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01/21/2013

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4 Revista de evangelização cristã católica - periódico mensal - ano 2 - 2011

Uma publicação da Paróquia São João Batista do Brás

São Paulo - SP
www.vozdaigreja.blogspot.com

d outrina | espiri tual idade | ti ra-dúvi das | prática | polêmica | história do cris tianis mo

19

Conheça um pouco melhor a história da devoção mariana mais querida do Brasil: Nossa Senhora da Conceição Aparecida

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MARIA, MÃE DA IGREJA

Pequena biografia de um dos santos mais importantes da Igreja: São Francisco de Assis Uma reflexão sobre a morte, a finitude e as razões do sofrimento

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Nesta edição:

em nome da VERDADE

UMA PEQUENA BIOGRAFIA DE UM SANTO MUITO AMADO
“São Francisco e Cenas de Sua Vida”, de Bonaventura Berlinghieri (1235): uma das mais antigas pinturas com o tema São Francisco de Assis

SÃO FRANCISCO DE ASSIS

Após a partida, logo na primeira noite o exército se reuniu junto à cidade de Espoleto: Francisco, ainda doente e febril, ouviu a Voz de Deus: “Francisco, por que trocas o Senhor pelo servo?”. Ele então compreendeu que deveria servir diretamente a Deus, abandonou o ideal de cavaleiro e retornou a Assis humilhado, recebendo muitas zombarias. Francisco aos poucos se transformava. Passava horas sozinho, buscava lugares isolados no campo... Quando encontrava um mendigo, doava tudo o que levava consigo. Aos poucos, ia se habituando à oração. Em seu processo de conversão, sofria dúvidas e fraquezas humanas, como ocorre com qualquer um de nós. Um dia, encontrou um leproso no caminho: diante das feridas e do mau cheiro, quis fugir. Porém, movido por um grande amor, venceu os obstáculos, voltou-se para o leproso e o abraçou e beijou, reconhecendo nele um irmão. Aprofundava-se em sua vocação pela oração, pela espiritualidade e pelo amor fraterno. Em outra ocasião, achava-se em oração na capelinha de São Damião, que se encontrava quase destruída. Olhando o crucifixo e as paredes caídas, ouviu um pedido de Deus: “Francisco, reconstrói a minha Igreja!”. Imediatamente aceitou sua grandiosa missão, mas ainda não a compreendia totalmente. No seu projeto de reconstrução da Igreja, usava recursos de seu pai. Este, já enfurecido e temendo o risco de perder seu patrimônio nas mãos de um filho maluco, abriu processo junto ao Bispo para deserdá-lo. Diante das acusações, na frente do Bispo e de todos, Francisco lançou mão das próprias vestes. Nu, devolveu-as ao pai, dizendo: “De hoje em diante tenho somente um Pai, o Pai Nosso do Céu! “ E passou a devotar plenamente a sua atenção e suas energias a Deus. Francisco ainda interpretava a ordem de Cristo literalmente: ele reconstruia igrejinhas caídas, com o trabalho de suas próprias mãos, assentando pedras. Comia do que lhe davam, mendigando pelas ruas, vestindo trapos de eremita. Converteu integralmente seu modo de vida. Depois de reconstruir a Igreja de São Damião, Francisco restaurou outra capela próxima aos muros de Assis, e depois a Igreja de Santa Maria dos Anjos, a da “Porciúncula” (significa ‘pequena porção de terra’). Nesta, São Francisco decidiu permanecer, armando ao seu lado uma choupana para dormir. Ele tomava um simples lugar no mundo, sem nenhuma posse. Com o tempo, Francisco veio a compreender que deveria reconstruir a Igreja dos fiéis, e não somente as igrejas de pedra. Durante uma Missa, ele ouviu a leitura do Evangelho em que Jesus instrui seus discípulos a não possuirem ouro nem prata, nem duas túnicas, nem sandálias, e que deveriam pregar a paz e a conversão. No dia seguinte os habitantes de Assis viram-no não mais com roupas de eremita, mas com uma túnica simples, corda amarrada à cintura e pés descalços. A todos dizia: “A paz esteja com vocês”! Francisco assumiu uma vida apostólica, tornando-se peregrino em sua própria terra. Francisco falava do Evangelho nos lugares públicos. Falava e agia com tamanha fé, que o povo, que antes zombara dele, agora o ouvia com respeito e admiração. Aos poucos, suas palavras iam tocando os corações. E Deus deu a Francisco irmãos de conversão. O primeiro foi o nobre Bernardo, um antigo amigo seu; depois Pedro Cattani. Estes, apaixonando-se igualmente pelo Evangelho, também doaram tudo o que tinham aos pobres! Começava ali um dos maiores exemplos de vida em fraternidade, partilha e desapego que já existiu na história da Igreja, desde o tempo dos Apóstolos. Quando o grupo chegou a 12 irmãos, Francisco decidiu ir a Roma pedir autorização ao Papa para viverem a forma mais pura

rancisco nasceu em Assis, Itália, em 1182, filho de Pietro di Bernadone dei Moriconi e Pica Bourlemont. Seu nome de batismo era Giovanni di Pietro di Bernardone. Segundo uma versão da sua biografia, “Giovanni” passou a ser chamado “Francesco”, que significa “francês”, depois de ter viajado para a França com o pai, ainda pequeno, e ter se encantado pela cultura daquele país. Outras versões dizem que seu pai começou a chamá-lo assim em razão da nacionalidade de sua mãe, ou que esse nome surgiu do gosto de Francisco pela língua francesa, que em sua época era a linguagem da literatura sobre heróis e cavaleiros e do romantismo. Francisco viveu sua infância e juventude na fartura: seu pai era um rico comerciante de tecidos (que desejava ver o filho continuar o próspero negócio). Quando jovem, procurou realizar grandes ideais, destacando-se pelo entusiasmo. Vestia as melhores roupas, dispunha de bom vinho e boa comida para promover festas com amigos. Mas ele buscava uma causa maior, um propósito para sua vida. Naquele tempo ocorreu uma revolta do povo contra os nobres de Assis, devido às desigualdades sociais. Francisco e outros jovens tomaram partido a favor da causa social do povo. Mas Perugia, uma cidade vizinha, mandou um exército bem preparado para defender os nobres. Em meio à luta sangrenta, Francisco foi preso, e permaneceu no cárcere por um ano. Seu pai pagou por sua libertação. Voltou para casa doente, enfraquecido e sem um objetivo na vida. Nessa ocasião, a Igreja buscava voluntários para lutar na defesa de territórios. Francisco, que buscava um ideal de justiça, inspirado por histórias de heróis e cavaleiros, inscreveu-se e vestiu a melhor armadura.

