puder. E que, como Jesus, eu sempre cresça mais no entendimento da Palavra de Deus e na graça do Espírito Santo, como cresço no desenvolvimento físico e intelectual. Amém. Lc 2,41-52 Jesus entre os doutores e na vida oculta
(41)

Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém para a festa da Páscoa, de acordo com a Lei (Ex 23,14-17). (42) Quando Jesus completou 12 anos, tornando-se "filho da Lei", ou seja, sujeito às observâncias legais, eles foram à solenidade, como costumavam.(43) Terminados os dias da festa, Maria e José estavam retornando a Nazaré. Mas o menino Jesus ficou em Jerusalém sem que seus pais o notassem. (44) Eles julgavam que Jesus estivesse num dos grupos da caravana. Seguiram um dia inteiro de caminho. À noite, quando as famílias se juntam para pernoitar em El Bireh,

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a 16 quilômetros de Jerusalém, descobriram a falta e se puseram a procurá-lo entre parentes e amigos na caravana. (45) Mas não o encontraram. Na manhã seguinte, ansiosos, voltaram a Jerusalém à sua procura. (46) Só ao terceiro dia, a partir da saída de Jerusalém, encontraram-no numa das sinagogas ou salas do templo onde os rabinos ensinavam a Lei. Estava como discípulo entre os outros alunos sentados no chão ou em pequenas esteiras. Ele os ouvia e fazia-lhes perguntas superiores ao nível dos outros e à sua idade. O ensino era na forma de diálogo com perguntas e respostas. (47) Todos os que o ouviam ficavam muito admirados com a inteligência de suas perguntas e a sabedoria de suas respostas, revelando grande conhecimento das Escrituras. (48) Os pais, ao vê-lo, ficaram emocionados e surpresos por ter ele saído inesperadamente de sua vida oculta e se ter manifestado aos doutores da Lei. E sua mãe lhe disse com palavras repassadas de amor materno e de alívio: - "Querido filho, por que você procedeu assim conosco? Olha que seu pai e eu o procurávamos cheios de aflição".
(49) (50)

Ele amavelmente respondeu:

- Por que me procuravam? Não sabiam ou não se lembravam que devo dedicarme aos interesses de meu Pai celeste?". Mas eles não compreenderam bem todo o alcance dessas palavras de Jesus. Peregrinos na fé, não sabiam que ordem e que meios ele empregaria para cumprir sua missão de Salvador dos homens.
(51)

Jesus voltou com seus pais para Nazaré e vi via submisso a eles. Depois de ter mostrado que a vontade do Pai celeste se antepõe aos interesses familiares, ensina, com sua vida, que aos pais se deve o mais dócil acatamento em tudo que não se opõe a Deus. O contraste entre a divindade de Jesus e sua vida humilde não fugia aos olhos de Maria, que, cheia de admiração, conservava no coração a lembrança de todos esses fatos (2,19). (52) Jesus, no entanto, crescia em sabedoria humana, em estatura física e em graça diante de Deus e dos homens. Questionário 41a - Que lei prescrevia as idas anuais a Jerusalém? (Cf. Ex 23; 34; Dt 16) Ex 23,14-17; 34,23; Dt 16,16 determinavam que todos os varões israelitas moradores da Palestina se apresentassem para adorar a Deus no templo de Jerusalém três vezes ao ano, em Páscoa, Pentecostes e Tabernáculos (= cabanas ou tendas) . A lei não obrigava as mulheres, mas as mais devotas iam espontaneamente ao menos pela Páscoa. Como se vê, Maria costumava ir. A Páscoa celebrava a libertação da escravidão no Egito; Pentecostes, 50 dias depois da Páscoa, era o agradecimento a Deus pelo término da colheita dos cereais começada na Páscoa. Tabernáculos, passavam sete dias morando em tendas para lembrar como viveram 40 anos no deserto, e agradecendo a Deus a colheita das frutas. 41b - Qual a distância entre Nazaré e Jerusalém? (Cf. 1,26; 2,4) Mais de 130 quilômetros, equivalente a uns cinco dias de caminho.
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42 - Por que Lucas frisou que o menino havia completado 12 anos? É que, completando os 12 anos, o menino (não a menina) atingia a primeira maioridade: entrava na vida social sob a tutela do pai (não mais diretamente da mãe apenas), recebia oficialmente na sinagoga o rolo da Lei de Moisés, a cujas observâncias então se obrigava como "filho da Lei". 43a - Quantos dias durava a festa e quantos dias a Sagrada Família permaneceu em Jerusalém? Durava sete dias inteiros (Ex 12,15-16; Lv 23,6-8), mas se facultava aos peregrinos voltarem para suas casas passados os dois primeiros dias, que eram os principais. Jesus, Maria e José permaneceram na festa sete dias, pois o texto diz que só voltaram "passados os dias da festa". 43b - Como Jesus conseguiu despistar a vigilância dos pais? Primeiro, em virtude da grande confiança depositada no filho-modelo, os pais lhe davam a mais ampla liberdade. Depois, para ir e voltar a Jerusalém, cada cidade formava sua caravana, que sempre era numerosa em se tratando da festa principal, que era a Páscoa. Caminhavam em grupos, os homens separados das mulheres. Jesus, com 12 anos, podia escolher o seu grupo. Daí a facilidade de iludir a vigilância dos pais, cada um dos quais pensava que o obediente filho estivesse sob o controle do outro. 46 - O sistema de ensino seria o da aula expostiva? Aqui vemos claramente que os rabinos empregavam o método didático da disputa ou forma do diálogo com perguntas e respostas. Assim Jesus começou a revelar-se Mestre. 49 - Analise essa resposta de Jesus. Jesus não repreende a solicitude de Maria e José. Apenas justifica seu próprio procedimento assim: eles deviam lembrar-se que, tendo Jesus vindo à terra para cumprir a vontade do Pai, ele vivia muito mais ligado a Deus do que aos pais terrenos, e que não foi por outro motivo que ele os deixou um pouco de tempo. Na idade em que nos outros meninos desperta a consciência de homens, com a palavra "meu Pai" Jesus se afirma solenemente Filho de Deus. Tem um só pai Deus; um único fim - cumprir a sua vontade (Jo 8,29; 9,4; 14,31). Essas únicas palavras de Jesus até os 30 anos resumem o Evangelho, proclamam a filiação divina de Jesus e sua missão na terra. São a primeira contraposição entre seu Pai divino e seus pais terrenos. 50 - O que é que os pais não compreenderam? Não compreenderam todo o alcance da resposta de Jesus: que ordem e que meios ele empregaria para executar o plano do Pai. Sabiam com certeza, por exemplo, que ele seria independente da família no seu papel de Messias, mas não podiam imaginar que ele iria começar tão cedo assim. 52a - Que ciência possuía Jesus? Porque nele "habita a plenitude da divindade" (Cl 2,9) e é "de condição divina" (Fl 2,6), Jesus tem a ciência divina de tudo; como homem, tem a ciência infusa: a

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mente humana de Jesus recebe imediatamente de Deus o conhecimento de todas as coisas; e a ciência experimental ou adquirida, como todos os homens; ciência que vai progredindo conforme os sentidos se aperfeiçoam e recebem novas impressões. Nesse versículo trata-se dessa terceira ciência. 52b - Crescia também a graça em Jesus? A graça em Jesus progredia neste sentido: de acordo com o seu crescimento humano, ele ia fazendo obras sempre mais perfeitas e agradáveis a Deus e aos homens. Como Deus, ele já possuía a plenitude da graça. Lições de vida 43 - Jesus, apesar de ser quem é, causou um aborrecimento a seus pais. Demonstrou que os desencontros e atritos na família são inevitáveis e não são suficientes para alterar o amor que une a todos. Também é um ensinamento aos pais cujos filhos se tornam meio rebeldes a tantas exigências paternas. Ele demonstrou que essa atitude dos filhos na faixa difícil da idade adolescente não significa falta de amor aos pais, mas simplesmente uma necessidade de autoafirmação, ou seja, os filhos não necessitam depender o tempo todo de pai e mãe. A causa da permanência de Jesus em Jerusalém não foi a inadvertência dos pais, não foi um erro, não foi uma desobediência nem o acaso, mas um propósito bem definido para revelar a independência de Jesus, para manifestar aos doutores da Lei a ciência sobrenatural de Jesus, e dar em seguida uma suprema lição de humildade. Pois Jesus, possuidor de tanta ciência, cala-se e se esconde no anonimato da vida doméstica, valorizando milhões de vidas ocultas na obscuridade, mas passadas no mais fiel cumprimento dos deveres familiares. Sublime lição de um Mestre divino! 48 - Os três dias do desaparecimento de Jesus são um prelúdio aos futuros três dias de sua morte e sepultura, antes da ressurreição. 50 - Maria e José não possuíam uma fé acabada. Deviam, como nós, caminhar para uma fé sempre mais profunda e para um entendimento sempre mais penetrante do mistério de Jesus. Deus não revela seus mistérios de uma só vez. Por isso Maria e José não viram bem a relação entre o que Jesus fez e a vontade do Pai. Igualmente nós, tantas vezes, não temos o devido discernimento para entendermos que atitude assumir diante de um problema. Necessitamos pedir ao Espírito Santo o dom do discernimento. A porta de acesso aos mistérios de Jesus na terra não é bem o entendimento, mas a fé. 52 - Como o Sol em si é sempre igual, mas se manifesta de manhã mais suave e depois sempre crescendo na intensidade do calor, assim Jesus desde o início possuía toda a doutrina e todo o poder de milagres. Mas só aos poucos foi realizando milagres e apresentando a doutrina com prudência e psicologia de Mestre (Mt 7,28-29; 23,8; Lc 10,25; Jo 7,15). Jesus sempre nos conhece melhor do que nós nos conhecemos, e sempre nos ama bem mais do que nós nos amamos a nós próprios!

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Oração Senhor, necessito da graça do discernimento para entender que devo viver mais ligado a Deus do que aos meus familiares. A graça de ensinar os filhos a amarem a Deus mais do que aos próprios pais. A graça de nunca dar o primeiro lugar a qualquer valor terreno, senão a Deus só. Senhor, estamos colocando as coisas às avessas porque pomos Deus em segundo plano na hierarquia dos valores. Mais discernimento, Senhor, para conduzirmos tudo na ordem criada por Deus, pondo em prática o amar a Deus sobre todas as coisas, exatamente porque só Deus não é uma coisa. Amém.

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CAPÍTULO 3 Lc 3,1-18 Missão de João Batista (Mt 3,1-12; Mc 1.1-8)
(1)

No ano 15 do reinado de Tibério César, imperador romano, Pôncio Pilatos governava a província romana da Judéia, centro e sul do país; Herodes Antipas, de 4 antes de Cristo a 39 depois de Cristo, a Galiléia, ao norte; e seu irmão Filipe, a província de Ituréia e a região de Traconítides, ao nordeste; Lisânias, a região de Abilene, no extremo norte. (2) Anás, embora deposto pelas autoridades romanas, e José Caifás, seu genro, eram sumos sacerdotes, chefes da classe sacerdotal. Nesse tempo, no deserto da Judéia, onde passou grande parte de sua vida, João, filho de Zacarias, foi mandado por Deus a pregar sua Palavra. (3) E João, em força do mandato de Deus, percorreu toda a região do rio Jordão, conclamando à conversão todos, judeus ou não, através do batismo de penitência, isto é, a purificação interior, não a que vemos, de lavar as mãos para obter o perdão dos pecados e estar apto a acolher o Messias, prestes a chegar. (4) Assim realizou-se o que profetizou Isaías em seu livro (40,3-5): "Vo z do que clama no deserto, lugar onde se busca Deus: preparai o caminho do coração para a vinda do Senhor; aplainai suas veredas endireitando a vida de cada um.
(5)

Todo vale das omissões deve ser preenchido com boas obras.

Todo monte do orgulho, do egoísmo e da injustiça será abaixado. As vias tortuosas dos maus costumes se transformem em retas. Os caminhos acidentados dos erros deverão ser nivelados.
(6)

Assim, sem esses obstáculos, toda a humanidade estará preparada para acolher o Salvador que Deus nos envia".
(7)

Multidões iam a João para ser balizadas. Ele dizia aos fariseus e saduceus no meio do povo, os quais, em sua fingida santidade, julgavam não necessitar de conversão: "Raça de víboras, que sempre levam consigo veneno em toda parte, vocês pensam que irão escapar do castigo que ameaça chegar? (8) Para não serem árvore seca, digna do fogo, procurem produzir frutos de boas obras, provando que se converteram mediante a mudança de sentimentos e de vida. E não fiquem se iludindo a si mesmos afirmando 'somos descendentes de Abraão!', como se isso bastasse para a salvação. Pois eu lhes garanto que o poder de Deus, sem precisar de vocês, fariseus e saduceus, até destas pedras pode suscitar descendentes de Abraão e fazer dos pagãos um novo povo que o sirva. Pois os verdadeiros descendentes de Abraão não vêm da carne, mas da fé e das boas obras (Jo 8,39; Rm 4,12; 9,8). (9) O machado do julgamento e da decisão final está pronto para

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CAPÍTULO 3

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cortar as árvores secas pela raiz. Toda árvore que não produz bons frutos será cortada e lançada ao fogo, como toda pessoa que não praticar boas obras sofrerá perda irreparável!".
(10)

A multidão compungida perguntava a João: Ele respondia:

- "Que devemos fazer para evitar os castigos que merecemos?".
(11)

- "Comecem pelas obras de caridade em favor dos necessitados. Assim, quem tem roupa de sobra, desnecessária, dê a quem não tem; quem tem comida a mais faça o mesmo com quem passa fome".
(12)

Alguns fiscais do governo, cobradores de impostos, chegaram a João para receber o batismo de penitência, e perguntaram-lhe: - "Mestre, que devemos fazer para evitar o castigo que merecemos?".
(13)

João lhes respondeu:

- "Cobrem dentro dos limites estabelecidos pela lei, e não se deixem dominar pelo desejo de enriquecer".
(14)

Alguns soldados judeus a serviço de Herodes Antipas também perguntaram:

- "E nós, que precisamos fazer?". Ele lhes respondeu: - "Não usem de violência para extorquir dinheiro de ninguém, nem por meio de falsas denúncias. E se contentem com o ordenado que recebem".
(15)

O povo vivia na espera próxima do Messias. Todos pensavam que talvez João fosse o esperado, em virtude de sua santidade e pregação. (16) Isso deu a João a oportunidade de um solene testemunho em favor de Jesus diante de todos. Dizia: - "Eu balizo vocês lavando o corpo com água, mas está chegando alguém mais poderoso do que eu. Ele é o Cristo enviado do Pai. Eu não sou digno sequer de desamarrar como escravo as sandálias de seus pés! Ele sim balizará vocês comunicando-lhes o Espírito Santo que, como fogo, queimará todas as impurezas morais e peneirará a pessoa toda com o calor de sua presença. (17) Ele tem a pá nas mãos, para limpar o pátio, quero dizer, ele será juiz supremo dos vivos e dos mortos: recolherá o trigo, que são os bons, em seu celeiro do paraíso; a palha dos maus, porém, ele queimará num fogo inextinguível!".
(18)

Com essas e outras exortações, João continuava anunciando ao povo a Boa Nova da iminente vinda do Messias. Questionário 3a - Que batismo é esse? O batismo de João Batista era apenas um sinal externo do arrependimento interior e do compromisso de fazer penitência pelos pecados, como preparação para a vinda do Messias. O nosso sacramento do batismo foi criado por Jesus mais tarde

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CAPÍTULO 3

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(Mt 28,19). O batismo de João não remitia propriamente os pecados, mas levava a pessoa a fazer a penitência que obtinha o perdão. 3b - Os judeus praticavam abluções corporais como purificação legal. Não seria assim o b atismo de João? As abluções rituais em uso entre os judeus eram purificações exteriores, do corpo, como quem remove uma nódoa no rosto ou nas mãos. O batismo de João diferenciava-se muito; tinha um sentido moral. A pessoa era mergulhada na água em sinal de seu arrependimento pelos pecados e de mudança de comportamento, como preparação para o Reino de Deus que o Messias inauguraria em breve. As abluções eram atos pessoais, mas quem dava o batismo, por si ou por intermédio de discípulos, era João, introduzindo a pessoa com os pés n'água e derramando-lhe água na cabeça. 4 - Traduza em linguagem corrente as metáforas de Isaías 40,3-5: caminho, vale e monte. Caminho, veredas são a vida do homem, seu coração. O vale é o bem que deixamos de fazer, nossas omissões. O monte indica o orgulho, o egoísmo, a injustiça. 8 - Qual é o sentido de "destas pedras Deus pode suscitar filhos a Ab raão"? Deus pode fazer dos pagãos um novo povo que o sirva. 9 - Que significa "o machado posto à raiz das árvores"? É o julgamento de Deus para os que não produzem obras boas. 11-14 - Que tipo de penitência João pregava? Macerações corporais? O Batista não pedia macerações corporais, mas a mudança de vida manifestada na prática da caridade e da justiça. É a volta para Deus. 11 - Conhece as ob ras de misericórdia corporais e espirituais? Corporais: dar de comer a quem tem fome; dar de beber a quem tem sede; vestir os nus; dar pousada aos peregrinos; visitar os enfermos e encarcerados; remir os escravos; enterrar os mortos. Espirituais: dar bom conselho; ensinar aos ignorantes; corrigir os que erram; consolar os aflitos; perdoar as ofensas; suportar as pessoas molestas; orar pelos vivos e finados. 12 - Qual era o ofício dos pub licanos? Consistia em cobrar impostos, a serviço principalmente da dominação romana. O sistema de receberem uma porcentagem da quantia arrecadada favorecia muitas injustiças. O publicano personificava o voraz instinto de posse, a incorreção e a traição ao próprio povo. Lições de vida 1-2 - Como em 2,1-2, também aqui Lucas demarca bem o tempo e o lugar onde Jesus vai dar início ao seu ministério, situando o acontecimento na história universal. Com João Batista termina o tempo da promessa; com Jesus começa o tempo da

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realização. A história da salvação se desenvolve dentro da história humana. A Palavra de Deus foi dirigida a João como aos profetas do Antigo Testamento. 8 - João insiste na santidade interior e não na descendência carnal. Deus pode suscitar o espírito de fé de Abraão mais facilmente num pagão ou num pecador convertido do que num crente orgulhoso. Nem é suficiente a mera recepção do batismo. Assim surge nova descendência de Abraão, outra filiação não baseada no parentesco de sangue, mas no acolhimento da Palavra de Deus que transforma o homem e o salva. 12-13 - Aos publicanos que compravam de Roma o privilégio de ser cobradores de impostos, João não pede que abandonem seus empregos, mas que reformem sua moral. 16 - O batismo cristão consagra a pessoa que passa a pertencer inteiramente a Deus. O batismo é uma participação na Paixão e na Ressurreição de Jesus. 17 - Jesus é o juiz dos tempos finais. O trigo misturado à palha é atirado com a pá contra o vento, para se fazer a separação. A palha que voa é queimada; o trigo que cai pesado é recolhido ao celeiro. O Messias processará a separação de bons e maus. Oração Dê-me, Senhor, amor à conversão mediante a mudança de sentimentos e de vida ; amor à penitência da purificação interior dos pecados, raiz de todos os males morais. Que eu não seja árvore sem frutos bons, sem obras boas. Que eu não impeça nem retarde a ação do Espírito Santo que quer penetrar minha pessoa e, com o calor de sua presença, queimar todas as impurezas de minha mente, de minha boca e do meu coração, para que eu venha a ser trigo dos celeiros de Deus. Amém. Lc 3,19-22 Prisão de João. Batismo de Jesus (Mc 1,9-11; 6,17-29; Mt 3,13-17)
(19)

Mas o governador, Herodes Antipas, foi repreendido por João Batista, porque, contra o Levítico 18,16 e 20,21, vi via na Galiléia com Herodíades, mulher de Filipe (não o tetrarca Felipe), irmão do próprio Herodes por parte de pai, e por muitas maldades que havia praticado. (20) Agora, então, Herodes Antipas acrescentou coisa pior ainda: mandou encarcerar João na fortaleza de Maqueronte, a leste do Mar Morto.
(21)

Ora, quando todo o povo terminou de receber o batismo de João, Jesus também foi balizado. Logo ele se pôs em oração. Nesse momento o céu se abriu para todos, fechado que estava desde o pecado de origem,

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(22)

e o Espírito Santo desceu sobre Jesus em forma visível de uma pomba. E a voz do Pai, vinda dos céus, dizia: - "Você é meu Filho querido; eu hoje o gerei e o amo de todo o coração!". Questionário 20 - Em que prisão foi posto o Batista? Pelo historiador judeu Flávio Josefo, em Antiguidades 18,5-12, sabemos que João foi encarcerado e morto na fortaleza de Maqueronte, a leste do Mar Morto, na Peréia. 21a - Por que também Jesus se b alizou, se o batismo supõe o pecado? O batismo de João era um sinal externo de penitência pelos pecados, um sinal de adesão total a Deus e de preparação ao novo reino espiritual do Messias a chegar. Jesus não necessitava do batismo como sinal de arrependimento, pois não tinha pecados próprios. Mas, como homem, quis dar um sinal de sua total adesão a Deus e de estar disposto a entrar no novo reino espiritual que logo se iniciaria. Mais: Jesus veio ao mundo como novo Cabeça do gênero humano caído no mal. Assim carregado do pecado de todos, quis sujeitar-se à penitência geral que lava os pecados como a água lava o corpo (2Cor 5,21); solidário com a humanidade pecadora, torna-se o Cordeiro que tira o pecado do mundo (Jo 1,29). 21b - Por que Jesus foi b alizado depois da multidão? Jesus fazia parte da multidão dos homens, solidário a todos que deviam ser salvos. Mas, por não ter pecado pessoal, não necessitava de arrependimento como os outros. Por isso batizou-se em separado. 21c - Como entender que "o céu se ab riu"? O pecado da humanidade fechou o caminho e a entrada na casa do Pai. Distanciou da terra o céu. Agora essa distância se desvaneceu porque Jesus se tornou o mediador entre Deus e os homens. O Espírito Santo veio ungir Jesus para a missão de Messias. 21d - Que representa a pomba? A pomba era símbolo do povo israelita, do Messias, do Espírito Santo, da paz e da reconciliação. Como a pomba de Noé anunciou o fim do dilúvio, fruto do pecado, assim Jesus é o remédio para o dilúvio de pecados devastando o mundo. 21e - Que declara a voz do céu? É a mesma voz do Salmo 2, todo messiânico, que declara Jesus ungido para a obra régia de redenção do mundo através do sacrifício da vida, e o declara dominador sobre ele. A expressão "meu filho" designa a predileção de Deus por alguém. Mas o "hoje eu o gerei" mostra o Filho gerado no hoje eterno do Pai, portanto Deus como o Pai. A morte de Jesus é o seu verdadeiro batismo (Lc 12,50), e pelo nosso batismo participamos da morte sacrifical do Senhor (Rm 6,3-4). 21f - Por que muitas vezes dizem "céus" no plural em vez de céu?

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O termo céus no plural funda-se na velha concepção das sete esferas celestes sobrepostas, estando na última o trono de Deus. Para chegar ao homem, Deus devia abrir os céus (Is 63,19; Ez 1,1). 22a - O Espírito Santo desceu sob re Jesus. Como assim?Jesus já não o possuía? Aqui se trata não de algo novo ou de um aumento da graça, mas da manifestação do Espírito Santo, que sempre Jesus possuiu por natureza, mas de forma invisível. Aqui foi dado um sinal externo do que Jesus era interiormente. Sinal não para Jesus, mas para nós a respeito de Jesus, para sabermos quem ele é: o Messias, Filho único do Pai. 22b - Neste versículo 22 revela-se um mistério de nossa fé. Qual? É a primeira revelação clara da Santíssima Trindade, o maior mistério do cristianismo. Aqui o próprio Deus manifesta-se em três Pessoas distintas: o Pai fala apresentando Jesus como Filho; e o Espírito Santo é visto em forma de pomba. É uma grande teofania. Lições de vida 21-22 - É importante a narrativa do batismo de Jesus, também por conter a revelação do mistério da pessoa e da importante missão de Jesus, até então um ilustre desconhecido. Agora, põe-se fim ao seu anonimato: Jesus é o Messias prometido no Antigo Testamento. Ele recebe a investidura pública (At 10,38) de sua função messiânica. Porque o nosso batismo nos insere no mistério de Cristo, a todo balizado se abrem os céus, se dá o Espírito Santo e a filiação adotiva de Deus, que nos ama ternamente. No batismo de Jesus foi instituído o nosso batismo e foi mostrada toda a sua eficácia, embora tenha sido promulgado posteriormente (Mt 28,19). Foi pelo contato de sua carne com a água que ele santificou o uso da água batismal. Oração Louvo o Senhor por ter concedido ao Batista a coragem de profeta para repreender Herodes de suas maldades e de seus escândalos. Senhor, que eu não me acovarde de denunciar os males que ferem o projeto de Deus e arruínam as pessoas e a sociedade. Louvo a Deus por ter mostrado a primeira obra redentora de Jesus abrindo-nos a porta do céu, fechada desde o pecado da origem (Gn 3,24), e por ter revelado claramente o grande mistério de um Deus em três pessoas na família trinitária. Conceda-nos a graça de, em nossas famílias, vivermos a união de amor semelhante ao da família original, para a felicidade de nossos lares. Amém.

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Lc 3,23-38 Genealogia de Jesus (Mt 1,1-17)
(23)

Jesus já tinha passado de 30 anos de vida quando começou sua missão pública. Era conhecido como o filho de José, que era filho de Heli, (24) e assim por diante, de Matat, de Levi, de Melqui, de Jane, de José, (25) de Matatias, de Amos, de Naum, de Hesli, de Nagé, (26) de Maat, de Matatias, de Semei, de José, de Judá, (27) de Joanan, de Resa, de Zorobabel, de Salatiel, de Néri, (28) de Melqui, de Adi, de Cosam, de Elmadam, de Her, (29) de Jesus, de Eliezer, de Jorim, de Matat, de Levi, (30) de Simeão, de Judá, de José, de Joanan, de Eliaquim, (31) de Meléa, de Mena, de Matata, de Natan, de Davi, (32) de Jessé, de Obed, de Booz, de Salmon, de Naasson, (33 de Aminadab, de Aron, de Esron, de Farés, de Judá, (34) de Jacó, de Isaac, de Abraão, de Taré, de Nacor, (35) de Sarug, de Ragau, de Faleg, de Héber, de Sale, (36) de Cainam, de Arfaxad, de Sem, de Noé, de Lamec, (37) de Matusalém, de Henoc, de Jared, de Malaleel, de Cainam, (38) de Henós, de Set, de Adão, que proveio de Deus. Questionário 23a - Por que o cuidado de dizer que Jesus já tinha 30 anos? A tradição dos judeus não permitia o mestrado abaixo de 30 anos (Gn 41,46; Nm 4,3; 2Sm 5,4; Ez 1,1) nem cargos públicos de importância. 23b - Por que trazer a genealogia de Jesus? E por que Lucas difere de Mateus 1,117? Os israelitas conservavam com sumo cuidado, em casa ou nos registros oficiais, a seqüência de seus antepassados, embora nem sempre completa. Para tarefas elevadas era necessário apresentar a árvore genealógica paterna. Nomes de pessoas menos importantes eram saltados; faziam questão dos mais famosos. Daí vêm as diferenças de certos elencos mais longos que outros. Uns traziam o nome dos pais naturais; outros, dos pais pela lei do levirato (explicação de Júlio Africano, século III) ou por adoção. Assim se explicam as diferenças entre a lista de Mateus e a de Lucas. Por exemplo, Lucas apresenta José como filho de Heli, pai de José pelo levirato, enquanto Mateus 1,16 diz que José é filho de Jacó, pai natural. Jacó e Heli eram irmãos. Morto Jacó sem filhos, Heli casou-se com a viúva, de cuja união nasceu José, filho natural de Heli, mas filho legal de Jacó. Mateus nos dá a genealogia legal de Jesus; Lucas, a real. O mesmo se dá com Salatiel (v. 27), que aparece como filho de Jeconias para Mateus, e filho de Néri para Lucas. As listas de Mateus e Lucas não são completas. O que importava era provar que Jesus descendia de Abraão e de Davi. Também Maria era filha de Davi. 23c - Que é o levirato? (Cf. Dt 25) Uma lei segundo a qual, morrendo o marido sem deixar filhos, o irmão dele devia desposar a viúva, sua cunhada. O primeiro filho homem desse casal era registrado como filho do marido falecido (Dt 25,5-6) para lhe perpetuar o nome; ao filho cabiam os direitos e a herança do pai oficial.

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Lições de vida 27 - Mateus escreveu para os judeu-cristãos, por isso só chegou até Abraão, pai dos israelitas, para mostrar que se cumpriram em Jesus as promessas feitas por Deus a Abraão e a Davi. Lucas, regredindo até Adão, quis mostrar que Jesus não é Mestre e Senhor só de Israel, mas de todos os descendentes de Adão, de todos os povos. Integrante da raça humana, Jesus é nosso irmão e Cabeça da nova humanidade. 28 - Se Adão pode ser chamado filho de Deus, muito mais nós nos tornamos filhos de Deus por Jesus, o novo Adão, o único verdadeiro representante da raça humana. Oração Desde que Adão proveio de Deus, todo ser humano provém de Deus! Senhor, que grandeza a minha, que honra, que glória, que alegria provir de Deus! Sou nobre por linhagem, mesmo que eu descenda dos mais humildes pais que haja na terra. Não bastasse isso, Jesus veio integrar a nossa estirpe, tornando-se nosso irmão e cabeça que unifica a nova família humana formada de todos os povos, sendo ele o Novo Adão, o mais nobre representante de nossa raça. Senhor, que eu saiba viver de maneira a honrar a minha origem. Amém.

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CAPÍTULO 4 Lc 4,1-13 Jejum e tentações (Mt 4,1-11; Mc 1,12-13)
(1)

Jesus, com a plenitude do Espírito Santo, voltou do Jordão. E o mesmo Espírito de Deus o conduziu ao deserto (2) onde permaneceu na quietude da oração durante 40 dias. E foi tentado pelo diabo. Nesses dias nada comeu em virtude da ação de Deus que suspendeu as funções orgânicas de seu corpo. Passado esse tempo, sentiu fome como nós. (3) O demônio, aproveitando-se de sua fraqueza física, disselhe mentalmente: - "Se você é o Filho de Deus, use seu poder divino em benefício próprio mandando que esta pedra se transforme em pão".
(4)

Jesus, sem negar que é o Filho de Deus e que tem o poder de fazer milagres, nega que o usará em utilidade pessoal e responde: - "Está escrito no Deuteronômio 8,3: 'Não só de pão vive o homem, porque ele não é só matéria; seu espírito se alimenta da Palavra de Deus. Deus tem outras maneiras de sustentar o homem'".
(5)

Em seguida o demônio conduziu Jesus pela imaginação, mais para o alto, e, num relance, mostrou-lhe todos os reinos da terra que tinham sido prometidos ao Messias. O demônio lhe propõe um meio fácil de os ter, dizendo-lhe:
(8)

- "Se você é o Messias, eu lhe darei todo o poder sobre essas posses e toda a glória que elas têm, pois tudo isto me pertence e eu posso dá-lo a quem quiser. (7) Tudo será seu se você dobrar os joelhos diante de mim e me adorar como Deus".
(8)

Mas Jesus respondeu-lhe:

- "Está escrito no Deuteronômio 6,13: 'Você adorará o Senhor, seu Deus, prostrando-se diante dele, e só a ele prestará culto com o corpo e com o espírito'". Assim Jesus repeliu a tentação do domínio político e econômico. (9) O demônio, sem desanimar, conduziu Jesus pela imaginação até Jerusalém, ao pináculo do templo. Como Jesus havia manifestado ilimitada confiança em Deus, tenta-o pela temeridade, provocando-lhe uma vã ostentação de virtude. Distorcendo o sentido da Palavra de Deus, disse-lhe: - "Se você é o Filho de Deus, atire-se daqui para baixo, pois está escrito no Salmo 91,11: (10) 'Deus mandará seus anjos em favor de você para o proteger. (11) Eles o carregarão nas mãos para que não machuque os pés nalguma pedra'".
(12)

Mas Jesus prontamente lhe respondeu:

- "Também foi dito em Deuteronômio 6,16: 'Você não tentará o Senhor, seu Deus, desafiando-lhe o poder, provocando uma intervenção divina só para satisfazer a vaidade'".
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CAPÍTULO 4

(13)

Tendo acabado toda sorte de tentação para induzir Jesus a um messianismo terreno, o demônio o deixou até tempo mais oportuno, particularmente o da Paixão quando os inimigos se apoderarão dele. Questionário 2a - Que efeitos produz em nós o retiro espiritual com oração, meditação e jejum? A oração e o jejum são um meio infalível para o homem vencer as tentações do maligno. A Palavra de Deus, meditada e unida à oração mais demoradamente, ilumina a mente humana, levando o homem a se unir sempre mais a Deus, a agir bem, a adquirir bons costumes, a moldar o caráter e a dar testemunho de sua fé perante o mundo. 2b - O número 40 deve ser entendido em sentido literal? 40 é número simbólico. Significa um período longo disposto por Deus. Assim, os 40 dias de chuva do dilúvio (Gn 7,11); os 40 dias de Moisés no Sinai (Ex 24,18); os 40 anos de peregrinação de Israel pelo deserto (SI 95(94), 10); os 40 dias dos exploradores de Moisés na terra de Canaã (Nm 13,26); os 40 dias de Golias desafiando Israel (1Sm 17,16); os 40 dias de jejum de Elias (1Rs 19,8); os 40 dias de Ezequiel dormindo do lado direito (Ez 4,6); os 40 dias de Jesus após a sua ressurreição (At 1,3). 3a - Onde se deram as tentações de Jesus? A tradição cristã situa as tentações de Jesus no mesmo lugar onde ele passou os 40 dias de oração e jejum. E o assim chamado Monte da Quarentena, a 348 m de altura acima da planície do Jordão, ao lado ocidental, e a 15 km de Jericó. Aí, desde os primeiros tempos, vivem num mosteiro monges em perpétua penitência e oração. 3b - O demônio apareceu visivelmente a Jesus para tentá-lo? Não é provável a aparição visível do demônio. Ele age mais na fantasia, na mente e nos sentidos do homem. Assim foi a tentação de Jesus. 4 -Jesus citou Dt 8. Cite a frase toda. Dt 8,3: "O homem não vive só de pão, mas de toda Palavra que sai da boca de Deus". 8 - Jesus está citando Dt 6. Copie a frase original. Dt 6,13: "Você temerá o Senhor, seu Deus, só a Ele servirá, e jurará pelo seu nome". 9 - O que é o pináculo do templo? É a parte sudeste das muralhas na esplanada do templo, que originariamente se elevavam a 50 metros acima da rocha que as alicerçava; é seu ponto mais alto. 10 - Que salmo o demônio citou? O Salmo 91(90), 11.

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13 - Conhece outras tentações a que Jesus ficou sujeito? E qual é essa outra ocasião oportuna em que o diabo o tentará mais fortemente? Em Lc 11,16 "para o tentar" ele foi desafiado a produzir um portento no céu (Mt 16,1; 12,38; Mc 8,11; Lc 11,29). Em Jo 6,15 precisou fugir de ser aclamado rei. Em Jo 6,30-31 exigem dele um milagre como o do maná. Em Jo 7,3-4 pedem-lhe que vá mostrar seu poder de milagres na Judéia. Cf. também Mc 8,33. Mas a ocasião mais propícia para o tentador foi quando, em Lc 22,42, começou a terrível luta de aversão à paixão e à morte; em Lc 22,44 a angústia que o fez suar sangue; em Mt 27,42 a provocação: "desça da cruz e acreditaremos". Lições de vida 2a - O deserto era o lugar da intimidade com Deus (lembre o maná) e também esconderijo do demônio (lembre o bezerro de ouro, as tentações). 2b -Antes de iniciar sua missão,Jesus se recolhe em separado do convívio humano e passa largo tempo em retiro espiritual com oração, meditação e jejum. Um exemplo que nos ensina como garantirmos o êxito de nossos grandes empreendimentos. Necessitamos de tempos fortes de oração, de uma convivência solitária com o Pai. 2c - Jesus não é impelido, mas se deixa conduzir pelo Espírito Santo, no qual sempre age porque o possui por natureza e o pode comunicar a nós. 2d - O processo da tentação: 1º o pensamento nascido de um movimento interno ou de um agente externo (uma figura, uma palavra, um exemplo); 2º o deleite que estimula; 3º a adesão da vontade que quer o que a tentação lhe propõe, ou rejeita vencendo a instigação para o mal. Só na 3a fase entra o pecado ou a vitória sobre a tentação. Do interior de Jesus não podia nascer o primeiro movimento da tentação para o mal. Só é possível vir de um agente externo como o demônio. Essas três tentações de Jesus foram de gula, de vanglória e de amor ao dinheiro, opostas às virtudes da temperança, da humildade e da simplicidade. Assim, ele pode compadecer-se de nós quando tentados. E não permite que a tentação supere as nossas forças. 3a - "Se você é..." indica que o demônio desconhecia o mistério da pessoa de Jesus, o Filho de Deus. A Encarnação do Verbo ficou selada ao demônio. 3b - No batismo de Jesus temos uma epifania de Deus; na tentação, a epifania do demônio. No batismo, a proclamação do Messias; na tentação, o incitamento a ele trair sua missão messiânica. 6 - O "príncipe deste mundo" (Jo 12,31; 2Cor 4,4) engana afirmando que todos os reinos da terra lhe pertencem. É verdade que o pecado cedeu espaço ao demônio, mas Deus não renunciou aos seus direitos naturais sobre o mundo, e os transferiu só para o Messias (SI 2,8). Em cada tentação o demônio mente pretendendo iludir que é bom o que ele sugere.

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8 - Quem busca apenas seus interesses, seu egoísmo, sua vaidade, sua vontade presta culto a si mesmo, torna-se o deus de si próprio. Um deus frágil e efêmero que não compensa ter. 13 - Em Jerusalém o demônio moverá tremenda guerra contra Jesus, fazendo com que seus adversários o levem à cruz (Lc 22,53). Essa é a ocasião mais favorável que o demônio armou contra o Senhor, "a hora das trevas". Mas a ressurreição de Jesus será a maior derrota de satanás. Também conosco o demônio não desanima: mesmo que vençamos as tentações, ele estuda sempre novas ciladas tentando enganar o homem com falsas promessas. A oração, principalmente se unida ao jejum, é arma infalível contra o príncipe do mal. Adão foi vencido, mas o Novo Adão, Jesus, é e será sempre o grande vencedor do demônio. Com ele não temos que temer a satanás. A primeira das três tentações foi um convite a viver no conforto e no bem-estar; a segunda foi a de um grandioso espetáculo que conquistaria a fama popular; a terceira foi a da glória e do poder políticos. Continuam a ser as maiores tentações no mundo de hoje. O demônio pretendia reduzir Jesus à figura de um Messias político traindo sua verdadeira missão. Oração Senhor, dê-me amor à solidão, ao silêncio, e maior disposição para os tempos fortes de oração pessoal, para que eu chegue a saborear a convivência com Deus sob a ação do Espírito Santo. Sei que assim eu garanto o êxito dos meus trabalhos, porque orando conto com a presença de sua mão operosa nos meus afazeres. Sabemos, Senhor, que quando o homem sucumbiu à tentação original, ele conservou o desejo do bem, mas a sua natureza ferida pelo pecado dividiu-se em si mesma com a inclinação para o mal e sujeita ao erro. Os instintos ameaçam dominar a razão, o mundo nos solicita para a satisfação das paixões, e o demônio insinua-nos o mal sob a aparência do bem. Como não podemos fugir à luta entre bem e mal, uma só coisa pedimos, Senhor: não nos deixe cair na tentação, para que levemos uma vida de autodomínio e condizente com a nossa condição de filhos de Deus. Amém.

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Lc 4,14-30 Ministério de Jesus na Galiléia (Mt 4,12-17; 13,53-58; Mc 6,1-6)
(14)

Jesus, possuindo o poder do Espírito Santo, manifestado na força moral de sua doutrina, de sua santidade, e no poder dos milagres, voltou para a província da Galiléia. Sua fama espalhou-se por todas as regiões circunvizinhas por causa dos milagres realizados em Jerusalém (Jo 2,23) e Caná (Jo 2,1-2), dos quais muitos galileus foram testemunhas (Jo 3,45). (15) Ele ensinava nas sinagogas, onde os judeus se reúnem para o culto e a oração, e todos de princípio o aplaudiam ouvindo de boa vontade. (16) Dirigiu-se, depois de longa ausência, a Nazaré, onde foi criado passando aí a infância, a juventude, até a idade adulta. Ao sábado entrou na sinagoga, segundo o costume que adotara de ensinar, e levantou-se para ler um trecho dos profetas. (17) O chefe da sinagoga apresentou-lhe o livro do profeta Isaías. Jesus desenrolou o pergaminho e deparou providencialmente com a passagem onde se lê:
(18)

“O Espírito do Senhor está comigo. Ele me ungiu consagrando-me para a missão de evangelizar os mais pobres. Enviou-me a curar os de coração ferido sem forças para o bem, a proclamar a remissão aos que estão presos em seus pecados; aos espiritualmente cegos, a recuperação da vista; aos oprimidos, a libertação (Is 58,6). (19) Eu vim para anunciar o tempo jubilar da graça da salvação do Senhor" (Is 61,1-2).
(20)

Jesus enrolou o livro, entregou-o ao servente e sentou-se como mestre para explicar o passo que acabava de ler. Todos na sala de oração tinham os olhos fixos nele, bem atentos quer pela sua fama, quer pela importância do trecho lido. (21) Então ele se pôs a falar dizendo: - "Hoje, diante dos olhos de vocês, começou a cumprir-se este oráculo da Escritura, porque vocês estão ouvindo aquele de quem fala Isaías!".
(22)

E todos começaram a dar testemunho de que o que tinham ouvido acerca de Jesus era verdade, e estavam muito impressionados com as palavras de sabedoria que provinham de seus lábios, explicando, com graça e profundidade, a Palavra de Deus e apresentando-se como o Messias. Mas daí a pouco, por estarem obcecados pelo preconceito de terem conhecido Jesus desde menino como filho de um carpinteiro, passaram a comentar assim: - "Não é este o filho de José, o carpinteiro?". E, diante da modesta origem humana de Jesus, pretenderam justificar a rejeição de sua doutrina e de sua pessoa, não aceitando que um simples operário os ensinasse.

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Além disso, consideravam-se salvos e não necessitados de salvação. lhes respondeu:

(23)

Ele então

- "Com certeza vocês pretendem aplicar a mim o ditado popular: 'médico, cure-se a si mesmo!', querendo dizer: 'se você é o Messias, melhore primeiro suas próprias condições de plebeu, depois melhorará os outros; cure os males primeiro de sua própria cidade'; e todos os milagres que você praticou, segundo se ouve dizer, em Cafarnaum (Jo 4,46), comece por fazê-los aqui em sua terra, diante dos nossos olhos".
(24)

Em seguida acrescentou:

- "Também eu aplico a vocês outro provérbio assegurando que nenhum profeta é bem aceito em sua própria terra e entre os seus parentes (At 13,46), onde o viram nascer e crescer no meio do povo. (25) Dou-lhes dois exemplos da Escritura. No tempo do profeta Elias, quando por três anos e meio não caiu chuva do céu, e uma grande fome devastou toda a nossa terra, havia muitas viúvas em Israel. (26) No entanto, Elias, que vivia em Israel, não foi mandado a nenhuma delas, a não ser a uma viúva da cidade de Sarepta, na região fenícia de Sidônia (1Rs 17,7-16). (27) De modo semelhante, no tempo do profeta Eliseu, havia muitos leprosos em Israel. Todavia, nenhum deles foi curado pelo profeta, a não ser o não israelita Naamã, sírio e pagão (2Rs 5,1-14)".
(28)

A essas palavras, todos na sinagoga se enfureceram, percebendo que Jesus os colocara abaixo dos pagãos e indignos dos favores de Deus. (29) Enciumados e enraivecidos, levantaram um tumulto, expulsaram Jesus da sinagoga e o empurraram, do lado sudoeste em que se encontrava um barranco de uns dez metros, para o precipitarem abaixo, fazendo justiça sumária. (30) Jesus, porém, subjugou-os, passando firme e lentamente pelo meio de seus inimigos sem ser tocado. E prosseguiu o seu caminho indo embora de Nazaré! Questionário 16a - Diz um romance que dos 12 aos 30 anos Jesus andou pelo Oriente. Que diz você? O Evangelho aqui é claro: Jesus foi criado em Nazaré, onde passou uns 30 anos. Romance é fantasia. 16b - Como eram conduzidas as reuniões rituais dos sábados na sinagoga? A função religiosa dos sábados celebrava-se de manhã. Começava pela liturgia de orações rituais. Liam-se depois um trecho da Lei do Pentateuco e, a seguir, outro dos profetas. O chefe na sinagoga (arquissinagogo) designava o leitor. Mas qualquer adulto de 30 anos podia oferecer-se espontaneamente. Se entre os presentes se encontrasse uma personagem ilustre ou um estranho, o chefe da sinagoga normalmente o convidava a ler e a comentar, supondo-se sempre certo grau de cultura. A leitura era feita de pé; seguia-se-lhe a explicação feita pelo leitor ou por outra pessoa. 17 - Qual era a forma dos livros?

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Os livros tinham a forma de rolo. As páginas de couro ou de papiro se fixavam numa ou em ambas as extremidades de um cilindro de madeira, em torno do qual se enrolavam e desenrolavam. Os livros santos da Lei eram guardados num nicho e dentro dum escrínio estreito. Diante deles ardiam lâmpadas noite e dia. 18a - O que significa "ungir" na Bíblia? É consagrar alguém com unção de óleo para uma missão especial (At 10,38). 18b - Evangelizar é anunciar a Boa Nova. Concretamente, em que consiste essa Boa Nova? Fazer os cegos verem, os surdos ouvirem, os mudos falarem, os aleijados andarem, os corações feridos se recuperarem, os presos serem soltos, os endividados receberem indulto, os marginalizados serem reintegrados na vida plena da sociedade. É a recuperação total do homem, corpo e alma. 19 - Que era o ano jub ilar? (Cf. Lv 25) Era um tempo sagrado da mais ampla anistia. Os escravos recuperavam a liberdade, e o patrimônio familiar voltava àquele que o havia perdido ou vendido. As terras deviam descansar sem ser semeadas, só se podendo colher o que produzissem espontaneamente. Toda a obra do Messias neste mundo é chamada "ano da graça" por comparação ao "ano jubilar" que o Lv 25,10-13 preceitua celebrar-se a cada 50 anos. Para nós, o tempo jubilar de Jesus é sua vinda ao mundo, trazendo-nos a remissão dos pecados que subjugam o homem tirando-lhe a verdadeira liberdade; e é a recuperação do patrimônio da graça perdida pelo pecado, recuperando-nos o direito à filiação divina e à vida eterna. Jesus é doador da salvação, não o juiz que condena. 20 - Qual era o papel do servente? Era o bedel que abria e fechava a sinagoga, e tinha sob seus cuidados os livros sagrados. 26-27 - Onde se encontram narrados na Bíb lia estes dois fatos? Em 1 Rs (antigo 3Rs) 17,7-16. E 2Rs 5,1-14. 29 - Em que se b aseavam para quererem matar Jesus? (Cf. Dt 13,5 ou 6) O profeta devia credenciar-se por milagres. Jesus nega-se a fazer algum prodígio entre seus concidadãos. Assim passa como falso profeta, sujeito à morte. Jesus se deixa conduzir até o lugar da execução e se liberta dos inimigos sem esforço. Já é um sinal. Lições de vida 16 - A Sagrada Escritura é a Palavra do próprio Deus, suprema regra da fé, alimento do espírito, sustentáculo e vigor para a Igreja e o cristão, fonte de vida espiritual. "Ignorar a Escritura é ignorar Cristo" (S. Jerônimo). "É a alma da evangelização" (Puebla 372), "fonte principal da catequese" (Pbl 981). Deve ser respeitada, conhecida, amada, divulgada. Ilumina a mente e conduz o homem nos caminhos de Deus. A fé vem da Palavra acolhida.
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23 - Facilmente deixamos de notar nas pessoas de nossa convivência esses dotes ou carismas que Deus lhes concedeu e que, no plano da graça, deveriam tornar-se sinais manifestos do próprio Deus. Vulgarizamos o que é costumeiro, porque não traz no vidade. 27 - Deus é inteiramente livre para dar seus dons a quem lhe aprouver, cristão ou não, independentemente de méritos. Com isso Jesus ensina que a sua religião não tem fronteiras, é universal e não restrita a um povo. Oração Senhor, que eu saiba reconhecer os dons que Deus dá a pessoas simples, e aceitar delas as lições correspondentes aos carismas que as enriquecem, não obstante sua humilde condição social. Senhor, o ano jubilar oferecia a mais ampla anistia com a recuperação de todos os direitos perdidos. Agradeço, Jesus, o tempo que o Senhor passou conosco, chamado ano da graça ou ano jubilar porque nos trouxe a recuperação dos direitos da filiação divina perdidos desde a primeira queda do homem. Obrigado por ter vindo nã o como juiz que condena o erro, mas como doador de si mesmo, oferecendo-nos gratuitamente a salvação total. Mil vezes obriga do, Senhor. Amém. Lc 4,31-37 Em Cafarnaum, um possesso (Mt 7,28-29; Mc 1,21-28)
(31)

E ele se transferiu daí descendo para Cafarnaum, cidade da Galiléia a noroeste do lago de Genesaré. Aos sábados sempre ensinava ao povo. (32) Eles ficavam pasmados com a sua doutrina porque ele falava com autoridade, convicção, competência ecológica e grande originalidade. (33) AÍ na casa de oração encontrava-se um homem dominado por um espírito imundo ou demônio, que, ao ver Jesus, gritou fortemente:
(34)

- "Deixe-nos. Que temos a ver com você, Jesus Nazareno? Veio ao mundo para nos arruinar? Sei quem você é: o Santo de Deus, um homem enviado com especial santidade de Deus!".
(35)

Jesus, desdenhando toda confissão provinda de boca impura (SI 23,4), exorcizou-o com firmeza: - "Cale-se e saia desse homem!". O demônio, demonstrando sua força, atirou-o por terra, no meio de todos, e, provando nada poder contra a ordem recebida, saiu daquele homem sem lhe fazer

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mal algum. entre si:

(36)

Os que presenciaram a cena estavam tomados de espanto e diziam

- "Que é que estamos vendo!? Ele, cheio de poder e autoridade, com uma simples palavra (Hb 4,12-13) dá ordens e até os espíritos maus lhe obedecem!".
(37)

Assim a fama de Jesus se espalhou por todo lugar daquela região. Questionário

31 - Que significa a palavra Cafarnaum? Diga algo sob re essa cidade. Significa vila de Naum. Situa-se rente ao lago de Genesaré ou mar da Galiléia, a noroeste. Como esse lago, acha-se ela a 208 m abaixo do nível marítimo. É porto comercial e centro importante de cobrança de impostos, a 30 km de Nazaré. Foi a cidade de adoção de Jesus (Mc 9,1). Hoje é um lugarejo denominado Tell Hum. Escavações realizadas por alemães de 1905 a 1926 trouxeram à tona as ruínas de uma sinagoga do século III de nossa era; portanto, não se identifica com a construída pelo centurião romano (Mt 8,5-13), na qual Jesus ensinava. 34- "O santo de Deus" não é um louvor religioso do demônio a Jesus? O demônio não o louvou por amor, veneração e acatamento, e sim por medo de ser expulso. O espírito mau admite imediatamente a absoluta separação entre Jesus e tudo que é impuro e pecaminoso. 35 - Diga algo sobre os demônios. São seres inimigos de Deus. Seduzem os homens para o mal. Anjos decaídos pela rebeldia contra o Senhor. Estão subordinados a satanás ou diabo, que Ef 2,2 chama de "príncipe das potestades do ar" (o ar era tomado como a habitação dos espíritos maus; "potestades" ou "poderes" são os demônios com suas forças maléficas). Ap 12,7 o denomina "dragão" vencido pelo arcanjo S. Miguel (= quem como Deus?). Para Ef 6,11-12 os demônios são os "dominadores deste mundo". Podem nos incomodar também corporalmente: "Foi-me dado um aguilhão da carne, um anjo de satanás para me esbofetear" (2Cor 12,7): assim todo o livro de Jó. Nos últimos tempos a fúria de satanás será maior: "Nos últimos tempos alguns apostatarão da fé dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas diabólicas" (Tm 4,1). Também Ap 20,7. Satã em hebraico, diabo em grego significam enganador e também o acusador nos tribunais (Ap 12,10). Age como tentador. É o pai de todo o mal que se opõe a Deus. Em Sb 2,24 é identificado como a Serpente de Gn 3. É dito "o maligno" em Mt 13,19, Ef 6,16. Seu lugar "é o inferno" (2Pd 2,4; Jd 6). É o "príncipe deste mundo" (Jo 12,31; 14,30; 16,11; 1Jo 5,19). Jesus destrói as obras do demônio (1Jo 3,8). Nossa fé o vence (Ef 6,16 e 1Pd 5,8). O anticristo será seu instrumento (2 Tes 2,9). Todo o Novo Testamento supõe a existência de um poder do mal que é uma PESSOA. "Uma interpretação psicológica que diminuísse a realidade da figura de satanás não corresponderia ao teor dos textos" (Dicion. Enciclopéd. da Bíblia, p. 1. 397).

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Lições de vida 35 - O demônio é o maior inimigo do homem. Ele nos aniquilaria se Deus não o impedisse. Em Jesus temos à nossa disposição o vencedor de satanás. Como só Deus pode dominar o demônio, se Jesus o expulsa é porque Jesus é Deus. Onde Cristo chega, o diabo perde o domínio. Jesus veio para nos libertar de satanás, que, desde o pecado, triunfava como "príncipe deste mundo" (Jo 14,30), o "forte" (Mc 3,27). Dos milagres de Jesus, a libertação é o que melhor patenteia a inauguração do Reino de Deus na terra. Mas o demônio não esmorece, não desanima: prolongará seus combates até o último instante. O homem que não se empenha incondicionalmente pelo Reino de Deus deixa uma fresta ao diabo. Por isso Jesus nos adverte contra as recaídas (Mt 12,43-45; Lc 11,24-26), pois as últimas condições seriam piores que as primeiras. O mal sempre tem falso conceito do bem; "vieste para nos arruinar". Oração Em Cafarnaum havia um homem controlado pelo demônio. Senhor, olhando a nossa sociedade, temos a impressão de que ainda grande parte está dominada pelo demônio, pois impera o egoísmo que visa apenas ao bem próprio, impera o consumismo que põe o dinheiro acima de Deus, impera o desregramento que explora as paixões sem nenhum freio. Senhor, expulse de novo o demônio que impera tanto, que arruína o bem da sociedade e da família. Continuará o demônio a ser ainda por muito tempo o "príncipe deste mundo" (Jo 12,31) como o Senhor o chamou? Pedro (1Pd 3,8) ensina que a fé vence o maligno. Aumente-nos a fé, Senhor, porque onde o Senhor chega, o mal perde seu poder. Aumente-nos a fé, para que o nosso empenho pelo Reino de Deus seja incondicional, sem esmorecimento e certo da vitória. Amém. Lc 4,38-41 Muitas curas (Mt 8,14-17; Mc 1,29-34)
(38)

Jesus saiu da casa de oração, a sinagoga, e entrou na residência de Simão. A sogra de Simão estava doente com febre alta, deitada numa esteira. Falaram dela a Jesus, pedindo que a curasse. (39) Ele se inclinou como médico para ela e ordenou com firmeza que a febre a deixasse. Imediatamente a febre cessou. A mulher se levantou e lhes serviu uma refeição, pois não havia outra mulher em casa, e ela estava perfeitamente curada. (40) Depois que o Sol se pôs, terminando o descanso de preceito, todos os que tinham parentes ou amigos atacados de qualquer

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enfermidade que fosse traziam-nos a Jesus. E ele, impondo as mãos sobre cada um deles, curou-os. (41) De um grande número deles saíam demônios gritando: - "Você é o Filho de Deus!". Os demônios já sabiam que ele era o Cristo Salvador que todos esperavam. Mas Jesus, em tom severo e cheio de autoridade, proibia-os de declarar que ele era o Messias, porque não havia chegado a hora adequada, dado que a Galiléia se achava em ebulição política, e porque não era pelo demônio que Jesus devia dar-se a conhecer. Lc 4,42-44 Jesus deixa Cafarnaum (Mc 1,35-39)
(42)

Ao amanhecer, Jesus saiu da cidade. Afastou-se a um lugar deserto para orar. O povo todo pôs-se a procurá-lo e quando o encontraram queriam obrigá-lo a ficar com eles, impedindo-o de ir-se embora. (43) Mas Jesus explicou-lhes: - "Devo anunciar a Boa Nova do Reino de Deus também às outras localidades, pois para essa missão é que fui enviado pelo Pai".
(44)

E deixando Cafarnaum, Jesus passou a pregar em todas as sinagogas do país de Israel. Questionário 39 - Se Pedro tinha sogra, tinha também esposa. Como dizem os católicos que ele era viúvo? Ao se levantar de uma enfermidade, a sogra deve ir ao trabalho de cozinha, indicando ser a única mulher em casa. Então Pedro seria viúvo. Segundo outros, Pedro morava em Betsaida com a esposa Concórdia e a filha Petronila, e vinha a Cafarnaum por razões profissionais, hóspede da sogra. 40 - Por que não levavam doentes antes de o Sol se pôr? Durante o descanso do sábado, que ia até o pôr-do-sol, ficava proibido qualquer tipo de trabalho, mesmo carregar um doente. 41 - Por que proib ir que o demônio diga a verdade sob re Jesus? Pareceria que Jesus de algum modo estava associado ao demônio. Também porque, para falar de Jesus é preciso amá-Io, e o diabo o odeia. Jesus se faria conhecer por suas palavras e obras pessoais, mas não havia chegado a hora. Elogio em boca falsa é ofensa.

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Lições de vida 40 - Jesus veio salvar o homem no seu todo de espírito e corpo. Toda doença é uma conseqüência do mal introduzido pelo pecado. Fortificar o espírito e curar o corpo era a demonstração clara da chegada do Reino de Deus, oposto ao de satanás. Com os milagres, Jesus não pretendia forçar a crer, mas sim confirmar a fé já existente. Ele podia ter curado a todos com uma simples palavra. Todavia, demonstrou-se muito afável e amoroso, impondo as mãos a cada pessoa individualmente. 42 - Jesus sempre deixa afazeres mesmo imperiosos e busca lugares solitários para orar. Muito mais nós necessitamos da oração silenciosa e prolongada. Nosso cristianismo se mede pelo grau de oração que vivemos. 44 - Jesus não se fixa numa cidade onde lhe querem bem. Ele deve ir adiante. Não são vantagens pessoais, não são amizades nem prestígio que decidem onde os continuadores de Jesus devem desenvolver seu trabalho ministerial. E a vontade de Deus expressa por meio dos superiores. Oração Obrigado, Jesus. O Senhor veio para nos salvar em nossa integridade de corpo e espírito. Quer livrar-nos do espírito maligno e de qualquer enfermidade, fazendo-nos ver que doenças, desastres e todo tipo de males não são mandados pelo Senhor, mas são contingências humanas. Dê-nos o discernimento para sabermos evitar tudo que possa ser causa de um mal. E quando estivermos sofrendo, ajude-nos a libertar-nos desse mal ou dê-nos a força de carregar a cruz com a dignidade de filhos de Deus. Sabemos, Senhor, que muitas vezes é maior a graça de sabermos carregar o peso do que de libertarmo-nos da cruz. Como o Senhor fazia, que também nós tenhamos um tempo fixo para a oração a sós com Deus, sem permitir que esse tempo nos seja roubado. Diante dos rogos da população de Cafarnaum que tanto bem lhe queria, o Senhor não se deixou convencer de que devia permanecer naquela comunidade. Faça-nos entender essa lição, Senhor. Quando o bem geral nos remove um pastor querido, que não nos consideremos proprietários dele, que não nos revoltemos contra os superiores e que não impeçamos que ele siga o caminho do Mestre divino, indo aonde for mais necessária a sua presença. Amém.

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CAPÍTULO 5 Lc 5,1-11 Pesca milagrosa. Os primeiros discípulos (Mt 4,18-22; Mc 1,16-20)
(1)

Certo dia, na praia do lago de Genesaré, a multidão se comprimia em volta dele para ouvir a Palavra de Deus. (2) Ele viu duas pequenas barcas estacionadas à margem do lago. Os pescadores haviam deixado as barcas para lavar as redes, findo o trabalho da pesca. (3) Apertado pela multidão, Jesus entrou numa das barcas que era de Simão e lhe pediu que se afastasse um pouco da margem para falar ao povo com mais comodidade. Depois se sentou e, de dentro da barca, ensinava a todos. (4) Quando acabou de falar, disse a Simão: - "Conduza a barca mais para dentro do mar, e vocês lancem as redes para a pesca".
(5)

Simão, tomando o remo, respondeu:

- "Mestre, labutamos toda a noite, que é o tempo mais favorável para a pesca, sem nada apanhar, mas porque o Senhor mandou, confio mais em sua palavra do que na minha experiência de pescador; lançarei a rede".
(6)

E, esperando contra a esperança (Rm 4,18), assim fizeram. E apanharam tão grande quantidade de peixes, que a rede de arrastão ameaçava romper-se. (7) Por estarem bem afastados, fizeram sinais com mãos e braços aos companheiros da outra barca para que viessem ajudá-los. Tiago e João chegaram até lá. Encheram tanto as duas barcas que quase afundavam. (8) Diante desse espetáculo, Simão Pedro sentiu sua indignidade diante da santidade e do poder sobre-humanos de Jesus e caiu de joelhos a seus pés, rogando-lhe: - "Afaste-se de mim, Senhor, porque sou um pecador!" (Cf. Is 6,5).
(9)

É que tanto ele quanto quem o acompanhava na barca ficaram fortemente impressionados com a extraordinária pesca que acabavam de realizar pela palavra de Jesus, que se evidenciou assim mais do que um simples homem. Por isso, Pedro não o chama agora de Mestre, mas de Senhor do universo. (10) De igual espanto ficaram tomados os filhos de Zebedeu, Tiago e João, da outra barca, eles que eram sócios de Simão na profissão de pescadores. E Jesus disse a Simão abrindo-lhe um outro caminho: - "Não se assuste com o que viu. Daqui por diante você lançará a rede da minha Palavra no mundo e será pescador de homens para o Reino de Deus!".
(11)

Então Pedro, André, Tiago e João atracaram as barcas na praia, abandonaram tudo e, numa pronta aceitação e plena decisão, seguiram a Jesus como discípulos, definitivamente, com nova finalidade de vida: o Reino de Deus!

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CAPÍTULO 5

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Questionário 1 - Cite alguns dados sobre o lago de Genesaré, também chamado lago de Tiberíades ou mar da Caliléia. 21 km de comprimento, 12 de largura; até 45 m de profundidade e 208 m abaixo do nível do mar, com 144 km2. Grandemente piscoso até hoje. 3 - Que sentido tem Jesus ensinar da b arca de Pedro? Não sem uma razão misteriosa Jesus ensinou da barca de Pedro. Ela é figura da Igreja. Jesus sempre ensinará ao mundo da barca que reconhece Pedro como chefe visível da Igreja de Cristo. Onde está Pedro, o papa, aí está a Igreja. Pedro é piloto da barca da Igreja. 7a - Quais eram os companheiros da outra b arca? Tiago e João, conforme o v. 10. Vê-se que Pedro trabalhava com sócios numa espécie de cooperativa, sendo ele o chefe. 7b - Que lição Jesus dá com a pesca milagrosa? O sentido apologético é manifestar a divindade de Jesus. O sentido simbólico é indicar qual seria a missão de Pedro, dos apóstolos e de toda a Igreja em geral: missão de serem pescadores de homens para a fé cristã, usando a rede do Evangelho. Mas, por ter se dirigido a Pedro, por ter escolhido a barca desse apóstolo, por tê-lo mandado ir mais para o alto-mar e lançar suas redes, Jesus demonstra o especial papel de Pedro, que receberá o primado sobre os apóstolos e fiéis. Ainda, como a pesca foi realizada por intervenção de Deus e não pela habilidade dos pescadores, toda vez que se pescar um homem para o Reino de Deus, será sempre obra da graça usando a colaboração do apóstolo. O peixe tornou-se símbolo dos primeiros cristãos porque nas águas do batismo eles nascem para a fé e nela vivendo se salvam. 8a - No v. 5 Pedro chama Jesus de Mestre. Aqui, de Senhor. Por quê? Para Pedro, Jesus era o seu mestre. Mas, diante da pesca milagrosa que não se explica por causas naturais, Pedro descobre que Jesus não é um simples mestre ou profeta comum. Já o vê como seu Senhor, nome reservado exclusivamente a Deus. Foi um grande passo na descoberta da verdadeira identidade de Jesus. A admiração atrai Pedro a Jesus; a consciência de seu estado de pecador afasta-o dele. 8b - Em 4,38, em 5,3. 4. 5. 10 Lucas diz "Simão". Aqui, diz "Simão Pedro". Por que razão? Diante do milagre presenciado, a fé de Simão começou a tornar-se uma rocha = pedra. Basta ver que Pedro começou a chamar Jesus de "Senhor" e não só de "Mestre". Pela fé, Simão é transformado em rochedo, e já se põe o fundamento para a sua vocação em "Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei minha Igreja" (Mt 16,18) e em "Tu, por tua ve z, confirma teus irmãos" (Lc 22,32).

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Lições de vida 5 - O homem, sozinho em suas tarefas, afadiga-se em vão: "Se o Senhor não edificar a casa, em vão labutam seus construtores" (SI 127). Mas se acolher com boa disposição a Palavra inspirada, receberá abundante ajuda da mão de Deus. 8 - Quanto mais alguém se aproxima de Deus, tanto mais cresce nele a humildade, esse sentimento de sua pequenez, de seu nada e de seus pecados. Quanto mais distante de Deus alguém vive, tanto menos reconhecerá os próprios erros e limitações. Pedro, tão favorecido pela bondade divina, não pensa senão em sua própria insuficiência e condição de pecador que não merece tanta bondade. 11 - Quando o Senhor chama, os ministros de Cristo só podem responder um sim imediato e irrevogável. Por vocação devem sacrificar tudo para abraçar inteiramente a causa do Evangelho. Jesus, o Reino de Deus e a pesca de homens doravante encherão suas vidas. Oração Jesus, o Senhor continua a ensinar da barca de Pedro que hoje é o papa. Peço mais amor à Palavra e aos ensinamentos do chefe visível da Igreja, em cujas mãos o Senhor depositou a responsabilidade de defender e difundir o patrimônio da verdadeira fé cristã. Senhor, que venham pescas milagrosas principalmente depois de trabalhos e esforços infrutíferos como na noite de Pedro. E que a pessoa de Jesus, os interesses do Reino de Deus e a pesca de homens encham a vida daqueles que o Senhor chama em seu seguimento. Amém.

Lc 5,12-16 O Leproso (Mt 8,1-41; Mc 1,40-45)
(12)

Certa vez encontrava-se Jesus rente a uma vila onde apareceu um homem todo coberto de terrível lepra que o carcomia de alto a baixo. Ao ver Jesus, e crendo que nele atuava a força de Deus, o homem lançou-se de joelhos diante dele, suplicando com o rosto por terra: - "Se o Senhor quiser, eu sei que pode curar-me!".
(13)

Jesus, diante daquele rosto horripilante, movido de compaixão e passando por sobre a lei, estendeu a mão, tocou-o e disse-lhe: - "Sim, eu quero. Fique purificado!".

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No mesmo instante a lepra desapareceu. acontecido, mas acrescentou:

(14)

Deu-lhe ordem que não alardeasse o

- "Vá apresentar-se a um sacerdote que o examine e constate a cura; depois, em Jerusalém, ofereça o sacrifício prescrito por Moisés e passe pelos ritos da purificação, para receber a declaração de cura e ser reintegrado no convívio da sociedade e no culto do templo (Lv 14,1-32); também para servir de testemunho aos sacerdotes de que se trata de uma obra messiânica e, portanto, chegou o tempo da salvação".
(15)

Apesar da proibição, essa cura despertou viva impressão em inúmeras pessoas, de modo que a notícia difundiu-se cada vez mais. Multidões chegavam para ouvi-lo falar e para ser curadas de suas enfermidades. (16) Jesus, porém, fugindo ao louvor e aos aplausos, permanecia em lugares retirados para orar. Questionário 12 - O que prescrevia a lei ao leproso? (Cf. Lv 13,45-56) Ter as vestes rasgadas, a cabeça descoberta, cobrir a barba e, ao aproximarse de um são, gritar: "impuro, impuro" para afastá-lo. Era considerado impuro e devia habitar fora dos aglomerados humanos. A lepra era a doença mais repugnante e temida do tempo. O leproso era expulso da sociedade como um animal nojento e tido como morto. Passava a viver miseravelmente em grutas ou tendas fora dos grupos humanos. Quando da cura da lepra, e neste caso é porque se tratava de falsa moléstia, a pessoa devia passar por ritos de purificação porque essa doença era vista como castigo infligido diretamente por Deus em vista de graves pecados de soberba, calúnia ou aberrações sexuais. 13 - Tocando o leproso Jesus não está desprezando a lei que o proib ia? Jesus está ensinando que essa proibição é lei humana e que o toque físico não pode acarretar impureza moral ou espiritual. Não pode existir lei contra a caridade para com o necessitado. Jesus coloca o valor da pessoa humana acima da lei, mas não despreza a lei justa, como quando mandou o curado cumprir o que Moisés prescreveu. 14a- Jesus pediu ao curado que não divulgasse o fato. O que você vê nisso? Ensina-nos a não fazer alarde do bem que praticamos. Ele quis também evitar a exaltação popular que podia trazer uma conotação política e lhe perturbar a tranqüila atuação de missionário. 14b - O que o curado devia levar ao templo como oferta? (Cf. Lv 14,21-32) Um cordeiro, duas rolas ou pombinhos, um pouco de farinha de trigo e óleo de oliva. 14c - Jesus quer que a cura da lepra sirva de testemunho. Testemunho de que? Aos sacerdotes, chefes do povo, devia servir como testemunho ou prova de uma atividade própria do Messias.

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Lições de vida 12 - Se quiser, o Senhor pode curar-me! Palavra de confiança e entrega total à vontade e à misericórdia de Jesus. O leproso não exige, não força. Apenas suplica e deixa a decisão a critério de Jesus. Chama-o de Senhor não provavelmente por reconhecê-lo Deus, mas como título honorífico. 13 - A lei do Levítico 13 proibia a aproximação de um leproso pelo perigo do contágio. Jesus nunca se distancia de quem o procura. Com suas mãos, toca o leproso. Não admite que alguém fique excluído de sua comunidade por lei. Não são as exterioridades que tornam o homem puro ou impuro, mas o mal que procede do coração. O conceito levítico de pureza e impureza está superado no Evangelho. O pecado é nossa lepra. Oração Senhor, o pecado é a lepra que continua infectando o mundo. Cure-nos, Senhor, perdoando nossos erros e fazendo que fujamos de todo mal. Também que não façamos alarde do bem praticado, nem nos deixemos envaidecer pelos aplausos e louvores que só são devidos a Deus. E que saibamos achar tempo para a oração a sós com o Pai. O leproso, em sua oração, ensina a disposição de entrega total à vontade e à misericórdia de Deus, dizendo: "Se o Senhor quiser, poderá curar-me". Senhor, conceda-me o abandono nas mãos da Providência divina para que, em tudo e sempre, seja feita a sua vontade, aqui na terra como é feita aí no Céu. Amém. Lc 5,17-26 O Paralítico (Mt 9,1-8, Mc 2,1-12)
(17)

Aconteceu certo dia que Jesus se assentou em casa de Pedro em Gafarnaum. Achavam-se também ali sentados fariseus e professores da lei ou escribas, vindos de todas as localidades da Galiléia, da Judéia e também de Jerusalém, a capital, atraídos pela fama de Jesus. O poder de Deus estava com Jesus para curar todos os doentes que chegassem a ele. (18) Apareceram então quatro homens carregando um paralítico num catre. Tentavam levá-lo para dentro, onde Jesus ensinava, e colocá-lo diante dele. (19) Mas, por causa da multidão, não encontraram jeito de introduzi-lo na sala. Subiram então ao terraço com grande dificuldade pela escada externa da casa. Do telhado retiraram umas lajotas de barro batido e com cordas pelo intervalo das traves desceram no seu catre o paralítico ao meio do povo bem em frente de Jesus. (20) Vendo a fé em Deus daqueles cinco homens e a confiança em Jesus, o Mestre disse ao paralítico:

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- "Amigo, seus pecados estão perdoados".
(21)

Os professores da lei e os fariseus começaram a comentar entre si:

- "Quem pretende ser esse homem que está injuriando a Deus com uma blasfêmia? Não é só Deus que pode perdoar pecados?".
(22)

Jesus no seu espírito penetrando sobrenaturalmente o pensamento deles perguntou-lhes: - "Por que é que vocês estão pensando que eu injurio a Deus? proponho que me respondam:
(23)

Pois eu lhes

que é mais fácil dizer: 'seus pecados estão perdoados', ou dizer: 'levante-se e ande'? (24) Vocês julgam que dizer: 'seus pecados estão perdoados' é mais fácil porque ninguém pode provar que os pecados realmente foram perdoados. Pois bem. Para que saibam que o Filho do Homem tem poder de perdoar pecados na terra, vou fazer o que julgam mais difícil". Voltou-se para o paralítico e disse-lhe: - "Eu lhe ordeno, levante-se, tome seu catre e vá para a sua casa".
(25)

No mesmo instante, diante dos olhos de todos, o homem se levantou, tomou o catre onde estava deitado e foi para casa, agradecendo e glorificando a Deus. (26) Todas as pessoas que presenciaram o fato ficaram tomadas de assombro e também glorificavam a Deus. Profundamente impressionadas, diziam: "Que coisa prodigiosa vimos hoje!". Questionário 17 - Jesus estava ensinando na casa de quem? (Cf. Mc 2,1) Mc 2,1 di z que Jesus "estava em casa". Ora, ele morava na casa de Pedro. 18 - Quantos homens carregavam o paralítico? Mc 2,3 di z que eram quatro. 19 - Como era o teto das casas? "A camada superior do teto consistia em espinheiros e ramagens para defesa contra animais. Seguia-se uma camada de barro batido como lajotas ou de madeira para protegê-la contra as fortes chuvas; e, finalmente, as traves de madeira a pouca distância uma das outras" (Lapple). 21a - Quem são os fariseus e os professores da lei ou escribas? Fariseus eram uma seita religiosa judaica. O nome significa "separados", porque eles não se aproximavam dos que julgavam impuros. Inimigos de Jesus, que consideravam liberal, levaram Pilatos a condená-lo. Pretendiam ser os verdadeiros intérpretes do judaísmo. Aferrados às tradições às quais davam força de lei, propagavam a mais rigorosa observância exterior da lei. Gozavam de grande prestígio entre o povo, do qual eram os líderes religiosos leigos. Mateus 23 condenalhes a hipocrisia (pura observância externa da Lei) e o orgulho (julgavam-se

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perfeitos). Desprezavam o povo sem cultura. Aplicavam-se seriamente ao estudo da Escritura. Os escribas eram fariseus professores da lei. 21b - Onde se apoiavam para tachar Jesus de blasfemo? (Cf. Is 43,25) Deus disse: "Sou eu que apago as tuas transgressões por amor de mim e já não me lembro de teus pecados" (Is 43,25). Para os judeus, atribuir-se uma prerrogativa de Deus era como blasfemar contra ele. Sendo o pecado uma injúria contra Deus, só o injuriado pode perdoar, ensinavam. 23 - O que os fariseus julgavam mais fácil? Parecia-lhes fácil perdoar os pecados com uma palavra porque ninguém podia provar o cancelamento da culpa. Mais difícil seria curar com uma palavra. 24a - Onde se encontra o título original de "Filho do Homem" e que sentido tem? Encontra-se em Daniel 7,13-14 e indica o Messias como homem cujo reinado será eterno, dando a entender que não se trata de um simples homem. 24b - O que Jesus provou perdoando pecados? Se só Deus pode perdoar pecados, Jesus provou claramente que possui essa prerrogativa divina; provou ser Deus. Lições de vida 18 - Os quatro homens são um exemplo de solidariedade com o infortúnio alheio; superam todos os obstáculos; não desistem diante das dificuldades; fazem tudo o que podem pelo outro. Até hoje são quatro os homens que conduzem os paralíticos da fé a Jesus. Chamam-se Mateus, Marcos, Lucas e João. 20 - A nossa fé pode beneficiar outros e provocar a intervenção de Deus em favor deles. Pode obter graças em favor de terceiros, mesmo descrentes. A misericórdia de Deus não tem limites. S. Agostinho diz: "a justificação de um ímpio é obra maior que a criação do universo!". Jesus curando primeiro o pecado ensina que a pior enfermidade é o pecado, nossa paralisia espiritual. 21 - Os fariseus queriam que todos se submetessem à interpretação que eles davam da lei. Jesus escapa-lhes das mãos porque prega um reino onde os homens não estarão unidos a ele por uma conformidade exterior, mas pelos laços da fé do coração. A fé mostra ao homem o seu pecado e o abre à misericórdia de Deus. Crer é dar o coração. Oração Senhor, acenda em mim a disposição de levar os paralíticos da fé até Aquele que os pode curar, com a mesma determinação daqueles quatro homens que não recuaram diante das dificuldades. E se for a minha fé que fraquejar, que eu me deixe levar até o Senhor pelos quatro evangelistas. Peço também a graça de compreender que a maior paralisia humana é o pecado na consciência.

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Obrigado, Senhor, por tantas vezes que recebi o perdão dos meus erros. Por isso, como aquele povo entusiasmado, vou glorificar a Deus em toda a vida. Senhor, que minha fé seja dar-lhe meu coração sem reserva. Amém. Lc 5,27-32 Vocação de Levi
(27)

Depois disso, Jesus, ainda em Cafarnaum, saiu de casa na direção do Lago de Genesaré. Viu um publicano, isto é, um cobrador de impostos, chamado Levi ou Mateus, sentado na coletoria da alfândega. Jesus o chamou: - "Segue-me".
(28)

Levi levantou-se, deixou sua profissão e tudo o que tinha; numa mudança radical de vida, seguiu Jesus na qualidade de discípulo. (29) Antes, porém, de partir, ofereceu em homenagem a Jesus um grande banquete em sua espaçosa casa. À mesa com Jesus foram convidados também muitos cobradores de impostos, detestados pela sociedade, e várias outras pessoas consideradas pecadoras por se relacionarem com os alfandegários, recostados ao lado dos apóstolos.(30) Os fariseus e os professores da Lei ou escribas, que eram do partido dos fariseus, puseram-se a criticar essa atitude de Jesus e perguntaram aos discípulos dele: - "Como é que vocês comem e bebem com esses fiscais e essas outras pessoas de má fama?".
(31)

Jesus, que ouviu a pergunta, respondeu:

- "Não são os que têm saúde que necessitam do médico e sim os doentes. (32) Eu não vim ao mundo para os que se julgam santos; vim para chamar os pecadores ao arrependimento e à mudança de vida!". Questionário 27a - Quem eram os publicanos? Eram judeus vendidos aos romanos ou ao desprezado Herodes para se tornarem cobradores de impostos, cargo sumamente ambicionado. Costumavam os publicanos pagar todos os impostos de um distrito para depois cobrarem quanto quisessem a fim de enriquecer. 27b - Como se sabe que Levi é o mesmo Mateus? O próprio Mateus se chama assim na passagem paralela, Mt 9,9. 27c - Em que cidade Levi trab alhava? Por Mt 9,1 sabemos que Jesus havia voltado "à sua cidade", que é Cafarnaum, onde morava. E em Mc 2,13 vemos que Jesus, ao sair de casa, encaminhava-se "para o mar", que é o da Galiléia.

