Título: O Meio Ambiente e o Setor Industrial - Desafio para o Desenvolvimento Sustentável.

(Condensação da monografia Meio Ambiente - o Marketing Possível).

Autora:

Francicleide

Palhano

de

Oliveira,

Jornalista,

com

especialização em Administração com Ênfase em Marketing, pela UFRPE.

INTRODUÇÃO Quando as primeiras indústrias surgiram, os problemas ambientais eram de pequena dimensão, pois a população era pouco concentrada e a produção era de baixa escala. As exigências ambientais eram mínimas e o símbolo do progresso, veiculada nas propagandas de algumas indústrias, era a fumaça saindo das chaminés. Mudanças começaram a ocorrer, a partir do agravamento dos problemas ambientais, por volta dos anos 70, gerando um nível crescente de exigências, reclamando respostas do setor industrial ao novo desafio. Nas últimas décadas, as empresas deixaram de ser vistas apenas como instituições econômicas, com responsabilidades para resolver os problemas meramente econômicos – o que produzir, como produzir e para quem produzir – e passaram a se voltar também para questões de caráter social, político e ambiental, tais como: controle da poluição, segurança e qualidade de produtos, assistência social, defesa de grupos minoritários, etc. A visão moderna da empresa em relação ao seu ambiente é muito complexa. A nova forma de administrar tem a ver com a proliferação de pressões por parte da sociedade (movimentos reivindicatórios, denúncias), como também a regulamentação de leis que forçam as empresas a criar novas diretrizes de

atuação e influenciam as organizações desenvolverem sua missão, quebrando o paradigma da visão tradicional da empresa e adequando-se a uma nova administração empresarial, onde as questões sócioambientais são incorporadas ao dia-a-dia do ambiente dos negócios. A sociedade moderna está mais atenta ao comportamento das empresas: as pessoas têm preocupações com o meio ambiente, com a segurança e com a qualidade de vida e dos produtos. Qualidade, aliás, é uma das palavras que foi assimilada pelo consumidor e que tem levado as organizações incorporar novos valores em seus procedimentos administrativos e operacionais. Muitas empresas, no entanto, não concordam com esta visão da influência do ambiente sócioambiental no desempenho no mundo dos negócios. Mas a influência do ambiente afeta, de forma diferenciada, as pequenas, médias e grandes empresas, o que acarreta a diversidade de percepção por parte das organizações. Mas, mesmo não concordando e até se opondo a esta realidade, as empresas estão sendo obrigadas, principalmente através das Leis, assumir

responsabilidades sociais e ambientais, através de projetos que incluem a proteção ao meio ambiente, ações filantrópicos e educacionais. Há um grupo receptivo à responsabilidade sócioambiental das

organizações e há os que preferem não se adaptar à nova administração. Um dos argumento favorável aos adeptos é que, assumindo esta postura, as empresas acabam ganhando melhor imagem institucional e isto pode se traduzir em mais consumo, mais vendas, melhores empregados, melhores fornecedores, mais acesso ao mercado de capitais. Em outras palavras, uma empresa que assume o compromisso social e de bem realizar a sua gestão ambiental, possui uma vantagem estratégica em relação àquela que não tem a mesma imagem perante o público. Além do mais, as preocupações com o meio ambiente não param de crescer, haja vista, por exemplo, as novas leis, resoluções e decretos, como a Resolução nº 257/99, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que

trata da reciclagem, reutilização e disposição final das pilhas e baterias, dotando de responsabilidade as fábricas e revendedoras desses produtos pelo destino final dos mesmos. A adequação das empresas às exigências da legislação ambiental também influencia o mercado, pois, como bem enfatizou Novaes (1991): “as

portas do mercado se abrem para as empresas que não poluem, poluem menos ou deixam de poluir e não para as que desprezam as questões ambientais, na tentativa de maximizar lucros e socializar prejuízos”. A proteção ao meio ambiente deixou de ser uma exigência, passível às punições e sanções e passou a ser também um quadro de ameaças e oportunidades, onde as conseqüências transformam-se em posições na concorrência e na própria permanência ou saída do mercado. A proteção

ambiental deixou de ser função exclusiva da produção, para tornar-se também uma função da administração da empresa, que deve ter o cuidado de envolver, nesta seara, todos os funcionários. Meio Ambiente, assim considerado, passou a ser assunto obrigatório das agendas dos executivos. A globalização dos negócios e a internacionalização dos padrões de qualidade ambiental, exigidos pela Norma ISO 14001, além de fazerem os empresários repensarem suas estratégias, abrem também o espaço para que as empresas realizem o marketing ambiental.. O marketing ambiental, em muitos casos, está sendo utilizado por essas empresas para informar ao público que a organização é uma “empresa verde”. Em Pernambuco, ainda é pequeno o número de empresas que possuem o Sistema de Gestão Ambiental e menor ainda o número das que possuem o certificado de qualidade ambiental - ISO 14001. Dados mostram que, apesar do avanço na relação indústria/meio ambiente, ainda há um longo caminho a ser percorrido pelos empresários pernambucano, que passa pelo entendimento e conscientização sobre as causas ambientais.

Anunciados na mídia – seja em forma de matéria jornalística ou propaganda . nas empresas instaladas em Pernambuco. Por fim. que se apresenta como um novo modelo de administração em todo o mundo. em especial a ISO 14001.os selos e certificados fazem a diferença no momento da empresa mostrar-se ao público. despertou-nos o interesse em conhecer como está acontecendo esta adesão. um olhar crítico para perceber o que está ou não coerente com a realidade anunciada. além de contribuir para a garantia da sustentabilidade da vida no Planeta. comprovando que as empresas que assumem essa responsabilidade. no entanto. Mas é preciso. empresa de economia mista. .Tais considerações. recebem prêmios de organizações governamentais e não-governamentais e se apresentam à sociedade com o diferencial de ser empresa ambientalmente correta. somando-se a nossa experiência de atuação na área de comunicação da Companhia Pernambucana do Meio Ambiente (CPRH). responsável pela execução da política ambiental do Estado de Pernambuco. uma abordagem sobre selos e certificados ambientais. Focamos o assunto da responsabilidade para com o meio ambiente.

em Bhopal. a chuva ácida provocada pela queima de combustíveis causa a morte de peixes em 147 lagos. nos anos 50.1– AGRESSÕES AMBIENTAIS QUE FIZERAM HISTÓRIA O Informe Publicitário da Revista Empresa & Ambiente. Cerca de 200 mil pessoas sofreram lesões graves nos olhos. em conseqüência de envenenamento por mercúrio. despejou 460 toneladas de materiais poluentes na Baía de Yatshushiro. vitimadas pelo vazamento de isocianeto de metila. fígado e rins. traz o registro histórico de agressões ambientais que chocaram a humanidade: Minamata. 1999. é a vez da Índia ganhar espaço na mídia. pulmões. em fábrica de pesticidas da Unios Carbide. A infratora. em vários países do mundo. A empresa é obrigada a pagar mais de 600 milhões de dólares em indenizações e muitos processos judiciais correm. até hoje. lançando 100 milhões de curies de radiação na atmosfera – foram 6 . em l985. O governo canadense acusa os Estados Unidos de indiferenças em relação à questão ambiental. Em 1982. A fonte faz referência à década de 80. antiga URSS. O Informativo refere-se ainda ao acidente de Chernobyl. Em 1984. onde. uma explosão destruiu um dos quatro reatores de uma usina atômica. como uma época marcada por sérios acidentes ambientais. com a morte de mais de 2 mil pessoas. no Canadá. mais de mil pessoas morrem e um número nãocalculável sofre mutilações. indústria química Chisso. Japão.

o acidente ocorrido em Cubatão. A mesma fonte cita também o incêndio em uma indústria química da Sandoz.5 milhões de litros de petróleo no estreito de Príncipe William. o petroleiro Exxon Valdez bate em um recife e derramou 41. O acidente provocou a morte de 580. fungicidas e outros produtos altamente tóxicos. O Brasil também tem suas páginas sujas na história da humanidade! Transformou-se em notícia e foi amplamente divulgado. que são essenciais para a sobrevivência da fauna da região e praias de Niterói. 2001.000 ficaram sujeitas ao risco de câncer. em l984: o rompimento de um oleoduto da Petrobrás. arrasa a favela de Vila Socó. matando 90 pessoas e deixando outras 200 feridas. cita que no final da década de 80. na verdade. nos 20 anos seguinte. Mais de 30 pessoas perderam a vida e outras 40. a Refinaria informou que foram despejados cerca de 40 mil litros de óleo na Baía. o pior acidente atômico da história. chocam a opinião pública e abalam seriamente a imagem de uma . poucos anos antes. foram derramados mais de 100 mil litros. atirou no rio Reno 30 toneladas de pesticidas. pelos cálculos da Fundação Estadual de Engenharia e Meio Ambiente (Feema). até então. E. que era considerado. ocorrido em novembro/2001. Segundo a matéria. que se transformou em notícia no Brasil inteiro e até no exterior: o rompimento de um duto da Refinaria de Petróleo de Manguinhos.000 aves. São Paulo. na mídia nacional e até internacional. um novo acidente ambiental chocou o mundo: no Alasca.550 lontras e milhares de outros animais. 5. Desastres como esses.milhões de vezes o volume que escapou do Three Mile Island. A mesma fonte cita que. por fim. Suíça que. provado por um incêndio. em l985. que poluiu ainda mais as já degradadas águas da Baía da Guanabara. sejam no Brasil. nos Estados Unidos. atingindo os manguezais. traz as informações de um outro acidente provocado pela Petrobras. na Brasiléia. ou em qualquer outra parte do mundo. A Revista Ecologia e Desenvolvimento.

Na visão da autora. Andrade diz que foi após a segunda Guerra Mundial. que teve como objetivo a normatização e a atuação sobre o uso do meio ambiente. Há registros históricos do mau gerenciamento dos recursos naturais desde o século I. 1. já nessa época. com o avanço da Ciência. mostra que o pensamento ambiental evoluiu à proporção do desenvolvimento das ciências. “com todas as conseqüências negativas em relação às formas de exploração dos recursos naturais e humanos. já não encontra mais sustentação e as empresas que poluem o meio ambiente têm a sua imagem maculada. em Roma. que ocorreu a primeira ação legal registrada na história. a Revolução Industrial.1. são hoje visíveis nos problemas ambientais contemporâneos”. em 1945. citando McCornick. em l750.empresa. Nessa época. . ocorrido ao longo da história da civilização. A autora enfatiza que foi em Londres. poluindo o ar. era comum o uso das fornalhas. aliado à técnica . cuja conseqüência de longo prazo. que ajudavam a diminuir o frio em áreas públicas. quando o Rei Eduardo I fez uma proclamação real sobre o uso de carvão em fornalhas abertas. os relatos de que. começaram a ocorrer quebras de safras de culturas e erosão do solo. ao ar livre. perante a opinião pública. O Rei Eduardo estabeleceu critérios para essa prática.Evolução do pensamento e do movimento ambiental no mundo Andrade. 2001. A tese de que os danos causados ao meio ambiente são o preço inevitável a pagar pelo desenvolvimento. em 1306. punindo com multas quem a violasse. teve início. como por exemplo.