F

2 X

São Francisco, vida e obra - cont.
do Evangelho, conforme a escolha que haviam feito. O Papa achou muito duro esse modo de vida, mas deu a permissão, e também os autorizou a pregar. Durante essa visita, o Papa teve um sinal profético e reconheceu em Francisco o homem que vira em sonhos, segurando a Igreja como uma coluna. O tempo passava e muitos outros irmãos foram se juntando ao grupo, desejando viver como Francisco. Os frades iam morar em choupanas ao redor da da Porciúncula. Dividiam suas atividades em oração, ajuda aos pobres, cuidados aos leprosos e pregações nas cidades. Também se dedicavam às atividades missionárias, indo em dupla a lugares distantes e pagãos; eram alegres, pacíficos e amigos dos pobres. Uma preciosidade para Francisco e os Frades Menores chegou através de uma linda e jovem nobre de Assis, chamada Clara (em italiano Chiara) d’Offreducci. Ela, que viria a se tornar também uma santa muito amada, e sempre lembrada quando se fala em São Francisco, procurou-o pedindo para viver o mesmo modo de vida. Ele ponderou sobre as duras condições a que ela se submeteria, mas a recebeu com grande alegria. Clara foi morar num pequenino convento, ajustou o modo de vida dos Frades para as mulheres, e passou a receber, como Francisco, muitas companheiras de conversão. Muitos cristãos, vendo o exemplo de Francisco e ouvindo sua pregação, decidiram seguir seu exemplo. Alguns lhe pediam conselhos. São Francisco viu o crescimento da Ordem, que se espalhou por diversas partes do mundo. Ele não chegou à velhice, mas o seu corpo frágil se debilitava, agravado por um problema nas vistas que o deixou quase cego. Porém, mesmo doente, São Francisco sempre esteve pronto para o trabalho, principalmente de Evangelização. Em certos períodos São Francisco se isolava para orações e jejum. Numa dessas ocasiões, num monte chamado Alverne, de rochas gigantescas e escarpadas, quis Deus que ele, que tanto buscou se assemelhar a Jesus, tivesse igualmente as feridas da crucificação. Com muita dor, mas com intensa alegria por ter as marcas de seu tão amado Jesus no próprio corpo, São Francisco recebeu as feridas que se mantiveram vivas até o fim de sua vida, 2 anos depois. Algo talvez difícil de entender pela mentalidade fútil e hedonista de hoje, mas assim é que Francisco foi coroado por Deus, como uma resposta por sua grande fé. Quando desceu o monte, ele, que sempre quis caminhar a pé, se permitiu montar num burrinho, tal era a sua debilidade. Quando ele se aproximava das cidades, uma multidão já o aguardava: o povo, principalmente os pobres e doentes, desejava ir ao seu encontro. Pouco antes de morrer, de passagem por São Damião para despedir-se de Santa Clara e suas irmãs, o estado de Francisco se agravou e ele teve que passar a noite ali, numa choupana, sob condições de intenso frio. Pela manhã, o santo cantava um cântico que compôs em louvor a Deus, em que chamava de irmãos o Sol, as estrelas, a Lua, a Terra, o vento e todas as criaturas: o Cântico das Criaturas. Numa choupana junto à Porciúncula, no anoitecer de 3 de outubro de 1226, Francisco pede aos irmãos que o dispam e o coloquem nu no chão, sobre a terra. Recitando o Salmo 142, que os irmão acompanhavam lentamente, São Francisco de Assis morreu cantando.
Ref.: LE GOFF, Jacques. São Francisco de Assis, 8ª edição. Rio de Janeiro: Record, 2007.

COMPÊNDIO DO
II Seção - Capítulo 2º:

CATECISMO

Cristo, Filho Unigênito de Deus
79. Qual é a Boa Nova para o homem?
É o anúncio de Jesus Cristo, “o Filho do Deus vivo” (Mt 16,16), morto e ressuscitado. No tempo do rei Herodes e do imperador César Augusto, Deus cumpriu as promessas feitas a Abraão e à sua descendência enviando “o Seu Filho, nascido de uma mulher e sujeito à Lei, para resgatar os que estavam sujeitos à Lei, e nos tornar seus filhos adotivos” (Gal 4, 4-5).

Creio em Jesus

80. Como se difunde esta Boa Nova?
Desde o início os primeiros discípulos tiveram um ardente desejo de anunciar Jesus Cristo, com o fim de conduzir à fé n’Ele. Também hoje, do amoroso conhecimento de Cristo nasce o desejo de evangelizar e catequizar, isto é, de revelar na sua pessoa o pleno desígnio de Deus e de colocar a humanidade em comunhão com Ele.

“...e em Jesus Cristo, seu único Filho, Nosso Senhor”
81. Que significa o nome Jesus?
Dado pelo Anjo no momento da Anunciação, o nome Jesus significa “Deus salva”. Exprime a sua identidade e missão, “porque é Ele que salvará o seu povo dos seus pecados” (Mt 1,21). Pedro afirma que “não existe debaixo do céu outro Nome dado aos homens pelo qual possamos ser salvos” (At 4,12).

82. Porque é que Jesus é chamado Cristo?
Cristo em grego, Messias em hebraico, significa Ungido. Jesus é o Cristo porque é Consagrado por Deus, ungido pelo Espírito Santo para a missão redentora. Ele é o Messias esperado por Israel, enviado ao mundo pelo Pai. Jesus aceitou o título de Messias, precisando porém o seu sentido: “descido do Céu” (Jo 3,13), crucificado e ressuscitado, Ele é o Servo Sofredor “que dá a sua vida em resgate da multidão” (Mt 20,28). Do nome Cristo é que veio para nós o nome de cristãos.

83. Em que sentido Jesus é o Filho Unigênito de Deus?
No sentido único e perfeito. No momento do Batismo e da Transfiguração, a voz do Pai designa Jesus como seu “Filho Predileto”. Apresentando-se a Si mesmo como o Filho que “conhece o Pai” (Mt 11,27), Jesus afirma a Sua relação única e eterna com Deus, Seu Pai. Ele é “o Filho Unigênito de Deus” (1 Jo 2, 23), a Segunda Pessoa da Trindade. É Ele o centro da pregação apostólica: os Apóstolos viram “a Sua Glória, como de Unigênito do Pai” (Jo 1, 14).

