Apostila de Geografia do Brasil

GEOGRAFIA DO BRASIL

DIVISÃO POLÍTICA E REGIONAL DO BRASIL 1. Região Norte É formada por 7 Estados, ocupando 45,25% da área do Brasil e possuindo 11.159.000 habitantes (1995 = 7,2% do Brasil). No período de 1980 a 91, a Região registrou a maior taxa de crescimento populacional (3,9%) do Brasil, sendo Roraima o Estado que teve a taxa mais alta de crescimento populacional, aumentando de 79.159 para 262.200 habitantes. 2. Região Nordeste É formada por 9 Estados (Fernando de Noronha foi anexado a PE), abrangendo 18,28% da área do Brasil. Nessa região vivem 28,8% dos brasileiros. Constitui uma área de intenso êxodo populacional, fornecendo migrantes para as demais regiões. A região apresenta enormes disparidades econômicas e naturais entre suas diversas áreas. Distinguem-se as seguinte regiões geoeconômicas: Zona da Mata, Agreste, Sertão e Meio-Norte. O maior problema do NE não é a seca, mas sim a desigualdade social apoiada no desequilíbrio da estrutura fundiária. 3. Região Centro-Oeste É formada pelos Estados de MT, MS, GO e pelo DF. Abrange 18,86% da área do Brasil e é a região menos populosa, com 10.272.700 habitantes, isto é, 6,59% da população nacional. Caracteriza-se pelo domínio do clima tropical semi-úmido, de extensos chapadões e da vegetação do cerrado. Possui grande crescimento populacional e rápida e elevada urbanização. É a nova fronteira agrícola do país, onde uma agricultura mecanizada, com insumos modernos, e o método da calagem estão transformando antigas áreas pecuaristas em exportadoras de soja. 4. Região Sudeste É formada por 4 estados. É a mais populosa, mais povoada e urbanizada região brasileira. Com 66.288.100 2 habitantes, ou seja, 42,5% da população brasileira, apresenta 71,3 habitantes por km e 90,0% de urbanização. Destaca-se pelo dinamismo econômico, representado por elevada industrialização, grande produção agropecuária, concentração financeira e intensa atividade comercial. 5. Região Sul Formada por 3 Estados, abrange apenas 6,76% da área brasileira, sendo a menor região do país. Possui 14,84% da população nacional, tendo registrado o menor crescimento populacional do Brasil nas duas últimas décadas. É uma região com traços marcantes e homogêneos como o domínio do clima subtropical, fortes marcas da ocupação européia, elevada produção agrária e destacável crescimento industrial. O BRASIL NA AMÉRICA LATINA 1. Apresentação O Brasil destacou-se na América Latina, contando com um terço da população e do produto interno bruto de toda a região, e a melhor performance no PIB per capita. No âmbito da política externa o Brasil exerceu a capacidade de negociação inicialmente com a América Latina e depois em nível das relações externas, mas a direção dos fluxos comerciais colocam-no ainda entre os países periféricos, que comercializam mais com os países desenvolvidos do que com os seus vizinhos. Os maiores clientes e fornecedores são ainda os EUA e a Europa (à exceção do fornecimento de petróleo pelo Oriente Médio). Dados recentes da ALADI (Associação Latino-Americana de Desenvolvimento e Integração) indicam que as importações latino-americanas de produtos originários dos EUA têm aumentado em países como o Brasil e a Argentina a taxas, em certos casos, cinco vezes superiores às do incremento de suas exportações. 2. As Organizações Políticas e Econômicas da América Latina 1

Apostila de Geografia do Brasil OEA – Associação dos Estados Americanos Reunidos na cidade de Bogotá, capital da Colômbia, em 1948, 21 países americanos decidiram pela criação da Organização dos Estados Americanos (OEA) com sede em Washington. Seus princípios são:
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Os Estados americanos condenam a guerra de agressão. A agressão a um estado americano constitui uma agressão a todos os demais estados americanos.

Controvérsias de caráter internacional entre dois ou mais estados americanos devem ser resolvidas por meios pacíficos.
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A cooperação econômica é essencial para o bem-estar e a prosperidade comum dos povos do continente.

Quando, em 1962, Cuba, um país-membro dessa organização, foi expulsa, por catorze votos (por ter optado pelo Socialismo), o Brasil não tomou partido se abstendo de votar, deixando que os Estados Unidos pressionassem a OEA, e a tornassem inoperante e submissa aos seus interesses. ALADI – Associação Latino-Americana de Desenvolvimento e Integração Em 1960, pelo Tratado de Montevidéu, surgiu a ALALC (Associação Latino-Americana de Livre Comércio) com a finalidade de desenvolver o comércio entre os países-membros. No entanto, problemas locais e externos limitaram sua atuação (Ex.: diferenças de grau de desenvolvimento).
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Diante dos resultados, em 1980 surge a ALADI, em substituição à ALALC, compreendendo os seguintes paísesmembros: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, México, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.
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Mercosul - Mercado Comum do Sul Em março de 1991, Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai assinaram o tratado de constituição do Mercado Comum do Sul - o Mercosul, começando suas atividades a partir de 1995.
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A integração comercial implica três aspectos operacionais: "a livre circulação de bens, serviços e fatores produtivos"; "coordenaçâo de políticas macroeconômicas e setoriais"; "compromisso dos Estados-partes de harmonizar suas legislações para o fortalecimento do processo de integração".
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O Mercosul segue a tendência mundial, que é a organização dos países em blocos econômicos.

3. Posição do Brasil no Mercosul A recessão generalizada e a conseqüente carência de capitais representavam entraves para os investimentos infraregionais. O surgimento do Mercosul foi resultado da modificação desse panorama. Brasil e Argentina, através de acordos prévios de integração bilateral firmados entre os dois países, visavam ao desenvolvimento tecnológico complementado por uma integração comercial, por meio de acordos nas áreas nuclear, financeira, industrial, aeronáutica e biotecnológica. O Tratado de Assunção, que definiu os contornos do Mercosul, enfatiza o projeto de integração comercial. No entanto, temos uma realidade de grandes diversidades geográficas, demográficas e econômicas que impõe políticas decorrentes das peculiaridades de cada país; portanto, não é aceitável uma estrutura rígida para o Mercosul. Esta impediria não só suas políticas nacionais, como também o prosseguimento de sua afirmação como países capazes de desenvolver-se tecnologicamente e alcançar condições que lhes permitiam atingir a importância internacional que suas dimensões justificam. O Mercosul tem por objetivo a implantação do livre comércio entre os seus países. Para atingir esse objetivo, as tarifas - (impostos ou taxas) aplicadas sobre os produtos importados de cada um dos países-membros devem sofrer reduções gradativas, até a completa eliminação. Existe uma crítica à formação de blocos econômicos regionais e subregionais na América. Acredita-se que um projeto lançado em 1989 pelo ex-presidente dos Estados Unidos, George Bush, chamado de "Iniciativa pelas Américas", que busca a formação de uma vasta zona econômica livre, que se estenderia do Alasca até a Terra do Fogo, isto é, por toda a América, na tentativa de concorrer com a Europa, que já formou e colocou em prática, desde 1° dejaneiro de 1993, o Espaço Econômico Europeu, considerado o maior bloco comercial do mundo. Na Cúpula de Miami, em 1994, decidiu-se que o bloco continental ALCA (Área de Livre Comércio das Américas) terá vigência somente a partir de 2005. Desde 1997, tem aumentado a pressão dos EUA para a consolidação da ALCA. POPULAÇÃO BRASILEIRA 1. Características gerais 2

Apostila de Geografia do Brasil Em 1872, o Brasil resolveu fazer o primeiro recenseamento dos dados da população brasileira e descobriu-se que somávamos mais de 10 milhões de habitantes. Quase 120 anos depois, atingimos a marca de 155,8 milhões de habitantes (95). Tornamo-nos um dos países mais populosos do mundo, ocupando a quinta posição mundial e a segunda no Continente Americano, logo após os EUA. 2. Distribuição da população É importante lembrar que, apesar do Brasil ser um país populoso, possui baixa densidade demográfica (18,2 2 hab/km ), ou seja, um país pouco povoado. Apresenta uma irregular distribuição populacional pelo território. Há forte 2 concentração de pessoas na faixa litorânea (região Sudeste). No Rio de Janeiro, a densidade passa de 300 hab/km . No interior, a densidade torna-se gradualmente menor, principalmente nas regiões Norte e Centro-Oeste, onde 2 2 encontramos 1,1 hab/km , como em Roraima e 1,4 hab/km , no Amazonas. De forma geral, as maiores con2 centrações populacionais estão próximas ao litoral, numa faixa de aproximadamente 300km , onde a densidade ul2 2 trapassa 100 hab/km em algumas áreas. Toda essa faixa possui densidade acima de 10 hab/km . Além dessa faixa, para o interior a população torna-se paulatinamente mais escassa, passando por uma 2 densidade que seria mediana no Brasil. Esta faixa, com densidade de 1 a 10 hab/km , abrange desde o Maranhão e 2 o Pará até o Mato Grosso do Sul. Temos, ainda, áreas com densidades inferiores a 2 hab/km , que correspondem ao Amazonas, Amapá e Roraima. Áreas Densamente Povoadas Zona da Mata Nordestina, Encosta da Borborema, Agreste (PE e PB), Recôncavo Baiano, Zona Cacaueira (BA), Sul de Minas Gerais e Zona da Mata Mineira, Sul do Espírito Santo, Grande parte do Rio de Janeiro e São Paulo, Zonas coloniais de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Obs.: A região Sudeste é a que apresenta a maior população absoluta, seguida da Região Nordeste. A Centro-Oeste é a de menor participação no total. 3. Crescimento Populacional O primeiro recenseamento oficial da população brasileira foi realizado somente em 1872. Antes desta data, só existiam estimativas, não muito precisas, a respeito da população. A partir de 1872, foi possível ter-se um melhor controle e conhecimento a respeito da evolução do crescimento populacional. Observe, a seguir, a relação dos recenseamentos oficiais. EVOLUÇÃO DA POPULAÇÃO (1940-1998)
160 140 120 100 80 60 40 20 0 1940 1950 1960 1970 1980 1991 1998

De acordo com a tabela apresentada, notamos que o crescimento da população brasileira foi muito grande no período 1872/1990, passando de 10 milhões para 146 milhões de habitantes, o que significa um acréscimo de 136 milhões de pessoas, em pouco mais de um século. Quais os fatores responsáveis por este grande e rápido crescimento populacional ocorrido no Brasil? Os fatores são basicamente dois: o crescimento vegetativo ou natural (fator principal) e a imigração (fator secundário). De acordo com o censo realizado em 1991, houve uma diminuição na taxa de crescimento populacional brasileiro, provocada principalmente, segundo o IBGE, pela queda acentuada da taxa de natalidade e pelo aumento das migrações internas, resultantes das dificuldades provocadas pelo atual quadro socioeconômico do País. 3

suíços. o branco. como tal. elevação do padrão socioeconômico da população. A mortalidade infantil continua sendo bastante elevada no Brasil. embora lenta. eslavos (poloneses. de origem asiática recente. o crescimento vegetativo o fator principal. Mas. A redução acentuada da mortalidade. são mais elevadas nas zonas rurais que nas urbanas. os adultos. a tendência atual é a de se reduzir o crescimento vegetativo. sendo. deve-se a fatores como o progresso da Medicina e da Bioquímica (antibióticos. de provável origem páleo-asiática. enquanto nos estados de migrações recentes da região centro-oeste e norte há o predomínio de homens. situando-se em torno de 50 por mil em 1990. enquanto as mais baixas estão nas regiões Sudeste e Sul. uma transição demográfica. Regionalmente. após 1940. bem como a maioria dos países ocidentais. Nota-se que as regiões de maior dinamismo econômico são justamente as que apresentam maiores proporções de adultos. pois a população adulta passou a predominar em relação àjovem. explica o elevado crescimento da população brasileira até 1980. a queda da taxa de natalidade foi mais acentuada que a queda na taxa de mortalidade.Apostila de Geografia do Brasil O crescimento vegetativo ou crescimento natural da população é a diferença entre as taxas de natalidade e de mortalidade. a partir de 1872. Portanto. Nas abscissas temos os totais absolutos ou relativos da população. onde a saída da população masculina é bem mais acentuada. os chineses e coreanos. por isso também classificado como amarelo. 2. Na construçâo da pirâmide. foi provocada por diversos fatores. Caracteriza. A escala vertical representa os grupos etários. assim. verificamos que as mais elevadas são encontradas nas regiões Nordeste e Norte. melhoria da assistência médico-hospitalar. como urbanização. e o ápice. Essa reduçâo. e a imigração. ou seja: CV = Nat – Mort Observa-se uma redução da natalidade. No entanto. No século atual. Pirâmide etária é a representação gráfica da composição de uma população segundo o sexo e a idade. principalmente bantos e sudaneses. A taxa de natalidade está se reduzindo de maneira significativa nos últimos anos e isto apresenta reflexo imediato na construção da pirâmide etária. sempre apresentou a pirâmide com base larga e ápice estreito. no caso. a persistência de elevadas taxas de natalidade. e as menores. realizado em 1991. espanhóis e italianos). vacinas). O Brasil é considerado um país subdesenvolvido e. encontramos predomínio feminino. aliada a uma redução acentuada da mortalidade. os idosos. das condições higiênico-sanitárias e urbanização da população. mais um grupo veio integrar a população brasileira: o amarelo. Portanto. de acordo com o censo de 91. A taxa de mortalidade. Estrutura etária do população O Brasil sempre foi considerado um país jovem. em menor quantidade. Quanto às variações das taxas de mortalidade. indicando fatores como menores taxas de natalidade ou mesmo forte migração interna. nas regiões Sudeste e Sul. representam-se: homens do lado esquerdo e mulheres do lado direito da linha vertical. sofreu forte redução a partir o de 1940 (2 Guerra Mundial). observam-se diferenças significativas no tocante à natalidade. holandeses). houve uma mudança deste quadro. Nos estados nordestinos. Este fenômeno ocorreu porque o Brasil passou a ser um país urbano-industrial e nestas condições as taxas de natalidade são naturalmente mais baixas. A base da pirâmide representa a população jovem. de acordo com o último censo. o perfil etário da população tem apresentado mudanças. embora tenha sido bastante elevada até a década de 30. e a mortalidade masculina é maior que a feminina. 4 . Estrutura etária e formação da população 1. russos e ucranianos) e asiáticos (árabes e judeus) e negros. Estrutura por sexos O Brasil. apresenta um ligeiro predomínio de mulheres. 3. além dos germanos (alemães. sendo que as taxas mais elevadas são encontradas nas regiões Nordeste e Norte. A partir de 1970. Formação étnica da populaçõo brasileira Três grupos deram origem à população brasileira: o índígena. casamentos mais tardios e maior adoção de métodos anticoncepcionais. o fator secundário. principalmente os japoneses e. principalmente o atlanto-mediterrâneo (portugueses. a parte intermediária.

pela sua influência no desenvolvimento do País. em função da "integração" com a sociedade global. e os mestiços. as atividades principais exercidas pela população. que passou a exigir mais intensamente as atividades de serviços. e cerca de 6 milhões de escravos africanos. assim como o relacionamento entre negros e indígenas deu origem ao cafuzo. no século XVI.6 0. o que. muitas vezes à força. passando de 17.9 38. Na década de 70. 1980 e 1996 % DA POPULAÇÃO EM 1950 61. era de 43%. pecuária.7%. dando origem aos mestiços (mulatos e caboclos ou mamelucos). enquanto os brancos representam cerca de 54. Contudo.3 100.Setor Secundário: indústria de transformação. cerca de 4. No entanto. Dentre as regiões brasileiras.0 26. quer seja pelo seu extermínio físico. podemos deduzir que.2 milhões permaneceram no Brasil. refletindo o etnocídio a que foi submetida. cerca de 5 milhões.Setor Primário: agricultura.5 0. A população ativa no Brasil. atingiram o índice de cerca de 40.6 0.3%. a maioria da população brasileira é mestiça.2 100. Já dos imigrantes ingressos no País após 1850. em termos étnicos.Setor Terciário: comércio.GRUPOS ÉTNICOS NA POPULAÇÃO TOTAL COR DA PELE Brancos Negros Pardos Amarelos Não declarados TOTAL Fonte: IBGE: 1950. a Norte e a Nordeste são as que apresentam maiores concentrações no setor primário. silvicultura e pesca. em 1991. conjugado ao baixo nível tecnológico dos diversos setores de atividades. Evidentemente. e após a independência. Segundo um critério hoje universalmente aceito. o que mais se evidencia nos dados coletados é o constante crescimento da miscigenação. enquanto a Sudeste e a Sul são as regiões de menores concentrações. a partir de 1976.PEA Dentre os aspectos relevantes que caracterizam a estrutura de uma população. a população ativa utilizada no setor secundário concentra-se fortemente no Sudeste. variando entre 2 milhões a 10 milhôes para os indígenas.9 40. ressaltam-se.7 11. agrupamos as atividades humanas em três classes principais.5 4. uma vez que o país atravessou uma fase de grande desenvolvimento industrial ("Milagre Brasileiro").0 População economicamente ativa . os portugueses ingressos ainda no período colonial alcançaram uma cifra de aproximadamente 500 mil. 5 . com a extinção de inúmeras nações indígenas. Assim. porém. assim denominadas: . porém.8% para 22. .5 0. as pesquisas levantadas pelos últimos recenseamentos procuram enfatizar apenas a cor da pele da população. desde o início do processo colonial. o setor predominante sempre foi o primário. serviços e profissões liberais.0 % DA POPULAÇÃO EM 1996 54. Obviamente que esses índices não representam especificamente a formação étnica da população brasileira. O grande aumento do terciário ocorreu devido ao desenvolvimento do País.6 0. quando os colonos portugueses se relacionavam com escravas negras e indígenas. juntamente com a urbanização da população. Os negros foram reduzidos a cerca de 5% da população total. representada pelo crescimento da população mestiça e redução percentual dos 3 grupos básicos. Apesar de sua diminuição progressiva. dos quais aproximadamente 2. . enquanto o secundário sofre um grande aumento de 1970 para 1991.7 5.1 0.0 % DA POPULAÇÃO EM 1980 54. As estimativas sobre o número de indígenas presentes no Brasil no início da colonização e o número de escravos africanos ingressos durante a escravatura são muito elásticas e imprecisas. quer seja pelo desaparecimento de sua cultura. com base na informação geralmente não muito precisa do entrevistado.1 100. já que a grande maioria da nossa indústria de transformação encontra-se nessa região.Apostila de Geografia do Brasil A miscigenação da população ocorreu de forma intensa. o terciário passou a ser o setor de maior absorção de ativos. genericamente denominados de pardos nos atuais recenseamentos.1 %.5 milhões retornaram a Portugal. A população indígena encontra-se reduzida a aproximadamente 0. acarreta um baixo nível de produção econômica. apenas uma classificação quanto à cor da pele. Por outro lado.6% da população brasileira. BRASIL . o crescimento do setor secundário foi maior.

0 1995 MOVIMENTOS MIGRATÓRIOS INTERNOS 1. ou dos campos para as cidades (êxodo rural).850 0. A região de maior participação da população feminina na população economicamente ativa é a Sudeste. destaca-se a importância assumida pelas correntes de migração interna. Introdução Entre outras explicações que se podem aventar para o fraco interesse que os homens públicos de nosso país têm demonstrado para o problema da migração nos últimos anos.8 68. pela sua intensidade.7 48.7 100.4 46.466 0.512 DISTRIBUIÇÃO DA RENDA NO BRASIL Participação nos rendimentos % 1960 Os 50% mais pobres Os 40% intermediários Os 10% mais ricos TOTAL 17. nas últimas décadas.201 0.842 0.3% PIB – per capita (em US$) IDH Rio Grande do Sul Distrito Federal São Paulo Santa Catarina Rio de Janeiro 5.4 43.502 0.871 0.1 38.0 14.6 70.9 70.0 1970 12. A maior participação da população feminina ocorre em atividades sociais e de prestação de serviços. têm permitido. substituir a presença do elemento estrangeiro. Correntes orientadas de uma região para outra no interior do país ou entre Estados de uma mesma região.2 100. a participação feminina chega a superar a masculina. 6 .339 2. Este fenômeno explica-se pela importante urbanização verificada nas últimas décadas.8 62. séculos XVI e XVII (gado).858 0. somada às transformações verificadas na zona rural.838 Piores Estados Paraíba Alagoas Piauí Ceará Maranhão Fonte: IPEA – 1996 53.915 2.6% 1.203 1.7 65. b) Migrações de nordestinos e paulistas para Minas Gerais.695 0. uma imporlante transferência da população economicamente ativa do setor primário para o setor terciário.8% 89.8% 90. RANKING DA QUALIDADE DE VIDA Melhores Estados Esperança de vida ao nascer (anos) 74.0 1980 13.Apostila de Geografia do Brasil Temos observado.506 0. século XVIII (ouro).3% 62.7 58.1% 90.7% 58.1 56.500 0. principalmente no Sudeste.243 5.1 68.6 100.7 55.8 Taxa de alfabetização dos adultos 89.0 39. Os principais movimentos migratórios ocorridos no Brasil foram: a) Migração de nordestinos da Zona da Mata para o sertão.6 36. Nestas áreas.413 1.9% 90.3% 54.168 5.9 38.9 100.263 5.114 5.6% 58.5 50.

não aconteceu por dois motivos: a) o mercado de trabalho não cresce no mesmo ritmo da oferta de mão-de-obra. Na prática. a maior conseqüência da migração para as cidades é o despovoamento. a falta de mercado de trabalho. transferindo-se das atividades econômicas primárias para as secundárias ou terciárias. ou em vias de desenvolvimento. década de 50 (construção de Brasília). Ela intensificou-se a partir do surto industrial do Sudeste. onde parece haver oportunidade de alcançar melhor padrão de vida. o que acabou por intensificar o êxodo rural. Mlgração de campo-cidade ou êxodo rural Consiste no deslocamento de grande parcela da população da zona rural para a zona urbana. destaca-se. No entanto. principalmente nas regiões menos valorizadas das cidades. ocasionado pelos baixos salários recebidos pelo trabalhador rural. sem ser compensado pela mecanização e alado a outros problemas. g) concentração das terras. h) Estatuto do Trabalhador Rural. pois oferecem melhores condições de vida. a atração exercida pela cidade. As áreas de atração populacional são aquelas que exercem atração sobre as populações de outras áreas. século XIX (borracha).Apostila de Geografia do Brasil c) Migração de mineiros para São Paulo. Causas atrativas: Melhores condições e oportunidades de vida que as cidades oferecem: a) empregos. Nos países subdesenvolvidos. b) escolas. iniciado na década de 40. Um dos reflexos desse fato é a ampliação desordenada e incontrolável das favelas. o baixo nível de vida do homem do campo. b) o baixo grau de qualificação dessa mão-de-obra. pela falta de escolas. sem nenhum preparo para atender às necessidades dos setores secundário e terciário. como por exemplo. e) falta de assistência médica e de escolas. etc. férias. d) erosão e esgotamento do solo. f) baixa remuneração no trabalho. ocasiona queda da produção e elevação do custo de vida. sofrendo sérios problemas socioeconômicos. c) moradia. foi criado com a intenção de beneficiar o homem do campo. de um lado. As áreas de repulsão populacional são aquelas que perdem população por diversos fatores. Em síntese. Esse é na atualidade o mais importante movimento de população e ocorre praticamente no mundo todo. b) mecanização de agricultura. a migração do campo para a cidade é tão grande que constitui um verdadeiro êxodo rural. e f) Migrações de sulistas para Rondônia e Mato Grosso (década de 70). Entre as causas do êxodo rural. as principais causas e conseqüências do êxodo rural são: Causas repulsivas: a) excedentes populacionais que acarretam um desequilíbrio entre mão-de-obra disponível e a oferta de emprego. décimo terceiro salário. inundações. de outro. d) Migração de nordestinos para a Amazônia. e) Migração de nordestinos para Goiás. século XIX (café). os diaristas. em mãos de poucos. sem nenhuma garantia. Nas cidades do interior. os trabalhadores dispensados transformam-se em bóias-frias. de assistência médica. c) secas. 7 . em 1964. 2. geadas. As pessoas vindas do campo acabam por engrossar as fileiras do subemprego ou mesmo do desemprego. não podendo ou não querendo assumir tais encargos. que cobrem grandes áreas. ou a dificuldade das atividades econômicas em absorver ou manter as populações locais. Na zona rural. que. como salário mínimo. O Estatuto do Trabalhador Rural. que trabalham apenas em curtos períodos. obrigando os proprietários de terras a encargos trabalhistas. muitos proprietários preferiram dispensar boa parte de seus empregados.

a geada negra que atingiu a cafeicultura e o crescimento do tamanho médio das propriedades foram fatores que colaboraram para a expulsão dos trabalhadores rurais e dos pequenos proprietários. retornam às suas cidades de origem. o aumento das culturas mecanizadas. e áreas de expansão da pecuária de corte em manchas de cerrados no Centro-Oeste. l l áreas de economia estagnada pela pecuária extensiva: Baixo Balsas no MA e Alto Parnaíba no PI. Nas zonas urbanas: rápido aumento da população. os nordestinos preferem buscar empregos e oportunidades nas próprias capitais nordestinas ou em cidades médias da região. A década de 90 registra o fim das grandes correntes migratórias. em geral. em MG. quando a saída de trabalhadores não é compensada pela mecanização. transferindo para o NE problemas que antes eram típicos das grandes metrópoles do Centro-Sul. áreas de colonização baseada em médias e pequenas propriedades no Pará. 2) O crescimento nas áreas industriais e agroindustriais das capitais regionais. 4. Nessas duas regiões. desemprego. Rondônia registrou grande crescimento migratório. Hoje os movimentos migratórios são pequenos e bem localizados. falta de infra-estrutura das cidades. áreas metropolitanas de caráter nacional e regional. no Pará.Apostila de Geografia do Brasil d) profissionalização. como a dos nordestinos ou a dos paranaenses. a região Sul passou a ter importância como área de saída populacional em direção à nova fronteira agrícola brasileira (MT/RO). Migrações Internas Recentes Áreas de forte atração populacional: l l l l l l l l Brasília e periferia. em vez de mudar para São Paulo. em que milhares de nordestinos. com salários baixos. 1970-1990: a nova fronteira agrícola do Brasil A partir da década de 70. como a região da Borborema. no ES. delinqüência. O PR registrou a maior saída de migrantes no Sul. expulsos do mercado de trabalho em contração. Agora. pois sua população aumentou 342% na década de 70. áreas madeireiras e mineradoras da Amazônia. maior oferta de mão-de-obra nas cidades. AP e PA. devido à crise econômica. O desenvolvimento na região Sul. têm ocorrido duas situações: 1) A migração de retorno. e) assistência médica. RO. como Capitão Poço e Paragominas. 8 . o crescimento deuse devido ao forte fluxo migratório. Mantena e Manhuaçu. na Paraíba. áreas de ocupação recente do oeste paranaense e catarinense. l áreas onde a cafeicultura vem sendo substituída por outras culturas comerciais ou pela pecuária. cidades com forte atração dos migrantes brasileiros. mendicância. áreas pioneiras ao longo da rodovia Belém-Brasília. A população do Centro-Oeste cresceu 73% na década de 70 enquanto a da região Norte obteve maior crescimento na década de 80. em direção a capitais regionais. favorecido pelo projeto de colonização e pela abertura de novas rodovias. 3. Conseqüência do êxodo rural: Nas zonais rurais: perda da populaçáo ativa e queda geral da produção ou estagnação econômica das áreas rurais. Áreas de Evasão Populacional: áreas onde a cultura do café vem sendo substituída pela pecuária de corte: Colatina e Alto São Mateus. formação de favelas. Hoje: a atração dos centros regionais Na década de 90.

Podem ocorrer de modo diverso em nível interno e externo.Apostila de Geografia do Brasil 5. As migrações podem ser espontâneas ou livres (sem o controle de um órgão disciplinador). as causas mais comuns são as de ordem econômica e referentes à busca de melhores condições de existência material e que têm levado os indivíduos a deixarem sua terra natal e se deslocarem para outros lugares. transporte coletivo. Foi o que houve no Brasil até 1934. Movimentos migratórios externos Migrações constituem formas de mobilidade espacial com mudança de residência. Trata-se de um movimento urbano-rural. RJ e Belo Horizonte. política De modo geral. a especulação imobiliária. As migrações forçadas constituem uma forma de violação da liberdade humana. dirigem-se diariamente às fazendas para trabalhos agrícolas. pode-se citar a escravidão africana ou as deportações de judeus. na maior parte precário ou insuficiente para atender ao enorme fluxo populacional. 6. étnica. empurra o trabalhador para longe do seu trabalho. Nas grandes metrópoles. dimensões e objetivos variados e que são chamados migrações pendulares. aliada aos baixos salários. tais como: SP. Os principais são: l Deslocamentos dos Bóias-Frias Morando na cidade. apresentando ritmos. Outros aspectos devem ser levados em consideração. As causas dos movimentos migratórios podem ser agrupadas em: ordem naturalà clima ordem materialà econômica ordem espiritual à religiosa. quando medidas constitucionais limitaram o movimento dos imigrantes das mais diferentes nacionalidades que haviam ingressado no país nos cinqüenta anos anteriores. pois as pessoas são deslocadas por interesse de outros grupos. obrigando-o a se utilizar de. europeus e outros povos durante a Segunda Guerra. l Deslocamentos dos Habitantes de Cidades-Dormitórios Movimentos pendulares diários inconstantes dos núcleos residenciais periféricos em direção aos centros industriais. Como exemplo. Migrações diárias Podemos citar outros fluxos migratórios internos pela sua temporariedade. conforme as necessidades dos fazendeiros. Relacionado às imigrações de trabalho próprias das áreas metropolitanas. tais como: Suas características sociais 1) cultura e etnia 2) instituições dos países de origem 3) formação profissional 4) processo de educação 5) religião 6) formação ideológica Seus aspectos econômicos 1) ampliação da força de trabalho 2) introdução de mão-de-obra qualificada 3) custo de criação já pago 4) ampliação e diversificação do mercado consumidor 5) estímulo à elevação da produtividade 6) ampliação do quadro demográfico 9 . Considerar o imigrante apenas como um dado quantitativo é errado.

Policultura: sistema agrícola que se baseia no cultivo de vários produtos simultaneamente. em 1827. Aculturação: termo sociológico que se refere ao conjunto dos fenômenos determinados pelo contato de grupos de indivíduos de culturas diferentes. foi fundada uma colônia alemã em Santo Amaro (SP) e outra em São Pedro de Alcântara (SC). Força de trabalho: conjunto de faculdades físicas e mentais que habilitam um homem a realizar qualquer atividade produtora de riqueza. Em 1752. Etnia: conjunto de indivíduos que apresentam idênticos caracteres físicos e culturais. na maior parte das vezes. onde fundaram. até os dias atuais. no Paraná. no entanto. na tentativa de melhorar sua condição de vida Imigração no Brasil Teoricamente. a propaganda brasileira no exterior. geralmente explorada através da agricultura de subsistência. Minifúndio: propriedade rural de pequenas proporções. período japonês (1920-1934). é possível distinguir quatro períodos sucessivos: período alemão (1850-1871). o qual permitia ao governo conceder terras aos estrangeiros. que o governo instalou no Rio de Janeiro. modificando o processo de ocupação territorial. intensificando-se. em 1820. Enquistamento: relativo à formação de "quistos raciais" e culturais. l l l Em 1829. e raramente espontânea. foi criada uma colônia alemã no Espírito Santo. Desde a colonização. em diferentes espaços. João VI. o interesse em emigrar está relacionado à busca de melhores condições de vida. alguns regressado para o país de origem. Em 1830. Expropriar: retirar alguma coisa de alguém. período italiano (1887-1914) . provenientes do Cantão de Friburgo. verificamos as seguintes experiências de colonização: Em 1819. durante a regência de D.foi o período de maior entrada.000 imigrantes anuais. as maiores entradas coincidiram com períodos em que houve escassez de mão-de-obra na nossa lavoura. Assimilação: interpretação e fusão de culturas. dificuldade em assimilar culturas. implicando a mudança das áreas de recepção. Quanto aos países. embora os primeiros imigrantes tenham chegado no ano de 1818. entraram no Brasil aproximadamente 5. l Em 1824. período ítalo-eslavo (1872-1886). por isso.Apostila de Geografia do Brasil As migrações internas refletem no deslocamento as mudanças econômicas que estão ocorrendo nas diferentes regiões do país. Nos últimos cem anos. provocada. Grileiro: aquele que procura apossar-se de terras alheias mediante escrituras falsas. outra colônia alemã foi instalada em Rio Negro. a atual cidade de Nova Friburgo. l l l l A imigração no Brasil foi. fundando o Porto dos Casais. Eram cerca de 1. o Brasil foi um país receptor de migrantes. Custo de criação: ou de formação do indivíduo correspondente à quantidade gasta à criação e formação de uma criança até que ela se torne um produtor. teve início a colonização alemã em São Leopoldo. 10 . cheguu ao Brasil a primeira leva de imigrantes não-portugueses.5 milhões de estrangeiros. Latifúndio: propriedade rural de grande dimensão geralmente inexplorada ou indevidamente explorada. Por esse motivo. atual cidade de Porto Alegre. tendo. A partir desta data. Entre 1808 e 1850. podemos dizer que a imigração começou no Brasil em 1808.700 suíços de língua alemã.500 famílias se instalaram no Rio Grande do Sul. que nem sempre tiveram uma boa repercussão. chegando a atingir 100. as mudanças socio-políticas e econômicas verificadas ao longo dessa evolução levaram muitos brasileiros a emigrar. 1. e. no Rio Grande do Sul. por ocasião da publicação de um decreto em 25 de novembro do mesmo ano. roubar.

de pagar o financiamento da viagem. 11 . introdução de novos vegetais na agricultura. Alterações na década da 30 A partir da década de 1930. Posseiro: que se estabelece em terras de alguém com o intuito de produzir para sua subsistência e seu grupo. que são. l l l seleção de caráter social: última Guerra Mundial. introdução de novas formas de produção rural. colonização de povoamento. em contraste com os países de emigração. podemos citar os seguintes: l l l l l l grande extensão do território e escassez de população. mediante um certo preço e tempo. falta de uma firme política de colonização e imigração. Fatores favoráveis à imigração Entre os vários fatores favoráveis à imigração. Durante a Segunda Guema Mundial. dificuldades em se obter escravos africanos após a extinção do tráfico (1850). Fatores desfavoráveis à imigração Entre os fatores desfavoráveis.Apostila de Geografia do Brasil Arrendatário: aquele que arrenda uma propriedade ou parte desta. que estabeleceram a cota de imigração. de clima temperado. só poderiam entrar no país 2% de cada nacionalidade dos imigrantes que haviam entrado entre 1884 e 1934. crise econômica na Itália. custeio dos gastos de transporte do imigrante pelo governo. diminuiu acentuadamente a entrada de imigrantes. paralisou-se a imigração. Alemanha e Espanha. abolição da escravatura (13/5/1888). em geral. Conseqüências desta imigração l l l formação das pequenas e médias propriedades rurais. praticamente. estimulando o fluxo imigratório para o Brasil. devido a vários fatores: l l l l tendência a evitar saídas de indivíduos. por parte do imigrante. desenvolvida no Sul do país principalmente. desenvolvimento econômico ocorrido anós 1850. que passou a exigir numerosa mão-de-obra. caracterizada pelo desemprego. desenvolvimento da cultura cafeeira no Planalto Paulista. falta de garantias para os que aqui chegavam como imigrantes. medidas constitucionais de 1934 e 1937. isto é. por terem favorecido a instalação dos europeus. medidas legais com o intuito de fazer uma seleção profissional (80% dos imigrantes que entravam a cada ano deveriam ser agricultores e permanecer um mínimo de 4 anos na lavoura). com a conseqüente crise econômica no Brasil (1930).500 imigrantes no país. Parceiro: tipo de exploração indireta da terra onde se estipula a porcentagem para divisão dos lucros. obrigatoriedade. crise da Bolsa de Nova Iorque. por parte dos países emigratórios. Fatores que motiveram a imigração para o sudeste e sul l l l l natureza climática dessas regiões. desenvolvimento da cultura cafeeira. melhoria das condições sociais dos povos europeus. podemos citar os seguintes: l l l l tropicalidade do país. principalmente em São Paulo. tendo entrado apenas 18.

A integração cultural dos alemães foi bastante difícil principalmente pela grande diferença entre ambas as culturas. Neste período. foram para a Amazônia. Itajaí e. fundando a cidade de Nova Friburgo. Joinville. esses imigrantes eram registrados no Brasil como turcos. atraídos pela economia da borracha em ascensão. São provenientes de áreas rurais do Japão. tendo havido. no litoral de Santa Catarina. a policultura em pequenas propriedades e a "indústria doméstica". em 1852. um plantador de café. no Sul e no Norte do país. no Sul do país. nos últimos anos. nas proximidades de São Paulo (Santo Amaro). prolongando-se até 1890. Por meio do sistema de colônias de povoamento e utilizando o sistema de trabalho familiar. onde também criaram uma paisagem cultural própria (Curitiba. 17% no Rio rrande do Sul e 12% em Santa Catarina. outros dirigiram-se para as diversas cidades brasileiras. serrarias e agricultura. Ponta Grossa e Castro). Localizaram-se em duas zonas. Como a Síria e o Líbano estiveram sob o domínio da Turquia. Localizaram-se mais nas cidades grandes. Fixaram-se. compreendem os sírios. também. A influência dos alemães é principalmente notada em Santa Catarina. Alemães Começararam a chegar a partir de 1824. evitando a formação de novos "quistos raciais" em que viviam até há pouco tempo. Rússia Branca e Ucrânia. Após 1890. religião etc. Eslavos Começaram a chegar a partir de 1875. dedicaram-se ao extrativismo da madeira. Em 1970. Suíços de língua alemã Foram os primeiros imigrantes chegados ao Brasil (1819). organizada e subvencionada pelo governo. 3. árabes palestinos. Já nessa época. o governo brasileiro tomou medidas no sentido de integrá-los definitivamente ao nosso padrão cultural. Gramado e Canela. Rio de Janeiro e Espírito Santo (Colatina). um recrudescimento. fundando São Leopoldo. Depois. os alemães difundiram.l Apostila de Geografia do Brasil composição étnica com predominância de brancos. 2. Fixaram-se notadamente. e em Santa Catarina (Vale do Itajaí). 5. o total de imigrantes alemães era de aproximadamente 260 mil. dedicavam-se ao comércio. Em São Paulo. Brusque. Após a Segunda Guerra Mundial. A sua grande imigração para o Brasil ocorreu entre 1860 e 1870. mas também estão localizados no Rio Grande do Sul. Novo Hamburgo. 0 período de maior entrada foi entre os anos de 1924 e 1934. 12 . Esta colonização não deu o resultado esperado. sendo 38% em São Paulo. Fixaram-se no Rio de Janeiro. hábitos alimentares e outros aspectos típicos da cultura germânica. Mesmo assim. sendo bastante conhecida a figura do "turcomascate". Estes povos apresentam vários traços culturais em comum: lingua. o senador Vergueiro. costumes etc. transferiu 80 famílias de camponeses alemães para a sua Fazenda Ibicaha. a entrada desses imigrantes continuou em número menor. Japoneses São imigrantes cuja presença no país é das mais recentes: o primeiro grupo chegou em 1908. foi esta a primeira colônia de imigrantes não-portugueses. no Paraná. O principal núcleo polonês é o de Ivaí. dedicando-se ao comércio e a outras atividades culturais e industriais. principalmente por falta de meios de comunicação e transporte. os eslavos apresentaram certas dificuldades à integraçâo cultural (língua. sendo oriundos da Polônia. onde encontramos construções. onde fundaram Blumenau. Radicaram-se principalmente no Rio Grande do Sul.). libaneses. outros fazendeiros fizeram o mesmo. no Paraná. 4. na região de Limeira. Grupos de imigrantes 1. Turcos e árabes Popularmente conhecidos turcos. Embora em menor número.