a autora denuncia a diminuição da qualidade de vida devido ao excesso de produtos químicos na produção agrícola. 2001. considerado um clássico do movimento ambientalista. A fonte diz que na publicação. 2001. em defesa do meio ambiente.o disciplinamento da caça às baleias – um grito de socorro ao mamífero marinho: Salvem as Baleias! A mesma fonte diz que não só esses mamíferos precisavam de proteção: a intensificação do tráfego de navios gerou problemas de poluição que provocou a redução do potencial pesqueiro. foi realizada. por sua vez. através da Convenção Internacional para Regulamentação da Pesca da Baleia que. em âmbito mundial. . causado pela ausência de insetos e de pássaros na primavera e assim.estava lançado o desafio de se pensar em um modelo social onde os recursos naturais fossem valorizados. prejudicando a saúde e o meio ambiente. a poluição ambiental. a idéia de superpopulação e a possibilidade do holocausto nuclear. reconhecendo o interesse das nações." E Andrade. Segundo o autor: “Carson referiu-se ao som do silêncio. no ano de l954. promoveu uma discussão na comunidade internacional. motivada por uma série de eventos relacionados com o meio ambiente.que houve a proposta de uma sociedade organizada sob os fundamentos de uma engenharia comportamental. Para discutir o assunto e buscar soluções. a Convenção Internacional para a Prevenção da Poluição do Mar por Óleo. em Londres. iniciou. quando o mundo começou a enfrentar o esgotamento dos recursos naturais. em proveito das gerações futuras de salvaguardar as grandes fontes naturais representadas pela espécie baleeira. de l962. onde foi assinado o primeiro tratado contra a poluição. A autora esclarece que “o livro só se tornou mais conhecido a partir da década de 60. começou a crescer na década de 60. de autoria da jornalista americana Rachel Carson. com o lançamento do livro Uma Sociedade para o Futuro. escrito por Shinner . Rosa. citando Nascimento e Silva. em l946. fala que a consciência ambiental. como a publicação do livro A Primavera Silenciosa. faz lembrar que foi em prol das baleias que foi dado a primeira orientação sobre ações que possam prejudicar as futuras gerações.

previa que. continuassem no mesmo ritmo. a qualquer custo. contaminando os alimentos e deixando resíduos no meio ambiente”. segundo a mesma fonte. em Estocolmo. se os aumentos populacional e industrial. 30 pessoas de dez países diferentes. na Suécia. numa reunião na Academia de Linci. em l971. que divulgou. mostrando que o consumo desenfreado da sociedade. basicamente. Limites do Crescimento – um alerta. industriais e funcionários públicos discutem. com o uso exacerbado de produtos químicos na produção agrícola. 2001. a década de 70 caracterizou-se pela tentativa do controle da poluição. humanistas. lembra que seis anos depois desse episódio. na década de 80. Almeida. Na visão de Leite e Medina. entre cientistas. denominado Crescimento Zero. a deterioração do meio ambiente o crescimento desordenado. denominados. realizada em l972. 127). na prática. tal política representava sua manutenção no subdesenvolvimento tecnológico e social”. em Roma. (p. Ainda segundo o mesmo autor. de um modo geral. sobre a crise e os dilemas da humanidade. citados por Andrade. com a conseqüente superutilização dos recursos naturais. economistas. Seria um crescimento planejado. no século XXI. Foi também na década de 70 que surgiram os primeiros movimentos ambientalistas. o Clube de Roma apontou como solução uma política mundial de contenção do crescimento. também conhecida como Conferência de Estocolmo. 1999. para que fossem atendidas as necessidades básicas de toda a população. como a pobreza. “Os países subdesenvolvidos entenderam que. de Organizações Não-Governamentais (ONGs) e aconteceu um marco histórico na discussão das questões ambientais: a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento. educadores. - .relacionando a diminuição da qualidade de vida. a humanidade se defrontaria com graves problemas de falta de recursos e níveis elevados de poluição. levaria a humanidade a um colapso. Estava criado o Clube de Roma. O estudo.

o termo ecodesenvolvimento (mais tarde transformado em Desenvolvimento Sustentável). Na mesma fonte. organizada pela Unesco. está registrado que. uma diferentes modalidade de organização social e um novo sistema de educação". mas. quando grande parte dos representantes dos países concluíram que deveria haver prudência no processo de industrialização para se evitar o processo de degradação no mundo. pois os brasileiros precisavam de empregos. mas subtendendo também. os representantes brasileiros acusaram os países desenvolvidos de desejarem limitar o desenvolvimento dos países pobres e afirmaram que a poluição era bem-vinda ao Brasil. em l980. que publicou. pois relaciona. o livro “Ecodesenvolvimento – crescer sem destruir”. em Tbilisi (antiga União Soviética). com a participação de 113 países. temas ambientais. aconteceu. quando compreende meio ambiente “não somente como meio físico biótico.37) Rosa.1997. Os autores enfatizam que a recomendação nº 96 da Conferência. também. não apenas como “um estilo tecnológico. De acordo com Abreu. dólares e desenvolvimento”. a Conferência de Tbilisi ampliou o conceito de Meio Ambiente. em outubro de 1977. reconhecia o desenvolvimento da Educação Ambiental como elemento crítico para o combate à crise ambiental do mundo. explica que na Conferência de Estocolmo foi citado. de forma definitiva. ao nível mundial. A Primeira Conferência Intergovernamental em Educação Ambiental. em cumprimento à recomendação do Conselho. especificamente. 2001. em colaboração com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). a necessidade do desenvolvimento contemplar a questão ambiental. meio social e cultural. Para Rosa. onde foram discutidos. pela primeira vez. (p. pelo professor Ignacy. o qual passou a ser um marco referencial de uma alternativa de desenvolvimento econômico.primeira conferência. e relaciona os problemas ambientais com os modelos de desenvolvimento adotados pelo homem” . “nessa Conferência.

no Brasil. como o ocorrido em Bhopal. determinando o fim gradativo do CFC. todos os ciclos agrícolas se basearam na exploração predatória. comprometendo-se a reduzir a produção de CFC pela metade. desencadeou uma campanha de reflorestamento do pau-brasil e criou a Fundação Nacional do Pau-brasil. 1. quando acidentes. da Universidade Federal Rural de Pernambuco. teve início com a extração predatória do pau-brasil. foi amplamente explorada. o pau-brasil. citando Monteiro. na época que ficou conhecida como ciclo do pau-brasil. A fonte diz também que no ano de 1990. devido ao uso de clorofluorcarbono. utilizando o trabalho escravo”. Considerado a primeira espécie florestal nativa do País. a maior concentração da espécie A mesma fonte. o Professor Roldão de Siqueira Fontes. Paralelamente. inclusive o Brasil. cita a autora. em larga escala. os conceitos de proteção ao Meio Ambiente começaram a se ampliar a partir da década de 80. de forma irracional e predatória . Um alerta dos cientistas chamava a atenção para a redução da camada de ozônio. foi introduzida a pecuária. no ano e l970. com o pisoteio do gado. com o início da escassez do pau-brasil. diz que. hoje. Pernambuco possui. acentuando muito a instabilidade dos solos. o acordo foi ratificado pela Organização das Nações Unidas (ONU). Séculos depois.Na visão do autor. chocaram o mundo inteiro. grandes latifúndios associados às extensas monoculturas.Síntese da degradação e preocupações ambientais no Brasil Para Andrade. até o ano de 1999. por ter um alto valor comercial. que dá início ao ciclo da cana-de-açúcar. O alerta levou 57 países a se reunirem no Canadá e assinar o Protocolo de Montreal. com a adesão de 90 países. 2001. em 1984. na Índia. inicia-se a monocultura da cana-de-açúcar. por volta de 1599.2. Explica a autora "assim como ocorreu no ciclo da cana-de-açúcar. que tirou a vida de mais de duas mil pessoas. a degradação ambiental. Graças a essa iniciativa. . até 2010.

que o Brasil iniciou um programa de modernização industrial e urbana. A autora revela também que o desenvolvimento industrial foi estimulado no Brasil. muitos empreendimentos que sofreram restrições em outros países. onde não haveria exigências de equipamentos antipoluentes. Costa Cavalcanti.Citando Pádua. Rosa. Lembrando que essa era a posição oficial do governo brasileiro. denunciando e debatendo os danos ambientais ocorridos no Brasil”. para justificar a posição governamental: “a pior poluição é a da miséria”. repetia a frase da primeira-ministra da Índia. de acordo com a mesma fonte. citando Velloso. gerando mudanças políticas. o apoio às indústrias de base é incrementado. instalaram-se no Brasil. na década de 70. principalmente aqueles ligados a alguns setores da petroquímica. 1991 e Maimon. fez severas críticas ambientais aos proprietários de terras.informa que o então Ministro do Interior. sociais e econômicas. 2001. Com a institucionalização do Estado Novo. explica que com essa sinalização verde para a poluição. a fonte registra que as primeiras manifestações contra a destruição ambiental. dá uma idéia do que foi o período de 1956 a 1961. Mas é a partir de l951. chefiando a missão brasileira na Conferência. na Conferência de Estocolmo. Indira Ghandi. Nesse evento. em 1618. em 1937. . a fonte . preparados por 38 autores brasileiros. que “possuía um grande espaço para ser poluído”. enfatiza Andrade. a partir da Revolução de 30. mesmo de forma predatória. foi característica do governo Emílio Garrastazu Médici. pelo cronista e senhor de engenho Ambrósio Fernandes que. 1992 . surgiram no segundo século de colonização. no Brasil. E a preocupação ambiental movimentou o País: “entre 1768 e 1888 foram produzidos 150 textos. diz que o crescimento econômico a qualquer custo.citando Zucca. O lema do governo de Juscelino Kubitschek “Cinqüenta anos de progresso em cinco”. o qual convidava as indústrias poluidoras estrangeiras a transferirem-se para o Brasil. Ainda Andrade. no Brasil.

1995. no Rio de Janeiro. a Eco-92 foi um grande momento. Para o autor.3. a Conferência Internacional sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.. em escala planetária. 2001. composta por 40 capítulos.1994... claramente. um novo estilo de desenvolvimento: o desenvolvimento sustentável” (p. vez que o documento se apresenta como proposta para ser o texto-chave que irá guiar governos e sociedades.. em junho de 1992. passando a ser um assunto constante nas discussões econômicas. Explicando sobre o documento. Os recursos ambientais eram tidos como abundantes. possui a forma de . para que se preocupar como eles? O que importava era o desenvolvimento. Já para Jöhr. “o crescimento econômico era tido como incompatível com a harmonia ambiental. De acordo com Andrade. praticamente infinitos e. Afinal. acontece. mas seu resultado deixou mais questões em aberto que respostas definitivas. 2001. ou acabasse! 1. a Agenda é um produto inusitado. Brasil. que o nosso País não tinha nenhuma política de controle ambiental e não queria optar por implantá-la. cita a Agenda 21 como o mais importante resultado da Conferência Rio 92. o autor informa que a Agenda 21.Observa-se. rumo ao estabelecimento de um novo modelo de desenvolvimento: o sustentável. que firmaram o mais ambicioso programa de ações conjuntas com o objetivo de promover. nas próximas décadas.” Medina. que ficou conhecida como a Rio-92 e Eco/92. “A Conferência reuniu o maior número de governantes de todos os tempos e de toda a história das conferências da ONU: 179 países. 38) Para Reis. o grande alvo era transformar o Brasil numa grande potência no panorama mundial. De acordo com Viola. porque os temas relacionados ao meio ambiente deixaram de ser herméticos ou apaixonados. o resto que se sustentasse.O eco que se ouviu no Rio Vinte anos após a Conferência de Estocolmo. 1997. “a Eco-92 foi um alerta.