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30 - Por que eram odiados os cob radores de impostos? Porque mantinham constante contato com pagãos, eram arbitrários em suas cobranças e muito gananciosos. Enriqueciam desonestamente. Eram tidos como pecadores públicos, escandalosos, que deviam ser evitados. Os publicanos tinham perdido todos os direitos civis, eram expulsos da sinagoga, proibidos de figurar como testemunhas; nem os mendigos aceitavam esmola de suas mãos. Quem se juntava aos publicanos e pecadores corria o risco de ser posto fora da Lei. O contato de Jesus com eles tornava-o suspeito aos olhos dos fariseus. Lições de vida 27 - O chamamento de um publicano para ser apóstolo, uma monstruosidade aos olhos de muitos, é grande prova do amor de Deus extensivo a santos e pecadores. Jesus atrai os pecadores ao arrependimento para o joio se tornar trigo. Jesus quebra convenções, passa por cima da concepção de pureza legal. O pecado já não é barreira para a salvação porque, em contato com Jesus, o pecador toma consciência de seus erros, o que é disposição fundamental para o perdão. 29 - A presença de Jesus num banquete autoriza-nos a participar das festas sociais de maneira cristã. 32 - Jesus não aceita a atitude dos fariseus de se afastarem de quem eles julgam pecador. Se um médico só procurasse os sadios voltando as costas para os enfermos, ele não teria entendido o sentido de sua profissão. Jesus se apresenta como médico: veio para curar nossas mazelas e remir nossos pecados, que são as piores doenças. Os discípulos têm em Jesus o modelo para o ministério apostólico: deverão zelar para que os pecadores voltem a Deus. Agrada mais a Deus o pecador que se reconhece faltoso do que alguém que se considera perfeito. Oração Jesus, o Senhor chamou em seu seguimento como apóstolo a Mateus, homem detestado pela sociedade daquele tempo em razão da profissão tida como indigna de um ser humano. Peço que me livre de preconceitos que obscurecem a visão e impedem de descobrir as boas qualidades dos outros. Que eu aprenda a ver com o coração a fim de pôr em prática o que Paulo recomenda: "Cada um julgue que o outro é mais importante" (FI 2,3). Amém.

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Lc 5,33-39 Jesus. O Evangelho é Vida Nova (Mt 9,14-17; Mc 2,18-22)
(29)

Os fariseus, os escribas, professores da Lei, com alguns discípulos do Batista disseram a Jesus: - "Os discípulos de João Batista e os discípulos dos fariseus jejuam por devoção às segundas e quintas-feiras e fazem longas orações, ao passo que os seus discípulos comem e bebem!".
(34)

Jesus respondeu-lhes:

- "Quando as festas de casamento coincidem com um dia de jejum, os convidados do noivo não jejuam, incumbidos que são de manter a alegria do ambiente. Ora, estamos no tempo em que o Pai realiza as bodas ou aliança do Filho com a humanidade como noiva. Vocês acham que estes apóstolos, convidados para o meu enlace, podem jejuar enquanto eu, o Esposo, estou com eles? Claro que eles não jejuam nos dias que vocês, fariseus, de própria iniciativa marcaram para jejuar. (35) No dia em que eu os deixar por ser tirado à força do meio deles e levado à morte, eles de própria iniciativa serão levados a jejuar pela minha ausência".
(36)

Jesus propôs-lhes ainda outra comparação ou parábola:

- "Minha religião é como uma roupa nova, e o sistema religioso de vocês é como uma veste surrada. Ninguém tira um retalho de roupa nova para o costurar numa roupa velha. Porque, então, de um lado estragará a roupa nova e de outro lado o remendo tirado da roupa nova não ficará bem ajustado na roupa velha. Assim, a minha religião não é um remendo novo a ser posto no sistema religioso antigo, mas é uma veste toda nova. Não se pode colocar a religião cristã como remendo sobre a religião judaica. (37) Da mesma forma, ninguém coloca vinho novo ainda não fermentado em odre de couro velho. Se assim fizesse, o vinho novo, fermentando, estouraria o vasilhame velho, derramar-se-ia e o odre ficaria inutilizado. (38) Vinho novo deve ser colocado só em odres novos. Assim, minha doutrina só se assenta em mentalidade nova. (39) Depois de ter bebido o vinho velho ninguém acha bom o novo. Sempre se ouve dizer: 'o velho é melhor'. Assim, quem só pratica a religião das tradicionais exterioridades não aceita a minha nova doutrina que valoriza as práticas a partir do íntimo de cada um; acha que a velha doutrina é mais aceitável. Novo e velho não se misturam. Recebe mais depressa a fé um pagão do que um líder fariseu. Impor aos meus discípulos as austeridades das falsas tradições seria privá-los daquela santa alegria e verdadeira liberdade de quem está vivendo em companhia do Noivo em núpcias".

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Questionário 33 - Por que jejuam os cristãos? Para imitar Jesus, que "jejuou 40 dias e 40 noites" (Mt 4,2); em homenagem à sua dolorosa paixão e morte; porque o jejum é penitência que purifica o espírito e faz bem até ao corpo. O jejum é inseparável da oração, da justiça e das obras de misericórdia (Is 58,6-7). No nosso texto, Jesus disse que, quando fosse morto (v. 35), seus discípulos jejuariam. Desde a ascensão até a sua volta final, os cristãos jejuam porque o Esposo está ausente de sua companhia física. Este é um tempo de saudades. O Evangelho supõe o jejum (Mt 6,17-18). Os primeiros cristãos jejuavam: "celebravam o culto do Senhor depois de terem jejuado"; "castigo meu corpo e o mantenho em servidão" (1Cor 9,27). 34a - Quem eram esses amigos, companheiros ou convidados do noivo? Eram moços que acompanhavam o esposo formando-lhe um cortejo de honra e comitiva que devia manter a alegria durante as festas nupciais. 34b - Quanto tempo podiam durar as festas de núpcias? Até sete dias. No dia do seu casamento, Sansão disse aos seus amigos de núpcias: "Proponho-vos um enigma; se nos sete dias do banquete me souberdes decifrar..." (Jz 14,12). "Festejaram-se as bodas (de Tobias) durante sete dias" (Tb 11,20). 34c - A quem Jesus se refere como "esposo" e como "companheiros de núpcias"? O esposo é ele mesmo, Jesus, que veio ao mundo para realizar sua união indissolúvel com a humanidade como esposa. Os "companheiros de núpcias" são os apóstolos que ele escolheu para segui-lo. 35 - Que significa "o esposo lhes será tirado"? Indica que Jesus será morto violentamente. O jejum dos discípulos os une à paixão do Senhor. 36-37 - Que representam aqui roupa velha ou nova, odre velho ou novo, vinho velho ou novo? Roupa velha e odre velho são as pessoas incapazes de renovar a própria mentalidade. Vinho velho é a religião judaica, interpretada pelos fariseus com as austeridades impostas por falsas tradições, o agarramento à letra da Lei e às práticas exteriores. Roupa e odre novos são aqueles que se renovam pelo Evangelho. Vinho novo é a Boa Nova do Evangelho que aperfeiçoa a Lei velha. Lições de vida 34 - Jesus quer que o tempo da salvação seja vivido em clima de alegria, como é próprio de um festim nupcial. 36-37 - O Evangelho é renascimento, é reforma no modo de pensar, é mudança interior. Não se trata de acrescentar algo novo ao antigo, nem se trata de modernizar observâncias antigas, nem de se afastar dos pecadores. Nada mais difícil do que uma mudança interior que exige o desprendimento de si próprio e um relacionamento íntimo e pessoal com Jesus.

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Paulo admoesta os cristãos: "caminhemos numa vida nova" (Rm 6,4); "fomos emancipados da Lei, somos servos, mas sob um novo regime espiritual, e não mais sob o antigo regime da letra"; "se alguém estiver em Cristo, é uma nova criatura; as realidades antigas passaram; ei-las que novas surgiram" (2Cor 5,17). Oração Jesus, o Senhor quis tornar-se esposo da humanidade, de tanto que nos ama. Desde a Encarnação criou conosco um laço tão estreito e forte que ninguém poderá romper. Peço a graça de viver tão unido ao Senhor, que nem o mundo nem o inferno me impeçam de crescer nesta santa e divina intimidade. Amém.

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CAPÍTULO 6 Lc 6,1-5 Espigas colhidas no sábado (Mt 12,1-8; Mc 2,23-28)
(1)

Certo sábado, dia do descanso, Jesus e seus discípulos atravessavam uma plantação de trigo. Os discípulos puseram-se a colher espigas, debulhá-las nas mãos e comer os grãos para matar a fome. (2) Alguns fariseus perguntaram em tom de reprovação: - "Por que vocês fazem o que é proibido no dia do descanso?".
(3)

Jesus respondeu-lhes:

- "Acaso vocês não leram na Escritura, em 1Sm 21,5, o que fez Davi, modelo de retidão, quando ele e seus companheiros, fugindo de Saul, tiveram fome? (4) Não leram que Davi entrou na casa de Deus, o templo de Jerusalém, tomou os pães sagrados da proposição pelas mãos do sacerdote Aquimelec, comeu-os e os deu também aos seus companheiros? No entanto, desses pães só os sacerdotes podem comer. Se o sumo sacerdote Aquimelec, contra a Lei, deu a Davi e seus companheiros o pão sagrado numa emergência de fome, quem são vocês, fariseus, para proibir aos meus discípulos matar a fome debulhando um punhado de trigo e transgredindo não a Lei, mas a tradição de vocês?".
(5)

E acrescentou:

"Eu, o Filho do Homem, maior do que Davi (Mt 22,45), sou o Senhor também do dia do descanso, tenho autoridade sobre a Lei do sábado". Questionário 1 - Cite a lei que facultava a um faminto colher espigas em roça alheia. "Quando entrares na seara de trigo do teu próximo poderás colher espigas, mas não usarás a foice" (Dt 23,25). 2 - Cite a lei do repouso a que se referem os fariseus. Sab iam interpretá-la? "No 7º dia, que é um repouso em honra do Senhor, teu Deus, não farás trabalho algum" (Ex 20,10; 34,21). Por interpretação excessivamente rigorista, os fariseus proibiam até as mínimas atividades que tivessem aparência de trabalho, como acender o fogão, apanhar umas espigas com as mãos, cuidar de um enfermo, a não ser em perigo de morte (Cf. 6,6). 3 - Encontre na Bíb lia esse episódio. (Cf. 1 Sam 21) Acha-se em 1Sm 21,6 (antigo 1Rs 21,6). 4 - Que eram os pães da proposição? (Cf. Lv 24)

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CAPÍTULO 6

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Eram 12 pães colocados (propostos) diante de Deus, durante uma semana, no santuário, como homenagem e oferta de cada uma das 12 tribos de Israel. Cada sábado eram substituídos por novos sobre uma mesa de ouro. Só aos sacerdotes era permitido comê-los (Lv 24,5-9). Lições de vida 3 - Jesus sempre toma a defesa dos acusados pelos fariseus como transgressores de alguma tradição. Ele é realmente "nosso advogado perante o Pai" (1Jo 2,1). 4 - Jesus é humano e interpreta a lei de Deus sempre de modo favorável ao homem. Não se prende à letra, mas à intenção e à vontade de Deus. A lei de Deus visa libertar e não oprimir o homem. A compaixão pelo homem faminto tem mais valor do que o cumprimento duma lei ritual (o caso de Davi) ou duma lei disciplinar (o caso dos apóstolos). A misericórdia está acima dos sacrifícios rituais do templo (Os 6,6; Mt 12,5-7), e a lei natural da sobrevivência tem direitos acima das leis litúrgicas e disciplinares. 5 - Com Jesus irrompe o tempo da salvação. Ele utiliza seu poder divino só para salvar o homem. Põe o dia santificado a serviço do homem. O legalismo sufoca o espírito da lei. Jesus desmantela o rígido perfeccionismo dos fariseus. O dia do Senhor é de alegria, de lazer, de fraternidade, de oração. Oração Senhor, peço que me livre de todo julgamento apressado. Que eu não caia no defeito de interpretar desfavoravelmente qualquer atitude ambígua dos outros. Obrigado, Senhor, por estar sempre em defesa dos mais fracos e dos injustamente acusados. Que eu aprenda do Senhor a ser mais misericordioso do que justo. Amém. Lc 6,6-11 O homem da mão atrofiada (Mt 12,9-14; Mc 3,1-6)
(6)

Noutro sábado, dia santificado, entrou Jesus na sinagoga, casa de oração, e se pôs a ensinar, conforme seu costume. Achava-se ali um homem, cuja mão direita era atrofiada. (7) Os mestres da Lei e os fariseus observavam-no com maliciosa avidez de descobrir nele alguma falta, particularmente se fazia curas no dia santificado. Assim teriam motivo de acusá-lo como transgressor da Lei. Segundo eles, curar era trabalhar e, portanto, uma atividade proibida em dia de sábado, a não ser no caso de salvar uma vida. Por isso, proibiam, por exemplo, encanar uma perna quebrada, derramar água num membro machucado... (8) Jesus, no entanto, percebendo seus pensamentos e com que intenção o observavam, disse ao homem da mão atrofiada:
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- "Levante-se e fique em pé aqui no meio de todos". O homem pôs-se de pé e foi para junto de Jesus, (9) que disse aos presentes: - "Eu lhes pergunto: nos dias festivos é permitido fazer o bem ou se pode deixar de praticá-lo, cometendo assim uma omissão? Pode-se salvar uma vida, ou, por causa do dia santificado, deixar que ela se arruíne?".
(10)

E Jesus fixou o olhar em todos que estavam em seu redor. Mas ninguém abriu a boca para dizer uma palavra. Pois, se dissessem que é lícito praticar uma obra boa, concluiriam que Jesus curando não violaria a Lei; se dissessem que não é lícito fazer uma obra boa, estariam afirmando que no dia santo se deve omitir o bem, praticando assim o pecado de omissão. Foram constrangidos a calar-se. Então Jesus disse ao homem da mão atrofiada: - "Estenda a sua mão!". Ele a estendeu e a mão adquiriu seu estado normal.
(11)

Os fariseus e os professores da Lei ficaram enfurecidos e passaram a planejar o que fazer para acabar com Jesus. Romperam definitivamente com ele. Questionário 9 - O sáb ado era só dia de descanso? Para os judeus o sábado não era só o dia do descanso. Era também o dia do Senhor, dia de fazer o bem, dia da alegria, dia de festa, dia do estudo da Lei na sinagoga, dia de boas obras em benefício dos sofredores, dia em que sempre reservavam um pouco de comida para os peregrinos necessitados, dia de oração e de glorificar a Deus em suas criaturas. As tradições farisaicas destruíram o sentido de se fazer o bem aos outros no dia do Senhor. 10 - Por que os fariseus nada responderam? Se dissessem que é lícito fazer o bem no sábado, estariam consentindo que Jesus curasse; se dissessem que não é lícito, estariam exorbitando da Lei. Então, preferem guardar silêncio diante do desafio de Jesus e firmarem-se na posição de não reconhecer o próprio erro. Para eles, Deus é o Deus da Lei, enquanto para Jesus é o Deus da misericórdia. - Examinar como passamos o dia do Senhor. Lições de vida 9 - Com sua firme atitude e com suas palavras, Jesus ensina que recusar fazer um bem já é cometer um mal. É o pecado de omissão, talvez o nosso pecado mais freqüente. 10 - Jesus ensina que o homem é maior do que a lei. A lei é feita para o homem e não o homem para a lei. Jesus coloca a solidariedade humana e a fraternidade acima de todas as observâncias exteriores de culto. Faz entender que no dia do Senhor devemos não
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CAPÍTULO 6

apenas salvar uma vida em perigo, como ensinavam os fariseus, mas simplesmente praticar qualquer boa ação. 11 - Os fariseus condenam em Jesus a cura feita no dia santo, mas eles, que se julgavam os puros, rompem definitivamente com Jesus e até planejam matá-lo. Apontam um cisco no olho do irmão, sem verem a trave do próprio olho. Não raciocinam mais; sua mente e seu coração estão bloqueados pelo preconceito contra Jesus. A obstinação fecha o caminho da verdade. Os preconceitos e antipatias abrem caminho a erros piores do que aqueles que condenamos nos outros. Oração Senhor, eu me vejo como esse homem de mão atrofiada, toda vez que não a estendo para ajudar, para erguer, para defender, para amparar, para acariciar, para impedir uma queda, para uma boa obra. Peço que me ajude a ter sempre a mão estendida para tudo o que glorifica a Deus no próximo. Principalmente no dia santificado, que eu saiba pensar mais nos outros do que em mim mesmo. Amém. Lc 6,12-19 Vocação dos 12 apóstolos. Curas (Mt 10,1-4; 4,23-25; Mc 3,13-19)
(12)

Naqueles dias, depois do conflito com os líderes judeus que pretendiam matá-lo, Jesus subiu a um monte para orar a sós. Passou a noite inteira em oração ao Pai para obter a proteção em favor dos novos líderes que ele, para o povo da nova Aliança, iria escolher. (13) Quando amanheceu, chamou os numerosos discípulos que o vinham seguindo como Mestre e dentre eles escolheu 12 para viverem unidos a ele com vínculos mais estreitos, e para instruí-los e associá-los a si na obra de fundar e propagar o novo Reino de Deus, a comunidade eclesial. Deu-lhes o nome de apóstolos, que quer dizer enviados como testemunhas, missionários. (14) São estes: primeiro Simão, a quem deu também o nome de Pedro, e seu irmão André; Tiago Maior e seu irmão João; Filipe, Bartolomeu,(15) Mateus e Tomé; Tiago Menor, filho de Alfeu; Simão, chamado zelota ou nacionalista; (16) Judas Tadeu, filho de certo Tiago; e Judas Iscariotes, que se tornou traidor.
(17)

Jesus desceu do monte com os apóstolos e discípulos e deteve-se num campo. Ali encontrava-se grande multidão com outros discípulos. Era gente de toda a Judéia e de Jerusalém ao sul, e da cidade de Tiro e de Sidon, que ficam rente ao mar ao norte. (18) Tinham vindo para ouvi-lo e para ser curados de suas enfermidades. Também os que eram molestados por espíritos maus, os demônios, ficavam curados. (19) Todos queriam tocar com as mãos na sua pessoa, porque dele emanava uma força que curava a todos.

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Questionário 12 - Qual a grande lição desses versículos? Uma das características de Lucas é apresentar-nos Jesus orando antes ou durante os momentos mais decisivos de sua vida ou mesmo por necessidade de falar com o Pai. Ele nunca assume nenhuma atitude sem falar com o Pai! Assim aconteceu no seu batismo de João (3,21); para se furtar ao entusiasmo popular (5,16); antes de falar de sua morte (9,18); na transfiguração (9,28); antes de ensinar a orar (11,1); e antes da Paixão (22,41. 45). 13 - O que significa apóstolo? No sentido mais amplo da palavra, só esses 12 são apóstolos? Apóstolo significa enviado especial; missionário; mensageiro de Jesus investido de poderes dele; testemunha de seus ensinamentos, de suas atividades, de sua Paixão, de sua Morte e de sua Ressurreição (At 1,1s; Lc 24,36-49; 1Cor 15,6-8; Gl 1,11). Esses 12 serão apóstolos no pleno sentido da palavra, porque deverão abandonar tudo e prosseguir a missão de Jesus em tempo integral. Mas todos os cristãos, pela força do batismo, "têm sua parte na tarefa de disseminar a fé" (Conc. Ec. Vat. II nº 944); a eles cabe de maneira especial iluminar e ordenar de tal modo todas as realidades temporais, às quais estão intimamente unidos, que elas continuamente se façam e cresçam segundo Cristo, para louvor do Criador e Redentor (Conc. Ec. Vat. II nº 31). O primeiro Missionário, o primeiro grande enviado do Pai foi Jesus (Jo 3,17. 34). 14a - Que quis significar Jesus ao mudar o nome de Simão? Quis dizer que irá confiar-lhe a missão própria e especial de ser a primeira pedra firme na Igreja, o primeiro papa. 14b - Nas quatro listas dos apóstolos (Mt 10,2-4; Mc 3,16-19; Lc 6,14-16, At 1,13) não aparece Natanael, mencionado por João (1,45-51; 21,2) entre os apóstolos. Como se explica? A tradição cristã identifica Natanael com Bartolomeu (= filho de Tolomeu). Dois nomes eram freqüentes, como Simão Pedro; Tiago e João, os Boanerges; Tomé Dídimo (= gêmeo); Mateus Levi. Lições de vida 12a - Dessa oração de Jesus vem a praxe da Igreja de jejuar, rezar e promover orações antes de conferir ordens sacras. 12b - O antigo povo de Deus era estruturado sobre o fundamento das 12 tribos de Israel; também a Igreja de Jesus será fundada sobre 12 representantes, as 12 Pedras do Ap 21,14. Nas quatro listas dos apóstolos, Pedro ocupa sempre o primeiro lugar, confirmando sua posição de preeminência sobre todo o colégio apostólico. Além de simples pescadores, Jesus escolhe um "publicano" (Mt 10,3) e um "zelota" (Lc 6,15), duas categorias de homens, das quais uma pactuava com os romanos, e a outra lhes era ferozmente contrária, rebelando-se com freqüência contra a
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dominação estrangeira. A vocação não depende de boa fama nem de méritos humanos. É dom gratuito. Dos 12, onze são galileus. Só Judas Iscariotes é da Judéia. 16 - "Judas Iscariotes, que se tornou traidor." Detestamos sofrer traições. Será que nunca fui traidor em matéria de palavra empenhada, em matéria de fé, de moral?... Nunca fui a causa de alguém se revoltar contra a religião? 19 - Bastava tocarem com fé em Jesus - diretamente ou em suas vestes - para que fossem curados de qualquer enfermidade. Deus se serve também da matéria como instrumento para transmitir a graça. É, portanto, legítimo o uso de relíquias, isto é, objetos que pertenceram a santos, à semelhança das vestes de Jesus, ou pedacinhos de osso de santos, principalmente mártires. Oração Ensine-me, Senhor, a ter freqüentes momentos de oração a sós com Deus a fim de que Ele participe de tudo que envolve a minha vida. Peço a graça de um grande ardor apostólico para os missionários e todos que se consagram ao ministério da Pala vra, sacerdotes ou leigos. Amém. Lc 6,20-26 Sermão da Montanha. As bem-aventuranças (Mt 5,1-12)
(20)

Jesus, erguendo os olhos para os discípulos em torno dele, deu-lhes a conhecer a natureza espiritual do Reino Messiânico com as condições necessárias para pertencer-lhe e viver na felicidade. Dizia: - "Felizes vocês, pobres, os de coração desapegado dos bens do mundo e que sentem necessidade de Deus como a maior riqueza da terra, porque é de vocês o Reino de Deus que eu vim implantar no mundo.
(21)

Felizes vocês que agora sentem verdadeiro desejo como uma fome de praticar o bem, a retidão, a justiça, mesmo sofrendo a fome e a sede do corpo, porque vocês serão saciados no banquete dos bens do meu reino. Felizes vocês que agora sentem arrependimento de seus erros e suportam resignados as aflições e sofrimentos da vida, porque sentirão a alegria de receber de Deus o perdão de seus pecados e o conforto em suas mágoas.
(22)

Felizes serão vocês quando forem odiados por minha causa, quando forem rejeitados, insultados e disserem que são maus por me seguirem. (23) Nesse dia alegrem-se e exultem, - porque será grande a recompensa de vocês junto de Deus. Pois do mesmo modo os antepassados desses perseguidores trataram os profetas, porta-vozes de Deus.

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(24)

Mas infelizes vocês que pensam não necessitar de Deus só porque são ricos. Não terão outra felicidade, porque já receberam a sua recompensa na vida presente dando aos bens o lugar de Deus.
(25)

Infelizes vocês que agora estão plenamente satisfeitos com as coisas que ambicionam neste mundo, porque na eternidade sentirão fome dos bens espirituais. Infelizes vocês que agora riem, procurando somente os prazeres passageiros do mundo, porque hão de chorar quando perderem os verdadeiros bens da eternidade. (26) Infelizes vocês quando os homens imbuídos do espírito do mundo alheio a Deus lhes elogiarem os comportamentos incorretos, porque os antepassados deles também elogiavam o comportamento dos falsos profetas e os cumulavam de honrarias". Questionário 20-26 - Por que Lucas reduziu a quatro as oito b em-aventuranças de Mateus? Lucas escreve para pagãos convertidos, a quem menos interessava a insistente referência à Lei de Moisés. Ele não muda a essência seguindo perspectiva diferente de Mateus, que escreveu para judeu-cristãos; daí o fato de voltar-se mais para a verdadeira e falsa justiça. Lucas insiste num outro tema do Antigo Testamento, a saber, que os pobres e humildes são recebidos com preferência no Reino do Messias. Os evangelistas registram de modo diferente as obras e palavras de Jesus, mas são fiéis ao mesmo significado. 20-21 - Quem são os pob res, os famintos e os que choram? Os pobres são todos os que não fazem dos bens um fim; os que têm o coração desprendido das riquezas terrenas, das quais diz santo Agostinho: "há mais coragem em desprezar o que temos do que em não ter o que desprezamos". Mas são de maneira particular os que, além de viverem na falta dos bens materiais, conservam o coração desapegado, sem ambições nem revoltas: nada tendo, vivem confiantes em Deus. Pobre é também a pessoa que fez opção pela pobreza como um valor evangélico. Os famintos, para Mateus 5,6, são os que têm fome e sede de justiça em toda a dimensão da palavra. A fome do corpo é apenas uma faceta da maior fome humana que é de justiça, ou seja, de ver a vida de todos orientada segundo Deus, onde não triunfe a corrupção, mas reine o plano traçado por Deus com a perfeição da virtude. Os que choram são os que têm os corações atribulados por dores, decepções, amarguras e tristeza por ver o mundo caminhando em desordem, ou os pesarosos e arrependidos dos próprios erros e pecados. Lições de vida 20 - A primeira bem-aventurança dos pobres de coração destrói a concepção de ser a riqueza o prêmio das boas ações, e a pobreza, a punição divina do mal cometido. Os fariseus, de fato, amaldiçoavam os realmente pobres, humildes e ignorantes como indignos de pertencer ao povo de Deus e ao Reino do Messias. Jesus, ao
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contrário, proclama-os felizes por terem, no coração desprendido, a melhor condição para acolher o Reino Messiânico. Mas o realmente pobre dos bens materiais pode cair na cobiça de riquezas ou ser invejoso de quem as possui. Ao rico é possível ser pobre no sentido do Evangelho: é o pobre pelo espírito, pobre em cujo coração Deus ocupa o primeiro lugar; não apóia sua vida terrena no bem-estar nem nas garantias e seguranças do mundo, mas faz de Deus o seu tesouro. A pobreza é atitude fundamental para o Reino de Deus na terra. Os pobres, os famintos, os que choram são os mesmos, desprezados no tempo, mas a quem Jesus abre o coração. Oração Sei, Senhor, que quanto mais desimpedido estiver meu coração, mais lhe pertencerá. Por isso, das bemaventuranças peço a mais necessária: que eu chegue a amar o desapego dos bens perecíveis da terra, para que consiga ter Deus como a maior riqueza da vida e o único tesouro que não perece. Amém. Lc 6,27-35 Amar os inimigos (Mt 5,38-48; 7,12)
(27)

A vocês todos que se tornam desde agora membros do Reino de Deus porque me ouvem, eu conclamo: amem seus inimigos, façam o bem a quem odeia vocês. (28) Desejem e falem bem daqueles que odeiam e falam mal de vocês. Orem por aqueles que caluniam ou difamam vocês (29) A quem ferir você numa face, ou seja, fizer uma ofensa, ofereça a outra face não retribuindo com igual ofensa. Se alguém tomar o seu paletó, permita que leve também a camisa, porque, para conservar o amor, muitas vezes é necessário sacrificar alguns bens temporais.(30) Ajude todo aquele que pedir algum favor, mesmo sendo um inimigo, embora não seja necessário fazer tudo o que for pedido. E quando alguém usar o que é seu, não peça de volta. (31) Não basta não fazer o mal. Vou dar-lhes a regra de ouro: façam aos outros o que querem que façam a vocês. (32) Que o amor seja desinteressado: se vocês amam só aqueles que amam vocês, que recompensa merecem de Deus? Até as pessoas de má fama amam aqueles que as amam. (33) E se fazem um benefício somente a quem o faz a vocês, que recompensa merecem de Deus? Até mesmo os de má reputação agem assim. (34) E se fazem um favor ou emprestam somente àqueles de quem esperam receber com vantagem o retorno, que recompensa merecem de Deus? Até as pessoas de má conduta emprestam aos de má conduta para receber de volta o que emprestaram ou fizeram. (35) Muito ao contrário, vocês devem amar até seus inimigos; fazer fa vores e emprestar aos outros sem esperar compensação. Deste modo será grande a recompensa de vocês junto de Deus, e vocês serão filhos do Altíssimo, porque ele é bom até com os ingratos e maus.

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Questionário 29a - Traduza com palavras fáceis as expressões metafóricas "ferir numa face", "oferecer a outra" e "tirar a capa". "Ferir na face" implica uma injúria pessoal; "oferecer a outra" é não opor resistência, não revidar; "tomar a capa" é lesar-nos em algum bem material. 29b - Essa norma de Jesus anula que lei do Antigo Testamento? Anula a Lei do Talião: "olho por olho, dente por dente". (Cf. Ex 21,24; Lv 24,20; Dt 19,21) 30 - Jesus manda não reclamar o que nos foi tirado. Isso não ab re a porta para a invasão da injustiça? Essa inaudita exigência de Jesus parece descabida; parece um incentivo para os instintos perversos dos maus; parece uma abdicação dos nossos direitos sagrados. Sempre entendemos que se deve opor resistência ao mal. Jesus, porém, anuncia que o mal só é vencido pela prática do bem e que assim é o Reino de Deus. O Evangelho inquieta, sacode, transforma. 31 - Qual é a Regra de Ouro do Evangelho? A Regra de Ouro, um dos fundamentos do Evangelho e da convivência humana ideal, é: "Façam aos outros o que querem que façam a vocês". Deveria estar gravada em todas as instituições, em todas as casas, em todos os corações. Bastaria esse mandamento bem vivido para termos um outro mundo, uma humanidade fraterna segundo o ideal do Criador. O "não faça" do Antigo Testamento e da sabedoria humana diz o que não se deve fazer; basta nada fazer de mal. O preceito de Jesus é positivo; fala do bem que se deve ter em mira; exige que se tome a iniciativa de prestar um favor que se deseja para si mesmo. Deixar de fazê-lo já é lamentável omissão da parte do cristão. Nossa auto-estima torna-se a lei. (Cf. Tb 4,16) 35 - Quem merece o nome de filho de Deus? É quem pratica o bem pelo prazer do bem, sem distinção a bons e maus. Lições de vida 27 - Porque queremos ver a pessoa pagar o mal que praticou, o amor aos inimigos é o mais difícil preceito do cristianismo. Só é possível vivê-lo com a ajuda da graça. Mas não é impossível esse grau heróico de amor que Jesus demonstrou ao pedir perdão, na cruz, em favor dos que o matavam (Lc 23,34). 27-28 - Já a lei antiga mandava amar o próximo como a si mesmo (Lv 19,18). Mas entendiam por próximo só o da mesma tribo, da mesma nação, da mesma estirpe (descendente de Abraão) e da mesma religião. O "odiarás o teu inimigo" não constava da Lei; mas entrou na vida prática em virtude da falsa interpretação dos rabinos e formou a mentalidade dos judeus. Odiavam os israelitas infiéis à Aliança (hereges), os samaritanos; os publicanos, os pagãos, os estrangeiros. Os preceitos de não oprimir os estrangeiros (Ex 22,21; Dt 10,19) e de amá-los como a si mesmo

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(Lv 19,33-34) eram interpretados como se referindo aos peregrinos que se estabeleciam em território israelita e que se circuncidavam (prosélitos, simpatizantes da religião judaica). Jesus aperfeiçoa a Lei Antiga e corrige o espírito de inimizade: elimina não só o ódio, mas o inimigo! Às quatro maneiras de nos prejudicar (quem nos odeia, persegue, amaldiçoa, calunia) contrapõe quatro atitudes: amar, orar, abençoar e retribuir o bem. O amor ao inimigo, de certo modo, encontrava-se na Lei Velha (Ex 23,4-5), como em Pr 25,21: "tem fome teu inimigo? dá-lhe de comer; tem sede? dá-lhe de beber", mas nunca foi bem entendido e praticado. Jesus foi o primeiro a promulgar a doutrina do amor ao inimigo, que os apóstolos tão bem assimilaram (Rm 12,14; 1Pd 3,9). Por isso, Tertuliano disse: "Amar os amigos é de todos. Amar o inimigo é só de Cristo". E Jesus nos aponta três razões que nos induzem a amar os desafetos: 1) para imitarmos a Deus; 2) para merecermos recompensa; 3) para sermos mais do que os pagãos. Aliás, Sêneca, um pagão, deixou escrito: "Se queres imitar os deuses, faze benefícios também aos ingratos, pois o Sol nasce também para os maus, e o mar se oferece até aos piratas!". 27-35 - Jesus está aqui regulamentando a lei que resume toda a Bíblia: "Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo" (Lc 10-27). Para ele, próximo é todo homem, sem nenhuma discriminação possível, mesmo o inimigo. Ele quer que a caridade vá além do perdão que já se supõe imprescindível. Quem ama coloca-se a serviço do inimigo, ao menos orando por ele. Amar é viver para o outro! 29-35 - O que há de mandamento nessas linhas é: 1) que não nos vinguemos; 2) que estejamos dispostos a outra ofensa mais do que exigir reparação pela ofensa recebida; 3) que estejamos dispostos a renunciar a um direito se a caridade ou a glória de Deus o requer. Ghandi escreveu: "Não olho por olho, dente por dente, mas disponibilidade em aceitar duas bofetadas quando te derem uma só, e andar dois quilômetros se te pedirem para andar somente um!". Oração Senhor, amar os inimigos é o que mais choca a natureza humana, fortemente inclinada a desejar que o inimigo seja castigado pelo mal que pratica. O que o Senhor nos pede é o ensinamento que mais distancia o Antigo do Novo Testamento. É o que mais contradiz a mentalidade comum. Se o Senhor se limitasse a pedir que não nos vinguemos de quem nos prejudica, ainda vai; mas o Senhor quer que o amemos. Creio que neste caso amar é tratar bem a pessoa. Até aí dá para chegar, porque posso tratar bem sem gostar dela. Como faço para gostar de quem me olha com maldade no coração? Por outro lado, sei que o Senhor gostava até de Judas, sabendo-o seu traidor. E pediu ao Pai que perdoasse a quem o condenou e torturou o Senhor. Estou longe desse abismo de amor, Senhor. Conceda-me o dom do Espírito Santo, sem o qual não saio da minha

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pequenez, mas com o qual consigo tentar amar como o Senhor amou! Amém. Lc 6,36-42 Misericórdia. Gratuidade. Julgamento. Hipocrisia (Mt 7,1-5; Mc 4,24)
(36)

Sejam misericordiosos tendo compaixão uns dos outros, como o Pai de vocês é misericordioso e tem compaixão de todos. (37) Não julguem os outros e vocês não serão julgados no tribunal de Deus. Não condenem os outros e vocês não serão condenados por Deus. Perdoem e vocês serão perdoados por Deus. (38) Dêem aos outros o que puderem e assim Deus dará também a vocês. Será derramada no seu regaço, isto é, na dobra do manto ou da túnica como a dobra de avental que serve de bolsa, uma abundante medida, ou seja, uma recompensa além do que é devido estritamente, medida calcada, sacudida, transbordante, pois com a medida com que medirem os outros serão medidos por Deus também.
(39)

E Jesus propôs-lhes estas comparações:

- "Quem quer julgar os outros e corrigi-los deve ser irrepreensível; senão, é como um cego conduzindo outro cego. Não cairão ambos no mesmo buraco? Vocês devem seguir meus ensinamentos para conduzir os outros no caminho certo. (40) O discípulo não é maior do que o mestre (Mt 10,24; Lc 22,27; Jo 13,16), nem o aluno está acima do professor. O aluno, quando terminar sua formação, deverá tornar-se perfeito como o mestre para guiar outros com perfeição. Assim, se alguém deseja tornar-se um bom discípulo na escola da verdade, deve escolher para si um Mestre perfeito que tenha olho e veja. Pois, se o mestre está sujeito a erro, o discípulo irá pelo mesmo caminho".
(41)

“Porque é que você fica olhando para o cisco que está no olho do seu irmão, e não observa nem se importa com a trave que está no seu próprio olho? (42) Como pode dizer a seu irmão: 'Irmão, deixa-me tirar o cisco de seu olho', se você não enxerga a trave que se encontra no seu próprio olho? Hipócrita! Tire primeiro a trave que está em seu próprio olho. Então, sim, enxergará melhor para tirar o cisco do olho de seu irmão". Questionário 36 - Quem é misericordioso? E quem se deixa comover pelas misérias alheias, se compadece, é aberto às necessidades dos outros, intervém para ajudar, desculpa os erros alheios, se inclina a perdoar, não se erige em juiz de ninguém, não condena nem fala mal. Procurar saber se o outro merece amor já é violar a lei do amor.

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37a - Jesus não proíb e aqui a ação judicial de julgar? Jesus não trata aqui da ação do poder judiciário exercido pela autoridade competente no contexto social, mas se refere ao julgar no pensamento ou palavras fora do encargo específico. 37b - O perdão deve ser dado indiscriminadamente? Nem Deus nos perdoa se não tomarmos consciência do nosso erro, se não nos humilharmos diante duma queda moral. Aqui recomenda Jesus que sempre tenhamos a disposição interior de dar o perdão a quem nos pede. É o procedimento de Deus-Pai para conosco. 39 - Que quer ensinar Jesus com a parábola dos dois cegos? Ensina que quem quer julgar os outros e corrigi-los deve ele mesmo ser irrepreensível. E que, para não sermos cegos, devemos seguir os ensinamentos do Evangelho. 40 - Que ensina Jesus nessa comparação do discípulo e do mestre? Quer inculcar que, se queremos, como discípulos, entrar na escola da Verdade para guiarmos os outros na perfeição, devemos escolher para nós um Mestre perfeito, que saiba ver tudo bem. Pois se o mestre não está isento de erros, o discípulo seguirá pelo mesmo caminho. Para instruir os outros, faz-se necessário ser instruído na doutrina de Jesus, o Mestre por excelência, e o único perfeito. 41-42 - Que quer dizer Jesus com a comparação do cisco e da trave? Fustiga o vício de quem não se contenta em criticar e condenar, exagerando sem dó as menores faltas alheias, sem ligar importância para os próprios erros, muito maiores. Jesus os chama de hipócritas, fingidos, porque aparentam zelo pelo bem e pela justiça, quando o que os move é a soberba ou o amor-próprio ferido. Se amassem a justiça, voltariam suas atenções primeiro aos próprios erros e pecados. O discípulo de Jesus, sem lentes de aumento nem hipocrisia, começando de si mesmo, deve saber examinar-se para que se liberte de seus erros. Lições de vida 37 - O erro deve ser sempre rejeitado, salvaguardando a dignidade da pessoa que erra. Só Deus vê o coração, a intenção. Por isso Jesus nos proíbe de julgar a culpa interior, isto é, proíbe um julgamento considerado somente a partir do exterior, das aparências. A culpa do outro poderia ser um obstáculo à minha misericórdia. Jesus ensina a superar essa dificuldade perdoando. Perdoando, destruo as barreiras entre mim e o outro. Jesus nos exorta a manter-nos longe daquele prurido, muito próprio dos fariseus, de criticar e condenar as ações ou atitudes dos outros. O julgamento proibido é o pensar mal dos outros sem fundamento, o interpretar tudo com negativismo sistemático e condenar por espírito de ódio ou inveja. Jesus não quer que sejamos juizes severos ou perversos do próximo, para podermos merecer misericórdia no julgamento de Deus, pois seremos medidos com a medida que usarmos para os
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outros. O que leva a amarmos sem condições é Deus, é Cristo. O êxito do nosso próprio julgamento final está em nossas mãos. Para quem perdoa, o dia do juízo será de abundante colheita. 38 - Deus recompensa não na base da justiça humana, mas ele dá infinitamente mais do que damos e merecemos. Quem não perdoa nem dá, nada pode esperar de Deus. 39 - Quem não exerce a autocrítica é cegado pelas próprias faltas e se torna incapaz de reconhecer a bondade nos outros. 39-42 - Mau guia é quem carece de luz. Mau mestre é quem carece de perfeição. Mau modelo é o inautêntico. Jesus é a resposta à necessidade de um guia a seguir, de um ideal a atingir, de um modelo a imitar. O mundo deve ser criticado e mudado. Mas a tarefa crítica corre dois riscos: 1) de usarmos dois pesos e duas medidas, uma para nós e outra para os demais, com quem podemos ser mais rigorosos e impacientes do que Deus; 2) a hipocrisia de usarmos palavras da própria Bíblia para pôr os outros em discussão, não a nós mesmos (Missal Quotidiano p. 1.060). Oração Senhor, necessito aprender a lição da misericórdia tendo compaixão de quem sofre dores ou amarguras, sabendo ajudar quem necessita, desculpar os erros alheios, ter a disposição interior de perdoar ofensas, não passar indiferente diante de quem pena. Necessito aprender a não me erigir em juiz fácil de ninguém, a não condenar, porque nem o Senhor veio ao mundo para condenar e sim para recuperar. Que eu tenha os olhos abertos para os meus erros numa franca autocrítica, e fechados para os dos outros. Amém. Lc 6,43-49 A verdadeira espiritualidade. Boas obras (Mt 7,16-27; 12,33-35)
(45)

Realmente não existe árvore boa que produza frutos ruins, nem árvore má que dê frutos bons. (44) Portanto, pelo fruto se conhece a árvore. É pelas suas ações e atitudes que se conhece se alguém é bom ou mau. Quem tem a trave no olho é árvore má: não pode dar bons frutos nem pode converter os outros, senão somente escandalizá-los com seu mau procedimento. Ninguém pretende colher figos de um espinheiro, nem se apanham uvas de urtigas. Da mesma forma, como pretenderá alguém corrigir outros se ele mesmo leva uma vida desregrada? (45) O homem bom diz e tira sempre o bem do depósito de boas ações que constituem o tesouro do seu coração como raiz de uma árvore. Mas o homem mau diz coisas más porque há

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maldade em seu coração. Pois a boca fala daquilo de que está cheio o coração. Assim também se distinguem os meus discípulos dos falsos profetas.
(46)

Por que vocês invocam "Senhor, Senhor", e não praticam o que lhes peço? A fé deve ser comprovada pelas obras para vocês não se tornarem guias cegos ou árvores infrutíferas. (47) Vou mostrar-lhes a quem é comparável todo homem que vem a mim crendo, escuta de coração aberto a minha Palavra e a põe em prática. (48) É semelhante a um homem que, ao construir sua casa, cavou bem fundo e assentou os alicerces na rocha. Vieram as enchentes, precipitaram-se contra aquela casa da vida, e ela não desabou por estar bem construída sobre a Rocha. Assim, aquele que ouve as minhas palavras e as pratica não abala sua estrutura religiosa interior com as tempestades e enchentes da vida, porque tem seus alicerces em mim. (49) Aquele, porém, que ouve as minhas palavras e não as põe em prática na vida é semelhante ao homem que construiu sua casa ao rés do chão, sem o devido alicerce. Quando as águas das enchentes vieram contra essa casa, ela desabou. E sua ruína foi total. Assim, aquele que não fundamenta sua vida em mim, quando lhe surgem problemas, cai no desequilíbrio e na desgraça. Questionário 43-45 - A quem se dirigiu Jesus com a parábola da árvore má e do mau coração? Referia-se especialmente à hipocrisia e à malícia interior dos fariseus que se julgavam perfeitos e acompanhavam Jesus somente para contradizê-lo e molestá-lo. E a todos que imitam os fariseus. 47-49 - Aplique a nós o ensinamento dessas duas casas. As casas representam a nossa vida: só se constrói uma vez. Por isso, salvação ou condenação - isto é, casa da vida sobre a rocha ou sem alicerce - se decide neste mundo pela vivência ou não da Palavra do Senhor no Evangelho. Quem apenas ouve mas não segue, não terá forças para resistir às enchentes dos problemas e sofrimentos da vida, e sofrerá tremenda catástrofe no julgamento final. Todos os esquemas de vida que não levam em consideração a realidade essencial que é Jesus estão destinados irremediavelmente ao desmoronamento final. Lições de vida 43 - Os professores da Lei julgavam boa a ação se fosse conforme à Lei. Jesus exige que ela venha de um bom interior. O coração é a fonte dos sentimentos, que geram pensamentos, palavras, ações (boas ou más), e é a sede das decisões. Palavras e obras revelam o interior da pessoa, desmascaram o coração como os frutos mostram a qualidade da planta. 45 - Consciência em ordem e coração que transborda o bem são pressuposições para quem exerce qualquer apostolado. Nosso tesouro interior será bom se a Palavra de Jesus tomou posse do coração. 46 - Não podemos chamar Jesus de Senhor se não vivermos a sua Palavra.

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Oração Senhor, peço ajuda para encher meu coração de Deus e da sua Palavra, para que eu fale com tanta facilidade das coisas de Deus como falo das do mundo. Que transborde do meu coração a sabedoria do Evangelho, para que eu construa e faça os outros construírem a casa desta vida sobre a única rocha inabalável, e assim fiquemos livres do desabamento final. Sabemos, Senhor, que sem a sua presença não temos forças bastantes para enfrentar corajosamente as tempestades da vida, os contratempos. Fique conosco, Senhor ; por favor, fique conosco. Amém.

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CAPÍTULO 7 Lc 7,1-10 Fé do centurião (Mt 8,5-13)
(1)

Quando acabou de transmitir essas mensagens ao povo que o escutava, Jesus entrou em Cafarnaum, sua pátria de adoção. (2) Ora, um centurião romano, pagão, a serviço de Herodes Antipas (4 a.C. a 30 d.C.), governador da Galiléia, tinha um servo muito doente, quase à morte; queria-lhe muito bem. (3) Ao ouvir falar de Jesus, logo enviou-lhe alguns líderes do povo a pedir a cura do servo. (4) Esses homens chegaram a Jesus e insistiram com ele para que fosse até lá. Motivaram o pedido dizendo: "Ele é digno que o Senhor lhe conceda isto, (5) porque é amigo de nossa gente e um simpatizante do judaísmo, por sinal que nos reconstruiu inteiramente a sinagoga".
(6)

Então Jesus foi com eles. Não estava longe da casa quando o centurião mandou alguns amigos lhe dizerem: - "Não é preciso incomodar-se, Senhor, porque não sou digno de que entre em minha casa. (7) Nem mesmo achei que eu merecia ir ao seu encontro e falar-lhe pessoalmente, porque sou um pagão. Por isso é que enviei amigos em meu nome. Daí onde se acha, diga somente uma palavra, e meu empregado será curado. (8) Pois até eu, que vivo debaixo de uma autoridade superior nas pessoas do meu tribuno e do general, e que tenho um pelotão de 100 soldados às minhas ordens, digo a um 'vai' e ele vai; digo a outro 'venha' e ele vem; mando ao meu empregado 'faça isto' e ele faz, muito mais o Senhor, que não depende de homem nenhum, pode dar uma ordem à doença daí mesmo e ser obedecido imediatamente".
(9)

Ao ouvir essas palavras, Jesus ficou muito admirado, voltou-se para a multidão que o acompanhava e declarou: - "Eu lhes digo que nem mesmo no povo de Israel encontrei tanta confiança em mim como nesse pagão".
(10)

Então os enviados do centurião voltaram a casa e encontraram o criado de pé, em perfeita saúde. Questionário 2 - Que vinha a ser um centurião? Era alta graduação militar, comandante de 100 soldados do exército romano, vigilante da ordem no meio do povo da região. A legião romana compunha-se de 6.000 soldados de infantaria com 300 de cavalaria; dividia-se em 10 coortes de 600 homens cada uma. A coorte compreendia três divisões, cada uma com dois centuriões; cada centúria era comandada por um centurião.

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CAPÍTULO 7

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3 - Mt 8,5 diz que o centurião foi a Jesus pessoalmente. Contradição com Lc 7,3? Não há contradição. É maneira de os orientais se exprimirem. Eles atribuem a ação não tanto a quem a executa, mas a quem a ordena. Como o embaixador que só diz o que foi mandado: a palavra é toda do mandante. Caso idêntico é o de Mt 20,20, onde a mãe pede um privilégio a Jesus em favor dos filhos, ao passo que em Mc 10,35 são os próprios filhos (mandantes) que pedem. 6 - Por que o oficial pediu a Jesus que não chegasse em sua casa? Não só por humildade, mas principalmente para poupar a Jesus o incômodo acerca da Lei judaica da impureza que contraía quem entrasse em casa pagã. 8 - Aprecie as qualidades desse oficial. Grande humildade, reconhecendo-se indigno de receber a visita de Jesus por não integrar a comunidade de fé de Israel. Ele deposita ilimitada confiança no poder da palavra de Jesus mesmo a distância, quando os judeus julgavam indispensável o contato físico do taumaturgo com o enfermo. O oficial acolhe em sua casa o empregado e pede a Jesus um favor não para si, mas para o doente; trata-o como se fosse um filho. O oficial já havia deixado o politeísmo e se voltado para a fé e a conseqüente moral do monoteísmo de Israel. Homem temente a Deus, buscava a salvação e participava do culto na sinagoga, que ele fizera reconstruir. Sua humildade e sua bondade o tornam apto ao Evangelho de Jesus. São tão memoráveis as palavras desse pagão, que o católico, ao receber a Eucaristia, repete-as: "Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo". 9 - Em que é que o centurião superou a fé dos israelitas? Em crer que Jesus podia curar de longe por virtude própria sem o contato físico, que os judeus julgavam indispensável. A própria Marta, tão íntima de Jesus, acreditava mais na oração de Jesus do que no seu poder pessoal (Jo 11,21-22). Lições de vida 7 - Nesse episódio vê-se claramente que, por ação do Espírito Santo, pode haver fé e outras virtudes tanto no coração de pagãos como no coração dos melhores cristãos. Esse oficial ouvira falar dos ensinamentos e dos milagres de Jesus. Concluíra que não se tratava de um homem comum, mas de um ser sobrenatural, mais do que um rabi ou mestre. Grandes vultos, como Gandhi, podem ser exemplos para a prática de valores evangélicos. Não conhecemos algum pagão modelo de honestidade? 9 - A resposta do Mestre revela que a fé em Jesus é superior ao valor da circuncisão. Também o batismo sem vivência é como a circuncisão sem fé. Oração Senhor, eu não sou pagão, mas necessito de mais confiança no Senhor, como a desse romano que não pertencia ao povo da Aliança. Necessito ter sua humildade

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CAPÍTULO 7

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achando-se indigno da graça. Necessito ter a sua caridade que o fez acolher em sua casa e tratar como um filho quem não passava de simples empregado. Necessito saber descobrir a ação do Espírito Santo no coração de tantos que não integram a nossa fé cristã. Concede-me o que me falta, Senhor. Amém. Lc 7,11-17 O jovem de Naim
(11)

Pouco depois, Jesus se dirigiu à cidadezinha da Galiléia, chamada Naim, aos pés do monte Hermon, o pequeno, a sete quilômetros do monte Tabor, a uns nove quilômetros a sudeste de Nazaré e a oito horas de caminhada de Cafarnaum. Seus discípulos e numerosa multidão o acompanhavam. (12) Ao chegarem perto do portão que dava entrada à cidade, onde costumavam reunir-se os anciãos para tratar de suas questões públicas ou particulares, coincidiu que levavam a enterrar um morto, filho único de mãe viúva. Grande número de gente ia com essa mãe.(13) Ao ver aquela mulher em prantos, o Senhor comoveu-se profundamente e se pôs a consolá-la: - "Não chore mais!".
(14)

Em seguida, aproximou-se e, como sinal de pararem, tocou no féretro sem consideração pela impureza legal (Nm 19,11) que pudesse contrair. Os que o carregavam pararam. Jesus, sem que ninguém lhe pedisse, espontaneamente dirigiu-se ao morto como se estivesse vivo: - "Jovem, ordeno a você, levante-se!".
(15)

O jovem sentou-se e começou a falar normalmente, como se nada lhe tivesse acontecido. E Jesus o entregou à mãe. (16) Todos ficaram profundamente impressionados e, no impacto, se puseram a glorificar a Deus dizendo: - "Que grande profeta apareceu entre nós! Nele Deus visitou o seu povo, que somos nós!". E essa opinião com a notícia do acontecimento espalhou-se por todo Israel e regiões vizinhas. Porque a Palavra de Jesus não pode parar em quem a ouviu: deve correr o mundo, difundir-se. Questionário 11 - Que significa Naim? Palavra hebraica. Significa ameno, belo. 12 - Como condicionavam o cadáver e o enterravam? Era sagrado o dever de fechar os olhos do falecido. Os fariseus proibiam esse ato de respeito ao sábado. Quem o fazia antes da morte era um assassino. Os
(17)

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egípcios embalsamavam seus nobres; os israelitas, não. Envolviam o corpo em linho, a mortalha, com especiarias, atado com tiras de linho, o rosto recoberto com um pano, o sudário (Jo 11,44; 19,40; 20,7). O morto era em seguida colocado na sala onde carpideiras e flautistas o pranteavam (Mt 9,23). O sepultamento dava-se geralmente no mesmo dia, umas oito horas após a morte, menos no sábado. O corpo ia numa espécie de padiola. Era costume acompanhar um pouco o cortejo encontrado no caminho. No sepulcro espalhavam ervas cheirosas. O cadáver era estendido num banco de pedra ou não, sempre de costas. As sepulturas de pedra eram de famílias abastadas. A entrada do sepulcro era baixa, fechada por uma pedra chata de forma circular. Ficar insepulto era um dos maiores castigos e desonras, uma desgraça diante de Deus. Mantinham vivo desejo de ser sepultados junto aos antepassados; o contrário seria um castigo divino. Os pobres sepultavam também na terra coberta com uma pedra caiada (Mt 23,27). 13 - Que lição temos nesse versículo? O coração de Jesus é rico dos mais delicados sentimentos humanos. Ele nos entende. Jesus chama como se o jovem estivesse dormindo. Ele é a Palavra da Vida, Autor da Vida. Esse chamamento é imagem de tanta ressurreição dos que estão espiritualmente mortos à graça e se reconciliam com Deus. 16 - O que a multidão reconheceu em Jesus? Não chegou a reconhecê-lo como o Messias, mas só como um grande profeta superior a Elias (1Rs 17,20-22) e Eliseu (2Rs 4,33-35), que também haviam restituído a vida a dois mortos com muita oração. Reconheceu que Deus se manifesta mais em Jesus do que em qualquer outro ser humano. Estava a um passo da fé verdadeira. Lições de vida 14 - Deus não nos concede seus favores só quando pedimos. Muitas vezes ele o faz espontaneamente. É a graça preveniente, própria de Deus. Jesus, com uma simples palavra em nome próprio, sem invocar nenhum poder superior, restitui a vida ao morto. Mostra-se dono absoluto da natureza. Também Elias (1Rs 17,20-22) e Eliseu (2Rs 4,33-35) fizeram mortos voltar à vida. Esses profetas suplicam a Deus; Jesus manda. Os profetas são servos; Jesus é o Senhor. Esse milagre mostra a divindade de Jesus. Oração Senhor, eu lhe rendo graças por vê-lo compadecido diante da dor de uma viúva pela perda do filho único, o amparo de sua vida. Rendo-lhe graças mais ainda por tantas ressurreições espirituais realizadas continuamente cada vez que o Senhor restitui a vida da graça a quem a havia perdido e se tornado um cadáver espiritual. Senhor, que eu tenha mais apreço pela graça da vida com Deus, do que pela minha própria vida terrena. Amém.
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CAPÍTULO 7

Lc 7,18-35 Jesus e João Batista (Mt 11,2-19)
(18)

Os discípulos de João Batista, vendo sobrepujada a fama dele pelo entusiasmo da multidão por Jesus, movidos de ciúme vão até seu mestre encarcerado por Herodes Antipas na fortaleza de Maqueronte, para informá-lo da pregação, dos milagres e de tudo o que se passava com Jesus. João, que não duvidava da messianidade de Jesus (Jo 1,29-34), escolheu dois deles (19) e, para induzi-los a reconhecerem em Jesus o Senhor, mandou-os a ele a fim de que ouvissem de seus próprios lábios a resposta e o testemunho desta pergunta bem objetiva: - "É o Senhor o Salvador que esperamos ou ainda temos de esperar por outro?".
(20)

Assim também conheceriam Jesus pessoalmente, ouviriam-no e presenciariam algum milagre. Os dois homens da embaixada foram até Jesus e disseram-lhe: - "João Batista enviou-nos aqui a perguntar oficialmente se o Senhor é o Salvador que todos esperamos ou se devemos ainda esperar por outro".
(21)

Ora, justamente nesse momento Jesus estava acabando de curar a muitos de doenças graves, de enfermidades as mais diversas, de espíritos malignos, e de restituir a vista a muitos cegos, identificando-se com o Messias dos mais necessitados. (22) Então ele respondeu aos dois: - "Vão contar a João tudo isso que vocês estão ouvindo e vendo, conforme já havia profetizado Isaías (35,5-6; 42,7; 26.19; 61,1) em referência ao Messias: os cegos recuperam a vista, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos retornam à vida e aos pobres, os que sentem necessidade de Deus, é anunciado o Evangelho; (23) e feliz de quem não duvida de mim!".
(24)

Depois que os dois discípulos de João partiram de volta, Jesus se pôs a falar ao povo a respeito do Batista: - "Quando vocês foram ao deserto para se encontrarem com João, que é que esperavam ver nele? Um homem superficial e sem convicções a meu respeito, como um caniço balançando a qualquer vento? (25) Ou o que foram ver? Um indivíduo efeminado e mole, vestido com muito luxo esperando um messianismo triunfalista? Mas os que se vestem luxuosamente vivem em delícias nos palácios ou mansões, e não na austeridade dum deserto. (26) Que foram ver, afinal? Um profeta? Sim, eu lhes afirmo, e mais do que um profeta. (27) Porque é dele que Malaquias (3,1) predisse referindo-se ao Messias: 'Eis que eu, Javé, envio meu mensageiro à sua frente, ó Messias; ele preparará o seu caminho indo adiante'. (28) Eu lhes afirmo ainda que, de todos os homens da Antiga Aliança, investidos por Deus de alguma especial missão, não surgiu nenhum profeta que tivesse missão maior que a de João Batista, o qual foi preanunciado e não só profetizou de mim, mas me mostrou presente. Apesar disso, a partir de agora, o menor no Reino de Deus na Nova Aliança, inaugurada por minha ressurreição e vinda do Espírito Santo, é maior do que ele, não por virtudes pessoais, mas porque me possui pela graça da fé, conhece
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minhas Palavras de Vida, se torna em mim filho de Deus e se alimenta do meu corpo e sangue".
(29)

Todo o povo simples e mesmo os que eram desprezados pelos fariseus como os piores homens, mas que haviam sido balizados por João, ao ouvirem esse grande elogio que Jesus fez do Batista, reconheceram a justiça de Deus, isto é, o cumprimento de suas promessas em favor dos fracos, e o louvaram por terem aceitado o batismo de penitência, que os preparava para o batismo que Jesus ia instituir. (30) A alta sociedade dos fariseus e os professores da Lei, porém, soberbos em sua pretendida santidade, não aceitando a pregação e o batismo de João, aniquilaram para si próprios o plano que Deus fizera para conduzi-los à salvação. (31) Para estes últimos Jesus acrescentou: "A quem posso comparar esse tipo de pessoas de hoje? Com quem se parecem? (32) São como um grupo de crianças sentadas na praça para brincar imitando uma festa de casamento ou um funeral. Alguns tocam flauta para os outros dançarem, mas estes se recusam; entoam um canto fúnebre para os outros chorarem como num enterro, mas eles nem isso querem, emburrados. (33) Veio João. Vivendo no deserto, não comia pão nem bebia vinho, e vocês, fariseus, disseram: 'o demônio está com ele'. (34) Vim eu, o Filho do Homem, que, levando vida normal no meio da sociedade, como e bebo; e vocês dizem: 'esse homem é um comilão e beberrão, amigo dos cobradores de impostos e de pessoas de má fama'. Assim não se tem como ir ao encontro desse tipo de pessoas obstinadas que, como aquelas crianças mal humoradas, sempre encontram pretexto para a recusa. Ninguém salva quem não quer ser salvo. (35) Mas só quem se deixa dirigir pela Sabedoria divina, abrindo-lhe o Coração, sabe que são justas suas disposições de querer que o Reino Messiânico seja preparado por João e inaugurado por mim". Questionário 18 - Que sentimento movia aqui os discípulos de João? O ciúme de ver o Batista inferiorizado diante de Jesus. 19 - João tinha certeza ou duvidava de Jesus? Por Jo 1,29-34 vê-se que o Batista sabia que Jesus era o Messias, o Filho de Deus vindo como Salvador. Mandou discípulos a Jesus para que também eles não duvidassem da identidade do Senhor. 22 - Que profecias Jesus citou aqui? Is 35,5-6; 42,7; 26,19; 29,18; 61,1. 23 - Que significa "escandalizar-se"? E perder a confiança ou fé que se tem em alguém; é duvidar dele. 24 - Que sentido tem o caniço? É pessoa volúvel nas idéias, sem convicções.

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26 - Em que João Batista é maior do que os outros profetas? Ele foi preanunciado, o que não aconteceu com os outros profetas. Nenhum profeta como João preparou o povo para acolher Jesus. Ele não só falou do Messias prestes a chegar, mas o mostrou presente apontando-o a dedo: "Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo" (Jo 1,29). 28 - Como podemos ser mais do que o Batista? É claro que Jesus aqui fala dos homens do Antigo Testamento, porque diz que os do Novo Testamento são mais do que João. João teve a maior missão especial já conferida a um homem da Antiga Aliança, missão de preparar imediatamente a chegada do Messias até apresentá-lo pessoalmente ao mundo. Na prática de virtudes pessoais João nos sobrepujou. Mas nós, da Nova Aliança ou Reino de Deus, podemos ser mais do que João porque podemos possuir Jesus pela fé, conhecer suas Palavras de Vida, e por nos alimentarmos com seu corpo e seu sangue. Também pela missão de propagarmos um Jesus Cristo já vindo e que pode vi ver em nós, o que constitui a graça santificante. Anunciar o Evangelho é mais do que ser profeta do Antigo Testamento. 29 - Que vem a ser essa justiça de Deus? É o cumprimento das promessas que Deus havia feito de vir ao encontro dos mais carentes e desprezados da sociedade. 30 - O homem tem capacidade de frustrar o plano que Deus traçou para salvá-lo? Os versículos 29 e 30 mostram os diferentes efeitos produzidos pela pregação de João Batista sobre o povo simples e sobre seus líderes. O povo acolhe a palavra do precursor, faz penitência de seus pecados e se converte a Deus. Ao passo que os fariseus recusaram-se a receber os apelos da graça vinda por intermédio de João; fecharam-lhe o coração. Isso demonstra que a salvação do homem vem da oferta de Deus, de um lado, e, do outro lado, da livre aceitação do homem, que, se se opuser, frustra o desígnio da salvação. S. Agostinho escreveu: "Quem te criou sem ti não te salvará sem ti". 35 Que significa esta frase no Evangelho oficial? "Filho" é um hebraísmo; significa adepto, seguidor, amigo. Filho da sabedoria é o sábio. São sábios os que aceitam sem discutir os meios que Deus oferece para o bem do homem. Os admiradores de Jesus valorizam-no, apreciam-no, entendem-no, aplaudem-no e acham justas suas atitudes. Os que não o querem procuram desqualificar sua doutrina e sua pessoa. Os pecadores, ao se converterem, foram sábios, ao passo que os fariseus, que se julgavam justos, mas resistiram a Jesus, não o foram. Lições de vida 19 - "Jesus é o Senhor" (FI 2,11), é a profissão de fé essencial do cristianismo. Jesus só foi constituído Senhor depois que ressuscitou. E foi reconhecido como tal quando veio o Espírito Santo em Pentecostes. Jesus não veio como dominador, mas como quem dá a vida, quem cura e perdoa.

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26 - A grandeza de João Batista realça a grandeza de Jesus. Jesus vê a grandeza do homem na proporção do serviço prestado aos semelhantes. João prepara o coração do povo a abrir-se ao Salvador. Quando você abre um coração para o Senhor, você se torna sempre maior. Mas a grandeza de João sofre restrição, porque ele pertence ainda ao tempo de espera. O menor discípulo de Jesus pertence ao tempo da realização do Reino de Deus. Oração Obrigado, Senhor, por eu estar vivendo no tempo messiânico e não no da espera do Messias como os do Antigo Testamento. Por isso, embora eu não tenha as virtudes pessoais do Batista, tenho, mais que ele, o privilégio de conhecer em profundidade a sabedoria e a luz da Palavra do Messias, pela qual posso ir crescendo sempre mais na fé; o privilégio da renovada filiação divina, e de me alimentar assiduamente do Corpo e do Sangue do Senhor; privilégios que nem o grande Batista experienciou. Que eu nunca frustre ou aniquile o plano de Deus a meu respeito. Amém. Lc 7,36-50 A Pecadora (Cf. semelhança Mt 26,6-13; Mc 14,3-9; Jo 12,1-11)
(36)

Um fariseu oportunista convidou Jesus a comer em sua casa. Jesus entrou na sala, tirou as sandálias, como era costume às refeições, e, ao lado dos outros convivas, reclinou-se no divã colocado em volta da mesa. (37) Uma mulher de má fama na cidade, conhecida como pecadora, ao saber que Jesus estava à mesa na casa do fariseu, foi até lá levando um frasco de pedra de alabastro com perfume. (38) Pôs-se de joelhos, por detrás, aos pés dele, e começou a chorar de arrependimento. As lágrimas chegaram a banhar os pés do Mestre. Esquecida de si mesma, ela os enxugava com seus cabelos soltos, os beijava e os ungia com o perfume.
(39)

Ao ver a cena, o fariseu que o havia convidado duvidou mais ainda de Jesus, tido comumente como profeta, e pôs-se a refletir consigo mesmo: "Bem que eu duvidava! Agora vi. Se Jesus fosse de fato um profeta, saberia quem é a mulher que o toca e o deixa impuro por ser mulher de má vida. Ele não permitiria que ela o tocasse".
(40)

Jesus, numa atitude de quem é mais que profeta, respondeu aos pensamentos do fariseu denunciando-o e demonstrando conhecer muito bem o interior daquela mulher: - "Simão, tenho uma coisa a dizer a você".

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- "Fale, Mestre" - respondeu ele sem suspeitar de que Jesus lia seu pensamento.
(41)

"Um credor tinha dois devedores. Um lhe devia uma soma correspondente a 500 dias de trabalho; o outro, o correspondente a 50 dias de trabalho de um operário. (42) Mas como ambos não tinham possibilidade de pagar a dívida, o credor perdoou aos dois. Na sua opinião, qual dos dois devedores se tornará mais agradecido ao bondoso credor?"
(43)

Simão respondeu prontamente:

- "Julgo que seja aquele ao qual mais perdoou". Jesus disse-lhe: - "Você julgou bem, Simão".
(44)

E apontando para a mulher, Jesus se dirigiu a Simão defendendo abertamente a pecadora, pondo em evidência todas as suas delicadezas em contraste com as faltas de urbanidade de Simão: - "Você está vendo bem esta mulher? Entrei aqui em sua casa e você não me ofereceu água para lavar-me os pés conforme o costume em favor de quem chega de uma caminhada por estrada quente e poeirenta; esta mulher, ao contrário, regoume os pés com suas lágrimas e os enxugou com sua cabeleira. (45) Em sua casa não recebi o beijo de saudação e da paz como é costume em sinal de amizade; ela, ao contrário, desde que entrou não cessa de beijar-me os pés em sinal de grande veneração. (46) Quando cheguei, você não mandou urgir-me a cabeça e a barba com óleo perfumado; ela, ao contrário, derramou perfume em meus pés. (47) Por esta razão, eu asseguro a você: os numerosos pecados dela lhe estão perdoados porque nestes gestos ela demonstrou muito amor. Quem menos ama menos perdão recebe. Aquele a quem menores pecados se perdoa é logicamente menos agradecido do que aquele a quem muito se perdoou".
(48)

Em seguida disse à mulher: Os convivas puseram-se a refletir entre si: E Jesus, sem ligar para o que pensavam, concluiu dizendo à mulher:

- "Seus pecados estão perdoados!".
(49)

- "Quem é este homem que até pecados perdoa, o que só cabe a Deus?!".
(50)

- "A fé que você teve em mim com tanta demonstração de amor, acreditando que posso salvar, salvou você! Vai em paz!". Questionário 37a - Que pessoa levava o epíteto de pecadora? Para as mulheres não era necessariamente uma prostituta. Os israelitas consideravam pecador quem não observasse, por norma, as leis de Deus (os dez mandamentos), os vingativos, os caluniadores, os sem fé, os que seguiram outra religião, como Jezabel, que cultuava o deus Baal e que mandou matar Nabot (1 Rs 16,31; 21,8-16; 21,23). Aqui em Lucas tudo indica tratar-se mesmo de uma prostituta.

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37b - Essa pecadora é a mesma ou diferente da de M t 26,6-13; Mc 14,3-9; Jo 12,111? Uns a identificam; outros, pelas circunstâncias de lugar, de tempo e de pessoa, julgam-na diferente, porque essa refeição em Lucas deu-se na Galiléia, no princípio do ministério público de Jesus; a mulher foi pecadora, Jesus a defende diante de Simão e lhe dá o perdão. Nos outros três evangelistas a refeição acontece em Betânia, perto de Jerusalém, seis dias antes da páscoa; a mulher não é uma pecadora pública e Jesus defende-lhe o gesto diante de Judas, louva-a e anuncia a paixão como próxima. Lavar e beijar os pés a uma pessoa ilustre não era tão raro naquele tempo. 37c - Essa pecadora seria Maria Madalena ou Maria irmã de Lázaro? Muitos não a identificam com a irmã de Lázaro. Dizem que esta não era uma pecadora, sempre ficou em Betânia onde morava (Jo 11,1) e Lucas a apresenta pela primeira vez em 10,39. Dizem que não era também Maria Madalena; esta pertencia ao grupo de mulheres que acompanhavam Jesus para os serviços caseiros e tinha sido possessa (Lc 8,2; Mc 16,9); e a pecadora do nosso caso não foi possessa. Por isso julgam que sejam três mulheres. Outros querem que sejam duas ou até mesmo uma só pessoa. Justificam sua opinião dizendo que, se não era muito raro o costume de lavar os pés a um hóspede eminente, é difícil crer que duas mulheres tenham tido a idéia de enxugá-los com os próprios cabelos (Jo 11,2; Lc 7,36). Afinal, da narração dos Evangelhos não se pode ter uma certeza a esse respeito. A nossa liturgia supõe uma só pessoa. 41 - Quem é esse credor e quem são os dois devedores? O credor é Jesus; os devedores são a mulher pecadora (que devia 500) e o próprio Simão (que devia 50). 44-46 - Que exigiam os costumes de civilidade ao se receber uma visita ilustre para uma refeição? O visitante, ao entrar na casa, tirava as sandálias. O chefe da família dava-lhe o beijo da paz, fa zia-o assentar-se e chamava os empregados a lavar-lhe os pés; ele ou um criado ungia-lhe a cabeça e a barba com óleo perfumado e, à hora da refeição, oferecia-lhe água para lavar as mãos. Simão havia omitido boa parte desse cerimonial, sendo descortês e indelicado com Jesus como pessoa não tão ilustre. A pecadora foi mais delicada que Simão. Note-se que a sala do festim ficava aberta a simples espectadores não convidados e que podiam participar das conversas. Lições de vida 37 - Muitos chegavam a Jesus pedindo a cura de doenças. Somente essa mulher chega a ele para se purificar da doença do pecado. Que nossas preces não se restrinjam a pedir favores materiais. 38 - O belíssimo exemplo de humildade e de amor dessa mulher nos induz a não ter algum receio de confessar os nossos pecados no sacramento da penitência. Simão, embora o fosse, não se reconhecia devedor diante de Deus, por isso amava menos a Deus do que a pecadora arrependida.

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42 - Nota: a língua aramaica não tem o termo "agradecer". Daí a tradução "amará mais" por "se tornará mais agradecido". 41-50 - Nessa cena da mulher e nessa parábola tudo mostra que Jesus veio ao mundo como salvador e redentor dos pecadores. 46 - O fariseu demonstrou-se injusto ao julgar a pecadora indigna de estar aos pés de Jesus. Ora, beijar os pés e ungi-los era sinal do máximo respeito e acatamento. Portanto, a pecadora arrependida tornou-se mais digna do que Simão de estar junto de Jesus. É fácil cairmos na injustiça quando cometemos o juízo temerário, isto é, quando pretendemos julgar sem pleno conhecimento de causa. A atitude da pecadora é mais valiosa e digna do que a postura de Simão, que se julga sem pecado. O fariseu convidou Jesus por simples conveniência social, sem reconhecer a sua missão salvadora. A mulher, porém, revelou seus profundos sentimentos de fé e de amor, reconhecendo em Jesus o poder de perdoar os pecados. Simão errou ao julgar Jesus e errou ao julgar a mulher. Oração Perdão, Senhor, porque cuido mais de livrar-me das doenças corporais do que da doença espiritual do pecado, que é a raiz de todos os males pessoais e sociais. Que eu tenha a humildade de Madalena, reconhecendo os próprios erros, falhas e limitações, a fim de merecer a misericórdia divina. Também peço, livre-me, Senhor, do juízo temerário que com facilidade julga as pessoas sem pleno conhecimento de causa. E que eu aprenda a considerar os outros, superiores a mim mesmo. Amém.

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CAPÍTULO 8 Lc 8,1-3 Discípulas de Jesus
(1)

Depois disso, Jesus percorreu as cidades e aldeias da Galiléia pregando nas sinagogas e anunciando em público e em particular a Boa Nova do Reino de Deus. Os 12 apóstolos iam com ele aprendendo como se devia pregar o Evangelho no mundo. (2) Acompanhavam-no também algumas mulheres, movidas pelo sentimento de gratidão; elas tinham sido libertadas de espíritos malignos e de doenças. Eram Maria, chamada Madalena por ser de Mágdala, na costa ocidental do mar da Galiléia, entre Cafarnaum e Tiberíades, da qual Jesus expulsara sete demônios, ou seja, libertara-a de fortíssima possessão ou de doença mortal atribuída ao demônio; (3) Joana (24,10), mulher de Cuza, administrador da corte do rei Herodes Antipas, e várias outras que serviam Jesus e os apóstolos com seus bens e trabalhos caseiros. Questionário 2a - O demônio pode causar-nos algum mal? Várias vezes Jesus curou pessoas de males físicos ou psíquicos somente com a expulsão do demônio que os causava. Assim o mudo de Lc 11,14 falou quando se viu livre do demônio; aquele que sofria profundas convulsões psíquicas de louco voltou ao juízo perfeito após ser libertado do demônio (Mc 5,1-5. 15); assim também o surdo-mudo de Mt 12,22 e o jovem lunático de Mt 17,18. Além disso, o demônio pode tentar-nos de mil maneiras: com sugestões em nossa fantasia, com acontecimentos provocados por ele ou por meio de outras pessoas. Ele queria separar Pedro de Jesus (Lc 22,31-32); o mesmo continua fazendo conosco (1Pd 5,8-9). Até a Jesus o demônio tentou iludir (Mt 4,3). 2b - Que sentido teria a expressão "sete demônios"? Pelo valor simbólico dos números, sete designava algo de completo. Aqui pode significar que Madalena andava fortemente possessa ou que estava completamente tomada por uma ou várias doenças mortais atribuídas ao demônio, um caso perdido. 2c - Endemoninhado é sinônimo de pecador? Não. Até inocentes podem ser atormentados pelo demônio. Por ter sido Madalena dominada pelo demônio alguns a identificam com a pecadora anônima de Lc 7,37, a qual então se converteu. Foi uma das mulheres que se devotaram à pessoa e à missão de Jesus, acompanhando-o e servindo-o. Na hora suprema de Jesus, não se afastou dele, mas se deteve ao lado da mãe do Senhor no calvário (Jo 19,25), no sepultamento (Mt 27,61; Mc 15,47; Lc 23,55), e foi escolhida para dar a notícia da ressurreição aos apóstolos (Jo 20,17-18).