Nestas áreas deram início à vinicultura. Bento Gonçalves. 12% no Paraná e 3% no Pará. são encontrados: l l l l na região de Marília. que necessitava de mão-de-obra. De assalariados. nos arredores de São Paulo. A integração cultural destes imigrantes foi bastante difícil.000. concentram-se em dois bairros. Vale do Paraíba. nos últimos anos. no Vale do Ribeira de Iguape. exercendo as mais diversas atividades. 6.Apostila de Geografia do Brasil Para o Sul. Noroeste e Norte do Paraná. mas só após 1951 o seu número se tomou importante. evitando a formação dos "quistos raciais". os italianos ocupam o 2° lugar. atualmente são encontrados em cidades nas áreas urbanas. até 1970. tem-se tornado mais efetiva esta integração. dedicando-se ao cultivo do algodão. Fundaram cidades como Caxias do Sul. devido aos esforços dispensados por parte do governo brasileiro. Urussanga. difundindo largamente a policultura. em São Paulo fundaram estabelecimentos de caráter capitalista. Embora de forma geral dediquem-se a atividades agrícolas. Localizaram-se também no Mato Grosso do Sul. Calábria. notadamente instalando-se em pequenas propriedades. Talvez a maior contribuição deste imigrante. os italianos chegaram a partir de 1873. Na cidade de São Paulo. Em São Paulo. à sericultura e a outras culturas. Chegaram a essa zona a partir de 1924. sendo que aproximadamente 85% encontram-se no Estado de São Paulo. onde desenvolveram. porém. principalmente. muitos imigrantes italianos posteriormente passaram a ser próprietários. era de aproximadamente 1. Em São Paulo. também de origem atlanto-mediterrânea. Nova Trento. como pequenos proprietários ou organizados em cooperativas. Localizaram-se. no Vale do Tubarão. Alta Paulista. A sua integração cultural foi bastante rápida. vieram os contingentes mais numerosos. para São Paulo vieram atraídos pela cultura cafeeira. também a sua atividade principal foi a agricultura. destacando-se. É neste Estado que vamos encontrar o maior número destes imigrantes. realizando cultura de várzea. nas áreas alagadiças. embora tivessem vindo desde o início do processo migratório brasileiro. Enquanto no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina instalaram-se como pequenos proprietários. neste Estado. no campo econômico. destacando-se a cidade de Registro. o seu número é pequeno. desde o início. pela grande diferença entre as culturas. 13 . Garibaldi. onde se estabeleceram em pequenas propriedades. Trabalhando como assalariados nas fazendas de café ou de algodão. no Vale dó Paraíba do Sul. tenha sido. localizaram-se no Vale do Ribeira de Iguape. principalmente: Brás e Bela Vista (Bexiga). dedicaram-se à cultura da pimenta-do-reino e da juta. Em Santa Catarina. porém fundaram Nova Veneza. difere das anteriores. a sua reação contra a monocultura. meeiros e colonos que eram a princípio. algumas regiões: Lombardia. Porém. No norte do país. a rizicultura. vindo após os portugueses. Em 1970. pela semelhança com a cultura brasileira. formando o chamado "cinturão verde". Italianos Dentre os imigrantes aportados no Brasil. Alta Sorocabana. Piemonte. O período áureo da imigração italiana foi de 1887 a 1914. haviam entrado 240 mil japoneses. Enquanto nos dois Estados citados a indústria era doméstica. São provenientes de quase toda a Itália. sendo 73% em São Paulo. Gênova. encontramos os imigrantes japoneses dedicando-se com afinco ao cultivo dos mais diferentes vegetais. ao lado de indústrias domésticas. localizam-se nas proximidades da extinta ferrovia Belém-Bragança e no Vale Médio do Rio Amazonas. Devido ao seu elevado número no Sul do país (além de São Paulo). Também a atividade industrial. são marcantes os traços culturais de influência italiana na população sulista do Brasil.630. onde introduziram o cultivo do chá. Estes imigrantes localizaram-se na parte centro-norte do Rio Grande do Sul. Bastos e Tupã. como no caso alemão. Flores da Cunha e Farroupilha. Neste Estado. O total de italianos entrados no país. Veneza.

franceses. Hábitat Rural Relativo ao modo de ocupação do solo no espaço rural.). o hábitat pode ser rural ou urbano. a integração cultural se processa lentamente (chineses e ingleses). nos quais se inclui o grupo de angolanos. Atualmente.785. até 1970. imigrantes também encontrados quase somente nas áreas urbanas. os italianos aparecem também no Espírito Santo. Atualmente. Em decorrência dessa ocupação e do reflexo do seu gênero de vida. tendo entrado no período de 1580 a 1640 um contingente relativamente grande. aparecem ainda no Brasil. até o período colonial. 14 . Como imigrantes. é o imigrante mais numeroso. De 1950 a 1963. Urbanização 1 . Entretanto. no Paraná. aproximadamente 50% dos imigrantes entrados no país são constituídos pelos portugueses. só os portugueses podiam entrar livremente no Brasil. Após a independência. próximo à cidade de Colatina. a sua entrada no país. É o caso das colônias de Castrolândia. no Estado de São Paulo. ingleses. por meio de um trabalho de colonização bastante eficiente. Data do século passado a entrada de norte-americanos no Brasil. mas para outros. e Rio de Janeiro. a assimilação de nossa cultura é fácil (franceses). com 45%. foi em número reduzido. os espanhóis têm imigrado em número maior. nos EUA.000 elementos. com 40%. da colônia da Holambra.Apostila de Geografia do Brasil Além das áreas citadas. não sofreram restrições aplicadas a outros imigrantes (quota de imigração). verificou-se uma reativação (cerca de 120 mil entraram no Brasil) seguida de uma redução. 8. Desse total 78% entraram em São Paulo. Outros imigrantes Além das nacionalidades acima citadas. Os espanhóis perfaziam. 7. indústria etc. o Brasil continuou recebendo regularmente os imigrantes portugueses. de Não-Me-Toque. só recentemente marcaram de fato sua presença no Brasil. a paisagem natural sofre diversas alterações. Eram principalmente confederados fugidos da Guerra de Secessão. apesar de terem emigrado para o Brasil desde o tempo colonial. Introdução Hábitat Refere-se à natureza do local em que os grupos humanos vivem. Estes imigrantes tiveram dois períodos predominantes de entrada: o período de 1891 a 1930 e após 1950. holandeses. além de estarem geograficamente dispersos por todo o país. Os portugueses. embora em número menor. quase nada ficou entre nós desse contato. pelos dispositivos legais. a partir de 1964. com exceção da fundação da cidade de Americana (SP) e da instituiçâo de ensino Mackenzie. localizando-se principalmente nas áreas urbanas do Sul e Sudeste. no Rio Grande do Sul. juntamente com os alemães. talvez pela existência da América Espanhola. na cidade de São Paulo. e a sua exploração às relações entre os habitantes. Nos últimos anos. Espanhóis Estes imigrantes são bastante antigos. De acordo com a situação geográfica. Os holandeses. Porém. Estes imigrantes localizaram-se principalmente em dois Estados: São Paulo. norte-americanos. o período de maior entrada situou-se entre 1904 e 1914. para alguns. O Brasil recebeu 86 mil austríacos e 34 mil franceses. por volta de 710 mil imigrantes. chineses. Portugueses De 1500 até 1808. Dedicam-se a várias atividades (comércio. quase todos localizados nas áreas urbanas. 9. com aproximadamente 1.

Ordenado Quando um elemento orienta a dispersão. sendo difícil separar o rural do urbano. a estabilidade social e ocupacional. Hábitat rural Pode ser organizado. por sua vez. tornando difíceis as comparações internacionais. ocupação ou modo de vida. Povoados Em quase todo o país. cacau no sul da Bahia (Ilhéus e Itabuna) e café em São Paulo. 15 . não resolve o problema da linha divisória. cidades comerciais. pois cada vez mais se relacionam.Apostila de Geografia do Brasil Hábitat Urbano Relativo às cidades e sua ocupação: nelas. onde as habitações se espalham em grandes espaços. Isto. ocorrendo relação de vizinhança entre as habitações que. cidade e campo. finalmente. Aglomerado Quando as moradias no meio rural estão próximas umas das outras. Desordenado Quando não há um elemento que orienta a dispersão. as atividades predominantes originam-se do setor econômico secundário e do terciário (serviços). formando o hábitat aglomerado.: cana-de-açúcar no Nordeste. o modo de viver de ambos os grupos é diferente. 2. nenhuma sociedade é inteiramente rural ou completamente urbana. no entanto. hoje. uma vez que a sociedade vem se tornando menos rural e mais urbana à medida que passa de fazendas isoladas para estágios representados pelas aldeias. rodovia. uma vez que a contagem da população urbana é subestimada e a rural exagerada. as definições de rural e urbano variam muito entre os países. como um rio. predominando nas áreas de pequenas propriedades rurais. no entanto. no Brasil. O tamanho do povoado é o tipo de distinção mais respeitado entre o urbano e o rural e é o critério entre as Nações Unidas em suas publicações. estão relativamente próximas às áreas de cultivo ou de pastagens. Têm origens e funções bem diversas. Atualmente. tais como: l l l l a dimensão dos núcleos de povoamento. Assim. pois os citadinos que vivem fora dos limites da cidade vêm se tornando muito numerosos. o grau homogêneo de cultura e etnia. litoral. não estão inteiramente em oposição como local de residência. metrópoles. O hábitat aglomerado apresenta três modalidades: Núcleo Em áreas ocupadas por grandes fazendas. grandes cidades e. ferrovia. A sociedade rural apresenta contrastes com a urbana. É o mais freqüente na paisagem rural brasileira. Exs. nas quais os trabalhadores habitam junto à sede. da seguinte forma: Disperso Próprios das zonas rurais. vilas (hábitat urbano).

16 . com destaque para a região do Rio Grande do Sul.(as chamadas corrutelas das áreas diamantíferas) .Fortaleza (CE).Poxoréo (MT). Belém (PA) e Santarém (PA). No Brasil. apenas a construção de barragens e o represamento de águas fluviais para produção de energia hidrelétrica têm sido responsáveis por tais mortes. Município é uma sociedade capaz de autogoverno e autoadministração dos serviços que Ihe são peculiares. Ao Município.Cabo Frio (RJ). em colaboração com o Estado. freqüentes nos Estados sulinos. a partir da expansão de antigos hábitats rurais aglomerados nas diversas fases do desenvolvimento da economia brasileira: a) Feitorias (escalas de expedições marítimas para defender e explorar as terras coloniais) .Ouro Petro (MG).Brasília (DF) e Cuiabá (MT). felizmente sendo raros os exemplos de morte absoluta. b) Planície . d) Mineração . Joinville (SC). Manaus (AM). Classificação das Cidades Quanto à Origem Cidades espontâneas ou naturais Aquelas que surgiram naturalmente. de desaparecimento total. 3.São Paulo. c) Missões religiosas .Manaus (AM). No Brasil. c) Planalto . a partir de uma lei em 1938. d) Montanhas .Ouro Preto (MG). não importando sua população nem expressão econômica. Classificação das Cidades quanto ao Sítio Urbano O sítio urbano é a área em que o aglomerado está assentado. Cidades planejadas ou artificiais Criadas a partir de um plano previamente estabelecido. Guarapari (ES). Hábitat urbano Cidade é um "organismo material fechado que se define no espaço pelo alto grau de relações entre seus habitantes. Assim. b) Defesa (fortificações) . É o "assoalho" da cidade. Cuiabá (MT). Aragarças (GO). sendo assim considerada toda sede de Município. Caxias do Sul. convém observar que possuímos cidades-mortas. compete zelar pela saúde. f) Núcleo de Colonização . utiliza-se o critério político-administrativo para se definir a cidade. como aconteceu com a mineração do ouro e das pedras preciosas. Santa Cruz de Cabrália (BA). Bento Gonçalves (RS). Maringá (PR). e) Entroncamento Ferroviário – Bauru. porque estamos livres de erupções vulcânicas ou terremotos e nunca sofremos os flagelos das guerras de extermínio ou de invasões arrasadoras. Campos do lordão (SP) e Belo Horizonte (MG). São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ). Mairinque (SP). Natal (RN). g) Arraiais do Bandeirismo Minerador . pelas suas relações com um espaço maior e pela independência de suas atividades em relação ao solo onde está localizada". temos: Teresina (PI) Aracaju (SE) Belo Horizonte (MG) Goiânia (GO) Brasília (DF) 1851 1858 1898 1937 1960 Quanto à evolução urbana.Londrina.Salvador (BA). higiene e segurança da população. Blumenau. mas a maioria delas concorda num ponto: trata-se de um aglomerado humano.Apostila de Geografia do Brasil Coloniais Geralmente estabelecidas pelos grupos imigrantes. variando em número e na sua relação com o espaço (sua área). As definições de cidade são diferentes. temos: a) Acrópole ou Colina (geralmente com objetivos defensivos) .

Manaus (AM). Grande é o número de cidades brasileiras localizadas junto a rios ou em suas proximidades. Porto Alegre (RS) Pirapora (MG). Noutros casos.Apostila de Geografia do Brasil e) Insular . Florianópolis (SC) e Guarujá (SP). que no Meio-Norte denominavam-se "trezidelas". sobre "terraços".São Luís (MA).platôs). Destacam-se da Amazônia (nos "tesos" ou "baixos" . CLASSIFICAÇÃO DAS CIDADES QUANTO À POSIÇÃO GEOGRÁFICA A situação da cidade em relação aos elementos do meio físico que lhe são próximos explica a sua evolução e permite a seguinte classificação. Já no caso de Florianópolis. Observação As cidades de São Luís. Vitória. como se verifica no Vale do Paraíba do Sul. Cuiabá (MT). e da qual se origina o seu Produto Interno Bruto. fazendo nascer bairros autônomos. Ribeirão Preto (SP) Classificação das cidades quanto à função urbana A atividade básica em função da qual vive a cidade. fixandose no vale fluvial. já que apresentam íntimo contato com o continente e mal se percebe a passagem deste para a ilha. deixam os rios a certa distância. Fluvial: l l l l l l Juazeiro (BA). no âmbito da planície terciária. do médio e baixo São Francisco. e Corumbá (MS). Vitória (ES). em terrenos livres das inundações. Dessas cidades. Por vezes. sendo raras as que se assuntam junto a deltas (como é o caso de Parnaíba. permite a seguinte classificação: 17 . umas poucas são localizadas em estuários. no Piauí). prolongam-se para outra margem. por exemplo. a insularidade é marcante. Santos e São Francisco não podem ser consideradas cidades insulares típicas. Marítima l l l l l Rio de Janeiro (RJ) Natal (RN) Paranaguá (PR) Salvador (BA) Santos (SP) Litorânea (não banhada pelo mar) l l Cubatão (SP) Itabuna (BA) Interiorana l l l Campinas (SP) Bauru (SP). do alto-médio Paraguai.

Apostila de Geografia do Brasil Comercial l l l l São Paulo (SP) Campina Grande (PB) Caruaru (PE) Feira de Santana (BA) Industrial l l l l l l l Volta Redonda (RJ) Santo André (SP) Franca (SP) Sorocaba (SP) Cubatão (SP) Guarulhos (SP) Betim (MG) Religiosa l l l l l Aparecida do Norte (SP) Bom Jesus da Lapa (BA) Pirapora do Bom Jesus (SP) Tambaú (SP) Juazeiro do Norte (CE) Estação de saúde l l l l Campos do Jordão (SP) Araxá (MG) Serra Negra (SP) Águas de Lindóia (SP) Turística (balneária) l l l l l Guarujá (SP) Camboriú (SC) Guarapari (ES) Torres (RS) Cabo Frio (RJ) Militar estratégica l l Resende (RJ) Vila dos Remédios (FN) Turística (histórica) l l l Ouro Preto (MG) Parati (RJ) Congonhas do Campo (MG) 18 .

Metrópole regional Aquela cuja área de influência abrange uma região do País. situados à sua volta em sua função. principalmente do Sudeste. quando o desenvolvimento industrial se intensificou. concentraçâo rápida no Sudoeste. acarretando o crescimento rápido das cidades. No Brasil. 4. Megalópoles 19 . Metrópole nacional Aquela cuja área de influência abrange todo o território nacional. Ex. Urbanização É um processo de criação ou de desenvolvimento de organismos urbanos. Certos períodos foram especialmente favoráveis ao desenvolvimento da vida urbana. constituídos pela cidade principal e por núcleos urbanos de maior importância. Capital regional O espaço regional polarizado é menor e representa uma posição hierárquica intermediária entre o centro regional e a metrópole regional. Cubatão (SP) e Jacareí (SP). Anápolis (GO). o desenvolvimento da urbanização teve um incremento a partir de 1930. denominados metrópoles.951 cidades. polarizando esta área através de infra-estrutura e equipamentos urbanos. o processo abrange quase todas as partes do país. mas por outras atividades econômicas ou expansão de serviços. crescimento rápido e caótico das cidades. não só pela indústria. Goiânia (GO). nove transformaram-se em grandes aglomerados urbanos.: Americana (SP). Ex. 5.: Campinas (SP). Ex. Em 1970. Itapetinga (SP). Dentre estas. Recentemente.: São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ). Santos (SP) e São José dos Campos (SP). o Brasil atingiu um total de 3.Apostila de Geografia do Brasil Portuária l l l l Santos (SP) Paranaguá (PR) Rio Grande (RS) Vitória (ES) Administrativa l l Brasília (DF) Florianópolis (SC) Classificação das Cidades quanto à Hierarquia Urbana É expressa pela rede urbana que a cidade apresenta e sua posição de polarização sobre as demais. êxodo rural: precárias condições no campo e atração das cidades. Causas da urbanização: l l l l processo de industrialização a partir de 1930. Centro regional Diretamente influenciado pela capital regional e que polariza um subespaço dentro da área de influência da capital regional. por receberem a população do campo atraída pela indústria. Sorocaba (SP).

mantendo relações entre si e dependentes de um centro principal que comande a vida regional. O estudo das regiôes polarizadas nos leva à divisão de estados em regiões administrativas e. Rede Urbana Sistema de cidades distribuídas numa região.936 km ) ou. em 1980. Curitiba e leste catarinense. 2 ainda. Conceitos Importantes Região Polarizada Constituição da região planejada em torno de metrópoles. organizar regiões em torno de si. 7. Malha Urbana Diz-se da forte concentração de cidades em uma determinada área do país. as áreas próximas a Porto Alegre. com 39 municípios. por exemplo. etc. rede de esgotos. Conurbação Reunião de duas ou mais cidades de crescimento contínuo formando um único aglomerado urbano. estas. onde a população gradativamente adquire consciência regional. gerando gigantescos aglomerados que ocupam extensas áreas. Em 1967. com fusão de sítios urbanos. numa superfície de 7.Apostila de Geografia do Brasil Correspondem à conurbação de várias metrópoles. por exemplo. encaradas como um complexo sistema circulatório entre núcleos e funções diferentes. essa área apresenta grandes problemas a serem resolvidos. de 30 de julho de 1968.9 milhões de habitantes . Arábia Saudita (2. 68% do valor da produção industrial do Estado de São Paulo e 39% do Brasil.órgão técnico da Secretaria de Economia e Planejamento desse estado. transportes. Esta região assume importância nacional. 20 2 . Holanda (33.000 km ). como. para enfrentar os grandes problemas ainda existentes. Grandes espaços urbanizados que se apresentam integrados. Na região Sul. em sub-regiões. de 3 de julho de 1967 e n° 50. 6. A região possui 15. Exemplo: a região que se estende de Boston até Washington.170 habitantes (1993).096. não apenas por sua grande população (15. foi criado o GEGRAM Grupo Executivo da Grande São Paulo .163.240. tendo como centro Nova Iorque. de Moçambique (799. do Governo do Estado de São Paulo. em determinadas partes. como os de habitação. Contudo. Ex: Regiâo do ABC (SP).380 km ) .050 km ). como pólos. Áreas metropolitanas Conjunto de municípios contíguos e integrados com serviços públicos de infra-estrutura comuns. Tal 2 2 2 população é equivalente à da Venezuela (912. seja quanto aos aspectos físicos ou funcionais de uma metrópole que exerce o papel dirigente.992. estando em permanente processo de transformação. Existem redes urbanas mais e menos organizadas. Macrocefalismo Crescimento acentuado e desordenado das cidades.1993). A ela correspondia. assistência médico-hospitalar. O regionalismo leva à formação de diversas grandes cidades que podem atingir vários milhões de habitantes e onde cada uma delas pode alcançar caráter metropolitano internacional e. a região Sudeste. Essa definição está vinculada ao processo de institucionalização de áreas e entidades metropolitanas no Brasil.951 km . mas por se constituir em um pólo de desenvolvimento para o crescimento do Brasil. a malha urbana caracteriza-se por maiores concentrações em alguns pontos. A Grande São Paulo A região da Grande São Paulo é definida e regulamentada pelos Decretos n° 48. Regiões funcionais urbanas Divisão regional tendo por base a influência das cidades sohre o espaço ou sua polarização. educação. abastecimento de água.

l 2. l Salmourão: solo argiloso. geralmente formado pela decomposição do granito em climas úmidos. principalmente de frutas. principalmente do setor alimentício. maduros e senis. Importamos vários produtos agrícolas. para desenvolver-se. muito ácidos e frágeis. sendo lento e complexo. É também um solo de elevada fertilidade. como é o caso do trigo. o país ainda não é auto-suficiente na produção de alimentos. encontrado no Planalto Meridional e utilizado para diversos cultivos. o Brasil possui vários tipos de solos agrícolas. das características do relevo e da matéria orgânica presente. é difícil recuperá-los. como é o caso do café. Devido à diversidade de nossa geologia e condições climáticas. apesar da importância mostrada do setor agrícola no Brasil. de maior valor.Apostila de Geografia do Brasil Subemprego Atividade gerada pelo inchaço do setor terciário. dependendo da rocha matriz. da cana-de-açúcar. podendo-se cultivar desde os vegetais tipicamente tropicais até aqueles próprios de áreas temperadas. necessita da mão-de-obra humana para arar. adubar e plantar as espécies. A espessura do solo varia e ele tem ciclo evolutivo: há solos jovens. l a posição do Brasil no cultivo de produtos tropicais. além de servir produtos agropecuários ao desenvolvimento da indústria. Massapê ou Massapé: solo escuro e resultante da composição do ganisse e do calcário. l 21 . onde. com destaque para o café. Fatores Naturais Clima Embora a agricultura não dependa unicamente das condições climáticas. tropical. para que sejam utilizados de forma eficiente. formada por rocha decomposta. é o que definimos como solo. biscateiros. é natural que nossa agricultura seja baseada no cultivo de vegetais típicos desse clima. subtropical e semi-árido) permite uma boa diversificação da produção agrícola. Importância da Atividade Agrícola O cultivo de produtos agrícolas alimentícios ou destinados à indústria consiste em uma importante atividade econômica que. é destacada mundialmente. Devido ao predomínio de climas tropicais. tais como o arroz. encontrado na Zona da Mata Nordestina. a verdade é que elas assumem importância fundamental para a prática agrícola. É um solo de elevada fertilidade natural. portanto. Apresenta alguma fertilidade e é encontrado no Planalto Atlântico e no Centro-Sul do País. Seu processo de formação é denominado pedogênese. de origem vulcânica. como o trigo. é um setor destacável da economia. A existência de variados tipos climáticos no País (equatorial. devido às inundações constantes. desde o período Colonial. responde por parte significativa do produto interno líquido do país. com atividades tais como cuidador de carros. Destaca-se a importância da agricultura no processo de desempenho econômico do Brasil nos seguintes aspectos: l l l representa grande parte dos produtos exportados. resultante da decomposição do basalto. Solo A camada superficial da litosfera. Sendo assim. corresponde à base da alimentação do país. como laranja e banana. e onde há vida microbiana. da atividade extrativa vegetal que somente retira produtos da natureza. que é o mais cultivado no Centro-Sul do País. l Terra Roxa: solo castanho-avermelhado. do clima. considerados. No entanto. l Solo de Várzea: trata-se de um solo fertilizado pelo acúmulo de matéria orgânica e húmus trazido pelo rio margeado por ele. de altitude. desta forma. os solos brasileiros têm que ser corrigidos de maneira correta quanto à acidez ou composição química. Uma vez degradados. surgem para desafogar a falta de trabalho. restringe seu uso a alguns produtos. vendedores de semáforos. superior a 10%. de modo geral. As transformações físico-químicas criam aí condições favoráveis a nutrição e desenvolvimento das plantas e espécies vegetais de modo geral. ao contrário do refrão comumente utilizado de que no Brasil "se plantando tudo dá". A agricultura é diferenciada. do cacau. é utilizado para o plantio da cana-de-açúcar. A Importância da Agricultura 1. do algodão e outros.

como técnica de sombreamento. apesar de possuir 8. por outro lado. A substituição gradual de árvores não produtivas por árvores comerciais é um outro método de conservação. irrigação adequada. Esta crosta é conhecida também como "canga" e aparece em grandes extensões dos chapadões do Centro-Oeste e na Amazônia. terraceamento. Os efeitos do uso do solo Preservar árvores é um bom método para a conservação do solo. matas e terras não-aproveitadas em relação à área total dos estabelecimentos agropecuários. tais como: l l l l l l rotação de solos e de culturas. já que. e os benefícios da água e dos minerais dissolvidos. a área ocupada pelas atividades agropecuárias tem aumentado. no Brasil. Os efeitos destrutivos das enchentes. Em muitas regiões. no caso de excesso de água. esgotamento. uma prática desenvolvida por técnicas agrícolas consiste em aproveitar os restos vegetais da própria mata para "forrar" o solo e plantar. adubação adequada. carregando os elementos nutritivos superficiais. e também pelo predomínio de técnicas rudimentares de cultivo: plantio em encostas de morros. pastagens. reflorestamento. espécies de produtos entre as árvores nativas. etc. pastagens. l Combate aos problemas do solo Existem várias técnicas agrícolas que podem combater os problemas dos solos. matas e terras não-aproveitadas ocupam cerca de 40% das terras brasileiras. Não é recomendável que a floresta seja substituída por campo ou por cuitivo dos produtos. pastagens.403 km . Consiste na remoção da sílica e no enriquecimento dos solos em óxidos de ferro e alumínio. quando as chuvas intensas atravessam os solos de cima para baixo. inadequação dos vegetais às condições naturais. verifica-se que as lavouras. difundem-se em uma extensa área pelos sistemas de irrigação. l 22 . isto é. matas e terras não aproveitadas em relação à área total do território.547. irrigação e reflorestamento. Suas terras estão utilizadas da seguinte maneira: áreas de lavouras. curvas de nível. l Lixiviação: é a "lavagem" que ocorre nos solos das regiões tropicais úmidas. mas este pode trazer o perigo das monoculturas. Apesar de limitadas. originando a formação de uma "crosta ferruginosa" capaz de impedir ou dificultar a prática agrícola. l 2 Áreas de lavouras. aplicação de adubos. l Laterização: processo característico das regiões intertropicais de clima úmido e estações chuvosa e seca alternadas. maior concentração das chuvas durante o verão. ocupa 2 2 apenas cerca de 580. Principais problemas da agricultura Subaproveitnmanto do Espaço Agrícola O Brasil apresenta subaproveitamento de suas terras agrícolas. l Em relação à área total dos estabelecimentos agropecuários.000 km com lavouras e 1. embora a maior parte do território (73%) encontre-se ocupada por terras não-aproveitadas. sobretudo. Nos últimos anos. porém. É um sistema do tipo "corredor" com racionalização de cultivo móvel e a idéia é manter a capacidade produtiva do solo.000 km com pastagens. pelas características climáticas predominantes no país. as medidas atualmente adotadas para combater tais problemas são: terraceamentos. Erosão e esgotamento dos solos: são provocados.750. curvas de nível. Esses provocam graves conseqüências que decorrem das características climáticas (quentes e úmidos) e das técnicas agrícolas empregadas (rudimentares). ao menos que o processo de substituição seja limitado a determinadas proporções. Tais práticas são mais difundidas nas regiôes Sudeste e Sul do País. A prática primitiva da queimada e o uso irracional do espaço agrícola são destrutivos. as medidas para irrigar o solo precisam ser combinadas com a drenagem do mesmo. laterização e lixiviação. podendo haver também a associação da agricultura com a pecuária.Apostila de Geografia do Brasil Problemas dos Solos Há diversos problemas que afetam os solos brasileiros. mas os mais comuns são: erosão.

MG e RJ a 48. Terraceamento: técnica agrícola que se constituiu em aproveitar-se de curvas de nível de degraus (terraços). Típico da Ásia Oriental. o que pode ser explicado por vários motivos: l l l l l uso inadequado e insuficiente de adubos. aponta as seguintes metas: l l l l l l estímulo às pesquisas em Engenharia Rural. l l l Alqueire: medida agrária que corresponde em GO. calculado. diminuindo a lucratividade do homem do campo e aumentando o custo dos alimentos ao consumidor. fertilizantes e defensivos agrícolas. em geral. algodão). mandioca e produtos hortifrutigranjeiros em geral. milho. obter maior produtividade. l 23 . em cerca de 30% da safra. Produtividade Agrícola O aumento da produção agrícola deve-se: l l l à expansão das fronteiras agrícolas em direção a Rondônia e Mato Grosso. a cebola e outros. à expansão da mecanização. cana-de-açúcar. acúmulo de matéria orgânica e formação de húmus. Hectare: unidade de medida agrária equivalente a cem acres ou ainda a um hectômetro quadrado 10.000 m . ainda sem qualquer aproveitamento.000 m . chega-se a perder grande parcela de produção agrícola por falta de transporte e/ou armazenamento adequado. em determinadas regiões. crédito rural voltado sobretudo para os grandes proprietários do Sudoeste e do Sul. desenvolvimento de novas técnicas de plantio. escassez de pesquisas agronômicas básicas. por meio de vários programas específicos e de órgãos como a EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). colheita. aumento da assistência técnica. estímulo à formação de cooperativas. esses dois fatores estão profundamente inseridos em atividades agrícolas. pretende aumentar a produtividade agrícola. Armazenamento e Transporte Embora de forma indireta.Apostila de Geografia do Brasil O Uso da Terra Há uma correlação entre o tipo de utilização agrária e o tamanho da propriedade. Segundo os últimos levantamentos. baixa mecanização. Assim. as grandes propriedades dedicam-se. como arroz. O Governo Federal criou. cacau. Grande parte dessa área está na bacia do rio Solimões (Amazônia). que pretende utilizar as terras férteis das várzeas e. soja. apesar do seu alto custo para os agricultores. 2 2 2 Pedogênese: processo de formação do solo onde percebe-se a decomposição da rocha original. à pecuária e ao extrativismo vegetal. em algumas áreas do Brasil. criação do Provárzeas e do Projeto Cerrado. estima-se que o desperdício alcance 5 bilhões de dólares por ano. ao cultivo de produtos voltados para a exportação (café. Já as pequenas propriedades se caracterizam pelo desenvolvimento de cultivos comerciais e de subsistência. baixas rendas e más condições de vida do trabalhador rural. principalmente em lavouras comerciais como a da soja e do trigo no Centro-Oeste e no Sul do País. Tais dificuldades facilitam a ação dos intermediários e especuladores. o arroz.. ainda são registradas baixas taxas de produtividade. Para isso. feijão. etc. à maior utilização de insumos industriais. o Profir (Programa de Financiamento de Equipamentos de Irrigação). por meio de irrigação. a laranja. em alguns casos. sobretudo aos pequenos proprietários. o algodão.000 m e em SP a 24. O Provárzeas Nacional é um programa agrícola criado em junho de 1981. aumento do crédito rural. O programa baseia-se na existência de pelo menos 3 milhões de hectares de várzeas irrigáveis. também. Só para citar um exemplo. seleção de sementes. Em valores. às altas cotações de alguns produtos no mercado nacional e internacional. como o café. o Brasil é o campeão do desperdício. l Entretanto. O Governo.

l Latifúndio por dimensão: será todo o imóvel com área superior a 600 vezes o módulo rural médio fixado para a respectiva região e tipos de exploração nelas ocorrente. l Atualmente.000.000 estabelecimentos Além desse fracionamento. havendo. Nesse campo. simplificando: há muita gente com pouca terra e muita terra com pouca gente.3%). e são os que menos assistência recebem do governo.2% das propriedades. o Brasil enfrenta sérias dificuldades. engloba o número e tamanho das propriedades rurais. econômicas e sociais do meio. l Minifúndio: será todo o imóvel com área explorável inferior ao módulo rural fixado para a respectiva região e tipos de exploração nela ocorrentes. Os conceitos de latifúndio e minifúndio serão definidos em função do módulo rural adotado na região gráfica e de seu uso.000 ha 1980 .000 ha Considerando-se a distribuição dos estabelecimentos rurais por região. é o mínimo de terras que uma família de 4 pessoas necessita para sua manutenção. correspondendo a mil jornadas anuais. nem todo o espaço é aproveitado. criado para estabelecer uma unidade legal de medida das propriedades.3.000 ha) ocupam quase a metade da área rural (45%). o que traz como conseqüência um crescimento do número de latifúndios: l l 1960 . Por este motivo. embora não aproveitada com alguma atividade. Os pequenos proprietários respondem por mais da metade da produçâo de alimentos do Brasil. enquanto sua área é insignificante (2.045. em determinada posição do País. com predomínio das grandes propriedades (plantations) voltadas para atender às necessidades do mercado externo. Os conceitos de latifúndio e minifúndio são definidos em função do módulo rural adotado na região. sendo menor quanto maior o desenvolvimento. é direta e pessoalmente explorada por um conjunto familiar equivalente a quatro pessoas. b) Os grandes estabelecimentos (mais de 1. Nossa estrutura fundiária é herança de um passado colonial. Módulo rural: área explorável que. portanto. mas que seja mantida inexplorada em relação às possibilidades físicas. o que demonstra a concentração fundiária. Assim. ou que seja deficiente. 1960 .500.504 de 30/11/64).5%). acima ou abaixo de uma referência conhecida. O mesmo que curva altimérrica. surgiu a idéia de módulo rural (Estatuto da Terra. ou inadequadamente explorada de modo a vedar-Ihe a classificação como empresa rural. com fins expeculativos. O módulo rural varia conforme o desenvolvimento da região. geralmente subaproveitados. representando apenas 1. Segundo o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). l l 24 . é menos prejudicial que uma outra propriedade bem menor e mal aproveitada próxima a São Paulo. Note que tanto o minifúndio (pequena propriedade) quanto o latifúndio são responsáveis por um desperdício de recursos. Até hoje os grandes latifúndios são maioria na área rural. isópsa. já que: a) No latifúndio. verifica-se uma concentração de terras nas mãos dos latifundiários. Lei n° 4.000 estabelecimentos 1980 . desperdício de terras e capital. há mão-de-obra ociosa. tendo área igual ou superior à dimensão do módulo da região. Podemos concluir que: a) Os pequenos estabelecimentos predominam em número (50. conforme o tipo de exploração considerado.Apostila de Geografia do Brasil Curva de nível: linha imaginária que une todos os pontos da mesma altitude. l Latifúndio por exploração: será todo o imóvel cuja dimensão não exceda aquela admitida como máxima para empresa rural.337. uma grande propriedade dentro da Amazônia. segundo as categorias dimensionais. a situação geográfica do imóvel e seu aproveitamento. a estrutura fundiária brasileira tem-se caracterizado por um parcelamento das propriedades. onde se leva em conta a independência entre a dimensão. b) No minifúndio. ou.164. l Estrutura fundiária A expressão "estrutura fundiária".5. observam-se diferenças significativas. proporcione um rendimento capaz de assegurar-lhe a subsistência no processo social e econômico. A força de trabalho do nível tecnológico adotado naquela posição geográfica e. pois a terra é escassa.7l.

MA e PI .000 ha. principal atividade da região.000 ha.arroz e cebola.000 ha). por excelência. Zona da Mata Nordestina .algodão. milho. predominam no Sul as pequenas e médias propriedades. agave. naturalmente.pecuária. GO (Ceres) . Na utilização da terra. MS e MT (áreas dispersas no interior) -pecuária. PA. Assim como a região Sudeste. b) Pequenas e médias propriedades: Vale do São Francisco .extrativismo. Norte de TO . apesar de possuí-los em menor número.soja e café.algodão.000 ha e 10. Sudoeste do PA . região de Dourados) . enquanto no Sertão encontra-se a criação de gado extensiva.pecuária. Agreste . 25 . Ilha de Marajó e AP .000 ha. malva. AM (vale médio do rio Amazonas) -juta. MS e MT (pantanal) . agrovilas e culturas diversificadas. As grandes. Quanto à utilização da terra. b) Médias e pequenas propriedades: PA (Zona Bragantina) . As principais áreas agrícolas situam-se na faixa costeira oriental. esta região também destina parte de sua produção à indústria alimentícia.cana-de-açúcar.culturas diversificadas. Além disso. médias e pequenas propriedades estão assim distribuídas: a) Grandes propriedades: PR (norte) . milho e soja. Esta situação determina a economia extrativa vegetal. porém predominam os grandes estabelecimentos entre 1. realizada em sistema extensivo nos largos chapadões do cerrado e no Pantanal Mato-Grossense. AM e AC. médias e pequenas propriedades estão assim distribuídas: a) Grandes propriedades: MT (parte norte) . sobressaem-se as pastagens. ocupação tradicional. As grandes. castanha-do-pará. soja e outros itens. As grandes.extrativismo vegetal. médias e pequenas propriedades estão assim distribuídas: a) Grandes propriedades: Sertão . Com relação à utilização do solo. Predominam as propriedades entre 200 e 2. apresenta o predomínio de grandes propriedades (mais de 1. As grandes.extrativismo. dominam largamente as pastagens: esta é a região que apresenta a maior área ocupada por estabelecimentos agropecuários no Brasil. a mais elevada do País. BA (litoral sul) cacau. ao longo da Transamazônica. estão assim distribuídas: a) Grandes propriedades: Sudoeste do AM e AC .pimenta-do-reino. dedicados à pecuária. juta. GO. Região Centro-Oeste É também uma região com alta proporção de estabelecimentos com mais de 10. Região Nordeste Apresenta o maior número de estabelecimentos agrícolas e o maior consumo de pessoas ocupadas nas atividades agropecuárias. cacau e fumo. borracha.Apostila de Geografia do Brasil Região Norte Caracteriza-se por possuir o mais baixo índice de área ocupada por estabelecimentos rurais do Brasil.culturas diversificadas: café.pecuária de corte.pecuária. como carnes. a área de criação de gado bovino no Brasil.extrativismo vegetal. A zona do Agreste é ocupada por culturas voltadas para o consumo urbano. É. Região Sul Quanto à área ocupada. médias e pequenas propriedades. a porcentagem em matas incultas é. b) Médias e pequenas propriedades: MS (sul. CE (sul-sertão) .

Apostila de Geografia do Brasil PR (Mata de Araucária) - extrativismo madeira; RS (Campanha Gaúcha) - pecuária; RS e PR - áreas de cultura de trigo. b) Médias e pequenas propriedades: RS, PR e SC (áreas de povoamento europeu) vinhedos, trigo, batata, arroz, milho, etc. SISTEMAS AGRÍCOLAS DE PRODUÇÃO 1. Sistemas Agrícolas Sistema agrícola é a combinação de técnicas e tradições utilizadas pelo homem nas suas relações com o meio rural para obter os produtos de que necessita. No Brasil são aplicados no campo vários tipos de sistemas agrícolas. O sistema extensivo é o mais utilizado: apenas em certas áreas, como no Sul e Sudeste, são encontradas propriedades utilizando com mais freqüência o sistema intensivo. Também os sistemas chamados de roça e plantation são antigos no Brasil e até hoje empregados. Veja abaixo os principais sistemas e suas caracterísiicas. Sistema Intensivo
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Uso permanente do solo. Rotação de cultivos. Fertilizantes. Seleção de sementes. Seleção de espécies. Mecanização. Grande rendimento. Produção elevada por hectare. Mão-de-obra abundante e qualificada.

Terra escassa O sistema intensivo pode ser caracterizado pela menor dependência do agricultor às condições naturais. Quanto menor a dependência, mais intensivo será o sistema agrícola. Sistema Extensivo
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Desmatamento e coivara. Esgotamento dos solos. Rotação de solos. Pequeno rendimento. Produção por trabalhador. Terra abundante. Mão-de-obra escassa e não-qualificada.

Dentro do sistema extensivo surge o termo "roça" ou itinerante, onde as técnicas utilizadas são bastante rudimentares com pouco ou nenhum adubo, levando a terra ao esgotamento e, posteriormente, ao abandono. No Brasil, o sistema de roça é largamente encontrado, apresentando como resultado uma agricultura de baixos rendimentos e produção irregular. Plantation
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Predominantemente em áreas tropicais. 26

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Monocultura. Grandes estabelecimentos. Capitais abundantes. Mão-de-obra numerosa e barata. Alto nível tecnológico. Trabalho assalariado. Aproveitamento agroindustrial da produção. Cultivos destinados à exportação. Grande rendimento.