a globalização positiva.52 ) Segundo o mesmo autor. gestão dos recursos naturais. que afeta a todos os povos do planeta em graus diversos”. foi realizada. que diz respeito à própria sustentabilidade da vida e serve para estimular a elaboração de Agendas 21 locais. Nessa Conferência. Mas não é! De acordo com o autor. em Nova York. sustentabilidade como uma ética – a Agenda estabelece definitivamente a noção de que não haverá sustentabilidade ambiental. Ainda de acordo com Medina. traz os seguintes temas: agricultura sustentável. diferentes níveis de governo. estimando seus custos. os valores que sustentam a Agenda 21 são: cooperação – entre países. deve ser do conhecimento da sociedade . vista também como crise civilizatória. ao tempo em que se realiza. no qual se procura dar respostas e soluções para a chamada crise ambiental planetária. democracia e participação – reforço aos ideais democráticos. mecanismos institucionais para implementação e monitoramento de programas. O texto da Agenda 21 brasileira. por fim. nacional e local e diferentes segmentos e atores sociais. sem sustentabilidade social e. uma reunião oficial da Nações Unidas. metodologias para a obtenção de consensos. no Rio de Janeiro. cidades sustentáveis. o combate à pobreza e o respeito cultural são fortemente contemplados.2000. a eqüidade. a Rio +5. (p.atores. no qual a igualdade de direitos. infra-estrutura e integração regional. expressão de um projeto global. foram apresentadas 100 . redução das desigualdades sociais e ciência e tecnologia para o desenvolvimento sustentável. cinco anos depois da Eco-92. 2001. sugerindo ações. Um documento tão importante. “a Agenda 21 é uma espécie de agenda positiva da globalização. com a finalidade de verificar os avanços realizados a partir da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável.guia.

em setembro deste ano. para uma nova avaliação sobre os progressos e retrocessos na área ambiental. soma e integração. com justiça social. voltarão a se reunir em Johannesburgo. o texto da Agenda 21 continua sendo pouco conhecido. a construção da Agenda é um processo de co-responsabilidade.experiências brasileiras de Desenvolvimento sustentável e Educação Ambiental. enfatiza o autor: “Em ambas as reuniões são avaliados os progressos relativos à implementação da Agenda 21. por parte dos governos. para elaboração das Agendas 21 locais. “Um processo político. 2001. realizada em ação conjunta com o Instituto de Estudos da Religião (ISER) e coordenada por Samyra Crespo. solidariedade. . Somente nos últimos anos. Conforme vem sendo divulgado nos veículos da mídia. África do Sul. na Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento. em 1997. divulgou uma pesquisa nacional. também chamada Rio +10. intitulada “O que o brasileiro pensa do meio ambiente. observa-se uma preocupação maior. de construção e implantação do desenvolvimento sustentável no País. no sentido amplo. Concluiu-se que os avanços são insuficientes e que seriam necessários esforços por parte dos governantes e da sociedade civil organizada para uma efetiva implementação do Desenvolvimento Sustentável. desde a Eco-92. 35) A fonte afirma que apesar dos esforços realizados por diferentes países. às vésperas da realização da Rio+5. Na sua visão. a qual revelou que 95% da população brasileira jamais ouviu falar sobre a Agenda 21 e que apenas 42% tinha algum tipo de informação sobre em que resultou a Conferência da Rio-92. representantes de vários países.Mas. O Ministério do Meio Ambiente (MMA). do desenvolvimento e da sustentabilidade”. Em todo o mundo estão sendo realizados os fóruns preparatórios para a Rio+10 e redigidos relatórios das atividades desenvolvidas referentes aos compromissos assumidos no evento realizado no Rio de Janeiro. inclusive do Brasil. tal com foi postulado na Rio-92” (p.

80). como lembra o autor em referência: “os modelos de desenvolvimento que não contemplaram o meio ambiente nas suas diretrizes e metas. que prometeu trazer a felicidade e o bem-estar coletivo. a degradação ambiental em macroescala e os efeitos cumulativos decorrentes da perda de 24 bilhões de toneladas de solo fértil.1999. entretanto. décadas após décadas.95) Ao refletirmos sobre o pensamento de Almeida.2 . o século XXI é uma mostra viva de como a humanidade tratou os recursos naturais. o conceito de desenvolvimento. p. 1999. provaram a sua insustentabilidade” (p.COMO ADMINISTRAR. Durante as quatro últimas décadas. . foram mais do que evidências suficientes para o esclarecimento de que tudo não passou de um grande engano” (Almeida. O fenômeno da poluição mostrou que problema ambiental não reconhece fronteira e foi um dos primeiros motivos a suscitar a necessidade de negociações internacionais. Não dá mais para ilustrar com a figura de uma fábrica soltando fumaça. deixamo-nos enganar pelo aumento indiscriminado da produção econômica. TENDO EM MENTE O MEIO AMBIENTE ? “Enfeitiçados pela ilusão do progresso. Afinal. vamos trazer à responsabilidade uma civilização que precisa estar cada vez mais comprometida com os recursos da natureza. até porque.

desde o neoclássico. publicado em 1987 pela Comissão Mundial do Ambiente e Desenvolvimento. desigualdade social. nutrição. Na visão do autor. desenvolvimento. conhecida como . 1991. agora. Durante muitos anos. pois. educação e moradia. o desenvolvimento econômico passou a ser complementado por indicadores que expressam a qualidade de vida dos indivíduos: diminuição dos níveis de pobreza. voltamos a citar Almeida. até o desenvolvimento sustentável. Como bem lembra Negret. não possa viabilizar a instalação e a operação de atividades ambientalmente sadias com pleno atendimento aos indispensáveis requisitos de viabilidade técnica e econômica” (p. 1999. esse conceito é muito maior do que o da ciência econômica. defende que: “Há de se encontrar uma forma de equilíbrio entre os meios e os fins. Era preciso. 45). também as dimensões ecológicas e culturais” ( p. que é o crescimento econômico: “ao conceito de desenvolvimento foram incorporadas às dimensões sociais e políticas e. 1995. Na opinião de Souza. A partir do famoso relatório Nosso Futuro Comum.Reis. encobria a destruição ou o aproveitamento desordenado dos recursos naturais dos países”. 1993. repensar a palavra crescimento e trabalhar a expressão Desenvolvimento Sustentável.1994. esteve fora da ótica dos economistas e políticos a contenção da degradação dos recursos naturais. elevação das condições de saúde. o qual lembra que o próprio conceito do termo vem sofrendo evolução. Não podemos aceitar a idéia de que uma civilização que tem a capacidade de criar vidas em laboratório e de ir ao espaço.2) Que tipo de desenvolvimento praticamos? Para explicar o sentido da palavra desenvolvimento.: “a forma de medir os índices de crescimento.

o assunto passou a ser discutido por organizações governamentais e não-governamentais. foi estabelecido o conceito de Desenvolvimento Sustentável. a inclusão da variável ambiental na economia e nos processos decisórios.Comissão Brundtlan. pensamentos. citado na mesma fonte. ajudar as populações envolvidas a se organizar. no essencial. De acordo com o Vocabulário Básico de Ecologia. revisão da ordem de crescimento. com a ajuda de técnicas ecologicamente prudentes. Na visão de Rose.82) . em fóruns nacionais e internacionais. dentre outros itens. a se educar. "promover o ecodesenvolvimento é. mas propôs a adoção de estratégias. “é um processo criativo de transformação do meio. adoção de novos paradigmas." (p. como sendo “aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem às suas próprias necessidades”. cujo valor é o da sobrevivência humana. para que elas repensem seus problemas.82) Para Sachs. dada a diversidade dos meio naturais e dos contextos culturais. o Relatório de Brundtland não apresentou um planejamento detalhado das ações que levaria ao novo tipo de desenvolvimento. impedindo o desperdício inconsiderado dos recursos e cuidando para que estes sejam empregados na satisfação das necessidades de todos os membros da sociedade. reorientação tecnológica e. A partir daí. diretrizes. 2001. Mas o que vem mesmo a ser Desenvolvimento Sustentável? Duas palavras para traduzir uma gama de necessidades. 1990. onde economia e ecologia sejam vistas como lados de uma mesma moeda. manutenção de um nível populacional sustentável. Importante observar a citação da satisfação das necessidades e não a submissão à lógica da produção exigida como um fim em si mesmo. citando Sachs. (p. identifiquem as suas necessidades e desejem um futuro digno de ser vivido". como: atendimento às necessidades humanas básicas. concebidas em função das potencialidades deste meio.

avaliação prévia. também conhecida como Carta de Roterdã: a Carta foi apresentada na Conferência da Onu sobre Meio Ambiente. investigações (pesquisas). empreiteiros e fornecedores. ! social –padrão de estabilidade de crescimento.Ainda na visão de Sachs. instalações e atividades.adaptação do Desenvolvimento Sustentável a cada cultura. gestão integrada. aplicando sempre o conhecimento das comunidades (saberes locais). ainda segundo a mesma fonte.. Voltando a Rose. formação do pessoal. uma organização não-governamental. os princípios da Carta de Roterdã são: prioridade na empresa. realizado no Rio de Janeiro. citado por Andrade. planos de emergência. transferência de tecnologia. com sede em Paris. conselho de consumidores. simultaneamente. processo de aperfeiçoamento. encontramos a informação de que o setor industrial tem aplicado como princípios do Desenvolvimento Sustentável o documento produzido pela Câmara do Comércio Internacional (CCI). produtos e serviços. o desenvolvimento precisa considerar. com distribuição eqüitativa de renda. em l992 . De acordo com Rose. com os 16 princípios que têm servido de base para a maioria das políticas ambientais adotadas por organizações empresariais. foi promulgada. a Carta Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável. cinco dimensões: ! ecológica – implicando um uso mais eficiente do potencial dos recursos existentes nos diversos ecossistemas e com um nível mínimo de deterioração desse potencia dentre outros ponto. espacial – melhor distribuição espacial (geográfica) dos assentamentos humanos e das atividades econômicas. para ser sustentável. 2001. No ano seguinte. 2001. que elaborou o documento no ano l990. contribuição . ! econômica – a eficiência econômica deve ser avaliada mais em termos macrosociais do que apenas por meios de critérios de lucratividade microempresarial. na Holanda. medidas preventivas. na Conferência Mundial da Indústria. ! cultural.

onde está inserido o pensamento “pensar globalmente e agir localmente”. corretivas e de controle das atividades existentes e das atividades futuras. bem como o destino do território. abertura ao diálogo.para o esforço comum. A proposta da implantação de um novo paradigma ecológico-econômico para o mundo. assim. cumprimento de regulamentos e informação. tendo como preocupação a melhoria da qualidade de vida das gerações futuras. que a redefinição do desenvolvimento foi uma maneira que os homens encontraram para a implementação de medidas preventivas. . Percebemos.

Segundo o Termo de Adesão do Processo de Atuação Responsável. a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) e as empresas a ela associadas. A Indústria Química Canadense foi precursora dessa iniciativa e implantou. proteção à saúde e ao meio ambiente. O autor explica que daí começou a mudança empresarial. assumindo uma postura pró-ativa. definido pela Abiquim. atendimento a situações de emergência e até mesmo análise do ciclo de vida dos produtos e de seu desempenho sobre a natureza . como os mencionados no capítulo anterior. o processo da Atuação Responsável. Esse processo foi adotado em vários países.2. As indústrias passaram a incorporar às metas de produção e vendas os procedimentos para a redução da emissão de efluentes. 1995.1 . controle de resíduos. a iniciativa visa promover a melhoria contínua das condições de segurança. em l985. De acordo com Reis. no Canadá os princípios de um processo de atuação denominado Responsible Care (Atuação Responsável).A responsabilidade verde Grandes acidentes ambientais provocados pela indústria química. desde 1992. no sentido de inverter essa tendência. os industriais começaram a se preocupar com o fato de que os benefícios da atuação industrial fossem considerados inferiores ou menores que os impactos ambientais decorrentes de suas atividades. implementaram. De acordo com informações do Informe Publicitário da Revista Empresa & Ambiente. geraram críticas da população. no Brasil.1999.