81. Que significa o Nome Senhor?
Na Bíblia, este título designa habitualmente Deus Soberano. Jesus atribui-o a si mesmo e revela a sua soberania divina através do poder sobre a natureza, sobre os demônios, sobre o pecado e sobre a morte, sobretudo com a sua Ressurreição. As primeiras confissões cristãs proclamam que o poder, a honra e a glória devidas a Deus Pai são também devidas a Jesus: Deus “deu-Lhe o Nome que está acima de todos os nomes” (Fil 2,9). Ele é o Senhor do mundo e da história, o único a quem o homem deve submeter completamente a própria liberdade pessoal.

3 X

Outubro é Mês de Nossa Senhora Aparecida, Mês do Rosário e Mês de Nossa Senhora Mãe Rainha. Mas todo dia é bom para estudar Maria Santíssima.
eram alcançadas pelos que rezavam diante da imagem. A fama da intercessão de Nossa Senhora através da devoção à imagem “aparecida das águas” foi se espalhando pelas redondezas e ganhando outras cidades. Diversas vezes, as pessoas que à noite faziam fila diante dela para rezar viam as luzes se apagarem e depois reacenderem, sem intervenção humana. Com o crescente aumento dos visitantes, a família construiu um oratório no Porto de Itaguaçu. dedicado à devoção da Santíssima Virgem Maria, Mãe de Jesus. Também através desta lei, a República Federativa do Brasil reconhece oficialmente Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil. Em 1967, ao completar-se 250 anos da devoção, o Papa Paulo VI ofereceu ao Santuário a “Rosa de Ouro”. O Papa Bento XVI repetiu este mesmo gesto oferecendo outra Rosa em 2007, em sua viagem apóstolica ao Brasil, reconhecendo o valor da santa devoção.

NOSSA SENHORA APARECIDA

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ossa Senhora da Santa Conceição Aparecida é o título completo que a Igreja dedicou à esta especial devoção brasileira à Santíssima Vigem Maria. Sua festa é celebrada em 12 de Outubro. “Nossa Senhora Aparecida” é a queridíssima Padroeira do Brasil.

E por que “Aparecida”? Tanto no

Oratório que logo se tornou pequeno, e por volta de 1734 o vigário de Guaratinguetá construiu uma capela no alto do Morro dos Coqueiros, com a ajuda do filho do pescador Felipe Pedroso. Essa capela foi aberta à visitação em 1745, e em 20 de abril de 1822, em viagem pelo Vale do Paraíba, o príncipe Dom Pedro I fez questão de visitar a capela e a imagem de Nossa Senhora. Em 1834 foi iniciada a construção de uma igreja maior, que pudesse acomodar os fiéis que não paravam de aumentar: foi solenemente inaugurada e dedicada em dezembro de 1888. Essa igreja é a atual Basílica Velha de Aparecida.

A Imagem

A imagem aparecida das águas do Paraíba em 1717 é de terracota, tem cor de canela e mede 40cm de altura. É de estilo seiscentista. Especialistas acham que originalmente era colorida como as imagens da época, mas devido à permanência no fundo do rio a pintura tenha se perdido. Em 1978 a imagem sofreu um atentado e foi quebrada em quase duzentas partes. Foi restaurada, no MASP pelas , mãos da artista Maria Helena Chartuni.

Arquivo da Cúria Metropolitana de Aparecida quanto no Arquivo Romano da Companhia de Jesus constam os registros históricos da origem da imagem de Nossa Senhora Aparecida. A história foi registrada pelo Pe. José Alves Vilela em 1743, e confirmada pelo Pe. João de Morais e Aguiar, em 1757. A história se inicia em meados de 1717, por ocasião da passagem do Conde de Assumar, D. Pedro de Almeida e Portugal, governador da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro, pela povoação de Guaratinguetá, a caminho de Vila Rica (atual Ouro Preto - MG). Os pescadores Domingos Garcia, Felipe Pedroso e João Alves foram convocados a providenciar um bom pescado para recepcionar o Conde, e partiram a lançar suas redes no rio Paraíba do Sul. Era 12 de outubro. Eles tentaram muitas vezes, mas não conseguiam pescar nenhum peixe sequer. Já sem esperança, João Alves lançou uma vez mais sua rede às águas e, ao recolhê-la, percebeu algo insólito: junto à rede viera uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, sem a cabeça. Guardaram-na e tornaram a lançar as redes, numa nova tentativa de apanhar peixes, mas o que ocorreu a seguir foi ainda mais extraordinário: a rede retornou com a cabeça da imagem! Envolveram então o achado num lenço. Logo em seguida a pesca se tornou abundante: os humildes pescadores retornaram com o barco abarrotado de peixes. Durante quinze anos, a imagem permaneceu na residência de Filipe Pedroso, onde pessoas da vizinhança se reuniam para rezar. A devoção foi crescendo entre o povo da região, e muitas graças

Milagres e graças

Origem do manto e da coroa

Em 8 de dezembro de 1868, a Princesa Isabel visitou a basílica, e ali pediu uma graça a Nossa Senhora. Em 6 de novembro de 1888, ela retornou e ofertou à imagem, em reconhecimento do pedido atendido, uma coroa de ouro cravejada de diamantes e rubis, e um manto azul anil ricamente adornado. A 8 de setembro de 1904, a imagem foi coroada com a riquíssima coroa, e ornamentada com o manto bordado em ouro e pedrarias, símbolos de realeza e patronato. A celebração solene foi dirigida por Dom José Camargo Barros, com a presença do Núncio Apostólico, bispos, o então Presidente da República Rodrigues Alves e muito povo. Depois da coroação, o Papa concedeu ao Santuário de Aparecida mais dois outros favores: Ofício e Missa própria de Nossa Senhora Aparecida, e indulgências para os romeiros que vêm em peregrinação ao Santuário. Em 1928, a vila que se formara ao redor da igreja tornou-se o Municípiode “Aparecida” em homenagem à imagem aparecida das águas, a responsável direta pela criação da cidade. Nossa Senhora Aparecida foi proclamada Rainha e Padroeira do Brasil em 16 de julho de 1930, por decreto do Papa Pio XI. Pela Lei nº 6.802 (30/6/1980), foi decretado feriado o dia 12 de Outubro,