O sistema de plantation foi introduzido no Brasil na época colonial, com o cultivo da cana-de-açúcar. No entanto, até hoje, este sistema é utilizado no cultivo do café, do cacau, da laranja, da soja e da própria cana. 2. Exploração da Terra Distinguem-se no Brasil as seguintes modalidades de exploração da terra:
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exploração direta - quando é realizada pelo proprietário da terra; exploração indireta - pode ser por meio de: - arrendamento - quando a terra é alugada por um certo tempo e preço;

- parceria - quando, por meio de contrato, a terra é cultivada e a produção é repartida na proporção estipulada entre as partes. A forma mais comum é a meiação (metade), havendo também outras, como a terça, etc. Nesta modalidade há também os "posseiros" ou ocupantes, lavradores sem terras que ocupam uma área para poder plantar. Os assalariados podem ser mensalistas ou diaristas. Deste último grupo fazem parte os bóias-frias. EXTRATIVISMO MINERAL 1. Considerações Gerais O extrativismo mineral consiste em retirar da natureza os recursos minerais necessários à sobrevivência ou ao desenvolvimento da sociedade. A existência desses recursos em uma determinada área é uma decorrência dos fenômenos geológicos ali ocorridos ao longo da história geológica da Terra. Portanto, nos minerais ocorrem naturalmente, sem a participação do homem no processo de sua criação. De um modo geral, os minerais encontram-se disseminados nas rochas, porém, em alguns casos, eles aparecem em concentrações maiores, permitindo, assim, a sua exploração em bases econômicas. 2. Minerais São compostos químicos inorgânicos com composição química geralmente definida. 3. Rochas São conjuntos de minerais ou apenas um mineral consolidado. As rochas formam a parte essencial da crosta terrestre. Quanto à origem, podem ser classificadas em três grupos: a) magmáticas ou ígneas; b) sedimentares; c) metamórficas. Rochas magmáticas ou ígneas São as rochas antigas (primárias) formadas pelo resfriamento do magma (material existente no interior do globo) ao subir em direção à superfície. As rochas magmáticas, conforme a posição em que o seu resfriamento ocorreu, podem ser classificadas em dois grupos: a) rochas plutônicas ou intrusivas: quando a consolidação do magma ocorre no interior da Terra. Ex.: granito, sienito, gabro, etc.;

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Apostila de Geografia do Brasil b) rochas vulcânicas ou extrusivas: quando a consolidação do magma ocorre na parte externa da crosta terrestre. Ex.: basalto, riolito, andecito, etc. Rochas sedimentares São formadas tanto por fragmentos de outras rochas preexistentes (magmáticas e sedimentares) quanto em virtude de novas condições de temperatura e pressão. Ex.: mármore, gnaisse, quartzito. Rochas metamórficas São resultantes de transformações sofridas por rochas preexistentes (magmáticas e sedimentares) em virtude de novas condições de temperatura e pressão. Ex.: mármore, gnaisse, quartzito. 4. Estrutura Geológica do Brasil Para se compreender o relevo de um lugar, é necessário conhecer a sua estrutura geológica, ou seja, seus tipos de rochas, sua idade, etc., além da atuação do clima e vegetaçâo, etc. Interessa conhecer os aspectos superficiais da litosfera, a qual constitui a parte sólida da Terra, que é composta pelo solo, de pequena espessura, e subsolo (rochas), de maior espessura. O território brasileiro é formado por um conjunto de rochas muito antigas (arqueozóicas e proterozóicas). Essas rochas sofreram diastrofismo (movimento no interior da Terra) na era pré-cambriana (600 milhões de anos atrás) e depois foram submetidas à erosão. Todo o material destruído pela erosão foi carregado e acumulado em áreas mais baixas (sedimentos). Em alguns pontos do Brasil, houve um soerguimento (levantamento) desses sedimentos que foram submetidos à erosão. O resultado do trabalho da erosão corresponde aos chapadões, chapadas e tabuleiros comuns no NE e CO. No período mesozóico, houve o maior derrame de magma do mundo, cobrindo a região de basalto e diabásio. Assim sendo, podem ser encontradas no Brasil as seguintes rochas: Cristalinas (terrenos cristalinos): são de formação antiga e cobrem 36% do Brasil. São divididas em 32% arqueozóicas e 4% proterozóicas. Nos terrenos proterozóicos (algonquianos) localizam-se as maiores jazidas de minerais metálicos.
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Sedimentares (terrenos sedimentares): sobretudo a partir da era paleozóica, o embasamento cristalino do Brasil passou a ser recoberto em sua maior parte por sedimentos que deram origem às bacias sedimentares, que correspondem a 60% da superfície.
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Vulcânicas (terrenos vulcânicos): ocupam apenas cerca de 4% da superfície e correspondem a depósitos de basalto, principalmente durante o período mesozóico.
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5. Os principais minérios do Brasil Dos diferentes minerais conhecidos no subsolo da Terra, cerca de 3.400 despertam interesse econômico, e destes, pelo menos 50 aparecem no Brasil. De acordo com os estudos atuais e em relação às necessidades de consumo do Brasil, podemos distribuir nossas reservas em: abundantes - quando ocorrem em quantidades suficientes para o consumo interno e exportação. Ex.: ferro, manganês, calcário, bauxita, sal-gema, ouro e outros.
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suficientes - quando ocorrem em quantidade suficiente para o consumo interno. Ex: argila, chumbo, zinco e amianto.
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carentes - quando ocorrem em quantidade insuficiente para o consumo interno. Ex: petróleo, carvão mineral.

O Brasil se destaca na produção mundial de minérios, ocupando boas posições. Pode-se citar (em 1992): bauxita - 4° lugar, cromo - 8° lugar, diamante - 7° lugar, estanho - 1° lugar, ferro - 3° lugar, manganês - 4° lugar, ouro - 4° lugar e tungstênio - 8° lugar. 6. Minério da ferro 28

limonita. Esta área é a principal produtora de minério de ferro no país. O projeto Carajás é realizado pela CVRD. A ocorrência de minério de ferro no Brasil foi revelada no final do século XVIII e o seu aproveitamento teve início na segunda década do século XIX. sendo que seus maiores consumidores (EUA. onde se utilizam 30 kg de manganês para cada tonelada de aço. Congonhas do Campo. destinando-se à produção tanto vinculada ao mercado interno como externo. A exploração é feita pela ICOMT (Indústria de Comércio e Minérios). correspondendo a 67% do total produzido no País. Manganês É um metal encontrado na crosta terrestre em formas combinadas (óxidos. siderita. carbonatos. até o Porto de Santana (AP). Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais Os principais depósitos de minério de ferro estão numa área de 8. ES. Mariana e Santa Bárbara.Apostila de Geografia do Brasil O ferro é obtido pela redução dos seus óxidos. STEEL Corp. F.destinam-se aos mercados interno e externo. Devido ao grande emprego. As principais jazidas brasileiras são: Serra do Navio (Amapá) É a principal produtora. Morro do Urucum em Moto Grosso do Sul O estado de Mato Grosso do Sul possui grandes reservas de minério de ferro situadas no sul do estado. é um minério estratégico. do Amapá. PA (Serra dos Carajás) e MS (Morro do Urucum). compreendida entre as cidades de Belo Horizonte. França. na indústria siderúrgica. no Maranhão. em Minas Gerais. Seus principais minérios são: l l l l magnetita.9% de teor de ferro. com 59. As principais empresas que atuam nesta área são: Usiminas. a 550 km de Belém. na bacia do rio Itacuinas. Central do Brasil até o Rio de Janeiro. essas reservas apresentam algumas desvantagens.). F. Acesita. hermatita. que. l Observação: a maior empresa produtora de minério de ferro do Brasil é a CVRD (Companhia Vale do Rio Doce). A produção visa ao mercado externo. l 2 As jazidas do Vale do Rio Paraopeba . descoberta em 1967 pela Companhia Meridional de Mineração (subsidiária do U.S. O escoamento do minério de ferro é feito por ferrovia. F. como grande distância dos principais mercados de consumo e baixa qualidade de minério. geralmente. que constituem o chamado Quadrilátero Ferrífero ou Central. F. etc. com 48% de teor de ferro. sendo a produção escoada pela E.000 km . Destacam-se duas áreas de produção e escoamento do minério: As jazidas do Vale do Rio Doce . foi parcialmente privatizada em leilão. particularmente os EUA. com 70% de teor de ferro.) O principal minério é a pirolusita. 29 . sendo o minério transportado pela E. Vitória-Minas até o porto de Tubarão e pela E. É usado. As grandes jazidas do Brasil encontram-se em MG (Quadrilátero do Ferro). Inglaterra e Japão) não possuem grandes reservas (exceto EUA). Serra de Carajás Situa-se no município de Marabá.também se destinam aos mercados interno e externo e cuja produção é escoada pela E. com 72. 7.4% de teor de ferro. As principais empresas que atuam nessa área são: CSN e Cosipa (mercado interno) e Antunes e Hanna (mercado externo). silicatos. até o porto de Itaqui. Constitui uma das maiores jazidas de ferro do mundo. Belgo-Mineira (mercado interno) e CVRD (mercado externo). em 1997. Entretanto. Vitória-Minas (da CVRD) até o porto de Tubarão. no município de Corumbá.

Apostila de Geografia do Brasil Quadrilátero de Ferro É a mais antiga área produtora no Brasil. Estanho O principal minério do estanho é a cassiterita. O principal mineral do cobre é a calcopirita ou cuprita. É utilizado pela indústria elétrica. isolantes. etc. A bauxita de Oriximiná abastece o complexo industrial de alumínio .5% da produção nacional. Amazonas: 58.5%). as principais áreas de ocorrência são: 30 . Serra dos Carajás (PA).0%). porém as principais jazidas já foram exploradas. de transporte.PA). 11. de material. Boquira e Macaúbas (principal área produtora). Maiores produtores mundiais: Austrália. No Brasil. Pará . Cobre É um metal não-ferroso muito utilizado como liga (bronze e latão) e em condutores elétricos. Ouro Preto e Mariana).Alunorte e Albrás . O Pará é responsável por 86. cabos. Suriname. responsável por 25% da produção nacional. através do Porto de Corumbá. Minas Gerais (Poços de Caldas. Rússia.5% da produção brasileira (1992). Mamoré e Madeira . EUA. As principais áreas de ocorrência no Brasil são: Bahia. de utensílios domésticos. 8. Participa com 26% da produção brasileira. para a radiação de raios X. Os principais produtores mundiais são: Austrália. e também Alcoa. Alumínio O alumínio é um metal branco. etc. leve e que não sofre corrosão. A principal área produtora é o distrito de Conselheiro Lafaiete. Rússia e Guiana. O principal minério é a bauxita.Mapuera (26. As principais áreas produtoras no Brasil são: Rondônia Vale dos rios Guaropé.maioria do estanho brasileiro (13. Chumbo O principal minério do chumbo é a galena. sendo responsável por 80% da produção brasileira . Serra dos Carajás (PA) Segunda maior reserva brasileira. no Maranhão (São Luís). Morro do Urucum (MS) A produção é pequena e escoada pelo rio Paraguai. O destino da produçâo visa à exportação e ao abastecimento das indústrias nacionais. Guiné. 9. sendo as principais áreas de ocorrências: Oriximiná (PA) Uma das maiores reservas mundiais. Ele é utilizado na fabricação de baterias.no Pará.Paraná: Adrianápolis. Canadá e México 10. O projeto Trombetas utiliza energia proveniente da Hidrelétrica de Tucuruí (rio Tocantins . O Brasil importa o chumbo do Peru e México. de construção civil.

Cabo Frio e Araruama. na segunda metade do século XVIII e no século XIX. com a criação do Serviço Geológico e Mineralógico. passado por iniciativa privada. pois quanto mais industrializada for. Cumaru (PA). notadamente do setor energético. a ser monopólio da Petrobrás: l l pesquisa e exploração das jazidas. bem como uma área que apresentava reservas valiosas e de viabilidade econômica de topázio. O homem utilizou para isso o seu esforço muscular ou animais domesticados. (Petrobrás). 13. principalmente na Bahia. sendo utilizado na pecuária. por serem realizadas com técnicas e equipamentos deficientes. Quadrilátero Ferrífero (MG).A. Bahia.participa com 24% da produção brasileira. 12. dos Carajás) – reservas menores. Serra Pelada (fechada). do petróleo (usinas. que compreende parte do estado do Amazonas. Observações Em 1982. Ceará. do Pará e Roraima. Devemos destacar que as fontes de energia estão relacionadas ao tipo de economia. após a África do Sul. monazita. encontrado principalmente em Minas Gerais e Goiás. O Brasil possui 98% das reservas de quartzo do mundo. Mossoró e Macau. Finalmente. Ouro O Brasil possui a quarta maior produção mundial de ouro. maior será o seu consumo energético. alimentação humana e na indústria química. O quartzo é fundamental na indústria de informática e precisão (computadores. os geólogos identificaram a província mineral de mapuera. dessa data em diante. o governo começou a se preocupar com este programa. termelétricas da força das águas (hidrelétricas) e. Jacobina (BA). ouro e estanho (Novo Airão). Rio de Janeiro. Na década de 30. foi criado o Conselho Nacional do Petróleo (CNP). xenotina. turmalina. Pará (S. que surgiram as máquinas modernas movidas a energia elétrica obtida da queima do carvão. alguns resultados começaram a surgir. televisão. outras fontes alternativas foram surgindo. refinação (com exceção das refinarias particulares já instaladas). Bahia (Caraíba) .possui as maiores reservas e participa com 75% da produção brasileira. A expansão econômica e social verificada no País no decorrer das últimas décadas vem exigindo importante desenvolvimento da nossa infra-estrutura. Áreas produtoras: Madeira. SaI Marinho Ocupa uma posição de destaque no setor da indústria extrativa mineral. os EUA e o Canadá (1992). na.Apostila de Geografia do Brasil Rio Grande do Sul (Camaquã e Caçapava do Sul) . FONTES DE ENERGIA As fontes de energia são elementos que podem contribuir para a realização do trabalho. Foi com a Revolução Industrial. Passaram. foi criada pelo governo a organização Petróleo Brasileiro S. a partir de 1919. 1. etc). As principais áreas produtoras são: Rio Grande do Norte.5% da produção nacional. a fazer pesquisas infrutíferas. É uma sociedade mista. relógios. 31 . destacando-se nas localidades de Areia Branca. Petróleo 64% Oriente Médio 13% América Latina 7% África 6% Rússia 4% América do Norte 4% Ásia e Oceania 2% Europa A pesquisa de jazidas petrolíferas é feita no Brasil desde meados do século. Alta Floresta (MS). responsável por 80. rio Tapajós. o primeiro aberto no País. da fissão do átomo (usinas nucleares). principalmente com a perfuração do poço Lobato. iniciando-se a fase de comercialização. Só em 1907. em 1938 foram nacionalizadas as jazidas petrolíferas. com participação estatal de 51%. passando. temendo-se o esgotamento das fontes não-renováveis. Em vista das condições políticas nacionais e da grande importância do petróleo. mais tarde. posteriormente a energia do vento (eólica) e a hidráulica (aproveitando os rios). Nesse mesmo ano. Em 1953.

com capacidade para processar 1. Água Grande. Buracica. A atual quebra do monopólio permitirá que outras empresas do ramo possam participar de todo o processo petrolífero.Landulfo Alves (BA). Bacia Litorânea. 32 . Embora a Petrobrás.Capuava (SP). Brejo Grande.Duque de Caxias (RJ): Betim . Eis a razão da existência de duas refinarias particulares: Ipiranga (RS) e Manguinhos (RJ). na qual a Companhia Estatal de Petróleo do Peru.4 milhões de barris/ dia.Reman (AM). João.REVAP (S. em média. Candeias. sendo a principal área produtora. MA . O objetivo principal da quebra do monopólio é buscar a auto-suficiência do produto. refinação. o Governo manteve as autorizações concedidas a grupos privados antes daquela lei. Duque de Caxias . Riachuelo e Treme. SE . Isso representa aproximadamente 60% do petróleo consumido diariamente. com a Lei n° 2. Henrique Lage . Manaus .Recôncavo Baiano: poços de Miranga.Replan (SP). British Petroleum e Exxon. União . Em 1976.004. AL . é a do Recôncavo Baiano. Elf.Presidente Arthur Bernardes (SP). Canoas . transporte e distribuição. No continente. a Petrobrás tem onze unidades de refino. Produção no Brasil Em 1996 a produção foi de. Atualmente.Barreirinhas. tem refinado parte de sua produção.SP). tenha recebido o monopólio do refino.l l Apostila de Geografia do Brasil transporte de petróleo bruto e dos oleodutos.Poços de Coqueiro Seco e Tabuleiro do Martins. Principais áreas produtoras continentais: l l l l l BA . a Bacia de Campos. importação de petróleo bruto e derivados.Refar (PR) . D. A partir de 1953. cerca de 70% do petróleo extraído no Brasil vem das plataformas marítimas. ambas de pequeno porte.Poços de Catmópolis. o restante é importado. a Petrobrás conseguiu desenvolver-se gradativamente em todos os setores petrolíferos: pesquisa. EXPLORAÇÃO As bacias de possível exploração de petróleo no Brasil são: l l l l Bacia Amazônica. Taquipe. exploração. com a assinatura de contratos de risco com a Shell. o setor de pesquisa e exploração foi aberto à participação de empresas privadas. Bacia Recôncavo Baiano. Refinação Atualmente.Gabriel Passos (MG).Vale Médio do rio Amazonas. José dos Campos . objetivo traçado pela ANP (Agência Nacional do Petróleo). Cubatão .Alberto Pasqualini (RS). Paulínea .Refinaria Getúlio Vargas. l l l Araucária . AM . Bacia Paranaense. a Petroperu. As principais refinarias da Petrobrás são: l l l l l l l Mataripe . 850 mil barris por dia.

mais ou menos acidentada. por um único oleoduto são transportados dois ou três produtos. Esses navios atendem ao comércio interno.Oleodutos l l l Transporta o óleo bruto da jazida à refinaria. Observação: Os postos estão distribuídos por todo o Brasil. Transporta os produtos já refinados. querosene para avião. Holanda e outros países.A.. que já possuem oleodutos para a condução do produto até o local desejado dentro do País. Existem várias empresas nacionais e estrangeiras operando neste setor. As principais empresas estrangeiras são: l l l l Esso Brasileira de Petróleo S.l Apostila de Geografia do Brasil ASFOR . contando atualmente com 69 navios. Os portos que comercializam o petróleo são os terminais marítimos. com uma rede de postos de distribuição muito grande e quatro companhias nacionais com um número de postos muito inferior. Observação: A Petrobrás exporta diversos derivados de petróleo.A. Essas casas estão distribuidas a cada quilômetro. Neste último caso. Santa Catarina . em maior ou menor número de casas. Exemplo: Cubatão Capuava (SP). gasolina.A. Transporte . São Paulo Distribuidora de Derivados de Petróleo.Terminal Almirante Barroso (São Sebastião).Terminal Soares Dutra. Petrominas. Produtora de Petróleo.CE. o produto ao local destinado.Fábrica Nacional de Asfalto de Fortaleza .Terminal de Atalaia Velha. Distribuidora de Petróleo Ipiranga. até os postos de armazenagem para distribuição. Rio de Janeiro . Texaco do Brasil S. Esse transporte é feito por bombeamento controlado por "casas de bombas" que se comunicam com a refinaria e levam.Terminal Alves Câmara. desde que apresentem densidades diferentes. principalmente para Nigéria. o Argentina. A participação da Petrobrás neste ramo é de aproximadamente 20%. 33 .Terminal Almirante Tamandaré Sergipe . como: óleo combustível. transportando petróleo dos países exportadores e fazem fretes para terceiras bandeiras. de acordo com a topografia do local.. óleo diesel e outros. por isso outros estão sendo programados. Exemplo: Aracaju . assim.Cubatão. Rio Grande do Sul . As principais empresas nacionais são: l l l l Petrobrás Distribuidora S. EUA. l l FRONAPE: Frota Nacional de Petroleiros. Transporta o óleo dos terminais marítimos à refinaria. Cia.Bahia. se bem que sejam em pequeno número. Cia. Distribuição O setor de distribuição dos derivados não é monopólio da Petrobrás. Atlantic de Petróleo. São Paulo .Terminal de São Francisco do Sul. Exemplo: São Sebastião . Shell do Brasil S.A. seis são importantes: l l l l l l l Bahia . O custo operacional dos oleodutos é muito baixo. No Brasil.

.... o nosso consumo atingiu a cifra de 1..000 tonetadas.. Dos depósitos brasileiros. Siderúrgica Nacional.... no Brasil.. A produção é consumida no próprio Estado... cuja composição é a seguinte: l l l Carvão metalúrgico . se comparado ao hemisfério norte....000.000.. a nossa produção tem cresclcio de forma bastante lenta... pela Estrada de Ferro Teresa Cristina.. localizadas no vale do Jacuí e proximidades..... O carvão é de baixa qualidade. É também pobre em jazidas carboníferas (pelo menos considerando-se as jazidas conhecidas até hoje)...... o único que possui carvão coqueificável é o de Santa Catarina. localizadas no vale do rio Tubarão e proximidades.... Essa desigualdade está ligada a fenômenos geológicos.Apostila de Geografia do Brasil Consumo No início de 1992.. mas ainda não foi avaliada...... quando foi iniciada a instalação da Cia... A partir dessa data. o consumo diário era de 1...000 de toneladas.25% A principal compradora deste carvão é a Cia.. Urussanga. 3% Fonte: IBGE ...... 36% Paraná . Principais Áreas Produtoras l Santa Catarina A produção catarinense provém das minas de Lauro Muller. A exploração ocorre no Vale do Jacuí (São Jerônimo e Butiá)..45% Carvão vapor . para geração de termeletricidade e transportes (Viação Férrea do Rio Grande do Sul).. Bagé e Leão.. enquanto a nossa produção se aproximou de 1..... 34 ..... l Rio Grande do Sul 1. devido a uma série de problemas já citados. l Rio Grande do Sul Os depósitos desse Estado aparecem de 30 a 120 metros de profundidade... 61% Rio Grande do Sul ...1994 Principais Depósitos l Santa Catarina 1...... Carvão mineral Sabemos que o hemisfério sul é pobre em carvão mineral.. em Santa Catarina... Criciúma (Bacia do Tubarão) e Araranguá... Siderúrgica Nacional (primeiro alto-forno a coque no Brasil).... numa formação que data do permocarbonífero.. entre o cristalino da Serra do Mar e a Bacia Sedimentar Paranaense.. Parte dela é consumida no próprio Estado e parte é escoada até o porto de Laguna (Henrique Lages)...... com a utilização das técnicas atuais... 2........ Foi localizada uma jazida de linhito no alto Amazonas. As nossas principais jazidas estão localizadas no Sul do País..1 milhão de barris/dia..205.........200....4 milhão de barris/dia... não sendo coqueificável......... em 1999... Assim.. em Volta Redonda.. A exploração do carvão mineral.000 barris/dia.932..... efetivou-se a partir de 1942... o Brasil não faz exceção nesse aspecto.30% Rejeitos ...... Brasil: Produção de Carvão Mineral Santa Catarina ...

828.255.1 3. e os pequenos recursos em petróleo e carvão mineral.5 1.000. que é de 150.4 Embora esse potencial fosse alto. e as nucleares utilizam urânio.4 10. principalmente. Em relação ao carvão metalúrgico.400 kw (1970).pequena espessura dos horizontes carboníferos. de usinas hidrelétricas (93%) em menor escala de origem termelétrica (6. .2 ESTIMADO 36.baixa qualidade do carvão. etc.993. Daí a tendência das empresas para consumirem carvão importado.5 6. Isto é tanto verdade que. tório.000 kw em 1980. passando para 31. encarecendo o produto.725. elaborado pelo Governo em 1982.525.000 kw (1980). sendo consumido para transporte.284.058. tendo constituição hidrográfica importante e em sua maioria rios de planalto. . Nesse plano. O Brasil. reduzindo até 18% de cinzas. termelétricas e nucleares. quantidade de consumo. o importado sai mais barato que o nacional. notaremos que o consumo de energia elétrica por pessoa será bastante alto em relação aos países menos desenvolvidos. Observação O Plano 2000. colocando-se em 3° lugar nesse particular. de outro.depósitos relativamente pequenos. . carvão vegetal. evidentemente possui um alto potencial hidrelétrico.3%). tais como: tipo de consumo de eletricidade durante o ano. Essa predominância de usinas hidrelétricas é fácil de compreender. etc.distância dos depósitos em relação aos centros consumidores. estão previstas 8 usinas nucleares.Apostila de Geografia do Brasil l Paraná É explorado no Vale do rio Peixe e no Vale do rio das Cinzas. aproveitando como matéria-prima o petróleo..819. se bem que a opção para se instalar uma usina leva em consideração outros fatores. após Rússia e Canadá. Eletricidade A energia elétrica é um dos fatores básicos para o desenvolvimento de um país. principalmente de Santa Catarina. .249. se observarmos os países desenvolvidos. etc.baixo nível técnico das minas e equipamentos deficientes. custo de instalações.8 9. mais barato e de melhor qualidade (produz 4% a 5% de cinzas. A distribuição do potencial hidrelétrico por bacia hidrográfica apresenta-se na seguinte ordem: BACIA Amazônia Prata São Francisco Tocantins POTENCIAL CONFIRMADO 16. Problemas de Exploração Vários são os problemas que dificultam o aumento da exploração: . A energia elétrica pode provir de usinas hidrelétricas. . contra 16% a 18% do carvão nacional). O elevado potencial hidrelétrico dos rios brasileiros explica por que a geração de eletricidade no País é proveniente.000 kw. As usinas hidrelétricas aproveitam energia potencial da água (queda de água). carvão mineral.alto custo dos transportes. se atentarmos para os grandes recursos hidrográficos do Brasil de um lado. Para defender a produção brasileira. o Brasil possui capacidade instalada de 4.530. o carvão mineral e a lenha.5 1. As usinas termelétricas aproveitam a energia resultante da queima de óleos.799. o governo instituiu o uso obrigatório do carvão nacional na proporção de 40% do consumo nas siderúrgicas. além de prever o atraso no cronograma para a entrada em operacão de 10 usinas hidrelétricas 35 . dificultando a exploração. 3. compreende a previsão das necessidades de geração de energia até o final do século. Quanto à termeletricidade. lenha. a capacidade de produção instalada era de 8.

injetando-o no poço para empurrar o petróleo para cima. Gás natural Este combustível tem sido apontado como a fonte de energia do futuro. Álcool A substituição da gasolina pelo álcool trouxe algumas vantagens e desvantagens. pois. localizadas na região de São Mateus do Sul (PR) e no Vale do Paraíba (SP). além de não poluir. sendo ainda utilizado basicamente como forma de pesquisa. A Petrobrás desenvolveu sistema próprio para obtenção do óleo de xisto (petrosix). pode substituir qualquer combustível originado dessa matéria-prima com algumas vantagens. não é poluente. O Brasil conta com grandes reservas desta matéria-prima. e a tecnologia não é das mais avançadas. Principais Usinas Hidrelétricas RIO USINA Tocantins Tucuruí e Serra da Mesa Xingu São Félix Curuá-Una Curuá-Una Araguari Coaracy Nunes ou Paredão Paranaíba Cachoeira Dourada. exigem subsídios governamentais.A. CEl CELG (GO). Os custos do álcool. O gás natural pode ser considerado como petróleo em estado gasoso e. Salto Santiago Paraíba do Sul Nilo Peçanha. Ibitinga. Jaguara. e muitos ônibus e táxis estão rodando com esse combustível pela cidade. 36 . passando a ser uma das prioridades da Petrobrás. A previsão para o álcool é que se torne apenas uma fonte complementar. é necessário o aquecimento a altas temperaturas. Marimbondo. Para transformá-lo em óleo.Apostila de Geografia do Brasil Principais Empresas ligadas à Produção de Energia Elétrica l Eletrobrás (Centrais ricasBrasileiras S. sendo composto de matéria orgânica pressurizada por milhares de anos. pois poucos países teriam extensões de terras suficientes para os imensos canaviais necessários para suprir o consumo industrial em larga escala. 5. as terras aráveis de melhor qualidade de algumas regiões do Sudeste são plantadas com cana. Estreito. 6. pois. Euclides da Cunha Pedras (Cubatão) Henry Borden I e II 4. CELF (RJ). Bariri. Hidrelétrica do São Francisco) Eletrosul (Centrais Elétricas do Sul) Eletronorte (Centrais Elétricas do Norte) Empresas estaduais: l CESP (SP). encontra-se disponível em consideráveis reservas no Brasil. o gás natural pode ser um auxiliar. mas que também é inviável economicamente. maiores que os da gasolina. entre outras qualidades. Itaipu Tietê Barra Bonita. Água Vermelha Paraná Jupiá. No entanto. COPEL (PR). Funil Pardo Caconde. Ilha Solteira. Xisto Pirobetuminoso O xisto pirobetuminoso é também encontrado em formações sedimentares. portanto. Subsidiárias: l l l l Centrais Elétricas de Furnas CHESF (Cia. Itumbiara Grande Furnas. Promissão. Até mesmo na retirada de petróleo das jazidas mais profundas. Xavantes Iguaçu Foz da Areia. A cidade de São Paulo tem feito experiências bastante interessantes a respeito. etc. e não com os tradicionais produtos alimentícios. As principais vantagens referem-se ao menor nível de poluição atmosférica e ao fato de tratar-se de um recurso renovável. encarecendo muito o produto. Avanhadava Paranapanema Jurumirim. CEMIG (MG). São Simão.

Mas. supervisionar. foram assinados dois documentos definindo e implementando um programa de cooperação entre Brasil e a RFA: o acordo de cooperação sobre os usos pacíficos da energia nuclear e a declaração dos governos do Brasil e da RFA relativa à implementação do mencionado acordo. (subsidiária da Eletrobrás). O sistema PWR é constituído de três circuitos de água: o circuito primário. o secundário e o de água de circulaçâo. propiciar à engenharia e à indústria nacional a oportunidade de participar e desenvolver este tipo de tecnologia. em nosso País. . as fontes hidráulicas deverão estar prestes a se esgotarem. Os principais itens do referido programa são: . assinala a importância do Programa Nuclear Brasileiro e a necessidade de preparar o País para os anos 80. O Acordo Nuclear Brasil . a energia solar que atinge a Terra em apenas sete dias seja equivalente a toda energia acumulada nas reservas minerais fósseis do planeta. . pois não se consegue obter este tipo de energia em larga escala. desenvolvimento. visava ao desenvolvimento de outras aplicações da ciência nuclear. mineração e exploração de depósitos de urânio no Brasil. bem como o fornecimento de urânio do Brasil para a RFA. Estamos. pesquisar e comercializar os materiais nucleares produzidos. medicina e indústria. em seu programa nuclear. restritos a calculadoras e pequenos instrumentos. ao mesmo tempo. quando a energia nuclear já deveria representar parte significativa da energia elétrica gerada no País e no mundo. como o uso dos isótopos na agricultura. Por que a porticipação do Brasil no setor nuclear? Apesar de o Brasil dispor de um imenso potencial hidráulico e.Indústria de reatores nucleares. com a finalidade de orientar. Nesta linha. O Governo Federal decidiu se engajar num programa nuclear para adquirir experiência na instalação e operação de centrais nucleares e. no Governo Geisel (já falecido). a água leve. principalmente nas regiões Sudeste e Sul. infelizmente.República Federal da Alemanha No dia 27/6/75. A Lei n° 6. 8. utilizar apenas 10% e 15% desse potencial. Energia Solar Esta é. A usina Angra I (Almirante Álvaro Alberto) foi adquirida dos Estados Unidos através da Westinghouse e sua construção ficou a cargo da Central Elétrica de Furnas S. criado para o período de 1975 a 1979. ainda. duas das quais. Em vista de nossa insuficiência de combustíveis fósseis e dos reflexos da crise do petróleo. bem como a produção de concentrados e compostos de urânio natural. segundo alguns cálculos. de uma capacidade industrial em todas as áreas do uso pacífico da energia nuclear e na transferência de tecnologia. um pequeno avião para um único tripulante. como refrigerante e moderador. têm apresentado sensíveis progressos nos últimos eventos. O II PND. Angra II e III devem ser providenciadas de imediato. onde o consumo é mais elevado. A partir deste ano. a Austrália promove uma corrida de automóveis solares que. fiscalizar.A. sem dúvida. Além disso. pesquisa. de 16/12/74.Apostila de Geografia do Brasil 7. e a despeito. conhecido como PWR (Pressurized Wate Reactor).Prospecção.189. se não podem ser comparados ao rendimento dos modelos tradicionais. por enquanto. do excedente de energia elétrica que ocorre no momento. no momento. . Nos EUA.Enriquecimento de urânio. com a tecnologia atualmente disponível é completamente inviável o grande consumo industrial. também. a mais limpa e mais barata forma de obtenção de energia. conseguiu percorrer uma longa distância voando a poucos metros acima do solo. a usina Angra III teve sua construção cancelada por decreto presidencial em 1993. O Brasil optou. pelas usinas que utilizam como combustível o urânio enriquecido a 3% e. O programa nuclear compreende. . a instalação no Brasil de 8 usinas nucleares. O objetivo geral do programa consiste na implantação.Financiamento. 37 . Atualmente. em Bonn. haverá necessidade de complementação da energia hidráulica com a energia nuclear. escolheu ainda o tipo que utiliza água leve pressurizada. planejar. ainda que.Reprocessamento de combustível irradiado. criou a Nuclebrás (Empresa Nuclear Brasileira). construído em fibras sintéticas e movido a energia solar. apontam-se as seguintes justificativas para sua participação no setor nuclear.

destacando-se as seguintes áreas: Poços de Caldas e Quadrilátero Ferrífero (MG). Em seguida. Para condensar o vapor. a água de circulação se aquece ligeiramente. porém as maiores concentrações estão nas rochas 234 235 238 sedimentares. o vapor que se expandiu na turbina. Desvantagens: · auto custo inicial na implantação. essa água utilizada no condensador é bombeada. sem qualquer contaminação radioativa.000 t. cerca de 12 km de distância da usina. · flexibilidade na localização das usinas. A Usina Angra III teve seu contrato cancelado por decreto presidencial em 1993. Surucucus (RR) e Espinhares (PB). foi inaugurada no início de abril de 1982. · Usina de Angra dos Reis unidade II e III .daí o sistema denominar-se "água leve pressurizada. O reator é uma fornalha onde se utiliza o combustível nuclear para a produção de calor que vai aquecer na caldeira a água para a turbina. no caso de Angra. até a enseada de Piraquara de Fora. No caso da Central Nuclear de Angra. também se incluem no acordo Brasil Alemanha. · segurança . O urânio natural é uma mistura dos isótopos U + U + U .consiste em um sistema de capacitação de água do mar para esfriar. por sua vez. sendo que o último ainda está em fase de pesquisa. Figueira (PR). etc.essas usinas resultam do acordo de cooperação firmado com a Alemanha. Todas essas usinas geram discussões por parte de organizações ambientalistas pelo comprometimento da qualidade de vida do homem e de outras espécies.Apostila de Geografia do Brasil A água do circuito primário é aquecida pelo calor decorrente da fissão do urânio no reator. ao passo que a Angra I é de fabricação norte-americana (westinghouse ). sendo lançada de novo no mar. · Usina de Angra dos Reis . Campos Belos (GO). a água segue por tubulações até o gerador de vapor. 38 ." O terceiro circuito .157 atmosfera . move o gerador que produz a energia elétrica. As reservas brasileiras de urânio em 1978 atingiram 142. vai acionar a turbina. no entanto. a temperatura da água do mar não será alterada pela descarga dos condensadores.denominado "água de circulação" .perigos de defeitos técnicos. O vapor resultante. · independe dos fatores meteorológicos. Esta. por atingirem áreas de preservação ambiental. por sua vez. O conjunto é uma máquina térmica com a fornalha substituída pelo reator nuclear. · elevado preço da energia. Urânio e os Reatores Nucleares O urânio é um combustível nuclear (material radioativo ou atômico) extraído da uranilita ou pechblenda e de outros minérios. a pressão é mantida elevada . situada na praia de Itaoma. onde vaporiza a água do circuito secundário sem. chegando à temperatura de cerca de 300° C.Unidade I (Almirante Álvaro) é a primeira usina do Complexo Angra dos Reis. já fornecendo energia elétrica ao sistema de transmissão de Furnas.. Os reatores podem ser de fissão ou fusão. · reduzida poluição atmosférica. As Vantagens e Desvantagens do Uso de Energia Nuclear Vantagens: · permite grande concentração energética. sabotagens. Lagoa Real (BA). · resíduos radiativos (lixo nuclear). Aparece em rochas eruptivas e nos pigmatitos. produzindo a eletricidade. O calor por ela adquirido se dissipa nas imediações do local em que é lançada.em fase de estudos e implantação. no condensador. · Usina de Peruíbe e Iguape . através de um túnel. Fora dessa área limitada. e Itatiaia (CE). Usinas Nucleares A Nuclebrás prevê a construção de diversas usinas nucleares no Brasil. Para que a água do circuito primário não entre em ebulição ao ultrapassar os 100° C. entrar em contato com ela. que movimentará o gerador.

São indústrias que produzem "produtos" (matérias-primas e equipamentos) para outras indústrias. Dividem-se em: bens de produção e bens de consumo. têxtil. . . etc. sobretudo ingleses. Bens de Consumo São indústrias que produzem "produtos" voltados diretamente para o consumo da população. d) De base ou pesada: quando se preocupa em obter bens de produção ou de cpaital. 39 .07 indústrias químicas. houve certa expansão do mercado interno consumidor. .05 indústrias metalúrgicas. bebidas. além da disponibilidade de capitais e melhores transportes. etc. de material de construção. São exemplos deste tipo de indústrias as máquinas. automóveis. as indústrias podem ser divididas em: Extrativas: . Exigem grande investimento. mecânica. Começam a surgir alguns setores industriais de necessidade mais imediata e de menor custo como: alimentícios. etc. c) Indústrias de tecnologia de ponta e a bélica: envolve robótica.mineral . informática e armamentos.02 fábricas de tecidos. Ex. Bens de Produção São também chamados de bens de capital. Essas indústrias produzem bens de consumo duráveis (eletrodomésticos. 2. o desenvolvimento industrial não tomava impulso devido à falta de infra-estrutura interna e à concorrência dos produtos externos. turbinas. . geradores. e) Leve ou de bens de consumo: Duráveis e não-duráveis. alimentos. apesar de liberação da atividade industrial que até então havia sido impedida pela metrópole.). móveis.) e não-duráveis (remédios. Com a introdução do café em SP e a conseqüente chegada dos imigrantes.bens de produção . Evolução Indusstrial no Brasil Até 1808.02 indústrias de caixas e caixões.duráveis não-duráveis a) Indústrias extrativas: extraem produtos sem alterar suas características. Tipos de Indústria De um modo geral.Apostila de Geografia do Brasil INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRA EVOLUÇÃO HISTÓRICA E PRINCIPAIS SETORES 1. metalurgia. bens de equipamento. b) Indústrias de transformação: são as que convertem as matérias-primas obtidas da natureza em objeto útil para o homem. indústrias pesadas e indústrias de base..bens de consumo .10 indústrias de alimentos. resumindo-se esta atividade à produção de tecidos grosseiros e de uns poucos artigos de natureza artesanal. vestuário. Após 1808. etc. eletrônicos. etc.: siderurgia. pode-se dizer que não havia propriamente indústrias no País.vegetal Transformação: . Conceito Indústria pode ser entendida como ato de transformar matérias-primas em bens de produção e de consumo. Em 1850 havia no país: . naval..

que já foi visto como tábua de apoio para a economia do país. 40 . conseqüentemente. surgem outros tipos de atividades industriais. e o Estado como forte centralizador e controlador dos setores econômicos básicos. No entanto.). já que antes dominavam indústrias apenas de bens de consumo. bem como argumentos contra. procurava desenvolver aqui alguns setores industriais. passou a ser visto como um grande estorvo. A crise 1929/1930 e a Segunda Guerra Mundial marcaram outra fase de crescimento industrial.Furnas. que vão ser tratados por Juscelino em seu plano de Metas . além de setores básicos e energia elétrica através da criação de várias empresas Cemig . pois já que não podia contar com as importações européias. entre outros exemplos. pois muitas estatais foram vendidas para outras estatais ou fundo de pensões de funcionários de estatais e a entrada de "moedas podres". O centro econômico do Brasil. o governo optou pela indústria de bens de consumo duráveis. estradas e outras. Nessa fase. como as indústrias automobilísticas e de eletrodomésticos. e) maior concentração de mão-de-obra. onde se destacam São Paulo. A partir da Primeira Guerra Mundial. bem como a maior parte dos países de industrialização recente. d) maior concentração de capitais. parecem ter se tornado insustentáveis para um país que procura uma nova colocação no mundo. que abre novas perspectivas para a expansão industrial brasileira. sobretudo em SP. A Mafersa. Inicia-se a produção de aço em grande escala. ocorre a construção da Cia. apresenta lucros após anos de prejuízo enquanto estatal. como falta de energia e deficiente rede de transportes e comunicações. os custos para a manutenção de um sistema evidentemente ineficiente. Siderúrgica Nacional. Após 1940. algumas das empresas já privatizadas começam a apresentar um desempenho compatível com as regras básicas do capitalismo. apresenta um grande peso na economia estatal. bastante urbanizado e industrializado. Essa fase marca uma economia associada e dependente do capital externo. f) melhor nível de vida e poder aquisitivo. sugeria que nem tudo estava às claras nessas transações. O Brasil. nos leilões. Em 1942. tais como: a) sistemas de transporte e comunicação mais desenvolvidos. a atividade industrial apresentou uma certa expansão. das exportações que até hoje têm nos manufaturados o seu maior peso. A Usiminas aumentou sua produtividade e reduziu um terço seu endividamento. Essa concentração no SE é devida a vários fatores. Região Sudeste É a responsável por mais da metade de toda a atividade industrial e.além disso. Rio de Janeiro e Minas Gerais. 3. No entanto. RS e MG. etc. fabricante de vagões. Durante as décadas de industrialização acelerada tem que criar a infra-estrutura básica necessária e isto incluía siderúrgicas. o desenvolvimento industrial foi pequeno. Não faltam argumentos pró-privatizações. c) maior e mais diversificado mercado consumidor. o desenvolvimento industrial passa a ser dependente do capital externo. sozinha. A década de 70 caracteriza-se por uma maior diversificação da produção industrial e.Apostila de Geografia do Brasil No final do século XIX. é constituído por São Paulo e Rio de Janeiro. b) maior produção energética. A década de 1950 ainda enfrenta problemas e obstáculos. consegue cerca de 3/4 do valor da produção industrial. A década de 60 é representada por um período de crise e estagnação da atividade industrial. apesar das medidas protecionistas adotadas pelo governo para proteger a indústria nacional da concorrência externa. Distribuição Geográfica da Atividade Industrial A grande região industrial do país é a região Sudeste. inchado de funcionários desnecessários e uma estrutura de comando montada apenas com critérios políticos. O conceito moderno de economia e Administração Pública tomou este sistema obsoleto e o Estado. O critério das privatizações foi muito contestado.