é irreversível a aproximação entre ecologia e economia. ao optar pelo Gerenciamento Ambiental. redução no consumo de energia. Segundo ele. desde o início. a variável ambiental. pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI). atentando para as expectativas das partes interessadas. Os empresários começaram a incorporar.Ainda segundo a mesma fonte. no planejamento estratégico das indústrias. zelando para que os parâmetros . inclusive industrial. que ele define como sendo: “Um conjunto de rotinas e procedimentos que permite a uma organização administrar adequadamente as relações entre as suas atividades e o meio ambiente que as abriga. do que consertar depois. Até então. que apurou que 85% delas já adotaram algum procedimento de gestão ambiental. na década de 90. O meio ambiente começou a deixar de ser um tema isolado. deve identificar as ações mais adequadas ao atendimento das imposições legais aplicáveis às várias fases dos processos. para ser incorporado em vários setores. ao dia-a-dia da indústria. realizada em 1998. reciclagem e controle de ruídos. passando pela comercialização. até porque há resultados que não têm consertos.10) O autor esclarece que uma empresa. é a Gerenciamento Ambiental. desde a produção até o descarte final. dificilmente um industrial abriria as portas da sua fábrica para uma palestra sobre educação ambiental. em 1451 empresas.” (p. Incorporá-la. A saída para “tentar acertar o passo e sair ganhando”. como diminuição de gases e emissões. era uma realidade muito distante! O Informe Publicitário traz também o resultado de uma pesquisa. então. Para Reis. acredita o autor. as empresas estão percebendo que é mais barato fazer as coisas funcionarem direito. 1995. reutilização de resíduos industriais. a globalização dos conceitos e a sistematização das ações trouxeram mudanças radicais de comportamento. entre outras medidas.

com qualidade ambiental". nos últimos anos. 1998. a função de Controle da Qualidade já existia como estrutura à parte da produção.legais sejam permanentemente observados.) Se as empresas quiserem continuar no páreo e obter lucros. (. são elementos fundamentais para a sobrevivência da empresa. 79). produtos e serviços. a função da Qualidade era como atividade de autocontrole. basicamente de duas formas: como prática e como conceito. o que vem a ser Qualidade? Na definição da Sociedade Americana para o Controle da Qualidade. citada por Kotler. Até o início do século XX. Segundo a mesma fonte. por sua vez. 2000. além de manter os procedimentos preventivos e proativos que contemplam os aspectos e efeitos ambientais das atividades. 78) O Bereau Veritas Brasil. produtos e serviços e os interesses e expectativas das partes interessadas ... tornou-se uma estratégia no vocabulário dos empresários. Só existe qualidade total. argumenta que a palavra "Qualidade". acionistas. E Jöhr. Pouco depois da década de 20.” (p. . empregados e do meio ambiente. “um dos maiores valores que os clientes esperam dos fornecedores é a qualidade. diz que Qualidade evoluiu no tempo. como se sabe. 2000. “Qualidade é a totalidade dos atributos e características de um produto ou serviço que afetam sua capacidade de satisfazer necessidades declaradas ou implícitas” (p. terão de adotar a questão da QualidadeTotal – uma abordagem para a organização que busca a melhoria contínua de todos os seus processos. atendimento aos anseios dos clientes. Qualidade Intrínseca. 1994. A mesma fonte esclarece que as questões ambientais estão intimamente relacionadas com a Qualidade: "Qualidade Total. Mas. instituiu-se a inspeção e na época da segunda guerra mundial. Na visão de Kotler.

é pautada por outros paradigmas. tem como principal ícone a . 1998. hoje. (Apostila Bereau Veritas Brasil. para a satisfação do cliente. 1999. (p. ao longo dos anos: 1990 – Autocontrole 1920 – Inspeção 1940 – Controle Estatístico Final 1960 – Controle Estatístico do Processo 1980 – Garantia de Qualidade 1990 – Gestão de Qualidade a partir de 2000 – Qualidade e Sociedade + Controle e auto confiança dos empregados Resumindo as informações sobre o assunto: “da simples visão de produzir produtos e serviços para atender às especificações (Controle de Qualidade). C-7) Já Almeida. C-5) O Bereau faz uma apresentação da evolução das práticas da Qualidade.“a preocupação com uma Qualidade Global nasceu da Garantia da Qualidade que prescrevia uma forma de gerenciamento das atividades que afetassem a Qualidade de produtos e serviços em todos os estágios. o mais notório refere-se à qualidade de vida. desde o fornecimento da matéria-prima. esta que. reconhece que o próprio conceito de Qualidade extrapola as definições clássicas: “a satisfação do cliente. onde produtos e serviços devem ser adequados ao uso (Garantia de Qualidade). tendo sempre a visão de superar as expectativas do cliente”. dentre os quais. à utilização pelo cliente (desempenho do produto). modernamente. p. passou-se aos Sistemas de Qualidade.

maior facilidade para conseguir financiamento de bancos e entidades do governo. mais recentemente. representando. que passa a ter uma imagem positiva da empresa. mas protegendo o meio ambiente). são fatores como: a tendência mundial. tomando como base o Desenvolvimento Sustentável (progredir sempre. menor riscos de acidentes e menor gasto com ações corretivas. o mundo dos negócios não precisa. as pessoas passam a ter mais consciências sobre as necessidades da preservação ambiental e produzir menos lixo em casa e no trabalho. Inicialmente limitado à qualidade de produtos e serviços e. junto aos seus clientes. incorporando também o desempenho ambiental. A mesma fonte diz ainda que como a implantação de um SGA envolve todos os funcionários. menor custo para a disposição final dos resíduos. um SGA significa menos desperdício. assim bens fundamentais e oportunidades de melhoria/negócio para qualquer empresa bem estruturada e organizada” (p.87) O que pode levar uma empresa a se interessar pela implantação de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA)? Para Noeli. do ponto de vista interno da empresa. Ganha ponto positivo a empresa. maior reaproveitamento e reciclagem de materiais. ser um mundo poluído. assim como “ser mais verde não se limita a inventar novas embalagens descartáveis. 2001. necessariamente. melhor aproveitamento de água. o rigor da legislação ambiental e o diferencial competitivo que advém com a certificação de uma empresa que utiliza procedimentos ecologicamente adequados. parceiros. Governo e a comunidade em geral.salvação do planeta”. 1994. combustíveis e matérias-primas. mas administrar uma complexa cadeia de fatores inter- . Para Jöhr. a Qualidade é exigida também na Segurança e Saúde Ocupacional. Na visão da autora. energia. menor risco de pagamento de multas.

em gestão ambiental. nos últimos anos. que envolvem: eficiência. 1998. conseqüentemente. enquadramento. encontramos um estudo realizado pela Baxter. economista. o autor enfatiza que “todo desastre ecológico é também um desastre econômico-financeiro. apresentada à Escola de Administração de Empresas de São Paulo. autora da tese de mestrado A Evolução da Prática Ambiental em Empresas Industriais. não há dúvida que o passivo ambiental de acidentes ambientais pode se tornar um grave problema para as empresas”. Tomando como fonte o Informe Publicitário da Revista Empresa & Ambiente. “O fenômeno da globalização tem registrado. um avanço sem precedentes na evolução da competitividade e.” O escritor lembra que uma das razões para que os empresários adotem a gerência ecológica é o custo de acidentes ambientais. a matéria traz a declaração. de Carmem Silvia Saches. segundo a qual o argumento ajudou a disparar. da Fundação Getúlio Vargas.relacionados. nem a mais importante do ponto de vista ético. Nessa fonte. engajamento. "as empresas obtêm vantagem competitiva ao canalizarem seus interesses ambientais nas oportunidades de empreendimentos e fabricarem produtos de maior qualidade que atendam à demanda dos consumidores. (p. educação. na busca da produtividade e eficiência nas atividades empresariais” Na visão de Bateman e Snell. 1999. excelência e ética. economia. nos últimos dez anos. os investimentos de empresas em todo o mundo. Além . o qual revela que cada dólar aplicado em programas voltados para o meio ambiente. 29). traz uma economia financeira de três a cinco vezes." Complementando o seu pensamento. uma das gigantes industrias farmacêutica dos Estados Unidos. “Embora esta não seja a única motivação.

proporciona o envolvimento da empresa como um todo. outras chegam à conclusão de que fica mais caro não ter o sistema. Surgem idéias.162). soluções criativas e começam a se explorar oportunidades de aproveitamento de rejeitos. como multas. eliminação da perda das perdas no processo. (p. enfim. A fonte cita também as leis estaduais e municipais que regulamentam o uso dos recursos naturais e penalizam os agressores do meio ambiente. de fevereiro de l998. 2001. substituição de insumos. A proteção ambiental não é apenas uma necessidade universal: é também um importante item para o setor de exportação”. enquanto algumas empresas se perguntam quanto custa implantar um sistema de gestão ambiental. reciclagem.disso. redução da geração de resíduos. danos à imagem da empresa. processo na justiça. (p. como lembra a fonte: “somente a prevenção da poluição já pode representar redução de custos”. prevendo indenizações dos danos causados ao meio ambiente. 25) Ainda segundo a mesma fonte. que estabeleceu responsabilidade à pessoa jurídica. A responsabilidade ambiental é disseminada a cada setor e todos passam a enxergar as questões ambientais sob a mesma ótica. de forma que. as empresas que falharem ao inovar na área de meio ambiente. foi a polêmica Lei de Crimes Ambientais. barreiras à exploração de seus produtos e perda de competitividade”. quando uma empresa implanta um sistema de gestão ambiental. . redução no consumo de energia. como fortes motivos para as empresas se adequarem às normas ambientais. face aos diversos riscos a que estão sujeitas. Para Noeli. “hoje. mudanças tecnológicas. estarão em desvantagem competitiva. apesar da Constituição Federal de l988 conferir proteção ambiental de forma bem abrangente.

está aumentando o número de empresas que estão implantando sistemas de gestão ambiental. antes considerados incompatíveis com a necessidade de sobrevivência econômica das empresas. sobretudo de grande porte. a redução da poluição: “até a década de 80. . vêem. (p.29). com ou sem consciência da responsabilidade sócioambiental. até mesmo porque.Por fim. o enfoque era dado sobre o tratamento de “final de tubo”. resíduos descartados são matéria-prima e produtos desperdiçados”. apenas em cumprimento às leis ambientalistas. sobre a maneira como as empresas. Uma clara tendência à quebra de paradigmas. 2001. Apesar de ainda ser esta uma prática corriqueira. o conceito de eco-gestão já tem seu espaço garantido. vale ressaltar a visão de Rose. De uma maneira ou de outra. no momento atual. mudança de postura em relação aos custos ambientais.

a embalagem do produto. o modo como a matéria-prima é obtida. Selo Verde. indústrias verdes são aquelas que “têm as suas atividades especializadas e direcionadas à criação e desenvolvimento de processos. a competitividade moderna exige das indústrias adequação a essa tendência ambiental. o impacto desse produto sobre o ambiente e ainda a sua utilização e o seu descarte”.O VERDE É NEGÓCIO O fenômeno da globalização tem trazido às empresas a necessidade de adaptação às novas exigências mercadológicas. lembra que a cada dia surgem novas tecnologias para coleta e destinação do lixo doméstico e industrial. por exemplo. em português. Ele afirma que dentro dos critérios da Green Seal para análise do produto. como por exemplo: reciclagem de lixo.3 . Na definição do professor Bedaque. Em outras palavras. O professor Bedaque cita a organização americana. serviços e equipamentos antipoluentes que visam diminuir ou eliminar a poluição. catalizadores. até os motores reciclados. criada em l990. para uma gama de produtos que vão desde o papel higiênico. 2001. programas. o que está proporcionando o surgimento de indústrias de produtos e serviços ambientais – as chamadas indústrias verdes. como o organismo que impulsionou a compra de produtos ecologicamente corretos. o Green Seal desenvolveu padrões ambientais bastantes rígidos. Green Seal. etc. 2001. Na sua visão. além da coleta e reciclagem do . “são considerados. Já Franco.