Por volta de 1733, estando a noite serena e sem brisa alguma, repentinamente as duas velas que iluminavam a Santa se apagaram. Houve espanto entre os devotos. Silvana da Rocha quis reacendê-las, mas não pôde, porque elas reacenderam “sozinhas”. Este foi apenas o primeiro de muitos milagres conhecidos envolvendo a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Dona Gertrudes Vaz tinha uma filha cega de nascença, que manifestava insistentemente o desejo de tocar a imagem Aparecida, viagem que era difícil para a família pobre. Um dia, enfim conseguiram realizar a peregrinação. Ao chegarem no Alto na Boa Vista, bairro das pedras, a uma distância de 3 km da Capela, a mãe pegou no braço da filha e disse que estavam perto. A menina cega então levantou a cabeça e exclamou: “Como é linda a Capela de Nossa Senhora Aparecida!” Dona Gertrudes, trêmula, perguntou: “Você está enxergando filha?” E a menina prontamente respondeu: “Estou enxergando tudo! De repente vi uma luz que me clareou a vista!”. No correr dos anos, muitíssimos milagres e graças ocorreram e continuam ocorrendo por interceção de Nossa Senhora Aparecida, como comprovamos ao visitar a “Sala dos Milagres” na Basílica Nova, e nas tantas e tantas romarias, e também pelas grandiosas multidões que se dirige ao Santuário todos os anos, para pedir e agradecer graças recebidas.

Fontes e bibliografia: SILVA, Iara Rosa. Devocionário a Nossa Senhora Aparecida. São Paulo: Canção Nova, 2006; BÖING, Mafalda Pereira. Nossa Senhora Aparecida - A Padroeira do Brasil. São Paulo: Loyola, 2007.

4 X

3ª parte do estudo sobre a Celebração Eucarística em tópicos

Igreja da Paróquia Nosso Salvador (Our Saviour), Nova York (EUA)

A Santa Missa
PARTE POR PARTE
Quais são as partes da celebração eucarística?
São duas: Liturgia da Palavra e Liturgia Eucarística. Além disso, há os Ritos Iniciais e os Ritos Finais. As duas partes são chamadas também de duas mesas, das quais nos alimentamos, a Mesa da Palavra e a Mesa da Eucaristia. São duas faces da mesma moeda. abre a Oração Eucarística, centro de toda a Celebração. Ela termina com a doxologia “Por Cristo...” e o “Amém” da assembleia. Vem, a seguir, o Pai Nosso e as orações que o acompanham, o abraço da paz, a Fração do Pão, a Invocação do Cordeiro de Deus, a Comunhão e a oração do presidente, chamada de Oração Após a Comunhão.

O que são os Ritos Iniciais?
É o começo da celebração, marcado pelo canto de entrada, o sinal da cruz, a saudação do presidente, o ato penitencial, o hino de louvor (Glória) quando prescrito e a oração de quem preside, chamada “coleta”.

E os Ritos Finais?
Compreendem a bênção e a despedida. Algumas comunidades terminam com também com um canto de despedida.

ao Concílio Vaticano II. Na época da Celebração em latim, boa parte do povo não entendia as orações, por isso participava rezando o Terço. Hoje, a participação da assembleia é muito maior: os fiéis cantam, escutam atentamente, respondem, rezam com o padre... Não tem mais sentido o Terço durante a Missa, pois é preciso prestar atenção e participar do Rito, para que se possa comungar dignamente do Corpo e Sangue de Nosso Senhor.

Oriente-se!
Seria bom se você chegasse à igreja um pouco antes, não em cima da hora, e observasse o ambiente, a cor litúrgica, a Mesa da Palavra, o Altar onde Jesus se entrega por nós... Em muitas igrejas, o Altar contém a “Pedra d’Ara”, onde estão guardadas relíquias de santos e mártires. Observe a cruz sobre o Altar ou ao lado dele, as velas (o Círio no Tempo Pascal)... E, por favor, para seu próprio oriveuti, antes de sentar desligue o celular, jogue fora o chiclete ou bala, respire calmamente, aquiete-se... Você vai encontrar e receber Deus Salvador! Concentre-se e reze, ainda que brevemente. Se quiser cumprimentar amigos, não faça estardalhaço. Prepare-se para a grande Celebração. Sinta-a como se fosse à primeira vez, viva-a como se fosse à última. Pois Jesus celebrou a Eucaristia uma única vez, na Santa Ceia. Isso lhe garantiu a Vida Eterna!
Ref: BORTOLINI, José. A Missa Explicada Parte por Parte, 4ª ed. São Paulo: Paullus, 2006, pp. 15-17

Por que em algumas igrejas toca-se campainha na hora da Elevação?
Até antes do Concílio Vaticano II, a Missa era celebrada em latim, e a campaninha servia para avisar o povo que havia chegado o momento da Consagração, e que era um momento especial de adoração ao Corpo e Sangue Eucarístico do Senhor. Quando o padre impunha as mãos sobre as Ofertas, tocavam-se os sininhos pela primeira vez. Tocava-se também na Elevação e na genuflexão do padre. Hoje, a “Missa Nova” é celebrada na língua do povo, e portanto ninguém mais depende de ouvir as campainhas para saber que chegou o momento da Consagração. Alguns sacerdotes a mantém por uma questão de tradição e costume.

Onde começa e termina a Liturgia da Palavra?
A Liturgia da Palavra começa com a primeira leitura, continua com o salmo responsorial, a segunda leitura (quando houver), a aclamação ao evangelho, a proclamação ao evangelho, a homilia, a profissão de fé (quando houver) e as preces da comunidade (também chamadas de prece universal, oração dos fiéis, oração da assembléia). É a “primeira mesa” que nos alimenta, a Mesa da Palavra.

E a Liturgia Eucarística?
Vem logo a seguir. É a “Segunda Mesa”, e nosso olhar se concentra no Altar, na Mesa da Eucaristia. Inicia-se com a apresentação das ofertas e continua com a oração sobre as Oferendas. O Prefácio

É aconselhável rezar o Terço durante a Celebração da Missa?
Não. Esse também é um costume anterior

5 X

No Mês das Missões, entrevistamos Ir. Ana Elídia, Missionária Serva do Espírito Santo.
Ela falou sobre a importância de ser missionário(a) e nos deixou dicas muito proveitosas!
sendo violentadas, prostituídas, desrespeitadas em seus direitos básicos e muitas vezes vivendo sem sentido. Voz da Igreja: Como atuam as Irmãs Missionárias Servas do Espírito Santo?

MISSÃO: VOCAÇÃO DE TODO CRISTÃO

Esquerda para a direita: Ir. Odete, Ir. Leonice, Ir. Ana Elídia e Ir. Misae.