Jacareí. próximo a Belo Horizonte. Já no PR tem-se Curitiba. etc. situam-se normalmente ao longo dos principais eixos rodoviários ou rodoferroviários. transporte. destacam-se: Joinville. 48% do pessoal ocupado em indústrias. Região Sul Apesar da antigüidade da ocupação industrial (o início está ligado à colonização européia). Criciúma e Tubarão (carvão). as maiores aglomerações industriais se concentram no Recife e Salvador. Pelotas. alimentícia. Rio Grande. Presidente Prudente. têxtil.Campinas.. Minas Gerais Vem aumentando a cada ano o valor da produção industrial e a área de influência industrial da Grande Belo Horizonte. A industrialização do NE está ligada à construção da usina hidrelétrica de Paulo Afonso. Piracicaba. e Centro Industrial de Aratu e do Polo Petroquímico de Camaçari na Bahia. as têxteis em SC.5% 41 . Rio de Janeiro A maior concentração industrial coincide com o Grande Rio-polindustrial. Itapetininga. Americana. São Carlos. 53% do valor da produção industrial. etc. Destaques na indústria naval e no turismo. Guarulhos e outros. São José dos Campos. As indústrias do Estado de São Paulo caracterizam-se pela diversificação: metalurgia. As indústrias mais importantes são as de bens de consumo: as alimentícias destacam-se no RS. em Betim. Região Nordeste É a terceira mais industrializada. os centros mais industrializados são: Grande Porto Alegre. possui a maior concentração industrial do país e da América Latina. São eles: a) Anhangüera .7% 98. Diadema. Jaboatão. química. etc. Osasco. É a segunda região mais industrializada. Araraquara. Paulista.Sorocaba. A grande São Paulo. e madeira no PR No RS. Sua posição é apoiada na abundância de recursos minerais. c) Washington Luís . d) Raposo Tavares . b) Dutra . também.Apostila de Geografia do Brasil Destaques do Sudeste São Paulo O Estado de São Paulo é o maior destaque. conforme os dados a seguir: % s/ os estabelecimentos industriais a) extrativo mineral b) transformação 1. pólo industrial. à criação dos distritos industriais.9% 98. Em SC.3% % s/ o valor da produção industrial 1.Rio Claro. por sua vez. como Cabo. e) Anchieta . a concentração industrial em Fortaleza. couros. 4. O Centro Industrial de Contagem. Blumenau (têxtil).Cubatão. Limeira. farmacêutica.5% 98. sobretudo os municípios do ABC. além de centros no norte do Estado.1% % s/ o pessoal ocupado 1. Ainda no Estado de São Paulo. Taubaté. a Região Sul tem apenas 20% de participação no processo industrial. como frigoríficos. Principais Indústrias A indústria de transformação é a que mais se destaca. justificando o primeiro lugar na produção de aço do país. Santos. sobretudo no minério de ferro. Ribeirão Preto. em PE. é diversificado e foi criado em 1970. construção. Destaca-se. Concentrando cerca de 40% dos estabelecimentos industriais do país. São Bernardo. outros centros industriais importantes. Caxias do Sul. vinícola. São José do Rio Preto.

Açúcar: Paraíba (SP). Alemanha.PR. e. como: vidros. EUA. Minas Gerais foi o único centro siderúrgico do País. entre as dez maiores empresas do mundo. Alimentícias Abrange diversos ramos.MG. Itália. As principais empresas automobilísticas são: a) Volkswagen do Brasil . conservas. Jundiaí. tais como: laticínios. proximidades da Cosipa e do Porto de Santos. sendo superada apenas por Japão. artefatos de borracha. e f) criação do GEIA (Grupo Executivo da Indústria Automobilística). grandes centros. d) mercado consumidor em SE.SP.RJ. e) desenvolvimento do setor rodoviário. 42 . bebidas. Com isso desenvolvem-se indústrias ligadas ao setor automobilístico. Inglaterra.SP. à proximidade dos maiores centros industriais e consumidores do País. c) existência de indústrias de autopeças. Canadá e Rússia. colocando-se. A indústria automobilística foi implantada na segunda metade da década de 1950. Campo Grande (MS). a siderurgia tomou grande impulso com a instalação da Cia. Siderurgia Foi somente a partir de 1917 que se instalou no País. b) as já existentes indústrias de montagem de veículos no Brasil. e. c) Ford Motores do Brasil . à abundância de energia elétrica. Rio Grande e Pelotas (RS). A maior concentração ocorre em São Paulo graças a maior disponibilidade de mão-de-obra. a Volkswagen. São Roque Ribeirão Preto (SP). outras siderúrgicas foram se instalando na região. couro. Sua localização obedecia à situação intermediária entre as jazidas de carvão (SC) e as áreas produtoras de minério de ferro (MG). Bebidas: Caxias do Sul. Siderúrgica Nacional (estatal) na localidade de Volta Redonda. Aproveitando a abundância de minério de ferro existente em Minas Gerais. Atualmente o Brasil está entre os maiores produtores mundiais. Laticínios: Sul de MG. e g) Volvo do Brasil . é em SP que se verifica a sua maior concentração. e) Fábrica Nacional de Motores . b) General Motors do Brasil . A primeira indústria – Vemag – foi instalada em 1956. As causas que retardaram a implantação da siderurgia foram a escassez de carvão mineral. etc. d) Mercedes-Benz do Brasil .SP. ao ponto de encontro entre a Central do Brasil e a Rede Mineira de Viação. existência de energia elétrica. óleo. Automobilística A produção automobilística sofreu um grande crescimento desde 1958. massas. etc. atualmente.Apostila de Geografia do Brasil A indústria alimentícia tem a maior participação em pessoal ocupado e número de estabelecimentos. Destaques: Carnes (frigoríficos): Araçatuba e Barretos (SP). etc. à maior disponibilidade de mão-de-obra. Vale do Paraíba (SP e RJ). França. Campos (RT). frigoríficos. A partir de 1942. Maceió (AL). Os principais fatores associados à implementação da indústria automobilística foram: a) desenvolvimento da metalurgia e siderurgia. durante muito tempo. moinhos. metalurgia leve.SP. A indústria metalúrgica é a segunda em número de pessoal ocupado e valor de produção industrial. indústrias de autopeças. a falta de mão-de-obra e de capitais. material elétrico. Está entre as mais antigas do País. com uma produção anual de cerca de 1 miIhão de veículos. Apesar de estar disseminada por quase todo o País. por iniciativa da Cia Siderúrgica Belgo-Mineira. por fim. localizada inicialmente em Sabará (MG) e depois em Monlevade (MG). no Vale do Paraíba fluminense. e em 1958. além da ausência de indústrias capazes de consumir a produção. durante o governo de Juscelino Kubitschek. f) Fiat do Brasil . Bento Gonçalves (RS).

Japão. apesar de estar em crescimento.vegetação. as imensas distâncias que separam as diversas regiões. como EUA. E. Portanto. se constituem num grave problema para o País.94% da produção siderúrgica concentra-se no SE . integram-se ferrovias e portos na comercialização agrícola destinada à exportação. . Posteriormente.Quanto à energia: empregamos ainda elevada quantidade de lenha como fonte energética. com a acelerada industrialização. . O transporte rodoviário desempenhou papel fundamental nesse estágio de desenvolvimento econômico. Alemanha. como o ferro e o manganês e o mercado consumidor. Observações: .Quanto aos transportes: o sistema ferroviário e o hidroviário são deficientes. por meio de um processo de substituição de importações. . destacando-se os seguintes: .Quanto ao mercado consumidor: ainda restrito.navegabilidade dos rios. . a produção brasileira é de cerca de 100 kg/hab/ano. podendo ser citados: . não permitindo grandes investimentos por parte dos particulares. .As maiores produções siderúrgicas são obtidas pela Usiminas. as quais passaram a consumir a produção siderúrgica. o sistema de transportes teve de fazer frente aos fluxos adicionais de bens intermediários e finais. Distribuição espacial das usinas siderúrgicas As siderúrgicas distribuem-se pelo espaço independentemente da localização do carvão mineral. eficientes e baratos para o escoamento das produções e dos passageiros. Rússia. b) rápido desenvolvimento do setor de construção civil.relevo. Os problemas da nossa indústria e atualidades sobre o setor Apesar do franco desenvolvimento industrial experimentado pelo País nas últimas décadas. A produção atual de aço bruto situa-se perto de 25 bilhões de toneladas. de início. TRANSPORTES 1. vários são os problemas que o afetam.distância. CSN e Cosipa. Enquanto o consumo per capita de aço dos países desenvolvidos. para atendimento do mercado interno. d) aumento do consumo de produtos industrializados. 43 . muito grande o consumo de carvão vegetal. O principal problema que afeta a indústria siderúrgica é o fornecimento de matérias-primas (carvão mineral). Portanto. Os fatores que devem ser considerados para a análise das necessidades e do trabalho das vias de transporte são muitos. a presença de minério. . que regem tal distribuição. que dificultam a implantação de meios de transporte rápidos. . sobretudo. sendo por isso. tais como: a) desenvolvimento das atividades industriais de base.custo de instalação. colocando o Brasil entre os 10 maiores produtores do mundo.Quanto ao equipamento: a produção da indústria de máquinas e equipamentos ainda é insuficiente. sendo necessária a importação em larga escala.Apostila de Geografia do Brasil A elevada taxa de crescimento alcançada por este setor deve-se a vários fatores. gira em torno de 400 a 500 kg/hab/ano. Em virtude da grande extensão territorial do Brasil.Quanto ao capital: escasso. . e é no SE que se encontra a maior produção de aço. Introdução O desenvolvimento do sistema de transportes no Brasil está intimamente ligado à evolução da economia brasileira. c) grande apoio governamental. pois as maiores produções desse produto vêm do sul. outros foram os fatores responsáveis por esta localização. o que permite grande participação de capitais estatais e estrangeiros.

sendo muito utilizados pelos bandeirantes.F. sem o mínimo de planejamento. fundada pelo Visconde de Mauá.Cia. na Baía de Guanabara.E. O Brasil é um país pobre em ferrovias e as mesmas se encontram irregularmente distribuídas pelo território.intensidade do fluxo de mercadoria e pessoas .7 mil km em 1985 e. A crise mundial de combustíveis também determinou uma nova orientação mais ampla e eficiente. possui 22. Foi criada em 1971. sendo que em 1960 tinha 38. Mogiana de Estrada de Ferro (1. Tinha uma extensão de 14. Enquanto a Região Sudeste concentra quase a metade das ferrovias. sofrendo. Estrada graciosa (litoral do PR a Curitiba) e Estrada Dona Francisca (Joinville a Rio Negro. onde se desenvolviam os cafezais. então em franco desenvolvimento (estradas do café).F.Histórico A nossa primeira ferrovia foi construída pela Imperial Companhia de Estradas de Ferro.B. atingiu 30. parte de Campinas e serve ao NE de SP ao Triângulo Mineiro e à Brasília.isolamento de algumas áreas. com a finalidade de administrar e organizar o sistema ferroviário de SP.931 km). Transporte ferroviário . em São Paulo. ligando o Porto de Mauá.A. no caminho de Petrópolis. as ferrovias entram numa fase de estagnação. a pecuária fez surgir muitos caminhos. sendo que o crescimento médio destas era de 6. Pedro II (E. com o advento do automóvel. Velhos caminhos No período colonial.possui 17% das linhas férreas. entre os quais ao Vale do Paraíba. 44 .Cia. a partir de então.RFFSA (Rede Ferroviária Federal S. apesar de a rodovia ter sido o setor que mais cresceu nos últimos anos e que mais se destaca. de Estradas de Ferro de São Paulo -Rio de Janeiro 1872 . as regiões Norte e Centro-Oeste concentram juntas menos de 10%.2 mil km de extensão. surgiram a Estrada União e Indústria (ligando Petrópolis a Juiz de Fora). outras surgiram no NE.E. . 2.F. . bandeirantes e jesuítas.837.Cia. 3. No Sul havia o caminho ligando Sorocaba ao Rio Grande do Sul.custo de manutenção.942 km de extensão de linhas férreas.): privatizada . . A mineração também foi responsável por novos caminhos.) 1868 .Grupo Executivo da Política dos Transportes .Apostila de Geografia do Brasil . do litoral em direção ao interior. Paulista de Estradas de Ferro (1.dos 28. de Araraquara (440km) atravessa o NO de SP. Pertencia a FEPASA: . para servir à economia cafeeira. Posteriormente. 1855 . Entre 1870 e 1920. vivíamos uma verdadeira "era de ferrovias". após modesta recuperação.000 km por década. Existem no Brasil duas grandes empresas ferroviárias: . Cumpre destacar o papel dos rios como vias de comunicações e integração territorial. Paulista de Estradas de Ferro 1872 . os caminhos e trilhas eram abertos pelos indígenas. Santos-Jundiaí 1868 . não se recuperando até hoje. em termos de transportes. num país que ainda depende de grande importação de petróleo. construídas ou financiadas por capitais ingleses que visavam somente à satisfação de seus interesses comerciais.477 km). No NE.3 mil km em 1993 (mesma extensão que possuía em 1924). à Serra da Estrela. Logo a seguir.RC.Cia. A situação do setor de transporte ferroviário é grave. Mogiana de Estrada de Ferro Após 1920. principalmente. . Eram. Recôncavo Baiano e. Sua extensão diminuiu para 29.5 km e bitola de 1 m ( 1854). um processo sistemático de deterioração.E. por onde se deslocavam os tropeiros.A): privatizada .de modo a impulsionar o setor.Cia. quase 80% do total. foi criado o Geipot . SC). A política de transportes implantada no Brasil está voltada fundamentalmente para o setor rodoviário. consumindo grande quantidade de diesel e gasolina. em geral. D. Na década de 60.FEPASA (Ferrovias Paulistas S.

. de onde é exportado. · A CENTRO-ATLÂNTICA. Campos do Jordão (47km). o que demonstra nitidamente que ele foi montado para atender às necessidades de uma economia exportadora de produtos primários.E. Santos-Jundiaí pertenciam à RFFSA.Apostila de Geografia do Brasil . .E. Santos-Jundiaí. Em vista destes problemas.F. Existem ainda outras estradas. que liga a Serra dos Carajás. . que passou a controlar a antiga malha oeste. com administrações diversas. 45 . sendo desmembrada por áreas.pessoal ineficiente.F.reorganização da administração. . incluindo a antiga E.E. Taquari Participações (Vicunha) e Bradesco.E.reaparelhamento das ferrovias.tipos de relevo. A construção se encontra paralisada. até o porto de Itaqui (MA). fazendo exceção apenas algumas linhas. TEREZA CRISTINA: foi privatizada em novembro de 96 e é controlada pelo consórcio liderado pela Montagem Projetos Especiais.eliminação das estradas deficientes. .E. Sorocaba (218km). .F.4 m/km .E. como: . com ferrovias traçadas do interior para os portos regionais sem a preocupação de integração do território. bastante reduzida quando 2 comparada aos EUA (150 m/km) e a Argentina (15 m/km ). sul do PA. as ferrovias se encontram mal distribuídas. . CVRD e CSN. Dentre algumas das atitudes governamentais tomadas para solucionar os problemas do transporte ferroviário. aguardando solução 2 governamental. do Amapá (194km). Vitória-Minas (792 km). Além de curtas extensões. CSN.F. · A NORDESTE.material rodante deficiente. a rede ferroviária é delicitária. passou a ser controlada pelo consórcio MANOR. podemos citar: .E. .alto custo de instalação. . que passou a controlar a antiga malha Centro-Leste. Em 1984. Pertence à Icomi (Ind. que hoje representam apenas 7% do total. em geral. que forneceria energia elétrica necessária para as locomotivas elétricas. Observação: a E. F.F. com a finalidade de escoar o minério de ferro da região. Ponta da Madeira-Carajás.632km).concorrência das rodovias. . ligando a região produtora de ferro (Quadrilátero do ferro) aos portos de Vitória e Tubarão. Vários outros problemas embaraçaram o desenvolvimento das nossas ferrovias: .F.Ferrovia do Aço. de Mineração). · A NOVOESTE. . · A E.política de privatização.substituição das locomotivas a vapor por outras de maior rendimento (diesel e elétrica). o consórcio de oito acionistas integra também. . A escassez de combustível tem como solução a utilização do grande potencial hidrelétrico do país. Campo Grande e Corumbá. que passou a controlar parte da antiga malha sudeste e sul. formada pela CVRD. . Noroeste do Brasil e a E. Situação Atual A RFFSA foi privatizada em 96 e 97. . e . Noroeste do Brasil (1. que interligava Bauru. .F.F.diferença de bitolas. com um traçado tipicamente periférico. É controlada pela Companhia Vale do Rio Doce. o Brasil possuía uma densidade ferroviária de 3. iniciada em 1975.F. e Com. Noroeste do Brasil.reorganização das linhas.F. entre as várias empresas consorciadas: · A MRS.

. a frota nacional de veículos também vem crescendo rapidamente. Quanto à distribuição pelo território.... até os dias atuais... Os veículos de passeio representam 70% da frota nacional. uma verdadeira "era de rodovias". a partir de 1967...882 (km) 1..281 (km) 3.. e) Rodovias de ligação .091 (km) 1..051 (km) 1.... vivendo o país...824...... ..111 (km) 1. As rodovias federais estão divididas em 5 tipos. demonstrando mais uma vez os desequilíbrios regionais. Aquelas antigas estradas transitáveis só no período de estiagem passaram a ser melhoradas. Acompanhando o aumento na extensão das rodovias.....154 (km) 1.. os custos operacionais são altos. sofreram um colapso entre 1860-1920.. Mesmo assim. que se intensifica ainda hoje.. e à produção do asfalto e cimento..Do total.. a situação inverteu-se..... como dissemos.. A sua numeração é contada a partir do sentido Norte. ainda estamos longe de atingir um plano ideal. com 30% do total... a) Rodovias radiais .. o que dá uma média de 185 m/km aproximadamente.Das atuais rodovias em tráfego. por parte das indústrias brasileiras... (de BR-1 a BR-100) (de BR-101 a BR-200) (de BR-201 a BR-300) (de BR-301 a BR-400) (de BR-401 em diante) b) Rodovias longitudinais . aumentando no sentido horário. enquanto outras surgiam rapidamente. RODOVIAS RADIAIS Número BR-10 BR-20 BR-30 BR-40 BR-50 BR-60 BR-70 BR-80 Ligação Brasília-Belém (PA) Brasília-Fortaleza (CE) Brasília-Campinho (BA) Brasília-Campos (RJ) Brasília-Santos (SP) Brasília-Bela Vista (MS) Brasília-Cáceres (MT) Brasília-Manaus Extensão 1.... c) Rodovias transversais . atendida quase que totalmente pela produção brasileira... em diferentes regiões do país.. Evolução rodoviária As estradas brasileiras..... a distribuição se faz da seguinte maneira: Jurisdição federal Jurisdição estadual Jurisdição municipal 6% 10% 84% 2 Sendo que 90% ainda se encontram não pavimentadas. TRANSPORTE RODOVIÁRIO E OUTROS 1... . condizente com a necessidade da nossa economia.Apostila de Geografia do Brasil Apesar dessas medidas.363 km.... Em 1993. A partir de 1937. a Região Sudeste é a que possui a maior extensão. d) Rodovias diagonais . iniciaram-se melhoramentos referentes à pavimentação.. com a criação do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER). 9% da extensão rodoviária brasileira ainda está na fase de planejamento. enquanto os de transporte coletivo representam pouco mais de 1%.. a extensão de nossas rodovias era de 1.. Com a introdução dos automotores.604 (km) 46 . a) As Rodovias Radiais saem todas de Brasília.

Estadual e Municipal. Rodovias Longitudinais Número BR-101 BR-116 BR-153 BR-156 BR-158 BR-163 BR-172 BR-174 Ligação Fortaleza (CE) – Osório (RS) Fortaleza (CE) – Jaguarão (RS) Tucuruí (PA) – Aceguá (RS) Macapá (AP) – Oiapoque (AP) Félix (MT) – Livramento (RS) Cuiabá (MT) – Santarém (PA) Canumã (AM) – Vilhena (RO) Manaus (AM) – Sta.097 (km) 730 (km) São Rodovias Diagonais Número BR-307 BR-316 BR-319 BR-364 Ligação Benjamin Constant (AM) – Taumaturgo (AC) Belém (PA) – Maceió (AL) Porto Velho (RO) – Manaus (AM) Porto Velho (RO) – Cuiabá (MT) Extensão 705 (km) 2.189 (km) 1. os pontos mais distantes do país com telefone e televisão. lado a lado.032 (km) 1. Rodovias Transversais Número BR-210 BR-230 BR-236 BR-251 BR-262 BR-273 BR-277 BR-290 Ligação Perimetral Norte-Macapá (AP) – Cruzeiro do Sul (AC) Transamazônica: Recife (PE) e João Pessoa (PB) – Taumaturgo (AC) Abunã (RO) – Vila Japim (Peru) Ilhéus (BA) – Cuiabá (MT) Vitória (ES) .Corumbá (MS) Campinas (SP) – Campo Grande (MS) Paranaguá (PR) – Foz do Iguaçu (PR) Osório (RS) – Uruguaiana (RS) Extensão 3.108 (km) 2.120 (km) 970 (km) c) As Rodovias Transversais cruzam o Brasil na direção leste-oeste. como os meridianos. o DNER deu início à execução do Agrovias (Programa Nacional de Rodovias Alimentadoras).Apostila de Geografia do Brasil b) As Rodovias Longitudinais são traçadas no sentido dos meridianos. cada vez mais. Helena (RR) Extensão 4.749 (km) 686 (km) 2.253 (km) 1. com as torres metálicas de Embratel .714 (km) 1. A sua numeração aumenta de leste para oeste. as rodovias prestam-se à integração nacional. 47 . Conformc se percebe no mapa. A sua numeração aumenta de norte para sul. que interligam. isto é. que tenham como função básíca assegurar o transporte e o escoamento de carga do meio rural para pólos urbanos ou para vias de transportes de longa distância. que vai de Boa Vista (RR) até a fronteira com a Guiana.403 (km) 3. como. Esse programa destina-se a permitir a construção de rodovias integrantes das redes: Federal.085 (km) 4.618 (km) 1.107 (km) 1. Observação Em 1982.400 (km) 4. São numeradas de BR-401 a BR-500. a BR-401.416 (km) e) As Rodovias de Ligação são aquelas que unem duas rodovias entre si.199 (km) 2.Empresa Brasileira de Telecomunicações.300 (km) 5. como uma extensão de 140 km. cruzam o país na direção nortesul. por exemplo.

controlada pelo serviço de navegação da Bacia do Prata (oficial). arroz. Bacia do Prata Compreende a navegação feita no rio Paraguai. madeira. SP a Guararema. A navegação é controlada pela Codevasf. com um perímetro costeiro de 7. porém sua navegabilidade depende da construção de canais laterais. Atualmente é o sistema de menor participação no transporte de mercadorias. era de se esperar que a nossa Marinha Mercante fosse muito desenvolvida. A navegação do rio Amazonas é internacionalizada até o Porto de Manaus. com mais de 100 toneladas.A. Amazonas e São Francisco. Além de acabar com o congestionamento da Via Dutra. comportas (eclusas). A navegação fluvial vê-se prejudicada pelo fato de a maior parte dos rios serem de planalto e os rios de planície situarem-se afastados das áreas mais desenvolvidas. 1. desde 1867. 2. cimento. passou a se chamar Rodovia Ayrton Senna. É o caso da eclusa da Barra Bonita no Tietê. Os rios de planalto não impedem definitivamente a navegação.000 toneladas. controlada pela Enasa . na divisa de São Paulo e Mato Grosso do Sul. pelo valor da carga que por ele é transportada: minérios (ferro e manganês provenientes do Maciço do Urucum). isso não acontece. entre os quais: .400 km e possuindo a economia voltada para o litoral. A articulação do São Francisco ao litoral é feita pela Estrada de Ferro Central do Brasil. destacam-se os rios Jacuí (RS) e o Rio Doce (MG). desde Juazeiro (Bahia) até Pirapora (Minas Gerais). As bacias de maior imnortância são: Bacia Amazônica Possui percurso navegável de 22. Vários são os problemas que dificultam o desenvolvimento da Marinha. O rio Tietê tem seu trecho navegável a partir de Barra Bonita.Apostila de Geografia do Brasil Rodovia inaugurada em maio de 1982. trigo e derivados de petróleo para importação. próximo à Metrópole Paulista. facilitando ainda o acesso ao litoral norte e ao Aeroporto Internacional de Guarulhos.Empresa de Navegação da Amazônia S. Possuímos 376 embarcações. soja. Seus principais portos no Brasil são: Corumbá e Ladário. gado e madeira e seus portos principais são: Presidente Epitácio. inicialmente. rio Paraná e em alguns afluentes. Através do Tietê. Cumpre destacar que o transporte fluvial do rio Paraguai é um dos mais importantes do Brasil. O rio Paraná tem seu trecho navegável no Brasil no seu alto curso. entre o rio Amazonas e seus afluentes. Transporta trigo. além de outras projetadas.500 km. Bacia do São Francisco Constituída por este rio. Os principais portos são Belém e Manaus. Panorama e Guaíra. que deslocam 144. de Juazeiro a Salvador. gado. ligando. Navagação marítima Pela posição que o Brasil ocupa no Oceano Atlântico. de Jupiá no Paraná. Essa Marinha Mercante precária constitui-se num dos pontos de estrangulamento da nossa economia. efetuou-se a ocupação de vastas porções do território. Porém. Outras bacias De importância restrita. A navegação é facilitada pela Barragem de Três Marias e Eclusa de Sobradinho. possibilitou o rápido escoamento da produção agrícola de toda a região do Vale do Paraíba. Navegação fluvial e marítima Navegação fluvial Os rios tiveram um papel importante na ocupação do território brasileiro.446 km. 48 . de Pirapora ao Rio de Janeiro e pela Viação Férrea Leste Brasileiro. e alguns afluentes.embarcações velhas (em média 44 anos de uso).

Atualmente a navegação vive um momento de crise. praticamente. todo o petróleo bruto e os derivados importados são. a renovação quase total da frota. devido às deficiências da nossa Marinha Mercante. Aliança .minério de ferro. Ao lado dos portos de múltiplas funções. A ampliação de estaleiros. Porém.Superintendência Nacional da Marinha Mercante. mais de 50% de tonelagem é transportada por embarcações estrangeiras. Cia. sendo que a necessidade nacional de navegação é suprida por navios estrangeiros fretados. Docenave .deficiência das instalações portuárias.minérios. como já dissemos. Dentre os diversos portos marítimos e fluviais. que cuida do Planejamento. Costeira de Navegação.Cia.desorganização administrativa.Apostila de Geografia do Brasil . dois podem ser considerados de primeira categoria: Santos e Rio de Janeiro.manganês. a navegação de longo curso estava sendo feita pelo Lloyd Brasileiro com cerca de 84 embarcações e pela Fronape (Frota Nacional de Petroleiros) que possui 80 embarcações. Entre as principais companhias que exploram esse tipo de navegação. AP) .pescado.Vale do Rio Doce Navegação S/A .Grupo Executivo da Indústria da Construção Naval. BA) . existem os portos especializados: . Sebastião (SP) .Santana (Macapá. o que representa importante saída de divisas dos cofres públicos.petróleo.máquinas e produtos agrícolas. Os maiores portos em carga (tonelagem).ferro de MG. As principais empresas de navegação de longo curso no Brasil são: Fronape . . transportados por esta companhia. . por meio da política da Sunamam deverá solucionar grande parte dos problemas referentes às embarcações.Malhado (Ilhéus. os problemas estão sendo resolvidos pelo Fundo Portuário Nacional. Podendo ser feita somente por navios nacionais. Em parte. . Lloyd Brasileiro . .problemas tarifários.cacau.Tubarão e Vitória (ES) . .o Geicon .Cia.Areia Branca (RN) . Portos Em grande parte.Itajaí (SC) . temos: Lloyd . Navegação de cabotagem É a navegação que liga os diversos portos brasileiros entre si. esperando-se.Sepetiba (RJ) .sal marinho. as deficiências apresentadas pela nossa Marinha Mercante devem-se às instalações portuárias que são precárias. Paulista de Navegação. 3.S. . em virtude de serem escoados produtos variados.petróleo e minério de ferro. . 49 . segundo dispositivos constitucionais. Baiana de Navegação. que tem como objetivo reorganizar o setor. num futuro próximo.a Sunamam . . A navegação é feita sob duas modalidades: Navegação de longo curso ou internacional No Brasil. da execução e renovação das embarcações. Quanto à Fronape. O setor de transporte marítimo conta com dois importantes órgãos: . .

o sorgo. a madeira. melhorando a infra-estrutura viária.relevo de baixa altitude e aplainado. Também muito variada é a pauta de exportação de produtos manufaturados.S. destinado à exportação. . o café. Corredor de exportação Foi estabelecido. destinados ao parque siderúrgico da Região Sudeste. permitindo a futura exportação. passando por Japeri e Volta Redonda.ferro de Carajás (PA).condições climáticas favoráveis. foi grande o desenvolvimento do transporte aéreo brasileiro. .grande extensão territorial. compostos .S. além de outros produtos manufaturados. MG).açúcar e petróleo. sendo várias as empresas nacionais e internacionais que exploram o transporte aéreo. Sepetiba estará destinado à movimentação de granéis e insumos básicos industriais. cereais. de onde parte a estrada de acesso ao porto de Paranaguá. . enquanto o porto do Rio de Janeiro restringir-se-à ao manuseio de cargas mais nobres. desde áreas de produção até certos portos selecionados. 4. bem como as áreas com potenciais para a exportação de madeira. Entre os fatores que permitem o desenvolvimento da aviação comercial. Transporte aéreo Desde a década de 20. através de Itutinga. carne. Corredor de exportação de Vitória-Tubarão A área de influência desse corredor é formada pelos Estados do Espírito Santo. o milho. por intermédio do Ministério dos Transportes. e. o algodão. O porto de Sepetiba articular-se-à com a Ferrovia do Aço. inicialmente. E. fará a conexão com a malha ferroviária do Centro-Oeste. Luís-Itaqui (MA) . algodão e carne. Corredor de exportação de Santos A área de influência do Porto de Santos compreende todo o Estado de São Paulo. por Sepetiba. o Brasil está entre os grandes países nesse ramo. se relacionar como principais produtos de exportação nesse corredor.ausência de outros tipos de transportes capazes de ligar as diferentes áreas do país. milho. o programa de corredores de exportação que. a carne. o que tornará possível o escoamento do minério de ferro de MG. como calçados e artigos de couro. . destacam-se: café. Esse corredor contempla o Quadrilátero Ferrífero. temos: . As rodovias componentes desse corredor formam um feixe convergente na cidade de Curitiba. potencialmente. devido à grande extensão do Brasil e da fundação da Varig (Viação Aérea Riograndense). receberá. Corredor de exportação de Paranaguá Podem. de Minas Gerais e do Rio de Janeiro. da produção agrícola do cerrado (GO. a soja. Deverá estar capacitado também para a futura movimentação de minério de ferro. Atualmente. designando o movimento desses produtos no ponto do Rio de Janeiro. 50 de influência. pelo volume. em 1927. . através da malha ferroviária existente. Corredor de exportação do Rio Grande Esse corredor destina-se a estimular as exportações de sua área predominantemente de produrtos manufaturados. carvão metalúrgico e energético. Francisco do Sul (SC) . Goiás.Maceió (AL) .Apostila de Geografia do Brasil . Entre os produtos primários de exportação. Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. O complexo portuário-industrial de Sepetiba (RJ).madeira. visam à redução dos custos dos transportes de bens destinados à exportação . inaugurado em maio de 1982.

... Recife (PE) Salgado Filho ..........Principais aeroportos do Brasil: Congonhas............................... Porto Alegre (RS) Afonso Pena ..... a Vasp... foi criada....... Guarulhos (SP) 51 . em 1972.............. administrar e explorar a infra-estrutura aeroportuária do Brasil......... Fortaleza (CE) Tirirical .................. como um conjunto........... São Paulo (SP) Viracopos . o IPD (Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento) e o IAA (Instituto de Atividades Aeroespaciais).................... estão sendo produzidos no Brasil vários tipos de aviões... Surgem no país várias empresas de táxis-aéreos. Campinas (SP) Galeão ......... MD-11... Em 1969..... Manaus (AM) Val-de-Cãs ................................... foi criada a Embraer (Empresa Brasileira de Aeronáutica)......... o ITA (Instituto Técnico de Aeronáutica).. Com a finalidade de implantar.. ................................... Rio de Janeiro (RJ) Dois de Julho ........ Nesta área funcionam.............. Belo Horizonte (MG) Guararapes ... com sede em São José dos Campos (SP)..... a Transbrasil........ Airbus)......Apostila de Geografia do Brasil Atualmente as principais empresas são: Varig. Belém (PR) Pinto Martins ............ Atualmente........... Salvador (BA) Brasília ..... a Infraero (Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária)..... A frota nacional é composta por mais de 120 unidades de grande porte (Boeing...... Rio de Janeiro (RJ) Santos Dummont .... São Luís (MA) Cumbica ..... Distrito Federal (DF) Pampulha ............. Fokker. TAM..................... DC-9............. Curitiba (PR) Eduardo Gomes ... o CTA (Centro Técnico Aero-espacial)....

conter a ciência. é possível. no tocante a conhecer o mundo que ele habita. foi introduzido em 1839. no começo dos dias. portanto. bem como a sua utilização. fenômenos e ambientes físicos e socioeconômicos.Manoel Francisco de Barros e Souza de Mesquita de Macedo Leitão. nos dias de hoje. composição e representação de observações. O vocábulo CARTOGRAFIA. hoje aceito sem maiores contestações. fenômenos e dados pertinentes a diversos campos científicos associados a superfície terrestre.descrição de cartas. no mesmo ano: "A Cartografia apresenta-se como o conjunto de estudos e operações científicas. tendo por base os resultados de observações diretas ou da análise de documentação. pelo segundo Visconde de Santarém . Lake Success.HISTÓRICO Mesmo considerando todos os avanços científicos e tecnológicos produzidos pelo homem através dos tempos. 52 .INTRODUÇÃO 1 .FORMA DA TERRA A forma de nosso planeta (formato e suas dimensões) é um tema que vem sendo pesquisado ao longo dos anos em várias partes do mundo.no sentido lato da palavra não é apenas uma das ferramentas básicas do desenvolvimento econômico. MODERN CARTOGRAPHY . Departament of Social Affair. (1791 . elementos. No primeiro estágio da evolução o vocábulo passou a significar a arte do traçado de mapas. A despeito de seu significado etmológico."(1) (1) ONU. cartas e outras formas de expressão ou representação de objetos. etc. O conceito de Cartografia tem suas origens intimamente ligadas às inquietações que sempre se manifestaram no ser humano. análise. 2 . não serve para definir forma sistemática da Terra. já justifica a necessidade de se visualizar de alguma forma as características físicas do "mundo". a técnica e a arte de representar a superfície terrestre. etmologicamente . Pitágoras em 528 a. Em 1949 a Organização das Nações Unidas já reconhecia a importância da Cartografia através da seguinte assertiva. introduziu o conceito de forma esférica para o planeta. Podemos também intuir de que maneira surgiu no homem a necessidade de conhecer o mundo que ele habitava. técnicas e artísticas que. O conceito da Cartografia. É fácil imaginarmos alguns dos questionamentos que surgiram nas mentes de nossos ancestrais. e a partir daí sucessivas teorias foram desenvolvidas até alcançarmos o conceito que é hoje bem aceito no meio científico internacional.C. foi estabelecido em 1966 pela Associação Cartográfica Internacional (ACI). mas é a primeira ferramenta a ser usada antes que outras ferramentas possam ser postas em trabalho. para em seguida. entender a condição de perplexidade de nossos ancestrais. ratificado pela UNESCO. O simples deslocamento de um ponto a outro na superfície de nosso planeta. A superfície terrestre sofre freqüentes alterações devido à natureza (movimentos tectônicos. erosão. envolve estudo.. por exemplo: como orientar nossos deslocamentos? Qual a forma do planeta? etc.Apostila de Geografia do Brasil Noções Básicas de Cartografia I . diante da complexidade do mundo a sua volta. se voltam para a elaboração de mapas. Muitas foram as interpretações e conceitos desenvolvidos para definir qual seria a forma da Terra.BASE MAPS FOR WORLDS NEEDS. a sua concepção inicial continha a idéia do traçado de mapas." O processo cartográfico. partindo da coleta de dados.1856). de fatos.) e à ação do homem. e posteriormente. condições climáticas. lavrada em Atas e Anais: "CARTOGRAFIA .

SAD 69. Essa superfície se deve. etc. às forças de atração (gravidade) e força centrífuga (rotação da Terra). cada país ou grupo de países adotou um elipsóide como referência para os trabalhos geodésicos e topográficos. bem como sua posição relativa ao geóide define um sistema geodésico (também designado por datum geodésico). faz com que o geóide tenha o mesmo potencial gravimétrico em todos os pontos de sua superfície. Os diferentes materiais que compõem a superfície terrestre possuem diferentes densidades. o ELIPSÓIDE DE REVOLUÇÃO. principalmente. Em geral. No caso brasileiro adota-se o Sistema Geodésico Sul Americano .1). que mais se aproximasse do geóide na região considerada. com as seguintes características: 53 . Uma primeira aproximação é a esfera achatada nos pólos. As águas do oceano procuram uma situação de equilíbrio.) supostamente prolongado por sob continentes. inclusive no seu suposto prolongamento. A forma e tamanho de um elipsóide. achatado no pólos (Figura 1. fazendo com que a força gravitacional atue com maior ou menor intensidade em locais diferentes. Assim. Para contornar o problema que acabamos de abordar lançou-se mão de uma Figura geométrica chamada ELIPSE que ao girar em torno do seu eixo menor forma um volume. a forma do planeta.Apostila de Geografia do Brasil A fim de simplificar o cálculo de coordenadas da superfície terrestre foram adotadas algumas superfície matemática simples. A interação (compensação gravitacional) de forças buscando equilíbrio. Muitos foram os intentos realizados para calcular as dimensões do elipsóide de revolução que mais se aproxima da forma real da Terra. o elipsóide é a superfície de referência utilizada nos cálculos que fornecem subsídios para a elaboração de uma representação cartográfica. ventos. é o GEÓIDE (Figura 1. Segundo o conceito introduzido pelo matemático alemão CARL FRIEDRICH GAUSS (1777-1855).2) que corresponde à superfície do nível médio do mar homogêneo (ausência de correntezas. variação de densidade da água. ajustando-se às forças que atuam sobre elas. É preciso buscar um modelo mais simples para representar o nosso planeta. e muitos foram os resultados obtidos.