2002. 360). são menos poluentes. que “protegem o meio ambiente. De acordo com o autor. usam todos os recursos de forma mais sustentável. neste século. que. Philippi. (p. diz que “serão essenciais tecnologias novas e eficazes para aumentar as capacidades e assim alcançar o Desenvolvimento Sustentável. “nunca foi tão importante trabalhar a imagem da empresa junto ao consumidor. Os negócios ambientais transformaram-se em um mercado promissor. 2001. diretor do Instituto para o Desenvolvimento da Habitação Ecológica. enfatiza que o documento define como Tecnologias Ambientalmente Saudáveis as tecnologias limpas. reciclam mais seus produtos e resíduos”. que acaba se transformando em dinheiro. um dos mercados de maior potencial. sustentar a economia mundial. considerando o potencial ocupacional vinculado a sua produção e ao manejo dos recursos naturais renováveis”. movimenta bilhões de “a tecnologia moderna deveria ser utilizada para o desenvolvimento de novos produtos (e mercado) capazes de agregar valor ao ecossitema. é o de produtos ecológicos. além dos mais de 120 mil brasileiros que vivem só de pegar latinhas nas ruas da cidade”. citando a Agenda 21. voltados para o consumidor final. não deixa nada a desejar aos outros dois nichos do século XX – a informática e a biotecnologia. enfatizando a produção correta a partir de tecnologias limpas”. já dólares. só perdendo para o Japão – “um negócio que chega a movimentar US$ 100 milhões. Na visão de Franco. . cuja proposta é assegurar uma melhor qualidade do ar. citado por Philippi. 2000. A utilização de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). A própria Agenda 21. 2001. o Brasil é vice-campeão mundial em reciclagem de latas.lixo. Já na visão Sachs. proteger o meio ambiente e diminuir a pobreza”.361) Para Araújo. ao divulgar uma postura consciente da responsabilidade ambiental e social. (p.

redução de substâncias tóxicas e a emissão de poluentes. ser consideradas fornecedoras preferenciais do governo. a tecnologia empregada para a redução da geração de resíduos sólidos . A fonte traz a informação de que. Enfatizando que “não basta apenas estimular.Na sua definição: produto ecológico é todo artigo que. declara que as empresas ecoeficientes que estão respondendo à pesquisa farão parte de um cadastro e poderão. nãotóxico. seja não-poluente. comercial. o volume de água utilizado no processo de fabricação. dos produtos. desenvolvendo uma pesquisas com as empresas que oferecem. consumo de energia.6) O Ministério do Meio Ambiente. onde as empresas devem informar sobre a quantidade de material reciclável usada no produto. alimentar. Em seu endereço eletrônico.(p. o Ministério do Meio Ambiente disponibiliza um formulário. no referido site. Os primeiros itens da classificação são: o uso de matérias-primas naturais renováveis. residencial. no mercado. reforça o apoio do Brasil aos produtos ecológicos. quando no cargo de Ministro do Meio Ambiente.notadamente benéfico ao meio ambiente e à saúde. agrícola e industrial. de uso pessoal. obtidas de maneira sustentável e o reaproveitamento e a reciclagem de matérias-primas sintéticas por processos tecnológicos limpos. a reciclagem ou o . on line. o Ex-Ministro. A pesquisa averigua ainda a existência da licença ambiental. José Sarney Filho. contribuindo para o desenvolvimento de um modelo econômico e social sustentável”. as diretrizes para aumentar o ciclo de vida reaproveitamento das águas residuais. em breve. manufaturado ou industrializado. é preciso dar o exemplo”. produtos e serviços ecoeficientes. artesanal. esclarecendo que o objetivo é divulgar produtos ecologicamente corretos entre os gestores públicos e permitir mais uma opção no momento da compra ou da contratação do serviço.

Segundo a pesquisa. o consumidor está disposto a pagar mais caro pelo produto que não agrida o meio ambiente. estaria o consumidor disposto a pagar um valor mais alto por mercadorias e serviços ecoeficientes? De acordo com Cobra. etc. consumismo desenfreado. Segundo pesquisa realizada pelo Procon.Mas. Apenas 24% dos entrevistados não estariam dispostos e 8% não Ainda de acordo com a pesquisa. 1989. O resultado diz que 68% das 415 pessoas entrevistas na capital paulista estão dispostas a desembolsar mais dinheiro. em São Paulo. os homens demonstraram estar mais dispostos (72%) do que as mulheres (64%) a pagarem mais caro para ver o mundo menos poluído. divulgou a pesquisa. O endereço eletrônico da Ambiente Global. O perfil dos que perfazem esse percentual: faixa etária entre 16 e 34 anos. esclarecendo que objetivo da mesma foi analisar o consumidor paulistano face aos problemas ambientais da cidade. opinaram. parcela significativa dos entrevistados apontou soluções que implicam em mudanças de comportamento do consumidor para a resolução de problemas. o preço é definido como valor justo pago pela posse de um bem ou de um serviço. desde que o produto não polua o meio ambiente. renda familiar acima de 5 salários mínimos. como poluição do ar provocada pelos automóveis. desperdício de água. no final de 2000. .

Ou. p. Empresas que estão de bem com o meio ambiente. lembra que “os esforços para a produção de bens superiores em mercados mundiais têm levado alguns países – e grupos de países – a conceder prêmios a empresas que exemplificam as melhores práticas relacionadas à qualidade”. estão investindo em programas e projetos que mostrem o “lado verde” da empresa. o marketing verde ou marketing ambiental. um prêmio nacional relacionado à qualidade – o Prêmio Deming. O autor menciona que o Japão foi o primeiro país a conceder.1 . em 1951. .” (Kotler. recebendo prêmios por respeitarem o meio ambiente. Mais que isto: muitas estão sendo homenageadas. na maioria das vezes. como preferem chamar alguns profissionais. Imagem é a maneira como o público vê a empresa ou a seus produtos. Kotler revela que: “é uma homenagem a W. também estão. A imagem é afetada por muitos fatores que a empresa pode controlar. Assim. podemos entender que um dos motivos pelo qual as empresas estão investindo na qualidade ambiental é o marketing. Kotler. querendo mostrar esse diferencial ao mercado. 2000. 2000.Prêmios e aplausos para quem está de bem com o verde “Identidade e imagem são conceitos que precisam ser diferenciados.3.112) Partindo do que foi escrito por Kotler. A identidade esta relacionada com a maneira como a empresa visa identificar e posicionar a si mesma ou a seus produtos. Sobre o Prêmio Deming.

Liboni. vice-presidente da Fiesp. E é de olho nesse público que as empresas estão procurando mostrar à sociedade que estão de bem com o verde e se valem. convida . uma festa para homenagear 35 empresas do Estado. inclusive de promoções como a do Instituto Ecológico Aqualung. "o selo repercute positivamente perante o consumidor e a divulgação interna. que no seu endereço eletrônico. para que se sintam também ganhadores do selo e pertencentes a uma empresa cidadã. de diversos segmentos. que lançou o Prêmio Gazeta Mercantil de Inovação Ambiental. norte-americano que ensinou a metodologia da melhoria da qualidade ao Japão no pós-guerra. que estão auxiliando na preservação dos recursos naturais. municípios e organizações do terceiro setor. feita diretamente com os três mil funcionários da empresa. 2001. que receberam o selo Empresa Cidadão 2001. o concurso lançado através pelo jornal A Gazeta Mercantil da Bahia. supervisora de Relações Públicas e Propaganda da Volkswagen do Brasil. 2001. que a Federação e o Centro das Indústrias de São Paulo (Fiesp/Ciesp). diz que o social e ambiental são lados de uma mesma moeda e que é por assim compreender a questão. Para Mendonça.Edward Deming. 78) Podemos citar. em junho de 2001.. realizaram. como exemplo. Mede-se o comprometimento da empresa em diferentes variáveis: responsabilidade para com os funcionários. De acordo com a fonte. (on line). pois as pessoas estão de olho nas empresas comprometidas com social e ambientalmente corretas. é algo a ser feito por todas empresas". integração comunitária e relação com o meio ambiente”. Tudo na base de muitas práticas de Gestão da Qualidade Total” (p. A fonte acredita que o público está mais crítico e seletivo e que não basta apenas produzir produtos de qualidade. em parceria com a Universidade Livre da Mata Atlântica (UMA). uma das 35 empresas homenageadas pela Fiesp/Ciesp. a partir da visão sócioeconômica e ecológica. “o selo não avalia apenas uma postura circunstancial. com o objetivo de conhecer e divulgar as iniciativas de empresas. dos Estados da Bahia e do Recife.

. com o Prêmio Vasconcelos Sobrinho os vencedores do concurso. a Companhia Pernambucana do Meio Ambiente (CPRH). a primeira certificada com a ISO 14001 no Estado de Pernambuco. Este ano. E em Pernambuco.as empresas a se associarem ao Instituto e. que operam com Sistema de Gestão Ambiental: uma forma de reconhecimento às empresas pelo adequado tratamento para como meio ambiente. é preciso fazer doações mensais ao Instituto e esse. homenageia. Para isso. essa atitude promove à empresa “um exclusivo retorno de marketing ecológico”. por sua vez. desde 1990. bonés e outros itens) com a temática ambiental. receberem o título de “Empresa Amiga da Natureza”. estão empresas como a Petroflex. assim. além de homenagear. a CPRH prestou também uma homenagem às empresas instaladas no Estado. através do Prêmio Vasconcelos Sobrinho. Segundo informações contidas no site do Instituto. que deve estimular outras empresas a seguir os mesmos passos. retribui o doador com produtos exclusivos (camisetas. instituições e pessoas físicas que desenvolvem projetos na área ambiental. Dentre as indústrias vencedoras do concurso.

como parte de um processo pelo qual a proteção ao meio se converte num valor social. Para o MMA. intitulado Comércio e Meio Ambiente . Para o Ministério do Meio Ambiente.Selos e Certificados Ambientais – o marketing que vem do verde Em outubro de 2001. implicou na geração de uma certa confusão que demandou o desenvolvimento de normas e diretrizes para a rotulagem ambiental”. 2002. .Uma Agenda Positiva para o Desenvolvimento Sustentável.3. (on line). com base na comunicação de informação acerca dos aspectos ambientais de produtos e serviços. na XIII Reunião do Fórum de Ministros de Meio Ambiente da América Latina e Caribe. No endereço eletrônico do Ministério do Meio Ambiente. que seja acurada e verificável. encorajar a demanda por aqueles produtos que causarem menores efeitos negativos ao meio ambiente. “A rotulagem ambiental procura. se de um lado resultou em resposta positiva por parte dos consumidores. pode-se encontrar o documento apresentado nesse Fórum. estimulando assim o potencial para uma melhoria contínua da qualidade ambiental dirigida pelas forças de mercado” Com base nesta informação. por outro. podemos entender o impulso que vem sendo dada à rotulagem ambiental. de acordo com o documento on-line. onde um dos itens tratado é a rotulagem ambiental que surge. realizado no Rio do Janeiro. inúmeras declarações surgiram no mercado. À medida que as empresas perceberam que as preocupações ambientais podiam se converter em vantagens mercadológicas para produtos e serviços. “essa proliferação. coube ao Brasil coordenar o tema Comércio e Meio Ambiente.2 .

