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SEXO ANAL É PECADO?

Por: Psic. Carlos Catito

Tenho um problema.

Fiquei separada do pai da minha filha quase quatro anos. Após a separação me converti. Não éramos
casados no civil. Agora nós iremos casar.

O que acontece é o seguinte: nós praticávamos sexo anal. Reatamos e continuamos a praticar. Só que
eu fui pesquisar sobre o assunto e descobri que isto é abominação para Deus. (sodomia).

Convercei com ele e expliquei a situação. Ele me disse que vai tentar parar. Eu não quero mais. Estou
arrependida, pois não sabia que era abominação. Não sabia que no versículo que fala sobre
abominações, sodomia, era prática de sexo anal.

Não sabia que entre homens e mulheres era pecado. Achava que tudo dentro de um casamento era
permitido desde que os dois concordassem. Porém não é. Dou graças a Deus que descobri isso.

Estou disposta a parar, pois não quero desagradar a Deus e perder minha salvação. Estou com medo da
reação do meu marido, pois ele ainda não entende completamente a obediência a Deus como as
pessoas convertidas apesar de respeitar minha opção e minha religião.

Estou disposta a obedecer a Deus custe o que custar, nem que isso signifique perder o homem que eu
amo. Estou tão abatida depois que descobri que era abominação que não consigo nem mais orar, pois
acho que Deus não está me ouvindo. E como devo reagir caso meu marido insista?

Obrigada por me ajudar.

A.

Prezada irmã A:

Recebemos sua solicitação de ajuda a respeito do relacionamento sexual entre você e seu esposo. Agradecemos a
confiança em nós depositada.

O primeiro ponto a esclarecer a você é sobre o conceito de SODOMIA. Originalmente o termo estava ligado à
história de Sodoma na qual havia uma pratica de relações sexuais entre homens daí deriva o termo. A
popularização do termo levou ao entendimento que se referia a práticas de sexo anal, mas contextualmente temos
que entender que a Bíblia se refere a sodomia como o sexo praticado entre dois homens (no qual não
necessariamente tem o coito anal – dois homens podem ter relações sexuais apenas com masturbação mútua).

Após este entendimento inicial, temos que ver o projeto de Deus para a sexualidade do casal. A sexualidade não
foi criada para ser elemento de desunião, mas sim de unidade entre o casal. Nossa sociedade deturpou este
projeto original e sutilmente transformou a finalidade da sexualidade como sendo o prazer individual.

Com toda a certeza o sexo tem um enorme potencial de gerar prazer físico e emocional, mas NÃO é esta a única
finalidade do mesmo. Na criação o objetivo de Deus criar homem e mulher foi para que se tornassem
COMPANHEIROS (Gen. 2:18). Ora o objetivo último da intimidade do casal é aprofundar o vínculo de
companheirismo. Este estreitamento se dá não só nas relações sexuais propriamente ditas, mas em todas as
pequenas expressões de ternura e carinho que indiretamente tem a ver com a sexualidade.

Meu entendimento é que, quando o casal cultiva uma relação de ternura e companheirismo, onde o diálogo é o
elemento essencial de construção deste companheirismo, a relação sexual é uma conseqüência natural da
expressão afetiva do casal. Em última instância é o desejo de dar ao outro um desfrute e um prazer que revelem
minha ternura e minha cumplicidade neste projeto de construção do relacionamento conjugal.

Desta forma, minha irmã, o entendimento de PECADO não está restrito a uma forma específica de relação (ou
posição de se fazer amor, ou lugar específico), mas a TODA e qualquer violação do outro – tudo aquilo que seja
feito por imposição. Explico melhor: se, por exemplo, a esposa não está com vontade de ter relações sexuais e o
marido “força a barra” e ela cede só por ceder, esta relação, mesmo sendo feito sexo vaginal e na posição mais
tradicional, pode ser tão perversa e pecaminosa aos olhos de Deus quanto a pior das relações pervertidas. Porque
fere a dignidade e o respeito pelo outro.

Deus quer que o sexo seja sempre uma expressão de amor e ternura e não algo forçado e imposto ao outro.
Então, o estabelecimento de inúmeras regras (do que pode ou não pode, local, forma de se fazer), será sempre
legalismo se não houver amor. Por isso entendo que as regras de respeito ao próximo devem ser construídas em
um diálogo profundo e amoroso entre o casal e não simplesmente adotadas a partir do ponto de vista de outros
(mesmo do meu ou do mais santo dos pastores).
Jesus disse que TODA a lei se cumpre no amor a Deus e ao próximo (Mateus 22:37 a 40). A ternura e o respeito
ao outro são expressões de amor – não o legalismo árido que impõe ao outro um padrão de certo ou errado que ás
vezes fere e machuca o outro.

Concluindo eu utilizaria as palavras de Jesus que disse: “Se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e
fariseus, jamais entrareis no reino dos céus”. (Mateus 5: 20). E conclamo a você minha irmã e aos demais irmãos
que procurem sempre ir além do legalismo árido, da lei seca imposta de fora para dentro, e antes busquem no
relacionamento sempre a construção da ternura, do companheirismo e do amor, através de um diálogo aberto e
transparente sobre as questões mais profundas da intimidade a dois.

Na esperança de poder ter ajudado na construção da intimidade de vocês,

Fraternalmente,

Dr. Carlos “Catito”

Psicólogo e terapeuta de casais e família, autor do livro ‘Macho e Fêmea os criou: celebrando a sexualidade’ –
Editora Ultimato

Fonte: http://www.clickfamilia.org.br