UGGI 67 (isto é.f: 1/298.LEVANTAMENTOS GEODÉSICOS GEODÉSIA . na maioria dos países.Altimétrica: altitudes de alta precisão . Os levantamentos geodésicos classificam-se em três grandes grupos: a) Levantamentos Geodésicos de Alta Precisão (Âmbito Nacional) . FINALIDADES . desnvolvido segundo especificações internacionais. divididas em três redes: . ela é empregada como estrutura básica do mapeamento e trabalhos topográficos.Gravimétrica: valores precisos de aceleração da gravidade Para origem das altitudes (ou Datum altimétrico ou Datum vertical) foram adotados: Porto de Santana . Os levantamentos geodésicos compreendem o conjunto de atividades dirigidas para as medições e observações que se destinam à determinação da forma e dimensões do nosso planeta (geóide e elipsóide).achatamento .25 . 3 .Embora a finalidade primordial da Geodésia seja cientifica.correspondente ao nível médio determinado por um marégrafo instalado no Porto de Santana (AP) para referenciar a rede altimétrica do Estado do Amapá que ainda não está conectada ao restante do País. constituindo o sistema único de referência. Imbituba . . utilizada como origem para toda rede altimétrica nacional à exceção do estado Amapá. É a base para o estabelecimento do referencial físico e geométrico necessário ao posicionamento dos elementos que compõem a paisagem territorial.a: 6. constituindo estes fins práticos razão de seu desenvolvimento e realização. podemos destacar: 3.Apostila de Geografia do Brasil .0639" W .Fundamental (1ª Ordem): Pontos básicos para amarração e controle de trabalhos geodésicos e cartográficos. Dentre os diversos levantamentos necessários à descrição da superfície terrestre em suas múltiplas características.Científico: Dirigido ao atendimento de programas internacionais de cunho científico e a Sistemas Geodésicos Nacionais. o recomendado pela União Geodésica e Geofísica Internacional em 1967) definido por: .05" O Sistema Geodésico Brasileiro (SGB) é constituido por cerca de 70.378.Origem das coordenadas (ou Datum planimétrico): .LEVANTAMENTOS Compreende-se por levantamento o conjunto de operações destinado à execução de medições para a determinação da forma e dimensões do planeta.160 m .altura geoidal : 0 m .azimute geodésico para o Vértice Uberaba : 271º 30’ 04.6527’’ S Longitude: 48º 06’ 04.Planimétrica: latitude e longitude de alta precisão .1 .coordenadas: Latitude: 19º 45º 41.Elipsóide de referência .000 estações implantadas pelo IBGE em todo o Território Brasileiro.estação : Vértice Chuá (MG) .semi-eixo maior .idem para a estação maregráfica do porto de Imbituba (SC). as dimensões e o campo de gravidade da Terra"."Ciência aplicada que estuda a forma. 54 .

MÉTODOS DE LEVANTAMENTOS 3. Dirigem-se ao atendimento dos levantamentos no horizonte topográfico. para fins de mapeamento com base em fotogrametria Os levantamentos irão permitir o controle horizontal e vertical através da determinação de coordenadas geodésicas e altimétricas. . 3.LEVANTAMENTO ALTIMÉTRICO Desenvolveu-se na forma de circuitos.1. até chegar a uma linha de pontos conhecidos. determinam-se novos pontos. servindo por ramais às cidades. . 3. Os pontos de triangulação são denominados vértices de triangulação (VVTT).1.Poligonação: É um encadeamento de distâncias e ângulos medidos entre pontos adjacentes formando linhas poligonais ou polígonos. merecem destaque: . .2 . 55 .Trilateração: Método semelhante à triangulação e. vilas e povoados às margens das mesmas e distantes até 20 km.1 . É uma densificação dos Sistemas Geodésicos Nacionais a partir da decomposição de Figura s de 1ª ordem.Triangulação: Obtenção de Figura s geométricas a partir de triângulos formados através da medição dos ângulos subtendidos por cada vértice.1.Apostila de Geografia do Brasil b) Levantamentos Geodésicos de Precisão (Âmbito Nacional) . Os demais levantamentos estarão referenciados ao de alta precisão.1. sendo que o levantamento será efetuado através da medição dos lados. como aquele.LEVANTAMENTO PLANIMÉTRICO Dentre os levantamentos planimétricos clássicos. baseia-se em propriedades geométricas a partir de triângulos superpostos.Para áreas menos desenvolvidas (3ª ordem): Dirigido às áreas remotas ou aquelas em que não se justifiquem investimentos imediatos. c) Levantamentos Geodésicos para fins Topográficos (Local) Têm características locais. Têm a finalidade de fornecer o apoio básico indispensável às operações topográficas de levantamento. Partindo de uma linha formada por dois pontos conhecidos.1 .1. É o mais antigo e utilizado processo de levantamento planimétrico.Para áreas mais desenvolvidas (2ª ordem): Insere-se diretamente no grau de desenvolvimento socioeconômico regional.

a determinação da Figura e dimensões da Terra. 3.2 . . precisão e para fins de detalhamento.Apostila de Geografia do Brasil . a investigação da crosta terrestre e a prospecção de recursos minerais. usado em regiões onde é impossível utilizar-se os métodos acima ou quando se queira maior rapidez. As especificações e normas gerais abordam as técnicas de medições gravimétricas vinculadas às determinações relativas com uso de gravímetros estáticos.Nivelamento Geométrico: É o método usado nos levantamentos altimétricos de alta precisão que se desenvolvem ao longo de rodovias e ferrovias.Maior parte da rede nacional de triangulação executada pelo IBGE 56 .3 . fornece apoio altimétrico para os trabalhos topográficos. medindo-se diferenças de aceleração da gravidade entre pontos sucessivos. aplicações na área da Geociência como por exemplo. É o de mais baixa precisão.LEVANTAMENTOS TOPOGRÁFICOS São operações através das quais se realizam medições. possibilitando. os gravimétricos são desdobrados em: Alta precisão. esses levantamentos são bastante similares ao nivelamento geométrico. . À semelhança dos levantamentos planimétricos e altimétricos. a partir dos seus resultados. 3.3 .LEVANTAMENTO GRAVIMÉTRICO A gravimetria tem por finalidade o estudo do campo gravitacional terrestre.Nivelamento Trigonométrico: Baseia-se em relações trigonométricas. Figura 1.1. É menos preciso que o geométrico.Nivelamento Barométrico: Baseia-se na relação inversamente proporcional entre pressão atmosférica e altitude. com a finalidade de se determinar a posição relativa de pontos da superfície da Terra no horizonte tropográfico (correspondente a um círculo de raio 10 km). No SGB. Matematicamente.1. os pontos cujas altitudes foram determinadas a partir de nivelamento geométrico são denominados referências de nível (RRNN).

Rede de nivelamento geodésico executado pelo IBGE 3. tornando obrigatório o emprego do Mapa Geoidal do Brasil. 24 57 . . sendo mais utilizada na locação de obras de engenharia civil e de instalações industriais. de controle e do usuário. navegação aérea e marítima e quase todas as aplicações em geoprocessamento que envolvam dados de campo. ocupa o primeiro lugar entre os sistemas e métodos utilizados pela topografia. as técnicas geodésicas e topográficas para determinações de ângulos e distâncias utilizadas para a obtenção de coordenadas bi e/ou tri-imensionais sobre a superfície terrestre. através de metodologia própria. para a obtenção de altitudes referenciadas ao geóide (nível médio dos mares). Isto acarreta que os resultados dos posicionamentos realizados com o GPS referem-se a esse sistema geodésico.O GPS Em 1978 foi iniciado o rastreamento dos primeiros satélites NAVSTAR. o Sistema de Posicionamento Global (GPS) com a constelação NAVSTAR ("Navigation System With Timing And Ranging"). . sistemas eletrônicos de determinações de distâncias por mira "laser" ou infravermelhas determinaram uma grande evolução. totalmente completa e operacional.Referência O sistema geodésico adotado para referência é o World Geodetic System de 1984 (WGS-84).Segmento Espacial (A Constelação GPS) O segmento espacial do GPS prevê cobertura mundial de tal forma que em qualquer parte do globo. No entanto. existam pelo menos 4 satélites visíveis em relação ao horizonte. Ressalta-se que o GPS fornece resultados de altitude elipsoidal. Atualmente. aerofotogrametria.3 . A geodésia por satélites baseados em Radar (NNSS).POSICIONAMENTO TRIDIMENSIONAL POR GPS Na coleta de dados de campo. . geodésia. Posteriormente. produzido pelo IBGE.4 .Apostila de Geografia do Brasil Figura 1. depois que o Sistema foi aberto para uso civil e de outros países. através de instrumentos ópticos e mecânicos tornaram-se obsoletos. adotado no Brasil. devendo ser transformados para o sistema SAD-69. somente na segunda metade da década de 80 é que o GPS se tornou popular. já que o projeto foi desenvolvido para aplicações militares. Surgiu através de pesquisas sobre distanciômetros durante a 2ª Grande Guerra e foi amplamente utilizado até o início de 1993. incluindo os pólos. dando origem ao GPS como é hoje conhecido. O Sistema GPS subdivide-se em três segmentos: espacial. em frequência de rádio muito altas (bandas de microondas) foi desenvolvido pela Marinha dos Estados Unidos com a finalidade básica da navegação e posicionamento das belonaves americanas sobre superfície. e também em consequência do avanço tecnológico no campo da microinformática. em meados dos anos 60. permitindo aos fabricantes de rastreadores produzir receptores GPS que processassem no próprio receptor os códigos de sinais recebidos do rastreador.

Para aplicações científicas. sincronizando-os com o tempo da estação mestra. . além de monitorar os satélites que passam pelos EUA.4 . o qual consiste de uma estação de controle mestra. .Estações de campo: Estas estações são formadas por uma rede de antenas de rastreamento dos satélites NAVSTAR. processando-os e gerando os dados que efetivamente serão transmitidos aos satélites. . . Utilizado para aplicações geodésicas de precisão. dos dados e observações afetuadas. Através de dados meteorológicos. .Relativo: É o mais preciso. em relação a uma determinada superfície de referência. . no Pacífico. Refere-se a tudo que se relaciona com a comunidade usuária. Em algumas regiões da Terra é possível a obtenção de 8 ou mais satélites visíveis ao mesmo tempo. obtidas com um receptor móvel.Segmento de Controle (Sistemas de Controle) Compreende o Sistema de Controle Operacional. Tem a finalidade de ajustar os tempos de passagem dos satélites. mas existem satélites em órbita com mais de 10 anos e ainda em perfeito funcionamento. além da mestra: . sensores). Esses receptores comunicam-se através de link de rádio. é possível obter-se uma precisão de até 1 ppm. A legislação brasileira amplia o campo das atividades de aerolevantamento à interpretação ou tradução. modelam os erros de refração e calculam suas correções. cinemático ou dinâmico). essa precisão é de 0.5 segundo. . é composta por 24 satélites ativos que circulam a Terra em órbitas elípticas (quase circulares). calculando suas posições a cada 1.AEROLEVANTAMENTOS Baseados na utilização de equipamentos aero ou espacialmente transportados (câmaras fotográficas e métricas.Kwajalein.Ilha de Assención.RBMC. estacionado num ponto de coordenadas conhecidas. Dependendo da técnica utilizada (estático. prestam-se à descrição geométrica da superfície topográfica. os diversos tipos de receptores e os métodos de posicionamento por eles utilizados.Segmento do Usuário O segmento dos usuários está associado às aplicações do sistema. . transmitidas aos satélites e através destes.Apostila de Geografia do Brasil horas ao dia.Colorado. estações de monitoramento mundial e estações de controle de campo. A vida útil esperada de cada satélite é de cerca de 6 anos. Existem quatro estações.Diferencial: As posições absolutas. Esta estação.1 ppm. . 3.Estações de monitoramento: Rastreiam continuamente todos os satélites da constelação NAVSTAR.Métodos de Posicionamento .Estação mestra: Localiza-se na base FALCON da USAF em Colorado Springs .Diego Garcia. . Precisão de 1 a 10 metros. são corrigidas por um outro receptor fixo. com o emprego de sensores e/ou 58 . Aerolevantamento é definido como sendo o conjunto de operações aéreas e/ou espaciais de medição. no Atlântico sul. . reúne os dados das estações de monitoramento e de campo. o estabelecimento da Rede Brasileira de Monitoramento Contínuo . por exemplo. sob qualquer forma. computação e registro de dados do terreno. no Oceano Índico. A constelação de satélites GPS.Hawai.Absoluto (Ponto isolado): Este método fornece uma precisão de 100 metros. para os receptores de todo o mundo.

culturais e ilustrativos. . constituída de operações de cobertura aérea e/ou espacial. dos aspectos naturais e artificiais de uma figura planetária.limites das folhas constituídos por linhas convencionais. . em escala média ou grande. . ortofotomosaico e ortofotocarta.destinação a fins temáticos.desdobramento em folhas articuladas de maneira sistemática. em escala pequena. destinada à avaliação precisa de direções. A partir dessas características pode-se generalizar o conceito: " Mapa é a representação no plano. dos aspectos artificiais e naturais de uma área tomada de uma superfície planetária.representação cartográfica sobre uma superfície esférica. pode-se generalizar: " Carta é a representação no plano. políticoadministrativos.POR TRAÇO GLOBO . . fotografia. subdividida em folhas delimitadas por linhas convencionais .paralelos e meridianos . etc. com grau de precisão compatível com a escala.1 . d) Interpretação e tradução cartográfica. áreas e detalhes. constituindo-se das fases e operações seguintes: 1ª fase: Aquisição dos dados. b) Confecção de mosaico controlado e fotocarta. .). bem como a interpretação dos dados levantados ou sua tradução sob qualquer forma. diapositivo. dos aspectos geográficos.REPRESENTAÇÃO CARTOGRÁFICA 1 . Operações: a) Processamento fotográfico de filme aéreo ou espacial e respectiva obtenção de diafilme. chapadas. c) Confecção de ortofotografia. f) Preparo para impressão de original de restituição estereofotogramétrica ou elaborado a partir de imagem obtida com outro sensor remoto. . fotoíndice e mosaico não controlado. Da mesma forma que da conceituação de mapa. 2ª fase: Operação relativa à interpretação ou tradução dos dados obtidos em operação aérea e/ou espacial. normalmente em escala pequena. mediante restituição estereofotogramétrica ou de imagem obtida com outro sensor remoto.área delimitada por acidentes naturais (bacias. planaltos. MAPA (Características): ." CARTA (Características): . e) Processamento digital de imagem. distâncias e localização de pontos. aerogeofísica e sensoriamento remoto. com finalidade cultural e ilustrativa.escala média ou grande. destinada aos mais variados usos. delimitada por elementos físicos. II ." 59 .com a finalidade de possibilitar a avaliação de pormenores.TIPOS DE REPRESENTAÇÃO 1. O aerolevantamento engloba as atividades de aerofotogrametria.geralmente em escala pequena.representação plana. culturais e artificiais de uma área tomada na superfície de uma Figura planetária. naturais. g) Reprodução e impressão de cartas e mapas. político-administrativos. culturais ou ilustrativos.representação plana.Apostila de Geografia do Brasil equipamentos adequados. temáticos.

ORTOFOTOMAPA . etc. Para alguns tipos de trabalho ele satisfaz plenamente. usando-se controle do terreno com fotos não corrigidas.não-controlado . onde se encontram plotados um conjunto de pontos que servirão de controle à precisão do mosaico. podendo conter informações planimétricas.controlado . recortadas e montadas técnica e artísticamente. . Por exemplo. edificações. etc. a escala possa ser considerada constante.é um mosaico controlado. Esta representação consiste em projetarmos esta superfície. com os detalhes nela existentes. 60 . Classifica-se em: . Não existe controle de terreno e as fotografias não são corrigidas. 2 .é uma ortofotografia . e que.1 .são montados combinando-se características do mosaico controlado e do não controlado. em consequência.é o conjunto de fotos de uma determinada área. lagos. A representação se restringe a uma área muito limitada e a escala é grande. mas sem pontos de controle.montagem por superposição das fotografias.é o conjunto de várias ortofotocartas adjacentes de uma determinada região. É a primeira imagem cartográfica da região. Esse tipo de mosaico é de montagem rápida.é preparado simplesmente através do ajuste de detalhes de fotografias adjacentes. de forma a dar a impressão de que todo o conjunto é uma única fotografia. Os pontos lançados na prancha tem que ter o correspondente na imagem. linhas e georreferenciada. podendo conter simbologia e toponímia.Apostila de Geografia do Brasil PLANTA ." 1.semicontrolado . ORTOFOTOCARTA . consequentemente o nº de detalhes é bem maior. Os detalhes representados podem ser: . que é uma perspectiva central do terreno. Normalmente a escala do fotoíndice é reduzida de 3 a 4 vezes em relação a escala de vôo. montanhas.Artificiais: São os elementos criados pelo homem como: represas. mas não possui nenhuma precisão. O fotoíndice é insumo necessário para controle de qualidade de aerolevantamentos utilizados na produção de cartas através do método fotogramétrico. Esse mosaico é de alta precisão.Imagem referenciada a partir de pontos identificáveis e com coordenadas conhecidas. mares. Essas fotos são então montadas sobre uma prancha. . ou fotos corrigidas. sobre o qual é realizado um tratamento cartográfico (planimétrico).Naturais: São os elementos existentes na natureza como os rios. sobre um plano horizontal ou em arquivos digitais. . superposta por reticulado da projeção. pontes. "Carta que representa uma área de extensão suficientemente restrita para que a sua curvatura não precise ser levada em consideração. com ou sem legenda.2 .INTRODUÇÃO Uma carta ou mapa é a representação convencional ou digital da configuração da superfície topográfica.ESCALA 2. em uma projeção ortogonal sobre um plano complementada por símbolos. serras. CARTA IMAGEM . FOTOCARTA .a planta é um caso particular de carta. geralmente em escala reduzida.POR IMAGEM MOSAICO . estradas.é obtido a partir de fotografias aéreas submetidas a processos específicos de correção de tal forma que a imagem resultante corresponda exatamente a imagem no instante da tomada da foto. FOTOÍNDICE .fotografia resultante da transformação de uma foto original.

ter-se-á d > D . só estará completa se trouxer esses elementos devidamente representados. não permitem uma redução acentuada. d < D. É a escala de projeção menor. empregada para reduções. que denominar-se-á distância real natural.2 . em três categorias: . Duas figuras semelhantes têm ângulos iguais dois a dois e lados homólogos proporcionais. dependendo da escala. a razão ou relação de semelhança é a seguinte: d D A esta relação denomina-se ESCALA. dando lugar à classificação das escalas quanto a sua natureza. denominado distância prática. pois tornar-se-iam imperceptíveis. d = um comprimento homólogo no desenho. que será sempre possível. ter-se-á d = D .Na 3ª categoria. Assim: Escala é definida como a relação existente entre as dimensões das linhas de um desenho e as suas homólogas. 61 . Verifica-se portanto. Esta representação gera dois problemas: 1º) A necessidade de reduzir as proporções dos acidentes à representar. Como as linhas do terreno e as do desenho são homólogas. ou seja.Na 2ª. a distância gráfica é menor que a real. o desenho que representa o terreno é uma Figura semelhante a dele.Na 1ª. 2. logo.ESCALA NUMÉRICA Indica a relação entre os comprimentos de uma linha na carta e o correspondente comprimento no terreno. A relação d/D pode ser maior. a fim de tornar possível a representação dos mesmos em um espaço limitado.Apostila de Geografia do Brasil Uma carta ou mapa. no entanto são acidentes que por usa importância devem ser representados nos documentos cartográficos A solução é a utilização de símbolos cartográficos. Essa proporção é chamada de ESCALA 2º) Determinados acidentes. 2. dependendo dos seus objetivos. através do desenho geométrico obter-se figuras semelhantes às do terreno. igual ou menor que a unidade.DEFINIÇÃO Escala é a relação entre a medida de um objeto ou lugar representado no papel e sua medida real. em forma de fração com a unidade para numerador. que é a usada em Cartografia. em que as dimensões no desenho são menores que as naturais ou do modelo.3 . Sejam: D = um comprimento tomado no terreno.

1 . no terreno. Isto significa que 1cm na carta corresponde a 25. ou seja.2 mm.Apostila de Geografia do Brasil Sendo: E = escala N = denominador da escala d = distância medida na carta D = distância real (no terreno) As escalas mais comuns têm para numerador a unidade e para denominador. Os acidentes cujas dimensões forem menores que os valores dos erros de tolerância. capaz de ser representada em desenho na mencionada Escala. quanto menor for a escala.000 é maior que 1:100. Fixado esse limite prático.PRECISÃO GRÁFICA É a menor grandeza medida no terreno.ESCOLHA DE ESCALAS 62 . cujos símbolos irão ocupar no desenho. O erro de medição permitido será calculado da seguinte forma: O erro tolerável.000 cm ou 250 m. varia na razão direta do denominador da escala e inversa da escala. não serão representados graficamente.000 2. pode-se determinar o erro tolerável nas medições cujo desenho deve ser feito em determinada escala. portanto. um múltiplo de 10. OBS: Uma escala é tanto maior quanto menor for o denominador.3. sendo este o erro admissível. dimensões independentes da escala. A experiência demonstrou que o menor comprimento gráfico que se pode representar em um desenho é de 1/5 de milímetro ou 0. maior será o erro admissível.3. 2.2 . Em muitos casos é necessário utilizar-se convenções cartográficas. Ex: 1:50.

A Escala Gráfica nos permite realizar as transformações de dimensões gráficas em dimensões reais sem efetuarmos cálculos.Apostila de Geografia do Brasil Considerando uma região da superfície da Terra que se queira mapear e que possua muitos acidentes de 10m de extensão. Para isso é necessário reduzir alguns e ampliar outros. o denominador da escala mínima para que os acidentes com 10m de extensão possam ser representadas. É constituída de um segmento à direita da referência zero.4 . torna-se necessário o emprego da escala numérica.000.ESCALA GRÁFICA É a representação gráfica de várias distâncias do terreno sobre uma linha reta graduada. 2º) Transportamos essa distância para a Escala Gráfica. que é dividido em sub-múltiplos da unidade escolhida graduadas da direita para a esquerda. Consiste também de um segmento à esquerda da origem denominada de Talão ou escala de fracionamento. ou seja. faz-se necessário unir cartas ou mapas em escalas diferentes a fim de compatibiliza-los em um único produto. 63 . entretanto.000 encontrar-se-á 50. 2.2 mm ou 1/5 mm) corresponde a 10 m no terreno. Verificase então que multiplicando 10 x 5. 2.000 Na escala 1:50. Para sua construção. O seu emprego consiste nas seguintes operações: 1º) Tomamos na carta a distância que pretendemos medir (pode-se usar um compasso). durante o trancorrer de alguns trabalhos cartográficos.5 . 3º) Lemos o resultado obtido. conhecida como escala primária.MUDANÇAS DE ESCALA Muitas vezes.000. a menor escala que se deve adotar para que esses acidentes tenham representação será: A escala adotada deverá ser igual ou maior que l:50. o erro prático (0.

constituindo os chamados "sistemas de projeções".Digital: por ampliação ou redução em meio digital diretamente. o qual vai traçar a redução ou ampliação do detalhe que percorremos com a ponta seca. 3 . 2. só os métodos fotocartográfico e digital devem ser utilizados. Como vimos. Diversos métodos podem ser empregados para se obter essa correspondência de pontos. como fazem os geodesistas. no entanto reduções grandes poderão gerar a fusão de linhas e demais componentes de uma carta (coalescência) que deverão ser retiradas. como é o caso do globo escolar. O problema básico das projeções cartográficas é a representação de uma superfície curva em um plano. a área ficará reduzida por um número de vezes igual ao quadrado do denominador dessa fração.6 . e isto pode ser rapidamente compreendido se tentarmos fazer coincidir a casca de uma laranja com a superfície plana de uma mesa. podendo indicar quantas vezes foi ampliada ou reduzida uma área. ressaltando que a ampliação é muito mais susceptível de erro do que a redução. São estudados também os processos de construção de cada tipo de projeção e sua seleção. ou ainda expressá-lo matemáticamente. questionar a validade deste modelo de representação já que seria possível construir representações tridimensionais do elipsóide ou da esfera.Pantógrafo: Paralelograma articulado tendo em um dos pólos uma ponta seca e no outro um lápis.Quadriculado . para fins de mapeamento. Quando nos referimos à superfície usamos a escala de área. ela expressa claramente a impossibilidade de uma solução perfeita (projeção livre de deformações). Poderíamos então. Em termos teóricos esta argumentação é perfeitamente válida e o desejo de se obter uma representação 64 .Apostila de Geografia do Brasil Para transformação de escala existem alguns métodos: . a forma de nosso planeta é representada. Tem como vantagem a precisão e rapidez. . na qual podemos efetuar regulagens que permitem uma redução ou ampliação em proporções rigorosas. o estabelecimento de um método. Em termos práticos. . por um elipsóide (ou por uma esfera. conforme seja a aplicação desejada) que é considerada a superfície de referência a qual estão relacionados todos os elementos que desejamos representar (elementos obtidos através de determinadas tipos de levantamentos). A teoria das projeções compreende o estudo dos diferentes sistemas em uso.Fotocartográfico: Através de uma câmara fotogramétrica de precisão. Como em cartografia trabalha-se com a maior precisão possível. segundo o qual. Enquanto a distância em uma redução linear é indicada pelo denominador da fração. a cada ponto da superfície da Terra corresponda um ponto da carta e vice-versa.ESCALA DE ÁREA A escala numérica refere-se a medidas lineares. antes de tudo. de acordo com a finalidade em vista. incluindo a exposição das leis segundo as quais se obtêm as interligações dos pontos de uma superfície (Terra) com os da outra (carta). Ela indica quantas vezes foi ampliada ou reduzida uma distância. o problema consiste em se representar a Terra em um plano. Podemos ainda dizer que não existe nenhuma solução perfeita para o problema.Triângulos semelhantes .PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS A confecção de uma carta exige. Embora esta seja uma simplificação grosseira do problema das projeções cartográficas. a casca de laranja teria que ser distorcida. Para alcançar um contato total entre as duas superfícies.

3. é necessário ao se fixar o sistema de projeção escolhido considerar a finalidade da carta que se quer construir. Esta carta deveria possuir as seguintes propriedades: 1. A construção de um sistema de projeção será escolhido de maneira que a carta venha a possuir propriedades que satisfaçam as finalidades impostas pela sua utilização. Em Resumo: As representações cartográficas são efetuadas. Para amarrar a posição de um ponto no espaço necessitamos ainda complementar as coordenadas bidimensionais que apresentamos no parágrafo anterior. Assim. É com base em determinados sistemas de coordenadas que descrevemos geometricamente a superfície terrestre nos levantamentos referidos no capítulo I. 3º) Relacionar por processo projetivo ou analítico pontos do modelo matemático com o plano de representação escolhendo-se uma escala e sistema de coordenadas.1 .SISTEMAS DE COORDENADAS 3. portanto.Constância das relações entre as distâncias dos pontos representados e as distâncias dos seus correspondentes (equidistância). Para o plano. Em geral. Antes de entrarmos nas técnicas de representação propriamente ditas. Podemos dizer que todas as representações de superfícies curvas em um plano envolvem: "extensões" ou "contrações" que resultam em distorções ou "rasgos". usualmente empregamos um sistema de coordenadas cartesiano e curvilíneo (PARALELOS e MERIDIANOS). com uma terceira coordenada que é denominada ALTITUDE. representando uma superfície rigorosamente semelhante à superfície da Terra. O problema básico consiste em relacionar pontos da superfície terrestres ao plano de representação.CONSTRUÇÃO DO SISTEMA DE COORDENADAS Os sistemas de coordenadas são necessários para expressar a posição de pontos sobre uma superfície.Apostila de Geografia do Brasil sobre uma superfície plana é de mera conveniência. sobre uma superfície plana (Plano de Representação onde se desenha o mapa). construir uma carta que. ou esfera. 2.2. A altitude de um ponto qualquer está ilustrada na fig . Como tal não ocorre.Manutenção da verdadeira forma das áreas a serem representadas (conformidade). esfera ou elipsóide de revolução. Existem algumas razões que justificam esta postura. possua aquelas que satisfaçam a determinado objetivo. O ideal seria construir uma carta que reunisse todas as propriedades. da carta que reunisse todas as condições desejadas A solução será. 3. Para o elipsóide. sem possuir todas as condições ideais. isto é. torna-se impossível a construção da carta ideal. Diferentes técnicas de representação são aplicadas no sentido de se alcançar resultados que possuam certas propriedades favoráveis para um propósito específico. na sua maioria. 2º) Projetar todos os elementos da superfície terrestre sobre o modelo escolhido. Isto compreende as seguintes etapas: 1º) Adoção de um modelo matemático da terra (Geóide) simplificado. onde o 65 . introduziremos alguns Sistemas de Coordenadas utilizados na representação cartográfica. esfera ou um plano.Inalterabilidade das áreas (equivalência). Essas propriedades seriam facilmente conseguidas se a superfície da Terra fosse plana ou uma superfície desenvolvível. (Atenção: tudo o que se vê num mapa corresponde à superfície terrestre projetada sobre o nível do mar aproximadamente).1.1 . e as mais diretas são: o mapa plano é mais fácil de ser produzido e manuseado. seja ela um elipsóide.1-a. um sistema de coordenadas cartesianas X e Y é usualmente aplicável.

Apostila de Geografia do Brasil primeiro tipo (h) é a distância contada a partir do geóide (que é a superfície de referência para contagem das altitudes) e o segundo tipo (H), denominado ALTITUDE GEOMÉTRICA é contada a partir da superfície do elipsóide.

Figura 2.1- Sistemas de coordenadas 3.1.2 - MERIDIANOS E PARALELOS MERIDIANOS - São círculos máximos que, em conseqüência, cortam a TERRA em duas partes iguais de pólo a pólo. Sendo assim, todos os meridianos se cruzam entre si, em ambos os pólos. O meridiano de origem é o de GREENWICH (0º).(2) PARALELOS - São círculos que cruzam os meridianos perpendicularmente, isto é, em ângulos retos. Apenas um é um círculo máximo, o Equador (0º). Os outros, tanto no hemisfério Norte quanto no hemisfério Sul, vão diminuindo de tamanho à proporção que se afastam do Equador, até se transformarem em cada pólo, num ponto (90º). (Figura 2.2) a) no elipsóide de revolução PN - Pólo Norte PS - Pólo Sul

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Apostila de Geografia do Brasil

Figura 2.2 - Paralelos e Meridianos
(2) Meridiano Internacional de Referência, escolhido em Bonn, Alemanha, durante a Conferência Técnica das Nações Unidas para a Carta Internacional do Mundo ao milionésimo, como origem da contagem do meridiano.

3.1.3 - LATITUDE E LONGITUDE 3.1.3.1. - A TERRA COMO REFERÊNCIA (Esfera) LATITUDE GEOGRÁFICA ( j ) É o arco contado sobre o meridiano do lugar e que vai do Equador até o lugar considerado. A latitude quando medida no sentido do pólo Norte é chamada Latitude Norte ou Positiva. Quando medida no sentido Sul é chamada Latitude Sul ou Negativa. Sua variação é de: 0º a 90º N ou 0º a + 90º; 0º a 90º S ou 0º a - 90º LONGITUDE GEOGRÁFICA ( l ) É o arco contado sobre o Equador e que vai de GREENWICH até o Meridiano do referido lugar. A Longitude pode ser contada no sentido Oeste, quando é chamada LONGITUDE OESTE DE GREENWICH (W Gr.) ou NEGATIVA. Se contada no sentido Este, é chamada LONGITUDE ESTE DE GREENWICH (E Gr.) ou POSITIVA. A Longitude varia de: 0º a 180º W Gr. ou 0º a - 180º; 0º a 180º E Gr. ou 0º a + 180º .

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Apostila de Geografia do Brasil

Figura 2.3 - Latitude e Longitude 3.1.3.2. - O ELIPSÓIDE COMO REFERÊNCIA LATITUDE GEODÉSICA ( j ) É o ângulo formado pela normal ao elipsóide de um determinado ponto e o plano do Equador. LONGITUDE GEODÉSICA ( l ) É o ângulo formado pelo plano meridiano do lugar e o plano meridiano tomado como origem (GREENWICH). (Figura 2.1.a) 3.2 - CLASSIFICAÇÃO DAS PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS

3.2.1 - QUANTO AO MÉTODO a) Geométricas - baseiam-se em princípios geométricos projetivos. Podem ser obtidos pela interseção, sobre a superfície de projeção, do feixe de retas que passa por pontos da superfície de referência partindo de um centro perspectivo (ponto de vista). b) Analíticas - baseiam-se em formulação matemática obtidas com o objetivo de se atender condições (características) préviamente estabelecidas (é o caso da maior parte das projeções existentes). 3.2.2 - QUANTO À SUPERFÍCIE DE PROJEÇÃO 68

4). cilindro-policilíndrica). c) Cilíndricas . b) Cônicas .se caracterizam pelo emprego de mais do que uma superfície de projeção (do mesmo tipo) para aumentar o contato com a superfície de referência e.4).5) e suas possíveis posições em relação a superfície de referência podem ser: equatorial.5). ela pode ser desenvolvida em um plano sem que haja distorções (Figura 2. transversal e oblíqua (ou horizontal) (Figura 2.este tipo de superfície pode assumir três posições básicas em relação a superfície de referência: polar. transversal e oblíqua (ou horizontal) (Figura 2.tal qual a superfície cônica. a superfície de projeção que utiliza o cilindro pode ser desenvolvida em um plano (Figura 2. equatorial e oblíqua (ou horizontal) (Figura 2. A sua posição em relação à superfície de referência pode ser: normal.Apostila de Geografia do Brasil a) Planas .4). 69 . já que a superfície de projeção é o cone. d) Polissuperficiais . portanto. e funciona como superfície auxiliar na obtenção de uma representação.embora esta não seja uma superfície plana. diminuir as deformações (plano-poliédrica . cone-policônica .

Superfícies de Projeção desenvolvidas em um plano.2. ou seja. todos os ângulos em torno de quaisquer pontos. Seja qual for a porção representada num mapa. cone e cilindro. c) Equivalentes . As propriedades acima descritas são básicas e mutuamente exclusivas.4 .a superfície de projeção secciona a superfície de referência (plano. equivalência. isto é. podemos especificar representações cartográficas cujas propriedades atendam as nossas necessidades em cada caso específico.3 . não deformam pequenas regiões. cone. ela conserva a mesma relação com a área de todo o mapa.uma linha. conservando assim.a superfície de projeção é tangente à de referência (plano. os ângulos e os comprimentos não são conservados.duas linhas iguais) (Figura 2.QUANTO AO TIPO DE CONTATO ENTRE AS SUPERFÍCIES DE PROJEÇÃO E REFERÊNCIA a) Tangentes .QUANTO ÀS PROPRIEDADES Na impossibilidade de se desenvolver uma superfície esférica ou elipsóidica sobre um plano sem deformações. na prática. e decorrentes dessa propriedade.Não possui nenhuma das propriedades dos outros tipos.6). mas apenas a melhor representação para um determinado propósito.duas linhas desiguais.Apostila de Geografia do Brasil Figura . 3.2.Têm a propriedade de não alterarem as áreas.As que não apresentam deformações lineares para algumas linhas em especial. 3. Elas ressaltam mais uma vez que não existe uma representação ideal. b) Conformes .um ponto. os comprimentos são representados em escala uniforme.uma linha). as projeções em que as áreas. isto é.5 . 70 . cilindro. buscam-se projeções tais que permitam diminuir ou eliminar parte das deformações conforme a aplicação desejada.2. d) Afiláticas .Representam sem deformação. b) Secantes . uma relação constante com as suas correspondentes na superfície da Terra. destacam-se: a) Eqüidistantes . conformidade e eqüidistância. Assim. Através da composição das diferentes características apresentadas nesta classificação das projeções cartográficas.

. Figura 2. É amplamente utilizada nos EUA.PROJEÇÃO CÔNICA NORMAL DE LAMBERT (com dois paralelos padrão) 71 .Superfícies de projeção secantes 3. É muito popular devido à simplicidade de seu cálculo pois existem tabelas completas para sua construção.PROJEÇÕES MAIS USUAIS E SUAS CARACTERÍSTICAS 3.Pequena deformação próxima ao centro do sistema.Não é conforme nem equivalente (só tem essas características próxima ao Meridiano Central). No BRASIL é utilizada em mapas da série Brasil. .Superfície de representação: diversos cones .3. .Aplicações: Apropriada para uso em países ou regiões de extensão predominantemente NorteSul e reduzida extensão Este-Oeste.Os paralelos são círculos não concêntricos (cada cone tem seu próprio ápice) e não apresentam deformações.7 .6 .Apostila de Geografia do Brasil Figura 2. .2 . estaduais e temáticos. regionais.3 .1 .PROJEÇÃO POLICÔNICA .Os meridianos são curvas que cortam os paralelos em partes iguais. O MC é dividido em partes iguais pelos paralelos e não apresenta deformações. .Projeção Policônica 3. mas aumenta rapidamente para a periferia.O Meridiano Central e o Equador são as únicas retas da projeção.3.

Figura 2.Conforme. .Analítica. . É muito utilizada em cartas destinadas à navegação. Isto faz com que esta projeção seja bastante útil para regiões que se estendam na direção este-oeste. .Analítica.3 . .3. . foi adotada para a Carta Internacional do Mundo.Cônica. .Secante.8 .Os paralelos são círculos concêntricos com centro no ponto de interseção dos meridianos. com exceção do meridiano de tangência e do Equador. .Projeção Cônica Normal de Lambert (com dois paralelos-padrão) 3.Aplicações: Indicada para regiões onde há predominância na extensão Norte-Sul.Tangente (a um meridiano). ao Milionésimo.Aplicações: A existência de duas linhas de contato com a superfície (dois paralelos padrão) nos fornece uma área maior com um baixo nível de deformação.Conforme.Os meridianos e paralelos não são linhas retas.PROJEÇÃO CILÍNDRICA TRANSVERSA DE MERCATOR (Tangente) . . 72 . A partir de 1962.Cilíndrica. .Apostila de Geografia do Brasil . . .Os meridianos são linhas retas convergentes. porém pode ser utilizada em quaisquer latitudes.

Só o Meridiano Central e o Equador são linhas retas.Apostila de Geografia do Brasil Figura 2.Aplicações: Utilizado na produção das cartas topográficas do Sistema Cartográfico Nacional produzidas pelo IBGE e DSG.4 .Secante.9 .CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DO SISTEMA UTM: 1) O mundo é dividido em 60 fusos.PROJEÇÃO CILÍNDRICA TRANSVERSA DE MERCATOR (Secante) . Os fusos são numerados de um a sessenta começando no fuso 180º a 174º W Gr. onde cada um se estende por 6º de longitude.10 .Cilíndrica. . Assim cada ponto do elipsóide de referência (descrito por latitude.5 . .Projeção Cilíndrica Transversa de Mercartor 3. tal que um eixo coincide com a projeção do Meridiano Central do fuso (eixo N apontando para Norte) e o outro eixo.Conforme.Cilindro secante 3. com o do Equador. .3. . uma modificação da Projeção Cilíndrica Transversa de Mercator. .Projeção utilizada no SISTEMA UTM .3. 73 . Figura 2. e continuando para este. em essência. Este sistema é.11).Universal Transversa de Mercator desenvolvido durante a 2ª Guerra Mundial. Cada um destes fusos é gerado a partir de uma rotação do cilindro de forma que o meridiano de tangência divide o fuso em duas partes iguais de 3º de amplitude (Figura 2. 2) O quadriculado UTM está associado ao sistema de coordenadas plano-retangulares.

para os hemisfério sul e norte respectivamente. para contagem de coordenadas ao longo do meridiano central. e 10.000 m. Isto elimina a possibilidade de ocorrência de valores negativos de coordenadas. atribuindo-se a um fator de escala k = 0. e é o Sistema de Projeção adotado para o Mapeamento Sistemático Brasileiro. para contagem de coordenadas ao longo do Equador. É a mais indicada para o mapeamento topográfico a grande escala. 3) Avaliando-se a deformação de escala em um fuso UTM (tangente). e a 1/1030 nos extremos do fuso (Figura 2.Apostila de Geografia do Brasil longitude) estará biunivocamente associado ao terno de valores Meridiano Central.0015 (1/666) nos extremos do fuso. torna-se possível assegurar um padrão mais favorável de deformação em escala ao longo do fuso. coordenada E e coordenada N.500 no meridiano central.9996 ao meridiano central do sistema UTM (o que faz com que o cilindro tangente se torne secante). Esta área de superposição serve para facilitar o trabalho de campo em certas atividades. Além desses paralelos a projeção adotada mundialmente é a Estereográfica Polar Universal. O erro de escala fica limitado a 1/2.Aplicações: Indicada para regiões de predominância na extensão Norte-Sul entretanto mesmo na representação de áreas de grande longitude poderá ser utilizada.12).000.000 m ou 0 (zero) m. 4) A cada fuso associamos um sistema cartesiano métrico de referência. . Desta forma. 5) Cada fuso deve ser prolongado até 30' sobre os fusos adjacentes criando-se assim uma área de superposição de 1º de largura. pode-se verificar que o fator de escala é igual a 1(um) no meridiano central e aproximadamente igual a 1. atribuindo à origem do sistema (interseção da linha do Equador com o meridiano central) as coordenadas 500. 6) O sistema UTM é usado entre as latitudes 84º N e 80º S. 74 .

no entanto é comum se desejar posicionamento relativo de direção nos casos de navegação. Norte Magnético .Com direção paralela ao eixo N (que coincide com o Meridiano Central do fuso) do Sistema de Projeção UTM no ponto considerado e apontado para o Norte (sentido positivo de N) 75 .Com direção tangente à linha de força do campo magnético passante pelo ponto e apontado para o Polo Norte Magnético.4 . Norte da Quadrícula . Assim.CONCEITOS IMPORTANTES O sistema de coordenadas geodésicas ou o UTM permite o posicionamento de qualquer ponto sobre a superfície da Terra. ficam definidos três vetores associados a cada ponto: Norte Verdadeiro ou de Gauss . torna-se necessária a correção do valor constantes da carta/mapa para a data do posicionamento desejado. OBS.: Devido à significativa variação da ordem de minutos de arco anualmente deste pólo ao longo dos anos.Com direção tangente ao meridiano (geodésico) passante pelo ponto e apontado para o Polo Norte.Apostila de Geografia do Brasil 3.