. Na definição constante na Agenda Positiva para o Desenvolvimento Sustentável. O desenvolvimento da consciência ambiental dos consumidores. Outros. está prevista a rotulagem ambiental como um dos mecanismos positivos de incentivo a uma evolução da indústria. necessariamente voluntária. . portanto. são citados como objetivos dos Programas de Rotulagem Ambiental: . de modo a encorajar a produção e o consumo de produtos que sejam menos agressivo ao meio ambiente. on line. como “reciclável”. os rótulos ambientais funcionam como um importante fator de competitividade.Hoje. utilização de recursos renováveis. do Ministério do Meio Ambiente. na direção de tecnologias e processos ambientalmente mais amigáveis. Essas declarações são dadas pelos fornecedores ou fabricantes. A proteção ao meio ambiente – vez que influenciam as decisões dos consumidores. O estímulo à inovação ambientalmente saudável na indústria: os programas podem proporcionar o incentivo mercadológico para as empresas introduzirem tecnologias inovadoras. dentro de uma dada categoria (os selos verdes). os Programas de Rotulagem Ambiental “consistem. Na Agenda 21. podemos encontrar no mercado produtos com selos ou rótulos que se referem a características específicas. e rótulos que apresentam informações quantitativas sobre os aspectos ambientais do produto. saudáveis do ponto de vista ambiental. etc. etc. como consumo de energia. . “produto sem CFC”. Em outras palavras. impulsionada pelo mercado. No site. utilizada para se alcançar diversos objetivos ambientais e tecnológicos”. “baixo consumo de energia”. 2000. adicionando valor agregado aos produtos. de uma moderna ferramenta de mercado. indicam que o produto causa menos efeito ao meio ambiente.

mostra a sua preocupação com as possibilidades do uso da rotulagem como instrumento de cerceamento à produção." Albiero. relata que a Rede de Rotulagem Ambiental. construção civil. baixo consumo de água. tendo lançado. higiene. jardinagem. tais como: baterias. produtos de papel. de forma que haja mecanismos garantidores da seriedade e da qualidade dos organismos certificadores. diretor do Departamento de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Sistema Fiesp/Ciesp. 26 Programas de Rotulagem Ambiental. móveis para residências e escritórios. 2002. Só onze anos mais tarde. O Brasil se prepara para implantar o Programa de rotulagem Ambiental e. Desta forma.: “apesar do Brasil ser a oitava economia industrializada do mundo. lançado pelo Canadá e vários outros países despertaram interesse em adota-lo. O Governo alemão é o pioneiro na Rotulagem Ambiental. aparece o segundo selo.500 produtos rotulados em diversos grupos. Para Reis. O texto do MMA explica que os critérios de concessão dos selos ecológicos buscam premiar a excelência (por exemplo: eficiência energética. pessoal. para que a rotulagem não seja aplicada para fins menos nobres. no mercado globalizado. Ásia e nas Américas do Norte e do Sul. Alerta também o setor produtivo para a proliferação dos selos verdes. criada em 1994. têxteis. como subterfúgio para a adoção de mecanismos protecionistas ou barreiras comerciais que venham inibir a inserção de produtos brasileiros. utensílios domésticos. quanto à ecorrotulação. etc. 1996.O Ministério do Meio Ambiente. Em treze desses programas. em relação aos demais países de importância na economia mundial. congrega. em 1997. o selo Blue Angel. vestuários. atualmente. etc). existem 601 critérios definidos e 16. está defasado. costumam ser tais que somente um pequeno percentual de determinada categoria de produtos consegue obter o selo. em execução na Europa. de acordo com informações colhidas no site do MMA. (on line). .

1996. o que levou o mercado interno a demandar um processo específico de certificação da Qualidade Ambiental. sediada em Genebra.“fica claro que tais rótulos nem sempre são elaborados de forma transparente. Pelo contrário. É sempre possível encontrar uma justificativa ambiental para o critério adotado. são produzidos em encontros herméticos. alguns pelas entidades de normalização dos seus países e outros por associações de classe. A Rotulagem Ambiental é um assunto também International Standardization Organization tratado através da (ISO). em 1998. 121). com a participação daqueles que deles se beneficiarão. são: Blue Angel – marca registrada do Ministério do Meio Ambiente alemão. “Inúmeros selos já foram lançados. terá sempre um aspecto ou efeito ambiental crítico. Environmental Choice – Implementado no Canadá. ou mesmo setores empresariais. (p. como o objetivo de ser o fórum internacional de normalização. já que qualquer atividade econômica. a Alemanha registra um dos maiores níveis mundiais de interesse pelas questões ambientais. Para Reis. em qualquer lugar do mundo. De acordo com Reis. uma pesquisa realizada junto aos canadenses demonstrou que 94% dos entrevistados manifestaram-se . à época do lançamento do selo.Implementado em 1977. fundada em l947. uma organização não- governamental. Segundo o mesmo autor. 115) Os selos mais conhecidos no mercado mundial. é o único selo do mundo autorizado a utilizar o logotipo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente-UNEP. atingindo uma fatia cada vez maior de consumidores que dão preferência aos produtos considerados “verdes" (p. Alguns vieram aproveitar uma oportunidade de mercado. passível de utilização para o propósito de restringir sua competitividade”. Tais selos nem sempre são destinados a reconhecer determinado produto ou família de produto como ambientalmente sadios.

Reis explica que os graves problemas ambientais enfrentados pelo Japão. informa Reis. O nível cultural dos consumidores faz com que haja qualificação nos selos ”.preocupados com as questões ambientais. levaram a Associação Japonesa de Meio Ambiente (JEA) a oferecer um selo que informasse aos consumidores quanto às características ambientalmente sadias de um determinado produto. como forma de atender às exigências mercadológicas. dispondo-se a pagar até 10% a mais pelos produtos certificados como ambientalmente sadios. Islândia e Noruega). “Mesmo antes da publicação do selo. que objetiva a certificação de produtos ambientalmente sadios. em 1989. diferenciando-os dos demais. Sistema Científico de Certificação – SCS – Implementado pelos Estados Unidos da América em 1990. destacando características especiais de desempenho. Finlândia. Tem como objetivo obter consenso mundial para a certificação a partir da análise do ciclo de vida dos produtos e processos produtivos. que atesta o baixo consumo de energia. Os Estados Unidos. Eco-Mark – implementado no Japão em 1989. principalmente os urbanos. dispõe também do Green Seat. Cisne Branco – Implementado pelos países nórdicos (Suécia. administrado pela EPA Polution Preventer. sendo que um dos mais conhecidos é o Energy Saver. em conjunto com representantes dos consumidores e das atividades econômicas. vários produtos já exaltavam as suas qualidades ambientais.” . . Eco-Mark – Implementado na Índia em 1991. o selo foi uma forma que o as autoridades indianas e o Bureau Indiano de Normalização encontraram para conscientizar ambientalmente os consumidores . O mesmo autor explica que o elevado nível de conscientização dos consumidores nórdicos fez com que o selo fosse uma conseqüência natural das imposições dos mercados internos. “Já existem vários produtos com selos concedidos pela EPA.

para que fossem adotadas por qualquer empresa que realmente quisesse ser certificada por sua eficiência no desempenho ambiental: a série ISO 14000. nos moldes da ISO 14001: . COMPANHEIRO? Foi nesse cenário. ! Buscar certificação/registro do seu sistema de gestão ambiental por uma organização externa. ! Assegurar-se da sua conformidade com sua política ambiental definida. manter e aprimorar um sistema de gestão ambiental. passível da integração com outros requisitos de gestão. ! Realizar uma auto-avaliação e emitir autodeclaração de conformidade com esta Norma. De acordo com o texto da NBR ISO 14001:1996. de forma a auxiliá-las a alcançar seus objetivos ambientais e econômicos” (p. que a International Standardization Organization (ISO) criou normas de âmbito mundial. decidiu criar o seu selo ambiental. “As Normas Internacionais de gestão ambiental têm por objetivo promover às organizações os elementos de um sistema de gestão ambiental eficaz. O documento também descreve os requisitos necessários para a organização que deseje estabelecer e manter um Sistema de Gestão Ambiental (SGA). como vimos anteriormente. 01) O referido texto diz que a Norma é aplicada a qualquer organização que deseje: ! Implementar.O QUE É ISO.4 . em que cada país. ! Demonstrar tal conformidade a terceiros.

representante brasileira da ISO. o momento de criação da Norma ISO 14001. uma conotação puramente comercial.– Política Ambiental – Planejamento – Implementação e Operação _ Verificação e Ação Corretiva _ Análise crítica pela administração Na explicação da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Na visão de Abreu. que podem ser integrados com outros sistemas gerenciais para auxiliá-los a atingir objetivos ambientais e financeiros. Enquanto que a Certificação “é uma ação conjunta que começa com a conscientização da necessidade da qualidade para se manter e competir no mercado”. foi uma época em que eram criados selos e mais selos verdes. das melhores práticas e do melhor conhecimento técnico. com uma linguagem clara para que seja compreendida por todos os funcionários de uma empresa. sendo que muitos dos que se diziam ecológicos poderiam ser muito mais chamados mercadológicos. (on line). duas estão sempre em evidência na mídia: através de matérias jornalísticas ou de propagandas das empresas certificadas: a ISO 9001 e a ISO 14001: o anúncio da conquista confere. à empresa certificada. tendo sido redigida de forma a aplicarse a todos os tipos e portes de organizações e para adequar-se a diferentes condições geográficas. nem para ampliar ou alterar as obrigações legais de uma organização: elas representam o registro. já que possuíam. Sobre a NBR ISO 14001. por escrito. as normas não foram concebidas para criar barreiras comerciais não-tarifárias. . Dentre as várias normas da ISO. culturais e sociais. a ABNT diz que é uma norma que especifica os requisitos do sistema de gestão ambiental. A norma se propõe a fornecer a organizações de todos os tipos e tamanhos elementos para um Sistema de Gestão Ambiental efetivo. segundo a autora. 1997. o diferencial que muitos buscam alcançar.