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3a - Quem poderia ser esse Cuza? Provavelmente era o alto funcionário de Herodes Antipas, o qual, após a cura miraculosa do filho (Jo 4,46-53), passou a crer em Jesus com Joana, sua esposa, e todos os de casa. 3b - Conhece alguma outra mulher que seguia e servia Jesus? Salomé, mãe de Tiago maior e João, e Maria, mãe de Tiago Menor e José (Mt 27,55-56; Mc 15,40-41). Lições de vida Jesus dava exemplo de vida pobre e praticamente vivia do que lhe dessem espontaneamente essas pessoas beneficiadas por ele com a cura de males e, portanto, movidas pelo sentimento de gratidão. Vê-se que o resultado das poucas pescas que os apóstolos conseguiam realizar não era bastante para os 12 mais Jesus (Jo 4,8; 12,6). Entre os hebreus, mulheres piedosas costumavam prover do necessário os rabinos que doutrinavam o povo. Mas nunca acompanhavam o mestre em suas peregrinações. Jesus quebrou essa convenção social com a grande novidade de permitir que algumas mulheres o acompanhassem em qualquer parte, admitindo-as assim a cooperar na difusão do Evangelho entre os homens: o apostolado leigo. Os apóstolos continuaram com o mesmo sistema quando pregavam aos judeus (1Cor 9,5-6). Todavia, Paulo e Barnabé, pregando aos pagãos, não quiseram usar desse direito (1Cor 4,12; 9,12. 5. 18), pois estes poderiam compreendê-lo mal. Essas mulheres, depois de conhecerem Jesus, o incansável peregrino de todos os caminhos, e de terem sido favorecidas por ele, convenceram-se de que não podiam mais viver só para si e para os seus. Deviam passar a agir na linha de Jesus, colaborando com ele no que estivesse ao seu alcance. Irão seguir Jesus como discípulas, acompanhando-o em suas caminhadas, anunciando-o em particular às mulheres que irão encontrando e dando-se a trabalhos manuais como cozinhar, lavar roupa, costurar, fazer compras. Sem a ajuda delas Jesus não conseguiria realizar bem sua missão. Os rabinos excluíam as mulheres do círculo de seus discípulos. Só nas sinagogas ou no templo era dado a elas ouvir a Palavra de Deus, sem serem a isso obrigadas como os homens; em aulas ou círculos de estudo nunca. A mulher não era considerada alguém na comunidade. O culto divino só se realizava se estivessem presentes ao menos dez varões; as mulheres estavam fora de conta. Jesus abre às mulheres o seu discipulado (At 1,14). O que essas fizeram, outras continuarão. Lembremos a negociante Lídia (At 16,14-15); Priscila com seu marido Áquila, um casal atuante (At 18,2); Síntique e Evódia, que trabalhavam com Paulo na evangelização (Fl 4,2-3); Cloé, na comunidade de Corinto (1Cor 1,11) e Febe, diaconisa (Rm 16,1). Hoje particularmente as catequistas, e também as que se reúnem uma vez por semana para costurar pelos pobres, para ensinar higiene e culinária, ou as que mais

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diretamente dirigem grupos de oração e ajudam em retiros espirituais, Encontros de Casais, cursilhos, cursos de noivos... são sucessoras dessas discípulas de Jesus. Oração Jesus, o Senhor quis a livre cooperação de uma mulher para assumir um corpo humano a fim de dar início à obra da Redenção. E quis que a colaboração para a extensão do Reino de Deus a toda a terra fosse confiada a todo batizado, sem excluir ninguém. Assim elevou ao mesmo nível de dignidade e responsabilidade o homem e a mulher. Obrigado pelo ardor apostólico que o Espírito Santo alimenta no coração de tantas catequistas, de tantas irmãs de caridade, de tantas apóstolas, de tantas seguidoras de Teresa de Calcutá, da Irmã Dulce da Bahia, mulheres que não temem doar-se até doer, até o sacrifício. Obrigado pelo carinho feminino de tantas assistentes dos enfermos e abandonados. Sustente-lhes o ideal missionário que nos questiona como o desse grupo de suas primeiras auxiliares, Senhor. Amém. Lc 8,4-15 Parábola do Semeador - Obstáculos para a dilatação do Reino de Deus (Mt 13,1-23; Mc 4,1-20)
(4)

Numerosa multidão vinda de diversas cidades reuniu-se em torno de Jesus. Ele contou esta parábola:
(5)

Um agricultor saiu de casa para semear um terreno. Ao lançar as sementes para depois, conforme o sistema da época, passar o arado a fim de cobrir com terra os grãos, uma parte caiu ao longo do caminho, foi pisada pelos passantes e comida pelos passarinhos. (6) Outra parte caiu em terreno pedregoso e, quando começou a brotar, secou por falta de umidade. (7) Outra parte caiu no meio de espinheiros que, crescendo com ela, a abafaram. (8) Uma outra parte caiu em terreno fértil e bem preparado; germinou e deu fruto cem por um. Quando acabou, Jesus ergueu a voz e xclamando: - "Atenção! Quem ouviu bem procure entender o que quero ensinar".
(9)

Seus próprios discípulos não chegaram a compreender o sentido da parábola. Perguntaram-lhe o que ela significava. (10) Ele respondeu: - "A vocês que se interessam em conhecer as verdades do Reino de Deus concretizado na pessoa do Messias, filho de Deus, é concedida a graça de entenderem através de esclarecimentos particulares. Mas a outros, por causa da sua voluntária incredulidade, que ouvem por pura curiosidade ou até com pouco-caso,

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fala-se só por comparações. Assim desinteressados de compreender, eles, no dizer de Isaías 6,9, olham sem ver e ouvem sem compreender, como se Deus lhes tivesse fechado o coração. (11) Este é o sentido da parábola: a semente é a Palavra de Deus, anunciada por mim, pelos meus apóstolos e seus continuadores. (12) Os representados pelas sementes caídas à beira da estrada são aqueles que ouvem a Palavra, mas não a meditam para que penetre no coração; vem o diabo, o primeiro inimigo do Reino de Deus, e com dissipações, sensualidades e leviandades lhes tira a mensagem superficial, para que não creiam nem se salvem. (13) As sementes caídas em terreno pedregoso representam os que ouvem a Palavra de Deus e a acolhem até com alegria, mas só por causa dos milagres presenciados ou na esperança de um reino terreno; assim, não têm raízes, ou seja, convicções profundas; crêem só no tempo inicial do entusiasmo; quando vêm a tentação, a tribulação, a perseguição, abandonam tudo e até perdem a fé. (14) As sementes caídas no meio de espinheiros simbolizam aqueles que ouvem a Palavra de Deus permitindo que germine e cresça no seu interior, mas vivendo inteiramente tomados por preocupações exageradas, pelas riquezas e pelos prazeres da vida, não têm mais tempo para Deus e sufocam o seu ensinamento; assim, os frutos que já apareciam não chegam a amadurecer. (15) As sementes caídas em terra boa são os que ouvem a Palavra de Deus num coração cheio de bons sentimentos e de boa vontade: guardam-na e meditam-na sempre; produzem frutos até cem por um praticando-a com perseverança e constância mesmo no meio de tribulações e interesses da vida". Questionário 4- Que vem a ser uma parábola? É o mesmo que alegoria? Parábolas são breves narrações alegóricas tiradas da vida cotidiana e que escondem uma verdade religiosa ou uma lição moral. Também certas comparações ou provérbios que encerram um ensinamento e que exigem agudeza de mente para ser compreendidos. Os rabinos costumavam ensinar por parábolas. Mas nenhum soube, como Jesus, apresentá-las com tanta naturalidade e por elas transmitir tão sublimes ensinamentos. Aliás, a parábola é um meio catequético e estilístico perfeitamente adaptado à mentalidade do povo semita. É diferente da alegoria. Nesta, cada detalhe é colocado em função do ensinamento que se quer dar. Na parábola, diferentemente, os pormenores podem apenas servir para embelezar e completar o quadro. Por isso, por exemplo, na parábola do Filho Pródigo é supérfluo deter-se em buscar o sentido sobrenatural do anel, das sandálias, do vitelo gordo... que refletem os costumes do tempo. 9 - Por que Jesus do discurso claro passou a ensinar por parábolas? Primeiro, para os ignorantes e incultos as narrações em parábola facilitavam guardar na memória o ensinamento. As pessoas bem-intencionadas e de coração bem disposto, embora não entendessem tudo no momento, guardando a parábola na lembrança, iam refletindo sobre ela e aos poucos descobrindo-lhe o sentido. Segundo, os chefes fariseus e os professores da Lei de Moisés, por não quererem mudar de vida, molestavam continuamente Jesus, que ensinava tudo com clareza meridiana. Era conveniente Jesus adotar o sistema de ensino através da linguagem
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figurada. Os de má vontade, ouvindo uma linguagem alegórica e para eles enigmática, não tinham como contradizer a Jesus, que assim gozou de maior tranqüilidade ao falar. 10 - "Olhar sem ver, ouvir sem entender" é uma referência a Isaías 6 em dois versículos. Transcreva-os, Is 6,9-10: "Escutai bem, mas sem compreender; olhai sim, mas sem entender. Embota a mente deste povo, entorpece-lhe o ouvido e vela-lhe os olhos, de sorte que com os olhos não veja, nem ouça com os ouvidos, nem entenda com a mente e, convertendo-se, seja curado". Parece uma oração pedindo a Deus que os ouvintes não vejam nem entendam. Mas é uma característica da linguagem profética, constatando um fato consumado, fruto da obstinação dos ouvintes contrários a Jesus. Lições de vida 8 - Como o lavrador cuidadoso, o cristão semeará sempre a Palavra de Deus sem se desencorajar por malogros e oposições. A Palavra lançada com fé vence as resistências. Ao menos a quarta parte da semeadura frutificará cem por cento. 10 - Ouvir a Palavra de Deus com desinteresse ou pura curiosidade, estudar o Evangelho por simples desejo de cultura é impedir que o Reino de Deus se plante no coração: não forma cristão nenhum. A Palavra de Deus tem a força do Espírito Santo em quem procura nela Jesus Cristo para traduzi-lo em vida. Só a fé e o amor podem descobrir a realidade escondida por detrás das imagens. Sem a fé, o homem fica somente parado na imagem sem atingir a realidade divina escondida sob o véu da parábola. 15 - A Palavra de Deus produz em nós frutos na medida de nossas disposições interiores. Nós é que a tornamos produtiva ou ineficaz. Somos responsáveis pela implantação do Reino de Deus em nós, o qual se propõe e nunca se impõe. Precisamos protegê-lo das más sementes que o mundo semeia em nós. O Reino de Deus vem em semente que precisamos acolher e cobrir com terra, isto é, precisamos ler e meditar o Evangelho para que nasça e se desenvolva em nós. O homem de índole bondosa traz a melhor pressuposição para a atuação da Palavra de Deus em si. A Palavra transforma o homem, mas com a colaboração do homem. "Seja escutada, assumida, encarnada, celebrada e transmitida" (Puebla 892). Oração Senhor, a multidão o procurava sempre ávida de ouvir-lhe a Palavra. Dê-me essa avidez, Senhor. E que eu ouça não como caminho onde tudo passa e a Palavra se perde ; não como terreno pedregoso onde a Palavra é recebida com entusiasmo passageiro, mas não cresce porque as provações da vida me desanimam; que eu não seja como espinheiro onde as demasiadas preocupações materiais me absorvam a ponto de não sobrar tempo para Deus; que

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eu seja o bom terreno onde a semente da Palavra possa crescer e dar todos os frutos das boas obras e santidade. Que a Palavra santa seja a luz da minha mente, o ardor do meu coração e guia para meus passos. Amém. Lc 8,16-18 A luz do mundo (Mt 5,15; 10,26; Mc 4,21-25)
(16)

Jesus concluiu a parábola da semente advertindo os discípulos de que ele lhes revela a sua doutrina para a comunicarem aos outros. Disse-lhes: - "Ninguém acende uma lâmpada para a cobrir com algum recipiente ou para colocála debaixo da cama. Ao contrário, coloca-se a lâmpada sobre um suporte alto para que os que entram em casa vejam a luz. (17) A minha Palavra é uma luz que deve dissipar as trevas da ignorância ou do erro. Nada há de oculto ou misterioso nas minhas parábolas que com o tempo não se torne manifesto a todos através da pregação dos meus discípulos; e nada do que ficou dito em segredo deixará de ser revelado e conhecido à luz do dia. (18) Cuidem, portanto, do modo como vocês ouvem meus ensinamentos. É de sumo interesse ouvir bem. Um provérbio ensina que quem tem dinheiro facilmente vai adquirindo sempre mais riqueza pela possibilidade de giro; e quem não tem quase nada com a mesma facilidade perde o pouco que tem. Assim, quem ouve com prazer e pratica a minha Palavra vai sempre aumentando a riqueza de luzes interiores e graças para compreender; e quem não tem vontade de ouvir minha Palavra e praticá-la irá perder tudo e ficar nas trevas da incompreensão ou do erro, permanecendo a parábola uma palavra selada que não produz a conversão". Questionário 16 - Que pretende dizer Jesus com "lâmpada"? Lâmpada é a Palavra do Evangelho que foi semeada para iluminar a mente humana com a luz da verdade trazida por Jesus. 17 - Que é esse oculto ou secreto a ser revelado oportunamente? São os mistérios da Palavra do Evangelho e tudo o que de velado encerram as parábolas. No devido tempo, cada verdade do Evangelho será manifestada sempre com maior clareza pela ação do Espírito Santo que vai iluminando os homens de Deus. 18 - "Quem tem muito terá mais; quem tem pouco acab ará perdendo tudo". Explique. Refere-se ao interesse em ouvir a Palavra de Deus. Como as posses oferecem possibilidade de giro e maior lucro, assim também quem tem fome da Palavra de Deus porque já a experimentou ouve-a com o coração aberto e se enriquece de fé sempre mais, porque a vive e transmite. É que o conhecimento da Revelação divina se torna um capital com o qual se deve trabalhar. Dar transformaEVANGELHO COMPLETADO - SÃO LUCAS CAPÍTULO 8

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se em lucrar. Por outro lado, quem demonstra descaso por ela e não a usa como alimento vital acabará envolvido nas trevas do erro que arruína o homem. Lições de vida Quem entende e pratica a Palavra de Cristo não pode guardá-la deixando que os outros continuem carentes desse alimento espiritual. Seria pecar por avareza e omissão. Deverá transmiti-la iluminando a mente dos outros. Quem ama Cristo fala dele. O comportamento coerente com a doutrina cristã é a mais eficaz divulgação de Cristo. São Paulo quer que sejamos "o perfume de Cristo entre bons e maus" (2Cor 2,15). As pessoas de comunicação devem usar da TV, do rádio, do cinema, de livros, jornais e revistas como instrumentos para tornar Cristo conhecido e amado. Esses meios são a maior oportunidade de evangelização de que podemos dispor. Pais, professores, educadores, autoridades, chefes, cada um dentro do ambiente de sua vida e de seu trabalho, têm tudo para se tornar apóstolos de Cristo, luz do mundo. O iluminado deve iluminar; é lei natural. Oração Senhor, seu Evangelho é deliciosa luz que ilumina tanto a minha vida quando o medito, e me torna uma lâmpada que o Senhor acende para os outros. Peço que eu não a esconda, Senhor; antes, que eu saiba conduzir uma vida em total coerência com essa Palavra, para que o mundo que me envolve se ilumine e creia. Amém.

Lc 8,19-21 Parentes Espirituais de Jesus (Mt 12,46-50; Mc 3,31-35)
(19)

Vieram encontrar-se com Jesus sua mãe e alguns parentes, mas não conseguiam chegar até ele por causa da multidão compacta que o escutava dentro e fora da casa. (20) Então alguém perto informou-o: - "Sua mãe e alguns parentes estão fora e querem falar com o Senhor".
(21)

Jesus aproveitou a oportunidade para revelar a todos um mistério consolador:

- "Minha mãe e meus parentes são todos os que ouvem a Palavra de Deus e a praticam!".

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Questionário 19 - Traga outras citações da Bíb lia que falam dos "irmãos" de Jesus. Mt 12,46; 13,55; Mc 3,31-32; 6,3; Jo 2,12; 7,3. 5; At 1,14; 1Cor 9,5; Gl 1,19. Eram consangüíneos de Jesus. A e xplicação é simples. A língua hebraicoaramaica não tinha palavras diferentes para designar irmão, primo, sobrinho e neto. Para todos esses casos empregavam o único termo "irmão" (ak). Em Gn 13,8 Abraão chama Lot de irmão, mas ele era sobrinho. Gn 12,5 chama Lot de "filho de seu irmão" por não dispor da palavra sobrinho. Gn 11,31 chama Lot de "filho de seu filho" por faltar na língua a palavra neto. Em 1Cr 23,21-22 encontramos a palavra "irmãos" por primos. Em Jo 19,25, Mt 27,56, Jd 1,1 vemos que os chamados "irmãos de Jesus" têm outros pais que não Maria e José. Em Lc 2,7 Jesus é o primogênito, e Rm 9,28 explica que ele é o "primogênito de toda a multidão dos que crerão nele" e se tornarão seus "irmãos" na ordem da graça de Deus que em Jesus nos adotou por filhos (Lc 8,21). Na hora da morte Jesus não tinha nenhum irmão carnal a quem confiar sua mãe; teve de confiá-la a João Evangelista (Jo 19,27), filho de Salomé e Zebedeu (Mc 1,19). Lições de vida Jesus põe o Reino de Deus acima de todas as relações de parentesco, e declara que nos tornamos bem-aventurados, felizes, não por razão de laços de sangue como Maria em relação a Jesus, mas por ouvirmos e vivermos a Palavra de Deus. Ora, nenhum ser puramente humano ouviu com mais adesão a Palavra de Deus do que Maria. Ela foi o terreno bem preparado que rendeu cem por um. É por isso que Isabel exclama: "bem-aventurada aquela que acreditou em tudo o que lhe foi dito da parte do Senhor" (Lc 1 ,45). A vida de Jesus é partilhada por quem ouve a Palavra de Deus e a vive. Assim nasce a nova família espiritual dos que crêem. Ver e conversar com Jesus não é tão importante quanto ouvi-lo e viver sua Palavra: "bemaventurados os que não viram e creram" (Jo 20,29). A Palavra do Evangelho é a alma do cristianismo, edifica o cristianismo e o faz crescer. Os vínculos espirituais de parentesco e amor a Jesus superam o que de mais íntimo pode oferecer o sangue. Oração Obrigado, Senhor, por ter assumido a natureza humana e se tornado irmão de todos os homens sem distinção de raça, crença ou cor. Obrigado por nos ter dado sua mãe como nossa mãe lá no calvário. Obrigado por me ter revelado o consolador mistério de que, ouvindo e praticando sua Palavra, me torno sempre mais seu parente, seu consangüíneo, seu íntimo. Dê-me, Senhor, a graça do entendimento para que eu assimile sua Palavra transformadora. Amém.

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Lc 8,22-25 Tempestade acalmada (Mt 9,18. 23-27; Mc 4,35-41)
(22)

Num daqueles dias ainda nas vi zinhanças de Cafarnaum, Jesus subiu a uma barca com seus 12 apóstolos dizendo-lhes: - "Passemos à margem oriental do lago de Genesaré". Então partiram. (23) Enquanto navegavam remando, Jesus dormia. Sobreveio violenta tempestade de vento que levantava grandes ondas. A barca enchia-se de água e eles passavam perigo de afundar. Embora acostumados a esse fenômeno de ventos e tempestades imprevistos nesse lago a 208 metros abaixo do nível do mar, eles ficaram apavorados. (24) Chegaram-se a Jesus e o despertaram dizendo: - "Mestre, mestre, estamos perdidos!". Como Senhor dos elementos da natureza, ele se ergueu e deu ordem imperiosa ao vento e às ondas revoltas. Tudo se acalmou e se fez uma grande bonança. (25) Voltou-se Jesus para os discípulos com estas palavras: - "Onde está a confiança que vocês têm depois de presenciarem tantos milagres?". Eles, dominados pelo susto e pela admiração, nada lhe responderam. Mas comentavam entre si: - "Que homem é este que manda até nos ventos e no mar, e lhe obedecem!?". Questionário 22-24 - Interprete esse episódio como uma parábola. A barca figura a Igreja. O mar é o mundo. O vendaval e as ondas são as perseguições, os contratempos e as tentações. No sono de Jesus vemos que Deus parece alheio aos nossos sofrimentos e perigos. O medo dos apóstolos é a fraqueza de nossa fé. Jesus é como que despertado pelas orações dos que nele crêem. Bonança é sinal da vitória e da paz. 23 - Esse lago está sujeito a repentinas tempestades. Como explicar o fenômeno? O calor do lago é muito forte por se achar a 208 m abaixo do nível do mar. É como um grande caldeirão cercado de montanhas a norte, este e oeste. 60 km ao norte acha-se o monte Hermon, de quase 3.000 m de altura, coberto de geleiras. Quando os ventos frios do Hermon descem, o ar quente do lago sobe, provocando violentos vendavais e tempestades, principalmente após o meio-dia. Outras vezes são os ventos do Mediterrâneo que trazem correntes frias para o lago, com seus 21 km de comprimento por 12 de largura. É um lago traiçoeiro, que fez perecerem muitas embarcações e marinheiros. 25 - "Quem é esse homem?" Terão descoberto quem é de fato Jesus? Viram em Jesus um homem com poderes divinos capazes de dar ordens aos elementos da natureza. Talvez o Messias. Não chegaram ainda à conclusão de Jesus-Deus, apesar de seus mais de 50 milagres especificados. Os milagres

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revelam-no um homem de Deus, não Deus em pessoa. Mas a admiração abre caminho à fé. Lições de vida 24 - Mesmo no meio das tempestades da vida há sempre motivo de esperança para quem traz Jesus no barco da vida. Os cristãos primitivos viviam confiados em Cristo, mesmo no meio das mais sangrentas perseguições. Não sucumbe à angústia o homem que tem Cristo consigo. Mas seguir Cristo implica expor-se à incerteza e às tempestades. Jesus envia os seus para o meio das tormentas, porque a fé se purifica nas provações e lutas. Quando, fracos, gritamos por socorro, o Senhor se inclina para nós cheio de misericórdia. Aquele que parece alheio aos nossos apertos é quem de repente se revela senhor das situações mais difíceis. Somos convidados a uma confiança total na intervenção de Deus, mesmo diante do que parece impossível. Oração Senhor Jesus, no mar de nossa vida muitas vezes nos defrontamos, de improviso, com situações tão aflitivas que, como tempestades, põem em risco nossa fé, porque chegamos a não sentir a presença de Deus. Dê-nos o hábito do recurso espontâneo ao Senhor, ouça nossos ais e faça-nos sentir ao vivo que, em sua companhia, não há dor sem remédio. Amém. Lc 8,26-39 O possesso e os porcos (Mt 8,28-34; Mc 5,1-20)
(26)

Jesus e seus discípulos navegaram até a região dos gerasenos, a qual se estende a sudeste do lago defronte a Mágdala, na Galiléia.(27) Ao pisarem em terra, veio ao seu encontro certo homem da cidade dominado por demônios. Desde muito tempo não usava roupa nem morava em alguma casa, mas em sepulcros do cemitério. (28) Logo que ele viu Jesus, pôs-se a gritar, caiu-lhe aos pés como um escravo e, reconhecendo-lhe a soberania e a divindade, disse em alta voz: - "Que tenho eu a ver com o Senhor, Jesus, filho do Deus altíssimo, para o Senhor se ocupar de mim? Peço que não me castigue".
(29)

É que Jesus ordenava ao espírito mau que saísse daquele homem definitivamente, pois se apoderava dele com freqüência. Para que ficasse preso amarravam-no com algemas, mas ele as arrebentava, e o demônio impelia o homem para lugares desertos. (30) Jesus, para revelar uma realidade que os presentes não podiam ver, perguntou-lhe:

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- "Como é que você se chama?". - "Meu nome é legião", respondeu ele, porque muitos demônios o haviam dominado. (31) Estes pediam-lhe que não os fizesse voltar à inatividade do abismo infernal. (32) Ora, num monte ali perto estava pastando grande manada de porcos. Os demônios pediam a Jesus que lhes permitisse apossar-se dos porcos. Jesus permitiu. (33) Eles saíram do homem e entraram nos porcos; a manada inteira, com ímpeto, arrojou-se pelo barranco dentro do lago e afogou-se. (34) Ao verem o estranho acontecimento, os homens que apascentavam os porcos fugiram e foram espalhando a notícia na cidade e nas roças. (35) Muitos, então, vieram ver o que acontecera. Chegaram até Jesus e encontraram o homem de quem haviam sido expelidos os demônios, vestido, sentado aos pés de Jesus e em perfeito juízo. De todos apoderou-se o medo. (36) As testemunhas do fato contaram-lhes como fora curado o que tinha sido endemoninhado. (37) O povo do território dos gerasenos pediu a Jesus que se retirasse deles porque temiam perder outros bens. E Jesus tomou a barca para voltar. (38) Mas o homem que havia ficado livre do demônio, por reconhecimento, implorou a Jesus a permissão de ficar sempre com ele. Jesus, porém, o despediu, confiando-lhe outra missão:
(39)

- "Volte para a sua casa e conte todo o bem que Deus fez a você".

Ele se foi e divulgou pela cidade inteira tudo o que Jesus havia feito em seu favor. Questionário 26 - Que cidade seria essa? Lc 8,26 diz "cidade dos gerasenos" (Gerasa), a moderna Dscherasch, mas esta fica a 60 ks do lago. Mt 8,28 di z "cidade dos gadarenos" (Gadara), lugarejo a 10 km do lago. Mas parece mais provável tratar-se de Gergesa (com quase as mesmas consoantes de Gerasa), correspondendo às atuais ruínas de Córsia (Kursi), cujos moradores eram gerasenos; ali se encontra um morro com uma ladeira bem íngreme de cerca de 30 m declinando para o lago, o que corresponde melhor a Mc 5,13 onde fala de "precipício". 27 - Lc 8,26 e Mc 5,2 mencionam um homem. Mt 8,28 traz dois. Como explicar? Também Lc 18,35 e Mc 10,46 falam de um cego, e Mt 20,29 de dois. Não é raro acontecer que o escritor faça menção daquela pessoa que se destacou de maneira marcante no quadro, omitindo a outra. Aqui se tornou digno de nota aquele que estava com o maior mal e que depois queria seguir Jesus em toda parte. 30 - A legião romana compunha-se de quantos soldados? 6.000. Aqui apenas indica o grande número de demônios que, como um exército, se uniram para combater os homens e o Reino de Deus no mundo. Segundo a concepção do tempo, ter que revelar o próprio nome era uma confissão de inferioridade e de sujeição. 32 - Que nos ensina essa permissão tão estranha? Jesus mostrou que o demônio pode prejudicar o homem não só diretamente na pessoa, mas também nos seus bens, como no caso de Jó. Mostrou igualmente a

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realidade da possessão diabólica que não se explica por fenômenos parapsicológicos como doença nervosa. Pois não é possível passar de repente uma doença nervosa de um homem para uma multidão de animais. Muito provavelmente essa manada pertenceria a um judeu a quem era severamente proibido pela lei de Moisés criar, comerciar e comer porcos. Os espíritos impuros exterminaram animais impuros para os judeus. Raramente Deus nos priva do que chamamos nosso. Mas o universo inteiro pertence antes de tudo a Deus. Se Deus tira, tira o que é seu, e sempre para devolver com vantagem, como em Jó. Aqui Jesus manifestou-se dominador dos demônios, como já se havia mostrado senhor da natureza na tempestade e nos ventos que lhe obedeceram (Lc 8,25). 33 - Quantos eram esses porcos? Mc 5,13 precisa "cerca de dois mil". 39a - Qual seria a razão de Jesus recusar a companhia desse homem? Jesus não quer uma presença espetacular. Atrairia muito a atenção sobre o secundário (a cura) e distrairia do principal: entender quem era Jesus. Ainda: o seguimento especial a Jesus, como o dos discípulos e apóstolos, é conseqüência de um chamado particular e não simples determinação pessoal. 39b - Jesus costumava proibir a divulgação de seus milagres. Como aqui mandou divulgar? Entre o seu povo judeu, Jesus proibia que se espalhassem seus milagres para não alardear sua fama de taumaturgo. Mas aqui ele se acha em território pagão, não judeu. Esse entusiasmo entre os judeus trazia uma conotação política envolvendo o perigo de uma sublevação contra os dominadores romanos, pois tomariam Jesus como alguém capaz de sacudir o jugo estrangeiro. Entre os pagãos, como no nosso caso, não havia tal perigo. Começou assim a missão leiga de pregar o nome de Jesus, hoje exercida por milhares de leigos no mundo inteiro. Esse homem tornou-se missionário em terras pagãs. Lições de vida 28 - Os demônios gozam de relativa liberdade para tentar o homem e perturbar-lhe a vida. Mas conforta ver que, diante de Jesus, os demônios perdem o poder. Estando com Jesus somos mais fortes que um esquadrão deles. 37 - Com receio de outros danos materiais, o povo afastou Jesus, perdendo assim a graça ímpar da presença e da doutrina do Mestre. Quem afasta o Senhor abre espaço ao seu inimigo. O mal moral que tanto se difunde no mundo de hoje é sinal de a sociedade ter-se afastado de Cristo. Comecemos por combater o mal em nós e em nosso redor. 39 - Em nossas reuniões cristãs, é muito útil para o fortalecimento de nossa fé que cada um tome para si a ordem que Jesus deu a esse homem: "conte todo o bem que Deus fez por você”.

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Oração "São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, cobri-nos com vosso escudo contra os embustes e ciladas do demônio. Subjugue-o, Deus, insistentemente o pedimos ! E vós, príncipe da milícia celeste, pelo divino poder, precipitai no inferno Satanás e os outros espíritos malignos que andam pelo mundo para perder as almas. Amém." (Leão XIII). Lc 8,40-56 Mulher curada. Menina ressuscitada (Mt 9,20-26; Mc 5,21-43)
(40)

Ao chegar Jesus de volta a Cafarnaum, aquém do lago de Genesaré, foi acolhido cordialmente pelo povo, pois todos o esperavam ansiosos de revê-lo. (41) Veio então ao seu encontro um homem chamado Jairo, um dos chefes da sinagoga ou casa de oração dos judeus daquele lugar. Ele se jogou aos pés de Jesus, suplicando que fosse logo à sua casa (42) porque sua filha única, de quase 12 anos, estava morrendo. Enquanto Jesus se dirigia para lá, a multidão apertava-o de todos os lados. (43) Nisto chegou certa mulher que havia 12 anos sofria de uma hemorragia. Tinha gasto com médicos todos os seus haveres sem que nenhum deles conseguisse curá-la. Esse fluxo de sangue acarretava impureza legal (Lv 15,25), por isso ela não ousou apresentar-se pela frente. (44) Buscando a cura dum modo que ninguém percebesse, ela, aproveitando o aperto da multidão, aproximou-se de Jesus por detrás, tocandolhe a franja da roupa. No mesmo instante o fluxo de sangue parou. (45) Jesus, mostrando conhecer o interior das pessoas e para chamar a atenção da multidão sobre a fé daquela mulher, perguntou: - "Quem foi que tocou em mim?". Todos negaram. Então Pedro lhe disse com os que ali estavam: - "Mestre, todos que estão aqui em volta o apertam e quase esmagam, e o Senhor pergunta quem relou?". (46) Mas Jesus insistiu: - "Alguém me tocou de maneira diferente, tanto que eu senti uma força milagrosa sair de mim para curar".
(47)

A mulher, vendo que não podia mais continuar escondida, aproximou-se tremendo de medo desse poder sobrenatural de Jesus que tudo vê, e de medo de ser castigada por violar a lei do Levítico 15,25 que a deixava legalmente impura. Atirou-se aos pés de Jesus e contou, diante de todos, por que razão tinha tocado nele e como ficara imediatamente curada. (48) E Jesus rematou:

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- "Minha filha, a força de sua fé livrou você da doença. Vai em paz".
(49)

Ele ainda falava quando um enviado da casa do chefe da sinagoga, demonstrando não conhecer ainda quem era Jesus, veio dizer a Jairo: - "Sua filha morreu. Não incomode mais o Mestre".
(50)

Mas Jesus, que ouviu a notícia, reanimou Jairo dizendo-lhe: "Não se perturbe. Basta crer, e ela será curada".
(51)

E ele se encaminhou para lá. Ao chegar a casa, para não fazer do milagre um espetáculo, não permitiu a ninguém entrar onde estava o cadáver, a não ser Pedro, João e Tiago, com o pai e a mãe da menina. (52) Parentes, amigos e carpideiras, conforme costume oriental antigo, todos estavam manifestando luto pela menina por meio de prantos clamorosos, melodias plangentes de flauta e cantos fúnebres. Jesus disse: - "Não chorem. A menina não morreu; para mim, ela está apenas dormindo".
(53) (54)

Todos começaram a caçoar dele porque sabiam que ela estava morta.

Mas Jesus, não ligando para a impureza legal de quem toca em cadáver (Nm 19,11), tomou-a pela mão dizendo em alta voz como para acordá-la: - "Menina, levante!".
(55)

O espírito dela voltou ao corpo e no mesmo instante ela se pôs de pé. Jesus mandou que dessem de comer a ela, significando que estava completamente recuperada sem convalescença. (56) Os pais ficaram profundamente impressionados e emocionados. Jesus ordenou-lhes que não fossem contando a ninguém o que acabara de acontecer, para não o tornarem objeto de curiosidade e sensacionalismo. Questionário 40 - Em que lado do lago chegou Jesus? Ele estava no lado oriental (8,26) do lago; agora está "de volta" para o lado de Cafarnaum, a oeste do lago. 41a - Que significa Jairo ou Jair? "Resplandecer" (a divindade), ou "faça resplandecer sua luz". 41b - Jairo era uma autoridade? Cada povoação judaica tinha duas administrações: uma civil, os anciãos (Lc 7,3), e outra religiosa, o conselho da sinagoga. Jairo era apenas um dos chefes da sinagoga local. Cidades maiores, como Cafarnaum, tinham vários chefes religiosos que compunham o conselho. 44 - Por que os varões usavam franjas nas vestes? (Cf. Nm 15,37-41; Dt 22,12) Nm 15,37-41 preceitua o uso de borlas ou franjas nos quatro cantos dos mantos como sinal para se lembrarem dos mandamentos de Deus. Muitos, principalmente os fariseus, costumavam trazer dependuradas tiras de papel com os mandamentos escritos (Mt 23,5), aparentando perfeita observância da lei.
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47 - Por que essa mulher temia tanto? Porque o fluxo de sangue deixava as mulheres com impureza legal. Durante esse tempo todo, elas eram proibidas de se apresentar em público. Ela temeu ser castigada por transgressão da lei do Lv 15,25: "ela será impura durante todo o tempo desse fluxo". 51 - Em que outras duas ocasiões Jesus quis essas mesmas testemunhas? Na transfiguração (Lc 9,28), testemunhando a glória divina de Jesus; e na agonia do Getsêmani (Mt 26,37; Mc 14,33), testemunhando a humanidade sofredora de Jesus. Aqui no nosso caso, são testemunhas do poder de Jesus sobre a morte. 52 - Como costumavam manifestar o luto? No antigo Oriente era costume manifestar o pesar pela morte de um ente querido por meio de prantos clamorosos (havia as carpideiras profissionais), por melodias plangentes de flauta e por cantos fúnebres até a hora do enterro. 56 - Por que essa proibição? As coisas divinas não devem ser objeto de tagarelices, de pura curiosidade, de mal-entendidos ou de entusiasmos mal orientados. Os milagres requerem um clima de santo temor. Lições de vida 45 - Jesus não censura essa mulher; ela se deixou levar pelo coração, pela esperança. Nestes casos a graça sempre fará a sua parte. Deus aceita uma fé imperfeita, contanto que seja sincera, aberta, corajosa, que já é maior do que a fé artificial e abstrata da ciência. 46 - A fé pura como que desprende quase automaticamente uma energia divina de Jesus para atender ao desejo da pessoa. 50 - Jesus vai ao encontro da fé vacilante e exposta a dúvidas do chefe da sinagoga, encorajando-o e consolando-o. 52 - A morte não passa de um sono mais ou menos longo, do qual seremos acordados na ressurreição final. Diante de Jesus o sono da morte não é definitivo. O fim não será a morte, mas a vida. A morte é fase de transição, porta que se abre para a eternidade. 55 - Esse fato prova que a alma humana subsiste por si mesma, independentemente do corpo, sem se destruir ou corromper, e que vive separada do corpo aguardando a futura ressurreição. Jesus curava pessoas presentes e a distância, sem remédios, sem operações cirúrgicas, com uma simples palavra ou mesmo sem proferir palavra, como no caso do servo do oficial (Lc 7,10). Curava doentes mentais (Lc 8,35), possessos, todo tipo de doenças; aplacava as intempéries do tempo, perdoava pecados, ressuscitava mortos sempre com a mais impressionante simplicidade. É o médico supremo da alma e do corpo.

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56- Quem admira em Jesus apenas suas faculdades prodigiosas de fazer milagres não chega só por isso ao conhecimento da divindade dele. Os milagres podem suscitar a avidez de prodígios e ocasionar cegueira perante o mistério de sua pessoa. Isso se deu com Herodes (Lc 23,8-11), com os fariseus e saduceus. Oração Jesus, senhor da vida e da morte, venha ao encontro de nossa fé vacilante e exposta a dúvidas como a de Jairo. Venha como médico supremo da alma e do corpo para curar em nós o que nos impede de viver a mesma fé simples dessa mulher agraciada, a fim de que em nossos gestos também nós lhe toquemos o coração divino. Amém.

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CAPÍTULO 9 Lc 9,1-6 Missão dos 12 (Mt 10,5-14; Mc 6,7-15)
(1)

Jesus convocou seus 12 apóstolos, que formam uma unidade em seu redor (613), deu-lhes força e autoridade sobre todos os demônios para expulsá-los de qualquer pessoa, e poder para curar doenças (2), e enviou-os a pregar a mensagem do Reino de Deus e a curar enfermos: a mesma atividade de Jesus que neles agirá longe. (3) Em vista disso, deu-lhes as seguintes orientações: - "Para dar testemunho de desinteresse e de confiança na providência divina, não levem nada de especial na viagem: nem bastão para apoio ou defesa pessoal, nem sacola para qualquer bagagem, nem comida, nem dinheiro, nem duas túnicas para a troca, bastando uma.(4) Na casa onde forem hospedados, permaneçam sem mudar para outra, até saírem, terminada a missão naquele lugar. (5) Quanto aos que não receberem vocês, saiam daquela cidade como de uma terra pagã: sacudam a poeira das sandálias em sinal de que vocês lhes deixam toda a responsabilidade por terem recusado a mensagem do Evangelho".
(6)

Os apóstolos então partiram de viagem para a sua missão. Passaram de aldeia em aldeia anunciando a Boa Nova do Evangelho e curando doentes por toda parte. Lc 9,7-9 Herodes perplexo (Mt 14,1-2; Mc 6,14-16)
(7)

Herodes Antipas, filho de Herodes Magno e governador da Galiléia e da Peréia, na qualidade de tetrarca, morava habitualmente na Peréia. Pretendia o título de rei. Ouviu falar dos milagres que estavam acontecendo através de Jesus e de seus apóstolos. Ficou perplexo, não sabendo o que pensar das várias opiniões formadas a respeito da pessoa de Jesus. Alguns diziam: - "É João Batista que ressurgiu dos mortos". Outros opinavam: - "É Elias que reapareceu".
(8)

Outros ainda afirmavam:

- "É algum dos antigos profetas que ressuscitou".
(9)

Herodes, porém, supersticioso, cheio de remorsos e não acreditando na ressurreição, pensava assim: - "João Batista, eu mandei degolar. Está morto para sempre. Quem será, então, esse homem de quem ouço narrar tantos prodígios?".

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E queria vê-lo para tirar a incômoda dúvida, certificando-se de quem se tratava, e para mandá-lo realizar algo de extraordinário. Questionário 1 - Que significa ser um dos 12, um apóstolo? O termo significa enviado, mensageiro de Jesus; era investido de poderes (carismas) dele para destruir o reino de satanás e remover as influências deste das vidas pecadoras e dos corpos doentes dos homens; testemunha de seus ensinamentos, de sua atividade, de sua paixão e de sua ressurreição (At 1,21-22), era mandado a pregar o Evangelho (Mt 10,5; Lc 9,2; Mc 3,14) no maior desprendimento possível dos bens terrenos; posto como pedra fundamental da Igreja (Ap 21,14; Hb 11,10); disposto a dar a vida pela causa de Cristo (Jo 16,2). 5 - Qual a origem do gesto de sacudir o pó? Os israelitas consideravam impura, contaminada a terra dos pagãos, isto é, dos povos não-judeus. Ao reentrar em sua Terra Santa vindo de outro país, o hebreu era obrigado a sacudir o pó da terra impura para se imunizar da corrupção. Aqui em Lc o gesto visava provocar arrependimento nos faltosos. 7a - Quem é esse Herodes? É Herodes Antipas, um dos filhos de Herodes Magno. Governava a Galiléia e a Peréia não com o título de rei, como pleiteava, mas na qualidade de tetrarca. Tetrarquia era a 4a parte de um território. 7b - Por que de Elias diziam que "reapareceu" e não que ressuscitou? Porque Elias desapareceu da terra levado por um carro de fogo diante dos olhos de seu discípulo Eliseu (2Rs 2,11). Formou-se a opinião de que Elias não havia morrido e que voltaria à terra antes do Messias, conforme Malaquias 3,23 (antigo 4,5). Mas essa profecia se realizou na pessoa de João Batista, que veio com a virtude e a força de Elias, segundo a explicação dada pelo próprio Jesus em Mt 11,14. Portanto, Elias não deveria vir pessoalmente. Lições de vida 3 - Jesus prepara os 12 para o substituírem. Exige dos seus continuadores, dos missionários, o maior desprendimento possível dos bens terrenos. Que se contentem com o mínimo necessário para viver, confiando plenamente na providência de Deus, sem preocupações materiais. Serão sustentados pelo povo de Deus. Essa missão iniciada pelos apóstolos ainda não terminou. A Igreja é missionária por natureza. 5 - Um apóstolo poderá sacudir o pó dos sapatos onde não for bem aceito, mas nunca se permitirá abandonar por isso o trabalho do seu apostolado. 7 - Desde que rolou a cabeça do Batista, a imagem sangrenta dessa vítima perseguia de contínuo a mente do tirano, causando-lhe um verdadeiro suplício, como costuma acontecer em casos semelhantes. Herodes vivia inquieto sem encontrar saída. É uma verdade inconteste: o crime não compensa.
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9 - Herodes pretende formar um julgamento adequado acerca de Jesus. Mas só o consegue quem se submete interiormente às exigências dele. O segredo para conhecer Jesus não é o de provas experimentais, mas o caminho da fé; crer nele entregando-lhe o coração. Oração Senhor, dê aos apóstolos de hoje esse desprendimento e esse zelo ardoroso pela implantação do Evangelho no mundo. E dê-nos a consciência de sermos também apóstolos da Palavra e do exemplo no ambiente em que vivemos. Amém. Lc 9,10-17 Voltam os apóstolos. Pães multiplicados (Mt 14,13-21; Mc 6,30-44; Jo 6,1-15)
(10)

Os apóstolos voltaram contentes da missão, e contaram a Jesus tudo o que haviam feito em suas pregações e as curas que haviam acontecido. Ele, com evidentes sentimentos humanos, tomou-os consigo numa barca (Mt 14,13) e os fez ir de Cafarnaum a um lugar afastado em direção a Betsaida, à esquerda do Jordão, ao norte do lago, na tetrarquia de Filipe. (11) A multidão, porém, viu a direção que tomaram e foi ao encalço deles a pé pela margem. Jesus os acolheu como bom pastor incansável, falou-lhes do Reino de Deus e restituiu a saúde aos que precisavam ser curados. (12) Estava perto o pôr-do-sol. Por isso, preocupados com o alojamento e a janta da multidão, esquecida até do alimento, de tanta avidez de ouvir Jesus, os 12 apóstolos chegaram-se a Jesus dizendo: - "Mestre, despeça essa gente para que possa ir às aldeias e aos sítios vizinhos em busca de comida e de pousada. É que estamos num lugar muito deserto".
(13)

Jesus respondeu-lhes:

- "Dêem de comer ao povo vocês mesmos". Os apóstolos replicaram: - "Não temos mais que cinco pães e dois peixes. O Senhor não vai querer que vamos nós por aí afora comprar alimento para tanta gente...".
(14)

Com efeito, encontravam-se ali perto de cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças. Ele, para lhes provar a fé, ordenou aos discípulos: - "Façam o povo sentar-se em grupos de 50 para facilitar a distribuição".
(15)

Assim fizeram os apóstolos. E todo o povo se acomodou na relva.(16) Então Jesus tomou nas mãos os cinco pães e os dois peixes, olhou para o céu e deu graças ao Pai por aquele alimento. Abençoou-o com estas palavras: - "Bendito sejas tu, Senhor, nosso Deus, rei do universo que da terra fazes brotar o pão". Partiu os pães e os peixes, que se iam multiplicando, e os entregou aos

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discípulos para os distribuírem ao povo. (17) Todos comeram e ficaram satisfeitos. E ainda foram recolhidos 12 cestos dos pedaços que sobraram. Questionário 10a - Onde se achava Jesus? Perto de Cafarnaum (8,40). 10b - Onde se situa essa Betsaida? À esquerda do rio Jordão, logo antes de desembocar no lago de Genesaré. O tetrarca Herodes Filipe deu-lhe o direito de cidade com o nome de Betsaida Júlia, em homenagem à filha de César Augusto. Alguns colocam uma segunda Betsaida, lugarejo perto de Cafarnaum (Bíblia do Instituto Bíblico de Roma em Mt 11,20-24, nota), onde teriam nascido Pedro, André e Filipe, que outros julgam de Betsaida Júlia. 10-11 - Que caminho seguiram Jesus e a multidão? Jesus foi de barca com os apóstolos; o povo, a pé, pela margem, como nos diz Mt 14,13, perfazendo nove quilômetros. 10-17 - Aponte delicadezas do coração de Jesus no trecho. Ao voltarem os apóstolos, naturalmente cansados dos trabalhos missionários, Jesus teve pena, tomou-os consigo em demanda de um lugar solitário a fim de propiciar-lhes o descanso corporal (v. 10). Pensa nos outros mais do que em si. Jesus também estava logicamente cansado pelo trabalho do dia inteiro em meio à multidão. Também ele necessitava de um repouso físico. Todavia, ao chegar ao lugar de destino, vendo ainda a multidão sequiosa de sua Palavra, pôs-se a falarlhes do Reino de Deus e a curar os enfermos esquecido de si mesmo e só considerando o bem dos outros (v. 11). Chega o fim do dia. Jesus percebe a multidão com as reservas alimentares esgotadas e não se conforma. Multiplica-lhes o pão e o peixe à medida que os apóstolos iam distribuindo até ficarem saciadas umas dez mil pessoas. Ele só pensa nos outros! 13a - Quem trazia os pães e os peixes? Um menino, conforme Jo 6,9. 13b - Qual apóstolo deu essa informação a Jesus? Conforme Jo 6,8, foi André. 14 - Quantas pessoas mais ou menos havia? Com as mulheres e crianças, em torno de dez mil. 17 - O pão multiplicado é figura de quê? É figura da Eucaristia, verdadeiro pão do céu (Ex 16,4s) que será multiplicado até o fim do mundo para o peregrino no deserto desta vida.

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Lições de vida 16 - Com o alimento nas mãos, Jesus olhou para o céu. Temos que olhar sempre para o céu diante do pão que abastece nossa mesa. 17a - Pela sua importância, embora seja esse o único milagre registrado pelos quatro evangelistas, chegamos à conclusão de um quase fracasso no ministério de Jesus na Galiléia. O povo não chegou a compreender que Jesus instaurou um reino interior de santidade, de vida com Deus. A eles interessava mais os milagres de Jesus do que a sua pessoa. 17b - Recolheram as sobras. Também o que sobra em nossa mesa é dom de Deus. Não se deve perder o que temos a mais. 17c - A multiplicação dos pães é figura da Eucaristia, pão que veio do céu como o maná no deserto (Ex 16,4s). Oração Jesus, o Senhor agradeceu ao Pai pelos cinco pães e pelos dois peixes que alimentaram a multidão. Obrigado, Senhor, porque em minha mesa nunca faltou o pão que muitos mendigam. Que eu saiba promover aqueles que o buscam sem tê-lo, e saiba dispor para o bem comum daquilo que para mim veio a mais. Obrigado, Senhor, porque a multiplicação diária da Eucaristia não me deixa perder as forças na caminhada desta para a outra vida. Amém. Lc 9,18-21 Jesus é o Messias (Mt 16,13-20; Mc 8,27-30)
(18)

Certo dia Jesus orava sozinho perto de Cesaréia de Filipe. Os discípulos o rodearam. Ele perguntou-lhes: - "Na opinião geral do povo, quem sou eu?".
(19)

Os discípulos responderam:

- "Alguns dizem que o Senhor é João Batista redivivo. Outros afirmam que o Senhor é Elias, que teria voltado à terra como precursor do Messias. Outros, ainda, pensam que o Senhor é um dos antigos profetas ressuscitado".
(20)

“E vocês?", perguntou-lhes então Jesus, "quem julgam que eu sou?".

Pedro, sob o impulso do Espírito Santo, prontamente expressou o pensamento dos companheiros fazendo pela primeira vez esta confissão: - "O Senhor é o Messias que Deus mandou, o Salvador que todos esperam!".

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(21)

Ele não reconheceu nem negou a divindade do Mestre. Mas Jesus, tomando um ar sério, deu-lhes ordem terminante de a ninguém por enquanto dizerem o que haviam descoberto. Porque, como todos esperavam um Messias político e libertador nacional, podia acontecer um tumulto popular. Lc 9,22 Primeiro anúncio da morte (Mt 16,21; Mc 8,31)
(22)

E Jesus adiantou-lhes esta previsão:

- "E necessário que eu passe por muitos sofrimentos, que seja rejeitado como pedra de tropeço pelos anciãos, chefes civis do povo, ou seja, a aristocracia instalada, pelos chefes dos sacerdotes, a autoridade religiosa do partido dos saduceus, e pelos escribas, homens do saber, mestres da Lei, na maioria fariseus. Também eu serei morto. Mas ao terceiro dia ressuscitarei!" (Lc 24,7; Mc 9,31). Questionário 18 - Onde se achavam eles? Perto de Cesaréia de Filipe, conforme Mt 16,13. 21 - Por que proib ir a divulgação dessa verdade? Porque os judeus esperavam ansiosamente por um Messias político e dominador. Descoberto o Messias, suscitariam um levante popular. Mas Jesus veio como príncipe da paz. Lições de vida 18 - Sempre antes de colocar os discípulos diante de passos importantes, Jesus orava sozinho na solidão (6,12). Agora, ele está para introduzi-los no mistério da Paixão e da Morte. Tornará a orar quando prestes a ser preso (22,32s). Antes de qualquer decisão importante, é mister falar com Deus. 20-22 - Jesus tem direito de esperar, de quem se alimenta sempre da Palavra de Deus, um conceito diferente daquele que a multidão tem dele. É incompleto o conhecimento da pessoa de Jesus como Messias. Devemos ter dele a experiência como Filho do Homem que sofre a morte reparadora, e como Filho de Deus de quem depende a vida eterna. A pergunta "Quem sou eu?" coloca o homem perante uma resposta decisiva. Se Jesus é para mim um profeta como os demais, eu o tenho em grande consideração. Se Jesus é um profeta menor que Maomé, eu sigo Maomé. Se Jesus é um grande médium, coloco-o no nível de Allan Kardec. Se ele é o iniciador de uma das maiores religiões, eu não preciso abandonar o hinduísmo, o budismo, o confucionismo. Se ele é a mais nobre criatura de Deus, deverá ser o modelo de minha vida. Se ele é o

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Messias prometido no Antigo Testamento e enviado pelo Pai como o Salvador da humanidade, eu o terei não só como modelo de minha vida, mas como meu Senhor e meu Deus, a quem devo dar todo o meu coração e o meu ser. Mesmo com essa descoberta, Jesus proíbe que se diga aos outros a confissão de Pedro. É necessário proibir o incompleto, porque o conceito de Jesus como nosso Deus-Salvador necessita de um acréscimo essencial: Jesus é também o Filho do Homem, que deverá sofrer e morrer em reparação por todos (Is 53), mas que ao terceiro dia ressuscitará. Oração Senhor, ensina-me a oração do silêncio na solidão. Ensiname a ouvir a Deus mais do que a falar-lhe. Ensina-me a oração do coração. Que eu não saiba tomar qualquer decisão importante sem antes falar com o Pai. Ensina-me também a difícil lição da cruz, que o Senhor tornou fonte de vida. Amém. Lc 9,23-27 Para seguir Jesus (Mt 10,38; Mc 8,34-38; 16,24-27; Lc 14,27; Jo 12,26)
(23)

Depois de ter anunciado a sua morte, Jesus dirigiu-se a todos dizendo:

- "Se alguém quer me seguir e merecer o nome de meu discípulo, renuncie a si mesmo (14,26), a todas as suas más inclinações, tome cada dia a cruz de seus deveres cumprindo-os por amor, e me siga. (24) Porque quem quiser poupar-se na vida terrena vivendo para si mesmo perderá a vida eterna. E aquele que doar a sua vida terrena, que doar a si mesmo por minha causa garantirá a vida eterna. (25) Com efeito, que aproveita ao homem no dia de sua morte ter ganho um acúmulo de bens ou até o mundo todo, se com isso ele vier a perder a vida eterna condenando-se? (26) Mais. Se alguém tiver vergonha de mim e da minha doutrina, também eu, Filho do Homem, envergonhar-me-ei dele quando eu voltar, com toda a minha glória, na glória do Pai e na dos anjos. (27) Eu lhes afirmo com toda a certeza: alguns dos que aqui estão presentes não morrerão antes de verem com seus olhos o Reino de Deus manifestado na pessoa do Messias em sua transfiguração (9,29); outros verão antes de morrer o Reino de Deus implantar-se amplamente no mundo pagão, quando, após a destruição de Jerusalém, os cristãos se espalharem por toda parte (Mt 16,28; Mc 9,1) semeando o Evangelho".

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Questionário 23 - Que é renunciar a si mesmo? É dar aos outros maior importância que a nós mesmos. Cuidar dos seus interesses como cuidamos dos nossos. É esquecermo-nos de nós mesmos e termos um conceito humilde de nossa pessoa. 24 - Quem oferece a vida pela causa de Cristo? Em primeiro lugar os mártires que tiveram a coragem de derramar o sangue para não renunciar à fé cristã. Também os que dedicam toda a sua vida à causa de Cristo, mesmo não morrendo mártires. E os que participam profundamente do despojamento de Jesus. 27 - Explique esta sentença. O Reino de Deus na terra é o cristianismo, para o qual Jesus é o único Senhor. Onde há fé cristã, aí está o Reino de Deus. Aqui Jesus parece referir-se à sua transfiguração, na qual três apóstolos viram nele como serão os glorificados no céu, Reino de Deus definitivo. Ou se referiu à dispersão dos cristãos pelo mundo por ocasião da destruição de Jerusalém no ano 70. Os cristãos saíram antes de ser destruída a cidade. Assim o Reino de Deus se implantou em toda parte. Alguns dos que estavam com Jesus presenciaram o acontecimento. Lições de vida 24-26 - Para seguir Jesus Cristo é preciso ter o coração desprendido de si mesmo, desprendido dos bens perecíveis, e vencer o respeito humano. Estar disposto todo dia a perder a vida por Ele, disposto a suportar a desonra e o sofrimento ligados à cruz. O martírio acontece uma vez, mas a imitação dos sofrimentos de Jesus é tarefa de todos os dias (At 14,22). E quem se decide a tanto encontrará a fortaleza que vem da graça do próprio Senhor. 25 - Os cuidados excessivos dos bens terrenos e dos prazeres sufocam a Palavra de Deus no nosso interior. Uma aparente autodestruição garante a vida eterna. A renúncia por Deus é lucro garantido: faz o homem ganhar em termos de vida. Ao contrário, poupar-se em tudo é perder. 26 - Envergonhar-se de ser cristão é trair a quem chamamos de Senhor. Tornava-se um tanto difícil aos primeiros cristãos apresentar como ideal um Deus crucificado. Cícero, morto 43 anos antes da era cristã, escreveu: "Morrer crucificado é o castigo social mais cruel e mais vergonhoso que existe, reservado aos desclassificados, aos escravos e traidores". Por essa mentalidade, a proposta cristã era chocante. O que atraía os pagãos era o exemplo impressionante de amor que constatavam na vida dos cristãos. Hoje todos queremos o crucifixo como um símbolo de fé que exige o sacrifício pelos outros. A fé no Crucificado é um estímulo ao heroísmo.

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Oração Senhor, peço me conceda o dom de um coração desprendido de mim mesmo para ser capaz de pôr em primeiro lugar o bem do outro e para que não me escravize aos bens perecíveis da vida presente. Outra graça que imploro é a de abraçar com tal amor a cruz dos meus deveres diários que a todo instante eu esteja dando glória a Deus e não desmereça o nome de discípulo do Senhor. Amém. Lc 9,28-36 Transfiguração: novo êxodo (Mt 17,1-13; Mc 9,2-8)
(28)

Mais ou menos oito dias depois do anúncio da Paixão, Jesus tomou consigo somente Pedro, Tiago e João e subiu com eles a um alto monte para orar. (29) Enquanto rezava, seu rosto a partir do seu interior mudou de aspecto, tornando-se resplandecente de luz, sinal da presença de Deus; suas vestes tomaram uma brancura fulgurante. (30) Nisso apareceram dois homens falando com Jesus. Eram Moisés, o fundador da antiga aliança, e Elias, o grande profeta defensor da aliança significando que Jesus é o prometido pela Lei e pelos Profetas; (31) vieram envoltos no resplendor da glória celeste. Falavam da morte que Jesus iria sofrer em Jerusalém para a Redenção do gênero humano. Jesus na glória messiânica e na fraqueza humana. (32) Os apóstolos, cansados, sentiam os olhos pesados de sono durante a oração do Senhor; agora, àquele clarão imprevisto, acordaram de tudo e viram Jesus envolto em glória celeste e os dois homens com ele. (33) E quando esses dois personagens foram-se retirando, Pedro, todo enlevado, lembrando a tenda de Moisés repleta da glória de Deus (Ex 40,35), disse impulsivamente a Jesus: - "Mestre, que bom estarmos aqui! Façamos neste lugar três tendas de moradia; uma para o Senhor, outra para Moisés e outra para Elias". Mas nem sabia o que estava dizendo de tanto arrebatamento diante da maravilha que contemplava. (34) Ele nem acabava de falar quando uma nuvem símbolo do Espírito Santo os cobriu a todos. Logo ela os envolveu, e ficaram apavorados. (35) Da nuvem saiu a voz do Pai dizendo: - "Este é meu Filho, o meu Escolhido: ouvi-o sempre como novo legislador!".
(36)

Quando essa voz cessou, viram que Jesus já se encontrava sozinho, sem Moisés e Elias. Por ordem do Senhor, os três apóstolos guardaram segredo de tudo o que presenciaram no monte; é que a mensagem da transfiguração seria prematura antes da Páscoa. Enquanto Jesus esteve sobre a terra, não disseram nada a ninguém.

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Questionário 28a - Em que outras duas circunstâncias Jesus quis consigo esses três? Na ressurreição da filha de Jairo (Lc 8,51) e no Getsêmani (Mt 26,37). 28b - Que monte seria esse? A tradição considera-o o monte Tabor, 562 m acima do nível do mar. Alguns julgam-no o Hermon, de 2.700 m, ao norte do lago de Genesaré. 29 - O que revela de Jesus a transfiguração? Revela-nos sua eterna divindade e a futura glorificação do ressuscitado. 30a - Não terá fundamento em Mt 11,14 e Mc 9,13 a idéia não-cristã de que o Batista é Elias reencarnado? O fato de Elias ter aparecido na transfiguração é prova clara de que um não podia ser o outro. Se Elias tivesse renascido, em João, este é que deveria ter aparecido como segunda edição de Elias. A idéia da volta de Elias antes da chegada do Messias originou-se da incorreta interpretação de Ml 4,5 (3,23): "eis que vos envio o profeta Elias antes que chegue o dia de Senhor...". O sentido é este: "Eis que vos envio alguém com a virtude e o ideal de Elias". De fato, João Batista teve, como Elias, o espírito da fortaleza e a função de reconciliar pais e filhos. O próprio Jesus deixou tão clara essa interpretação, que "os discípulos compreenderam que Ele lhes falava de João Batista" (Mt 17,13). 30b - Que sentido tem essa presença de Moisés e Elias? Significa que a Lei (Moisés) e os profetas (Elias) indicam o caminho da cruz que o Messias palmilhará. A Lei e o Profetismo convergem para Jesus como centro e meta da história. A morte de Jesus, por detrás das causas humanas, insere-se no plano assumido por Deus para a nossa redenção. 34 - Dê alguma outra citação da nuvem como sinal da presença de Deus. Ex 13,21; 24,15; 40,34; Nm 12,5; 1Rs 8,10; 2 Mc 2,8 ... 35a - No quadro da transfiguração você vê o mistério da SSma. Trindade? A vo z é do Pai; Jesus é o Filho; e a nuvem é sinal do Espírito Santo. 35b - Busque em Is 42 a frase que traz esse pronunciamento do Pai. Is 42,1b: "eis meu Eleito ao qual dou toda a minha afeição". Lições de vida 29 - O primeiro significado da transfiguração é remover do coração dos apóstolos o choque negativo que tiveram quando Jesus predisse a sua Paixão e Morte: ele morrerá como homem, mas agora mostra que é também Deus, portanto vencedor da morte e do mal. A luz é como "manto de Deus" (SI 103,2; 1Tm 6,16). Jesus confirmou também a verdade da confissão de Pedro em Cesaréia de Filipe (9,20) ao reconhecer o Mestre como o Messias Filho de Deus. Mostrou que o caminho da glória eterna é a cruz (Fl 2,6-7). Deixou claro que em Jesus há duas naturezas, divina e humana, numa só pessoa. A transfiguração ainda mostra que Deus agora
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estabelece a sua morada não mais no templo de Jerusalém ou na nuvem, mas em Jesus, para quem o Velho Testamento aponta. Cristo morto e ressuscitado é o novo centro do culto divino. Os homens nesta vida mal podem vislumbrar a glória da eternidade. Não conseguem contemplá-la nem suportar sua visão. Devemos ser transformados pela ressurreição para usufruirmos a visão beatífica de Deus na eternidade. 35 - "Escutai-o!" é a única vontade do Pai expressa no Novo Testamento. Já Moisés predissera-o em Dt 18,15. 19 e At 3,22-23: "é a Ele que deveis ouvir". 36 - "Jesus ficou só". Até hoje, para muitos homens, Jesus continua só e incompreendido. E nós, quanto mais o conhecemos, tanto mais ele sozinho nos basta. Oração Senhor Deus, peço a luz do Espírito Santo para compreender a difícil lição da cruz e da morte como caminho de glorificação não só para Jesus como para todos os seus seguidores; e a graça de compreender que a síntese de toda a santidade está em viver ouvindo Jesus, única vontade do Pai expressa em todo o Novo Testamento. Conceda-nos a graça de o seguir tanto na luz do Tabor quanto na noite de calvário. Amém.

Lc 9,37-43a Epiléptico endemoninhado (Mt 17,14-18; Mc 9,14-27)
(37)

Jesus e os três apóstolos passaram a noite em oração no monte. Na manhã seguinte, desceram. Já um grande número de gente que esperava veio ao encontro de Jesus. (38) Logo, do meio do povo adiantou-se um homem rogando a Jesus em altos brados: - "Mestre, peço que venha curar meu filho, porque é o único que tenho. (39) Um espírito maligno atira-o ao chão, e de repente ele grita, começa a ter convulsões violentas e a espumar pela boca. Só com muita dificuldade o deixa, mas todo machucado. (40) Pedi aos seus discípulos que o expulsassem, mas eles não conseguiram".
(41)

Diante do insucesso dos nove apóstolos na luta para curar o menino, os escribas e fariseus aproveitaram a oportunidade para tentar desmoralizar Jesus e os apóstolos diante do povo, pois ele lhes havia dado a missão de expulsar o demônio. Por isso Jesus dirigiu-se a todos indistintamente, inclusos os apóstolos, com esta queixa:

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CAPÍTULO 9

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- "Gente incrédula e má! Até quando devo ficar esperando que tenham fé na minha pessoa? Até quando terei de suportar a incredulidade?". Então ele disse àquele pai: - "Traga aqui o seu filho".
(42)

Quando o menino ia chegando, teve um ataque violento, demonstrando a crueldade do espírito maligno que o atirou ao chão. Jesus, com uma palavra de ordem, expulsou o demônio, curou o menino e o devolveu ao pai. (43) Todos os presentes ficaram maravilhados com a grandeza do poder de Deus manifestado em Jesus. Questionário 39a - Por que chamavam de lunático o epiléptico? Acreditavam que os ataques epilépticos dependendo das fases da lua.

aumentavam

e

diminuíam

39b - O demônio influi no homem? Ele pode exercer influência nefasta no homem. Desde o início induziu o homem a desobedecer a Deus (Gn 3,1-15). Tentou até a Jesus (Mt 4,1-11). "E o Filho de Deus se manifestou exatamente para destruir as obras do Diabo" (1Jo 3,8). Mas satanás não tem poder ilimitado. Suas insinuações causam graves danos de natureza espiritual e até de natureza física. Mas "sabemos que Deus faz todas as coisas (até as más) cooperarem para o bem daqueles que o amam" (Rm 8,28). (Catec. da Igr. Cat. nos 394-395). 41 - A quem Jesus aqui refere a falta de fé? Ao povo, ao pai do enfermo e aos próprios apóstolos (cf. Mc 9,22). 42 - Para que a nossa oração seja atendida, é necessária uma fé perfeita? Deus conhece a fundo as nossas limitações. É verdade que a oração confiante provinda de uma fé sincera alcança qualquer graça. Mas aqui, no caso presente, Jesus demonstrou que usa de misericórdia para conosco e atende a orações mesmo nascidas de uma fé imperfeita, como geralmente são as nossas. Lições de vida 41 - A queixa de Jesus mostra o seu desalento porque nem os apóstolos chegaram a uma fé transportadora de montanhas (Mt 17,20), a única digna de um fiel discípulo de Jesus. Eles já haviam expulsado demônios em nome de Jesus (Mc 6,13), mas agora estão impotentes diante dessa "casta de demônios" (Mc 9,29) que só serão expulsos à força de muita oração. Não é fácil ter uma fé inabalável. Há sempre de permeio algum pouco de insegurança. Por isso, diante de nossa fé exposta a tentações e riscos, devemos fazer nossa a oração desse pai: "Senhor, eu creio, mas ajude a pobreza de minha fé!" (cf. Mc 9,24).

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Oração São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, cobri-nos com vosso escudo contra os embustes e ciladas do demônio. Subjugue-o, Deus, insistentemente o pedimos. E vós, príncipe da milícia celeste, pelo divino poder, precipitai no inferno satanás e os outros espíritos malignos que andam pelo mundo para perder as almas. Amém. Lc 9,43b-45 Segundo anúncio da morte (Mt 17,22-23; Mc 9,30-32)
(43)

Enquanto todos se admiravam das obras que ele praticava, da grandeza de sua força que, com uma simples ordem, acabava com o poder do demônio, ele disse a seus discípulos:
(44)

"Gravem bem em suas mentes estas palavras: eu, o Filho do Homem, vou ser entregue às mãos e aos caprichos dos homens para a morte. Uma entrega simplesmente voluntária, prevista e aceita, pois, como tenho poder sobre o demônio, com mais facilidade escaparia das mãos dos homens se o quisesse".
(45)

Eles, porém, não compreendiam essa fala. Era inconcebível para eles a crucifixão do Mestre. Não aceitavam que um homem tão poderoso como Jesus pudesse terminar sua vida com morte violenta. Era-lhes obscuro o sentido dessas palavras. Tinham até medo de perguntar-lhe sobre esse assunto perturbador, porque sabiam que tudo o que Jesus anunciava acontecia. Lc 9,46-48 Questão da preeminência. Infância espiritual (Mt 18,1-5; Mc 9,33-37)
(46)

Ouvindo Jesus falar do seu Reino (vv. 22 e 26) e notando certa preferência dele (v. 28) por Pedro, Tiago e João, surgiu entre os apóstolos um forte sentimento de ambição. Daí levantarem a questão quando se avizinhavam de Cafarnaum: qual deles seria o mais importante no reino. (47) Mas Jesus, conhecendo o pensamento de seus corações, quis inculcar-lhes o caminho da humildade através de um gesto simbólico: tomou uma criança, colocou-a junto de si e lhes disse:
(48)

"Todo aquele que recebe uma criança como esta para cuidar dela, não por simples solidariedade humana, mas por amor a mim, é a mim que recebe! E quem me recebe, por amizade, recebe comigo o Pai que me enviou. Por isso, aquele dentre vocês que for o menor, o mais humilde, sem essa ambição de ocupar o primeiro lugar, terá mais méritos que todos e será o mais importante no meu reino".

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Lc 9,49-50 Uso do nome de Jesus. Tolerância (Mc 9,38-40)
(49)

João chegou-se a Jesus e tomou a palavra dizendo-lhe:

- "Mestre, durante a nossa missão (9,6), vimos um homem expulsando demônios em nome do Senhor, mas nós o proibimos porque ele não pertence ao grupo dos discípulos".
(50)

Jesus respondeu a João e aos outros apóstolos:

- "Não proíbam, porque quem é de fora dos nossos, mas não contra vocês, é a favor de vocês! Quem não é meu discípulo direto, se invoca o meu nome é porque crê em mim e no meu poder; este está promovendo a honra do meu nome, pelo que não pode ser contrário a mim". Questionário 48a - Qual a condição que Jesus supõe para pertencermos ao seu reino? Condição capital de ingresso no Reino de Deus é o tornarmo-nos pequenos como crianças com sua encantadora simplicidade e confiança límpida no Pai; é o convencermo-nos de que não dominar, mas servir aos pequenos e aos desprezados é o que engrandece o homem; é o entendermos que o serviço prestado a eles tornase culto prestado a Deus. 48b - Como podemos ser adultos-crianças? A criança não tem sentimentos de soberba e ambição; é simples, humilde, sem inveja, sem pretensões; está contente com seu estado. O adulto feito criança crê, humilde e firmemente, nos mistérios de fé superiores à razão, e se submete às legítimas autoridades. Para Jesus, os pequenos se tornam maiores porque só eles compreendem a absoluta necessidade que têm de Deus e deixam maior espaço para que neles atue a força de Jesus. 49 - Que defeito aparece aqui? Os apóstolos não eram modelos perfeitos. Aqui demonstram um ciúme descabido. Achavam que só eles tinham o privilégio e o direito de utilizar o nome de Jesus. Foi bem merecida a repreensão do Mestre. Todo movimento em favor de Deus, de Jesus ou da Igreja merece incentivo. Lições de vida 44 - A Paixão e a Morte de Jesus não foram um infortúnio dependente só da maldade humana, nem um mal imprevisto. Antes, foi preanunciado e aceito por Deus como remédio para o mal: "o Senhor fez recair sobre ele o castigo das faltas de todos nós" (Is 53,6). 49 - O exorcismo, até aí, era sempre feito em nome de Deus. Agora passa a ser feito em nome de Jesus. O exorcista estranho alarga a atuação de Jesus fora do círculo

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de seus discípulos. "Contanto que Cristo de qualquer modo seja anunciado, ou por um zelo hipócrita ou com sinceridade, com isto me alegro e me alegrarei sempre" (Fl 1,18). 50 - O discípulo deve ser tolerante e saber aceitar que outros trabalhem em nome de Jesus. Por isso é preciso tornar-se pequeno, porque ninguém tem o monopólio do bem, e todos que o praticam estão unidos entre si invisivelmente. Em 11,23 Jesus afirma: "quem não está comigo está contra mim", dando a entender que não há meio-termo em relação a Jesus: estamos com ele ou contra ele. Oração Senhor, ensine-me a viver dentro de minha pequenez, a ser simples, a não me engrandecer diante dos outros, a confiar nas pessoas, a entender que quanto mais me inclino para servir tanto mais cresço em valor, e "a considerar os outros superiores a mim mesmo" (Fl 2,3). Amém. Lc 9,51-56 Mal recebido na Samaria
(51)

Como se aproximava o tempo de ser arrebatado deste mundo, isto é, de pôr fim a seu destino de sofrimento e começar sua glorificação, ele, pela via mais curta que é a Samaria, tomou resolutamente o caminho de Jerusalém, sua meta final, onde já haviam decretado matá-lo (Jo 5,18; 7,19; 7,25; 8,40). (52) Enviou alguns discípulos à sua frente. Estes partiram e entraram numa povoação de samaritanos com o fim de prepararem alimento e hospedagem. (53) Ao saberem que Jesus pretendia ir a Jerusalém, os samaritanos, pela sua rivalidade com os judeus (Mt 10,5; Jo 4,9 e 8,48), negaram-se a dar-lhe pousada. (54) Diante dessa atitude, os discípulos Tiago e João, já chamados filhos do trovão (Mc 3,17), indignados perguntaram a Jesus: - "Senhor, quer que lancemos neles uma maldição fazendo cair do céu um raio para destruí-los como fez Elias?" (2Rs 1,10-12).
(55)

Jesus, porém, voltou-se para eles e severamente os repreendeu pelo seu espírito de violência, dizendo: - "Vocês ainda não sabem que a nova lei é de mansidão e não de vingança como a lei antiga do tempo de Elias. A nova sociedade é animada pelo perdão das ofensas, pelo amor até aos inimigos e pelo pagamento do mal com o bem.(56) Eu, o Filho do Homem, não vim ao mundo para perder as vidas dos homens, mas para salvá-las (19,10). Vocês, como eu, devem salvar e não destruir, perdoar e não castigar, orar por eles e não amaldiçoá-los". E, sem mais, dirigiram-se a outra vila do lado leste.

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Questionário 53 - Porque os samaritanos foram tão indelicados com Jesus? Havia grandes rivalidades religiosas e políticas entre judeus e samaritanos. Odiavam-se mutuamente. Os samaritanos, no ano 722 a.C., foram dominados pelos assírios, que deportaram a maior parte dos israelitas e estabeleceram estrangeiros em seu lugar. Mesmo adotando fundamentalmente a religião israelita, os novos samaritanos, no 5º século a.C., construíram, no monte Garizim, um templo que tornaram centro do culto religioso, como réplica do templo nacional de Jerusalém. Por ocasião das grandes festas dos judeus, os samaritanos tornavam-se mais hostis. Era perigoso passar pela Samaria em demanda de Jerusalém. Por isso os galileus muitas vezes preferiam o caminho de Jericó, dando longa volta pela Peréia, além do Jordão. Flávio Josefo, em seu livro Antiguidades Judaicas, refere que o templo de Garizim foi destruído em 128 a.C., por João Hircano, filho de Simão Macabeu. 54 - Tiago e João queriam imitar um gesto de Elias. Qual? (Cf. 2Rs 1,1-12) Elias fez cair fogo do céu, ou seja, um raio, matando cem soldados mensageiros do rei Ocozias (Acazias), que levara o povo ao culto do falso deus Acaron. 55 - Parece que o Evangelho não admite perspectiva de castigo divino. Que diz você? Jesus pregou e praticou a misericórdia e o perdão para quem se arrepende. Ele nunca fez vir um castigo a quem quer que fosse. Mas não se pode afirmar que seja contra o Evangelho a punição de pecados de particular gravidade, pois temos exemplos disso no Novo Testamento. Assim, Ananias e Safira (At 5,1-11) foram castigados com morte instantânea. Paulo fez a cegueira atingir temporariamente Elimas (At 13,6-11) e excomungou o incestuoso de Corinto (1Cor, 5,1-5). São castigos excepcionais e medicinais. 56 - Algumas Bíb lias não trazem essas palavras de Jesus. Que dizer? As palavras de Jesus nesses dois versículos não se encontram nos melhores manuscritos gregos. Por isso muitos as rejeitam como inautênticas. Lições de vida 51 - Essa viagem, cujo desfecho Jesus bem conhecia, pode ser vista como sua solene procissão para a morte, a ressurreição e a ascensão. Um mistério: o caminho de sua glória é a estrada real da cruz! 53 - No início de sua vida, no começo de sua pregação na Galiléia, Jesus não encontrou lugar na sociedade. Até para morrer teve que sair de Jerusalém. Jesus vi veu exposto à repulsa e aos caprichos dos homens. 55 - O espírito de intolerância de Tiago e João revela uma religião de interesses exteriores e puramente nacionalistas. Jesus foi compassivo com os samaritanos cismáticos; eles se tornarão os primeiros não-judeus ingressando na Igreja nascente

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(At 8,5-6). A conversão necessita de tempo. A intolerância contrasta com o espírito de amor do Evangelho. Oração Ensine-me, Senhor, a lei da mansidão, da não-violência, da não-vingança. Ensine-me a salvar sempre que puder sem destruir, a perdoar antes que castigar, a orar por quem me amaldiçoa. Como me faz bem ver que o Senhor tinha o poder de castigar, e não o usou! Guie meus passos nessa escola de amor, para que eu seja seu fiel seguidor, Senhor. Amém. Lc 9,57-62 Disposições para ser discípulo de Jesus (Mt 8,19-22)
(57)

Enquanto prosseguiam viagem, um doutor da Lei na estrada disse-lhe, como quem escolhe seu próprio mestre: - "Eu seguirei o Senhor para qualquer lugar onde for".
(58)

Jesus, conhecendo-lhe o interior, respondeu:

- "Não pense em vantagens no meu seguimento. As raposas têm suas tocas, e as aves do céu, seus ninhos, mas eu, o Filho do Homem, não tenho um lar fixo onde possa descansar livremente: Meu seguidor deve estar disposto à falta do necessário". Assim desfez o entusiasmo interesseiro do mestre da Lei, o qual desistiu do intento.
(59)

A

outro ele disse:

- "Siga-me". E o homem, ainda não bem disposto, respondeu pedindo um prazo: - "Eu posso ir, Senhor, mas só depois que meu pai morrer".
(60)

Mas Jesus, não permitindo adiamento e querendo submissão incondicional, replicou-lhe: - "Deixe essa obrigação de cuidar de seu velho pai para os demais familiares que não têm interesse em se converter para o Reino da Vida. São como mortos espirituais; que cuidem de quem deve morrer corporalmente. Quanto a você, venha comigo para anunciar o Reino de Deus; isto é mais urgente e deve ser preferido em caso de conflito com os outros deveres".
(61)

Um terceiro pediu-lhe uma espera após ser chamado:

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- "Eu seguirei o Senhor, mas permita-me primeiro despedir-me dos meus familiares e dispor dos meus pertences!" (Cf. 1Rs 19,19-21).
(62)

Jesus, porém, respondeu-lhe:

- "Quem está com as mãos no arado revolvendo a terra e se volta para outra coisa, olhando para trás, faz o sulco fora da linha certa, estraga o trabalho e não está capacitado para ele. Assim também quem quer seguir-me como verdadeiro discípulo não pode voltar-se para preocupações de família ou interesses terrenos: não é apto para o trabalho do Reino de Deus". Questionário 57 - Quem era esse homem? Segundo Mt, 8,19 era "um doutor da Lei", isto é, escriba ou rabino. 60 - Que sentido tem a sentença: "deixe os mortos enterrarem seus mortos"? É como se dissesse: "Entre os seus, há pessoas desinteressadas de abraçar a minha doutrina de Vida Eterna. São como mortos espirituais. Deixe para eles o cuidado de seu pai até o fim da vida. É mais importante e urgente pregar aos mortos espirituais para que ressuscitem, do que enterrar os que morrem corporalmente". 62 - Que significa essa frase? Quem está arando, se desvia o olhar e a atenção para outra coisa, faz o sulco errado, fora da linha. O discípulo de Jesus chamado a trabalhar no reino que o Mestre inaugurou na terra não pode deixar-se embaraçar pela família ou por interesses temporais. Estaria olhando para trás, dando mostras de não estar capacitado para tal ministério. O apóstolo de Cristo terá o coração indiviso e só preso aos interesses do Mestre. Lições de vida 58 - Nem casa própria Jesus possui! Ser discípulo é abraçar identidade de sorte com Jesus, e chegar a rompimentos que podem psicologicamente ferir; é renunciar a vínculos humanos para formar com Jesus nova família. 60 - Quando Deus faz ouvir seu chamado, é necessário dar-lhe ouvidos sem demora. Todas as tarefas e obrigações humanas passam a segundo plano. Porque os direitos que ele tem sobre nós são superiores aos direitos de todos os outros, inclusive os pais. No Antigo Testamento era proibido ao sumo sacerdote participar dos funerais de seus pais (Lv 21,11). O Novo Testamento ensina que os sentimentos e expressões de amor para com os pais não devem criar obstáculo para o seguimento de Jesus. 62 - Quem é chamado a trabalhar na extensão do Reino de Deus na terra deverá amar a Deus e seus interesses com coração sem partilha, renunciar às comodidades da vida, desapegar o coração daquilo a que se prendia, não se enredar com preocupações materiais a fim de estar inteiramente disponível para o anúncio do Evangelho sem reservas nem condições. Para o discípulo de Cristo o apostolado é o

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mais importante dos deveres. Só uma entrega total e absoluta é digna de Deus! Seguir Jesus é enfrentar incertezas e riscos com a confiança mais incondicional na bondade e na providência divinas. Oração Senhor Jesus, peço que me conceda colocar como prioridade dos meus interesses o anúncio e a extensão do Reino de Deus no mundo em que vivo. Que eu esteja tão desprendido de tudo o que é bem terreno, a ponto de seguir o Senhor sem visar vantagem alguma deste mundo. Que eu não perca a paz interior quando me faltar o que os outros têm. Que minha alegria seja o seu seguimento incondicional. Já que pus a mão ao arado na sua vinha, que eu nunca olhe para trás. Amém.