Apresentam os acidentes naturais e artificiais e servem. Contra-azimute: Contra-Azimute de uma direção é o Azimute da direção inversa.Apostila de Geografia do Brasil Azimute: É o ângulo formado entre a direção Norte-Sul e a direção considerada.Até 1:25. Contra-rumo: É o rumo da direção inversa. de base para os demais tipos de cartas.Azimute Verdadeiro ou de Gauss ( Az G . Rumo: É o menor ângulo que uma direção faz com a Direção Norte.CADASTRAL 76 . O Azimute varia de 0º a 360º e dependendo do Norte ao qual esteja a referenciado podemos ter: . A finalidade é fornecer ao usuário uma base cartográfica com possibilidades de aplicações generalizadas. NE.500.1 . no sentido horário.CLASSIFICAÇÃO DE CARTAS E MAPAS Quanto à natureza da representação: a) GERAL CADASTRAL . OBS: Como os azimutes.1 .000 até 1:30.000. Após o valor do rumo deve ser indicado o quadrante geográfico a que o mesmo pertence.Azimute Magnético ( Az M AB AB AB ) ) ) OBS. 4. de acordo com a precisão geométrica e tolerâncias permitidas pela escala. ou seja: NO.Sul.GERAL São documentos cartográficos elaborados sem um fim específico. contado a partir do Pólo Norte.000 TOPOGRÁFICA . No hemisfério Norte ela é positiva a Este do MC e negativa a Oeste do MC.1 . SO ou SE. 4 .1. 1:5.000 GEOGRÁFICA .000) b) TEMÁTICA c) ESPECIAL 4.CARTAS E MAPAS 4.De 1:25. os rumos.000 até 1:250. No hemisfério Sul ela é negativa a Este do MC e positiva a Oeste do MC.1. também. dependendo do norte ao qual são referenciados podem ser: Rumo verdadeiro. Convergência Meridiana Plana ( g ): É o ângulo formado entre os vetores Norte Verdadeiro e o Norte da Quadrícula associado a um ponto.1:1:000. Declinação Magnética ( d ): É o ângulo formado entre os vetores Norte Verdadeiro e o Norte Magnético associado a um ponto. a Convergência Meridiana Plana cresce com a latitude e com o afastamento do Meridiano Central (MC).Azimute da Quadrícula ( Az Q .: O azimute Geodésico corresponde ao Azimute Verdadeiro contato a partir do Polo Sul. No sistema UTM.1.000.000. da quadrícula ou magnético.000 e menores (1:2.

72% do Território Nacional. A representação planimétrica é feita através de símbolos que ampliam muito os objetos correspondentes. nas quais a densidade de edificações e arruamento é grande. As escalas mais usuais na representação cadastral.2 .1.1.000. 77 . 4. Esta representação é elaborada a partir de bases cartográficas mais recentes e de documentos cartográficos auxiliares. contendo os limites estabelecidos pela Divisão Político-Administrativa. Estadual e Municipal. geralmente planimétrica e com maior nível de detalhamento.) e altimétricos (relevo através de curvas de nível.000. Mapa Municipal : Entre os principais produtos cartográficos produzidos pelo IBGE encontra-se o mapa municipal. obras.39% do Território Nacional. etc.01%. com forte densidade demográfica. em que os elementos planimétricos (sistema viário. São elaboradas na escala. toponímia. 4. A sua abrangência é nacional. Mapa de Localidade . etc. além da elaboração de estudos e projetos que envolvam ou modifiquem o meio ambiente. acidentes naturais e artificiais. A representação altimétrica é feita através de curvas de nível..000.Representa cartograficamente áreas específicas. Normalmente é utilizada para representar cidades e regiões metropolitanas. As aplicações das cartas topográficas variam de acordo com sua escala: 1:25. na escala das referidas bases. está dirigido para as áreas das regiões metropolitanas e outras que se definem pelo atendimento a projetos específicos.000. em geral.000 . tendo sido coberto até o momento 80.1.) são geometricamente bem representados. cidade ou vila). tendo sido cobertos até agora 13. 1:500. Esse mapeamento. priorizadas para os investimentos governamentais. são: 1:1. 1:5. Inclui os acidentes naturais e artificiais. pelas características da escala. os quais oferecem uma precisão de acordo com a escala de publicação. Cobertura Nacional: 1. apresentando grande precisão geométrica. rede de coordenadas geográficas e UTM.Objetiva representar as áreas com notável ocupação. A sua abrangência é nacional.Federal.000 . 1:100.Retrata cartograficamente zonas densamente povoadas.TOPOGRÁFICA Carta elaborada a partir de levantamentos aerofotogramétrico e geodésico original ou compilada de outras cartas topográficas em escalas maiores. pontos colados. alguns dos quais muitas vezes têm que ser bastante deslocados.000 e menores. 1:250. como por exemplo a Carta Internacional do Mundo ao Milionésimo (CIM).000 . fornecendo elementos para o planejamento socioeconômico e bases para anteprojetos de engenharia.1.Denominação utilizada na Base Territorial dos Censos para identificar o conjunto de plantas em escala cadastral. O mapeamento dos municípios brasileiros é para fins de planejamento e gestão territorial e em especial para dar suporte as atividades de coleta e disseminação de pesquisas do IBGE. que é a representação cartográfica da área de um município. sendo adequada ao planejamento socioeconômico e à formulação de anteprojetos de engenharia.Apostila de Geografia do Brasil Representação em escala grande.GEOGRÁFICA Carta em que os detalhes planimétricos e altimétricos são generalizados.Subsidia o planejamento regional. que compõe o mapeamento de uma localidade (região metropolitana. etc. em todos os níveis de governo. 1:50.9% do Território Nacional. cuja equidistância apenas dá uma idéia geral do relevo e.000 . A sua abrangência é nacional. 1:10.3 . tendo sido coberto até agora 75. são empregadas cores hipsométricas. concentrando-se principalmente nas regiões Sudeste e Sul do país. 1:2.000 e 1:15.

distintamente da geral.1.DHN. necessária às pesquisas socioeconômicas. 4. Por exemplo: Cartas náuticas. associando elementos relacionados às estruturas territoriais. 78 .2 . São documentos muito específicos e sumamente técnicos que se destinam à representação de fatos. boias. bancos de areia.1. e cada um deles. Com base no mapeamento topográfico ou de unidades territoriais. são elaboradas na escala 1:25.ESPECIAL São as cartas.000.000. o mapa temático é elaborado em especial pelos Departamentos da Diretoria de Geociências do IBGE. aos recursos naturais e estudos ambientais.3 . Pode representar uma área litorânea características topográficas e náuticas. a fim de que ofereça a máxima utilidade em operações militares. concebido para atender a uma determinada faixa técnica ou científica. 4. destinada a apresentar além de aspectos culturais e hidrográficos. a natureza do fundo do mar.etc. exprime conhecimentos particulares para uso geral. à geografia.CARTA INTERNACIONAL DO MUNDO AO MILIONÉSIMO . pilotagem ou ao planejamento de operações aéreas. Elaboradas de forma sistemática pela Diretoria de Hidrografia e Navegação . -Mapas da série Brasil 1:5.).CIM Fornece subsídios para a execução de estudos e análises de aspectos gerais e estratégicos.TEMÁTICA São as cartas. Geomorfológico. Para fins militares: Em geral.2 . seja de carga ou de passageiros. Náuticas: Representa as profundidades. que se cingir rigidamente aos métodos e objetivos do assunto ou atividade a que está ligado. recifes. tendo assim. as curvas batimétricas. astronômico. Produtos gerados:-Mapas do Brasil (escalas 1:2. no nível continental.Apostila de Geografia do Brasil Mapeamento das Unidades Territoriais : Representa. sobretudo no que se refere a operações anfíbias. mapa magnético. a partir do mapeamento topográfico. Unidades de Relevo. mapas ou plantas em qualquer escala. do Ministério da Marinha. ou parte dele. faróis. de recursos naturais e estudos ambientais. o espaço territorial brasileiro através de mapas elaborados especificamente para cada unidade territorial do país. Vegetação. contemplando um conjunto de 46 cartas. A representação temática. representando os acidentes naturais do terreno.000.000. dados ou fenômenos típicos. O Sistema Internacional exige para a navegação marítima. as marés e as correntes de um determinado mar ou áreas terrestres e marítimas. Sua abrangência é nacional. -Cartas do levantamento de recursos naturais (volumes RADAM). informações suplementares necessárias à navegação aérea.1:10.000 (Escolar. regional e estadual. Aeronáuticas: Representação particularizada dos aspectos cartográficos do terreno. destinadas a um tema específico. indispensáveis ao uso das forças armadas. -Mapas Regionais (escalas geográficas diversas). 4.000. Principais produtos: -Cartogramas temáticos das áreas social.Atlas nacional. econômica territorial. para fins militares. à estatística. -Mapas Estaduais (escalas geográficas e topográficas diversas). aeronáuticas. . meteorológico e outros. Unidades de Conservação Federais).500.000.000. que se mantenha atualizado o mapeamento do litoral e hidrovias. mapas ou plantas para grandes grupos de usuários muito distintos entre si.1:5. etc.

2º) letras A até U .indicam o número de cada fuso que contém a folha.Apostila de Geografia do Brasil É uma representação de toda a superfície terrestre.174º W no sentido Oeste-Leste (Figura 2.13 .cada uma destas letras se associa a um intervalo de 4º de latitude se desenvolvendo a Norte e a Sul do Equador e se prestam a indicação da latitude limite da folha (3).000. ou polar. OBS: O Território Brasileiro é coberto por 08 (oito) fusos. que corresponde as regiões Polares. 3º) números de 1 a 60 . a divisão em fusos aqui apresentada é a mesma adotada nas especificações do sistema UTM. Figura 2. Cada um destes fusos por sua vez estão divididos a partir da linha do Equador em 21 zonas de 4º de amplitude para o Norte e com o mesmo número para o Sul. A saber: a zona V que é limitada pelos paralelos 84º e 88º e a zona Z. Neste intervalo. numerados a partir do fuso 180º W .13). na projeção cônica conforme de LAMBERT (com 2 paralelos padrão) na escala de 1:1. Como o leitor já deve ter observado. a Projeção de Lambert não atende convenientemente a sua representação. o estabelecimento daquelas especificações é pautado nas características da CIM. Utiliza-se então a Projeção Estereográfica Polar.Carta Internacional do Mundo ao Milionésimo 79 . A distribuição geográfica das folhas ao Milionésimo foi obtida com a divisão do planeta (representado aqui por um modelo esférico) em 60 fusos de amplitude 6º. temos mais duas que abrangem os paralelos de 84º a 90º. (Figura 2. Na verdade.000.indica se a folha está localizada ao Norte ou a Sul do Equador. Cada uma das folhas ao Milionésimo pode ser acessada por um conjunto de três caracteres: 1º) letra N ou S . que vai deste último até 90º.14) (3) Além das zonas de A a U.

elaborado pela Comissão Nacional de Região Metropolitana e Política Urbana.ÍNDICE DE NOMENCLATURA E ARTICULAÇÃO DE FOLHAS Este índice tem origem nas folhas ao Milionésimo.000 até uma folha na escala 1:1. e se aplica a denominação de todas as folhas de cartas do mapeamento sistemático (escalas de 1:1.000).000. tem sido adotado por vários órgãos responsáveis pela Cartografia Regional e Urbana de seus estados.000. O segundo. Para escalas maiores que 1:25. Seu desenvolvimento se dá a partir de uma folha na escala 1:25. Existem dois sistemas de articulação de folhas que foram propostos por órgãos envolvidos com a produção de documentos cartográficos em escalas grandes: O primeiro.15 apresenta a referida nomenclatura. A Figura 2.000 a 1:25.O Brasil dividido em fusos de 6º 5 .14 .000 ainda não existem normas que regulamentem o código de nomenclatura. o que dificulta a interligação de documentos produzidos por fontes diferentes.000 até uma folha na escala 1:500.Apostila de Geografia do Brasil Figura 2. 80 . proposto e adotado pela Diretoria de Eletrônica e Proteção ao vôo (e também adotado pela COCAR). se desenvolve a partir de uma folha na escala 1:100. O que ocorre na maioria das vezes é que os órgãos produtores de cartas ou plantas nessas escalas adotam seu próprio sistema de articulação de folhas.

NOÇÕES DE SENSORIAMENTO REMOTO 81 .para as folhas de 1:100.2.para as folhas de 1:250.000.000 usamos uma numeração de 1 a 46. temos 1 a 3036. Para as folhas de 1:25. . A aparição do número MI no canto superior direito das folhas topográficas sistemáticas nas escalas 1:100. das escalas 1:250.000 acrescenta-se o indicador (NO. Assim: .Apostila de Geografia do Brasil Figura 2. .000 e 1:25. Estes números são conhecidos como "MI" que quer dizer número correspondente no MAPAÍNDICE.000.MAPA ÍNDICE Além do índice de nomenclatura. conforme recomendam as folhas-modelo publicadas pela Diretoria de Serviço Geográfico do Exército. Por exemplo. Para as folhas na escala 1:50. por exemplo. O número MI substitui a conFigura ção do índice de nomenclatura para escalas de 1:100.000 usamos uma numeração de 1 a 550.NE. de acordo com as escalas. o número MI vem acompanhado do número (1. à folha SD-23-Y-C-IV-3 corresponderá o número MI 2215-3. 7 . à folha SD-23-Y-C-IV corresponderá o número MI 2215.000 é norma cartográfica hoje em vigor.para as folhas de 1:1.000 e maiores.000 que a contém.000.SO e SE) conforme a situação da folha em relação a folha 1:50. órgão responsável pelo estabelecimento de Normas Técnicas para as séries de cartas gerais. por exemplo.000. Neste sistema numeramos as folhas de modo a referenciá-las através de um simples número.000. 1:50.3 ou 4) conforme a situação da folha em relação a folha 1:100. à folha SD-23-Y-C-IV-3-NO corresponderá o número MI 2215-3-NO.000 que a contém.15 . dispomos também de um outro sistema de localização de folhas.Nomenclatura das cartas do mapeamento sistemático 6 .

Uma onda eletromagnética pode então ser definida como a oscilação do campo elétrico (E) e magnético (M) segundo um padrão harmônico de ondas.Energia eletromagnética: A forma mais conhecida da energia eletromagnética é a luz visível. equipamentos para processamento e transmissão de dados. Artificial: Câmaras com flash. V = l x f Þ l = V/f onde. embora outras formas como raios X. ondas de rádio e calor também sejam familiares. sensores microondas 2 . em suas mais diversas manifestações. l ® m m onde. da luz = 300.Fontes de energia eletromagnética: Natural: O Sol é a principal fonte de energia eletromagnética. Outra. com o objetivo de estudar o ambiente terrestre através do registro e da análise das interações entre a radiação eletromagnética e as substâncias componentes do planeta Terra. os sensores da faixa do visível apresentam comprimento de onda que variam de 0.. Uma teoria é conhecida como "Modelo Corpuscular" e preconiza que a energia se propaga pela emissão de um fluxo de partículas (fótons).Apostila de Geografia do Brasil Entende-se por Sensoriamento Remoto a utilização conjunta de modernos sensores. Esta teoria descreve a energia eletromagnética como uma feição sinuosa harmônica que se propaga no vácuo à velocidade da luz. Todas essas formas além de outras menos conhecidas são basicamente da mesma natureza e sua forma de propagação pode ser explicada através de duas teorias.Frequência: Nº de picos que passa por um determinado ponto numa unidade de tempo. aeronaves. Duas características importantes das ondas eletomagnéticas: . 82 . que se propagam repetitivamente no vácuo. ultravioleta. espaçonaves e etc. O espectro eletromagnético se estende desde comprimentos de onda muito curtos associados a raios cósmicos até ondas de rádio de baixa frequência e grandes comprimentos de onda. ou seja. é conhecida como "Modelo Ondulatório" e postula que a propagação da energia se faz através de um movimento ondulatório. 1 .78 m m. 3x108 m/s. Quando essa carga entra em movimento desenvolve-se ao seu redor uma corrente eletromagnética. mas como essa velocidade é constante para um mesmo meio de propagação. podendo ser considerada como uma fonte de radiação. ou seja. 1 m m = 1x10-6 m . Por exemplo. espaçadas repetitivamente no tempo. V = veloc.000 Km/s f = frequência. Uma carga elétrica produz ao seu redor um campo elétrico (E). Toda matéria a uma temperatura absoluta acima de (0º K) emite energia. A frequência é diretamente proporcional à velocidade de propagação da radiação. para que haja alteração na frequência é necessário que haja alteração no comprimento de onda (l ).O espectro eletromagnético Pode ser ordenado em função do seu comprimento de onda ou de sua frequência. medida em Hertz (Hz) 3 . A aceleração de uma carga elétrica provoca perturbações nos campos elétrico e magnético.Comprimento de onda: É a distância entre dois picos consecutivos de ondas eletromagnéticas.38 m m a 0.

Esse comportamento por qualquer matéria. espectralmente. em princípio. uma imagem da superfície observada através do Sistema de quadros ou Sistema de Varredura. 83 . quanto menor a resolução espacial. assim. é seletivo em relação ao comprimento de onda.Passivos: Registra irradiações diretas ou refletidas de fontes naturais. Assim. mesmo por via indireta.1. ou seja.Refletida: Retorna sem alterações da superfície da matéria à origem .Absorvida: Cede a sua energia.Apostila de Geografia do Brasil As características de cada elemento observado determinam a maneira particular segundo a qual emite ou reflete energia.Sistemas sensores Um sistema sensor pode ser definido como qualquer equipamento capaz de transformar alguma forma de energia em um sinal passível de ser convertido em informação sobre o ambiente. a sua "assinatura" espectral. 4. 4 . Essas interações produzem modificações na energia incidente. Dependem de uma fonte de radiação externa para que possam operar. Um grande nº de interações tornase possível quando a energia eletromagnética entra em contato com a matéria. maior o seu poder de distinguir entre objetos muito próximos. ou seja. também chamado "pixels". .: Um sistema de resolução de 30m (LANDSAT) significa que os objetos distanciados de 30m serão em geral distinguidos pelo sistema.Resolução espacial: Mede a menor separação angular ou linear entre dois objetos. Sistemas de quadro: Adquirem a imagem da cena em sua totalidade num mesmo instante.Ativos: Possuem sua própria fonte de radiação. Sistemas de Varredura: A imagem da cena é formada pela aquisição seqüencial de imagens elementares do terreno ou elementos de resolução.Imageador: Fornecem. sobretudo no aquecimento da matéria . . maior o poder resolutivo.Resolução espectral: É uma medida da largura das faixas espectrais e da sensibilidade do sensor em distinguir entre dois níveis de intensidade do sinal de retorno. torna-se possível a identificação de um objeto observado por um sensor. . captando em seguida o seu reflexo. . Assim. Ex.Não imageador: Não fornecem uma imagem da superfície sensoriada e sim registros na forma de dígitos ou gráficos.Resolução: É a medida da habilidade que o sistema sensor possui em distinguir objetos que estão próximos espacialmente ou respostas que são semelhantes.Transmitida: Propaga-se através da matéria . através da sua "assinatura espectral". e específico para cada tipo de matéria.Emitida: Geralmente reemitida pela matéria em função da temperatura e da estrutura molecular Reflectância espectral: É a comparação entre a quantidade de energia refletida por um alvo e a incidente sobre ele. No caso específico do Sensoriamento Remoto. a qual incide em um alvo. a energia utilizada é a radiação eletromagnética.Dispersa: Deflectida em todas as direções e perdida por absorção e por novas deflexões . dependendo basicamente de sua estrutura atômica e molecular. Ex.: Radar .: Câmara fotográfica b) Quanto ao tipo de transformação sofrida pela radiação detectada . Ex.Classificação dos Sensores Remotos a) Quanto aos modelos operantes . ela pode ser: .

e juntando os sinais linha a linha.Sistemas de Microondas: O sistema de imageamento mais comum é o dos Radares de Visada Lateral. 6. e possuem exelente resolução espacial. refletindo as radiâncias provenientes dos pixels no eixo de oscilação.3.IMAGENS RADARMÉTRICAS O termo "Radar" é derivado da expressão Inglesa "Radio Detecting and Ranging". os sinais dos pixels formam uma linha. podendo depois serem convertidos em imagem. possibilitando sua transmissão à distância. podendo ser usado inclusive à noite. obturador e o corpo). que por ser um sistema ativo não é afetado pelas variações diurnas na radiação refletida pela superfície do terreno. forma-se a imagem da cena observada. Inicialmente os radares destinavam-se a fins militares.Fotograficamente: O processo utiliza reações químicas na superfície de um filme sensível à luz para detectar variações de imagem dentro de uma câmara e registrar os sinais detectados gerando uma imagem fotográfica. Após uma varredura completa. em: 6. 5. A energia detectada é transformada em sinal elétrico. . vem sendo utilizado pelos sensores MSS e TM a bordo dos satélites da série LANDSAT.Aquisição de dados em Sensoriamento Remoto É o procedimento pelos quais os sinais são detectados. 8 .Sistemas Fotográficos: Foram os primeiros equipamentos a serem desenvolvidos. A detecção da energia eletromagnética pode ser obtida de duas formas: . Os componentes básicos desses sensores são um sistema óptico e um detector.1.Resolução temporal (Repetitividade): É o tempo entre as aquisições sucessivas de dados de uma mesma área. as câmaras fotográficas (objetiva. Esses sinais são transmitidos às estações de captação onde são registrados geralmente numa fita magnética. onde a cena é imageada linha por linha. mas só a partir da década de 60 os 84 . Pode operar em condições de nebulosidade. que significa: detectar e medir distâncias através de ondas de rádio.Eletronicamente: O processo eletrônico gera sinais elétricos que correspondem às variações de energia provenientes da interação entre a energia eletromagnética e a superfície da terra. Compõem esse sistema. .Sistema de Varredura Mecânica: Esse sistema. como por exemplo o SPOT (França). uma vez que as nuvens são transparentes à radiação da faixa de microondas. O espelho de varredura oscila perpendicularmente em direção ao deslocamento da plataforma. . A função do sistema óptico é focalizar a energia proveniente da área observada sobre o detector. 6. .Apostila de Geografia do Brasil . filtros e filmes. gravados e interpretados. 2 e 3 da série LANDSAT.Sistema de Varredura Eletrônica: Utiliza um sistema óptico através do qual a imagem da cena observada é formada por sucessivas linhas imageadas pelo arranjo linear de detetores na medida que a plataforma se locomove ao longo da linha de órbita. Esse sistema é utilizado em diversos programas espaciais.Sensores Imageadores Os sensores que produzem imagens podem ser classificados em função do processo de formação de imagem. Um exemplo de produto de Sensoriamento Remoto obtido por esse tipo de sensor são as imagens RBV coletadas pelas câmaras RBV à bordo dos satélites 1. No decorrer da Segunda Guerra Mundial a Inglaterra foi equipada com eficiente rede de Radar. diafragma.Sistema de Imageamento Vidicon ( sistema de quadro): Tiveram origem a partir de sistema de televisão.Sistemas de imageamento eletro-óptico: Diferem do sistema fotográfico porque os dados são registrados em forma de sinal elétrico. Nesse sistema a cena é coletada de forma instantânea.2. 6.

50 . com a primeira fase em 1972 (Projeto RADAM) e posteriormente em 1976.2.Apostila de Geografia do Brasil geocientistas procuraram aplicar os princípios de Radar para fins de levantamento de recursos naturais.5 . comprimento de ondas diferente.100 77.0 .00 . sendo este sensor conhecido como multiespectral.1 . recebendo cada um deles.3 a 50 GHZ. uma vez corrigidas geometricamente dos efeitos de rotação e esfericidade da Terra.5 . SIRB. JERS-1 e JERS-2 (Japão).75 3. gerando 7 bandas distintas do espectro eletromagnético. 8.3.0 2. possui uma pequena faixa espectral. 9 .1. ALMOZ (Rússia) e RADAR SAT(Canadá). não depende da luz solar e consequentemente pode ser usado à noite. uma série de Programas de Sistema Radar. Esta realizou o levantamento de todo o território brasileiro.75 .IMAGENS ORBITAIS Como imagem orbital. Pelo fato de ser um sensor ativo.18 1.0 . Desde o final da década de 70 até o presente momento.2. a produção de radiação que retorna ao sensor é direcionada para vários detectores. na complementação do restante do Brasil (Projeto RADAM BRASIL).136 Freqüência 40.0. e freqüência de 0. constituem-se em valiosos instrumentos para a Cartografia. variações de atitude.5 12.8 8. SIR-C (EUA). No sistema de Sensoriamento Remoto do satélite LANDSAT.26. SIR-A. Estas imagens.50 7.12. ERS-1 e ERS-2 (Europeu). A grande vantagem do sensor Radar é que o mesmo atravessa a cobertura de nuvens.3 0.BANDAS DE RADAR Banda Q K X C S L UHF P Comprimento de Onda (cm) 0.4. o que diminui sobremaneira o período de tempo do aerolevantamento.0. O que na fotografia aérea (visível) e radar (microondas).0 . o IBGE vem utilizando imagens de satélite da série LANDSAT.30 30. variando entre comprimentos de onda de 100 cm a 1mm.75 .0 .4 O radar de visada lateral (RVL) situa-se na faixa de microondas do espectro eletromagnético.15 15.40 .18 . Um trabalho de relevância foi realizado na América do Sul. em especial na Região Amazônica pela Grumman Ecosystens.2 .1. considera-se a aquisição de dados de sensoriamento remoto através de equipamentos sensores coletores à bordo de satélites artificiais. foram executados ou estão em avançado estágio de desenvolvimento: SEAT.0 1.00 .7.00 . 85 .40 2.5 26. Desde a década de 70. altitude e velocidade do satélite.0 . na representação das regiões onde a topografia é difícil e onde as condições de clima adversos não permitem fotografar por métodos convencionais.0 4.

Esta energia radiante proveniente do Sol em direção à Terra.COMPONENTES DO SISTEMA LANDSAT 86 .17 . originalmente denominado ERTS (Earth Resources Technology Satellite) foi desenvolvido com o objetivo de se obter uma ferramenta prática no inventário e no manejo dos recursos naturais da Terra. Planejou-se uma série de 6 satélites. d) Ocorrência de interação entre a radiação e os objetos da superfície. c) Incidência de radiação sobre a superfície terrestre. que embora tenham sido concebidos para terem uma vida média útil de 2 anos. O Sol é a principal fonte de energia eletromagnética disponível para o Sensoriamento Remoto da superfície terrestre.1 .1 .Satélites da série LANDSAT O quadro apresenta o período de vida útil possuido pelos satélites. b) Propagação de radiação pela atmosfera. Quando observado como fonte de energia eletromagnética. 9. é chamada "Fluxo Radiante". e) Produção de radiação que retorna ao sensor após propagar-se pela atmosfera. Figura 2. A superfície aparente do Sol é conhecida por fotosfera e sua energia irradiada é a principal fonte de radiação eletromagnética no Sistema Solar.18 . tendo-se lançado o primeiro em julho de 1975. SATÉLITE Landsat 1 Landsat 2 Landsat 3 Landsat 4 Landsat 5 DATA DE LANÇAMENTO Jul´ 72 Jan´ 75 Mar´ 78 Jul´ 82 Mar´ 84 PROBLEMAS OPERACIONAIS Nov´79/Fev´82 Dez´80/Mar´83 Fev´83(apenas TM) TÉRMINO DE OPERAÇÃO Jan´ 78 Jul´ 83 Set´ 83 - Figura 2.SISTEMA LANDSAT O Sistema LANDSAT.Configuração dos satélites da série LANDSAT 9. o Sol pode ser considerado como uma esfera de gás aquecida pelas reações nucleares ocorridas no seu interior. mantiveram-se em operação durante cerca de 5 anos.1.Apostila de Geografia do Brasil Para que o sistema de coleta de dados funcione é necessário que sejam preenchidas algumas condições: a) Existência de fonte de radiação.

Como componentes básicos. Verificação da qualidade dos dados gravados.760 Km 87 . Através de arquivo de pontos de controle obtidos no terreno ou oriundos de cartas topográficas.1. Apontamento da antena na direção de conecção com o satélite. É composto por estações de recepção.267 185 x 185 Km 09:15 18 dias 251 revoluções 2. quase circular.114 103.20 185 x 185 Km 09:45 16 dias 233 revoluções 2. Os principais produtos resultantes do processamento de dados e disponibilizados para o usuário são fitas magnéticas ou imagens fotográficas e digitais.no Equador. Registro dos dados em fita de alta densidade (HDDT). pode-se melhorar a posição geométrica das imagens.Subsistema satélite:Tem a função básica de adquirir os dados. como qualquer outro sistema de Sensoriamento Remoto. A altitude dos satélites da série 4 e 5 é inferior à dos primeiros. etc. PARÂMETROS ORBITAIS Resolução Inclinação (graus) Período (minuto) Recobrimento da faixa Hora da passagem pelo Equador Ciclo de cobertura Duração do ciclo Distância entre passagens no Equador LANDSAT (MSS) 1.Apostila de Geografia do Brasil O Sistema LANDSAT. . 9.CARACTERÍSTICA DA ÓRBITA A órbita do satélite LANDSAT é repetitiva. Rastreamento automático. O laboratório de processamento de imagens tem a função de transformar os dados recebidos pelas estações de recepção.Subsistema estação terrestre: Tem a função de processar os dados e torna-los utilizáveis pelos usuários. As operações de uma estação de recepção de dados são: Verificar os equipamentos antes da entrada do satélite no campo de visualização da antena. 2 e 3 LANDSAT (TM) 4 e 5 80 m 99.2 .760 Km 30 m 98 98. processamento e distribuição dos dados. Atitude do satélite Geometria dos instrumentos Projeção cartográfica utilizada. tem o satélite com o seu conjunto de sensores e sistemas de controle. Retorno da antena à posição de descanso. As atividades executadas neste processamento são: calibração radiométrica e correção geométrica baseada nos seguintes dados: Rotação e curvatura da Terra. compõe-se de duas partes principais: . sol-síncrona e quase polar. posicionado a 705 Km em relação a superfície terrestre.

19 . e as linhas de latitude e longitude fazem um certo ângulo com o topo e a base da imagem.SISTEMAS SENSORES Os satélites LANDSAT 1 e 2 carregavam a bordo 2 sistemas sensores com a mesma resolução espacial. que corresponde à menor unidade que forma uma imagem. Esta imagem não se apresenta como um retângulo. é produzida na escala de 1:1. A partir do LANDSAT 4. a carga útil do satélite passou a contar com o sensor TM (Thematic Mapper) operando em 7 faixas espectrais. As medidas individuais de radiação são arranjadas nas imagens.2 Km. Entretanto. com imageamento do terreno por varredura de linhas.Apostila de Geografia do Brasil Altitude (Km) 920 709 Figura 2.Características da órbita do LANDSAT 9.95 microssegundos para um detector. foi acrescentada uma faixa espectral ao sistema MSS. melhor discriminação espectral entre objetos da superfície terrestre.4 . passando a operar na região do infravermelho termal. A detecção de objetos no terreno depende da relação entre o tamanho do objeto e o seu brilho (valor de brilho). passando a operar em uma faixa do espectro ao invés de três.FORMAÇÃO DE IMAGENS Cada vez que o espelho imageador visa o terreno.1. com imageamento instantâneo de toda a cena e o sistema MSS.1. 9.300 amostras são tomadas ao longo de uma linha de varredura com 185. Esta área chama-se elemento de imagem ou pixel.3 . como resolução espacial mais fina.000. mas o desempenho do sistema MSS (Multi Spectral Scanner) fez com que o terceiro satélite da série tivesse seu sistema RBV modificado. Esse sensor conceitualmente é semelhante ao MSS pois é um sistema de varredura de linhas.20 Arranjo espacial de pixels e seus VB Uma imagem LANDSAT original. 88 . incorpora uma série de aperfeiçoamentos. mas com diferentes concepções de imageamento: o sistema RBV(Returm Beam Vidicon). aproximadamente 3. pois durante o tempo em que os dados são tomados (25 segundos). Por outro lado. originando então uma imagem com a forma de um trapézio. maior fidelidade geométrica e melhor precisão radiométrica. a Terra gira um curto espaço devido ao movimento de rotação. Ambos os sistemas propunham-se a aquisição de dados multiespectrais. a voltagem produzida por cada detector é amostrada a cada 9. Figura 2. com dimensões de 30 x 30 metros.000. ao invés do sensor RBV.

CARACTERÍSTICAS DA ÓRBITA A altitude da órbita do SPOT é de 832 Km. A velocidade orbital é sincronizada com o movimento de rotação da Terra. obtendo-se assim. o espelho de varredura oscila perpendicularmente à direção deste deslocamento.SISTEMA SPOT O sistema SPOT é um programa espacial francês semelhante ao programa LANDSAT.O modo pancromático (preto e branco) que corresponde a observação da cena numa ampla faixa do espectro eletromagnético.1 . permitindo uma resolução espacial de 10 x 10 metros (pixel). a cada oscilação do espelho. é a utilização de sensores com ângulos de visada variável e programável através de comandos da estação terrestre. proporcionada pelo imageamento de uma mesma área segundo ângulos de visada opostos. com resolução espacial de 20 x 20 metros (pixel). a possibilidade de aquisição de dados será aumentada para 11 passagens. 89 .O SENSOR HRV Os sensores HRV foram planejados para operar em dois modos: . de forma que a mesma área possa ser imageada a intervalos de 26 dias. lançado em fevereiro de 1986. Outra importante possibilidade através da visada " off. 9. onde também são criadas as referências marginais das imagens e as informações de rodapé. síncrona com o Sol. levou a bordo 2 sensores de alta resolução HRV ( High Resolution Visible) com possibilidade de apontamento perpendicular ao deslocamento do satélite.2. Se a área de interesse estiver localizada nas latitudes médias (45º). durante o período de 26 dias que separa 2 passagens sucessivas sobre uma mesma área. 9.2 .7 em relação ao plano do equador. É uma órbita polar. Tais distorções geométricas são posteriormente corrigidas nas estações terrestres. . Uma das características mais importantes apresentadas pelo satélite SPOT.nadir " é a aquisição de pares estereoscópicos. se localizada no equador. esta poderá ser observada de órbitas adjacentes em 7 diferentes passagens.21 .2 . mantendo uma inclinação de 98º.Formato de uma imagem original À medida que o satélite se desloca ao longo da órbita. uma visão tridimensional do terreno.2. graças ao sistema de visada " off-nadir " Através deste sistema. o movimento de rotação provoca um pequeno deslocamento do ponto inicial da varredura para oeste. Entretanto. O primeiro satélite da série SPOT. proporcionando o imageamento contínuo do terreno.Apostila de Geografia do Brasil Figura 2. corresponde a observação da cena em 3 faixas estritas do espectro.O modo multiespectral (colorido). como já visto. 9.

Neste caso. A utilização experimental de imagens LANDSAT-MSS no mapeamento planimétrico foi iniciada em convênio entre o INPE/DSG. cores naturais. os instrumentos e a estação de rastreamento. transparência (diapositivo). 90 .22 . sendo os temas lançados a seguir. recepção e processamento de dados.COMPONENTES DO SISTEMA SPOT O sistema consiste em um satélite para observações da Terra. manualmente. o sensoriamento remoto propriamente dito seria o aproveitamento simultâneo das vantagens específicas de cada faixa de comprimento de ondas do espectro eletromagnético.NO MAPEAMENTO PLANIALTIMÉTRICO Neste caso. As imagens podem ser reproduzidas em papel. especialmente a fotogrametria e a fotointerpretação. Figura 2. meio digital. falsas cores e outras formas que permitem uma variação de estudos cartográficos. é composto por uma grade regularmente espaçada com as cotas de cada ponto. 1:250.23 . geralmente.1 . Os sensores. podem ser imageadores e não imageadores. podendo ser em preto e branco.000 serve como fundo..Componentes do Sistema SPOT 9. seu uso permite a inclusão de altitude de cada ponto no modelo de correção) obtido por meio de formação de pares estereoscópicos de imagens.APLICAÇÕES DAS IMAGENS ORBITAIS NA CARTOGRAFIA Como visto.Aquisição de dados proporcionado pela visada "off-nadir" 9. 9 3.2 . etc.NO MAPEAMENTO PLANIMÉTRICO O produto mais usual são imagens obtidas a partir da visada vertical georreferenciadas para a projeção cartográfica desejada. com diversas aplicações. indo até as porções infravermelho e das microondas (radar). a imagem na esc.3 . Os estudos não se restringem apenas à porção visível do espectro. 9 3. os efeitos do relevo são levados em conta. sendo os primeiros os que vêm sendo mais estudados e aplicados no campo da Cartografia. principalmente na atualização cartográfica. por meio de um MNT (5) (Modelo Numérico de Terreno.2.3 . ou ainda poderão ser entregues sob a forma de fitas CCTS.Apostila de Geografia do Brasil Figura 2.

As Cartas-imagens de satélite podem ser apresentadas em escalas padrão. devido ao maior número de bandas espectrais e maior potencial temático.4 . Neste caso..Fleotiaux 1979 . Na Carta-imagem de satélite a imagem é produzida em preto e branco a partir de única banda espectral ou a cores a partir da utilização de 3 bandas espectrais. de acordo com as delimitações da latitude/longitude ou X/Y. de maneira proporcional à sua importância. do desenho e da reprodução fotográfica.MNT . As vantagens apresentadas por este tipo de produto para a atualização cartográfica são evidentes. Vale ressaltar.NO MAPEAMENTO TEMÁTICO A utilização de imagens orbitais no mapeamento temático apresenta um grande potencial. por meio de um sistema computacional para processamento de imagem. para o fim temático. 75 III . como geológico ou de análise da vegetação. principalmente sob o ponto de vista das aplicações da carta. As Cartas-imagem de satélite são derivadas de imagens dos satélites SPOT e LANDSAT corrigidas com alta precisão geométrica e radiométrica.3. produz-se um documento cartográfico com a imagem resultante. Inventário de Recursos Naturais. (5) . poderão ainda ser realizados processamentos suplementares visando realçar as imagens. representam. as composições coloridas geradas a partir de imagem "razão entre bandas". por exemplo. uma nova imagem é gerada. As convenções cartográficas abrangem símbolos que. e subseccionadas em unidades de folhas de cartas.ELEMENTOS DE REPRESENTAÇÃO Sendo uma carta ou mapa a representação. especialmente em áreas onde as cartas tradicionais encontram-se desatualizadas ou inexistem. 9. As unidades de folhas de carta são suplementadas por anotações relativas às coordenadas e informações auxiliares que são extraídas de outros mapas ou cartas.CARTA IMAGEM As Cartas-imagens são imagens de satélite no formato de folhas de carta. Esta nova imagem tanto pode ser uma imagem classificada (onde os diversos temas são separados). Finalmente.Revista Brasileira de Cartografia . por exemplo.3.Apostila de Geografia do Brasil 9. 91 . os diversos acidentes do terreno e objetos topográficos em geral. a imagem deve ser inicialmente corrigida para a projeção cartográfica desejada. ou o resultado de algorítmo de combinações entre as diferentes bandas espectrais. da superfície terrestre.Modelo Numérico de Terreno . é preciso associar os elementos representáveis à símbolos e convenções.Janeiro/87 pag. O referido produto têm suas aplicações em diferentes áreas de empreendimentos como por exemplo aplicações florestais. Cabe aos clientes a especificação da projeção da carta e do elipsóide de referência a ser utilizado. A parte interna de uma carta-imagem de satélite normalmente não contém qualquer outro tipo de informação que não seja o próprio conteúdo da imagem. atendendo às exigências da técnica. de modo mais expressivo. A seguir. Elas permitem ressaltar esses acidentes do terreno. muito úteis em mapeamento geológico. Através de solicitação. para posteriormente serem reproduzidos numa escala média. Neste tipo de produto as cenas de satélites são ligadas digitalmente para cobrir a área requisitada.3 . numa simples folha de papel. em benefício de trabalhos de interpretação especializada. Planejamento e Gerenciamento do uso da terra. que as imagens LANDSAT-TM apresentam vantagens com relação ao produto SPOT. em dimensões reduzidas. etc. A imagem é realçada por filtragens e métodos estatísticos.

tendo sido o azul a cor escolhida para representar a hidrografia. ou sejam. O símbolo é.PLANIMETRIA A representação planimétrica pode ser dividida em duas partes. limites político ou administrativos etc. Tratando-se de localidades. se o símbolo é indispensável é determinada em qualquer tipo de representação cartográfica. sem cobrir outros detalhes importantes. É necessário observar. os acidentes topográficos são representados de acordo com a grandeza real e as particularidades de suas naturezas. de acordo com os elementos que cobrem a superfície do solo. a fim de se manter. sempre que possível. A não ser o caso das plantas em escala muito grande. traços. obras públicas e objetos congêneres. Desta forma. toda essa representação só pode ser convencional. a primeira referente ao plano e a segunda à altitude. à proporção que a escala diminui aumenta a quantidade de símbolos. isto é. as dimensões e a forma característica de cada símbolo. etc. sistema viário. etc. sobretudo.Elementos hidrográficos (Carta topográfica esc. associando-se esses elementos a símbolos que caracterizem a água. Os primeiros correpondem principalmente à hidrografia e vegetação. alagados (mangue. Quando a escala da carta permitir. com o máximo rigor. os símbolos e cores convencionais são de duas ordens: planimétricos e altimétricos. a sua variedade ou a sua quantidade acha-se. círculos. A posição de uma legenda é escolhida de modo a não causar dúvidas quanto ao objeto a que se refere. ordinariamente. bem como acidentes orográficos isolados. cores. em que suas dimensões reais são reduzidas à escala (diminuindo e tornando mais simples a simbologia). As inscrições marginais são lançadas paralelamente à borda sul da moldura da folha. os segundos decorrem da ocupação humana. 1:100. a homogeneidade que deve predominar em todos os trabalhos da mesma categoria.Apostila de Geografia do Brasil Outro aspecto importante é que. exceto as saídas de estradas laterais. sempre. A carta ou mapa tem por objetivo a representação de duas dimensões.1 . se uma carta ou mapa é a representação dos aspectos naturais e artificiais da superfície da Terra. relacionar os elementos a símbolos que sugiram a aparência do assunto como este é visto pelo observador. Figura 3. físicos ou naturais e culturais ou artificiais. regiões. a representação mínima desses acidentes. polígonos. 1. 1 .1 . ou seja. construções. Deve-se considerar também um outro fator. em função da escala do mapa.HIDROGRAFIA A representação dos elementos hidrográficos é feita. Então. construções. de caráter associativo. o nome deve ser lançado. através de pontos. no terreno. brejo e área sujeita a inundação).000) 92 .