explica. 1998 ISO 14001 Foco em múltiplas partes interessadas Grande ênfase em leis e regulamentos Objetivos determinados através de necessidades econômicas e sociais Exige a melhoria contínua Planejamento é fortemente requisitado .Diferenças entre a ISO 9000 e ISO 14001 Fonte: Viterbo. pensar na 14001.Existem muitas semelhanças entre a IS0 14001 e a ISO 9001 e a própria Norma NBR ISO 14001 mostra esse paralelo. que pode ser bem aproveitado para a empresa que já tendo obtido a 9001. na sua obra. Viterbo. como implementar a ISO 14001 a partir da ISO 9000 e traça um paralelo das diferenças conceituais entre as duas séries: ISO 9000 Foco em somente uma parte interessada Pequena ênfase em leis e regulamentos Objetivos determinados através das necessidades dos clientes Não requer a melhoria contínua Planejamento é pouco requisitado Tabela 1 . 1998.

apenas padronizando um modelo de gerenciamento. Como o modelo proposto pela Norma tem o foco no atendimento à legislação. na opinião de Porto. 57) Porto. sub-editora da Revista Saneamento Ambiental.1 .4. inviabilizam as indústrias de pequeno porte conquistarem a ISO 14001. o gerenciamento dos resíduos gerados e a administração dos impactos ambientais da atividade. vez que a sua implantação envolve uma série de medidas custosas. é necessário. 1997. em artigo divulgado pela Gazeta Mercantil. opina que a melhoria contínua exigida pela ISO 14001 não é garantia de aumento significativo no desempenho ambiental. 2002. os elevados custos com tratamento e destinação final de resíduos. Na visão de Cerqueira. mestre em saneamento e ambiente pela Unicamp. que se preocupa com as questões ambientais” (p. Para Abreu. formar um corpo gerencial cultural e ambientalmente modificado. como por uma pequena indústria de fundo de quintal. Para ele. o caminho para o desenvolvimento sustentável é a eliminação e não o gerenciamento dos impactos ambientais da atividade. o assunto ainda gera polêmica. que trabalhe com a visão de que. “a Norma não se aplica somente às grandes empresas: ela pode ser implantada tanto por uma grande multinacional. 2000.ISO? E eu com isso? Passados seis anos desde a oficialização da Norma ISO 14001. a ISO 14001 caracteriza-se como uma proposta elitista. 2002. que vão desde a . pois uma empresa poderá adequar-se à Norma.

22) Ainda segundo a fonte em referência. adequação de processos. explica. embora lentamente. Argentina e Chile. sejam impedidas de obter a certificação por impasse financeiro. tudo o que a empresa precisa fazer é baseado num modelo gerencial moderno. De acordo com Godoy. o Brasil está à frente do México. para conquista da ISO 14001. Rosa. na Revista Saneamento Ambiental. como: o condicionamento a financiamentos e . vem crescendo. o Japão. 2001. o que pode resultar na certificação”. dotadas de grande capacidade financeira e. incluindo a maioria dos países Latinos Americano).contratação de uma consultoria especializada até investimentos em equipamentos.(p. o comércio transnacional praticado em tempos de globalização. o número de empresas brasileiras certificadas pela norma ISO 14001. exige das empresas exportadoras enquadramento no respeito à questão ambiental. “A ISO utiliza a mesma linguagem de administração de negócios para administrar o meio ambiente. Para ele. que sintoniza a gestão dos processos produtivos. apesar de estar longe do líder mundial de certificações. A maior parte das certificações foram requeridas por unidades industriais de empresas multinacionais. A maior vantagem para uma empresa que implanta um Sistema de Gestão Ambiental é a organização. A fonte revela que : “O Brasil está no primeiro lugar dos países com maior número de credenciamentos na América Latina e. Frente a essas duas opiniões. 2001. fazendo com que pequenas indústrias. Ele cita que há também outros fatores que levam as empresas buscar a certificação. que “o alto custo de implantação da Norma ISO 14001 é um mito”. que opera em 45 países. resta saber como mercado brasileiro está absorvendo a idéia de mudanças nas empresas. também poluidoras. mas com consistência. Contrário à opinião da sub-editora. exportadoras. gerente de área da ERM/CVS (organismo certificador de gerenciamento ambiental. por excelência.

Mayer defende que visão exportadora é ter os olhos fixos em dois focos: qualidade e respeito ambiental. “A globalização está na esquina. . gerente de Planejamento de Negócios do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Mas Godoy lembra: “muito embora algum desses motivos leve a empresa a aderir à Norma ISO 14001. competindo com o nacional. “caso contrário. é preciso deixar claro que é uma decisão voluntária do empresário. a exigência do credenciamento em licitações ou. ainda. além de não conseguir vender seu produto lá fora. 2001. encontra-se o produto estrangeiro. defende que a abertura da economia iniciada em 1990. Já Silvério. ele não resistiria à concorrência estrangeira no seu próprio território”. pois. ressalta a necessidade de se criar uma cultura exportadora no Brasil. o cumprimento da legislação ambiental. gerente de programa da Fiesp. 2001.seguros.” Mayer. obrigou o empresário brasileiro a colocar o seu produto no padrão internacional. O pequeno empresário precisa ser educado para a cultura exportadora”. Em qualquer lugar.

os números mostram que as empresários estão correndo em busca da ISO 14001.4. tem sido obtida por unidades industriais de empresas multinacionais. publicaram matérias divulgando. O Inmetro (on line) disponibiliza a informação de que. a Bahia foi o primeiro estado brasileiro a ter uma empresa certificado em concordância com a Norma ISO 14001: em 1996. jornalista da Revista Saneamento Ambiental. O jornalista lembra que a adesão é voluntária. reuniram empresas e a imprensa para divulgar o feito e periódicos especializados em meio ambiente. Há também o condicionamento a financiamentos e seguros. por excelência. em 1999. os . o cumprimento da legislação”. a indústria de papel e celulose Bahia Sul. a obter o certificado de qualidade ambiental. o número subiu para 350. exportadoras. Passados seis anos da primeira conquista brasileira. no Brasil De acordo com Vizzotto. O quantitativo foi motivo de festa: a Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo. passou a ser a primeira empresa nacional certificada e ser também a primeira produtora de celulose do mundo. ainda. ano após ano. dotadas de grande porte capacidade financeira e. 2001. a exigência do credenciamento e licitações ou.2 – As empresas ISO 14001. mas que “O comércio transnacional praticado em tempos de globalização exige das empresas o enquadramento ambiental. como as Revistas Meio Ambiente Industrial e Saneamento e Meio Ambiente nomes da 350 empresas “verdes”. autor da matéria do periódico. inclusive. Reis. declara que a maior parte das certificações. 1996. existiam apenas 30 empresas certificadas com a Norma e em dezembro de 2001.

A informação mais recente sobre o número de empresas certificadas.000 certificações). ou a Alemanha (segundo lugar. Os demais estados detêm os seguintes números de certificações: ESTADOS São Paulo Minas Gerais Rio Grande do Sul Rio de Janeiro Paraná Santa Catarina Bahia Amazonas Espírito Santo Pernambuco Pará Paraíba Ceará Goiás Distrito Federal Mato Grosso do Sul EMPRESAS CERT. até a primeira semana de junho deste ano. com mais de 8. Mas o Brasil. na listagem. que contabilizou mais de 600 empresas certificadas em conformidade com a ISO 14001. obtivemos junto à editoria da Revista Meio Ambiente Industrial (arquivo eletrônico).000 certificações. 2002. o Brasil está muito distante do primeiro país que figura na lista como detentor do maior número de certificações: o Japão. Através da referida fonte. ISO 14001 319 85 66 46 34 32 30 26 12 09 08 08 06 06 01 01 Fonte: Revista Ambiente Industrial (arquivo eletrônico).2002 Apesar desse avanço. jun. com mais de 3. constatamos que é no estado de São Paulo onde estão localizadas 339 das 722 empresas certificadas no Brasil. de acordo com os dados levantados .

. o número de certificações chegou a 21 e até junho de 2002. pólo industrial de Manaus. em termos de certificação: até o ano de 2000. confirmamos que o credenciamento junto à ISO 14001 é um importante fator à importação. região fortemente exportadora. a Argentina e o Chile. em seguida. Comparando os dados das empresas certificadas nos últimos seis anos. é a nação com maior número de empresas certificadas com a ISO 14001 da América Latina. e. No ano de 2001. observamos que no estado do Amazonas. aparecem o México. o número registrado foi de 26.junto à empresa de consultoria Fênix Ambiental (on line). foi onde houve maior crescimento percentual entre todos os estados brasileiros. Com estes dados. o estado só possuía 13 empresas certificadas segundo as Normas da ISO 14001.

numa área de 98. um pouco mais de 2 mil Companhia Pernambucana do Meio Ambiente (CPRH). pudemos constatar que. ISSO 14001 Peproflex Klabin Alcoa Cia. engenheira química da CPRH. através da conscientização ambiental. sendo que dessas. na Estado de Pernambuco. 2001. Igarassu Produção de borracha Fabricação de papel Fabricação de chapas de alumínio Produção de produtos químicos 1996 1983 1993 1996 1997 - . localizado na região Nordeste do Brasil. Agro Indl. 6 mil indústrias cadastradas na Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe).Casos pernambucanos – “yes”. existem. O Estado de Pernambuco.3 . revelou que apenas 19 empresas do Estado possuem o Sistema de Gestão Ambiental e.281 m2.4. conforme detalhamos no quadro a seguir: estão registradas na EMPRESA ATIVIDADE POSSUI O SGA DESDE ANO DA CERT. dentre elas apenas 09 têm o referido Sistema de acordo com as especificações da Norma ISO 14001. nós temos a ISO! A partir da pesquisa bibliográfica. em entrevista exclusiva para este trabalho. seja pelo marketing. pressão do mercado ou força das leis ambientais. o setor industrial está dando um novo tratamento às questões relacionadas ao meio ambiente. Cruz. possui 187 km de costa litorânea e uma série de problemas ambientais a resolver. 2002. De acordo com Inventário dos Resíduos Sólidos Industriais do Estado de Pernambuco.

prestar-lhes uma homenagem por estarem contribuindo com a melhoria das condições ambientais do estado. de 2002) A pesquisa foi realizada a partir de consulta à Companhia Pernambucana do Meio Ambiente (CPRH).Philips do Nordeste Embratel W. as empresas consultadas responderam: ! certificação do sistema em conformidade com a Norma ISO 14001. O objetivo da pesquisa. em maio/2002. Como ganhos mensuráveis obtidos a partir da implantação do SGA. conseqüentemente. que aplicou questionário junto às empresas que têm Sistema de Gestão Ambiental. Químico Fabricação de tintas e massas Fabricação de peças para motos Fabricação de fibras sintéticas e filmes Fabricação de lixas Fabricação de refrigerantes Fabricação de fios Transporte de óleos e derivados Tratamento de resíduos Fabricação de peças automotivas Consultoria 1999 1999 2000 2000 1996 1996 2001 1998 1998 2000 2000 2000 2001 2001 2002 1999 1999 2000 2000 2001 - 2001 2001 2002 2002 Fonte: Assessoria de Comunicação da CPRH (mai. foi conhecer os resultados que essas indústrias apontam como ganhos mensuráveis com a implantação do SGA e. Consult Corm Products Alcooquímica Tintas Coral Musashi Rhodia-ster Saint-Gobain Refresco Guararapes Suape Têxtil Transpetro Reciclar TCA Multiconsultoria Fabricação e montagem de eletrônicos Telecomunicações Consultoria Produção de glucose de milho Produção de acetato de prod. idealizada pela Assessoria de Comunicação Social do órgão estatal. ! redução da geração de efluentes líquidos em até 67% ! diminuição da geração de resíduos sólidos em até 50% . ! melhor eficiência do sistema de tratamento de efluentes.