Nós somos uma congregação internacional presente em mais de 40 países, nos cinco Continentes. Em todos os lugares onde somos enviadas, buscamos testemunhar o amor de Deus Uno e Trino em nossas vidas e na vida de todas as pessoas, pela nossa vivência comunitária e nosso relacionamento com as pessoas, justamente porque a Santíssima Trindade é Comunhão de Amor. Como missionárias, atuamos em todos os tipos de apostolados, de acordo com as necessidades do povo de Deus e com as aptidões naturais das próprias irmãs. Em tudo o que fazemos, sempre nos colocamos a serviço da defesa da vida, especialmente nas situações em que esta se encontra mais ameaçada. Por isso assumimos a JUPIC – Justiça, Paz e Integridade da Criação como princípio de nossa ação missionária. Para nosso fundador, Santo Arnaldo Janssen, canonizado a 5/10/2003, “o anúncio do Evangelho é a maior expressão de amor ao próximo”. Por isso, procuramos encarnar os ensinamentos de Jesus em nossa vida e partilhá-lo, para que as outras pessoas também descubram a felicidade de viver em Deus.

Ir. Ana Elídia Caffer Neves é missionária serva do Espírito Santo há 27 anos. É jornalista, pós-graduada em comunicação e artes pela Universidade de Bristol (Inglaterra) e em transdisciplinaridade em educação, saúde e liderança pela Unipaz (SP). É Vice-Coordenadora Provincial e Diretora Presidente da Associação Palavra Viva (equipe da dimensão missionária da Província), e realiza o acompanhamento espiritual dos Missionários Leigos do Deus Uno e Trino, além do projeto de formação missionária para jovens; é editora do Jornal Vida Missionária e responsável pelas atualizações do site da Província (www.ssps.org.br)...

Entendo missão como o grande dom do Deus Uno e Trino para a humanidade. Deus Pai enviou o seu Filho, Jesus Cristo, que se encarnou nascendo da Virgem Maria e nos revelou que todos nós somos filhos e filhas amados de Deus. Após a ascensão de Jesus ao Céu, o Espírito Santo deu continuidade à missão de Jesus acompanhando a Igreja nascente e fortalecendo os cristãos para serem anunciadores da missão de Cristo no mundo. Voz da Igreja: O que é missão, sob o ponto de vista cristão católico, hoje? Pelo batismo, somos incorporados à família de Deus e chamados a ser discípulos/as missionários/as de Cristo e a dar continuidade à sua missão evangelizadora. Portanto, a missão é de Deus, que quer salvar toda a humanidade e nos conduzir ao seu Reino de Paz e Amor, onde viveremos para sempre junto a Deus. Mas o Reino de Deus começa aqui na terra, e somos convidados/as a colaborar para que esta vida plena que Deus deseja para todos os seus filhos e filhas possa acontecer a partir de já, por intermédio de uma sociedade justa e solidária. Por isso, não podemos nos contentar enquanto há pessoas marginalizadas, passando fome, morrendo nas drogas,

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No Brasil atuamos na missão educativa através de escolas, na formação e animação de lideranças leigas, na saúde alternativa, na pastoral bíblica, na comunicação, na pastoral indigenista, na defesa e promoção dos direitos humanos e justiça e paz, entre muitos outros trabalhos missionários. Estamos presentes nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Tocantins e Minas Gerais. Também há Missionárias Servas do Espírito Santo no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Amazonas. Na Paróquia São João Batista do Brás colaboramos na secretaria da Paróquia, na Catequese, na Pastoral da Pessoa Idosa, na comunicação, na formação de lideranças... Voz da Igreja: Qual o caminho objetivo do leigo que deseja ser missionário? Como ele pode ser também missionário?

Todo cristão é missionário, pois pelo batismo recebe a missão de Cristo e participa da Igreja que é, na sua essência, missionária. O que acontece é que muitas pessoas que frequentam a Igreja não despertaram ainda, e por isso não percebem o dom maravilhoso que carregam dentro de si. Felizmente, a Igreja está valorizando mais a dimensão missionária e incentivando a participação dos cristãos leigos/as. Em nossa congregação a presença missionária dos leigos é muito importante. Por isso temos os grupos de Missionários

6 X

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Comunidade Santo Arnaldo reunida

FA ÇA A SUA PAR TE!

COMO ANDA A LUTA CONTRA A LEGALIZAÇÃO DO ABORTO NO BRASIL
Canção Nova Notícias - Após quase seis anos de trabalho, a Renovação Carismática Católica (RCC) atingiu a marca de um milhão de assinaturas na Campanha do abaixo-assinado contra a descriminalização do aborto no Brasil. A informação foi divulgada no dia do Nascituro, 8 de Outubro. A mobilização contou com o apoio de diversas pastorais, organismos e movimentos da Igreja, de diversos Estados do país. A coleta de assinaturas aconteceu nos Grupos de Oração, Missas e também entre familiares e amigos das diversas comunidades. “Estamos mobilizados em defesa da vida. A conclusão dessa etapa permite que mais iniciativas como essa possam ser feitas” - Marcos Volcan (Pres. Conselho Nacional RCC) A data para a entrega do abaixo-assinado na Câmara dos Deputados está sendo articulada pelo Ministério Fé e Política da RCC. (Noticiado em 14/10/2011)

Leigos/as do Deus Uno e Trino que se reúnem todo mês para aprofundar a espiritualidade, partilhar a fé e a vida e se fortalecer para, em suas famílias, na paróquia, no ambiente de trabalho, estudo, etc., serem presença missionária da Igreja. Voz da Igreja: Mensagem para os nossos leitores?

Como outubro é o Mês Missionário, gostaria de convidar todos os leitores/as da Voz da Igreja a tomar consciência do próprio ser missionário e buscar meios para partilhar este dom com outras pessoas que ainda não conhecem o Evangelho. Este ano, a Campanha Missionária tem como tema “Missão na Ecologia”, em continuidade à Campanha da Fraternidade. Há muito material na Internet que pode ser acessado no site das Pontifícias Obras Missionárias (www.pom.org.br) e também no site da congregação: www.ssps.org.br . Voz da Igreja: Como anunciar o Evangelho numa época marcada pelo materialismo, para uma sociedade que cada vez mais valoriza primeiramente o poder aquisitivo? Justamente nesta sociedade materialista, consumista e em profunda crise de valores, percebo uma insaciável sede de Deus. Nunca houve uma busca tão grande por espiritualidade como atualmente. Claro que nem sempre essa busca está levando às verdadeiras fontes de espiritualidade e há muita confusão de crenças, filosofias e grupos religiosos que apontam para caminhos distantes dos anunciados por Jesus.