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CAPÍTULO 10 Lc 10,1-12 Os 72 discípulos leigos (Mt 10,7-16)
(1)

Depois desses acontecimentos, o Senhor escolheu outros 72 mensageiros e, dois a dois (6,7), enviou-os à sua frente como precursores espirituais para lhe prepararem a chegada em toda cidade e lugar da Palestina aonde ele próprio devia ir. (2) Orientou-os assim: - "A colheita em toda parte é imensa, mas os trabalhadores missionários são poucos. Por isso peçam ao dono da plantação que mande operários para fazer a colheita (Mt 9,37-38). (3) Vão! Estou mandando vocês como cordeiros entre lobos, porque irão enfrentar perseguições. (4) Não se preocupem em levar reservas em dinheiro, mantimento e em calçado; basta que confiem na Providência divina. Nem se detenham pelo caminho em longas saudações, atenções, visitas e conversas dispensáveis com amigos. (5) Em qualquer casa onde entrarem, digam primeiro: 'Paz de Deus a esta casa'. (6) E se um homem digno dessa paz, porque amante do bem, morar ali, sobre ele repousará a paz que vocês levam como voto para todos os bens espirituais e materiais. Se o homem não for de paz, continuará com vocês a paz de Deus. (7) Fiquem na mesma casa que os recebeu, comendo e bebendo do que for servido, sem exigências e sem refletir se a comida é da que se julga pura ou impura, pois o trabalhador tem direito ao salário de que necessita para viver. E como vocês são trabalhadores de Deus, merecem um tratamento conveniente. Não fiquem mudando de casa em casa em busca de melhor hospitalidade. (8) Em qualquer cidade onde entrarem e forem recebidos, comam com simplicidade do que servirem. (9) Curem os doentes que nela houver e digam ao povo: 'Está próximo de vocês o novo Reino de Deus composto por todos os que crerem em Cristo!'. (10) E como se comportarem onde não forem recebidos? Em qualquer cidade onde entrarem e não forem acolhidos, dirijam-se às praças púbicas e digam àquela gente: (11) 'Até a poeira que se grudou em nossos pés nesta cidade a sacudimos em sinal de que vocês são os únicos responsáveis por essa rejeição. Mas saibam disto: o Reino de Deus está perto, na pessoa de Jesus, e vocês o rejeitaram!".
(12)

E Jesus acrescentou para os discípulos:

- "Garanto-lhes que, no dia do juízo, Deus terá mais consideração por Sodoma, que não foi evangelizada, do que por essa cidade". Questionário 1a - Por que dois a dois? Para se ajudarem nas dificuldades e canseiras, servirem de testemunha um ao outro diante do povo (Dt 19,15; Mt 18,16; 1Cor 13,1) e para melhor dispor o ânimo dos ouvintes a acolher a mensagem.

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1b - Que lemb ra o número 70 ou 72? Como 12 era o número das tribos de Israel e daí os 12 apóstolos, assim 70 ou 72 (os códigos mais antigos apresentam já essa diferença) era o número tradicional das nações pagãs, conforme Gn 10, e 70 foram os assessores de Moisés, conforme Nm 11,16-30. Isso significa que Jesus indicava à sua Igreja o dever de enviar missionários a todas as nações pagãs do mundo. 4 - Como se explica essa proibição de saudar alguém? Entre os orientais, as saudações não se limitavam a uma troca de palavras ou a um gesto, mas eram acompanhadas de demorada visita a casa, muitas demonstrações de afeto, perguntas e respostas, o que as tornavam demasiadamente cerimoniosas (cf. 2Rs 4,29). Jesus não proíbe as saudações comuns, mas quer incutir a necessidade de não perderem tempo com coisas secundárias diante da urgência de anunciar o Evangelho. 5 - Que se entende por essa paz? Shalom era a saudação normal. Por paz messiânica entende-se o conjunto dos bens espirituais e materiais. Paz é uma saudação e um dom: não oferece só o bem-estar, mas também a salvação do Messias (At 10,36). As palavras da saudação produzem o que significam. Assim, a paz que os anjos anunciaram em Belém foi a salvação oferecida a todos os homens que viviam no agrado de Deus. Portanto, a saudação da paz não é fórmula vazia. 11 - Que costume era esse de sacudir a poeira dos pés? Os judeus sacudiam a poeira dos pés ou dos sapatos quando, voltando de terras pagãs, entravam na Palestina. Significava que não existia comunhão religiosa entre judaísmo e paganismo. Cidade que não recebesse os mensageiros de Cristo estava rompendo a possível união com o povo de Deus e com o próprio Deus. 12 - Que aconteceu de grave com Sodoma? Foi queimada com Gomorra por uma chuva de fogo e enxofre (Gn 19,24) de um vulcão e está submersa no Mar Morto. Sodoma e Gomorra terão mais desculpas porque não chegaram a ser evangelizadas. A Palavra do Evangelho coloca o homem perante uma decisão que implica salvação ou condenação. Lições de vida 1 - Jesus quer um apostolado oficial e organizado em grupos também de leigos, que multipliquem a atividade missionária e a tornem mais eficiente. Quer o planejamento, a preparação adequada, o raciocínio que garantam êxito. E instituiu uma hierarquia: primeiro os 12 apóstolos (9,1; 6,13), em seguida os 72 leigos e depois todos os seus seguidores (AA 33). O apostolado na Palestina foi apenas o começo de um trabalho muito maior que abrangerá o mundo inteiro. 2 - Deus é quem dá a vocação de discípulo e de apóstolo, e estes, com devotamento total, se dedicam a conduzir homens ao Reino de Deus. Mas, segundo Jesus, Deus dará se pedirmos. Jesus conclama à oração. Paulo reconhece: "Pela

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graça de Deus sou o que sou!" (1Cor 15,10). Também de nós depende o aparecimento de mais anunciadores da mensagem cristã. Tenho rezado para que Deus suscite operários do Evangelho, tanto consagrados quanto leigos? Muitos costumam dedicar o 1º sábado do mês à obra das vocações. Eu pessoalmente posso semear Evangelho entre aqueles com quem convivo. Se o Evangelho não penetra em nossa sociedade, se o cristianismo não aparece atraente, não caberá a mim parte da culpa? Tenho feito minha parte na evangelização do meio ambiente? Notemos que as instruções dadas aos discípulos leigos são como as dos apóstolos (9,3-5; Mt 10,5-42; Mc 6,7-13). Jesus mandou-nos orar para que haja vocações de missionários consagrados ou leigos. Se faltam, é porque falta oração. 3-7 - Pôr a segurança em meios humanos é interditado aos enviados do Evangelho. Irão só confiados na proteção da Providência divina. A pobreza será o distintivo daqueles que pregam o Evangelho. Terão em mira somente a sua missão, sem que nada os desvie. Os mensageiros se apressam. Assim Maria "foi apressadamente" à casa de Isabel (Lc 1,39); os pastores "foram apressadamente" a Belém (Lc 2,16); Zaqueu "desceu depressa" para receber Jesus (Lc 19,6); Filipe "correu" para o etíope (At 8,29). São, portanto, características dos novos discípulos: estar indefesos como ovelhas entre lobos, ser mansos no meio da animosidade, não ter lar, devotarse decididamente à pregação do Evangelho sem perda de tempo, sem cuidar do bem-estar pessoal, sem buscar uma remuneração especial, bastando o suficiente para viver, pois "ordenou o Senhor: os que anunciam o Evangelho vivam do Evangelho" (1Cor 9,14; 1Tm 5,18); contentem-se do que recebem como remuneração pelo que oferecem. Oração Senhor, acenda em meu coração a necessidade de passar aos outros a semente da Palavra que foi plantada em mim. Que eu me sinta operário (a) de sua la voura e instrumento da paz messiânica, sem desânimo quando encontrar resistência à mensagem cristã que pretendo sempre difundir no meio em que vivo. Que os casais sintam que, como os 72 discípulos leigos, foram mandados dois a dois, marido e mulher, para o lugar onde o Senhor mais deseja implantar-se: o lar! Amém.

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Lc 10,13-16 Cidades incrédulas (Mt 11,20-24)
(13)

Infeliz de você, cidade de Corozaim! Infeliz de você, cidade de Betsaida! Porque, se nas cidades pagãs de Tiro e Sidônia, corruptas, tivessem sido realizados os milagres feitos no meio de vocês, há muito tempo os habitantes daquelas cidades ter-se-iam convertido com penitência e sincero arrependimento de seus pecados. (14) Por isso no julgamento final, haverá mais tolerância por Tiro e Sidônia do que por vocês. (15) E você, Cafarnaum, será elevada até realizar seu sonho de riqueza e glória? Muito pelo contrário, será como a habitação dos mortos, um cemitério desaparecendo todo, na mais desonrosa destruição!
(16)

Vocês são meus embaixadores. Quem ouve a vocês é a mim que ouve; quem os rejeita é a mim que rejeita; e quem me rejeita está rejeitando Aquele que me enviou ao mundo (Mt 10,40; Jo 13,20). Questionário 13a - Localize Corozaim, Betsaida, Tiro e Sidônia. Corozaim é pequena cidade a três quilômetros a norte de Cafarnaum, noroeste do lago de Genesaré. Betsaida (que significa Casa da Pesca) é também pequena cidade da Galiléia, à margem ocidental do lago, não longe de Cafarnaum, mas distinta da Betsaida Júlia, do além Jordão, na Gaulanítide, terra de Pedro, André e Filipe. Tiro e Sidônia, cidades da Fenícia (hoje Líbano), na costa do mar mediterrâneo, a norte da Galiléia, célebres por seu comércio e sua corrupção. 13b - Que infelicidade pesou sobre Corozaim e Betsaida? Inteiramente destruídas por Tito, nunca mais se reergueram. Delas nada mais resta. Ao passo que, em Tiro e Sidônia, vingou o cristianismo (At 21,3-4; 27,3). 13c - Que significa "em saco e cinza" que se lê no texto oficial? Como sinal de penitência ou de dor profunda, o penitente cobria-se com uma veste rude feita de peles peludas e sentava-se sobre cinza, jogando-a também sobre a cabeça. 13d - Que intuito Deus tem quando ameaça? As ameaças proferidas por Deus no Antigo Testamento e por Jesus no Novo, diante de grandes pecados como o de rejeitar o chamado à conversão, são sempre um último e mais forte apelo de Deus ao coração humano. Deus, como um pai de família, deseja que o homem, seu filho, não o obrigue a castigá-lo. 15 - Que significa esse "inferno"? Não era o lugar de tormentos, mas o lugar dos mortos (Nm 16,30-33), cemitério, destruição. Cafarnaum aspirava a grandezas como o rei de Babilônia (Is 14,13-15). Em 655 foi arrasada por terremoto. Hoje, desse antigo centro de irradiação do Evangelho de Jesus, só restam ruínas.
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Lições de vida 13 - Expulso violentamente de Nazaré (4,29-31) e rejeitado por Cafarnaum, Corozaim e Betsaida, cidades de sua nação, Jesus mostra que os pagãos (Tiro, Sidônia, Sodoma) têm melhores disposições para o arrependimento dos pecados, a conversão, a salvação, do que seu próprio povo. Quanto maior o número de graças que recebemos, tanto mais se exigirá de nós. As graças nos fazem conhecer a vontade de Deus e nos dão ensejo de irmos sempre mais abrindo o coração a ele. 16 - Jesus é o único nosso mediador junto do Pai (1Tm 2,5), mas na sua mediação serve-se de mensageiros (mediadores secundários). Ele quer que o homem seja conduzido à salvação pelo homem. Jesus converteu Saulo (At 9,4), mas, para caminhar no processo da conversão, mandou-o a Ananias (At 9,6-18), mediador humano. Daqui vem o acatamento e o respeito à pessoa dos representantes de Cristo na terra, principalmente o papa, o bispo e o pároco, que nos falam e nos dirigem em nome de Deus (LG 21). Com eles viveremos em comunhão de fé e disponibilidade. O que importa não é tanto a pessoa do representante, quanto a palavra que ele anuncia (At 1,2; 6,4). Oração Senhor, qua ndo leio o Evangelho, que eu não seja duro de ouvidos como as cidades impenitentes, mas saiba conservar os ouvidos do coração sempre abertos aos apelos do Espírito Santo. Obrigado por tantas graças e luzes que recebo da bondade do Senhor. Peço me dê a necessária sensibilidade e delicadeza para que eu não perca sequer o menor toque de sua mão divina. Amém. Lc 10,17-20 Volta dos missionários (Mc 6,30-32)
(17)

Os 72 discípulos voltaram cheios de alegria pelo êxito da missão e contaram a Jesus o que lhes parecia mais difícil e extraordinário: - "Até os demônios se nos submetem quando os expulsamos em nome do Senhor".
(18)

Ele lhes respondeu:

- "Sim, eu sei, porque pude presenciar a vitória de vocês. Quando exorcizavam possessos e anunciavam o Reino de Deus, eu via o demônio, com a rapidez e o ímpeto de um raio, do mais alto poder e fastígio que ocupava no reino da idolatria e dos vícios, cair até o fundo perdendo seu domínio sobre os homens! (19) Eu dei a vocês o poder de dominar serpentes e escorpiões, com todo o mal físico produzido por elementos naturais, e vencer todas as insídias do inimigo infernal, sem que nada possa causar dano a vocês (Mc 16,17-18; At 28,3-5). (20) A força de vencer o
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demônio e os males deste mundo é um grande dom, mas não basta para garantir a vida eterna; pode ser concedido mesmo a quem não está comigo. (Mt 7,22). Por isso, não se alegrem tanto por se submeterem a vocês os demônios, quanto pelo fato de terem seus nomes inscritos no livro da vida eterna (Fl 4,3; Ap 3,5; 17,8; 20,15; 21,27) como cidadãos do céu, unidos vitalmente a mim pela graça". Questionário 18 - Que significa esse "cair do céu"? Céu aqui é o mais alto fastígio do poder e das honras que o demônio adquiriu na idolatria e no império dos vícios. Logo atrás, no v. 15, Jesus pergunta se Cafarnaum será "elevada até o céu", isto é, ao mais alto grau de glória terrena. E ele mesmo responde que essa cidade será "rebaixada até o inferno", quer dizer, ao último grau de humilhação, isto é, à total destruição. 20 - Existe para nós algo superior a sub jugarmos o demônio? Até Judas recebeu o extraordinário carisma de submeter o demônio. Apesar disso, ele perdeu sua união vital com Jesus, o estado da graça. Está com o nome inscrito no Livro da Vida a pessoa que vive em comunhão com Deus, o que lhe dá o direito à glória eterna. Subjugar o demônio está ainda no nível das possibilidades dos seres criados. Atingir a bem-aventurança eterna vai além de toda a ordem criada e entra na esfera da vida do próprio Deus: é muito mais do que submeter o demônio. Lições de vida 17 - Ao nome de Jesus, doentes foram curados, os homens se submeteram à Palavra de Deus e as forças satânicas foram dominadas (Jo 12,31). Assim os discípulos fizeram a primeira experiência do Reino de Deus surgido com Jesus. Os colaboradores de Jesus também hoje obterão vitória com a força do santo nome de Jesus sobre serpentes e escorpiões, símbolos de satanás pelo perigo letal que oferecem (SI 91 (90), 13). No nome de Jesus nós estamos sob o poder de Deus e não de satanás, que usa sua força para prejudicar o homem. Quem vive com Cristo está certo da vitória (Rm 8,37-39). Oração Senhor, fortaleça a nossa fé e aumente a nossa união na graça para que também nós possamos dizer: "Até o demônio se nos submete quando o expulsamos em nome do Senhor". Que ele não nos possa causar dano espiritual, moral ou até material. Acima de tudo, Senhor, que a nossa alegria e a nossa segurança consistam no fato de termos os nossos nomes inscritos no livro da vida eterna por estarmos vitalmente em comunhão com Deus. Amém.

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Lc 10,21-24 Hino de ação de graças (Mt 11,25-27; 13,16-17)
(21)

Nesse momento, depois da volta dos 72 discípulos, em contraposição com as cidades impenitentes, Jesus viu a fé que eles demonstraram, ficou cheio de consolação causada pelo Espírito Santo, e rezou ao Pai, exclamando com alegria: - "Pai, senhor do céu e da terra, eu lhe agradeço por ter revelado as verdades do reino aos não-instruídos, aos pequenos e humildes que sentem necessidade dessas mensagens divinas e o Senhor não as revelou aos que se julgam orgulhosamente sábios, entendidos, que não sentem necessidade delas, não aceitam conselhos nem abrem o coração. Sim, Pai, porque o Senhor quis assim eu o louvo!".
(22)

E Jesus prosseguiu:

- "O Pai me confiou o poder e a missão total da salvação (Jo 17,2). Ninguém conhece quem é o Filho divino em todo o seu mistério, a não ser o Pai eterno, porque o Filho é Deus. E ninguém conhece de modo total quem é o Pai eterno a não ser quem possui a glória eterna de Deus como o Filho em sua comunhão de vida com o Pai; e também, relativamente conhece o Pai aquele a quem o Filho o quiser revelar; e o Filho só quer revelar o Pai àquele que se abre à Palavra, e está impedido de revelá-lo àquele que se fecha como auto-suficiente" (Jo 3,35; 6,44-47; 10,15; 17,25-26).
(23)

E, dirigindo-se aos discípulos em particular, acrescentou:

- "Felizes os que podem ver o que vocês estão vendo! (24) Eu lhes afirmo: muitos profetas e reis suspiraram por ver o que vocês estão vendo, e não viram; desejaram ouvir o Evangelho que vocês estão ouvindo, e não ouviram!". Questionário 21 - Os sáb ios ficaram excluídos da revelação de Jesus pelo fato de serem inteligentes e instruídos? Não, pois a inteligência é um dom de Deus. Mas esses, que passavam por sábios e inteligentes por serem letrados, viviam cheios de si mesmos, desprezavam os simples e ignorantes, não aceitavam conselhos, não abriam o coração nem sentiam necessidade das mensagens que Jesus trazia da parte de Deus (Tg 3,1317). 22a - Que estará contido nesse "tudo" que "me foi entregue por meu Pai"? 1) É tudo o que ele anuncia, toda verdade (Palavra) do Evangelho. Palavra unida à ação e à onipotência; "todo poder me foi dado no céu e na terra" (Mt 28,18). E em Jo 3,35-36, temos: "o Pai pôs todas as coisas (que salvam) nas suas mãos", de tal modo que "quem acredita no Filho (já desde agora) tem a Vida Eterna; e quem se recusa a crer não tem a Vida, e a ira de Deus permanece nele" (cf. 1Jo 5,10-12).

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2) "O Pai pôs nas suas mãos todas as coisas da terra", isto é, todos os reinos do mundo que satanás, na tentação, havia prometido misteriosamente a ele (Mt 4,7b-9). Como um filho tudo recebe de seus pais segundo a natureza humana, Jesus recebeu de Deus tudo que é próprio da natureza divina. Em suma, o Pai entregou ao Filho o poder e a missão total da salvação (Jo 6,39; 10,17-18. 28; 13,3; 17,2). 22b - "Aquele a quem o Filho o quiser revelar". A quem o Filho não o quer revelar? Então existe o condenado por destino? Deus oferece a todos, indistintamente, a possibilidade da salvação. Foi o que Jesus fez dirigindo-se às multidões sem excluir os pagãos. Aqueles que se abrem à Palavra entram no caminho da salvação. Aqueles que lhe fecham o coração como auto-suficientes criam o único obstáculo que leva Jesus a não se revelar a eles, respeitando a livre opção do homem. Deus não força o homem a aceitá-lo (Lc 7,30). Lições de vida 21 - Jesus sempre começa suas orações com a invocação "Papai", falando em intimidade única com Deus. Até então os homens podiam chegar a chamá-lo de Pai, mas ninguém ousava chamá-lo Papai. No início, a Igreja se formou com os que eram inúteis aos olhos do mundo culto (1 Cor 1,26-27; Lc 4,18). 22 - Aqui temos o núcleo da mensagem do Evangelho: a revelação do Pai e do Filho. Nossa fé se resume em saber e amar o Pai e o Filho, por graça do Espírito Santo. Conhecer e amar é possuir. Jesus deixou entrever, como raramente o fazia, o mistério de sua vida oculta na divindade, sua total comunhão de vida com o Pai. Só os humildes que não opõem resistência à fé acolhem esse mistério. O autosuficiente não se abre para Deus porque sofre de indigestão de ciência. Só Jesus pode transmitir esse conhecimento vi vencial do Pai. Jesus não é apenas um enviado de Deus, como o foram Moisés e os profetas. Sua origem é a eterna plenitude do Pai; só quem a possui desde toda a eternidade pode conhecer Deus de modo total. Esse é o ponto culminante da revelação sobre o mistério e a missão da pessoa de Jesus (Lc 2,49; Jo 1,2. 14; 2,16. 19; 16,15). Jesus tinha, portanto, a clara consciência de sua divindade. E nós não podemos conhecer adequadamente Jesus a não ser por graça dele através da luz do Espírito Santo. Daí a necessidade da oração e da leitura da Palavra de Deus. Jesus deseja compartilhar conosco seu conhecimento substancial do Pai porque isso já é semente de Vida Eterna (Jo 17,3), bem como nossa mais alta sabedoria. Jesus e o Pai encontram-se na mais íntima comunhão (Jo 10,30). Se conhecermos alguém, ocupamo-nos com ele, por ele somos influenciados, entramos em comunhão com ele (Jo 10,14). 2 - Jesus é o cumprimento dos suspiros brotados do coração de inúmeras gerações. 23-24 - Os profetas eram portadores da Palavra de Deus; os reis, administradores passageiros da autoridade divina. Jesus reúne em si ambos os poderes. Os profetas e reis pensavam no futuro Messias cujo reino seria eterno. Os apóstolos, porém, viram-no com seus próprios olhos. São bem-aventurados porque, por serem

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pequenos e humildes, Deus lhes revelou o que os sábios enfatuados não conseguiram ver. Jesus só pode ser visto quando ouvido! Oração Senhor, defendei-nos contra os embustes e as ciladas do inimigo comum da salvação que nos rodeia como leão buscando a quem devorar (1Pd 5,8). Obrigado por me ter revelado os sublimes mistérios da fé que me prende a Deus, revelado a mim, que sou tão pequeno na estatura espiritual, o que fica escondido a muitos sábios. Que eu me conheça bem como obra-prima do Criador, para que cresça sempre mais no vosso conhecimento, que é a grande sabedoria dos peque nos. Amém.

Lc 10,25-37 O grande mandamento. O bom samaritano (Mt 22,34-40; Mc 12,28-34)
(25)

Adiantou-se um legista, isto é, professor ou doutor da Lei de Moisés, com a intenção de envolver Jesus numa discussão sobre a Lei a fim de poder depois acusá-lo. Fingiu-se ignorante e desejoso de instrução. Perguntou, pois: - "Mestre, que obras devo fazer para ter direito à vida eterna, pois ensinamos 613 mandamentos (248 positivos e 365 proibições)?".
(26)

Jesus respondeu-lhe perguntando: O homem respondeu:

- "Que está escrito na Lei de Moisés? Como você lê?".
(27)

- "A Lei de Moisés declara: 'você amará o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, com toda a sua alma, com todo o seu poder, com toda a sua inteligência, e a seu próximo como a si mesmo'".
(28)

Jesus declarou-lhe:

- "Você respondeu corretamente. Cumpra esses dois preceitos e terá a certeza da vida eterna".
(29)

Mas o homem, pretendendo justificar a sua pergunta para que não parecesse tão simples assim, quis ir até o fundo da questão, perguntando: - "Mas quem é meu próximo? Onde os limites do amor?".
(30)

resposta Jesus narrou:

- "Um homem descia de Jerusalém a Jericó. No caminho foi atacado por salteadores que o roubaram, espancaram e se foram, deixando-o meio morto. (31) Coincidiu que

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um sacerdote, após sua semana de serviços no templo, passava por ali. Cabia-lhe especial obrigação de ensinar com palavras e exemplos a Lei de Deus ao povo. Ele viu o homem caído à beira da estrada, mas não se comoveu diante de sua desgraça e passou de largo.(32) Do mesmo modo um levita, auxiliar dos sacerdotes nos serviços menores do templo, vinha passando. Viu o infeliz e, insensível, prosseguiu seu caminho. (33) Mas um estrangeiro samaritano, a quem os judeus odeiam e desprezam, também em viagem pelo mesmo caminho, viu o judeu caído no chão e moveu-se de compaixão. (34) Apro ximou-se e fez curativos de emergência com óleo e vinho em seus ferimentos para desinfetar e lavar. Depois colocou-o em sua própria cavalgadura, conduziu-o a uma pensão e dispensou-lhe mais cuidados chamando um médico. (35) No dia seguinte, tirou o dinheiro de dois dias de trabalho e deu-o ao hospedeiro recomendando-lhe: -'cuide dele, por favor. E o que gastar a mais, no meu breve regresso pagarei'. (36) Na sua opinião, qual dos três foi o verdadeiro próximo daquele que caiu nas mãos dos assaltantes?".
(37)

O professor da Lei respondeu:

- "O que te ve misericórdia dele". Jesus então finalizou: - "Agora que você mesmo deu a resposta à sua pergunta, vai e comporte-se como o samaritano!". Questionário 25 - Que embaraço esse legista pretendia criar para Jesus? Queria introduzi-lo numa eterna questão daquele tempo: Quem é meu próximo? Seria o compatriota? O estrangeiro, residente em Israel? O pagão? Se Jesus se pronunciasse pelo pagão, seria acusado de antiisraelita. 27 - Onde se encontra essa resposta no Antigo Testamento? Amar a Deus se encontra no Dt 6,5 e 11,13. Todos a sabiam de cor, porque era repetida como oração de manhã e à noite. Amar o próximo está em Lv 19,18. 29 - Quem os legistas consideravam seu próximo (Lv 19,18)? Os parentes, os amigos, os concidadãos. Não os ignorantes da Lei de Moisés. Não os estrangeiros, a não ser que residissem em Israel (Lv 19,33-34), porque os estrangeiros eram pagãos. Não os samaritanos, por serem meio pagãos e meio estrangeiros. Muito menos os inimigos declarados. (Cf. Mt 5,43) 30 - Cite a altitude e a distância entre Jerusalém e ]eriço. Jerusalém está a 750 m acima e Jericó 250 m abaixo do nível do mar. Distância de 27 km em deserto. No meio do caminho encontram-se ruínas de uma pensão ou hotel e de uma fortaleza para soldados que protegiam dos assaltantes. 32 - Donde vem o nome de levita? Os levitas pertenciam à tribo de Levi, incumbida das funções de culto no templo (Dt 10,8-9; 33,10). Eram auxiliares dos sacerdotes.

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34a - O que você diz desse óleo e desse vinho? Nas longas viagens, costumavam prover-se de óleo para untar a pele protegendo-a contra os raios solares; aplicado nas feridas, tinha ação sedativa (Is 1,6). O vinho, além do uso natural, servia para lavar e desinfetar ferimentos. 34b - Quantos gestos de amor teve o samaritano? (Conferir Lições 33-35) 36 - Para Jesus, quem é o nosso próximo? É todo necessitado que se encontre perto de nós, pertença ou não ao nosso sangue, à nossa raça, à nossa nação, seja nosso amigo ou inimigo. Basta que pertença à raça humana. Porque Deus quer bem a todos. Naturalmente, em primeiro lugar os familiares e parentes, os amigos e conhecidos. É fácil reconhecer a estes como nosso próximo, como nossos irmãos. Não é tão fácil ver nosso próximo nos pobres, nos carentes, nos andarilhos, nos desequilibrados, nos drogados, nos presos, nos desempregados, nos enfermos, nos inválidos, nos terminais, nos fetos indesejados. É fácil rejeitá-los e não ver neles a dignidade da pessoa humana. Lições de vida 27 - O mandamento do amor de Deus (Dt 6,5) e do próximo (Lv 19,18) é a quintessência da Bíblia. Pois não há nenhum maior (Mc 12,31); resume toda a Lei e os Profetas (Mt 22,40); é a raiz dos dez mandamentos; é atitude fundamental da vida de fé (Mc 12,34). A medida do amor ao próximo deve ser o grau de amor que se tem a si mesmo! Medida do amor a Deus é amá-lo mais do que a nossa vida! Deus é o centro do homem; não o homem o centro de si mesmo. Nossa doação a Deus se expressa nos gestos de amor ao nosso próximo. Toda lei só tem sentido em função da caridade. 30 - Interpretação mística da parábola. Esse homem qualquer, ferido, meio morto, é a humanidade despojada da graça de Deus, da amizade divina. O sacerdote e o levita representam a Lei antiga, incapaz de curar os ferimentos do pecado que é morte espiritual. Jesus, desprezado e perseguido pelos judeus, apiedou-se de nós, desceu do céu ao nosso encontro, trouxe-nos o perdão e o remédio para nossos males, como que nos carregou em seus braços, fez-nos entrar em sua igreja e confiou-nos aos cuidados de seus ministros, a quem prometeu recompensa por tudo que fizerem pela salvação do próximo. 31-32 - "Passou de largo". O pensamento do bem-estar pessoal foi mais forte que o sentimento de compaixão nesses dois homens que deveriam ser modelo de amor ao próximo. Em sua vida, separaram o amor ao próximo do amor de Deus. Deus nunca aceitará o culto que promoverem! "Eu quero a misericórdia e não os sacrifícios" de animais (Os 6,6). Cf. 1Jo 3,18; Tg 2,15ss. Senhor, que eu nunca veja a miséria ou o sofrimento alheio sem sentir-me mal (Mt 5,7). Livrai-me da dureza de coração.

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33-35 - Consideremos os gestos de amor que apresentou o samaritano: 1) Viu um infeliz e não desviou a vista. Interessou-se pelo outro. 2) Não considerou o fato de se tratar de um desconhecido e até inimigo que odiava os samaritanos. 3) Interrompeu a viagem. Perdeu tempo: pôs o outro em primeiro lugar. 4) Mo veu-se de compaixão pelo sofrimento alheio. 5) Aproximou-se dele como um irmão. 6) Fez os curativos de emergência. 7) Colocou-o na sua montaria com incômodo próprio. 8) Levou-o a uma pensão. 9) Chamou o médico e o pagou. 10) Passou uma noite em função do outro. 11) Pagou a pensão e deixou dinheiro nas mãos do hospedeiro. 12) Recomendou ao hospedeiro que cuidasse do outro. 13) Responsabilizou-se pela despesa a mais, sem visar a recompensa. 14) Prometeu voltar: não iria esquecer o infeliz. A grande lição dessa parábola é que o samaritano, sem a Lei de Moisés, tem o segredo para entrar na vida eterna, porque quem ama o próximo vive em Deus e Deus vive nele (1Jo 4,16). Para Jesus, a caridade não tem fronteiras: é universal como a humanidade. Jesus não mostrou somente quem é meu próximo; deixou claro algo mais importante ainda: eu sou o próximo de todo aquele que necessita de mim !! 35 - O dinheiro de dois dias de trabalho não é grande coisa. Mas isso faz supor que o samaritano contava realizar algum bom negócio onde ia, para ter condições de, à volta, pagar a conta do seu desconhecido. 37 - O samaritano foi modelo de humanitarismo. Muitas ve zes uma pessoa antipática pode ter qualidades superiores às nossas. Oração Peço, Senhor, que me dê a graça da sensibilidade, da compaixão, para que, diante de quem sofre, seja quem for, eu nunca passe indiferente, mas que saiba colocar o outro antes de mim, porque foi isso que o Senhor fez conosco descendo do céu para curar nossas feridas e nos remir. Amém.

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Lc 10,38-42 Marta e Maria
(38)

Seguindo viagem com seus discípulos para a festa das Tendas em Jerusalém, Jesus entrou no povoado de Betânia, a mais ou menos três quilômetros da capital. Marta o hospedou em sua casa. (39) A irmã dela, chamada Maria, sentou-se aos pés do Senhor, absorta na escuta de sua Palavra. (40) Marta, sem ouvir a mensagem de Jesus, ficou muito preocupada com os trabalhos de cozinha e da casa. Receosa de não dar conta de tudo, chegou-se a Jesus com uma queixa: - "O Senhor não se importa que minha irmã me deixe sozinha com todo o serviço? Por favor, diga-lhe que me ajude".
(41)

- O Senhor, porém, lhe respondeu:

- "Marta, Marta, você se preocupa e se inquieta com tantos afazeres, indispensáveis, sim, mas não os mais importantes. (42) O mais importante, neste momento, não é o que você está fazendo, mas uma só coisa: ouvir a Palavra de Deus. Você está prestando a mim uma homenagem louvável, mas a Maria escolheu a melhor parte, que nunca lhe será tirada!". Questionário 38a - Quanto dista Betânia de Jerusalém? Mais ou menos três quilômetros. 38b - Que significam Betânia e Marta? Betânia é "casa dos pobres"; segundo outros, "casa das tâmaras". Marta significa "dona da casa". 41a - Qual a melhor homenagem que se presta a Jesus? Ouvir sua Palavra (Mt 17,5; Jo 4,34): ela é para nós semente de vida eterna porque implanta em nós o Reino de Deus. 41b - Jesus repreendeu Marta por qual razão? Não por estar trabalhando, pois o trabalho é obrigação natural de todo ser humano (Gn 2,15), mas por ter colocado o trabalho como mais necessário do que ouvir a Palavra de Deus. Não por estar ocupada nas lides domésticas, mas por se ter preocupado e inquietado. O próprio Jesus ocupou-se em oficina de carpinteiro até os 30 anos, honrando assim a Deus Pai com o trabalho manual. Naquela oportunidade Marta devia primeiro ter ouvido Jesus e depois ido preparar o almoço. Primeiro orar, depois trabalhar.

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Lições de vida 39 - Os mestres judeus não explanavam a Lei às mulheres. Jesus, Mestre dos mestres, anuncia o Evangelho indistintamente a homens e mulheres. (Cf. Lc 8,2; Jo 4,7) 40 - Quando Jesus entra em nossa vida, todas as solicitudes com os bens materiais devem passar a segundo plano. Quem acolhe a mensagem da salvação no plano das demais preocupações será culpado de compreendê-la mal. 41 - A Palavra de Deus não é bem acolhida num coração inquieto. 42 - O episódio de Marta e Maria foi colocado habilmente por Lucas logo após a parábola do bom samaritano, na qual alguém poderia valorizar a boa ação acima da contemplação e da oração. Marta e Maria deixam claro que alimentar o espírito na oração é mais importante do que alimentar o corpo. Os serviços prestados ao próximo são prestados ao próprio Jesus (Mt 25,40), mas não podem prejudicar a audição da Palavra de Deus. Deixando para os diáconos o serviço aos pobres, os apóstolos quiseram ficar desimpedidos para a oração e a pregação da Palavra (At 6,4). A narrativa do bom samaritano encontra em Marta e Maria seu necessário complemento. Não se trata de contemplação ociosa, mas daquela que impele à vida de ação concreta e exigente (Lc 8,15). Assim os consagrados que seguem Jesus mais de perto devem viver cheios de solicitudes pelos interesses do Mestre em favor do próximo. "A oração bem entendida e praticada é o mais poderoso instrumento de ação" (Gandhi). Comparemos as duas irmãs: Para Marta: O mais importante é a refeição; ............ O mais importante é o trabalho; ............ O mais importante é abrir as mãos; ...... Jesus é um visitante; ............................. Jesus veio hospedar-se; ....................... Jesus veio receber; ............................... Recebe-o como dona de casa; ............. Queixa-se a Jesus; ............................... Entrega-se à inquietação; ..................... Escolheu uma boa ação; ...................... Essa ação acabará; .............................. Primeiro a obrigação; ............................ Depois a oração; ................................... Marta é a vida ativa; .............................. Para Maria: ... é a Palavra de Deus(Jo 6,27). ... é ou vir. ... é abrir o coração. ... é o Mestre. ... veio falar. ... veio dar de si. ... como discípulo. ... ou ve-o em silêncio. ... à pa z interior. ... escolheu a melhor parte. ... nunca lhe será tirada. ... buscai primeiro o reino de Deus. ... tudo o mais vos será dado (Mt 6,33). ... Maria a vida contemplativa.

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Oração Senhor, peço que me ajude a hierarquizar os valores da vida humana. Que entre meus trabalhos profissionais, minha missão familiar e meus afazeres domésticos, eu saiba dar o primeiro lugar ao trato íntimo com o Senhor na oração e na meditação da Palavra, a fim de que Deus tenha a prioridade em minha vida, em meus interesses. E que eu tome consciência, Senhor, de que o tempo é todo de Deus. Obrigado, Senhor, pelas vocações de clausura que esbanjam tempo diante do sacrário para suprir nossa escassa oração!

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CAPÍTULO 11 Lc 11,1-4 Pai-Nosso (Mt 6,9-13)
(1)

Um dia Jesus estava orando no lugar de costume, o Jardim das Oliveiras (Mc 11,19). Quando terminou, um dos discípulos pediu-lhe: - "Ensine-nos a rezar de um modo que corresponda à novidade da doutrina do Senhor, como João Batista ensinou seus discípulos a orarem de um modo que corresponde à doutrina dele".
(2)

Respondeu-lhe Jesus:

- "Quando forem rezar, falem assim: Pai querido, que teu nome seja conhecido, respeitado e louvado como santo (Jr 3,19; Ez 36,23); que o teu reino da graça se estabeleça em nós. (3) Dá-nos hoje e cada dia o sustento necessário à vida humana. (4) Perdoa os nossos pecados como nós também perdoamos a quem nos ofenda (Lc 6,36). E não nos deixes cair quando tentados de perder a fé". Questionário 1 - Qual seria esse lugar da oração de Jesus? Segundo Mc 11,19, Jesus falou sobre a oração depois de ter orado no lugar de costume fora de Jerusalém, no Jardim das Oliveiras. Ali os cristãos construíram um claustro com o Pai-Nosso escrito nas paredes ainda hoje em mais de 30 línguas. 2-4a - Faça uma apreciação do Pai-Nosso. O Pai-Nosso começa chamando Deus de Pai querido, o mesmo título dado por Jesus, e pedimos o bem que se relaciona com a glória de Deus: seu nome honrado e seu reino vivido. Os judeus chegaram a chamar Deus de "Pai do povo escolhido" (Dt 32,6; Ecli 23,1 etc.), mas Jesus o fez Pai de cada um de nós, seus filhos adotivos e herdeiros do reino celeste. Em linguagem bíblica, o nome equivale à pessoa de Deus enquanto se relaciona conosco. O Reino de Deus é sua graça, sua aliança, sua Palavra, sua presença e sua vida em nós, santificando-nos e unindonos como Igreja; é o seu domínio de amor que pretendemos na invocação: "Vem, Senhor Jesus" (Ap 22,20; 1 Cor 16,22). "Que se estabeleça em nós o teu reino" é a súplica central do Pai-Nosso e de todo o Evangelho de Jesus. Na 2a parte, o Pai-Nosso nos faz pedir o que interessa ao bem do nosso corpo e do nosso espírito. O pão é todo alimento que Deus criou para o sustento de nossa vida corporal. Há biblistas que preferem a tradução "Dá-nos hoje o pão de amanhã". No "hoje" Jesus deixa perceber que cada dia devemos dirigir a Deus o mesmo pedido, reconhecendo-nos constantemente necessitados de sua ajuda. Como o Reino de Deus começa na vida terrena, podemos pedir-lhe tudo de que

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necessitamos em termos de bens materiais para nos libertar de sofrimentos, angústias, temores, tribulações. Para merecer o perdão de Deus, o homem deve participar do modo de ser de Deus, perdoando os outros também. Não pedimos que Deus nos liberte das tentações inevitáveis na vida humana. Pedimos a graça de vencê-las, de não nos deixarmos dominar por elas. Sem oração o homem é fraco diante de sugestões malignas. Por último, pedimos a Deus que nos livre de qualquer mal: uma doença, um desastre, um raio, um desentendimento com pessoas queridas. O Pai-Nosso é um pequeno exorcismo de que devemos fazer o maior uso. Para S. Cipriano, o Pai-Nosso "é a síntese do Evangelho"; e, para S. Tomás de Aquino, "é uma oração perfeita porque nada precisamos pedir mais do que ela contém". S. Agostinho ensina: - "Não haja muito palavreado na oração, mas que haja muita petição". O Pai-Nosso segue a orientação de Jesus: - "Na oração, não multipliqueis as palavras como fazem os pagãos, que julgam ser ouvidos à força de palavreado" (Mt 6,7). No Getsêmani, Jesus "orou pela terceira vez, repetindo sempre as mesmas palavras". No terço, nós não multiplicamos o palavreado, mas, como Jesus, dizemos sempre de novo as mesmas palavras que traduzem amor. Os falsos profetas de Baal (1Rs 18,26) repetiam materialmente dezenas de vezes as mesmas palavras, atribuindo à estafante repetição uma força mágica de cansar os deuses. Até Sêneca usa a expressão: "Fatigar os deuses". 2-4b - Que palavras Mateus acrescenta ao Pai-Nosso de Lucas? Que dizer dessa diferença? Em Mateus temos a mais: "nosso que estás nos céus", "seja feita a tua vontade assim na terra como no céu" e "mas livra-nos do mal". Para escrever o Evangelho, Lucas investigou mais. Por isso a forma dele abreviada deve ser a primitiva. Os evangelistas não pretendiam transmitir-nos materialmente todas as palavras de Jesus, mas nos referir com toda fidelidade o sentido delas. Quanto à substância, Mateus e Lucas concordam perfeitamente. Mateus, que escreveu anos depois de Lucas, foi inspirado a acrescentar o que os fiéis necessitavam para o bom entendimento dessa oração. Assim, quem é esse pai? Não é o da terra, mas o pai de todos nós que vive na luz eterna. Quando vivemos em seu reino? Quando fazemos sua santa vontade na terra à imitação dos habitantes do céu. A tentação induziu o homem desde a origem a se afastar de Deus; na última invocação do PaiNosso, pedimos ao Pai a força de evitar todos os males decorrentes da primeira tentação. Outros pensam que Jesus ensinou o Pai-Nosso em duas oportunidades com diferenças propositadas, dando a entender que, para orar, não necessitamos de formas exatas, sempre iguais, mas cada um pode usar palavras brotadas do coração no momento.

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2-4c - Por que pedir, se Deus sabe tudo de que necessitamos? Sim, Deus não precisa ouvir nossos pedidos, mas o Pai deseja que o filho lhe fale, lhe peça. Diz S. Gerônimo: - "Uma coisa é contar a quem ignora, e é outra coisa pedir a quem já conhece!". Lições de vida O Pai-Nosso rezado com viva compenetração dispensa o uso dessas orações "prodigiosas" que circulam nas mãos de nossa gente, às quais atribuem eficácia especial. Que oração humana pode ser comparada à que brotou do coração e dos lábios de Jesus, o Deus feito homem? A eficácia da oração não depende de seus dizeres mas do ardor com que falamos com Deus. Oração Como os apóstolos, nós também pedimos, Senhor: ensinanos a orar. A falar com o Pai com a naturalidade e a candura de uma criança. A orar com o coração. Que minha oração seja constante como o respiro da alma. Que eu saiba consagrar de tal modo a Deus as minhas atividades, que tudo acabe se transformando em oração de louvor. Amém. Lc 11,5-13 Parábola da oração perseverante (Mt 7,7-11)
(5)

Jesus continuou a lhes falar sobre a eficácia da oração perseverante:

- Imaginem que alguém de vocês, altas horas da noite, vai à casa de um amigo para lhe pedir: (6) "amigo, por favor, empresta-me três pães, porque chegou agora mesmo de viagem um amigo meu, e nada tenho para lhe oferecer". (7) Suponhamos que ele responda lá de dentro da casa, irritado: "não me importune agora; a porta já está fechada com tranca; eu e meus filhos estamos na cama aqui na sala. Desta vez não dá para me levantar e dar-lhe os pães". (8) Eu lhes garanto que, se vocês continuarem batendo, ele se levantará e, não já pela amizade mas pela importunação, lhes dará tudo de que necessitam.
(9)

Por isso eu lhes digo: peçam a Deus e lhes será dado; procurem em Deus o de que precisam e encontrarão; batam à porta de Deus e ela se abrirá para vocês. (10) Porque todo o que pede recebe; quem procura encontra; e a quem bate, a porta se abrirá.
(11)

Qual de vocês, pais, dá uma pedra ao filho que lhe pede pão? Ou dá uma cobra se lhe pedir um peixe? (12) Ou dará um escorpião se lhe pedir um ovo? (18) Ora, se vocês, tão inclinados ao mal por natureza, sabem dar coisas boas a seus filhos,
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quanto mais o Pai celeste, que é todo bondade, dará os dons do Espírito Santo a quem pedir! Questionário 5-8 - Que ensina Jesus nessa parábola? Depois de ter ensinado no Pai-Nosso o que pedir, agora diz como pedir. Mostra as duas condições fundamentais da oração: confiança e perseverança. A oração persistente obtém o que se pede ou algo mais necessário que não se pediu; alcança para mim ou para outra pessoa, como às vezes outro pede e eu recebo; alcança para hoje ou para amanhã. O momento da graça não nos pertence. E Deus não se importa de ouvir-nos repetir-lhe mil vezes as mesmas súplicas. Em Medjugorie, a Mãe de Jesus pede que rezemos com o coração. Que nossa oração seja insistente, seja uma busca de Deus, um desejo contínuo e veemente de Deus, um falar com Deus, um encontro pessoal com Jesus, um alimento cotidiano, um dever alegre; que tenhamos um determinado tempo para orar a sós, em família e na comunidade (oração litúrgica e de grupos); que a oração ocupe o 1º lugar para que Deus tenha o 1º lugar. "Nossa principal tarefa é a oração" (João Paulo II). Diz Nossa Senhora: "Sois fracos exatamente porque rezais pouco". Pede que evitemos orar só aos santos, que evitemos a rotina. Aponta como obstáculos à oração o irmos a ela depois de programas de TV ou de rádio que enchem a cabeça. E se estamos perturbados com problemas, façamos dos problemas oração. 6 - Por que pediu três? Três era a quantia normal de pães para cada pessoa numa refeição. As mulheres todas as manhãs assavam o pão de folha feito de trigo ou de cevada, pequeno, circular, macio, que se partia facilmente com as mãos. Não havia padarias, mas todos sabiam quem costumava reservar pães para uma emergência. Hospedar e alimentar um visitante era um dever sagrado. 7 - Que dificuldade havia em abrir a porta? Costumavam fechar as portas com trancas tão pesadas que eram necessárias duas pessoas para pô-las ou tirá-las. Como os familiares dormiam geralmente na mesma sala em esteiras separadas, aqui o dono se irrita porque abrir a porta significava incomodar e acordar todos. Lições de vida 10 - A oração, de um modo ou de outro, é sempre atendida, embora não imediatamente, porque na persistência Deus promove o crescimento de nossa fé, de nossa confiança e o apreço pelos seus dons. Em toda oração cresce nossa união com Deus. A um filho que pede, o pai, se não pode dar o pedido, sempre o contentará de outra maneira. Assim Deus. S. Gregório Magno diz: "Deus quer ser rogado, quer ser forçado, quer de certo modo ser vencido pela importunação". E S. Agostinho: "O bom Deus muitas vezes não dá o que pedimos, para dar o de que necessitamos".

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13 - Reino de Deus é a comunicação de sua vida aos homens. E o Espírito Santo é o Reino em sua intimidade dinâmica agindo em Jesus e continuando na Igreja. É o dom que mais devemos pedir até a importunação, mais que qualquer outro favor. Deus permite que vivamos em necessidade para que, forçados por ela, sintamos vontade de falar com ele e entendamos que ele é mais importante que qualquer outra coisa. Oração Senhor, conceda-me o dom da oração. Que eu sinta a necessidade de falar com Deus com a espontaneidade e a confiança de uma criança diante dos pais. Que nada consiga demover-me da oração, mesmo no meio de minhas ocupações. Que eu saiba fazer dos problemas a oração mais confiante. Senhor, por amor a Maria, peço a graça de rezar com o coração, sentindo e saboreando o que digo, como as pessoas que se amam. Que eu saiba fazer da oração a principal tarefa da vida, como queria João Paulo II, para que Deus ocupe o primeiro lugar, em tudo. Concedame, Senhor, o dom de todos os dons, o Espírito Santo, a força que agia em Jesus e que conduz a Igreja com cada um de nós. Que eu seja sensível aos seus estímulos e saiba perceber quanto há de Deus em cada ser, em cada acontecimento e principalmente em cada pessoa. Amém. Lc 11,14-26 Jesus diante do demônio (Mt 12,22-30. 43-45; Mc 3,20-27)
(14)

Jesus estava expulsando de certo homem um demônio, que lhe impedia de falar. Ora, quando o demônio saiu, o mudo passou a falar, e a multidão impressionada se perguntava: "quem é esse homem que expulsa o demônio?". Entre eles, todavia, alguns fariseus maldosamente diziam:
(15)

- “É por força de Belzebu, chefe dos demônios, que ele expulsa os outros demônios".
(16)

Outros, considerando insuficientes os milagres que Jesus fazia como prova de que seu poder vinha de Deus, exigiam dele um sinal extraordinário nos astros do céu, como o de Josué, que fez o Sol parar (Js 10,12-13), ou como Elias que fez baixar fogo do céu (2Rs 1,10). (17) Mas Jesus leu-lhes no interior a perversa intenção e disse-lhes: - "Todo reino dividido em grupos, lutando entre si, acaba em ruínas, e as casas caem umas sobre as outras. (18) Assim também Satanás, se estiver dividido e agindo contra si mesmo, como continuará a existir o seu reino? (19) Vocês afirmam que é pelo poder de Belzebu que eu expulso demônios. Se assim é, pelo poder de quem

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os expulsam os exorcistas seguidores de vocês? Assim, estes mesmos seus adeptos se tornam juizes evidenciando que vocês andam completamente errados, pois vocês nunca irão dizer que seus exorcistas estão possessos de Satanás só pelo fato de eles expulsarem os demônios. (20) Portanto, se é pelo poder de Deus, pelo seu Espírito que eu expulso os demônios, conclui-se que o messiânico Reino de Deus já chegou para vocês, e começou o desmantelamento do reino de Satanás. (21) Quando o forte e bem armado Satanás guarda o seu domínio humano, as pessoas que ele possui estão seguras em suas mãos. (22) Mas se Alguém mais forte do que ele o enfrenta e vence, como fiz agora, desarma-o da força em que confiava, e dispõe livremente de suas vítimas livrando-as do poder diabólico e introduzindo-as no domínio de Deus desde a vida presente. (23) Vejam bem vocês, saduceus e fariseus, que atitude tomar a meu respeito. Diante de mim não se admite divisão ou neutralidade: quem não trabalha comigo na difusão do reino está contra mim e a favor de Satanás; e quem não me ajuda a unir as ovelhas dispersa-as e prejudica a minha causa (Ez 34,5; Cf. Lc 9,50).
(24)

E você que foi libertado do demônio, saiba disto: quando o espírito maligno é forçado a sair de um homem, anda vagando à procura de onde se instalar. Não encontrando lugar que lhe agrade, diz consigo mesmo: 'vou voltar àquela habitação da qual me obrigaram a sair'. (25) Chegando lá, encontra o ex-possesso limpo de pecados e adornado da graça de Deus. (25) Diante disso, arregimenta outros sete demônios piores do que ele, e todos tentam até se instalarem ali. Assim, esse outro estado do homem que se convertera torna-se pior que o primeiro. De igual maneira, os judeus começaram a expulsar o demônio quando receberam de Deus as tábuas da Lei, os profetas e principalmente o Messias. Agora que me rejeitam, recairão sob o poder do demônio mais do que quando reinava o paganismo". Questionário 14 - Existe demônio mudo? Diziam surdo e mudo o demônio que impedisse o possesso de ouvir e de falar. 15 - Que significa Belzebu? Beel é corruptela de Baal = senhor, dono. A variante Beelzebul significa "senhor da habitação infernal ou príncipe dos demônios". Como os filisteus haviam cultuado Beelzebul, os judeus, para ridicularizar esse falso deus, mudaram-lhe o nome para Beelzebub, que significa "príncipe das moscas". 16 - Que tipo de milagre queriam exigir de Jesus? Um sinal portentoso nos astros, como o de Josué, que fez o Sol parar (Js 10,12-13), ou como o de Elias, que fez baixar fogo do céu (2Rs 1,10). 19 - Quem eram esses "filhos" exorcistas? Eram chamados filhos os alunos da escola dos fariseus, seguidores fiéis que praticavam o exorcismo em nome de Deus. Usavam orações, sentenças e fórmulas de exorcismo que remontavam ao tempo de Salomão.

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20 - Que se entende por "dedo de Deus"? É imagem do Espírito Santo ou do poder de Deus. Nós usamos mais a expressão "mão de Deus". 21-22 - Traduza em termos não-figurados essa parábola. O forte é o demônio, diante do qual o homem sozinho com suas forças é fraco. O mais forte é Jesus, que pode sempre expulsar o demônio. O homem unido a Jesus se torna invencível na luta contra o maligno. Eu e Cristo, maioria absoluta. 24-26 - Explique essa comparação. Como o diabo nunca se dá por vencido, tentará sempre reconquistar o domínio perdido, procurando induzir o homem ao mal até o último dia. Por isso Jesus adverte contra as recaídas que colocam o homem em condição pior do que antes da conversão. Quem não se empenha decididamente pelo Reino de Deus deixa uma fresta para o diabo. Em Mc 9,18 os apóstolos não conseguiram expulsar o demônio, pela pouca fé (Mt 17,20). Nossa fé está sempre exposta a riscos e tentações. Ninguém está livre de novos ataques (Hb 6,4-6). Necessitamos absolutamente da graça de Deus, que nos vem pela oração. Lições de vida 14 - Entre os milagres de Jesus, é a sua ressurreição e a expulsão do demônio que mais evidenciam a inauguração do Reino de Deus na história humana. 18-19 - Jesus usou dois argumentos para se defender do ataque: 1) mostrou o ridículo de apresentar o demônio tão sem inteligência, a ponto de combater-se a si mesmo; 2) apontou o igualmente ridículo de apresentar os exorcistas judeus como possuídos do demônio porque o expulsavam. Os demônios formam um reino que é a antítese do Reino de Deus. Antes da vinda de Cristo o demônio imperava sobre o homem. Os poucos exorcistas a muito custo conseguiam de Deus a expulsão de satanás. Agora, com Jesus tudo mudou. Basta uma palavra de ordem para expulsar o demônio e obrigá-lo a entregar sua presa, os homens (4,13; 10,18). O Reino de Deus teve início na Encarnação do Verbo. Cresceu com sua morte, sua ressurreição e a vinda do Espírito Santo. Alcançará a perfeição definitiva quando Jesus voltar em sua glória final. 20 - Cristo revela-se o salvador da humanidade, que pelo pecado se tornara dominada por satanás, chamado por isso "príncipe deste mundo" (Jo 12,31; 14,30; 16,11). Jesus é nossa libertação e nossa redenção. Oração Senhor, a recaída no pecado grave é comparada ao gesto repugnante de "um cão que volta ao seu vômito" (Pr 26,11). Peço me conceda maior determinação no seguimento do Mestre Divino para que eu não volte a recair no pecado, por mais sugestivas que sejam as insinuações do tentador. Amém.
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Lc 11,27-28 A verdadeira felicidade
(27)

Jesus nem bem acabara de falar isso, quando uma mulher, cheia de admiração pela pessoa de Jesus, levantou a voz no meio da multidão e disse a ele: - "Feliz a mulher que o trouxe em suas entranhas e o amamentou em seus seios!".
(28)

E ele, sem negar que Maria era feliz por tê-lo gerado e amamentado, emendou logo: - "Mais felizes ainda aqueles que ouvem a Palavra que eu prego e a põem em prática. Porque ouvir a minha Palavra é como me conceber, e pô-la em prática é como me gerar!". Lc 11,29-32 O sinal de Jonas (Mt 12,38-42; Mc 8,11-12)
(29)

Crescendo a multidão em sua volta, Jesus se pôs a dizer:

- "Esta geração de fariseus é gente má, sem fé. Pretendem de mim um prodígio que prove minha autoridade messiânica, mas, porque não querem crer, nenhuma prova lhes será dada fora um sinal semelhante ao de Jonas. (30) Assim como o profeta Jonas, ficando três dias e três noites no ventre de um cetáceo foi para os ninivitas um sinal sobrenatural de alguém restituído à vida, assim também eu, o Filho do Homem, ficarei três dias e três noites no ventre da terra para em seguida ressurgir, tornando-me assim o portento que mostre a esta geração quem eu sou. (31) A rainha de Sabá, reinado ao sul da Arábia, levantar-se-á no julgamento final ao lado dos homens desta geração e os condenará, porque ela veio do extremo sul, viajando cerca de 2.000 quilômetros para ouvir e admirar a sabedoria de fé de Salomão; no entanto, aqui está hoje quem é mais que Salomão, e que, apesar disso, os israelitas rejeitam! (32) Os habitantes de Nínive, capital do império da Assíria, também se levantarão no julgamento final ao lado dos meus contemporâneos, e os condenarão, porque Nínive, pagã, pela pregação de Jonas se converteu mudando de vida e de modo de pensar; no entanto, aqui está hoje alguém que é mais do que Jonas. Este povo que hoje não se converte demonstra ser inferior aos pagãos que o judeu tanto despreza". Questionário 28 - Jesus aqui não subestimou sua mãe? Longe disso, ele a realçou. Maria é feliz, sem dúvida, pelo vínculo natural de ter gerado Jesus, mas é ainda mais feliz por ter sempre acolhido e posto em prática a Palavra do Senhor (Lc 2,19 e 51). Aqui aprendemos que, vivendo a Palavra de Deus, estabelece-se com Jesus um parentesco espiritual muito mais forte do que os
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laços do sangue. Consoladora realidade: Jesus faz dos ouvintes e observantes de sua Palavra, seus parentes mais próximos e íntimos: sua família. 31a - Onde se encontra narrado na Bíblia esse fato? Em 1Rs 10,1-13 e em Crônicas 9,1-12. 31b - O reino de Sabá a que corresponde atualmente? Ao Iêmen. 31 c - Quanto longa foi essa viagem? Cerca de 2.000 quilômetros. Lições de vida 27 - Notável a convicção de fé dessa mulher não-identificada, que proclama, sem medo, a grandeza de Jesus justamente na ocasião em que os fariseus o blasfemam tachando-o de possesso. O elogio proferido por ela já é uma verificação do que a própria mãe de Jesus predissera em Lc 1,48: "Todas as gerações me proclamarão bem-aventurada". A glória das mães está nos filhos, e a grandeza dos filhos engrandece as mães. 29 - O povo se enchia de admiração por Jesus e era dócil à sua Palavra; acreditava em Jesus mesmo sem os milagres, embora o milagre seja uma prova do tempo da salvação já presente (Lc 4,23; 7,23). Os fariseus que exigem sinais para crer demonstram dureza de coração e aversão diante do que Jesus diz ou faz. Exigir provas é prova de que não se crê. 30 - O sinal da ressurreição de Jesus no juízo final não será mais para a mudança de vida e para a fé, mas sim para a condenação por falta de fé. A recusa das exortações à penitência é culpável. Jesus é mestre e profeta que supera os maiores mestres do saber humano. Ele é a sabedoria dos tempos finais, a última e decisiva Palavra de vida, de cuja aceitação depende a salvação. Oração Obrigado, Senhor, por me ter ensinado que a felicidade não vem dos laços do sangue, da posição social ou da raça, mas sim da intimidade que se adquire com o Senhor na medida em que se ouve, se acolhe e se vive a Palavra da vida no Evangelho. Dê-me o dom do entendimento para que eu a penetre e ela ilumine os meus caminhos. Amém.

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Lc 11,33-36 Parábola da luz (Mt 5,14-16; 6,22-23)
(33)

Ninguém acende uma luz para pô-la em lugar escondido e muito menos debaixo de uma caixa, mas a põe sobre um suporte elevado. Desta maneira os que entram em casa são iluminados. Quero dizer: minhas Palavras são uma luz para as mentes, uma luz que Deus acendeu às claras no mundo para que todos sejam iluminados, orientem suas vidas por ela e não vivam nas trevas do erro e do mal. (34) A luz do nosso corpo, da nossa pessoa é nossa mente, nosso coração, nosso bom senso. Como através dos olhos do corpo vemos a luz, quando a mente é sadia, nós ficamos iluminados, entendendo a Palavra de Deus. Se a mente ou a intenção for má, se o bom senso se perverter, vi veremos na escuridão do erro sem compreender a Palavra de Deus. (35) Por isso, veja bem se sua mente diante de mim é moralmente má, escrava de preconceitos ou de paixões desregradas, deixando você nas trevas do erro ou do mal (Jo 3,19-21). (36) Portanto, se toda a sua pessoa vive iluminada pela luz divina de minha Palavra, sem mistura de trevas da maldade e do erro, você será como um facho de luz iluminando com seu esplendor! Questionário 33 - O que se entende por essa luz? É Jesus Cristo essa luz que o Pai acendeu no meio dos homens em lugar e condições bem visíveis, para, com sua Palavra e ações, iluminar a todos de bom coração. 33-36 - Relacione essa parábola com "a geração má que pede um sinal", v. 29. Jesus sendo a luz divina acendida no mundo e que pode ser vista por todos, não há necessidade de um novo sinal especial ao sabor do capricho dos homens de má vontade. 34 - Que vêm a ser "olho são" e "olho mau"? Olho são é símbolo de retidão e sinceridade. Olho mau é símbolo de inveja, de desonestidade, de maldade (Cf. Mt 20,15). Uma e outra dessas duas atitudes caracterizam o homem interior. 35 - Quem não vê essa luz? Só não vêem a luz de Cristo os que andam dominados por paixões desregradas ou por preconceitos contra a fé. Pecados e preconceitos produzem a má vontade que resiste à graça de Deus. Aceitar ou não Jesus não é tanto da razão, quanto da vontade, da fé.

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Lições de vida Os que não descobriam a presença de Deus em tantas obras santas de Jesus não tinham o olhar interior límpido. São assim também hoje os que não querem aceitar a luz do Evangelho. A razão de Jesus não ser aceito não é porque a luz de sua doutrina não brilhe; é somente pelo mau coração. A culpa está no homem e não em Deus. Da qualidade do homem depende se a luz de Cristo é reconhecida ou não. Ao homem compete tornar-se suscetível à luz. Jesus é a luz vi va que completa plenamente tudo o que os profetas revelaram. Quando a luz de Jesus atinge o homem, ela o inunda. Oração Senhor, vossa Palavra é a luz do nosso caminhar, e o bom senso que nos destes é o equilíbrio de nossa vida. Instruí os nossos corações com a luz do Espírito Santo para que tenhamos o discernimento de todas as coisas segundo o mesmo Espírito, e gozemos sempre da consolação de sua presença livremente atuando em nós. Amém. Lc 11,37-54 Ai dos hipócritas (Mt 23,1-36; Mc 12,38-40; Lc 20,45-47)
(37)

Mal acabava de falar, quando um fariseu convidou-o a almoçar em sua casa por volta do meio-dia. Jesus entrou e pôs-se à mesa sem fazer deliberadamente as abluções rituais de costume, provocando uma oportunidade para instruir. (38) O fariseu estranhou que Jesus não lavara as mãos antes de comer, não se purificando das manchas legais adquiridas em contato com o público pecador. (39) O Senhor, lendo e respondendo aos seus pensamentos, lhe disse: - "Vocês, fariseus, se preocupam em lavar externamente copos e pratos, enquanto vocês mesmos por dentro, na consciência, estão cheios de violências e perversidades do coração. (40) Isso é falta de bom senso! Pois Deus, que fez o corpo exterior do homem, não fez também o íntimo dele, o espírito? (41) Preocupem-se antes em dar do que têm nos copos e nos pratos e em dar-se a si mesmos aos necessitados. Assim tudo ficará puro para vocês, dentro e fora (1Pd 4,8).
(42)

Ai de vocês, fariseus, que pensam tornar-se plenamente justos diante de Deus, porque pagam escrupulosamente o dízimo da hortelã, da arruda e de todos os legumes, mas desprezam a verdadeira justiça de Deus, que é o cumprimento de seu plano de salvação, e desprezam o amor de Deus, que é a salvação concedida de graça e recebida na humildade. Importa, sim, pagar o dízimo, sem, todavia, esquecer a justiça e o amor de Deus.

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(43)

Ai de vocês, fariseus! Pois, por orgulho, gostam demais dos primeiros lugares na casa de oração, e querem que todos os saúdem com reverências nas ruas e praças públicas. (44) Ai de vocês, sim, porque, hipócritas, se parecem com sepulcros escondidos sob a terra: pode-se passar por eles sem saber da podridão que está escondida por dentro. Vocês são cadáveres espirituais!".
(45)

Um escriba, ou seja, professor da Lei, um tanto ferido, disse então a Jesus: Jesus respondeu:

- "Mestre, com essas palavras o Senhor ofende também a nós!".
(46)

- "Ai de vocês também, professores da Lei. Porque vocês impõem obrigações tão pesadas nas costas dos outros, interpretando com todo rigor a letra da Lei, acrescentando tradições inventadas por vocês, que eles não suportam levar. E vocês mesmos não movem um dedo sequer para ajudá-los a cumpri-las.
(47)

Ai de vocês, que constróem os túmulos dos profetas assassinados pelos antepassados de vocês! (48) Assim vocês confirmam que estão de acordo com os crimes praticados por eles, pois mataram os profetas, e vocês constróem belos sepulcros que perpetuam a lembrança desses crimes; mas vocês continuam a não ouvir e a perseguir os profetas de hoje, como aconteceu com João Batista, e agora fazem comigo. (49) Por isso Deus, em sua sabedoria, declarou: "Eu lhes enviarei profetas e propagadores de minhas mensagens; uns serão mortos, outros serão perseguidos". (50) Por essa razão, a gente de hoje, que chegou à medida completa dos crimes de seus antepassados, será responsabilizada pelo sangue de todos os profetas derramado desde a criação do mundo, (51) a partir do sangue de Abel (Gn 4,8) até o sangue de Zacarias, profeta, assassinado entre o altar e o Santuário no governo do rei Joás (2Cr 24,20-23). Sim, lhes asseguro, prestará conta a gente de hoje com a destruição total de Jerusalém!
(52)

Ai de vocês, peritos da Lei, porque pretendem monopolizar o conhecimento e a interpretação das Sagradas Escrituras. Mas vocês mesmos, obcecados com seus preconceitos, não entendem o sentido da Palavra revelada, impedem que os outros entendam a Lei Antiga como um encaminhamento para a Nova Lei que lhes trago (Gl 3,24). Vocês me rejeitam e impedem que os outros me reconheçam".
(53)

Quando Jesus saiu da casa do fariseu, os professores da Lei e os fariseus começaram a persegui-lo terrivelmente, a importuná-lo com muitas perguntas capciosas (54) e a armar-lhe ciladas. Queriam forçá-lo a algum pronunciamento que permitisse denunciá-lo. Questionário 38 - Que costume era esse das ab luções? Os fariseus temiam contrair impurezas legais mesmo inconscientemente, bastando o contato com pessoas afetadas por tais impurezas ou com pagãos. Para se purificarem, lavavam-se as mãos e o antebraço antes das refeições principais.

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39 - Quem é puro perante os fariseus e quem o é perante Deus? Para os fariseus, puro é quem limpa a parte exterior das mãos, dos pratos, copos e talheres. Deus só dá importância à pureza moral: uma consciência livre de injustiças e de atitudes imorais. Do coração (consciência) depende que tudo se torne bom ou mau. E o coração se torna puro pelo amor fraterno: "o amor é a plenitude da Lei" (Rm 13,10); "ama e faze o que queres" (S. Agost.). Com aparência de impecabilidade, os fariseus exteriormente se comportam de maneira irrepreensível, enquanto por dentro estão longe da virtude. Jesus quer que a lei seja cumprida em tudo, desde as exigências exteriores até o mandamento do amor que transforma o coração segundo Deus. 42 - Que são a hortelã e a arruda? A hortelã é planta aromática muito comum na Palestina. Reduzida a pó seco, era espalhada nas sinagogas e casas para perfumá-las. A arruda é outra planta aromática de folhas amargas e cheiro muito forte. Bem apreciada pelos judeus, era usada como tempero e como remédio em muitas doenças. O Talmud, livro que regulamentava a Lei, isenta-as do dever do dízimo. Mas os fariseus, para se mostrarem observantes escrupulosos da Lei, pagavam o dízimo delas também. 43 - Jesus não reprova aqui as honras prestadas a ministros da religião? Não. O que Jesus condena é ambicionar, por vaidade, tais demonstrações de veneração. 44 - Que prescrevia a Lei sobre os sepulcros? Quem tocasse num sepulcro adquiriria impureza legal por sete dias (Nm 19,16). Em vista disso, por ocasião da Páscoa, os judeus caiavam os sepulcros para que ninguém os tocasse inadvertidamente. Mas, com o tempo, iam se cobrindo de pó e ervas, de modo que não se distinguiam mais. Assim são os fariseus: o povo é atraído pela santidade que afetam, e se contamina com a corrupção interior deles. 45 - Quem eram os escribas ou legistas? Os fariseus e os escribas formavam um único partido religioso. Por isso sustentavam-se mutuamente. Os escribas eram os guias espirituais dos judeus, consideravam-se sucessores dos profetas e mestres da sabedoria; dirigiam escolas de Bíblia, onde explicavam a Lei segundo os princípios dos fariseus; e os fariseus, discípulos crédulos, observavam a Lei como era explicada pelos escribas. A conjuração contra Jesus é prova de falta de sabedoria divina e de senso bíblico deles. 51 - Onde se relata na Bíblia a morte do profeta Zacarias? Acha-se em 2Cr 24,20-23, que era o último livro da Bíblia hebraica. 52 - Que quer dizer "tomastes a chave da ciência", do texto oficial? Significa que pretendiam monopolizar o conhecimento e a legítima interpretação da Bíblia.

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CAPÍTULO 11

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Lições de vida 39 - Jesus lamenta a hipocrisia e mostra que a santidade consiste principalmente no interior da pessoa, manifestando-se exteriormente nas obras de caridade com o próximo. Hipocrisia é a contradição entre palavras e obras: "Dizem e não fazem" (Mt 23,3); é a incoerência entre a conduta externa e as convicções interiores. 52 - Pretendendo o monopólio da interpretação da Escritura, os peritos na Lei se tornam responsáveis pelos obstáculos que criam no carinho do Reino de Deus com tantas prescrições e proibições desencorajantes. Ninguém é dono da verdade, fora Jesus Cristo. Oração Peço, Senhor, a graça de livrar-me de toda hipocrisia, de toda falsidade. Que eu tenha a coragem de estar sempre do lado da verdade, mesmo que redunde em meu desfavor, mesmo quando devo confessar meus erros. Que eu não me limite às meias verdades, que muitas vezes são as maiores mentiras, mas que eu busque a verdade total. E como a Palavra revelada é a verdade, que o Espírito Santo abra meu espírito à compreensão das Escrituras, como o abriu aos discípulos de Emaús (Lc 24,45). Sendo o Senhor a fonte de toda verdade, que eu sempre dê testemunho dela, que saiba vivê-la livrando-me das trevas do espírito. Amém.

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CAPÍTULO 11

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CAPÍTULO 12 Lc 12,1-12 Autenticidade sem fingimento. Testemunho. Confiança. Pecado contra o Espírito Santo. Confissão da fé (Mt 10,26-33; 15,5-9; Mc 8,15; 3,28-29)
(1)

Entretanto, foi crescendo a multidão aos milhares em torno de Jesus, de modo que se apertavam uns contra os outros. Jesus começou a falar primeiro aos discípulos: - "Cuidado com o mau fermento das doutrinas falsas e do fingimento dos fariseus. (2) Nada existe de encoberto na hipocrisia e nas calúnias que não venha a ser revelado um dia. Nem de oculto no fingimento que não venha a ser desmascarado no julgamento final. (3) Assim também digo a vocês, meus discípulos: as mensagens que tiverem transmitido em particular por causa da perseguição serão anunciadas mais tarde publicamente à luz do dia. E o que tiverem dito baixinho dentro de casa escondidos dos perseguidores será proclamado até de cima dos telhados por todo o mundo. (4) A vocês, meus amigos, que não me seguem com má intenção, como os fariseus, aconselho: não tenham medo dos perseguidores, que só podem matar o corpo, martirizar, e, fora isso, nada mais conseguem fazer, porque a alma é imortal e eles não têm poderes sobre a outra vida. (5) Agora eu lhes digo a quem devem temer: tenham um santo temor de Deus, o qual, além de tirar a vida do corpo, tem o poder de lançar no inferno. Sim, eu lhes recomendo, tenham deste um santo temor!
(6)

Não se vendem cinco pardais por algumas moedinhas? No entanto, nenhum deles é esquecido de Deus! (7) Até mesmo os cabelos da cabeça de vocês estão todos contados e Deus os conhece perfeitamente. Portanto, nada de medo, porque vocês valem muito mais do que uma multidão de pardais!
(8)

Para animar vocês a não se deixarem intimidar pelos homens, vou mostrar-lhes as sérias conseqüências que derivam da confissão pública ou da negação da fé: todo aquele que diante dos homens se declarar ser meu discípulo, eu também me declararei a favor dele diante da corte divina dos anjos de Deus no julgamento final. (9) Mas aquele que me renegar diante dos homens será também renegado por mim diante dos anjos no juízo final. (10) Todo aquele que, sem ter fé, falar contra mim, negando que vim de Deus como Filho do Homem, isto é, na fraqueza humana, será perdoado. Mas aquele que, sabendo quem eu sou, insultar o Espírito Santo atribuindo ao demônio os milagres que provam minha divindade dificilmente reconhecerá seu erro para ter perdão (Mt 12,31). (11) Quando levarem vocês às sinagogas diante de juizes judeus ou aos tribunais diante de autoridades pagãs, não fiquem preocupados como falar ou o que alegar em defesa própria, (12) porque naquela hora o Espírito Santo inspirará a vocês o que convém dizer".

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CAPÍTULO 12

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Questionário 1 - Que vem a ser "o fermento" dos fariseus? Entendiam por fermento uma força misteriosa e maléfica, assim como um mau instinto. Aqui são as falsas posturas e doutrinas que conduziam a uma santidade puramente exterior e hipócrita, sem cuidar da formação interior do coração ou pureza de intenção. Os fariseus, em vista de seu grande número de exercícios de devoção, não se julgavam pecadores necessitados da graça de Deus e de sua misericórdia. Pecadores eram os outros. A sua religiosidade aparente se manifesta no fato de não chegarem a reconhecer em Jesus o enviado de Deus, e em atribuírem ao demônio os milagres que o Mestre fazia (Mc 3,28-30). 5 - Que era a geena, do texto oficial? No tempo dos reis Acaz e Manassés (2Cr 28,3; 33,6), que governaram em Judá de 736 a 639 antes de Cristo, a geena era um vale onde queimavam crianças ao deus Moloc (2Rs 16,3; 21,6), em seu templo, Tofet. O rei Josias (2Rs 23,10. 16) destruiu o templo pagão e tornou o vale um lugar onde se queimavam ossos de defuntos. Nesse vale maldito passaram a queimar o lixo da cidade de Jerusalém, ardendo aí o fogo dia e noite, como símbolo da condenação eterna (inferno). 10a - Que é o pecado contra o Espírito Santo? Aqui é fechar os olhos diante dos milagres e rejeitá-los obstinadamente como obras do demônio, identificando assim Espírito Santo com o espírito maligno. Cf. Mt 12,31-32. 10b - Existe pecado imperdoável? "Não terá perdão" deve ser entendido: 1º) como dificilmente obterá perdão. Pois, quem se obstina em atribuir ao demônio as obras de Deus endurece o coração e não quer reconhecer seu erro. Enquanto não mudar de sentimento, não terá perdão. Portanto, o pecado pode ser imperdoável somente da parte do homem que não se arrepende, porque, da parte de Deus, a misericórdia não tem limite. Também a Igreja recebeu de Jesus o poder de perdoar sem exceção, desde que haja arrependimento sincero; 2º) não terá mesmo perdão o pecado da recusa voluntária e definitiva de Cristo, da parte de quem já acreditava nele. É o pecado que "leva à morte" (1Jo 5,16), pois "as pessoas que, uma vez iluminadas com o dom celeste da fé, apesar de tudo, recaíram na negação definitiva de Cristo, é inconcebível que ainda possam renovar-se pelo arrependimento" (Hb 6,4-6; 10,26). É o pecado de obstinação que leva à impenitência final. 11 - Que poder possuíam os trib unais das sinagogas? Os chefes das sinagogas exerciam funções de juizes com poder de julgar, de excomungar e de flagelar.