! melhor convivência com os órgãos de fiscalização ambiental. ! participação em projetos comunitários ! conquista de prêmios na área ambiental e de qualidade do produto . em até 45% da energia utilizada na empresa e em até 40% do volume de água utilizado no processo industrial.! benefícios para a fauna e flora. bem como para a comunidade vizinha ! economia. ! maior satisfação dos funcionários e clientes. ! marketing positivo das ações da empresa em relação ao meio ambiente ! formação voluntária de Comissão Interna de Meio Ambiente. envolvendo cerca de 40% dos funcionários da empresa. ! melhor aproveitamento da matéria-prima.

4. chefe executivo da divisão de certificação da ERM/CVS.4 – Desculpem a nossa falha! A empresa nacional detentora do maior número de credenciamentos junto à ISO 14001 – com um total de 35 certificações. por parte das empresas certificadoras. nos últimos anos. Alfredo Lobo. “A classe empresarial entende que os certificados representam um atestado de reconhecimento de excelência em gestão ambiental. excelência de gestão ambiental. assegurando. Paraná. há um entendimento deficiente sobre o significado das normas ISO 9000 e ISO 14001. gerente de área da ERM/CVS e Brian Kraus. não se compreende como uma empresa certificada permite a ocorrência de um acidente ambiental.” Lobo chamar a atenção para o uso indevido da certificação. de Jair Rosa. em São Paulo. Rio de Janeiro e Bahia. com a certificação concedida. com altos prejuízos ao meio ambiente. a empresa ocupou. em agosto de 2000. lugar de destaque na mídia nacional e até internacional por ter provocado acidentes ambientais de grandes proporções. Para o diretor do Inmetro. até junho/2002 – é a Petrobrás. no litoral fluminense. Um dos acidentes aconteceu três meses após a Petrobrás receber o Certificado de Qualidade Ambiental. que fazem o marketing de suas atividades. Apesar disto. uma mesa-redonda para debater o tema: Certificação ISO 14001 e acidentes ambientais: falha operacional ou fiscalização negligente? O evento contou com a participação do diretor do Inmetro. vazamento de óleo. que possui todas as suas unidades certificadas. E foi juntamente devido aos acidentes ambientais envolvendo empresas certificadas que a Revista Saneamento Ambiental organizou. Não faltaram cartas de repúdio à estatal e argumentação quanto à seriedade da Certificação. como o afundamento da plataforma da exploração P-36. total qualidade do produto e a . Quando ocorre um acidente.

lembra que não é por conquistar o Certificado ISO 14001 que a empresa esteja com todos os requisitos legais preenchidos. porém. entre eles os códigos de prática da indústria e os acordos com autoridades públicas. “Os informes de acidentes graves descrevem falha humana. analisa o sistema e avalia se a empresa está apta para receber o documento. Brian Kraus. acidentes e procedimentos. Ela deve ser entendida como uma forma de otimizar o gerenciamento das questões ambientais. Logo. alerta: “a ISO 14001 não é a panacéia para garantir o manejo real do meio ambiente. (p. Na opinião da professora: “um certificador externo idôneo. dos efluentes. quando uma empresa certificada impacta negativamente o meio ambiente. que esteja cumprindo os padrões ambientais. “a ISO 14001 obriga a empresa a arrumar a casa. da divisão de certificação da ERB/CVS. o Sistema Ambiental deve preparar a empresa para gerenciar adequadamente esse tipo de ocorrência”. sem garantir. as normas de controle para gerenciamento de resíduos. A afirmação está baseada no fato de que o processo de implantação de um Sistema de Gestão Ambiental é todo documental. Na sua opinião. credenciado. são excelentes em termos ambientais”. 2000. Mesmo não estando 100% estruturada. Implanta-se o sistema. caso se comprometa a atingir suas . E a verdade é que nem todas as empresas que possuem o certificados. como determina a lei.32) O representante da ERB/CVS acredita que os incidentes acontecem quando as pessoas não trabalham de forma adequada. Magrini. as auditorias. ela consegue certificar-se. das emissões.E para explicar o desapontamento que acontece. especialista em Gestão Pública e Privada e professora do Programa de Planejamento Energético da UFRJ.

através do princípio de melhoria contínua”. O que pode acontecer é a . “Se o problema não for resolvido. (Revista Ecologia e Desenvolvimento p. Ele deixa claro.metas e desempenho ambiental. que nada mais é que o reconhecimento dos problemas ambientais e o compromisso de resolve-los.8) Para o autor. O Certificado não é remédio para todos os males! Além do mais. no entanto. a certificação é concedida por unidade. editor da Revista Ecologia e Desenvolvimento. 2000) A maior parte dos cidadãos brasileiros desconhece que empresas certificadas. respaldado pelo International Acdreditation Forum (IAF). defende. o Inmetro. pode cassar a infratora e punir o certificador por negligência”. Alves argumenta ainda que há muita gente utilizando a certificação ambiental como ferramenta de marketing: “estão passando para o público a imagem de que é uma empresa totalmente limpa. por provocar danos ao meio ambiente e que o certificador é obrigado a apurar a denúncia. lembrando que “a decisão passa por uma instância superior. revela Magrini. (p. seguindo determinações da ISO. A certificação é concedida a uma unidade produtiva e não a uma empresa”.8 . no âmbito do Ministério do Meio Ambiente e o nome da empresa cassada é um segredo mantido a sete chaves”. que: “ A certificação pela ISO 14001 não significa que a empresa que a obtém não tem mais pendências ambientais a resolver e que o seu esquema de produção está ecologicamente correto./set. Alves. o que significa que uma empresa pode ter uma fábrica certificada e outra que pode ser poluidora. defende que “o número de certificações das empresas brasileiras com a ISO 14001 é um aspecto positivo e significa que parte das empresas que atuam no Brasil estão preocupadas com a questão ambiental”. 1999. ago. também podem ser denunciadas aos órgãos certificadores. é a recertificação que vai realmente atestar se a empresa cumpriu todos os compromissos assumidos quando obteve o primeiro certificado.

onde concluiu-se que “o sistema de gestão ambiental da Repar.” Citando a Norma ISO 14001. com a presença de auditores do Inmetro e da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Três meses após a certificação (agosto de 2000). deixando claro a responsabilidade da indústria em estabelecer e manter . A fonte descreve a mobilização que envolveu cerca de 2800 pessoas para conter o vazamento. 2001. Amaral lembra que o item 4. apesar de algumas não-conformidades menores detectadas. a Repar provocou o acidente.” Amaral. 2001. foi realizada uma auditoria suplementar pelo ABS-QE. como ocorreu com a indústria do EIA/RIMA. Meio Ambiente e Saúde da Petrobras. Ele explica que a Repar possui um sistema de gestão integrada. que há 23 anos trabalha na Unidade de Segurança. além da OHSAS 18001 (Segurança e Saúde). em que procedimentos existentes deixaram de ser cumpridos”. principalmente. respondeu de uma maneira bastante positiva ao acidente e ajudou a refinaria a atuar de uma maneira coordenada no combate à emergência e na mitigação dos impactos ambientais causados. baseado nas normas de sistemas de gestão. amplamente divulgado na mídia.4. informa Amaral. “aconteceu em conseqüência de um conjunto de falhas de operação e de manutenção. dentro do Sistema Brasileiro de Certificação (Inmetro) e também pelos sistemas de credenciamento e certificações dos Estados Unidos (ANSI/RAB) e da Holanda (RVA)”. localizada em Araucária (PR). “Em maio de 2000. ISO 14001(Meio Ambiente) e ISO 9002 (Qualidade).7 da referida Norma trata da preparação e atendimento a emergências de um sistema de gestão. Amaral. relatou o caso de acidente ocorrido na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar). o sistema da Repar foi certificada pela ABS Quality Evaluation (ABS-QE). explica que após o acidente. nos rios Barigui e Iguaçu.criação de uma “indústria da certificação ambiental”. que na sua avaliação. onde o petróleo fossem vazamento no duto fez com que cerca de 4000 m3 de despejados.

um procedimento para identificar o potencial perigoso e. Mas o que preocupa Sharf. a certificação é voluntária. explica Mediante o exemplo da Petrobras. Para ela. o sistema de gestão ambiental deve responder adequadamente a essas ocorrências”. repórter da Gazeta Mercantil. Em tese. “Isto significa que a Norma admite a possibilidade de ocorrências de falhas ou acidentes na organização. Os fogos e a fanfarra sempre anunciam a boa nova. agilizar a solução e mitigar os impactos ambientais a ele associados. “é fácil saber quando uma empresa conquistou um certificado ISO. Afinal. que é um bom instrumento de gestão utilizado para organizar as responsabilidades ambientais de uma organização. Porém. Mas o mal uso que se faz da imagem das séries ISO começa a preocupar os seus guardiões. Mas é uma dureza descobrir quem perdeu a distinção porque não andou na linha. (on line).” . não há uma lei que exija a ampla divulgação da casacão de uma ISO. o funcionário da estatal ressalta que um acidente ambiental não deve desacreditar a aplicação da norma de sistema de gestão ambiental ISO 14001. é justamente a falta de transparência na divulgação dos nomes das empresas que perdem a certificação por deixarem de cumprir com os requisitos exigidos pela Norma. em casos de acidentes.

CONCLUSÃO

O estudo desenvolvido confirma que as questões ambientais ganharam espaço no mundo dos negócios. Uma evolução, inclusive de conceitos, foi necessária, para que o homem percebesse a viabilidade do progresso de mãos dadas com o meio ambiente. As indústrias estão buscando compatibilizar as suas atividades com a preservação do meio ambiente. Aquelas que implantaram o Sistema de Gestão Ambiental comprovam os ganhos tangíveis adquiridos, como redução no uso da energia elétrica e da água, no processo industrial. Neste novo modo de ser empresa, as indústrias estão buscando se adequar à legislação ambiental, não só por temer as sanções, mas também por não querer ver a sua imagem denegrida perante o público – e um público cada vez mais de “olho no verde”, consciente de que a sobrevivência humana depende dos recursos naturais. A certificação de qualidade ambiental ISO 14001 é um trunfo para as

empresas que agem com responsabilidade ambiental. O certificado representa um diferencial competitivo e as empresas já compreenderam isto. Tanto é, que o número de empresas certificadas tem aumentado, ano após ano. O marketing que se pode fazer com o selo e o certificado de qualidade ambiental é um caminho já descoberto e realizado por muitas empresas. Em Pernambuco, apenas 19 empresas, das mais de 2 mil cadastradas na Companhia Pernambucana do Meio Ambiente (CPRH), implantaram o Sistema de Gestão Ambiental e, dessas, apenas 09 possuem o certificado ISO 14001. Seis delas foram certificadas nos últimos dois anos - um fato que pode ser interpretado como o avanço no interesse das empresas pela questão. As empresas que já implantaram o Sistema de Gestão Ambiental nas suas unidades, registram os ganhos advindos com o investimento. Espera-se que, com este resultados divulgados pelas próprias empresas, aumente o

interesse dos industriais pelo SGA. O interesse que deve ser fruto da conscientização ambiental e despertar a percepção de que o meio ambiente pode levar à promoção e não à punição, quando investimentos são feitos, por exemplo, na tecnologia limpa, educação ambiental e treinamentos. Enfim, o meio ambiente é um marketing possível para aqueles que estão interessados em manter a vida. Sem investir na gestão ambiental, a empresa atesta a sua incompatibilidade de escrever páginas limpas na história da humanidade. E como mancha o nome da empresa, as marcas que ela deixa no meio ambiente!

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