VOCÊ

SABIA?

Aborto faz aumentar em 81% o risco de problemas de saúde mental em mulheres
LifeNews.com - 6/2011 – Um estudo publicado no British Journal of Psychiatry pela pesquisadora Dra. Priscilla Coleman, da Bowling Green State University, concluiu que mulheres que se submeteram a um aborto têm quase o dobro de risco de apresentar problemas de saúde mental em comparação às que tiveram o bebê. Os resultados revelaram que mulheres que sofreram um aborto apresentaram um aumento de 81 por cento de risco de problemas de saúde mental.
Este “produto de gravidez indesejada”, que para alguns a mulher deve ter o “direito” de cortar fora quando quiser, como se fosse um tumor... Este já tinha aprendido a chupar o dedinho, antes de ser barbaramente arrancado do ventre e assassinado.

Por isso vejo que, mais do que nunca, hoje é urgente o anúncio do Evangelho. Tudo o que a sociedade oferece não consegue preencher o coração humano e este se sente cada vez mais vazio e sem sentido. Só a Boa Nova de Cristo pode dar ao ser humano o sentido pleno de sua existência e ajudá-lo a construir uma sociedade solidária, fundamentada no diálogo, no respeito às diferenças e, acima de tudo, no amor ao próximo.

Agência ACI – Entre 3 e 6 de novembro/2011 o Mosteiro de São Bento (São Paulo), será sede do II Congresso Internacional pela Verdade e Vida, organizado pela entidade próvida Human Life International. Conferencistas do Brasil, Argentina, Bolívia, Equador e EUA abordarão as temáticas do aborto e das ameaças à família na legislação brasileira. O Congresso contará com a presença de Dom João Carlos Petrini, presidente da Comissão Episcopal para a Vida e a Família da CNBB, assim como de outros importantes líderes pró-vida brasileiros: Pe. Luis Carlos Lodi, (Assoc. Pró-Vida de Anápolis) e o Pe. Paulo Ricardo de Azevedo, da Diocese de Cuiabá, destacado defensor da vida. Informações e inscrições: www.congressoprovida.com.br

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lifenews.com/2011/09/01/abortion-increases-risk-of-womens-mental-health-problems-81 (14/10/11)

“PARÓQUIA, TORNA-TE O QUE TU ÉS”
Leitura e reflexão sobre a primeira carta pastoral de Dom Odilo - parte 8
8. PARÓQUIA: COMUNIDADE MISSIONÁRIA
“Sua paróquia já é uma comunidade? Que aspectos da ‘conversão missionária’ ainda são necessários?”

O futuro da Igreja depende do ânimo missionário de hoje. É fundamental o foco na formação religiosa das crianças e jovens, atraindo-os, ajudando-os a se sentirem parte da comunidade paroquial. As famílias católicas devem fazer de seus lares verdadeiras células de vida cristã; elas são a “primeira escola da fé” para as novas gerações.

Em Aparecida (2007), a Igreja renovou o seu propósito de estar a serviço do Evangelho do Reino de Deus com novo ardor, novos métodos e formas. Diante dos novos tempos e condições culturais mudadas, a Igreja deverá rever seriamente sua maneira de ser e viver a vida e sua missão, superando formas inadequadas e ineficazes de evangelizar e fazer pastoral. É necessário ir além da preocupação com a mera conservação do que já existe e partir para a ação pastoral com decidida preocupação missionária. Toda essa preocupação vale para a paróquia, “comunidade de comunidades”. Torna-se necessária uma corajosa e ampla verificação da realidade atual da paróquia, sobre o que existe e o que já se faz de bom, onde há falhas e deficiências, onde e como é preciso fazer mais e melhor. É fundamental envolver nisso toda a comunidade paroquial, o Conselho Pastoral Paroquial, as diversas representações de comunidades menores, associações, grupos, movimentos pastorais, etc., para alcançar com mais eficácia o objetivo proposto. Antes de renovar estruturas, é preciso renovar pessoas, mentalidades e posturas; trata-se de desenvolver uma nova ‘cultura pastoral’, que tenha sempre presente a preocupação missionária. Deve haver uma preocupação constante com aqueles que já participam da vida da Igreja, mas também e, especialmente, com aqueles que ficaram distantes ou, simplesmente, se afastaram dela. O que se pode fazer para que retornem à Igreja? E o que se pode fazer por aqueles que nunca foram alcançados ou envolvidos pelo anúncio do Evangelho? Os discípulos que já têm algum caminho andado com Cristo devem ajudar outros, que estão começando, como as crianças, jovens e os recém-convertidos à fé, acompanhando-os com carinho, paciência e orientação no “ir ao encontro de Cristo”. É importante a paróquia refletir também o alcance territorial de sua missão, verificando se há hospitais sem assistência, escolas, presídios, condomínios ou bairros inteiros sem sua presença religiosa. Sua ação evangelizadora deve estender-se.

O QUE SE PODE FAZER PARA QUE AQUELES QUE SE AFASTARAM RETORNEM À IGREJA?

Refletindo a Carta

O que é uma comunidade missionária? Deus criou o homem e a mulher para que sejam comunidade. Deus quer que seus filhos dispersos formem o povo de Deus, na partilha, nos dons e numa vida que expresse amor, em comunidade. A pessoa torna-se humana por meio da comunidade. É nesta relação que o ser humano descobre-se a si mesmo, como experiência da vida vivida. Trata-se porém, de uma dimensão que precisa ser assumida e vivida de verdade. A comunidade necessita ser constantemente construída na dinâmica da vida que vence o egoísmo, o individualismo e a competição. Será que você vive isto em comunidade? O que Jesus espera de você é algo concreto. Mesmo quando você acredita que não tem nada para oferecer, Deus, em sua bondade, lhe dá amor. Então retribua ao seu próximo com esse amor, que é infindável e concreto, quando se reflete em obras, isto é, em ação! A missão do cristão está sempre relacionada com o mundo. Não existe nenhuma missão no abstrato, no vazio, fora do tempo, do espaço e das culturas. Missão é o encontro de Deus com o mundo, do Divino com o humano. Missão é um processo de integração, de relação, de comunhão e de urgência, e não se realiza sem dedicação. A missão preocupa-se principalmente com aqueles que ainda não conhecem o Evangelho, aqueles que se encontram fora da visibilidade do Povo de Deus. Por isso a missão caracteriza-se como “atravessar a fronteira”, em todos os sentidos: geográficos, cultural, religioso... O missionário é o enviado, o mensageiro: é aquele que colabora na obra de recolher em comunidade, em vida de comunhão, os filhos de Deus dispersos. Lembrando sempre que, qualquer que seja a sua missão, ela deve ser em primeiro lugar impulsionada pelo Espírito de Cristo. Que tal começar conhecendo os trabalhos evangelizadores da paróquia da qual você é membro? Interesse-se! Divulgue-os!