1:100. etc. Consta no rodapé das cartas topográficas a referida divisão.Apostila de Geografia do Brasil 1. outro tipo de simbologia.000) 1. A Divisão Política-Administrativa é representada nas cartas e mapas por meio de linhas convencionais (limites) correspondente a situação das Unidades da Federação e Municípios no ano da edição do documento cartográfico. a forma e a extensão das áreas municipais. por exemplo. a cor verde é universalmente usada para representar a cobertura vegetal do solo. em representação esquemática.2 .2 . divididos em municípios. na qual estão discriminadas sua denominação e informações que definem o perímetro da unidade. 93 .3 . Estadual e Municipal. O cerrado e caatinga.2) Figura 3. A esta divisão denomina-se Divisão Político. estaduais e municipais). bairros. o verde reticulado. tornando mais leve a apresentação. Essas unidades são criadas através de legislação própria (lei federais. a forma usada para realçar e diferenciar essas divisões é a impressão sob diversas cores. e as culturas permanentes e temporárias.DPA.VEGETAÇÃO Como não poderia deixar de ser. Na folha 1:50. com toque Figura tivo (Figura 3.Administrativa . a partir da linha limite de cada área.). a utilização de cores auxilia a identificação. ou áreas com limites físicos (bacias) e operacionais (setores censitários.000 por exemplo. para a representação de áreas político-administrativas. Nas escalas pequenas.Elementos de vegetação (Carta topográfica esc.UNIDADES POLÍTICO-ADMINISTRATIVAS O território brasileiro é subdividido em Unidades Político-Administrativas abrangendo os diversos níveis de administração: Federal. Pode-se utilizar também estreitas tarjas. as matas e florestas são representadas pelo verde claro. Nos mapas estaduais. igualmente em cores.

com dimensões e número de domicílio ou de estabelecimentos que permitam o levantamento das informações por um único agente credenciado. Nordeste. Seus limites devem respeitar os limites territoriais legalmente definidos e os estabelecidos pelo IBGE para fins estatísticos. que é composto pelas cartas. No caso dos territórios. .Grandes Regiões . a criação dos municípios se dá através de lei da Presidência da República.3 . A atividade de atualizar a DPA em vigor consiste em transcrevê-la para o mapeamento topográfico e censitário. São as Unidades de maior hierarquia dentro da organização político-administrativa no Brasil.Distritos: São as unidades administrativas dos municípios. definida por lei municipal. Sul e CentroOeste . normalmente estabelecidas nas grandes cidades. A última divisão regional. criadas através de leis ordinárias das Assembléias Legislativas de cada Unidade da Federação e sancionadas pelo Governador.Municípios: São as unidades de menor hierarquia dentro da organização político-administrativa do Brasil. . em escala topográfica. é constituída pelas regiões: Norte.Setor Censitário: É a unidade territorial de coleta.Área Rural: Área de um município externa ao perímetro urbano. . Para documentar a DPA se constituiu o Arquivo Gráfico Municipal . . Sudeste. elaborada em 1970 e vigente até o momento atual.Área Urbana Isolada: Área definida per lei municipal e separada da sede municipal ou distrital por área rural ou por um outro limite legal. citadas através de leis ordinárias das Câmaras Municipais e sancionadas pelo Prefeito.AGM. onde são lançados/representados os limites segundo as leis de criação ou de alteração das Unidades Político Administrativas. situada em um único Quadro Urbano ou Rural. Figura 3.Grandes Regiões do Brasil 94 . criadas através de leis emanadas no Congresso Nacional e sancionadas pelo Presidente da República.Área Urbana: Área interna ao perímetro urbano de uma cidade ou vila.Conjunto de Unidades da Federação com a finalidade básica de viabilizar a preparação e a divulgação de dados estatísticos. formada por área contínua. .Apostila de Geografia do Brasil .Unidades da Federação: Estados. Têm sua criação norteadas pelas Leis Orgânicas dos Municípios. .Regiões Administrativas. Subdistritos e Zonas: São unidades administrativas municipais. Territórios e Distrito Federal. .

Apostila de Geografia do Brasil Figura 3. Corresponde a um aglomerado sem caráter privado ou empresarial ou que não está vinculado a um único proprietário do solo.Localidade onde se situa a sede do Governo de Unidade Política da Federação. 2 .Aglomerado Rural .2. excluído o Distrito Federal. 5. terciárias ou.1 . 4 .).Localidade com o mesmo nome do Distrito a que pertence (sede distrital) e onde está sediada a autoridade distrital. 95 .2 .Localidade situada em área não definida legalmente como urbana e caracterizada por um conjunto de edificações permanentes e adjacentes. excluídos os distritos das sedes municipais.LOCALIDADES Localidade é conceituada como sendo todo lugar do território nacional onde exista um aglomerado permanente de habitantes. etc. . .Localidade que tem as características definidoras de Aglomerado Rural e está localizada a menos de 1 Km de distância da área urbana de uma Cidade ou Vila.Aglomerado Rural de extensão urbana .4 . 5. Vila ou de um Aglomerado Rural já definido como de extensão urbana. Constitui simples extensão da área urbana legalmente definida.Localidade que tem as características definidoras de Aglomerado Rural e está localizada a uma distância igual ou superior a 1 Km da área urbana de uma Cidade. Classificação e definição de tipos de Localidades: 1 .Cidade .Povoado . formando área continuamente construída.Núcleo . cujos moradores exercem atividades econômicas quer primárias.Localidade onde se situa a sede do Governo Federal com os seus poderes executivo. excluídos os municípios das capitais.Vila . 1 (um) posto de saúde com atendimento regular e 1 (um) templo religioso de qualquer credo.Aglomerado Rural isolado . na própria localidade ou fora dela. legislativo e judiciário. usinas. 5 .4 .Localidade que tem a característica definidora de Aglomerado Rural Isolado e possui caráter privado ou empresarial. com arruamentos reconhecíveis e dispostos ao longo de uma via de comunicação.Localidade que tem a característica definidora de Aglomerado Rural Isolado e possui pelo menos 1 (um) estabelecimento comercial de bens de consumo freqüente e 2 (dois) dos seguintes serviços ou equipamentos: 1 (um) estabelecimento de ensino de 1º grau em funcionamento regular.Capital Federal .Localidade com o mesmo nome do Município a que pertence (sede municipal) e onde está sediada a respectiva prefeitura.Capital . 3 . mesmo secundárias. estando vinculado a um único proprietário do solo (empresas agrícolas.Divisão Político-Administrativa 1. indústrias.

que compõem a área urbanizada construída. independentemente da escala. que é representada na carta topográfica pela cor rosa. representa-se a área edificada por simbologia correspondente.2. o centro urbano é representado pela forma generalizada dos quarteirões. Na realidade.Todo lugar em que se encontre a sede de propriedade rural. dentro da área edificada. hospitais. excluídas as já classificadas como Núcleo. têm símbolos especiais quase sempre associativo. Conforme a escala.000) Variando de acordo com a área. A área edificada. etc..Localidades (Carta topográfica esc.Localidade habitada por indígenas.5 . 1:250. dos serviços ou equipamentos enunciados para povoado. Outras construções como barragem. fora da área edificada.Apostila de Geografia do Brasil 5. um símbolo tanto pode representar uma casa como um grupo de casas. Na carta topográfica. escolas.3 .Todo lugar que não se enquadre em nenhum dos tipos referidos anteriormente e que possua nome pelo qual seja conhecido. São representadas. a pequenos símbolos quadrados em preto. conforme a escala.Local . 7 . 96 . representando o casario. etc. igrejas.. 6 -Propriedade Rural . farol.Lugarejo . aeroporto.Localidade sem caráter privado ou empresarial que possui característica definidora de Aglomerado Rural Isolado e não dispõe. dá lugar. é representado todo edifício de notável significação local como prefeitura. 8 . conforme a quantidade de habitantes em nº absolutos pelo seguinte esquema: Figura 3. ponte. no todo ou em parte.Aldeia .

Essa classificação é fornecida pelo DNER e DERs.5 . b. onde se objetiva a conservação ou preservação da fauna. sua representação em carta não traduz sua largura real uma vez que a mesma rodovia deverá ser representada em todas as cartas topográficas desde a escala 1:250. flora ou de monumentos culturais. As rodovias são representadas por traços e/ou cores e são classificadas de acordo com o tráfego e a pavimentação. Principais tipos de Áreas Especiais: Parques Nacional. Parques e Terras Indígenas 1. d) .000 com a utilização de uma convenção.6 . Reservas. responsável pela sua manutenção.SISTEMA VIÁRIO No caso particular das rodovias. Devem ser representadas tantas informações ferroviárias quanto o permita a escala do mapa. c. devendo ser classificadas todas as linhas férreas 97 .000 até 1:25. Estadual e Municipal Reservas Ecológicas e Biológicas Estações Ecológicas Reservas Florestais ou Reservas de Recursos Áreas de Relevante Interesse Ecológico Áreas de Proteção Ambiental Áreas de Preservação Permanente Monumentos Naturais e Culturais Áreas.6 (a. seguindo o Plano Nacional de Viação (PNV).Apostila de Geografia do Brasil Figura 3. Assim sendo. provida de trilhos. a rodovia será representada por símbolos que traduzem o seu tipo.Uma mesma localidade representada em várias escalas 1. Colônias. independente de sua largura física. Uma ferrovia é definida como sendo qualquer tipo de estrada permanente.ÁREAS ESPECIAIS Área especial é a área legalmente definida subordinada a um órgão público ou privado. destinada ao transporte de passageiros ou carga. a preservação do meio ambiente e das comunidades indígenas.

1:100. 1:100. cultural. são representadas certas unidades de expressão administrativa.000) 1.Vias de Circulação (Carta topográfica esc. São representadas na cor preta e a distinção entre elas é feita quanto à bitola. o que não acontece nas demais escalas topográficas.LINHAS DE LIMITE Em uma carta topográfica é de grande necessidade a representação das divisas interestaduais e intermunicipais.. como reservas indígenas. só há possibilidade do traçado dos limites internacionais e interestaduais.7 .8 . por exemplo. a CIM. As rodovias e ferrovias são classificadas da seguinte forma: Figura 3. os caminhos e trilhas.7 . Numa carta geográfica. Na carta em 1:25.Linhas de comunicação e outros elementos planimétricos (Carta topográfica esc.000 é possível a representação de divisas distritais. No rodapé das cartas topográficas constam ainda outros elementos: Figura 3.LINHAS DE COMUNICAÇÃO E OUTROS ELEMENTOS PLANIMÉTRICOS As linhas de comunicação resumem-se à linha telegráfica ou telefônica e às linhas de energia elétrica (de alta ou baixa tensão). São representados ainda. parque nacionais e outros. uma vez que são cartas de grande utilidade principalmente para uso rural. etc. Conforme as áreas.8 .Apostila de Geografia do Brasil principais.000) 1. 98 .

Também os oceanos além das cotas e curvas batimétricas. acontece o mesmo com os detalhes. 99 . A própria simbologia que representa o modelado terrestre (as curvas de nível) é impressa nessa cor. entre outros. As cartas topográficas apresentam pontos de controle vertical e pontos de controle vertical e horizontal. na cor sépia. 1:250. relevo sombreado. é representado por cores hipsométricas. em geral. cores hipsométricas.Escala de cores Hipsométrica e Batimétrica (CIM) A representação das montanhas sempre constituiu um sério problema cartográfico. mas a correspondente simbologia tende a ser tornar mais complexa. além das curvas de nível.10 . perfis topográficos. Por exemplo. têm a sua profundidade representada por faixas de cores batimétricas. o relevo. em geral.Linhas de Limites (Carta topográfica esc.000) 2 .ASPECTO DO RELEVO A cor da representação da altimetria do terreno na carta é.ALTIMETRIA 2. Os areais representados por meio de um pontilhado irregular também é impresso. ao contrário da relativa facilidade do delineamento dos detalhes horizontais do terreno. etc. À medida que a escala diminui.1 . na Carta Internacional do Mundo ao Milionésimo (CIM).Apostila de Geografia do Brasil Figura 3. O relevo de uma determinada área pode ser representado das seguintes maneiras: curvas de nível. o sépia. cota comprovada e cota não comprovada.9 . as quais caracterizam as diversas faixas de altitudes. Figura 3.

denominam-se "intermediárias". o nº da RN. em que todos os pontos de referida linha têm a mesma altitude. Ponto Astronômico . a altitude e o nome do órgão responsável. adota-se o sistema de apresentar dentro de um mesmo intervalo altimétrico. podendo se tocar em saltos d'água ou despenhadeiros.CURVAS DE NÍVEL O método.2. permitindo ao usuário. ou qualquer método que assegure a precisão obtida. É igualmente uma altitude determinada por leitura fotogramétrica repetida. É em geral constituído com o nome. A curva de nível constitui uma linha imaginária do terreno.Elementos altimétricos (Carta topográfica esc. assim como as outras.Altitude estabelecida no campo. c) Cada curva de nível fecha-se sempre sobre si mesma.PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS: a) As curvas de nível tendem a ser quase que paralelas entre si. Referência de nível . longitudes e o azimute de uma direção e que poderá ser de 1ª. através de nivelamento geométrico de precisão. mediante um traço mais grosso.11 . d) As curvas de nível nunca se cruzam.Determinada por métodos de levantamento terrestre não comprovados. Existem ainda as curvas "auxiliares". Cota não Comprovada .Tem a altitude determinada através do uso de altímetro. cuja altitude foi determinada em relação a um DATUM vertical .Curvas de Nível 2. por excelência.12 .Ponto de controle vertical. 2ª ou 3ª ordens. geralmente o nível médio do mar. b) Todos os pontos de uma curva de nível se encontram na mesma elevação.1 . estabelecido num marco de caráter permanente.Apostila de Geografia do Brasil Figura 3. Tais curvas são chamadas "mestras". 100 . 2. acima ou abaixo de uma determinada superfície da referência.Vértice de Figura cuja posição é determinada com o levantamento geodésico. Figura 3. determinadas curvas.O que tem determinadas as latitudes. 1:100.000) Ponto Trigonométrico . Com a finalidade de ter a leitura facilitada. é o das curvas de nível.2 . para representar o relevo terrestre. Ponto Barométrico . Cota Comprovada . ter um valor aproximado da altitude em qualquer parte da carta.

Assim. íngreme ou de declive suave. ondulado.2 . 101 . com o vértice apontando para a nascente.Apostila de Geografia do Brasil e) Em regra geral.FORMAS TOPOGRÁFICAS A natureza da topografia do terreno determina as formas das curvas de nível. montanhoso ou se o mesmo é liso. as curvas de nível cruzam os cursos d'água em forma de "V". 2.2. As curvas de nível vão indicar se o terreno é plano. estas devem expressar com toda fidelidade o tipo do terreno à ser representado.

13 .REDE DE DRENAGEM A rede de drenagem controla a forma geral da topografia do terreno e serve de base para o traçado das curvas de nível. De acordo com a hierarquia e o regionalismo. etc. arroio. Os rios levam as águas superficiais.3 . lajeado. os cursos d’água recebem diferentes nomes genéricos: ribeirão. Seus cursos estendem-se do ponto mais alto (nascente ou montante) até o ponto mais baixo (foz ou jusante).Talvegue: Canal de maior profundidade ao longo de um curso d’água. 102 . lago ou mar. que pode corresponder ao nível do mar.Vale: Forma topográfica constituída e drenada por um curso d’água principal e suas vertentes.2. igarapé. escoamento das águas. Desse modo.Apostila de Geografia do Brasil Figura 3. ou seja. para que possa representar as mesmas. sanga.Formação escarpada e suave 2.Rio: Curso d’água natural que desagua em outro rio. . de um lago ou de outro rio do qual é afluente. antes de se efetuar o traçado dessas curvas. realizando uma função de drenagem. deve-se desenhar todo o sistema de drenagem da região. . córrego. .

. a eqüidistância entre uma determinada curva e outra tem que ser constante. ou seja. . extensão e profundidade. Essa eqüidistância varia de acordo com a escala da carta com o relevo e com a precisão do levantamento. Cabe ressaltar que esses limites não são fixos.Serra: Cadeia de montanhas.Montanha: Grande elevação natural do terreno. 2. Uma bacia se limita com outra pelo divisor de águas. . . duas alterações quanto à eqüidistância. com altura superior a 300 m. e sim a altitude entre elas. dividindo as águas de um e outro curso d’água. formando uma depressão no terreno. No segundo caso. ou seja.000 1: 250. quando o detalhe é muito escarpado. rodeada geralmente por elevações. numa área predominantemente plana.Lago: Depressão do relevo coberta de água. Imprescindível na representação altimétrica em curvas de nível é a colocação dos valores quantitativos das curvas mestras.Apostila de Geografia do Brasil .Pico: Ponto mais elevado de um morro. Estas são as curvas auxiliares. Só deve haver numa mesma escala. Eqüidistância é o espaçamento. deixa-se de representar uma curva ou outra porque além de sobrecarregar a área dificulta a leitura. É definido pela linha de cumeeira que separa as bacias. . 2) Eqüidistância não significa a distância de uma curva em relação à outra.000.3 . montanha ou serra. o desnível entre as curvas. geralmente alimentada por cursos d’água e mananciais que variam em número.Bacia Hidrográfica: "Conjunto de terras drenadas por um rio principal e seus afluentes". Muitas vezes possui um nome geral para todo o conjunto e nomes locais para alguns trechos.Encosta ou vertente: Declividade apresentada pelo morro. precisa-se ressaltar pequenas altitudes. . ESCALA 1: 25.EQÜIDISTÂNCIA Na representação cartográfica.Morro: Elevação natural do terreno com altura de até 300 m aproximadamente. constituída por uma ou mais elevações.000 1: 100. É resultante da reunião de dois ou mais vales. montanha ou serra.000 EQÜIDISTÂNCIA 10 m 20 m 50 m 100 m 100 m CURVAS MESTRAS 50 m 100 m 250 m 500 m 500 m OBS: 1) A curva mestra é a quinta (5ª) curva dentro da eqüidistância normal. 103 . deslocando-se em conseqüência das mutações sofridas pelo relevo. a distância vertical entre as curvas de nível. sistematicamente. que ali são de grande importância. por exemplo a Amazônia. A primeira é quando.Divisor de Águas: Materializa-se no terreno pela linha que passa pelos pontos mais elevados do terreno e ao longo do perfil mais alto entre eles.000 1: 1. .000 1: 50.

É executada. 2. laranja. como o verde. à pistola e nanquim e é constituida de sombras contínuas sobre certas vertentes dando a impressão de saliências iluminadas e reentrâncias não iluminadas. rosa e branco. adotam-se para facilitar o conhecimento geral do relevo.10).5 . Para executar-se o relevo sombreado.4 .16 .CORES HIPSOMÉTRICAS Nos mapas em escalas pequenas. amarelo. 104 . de forma que as sombras sobre as vertentes fiquem voltadas para sudeste. Para as cores batimétricas usa-se o azul. além das curvas de nível. faixas de determinadas altitudes em diferentes cores. fazendo um ângulo de 45º com o plano da carta.RELEVO SOMBREADO O sombreado executado diretamente em função das curvas de nível é uma modalidade de representação do relevo. imagina-se uma fonte luminosa a noroeste. geralmente. cujas tonalidades crescem no sentido da profundidade (Figura 3.Apostila de Geografia do Brasil Figura 3. sépia.Identificação das Curvas mestras 2.

A escala vertical deverá ser muito maior que a horizontal. para o desenho de um perfil é traçar uma linha de corte. Levantam-se perpendiculares no princípio e no fim dessa linha e determina-se uma escala vertical. do contrário.Apostila de Geografia do Brasil Figura 3.DESENHO Em um papel milimetrado traça-se uma linha básica e transfere-se com precisão os sinais para essa linha.17 . 2. Assim.1 . se H = 50.000. as variações ao longo do perfil dificilmente serão perceptíveis. o exagero vertical será igual a 5. (fig 3.6. por outro lado.18) 2. sendo a escala vertical muito grande o relevo ficaria demasiadamente exagerado.Representação do Relevo Sombreado 2. as cotas de altitude. descaracterizando-o.2 .000 e V = 10.6. marcam-se todas as interseções das curvas de nível com a linha básica. pode-se adotar para a escala vertical um nº 5 a 10 vezes maior que a escala horizontal.PERFIL TOPOGRÁFICO Perfil é a representação cartográfica de uma seção vertical da superfície terrestre. O primeiro passo. A relação entre as escalas horizontal e vertical é conhecida como exagero vertical. picos e outros pontos definidos.ESCALAS Tanto a escala horizontal como a vertical serão escolhidas em função do uso que se fará do perfil e da possibilidade de representa-lo (tamanho do papel disponível). 105 .6 . Em seguida. Inicialmente precisa-se conhecer as altitudes de um determinado nº de pontos e a distância entre eles. na direção onde se deseja representa-lo. Para uma boa representação do perfil. os rios.

Partindo-se do conceito estabelecido pela ACI (vide 1. seja uma carta. se achatados ou pontiagudos. os levantamentos dos dados necessários à descrição de uma realidade a ser comunicada através da representação cartográfica.18 .PROCESSO CARTOGRÁFICO Mapeamento: Entende-se por mapeamento a aplicação do processo cartográfico sobre uma coleção de dados ou informações.Iniciar e terminar com altitude exata.1). levantando-se perpendiculares dos sinais da linha-base.Perfil topográfico IV . Neste contexto. evitando-se traços retos. a produção e a interpretação ou utilização.CONCEPÇÃO Quando se chega à decisão pela elaboração de um documento cartográfico. 1 . marca-se a posição de cada ponto correspondente na escala vertical. pode-se distinguir.Apostila de Geografia do Brasil Quer seguindo-se as linhas vertical do milimetrado quer. três fases distintas: a concepção. As três fases admitem uma só origem. Em seguida. comunicada a partir da associação de símbolos e outros recursos gráficos que caracterizam a linguagem cartográfica. é imprescindível uma análise meticulosa de todas as características que definirão a materialização do projeto. é porque a obra ainda não existe. Alguns cuidados devem ser tomados na representação do perfil: . o conhecimento deste espaço. 106 . lançamos mão do processo cartográfico. . ou existe e se encontra esgotada ou desatualizada. inicialmente. todos os pontos serão unidos com uma linha. Para se elaborar um documento dessa natureza. passa a ser necessária alguma forma de visualização da região da superfície física do planeta.Distinguir entre subida e descida quando existir duas curvas de igual valor. onde desejamos desenvolver nossa atividade.Desenhar cuidadosamente o contorno dos picos. um mapa ou um atlas. . com vistas à obtenção de uma representação gráfica da realidade perceptível. O planejamento de qualquer atividade que de alguma forma se relaciona com o espaço físico que habitamos requer. Figura 3. no processo cartográfico. Para alcançar este objetivo.

como na topografia. equipamentos e convenções cartográficas. temáticos ou especiais.1 . Após a decisão da necessidade da elaboração de um mapa. simbologia e cores a serem empregados na fase de elaboração. o alemão Pulfrich. porém. o inventário de documentos informativos e cartográficos que possam vir a facilitar a elaboração dos originais cartográficos definitivos. sem observar ou medir o relevo. recorre-se à coleta de dados em campo (reambulação). apoiando-se em princípios estabelecidos por Stolze.1 . tem sua maior aplicação no mapeamento topográfico.FINALIDADE A identificação do tipo de usuário que irá utilizar um determinado documento cartográfico a ser elaborado. deve-se inventariar a melhor documentação existente. muito embora desde 1732 se conhecessem os princípios da estereoscopia. e com ele iniciou os trabalhos dos primeiros levantamentos com base na observação estereoscópica de pares de fotografias utilizados em fotogrametria terrestre. Então.1. como medir as variações de nível do terreno. pelo método das interseções. seja convencional ou digital. através de medidas efetuadas sobre a mesma. 107 . A partir de então uma série de outros aparelhos foram construídos e novos princípios foram estabelecidos. No caso de carta básica. com todos os seus inconvenientes.2 .AEROFOTOGRAMETRIA A fotogrametria é a ciência que permite executar medições precisas utilizando de fotografias métricas. 2. o emprego desta tornou possível apenas observar (sem medir).1 . Em 1901. astronomia. materiais. Pulfrich construiu um primeiro aparelho que denominou "estereocomparador".MÉTODOS 2. de cartas e mapas gerais. O planejamento cartográfico pressupõe. Embora apresente uma série de aplicações nos mais diferentes campos e ramos da ciência. 1. materiais e equipamentos. Inicialmente a fotografia tinha a única finalidade de determinar a posição dos objetos. além da definição dos procedimentos. No caso do mapa compilado a documentação coletada terá vital importância na atualização da base cartográfica compilada. assim como a definição do sistema de projeção e da escala adequada. meteorologia e tantos outros.PLANEJAMENTO CARTOGRÁFICO É o conjunto de operações voltadas à definição de procedimentos. ou que tipo de documento deverá ser produzido para atender a determinado uso é que vai determinar se este será geral. o relevo do solo contido nas fotografias analisadas estereoscopicamente. medicina. não só foi possível observar o relevo. dimensões e posição dos objetos contidos numa fotografia. especial ou temático. principalmente para levantar a denominação (toponímia) dos acidentes visando a complementação dos trabalhos executados no campo.PRODUÇÃO Aí estão incluídas todas as fases que compõem os diferentes métodos de produção. para tomada de fotografias era necessário que os pontos de estação que referenciavam o terreno continuassem no solo. A elaboração da carta ou mapa planejado terá início com a execução das mesmas. Tem por finalidade determinar a forma.Apostila de Geografia do Brasil 1. introduziu na Fotogrametria o chamado índice móvel ou marca estereoscópica. sobre a área a ser cartografada. 2 .

pontos de estação sempre mais altos. Assim. Um projeto de recobrimento é um estudo detalhado.1. balões cativos e até "papagaios".1. A tomada das fotografias aéreas obedece a um planejamento meticuloso e uma série de medidas são adotadas para que se possa realizar um vôo de boa qualidade. para tomada de fotografias. por exemplo: Condições naturais da região: Local a ser fotografado Área a fotografar Dimensões da área Relevo Regime de ventos Altitude média do terreno Variação de altura do terreno Mês para execução do vôo Nº de dias favoráveis ao vôo Apoio logístico: .Hospitais . a qual ficou restrita apenas a algumas regiões. usando-se.Transporte . sendo utilizados balões. Com o advento da aviação desenvolveram-se câmaras especiais para a fotografia aérea.Apostila de Geografia do Brasil Ocorreu elevar ao máximo o ponto de estação. substituindo quase que inteiramente a fotogrametria terrestre. tem-se a aerofotogrametria.Alimentação Condições técnicas (base e aeronave): Base de operação Alternativa de pouso Recursos na base Modelo da aeronave Autonomia Teto de serviço operacional Velocidade média de cruzeiro Tripulação Condições técnicas (plano de vôo): Altura de vôo Altitude de vôo Escala das fotografias Superposição longitudinal Superposição lateral Câmara aérea Tipo e quantidade de filme empregado5 108 . Durante a guerra de 1914 . que é resultante de um estudo detalhado com todas as especificações sobre o tipo de cobertura a ser executado. 2. aerofotogrametria é definida como a ciência da elaboração de cartas mediante fotografias aéreas tomadas com câmara aero-transportadas (eixo ótico posicionado na vertical). com todas as especificações sobre o tipo de cobertura. É necessário consultar o mapa climatológico para conhecimento do mês e dias favoráveis à realização do vôo fotogramétrico. utilizando-se aparelhos e métodos estereoscópicos.1918 tornou-se imperioso um maior aproveitamento da fotogrametria.VÔO FOTOGRAMÉTRICO É realizado após um completo planejamento da operação.1 . Quando são utilizadas fotografias aéreas.

como para as cópias e diapositivos. O formato mais usual é o de 23 x 23 cm. nos quais as condições climáticas sejam tais que permitam fazer-se negativos fotográficos claros e bem definidos. Utilizadas para recuperação de obras arquitetônicas e levantamento de feições particulares do terreno.2 . embora diferentes. isto é. prestando-se tanto para mapeamento quanto para fotointerpretação. b) Quanto à orientação do eixo da câmara/sensor 1 . bem contrastados. cujas características óticas e geométricas permitem a retratação acurada dos dados do terreno.Fotografias terrestres: São tomadas a partir de estações sobre o solo. as obtidas pelo laboratório espacial SKYLAB. tanto para os negativos originais. representam a mesma coisa. encostas. Classificação das imagens. infravermelho. microondas. As duas maneiras. etc. tais como existiam no momento da exposição. 3 .Fotografia terrestre oblíqua: quando o eixo principal é inclinado. utilizadas para fotointerpretação e fins militares e satélites orbitais com uma grande variedade de sensores (faixa do visível.Fotografias aéreas: São tomadas a partir de aeronaves 2 .1. 2. de forma que os pormenores topográficos e planimétricos possam ser identificados e projetados na carta. Por exemplo.Fotografia aérea ou imagem oblíqua: São tomadas com o eixo principal inclinado.Fotografia aérea ou imagem vertical: São assim denominadas aquelas cujo eixo principal é perpendicular ao solo. em dias claros. em que esses acidentes e detalhes aparecem como são vistos da aeronave.1. bem como forneçam elementos para a medição das relações entre as imagens e suas posições reais. Uma fotografia aérea é um retrato da superfície da terra.- Apostila de Geografia do Brasil Rumo das faixas Nº de faixas e nº de fotos Velocidade máxima (arrastamento) Tempo de exposição ideal Intervalo de exposição Distância entre faixas Base das fotos OBS: As fotografias aéreas devem ser tomadas sempre com elevação do sol superior a 30º. etc. como pedreiras. 2 . Subdividem-se em baixa oblíqua e alta oblíqua.Imagens pancromáticas: São as de uso mais difundido. 109 .).FOTOGRAMA É a fotografia obtida através de câmaras especiais. 3 . Esta não deve exceder a 3%. O termo é empregado genericamente. c) Quanto à característica do filme/sensor 1 . Seu uso restringe-se mais a fotointerpretação e a estudos especiais em áreas urbanas. Uma carta topográfica é um desenho do terreno. 4 . Na prática tal condição não é rigorosamente atingida em conseqüência das inclinações da aeronave durante o vôo.Fotografia terrestre horizontal: É aquela cujo eixo principal é horizontal. a) Quanto à estação de tomada das fotos 1 .Fotografias ou imagens orbitais: São tomadas em plataformas a nível orbital. Por extensão pode também ser aplicado à tradução fotográfica dos dados obtidos por outros sensores remotos que não a câmara fotográfica. em que os acidentes e detalhes são representados por símbolos convencionais. limite geralmente aceito para classificar-se uma fotografia como vertical.

obturadores de alta velocidade e filmes de emulsão ultra-rápida.2 . 3 . .ESCALA FOTOGRÁFICA A escala fotográfica é definida como sendo a relação entre um comprimento de uma linha na fotografia e a sua correspondente no terreno. diferenciando áreas secas e úmidas. dentre as quais as mais importantes são: 1º) A câmara terrestre. assim sendo. estudos sobre recursos naturais. sendo a fotografia aérea apenas um dos vários tipos resultantes do sensoriamento remoto. em cartografia. o mapeamento através da restituição fotogramétrica. Também são classificadas pela distância focal da objetiva: . não precisa de um sistema obturador muito sofisticado. não necessita de grande velocidade na tomada da fotografia.1. sem prejudicar a qualidade da imagem.2.CÂMARAS FOTOGRAMÉTRICAS As câmaras aerofotogramétricas subvividem-se em dois grandes grupos. necessitando de objetivas adequadas.A altura de vôo e a distância focal serão ainda menores. classificados quanto ao seu uso e objetivos.Imagens infravermelhas: Indicadas para mapeamento em áreas cobertas por densa vegetação.Super grande angular: maior que 100º .1. Fotointerpretação: É a técnica de analisar imagens fotográficas com a finalidade de identificar e classificar os elementos naturais e artificiais e determinar o seu significado.1 . 2. meio ambiente.1. coloridas. etc. Classifica-se ainda as câmaras aéreas de acordo com o ângulo que abrange a diagonal do formato. permanecendo estacionária durante a exposição. reduzindo a um mínimo o tempo de exposição.Normal: de 150 a 300 mm . ângulo este que define a cobertura proporcionada pela câmara: .2.Ângulo normal: até 75º . As fotografias aéreas têm como aplicação principal. . ao contrário. o qual inclui também imagem de radar (microondas) e imagens orbitais (pancromáticas. com menor distância focal (f). termais e infravermelhas). sendo utilizadas também em fotointerpretação.Longa: acima de 300 mm 2.A altura de vôo será menor.Para abranger uma área a uma determinada altura de vôo. entretanto. a saber: a) Câmaras terrestres b) Câmaras aéreas Ambos os tipos executam a mesma função fundamentalmente. devido a isso. ressaltando as águas e.Grande angular: de 75º até 100º . 110 .Imagens coloridas ou multiespectrais: Além da cartografia se aplica a estudos de uso da terra. 2º) A câmara aérea. Existem diferentes tipos de imagem.Apostila de Geografia do Brasil 2 . possuem diferenças acentuadas.Curta: até 150 mm . se desloca durante a exposição.1.

as quais são expostas sucessivamente. a medida no terreno e a escala conhecida ou a determinar. Nas faixas expostas.000.1. paralelamente. Essa sucessão é feita em intervalo de tempo tal que. a escala da fotografia pode ser determinada conhecendo-se a distância focal e a altura de vôo. assim. E = ab AB Exemplo: Em um recobrimento aéreo. formando uma faixa. Desta forma. . a uma altura de vôo igual a 6.Apostila de Geografia do Brasil Figura 4. A escala mantém a seguinte relação com os triângulos semelhantes: E= na = oa NA OA = no NO Onde: AN = distância real an = distância na fotografia NO = altura de vôo = H no = distância focal = f Assim. pode-se calcular a escala da fotografia usando essa semelhança de triângulos. ao longo de uma direção de vôo.000mm = 1 60.1.000 2. O eixo ótico e o plano do negativo são perpendiculares.3 . assim como o eixo ótico e o plano do terreno.1. a escala da fotografia será: E = f H = 100 mm 6. utilizando-se uma câmara com distância focal de 100 mm.000 m. E = no NO = f H Ou ainda através de uma distância na fotografia entre dois pontos a e b quaisquer e a sua respectiva medida no terreno. entre duas fotografias haja uma superposição longitudinal de cerca de 60%. Existem três elementos: a medida na foto. o ponto principal da fotografia e o ponto Nadir representam o mesmo ponto. para compor a cobertura de uma área é mantida uma 111 .COBERTURA FOTOGRÁFICA É a representação do terreno através de fotografias aéreas. Pode-se afirmar que os triângulos NOA e noa são semelhantes. nota-se que os raios de luz refletidos do terreno passam pelo eixo ótico da lente.Geometria básica de uma fotografia aérea Considerando a Figura .

Alguns pontos do terreno. dentro da zona de recobrimento.Apostila de Geografia do Brasil distância entre os eixos de vôo de forma que haja uma superposição lateral de 30% entre as faixas adjacentes.Vôo fotogramétrico Figura 4. são fotografados várias vezes em ambas as faixas. Figura 4.2 .4 .Recobrimento lateral 112 .

1. Estes podem ocorrer principalmente devido às oscilações da altura de vôo e da ação do vento.1.Efeitos da deriva e desvio 2.Apostila de Geografia do Brasil Figura 4.Perspectiva de 04 faixas de vôo O recobrimento de 60% tem como objetivo evitar a ocorrência de "buracos" (área sem fotografar) na cobertura. Figura 4.5 .6 .PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO FOTOGRAMÉTRICA 113 .4 .7 .Recobrimento com a ocorrência de deriva e desvio Figura 4.

Uma coleção de fotografias e diafilmes para o apoio fotogramétrico. visando facilitar a orientação nos trabalhos de campo. O horizontal é materializado nas fotos na periferia do bloco. 2.1. buscando-se locais que permitam acesso para as medições de campo. que estabelecem as distâncias dos pontos de apoio a serem determinados em campo. Indica também a posição relativa dos pontos a serem determinados no campo. Através do fotoíndice visualiza-se a direção de vôo. sombra. fotografias aéreas e diafilmes) da área a ser mapeada. -Inicialmente faz-se o planejamento e organização do material fotogramétrico (vôo. reservas. aeródromos. fotoíndice. tem respectivas identificações nas fotos e são dimensionados previamente em gabinete através de fórmulas matemáticas. Esquema de Apoio Fotogramétrico: Servirá de orientação para as atividades de aerotriangulação.No preparo para o apoio fotogramétrico. não apareçam por qualquer motivo (nuvens. é delimitada a área útil para escolha dos pontos de apoio: de apoio suplementar e perfuração dos pontos. Uma coleção de fotografias para o apoio de campo. Não são representados os campos das fotos. com base em fotografias aéreas. 2. mapas do sistema viário. O vertical. Coleta-se a documentação existente para o preparo da pasta de informações cartográficas (PIC). as áreas a serem reambuladas. analisar e organizar toda a documentação existente para projetos de mapeamento topográfico. separando-se três coleções de fotografias e uma de diafilmes. destinada à identificação.6 . com a finalidade de fornecer subsídios aos trabalhos de aerotriangulação e restituição fotogramétrica. áreas especiais. nas fotografias. são delimitadas estereoscopicamente. . faróis. parques nacionais e outros.5 . . usinas. portos. existência mais recente. mesmo que nela.REAMBULAÇÃO É o trabalho realizado em campo. a partir de insumos aerofotogramétricos. limitando-se a apresentar o ponto central das mesmas e a linha de vôo de cada faixa. vegetação. visando auxiliar os trabalhos de aerotriangulação e restituição. . localização. Estes pontos. Esquema de Apoio de Campo e Reambulação: Em uma base preestabelecida (normalmente em esc. . nos diafilmes. com a seguinte finalidade: .1. etc.Apostila de Geografia do Brasil É o conjunto de operações cuja finalidade é coletar. Uma coleção de fotografias para a reambulação (levantamentos em campo da toponímia dos acidentes).APOIO SUPLEMENTAR ( APOIO DE CAMPO ) É o conjunto de pontos a ser determinado no campo. mapas municipais. definido por suas coordenadas planimétricas e altimétricas. que conterá listagens de cidades e vilas.1. O material de apoio fotogramétrico (fotos e diafilmes) são enviados para a aerotriangulação. nas áreas de superposição lateral das faixas. minas. avaliar. Esse esquema é feito tomando-se por base o apoio de campo.No preparo para reambulação.) 114 . Concluidas estas operações. é construido um esquema indicando a posição relativa das fotografias distribuindo-se as fotos ímpares de cada faixa e desenhando-se os principais acidentes.1. identificando-se as fotos e procedendo-se a análise das superposicões longitudinal e lateral.O preparo para o apoio suplementar consiste em distribuir o apoio horizontal (H) e vertical (V). 4 vezes menor que a escala da foto). o material de apoio suplementar e reambulação é encaminhado para os trabalhos de campo. denominação e esclarecimentos de acidentes geográficos naturais e artificiais existentes na área da fotografia. . Nas fotografias são definidas áreas dentro das quais será escolhido o ponto para o apoio de campo.

após ajustamento. está relacionada diretamente com a escala e a finalidade da carta ou mapa. Plotagem: Com esse conjunto de coordenadas UTM procede-se então a plotagem de todos os pontos em material plástico estável. Ajustamento: Utilizando-se um programa de cálculo e ajustamento que recebe como dados de entrada as coordenadas instrumentais.Orientação exterior: Depende do referencial externo e é realizada em duas etapas. referidas ao sistema terrestre.RESTITUIÇÃO É a elaboração de um novo mapa ou carta.Relativa: Orientação do feixe perspectivo em relação ao seu homólogo. No entanto. Na seqüência.1. reconstitui-se. A quantidade de elementos a serem colhidos no campo. na escala desejada.1.1. perfurados. formando-se um modelo tridimensional do terreno. z). a partir do conhecimento da distância focal ( f ) e das coordenadas do ponto principal. ou parte dele. 2. de forma que todo o conjunto esteja referido a um sistema instrumental.Orientação interior: É a reconstituição da posição da foto em relação ao feixe perspectivo (é a colocação do diafilme na posição correta. e os pontos de apoio de campo foram planejados.modelo estéreoscópico. com a finalidade de densificar o apoio necessário aos trabalhos de restituição. independentes da escala. independente de coordenadas). ou seja. nivelado e em escala . Para gerar essas coordenadas são realizadas as orientações interior e exterior relativa.7 . Os pontos fotogramétricos foram planejados.1. . . codificados mas não possuem coordenadas. O programa realiza uma transformação de sistemas de forma que os pontos de gabinete (apoio fotogramétrico) que possuiam somente coordenadas instrumentais passem a ter também coordenadas do sistema de projeção adotado para a carta UTM.AEROTRIANGULAÇÃO É o método fotogramétrico utilizado para determinação de pontos fotogramétricos. as condições geométricas do instante da tomada das fotografias aéreas. sob a forma de traços.8 . Esse plástico conterá ainda "cruzetas" referenciais das coordenadas geográficas e das coordenadas UTM. y. na qual são levantados em campo as denominações dos acidentes naturais e artificiais que complementarão as cartas a serem impressas. através de cinco parâmetros de orientação. visando estabelecer controle horizontal e vertical através das relações geométricas entre fotografias adjacentes a partir de uma quantidade reduzida de pontos determinados pelo apoio suplementar. obtém-se as coordenadas ajustadas para todos os pontos do bloco. no aparelho restituidor. . todos os pontos de apoio fotogramétrico e de campo receberão coordenadas instrumentais (x. codificados e medidos no campo. O nome dado a esse plástico é estereominuta ou minuta de restituição . por meio de instrumentos denominados restituidores. é a transferência dos elementos da imagem fotográfica para a minuta ou original de restituição. Através de um conjunto de operações denominado ORIENTAÇÃO. em regiões com pouca densidade de elementos todos devem der reambulados.Apostila de Geografia do Brasil A reambulação é uma fase da elaboração cartográfica. 115 . a partir de fotografias aéreas e levantamentos de controle. 2. possuindo coordenadas referidas ao sistema terrestre.