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CAPÍTULO 12

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Lições de vida 1 - Deus detesta a hipocrisia: "Abomino muitas coisas, nada, porém, quanto o hipócrita; o Senhor também o detesta" (Eclo 27,27). Intimamente devemos ser o que exteriormente afirmamos e ensinamos. No dia do juízo, toda verdade de nossas intenções mais secretas se revelará. 7 - A confiança na providência divina torna o homem apto a suportar as coisas mais árduas, porque também nelas Deus se faz presente. 8 - À nossa confissão iniciada na terra corresponde a cena da confissão celeste que Cristo fará em nosso favor. 9 - Nega Jesus diante dos homens o cristão que, por respeito humano, não testemunha a sua fé. 11 - Jesus não promete preservar da dor e da morte, sim quer que demos testemunho de nossa fé diante dos perseguidores e dos tribunais. Previne contra a apostasia e garante que a força do Espírito Santo atuará de maneira sensível em quem confessa intrepidamente a fé cristã. Oração Senhor, peço a coerência de ser no íntimo o que afirmo e ensino exteriormente, para que nunca vingue em mim a hipocrisia que o Senhor tanto detesta. Que nunca se possa dizer de mim que me abstive de pecar só por falta de meios. Que eu não hesite em confessar minha fé diante dos homens como o que tenho de mais precioso na vida. Que eu saiba confiar na Providência divina tanto nos dias felizes quanto nas horas difíceis. E que o Espírito Santo se encontre sempre livre para me inspirar o que devo pensar, o que devo dizer, o que de vo fazer, o que convém calar e o que importa omitir. Amém. Lc 12,13-21 Avareza. Perigo da saciedade e da cobiça (Mt 6,19-21)
(13)

Como os rabinos eram chamados freqüentemente a resolver questões de herança, um homem do meio da multidão, reconhecendo Jesus como um grande rabino, rogou-lhe: - "Mestre, por favor, diga a meu irmão mais velho que divida pacificamente comigo nossa herança, como determina a Lei" (Dt 21,17).
(14)

Jesus negou-se porque não foi mandado para dirimir questões temporais, para as quais havia juizes legítimos, e respondeu-lhe:

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CAPÍTULO 12

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- "Homem, quem me constituiu juiz ou repartidor da propriedade de vocês?".
(15)

E do fato de um primogênito pretender também a parte da herança que cabia ao outro, aproveitou a ocasião para dizer a todos: - "Procurem livrar-se cuidadosamente de qualquer cobiça, porque, mesmo vivendo na abundância, a vida do homem não lhe é assegurada pelos bens que ele possui: ele não vive mais do que os outros".
(16)

E narrou-lhes a seguinte parábola, para mostrar que a riqueza não alonga a vida de ninguém: - "Havia um homem muito rico, cujas terras deram enorme colheita. (17) Ele, preocupado não em como se utilizar bem dela, mas em como a conservar para si, começou a refletir consigo mesmo: 'que vou fazer agora de tudo isso? Não tenho depósitos suficientes para guardar tamanha colheita'.
(18)

Depois concluiu:

- 'Agora descobri o que posso fazer. Vou demolir meus depósitos de cereais e construir outros maiores. Neles recolherei toda a minha colheita e guardarei meus bens, o ouro, a prata, as vestes e móveis preciosos que possuo. (19) Depois poderei dizer a mim mesmo: - Homem feliz! Você tem muitos bens armazenados, suficientes para muitos anos. Agora pode descansar, comer, beber e divertir-se' (Eclo 11,18-20). (20) Deus, porém, lhe disse: 'Homem sem juízo! Nesta mesma noite em que faz tantos projetos, você improvisamente morrerá. E de quem serão os bens que acumulou? (SI 38,7) Deverá abandoná-los todos!'. (21) Isto acontece a quem só vive de ambição, ajuntando posses para si mesmo neste mundo, e se esquece de adquirir tesouros espirituais de boas obras, para a vida eterna com Deus". Questionário 14 - Jesus não mostrou aqui desprezo pelos b ens materiais? Não mostrou desprezo. Santo Ambrósio diz: "Acertadamente declinou tratar de questões terrenas, quem veio por causa das coisas divinas". A Jesus faltam o mandato e a missão de repartidor dos bens terrenos. Estes são algo de importante na vida humana, pois todos necessitam de um mínimo de bens. São sempre um bem de Deus, mas não é missão de Jesus cuidar deles, conforme declarou: "meu reino não é deste mundo" (Jo 18,36). Jesus e seus continuadores, pregando o amor ao próximo, a justiça social e a prática das virtudes, automaticamente promovem o bem-estar de toda a humanidade. 15 - Que é a cob iça? A cupidez, que nada tem a ver com o desejo honesto de ter mais, é a ambição desmedida de riqueza, a paixão incontrolada de uma apropriação indevida de bens alheios. Uma idolatria dos bens materiais. Leva o homem ao roubo, à rapina, à fraude. Gera a inveja, que é a tristeza sentida diante do bem alheio. Da inveja nascem a maledicência, a calúnia, a alegria pela desgraça do outro. É o avesso do amor.
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21 - Qual é o ensinamento dessa parábola? É mostrar o engano de quem só quer construir a própria existência sobre as posses terrenas, vi vendo egoisticamente, desinteressado dos bens eternos. É um convite a não prendermos o coração aos bens passageiros, porque na morte seremos julgados não pelo que temos, mas pelo bem praticado com o que temos. O cristão não vive para ter, mas sim se serve do que tem para ser mais humano. Lições de vida 14 - O povo sempre encontrou Jesus pronto a atendê-lo em suas necessidades do corpo e do espírito. Estranhamos que, nesta questão de herança, ele tenha recusado o pedido. Ele não pretende julgar sobre questões puramente materiais, não quer imiscuir-se em negócios desordenados deste mundo. Isso significa que Jesus não quer decidir-se por esta ou por aquela ordem social. Ele veio para pregar a Boa Nova aos pobres, salvar os perdidos, implantar no coração do homem o Reino de Deus e dar a sua vida em resgate por todos. 19 - Para o homem da narrativa, o que dá sentido à vida é armazenar, comer, beber, divertir-se. É a ética do ter e do bem-estar. Mas todo planejamento humano caduca. O homem não deve apenas falar consigo mesmo. Não deve ser indiferente aos homens e a Deus, entesourando bens sem saber para quem os deixa (SI 38,7). Essa parábola convida a ajuntar tesouros que Deus reconhece como as verdadeiras riquezas. 21 - Se tivéssemos o mesmo interesse pêlos bens espirituais como temos pêlos materiais, seríamos ricos para Deus. Um dia levaremos conosco só a riqueza do bem praticado. É sábio quem usa os bens do mundo sem prender a eles o coração. "Tudo é vosso, mas vós sois de Cristo e Cristo é de Deus!" (1Cor 3,23). Oração Senhor, agradeço por tantos bens naturais que me cercam, que me alegram a vida, que me dão prazer. Tudo é um bem desmesuradamente grande para mim: o sol, a lua, as estrelas, o ar, a água, a terra, as plantas, os peixes, as aves, os animais. Participo de tudo isso que recebi de graça. Parte disso, eu tornei propriedade minha, mas sei que meus bens são apenas emprestados. Senhor, que eu saiba merecê-los pelo trabalho, e saiba ver em todos eles a possibilidade e o convite para usá-los com sábio equilíbrio não só para o meu proveito, mas no sentido do bem dos que me cercam. Assim me enriquecerei de frutos que serão meus bens eternos. Amém.

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Lc 12,22-31 Confiança na Providência divina. Escolha dos valores. (Mt 6,25-34)
(22)

E Jesus acrescentou para seus discípulos em particular:

- "Por isso eu lhes digo: não se preocupem demasiado com sua vida, quanto ao que deverão comer, nem com o corpo, quanto ao que precisam vestir, porque a Providência divina tem especial cuidado de vocês. (23) Pois a vida, que é muito mais do que o alimento, lhes é dada de graça; e o corpo, que é muito mais do que a roupa, também lhes é dado sem que o peçam. (24) Observem os corvos. Eles não plantam, não colhem nem armazenam em celeiros ou depósitos. No entanto, Deus criou condições para que se sustentem, bastando procurarem o alimento diário. E vocês não valem muito mais do que as aves? Basta que com seu trabalho procurem o sustento.
(25)

Quem de vocês, com suas preocupações, alcança prolongar um pouco a duração da vida? (26) Portanto, se até coisas tão pequenas, como a comida e o vestuário, vocês não conseguem só com suas preocupações, por que se preocuparem tanto com as grandes, como a vida e o corpo? (27) Observem como crescem os lírios. Não se matam de trabalhar fiando ou tecendo roupas para si mesmos. No entanto, eu lhes afirmo, nem Salomão, com todo seu esplendor, se vestiu tão bem como um deles. (28) Ora, se Deus veste assim a planta do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, quanto mais fará por vocês, homens de pouca fé! (29) Não busquem, então, com exagerada solicitude, o que comer e beber. Não se inquietem com isso. (30) São os homens sem fé que se consomem com tudo isso, porque desconhecem a Providência divina. O Pai celeste sabe de tudo que necessitam. (31) Procurem em primeiro lugar, e ponham no centro de suas preocupações, o Reino de Deus, e todas as coisas de que necessitam lhes serão dadas por acréscimo". Questionário 22 e 30 - Jesus não condena aqui o trabalho que b usca o sustento? Longe disso. Ele admite como bens materiais básicos "a comida necessária para viver e a roupa para o corpo". Ele já havia ensinado que "o trabalhador é digno do salário para o seu sustento" (Mt 10,10; Lc 10,7). O que ele condena é a ansiedade inquietante na busca dos bens materiais, como se não tivéssemos uma Providência divina que cria possibilidades e recursos sem conta. A preocupação exagerada faz o homem esquecer Deus. Fazem parte do plano de Deus, na constituição do seu reino no mundo, os bens materiais necessários à vida humana. Por isso, a falta do necessário é um mal que contraria o plano de Deus. 24 - Por que lembrou os corvos no meio de tantas aves? É que os corvos eram aves desprezadas e tidas como impuras (Lv 11,15) e indignas dos cuidados de Deus. Então é forçoso tirar esta conclusão: se o Pai cuida de aves tão desprezíveis, cuidará muito mais de quem é filho de Deus.
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26 - Torne mais clara essa frase. Que seriam essas "coisas pequenas" e o que seriam "as grandes"? Se não podemos, sem Deus, alcançar o alimento e a roupa, que são "coisas pequenas", como pretendemos aumentar a duração da vida, que é "coisa maior"? 29 - Quando é que os b ens prejudicam o homem? A riqueza se constitui em perigo quando o homem vive tão-somente para a sua conservação e o seu aumento, baseando nela e não em Deus toda a sua segurança. Aliás, é igual o perigo para o pobre que vive totalmente entregue aos cuidados materiais, pondo em segundo plano o Reino de Deus e sua justiça, isto é, sua integridade moral. Os discípulos que seguem Jesus mais de perto devem renunciar às posses a fim de estar totalmente desimpedidos para o anúncio da Palavra. Lições de vida 24 e 27 - Jesus, com alma de poeta, descobre Deus por meio dos pássaros e das flores. É um convite a encontrarmos o amor do Pai em todos os valores naturais. 31 - O homem é livre para escolher o que ele mais deseja. Podem ser os bens materiais ou Deus. Se um bem toma o primeiro lugar, automaticamente o outro passa a um segundo plano. Não pode dar o primeiro lugar aos dois bens ao mesmo tempo. Quem põe Deus em primeiro lugar pode estar certo de que esse Pai conduzirá as coisas de tal maneira que não falte o necessário para a vida material. Por isso não vive em ansiedades e inquietudes. Oração Senhor, todos os bens da natureza postos ao meu alcance são uma dádiva, uma gentileza divina. Peço a graça de amar o meu trabalho diário e honesto que me garante o necessário para viver despreocupado; e a graça de não colocar qualquer interesse humano acima da minha dedicação a Deus, mas deixar que Deus ocupe o lugar de prioridade em minha vida. Amém. Lc 12,32-34 Riquezas do céu (Mt 6,19-21)
(32)

Embora vocês sejam meu pequenino rebanho de discípulos, não tenham medo (Rm 8,38-39), pois meu Pai tem prazer em dar-lhes o Reino Messiânico. (33) Para que vocês não se ocupem senão das coisas de Deus e vivam confiantes na Providência divina, aconselho-os a vender tudo o que possuem e a distribuir o preço aos necessitados, pois Deus não pode esquecer as necessidades materiais dos

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seus. A caridade feita aos outros não é algo que se perde, mas sim que se guarda em bolsas que não envelhecem nem se rompem, e na outra vida se transformam em eterno tesouro espiritual, do qual o ladrão não se aproxima nem a traça corrói (Mt 19,21). (34) Pois o coração de vocês estará preso onde vocês puserem o seu tesouro: nas coisas da terra ou nas de Deus. Lc 12,35-40 Atentos à vinda do Senhor (Mt 24,43-44; Mc 13,33)
(35)

Estejam bem preparados e atentos sem dormir. (36) Façam como os empregados que esperam vigilantes seu senhor voltar da festa de casamento em hora incerta, a fim de lhe abrirem a porta assim que ele chegar e bater. (37) Felizes os empregados que o senhor à sua chegada encontrar vigilantes. Eu lhes afirmo: o senhor transformar-se-á em empregado, fará que se ponham à mesa, e ele mesmo, passando de um a um, os servirá. (38) E caso venha depois das nove horas da noite ou mesmo depois da meia-noite, felizes serão se os encontrar sempre alertas! (39) Compreendam bem o que lhes digo: se o dono da casa soubesse a que hora o ladrão iria chegar, sem dúvida não deixaria arrombar a sua casa. (40) Vocês igualmente sempre estejam preparados, porque eu chegarei numa hora que vocês não pensam. Questionário 33 - Distrib uir os b ens é uma ordem ou um conselho de Jesus? O verbo é exortativo. Portanto, trata-se de um conselho e não de uma ordem ou preceito (Mc 10,21). 35 - Qual é o sentido de "rins cingidos" e "lâmpadas acesas", do texto oficial? Como as túnicas que vestiam eram longas até os tornozelos, para trabalharem ou caminharem desembaraçados costumavam levantá-las um pouco e amarrá-las à cintura: era "cingir os rins", que equivale a estar prontos a partir, a trabalhar ou já estar trabalhando. Aqui vale para a partida deste mundo na morte, para a qual devemos estar sempre prontos. "Lâmpadas acesas" nas mãos significa estar atentos, vigilantes. Quando o dono chega, os servos não podem mandá-lo esperar; devem estar prontos a abrirlhe a entrada. 36 - Quem representa esse senhor, e quando é que ele voltará? O Senhor é Deus, que volta em nossa morte. Feliz de quem estiver sempre pronto a recebê-lo! 37 - Que sentido tem "o Senhor os servirá"? Significa que Deus comunica aos santos a sua mesma glória e os torna como donos de todos os bens que Deus tem em sua casa, isto é, no paraíso. Eles se

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fartarão à mesa da casa do Pai, no reino celeste, como herdeiros de todos os bens próprios de Deus. Lições de vida 32 - Jesus chama seus íntimos de pequenino rebanho. De fato, os mais chegados a Jesus eram os 12 apóstolos e os 72 discípulos. Poucos em número e muito pequenos em valor social. Mas com eles Deus implantou seu reino de amor em todas as camadas sociais de então. Continua a ser assim. Mesmo hoje, e até o fim dos tempos, o Reino de Deus será difundido humildemente por seguidores de Cristo sem muita projeção social. Isso para que o homem não atribua a si o êxito da pregação do Evangelho. Jesus, como Bom Pastor, abre às suas ovelhinhas as mais auspiciosas perspectivas de futuro: a garantia que o Reino de Deus crescerá pelo empenho delas, e a certeza da posse de bens eternos superiores ao alcance humano e aos ataques dos inimigos. Então seu reduzido número e sua humildade não deverão desencorajá-los, porque lhes é garantida a proteção de Jesus. 33 - A caridade praticada em favor dos necessitados não é alguma coisa que o doador perde, mas é posta em bolsa que não envelhece, não se estraga nem se perde, porque terá uma recompensa eterna na outra vida, será um tesouro imperecível. 35 - Depois de ter ensinado a terem um coração desprendido dos bens da terra, Jesus passa a mostrar a seus discípulos como devem estar sempre ocupados em boas obras e prontos a recebê-lo quando ele vier definitivamente em hora inesperada. A administração da casa é deixada nas mãos de cada um de nós. Mas como o Senhor virá subitamente, ele quer que vivamos prontos e vigilantes. Oração Senhor, que eu saiba dar-lhe sempre o lugar de prioridade em minha vida. Que eu entenda que neste mundo só tem valor eterno o que se dá de si. Que eu saiba trabalhar com amor, como se tudo só dependesse de mim, e confiar colocando nas mãos de Deus minhas preocupações, como se tudo só dependesse dele. Que eu esteja sempre frutificando em boas obras, para me achar sempre pronto a recebê-lo na vinda definitiva. Amém.

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Lc 12,41-48 Advertência aos chefes religiosos (Mt 24,45-51)
(41)

Pedro, como líder do grupo, perguntou: O Senhor respondeu:

- "Senhor, essa parábola é dirigida somente a nós, discípulos, ou a toda gente?".
(42)

- "Falo a qualquer pessoa. Mas como, dentre os criados, alguém sempre recebe maior autoridade como administrador a quem é confiada direção material da casa para que distribua a ração de trigo aos empregados domésticos no tempo devido, pergunto: quem é o administrador fiel, que não se engana e, prudente, que não se deixa enganar? (43) Feliz aquele criado de responsabilidade que o patrão, ao chegar, encontrar cumprindo as ordens recebidas. (44) Verdadeiramente eu lhes afirmo que o promoverá fazendo-o administrador participante de todos os seus bens. (45) Ao contrário, se aquele administrador pensar consigo mesmo: 'meu patrão vai demorar a vir' e começar a espancar empregados e empregadas, a comer e beber em exagero até se embriagar, (46) o patrão com certeza chegará em dia inesperado e em hora ignorada, o expulsará do convívio dos seus e o condenará a ser excluído do seu reino como quem traiu a confiança do seu senhor. (47) O administrador que conheceu bem a vontade do seu patrão, assim como quem conhece a lei de Deus, mas não agiu de acordo (Mt 23,4), receberá muito açoite. (48) Mas o administrador que não tiver tido conhecimento da vontade do patrão, como o pagão que não conhece a de Deus (Rm 2,12-16), e tiver por isso feito coisas erradas, será castigado menos severamente. Isso porque de quem muito recebeu, muito se exigirá, ou seja, quanto mais se dá a alguém, maior será a sua responsabilidade". Questionário 42a - Mostre se Jesus respondeu à pergunta. Com outra pergunta Jesus quis mostrar que, se todos os fiéis em geral devem estar preparados para a vinda do Senhor, muito mais devem estar preparados os discípulos a quem foi confiada a guarda dos fiéis. Requer-se deles mais fidelidade e prudência. Que não se deixem seduzir pela tentação da desonestidade. 42b - Que ração de trigo o administrador era incumbido de distrib uir? As famílias mais abastadas mantinham vários criados, sendo um deles o criado-mor, responsável pelos demais. Era um administrador. Vigiava todos os trabalhos, e, em lugar de dinheiro, distribuía, por pagamento, uma ração correspondente de trigo aos empregados. 46 - A falta era tão grave que justificasse a condenação à morte? Hadriano Simón, em Praelectiones Bíblicae, no 639, traz como certa a interpretação de S. Jerônimo, que traduz a palavra "retalhar", do original grego "dicotomizar", assim: "separará do convívio dos santos", isto é, dos fiéis; e não "esquartejará" ou "retalhará", como muitos traduziram.
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47-48 - Explique o sentido desses dois versículos. Nós, cristãos, temos ao alcance da mão o conhecimento da vontade de Deus na Escritura. Não podemos aduzir a desculpa de não saber o que Deus quer, acobertando atitudes e comportamentos reprováveis. O pagão que não conhece o Evangelho poderá, em juízo, apresentar a desculpa de não ter tido amplo conhecimento da vontade de Deus. Mas como todo ser humano recebeu o bom senso para equilíbrio da razão, também o pagão deve praticar o bem e fugir do mal, conhecidos naturalmente. Ele será certamente menos culpado que o cristão, de certos erros que só poderiam ser evitados com o auxílio da luz emanada da Palavra de Deus. Isso significa que o cristão é mais responsável que o não-cristão. Esses castigos de que fala o Evangelho significam as penas da outra vida. Lições de vida 44 - Quem é fiel a Deus desdobrando os dons, as graças e os talentos recebidos será promovido a participar, durante toda a eternidade, de todos os bens que constituem a felicidade do próprio Deus. 45 - Todo adulto deve assumir a própria responsabilidade para não cair no defeito comum de atribuir ao governo, às autoridades eclesiásticas e não a si a culpa dos males sociais que sofremos. Cada um se examine com coragem e reconheça a parte de responsabilidade que lhe cabe. O mundo precisa menos de patrões que de serviçais. 47-48 - Daremos conta de todas as coisas e seremos retribuídos de maneira proporcional à nossa correspondência com as graças e os dons naturais recebidos. O servo que abusou da confiança do patrão na ausência deste é toda pessoa que vi ve como se Deus não existisse. Haverá graduação de prêmios e de castigos de acordo com a nossa responsabilidade. Não se salva quem permanece no cristianismo com o corpo e não com a alma ou o coração. Nós cristãos somos administradores que serão julgados com mais rigor, mas que sabem que a misericórdia de Deus é a lei do seu coração. Oração Senhor, ajude-me a ser um administrador fiel em todas as responsabilidades que me foram confiadas. Tão fiel, que não me iluda. Tão prudente, que não me deixe enganar. Um administrador em perfeita sintonia com os desejos do meu Senhor. Reconheço que recebi muito, e sei que o Senhor deverá exigir mais de mim. Que eu não me apóie só ao bom senso, que é o equilíbrio da razão, mas me deixe iluminar pela luz da Palavra revelada que conduz no caminho da verdade. Não obstante minha fraqueza, vivo confiante, Senhor, porque sei que a lei do coração do Pai é a misericórdia. Amém.

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Lc 12,49-59 Jesus prevê sua Paixão. Sinal de contradição. Sinais dos tempos. Reconciliação. (Mt 10,34-36; 16,2-4; 5,25-26)
(49)

Eu vim lançar sobre a terra, o fogo do Evangelho, o fogo do amor de Deus, o fogo do Espírito Santo; como gostaria que estivesse bem aceso esse amor que transforma os corações, os purifica e os inflama na prática de todo bem! (50) Mas antes que esse incêndio se alastre no mundo (Mt 3,11), devo receber um batismo de sangue na minha morte para a salvação do mundo (Mc 10,38). E como esta previsão desde agora me angustia até que tudo se realize!
(51)

Vocês julgam que vim à terra trazer a paz da tolerância e da adaptação cômoda? Não, eu lhes garanto, mas vim trazer uma divisão. (52) De agora em diante, numa mesma família com cinco pessoas, estarão divididas três que não me querem, contra duas que me seguem; ou duas que não me aceitam, contra três fiéis a mim. (53) Ficarão divididos o pai contra o filho ou o filho contra o pai; a mãe contra a filha ou a filha contra a mãe; a sogra contra a nora ou a nora contra a sogra por causa de mim.
(54)

Dizia agora à multidão mais do que aos discípulos:

Quando vocês vêem levantarem-se nuvens do mar Mediterrâneo, a ocidente, dizem logo: "lá vem a chuva", e assim acontece. (55) E quando sopra o vento do sul, vocês concluem: "vai fazer calor", e assim acontece. (56) Homens inconseqüentes! Vocês sabem distinguir e interpretar os sinais dos fenômenos naturais do céu e da terra. Por que, então, não distinguem os claros sinais do tempo presente indicativos da vinda do Messias, que todos esperam? (57) Por que vocês não tiram por si mesmos a conclusão a que seria justo chegar, examinando, como já o fizeram os meus discípulos, as obras que faço? Basta ver a pregação na plenitude do poder profético, a expulsão dos demônios e as mais admiráveis curas. É que vocês não querem tomar a decisão de se converter.
(58)

Se você está com seu adversário a caminho do tribunal, convém aproveitar esse tempo para acertar a dívida com ele, para que ele não o leve ao juiz e este o entregue ao oficial de Justiça, que o porá na prisão. (59) Dali você não sairá antes de pagar o último ceitil da dívida. Quero dizer: deste tempo de decisão, agora, depende o futuro. Pois agora com você ainda a caminho do tribunal de Deus, é possível corrigir tudo. Acerte as contas com sua consciência entendendo os sinais reveladores do Messias Salvador. Perdida esta oportunidade, a questão prosseguirá implacavelmente seu curso: você será julgado e não escapará ao merecido castigo.

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Questionário 49 - De que fogo se trata? Certamente é algo vantajoso para quem segue a Jesus, pois ele deseja que se acenda logo em toda a terra. Alguns interpretam como sendo o fogo da luta ocasionada pela pessoa de Jesus entre os que o negam e os que o amam. Mas é mais provável tratar-se do fogo do amor de Deus e do próximo ou Espírito Santo ou do Evangelho. 50 - Que batismo é esse? Trata-se do batismo de sangue ou do seu martírio no calvário ao qual se referiu quando disse a Tiago e João: "sereis batizados com o batismo com que eu serei batizado" (Mc 10,39). A Paixão de Jesus é batismo de sangue porque foi um lavacro salutar para a humanidade. Jesus o deseja, mesmo que esse pensamento lhe doa no coração. 51 - Isaías 9,5 anunciou um Messias "príncipe da paz". Jesus aqui não o contradiz? Não há contradição. Jesus implantou o reino da paz trazendo o perdão dos pecados, abolindo os preconceitos raciais, fazendo de todos os povos um só povo de Deus, não aceitando discriminações, pregando o amor fraterno até para com os inimigos. Acontece, porém, que ele ocasionaria divisões e lutas dos que não o aceitam contra os que o seguem. É a rejeição de Jesus que causa divisões, atritos e lutas. 58-59 - Que quer dizer Jesus com essa paráb ola? Jesus quer significar: todos estão a caminho do tribunal de Deus; acertem em tempo as contas com a própria consciência vendo, na pregação do Evangelho, na expulsão dos demônios e nos muitos e maravilhosos milagres, a chegada do Messias Salvador. Perdida essa oportunidade de misericórdia, você enfrentará o julgamento e receberá o castigo merecido. Lições de vida 50 - Jesus suspirava pelo seu batismo de sangue na cruz. Por isso é que Paulo diz em 2Cor 4,10 que "sempre trazemos no corpo os sofrimentos da morte de Jesus para que também a vida de Jesus se manifeste em nosso corpo". A força de nosso batismo vem do sangue redentor. 51 - Esse não é o Jesus adocicado de certas imagens. A pessoa dele provoca no mundo uma luta constante porque sua presença impõe uma decisão vital por ele ou contra ele, sem neutralidade. Quem se alista no Reino de Deus terá que aceitar a desunião, a incompreensão, a perseguição e até a morte. A sorte do discípulo de Jesus é uma vida de tribulações. 56 - A Constituição Pastoral sobre a "Igreja no mundo de hoje" (GS) nº 4 diz: "É dever permanente da Igreja perscrutar os sinais dos tempos e interpretá-los à luz do

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Evangelho, de forma a poder responder, de modo adequado a cada geração, às permanentes indagações dos homens sobre o sentido da vida presente e futura e sobre suas mútuas relações. É necessário conhecer e entender o mundo no qual vi vemos...". 58 - Todos somos culpados diante de Deus. Que fazer, então? Apro veitarmos bem o tempo de que dispomos antes do julgamento final; acertarmos nossas dívidas com Deus mediante a penitência e a mudança de vida. Oração Senhor Jesus, necessito da graça de não criar nenhum obstáculo no sentido de o Senhor acender em mim esse fogo que transforma os corações, purifica-os, inflama-os na prática do bem e na dilatação do Reino de Deus na terra. Que por meu intermédio esse fogo se alastre por onde quer que eu vá. Necessito da graça de maior sensibilidade diante dos sinais dos tempos, reveladores da presença e da atuação de Deus no mundo, e particularmente em minha caminhada. Espírito Divino que desce como fogo, venha como em Pentecostes e encha-nos de novo. Amém.

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CAPÍTULO 13 Lc 13,1-5 Arrepender-se ou arruinar-se
(1)

Na mesma hora em que Jesus falava dos sinais dos tempos, algumas pessoas vieram informá-lo do que havia acontecido a alguns galileus que Pilatos mandou matar quando eles ofereciam sacrifícios no templo de Jerusalém, porque aí haviam feito um tumulto (At 5,37), revoltados contra esse chefe do governo. Assim o sangue deles se misturou com o dos animais sacrificados. E que os judeus aproveitavam das grandes solenidades religiosas para mover sedições contra os romanos, no templo onde o povo se aglomerava. Por isso os romanos mantinham soldados na fortaleza Antônia, perto do templo, para reprimirem qualquer rebelião. (2) Então Jesus respondeu a uma dúvida que andava na cabeça deles: - "Vocês acreditam que, por terem sofrido tal sorte, esses galileus eram mais culpados de pecados do que todos os outros galileus? (3) Eu lhes afirmo, de modo nenhum! E garanto a vocês, judeus, que se não se arrependerem de seus pecados e não se converterem ao Messias, perecerão à semelhança desses que Pilatos matou. (4) E aqueles 18 que a torre de Siloé caindo matou, julgam vocês que eram mais culpados de pecados do que os demais habitantes de Jerusalém? (5) Eu lhes afirmo, de modo nenhum! Mas se vocês não se arrependerem de seus pecados e não se converterem ao Messias, perecerão todos assim como se a torre de Siloé caísse em cima de vocês". Questionário 1 e 4a - Qual o ensinamento desses dois episódios? Esses dois episódios, como sinais dos tempos, dizem que a morte pode vir de improviso. Assim também o juízo de Deus pode chegar quando menos esperamos. Daí a conclusão sensata: estar em dia com Deus e nossa consciência para não sermos surpreendidos. 1 e 4b - Esses dois episódios são confirmados por outra fonte histórica? São desconhecidos; só Lucas os traz. Mas o historiador Flávio Josefo, judeu do primeiro século, atesta que os galileus eram revoltados e que Pilatos costumava sufocar os levantes matando (Flávio Josefo em Antiguidades XVII 9,3; XVIII 3,2; At 5,37). Esse mesmo historiador escreve que a matança de uns samaritanos numa peregrinação ao monte Garizim, no ano 35, foi a causa última da deposição e do exílio de Pilatos (Antiguidades XVIII 4,1). 2 - Que se pensava naquele tempo da causa dos males sofridos? Entendiam que todos os males físicos eram causados por culpas pessoais como punição divina. Para eles, não havia dor sem ser castigo. E a grandeza do castigo media o tamanho da culpa. Basta ver os amigos do santo Jó 4,7 e o evangelho de João 9,2. Jesus corrige esse modo errado de pensar: também os
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santos sofrem desventuras sem merecê-las. Sofrem pelo simples fato de serem humanos, sujeitos, portanto, à dor. Poucas vezes Deus castiga. Lições de vida 2 - Jesus deixa claro que não necessariamente há uma relação direta de causalidade entre culpa e sofrimento. Mas as desgraças públicas são, como sinais dos tempos, oportunidade para reflexão e penitência dos pecados. Jesus adverte que toda nação caminha para a ruína se não se converter ao Messias. Todos necessitamos de conversão contínua porque todos erramos. O mistério do sofrimento sem espírito de fé esmaga o homem. 3 - Inumeráveis judeus se refugiaram no templo de Jerusalém quando os romanos o invadiram no ano 70, trucidando-os. Outros ficaram sepultados sob as ruínas da cidade. Aconteceu ao pé da letra o que essa advertência havia ameaçado. Oração Jesus, peço que nos livre de todos os males possíveis. Ajudados pela sua misericórdia, sejamos primeiramente livres de todo pecado, o pior dos males e raiz de todas as desordens espirituais e morais, e sejamos protegidos de todos os perigos que nos ameaçam também de males físicos, como desastres, assaltos e doenças graves. Assim viveremos em constantes ações de graças, e, com a tranqüilidade de um menino no colo materno, bendiremos seu santo nome em todos os momentos de nossa existência. Amém. Lc 13,6-9 Figueira sem frutos. Paciência de Deus
(6)

E Jesus terminou esse ensinamento contando a seguinte parábola, para mostrar que Deus espera com paciência a conversão dos pecadores. - "Certo homem tinha uma figueira em sua plantação de uvas. Veio a ela procurando figos, mas nada encontrou. (7) Disse então ao agricultor: - 'Faz três anos que venho buscar frutos nesta figueira e nada encontro. Corte-a. Por que há de ocupar o terreno inutilmente tornando-o infrutífero?'. (8) O empregado respondeu: - 'Senhor, deixe-a ficar ainda este ano para que eu cave em redor dela e coloque adubo. Depois disto talvez ela dê frutos. (9) Caso contrário, o senhor mandará cortála'".

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Questionário 6-9 - Que sentido tem essa parábola? O dono é Deus. A figueira infrutífera é, antes de tudo, o povo judeu (Is 5,7) que, apesar de todos os cuidados do agricultor, Jesus, durante três anos de pregação e milagres, não deu frutos de conversão. O ano a mais que é concedido representa o tempo desde Pentecostes até o ano 70 quando os apóstolos continuaram a pregação e os milagres de Jesus. Ao fim desse prazo a árvore foi cortada com a destruição de Jerusalém, o massacre e a dispersão da nação judaica. A figueira é também cada um de nós a quem Deus oferece tempo para se converter. "A paciência de Deus impele à penitência" (Rm 2,4). "Deus fecha os olhos aos pecados dos homens, a fim de os converter" (Sab 11,23). Lições de vida 6-9 - A oportunidade que Deus nos concede para nossa conversão pode ser um retiro espiritual, uma missão, um conselho de amigo, um belo testemunho de vida, um grande acontecimento, uma doença, até um acidente. 8 - Essa parábola ensina também a necessidade e a urgência da mudança de vida; não ser árvore sem frutos de vida eterna. Adiar a conversão para sempre mais tarde é incorrer em perigo de endurecimento eterno. Quando a última oportunidade oferecida por Deus é rejeitada obstinadamente, chega ao fim o tempo da misericórdia e começa o da justiça! Oração Senhor, que eu não seja figueira sem frutos, ocupando ociosamente o espaço da existência terrena, e merecendo ser cortada. Sei que são inúmeras as oportunidades que o Senhor me concede para a minha contínua conversão. Obrigado, Senhor, por esperar pacientemente que o pecador se converta e se salve. Sabemos que o Senhor ama também os filhos maus. Ensine-me a amar assim, para que a minha vida dê os frutos que o Senhor espera. Amém. Lc 13,10-17 A mulher recurvada
(10) (11)

Num sábado, Jesus estava ensinando numa casa de oração, a sinagoga.

Encontrava-se ali uma mulher molestada por um espírito maligno que a conservava doente havia 18 anos. Andava inteiramente recurvada e não conseguia de nenhum modo levantar a cabeça. (12) Ao vê-la, Jesus se condoeu, chamou-a, colocou as mãos sobre ela e lhe disse:

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- "Mulher, você está livre de sua doença".
(18)

No mesmo instante a mulher se endireitou e pôs-se a louvar a Deus, cheia de reconhecimento pela cura alcançada. (14) O chefe da sinagoga, fariseu, mostrou-se contrariado porque Jesus havia curado em dia santificado. Com medo de dirigir-se a Jesus, tomando a palavra com fingido zelo e cheio de inveja, disse à multidão: - "Há seis dias de trabalho durante a semana; então, venham nesses dias para serem curados, e não no dia santo!".
(15)

O Senhor, porém, replicou-lhe:

- "Hipócritas, vocês, chefes dos fariseus. Cada um de vocês, no dia santificado, não solta da estrebaria seu boi ou seu jumento e o conduz a beber? (16) E essa descendente de Abraão que satanás prendeu há 18 anos, não convinha soltá-la com uma simples palavra, só por ser hoje dia santificado, de descanso?".
(17)

Em força dessa pergunta, os adversários de Jesus passaram vergonha porque ficou evidente o desmascaramento do falso zelo deles pela religião. Ao contrário, a multidão inteira se alegrava com todos os milagres e maravilhas que ele realizava. Questionário 14a- Qual era a lei que proib ia qualquer trab alho no sábado? Dt 5,13-14: "Trabalharás seis dias e neles farás todas as tuas obras, mas no sétimo dia, que é o repouso do Senhor, teu Deus, não farás trabalho algum..." (Ex 20,9-11. Lv 23,3. Ex 23,12). 14b - Qual o real motivo da revolta desse fariseu? Nada mais do que a inveja e o ciúme de ver Jesus ganhar fama, admiração e veneração de todo o povo que os chefes fariseus queriam ter sob seu controle. Eles não vêem o milagre nem o bem feito à mulher; só vêem seu interesse particular que chega até a crueldade. Os fariseus ignoravam o sentido religioso do dia santificado. 14c - Quais são os sete vícios capitais? São: soberba, avareza, lu xúria (libidinagem), ira, gula, inveja e preguiça. Lições de vida 11 - Satanás pode provocar nos homens também danos corporais. 12 - A misericórdia de Deus é tão grande, que muitas vezes nos socorre mesmo sem que pensemos em recorrer a ele. Jesus é a libertação do homem. 14a - A inveja é um dos vícios capitais que mais prejudicam o bom relacionamento da amizade. 15-16 - Jesus liberta do pesado jugo que a interpretação farisaica da lei impunha aos homens (Mt 11,28). O dia santo torna-se dia de alegria para todo o povo.

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Oração Obrigado, Senhor, por vê-lo condoído daquela enferma há tanto tempo. Conceda-me a graça da empatia para nunca passar indiferente diante de quem sofre. Que eu saiba estender-lhe a mão e dizer a palavra certa daquele momento. Outra graça, Senhor: que eu sinta prazer toda vez que encontrar alguém me sobrepujando em qualidades humanas e carismas. Em vez de invejá-lo, que eu louve a Deus pelos dons concedidos aos homens e que revelam a bondade do Pai. Amém. Lc 13,18-21 A semente de mostarda. O fermento (Mt 13,31-33; Mc 4,30-32)
(18)

Jesus continuou ensinando:

- "A que se parece o Reino de Deus, isto é, os homens que me seguem na religião que vim implantar no mundo? A que posso compará-lo?
(19)

É semelhante a uma semente de mostarda que um homem plantou em sua horta. De bem pequenina que é, a semente brotou, cresceu e tornou-se um grande arbusto, a ponto de os passarinhos do ar se abrigarem em seus ramos. Assim será a expansão do meu reino no mundo".
(20)

Jesus continuou:

- "A que mais poderei comparar o Reino de Deus? (21) Assemelha-se a pequena quantidade de fermento que uma mulher pegou e misturou em uns 40 quilos de massa de farinha, até que toda ela ficasse fermentada. Assim será a força interior do meu reino para a renovação dos corações". Questionário 18 - Que é concretamente o Reino de Deus? O Reino de Deus é o cristianismo, constituído por todos que seguem Jesus Cristo por meio do Evangelho. Quem faz a vontade de Deus, segundo a própria consciência, entra nesse reino espiritualmente. 19 e 21 - Que significam as paráb olas da semente e do fermento? A semente de mostarda representa a pequenez inicial do Reino de Deus no mundo, seu crescimento e sua propagação em todas as nações da terra. O fermento significa a força interna e vital desse reino, que renova e transforma os corações. Note-se que o reino não é comparado puramente ao fermento, mas a toda a massa fermentada.
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21 - A quanto correspondem as três medidas de farinha? A 39 quilos de farinha. Lições de vida 19 - Essa pequena parábola corrige a idéia generalizada de que o Reino de Deus viria com grande glória e aparato exterior, e ergue a confiança dos discípulos, garantindo o crescimento desse pequeno início do Reino de Deus. 21 - O fermento do Evangelho deverá chegar a toda a massa humana, segundo o desejo de Jesus. Na realidade, esse desejo ainda não está realizado, pois "há dois bilhões de pessoas - e esse número aumenta dia a dia - que ainda não ou muito pouco ouviram a mensagem evangélica" (Ad Gentes 10). É que os católicos não exercem a devida influência cristã na sociedade onde vivem. Em geral são omissos. E Jesus continua a nos dizer: "Tenho outras ovelhas que não são deste rebanho. É preciso trazê-las para junto de mini" (Jo 10,16). Que fazemos nós para trazer mais ovelhas a Cristo? Jesus diz que o fermento deve levedar toda a massa. Isso significa que a religião não é um setor na minha vida, como o trabalho, o lazer... mas deve estar presente e dirigir minha vida em sua totalidade. Estas parábolas convidam a uma profunda confiança em Deus, que, de um reino inicialmente minúsculo, irá fermentar o mundo. Exprimem a certeza da misteriosa vitalidade oculta na semente e no fermento, e uma fé inabalável na vitória universal de Jesus. Oração Agradeço do fundo do coração, Senhor, por eu já ter sido introduzido no reino desde o nascimento, por meus pais. Peço a graça de sentir a necessidade de difundir a mensagem da salvação entre os homens. Que eu não seja cristão omisso diante da minha vocação evangelizadora, mas, sim, fermento do Evangelho na massa humana onde vivo. Amém. Lc 13,22-30 Porta estreita. Número dos salvos (Mt 7,13-14; 8,11-12)
(22)

Jesus passava por cidades e povoados transmitindo sua mensagem enquanto se encaminhava para Jerusalém. (23) Alguém lhe perguntou: - "Senhor, são poucos os que se salvam?". Jesus não respondeu à pergunta, mas disse a todos:

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(23)

- "Deixando de lado a questão inútil do número, o necessário é que se esforcem por entrar pela porta estreita da penitência. Porque o tempo concedido por Deus acabará depressa. Então muitos, findo o tempo, procurarão entrar e não conseguirão. (25) O tempo útil acabará quando o dono da casa se tiver levantado e fechado a porta, e vocês, que resistiram à conversão, de fora, se puserem a bater à porta, dizendo: - 'Senhor, abra-nos!', e ele lhes responderá: - 'Não sei de onde são, não os conheço' (Mt 25,12). (26) Então tentarão explicar: - 'Nós comemos e bebemos em sua companhia (Mt 7,22-23), e o Senhor ensinava em nossas praças!'. (27) O Senhor, porém, continuará afirmando: - 'Não sei quem são vocês. Afastem-se de mim todos vocês que praticaram o mal!'. (28) Vocês verão nossos pais, Abraão, Isaac e Jacó, e todos os profetas no Reino Eterno de Deus, enquanto vocês serão postos fora, onde só haverá choro e ranger de dentes, ou seja, tristeza e desespero. (29) Virão multidões do Oriente e do Ocidente (SI 107,3), do Norte e do Sul, de todos os quadrantes, e tomarão lugar à mesa festiva do Reino de Deus. (30) Assim, muitos pagãos que aqui na terra ocupam os últimos lugares como excluídos do reino, numa posição desprezível, diante de Deus ocuparão os primeiros lugares. E muitos judeus, que aos olhos da sociedade ocupavam os primeiros lugares, lá ocuparão os últimos, porque não reconheceram o Messias". Questionário 24a - Que vem a ser essa porta estreita? É o esforço de conversão e penitência necessário à mudança de vida. É em geral a observância dos mandamentos de Deus que não deixam lugar para vícios. É renúncia. 24b - Quem não conseguirá entrar? Quem deixou de aproveitar o tempo útil de praticar o bem na vida. 25 - Que é a porta fechada e quando estará fechada? Significa tempo esgotado para a mudança de vida. A porta se fechará para cada um na hora da morte, e, para o gênero humano, no juízo universal. 29 - Sab e aproximadamente o número de cristãos hoje no mundo? Há mais de um bilhão de cristãos, dos quais mais de 700 milhões são católicos. 30 - A quem se refere Jesus falando de últimos e de primeiros? Essas palavras visam diretamente aos judeus contemporâneos de Jesus, os primeiros a pertencer ao povo de Deus. Os últimos são os pagãos, só chamados a entrar no Reino de Cristo depois da ressurreição do Senhor. Mas essas palavras podem também se aplicar aos maus cristãos. Os judeus tornaram-se últimos, e os pagãos, primeiros.

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Lições de vida 22 - O importante não é saber quantos serão salvos, mas garantir a própria salvação, para o que dispomos de tempo limitado. Jesus exige não só que o conheçamos, mas que lhe demos resposta positiva seguindo-lhe os passos. O chamamento para a conversão não quer dilações, mas decisão. Jesus pregando em todos os recantos está oferecendo a todos a salvação. Todos são instados a decidirse por ele ou contra ele. 24 - A pura recepção do batismo não basta. É necessário esforço pessoal para vi vermos a lei de Deus numa vida íntegra, mesmo à custa de sacrifícios, como vemos na vida de todos os santos que não chegaram ao heroísmo sem grandes lutas. O cristianismo se vive com energia, como São Paulo, que mandava lutar (1Tm 6,12) e ele mesmo "combateu o bom combate" (2Tm 4,7). O Reino dos Céus sofre violência, e só os que fazem violência contra si mesmos se apoderam dele (Mt 11,12). Não existe meio mágico ou automático de salvação. A porta é estreita e está aberta só por determinado tempo. É necessária uma decisão sem delongas. Ninguém pode reivindicar o direito à salvação, mas Deus possibilitou-a a todos em Jesus. 26 - Ter sido conhecido e concidadão de Jesus de nada adianta para quem não o amou e não o seguiu, renunciando a si mesmo e às suas paixões. Muitos pagãos que não eram do sangue de Jesus se avantajaram aos judeus na fé cristã. Oração Senhor, que eu não me acomode na falsa segurança de já estar suficientemente convertido, mas seja incessante em mim o esforço de passar sempre pela porta estreita da conversão contínua e crescente, porta que se fechará para mim, esgotado o tempo concedido para viver. Muitos pagãos, Senhor, se tivessem ouvido a Palavra que me foi dada, seriam modelos no seguimento de Cristo. Concedame, Senhor, mais decisão na minha vivência cristã. Amém. Lc 13,31-33 Ameaçado por Herodes
(31)

Nessa mesma ocasião aproximaram-se dele alguns fariseus ligados a Herodes Antipas, tetrarca da Galiléia e da Peréia de 4 a.C. a 39 de nossa era. Disseram-lhe: - "É bom que o Senhor se retire daqui e vá para a Judéia, porque Herodes Antipas, como fez com João Batista, quer matá-lo!".
(32)

Mas Jesus respondeu-lhes:

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- "Vão dizer a Herodes, astuto e malicioso como uma raposa, que eu continuarei a expulsar demônios e curar doentes no breve tempo de hoje e amanhã, sem temer ameaças de Herodes; e ao terceiro dia, quando chegar a hora determinada pelo Pai, eu terminarei minha vida. (33) Na verdade, convém que eu realize meu ministério no tempo estabelecido de hoje e amanhã, e depois eu terminarei minha carreira em Jerusalém, porque não é admissível um profeta morrer fora de Jerusalém". Lc 13,34-35 Jerusalém ingrata (Mt 23,3-39)
(34)

Jerusalém, Jerusalém, que mata os profetas e apedreja os mensageiros que lhe são enviados por Deus! Quantas vezes eu quis juntar seus filhos como a galinha recolhe sua ninhada debaixo das asas! E você não quis! (35) Agora a sua casa ficará completamente abandonada até o fim dos tempos. E eu lhes asseguro que não me verão mais, até o dia em que hão de me reconhecer como Messias, dizendo: "Bendito aquele que vem em nome do Senhor!". Questionário 31 - Qual seria a razão de Herodes querer matar Jesus? Porque estava crescendo muito o número dos seguidores de Jesus, e Herodes temia que isso lhe pudesse causar algum problema diante da autoridade romana com alguma agitação política. 32 - Herodes raposa que pode significar? Herodes finge querer matar Jesus, pretendendo, na verdade, só se libertar dele afastando-o do território de sua jurisdição. A raposa é um animal astuto, que sai para roubar somente à noite, às ocultas; quando se torna claro, esconde-se. Mesmo o Batista, Herodes não queria matá-lo (Mc 6,19-20). 33 - Que quer dizer: "não é admissível um profeta morrer fora de Jerusalém"? Essa afirmação contém uma ironia. É sempre Jerusalém que mata os profetas, porque é lá que mora a suprema corte da nação. Jerusalém tem como que o "privilégio" de exterminar os que falam contra os vícios. Jerusalém matou tantos, que agora não permitirá que outra cidade mate Jesus. Então ele não morrerá na Galiléia ou na Peréia de Herodes Antipas. 32-33 - Redija com mais clareza esses dois versículos. Jesus quis dizer: só um curto espaço de tempo (hoje e amanhã) vou permanecer fazendo milagres no território de Herodes Antipas, porque assim o exige minha missão. Depois (ao 3º dia), seguindo os desígnios divinos, irei a Jerusalém para encontrar aí a morte.

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35 - Que profecia ou profecias você vê aqui? Além da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, os intérpretes do Evangelho vêem nesse versículo outra profecia. O templo de Jerusalém ficará deserto e abandonado (e está ainda hoje) até o fim dos tempos, quando então os judeus em massa se converterão a Jesus, aceitando-o como o Messias e aclamando-o como na entrada de Jerusalém: "Bendito aquele que vem em nome do Senhor!" (Rm 11,25-27). Lições de vida 32 - Cristo não se intimida com a ameaça de Herodes Antipas, mostrando ser senhor de sua própria vida e de seus atos, podendo sempre fazer tudo que quiser em qualquer tempo e lugar. Também o cristianismo se propaga, apesar de todas as resistências e perseguições dos poderes humanos. 35 - Jerusalém foi destruída porque resistiu aos apelos de todos os profetas no sentido da conversão. A nós também chegam continuamente os apelos da Palavra de Deus, convidando-nos a pautar a vida segundo o Evangelho. O fim de Jesus no templo de Jerusalém foi também o fim do templo. Também para cada homem haverá um limite nos apelos de Deus, um convite para a derradeira decisão. Oração Senhor, pesa-me sinceramente ver tantos que, como Jerusalém insensível aos profetas e aos apelos de Deus, vivem na indiferença diante do negócio mais sério da vida, a salvação eterna. Não chegam a tomar consciência, Senhor, de que o pecado é semente de iniqüidade que gera a morte eterna. Pelo sangue que o Senhor derramou por todos na cruz, toque fortemente esses corações, Senhor, para que se deixem penetrar pela luz do alto a fim de que se convertam e se coloquem no caminho da salvação. Amém.

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CAPÍTULO 13

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CAPÍTULO 14 Lc 14,1-6 Cura num sábado
(1)

Num sábado, Jesus foi convidado a um almoço festivo na casa de um dos chefes dos fariseus. E eles o observavam malevolamente para ver se transgredia alguma cerimônia para que assim pudessem acusá-lo. (2) Logo entrou na sala e chegou-se a ele um homem que sofria de hidropisia, ou barriga d'água, mas, por medo dos fariseus, não ousou pedir nada a Jesus. (3) Dirigindo-se aos professores da lei e aos fariseus, perguntou Jesus: - "E lícito ou não diante da lei curar no dia consagrado a Deus e ao descanso?" (Mt 12,10).
(4)

Temendo contradizer-se se respondessem "sim", e não querendo ser confundidos pelas argumentações de Jesus se respondessem "não", eles nada responderam. Então Jesus tomou o doente pela mão e, provando agir no poder de Deus, curou-o e despediu-o. (5) Em seguida dirigiu-se a todos os presentes: - "Se seu asno ou seu boi cai num poço (13,15), qual de vocês não o retira imediatamente, mesmo sendo em dia santificado? Ora, se é lícito ajudar um animal, quanto mais um ser humano!".
(6)

Diante desse argumento, nada lhe puderam responder. Questionário

1a - Com que intenção ob servavam Jesus? Queriam apanhá-lo transgredindo alguma cerimônia para assim poderem acusá-lo. 1b - É a única vez que Jesus almoça com um fariseu? É a terceira vez. Temos a primeira em 7,36 e a segunda em 11,37. Jesus aceita o convite, apesar de os fariseus serem seus adversários. 2 - Como se explica a presença desse doente não convidado ao almoço? Era costume deixar aberta a porta durante o almoço de cerimônia. Qualquer pessoa podia entrar para observar a refeição. 4 - Por que se calaram os fariseus? Se respondessem "sim", estariam contradizendo a si próprios que ensinavam ser proibido curar no dia santificado. Se respondessem "não", temiam as argumentações irretorquíveis de Jesus provando a legitimidade de curar no sábado.

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CAPÍTULO 14

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Lições de vida 1 - A honra de terem Jesus num almoço era só aparente. Pretendiam apenas surpreendê-lo numa eventual transgressão dos ritos da lei. É um almoço-cilada. Eles fingem. O fingimento é mentira e hipocrisia. A refeição principal do sábado, com alimentos feitos na sexta-feira, vinha pelo meiodia, logo após o culto divino na sinagoga. Costumavam convidar pessoas ilustres, principalmente mestres da lei, e os serviam lautamente. A pobres e peregrinos deviam também saciar a fome, porque o sábado era o dia em que se comemoravam os grandes benefícios de Deus com a criação e a libertação da escravidão do Egito. O sábado bem praticado vivenciava a aliança com Deus, como único Senhor. Chegavam a imaginar a glória eterna como um sábado sem fim. Com a cura desse doente ficou provado que o dia santificado é muito mais do que dia de descanso; passou a ser o dia da misericórdia, do amor de Deus, o dia do Senhor e não o dia da lei e das tradições somente. E o amor de Deus não conhece limites. 5 - Jesus não se insurge contra a santificação do sábado, mas se opõe a uma interpretação rigidamente literal, fossilizada e destituída de sentido, e demonstra que fazer o bem ao próximo é santificar o sábado. Oração Jesus, o Senhor aceitou o convite para almoçar com quem fingiu estima e consideração. Necessito dessa graça, de saber conviver com dignidade junto de pessoas que não simpatizem comigo, sem que eu mude o comportamento e os sentimentos interiores, Senhor. Outra graça: a de nunca ser falso comigo mesmo e com os outros, fingindo ser o que não sou. Que eu nunca apenas pareça ser bom e honesto, mas que o seja de fato. Amém. Lc 14,7-11 Humildade
(7)

Jesus reparou como os convidados escolhiam os primeiros lugares à mesa. Contou-lhes então esta parábola:
(8)

"Quando alguém convida você a um banquete de núpcias, não se coloque no primeiro lugar, para que não aconteça que tenha sido convidado alguém mais importante que você, (9) e quem convidou a ambos venha a dizer a você: - 'ceda o lugar a este convidado'. Você deverá então, envergonhado, ocupar o último lugar à mesa. (10) Faça o contrário. Quando você for convidado, procure ocupar o último lugar. Assim, quando vier quem o convidou, lhe diga: - 'amigo, venha ocupar um lugar melhor'. E isso será para você uma honra diante dos outros convivas. (11) Porque todo aquele que por si mesmo se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado".

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Lc 14,12-14 Pobres
(12)

Depois Jesus disse àquele que o convidara: - "Quando você oferecer um almoço ou um jantar, não queira convidar somente seus amigos, seus irmãos, seus parentes e seus vizinhos ricos, para que todos eles por sua vez não convidem você retribuindo do mesmo modo. (13) Faça o contrário. Quando você der uma festa, convide também pobres, aleijados, mancos e cegos. (14) Você será muito mais feliz então, porque eles não têm como retribuir. Mas você será recompensado na ressurreição final das pessoas que praticam o bem desinteressadamente". Questionário 8 - Quais eram os lugares de honra? O primeiro lugar era o do meio, ocupado pelo dono da casa. Os outros lugares eram tanto mais honrosos quanto mais próximos do meio, e eram distribuídos segundo a dignidade e o prestígio pessoais. 12 - Está aqui proib ido convidar pessoas chegadas? Em todo o Evangelho vê-se claramente que Jesus toma os almoços e banquetes com amigos como um fato corrente e natural na vida humana. Aqui o sentido da frase é: "não convide unicamente os amigos". Jesus não se contenta com um agir que proceda de boas maneiras ou da esperança de compensação. Quer que se ame também quando nada se pode esperar em troca. Sabe-se que os cegos, surdo-mudos, mancos e aleijados eram excluídos até do culto público oficial: não podiam pôr as mãos sobre a cabeça do animal imolado. Para Jesus, ninguém é menos que os outros. Jesus voltou-se para o hidrópico (14,2) por ser o mais necessitado e por representar para os outros uma presença incômoda (14,21; Tg 2,2-4). Deus tudo dá sem contar com retribuição (Mt 5,48). Entre nós, a nãoexclusão dos inferiores é vivida principalmente na ceia eucarística (1Cor 11,20-22). Lições de vida 10 - Jesus não está ensinando apenas uma norma de civilidade, mas quer inculcar a fuga à ambição e à soberba. Ensina a ter o coração sempre disposto a contentar-se com os últimos lugares e até a preferi-los por sincera humildade. Não escolher o último lugar com o fito de ser exaltado. Isso já seria falsa modéstia, ambição e soberba. Cf. Pr 25,6-7; Eclo 31,12-24. Na casa do Pai, quem determina o lugar não é cada um, mas o anfitrião do banquete celeste. É Deus quem sempre dá a recompensa. Quem quer entrar no Reino de Deus deve fazer-se pequeno e não alimentar falsas pretensões (6,20; 22,27). 11 - Grande diante de Deus será todo aquele que se fizer pequeno por amor de Jesus Cristo. As pessoas mais modestas serão as mais glorificadas por Deus.

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12 - Não se deve fazer o bem somente àqueles que nos retribuem do mesmo modo. Nem amar a quem nos ama apenas. Quem agisse assim receberia recompensa dos homens certamente, mas não a de Deus. O bem e a caridade devem ser desinteressados; não se inspirarem em motivos humanos, mas nos sobrenaturais. A caridade não deve ser exercida somente com pessoas conhecidas e simpáticas. Falar de caridade e visar vantagem pessoal é cultivar um amor próprio habilmente disfarçado. No juízo final Jesus se identificará com os pobres, aleijados, coxos e cegos. Oração Senhor, peço a inclinação natural de buscar o lugar inferior visando não a ser chamado a uma posição mais honrosa, mas motivado pelo conselho de Paulo aos filipenses 2,3: "Cada um julgue que o outro é mais importante". Também peço que me conceda fazer o bem àqueles que não têm como retribuir ou que são uma presença incômoda. O Senhor dá tudo gratuitamente, só pelo prazer de dar por ser bom. Nem teríamos a possibilidade de retribuir a Deus qualquer dom, por menor que seja. Que eu aprenda essa sublime lição, Senhor. Amém. Lc 14,15-24 Todos convidados ao banquete (Cf. Mt 22,1-14)
(15)

Ou vindo falar da ressurreição das pessoas de bem, um dos convivas disse a Jesus: - "Feliz o homem que irá sentar-se à mesa do Reino de Deus, gozando para sempre de suas delícias!" (Apoc 19,9).
(16)

Mas Jesus respondeu-lhe com esta parábola:

- "Certo homem preparou um grande jantar e dias antes convidou muita gente.(17) Perto da hora marcada, mandou um empregado dizer aos convidados: 'venham à festa que está pronta'. (18) Mas todos igualmente, depois de terem aceito o primeiro convite, cometeram a afronta de desculpar-se para não comparecer. O primeiro disse: - 'comprei um terreno e preciso vê-lo. Peço que me dê por escusado'. (19) Outro disse: - 'comprei cinco juntas de bois para lavrar a terra e necessito experimentá-las. Peço que me considere desculpado'. (20) Um terceiro, sem nem se desculpar, apenas alegou: - 'casei-me, por isso não posso comparecer'. (21) De volta, o empregado transmitiu essas respostas ao senhor. O dono da casa, indignado, disse ao empregado: - 'vá depressa pelas praças e ruas da cidade e introduza aqui as quatro categorias de pessoas mais desprezadas (14,13): os pobres, os aleijados, os cegos e os mancos'. (22) O empregado executou a ordem e veio dizer ao dono: -

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'senhor, sua ordem já foi cumprida, mas ainda está sobrando lugar'. (23) Então o senhor ordenou ao empregado: - 'vá agora pelos caminhos e trilhas fora dos muros da cidade, e force suavemente as pessoas a entrarem, a fim de que a minha casa fique repleta. (24) Pois eu afirmo que nenhum daqueles que foram convidados em primeiro lugar e se recusaram provará da minha ceia'". Questionário 16-24 - Explique essa paráb ola. O homem do banquete é Deus. A grande ceia é o cristianismo, Reino de Deus já iniciado na terra, ao qual todos somos convidados e no qual encontramos abundância de bens espirituais desde esta vida, e a felicidade eterna na outra. Os servos são os apóstolos, João Batista, os profetas mandados por Deus a chamar os judeus convidando-os à penitência e à fé em Jesus Cristo. As desculpas aduzidas, embora verdadeiras, não justificam a recusa, porque o convite foi feito em tempo bastante suficiente para cuidarem também dos interesses pessoais. Os primeiros convidados que recusam a segunda chamada para a ceia representam os chefes da nação judaica, os quais, pelo excessivo apego aos bens, aos interesses temporais e aos prazeres, não reconheceram o convite de Jesus para fazerem parte de seu reino. O segundo grupo de convidados representa as classes mais humildes do povo judeu, as quais creram em Jesus. O terceiro grupo de convidados encontrados fora dos muros que protegem a cidade representa os pagãos que, embora longe de Deus, ouviram a pregação do Evangelho e se converteram, passando a fazer parte do Reino de Deus. 17 - Como se explica um segundo chamado? De acordo com a cortesia oriental, depois do primeiro convite feito uns dias antes, no dia da festa eram enviados empregados a chamar os convidados em suas casas e acompanhá-los à casa da festa. Lições de vida 18-20 - Ainda hoje e sempre os interesses materiais podem tornar-se um obstáculo à vi vência da fé e à prática da religião: as posses (o terreno), a profissão (os bois) e a mulher (o casamento). Não basta ser chamado. Requer-se que cada qual se mostre digno da vocação, que atenda ao chamado com crescente fidelidade. Põe em risco sua participação no Reino de Deus quem não ouve e não segue a Palavra de Jesus, aquele a quem as preocupações da vida importam mais que o chamado de Jesus (1Cor 1,26-28). 23 - Deus não força obrigando alguém a abraçar a fé cristã, mas usa de meios persuasivos. O "force-os a entrar" mostra o grande desejo de Deus de fazer todos participarem de sua felicidade eterna. Quem tem a alegria de tomar parte no banquete do Reino de Deus, da Igreja ou do Céu? Da parte de Deus, todos; da parte dos homens, quem acata o convite.

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CAPÍTULO 14

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Oração Senhor, que eu não coloque o valor do terreno de minhas posses ou dos bois da minha profissão ou dos de veres familiares acima do lugar que compete ao Senhor em minha vida. Que as preocupações da vida não me impeçam de pôr acima de tudo o meu particular relacionamento com Deus, sabendo que, quando buscamos o Reino de Deus em primeiro lugar, tudo o mais nos será dado por acréscimo pelo próprio Deus. Que assim seja. Lc 14,25-35 Condição para ser discípulo: abnegação total (Mt 10,37-38)
(25)

Jesus saiu da casa do fariseu, e grande número de gente entusiasmada o acompanhava em sua caminhada através da Peréia. Ele voltou-se para o povo e, para mostrar que não basta o entusiasmo, disse:
(26)

- “Se alguém crê em mim, não pode ser meu discípulo se não puser em segundo lugar pai, mãe, mulher, filhos, irmãos, irmãs e até a própria vida. (27) Quem não carregar a cruz de seus deveres bem cumpridos até os maiores sacrifícios, mesmo da própria vida, e não me seguir não com os pés do corpo, mas na total abnegação de si mesmo, não pode ser meu discípulo. (28) Quem de vocês, com efeito, querendo construir uma torre, um edifício, primeiro não se senta para calcular os gastos necessários e verificar se tem o suficiente para terminar a obra? (29) Não aconteça que, tendo colocado os alicerces e não podendo terminar, todos os que virem comecem a zombar, dizendo: (30) - 'este homem começou a construção e não conseguiu acabar'. Assim, quem quer construir comigo o edifício da perfeição cristã deve dispor-se com muita decisão a me seguir, porque é desonroso voltar atrás depois de começada a obra".
(31)

"Ou ainda, qual o rei que, tencionando partir para guerrear contra outro, não se senta para calcular se com dez mil soldados pode enfrentar aquele que vem contra ele com vinte mil? (32) Do contrário, enquanto o outro exército ainda está longe, envia embaixadores a fim de tratar da paz. (33) Assim, igualmente, qualquer um de vocês não pode empreender a luta de ser meu discípulo, se não puser em segundo lugar todos os seus intentos e tudo o que tem".
(34)

"O sal é coisa boa porque dá sabor aos alimentos e preserva-os da corrupção. No entanto, se ele perder sua virtude natural de salgar, com que se há de temperar? (35) Não prestará nem para ser lançado à terra como adubo, mas só para ser jogado fora. Assim é coisa boa ser meu discípulo para dar sabor à vida e preservar o mundo da corrupção. Mas se ele perder a força desse ideal, não servirá mais para meu discípulo. Quem tem ouvidos para ouvir procure entender bem".

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Questionário 28 e 30 - Que ensina Jesus com as parábolas da torre e da guerra? Ensina que a profissão de segui-lo exige sacrifícios, exige renúncia à nossa vontade e aos nossos projetos; exige que nos armemos de fortaleza para não cair na tentação de só fazer o que queremos. Seria desonroso voltar atrás, depois de ter começado a segui-lo de perto. Antes de seguir Jesus é mister pesar e aceitar todas as conseqüências mais radicais. Se isso parece muito difícil às forças da natureza, torna-se bem possível com a graça de Deus (18,27). 34 - Que ensina Jesus com a paráb ola do sal? Jesus fez ver a desventura de quem não persevera na prática da fé cristã. Tornar-se-á desprezível e inútil como o sal insosso que não serve como tempero, nem mesmo como esterco, porque esterilizaria a terra, mas deve ser lançado fora e pisado por todos. Lições de vida 26 - Para ser discípulo de Jesus é necessário estar pronto a sacrificar os apegos terrenos, os afetos familiares e até a própria vida, quando essas coisas forem impedimento para cumprir a vontade de Deus. É necessária a total abnegação de si mesmo. Jesus é o valor infinitamente maior que todos os valores humanos e vitais. O que é o maior não pode ser relegado a segundo plano. Jesus falou à multidão que o seguia por puro entusiasmo, desconhecendo os deveres do discípulo. Jesus não nos desobriga do amor a nossos parentes. O que ele ensina é que o amor de Deus tem o primeiro lugar, acima de todos os afetos humanos. De mais a mais, quem ama Jesus não pode deixar de amar os parentes (Mt 10,37). 27 - Carregar a cruz é estar disposto a perder mesmo a vida, a honra e estar entregue ao completo extermínio, como está escrito: "Maldito o que pende da cruz" (Gl 3,13; Dt 21,23). Aquele que se decide por Cristo deve estar pronto até a essa exigência máxima. A multidão que seguia Jesus por entusiasmo certamente não pensava assim. 28 - O mais importante não é começar a ser discípulo de Cristo, mas é perseverar até o fim. 29 - Os apóstatas da fé foram sempre desprezados até pelos próprios inimigos dos cristãos. "Melhor lhes fora não terem conhecido o caminho da justiça do que, após tê-lo conhecido, desviarem-se do santo mandamento que lhes foi confiado. Cumpriuse neles aquilo do provérbio verdadeiro: 'o cão voltou ao seu próprio vômito' e 'a porca lavada tornou a revolver-se na lama'" (2Pd 2,21-22). 33 - A muitos que trazem o nome de cristãos Jesus parece dizer: "mude de vida ou de nome". Jesus exige que quem dá o primeiro passo ande todo o caminho com firmeza e decisão. Mas há duas maneiras de seguir Jesus: 1a) ouvir e acatar seu apelo à conversão e à fé; 2a) adesão total de quem abandona até a família para segui-lo de maneira radical, como é o caso dos apóstolos e dos que hoje, além da consagração batismal, dedicam a vida inteiramente à causa do Evangelho. Notemos que a renúncia à família e aos bens é um conselho e não uma ordem. É necessário refletir bem antes desse passo radical (5,11 e 28).
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Oração Senhor, ensine-me a pôr em segundo lugar tudo o que não é Deus. Que eu saiba mostrar aos meus filhos desde a mais tenra idade a necessidade natural de amar a Deus mais do que eles amam papai e mamãe. Também necessito ser mais abnegado em carregar a cruz diária, isto é, meu dever de cada dia como forma de um culto espiritual a Deus, para que ele seja glorificado em tudo que eu fizer. Que eu saiba renunciar a mim mesmo quando se trata dos interesses de Deus. E que eu seja como o sal que dá sabor à vida, e preserva o filho de Deus da corrupção deste mundo. Amém.

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CAPÍTULO 14

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CAPÍTULO 15 Lc 15,1-7 A ovelha perdida. A misericórdia (Mt 18,12-14)
(1)

Todos os cobradores de impostos e demais pessoas consideradas pecadoras estavam se aproximando de Jesus para lhe ouvir a Palavra. (2) Os fariseus e professores da lei, soberbos, não compreendiam como Jesus podia mostrar-se benevolente para com os pecadores, e o criticavam: - "Este homem acolhe os pecadores e até come com eles!".
(3) (4)

Então Jesus respondeu às suas murmurações com três parábolas:

- "Qual de vocês, tendo 100 ovelhas e perdendo uma, não abandona as 99 em lugar desabitado e destinado à pastagem, e vai à procura da que se perdeu, até encontrá-la? (5) Achando-a, não se irrita, não castiga, não repreende, mas, muito alegre, a carrega sobre os ombros, e, (6) de volta para casa, chama seus amigos e vi zinhos para lhes dizer: 'alegrem-se comigo, porque achei a minha ovelha desgarrada'. (7) Eu também lhes declaro: haverá mais alegria no céu por um pecador que se converte, mudando de vida, do que por 99 justos que não precisam de arrependimento". Lc 15,8-10 A moeda perdida. A misericórdia
(8)

"Ou qual a mulher pobre que, tendo só dez moedas de prata do seu dote, e perdendo uma, não a considera uma grande perda, não acende uma lâmpada para clarear a casa de pouca iluminação, varre-a e procura com todo o cuidado até encontrar a moeda perdida? (9) E encontrando-a, não chama as amigas e vizinhas para lhes dizer: - 'Alegrem-se comigo, porque achei a moeda que havia perdido!'? (10) Eu também lhes digo: do mesmo modo há alegria entre os anjos de Deus por um só pecador que se converte". Questionário 2 - Quais as profissões julgadas pecaminosas pelos fariseus? Além dos cobradores de impostos ou publicanos, eram profissões imorais os jogadores de dados, os usurários, os pastores, os arrieiros, os curtidores, os vendedores ambulantes, o meretrício, os salteadores. Eram considerados pecadores também os ignorantes da lei. Ensinavam os fariseus que ninguém deve acercar-se de um pecador público, nem sequer para conduzi-lo ao estudo da lei, porque, segundo eles, o pecador não é digno do amor de Deus senão depois da conversão.

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CAPÍTULO 15

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7 - Aqui Jesus não valoriza mais o convertido do que aquele que não pecou? Jesus não afirma que o pecador arrependido tenha mais merecimento do que aquele que não pecou. Só diz que se faz mais festa pela volta dele à prática do bem, do que por aquele que continua bom. Assim como há mais alegria pela recuperação da saúde de um filho que estava à morte, do que pela saúde dos outros filhos. Deus se alegra quando perdoa. Ele reina pela misericórdia. Lições de vida 1 - Os pecadores chegavam a Jesus para ouvi-lo. Ouvir é o início da fé e a fé é o início da conversão e do perdão. 4 - Deus não abandona o pecador ao seu destino. Não só o recebe, se ele volta arrependido, mas vai à sua procura com solicitude paternal. Nenhum pecador lhe é indiferente. Ama-o mesmo que trilhe caminhos errados (Jo 3,16). E nenhum pecador é capaz de voltar a Deus sem que Deus o procure. 5 - O pastor, ao encontrar a ovelha perdida, não se irrita, não a castiga, nem a repreende; simplesmente a carrega aos ombros. Isso mostra quão grande é a misericórdia de Deus pelos pecadores arrependidos. A figura do Bom Pastor com a ovelha aos ombros foi sempre uma das mais queridas imagens para os cristãos de todos os tempos. O fato de a o velha ter sido encontrada e reintegrada no rebanho é mérito exclusivo do pastor. A ovelha estaria irremediavelmente perdida. Os membros extraviados da comunidade são os que necessitam ser acolhidos com especial cordialidade e alegre prontidão. Todos devemos associar-nos à solicitude do pastor, assumindo a co-responsabilidade pela salvação dos extravia dos. Não podemos contentar-nos com a própria salvação, mas estar repletos de preocupação com os outros. Não há cristianismo sem apostolado. 8 - Dez moedas de prata eram o salário de dez dias de trabalho de um operário. Acender uma lamparina e varrer a casa significa tratar-se de habitação pobre, mal iluminada, com pouca janela e, geralmente, de chão batido. Para Deus, não há valor humano pequeno: tudo é um tesouro como a pequena moeda para a mulher. Os pecadores desprezados pelos fariseus estão se tornando filhos recuperados pela misericórdia de Deus. 9-10 - A palavra de maior importância é a alegria pelo achado. O homem perdido é propriedade de Deus. Ele escapou da mão de Deus pensando adquirir a liberdade. Na realidade trocou a proteção de Deus por uma perda irreparável. Todos necessitamos de penitência porque cada qual é culpado diante de Deus e convidado à conversão (1Jo 4-10. 19).

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Oração Senhor, bem sei que Deus não deixa de amar o pecador mesmo subjugado pelo vício, e que não abandona o filho ingrato ao destino do seu erro, porque nenhum ser humano é indiferente ao coração divino. Sei que nenhuma ovelha perdida é capaz de voltar ao bom caminho sem que Deus a procure. Obrigado, meu Deus. Se assim não fosse, estaríamos todos irremediavelmente perdidos. Jesus santo, toque forte o coração daqueles que perderam o gosto pelos valores espirituais, pelas coisas de Deus, para que nenhuma ovelha desgarrada se perca em torno de nós. Amém. Lc 15,11-32 O filho pródigo. Coração de pai
(11)

E Jesus narrou sua mais linda parábola:

- "Um homem tinha dois filhos. (12) O mais moço disse ao pai: - 'Pai, eu quero que o senhor me dê em dinheiro a parte da herança que me cabe dos bens móveis'. O pai, sem dizer nada, tristemente fez a partilha entre os dois filhos. (13) Poucos dias depois, o filho mais jovem, ajuntando tudo que lhe pertencia, partiu para um país estrangeiro longínquo, a fim de poder viver a seu bel-prazer, longe dos olhos do pai. Lá dissipou tudo o que tinha numa vida dissoluta. (14) Depois de ter gasto tudo, sobreveio uma grande fome naquela região. O rapaz começou a passar necessidade. (15) Foi procurar trabalho e se pôs em total dependência de um morador da cidade, que o mandou para o campo a cuidar dos animais considerados imundos (Lv 11,7-8), os porcos, ocupação que constituía a maior humilhação para um judeu. (16) Ele desejava matar a fome com as vagens que os porcos comiam, mas nem isso lhe davam. (17) Então, caindo em si, pôs-se a pensar: - 'Quantos simples empregados de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome! (18) Vou sair daqui, irei a meu pai e lhe direi: - Pai, pequei contra Deus e contra o senhor. (19) Já não sou digno de ser chamado seu filho. Peço que me trate como um de seus empregados'. (20) Levantou-se, então, e foi-se ao encontro do pai. Ele estava ainda longe da casa quando o pai, que sempre olhava ao horizonte esperando a sua volta, o viu. Notando seu estado de miséria, moveu-se de compaixão, correu-lhe imediatamente ao encontro e, em vez de repreendê-lo, lançou-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos. (21) O filho, então, lhe disse: - 'Pai, pequei contra Deus e contra o senhor; já não sou digno de ser chamado seu filho...'. (22) Mas o pai atalhou a confissão do filho, ordenando aos empregados: - 'Vão depressa buscar a melhor túnica para ele e vistam-no. Ponham-lhe o anel da família no dedo e calçados nos pés, numa demonstração de que lhe foram devolvidos todos os direitos perdidos. (23) Tragam o novilho gordo reservado para as grandes ocasiões, e matem-no. Comamos e façamos festa, (24) pois este meu filho estava morto e voltou a viver,
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CAPÍTULO 15

estava perdido e foi reencontrado'. E começaram a festa. (25) Enquanto isso, o filho mais velho trabalhava na roça. Quando voltou, ao se aproximar da casa ouviu músicas e danças. (26) Chamou um criado e lhe perguntou o que estava acontecendo. (27) Este explicou: - 'É seu irmão que voltou e seu pai matou o novilho cevado para um banquete, porque o recuperou com saúde'. (28) Então ele se revoltou e não quis entrar. Mas o pai saiu ao seu encontro e insistiu para que participasse da festa. (29) Ele, porém, magoado e ofendido, respondeu ao pai: - 'Faz tantos anos que venho trabalhando para o senhor como um escravo e jamais desobedeci a uma ordem sua. Apesar disso, o senhor nunca me deu sequer um cabrito, para festejar com meus amigos. (30) Agora que voltou esse seu filho, que não aceito como meu irmão e que devorou sua fortuna com prostitutas, para ele o senhor matou o novilho gordo'. (31) Mas o pai bondosamente lhe explicou: - 'Filho, você está sempre comigo, todos os meus bens pertencem a você. Nisso você é mais privilegiado que seu irmão. (32) Mas hoje era preciso banquetearmos e alegrarmo-nos porque esse seu irmão estava morto e tornou a viver, estava perdido e foi reencontrado'". Questionário - Dê o sentido dessa paráb ola aplicando-a à nossa vida. O pai é Deus. O filho ingrato é todo pecador. Não querendo a lei de Deus, o pecador afasta-se dele, abusa da bondade divina e dos benefícios recebidos, vi vendo no mal, no pecado. Abandonando a casa do pai, o filho pródigo pensou encontrar a felicidade, mas bem depressa se viu entregue à miséria extrema. As alegrias do pecador são breves, e nenhum bem criado basta para satisfazer o coração humano. Procurando trabalho, o infeliz tentou reabilitar-se sozinho, sem recorrer ao pai. Imagem do pecador que teima em dispensar Deus de sua vida. O patrão é o demônio. O trabalho humilhante significa a profunda degradação de quem se torna escravo das próprias paixões. O alimento que não mata a fome é o falso prazer dos vícios que nunca preencherão o vazio de um coração feito para o infinito, feito para Deus. Somente quando o pecador toma consciência de suas culpas é que consegue levantar-se, libertar-se da escravidão do demônio, lançar-se aos pés do Pai, confessando seu pecado e implorando a misericórdia divina. A figura do pai saudoso olhando sempre para o horizonte onde o filho desapareceu, esperançoso de sua volta à casa paterna, revela a atitude de Deus, que não perde de vista o pecador e espera pela sua volta através do arrependimento. Deus nunca abandona o filho; é o homem que se afasta de Deus. Apenas o pecador se volta para Deus e dá um passo para ele, Deus o olha com olhos de misericórdia e vai ao seu encontro com demonstrações de perdão e de amor. O arrependimento anda; a misericórdia corre! O filho mais velho revoltou-se contra o pai. Esse trecho da parábola é dirigido diretamente aos fariseus que se revoltavam contra Jesus pela bondade com que tratava os pecadores arrependidos. Os judeus não aceitavam os pagãos como candidatos ao Reino de Deus.