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Fonte: Carta Pastoral “Paróquia, Torna-te o que Tu És”, Arquidiocese de São Paulo, 2011

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A MORTE E A FINITUDE NA VISÃO CRISTÃ
“E ouvi uma Voz do Céu, que me dizia: Bem-aventurados os mortos que morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem dos seus trabalhos, e as suas obras os sigam” (Apocalipse 14, 13).
“Nascer de Novo: Batismo, Cruz, Morte e Ressurreição”: Com. Silverlake

Baseado em depoimento do Pe. Francisco Faus

A revolta ou o amor: dois modos de lidar com a morte inevitável
Há algum tempo, no espaço de um mês, o Pe. Francisco Faus tomou conhecimento de dois casos bem parecidos, porém totalmente diferentes nos efeitos: dois casos de pais que perderam filhos adolescentes de maneira trágica. Conversou longamente com o primeiro e, uns trinta dias mais tarde, com o outro. O primeiro afundara-se numa dor insuportável, que lhe abalou os alicerces da vida e asfixiou a fé. Repetia, mesmo depois de anos, num desabafo amargo e rancoroso, que a vida perdera o sentido, que não sabia se Deus existia, mas não importava, porque já o tinha apagado dos pensamentos e não queria saber mais dEle. Fechado numa solidão desesperada, definhava e tornava difícil a vida dos que conviviam com ele. Sem a luz da fé, o homem fica abandonado ao turbilhão da vida: é como um cego, tropeçando num mundo cruel, sem outra alternativa a não ser a revolta, o desespero e a frieza. O segundo pai sofreu tanto quanto o primeiro. Perder um filho é uma das maiores dores desta vida. Mas este pai não permitiu que o sofrimento lhe vendasse os olhos, nem se encolheu na sua dor. No meio das lágrimas, fixou o olhar da alma em Cristo Crucificado e, unido a Ele, rezou com fé: “Seja feita a Tua vontade!” Dentro do seu coração ele dizia: “Não entendo a Tua vontade, Pai, mas eu creio em Ti, espero em Ti e Te amo acima de todas as coisas”. No velório, ver esse pai, e a mãe igualmente, com o mesmo espírito, a rezar junto ao corpo do filho, não causava constrangimento, mas comunicava uma serenidade maior que qualquer paz que se possa experimentar nesta terra, e elevava a todos para Deus, cuja Presença nos corações deles era palpável. Era uma serenidade poderosa, misturada com uma dor muito forte: um enigma para os que não têm fé. Como o primeiro pai, muitos não entendem a morte, e sofrem. É natural. Limitados e imperfeitos, muitas vezes não compreendemos a Vontade do Pai, mas sabemos, - ou deveríamos saber, com a certeza da fé, - que Deus é Pai, Deus é Amor (I Jo 4,8) e que Ele faz concorrer todas as coisas para o bem daqueles que o amam (conf. Rom 8,28). Faz concorrer também os sofrimentos, que Ele permite em nossas vidas, para o nosso bem. Essa nossa fé, Dom precioso de Deus que não devemos perder jamais, nos permite o santo paradoxo de sofrer e ter paz ao mesmo tempo, de sentir dor e manter no íntimo da alma uma serenidade inabalável, uma esperança infinita. Assim sofreu Cristo na Cruz, e assim sofreram os santos. Mas os que se entregam nas Mãos de Deus sentem que a cruz de suas vidas se torna mais leve, suave, doce. Eles ouvem a Palavra de Cristo, que diz, na hora da dor: “Vinde a mim, e achareis repouso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mat 11, 28-30). Será que você, cristão católico, está de fato vivendo a sua fé? Você é aquele(a) homem/mulher de fé que deveria ser, aquele(a) que Deus espera que seja? A resposta, sim ou não, depende quase sempre de como você sabe encarar a morte. O cúmulo da hipocrisia da sociedade atual é achar que a melhor maneira de lidar com a morte é fingir que ela não existe! Qual a melhor maneira de lidar com algo que é inevitável, uma realidade que todos terão que enfrentar, cedo ou tarde? Ignorá-a? Ou meditar sobre ela?

Na visão cristã, morte é sinônimo de renascimento para a vida plena e eterna.

O grande pensador e humanista T. S. Lewis concluiu que as pessoas têm três opções diante da morte: desejá-la, temê-la ou ignorá-la. Ele descobriu que a terceira opção é a que o mundo moderno chama de “saudável”. E que certamente esta é a mais precária de todas, ou a mais estúpida, pois qualquer problema só pode ser resolvido quando prestamos atenção nele e nos dedicamos para tanto. Claro que, neste caso, não se trata de resolver o problema da morte, pois não temos poder sobre ela. Trata-se, isto sim, de resolver a maneira como enfrentamos ou não a realidade da finitude desta vida. Lewis sofreu um ataque cardíaco em junho de 1963, e entrou em coma. Recuperou-se, e a partir daí viveu mais feliz e sereno do que antes. Suas notas biográficas relatam que antes de sua conversão ao catolicismo, Lewis era extraordinariamente ansioso em relação à morte, mas após a sua conversão ele parecia ter adquirido uma grande serenidade a esse respeito. Relatos de seus últimos dias atestam sua calma e paz interior ao falar da morte inevitável. Deus sempre nos faz bem por meio das cruzes desta vida, sejam quais forem, quando nós o “deixamos” agir. E assim como nos salvou pela morte de Seu Filho, assim também nos aperfeiçoa e nos santifica por meio da morte. Certamente a morte de um ente querido pode ser uma cruz pesada. Mas para quem é mesmo fiel a Cristo, a perspectiva da morte abre os olhos para enxergar a vida de um jeito mais verdadeiro e mais belo. Na história da Igreja, são muitos os exemplos de pessoas que, sacudidas pelo sofrimento da perda de alguém muito amado, despertaram: adquiriram uma nova visão e perceberam, com olhos mais puros, que o que vale a pena na vida é “ter” Deus, que nunca morre, nem trai, nem quebra; descobriram que nEle se acha a Vida verdadeira, pelo qual tanto ansiamos. Entenderam que realmente o que mais importa são os tesouros do Céu, que nem traça rói nem ladrão rouba (Mat 6,20). E perceberam, enfim, que os outros também sofrem, por isso decidiram esquecer-se um pouco de si mesmos e dedicar-se a aliviá-los como lhes fosse possível.