É a observação em 3ªdimensão de objetos fotografados em ângulos distintos (visto de centros perspectivos diferentes). que se destina ao uso nas operações de restituição e aerotriangulação.etc. Diapositivo / Diafilme: É a cópia em vidro ou filme transparente do fotograma. 116 .ângulo em torno do eixo x (inclinação da asa) Dz . por medida de segurança. Curvas de nível c) Altimetria Cotas de altitude Curvas batimétricas. é a distância entre as estações (bx) . por intermédio de instrumentos óticos dotados de lentes especiais como. entretanto.não é calculado. de acordo com tolerâncias estabelecidas e procede-se então a operação de restituição.ângulo em torno do eixo z (desvio da rota) j . Restituidor: É o nome dado tanto ao instrumento que se destina a realizar a restituição como ao seu operador. Estereoscopia: É a reprodução artificial da visão binocular natural. Sistema viário Vias de transmissão e comunicação b) Planimetria Edificações Pontes. o observador recebe duas imagens homólogas de um mesmo objeto.etc.Absoluta: Consiste no posicionamento do conjunto de feixes perspectivos formados durante a orientação relativa. de maneira a estabelecer a posição correta do modelo em relação ao terreno. bem como no dimensionamento correto de sua escala. lagoas. Estereoscópio: Instrumento ótico capaz de permitir artificialmente a observação em 3ª dimensão das imagens que diante das lentes parecem estar situadas no infinito. e o cérebro as funde em uma única imagem. É recomendável. utilizar-se 4 ou 5 pontos.Colocar em escala: Através de pontos no terreno (2) com coordenadas plano altimétricas conhecidas e identificadas nas fotos. escolas.Apostila de Geografia do Brasil K . um em cada olho. verifica-se o resultado obtido. o estereoscópio. lagos. focados e em escala. represas.ângulo em torno do eixo y (inclinação do nariz) w . igrejas. . Dessa forma. Fases da restituição (confecção da minuta): a) Hidrografia Rios permanentes e intermitentes Massa d’ água (açudes. Após a orientação. . por exemplo.diferença de altura de vôo Dy . cemitérios.deslocamento lateral Dx . estereoscopicamente. todos os outros pontos também estarão.Nivelar: Através de 3 pontos nivelados. etc.

117 . tendo por base a análise de documentação existente. obtido pela superposição ótica parcial de dois fotogramas tomados de dois centros perspectivos distintos. a) Documentacão Básica .1. informações básicas e complementares.É utilizada diretamente na elaboração da base cartográfica: Cartas Topográficas Recobrimento Topográfico Local Recobrimento Aerofotogramétrico Cartas Náuticas e Aeronáuticas Arquivo Gráfico Municipal (AGM) Arquivo Gráfico de Áreas Especiais (AGAE) Cartas Planimétricas RADAMBRASIL Mapas Municipais Imagens Orbitais b) Documentação Informativa . 2. complementar e atualizar a documentação básica.1.2.2 .2. 2.PLANIFICAÇÃO DO PREPARO DE BASE Após análise e seleção do conjunto de dados disponíveis. do terreno. e uma vez restauradas as posições relativas de ambos quando das tomadas das fotografias. etc. levantamentos. formando um conjunto de documentos cartográficos.COMPILAÇÃO É o processo de elaboração de um novo e atualizado original cartográfico. inicia-se uma seqüência de procedimentos na qual destacam-se as seguintes etapas: a) Classificação da Documentação .É utilizada com a finalidade de identificar. e para escala e projeção únicas. executado em instrumento fotogramétrico conhecido como restituidor.Apostila de Geografia do Brasil Modelo estereoscópico: É o modelo tridimensional em escala. fotografias aéreas.. vegetação e vias. separando-se a básica da informativa.2.1 .1.1.2 . planificação do preparo de base e elaboração da pasta de informacões cartográficas (PIC). são adaptados e compilados.INVENTÁRIO DA DOCUMENTAÇÃO Os dados cartográficos são analisados conforme as características das informações apresentadas.1.1. destinadas à confecção de cartas e mapas através da compilação.É a análise de toda a documentação cartográfica encontrada.PLANEJAMENTO É a operação voltada ao inventário de documentação. e segundo a qual um ou vários mapas e cartas. Mapas Rodoviários (DNER/DER) Guias Rodoviários (Quatro Rodas) Guia de Ferrovias Atlas Físico Cadastro de Cidades e Vilas Cadastro de Faróis. São produzidas também outras folhas em material transparente que vão constar nomenclatura.1 . Minuta ou estereominuta (original de restituição): Em fotogrametria. Aeródromos e Portos 2. Esse traçado é executado sobre uma base estável. mediante os pontos nela marcados através da aerotriangulação. em base com material estável. resultante das fotografias aéreas orientadas no instrumento. 2. Minas. denomina-se minuta (ou estereo-minuta) o traçado.

visando a composição do modelado terrestre.1 . possibilitando sua representação numa escala menor ao do documento origem.Com Redução Direta: A documentação básica é reduzida diretamente para a escala da base final 118 .SELEÇÃO CARTOGRÁFICA É a simplificação dos elementos topográficos extraídos da documentação básica visando a escala final do trabalho. considerando-se como elementos de seleção as matas.Generalização: É a simplificação da forma geométrica dos acidentes. . sem comprometer a legibilidade da carta.Processo utilizado quando a documentação básica é composta de cartas cuja escala é a mesma da base final. núcleos e propriedades rurais.2.1.1.2. culturas temporárias e permanentes. Assim.1.2. campos e mangues.PASTA DE INFORMAÇÕES CARTOGRÁFICAS (PIC) Reúne toda a documentação relativa ao planejamento e elaboração da carta ou mapa.2. mantendo as feições do terreno. São informações referentes às atividades e procedimentos adotados durante todas as fases do trabalho. notas. lugarejos.Representa o relevo através de convenções cartográficas na forma de curvas de nível. visando a representação da malha de pontos que representarão a variação de altitude.A seleção dos elementos planimétricos deve ser criteriosa.É feita separadamente a partir da documentação topográfica básica em base de poliéster. a) Hidrografia . tendo a água como principal componente. considerando-se: . 2. florestas. a compilação é feita diretamente sobre as cartas. b) Compilação com Redução Fotográfica .PROCESSOS DE COMPILAÇÃO a) Compilação Direta . etc.Método de Compilação Direta . escarpas. reflorestamentos.Sistema Viário: As rodovias e ferrovias são selecionadas considerando-se a interligação das localidades selecionadas OBS: Nesta fase de seleção são incluídos os pontos cotados que serão selecionados. Conforme a região geográfica. . A representação deve incluir todos os elementos significativos para a escala final do trabalho.Este processo é utilizado quando a documentação básica é composta de cartas cuja escala é maior que a escala da base final.2 . d) Vegetação .CRITÉRIOS PARA ELABORAÇÃO DA BASE CARTOGRÁFICA 2.1.2 . quadros demonstrativos. formulários. 2. podem ser selecionados os povoados.Método de Compilação com Redução Fotográfica 2.Classificados os documentos cartográficos. .Interpolação: É a inserção de curvas de nível de cota definida e diferente da eqüidistância das curvas da documentação básica. b) Planimetria . sem necessidade de seleção e redução.1. tais como: relatórios. .3 .Inclui todos os detalhes naturais e/ou artificiais. define-se o método de compilação a ser utilizado na elaboração da base: .2. etc. c) Altimetria .Apostila de Geografia do Brasil b) Definição do Método de Compilação .Localidades: É obrigatória a representação de todas as cidades e vilas no campo da folha. sem descaracterizá-los.2. A seleção deve ser equilibrada e a densidade dos elementos topográficos a serem representados devem refletir as características básicas da região.

. atendendo aos requisitos de precisão planimétricas exigidos para as escalas do mapeamento sistemático. Os métodos para produção de mapas. 2) Em caso de redução fotográfica.2. fazendo com que a sua utilização não alcance os objetivos para os quais foram elaborados. de forma que a diferença seja distribuida dentro da mesma e. Outro método é por meio de determinações GPS (utilizado pelo México na atualização da base territorial e agora pelo IBGE. dentro de toda a folha.2. a cada quadrícula ajusta-se a redução.1 . é agravada pelo fato de grande parte encontrar-se desatualizado.2. O segundo pode ser 119 .Com Seleção: Os elementos são selecionados sobre uma base em poliéster e depois reduzidos fotograficamente para a escala final de trabalho. OBS: 1) Recomenda-se a utilização destes processos quando a região mapeada apresentar baixa densidade de detalhes. Deve-se ressaltar o menor custo aquisição de imagens se comparado a realização de novo recobrimento aéreo. são selecionados os elementos topográficos. a utilização de Sistemas de Posicionamento Global (GPS).1.3 .3. .Ajuste Cartográfico: É necessário na elaboração de bases por compilação.1. em função das diferenças apresentadas pelas reduções dos originais cartográficos em relação à plotagem da projeção.Apostila de Geografia do Brasil do trabalho. Nestes casos.1. As reduções são montadas no verso da plotagem da projeção e então. principalmente em escalas grandes. sendo que o trabalho de campo continua sendo necessário tanto para identificação de elementos nas áreas acrescidas (reambulação) como para solução de problemas de interpretação. não deve ser ultrapassado o limite de cinco vezes. Neste processo o compilador executa simultaneamente a seleção e compilação .ATRAVÉS DE FOTOGRAFIAS AÉREAS a) Através de instrumentos como "aerosketchmaster" e interpretoscópio. As imagens orbitais são importantes ferramentas para a atualização.Atualização da base: Na fase de planejamento. 2. conseqüentemente. A agilidade e a redução de custos obtidos através da utilização de imagens orbitais para atualização cartográfica vem acompanhadas de uma qualidade cada vez maior no que diz respeito à resolução espacial e multiespectral de alta tecnologia.ALGUNS MÉTODOS PARA ATUALIZAÇÃO CARTOGRÁFICA Os principais métodos de atualização de cartas utilizam documentação cartográfica existente como: fotografias aéreas e imagens orbitais. Atendendo a esta condição. 2.1 . assim como para atualização cartográfica evoluíram gradativamente com o advento de novos processos tecnológicos. como imagens orbitais. em função da periodicidade da sua tomada. cadastro de cidades e vilas. As reduções são fixadas no verso da plotagem da projeção e executa-se a compilação. das diversas projeções utilizadas e/ou meridianos centrais diferentes dos referenciados para cálculo das projeções. tratamento digital de imagens e Sistemas de Informação Geográfica (SIGs). Estas diferenças geralmente são resultantes do material usado para seleção (folhas impressas). devem ser coletados todos os documentos existentes na área a ser trabalhada. por exemplo. É indiscutível a importância do sensoriamento remoto para a cartografia.3. principalmente na área da informática com o mapeamento digital. a divergência apresentada deverá estar dentro do padrão de exatidão para a escala de trabalho. pode-se atualizar pequenas áreas onde o volume de novos dados é pequeno em relação ao volume de informações contidas no mapa a ser atualizado.1.ATUALIZAÇÃO CARTOGRÁFICA A carência de mapeamento no Brasil. . O primeiro possibilita a transferência de detalhes da foto atual para o mapa. no Censo 2000) 2.etc.

COMPILAÇÃO DA BASE A linha de obtenção de bases cartográficas por compilação é única. pois podem ser produzidas na mesma escala do mapa a ser atualizado.000. . Na atualização digital. em função da 120 .Apostila de Geografia do Brasil utilizado para o caso da foto atual estar em escala diferente da foto ou carta a atualizar. b) Os restituidores são utilizados principalmente na atualização onde o fator precisão é requerido e onde grandes áreas são envolvidas.2. através de superposição com a carta. .Cartas já existentes a) Se a escala da carta se aproxima do produto final. num dos procedimentos. o qual vai utilizar os fotoplásticos já existentes.Recorte segundo o contorno da carta. b) IMAGEM DIGITAL As metodologias para atualização cartográfica no formato digital encontram-se em constante desenvolvimento compreendendo as seguintes fases básicas: .3.Correção geométrica e georreferenciamento.000. Ex: Escala de 1:10. 2.3.000 ou menores. deve ser levada primeiramente para uma escala intermediária. com pixel/resolução espacial de 30m. . Por ocasião do surgimento do sensor TM a bordo do satélite LANDSAT-5.1. . 2. pode-se detectar as modificações ocorridas e efetuar-se as alterações.Ajuste de contraste das imagens que compõem uma carta e mosaicagem.1. Estudos na década de 80. c) Em função de seus recursos de ampliação e redução.ATRAVÉS DE DOCUMENTAÇÃO CARTOGRÁFICA O método utilizado para atualização a partir de documentação cartográfica existente e denominado compilação visa essencialmente analisar os documentos cartográficos já existentes em outros órgãos que trabalham na produção de cartas e mapas. Os métodos que envolvem a atualização cartográfica através de documentação já existente. a escala intermediária será de 1:100. basta selecionar os elementos cartográficos. 2.3. reduzir e gerar uma folha original para orientar o preparo para impressão.3 .2 .1.1. levaram a constatação da viabilidade do uso de Imagem MSS para mapeamento na escala 1:250.000.2. vão desde os chamados métodos convencionais até os modernos que se utilizam da cartografia digital.1.Atualização dos elementos cartográficos da carta digital com base na interpretação da imagem resultante da etapa anterior.2. mostrando que são viáveis para mapeamento nas escalas 1:100. a ortofoto é um meio utilizado na atualização planimétrica. realizaram-se diversas avaliações de suas imagens.000 para 1:250.2 . d) Os recursos da informática estão presentes atualmente em todas as etapas da cartografia. embora. a foto atual e o mapa a ser atualizado são transformados em arquivos digitais e superpondo-se as imagens.ATRAVÉS DE IMAGENS ORBITAIS E RADARMÉTRICAS a) IMAGENS ANALÓGICAS Pouco depois do lançamento do primeiro satélite LANDSAT já se buscava avaliar a possibilidade de atualização de cartas e mapas através de imagens pelo sensor MSS (pixel/resolução espacial de 80m). b) Se a escala for muito grande (semicadastro).

a partir de mapas e cartas digitalizadas (mapas convertidos através de sistema CAD gerando arquivos magnéticos) e compilados utilizando-se aplicativos apoiados por computador.4 .Apostila de Geografia do Brasil apresentacão final do trabalho.Planimetria: . não estarão representados os elementos altimétricos.1.DESENHO Com a finalidade de atender a projetos especiais.4.São obtidas pelos mesmos procedimentos necessários à elaboração de bases para impressão. e definidos os critérios de seleção. Representam-se: .2. A compilação da base será executada sobre uma prancha plotada com a projeção UTM. Limites 121 . como a forma de apresentação e identificação dos elementos. Nestas bases. Principais segmentos de representação de bases cartográficas: a) Bases Para Impressão Off-set . ajustando-se no verso as reduções ou elementos básicos na escala. As bases são elaboradas em computador.São bases planimétricas compiladas em material estável utilizandose somente a cor preta. ou seja. Localidades . Obras Públicas e Industriais .Hidrografia .ORGANIZAÇÃO DA BASE E APRESENTAÇÃO FINAL 2. b) Bases para Conversão para Ambiente Digital (Digitalização Automatizada) . representando-os conforme a impressão. onde são assentados temas específicos sobre as bases cartográficas elaboradas por processos de compilação.4. compilação e a PIC. Fases do desenho . Construções. em material estável.2.ORGANIZAÇÃO DA BASE COMPILADA Consiste do conjunto de folhas onde constarão as informações que serão utilizadas na fase de separação de cores e toponímia visando a impressão off-set.São elaboradas considerando-se a separação dos elementos topográficos em suas cores características.1. 2.2. com a projeção cartográfica plotada.). plástico UC4. etc. todo o trabalho já estará planejado. Sistema Viário . elabora-se o original de desenho dando um tratamento diferenciado. Folha de nomenclatura Folha de classificação de vias Folha de vegetação e massa d’água Lista de Nomenclatura 2. Os procedimentos necessários à elaboração destas bases são os mesmos que para impressão.1 . armazenadas por níveis. tinta.2 . exista uma orientação diferenciada na sua elaboração.1.Nesta fase. seleção e redução fotogramétrica das cartas topográficas em escala maior. Nível Nível Nível Nível Nível 1: 2: 3: 4: 5: hidrografia planimetria vias altimetria vegetação c) Bases Para Desenho Final . Os originais de compilação devem ser preparados separando-se os grupos de representação em categorias de informação. ou seja. seleção e redução fotográfica das cartas topográficas em escala maior e compilação dos elementos topográficos. quando do processo de digitalização. tanto pelo material utilizado (normógrafo.

ao redor dos elementos. de maneira a identificar/denominar todos os elementos naturais e artificiais. para o caso das folhas topográficas. um para cada tipo de representação correspondentes às cores: a) Azul . a que recebeu uma camada apropriada. facilmente removível. isto é. Através do negativo. funcionando como um negativo. c) Sépia .moldura.elementos hidrográficos b) Preto . sistemas viário.curvas de nível No fotoplástico (scribe-coat) são executadas as representações com traço. tendo como base o original cartográfico e as demais folhas (nomenclatura.COLAGEM (Fixação de Topônimos) É a aplicação de todos os nomes que vão constar na carta ou mapa e parte da simbologia e convenções.2 . Esses nomes são retirados e "colados" em uma folha estável. necessita de um laboratório fotocartográfico. os elementos do original cartográfico transportados são abertos ou gravados através dos carrinhos de gravação. A película.Para representar a vegetação Com os fotoplásticos (scribe-coats) e peel-coats é gerada em laboratório.2.GRAVAÇÃO /SEPARAÇÃO DE CORES DOS ELEMENTOS Na face fosca do fotoplástico. vegetação e sistema viário). 122 . isto é. quadriculados. Para representação de áreas é usado um outro tipo de plástico estável no qual se acha aderida uma leve película opaca. limites.para representar as massas d'água b) Vermelho . Retirada essa camada. os elementos gravados permitirão a passagem de luz. Os nomes são confeccionados com tipos e corpos apropriados que variam de acordo com a escala. 2. conhecido como peel-coat. 2. Após a colagem são produzidos em laboratório. No laboratório fotografa-se o original cartográfico (original de restituição ou compilação) nas suas exatas dimensões para a obtenção inicial de um negativo. a) Azul . três negativos.LABORATÓRIO FOTOCARTOGRÁFICO Um órgão cartográfico que precise dispor de uma estrutura independente para a produção dos seus originais. 2. uma camada de adesivo. são tratados e disponibilizados para a impressão. Para as folhas topográficas são produzidos três fotoplásticos. etc. é cortada e levantada. a chamada primeira prova química. que reproduz todos os elementos já em sua cor definitiva. transporta-se por meio fotoquímico as imagens do original cartográfico para o fotoplástico (plástico estável que possui uma face brilhante e a outra recoberta com uma fina e uniforme camada de tinta fosca). para os nomes que sairão nas cores azul.Apostila de Geografia do Brasil 2.3 .1 .2 .2.2. ficando transparente. em um finíssimo plástico transparente recebendo no verso.PREPARO PARA IMPRESSÃO É a etapa da produção cartográfica convencional onde os originais que reproduzem todos os elementos constantes nas fotografias aéreas (restituição) e oriundos de outros documentos cartográficos (compilação). preto e sépia. somente linhas são gravadas.para representar estradas e áreas edificadas c) Verde .

corópletas. as cartas ou mapas. multiplicá-los. como a 123 . as informações referentes a um determinado tema ou fenômeno que está presente ou age no território mapeado.9). Após uma revisão e correção são gerados então. com o auxílio de símbolos qualitativos e/ou quantitativos dispostos sobre uma base de referência.3. distintamente da geral. exprime conhecimentos particulares específicos de um tema (geologia. portanto. Como exemplos podemos citar não ser uma preocupação da Cartografia Temática. de fluxos de mercadorias. A cartografia temática ilustra o fato de que não se pode expressar todos os fenômenos num mesmo mapa e que a solução é. se são físicos e/ou estatísticos e a forma como estes devem ser graficamente representados e relacionados com a superfície da Terra.2. mais um negativo.) para uso geral. os positivos litho. geralmente extraída dos mapas e cartas topográficas. diagramas e outros recursos gráficos são utilizados para representar as formas de expressão quantitativa. de produção agrícola. cada uma das circunstâncias ou características dos fenômenos (aspectos nominais do fenômeno) são classificadas segundo um determinado padrão. A descrição qualitativa é aquela que denota qualidade. de uso da terra e outras. ou seja. constituem exemplos em que pontos. A descrição quantitativa. 2. Para algumas escalas é produzida também uma folha de colagem para o verso da carta e conseqüentemente. os nomes referentes a cada cor. constituem exemplos de representação temática em que a linguagem cartográfica privilegia a forma e a cor dos símbolos como expressão qualitativa. O objetivo dos mapas temáticos é o de fornecer. mensura o fenômeno através de uma unidade de medida ou através de um percentual. nem como foram consagrados os elementos que são concernentes à ciência ou técnica específica do tema em estudo. 2. através dos fotoplásticos.8).SELEÇÃO DE CORES DA TOPONÍMIA E GERAÇÃO DE POSITIVOS PARA IMPRESSÃO OFF-SET Nos negativos constarão todos os nomes que foram colados. com tinta apropriada. produz-se tantos negativos quantas forem as cores utilizadas. peel-coats e negativos. diversificando-os. É pertinente à Cartografia Temática.CARTOGRAFIA TEMÁTICA Os produtos da cartografia temática são as cartas. Os mapas e cartas geológicas. A representação temática.1 . É produzido um positivo para cada cor. A seguir produz-se uma 2ª prova química. Os mapas de densidade da população. dimensões dos símbolos.3 . solos. etc. que consiste em todos os elementos constantes na 1ª só que com o acréscimo de toda a nomenclatura. quais as características dos dados a serem representados. (aspecto ordinal do fenômeno) (Figura 4. ou seja. (Figura 4.4 . mapas ou plantas em qualquer escala. sendo necessário selecionar-se. chamados de fotolitos. que depois de submetidos à um controle de qualidade são finalmente liberados para a impressão gráfica obtendo-se assim o produto final cartográfico. não importando a forma pelas quais foram obtidos. destinadas a um tema específico. isarítmas.CARACTERÍSTICAS TEMÁTICAS Na elaboração de um mapa temático são estabelecidos limites a partir dos dados que lhe são pertinentes.Apostila de Geografia do Brasil No geral. geomorfológicas. 2. vegetação. de precipitação pluviométrica.

Com a expansão dos mais variados temas ocorre uma superposição de termos. Mapas do tempo. Esta classificação está mais ligada ao desenvolvimento da Cartografia em determinados países do que a um conceito universalmente aceito. Hoje. pedológico.Geográfica geográficos naturais e as obras do homem.CLASSIFICAÇÃO Classificar o ramo da Cartografia quanto ao seu produto final. O uso de mapas para conhecimentos específicos. mas sim ao conteúdo temático.Estatística conhecimentos particulares chuvas. a uma .Aeronáutica . Cartas aeronáuticas de vôo. a existência de falhas e desdobramentos. O objetivo da Cartografia Temática é como melhor proceder para que o mapa expresse os fatos e fenômenos. 124 . geografia.. ou como a demografia estabelece suas variáveis quanto as aglomerações urbanas. objeto do estudo relacionado ao tema.. a cartografia geológica constituía-se em uma particularidade. EXEMPLOS Plantas de cidades. etc. sendo portanto um meio auxiliar dessa ciência .de Síntese para uso geral econômico zonas polarizadas. impulsionando mesmo a cartografia topográfica. os acidentes . como a navegação aérea e marítima.3. e presta sua contribuição ao processo criativo da sociedade e ao próprio amadurecimento de suas técnicas e métodos científicos. de aproximação de aeroportos. determinou o aparecimento dos mapas e cartas especiais. mapas turísticos e de comunicação. A ciência pertinente a um determinado tema visa o conhecimento da verdade desses fatos e fenômenos e à Cartografia Temática cabe demonstrá-lo graficamente. cartas naúticas e oceonográficas. morfológicos. previsão. populações. nos seus fatos . cobertura vegetal. a diversidade de tipos de mapas vem pressionando a Cartografia a não poder mais ser estudada sem uma sistematização em suas formas de representação. Cartas de mapeamento sistemático.Turística determinado fim. usa-se para as cartas aeronaúticas. como ferramenta auxiliar de outras ciências. Classificação da Cartografia: DIVISÃO SUBDIVISÃO OBJETIVO BÁSICO Conhecimento da superfície . bem como os geológicos.Geotérmica técnica ou ciência Astronômica etc.Cadastral topográfica. proteção de encostas. Mapa da qualidade do subsolo para construção. não tem sido matéria de conclusão unânime. continentes.tais como: geologia. Navegação marítima.de Notação Expressar determinados Mapas da distribuição de . Mapas de países. indistintamente de " Especiais" e "Temáticos". de clima. seja na parte exclusivamente planimétrica ou na plano-altimétrica.2 . demografia entre tantas outras 2. Portanto não há somente uma sobreposição das duas expressões mas também uma tendência de distinguí-las para conter tipos de mapas que compõem a Cartografia Especial de outros que pertencem a Cartografia Temática. . .Topográfica concretos. Já no final do século passado. De um modo geral não são classificados quanto à escala. formato ou representação cartográfica.. Neste mister a cartografia deixa de restringir-se a representação geral dos aspectos topográficos da superfície da terra. econômicos. a denominação. a meteorologia e o turismo. metereologia. Geral Especial Temática Mapa geológico. Mapas .Apostila de Geografia do Brasil geologia estabelece a datação das rochas. por exemplo. geomorfologia.Náutica Metereológica Servir exclusivamente a um . Mapasmúndi. mapas do tempo. Assim.

nº 4 . os pluviométricos e mapas de isolinhas. Como exemplos de mapas temáticos de notação podemos citar: geológico. . complementadas muitas vezes por sinais gráficos característicos. 125 . os mapas de densidade. 29..1967. uso da terra. os morfo estruturais. etnográfico. A ênfase da variação aparece invariavelmente no destaque das diferenças qualitativas de um fenômeno ocorrido numa área. Assim. sob a forma de cores ou de tonalidades muito variadas. formam uma abstração intelectual. os de fluxo. .Barbosa. os de áreas homogêneas. tanto no que se refere aos elementos físicos. out. oceanográfico.Síntese. . em conjunto. em que a representação de um fenômeno. Este primeiro grupo registra os fenômenos na sua distribuição espacial. etc.Revista Brasileira de Geografia.Apostila de Geografia do Brasil A Cartografia Temática sobre a visão conceitual do cartógrafo Rodolfo Barbosa (3). os históricos etc. e assim por diante. Os mapas de síntese expressam "o conjunto dos elementos de diferentes fatos ou fenômenos". Podem ser considerados de síntese os mapas econômicos complexos. os de distribuição por pontos. (3) . são originários da técnica estatística. v. Tem a finalidade explicativa. para o fenômeno que varia em outra área. se caracterizam nesta área. é realizada mediante as suas relações externas..De notação. classifica os Mapas Temáticos em três tipos. apresentando-se de forma global. pedológico./dez. quanto aos elementos humanos. Rodolfo Pinto . Os elementos primários do tema que serão elaborados cartograficamente.Estatística. os geomorfológicos.

Apostila de Geografia do Brasil Figura 4.Potencialidade agrícola dos solos 126 .8 .

Subsídios para identificação das divisas internacionais Monitoramento ambiental. por meio de séries de cartas gerais. homogêneas e articuladas. aeronáutico. análises e pesquisas relativos à sua área de atuação. Compõem a Mapoteca Topográfica Digital . contínuas.000. Base para ante-projetos de engenharia e ambientais. regional e setoriais. Estudos e projetos governamentais 127 . e geográfica na escala 1:1. Suporte ao mapeamento náutico.MTD (Base de dados cartográficos em meio digital). 1) Mapeamento Topográfico Sistemático: Congrega o conjunto de procedimentos que têm por finalidade a representação do espaço territorial brasileiro. de forma sistemática. rodoviário e ferroviário.9 .Apostila de Geografia do Brasil Figura 4. Municípios e outros). desenvolver estudos.000. 1:50.000. São também fundamentais como instrumento de auxílio ao planejamento. Legislação de estruturas territoriais.000. Suporte ao mapeamento de unidades territotiais (Estado. Suporte ao planejamento em diversos níveis.000. São folhas das cartas topográficas nas escalas 1:25. organização e administração dos governos.Densidade da população 3 . através da utilização desses documentos cartográficos. Aplicabilidade de alguns dos principais produtos cartográficos elaborados na Diretoria de Geociências do IBGE. e 1:250.INTERPRETAÇÃO E UTILIZAÇÃO A existência dos mais diversos tipos de cartas e mapas permite aos usuários das mais variadas formações profissionais.000. Aplicabilidade: Suporte ao mapeamento temático e especial. 1:100.

Apostila de Geografia do Brasil - Cadastros e ante-projetos de linhas de transmissão. - Posicionamento e orientação geográfica. - Identificação e classificação dos estados, territórios e municípios beneficiados com "royalties" de petróleo, na faixa de fronteira situados na Zona Costeira. - Previsão de safras agrícolas. - Outros. 2) Mapeamento Temático: Objetiva produzir documentos cartográficos, em escalas compatíveis com os levantamentos dos aspectos físicos e culturais, quanto à ocorrência e distribuição espacial. São bases cartográficas em diversas escalas para subsidiar várias atividades de projetos, tais como: mapa índice, planejamento cartográfico e preparo para impressão, visando os seguintes produtos: Mapas temáticos, Mapas Murais, Atlas e Cartas especiais. Aplicabilidade: Subsidiar estudos e projetos em áreas específicas como: Recursos naturais e meio ambiente População Comércio e serviços Outros Suporte didático-pedagógico.

3) Mapeamento das Unidades Territoriais: Objetiva a representação cartográfica do Território Nacional, enfatizando a divisão político-administrativa. São mapas e cartogramas políticos Nacional, Regionais, Estaduais e Municipais. Mapas municipais, mapas para fins estatísticos e bases cartográficas em diversas escalas. Aplicabilidade: Estudos e Projetos Governamentais Referenciamento e dimensionamento de obras públicas e privadas Estudos de evolução de surtos e endemias Comunicações hidro-rodo ferroviárias Defesa Civil Finalidades científicas e didáticas Pesquisas de opinião e de mercado Mapeamento Temático.

4) Atlas: Apresentam, através de sínteses temáticas, uma visão geográfica do território, nos seus aspectos físicos, políticos, sociais e econômicos. Produtos: Atlas Nacional, Atlas Regional e Estadual, Atlas Geográfico Escolar. Aplicabilidade: Conhecimento da realidade, tendências e transformações do espaço brasileiro Instrumentalizar o sistema de planejamento na gestão territorial; Material didático; Intercâmbio internacional; Fonte de referência para estudos e pesquisas.

V - APLICAÇÕES E USO 1 - LEITURA DE COORDENADAS Na leitura de coordenadas geográficas ou planimétricas de um ponto, em uma carta ou mapa, empregamos conhecimentos matemáticos elementares tais como conceito de segmentos proporcionais e regra de três simples.

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Apostila de Geografia do Brasil A leitura de coordenadas é uma tarefa que deve ser executada com cuidado e atenção. A determinação de um ponto na carta, mediante as suas coordenadas planas E e N ou a sua latitude e longitude é um processo usado no sentido de situar um detalhe cartográfico, como o cruzamento de estradas, a foz de um rio, a torre de uma igreja, etc. No caso de se ter os valores das coordenadas e quando se precisa marcá-lo na carta, é necessário em primeiro lugar, verificar, de acordo com os valores das coordenadas em questão quais os dois pares do grid (UTM) ou paralelos e meridianos (geográficas) que abrangem o ponto a ser determinado. Para fazermos as medições, escolhemos preferencialmente uma extensão em centímetros (ou milímetros) que corresponda a um múltiplo do valor encontrado no intervalo entre os pares do grid (metros) ou paralelos e meridianos (graus, minutos, segundos) e que exceda a medida entre eles. 1.1 - COORDENADAS GEOGRÁFICAS Locar na escala 1:1.250.000 o ponto correspondente à Faz. Água da Prata, cujas coordenadas são: j = 22º 50' 42" S Faz. l = 53º 47' 34" W.Gr. Os pares de paralelos em questão são os de 22º 45’ e 23º 00’ e os pares de meridianos, 53º 45’ e 54º 00’. Usamos uma régua graduada com extensão de 15 cm (150 mm) e medimos o intervalo entre os paralelos e meridianos, com a finalidade de estabelecermos uma relação entre este intervalo, em graus, minutos e segundos e a distância gráfica entre eles, em milímetros. A medição deve ser feita fazendo coincidir o início da graduação da régua (zero) com o paralelo ou meridiano de menor valor e a maior graduação escolhida (quinze), com o de maior valor. 1º) Marcação de latitude: Verificar: - Intervalo entre os paralelos: 15’ = 900" Þ - Distância gráfica entre eles: Ou seja, a cada 1 mm correspondem 6" - Latitude indicada na carta: 22º 45’ - Latitude da Faz.: 22º 50’ 42" 1 mm ---------- 6" Para a latitude desejada faltam: 5’ 42" = 342" Logo, x = 42,222 mm = 57 mm Posicionamos a régua e marcamos dois pontos afastados um do outro, com o valor encontrado (57 mm), ligando-os a seguir e traçando uma reta horizontal, ou marcamos um único ponto e, com um esquadro, traçamos uma reta horizontal paralela ao paralelo. 2º) Marcação da longitude: 129 Þ x --------- 342" 150 mm ---------1 mm x x = 6" 150 mm --------- 900"

Apostila de Geografia do Brasil Verificar: - Intervalo entre os meridianos: 15’ = 900" Þ - Distância gráfica entre eles: 150 mm 1 mm --------- x x = 6" Ou seja, a cada 1 mm correspondem 6" - Longitude indicada na carta: 53º 45’ - Longitude da Faz.: 53º 47’ 34" Para a longitude desejada faltam: 2’ 34" = 154" Logo, x = 25,6 mm O procedimento é o mesmo que o adotado para a latitude, ou seja, posicionamos a régua e marcamos o valor de 25,6mm em dois pontos diferentes, ligando-os e traçando assim, uma reta vertical, ou marcamos um único ponto e, com um esquadro, traçamos uma reta vertical paralela ao meridiano. No cruzamento entre as duas retas traçadas estará o ponto desejado, determinado pelas coordenadas dadas, ou seja, a Faz. Água da Prata. (Figura 5.1) 1 mm ------------ 6" Þ x ------------ 154" 150 mm --------- 900"

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em uma carta na escala 1:50. Se usarmos uma distância gráfica de 10 cm (100 mm). sendo este o erro máximo que poderá ser cometido.368.2 .750m 1º) Marcação da Coordenada N: Para marcarmos a coordenada N.2000 m Þ x = 20 m 131 . Ex: Locar o ponto A.000.000m. O intervalo entre as linhas do grid é de 2.Apostila de Geografia do Brasil Figura 5. a cada 1 mm corresponderão 20 m.368.Marcação de coordenadas geográficas 1.COORDENADAS PLANIMÉTRICAS O procedimento para marcação de um ponto de coordenadas planas conhecidas é o mesmo utilizado para coordenadas geográficas. respectivamente.000 m (distância real no terreno) e a distância gráfica estabelecida: 100 mm ---------.700 m A E = 351.000m e 7. Estabelecemos uma relação entre o intervalo de 2.370.1 .000m representados na carta por 7368 e 7370. cujas coordenadas planimétricas são: N = 7. as linhas do grid em questão são as de valores 7.

para a coordenada do ponto precisamos acrescentar 1750 m.2).20m Þ Logo.000m ( 7368 ). Assim como no caso da coordenada N.700m Medimos 35 mm na carta. encontraremos os mesmos valores de intervalo entre as linhas do grid e a distância gráfica entre elas.1750m Medimos 87. partindo da menor para a maior coordenada. de 350 para 352 e marcamos um ponto.000 m (350). precisamos portanto acrescentar 700m para a coordenada dada. portanto a relação é a mesma. determinado pelas coordenadas dadas.000 m cujos valores na carta são representados por 350 e 352 respectivamente. traçando a seguir uma reta horizontal passando por este ponto. 132 .000 m e 352. 2º) Marcação da Coordenada E: As linhas do grid em questão são as de valores 350. 7368 para 7370 e marcamos um ponto. dentro do intervalo entre as linhas do grid. Já temos na carta a linha do grid de valor 7. partindo da menor para a maior coordenada. a cada 1 mm correspondem 20 m. ou seja. ou seja.20m Þ Logo. a cada 1 mm na régua. Na carta já temos a linha do grid de valor 350. No cruzamento entre as duas retas traçadas estará localizado o ponto A desejado. (Figura 5.Apostila de Geografia do Brasil 1 mm -----------. correspondem 20 m no terreno.368. 1mm ----------.x Ou seja. x = 35 mm x -----------.2). dentro do intervalo entre as linhas do grid. ou seja. x = 87. portanto.5 mm x -----------. 1mm ---------. (Figura 5.5 mm na carta. traçando a seguir uma reta vertical passando por este ponto.

minutos e segundos obtendo assim as coordenadas desejadas. mediremos a distância da referência (linhas do grid ou paralelos e meridianos) até o ponto desejado e calcularemos em metros ou graus. ao contrário de acharmos a medida em milímetros para marcamos na carta. 1.Apostila de Geografia do Brasil Figura 5. Para lermos as coordenadas (geográficas ou planimétricas) de um ponto qualquer em uma carta ou mapa. apenas.2 .3 .Marcação do ponto A através das suas coordenadas UTM.ALTITUDE DE UM PONTO NA CARTA 133 . o processo é o mesmo.

Apostila de Geografia do Brasil Altura do ponto P: H P = 500m + PD ( D h ) Triângulos Semelhantes: D APD ~ D ABC PD ------AD BC = ----AC AD PD = -----AC ==> x BC Onde BC = Eqüidistância Vertical 1. dh = Diferença de altura BC (Eqüidistância vertical) dH = Distância horizontal AC (distância entre os pontos) Assim.DECLIVIDADE Declividade é a relação entre a diferença de altura entre dois pontos e a distância horizontal entre esses pontos.4 . dh Declividade (D) é a relação : dH A tg expressa o coeficiente angular de uma reta em relação ao eixo das abcissas dh tg a = dH Para expressarmos a declividade em graus: dh arc tg dH Quando expressamos em percentual a declividade de uma inclinação: dh Rampa = tg a x 100 = dH x 100 =a=D 134 .

Apostila de Geografia do Brasil 135 .