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CAPÍTULO 15

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12 - Quais os erros do filho mais moço? É ingrato com seu pai. Confia demais em si. Vê a casa paterna como uma limitação de sua liberdade e iniciativa pessoal. Para ser livre, abandona a segurança da casa paterna. A mal controlada liberdade o faz chegar a condições infra-humanas de vida, até nivelar-se aos porcos. Ainda inexperiente, torna-se perdulário e dissipado. 21 - Por que o filho não terminou a confissão ensaiada? Porque o pai cortou-lhe a confissão, demonstrando-a já desnecessária, ou porque o filho omitiu a 3a parte da confissão como supérflua diante da extrema bondade do pai. 22-23 - Que representam a veste, o anel, o calçado e o b anquete? A melhor veste representa a graça da amizade e da presença de Deus restituídas ao pecador convertido. O anel-sinete, próprio de famílias de alto nível social, indica uma profunda união com Deus como de núpcias espirituais. O calçado era próprio de famílias bem situadas. Os pobres escravos andavam descalços. O banquete é a Eucaristia. 23 - Qual dos filhos deu mais alegria ao pai? O que errou e reconheceu seu erro, mais do que o outro que se julgava justo. (Cf. Lc 18,9-14: o publicano) 30 - Que defeitos você encontra no filho mais velho? Perdeu o senso de humanidade. Julga-se inferiorizado. Nega o título de irmão ao outro. Trabalha bem, mas por puro interesse, sem amor. Se o ti vesse, acolheria o irmão. Queixa-se sem razão de não ter recebido um cabrito, quando bastava que o pedisse. Encoleriza-se e não participa da alegria e da festa familiar. É invejoso, estreito e sem misericórdia (Lc 6,36): falta-lhe a caridade fraterna, cerne da lei e da vontade de Deus. Julga-se justo e não sente necessidade de mudar em nada. 31 - Que parte da herança cabia ao primogênito? Tinha direito ao dobro dos outros, conforme Dt 21,17: "dar-lhe-á uma porção dupla de todos os seus bens". Nalguns casos, como de matrimônio ou viagem longa a negócios, dava-se a parte legal da herança dos bens móveis mesmo durante a vida do pai. Os bens imóveis não se vendiam (Lv 25,23). Nessa parábola, portanto, ao primogênito pertenciam dois terços. Lições de vida 11 - Essa parábola é o evangelho do Evangelho. Mostra, como as outras duas anteriores, que o homem é objeto do amor antecipado de Deus, mesmo na qualidade de pecador (Jr 31,34), corrigindo o velho pensamento de Eclo 12,7: "o próprio Altíssimo abomina o pecador". 17 - Muitas vezes só uma calamidade faz o homem cair em si, retomar o caminho certo.

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19 - Ao decidir-se pela submissão ao pai, o filho encontrou a si mesmo e a verdadeira liberdade. Oração Meu Deus, todos somos ou, ao menos um pouco, fomos o filho pródigo. Esbanjamos o dom da graça que nos enriquece de Deus. Quantas vezes abusamos da bondade divina e dos benefícios recebidos sem mérito de nossa parte. Só ao tomar consciência do próprio erro é que o filho pródigo pôde le vantar-se, libertar-se dos falsos atrativos do pecado e voltar aos braços do pai. Peço a luz do discernimento para penetrar até o fundo da consciência e não ter medo de dizer: "pequei, Senhor, misericórdia". Que eu não necessite de uma calamidade para reconhecer que o pecado não compensa. Amém.

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CAPÍTULO 16 Lc 16,1-9 Administrador desonesto
(1)

Para mostrar que as riquezas bem usadas são úteis para o bem, Jesus voltou a dizer a seus discípulos: - "Um homem rico em terras tinha um administrador a quem confiou todos os seus bens. Este foi denunciado de empregar desonestamente em seu favor os bens do patrão. (2) O homem chamou o administrador e o intimou: - 'Como é isto que estou ouvindo dizer de você? Preste-me conta de sua administração, pois já não pode mais ser administrador'. (3) Este, reconhecendo-se faltoso, pôs-se a refletir: - 'Que vou fa zer, pois meu patrão me tira a administração? Dar-me ao duro trabalho de lavrar a terra? Não tenho condições; sou fraco. Mendigar? Tenho vergonha, porque até hoje vivi como abastado. (4) Ah! Já sei o que vou fazer para que, uma vez afastado da administração, encontre quem me receba em sua casa, e eu garanta o meu sustento'. (5) Chamou então, um por um, todos os devedores atacadistas do seu senhor para fazê-los amigos, cedendo-lhes a porcentagem de lucro que lhe cabia nos negócios. Perguntou ao primeiro: - 'Quanto você deve ao meu senhor?'. (6) Respondeu ele: - 'Cem barris de azeite de 40 litros cada um'. Disse-lhe o administrador: - 'Aqui está a sua conta. Sente-se depressa, faça outra declarando que deve apenas 50 barris'. (7) Em seguida chamou outro atacadista devedor e lhe perguntou: - 'E você, quanto deve?'. Ele respondeu: - 'Cem medidas de trigo, de 400 litros cada uma'. O administrador lhe disse: - 'Aqui está a sua conta. Faça outra e escreva só 80 medidas'. E assim procedeu com os demais.
(8)

Ao saber disso, o senhor admirou a sensatez do administrador. Pois os homens que só buscam os bens da terra e vivem sem preocupações espirituais são mais espertos em seus interesses com seus semelhantes do que os que pertencem ao Reino de Deus na busca dos bens eternos. (9) Por isso eu lhes digo: pela caridade façam amigos com as riquezas que muitas vezes se usam para o mal, para que, quando estas de nada mais servirem diante da morte, esses amigos que vocês beneficiaram os recebam no lar eterno" (Mt 25,40). Questionário 1 - Quem o patrão e o administrador representam? O patrão é Deus, senhor de todos os dons, qualidades e aptidões que temos. O administrador são todos os homens, os quais prestarão contas de toda sua vida a Deus. 6-7 - Qual era a capacidade do b arril e da medida? O original hebraico usa as palavras "batos", para barris, e "coros", para as medidas de trigo. O bato era uma medida de capacidade de aproximadamente 40 litros; e o coro, uns 400 litros.
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CAPÍTULO 16

8 - Aparentemente o patrão louvou a desonestidade do administrador. Que diz você? O proprietário não podia louvar a fraude que o prejudicava. Está sim admirando a astúcia em granjear amigos que serão úteis no futuro. É como quando dizemos que um roubo foi perfeito. Não louvamos o roubo, mas admiramos a habilidade com que foi praticado. 9 - Qual é, na sua opinião, a lição dessa paráb ola? Jesus quer ensinar que, como o administrador usou de esperteza para garantir o seu futuro, assim também nós, que procuramos os bens espirituais, devemos ser espertos, usando acertadamente todos os bens materiais e o dinheiro para obras de caridade e benemerência que garantam a vida eterna (Mt 6,20; Mt 25,34-40). Não aconteça que os maus sejam mais espertos no mal do que os bons em praticar o bem. O mundo vê no dinheiro a garantia da vida terrena; nós o temos como meio de praticar o bem, garantia da vida futura. Lições de vida A parábola mostra como devemos comportar-nos diante do fim inevitável da morte e do juízo. Como garantir o nosso futuro. O cristão deve ser tão vivo e precavido com o seu porvir, como o são os homens do mundo nos negócios com seus semelhantes. Porque os homens em geral são refinados, sutis, espertos nos negócios em vista do futuro neste mundo, ao passo que o empenho dos cristãos para garantir a eternidade é medíocre. Os cristãos são um tanto relaxados. Nessa parábola somos convidados a usar dos bens materiais para a prática do amor ao próximo, que nos granjeia intercessores e garantias na eternidade. Quem põe toda sua confiança nos bens torna-se escravo deles e não consegue mais servir a Deus; cai na iniqüidade, no pecado; passa a guiar-se apenas pelo cuidado de sua vida terrena. Prudente é quem calcula que o Senhor virá para a prestação de contas (Lc 12,42-43). Oração Sei muito bem, Senhor, que não passo de um administrador do que tenho e do que sou. Peço a graça da sagacidade espiritual para que eu saiba dispor acertadamente de todos os bens materiais, como de minhas qualidades e aptidões para dar de mim na promoção do próximo. Não aconteça que os maus sejam mais espertos no mal do que eu na prática do bem. O mundo apresenta os bens materiais como segurança para a vida terrena. Que eu só veja valor nesses bens na medida em que me conduzem a realizar o plano de Deus que me concedeu possuí-los. Amém.

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CAPÍTULO 16

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Lc 16,10-18 Comentário da parábola anterior; contra os fariseus; perenidade da Lei; indissolubilidade do matrimônio (Mt 6,24; 5,32; 19,9)
(10)

"Quem é fiel e merecedor de confiança na pouca coisa dos bens materiais será fiel e merecedor de confiança também nas grandes coisas dos bens superiores; e quem é desonesto nas pequenas também será desonesto nas grandes (Mt 25,21; Lc 19,17). (11) Portanto, se no uso das riquezas deste mundo, muitas vezes tão mal empregadas e que não são valores eternos, vocês não forem honestos, nem Deus lhes confiará as riquezas verdadeiras que são os bens espirituais, como as virtudes, a oração e todo bem praticado em favor do próximo. (12) Se vocês não foram honestos no uso dos bens exteriores ao homem, que deixaremos com a morte, como são as riquezas, quem lhes dará os bens interiores, as graças destinadas a vocês e que levaremos para a outra vida? (13) Ninguém pode estar a serviço de dois patrões ao mesmo tempo. Pois certamente desagradará a um por se dedicar mais a outro, ou dará mais atenção ao primeiro e se descuidará do segundo. Assim também vocês não podem servir a Deus e viver em função do dinheiro como um ídolo. A preocupação exclusivamente pelos bens materiais levá-los-á a esquecer Deus" (Mt 6,19-20).
(14)

Os fariseus, muito apegados ao dinheiro, atingidos em cheio por essas palavras de Jesus, zombaram dele e de seus ensinamentos. (15) Então Jesus disse-lhes claramente: - "Vocês são daqueles que querem passar por perfeitos diante dos homens, mas Deus conhece o mais íntimo de seus corações. Acontece freqüentemente que muitas coisas, como a posição social, os aplausos, que se consideram de grande importância diante dos homens, porque julgam segundo as aparências, não têm valor real diante de Deus. (16) Vocês se gloriam de observar a Lei ao pé da letra. No entanto, a Lei de Moisés, com seu culto, e o ensino dos profetas, seu complemento, duraram só até a época de João Batista, porque eram uma preparação para a vinda do Messias. Daí em diante passou a ser anunciada a Boa Nova do Reino de Deus, o Novo Testamento com seus preceitos e seu novo culto. A lei antiga deve ser aperfeiçoada pela nova do Reino de Deus. Se vocês observassem bem a Lei e os profetas, creriam também em mim. Os outros fazem violência a si mesmos para aderir ao Reino de Deus; só vocês o combatem e nele não entram. (17) No entanto, é mais fácil o céu estrelado e a terra desaparecerem, do que não ser cumprido o menor item da Lei antiga, que eu vim levar ao seu fiel cumprimento e aperfeiçoar. (18) Querem um exemplo da restauração da Lei antiga (Dt 24,1) que não é expressão perfeita da vontade divina? Sem se fazerem concessões à fraqueza humana diante da vontade primordial de Deus, daqui em diante, todo aquele que repudiar a sua mulher e se casar com outra cometerá adultério. E quem se casar com uma mulher repudiada por seu marido também cometerá adultério" (Mt 5,31-32).

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CAPÍTULO 16

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Questionário 11-12 - Em 11 temos: "quem vos confiará o verdadeiro bem". Em 12 fala-se do "b em alheio" e "quem vos dará o vosso?" Quais são o verdadeiro bem, o bem alheio e o vosso (b em)? Verdadeiro bem é todo bem praticado, são as riquezas espirituais que acompanharão a pessoa na eternidade. Por bem alheio aqui se entendem os bens e o dinheiro que à nossa morte passarão a outrem, e por isso não são bens permanentes. Vosso bem é o bem que não passa, porque, praticado na terra, irá conosco para a vida eterna. 15 - Dê exemplo (s) de algo muito valorizado pela sociedade e que de nada servirá na eternidade. A posição social, a fama, os aplausos. Os fariseus, por serem abastados e por verem a riqueza como prova das bênçãos e do agrado de Deus, e a pobreza como uma maldição, julgavam-se e eram tidos por justos, perfeitos (Dt 28,1-14; Prov 22,4). Jesus aqui diz que essa consideração diante da sociedade de nada vale para Deus, que conhece a aparência vazia deles, a qual serve apenas para lhes encobrir a grande miséria moral. 18 - O matrimônio não deveria ser dissolúvel? Uma vez que Jesus revogou o divórcio permitido no Antigo Testamento (Dt 24,1) e introduziu a indissolubilidade matrimonial sem fazer concessões à fraqueza humana, significa que o Antigo Testamento não representa a expressão perfeita da vontade divina. Jesus intervém sem considerar as dificuldades conjugais, para que o homem sinta a necessidade de procurar a vontade primordial de Deus. Devemos concluir que Jesus radicalizou a indissolubilidade matrimonial como o que mais convém para o bem da sociedade. Aliás, Jesus fez o mesmo com o assassínio (Mt 5,21-22), o adultério (Mt 5,27-28), o juramento (Mt 5,33-35), a vingança (Mt 5,38-39), os inimigos (Mt 5,43-44). Lições de vida 10-13 - "Coisas pequenas" são chamados os bens materiais porque não conseguem garantir-nos a vida e impedir a morte. Também a administração deles exige fidelidade (Lc 12,42; 1Cor 4,2). Quem usa retamente os bens temporais merece que lhe sejam outorgados bens espirituais, carismas, dons do Espírito Santo, para sua boa administração. Será menos capaz de bens espirituais quem se escraviza aos bens do mundo. O amor de Deus e o amor ao dinheiro se excluem mutuamente, porque cada um desses amores absorve o homem inteiro: "onde estiver o seu tesouro, aí estará também o seu coração" (Mt 6,21). Quem possui bens, quer temporais, quer espirituais, é sempre administrador, porque o dono é Deus. As posses costumam algemar o homem, dominá-lo e desviá-lo da verdadeira riqueza (1Tm 6,17-19). 11-12 - Se alguém se mostra desonesto na administração dos bens materiais, não merece receber de Deus a sua ajuda, as suas graças, os verdadeiros tesouros que enriquecem interiormente a pessoa para todo o sempre.
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15 - Querer passar por justo sem sê-lo é hipocrisia. A Escritura diz: "Abomino muitas coisas, nada, porém, quanto o hipócrita; o Senhor também o detesta" (Eclo 27,27). Jesus tem as palavras mais duras contra os hipócritas, como em Mt 6,16; 15,7 e todo o capítulo 23; Lc 6,42 etc. 16 - Cada qual deve esforçar-se decididamente para fazer parte do Reino de Deus; lutar contra as paixões próprias, as tentações do demônio e as seduções do mundo corrupto. 24 - S. Jerônimo observa que Jesus não disse que as riquezas são contrárias ao serviço de Deus. Contrário é tornar-se escravo delas e administrá-las mal. Oração Senhor, que em termos de perfeição eu não faça distinção entre coisas de pouco e de muito valor, pois damos glória ao Senhor pondo todo empenho em fazer com perfeição as mínimas coisas. Que eu não prenda o coração a valores perecíveis a ponto de me deixar dominar por eles. Que eu saiba ser bom administrador do que tenho, uma vez que o único dono é Deus. Meu Deus, o Senhor é meu tudo: que eu não tenha outro Senhor. Amém. Lc 16,19-31 O mau rico e Lázaro
(19)

Depois de ter mostrado o modo de usar as riquezas como meio de salvação, Jesus apresenta o exemplo do castigo merecido por um rico que tinha como único bem da terra o dinheiro e que o empregava só em benefício próprio e em prazeres, desconhecendo completamente as obras de amor ao próximo. E disse: - "Havia um ricaço que se vestia com manto de púrpura fenícia, próprio de príncipes, e, por baixo, a túnica de linho fino do Egito. Constantemente dava banquetes com grandes festas (12,19). (20) Um mendigo chamado Lázaro, coberto de feridas que o impossibilitavam de caminhar para esmolar, costumava ser posto à porta do seu palácio; (21) esperava matar a fome com as migalhas com que os convivas enxugavam os dedos e depois jogavam debaixo da mesa. E nem isso lhe davam. De tão fraco, não conseguia afastar os cães que vinham lamber-lhe as feridas.
(22)

Aconteceu que o mendigo morreu e foi levado pelos anjos ao lugar de descanso e felicidade junto de Abraão, onde os justos aguardam o momento da ressurreição corporal. A pouca distância de tempo, morreu também o rico, e foi sepultado com pompa num túmulo que marcou o fim de sua felicidade terrena e de sua riqueza. (23) No inferno, em meio a tormentos, levantou os olhos e viu ao longe Abraão com Lázaro reclinado à mesa ao seu lado. (24) Então suplicou: - 'Abraão, pai de todos nós, judeus, tenha pena de mim. Mande Lázaro molhar a ponta de seu dedo em água para me refrescar a língua, pois sou torturado nestas chamas'. (25) Abraão,
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CAPÍTULO 16

demonstrando a justiça da diversa condição em que se encontravam os dois, respondeu: - 'Filho, lembre-se de que você recebeu em vida todos os bens, e nada fez de bem com eles, e Lázaro, ao contrário, só males, e os suportou com resignação. Agora que é tempo de colher o que se semeou, ele encontra aqui o gozo, e você é atormentado. (26) Além do mais, entre vocês daí e nós daqui existe enorme abismo com a impossibilidade de cada qual mudar o próprio destino eterno. Assim, quem quisesse passar daqui para junto de vocês não o poderia; nem os daí passar para junto de nós'. (27) O rico replicou: - 'Pai, neste caso, suplico que envie Lázaro até a casa de meu pai, (28) pois tenho cinco irmãos vivendo como eu vivia, entre delícias, esquecidos de Deus e do próximo; que ele lhes dê testemunho da triste realidade que aqui os espera se não se converterem, para que eles também não venham parar neste lugar de suplícios'. (29) Abraão respondeu: - 'Os meios de salvação já estão ao alcance deles porque na Escritura eles têm os ensinamentos de Moisés e dos profetas, lidos todos os sábados nas sinagogas: que os ouçam!'. (30) Insistiu o rico: - 'Não, pai Abraão, eles necessitam de um meio mais convincente. Se alguém dentre os mortos for procurá-los, eles se converterão, mudando de vida e de idéias'. (31) Abraão, porém, concluiu: - 'Se não dão ouvidos à Palavra de Deus em Moisés e nos profetas, mesmo que alguém ressuscite dos mortos, não se deixarão convencer!'". Questionário 19-31 - Resuma os principais ensinamentos dessa parábola. 1) Diz que o senhor do mundo é Deus ou o dinheiro. 2) Inculca o bom emprego da riqueza em obras de assistência. 3) Ensina que na vida futura a sorte será irreversível: um prêmio ou um castigo eternos. 4) Mostra o alto apreço que devemos ter pelo estudo da Palavra de Deus na Bíblia. 24 - Que significa o nome Lázaro? Abreviação de Eleazar, significa "Deus ajuda". 22 - Que se entende por "seio de Ab raão"? Segundo os judeus da época, depois da morte todos desciam ao Sheol, mansão subterrânea dos mortos. O Sheol dividia-se em duas partes: 1) o lugar de felicidade, seio ou companhia de Abraão; como o nosso Limbo, onde os bons esperavam que o Messias viesse abrir a porta do céu, fechada desde o primeiro pecado; 2) a outra parte, mais ao fundo, era o lugar onde os maus viviam em tormentos, castigo dos males praticados em vida. 31 - Encontre no Novo Testamento exemplo de incredulidade diante de um morto ressuscitado. Em Jo 11,43-54, Jesus ressuscita Lázaro, e os chefes judeus, em vez de crerem em Jesus, "resolveram matá-lo". Em Mt 28,11-15, quando os guardas anunciaram a ressurreição de Jesus aos mesmos chefes judeus, consumou-se a obstinação deles: não quiseram crer (Mt 12,39-40) e subornaram os guardas para divulgarem que o corpo de Jesus tinha sido roubado. Quem não atende à Palavra de Deus na Escritura não tem direito a exigir sinal especial.

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Lições de vida 19 - Os nossos bens materiais usados corretamente transformam-se em bem espiritual Cf. Is 58,6-7). 20 - O mau rico não se colocou abertamente contra Deus nem contra o pobre. Foi indiferente a um e a outro. A indiferença machuca mais que o mau-trato. 25 - O confronto do mau rico e do pobre não pretende condenar as diferenças sociais. O rico não foi condenado por sua riqueza, mas porque a usou só para os seus prazeres, sem a mínima atenção aos necessitados. Nem Lázaro se salvou pela sua indigência, mas porque a suportou com resignação. 31 - A Bíblia, porque Palavra de Deus, tem autoridade maior do que um ressuscitado. Se se devem ouvir Moisés e os profetas, com muito maior razão devemos ter prazer de ouvir Jesus que nos fala no Evangelho. Quem não crê na escritura não se deixará tocar pelo milagre, visto que lhe falta a boa disposição interior do coração. Oração Senhor, meu Deus, que eu não empregue só em benefício meu os bens de que desfruto. Que sinta o prazer de partilhar o excedente. Que me livre da indiferença de quem só vive para si, mas tenha a resignação do pobre Lázaro em suportar com serenidade os males que me afetam. E, diante da impossibilidade de mudarmos o destino eterno após a morte, que eu saiba seguir o mandamento do amor na vida presente. Para tanto, Senhor, peço mais apego à Palavra de Deus do que a um milagre. Amém.

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CAPÍTULO 17 Lc 17,1-10 Escândalo. Correção fraterna. Poder da fé. Cumprir o dever com humildade (Mt 18,6-7; 21-22; Mc 9,42; 11,23; Mt 17,20; 21,21)
(1)

Depois, Jesus disse a seus discípulos: - "Dada a corrupção da sociedade, é moralmente impossível que não se dêem escândalos, maus exemplos, como o caso dos fariseus que zombam de mim desprezando meus ensinamentos e criando obstáculo a que o povo creia na minha doutrina. Mas ai daquele que, pondo-se a serviço de satanás, os causar levando alguém a perder a fé em mim! (2) Seria preferível para ele ser lançado ao fundo do mar, com uma pedra de moinho atada ao pescoço, antes de fazer um destes humildes que me seguem descrer de mim. Vocês, portanto, tomem muito cuidado!
(3)

Se um seu companheiro cometer uma falta grave contra você, chame a atenção dele fraternalmente sem manifestar aos outros o seu erro. E se ele se arrepender, perdoe-o. (4) E se ele ofender você sete vezes no dia, e outras tantas vezes o procurar dizendo: 'estou arrependido', você deve estar disposto a perdoar e reconciliar-se para que haja paz e nada de rancor".
(5)

Os apóstolos, sentindo que as exigências de Jesus eram superiores à fraqueza humana, pediram-lhe: - "Senhor, nós cremos, mas aumente-nos a fé, a nossa confiança inquebrantável em Deus".
(6)

O Senhor, na sua resposta, exaltou o poder da fé, mostrando que com ela se podem cumprir os preceitos mais difíceis, e até fazer milagres. Disse-lhes, portanto: - "Se vocês tiverem uma fé sólida como a força duma semente de mostarda, poderão dizer a essa amoreira: 'arranque-se daí e transplante-se no mar', e ela obedecerá.
(7)

Quem de vocês, tendo um escravo arando a terra ou cuidando dos animais, lhe dirá, logo que voltar do campo: - 'venha pôr-se à mesa para comer'? (8) Como esse escravo é encarregado também do serviço da casa, não lhe dirá, ao contrário: 'prepare-me antes o jantar, ponha seu avental e sirva-me até que eu tenha comido e bebido; depois você comerá e beberá por sua vez'? (9) Por acaso, o patrão sentir-seá obrigado a agradecimentos especiais por ter o escravo feito o que lhe foi mandado bem de acordo com as obrigações dele? (10) Assim também seja com vocês: quando tiverem feito com exatidão tudo o que Deus quer, sem esperar outra recompensa que a de ter trabalhado para ele, digam humildemente: - 'Somos simples servos, cumprimos apenas as nossas obrigações'".

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CAPÍTULO 17

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Questionário 1 - Que é escândalo? É palavra ou mau exemplo que leva alguém a pecar, a perder a fé ou a moral, que leva à ruína espiritual. Maior se torna o escândalo se a pessoa induzida ao mal for um inocente. Paulo, em Rm 14,13-21, manda o cristão evitar tudo que, embora não seja mau em si mesmo, possa tornar-se ocasião de escândalo. 7-9 -Jesus está dando aqui norma de procedimento com os empregados? Não. Ele está apenas reproduzindo as condições de trabalho em vigor naquele tempo para com os escravos. O escravo era propriedade do patrão; não recebia paga. O diarista, pelo contrário, fazia contrato com o patrão para trabalhar só por determinado tempo, ficando sempre um homem livre. Jesus ensina outro comportamento e não pretende aprovar as condições sociais do seu tempo. Em Lc 12,37 diz que "o Senhor se cingirá de avental, colocará os servos fiéis à mesa, e, passando de um a outro, os servirá" com suas mãos. Em Lc 22,27 declara: eu, que sou o maior, "estou no meio de vós como quem serve". Em Jo 13,5 Jesus "lava os pés dos discípulos e enxuga-os com a toalha com que estava cingido". Sempre ensinou que "quem governa torne-se como aquele que serve" (Lc 22,26). Mas para nós também é verdade que pertencemos a Deus como servos, e que Deus não nos deve nada pelo cumprimento dos nossos deveres, embora assim mesmo ele nos dê gratuitamente em recompensa a felicidade eterna. 7-10 - Qual o ensinamento dessa parábola? Jesus exorta-nos a não nos vangloriarmos do bem que fazemos. Deixa claro que, depois de termos feito tudo o que Deus espera de nós, não temos motivo de gloriar-nos, como se tivéssemos feito algo de extraordinário. Convida-nos a pensar: "fiz apenas o que devia fazer; sou um simples servo igual aos outros". 10 - Que sentido tem, em algumas traduções, o qualificativo "inúteis" referente aos servos? Esse qualificativo aparece um tanto inadequado ao contexto, porque nunca é inútil quem cumpre seus deveres bem. Caberia melhor dizer: "simples servos que, cumprindo seu dever, nada fazem de extraordinário". Lições de vida 3 - A correção fraterna e amigável é um direito e um dever que temos. Já o Lv 19,17 preceituava: - "Corrigirás o teu próximo para que não incorras em pecado por sua causa". O pecado seria omitir a correção, o que equivale a conivência. 4 - O dever do perdão não aceita limites, porque é assim que Deus age conosco, sempre pronto a perdoar. Os próprios cristãos devem resolver as dificuldades mútuas, os atritos, reconquistando para a comunidade o irmão faltoso e restabelecendo a paz. 9 - A parábola do patrão e do escravo visava os fariseus que ensinavam uma moral utilitária fundada nos méritos. Pretendiam ter direito aos primeiros lugares no Reino dos Céus. Jesus quebra essa presunção e ensina que o homem não pode ter
EVANGELHO COMPLETADO - SÃO LUCAS CAPÍTULO 17

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pretensão alguma diante de Deus; ao contrário, deve dar-se por feliz em ser achado digno de colaborar com Deus na difusão do seu reino no mundo. 10 - Em sentido espiritual, tudo que fazemos de bem é por assistência do próprio Deus, que nos move a agir e nos ajuda com sua graça. Servir a Deus não é um favor que lhe prestamos, mas um dever que cumprimos, porque dependemos e precisamos muito mais de Deus, do que o empregado depende do patrão que o paga. S. Agostinho diz: "Não nos devemos ensoberbecer. Todo bem que temos recebemo-lo do nosso Autor. Se somos castigados, é por aquilo que nós próprios fazemos em nós. Se somos premiados, é por aquilo que ele faz em nós". Oração Senhor, que eu nunca me torne um obstáculo à fé de quem quer que seja. Que eu ame meu irmão a ponto de poder apontar-lhe seus erros em clima de correção fraterna. Que eu sinta o prazer de perdoar ofensas e mágoas. E quando eu tiver cumprido com exatidão meus deveres, tenha a humildade de dizer : "sou um servo de Deus como os outros, fiz apenas o que devia fazer". Que minha alegria neste mundo seja colaborar com Jesus na difusão do seu reino entre os homens, porque servir a Deus não é um favor que lhe prestamos, mas um dever que cumprimos. Assim seja. Lc 17,11-19 Os dez leprosos. Ingratidão
(11)

Enquanto seguia sua última viagem para Jerusalém (13,22), Jesus passava entre os limites de Samaria e Galiléia, para alcançar o vale do rio Jordão e descer pela Peréia até Jericó. Avi zinhavam-se as festas da Páscoa. (12) Quando estava para entrar num povoado, vieram-lhe ao encontro dez leprosos, sendo nove judeus e um samaritano. Por lhes ser proibido aproximarem-se de pessoas sãs, pararam longe (13) e gritaram: - "Jesus, mestre, tenha compaixão de nós!".
(14)

Ele os viu e, para lhes pôr à prova a fé antes da cura, disse:

- "Vão logo e deixem os sacerdotes examiná-los para receberem deles o atestado da cura e poderem voltar à vida social". Eles obedeceram imediatamente e partiram. E aconteceu que, enquanto iam, ficaram limpos da lepra. (15) Mas um deles, ao se ver curado, voltou atrás, glorificando a Deus aos gritos; (16) em sinal de profundo reconhecimento, lançou-se aos pés de Jesus com o rosto por terra, agradecendo-lhe efusivamente. Pois bem,

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este era o samaritano, povo desprezado pelos israelitas porque eram uma mescla de judeus e assírios pagãos (2Rs 17,24). (17) Jesus tomou a palavra dizendo:
(18)

"Não foram dez os curados? Onde estão os outros nove? Não houve quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro!?".
(19)

E concluiu:

- "Levante-se. Vá para casa. Sua fé em Deus o curou da lepra e o tornou disponível à salvação". Lc 17,20-21 A vinda do Reino de Deus
(20)

Os fariseus perguntaram a Jesus quando chegaria o almejado Reino de Deus, a era messiânica que resume as esperanças do futuro de Israel. Respondeu-lhes: - "O Reino de Deus não virá com sinais cósmicos prodigiosos, com pompa e ostentação, como vocês imaginam. (21) Não se poderá dizer: 'ei-lo aqui, limitado a este lugar' ou 'ei-lo aí, nessa região'. Porque o Reino do Messias é principalmente espiritual. Com a pregação do Evangelho ele já está no meio de vocês, naqueles que em qualquer lugar o acolhem de todo o coração e lhe seguem as diretrizes". Questionário 12a - Por que pararam longe os leprosos? A lei do Lv 13,45-46 e Nm 5,2 proibia aos leprosos aproximarem-se das pessoas sãs, para evitar o contágio da doença que era incurável. 12b - Qual era a condição dos leprosos? Eram excluídos da família e da sociedade. Essa doença era vista como um castigo de Deus. Era-lhes permitido entrar em pequenos povoados, não em cidades muradas. Viviam agrupados em cavernas até morrerem apodrecendo. Os familiares ou pessoas caridosas levavam-lhes alimento com o máximo cuidado para evitar o contágio. Quando alguém se aproximava de algum deles por acaso, o leproso devia gritar - "sou impuro", para que a pessoa sã se afastasse. 14 - Por que Jesus os mandou aos sacerdotes? Era sempre um sacerdote que examinava o ex-leproso e podia dar-lhe o atestado de cura para reintegrá-lo na sociedade, conforme Lv 14,1-32. Jesus usa o plural "sacerdotes" porque os nove judeus iriam a um sacerdote judeu, e o samaritano a um sacerdote samaritano do monte Garizim. 20a - Que tipo de Reino Messiânico esperavam os judeus? Ensinavam e esperavam um reino político, terreno, imaginando que o Messias seria um outro Davi ou Salomão, circundado de magnificência e pompa. Nada disso notando em Jesus, não o aceitaram como o Messias. Sabemos, pelo contrário, que

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o Reino do Messias é principalmente espiritual, pois ele deve reinar no coração dos que o amam e lhe seguem os passos. 20b - Quando se iniciou e quando se estabeleceu o Reino de Deus ou Reino Messiânico no mundo? Em Jesus tornou-se presente o Reino de Deus (11,20), iniciado na sua Encarnação e estabelecido com a vinda do Espírito Santo em Pentecostes. Lições de vida 14 - Jesus não atendeu imediatamente ao pedido de cura dos leprosos. Exigiu ação e tempo. Para lhes provar a fé, mandou que se apresentassem a um sacerdote. Também hoje Deus muitas vezes demora em atender-nos. É um teste para a nossa confiança. Se desanimarmos de continuar pedindo, é sinal de fraqueza na fé verdadeira. Também os cristãos são enviados a algum sacerdote a quem Jesus disse: "àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados" (Jo 20,23), dandolhes o poder de purificar da lepra do pecado os que se reconhecem culpados. 16 - Estranhamos um samaritano no meio de israelitas, quando sabemos que não se davam. É que o infortúnio comum aproxima os homens e os faz esquecer hostilidades nacionais e religiosas. 17 - Uma das poucas queixas de Jesus é a da ingratidão. Até Deus é sensível à gratidão. Somos inclinados a prestar mais favores a quem sabe agradecer. Também Deus é assim. "Meu Deus, eu vos agradeço" é oração que não deve cessar em nossos lábios pelos inúmeros benefícios que Deus nos outorga a cada hora. Você é capaz de contar quantos são? Os nove leprosos judeus não agradeceram porque, como pertencentes ao povo de Deus, julgavam-se merecedores da graça recebida. No samaritano encontramos os sentimentos de gratidão, de louvor, com a consciência de que a cura foi uma graça imerecida, só explicável pela misericórdia de Deus. Oração Senhor, o mundo está coberto da lepra do pecado. Só o Senhor pode curá-lo. E o fará se antes o homem se voltar para Deus suplicando misericórdia e perdão. Como o samaritano, quero agradecer por todas as vezes que fui limpo de manchas, e pelos inúmeros benefícios recebidos a toda hora, a todo instante. Quero abrir-me para que o Reino de Deus tome todo o meu coração e se irradie em minha vida. Amém.

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Lc 17,22-37 A volta de Cristo (Mt 24,23-28; 36-41)
(22)

Então Jesus disse a seus discípulos:

- "Virá tempo em que vocês, no meio de sofrimentos, desejarão ardentemente ver o Messias chegar, ao menos por um dia, para julgar os maus. Mas não verão porque a Igreja deve ser perseguida e hostilizada por todos. (23) E vocês ouvirão dizer: - 'Ei-lo aqui! Ei-lo aí'. Não acreditem, não saiam para procurá-lo nem sigam esses impostores. (24) De fato, a vinda final do Messias como juiz será evidente e imprevista como um relâmpago que improvisadamente brilha aos olhos de todos de uma extremidade a outra do céu. (25) Mas antes de ser glorificado, o Messias necessita passar por muitos sofrimentos e ser rejeitado até a morte por este povo de hoje. (26) No retorno final do Messias, que não será tão breve como vocês desejam, acontecerá como nos dias de Noé. (27) Os homens se deixaram absorver inteiramente pelos cuidados terrenos: comiam e bebiam despreocupados, casavam e davam-se em casamento até o dia em que Noé entrou na arca. Então veio o dilúvio e os fez perecer todos. (28) O mesmo aconteceu no tempo de Lot: os homens comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e construíam. (29) Mas no dia em que Lot abandonou Sodoma, uma chuva de fogo e enxofre caiu sobre a cidade eliminando a todos. (30) Assim acontecerá no dia em que voltar o Messias em sua glória. (31) Na destruição de Jerusalém, como na minha volta final, quem estiver no terraço em cima da casa, e tiver coisas indispensáveis guardadas lá dentro, fuja sem descer para levá-las. Igualmente quem estiver trabalhando na lavoura, não adianta voltar para casa, porque a única coisa importante naquele dia será o Senhor que vem. (32) Lembrem-se da mulher de Lot, a qual, por querer voltar atrás, morreu num instante (Gn 19,26). (33) Quem procurar viver só cuidando de sua vida presente irá perdê-la; e quem puser em segundo lugar a vida presente em função da futura irá salvá-la! (34) Eu lhes garanto que naquela ocasião obscura duas pessoas que estarão dormindo na mesma cama poderão ter destino diferente: uma será salva, a outra não. (35) Duas mulheres que estarão moendo juntas poderão ter destino diferente: uma será salva, a outra não".
(36)

Os discípulos, curiosos, perguntaram a Jesus: Jesus respondeu-lhes:

- "Onde acontecerá tudo isso, Senhor?".
(37)

- "Não importa saber o lugar nem a hora, que será imprevisível. Basta lembrar o provérbio popular: 'onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão as aves de rapina'. Quer dizer: como as aves de rapina por impulso instintivo se ajuntam onde estão os cadáveres, assim também os homens se chegarão como por instinto em torno do Senhor, para o julgamento final".

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Questionário 22 - Que são os dias do Filho do Homem ou Messias? São o tempo da Glorificação do Messias, isto é, sua vitória sobre a morte, sua ressurreição, sua vinda gloriosa para o julgamento final e seu reinado eterno (Dn 7,13-14). Os seguidores de Jesus viverão desejando ansiosamente os dias do Filho do Homem para terem força e consolação em suas tribulações que medeiam entre a ascensão de Jesus e sua parusia ou volta gloriosa. Essa esperança reanima-os a vi ver entre a realização iniciada com a vinda de Jesus ao mundo, e a sua consumação. 24 - Que significa a comparação com o relâmpago? Do relâmpago não é necessário que alguém diga: -"venham vê-lo, ele está aqui", porque aparece a todos no mesmo instante e os clareia fortemente. Assim a vinda final do Filho do Homem aparecerá ao mundo todo como o fulgor do relâmpago, sem necessidade que nos chamem para vê-lo; não ficará despercebido e duvidoso. 32 - Que aconteceu à mulher de Lot? Segundo Gn 19,26, "a mulher de Lot, tendo voltado para trás, transformou-se numa coluna de sal", num monumento de "alma incrédula" (Sb 10,7). 34 - Que quer dizer "um será arrebatado e outro deixado"? Um será arrebatado para o Senhor, isto é, será salvo, conforme 1Ts 4,16-17; outro será deixado ou abandonado à perdição porque viveu sem Deus. 37 - Que sentido tem esse provérbio no contexto? A pergunta do versículo anterior "onde se dará isso?" é curiosa e superficial: desvia do essencial. O importante é interessar-se pela conversão e pela libertação do pecado. Jesus responde com um provérbio popular: como por instinto as aves de rapina se ajuntam em torno dos cadáveres, assim não é preciso saber o lugar desse acontecimento final, porque todos os homens serão atraídos ao julgamento como por uma força instintiva, sem precisar dizer-lhes onde. O importante é viver preparado. Lições de vida 31 - E necessário viver com o coração não-preso aos bens terrenos, e estar pronto a abandoná-los quando se trata de comparecer diante do julgamento. Que não vi vamos de tal modo absorvidos com as coisas da terra, a ponto de descuidarmos das da eternidade. Tudo perderá o valor, quando o valor único se manifestar. Com a morte deixaremos os poucos bens que temos, para receber, em troca, tudo! 34-35 - Os laços de parentesco e de amizade não garantirão a mesma sorte no quadro final da vida.

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Oração Senhor, conceda-me a graça de colocar em 2º lugar tudo o que é da vida presente, para dar a primazia do Reino de Deus no coração. Que eu me empenhe não por saber quando virá o Senhor para o ajuste de contas, mas por viver tão unido a Deus, que sempre esteja tranqüilamente preparado para o julgamento final. Sei que na passagem para a outra vida receberei mais do que dei de mim na terra. Despoje-me, Senhor, do afeto desordenado aos bens do mundo, para que eu não me torne escravo da matéria. Amém.

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CAPÍTULO 18 Lc 18,1-8 Oração confiante. A viúva persistente (Cf. 11,5-8)
(1)

Contou-lhes ainda uma parábola para inculcar a necessidade de orar sempre e confiantemente, em qualquer circunstância, por difícil que seja, sem jamais desanimar (Rm 1,10; 12,12; 1Ts 5,17).
(2)

- "Havia numa cidade um juiz cético, que exercia sua função a seu arbítrio e sem consciência; ele não ligava para Deus nem tinha consideração para com os homens. (3) Nessa mesma cidade vivia uma viúva que, malgrado as contínuas repulsas que recebia, não se cansava de voltar a ele pedindo: - 'faça-me justiça na questão que tenho contra o adversário que quer tirar-me os bens'. (4) Por muito tempo ele não a atendeu. Mas afinal pôs-se a refletir: - 'embora eu não ligue para Deus nem para os homens, (5) como essa viúva já está me irritando, vou defender seus direitos para que ela não venha por fim a me esgotar a paciência'".
(6)

E o Senhor acrescentou:

- "Escutem bem o que disse aquele juiz desonesto. (7) E Deus, que é bom por natureza e não se cansa, não atenderá aos pedidos de seus eleitos perseguidos, que perseveram clamando a ele dia e noite, mesmo que os faça esperar? (8) Digolhes que ele fará justiça, ouvindo-os no momento oportuno. Mas quando eu, o Filho do Homem, voltar na manifestação final, encontrarei sobre a terra a fé vi va que torna perseverante a oração? (Mt 24,12 e 24; 2 Ts 2,3-4)". Questionário 1 - Jesus quer que fiquemos dizendo orações ininterruptamente? Não se trata de só dizer orações. O que aqui se inculca é a necessidade de estarmos sempre em sintonia com Deus; viver em atitude de oração, voltados para Deus, como as pessoas que, por se amarem, pensam freqüentemente uma na outra, sem esforço, por um impulso instintivo do coração. Quem pensa sempre em Deus fala-lhe no pensamento, e com naturalidade lhe diz uma palavra. Este vi ve em atitude de oração, ora sempre. 5 - O juiz temia uma agressão física da viúva? No original grego, a palavra em questão, literalmente, traduz-se por "esbofetear". Mas bons comentaristas preferem o sentido figurado: "deixar doido", "esgotar a paciência".

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Lições de vida 3 - A mulher não se cansou de insistir com seu pedido ao juiz. Geralmente, entre pessoas humanas, quando recebemos uma negativa, não voltamos mais a pedir, e até nos indispomos contra o outro. E há quem faça o mesmo com Deus. Aqui Jesus está ensinando a persistência na oração. A perseverança nos pedidos revela firmeza de fé, confiança em Deus e certeza de ser atendido. O desânimo é próprio de quem pouco crê. Quanto mais a pessoa ora, mais se liga a Deus e cresce na fé. Quem reza, sempre recebe alguma graça, embora possa não ser exatamente aquilo que esperava. Deus muitas vezes deixa seus eleitos em aparente abandono com seu prolongado silêncio. Então a fé só se alimenta por contínua oração (Eclo 35,20-22). - O juiz só fez justiça para se ver livre das importunações e não por amor ao direito. Não aconteça o mesmo conosco. 8 - "Mas o Filho do Homem, quando vier, encontrará a fé sobre a terra?" Muitos não perseveram na oração. Sem oração não conservarão a fé. Quando Jesus voltar no fim dos tempos, "por se multiplicar a iniqüidade, resfriará a caridade (= a vida de fé) da maioria" (Mt 24,12). "Como aconteceu nos tempos de Noé... e nos tempos de Lot: todos comiam e bebiam, compravam e vendiam, plantavam e construíam... Veio do céu fogo com enxofre e destruiu a todos, assim acontecerá no dia em que o Filho do Homem se manifestar" (Lc 17,26-30). A maioria dos homens se deixará absorver por interesses terrenos sufocando a fé. É o que São Paulo denomina "apostasia" provocada pelo "adversário que se apresenta como se fosse Deus" (2Ts 2,3-4). Contra isso Jesus nos admoesta a mantermo-nos perseverantes na fé e na oração no meio de um mundo caído na matéria. Oração Senhor, eu não sei rezar bem, e, além disso, rezo pouco. Quase só me limito a pedir favores em benefício meu e dos meus. Às vezes, agradeço. Paro pouco para louvar e adorar. Nem sei contemplar. Senhor, dai-me o dom da oração persistente e confiante. Fazei-me sentir a necessidade de recorrer a vós como criança que não consegue viver sem seus pais. Assim estarei sempre com o coração voltado para vós, que, bem sei, nunca deixais de me olhar. Amém.

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Lc 18,9-14 O fariseu e o publicano. Oração humilde
(9)

Depois de ensinar que a oração deve ser perseverante, Jesus mostra que ela deve ser também humilde. Contou então esta parábola ou exemplo, visando os fariseus que se julgavam perfeitos e por isso desprezavam os outros como pecadores:
(10)

"Dois homens subiram ao templo de Jerusalém no monte Mória para rezar. Um deles era do partido dos fariseus, muito considerados na sociedade. O outro, um cobrador de impostos, desprezado pela opinião pública como pecador por profissão. (11) O fariseu, de pé com ostentação, bem na frente para ser visto (Mt 6,5), orava interiormente deste modo, só se vangloriando: 'eu lhe agradeço, meu Deus, porque não sou como os outros homens, ladrões, injustos, adúlteros, nem como esse pecador que está aí atrás. (12) Além de estar livre desses vícios, pratico as virtudes: jejuo duas vezes por semana, muito além do que a Lei preceitua (Lv 16,29), e ofereço ao culto divino não só o que manda a Lei, mas a décima parte de tudo o que ganho!'. (13) O publicano, permanecendo no fundo do templo, não ousava aproximarse do altar dos holocaustos onde se adora a majestade de Deus; nem se atrevia a levantar os olhos para o céu; mas, de tão arrependido de seus pecados, batia no peito, orando assim: 'meu Deus, tenha pena de mim, pecador!'. (14) Eu afirmo a vocês que este último voltou para casa em paz com Deus, perdoado e justificado; e o primeiro, que julgava não necessitar de arrependimento, voltou com seu pecado de soberba. Pois todo aquele que se exalta confiando só em sua auto-suficiência será humilhado; e quem se humilha reconhecendo sua insuficiência será exaltado por Deus". Questionário 10a - Que é oração? Orar é dirigir-se a Deus com fé e amor para lhe prestar homenagem adorando, agradecendo, louvando, meditando, pedindo perdão ou implorando um favor. 10b - Por que diz "sub iram ao templo" em vez de simplesmente "foram"? O templo de Jerusalém, construído sobre o monte Mória, ficava mais alto que a cidade. 11 - Qual era a posição dos judeus em oração? Rezavam normalmente de pé (Mc 11,25), com os braços erguidos e as mãos abertas para cima em atitude de pedintes diante do Senhor. 12a - Qual era o jejum preceituado aos judeus? O único jejum prescrito era o do Lv 16,29: "jejuareis no dia dez do sétimo mês". O 7º mês chamava-se "tisri", entre setembro e outubro. Era o jejum da expiação para se purificarem dos pecados. Acompanhavam-no obras de justiça e misericórdia. Ia do pôr-do-sol do dia 9 ao pôr-do-sol do dia 10. O pôr-do-sol

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CAPÍTULO 18

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começava quando já se pudessem ver ao menos três estrelas. Era proibido comer, beber, ungir-se, usar o sexo. Com o tempo entraram em uso outros jejuns para atrair a benevolência de Deus: em calamidades públicas, por pecados generalizados, antes de iniciar uma guerra, pela morte do rei, por um voto... O Sinédrio impunha três dias de jejum quando tardasse a chuva. Moisés (Ex 24,18), Elias (1Rs 19,8) e Jesus (Mt 4,2) fizeram jejuns especiais de 40 dias; provavelmente não seriam de abstinência completa de todo alimento. Jesus quer um jejum alegre (Mt 6,16-18). Os fariseus mais observantes jejuavam espontaneamente às segundas e quintas-feiras em memória do começo e do fim do jejum de Moisés no Sinai, para expiar os pecados graves do povo. Os profetas ergueram a voz contra a falta de condições de um jejum agradável a Deus. E que muitos o faziam por ostentação, vazio de arrependimento, de oração e de obras de misericórdia. Aos primeiros cristãos o jejum era habitual (At 13,2; 14,23; 1Cor 9,27; 2Cor 6,5 e 11,27). 12b - Qual era a lei do dízimo? Os judeus deviam dar para os trabalhos do culto, com exceção do ano sabático, a décima parte do que colhiam de trigo, vinho, óleo, frutas e o décimo animal das crias de vacas, cabras e ovelhas (Lv 27,30-32). No ano sabático (cada sete anos) deixavam inexploradas as culturas da terra em favor dos pobres. Quem comprava estava isento do dízimo. Os destinatários eram os levitas (Lv 18,20-21), auxiliares do culto no templo de Jerusalém. Os levitas passavam, por sua vez, a décima parte desses dízimos ao sumo sacerdote em benefício dos outros sacerdotes. Os fariseus estenderam a obrigação do dízimo também às hortaliças, às ervas do jardim e a tudo o que a terra produz. Podia-se dar o valor em dinheiro correspondente, com o acréscimo do quinto do valor. O fundamento dessa prática é que Deus é o verdadeiro dono da terra e de tudo o que ela produz, e o homem é o usufrutuário. Não se confunde o dízimo com os primeiros frutos de cada colheita, as primícias (Ex 23,19). Lições de vida 10 - A oração feita no templo era considerada de especial eficácia, por ser o templo, de maneira particular, o lugar da presença de Deus, por isso chamado Casa de Deus. Ir ao templo era pôr-se na presença de Deus. Também nossas igrejas são lugares privilegiados de oração, onde os cristãos se reúnem para ouvir e falar com Deus. 13 - Na atitude de oração do publicano aprendemos as três condições necessárias num verdadeiro penitente: 1) o sentimento da própria indignidade ("não levantava os olhos"); 2) um vivo arrependimento de seus erros ("batia no peito"); e 3) a total confiança na misericórdia de Deus ("tenha pena de mim"). Batiam no peito porque é a sede do coração, do qual vem todo pecado (Mc 7,21). 14 - O que importa não é o que a sociedade pensa de mim, e sim o que Deus pensa. Essa parábola mostra que muitas vezes uma pessoa aparentemente de pouco valor vale mais do que eu diante de Deus. O fariseu considerou-se justo porque cumpria minuciosamente as obras da Lei; mas o fazia como auto-suficiente e presunçoso, sem amor a Deus e aos homens. O publicano vê-se despojado de méritos, mas crê

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(fé) na misericórdia de Deus, de quem tudo espera. Deus me aprecia quando reconheço meus erros e sei pedir perdão. Oração Ensine-me a orar com simplicidade, Senhor. A orar com sentimento da própria indignidade e da carência de méritos. Orar com sincero arrependimento das faltas cometidas. E principalmente orar com total confiança no coração paterno de Deus, de quem tudo se espera. Que, além da oração propriamente dita, eu cultive o espírito de oração, que transforma em louvor de Deus as mais corriqueiras atividades do dia. Amém. Lc 18,15-17 Crianças (Mt 19,13-15; Mc 10,13-16)
(15)

Algumas pessoas também lhe traziam suas crianças para que ele lhes impusesse as mãos, abençoando-as. Vendo isso, os discípulos, impacientados, procuravam impedir que se aproximassem. (16) Jesus, pelo contrário, mostrando sua afeição por elas, chamou as crianças perto de si, e disse: - "Deixem que as crianças venham a mim, e não as impeçam, porque o Reino de Deus é dos que se assemelham a elas. (17) Lembrem-se disto: quem não receber com a simplicidade e a abertura de uma criança o Reino de Deus que estou implantando com o evangelho, dele não participará". Questionário 17 - Quais as qualidades infantis necessárias para pertencer ao Reino de Deus? Jesus nos manda aprender das crianças o amor filial sem medida, a simplicidade, a humildade, a necessidade de auxílio, a abertura, a confiança no outro do qual dependemos. O presunçoso não sente necessidade de pedir. Aceitar o Reino de Deus como criança é viver inteiramente dependente e necessitado de Deus, sem preconceitos nem cálculos. A criança adota naturalmente o modo de vi ver de seus pais: é receptiva e ama com ternura filial. Nela, a natureza humana é pura, ainda não contaminada pelo mal. Assim Cristo nos quer diante dele. Lições de vida 15 - Quem pede a bênção reconhece sua insuficiência, submete-se ao outro, não se basta a si mesmo e por isso suplica. A bênção usada no Antigo Testamento, ditada por Deus, é esta: "O Senhor te abençoe e te guarde. O Senhor faça brilhar sobre ti a

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sua face e te seja favorável. O Senhor dirija para ti o seu rosto e te dê a paz!" (Nm 6,24-26). Oração Jesus, o Senhor nos manda aprender das crianças como acolher no coração o Reino de Deus. Os adultos somos complicados. Conceda-nos a simplicidade da criança, sua pureza de intenções, sua transparência, sua humildade, sua facilidade de esquecer mágoas, sua abertura, sua ilimitada confiança nos pais. Como a criança se mostra sempre necessitada dos outros de quem depende, que eu também viva em tudo necessitado de Deus. Como a criança faz tudo o que vê nos pais, que eu também adote o modo de ser do Senhor, Jesus. E isso me basta. Amém. Lc 18,18-30 Um rico. Desprendimento (Mt 19,16-30; Mc 10,17-31)
(18)

Certo homem de elevada posição social perguntou a Jesus: Jesus respondeu-lhe:

- "Bom Mestre, que obra boa devo fazer para garantir a posse da vida eterna?".
(19)

- "Por que você me chama de 'bom' se sabemos que somente Deus é bom e mais ninguém? Pois todos os homens são pecadores. Talvez você me considere Deus? (20) Respondendo à sua pergunta, você conhece os mandamentos que conduzem à vida eterna quem os pratica: 'não cometer adultério, não matar, não roubar, não testemunhar falso contra alguém, honrar pai e mãe...'".
(21)

O homem ingenuamente disse:

- "Tudo isso eu tenho observado desde jovenzinho, mas sinto que falta alguma coisa".
(22)

Ou vindo essas palavras, Jesus apontou-lhe um caminho muito além das prescrições da Lei: - "Uma só coisa lhe falta. Dispõe de tudo o que você possui, distribua aos pobres em obras de caridade, e você não perderá nada, porque em virtude disso terá um rico tesouro no céu. Depois desse despojamento, venha acompanhar-me para sempre como discípulo".
(23)

O homem, porém, ouviu desapontado essas palavras e ficou muito triste, porque estava demais apegado à sua grande riqueza. (24) Vendo-o assim entristecido, Jesus comentou:

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- "Como é difícil aos que têm riquezas abraçar o Reino de Deus! (25) É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um homem com o coração tomado pela riqueza entrar no Reino de Deus, que exige o desapego dos bens materiais".
(26)

Os ouvintes, sabendo que mesmo os não-ricos amam excessivamente a riqueza, perguntaram, preocupados: - "Então quem poderá salvar-se?!". (27) Jesus os tranqüilizou respondendo: - "O que é impossível aos homens torna-se possível com a graça de Deus".
(28)

Interveio Pedro, em nome dos companheiros:

- "Mestre, nós fizemos o que esse rico não teve coragem de aceitar: deixamos tudo, nossos bens, nossa profissão e até a família para seguir o Senhor!".
(29)

E Jesus prometeu:

- "Eu lhes asseguro: quem, seguindo os conselhos evangélicos, deixar casa ou pais ou irmãos ou renunciar a ter mulher e filhos para estar inteiramente a serviço do Reino de Deus (30) receberá em troca muito mais nesta vida, principalmente em bens espirituais, e no mundo que há de vir, a vida eterna!". Questionário 20a - Jesus citou mandamentos do Antigo Testamento. Onde se encontram? Em Ex 20,12-16; Dt, 5,6-21. 20b - Jesus não citou os três primeiros mandamentos referentes diretamente a Deus. Por que os teria omitido? Jesus percebeu que aquele homem empenhava-se seriamente nos deveres diretos com Deus para salvar a si próprio, sem preocupação com o bem que tinha condições de fazer ao próximo. Então lhe deu a entender uma grande verdade: o caminho para chegar a Deus passa pelo próximo. 24 - E má a riqueza? Os bens da terra são sempre bens e não um mal por si mesmos. Quando o homem concentra toda sua atenção em tê-los ou cobiçá-los, esses bens terrenos convertem-se em ídolo e em sério obstáculo para a prática do Evangelho, porque se tornam absolutos. "Não podemos servir a Deus e ao dinheiro" (Lc 16,13) (Puebla 493). Quem só se preocupa com os bens da terra não tem tempo nem disposição para se empenhar na implantação do Reino de Deus no mundo. Está com o coração dividido entre Deus e as posses. Esse indivíduo do Evangelho não observava os mandamentos de todo o seu coração, não amava a Deus e ao próximo sem reservas. É melhor não possuir bens do que amá-los mais do que a Deus. Há ricos cujo coração não é dominado pelo dinheiro e que sabem usá-lo não de maneira egoísta, mas em função social. Para estes, a riqueza é um bem. A resposta de Jesus no v. 27 mostra que, com a graça de Deus, as pessoas abastadas podem livrar-se da obsessão da riqueza e transformar-se em colaboradores da Providência Divina. Lázaro, Marta e Maria tinham muitos bens, e não receberam de Jesus o

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CAPÍTULO 18

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convite de vendê-los. Bastou-lhes o desapego equilibrado para abraçarem o Evangelho. A renúncia total não é uma lei para todos. Mas de todos se exige que ponham Deus acima de qualquer valor terreno: "buscai primeiro o Reino de Deus..." (Lc 12,31). 2 - Alguns autores em vez de "camelo" traduzem "corda". Você tem algo a dizer? Camelo é a tradução tradicional. Mas observe-se que o original grego "kámelos" (camelo) é quase idêntico a "kámilos" (corda), notando ainda que o "e" pronuncia-se como "i". Então, a tradução "corda" é admissível sem que a frase perca o sentido. Lições de vida 19 - Jesus deixou entrever que era bom por ser Deus, a bondade essencial. Tudo que é bom neste mundo e toda bondade natural das pessoas derivam de Deus; são uma pequenina manifestação da Bondade Original, da qual participamos em proporções diversas. 22 - As obras de caridade constituem um capital cujos juros o homem começa a usufruir desde este mundo e que fica depositado em seu favor no banco da eternidade. A renúncia por amor torna o homem livre para seguir Jesus mais de perto na propagação do Evangelho, o Reino de Deus. 29 - A pobreza voluntária, afetiva e efetiva, com o celibato (Mt 19,10-11) e a obediência (Mt 16,24), são os conselhos evangélicos de que fazem voto os que abraçam a vida consagrada em Ordens ou Congregações religiosas. Cada renúncia feita por Deus provoca da parte dele um dom de maior valor. Jesus apresentou dois caminhos: o dos preceitos para todos, e, para os vocacionados, o da livre renúncia dos bens terrenos numa entrega total à causa do Evangelho. Oração Senhor, eu bem sei que para possuir a vida eterna requerse a prática fiel dos dez mandamentos, dos quais os três primeiros são amar a Deus sobre todas as coisas, e os últimos sete significam amar ao próximo como a si mesmo. Mas reconheço que muitas vezes coloquei os bens materiais em 1º lugar nos meus interesses, buscando-os mais do que o amor de Deus e do próximo. Peço a graça de ver meus bens passageiros como valores relativos e de sempre buscar primeiro o Reino de Deus e sua justiça, certo de que tudo o mais virá por acréscimo. E aos que o Senhor chamou para uma vida de renúncia até de uma família, que sejam exemplo de desprendimento evangélico para uma inteira doação à causa do Reino de Deus entre os homens. Amém.

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Lc 18,31-34 3o anúncio da Paixão (Mt 20,17-19; Mc 10,32-34)
(31)

Jesus chamou à parte seus 12 apóstolos para os instruir pela terceira vez sobre sua Paixão e Ressurreição de maneira mais clara. Disse-lhes: - "Estamos subindo do vale do Jordão para Jerusalém, onde vai acontecer tudo o que escreveram os profetas a respeito de minha pessoa, o Filho do Homem. (32) Sim, serei entregue para sumo escárnio nas mãos de pagãos estrangeiros, serei desprezado, insultado, cuspido (33) e depois de me açoitarem me darão a morte. Mas ao terceiro dia ressuscitarei!".
(34)

Os apóstolos, porém, com a mente ofuscada pelos preconceitos em voga, nada entenderam porque julgavam inconcebível terminar em fracasso a vida do Messias e Filho de Deus, muito mais por pensarem estar iminente o reinado glorioso dele na terra. Por isso essa profecia de Jesus era-lhes um enigma: não compreendiam o que ele estava anunciando. Questionário 31 - Cite o que escreveu algum profeta sob re a Paixão de Jesus. Todo o salmo 22(21) de Davi é uma visão profética dos sofrimentos do Messias. Por exemplo, no versículo 2 temos: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?!", a 4a palavra de Jesus crucificado; no v. 17: "transpassaram minhas mãos e meus pés"; no v. 19: "repartem entre si as minhas vestes e lançam sorte sobre a minha túnica". Outros profetas: Is 1,6; 53 todo; Dn 9,26; Zac 11,12; 12,10 etc. 32-33 - É a terceira vez que Jesus anuncia sua Paixão e Ressurreição. Onde se acham as duas primeiras? Em 9,22 e 9,44. Há também um aceno em 17,25. Nos outros evangelistas: Mt 16,21-23; 17,22-23; 20,17-19; Mc 8,31-33; 9,30-32; 10,32-34. 34 - O que aqui inibiu o entendimento dos apóstolos? A idéia formada de que Jesus, reconhecido por eles como Messias e Filho de Deus, pudesse acabar num fracasso, muito mais por considerarem iminente o seu reinado glorioso na terra. Não conseguem compreender a necessidade do sofrimento no processo da salvação dos homens. Aliás, a Cruz do Senhor continuou sendo "um escândalo para os judeus e uma loucura para os pagãos, mas para nós... é a sabedoria de Deus" (1Cor 1,23-24), que faz o inconcebível. Lições de vida 32-33 - A predição dos sofrimentos e da morte de Jesus é uma séria instrução: aceitar Jesus Cristo é segui-lo no caminho do calvário para ter direito à glória da ressurreição. A Paixão e a Morte de Jesus não são um infortúnio imprevisto. Jesus

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vai à Cruz por plena consciência de aceitar com amor a conseqüência necessária do estado de pecado da humanidade para a redimir. A morte de Jesus foi provocada pelo homem, mas Deus, "segundo os desígnios de sua presciência" (At 2,23), inseriu-a no plano da salvação. Ela foi para os seus seguidores uma grande decepção, e, para seus inimigos, um acontecimento definitivo que reduziu a zero o fenômeno Jesus. Mas o aniquilamento para Jesus é um começo: o termo não é a morte, e sim a vitória sobre a morte, pela ressurreição. O homem, para chegar à plenitude da vida, deve trilhar esse caminho. Oração Divino Espírito Santo, iluminai nosso entendimento com um raio de vossa luz, porque sem essa ajuda não somos capazes de compreender que aceitar Jesus implica o seguimento de seus passos pelos caminhos da vida, até mesmo no calvário, e que a cruz e a morte não põem fim ao homem, mas o introduzem na plenitude da vida e da felicidade. Senhor Jesus, a serenidade com que o Senhor fala de sua morte torturante dá a impressão de que o Senhor caminha para a sua glorificação. Compreendo. É que o Senhor não olha para seus tormentos, mas só vê o fruto de suas dores: a nossa salvação. Obrigado, Senhor. Lc 18,35-43 O cego de Jericó (Mt 20,29-34; Mc 10,46-52)
(35)

Quando ele, vindo da Peréia, aproximava-se de Jericó, achava-se um mendigo, cego, pedindo esmola sentado à beira da estrada. (36) Este, ouvindo a algazarra da multidão que passava, perguntou o que era.
(37) (38)

"É Jesus de Nazaré que está passando", informaram-no.

Imediatamente, reconhecendo em Jesus o Messias, ele se pôs a gritar, cheio de confiança: - "Jesus, Filho de Davi, tenha pena de mim!".
(39)

Os que iam à frente repreendiam-no para que se calasse e não incomodasse o Mestre. Ele, porém, sem lhes dar atenção, gritava mais forte: - "Filho de Davi, tenha pena de mim!".
(40) (41)

Jesus parou e mandou trazê-lo. Quando ele chegou perto, perguntou-lhe: "Que quer que eu faça por você?". Jesus então, com toda bondade, lhe disse:
CAPÍTULO 18

- "Senhor, que eu veja!", respondeu ele.
(42)

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- "Pois veja! Você está curado porque teve fé em mim. E a fé é o marco inicial para o meu seguimento!". (43) No mesmo instante ele começou a ver e, unindo-se aos seguidores de Jesus, o acompanhava, agradecendo e louvando a Deus efusivamente. Todo o povo que presenciou o milagre também glorificava a Deus. Questionário 35a - Um cego. Qual o seu nome? Marcos 10,46 o chama Bartimeu, como era conhecido popularmente por ser filho de Timeu. 35b - Esse episódio, em Lc, Mt 20,29-34 e Mc 10,46-52, deixa duas dúvidas. Marcos e Lucas falam de um cego. Mateus, de dois. Mateus e Marcos colocam o encontro do cego à saída de Jericó, enquanto Lucas diz à entrada. Tente uma explicação. Deviam ser dois os cegos. Mas Marcos e Lucas só nos lembram aquele que ficou muito conhecido entre os cristãos do tempo e mais célebre, Bartimeu. Quanto ao lugar, alguns exegetas opinam que Jesus encontrou o cego ao entrar na cidade, mas para lhe provar a fé, como fizera aos dez leprosos (17,14), curou-o ao sair dela. Outros julgam que as expressões "ao chegar" e "ao sair" tenham apenas o sentido de "nas proximidades". Outros ainda pensam que o cego se achava na porta de saída para Jerusalém, a qual, para Jesus, estava servindo de entrada naquele momento; daí a diferença entre "entrada" e "saída" seria só aparente. E há quem explique assim: a nova Jericó (246 m abaixo do nível do mar), reconstruída por Herodes Magno e seu filho Arquelau, situa-se a dois quilômetros a sudoeste da antiga e destruída cidade, junto de cujas ruínas surgiu um vilarejo. Jesus estaria saindo dessa velha Jericó e entrando na nova. Não nos esqueçamos de que a variante literária não prejudica o valor do fato. 38a - Que entendiam por "Filho de Davi"? Era o título messiânico do herdeiro do trono ou reinado de Davi. Reinado que julgavam político - SI 110 (109). Davi unificou as tribos de Israel. O cego transformou-se em vidente: com os olhos interiores da fé, viu melhor Jesus do que os que o viam com os olhos do corpo; estes permaneceram cegos ao que Jesus é na realidade. Jesus uniria os povos numa só família. 38b - Jesus antes proibia que o revelassem Messias. Como agora o permite? Jesus está tolerando o título de "Filho de Davi" ou Messias, que antes proibia (9,21). Proibia enquanto na mente dos judeus a figura do Messias vinha carregada de esperanças político-nacionais. Mas agora que ele está se encaminhando para a morte em Jerusalém, muda radicalmente a imagem do Messias e se diluem por completo as esperanças nacionais.

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Lições de vida 37 - O povo anunciou ao cego que Jesus passava. E o cego manifestou mais fé em Jesus do que a multidão que o acompanhava. Muitas ve zes, quando anunciamos Jesus, encontramos em quem nos ouve mais fé do que em nós próprios! 39 - Atitude firme desse cego! Não se deixou impressionar pela oposição dos circunstantes. Para não perder a presença de Jesus que o podia libertar, não se abalou com o obstáculo que lhe criaram: continuou orando. A sociedade chega a embaraçar nossas expressões de fé, ou falamos mais forte que as vozes contrárias? Oração À semelhança do cego, Senhor Jesus, que eu sempre o veja com os olhos interiores da fé e do coração mais do que os olhos corporais me fazem ver a luz do Sol. E diante do mundo que tenta abafar a voz da minha crença, não me deixe intimidar ; antes, que eu não cesse de bradar pelo Senhor e de o anunciar com mais forte convicção. Amém.

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CAPÍTULO 19 Lc 19,1-10 Zaqueu
(1)

Jesus entrou em Jericó e ia atravessando a cidade. (2) Morava lá um homem chamado Zaqueu, que significa "o puro". Chefe dos cobradores de impostos a serviço de Roma, e rico, vi via para o dinheiro. (3) Ouvira falar muito da pessoa e da doutrina de Jesus, até como amigo dos publicanos ou cobradores de impostos, malquistos por todos. Desejava ardentemente vê-lo para conhecê-lo, mas, por ser de baixa estatura, não conseguia no meio da multidão. (4) Correu, então, à frente do povo e, sem dar importância ao riso e aos comentários dos outros, subiu a uma amoreira para ver o Mestre, que logo devia passar por lá. (5) Quando Jesus chegou nesse lugar, parou, olhou para cima, viu-o e, intuindo-lhe a intenção e o que tivera coragem de fazer, chamou-o pelo nome, como se fosse um seu conhecido, e disselhe amigavelmente: - "Zaqueu, desça depressa, porque hoje eu devo ficar em sua casa!".
(6)

Ele desceu imediatamente e recebeu Jesus em sua rica residência com incontida alegria, surpreendido com tanta bondade do Mestre, que lhe estava dando muito além dos desejos. (7) Não poucos que presenciaram essa cena e, por serem devotos, desprezavam os pecadores, puseram-se a criticar, escandalizados: - "Onde se viu coisa semelhante?! Ele, que se diz o Filho de Deus, foi hospedar-se justamente na casa de um indigno pecador público, um renegado da religião, um servidor do governo estrangeiro!".
(8)

No entanto, Zaqueu, sensibilizado, de pé diante de Jesus como um réu confesso, revelou sua sincera conversão dizendo: - "Em atenção ao Senhor ter vindo à casa de um pecador sem temer qualquer contaminação legal, vou dar metade dos meus bens aos pobres; e, com a outra metade, se acaso prejudiquei alguém, hei de restituir além das exigências da Lei, quatro vezes o valor do prejuízo causado".
(9)

Jesus dirigiu-se assim a ele, com intenção de responder aos murmuradores:

- "Esse gesto está mostrando que hoje, na minha pessoa, a salvação chegou nesta casa, pois, este homem, malquisto pela sociedade, não deixa de ser um descendente de Abraão, que nos legou uma aliança com Deus. (10) Ninguém se julgue com direito de murmurar se entrei nesta casa. Na realidade, eu, o Filho do Homem, vim procurar e salvar o que estava perdido!" (Mt 15,24).

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CAPÍTULO 19

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Questionário 1 - Apresente um pouco Jericó. As escavações de Jericó revelam a mais antiga cidade do mundo; a 28 km de Jerusalém; quase na fronteira oriental com a Peréia; a 11 km do rio Jordão antes de desembocar no Mar Morto. O nome significa "cidade da lua", mas é chamada "cidade das palmeiras" pelo grande número dessa planta. De notável comércio, exporta bálsamo e gêneros alimentícios. Centro de convergência de trânsito comercial entre a Peréia e Jerusalém. Donde a necessidade de muitos cobradores de impostos. O mais baixo desnível do globo, 380 m sob o nível do mar. Clima quente favorecendo a produção de plantas tropicais; um verdadeiro oásis plantado no deserto que a circunda. Reconstruída e embelezada por Herodes Magno e seu filho Arquelau. 2 - Que significa Zaqueu? Significa "o puro", uma ironia para quem era considerado pecador público em razão de sua profissão de publicano ou cobrador de impostos a serviço do poder dominador estrangeiro. 3-4 - Que qualidade você vê aqui em Zaqueu? Para conhecer Jesus, Zaqueu sobe a uma árvore: esquece sua dignidade, sua posição social de rico, não se importa com o ridículo que passa e com os olhares ou comentários irônicos dos outros (7,23). Muitas vezes, para sermos fiéis a Cristo, devemos passar por cima do que pensam os outros. 5 - Que ensina Jesus aqui? Jesus não despreza nem abandona o pecador. Ama-o como um filho doente. Mostra que o amor transforma os outros mais que a severidade. São Francisco de Salles dizia: "Apanham-se mais moscas com uma gota de mel do que com um barril de vinagre". 8 - Qual era a lei judaica da restituição quíntupla e a quádrupla? Ex 21,37 (22,1): "Se alguém roubar um boi ou uma ovelha e o abater ou vender restituirá 5 bois por um boi e 4 ovelhas por uma ovelha". E Lv 5,20-24 manda devolver o que se roubou acrescentando um quinto do valor total. Lições de vida 2 - Esse episódio é uma aplicação prática da parábola do administrador infiel (16,115): depois das desonestidades econômicas soube empregar para o bem o dinheiro que era a sua tentação constante. 7 - Criticar é mais fácil do que remediar. Jesus, que ama também os pecadores, não deu ouvidos às críticas severas dos outros. Zaqueu encantou-se com a estima demonstrada por Jesus, converteu-se e reparou com largueza as injustiças eventualmente cometidas no exercício de sua perigosa profissão. 8 - Zaqueu encontrando Jesus encontrou um amor muito maior do que o apego aos próprios bens. Estes, daí por diante, passaram a ter um valor social, postos a serviço

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CAPÍTULO 19

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da justiça e da caridade. Assim, muitos andam errados porque lhes faltou a oportunidade de conhecer o lado certo da vida, mas escondem no coração uma grande disposição para a prática do bem. Oração Senhor, obrigado por me conhecer pelo nome. Zaqueu, para conhecer o Senhor, colocou-se no alto, acima dos julgamentos dos outros. Que eu também saiba sobreporme aos obstáculos que o mundo me cria quando o procuro, Senhor. Senhor, no momento em que o conheceu, esse pecador inveterado converteu-se de maneira decisiva, e com admirável coragem desfez-se daquela parte dos bens adquiridos desonestamente. E eu, que o conheço há tanto tempo, ainda não estou inteiramente convertido porque ainda prezo certas coisas que me embaraçam a entrega total ao Senhor. Dê-me a coragem de Zaqueu, Senhor. Amém. Lc 19,11-28 Os dez administradores (Cf. Mt 25,14-30)
(11)

Jesus, ainda em Jericó, cidade sob Arquelau, na casa de Zaqueu, achou necessário dar um esclarecimento. Por estar perto de Jerusalém a 30 quilômetros, e por muitos dos seus discípulos julgarem que estava iminente a manifestação espetacular do Reino de Deus na terra, narrou-lhes esta parábola que mostra haver antes um longo tempo de espera. (12) Disse: - "Certo homem da alta nobreza partiu para um país muito distante a fim de ser investido da realeza e depois voltar. (13) Antes de viajar, escolheu e convocou dez de seus servos e confiou a cada um deles uma grande moeda de ouro com esta ordem: - 'negociem e façam frutificar para mim este valor até a minha volta'. (14) Mas os cidadãos do país odiavam esse homem e enviaram atrás dele uma comissão para protestar: - 'não queremos que esse homem seja o nosso rei'. (15) Aconteceu que ele recebeu o título de rei. Quando regressou, mandou chamar os servos a quem tinha confiado aquele bem para saber quanto cada um havia lucrado. (16) Apresentou-se o primeiro e lhe disse: - 'senhor, com a moeda que me confiou, eu negociei e ganhei outras dez'. (17) O rei lhe respondeu: - 'muito bem, servo bom; uma vez que você se mostrou um fiel administrador no pouco que lhe confiei, receba o governo de dez cidades!'. (18) Veio o segundo e disse: - 's enhor, com a moeda que me confiou, eu ganhei outras cinco'. (19) Também a esse ele disse: - 'você também receba o governo de cinco cidades'. (20) Veio um terceiro e disse: - 'senhor, aqui está intacta a moeda que me confiou'. E, tentando justificar a própria indolência, passou a acusar o patrão:

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- 'eu a escondi embrulhada num lenço (21) porque tive medo do senhor, que é um homem severo, que exige mais do que dá, e quer colher até o que não plantou'. (22) O senhor então lhe respondeu: - 'servo mau, eu vou julgar e reprovar você pelas suas próprias palavras. Se você me considera um homem severo, que exijo mais do que dou, e quero colher até o que não plantei, (23) por que então não depositou o valor da moeda no banco? Assim, à minha volta, eu teria recuperado com juros o de que tenho direito'. (24) Em seguida, deu esta ordem aos que ali estavam: - 'tirem dele a moeda e a dêem àquele que tem dez!'. (25) Responderam-lhe: -'senhor, eleja tem dez!'. (26) E o rei disse: - 'afirmo-lhes: a quem tem muito porque administrou com responsabilidade o que recebeu, será dado mais; mas àquele que não tem porque foi omisso em administrar o que recebeu, será tirado até o que tem. (27) Quanto aos inimigos que não me queriam como rei, tragam-nos aqui e sejam mortos em minha presença'".
(28)

Acabada essa instrução, Jesus saiu da casa de Zaqueu e recomeçou a subida para Jerusalém, caminhando à frente de todos. Para muitos, essa subida objetivaria a tomada do poder político. Para Jesus, é a caminhada resoluta na direção do calvário! Questionário 11 - Quanto dista Jericó de Jerusalém? Em volta de 30 quilômetros. 12 - Falando de pleitear a investidura de rei noutro país, Jesus alude a uma situação dos judeus naquela época. Que situação? Os judeus se achavam sob o domínio de Roma. Os chefes de todos os povos sujeitos aos romanos deviam dirigir-se a Roma e pedir ao imperador o reconhecimento e a investidura do reinado. Assim aconteceu com Arquelau, Antipas e outros. 12-27 - Percebe diferenças nos ensinamentos das paráb olas Mt 20,1-8, Mt 25,14-30 e Lc 19,12-27? As três se completam. A de Mt 20,1-8 ensina que Deus não quer desocupados, descompromissados; chama todos a trabalhar, em qualquer idade ou hora da vida; dará o prêmio na base da misericórdia e não da justiça; quem dá tudo que pode recebe o prêmio integral. A de Mt 25,14-30 mostra que devemos fazer frutificar em dobro os talentos ou dons recebidos de Deus; quem der tudo o que pode (= o dobro) receberá mais ajuda de Deus nesta vida e o prêmio máximo na eternidade, mesmo que o seu tudo seja pouco; imperdoável é a omissão, a é inércia. A de Lc 19,12-27 evidencia que o prêmio será proporcional ao esforço e ao trabalho desenvolvidos; renova os ensinamentos da generosidade de Deus, que aumenta os dons a quem faz tudo o que pode, mas que não aceita a omissão que deixa improdutivos os dons recebidos. 13 - A moeda entregue denominava-se mina. A quanto correspondia? Era uma moeda que pesava 500 gramas e equivalia à sexagésima parte de um talento de 30 quilos ou cem dracmas gregas ou cem denários romanos. A mais comum era de prata. A de ouro valia muito mais.