Ref.: FAUS, Francisco. A Sabedoria da Cruz, São Paulo: Editora Quadrante, 2001.

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O PECADO da

GULA!

oje em dia praticamente não se leva a sério o pecado da gula. A tendência é levar o assunto na brincadeira: as pessoas acham “engraçadinho” ser guloso e comer demais. Tem também aquela história de dizer que fulano “come bem”, quando na verdade ele come é muito. “Comer bem” mesmo é comer com equilíbrio, moderação e inteligência. Segundo depoimento do Pe. Paulo Ricardo de Azevedo Júnior, da Arquidiocese de Cuiabá (MT), quase ninguém mais confessa o pecado da gula. Acham que nem é pecado. Este pecado capital, porém, é muito importante. O pecado da gula é a tentativa do ser humano de buscar a felicidade no consumo excessivo da comida e da bebida, e também no álcool, nas drogas... A gula também pode ser a porta de entrada para outros pecados. É interessante notar que o Pecado Original se deu através do ato de comer: na ingestão de um fruto proibido. Adão e Eva poderiam comer qualquer fruto, de qualquer árvore do imenso Jardim do Éden, onde viviam em felicidade e santidade. Mas eles fizeram questão de ir além, não resistiram à tentação e comeram do único fruto que lhes era proibido por Deus. Eles achavam que comendo daquele fruto teriam uma recompensa maior do que toda a felicidade que eles já viviam no Paraíso, bem próximos a Deus. Resultado: o fruto que parecia doce e que lhes traria uma grande recompensa (‘ser como Deus’, segundo a promessa enganadora da serpente), se revelou muitíssimo amargo. Adão e Eva perderam o Paraíso, a eterna juventude, a plena saúde, a vida eterna... A história da queda do homem e da mulher, no livro do Gênesis, serve como uma boa analogia para compreender a essência do pecado da gula. Ser guloso é uma maneira de procurar a felicidade no corpo, nas satisfações físicas, nos prazeres imediatos. O prazer de apreciar uma boa refeição ou uma boa bebida no foi dado para que nos alimentemos bem e preservemos a nossa saúde. Mas esse prazer não é um fim em si mesmo. Os gulosos tem fome e sede dos prazeres que o corpo tem a oferecer. Eles querem consumir a vida, querem comer e beber esta vida, espremer tudo que o mundo tem a oferecer; eles querem devorar a vida. Só que comer demais acaba prejudicando a saúde, e, pior do que isso, prejudica a alma, que fica tão apegada aos prazeres físicos que não sobra energia para as práticas espirituais, para pensar em Deus, para se cuidar espiritualmente. Ser guloso é querer se realizar somente no corpo, na carne. A gula também é uma porta de entrada para a luxúria. É pela boca que perdemos o autocontrole e a noção do que é justo, harmonioso, equilibrado, benéfico para a saúde do corpo e da alma. No exagero do consumo das bebidas alcoólicas, por exemplo, muitos perdem a “noção do perigo” e se entregam às práticas sexuais desenfreadas, perdendo a capacidade de discernir o que é proveitoso e o que é prejudicial. E quantas brigas e tragédias ocorrem pelo mesmo motivo? Nesse sentido, pode ser muito benéfica a prática da justa penitência, como o jejum moderado. Jejuar é como uma forma de mostrar ao seu corpo quem manda, uma demonstração de autoridade do espírito sobre o corpo físico. É como fazer seu espírito dizer ao seu corpo: “eu é que mando aqui”!

VENCENDO O PECADO DA GULA
Uma dica bastante interessante e muito útil na luta contra o pecado da gula é manter sempre em mente que o nosso cérebro demora cerca de 20 minutos para registrar que o estômago já está cheio e você comeu o suficiente para se sustentar1. Então, se você se levantar da mesa com um “pouquinho de fome”, logo depois você vai se sentir completamente saciado. Estará fazendo o melhor para vencer o pecado da gula e também pela sua saúde. Diversos estudos recentes demonstram que comer pouco, e principalmente menores quantidades nas refeições, é uma das maneiras mais eficazes para se alcançar uma vida mais longa e saudável. Um estudo de cientistas da Universidade de Kyoto, publicado na revista científica Nature, confirma essa tese. Segundo o estudo, “a restrição alimentícia é a intervenção mais eficaz (...) para estender a expectativa de vida”. Os cientistas de Kyoto conseguiram comprovar, ainda, que as cobaias do experimento que deixavam de comer durante dois dias prolongaram a vida em torno de 50%(!). Além disso, as cobaias que jejuavam a cada dois dias se mostraram mais resistentes aos processos do envelhecimento do que os animais que podiam comer o quanto quisessem. Scientific American Brasil2 - Outro estudo recente revela que a restrição de calorias pode levar a uma vida mais longa e saudável. Pesquisadores confirmaram estudos que já ocorrem há mais de 70 anos: um modo infalível de aumentar o tempo de vida dos animais é cortar a sua ingestão alimentar diária em uma média de 30% a 40%. O procedimento protege as células contra o envelhecimento e as doenças relacionadas ao avanço da idade, conforme publicado também na revista científica Cell (www.cell.com). Em entrevista à revista Dieta Já!, o Dr. Luís Fernando de Barros Correia, Clínico Geral e Chefe do Setor de Emergência do Hospital Samaritano do Rio de Janeiro, expert em emagrecimento, declarou: “Se você comer apenas 80% da capacidade do seu estômago, não vai precisar de médico”. São informações bastante interessantes para a nossa saúde, sem dúvida. Mas ainda mais importante é saber que a moderação na comida e na bebida preserva, principalmente, a nossa alma do pecado da gula. Afinal, essa vida, mesmo que seja longa, um dia passa.
1) Revista Saúde & Bem Estar - jan/2007 (http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2011/07/ cerebro-demora-20-minutos-para-registrar-que-estomago-esta-cheio.html); 2) Vide http://www2.uol.com.br/sciam/ (acesso em 16/1/2009).

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