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14 e 27 - Existe aqui alusão a um fato histórico. Conhece-o? Herodes Magno, em testamento, dividiu seu reino entre os filhos Arquelau, Antipas e Filipe, dependendo do reconhecimento de César. Arquelau, morto seu pai no ano 4 a.C., foi a Roma para garantir em seu favor o título de rei. Cinqüenta judeus o seguiram para protestar. Arquelau por isso só obteve o título de tetrarca (governador) da Iduméia, da Judéia e da Samaria. A Peréia e a Galiléia foram entregues à autoridade de Antipas; a Batanéia, a Traconítide e a Auranítide, a Filipe (Flávio Josefo, uma testemunha do tempo dos Apóstolos, pp. 62-64). De volta, Arquelau vingou-se duramente de seus oponentes matando-os; foi deposto por Roma no ano 6, pelas suas atrocidades, e seu domínio tornou-se procuradoria romana. 26 - Esse princípio está repetido com alguma variante em outros três lugares dos Evangelhos: Onde? E o que significa? Lucas 8,18 traz: "(...) àquele que tiver, dar-se-á, mas àquele que não tiver, ser-lhe-á tirado mesmo o que julga possuir". Mt 13,12 e Mt 25,29: "(...) ao que tem dar-se-lhe-á e terá em abundância; mas ao que não tem, ser-lhe-á tirado mesmo o que tem". O sentido é um só: quem tem por ter ouvido bem a Palavra de Deus ou por ter administrado bem os dons recebidos terá a ajuda de Deus para que produza mais; e quem não tem por não ter dado ouvidos à Palavra de Deus ou por não ter usado bem os talentos recebidos perderá tudo. Lições de vida 12-13 - "Região longínqua" ou "país distante", "fazer render as minas" e "até que eu volte" são expressões que indicam uma longa demora até a volta desse chefe de Estado. Isso corrigia nos ouvintes a idéia de que estava próxima a manifestação espetacular do reino definitivo de Deus na terra. Mas a volta de Cristo para o triunfo final do Reino de Deus só acontecerá num longínquo fim dos tempos. Quer dizer, o espaço para desenvolvermos os talentos ou dons de Deus é muito suficiente. 17 e 19 - O prêmio que o homem receberá na outra vida será proporcional ao esforço e ao rendimento que tiver dado aos dons confiados por Deus a cada um neste mundo. Cada dom, qualidade ou capacidade que recebemos é uma tarefa que Deus nos confia e que deve frutificar em dobro durante este tempo de espera até o retorno do Rei. Notemos que nenhuma planta frutífera produz para si mesma; todos os seus frutos são para os que se aproximam dela. Somos uma planta que deve frutificar para o bem dos outros. Não passamos de administradores do que somos e temos. Quem usa bem das graças recebidas merece novos acréscimos da graça; quem delas abusa ou menospreza merece perdê-las. Nossa segurança não consiste em guardar, mas em investir e lucrar. Nessa parábola, o homem que foi buscar o título de rei representa Jesus que, indo ao Pai, recebeu a investidura do Reino de Deus na terra conquistado com sua Paixão, sua Morte e sua Ressurreição. Ele voltará no juízo final para nos dar o que merecemos com o uso dos dons recebidos, as moedas que nos confiou. Os que odiaram o Rei da Eternidade serão banidos do seu reino para sempre.

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CAPÍTULO 19

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Oração Jesus, nós o reconhecemos como nosso rei e único Senhor. Agradecemos por nos ter enviado a valiosa moeda da fé, como tesouro a ser administrado nesta vida. Pedimos sua ajuda para não sermos servos ociosos nem administradores medíocres, mas que possamos dobrar o que recebemos, fazendo tudo que esteja ao nosso alcance para que o Reino de Deus se estenda ao coração de quantos nos cercam. Amém. Lc 19,29-40 Entrada messiânica em Jerusalém (Mt 21,1-11; Mc 11,1-11; Jo 12,12-19)
(29)

Ao chegar perto dos povos de Betfagé e Betânia, na encosta sudeste do monte chamado das Oliveiras, a três quilômetros de Jerusalém, Jesus, contra o seu costume, incentivou uma demonstração pública: mandou dois de seus discípulos à frente com esta ordem:
(30)

- "Vão até o povoado ali adiante, Betfagé. Logo à entrada encontrarão um jumentinho amarrado que ninguém ainda montou. Desprendam-no e tragam-no aqui. (31) Se alguém lhes perguntar por que o soltam, respondam que o Senhor precisa dele". (32) Os enviados foram e encontraram tudo como Jesus predissera-lhes. (33) Enquanto desamarravam o jumentinho, os donos, amigos de Jesus, perguntaram: - "Por que estão soltando o jumentinho?".
(34) (35)

“Porque o Senhor precisa dele", responderam.

Diante do assentimento dos donos, conduziram-no a Jesus. Estenderam os próprios mantos retangulares sobre o jumentinho e ajudaram Jesus a montar. (36) Durante o trajeto, o povo estendia seus mantos no caminho para Jesus passar por cima, imitando o cerimonial de coroação de um rei, como convinha ao Messias (2 Rs 9,13). (37) Ao começarem a descida do lado ocidental do monte, de onde se descortinam a cidade de Jerusalém e o templo em toda a sua magnificência, a multidão dos seguidores prorrompeu em altos brados messiânicos de alegria, louvando a Jesus pelas maravilhas que tinham presenciado. (38) Exclamavam: - "Deus abençoe o rei que vem em nome do Senhor (SI 117 (118), 26). Paz entre o Céu e os homens da terra e glória a Deus nas alturas!" (2,14).
(39)

Alguns fariseus misturados à multidão, revoltados com tanta manifestação de apreço e pretextando perigo de alguma insurreição política, pediram a Jesus que proibisse tudo aquilo: - "Mestre, mande seus discípulos calarem".

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CAPÍTULO 19

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“Eu afirmo a vocês", respondeu Jesus, "se eles se calarem clamarão as pedras!" (Hb 2,11), demonstrando a necessidade de ser reconhecido publicamente como o Messias, embora rejeitado pelos chefes do povo. Questionário 29a - Quantas horas terão andado a partir de Jericó? São uns 30 quilômetros. Andaram umas seis horas. 29b - Que significam as palavras Betfagé e Betânia e quanto distam de Jerusalém? Betfagé é "casa dos figos". Betânia, "casa da tribulação". Distam três quilômetros de Jerusalém. 35 - Cite o versículo do profeta que predisse a montaria do jumento e as aclamações populares. Por que Jesus não preferiu um cavalo? Zac 9,9: "Exulta de alegria, filha de Sião, solta gritos de júbilo, filha de Jerusalém: eis que vem a ti o teu rei, justo e vitorioso. Ele é humilde e vem montado num jumento, no potro de uma jumenta". O cavalo era reservado para a guerra. Como Jesus veio em missão de paz, usa o jumento, animal manso da lavoura e também montaria dos príncipes (Cf. 1Rs 1,32-35). Jesus não quer nem a sombra da violência em sua pessoa. 36 - Que significava estender vestes no caminho de alguém? Fazia parte do cerimonial da coroação de um rei, como temos em 2Rs 9,13 com Jeú. Aqui é uma atitude de reconhecimento de que Jesus é o Messias-rei. 37 - Qual a altitude do monte das Oliveiras? 700 m do nível do mar e 1.180 m acima do Mar Morto. 38 - Jesus havia predito essa aclamação popular. Onde? Lc 13,35. Lições de vida 35 - Zacarias 9,9 predisse um Messias rei, mas humilde, dos pobres, dos simples. Israel esperava-o cheio de glória e majestade. Por isso Jesus não foi reconhecido como Messias pelos chefes da nação e por Judas. É necessário ver também nos humildes a grandeza escondida da pessoa humana. 39 - Os fariseus roíam-se de inveja diante dos aplausos do povo a Jesus. A in veja envilece porque designa a tristeza sentida em vista do bem do outro. Da inveja nascem o ódio, a maledicência, a calúnia, a alegria causada pelo infortúnio do próximo ou o desprazer por sua prosperidade (Cat. Católico no 2. 539). O coração puro se alegra com todo bem de quem quer que seja.

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CAPÍTULO 19

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Oração Senhor, a gente simples o reconheceu como o Messias e seu rei, embora soubesse que os dirigentes da nação o odiavam de morte. Conceda-me a graça e a coragem de manifestar abertamente em todo lugar que o Senhor é meu único rei e único senhor do mundo. Amém. Lc 19,41-44 Chora sobre Jerusalém
(41)

Ao começar a descida ocidental do monte das Oliveiras, Jesus contemplou em frente o panorama da cidade de Jerusalém, e se pôs a chorar em soluços entre as aclamações do povo, vendo que os chefes israelitas não o reconheciam como o Messias, e rejeitavam a paz que lhes oferecia. Disse então:
(42)

- "Ah! Jerusalém! Se ao menos neste último dia, que ainda lhe é dado para a sua salvação, também você reconhecesse a mensagem daquele único que pode trazerlhe a paz verdadeira! Mas isso agora lhe está escondido porque você, traindo o simbolismo de seu nome 'cidade da paz', voluntariamente fechou os olhos à luz de Cristo e caiu na cegueira espiritual! (43) Portanto, dias virão em que os inimigos irão cercá-la de trincheiras, rodeá-la e apertá-la de todos os lados. (44) Deitarão por terra a você e a todos os seus moradores (Jr 14,17). Não deixarão em você pedra sobre pedra, porque você não quis reconhecer o tempo da graça quando Deus a visitou pelo Messias. Assim você recusou as ofertas de salvação!". Lc 19,45-48 Purifica o templo profanado (Mt 21,12-13; Mc 11,15-17; Jo 2,13-22)
(45)

No dia seguinte (Mc 11,12) Jesus entrou no pátio externo do templo reservado aos pagãos simpatizantes; entrou como quem entra em sua casa, e começou a expulsar com santa indignação os que ali vendiam e compravam (Zc 14,21). (46) E disse-lhes: - "Minha casa será casa de oração (Is 56,7d); vocês, porém, fazem dela um refúgio de ladrões!" (Jr 7,11).
(47)

E todos os dias ensinava no templo. As autoridades judaicas, isto é, os chefes dos sacerdotes, os escribas ou professores da Lei, e os chefes do povo ou nobreza leiga, esses todos que formavam o judaísmo oficial, toleravam facilmente esse comércio, porque dele auferiam vultoso lucro; sumamente irritados com a atitude de Jesus, procuravam um meio de matá-lo. (48) Não achavam, porém, o modo de fazê-lo

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CAPÍTULO 19

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porque temiam o entusiasmo de todo o povo que acorria para ouvi-lo profundamente encantado. Questionário 41 - A razão desse choro é só a futura destruição de Jerusalém? Jesus também sente profunda mágoa por não ser reconhecido como Messias pelos chefes judeus, que, assim, recusam a paz que ele lhes oferece, a qual, se aceita, salvaria a todos da ruína. A fé em Jesus e sua doutrina foram rejeitadas, e a cidade, pondo-se fora do amparo de Deus, ficará inteiramente destruída. 42 - Lucas e Mateus já trouxeram outra lamentação de Jesus sobre Jerusalém. Onde? Lc 13,34-35; Mt 23,37-39. 44 - Quando se cumpriu essa profecia? Jerusalém ficou quase três anos cercada de trincheiras pelo exército romano comandado por Tito no ano 70, menos de 40 anos após a profecia. Milhares de judeus morreram de fome. Flávio Josefo, em Guerra Judaica, diz que chegaram a comer carne humana até dos próprios filhos. Do templo não ficou pedra sobre pedra até hoje. Essa destruição selou o endurecimento do judaísmo. 46 - Encontre no Antigo Testamento essa citação de Jesus. Is 56,7d: "Minha casa chamar-se-á Casa de Oração para todos os povos"; e Jr 7,11: "É por acaso a vossos olhos uma caverna de bandidos esta casa em que meu nome foi invocado?". 47 - Por que as autoridades se revoltaram contra Jesus na expulsão dos vendilhões? Em primeiro lugar, porque elas tiravam pingues lucros desse comércio; em segundo, porque foram atingidas em cheio pela sentença de Jesus: "vocês fizeram dela uma caverna de ladrões". Lições de vida 41 - Cidadão judeu, Jesus se entristece pela ruína de sua pátria e chora. As lágrimas são o último convite ao arrependimento. 42 - É terrível o efeito da obstinação no mal! Até o poder de Deus encontra aí resistência e limites. Jesus leva tão a sério a livre decisão dos homens que prefere chorar impotente a lhes tirar a liberdade. Quem se fechou à Palavra de Cristo caiu na cegueira espiritual que torna irrealizável a oferta da salvação porque deixa passar o prazo da graça! (Jr 15,6; Lc 7,30). 44 - Juliano Apóstata, em 372, pretendia reconstruir o templo de Jerusalém para mostrar a ineficácia da profecia de Jesus. Começou revolvendo todos os alicerces e desistiu do intento. Deu assim o mais cabal cumprimento à previsão de Jesus. Muitas vezes Deus parece brincar com quem o desafia.

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CAPÍTULO 19

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45 - Talvez cheguemos a imitar os mercadores expulsos do templo. É quando vamos à oração, à missa com a cabeça tão carregada de distrações colhidas na TV, de notícias dos jornais, de tudo o que tumultua o nosso cérebro e esvazia o nosso recolhimento, que não sabemos sequer qual foi o Evangelho do dia. Se Jesus estivesse aí, quereria purificar a oração da comunidade convidando-nos a sair. Somos mais sagrados que o grande templo de Jerusalém; cumpre-nos trazer o nosso corpo como templo vivo da Santíssima Trindade (1Cor 3,16; 6,19). Oração Perdão, Senhor, pelas vezes que vos magoei e por aqueles que ainda hoje não vos reconhecem como o Salvador e único mensageiro da paz. Dai-me a graça de nunca me fechar à vossa Palavra, mas ser bem sensível às visitas ou apelos vossos quando bateis à porta do meu coração. Daime a graça da oração fervorosa, que nenhuma preocupação possa perturbar. Ensinai-me a fazer do nosso templo o lugar do encontro convosco e o centro espiritual da comunidade. Amém.

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Lc 20,1-8 Polêmica sobre a autoridade de Jesus (Mt 21,23-27; Mc 11,27-33)

(1)

No dia seguinte à expulsão dos mercadores, ele ensinava o Evangelho da salvação ao povo no templo. Chegaram a ele chefes dos sacerdotes, escribas ou professores da Lei e a nobreza leiga, os chefes do povo, quer dizer, os membros do Sinédrio, que é o senado do povo e supremo tribunal. Essa classe dirigente do judaísmo gozava de legítima autoridade sobre tudo o que se passava no templo (Jo 1,19-22; At 4,5-7). (2) Vieram para lhe perguntar, com segundas intenções: - "Que autoridade o senhor tem para fazer o que fez ontem, expulsando essa gente do templo, ensinando aqui, no lugar sagrado, uma doutrina nova, sem ter freqüentado a escola dos escribas (Mc 1 ,22) e permitindo que o povo exaltado o aclame Messias? Melhor dizendo: quem lhe deu essa autoridade?".
(3)

Ele habilmente devolveu-lhes a responsabilidade da resposta, que, se fosse sincera, poderia abri-los à reflexão e à conversão. Disse: - "Também eu vou fazer-lhes uma pergunta. Respondam-me vocês que são do grande conselho: (4) Quem deu a João Batista autoridade para batizar? Deus ou os homens?".
(5)

A resposta correta a essa pergunta resolveria a questão que agora se lhes tornara incômoda, pois, como João falava com autoridade vinda claramente de Deus, também de Deus era a de Jesus, uma vez que João dirigia para ele seus discípulos. Embaraçados porque não buscavam a verdade, mas a si mesmos, puseram-se a raciocinar entre si desta maneira: - "se respondermos que o batismo de João foi mandado por Deus, ele dirá: - 'por que então vocês tomaram posição contra Deus não crendo em João que me preparou o caminho?'. (6) Se dissermos que foi autorizado pelos homens, corremos o risco de provocar a cólera de todo o povo que nos apedrejará como blasfemos, porque todos estão convictos de que João é um profeta de Deus". (7) E, humilhados por terem de passar por ignorantes em questão de tamanha importância que os fazia perder a autoridade de ensinar ao povo, responderam que não sabiam! (8) Jesus, por sua vez, disse-lhes: "Nem eu lhes digo com que autoridade faço essas coisas!".

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CAPÍTULO 20

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Lc 20,9-19 Alegoria dos la vradores homicidas (Mt 21,33-46; Mc 12,1-12)
(9)

Jesus voltou-se para o povo e narrou-lhes a seguinte alegoria para mostrar como são cegos, voluntariosos e malévolos os chefes religiosos da nação. Alegoria, porque todos os elementos têm significado particular. - "Um homem fez uma plantação de videiras, arrendou-a a lavradores e partiu para um país distante por muito tempo, porque confiava plenamente neles. (10) Na época da colheita, enviou um empregado para receber a parte que lhe cabia do produto da vinha. Mas os lavradores espancaram-no e mandaram-no de volta de mãos vazias. (11) Mandou outro empregado. A este também espancaram, insultaram e despediram de mãos vazias. (12) Enviou ainda um terceiro empregado, a quem, pior ainda, feriram com violência e expulsaram para fora das terras. (13) Por fim, o dono da vinha, com suma benevolência, pensou: 'que posso fazer a mais em favor desses rebeldes?... Já sei! Vou mandar-lhes meu filho querido e único. Com certeza assim eles voltarão à razão e respeitarão ao menos meu filho'. (14) No entanto, quando o viram, os lavradores fanatizados com cegueira absurda combinaram entre si: - 'esse é o filho do patrão e herdeiro único; o pai não veio porque terá morrido, e ele agora vem para tomar posse das terras. Vamos matá-lo para que a herança seja nossa, uma vez que já estamos ocupando a propriedade'. (15) Arrastaram-no para fora dos muros da vinha e pela mão de estranhos o mataram (Hb 13,12). Que atitude tomará o dono da vinha? (16) Sem dúvida, voltará às suas terras, exterminará esses lavradores, e arrendará a vinha a outros". Os que estavam ouvindo disseram: "Deus nos livre! Isso não pode acontecer conosco!".
(17)

Mas Jesus fixou neles todos o olhar, e disse:

- "Que significa então esta passagem da escritura (SI 118,22): 'A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra principal do edifício'? (18) Todo aquele que se chocar de encontro a esta pedra agindo contra ela (2,34; 1Pd 2,8) arruinar-se-á. E sobre quem esta pedra cair pelo julgamento final ficará aniquilado" (Is 8,14-15).
(19)

Com exceção da nobreza leiga, ouvindo isso, os professores da Lei e os chefes dos sacerdotes, inimigos mortais de Jesus, quiseram, pela quarta vez, prendê-lo na mesma hora, porque entenderam que haviam sido visados nessa alegoria. Mas foram impedidos por medo do povo, que tinha Jesus em grande estima e veneração. Questionário 2 - Que entendiam dizendo "essas coisas" no texto oficial? Referiam-se ao ensinamento no templo sem autorização deles, à expulsão dos mercadores e à permissão de ser aclamado Messias.

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4 - Perceb e o que está sub entendido nessa pergunta de Jesus? Aparentemente Jesus fugiu da questão, mas é o contrário: queria obrigá-los, se fossem sinceros, a eles mesmos solucionarem a falsa dúvida, porque os milagres de Jesus e o testemunho pessoal do Batista mostravam claramente a ação de Deus. Então, subentende-se na pergunta: se a autoridade de João vinha de Deus, muito mais a de Jesus, de quem João preparou o caminho e a quem encaminhou seus discípulos. 9-18 - Alegorizando a narração: o que representam ou de que são imagens a vinha, o dono, os lavradores, os mensageiros, os frutos da videira, o filho arrastado para fora, o castigo, os outros lavradores? Conforme Is 5,1-7, a vinha é Israel, o povo de Deus; o proprietário é Deus; os lavradores são os chefes políticos e religiosos do povo; os mensageiros são os profetas; os frutos da videira são as boas obras; o filho é Jesus, que foi morto fora dos muros de Jerusalém nas mãos de pagãos; o castigo é a ruína da nação; outros lavradores são os povos pagãos que abraçaram o cristianismo, somos nós que, descendentes de infiéis, formamos hoje o novo povo de Deus, o novo Israel, a quem passou o direito sobre a herança espiritual do povo hebraico. 10-13 - Fale da longanimidade de Deus. Impressionante e incalculável essa longanimidade que não cabe no homem, mas só em Deus! A paciência desse senhor da vinha nos surpreende. Deus vai sempre suportando o mal, os erros, os pecados cometidos pelos seus servos, dando-lhes tempo para voltar à razão! E continua mandando-lhes, em todos os tempos, profetas, mensageiros, apóstolos, santos para induzi-los ao arrependimento e à volta ao bom caminho. Até suporta que esses seus enviados sejam maltratados, perseguidos, mortos (13,34). Por fim, enviou seu próprio Filho querido (Mc 12,5; Hb 1,2) como derradeira e extraordinária oferta de salvação (Jo 6,39; 1 Tm 2,4). Deus não quer o castigo, mas às vezes, como pai que pune um filho a contragosto, é constrangido a castigar como último recurso para salvar. Os castigos narrados na Bíblia são todos provocados pelo homem obstinado no mal. Deus faz dos castigos medicina. 17a - Onde se encontra essa passagem b íb lica? E quem é essa pedra? SI 118,22: "a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular". A pedra é o Messias, Jesus Cristo. (Cf. Is 28,16) 17b - Que vem a ser pedra angular? As pedras de tamanho maior eram usadas para reforçar os ângulos do edifício onde se apoiavam duas paredes. Daí o nome de angulares ou principais. A palavra original no grego empregada por Lucas pode significar a pedra angular no fundamento da construção ou a pedra de cumeeira no fecho da abóbada coroando o edifício. Em Ef 2,20, Paulo apresenta os cristãos como edifícios sobre o alicerce dos apóstolos e dos profetas, com Cristo por "pedra angular", colocado como pedra de fecho. E Is 28,16 diz: - "coloquei em Sião uma pedra escolhida, uma pedra angular preciosa, de base", com o Messias sendo visto como o fundamento do novo edifício messiânico, a pedra do ângulo das duas paredes de judeus e pagãos convertidos.

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17c - Tornou-se a pedra principal de que edifício? Do cristianismo, da Igreja cristã que deve estender-se e unir todos os povos como uma só família. 18 - Os líderes judeus entenderam que aqui se fala da reprovação deles por rejeitarem Cristo. Tal rejeição será definitiva? Não. Conforme Rm 11,25b-26a, "uma parte de Israel caiu na cegueira até que tenha entrado [no cristianismo] a totalidade das nações pagãs. Então todo Israel será salvo!". Lições de vida 1 - Jesus pregava no templo o Evangelho da salvação. Ele supera os profetas que anunciavam a salvação como realidade futura. Jesus é a consumação das grandes promessas do passado. 14 - Rejeitando Jesus, os adversários decidiram a própria condenação e a perda do seu poder sobre o povo de Deus, do qual se acreditavam proprietários. Hoje e sempre, viver sem Deus é decretar a própria ruína. 15 - Jesus predissera só aos apóstolos a própria condenação à morte. Agora a prediz ao povo, embora ainda meio velada na alegoria. O pensamento da própria morte é salutar: inclina o homem a se desprender dos falsos valores do mundo. Oração Senhor, quereis que todo ser humano se converta e viva, e o tratais com suma benevolência não obstante nossas infidelidades ao vosso amor de Pai. Tantas vezes suportastes por dias, meses e anos nossas ingratidões mais indesculpáveis, sem nos punir quando o merecíamos. Isso porque só sabeis amar. Ensinai-nos a generosidade, a amar e servir, buscando só a vossa glória sem vistas interesseiras. Amém. Lc 20,20-26 O tributo a César (Mt, 22-15-22; Mc 12,13-17)
(20)

A partir daquela hora puseram-se eles a vigiar Jesus em todos os seus passos. Contrataram espiões que se fingissem homens íntegros; deviam apanhá-lo em alguma palavra ou gesto comprometedores que justificassem prendê-lo e entregá-lo ao poder e à autoridade do governador, Pôncio Pilatos (anos 26 - 36), como rebelde, para ser condenado à morte. (21) Estes, com indisfarçável e falsa lisonja, interrogaram-no sobre um caso de consciência, que na realidade era uma cilada preparada com muita astúcia:

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- "Mestre, sabemos que o Senhor fala e ensina a pura verdade; e, sem levar em conta a alta posição das pessoas, mostra realmente o caminho de Deus, isto é, a conduta moral que Deus exige (Pr 8,8-9). (22) Ora, nós temos um problema ético; pedimos que o Senhor o resolva: nós, judeus, somos obrigados ou não a pagar imposto ao César de Roma?".
(23)

Estavam certos de que o Mestre não escaparia dessa. Mas Jesus, percebendo a má intenção deles, faz a cilada voltar-se contra seus autores, e diz:
(24)

"Mostrem-me a moeda do imposto. De quem são esta figura e o nome inscrito na moeda?". - "De Tibério César" (anos 14 a 37), responderam. "Pois na moeda se lê: 'Tibério César filho do divino Augusto'".
(25)

Jesus então concluiu com determinação:

- "Dêem portanto a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus! Quero dizer, sejam fiéis aos deveres civis para com os homens, e aos deveres religiosos para com Deus, que é senhor de todos os poderes. O pagamento do imposto está na lógica desses deveres".
(26)

E os espiões não foram capazes de comprometer Jesus diante do povo. Antes, eles próprios se impressionaram com resposta tão sábia, e calaram a boca porque, conforme ensinavam os rabinos, pelo fato de usarem a moeda romana, implicitamente admitiam a submissão ao imperador com seu sistema econômico. Questionário 22 - Mostre o risco que essa pergunta insidiosa oferecia. Antes do risco, a má-fé, pois os interlocutores não se preocupavam com a resposta certa a problema de tão grande atualidade para a povo. Se Jesus respondesse "não", iria ser denunciado às autoridades romanas como contrário aos interesses do imperador, e partidário dos zelotes, para os quais não pagar o imposto era um dever religioso, e pagá-lo equivaleria a reconhecer os direitos de dominação romana pagã sobre o povo de Deus. Se Jesus respondesse "sim", atrairia a cólera do povo que detestava esse imposto como sinal de sujeição política. (L'Eplattenier) 24 - Que inscrição trazia a moeda? Alois Stöger transmite-nos essa inscrição do texto, enquanto Marco Sales traz: "Augustus Tiberius César". 25 - Desenvolva um pouco essa sáb ia sentença de Jesus. Jesus aqui mostra que temos deveres em relação à Igreja e ao Estado, à fé e à política. Se na moeda a efígie de César lhe dá direitos da posse, nós, que somos feitos à imagem e à semelhança de Deus, não podemos negar nossa radical dependência dele como criaturas e como filhos adotivos. São Paulo em Rm 13,1-2 manda-nos considerar as autoridades como representantes de Deus; e em 13,7 a pagar impostos. São Pedro em 1Pd 2,13. 16 exorta-nos: "sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor... usando a liberdade não como cobertura para o mal, mas como servos de Deus". É dever dos cidadãos colaborar com os
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poderes civis. O amor e o serviço da pátria fazem parte do dever religioso, 1Tm 2,2 nos faz orar pelas autoridades. E estas devem exercer a justiça distributiva com sabedoria, levando em conta os direitos e necessidades de cada um, pois o exercício dos direitos políticos está destinado ao bem comum (Catec. da Igr. Cat., 2234-2246). Lições de vida 25 - Esse pronunciamento de Jesus é uma desmistificação da concepção romana contemporânea que identificava o imperador com um deus. Chamavam-no "divus Augustus", o divino Augusto. Ao mesmo tempo, Jesus mostra-se leal com as autoridades romanas, mas deixa aberta a questão da legitimidade da dominação estrangeira. No processo contra Jesus, seus adversários foram falsos ao depor: "encontramos este homem... proibindo pagar tributo a César" (23,2). Não podemos dar a Deus o que é de Deus em separado do dar a César o que é de César, porque Igreja e Estado são dois poderes autônomos que se completam em busca do bem comum. Oração Senhor, que saibamos dar a César o que é de César; ver as legítimas autoridades como representantes vossos; colaborar lealmente com toda promoção humana; combater o que ofende a justiça ou a dignidade da pessoa; respeitar as leis estabelecidas, desde que não contrariem a lei natural ou divina e as exigências da ordem moral. Mas que, acima de tudo, Senhor, saibamos dar a Deus o que é de Deus, amar-vos e servir-vos por serdes a plenitude do Ser e de toda perfeição. Amém. Lc 20,27-40 Ressurreição (Mt 22,23-33; Mc 12,18-27)
(27)

A classe aristocrática religioso-política dos saduceus nega a ressurreição dos mortos. Alguns deles aproximaram-se de Jesus com uma história levada ao absurdo na intenção de criar-lhe um embaraço sem saída. Forjaram uma questão religiosa, hipotética e grotesca para ridicularizar a ressurreição pregada por Jesus. (28) E propuseram-lhe que a resolvesse: - "Mestre, Moisés em Dt 25,5-6 prescreve a Lei do Levirato, segundo a qual, se irmãos morarem juntos sendo um casado e este morrer sem filhos, o outro irmão casar-se-á com a viúva, sua cunhada, para dar descendência ao falecido, cujo nome não deve apagar-se de Israel; o primogênito varão que tiverem trará o nome do falecido e será considerado legalmente filho dele. (29) Ora, havia entre nós uma

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família de sete irmãos. O primeiro casou-se e morreu sem filhos. (30) O segundo casou-se com a viúva e também morreu sem descendente. (31) O terceiro também se casou com a viúva, e o mesmo aconteceu com os sete, que se casaram com a viúva e morreram sem filhos. (32) Por fim, morreu também a mulher. (33) E agora, se existir ressurreição final, ficamos com um caso jurídico insolúvel: de qual dos sete ela será mulher, uma vez que os sete a tiveram por esposa?".
(34)

Jesus respondeu-lhes:

- "Os homens se casam e as mulheres são dadas em casamento só neste mundo, porque o matrimônio é destinado à conservação da espécie humana, que, do contrário, se extinguiria com a morte. (35) Mas os que, por dom gratuito de Deus, forem considerados dignos de ressuscitar dos mortos e viver na eternidade, nem eles se casarão nem elas serão dadas em casamento, (36) de ve z que não poderão mais morrer e a imortalidade dispensa a propagação da espécie, pois não estão mais sujeitos às limitações da matéria. Serão elevados a um modo de ser semelhante ao dos Anjos, porque ressuscitarão não incorpóreos, o que destruiria o conceito de ressurreição, mas com um novo corpo espiritual (1Cor 15,44) livre dos instintos e das necessidades físicas; serão filhos de Deus porque a ressurreição torná-los-á semelhantes ao modo de ser divino. (37) Ora, que os mortos ressuscitarão, o próprio Moisés o aprendeu naquele episódio do arbusto que ardia sem se consumir quando Deus se apresentou, assim: '- Eu sou o Deus de Abraão... o Deus de Isaac, o Deus de Jacó' (Ex 3,6), significando que esses patriarcas continuam vivos no espírito e imortais diante dele. Não fosse assim, teria dito: eu fui o Deus de Abraão... (38) Então Deus não é Deus dos que a morte poderia ter aniquilado, mas dos que continuam com vida melhorada, pois todos para Deus estão vi vos pelo espírito. E a imortalidade da alma exige a ressurreição do corpo para que o homem seja completo segundo a sua natureza".
(39)

Alguns escribas, ou seja, professores da Lei, na maioria fariseus que crêem na ressurreição, satisfeitos por verem desqualificada publicamente a seita oposta dos saduceus, tomaram a palavra só para dizer: - "Apoiado, Mestre, o Senhor respondeu maravilhosamente bem!".
(40)

E desde então, não mais se atreviam a tentar confundi-lo com perguntas capciosas sobre qualquer assunto. Questionário 28 - Coloque mais clara a Lei do Levirato. Dt 25,5-6: "Se irmãos morarem juntos e um deles morrer sem filhos varões, outro irmão se casará com a viúva, sua cunhada; o primogênito varão que nascer usará o nome do falecido e será considerado, diante da Lei, filho dele, cujo nome não deve se apagar de Israel". Em latim "levir" é cunhado. Essa lei visava garantir a conservação da família e dos bens patrimoniais. Desaparecer o nome de um homem por falta de descendência era a maior infâmia possível. (Cf. Gn 38,6-8; 1Cr 23,2122)

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36 - Quais as qualidades do corpo ressuscitado? Imortalidade (v. 36). Integridade (o homem corpo e alma). Impassibilidade (Ap 7,16-17; 21,4). Sutileza (Jo 20,19. 26). Agilidade como o pensamento. Esplendor (Mt 13,43; 17,2; 1Cor 15,40-42). Imponderabilidade. 37a - Para provar a ressurreição, Jesus só citou Moisés, a quem se atribui o Pentateuco. Por quê? Porque os que fizeram a pergunta eram saduceus, materialistas, os quais só aceitavam como Palavra Sagrada o Pentateuco. Excluíam os outros livros da Escritura e a tradição dos antigos. 37b - Cite alguma outra passagem do Antigo Testamento sob re a ressurreição. 2Mc 7,9. 11. 14. 29; Dn 12,2-3; Os 13,14. Inúmeras no Novo Testamento. Lições de vida 35 - Esse versículo não pode ser interpretado no sentido de que só os justos ressuscitarão. Aqui Jesus conduz o pensamento somente para os que alcançarão a vida eterna, sem referência aos maus. Todos ressuscitarão, conforme Jo 5,29: "os justos ressuscitarão para a Vida, e os que tiverem praticado o mal hão de ressuscitar para a condenação". Atos 24,15 o confirma. 37 - A morte é realidade inevitável que amedronta o homem feito para viver. Mas o cristão sabe que, para além da morte, inicia-se a vida plena e perfeita. Vida nova isenta de qualquer espécie de mal. Lá estaremos eternamente ocupados em descobrir a infinitude de Deus sem agitação, sem dor, sem doença, sem desarmonias, sem lágrimas, embora estejamos com corpo e alma. Corpo renovado, espiritualizado, livre das limitações da matéria. É o mistério da ressurreição da carne no fim dos tempos. Nos funerais choramos o que chamamos perda de um ente querido, sem pensar que só agora ele vive plenamente; os outros estamos nos preparando. Na morte caberia mais a festa do que o luto. Santa Terezinha escreveu: "Eu não morro; entro na Vida!". Oração Senhor, sabemos que "Deus não é o autor da morte porque nos criou para a imortalidade" (Sb 1,13-14) e que "o último inimigo a ser destruído será a morte" (1Cor 15,26). Obrigado, meu Deus, porque, pela ressurreição de Jesus, nos ressuscitareis para a vida definitiva em vós. Ressuscitai hoje, Senhor, as sementes do bem que o Pai depositou em nós ao criar-nos, para que vivamos alegremente o mistério pascal em que fomos enxertados pelo batismo. Amém.

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CAPÍTULO 20

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Lc 20,41-44 Jesus, o Deus de Davi (Mt 22,41-46; Mc 12,35-37)
(41)

Em seguida, para fazer calar os fariseus e mostrar-lhes que tinham do Messias um conhecimento muito imperfeito, Jesus desafiou-os perguntando: - "Como podem dizer que o Messias é um simples descendente de Davi? (42) Pois o próprio Davi declarou no livro dos Salmos: 'o Senhor, Deus Pai, disse a meu Senhor, o Cristo: sente-se aqui à minha direita, igual a mim, com todo o poder sobre o mundo, (43) até que eu ponha seus inimigos debaixo de seus pés, plenamente subjugados' (SI 110 (109), 1). (44) Ora, se Davi viu em Cristo o seu Senhor, o seu Deus, nesse passo da Escritura que vocês reconhecem, como poderia o Messias ser apenas um descendente de Davi? Não é ele mais do que homem? Seu Reino não se estende além das fronteiras dos impérios humanos?". Mas ninguém respondeu. Lc 20,45-47 Orgulho, cobiça e hipocrisia dos fariseus (Mt 23,1-7; Mc 12,38-40; Lc 11,43)
(45)

Todo o povo estava atento ao que Jesus dizia. Voltou-se ele para os discípulos e advertiu-os: (46) "Tomem cuidado com os escribas, professores da Lei, que sentem prazer em andar publicamente com roupas vistosas; gostam que o povo os reverencie com inclinações pelas ruas; procuram os assentos mais importantes nas sinagogas e os primeiros lugares nos banquetes; (47) exploram os bens das viúvas disfarçando com longas orações. Por tudo isso, eles receberão castigo mais severo". Questionário 42 - Que significa "sentar-se à direita de Deus Pai"? É possuir o mesmo poder sobre o mundo, com a glória e a honra divinas como o Pai, deixando entender que o Messias tem, além da filiação humana, também a divina; que é Deus também. 43 - Quais seriam esses "inimigos" de Deus? Pisar literalmente sobre os inimigos vencidos como sinal de estarem subjugados plenamente era costume dos vencedores na guerra. Paulo, em 1Cor 15,26, diz que "o último inimigo a ser destruído será a morte". Donde se deduz que inimigos de Cristo não são apenas os que o renegaram obstinadamente, senão também o pecado, o mal, a dor, a morte, o demônio.

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CAPÍTULO 20

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44a - Diante do supremo trib unal judeu, o Sinédrio, Jesus declarou-se abertamente o Cristo, isto é, o Messias. Encontre essa passagem em Mt 26 e Mc 14. Mt 6,63-64: "O sumo sacerdote perguntou-lhe: 'intimo-o pelo Deus vivo a nos dizer se é o Cristo, o Filho de Deus'. Jesus respondeu-lhe: 'É como está dizendo. E eu lhes digo que verão um dia o Filho do Homem sentado à direita de Deus e vindo sobre as nuvens do céu!'". Mc 14,61-62 traz a mesma declaração. 44b - Quantas naturezas há em Jesus? E quantas pessoas? A pergunta feita por Jesus aos fariseus neste v. 44 re vela que sua pessoa tem dupla natureza. Como descendente de Davi, a natureza humana recebida na sua Encarnação no ventre de Maria; como Senhor de Davi, ele possui a natureza divina, gerado no seio do Pai desde toda a eternidade (Rm 1,3-4; At 2,29-36; Ap 19,16). "Consubstancial ao Pai segundo a divindade; consubstancial a nós segundo a humanidade" (Cat. dalgr. Cat. Nº 467). "Ele tinha a condição divina... igual a Deus" (Fl 2,6). As duas naturezas de Cristo, cada uma com suas propriedades específicas, estão unidas numa única pessoa do Verbo feito Carne (Cat. da Igr. Cat. no 467). Lições de vida 42 - Jesus demonstrou-se Deus principalmente ressuscitando e 40 dias depois mandando a 3a Pessoa da Santíssima Trindade, o Espírito Santo, à primeira comunidade da sua Igreja (At 2,32-33). Hoje e sempre, é Jesus que nos pode dar esse Dom supremo de Deus, se lhe abrirmos o coração. 44 - Jesus não é, como esperavam, o fundador de um reino nacionalista revanchista; ele é o restaurador da verdadeira realeza sobre o povo de Deus. Seu reinado estende-se na consciência dos que, crendo nele, lhe entregam o coração. Diante do tribunal judeu, Jesus não teve medo de confessar-se o Messias, mesmo sabendo que isso lhe acarretaria a morte de cruz. Não sou autêntico discípulo dele se eu recear identificar-me como cristão convicto diante do mundo indiferente ou avesso a Cristo. Oração Dou-lhe graças, Senhor, por eu o conhecer mais que muitos dos seus contemporâneos que o viram e ouviram. Dou-lhe graças porque, como Davi, reconheço-lhe a soberania divina e tenho imenso prazer em chamá-lo não somente Senhor, mas meu Senhor. Peço a graça de tê-lo no coração como único Senhor e único tesouro da vida. Ajude-me a libertar-me do orgulho, da cobiça e da hipocrisia, grandes obstáculos para que reineis em mim. Amém.

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CAPÍTULO 21 Lc 21,1-4 A oferta da viúva (Mc 12,41-44)
(1)

No pátio das mulheres, em frente ao átrio do tesouro do templo, havia três cofres em formato de trombeta, destinados às ofertas legais e espontâneas dos fiéis. Cada cofre com uma finalidade específica. A dádiva era apresentada ao sacerdote em função, o qual, conferido o montante, indicava em qual recipiente devia ser depositada. Jesus se pôs a observar e viu ricos depositando consideráveis ofertas. (2) Viu também uma viúva pobre dando apenas dois leptos, que eram a menor moeda grega do valor de dois centavos. (3) Então ele disse a seus discípulos: - "Com toda verdade eu afirmo a vocês: esta pobre viúva depositou mais do que todos, (4) porque os outros deram parte daquilo que lhes sobrava; mas ela, que está vi vendo em penúria, podia ter reservado para si ao menos uma das moedas; no entanto, deu as duas: tudo o que possuía para a sua subsistência!". Questionário 2 - Que moedas eram essas? Eram dois leptos; a menor moeda grega de bronze, equivalente ao centavo brasileiro. As duas moedas juntas eram a 4a parte de um denário, isto é, do salário comum de um dia de trabalho. 3 - Em que sentido essa viúva ofertou mais que todos? O sacrifício feito por ela é sem dúvida maior que o feito pelos que tinham de sobra. Deus mede o mérito da oferta não pelo valor econômico, mas pelo tanto que custa ao doador. Assim, um gesto insignificante, mas feito com grande amor, vale mais aos olhos de Deus do que uma grande coisa feita com pouco ou nenhum amor. Uma pessoa simples e de ínfimo valor social pode interiormente valer mais do que outra de grande projeção. Só na eternidade é que veremos o valor real de cada um de nós. Lições de vida 2 - Os que confiam em Deus de maneira total, como essa viúva, nunca serão desiludidos. A viú va era o tipo do ser fraco e explorado de então na sociedade (20,47); aqui ela foi capaz de uma generosidade ímpar porque deu prioridade ao serviço de Deus contando inteiramente com a providência e a solicitude do Pai (12,22. 31). Ela confia mais em Deus do que no pouco que ela tem. Deus mede a oferta pelo coração de quem dá. A oferta mais valiosa é a que mais custa. Mas não caiamos no erro de julgar sem valor a oferta do que não nos custe. Privar-se do que

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CAPÍTULO 21

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sobra também tem valor, pois é sempre uma renúncia que revela consideração para com Deus. Convém lembrar que não temos somente bens materiais para oferecer. Nossas capacidades, nossas aptidões, nosso tempo são capital para investir em favor dos outros. Jesus procura pessoas que, como ele, se doem, porque quem se doa deu tudo, por pequeno que seja. Oração Senhor, que eu saiba doar do que tenho e do que sou, para que eu descubra o prazer de dar e sinta que é dando que se recebe, e para que eu compreenda mais o Senhor, que tudo nos deu gratuitamente e se entregou sem reservas por nós. Que eu saiba perder tempo quando se trata de ouvir alguém me abrindo um coração ferido ou desesperançado. Que eu não conheça a indiferença diante da dor alheia. Amém. Lc 21,5-7 Anuncia a ruína de Jerusalém (Mt 24,1-3; Mc 13,1-4)
(5)

Alguns apóstolos chamaram a atenção do Mestre para a maravilhosa arquitetura do templo, para a beleza das pedras de mármore branco de que era feito e para os ricos ornamentos ofertados. Jesus disse-lhes:
(6)

- "Chegará o dia em que tudo o que vocês estão admirando será demolido, não ficando pedra sobre pedra!".
(7)

Perguntaram-lhe então:

- "Mestre, quando acontecerá isso e que sinal indicará que essa destruição estará começando?" (Cf. 17,20) Lc 21,8-19 Sinais precursores. Perseguição aos discípulos em todos os tempos (Mt 24,4-24; Mc 13,5-13)
(8)

Respondeu ele:

- "Não lhes digo quando, mas que fiquem atentos para não serem enganados por ninguém. Porque muitos falsos profetas aparecerão em meu nome dizendo: '- Sou eu o Cristo salvador esperado!'; e ainda: '- O tempo está chegando!'. Vocês não os sigam. (9) Não se perturbem ao ouvir falar de guerras ou revoluções. É necessário que em todos os tempos aconteçam essas convulsões, mas não será ainda o fim".

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(10)

E Jesus continuou:

- "Uma nação levantar-se-á em guerra contra outra, um reino contra outro. (11) Haverá grandes terremotos, fomes e epidemias em muitos lugares. Aparecerão fenômenos impressionantes e grandes sinais no firmamento. (12) Mas antes que tudo isso aconteça, vocês serão perseguidos, serão arrastados às sinagogas para serem julgados e flagelados, e às prisões; serão conduzidos diante de reis e governadores pelo único motivo de pregarem meu nome como salvação. (13) Entendam bem: essa será boa oportunidade para vocês anunciarem meu Evangelho dando testemunho de mim. (14) Guardem no coração este conselho: não se preocupem com sua defesa, (15) porque eu mesmo inspirarei as palavras certas e a sabedoria às quais nenhum de seus adversários poderá rebater ou negar. (16) Vocês serão traídos até por seus pais, irmãos, parentes e amigos; alguns de vocês serão mortos. (17) Por serem meus discípulos, serão odiados por todos. (18) Mas confiem na providência divina: nada ficará perdido definitivamente para vocês, nem um só cabelo de sua cabeça: a vida que lhes tirarem será restituída bem melhorada na eternidade onde os bens de que os despojaram serão devolvidos centuplicadamente. (19) Se nos sofrimentos vocês perseverarem firmes no meu amor, garantirão a vida eterna, e a morte não será mais do que breve passagem da vida terrena para a vida com Deus (Mt 10,22)". Questionário 5 - Conhece algum ob jeto ofertado para adorno do templo? O mais célebre, segundo Flávio Josefo, em Guerra Judaica, v. 5,4, era o ramo de videira de ouro maciço, cujos grãos tinham a altura de uma pessoa, oferta de Herodes Magno, que, em 19 a.C., empreendeu sua reforma, sua ampliação e seu enriquecimento. 6 - Quando aconteceu isso? No ano 70, quando Tito, romano, arrasou Jerusalém e destruiu o templo. 8 - Conhece alguns desses pseudomessias? Em 44-46, Teudas (At 5,36); Judas Galileu (At 5,37); Simão Mago (At 8,9); Élimas Mago (At 13,8); o Egípcio Barboquebas de At 21,38. (Cf. 2Cor 11,12-13) 10 - Em que ano começou a guerra judaica terminada em 70? Começou no ano 66. 11 - Sab e de algum fenômeno aparecido antes da destruição de Jerusalém? (Cf. Jr 52) Flávio Josefo, em Guerra Judaica, v. 15,3, atesta que durante o ano 66 apareceu um cometa em forma de espada sobre Jerusalém; viam-se figuras de carros armados nas nuvens, e, no templo, uma voz gritando: "fujamos daqui". 16 - Cite alguns discípulos de Jesus mortos antes do ano 70. O primeiro foi o diácono S. Estevão (At 7,54-60); em 62, Tiago (At 12,1-2); Pedro e Paulo foram mortos em Roma no ano 67, durante a perseguição de Nero (Eusébio de Cesaréia, 1º historiador da Igreja, em História Eclesiástica 3,1).

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18 - Que significa "não se perderá um cabelo"? Mata vam, sim, os cristãos, cortavam-lhes a cabeça, queimavam-nos, lançavam-nos às feras para serem devorados vivos. Mas a vida e os bens perdidos neste mundo lhes eram devolvidos melhorados por toda a eternidade na outra vida (Mt 5,11-12). Nada acontecerá que não contribua para o nosso bem. Nada se perderá definitivamente, nem que seja algo tão insignificante como um fio de cabelo. Lições de vida 13 - Esbarramos sempre com pessoas opostas à nossa fé ou com cristãos indiferentes que a desprezam. Esses momentos da oposição ou incompreensão são tentações capazes de nos abalar a crença. É a prova de fogo da nossa fé e da nossa coragem. Os apóstolos de todos os tempos passam por essas lutas das quais, se não se deixarem acovardar, sairão mais fortes e convictos. A perseguição é oportunidade para darmos testemunho de Cristo. É o preço da verdade. 17 - Onde Cristo e sua Palavra são recusados, também o cristão sofre repulsa. 18 - A proteção divina aqui prometida não significa que o cristão é imune de sofrimentos, mas que será recompensado até do mais insignificante. Oração Senhor, nos momentos de luta, quando é posto à prova meu entusiasmo cristão, dê-me a convicção dos apóstolos para que o indiferentismo ou a oposição declarada não me esmoreçam a vontade de pronunciar-me em favor da fé. Inspire-me o que falar e como agir nas horas difíceis. Amém. Lc 21,20-24 A ruína (Mt 24,15-21; Mc 13,14-20)
(20)

E Jesus passou a responder à pergunta (cf. v. 7) sobre os sinais que precederão a catástrofe: - "Quando vocês virem Jerusalém cercada de exércitos, fiquem cientes de que a sua devastação está chegando. (21) Então, os que estiverem na província da Judéia fujam para os montes. Quem estiver dentro da cidade de Jerusalém saia dela, e quem estiver trabalhando na lavoura do campo não entre na cidade (22) porque esses serão dias de punição nos quais deverá cumprir-se tudo o que a Escritura predisse (Dn 9,26; Zc 14,2). (23) Sofridos serão aqueles dias particularmente para as mulheres grávidas ou amamentando, porque lhes será muito difícil fugir com a necessária presteza. Com efeito, haverá grande angústia para esta nação e grande castigo para

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este povo. (24) Muitos cairão ao fio da espada ou serão levados escravos para outros países. Jerusalém será calcada aos pés dos pagãos até que termine o tempo de eles dominarem (24,47; At 17,26)". Lc 21,25-33 Juízo final prefigurado nessa ruína. Sinais premonitórios (Mt 24,29-35; Mc 13,24-31)
(25)

"De maneira semelhante acontecerá no fim dos tempos. Surgirão sinais caóticos de desordem no sol, na lua e nas estrelas do firmamento. Na terra as nações estarão tomadas de angústia e estarrecidas ante o furor das ondas e a agitação do mar. (26) Muitos homens desfalecerão de medo diante das convulsões cósmicas que estarão acontecendo, pois as forças que mantêm o equilíbrio dos corpos celestes serão abaladas. (27) Então tanto os bons quanto os maus me verão voltar a mim, o Filho do Homem, não mais na fraqueza de um ser humano, mas sobre as nuvens do céu com grande glória e poder próprios de Deus (Ap 1,7). (28) Quando essas coisas começarem a acontecer, vocês que estão comigo reanimem-se e levantem a cabeça porque está em marcha e se aproxima para vocês a redenção, ou seja, a libertação total e definitiva de todos os males, a entrada na posse do prêmio eterno".
(29)

Em seguida Jesus contou-lhes esta parábola:

- "Observem a figueira e demais árvores. (30) Quando vocês vêem que começam a brotar, sabem que está chegando o verão. (31) Assim também, quando virem acontecer tudo isso, fiquem cientes de que está para chegar o Reino de Deus não na fase inicial já inaugurada com a adesão que vocês deram a mim (17,21), mas na fase da expansão e do desenvolvimento no mundo principiada com a destruição de Jerusalém (9,27). (32) Digo-lhes uma verdade: a atual geração que vivemos não passará antes que aconteça o que lhes estou dizendo sobre Jerusalém. (33) Céu estelar e terra passarão, mas as minhas palavras jamais passarão". Lc 21,34-38 Vigilância e oração (Mt 24,36-51; Mc 13,32-37)
(34)

"Cuidem que seus corações não fiquem pesados com orgias, bebedeiras e desmedidas ambições terrenas para que aquele Dia do Juízo não os apanhe de surpresa. (35) Pois ele virá sobre todos os habitantes da terra como um laço imprevisto. (36) Portanto, vivam atentos, preparados e orando em todo tempo para terem a força de ficar de pé com segurança à minha volta."
(37)

Assim ele transmitia, infatigável, suas mensagens no templo durante o dia. Mas ao cair do sol ia passar a noite oculto no Monte das Oliveiras, porque os chefes do povo procuravam prendê-lo (19,47). (38) E todo o povo de manhã bem cedo se dirigia ao templo para ouvi-lo.

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Questionário 21 - Alguém se aproveitou dessa profecia de Jesus e fugiu para os montes? Eusébio de Cesaréia, primeiro historiador do cristianismo, em sua História Eclesiástica diz que, diante dos sinais preditos por Jesus, todos os cristãos de Jerusalém fugiram para os montes de Pela, a 27 km ao sul do lago de Genesaré, à direita do Jordão, e escaparam à destruição. 22 - Que é que os profetas haviam predito sobre Jerusalém? Em Dn 9,26 lemos: "(...) um Ungido será suprimido e ninguém será a favor dele. A cidade e o santuário serão destruídos pelo povo de um futuro chefe. Seu fim chegará com uma invasão, e até o fim haverá guerra e devastação decretada". Em Zc 14,2: "(...) a cidade será atacada e tomada, as casas serão destruídas, as mulheres violadas; metade da cidade irá para o cativeiro, mas o resto do povo não será expulso". 23 - Por que essas mulheres sofrerão mais que as outras? Pela sua condição natural, as grávidas ou com criança nos braços não estarão desembaraçadas para fugir para longe ou para suportar agruras como as outras pessoas. 24a - Sab e-se quantos morreram e quantos foram levados cativos? Segundo Flávio Josefo, em toda essa guerra, do ano 66 a 70, um milhão e cem mil judeus (número exagerado) foram mortos e 96 mil foram levados para a apoteose do triunfo em Roma ou como prisioneiros vendidos nos mercados humanos como escravos. Tácito, historiador romano (55-120 d.C.), relata que morreram 600.000. 24b - Que se entende por "até se completarem os tempos dos pagãos"? Intérpretes pensam que se trate de todo esse tempo da história reservado ao chamamento dos pagãos ao Evangelho, enquanto os judeus permanecem fora. No dizer de Paulo, esse tempo se completará quando "a massa dos pagãos tiver entrado no cristianismo. Então também os judeus abraçarão a fé em Cristo e será a redenção plena e verdadeira de Israel" (Rm 11,25-26), provando que Deus é fiel ao homem mesmo quando o homem o rejeita. Outros crêem que se trate do tempo em que os pagãos dominarão Jerusalém. No ano 135, Adriano, imperador romano, teve que reocupar Jerusalém. Erigiu então no calvário a estátua do deus Adônis para sufocar a adoração a Cristo. Em 313, Constantino Magno deu liberdade aos cristãos; e sua mãe, Sta. Helena, fez de Jerusalém o primeiro centro de peregrinações cristãs. 28 - Que redenção ou que libertação? Muitos julgam que se trate da liberdade que o cristianismo ganhou com a destruição da nação judaica, quando então pôde abrir sua missão universal de evangelização. Outros preferem entender a libertação definitiva dos bons no final dos tempos. (Nota: A palavra "redenção", habitual para Paulo, é a única vez que aparece nos Evangelhos.)

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32 - Bib licamente, quantos anos representa uma geração? Quarenta anos. Realmente a destruição de Jerusalém deu-se em 70, isto é, menos de 40 anos depois dessa predição. 37 - Por que Jesus passava as noites no Monte das Oliveiras? Não só para orar, como costumava, mas também por ser "um homem em perigo, obrigado a se ocultar, enquanto durante o dia o favor popular o protegia" (L'Eplattenier). Lições de vida 22 - Quando os homens resistem aos apelos da graça obstinadamente e não se convertem, é só pela tribulação que Deus alcança seu propósito de redenção. 25-26 - As profecias permanecem obscuras até que se cumpram. 27 - O fim do mundo para cada um de nós se dá no momento do encontro com o Juiz. Esse encontro será de medo ou de alegria: a escolha é feita agora, no tempo de nossa vida terrena. Vigilância e oração preparam-nos bem para o Juízo. Oração é a procura de Deus com o pensamento, a palavra e o coração na vivência cotidiana. 28 - Só quando Jesus aparecer glorioso para o julgamento é que o cristianismo deixará de ser perseguido, tentado, humilhado. Da comunidade cristã peregrina e sofredora nasce a Igreja gloriosa. 34 - "Corações pesados" pelos excessivos cuidados com os bens materiais e os prazeres da vida são "incapazes dos sobressaltos de indignação, dos atos de resistência e dos gestos portadores de esperança que a gravidade dos tempos requer" (L'Eplattenier). 38 - O povo bem cedo procurava o templo para não perder as mensagens de Jesus. Hoje me são oferecidas essas mesmas mensagens por meio do Evangelho lido, meditado ou ouvido em nossas celebrações. Não emprego mais tempo lendo jornais, ouvindo rádio ou vendo TV do que me interessando pelas mensagens de Jesus? Ainda posso tirar o atraso! Oração Senhor, o mundo acabará para cada um na hora imprevista da passagem desta para a outra vida. Ajude-nos a libertar nosso coração do demasiado apego aos valores transitórios para vivermos em constante união com o Senhor, orando e vigiando, sempre prontos para aquele último chamado a qualquer hora que vier. Amém.

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CAPÍTULO 22 Lc 22,1-6 Conspiração dos chefes judeus e de Judas (Mt 26,1-5; 14-16; Mc 14,1-2; 10-11; Jo 11,45-53)
(1)

Apro ximava-se a festa dos Pães Ázimos, também chamada Páscoa, que durava sete dias. (2) Os chefes dos sacerdotes com os escribas ou professores da Lei estudavam o meio de eliminar Jesus secretamente, mas temiam um tumulto popular. (3) Então Satanás entrou como instigador na linha dos interesses de Judas, chamado também Iscariotes, que, por suas más disposições, lhe abriu o coração (Jo 13,2). Era um dos 12 apóstolos, mas sem amor. (4) Ele procurou os chefes dos sacerdotes e os levitas oficiais de polícia do templo e combinou o modo de lhes entregar Jesus. (5) Eles se alegraram com a decisão dele e propuseram dar-lhe 30 moedas de prata (Mt 26,15), preço de um escravo (Ex 21,32) (6) Ele, por cobiça, empenhou sua palavra, e a partir daquele momento espreitava a oportunidade de lhes entregar Jesus sem alarde, numa hora em que estivesse oculto do povo em suas noites de oração. Lc 22,7-13 Preparativos da ceia pascal (Mt 26,17-19; Mc 14,12-16)
(7)

Chegou o dia festivo dos pães ázimos quando no templo devia ser imolado, em homenagem a Deus, o cordeiro pascal no dia 14 de nisan, entre 14:30 e 16:30 horas. (8) Jesus enviou à frente Pedro e João com esta ordem: - "Vão preparar-nos a ceia pascal".
(9)

Os dois perguntaram-lhe: Respondeu-lhes o Mestre;

- "Onde o Senhor quer que a preparemos?".
(10)

- "Ao entrarem na cidade, logo darão de frente com um homem carregando um cântaro de água. Como normalmente são mulheres que buscam água, vocês identificarão logo esse homem. Acompanhem-no até a casa onde ele entrar, (11) e digam ao dono: - 'O Mestre manda perguntar em que sala ele comerá a Páscoa com seus discípulos'. (12) Ele, amigo meu, mostrará a vocês, no andar superior, uma grande sala provida de mesa com reclinatórios ou divãs (At 1,13; 12,12). Preparem ali a ceia".
(13)

Eles foram à cidade, encontraram tudo como Jesus havia dito, e prepararam a Páscoa: o cordeiro assado, quatro taças de vinho, água, verduras amargas, pães ázimos e molho de frutas, ervas e vinagre.

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CAPÍTULO 22

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Questionário 3 - Qual terá sido a motivação psicológica da traição de Judas? Dizer que ele se tornou instrumento de satã para o cumprimento duma profecia não diminui a responsabilidade do traidor. Ao constatar que o Mestre, em ve z do grande Messias político que derrotaria os romanos, não passava de um profeta destinado a morrer inglório e desprezado, Judas viu cair por terra a ilusão de vantagens terrenas que o impeliam a Jesus, como a de ocupar posição de destaque no novo reino esperado. Que vantagem haveria em sacrificar-se tanto no seguimento de um Mestre sem futuro que só exigia renúncia? Esse pensamento predispôs Judas a preferir o dinheiro à amizade gratuita (1Tm 6,10). 5 - Que soma propuseram ajudas? Trinta moedas de prata (Mt 16,15) correspondentes ao salário mensal de um operário ou ao preço de um escravo (Ex 21,32). 7 - Em que dia e hora era imolado o cordeiro pascal? No dia 14 do mês de nisan (meados de março a meados de abril), entre 14:30 e 16:30 horas. 8 - Quanto duravam os festejos pascais? Estendiam-se por 7 dias, de 14 a 21 de nisan, durante os quais só comiam pães sem fermento para lembrar o primeiro pão ázimo da saída do Egito (Ex 12,39; 29,39; Dt 16,1-8). 12 - Sab e-se em que casa Jesus realizou a última ceia? A tradição transmite-nos como provável a casa paterna de Marcos, situada no ângulo sudoeste da cidade antiga, onde Jesus ressuscitado apareceu aos apóstolos e onde os cristãos continuavam a reunir-se (At 1,13; 12,12). Há quem julgue que seja o atual Cenáculo construído pelos franciscanos em 1342 no monte Sião. 13a - Que ingredientes prepararam para a ceia pascal? O cordeiro assado de não menos de oito dias de vida nem mais de um ano, sacrificado no templo e cozido ao fogo de lenha em casa; pães ázimos; quatro taças de vinho tinto; molho feito de maçãs, pêras, nozes, figos, amêndoas, vinho ou vinagre, tudo amassado com aromas, tomando a cor de tijolo em lembrança dos tijolos feitos no trabalho forçado do Egito; verduras amargas (almeirão, alface) e água. 13b - Por que as taças de vinho eram quatro? Lembrança da quádrupla promessa de libertação feita por Deus, conforme Ex 6,6-8: 1a) Tirar-vos-ei da opressão dos egípcios; 2a) libertar-vos-ei de sua escravidão; 3a) resgatar-vos-ei com braço forte; 4a) introduzir-vos-ei na terra que jurei dar a Abraão, Isaac e Jacó.

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CAPÍTULO 22

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Lições de vida 3 - Satanás atuou nas pessoas do Sinédrio, inimigas de Jesus, e em Judas, seu amigo aparente. O mal torna-se forte quando permitimos que a tentação nos domine. Ninguém pode colocar-se debaixo do senhorio de Jesus pela metade, como Judas. Seria servir a dois senhores e deixar campos de influência para a falsidade. A conversão pela metade torna-nos perigosamente vulneráveis às tentações do demônio, que sabe aproveitar de nossas ambigüidades. É sempre um mistério: 1º) ter Jesus acolhido entre os apóstolos um homem falso; 2º) ter-se pervertido alguém que viveu tão perto de Jesus. Vê-se que o poder santificador de Jesus perde a eficácia e tornam-se vãos os esforços da graça diante da livre resistência da vontade humana. É uma séria advertência a nós. Notemos que Jesus foi levado à morte não pela traição de Judas, mas sim pela sua condenação por parte do Sinédrio, a suprema autoridade judaica (Mt 12,14; 26,3-4; 59. 66; 27,1. 22-25; Mc 11,18; 14,1. 55; 64; Lc 22,2; Jo 5,18; 11,50). Judas apenas contribuiu facilitando a captura de Jesus, que já estava condenado. Oração Senhor, assusta-me o poder que recebi de resistir ao próprio Deus (Lc 7,30). Assusta-me a dimensão de minha liberdade de optar para o bem ou para o mal. Assusta-me saber que a raiz do nosso destino está em nós mesmos. Que o mal que pratico não provém de fora, não é determinação de alguma força exterior, mas é algo que faz parte de minha responsabilidade. Sei que, com meus próprios atos livres, posso fazer-me feliz ou infeliz agora e na eternidade, porque o homem tem em suas mãos o seu próprio destino temporal e o eterno. Sei que o abuso da liberdade me escraviza ao mal (Jo 8,34) e que, quanto mais eu praticar o bem, mais livre me torno. Sei que o progresso na prática do bem aumenta o domínio de minha vontade sobre meus atos. Sei que a liberdade não é o direito de dizer e fazer tudo, mas é uma exigência inseparável da dignidade da pessoa humana, para que, escolhendo livremente o bem, possa crescer e amadurecer na verdade e na bondade até a perfeição. Receba, Senhor, minha liberdade inteira. Receba minha memória, minha inteligência e toda a minha vontade. Tudo que tenho ou possuo, do Senhor me veio; tudo lhe de volvo e entrego sem reserva para que a sua vontade tudo governe. Dê-me somente seu amor e sua graça, e nada mais lhe peço, pois já serei bastante rico. Amém.

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CAPÍTULO 22

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Lc 22,14-18 Última ceia pascal judaica
(14)

Chegada a hora legal (Ex 12,8) do culto divino da ceia pascal, ao pôr-do-sol do dia 13 do mês de nisan (meados de março a meados de abril), Jesus e seus apóstolos recostaram-se à mesa nos divãs. (15) Falou-lhes ele com muita afabilidade: - "Desejei ardentemente comer com vocês esta ceia pascal antes de padecer, porque anseio deixar aos meus seguidores a ceia pascal do Novo Testamento como sacramento da passagem da morte para a vida. (16) E declaro a vocês que nunca mais comerei desta ceia destinada a comemorar a libertação da escravidão do Egito, até que esta figura seja substituída pela sua realidade do verdadeiro banquete da nova Páscoa, centro da vida espiritual do meu Reino que se inicia na terra e se perpetuará na casa do Pai com a total libertação humana de todo mal".
(17)

Então Jesus tomou nas mãos o cálice, fez a oração de ação de graças e disse:

- "Bebam comigo deste cálice pela última vez, repartindo-o entre vocês. (18) De minha parte declaro igualmente que nunca mais beberei do vinho oferecido nesta páscoa terrena até que venha a Páscoa definitiva iniciada agora e em estado de plenitude na casa do Pai". Lc 22,19-20 A Eucaristia, ceia pascal cristã (Mt 26,26-28; Mc 14,22-24; 1 Cor 11,23-25)
(19)

Em seguida, tomou um pão nas mãos, fez uma ação de graças por tudo o que Deus realizou em favor dos homens, partiu e distribuiu a eles dizendo: - "Isto é o meu corpo que deve ser entregue à morte como sacrifício em favor de vocês e em seu lugar (Is 53,4-6). O que acabo de fazer, mudando o pão em meu corpo, façam vocês também em memória de mini".
(20)

E, sempre depois da ceia do cordeiro, fez a mesma dádiva com o cálice dizendo:

- "Este cálice é a Nova Aliança entre Deus e os homens no meu sangue que deve ser derramado como sacrifício em favor de todos vocês!". Questionário 14-17 - Conhece a ceia pascal judaica? Todos guardam jejum a partir da matança do cordeiro. Vestem a melhor roupa de festa. Reúnem-se, dentro dos muros da cidade na casa combinada, não menos de 10 pessoas e não mais de 20. Lavam-se as mãos. Enchido o 1º cálice de vinho tinto e um pouco d'água, o pai ou chefe da mesa benze-o e todos tomam um pouco. Trazem à mesa o molho, as verduras amargas, os pães sem fermento e o cordeiro. O pai torna a lavar as mãos, mergulha um pouco das verduras amargas no molho,

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CAPÍTULO 22

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diz a bênção para os frutos da terra, come e convida todos a comer. Enche e benze o 2º cálice. O menor dos presentes pergunta-lhe que festa é aquela. E ele explica o sentido da Páscoa (a passagem do anjo da morte poupando os primogênitos judeus no Egito; a passagem do Mar Vermelho; a passagem da escravidão para a liberdade), explica as verduras amargas (lembrança da amargura da escravidão no Egito) e o pão sem tempo de fermentar diante da pressa com que saíram do Egito. Entoa-se o canto da primeira parte do Hallel (Salmos 113-114) como ação de graças pela libertação do povo. Bebem o 2º cálice. Lavam-se novamente as mãos. O pai parte e distribui os pães ázimos, que todos comem mergulhando no molho com as verduras amargas. O cordeiro é consumido inteiro sem quebrar-lhe um osso. E, enchido o 3º cálice, chamado da bênção, porque o pai pronunciava sobre ele a ação de graças da mesa. Bebem esse cálice. Enchem o 4º cálice e cantam a 2a parte do Hallel (Salmos 115-118). Tomam o 4º cálice e finalizam cantando o salmo 23 ou o 136. Comer o cordeiro pascal sacrificado no templo era tornar-se comensal de Deus (cf. Ex 12). 16 - Como entender esse "pleno cumprimento no Reino de Deus"? A páscoa judaica (comer a carne de um cordeiro celebrando a libertação da escravidão do Egito) terá seu "pleno cumprimento" na Paixão, na Morte e na Ressurreição de Jesus, nossa Páscoa definitiva, celebrada na Eucaristia, onde comemos a carne do Cordeiro divino festejando a libertação da escravidão do pecado. Assim Jesus deu a entender que sua morte é iminente. 19-20 - Nessa passagem Jesus institui dois sacramentos. Quais? A Eucaristia, com as palavras: "isto é o meu corpo", completando logo em seguida, com: "este é o cálice do meu sangue". E o sacerdócio, ordenando: "Fazei isto em minha memória", estabelecendo o sacerdócio em função da Eucaristia. Lições de vida A páscoa judaica era o ponto alto do ano. A lembrança da libertação do Egito mantinha viva a esperança da futura libertação, obra do Messias. A nossa Páscoa é Cristo (1Cor, 5,7). A ceia eucarística atualiza a nossa libertação do pecado e aponta para a volta de Cristo. Pão e vinho, matéria-prima de uma ceia palestinense, simbolizavam vida. Mas a comunhão do pão e do vinho consagrados é uma participação real na vida de Cristo ressuscitado. É isto comer e beber na mesa do Reino (v. 30). Na Bíblia, "as palavras e o simbolismo proféticos possuem um poder irresistível de produzir o que significam". A Eucaristia perpetua o sacrifício do calvário e nos conserva Jesus presente entre nós. Por isso a missa é o ato mais sublime do culto católico, é "fonte e ápice da vida cristã" (LG 11). É o único sacrifício cultual do Novo Testamento em substituição aos antigos sacrifícios de cordeiros. É a Nova e Eterna Aliança. Nova, não mais a velha do Antigo Testamento, violada pelo povo de Deus. Eterna, não mais a provisória da Lei Antiga. Quem participa da Eucaristia celebra e renova sua Aliança definitiva com o Pai, no corpo e no sangue do Filho sacrificado (Jr 31,31-34).

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CAPÍTULO 22

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Há Ordens e Congregações fundadas com o fim principal de passar a vida diante do Santíssimo Sacramento em oração de louvor e adoração perpétuos, rezando pelos que não crêem, não esperam, não amam e não adoram. Diante do Sacrário é o lugar mais adequado para momentos de oração ou de Horas Santas na presença do Senhor. Oração Obrigado, meu Deus, pelo dom inestimável da Eucaristia, "sagrado banquete em que se recebe Cristo, renova-se o memorial de sua paixão, a alma se enche de graça e nos é dado o penhor da glória futura" (São Tomás de Aquino). Amém. Lc 22,21-23 Anúncio da traição (Mt 26,20-25; Mc 14,17-21; Jo 13,21-30)
(21)

"No entanto, está aqui comigo à mesa a mão daquele que vai me trair ainda hoje (SI 41,10). (22) Eu, o Filho do Homem, serei entregue à morte de acordo com a missão que me foi confiada, mas infeliz daquele homem que vai me trair!"
(23)

Os discípulos, espantados, começaram a perguntar entre si mesmos qual deles seria o infame traidor. Lc 22,24-27 O maior é quem mais serve (Mt 20,25-28; Mc 10,42-45; Jo 13,1-20)
(24)

Surgiu de novo (9,46-48) entre os apóstolos uma discussão, interessados que estavam em saber qual deles seria o mais digno de ficar perto de Jesus à mesa. É que, tendo Jesus acabado de declarar que não comeria outra Páscoa antes da chegada do Reino de Deus, eles entenderam iminente o reino político e temporal do Messias, do qual cada um ambicionava a honra de primeiro-ministro (Mt 20,20-21; Mc 10,37; Mt 18,1; Mc 9,33-34; Lc 9,46). (25) Jesus, mais uma vez, invertendo o critério humano de valores, disse: - "Os reis das nações exercem pesado domínio sobre seus súditos e, mesmo tiranizando-os, querem ser chamados benfeitores. (26) Com vocês não será assim. Muito ao contrário, quem está colocado acima dos outros torne-se como se fosse o mais jovem, isto é, o último na hierarquia ao qual incumbe respeitar os demais e estar às ordens deles. Quem comanda deve estar a serviço dos outros. (27) Vejam: quem é mais importante socialmente, o que está à mesa para a refeição ou aquele que está servindo? Não se diz que é quem está à mesa comendo? No entanto, eu, embora sendo o Mestre, estou entre vocês na função de quem serve como um inferior que até lava os pés dos outros" (JO 13,2).
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CAPÍTULO 22

Lc 22,28-30 Prêmio para os apóstolos (Mt 19,28)
(28)

"Vocês permaneceram fiéis a mim em todas as provações a que andei sujeito em minha vida pública. (29) Por conseguinte, como se estivesse escrevendo um testamento, eu vou preparar um Reino Eterno para vocês, como o Pai o reservou para mim, (30) a fim de que vocês participem em lugares de honra do banquete da felicidade eterna no meu Reino, e participem de minha autoridade judiciária, porque os farei sentar em trono para uma das mais altas funções que será a de julgarem comigo a totalidade do povo de Deus, isto é, participarão de minha realeza porque o caminho da cruz desemboca na glória." Lc 22,31-34 Prevê a negação de Pedro (Mt 26,31-35; Mc 14,27-31; Jo 13,36-38)
(31)

Jesus dirigiu-se a Pedro com estas palavras proféticas:

- "Simão, Simão, satanás, com seus insistentes pedidos como já fez com Jó 1,12 e 2,6, alcançou de Deus permissão para tentar vocês de apostasia de todos os modos, sacudindo-os violentamente como trigo na peneira, quando tiver começado a minha paixão (Mc 14,50). (32) Mas eu orei em especial por você, para que sua fé não desfaleça, porque você, uma vez convertido de suas negações, terá a missão de confirmar e fortalecer na fé e na fidelidade os seus companheiros e a futura comunidade da qual você será o guia".
(33)

Impressionado com essas afirmações de Jesus, Pedro declarou a ele com amor, e ao mesmo tempo com presunção: - "Estou pronto a ir com o Senhor para a prisão e até mesmo para a morte!".
(34)

Mas Jesus garantiu-lhe:

- "Pedro, eu lhe digo, ainda hoje o galo não cantará sem que você três vezes tenha negado conhecer-me!". Questionário 25 - Temos exemplo de reis que, mesmo tiranizando, queriam o título de benfeitores? Os Ptolomeus do Egito e vários Selêucidas da Grécia deram-se o título de evergetas, isto é, benfeitores do povo; os imperadores romanos, salvadores do povo.

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26 - Que se entende por "tornar-se como o mais novo"? A pessoa mais nova é a última na hierarquia, está sempre atenta aos de cima e deve respeitar e estar às ordens dos de maior idade. Assim o seguidor de Cristo se põe a serviço dos outros como se todos lhe fossem superiores. 32 - Qual o alcance dessas palavras a Pedro? Essas palavras conferem a Pedro um papel de direção em relação aos outros apóstolos. O primado de Pedro no colégio apostólico está aqui confirmado mais claramente do que em Mt 16,18-19: "Você é Pedra e sobre esta pedra eu edificarei a minha Igreja, e as forças do inferno não prevalecerão sobre ela. Darei a você as chaves do Reino dos Céus: tudo o que você ligar na terra será ligado nos Céus, e o que você desligar na terra será desligado nos Céus". Pedro recebeu pessoalmente o que os apóstolos receberam em conjunto em Mt 18,18: "Tudo o que vocês ligarem na terra será ligado no Céu, e tudo o que vocês desligarem na terra será desligado no Céu". Daí o primado do papa sobre todo o episcopado do mundo. O "darei a você as chaves..." aconteceu depois da ressurreição, conforme Jo 21,15-17: "... apascente você os meus cordeiros [= os pastares da Igreja] e minhas ovelhas" [= os fiéis todos]. Como Pedro, o papa é o pastor supremo da Igreja de Cristo na terra. "Para que sua fé não desfaleça" é a garantia de que, em matéria de fé e moral, o papa goza de infalibilidade, isto é, não pode induzir em erro a Igreja. Lições de vida 22 - Judas prevaricou. O fato de se pertencer ao número dos que seguem Jesus e comungam à sua mesa por si só não garante a salvação (13,26; 1 Cor 11,28). Exigese a decisão interior e pessoal de aderir vitalmente a Jesus. 26 - A hierarquia de valores pessoais diante de Deus começa pelo grau de maior serviço prestado aos outros. Valemos pelo tanto que servimos, numa total inversão na escala de valores humanos. Em Jesus, autoridade é serviço. Ele, Senhor, é quem mais serviu (Rm 12,10; Fl 2,3); veio não para ser servido mas para servir (Mc 10,45). 31 - Por mais perto que estejamos de Cristo, Deus não nos retira do campo das tentações, não nos isenta dos perigos do mundo (Jo 17,15). Corremos risco na fé. Como Pedro, os chefes de comunidades têm obrigação de fortalecer a fé do grupo (At 20,28-31). 32 - Há necessidade de contínua conversão e oração para que a nossa fé não esmoreça e superemos as provações. Jesus reza de modo especial em favor de Pedro porque, em vista de seu papel de futuro chefe da Igreja, é Pedro como papa que deve manter firmes na fé os companheiros e os fiéis. Dado que a oração de Jesus é sempre ouvida pelo Pai (Jo 11,42), Pedro, como pedra inicial da Igreja, nunca desfalecerá na fé. Mesmo negando três vezes o Mestre, Pedro não perdeu a fé em Jesus, mas seu pecado foi o medo de confessar publicamente sua fé em Cristo. Ora, o ofício e a assistência divina confiados a Pedro passam a todos os seus sucessores. Como poderia o papa confirmar na fé os fiéis se pudesse errar em matéria de fé? De fato, não houve papa que tivesse ensinado algum erro em matéria de fé e moral.

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Oração Senhor, ensine-me a ser útil, a pensar mais no outro do que em mim mesmo, a me doar até descobrir o prazer de servir. Dê ao nosso chefe visível, o papa, a luz do Espírito Santo para o discernimento na direção da Igreja, e a fortaleza dos apóstolos para ser a segurança de nossa fé neste mundo conturbado. Amém. Lc 22,35-38 Prontos para a luta
(35)

E Jesus perguntou-lhes mais:

- "Quando eu os mandei anunciar, entre os compatriotas, a minha mensagem, sem levar dinheiro, nem bagagens, (9,3; 10,4) nem sandálias especiais, faltou-lhes alguma coisa em hospitalidade e provisões necessárias?". - "Não faltou nada" - responderam eles.
(36)

- "Pois agora vai ser bem diferente" - continuou ele. "Vocês não poderão confiar mais na liberalidade dos homens que se tornaram inimigos. Assim, em lugar de entusiasmo, vocês encontrarão ódio; em vez de hospitalidade, a rejeição. Por isso vocês devem prover-se do necessário. Mal comparando, quem tem dinheiro vai com ele na bolsa para comprar víveres; igualmente quem tem bagagem a leva; e se não tem espada para defesa da própria vida, a perseguição o forçará até a vender o manto para comprar uma; assim vocês devem premunir-se do que, mais que dinheiro, bens e espada (12,51), lhes dará a fortaleza espiritual para enfrentar o mais violento combate pela fé. (37) Pois eu lhes afirmo: é necessário que se cumpra este texto que a Escritura Sagrada diz de mim em Isaías 53,12: 'ele foi contado entre os criminosos'. Tudo o que se refere a mim nos profetas está bem perto de acontecer".
(88)

Os apóstolos, sem entenderem o sentido das palavras de Jesus e julgando que ele se referisse a uma luta corporal, disseram-lhe: - "Senhor, temos aqui os dois sabres que usamos para esquartejar o cordeiro pascal". Jesus, vendo que não o haviam compreendido, põe fim bruscamente à conversa dizendo: - "Chega deste assunto!". Logo mais, vendo Jesus cair vítima de perseguição e preso, entenderão o que ele queria dizer.

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Lc 22,39-46 Ora e sua sangue (Mt 26,30. 36-46; Mc 14,26. 32-42; Jo 18,1-2)
(39)

Jesus saiu dali e, conforme seu costume, (21,37) dirigiu-se ao Monte das Oliveiras. Onze discípulos o acompanharam. (40) Chegados ao lugar conhecido, Jesus recomendou-lhes: - "Rezem para não caírem no domínio da tentação!" (Mt 6,13).
(41)

Então, afastou-se deles a uma distância de um arremesso de pedra, isto é, de 20 a 30 metros, lançou-se de joelhos e se pôs a rezar:
(42)

- “Pai, se o Senhor quer, afaste de mim este cálice da dor! Mas não se faça a minha vontade, e sim a sua!".
(43)

Apareceu-lhe então um anjo do céu em forma visível e o confortou. (44) Embora fortalecido pelo anjo, foi tomado de horrível angústia e, transpirando, orava mais intensamente a mesma súplica, prostrado por terra (Mt 26,39. 44). O seu suor tornou-se sanguíneo, caindo em gotas por terra. (45) Depois de orar, levantou-se e foi para junto de seus discípulos, que encontrou deitados e adormecidos porque, de tanta amargura, não haviam conseguido rezar. (48) Disse-lhes: - "Como é que estão dormindo!? Levantem-se e orem para não sucumbirem à tentação iminente!". Questionário 36 - Aqui Jesus fala em linguagem figurada. Que quer dizer com essa alegoria? Como em dias de perseguição o homem necessita premunir-se de meios para vi ver e se defender, assim para enfrentar a triste situação da prisão e da morte de Jesus, com a conseqüente perseguição aos discípulos, estes devem armar-se de muita oração e renúncia para não perderem a fé em Jesus. 37 - Que profeta Jesus citou aqui? Isaías 3,12. 39 - Que significa a palavra Getsêmani que aqui chamam Monte das Oliveiras? Getsêmani em aramaico significa "lagar de azeitonas". Havia no Monte das Oliveiras um horto (Mt 26,36) provido de um lagar. Devia pertencer a um amigo de Jesus, pois a ele o Senhor tinha livre acesso (Jo 18,2). 41 - Em que posição oravam os judeus? Normalmente de pé (1Rs 8,22; Mt 6,5; Lc 18,11). Quando a oração era mais intensa ou mais humilde, oravam de joelhos (SI 95,6; Is 45,23; Dn 6,11; At 7,60; 9,40; 20,36; 21,5). Braços erguidos e mãos voltadas para o alto. 44a - É possível esse suor sanguíneo? A literatura médica testemunha não poucos casos de suor de sangue que denomina diapedese ou hematidrose, efeito de profunda e violenta angústia, principalmente em pessoas diante da execução capital. Lucas, médico, é o único
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evangelista que o registra. Trata-se de um fenômeno natural já conhecido por Aristóteles (Hist. Anim. III, 19). Um vaza mento de sangue sem nenhuma lesão da pele, pela dilatação das glândulas sudoríferas cutâneas. Uma profunda impressão nervosa é capaz de congestionar os vasos capilares sanguíneos do aparelho sudorífero e rompê-los provocando derramamento do sangue. 44b - Sócrates, pagão íntegro, enfrentou a morte por cicuta com impressionante e imperturbável serenidade. Jesus perturb ou-se tanto diante da visão de seus tormentos e de sua morte, que suou sangue. Que dizer a respeito? É quase infinita a diferença das situações de ambos. Sócrates só trazia o seu próprio estado de consciência límpida, conseqüência de uma vida pura. Jesus, embora de absoluta impecabilidade e santo por excelência, ao se encarnar assumiu a humanidade inteira em sua condição de pecado para remir a culpa desde a origem até o fim dos tempos - missão alheia a Sócrates e a qualquer outro ser humano. Compreende-se então como Isaías 53,3-12 explica a angústia mortal de Jesus: "homem das dores... ele tomou sobre si nossas enfermidades e carregou-se de nossos sofrimentos... foi castigado por nossos crimes e esmagado por nossas iniqüidades; o castigo que nos salva pesou sobre ele. O Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós... tomando sobre si os pecados da multidão dos homens e intercedendo pelos culpados!". Jesus (não outro homem) é a nossa "vítima expiatória" (Rm 3,25). O Pai "nos reconciliou consigo por Cristo... A ele, que não cometera pecado, Deus tratou por nós como o pecado (universal), para que nele nos tornássemos justiça de Deus" (2Cor 6,20). "Um só é o mediador entre Deus e os homens, o homem Cristo Jesus que se entregou a si próprio por todos como resgate!" (1Tm 2,5-6). O pecado é o "não" a Deus; e nós fomos "remidos pelo ato livre (o 'sim') expiatório de obediência do Filho de Deus destinado a extinguir toda recusa pecaminosa". Não é de estranhar que a natureza humana de Jesus tenha tremido diante de peso tão horrendo! Lições de vida 44 - Estamos cientes de que Jesus suou sangue, mas não estamos acostumados a sentir e refletir que também cada um de nós o fez suar sangue! E esta não é uma teoria, pois Isaías o diz categoricamente: Ele "tomou sobre si as nossas culpas... o Senhor fez cair a iniqüidade de todos nós sobre ele... que tomou sobre si os pecados da multidão dos homens" (Is, 53,3-12). Não foram só os carrascos que o fizeram sofrer, mas eu também! Oração Senhor Jesus, na oração do Jardim das Oliveiras o Senhor se angustiou vendo os pecados do mundo inteiro, desde o início da humanidade até o fim dos tempos. Viu também os meus. Portanto, eu também coloquei minha gota de fel na angústia que o fez suar sangue porque o Senhor quis pagar, por puro amor, os pecados que não cometeu. Perdão, Jesus! Se não o amo tanto pelo que é, devo amá-lo

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CAPÍTULO 22

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sem limites pelo que fez por mim. Ensina-me a amar até doer, Senhor. Amém. Lc 22,47-53 Preso. O beijo da traição (Mt 26,47-56; Mc 14,43-50; Jo 18,3-11)
(47)

Ainda falava quando apareceu uma tropa de homens armados, conduzidos por Judas, um dos 12 apóstolos. Ele se aproximou de Jesus para beijá-lo; era o sinal convencional para prenderem Jesus sem confundi-lo com outro na escuridão da noite. (48) Jesus, com amor e tristeza, demonstrando conhecer toda a trama urdida contra si mesmo, perguntou-lhe: - "Judas, é com um beijo, expressão de respeito e amor, que você trai o Filho do Homem?".
(49)

Vendo o que estava para acontecer, os apóstolos que o cercavam perguntaram:

- "Senhor, é para atacá-los com espada?".
(50)

E um deles, Pedro, sem esperar resposta, investiu contra Malco, servo do sumo sacerdote, e cortou-lhe a orelha direita. (51) Jesus foi pronto em tomar posição contra gesto tão inconsiderado: - "Chega de violência! Deixem que façam até isso!". Com amor ao inimigo, tocou a orelha ferida do servo e curou-o! (52) Em seguida, dirigiu-se ao destacamento que veio contra ele, formado pelos chefes dos sacerdotes, pelos oficiais levitas da guarda do templo e pelos anciãos chefes do povo, os três grupos que constituíam o Sinédrio, e disse-lhes: - "Vocês vieram armados de espada e cacetes como para um bandido perigoso. (53) No entanto, eu estava com vocês todos os dias no templo e não puseram as mãos sobre mim. Mas esta é a hora das trevas em que se concede a vocês um poder sobre mim, hora do triunfo passageiro de satanás". Lc 22,54-62 Pedro nega Jesus (Mt 26,57-58. 69-71; Mc 14,53-54. 66-72; Jo 18,12-18. 25-27)
(54)

Prenderam Jesus e conduziram-no à casa do sumo sacerdote Anás. Pedro o seguia de longe. (55) No meio do pátio da casa do sumo sacerdote, os soldados acenderam uma fogueira e sentaram-se em torno dela. Pedro sentou-se no meio deles. (56) A empregada que guardava a porta de entrada, ao ver Pedro à fogueira, encarou-o e disse: - "Este homem também estava com Jesus!".

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CAPÍTULO 22

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(57)

Pego de surpresa, a coragem de Pedro cedeu lugar ao medo e ele negou dizendo: - "Mulher, eu nem o conheço!".
(58)

Pouco depois, um homem olhou para ele e confirmou:

- "Sim, você também é um discípulo dele". E Pedro, mais embaraçado, dissimulou: - "Homem, eu não sou, não!".
(59)

Mais ou menos uma hora depois, um outro insistiu:

- "Sem dúvida nenhuma, este fulano estava com Jesus; até o sotaque dele é de Galileu!".
(60)

Tomado de apuros, Pedro prontamente reagiu:

- "Homem, eu ignoro o que você está dizendo!". Pedro mal acabava de falar e o galo cantou. (61) O Senhor, manietado e escoltado num canto do pátio, voltou-se e olhou firme para Pedro. Este lembrou-se da palavra que o Senhor lhe havia dito em sua presciência divina: "Hoje, antes que o galo cante, você três vezes terá negado que me conhece!". (62) Com o coração ferido por aquele olhar inesquecível, saiu para fora desfeito em pranto. Lc 22,63-65 Primeiros ultrajes (Mt 26,67-68; Mc 14,65)
(63)

Os guardas do templo responsáveis por Jesus escarneciam dele, espancavamno com socos e bofetadas, (64) vendavam-lhe os olhos e num passatempo sádico o provocavam: - "Faça de profeta: adivinhe quem lhe bateu!".
(65)

E lhe diziam muitas vilanias para ridicularizá-lo. Lc 22,66-71 Perante o Sinédrio proclama-se Deus (Mt 26,57-68; Mc 14,61-64; Jo 18,19-24)

(66)

Quando o dia amanheceu, reuniu-se o conselho dos anciãos chefes do povo, os sumos sacerdotes e os escribas ou rabinos no edifício do Tribunal Judicial perto do templo. Estes, representantes oficiais da ortodoxia israelita, mandaram trazer Jesus diante do seu Sinédrio, suprema autoridade israelita.
(67)

Intimaram-no:

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CAPÍTULO 22

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- "Diga-nos se você mantém a afirmação de ser o Cristo, isto é, o Messias que esperamos". - "Se eu lhes declarar que o sou", respondeu ele, "vocês não acreditarão. (68) E se lhes fizer uma pergunta, não me responderão, porque não querem conhecer a verdade e sim estão decididos a matar-me antes mesmo de me interrogar e qualquer que seja a minha resposta. (69) Mas, doravante, passado o breve tempo desta minha humilhação, eu, o Filho do Homem celestial (Dn 7,13-14), estarei sentado à direita de Deus todo-poderoso (SI 110,1) com idênticos poderes do Pai!".
(70)

Os membros do Sinédrio perguntaram-lhe a uma só voz:

- "Então você é o Filho de Deus?". - "É como vocês estão dizendo!" - declarou-lhes Jesus.
(71)

"Que necessidade ainda temos de testemunhos?" - concluíram eles, satisfeitos. "Nós mesmos, que somos juizes, nos tornamos testemunhas, porque o ouvimos de sua própria boca fazer-se igual a Deus, motivo suficiente para um veredicto de morte por sua presunção blasfema (Mt 26,65; Mc 14,64)". Questionário 50 - Quem feriu o servo? Jo 18,10 diz que Pedro desembainhou a espada e feriu Malco. 54 - Quem era então o sumo sacerdote? José Caifás foi sumo sacerdote do ano 18 até 35. Seu sogro Anás (= Ananias) o foi de 6 a 15; deposto pelo procurador romano Valério Grato, continuava, todavia, gozando de grande ascendência na vida religiosa e política. Foi o autor intelectual da luta contra Jesus, principalmente a partir da expulsão dos vendilhões do templo, golpe duro contra o banco de seus interesses. Por isso Jesus, preso, foi conduzido primeiro a Anás (Jo 18,15) e só depois a Caifás. 9 - Como descobriram que Pedro era Galileu? Pelo sotaque característico dos galileus (Mt 26,73), marcado pela pronúncia defeituosa de certas consoantes e dos sons guturais e aspirados do aramaico. 66a - Recorde o que era o Sinédrio. Representação do povo judeu diante dos dominadores romanos, o Sinédrio era o supremo tribunal judeu composto de 70 membros (os anciãos da aristocracia leiga, os sacerdotes e os mestres da Lei, também chamados escribas ou rabinos, na maioria fariseus), mais o sumo sacerdote, seu presidente. Tinha poder absoluto, mas a dominação romana privara-o do poder de sentenciar à morte; podia apenas propôla à autoridade romana (Jo 18,31). 66b - Por que foi necessário esclarecer que o trib unal se reuniu "quando se fez dia"? Era proibido aos judeus pronunciar sentença de morte à noite. Então, para salvar as aparências de legalidade, o Sinédrio condenou Jesus de dia, ratificando a sentença pronunciada na reunião noturna.

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69 - Que é "estar sentado à direita de Deus"? "Estar sentado à direita de Deus", prerrogativa régia reservada ao Messias, é ter os mesmos direitos e poderes de Deus-Pai. É ser Deus e juiz dos homens, inclusive seus próprios juízes. Jesus aqui se reporta a Dn 7,13-14 e SI 110,1 onde o Messias apresenta características divinas. Lições de vida 54 - "Pedro seguia-o de longe". É a imagem de nossa indecisão no seguimento de Cristo. Dificilmente resolvemos entregar-lhe o coração sem reservas. Sempre fazemos uma média entre Jesus e o mundo: seguimo-lo de mais ou menos longe! Na contingência de devermos dar uma resposta franca, de solidariedade com Jesus, como Pedro, ao lado dos inimigos dele junto à fogueira, nossa firmeza desaparece muita vez nesta escapatória: "sou cristão, mas não fanático". Não é tão fácil uma confissão de fé corajosa sem medo das conseqüências. 57-60 - Nem os chamados eleitos para cargos especiais, nem os mais íntimos de Jesus são imunes das tentações e das quedas. Até parece que quanto maior a vocação, tanto maior a tentação. A queda de Pedro ensina-nos quão difícil é permanecer forte nas provações. O olhar de Jesus em Pedro é indescritível! Partiu do coração de Jesus e feriu de amor o coração de Pedro pecador. Por grande que seja a culpa, Deus perdoa ao pecador arrependido, envolvendo-o em gestos de amor e devolvendo-lhe a confiança: "Não tenho prazer na morte do pecador, mas que se converta e vi va!" (Ez 18,23). Deus não perde o amor por quem o ofende. Jesus é o médico que tem prazer em curar. Apesar da queda, Pedro foi constituído por Jesus chefe da comunidade cristã (22,32). Deus confia sempre no homem e não vê mais o pecado de quem se penitenciou dele. Oração Senhor, um discípulo o traiu e outro o negou três vezes. Um se arrependeu e continuou a amá-lo. O outro não confiou na misericórdia divina e o abandonou definitivamente. Jesus, creio e confio no Senhor, mas temo pela minha fraqueza. Se a experiência me diz que já imitei quem o traiu e negou, que o seu olhar amigo me faça imitar quem sentiu a ofensa, chorou-a e nunca mais se afastou do seu amor. Amém.

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CAPÍTULO 22

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CAPÍTULO 23 Lc 23,1-7 Pilatos inocenta Jesus (Mt 27,11-14; Mc 15,2-5; Jo 18,29-38)
(1)

Todo o grupo levantou-se e conduziu Jesus ao governador Pôncio Pilatos procurando influenciá-lo com a presença do Sinédrio em peso. (2) Aí começaram a apresentar-lhe acusações de caráter político: - "Encontramos este agitador instigando nosso povo contra o poder constituído, proibindo pagar os impostos a César e proclamando-se Messias e rei".
(2)

Na verdade, o que Jesus subvertia era o sistema religioso de fariseus e saduceus, campo alheio aos interesses de Roma. Pilatos, percebendo a falsidade das duas primeiras acusações, interrogou-o sobre a última: - "Você é rei dos judeus?". - "É como você está dizendo; não, porém, em sentido político, e sim messiânico" respondeu Jesus.
(4)

Pilatos viu que semelhante realeza não representava perigo algum. Por isso declarou aos chefes dos sacerdotes e à multidão a inocência de Jesus: - "Não encontro neste homem nenhuma razão para condená-lo".
(5)

Mas eles, temendo perder ocasião tão propícia para eliminá-lo, insistiram energicamente: - "Ele instiga o povo à rebelião com sua doutrina em toda a Judéia. Começou na Galiléia e chegou até aqui em Jerusalém".
(6)

Ao ouvir falar da Galiléia, Pilatos perguntou se ele era galileu. (7) Logo que se certificou de que Jesus pertencia à jurisdição de Herodes Antipas, tetrarca da Galiléia, recambiou-o a ele, que naqueles dias se encontrava em Jerusalém para as festas pascais, residindo no palácio dos hasmoneus, a oeste do templo. Pensava assim livrar-se daquele processo incômodo. Lc 23,8-12 Herodes escarnece Jesus
(8)

Herodes Antipas, o matador de João Batista e filho de Herodes Magno, alegrou-se muito ao ver Jesus em seu palácio por uma deferência de Pilatos, que o lisonjeava. Fazia muito tempo que desejava vê-lo pelo tanto que ouvia falar dele. Esperava assistir a algum milagre realizado por Jesus e julgava que o prisioneiro faria qualquer prodígio para ser libertado. (9) Fez-lhe uma série de perguntas, mas Jesus simplesmente se calou por estar diante de uma "raposa" (13,32) e porque nunca
EVANGELHO COMPLETADO - SÃO LUCAS CAPÍTULO 23

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aceitou praticar um milagre para satisfazer a curiosidade de quem quer que fosse. (10) Ali estavam também os chefes dos sacerdotes e os professores da Lei, acusando-o violentamente. (11) Herodes, com os de sua guarda, percebeu a inconsistência de todas as acusações, mas, ferido no seu orgulho pelo silêncio de Jesus, tratou-o com desprezo e zombaria. Para escarnecer de suas "pretensões" à realeza, mandou cobri-lo com uma veste branca de gala, como usavam os príncipes orientais, e o devolveu assim a Pilatos. (12) E nesse mesmo dia, por essa troca de gentilezas, Herodes e Pilatos, inimigos políticos, fizeram as pazes, tornando-se amigos. Lc 23,13-25 Pilatos fraqueja. Com Barrabás. Condenação (Mt 27,20-26; Mc 15,6-15; Jo 18,39-40)
(13)

Diante do impasse no processo de Jesus, Pilatos reuniu os chefes dos sacerdotes, os chefes do povo e o povo para tentar salvar Jesus pela segunda vez:
(14)

- "Vocês me apresentaram este homem como um agitador do povo. Ora, eu mesmo o interroguei diante de vocês todos e não o achei culpado de nenhum dos delitos de que vocês o acusam. (15) Tampouco Herodes o achou culpado, uma vez que o devolveu a mim. Como estão vendo, este homem nada fez que mereça a pena capital. (16) Por isso, em atenção a vocês, vou mandar flagelá-lo e depois o soltarei".
(17)

Era costume Pilatos soltar um preso por ocasião da Páscoa. Propôs-lhes então que escolhessem entre Jesus e Barrabás, como terceira tentativa para salvar Jesus. (18) Todos, porém, persistiram, gritando a uma só voz: - "Morte a este homem! Solte-nos Barrabás!".
(19)

Barrabás tornara-se réu de um levante popular durante o qual cometera um homicídio. Esses os motivos de estar preso. (20) Pilatos dirigiu-lhes de novo a palavra conciliatória. (21) Mas eles vociferavam com ódio fanático: - "Crucifique-o! Crucifique-o!".
(22)

Pilatos jogou timidamente a última cartada:

- "Mas que mal fez este homem? Não encontrei nele culpa alguma que mereça a morte. Vou mandá-lo flagelar e depois o soltarei".
(23)

Mas a multidão, obstinada, exigia em altos brados que fosse crucificado. E seus clamores cresciam. (24) Enquanto Pilatos, enfraquecido diante da pressão em massa, temeu a impopularidade e que chegasse ao imperador algum relatório desfavorável. Em vez de pronunciar-se pelo direito e pela inocência, fez-se cúmplice da injustiça, sentenciando que se atendesse à exigência dos acusadores. (25) Soltou Barrabás, preso por motim e homicídio e que eles reclamavam, e entregou-lhes Jesus para que fizessem dele o que bem entendiam.

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CAPÍTULO 23

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Questionário 1 - Quem era Pilatos? O romano que governou a Judéia, a Samaria e a Iduméia de 26 a 36. Residia em Cesaréia, junto ao mar Mediterrâneo. Por ocasião das festas pascais permanecia em Jerusalém, na fortaleza Antônia, perto do templo, a nordeste da cidade, para garantir a ordem pública. 2 - Mostre a falsidade da acusação contra o imposto. O próprio Jesus ensinou: "Dai a César o que é de César" (20,25). 6 - Qual Herodes era esse? Herodes Antipas, filho de Herodes Magno e tetrarca da Galiléia mais Peréia, subordinado aos romanos. Degolou o Batista. Em Jerusalém, residia no palácio hasmoneu, a oeste do templo. Era astuto diplomata. 9 - Interprete o silêncio de Jesus. "Herodes desprezou Jesus como incapaz, porque não realizou nenhum milagre; como ignorante, porque não respondeu uma palavra; como tolo, porque diante dos acusadores não se defendeu" (S. Boaventura). Jesus nunca fez um milagre para simples satisfação de uma curiosidade, sem que a pessoa mostrasse o mínimo interesse pelo seu bem espiritual como Herodes. Este, que Jesus já apelidara de "raposa" (13,32), pelo seu desregramento, não mereceu ouvir uma palavra pronunciada por Jesus, cujo silêncio é a mais contundente condenação do corrupto monarca. O pressuposto necessário para um milagre de Jesus é sempre a disposição para crer. Diante de Herodes, Jesus cumpriu o que ensinou aos apóstolos: "Não lanceis pérolas aos porcos!" (Mt 7,6). 12 - Explique a razão da inimizade entre Herodes e Pilatos. Pilatos mandou massacrar um grupo de galileus súditos de Herodes (13,1), e a alta classe social dos judeus, apoiada por Herodes, mandou ao imperador de Roma um abaixo-assinado contra Pilatos. Daí a inimizade, conforme o historiador judeu Flávio Josefo. 18 - Por que Jesus não ab riu a b oca para se defender diante de Barrabás? É um silêncio-expressão de amor infinito! Se Jesus se defendesse, teria tapado a boca de seus inimigos como vinha acontecendo todas as vezes que o atacavam; teria facilmente provado a própria inocência, e Barrabás, já réu de morte, levaria a pior. Jesus calou-se para ser condenado e Barrabás, poupado! Barrabás significa "filho de seu pai". Uma tradição siríaca diz que seu nome verdadeiro era exatamente Jesus. E, por respeito ao nome do Senhor, os cristãos o chamaram Barrabás. 25 - Quem é culpado pela condenação de Jesus? Pilatos, representante de todos os pagãos e portanto de todos nós descendentes do paganismo, e os chefes judeus em nome do povo de Deus. Por esses representantes toda a humanidade pecadora condenou Jesus. Ninguém fica imune dessa culpa, fruto do pecado que todos cometemos.

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Lições de vida 25 - Barrabás é a desordem que o mundo sempre manda deixar em liberdade! Jesus é a honestidade da qual há sempre Herodes zombando e o mundo condenando. Pilatos tinha forças suficientes para impor a ordem e defender o direito do inocente. No entanto, foi fraco e acovardou-se. Que eu não tenha medo de defender a verdade e a justiça mesmo com prejuízo. Oração Senhor, ensine-me a calar, mesmo com desvantagem, quando se trata de salvar alguém, embora culpado. Senhor, fortaleça minha coragem para nunca ceder diante de pressões exteriores quando se trata de fazer triunfarem a justiça e a inocência. Perdão, Senhor, porque também meus pecados gritaram "crucifique-o"! Amém. Lc 23,26-33 Para o calvário. O cireneu. Mulheres (Mt 27,31-33; Mc 15,21-28; Jo 19,17-18)
(26)

Os soldados romanos conduziram-no, de cruz às costas, para o lugar da execução. Pelo caminho requisitaram um certo Simão, natural de Cirene (hoje Trípoli), capital da Líbia, ao norte da África. Ele voltava de sua propriedade rural. Obrigaram-no a carregar a cruz atrás de Jesus porque receavam que o condenado, já sem forças por tantos maus-tratos, sucumbisse pelo caminho. (27) Grande multidão de povo o seguia, como também mulheres que o haviam conhecido em Jerusalém, muito condoídas, choravam e lamentavam em alta voz a triste e injusta sorte dele. (28) Jesus, esquecido de si, voltou-se para elas dizendo-lhes: - "Filhas de Jerusalém, não chorem por mim, mas por vocês mesmas e por seus filhos. (29) Porque chegarão dias de terror em Jerusalém (21,23) quando se dirá: 'Felizes as mulheres estéreis! Os ventres que não conceberam e os seios que não amamentaram, porque não verão morrer de fome seus filhos!'. (30) Os males serão tão terríveis que começarão todos a invocar a morte, dizendo às montanhas: 'Caiam sobre nós!', e às colinas: - 'Escondam-nos de tão horrendo castigo!' (Os 10,8). (31) Pois se fazem isto comigo, árvore verde carregada de frutos (SI 1,3;Jr 17,8) e sem nenhum mal, que acontecerá com Jerusalém, essa planta seca e coberta das culpas de seus grandes delitos, com a recusa obstinada de todas as graças de Deus?".
(32)

Conduziam também dois bandidos para serem mortos com Jesus. (33) Chegados ao lugar chamado calvário (ou caveira), em hebraico gólgota, aí crucificaram-no e com ele os dois malfeitores, um à sua direita, outro à esquerda.

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Questionário 26a - Onde fica Cirene? Era a capital da Líbia ao norte da África, hoje Trípoli. 26b - Por que obrigaram Simão a levar a cruz? Temiam que Jesus desfalecesse pelo caminho, exaurido por tantos maustratos a noite inteira mais a flagelação e a coroação de espinhos. Era um direito das tropas de ocupação obrigar quem quisessem a qualquer serviço público. Segundo o costume romano, normalmente o condenado carregava só o patíbulo, isto é, a parte horizontal da cruz com os braços amarrados nele. Revelações particulares mostram Jesus carregando a cruz inteira, pesada demais para quem vinha tão debilitado. 27 - Essas mulheres não seriam as mencionadas no v. 49? Não as mesmas. As do v. 49 são as que vinham acompanhando Jesus desde a Galiléia. Essas outras são de Jerusalém, como claramente diz Jesus no v. 28. Segundo o Talmud (respeitadíssimo livro da doutrina jurídica judaica), mulheres distintas de Jerusalém sempre levavam bebidas entorpecentes para aliviar os sofrimentos dos condenados. Esse grupo de mulheres chorou por Jesus porque certamente o conhecera ensinando no templo e o sabia inocente. 29 - Jesus estará privilegiando a esterilidade? Está apenas profetizando o que sabemos que aconteceu 40 anos mais tarde, durante o longo cerco de Jerusalém: muitas mães viram morrer de fome os filhos, enquanto as estéreis não passaram por esse tormento. 30 - A que profeta Jesus aludiu nesse versículo? A Oséias 10,8. 31 - Que entende dizer com "lenho verde" e "lenho seco", do texto oficial? Arvore verde não se lança ao fogo porque está coberta de folhas e frutos (SI 1,3; Jr 17,8). Essa árvore é o próprio Jesus, isento de todo mal e coberto só dos frutos de boas obras. O lenho seco é Jerusalém, que, obstinada em seu repúdio ao Salvador, prepara para si mesma os mais duros castigos. 32 - Qual o nome desses dois malfeitores? A tradição nos transmite o nome de Dimas, o da direita que se converteu na cruz, e Gestas à esquerda de Jesus. 33a - Que era o calvário? Calvário ou caveira, por ter a forma de crânio, gólgota em aramaico, era pequena elevação de terreno de não mais de 5 metros, a uns 200 metros fora dos muros a nordeste de Jerusalém e a uns 500 metros da casa de Pilatos, onde Jesus recebeu a cruz. 33b - Como eram as cruzes da crucificação? Usavam três modelos de cruzes. Uma em forma de X, conhecida como cruz de Santo André; outra como a letra T maiúscula; e uma terceira na forma tradicional.
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O fato de terem colocado acima da cabeça de Jesus uma tabuinha com a inscrição "Jesus Nazareno Rei dos Judeus" mostra que foi esta última a cruz de Jesus (Mt 27,37). 33c - Como crucificavam? De três maneiras. Estendida a cruz no chão, sobre ela amarravam ou pregavam o condenado e então o erguiam, fincando o madeiro no chão. Ou primeiro fixa vam a cruz no solo, tendo um suporte de assento para apoio da vítima, e só então o erguiam com cordas ou nos braços dos carrascos, amarravam ou pregavam. Um terceiro modo era fixar em terra a haste vertical da cruz, pregar primeiro as mãos no patíbulo e só então erguer e pregar os pés. Sabemos que Jesus não foi amarrado e sim pregado porque depois da ressurreição ele conservou as cicatrizes de suas cinco chagas, incluída a do peito, como prova inequívoca de sua identidade (24,3940; Jo 20,27). Os Evangelhos não relatam qual das três maneiras eles adotaram para Jesus. Mas revelações particulares (não-oficiais) como as de Maria Valtorta descrevem a crucifixão de Jesus no chão com três pregos, sendo um maior para os dois pés sobrepostos numa cunha fixada na cruz, um no pulso da mão direita e outro na palma da mão esquerda porque o pulso não alcançava o furo já feito na madeira para o prego. Essa visão corresponde aos estudos do Dr. Lourenço Ferri sobre o Sudário de Turim. Os romanos crucificavam a pessoa nua; os judeus cobriam a nudez. Revelações particulares mostram Jesus com a nudez coberta por um pano. Como deram de beber a Jesus na esponja fixa numa vara (Jo 19,29), os pés deviam estar a mais ou menos um metro de altura, tendo a cruz mais de três metros. Lições de vida 26 - Simão cireneu, embora forçado, prestou um serviço que caracteriza o autêntico discípulo de Jesus: - "Aquele que não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim não pode ser meu discípulo" (14,27). Daí por diante Simão tornou-se um ardoroso seguidor de Cristo. 21 - No meio duma multidão do contra, algumas mulheres apiedaram-se dos sofrimentos de Jesus. É sinal de suma delicadeza de coração sensibilizar-se pela dor alheia a ponto de nunca passar com indiferença diante de quem sofre o que quer que seja. 33 - A crucifi xão era o suplício mais cruel e ignominioso do tempo. E Jesus suportouo por mim! Então a cruz se tornou o símbolo do sofrimento suportado com amor; símbolo da abnegação e da nossa união mística com Cristo (Mt 10,38); compêndio de todo o Evangelho (Gl 6,12), motivo de gloriar-nos (Gl 6,14). Por ela nos veio a Redenção, e é só carregando sua própria cruz diária que o homem participa dessa Redenção (Ef 2,14-16).

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Oração Senhor, eu tenho medo da cruz. Pelo amor com que o Senhor levou a sua, que devia ser minha, dê-me a disposição necessária para que eu não fraqueje diante dos sofrimentos inevitá veis que a vida nos traz. Faça-me cireneu que busca aliviar as cruzes dos outros; e, como aquelas mulheres, nunca me aconteça passar indiferente diante de quem sofre. Faço minha a oração de S. Agostinho: "Inscreva, Senhor, no meu coração as suas cinco chagas, para que, lendo nelas o seu amor, pelo Senhor relativize todo amor da terra, e lendo nelas seus sofrimentos, pelo Senhor sofra quaisquer tormentos". Amém. Lc 23,34-43 Perdoa. É injuriado. O ladrão (Mt 27,31-44; Mc 15,20-32; Jo 19,17-24)
(34)

Jesus suplica ao pai em favor de seus inimigos de quem se faz advogado (1Jo 2,1) esquecendo sua tortura: - "Pai, perdoe-lhes porque não sabem o que estão fazendo!" (Mt 5,44). Os soldados que o crucificaram repartiram entre si as vestes dele, tirando sorte com dados (SI 22 (21),19). (35) O povo continuava ali defronte observando enquanto os membros do Sinédrio ridicularizavam-no (SI 22 (21), 8): - "A outros salvou, que salve a si mesmo se é o Messias prometido que Deus escolheu!".
(36)

Os soldados romanos montando guarda também zombavam dele; aproximandose da cruz, ofereceram-lhe vinagre para matar a sede (SI 69 (68), 22) e repetiam os insultos que ouviam dos outros:
(37) (38)

“Se você é o rei dos judeus, salve-se a si mesmo!".

Acima da cabeça de Jesus fixaram uma tabuleta com a seguinte irônica legenda em grego, latim e hebraico: "Este é o rei dos judeus".
(39)

Um dos facínoras suspensos obstinadamente com revolta:
(40)

à

cruz

também

blasfemava

dizendo

- "Você não é o Messias Salvador? Prove-o salvando-se a si mesmo e a nós dois". O outro condenado, impressionado com o perdão que Jesus deu aos inimigos e com o heroísmo de amor com que sofria, repreendeu seu companheiro de infortúnio e confessou as próprias culpas:

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- "Nem sequer você teme a Deus sofrendo o mesmo suplício que Jesus? (41) Para nós dois o castigo é justo porque pagamos o mal que praticamos, mas ele não fez mal nenhum!".
(42)

E olhando para Jesus disse-lhe, humilde e confiante:

- "Jesus, não sou digno de ir com o Senhor; só peço que se lembre e faça o que puder por mim quando o Senhor, depois da morte, voltar investido como Rei Messiânico!" (22,29).
(43)

Jesus, surdo às injúrias e atento à súplica, respondeu dando-lhe mais do que pedia: - "Eu lhe asseguro, hoje mesmo você estará comigo no lugar onde os justos aguardam a Redenção!!". Questionário 33-34 - Encontre em Is 53 a profecia de o Messias ser contado entre os pecadores, do perdão que daria aos inimigos, e da partilha de suas vestes num salmo. Em Is 53,12 lemos: "Deixou-se contar entre os pecadores" e "intercede pelos transgressores". No salmo 22 (21), 19: "Repartem entre si minhas vestes e sorteiam minha túnica". 34 - Aprecie esse perdão. O Senhor crucificado entre dois ladrões como o mais ordinário deles está cumprindo literalmente o ensinamento deixado em Mt 5,44: "Amai vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem!". Na hora em que mais recrudescem o ódio e os sarcasmos, Jesus esquece suas dores atrozes e levanta a voz em favor de todos que o levaram ao calvário. Dizendo "não sabem o que fazem", parece estar orando apenas pelos soldados romanos pagãos que ignoravam Jesus e deviam cumprir o triste ofício de carrascos. Mas Jesus orou também pelos chefes judeus que induziram Pilatos a condená-lo sem causa. Não que fossem isentos de culpa, senão não teria sentido pedir perdão por eles, mas ignoravam as proporções de seu pecado de deicídio. A crucifixão era "a pena de morte mais cruel e mais terrível" (Cícero), "o tipo de morte mais deplorável" (Flávio Josefo), "a pena de morte dos escravos" (Tácito). 36 - Tire do SI 69 (68) a profecia do vinagre para a sede "Quando tenho sede dão-me vinagre a beber" (SI 69,22). 41-42 - Aprecie a conversão do b om ladrão. Dimas impressionou-se com a serenidade e a mansidão de Jesus; crê na imortalidade do espírito humano; reconhece que Jesus é o verdadeiro Messias e senhor do Reino; reconhece e confessa a própria culpa; faz um ato público de fé em Jesus diante dos sacerdotes e circunstantes que o cobrem de insultos reduzindo-o a um impostor. O "Perdoai-lhes, pai" soou aos ouvidos do malfeitor da direita como algo tão novo, tão desconcertante, tão divino que, com instinto certeiro, reconheceu naquele justiçado um inocente e um ser superior. Sentiu então a consciência de seus erros. Sua alma se abriu num assomo de fé e de confiança naquele que ama
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até os pecadores: - "Senhor, lembre-se de mim...". E aí ficou a sublime lição para o mundo inteiro: o pecado não fecha a porta do céu quando para Jesus se abre a porta do coração! 43 - Que paraíso é esse? Paraíso vem da palavra persa "pairi-daéza" simplificado em "pardés", que significa "jardim florido" e metaforicamente "felicidade". Para os judeus, era o "sheol", equivalente a "limbo" ou "mansão dos mortos", onde os justos aguardavam a vinda do Messias com a Redenção. Jesus, entre sua morte e sua ressurreição, "desceu à mansão dos mortos" (Credo) (Gn 42,38; Nm 16,33; Lc 16,23; At 2,31; Ef 4,9; Ap 1,18), a fim de "levar a Boa Nova da iminente libertação até os espíritos que se encontram na prisão" (1Pd 3,19). O bom ladrão irá com Jesus ao limbo até a ressurreição do Senhor, quando conduzirá consigo todos os justos dessa mansão dos mortos. "Você estará comigo" indica que, essencialmente, o paraíso é estar com Jesus, com Deus, em plena comunhão de vida. A escatologia judaica mantinha a crença de que no "sheol" há espaços separados para justos e maus: para estes, um lugar (condição) de suplício; para aqueles, de relativa felicidade. Todos os mortos iam a esse estado intermediário que os judeus não denominavam paraíso (gan eden), o qual designa o mundo futuro na plena posse e felicidade de vida com Deus. Lições de vida 34 - Enquanto os inimigos de Jesus vomitam afrontas, ele, esquecendo seus tormentos e usando da força de sua intimidade com o Pai, implora que os perdoe! Para obtê-lo mais facilmente procura atenuar a culpabilidade deles alegando que não sabem o que estão fazendo. Sim, embora a ignorância não fosse total, os judeus não viam toda a dimensão do crime que perpetravam. Se tivessem tido o devido conhecimento "não teriam crucificado o Senhor da glória" (1Cor 2,8). Também Pedro dirá: "Sei, irmãos, que agistes por ignorância como também os nossos chefes" (At 3,17); mas, "condenando-o, realizaram as profecias sem disso tomarem consciência" (At 13,29). O próprio Jesus reconhece que os homens são "sem entendimento e lentos de coração para crer no que os profetas anunciaram" (Lc 24,25). Do que se depreende que todo pecado, antes de ser um desvio moral, é um obscurecimento da inteligência. Essa oração de Jesus visa a todos que pecando cooperaram na sua condenação; nós também! E ela não emudecerá mais. De fato, Estevão, morrendo apedrejado, suplicará: - "Senhor, não lhes leves em conta este pecado!" (At 7,60). Até o fim dos tempos Jesus será glorificado no perdão que os novos mártires irão dando a seus algozes. João Paulo II perdoou e abraçou quem o quis matar. 34 e 43 - Jesus pregado na cruz não está desesperado, nem derrotado, nem mudo. Antes, encontra forças para, do seu trono sangrento, tomar medidas próprias de um rei divino: dá o perdão aos culpados de sua morte, dá o céu ao ladrão e nos dá sua mãe como nossa mãe: "filho, eis aí a tua mãe!" (Jo 19,27). Essa é a maneira de Jesus exercer sua realeza: dar tudo! Assim ele manifesta sua suprema liberdade

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interior e a força espiritual de seu amor, verdadeira vitória sobre o ódio e o egoísmo. Tortura, injustiça, rancor não são capazes de dissuadi-lo de amar-nos sem medida! O Crucificado é protótipo da vida de amor, de oração e de sofrimentos cristãos. Embora morrendo em pobreza e desonra extremas, faz-se modelo e força de todos os mártires. Jesus perdeu tudo: perdeu a liberdade, porque pregado num madeiro; perdeu a honra, porque contado entre malfeitores; perdeu as vestes, último resto que possuía, porque ficou nu. Só lhe ficou o Pai, aquele que é TUDO! E isso lhe basta! 35 - O povo que já ouvira Jesus pregando no templo está agora ali compungido, mas chocado. Deve superar o grande desafio da fé: será possível ser o Messias um homem que acaba tão miseravelmente? Não deveria agora ele manifestar publicamente o seu poder salvando-se da cruz? Se ele não se salva a si mesmo, muito menos poderá ser o salvador do povo. Perdem a fé no Nazareno porque é incompreensível que a fraqueza comprove o poder. No entanto, Paulo diz: - "O que é tido como fraqueza de Deus é mais forte que os homens" (1Cor 1,23-25), e escreve: - "Prefiro gloriar-me das minhas fraquezas para que habite em mim a força de Cristo" (2Cor 12,9). E Jesus diz-lhe numa visão: - "Basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que a minha força se manifesta totalmente" (ibidem). 35b - A inscrição colocada no alto da cruz, Jesus Nazareno Rei dos Judeus, mostra a investidura real de Jesus nesse trono improvisado. A lei mosaica para questões importantes exigia duas testemunhas. Na investidura de Jesus, testemunham dois ladrões comuns. Ele só se tornou Rei, indo ao extremo do escárnio: - "Rebaixou-se até a morte própria de um escravo" (Fl 2,7). 42 - Um malfeitor condenado converte-se radicalmente e dá testemunho público de sua fé depois de um só encontro com Jesus nas circunstâncias mais deploráveis. Na vida roubou dos homens, na morte roubou o céu! Eu tenho tantos contatos com a Palavra e os exemplos de Cristo. Tenho igual coragem de testemunhá-lo diante de grupos adversos? Quem se converte reconhece suas culpas e não se justificando a si mesmo é justificado por Jesus. Conversão e arrependimento geram a entrega nas mãos de Deus, sempre pronto a perdoar. Dimas confia seu futuro às mãos de Jesus, embora se julgue indigno. Por isso, humildemente pede que Jesus só se lembre, isto é, veja o que pode fazer por ele quando vier como Rei. E Jesus dá muito mais do que o suplicante espera e merece: dá-lhe a salvação eterna porque reconheceu seus erros (arrependimento) e confiou no Senhor (fé). A morte sofrida tornou-se seu batismo de sangue. Quando Judas abandonou o Mestre para entregá-lo aos inimigos, Jesus declarou de maneira misteriosa: - "Agora foi glorificado o filho do Homem... e Deus o glorificará sem demora" (Jo 13,31-32). Não demorou: a conversão do ladrão começa a glorificação do Senhor crucificado. Começa também o HOJE da salvação para todos, como temos em Hb 3,13: - "Encorajai-vos uns aos outros, dia após dia, enquanto durar a proclamação do HOJE, a fim de que ninguém dentre vós se endureça enganado pelo pecado".

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Oração Conceda-me, Jesus crucificado, a disposição de perdoar tão amplamente como o Senhor perdoou, e de não guardar aversão a quem me quer mal. Senhor, que também eu saiba calar quando ofendido, injuriado, e ame tanto a verdade que não receie reconhecer e confessar meus erros. Amém. Lc 23,44-56 Morte e sepultura (Mt 27,51-61; Mc 15,38-47; Jo 19,31-42)
(44)

Pelo meio-dia, repentinamente, fez-se uma escuridão em toda aquela terra até as 15 horas (45), tendo-se ocultado o Sol (Ex 10,21-22, Am 8,9). A grande cortina que escondia no templo o lugar chamado Santo dos Santos rasgou-se em duas partes, de alto a baixo, (46) quando Jesus deu um grande brado, orando com as palavras do SI 31,6: - "Pai, em tuas mãos entrego meu espírito", e expirou, confiando o sacrifício de sua vida nas mãos do Pai.
(47)

O centurião romano, diante de tudo que estava acontecendo a seus olhos,glorificou a Deus com este ato de fé em Jesus: - "Verdadeiramente este homem era um justo e não um culpado!".
(48)

E todas as pessoas que acorreram por curiosidade ao espetáculo, vendo o que acontecia, voltaram para casa batendo no peito arrependidas como predissera o profeta Zacarias 12,10: "Erguerão o olhar para aquele a quem transpassaram... Pranteá-lo-ão amargamente como se pranteia um primogênito". (49) Os apóstolos e as mulheres que o haviam acompanhado desde a Galiléia permaneciam a distância observando tudo (SI 38,12).
(50)

Chegou um homem chamado José, senador, isto é, membro do Conselho Superior Nacional, o Sinédrio, homem de bem, por suas qualidades morais, e justo, pela fiel observância da Lei de Deus; (51) ele não concordou com a decisão e a atitude dos outros conselheiros no tocante a Jesus. Natural de Arimatéia (nome grego de Rama ou Ramathaim), na Judéia, como discípulo de Jesus às ocultas (Jo 19,38) esperava a vinda do Reinado de Deus. (52) Decididamente foi à presença de Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. (53) Desceu-o da cruz, envol veu-o apressadamente num lençol de linho em ligaduras sobre as quais derramou mirra e aloés, e depositou-o no sepulcro da família, escavado na rocha onde ninguém ainda havia sido colocado. (54) Era sexta-feira, para os judeus dia de preparação, quando deviam deixar prontas todas as coisas necessárias para o dia seguinte, sábado, em que não podiam fazer qualquer serviço, mesmo acender o fogo, e que começava pelas 18 horas ao pôr-do-sol da véspera. (55) Algumas mulheres, entre elas Maria Madalena, Maria mãe de Tiago Menor e José, Salomé mãe dos filhos de Zebedeu,

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com Maria mãe de Jesus, que tinham seguido o Mestre desde a Galiléia, foram com José de Arimatéia, observaram bem o sepulcro e como o corpo de Jesus foi depositado. (56) Em seguida, voltaram para casa e prepararam óleos aromáticos e outros ungüentos destinados ao cadáver depois do repouso sabático. A noite caiu e começou o sábado no qual, encerradas em suas casas, guardaram o descanso preceituado pela Lei (Ex 20,9-10), mas pesado de morte e de desesperança. Questionário 44 - Teria havido um eclipse solar? Impossível um eclipse solar em tempo de Páscoa que só acontecia na lua cheia. É provável que o Sol tenha sido encoberto por espessas nuvens em todo o território de Israel, se não se trata de um fenômeno sobrenatural. 44-48 - Cite fatos notáveis sucedidos à morte de Jesus. O forte grito de Jesus: um moribundo não tem força para gritar. Trevas cobriram a terra desde o meio-dia até as 15 horas (Mt 27,45; Mc 15,33; Lc 22,44-45). A cortina do templo rasgou-se de alto a baixo (Mt 27,51; Mc 15,38; Lc 23,45). Terremoto (Mt 27,51). Aparição de mortos em Jerusalém (Mt 27,52-53). Brado de fé do centurião romano (Mt 27,54; Mc 15,39; Lc 23,47). Arrependimento do povo (Lc 23,48). 45 - Que significa o rasgo da cortina do velho templo? A grande cortina impedia o acesso humano ao lugar mais sagrado do templo, considerado o lugar de habitação do próprio Deus. Só o sumo sacerdote o adentrava uma só vez ao ano (Hb 9,7; Lv 16). O rasgo significa que a partir desse momento histórico não haverá mais nenhuma separação entre Deus e o mundo: Jesus, com sua morte, abriu-nos o livre acesso para Deus, acesso fechado aos homens desde o pecado original. A Antiga Lei, o antigo templo com seu culto figurado nesse Santo dos Santos estão definitivamente abolidos. É o fim da Antiga Aliança e a inauguração da "Nova Aliança no meu sangue" (Lc 22,20). Desde agora Jesus Cristo é a Nova Lei e o Novo Culto (Hb 9,11-12; 10,19-20). Com a morte de Jesus surge uma nova ordem de salvação. 46a - O que fazia morrer um crucificado? A asfixia com parada cardíaca produzida pela acumulação de sangue nos pulmões; o dessangramento geral; a febre; a fome; a sede. A morte geralmente era acelerada pelo crurifrágio ou pela lançada no coração. Jesus, pelos maus-tratos da noite inteira, pela flagelação e pela coroação de espinhos, teve três horas de agonia na cruz e morreu sem o crurifrágio em cumprimento da profecia: "Nenhum de seus ossos será quebrado" (Ex 12,46; Nm 9,12; Jo 19,36). A lançada no coração foi para Longino certificar-se de que Jesus estava morto. 46b - Quais foram as sete últimas palavras de Jesus? 1) "Perdoai-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem!" (Lc 23,34). 2) "Hoje mesmo estarás comigo no paraíso!" (Lc 23,43).

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3) "Mulher, eis aí teu filho. Filho, eis aí tua mãe!" (Jo 19,26). 4) "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste às mãos dos inimigos?" (Mt 27,46; Mc 15,34; SI 21,2). 5) "Tenho sede" (Jo 19,28; SI 22,16). 6) "Tudo está consumado!" (Jo 19,30; SI 22,32). 7) "Pai, em tuas mãos entrego meu espírito!" (Lc 23,46; SI 31,6). 53 - Cronologia tradicional da Semana Santa: 2 de abril, domingo. Solene entrada em Jerusalém (Jo 12,12). Ao cair da tarde, volta a Betânia (Mc 11,11). 3 de abril, segunda-feira. Volta a Jerusalém. Maldição da figueira infrutífera (Mc 11,12-14). Retorna a Betânia (Mc 11,19). 4 de abril, terça-feira. Volta a Jerusalém (Mc 11,20). Prediz a destruição de Jerusalém e o Juízo Final (Mt 24,1-25). 5 de abril, quarta-feira. Judas combina a traição (Mt 26,14-16; Mc 14,10-11; Lc 22,3-6). 6 de abril, quinta-feira santa. Última Ceia (Mt 26,26-28). Ao Monte das Oliveiras (Mc 14,26. 32). Preso (Mc 14,43-46). Interrogatório preliminar noturno perante Anás (Jo 18,13-23). 7 de abril, sexta-feira santa. Às 2 horas da madrugada, interrogatório e condenação perante Caifás (Mc 14,53-64; Jo 18,24). Às 5 horas da manhã, condenado pelo Sinédrio (Mc 15,1; Lc 22,66-71). 1º interrogatório perante Pilatos (Lc 23,1; Jo 18,28-40). Perante Herodes (Lc 23,6-12). 2º interrogatório perante Pilatos (Lc 23,13-15; Mt 27,17-24). Flagelado, coroado de espinhos, condenado oficialmente (Mc 15,15-17). Trevas do meio-dia às 15 horas (Mc 15,33; Lc 23,44). Morte às 15 horas (Lc 23,46). Sepultamento às 17 horas (Mc 15,42-46). 8 de abril, sábado santo. No sepulcro (Mt 28,1). 9 de abril, domingo. RESSUSCITA (Lc 24,1-7). Lições de vida 44-46 - Jesus sujeitou-se ao castigo que seria destinado aos pecadores e expiou por todos. Por mim também! Na noite em que ele nasceu (Lc 2,9), os pastores foram envoltos em luz, a noite se iluminou; quando ele morreu, o dia escureceu. Jesus termina sua vida numa oração de entrega e confiança nas mãos do Pai. Também a primeira palavra da revelação de si mesmo como Filho de Deus referiu-se ao Pai: "Não sabíeis que devo ocupar-me dos interesses do Pai?" (Lc 2,49). Ligado ao Pai em tudo, do começo ao fim! 52 - Um executado pela justiça romana perdia o direito às últimas homenagens. Seu corpo era deixado insepulto e entregue aos animais e às aves de rapina. Ao contrário, o direito judaico proibia que o corpo ficasse insepulto até a noite. Devia ser enterrado em cemitério à parte como um malfeitor entre os criminosos sem as costumeiras homenagens (Jo 19,31). Notável e surpreendente aqui a coragem de José de Arimatéia (perto de Lida) em se apresentar não como parente, mas como

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amigo de Jesus quando a maioria é contra. Cumpriu-se o que profetizou Isaías 53,9b: "Entre os ricos está o seu túmulo". Pilatos libera fácil o corpo de Jesus, pois está convicto de sua inocência. Assim Jesus recebeu um sepultamento condigno: o corpo foi tirado da cruz, envolto em lençóis de linho com aromas e depositado num sepulcro novo cavado na rocha virgem. O sepultamento confirma que Jesus estava morto. Esse sepulcro é fim e começo, é monumento da morte e da ressurreição do Senhor da Vida! Oração Jesus, Cordeiro Pascal imolado, desce ao túmulo como semente de vida. Deixou-se conduzir ao matadouro como ovelha silenciosa, mas de sua morte aceita livremente, provém a justificação de todos. Tomou sobre si a punição que nos cabia ; nosso castigo recaiu sobre ele (Is 53,5); ele fez de sua vida um sacrifício de expiação, carregando sobre si os pecados do povo (Is 53,11), mas a sua morte recuperou-nos a vida para sempre. Por isso veneramos a cruz da qual pendeu a salvação do mundo e fez que a morte não seja mais o fim da vida. Obrigado, Jesus.

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CAPÍTULO 24 Lc 24,1-12 O sepulcro vazio! Anjos. As mulheres. Os apóstolos (Mt 28,1-8; Mc 16,1-8; Jo 20,1-10)
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No primeiro dia da semana, domingo, bem de madrugada, as mulheres, com intensa dedicação, dirigiram-se ao sepulcro de Jesus, levando os perfumes que haviam preparado. (2) Encontraram a pedra que fechava o túmulo removida, (3) mas, ao entrarem, não encontraram o corpo do Senhor Jesus. (4) E aconteceu que, ficando completamente perplexas, sem saber o que pensar, logo surgiram diante delas dois anjos em forma de homens (Jo 20,12; Dt 19,15), com vestes fulgurantes (cf. 9,29). (5) Cheias de medo, inclinaram o rosto para o chão, ofuscadas pelo esplendor daqueles personagens que lhes disseram: - "Por que vocês procuram entre os mortos o Vivente por excelência?! (Ap 1,18). (6) Ele não está mais no túmulo; RESSUSCITOU! Lembrem-se do que ele mesmo lhes havia dito estando ainda na Galiléia: (7) 'É necessário que o Filho do Homem seja entregue nas mãos dos pecadores, que seja crucificado, mas que ressuscite ao terceiro dia de sua morte'". Então as mulheres lembraram-se daquelas palavras de Jesus, admiradas de não as terem compreendido embora fossem tão claras. (9) Com a força dessas palavras voltaram do sepulcro e, apenas acalmadas (Mc 16,8), foram contar tudo aos apóstolos e aos demais discípulos. (10) Essas primeiras mensageiras da novidade pascal foram Maria Madalena, irmã de Lázaro, Joana, mulher de Cuza (8,3), Maria, mãe de Tiago Menor e de José, e Salomé (Mc 16, 1), mãe de Tiago Maior e de João. As outras companheiras delas também contaram aos apóstolos as mesmas notícias. (11) Essas coisas, porém, foram recebidas pelos apóstolos com ceticismo, julgadas um desvario, e não acreditaram por estarem sob o domínio do desânimo, crendo que tudo já estava acabado. (12) No entanto Pedro, como primeiro responsável do grupo e cheio de amor por Jesus, levantou-se, correu ao sepulcro, inclinou-se para dentro e só viu os lençóis de linho ainda enrolados no chão, sinal claro de que o corpo não podia ter sido roubado. Voltou para casa vivamente impressionado com o que poderia ter acontecido; não sabia o que pensar, porque nem sequer supunha a possibilidade da ressurreição. Questionário 1 - Gn 2,3 diz que "Deus ab ençoou o 7° dia (sáb ado) e o consagrou". No entanto, os católicos, como a maioria dos outros cristãos, guardam o domingo como dia consagrado especialmente a Deus. Que pensar? Até a morte de Jesus, que marca o fim do Antigo Testamento, o dia santificado era o sábado. Mas com a ressurreição de Jesus inaugurou-se o Novo Testamento. Desde esse dia o próprio Jesus, com sua autoridade de "senhor do sábado" (Lc 6,5), passou a reunir seus adeptos somente aos domingos. No primeiro
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domingo apareceu a Maria Madalena (Jo 20,11-18; Mc 16,9), ao grupo de mulheres (Mt 28,8-10), a Pedro (Lc 24,34), aos dois discípulos de Emaús (Lc 24,13-35), aos apóstolos menos Tomé (Lc 24,26-43). No domingo seguinte (e não no sábado) reuniu-se com os apóstolos inclusive Tomé (Jo 20,26-29). A Igreja do tempo dos apóstolos celebrava a Eucaristia no domingo e não no sábado, como consta de At 20,7: "No primeiro dia da semana [e não no sábado], enquanto estávamos reunidos para partir o Pão", isto é, para celebrar a Eucaristia... Em 1Cor 16,2 temos: "No primeiro dia da semana [e não no sábado], cada um de vós ponha de parte o que tiver podido reservar para a coleta"; no dia santo faziam, durante a Eucaristia, o ofertório para os pobres. E Ap 1,10, que é do final do primeiro século, já dá ao "primeiro dia da semana", o nome próprio de "o dia do Senhor". Dia do Senhor no Antigo Testamento foi o sábado; dia do Senhor no Novo Testamento é o domingo, dia pascal. 3 - É comum nos Evangelhos a designação "Senhor Jesus"? Lc no Evangelho chama-o 15 vezes "o Senhor", mas essa é a única vez que no Evangelho se emprega a designação "Senhor Jesus", que se encontrará 17 ve zes no Atos e muitas vezes no restante do Novo Testamento. É uma fórmula pascal que une o nome de homem, Jesus, com a qualificação divina de "Senhor". 2 - Onde se encontram em Lucas as duas predições de Jesus sob re sua morte? Lc 9,22. 44; 18,31-34. 6 - Qual o alcance da ressurreição? A história de Jesus não se encerra com sua morte porque do túmulo ele saiu com mais força. A ressurreição de Jesus fundamenta o edifício de toda a fé cristã, é o fato central e o objeto por excelência da pregação apostólica (1Cor 15,14-17). É a verdade culminante de nossa fé em Cristo. Não sabemos precisar como se deu o ato da ressurreição porque nenhum evangelista o traz. É que Jesus quis sair do sepulcro não com o aparato de um guerreiro vencedor, não cercado de glória, mas imperceptível. A verdade desse acontecimento inédito manifestou-se por meio do terremoto acontecido só no lugar do sepulcro, por meio do anjo que o declarou ressuscitado e que revolveu a pedra da sepultura não para abrir uma saída a quem venceu a morte, mas para que ficasse patente a todos o sepulcro vazio. Esses vêm a ser sinais evidentes que, embora não provem a ressurreição pelos métodos da ciência histórica, mostram sua credibilidade como mistério de fé. A pregação dos apóstolos é prova histórica de sua fé na ressurreição. Eles o viram ressuscitado; são, portanto, testemunhas fidedignas. Jesus, unida sua alma a seu corpo glorificado, saiu da sepultura ainda fechada e selada, saiu em estado de vida deiforme que já não pertence a este mundo, conforme testemunho do anjo e logo em seguida o testemunho de centenas de pessoas que o viram redivivo. A ressurreição de Jesus é garantia de vitória sobre a morte, o pecado e todo o mal, é o desabrochar definitivo do novo mundo pensado por Deus. É a exaltação de Jesus em sua humanidade glorificada que o torna o Senhor assentado à direita do Pai. É a garantia da esperança cristã, o penhor e o tipo de nossa futura ressurreição. Jesus ressuscitando introduziu sua humanidade (corpo e alma) na Trindade, abrindo o caminho de nossa consumação final de perfeita imagem e semelhança de Deus.

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Em virtude de sua união com a 2a Pessoa da Trindade, o corpo de Jesus "não viu a corrupção" (At 12,37: 2,27) que, segundo pensavam, se manifestaria a partir do 4º dia (Jo 11,39). A morte é a separação do composto humano; a ressurreição é a união das duas partes separadas. A ressurreição confirma tudo o que Jesus fez e ensinou, confirma sua divindade. Se a morte do "primogênito" (Cl 1,18) paga a dívida da humanidade, sua ressurreição é o princípio de nossa ressurreição futura, porque ela nos restitui a vida da Graça, a justificação, a adoção filial que nos dá os direitos de irmãos de Cristo com a participação real na vida do Filho Eterno do Pai. 6 - Diz Allan Kardec que a ressurreição de Jesus é sua reencarnação. Sim? A reencarnação, que na realidade não existe, seria, segundo o espiritismo, o espírito da pessoa falecida retornar a um novo corpo para se purificar; passaria a constituir outro indivíduo. Essa doutrina é contra a filosofia que mostra a unidade da pessoa e é contra a Bíblia que atribui uma só existência terrena a cada ser humano (Hb 9,27; Lc 23,43). A ressurreição de Jesus não foi uma volta à vida terrena, mas o fez passar ao estado final da existência humana, o fez alcançar a sua consumação, ou seja, a plenitude da vida na participação da divindade, sua máxima realização na posse da vida eterna em plena comunhão com o Pai. Reencarnação seria a volta noutra pessoa; a ressurreição é o prosseguimento à etapa final da mesma pessoa no plano de Deus. Lições de vida 1-3 - Admirável a dedicação dessas mulheres ao Senhor. Como poderiam aplicar esses ungüentos no corpo de Jesus se não sabiam como remover a pedra que fechava o sepulcro? O amor quando é grande não vê obstáculos. Elas não acharam o corpo de Jesus. Ninguém viu a ressurreição. Mas os guardas viram a pedra da entrada do túmulo rolar sozinha para o lado, o que os fez fugir e levar a notícia aos que condenaram Jesus (Mt 28,11). São as testemunhas mais fidedignas do sepulcro vazio. 11 - Os apóstolos não eram crédulos. Convenceram-se da ressurreição de Jesus à base de fatos concretos vivenciados pessoalmente. A incredulidade tornou-lhes depois a fé mais sólida para si mesmos e mais convincente para nós. A dúvida é mais falta de fé do que limitação de nossa mente para compreender o que supera o nível humano da inteligência. Ao mesmo tempo a dúvida tem algo de positivo: impele à busca. Depois da graça do Espírito Santo em Pentecostes os apóstolos deram a vida pela fé. Oração Senhor, obrigado pela ressurreição. Aumente-nos a dedicação e a fé. Amém.

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Lc 24,13-35 Com os dois de Emaús (Mc 16,12-13)
(13)

Nesse mesmo domingo da ressurreição, dois discípulos de Jesus viajavam para um povoado chamado Emaús (hoje Kubeibeh), a 11 quilômetros a noroeste de Jerusalém. (14) Completamente desiludidos, conversavam sobre tudo isso que havia acontecido. (15) Ora, enquanto falavam e discutiam entre si, o próprio Jesus os alcançou e caminhava ao lado deles, (16) mas seus olhos não estavam em condições de reconhecê-lo pela cegueira interior de não crerem. (17) Ele lhes perguntou: - "Que assuntos são esses de que estão falando tão tristes pelo caminho?".
(18)

Um deles, de nome Cléofas, respondeu-lhe:

- "Você é o único peregrino de Jerusalém que ignora o que nela aconteceu nestes dias?".
(19)

- "Que foi que aconteceu?" - perguntou ele como se nada soubesse.

- "O que diz respeito a Jesus de Nazaré" - responderam -, "que foi um profeta poderoso em milagres e na palavra diante de Deus e de todo o povo. (20) Nossos chefes dos sacerdotes e nossos juizes o condenaram à morte e o crucificaram. (21) Nós, seus discípulos, esperávamos que fosse ele o nosso libertador da dominação romana e o restaurador do reino de Davi. Ele predisse alguma coisa um tanto obscura sobre o terceiro dia da morte (9,22; 18,32-33), mas hoje já é o terceiro dia que tudo isso aconteceu, e nada vimos de anormal. (22) É certo que algumas mulheres do nosso grupo nos alarmaram porque foram ao sepulcro antes do nascer do dia; (23) não encontraram o corpo de Jesus e voltaram dizendo terem visto anjos os quais asseguraram que Jesus vive. (24) Dois dos nossos (Jo 20,2) foram verificar no túmulo e encontraram as coisas como as mulheres haviam dito. Mas... quanto a ele, não o viram! Ele morreu e está tudo acabado!".
(25)

Ele então tomou a palavra e repreendeu-os:

- "Ó gente sem compreensão e tarda de coração para crer em tudo o que os profetas já haviam anunciado! (26) Então não era preciso que o Cristo sofresse tudo isso (Hb 2,10) para a verdadeira libertação moral, que é do pecado, e assim chegasse à sua glória divina pela ressurreição? Quando é que vocês se libertam do preconceito de um Messias conquistador terreno?".
(27)

E começando pelo Pentateuco de Moisés e passando por todos os profetas, interpretou-lhes tudo o que as Escrituras dizem a respeito dele. (28) Chegando eles às primeiras casas da povoação para onde iam, Jesus fez menção de prosseguir a viagem. (29) Mas os dois amavelmente o forçaram, insistindo: - "Fique conosco, pois já é tarde e o dia está findando". Então Jesus os acompanhou à casa de um deles. (30) Uma vez à mesa do jantar com eles, na qualidade de hóspede que ocupa o lugar de honra, tomou o pão e o benzeu, dando graças ao Pai, partiu-o e o distribuiu a eles, gestos característicos da Última

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Ceia (22,19) e da multiplicação dos pães (9,16). (31) Nesse instante seus olhos interiores da fé se desanuviaram e eles o reconheceram porque ele se deu a conhecer. Mas Jesus desapareceu, porque, para quem crê, a presença visível de Jesus não é necessária! (32) Os dois, extasiados, comentavam entre si: - "Não é verdade que o nosso coração se aquecia quando ele nos falava pelo caminho e nos abria a compreensão das Escrituras?!".
(33)

Naquela mesma hora os dois levantaram-se e refizeram o caminho até Jerusalém, porque, feitos testemunhas do ressuscitado, urgia comunicar aos outros companheiros que o Senhor vivia e se lhes apresentara. Encontraram ainda reunidos no cenáculo os apóstolos e os companheiros que estavam com eles, os quais, em transportes de alegria, tomaram a iniciativa de comunicar-lhes:
(34)

- É verdade! O Senhor ressuscitou e apareceu a Simão Pedro!" (1Cor 15,5; Lc 22,32). Agora que Jesus apareceu a Pedro, todos crêem. (35) Os dois de Emaús, por sua ve z, narraram os acontecimentos do caminho e como o haviam reconhecido na fração do pão (At 2,42. 46; 20,7; 27,35). Questionário 13 - A quanto correspondem 60 estádios do texto oficial? São 11 quilômetros, porque cada estádio mede 185 metros. 15 - Quantas vezes Jesus apareceu nos 40 dias após sua ressurreição? Que a primeira cristofania ou manifestação de Jesus ressuscitado tenha sido à sua mãe podemos deduzir do fato de Maria não ter ido ao túmulo com o grupo de mulheres na manhã da ressurreição. A 1a a ver oficialmente o Mestre ressuscitado foi Maria Madalena (Mc 16,9; Jo 20,11-18). 2º, o grupo de mulheres (Mt 28,8-10) que já o sabiam ressuscitado pelo anúncio do anjo (Mt 28,4-7). O 1º homem que creu sem vê-lo ressuscitado foi João (Jo 20,8). O 3º a vê-lo foi Pedro (Lc 24,34; 1Cor 15,5). 4º, os dois de Emaús (Mc 16,12; Lc 24; 13-35). 5º, os apóstolos sem Tomé (Lc 24,36-43; Jo 20,19-23, 1Cor 15,5). Até aqui, no domingo da ressurreição. A 6 a aparição foi para os apóstolos com Tomé no domingo seguinte (Mc 16,14;Jo 20,2629). A 7a, para os apóstolos no lago (Jo 21,1-14). 8a, para os apóstolos num monte da Galiléia (Mt 28,16-20). 9a, a 500 cristãos (1Cor 15,6). 10a, a Tiago Menor, 1º bispo de Jerusalém (1Cor 15,7). 11a, no dia da despedida de Jesus (Mt 28,18-20; Mc 16,15-18; Lc 24,44-49; At 1,4-9). 16 - O que os impedia de reconhecê-lo? A cegueira interior causada pela falta de fé no que Jesus tinha predito sobre sua morte e ressurreição (9,44-45). 21 - Sab e o que nesse tempo pensavam dos três dias após a morte? Era crença comum, atestada repetidamente na literatura judaica, que a alma ficava em volta do corpo nos três primeiros dias após a morte, para depois abandoná-lo definitivamente, deixando-o entregue à corrupção a partir do 4º dia, quando a esperança de um retorno à vida desaparecia.
EVANGELHO COMPLETADO - SÃO LUCAS CAPÍTULO 24

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24 - Quem são esses dois? Pedro e João (Jo 20,2). 25-26 - O que os dois (como os demais) não entendiam? Ninguém supunha que a libertação de Israel se daria com a morte redentora de Jesus. Não compreendiam esse mistério do qual o Antigo Testamento falou e ao qual Jesus diversas vezes se referiu com clareza. Os profetas revelaram que a redenção messiânica não coincidiria com uma restauração nacional, mas implicaria a libertação do pecado mediante a morte do Messias. Por exemplo: o cap. 53 de Isaías prediz a paixão e a morte do Messias inocente, pelos pecados do mundo. 31 - Avalie esse desaparecimento de Jesus. Ele já tinha atingido o objetivo de sua aparição que era acender-lhes a fé no Ressuscitado e mostrar-lhes que a forma de sua presença terrena anterior terminara. Agora que criam com ardor, a presença visível de Jesus não lhes era necessária. 34 - Antes dos apóstolos Jesus apareceu a Maria Madalena (Mc 16,9; Jo 20,11-18). Como é que Paulo na lista das testemunhas da ressurreição (1Cor 15,3-8) omite Madalena? Certamente não é por preconceito. A razão é jurídica: no direito judaico as mulheres não podiam ser citadas como testemunhas. Lições de vida 21 - O 3º dia da morte de Jesus foi o marco de sua vitória sobre o mal, mas na sua origem ele foi vivido como o dia da desesperança. Deus triunfa até nos fracassos aparentes daqueles que o amam. Para Jesus, a cruz não é uma catástrofe, mas caminho para a glória. 27 - A interpretação cristológica do Antigo Testamento é o novo princípio que Jesus, primeiro exegeta, nos aponta para compreendermos as Escrituras. Fora dessa óptica, nem a meditação nem a especulação do Antigo Testamento revelam suficientemente o Messias. A mira dos escritos da Lei e dos Profetas é Cristo, sua paixão e sua glorificação. Por isso os judeus que rejeitaram Jesus continuam a ler o Antigo Testamento com um véu sobre o sentido das Escrituras até o dia da conversão de Israel (2Cor 3,14-16; Lc 16,31). 29 - Se os dois discípulos não tivessem insistido, Jesus não teria ficado com eles. Quando Jesus se põe em nosso caminho convém insistir com ele: "Fique conosco, Senhor!". 30 - As Sagradas Escrituras nos dão testemunho de Cristo ressuscitado. Mas o anúncio da Palavra se completa na Fração do Pão Eucarístico que nos dá o próprio Ressuscitado vivo e presente, por ser o memorial (renovação) da morte e da ressurreição salvíficas do Senhor. Unir-se à Eucaristia é ficar com Jesus (Mt 28,20; Jo 6,56). As Escrituras fazem arder o coração; a Eucaristia cura a cegueira espiritual. Quem vive a Palavra e não chega ao pão partilhado está ainda a caminho.

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31 - Depois de distribuir o Pão, Jesus desapareceu. Depois de ouvirmos com ardor a Palavra de Deus e de nos alimentarmos com o Pão Eucarístico, vê-lo com os próprios olhos deixa de ser o mais importante. 33-35 - O despertar da fé é uma ressurreição que põe os homens de pé para tomarem sem demora o caminho do testemunho. 35 - Os que não eram apóstolos mas viram Jesus ressuscitado tornaram-se testemunhas dignas de fé, mas secundárias, porque a fé do cristianismo se edifica sobre o fundamento dos apóstolos (Prefácio II dos apóstolos) cuja confirmação na fé Jesus confiou a Pedro: "E tu, uma vez con vertido, confirma teus irmãos" (Lc 22,32). Oração Senhor, também nós somos sem inteligência e tardos de coração para entender as Escrituras onde brilha a luz de Deus. Fique conosco quando sofremos desilusões, quando duvida mos, quando não somos prontos para crer e testemunhar e quando necessitamos que o Senhor nos abra o entendimento. Amém. Lc 24,36-49 Aparece aos apóstolos (Mt 28,16-18; Mc 16,14-15; Jo 20,19-23)
(36)

Eles ainda falavam desses acontecimentos quando repentinamente no Cenáculo de portas fechadas ele próprio se fez presente no meio deles para se identificar em sua nova e transtornante realidade de ressuscitado. Disse-lhes em tom amável: - "A paz esteja com vocês!".
(37)

Dominados de espanto e temor, imaginavam estar diante de um espírito incorpóreo. (38) Por isso Jesus tornou a falar-lhes: - "Por que estão tão assustados e por que em seu coração duvidam que seja eu? (39) Vejam aqui minhas mãos e meus pés com as marcas da crucifixão: sou eu mesmo. E se não basta ver, toquem em mim com suas mãos e persuadam-se de que um espírito não tem carne e ossos como estão vendo que eu tenho".
(40)

Dizendo isso, mostrou-lhes as mãos e os pés com os sinais visíveis da crucifixão provando a nova corporeidade de ressuscitado. (41) Agora sim, passado o medo, ficaram tomados de alegria tão intensa que ainda não eram capazes de se convencer do que viam. Continuavam fora de si de tanta emoção. Então Jesus perguntou-lhes: - "Vocês têm aqui alguma coisa para comer?".
(42)

Eles lhe apresentaram um pedaço de peixe grelhado. (43) Jesus o tomou e comeu à vista deles, demonstrando sua realidade também corporal (At 10,41).

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Últimas instruções (Mt 28,19-20; Mc 16,15-16)
(44)

Noutra oportunidade lhes disse:

- "São estas as coisas que eu já lhes havia predito quando ainda vivia entre vocês em corpo mortal: era necessário que se cumprisse tudo o que está escrito a meu respeito nas três partes das Escrituras, isto é, na Lei dos livros de Moisés, o Pentateuco, nos Profetas, isto é, os livros históricos e os proféticos, e nos Salmos, quer dizer, os livros poéticos dos quais os Salmos são a parte principal".
(45)

Então lhes abriu o entendimento, dando-lhes o carisma da intelecção cristológica das Escrituras (46), e acrescentou: - "Assim está escrito que o Messias devia sofrer, morrer e ressuscitar dos mortos ao terceiro dia, (47) e que em seu nome fosse proclamada a conversão para a remissão dos pecados (At 10,43) a todas as nações, a começar por Jerusalém (Jo 4,22), centro de irradiação missionária. (48) A vocês cumpre tornarem-se testemunhas de tudo isto (At 1,8. 22; 2,32; 3,15; 5,32...). (49) Para poderem cumprir fielmente essa missão eu mandarei a vocês o Espírito Santo que o Pai prometeu. Por isso permaneçam em Jerusalém até serem revestidos da força do alto, da plenitude dos dons do Espírito Santo". Lc 24,50-53 Ascensão (Mc 16,19-20; At 1,3-11)
(50)

Tempo depois, conduziu-os pelos lados de Betânia até o monte das Oliveiras (At 1,12), ergueu as mãos e abençoou-os para se despedir. (51) Enquanto lhes dava essa bênção, foi-se afastando deles e elevando-se para o céu até desaparecer. (52) Eles, pela primeira vez, prostraram-se em adoração ajoelhados diante dele como Rei da Glória e seu Senhor. Em seguida, voltaram a Jerusalém com incontida alegria por terem assistido à exaltação triunfal de Jesus na plenitude de seu ser e porque Jesus agora estava mais intimamente presente e compreendido do que no contato físico.(53) Nas horas estabelecidas para a oração, permaneciam no templo em preparação à vinda do Espírito Santo, louvando e agradecendo a Deus. Encerrou-se o tempo de Jesus; com Pentecostes começará o nosso. Questionário 36 - Quais as características de um corpo ressuscitado? O modo de existir de um corpo ressuscitado não pode ser descrito cabalmente, mas somente por meio de figuras e semelhanças. Reconhecemos nele estes predicados: 1) espiritualidade semelhante aos anjos, livre das limitações e leis da matéria, ou seja, dos condicionamentos da existência corporal, mas que podem,

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se necessário, tornar-se visíveis e tangíveis; 2) lucidez provinda da luz de Deus; 3) agilidade de mover-se com a rapidez do pensamento e sem nenhum obstáculo; as leis de espaço e de movimento no espaço não valem mais para ele; 4) impassibilidade, não mais sujeito à dor; e 5) imponderabilidade, isento da atração da gravidade. 44 - Como os judeus dividiam as Escrituras? Em três partes: 1) a Lei de Moisés no Pentateuco; 2) os Profetas, incluindo os livros históricos e os proféticos; 3) os Salmos, ou seja, os livros poéticos dos quais os Salmos são os principais. 49 - Há alguma citação dessa promessa do Pai? Is 44,3; Joel 3,1; Lc 12,12; 24,49; Jo 14,16; 15,26; 16,7. 13... At 1,4-5. 50 - Nos Evangelhos, quantas vezes Jesus abençoou seus apóstolos? Essa é a única bênção que os apóstolos receberam de Jesus, empossado agora como único e eterno sacerdote. Quando o sumo sacerdote no templo abençoava, o povo se prostrava. Por isso os apóstolos "prostraram-se diante dele". A bênção derrama a força do abençoante sobre os abençoados. 51 - Parece que Lucas põe a Ascensão no mesmo dia da Páscoa. Que dizer? Em At 1,3 Lucas precisa bem que Jesus se despediu 40 dias após a ressurreição. Lições de vida 44-47 - A lógica da vida toda de Jesus está no dom total de si mesmo aos outros e na total fidelidade ao Pai, o Amor Absoluto. A salvação passa essencialmente pela adesão plena da fé em Cristo, com a conversão e o perdão dos pecados. 44-49 - A ressurreição de Jesus confirma na verdade tudo o que ele fez e ensinou. E a pregação do Evangelho não se baseia em opiniões pessoais dos apóstolos e sim no testemunho que deram da vida, dos ensinamentos, da paixão, da morte e da ressurreição do Senhor. 45 e 49 - Só com o dom do Espírito Santo se compreendem as Escrituras e se cumpre a missão cristã que Jesus nos confiou. Se Jesus pode mandar o Espírito Santo é por ser ele igual ao Pai em divindade. 53 - O Evangelho de Lucas começa (1,8) e termina no templo. Com o Evangelho encerrou-se o tempo de Jesus, o tempo das promessas cumpridas. Começa com Pentecostes o tempo do cristão, o tempo da Igreja conforme os Atos dos Apóstolos. Há continuidade entre Cristo e o cristianismo, pois somente a visibilidade cessou e não a presença e a ação de Jesus. O Espírito Santo veio após nove dias de oração. É a primeira novena litúrgica do louvor que não terá mais fim, realizada pelos continuadores de Cristo antes de se lançarem à evangelização do mundo, implantando o Reino de Deus que também não terá fim (Lc 1,33).

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Oração Ó Jesus ressuscitado, o Senhor quis conservar em seu corpo glorioso a presença viva das cinco chagas como lembrança da Paixão, como prova da ressurreição e da vitória sobre a morte e o inferno, como testemunho contínuo da mediação do Senhor entre o Céu e a terra, como doce conforto para os justos e confusão para os réprobos no dia do Juízo Final, - faça que eu, fiel à minha vocação cristã, traga sempre impressos na mente e no coração esses sagrados estigmas, tirando deles copiosos frutos de graça e de virtude para mim e para todos que o Senhor confiar aos meus desvelos. Assim seja.

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